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CURSO DE DIREITO

PAULO ROBERTO CRUZ

CRIMINOLOGIA

TELEMACO BORBA
2011

PAULO ROBERTO CRUZ

CRIMINOLOGIA
Trabalho apresentado ao curso de Direito da Faculdade de Telêmaco Borba, como requisito parcial à obtenção de avaliação na disciplina de Criminologia.

TELÊMACO BORBA 2011

PAULO ROBERTO CRUZ

CRIMINOLOGIA

Trabalho apresentado ao Colegiado de Direito da FATEB – Faculdade de Telêmaco Borba - Curso de Direito, como requisito parcial para obtenção de avaliação na Disciplina de Criminologia.

Qualquer um pode julgar um crime tão bem quanto eu, mas o que eu quero é corrigir os motivos que levaram esse crime a ser cometido. (Confúcio).

. delinquente. Criminalidade.RESUMO O objetivo do trabalho é o de apresentar o tema “Criminologia”. mas reestruturar as leis penais. Concluiu-se. e embora se busque soluções para amenizá-la. através de tratamento e readequação ao seu meio. vítima e controle social do delito. observa-se no Brasil um elevado índice de criminalidade. E essa criminalidade que é o foco da Criminologia visto que ela estuda o perfil biopsicossocial do criminoso no sentido de compreender a razão pela qual. Esses sistemas necessitam de dinamismo especialmente na execução efetiva da lei no sentido de controlar a violência e no real cumprimento das penas. portanto. A criminalidade procede da época do Brasil colônia. visto que os sistemas policiais e jurídicos se encontram impotentes para atuar contra a marginalidade. Reestruturação das Leis. a verdade é que cresce a cada dia. se estudou o objeto da Criminologia. aplicando a pesquisa bibliográfica como metodologia. a necessidade de não criar novas leis. formado pelo delito. Considerando as concepções de autores sobre o tema. Para tanto. contribuindo com a Criminologia nos sentido de prevenir o crime e promover a ressocialização do delinquente. o criminoso praticou o crime e como esse crime vai repercutir perante a sociedade. Palavras-chave: Ressocialização. Criminologia.

contributing to the Criminology in order to prevent crime and promote the rehabilitation of the offender. Crime. And this crime is the focus of criminology as it studies the biopsychosocial profile of the criminal in order to understand why the criminal committed the crime and how this will impact crime in society. applying the research literature as a methodology. therefore. The crime comes from the time of colonial Brazil. These systems require dynamic especially in the effective enforcement of the law in order to control the violence and the actual enforcement of penalties. . victim of crime and social control. Restructuring of Laws. Resocialization.I I Kew-words: Keywords: Criminology. need not create new laws but to restructure the criminal laws. as the police and legal systems are powerless to act against marginalization. Considering the views of authors on the subject. the truth is growing every day.ABSTRACT The purpose of this paper is to present the theme of "Criminology". in Brazil there is a high crime rate. we studied the subject of Criminology. offender. and although they seek solutions to ameliorate it. through treatment and adjustment to their environment. To this end. We conclude. formed by the offense.

.1 Considerações............................................40 REFERÊNCIAS..............................................42 ................................. 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................18 2..............................12 1............................13 2 CRIMINOLOGIA E CRIMINALIDADE.................................................................................................. Conceitos.................SUMÁRIO INTRODUÇÃO...18 2.......................................................................1.....................................................................................................................................12 1............................................2 História..................................................................................10 1 CRIMINOLOGIA ................27 3 REESTRUTARAÇÃO DAS LEIS PENAIS COMO FATOR DE CONTRIBUIÇÃO COM A CRIMINOLOGIA E A REDUÇÃO DA CRIMINALIDADE ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................2 Objeto da Criminologia..............

a metodologia aplicada foi a pesquisa bibliográfica. 1 LEITE. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2006. O segundo capítulo enfatizou a Criminologia e a Criminalidade.10 INTRODUÇÃO Em presença da elevada percentagem de crimes. o melhor que se pode realizar é mobilizar a sociedade no auxílio aos órgãos policiais na busca de soluções que possam melhorar a segurança do cidadão brasileiro. 13. o Brasil ocupa o segundo lugar em taxa de criminalidade. de forma que mesmo sendo impossível em pouco tempo solucionar o problema. fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa1. A Organização Mundial de Saúde (OMS) registra que entre 60 países. o objetivo desse estudo foi o de apresentar um estudo sobre a Criminologia e os seus principais aspectos em relação à criminalidade. Diante desse contexto. Monografia jurídica. que se consegue promover um melhor trabalho para a Segurança Pública. pelo menos deve-se tentar atenuá-lo. Assim. seleção. Portanto. . Eduardo de Oliveira. a preocupação do Governo em descobrir soluções viáveis no combate à violência. descrevendo conceitos e história. o conhecimento do tema é relevante. no sentido de contribuir para um maior domínio da criminalidade no país. Para um melhor enfoque do tema. considerando os elementos que formam o objeto da Criminologia. p. Consistem no levantamento. vem sendo discutida de maneira sólida. Como a criminalidade atingiu um ponto extremo. conceituada por Eduardo de Oliveira Leite. A pesquisa bibliográfica é uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as etapas de uma pesquisa. ultrapassado somente pela Colômbia. visto que é em seu benefício que as soluções precisam ser encontradas. É importante também a participação de toda a sociedade. pois é justamente através dessas informações. na medida em que der o embasamento teórico em que se baseará o trabalho. esse trabalho apresentou os seguintes capítulos: O primeiro capítulo referiu-se à Criminologia.

11 O terceiro capítulo destacou a Reestruturação das Leis Penais como Fator de Contribuição com Criminologia e a Redução da Criminalidade. no sentido de minimizar a violência nos municípios brasileiros. .

Observa-se nessa questão. portanto. que aquelas infrações ou desvios tenham provocado: o seu processo de criação. em geral. 2002. a Criminologia Crítica não aceita. p. Criminologia crítica. 2005. A racionalidade ou a justiça da ordem legal e das instituições que integram o sistema penal. Rio de Janeiro: Revan. o delinqüente e a delinqüência. 1980.12 1 CRIMINOLOGIA 1. Richard. Rio de Janeiro: Revan: ICC. interessando-se igualmente por comportamentos que implicam forte desaprovação social (desviantes)4. Os textos de iniciação ao direito penal oferecem geralmente conceito bem diferente da criminologia. BATISTA. por que e para quem (em ambas as direções: contra quem e em favor de quem) se elaborou este código e não outro. Não é essa. p. a sua forma e conteúdo e os seus efeitos2. não se autodelimita pelas definições legais de crime (comportamentos delituosos). o código penal.. Na visão de Heleno Fragoso. ed. 221. a comparação entre a Criminologia Tradicional e a Criminologia Crítica realizada por Robert Quinney: Ao contrário da Criminologia Tradicional. 4 QUINNEY. . o alcance se limitaria à metade do segundo aspecto (etiologia do comportamento delitivo). contudo. conforme explica Nilo Batista: Nesses textos. mas investiga como. ao qual se atribui ou não caráter científico. a diferença importante. não são absolutamente inquiridas pelo criminólogo positivista3. 27. São Paulo: Graal. O controle do crime na sociedade capitalista: uma filosofia crítica da ordem legal. Conceitos Uma ciência estuda o crime: a Criminologia. Young J.1. cujo objetivo seria o exame causal-explicativo do crime e dos criminosos. Lola Anylar de. de utilidade questionada Para a criminologia positivista. a criminologia “é a ciência que estuda o crime como fato social. que Lola Aniyar de Castro conceitua no seguinte: Criminologia é atividade intelectual que estuda os processos de criação das normas penais e das normas sociais que estão relacionadas com o comportamento desviante. e a reação social. a criminologia é apresentada como um conjunto de conhecimentos. bem como. os processos de infração e de desvio destas normas. 8. A Criminologia Crítica. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. In: Taylor I..p. qual a priori inquestionável. 27. Criminologia da libertação. formalizada ou não. o surgimento das normas de comportamento social e a conduta que as viola ou delas 2 3 CASTRO. Nilo. Walton P. bem como as funções por elas desempenhadas numa sociedade dividida em classes.

Assim. Breve relato sobre a história da criminologia. a origem humana na terra propiciou espaço para os crimes e para as leis. dizimavam-se tribos. 16.2 História Para muitos autores. Young J. estabeleceu-se o direito de punir. São Paulo: Graal. 29. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. Nesse sentido. Manual de direito penal. século XXIII. Parte Geral. a criminologia analisa as doutrinas. Rubim Santos Leão Aquino registra que. Criminologia crítica. 2004. mas serve os interesses da classe dominante. sendo esse o mais antigo da humanidade” 9. Walton P. Acesso em: 15 de novembro de 2011. p. Robert Quinney admite que “compreender que o sistema legal não serve à sociedade como um todo. 1. p. a. 8 LEITE. QUINNEY. Disponível em: <http://jusvi.. permitindo compreender o aumento da criminalidade. São Paulo: Saraiva.38. In: Taylor I. Rio de Janeiro: Forense. Richard. as normas de condutas”. se não houvesse normas que equilibrassem essa convivência. as teorias e hipóteses sobre os motivos do crime. Cezar Roberto. 32. 1 9 AQUINO. o terceiro período de Sociologia Criminal e o quarto refere-se à Política Criminal”8. rei da Babilônia. 17. ed. História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais. p.com>. Heleno. V. p. ed. 2002. visto que seria difícil a coexistência entre as sociedades antigas. Gisele Leite considera que a história da criminologia pode ser dividida em quatro períodos: “O primeiro período o da Antigüidade aos precursores da Antropologia Criminal. Para Cezar Roberto Bitencourt7.ed. “os povos da Mesopotâmia foram as primeiras sociedades que adotaram um código de justiça: O Código de Hamurabi. na sociedade capitalista” 6.13 se desvia e o processo de reação social”5. Lições de direito penal: Parte geral. surgem várias legislações e códigos. 31... 7 BITENCOURT. O direito de punir foi o precursor do Direito Penal na história da humanidade e. segundo período de Antropologia Criminal. O controle do crime na sociedade capitalista: uma filosofia crítica da ordem legal. Gisele. p. Rubim Santos Leão. 1980. é o começo e uma compreensão crítica do direito criminal. 1998. como nessa época em razão do sacrifício de vidas humanas. e junto a ele. . O Código de Hamurabi na Babilônia já possuía dispositivo punindo o delito de corrupção praticado por altos funcionários públicos. 5 6 FRAGOSO. 221.C. com a origem do crime.

como era até então. Já Platão afirmou em sua obra “A República” que os fatores econômicos e sociais são desencadeadores de crimes10. Disponível em: <http://jusvi.28. dando a eles a instrução e a formação de caráter de que precisavam”. Nilton.11 Na Escola Clássica. eliminar-se-ia o fenômeno (o crime).14 Segundo Gisele Leite. lançando assim as bases sobre a imputabilidade ou o princípio da irresponsabilidade penal do homem insano. p. O marco da criminologia positivista é “L´uomo Deliquente”. Na concepção de Nilton Fernandes. de Lombroso. e então. principalmente. Com o aparecimento da Escola Clássica da criminologia. inspirados pela doutrina de Rousseau. 11 FERNANDES. destacando a figura do delinquente nato. fundador da Escola Italiana de Criminologia Positivista. Acesso em: 15 de novembro de 2011. muitos filósofos demonstravam entendimento sobre a criminologia: Mesmo antes. in verbis: “que se devia ensinar aos indivíduos que se tornavam criminosos como não reincidirem no crime. Criminologia integrada. São Paulo: Revista dos Tribunais. com o surgimento da Escola Clássica.com>. de 1876. Na raiz de seu pensamento repousam conceitos tomados da psiquiatria (então novidade na época). Nesse período. 1. Gisele. certamente viria ser uma das maiores preocupações da Criminologia. São Paulo: Manole. que é imediatamente identificado por defeitos ou inadequações físicas12. disse através de seu discípulo Platão. afirmava-se que a origem do crime está na sociedade e em seus valores e desvios. p. Confúcio já demonstrava conhecer o gravame da pena o que. a origem da Criminologia remonta ao século XVIII. Mais tarde surgiria na área da criminologia a segunda linha de pensamento desta ciência. Cesare Beccaria defendia que o juiz deveria se ater à aplicação da pena prevista na lei. p. em grande parte devida aos estudos do italiano Cesare Lombroso. segundo esclarece Eveline Pisier: Na Escola Positivista destacou-se a corrente italiana. Hipócrates creditava que todo o crime assim como o vício é fruto da loucura. conhecida como Escola Positivista.27. . através da obra de Cesare Beccaria (Dei Delitti e delle Pene) e de outros filósofos. numa simples ligação entre causa e efeito: eliminando-se a causa (a espécie propensa ao crime). Evelyne. do Darwinismo Social e Eugenia. conforme descreve Ramagem Badaró: Cesar Beccaria defendia o princípio de justiça. 2002. ao invés da ênfase à punição. Breve relato sobre a história da criminologia. 12 PISIER. livrar-se-ia a sociedade do crime. que tratava-se de eliminar o gene criminoso. é dada ênfase maior à prevenção do crime. 2004. História da idéias políticas. ressaltando a condição genética do criminoso. ressaltando a liberdade e 10 LEITE. Sócrates.

A ascensão da Escola Sociológica na área criminológica. As regras do método sociológico. Breve relato sobre a história da criminologia. Fatores como a vida em guetos. p. ed. 15 BATISTA. Disponível em: <http://jusvi. A luta contra a depressão econômica. Na sociedade capitalista as atividades são divididas. ed. 1. a perseverança e o valor perante o perigo. onde os indivíduos eram vistos como órgãos. Introdução ao estudo das três escolas penais. Acesso em: 15 de novembro de 2011. a política criminal também está historicamente subordinada à criminologia. uma nova ruptura na criminologia.ed. 2. 2002. segundo observa Vera Malaguti Batista. caracterizada pela paz social e pela estabilidade16. entretanto as perdas. 16 DURKHEIM. No século XX as guerras vão incrementar as crises cíclicas com as práticas de destruição do outro. cruciais para sua formação. na qual existem classes que levariam a uma ordem hierárquica e orgânica. Em razão desta especialização acontecerá a união das pessoas. “Ambas surgem como um eixo específico de racionalização. 33. condições sacrificadas. verdadeiros geradores de subculturas alheias aos valores da sociedade formal. uma vez que todos os homens carregam os mesmos direitos fundamentais. Émile. Martins Fontes. os Estados Unidos produzem. ou ainda as condições econômicas precárias.15 igualdade de sentença. São Paulo: Juriscredi. o baixo nível educacional. A Escola Sociológica apresenta uma concepção distinta em relação à Escola Clássica e Escola Positivista da criminologia. A história da criminologia está. intimamente ligada à história do desenvolvimento do capitalismo”15. p. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. Gisele. as batalhas. p. A sociedade capitalista era compreendida por Émile Durkheim como um organismo. ou então. . Enquanto o nazifascismo vai ocupando a Europa ocidental de corpo e alma. Ramagem. concentrando. junto com a crítica ao laissez-faire. 14 LEITE. especializadas. 2000. mas dedicadas ao bem comum13. Nilo. p. devendo viver na totalidade e em harmonia. e mesmo o alto consumo de álcool eram o estopim ideal na modelagem do criminoso14. Segundo Nilo Batista. assim. 27. 1983. um saber/poder a serviço da acumulação de capital.com>. 2. 8. a aliança de Roosevelt com os comunistas e a construção do Welfare 13 BADARÓ. Esse processo denimina-se solidariedade orgânica. Rio de Janeiro: Revan. uma vez que dependerão umas das outras para realizar atividades sociais. no final do século XIX dava-se ênfase às condições sociais do criminoso. 13.

Passagens. 2008. que pretende reordenar. Rio de Janeiro: v. Raul Eugênio Zaffaroni destaca a criminologia no seguinte: A criminologia tradicional é apresentada como um saber colonial e racista constitutivo. 20-39. 1. analisado como filicídio. Carlos Henrique Aguiar. do nosso “apartheid criminológico”. p. 2000. O crime é. como autores e como vítimas18. Eugenio Raúl. Émile. . O inimigo no Direito Penal. p. Normal é simplesmente ocorrer uma criminalidade. 18 ZAFFARONI. contanto que esta atinja e não ultrapasse. Este processo. por essa razão é útil. o crime em curso no Brasil neoliberal se sustenta em uma criminologia funcionalista e acrítica. necessariamente transitórias. DURKHEIM. 220. 2. São Paulo: Lúmen Júris. A criminologia e o direito penal.ed. Criminologia e política criminal. As regras do método sociológico. que se traduz no emparedamento em vida e no aniquilamento de milhares de jovens brasileiros. Na América Latina. para cada tipo social. n. 2. realista. O crime é normal porque uma sociedade que dele estivesse isenta seria inteiramente impossível. 31. Se está empiricamente verificado que nenhum crime de Estado é cometido sem ensaiar ou apoiarse em um discurso justificante. segundo esclarece Carlos Henrique Aguiar Serra: A problematização do saber criminológico tem maior transcendência que uma mera sublinhação da historicidade ou circunstancialidade das definições de delito. necessário e está ligado às condições fundamentais de toda a vida social. certo nível que talvez não seja impossível fixar de acordo com as regras precedentes. Revista Internacional de História Política e Cultura Jurídica. que põe em dúvida os dogmas da Criminologia clássica à luz dos conhecimentos científicos interdisciplinares do nosso tempo19. Significa uma reconsideração da questão criminal. no século XXI questiona os fundamentos epistemológicos e ideológicos da Criminologia tradicional.p. julho/dezembro 2009. A Criminologia. portanto. Para Émile Durkein o crime é um fato normal.20 Após o processo de conquista da autonomia. A criminologia americana vai se apoderar do conceito de anomia de Durkheim17. apresenta um número cada vez maior de crianças e adolescentes presentes nos dois lados das estatísticas criminais no Brasil. 2007. Martins Fontes. procurou identificar objeto e método pelo processo de 17 BATISTA Vera Malaguti. eficientizar o controle social letal legitimando a expansão da barbárie.16 System vai repolitizar a “questão criminal”. desmistificadora. as condições de que ele é solidário são elas mesmas indispensáveis à evolução normal da moral e do direito. p. 19 20 SERRA. precisamente no Brasil. a criminologia em sua condição científica. Rio de Janeiro: Revan. 188.

21 22 FERNANDES. . diferentemente de outras definições convencionais. problemas e finalidades. Idem. 58. São Paulo: Revista dos Tribunais. “o primeiro consenso acerca do saber criminológico. Nilton. Ou seja. Nesse sentido. 2002. bem como o exame dos processos de criminalização. E é nesse âmbito que a criminologia contemporânea vem se desenvolvendo. ocorreu em caráter empírico da investigação”21. mas pretende respeitar. Dessa forma. tratando essencialmente da análise dos sistemas penais vigentes. p. as origens desta disciplina e a experiência acumulada por ela depois de um século22. Criminologia integrada. Nilton Fernandes observa que. o importante passo dado na criminologia revelou o abandono à investigação das causas da criminalidade para se ater às condições da criminalização. São atendidas a gênese e a etiologia do crime (teorias da criminalidade).17 conceituação e sistematização de temas. em sintonia com os conhecimentos e tendências atuais do saber empírico. a definição proposta corresponde a uma imagem moderna da criminologia. ao mesmo tempo.

escravidão. Antonio Garcia Pablos de Molina considera que a criminalidade no Brasil é procedente já da época da escravidão. as Ordenações Filipinas. que acabou há um pouco mais de cem anos. sem meios de subsistência. Revista Opinião. Desde 1603 estiveram em vigor no Brasil. Entretanto. No Brasil. 24 CURY. Munir. ed. numa sociedade que se diz pacífica. p. p. a maior parte das ações penais é contra pessoas pobres. crimes urbanos.18 2 CRIMINOLOGIA E CRIMINALIDADE 2. 21. condenado a uma dupla marginalidade. por ser negro e por ser pobre. Já se perdeu. . Maio. a criminalidade é anterior ao período colonial. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.32. Fatos como estes moldaram uma estrutura de exclusão e de desvalorização da cidadania brasileira.1 Considerações A criminologia analisa as doutrinas. O crime era confundido com o pecado e com a ofensa moral. 2002. 2002. mais recentemente. revoluções populares. e compreender o aumento da criminalidade. A violência e a criminalidade estão enraizadas em sua história. que ostentam a violência como um fato comum. as teorias e hipóteses sobre os motivos do crime. A criminalidade brasileira tem raízes antigas. históricas. A propósito. 23 MOLINA. mas ficou sem terras. o processo é mais demorado e até o habeas corpus é mais difícil de ser impetrado24. o problema da escravidão. que refletiam o direito penal dos tempos medievais. Criminologia. banditismo e. ou quase uma necessidade de informar a selvageria do dia. É possível diminuir a violência. Para o pobre. Munir Cury lembra que: O negro foi libertado da escravidão. O fato é que dela não se tinham notícias devido à falta dos meios de comunicação hoje existentes. golpes militares. Antonio. 4. origem da nossa forma de compreender a questão dos direitos humanos23. marcada por genocídios indígenas. Garcia Pablos de. mas que sempre praticou a violência física e simbólica como forma de organização e de estruturação. na curva da memória. a situação da criminalidade não é inédita.

os mais comuns dizem respeito à miséria. desestrutura familiar. foram crescendo nas ruas. 2.19 punindo-se severamente os hereges. o brasileiro saiu da vida rural e se tornou urbanizado.esmape. Só que diante de uma denúncia. ed. denominado êxodo rural. Dessa forma. apóstatas. entre outros. sem comida. Disponível em: <http://www. mas sempre. Ministério Público. Cada órgão interpreta de uma forma diferente as mesmas informações a respeito da criminalidade27. A mudança social foi muito rápida e não houve tempo para que as cidades absorvessem tanta gente. ainda era comum. degredo. mutilação.pt/> Acesso: 7 de agosto de 2011. O governo. a burocracia e as formalidades dos procedimentos 25 FERNANDES. sem emprego. Sistema de defesa social integrado: por um controle da criminalidade mais articulado e próximo da comunidade. Newton. queimaduras). a relação sexual de cristão com infiel e outros. visando infundir o temor pelo castigo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 27 PATU JÚNIOR. drogas e álcool. Dos fatores que conduzem ao crime. Nilton Fernandes esclarece que eram considerados crimes: a blasfêmia. p. feiticeiras e benzedores. Ruy Trezena.com. rev.terravista. conforme observa Ib Teixeira. Em menos de meio século. 26 TEIXEIRA. O problema principal do controle da criminalidade no Brasil é que faltam elos estruturais e funcionais entre polícias. situação que perdura até hoje. preso à moral religiosa.1. Ib. as penas infamantes. pela tortura e pelo fogo. Os pais precisavam trabalhar e não tinham como cuidar de todos. sem atenção. por poder e dinheiro. Além da ampla cominação da pena de morte. Estes cidadãos recém-urbanizados sequer sabiam o que era um planejamento familiar. Disponível em <www. leis não cumpridas.26 Supõe-se que delitos envolvendo morte. . não se preocupou com o controle de natalidade nas regiões de maior aglomeração. Este fenômeno. e ampl. Logo. executada pela força.. Sistema Penitenciário e o próprio Judiciário. A criminalidade no Brasil. o confisco e as galés25. resultando em modelo de violência que a cada dia atinge dimensões assustadoras. contribuiu para o aumento das favelas e. a criminalidade dominava o país. As penas impostas eram severas e cruéis (açoites. por conseguinte. o cidadão corre o risco de vingança e ser exterminado de forma cruel. facilitou a formação de guetos.br. Os filhos foram nascendo. Como se percebe já nessa época.> Acesso: 11 de agosto de 2011. Criminologia integrada. atual. p. seqüestro.25. sem estudo. a bênção de cães. 2002. tentativa de homicídios e agressões em família ocorrem em razão da população não se conscientizar em denunciar. estupro. sem comida e educação suficientes.

o crime significa uma anormalidade quando comparado com os demais comportamentos humano”31. antijurídica e culpável. 16 ed. 2004. Como as causas devem ser buscadas no meio social. mesmo comum na sociedade até determinados limites. Traduzido por Torrieri Guimarães. conforme a concepção de Michel Focault. São Paulo: Martin Claret. pois “parte da ideia de que a normalidade é caracterizada pela generalidade e definida pela causa. p. As circunstâncias que levam ao primeiro passo para a criminalidade são estabelecidas como diversas e complexas. pode-se citar Cesare Beccaria. Cesare Bonesana. outros são 28 29 DURKHEIM. Heleno Claudio Fragoso define o crime: Crime é a ação (ou omissão) típica. No entender de Wagner Ginotti Pires. São Paulo: Escala Ltda. “mas quando se desvia dos padrões do comportamento da maioria dos homens. p.. defendendo que “as forças externamente em defesa da nação deveriam estar intimamente ligadas às que mantêm as leis no interior”30. a criminalidade dentro de certos parâmetros é considerada um processo habitual. 2000. 31 PIRES. sem que a ação ou omissão típica e antijurídica constitua comportamento juridicamente reprovável (culpável)29. por não ocorrer causas de justificação ou exclusão de antijuridicidade. Lições de direito penal: Parte geral. Panorama da justiça. n. conduzindo à evolução normal da moral e do direito. na doutrina de Émile Durkheim. Isso significa dizer que não há crime sem que o fato constitua ação ou omissão: sem que tal ação ou omissão correspondam à descrição legal (tipo) e sejam contrárias ao direito. 30 BECCARIA. Émile. 2002.20 processuais acabam se tornando obstáculos no combate ao crime. Mesmo que alguns indivíduos sejam absorvidos por uma sub-cultura criminosa. Dos delitos e das penas.5. São Paulo: Martins Fontes. a. . Nesse sentido. FRAGOSO. p. finalmente.26. nesta concepção. 2002. As regras do método sociológico. é necessário e está ligado às condições fundamentais de toda a vida social. 172. O sistema penal. p. Como já descrito. 2. Heleno Cláudio. o crime participa destas causas. em razão de maneira particular de obter satisfação.20. Rio de Janeiro: Forense. 13. o crime é um fato normal. tornando-se um fenômeno normal”28. E.ed. como parte da sociedade.57. O crime. Wagner Ginotti.

Alírio Villasanti. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. Campo Grande: Life Editora. Segurança pública e qualidade de vida. desenvolvem uma atividade de alto risco e. 12. 39. choque elétrico e outros. Gevan. 2006. Em 2000. de sorte que. de retorno limitado. Petrópolis: Vozes. asfixia. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. o Brasil enviou á ONU o primeiro relatório contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis. 24. Modernos movimentos de política criminal e seus reflexos na legislação brasileira. freqüentemente produzem resultados desastrosos”34. Michel. Pessoas que cometem crimes violentos estão expostas a sofrer lesões ou morte. Alírio Villasanti Romeiro concorda com os especialistas da criminologia quando destacam que “os maiores geradores da criminalidade são de ordem estrutural e não diretamente ligados à Justiça criminal. Na verdade. 34 ROMEIRO.7. tornando-se limitado. Michel. A criminalidade de pessoas que pertencem a grupos diversos resulta de uma opção pessoal e racional promovida pelo próprio indivíduo. Nascimento da prisão. com lucro muito maior (fraude. conforme ensina Gevan Almeida. p. pontos que parecem esquecer aqueles que tentam questionar a importância de algum desses fatores afirmando que há pessoas expostas aos mesmos condicionantes e que não desenvolvem condutas criminosas. Já os criminosos de classe média alta dedicam-se preferencialmente a delitos cometidos sem violência. etc. p. ALMEIDA. A característica que aponta o grau da criminalidade é precisamente a acepção legítima do que se constitui crime. 2 ed. 2009. Michel Misse justifica que o documento relata que são assassinatos cometidos “por policiais e práticas como espancamento. Crime e violência no Brasil contemporâneo: estudos de sociologia do crime e da violência urbana. os órgãos que se propõem a punir ou reabilitar um transgressor. em geral. sendo arrastado cada vez mais para o crime32. e a partir daí toma a decisão de praticá-lo ou não. desumanos ou degradantes no país. . A maioria das vítimas: jovens negros e pobres. Vigiar e Punir. surgindo distinções como o crime violento e o não violento. 35 MISSE. Violento é o crime contra a propriedade por motivo econômico. 2003. com 200 inquéritos policiais e 100 processos por crimes de torturas que não receberam nenhuma punição”35 Tanto condenados inocentes como os acusados de crimes mais 32 33 FOULCAULT. 2009. que avalia primeiramente as vantagens ou desvantagens de um ato criminoso. e o crime contra a pessoa. ed. p.21 impelidos pela resposta da sociedade a determinado ato. A prática de crimes alcançará uma dimensão maior. O crime é um fenômeno causado por um amplo número de fatores de índole muito diversa. excluídos das suas atividades habituais. sendo daí.)33.

mas elas são usuais e têm o apoio de grandes contingentes sociais que as consideram como naturais. TEIXEIRA. É justamente nesse âmbito que a criminologia se destaca quando busca solução para criminalidade: a impunidade. conforme deduz Jorge Henrique Schaefer Martins: Alguns menos avisados pensam que se resolvem os problemas. Dos mais ricos aos mais pobres. etc. 24. violência. iguais às demais leis. A lei proíbe tais práticas. “O Terceiro Milênio chegou sem que as autoridades demonstrassem empenho para definir o problema de criminalidade: na verdade não existe um sistema preventivo nem investigativo para pelo menos se reduzir a criminalidade”38. onde recebem tratamento que lhes é devido: desumanidade. provocando rebeliões e fugas delas decorrentes36. o que as diferenciam é a pena aplicada. precariedade de condições. SHECAIRA. Quando ocorrem massacres de presos. O preso. através da sua organização jurídica defende com maior rigor determinados valores. conferindo uma importância efetiva para a sua segurança e sobrevivência. a qual corresponde uma punição essencialmente grave. Logo. 2004. concretizando crimes mais graves do que já cometeu anteriormente. Penas alternativas. O crime é a transgressão de uma norma jurídica. ed.22 leves. Ingo Wolgang Sarlet descreve que “a mais incisiva revolta contra a 36 37 38 MARTINS. Jorge Henrique Schaefer. Sérgio Salomão. abreviam o cumprimento. p. Criminologia. cuja natureza é mais rigorosa para aquele que a desrespeita. ou casos comprovados de torturas. Esses valores são defendidos pelas normas penais. Olvidamse que defendem essa solução de que os presos um dia cumprem as suas penas. cujo tempo de clausura é abreviado agirá novamente e com maior aptidão. A criminalidade no Brasil. Na visão de Sergio Salomão Shecaira. pois os indesejáveis são levados ao cárcere.terravista. São Paulo: Atlas. Disponível em: www.pt/> Acesso: 7 de agosto de 2011. ou quando não. que através das ações ou omissões ofende a organização ético-jurídica merecendo dessa forma. o problema muitas vezes é ignorado. São Paulo: Revista dos Tribunais. .16. a criminalidade torna-se um conjunto de situações. e na maior parte das vezes se traduz na prisão do autor do crime. 46. a própria sociedade. é bastante forte a idéia de que a criminalidade deve ser reprimida com maior violência. p. uma pena37. sujeitam-se à convivência com marginais já antigos e perigosos que os instruem à comportamentos e conhecimentos criminosos que empregarão quando forem libertados. Ib. 2000.

Este método ilícito é praticado às ocultas. Wagner Ginotti Pires considera suficientes as leis que regem o Código Penal no combate à criminalidade. 2001. Um dos vetores da criminalidade está na própria forma que se acredita que deva tomar o seu combate. dela ou de terceira pessoa. O pensamento de que é somente merecedor de punição o crime cometido pelas classes mais pobres e que se deve resolvê-lo com outros crimes. que não possui estrutura para punir efetivamente os criminosos e defender a sociedade contra o crime42. Porto Alegre: Livraria do Advogado. incentiva ainda mais a criminalidade41. 39 SARLET. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na constituição de 1988. 17. São Paulo: Paz e Terra. físicos ou mentais são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter. 2000. condenações e execuções dentro das prisões e mesmo fora delas atingem os centros urbanos e mesmo o interior. hoje em dia. Desumanos ou Degradantes adotada pela Resolução 39/46 da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1984 e ratificada pelo Brasil em 28 de setembro de 1989. tanto nas práticas diárias da Justiça Penal como nas leis. obtenção de informações e confissões dos presos ainda nos dias atuais. 40 SARLET. p. Angelina. . Ingo Wolfgang. em seu artigo 1º determina: Para fins da presente Convenção. A pena de morte foi abolida no Brasil no final do Segundo Reinado. o termo ‘tortura’ designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos. Findo este período. Esta crença legitima-a. É esta combinação que provoca o fracasso do sistema judiciário brasileiro. a tortura física e psicológica passou a ser forma de punição. O que existe de incorreto. mas não deixa de existir.23 tortura no Brasil aconteceu com jovens de classe média que se armaram ou tentaram organizar-se contra o regime militar ocorrido de 1964 a 1984”39. no entanto. para que a mesma seja executada com eficácia. Ingo Wolfgang. informações ou confissões40. não podem funcionar adequadamente se não respeitar sua aplicabilidade. p. 61. 41 PERALVA. é permitir aos criminosos a liberdade antes de se cumprir uma pena a que foi condenado. Angelina Peralva comenta sobre a criminalidade dentro dos presídios. Idem. Violência e democracia: o paradoxo brasileiro. contudo. A Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. A aplicação e o cumprimento da lei dependem muito do trabalho conjunto dos cidadãos e da polícia.

8. colocando a população em risco. Panorama da justiça. continuando a exercer as suas funções. Segundo Michel Foucault. O que se deve compreender é que a lei foi feita para todos os cidadãos. Se no panorama da educação e da recuperação.16. 44 45 BATISTA. 2000. entretanto. Penas alternativas. “ao se reformar o Código. não se privilegiando alguns. designadas para protegê-la contra a criminalidade. bem como equipar a justiça. aplicando punições corretas contra os criminosos. MARTINS. a punição seja necessária.9. Nilo Batista considera que quando se vive em uma comunidade. 2000. “Isso sem falar nas deficiências intrínsecas ou eventuais do encarceramento. p. a falta de ensino e de profissionalização e a carência de funcionários especializados”44. Jorge Henrique Schaefer. O Código Penal de 1940 listava entre as penas: a reclusão. 43 MARTINS. não se pode. a. n. principalmente a oportunidade de mostrar à sociedade aquilo que ela espera das autoridades responsáveis. os valores são totalmente distintos daqueles que. É praticamente difícil integrar à sociedade um homem que se encontrava preso. São Paulo: Atlas. Wagner Ginotti. como a superpopulação. Introdução crítica ao direito penal brasileiro.5. Nilo. Embora. permitindo que este repare o mal cometido sem afastá-lo do convívio social e familiar..24 O sistema judiciário perde com os erros de impunidade. para o sustento próprio e o da família”43. a detenção e a multa. a pena de prisão apresenta tais aspectos negativos. Jorge Henrique Schaefer. Penas alternativas. Um criminoso perigoso que se encontra livre é impulsionado a violar as leis penais. incluindo as penas 42 PIRES. p. p. determinando uma diferenciação de quem deve ou não ser punido. em prejuízo dos demais45. os atentados sexuais. 58. ed. não deixando a impunidade de lado. existem casos que não se deve permitir a prisão como solução. p.9. . São Paulo: Escala Ltda. 33.16. 2002. São Paulo: Atlas. ed. questionar que continua ela a ser único recurso aplicável para os delinqüentes de alta periculosidade. A esperança é de que o Estado solidifique essa forma de aplicação. deve-se utilizá-la apenas para o indivíduo prejudicial à sociedade. O sistema penal. reclusão e detenção formaram uma só: penas restritivas de liberdade. deverá obedecer. No entender de Jorge Henrique Schaefer Martins. Rio de Janeiro: Revan.20. em liberdade. ed. mas “optar por soluções menos graves ao infrator. 2002.

semi-aberto ou aberto. p. 2002. § 2º. § 1º e 2º). sendo facultativo a realização do exame criminal de classificação”49. admitindo-se a freqüência em cursos supletivos. 24. 50 NUCCI. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2. 27. salvo se necessário transferência para regime fechado. 2. industrial ou estabelecimento similar. Manual de direito penal. Assim. no próprio estabelecimento prisional ou fora dele. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. segundo ensina Antonio Garcia Pablos de Molina. 71. 2006.ed. sujeitando-se ao trabalho obrigatório. podendo ser aplicado tanto no início da execução da pena. profissionalizantes. Criminologia. Michel. Manual de direito penal. . do Código Penal47. por necessidade. cuja jornada não poderá ser inferior a 6 horas nem superior a 8 horas em período diurno. como trata o Artigo 33. A detenção pode ser cumprida em regime semi-aberto ou aberto. compreende-se que o condenado deverá ser submetido a exame criminológico de classificação. p. durante o repouso noturno48. suspensa aos domingos e feriados. Jorge Henrique Schaefer Martins destaca: 46 47 FOULCAULT. p. O exame criminológico procura conhecer os aspectos individuais do preso para determinar a sua inserção no grupo com o qual conviverá durante a execução da pena. o condenado trabalha comumente durante o período diurno. o que constituiu a inovação do dispositivo”46. “Já no regime aberto.ed. 2º e 3º). De acordo com o Código Penal (Artigo 34. sem nenhuma restrição de serviço ou local. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. como em meio a seu decurso”50. Guilherme de Souza Nucci conceitua o seguinte: A reclusão é uma pena privativa de liberdade prevista para os crimes de maior gravidade e a detenção para os menos graves. 2. Petrópolis: Vozes. Antonio. Manual de direito penal. Garcia Pablos de. §1º. Nesse regime. 2006. Para Guilherme de Souza Nucci. 21. A reclusão deve ser cumprida em regime fechado. 48 MOLINA. Guilherme de Souza.25 restritivas de direitos. o regime fechado se trata da execução de pena em estabelecimento de segurança máxima ou média. de instrução de segundo grau ou superior (Artigo 35. 4. “o regime semi-aberto consiste na execução da pena em colônia agrícola. ed. Guilherme de Souza. 71. 2006. Partindo desse pensamento. NUCCI. dentro ou fora do estabelecimento onde se encontra em reclusão e isolamento. p.ed. 49 NUCCI. 2009. 71. Vigiar e Punir. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Guilherme de Souza. Nascimento da prisão. p. a pena é executada em casa de albergado ou estabelecimento adequado.

2. Rio de Janeiro: Forense. 2006. nem superior a cinco vezes esse salário”54. e aos delitos culposos de modo geral. multa cumulativamente imposta52. baseado no merecimento do condenado. 177. prestação de serviços à comunidade e limitação de final de semana”. p. torne incabível o regime atual. 16 ed. o presidiário cumprir. podendo ou não pagar. p. 2004. Além disso. Penas alternativas. “É adotado pela legislação o critério do ‘dia-multa’. A regressão é a transferência de regime com menos rigor para um mais rigoroso. por crime anterior. Com o atual sistema penitenciário. somada ao restante da pena em execução. devendo. recolher-se durante o período noturno e nos dias de folga. “com pena inferior a um ano. Uma das vantagens da pena de multa é “o fato da não contaminação moral do delinqüente que deveria ser recolhido à prisão. para outro menos rigoroso.26 A aplicação da pena em regime aberto e seu decurso envolvem a transferência do condenado do regime semi-aberto. 71. Ocorre quando o condenado pratica ato determinado como doloso ou falta grave. 51 MARTINS. cujo valor. a ser fixado pelo juiz. desde que o réu não seja reincidente. o que lhe permite trabalhar. no entanto. com maior eficácia em relação às pequenas punições. não poderá ser inferior a um trigésimo do salário mínimo em vigor. Jorge Henrique Schaefer Martins ainda observa que as penas restritivas de direito consistem “em interdição temporária desses direitos. ed.11. Jorge Henrique Schaefer. Penas alternativas.11. cuja pena. São Paulo: Atlas. evitando o recolhimento ao cárcere”. Jorge Henrique Schaefer. destaca: A progressão está prevista em lei e consiste na transferência do condenado de um regime mais rigoroso. Guilherme de Souza. atinge o condenado em seu patrimônio. exigindo. Heleno Cláudio. Lições de direito penal: Parte geral. O regime semi-aberto é fundamentado na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. quando menos. 52 . conservando-se o arbítrio do juiz”53. não sendo possível o salto do regime fechado para o aberto. São Paulo: Atlas. um sexto da pena em regime semi-aberto 51.16. 54 NUCCI. 2000. freqüentar cursos ou exercer atividade autorizada fora do estabelecimento de reclusão e sem vigilância. a proporção da criminalidade cresce cada vez mais como esclarece José Roberto Guzzo. o cumprimento de um sexto da pena em regime inicial ou anterior. 2000. p. 53 MARTINS. devendo. sofrendo condenação.16. Considerando esse fundamento. entretanto. Manual de direito penal.ed. FRAGOSO. com presos que vivem em condições subumanas e com todas as penas que o criminoso está sujeito. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. São aplicadas aos crimes dolosos. Heleno Claudio Fragoso. ed.

9(1): 249-265. um conceito variável que é influenciado por noções religiosas e sociais. Segundo Cezar Roberto Bitencourt “na doutrina penal brasileira. Nancy.2 Objeto da Criminologia O estudo do objeto da Criminologia é relevante. p. não o faz. Parte Geral. 2000. 17. verifica-se o fato de o indivíduo transgredir a lei penal apenas. v. quando são soltos. Sociol. Michel Foulcault observa que se juridicamente a delinquência é. São Paulo: Saraiva.16. porque o próprio governo que tem como função propiciar o bem social para que os indivíduos alcancem o bem individual. São Paulo: Paz e Terra. Nancy Cárdia reconhece “mesmo que o cidadão tente se recuperar e não retorne ao crime. 56 CARDIA. USP. no qual o crime seria toda a conduta humana que infringisse a lei penal”58. 7 de agosto de 2002. deixando o cidadão frágil ante a violência.30. Cezar Roberto. numa perspectiva moral. Angelina. José Roberto. Neste conceito. a. p. no fundo é bem simples e bem triste: a sociedade brasileira está indefesa diante do magistrado55. 58 BITENCOURT. a vítima e o controle social do delito. muitos tornam a cometer os mesmos delitos e crimes. ed. É nesse aspecto que a criminologia moderna fundamenta o seu objeto no estudo de quatro pontos fundamentais: o delito. 45.36. o estigma de criminoso ele sempre carregará diante da sociedade”56. maio de 1997. n. adotou-se um conceito formal do delito. 44-46. Rev. o delinquente. A verdade. o delinquente. Desta forma. 261. 2002. 17. 2002. O medo da polícia e as graves violações dos direitos humanos. elementos indispensáveis no sentido de se conhecer os detalhes de um crime. a vítima e o controle social do delito. São Paulo: Abril. sem que qualquer outro fator fosse analisado. 2. Paulo. . Na perspectiva sociológica relaciona-se 55 GUZZO. Em relação ao delinquente. Tempo Social. Dificilmente a prisão transforma o ser humano em alguém honesto que já fora antes de conhecer o mundo do crime. o Judiciário poderia atuar com mais rapidez e eficiência no combate aos crimes mais graves57. S. Revista Exame.27 O Governo emprega verbas fabulosas para manter os presos. 57 PERALVA. p. p. Todos os erros possíveis. p. no entanto. Manual de direito penal. Violência e democracia: o paradoxo brasileiro. O que se pode afirmar que a solução viável para o controle da criminalidade é educar as criaturas de forma que se desviem sempre do crime ou ainda fortalecer o policiamento nos municípios. uma vez que apresenta o delito.

2009. hábitos e costumes aceites. Assim. São Paulo: Malheiros.16. 44-46. Maximiliano Roberto Ernesto. 1 jun. Petrópolis: Vozes.28 com as normas sociais que permitem um determinado equilíbrio que é necessário manter no quadro da sociedade59. certamente haverá maior espaço para que atos brutais ocorram. Teresina. 59 60 FOULCAULT. 21. . Vigiar e punir. 2005. 2002. José Roberto. 24. hoje se banalizou. Todos os erros possíveis.com. Leonardo Rabelo de Matos. 62 GUZZO. dente por dente”61. suas ações. dando margem à proliferação de bandidos e um aumento maior de vítimas. uma ciência pré-jurídica. sua matéria de estudos é o homem. História do direito penal: crime natural e crime de plástico. A criminologia e a criminalidade.br>. Jus Navigandi. n. ed. toda sua evolução. pela maioria das pessoas e que variam segundo as sociedades e a evolução que lhes é inerente. Disponível em: <http://jus. porque o homem é o agente do ato anti-social. as pessoas passam a se desconhecer pelo alto contingente de habitantes que ocupa a cidade. Revista Exame. sem contestação. 66. A criminologia. À medida que os criminosos não encontram obstáculos ou barreiras. 46. 2011. n. Provinha da legislação mosaica. descrita por Maximiliano Roberto Ernesto Fuhrer. que consistia em infligir ao delinqüente um dano ou mal inteiramente idêntico ao que ele causara à sua vítima. José Roberto Guzzo destaca que a criminalidade “desencadeia-se num compasso desvairado e muitas vezes de maneira irracional. o seu viver social. onde no Êxodo (cap. p. Não é tarefa fácil para a Criminologia lidar com a delinquência. a. A Lei de Talião (tallis = tal) conhecida como retaliação. que modificarão o caráter essencialmente humano ou antropológico do fenômeno. conforme a antiga Lei de Talião. constantemente sofisticada. os indivíduos que transgridem regras e tabus.“olho por olho.1. p. p. Michel. p. como espécie e como indivíduo60. XXI.25. São Paulo: Abril. fazendo da segurança da comunidade apenas uma parede frágil contra marginais. normalmente. A criminologia é e deve ser considerada de acordo com a maioria dos estudiosos do assunto. 2003. assim como a violência. p. SILVA. 7 de agosto de 2002. 61 FUHRER. dominado especialmente pelo crescimento da delinqüência e pela incapacidade total do Estado de servir como agente controlador da violência na sociedade”62. ano 8. castigo semelhante à ofensa que se punia (decepar a mão de quem a cortara de outrem). 22-25). é expressa pela cominação . não trata unicamente da pessoa humana. Podem ser considerados delinquentes. mas sobre este agente existem várias causas e muitas ainda desconhecidas.36. foi uma pena antiga do chamado direito vindicativo. Acesso em: 18 nov. Nascimento da prisão. conforme explica Leonardo Rabelo de Matos Silva: A delinquencia.

psicológico e social. Luiz Flávio. bem como dos meios de vitimização. ampl. GOMES. 5. Assim sendo. 65 MOLINA. Assim. em 63 MOLINA. a Vitimologia surgiu em 1947. p. V.29 Em relação à vítima. procura-se o estudo. a intervenção no processo de vitimização a criação de medidas preventivas e integral atenção nos âmbitos psico-socio-jurídicos65. pois a vítima sempre foi vista como ofendido. É a aparte da Criminologia que estuda a contribuição da vítima no fato delituoso. 2006. Mas é importante salientar que não se liga somente ao campo penal. Na Criminologia. quer do ponto de vista biológico. O que se considerava na Criminologia. Antonio García-Pablos de Molina e Luiz Flávio Gomes conceituam como “um indivíduo. 468 64 BITENCOURT. ampl. Luiz Flávio. a Antropologia e a Psicologia. físicas e sociais. seja de seus próprios atos. afirmando que o crime um fenômeno produzido por causas biológicas. e teve como fundador Benjamin Mendelsohn. 2002. São Paulo: Revista dos Tribunais. ed. Criminologia: introdução aos seus fundamentos teóricos.. do acaso”64. sua inter-relação com o vitimizador e aspectos interdisciplinares e comparativos. dando importância aos fatos criminosos. atual. Cezar Roberto. Alfonso Serrano Maíllo descreve a origem da Vitimologia: A Escola Clássica e a Escola Positivista relevavam o delito como entidade jurídica e silenciavam qualquer fato que falasse sobre o comportamento da vítima. 468. segundo a compreensão de Antonio García-Pablos de Molina e Luiz Flávio Gomes: Vitimologia é o estudo da vítima no que se refere à sua personalidade. mas também à Sociologia. ed. seja de influxos nocivos ou deletérios. seja de fatores criminógenos. Na visão de Cezar Roberto Bitencourt. Criminologia: introdução aos seus fundamentos teóricos. 5. ed. rev. Diante disso surgiu a Vitimologia cujo estudo propõe mostrar qual a contribuição da vítima no crime. É o estudo científico das vítimas a busca pela intenção das vítimas. Antonio García-Pablos de. era o ofensor e não a vítima. p. Parte Geral. atual. Antonio García-Pablos de. seja dos atos de outrem. tendo assim. rev. quer o de sua proteção social e jurídica. maior cuidado ao atribuir a culpa do autor. advogado em Jerusalém que antes mesmo desse ano pronunciara. São Paulo: Revista dos Tribunais. família ou amigo que sofre ou foi agredida de alguma forma por uma infração criminal praticada por um agente”63. Antigamente não se estudava a vítima para conhecer até que ponto iria o seu envolvimento com o crime. “a vítima é qualquer pessoa que sofra infaustos resultados. São Paulo: Saraiva.33. ou seja. . p. Manual de direito penal. o estudo da vítima ocupa uma área denominada Vitimologia. 2006. GOMES.. 17.

a favelização. escola. n. sistemas econômicos e demais. 66 67 MAÍLLO. rev. entre outros68. . 5. O controle social como objeto da Criminologia diz respeito aos fatores sociais e as causas que levam à criminalidade. civilização. a violência. Disponível em: <http://jus. com o título de The Victimology e na revista Droit Penal com o título de La Victimologie Science Actuell. Teresina. Assim. Alfonso Serrano. sendo que tudo é relativo. Como exemplo. sexo. pois existe a necessidade de analisar rigorosamente o seu papel. segundo a distinção realizada por Leonardo Rabelo de Matos Silva que vale tanto para as ciências naturais. a miséria ou a extrema pobreza não induzem. sob o tema Um Horizonte Novo na Ciência Biopsicosocial: A Vitimologia. com o objetivo de reunir dados e conhecimentos. 2007. educação. Leonardo Rabelo de Matos.br>.1. bem como a reparação dos danos não é prioridade. cultura. fanatismo religioso. o molde do regime carcerário atual. senão a imposição da punição67. 1 jun. tais como a fome.com. jogos de azar. no verdadeiro sentido das palavras. seria um tormento viver em sociedade. o desemprego. mas chama a atenção. fatores genéticos. estando em função de circunstâncias e variáveis. GOMES. Quanto às causas da criminalidade não têm valor integral. “no modelo clássico da Criminologia. necessariamente aos desvios de conduta. Causas e fatores não querem dizer a mesma coisa. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. meios de comunicação. se assim ocorresse. 2003. sendo o seu marco de expectativas muito pobre. Os fatores devem distinguir-se das causas. ed.30 Conferência em Bucareste. Jus Navigandi. casa. Mas foi em 1947 que publicou seu primeiro trabalho e em 1956 publicou na revista Études Internationales de Psychossociologie Criminell. São Paulo: Revista dos Tribunais. ampl. 68 SILVA. ano 8. favelas. 468. idade. 2006. embora sendo objeto da Criminologia. Acesso em: 18 nov.66 Na Criminologia. Luiz Flávio. pelo princípio do absoluto. p. 2011. analfabetismo. Criminologia: introdução aos seus fundamentos teóricos. desemprego. Introdução à criminologia. fatores condicionadores de doenças mentais. Conforme explicam Antonio García-Pablos de Molina e Luiz Flávio Gomes.. p. fatores relacionados ao preconceito. rua. MOLINA. como para as ciências sociais: Como fatores podem ser considerados: a fome e desnutrição. Antonio García-Pablos de. p. 58. paixão. a vítima foi neutralizada. o conceito de vítima é complexo. o papel da vítima é cada vez mais importante. fatores relacionados aos regimes políticos autoritários. Há sim. atual. armas. fatores que acometem à criminalidade. drogas. A criminologia e a criminalidade. pelo desamparo quanto ao Estado e a sociedade civil quando da ocorrência de um crime. 66. sendo esse o fator decisivo na origem de um crime.

.31 Assim sendo. a vítima e o controle social são os principais elementos que formam o objeto da Criminologia e que devem ser analisados com eficiência no sentido de contribuir com a investigação de um crime. o delinquente. torna-se importante enfatizar que o delito.

Rubim Santos Leão de. houve a necessidade de uma reforma penal. e ainda. p. ed. Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica. ed. São Paulo: Saraiva. em relação a Portugal. principalmente após a libertação dos escravos. além da morte. São Paulo: Atlas. 32. de acordo com as regras das ordenações. a criminalidade está enraizada. Tiradentes teve seus membros distribuídos por diversos locais. também. 70 Com seu sangue se lavrou a certidão de que estava cumprida a sentença. p.32 3 A REESTRUTARAÇÃO DAS LEIS PENAIS COMO FATOR DE CONTRIBUIÇÃO COM A CRIMINOLOGIA E A REDUÇÃO DA CRIMINALIDADE Na história do Brasil. alcançando ferozmente às vezes fatos insignificantes. Em alguns casos. Parte Geral. mas. Cezar Roberto. Varginha do Lourenço. ed. que se diz ter influenciado o Código espanhol de 1848 e diversos Códigos da América Latina sofreu várias alterações. V. pela desigualdade de tratamento entre vários agentes do delito. As penas eram cruéis. atual Conselheiro Lafaiete). era transmitida a culpa para todos os descendentes. 69 O crime de “Lesa-majestade” queria dizer traição cometida contra a pessoa do Rei ou seu Estado Real. distrito de Paraíba do Sul). ainda essa era precedida de suplícios ao culpado. Dentre as penas. 158. fincados em postes70. lugares onde fizera seus discursos revolucionários. 2000). tendo sido rapidamente cooptada e nunca mais localizada. pelo nascimento das idéias liberais. conforme explica Jorge Henrique Schaefer Martins (Penas alternativas. Exemplos dessa crueldade excessiva foi o caso de Tiradentes. . História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais. os demais restos mortais foram distribuídos ao longo do Caminho Novo: Santana de Cebolas (atual Inconfidência. em maio de 198872. 72 BITENCOURT. e pessoas próximas do réu. 2002. com inscrições no intuito de advertir o povo a respeito da gravidade do seu crime. Barbacena e Queluz (antiga Carijós. a de morte era a principal. Rubim Santos Leão de Aquino relata esse episódio histórico: Enforcado e esquartejado. 71 AQUINO. 17. com execuções na forca ou na fogueira. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. 32.23. porque as próprias aves do céu se encarregariam de lhe transmitir o pensamento do traidor71. tendo sido declarados infames a sua memória e os seus descendentes. “o Código Imperial. Após a independência. De acordo com a descrição de Cezar Roberto Bitencourt.16. As inscrições diziam que ninguém poderia trair a rainha. não apenas pela autonomia do Brasil. 1998 p. Manual de direito penal. acusado do crime de lesa-majestade69.

três anos após o início de sua vigência. boa técnica. Alcântara Machado foi incumbido da redação de um anteprojeto. Maura Roberti destaca principalmente a fase do Estado Novo: Até o golpe de Estado de 1937. p. o fim da periculosidade presumida.209. foi elaborado um anteprojeto de Código Penal e promulgado em 1969. 2002. n. 75 MARTINS. a. p. argumenta que a mesma “é resultado de um influxo liberal e de uma mentalidade humanista em que se procurou criar novas medidas penais para os crimes de pequena relevância.p. sendo a culpabilidade indispensável à responsabilidade penal. Maura. refletiu boa dose de liberalismo. 74 PIRES. valendo-se das mais modernas idéias doutrinárias elevando as penas. Júlio Fabrini Mirabete.20. entre outros artigos75. Manual de direito penal – Parte geral. p. foi apresentado um projeto de reforma. considerando a nova lei. 73 ROBERTI. em relação ao diploma anterior. apesar da época ditatorial.22. então. Jorge Henrique Schaefer Martins relata que em 1961. . e manteve-as suaves no delito culposo”. 76 MIRABETE. na Parte Geral do Código Penal surgiu a primeira Lei de Execução Penal. 43. São Paulo: Escala Ltda.5. foi revogado por Lei de 1978. surgindo. 2003. com o intuito de entrar em vigor em 1970. Em vista disto.33 O primeiro estatuto republicano foi elaborado com defeitos. São Paulo: Atlas. Penas alternativas. ed. Jorge Henrique Schaefer. Panorama da justiça. A intervenção mínima como princípio no direito penal brasileiro. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Foi instituída uma comissão para a elaboração de um anteprojeto de lei de reforma da Parte Geral do Código Penal de 1940. À época de Getúlio Vargas. Julio Fabrini.20. como seu precedente. Após dez anos de prorrogação. 2001. Wagner Ginotti Pires74 descreve que esse teve “a vigência de 45 anos e como diploma contemporâneo e complementar deve ser apontada a “Lei das Contravenções Penais”. Uma comissão revisora modificou o primeiro projeto que foi reapresentado em 1940 que. Quanto ao Código Penal de 1940.. São Paulo: Atlas. de 11 de julho de 1984.16. Em 1984 surgiu uma nova estrutura legal atingindo a Parte Geral do Código Penal. 2000. Com as modificações e inovações introduzidas com a Lei nº 7. esta reforma não foi efetuada. Essa lei respeita a dignidade do homem como ser livre e responsável. . O sistema penal. evitando-se o encarceramento dos seus autores por curto lapso de tempo”76. Wagner Ginotti. inovações como o arrependimento posterior. redação clara e concisa e estrutura harmônica73. com o advento do Estado Novo. 36. apresentado em 1938.

Manual de direito penal – Parte geral. Julio Fabrini. p. 2003. II. 37.34 Segundo Peter Fry. institui normas de licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências”. para alguns casos. da Constituição Federal. bem como o homicídio qualificado (art. Estabeleceu também. I. lei relativa aos crimes hediondos. inciso XXI. Uma rápida análise desse novo Código revela que. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. estabelece legalmente os direitos dos sentenciados e a forma pela qual as penas deverão ser cumpridas. da Constituição Federal. 263). criou dez figuras típicas criminais. Direito positivo versus direito clássico: a psicologização do crime no Brasil. cuja imputada “liberalidade” deve.25. 77 FRY. Da mesma forma. Peter. III. bem como uma extensa codificação que. 78 MIRABETE. a premissa lógica que fundamenta este novo Código.072/90. justamente porque não elimina o principio de periculosidade subjacente a ela. embora dispensada a figura jurídica da medida de segurança. a omissão foi sanada em parte. 2000. portanto ser relativizada77. Este princípio é. fiança e liberdade provisória e a proibição de livramento condicional ou o aumento no prazo de cumprimento da pena nos crimes. revogou os arts. 121). que dispõe sobre os crimes hediondos. neste último caso referente aos artigos: 121. 213 e 214 do Código penal. 285. também inclui como tal o homicídio (art. XLIII. de fato. 1º da Lei nº 8072 (25/07/90). especialmente quando esses são praticados com violência ou graves ameaças. graça e indulto. Através da Lei de Execução Penal. São Paulo: Atlas. de 13 de julho de 1990). ou seja. às prisões e penitenciárias nacionais. além e manter a inimputabilidade penal para os menores de dezoito anos. tendo o menor como sujeito passivo (arts. o agravamento da pena. nos termos do artigo 5º. 136. 335 e seu parágrafo único do Código Penal e apresentou dez novas figuras típicas protegendo o procedimento das licitações: “Regulamenta o art. 270 c/c o art. . a impossibilidade de anistia. Com a Lei nº 8.10. Júlio Fabrini Mirabete ainda assinala: a) O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8069. dá nova redação ao art. de 6 de setembro de 1994. São Paulo: Companhia das Letras. b) A Lei nº 8666. o Poder Judiciário estende agora sua autoridade a lugares cuja marca distintiva parecia ser justamente a sua ausência. A importância dessas medidas esteve ao que parece em proporção inversa à atenção que lhes têm sido dispensada pelos cientistas sociais interessados na questão. a pena-prisão sofre mudanças significativas. formas previstas no art. p. 2. c) A Lei nº 8930. ainda que praticado por um só agente. IV e V). exclui o delito de envenenamento de água potável ou substância alimentícia. 129. quando cometido o delito contra menor (art. com resultado morte. de 21 de junho de 1993. a partir do mês de janeiro de 1985 começou a vigorar no País uma nova parte geral do Código Penal. pela primeira vez na história da República. 121. ambos do Código Penal78. 228 a 244) e estabeleceu.

072/90 pela Lei 11. mas também. quando uma pessoa é presa em flagrante por um desses delitos. . estabelecendo o tratamento penal mais severo no que se refere ao cumprimento de pena pela prática dos crimes hediondos79. Na concepção de Paulo Junior Pereira Vaz: A nova legislação não significou mudanças somente pertinentes à progressão de regime.br/doutrina/texto. ao estabelecer novos parâmetros objetivos para 79 As mudanças propostas pelo projeto à Lei n. 2) a proibição de que o réu.stf. 4) a inclusão.br/portal/constituicao/. ainda que primário e de bons antecedentes. caso não estejam presentes nenhum dos elementos que autorizem a prisão preventiva. 3) a qualificação. cumpridos dois quintos da respectiva pena (em caso de ser primário) ou três quintos (caso reincidente). 5) a imposição da decretação da prisão preventiva. Doravante. que dispõe sobre os crimes hediondos. suprimiu a vedação inócua e também inconstitucional da concessão de liberdade provisória aos acusados pela prática de crimes hediondos ou a eles equiparados.com. de 28 de março de 2007.º 8.072/90. 3 nov. terá o direito de progredir de regime.072/1990. n. Lei dos crimes hediondos e suas recentes alterações. Acesso em: 19 de agosto de 2011.072/90. na relação de crimes hediondos do art.072/90. ano 12. nos crimes de seqüestro em meio de transporte coletivo. o legislador. 2º dessa Lei.464. Assim. Paulo Junior Pereira. Idem. não podia ser colocada em liberdade durante o andamento do processo. dos crimes previstos no Código Penal Militar que sejam equivalentes aos previstos no art. agora é permitido (quando o juiz entender que for o caso). o réu iniciará o cumprimento da pena sempre em regime fechado81. a mais recente alteração realizada na Lei nº 8. Teresina. Disponível em: <http://jus2. No entanto. como hediondos. extorsão mediante seqüestro em meios de transporte coletivo e extorsão mediante privação da liberdade. o condenado por crime hediondo ou a ele equiparado. (BRASIL. 1º da Lei n. Disponível em: www. Considerando essa visão. Jus Navigandi. Ao extinguir a expressão de que “a pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime fechado” e estabelecer um novo quantum de cumprimento de pena para se obter a progressão de regime. Alterações Lei nº 8. dos delitos de seqüestro em meio de transporte coletivo. poderá e deverá o acusado por esses crimes responder o processo em liberdade80. 2º da Lei n.gov.35 Deve-se aqui destacar.1. 2007. 81 VAZ. Paulo Junior Pereira. Paulo Junior Pereira Vaz ainda observa que esse novo diploma legal gera dúvidas e discussões no que concerne à supressão dos parágrafos do art. 1585. Acesso em 19 de agosto de 2011).º 8.uol. p. apele da sentença condenatória sem se recolher à prisão. quando houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade. são: 1) o cumprimento da pena pelo cometimento de crimes hediondos em estabelecimentos penais de segurança máxima. se antes.º 8. extorsão mediante seqüestro em meios de transporte coletivo e extorsão mediante privação da liberdade. Aspectos polêmicos. 80 VAZ.

tendo. ainda há o despreparo do 82 ROBERTI. a produção legislativa incorporou os anseios de uma maior severidade punitiva e de combate ao crime e à violência. pois a legislação penal brasileira tem penas altíssimas. Além disso. Este argumento é falso. Partindo do princípio de que a lei penal deve se destinar a proteger os bens fundamentais. Bernardo Carvalho. Bernardo. A intervenção mínima como princípio no direito penal brasileiro. sancionar condutas que atinjam os de menor valor caracterizaria uma afronta à dignidade e a função pacificadora do Direito Penal82. Contudo. Disponível em: http://www. principalmente após 1988. Atualmente.> Acesso em: 19 de agosto de 2011.464/07 ao permitir a progressão de regime após o cumprimento de dois quintos ou três quintos da pena alterou o direito. a Justiça passa por morosidade no julgamento de processos. como contra partida. o direito penal não conseguiria cumprir sua função preventiva. centralizando delito fato interpessoal e histórico. modificou de forma substancial o seu tempo de prisão. 9. afora que há tipificação penal para todas as espécies de conduta que se possa imaginar. que regulamentou institutos despenalizadores. a chamada Lei das Penas Alternativas (Lei n.1. Isso porque. com repercussão direta para todos os envolvidos no conflito. o Direito Penal no Brasil começou a reivindicar uma criminologia moderna. o tempo de cumprimento de pena. ou seja. por isso. . Desta feita.714/98) aumentou o âmbito de incidência das penas restritivas de direitos. p. muitas vezes. O direito penal e a violência. o aumento da violência e da criminalidade tem servido de argumento para a justificação da política de endurecimento penal. 83 CARVALHO. das garantias e direitos fundamentais assegurados a todos os cidadãos. este deve ser suporte para o legislador buscar cada vez mais o aprimoramento das Leis. nesse contexto considera o seguinte: Com a Lei Maria da Penha e as reivindicações da sociedade para que a maioridade penal seja reduzida para os 16 anos. visto que em um cenário de extrema violência como o vivido nos dias atuais. 37. destacando o Direito Penal em sua evolução histórica. em detrimento das privativas de liberdade.099/95). por via reflexa. Devido ao volume de processos a serem julgados. 9. Maura Roberti admite que: O primeiro passo se deu com a edição da Lei de Juizados Especiais Criminais (Lei n. defende-se que as leis brasileiras seriam muito brandas e que.com.diarioaponte. Assim. 2001. o enfraquecimento garantias individuais83. p. Maura. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. costuma-se dizer que as leis penais do Brasil são muito brandas.36 se concretizar o direito subjetivo à progressão de regime do condenado. Recentemente. a Lei 11.

A prevenção terciária tem um destinatário perfeitamente identificável. 86 Idem. No contexto da época. são elementos fundamentais de política econômica. visto que Código Penal é antigo. por ser de 1941. e ainda atualmente. pois o sistema de justiça criminal envolve um extenso trabalho de alterações.37 Legislativo para formular leis com falhas na efetivação da Lei de Execução Penal. A ressocialização refere-se a uma reestruturação da personalidade e das atitudes que pode ser benéfica ou maléfica aos indivíduos. “a moderna criminologia aceita a possibilidade de diminuir a criminologia através de diversas outras formas que não exclusivamente o delinquente. a qualidade de vida. Logo. não se ajustando mais às condições atuais. Denise Frossard84 argumenta que “o Código dever ser reescrito. destacando as formas de prevenção primária. ampl. p. social e cultural para a prevenção do crime. variam de acordo com as relações e às experiências vividas ao longo da vida. ressocializar seria sinônimo de disciplina. Como prevenção primária. São Paulo: Revista dos Tribunais. o trabalho. pois. resultando na lentidão da justiça e em penas nem sempre passíveis de conciliar com crimes graves. 2006. Ponto de vista. pois. O ideal seria uma ampla reestruturação penal e processual para enfrentar a crescente criminalidade no país e contribuindo com a Criminologia na investigação eficaz dos crimes. A prevenção secundária atua no sentido de orientar seletivamente a grupos ou subgrupos que ostentam maiores riscos de padecer ou protagonizar o problema criminal. podem ser aplicados inúmeros recursos. atual. os valores e a aparência das pessoas não são fixos. p. Antonio García-Pablos de. O Estado de São Paulo. a habitação. tendo como fim a utilização econômica dos 84 Denise Frossard é juíza e diretora da ONG Transparência Brasil. 480. qual seja o de evitar a reincidência através de sua ressocialização86. ed. GOMES. a inserção do homem no meio social. desde o início de uma ação até a proclamação de uma sentença. a personalidade. Criminologia: introdução aos seus fundamentos teóricos. 85 MOLINA. Na visão de Antonio García-Pablos de Molina e Luiz Flávio Gomes. o condenado. dotando o cidadão de capacidade social para superar eventuais conflitos de forma produtiva. Em relação à ressocialização Michel Foucault descreve o seguinte: O conceito de ressocialização surgiu por volta dos séculos XVII e XVIII. a educação. 2002. o recluso. secundária e terciária”85. 5. e sim.. juntamente com a idéia da resposta ao crime oferecida através das penas privativas de liberdade. rev. não está adequado às novas situações que surgiam”. . 4. Luiz Flávio. Caso de polícia. trabalho e obediência à hierarquia das relações de poder. e um objetivo certo.

O que se pode realizar na prática. por fim. Embora a vida de qualquer cidadão seja afetada.p. . benevolências excepcionais como concedem atualmente.25. visto que ele pode recorrer a novo julgamento se a sua pena for superior a 20 anos. mulheres e negros. São Paulo: Atlas. na qual o cidadão brasileiro poderá usufruir o direito de ir e vir sem receio de sofrer 87 FOUCAULT. 2009. não haveria que se falar em ressocialização. p. esse mesmo Direito não consegue atingir o seu real objetivo que é o de garantir segurança à sociedade contra a criminalidade. Em muitos casos. 2000. para que a Justiça brasileira possa punir com maior rigor a criminalidade é reestruturar as leis. Esta responsabilidade compete ao Congresso e às lideranças políticas do Brasil a realizar em curto prazo. Penas alternativas. Somente a partir da modernização do Sistema Penal é que as injustiças serão reavaliadas. O que se assiste é a que a fatia carente da sociedade brasileira paga mais caro pelas falhas da justiça. denunciados e. antes mesmo de cumprir a pena. 89 Idem. ed. Jorge Henrique Schaefer. São realmente os pobres. venham a ser incriminados. No entanto. Entre o crime e a volta ao direito e à virtude. Petrópolis: Vozes. enfim. fornecendo condições para a segurança pública. não puderam freqüentar escolas. os que não cometem delitos e. sendo a prisão um instrumento garantidor da reprodução desse modelo. 88 MARTINS. um lugar para as transformações individuais que devolverão ao Estado os indivíduos que este perdera87. para assegurar a ordem e permitir a convivência pacífica dos cidadãos de uma mesma nação”88. ed. 36. o fazem de forma a deixar vestígios que permitem na maioria das vezes. condenados sempre com a ira da imprensa e da população89. p. os sem-família. mas em uma adequação dos indivíduos ao modelo de sociedade vigente. .22. conforme considera Jorge Henrique Schaefer Martins: “O Direito Penal existe para prevenir os conflitos. causando a impressão de impunidade para a sociedade. aqueles indivíduos que por não terem tido condições de vivenciar uma situação equilibrada no âmbito das relações domésticas. não tiveram acesso ao mínimo de formação profissional. um condenado é libertado. Assim. de maneira que se impeça aos juízes a possibilidade legal de conferir aos condenados.16. a criminalidade sobrevém de forma mais aguda sobre aqueles que se encontram abaixo da linha de pobreza e em circunstância de maior vulnerabilidade: crianças. prevalecendo a violência e não a lei. Michel. os ignorantes. a prisão constituirá um “espaço entre dois mundos”. 119. Vigiar e punir – História da violência nas prisões – Tradução de Raquel Ramalhete.38 criminosos.

16. Penas alternativas. adaptando-o também às novas necessidades. 2004. simboliza uma necessidade premente do Estado dentro de uma visão estruturada. 91 SHECAIRA. São Paulo: Escala Ltda. enfim aparelhar adequadamente os órgãos policiais são fatores que auxiliarão os seus membros a desempenhar suas funções adequadamente91. “é preciso uma reformulação eficiente na legislação processual penal.29.42.p. “os denominados crimes hediondos. como o combate à criminalidade. ed. Jorge Henrique Schaefer Martins considera que a política criminal que instalou no Brasil. 90 PIRES. estimulando seus membros a participarem da investigação criminal com a polícia judiciária”90. conforme explica Sérgio Salomão Shecaira. torna-se fundamental para a redução da criminalidade. O sistema penal. p. Assim.20. criminalidade organizada e crimes de especial gravidade. n.5. que estruture o Ministério Público.39 qualquer espécie de agressão. funcional. Criminologia. 42. 2000 . 92 MARTINS. uma revisão das instituições policiais. mas. cujas condições são precárias no combate à criminalidade. Panorama da justiça. somente a partir de resoluções sérias com a aplicação rigorosa da lei é que se poderá minimizar o problema da criminalidade.. Conforme explica Wagner Ginotti Pires. combater o crime já sob o aspecto exclusivo da dialética punitiva”92. Fornecer condições de trabalho e equipamentos modernos. . pois essa é uma das principais reformulações que permite fortificar o sistema penal brasileiro. que produza uma investigação eficaz. p. Sérgio Salomão. Diante disso. Jorge Henrique Schaefer. São Paulo: Revista dos Tribunais. a. São Paulo: Atlas. Dessa forma. 2002. não basta somente a reestruturação do Sistema Penal. Wagner Ginotti. também melhorar a estrutura da Criminologia.

que nem todo criminoso é um degenerado. primeiro. a participação da comunidade é indispensável. Concluiu-se que diante disso. no sentido de beneficiar Criminologia. Em vista disso. lançadas pelo Governo. Essa participação também depende da credibilidade que as pessoas dispensam à justiça. para se fazer respeitar a lei. O direito repressivo só deve ser usado no caso das medidas preventivas falharem. após o crime já ter sido consumado. não são intervenções efetivas na redução da criminalidade. entre as quais. É fundamental. abandonando-se o pensamento de que a criminalidade tem somente uma causa. entretanto. para depois combatê-la diretamente no seu cerne. impondo mais severidade. acreditando-se que a solução do problema da criminalidade no país não é criando mais normas penais e sim reformulá-las de forma a prevenir o crime e também ressocializar o delinquente. que nem todo preso é irrecuperável. encontrar as origens da criminalidade. que nem toda culpa é da justiça e que nem toda lei é fraca. o delinqüente. a habitação. Crime e violência são problemas sociais complexos que não podem ser resolvidos em pouco tempo. há a necessidade da reestrutura da legislação penal. Contudo. a vítima e do controle social do delito.40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar das diversas políticas de segurança e proteção em favor da população. de forma que a mesma seja motivada a realizar seu trabalho com o pensamento de assegurar tranqüilidade à população. investigar e conhecer na prática. É preciso compreender que nem todo delinqüente é uma vítima da sociedade. a reestruturação da Legislação Penal é ainda uma das soluções mais indicadas que podem auxiliar a Criminologia a solucionar e minorar a criminalidade no Brasil. entre outras necessidades das classes carentes. no sentido de observar. Modificar as leis. Não se deve. através de tratamento e readequação ao seu meio social. o delito. a saúde. Esse é o trabalho da Criminologia. desmerecer soluções importantíssimas como: a educação. a fome. normalmente está o maior foco de criminalidade. pois legislações rigorosas e penas capitais são inúteis na intimidação de criminosos potenciais. . que é possível à criminologia atingir o problema da criminalidade na raiz. há todo um conjunto de causas que levam ao crime. e limitar garantias individuais.

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