Está en la página 1de 150
1 CURITIBATIVA Gestão nas Cidades voltada à promoção da atividade física, esporte, saúde e lazer
1
CURITIBATIVA
Gestão nas Cidades voltada
à promoção da atividade física, esporte,
saúde e lazer
Avaliação, prescrição e orientação
de atividades físicas e recreativas,
na promoção de saúde e hábitos saudáveis
da população curitibana
Formato eletrônico
Coletânia de Autores
Kruchelski & Rauchbach (orgs)
2006

2

Fotos: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social e Secretaria Municipal do Esporte e Lazer.

Capa, arte gráfica e editoração: Tinho Cartunismo & Animação

Revisão: Kathya Menna Barreto Madruga; Rosemary Rauchbach; Silvano Kruchelski

Curitibativa gestão nas cidades voltada à promoção da atividade física, esporte, saúde e lazer: Avaliação, prescrição e orientação de atividades físicas e recreativas, na promoção de saúde e hábitos saudáveis da população curitibana / Silvano Kruchelski, Rosemary Rauchbach (orgs) – Curitiba: R Rauchbach, 2005.

150p.:il; 22cm ISBN 85-904868-2-6

Inclui Bibliografia

1. Atividade física. 2.Gestão pública. 3. Saúde. 4. Recreação

I. Rauchbach, Rosemary. II Kruchelski, Silvano.

CDD

613.7

Dados Internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: LucileneAparecida Francisco CRB -9/1396

András Károly Vörös

Celso Sawaf

Dalton Grande

Denise Gusso Tosin

Emilio Antonio Trautwein

Hiran Cassou

João Egdoberto Siqueira

José Carlos Cassou

Luciane Scarpin

Newton Zanon

3

Autores

Ramiro Eugênio de Freitas

Ronaldo Babiak

Rosemary Rauchbach

Silvano Kruchelski

Vanessa Cristina Hatschbach

4

Livro editado através da Lei do Incentivo ao Esporte

Decreto n° 824/03.

Gestões

1997 - 2004

Prefeito Cássio Taniguchi

2005 - 2008

Prefeito Carlos Alberto Richa

5

Apresentação

O livro CuritibAtiva traz em sua essência a história de vida dos

profissionais que ajudaram na construção das idéias de uma política de esporte, lazer e promoção da atividade física. Cada autor deixou em seu capítulo a sua visão de como tudo começou, e quais foram as etapas do processo que levou o curitibano não ser apenas um inquili- no, mas proprietário da sua cidade. Inicia em seus capítulos abordan- do questões sobre gestão na cidade voltada para seu habitante, exibe ações transformadoras, adequadas ao comportamento humano con- temporâneo. Enfatiza que as políticas de um município devem buscar, não

somente o esporte e o lazer como um fim, mas proporcionar ao cida- dão melhorias na saúde e qualidade de vida. Para concretizar este pro- cesso, é necessário que aconteça readequação e criação dos espaços e programas da cidade, que devem passar por constantes reavaliações com

o enfoque no indivíduo e sua maneira de viver. O uso do tempo livre nos

grandes centros, onde tudo se transforma em ritmo impressionante, leva

a uma reflexão sobre a dicotomia "Lazer Passivo X Lazer Ativo" e a influência dos mesmos sobre a saúde das pessoas.

A prática de esportes de rendimento não deve ser considerada

como fator único nem relegada ao segundo plano, levando em conta

a abrangência do esporte como educação, formação do indivíduo, lazer, criação de ídolos, superação de limites e contribuindo na qualidade de vida.

O Programa CuritibAtiva surge em um contexto histórico no

qual se evidenciava a necessidade de informações relativas à saúde e qualidade de vida. Este programa passou por evoluções e hoje atende

a pessoas de várias faixas etárias, através de diferentes práticas cor- porais orientadas, como também, avaliação e prescrição de atividade física utilizando como instrumento, protocolos específicos para cada etapa do desenvolvimento: criança/adolescente, adulto e idoso. Estes

protocolos permitiram estudos científicos, cujos resultados apresen- tados neste livro, são o ponto de partida para novas ações possibili- tando a readequação das políticas de atendimento, tendo como meta

o envelhecimento populacional com qualidade.

6

Os aspectos nutricionais também são considerados, baseados em estudos que comprovam que a alimentação balanceada e estilo de vida ativo iniciados na infância resultam vida adulta saudável e con- seqüente envelhecimento privilegiado. Esta publicação apresenta uma verdadeira política de esporte, lazer e de promoção da saúde e da qualidade de vida que uma cidade pode oferecer ao seu habitante a partir de práticas de sucesso.

Apresentação da edição eletrônica

Curitibativa, um programa voltado à promoção de hábitos saudá- veis e mudança de estilo de vida, tem como um de seus propósitos con- tribuir com a disseminação do conhecimento sobre saúde e qualidade de vida.

A primeira edição deste livro, obtida através da Lei do Incentivo ao Esporte da cidade de Curitiba, cumpriu o seu papel, apesar da baixa tiragem e de se restringir a atender órgãos governamentais, bibliotecas, instituições de ensino superior e secretarias de esporte. No entanto, a repercussão, recepção e procura motivaram a realização desta edição em formato eletrônico “ e-book” a qual pode facilitar o acesso em pesqui- sas nas áreas da política do esporte e lazer e da promoção da atividade física relacionada à saúde e qualidade de vida.

Silvano Kruchelski Rosemary Rauchbach

7

Apresentação

Sumário

Pág.

5

Capítulo 1 - Qualidade de vida nas cidades Cidades Uma cidade! Um indivíduo! Uma comunidade! Cidades! Qualidade de vida ideal! Curitiba! A cidade que faz! O cidadão, a cidade e a qualidade de vida!

Capítulo 2 - Lazer e Qualidade de Vida Trabalho e “tempo livre”. Lazer e recreação: significado e relações com a Educação Física. A cidade e seus espaços Curitiba: O passado refletindo no presente. A Política Municipal do Esporte e Lazer em Curitiba. Gerências Regionais: uma abordagem comunitária.

Capítulo 3 - Prática desportiva de rendimento-Fator de desenvolvimento integral O Departamento de Esporte e suas áreas de atuação.

Capítulo 4 - A descoberta e valorização de talentos esportivos. O contexto histórico do esporte em Curitiba. A criação do CATEs. Parcerias & Convênios. As faixas etárias. As modalidades esportivas.

Capítulo 5 - CURITIBATIVA - Programa de incentivo à atividade física da cidade de Curitiba.

9

11

12

15

18

21

23

25

28

31

34

40

47

48

49

50

54

55

56

Capítulo 6 - Perfil de saúde e aptidão física da população curitibana. Atividade física habitual. Risco Cardíaco. Força abdominal. Índice cintura quadril – ICQ. Índice de massa corporal – IMC. Flexibilidade. Força de preensão de mãos (Dinamometria). Pressão arterial, glicemia e colesterol.

Capítulo 7 - Ginástica para todos. Algumas atividades desenvolvidas.

Capítulo 8 - A cidade envelhece. O Programa Idoso em Movimento.

66

67

69

71

72

74

75

77

79

81

82

85

86

8

O perfil do idoso no Município de Curitiba.

91

Resultados da pesquisa.

94

Capítulo 9 - O protocolo de avaliação física da criança e do adolescente.

106

Estrutura do protocolo – Indicadores de Saúde.

108

Desempenho esportivo.

112

Capítulo 10 - Nutrição para crianças: qualidade de vida para o futuro. Aspectos psicológicos.

115

Princípios básicos da boa Nutrição.

117

Obesidade.

119

Prevenir doenças cardiovasculares é o melhor remédio.

121

Anexos

123

9

Capítulo 1

QUALIDADE DE VIDA NAS CIDADES

András Vörös Emilio Antonio Trautwein

Cidades Atualmente com os afazeres diários pouco se reflete sobre o que está ao redor. O trabalho, os filhos, e a vida familiar são de uma forma muito natural centralizadores de todas as atenções. No entanto, vale a pena parar um pouco e refletir sobre a qualidade de vida que se tem, principalmente para aqueles que vivem nas cidades. Dentre tantos paradigmas existentes pode-se em uma analogia referenciar a música de Enriquez, Bardottia e Chico Buarque (1977) como um parâmetro de reflexão e em uma análise poética de qual seria a cidade ideal.

A cidade ideal Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977 Para o musical infantil Os Saltimbancos

Cachorro:A cidade ideal dum cachorro Tem um poste por metro quadrado Não tem carro, não corro, não morro

E também nunca fico apertado

Galinha: A cidade ideal da galinha Tem as ruas cheias de minhoca

A barriga fica tão quentinha

Que transforma o milho em pipoca

Crianças: Atenção porque nesta cidade Corre-se a toda velocidade

Todos:

E atenção que o negócio está preto

Restaurante assando galeto

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

Fossem somente crianças Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E

o prefeito e os varredores

E

os pintores e os vendedores

Fossem somente crianças

10

Gata:

A cidade ideal de uma gata

É

Tem sardinha num bonde de lata Tem alcatra no final da linha

um prato de tripa fresquinha

Jumento: Jumento é velho, velho e sabido

E por isso já está prevenido

A cidade é uma estranha senhora

Que hoje sorri e amanhã te devora

Crianças: Atenção que o jumento é sabido

Todos:

É

E olha, gata, que a tua pelica

Vai virar uma bela cuíca

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

Fossem somente crianças

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

melhor ficar bem prevenido

E

o prefeito e os varredores

E

os pintores e os vendedores

As senhoras e os senhores

E os guardas e os inspetores

Fossem somente crianças

O conceito de cidade é amplo e com muitas variáveis, entretanto a que mais se aproxima da definição ideal é: “uma aglomeração humana de certa importância, localizada numa área geográfica circunscrita e que tem numerosas casas, próximas entre si, destinadas à moradia e/ou a atividades culturais, mercantis, industriais, financeiras e a outras não relacionadas com a exploração direta do solo”.Houaiss (2001).

Para os próximos 20 anos, o processo de urbanização deverá ser mais intenso na África e na Ásia. “Na América do Sul ele já está perto do fim, uma vez que entre 70 e 80% da população já é urbana”. Segundo Sant’anna (2001), em seu artigo intitulado “A cidade

] o urbano

como objeto de estudo: diferentes olhares sobre o urbano”, [

deveria ser compreendido como espaço socialmente produzido, assumindo diferentes configurações de acordo com os vários modos de organização socioeconômica e de controle político em que está inserido.

Intervenções de re-qualificação urbana inserem-se, em muitos

11

casos, em anteriores processos de salvaguarda patrimonial e de

identificação cultural das cidades. Em Curitiba, a preocupação atual é em relação ao que deverá acontecer em um futuro próximo, uma vez que

a explosão urbana a que se submeteu o município nos últimos 10 anos, e que é algo surpreendente, e mostra sinais de descontrole.

Uma cidade! Um indivíduo! Uma comunidade!

Ao descrever uma Cidade, procurando um direcionamento para

a melhoria da qualidade de vida, deve-se considerar que essa possui uma

forte interferência junto à comunidade, e que as comunidades formam um relacionamento com grau de intimidade pessoal, profundeza emocional, engajamento moral, coerção e coesão social que persistem no tempo, determinando a sua forma de ser. A comunidade digna encontra seu fundamento no homem em sua totalidade e não neste ou naquele papel que possa derivar de uma motivação mais profunda que a do interesse de vontades individuais. Segundo Foracchi & Martins (1977) “A comunidade é a fusão do sentimento e do pensamento, da tradição e da ligação intencional, da participação e da volição”. Desta forma, levanta-se as seguintes questões:

Como averiguar a qualidade de vida de uma cidade? Qual o grau ou nível aceitável desta qualidade de vida? Tem-se ou não qualidade de vida na cidade ? Para Ferreira (2001), a qualidade de vida nas cidades, constitui em algo de difícil avaliação, precisamente porque joga com uma dimensão propriamente qualitativa, tanto das cidades, enquanto tais, como das condições e modos de vida das pessoas que habitam, trabalham e circulam nessas mesmas cidades. Ainda para o mesmo autor:

estão, em jogo diversas questões: desde a qualidade do espaço

físico das cidades, da sua arquitetura, mas também a qualidade da sua habitação e do patrimônio edificado e do que vai sendo construído; a qualidade das suas vias e ruas, mas também a sua funcionalidade e adequação às necessidades de mobilidade urbana; a qualidade (e quantidade) das suas áreas verdes, quer à escala do bairro, quer a níveis mais amplos, da cidade e da região em que ela se situa; a qualidade dos espaços públicos, também eles de escalas

] [

12

muito diferenciadas e que, no seu conjunto, permitem avaliar a condição pública dessas mesmas cidades; a qualidade do ambiente na cidade, mas também o seu ambiente urbano, enquanto avaliação conjunta daquele ambiente com as questões anteriores. Enfim, falar da qualidade de vida nas cidades pressupõe uma avaliação cruzada do conjunto de várias qualidades, tanto do espaço urbano, como da vida individual e social dos indivíduos daquele espaço.

A qualidade do ambiente na cidade é um ponto que revela diversos segmentos que podem condicionar a aspectos de melhoria da maneira de viver, ou das oportunidades e desejos que serão alcançados com a oferta de atenção as necessidades individuais para um convívio comunitário. Isto se refere aos aspectos de atenção à saúde, a melhoria do modelo de educar, ao acesso e distribuição de espaços para o Esporte e para o Lazer, as condições as quais permitem com que uma comunidade possa alcançar níveis culturais que sejam determinantes nas decisões de projeção dos planos futuros de convívio social dentro da cidade. Quando

se faz referência à saúde e a educação, os raciocínios humanos direcionam- se, não somente pensar, mas opinar com raciocínio lógico dentro de padrões que saibam distinguir ações erradas das certas, e que trazem sempre atreladas a estas decisões, projeções de uma sociedade mais digna

e coesa de um rumo para a paz de espírito e de emoção. Considerando que o crescimento desordenado das cidades se dá muitas vezes ao impulso de fazer sem a análise de entender quais as

conseqüências que este fazer acarretará no futuro. Pois a capacidade do homem de modificar seu ambiente ultrapassa de longe a de outros seres vivos, pois o homem é racional. Suas modificações são mais rápidas que

a capacidade de compreensão das conseqüências que tais mudanças possam trazer.

Cidades! Qualidade de vida ideal! Considerando que para ter-se uma cidade com qualidade de vida ideal, deve-se compreender que tal qualidade está diretamente

formada pelos interesses de cada indivíduo junto à sua formação ética

e cívica, de conhecimento ao seu habitat. Sendo que a compreensão

de sociedade, e de comunidade para este indivíduo deve estar ancorada como base das ações de servir ao próximo conforme as capacidades delegadas ao dom de cada ser.

Para Ferreira (2001), a qualidade de vida nas cidades, é uma

13

referência constante do discurso político, está também presente, ainda que com entendimentos distintos, nos desejos e aspirações dos indivíduos dessas cidades.

Deve-se ter a definição de que a Qualidade de Vida, não é simplesmente a melhor condição de bem estar momentâneo de um indivíduo ou de um grupo, mas sim da potencialidade das transformações que um indivíduo, um grupo ou uma comunidade podem gerar na melhoria de condições que facilitem o alcance destas para todos.

Para Barbanti (2003), a qualidade de vida se define por um sentimento positivo geral e entusiasmo pela vida, sem fadiga das atividades rotineiras. Ela está intimamente ligada ao padrão de vida. Nível de bem-estar que um indivíduo ou uma população pode desfrutar. Incluem aspectos de saúde física e mental, condições materiais, infra-estrutura, condições sociais em seu relacionamento com o meio ambiente. Qual seria então a melhor cidade em qualidade de vida? Pensando- se desta forma em conjunto às aspirações de uma comunidade, seria a cidade que melhor atenda às expectativas de realização de um povo, sempre procurando nas maiores dificuldades agir em um processo cadenciado para dissipação dos conteúdos e atitudes para todos os envolvidos no contexto daquela cidade.

A qualidade de vida é um fator ou um contexto global de expectativa

para um povo! Pode-se em diversos momentos procurar entender que para as cidades isto é o viver! Mas para se analisar o desenvolvimento

desta em uma determinada comunidade deve-se saber, o que analisar, como analisar, quando analisar, por que analisar, quanto custa esta qualidade de vida para a cidade, qual o preço que se paga por ela. A cidade tem como compreender economicamente esta qualidade?

Já para Lyndon Johnson (1964), a definição de qualidade de vida

estava atrelada a seu negócio. Presidir um dos maiores países do mundo,

“que os objetivos não podem ser medidos através

os Estados Unidos, [

do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas” (WHO,1998). Assim, observa-se que o termo qualidade de vida sempre esteve em destaque para cientistas sociais, filósofos, políticos, arquitetos, entre outros. Mas será que por necessidade individual ou por razões agrupadas de uma sociedade? Ao procurar explicar a citação acima, pode-se simplesmente avaliar que o crescimento de apenas uma instituição não é a razão de sucesso para um povo, e sim o que este crescimento transforma de melhor para a comunidade de uma cidade.

]

14

Para a Organização Mundial da Saúde (1998), a preocupação com o conceito de” qualidade de vida “refere-se a um movimento dentro das ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o controle de sintomas, a diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de vida.

Ao nortear os pensamentos para pré-definições oriundas de propostas governamentais que são elaboradas e formatadas por intelectuais, sociólogos, filósofos, políticos eleitos, entre outros que possuem dentro da sua essência necessidades correlatas a uma sociedade digna. Fundamentalmente dentro de diversas propostas deve-se ater aos estatutos municipais que gerem bases temáticas para a operacionalização das transformações das cidades, e que tem norteado sua sistemática através dos domínios:

Domínio I - Domínio físico

1. Dor e desconforto

2. Energia e fadiga

3. Sono e repouso

Domínio II - Domínio psicológico

4. Sentimentos positivos

5. Pensar, aprender, memória e concentração

6. Auto-estima

7. Imagem corporal e aparência

8. Sentimentos negativos

Domínio III - Nível de Independência

9. Mobilidade

10. Atividades da vida cotidiana

11. Dependência de medicação ou de tratamentos

12. Capacidade de trabalho

Domínio IV - Relações sociais

13. Relações pessoais

14. Suporte (Apoio) social

15. Atividade sexual

15

Domínio V- Ambiente

16. Segurança física e proteção

17. Ambiente no lar

18. Recursos financeiros

19. Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade

20. Oportunidades de adquirir novas informações e habilidades

21. Participação e oportunidades de lazer

22. Ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima)

23. Transporte

Domínio VI - Aspectos espirituais/Religião/Crenças pessoais

24. Espiritualidade/ religião/ crenças pessoais.

Entre todos estes domínios pode-se realçar alguns itens que, diretamente a administração de Curitiba, entre suas diversas perspectivas de desenvolvimento já procura promover, em ascensão aos anseios de uma sociedade, que em suas diversas oportunidades, já tem um critério de análise crítica apurado pela margem de qualidade atingida pelos diversos índices de saúde, educação, transporte coletivo, entre outros, que superam as referências internacionais.

Curitiba! A cidade que faz! Curitiba tem 1,7 milhão de habitantes que levam uma vida diferenciada da maioria das capitais brasileiras. Eles desfrutam de privilégios que tem atraído administradores e técnicos de todos os lugares, sempre mudando a face da cidade e preparando-a para futuro. A característica principal de Curitiba é descoberta rapidamente por quem a visita: a forma inovadora com que os problemas são resolvidos, a começar pelo sistema viário. A circulação da cidade é rápida e segura, garantida por um sistema trinário de vias, com canaletas exclusivas para o transporte coletivo e pistas para os deslocamentos velozes. Para destaque de avaliação da Qualidade de Vida nas Cidades, Ferreira (2001), descreve que “um indicador potente de avaliação da

16

qualidade de vida nas cidades tem a ver com a mobilidade dos seus indivíduos”. Exemplo este demonstrado pelo sistema viário da cidade, que é modelo e referência.

Em 1970, a Prefeitura tombou e restaurou as construções centenárias do Setor Histórico, que voltaram a ganhar vida ao lado de dezena de museus, cinemas e teatros como o Guaíra e o Paiol. O curitibano também ganhou espaços pioneiros exclusivos para pedestres, como o calçadão da famosa Rua das Flores, o primeiro do País, que se transformou num ponto de encontro e de lazer.

A capital paranaense também foi a primeira a criar uma Rua 24 Horas

- um espaço sempre aberto, com dezenas de lojas para suprir as mais variadas necessidades de quem vive e quem chega à cidade. Bares, farmácias, casas de vídeo, lavanderias, floricultura e mercadinho estão à disposição da população dia e noite, num espaço de arquitetura moderna e funcional.

A criação de parques e a preservação de bosques garantiram a um só tempo o afastamento das áreas habitacionais das zonas de enchente da cidade e concedeu outro privilégio ao curitibano: 50 metros quadrados de área verde para cada morador da cidade, um número muito superior às recomendações da ONU.

A Cidade de Curitiba merece mesmo o título de capital ecológica

do Brasil, título este, reforçado recentemente com a criação do Jardim Botânico da cidade, uma imensa área verde, com estufa para viveiros, lago e muito espaço verde à disposição de quem gosta da natureza ou se dedica a estudos de botânica.

Em todas as discussões públicas e de movimentação popular, procura-se orientação para manter uma conduta coletiva das necessidades, onde os indivíduos sempre têm ancorado aos seus desejos, uma expectativa de vida melhor.

E é assim, que Curitiba, preocupada com o desenvolvimento pleno

do cidadão, possui dentro de suas diversas áreas, vários projetos, programas e atividades voltados à melhoria contínua da qualidade de vida e suas expectativas além de proporcionar condições de aperfeiçoamento dos hábitos saudáveis da população.

O poder público de direção ao esporte e lazer tem a missão de

fomentar práticas de esporte, lazer e atividades físicas para o desenvolvimento de potencialidades do ser humano, visando seu bem- estar, sua promoção social e sua inserção na sociedade, consolidando sua cidadania.

17

E é com esta missão, que se desenvolve diversa ação que atualmente são modelos de desenvolvimento e performance do país na administração esportiva, do lazer e da Atividade Física, temos como exemplo; Os Jogos Escolares descentralizados no Município, o desenvolvimento de escolinhas esportivas que procuram no seu todo, além da performance o equilíbrio do indivíduo com o cotidiano, preparar o futuro cidadão. A Linha do Lazer que leva o aprender para o lazer próximo a comunidade com estagiários e professores apoiando e educando a comunidade em diversos locais com muita alegria, diversão e harmonia, os grandes eventos comemorativos que oportunizam mais um momento para toda a população brincar, praticar, pular, jogar e festejar os seus momentos de ociosidade e de dedicação à família.

Ressalta-se, o programa CuritibAtiva, um modelo de ação educativa e de promoção dos hábitos saudáveis, já apresentado em diversos congressos e copiado por diversas cidades, que parte da avaliação do cidadão recolhendo dados de parâmetros físicos da população nas mais diversas faixas etárias, e com estes dados projetar uma avaliação do perfil da comunidade por região geográfica e sugerir propostas, para que estes encontrem orientações adequadas para a promoção da saúde através da Atividade Física. Curitiba também mantém um programa de conscientização e estudo sobre as condições de saúde e aptidão física do idoso, conhecido como Programa Idoso em Movimento, um modelo a ser seguido.

Leva-se com este programa, o cidadão a pensar sobre sua Qualidade de Vida, proporcionando-lhe a oportunidade de buscar a sua definição pessoal de qualidade. Valorizar a família os amigos e, seu grupo social acima da riqueza e da fama, a excitação sobre a tranqüilidade, à sociabilidade sobre o isolamento. Ao utilizar como base os domínios que uma cidade deve abranger em suas propostas de evolução comunitária, vê-se que em Curitiba, as ações do esporte, lazer, atividade física, recreação entre outras, procura atender em todas as formas de desejos, não somente individuais, mas de contextualização global de uma sociedade. E Curitiba na área do Esporte e Lazer procura não somente atender as necessidades da comunidade, mas sim propor novas perspectivas para a área, que nestes últimos quatro anos incluiu no seu rol de atividades a implantação da Lei de Incentivo ao Esporte que já trouxe diversos títulos mundiais para os atletas curitibanos, incentivando o esporte amador nas suas mais diversas segmentações de educação, participação e rendimento. E um projeto municipal atualmente

18

denominado Comunidade Escola (evolução do Programa Conviver), desenvolvido dentro das escolas para que a população próxima delas possa em seus momentos livres, utilizar este espaço e promover o seu bem estar e convívio saudável, utilizando, cuidando e promovendo ações em prol de uma sociedade eticamente consciente pelos fatores sociais, econômicos, e humanos. Não se deve simplesmente aceitar, que na atualidade apresente-se apenas uma proposta que mantenha e/ou melhore significativamente a qualidade de vida em Curitiba, é necessário orientar cientificamente e

metodologicamente, os campos técnicos e operacionais no intuito de orientar todos os procedimentos para uma melhoria constante dos hábitos saudáveis

e do convívio social das comunidades. Pretende-se que se consiga direcionar as ações em harmonia, junto a novas propostas governamentais que certamente surgirão.

O cidadão, a cidade e a qualidade de vida Partindo da premissa que cada idade tem seus prazeres, seu estilo de pensar e de vida, percorrendo seus próprios caminhos, cada indivíduo aceitou ou aceitará a importância da vida ativa e os hábitos positivos por ela promovidos. A coesão em torno do ideal para existência do ser humano pressupõe que cada indivíduo é responsável por levar a família, os amigos e a comunidade em busca de uma vida fisicamente ativa e com cada vez mais

Qualidade de Vida. Por outro lado, a cidade ideal também se torna responsável por divulgar a mensagem e estender a oportunidade da prática de atividades físicas regulares, como forma de se contrapor à inatividade, ao desperdício de energia, da recreação motorizada e saúde decadente. Também é essencial,

a necessidade de se preservar ambientes físicos, emocionais e sociais que se

quer para as gerações futuras. Uma cidade (leia-se seus cidadãos), deve encorajar e cobrar de seus legisladores e burocratas, leis e regulamentos sobre a saúde e a qualidade de vida. É fundamental que se tenha presente que as políticas públicas influenciam o comportamento de saúde e de atividades físicas regulares de cada indivíduo. Como exemplo; evidencia-se que as pessoas têm mais chances de parar de fumar quando é proibido esse ato, no local de trabalho e em locais públicos. Por outro lado, o incentivo à atividade física pode ser alcançado ao se proibir a circulação de veículos a motor de combustão em determinadas áreas da cidade, e em contraposição, ofertando boas calçadas, boa rede de ciclovias e condições ideais de mobilidade urbana.

19

As leis e políticas locais e estaduais devem ser delineadas para encorajar os comportamentos saudáveis, pois além do reflexo na qualidade de vida do indivíduo, são comportamentos bons para a economia pública e o meio ambiente. O indivíduo isoladamente tem mais dificuldade para adotar um novo comportamento do que quando recebe boa e farta informação, apoio institucional e o exemplo de experiências positivas anteriores. Com certeza há de se alcançar sucesso em uma política pública, quando se atende uma necessidade e existe apoio social, levando o indivíduo a perceber evidências de mudança e progresso em direção da meta proposta. Concluindo, pode-se afirmar que a cidade terá pleno sucesso em suas propostas quando consegue identificar o que a sociedade necessita, o que elas (cidade e o cidadão) são capazes, quando poderão alcançar suas metas, com que custo e com que ganho real. Esta mudança será possível quando pudermos concordar com Epicurus 1 que afirma: “é impossível viver prazerosamente sem viver sabiamente, bem e justamente; é impossível viver sabiamente, bem e justamente sem viver prazerosamente”.

Referências

Barbanti, V. J. (2003). Dicionário de Educação Física e Esporte, 2ª Edição. Barueri, SP : Manole.

Bristol-Myers Squibb Brasil. (1992). L.E.R. :Lesões por Esforços Repetitivos. (Coletânea de Artigos). São Paulo: Autor.

Canclini, N. G. ( 1997). Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da

globalização. 3 ed

Rio de Janeiro: Editora da UFRJ.

Featherstone, M. (Org.). (1998). Cultura global: nacionalismo, globalização e modernidade. 2a edição. Petrópolis: Vozes.

Ferreira, V. M. (2001, outubro). Qualidade de Vida e Qualidade as Cidades, Lisboa, Portugal, Revista Cidades, Centro de Estudos Territoriais do ISCTE.

Foracchi, M. M. & Martins, J. S. (1977). Sociologia e Sociedade – Leituras de Introdução à Sociologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos.

Nieman, D. C. (1999). Exercício e Saúde, Como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento. São Paulo: Manole.

1 http://www.novaroma.org/camenaeum/index.html.pt

20

Sant’Anna, M. J. G. (2001, outubro) A cidade como objeto de estudo: diferentes olhares sobre o urbano, Lisboa, Portugal, Revista Cidades, Centro de Estudos Territoriais do ISCTE.

Veiga, J. E. (1999). O Brasil é menos urbano do que se calcula.Indicadores Urbanos do Continente, INE/DGOTDU

21

Capítulo 2

LAZER E QUALIDADE DE VIDA

Denise Gusso Tosin

A partir da década de 80, verificou-se um crescente interesse pela discussão da temática do lazer, tanto no estudo como pela atuação profissional de um mercado cada vez mais atraente a diferentes áreas do conhecimento. Notamos que a preocupação com o lazer vem se concretizando como um dos fatores fundamentais no exercício da cidadania e na busca da qualidade de vida no Brasil. Mesmo sendo um direito legalmente garantido, sua consecução depende principalmente de três fatores determinantes: o primeiro refere- se à falta de acesso da maior parte da população ao lazer; o segundo, à pequena oferta de ações de educação para e pelo lazer; e o terceiro, à escassez de profissionais capacitados para o gerenciamento e a execução das atividades. Como capital que tem sido modelo para muitas cidades, Curitiba demonstra sua experiência prática e revela como sua comunidade vem sendo atendida conforme a política de lazer do Município. Pensar o lazer como direito social, nos leva a refletir sobre as conquistas históricas e sociais às quais ele está vinculado, reivindicações pelo estabelecimento de tempo institucionalizado para o lazer, concretizado pela limitação da jornada de trabalho, no fim de semana, nas férias e nos feriados remunerados. Esses são os momentos “consagrados” ao lazer em todo mundo.

Trabalho e “tempo livre”

“Os objetivos de natureza social dos descansos do trabalhador são hoje considerados de tal importância que a consecução de seus fins sociais criou um novo problema para os Estados: o da adequada utilização das horas de folga do operário, quer sob o prisma individual ou familiar, quer sob o aspecto do interesse público.” Manifesto da OIT - Organização Internacional do

Trabalho(Toscano,1974).

O entendimento de lazer vem sendo atrelado às noções de trabalho. Trabalho que nossa sociedade tem conceituado como esforço cansativo e rotineiro objetivando ganhos financeiros para garantir sobrevivência, e lazer que tem sido interpretado como um tempo

22

“livre” do trabalho produtivo e um privilégio de poucos. Devemos lembrar que tanto o trabalho como o lazer, devem possibilitar a realização humana, pois o indivíduo será sempre faber, alguém que trabalha, e ludens alguém que brinca. Embora se saiba que atualmente o tempo de lazer tenha aumentado na vida das pessoas em conseqüência da redução da jornada de trabalho, o que se verifica na prática é a busca incessante por novas possibilidades de ampliação das fontes financeiras. Em muitas vezes para suprir as necessidades básicas de sobrevivência ou até mesmo elevar o padrão de vida conquistando “sonhos de consumo”, traduzidos na oferta de bens e serviços, dentre os quais o lazer, hoje divulgado pela mídia como forma de alcançar realização, prazer, diversão e felicidade. Este tempo de lazer é resultado de uma situação histórica em que o progresso tecnológico permitiu maior produtividade em menos tempo de trabalho. Segundo Corbin (1996), em 1850 a duração anual do tempo de trabalho na França era de cinco mil horas. Como a vida média era muito curta, um trabalhador acabava por dispor na sua vida, de 262 mil horas de folga e devia dedicar 185 mil horas (isto é, 70%) ao trabalho. Em 1900, a duração anual do tempo de trabalho caiu para 3.200 horas e a vida média aumentara um pouco. Em toda a sua existência, um trabalhador já dispunha de 292 mil horas e trabalhava 121.600 (isto é, 42%). Em 1980, a duração anual de tempo dedicado ao trabalho caiu para 1.650 horas e a vida média quase dobrou em comparação à de cem anos antes. Enfim, o tempo total de folga é de 420.480 horas e só 8% (isto é, 75.550 horas) são dedicadas ao trabalho. Neste novo tempo de folga é que são vivenciadas as situações geradoras dos valores que sustentam a chamada Revolução Cultural do Lazer. Novas formas de relacionamento social com características mais espontâneas, a afirmação da individualidade e a contemplação da natureza além de mudanças nas relações afetivas, no contato com o belo, tudo em busca do prazer e qualidade de vida. A descoberta do “valor” dos conteúdos que compõe o universo cultural do lazer para pessoas de diferentes faixas etárias e grupos sociais resulta numa busca a novas opções de prazer e de diversão para todos os membros da família e grupo social, consumindo volumes crescentes de bens e serviços de lazer, exigindo uma variedade de opções cada vez maior.

23

Lazer e Recreação e a Educação Física

“São direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia,

o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à materni-

dade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma des-

ta Constituição.” Art. 6o Capítulo II - Dos Direitos Sociais Cons-

tituição Federal, Emenda Constitucional nº 26, de 14/02/2000.

Na dimensão lúdica, o homem se torna verdadeiramente hu- mano quando brinca. Para isto é preciso buscar no homem e na sua realidade social, na dimensão social do conhecimento estabelecida entre ele e sua sociedade, na maneira como expressa este conheci- mento e como cria, faz e transforma, a compreensão do sentido hu- mano do brincar. Diversos são os autores que têm estudado a recreação e o lazer e seus significados. Para Bruhns (1997), a recreação é o con- junto das atividades desenvolvidas no lazer, enquanto que o lazer pode ser entendido como expressão da cultura, constituindo um ele- mento de resistência à ordem social estabelecida. Existe uma forte associação entre lazer e recreação em nosso país, que necessita ser pensada a partir da análise do processo de

construção de ambos no Brasil. O sentido etimológico da palavra lazer, oriunda do termo latino licere criado nos áureos tempos da civiliza- ção romana, designava as práticas culturais alegres e festivas consi- deradas lícitas e permitidas, enquanto a palavra recreação veio do latim recreatio, recreationem representa recreio, divertimento ou en- tretenimento. Deriva do vocábulo recreare com o sentido de reprodu- zir, restabelecer e recuperar. Esta distinção se interrelaciona com o mundo do trabalho, enquanto lazer, diz respeito às práticas culturais consideradas lícitas depois encaminhando para o estabelecimento de tempo disponível reivindicado pelos trabalhadores, a recreação direciona-se para o divertimento, a ocupação saudável e útil deste tempo de ociosidade.

O termo recreação, geralmente é usado para designar o conjunto de

atividades, enquanto lazer, aborda o fenômeno social, espaço para inter- venção com lógica e especificidades próprias. Em última análise, a re- creação pode ser considerada como produto, isto é, atividade ou experi- ência que ocorre dentro do lazer.

O lazer tem toda uma funcionalidade específica e que é multivariada

pois é rica em suas formas de realização e de motivação. Wnuk-Lipinski (Roykiewicz, 1981) em Werneck (2000) descreveu assim sobre as fun- ções básicas do lazer:

24

Função educativa ,caracterizada pelo próprio interesse na amplia- ção de horizontes, buscando novas experiências e conhecimento; Função de ensino, melhorando a assimilação e aprendizagem cultu- ral, de ideais filosóficos ou políticos, convívio social e de comporta- mento; Função de integração, na formação e solidificação de grupos (fami- liares ou de amizade), de interesses comuns; Função recreativa, no desenvolvimento de atividades relacionadas ao descanso físico e mental; Função cultural, na compreensão e assimilação de valores culturais ou à criação de novos; Função de compensação, seria nas situações que, de alguma forma, nivelam as insatisfações das outras áreas da vida, e que não puderam ser realizadas. No Brasil, a propagação da idéia de recreação orientada, sofreu in- fluência de países preocupados com o desenvolvimento de jogos e gi- nástica, tais como Alemanha, Inglaterra, França e Itália. Com ênfase nos aspectos operacionais dos jogos e brincadeiras propostos, coube à Edu- cação Física a responsabilidade pelo seu desenvolvimento, estabelecen- do desta forma um grande vínculo com a recreação desde a sua origem. Em inúmeros países, inclusive no Brasil, a Educação Física ficou ofici- almente responsável pelo desenvolvimento da recreação principalmente como uma interessante estratégia metodológica de organização de jogos e brincadeiras infantis. O histórico envolvimento da Educação Física com a recreação, é minuciosamente retratado nos estudos empreendidos por Pinto, et al (1999), citado por Werneck (2000). Oficialmente, a recreação integra o circuito institucional da Educação Física com a criação, em 1933, da Superintendência de Educação Física, Recreação e Jogo, no Distrito Fe- deral. A idéia de recreação orientada, proposta pelo Método Nacional de Educação Física de 1942 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1961, fundamentou-se nas idéias de Ruy Barbosa sobre a Educação Física renascida no Estado Novo. O Serviço de Recre- ação Operária foi instituído em 1943 e, no final dos anos 50, a Divisão de Educação Física do Distrito Federal criou a Campanha Ruas de Re- creio com o respaldo das Escolas de Educação Física e Secretarias Esta- duais e Municipais de Esporte, elas proliferaram pelo país como um modelo a ser seguido. Foi em 1962 que a recreação tornou-se disciplina formal do currículo dos graduados em Educação Física e, em 1971, por força do decreto n. 69.450, a Educação Física "desportiva/recreativa" tornou-se obrigatória em todos os graus e níveis de ensino no Brasil.

A cidade e seus espaços

25

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança

e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à

saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,

à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência

familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma

de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade

e opressão.” Art. 227. Título VIII, Capítulo VII, Constituição Federal, 1988.

Vê-se atualmente, uma nova economia em que as novas tecnologias vêm realizando mudanças profundas na sociedade. O entretenimento hoje possui mil faces, a complexidade e o dinamismo do mundo atual geraram inúmeras novidades e possibilidades tanto no trabalho como no lazer. Novos conceitos, novos aspectos, novos formatos, novas tecnologias, enfim, presencia-se um cenário de constantes mudanças. Há que se aproveitar oportunidades antes inexistentes, ou atualizar-se, pois a rapidez dos acontecimentos não permite a ilusão de estar fazendo a coisa certa nos moldes considerados de vanguarda. A tão citada velocidade dos avanços no mundo atual tem criado um distanciamento muito grande entre as questões tecnológicas e sociais. As mudanças tecnológicas vêm acontecendo de maneira muito mais veloz do que as mudanças sociais, trazendo ao ambiente um foco de tensão. De acordo com Jucuis & Schender (1972), políticas podem ser consideradas como “regras estabelecidas para governar funções e assegurar que elas sejam desempenhadas de acordo com os objetivos desejados” isto é, políticas servem como guias para uma determinada ação. Camargo (1985), indica que, no lazer, políticas constituem-se num “conjunto de valores e metas de uma sociedade com relação ao próprio bem-estar dentro do chamado livre”. Valorizar e estimular o lazer como parte das situações urbanas pensando o espaço em que se encontram seus equipamentos com os quais a população terá a oportunidade de conviver em seus momentos de não compromisso com o trabalho, significa buscar um alto grau de cidadania.

“Todos os esforços dos poderes públicos deveriam voltar-se às necessidades de recreação do povo, no sentido de que os municípios reservem áreas livres para a distribuição de parques de recreação, verdadeiros pulmões verdes, sobretudo nos bairros de maior densidade e onde habitam as chamadas classes proletárias.” Marinho(1957).

26

A formulação de políticas de lazer, exige do administrador a

utilização de estratégias complexas como, por exemplo, obter informações do usuário real e as expectativas do usuário potencial, isto é, aquele que, por alguma razão desconhecida, deixa de participar das atividades programadas. A globalização das relações, o renascimento das artes e religioso do 3º milênio, a crescente urbanização, o novo papel das chamadas “minorias”, a expansão da informação, o triunfo do individualismo, a passagem da democracia representativa para a participativa, a ruptura de determinadas hierarquias centralizadoras, dando lugar às redes descentralizadas de atuação, a aproximação dos desiguais, o desemprego ou o subemprego, são temas que refletem na quantidade e na qualidade de experiência do lazer. No campo da administração, qualidade, produtividade e competência são palavras chaves para o sucesso em qualquer empreendimento moderno, todas, entretanto, tem sucesso atribuído ao

capital humano. Esse lado humano da qualidade é decisivo por representar o comprometimento das pessoas com o sucesso de qualquer empreendimento, pela constante motivação de fazer da rotina de hoje um desafio para superação de amanhã.

O crescimento das cidades, resultou no isolamento de seus

habitantes e na passividade frente às decisões que afetam diretamente sua vida diária. Problemas com trânsito e violência vêm deteriorando a qualidade e o significado da vida humana, ao mesmo tempo em que

indivíduos unem-se para produzir, seja em indústrias, escritórios, bancos

e comércio, distanciam-se de si mesmos, dos outros e da natureza. Eles são considerados meros instrumentos, produzindo e consumindo, alimentando o mercado da produção. Para Santos (1986, p.22) “a própria cidade converteu-se num meio

e num instrumento de trabalho, num utensílio como a enxada na aurora

dos tempos sociais. Instrumento de trabalho sui generis, pois sua matéria

é explanada pelo próprio trabalhador. Quanto mais o processo produtivo

é complexo, mais as forças materiais e intelectuais necessárias ao trabalho são desenvolvidas, e maiores são as cidades. Mas a proximidade física

não elimina o distanciamento social, nem tampouco facilita os contatos humanos não funcionais. A proximidade física é indispensável à reprodução da estrutura social. A crescente separação entre as classes agrava a distância social. Os homens vivem cada vez mais amontoados lado a lado em aglomerações monstruosas, mas estão isolados uns dos outros”. Segundo Busani (2003), a especialista em tendências de mercado Faith Popcorn, em seu livro Click de 1996, previu que num futuro não

27

muito distante, a insegurança das grandes cidades fará com que as pessoas procurem cada vez mais diversão em casa. Esta tendência denominada pela consultora de “cocooning” (encasulamento em inglês), é hoje uma realidade confirmada por prestadores de serviços de diferentes áreas, inclusive arquitetos, pois é crescente o número de clientes que pedem ambientes confortáveis, aconchegantes e diversificados para receber

amigos. É interessante observar que o enfoque dado pelos diferentes veículos de comunicação, que não tomam o lazer como tema principal, acabam revelando de forma indireta, a importância que ele representa na vida das pessoas das grandes cidades. Em virtude da diminuição do tempo de trabalho, comparativamente ao início do processo de industrialização e urbanização, em termos sociais, quando a questão é analisada do ponto de vista da percepção pessoal, as pessoas sentem falta de mais tempo para si mesmas.

a procura do relacionamento social, que leva ao desenvolvimento

de atividades culturais, como verificamos nos diversos exemplos dos grupos

de idosos onde, motivados pela convivência, passam a desenvolver novas atividades como artes plásticas, artesanatos, esportes, etc. Trata-se do reconhecimento do fascínio que as atividades de lazer exercem sobre a

população de modo geral, independentemente de classes sociais, e as suas potencialidades como um tempo de vivência de novos valores, questionadores da realidade social. Algumas organizações como associações de moradores, sindicatos e setores da Igreja, estão percebendo as possibilidades que o lazer oferece quando encarado nesta perspectiva.

A Declaração dos Direitos da Criança, aprovada pela Organização

das Nações Unidas em 20 de novembro de 1959, preconizava a que esta

[ No princípio 7 o coloca que: “A Criança

deve desfrutar plenamente dos jogos e brincadeiras, os quais deverão estar dirigidos para a educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício desse direito”, como registra

Marcelino (2002). Em Gaelzer (1979) A Carta do Lazer, fixada no Seminário Mundial de Lazer promovido pela Fundação Van Clé em Bruxelas, afirma no seu artigo 4 o , que a “família, a escola e todos os educadores têm papel determinante a desempenhar quando da iniciação da criança numa atividade lúdica e ativa de lazer, na qual a freqüente contradição entre o ensino e a realidade necessita ser eliminada”. Porém na nossa sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos, ainda que por razões diferentes, as crianças não têm tempo e espaço para a vivência da infância e do lúdico, como produtoras de uma “cultura infantil”.

“possa ter uma infância feliz

É

28

Muitas organizações sociais encontram dificuldades com a atual realidade, principalmente quanto ao acesso da maior parte da população às ações de lazer. São poucos os órgãos públicos que cumprem papéis de articuladores de oportunidades de lazer para a camada menos privilegiada da sociedade. Não existem políticas públicas claramente definidas e implantadas na área, articulando programações nos âmbitos federal, estadual e municipal, tampouco estabelecendo regras ou procedimentos claros de apoio às ações desenvolvidas pela iniciativa privada, de forma a otimizar recursos disponíveis, descentralizar ações e oferecer atividades/ possibilidades de lazer capazes de atender aos diversos segmentos da comunidade ou acessando informações qualificadas para todos. Verifica-se muitas vezes que, calçadas, terrenos baldios e praças públicas são espaços em que as crianças encontram oportunidade para livre expansão de suas energias e integração nos grupos de brincadeiras. Exceção feita a algumas cidades que contam com a atuação do poder público em parques e Centros de Esporte e Lazer na promoção de atividades principalmente a quem não dispõe de recursos financeiros para usufruir um clube ou associação, incluindo Curitiba como uma dessas cidades.

Curitiba: O Passado Refletindo no Presente

“Sugerimos a todos que ao decidir sobre os destinos de nossa paisagem, tentassem se identificar com o estado de espírito dos homens como St. Hilaire, Debret, Rugendas, Darwin, entre outros, que souberam ver a beleza onde nós, por hábito, costume ou desinteresse, muitas vezes não vemos valor algum. Uma exceção deve ser aberta para a cidade de Curitiba, pelo trabalho em prol do lazer realizado nesta cidade. Os parques e praças criados servem de exemplo. Houve aqui uma ação consciente na preservação da área verde, e isto terá uma enorme importância no destino da cidade”. Burle Marx - Seminário Nacional do Lazer, Curitiba, novembro/74

Os primeiros povoados surgiram por volta de 1650, com a presença do primeiro habitante da terra, o índio, e do estrangeiro colonizador, o português. Em 29 de março de 1693 é fundada a Câmara Municipal de Curitiba, data esta que em 1905 passa a ser oficializada como a da criação do município. Os imigrantes europeus (os alemães em 1833, os poloneses em 1871, os italianos em 1878, e os ucranianos em 1895) que adotaram esta como sua cidade, contribuíram para uma diversificação dos interesses da população tradicional. Culinária, canto, jogos, danças, músicas foram algumas destas contribuições.

29

Alguns registros do início do século XX de como se dava o lazer desses imigrantes, fez parte da exposição: O lazer na Curitiba antiga, inaugurada em 20 de novembro de 1974, na Casa Romário Martins. Mudanças significativas foram implantadas a partir de 1971. Grandes áreas desocupadas foram reservadas para parques de múltiplas funções como saneamento, preservação ambiental e lazer. Um trecho da Rua XV de Novembro foi fechado e em 1972 Curitiba lançou o primeiro calçadão de pedestres do país e promoveu a posse do local pelas crianças, estendendo grandes rolos de papel e tintas no chão. Aos poucos, timidamente, os adultos começaram a perceber o calçadão como ponto de encontro, uma sala de visitas pública, democrática e ao ar livre. A cidade tem muitas belezas e atrações, algumas naturais, outras transformadas. Os exemplos são diversos: Jardim Botânico, Teatro Ópera de Arame, Universidade Livre do Meio Ambiente, Passeio Público, além dos Parques, Bosques e Praças da Cidade. Curitiba, a capital do Estado do Paraná tem 312 anos, 432,17km2

e uma população de 1.587.315 habitantes (IBGE 2000), está localizada

no Sul do Brasil. Com um PIB de U$ 12,1 bilhões/ano, tem renda per capita de aproximadamente U$ 8 mil/ano, contra uma média nacional de U$ 5 mil/ano. É a única cidade brasileira a entrar no século 21 como referência nacional e internacional de planejamento urbano e qualidade de vida. Em março de 2001, uma pesquisa patrocinada pela ONU apontou Curitiba como a melhor capital do Brasil pelo Índice de Condições de Vida (ICV). Reconhecida nacional e internacionalmente por soluções urbanas inovadoras, a cidade tem o mais eficiente sistema de transporte coletivo do país e ostenta o índice de 55m² de área verde por habitante,

o que a faz ser considerada a Capital Ecológica do Brasil. Segundo sensos demográficos do IBGE, em 1991 Curitiba tinha uma população de 1.315.035 habitantes passando a 1.587.315 em 2000, este dado revela um acréscimo populacional de 20,7% em apenas nove anos. Para atender a essa demanda, Curitiba projetou espaços específicos

onde cada habitante incorporasse no seu dia-a-dia o sentido de identidade

e pertinência. Estes espaços são as Ruas da Cidadania, onde serviços

públicos do Município, do Estado e da União, além de comércio e lazer estão disponíveis para ajudar a formar uma nova cultura urbana. Nela está a sede da Administração Regional, o que se pode chamar de filial da Prefeitura. Este é o local onde o gestor público atua de forma direcionada, com atenção especial para um território e seus moradores, e obtém respostas mais rápidas em relação ao trabalho realizado. Sua função é a

30

de coordenar a atuação dos diferentes órgãos junto à comunidade atuando no princípio da descentralização da Administração Pública, como veremos mais adiante. As Ruas da Cidadania estão implantadas estrategicamente ao lado de terminais do transporte coletivo, próximo a Unidades de Saúde, e seus objetivos são: Aproximar os cidadãos das ações e dos serviços públicos para melhor conhecer e atender às suas necessidades; Adequar as ações e os serviços prestados pela Prefeitura às características de cada região do município; Facilitar o acesso aos serviços e às informações em geral; Favorecer o exercício da cidadania na medida em que se ampliam os espaços de reivindicação e de participação comunitária; Estabelecer um pólo de “animação”, de manifestação cultural e de esporte da comunidade local; Estabelecer um pólo de integração entre a administração regional e os núcleos urbanos; Servir de apoio estratégico à descentralização da administração pública municipal; Diminuir a pressão sobre o sistema de transporte. A primeira Rua da Cidadania foi inaugurada em 1995. Atualmente Curitiba está dividida em nove Administrações Regionais que reúnem núcleos das diversas secretarias municipais, principalmente as de ação social, além de serviços essenciais à população. Procurando acompanhar o rápido crescimento da cidade e implementando inovações no seu processo de gestão, transformando e reestruturando administrativamente o modo de gerir a cidade, a Prefeitura Municipal adotou o chamado “Modelo de Gestão de Curitiba” (1997/ 2000 e 2001/2004). Este trata basicamente de Pensar, Agir e Avaliar a gestão pública, na perspectiva de analisar e interpretar as questões da cidade e do cidadão, de maneira estratégica, compartilhada, descentralizada, intersetorial e voltada para resultados. Estratégica, no processo contínuo e sistemático de direcionar a organização para atingir sua missão; compartilhada no estabelecimento de parcerias co- responsabilidade na gestão de programas e projetos e ampliação dos canais de comunicação entre o poder público e a sociedade; descentralizada, aproximando a Administração Pública à população possibilitando assim maior conhecimento das suas necessidades e demandas, agilizando e melhorando as respostas; intersetorial, na prática de planejamento, ação e avaliação multisetorial e integrada, com um trabalho articulado de todas as secretarias e órgãos da Prefeitura, considerando o cidadão em sua totalidade, com necessidades individuais e coletivas; voltada para resultados, com foco na gestão em resultados, tanto internos quanto externos, no grau em que se atinge os objetivos e metas traçadas, resultando em eficácia, melhor relação custo-benefício, resultando em eficiência e do impacto das ações na comunidade, resultando em efetividade. É importante ressaltar

31

que estas cinco características do modelo de gestão, estão presentes em todo o processo, ou seja, no pensar, no agir e no avaliar. Em março de 1999, a United Way of Canadá (UWC) assinou um termo de contribuição com a Agência de Desenvolvimento Internacional do Canadá (CIDA), e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) para trabalhar até 2004 com sete organizações brasileiras do Terceiro Setor, em Curitiba e São Paulo. O objetivo principal é realizar trabalhos com voluntários e Conselhos Diretores, no desenvolvimento de técnicas de captação de recursos estimulando o envolvimento em atividades colaborativas. Assim nasceu o Modelo Curitiba de Colaboração, que é desenvolvido nas Administrações Regionais onde soluções são construídas pela própria comunidade revisando a atuação da sociedade civil, poder público e iniciativa privada. A consolidação de parcerias consistentes e comprometidas com valores e princípios definidos pela própria comunidade tem o poder de potencializar os resultados e dividir responsabilidades. Este Modelo tem como proposta fazer com que a comunidade reconheça o seu poder para transformar a realidade, de maneira compartilhada, utilizando-se de valores para o seu desenvolvimento, é a comunidade definindo o caminho e seu jeito de caminhar.

A Política Municipal do Esporte e Lazer em Curitiba

“As chaves do urbanismo estão nas quatro funções: habitar, trabalhar, recrear-se (nas horas livres), circular.” Le Corbusier – A Carta de Atenas - 1941.

Atendendo à crescente demanda da população, o então Departamento de Educação Física foi efetivado, em 1995, como Secretaria Municipal do Esporte e Lazer – SMEL tendo em seu organograma a Superintendência, onde estão vinculadas as Gerências Regionais, e os Departamentos de Esporte e o de Lazer. As principais atribuições das Gerências Regionais são planejar e coordenar as ações de esporte, lazer e atividade física nos espaços próprios ou de terceiros, pertencentes à sua regional, seja operacionalizando projetos, atendendo reivindicações da comunidade, estabelecendo parcerias ou prestando suporte técnico. Ao Departamento de Lazer coube a tarefa de “promover a cultura do lazer junto à população, atendendo às entidades públicas, beneficentes e privadas”, com as seguintes atribuições: Propor a política de lazer do Município, coordenando as ações dela decorrentes; Implementar plano de ação estabelecendo objetivos, programas, pesquisas e projetos que promovam o desenvolvimento do lazer no Município; Propor o calendário anual de atividades de lazer;

32

Ofertar assistência técnica em projetos de lazer às entidades governamentais e não governamentais e aos órgãos representativos da comunidade; elaborar a proposta orçamentária do Departamento. Resultante do modelo de gestão de Curitiba, a Secretaria Municipal do Esporte e Lazer teve definida a sua missão: fomentar práticas de esporte, lazer e atividades físicas para o desenvolvimento de potencialidades do ser humano, visando bem estar, promoção social e inserção na sociedade, consolidando sua cidadania. Uma política de lazer que atue como meio de democratização cultural e promoção social, como recomenda a Constituição Brasileira de 1988, e que reconheça o direito ao lazer como uma das necessidades básicas para a afirmação da cidadania e uma melhor qualidade de vida das pessoas em geral deveria ser então pensada e implantada em Curitiba. Assim foi aprovada a Lei 9942 de 29 de agosto de 2000, que “Dispõe sobre a Política Municipal do Esporte e Lazer”, regida pelos princípios da democratização, participação, informação e descentralização na busca de igualdade de oportunidades aos cidadãos em sua ação diária. Democratização: proporcionando o livre acesso às atividades do esporte, do lazer e da atividade física; Participação: garantindo ao cidadão o esporte e o lazer como direito constitucional; Informação: informando, de forma contínua ao cidadão, os benefícios do esporte, do lazer e da atividade física; Descentralização: potencializando ações mais próximas dos cidadãos. Atuando conforme estes princípios e objetivando o cumprimento de sua missão, a Secretaria Municipal do Esporte e Lazer, sob orientação do Instituto Municipal de Administração Pública – IMAP, definiu objetivos estratégicos, resultados, indicadores, metas e produtos que norteiam e efetivam a política de esporte e lazer do município.

Objetivos estratégicos:

* Incentivar/estimular a autogestão da comunidade nas ações de esporte

e lazer;

* Promover o esporte nas suas manifestações comunitárias, estudantis

e de rendimento, buscando parcerias;

* Estimular a prática de atividades e hábitos saudáveis da cultura corporal do cidadão;

* Implementar programação de lazer para a cidade através de parcerias.

Resultados esperados:

* Maior integração e participação da comunidade;

* Aumento da co-responsabilidade da comunidade na preservação dos

equipamentos públicos;

33

* Aumento da co-responsabilidade da comunidade no desenvolvimento da política municipal de esporte e lazer;

* População com estilo de vida mais saudável;

* Melhora na satisfação da comunidade pelo serviço da SMEL.

Indicadores:

* Número de participantes nos eventos;

* Número de apoios e chancelas prestadas à comunidade;

* Número de equipamentos depredados;

* Número de usuários que realizam atividades físicas, esportivas e de lazer nos equipamentos gerenciados pela SMEL;

* Número de parcerias estabelecidas;

* Número de avaliações físicas realizadas na população através do Programa CuritibAtiva;

* Número de eventos realizados.

Metas:

* Atender de forma programática as organizações que já atuam em parceria com a SMEL, mediante apoio técnico/logístico, infraestrutura e recursos humanos;

* Atender as demandas da comunidade em geral por chancelas e apoio eventual;

* Realizar oficinas para capacitar a comunidade no desenvolvimento de atividades e construção de materiais de esporte e lazer;

* Planejar em conjunto com a comunidade, ações e eventos que contemplem suas expectativas;

* Realizar eventos esportivos estudantis, comunitários e de rendimento;

* Incentivar talentos esportivos no esporte de rendimento;

* Priorizar a utilização do espaço público para atividades físicas como prática saudável;

* Informar à população sobre a importância da prática da atividade física e seus benefícios;

* Realizar eventos de lazer em diferentes espaços da cidade;

* Estabelecer novas parcerias com ONGs, órgãos municipais, associações de moradores, lideranças comunitárias, entre outras;

* Ampliar a participação da família em eventos de lazer;

* Ampliar e adequar a infraestrutura para atendimento da Linha do Lazer.

34

Principais produtos:

* Agenda de programação das organizações;

* Eventos esportivos e de lazer em parceria com a comunidade;

* Eventos esportivos estudantis, comunitários e de rendimento;

* Grupos de atividade física e esportiva;

* Publicações e palestras abordando os benefícios da atividade física;

* Festivais e mostras de ginástica e dança;

* Eventos recreativos e culturais;

* Programa Linha do Lazer;

* Oficina de materiais esportivos e de lazer;

* Programa CATES – Centro de Aprimoramento de Talentos Esportivos;

* Programa CuritibAtiva.

Gerências Regionais: Uma Abordagem Comunitária

“Quem é mestre na arte de viver distingue pouco entre o trabalho e

o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, a sua educação e

a sua recreação, o seu amor e a sua religião. Dificilmente sabe o que cada coisa vem a ser. Persegue simplesmente a sua visão de excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos outros decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele pensa sempre em fazer as duas coisas juntas.” Pensamento Zen (De Masi, 1999).

O Departamento de Lazer, norteado pela sua missão de “promover a cultura do lazer junto à população, desenvolvendo ações educativas, sócio-recreativas e culturais visando à ocupação do tempo disponível de forma criativa e participação espontânea”, vem procurando ofertar atividades que atendam todas as Regionais da cidade e seus objetivos são: ampliar as ações que possibilitem a utilização do tempo disponível do cidadão em atividades lúdicas e esportivas, reconhecendo no lazer, a

importância para a saúde e qualidade de vida; facilitar a integração entre

o cidadão e a região da cidade onde vive, desenvolvendo ações

descentralizadas de lazer; propiciar a integração da família resgatando o convívio entre pais e filhos em momentos lúdicos; realizar eventos simultâneos na cidade criando um movimento pró-lazer; promover os princípios do modelo de gestão de Curitiba em todas as ações de lazer planejadas e executadas tanto pelo nível central como pelo regional. É notório que pessoas com menor poder aquisitivo, participam menos de atividades que exijam desembolso financeiro, como teatro, cinema e shows, mesmo demonstrando interesse em freqüentá-las. Este

fato leva o poder municipal, neste caso a Secretaria Municipal do Esporte

e Lazer, a promover atividades e eventos gratuitos de lazer,

35

democratizando e facilitando o acesso e a participação de maneira ampla

e irrestrita. Inclui-se uma gama de eventos, de pequenos a grandes, de um segmento específico ou de massa, todas programadas conforme calendário anual. A partir de 2003, todas as ações do Departamento de Lazer foram

agregadas em três programas básicos: a Linha do Lazer, o Dança Curitiba

e o Lazer na Cidade.

O programa Linha do Lazer é uma ação permanente que se caracteriza

pelo atendimento diário de técnicos e acadêmicos de Educação Física, a

clientelas específicas como crianças em situação hospitalar, idosos em casas

e lares de repouso, pessoas portadoras de deficiência, crianças em creches

comunitárias entre outros. Este programa, lançado em 22 de março de 1993, foi pioneiro no país a utilizar um ônibus adaptado para levar atividades

diversificadas de lazer (recreação, atividades manuais, esportivas e culturais),

lugares distantes e desprovidos de infraestrutura específica para a prática destas atividades. São 12 anos prestando este tipo de serviço essencialmente social à cidade. Impulsionada pela demanda, partir de 1997 a Linha do Lazer passou

a

Foto: acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social - PMC
Foto: acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social - PMC

a atuar com dois veículos e vinte e dois acadêmicos melhorando e ampliando sua capacidade de atendimento.

Figura 1. Dedoches

O programa tem sido muito solicitado pelo diferencial de serviço

que presta à comunidade, uma vez que as atividades são planejadas de acordo com a necessidade e interesse dos grupos a que se destina, resgatando vivências lúdicas e culturais. A partir de 2002 o programa reformulou sua forma de atendimento aos portadores de deficiência, introduzindo, em parceria com a FAS – Fundação de Ação Social, o Dia Especial para Brincar, cujo principal objetivo é a inclusão dos portadores de deficiência em atividades socialmente comuns vivenciadas juntamente com crianças matriculadas em escolas regulares do Município. O programa Dança Curitiba, tem a finalidade de proporcionar ainda mais momentos agradáveis de entretenimento e bem estar aos cidadãos, contribuindo para o desenvolvimento de sua formação e informação, tornando-o parceiro e apreciador desta forma de lazer. Em apresentações públicas programadas para diferentes espaços urbanos, as entidades participantes têm a oportunidade de demonstrar de seu trabalho, contribuindo para a satisfação e auto-estima de seus integrantes.

36

Este programa é resultante de um processo construído ao longo dos últimos 22 anos, quando o primeiro evento de dança, em novembro de 1984, foi promovido com o nome de Encontro de Ginástica, Jazz e Comunidade. Neste período, que pode ser chamado de laboratório, significativas e importantes ações voltadas à dança foram implementadas. Hoje, o programa é de ação permanente e acontece de abril a setembro, promovendo a dança nas Regionais, Parques e no Memorial de Curitiba com o Dança Curitiba Circuito; e num grande evento em setembro, o Dança Curitiba Festival. Paralelamente são programados fóruns, seminários e oficinas das mais variadas modalidades da dança, inclusive aos portadores de deficiência.

Figura 2. Dança Curitiba

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer O programa Dança Curitiba tem se tornado

O programa Dança Curitiba tem se tornado uma referência enquanto política pública, pois não se tem registro que o poder público ou Secretaria de Esporte e Lazer desenvolva ação semelhante onde se promova a dança enquanto lazer com qualidade e organização. Estas são palavras dos profissionais da dança da cidade, também o programa foi reconhecido pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil como “programa de incentivo ao desenvolvimento e a democratização da dança em nosso país” em ofício recebido em março de 2003. O programa Lazer na Cidade tem como principal objetivo proporcionar diversificadas atividades de lazer a população, levando as ações a locais mais próximos com facilidade de acesso ao cidadão das diferentes faixas etárias. Realiza eventos semanais que buscam maior envolvimento da comunidade, como a Manhã de Brincadeiras, a Recreação nas Arcadas e o Bike Night; eventos mensais buscando a educação para e pelo lazer, como o Ciclolazer, o BrinCriando com a SMEL; e eventos especiais em comemoração a datas específicas, como o Festival de Férias de Verão e Inverno, a Festa do Aniversário da Cidade, os Passeios Ciclísticos do Aniversário de Curitiba e da Primavera e a Festa do Dia da Criança. Além dos eventos são realizados assessoramentos tanto para as Gerências Regionais como para Associações de Moradores, Clubes de Mães, e demais lideranças comunitárias além de empréstimo de materiais recreativos.

Figura 3. Recreação nas Arcadas

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer
Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer

37

Para atendimentos dos programas e ações de lazer, o Departamento tem em sua estrutura a Oficina de Material Esportivo e de Lazer cuja função é criar, construir, adaptar e manter os brinquedos artesanais utilizados diariamente pelos diferentes programas. A Oficina também promove assessoramentos para construção destes brinquedos às Associações de Moradores e lideranças comunitárias organizadas que tenham interesse na autogestão e que venham a realizar eventos de lazer para suas comunidades. Diferentes espaços públicos, específicos ou não, têm sido utilizados para realização de atividades. Assim, praças, logradouros, ruas, parques e escolas servem ao desenvolvimento, ao descanso e ao divertimento proporcionando momentos de convivência entre a população. Quanto à forma de efetivação destes programas para a população, pode-se dizer que as ações encontram-se divididas em três grupos: as concebidas e executadas pelo nível central; as concebidas e executadas a nível regional; e as concebidas pelo nível central, mas executadas a nível regional. As ações concebidas e executadas pelo nível central, caracterizam- se por serem planejadas, organizadas e executadas pelo Departamento de Lazer do princípio ao fim, são exemplos os eventos recreativos de menor porte como a Manhã de Brincadeiras e a Recreação nas Arcadas, ambos no centro da cidade e os Passeios Ciclísticos. Nas concebidas e executadas, a nível regional, cada Gerência planeja e executa atividades às comunidades pertencentes a sua área de abrangência, alguns exemplos são “Brincadeira tem Hora” na Regional Boqueirão, “Brincação” na Regional Cajuru e “Recreação na Arthur Bernardes” na Regional Portão.Alguns materiais recreativos alternativos e artesanais foram confeccionados e cedidos a cada uma das Gerências Regionais para que estas se tornassem independentes no que se refere à atuação em sua área geográfica de atendimento. No caso específico da Regional Cajuru, muitos eventos de lazer têm sido realizados pela própria comunidade como resultado de uma ação do Modelo Curitiba de Colaboração, anteriormente mencionado. Nas concebidas pelo nível central, porém executadas, a nível regional, a função do Departamento de Lazer é estabelecer as diretrizes básicas a fim de nortear a ação. Desta forma, planeja e elabora projetos, buscando parcerias tanto da iniciativa privada como de instituições públicas estabelecendo assim, a intersetorialidade preocupando-se, ainda, com infra-estrutura (material, transporte, sanitários, etc.), divulgação, atividades, atrações, etc., enquanto que as Gerências Regionais se responsabilizam pela organização local (croqui do espaço físico e necessidades finais de infra-estrutura), pessoal para execução, contato

38

com as instituições presentes no evento (intersetorialidade regional) e execução do evento. Como resultado, incluem-se eventos como o BrinCriando com a SMEL e Vida Saudável (em parceria com a SMS - Secretaria Municipal de Saúde - atualmente denominado Viva Curitiba) que acontecem uma vez ao mês; Festival de Férias de Verão e de Inverno, nos meses de janeiro e julho; e a Festa do Aniversário de Curitiba realizada em março.

Considerações finais

As questões mais profundas que permeiam o lazer , são indispensáveis

à qualidade de vida dos cidadãos e à construção de uma nova sociedade comprometida com a justiça, com a eqüidade e com a humanização das relações sociais do nosso meio. A adoção de uma ação comunitária como estratégia de articulação e de participação, construindo a prática social do lazer nesta perspectiva, pode significar a potencialização do seu duplo processo educativo, a aproximação entre a construção social do lazer e a cidadania, e a redução do lazer como consumo. As ações de lazer em Curitiba voltadas ao tema e seu significado para o exercício da cidadania de seu povo, alcançando homens e mulheres

de variadas faixas etárias e classes sociais, credos e etnias, com diferentes interesses e necessidades, devem buscar uma mudança de comportamento das pessoas, visando a conservação da saúde e qualidade de vida.

O bem estar, saúde, felicidade e, como somatória disso tudo, a

qualidade de vida dependerá, e muito, da qualidade de relação entre as pessoas, onde quer que se esteja, tanto no trabalho, na comunidade ou na cidade.

Referências

Bruhns, H. T. (1997). Relação entre a educação física e o lazer. In: Bruhns, H. T. (Org.). Introdução aos estudos do lazer. Campinas: Editora da Unicamp.

Burle Marx, R. (1974). Conferencia de abertura do Seminário Nacional sobre o Lazer. Anais sobre o Seminário de Lazer, Curitiba, pág. 10 a 16.

Busani, E. (2003). No aconchego do “casulo”. Jornal Gazeta do Povo, caderno Viver Bem, Edição nº 26.902, Ano 85, Curitiba.

Camargo, L. O. (1985). Política de Lazer. Estudos de Lazer, n.1. São Paulo: SESC.

(1988). Educação para o lazer. São Paulo: Moderna.

Canton, A. M. (2002). Eventos, ferramenta de sustentação para as organizações do terceiro setor. São Paulo: Roca.

39

Constituição da República Federativa do Brasil (1988).www.planalto.gov.br

Corbin, Alain (1996). L’invenzione Del tempo libero. Roma: Laterza

Curitiba, Prefeitura Municipal. (1999). Curitiba, um modelo de gestão pública. Curitiba:

Secretaria Municipal de Comunicação Social.

(2000). Modelo de gestão Curitiba. Curitiba: IMAP-Instituto Municipal de Administração Pública.

(2004). A cidade de Curitiba - Imigração, história, perfil. www.curitiba.pr.gov.br

(2000). Lei nº 9.942 de 29 de agosto. Política Municipal do Esporte e Lazer.

De Masi, D.(1999). O futuro do trabalho, fadiga e ócio na sociedade pós-industrial. 2. edição. Rio de Janeiro: José Olympio.

Gaelzer, L. (1979). Lazer: Benção ou Maldição? Porto Alegre, Sulina.

Jucius, M. & Schender, W. (1972 ). Introdução à administração. São Paulo: Atlas.

Le Corbusier, 1887-1965. A Carta de Atenas [versão de Le Corbusier; tradução de Rebeca Scherer]. Estudos Urbanos. São Paulo: HUCITEC: Editora da Universidade de São Paulo.

Marcelino, N. C. (1995). Lazer e humanização. Campinas, SP: Papirus.

(1997). Pedagogia da animação. 2ª edição. Campinas, SP: Papirus.

(1996). Políticas Públicas Setoriais de Lazer: O papel das Prefeituras/ Marcelino, N.C. (org). Campinas, SP: Autores Associados.

(2002). Estudos do Lazer – Uma Introdução. 3ª edição. Campinas,SP: Autores Associados. Marinho, I. (1957). Educação Física, recreação e jogos. Rio de Janeiro: (s.n).

Melo, V. A. & Alves Junior, E. D. (2003) Introdução ao Lazer. Barueri, SP: Manole.

Santos, M. (1986). Pensando o espaço do homem. Estudos Urbanos. São Paulo:

HUCITEC: Editora da Universidade de São Paulo.

Toscano, M. (1974).Teoria da Educação Física Brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

Tosin, D. G. (2003). A Política Municipal de Lazer de Curitiba: da teoria a ação. Monografia para Especialização em Administração Esportiva.

Werneck, C. (2000). Lazer, Trabalho e Educação: Relações históricas, questões contemporâneas. Belo Horizonte: Editora UFMG; CELAR-DEF/UFMG.

Xavier, V. (1975). O lazer na Curitiba antiga. Boletim Informativo n o . 7, Fundação Cultural de Curitiba, fevereiro.

40

Capítulo 3

PRÁTICA DESPORTIVA DE RENDIMENTO Fator de desenvolvimento integral

João Egdoberto Siqueira

O esporte, enquanto instrumento pedagógico, visa integrar-se às

finalidades gerais da educação, de desenvolvimento da individualidade, de formação para a cidadania e de orientação para a prática social. O campo pedagógico do esporte é um campo aberto para a exploração de novos sentidos/significados. Permite que sejam explorados pela ação dos praticantes nas mais diversas situações. Assim, além de ampliar o campo experimental do indivíduo, cria obrigações, estimula a personalidade intelectual e física, e oferece chances reais de integração social. A prática esportiva está direcionada a ser um instrumento educacional que visa o desenvolvimento integral das crianças, jovens, adolescentes e mesmo de adultos, capacitando o sujeito a lidar com as necessidades, expectativas e anseios, tanto suas como de outros, desenvolvendo competências técnicas, sociais e comunicativas, essenciais para o seu desenvolvimento individual e social (Afonso, 2001).

O Departamento de Esporte e suas áreas de atuação

O Departamento de Esporte, enquanto setor componente da Secretaria

Municipal do Esporte e Lazer, visa atuar no desenvolvimento e no fomento da prática desportiva, esta com vistas ao alto rendimento desportivo, buscando

a performance consoante a faixa etária do praticante. A prática desportiva

volta-se a seguintes áreas: esporte comunitário, esporte de rendimento e esporte popular. Por Esporte Comunitário entende-se a participação da comunidade em eventos esportivos. São compostos por diversas faixas etárias, de forma organizada e que, de maneira geral, desenvolvem-se em um período de tempo

longo. Entre os eventos abrangidos pelo Esporte Comunitário, contamos com o Campeonato Paranaense de Futebol de Pelada, realizado desde 1969

e que tem a participação de mais de 5.000 atletas das mais diversas faixas

etárias. É realizado de março a dezembro no Parque Peladeiro de Curitiba, espaço físico adaptado para a prática deste esporte e que possui 6 campos de

futebol de areia, um campo de futebol de campo, além de um ginásio de esportes. Visando o atendimento àquelas pessoas que atingem idades mais avançadas, realiza-se o Encontro Esportivo da 3ª Idade, no 2º semestre

de cada ano, com jogos e atividades de lazer no sentido de congraçamento

e desenvolvimento do bem viver e conviver.

41

Os funcionários municipais lotados na Secretaria Municipal do Esporte e Lazer participam, anualmente, dos Jogos dos Servidores Públicos do Paraná, evento este que é promovido pela Associação dos Servidores Públicos do Paraná. Para a população estudantil são promovidas as competições escolares municipais, que atendem aqueles matriculados nas mais diversas escolas da cidade e região metropolitana que buscam, através do rendimento desportivo um meio de potencializar os seus predicados físicos de maneira a obterem os melhores resultados e eventualmente o índice técnico compatível à uma convocação para a seleção do município. Estas competições estão sendo realizadas de forma ininterrupta desde o ano de 1974, e perduram durante 2 semanas, As faixas etárias atendidas nestes eventos são aquelas que perfazem as seguintes categorias;

a) Jogos Pré-Mirim

b) Jogos Mirins

c) Jogos Infantís

d) Jogos Infanto Juvenis

e) Jogos Juvenís

- dos 10 aos 12 anos

- dos 11 aos 13 anos

- dos 12 aos 14 anos

- dos 13 aos 15 anos

- dos 15 aos 17 anos

Tais competições são realizadas com uma participação de cerca de 1500 a 2000 atletas distribuídos nas seguintes modalidades: atletismo, basquetebol, voleibol, voleibol de areia, handebol, futebol, futsal, futebol de areia, judô, tênis de mesa, ciclismo e xadrez. Nestes jogos estudantis, como os níveis de desempenho dos participantes são diferenciados, buscou-se uma subdivisão de categorias de tal maneira a que todos os participantes estejam aptos a obterem a melhor classificação de acordo com o seu nível competitivo. Assim, foram idealizados dois grupos que compõem estes jogos: Grupo Verde, composto por aquelas escolas que obtiveram no ano anterior as classificações entre os seis primeiros deste grupo, aliados aos dois primeiros da classificação do segundo grupo, aqui denominado de Grupo Vermelho, que é composto por aquelas escolas que, num primeiro momento, ainda estão com desempenho desportivo aquém das demais. Desta maneira as escolas participantes, e seus componentes, têm condição de competirem em igualdade. Com o objetivo de difundir na comunidade a prática da atividade física, e de favorecer o intercâmbio cultural e esportivo, desenvolve-se de abril a outubro, em cinco etapas realizadas aos finais de semana, o Campeonato Adulto de Corridas de Rua, que vem sendo desenvolvido desde 1981, sendo direcionado aos praticantes do pedestrianismo que

42

buscam, através desta atividade, superar os seus limites no sentido do rendimento de acordo com as suas potencialidades. Este campeonato é subdividido em 9 categorias de idade para os participantes do sexo feminino e em outras 14 para os do sexo masculino com idade superior aos 16 anos completos. A distância a ser percorrida é de 10.000 metros, e ela conta com apoio de parceiros que, dentro das orientações do Departamento de Esporte, oferecem prêmios de acordo com a classificação alcançada. Além dos objetivos supracitados, estes atletas utilizam-se destas provas para aferir seus treinamentos no sentido de participação na Maratona Ecológica de Curitiba. Atendendo a população de idades mais baixas, e também desenvolvido em 5 etapas aos finais de semana, encontramos o Festival Infantil de Corridas de Rua que, a partir do ano de 1987, busca atender a parcela da população compreendida entre os 10 e 16 anos de idade, subdivididos em 6 categorias tanto para os do sexo masculino quanto do feminino, e que percorrem distâncias que vão dos 1.000 aos 4.000 metros. Muitos destes atletas, quando de suas continuidades no treinamento, chegam a representar o município nos Jogos da Juventude do Paraná.Por sua vez, o Esporte de Rendimento tem por objetivo culminar os trabalhos desenvolvidos pelo Departamento de Esporte, de tal maneira que dois eventos de grande porte são estruturados no decorrer do ano. Estes eventos mostram o que há de melhor em termos de performance na nossa cidade, e que despontam entre os participantes como a expressão máxima do rendimento desportivo da população. Nominalmente citam-se os Jogos da Juventude do Paraná – JOJUPs, evento promovido pela Paraná Esporte, autarquia responsável pelo desenvolvimento do esporte e da prática desportiva a nível estadual, é a competição máxima, dentro do estado, na faixa etária que se estende até os 17 anos. Com participação através de representação municipal selecionada a partir de escolha por parte de equipe de técnicos escalados dentre aqueles que, normalmente, participam nos eventos promovidos por este setor da SMEL. Sua primeira realização aconteceu em 1987 e desde então Curitiba participou em todas as suas edições obtendo o título de campeão geral por 8 edições, sendo o grande campeão deste torneio. Para tanto, todos os anos representam o município cerca de 350 atletas das mais diversas modalidades, estes selecionados nos eventos estudantis promovidos pela SMEL no decurso do ano. A Maratona Ecológica de Curitiba, apesar de ser o maior evento sob a coordenação do Departamento do Esporte, é promoção de toda a Prefeitura

43

Municipal de Curitiba em decorrência de suas particularidades relativas ao seu porte. Assim, a grande maioria das secretarias atua em consonância, com participação de entidades privadas que compõem, ao nível de parceria,

o

quadro de patrocinadores. As origens da Maratona fazem lembrar a história, a partir das lendas

e

relatos dos tempos da antiga Grécia, quando desavenças entre povos

tornavam-se guerras, dentre os quais aconteceu um conflito entre gregos e persas. Tal conflito, culminou em uma batalha que se tornou épica, quando se defrontaram na planície de Maratona e, depois de aguerrida disputa, sagraram-se vencedores os gregos que, apesar de minoria, deram tudo de si pela liberdade. Na época, como meio de transmissão de informações, fazia- se uso de mensageiros que se deslocavam a pé ou a cavalo de cidade a cidade. Um deles, de nome Feidípedes, estava presente e tomou parte da batalha, sendo escolhido para levar esta notícia. Este mensageiro, após ter lutado a noite toda correu os mais de 40 km que separavam a planície da cidade de Atenas, sem descanso, e ao final, após informar que “alegrai-vos:

vencemos!”, veio a morrer. Em memória a este gesto de desprendimento, em 1896, quando da realização da 1ª edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas, a prova da Maratona foi idealizada como evento que encerra a competição.

foi idealizada como evento que encerra a competição. Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer

Figura.1

Largada da Maratona Ecológica Curitiba

Observando estes fatos, e levando em conta o que um evento deste porte significa, a Prefeitura Municipal de Curitiba idealizou uma primeira edição em 1997, assim atendendo uma parcela da população que buscava em seu meio um evento representativo, projetando o nome do município, não apenas como uma cidade voltada à qualidade de vida de seus munícipes. Em um primeiro momento uma Maratona a ser percorrida na cidade, por atletas nacionais, cresceu ainda dentro do período de planejamento, creditando uma das características da cidade, que é o seu perfil ecológico. Este perfil é representado pelos 54 m 2 de área verde por habitante, pela coleta de lixo a ser reciclado, pelos parques distribuídos em toda área da cidade, pelo entendimento da população que ecologia é representada pela relação entre si e o meio ambiente, e não tão somente com o verde ou quantidade do mesmo, até mesmo pela colocação e construções de áreas cimentadas que venham a disponibilizar uma

44

parceria de convívio destas estruturas com as pessoas e com o meio ambiente. Com estes pensamentos, a idéia da maratona transcendeu para uma Maratona Ecológica, onde o respeito ao meio ambiente é uma prerrogativa, a tal ponto de premiar-se a cidade e os participantes com um trajeto que contemplasse tanto a questão técnica como a beleza do

trajeto. Em um percurso que passa por diversos cartões de visita da cidade,

a cada ano busca manter os padrões alcançados nas diversas edições, nas

quais a Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt considerou a prova como de “Maratona de Primeiro Mundo” (Revista Contra Relógio, 1998),

após um “Show de Organização” em sua estréia, no ano de 1997 (Revista Contra Relógio, 1997).

E este desempenho obtido nos primeiros anos, deu-lhe condição

de passar a ter o status de Internacional, ratificado com a vinda de atletas, convidados e não, de diversos países tanto do Continente Americano como de outros. Evoluiu da primeira edição, em 1997, de uma participação de mais de 900 atletas e 751 concluintes, passando por 1998, quando dos mais de 1.200 corredores, quase 900 completaram a prova dentro do então tempo limite de 5 horas, chegando em 1999 ao número

recorde de 1281 corredores inscritos, dos quais inúmeros atletas internacionais, quando participantes do Quênia, África do Sul, Argentina, Alemanha, Uruguai, Paraguai, Áustria, Chile, Estados Unidos da América além do Brasil, coroaram a prova com suas cores diversas e trazendo a mídia de encontro a estes astros. Já na sua 6ª edição alcançava a marca de mais de 2000 inscritos,

e para tanto os marcos diferenciais da Maratona de Curitiba tinham muito

a contar. Pode-se relacionar a realização de um jantar de massas, na véspera da prova, em local amplo e aprazível, que demonstra o cuidado no bem atender aos visitantes. Neste jantar busca-se a confraternização dos participantes que se reúnem em um só local, em curto espaço de tempo (cerca de 2 horas), e é onde informações podem ser divulgadas para todos os participantes. Com uma premiação de alto gabarito, realizada aos melhores classificados após a prova, em palco montado exclusivamente para o evento, com excelente visualização por parte dos participantes e da imprensa. Essa premiação atinge 25 categorias, das mais diversas faixas etárias, dos 18 aos 87 anos (idade do mais idoso concluinte em 1999), além das duas categorias gerais. É a maior diversificação de categorias, dentre todas as corridas no Brasil, e é prova do respeito da cidade com os que aqui chegam para prestigiá-la

A entrega dos “kits” dos atletas (brindes, camiseta, boné, bolsa),

45

paralelamente a uma “Feira Informal da Maratona”, é realizada, desde a

sua primeira edição às vésperas da prova (sexta e sábado), com apresentações artísticas durante todo período de entrega, favorecendo assim um grande congraçamento dos atletas e público envolvidos no evento. Para os atletas participantes é disponibilizada uma Coordenação de Recepção e Transporte que, a partir dos pontos de chegada (Aeroporto

e Rodoferroviária) são recepcionados e conduzidos aos locais de

alojamento ou hotéis. Valorizando desta maneira todos os atletas, independente do nível de desempenho e de faixa social. Com a largada da prova, sempre em um ponto de referência da cidade (1997 no Autódromo de Curitiba; 1998 a 2001 no Parque Barigüi;

e a partir de 2002 no Centro Cívico), leva a um percurso que passa pela

Praça do Japão, Memorial Jerusalém, Teatro do Paiol, Rua da Cidadania do Boqueirão, Jardim Botânico, Proximidades do Parque São Lourenço, sem deixar de contar com a passagem pelas primeiras ruas exclusivas para ônibus, as conhecidas Canaletas do Expresso, onde a segurança, agilidade e comodidade aliam-se às estruturas existentes e modificadas em benefício aos habitantes, como o citado Teatro do Paiol, modificado de um depósito de pólvora no centro da cidade para um teatro de apresentações culturais, não destruindo uma memória que deve permanecer viva em todos os habitantes.

A própria escolha da data de realização da prova também é um diferencial, premiando com o mês de Novembro aqueles que visam

encerrar o ano com um evento bonito e organizado, sendo ela que encerra

o calendário nacional de maratonas, favorecendo então a ampla

divulgação junto a outras provas do gênero que são realizadas no país. Como já citado, o apoio, o envolvimento e a capacidade de

organização de toda a Prefeitura, através das Secretarias envolvidas no evento, firmou a Maratona de Curitiba como a melhor e mais organizada no país (Revista Contra Relógio, 1997-2003), tal atestado obtido através de avaliações realizadas pela Confederação Brasileira de Atletismo, tem chamado atenção de atletas estrangeiros que buscam participar de um evento de porte, que melhore as suas condições de ranking a nível Internacional, em uma prova com características próprias. Desta maneira, buscando a segurança do atleta

e agilidade nas informações, utiliza-se da tecnologia do “chip”, material que

é levado pelo próprio atleta nos seus tênis e que, por meio de sensor eletrônico em pontos estratégicos do percurso, informam o público, quase de forma imediata,o desenvolvimento e os resultados da prova. E a colocação inédita

de um portal, exatamente na metade da maratona, com relógio digital, informa

ao público e aos participantes, o tempo oficial da passagem dos atletas neste ponto, e a situação naquele ponto do trajeto (Mathoso, 2004).

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer

46

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer 46 Figura 2. Chegada da Maratona Respeitando

Figura 2. Chegada da Maratona

Respeitando os anseios de uma prova desportiva deste nível, toda e qualquer parceria tem sido bem vinda e contemplada com o que há de melhor em calor humano, seja dos corredores, dos assistentes como dos organizadores de forma geral. As ações do Departamento de Esporte não são realizadas tão somente para os participantes que, como artistas, são os elementos que oferecem o show nesta apresentação, mas também para a população curitibana, a qual é premiada com o desempenho destes atores, e envolvida através da divulgação por rádio, televisão e jornais, além de eventuais varreduras nas residências localizadas próximas aos locais, antecedendo ao desenrolar dos eventos. Essas ações são taxadas tão somente de “sensacionais” por parte de quem está participando, bem caracterizando os objetivos e fins deste setor da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer de Curitiba.

Referências

Afonso, C. A. (2001). O Conhecimento do Treinador Acerca das Metodologias de Ensino. Tese de Doutorado não Publicada - Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Portugal.

Mathoso, E. F. (2004) – Maratona Ecológica Internacional de Curitiba – O crédito por uma missão bem cumprida. (On Line) www.fcdef.up.pt (acessado em 26/03/2004).

Revista Contra Relógio (1997 a 2003) – Redijo Produções e Editora Ltda – EPP, São Paulo, Brasil.

47

Capítulo 4

A DESCOBERTA E VALORIZAÇÃO DE TALENTOS ESPORTIVOS

Hiran Cassou

Newton Zanon

Ronaldo Babiak

A cidade de Curitiba passou, na última década, por um processo

de expansão assombroso, que ampliou sua ocupação até os seus limites

territoriais. A “Cidade Universitária”, “Cidade Sorriso”, antes pacata, foi crescendo e, nesta ampliação, foi mudando gradativamente sua identidade. Excelentes administrações procuraram ordenar esse aumento, e, sempre preocupadas com o meio ambiente e qualidade de vida, transformaram Curitiba na “Capital Ecológica”. Um modelo de ocupação reconhecido mundialmente como um dos melhores lugares do planeta, para se viver.

A propagada satisfação de sua gente atraiu novas famílias, o que, por

sua vez, atraiu novas empresas, que atraiu novas indústrias, que atraiu mais famílias. E assim, foi experimentando um aumento populacional muito gran- de 1 , proporcionado devido ao êxodo rural e a migração, daquela camada carente da sociedade brasileira, ávida por encontrar um emprego, um ensino público de qualidade, assistência médica e moradia. No entanto, as constantes crises financeiras que mexeram com a Economia mundial, afetaram esse desenvolvimento harmônico. O mer- cado retraiu, veio o desemprego. A população empobreceu, mas Curitiba e Região Metropolitana continuaram a atrair pessoas, por manter a preo- cupação com a qualidade de vida. O resultado desse processo foi o cres- cimento espantoso dos bolsões de favelas e, conseqüentemente, um agra- vamento dos problemas sociais. A criminalidade aumentou e a popula- ção mais carente sentiu reduzirem-se as suas opções de lazer, tão impor- tante para manter o equilíbrio dos indivíduos e a harmonia das socieda- des, principalmente nesses momentos de crises existenciais, de insegu- rança, de descrença. Mais uma vez a boa administração pública foi em busca de solu- ções para esses problemas, com projetos desenvolvidos em conjunto pe- las diversas Secretarias Municipais, passou a oferecer:

- mais empregos;

- mais escolas públicas de qualidade;

- melhor assistência médica gratuita;

- mais assistência social;

- mais oferta de atividades recreativas e de iniciação desportiva gratuitas.

1 http://www.curitiba.pr.gov.br

48

Neste contexto foi criado o Centro de Aprimoramento de Talen- tos Esportivos - CATES: um importante instrumento (ou meio) para oportunizar a população, de todas as classes sociais, a participação em atividades esportivas que contribuam para um desenvolvimento social harmônico, e que promova, em cada indivíduo, o seu desenvolvimento biopsicosocial. Com ele, criaram-se mecanismos que incentivam as pes- soas, a se organizarem em Associações de Bairros.

O contexto histórico do esporte em Curitiba

Na década de 70, Curitiba já sofria grande impacto social, com um acentuado aumento da população e o surgimento de bolsões de favelas em

muitos pontos da cidade. Os espaços públicos ofertados para a recreação e o lazer já não atendiam a demanda. Os clubes, por envolver custos, foram se tornando uma opção para minorias. Sentiu-se a necessidade de oferecer mais áreas para a recreação e o lazer da população, oportunizando, principalmen- te as crianças e adolescentes, a participação em atividades orientadas, sadi- as, que os atraíssem, no contra-turno escolar. Na busca constante de soluções inovadoras, a Prefeitura Municipal de Curitiba, através do IPPUC, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, aproveitou as praças da cidade, que foram reformadas e recebe- ram equipamentos esportivos e de recreação, transformando-as em Unida- des Recreativas 2 ou Eixos de Animação 3 .

A sede do Departamento de Educação Física, da Prefeitura Municipal

de Curitiba, foi transferida para a Praça Osvaldo Cruz, que, com a instalação de ginásio esportivo, pista de atletismo e piscina, tornou-se o CTMC - Centro de Treinamento Modelo de Curitiba. Nesse Centro foram lotados os professores/técnicos esportivos, mais capacitados para atuar em cada

modalidade ali ofertada.

O trabalho de base, de iniciação esportiva, era desenvolvido nas

Unidades Recreativas e nas escolas das redes municipal e estadual. Os atletas que despontavam, nas diversas modalidades, eram encaminhados para o CTMC, aonde passavam a ter um treinamento em nível mais alto, visando a performance. Desse modo, muitos atletas foram revelados e vieram a compor as seleções de Curitiba, ganharam bolsas de estudo em escolas particulares, ou, no mínimo, contribuíram, devido a sua evolução, com as suas equipes de origem. Curitiba tornou-se modelo de gestão esportiva, sendo copiado por tantas outras cidades brasileiras e de outros países. Mas, mudanças de ideologias políticas, ou de planos de gestões, re- sultaram na desativação de muitas Unidades Recreativas. O CTMC – Cen- tro de Treinamento Modelo de Curitiba, foi descaracterizado, não mantendo

2 Unidades Recreativas: locais públicos, como praças, dotados de instalações para o desenvolvimento de atividades esportivas, recreativas e/ou culturais, e uma equipe composta por professores e estagiáros de Educação Física.

3 Eixo de Animação: Unidade Recreativa instalada ao longo de diversos quarteirões, nos quais são dispostas quadras esportivas e demais equipamentos.

49

mais os melhores técnicos/professores de cada modalidade esportiva. Paralelamente, nas escolas, os professores passaram a atender so- mente o curricular (aulas de Educação Física), encerrando os horários de treinamentos esportivos. Isso refletiu nos Jogos Escolares do município, que na década de 70 e início dos anos 80, chegavam a aproximadamente 120 escolas (em algumas categorias), e após essa queda de qualidade, passam a ser dis- putados por número inferior a 40, muito embora a quantidade de escolas (públicas e particulares) tenha dobrado, no período que se passou. Era necessário resgatar o interesse da prática da juventude pela

prática desportiva. Para isso, se fazia necessário voltar a crescer, ampliar em número, os locais de oferta da prática esportiva. “Caminhar”, para cada um dos bairros, indo ao encontro da população, criando mais Cen- tros de Treinamento para atender a demanda.

O Departamento de Educação Física, que fazia parte da Secretaria

Municipal de Educação, foi “emancipado”, e transformado na Secretaria Municipal do Esporte e Lazer, a SMEL, que, como unidade gestora do

esporte e do lazer municipal, passa a manter sob sua administração seto- res regionais, que buscam o estreitamento da administração desportiva com a população dos mais diversos bairros da cidade.

A Prefeitura inaugura novas instalações esportivas, como as das

ruas da Cidadania 4 , e a SMEL reativa alguns locais, denominando-os Centro de Esporte e Lazer – CEL´s 5 , oferecendo atividades esportivas, orientadas por professores e estagiários de Educação Física. Faltava, então, criar um Programa, com estratégias e mecanismos capazes de sistematizar a gama de possibilidades oferecidas para a co- munidade, somando-se às atividades desenvolvidas pela SMEL, com as mantidas e/ou criadas por associações de bairro ou de moradores, pelos clubes desportivos e de serviços e pelas Instituições de Ensino Superior, em suas contrapartidas sociais, possibilitando uma maior ação que vise o desenvolvimento do cidadão, no sentido de reconhecer a cidade como sua, usufruindo-a de tal forma a ajudá-la a crescer, de maneira harmôni- ca, mantendo a qualidade de vida da sua população.

A criação do CATES

Em 1998 a SMEL implanta o Programa CATES – Centro de Apri- moramento de Talentos Esportivos, para oferecer um treinamento espor- tivo, em nível mais alto, às crianças e adolescentes da faixa etária com- preendida entre 10 e 16 anos, que se destacavam nas escolas ou demais centros esportivos.

4 Rua da Cidadania: Local criado pela Prefeitura, em cada uma das Regionais, dispondo de um “posto avançado” das diversas Secreta-

rias Municipais, proporcionando a descentralização da administração municipal, facilitando o acesso da população aos setores públicos.

Esses locais contam com salas para cursos, reuniões, e instalações esportivas.

5 http://www.curitiba.pr.gov.br/Secretarias.aspx?svc=89

50

O Programa, iniciou dentro de seus espaços próprios: os Centros de Esporte e Lazer distribuídos pela cidade. A idéia de trabalhar com performance, dependeria de um trabalho de massificação do esporte que, logo se percebeu, não estava ocorrendo.A iniciação esportiva estava limi- tada a algumas escolas particulares e alguns clubes esportivos. O CATES parte então, para o grande desafio: massificar o esporte

e dar oportunidade a cada cidadão de participar de atividades de inicia- ção esportiva, incluindo pessoas Portadoras de Necessidade de Educa- ção Especial – PNEE.

de Necessidade de Educa- ção Especial – PNEE. Missão: Proporcionar às crianças e adolescentes

Missão: Proporcionar às crianças e adolescentes atividades de ini- ciação esportiva, otimizando o desenvolvimento das interrelações psicossociais e dos aspectos biofísicos, valorizando a cultura e oportunizando a descoberta de talentos.

Para isso seria necessário extrapolar seus limites de atuação formalizando parcerias com entidades que pudessem disponibilizar suas instalações para o atendimento às comunidades, levando o Programa a todos os pontos da cidade, disponibilizando, para tal, mais espaços, mais pessoal qualificado e mais material esportivo.

Parcerias & Convênios

O Programa contou com a adesão de outras Secretarias Municipais, uma vez que as propostas do CATES vieram de encontro aos trabalhos sociais que já realizavam. Firmou parcerias com Instituições de Ensino Superior, aproveitando as contrapartidas sociais que desenvolvem, e com Clubes Esportivos e Sociais que se beneficiam da Lei Municipal de Incentivo ao Esporte 6 , devendo prestar uma contrapartida ao município. Para atingir a população menos favorecida na periferia da cidade,

a parceria foi estabelecida com as Associações de Moradores de Bairros. Assim, as ações que eram desenvolvidas somente nos Centros de Espor- te e Lazer, passaram, através das parcerias a realizar-se em Instituições de Ensino Superior, Clubes Esportivos e Sociais, e nos “campinhos” e quadras esportivas existentes nos bairros. Esses avanços estabeleceram a divisão do CATES em: CATES CEL´s; Convênios; Itinerante e Associações.

6 Disponível em: http://www.curitiba.pr.gov.br/Secretarias.aspx?svc=95

51

- CATES CEL´s Os Centros de Esporte e Lazer – CEL´s, são os locais que pertencem à própria Prefeitura Municipal, e onde desenvolvem-se atividades de iniciação esportiva por professores e estagiários de Educação Física, contratados pelo Instituto Municipal de Administração Pública. Estes, estão diretamente vinculados à gerência da regional a qual, geograficamente pertencem. Atualmente existem 29 CEL´s, cada um com sua característica e peculiaridade. Com uma coordenação própria, têm autonomia para, conforme sua estrutura física e clientela, escolher e desenvolver suas atividades, que incluem as de outros programas criados e mantidos pela Secretaria.

- CATES CONVÊNIOS Através das parcerias, são desenvolvidas atividades nas ins- talações das Instituições de Ensino Superior, que cedem seus espaços físicos, oferecendo para a comunidade mais uma opção de atividade es- portiva/formativa, e para seus acadêmicos, através de estágios, um com- plemento do ensino.

- CATES Natação, Centro Universitário Positivo - UNICENP

- CATES Especial (natação), UNICENP

- CATES Handebol, Universidade Federal do Paraná - UFPR

- CATES Seleção de futebol de campo, UFPR, FAS, SMAB, SMMA

- CATES Tênis de Campo, Federação Paranaense e academias.

- CATES Tênis de mesa, Federação Paranaense e Sociedade União Juventos.

de Campo, Federação Paranaense e academias. - CATES Tênis de mesa, Federação Paranaense e Sociedade União

52

CATES ITINERANTE Com o crescente problema social, fica cada vez mais difícil encaminhar as crianças e jovens para uma formação educacional satisfatória. Com o desemprego dos pais, as crianças são retiradas da escola e colocadas no mercado de trabalho. Circulando pela cidade a cata de papel, ou paradas nas esquinas, oferecendo algum produto aos motoristas, assumem muito cedo a responsabilidade de contribuir para a renda familiar. Quando não conseguem um desses “empregos”, muitas delas são colocados nas ruas para mendigar, e na seqüência, são atraídas para a marginalidade. A educação formal e as opções de lazer deixam de fazer parte da vida dessas crianças, que pulam etapas de suas vidas, assumindo responsabilidade

de sustentar um lar, quando deveriam estar participando de atividades inerentes à suas idades, visando uma formação integral, harmônica. Mas, em todo o Brasil, o trabalho infantil sofreu um crescimento assustador nas últimas décadas, levando o Governo Federal a criar um Programa de assistência às famílias que dependem dessas pequenas rendas. Criou o PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que proporciona às famílias uma bolsa auxílio, em dinheiro, como compensação por retirar seus filhos da “mão de obra infantil”, na condição da criança freqüentar

a escola, e no contra-turno participar de atividades orientadas, esportivas e culturais. Em cada município, as Secretarias que dão assistência às crianças e/ou problemas sociais, ficam encarregadas de detectar as incidências do trabalho infantil, cadastrar as famílias e organizar os “núcleos”, isto é, determinar locais e programação das atividades, bem como contratar a equipe de trabalho. Em Curitiba a FAS – Fundação de Ação Social, está encarregada do PETI e “convocou” a SMEL como parceira, originando, então, o CATES ITINERANTE. Sendo o esporte, pelo seu potencial atrativo, uma estratégia para envolver essas crianças e adolescentes, fomentando a prática de atividades esportivas, contribuindo para permanência no Programa, cabe a SMEL, através da equipe do CATES, participar da seleção dos estagiários, orientá-los e supervisioná-los, disponibilizando um professor para acompanhar diretamente o desenvolvimento das atividades, avaliando-as e contribuindo na promoção das melhorias. Participam, como parceiras, as Secretarias Municipais do Abastecimento

e a do Meio Ambiente, fornecendo o lanche que é ofertado às crianças

cadastradas no PETI, e aos seus irmãos mais novos, quando os acompanham nas atividades. É determinada a quantia mínima de 40 crianças, para que se estabeleça novo núcleo, que pode ser implantado em local público, como praças ou quadras esportivas, ou privados, quando instituições disponibilizam seus espaços físicos. Quando em uma determinada região da cidade, a quantia de

53

crianças cadastradas não viabiliza a formação de novo núcleo, o grupo é encaminhado para um dos CEL´s, aonde participa das atividades ali desenvolvidas. A estrutura física de cada núcleo “determina” quais atividades de iniciação esportiva serão desenvolvidas pelos estagiários, que de forma ITINERANTE, atuam duas vezes por semana em cada local, sendo que nos demais dias outros orientadores desenvolvem atividades culturais e recreativas. AFAS disponibiliza a condução para levar e trazer os estagiários, da SMEL até os núcleos, e para levar as crianças quando são organizados os intercâmbios esportivos, que muito motivam os participantes.

- CATES ASSOCIAÇÕES Foi criado para proporcionar à população menos favorecida, ativi- dades de iniciação esportiva, próximas de suas casas, na periferia da cidade. Contando com a participação de voluntários dessas comunida- des, a Prefeitura consegue oferecer uma iniciação esportiva orientada, saudável, no período do contra-turno escolar, aonde somente com recur- sos próprios não teria condições de desenvolver. Promove desse modo um benefício social, uma vez que envolve essas crianças com atividades que contribuem para o seu desenvolvimento integral, e incentiva as co- munidades a se organizarem em Associações de Moradores. Uma vez criada a Associação, conforme regem as leis do municí- pio, ela pode se cadastrar no Programa, através da regional da SMEL, necessitando definir as modalidades esportivas que irá desenvolver e apresentar os voluntários que irão ensinar as crianças. O CATES fornece o material esportivo básico, necessário para o início das atividades: re- des, bolas, bombas de encher bola, cones para os treinamentos, apitos, e outros, conforme as modalidades escolhidas. Periodicamente ocorre nova distribuição de material, mas em quantidade que variam conforme o nú- mero de participantes em cada local com base nos relatórios mensais que cada Associação deve, obrigatoriamente, entregar. Os profissionais da SMEL, que atuam nas regionais, encarregam-se de supervisionar estas atividades, acompanhando os dados dos relatórios, e dando o apoio necessário para que se desenvolvam com qualidade. Para capacitar os voluntários, visando aprimorar as aulas/treinamentos, o CA- TES promove as Clínicas Esportivas, ensinando teórica e praticamente, os fundamentos básicos das modalidades de maior interesse nas Associações. Para motivar os grupos de treinamento, são organizados os Torneios Inter Cates CEL´s e Associações, com as modalidades esportivas mais pratica- das. Atualmente, mais de 100 Associações de Moradores estão cadastradas no Programa, o que contribuiu para normatizar a entrega de material espor- tivo à população, priorizando o lado social.

54

CATES ASSESSORAMENTO Para evoluir é necessário se atualizar, ampliar os conhecimentos, dominar os fundamentos teóricos e práticos de cada modalidade esportiva, trocar experiências e ter oportunidade e meios para avaliar o trabalho realizado. O CATES oferece, anualmente, um calendário de cursos, de diversas modalidades, para capacitar os professores e estagiários contratados pela Secretaria e aos voluntários das Associações de Moradores, que desenvolvem as atividades de iniciação esportiva nas suas comunidades. A capacitação é realizada em forma de Clínicas, onde palestrantes convidados transmitem seus conhecimentos teóricos, dando ênfase aos exercícios práticos, fornecendo subsídios para o desenvolvimento das atividades em todos os projetos do CATES. Procura-se priorizar as modalidades que tenham mais aceitação nas regionais, tais como futebol, futsal e voleibol, mas, também, levar idéias de aplicação de novas modalidades, que possam despertar o interesse da comunidade, atraindo mais crianças para praticar esportes, como foi a idéia da clínica de “Esportes de Areia” , que incluiu o Handebol de Areia, o Beach Soccer, o Voleibol de Areia, a Peteca e o Futevôlei.

CATES TORNEIOS Entendendo que todo treinamento esportivo tem como finalidade principal a participação em torneios, e que esses eventos além de motivar os atletas para participar com mais afinco das atividades, tornam-se importantes para a avaliação do trabalho desenvolvido, o CATES promove a cada ano competições nas modalidades mais praticadas. Os torneios são direcionados para as equipes dos CEL´s e/ou para as equipes das Associações de Moradores. Em ambas, fornece o transporte para levar os atletas aos locais de jogos. Alguns eventos têm uma limitação de equipes por Regional, e neles, são entregues troféus e medalhas para os melhores classificados; enquanto em outros, na forma de festivais, procuram massificar a prática esportiva, não limitando o número de inscritos, e fornecendo medalhas a todos os participantes.

As faixas etárias

Como objetivo inicial do Programa era trabalhar com os talentos esportivos, a faixa etária estabelecida era de 10 a 16 anos, presumindo que esses jovens já teriam passado por uma fase de iniciação esportiva. Mas, ao perceber que o trabalho de base havia se retraído, limitado a poucos lugares, como foi citado anteriormente, o Programa foi, ano a ano, ampliando a idade de atendimento. Para atender os objetivos propostos de

55

massificar, aprimorar e qualificar esses jovens, a ponto de serem convidados a compor equipes de alto nível, ampliou-se a faixa etária para 06 a 17 anos, variando conforme a modalidade e estrutura disponível em cada local.

As modalidades esportivas

O CATES iniciou oferecendo algumas atividades que poderiam ser praticadas em todos os CEL´S: atletismo, basquetebol, futebol de areia, futsal, handebol e voleibol, mas, à medida que incorporou novos espaços, através das parcerias, ampliou a oferta de atividades, de acordo com a estrutura física de cada local. Além das modalidades já citadas, o Programa atualmente oferece outras atividades de iniciação esportiva, como: beach soccer, boxe, ciclismo, dança, ginástica artística, ginástica rítmica desportiva, futebol de campo, tênis de campo, tênis de mesa e xadrez

Os objetivos do CATES

1- Fomentar a rede de atenção à criança cidadã de Curitiba, através do esporte.

2- Fomentar a prática esportiva como importante complemento na

formação integral dos alunos, educando, através do esporte, para a vida.

3-

Destacar a função social do esporte através de princípios de educação, cidadania, saúde, socialização e integração

4-

Revelar e desenvolver talentos esportivos, procurando encaminhá- los ao esporte de rendimento em clubes esportivos e/ou estabelecimentos de ensino.

5-

Incentivar, através da prática desportiva, a organização da comunidade em associações de bairros, contribuindo para a formação de uma sociedade saudável e participativa.

6-

Viabilizar, através de parcerias, o aproveitamento pela comunidade mais carente, de áreas esportivas de Instituições de Ensino Superior e Clubes Esportivos e Sociais.

7-

Proporcionar a capacitação de profissionais e voluntários através de assessoramento em diversas modalidades.

8- Proporcionar aos freqüentadores do CATES, a participação em eventos esportivos de alto nível, visando incentivá-los para a prática esportiva.

56

Capítulo 5

CURITIBATIVA- Programa de Incentivo à Atividade Física da Cidade de Curitiba

Celso Sawaf José Carlos Cassou

Em 1997 o governo municipal decidiu implementar entre os pro- gramas estratégicos da Prefeitura Municipal de Curitiba, o projeto Cida- dão Saudável, que tinha por objetivo incluir Curitiba no rol de cidades saudáveis, conceito difundido pela Universidade de Toronto – Canadá. Muitas foram as propostas apresentadas com a finalidade de promover a valorização da vida, através da disseminação de informações e práticas educativas para estimular na população comportamentos saudáveis que, segundo Bujold (2002), é a passagem de uma visão da saúde como alvo, para uma visão centrada no desenvolvimento integral do ser humano, facilitando assim a compreensão da saúde como parte integrante do de- senvolvimento. Ficou sob a responsabilidade da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer – SMEL, a ação denominada Movimento e Saúde, conforme consta no projeto matricial, editado pelo Instituto de Pesquisa e Planeja- mento Urbano de Curitiba - IPPUC em 1998. Essa ação seria desenvol- vida em duas frentes, intituladas Rádio Saudável, com a veiculação diá- ria de inserções com o objetivo de estimular e orientar para a prática de atividade física, e Escola Saudável, estimulando a prática de atividades físicas no espaço físico da escola, para toda a comunidade. Outro programa idealizado pelo novo governo, visou a valoriza- ção dos funcionários municipais, através de ações que oportunizaram aos mesmos, diferentes vivências sociais e artísticas, palestras, acesso a serviços públicos, atendimentos preventivos de saúde. Para tal, foi cria- do um grupo de trabalho responsável pela Qualidade de Vida do Traba- lhador, ligado à Secretaria Municipal de Recursos Humanos (SMRH), que tomou conhecimento dos projetos que foram elaborados pelos alu- nos do curso de especialização em administração pública, promovido pelo Instituto Municipal de Administração Pública da Prefeitura de Curitiba (IMAP), no ano de 1996. Dentre os projetos, constava um com intenção de implantar ginástica laboral na PMC. Esse grupo entregou a tarefa a Secretaria de Esporte para efetivarem a implantação do programa. Como a PMC não possuía condições técnicas de contratar pro- fessores de Educação Física para a demanda necessária, o programa foi desenvolvido com monitores (leigos, funcionários dos setores), os quais receberam treinamentos para assumir a nova tarefa. No intuito de instrumentalizar esses monitores foram elaborados séries de exercícios com quinze minutos de duração, com objetivos específicos, visando a

57

melhora da condição física dos funcionários. Foram elas denominadas de; aquecimento (capacidade cardiorespiratória), equilíbrio, coordenação, re- sistência muscular, força e mobilidade (Anexo 1). Essas séries foram utili- zadas com os funcionários, diariamente, pelos monitores. Os funcionários municipais das secretarias onde o programa foi implantado receberam pa- lestras de conscientização e motivação para adesão ao programa.

A ginástica laboral teve início em meados de 1997, com um projeto

piloto denominado Pausa para Qualidade. Escolheram-se os funcionários da SMRH para participar da experiência relatada por Ioshii & Belotti & Sztajn (2002 p. 23). A implantação aconteceu em 1998, cumprindo um cronograma que constou de treinamento aos monitores, palestras e implan- tação efetiva. Foram realizados, pelo IMAP, cursos de formação de monitores voluntários, de diferentes carreiras, envolvendo todos os órgãos municipais

e 56 palestras ministradas por professores de educação física, para esclareci- mento sobre a importância da prática diária da atividade física.

O programa foi implantado com sucesso em sete órgãos: Secre-

tarias Municipais do Meio Ambiente (SMMA), Recursos Humanos (SMRH), Abastecimento (SMAB), Administração (SMAD), Previdên- cia (IPMC), Saúde (SMS) e Fundação de Ação Social (FAS), e teve re- percussão positiva além das fronteiras da PMC. Foi durante a realização das palestras que ficou claro que a maioria dos funcionários municipais não tinha conhecimento da importância da prática da atividade física como instrumento profilático para a manutenção da saúde. Esse fato, associado ao levantamento estatístico da SMS e Conselho Estadual de Saúde - CES, de 1995, o qual evidenciava que a maior causa mortis no Município de Curitiba relacionava-se às doenças circulatórias (coração, cerebral, etc.), e também a notícia veiculada pelo jornal Gazeta do Povo (Camargo, 1998), onde a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em 1997, apontava Curitiba como a terceira capital do Brasil em óbitos por proble- mas cardíacos, motivou a equipe da SMEL, a agilizar ações que viessem de encontro às necessidades da população, de forma rápida, democrática e des- centralizada. Neste contexto implantaram-se programas e ações com o objetivo de oportunizar a prática da atividade física visando a melhora da quali- dade de vida do cidadão, através da adoção de hábitos saudáveis, dentre eles o Centro de Aprimoramento de Talentos Esportivos - CATES, Ma- ratona Ecológica, Animação Comunitária, Dança Curitiba, CuritibAtiva, que se somaram às Corridas de Rua, Jogos Escolares, Festas Comemo- rativas e Linha do Lazer, já existentes. As atividades sistemáticas ofere- cidas nas Regionais (Ginástica, Ginástica para Terceira Idade e iniciação esportiva), passaram a ser consideradas parte integrante do Programa CuritibAtiva e CATES, por ter objetivos semelhantes. Iniciou-se em fevereiro de 1998, o planejamento do Programa

58

CuritibAtiva, com o objetivo de criar uma rede de atenção à população curitibana através da informação, sensibilização, incentivo e oferta da prática da atividade física, entendida por Nahas (1998), como “todo o movimento realizado pelo corpo que demande um consumo energético maior do que aquele que acontece durante o repouso, nos diferentes segmentos e nas diferentes faixas etárias, para mudança de atitudes e hábitos saudáveis e com isto melhorar a qualidade de vida. Nos últimos quarenta anos houveram mudanças sócio-demográficas bastante significativas, interferindo profundamente no comportamento bio- lógico do ser humano. A urbanização acelerada provocou a valorização dos espaços, diminuiu a quantidade de áreas livres junto às grandes cidades, aliada à falta de segurança que faz com que as pessoas fiquem cada vez mais enclausuradas em seus pequenos espaços.

O avanço tecnológico traz o conforto e rapidez na execução de tare-

fas, mas traz também a redução da necessidade do esforço motor no traba- lho e no lazer, promovendo a hipocinesia, que segundo Leite (1996, p.9), gera a “doença hipocinética ocidental, produzindo um indivíduo inapto fisi- camente, estressado mental e emocionalmente, com hábitos nocivos à saú- de como tabagismo, ingestão excessiva de alimentos, consumo de drogas e

alcoolismo”. Em conseqüência, priorizaram-se, nas últimas décadas, cam- panhas publicitárias vinculadas ao alerta e estímulo à prática de atividade física, combatendo o sedentarismo, motivando o poder público e a iniciativa privada a ofertar serviços nessa área. Em muitos países o sedentarismo tem se tornado um caso de saúde pública.

“Existe todo um conjunto de evidências que começa a demonstrar, sem sombra de dúvidas, que a inatividade física e a condição cada vez mais sedentária de nossas existências, representam uma séria ameaça para o nosso corpo, provocando uma séria deterioração das funções corporais normais. Problemas cardíacos graves comuns, como as coronariopatias, a hipertensão, a coluna lombar, estão direta ou indire- tamente relacionadas com a ausência de atividade física. Além da inati- vidade física, diversos outros fatores estão associados a estas doenças ou problemas clínicos, incluindo-se aí o tabagismo, a superalimenta- ção, inadequação da dieta, o consumo excessivo de álcool e o estresse emocional, fatores estes representando complicações do estilo de vida moderno, que entre si interagem”.(Pollock, 1993).

O Programa CuritibAtiva foi lançado no Parque Barigui (fig. 1),

no dia 17 de maio de 1998, e as ações cumpriram um extenso calendário de distribuição de folderes nos mais variados espaços como parques, escolas públicas e privadas, órgãos públicos, empresas públicas e priva- das, feiras livres, shopping, estádios e ginásios de esportes, centros de esporte e lazer. Estas ações tiveram sempre a presença de professores de

59

educação física da SMEL, para os esclarecimentos e orientações ne- cessárias e encaminhamento para os Centros de Esportes e Lazer da PMC. Em várias oportunidades, nas ações, foram verificados o índi- ce de massa corporal (IMC), relação cintura/quadril e orientações per- sonalizadas. Muitas das intervenções foram realizadas como parte do Programa Cidadão Saudável, em todas Regionais do Município.

Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social da PMC.

da Secretaria Municipal da Comunicação Social da PMC. Figura 1. Lançamento oficial do Programa Curitibativa –

Figura 1. Lançamento oficial do Programa Curitibativa – Parque Barigüi.

As mais variadas estratégias foram utilizadas com a finalidade de atingir diferentes segmentos da população, através das seguintes ações:

1) Material impresso

A criação e distribuição de panfletos informativos, obedeceu a um cronograma estratégico, voltado ao interesse da comunidade, com a missão de informar à população, de forma clara e acessível, sobre os benefícios que a prática regular e sistemática da atividade física promovem no ser humano. Para a elaboração dos panfletos consultou-se uma vasta bibliografia:

Achour (1996), Anderson (1983) e (1998), Barbanti (1990), Barros Neto (1997), Costa (1996), Cooper (1987) e (1996), Guedes (1995), Guimarães Neto (1997), Hamilton (1982), Katch e McArdle (1984), Marins (1998), Moises (1983) e (1996), Nahas (1998), Nieman (1999), Pollock, (1993), Rasch, e Burke (1977), Sharkey (1998), Tobias (1998), Valentim (1992), buscando embasar cientificamente este programa. Houve ainda a colaboração de uma equipe de professores da SMEL, como também do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, UFPR-SEMPR e da Secretaria Municipal de Saúde.

60

Com a intenção de que o material tivesse, boa qualidade gráfica, e uma comunicação visual atrativa, a arte foi desenvolvida pelo setor de comunicação visual da Secretaria Municipal de Comunicação Social. Logo que os “bonecos” eram elaborados, o material era submetido a testes de entendimento e aceitação visual, por funcionários da SMEL, de todos os níveis de instrução, de zeladores a diretores e secretário, atin- gindo assim a maioria da população alfabetizada da cidade. Para viabilizar financeiramente o programa, uma vez que não ha- via, na cotação orçamentária do Município, recursos para esse fim, foi necessário estabelecer parcerias com a iniciativa privada. Foram criados cinco panfletos (Anexo 2) com assuntos e objeti- vos diferentes, onde se procurou manter a mesma qualidade de infor- mação e produção, criando um padrão de comunicação, obedecendo a seguinte ordem de prioridade:

a) MEXER: (Quer mudar

Esse panfleto orienta o cidadão em relação à importância da prática da atividade física, aponta as conseqüências da ausência dessa práti- ca, mostra como o cidadão pode realizar caminhadas seguras e abor- da os seguintes itens:

?

Comece já a se MEXER) - Anexo 2.1

- Conseqüências da vida sedentária.

- Benefícios da atividade física.

- Andar ou correr.

- Cuidados com a postura.

- Velocidade, ritmo e intensidade da atividade.

- Técnica da caminhada.

- Controle da freqüência cardíaca.

- Cuidados com a pressão arterial.

b) ALONGAR (Não endureça, comece já a se ALONGAR) - Anexo 2.2 Alerta sobre a importância da consciência corporal através de exer- cícios de alongamento no dia-a-dia. São abordados:

- Complicações articulares devido ao encurtamento mus- cular.

- Série de exercícios de alongamento.

- Importância da correta execução dos exercícios.

c) EMAGRECER (Quer emagrecer

?

comece já) - Anexo 2.3

Esclarece sobre os problemas da obesidade na vida das pessoas, como

61

combatê-la através da adoção de hábitos sau- dáveis e apresenta:

- Doenças causadas pela obesidade.

- Epidemia mundial (aumento da população obesa).

- Diagnóstico (Índice de Massa Corpórea).

- Como evitar a obesidade.

- Atividade física regular.

- Quadro de gasto calórico.

- Série de exercícios localizados.

Figura 2. Lançamento do panfleto

Comece já”

“Quer emagrecer

?

Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social da PMC.
Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social da PMC.

Para maior credibilidade das informações contidas no documento, foi concretizada parceria com o SEMPR.

d) FORÇA (Não deixe cair

Enfoca a necessidade da realização de exercícios de força, ou seja, com o uso estratégico do princípio da sobrecarga, com o objetivo de

prevenir dores e lesões e manter as condições físicas para a realiza- ção das tarefas diárias. Aborda, os seguintes temas:

Faça FORÇA) - Anexo 2.4

- O que é força.

- Porque aumentar a força.

- Principais músculos dos movimentos corporais.

- Quem deve exercitar-se.

- Como se exercitar de forma correta.

- Série de exercícios de resistidos utilizando borracha extensora.

e) ASMA (Não bobeie, drible a asma) - Anexo 2.5 Propõe a prática diária de exercícios para melhorar as capacidades

ventilatória e cardiorespiratória, com o objetivo de minimizar o des- conforto nas crises asmáticas, bem como a diminuição da ingestão de medicamentos, melhorando consideravelmente a qualidade de vida dos portadores, com os seguintes assuntos:

- O que é asma.

- O que pode provocar as crises.

- A importância de consultar o médico.

- 0 asmático e a atividade física.

- Procedimentos durante as crises.

- Série de exercícios respiratórios.

62

Este documento teve participação do Departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde.

2) Painéis informativos Montagem de painéis (1,80 x 1,00m) para apresentação das séri- es de exercícios contidas nos folderes e dos benefícios promovidos pela prática regular da atividade física, com objetivo de chamar a atenção das pessoas para a ação.

3) CuritibAtiva de verão Com o objetivo de oportunizar a prática regular e orientada de

atividades físicas por parte da comunidade em geral, a SMEL, em parce- ria com uma Rede de Supermercados (divulgação, tablados e som) e com a Associação das Academias de Curitiba (professores), promoveu o CuritibAtiva de Verão. O programa foi efetivado de dezembro/1999 a maio/2000, com três aulas semanais, nos seguintes locais:

- Jardim Botânico, Parques Barigui e Bacacheri;

- Estacionamento da Rede de Supermercados nos Bairros:

Centro Cívico, Seminário e Silva Jardim;

- Centros de Esporte e Lazer: Afonso Botelho, Ouvidor Pardinho e Fazendinha.

Nos demais meses do ano, os participantes eram incentivados a participar das atividades nos Centros Esportivos da Secretaria. Proporcionar aos curitibanos a realização de aulas de ginástica ao ar livre foi, com certeza, um dife- rencial desse programa. (fig. 3). De- vido ao grande sucesso, essa ação foi repetida no verão seguinte, utili- zando a mesma estratégia operacional e metodologia.

utili- zando a mesma estratégia operacional e metodologia. Figura 3. Parque Bacacheri – Curitibativa de Verão,

Figura 3. Parque Bacacheri – Curitibativa de Verão, 2000

Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social.

4) PESQUISA Com o intuito de verificar a abrangência da disseminação das informações contidas nos folderes, foi realizada uma pesquisa quantita- tiva de opinião, em diferentes locais e com os mais diversos segmentos da população. A pesquisa foi realizada nos dias 24 de outubro e 7 de novembro de 1999, nos parques Barigui e Bacacheri, e também nas feiras livres do

63

Conjunto Habitacional Solar. Foram entrevistadas 1.161 pessoas de ambos os sexos, sendo que, 959 alegaram não conhecer os panfletos e 202 já haviam tomado

conhecimento do programa. Desses últimos, 67 declararam ter mudado de hábitos, o que corresponde a 33,5% dos que tiveram acesso às informações. As principais mudanças foram:

· passaram a caminhar mais;

· passaram a fazer mais exercícios físicos;

· passaram a fazer mais alongamentos;

· procuraram médicos;

· ficaram preocupados.

· procuraram médicos; · ficaram preocupados. Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação

Foto: Acervo da Secretaria Municipal da Comunicação Social.

Figura 4. Ação do Curitibativa – Feiras livres.

Devido à repercussão positiva do programa, empresas públicas e privadas solicitaram intervenções, onde foram e são atualmente realizadas palestras, avaliação física e distribuição de panfletos. Durante o período de 1998 a 2000. O Programa CuritibAtiva foi constantemente retroalimentado e redimensionado em conformidade com a política pública de promoção à saúde e melhoria da qualidade de vida dos munícipes, cumprindo, assim, seus objetivos. De 2001 a 2004 houve a implantação da avaliação física para as diferentes faixas etárias: Protocolo do Adulto (Anexo 3), Protocolo do Idoso (Anexo 4) e Protocolo da Criança (Anexo 5). O Curitibativa Verão ampliou-se atendendo todas as Regionais na forma dos Aulões (aulas de ginástica adaptáveis a todas as faixas etárias e atendendo a um grande número de pessoas ao mesmo tempo). Como também foi lançado um novo panfleto, Dicas de saúde para o Idoso (Anexo 6). E o diferencial desse processo todo foi o incentivo à pesquisa e a determinação do perfil de saúde e nível de atividade física da população de Curitiba.

Agradecimentos:

- Prefeito Cássio Taniguchi, que abriu caminho;

- Secretário Municipal do Esporte e Lazer da época, Professor

Adalberto Luis Medeiros, que sempre incentivou;

- Patrocinadores dos panfletos informativos: Banco Itaú, Colégio Expoente, Banco do Brasil e Drogamed.

64

Referências

Achour J, A. (1996). Bases para exercícios de alongamento relacionados com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Midiograf .

Anderson. B. (1983). Alongue-se. São Paulo: Summus.

Anderson. B. (1998). Alongue-se no Trabalho. São Paulo: Summus.

Barbanti, V. J. (1990). Aptidão física: um convite à saúde.1ª Edição.São Paulo:

Manole

Barros Neto, T.L. (1997). Exercício, Saúde e Desempenho Físico. S.Paulo: Atheneu .

Bujold, R. (2002). Uma visão renovada da saúde e do desenvolvimento para os anos 2000. (On-line). Disponível: www.ensp.fiocruz.br/ documentos/Anexo%202%20- Bases%20Conceituais%20.doc. (acessado em 10/03/2004)

Camargo, A. (1998, 17 de maio). Um sonho: Curitiba a mais saudável das cidades. Jornal Gazeta do Povo. Edição nº 25.051, Ano 80, Curitiba.

Cooper, K. H. (1987). Correndo sem medo.Rio de Janeiro: Nórdica.

Cooper, K. H. (1996). Revolução Antioxidante. Rio de Janeiro: Record

Costa, M.G. (1996). Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint.

Guedes, D.P., Guedes. J.E.R.P.(1995). Exercício físico na promoção da saúde. Londrina: Midiograf.

Guimarães Neto, W.M. (1997). Musculação: anabolismo total. Guarulhos: Phorte.

Hamilton, W.J.(1982).Tratado de anatomia humana. Rio de Janeiro: Interamericana.

Ioshii, S. H. & Belotto, M. L. P. & Sztajn, M. (2002). O Agir e o Pensar em Qualidade de Vida no Trabalho. Curitiba: Autor.

Katch, F.I., McArdle, W.D. (1984). Nutrição, Controle de Peso e Exercício. Rio de Janeiro: Medsi.

Leite, P. F. (1996).Exercício, envelhecimento e promoção de saúde. Belo Horizonte:

Health.

Marins, J. C. B. & Giannichi, R. S. (1998).Avaliação e prescrição de atividade física. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Shape.

Moises. M.P.(Coord). (1983). Atividades físicas e crianças asmáticas. Brasília: MEC.

Moises. M.P. (1996). Exercícios respiratórios. Rio de Janeiro: Sprint.

65

Matsudo, V. (1997). Publicação do Governo do Estado de São Paulo “Programa Educação Mais Saúde não Existe Melhor Remédio”. São Paulo: Secretaria Estadual da Saúde e Secretaria Estadual da Educação/SP.

Nahas, M.V. (1998). XXI Simpósio Internacional de Ciência do Esporte. S. Paulo.

Nieman, D.C. (1999). Exercício e Saúde. 1ª Edição. São Paulo: Manole.

Pollock, M.L. & Wilmore, J.H. (1993). Exercícios na Saúde e na Doença. 2ª Edição. Rio de Janeiro: MEDSI

Rasch, P. & Burke, R.K. (1977). Cinesiologia e anatomia aplicada . Rio de Janeiro. Guanabara Koogan.

Sharkey, B.J. (1998). Condicionamento físico e saúde. S. Paulo: Artmed.

Tobias. M. & Sullivan J.P. (1998). Alongamento Completo São Paulo: Manole.

Valentim. L. (1992). Asma infantil sem mistérios. Blumenau: Exu.

66

Capítulo 6

PERFIL DE SAÚDE E APTIDÃO FÍSICA DA POPULAÇÃO CURITIBANA

Silvano Kruchelski

O Programa Curitibativa da Secretaria Municipal de Esporte e

Lazer surgiu em 1997 com o objetivo de orientar a população do Município, sobre a importância da atividade física para a qualidade

vida. Em sua evolução histórica, deixou de só conscientizar e passou

a avaliar, para determinar o perfil de saúde e aptidão física da popu-

lação, e oferecer subsídios necessários para a boa opção de um estilo de vida saudável. Nos dias atuais abrange diferentes campos, da prá- tica da atividade a buscas de soluções fundamentadas em dados cien- tificamente levantados. Considerando que a população da cidade de Curitiba é de mais de 1.700.000 habitantes, uma demanda expressi- vamente grande, dentro dos padrões de desenvolvimento urbano, no

que diz respeito aos espaços de lazer e ofertas de atividades que bus- quem a qualidade de vida, esse programa cresce como alternativa nas políticas de Esporte e Lazer e qualidade de vida. A forte influência da mídia nos últimos tempos, que cons- tantemente edita matérias relacionadas à saúde e qualidade de vida, em jornais, revistas, televisão, oportuniza conhecimento sobre hábi- tos saudáveis relacionados principalmente à alimentação e exercícios físicos, e desta forma divulga e provoca procura por atividades que melhorem o bem-estar geral. A proposta do Programa Curitibativa encaixa-se perfeitamente neste contexto contemporâneo de empre- ender a atividade física, até porque atitudes de prevenção, promoção

e proteção à saúde, prática almejada na aplicação nas variadas ações do Programa, traduzem diminuição nos gastos públicos com saúde, inclusive através da esperada conscientização da população confir- mada pelo aumento da demanda aos serviços oferecidos nos Centros de Esporte e Lazer, mais recentemente.

O Programa Curitibativa implantou o protocolo de avaliação

do adulto (18 a 59 anos), através do qual é possível verificar; o nível

de atividade física habitual, a estimativa de risco cardíaco, o com- portamento funcional corporal relacionados à força muscular (abdo- minal e MMSS), flexibilidade, composição corporal (IMC) e padrão de obesidade e ainda registra dados importantes de saúde como Fre- qüência Cardíaca, Pressão Arterial, Índice Glicêmico e de Colesterol (Anexo 3). Estes questionários e testes surgiram da necessidade de conhecer o perfil do cidadão curitibano, suas necessidades relaciona- das basicamente à saúde, principalmente do aspecto corporal funcional,

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

67

bem como deveriam auxiliar no direcionamento e oferta dos serviços nos Centros de Esportes e Lazer. A escolha deste protocolo se deve a sua fácil aplicação (principalmente em eventos populares), ao baixo custo dos equipamentos envolvidos, e primordialmente por permitir uma aná- lise aprofundada da pessoa avaliada, possibilitando desta forma prescri- ção individualizada de atividade física e orientação para um estilo de vida baseado na adoção hábitos saudáveis (ponto chave do protocolo).

A prescrição final nos eventos, por ser indivi-

dualizada, tem se apresentado de grande valor para a população avaliada, pois valoriza a pessoa, que recebe atendimento único, aplicado ao seu caso e direcionado à qualidade de vida.

Figura 1. Análise dos dados e prescrição individual

Figura 1. Análise dos dados e prescrição individual O protocolo é aplicado em forma de circuito,

O protocolo é aplicado em forma de circuito, onde cada dado cole-

tado, devidamente anotado em fichas (das quais a pessoa recebe uma cópia ao final) posteriormente armazenadas em um banco de dados, per- mite inúmeras pesquisas. No estudo, aqui apresentado, foram analisadas 2843 fichas, sendo: 1.798 mulheres e 1.045 homens. Levando em conta cada item avaliado os dados foram organizados segundo o nível de ativi- dade física habitual, em:

1. Levemente ativos (inativos).

2. Moderadamente ativos.

3. Ativos.

4. Muito ativos.

1. Atividade Física Habitual

A distribuição por nível de atividade física habitual acima cita-

da deriva da aplicação do Questionário de Atividades Físicas Habitu- ais, desenvolvido originalmente por Russel R. Pate - University of South Carolina/EUA, traduzido e modificado por M. V. Nahas - NuPAF/UFSC (2001) e adaptado por Curitibativa - SMEL/Curitiba- PR (2001). A escolha deste questionário (que é aplicado por um pro- fessor de Educação Física) se deve por permitir investigar o nível de atividade física habitual das pessoas considerando atividades leves e moderadas, como determinadas tarefas de casa, a locomoção para o trabalho ou a outros locais, o esforço ocupacional diário, bem como todas as atividades esportivas ou de lazer, mostrando-se assim com-

68

pleto e suficientemente esclarecedor sobre o estilo de vida da pessoa avaliada, e quando somado aos outros testes e questionários, possibi- lita uma orientação segura para a manutenção ou mudança nos hábi- tos diários. Desta forma este questionário justifica a pretensão pri- meira do Programa Curitibativa de medir a aptidão física da popula- ção curitibana relacionada à saúde, definida por Nahas (2001) con- trapondo à aptidão esportiva, por envolver componentes associados ao estado de saúde, seja nos aspectos de prevenção e redução dos riscos de doenças, como também pela maior disposição (energia) para as atividades da vida diária.

Como resultado da aplicação deste questionário, obtiveram-se os seguintes dados:

ATIVIDADE FÍSICA HABITUAL

 

n total

%

n fem

%

n masc

%

Inativo (leve)

745

26,22

482

26,81

263

25,22

Moderado

1264

44,49

858

47,72

406

38,93

Ativo

663

23,34

391

21,75

272

26,08

Muito Ativo

169

5,95

67

3,73

102

9,78

total

2841

100

1798

100

1043

100

Tabela I - Prevalência do nível de atividade física habitual na população curitibana

2002/2003.

Comparando os dados da tabela observa-se que o homem curitibano apresenta prevalência maior para os níveis de ativo e mui- to ativo em relação à mulher curitibana. Tais dados não consideram se o homem apresenta atividade ocupacional mais ativa do que a mulher, ou se destina tempo maior a atividades esportivas ou de lazer, mas podem inferir que a população masculina pode beneficiar-se de uma vida mais ativa, apresentando indicadores mais saudáveis, o que não se configura na análise dos dados por idade, a seguir:

A T IV ID A D E F ÍSIC A F E M IN IN
A T IV ID A D E
F ÍSIC A
F E M IN IN O
6
0
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
1 8 -2 9
a n o s
3 0 -3 9
a n o s
4 0 -4 9
a n o s
5 0 -5 9
a n o s
leve
moder
ativo
M ativo
prevalência

Gráfico 1.1 - Prevalência do nível de atividade física feminina por idade

69

A T IV ID A D E F ÍSIC A M A S C U
A T IV ID A D E
F ÍSIC A
M A S C U L IN O
6
0
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
1 8 -2 9
a n o s
3 0 -3 9
a n o s
4 0 -4 9
a n o s
5 0 -5 9
a n o s
leve
moder
ativo
M ativo
prevalência

Gráfico 1.2 - Prevalência do nível de atividade física masculina por idade.

Os gráficos 1.1 e 1.2 apresentam os dados de atividade física segmentando a amostra por sexo e faixa etária e, somando-se os percentuais de ativos e muito ativos, permitem verificar que, a mu- lher com o passar da idade, torna-se mais ativa, comportamento con- trário ao observado na amostra masculina. Tal observação sugere um estudo mais aprofundado relativo a este acontecimento, no sentido de compreender o comportamento diferente sobre um mesmo assun- to (atividade física). Por que a mulher parece se preocupar mais so- bre sua saúde enquanto envelhece, diferentemente do observado nos homens? Será que este é um fator interveniente na maior longevidade feminina? Também é preocupante verificar que no homem a prevalência do nível de inativos cresce com o passar da idade e felizmente apre- senta uma ligeira queda na faixa dos 50-59 anos. Estes dados sugerem um redirecionamento das políticas públi- cas que envolvam a atividade física relacionada à saúde, principal- mente o esporte e lazer, estimulando as pessoas à sua prática regular a fim de evitar o aparecimento das doenças hipocinéticas e crônico- degenerativas com o passar da idade, em especial ao homem.

2. Risco Cardíaco O questionário de avaliação do risco cardíaco de Michigan Heart Association (Pitanga, 2001), adaptado por Curitibativa - SMEL/Curitiba- PR (2001), é uma estimativa que enriquece e possibilita orientação ade- quada sobre a adoção de hábitos saudáveis, e possui grande "peso" na avaliação, pois as pessoas mostram-se preocupadas com a sua saúde e parecem querer evitar uma morte prematura por ataque do coração. O questionário é aplicado por um Professor de Educação Física e como resultado da coleta de seus dados, obtiveram-se os seguintes dados:

70

RISCO

CARD ÍACO FEM ININO

32-40 alto 41-62 M . alto 0 % 0,6% 6-11 sem 25-31 m o derado
32-40 alto
41-62 M . alto
0 %
0,6%
6-11 sem
25-31 m o derado
10%
7,4%
18-24 m édio
12-17 baixo
38,3%
43,8%

risco

Gráfico 2.1 - Prevalência do risco cardíaco em mulheres de todas as idades.

R ISC O C A R D ÍAC O M ASC U LIN O 4
R ISC O
C A R D ÍAC O
M ASC U LIN O
4 1 -6 2
M
.
a lto
3 2 -4 0
1,3 %
a lto
0 %
2 5 -3 1
m o d e rado
1 2 ,1 %
6 -1 1
s e m risco
3,9 %
12-17 baixo
39,4%
1 8 -2 4
m é d io

43,4 %

Gráfico 2.2 - Prevalência do risco cardíaco em homens de todas as idades.

Analisando-se os gráficos acima, observa-se que a prevalência de índices de maior probabilidade de ocorrência de problemas cardíacos (moderado, alto e muito alto, somando-se os três índices) é de 7,96% para mulheres curitibanas e de 13,34% para homens curitibanos. Cada pessoa avaliada recebe a informação de que se alterar o estilo de vida nos aspectos de alimentação, atividade física e uso do tabaco, tais dados podem ser convertidos para índices menores de risco. Através deste ins- trumento, também pode ser verificada a prevalência de fumantes: 12,78% entre as mulheres e 15,36% entre os homens. Outro dado que consta na avaliação é a freqüência cardíaca de re- pouso, verificada com a pessoa sentada, com o intuito de determinar a zona alvo, através da fórmula de Carwonem (citado por Pollok & Wilmore, 1993), para a realização de atividades aeróbicas (entre 65% a 85%) direcionadas à saúde. Este dado permite orientar quanto à intensi- dade da atividade física que a pessoa pretende reali- zar com a finalidade de melhorar sua saúde.

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC
Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

Figura 2. Avaliação da freqüência cardíaca

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

71

3. Força Abdominal Segundo Nahas, (2001), uma boa condição muscular proporci- ona a realização das atividades de vida diária e esportiva com mais eficiência, menos fadiga e diminui o risco de lesões, ajuda na manu- tenção da postura, proteção das articulações evitando as dores nas costas (lombalgias) e ajuda a prevenir quedas a partir da meia idade. Os Músculos abdominais, por sua situação no centro do corpo, são de vital importância para a manutenção da boa postura. O nível de força neles encontrado reflete o estado de força muscular geral. Inicialmente, utilizou-se o protocolo de Pollock & Wilmore (1993), de 1 minuto como mensuração da força abdominal, mas ob- servou-se que as pessoas em eventos populares sentiam-se constrangidas pela dificuldade do teste, que exige esforço por vezes esgotante. Desta forma, optou-se pelo teste de Força abdominal do Eurofit para Adultos (1995) em 3 níveis, descrito como segue:

A pessoa avaliada deita-se de costas com as pernas flexionadas

a 90° e os pés são apoiados pelo examinador. No primeiro nível, os braços da pessoa encontram-se estendidos e as palmas das mãos es- tão sobre os músculos das coxas, então deve executar 5 exercícios saindo da posição deitada até que as mãos toquem os joelhos; No segundo nível a pessoa avaliada cru- za os braços junto ao peito de forma que as mãos toquem os ombros con- trários, então deve executar 5 exer- cícios tocando os cotovelos no cen- tro das coxas; No terceiro nível, a pessoa avaliada coloca as pontas dos dedos das mãos atrás das orelhas, en- tão deve executar 5 exercícios tam- bém tocando os cotovelos nas coxas.

5 exercícios tam- bém tocando os cotovelos nas coxas. Figura 3. Avaliação da força abdominal O

Figura 3. Avaliação da força abdominal

O examinador deve anotar o número de repetições alcançadas

pelo avaliado (0 a 15) e classificar o desempenho conforme a tabela constante na ficha de avaliação (Anexo 3b), onde um resultado de 0 a 4 é considerado como fraco, de 5 a 9 regular, de 10 a 14, bom e 15 corresponde ao índice excelente. Os valores obtidos referentes a população curitibana apontam um decréscimo no índice alcançado de força abdominal com o passar da idade em quase todas as faixas por sexo, confirmando a relação entre a perda das funções corporais, entre elas a força, com o avanço da idade.

72

F O R Ç A A B D O M IN A L F E
F O R Ç A
A B D O M
IN A L
F E M IN INO
6
0
4
0
2
0
0
leve
m o derado
a tivo
M
uito
a tivo
< 5
fraco
5
a
9
regula r
10
a
14
bom
>
1 5
e x c e le n te
prevalência

Gráfico 3.1 - Prevalência da Força Abdominal em mulheres por nível de aptidão física.

FORÇA ABDOM INAL MA SCULINO 7 0 6 0 5 0 4 0 3 0
FORÇA
ABDOM INAL
MA SCULINO
7
0
6
0
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
leve
m o derado
a tivo
M uito
a tivo
<
5
fraco
5
a
9
r e g u la r
10
a
14
bom
>
1 5
e x c e le n te
prevalência

Gráfico 3.2 - Prevalência da Força Abdominal em homens por nível de aptidão física.

Analisando os gráficos 3.1 e 3.2, pode-se observar que existe rela- ção direta entre a atividade física e o aumento dos índices de força abdo- minal, de tal forma que as mulheres muito ativas apresentam prevalência para o nível de força "excelente" sempre maior do que as pouco ativas, in- versamente ao que acontece com a prevalência para o nível de força fraco. Esta análise possibilita concluir que a mudança no estilo de vida, baseado no aumento do nível de atividade física, parece permitir com relativa facilidade, ganhos de força muscular.

4. Índice Cintura-Quadril (ICQ) De acordo com Nahas (1999), a obesidade (excesso de gordura corporal) está associada à mortalidade precoce e a diversas doenças crô- nicas, com hipertensão, diabetes e coronariopatias, além de acarretar re- percussões psíquicas e estigma social negativo. Além disso, também está associada à diminuição da capacidade de realizar esforço físico, o que aumenta a probabilidade de dependência para realizar funções da vida diária. Estas considerações, associadas ao fato de que o excesso de gor- dura corporal (sobrepeso e obesidade) é uma questão de saúde pública, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, como uma "epidemia

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

73

de proporções mundiais" , sugerem intervenções severas e imediatas dos órgãos governamentais com programas de proteção à saúde. O índice cintura-quadril é obtido através da mensuração do perí- metro da cintura na altura da cicatriz umbilical e do perímetro do quadril na sua parte mais protuberante. Divide-se o resultado da circunferência da cintura pelo quadril e então se obtém o índi- ce. O valor obtido é comparado pela tabela de classificação de Bray & Gray, citado por Pitanga (2001), (Anexo 3b), e demonstra o risco a do- enças crônico-degenerativas, onde índices mais altos indicam a propensão de acumular gordu- ra na região abdominal, especialmente ao re- dor das vísceras (gordura abdominal visceral). Índices superiores a 0,95 para homens e 0,85 para mulheres representam alto risco para a saú- de segundo Nahas, 1999.

Figura 4. Avaliação do índice cintura-quadril

1999. Figura 4. Avaliação do índice cintura-quadril I C Q M A S C U L
I C Q M A S C U L IN O 0,98 0,96 0,94 0,92
I C Q
M A S C U L IN O
0,98
0,96
0,94
0,92
0,9
0,88
0,86
0,84
0,82
0,8
0,78
0,76
leve
m o d er
ativo
M ativo
18
a 29 anos
30
a 39 anos
40
a 49 anos
50
a 59 anos
índice cintura-quadril

Gráfico 4.1 - Média do ICQ masculina comparativa por aptidão e idade.

IC Q F EM IN IN O 0 ,9 0 ,8 8 0 ,8 6
IC Q
F EM IN IN O
0
,9
0
,8 8
0
,8 6
0
,8 4
0
,8 2
0
,8
0
,7 8
0
,7 6
0
,7 4
leve
m o d e r
a tivo
M a tivo
18
a
29 anos
30
a 39 anos
40
a 49 anos
50
a 59 anos
índice cintura-quadril

Gráfico 4.2 - Média do ICQ feminina comparativa por aptidão e idade.

74

Os gráficos confirmam a importância da atividade física no controle da obesidade. Quanto melhor é o nível de atividade física habitual, o decrés- cimo do ICQ se evidencia. Observa-se também que o grupo feminino apre- senta maiores médias de risco (acima de 0,85), em relação ao grupo mascu- lino (acima de 0,95), principalmente com o passar da idade.

5. Índice de Massa Corporal (IMC) Obter uma classificação da população parece não ser tão simples, principalmente quando o assunto é composição corporal, e ainda mais se aplicado em uma população tão heterogênea quanto à de Curitiba, que apresenta uma miscigenação racial muito grande. Então, como determi- nar quem é obeso? A forma mais aceita internacionalmente que classifi- ca os diferentes níveis composição corporal é o Índice de Massa Corpo- ral (IMC), obtido através do resultado da divisão do peso em quilogra- mas pela altura, em metros, ao quadrado. A classificação do IMC encon- tra-se na ficha de avaliação (Anexo 3b) e traz valores de classificação segundo Bray, citado por Pitanga, (2001). O IMC é uma estimativa que não leva em conta a constituição do avaliado, porém é perfeitamente aplicável em estudos de grandes populações, determinando o perfil, como o presente estudo:

IM C FEM ININO

6 0 5 0 4 0 3 0 2 0 1 0 0 <18,5 m
6
0
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
<18,5 m a g ro
1 8 ,5
a
2 5
25
a
30
30 a 40 obeso
>40
normal
sobrepeso
obes.M ó rb.
leve
moderado
ativo
m u ito a tivo
prevalência

Gráfico 5.1 - Prevalência do IMC na população feminina por nível de aptidão física.

IM C M A S C U L INO 8 0 7 0 6 0
IM C
M A S C U L INO
8
0
7
0
6
0
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
< 1 8 ,5
m a g ro
1 8 ,5
a
2 5
25
a
30
30 a 40 obeso
>40
normal
sobrepeso
obes.M ó rb.
leve
mode rado
ativo
m uito a tivo
prevalência

Gráfico 5.2 - Prevalência do IMC na população masculina por nível de aptidão física.

75

Os gráficos apontam que a atividade física tem relação direta com

composição corporal, pois a prevalência de sobrepeso e obesos é rela- tivamente maior em levemente ativos e moderadamente ativos do que em ativos ou muito ativos. Com o passar da idade, o IMC aumenta, mas

a

a

atividade física assume grande importância no controle da obesidade,

e

parece que para o homem esta proteção é mais evidente, quando se

compara a média de IMC do grupo de ativos de 50 a 59 anos (26,91 Kg/

m 2 ) com a do grupo de inativos (leve) de 18 a 29 anos (26,15 Kg/m 2 ),

índices muito próximos para uma diferença de idade tão importante. Nas mulheres, a diferença das médias de IMC entre os níveis de atividade física não se mostra tão marcante quanto o grupo dos homens, que per- mite concluir que o "risco obesidade" é mais insistente para o sexo femi- nino, considerando o IMC concomitantemente com o ICQ, mesmo que predomine boas diferenças no nível de atividade física habitual, particu- larmente para as faixas etárias mais avançadas.

IM C T O T A L C U R ITIBA 2002 /2003 a o
IM C
T O T A L
C U R ITIBA
2002 /2003
a
o b e s id a d e ;
30
40
>40 obes.
M órbida;
0,8 0 %
<18,5 abaixo do
peso; 1 ,20%
16,30%
2 5
25
a
30
1 8 ,5
n o r m a l;
a
4 6 ,3 0 %
sobrepeso;

35,40%

Gráfico 5.3 - Prevalência do Índice de Massa Corporal (IMC) na população de Curitiba

Estes dados reforçam a preocupação com a "epidemia de propor- ção mundial", anteriormente citada, principalmente por mais da metade da população total de Curitiba (51,7%) enquadrar-se nos índices de sobrepeso e obeso, de acordo com o gráfico 5.3, fato que evidencia a necessidade de ações no sentido de promover a mudança na vida das pessoas nos hábitos de alimentação e atividade física. 6. Flexibilidade A característica física que determina a amplitude dos movimentos das articulações do corpo é chamada de flexibilidade. Segundo Nahas (2001), pessoas com boa flexibilidade movem-se com maior facilidade

e tendem a sofrer menos problemas de dores e lesões musculares e arti-

culares, particularmente na região lombar, inversamente do que ocorre aos indivíduos com pouca flexibilidade, que têm a mobilidade reduzida

e implicações para a saúde, e limitada participação em atividades espor-

76

tivas/recreativas.A falta de exercícios que promovam a flexibilidade pode facilitar a instalação lenta e progressiva de encurtamentos musculares, limitando a amplitude de movimentação da articulação, podendo ocasi- onar má postura, hérnia de disco e lombo-ciatalgia, entre outros proble- mas que podem afetar o andamento normal da vida, reduzindo a capaci- dade de trabalho, elevando o nível de absenteísmo, como também gastos públicos com tratamento de saúde. Como teste para a avaliação da flexibilidade, optou-se pelo teste line- ar de sentar e alcançar de Wells modificado (Borba, 1996). O teste é realiza- do em um caixote de madeira de 30X30 cm, dotado de uma régua de medi- ção recuada a 15 cm do local de apoio dos pés, onde a pessoa descalça, senta-se na frente do banco com as pernas esticadas e empurra com as mãos uma peça de madeira móvel sobre a régua de medição em três tentativas, sendo anotado o melhor resultado. Presume-se que com este teste possa se verificar a incidência de encurtamentos na região posterior do corpo, principalmente da

musculatura ísquio-tibial.

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer Figura 5. Avaliação da flexibilidade F L

Figura 5.

Avaliação da flexibilidade

F L E X IB IL ID A D E F E M IN IN
F L E X IB IL ID A D E
F E M
IN IN O
5
0
4
0
3
0
2
0
1
0
0
le v e
m
o d e ra d o
ativo
M
u ito
a tivo
<
1 5
fraco
1 5 ,1
a
2 0
r e g u la r
2 0 ,1
a
2 5
b o m
2 5 ,1
a
3 0
M
.
bo m
>
3 0
e x c e l.
prevalência

Gráfico 6.1 - Prevalência do Índice de Flexibilidade na população feminina por nível de aptidão física.

F L E X IB IL I DADE M A S C U L IN
F L E X IB IL I DADE
M
A S C U L IN O
6
0
5
5
5
0
4
5
4
0
3
5
3
0
2
5
2
0
1
5
1
0
5
0
le v e
m
o d e ra d o
ativ o
M u ito
ativo
<
1 5
fraco
1 5 ,1
a
2 0
r e g u la r
2 0 ,1
a
2 5
b o m
2 5 ,1
a
3 0
M
.
b o m
>
3 0
e x c e l.
prevalência

Gráfico 6.2 - Prevalência do Índice de Flexibilidade na população masculina por nível de aptidão física.

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

77

De acordo com os dados anteriormente apresentados, é possível observar que apesar da melhora do índice de flexibilidade em pessoas mais ativas, a prevalência dos índices fraco e regular permanece alta para os grupos de ativos e muito ativos independentemente do sexo. Ao somar estes dois índices não desejados (fraco e regular), obtém-se prevalências muito altas em quaisquer das faixas de aptidão. Considere- se ainda que maior parte da população encontra-se nas faixas de inativos ou levemente ativos (70,71%). Justamente as faixas que apresentam maior prevalência de flexibilidade fraca ou regular. Observa-se também que a média de flexibilidade do grupo feminino é de 17,46 cm, e do grupo masculino de 15,75 cm, valores enquadrados como regular na classifica- ção da flexibilidade. Estes dados demonstram um perfil preocupante da população de Curitiba, confirmando a necessidade de orientação para programas que estimulem o alongamento, a fim de evitar os problemas decorrentes de encurtamentos musculares citados anteriormente.

7. Força de preensão de mãos (Dinamometria) As mãos realizam uma multiplicidade de funções, que ocupa uma representatividade cerebral muito grande, a maior do córtex sensorial e motor (Montagu, 1986). As mãos são o sinal de independência das pes- soas, indicam autonomia. A mão fraca ou debilitada pode obrigar a pes- soa a depender de uma ou mais pessoas para realizar tarefas simples,

como se vestir, tomar banho, cozinhar, escovar os dentes, alimentar-se, entre outras. Isto implica que um indivíduo com debilidade manual pode ter não somente a sua vida comprometida, mas também comprometer a rotina de outras pessoas de seu convívio.

comprometer a rotina de outras pessoas de seu convívio. A maneira moderna de viver, com um

A maneira moderna de viver, com um grau

cada vez mais elevado de comodismo, botões espa- lhados por todos os lados, basta apertar, mouse, te- levisão, Internet entre outros, propiciam o pouco uso de força manual e a instalação de doenças hipocinéticas, como as lesões por esforço repetitivo, ou simplesmente fraqueza das mãos.

Figura 6. Força e preensão de mãos

A avaliação da força manual do Programa Curitibativa é realizada

através da dinamometria (Borba, 1996), que consiste em apertar com as mãos (uma de cada vez) o aparelho denominado dinamômetro utilizando a força máxima de cada mão. O avaliado deve segurar o dinamômetro com o braço direito flexionado, com a mão na altura do ombro e cotovelo baixo e então deve apertar o aparelho e estender o braço ao mesmo tempo. Repete o

78

mesmo procedimento com o braço esquerdo. O avaliador anota os resulta- dos e o índice alcançado corresponde à soma da força das duas mãos.

PREENSÃO DE MÃOS FEM ININO

8 0 6 0 4 0 2 0 0 18 - 29 anos 30 -
8
0
6
0
4
0
2
0
0
18
- 29 anos
30
-
39 anos
40
- 49 anos
50
- 59 anos
leve
moderado
ativo
M uito
a tivo

Gráfico 7.1 - Índice de força de preensão de mãos feminino por idade e aptidão.

PREENSÃO DE MÃOS MASCULINO

100 9 5 9 0 8 5 8 0 7 5 18 - 29 anos
100
9
5
9
0
8
5
8
0
7
5
18
- 29 anos
30
- 39 anos
40
- 49 anos
50
- 59 anos
leve
moderado
ativo
M uito a tivo

Gráfico 7.2 - Índice de força de preensão de mãos masculino por idade e aptidão.

Os dados anteriores, permitem concluir que existe uma melhora significativa na força de mãos, quanto melhor é o nível de atividade física habitual, sendo mais constante para o grupo feminino. De maneira geral, o nível de força aumenta com a melhora da atividade física e dimi- nui com o avançar da idade.

D INAM OMETRIA FEM IN IN O

 

idade

 

leve

   

moderado

ativo

M

uito ativo

 

18

- 29 anos

50

,81 -

F

 

54,02 - R

54,78 - R

57,58 - R

 

30

- 39 anos

50

,50

-

F

 

52,81 - F

55,28 - R

61,81 - B

 

40

- 49 anos

48

,20

-

F

 

51,11 - F

55,58 - R

58,25 - B

 

50

- 59 anos

45

,87

-

F

 

48,14 - F

49,69 - F

50 ,17

-

R

 

D INAM OMETRIA M ASCULIN O

 
 

idade

 

leve

   

moderado

ativo

M

uito ativo

 

18

- 29 anos

95

,33

-

R

 

95,80 - R

96,30 - R

94,55 - R

 

30

- 39 anos

89

,84

-

F

 

91,24 - F

94,13 - R

83,63 - F

 

40

- 49 anos

87

,27

-

F

 

87,79 - F

89,53 - F

94 ,60

-

R

 

50

- 59 anos

83

,17 -

F

 

85,52 - R

85,17 - R

89,43 - R

F

= Fraco

 

R

= R e g ular

 

B

=

B o m

M B

=

M uito B o m

 

Tabela II - Média da força de preensão de mãos classificada segundo Borba (1996).

79

8. Pressão Arterial, Glicemia e Colesterol

"Se você quer viver bastante, arranje uma doença crônica e cuide muito bem dela". (Silveira Neto, 2000).

Os indicativos de saúde de Pressão Arterial, Glicemia e Colesterol também são verificados na população curitibana antes de passar pelo circuito de avaliação do Programa Curitibativa. Estes indicativos são referência importante no processo final de orientação e prescrição da atividade física, principalmente porque os dados são cruzados e a incidência de um ou mais indicativos ruins para saúde é tratada de forma especial, considerando cuidados na avaliação e in- dicando acompanhamento médico. A aferição da Pressão Arterial, permite uma orientação ao avalia- do sobre a tendência à instalação da hipertensão, associando-a aos de- mais dados coletados, visualisando assim o estado de saúde geral e o possível surgimento ou agravamento de doenças crônico-degenerativas (conforme o caso direcionando para orientação e atendimento médico). No entanto, por ser um dado muito suscetível às mudanças ambientais e variável conforme as situações particulares de cada indivíduo, a análise não foi aprofundada para constar no presente estudo. O teste de glicemia, utilizado como indicativo para o Diabetes, apresenta como valores normais para testes a qualquer hora do dia entre 60 a 160 mg/dl (Silveira Netto, 2000). A população avaliada apresentou valores acima desta faixa em 3,98% das mulheres e 4,47% dos homens. Os índices de Colesterol considerados como normais não de- vem ultrapassar a 200 mg/dl, limítrofes entre 201 e 239 mg/dl e alto quando acima de 240 mg/dl (Jorge Filho, 2001). A amostra estudada apresenta valores normais para 75,57% da população, sendo que na faixa limítrofe estão 15,12% dos homens e 19,25% das mulheres, e com risco alto de problemas cardíacos 6,35% dos homens e 6,81% das mulheres.

Considerações finais Neste estudo, encontram-se vários alertas para assuntos relaciona- dos à saúde das pessoas. O caminho percorrido na era da modernidade tem feito muito mal às pessoas. Os avanços na medicina e a melhoria nas condições ambientais favorecem o aumento da expectativa de vida, mas a comodidade, a facilidade e a excessiva tecnologia deixam incerte- zas com relação a um pretendido futuro saudável. Será que o homem tenderá a viver confortavelmente doente?

80

O Programa Curitibativa, com o objetivo de disseminar a práti- ca de atividade física e provocar mudanças consistentes no hábito de vida das pessoas, pretende que este quadro seja revertido no futuro com a adoção de hábitos saudáveis. A conscientização da população sobre aspectos da qualidade da vida ativa favorecerá que as pessoas possuam maior autonomia, independência, mobilidade, força e prin- cipalmente saúde.

Referências

Borba, A. S. S. (1996). Método de avaliação física e composição corporal. Curitiba. Targetsoft.

Jorge Filho, J. P. (2001). Em busca da saúde ideal, manual para uma vida saudável. Belo Horizonte. Leitura.

Ministério de Educacion Y Cultura (1995). Eurofit para adultos - evaluación de la aptitud física en relación con la salud. Tampere - Finlândia.

Montagu, A. (1986). Tocar, o significado humano da pele. São Paulo. Summus.

Nahas, M. V. (1999). Obesidade, controle de peso e atividade física.Londrina. Midiograf.

Nahas, M. V. (2001). Atividade física, saúde e qualidade de vida. Conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina. Midiograf.

Pitanga, F. J. G. (2001). Testes, medidas e avaliação em educação física e esportes. Salva- dor. Edufba.

Pollock, M. L. & Wilmore, J. H. (1993). Exercícios na saúde e na doença. Avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. Rio de Janeiro. Medsi.

Silveira Netto, E. (2000). Atividade física para diabéticos. Rio de Janeiro. Sprint.

81

Capítulo 7

GINÁSTICA PARA TODOS

Luciane Scarpin

O avanço tecnológico propiciou uma elevação do nível de confor- to, gerando um maior número de sedentários, levando a um impacto negativo na qualidade de vida das pessoas. O incentivo à prática da ati- vidade física como meio de prevenção das doenças hipocinéticas, é pre- ocupação das organizações governamentais, e desta forma a SMEL (Se- cretaria Municipal do Esporte e Lazer da cidade de Curitiba), através do seu programa CuritibAtiva, vem ao longo dos anos oportunizando aos curitibanos uma vida mais ativa, e para tanto disponibiliza atendimento em seus espaços, através dos profissionais de Educação Física, em di- versas atividades sistemáticas, desenvolvidas no transcorrer do ano. Entre estas atividades inclui-se a ginástica voltada à saúde. Como nem todos os usuários (cidadãos de Curitiba) sentem-se ap- tos para a prática do exercício, e a demanda para as atividades sistemáti- cas diminui nas férias de verão, a proposta encontrada para atender as necessidades dos que procuram os serviços durante este período, deno- minou-se "aulões", os quais possuem características especiais:

* Mostrar às pessoas que todas são capazes de fazer atividades físicas,

com propostas simples e naturais, sem utilização de grandes recursos ou

equipamentos, levando o usuário a fazer da prática do exercício, um hábito de vida.

* Utilizar de forma diferencial, espaços mais amplos, saindo das sa-

las de ginástica para ginásios, abrangendo aproximadamente 80 participan-

tes por aula, com faixa etária entre 20 e 75 anos.

* A comunidade é levada a participar e interagir com criatividade.

* As atividades possuem enfoque sociabilizante e trabalha-se com

exercícios articulares, alongamento, equilíbrio, coordenação e ritmo, com fácil execução, onde todos possam participar, respeitando possíveis pro- blemas de saúde, que ainda permitam a prática saudável de atividades físicas.

Alguns dos benefícios esperados pela participação nas atividades:

* Controle nos níveis de colesterol, glicemia e pressão.

* Qualidade do sono.

* Mais disposição para as atividades diárias, menor riscos às doenças.

* Melhora força e a resistência, diminuindo riscos de lesões.

* Redução dos níveis de ansiedade, estresse e depressão.

82

* Maior integração na comunidade.

* Prazer pela realização da atividade.

* Melhora a auto-estima e o equilíbrio biopsicológico, melhora a aten- ção e concentração,

* Favorece o relacionamento social.

eu me sinto mais à vontade, faço amizade, e se tiver de ficar em

casa eu fico doente, aqui eu cuido da saúde, me divirto, converso,

(Depoimento de integrante

do grupo de ginástica da Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora,

2003).

distraio e vou para casa bem melhor [

] [

]

Algumas das atividades desenvolvidas

Regional Cajuru: Bozza, Helen N.D. & Graça, Rosemari & Leite, Marli T. & Lima, Neura C. Recursos: aparelho de som, colchonetes, step Objetivo: Levar os participantes através da vivência de variados ritmos e coreografias simplificadas, a uma sociabilização, envolvendo as diferentes faixas etárias estimulando assim a prática da atividade física regular.

Descrição da atividade: A atividade é desenvolvida na forma de circui- to. Na troca das estações são realizados movimentos ritmados e coreografados (a escolha dos ritmos depende da população a ser traba- lhada). Com o objetivo de desenvolver a coordenação espaço-temporal, lateralidade, plasticidade corporal em movimentos individuais, duplas ou trios. Nas estações são desenvolvidos exercícios de fortalecimento

para abdominais, membros inferiores (step), glúteos e braços, trabalhan- do cada grupo muscular, com uma dinâmica diferenciada alternando exer- cícios localizados com a parte aeróbica, de forma prazerosa. Inicialmen-

te todos envolvem-se na parte ritmada durante aproximadamente 10 mi-

nutos. Na seqüência, nas estações, os exercícios localizados são realiza- dos durante 5 minutos, retornando a atividade com o grande grupo para

a nova proposta e ritmo, assim sucessivamente até que todos tenham

executado todo o circuito. Variação: Trabalhar com o grande grupo exercícios localizados, e em pequenos grupos parte de uma coreografia, permitindo um atendimento individualizado para sanar dificuldades. A aula pode finalizar com a exe- cução em conjunto da parte coreográfica.

Regional Boa Vista: Tosin, Silmara Recursos: aparelho de som. Objetivo: Promover a sociabilização, vivenciando as diferenças e expe- riências, utilizando inclusive o contato corporal.

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

83

acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC 83 Descrição da Atividade: Caminhar executando

Descrição da Atividade: Caminhar executando movimentos simples e naturais seguindo ritmos variados, explorando espaços em diferentes formações (colunas e círculos), a criatividade e a expressividade.

Figura 1: Aulão, Regional Boa Vista

Regional Portão: Maranhão, Célia E. A. & Rosa, Márcia Cristina.C. Recursos: aparelho de som Objetivo: Desenvolver a coordenação, ritmo e condicionamento físico.

Descrição da atividade:

1. Aulão coreografado: Coreografia pré-estabelecida (sugestão mu-

sical: "a festa", de Ivete Sangalo). Para fixação da coreografia utilizam- se ritmos variados, com o objetivo do conhecimento da seqüência, usan- do a repetição para fixação. No final da aula os alunos são capazes de realizar integralmente a coreografia executada com a música sugerida. Volta a calma: alongamento.

2. Aulão em 3 etapas: No início, utilizam-se músicas e passos varia-

dos, trabalhando exercícios aeróbicos e respiração. Na continuidade, exer-

cícios localizados para membros superiores e inferiores (trabalhando co- ordenação motora), e flexionamentos variados. No final da aula realiza- se massagem em duplas e em colunas.

final da aula realiza- se massagem em duplas e em colunas. “Ter atividade para mim é

“Ter atividade para mim é melhor que um médi-

co

valor, mas a gente vê como faz a diferença”. (De- poimento de integrante do grupo de ginástica da

Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora).

A gente não dava tanto

A ginástica é tudo

Figura 2. Aulão, Regional Bairro Novo

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

Considerações finais A ginástica vem proporcionar uma mudança no comportamento perante as situações do cotidiano. Amigos, família, alimentação, passam a ter conotação diferenciada; mais agradável, com outros valores, um maior bem estar, disposição física, mental e emocional, facilitando des- sa forma uma mudança no estilo de vida.

84

Essa motivação leva o indivíduo buscar alimentação mais saudá- vel, contato com a natureza, novos desafios e relacionamentos, compor- tamentos que levam à auto-realização e conseqüentemente à melhoria na qualidade de vida.

Bibliografia Recomendada

Achour Júnior, A. (1999). Bases para exercícios de Alongamento: relacionado com a saúde e no desempenho atlético. 2ª ed. São Paulo: Phorte.

Dantas, E.H.M. (1995). Flexibilidade: alongamento e flexionamento. 3a ed. Rio de Janeiro: Shape.

Fux. M. (1983). Dança, experiência de vida. 4ª ed. São Paulo: Summus.

McArdle, W.D. & Katch,F.I. & Katch, V.L. (1998). Fisiologia do exercício. Energia, nutrição e desempenho humano. 4a.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Nahas, M.V. (2001). Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceito e sugestão para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf.

Nieman, D. C. (1999). Exercício e Saúde: como se prevenir de doenças usando o exer- cício como seu medicamento. (I.Marcos, trad.). São Paulo: Manole.

Rauchbach, R. (2001). Atividade física para terceira idade; revelação e ampliação. 2. ed. Londrina: Midiograf.

Sharkey, B.J. (1998). Condicionamento físico e saúde. 4a ed. Porto Alegre: Artmed.

Shephard, R. J. (2003). Envelhecimento, atividade física e saúde. (S. P. Maria Aparecida, trad.). São Paulo: Phorte. (trabalho original publicado em 1997).

Spring, H. & Kunz, H.R. & Scheneider,W. & Trischler,T. & Unold,E. (1995). Força muscular. Teoria e prática. São Paulo: Aratebi.

85

Capítulo 8

A CIDADE ENVELHECE Rosemary Rauchbach

Curitiba está envelhecendo, e segundo dados do IBGE (2000), exis- tem 133.610 pessoas com mais de 60 anos, isto é, 8,37% da população. A qualidade de vida do idoso é determinada pelo grau de autono- mia, ou seja, a capacidade de determinar e executar seus próprios desíg- nios (Ramos, 2002). Para atender a esta orientação, a Secretaria Munici- pal do Esporte e Lazer, propôs através de seus Programas CuritibAtiva e Idoso em Movimento, ações norteadas pela diretriz do "Plano Integrado de Ação Governamental Para o Desenvolvimento da Política Nacional do Idoso", que trata de medidas preventivas, curativas e promocionais objetivando a melhor qualidade de vida do idoso, e a Política Nacional do Idoso (Lei n° 8.842, de 04-01-94), destinada não apenas aos que es- tão velhos, mas também àqueles que vão envelhecer. Segundo Matsudo & Matsudo & Barros Neto (2001), é pratica- mente um consenso entre os profissionais da área da saúde que a ativida- de física é um fator determinante no processo do envelhecimento. A Or- ganização Mundial da Saúde (1996) , o Colégio Americano de Medicina do Esporte (Mazzeo, et al.,1998), como também a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (1999), em seus documentos oficiais, justificam através das diferentes pesquisas na área, a importância da atividade físi- ca para a pessoa idosa, e também deve-se levar em conta que as doenças ligadas ao processo do envelhecimento causam grande volume de custos assistenciais para saúde, além de importante repercussão social e impac- to econômico. Segundo o Centro Nacional de Estatística para a Saúde cerca de 84% das pessoas com idade igual ou superior a 65 anos apresen- tam dependência para realizar as suas atividades cotidianas. (SBME, 1999). Investir em prevenção é necessário, assim a descentralização das ações político-administrativas veio contribuir com projetos e propostas dinâmicas e flexíveis, adaptadas às diferenças culturais nas diversas re- giões. Levando em conta a economia brasileira nesses últimos anos, o esvaziamento do meio rural e a procura dos grupos familiares por uma melhor qualidade de vida nas grandes cidades (Tomazi, 1993), o quadro que se apresenta no município de Curitiba mostra um contingente enor- me de famílias que migraram de diferentes regiões do país ou do interior do estado, trazendo na sua bagagem uma formação sócio-cultural distin- ta, e indivíduos com vivência política, ideológica, religiosa e emocional própria, de um estilo de vida muito diferente dos "curitibanos", exigindo assim, atendimento direcionado para os comportamentos e conceitos só- cio-culturais existentes na sua formação.

86

86 Fig. 1. Distribuição de Idosos por Administração Regional O Programa “Idoso em Movimento” Em Curitiba!

Fig. 1. Distribuição de Idosos por Administração Regional

O Programa “Idoso em Movimento”

Em Curitiba!

É gente ativa que sabe se comportar.

De coração!

Ligado à mente, pensando bem, todo dia. A sabedoria! Que o povo tem! Curitiba dá; o adeus gentil com Deus em todo o Brasil.

(Edson Jorge, 82 anos)*

Inicialmente a Secretaria Municipal do Esporte e Lazer objetivou com o Programa Idoso em Movimento, criar uma rede de atenção à po- pulação idosa de Curitiba, através da informação, sensibilização, ofertando e incentivando a prática de atividades físicas e recreativas, nos diferentes segmentos sociais, visando a mudança de atitudes e a aquisi- ção de novos hábitos saudáveis para prevenção, manutenção e promo- ção da saúde do idoso. Com a receptividade da população veio a necessidade da amplia- ção dos atendimentos, assim criaram-se novas estratégias que possibili- taram a efetivação da proposta e a capacitação de profissionais da área de Educação Física para atuar pela Secretaria Municipal do Esporte e Lazer - SMEL, tornando-se multiplicadores, ampliando o quadro de pro- fessores e oportunizando a novos profissionais, a ação eficiente na área do envelhecimento, possibilitando levantar o perfil da população atendi- da, através da avaliação física. Para essas ações a SMEL contou com os parceiros: Secretaria Municipal de Saúde - SMS, Fundação de ação So- cial - FAS e Secretaria Municipal da Educação - SME. O programa subdivide-se em seis grandes eixos de atuação:

[

]

Adoro o dia; dia de amanhã

O povão inteligente

Capital do Paraná

* Parte da poesia musical, "Eu sou um velho guri, sinto falta de um amor". De Edson Jorge, 82 anos.

87

O programa nas Regionais:

As ações consistem em atividades sistemáticas (ginástica, jogos e dança), de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e tarde, duas a três vezes por semana, nos Centros de Esporte e Lazer da SMEL e/ou equipamentos disponíveis nas nove regionais (salões paroquiais, asso- ciações de bairros, etc.). Proporcionar palestras informativas sobre: te- mas relacionados à saúde, comportamento e atividade física, como tam- bém eventos sociais e recreativos, levando em consideração a disponi- bilidade de local e recursos humanos (passeios, cafés da manhã, Sema- na do Idoso, festa junina, festival de dança e bailes).

O programa na Linha do Lazer II:

Atendimento a Casas Lares (Asilos) e Associações com ativida- des recreativas. É composta por uma equipe de dois ou três monitores, acadêmicos de Educação Física, junto com um professor, que visitam, diariamente, nos períodos da manhã e tarde as Instituições e grupos de idosos previamente agendados. Os locais são visitados semanalmente, e

o

turno é determinado pela direção da entidade.

O

programa no Esporte Participativo:

Contempla os grandes eventos esportivos onde se destacam as Corridas de Rua e a Maratona Ecológica de Curitiba; que são competi- ções populares, abertas à comunidade, contemplando as diferentes fai- xas etárias, inclusive a partir dos 60 anos, em ambos os sexos. E o Encontro Esportivo da 3ª idade, que acontece na Semana do Idoso em setembro, e promove atividades esportivas e recreativas aos grupos de idosos que participam das atividades sistemáticas, como também, gru- pos da comunidade.

O programa no CuritibAtiva:

O CuritibAtiva, como foi mencionado em capítulo anterior, é um programa que tem como um dos seus objetivos a avaliação física da população, composta por anamnese, testes físicos e antropométricos e orientação sobre a condição individual e indicação de atividade física adequada a cada pessoa. Para a população idosa é aplicado um protocolo específico que avalia a condição funcional. Composto por cinco testes, que mensuram força e flexibilidade de membros superiores e inferiores como também

o equilíbrio estático. E que tem como objetivo traçar o perfil da popula-

ção idosa do município quanto à sua condição de aptidão física, saúde, hábitos de vida, atividade física e de lazer, diretamente relacionados ao

88

grau de autonomia e conseqüentemente ao padrão de qualidade de vida. Em um estudo piloto, foram avaliados 854 idosos entre os meses de março a outubro de 2003. Baseados nos resultados dessas avaliações foram intensificados os estudos para configuração definitiva da ficha cadastro de avaliação (Anexo 4). E construídos os valores normativos para a população idosa do município.

Capacitação:

Para a capacitação dos profissionais envolvidos no programa, são ofertados cursos de aperfeiçoamento, assessoramento na forma-

ção de novos grupos de atividades (Centros de Esporte e Lazer ou na comunidade), e cadastramento dos profissionais que trabalham com

o idoso (com ou sem vínculo com a Prefeitura), oportunizando as-

sim, aprimoramento para que os mesmos atuem como multiplicadores assumindo grupos independentes na comunidade.

Pesquisa:

Para incentivar o estudo sobre o envelhecimento e a prática da observação, como também a pesquisa científica, foi implantado um Grupo de Estudo, que tem como recurso, um espaço on-line onde são

disponibilizados artigos científicos, endereços eletrônicos relativos

à área de interesse, oportunizando as discussões e esclarecimento de

dúvidas. O Programa divulga os resultados de suas pesquisas em eventos científicos regionais, nacionais e internacionais. Semanalmente é destinada uma tarde, para atendimento de alunos de graduação como também, de pós-graduação das diferentes Instituições de Ensino Superior no que diz respeito à orientação das monografias. Desses trabalhos destacam-se cinco, que diretamente vieram a contribuir com o programa:

1.Miranda, Valéria. C. P. Programas de Atividade Física para Ido- sos: Um estudo de revisão. Defendida em: dezembro de 2003. A acadêmica ressalta: o envelhecimento populacional e a toma- da de consciência quanto aos benefícios da atividade física para a população idosa, como também o grande número de programas de atividades a eles ofertados. Levanta a questão: Para que população são destinados esses programas? O estudo teve como objetivo pesquisar e catalogar os diferentes programas de atividades físicas, destinados às pessoas de terceira idade, e saber o que melhor se adapta a população de classe média baixa e risco social, realidade encontra- da na periferia das grandes cidades. Os resultados da pesquisa, isto é, os programas de aula catalogados vêm auxiliar os profissionais que

89

atendem os grupos de idosos, fazendo parte do banco de dados para o grupo de estudos do programa.

2.Silva, Patrícia. G. A importância da atividade física para idosos asilados na qualidade do trabalho do cuidador. Defendida em: de- zembro de 2003. Neste trabalho, a acadêmica objetivou mostrar a importância da atividade física na Instituição Asilar, pois se pressupõe que a melhora das condições físicas do idoso vem contribuir na qualidade do trabalho do funcionário que presta serviço a Instituição, denominado "Cuidador". Foi uma pesquisa de campo, que através do questionário KATZ para avaliação das atividades de vida diária (AVDs), se determinou o perfil da população asilar, e através de uma entrevista semi-estruturada, ques- tionou-se aos cuidadores, sobre a ação da atividade física no cotidiano do idoso na facilitação no ato de cuidar. Fizeram parte desta amostra, 28 idosas do sexo feminino e com idades variando de 40 a 98 anos de uma Instituição Asilar na cidade de Curitiba. Destas, 32,14% necessitavam da ajuda dos cuidadores em pelo menos uma das AVDs. Observou-se através da análise das entrevistas, que mesmo a atividade físico - recre- ativa, ofertada uma vez na semana, considerada pela literatura como pouca quantidade para haver alguma alteração fisiológica significativa em idosos tão frágeis, há uma mudança no humor e disposição das idosas facilitando assim o ato de cuidar pelos profissionais da instituição. Justifica- se dessa maneira, o trabalho realizado pela Secretaria do Esporte e Lazer na oferta de atividades físicas e recreativas em diferentes Instituições Asi- lares do município de Curitiba, que pode atuar na prevenção do estresse ocupacional, melhorando a qualidade do trabalho dos cuidadores.

3.Antônio, Sirlene M. O significado da prática da atividade física para o grupo de idosos que participam da ginástica na Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora. Defendida em: dezembro de 2003. O início da pesquisa se deu, quando a acadêmica terminou seu período de estágio na SMEL e o grupo de idosas que atendia em um programa de ginástica solicitou continuidade nas aulas e para tanto re- munerariam seu trabalho, tornando-se assim grupo independente. O ob- jetivo da pesquisa foi descobrir, através da análise do discurso, o signifi- cado da prática da atividade física para esse grupo. Levantaram-se dados que retrataram como o indivíduo idoso percebe as alterações provenien- tes do programa de atividade física (ginástica) e como essas, repercutem no dia-a-dia. Fizeram parte da amostra, 23 idosas com idades acima de 50 anos. Os dados foram coletados por meio de entrevista individual semi-estruturada sendo a captação dos relatos gravados e transcritos, e

90

as expressões positivas e negativas sobre a percepção dos benefícios da atividade física, analisadas e categorizadas. Da análise da freqüência das respostas por categoria, Obteve-se os segintes resultados:

Biofisiológica, 34,4%; Psicológica, 31,18%; Funcional, 21,5% e Social 12,9%. Observou-se que 56% das afirmações levaram a crer que para esse grupo a ginástica tem uma importância fundamental no seu bem estar físico e funcional e 44% das demais afirmações como psico-social. Entende-se que é preciso ver e direcionar o conhecimento sobre o enve- lhecimento para conduzir o idoso à ação, valorizando o cidadão, como sujeito do processo de transformação social, percebendo-o e respeitan- do-o na realidade de sua comunidade. Dessa forma, o velho não deveria ser visto como o é, uma vitória biológica, mas como expressão de criatividade, de capacidade, de liderança ativa.

4.Borges, S. S. & Rauchbach, R. Tendência a estados depressivos em idosos que não tem o hábito da prática da atividade física: um estudo piloto no Município de Curitiba. (on line) disponível em: http://

www.efdeportes.com/efd70/idosos.htm.

Esse estudo teve sua origem na análise das avaliações do proto- colo do idoso, realizadas nos eventos do Curitibativa durante o 1ºse- mestre de 2003 onde 9,14% dos idosos, relataram estar em depres- são. Considerando a complexidade dos distúrbios depressivos e a dificuldade na identificação do processo patológico, onde muitos dos sintomas podem ficar mascarados e entendidos como comportamen- to comum ao velho. Procurou-se fazer uma investigação direcionada à problemática, através da escala de depressão proposta por FIATARONE, composta por 30 questões relacionadas à satisfação com a vida e estados de ânimo, onde os resultados são obtidos pela soma das respostas negativas. Foram 125 os idosos avaliados, distri- buídos em quatro categorias etárias, com a idade mínima de 65 anos. As avaliações foram feitas tanto nos grandes eventos em logradouros públicos, como em grupos de convivência. Dos resultados foram con- siderados todos aqueles que apresentaram mais de 40% de respostas que tendem a estados depressivos, assim distribuídos: 65 a 69 anos, 25,80% (ativos) e 34,48% (não ativos) tem a tendência à depressão; de 70 a 74 anos, 25% (ativos) e 33,33% (não ativos); de 75 a 79 anos, 11,11% (ativos) e 54,54% (não ativos); e os maiores de 80 anos, 25% (ativos) e 28,57% (não ativos). Análisando as respostas, o grupo dos não ativos ficou caracterizado: 87,69% sentem que sua situação não tem esperança. 86,15% não têm motivos para levantar-se pela ma- nhã. 55,38% preferem evitar reuniões sociais, 35% perturbam-se com pequenas coisas e 24% vivem preocupados com o futuro. Observou-

91

se que os idosos que não tem o hábito da prática de uma atividade física apresentam uma maior tendência a estados depressivos em to- das as categorias.

5.Gomes, Janaína. R. Gerontomotricidade: uma proposta de ativida- de física nos grupos de 3ª Idade na comunidade. Apresentada em:

março de 2003 Professora de grupos independentes na comunidade, investi- gou a melhor forma de abordar o idoso a partir de uma prática corpo- ral. Partindo de uma construção teórica dos processos de envelheci- mento e dos benefícios da atividade física regular, fundamentada em diferentes autores, propôs um programa de atividades que considera não só os benefícios físicos, mas também o modo pelo qual o idoso está na sociedade, relaciona-se e participa de uma forma integrada.

Perfil do Idoso no Município de Curitiba Como já enfatizado, Curitiba envelhece e 8,37% da população passa dos 60 anos. Para melhor direcionar as propostas a eles ofertadas foi necessário construir um instrumento de avaliação de fácil aplica- ção e boa abrangência. Em um primeiro momento, os profissionais que ministravam atividade física para grupos de idosos, discutiram quais seriam os dados de importância relevante para a prática da ati- vidade, quais parâmetros físicos associados á capacidade funcional dariam fundamentação ao seu trabalho. Foram estudadas diferentes propostas de autores nacionais e internacionais, aprofundando con- ceitos e determinando objetivos. (Andreotti & Okuma, 1999; Mota & Carvalho, 1999; Camiña et al, 1999; Sardinha & Baptista, 1999; Matsudo & Matsudo & Barros Neto, 2000; Matsudo, 2000; Feranandez & Carral & Pérez, 2001). Como resultado deste estudo configurou-se o proto- colo do idoso (Anexo 4), que tem como objetivo principal levantar dados quanto à aptidão física, saúde, hábitos de vida, atividade física e de lazer da população acima de 60 anos. Como já foi mencionado anteriormente, composto por cinco testes, que mensuram força e fle- xibilidade de membros superiores e inferiores como também o equi- líbrio estático. Dados relacionados diretamente a capacidade funcio- nal que determina a condição de manter a autonomia e qualidade de

vida. A escolha e a formatação das questões sobre saúde, hábitos de vida, atividade física e de lazer foram amplamente discutidas entre os profissionais envolvidos. Procurou-se utilizar uma terminologia culturalmente aceita pela população curitibana, respeitando as dife- rentes etnias e graus de instrução. Para a determinação do nível de

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

92

atividade física, foram observados os diferentes protocolos e optou- se por não utilizar instrumento específico, porque os mesmos foram construídos para um contexto cultural e/ou social diferente, e as ques- tões refletem ao estilo de vida da população de origem. Consideran- do os resultados obtidos por Mazo, et al. (2001); na validação do "Modified Baecke Questionnaire for Older Adults", os quais obtive- ram como resultado índice de validade fraco a moderado para o nível de atividade física, questionou-se assim sua aplicabilidade. Levando em conta o volume de idosos durante as ações do Curitibativa e o tempo destinado à entrevista e à avaliação, a utilização do International Physical Activity Questionnaire - IPAQ, mesmo que em sua versão curta, inviabilizaria o processo. Assim foi considerado "Ativo" aque- le idoso que no seu cotidiano tem o hábito de caminhar no mínimo 30 minutos ao dia, ou participa de algum programa de atividade físi- ca orientada duas ou mais vezes na semana, ou nas suas atividade ocupacionais (cuida do jardim ou horta, carrega volumes em longas distâncias, pinta paredes, sobe e desce vários lances de escadas ao dia, permanece em pé durante várias horas, entre outras), o idoso a relate como desgastante, sentindo-se cansado, no mínimo duas vezes durante a semana.

Fig. 2 Peso e altura

no mínimo duas vezes durante a semana. Fig. 2 Peso e altura Outro ponto levantado pela

Outro ponto levantado pela equipe foi quan- to à utilização do índice de massa corporal (IMC) e da relação cintura e quadril, dados esses empre- gados no protocolo do adulto, com discutível va- lidade para a população idosa. Segundo Nahas (2001), o IMC representa apenas uma estimativa razoável da composição corporal, adequada para adultos, que não sejam atletas ou que tenham uma massa muscular muito desenvolvida. Outros estudos, também con- cluíram que esse não é um bom parâmetro de avaliação antropométrica para idosos, muito menos se for utilizado isoladamente (Silveiro, et al., 2001), confirmado por Carvalho, et al. (2002). No que diz respei- to a indivíduos com idades mais avançadas, Bray (citado por Monteiro et al.,1999) propôs uma estratégia que consiste em acrescentar uma unidade aos valores de IMC para cada década de vida, a partir dos 25 anos de idade. Os autores comentam ainda que em uma pesquisa en- volvendo vários países nos cinco continentes, Launer & Harris, apre- sentaram resultados que estendem ainda mais a relatividade da normatização do IMC. Examinaram dados de idosos de ambos os sexos, estratificados em três grupos etários (60-69, 70-79 e acima de

93

80 anos) e pertencentes a diferentes grupos étnicos, e como parte de suas conclusões propuseram que a localização geográfica seja um fator que influencia o IMC de pessoas idosas, sendo necessário levá- lo em conta além de aspectos como idade e sexo. A relação cintura e quadril - RCQ, é um dos indicadores mais utilizados no diagnóstico de obesidade central, por sua relação com as doenças cardiovasculares, e os valores esperados são variáveis de- pendendo da técnica da medida, do sexo e da idade. Os limites de RCQ utilizados na definição de aumento de riscos são baseados em evidências de populações específicas de brancos e podem não ser apropriada para mulheres, idosos e algumas etnias. Entre os idosos, valores habitualmente maiores são encontrados, impossibilitando uma definição exata do nível utilizado na conceituação de obesidade cen- tral (Cabrera & Jacob Filho, 2001). Considerando as observações dos autores a equipe optou pela não utilização desses parâmetros de ava- liação. Quanto à avaliação física, o critério de escolha dos testes foi a relação direta desses com a determinação da manutenção da capaci- dade funcional e da autonomia durante a velhice. No que se refere à força de membros inferiores, isto é a capacidade de ir e vir, levantar- se de uma cadeira sem auxílio, o teste escolhido remete o idoso às atividades do cotidiano, facilitando dessa forma a compreensão quanto à necessidade de exercitar-se. A falta de estímulo nos membros infe- riores leva a uma perda acentuada de força, seja essa pela imobilida- de oriunda de uma doença ou pela falta de interesse pela vida. A for- ça de membros superiores, que torna capaz de carregar compras, se- gurar-se, erguer uma criança, condições do cotidiano do idoso determinantes de sua independência. Quanto aos parâmetros da fle- xibilidade, esclarece a ele, a necessidade de investir na mobilidade articular que diretamente reflete na flexibilidade e capacidade de gerenciar seu auto cuidado, como vestir-se e tomar banho. O teste de equilíbrio, mostra a capacidade de reorganização neuromuscular para manutenção da postura, capacidade esta muito afetada no processo do envelhecimento. Em um segundo momento, foram avaliados 1587 idosos, 1,19% da população com mais de 60 anos do município; 1110 mulheres e 477 homens. Os dados foram coletados em eventos mensais em dife- rentes regiões da cidade e atribuídas classes para as idades com inter- valos de meia década. Juntamente com a avaliação física foi questionado o grau de satisfação do idoso quanto ao resultado alcançado no teste físico, com- parando-o com o desempenho nas atividades diárias; entendendo, que

94

por pior que pareça um resultado numérico, esse pode ser ótimo para o idoso, que muitas vezes por problemas de saúde já se encontrou em situações mais desfavoráveis. Esta maneira de auto-avaliar é levada em conta durante a prescrição e orientação final pelo profissional responsável. Para análise dessa avaliação, foram determinados valo- res de zero a quatro para cinco expressões de satisfação (desaponta- do, insatisfeito, indiferente, satisfeito e muito satisfeito), e conside- rado que o valor total da soma dos cinco testes totaliza vinte pontos. Quanto mais perto de vinte chegar o resultado, maior a satisfação do idoso em relação ao seu desempenho (Anexo 4a).

Resultados da pesquisa

Os dados foram analisados pela estatística descritiva, e construídos gráficos que demonstram as diferenças entre as classes etárias. Observa-se através dos resultados grande amplitude do desvio pa- drão para a flexibilidade e o equilíbrio (Tabelas I e II). Os diferentes fatores que determinam o envelhecimento: classe social, sexo, saúde, educação, personalidade, história passada, contexto socioeconômico, se mesclam com a idade cronológica e determinam as diferenças entre os idosos de 60 a 100 anos (Papaléo Neto, 2002). Essa afirmação sugere que, determinadas capacidades físicas sofrem maior influência pela his- tória do indivíduo e sua adaptação ao meio.

Avaliação Física - Mulheres

Idade

Flex Omb. Equilíbrio

Flex Quad Força Br Força Per

G.Satisf.

60-64

-6,47

23,34

17,01

16,69

13,07

13,52

Média

 

8,82

9,81

8,62

5,07

3,15

3,48

DP

65-69

-6,89

20,59

16,81

16,22

12,48

13,42

Média

 

9,20

10,11

8,49

4,42

3,85

3,46

DP

70-74

-7,91

17,56

16,69

15,45

11,65

13,60

Média

 

8,87

11,10

16,76

5,05

3,82

3,35

DP

75-79

-9,92

14,04

15,12

14,04

11,07

12,88

Média

 

10,38

10,49

10,45

4,41

3,69

3,46

DP

(+) 80

-10,40

10,17

14,68

13,02

10,17

14,10

Média

 

9,51

9,60

9,06

3,34

2,27

2,78

DP

Tabela I: Média e desvio padrão da aptidão física - população idosa feminina

Avaliação Física - Homens

Idade

Flex Omb. Equilíbrio

Flex Quad Força Br Força Per G. Satisf.

 

60-64

-9,49

23,22

11,66

16,73

14,03

14,06

Média

 

10,70

9,61

8,79

5,06

4,77

2,97

DP

65-69

-10,82

22,78

9,15

15,45

12,51

14,14

Média

 

10,54

10,47

9,35

5,13

4,43

2,63

DP

70-74

-15,08

20,11

9,15

15,76

12,96

13,80

Média

 

11,38

10,55

9,28

4,68

3,68

2,46

DP

75-79

-16,05

17,83

8,27

12,78

11,95

15,15

Média

 

14,55

12,09

9,76

5,65

3,96

2,45

DP

(+) 80

-18,73

7,52

4,62

12,21

10,24

13,95

Média

 

11,97

10,44

7,48

4,63

4,37

2,00

DP

Tabela II: Média e desvio padrão da aptidão física - população idosa masculina

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

95

Com relação à força de braço e pernas o desvio padrão é menor, com tendência a se tornar menor ainda nas classes de maior idade. Isso sugere que a capacidade funcional que está mais relacionada à qualidade de autonomia, como "o ir e vir", as diferenças são menores entre os sujeitos "idosos independentes" (aqueles que conseguiram se locomover até o local da avaliação, mesmo que frágeis e necessi- tando de algum apoio). A aptidão física para manutenção da autonomia no envelheci- mento, exige do idoso algumas aptidões específicas, como a força de membros inferiores. Para levantar da cadeira os jovens utilizam 50% da força do quadríceps e 70% se precisarem levantar rapidamente. Idosos com aproximadamente 80 anos utilizam 90% dessa força e precisariam 120% se necessitassem levantar rapidamente, isto é, não conseguiriam. Da mesma forma, o subir escadas; um idoso frágil ne- cessita recrutar um maior número de fibras musculares, ativando ação dos ergoceptores; terminações nervosas livres, com repercussões hemodinâmicas e desconforto cardiorespiratório. Em uma caminha- da, idosos frágeis deslocam-se anaerobicamente, recrutam mais de 40% das fibras musculares para moverem-se, como conseqüências cansam-se rapidamente (Santarém, 2004). Para avaliar a força e resistência dos membros inferiores foi escolhido o teste Levantar e sentar da cadeira em trinta segundos. Utiliza como material: Cronômetro, cadeira com encosto e sem braços, com altura de assento aproximadamente de 43 cm. A mesma deve ser estabilizada, evitando que se mova durante o teste. O teste inicia-se com o idoso sentado no meio da cadeira, com as costas retas e os pés afastados à largura dos ombros e totalmente apoiados no solo. Os braços devem permanecer cruzados contra o peito. Ao comando o idoso levanta-se, ficando totalmente em pé e só então retorna a posi- ção sentada. O participante é encorajado a com- pletar o máximo de repetições num intervalo de tempo de trinta segundos. Após uma demons- tração realizada pelo avaliador, um ou dois mo- vimentos completos devem ser executados pelo idoso visando a correção do movimento. Logo após inicia-se o teste. A pontuação é obtida pelo número total de execuções corretas num inter- valo de 30 segundos. Se o idoso estiver a meio da elevação no final dos 30 segundos, esta deve contar como um movimento completo.

da elevação no final dos 30 segundos, esta deve contar como um movimento completo. Fig. 3

Fig. 3 Avaliação Força das Pernas

96

MÉDIA DA FORÇA DAS PERNAS - MULH ERES

(+) 80 10,17 75-79 11,07 70-74 11,65 65-69 12,48 60-64 13,07
(+) 80
10,17
75-79
11,07
70-74
11,65
65-69
12,48
60-64
13,07

Gráfico 1: Média feminina do número de repetições do teste sentar e levantar em 30 segundos.

MÉDIA DA FORÇA DE PERNAS - HOMENS (+) 80 10,24 75-79 11,95 70-74 12,96 65-69
MÉDIA
DA
FORÇA
DE
PERNAS
- HOMENS
(+) 80
10,24
75-79
11,95
70-74
12,96
65-69
12,51
60-64
14,03

Gráfico 2: Média masculina do número de repetições do teste sentar e levantar em 30 segundos.

Na análise dos gráficos pode-se observar que a perda gradativa da força das pernas é comum aos dois sexos, porém a população feminina apre- senta um declínio mais uniforme. A população masculina apesar de apresen- tarem uma maior média na faixa etária dos 60 aos 64 anos, quase se equipara às mulheres, quando comparados na faixa dos 80 anos. Segundo a literatura os homens apresentam uma massa muscular prévia maior que as mulheres, conseqüentemente apresentam maior força muscular, conferindo a eles um maior índice nos testes, mesmo no envelhecimento mais avançado com a perda natural da massa muscular - sarcopenia. Para a avaliação da força e resistência do membro superior, apti- dão necessária para as atividades cotidianas, como carregar volumes, apoiar-se e vestir-se, o teste utilizado foi da Flexão do antebraço em 30 segundos. Utiliza como material: Relógio de pulso com precisão de se- gundos, cadeira com encosto reto e sem braços, halteres de mão com 2Kg (mulheres) e 4Kg (homens). O idoso deverá estar sentado com as costas retas e o tronco totalmente encostado, com os pés apoiados no chão. O peso é seguro na mão dominante. O teste inicia como braço estendido para baixo ao lado da cadeira, perpendicular ao chão. Ao sinal de início o idoso gira a palma da mão para cima enquanto flexiona o braço, completando totalmente o ângulo de movimento, voltando de-

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

97

pois à posição inicial de extensão do antebraço. É necessária atenção especial com a fase final do movimento. O avaliador deve posicionar-se (ajoelhado ou sentado) próximo, e do lado do braço dominante. Para impedir que o braço se mova e assegurar que o movimento seja comple- to, o avaliador deve estabilizar o antebraço do avaliado, como também prevenir movimentos oscilatórios apoiando com a mão o cotovelo do avaliado. O Idoso é encorajado a executar o maior número possível de movimen- tos em 30 segundos. Depois de uma demonstração do avaliador, deverá ser realizada tentativa de uma ou duas repetições para conferir a maneira adequa- da de executar o teste. A pontuação se obtém pelo número total de flexões corretas realizadas num in- tervalo de 30 segundos. Se o antebraço estiver em meia-flexão ao final dos 30 segundos, conta-se como um movimento completo.

final dos 30 segundos, conta-se como um movimento completo. Fig. 4 Avaliação Força do Braço M

Fig. 4 Avaliação Força do Braço

M É D IA D A FORÇA DE BRAÇOS MULH ERES (+) 80 13,02 75-79
M É D IA
D A
FORÇA
DE
BRAÇOS
MULH ERES
(+) 80
13,02
75-79
14,04
70-74
15,45
65-69
16,22
60-64
16,69

Gráfico 3: Média feminina do número de repetições do teste Flexão do antebraço em 30 segundos.

MÉDIA

DA

FORÇA

DE

BRAÇO

HOMENS

(+) 80

12,21

75-79

12,78

70-74

15,76

65-69

15,45

60-64

16,73

Gráfico 4: Média masculina do número de repetições do teste Flexão do antebraço em 30 segundos.

Na análise dos gráficos pode-se observar que as mulheres apre- sentam média maior que os homens. Pode-se inferir que essa diferença está relacionada ao nível de atividades domésticas desempenhada pela maioria das idosas, mesmo em idades avançadas, enquanto, historica- mente, o homem aposentado deixa de executar regularmente tarefas que

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

98

demandem força de membros superiores. Como também o resultado pode ter interferência da diferença de peso entre os alteres, situação que mere- ce ser investigada. A flexibilidade é outra característica física que determina o grau de amplitude dos movimentos das articulações do corpo necessárias para desempenhar as tarefas do cotidiano. Segundo Nahas, 2001, pessoas com boa flexibilidade movem-se com maior facilidade e tendem a sofrer menos problemas de dores e lesões musculares e articulares, sobretudo na re- gião lombar. A falta de flexibilidade ao longo da vida, pode facilitar a instalação lenta e progressiva de encurtamentos musculares, limitando a amplitude de movimentação da articulação, ocasionando má postura, dores lombares (lombo-ciatalgia), hérnia de disco, entre outros proble- mas, afetando o andamento normal da vida, reduzindo a capacidade de trabalho, e promovendo envelhecimento sem qualidade. Como protoco- lo para avaliação da flexibilidade, optou-se pelo Teste de sentar e alcan- çar. Para minimizar a dificuldade do idoso em sentar ao chão, esse teste segue a mesma padronização utilizada no Programa Curitibativa, com elevação do plano do avaliado. Material necessário: Plataforma elevada, banco de Wells. Para a realização do teste o idoso senta-se no plano elevado. Com as pernas estendidas e alinhadas pela largura do quadril, os pés encostados no banco de madeira e afasta- dos, braços estendidos, e mãos uma sobre a ou- tra. Ao comando, o idoso é orientado a flexionar o tronco e lentamente deslizar as mãos ao longo do marcador até atingir o ponto mais distal sem flexionar os joelhos, expirando durante o movi- mento. O idoso deve sustentar a posição flexionada por pelo menos dois segundos. Após três tentativas, anota-se o melhor valor obtido, em centímetros.

Fig. 5 Avaliação da flexibilidade

obtido, em centímetros. Fig. 5 Avaliação da flexibilidade MÉDIA DA FLEXIBILIDADE DE QUADRIL MULH ERES (+)

MÉDIA DA FLEXIBILIDADE DE QUADRIL MULH ERES

(+) 80 14,68 75-79 15,12 70-74 16,69 65-69 16,81 60-64 17,01
(+) 80
14,68
75-79
15,12
70-74
16,69
65-69
16,81
60-64
17,01

Gráfico 5: Média feminina do Teste de sentar e alcançar (cm)

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

99

MÉDIA DA FLEXIBILIDADE DE QUADRIL HOMENS

(+) 80 4,62 75-79 8,27 70-74 9,15 65-69 9,15 60-64 11,66
(+) 80
4,62
75-79
8,27
70-74
9,15
65-69
9,15
60-64
11,66

Gráfico 6: Média masculina do Teste de sentar e alcançar (cm)

Os resultados apresentados coincidem com a literatura no que se refere às diferenças entre a população feminina e masculina onde a mu- lher apresenta índices bem maiores de flexibilidade do que o homem. E mesmo em idades avançadas a diferença é pequena entre as classes por idade, esse fator não se repete no gráfico masculino, onde a diferença é quase três vezes maior entre as classes; (60 a 64) e (+ 80) anos. A flexibilidade dos membros superiores está diretamente relacio- nada ao grau de independência para as atividades de vida diária (AVDs) como vestir-se, lavar as costas, pentear os cabelos e outras tarefas do dia a dia, diretamente relacionadas ao grau de mobilidade da articulação do ombro. Utilizou-se como protocolo o teste de Alcançar atrás das costas. Material necessário: Régua ou fita métrica de aproximadamente 50cm. Na posição em pé o idoso coloca a mão dominante por cima do mesmo ombro e alcança o mais baixo possível em direção ao meio das costas, palma da mão para baixo e dedos estendidos (cotovelo apontado para cima). A mão do outro lado é colocada por baixo e atrás com a palma virada para cima, tentando alcançar o mais longe possível numa tentati- va de tocar (ou sobrepor) os dedos médios de ambas as mãos. Sem mo- ver as mãos do idoso, o avaliador deve verificar se os dedos médios de cada mão estão em direção um ao outro. Não é permitido que o avaliado enlace os dedos e puxe as mãos. Deve ser feita uma demonstração pelo avaliador e logo após o idoso escolhe a mão de sua preferência (aquela de melhor resultado). O avaliado realiza duas tentativas para praticar e duas tentativas finais, sendo considerado para cálculo o melhor valor das duas. À sobreposição ou à distância entre as pontas dos dedos médios é medida com precisão de 0.5 cm. Os resultados negativos (-) representam a distância mais curta entre os dedos médios, os resultados positivos (+) representam a medida da sobreposição dos dedos.

os resultados positivos (+) representam a medida da sobreposição dos dedos. Fig. 6 Avaliação da Flexibilidade

Fig. 6 Avaliação da Flexibilidade do Ombro

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

100

MÉDIA DA FLEXIBILIDADE DE O MBRO MULH ERES

-10,40 (+) 80 -9,92 75-79 -7,91 70-74 -6,89 65-69 -6,47 60-64
-10,40
(+) 80
-9,92
75-79
-7,91
70-74
-6,89
65-69
-6,47
60-64

Gráfico 7: Média feminina do Teste alcançar atrás das costas (cm)

MÉDIA DA FLEXIBILIDADE DE O MBRO - HOMENS

-18,73 (+) 80 -16,05 75-79 -15,08 70-74 -10,82 65-69 -9,49 60-64
-18,73
(+) 80
-16,05
75-79
-15,08
70-74
-10,82
65-69
-9,49
60-64

Gráfico 8: Média masculina do Teste alcançar atrás das costas (cm)

Observa-se na análise dos gráficos que para a flexibilidade de ombro, repete-se o padrão do teste anterior onde os melhores resultados são do gru- po feminino, chegando a ser, quase duas vezes maior nessa população. O equilíbrio, juntamente com a força de membros inferiores apre- senta vital importância para um envelhecimento com autonomia, pois tende a diminuir com o passar dos anos, devido à diminuição da massa muscular, as alterações no sistema nervoso e às doenças neurológicas. Desempenhar atividades do cotidiano, como atravessar uma rua neces- sita força e resistência para as passadas, juntamente com a capacidade de reorganização corporal e equilíbrio, que promove a segurança na loco- moção e evita dessa forma as quedas, que para o idoso são perigosas, pelo risco de fraturas. Protocolo utilizado: Equilíbrio estático. Material:

cronômetro. O idoso se posiciona em pé com as mãos na cintura (obser- va-se na fig. 7, a adaptação do idoso ao equilíbrio). Deverá ser orientado a olhar um ponto fixo à frente. Ao sinal, flexionar uma das pernas à sua escolha na altura do joelho e tentar manter a posição por trinta segundos. O avaliador coloca-se ao lado do idoso. O cronômetro é acionado ao comando e travado ao pri- meiro contato do pé ao chão. A tentativa é desconsiderada quando o idoso não consegue man- ter a posição inicial.

tentativa é desconsiderada quando o idoso não consegue man- ter a posição inicial. Fig. 7 Avaliação

Fig. 7 Avaliação do Equilíbrio

101

MÉDIA DE EQULÍBRIO - MULHERES

(+) 80 10,17 75-79 14,04 t 70-74 17,56 65-69 20,59 60-64 23,34
(+) 80
10,17
75-79
14,04
t
70-74
17,56
65-69
20,59
60-64
23,34

Gráfico 9: Média feminina do Teste equilíbrio estático em 30 segundos.

MÉDIA DO EQUILÍBRIO - HOMENS

(+) 80 7,52 75-79 17,83 70-74 20,11 65-69 22,78 60-64 23,22
(+) 80
7,52
75-79
17,83
70-74
20,11
65-69
22,78
60-64
23,22

Gráfico 10: Média masculina do Teste equilíbrio estático em 30 segundos.

Na análise dos resultados observa-se que a média da população masculina manteve-se acima da feminina, na maioria das classes, caindo vertiginosamente para os idosos com mais de 80 anos. O homem possui uma massa muscular prévia maior que as mulheres, conseqüentemente mantém um grau de força maior em relação a elas. Apesar da mulher viver mais que o homem, ela é geneticamente mais frágil, o homem vive menos mas, se conseguir atingir a mesma idade avançada que a mulher, mantém-se em melhor condição física e de saúde (Santarém, 2004). Outro fator que não se pode deixar de considerar é a diferença no tamanho da amostra masculina, quase 2,4 vezes menor que a população feminina, diversamente do encontrado na população do município, onde a dife- rença entre homens e mulheres é aproximadamente 1,47 até 74 anos, chegando a 2,05 aos 80 anos, com vantagem para o sexo feminino Na análise da incidência de patologias na população avaliada, pode- se observar a prevalência das doenças crônicas: 49,91% dos observados apresentam hipertensão, sendo que 16,26% declararam complicações cardíacas, 28,10% sofrem com dores na coluna, 28,36% possuem outras alterações articulares e 12,98% artrite. 15,94% são diabéticos, 12,16% declararam fazerem tratamento para depressão. Problemas pulmonares, 6,74% e hérnias abdominais 6,24%. Também foram relatados os seguin- tes problemas: rins/bexiga; olhos/glaucoma; câncer; varizes; labirintite; epilepsia; pele/eczemas; entre outros.

102

PATOLOGIAS DECLARADAS

Hérnia Pressão Outros abdominal 49,91% 31,70% 6,24% Coração 16,26% Diabete 15,94% Artrite 12,98%
Hérnia
Pressão
Outros
abdominal
49,91%
31,70%
6,24%
Coração
16,26%
Diabete
15,94%
Artrite
12,98%
Depressão
Ósseo/
Coluna
12,16%
Bronquite/
articular
28,10%
asma
28,36%

Gráfico 11. Incidência de patologias na população de idosos de Curitiba.

Considerando que as doenças crônicas, como também os proble- mas ósseos articulares determinam uma velhice bem sucedida, com qua- lidade, observa-se que a população curitibana está com seu envelheci- mento comprometido, necessitando tanto de políticas voltadas para a prevenção como também de intervenção na área da saúde. Um dado alar- mante refere-se a 12,16% de idosos que declararam fazerem tratamento para depressão, sem levar em conta o grande número de idosos que por falta de informação não sabem informar ou ignoram os sintomas da patologia. Pesquisas comprovaram que o idoso é bioquimicamente mais deprimido que o adulto (Cruz, 2004), somando-se a isso as demais alterações próprias do envelhecimento, apresenta-se aqui um quadro preocupante. No relato das atividades dedicadas ao lazer, pode-se observar, que mais de 70% dos idosos dedicam seu tempo livre para atividades que demandam pouca energia como leitura e televisão, sendo que 27,47% deles, dedicam-se as atividades classificadas como “outros”, que englo- ba a jardinagem, ocupação com caráter ativo. Inclui-se nessa opção tam- bém a pescaria e voluntariado. 12% dos avaliados têm o hábito de ir ao cinema, mesmo com todos os benefícios na aquisição dos ingressos, e raros são aqueles que declararam ir ao teatro.

ATIVIDADES DE LAZER

Leitura

O utros 48,02% Passeio c/ 27,47% família 42,47% Artesanato 30,81% C inema Viagem 11,72% 47,20%
O utros
48,02%
Passeio c/
27,47%
família
42,47%
Artesanato
30,81%
C inema
Viagem
11,72%
47,20%
TV

70,89%

Gráfico 12: Grau de incidência nas atividades de lazer da população idosa de Curitiba.

103

80% das mulheres e 66,9% dos homens declararam fazer parte de um programa regular de atividades físicas ou tem por hábito caminhar, an- dar de bicicleta ou fazem atividades ocupacionais e/ou de lazer, equiva- lentes ao de uma atividade física orientada, no mínimo duas vezes por semana, podendo-se inferir que esses idosos são fisicamente ativos.

podendo-se inferir que esses idosos são fisicamente ativos. Fig. 8 Prescrição e Orientação . Ao considerar

Fig. 8 Prescrição e Orientação.

Ao considerar o objetivo inicial de levantar da- dos quanto à aptidão física, saúde, hábitos de vida, atividade física e de lazer da população idosa do município, o Programa Idoso em Mo- vimento dentro da política para a qualidade de vida da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer através das pesquisas do "CuritibAtiva", vê nesse estudo um ponto de parti- da para a construção de novas ações. A partir destes dados construíram-se tabelas ( Anexo 4b) com valores referenciais, os quais determinam o ní- vel de aptidão física para o idoso de Curitiba, e direcionam a prescrição e orientação da atividade física. Os mesmos ao longo dos anos sofrerão mudanças através da inclusão de novas avaliações. O objetivo é avaliar aproximadamente três mil idosos, e também determinar o perfil dentro das características de cada regional, retroalimentando as ações do pro- grama.

Foto: acervo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer da PMC

Referências:

Andreotti, R.A & Okuma, S.S. (1999). Validação de uma bateria de testes de atividades da vida diária para idosos fisicamente independentes. Revista Paulista de Educação Físi- ca,13(1), 46-66.

Antônio, S. M. (2003). O significado da prática da atividade física para o grupo de idosos que participam da ginástica na comunidade nossa senhora auxiliadora. Monografia não publicada. Curso de Educação Física - UNIANDRADE.

Borba, A. S. S. (1996). Método de avaliação física e composição corporal. Curitiba. Targetsoft.

Borges, S. S. & Rauchbach, R. (2004). Tendência a estados depressivos em idosos que não tem o hábito da prática da atividade física: um estudo piloto no Município de Curitiba. http://www.efdeportes.com/efd70/idosos.htm.Revista Digital: Buenos Aires, 10(70).

Brasil, Congresso Nacional (1994). Lei nº 8.842/94 (on-line). Disponível: http:// www.saudeemmovimento.com.br /01/03/2002.

Brasil, Congresso Nacional (1996). Lei nº 1948/96 (on-line). Disponível: http:// www.saudeemmovimento.com.br /01/03/2002.

104

Brasil, MPAS/SAS (1997). Plano integrado de ação governamental para o desenvolvi- mento da política nacional do idoso. Brasília, Secretaria da Assistência Social.

Cabrera, M. A. S. & Jacob Filho, W. (2001). Obesidade em idosos: Prevalência, distribui- ção e associação com hábitos e co-morbidades. Arquivo Brasileiro de endocrinologia e Metabolismo. 45(5), 494-501.

Camiña, F. & Arce, C. & Real, E. & Cancela, J.M. & Romo, V. & Mayán, J.M. (1999). Physical activity and the elderly person in Galicia: assessing the physical condition of the elderly. Actas do Seminário: A qualidade de vida no idoso, o papel da actividade física. (pp.25-35). Porto, Portugal:FCDEF-UP.

Camiña F. F. & Cancela C. J. M. & Romo P. (2001). La prescripción del ejercicio físico para personas mayores. valores normativos de la condición física. Revista internacional de medicina, ciências, actividade física e deporte, 2. (on-line). Disponível: http// www.efdeportes.com /01/03/2003.

Carvalho, P. H. M. & Meyer, L. R. & Allage, M. & Silva, T. B. (2002) Avaliação da composição corporal de idosos de Curitiba. Anais, XIII Congresso Brasileiro de Geriatria

e Gerontologia, Rio de Janeiro, n. 159.

Cruz, I. B. M. (2004). Veranópolis, Fatores de Risco no envelhecimento saudável. XIV Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, Salvador, Bahia.

Gomes, J.R. (2003). Gerontomotricidade: uma proposta de atividade física nos grupos de 3ª Idade na comunidade. Monografia não publicada. Curso de Pós-Graduação em Gerontologia (Latu Sensu), Faculdade Integrada Espírita.

Mazzeo, R. S. & Cavanagh, P. & Evans, W. J. & Fiatarone, M. A. & Hagberg, J. & McAuley, E. & Startzell, J. (1998). Exercício e atividade física para pessoas Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde,3(1),48-68.

Matsudo, S. M. M. (editor). (2000). Avaliação do idoso, física e funcional.São Caetano do Sul, São Paulo: Midiograf

Matsudo, S. M. & Matsudo, V. K. R. & Barros Neto, T. L. (2000). Efeitos benéficos da atividade física na aptidão física e saúde mental durante o processo de envelhecimento. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, 5(2), 60-76.

Matsudo, S. M. & Matsudo, V. K. R. & Barros Neto, T. L. (2001). Atividade física e envelhecimento:aspectos epidemiológicos. Revista Brasileira Medicina do Esporte, 7(1),

2-13.

Mazo, G. Z. & Mota, J. & Benetti, T. B. & Barros, M. V. G. (2001). Validade concorrente

e reprodutividade: teste-reteste do questionário de Baecke modificado para idosos. Revis- ta Brasileira de Atividade Física e Saúde. 6(1), 5-11.

Miranda, V. C. P. (2003). Programas de Atividade Física para Idosos: Um estudo de revi- são. Monografia não publicada. Curso de Educação Física - UNIANDRADE.

105

Monteiro, W. D. & Amorim, P. R. S. & Farjalla, R. & Farinatti, P. T. V. (1999). Força muscular e características morfológicas de mulheres idosas praticantes de um programa de atividades físicas. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. 4(1)20-28.

Mota, J. & Carvalho, J. (1999). Programas de actividade física no Conselho do Porto. Actas do Seminário: A qualidade de vida no idoso, o papel da actividade física. (pp.20- 24). Porto, Portugal:FCDEF-UP.

Nahas, M. V. (2001). Atividade física, saúde e qualidade de vida. Londrina, PR: Midiograf.

Papaléo Netto, M. (2002a). Questões metodológicas na investigação sobre velhice e enve- lhecimento. In Freitas, E. V & Py, L. & Néri, A. L. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. (pp. 91-99). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Ramos, L. R. (2002). Epidemiologia do envelhecimento. In Freitas, E, V. & Py, L. & Néri, A. L. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. (pp.72-78). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

Santarém, J. M. (2004). Exercício resistido e ganho muscular. Riscos e Benefícios do exercício físico. XIV Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, Salvador, Bahia.

Sardinha, L.B. & Baptista, F. (1999). Programas de actividade física no Conselho de Oeiras. Actas do Seminário: A qualidade de vida no idoso, o papel da actividade física. (pp.54- 64). Porto, Portugal:FCDEF-UP.

Silva, P. G. (2003). A importância da atividade física para idosos asilados na qualidade do trabalho do cuidador. Monografia não publicada. Curso de Educação Física - UNIANDRADE.

Silveiro, J. & Bruscato, N. M. & Do Canto, M. P. & Taufer, M. & Schwanke, H. A. & Crua, I. B. M. (2001). Análise do perfil nutricional de idosos socialmente ativos do município de Gravataí-RS. Livro de Resumos, III Congresso Sul-Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, Florianópolis, p. 44.

Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (1999). Posicionamento Oficial da Socieda- de Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia:

atividade Física e Saúde no Idoso. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Separata, 5(6), 207-211.

Tomazi, N. D. coord. (1993). Iniciação a Sociologia. São Paulo. Atual.

World Health Organization. (1996). The Heidelberg guidelines for promoting physical activity among older persons. Guidelines series for healthy ageing - I. (On-line) http:/ /www.who.int/hpr/ageing/heidelberg_eng.pdf 04/08/2001.

106

Capítulo 9

PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO FISICA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Dalton Grande Ramiro Eugênio de Freitas

Ao longo das gestões, a administração pública municipal de Curitiba

priorizou sua atenção quanto às questões de saúde, para uma população adulta (mulheres), crianças na fase pré-escolar e idoso. Com o lança- mento do "Protocolo de Atenção a Saúde do Adolescente", (2002), hou- ve um incremento nas ações conjuntas entre as Secretarias, no que se refere à proteção e promoção da saúde voltada a essa faixa etária.

A Secretaria Municipal do Esporte e Lazer - SMEL, através do

"Programa CuritibAtiva" já totalmente comprometida com a qualidade de vida e saúde da população curitibana, ampliou suas ações com o lan- çamento do Protocolo da Criança e do Adolescente, fechando assim a lacuna existente, destinando ações apropriadas a este segmento da popu-

lação. Segundo o Protocolo de Atenção à Saúde do Adolescente - SMS (2002), a atenção à saúde do adolescente veio consolidando-se gradativamente, e alguns importantes marcos devem ser ressaltados:

comemoração do Ano Internacional da Juventude em 1985, o

Programa de Ação da ONU para a juventude até o ano 2000, a for- mação do Comitê de Adolescência pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 1978, a criação da Associação Brasileira de Adoles- cência (ASBRA) em 1989, o Projeto Acolher da Associação Brasi- leira de Enfermagem em 1999 e 2000, e o projeto AdoleSer com Saúde, em 2001, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obste-

trícia. [

Constituição Brasileira de 1988 e no Estatuto da Criança

e do Adolescente de 1990. Em 21 de dezembro de 1989 pela porta-

ria nº 980/GM o Ministério da Saúde cria o PROSAD Programa de Saúde do Adolescente Fundamentando uma política de promoção da saúde, que foi substituído mais tarde pelo ASAJ Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. Segundo a Organização Mundial da

Saúde e o Ministério da Saúde a adolescência é delimitada como o período entre 10 e 20 anos incompletos. Para dados estatísticos di- vide-se a juventude em três faixas: 10 a 14 anos, 15 a 19 anos e 20

a 24 anos. O estatuto da criança e do adolescente (ECA) delimita os adolescentes entre 12 a 18 anos percebendo-se então que por um período, adolescente e juventude coincidem. (pp. 11 -12).

O Protocolo de Avaliação da Criança e do Adolescente abrange o

intervalo entre 07 e 17 anos, portanto, atendendo a uma população de crianças e adolescentes.

] [

]

107

Justificativa

As políticas de promoção da saúde através da educação para uma vida fisicamente ativa e esportivamente rica, possibilitam desenvolver estratégias para que as crianças e jovens criem o gosto pelas atividades físicas, criem conhecimentos sobre as relações das práticas com a saúde

e adquiram hábitos de lazer ativo. Considerando aptidão física como um dos componentes relacio- nados à qualidade de vida, busca-se através do protocolo da criança e do adolescente o desenvolvimento de estratégias eficazes para uma política

de esporte e lazer destinada a esta faixa etária. A seleção dos protocolos

e a proposta aqui apresentada, vão de encontro à realidade das escolas

municipais e centros de esporte e lazer na busca de melhorias de oferta de atividade física para esta população, possibilitando solidificar ainda mais as ações conjuntas com os parceiros, isto é Secretarias Municipais de Educação e Saúde. A Educação Física como disciplina no currículo escolar, promove a formação integral do ser humano e porta boa saúde aquela criança que possue vida ativa. Uma criança fisicamente ativa pode tornar-se um adulto ativo em potencial. Sob o ponto de vista de saúde pública e medicina preventiva, a promoção, a avaliação e a prescrição de atividade física, na infância e na adolescência, poderá ser o diferencial na redução da prevalência do sedentarismo na idade adulta, com conse- qüente redução da incidência de doenças crônico-degenerativas e morta- lidade por doenças cardiovasculares, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida. Segundo Ribeiro (2000), o estilo de vida inadequado tornou-se responsável por aproximadamente 54% do risco de morte por cardiopatia isquêmica; 50% do risco de morte por acidente vascular cerebral; 37% do risco de morte por câncer, e no total por 51% do risco de morte de um indivíduo. O estilo sedentário de vida, aumenta o risco de doenças cardí- acas isquêmicas, diabete tipo II, câncer de cólon, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, doenças do sistema músculo-esquelético, sinto- mas de obesidade e depressão. Sabe-se hoje, que muitas destas doenças (níveis altíssimos de colesterol, diabetes tipo II e hipertensão), diferen- temente do que se imaginava, tem seu início na infância. A manutenção de um estilo de vida com atividade física 1 regular, tem como resultado, aumento do tempo de vida média e redução da morbi-mortalidade por doenças cardiovasculares, devido a níveis satisfatórios da pressão arteri- al, redução do nível de triglicerídeos, do colesterol total e sua fração LDL e aumento do HDL, equilíbrio e manutenção do peso corporal sau- dável (p.127).

1 Nesse contexto, atividade física é, "todo movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, resultando em gasto energético acima dos níveis de repouso, e o exercício físico, representa uma das formas de atividade física planejada, estruturada e repetitiva, tendo como objetivo, a melhoria da aptidão física ou a reabilitação orgânico-funcional" (Carpersen,, citado por Ribeiro, 2000).

108

O protocolo da criança e do adolescente apresenta as seguintes

características:

- Em tempo relativamente curto, captar um número expres-

sivo de informações e dados.

- No aspecto individual, a avaliação pode despertar na cri-

ança, uma atitude pró-ativa para seu corpo e tomar consci- ência da sua condição física, aumentando a motivação para manter a forma e a saúde.

- Despertar em seus responsáveis o interesse por este tema fazendo com que participem ativamente da evolução da ap- tidão física da criança.

O Programa CuritibAtiva utilizou para a fundamentação e cons-

trução do protocolo da criança e do adolescente (Anexo 5), outros procedimentos mencionados em trabalhos nacionais e internacionais como: Eurofit (1990), Nahas (2001), PROESP-BR (2004), Soares (2004). Foram eles: The President`s Challenge -PCPFS, Physical Best Fitness Test - AAHPERD, Physical Fitness Test - AAU, Fitness (1993). Os mesmos sofreram em sua organização, adaptações para atender às necessidades e à realidade do público curitibano.

Estrutura do Protocolo - Indicadores de Saúde

1. Índice de Massa Corporal 2

O índice de massa corporal (IMC) é calculado através da divisão da

massa corporal (peso corporal em Kg) pela estatura (altura em metros) ele- vada ao quadrado.

IMC = PESO (Kg) / ALTURA (metros) 2 Faixa recomendável para zona de boa saúde

Idade

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

Fem

14 – 20 13 – 20

14 – 20 14 – 20

14 – 20 14 – 20

14 – 21 14 – 21

14 – 21 15 – 21

15 – 22 15 – 22

15 – 23 16 – 23

17 – 24 16 - 24

17 – 24 17 – 24

17 – 24 18 – 24

17 – 25 18 – 25

Masc

2. Medidas de dobras cutâneas

O Valor é determinado pela soma de duas dobras: tríceps e

panturrilha em milímetros. Faixa recomendável para zona de boa saúde

Idade

7 - 17

Fem

Masc

17 - 31 10 - 25

2 Apesar da utilização do IMC ser considerado impróprio para as crianças, em função das rápidas alterações ocorridas na forma e composição corporal durante o desenvolvimento, é uma medida clinicamente importante porque a estatura apresenta certa influência sobre a gordura corpo- ral, podendo ser utilizado para monitorar o desenvolvimento da obesidade, bem como as modificações apresentadas pelas crianças e pelos adolescentes que estejam em tratamento (Cintra, 2000).

109

Segundo Cintra (2000), as pregas cutâneas fornecem uma avalia- ção mais direta da gordura corporal subcutânea. Elas são úteis como suplemento para as medidas de peso e estatura, especialmente na crian- ça que tem muita massa muscular. (p. 134). Salienta ainda que na criança, se conhece o percentual de gordura corporal que aumenta os riscos em relação à sua saúde, ou mesmo se moderadamente obesa, apresenta maior risco quando comparada com outra não obesa. Na ausência de pontos claros, a obesidade pode ser representada por gordura corporal maior do que 25% para os meninos e 35% para as meninas e 35% para os meninos em idade puberal, e maior do que 30% para as crianças pré-púberes (p. 135). Para avaliação da obesidade na criança, necessita-se estimativa precisa de composição corporal, com objetivo de desenvolver progra- mas apropriados para a redução de peso, durante os quais a massa cor- poral magra, permaneça estável e a gorda, seja preferencialmente redu- zida (Wabitsch, citado por Cintra, 2000, p.136).

3. Força Resistência Abdominal - Teste abdominal 1 - Sit-ups

A partir da posição de decúbito dorsal, braços cruzados sobre o tórax, joelhos flexionados a 90 graus, pés apoiados no solo e fixados pelo avaliador, o avaliado deverá realizar a flexão do tronco, até tocar com os cotovelos nas coxas, retornando a posição inicial. Será conside-

rado o maior número de repetições em até 1 minuto.

Faixa recomendável para zona de boa saúde

Idade

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

Fem

20 – 25 20 – 25

25 – 30 25 – 30

25 – 30 25 – 30

25 – 30 30 – 35

30 – 35 30 – 35

30 – 35 30 – 40

30 – 35 35 – 40

30 – 35 35 – 40

30 – 35 40 – 45

30 – 35 40 – 45

30 – 35 40 – 45

Masc

4. Teste de sentar-e-alcançar (sit and reach), PROESP-BR (2004).

Teste de mobilidade articular e tensão dos músculos dorso lomba- res e ísqui-tibiais.

Faixa recomendável para zona de boa saúde

Idade

7 - 17

Fem

Masc

23 - 28 20 - 25

5. Capacidade Aeróbica - Teste dos 9 minutos

Correr/andar durante 9 minutos, percorrendo a maior distância possível.

110

Faixa recomendável para zona de boa saúde (distância em metros)

Idade

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

 

1000

1000

1100

1200

1200

1200

1300

1300

1400

1450

1450

Fem

1300

1300

1400

1550

1600

1600

1600

1750

1800

1800

1800

 

1100

1100

1200

1300

1300

1400

1450

1550

1600

1750

1750

Masc

1400

1400

1500

1600

1750

1800

2000

2000

2000

2000

2000

Registros complementares Somente as crianças que possuírem índice de massa corporal alterado acima de valores normais, serão submetidas aos exames de colesterol e glicemia, mas todas submetem-se à verificação da pressão arterial.

1. Glicemia - Associação Nacional de Assistência ao Diabético (2004)

Valores normais de glicemia no sangue em jejum para crianças: 80mg/dl, a

120mg/dl

2. Colesterol

Valores normais de colesterol no sangue para crianças e adolescentes com

idades entre 02 a 19 anos.: de 170mg/dl, a 199mg/dl.

Valores de referência adotados pelo Conselho Brasileiro de Dislipidemia

Valores

Colesterol

LDL-C

Triglicerídeos

Triglicerídeos 12 - 19 anos

Total

<12 anos

Desejáveis

<170

<110

<75

<90

Limítrofes

170 -199

110 -129

75 - 99

90 - 129

Elevados

>200

>130

>100

>130

3. Pressão Arterial Quanto maior a idade aumenta a probabilidade de existência de Hi-

pertensão Arterial Primária, que passa a ter maior importância a partir da adolescência. Mano (2004), dá como exemplo para interpretação da ta- bela que se segue: um menino com 12 anos de idade, medindo 155 cm de altura (percentil 75) e apresentando pressão arterial de 118/76 mmHg será considerado normotenso. Já outro menino de mesma idade e mes- ma altura mas com pressão arterial de 124/80 mmHg será considerado normal limítrofe. Se esta segunda criança, ao invés de 155 cm, tivesse estatura de 150 cm (percentil 50), o nível tensional de 124/80 mmHg o faria ser considerado hipertenso. Como outro exemplo, uma menina com 1 ano de idade, 77 cm de altura (percentil 75) e pressão arterial de 107/

64 mmHg será considerada hipertensa; em contrapartida, se essa mesma

pressão arterial for encontrada em uma menina de 3 anos de idade com

96 cm de altura (percentil 50), a criança será considerada normal limítrofe.

111

Valores da pressão arterial em crianças e adolescentes

Extraído do III Consenso Brasileiro de HAS, Mano (2004)

Sexo masculino

Sexo feminino

Idade

(anos)

Estatura:

percentil e valor em cm

Pressão arterial (mmHg)

Percentil 90

Percentil 95

Estatura:

percentil e valor em cm

Pressão arterial (mmHg)

Percentil 90

Percentil 95

1

3

6

9

12

15

17

50th (76)

98/53

102/57

50th (74)

100/54

104/58

75th (78)

100/54

104/58

75th (77)

102/55

105/59

50th (97)

105/61

109/65

50th (96)

103/62

107/66

75th (99)

107/62

111/66

75th (98)

104/63

108/67

50th (116)

110/70

114/74

50th (115)

107/69

111/73

75th (119)

111/70

115/75

75th (118)

109/69

112/73

50th (132)

113/74

117/79

50th (132)

113/73

117/77

75th (136)

115/75

119/80

75th (137)

114/74

118/78

50th (150)

119/77

123/81

50th (152)

119/76

123/80

75th (155)

121/78

125/82

75th (155)

120/77

124/81

50th (168)

127/79

131/83

50th (161)

124/79

128/83

75th (174)

129/80

133/84

75th (166)

125/80

129/84

50th (176)

133/83

136/87

50th (163)

125/80

129/84

75th (180)

134/84

138/88

75th (167)

126/81

130/85

4. Teste de baixar e alcançar para a verificação da gibosidade

A inspeção da coluna torácica, especialmente nos adolescentes, tem

sua importância na observação inicial dos sinais existentes de qualquer de-

formidade que eventualmente possa agravar com o crescimento. Teste de Inclinação Anterior - Vialle; in Barros Filho, 2001. Este teste merece ser destacado, por ser o mais sensível para determi- nar a presença de escoliose. Originalmente é realizado com examinador sen- tado na frente do avaliado como nos programas de mapeamento escolar.

Mas é mais rápido e tão eficiente se o examinador se abaixar para ter os seus olhos no mesmo nível da coluna do avaliado, que se inclina para frente, até que seu tronco fique paralelo ao solo (não mais do que isso), com os braços pendentes.

A rotação, que é a característica principal da escoliose, fará com que

as costelas, na região torácica, e as apófises transversas, na região lombar, sejam empurradas para o lado da convexidade, criando uma saliência, a giba costal ou lombar. Orientação: O resultado deste teste indica presença ou ausência de escoliose significativa.

Avaliação do nível de atividade física - Protocolo utilizado: questionário de atividades físicas habituais, NAHAS (2001 p. 36). Apenas para indivídu- os com idades de 10 a 17 anos.

112

Desempenho esportivo Os testes escolhidos para avaliação do desempenho das crianças atendidas por programas esportivos da SMEL, como também em Esco- las, seguem a orientação do protocolo de avaliação do Projeto Esporte Brasil (PROESP - BR), disponível em: http://www.ufrgs.br/esef/proesp- br/proespbr.htm Utilizando para a avaliação da agilidade, o teste do quadrado ou quatro cantos; velocidade de deslocamento, corrida de 20 metros; capa- cidade de força explosiva de membros inferiores, teste do salto horizon- tal; e para força explosiva de membros superiores, o teste de arremesso do Medicine Ball de 2 Kg. Conjuntamente com a avaliação dos indica- dores de saúde. Atende-se assim as necessidades de todos aqueles que trabalham com a criança e/ou adolescente, seja com treinamento objetivando o de- sempenho esportivo, ou no processo pedagógico, despertando o gosto pela prática da atividade física para uma vida ativa com qualidade e saú- de.

Ensaio dos resultados obtidos com o estudo piloto No dia 16 de abril de 2004 aconteceu o lançamento oficial do pro- tocolo da Criança e do Adolescente (ainda no seu formato piloto) no Evento Amigos da Escola, o qual teve como tema: Saúde e Qualidade de vida. Foram consideradas para este ensaio 32 fichas. A participação da avaliação teve caráter espontâneo. E a idade das crianças obedeceu ao intervalo de 8 a 11 anos.

Dos resultados:

1. IMC: uma criança apresentou sobrepeso. Conforme o esta-

belecido no protocolo, todos que apresentaram índices alterados foram encaminhados para avaliar a glicemia e colesterol. Neste

caso a criança apresentou resultados dentro da faixa de normalidade.

2. Dobras cutâneas: cinco apresentaram-se acima do padrão

estabelecido de boa saúde, mas foram considerados ativos pela

interpretação do questionário de avaliação de atividade física (Nahas, 2001), levantando questionamentos quanto à causa das medidas fora da normalidade, que pode ter sua origem no erro alimentar, tipo de atividade escolhida, entre outras.

3. Força abdominal: seis apresentaram níveis abaixo da nor-

malidade, apesar de serem consideradas ativas. Levando a crer que as atividades desenvolvidas pelos avaliados, exigem pouco deste grupamento muscular.

113

4. Alcance de mãos sentado: quatro crianças apresentaram re-

sultados abaixo do esperado para a idade. Considerando a impor- tância dessa capacidade para a manutenção das funções ao longo da vida, é preocupante observar que 12,5% dessa amostra apre- sentam-se nessas condições.

5. Capacidade aeróbica: nove crianças apresentaram-se abai-

xo do esperado, sendo que dessas, quatro também possuem altera- das as medidas de dobras cutâneas. Quanto ao nível de atividade,

essas se apresentam assim distribuídas: 01 muito ativa; 05 ativas; 03 moderadamente ativas.

6. Postura: quanto à avaliação da gibosidade, seis crianças apre-

sentaram desvios de postura, levando a crer que os mesmos po-

dem ter sido originados pelos hábitos diários, alertando quanto a necessidade de ações preventivas.

7. Questionário de avaliação de atividade física: obteve-se

como resultado: 05 muito ativas; 18 ativas; 08 moderadamente ativas e uma inativa.

Considerações finais Os resultados aqui demonstrados representam um ensaio do que se desenvolverá ao longo dos próximos anos. Deve-se ainda considerar que, ao avaliar tanto a criança como o adolescente, as diferenças do de- senvolvimento maturacional entre as meninas e meninos, irão determi- nar escores diferenciados dentro de uma mesma faixa etária, interferin- do na leitura dos resultados e conseqüente prescrição da atividade física. O Programa CuritibAtiva prevê a avaliação de crianças e adoles- centes das escolas públicas municipais e programas esportivos da SMEL, estabelecendo o perfil dessa população, como o realizado com o adulto e com o idoso.

Referências:

Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Orientações aos pacientes diabéticos, a criança diabética na escola. Disponível em: http://www.anad.org.br/ (acessado em 10/04/

04)

Brasil, Ministério dos Esportes e Turismo (2004) Centro de Excelência Esportiva (CENESP - UFRGS). Projeto Esporte Brasil (PROESP - Br). Disponível em:

http://www.ufrgs.br/esef/proesp-br/proespbr.htm (acessado em 10/03/2004).

Cintra, I. P. (2000). Avaliação da composição corporal e gasto energético. In Instituto Danone. Obesidade e anemia carencial na adolescência - Simpósio. (pp.133 - 146). São Paulo: Autor.

114

Forti, N. & Giannini, S. D. & Diament, J. & Issa, J. & Fukushima, J. & Bó, C. D. & Barretto, A. C. P. (1996). Fatores de Risco para Doença Arterial Coronariana em Crianças e Adolescentes Filhos de Coronariopatas Jovens - Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 66(3):119. http://www.epub.org.br/abc/6603/tmar6.htm (acessado em 10/04/04).

Mano, R. (2004). Hipertensão na Infância e Adolescência . Disponível em:

http://www.manuaisdecardiologia.med.br/has/pachild.htm.(acessado em 10 /03/2004)

Ministério de Educacion Y Cultura (1995). Eurofit para adultos - evaluación de la aptitud física en relación con la salud. Tampere - Finlândia.

Nahas, M. V. (2001). Atividade física, saúde e qualidade de vida. Conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina. Midiograf.

Ribeiro, R.Q.C. (2000). Instrumentos de mensuração da atividade física. In Instituto Danone. Obesidade e anemia carencial na adolescência - Simpósio. (pp.127 - 132). São Paulo:

Autor.

Secretaria Municipal da Saúde (2002). Protocolo de atenção à saúde do adolescente. Curitiba.

Soares, K. N. (2003). Perfil de crescimento e desenvolvimento de crianças de Joinville - SC. Dissertação não publicada. Universidade do Estado de Santa Catarina.

Vialle, L.R.G.(2001). Coluna Torácica. In T. E. P, Barros Filho & O. Lech. Exame físico

em ortopedia. (pp

). São Paulo: Sarvier.

115

Capítulo 10

NUTRIÇÃO PARA CRIANÇAS:

QUALIDADE DE VIDA PARA O FUTURO

Vanessa Cristina Hatschbach

A alimentação desempenha um papel da maior importância em toda nossa existência. Mas na infância, torna-se fundamental estimular hábitos alimentares saudáveis, que possam assegurar um crescimento e desenvolvimento corretos, bem como, ajudar a desenvolver habilidades, autoconfiança e auto-estima. Muitas crianças não consomem quantidades apropriadas de fru- tas e vegetais, e ainda ingerem muito açúcar, gorduras, colesterol e sódio, o que pode aumentar a incidência da obesidade e desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns cânceres e osteoporose na vida adulta. A boa alimentação ainda previne a desnutrição e a defici- ência de crescimento, assim como outros problemas desta fase, como anemia ferropriva e cárie dental. Crianças que não têm acesso a uma dieta balanceada podem apre- sentar uma limitação intelectual, pois a capacidade de aprendizado é in- fluenciada pela nutrição. A alimentação balanceada e um estilo de vida ativo, devem ter início na infância para continuar durante toda a vida, porque os hábitos de- senvolvidos nesse período da vida, terão conseqüências em longo prazo. Apesar da doença coronária não se tornar sintomática freqüentemente antes da idade adulta, os riscos para cardiopatias e hipertensão são desenvol- vidos durante a infância, influenciada pela alimentação. Estudos mostram ainda que, quando a quantidade de cálcio ingerido nesta fase é maior do que o normalmente recomendado, os riscos de desen- volvimento de osteoporose na idade adulta são bem menores, pois há um aumento da densidade óssea (Ctenas & Vitolo, 1999).

Aspectos psicológicos As relações que o ser humano mantém com a comida, extrapolam a sua necessidade de alimentar-se. Os alimentos despertam emoções, em al- guns momentos são percebidos como demonstração de amor, em outros como recompensa, além de representar um bom motivo para o convívio social. Os alimentos, definitivamente, não se constituem apenas como nutri- entes, mas sim como representações psicológicas criadas nas pessoas, e o relacionamento com aquilo que comem, desde quando nascem. Por este fato, os pais têm papel fundamental na formação de hábitos e atitudes saudá- veis com relação à alimentação das crianças. Ensinar a se alimentar com competência vai além de ensinar a se

116

nutrir bem, mas também, a criar um sentimento de troca, prazer e conví- vio que repercutirá para sempre na saúde e estilo de vida. A família é o melhor exemplo, desde pequena, a criança já conse- gue captar o comportamento dos pais. A percepção do ato de comer, tem vários significados: nutrição, prazer e atividade social. Vários estudos comprovam que a criança tem tendência biológica de selecionar e consumir uma dieta balanceada. Mesmo assim, os pais devem verificar a existência de todos os grupos alimentares, diariamen- te, na alimentação de seus filhos. (Ctenas & Vitolo, 1999) Na fase pré-escolar, as crianças têm o costume de manipular e chei- rar os alimentos, esse comportamento faz parte se seu desenvolvimento normal. Outra característica nesta fase é o poder de decisão, é comum a criançaaceitar um alimento num dia e no outro desprezá-lo. Recomen- da-se nesta situação, oferecer os alimentos como se eles não tivessem sido rejeitados anteriormente. Nesta fase também, é comum a criança distrair-se com as coisas à sua volta, porém, se estão com fome, eles se concentram nesta situação e comem. Estabelecer horários regulares para todas as refeições cotidianas do pré-escolar é essencial para a formação de hábitos, mas às vezes al- moçar fora e trocar um jantar por pizza ou sanduíche, é prazeroso para a criança. Deve-se apenas não fazer disto um hábito, pois essas variações se tornam rotinas. Na fase escolar, a criança come melhor, tem mais interesse pelos alimentos e aumentam as necessidades nutricionais. Os pais do escolar devem preocupar-se com a alimentação do filho, pois torna-se maior o acesso a refrigerantes, frituras e guloseimas. Apesar de não proibidos, mas que interferem nas refeições principais, nos hábitos alimentares e, quando em excesso, podem levar ao aumento de peso. Uma característica comum no escolar é a facilidade que ele tem para incorporar hábitos alimentares de outras pessoas, principalmente daquelas que ele admira. Por este motivo, os pais servem como exemplo de alimentação saudável, pois serão imitados em longo prazo (Lamare, 1998). A refeição, além de nutrir, é uma atividade social e agradável. É importante que os pais evitem atitudes negativas, como por exemplo, "Se não comer vai apanhar!" ou "Seu irmão é melhor porque come tudo!", pois além de prejudicar a alimentação, estimulam as chantagens. As atitudes positivas como em vez de perguntar se quer salada, perguntar se quer salada crua ou cozida, ou ainda, "Muito bem! Você fez uma boa refeição!", em contrapartida, dão segurança e estimulam a criança a comer. Oferecer alimentos não muito apreciados pela criança, como no exemplo citado acima, sobre a escolha da salada exige alguns cuidados. Fazer a criança participar do processo, permitindo que faça uma opção sobre o modo de preparo, a incentiva, assim a decisão dela se torna impor-

117

tante, inibindo uma resposta negativa. A educação nutricional pode ser definida como um processo com- plexo e ativo envolvendo mudanças na forma de pensar e agir dos indi- víduos, que se reflete em seus conhecimentos, atitudes e práticas ali- mentares. E, quando o assunto se refere a crianças em fase de crescimen- to, existem princípios básicos que precisam ser seguidos para garantir qualidade vida e menor risco de desenvolvimento de doenças.

Princípios básicos da boa Nutrição Primeiro: alimentação variada - os nutrientes possuem funções distintas no organismo, em uma dieta saudável, não podem faltar. Eles são compostos que formam os alimentos, classificados como:

carboidratos, proteínas, vitaminas, minerais e gorduras. Segundo: alimentação saudável - todos os alimentos são compos- tos de nutrientes, porém grande parte das pessoas sabe quais os alimen- tos fazem parte de sua alimentação, mas não tem idéia dos nutrientes, e em que quantidades estão presentes nela. Em contrapartida, para o orga- nismo, não importam quais os alimentos ingeridos, mas sim os nutrien- tes que contém, como por exemplo, vários alimentos podem conter um mesmo nutriente. Os alimentos foram agrupados de acordo com o seu nutriente predominante, dessa maneira, conhece-se melhor o alimento, tornando-se mais fácil substituí-lo quando for necessário. Terceiro: alimentação balanceada - as funções do organismo de- pendem da presença de nutrientes, provenientes de alimentos, em pro- porção e quantidade adequadas. Portanto, uma alimentação é balancea- da quando ela atende qualitativa e quantitativamente às necessidades de um indivíduo. Hoje o guia de alimentação correta baseia-se na pirâmide de alimentos, publicado em 1992 pelo Departamento de Agricultura dos E.U.A. e pelos Departamentos de Saúde e Serviços humanos (Martins & Abreu, 1997). A Pirâmide dos Alimentos (fig.1) veio substituir a antiga Roda dos Alimentos. É uma ferramenta gráfica que reflete conceitos alimentares como variedade, proporção e moderação, um resumo do que deve ser a alimentação diária. A pirâmide tem como objetivo nutricional, uma dieta adequada em proteínas, vitaminas, minerais e fibra alimentar, sem quantidades excessivas de calorias, gorduras e açúcares adicionados. Os alimentos estão distribuídos na Pirâmide em 6 níveis, de acordo com o nutriente que mais se destaca na sua composição. No topo as gorduras, óleos, molhos para saladas, azeite, margarina, frituras e doces em geral. Estes alimentos fornecem calorias e poucos nutri- entes. Devem ser ingeridos com moderação.

118

Abaixo deste, estão os grupos de alimentos ricos em proteínas, cálcio e ferro, os construtores, que tem por função o crescimento e ma- nutenção de ossos, músculos, dentes e sangue. São principalmente de origem animais: leite, queijos, iogurtes, carnes, aves, peixes, ovos, fei- jão, lentilha, soja, castanha e nozes. Existe uma crença popular que atri- bui às proteínas a capacidade de fazer crescer. O que não se constitui como verdade. A quantidade de proteínas não significa aumento no rit- mo de crescimento. Exagerar nelas não traz benefícios, ao contrário, pode prejudicar a saúde. Se compararmos o corpo com uma casa, as proteínas seriam os tijolos, ou seja, a matéria-prima para a construção. No nível seguinte, encontram-se os ali- mentos de origem vegetal: verduras, legumes e frutas. São importantes fontes de vitaminas , minerais e fibras. Tem por função a preservação da saúde e funcionamento normal do corpo. São reguladores de uma série de processos bioquímicos que ocorrem no organismo. Isso sig- nifica que eles controlam o funcionamento do or- ganismo e o crescimento das crianças.

Na construção da casa as proteínas representam tijolos, já as vita- minas e os minerais comparam-se ao cimento que endurece a argamassa que fixa os tijolos. A construção ficaria instável, caso a argamassa não endurecesse. Do mesmo modo, o corpo da criança com deficiência des- tes nutrientes, não teria condições normais de funcionamento e estaria sujeito ao aparecimento de doenças. Na base da pirâmide, estão os alimentos energéticos, os carboidratos que devem ser consumidos em maior quantidade, pois fornecem energia ao nosso corpo. As principais fontes são os pães, cereais e massas.Os carboidratos constituem-se base da alimentação infantil, pelo fato de se- rem de fácil aproveitamento. A maior parte da energia que o organismo da criança consome, precisa vir desse nutriente. Na construção da casa, esse nutriente representa a argamassa que fixa um tijolo ao outro. As proteínas precisam de energia para ser trans- formadas em novas células, tecidos e outras estruturas orgânicas.

Fig.1 Pirâmide dos Alimentos

outras estruturas orgânicas. Fig.1 Pirâmide dos Alimentos Regras básicas a serem seguidas Incluir um alimento de

Regras básicas a serem seguidas Incluir um alimento de cada grupo alimentar em cada refeição principal (café da manhã, almoço e jantar), garante a qualidade da alimentação.Variar as frutas, legumes e vegetais, melhor maneira de obter as vitaminas e minerais necessários ao bom funcionamento do organismo.

119

A alimentação deve conter alimentos fontes de vitamina A, introduzindo

um deles na alimentação regular da criança (leite, cenoura, abóbora, fí- gado, espinafre). Esta vitamina participa intensamente do crescimento e aumenta a resistência contra doenças infecciosas, mesmo assim obser- va-se algum grau de deficiência em crianças brasileiras. A vitamina C deve ser ingerida diariamente, pois protege o orga- nismo contra doenças infecciosas e aumenta a absorção de ferro. Esta vitamina encontra-se na laranja, abacaxi, tangerina, acerola, morango.

O cálcio é fundamental para a formação dos ossos e a sua ingestão

adequada durante a infância e adolescência previne a osteoporose na

vida adulta. Suas melhores fontes são o leite, o iogurte, as bebidas lácte-

as e o queijo.

O ferro previne a anemia. Existe dificuldade para atender as ne-

cessidades diárias deste nutriente, o que pode justificar que mais da me- tade das crianças brasileiras apresentam anemia. O organismo aproveita melhor o ferro presente nas carnes. Os ovos, feijão, beterraba e folhas verdes, também são fontes desse nutriente, mas absorve-se menos ferro. Nesse caso, é importante consumi-los com alimentos ricos em vitamina C, para melhorar a absorção.

Obesidade

A obesidade infantil constitui um dos problemas nutricionais mais

comuns que afetam os habitantes de certos países desenvolvidos, como os EUA, e que está se tornando uma preocupação semelhante aqui no Brasil. Entre as causas observam-se principalmente o maior consumo de calorias e menor atividade física nas crianças modernas. As crianças pas- sam horas em frente a televisão ou computador, muitas vezes ingerindo alimentos de alta concentração de calorias, as “guloseimas”, mudando o hábito de brincar nas ruas, e o que é pior, influenciados pela mídia que,

além de encorajar a inatividade física e o uso passivo do lazer, apresenta propostas múltiplas para comer.

A obesidade, além das conotações psicológicas envolvidas, de-

sencadeia tantas outras doenças: diabetes, hipertensão, lesões ortopédi- cas e musculares, doenças cardiovasculares e problemas de pele, como manchas e estrias. Deve-se prevenir a obesidade desde a mais tenra idade.

Existem fatores ambientais que podem causar a obesidade, como os citados anteriormente, a inatividade física, os fatores alimentares e psicológicos, bem como fatores internos como a predisposição genética e metabólica, agindo isoladamente ou associados.

A inatividade física reflete diretamente no peso da criança. Crian-

ças que não praticam exercícios regulares gastam menos energia em re- lação às mais ativas, propiciando o depósito de gordura. As crianças

120

menos ativas, mesmo não comendo em excesso, correm risco maior de se tornarem obesas.

As preferências alimentares, a quantidade e a forma de preparo dos alimentos pode levar à ingestão exagerada de calorias e, conseqüente- mente, ao excesso de peso. Muitas vezes, mães com intenção de tornar o lanche de seus filhos mais nutritivo, acrescentam excesso de calorias na forma de açúcar, cereais adicionados a sucos e vitaminas, levando assim

a uma superalimentação. É importante lembrar que nas refeições princi-

pais (café da manhã, almoço e jantar), deve-se incluir um alimento de

cada grupo alimentar como foi visto anteriormente. Porém, nos lanches não existe esta necessidade, uma fruta ou um iogurte são ótimas opções.

A criança pode ter impulsos para alimentar-se em excesso, como

um mecanismo de compensação ou de defesa. São comuns as crianças

comerem mais por ansiedade ou frustração, devido a problemas familiares, brigas entre os pais, ou em períodos que antecedem provas escolares. Estudos populacionais mostraram que 80% das crianças que têm pai e mãe obesos tornaram-se obesas. Quando só um dos pais é obeso, a chance é de 40%. Se nenhum dos pais apresenta obesidade, o risco cai para 7% (Ctenas & Vitolo, 1999).

O metabolismo de cada pessoa é definido geneticamente, ou seja,

o ritmo com que o organismo de cada indivíduo funciona. Existem pes-

soas que nascem com um metabolismo mais lento, que facilita o aumen- to de peso, e outras pessoas com metabolismo mais rápido, dificultando

o ganho de peso. Prevenir ainda é a melhor solução. Como primeiro passo deve-se mudar o conceito de que comer muito é sinônimo de saúde. Sabe-se que

quando a criança é obesa, a chance dela se tornar um adulto obeso é de 40%. Para adolescentes esta chance aumenta para 75%. Um dos motivos do ganho de peso nesta fase, acima do esperado, se dá pelo aumento do número de células gordurosas (hiperplasia).

A abordagem no tratamento da obesidade em crianças deve incluir

as necessidades nutricionais do crescimento. Um provável sucesso a longo prazo inclui um programa com envolvimento familiar, modificações da dieta, informações nutricionais, planejamento de atividades e compo- nentes comportamentais (Mahan & Arlin ,1995). Crianças que passam a apresentar sinais de obesidade devem pas- sar por uma avaliação cuidadosa de seus hábitos alimentares, atividade física e de seu comportamento diante dos alimentos. Neste caso, peque- nas alterações podem ser suficientes para reverter à situação. Com a obesidade instalada, em primeiro lugar, os pais fundamentamente devem considerar as limitações dos filhos em lidar com restrição calórica. Antes de começar a tratá-la, vale lembrar que se

121

trata de um processo demorado, gradativo e que exige esforços da crian-

ça e da família. O princípio mais importante para o tratamento da obesidade

infantil, é garantir o crescimento normal. Portanto, dietas com restrição ri- gorosa de calorias não são recomendadas, pois podem prejudicar a ingestão adequada de nutrientes, além de causar redução da massa muscular. Atitudes simples como comer devagar, não comer vendo televi- são, estabelecer horários para as refeições, não proibir a ingestão de gu- loseimas (doces balas, chocolates), mas limitar a quantidade delas, di- minuir a quantidade de alimentos gordurosos (salgadinhos fritos e "chips"), separar as porções dos alimentos de acordo com os grupos ali- mentares nas principais refeições, ações suficientes para melhorar a qua- lidade do que se ingere, associando-as com a redução da quantidade de calorias ingeridas.

Prevenir doenças cardiovasculares é o melhor remédio

Controlar na infância os níveis de colesterol no sangue, além da pressão arterial, ajuda a prevenir as doenças cardiovasculares do adulto.

A primeira atitude de prevenção a ser tomada é a amamentação. Crian-

ças que mamam no peito, pelo menos por quatro meses, apresentam me- nores chances de ter obesidade, diabetes do tipo insulino-dependente e dislipidemias, que são fatores de risco das doenças cardiovasculares (Cu- nha, 1999). Pais com taxas de colesterol sanguíneo elevado devem ter atenção redobrada nos hábitos alimentares de seus filhos, pois o risco deles apresentarem o mesmo quadro é elevado. As gorduras, consideradas vilãs, apesar de tudo, também ajudam na manutenção das funções normais do organismo, constituem fonte de energia, auxiliam na absorção de vitaminas, produção de hormônios se- xuais, na manutenção da temperatura do corpo e na formação do sistema nervoso. Portanto, elas não podem ser abolidas da dieta normal, porém deve-se otimizar o seu consumo. Existem as gorduras saturadas, que se encontram nos alimentos de origem animal, e as poliinsaturadas e monoinsaturadas, que se encontram nos vegetais e peixes. O excesso de gordura saturada pode se depositar nas paredes das artérias e gerar doen-

ças cardiovasculares, por isso não se deve exagerar na quantidade de carnes, gema de ovos, embutidos, manteiga e frituras, principais fontes deste tipo de gordura. As gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas têm um mecanismo diferente, por isso são consideradas mais saudáveis (Angelis, 2001). O cuidado e controle com o futuro colesterol da vida adulta, deve começar desde a infância, entretanto, a seleção de alimen- tos da criança não necessita rigor para os adultos, pois as necessidades energéticas e de nutrientes são muito importantes para o crescimento e desenvolvimento.

122

Para concluir, é muito importante que os pais estejam atentos à alimentação de seus filhos. A primeira atitude é observar se a criança está ingerindo alimentos, de todos os grupos alimentares e na quantida- de adequada, segundo a pirâmide alimentar. Se for constatado que a die- ta está desequilibrada, é necessário fazer uma intervenção, mudando os hábitos alimentares da criança, para garantir um aporte de nutrientes ade-

quado. Vale lembrar que, pelo fato de que as crianças crescem e desen- volvem rápido, ossos, músculos e sangue, necessitam de mais alimentos nutritivos em proporção ao seu peso do que os adultos. Elas podem cor- rer o risco de desnutrição quando têm pouco apetite por tempo prolonga- do, aceitam um número limitado de alimentos ou acrescem às suas die- tas alimentos nutricionalmente pobres. Calorias suficientes devem ser fornecidas para assegurar o crescimento e evitar que a proteína seja usa- da como energia, mas não podem ser tão excessivas que resultem em obesidade. A alimentação balanceada e um estilo de vida ativo iniciados na infância resultam vida adulta saudável e conseqüente envelhecimento privilegiado. Pois, hábitos desenvolvidos nesse período da vida perdu- ram até a velhice.

Referências:

Angelis, R. C. (2001). Alimentos Vegetais na proteção de Saúde. São Paulo: Atheneu,

Cunha, L. N. (1999). Diet Book. Júnior. São Paulo: Mandarim.

.

Ctenas, M. L. & Vitolo, M. R. (1999). Crescendo com Saúde. São

Paulo: C2.

Lamare, R. (1998). Manual Básico de Alimentação Escolar. Rio de Janeiro: Victor Publi- cações.

Mahan, L. K & Arlin, T. M. (1995).Alimentos, Nutrição e Dietoterapia, 8ª ed. São Paulo:

Roca.

Martins, C. &Abreu, S. S. (1997). Manual do Educador. Pirâmide dos Alimentos. Curitiba:

Nutroclínica.

ANEXOS

123

124

Anexo 1.1

SÉRIE AQUECIMENTO (ANTES DE IR PARA O BANHO)

1. Andar ou correr em

todos os sentidos movimentando as mãos, em todos os sentidos durante 2 minutos.

2. Sem parar, elevar os

joelhos, o mais que puder, 15X cada perna.

3. Andar ou correr devagar

mais um minuto.

4. Idem, estendendo a

coxa para trás, e flexionar a perna, 15X cada perna.

5. Andar ou correr devagar

mais um minuto.

6. Deslocar para o lado

direito, afastando e unindo as pernas e abrindo e fechando os braços, no plano transverso (frente do corpo), 10X.

7. Andar ou correr devagar

mais um minuto.

8. Idem, para o lado

esquerdo, elevando e abaixando os braços

no plano sargital (lateral ao corpo), 10X cada braço.

9. Andar ou correr devagar

mais um minuto.

10. Saltitar e circundar os

braços em um sentido.

10X

11. Andar ou correr

devagar mais um minuto.

12. Saltitar e circundar os

braços no outro sentido.

10X

13. Andando. Rotação

do tronco, olhando para trás, 15X cada lado, sem parar.

14. Em pé, pés afastados

na largura dos ombros, joelhos pouco flexionados. Flexionar o tronco p/ o lado direito, esticar o braço direito sobre a cabeça e flexionar o braço esquerdo atrás do corpo; fazer p/ o lado esquerdo. 10X p/

cada lado.

15. Idem. Flexionar o

tronco sobre a coxa e estender. Esticando os braços para cima. 10X

sem parar.

16. Em pé, pernas

afastadas no plano sargital, a da frente, flexionada 90° a de trás, o mais p/ trás que puder; sentir alongar a região anterior da coxa que está atrás. 10 seg. 5X cada.

17. Sentado, pernas

unidas e esticadas (sem flexionar os joelhos), ponta dos pés flexionados, Flexionar o tronco sobre a coxa, o mais que puder, sem sentir dor. (tentar encostar as mãos nos pés) 10seg. 5X.

18. Sentado, pernas

esticadas e afastadas o mais que puder, sem sentir dor. Flexionar o tronco, tentando encostar as duas mãos no pé esquerdo, após as duas mãos no pé direito. 10seg. c/ perna; 5X

Estes exercícios, movimentam os grandes grupos musculares do corpo. Devem ser feitos diari- amente (antes de tomar banho). Servem de aquecimento para a prática de atividades físicas desportivas ou laborais. Atuam nas principais articulações, ativam a circulação e é um bom exercício aeróbico. Durante a execução o praticante não deve perder o ritmo respiratório.

Anexo 1.2

125

SÉRIE RESISTÊNCIA MUSCULAR

1. Sentado na beira da

cadeira, pernas e braços estendidos p/ frente. Flexionar e estender as mãos e pés 10x. Idem para dentro e para fora 10x. Circundar as mãos e pés 10x permanecendo sentado.

2. Sentado utilizando todo o

assento, flexionar e estender. Antebraços e

pernas, 10x.

3. Em pé, pés na largura

dos ombros. Extensão e flexão. Dos pés15x, cada pé.

4. Idem, com as mãos

apoiadas na mesa. Executar ½ flexão das pernas e estender, sem tirar

os calcanhares do chão.

12x.

5. Em pé, de lado para a

mesa, com uma das mãos apoiada. Elevar um joelho e estender a perna, voltar. 10x trocar de lado.

8. Em pé, com

as mãos apoiadas em uma parede ou sobre a mesa, com os pés afastados doestender a perna, voltar. 10x trocar de lado. 8. Em pé, com apoio. Flexionar e estender

em uma parede ou sobre a mesa, com os pés afastados do apoio. Flexionar e estender

apoio. Flexionar

e estender os

braços. 10x

9. De costas

para uma mesa, com as mãos apoiadas e pés

afastados do

apoio. Flexionar

e estender os

braços, 10x.

afastados do apoio. Flexionar e estender os braços, 10x. 10. Em pé, mãos na cintura e

10. Em pé,

mãos na cintura

e pernas

afastadas no plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente.

10x.

plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente. 10x. Os exercícios de resistência muscular localizada
plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente. 10x. Os exercícios de resistência muscular localizada
plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente. 10x. Os exercícios de resistência muscular localizada
plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente. 10x. Os exercícios de resistência muscular localizada
plano sagital. Flexionar e estender a perna da frente. 10x. Os exercícios de resistência muscular localizada

Os exercícios de resistência muscular localizada ativam a circulação e melhoram a atividade das células.

126

Anexo 1.3

SÉRIE DE FORÇA

1.Sentado na Frente da cadeira

 

7.

Idem; com as

pernas e baços estendidos p/

pernas e baços estendidos p/ mãos sobre a

mãos sobre a

frente.Flexão e extensão das

cabeça.

mãos e pés 10x idem p/ dentro

(isotônico)

e

p/ fora 10x. Circular as mãos

e

pés, 10x .

8.

Igual ao 6, com

 
  os dedos

os dedos

2.

Sentando e utilizando

engatados. Tentar

todo o acento

separar as mãos. 6 segundos, 5X. (alternar com o

3.

Idem, com um pé atrás

exercício 9)

do outro e palmas das mãos tocando-se uma voltada para baixo e outra para cima. A perna que está atrás faz força p/ frente e a de trás faz força p/ trás; a mão que está em cima faz força p/baixo e a que está em baixo faz força p/cima

(isométrica) 6 seg. 5X (trocar a posição, pés e mãos)

4. Idem com os joelhos

afastados e o dorso das mãos encostadas na parte internas dos joelhos. As pernas fazem força para dentro e as mãos fazem força p/ fora (isométrica), 6 seg. 5X (alternar com o exercício 5).

5.

Idem, com os joelhos unidos

e

as palmas das mãos

encostadas na parte externa dos joelhos. As pernas fazem força p/ fora e as mãos fazem força p/ dentro (alternar com o

4).

fora e as mãos fazem força p/ dentro (alternar com o 4). 9. Idem. Com as
fora e as mãos fazem força p/ dentro (alternar com o 4). 9. Idem. Com as
fora e as mãos fazem força p/ dentro (alternar com o 4). 9. Idem. Com as

9. Idem. Com as

palmas unidas. Empurrar as palmas das mãos para dentro. 6 segundos, 5X. (alterar com o exercício 8)

10. Encostar-se a

uma parede e ficar

como se estivesse sentado, parado por 10 segundos.

5X.

11.

Em pé

flexionar o tronco sobre a coxa, alongar.

12. Idem, mãos

unidas sobre a cabeça. Elevar as mãos e mais que puder. (alongar), 6 segundos.

sobre a coxa, alongar. 12. Idem, mãos unidas sobre a cabeça. Elevar as mãos e mais

Anexo 1.4

1. Em pé com uma das

pernas semiflexionadas,

com

a ponta do pé apoiada no chão. Circundar o tornozelo

e

sentido.

cada

mão,

10x

em

Repetir com o outro pé.

2. Em pé com as duas

pernas

flexionadas; mãos apoiadas

nos joelhos. Circundar os

joelhos 10x. Ficarem pé e relaxar.No outro sentido. Repetir os dois sentidos.

3. Idem, mão na cintura.

Circundar o quadril, sem mover os pés e o ombro, 10x. Ficar em pé.

No

outro sentido.

4.

Idem, mão ao lado do

corpo. Flexionar o troco lateralmente, 10x p/ cada lado, alternado.

5. Idem, braço flexionado

na altura do ombro. Rotação do tronco, olhando p/ trás 10x cada lado, alternado.

6. Idem, mãos nos ombros

correspondentes. Circundar os cotovelos,10x em cada sentido.

7. Idem. Unir e afastar

os cotovelos no plano transverso, 10x.

127

SÉRIE DE MOBILIDADE

cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e
cotovelos no plano transverso, 10x. 127 SÉRIE DE MOBILIDADE 8. Idem; mão na cintura. Flexionar e

8. Idem; mão na

cintura. Flexionar

e estender a

cabeça 10x.

Idem; mão na cintura. Flexionar e estender a cabeça 10x. 9. Idem. Rotação da cabeça (olhar

9. Idem. Rotação

da cabeça (olhar

p/ os lados)10X cada lado.

Idem. Rotação da cabeça (olhar p/ os lados)10X cada lado. 10. Idem. Flexionar a cabeça para

10. Idem. Flexionar a

cabeça para os lados (deitar a cabeça no ombro sem mexer

o ombro)10x cada lado

(deitar a cabeça no ombro sem mexer o ombro)10x cada lado 11. Idem. Circundar a cabeça

11. Idem. Circundar a

cabeça (com o nariz apontado p/ frente). 10x cada sentido.

cabeça (com o nariz apontado p/ frente). 10x cada sentido. 12. Em pé pernas semiflexionadas. Flexionar

12. Em pé pernas

semiflexionadas. Flexionar o tronco, encostar as mãos nos pés, estender o tronco, elevando os braços para cima. 10x

13. Em pé. Dedos

entrelaçados sobre

a

cabeça. Estender

o

braço p/ cima o

mais alto que puder,

e ficar nas pontas

dos pés, relaxar 5x

Estes exercícios servem para estimular a circulação sanguínea nas articulações e músculos dos movimentos.

128

Anexo 1.5

SÉRIE DE EQUILÍBRIO

Pedir para observar as Informações que são Passadas pelos pés, Enquanto o corpo procura o equilíbrio.

1. Andar sobre uma linha

imaginaria; braços esticados p/ frente, flexão e extensão das mãos e da cabeça (10passos e movimento).

2. Idem p/ trás; braços.

p/ cima, circundução das mãos e da cabeça.

3. Idem p/ frente; flexão

lateral das mãos e cabeça.

4. Andar encostando

calcanhar na ponta dos pés.

5. Idem para trás.

6. Repetir 4 e 5

com olhos fechados

7. Idem p/ frente, mãos

unidas atrás do corpo.

8. Idem p/ trás; mãos

unidas e braços esticados sobre a cabeça.

p/ trás; mãos unidas e braços esticados sobre a cabeça. 9. Repetir 7 e 8, com
p/ trás; mãos unidas e braços esticados sobre a cabeça. 9. Repetir 7 e 8, com
p/ trás; mãos unidas e braços esticados sobre a cabeça. 9. Repetir 7 e 8, com
p/ trás; mãos unidas e braços esticados sobre a cabeça. 9. Repetir 7 e 8, com

9. Repetir 7 e 8, com os olhos fechados.

10. Em pé afastar uma

perna lateralmente, voltar. A outra perna;

11. Repetir 10, com

os olhos fechados.

12. Idem, com as mãos

unidas e braços esticados p/ cima.

13. Repetir com os

olhos fechados.

14. Em pé elevar uma

perna p/ frente; para o lado e para trás e tentar ficar nesta posição.

15. Repetir com a outra

perna.

16. Repetir 14 e 15 com

os olhos fechados.

a outra perna. 16. Repetir 14 e 15 com os olhos fechados . O órgão sensor
a outra perna. 16. Repetir 14 e 15 com os olhos fechados . O órgão sensor
a outra perna. 16. Repetir 14 e 15 com os olhos fechados . O órgão sensor
a outra perna. 16. Repetir 14 e 15 com os olhos fechados . O órgão sensor

O órgão sensor do equilíbrio localiza-se no ouvido, com a falta de treinamento, a visão passa a captar as informações, acarretando sérios problemas.O órgão sensor do equilíbrio localiza-se

Anexo 1.6

1. Flexionar e estender mãos e pés. 15x

2. Flexionar e estender

antebraços e pernas,

10x.

3. Rotação do tronco

10x p/ cada lado as duas últimas permanecer 10s em cada lado.

4. Flexionar na lateral

10x cada lado as duas

últimas permanecer 10s de cada lado.

5.

o

Flexionar e estender.

tronco, 10x. Idem.

6. Circular os ombros 10x p/ cada sentido.

7. Elevar

alternadamente os

ombros, 10x.

8. Flexionar e estender

os ombros, 10x.

9.Flexionar e estender

a cabeça, 10x.

10. Rotação da cabeça, 10x, p/ cada

lado

129

SÉRIE DE FLEXiBILIDADE

11. Flexionar

Lateralmente a cabeça. 10x p/ cada lado.

12. Circundução da

cabeça. 10x, p/ cada

sentido.

13. Extensão de uma

das mãos com auxílio da outra 10s. 3x cada mão

14. Flexão uma das

mãos com auxílio da

outra. 10s. 3x cada mão

15. Apertar os dedos

contra os outros, 10s.

3x.

16.

que puder, sem dor 10s. 3x. Ficar parado.

Flexionar o mais

17. Idem. Sem dobrar

os joelhos.

18. Tentar encostar as

mãos atrás das costas, permanecer 10s. 3X p/ cada lado.

19. Mãos unidas,

estica-las p/ cima,

permanecer 10s. 2x.

20. Idem, para frente, flexão dos ombros.

21. Idem, para trás.

Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:
Idem, para frente, flexão dos ombros. 21. Idem, para trás. Estes exercícios devem ser feitos diariamente:

Estes exercícios devem ser feitos diariamente: melhoram a flexibilidade e ativam a circulação do sangue.

130

Anexo 2.1 a.

130 Anexo 2.1 a.

131

Anexo 2.1 b.

131 Anexo 2.1 b.

132

Anexo 2.2 a.

132 Anexo 2.2 a.

133

Anexo 2.2 b.

133 Anexo 2.2 b.

134

Anexo 2.3 a.

134 Anexo 2.3 a.

Anexo 2.3 b.

135

Anexo 2.3 b. 135

136

Anexo 2.4 a.

136 Anexo 2.4 a.

137

Anexo 2.4 b.

137 Anexo 2.4 b.

138

Anexo 2.5 a

138 Anexo 2.5 a

139

Anexo 2.5 b

139 Anexo 2.5 b

140

Anexo 3 a.

140 Anexo 3 a.

Anexo 3 b.

141

Anexo 3 b. 141

142

Anexo 4 a.

142 Anexo 4 a.

Anexo 4 b.

143

Anexo 4 b. 143

144

Anexo 5 a.

144 Anexo 5 a.

145

Anexo 5 b.

145 Anexo 5 b.

146

Anexo 6 a.

146 Anexo 6 a.

147

Anexo 6 b.

147 Anexo 6 b.

148

149

Informações

András Károly Vörös - andras@pop.com.br

Celso Sawaf - csawaf@uol.com.br

Dalton Grande - grande_dalton@hotmail.com

Denise Gusso Tosin - denise@tosin.com.br

Emilio Antonio Trautwein - emilio@previso.com.br

Hiran Cassou - hirancassou@brturbo.com

João Egdoberto Siqueira - joao.siqueira@pucpr.br

José Carlos Cassou - kakocassou@brturbo.com

Luciane Scarpin - lulibel13@ig.com.br

Newton Zanon - newtonzanon@yahoo.com.br

Ramiro Eugênio de Freitas - refreitas@brturbo.com.br

Ronaldo Babiak - ronaldobabiak@ig.com.br

Rosemary Rauchbach - rauchbach88@hotmail.com

Silvano Kruchelski - silvanokr@pop.com.br

Vanessa Cristina Hatschbach - vanessahatschbach@ig.com.br

150
150