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PSICOLOGIA: UMA NOVA

INTRODUÇÃO
ALESSANDRO BACCHINI
HISTÓRICO DA PSICOTERAPIA

• A Psicologia possui diversas áreas de atuação,


dentre elas a psicoterapia;
• Definição introdutória: “[...] métodos de tratamento
para os problemas emocionais” (SOUZA; TEIXEIRA,
2004, p. 46);
• Usualmente essa relação tem com objetivos
remover ou modificar comportamentos ou sintomas
existentes, prevenir sua aparição e em última
instância promover crescimento pessoal, bem
como o
desenvolvimento
da personalidade.
HISTÓRICO DA PSICOTERAPIA

• A psicoterapia existe bem antes da formalização


da psicologia como ciência;
• Em suas origens, envolve a relação “entre um
suplicante e um curandeiro” em torno de questões
morais, religiosas, emocionais, entre outros;
• Psicoterapia com o sentido de “iluminação”;
• Uma das diferenças entre a Antiguidade e as
terapias contemporâneas: não exigiam
auto-revelação do paciente;
HISTÓRICO DA PSICOTERAPIA

• Messer e Wachtel (1997): ‘apropriação’ das práticas


religiosas pelas ciências;
• Raízes: Medicina antiga, na religião, na cura pela fé e
no hipnotismo;
• Século XIX: começou a ser utilizada para tratamento de
doenças nervosas e mentais - restrita aos psiquiatras;
• Século XX: utilizada por psicólogos, psiquiatras, médicos
clínicos, enfermeiros e assistentes sociais, sendo
reconhecido o fato de ser um campo interdisciplinar
(RODRIGUES; BRITO, 2009).
• Porém, se conservou o termo “psicoterapia” e outras
terminologias de origem médica, como diagnóstico,
doença, etiologia, paciente e psicoterapeuta.
HISTÓRICO DA PSICOTERAPIA

• “A psicoterapia, portanto, em seu sentido mais


amplo, envolve um tipo especial de interação
única, na qual há aquele que precisa de ajuda,
pois seu sofrimento é, de alguma forma,
ocasionado mais pela mente do que pelo corpo, e
há aquele que prestará o serviço, o qual é
escolhido para auxiliar, pois se espera que, por
meio de sua empatia, sabedoria e conhecimento,
possa oferecer condições de ajuda para aquele
que o procura, por meio do instrumento da palavra
falada (STONE, 2005), embora seja sabido que
alguns enfoques teóricos não se atenham a esse
instrumento, apenas”.
HISTÓRICO DA PSICOTERAPIA

• As teorias e técnicas psicoterápicas abrangem as


psicoterapias breves de apoio, destinadas a auxiliar o
paciente a superar dificuldades momentâneas
(GRETHER; HASSENE, 2007; WEISSMAN; MARKOWITZ;
KLERMAN, 2009); a terapia comportamental que utiliza
exposição in vivo, a prevenção de resposta, o
condicionamento clássico (COELHO, 2008; D’EL REY;
PACINI, 2006); a ludoterapia infantil (CAMPOS; CURY,
2009; SEI, 2008); as terapias de grupo, de família e de
casais (ALMEIDA; COSTA; GOMES, 2009; CAÑETE;
VITALLE; SILVA, 2008; MOTTA; SANTOS, 2002); psicodrama
(COSTA; DIAS, 2005; GULASSA, 2007); a psicanálise e a
psicoterapia de orientação analítica que se propõem,
dentre outras, a modificar aspectos da personalidade
pela obtenção de insight (FINKEL, 2009; SANTEIRO, 2008).
WHILHELM WUNDT (1832-1920)

• Da medicina à fisiologia;
• Assistente do laboratório de
fisiologia em Heidelberg –
“tarefa enfadonha”;
• 1864 – Professor associado em
Heidelberg;
• 1858 a 1862 – Livro marco:
“Contribuições para a Teoria
da Percepção Sensorial”, onde
se utiliza pela primeira vez o
termo Psicologia Experimental.
WHILHELM WUNDT (1832-1920)

• 1863 – “Conferências sobre


as Mentes dos Homens e
dos Animais”: tempo de
reação e a psicofísica;
• 1873 a 1874 – “Princípios de
Psicologia Fisiológica”: esse
livro estabeleceu
firmemente a psicologia
como ciência de
laboratório, com suas
próprias perguntas e
métodos de
experimentação.
WHILHELM WUNDT (1832-1920)

• Para Wundt, a psicologia


era uma ciência
intermediária entre as
ciências da natureza e as
ciências da cultura;

• Sua obra se estende da


psicologia experimental
fisiológica à psicologia
social.
MÉTODO EXPERIMENTAL

• Métodos das ciências naturais: o experimento


(interferência proposital) e a observação (apreensão dos
fenômenos).
• As principais áreas de pesquisa: intensidade das
sensações, sensações táteis, psicologia do som, sensações
de luz, gustação, olfação, percepções espaciais, curso
das representações, estética experimental, processos
atencionais, sentimentos e afetos, processos de
associação e memória, etc (Wundt, 1909);
• Experiência imediata como objeto de estudo: é a
experiência tal como o sujeito a vive antes de se pôr a
pensar sobre ela, antes de comunicá-la, antes de
"conhecê-la".
PSICOLOGIA CULTURAL (ENTRE 1900 E
1920)
• A psicologia cultural: investigação dos vários estágios do
desenvolvimento mental, manifestos na linguagem, na
arte, nos mitos, nos costumes sociais, na lei e na moral.
• As implicações dessa obra para a psicologia têm um
significado maior do que o seu conteúdo; ela serviu para
dividir a nova ciência da psicologia em duas partes, a
experimental e a social.
NOÇÕES GERAIS

• Com o método
experimental, Wundt
verifica as experiências
imediatas e as formas
simples de combinação
entre esses elementos;
• Já na psicologia cultural, o
Unidade psicofísica: corpo método é comparativo.
e mente interagem como • Verificar o processo de
unidade, embora síntese: a organização da
possuam princípios experiência é um processo
diferenciados. ativo e criativo
(apercepção) e não um
Problema!? mecanismo passivo;
WUNDT E SUAS INSPIRAÇÕES ATUAIS

• Embora Wundt tenha sido


amplamente criticado pela
dificuldade epistemológica
em trabalhar com métodos
tanto das ciências naturais
como das ciências
humanas, sua atitude já
inscreve a psicologia como
uma ciência que se
inscreve no campo do
limiar epistemológico e,
portanto, na ordem dos
desafios.
EDWARD BRADFORD TITCHENER
(1867-1927)
• Principal responsável pela divulgação da obra de
Wundt nos EUA;
• Redefine o objeto da psicologia como sendo a
experiência dependente de um sujeito - sendo este
concebido como um puro organismo e, em última
análise, como um sistema nervoso -, e não mais a
experiência imediata.
• Psicologia no campo apenas das ciências
naturais?
EDWARD BRADFORD TITCHENER
(1867-1927)
• Titchener defende a posição denominada paralelismo
psicofísico, em que os atos mentais ocorrem lado a lado a
processos psicofisiológicos;
• Um não causa o outro, mas o fisiológico explica o mental.
• Como a mente e o corpo andam lado a lado, é possível
fazer psicologia usando exclusivamente os métodos das
ciências naturais: a observação e a experimentação.
• Na psicologia, a observação se daria sob a forma
de auto-observação ou introspecção, em que os
sujeitos experimentais seriam treinados para
observar atentamente e descrever com total
objetividade suas experiências subjetivas em
situações controladas de laboratório.
A PSICOLOGIA FUNCIONAL

• Em oposição à psicologia titcheneriana, mas


também situando os estudos psicológicos entre as
ciências naturais, surgiu nos EUA o movimento da
psicologia funcional, representado por autores
como John Dewey (1859-1952), James Angell (1869-
1949) e Harvey Carr (1873-1954).

• Os psicólogos funcionalistas definem a psicologia


como uma ciência biológica interessada em
estudar os processos, operações e atos psíquicos
(mentais) como formas de interação adaptativa.
PSICOLOGIA FUNCIONAL E A
DIVERSIDADE DE MÉTODOS
• Não excluem a auto-observação, embora não
aprovem a introspecção experimental no estilo
titcheneriano.
• Em compensação, se os processos e operações
mentais se expressam em comportamentos e estes
são facilmente observáveis, podemos estudar
indiretamente a mente a partir dos
comportamentos adaptativos.
O COMPORTAMENTALISMO

• Oposição a Titchener e relativa oposição ao


funcionalismo;
• John Watson (1878-1958), o objeto da "psicologia“
científica já não é a mente, mas o comportamento
e suas interações com o ambiente.
O COMPORTAMENTALISMO:
OPOSIÇÕES
• Paralelismo psicofísico: se o psíquico apenas
acompanhava o físico, sendo somente explicado
por este, por quê estudar a mente?
• Auto-observação: já não se mostrava um método
aceitável na nova doutrina;
• Unidade psicofísica de Wundt: se é um problema
saber como corpo e mente interagem, dá-se às
costas para a experiência imediata.
COMPORTAMENTALISMO DE WATSON

• Nessa medida, o "sujeito" do comportamento não é


um sujeito que sente, pensa, decide, deseja e é
responsável por seus atos: é apenas um organismo.
Enquanto organismo, o
ser humano se
assemelha a qualquer
outro animal, e é por isso
que essa forma de
conceber a psicologia
científica dedica uma
grande atenção aos
estudos com seres não
humanos, como ratos,
pombos e macacos,
entre outros.
Filme: 1984

• A perspectiva de controle sobre o comportamento


de Watson enquadra-se na busca de uma
sociedade administrativa e estritamente funcional.
A literatura do início do século XX construiu utopias
(ou anti-utopias"), como 1984, O processo,
Admirável mundo novo ou, nos anos 60, A laranja
mecânica, que talvez representem o temor pela
possibilidade de efetivação de tal controle.
PROJETOS DE PSICOLOGIA E
CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO
• Condições para a emergência de projetos de
psicologia científica eram duas:
• a) experiência subjetiva privatizada; e
• b) a crise dessa experiência, com o
reconhecimento de que o sujeito não é tão livre
como julga, nem tão único como crê.

• É isso que leva à necessidade de superar a


experiência imediata para compreendê-la e
explicá-la melhor.
“(...) somos apenas
organismos sujeitos
às leis gerais do
comportamento na
sua interação com
o ambiente”.

• O comportamentalismo não é um projeto de


psicologia científica, mas o projeto de uma nova
ciência que deveria ser, segundo Watson, uma
ciência natural, um ramo da biologia.
• Tarefa científica de desiludir.
HUMANISMO VERSUS
COMPORTAMENTALISMO
• No entanto, a experiência imediata não deixa de
existir unicamente por não se conseguir explicar.
• Alguém se identifica com a imagem do homem
watsoniano?
• Mas se a auto-observação é um problema
epistemológico, como estudar essa subjetividade?
• Enquanto o comportamentalismo deixa de lado a
vivência para tentar identificar as forças biológicas
e ambientais que controlam o comportamento, os
psicólogos humanistas procuram captar as
vivências na sua intimidade e na sua privacidade.
O COMPORTAMENTALISMO
DIFERENCIADO:
O BEHAVIORISMO RADICAL DE SKINNER
• B. F. Skinner (1904-1990): O projeto de Skinner afasta-se
radicalmente de Watson, embora utilizando-se de
métodos experimentais;
• Skinner discute sobre a subjetividade: do mundo
"privado“ das sensações, dos pensamentos, das
imagens, etc.
• Tudo isso é real, mas, segundo Skinner, devemos
investigar em que condições a vida subjetiva
privatizada se desenvolve.
• A resposta do autor remete às relações sociais. É em
sociedade que se aprende a falar e uma parte da fala
pode referir-se ao próprio corpo e ao próprio
comportamento do sujeito. Toda linguagem é, assim,
social, mesmo quando se refere ao "mundo privado".
• O contexto social direcionou os homens atentarem
para seus pensamentos e sentimentos.
• Estes são mecanismos importantes para o controle
do comportamento, portanto, é “natural” que se
dê bastante atenção ao mundo privado.
• Experiências imediatas? Para Skinner, são sempre
mediadas pela cultura.
• O projeto de psicologia skinneriano: reconhecimento
e crítica da noção de experiência imediata.

• É clara aí a intenção de desiludir: aquilo que


aparentemente mais nos pertence não é nosso, mas
é apenas um produto social.
• Livro: O mito da liberdade ->
• O homem antigo acreditava que os fenômenos
naturais eram causados pela Intenção de seres
superiores.
• No homem moderno, com avanço da observação
sobre a regularidade das leis da natureza, a
intencionalidade dos fenômenos desaparece.
• A próxima crença (consciência como causa de
terminante de nossas ações).
FREUD E A PSICANÁLISE

• Freud ainda neurologista: descoberta de


patologias que não possuem um substrato
orgânico -> histeria.
FREUD E A PSICANÁLISE

• Os sintomas histéricos passaram a ser tomados


como resultado de uma dinâmica psíquica
composta por: conflito, repressão e retorno do
reprimido.
• Determinados conflitos entre tendências
contraditórias geram um tal sofrimento que se
torna impossível suportá-los: como defesa contra
esse sofrimento, há então a inibição de uma das
tendências, a repressão da representação (ou de
um conjunto delas) cuja consciência gera dor.
• Na medida em que ela é real e significativa,
acabará por se manifestar à revelia do "eu".
FREUD E A PSICANÁLISE

• Como resultado de um embate entre


representação inconsciente e defesa, e por uma
série de compromissos, dá-se o retorno simbólico
do reprimido como sintoma, sonho, ato falho, etc.
• Essas formações do inconsciente têm
necessariamente a característica da deformação,
para que a consciência não reconheça o desejo
em questão.
• Sintoma: manifestação de algo subjacente.
FREUD E A PSICANÁLISE

• “O inconsciente se manifesta por todos os poros”.


FREUD E A PSICANÁLISE

• Freud define o inconsciente como o objeto da


psicanálise, o que seria um contra-senso do ponto
de vista positivista: o inconsciente por definição
não é um fenômeno positivo no sentido de que
"dado diretamente à observação".
• A concepção do inconsciente poderia ser tomada
simplesmente num referencial romântico e
racionalista.
PSICOLOGIAS DE HOJE

• Enfim: a psicologia está hoje, como desde o início,


dividida entre diferentes linhas de pensamento, das
quais revimos algumas das mais importantes.

• Essas divisões não são casuais nem se deve esperar


que sejam brevemente superadas. A psicologia
tornou-se possível, corno ciência independente, no
bojo de uma crise.