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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

INSTITUTO DE LETRAS
DEPARTAMENTO DE LETRAS VERNÁCULAS
LET A27 – A LÍNGUA PORTUGUESA NO DOMÍNIO DA ROMÂNIA

A EXPANSÃO DO LATIM:
O PROCESSO DE ROMANIZAÇÃO
O Latim tem como centro difusor Roma e o Império romano. Desde o
século VIII a.C., (753 – fundação de Roma), até o século V d.C., Roma
fortalece o seu poder e conquista boa parte do mundo até então
conhecido.

O latim clássico ou literário atravessa os séculos, conservando mais


ou menos a mesma forma desde o período de Plauto e Cícero (séc I
a.C) até o século XIII, quando deixa de ser a língua dos textos oficiais
do reino Português. (A igreja, contudo, mantém o latim, até os dias de
hoje como a língua oficial).

Por sua vez, a língua falada, ou latim vulgar, no início


apenas oral, evoluiu e diversificou-se, por fatores
diversos, dando origem a diferentes línguas, chamadas
de línguas românicas.
Origens de Roma : explicação histórica e Monarquia
Romana (753 a.C a 509 a.C)
De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da
mistura de três povos que foram habitar a região da península itálica:
gregos, etruscos e italiotas. Desenvolveram na região uma economia
baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta
época, era formada por patrícios (nobres proprietários de terras) e
plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos proprietários). O sistema
político era a monarquia, já que a cidade era governada por um rei de
origem patrícia.
A religião neste período era politeísta, adotando deuses semelhantes
aos dos gregos, porém com nomes diferentes. Nas artes destacava-se
a pintura de afrescos, murais decorativos e esculturas com influências
gregas.
República Romana (509 a.C. a 27 a.C)

Durante o período republicano, o senado Romano


ganhou grande poder político. Os senadores, de
origem patrícia, cuidavam das finanças públicas, da
administração e da política externa. As atividades
executivas eram exercidas pelos cônsules e pelos
tribunos da plebe.
A criação dos tribunos da plebe está ligada às lutas dos
plebeus por uma maior participação política e
melhores condições de vida. Uma das conquistas
destas lutas foi a Lei das Doze Tábuas que, entre
outras conquistas, acabou com a escravidão por
dívidas.
Formação e Expansão do Império Romano

No início da civilização romana (século VI a.C.


– criação da República), a cultura latina
parecia destinada ao desaparecimento, pois
encontrava-se cercada por duas grande
civilizações, o gregos ao sul, e os etruscos ao
norte. Confrontada com essa situação, Roma
decidiu desenvolver-se, tendo no Rio Tibre o
seu mais forte aliado. A partir do século VI
Roma começa a sua ascensão. A República vai
até o século I a.C.. E o Império até o século V
d.C.
Após dominar toda a península itálica,
os romanos partiram para as conquistas
de outros territórios. Com um exército
bem preparado e muitos recursos, a
partir do século III a.C., ficou claro o
caráter expansionista das guerras
romanas. No sul da península, as
cidades de origem grega foram
derrotadas e conquistadas, ao mesmo
tempo em que começavam as Guerras
Púnicas (contra os cartagineses).
GUERRAS PÚNICAS
http://www.youtube.com/watch?v=oGYc6DS380Y
 A Segunda Guerra Púnica ficou famosa pela travessia dos Alpes, efetuada
por Aníbal, e desenrolou-se de 218 a.C. até 202 a.C. Desenvolveu-se quase
toda em território romano. Liderados por Aníbal, os cartagineses
conquistaram várias vitórias. O quadro só se reverteu com a decisão romana
de atacar Cartago. Aníbal viu-se então obrigado a recuar para defender sua
cidade e acabou derrotado na Batalha de Zama. Roma assumiu o controle da
Península Ibérica.
 A Primeira Guerra Púnica foi principalmente uma guerra naval que se
desenrolou de 264 a.C. até 241 a.C. Iniciou-se com a intervenção romana em
Messina, colônia de Cartago situada na Sicília. O conflito trouxe uma
novidade para os romanos: o combate no mar. Com hábeis marinheiros,
Cartago era a principal potência marítima do período.Os romanos só
conquistaram a vitória após copiar, com a ajuda dos gregos,os barcos
inimigos. Roma conquistou a Silícia, Córsega e a Sardenha.

 A Terceira Guerra Púnica, que se desenrolou de 149 a.C. a 146 a.C. Roma foi
implacável com o inimigo. Sob a liderança de Cipião Emiliano Africano atacou
e destruiu completamente a cidade de Cartago, escravizando os sobreviventes.
A cidade foi incendiada e suas terras cobertas com sal para que nada mais
produzissem. Com isso completou-se o ciclo de batalhas que deu grande parte
do mar Mediterrâneo aos romanos.
O trabalho dos escravos

Em consequência das guerras de expansão, os escravos em Roma eram muito


numerosos. Não eram considerados seres humanos, mas sim propriedades e,
portanto, eram explorados e vendidos como mercadorias. Seu trabalho, no
artesanato e na agricultura, era decisivo para a produção de bens necessários para a
sociedade. Podiam comprar a sua liberdade ou então serem libertados pelo
proprietário. A partir do século II a.C., sucederam-se diversas rebeliões de escravos,
como a comandada por Espártaco.

O exército romano

O Império Romano dependia de um exército forte e bem organizado, que realizava


as campanhas de expansão e defendia as fronteiras. Os legionários eram a base do
exército romano; a maioria deles era de voluntários. Para entrar no exército era
imprescindível ser cidadão romano. O exército estruturava-se em legiões de seis mil
soldados, cada uma dividida em dez cortes.
-241 –238 Conquista da Sicília, Sardenha, Córsega, que
se transformam em províncias romanas;
-197 Conquista da Península Ibérica – devido à 3º
guerra púnica contra os cartagineses
-191 Conquista da Gália Cisplatina (norte da Itália)
-148 -146 Conquista da Macedônia e da Grécia (que não
foi propriamente romanizada, submissão política e
supremacia cultural)
-146 Expedições na África
-120 Conquista da Gália transalpina e o sul da França
-58 –50 Conquista da Gália setentrional (França)
+43 +49 Primeira expedição à Bretanha (Inglaterra)
+106 +124 Conquista da Dácia (Romênia)
Começou em 218 a.C., com a ocupação da costa
catalã, em decorrência da guerra contra os
cartagineses. Porém, a revelou-se lenta e difícil,
sobretudo, a parte noroeste da PI (referente à
Galícia hoje, berço da língua portuguesa), que
só foi conquistada em 27 d.C, e que no entanto
só pode ser considerada uma província
autônoma em 216 d.C. cerca de 400 anos
depois da chegada dos romanos à península.
Em 216 d.C, tempo do Imperador
Caracalla, a região noroeste da PI recebeu
o nome de Gallaecia et Asturica (galécios
e astures).
A tardia implantação do latim entre essa população
favoreceu as línguas pré-romanas, que puderam
sobreviver por um período mais longo, sobretudo em
comparação ao que aconteceu na região da Bética (séc I
d.C.).

A sobrevivência das línguas de substrato no NW da PI


até pouco antes da queda do império romana favoreceu
a influência dessas sobre o latim, uma influência
inovadora.

Mas porque o Português é tido como


uma língua conservadora em relação ao
latim ???
A romanização não se deu de forma uniforme em todo o território
conquistado, e diversos fatores contribuíram para a diferenciação da
língua latina, dando origem às línguas românicas.

Fatores sociais: 1) a cronologia da romanização


2) as diferentes correntes de romanização 3) a
origem social e geográfica dos agentes de
romanização;

Fatores intra-linguísticos: 4) a diversidade dos


substratos étnicos, 5) as posteriores invasões.
A tardia implementação do latim no NW
da Península Ibérica (berço da língua
portuguesa), na região chamada de
GALLAECIA ET ASTÚRICA, concedeu
às línguas pré-romanas uma sobrevida
que não ocorreu com outras línguas em
outras regiões romanizadas. Como, por
exemplo, na região da Bética, a primeira
a ser romanizada, (séc I d.C).
CRONOLOGIA
Cronologia - Península Ibérica (século II a.C.)

Teoria de Gröber (1884) - centra-se apenas na cronologia e somente


nela tenta explicar toda a diferenciação do Latim Vulgar.

Pacificação do Noroeste peninsular - Campanha de Júlio César (61ª.C.)


a Campanha de Augusto (27 d. C.)

N.W. - Posição periférica e difícil acesso em relação à Urbe


preservaram certos arcaísmos lexicais

Gallaecia et Asturica - somente recebeu o estatuto de província


autônoma em 216 d. C.

Consequências da tardia implantação do Latim no NW.


CORRENTES DE ROMANIZAÇÃO
DA PENÍNSULA IBÉRICA
DIVISÕES ADMINISTRATIVAS DA
PENÍNSULA IBÉRICA
Durante a romanização, a Península ibérica passou por
três tipos de divisão administrativa.

• A primeira subdivisão, separava a península em duas partes


administrativas: a hispânia ulterior (sul e oeste) e a hispânia citerior
(norte e leste)

• A segunda subdivisão, separava a península em três partes: a


província Tarraconense (citerior), e as províncias da Bética e da
Lusitânia (ulterior).

• A terceira e última subdivisão do PI, no império romano, se deve a


romanização do NW, quando foi criada a província Gallaecia et
asturica.
A 27 a.C, o general e político Marco Vipsânio Agripa reorganizou a península em
três partes, basicamente pela divisão da Hispânia Ulterior na Bética (com
correspondência à actual Andaluzia) e na Lusitânia (que incluía a Galécia e as
Astúrias), e na anexação da actual Cantábria e do País Basco à Hispânia Citerior.

O imperador Augusto regressaria à península ainda no mesmo ano, para consagrar


a nova reorganização:

• Hispania Ulterior Baetica, com capital em Córdoba. Incluía um pouco menos da


actual Andaluzia — a actual Almeria e as províncias de Granada e Jaén ficaram
de fora — mais a zona a sul da actual cidade de Badajoz. O rio Anas,
ou Annas (actual Guadiana, de Wadi-Anas) separavam a Hispânia Bética da
Lusitânia;

• Hispania Ulterior Lusitania, cuja capital foi estabelecida em Emerita


Augusta (actual Mérida), sendo excluídas a Galécia e as Astúrias;

• Hispania Citerior, com capital em Tarraco (actual Tarragona). Com o tempo, a


província ganharia importância e seria conhecida por apenas
Tarraconensis (Tarraconense); compreendia a Galécia (actual Galiza), norte de
Portugal e Astúrias.
Quando Camões escreveu os Lusíadas,
ele tomou como origem ancestral
portuguesa, os povos lusitanos. Essa é
uma controvérsia até hoje discutida, pois
para alguns filólogos, a nação
portuguesa nasce na galícia junto com a
língua, e não dos descendentes de
Viriato, o herói lusitano, morto pelos
romanos.
Partindo para análise da língua na PI, pode-
se dizer que havia duas principais regiões
romanizadas, a Bética, totalmente latinizada,
linguística e culturalmente, tendo portanto,
um latim mais conservador, e a
Tarraconense, rota obrigatória para os
legionários, colonos e mercadores, que por
isso era a porta de entrada para as inovações
linguísticas, neologismos, estrangeirismos,
sendo, portanto, menos conservadora. A
Lusitânia e a Gallaecia et Asturica sofriam
influencias da Bética.
Essa configuração fragmentada do cenário sócio-político-
administrativo da PI, desde cedo, abriu espaço para a
diferenciação linguística.

Além desse fator, sabe-se que as correntes de


romanização, ou seja, os legionários que iam
romanizar, em geral, não eram romanos
propriamente ditos, esses eram uma minoria; a
grande maioria eram colonos falantes de
variedades latinas bem distintas da variedade da
URBE. Assim, não é latim de Roma que vai ser
difundido, mas de províncias altamente
influenciadas pelos substratos osco, umbro e
sabélico.
Em resumo, o latim falado nas
diferentes regiões do Império
Romano tinha uma realidade tão
diversificada que, no século III da
nossa era, a unidade linguística do
império já não existia. Essa imensa
diferenciação dialetal é uma das
principais causas da transformação
do latim nas línguas românicas.
Mattoso Câmara afirma:

"A diferenciação dialetal explica-se, sempre, em parte, pela história cultural e


política e pelos movimentos de população e, por outra, pelas próprias forças
centrífugas da linguagem humana, que tendem a cristalizar as variações e criar
dialetos em qualquer território, relativamente amplo, e na medida direta do
maior ou menor isolamento das áreas regionais em referência ao centro
lingüístico irradiador“ (1979).

Várias causas de caráter político-cultural são apontadas por Mattoso Câmara


para a diversificação linguística da România:

a) o fator cronológico - as regiões foram romanizadas em momentos diferentes,


recebendo, portanto, o latim em diversos momentos de sua evolução;
b) o contato entre a cultura romana e as diferentes culturas dos povos
conquistados;
c) a grande diversidade socioeconômica das regiões conquistadas;
d) e as diferentes correntes de romanização.
A o maior centro difusor de inovação é
Roma, quanto maior o acesso à língua da
capital do império, maior o acesso às
inovações. Então as vias de comunicação
serão muito importantes, quanto mais
próxima das rotas comerciais, maior a
possibilidade de atualização linguística.
Na PI, a rota por terra atingia a província Tarraconense,
enquanto que para atingir à Bética o viajante tinha de
recorrer a navios. Assim o isolamento era maior.

A partir do século III d.C., o início do declínio


do Império, a PI passou a sofrer um maior
isolamento, como a diminuição das correntes
de viajantes. O ensino oficial, já precário, entra
numa crise ainda maior, ainda que tenha
resistido até o século VIII d.C. Passando a ser o
cristianismo o maior difusor da língua latina,
nesse período.