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Aythya nyroca

Aythya nyroca
Distribuição
Anseriformes

Anseriformes
Aythya nyroca
Nid. possível 1 0 0
Nid. provável 0 0 0
Nid. confirmada 2 0 0

pêrra, zarro-castanho
Distribuição mundial e europeia
A espécie ocorre no Paleárctico, existindo na Ásia duas populações: uma Assim, a pêrra constitui uma nova espécie da avifauna nidificante em
na Ásia central e outra que se divide em dois grupos, um deles na Mongólia Portugal, relativamente ao atlas nacional anterior. De acordo com Catry
ocidental e o outro no Tibete oriental. Distribui-se pela Europa central até ao (1999), no final do século XIX, a espécie poderá ter nidificado no Baixo
mar Cáspio e ao mar Negro, subsistindo ainda de modo muito fragmentado, Guadiana, embora os dados não sejam muito conclusivos quanto ao efec-
na Europa ocidental incluindo a Península Ibérica. tivo populacional envolvido. Em Espanha, a pêrra mantém uma população
relíquia irregular, nomeadamente em Doñana e, no Leste da Europa, a
Distribuição em Portugal população da espécie tem vindo a decrescer desde os anos 80 do século
A pêrra é um anatídeo muito raro em Portugal, que parece ocorrer com maior XX devido à destruição do seu habitat (Bankovics 1997).
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


frequência nos períodos de migração e invernada no Algarve, principalmente texto João Ministro, ilustração Mário Estevens

em diferentes zonas húmidas costeiras, tais como a lagoa dos Salgados


(Silves), a zona de Vilamoura e a lagoa de São Lourenço (Loulé). Durante os
trabalhos do presente atlas, a sua nidificação apenas foi confirmada na Lagoa
dos Salgados, em duas quadrículas contíguas – um casal foi observado com
crias em 2001 e 2002. Nos anos seguintes foram detectados somente
indivíduos adultos neste local. Um registo de nidificação possível foi ainda
obtido em Vilamoura, em 2004, num local de ocorrência regular durante o
período invernal. Os dados obtidos indicam a existência de uma população
provavelmente limitada a um único casal. Os casos de nidificação referidos
são os primeiros confirmados em Portugal e figuram entre os poucos conhe-
cidos na Península Ibérica em tempos recentes (Ministro 2001).

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Ciconia nigra

Ciconia nigra
Distribuição

Abundância absoluta
Ciconiiformes

Ciconiiformes
Ciconia nigra Número de casais
1

cegonha-preta
Nid. possível 86 0 0 2
Nid. provável 37 0 0 3
Nid. confirmada 64 0 0 4 5

Distribuição mundial e europeia de confirmação da nidificação desta espécie em árvores, mesmo com um
A espécie distribui-se pelo Paleárctico, através da Europa central e da esforço de prospecção considerável.
Sibéria até ao noroeste da China e à Coreia. Para sul, ocorre na Ásia central,
no Médio Oriente e na Ásia Menor e ainda, de forma isolada, na África do No atlas nacional anterior, a área de distribuição da cegonha-preta era
Sul. Na Península Ibérica e na Europa, ocorre principalmente em grande significativamente mais reduzida, o que pode relacionar-se com a pros-
parte das regiões central e oriental. pecção dirigida à espécie no presente atlas. Relativamente ao censo de
1995-1997 (Rosa et al. 2001a), que teve um esforço comparável a este, a
Distribuição em Portugal distribuição é semelhante. Rosa et al. (2001a) reconhecem o incremento
A cegonha-preta distribui-se pelo interior de Portugal continental, sobretudo no esforço de prospecção, mas consideram que a espécie aumentou de
associada a zonas inóspitas das bacias dos rios Douro, Tejo e Guadiana. facto a sua área de distribuição.
No Norte e Centro, nidifica maioritariamente em rochas, em vales encaixados
com matagal mediterrânico, como acontece no rio Tejo e afluentes, onde é População nacional
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


mais abundante. No Centro, alguns casais procuram ainda as cristas rocho- A população nacional nidificante foi recenseada, entre 2002 e 2004, em
sas de serras e pinhais bem desenvolvidos para instalar os ninhos, como 97 a 115 casais, dos quais cerca de 27% estavam associados à bacia do
por exemplo na serra da Estrela, onde a espécie nidifica até aos 1700 m de rio Douro, 46% à do rio Tejo e 24% à do rio Guadiana. A restante per-
altitude (Carlos Pacheco, com. pess.). A sul do rio Tejo, os suportes rochosos centagem refere-se às bacias dos rios Mondego e Sado. O total nacional
adequados não são tão comuns e cerca de metade dos casais nidifica em difere pouco dos 102 a 112 casais recenseados por Rosa et al. (2001a).
sobreiros, apresentando uma distribuição mais dispersa. Todas estas áreas No censo mais recente, a contabilização dos casais na região da albufeira
reúnem condições de tranquilidade e disponibilidade trófica essenciais para de Alqueva foi realizada após o enchimento desta.
a espécie, que se alimenta em linhas de água, charcas e albufeiras.
Devido à dificuldade da confirmação da nidificação em suportes arbóreos
A ocorrência de aves imaturas e adultos não reprodutores poderá ter resul- já referida, considera-se que a população deverá estar subestimada, prin-
tado na detecção da espécie em quadrículas onde esta não nidifica, parti- cipalmente em extensas áreas de montado a sul do rio Tejo.
cularmente no litoral. Por outro lado, há também a considerar a dificuldade texto Cláudia Franco, ilustração Pedro Segurado

144 2000-2004; censo total; contagem de casais; Cláudia Franco, António Monteiro e Carlos Pacheco (coords.); (ver tabela 03,
"Metodologia")
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Hieraaetus pennatus

Hieraaetus pennatus
Distribuição

Abundância relativa
Accipitriformes

Accipitriformes
Hieraaetus pennatus
Nid. possível 341 0 0
Nid. provável 107 0 0
Nid. confirmada 48 0 0

águia-calçada
Distribuição mundial e europeia
A espécie distribui-se pelo Paleárctico meridional, da Europa ocidental Cruz 1999). Em Março, começam a observar-se as primeiras águias-cal-
e do norte de África, para leste, através da região do Cáucaso, até ao çadas em território português, sendo que alguns registos de nidificação
Cazaquistão ocidental e à Manchúria ocidental. Surge ainda na África possível (nomeadamente os efectuados no Algarve) deverão corresponder
do Sul. Na Europa, ocorre na Península Ibérica e em França e, de forma a aves em passagem ou a indivíduos imaturos.
descontínua, no extremo leste deste continente, desde a Grécia até à
Bielorrússia. Comparando com os resultados obtidos no atlas nacional anterior, veri-
fica-se que ocorreu uma expansão pronunciada da área de distribuição
Distribuição em Portugal desta águia um pouco por todo o país, com destaque para as regiões a
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


As regiões onde se regista uma distribuição mais contínua da águia-calçada norte do rio Douro.
coincidem, em grande parte, com áreas do território continental com mon- texto Carlos Cruz, ilustração Marco Correia

tados de sobro e azinho. Assim, a espécie surge essencialmente associada


a meios arborizados de peneplanície, sendo beneficiada pela presença de
pinheiros, isolados ou em pequenas manchas, nos quais os seus ninhos são
preferencialmente instalados (Onofre & Palma 1986). Esta águia está em
grande parte ausente das zonas costeiras, preferindo as regiões do Alentejo,
do Ribatejo, da Estremadura, da Beira Baixa, da Beira Alta e de Trás-os-
-Montes e Alto Douro. É no distrito de Évora que se encontram as melhores
condições para a espécie, que aqui atinge os valores mais elevados de
abundância a nível nacional. Nos concelhos de Mora e Arraiolos foram
encontradas densidades de 20 a 25 casais / 100 km2 (Onofre et al. 1999;

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Athene noctua

Athene noctua
Strigiformes

Distribuição

Abundância relativa

Strigiformes
Athene noctua
Nid. possível 461 0 0
Nid. provável 113 0 0
Nid. confirmada 123 0 0

mocho-galego
Distribuição mundial e europeia
A espécie ocorre pelo Paleárctico meridional, da bacia do mar Mediterrâneo a sua presença no Norte e Centro do país seja mais contínua que aquela
até à China, e ainda pela região Afrotropical, a sul do golfo Arábico e na representada no presente atlas.
costa africana do mar Vermelho e do golfo de Áden. Presente em toda a
Europa, com excepção das regiões setentrionais. O mocho-galego é particularmente abundante em algumas áreas do Algarve
e interior do Alentejo. Em certas regiões do Baixo Alentejo, como em
Distribuição em Portugal zonas de montado de azinho aberto, perto de Castro Verde e Almodôvar,
O mocho-galego distribui-se por quase todo o território continental, sendo a densidade pode atingir os sete casais/km2 (Tomé et al. 2004) ou, pon-
claramente mais comum na metade sul. A continuidade da sua área de tualmente, 18,5 casais/km2 (Ricardo Tomé, dados não publicados), valo-
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


distribuição parece ser apenas interrompida em algumas regiões, como res muito elevados num contexto europeu (por exemplo, Génot & Van
no extremo noroeste, no interior transmontano, no interior Centro ou no Nieuwenhuyse 2002).
noroeste algarvio. Apesar de poder frequentar uma elevada diversidade
de habitats, a espécie depende da existência de áreas abertas (que utiliza A distribuição obtida no presente trabalho assemelha-se à apresentada no
como terrenos de caça), da abundância de pequenas presas (insectos atlas nacional anterior.
ou micromamíferos) e da disponibilidade de cavidades (naturais ou não), texto Ricardo Tomé, ilustração Pedro Segurado

para a nidificação. Desta forma, ocorre em diversos biótopos ao longo


do país, incluindo pastagens, pseudoestepes, incultos, montados, olivais,
barrocal, hortas e pomares, estando ausente dos povoamentos florestais
de produção. É possível que este mocho, apesar da facilidade de detecção,
não tenha sido observado em áreas de baixa abundância, onde surge de
forma fragmentada em pequenas quintas ou baldios, sendo de admitir que

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Alcedo atthis

Alcedo atthis
Coraciiformes

Distribuição

Abundância relativa

Coraciiformes
Alcedo atthis
Nid. possível 377 0 0
Nid. provável 80 0 0
Nid. confirmada 107 0 0

guarda-rios
Distribuição mundial e europeia
A espécie distribui-se pelas regiões Indomalaia e Paleárctica e ainda pela Esta situação pode ser explicada pela especificidade do tipo de habitat
Nova Guiné. Ocorre por toda Europa, com excepção das regiões mais característico, nomeadamente cursos e planos de água, de acessibilidade
setentrionais. mais difícil, resultando num menor esforço de prospecção.

Distribuição em Portugal A comparação com o atlas nacional anterior não revela alterações subs-
O guarda-rios nidifica em todo o território continental, evitando, no entanto, tanciais na área de distribuição desta espécie, com excepção da região a
as zonas de maior altitude ou mais densamente povoadas. É uma espécie norte do rio Douro onde aparenta ter regredido.
que frequenta um vasto leque de zonas húmidas, escavando os ninhos em
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


texto Henk Feith, ilustração Marco Correia

barreiras nas margens de cursos de água e de lagoas. A sua distribuição


menos regular a norte do rio Douro e na Beira Alta poderá estar relacionada
com a orografia mais acidentada e, portanto, com a menor disponibilidade de
locais de nidificação. É possível que outros factores, tais como a existência
de vegetação ripícola mais densa ou a dificuldade de acesso aos cursos e
planos de água, tenham originado uma maior dificuldade na sua detecção,
a qual pode contribuir para algumas das lacunas verificadas. Nas zonas
fronteiriças do Alto Minho e Alto Alentejo, a presença da espécie poderá
estar subestimada, tendo em conta a descontinuidade que se observa rela-
tivamente à distribuição nas províncias contíguas de Espanha (Díaz-Meco
2003). A abundância geral do guarda-rios é baixa, tendo a maioria das
quadrículas onde ocorre, menos de 20% das tétradas visitadas com registos.

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Corvus monedula
Passeriformes

Distribuição

Corvus monedula
Passeriformes
Corvus monedula
Nid. possível 45 0 0
Nid. provável 23 0 0
Nid. confirmada 41 0 0

gralha-de-nuca-cinzenta
Distribuição mundial e europeia
A espécie distribui-se pelo Paleárctico ocidental e central, desde a Europa A área de distribuição da gralha-de-nuca-cinzenta parece ter sofrido uma
e do norte de África até às montanhas Himalaias e à Sibéria ocidental. redução relativamente ao atlas nacional anterior. Na última década, a
Ocorre por quase toda a Europa. espécie ter-se-á extinguido como reprodutora no sistema montanhoso da
Peneda-Gerês, bem como nalgumas zonas da região norte transmon-
Distribuição em Portugal tana, na Estremadura, no Ribatejo e ainda no sotavento algarvio. Existem,
A gralha-de-nuca-cinzenta tem uma distribuição localizada de norte a sul de no entanto, áreas de colonização recente, como é o caso da região de
Portugal continental, estando praticamente ausente da metade ocidental Castro Verde, onde as novas colónias se instalam em montes abandonados.
irregular

irregular
a norte de Sines. Esta gralha frequenta uma grande variedade de habi- Na Beira Alta e na Beira Baixa a população parece ter diminuído na última
Espécies autóctones com nidificação regular

Espécies autóctones com nidificação regular


tats, mas parece preferir áreas com cultivos de sequeiro extensos ou com década (Carlos Pacheco, com. pess.), apesar de esta situação não se
pastagens e onde existam substratos adequados à nidificação, quer sejam reflectir na comparação entre os dois atlas.
escarpas, construções abandonadas ou outro tipo de estruturas edificadas. texto Inês Catry, ilustração Joaquim Simão

No litoral alentejano e algarvio pode ser encontrada em planaltos costeiros,


no interior alentejano ocorre em áreas agrícolas abertas, enquanto que no
nordeste utiliza zonas serranas e vales de rios. Está também presente em
áreas urbanas no Alentejo e na Beira interior onde nidifica, geralmente,
em edifícios antigos e muralhas de castelos. Na Beira Baixa, o único
suporte de nidificação utilizado são os postes de transporte de energia.
Esta gralha nidifica também localmente, em árvores, nos ninhos de garças
e de cegonhas.

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