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ÍNDICE

Apresentação.............................................................................................7 Introdução - O custo econômico do Estado mínimo.......................11 Capítulo I - A Previdência sob a ótica exclusivamente financista do ajuste fiscal.........................................................................................17 1 - Uma avaliação da situação atual: as necessidades da sociedade e as limitações existentes.............................17 1.1. Modelo financista: as funções de governo submetidas à produção de superávits fiscais.............18 1.2. Implicações sociais do modelo: exclusão e passivo social ................................................................22
2 - Os efeitos das transformações dos anos 90 no mercado de trabalho, na repartição da renda nacional e na reestruturação produtiva................................................26 2.1. Impactos sobre o mercado de trabalho................26 2.2. Reflexos sobre a renda............................................30 3 - Breve histórico da questão do financiamento: da Constituição de 1988 à Emenda Constitucional nº 20.......33 3.1. Integralidade do modelo de Seguridade Social..33 3.2. Diversidade das fontes de financiamento............34 3.3. A desvinculação das receitas da seguridade......35 3.4. A reforma da Previdência..........................................35 4 - O financiamento da Previdência sob a ótica das contribuições sobre a folha de salários...............................36 4.1. O balanço real da Seguridade Social e a visão do governo..........................................................37 4.2. Benefícios assistenciais e rurais e o programa de renda mínima...............................................................40 4.3. Previdência rural: instrumento de redistribuição da renda nacional.................................41

4.4. O Programa de Refinanciamento Fiscal - REFIS.....45 4.5. Negligência no estoque da dívida previdenciária: parcelamentos de dívidas privadas e dívidas públicas...................................................................46 4.6. Precariedade do modelo de fiscalização...................49 5 - Dificuldades e conseqüências da utilização da folha como fonte exclusiva de base de financiamento....................50 6 - O ônus sobre os rendimentos do trabalho e sobre a produção com uso intensivo de mão-de-obra e privilegiamento do uso intensivo de capital..............................51 7 - Crítica à desconstituição do sistema integrado de Seguridade Social...........................................................................52

Capítulo II - A Previdência e as políticas públicas ampliando a proteção social do Estado.....................................................................53
1 - A questão das novas fontes de financiamento privilegiando o uso intensivo de mão-de-obra........................53 2 - A controvérsia sobre a desoneração da folha..................54 2.1. Considerações preliminares......................................54 2.2. Abordando a controvérsia............................................55 2.3. Flexibilização da cota patronal e substituição tributária..................................................................................55 2.4. Informalidade, carga tributária e custo Brasil..........57 3 - A controvérsia sobre o SIMPLES.........................................59 3.1. Distorções do sistema, perdas, massa salarial e vínculos...................................................................................60 3.2. Ampliação do sistema, novas renúncias e razões da vedação................................................................62 3.3. Flexibilização da cota patronal como alternativa ao SIMPLES...........................................................................64 3.4. Novas alíquotas para o SIMPLES..............................66 4 - A controvérsia sobre evasão fiscal: renúncia e sonegação......................................................................................68 5 - Variações do modelo atual das contribuições previdenciárias..............................................................................75 5.1. SIMPLES: a necessidade de zerar as perdas........75 5.2. Demais contribuintes..................................................76 5.3. Tratamento para as renúncias fiscais......................76

6 - O papel da fiscalização na garantia do sistema de seguridade.......................................................................................77 6.1. Atuação fiscal..................................................................77 6.2. A fiscalização do SIMPLES...........................................78 6.3. Por um modelo integrado de fiscalização.................79 7 - O papel do Tesouro na cobertura da Seguridade Social................................................................................................80 8 - Alternativas de financiamento da Seguridade Social................................................................................................80 8.1. Modelo sobre o faturamento líquido..........................80 8.2. Modelo de redução da cota patronal previdenciária, privilegiando o uso intensivo de mão-de-obra.....................................................................84 9 - Conclusão ..................................................................................87 Índice de gráficos e tabelas.........................................................89

APRESENTAÇÃO
Com o objetivo de dar continuidade ao esforço de ampliar o debate, disseminar análises técnicas e disponibilizar informações estatísticas, a ANFIP e a Fundação ANFIP apresentam a publicação intitulada "Seguridade Social e Estado mínimo". Diferentemente das publicações anteriores, quando foram selecionados trabalhos produzidos pela Assessoria de Estudos Socioeconômicos da ANFIP em períodos variados, este trabalho foi realizado em um único estudo pautado na preocupação quanto ao rumo do Estado e da economia brasileira e nas repercussões dos caminhos adotados dentro da sociedade. O estudo visa oferecer à sociedade subsídios em suas intervenções e propostas junto aos espaços institucionais do país, principalmente no Congresso Nacional, concentrando-se na realidade das políticas sociais, notadamente nas áreas de Previdência Social, em particular, e da Seguridade Social, no geral. A ênfase é dada no custo econômico gerado pela construção de um Estado mínimo para a população, opção neoliberal que tem trazido muitos malefícios para a sociedade brasileira. Questões relacionadas ao orçamento da Seguridade Social e à manutenção da integralidade de suas fontes de financiamento, tais como estabelecidas na Constituição de 1988, mereceram, nesta publicação, uma abordagem especial. Ao mesmo tempo, a Previdência Social é tratada de maneira abrangente e sistêmica, ressaltando sua grande importância como instrumento de redistribuição da renda nacional. Também são abordados temas polêmicos tais como: o déficit da Previdência, a necessidade da ampliação da proteção social previdenciária, o estoque da dívida previdenciária, as renúncias fiscais, o modelo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES e a questão da desoneração das folhas de salário. Com esta nova publicação, a ANFIP, por meio de sua Assessoria de Estudos Socioeconômicos, e a Fundação ANFIP vêm, mais uma vez, promover o debate sobre assuntos dos mais relevantes em matérias de políticas públicas, Seguridade Social e Previdência, esperando que a sociedade brasileira, de posse destas informações, possa ter um papel mais ativo e consequente na resolução dos grandes problemas nacionais. ANFIP CONSELHO EXECUTIVO DIRETORIA EXECUTIV A FUNDAÇÃO ANFIP 7

O sistema de Seguridade Social é um dos que sofrem as piores conseqüências.O Estado mínimo é uma invenção da doutrina do liberalismo econômico (hoje “neoliberalismo”. 9 . em versão supostamente moderna) e que remonta o século XVIII. o Estado mínimo vem sendo implantado sob um terrível custo econômico. principalmente com a violação desmedida de sua integridade. ferindo a cidadania que ele representa. A velha tese do livre mercado que o sustenta é uma fantasia. No Brasil. Nenhuma nação prosperou sem a decisiva liderança do Estado. financeiro e social.

No plano interno da economia brasileira. dentro de um complexo empresarial público. pelo capital estatal. a dívida líquida do setor público alcançava R$ 670 bilhões. já alcançados no passado 1 Em dezembro de 2001. Uma política privatista.Introdução O CUSTO ECONÔMICO DO ESTADO MÍNIMO Desde o início da década de 90. e os resultados alcançados pela via do neoliberalismo estão longe do desejado. 42. Todos esses caminhos foram abandonados a partir dos anos 90.3% são submetidos ao câmbio . equivalentes a 53% do PIB. Os defensores da maximização do mercado e/ou da privatização radical esquecem que o desenvolvimento econômico do Brasil foi comandado. o endividamento público1. historicamente. por planos de metas e pela substituição de importações.dívida líquida externa e dívida mobiliária indexada à variação cambial (Nota a Imprensa do Banco Central. que inclui a reforma patrimonial do Estado. Para a sociedade. especialmente na produção de bens e serviços. bem como a criação de possibilidades de amplos negócios para o setor privado. os governos brasileiros vêm desenvolvendo políticas cuja tônica tem sido a construção de um Estado mínimo. decorrente da incapacidade estrutural do Estado de gerar poupança interna necessária ao desenvolvimento sustentável do país. é sempre apresentado que a intervenção do Estado. foi indicada como solução capaz de devolver ao país os níveis de crescimento social e econômico. de dezembro de 2001). sendo que desses. é apontado como principal responsável pela contenção do crescimento econômico e pela não-satisfação das necessidades de investimento. tornou-se o principal elemento de constrangimento da economia. 11 .

dependente da entrada do capital especulativo e vulnerável à política monetária ditada pelo Federal Reserve (Banco Central Americano). conseqüentemente.22 0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fonte: IBGE Nota: 2001.22 3.85 5 4. nova crise financeira internacional e investimentos maciços nas indústrias bélicas. Vários fatores contribuíram para essa situação. desde 1995. que afeta o mercado interno pelo excesso de importações.79 1. preliminar .46 4 4. do PIB (Gráfico 1). o que se verificou. enquanto 12 .50 1 0. a crise do balanço de pagamentos deixa o país à mercê das oscilações do mercado internacional de capitais. como a crise argentina. Vive-se. Gráfico 1: Evolução real do PIB brasileiro. foi a queda no ritmo da atividade econômica e. em percentuais TAXA (%) 6 5. a crise energética e as conseqüências imprevisíveis de uma guerra contra o terrorismo: recessão mundial.5% em 2001. de 4.e que a sociedade almeja no presente.dados de março de 2002 No plano externo. uma crise sem precedentes na balança comercial.66 2 0. submisso às políticas restritivas do Fundo Monetário Internacional (FMI). e uma taxa de inflação de mais de 10% (IGP-DI/FGV). a alta do dólar.27 3 2. Longe disso. em 2001.46% em 2000 para algo em torno de 1. a desaceleração da economia mundial.

as exportações não vêm respondendo a contento à flexibilização cambial. o Estado nunca foi tão grande em termos 13 . constata-se de forma clara que. e uma dívida externa total (pública e privada) de US$ 240 bilhões (posição de dezembro de 2001).3 100 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fonte: Boletins e Informativos do Banco Central Essas variáveis endógenas e exógenas colocam em xeque qualquer tentativa de articulação de um novo modelo de desenvolvimento econômico nas atuais bases. capitais e serviços) de mais de US$ 27 bilhões (cerca de 5 % do PIB). Gráfico 2: Evolução da dívida externa brasileira . Assim.devido à falência de parte do parque industrial nacional. responsáveis pela produção de cerca de R$ 100 bilhões de receitas. déficit esse que o saldo comercial alcançado em 2001 é insignificante e incapaz de reduzir no curto e médio prazos. o fato é que o país vem acumulando um déficit em suas transações correntes com o exterior (comércio.Setor público e setor privado US$ bilhões 250 243.7 240.9 200. no entanto.2 241.5 236. Independentemente da guerra recessiva contra o terrorismo ou da obtenção do saldo supracitado. sem nenhuma garantia de continuidade de superávit ou de retomada do modelo exportador. após anos de privatizações. com repercussões negativas na redução de divisas estrangeiras para o país.6 bilhões em 2001).3 148. É preciso romper com o atual modelo econômico cujas principais características são a vulnerabilidade externa e o aperto financeiro interno. Um alento foi a obtenção do primeiro superávit comercial desde o início do Plano Real (US$ 2.0 150 159. sofrendo as constantes oscilações do dólar (Gráfico 2).0 200 179. originada pela abrupta inserção na globalização. concessões e reformas.

6 11.8 19.8 17. Ao final de 1993.9 21. a ampliação da receita de contribuições sociais fez crescer a receita tributária que não é dividida entre as demais unidades da Federação. foi sorrateiramente desfeita. e sequer capaz de articular políticas sociais que revertam o atual quadro negativo. Gráfico 3: Evolução da carga tributária.0 16.0 15. representada na Constituição de 1988. e ainda assim o Estado é titular do maior passivo financeiro de sua história e de um déficit social que mantém na miséria mais de 50 milhões de brasileiros (o chamado contingente populacional abaixo da linha de pobreza).1 29. foi um Estado mínimo para o povo.2 Total União Estados e Municípios 29.2 14. Ao mesmo tempo.8 13. O que se construiu portanto. mas a 14 . total.de arrecadação.6 10. Aumentou a carga tributária para 34% do PIB em 2001.0 29. União e estados e municípios. impõem um Estado máximo para garantir as vantagens exigidas pelo capital financeiro.8 29.3 13. O aumento da carga tributária não se direcionava a ampliar os gastos sociais.8 25. segundo dados recentes do IPEA.2 19.8 11. A partir de 1997.0 11.7 34.7 17.3 12. incapaz de assegurar os serviços públicos de que a sociedade necessita.3 12. O aumento ficou centralizado quase que integralmente na União.6 12. em % do PIB % PIB 40 35 30 25 20 15 14.0 10 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fonte: Secretaria da Receita Federal/MF Nota: Dados de 2001 são preliminares O Gráfico 3 demonstra que a carga tributária foi ampliada ao longo dos anos 90. a aprovação do Fundo Social de Emergência retirou 20% das transferências para Estados e Municípios. Toda a movimentação política que resultou na descentralização tributária. recorde histórico capitaneado pela União (Gráfico 3).6 12.1 33.0 29.5 25.0 16.0 32.4 13.1 25.7 16.

3 17. obras e investimentos) e assistiu a uma canalização de imensos recursos para atender aos encargos das dívidas (Gráfico 4).2 6. dados preliminares de março de 2001 (R$ 1.6 % do PIB.3 6.2 2. em última análise.1 5.0 9.6 Receita líquida de transferências Pessoal e encargos Benefícios previdenciários Juros nominais 6.6 19.0 6.4 5. As despesas de pessoal diminuíram.0 5.4 5. principalmente com inativos. (3) PIB 2001. enquanto os pagamentos de benefícios foram minimamente ampliados devido a reajustes concedidos ao salário mínimo.4 6. prestação de serviços públicos.1 2.1 5.7% do PIB devido à valorização cambial ocorrida no último bimestre. (2) A receita líquida é apurada após a repartição tributária constitucional. em setembro de 2001. Gráfico 4: Evolução da receita líquida e das maiores despesas correntes da União % PIB 22 19.4 2 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fontes: Publicações da Secretaria do Tesouro Nacional/MF e Boletins do Banco Central Notas: (1) Em 2001.9 5. é a garantia dos credores financeiros.9 18 14 10 6 16.9 19. benefícios. desde 1995.184 trilhão) O discurso oficial para promover o ajuste utilizou como justificativa a necessidade de conter despesas previdenciárias e gastos com pessoal.3 5.9 2.7 5. Com a política de ajuste fiscal. essa conta chegava a 10.8 5. a sociedade brasileira experimentou a contenção de todas as despesas não-financeiras (pessoal. O ajuste fiscal praticado pelo governo federal foi realmente motivado pelo crescimento 15 . essas despesas foram mantidas no mesmo patamar do PIB. O Gráfico 4 demonstra no entanto que.assegurar recursos para medidas de ajuste fiscal que. as despesas com juros caíram para 5.1 5.3 16.4 5.8 16.9 5.

mas principalmente a saúde financeira e o equilíbrio atuarial da Previdência. cortando despesas e ampliando carências e outros requisitos. a ação governamental proporcionou um desinvestimento em infra-estrutura econômica. 16 . principalmente em 1998.explosivo das despesas com juros nominais. Assim. Paralelamente à elevação do custo financeiro do Estado e à implementação de um grande arrocho tributário e fiscal. uma ausência de planejamento estratégico e uma desnacionalização do nosso parque produtivo. foi compensado pelo corte nas demais despesas do Estado. O modelo do Estado mínimo considera a Previdência um grande centro de custo. 1999 e 2001. Não se discute a função social do Estado de prover sustento diante da incapacidade laboral. submetido também a uma concorrência externa desleal e a uma crise de liquidez sem precedentes. Mesmo com as reformas. a Previdência Social foi objeto de amplas reformas constitucionais e infraconstitucionais. os ataques ao modelo público não cessam. com a finalidade precípoa de desconstituir direitos. No processo de construção do Estado mínimo. cuja função é impedir que grandes quantidades de recursos sejam canalizados para os encargos financeiros da União. o aumento dos encargos.

portanto. auxílio-reclusão. Em péssima situação estão cerca de 40 milhões de trabalhadores do setor privado que não contribuem para o sistema e. cresce o valor médio do salário-de-contribuição e a renda média dos seus beneficiários. e a uma política econômica incapaz de assegurar o crescimento econômico. etc). por pensão pelos demais benefícios (salário-maternidade. Por outro lado.UMA AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL: AS NECESSIDADES DA SOCIEDADE E AS LIMITAÇÕES EXISTENTES A Previdência Social é hoje um dos maiores programas de distribuição de renda do mundo. mola mestra do custeio previdenciário. é fácil perceber que as carências sociais são muito maiores. Constituída para suprir a renda do trabalhador quando da sua incapacidade laborativa. À crescente precarização das relações de trabalho. quer pela aposentadoria (idade e invalidez). não dispõem de um mecanismo social que garanta um mínimo de proteção em caso de impossibilidade de trabalho. inferiores à inflação e muitas vezes também inferiores aos reajustes concedidos ao salário mínimo.Capítulo I roduo A PREVIDÊNCIA SOB A ÓTICA EXCLUSIVAMENTE FINANCISTA DO AJUSTE FISCAL 1 . a Previdência vê a cada dia diminuir o número de segurados proporcionalmente à população ocupada privada. Mesmo assim. somada aos pífios reajustes concedidos aos benefícios. auxílio-acidente. 17 . soma-se ainda um conjunto de medidas que visam assegurar espaços para a implantação da previdência privada.

41 7. Para o governo. valor acumulado até dezembro. que somente foi desmontada depois da apuração das urnas (segundo mandato do atual governo) e do Tesouro Nacional ter assumido todos os riscos e custos das mudanças.04 -1.14 6. aprofundaram-se os desequilíbrios do balanço de pagamentos e do modelo de financiamento externo. 18 . utilizou-se uma política de câmbio fixo.01 0.24 12 Juros nominais Resultado primário Crescimento da dívida líquida 8.24 3. após a crise financeira do México.02 0.05 6 5.54 3.59 4 3. A fim de garantir os investimentos estrangeiros. MODELO FINANCISTA: AS FUNÇÕES DE GOVERNO SUBMETIDAS À PRODUÇÃO DE SUPERÁVITS FISCAIS Especialmente depois de 1995. inclusive os especulativos. ou seja. Para o resultado primário. inclusive agregando um déficit operacional de R$ 13 bilhões do Banco Central em 1999.79 10 8 7.00 -2 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fonte: Boletins do Banco Central Notas: Para cada ano.17 0 0. a superação desses problemas estava no aumento expressivo da taxa de juros.07 0.78 5.28 0. os valores positivos representam superávits. Gráfico 5: O resultado primário e o custo da dívida frente ao crescimento do endividamento público % PIB 14 13. na evolução dos juros nominais (Gráfico 5).26 -0.94 8.06 5.1. na restrição ao desenvolvimento econômico do país e na desnacionalização dos ativos públicos.1. que refletiu diretamente no crescimento dos encargos da dívida pública. de alto custo.69 2 1.32 3. do sudeste asiático e da Rússia.

os resultados primários representaram garantias aos credores em relação ao pagamento dos juros. 19 . objetivando à ampliação das reservas brasileiras em moeda estrangeira e a produção de sucessivos superávits fiscais. É anunciado. Ao final de 1998. que incita a responsabilidade fiscal. um serviço de alto custo. Pelo mesmo critério.0042 (correlação quase nula). O modelo de ajuste. fosse simplesmente incorporada ao principal.Fruto dos altos juros. O Gráfico 6 apresenta a evolução da relação da dívida pública líquida /PIB. a correlação entre a produção de superávits primários e a contenção do crescimento da dívida é de 0. Ao final. O Gráfico 5 demonstra que esse crescimento tem uma relação direta com os encargos da própria dívida. protegidos contra a desvalorização cambial. Os superávits fiscais propiciariam oscilações no crescimento da dívida líquida (com diminuições pontuais). já que sua finalidade era somente viabilizar a saída de capitais. a premência de mudanças na política cambial conduzia a novo processo de elevação dos níveis de endividamento. Mesmo a produção de grandes e insuportáveis superávits primários foi insuficiente para controlar ou restringir significativamente o grau de endividamento público. novo acordo com o FMI. A dívida cresce de maneira autônoma.4174 (baixa correlação) . com arrocho nos gastos públicos e produção de superávits. então. Ambas as medidas se destinavam a assegurar garantias para o capital externo. é incapaz de apresentar resultados positivos frente à irresponsabilidade e aos custos das políticas monetária e cambial. Esse modelo elevou exponencialmente a dívida pública. Tomando-se exclusivamente esses fatores. a dívida pública tem um crescimento desproporcional. impedindo que a totalidade dos seus encargos. As reservas não podiam ser utilizadas para defender o valor da moeda nacional a partir de intervenções da autoridade monetária. o grau de correlação encontrado entre o crescimento da dívida líquida e o pagamento dos juros foi de 0. pelo efeito de sua rolagem.

houve cortes sistemáticos em todas as ações sociais e redução no atendimento dos serviços públicos. não evitou que a relação dívida pública/PIB chegasse no final de 2001 em torno de 53%. o que. 20 . absorvidas integralmente pela União. no entanto.6 bilhões para 2002).Gráfico 6: Evolução da dívida pública líquida frente ao PIB % PIB 60 55 50 45 40 35 30 25 Jan/91 Jan/92 Jan/93 Jan/94 Jan/95 Jan/96 Jan/97 Jan/98 Jan/99 Jan/00 Jan/01 Jan/02 Fonte: Banco Central Todos os programas de governo em toda a máquina pública (União. pela alta do dólar e pelas novas elevações nos juros. Além do aumento da carga tributária e do conseqüente crescimento vertiginoso do produto das contribuições sociais (Gráfico 7). estados e municípios) foram postos à disposição dessa produção de resultados primários positivos (mais de R$ 43.6 bilhões alcançados em 2001 e previsão de R$ 45. acossada pela crise argentina.

4 33.0 9 .2 35.8 2001 Diferença (b) (b-a) 152.8 6 .8 6 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fonte: Secretaria da Receita Federal .Gráfico 7: Evolução da receita da União em impostos e em contribuições sociais % P IB 14 13 12 11 10 9 8 7 7 .2 7 .SRF Somente no Orçamento da Seguridade Social. 21 . o saldo negativo de 1998 é resultante da visão orçamentária do governo.1 Fonte: SIAFI Notas: 1998 é o ano base do atual modelo de ajuste fiscal.1 1 1 . em um período pontual a partir da implantação do modelo de ajuste fiscal. incluindo receitas e despesas de outros programas sociais).3 58. A Tabela 1 apresenta o balanço da Seguridade em 2001 dentro do conceito orçamentário do governo (portanto. principalmente quando comparados com o aumento da arrecadação das contribuições sociais.3 9 .8 106.4 R e c e ita Im p o sto s R e c e ita C o n trib u iç õ e s so c ia is 1 3 . % (b/a) 62.8 8 .1998 e 2001 Discriminação Receitas da Seguridade Social Despesas da Seguridade Social 1998 (a) 93. os cortes foram expressivos.1 1 0 . depois da implantação do atual modelo de ajuste fiscal no final de 1998.0 9 . Tabela 1: Variação de receitas e despesas do Orçamento da Seguridade Social .5 8 .9 7 .5 142.4 (R$ Bilhões) Var.

esses ajustes iniciaram-se em 1995.940 milhões no estrato rural. de 1998). o número de brasileiros abaixo da linha de pobreza alcançou 54. com ampliação das carências. Um dos grandes passivos sociais do Brasil é a pobreza.1 1997 33.º 9.3 35.016 milhões no estrato urbano e 11.2. Depois da reforma constitucional (Emenda Constitucional n.4 34.PNAD/IBGE. De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar .8 40.558 milhões no estrato metropolitano.2 1996 32.9 31.Número e proporção por estrato Número de Pessoas (mil) 1999 36. Além disso.514 Estrato Metropolitano Urbano Rural BRASIL Fonte: IBGE/PNAD/99 Proporção (%) 1995 31.4 22 . introduzindo um enorme redutor na fórmula do salário-base.º 20. políticas sucessivas de altos juros impõem um ritmo de baixo crescimento econômico.1 41. insalubres ou perigosas). a principal mudança foi a implantação do fator previdenciário (Lei n.7 31.2 31. de 1999).7 30.514 milhões em 1999. com resultados negativos para o emprego e para a renda dos trabalhadores.5 43.8 34. sendo que 17. 25.Na Previdência Social. a proporção de miseráveis chega a 34% (Tabela 2). Tabela 2: Brasileiros abaixo da linha de pobreza . Para uma população estimada em mais de 160 milhões de habitantes.1 1998 33.0 1999 17.940 54.2 41. no bojo da reforma. aumento das contribuições dos filiados e restrições às aposentadorias especiais (atividades penosas.876.2 31.558 25. IMPLICAÇÕES SOCIAIS DO MODELO: EXCLUSÃO E PASSIVO SOCIAL Canalizar amplos recursos para financiar os encargos da dívida interna acarretou um crescente distanciamento entre os serviços públicos e as reais necessidades do povo brasileiro.3 42. 1.5 33.016 11.6 33.

23 . O número de miseráveis saltaria para 72. organização SPS/MPAS A conjugação de fatores adversos foi prejudicial ao equilíbrio da Previdência Social.632 milhões. o equivalente a 45% da população brasileira. seja para amortecer o impacto de crises econômicas. Secretaria de Previdência Social/MPAS. ou seja. Entre a população idosa a pobreza triplicaria. verifica-se que a arrecadação líquida de contribuições incidentes sobre a folha de salários deixou de cobrir as despesas com pagamento de benefícios a partir 2 “Previdência Social no Brasil”. o que significa que cerca de 18 milhões de pessoas deixaram de ser pobres. Gráfico 8: Previdência e pobreza no Brasil % de pobres sobre a população total 55 50 45 40 linha pobreza excluindo previdência Linha pobreza observada 35 30 1988 1989 1990 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 Fontes: PNAD-IBGE/1999. apresentação em outubro de 2001. com estabilidade social e política 2. Tomando-se por base a própria conceituação governamental da questão do seu financiamento. o papel social da Previdência foi fortalecido. a Previdência foi responsável por uma redução de 11 pontos percentuais no nível de pobreza. seja para contribuir para o círculo virtuoso do crescimento da economia. Na década de 90. caso não houvesse as transferências previdenciárias (Gráfico 8).Essa situação social seria ainda pior se não houvesse Previdência.

portanto. O Governo diz que o problema da Previdência é o déficit financeiro. ainda que definidas na Constituição Federal. Vale lembrar que as despesas com benefícios incluem os benefícios previdenciários. é contemplado somente a folha de salários. acumulados até dezembro. Já no conceito de arrecadação líquida. os congelamentos de salários e o baixo crescimento econômico. um conceito bem amplo de Previdência Social. corrigidos pelo INPC. crescimento da inadimplência e aumento de renúncias fiscais são os principais fatores desse desequilíbrio. acompanhados de medidas restritivas de reposição do quadro de auditores fiscais. ou seja. calculado impropriamente pela diferença entre a arrecadação líquida e as 24 . já que não existiu ampliação ou criação de novo benefício ou encargo.de 1995 (Gráfico 9). Gráfico 9: Arrecadação líquida da Previdência versus despesas com benefícios R$ Bilhões 80 70 60 50 40 30 Arrecadação líquida benefícios 20 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 Fonte: MPAS. rurais e assistenciais. as receitas para cobertura desses benefícios são ocultadas. A queda no nível de emprego. elaboração ANFIP Notas: Valores de dezembro de 2001 para cada ano.

40. embora mantenham a essência do diagnóstico. Isso tem graves conseqüências sociais e fiscais. aos trabalhadores de idade avançada e 3 Ver Revista Conjuntura Econômica. Não se trata de cobertura do Tesouro. Para o governo. junho de 2001. que divergem um pouco dos dados do MPAS na taxa de exclusão de 1999.RGPS. mas de recursos constitucionais para áreas fins.2 milhões não estão filiados ao seu Regime Geral de Previdência Social . Tabela 3: Taxa de exclusão previdenciária .9 milhões de trabalhadores do setor privado (PNAD/IBGE/1999). a taxa de excluídos em relação à população ocupada no setor privado cresceu de 53% em 1985 para 62% em 1999.despesas com benefícios. Dos 66. especialmente quanto aos chefes de família. Mas o principal problema reside no déficit social da Previdência. 25 .IBRE/Fundação Getúlio Vargas FGV3 .1985 e 1999 (% d a Po pu la çã o o cup ad a p rivad a ) D is c rim in a ç ã o T o tal P o s iç ã o na fa m ília – C h e fe s d e fa m ília P o r id a d e 55 a 60 anos 60 a 70 anos M a is d e 7 0 a n o s P o r s e to r p o p u la c io n a l R u ral U rb a n o M e tro p o lita n o F o n te : M icro d ad o s/P N A D /IB G E (E la bo ra çã o: C P S /IB R E /FG V ) T a x a d e e xc lu s ã o 1985 53 43 1999 62 56 56 62 78 71 85 92 86 46 30 86 59 44 Os graves problemas que esses dados revelam. São os resultados de um estudo do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia . já que essas despesas são obrigatórias e demandam outros recursos da Seguridade Social para o seu financiamento. De acordo com a Tabela 3. trata-se de um problema concreto. segundo dados do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). como se tais recursos não tivessem sido criados para tal fim ou que o emprego desses recursos do orçamento da Seguridade Social não fosse uma disposição constitucional.

pág. Esses problemas foram enfrentados com políticas monetárias restritivas. arrecadação e cobrança).aos residentes em áreas urbanas e metropolitanas. terceirização e precarização das relações de trabalho. a participação do trabalho diminuiu em relação à renda nacional. Do ponto de vista do setor produtivo. 26 . Nem mesmo a especialização da mãode-obra conseguiu ampliar significativamente a média salarial dos trabalhadores que permaneceram registrados. como veremos no item 2. Seguridade e Previdência em enfoque não ortodoxo”. consubstanciada numa abertura externa inconseqüente. acarretou uma séria crise na balança comercial e no balanço de pagamentos. Em estudo sobre a necessidade de aumentar a cobertura do sistema previdenciário. bem como adequar as fontes de financiamento do RGPS. aprofundando sua vulnerabilidade externa. A principal foi a redução do mercado formal.OS EFEITOS DAS TRANSFORMAÇÕES DOS ANOS 90 NO MERCADO DE TRABALHO. São necessárias medidas urgentes para ampliar a cobertura e devolver a dignidade a esses brasileiros. O processo de terceirização e de precarização das relações de trabalho levou à diminuição da massa de salários e ao crescimento acelerado do mercado informal. NA REPARTIÇÃO DA RENDA NACIONAL E NA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA Nos anos 90 a inserção dependente do Brasil no processo de globalização. bem como 4 Ver “Diagnóstico e medidas para uma Seguridade Social justa e eficaz” in “Economia. do contrato por jornada parcial e do banco de horas-extras. tanto no campo legislativo como no campo de gestão (nas áreas de fiscalização. capazes de dar início à correção desse quadro4 . seletividade da mão-de-obra. que diminuíram o crescimento econômico e ampliaram o desemprego. a ANFIP propôs algumas medidas. IMPACTOS SOBRE O MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho sofreu na década de 90 profundas transformações.janeiro de 2000. Evidentemente. a reestruturação veio acompanhada de modernização tecnológica. quer em relação à População Economicamente Ativa (PEA). 2. 2 .1. 103 e seguintes– Assessoria econômica – Anfip . tanto para bens e serviços quanto para capitais. quer do ponto de vista quantitativo. como a criação do contrato temporário de trabalho. dão a dimensão real da questão. além da acentuada desnacionalização. Várias mudanças na legislação trabalhista.1.

5 133.6 118. Além disso.2 85.9 93.4 116.6 121. inferiores à taxa média da "década perdida" de 80 (2.8 124.0 93.85% anuais.0 121. contribuíram para esses resultados negativos. montadas por empresários em suas próprias empresas.1 113. e criadas somente para fugir da legislação trabalhista e dos compromissos sociais e trabalhistas.0 98.0 100. Agrega-se a isso o estímulo a pseudocooperativas de trabalho.3 112.7 75. Assim. o desemprego aberto.0 108.3 111. à queda do crescimento econômico e ao racionamento de energia.os empecilhos administrativos à fiscalização das relações de trabalho.4 95.5 128.7 101.8 118. Mais uma vez.3% da PEA em 1989. por exemplo.5 97. cresceu ano após ano (com exceção de 1994) até acumular em 1999 uma taxa de 7.0 108. a média dos valores mensais A primeira constatação da Tabela 4 é que a quantidade de trabalhadores com carteira assinada diminuiu de 23% no período de 1990 a 2001.4 100.3 88. que foi de 3.a.9 128.6% (média do ano).5 74. Mas nem mesmo esse alívio resistiu à alta dos juros.8 89.2 97.5 139. os trabalhadores pagaram a conta da crise.4 Fonte: IBGE. sua participação relativa no mercado de mãode-obra é decrescente ao longo de todo o período analisado: em 1990 27 .92% a.2 77.9 125.5% (verificado em abril/2000). segundo o IBGE.8 98.2 127.8 136.7 81. o crescimento econômico médio do país na década de 90 ficou abaixo dos 1.3 76..7 100. Como se isso não bastasse. ocorridos em 2001.7 99.4 99.9 90.3 96.0 80. elaboração ANFIP Nota: Para cada ano.9 122. conforme dados do Banco Central).0 123.3 121. uma ligeira retomada do crescimento econômico fez o desemprego cair para 6. Desde o início de 2000. Tabela 4: Evolução do mercado de trabalho no Brasil (1990-2001) proporcionalmente à População Economicamente Ativa base: 1990 = 100 Anos 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Trabalhadores Trabalhadores Trabalhadores por Empregador c/carteira sem carteira conta própria 100.1 122.9 84.

inclusive o decorrente das privatizações. a sua participação no mercado de trabalho evoluiu de 17. De 1990 para 2001 cresceu 21%.era de 54. inviabilizando a folha de salários como fonte exclusiva de financiamento do sistema.5%. Esse fato somente pode ser explicado pela intensificação da fiscalização. o que pode ser explicado por redução do mercado formal. de 1995 a 2000 (Tabela 5). principalmente dos trabalhadores sem carteira e dos trabalhadores por conta própria. e novamente de 1999 (40.3% da população ocupada e. representavam 18. A quantidade de trabalhadores sem carteira.4%. Recessão.84% em 1995 para 38. empurrados para o mercado informal. A diminuição do número de trabalhadores com carteira assinada e o aumento dos trabalhadores por conta própria e dos sem carteira assinada aumentou a responsabilidade contributiva dos trabalhadores de um mercado formal decrescente. 25%. um crescimento da oferta de mão-de-obra e uma queda em sua demanda. foram responsáveis pelo aumento ano a ano do contingente de trabalhadores por conta própria.75%). terceirizações e desemprego. Apesar da contínua redução do mercado formal de trabalho. Os efeitos diretos dessas modificações estruturais do mercado de trabalho são visíveis na Previdência Social. em 2001. de 41.7% para 21. desemprego. como foi constatado na Tabela 4. O tamanho desse mercado é a justa conta do passivo social dos modelos econômico e previdenciário adotados. Em números relativos. segundo a mesma fonte. São pessoas à margem da proteção social. empobrecimento da população e crescimento considerável da mão-de-obra disponível em contraposição ao reduzido nível de sua absorção pelo mercado de trabalho. Restrições adicionais sobre os rendimentos vêm tornando esse encargo insuportável. Em 1990. cresceu 36% no período considerado. portanto. em 2001. pelas campanhas de conscientização e pelo aumento no número de vínculos empregatícios. o número de contribuintes no RGPS cresceu ano a ano.8%.51%) para 2000 (38. abertura para as importações. 28 . Existe. a rigor.06% em 1997. A participação do número de contribuintes em relação à População Economicamente Ativa (PEA) caiu de 40.

694 28.336 27.252.767 21.75 Fonte: Anuários Estatísticos da Previdência Social/MPAS Nota: Individuais e facultativos inclui autônomo.586 6.758. doméstico e segurado especial.217 32.081.129.265. 29 .472 25.441 % sobre total da população economicamente ativa 40.365.724 21.51 38.672.959.838 6.037 24.345 22.150.618.364.674.765.801 30.342 33.06 40.Tabela 5: Evolução do número de contribuintes no RGPS e participação relativa na População Economicamente Ativa (PEA) Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Número de contribuintes no RGPS Individuais e Empregados Total facultativos 6.83 38.839.935.286.409.039 6.099 27.784.819 27.10 40.689 6.060 6. empresário.84 39.

30 . a participação da massa salarial na renda nacional vem decrescendo ano após ano. Tais fatores só vêm confirmar que a política salarial nacional se caracteriza pelo congelamento linear dos salários-base. e após a revogação de todos os mecanismos de indexação salarial (a partir da implantação da nova moeda. já que os salários reais não acompanharam os aumentos de produtividade. Por isso. Entretanto.2. os trabalhadores não alcançaram nenhum período de recuperação integral das perdas. REFLEXOS SOBRE A RENDA Além dos efeitos da reformulação do mercado de trabalho. fizeram a média salarial cair ano a ano. Diante da diminuição dos postos de trabalho em todo esse período. o crescimento da média salarial (de 1994 a 1997) foi incapaz de manter os rendimentos familiares em níveis satisfatórios. Alguns fatores contribuíram para o aumento da média salarial dos empregos formais até 1997 (Tabela 6): a expansão econômica proporcionada pelo Plano Real a partir de julho de 1994. o Real). mediante reajustes diferenciados e privilegiação da elevação dos salários indiretos em contraposição à queda real daqueles computados para a incidência de contribuições previdenciárias. sucessivas políticas econômicas restritivas. a diminuição significativa da inflação e o aumento da produtividade decorrente da especialização tecnológica. que confiscou cerca de 40% do salário real (conforme dados do DIEESE). Isso se evidenciou na queda da massa salarial de 1996 a 1999 e de sua queda contínua de participação na renda nacional. depois de 1997.2. a Previdência Social sofreu as conseqüências da redução da massa salarial (conjunto dos valores pagos em salários). Desde o Plano Collor.

87 1.19 778. resultante de um início de recuperação econômica e de uma política de recuperação de créditos. que apresentou queda em 1998 e 1999.Tabela 6: Evolução da média salarial. o salário-base é essencialmente calculado pela razão entre o valor das contribuições ocorridas desde julho/1994 (80% das maiores contribuições) e o número de meses transcorridos nesse período até a concessão do benefício.70 Fonte: IBGE Nota: Massa salarial corresponde ao conjunto de salários pagos no mercado formal. abaixo do salário mínimo. 31 .69 40.0 126. como se pode verificar no Gráfico 9. a ação combinada de diversos fatores.6 120.43 26. de políticas de recuperação de créditos e do ligeiro reaquecimento da economia. houve um crescimento considerável. Em termos reais.79 21.59 35. pela primeira vez.88 870.0 234.086.66%.0 PIB 349. em 2000 houve um crescimento de 7.8 Massa Participação da salarial massa salarial no PIB (%) 139.74 914. resultante da ação fiscal.0 272.0 205. de 1999 (que criou o fator previdenciário).0 203. Em 2000. As receitas previdenciárias sobre a folha em relação ao número de contribuintes apresentaram o desempenho descrito na Tabela 7.876. e. sobre esse resultado aplica-se o fator previdenciário. Desde a Lei n.º 9. fez com que as despesas com pagamento de benefícios superassem a receita das contribuições sobre a folha de salários.0 260.03 30.3 128.0 250.19 963. A partir de 1995. em média.7 118.09 39. as receitas líquidas previdenciárias ficaram praticamente estabilizadas de 1996 a 1999.7 121. Essa relação define o comportamento do salário-de-contribuição. da massa salarial e da participação dos salários no PIB (R$ bilhões) Ano 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Média salarial (base: julho/94 = 100) 106.56 19. redutor de grande impacto no salário-de-benefício.7 129. O salário-de-contribuição se encontra.21 646.

42 44. O salário médio de benefício no RGPS cresceu ano após ano. depósitos judiciais.791. quitação de débitos.129. deduzidas as restituições e transferências a terceiros.81 67.45 62.50 41.491 nd nd Anuários Estatísticos da Previdência Social/MPAS e Fluxo de Caixa/INSS 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Fontes: Notas: ¹ Inclui arrecadação bancária.674.060 144. passando de R$ 208.838 151.603 17.36 em 2000.935.572.697 20. nd .90 55.Tabela 7: Evolução da receita de contribuições sobre a folha em relação à quantidade de contribuintes Comportamento do salário-de-contribuição ANO Receita líquida de Quantidade de Salário-decontribuições sobre a contribuintes ao contribuição ³ (R$) folha ¹ (R$ Bilhões) RGPS ² 32. Entretanto.76 60. As despesas com benefícios em relação ao número de beneficiários apresentaram o comportamento descrito na Tabela 8.794 19.389 16.127 32.378 27.641 30.021 18.039 154. Tabela 8: Evolução das despesas com benefícios em relação à quantidade de beneficiários Comportamento do salário-de-benefício ANO 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Despesas com N° de beneficiários Salário-de-benefício benefícios¹ (R$ Bilhões) do RGPS ² (R$) 33. 32 .032.50 em 1995 para R$ 346. ² Inclui empregados e contribuintes individuais.587 273.839.086 18. é ainda inferior ao dobro do salário mínimo.858 392.447 301.84 Fontes: Anuários Estatísticos da Previdência Social/MPAS e Fluxo de Caixa/INSS Notas: ¹ Benefícios previdenciários + benefícios assistenciais.618.165 27.14 40.842. ² Valor médio mensal. ³ Valor médio mensal.75 48.488 245.715 33.24 49.689 152.565.670.19 56.36 78.27 46.535 321.748 346. excluindo parcela relativa aos Encargos previdenciários da União (EPU).727 16.586 115.441 165.148 28. Essa relação define o comportamento do salário-de-benefício.959.dado não disponível. inclusive facultativos. Simples.587 208.176.

uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais. distinto do Orçamento Fiscal e do Orçamento de Investimentos das Estatais. especialmente os da área rural. 3 . seletividade e distributividade. passando a integrar três subsistemas de proteção social: saúde. cabia à Previdência Social assegurar tanto os serviços de saúde aos trabalhadores como atender aos benefícios assistenciais (renda mensal vitalícia.O agravamento dos problemas econômicos do país diminui a capacidade do regime de repartição (RGPS) de ampliar seu papel redistributivo da renda nacional. Não obstante. previdência social e assistência social. Os seus princípios passaram a ser: universalidade da cobertura e do atendimento. graças à ação fiscal e às políticas de recuperação de créditos.1. ampliaram-se os conceitos de cidadania e melhoria para a vida de milhões de brasileiros. consegue manter o crescimento de suas receitas até mesmo em períodos amplamente desfavoráveis. INTEGRALIDADE DO MODELO DE SEGURIDADE SOCIAL O sistema de Seguridade Social foi profundamente alterado pela Constituição de 1988. Foi criado o Orçamento da Seguridade Social. definido implicitamente como uma assistência social prestada a quem dela necessita. com o objetivo de garantir o bemestar e a justiça social. Com o direito universal à saúde e com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). por exemplo). A Seguridade Social passou a ser um sistema de direitos sob responsabilidade do Estado. que têm no benefício assistencial sua única fonte de sobrevivência. os idosos e os portadores de deficiência. Anteriormente. A 33 . eqüidade da participação no custeio. Independentemente de contribuição direta. irredutibilidade dos benefícios.BREVE HISTÓRICO DA QUESTÃO DO FINANCIAMENTO: DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20 3. a Previdência Social. diversidade da base do financiamento e gestão democrática.

Criadas ou majoradas. a sociedade brasileira dispõe de um programa de renda mínima calcado na concessão e manutenção dos benefícios rurais e no amparo a idosos e portadores de deficiência. bem como o reajuste dos benefícios para preservarlhes o valor real. como o discurso oficial faz acreditar. auto-sustentabilidade e até mesmo expansão dos serviços prestados. Apesar do caráter contributivo da Previdência Social. já prevendo possíveis disfunções. DIVERSIDADE DAS FONTES DE FINANCIAMENTO Para sustentar um modelo sistêmico de Seguridade Social e garantir todos os direitos respectivos. a previsão é de um modelo que comporta um conjunto de ações públicas e de direitos financiados por fontes diversificadas. explicitou-se o direito à gratificação natalina e assegurou-se a correção monetária de todos os salários-de-contribuição compreendidos no salário-debenefício. as contribuições podem ser cobradas decorridos 90 dias. A preocupação com a garantia dos direitos foi além. A partir das políticas de previdência e assistência social. ajustada ao processo em curso de reestruturação produtiva e globalização. 3. Essa diversidade de fontes confere ao modelo pleno financiamento. e ainda suplementado pelo Tesouro. A esse modelo foi acrescentada a contribuição sobre a movimentação financeira. faturamento.2. capaz de atingir o mercado informal da economia. Pelo contrário. houve a equiparação dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais.partir da Constituição de 1988 foi fixado o salário mínimo como piso de benefícios. lucros. Essa opção pela cidadania tem conseguido minimizar os efeitos de outras políticas 34 . concursos de prognósticos e outros. Permitiu-se a criação de novas fontes de recursos para manter ou expandir a Seguridade Social e foi afastado o princípio da anualidade. a Constituição não exige que os benefícios se restrinjam ao correspondente às contribuições sobre a folha de salários. os constituintes de 1988 criaram um conjunto de fontes diversificadas de financiamento. incidentes sobre salários.

ficou cômodo instituir e ampliar contribuições sociais. 3. 3 . estavam a cargo do Tesouro. O que parecia uma medida de caráter provisório foi perpetuado no tempo em outras emendas constitucionais. espalhando miséria. tanto no aspecto financeiro quanto atuarial. Para os reformistas. o governo instituiu em 1994 o Fundo Social de Emergência (FSE). como Desvinculação das Receitas da União (DRU). Pelos seus efeitos. como educação e seguridade. Para o governo. Derrotado nas votações no Congresso. 3 . as disponibilidades do Tesouro devem estar a serviço de outros interesses. o Fundo Social de Emergência nunca foi social. Dentro dessa linha de mudanças. Atualmente. Para dificultar o acesso a eles.de governo que concentram renda e riqueza. Foi um mecanismo para concentrar na União receitas de estados e municípios e ainda se desobrigar de alocar recursos em programas constitucionalmente protegidos. o governo pretendia vincular a aposentadoria a uma idade mínima. demonstrou-se insuficiente para cobrir os erros da política monetária do governo. esquivando-se do princípio constitucional da repartição tributária. A REFORMA DA PREVIDÊNCIA A Previdência Social apresentava incompatibilidade básica com o projeto de reestruturação do Estado ao garantir direitos mediante contribuições. a Previdência Social precisa ser obrigatoriamente equilibrada. Renovado como Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). de se beneficiar dos mesmos. notadamente os financeiros. A D E S V I N C U L A Ç Ã O D A S R E C E I TA S D A SEGURIDADE Como uma das medidas preparatórias do Plano Real. tentou estabelecer esse requisito 35 .4. em última análise. Os benefícios ficaram submetidos a esse equilíbrio. sobretudo. sem ter contudo que utilizar esses recursos vinculados em programas da Seguridade Social. impede a sociedade de acompanhar o uso desses recursos e. mas que.

Esse processo eqüivale a um desmonte da Previdência Social. Assim. Isso reduziria a alta taxa de exclusão verificada hoje no sistema. ganhou terreno a adoção de um sistema previdenciário de capitalização. E. Todo 36 . o governo praticamente acabou com a aposentadoria por tempo de contribuição.por decreto. Com esse conjunto de mudanças. 4 . a partir de políticas privatistas de interesse do setor financeiro. Submetida a constantes políticas recessivas e concentradoras. conseguiu-se mais uma vez reduzir os benefícios. A impossibilidade de vitória imediata nessa questão levou o governo a fixar o valor do teto de benefícios em valores nominais definidos no texto constitucional. Para ampliar o mercado da previdência complementar privada. além de garantir recursos da Seguridade Social para ampliar seu superávit fiscal e honrar compromissos com a comunidade financeira internacional e com o pagamento dos juros da dívida interna ele fortalece sua tese do desequilíbrio insustentável da Previdência pública e alimenta o projeto de privatização do sistema previdenciário como um todo.O FINANCIAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOB A ÓTICA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS O modelo que abandona a pluralidade de fontes de financiamento para restringi-lo à contribuição sobre a folha de salários é de grande valia para o atual governo. Com a instituição do fator previdenciário. dessa vez no Supremo Tribunal Federal. Nenhuma medida concreta para ampliar as fontes de financiamento objetivando dar suporte e garantias aos direitos foi levada a efeito. Foi pouca mudança para ampliar a cobertura previdenciária. pretendia-se que o teto dos benefícios ficasse reduzido a três vezes o salário mínimo. sendo novamente derrotado. Dessa forma. revivendo o requisito de idade mínima. o decurso do tempo se encarregou de reduzir o teto salarial dos benefícios de dez vezes o salário mínimo para pouco mais de sete vezes em apenas 3 anos. a renda do trabalho tem-se mostrado insuficiente para arcar sozinha com o custeio da Previdência Social.

1.464 bilhões (Tabela 10). Como objetivo final. substituindo-a pela restrição de direitos. Quanto ao saldo da Seguridade Social com o Regime Geral de Previdência Social. militares e outros. com saúde. E ainda amplia esse déficit fictício mediante políticas que geram desemprego e desestruturam as relações de trabalho.159 bilhões (Tabela 9).esse contexto é forjado e facilita ao governo a fabricação de um déficit quando cria um conceito artificial e restrito de equilíbrio. previdência e assistência social. alcançou R$ 31. 4. A arrecadação de todas as contribuições sociais.051 bilhões. relativos a servidores. essas receitas superaram as despesas em R$ 8. somadas às receitas próprias dos órgãos da Seguridade. o Orçamento da Seguridade Social é superavitário. O BALANÇO REAL DA SEGURIDADE SOCIAL E A VISÃO DO GOVERNO: A PREVIDÊNCIA SUBMETIDA A UMA POLÍTICA DE R E S U LTA D O S DETERMINADA EXCLUSIVAMENTE PELA DIFERENÇA ENTRE ARRECADAÇÃO SOBRE SALÁRIOS E DESPESAS COM BENEFÍCIOS Analisado em seu conjunto. o saldo alcançou R$ 7. mesmo agregando a previdência dos servidores públicos. mas somando. Em 2000. diminuição do poder de compra dos benefícios e ampliação de carências e requisitos. supera a totalidade das despesas desta. utiliza esse resultado para suprimir a responsabilidade financeira do Tesouro. benefícios sem vinculação com a folha e pouco contributivos (rurais) e benefícios não-contributivos (assistenciais). 37 . do outro lado. Em 2001. computando tão somente as contribuições sobre os salários. benefícios contributivos. inclusive quando são acrescidos todos os encargos previdenciários da União. como os da anistia.

111 30. na Tabela 10.875 3. benefícios do FAT.2001 (1) (R$ Bilhões) I – RECEITAS RECEITA PREVIDENCIÁRIA LÍQUIDA (2) OUTRAS RECEITAS DO INSS (3) COFINS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CONCURSOS DE PROGNÓSTICO CONTRIBUIÇÃO DOS SERVIDORES *CIVIS *MILITARES CONTRIBUIÇÃO DA UNIÃO (4) CPMF RECEITAS PRÓPRIAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE OUTRAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (5) 2001 62.682 21.692 59.618 45.012 1.383 14. rurais e assistenciais. saneamento.LEGISLAÇÃO ESPECIAL (8) SAÚDE (9) EPU . resultado de uma visão conceitual equivocada. (5) DPVAT (parcela do FNS) e contribuições sobre concursos de prognóstico e prêmios prescritos. pessoal e despesas de custeio do Ministério da Saúde.323 1.717/98.583 7. Os dados relativos aos benefícios rurais são preliminares.697 73.RGPS + RJU .968 0. NOTAS: (1) Exclui a receita da contribuição social do PIS/PASEP e as respectivas despesas vinculadas (transferências FAT/BNDES. (2) Receita líquida = Arrecadação bancária + SIMPLES + REFIS + arrecadação CDP + arrecadação FIES + depósitos judiciais – restituições – transferências a terceiros. pagos pelo INSS.497 0.170 19. O déficit é. Com uma visão deliberada de isolamento da Previdência Social do contexto da Seguridade.679 8. (9) Inclui ações de saúde. qualificação profissional e outras do Mtb. conforme Lei 9.BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS * URBANOS (7) * RURAIS (7) 2.Tabela 9: Receitas e Despesas da Seguridade Social Saldo Agregado . segundo o Fluxo de Caixa do INSS.962 0.636 2.233 TOTAL DAS DESPESAS SALDO FINAL 135. Exclui ainda juros e amortizações da dívida. pois.158 11. pois já estão incluídos em EPU. como contrapartida da contribuição do servidor.687 0. correspondente à contribuição patronal (2X1).159 Fontes: SIAFI e Fluxo de Caixa do INSS (dados de Previdência Social). (8) Encargos previdenciários da União: benefícios concedidos por leis especiais. tem-se. antecipação de receitas e outros.481 TOTAL DAS RECEITAS II .BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS * RMV * LOAS 3.SERVIDORES INATIVOS/PENSIONISTAS * CIVIS (10) * MILITARES (10) ASSISTÊNCIA SOCIAL GERAL E DEFESA CIVIL CUSTEIO E PESSOAL DO MPAS (11) AÇÕES DO FUNDO DE COMBATE À POBREZA 142.491 0.741 0. bens apreendidos (parcela da assistência social). e repassados pelo Tesouro.valores preliminares (7) Exclui LOAS e RMV.643 3. 38 . EPU .309 4. Utilizando esse raciocínio do governo. seguro desemprego.521 2. abono salarial.742 2001 78.481 17.384 1. (4) Contribuição devida e parte não recolhida pela União. assistenciais e EPU . (10) Dados preliminares. com recursos da Seguridade Social. (11) Não inclui os pagamentos a inativos do INSS. o governo realiza o balanço financeiro do sistema simplesmente subtraindo da arrecadação líquida da folha as despesas de benefícios previdenciários. (3) Corresponde a rendimentos financeiros. (6) Previdenciários. o balanço da Seguridade Social com o RGPS e um balanço simplificado com déficit (governo) e sem déficit.DESPESAS PAGAMENTO TOTAL DE BENEFÍCIOS (6) 1.157 0.

pagos pelo INSS. 195 da Constituição Federal. Ao agregar os benefícios totais do lado das despesas. (2) Receita líquida = Arrecadação bancária + SIMPLES + REFIS + arrecadação CDP + arrecadação FIES + depósitos judiciais .481 17.497 0. (6) Referem-se aos benefícios mantidos (previdenciários + assistenciais). e repassados pelo Tesouro. segundo o fluxo de caixa do INSS.383 1. saneamento e custeio do Ministério da Saúde.877 63.Pode-se verificar que o déficit existe.697 73.159 136. (3) Corresponde a rendimentos financeiros e outros. inativos e pensionistas do INSS.968 0.328 -12.109 62.618 0.692 59. conforme EC 21/99.962 0. bem como despesas operacionais consignadas. Benefícios assistenciais * RMV * LOAS 3. Secretaria da Receita Federal (dados de arrecadação das contribuições sociais) e Fluxo de Caixa do INSS (dados de Previdência Social) NOTAS: (1) Receitas e despesas da Seguridade Social.Benefícios previdenciários * Urbanos * Rurais 2.383 2.464 73.682 21. (5) Referem-se a contribuições sobre o DPVAT (vão para a saúde). (4) O valor deve ser subtraído.521 0.618 0. (coluna 2 da Tabela 10) pela não distinção entre os benefícios contributivos (previdenciários).875 3. desmontando a integralidade do sistema de Seguridade Social e inviabilizando o equilíbrio financeiro da Previdência Social. com recursos da Seguridade Social. Tabela 10: Receitas e despesas da Seguridade Social(1) – Saldo com o RGPS (R$ Bilhões) I – RECEITAS Receita previdenciária líquida (2) Outras receitas do INSS(3) Receita rural (4) COFINS Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Concursos de prognóstico Receita própria do Ministério da Saúde Outras contribuições sociais (5) CPMF TOTAL DAS RECEITAS II – DESPESAS Pagamento total de benefícios (6) 1.687 0.111 1.309 4. conforme art.233 105. o governo não realiza a contrapartida das fontes de financiamento do orçamento da Seguridade Social do lado das receitas.383 14.300 78. (9) Inclui pagamentos realizados a ativos.413 31.219 59. inclusive não incluindo os recursos que são alocados constitucionalmente da CPMF.491 0.809 45. o déficit alegado não existiria (coluna 3 da Tabela 10).491 62. na visão do governo.679 8. excluindo EPU.636 75.323 1. (7) Encargos previdenciários da União: benefícios concedidos por leis especiais.636 2. (8) Inclui ações de saúde do SUS. Pela visão do governo. os benefícios não-contributivos devem ser pagos exclusivamente pela arrecadação sobre a folha de salários. pouco contributivos (rurais) e os não-contributivos (assistenciais). Se pelo menos fizesse a separação dos tipos de benefícios (excluindo os benefícios não-contributivos.692 59. contribuições sobre prêmios prescritos. em função de sua subtração também nas despesas.491 62.917 Fontes: SIAFI. os pouco contributivos e as receitas rurais).restituições Transferências a Terceiros. EPU (7) Saúde (8) Assistência social geral Custeio e pessoal do MPAS (9) Ações do Fundo de combate à pobreza TOTAL DAS DESPESAS SALDO FINAL 2001 c/déficit s/déficit 62. bens apreendidos (parcela da assistência social).618 -0. 39 .

358 dos municípios brasileiros (cerca de 5. enquanto que a arrecadação previdenciária para sua cobertura somou apenas R$ 809 milhões. receita de contribuições sobre a comercialização dos produtos rurais. rurais e urbanos. uma vez que. Esse grande contingente e a eficácia social dos benefícios assistenciais e rurais fazem deles. Os valores totais gastos vêm crescendo ano após ano . um dos maiores programas de renda mínima do mundo. É um instrumento que leva liquidez ao comércio e à atividade econômica em geral na grande maioria dos municípios. verifica-se que a renda dos idosos.com exceção de 1997 . podemos verificar que o programa de renda mínima possui caráter redistributivo da renda nacional. sem a participação do idoso. na verdade. Esses benefícios são de três tipos: Rurais.92 (IPEA). os valores dos benefícios superam as quotas-partes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).323 deles.98.2. LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social. contemplando a quase totalidade dos municípios brasileiros e impulsionando as economias locais.4. que cobre os idosos e os deficientes) e Renda Mensal Vitalícia (RMV). e em 4. As Tabelas 11 e 12 detalham com maior precisão os valores e as respectivas quantidades desse programa de renda mínima no período de 1996 a 2001. esses valores superam a arrecadação previdenciária local. em 3. BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS E RURAIS E O PROGRAMA DE RENDA MÍNIMA Se analisarmos o total dos benefícios em manutenção da Previdência Social. a renda familiar média é de R$ 282. veremos que mais de 8 milhões são benefícios assistenciais e rurais (estes últimos de pouca ou nenhuma contribuição) e que já representam mais de 40% do total de 20 milhões de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Além disso. advinda principalmente dessas espécies de benefícios.632 bilhões. enquanto sua participação sobe para R$ 322.507). tanto na área urbana como na área rural.totalizando em 2001 R$ 18. Ao mesmo tempo. 40 . Pela análise desses agregados. tem grande repercussão na composição da renda familiar brasileira.

41 .992 8.Tais constatações mostram que os recursos destinados ao pagamento dos benefícios assistenciais e rurais que compõem o programa de renda mínima são essenciais para a sua manutenção.900 1999 10.136 0.309 2.1996 a 2001 (posição em dezembro) Tipo Rurais RMV LOAS TOTAL 1996 1997 1998 1999 2000 5. LOAS e benefícios rurais .339.617 959. foi retificado em relação a publicações anteriores.726 0.165.042.384 1.219 645.173 2.439.661 5.259 747.781 346. LOAS e benefícios rurais – 1996 a 2001 (R$ Bilhões de dez/99.032.894 848.573 1.707.731. valores expressos em R$ bilhões correntes.587 13. para a sobrevivência de milhões de famílias.483 1.295 1.114.954 1998 10. INPC) Tipos Rurais LOAS RMV TOTAL 1996 9.142.007 1. Tabela 12: Quantidade de RMV.3.498 885.695 6.762 Fonte: MPAS/Secretaria de Previdência Social Nota: Em RMV estão incluídos benefícios urbanos e rurais.390 7.280 7.727 1. Tabela 11: Valor anual das RMV.360 1.604 2000 12.534 1.927 6.632 Fonte: MPAS/Secretaria de Previdência Social Notas: Em 2000 e 2001.119 8.793.931 2.654 1. O valor dos rurais.621.011 1.454 7.875. PREVIDÊNCIA RURAL: INSTRUMENTO DE REDISTRIBUIÇÃO DA RENDA NACIONAL A Previdência rural se caracteriza por atender beneficiários que em sua grande maioria pertencem ao mercado informal da economia ou ocupantes de empregos vulneráveis.687 1.490 2001 6.503 15.631.209. 4. em 2000.269 1997 9.334 5.868 11. para a sua expansão e.202 12.879 5.683 2001 14.235 12.126.258. já que são contempladas aproximadamente 20 dos 34 milhões de pessoas da população do campo. principalmente.425. o que resulta numa arrecadação muito precária.636 18.724 812.782 1.

e.748 20.46 36. Isso expressa claramente.32 4.29 -6.51 39.450 5.135 15. Ou seja. Os valores 42 .473.044 6.92 2. a preocupação social da Previdência rural com as populações locais desamparadas.79 6.738 12. de um lado.95 4. Excluindo-se os 32% das crianças de 0 a 14 anos.37 33.93 3.713.35 (B/C) (%) 34.27 22.764 18. esse subsistema vem ao longo do tempo constituindo-se num “seguro agrícola” de grande cobertura da população rural.91 2. os valores unitários mensais dos benefícios rurais estão em torno de um salário mínimo.259 TX.58 3.912.621 milhões de beneficiários em 2001. de outro.147 6. a população rural como um todo vem decrescendo desde 1970.329. (%) -5. ainda segundo o IBGE.18 33.41 1.122.572.046.06 3.36 -1. ou seja. a cobertura da Previdência rural sobe para cerca de 30%.72 33. para as vastas regiões mais pobres do país.188 6.58 37.176. apenas 40% das rendas rurais totais.50 10.320. Em 2001.34 33.99 40. há uma sustentação básica da renda rural pelo sistema previdenciário. atendeu 6.96 TOTAL (C) 12.834.872 6.741 6. Tem-se.29 8.05 Fonte: Anuários Estatísticos da Previdência Social/MPAS Nota: Nos benefícios rurais estão incluídas as rendas mensais vitalícias rurais e os benefícios rurais da LOAS.Não obstante.54 3.28 -0. a agricultura familiar e a fixação do homem no campo.279.065. Tabela 13: Previdência Rural Quantidade de benefícios ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 BENEFÍCIOS RURAIS (B) 4. A atividade econômica propriamente dita (população rural ativa) representa.426. tendo caído de 41 milhões naquele ano para 34 milhões em 2000 (IBGE).493. por esse motivo os números diferem dos da Tabela 12.892. (%) 1.587 19.CRESC.180 16.36 33. portanto. em mais de cinco mil municípios. É importante ressaltar que. mais da metade dessas rendas (60%) advém dos benefícios previdenciários dos inativos. que.528 6.473.55 3. Por fim. cerca de 20% do total (Anuário Estatístico da Previdência Social). de cerca de 34 milhões em 2000 (IBGE).648 6.30 3.858 TX.171 13. enquanto que o RGPS atendeu somente 6.709.032.78 2.71 32.CRESC. enquanto a quantidade de beneficiários rurais cresceu 53% de 1990 para 2001.90 39.493 17.05 20.182.621.402.621 milhões de aposentados e pensionistas (Tabela 13).727 6.366 5.101. embora os valores unitários dos benefícios não sejam elevados.587 16.767 15. a redução das oportunidades de trabalho advindas da falta de uma política agrícola que incentive a pequena produção.635.005.345 4.840 18.

43 . sendo o maior ocorrido em 2001.01%. e o menor. quando chegou a R$ 13. enquanto que a despesa média total alcançou R$ 12. Apenas cerca de 15% de trabalhadores rurais contribuem para a Previdência. Segundo dados da última PNAD/IBGE. Com os valores atualizados para dezembro de 2000 pelo IGP-DI (FGV). é possível apresentar um balanço financeiro do subsistema de Previdência rural no período de 1994 a 2001. principalmente em função da grande demanda por benefícios. em 1997. A partir dos dados da Tabela 14. é importante que a sociedade e os órgãos competentes debatam a criação de mecanismos destinados a incrementar a receita previdenciária rural.33% em 2000 e a maior 5 Até a década de 80 existia uma terceira fonte de custeio especifica da área urbana para a área rural.4% sobre a folha de pagamentos. o que revela seu grande impacto sobre a economia local. de 1999. como já foi enfatizado. o que gerou um déficit médio histórico de R$ 11. disso resultando em um déficit elevado.769 bilhões.totais pagos pela Previdência rural. o que evidencia o aspecto social e redistributivo da Previdência rural. A participação média foi de 8. A estrutura de contribuições inclui duas fontes básicas de financiamento do subsistema de Previdência rural5 : a contribuição sobre a folha de pagamento do setor rural (empregador rural. Essa sustentação de renda resulta de mecanismos de captação e de transferência de recursos dos estados mais ricos para os mais pobres. a receita média total foi de R$ 1.532 bilhões. Houve déficit em todos os anos da série considerada. A participação percentual das receitas da Previdência rural no total das despesas é muito baixa. na base de 2. há sugestões para um novo modelo de financiamento da Previdência rural mediante incidência das contribuições sociais do sistema de Seguridade Social. de R$ 10. Em item próprio deste estudo. bem como dos setores urbanos para os rurais. chegam a ser maiores que a receita advinda do FPM em muitos municípios.735 bilhões de 1994 a 2001.500 bilhões. o setor agrícola possui o mais alto grau de não-contribuição. A base de incidência da contribuição previdenciária rural é o valor do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária convertido em equivalente da produção comercializável rural. No sentido de ampliar esse programa social. autônomos e empregados formais) e a contribuição sobre a comercialização da produção primária (primeiro do segurado especial e depois de pessoas físicas e jurídicas rurais).034 bilhão. a menor de 5.

00. o que gera um déficit constante. Isso quer dizer que. a fim de equilibrar financeiramente esse subsistema. Foi nessa perspectiva que os constituintes de 1988 aprovaram fontes de financiamento suficientes para manter e ampliar o caráter redistributivo da Previdência. conseqüentemente. que deveria em sua totalidade ser coberto com recursos do orçamento da Seguridade Social. como no caso dos segurados especiais. advindos principalmente da folha de salários do setor urbano. As contribuições sobre a folha de salário do setor urbano esgotaram sua capacidade de financiamento rural. Para que haja incrementos significativos nas receitas rurais. é necessário que a agricultura brasileira seja mais incentivada pelas políticas econômicas governamentais a gerar empregos e que haja efetivamente uma política agrária que eleve o nível de emprego e. A despeito do déficit rural. é necessário respeitar os preceitos constitucionais que determinam a alocação de recursos das fontes COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para cobertura das despesas com benefícios rurais de pouca contribuição. Pode-se concluir pelo balanço financeiro que o subsistema de Previdência rural é muito pouco satisfatório do lado das receitas e muito oneroso do lado das despesas. socialmente justificado. Para isso. a Previdência rural é uma verdadeira âncora social do país e deveria ser cada vez mais ampliada. Esse déficit.00 de despesa a receita das contribuições rurais cobre menos de R$ 1.8% em 1997. em média. vem sendo freqüentemente coberto com recursos da arrecadação bancária.de 10. com sérias dificuldades financeiras para a Previdência Social como um todo. aumente os recolhimentos para a Previdência rural. para cada R$ 10. 44 .

Os riscos de elisão fiscal são. Longe de apresentar os resultados pretendidos. Programa de Refinanciamento Fiscal.500 5.7% -12.01% Fonte: Anuário Estatístico da Previdência Social . as empresas que aderirem ao programa se submetem a um regime especial de acompanhamento fiscal e suas dívidas são parceladas para pagamento proporcional ao faturamento. as empresas buscam mecanismos nos parcelamentos para.148 6.117 12. diminuindo o seu faturamento.2% -11.698 9. foi sendo ampliado.802 1. com a fachada de combate à sonegação e recuperação da dívida ativa tributária. 45 .374 13.1994 a 2001 (R$ Milhões de dezembro de 2001.769 Resultado Receitas/Despesas -11.REFIS O REFIS.157 1. muito graves.196 12.532 10.173 809 14.686 8.735 8.3% -13.926 684 12.1994 a 2001. foi lançado pelo governo federal no último trimestre de 1999.034 12.4. Embora a vida média das empresas seja diminuta. o REFIS tornouse um grande programa de perdão aos sonegadores.081 13. tornou-se mais um incentivo à sonegação. Cresceram os prazos para adesão e chegou-se a permitir a inscrição de débitos gerados posteriormente ao início do programa. IGP-DI) Anos 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 MÉDIA Receitas Despesas 1. O REFIS. portanto. Assim. reduzir os pagamentos devidos.524 5.717 10. O PROGRAMA DE REFINANCIAMENTO FISCAL .3% -10. embora para algumas seja preferível recuperar parte dos créditos durante um longo período a ter o estoque da dívida com o fisco zerado no curto prazo.Tabela 14: Balanço real do subsistema de Previdência rural .894 1.5% -11.309 1. Desde o início. Os parcelamentos foram irreais.803 1.091 778 11.7% -11.8% -11. em suas diversas versões. Elaboração: ANFIP 4.076 8.5% -11. Teoricamente. muitas delas obtiveram dezenas e até centenas de anos para quitarem os seus débitos.270 11.

afirma que a sua importância maior está na possibilidade de regularização da vida fiscal de muitas empresas e menos. A posição oficial. No INSS. quando o programa foi lançado. na recuperação dos impostos devidos. A adesão ao REFIS foi permitida mesmo às empresas que já tinham seus débitos reconhecidos pela ação fiscal e mesmo depois das diversas fases recursais administrativas e judiciais.A receita mensal do REFIS alcançou a cifra de R$ 138. conforme dados da Receita Federal6. NEGLIGÊNCIA NO ESTOQUE DA DÍVIDA PREVIDENCIÁRIA: PARCELAMENTOS DE DÍVIDAS PRIVADAS E DÍVIDAS PÚBLICAS O estoque da dívida previdenciária estimado em mais de R$ 115 bilhões. com um crescimento de mais de 100% nos últimos três anos. a previsão era de recuperação de créditos no valor total de R$ 60 bilhões. 46 . O programa permitiu também que a contribuição recolhida pelas empresas sobre os salários dos trabalhadores fosse parcelada. poderia constituir uma fonte de receitas para a Previdência Social. A apropriação indébita praticada por elas não foi punida. segundo a Receita Federal.9 milhões no acumulado do ano. equivalentes ao estoque da dívida previdenciária estimada em 1999. pode-se afirmar que o REFIS não foi um programa para recuperação da dívida ativa tributária. portanto. O REFIS se tornou uma fuga à ação fiscal. para defender o programa. A combinação do governo. sendo R$ 686. que inibe a fiscalização. com arrecadação de menos de 1% do total da previsão de recuperação dos créditos. acoberta a sonegação. Ao incluir também um débito para refinanciamento. as empresas tiveram perdoadas multas e reduzidos os juros e a correção monetária. portanto. inclusive para as empresas que já estavam em regime de parcelamento. É uma receita insignificante frente ao montante do estoque da dívida ativa. Diante de tantas evidências.4 milhões (posição em junho/2001). a receita acumulada de janeiro a junho foi de apenas R$ 226 milhões. 4. Em 2001. abaixo dos juros de mercado.5. perdoa multas e estende parcelamentos ao infinito e a instituição do 6 Exceto INSS.

concorrente para incentivar e bem remunerar a sonegação e a fraude. bancos e companhias de limpeza. Somente esse rol identifica R$ 41.9 4.7 2.3 2.1 O tratamento do governo para as dívidas das empresas privadas foi por demais benevolente.4 bilhões.0 3.7 4. 7 Estudos posteriores poderão indicar o percentual do estoque da dívida que já foi repactuado via REFIS e outros mecanismos. enquanto os serviços públicos.REFIS impedem que essa receita se viabilize7 . estados. Tabela 15: Os maiores devedores da Previdência Social por setor da economia em 2000 SETOR Serviços públicos Serviços de transportes Prestação de serviços Construção Agropecuário Máquinas e equipamentos Têxtil/vestuários Mineração/química/petroquímica Energia/telecomunicações Automobilístico Entidades filantrópicas Metalurgia e siderurgia TOTAL Fonte: INSS/MPAS R$ Bilhões 5. abastecimento de água e urbanização devem R$ 5. O setor privado é responsável por R$ 35. Dados do INSS apontam os maiores devedores da Previdência Social por setor da economia (Tabela 15).1 bilhões do estoque da dívida. 47 .8 41.1 1.6 2.7 bilhões.5 4.8 3. englobando prefeituras.5 3.2 2.

9 % 4.1 2.8 85. Fontes: SIAFI e MPAS Nota: Empresas em regime de parcelamento de débitos e.137. Tabela 16: Parcelamento de dívidas . O tratamento diferenciado das dívidas privadas pode ser visto na inversão do comportamento das receitas de parcelamentos da Tabela 16.5 .936. Se essas medidas foram importantes para a regularização dos débitos para com a Previdência Social.1 61.3 2.4 Total 2.3 54.224. o governo se preocupava muito mais em ampliar os resultados primários.1 1.678.040.0 1.5 187. inclui o REFIS.5 14.495.6 1.6 358.6 2. A quitação com o INSS é imposição para realização de diversos convênios com a União.222.1 56.757.setor privado e setor público .8 9.1 2.1 45.7 742.334.7 2.071.5 4. o governo agiu de forma diferenciada para estados e municípios em débito com a Previdência. é preciso ressaltar que ao impor às unidades da federação ajustes para quitação de dívidas previdenciárias.272.030.891.4 38.1996 a 2001 48 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Setor privado 2.No entanto.2 2.6 90.264.6 Receita de parcelamentos % Setor público 95. a partir de 1999.9 1.2 111.6 1.5 43.

dada a política de pessoal do governo.800. Considerando que anualmente se reduz mais o número de auditores fiscais em razão da aposentadoria de cerca de 10% do contingente total. Ainda segundo dados da DAF. equivalentes a cerca de 26% da arrecadação bancária total.000.6. O quadro de Auditores Fiscais de Previdência Social não chega hoje à metade do necessário e isso traz sérias implicações no tocante à receita previdenciária. ou seja. a possibilidade de ampliação dos benefícios. impondo uma perda de receita anual de cerca de R$ 961. Se com a quantidade atual. a ampliação do quadro de auditores fiscais de Previdência torna-se imperativo para dinamizar a política de recuperação de créditos. PRECARIEDADE DO MODELO DE FISCALIZAÇÃO A ação fiscal é uma das principais variáveis explicativas para o bom desempenho histórico da arrecadação da Previdência Social. podemos estimar que nos próximos doze meses o contingente atual.41 milhões. Entretanto.761 milhões por ano. maiores serão as possibilidades de aumento da receita e.4. 49 . já que para cada fiscal não existente no quadro funcional o INSS deixa de arrecadar R$ 230 mil por mês e R$ 2.652 bilhões. contribuindo dessa forma para a melhoria do equilíbrio financeiro do sistema previdenciário. Portanto. o número razoável de auditores para maior eficácia da ação fiscal é de 8. conseqüentemente. de cerca de 3. a realidade é outra. será reduzido em 380 auditores fiscais. além do efeito multiplicador quanto ao monitoramento do órgão arrecadador e fiscalizador em toda a rede de contribuintes.000 o RAF poderia alcançar num futuro próximo duas vezes mais. Pode-se verificar claramente uma tendência histórica de redução do quadro sem reposição. o resultado da ação fiscal (RAF) em 2000 chegou a R$ 14. mais do que o dobro do contingente existente. A melhoria da ação fiscal está diretamente relacionada com a existência de um quadro de auditores fiscais quantitativamente suficiente e qualitativamente modernizado. A Tabela 17 apresenta a evolução do contingente de auditores fiscais. que está em torno de 3. segundo dados da Diretoria de Arrecadação e Fiscalização (DAF) do INSS. com 8. Quanto mais eficaz for a ação fiscal.800 (dado de agosto/2000).

50 . contrapondose também aos aumentos do salário mínimo. A cada mês. Para atender aos graves desequilíbrios macroeconômicos do país. ganham fôlego as idéias da privatização do sistema.DIFICULDADES E CONSEQÜÊNCIAS DA UTILIZAÇÃO DA F O L H A C O M O F O N T E E X C L U S I VA D E B A S E D E FINANCIAMENTO Ao estabelecer que as contribuições sobre a folha de salários devem cobrir o pagamento de todos os benefícios previdenciários. Esses fatos não são novos nem desconhecidos do governo.938 4. a política econômica tem optado por saídas recessivas. quando as contas da Previdência Social são verificadas. apontam-se os esperados resultados negativos.070 3.827 5 . o governo impõe à sociedade um modelo de difícil e onerosa viabilidade.843 3.793 3.628 3. a redução dos benefícios e a ampliação das carências. socialmente perversas.951 3. As novidades do processo produtivo também têm diminuído o mercado de trabalho. mas o discurso permanece inalterado. dentre outros efeitos. restrições e requisitos. Assim.Tabela 17: Evolução do contingente de Auditores Fiscais da Previdência Social Ano 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Fonte: DAF/INSS Quantidade 3. Até mesmo o fim da indexação dos salários e das garantias de sua recomposição frente à inflação afeta a capacidade das contribuições sobre a folha de salários de arcarem com o conjunto das despesas previdenciárias.

para que esse modelo não apresentasse déficit (em torno de R$ 10 bilhões. rurais e assistenciais torna o emprego proibitivo pelo porte dos encargos de que se trata e pela desproporção entre a contribuição do empregado e a do autônomo. etc. estariam as empresas que se utilizam de mão-de-obra intensiva. A Constituição prevê.5% a contribuição do empregado. o modelo estaria acentuando a redução dos postos de trabalho e agravando ainda mais a situação da Previdência. exigir que as contribuições sobre a folha de salários arquem com a integralidade das despesas com benefícios previdenciários.O ÔNUS SOBRE OS RENDIMENTOS DO TRABALHO E SOBRE A PRODUÇÃO COM USO INTENSIVO DE MÃO-DEOBRA E PRIVILEGIAMENTO DO USO INTENSIVO DE CAPITAL Dentro do atual modelo econômico brasileiro. Tais majorações. até hoje. 6 .. que a contribuição sobre a folha de salários pode ser flexibilizada para não inviabilizar essas empresas. empresas com diferenciados graus de utilização de mãode-obra. automação. dentro de uma visão simplista e de manutenção da folha como fonte exclusiva de financiamento. e viceversa. medidas que reduzem postos de trabalho. ampliar de 20% para 25% a contribuição patronal e do autônomo ou de 11% para 16. segundo a visão oficial) seria necessário. por exemplo. Ampliando sua carga tributária. absolutamente descabidas. foram sistematicamente utilizados para a "modernização" do parque produtivo.Há outro caminho que se insiste em ignorar. Com os dados de 2000. achatariam ainda mais os salários. Ao contrário. lucro. e até mesmo a CPMF. Contribuições sociais sobre faturamento. movimentação financeira etc. que permite alcançar o mercado informal. agravariam a situação do emprego. desde 1988. ampliariam as injustiças do sistema tributário e reduziriam a já escassa participação dos salários na renda nacional. No entanto. Em pior situação. 51 . a sonegação e rendimentos que nunca são declarados. os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). este dispositivo não entrou em vigor. permitem construir um sistema que se autocomplementa: empresas com grandes lucros e pequenos faturamentos. A Constituição Federal estabelece um processo múltiplo de financiamento da Seguridade Social. sem qualquer especialização.

garantir a expansão da sua cobertura e redefinir um novo modelo de financiamento mais justo e mais abrangente. mediante programas de previdência e assistência social. que visa à construção de um Estado mínimo para o povo. Não é possível continuar submetendo as prioridades nacionais aos interesses do capital financeiro globalizado nem assistir passivamente à continuidade de políticas de desagregação social. 52 . A saúde pública não consegue atender aos pressupostos básicos de prevenção e atendimento. vem atacando todas as conquistas sociais alcançadas na Constituição Federal de 1988.CRÍTICA À DESCONSTITUIÇÃO DO SISTEMA INTEGRADO DE SEGURIDADE SOCIAL O projeto de transformação e especialização do Estado brasileiro. esse projeto de Estado mínimo já apresenta sinais evidentes de esgotamento.A conseqüência desse modelo contributivo é a privilegiação das empresas com maior suporte tecnológico. embora a minimizem. e aquelas em que na composição final das receitas têm maior participação as de origem financeira. Estamos diante da necessidade da construção de um novo horizonte capaz de inverter prioridades e. Para a sociedade brasileira. Levou à falência o setor de transportes e o energético. Nem a assistência social nem a Previdência Social têm programas capazes de corrigir esse grau de exclusão social. O país convive com uma enorme desproporção entre o seu desenvolvimento econômico e o seu desenvolvimento social. A desconstituição do sistema integrado de Seguridade Social é um dos principais instrumentos estratégicos para a realização desse projeto e se consubstancia pelo represamento das demandas sociais. 7 . maiores ganhos de escala. maiores lucros. comprovada por índices baixíssimos de desenvolvimento humano (IDH). por desvios de recursos das fontes de financiamento. pela desvinculação de receitas da União e pela opção por um modelo fiscal restritivo do crescimento econômico e ostensivo no pagamento de juros das dívidas interna e externa.

diminuir ainda mais as receitas previdenciárias. 1 . como a necessidade de expansão da cobertura e da busca de novas fontes de financiamento que não afetem ainda mais a renda do trabalhador e os custos da contratação de mão-de-obra. é oportuno discutir a questão das alíquotas incidentes sobre a folha de salários sem.Capítulo II A PREVIDÊNCIA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS AMPLIANDO A PROTEÇÃO SOCIAL DO ESTADO O objetivo deste capítulo é tratar de matérias controversas. 53 .A QUESTÃO DAS NOVAS FONTES DE FINANCIAMENTO. Independentemente da instituição de novas fontes de financiamento. Questões como a contribuição patronal. o modelo do SIMPLES e a evasão fiscal terão tratamento específico destinado a potencializar as receitas previdenciárias. PRIVILEGIANDO O USO INTENSIVO DE MÃO-DE-OBRA Uma das primeiras questões que merecem destaque é a impossibilidade de manutenção da situação atual de restrição da base do equilíbrio previdenciário às contribuições sobre a folha de salários. contudo. a desoneração da folha.

por exemplo. que leve ao equilíbrio entre a perda de receita de um lado e o ganho de outro. porque são regressivos. Em 2001. como os de saúde. e garantir o cumprimento do preceito constitucional de tratamento diferenciado a empresas com uso intensivo de mão-de-obra. da ordem de R$ 9. Hoje. apenas na esfera federal) ultrapassou os R$ 29 bilhões. 2 . eqüivalem praticamente ao déficit previdenciário.É preciso analisar também o §9º. é preciso especializar fontes para determinar a medida do equilíbrio. o que não significa simplesmente transferir. pois as renúncias fiscais estimadas para 2002. o superávit primário da União (ou seja. alguns segmentos para o sistema SIMPLES ou diminuir sua cota patronal sem um estudo mais técnico.1. em cascata e de difícil desoneração. verifica-se que o governo utiliza o saldo positivo da Seguridade Social para engordar seu superávit primário. os previdenciários e os de assistência social.alardeado pelo governo. os critérios que apontam tão somente as contribuições sobre a folha de salários demonstram-se insuficientes. São necessários e tolerados na justa conta da sua destinação a programas que viabilizem projetos efetivos de distribuição de renda.2 bilhões. sendo que mais de 30% é oriundo do saldo agregado da Seguridade Social. pois a Emenda Constitucional n° 20 estabeleceu o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial. Entretanto.A CONTROVÉRSIA SOBRE A DESONERAÇÃO DA FOLHA 2. Assim. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES A análise do Orçamento da União revela que o produto das contribuições sociais supera em muito as despesas da Seguridade Social. 54 . No campo do Regime Geral de Previdência Social a questão se complica. da Constituição. com incorporação dos segmentos sociais excluídos. 195. Esse "excedente" deveria ser utilizado em duas frentes: assegurar a expansão dos programas da Seguridade. que permite alíquotas diferenciadas da cota patronal previdenciária. As contribuições sociais são tributos caros para a economia e em sua essência são injustos. do art.

ou seja.2. A arrecadação sobre a folha de salários.3. que inclui empregados. a recuperação da receita previdenciária com expansão da cobertura do sistema. 2.48% Empregados 28. estimada em R$ 68. Tabela 18: Participação relativa da contribuição de empregadores e empregados sobre o total da arrecadação previdenciária Ano 2002 Empregadores 51.Esses são os parâmetros que devem pautar o debate sobre a desoneração da folha de salários.18% Outros 20.PLOA/2002. FLEXIBILIZAÇÃO DA COTA PATRONAL E SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Dada a importância vital da cota patronal para o financiamento 55 . Somente a contribuição dos empregadores (cota patronal) representará. como bancária. inclusive o que é feito pelo modelo do SIMPLES. Para atender a um contingente estimado de 20 milhões de beneficiários. 51. segundo dados da Proposta de Lei Orçamentária Anual . SIMPLES. depósitos judiciais etc. empregadores e contribuintes individuais. até que ponto a desoneração da folha das empresas possibilitaria o crescimento do mercado formal e. ABORDANDO A CONTROVÉRSIA A questão da desoneração da folha de salários mediante a flexibilização ou a extinção da cota patronal previdenciária é motivo de intenso debate nos círculos empresarial e parlamentar.48% de toda a arrecadação. é a principal fonte de recursos da Previdência Social. consequentemente. (Tabela 18). a cota patronal contribuirá com cerca de R$ 35.527 bilhões e incluindo todas as receitas próprias do INSS.34% Fonte: PLOA 2002 Nota: Empregados inclui trabalhadores assalariados e contribuintes individuais.278 bilhões da arrecadação da Previdência Social (PLOA/2002). REFIS. 2. A importância dessa matéria é evidenciada pela controvérsia sobre a relação que se estabelece entre a redução de custo e a geração de empregos.

38% de hoje. Se for considerado ainda os 20% da subtração de receitas originária da DRU (Desvinculação das Receitas da União).5 vezes maior que os 0. A Tabela 19 apresenta simulações com várias reduções da cota patronal. a nova alíquota da CPMF.77%.819 bilhões · Redução de 20% para 10%: R$ 17.22% (Tabela 19. coluna 1). A contribuição previdenciária está assim distribuída: cota patronal (20% mais 2%. deverá ser ainda maior: 1. mais de 2. da folha de salários) e contribuições de empregados e autônomos (8 a 11% até o teto . estas sejam compensadas dentro de uma outra hierarquia de alíquotas ou outra estrutura de arrecadação. extinguindo-se. mantidas as suas características atuais (Tabela 19. Somente a parcela destinada à Previdência Social seria de 0. consiste em cobrar uma alíquota de 1. A idéia de flexibilização da cota patronal previdenciária.da Previdência. a sua flexibilização só se justifica na medida em que se encontrem mecanismos capazes de minimizar as perdas e que. em contrapartida.00). os 20% da cota patronal com majoração da Contribuição provisória sobre movimentação financeira (CPMF). Soma-se a isso o fato de a Previdência Social arcar com o custo da isenção da cobrança da CMPF dos aposentados e pensionistas que ganham até 03 (três) salários mínimos. como veremos mais adiante. 195. estimado em R$ 450 milhões em 2001. por exemplo.hoje de R$ 1.05% em 2002. em função do uso intensivo de mãode-obra. em média. mediante alíquotas diferenciadas. deverá ser ampliada ainda mais a alíquota necessária. para acidentes de trabalho. para compensar a extinção da cota patronal. É importante enfatizar que as reduções da cota patronal acarretarão as seguintes perdas de receita para Previdência Social: · Redução de 20% para 15%: R$ 8. além de outras contribuições. da Constituição Federal e pode ser mais uma alternativa ao modelo de arrecadação do SIMPLES.639 bilhões 56 . A substituição da contribuição previdenciária das empresas. E ainda: havendo setores da economia com isenção da CPMF (como o mercado de capitais). coluna 2). está respaldada no § 9º. do art.430.

0.· Redução de 20% para 5%: R$ 26. já que outros fatores como a sonegação fiscal. 2.89 0. mantiveram-se as alíquotas de 0.20 para a saúde e 0. Detalhando mais esse cenário na quantificação dessas perdas.2002 (R$ Bilhões) DISCRIMINAÇÃO DE RECEITAS Receitas estimadas de contribuições previdenciárias Receita da cota patronal previdenciária (51.59 (1) (2) (2) (2) (2) Fonte: PLOA 2002 Notas: (1) A parcela previdenciária da CPMF eqüivale a 0. a precarização das relações de trabalho.22 1. (2) Após o cálculo das alíquotas necessárias para cobrir a substituição tributária.278 19.188 1. o passivo previdenciário. Tabela 19: Simulações para substituição da cota patronal previdenciária pela CPMF .10% dos 0.527 35.10%) Alíquota necessária para cobrir a redução integral da cota patronal (em %) Alíquota necessária para cobrir a redução de 20% para 5% da cota patronal (em %) Alíquota necessária para cobrir a redução de 20% para 10% da cota patronal (em %) Alíquota necessária para cobrir a redução de 20% para 15% da cota patronal (em %) 2002 SEM DRU 68.458 bilhões. INFORMALIDADE. O restante é destinado à Previdência Social.80 0.01 0.38% da alíquota total.892 4.48% do total) Receita total da CPMF (0. haverá uma perda de R$ 1.892 5.72 0.764 bilhão. veremos que para cada ponto percentual de redução.08 para o Fundo da Pobreza.4. Do resultado a DRU.55 2002 COM DRU 68.05 0.278 19.527 35.38%) Receita da CPMF (parcela previdência . CARGA TRIBUTÁRIA E CUSTO BRASIL Os efeitos da flexibilização sobre a redução do trabalho informal são limitados.235 1. a existência do "caixa 2". a terceirização. subtrai-se 20%. o desenvolvimento econômico 57 .

é preciso ficar bem claro que ela resulta de uma 58 .18% do PIB em 2000). No entanto. O chamado "custo Brasil" não resulta apenas do custo da folha de salários. Já o aumento do nível de emprego formal tem relação direta com a demanda por bens e serviços da sociedade como um todo. não atacam os reais problemas da economia nacional. Cabe esclarecer aqui que a informalidade dos chamados “trabalhadores sem-carteira” assinada consubstancia-se em uma ilegalidade. A carga tributária também poderia ser reduzida se fosse mais uniformemente distribuída de acordo com a capacidade econômica dos agentes. descontada a rolagem das dívidas (interna e externa). para o usufruto de alguns direitos. mais de R$ 80 bilhões no pagamento de juros e amortizações. A atual carga tributária brasileira é excessiva (33. O pagamento de juros em um ano eqüivale a 80% de todo o dinheiro arrecadado em uma década com o programa de privatizações (receita de R$ 100 bilhões com a venda de ativos públicos). o país continua numa grave crise financeira. já que a legislação previdenciária obriga a inscrição dos segurados ao Regime Geral de Previdência Social (INSS). Entretanto. deveriam ser criados instrumentos legais. visando à obrigatoriedade de inscrição e adimplência com o sistema. não estão sendo levados em conta. de quitação com o sistema de Seguridade Social. somados a um forte esquema de propaganda. De qualquer maneira. existe ambiente favorável para o início de um processo articulado de flexibilização da cota patronal previdenciária e de reorganização da estrutura de alíquotas do SIMPLES. mas principalmente da política monetária e dos elevados encargos das dívidas interna e externa com que a sociedade arca. Mas o combate à sonegação é extremamente tímido e os débitos previdenciários já ultrapassam R$ 115 bilhões (valor de difícil mensuração. os chamados “trabalhadores por conta própria”. Reduzir o chamado "custo Brasil" é uma tarefa complexa. por equívoco ou ilusão. só possível com crescimento econômico sustentado.estável. como a obrigatoriedade da apresentação. pois oscila constantemente). Para os outros trabalhadores que estão na informalidade. etc. Em especial porque as pessoas. em 2000. Somente o governo central gastou.

mas principalmente da inserção passiva do país no processo da globalização a partir do início da década de 90. Em relação à arrecadação normal do INSS frente à arrecadação proporcionada pelo SIMPLES. tornando-a mais racional e mais eficiente nos seus procedimentos fiscais e contábeis. ainda que de fato tenha dado fôlego a essas empresas no sentido de mantê-las operando na legalidade e na produção de riqueza para o país.política econômica que construiu um modelo fiscal perverso. Para corrigir esse quadro. não basta encontrar soluções setoriais provisórias. 3 . em total desrespeito ao pacto federativo e aos princípios tributários. apropriadas integralmente pela União. é preciso considerar que. é um paliativo em relação à necessidade de uma ampla reforma tributária e um prejuízo no tocante aos recolhimentos previdenciários. fator primordial para o crescimento da receita previdenciária. e à existência de um sistema tributário oneroso e regressivo. do alto custo de um posto de trabalho formal e de um conjunto de encargos que oneram sobremaneira a folha de salários das empresas e a produção econômica nacional. É preciso criar as condições macroeconômicas para o desenvolvimento sustentado.A CONTROVÉRSIA SOBRE O SIMPLES O SIMPLES veio responder às demandas de simplificação da parafernália burocrática. Afirmar pura e simplesmente que a queda no contingente de trabalhadores com carteira assinada não é pior devido ao desempenho das empresas inscritas no SIMPLES é simplificar a análise da conjuntura econômica do país. A diminuição da carga tributária decorrente da adoção do SIMPLES. a despeito da redução contínua da massa salarial do país. com base no aumento das contribuições sociais. O avanço da informalidade no Brasil não decorre só da excessiva carga tributária. que penaliza em especial as microempresas e empresas de pequeno porte. esta última vem tendo 59 . dos efeitos da globalização e dos estragos da abertura externa. bem como capacidade para gerar empregos formais.

PERDAS.3% ) Arrecadação total sobre a folha Perdas (cota patronal: 20% + 2% .510 1.incrementos significativos.034 1. Diretoria de Arrecadação e Fiscalização/INSS e MPAS 60 . são apresentadas na Tabela 20. 3. vem provocando um desequilíbrio financeiro nas contas da Previdência Social. Sua primeira distorção é fruto do estabelecimento de diversas faixas de faturamento para o enquadramento das empresas. 51% de um total de 2. estão enquadradas na menor faixa de faturamento anual (até R$ 60 mil) e sujeitas. portanto. é necessário abrir os olhos para suas repercussões negativas. ao piso do sistema (conforme dados da Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS). As perdas acumuladas desde o início da vigência do SIMPLES. sem uma efetiva ação fiscalizadora.1.262 4. que totaliza R$ 9. que poderiam ser ainda maiores se não fossem as perdas oriundas do SIMPLES.827 9.039 2. Essa renúncia de arrecadação decorrente da adoção do SIMPLES. DISTORÇÕES DO SISTEMA.238 2.136 bilhões desde a sua criação.476 2. Tabela 20: Arrecadação e perdas do modelo SIMPLES (empresas optantes) e arrecadação sobre a folha de salários (regra anterior) (R$ Bilhões) ANO Arrecadação do SIMPLES (INSS: 1. Talvez isso possa explicar porque cerca de 70% de 1.935 1.550 2. o que possibilita diversos artifícios contábeis. se somada às demais renúncias previdenciárias.936 1.974 3.226 2.2% a 4. em 1997.1 milhão de empresas optantes pelo SIMPLES. inclusive a divisão das empresas.136 Fontes: Fluxo de Caixa/INSS.535 2.024 2.SAT médio) 1997 1998 1999 2000 2001 Perda média anual PERDA TOTAL 0. MASSA SALARIAL E VÍNCULOS Se o SIMPLES tem pontos positivos.1 milhões de micros e pequenas empresas existentes em 2001.776 4.599 1. A segunda distorção é a perda acumulada da arrecadação previdenciária.

269.6 379. que apresentou R$ 2.2 3.0 1.134 17. Tabela 21: Estimativa de renúncia previdenciária resultante do SIMPLES .099.SRF Renúncia estimada Fonte: Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS TOTAL 18.860.8 35.797. A Tabela 22 mostra que esses vínculos representam 20.5% 61 . Há uma pequena divergência entre o valor da arrecadação do SIMPLES em 2000 (R$ 1.659 20.754. um dado positivo é que a adoção do SIMPLES possibilitou a ampliação dos vínculos empregatícios. Ocorreu crescimento nos vínculos em 1999 e 2000.2 49.974 bilhão) e o Fluxo de Caixa do INSS.6% 3.704.419 20.306 21.932.8% 3.974.9% 3.5 4. e queda em 2001 (primeiro semestre).A Tabela 21 mostra a renúncia previdenciária do SIMPLES em 2000.0 2. Tabela 22: Vínculos empregatícios das empresas optantes pelo SIMPLES frente ao total dos vínculos das micro e pequenas empresas do país Média do semestre 1999-1º 1999-2º 2000-1º 2000-2º 2001-1º Fonte: MPAS Quantidade de vínculos % SIMPLES SIMPLES TOTAL 3.9 188.987.024 bilhões. porém sem afetar o desenvolvimento da presente análise.CNIS / 2000 (R$ Milhões) Fatos Geradores Massa salarial SIMPLES Remuneração Contribuição individual SIMPLES Contribuição Potencial 20% s/ salários 2% s/ salários (SAT médio) 15%/20% s/ contr.216 18.262.390 20.5% do total médio dos vínculos do sistema no primeiro semestre de 2001.071 22.8% 3.578.162.005 17.024 17. com base no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Individual Aposentadoria especial (acréscimo) Subtotal Repasse SIMPLES . segundo informações do Ministério da Previdência e Assistência Social.288.0 Por outro lado.843 17.993.786.

A Tabela 22 mostra também que mesmo depois da ampliação do SIMPLES. embora encontre atrativos na redução da carga tributária.2 2000 . A diminuição da carga sobre a folha de salários sequer pôde representar um aumento no salário médio das empresas optantes do SIMPLES (Tabela 23).2 2001 .60 701. terá de ser adequadamente compensada com recursos fiscais. é apresentada a estimativa do acréscimo da renúncia previdenciária em valores para o ano de 2000.03 0. as quedas foram freqüentes no conjunto das empresas optantes pelo modelo. suplantaram os efeitos da renúncia fiscal. Os problemas que o país viveu a partir do segundo trimestre de 2001.1 1999 .89 378.56 0.754 milhões. quer das que venham a ser incluídas.26 381.11 674. a perda de receita decorrente do SIMPLES. Tabela 23: Salário médio do SIMPLES em relação ao total (Valores correntes em R$) Média do semestre Salário médio SIMPLES (a) Total (b) Razão (a) / (b) 1999 .53 0. no final de 2000. NOVAS RENÚNCIAS E RAZÕES DA VEDAÇÃO A seguir. Uma alternativa seria a ampliação da participação da Previdência Social no produto desse sistema. AMPLIAÇÃO DO SISTEMA.932 milhões para 3.2. em especial no custo do posto de trabalho. manter a continuidade do pagamento dos benefícios e garantir sua ampliação futura.59 355. com a inserção de novos 62 .1 Fonte: MPAS 389. o número de trabalhadores nessas empresas caiu de 3.58 0.20 670. Isso porque a formalização do trabalho. para atender à obrigação constitucional de equilíbrio financeiro da Previdência Social. Enquanto o salário médio do conjunto das empresas fora do SIMPLES aumentou ao longo do período considerado.269 milhões.993 milhões para 18.07 725. quer das empresas já optantes.56 0. em especial o aumento dos juros e a crise energética. enquanto que o total de vínculos cresceu de 17. responde mais prontamente ao crescimento econômico.09 370.49 Entendemos que.1 2000 . 3.37 671.

0 119.599. um profissional liberal assalariado ou autônomo com renda de 60 mil reais anuais pagaria 27.5 2. Mas existem razões fiscais para a exclusão de tais atividades.7 47.868.1 2.887 empresas não optantes pelo SIMPLES em 1998.2 0.9 730.9 2. em seguida.7 625.4 49.1 12.5% de imposto de renda.1 25.0 34.1 43.343.2 Fonte: Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS Em princípio. Isso criaria uma injustiça de tratamento fiscal.0 39.6 39.1 18.6 181.1 1.4 Contribuição previdenciária Devida SIMPLES 99.4 666.5 1.3 12.2000 (R$ Milhões) CNAE Bebidas Fumo Construção civil Representantes comerciais Armaz.0 13.249. o acesso ao programa simplificado de tributação.5 814.5 230.1 509.9 620. Tabela 24: Estimativa de renúncia previdenciária do SIMPLES com a inclusão de novos segmentos . foram aplicadas as alíquotas atuais de contribuição das empresas optantes.0 86.452.8 0. finalmente.8 122.8 582.3 13.6 1.4 167.1 1.5 6.401.8 89.0 55.321.3 29.5 535.2 123. pode parecer que não há razão para que a lei discrimine entre pequenas empresas. terceiros Agências de viagem Agências de correio Instituições financeiras Imobiliárias Serviços de profissões regulamentadas Agências de publicidade Serviços de vigilância e conservação Escolas particulares Laboratórios Atividades desportivas Casas lotéricas Total Massa salarial 412.8 40.6 360. por exemplo.9 18.segmentos (Tabela 24). vedando conforme sua atividade.708.1 1. enquanto que o mesmo profissional.3 63.1 195.5 37.3 160.7 1.6 140. na 63 .4 6. e depos.8 37.0 61. conforme o seu faturamento anual.2 4.5 37.5 695. e uma contribuição previdenciária de 20% do teto.8 21.1 28.3 6.785.4 60. A principal é a grande diferença da carga tributária que existiria entre pessoas físicas empregadas ou profissionais liberais e microempresas que exercessem a mesma atividade.4 195.8 7.4 458.5 Repasse estimado 1.8 3.6 6. prod. o resultado foi atualizado pelo índice de variação do PIB em 1999 e 2000. pois.0 250.718.4 78.026.7 5.9 191.5 726.8 595. agrupadas por Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE).8 6.661.516.4 109.084. O cálculo foi feito a partir do faturamento de 761. e.9 173.3 Renúncia estimada 11.8 14.537.505.2 20.8 43.3 14.5 3.0 349.6 850.

portanto.optantes. não competem com grandes empresas. As perdas de arrecadação de imposto de renda nas camadas médias e altas de autônomos e profissionais liberais seriam consideráveis. A Lei Complementar n°. a ampliação do SIMPLES fere o campo jurídico. provocando perda de arrecadação para a Previdência e prejudicando seu equilíbrio financeiro.006 bilhões. somadas as empresas optantes e as empresas não. Isso criaria uma situação bastante indesejável de injustiça tributária e perda de arrecadação. é de R$ 5. Além de tudo que já foi exposto. Os profissionais liberais. os franqueados dos Correios. logo. os assalariados não poderiam. os agentes lotéricos. sem a criação de nova receita que compense tal fato. 3. a concessão de qualquer nova renúncia fiscal sem que a própria lei que a crie estabeleça a necessária compensação financeira.condição de microempresa ou criando "pseudocooperativa".inclusive a previdenciária .671 bilhões. O enorme custo tributário e previdenciário daí decorrente faria com que as empresas em geral preferissem demitir seus empregados de certas profissões. FLEXIBILIZAÇÃO DA COTA PATRONAL COMO ALTERNATIVA AO SIMPLES Para compensar alguns segmentos econômicos de grande intensidade de mão-de-obra. Haveria.no máximo 3% por ano. de custos altos. contratando-os em seguida como microempresa. em seu art. 14. A outorga do direito de opção pelo SIMPLES ou a inclusão nele de empresas cujas atividades vedam isso implica mais renúncia fiscal.101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) veda expressamente. a estimativa de renúncia somente para os atuais optantes do sistema é de R$ 2. grande migração para a terceirização.3. sem dúvida. por exemplo. especialmente as liberais (cuja atividade passaria a ser enquadrável no SIMPLES). não há motivo para seu enquadramento no sistema simplificado. as agências de viagem. Embora os autônomos pudessem beneficiar-se do registro como microempresa. A estimativa de renúncia fiscal decorrente do SIMPLES para 2000. e que contemple 64 . pagaria de impostos e contribuições . Outra razão para a existência de vedações é que o objetivo do SIMPLES é proteger pequenas empresas que competem com grandes empresas. Para 2002.

476 2.500 -0.285 4. Tabela 25: Empresas optantes pelo SIMPLES Arrecadação sobre a folha com alíquotas diferenciadas comparativamente à arrecadação pelo SIMPLES .706 2. com a qual as empresas optantes do SIMPLES não seriam tão oneradas e haveria um incremento de 26.212/91.217 -39. um caminho possível seria uma alíquota menor (cota patronal previdenciária) que a estabelecida no art. Acreditamos que ela seja a mais próxima de uma alíquota de equilíbrio. por exemplo. a Tabela 25 apresenta simulações com alíquotas diferenciadas.382 3.79% na receita da Previdência Social. pode-se discutir a redução da cota patronal para uma alíquota de 15%.3% destinadas ao INSS).524 -8. 22.476 2.2% a 4.476 2.476 Perdas (%) [(b/a-1)*100] -45.800 Elaboração: Assessoria Econômica da ANFIP a partir dos dados matriciais do MPAS 65 .833 3.481 2. geraria receita inferior à proveniente hoje do SIMPLES.157 2.403 -31. A redução da cota patronal de 20% até 11% para as micro e pequenas empresas atualmente optantes possibilita ainda algum ganho em relação à arrecadação de 2001 com as alíquotas em vigor (1. da Lei 8. Sobre a flexibilização da cota patronal como alternativa ao modelo do SIMPLES.2001 (R$ Bilhões) Alíquotas 20% 19% 18% 17% 16% 15% 14% 13% 12% 11% 10% Cota patronal (a) 4.476 2.608 3.931 2. no meio do intervalo considerado. ou seja.789 -21.476 2. Uma alíquota de 10%.476 2.o mesmo nível de emprego.476 2. Entretanto.476 2.571 -15.510 4. A alternativa de flexibilização da cota patronal previdenciária pode desonerar os custos das empresas e tornar desnecessária a inclusão de novas empresas e novos setores econômicos ao SIMPLES.100 -42.375 -26.476 2.202 9.255 SIMPLES (b) 2.000 -35.476 2.059 3.

ampliando as perdas decorrentes desse modelo ou até mesmo a diminuição de direitos dos segurados. equivalente à arrecadação pela contribuição sobre a folha. A estimativa foi realizada com base no faturamento das empresas em 1998 (último dado disponível). Uma vez que o propalado desajuste financeiro da Previdência Social vem sendo utilizado inclusive como instrumento de diminuição ou eliminação de benefícios sociais. é importante que também os Auditores Fiscais da Previdência Social possam participar do processo de fiscalização.Seguro Acidente de Trabalho . segundo o CNAE.médio) e o faturamento médio dos segmentos econômicos dentro das faixas consideradas. NOVAS ALÍQUOTAS PARA O SIMPLES Outro caminho seria um estudo aprofundado no sentido de adotar alíquotas compatíveis dentro do próprio SIMPLES. Outra questão que surge em função do elevado número de empresas optantes é a necessidade de se ampliar a fiscalização das optantes pelo SIMPLES.3. venham a ser utilizados para futuros aumentos das demais contribuições sociais. contribuindo para coibir práticas irregulares das empresas optantes e assegurar a receita destinada à Previdência Social. Essas novas alíquotas são as que possibilitariam tornar a arrecadação. 66 . Como essa receita tende a se ampliar dentro do espectro de financiamento do RGPS. por faixa de enquadramento. A Tabela 26 apresenta uma simulação de novas alíquotas. aumentando as parcelas destinadas ao INSS. evitando maiores perdas.4. não nos parece justo que o incentivo ou a ampliação do SIMPLES às micro-empresas e empresas de pequeno porte. dentro do próprio modelo. As novas alíquotas se referem à parcela destinada ao INSS e resultam da razão entre a contribuição sobre a folha (cota patronal previdenciária de 20% + 2% referentes ao SAT . para os segmentos econômicos não-optantes.

tratamento e distribuição de água Com. de instr.04 4.51 4. de máquinas e equipamentos Fabric.01 4.70 6.70 6.19 6.78 9. e mont.46 7. de celulose.49 1.55 5.37 5.12 4.20 10.de viagem Ativ.99 4.76 7.35 2.13 6. e outras instituições extraterritoriais Pesca.e prev.77 9. refino de petr.61 6..24 13.40 12.74 19.42 4.72 3. de maq.84 16.98 5.36 12. Pec. e equip.83 6.25 6..62 4.48 2.37 7.63 7..09 4.00 2.11 7.22 8.94 4.93 4. etc.47 20.80 8.64 3.de veíc.05 8.41 8. aquicultura e serviços relacionados Pesquisa e desenvolvimento Prep. de apar.35 8. por faixas de faturamento anual até R$ 120 de R$ 120 mil a de R$ 240 mil a R$ mil R$ 240 mil 1200 mil 8.e obj. de artigos de viagem e calç.aux.07 5.75 5.16 3. de produtos de minerais não-metálicos Fabric. de outros equip.23 3.e conexas Atividades imobiliárias Captação.29 11.de inf.21 3.53 2. Ativ.61 6. reboques e carroceria Interm. prod.63 26.45 7.92 8.81 4.36 10.14 5. Aut. varejo comb. Assoc.44 4. pes.da interm. Eletr.pessoais e domést.08 3.90 2. anexas e aux.e domést. Financ.70 4. e aliment.58 4.exclusive máq.08 3. de produtos de metal .03 8.11 4.34 6.24 4.49 4.28 3.44 4.54 4.45 4. de produtos alimentícios e bebidas Fabric.21 5.e ag. de produtos da madeira Fabric.15 4.27 5.88 4.rel. Aloj.73 1. e reparação veíc.36 4. exclusive seg.70 3.54 26.09 7. e equip. Fabric. de transporte Fabric.intern.76 4.96 8.81 2.11 3. de máquinas.16 4.exploração florestal e serviços relacionados Transporte aéreo Transporte aquaviário Transporte terrestre Serviços prestados principalmente às empresas Alíq. Reciclagem Saúde e serviços sociais Seguros e previdência privada Serviços domésticos Serviços pessoais Sivic. de coque.61 10. Ativ.04 3.65 12.39 3. de artigos de borracha e plástico Fabric.84 5. e de vídeo Ativ.37 9.06 Fonte: Simulações MPAS 67 . de mat.28 5. máq. de inf Fabric. Fabric.06 2.03 21.17 4.46 5.69 17. de produtos do fumo Fabric. impressão e reprodução de gravações Educação Extração de minerais não-metálicos Extração de petróleo e serviços correlatos Fabric. de comunicação Fabric.48 3. Ativ. equip s/cond.34 12.28 9. para escr.de outros obj.Tabela 26: SIMPLES-Simulações de novas alíquotas CNAE Agric.14 6. de equip.de álcool e etc Fab. Financ.92 17. de móveis e indústrias diversas Fabric.09 3. de couros e Fabric.17 8.79 5.14 4. de produtos têxteis Fabric.89 3.41 4.70 3.05 5.04 4.54 4.01 9.. papel e produtos de papel Fabric.médico-hosp.80 5.05 3. relógios. Confecção de artigos do vestuário e acessórios Construção Correio e telecomunicações Edição.cinemat.97 20..04 2.10 5.62 17.60 5.23 5.91 0.93 5.95 4.03 7. aparelhos e materiais elétricos Fabric.47 4.69 4.50 4.52 5.01 7.. de produtos químicos Fabric.23 4.61 5.19 4..26 6.67 5. Alug.60 7. Comércio por atacado e intermediários do comércio Com.47 4.do transp.81 5.24 11.15 4.19 4.13 1.55 4.06 3.49 5.24 2.03 9.99 26.36 5.82 4.privada Limpeza urbana e esgoto e atividades conexas Metalurgia básica Org. varejista e rep.e serv.90 2.e motos e com.56 17. e equip.08 4.de veíc.39 9.18 6.26 13.22 3.83 3.29 6.

É importante salientar que. Caixa Econômica Federal. que chega a mais de R$ 115 bilhões. há uma evasão de receita previdenciária de mais de R$ 135 bilhões. Sem falar na inadimplência das empresas (débito de difícil acesso) e no estoque da dívida existente na Previdência. são grandes as dificuldades em função dos escassos recursos humanos. ainda temos a questão da evasão fiscal. · Quanto à inadimplência . Somando estoque da dívida. que elevaria o total para cerca de R$ 165 bilhões. desequilibra de forma contundente o caixa da Previdência Social e colabora para o seu desequilíbrio financeiro. valor superior à totalidade das receitas preliminares da Seguridade Social em 2001. ainda não está totalmente implantado e vê-se que há pouco interesse nesse sentido. Receita Federal.embora se esteja um pouco mais preparado e se disponha de recursos tecnológicos mais eficazes -. que atinge o montante absurdo de mais de R$ 20 bilhões/ ano (valor ainda subestimado tendo em vista que o valor da sonegação é de 1998). renúncia fiscal e sonegação. ou seja. · O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) que permite confrontar informações sócioeconômicas oriundas de órgãos como os Ministérios do Trabalho e do Planejamento. A seguir. sem dúvida. pois os dados servem apenas de indicadores. foram constatadas muitas disfunções que facilitam a evasão de receitas.4 .A CONTROVÉRSIA SOBRE EVASÃO FISCAL: RENÚNCIA E SONEGAÇÃO Este item tem por objetivo analisar de forma sucinta alguns pontos de maior relevância sobre evasão da receita previdenciária que. mediante renúncia e sonegação. sem qualquer consistência técnica. 68 . fraude e evasão fiscal. 32% das despesas totais com benefícios. Isso sem contarmos com o saldo do INSS junto ao Tesouro. ou 36% da receita líquida da Previdência Social em 2000. algumas delas: · A Previdência Social não dispõe hoje de mecanismos eficazes para detectar com segurança onde a sonegação ocorre. e sem falar também no saldo do INSS junto ao Tesouro Nacional (estimado em mais de R$ 30 bilhões no período de 1991 a 2000). resultante dos desvios de recursos do orçamento da Seguridade Social. em vários seminários realizados pela ANFIP sobre sonegação.

b) sigilo bancário. Procuradoria Geral da República. o que leva o servidor à aposentadoria precoce pela ameaça de prejuízos financeiros e insegurança quanto ao futuro. segurados especiais. importante empecilho. 69 . · Existe desestímulo à fiscalização mediante: a) desmonte do serviço público. que deixa a administração de mãos amarradas. Polícia Federal. c) falta de uma ação conjunta de fiscalização com a definição de um órgão coordenador. a ) RENÚNCIA FISCAL Para maior clareza. estados e municípios. bem como outras projeções feitas a partir de informações coletadas em diversos segmentos. entende-se aqui como renúncia fiscal a isenção que o poder público concede a determinados segmentos econômicos ou categorias de segurados mediante disposições especiais. via reforma previdenciária e reforma administrativa. Os segmentos econômicos ou categorias de segurados aqui analisados são principalmente: entidades filantrópicas. com base em dados da Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS. Nesse cenário.fiscais e administrativos. Tais diferenças de receita são caracterizadas como renúncias fiscais. Previdência Social. integrada por: Receita Federal. principalmente após decisão da justiça impedindo o processo administrativo fiscal como meio de solicitar dados ao sistema bancário. Trabalha-se em duplicidade e desarmonia. a análise a seguir sintetiza o grau de evasão fiscal relativamente à renúncia e à sonegação. clubes de futebol profissional. produtores rurais. o objetivo do trabalho é comparar os resultados financeiros realizados com os que seriam alcançados. A partir deste conceito. principalmente para aqueles que cumprem seu dever de contribuinte. caso os assim favorecidos estivessem sujeitos à regra geral da contribuição para a Seguridade Social. muitas vezes o produto do trabalho para a sociedade é mínimo em relação aos tributos cobrados. gerando resultados improdutivos. Não obstante os esforços da ação fiscal.

existem uma maioria de escolas particulares. salvo as agroindústrias. a isenção constitucional restringe-se às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências legais. pois o cooperativismo é uma tendência do mercado e já abarca um grande número de trabalhadores e empregadores.empregadores domésticos. em R$ 8. Atualmente. Para 2002. sobre a folha de salários. Pesquisa realizada em cooperativas de 13 (treze) Estados mostrou que a perda potencial de receita chega a 80%. inclusive as de maior porte. a. substituiu a incidente sobre a folha de pagamento. Não foi possível quantificar a renúncia fiscal referente às cooperativas de trabalho. e casos de isenção da CPMF. 70 . porém seu valor é sem dúvida expressivo. que continuam contribuindo com a mesma base de cálculo.500 instituições consideradas filantrópicas e 80% delas. de produtores rurais "pessoas físicas" e "pessoas jurídicas". Os dados são apresentados na Tabela 27. que gozam desse privilégio. está estimado em 2001. milhares de seus trabalhadores se aposentam sem que a contribuição previdenciária patronal tenha sido recolhida.386 bilhões. inclusive de nível universitário. advindas dos segmentos econômicos ou categorias de segurados analisados. a. empresas optantes pelo modelo SIMPLES de arrecadação. Entre elas. o que agrava ainda mais a situação.2) ÁREA RURAL A contribuição patronal sobre a comercialização da produção rural.201 bilhões (Tabela 27).1) FILANTROPIA Existem mais de 6. concentramse nas regiões sudeste e sul. grandes hospitais e outras entidades ricas e poderosas. uma vez que numerosas dessas entidades gozam de isenção da contribuição patronal para a Seguridade Social. ou seja. a previsão é de uma renúncia total de R$ 9. mas uma legislação imprecisa e decisões jurídicas discutíveis continuam dando margem a distorções e outras irregularidades. Enquanto isso. O valor total das renúncias fiscais.

contribuindo portanto com base na folha de salário. Saliente-se também que nesse setor a projeção é de um grande déficit. a. afetou de forma decisiva a receita previdenciária. há numerosos segurados rurais que não se caracterizam como especiais e que deveriam ser enquadrados como empregados. quando a contribuição patronal normal é de 20%. No entanto. a. principalmente a médio e a longo prazos.4) CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL A contribuição empresarial da associação desportiva destinada à Seguridade Social corresponde a 5. enquanto que o valor de qualquer benefício é de pelo menos um salário mínimo por empregado.0% da receita bruta dos espetáculos esportivos. em substituição à cota patronal. e já constitui distorção em relação aos demais segmentos.Há grande distorção quanto ao segurado especial.5) EMPREGADOR DOMÉSTICO O empregador doméstico contribui com 12% do salário-de-contribuição do empregado ao seu serviço. tendo em vista que a média de receita via SIMPLES está abaixo de um salário mínimo por empresa. independentemente do número de empregados registrados. 71 . pois seu recolhimento incide sobre a comercialização da sua produção em regime de economia familiar. embora implantado para simplificar as atividades das microempresas e empresas de pequeno porte.3) SIMPLES O modelo de arrecadação/SIMPLES. a.

o custo da sonegação é menor do que o valor do tributo a recolher.07 9.12 3. apresenta um resumo dos procedimentos ilegais usados para sonegação. 72 . Muitas vezes.18 2.912.210.87 b ) SONEGAÇÃO FISCAL Como se não bastassem as perdas de receita resultantes dos desvios de recursos das contribuições sociais e da renúncia fiscal.81 4.51 61. A Previdência Social não escapa dessa turbulência.00 290.200. bem como os valores estimados correspondentes a 1998.92 3.57 50.386.Tabela 27: Previdência Social – Estimativa da renúncia fiscal para 2001 e 2002 (R$ Milhões) Segmento Entidades filantrópicas Setor rural * Segurado especial * Produtor (PF e PJ) Empregador doméstico SIMPLES Clubes de futebol profissional TOTAL GERAL Fonte: Diretoria de Arrecadação e Fiscalização/INSS PF – Pessoa Física PJ – Pessoa Jurídica 2001 1.080. bem como das mil maneiras de burlar o fisco.97 775. A Tabela 28 .27 8.199. Na área das receitas federais.59 2002 2.978. Empresas e segurados se utilizam de diversas artimanhas para redução do valor a ser pago ou para o não-pagamento das contribuições.236.42 3.45 200.92 898.58 2. por exemplo.671. ouvimos diariamente notícias de fatos escandalosos. a Previdência Social ainda sofre a prática criminosa da sonegação fiscal. da Diretoria de Arrecadação e Fiscalização do INSS. que no Brasil já se tornou rotina.012.

00 milhões. a cifra foi muito maior: R$ 1. enquanto que. na área urbana. O total da sonegação no mercado informal foi estimado em R$ 6.0 bilhões. 73 . Tabela 28). Concluindo. que dariam para cobrir cerca de 20% dos gastos com os benefícios previdenciários que foram de R$ 56. mas não menos importante.00 milhões. a sonegação foi estimada em R$ 5. É importante ressaltar que fontes do MPAS estimam que a sonegação na Previdência Social atualmente corresponda a 40% das receitas.67%. fica também registrado como prática ilícita que precisa ser combatida.5 bilhão.010 bilhões em 1998 (último dado disponível. No subfaturamento encontrado nas receitas dos clubes de futebol profissional. a sonegação fiscal estimada na Previdência Social somou R$ 11. Todas essas formas criadas dentro do mercado formal de trabalho geraram uma perda de receita estimada em R$ 3. Na área rural. é o subfaturamento que ocorre no modelo SIMPLES de arrecadação.00 milhões somente nos segurados. foram R$ 10. Isso representa a maior fatia do total geral: 62. uma das maneiras de sonegar é a formalização de empregos com salários inferiores aos efetivamente pagos. Na informalização da contratação.9 bilhão. Menor. Além do mais. temos a prática nefasta do abandono e do desaparecimento da empresa. nas empresas.9 bilhões.021 bilhões naquele ano.0 bilhões.Como se pode observar. apesar de ser um valor pequeno em comparação aos demais.00 milhões que. Também são comuns os artifícios contábeis no fechamento do balanço. chegou-se a R$ 400. Na comercialização da produção rural. somando-se empresas e segurados. a sonegação alcançou R$ 600. o que soma no setor rural R$ 1. que chegou a R$ 500.

empregados de limpeza de pequenos 74 .500 Comercialização da produção rural 600. o empregado poderá prestar serviço por alguns dias da semana ou por poucas horas diárias. artifícios contábeis.Demonstrativo da sonegação fiscal .00 Receita de clubes de futebol (subfaturamento) 10.000 Rural (segurado) 400 Rural (patronal) 1. dia ou hora.000 Empregos formalizados (com salários inferiores aos efetivamente pagos. recebendo menos que o salário mínimo mensal e contribuindo para a Previdência com base no valor recebido. diarista). empregadas domésticas (meio período. mas tendo direito a benefícios de valor igual ao do salário mínimo mensal. · redução da alíquota da contribuição patronal de 20% para 15% da remuneração paga aos trabalhadores avulsos. Isso significa que.00 SIMPLES (subfaturamento) 500 TOTAL 11. Empregos Informalizados 6. fruto de pressão da sociedade).900 Urbano (segurado + empresa) 5. hoje também revogado.1998 (R$ Milhões) Sonegação Tipos estimada 3. as reduções da receita previdenciária decorrentes da legislação que concede tratamento diferenciado a alguns segmentos: · opção das empresas por recolherem a contribuição instituída pela Lei Complementar 84/96 sobre o salário-base do trabalhador autônomo em substituição às incidentes sobre o total da remuneração paga (20% do salário-base. · salário-de-contribuição inferior ao salário mínimo mensal versus benefício igual ao salário mínimo. abandono/desaparecimento de empresa). professores contratados por hora/ aula. hoje revogado. Certos servidores municipais. embora não estejam ainda quantificadas.Tabela 28: Previdência Social . em lugar de 15% da remuneração com opção sempre pelo menor. como o salário mínimo é estabelecido por mês.010 Fontes: IBGE e INSS/Sistema IDEIA Aos valores resultantes das renúncias fiscais e da sonegação fiscal há que se acrescentar. recepcionistas.

. inclusive pela grande parcela de incidência sobre a folha de salários. aumentando-se as perdas em quase R$ 100 milhões em 2001. é preferível a flexibilização da cota patronal à ampliação do modelo. Uma vez que esse modelo foi concebido como um remendo ao modelo tributário nacional. Essa discussão deverá ser retomada. De qualquer maneira. à complexidade e enormidade da carga tributária.estabelecimentos. distorções quanto à natureza das empresas. entende-se ser possível construir uma estrutura de alíquotas capaz de evitar novas perdas para a Previdência Social no caso de 75 . etc. empregados contratados apenas para alguns dias da semana. ainda que precária.VARIAÇÕES DO MODELO ATUAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Dentro de qualquer proposta de flexibilização. 5 . · cooperativas de Trabalho. sem que isso gere perdas de receita para a Previdência Social.. como já foi mencionado. É preciso ressaltar que o problema da alta carga de encargos sobre a folha de salários não se resume às micro e pequenas empresas. estão a demandar correções. 5. SIMPLES: A NECESSIDADE DE ZERAR AS PERDAS É premente a necessidade de se articular uma proposta que permita zerar as perdas das empresas optantes hoje pelo SIMPLES. várias questões como a renúncia previdenciária. Como vimos antes com simulações. que inviabilizava as micro e pequenas empresas. é preciso reconhecer que o modelo SIMPLES de arrecadação já representa uma resposta. são exemplos de como acontece. nesse particular. já que nessas empresas concentrase boa parte da mão-de-obra do país. A extensão do SIMPLES a empresas e segmentos econômicos ainda não-optantes por ele é uma matéria que já foi debatida no Congresso Nacional. etc. cuja contribuição chega a ser reduzida em até 80%. a evasão de receita na Previdência Social. Empresas de grande porte também necessitam de tratamento diferenciado quanto à cota patronal.1. quando então foram incluídos os segmentos de educação fundamental e educação pré-escolar.

TRATAMENTO PARA AS RENÚNCIAS FISCAIS Área rural: essa renúncia é a de maior justificação social. a Constituição prevê o aporte de recursos do Orçamento Fiscal para o Orçamento da Seguridade 76 . por faixa de enquadramento. Além disso. Essa nova estrutura deve facilitar a expansão. pois garante a inserção no sistema previdenciário de uma parcela da sociedade praticamente à margem de qualquer outro tipo de proteção. para esse tratamento diferenciado. É possível simular novas alíquotas do SIMPLES. Uma estimativa preliminar foi realizada com base no faturamento das empresas em 1999. Com uma nova estrutura de alíquotas. que propiciará a expansão da cobertura da Previdência Social e reduzirá seu elevado contingente de excluídos. com empregos terceirizados e trabalhadores autônomos. é possível vislumbrar vantagens da ampliação do SIMPLES. via orçamento da Seguridade Social. portanto. com menores alíquotas para os menores salários e maiores alíquotas para as maiores faixas de renda. É o único mecanismo capaz de assegurar a igualdade entre os trabalhadores urbanos e os rurais. é preciso também ampliar a possibilidade de cobertura desses segmentos a partir de alíquotas diferenciadas por faixa de rendimento. no entanto.3. dada a nova realidade do mercado de trabalho. DEMAIS CONTRIBUINTES Hoje. Os parâmetros utilizados capazes de praticamente zerar as perdas futuras para a Previdência Social foram os seguintes: a) aumento de 11% da alíquota total do SIMPLES (que inclui impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal) para as empresas de pequeno porte e manutenção das alíquotas em vigor para as microempresas. a cobertura do Tesouro Nacional. Deve-se discutir. 5. A principal delas é o aumento dos vínculos empregatícios. 5. ser mantida. e b) aumento da parcela do INSS em 15% para as microempresas e 25% para as empresas de pequeno porte.2.ampliação. que permita evitar perdas futuras. para as empresas não-optantes. Precisa.

ano a ano. a direitos de transmissão e a outras de natureza nãosalarial. ATUAÇÃO FISCAL A manutenção da integralidade do sistema de Seguridade Social depende da articulação da sociedade e de sua representação política no sentido de defender as conquistas da Constituição de 1988. Mas esse financiamento não cabe ao INSS. além da necessidade premente de alcançarmos um novo modelo de ajuste econômico para o país . mesmo sem vínculo empregatício. mediante mecanismos como o Fundo Social de Emergência. Empregador doméstico: além de pequena. a qualquer título. Assim. Clubes de futebol: a renúncia envolvida não é grande. onde o tratamento deve ser igualitário para todas as empresas.1. porém nunca da Previdência Social. SIMPLES: já apreciado em item próprio. poderá ser mantida. Referidas entidades deveriam receber recursos advindos do orçamento fiscal. Bilhões de reais da Seguridade são desviados. 6 . Deve-se buscar diferenciações quanto ao porte do clube.Social. correspondentes à assistência social prestada. ao seu faturamento e aos salários pagos. Os recursos fiscais não poderiam ser inferiores aos valores dessa renúncia e de outras de igual apelo social. bem como às parcelas relativas à publicidade. públicos e privados. gerando empregos não voltados para a obtenção de lucro ou negócios. Para tanto. É inadmissível qualquer renúncia referente a remunerações superiores ao teto do valor de benefícios. Filantrópicas: as entidades filantrópicas podem receber recursos.O PAPEL DA FISCALIZAÇÃO NA GARANTIA DO SISTEMA DE SEGURIDADE 6.gerador do emprego e distribuidor da renda .e do 77 . mas deve-se alterar o modelo. Portanto. para o programa de ajuste fiscal. essa renúncia também tem alcance social. à pessoa física que presta serviço. o Fundo de Estabilização Fiscal e a Desvinculação de Recursos da União. muito menos com recursos do Regime Geral de Previdência Social. deve-se somar à parcela hoje recolhida pelas empresas desportivas a contribuição patronal relativa à parcela dos salários que ultrapasse o teto do valor de benefícios. o salário deve ser compreendido como previsto no texto constitucional: o conjunto dos rendimentos pagos ou creditados.

A FISCALIZAÇÃO DO SIMPLES O acompanhamento fiscal sistemático dos contribuintes optantes pelo SIMPLES é extremamente importante como forma de assegurar a arrecadação da receita da Previdência Social e coibir. tais como: · Tendo em vista que a contribuição relativa à parte descontada dos empregados já é recolhida como a Guia de Recolhimento para a Previdência Social . também seja utilizada a GPS. impedem a recuperação dos créditos lançados. de 05/12/96. tanto na esfera administrativa quanto judiciária. é possível se propor que. 6. por exemplo.317/86. O tratamento legal e normativo dispensado à gestão tem o condão de incentivar a sonegação e a fraude. bem como determinar que a exclusão do SIMPLES ocorra de imediato. que deve ser capaz de ampliar a arrecadação. outros problemas. Não bastasse o número reduzido de auditores fiscais. · Estender a competência de fiscalizar as empresas optantes pelo SIMPLES aos auditores fiscais da Previdência Social. É de suma importância adotar medidas com o intuito de não prejudicar ainda mais as contas da Previdência. 17. Além disso. ou seja. a prática irregular de determinado contribuinte declarar um tipo de atividade econômica perante à Secretaria da Receita Federal no ato da opção pelo SIMPLES e. da Lei 9. faltam ainda melhores condições de trabalho.aprimoramento da ação fiscal. no exercício de suas atividades. 78 .317. para a parcela da contribuição incidente sobre o faturamento destinada à Previdência. mediante alteração do art. 9º. e também de atuar ativamente no acompanhamento da destinação dos recursos arrecadados. bem como a utilização de artifícios para reduzir o faturamento em que se baseia o cálculo da contribuição do SIMPLES. realizar operações incluídas entre aquelas vedadas pelo art.2. lamentavelmente. A postura da ação fiscal do governo tem sido oposta. assegurando o financiamento. que nem mesmo com todo empenho e dedicação conseguem montar um quadro de inspeções e acompanhamentos eficazes para o enfrentamento da questão. após a ação de fiscalização. da Lei 9.GPS. o governo reduz continuada e progressivamente o número de auditores fiscais. E. ou qualquer outra ainda não contemplada pela legislação. a partir do mês de início do exercício de atividade econômica vedada aos optantes pelo SIMPLES.

O aparelho fiscal do INSS constitui importante meio de acompanhamento das empresas optantes pelo sistema SIMPLES. falta de inscrição de segurado.Tais medidas são necessárias com vistas a ampliar o controle. O Orçamento da Seguridade Social engloba três áreas de grande alcance social e com fontes de financiamento diversificadas. execução de obras e muitos outros fatos que fazem com que as empresas.3. há uma significativa quantidade de micro e de pequenas empresas. com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). requisição de diligências de benefícios. Assim. sejam fiscalizadas. As carreiras de Estado ligadas à ação fiscal devem encontrar formas de trabalho integrado. embora optantes pelo SIMPLES. Esse fato ocorre não só por iniciativa do INSS em cobrar as contribuições das empresas em débito. reclamação trabalhista. que envolvem fiscalizações também diversificadas e que necessitam de uma ação conjunta. É oportuno ainda registrar que. conseqüentemente. haverá condições gerenciais e operacionais para tornar o SIMPLES menos prejudicial à Previdência Social. desse modo. pois dentro do universo de empresas anualmente fiscalizadas e/ou visitadas. 6. por intermédio da Secretaria 79 . em razão da necessidade da Certidão Negativa de Débito (CND). o INSS dispõe de um sistema de gerenciamento de informações que faz um monitoramento mensal com controle informatizado de todo o universo de empresas. Ainda na linha da defesa da integralidade do sistema de Seguridade Social. em 1999. inclusive as optantes pelo SIMPLES. Estamos convencidos de que. agilizar a correção das possíveis irregularidades e. mas também por iniciativa delas próprias. o Ministério da Fazenda. visitadas ou mesmo convocadas para comparecer aos Postos de Arrecadação e Fiscalização (PAF) ou ao Plantão Fiscal do INSS. acredita-se ser de suma necessidade a criação de um modelo integrado também para a fiscalização. baixa na Junta Comercial. no sentido de tornar mais eficaz a própria fiscalização. aumentar a arrecadação previdenciária. além daquelas que diariamente comparecem ao plantão fiscal do INSS. POR UM MODELO INTEGRADO DE FISCALIZAÇÃO Já foi por demais ressaltada a importância do aprimoramento da ação fiscal tanto para potencializar os recolhimentos tributários como para acompanhar sua execução.

MODELO SOBRE O FATURAMENTO LÍQUIDO A diversificação das fontes de financiamento da Seguridade Social (faturamento. para o futuro. objetivando a continuidade do pagamento dos benefícios e sua ampliação futura. é essencial que a compensação de qualquer perda de receita decorrente de renúncias fiscais do modelo de arrecadação do SIMPLES seja de inteira responsabilidade do Tesouro Nacional.da Receita Federal. aumentos da carga tributária e diminuição dos direitos dos segurados. por intermédio do Instituto Nacional do Seguro Social. evitando-se. também. mediante recursos fiscais. principalmente nas empresas com uso intensivo de mão-de-obra.O PAPEL DO TESOURO NA COBERTURA DA SEGURIDADE SOCIAL Para atender ao preceito constitucional de equilíbrio financeiro da Previdência Social. para discussão com a sociedade no sentido de buscar equilíbrio nas contas da Seguridade Social com redução de custos para o processo produtivo. bem como as perdas decorrentes de renúncias fiscais e da impossibilidade de eliminá-las e a liquidação das perdas decorrentes do SIMPLES tornar-se-ão obrigações do Tesouro Nacional. 7 . lucro.ALTERNATIVAS DE FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Neste item são apresentadas duas alternativas. o Ministério da Previdência e Assistência Social. movimentação financeira e folha de salários) a cargo da empresa e estabelecida pela Constituição 80 . entre outras possíveis. a defesa incondicional de suas fontes de financiamento e a alocação plena de seus recursos exclusivamente às áreas fins.1. Todas as inconstitucionalidades verificadas no desvio de recursos do Orçamento da Seguridade Social ou na impossibilidade de garantir a totalidade dos repasses para as áreas fins. podem desenvolver uma articulação capaz de melhorar a arrecadação e executar medidas que preservem a integralidade do sistema de Seguridade Social. 8 . e o Ministério do Trabalho. 8.

81 . visando não prejudicar a necessária automação das empresas nem punir aquelas que utilizem intensivamente mão-de-obra. é um início. entretanto. o faturamento líquido (com alíquota aumentada de 3% para 3. haveria favorecimento à formalização da mão-de-obra. causar perdas indesejáveis do volume de recursos destinados à Seguridade Social. objetivando o pretendido equilíbrio de encargos entre as empresas. da junção das duas fontes principais de financiamento da Seguridade Social. sem. A proposta para debate da Contribuição Social sobre o Faturamento Líquido. sem.está a exigir um processo contínuo e permanente de correlação e gradativo equilíbrio entre as contribuições sociais derivadas dessas fontes e os encargos a que elas correspondem. entendemos que as duas contribuições (faturamento líquido e folha) teriam que ser arrecadadas pelo mesmo órgão. diminuindo-se proporcionalmente o encargo sobre a folha de salários (o de maior peso). entretanto. caso implantada. como forma de permitir uma perfeita e continuada correlação entre elas. de acordo com a experiência observada. em função da fragilidade da folha de salários. desestimular as empresas que investem em modernização. Como pressuposto. A referida proposta é uma pequena colaboração. entendida esta como a diferença entre o faturamento bruto e o valor da folha de salários que serve de base à contribuição previdenciária. ainda que tímido. destinada a provocar ampla discussão em torno do financiamento da Seguridade Social. caminhar paulatinamente no rumo do aumento da contribuição sobre o faturamento. Essa proposta. Nos quadros anexos foram feitas algumas simulações tendo como fontes o faturamento bruto. de sua limitada capacidade como base de contribuições e da alta carga tributária. objetivando melhoria dos níveis de competitividade. num período não muito longo. principalmente. permitiria.8%) e a folha de salários. Nessa hipótese.

Há inclusive ganhos por parte de empresas intensivas em mão-de-obra. A idéia é que.No mesmo sentido. F e G Empresa A FONTE Faturamento Fat.23 15 --22.65 82 .87 Empresa B FONTE Faturamento Fat. vinculando a CPMF à folha de salários.30 6.53 (II / I) (%) 3.10 ----4.30 6.10 4.8 -3.0 2. menor será seu ônus com o novo modelo.20 ----5.00 -90 3.0 3. ou mesmo a outro tributo que venha substituir a COFINS. Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3. por exemplo.61 5 22. Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3. Seguem exemplos conceituais do modelo proposto. para esse fim.0 1.20 5.0 3.8 -3. poder-se-ia simular novos cenários.10 1.0 --3.42 10 22.00 -85 3.07 Empresa C FONTE Faturamento Faturamento Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3.71 (II / I) (%) 14.0 3.0 --95 3.62 (II / I) (%) 8. sempre com o objetivo de incentivar o processo produtivo. O foco é privilegiar as atividades econômicas intensivas em mão-de-obra. quanto maior for o uso de mão-de-obra por determinada empresa ou determinado setor econômico. como nos exemplos E.30 3.8 -3.20 2. evitar perdas de receita para a Previdência Social e até mesmo a sua privatização futura. de tal maneira que o mercado formal seja preservado e.

8 -2.54 Empresa E FONTE Faturamento Faturamento Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3.44 (II / I) (%) 0.8 -2.0 3.0 -75 3.26 (II / I) (%) -3. Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3.60 9.04 20 22.85 25 --22.61 83 .0 3.80 11.08 (II / I) (%) -6.60 6.0 3.60 9.54 Empresa G FONTE Faturamento Faturamento Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3.80 11.0 --6.60 6.28 40 --22.56 Empresa F FONTE Faturamento Faturamento Líquido Folha VALOR ALÍQUOTA RECEITA EM RELAÇÃO (R$) (%) I (R$) II (R$) 100 3.60 9.8 -2.8 -3.0 3.80 8.0 -60 3.60 9.40 4.0 -70 3.0 4.0 -80 3.0 --6.40 ----7.66 30 --22.Empresa D FONTE Faturamento Fat.40 7.0 --8.45 (II / I) (%) -1.

3%. de seguro acidente de trabalho). em segundo lugar. O limite inferior da relação folha/faturamento bruto foi estabelecido em 30%. quando a cota patronal previdenciária se reduziria para 12%. permaneceria recolhendo a atual alíquota de 22% (incluindo 2%. O limite superior estaria em 60% e mais. maior será a redução da contribuição previdenciária do empregador e vice-versa. pelo esgotamento da folha de salários como principal financiadora do Regime Geral de Previdência Social. Esse modelo exigirá. pois entende-se que a contribuição das empresas deva ser superior à contribuição dos empregados (hoje de até 11%). potencializar o aumento de receita da Previdência Social ou. Esse modelo se propõe a privilegiar as empresas e segmentos econômicos com uso intensivo de mão-de-obra. como compensação dessa redução progressiva. PRIVILEGIANDO O USO INTENSIVO DE MÃODE-OBRA Um outro modelo seria a redução progressiva da cota patronal previdenciária pela relação entre a folha e o faturamento bruto. favorecendo as empresas ou segmentos intensivos em mão-de-obra. com o risco de inviabilizar o modelo e gerar novas perdas de receita da Previdência Social. preservar o nível de emprego e. 84 . O modelo tem como base que. A Tabela 29 apresenta resultados numéricos do modelo com base em dados de empresas não-optantes do SIMPLES.2. Da mesma maneira que no modelo anterior do faturamento líquido. principalmente. uma ampliação da alíquota da COFINS dos atuais 3% para um mínimo de 3. O limite de redução dessa contribuição é de 12%. quanto maior for a participação da folha de salários no faturamento das empresas ou segmentos econômicos. a presente proposta é uma pequena colaboração. evitar novas perdas.8. MODELO DE REDUÇÃO DA COTA PATRONAL PREVIDENCIÁRIA. como já foi dito. em primeiro lugar. portanto. Trata-se apenas de um exercício capaz de dar consistência mínima para o debate sobre o modelo. em média. no sentido de provocar ampla discussão do financiamento da Seguridade Social. já que se trata de um quantum abaixo do qual normalmente a empresa ou setor econômico se qualificaria como intensivo em capital e. buscando. no mínimo.

650 115.630 85 .909.826.Tabela 29 .3 (R$ Mil) Efeito sobre o recolhimento tributário Faixa de faturamento bruto (aumento da COFINS passa a ser vinculado ao INSS para compensar redução da cota patronal) empresas de até 120 mil empresas de 120 a 240 mil empresas de 240 a 1.526.609.Compensação mediante aumento da alíquota da COFINS Redução da cota patronal Relação folha/ faturamento Nova cota patronal (inclui SAT médio) (%) 22 17 15 12 menor que menor que menor que igual ou maior que 0. com faturamento até 1.167 59.3 0.Empresas nãooptantes do SIMPLES.200 mil Soma do resultado (65.4 0.5 0.base 1998 .186) 9.200 mil .6 Aumento da Cofins (%) 3.Resumo do modelo Redução da alíquota patronal para o INSS pelo uso intensivo de mão-de-obra .0 3.

a excessiva carga tributária. O tão propalado custo Brasil é muito mais derivado dos custos do endividamento interno e externo (juros. A integralidade das fontes de financiamento da Seguridade Social é violada e a Previdência Social.Conclusão O custo econômico da manutenção do Estado mínimo para o povo brasileiro é insustentável em todos os aspectos. não existem barreiras e até as áreas sociais são atingidas sem escrúpulos. é necessário que se estabeleça uma delimitação 87 . fica claro que o sistema de Seguridade Social é auto-sustentável e a defesa de suas atuais fontes de financiamento destinadas em sua totalidade para as áreas fins é o caminho para a manutenção de seu equilíbrio financeiro e até mesmo para sua expansão. um alto custo financeiro e a contenção do crescimento econômico. fabricando-se déficits e encobrindo-se o seu caráter profundamente social junto a milhões de trabalhadores. do custo da mão-de-obra ou do custo previdenciário da folha de pagamentos das empresas. sofre ataques constantes em sua saúde financeira. para isso. amortizações e rolagens) e das políticas que o sustentam (a alta carga tributária e o déficit do balanço de pagamentos) do que. Os resultados desse projeto são a explosão do endividamento do país. Diante de todas as evidências. especialmente do campo. principalmente o direito ao trabalho. por exemplo. Para isso. a desnacionalização crescente. a opção neoliberal de reduzir o tamanho do Estado para ampliar os negócios do setor privado sob a velha teoria do mercado livre vem aumentando as desigualdades sociais e diminuindo os direitos da cidadania. a vulnerabilidade externa. E. Como foi demonstrado. especificamente. As ações de governo privilegiam sobremaneira a obtenção de recursos para honrar compromissos com o capital financeiro.

de suas receitas e destinação própria, impedindo-se qualquer tipo de desvio. Quanto à Previdência Social, é premente que se defenda o fim das renúncias fiscais, o combate à sonegação e à fraude, a recuperação dos créditos do estoque da dívida, uma política de aumento da cobertura e o fortalecimento da ação fiscal. Acredita-se que a ruptura com o custo econômico do Estado mínimo é o grande passo no sentido de desonerar a sociedade da terrível carga financeira que a sufoca - aumentando a poupança interna - implementar políticas capazes de investir no desenvolvimento social do país e, mais especificamente, aumentar a proteção social assistencial e previdenciária. Construir um sistema integrado de contribuições incidentes sobre folha de salários, faturamento, lucro e movimentação financeira que privilegie as empresas com utilização intensiva de mão-de-obra, e viabilize o emprego e a expansão da Previdência Social sem afetar suas receitas. Este é um dos grandes desafios do futuro.

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ÍNDICE DE GRÁFICOS E TABELAS
Gráfico 1: Evolução real do PIB brasileiro, em percentuais.............12 Gráfico 2: Evolução da dívida externa brasileira.................................13 Gráfico 3: Evolução da carga tributária, total, União e Estados e Municípios, em % do PIB....................................................................14 Gráfico 4: Evolução da receita líquida e das maiores despesas correntes da União.................................................................................15 Gráfico 5: O resultado primário e o custo da dívida frente ao crescimento do endividamento público.............................................18 Gráfico 6: Evolução da dívida pública líquida frente ao PIB...........20 Gráfico 7: Evolução da receita da União em impostos e em contribuições sociais............................................................................21 Tabela 1: Variação de receitas e despesas do Orçamento da Seguridade Social - 1998 e 2001.................................................21 Tabela 2: Brasileiros abaixo da linha de pobreza - Número e proporção por estrato............................................................................22 Gráfico 8: Previdência e pobreza no Brasil.......................................23 Gráfico 9: Arrecadação líquida da Previdência versus despesas com benefícios.......................................................................................24 Tabela 3: Taxa de exclusão previdenciária - 1985 e 1999.............25 Tabela 4: Evolução do mercado de trabalho no Brasil (1991 a 2000).........................................................................................27 Tabela 5: Evolução do número de contribuintes no RGPS e participação relativa na População Economicamente Ativa (PEA)..............................................................................................29 Tabela 6: Evolução da média salarial, da massa salarial e da participação dos salários no PIB.......................................................31 Tabela 7: Evolução da receita de contribuições sobre a folha em relação à quantidade de contribuintes - Comportamento do salário-de-contribuição..................................................................32 Tabela 8: Evolução das despesas com benefícios em relação à quantidade de beneficiários - Comportamento do salário-de-benefício..............................................................................32 Tabela 9: Seguridade Social - Receitas e despesas (RGPS + RJU) - 2000............................................................................38

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Tabela 10: Receitas e despesas da Seguridade Social(1) Saldo com o RGPS..............................................................................39 Tabela 11: Valor anual das RMV, LOAS e benefícios rurais 1996 a 2000..........................................................................................41 Tabela 12: Quantidade de RMV, LOAS e benefícios rurais 1996 a 2000 (posição em dezembro).............................................41 Tabela 13: Previdência Rural - Quantidade de benefícios..........42 Tabela 14: Balanço real do subsistema de Previdência rural 1994 a 2000..........................................................................................45 Tabela 15: Os maiores devedores da Previdência Social, por setor da economia, em 2000......................................................47 Tabela 16: Os maiores devedores da Previdência Social por setor da economia em 2000.............................................................48 Tabela 17: Evolução do contingente de Auditores Fiscais da Previdência Social................................................................................50 Tabela 18: Participação relativa da contribuição de empregadores e empregados sobre o total da arrecadação previdenciária................................................................55 Tabela 19: Simulações para substituição da cota patronal previdenciária pela CPMF...................................................57 Tabela 20: Arrecadação e perdas do modelo SIMPLES (empresas optantes) e arrecadação sobre a folha de salários (regra anterior)......................................................................................60 Tabela 21: Estimativa de renúncia previdenciária resultante do SIMPLES - CNIS / 2000.................................................................61 Tabela 22: Vínculos empregatícios das empresas optantes pelo SIMPLES frente ao total dos vínculos das micro e pequenas empresas do país...........................................................61 Tabela 23: Salário médio do SIMPLES em relação ao total.......62 Tabela 24: Estimativa de renúncia previdenciária do SIMPLES com a inclusão de novos segmentos - 2000................................63 Tabela 25: Empresas optantes pelo SIMPLES - Arrecadação sobre a folha com alíquotas diferenciadas comparativamente à arrecadação pelo SIMPLES...........................................................65 Tabela 26: Novas alíquotas para o SIMPLES...............................67 Tabela 27: Previdência Social - Estimativa da renúncia fiscal para 2001 e 2002................................................................................73 Tabela 28: Previdência Social - Demonstrativo da sonegação fiscal - 1998..........................................................................................74 Tabela 29: Resumo do modelo .......................................................85

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CONSELHO EXECUTIVO (2001 - 2003)
RODOLFO FONSECA DOS SANTOS Presidente do Conselho Executivo JOSÉ AVELINO DA SILVA NETO Vice-presidente Executivo Substituto AUGUSTO CONTE SOARES NETO Vice-presidente de Assuntos Fiscais MARCOS BARBONAGLIA DA SILVA Vice-presidente de Política de Classe NILDO MANOEL DE SOUZA Vice-presidente de Política Salarial ANTONIO RODRIGUES DE SOUSA NETO Vice-presidente de Assuntos da Seguridade Social MISMA ROSA SUHETT Vice-presidente de Aposentados e Pensionistas ROSANA ESCUDERO DE ALMEIDA Vice-presidente de Cultura Profissional AURORA MARIA MIRANDA BORGES Vice-presidente de Serviços Assistenciais MARGARIDA LOPES DE ARAÚJO Vice-presidente de Assuntos Jurídicos BENEDITO CERQUEIRA SEBA Vice-presidente de Administração DULCE WILENNBRING DE LIMA Vice-presidente de Patrimônio e Cadastro LUIZ MENDES BEZERRA Vice-presidente de Finanças DURVAL AZEVEDO SOUSA Vice-presidente de Planejamento e Controle Orçamentário RODRIGO DA COSTA POSSAS Vice-presidente de Comunicação Social MARIA APARECIDA F. PAES LEME Vice-presidente de Relações Públicas MARCELO OLIVEIRA Vice-presidente de Assuntos Parlamentares PAULO DE FREITAS RADTKE Vice-presidente de Relações Interassociativas

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GO CONSELHO DE REPRESENTANTES João Alves Moreira .SP Jorge Lourenço Barros .PR Angela Pereira Ramos .RJ Jonilson Carvalho de Oliveira .CONSELHO FISCAL Luiz Antonio Gitirana .BA Ennio Magalhães Soares da Câmara .RO Parimé Brasil .PB Ademar Borges .PA Evando Ricardo da Silva .CE Léa Pereira Mattos .MS Lúcio Avelino de Barros .SE José Carlos Rêgo Morais .TO 92 .ES José Pereira Alves .AL Miguel Arcanjo Simas Novo .AP Roswilcio José Moreira Góis .MA Wilza do Carmo Soares .AM Emir Cavalcanti Furtado .PA Dalva Pimenta de Souza e Silva . H.AC Francisco de Carvalho Melo . Castro .DF Aucemar José Goldner .PE João Soares da Silva Sobrinho .PI Armando dos Santos .MG Ângela Giugni S.RS Ocenir Sanches .MT Maria Salete Paz .RR Okir de Sieno .BA Francisco de Assis Bastos Castro .RN Maria do Carmo Costa Pimentel .SC Assunta Di Dea Bergamasco .GO Antonio de Jesus Oliveira de Santana .

FUNDAÇÃO ANFIP DIRETORIA EXECUTIVA: PEDRO DITTRICH JÚNIOR FLORIANO MARTINS DE SÁ NETO MÁRCIO HUMBERTO GHELLER OVÍDIO PALMEIRA FILHO CARMELINA CALABRESE ANDRÉ VILAÇA DOS SANTOS TEREZINHA FERREIRA DA COSTA NUNES CONSELHO CURADOR: ÁLVARO SÓLON DE FRANÇA ASSUNTA DI DEA BERGAMASCO FLORIANO JOSÉ MARTINS LUÍS HENRIQUE FANAN DALVA FIORINI ADENEI PIAZZA DAL PONT LILIANE OLIVEIRA BORGES CHAVES ERBENE MARIA COÊLHO TEIXEIRA ESDRAS ESNARRIAGA JÚNIOR CONSELHO FISCAL: DURVAL AZEVEDO SOUSA ENNIO MAGALHÃES SOARES DA CÂMARA JOAQUIM BAPTISTA AFFONSO LUIZ GONZAGA DE SOUZA MARIA EMÍLIA DE CASTILHOS 93 .