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A politica externa brasileira na era FHC: um exercicio de autonomia pela integragao Tullo Vigevani (UNESP e CEDEC) Migevanitawot.combe e Marcelo Fernandes de Oliveira (CEDEC) Trabalho a ser apresentado no 4° Encontro Nacional da ABCP - Associagao Brasilcira de Ciéncia Politica Area Relagdes Internacionais Painel (4) Politica Externa Brasileira 21-24 julho 2004 ~ PUC — Rio de Janeiro A POLITICA EXTERNA BRASILEIRA NA ERA FHC: UM EXERCICIO DE AUTONOMIA PELA INTEGRACAO Tullo Vigevani (UNESP e CEDEC) Marcelo Fernandes de Oliveira (CEDEC) Resumo: Durante a Era FHC buscou-se substituir a agenda reativa, da politica externa brasileira, dominada pela légica da autonomia pela distincia, por uma nova agenda internacional pré-ativa, determinada pela légica da autonomia pela integragdo. Segundo ela, © pais deve ampliar 0 poder de controle sobre 0 seu destino ¢ resolver seus problemas através da adesio ativa 4 elaboragdo das normas ¢ das pautas de conduta da gestio da ordem mundial. No entanto, esta politica de integragio, adesdo participagio nao foi plenamente acompanhada de tomadas de posigdo que implicassem responsabilidades praticas, em virtude de debilidades estruturais. As responsabilidades teriam como fungdo preparar tanto © governo quanto a sociedade civil para uma insergao intemacional de perfil mais elevado no pés-Guerra Fria Palavras-chaves: Governo Fernando Henrique Cardoso; Politica externa do Brasil; Autonomia pela integracdo; Multilateralismo, Agradecemos muito a leitura atenta e as sugesties de Brasilio Sallum Jr. ¢ Paulo Roberto de Almeida 1. Introdugio Nosso objetivo é analisar o processo de adequagio da Politica Externa do Brasil nos anos dos governos FHC (1995 — 1998 © 1999 - 2002) aos interesses nacionais, tais como emergem no contexto mundial do pé Guerra Fria, A hipétese central & que um determinado tipo de adequagio teve inicio no governo Collor de Mello, sofreu breve Tetrocesso no governo Itamar Franco e foi retomado e aprofundado durante os dois mandatos de FHC. Ao longo dos oito anos buscou-se substituir a agenda reativa da politica externa brasileira, dominada pela logica da autonomia pela disténcia, que prevaleceu na ‘maior parte dos anos em que durou a Guerra Fria, por uma nova agenda internacional pré= ativa, determinada pela légica da autonomia pela integragdo. De acordo com essa perspectiva, 0 pais deve ampliar © poder de controle sobre 0 seu destino e a resolugio de ‘seus problemas internos é melhor viabilizada pela participagao ativa na elaboragdo das normas ¢ das pautas de conduta da ordem mundial (Fonseca Jr., 1998, p. 363-374). Assim, a “contribuigao afirmativa, engajada, para a estabilidade e a paz” (Lampreia, 1997, p. 14) ‘no Pés-Guerra Fria serviria para afirmar 0 préprio poder nacional. E por meio da participagao ativa na organizagao e na regulamentagao das relagdes internacionais, nas mais diversas dreas, que a diplomacia brasileira podera contribuir para 0 estabelecimento de um environment de convivio favorivel a realizaglo do principal objetivo do pais, ou seja, garantir 0 seu desenvolvimento econdmico. Objetivo esse que permaneceu como estruturador da agao externa do Brasil durante a maior parte do século XX. A percepeio que prevaleceu no governo FHC é a da necessidade crescente, devido ‘is grandes transformagdes do mundo no pés-Guerra Fria, de ajustar os interesses cespecificos brasileiros as grandes tendéncias do mundo contemporiineo, da modernidade, num entorno onde prevaleciam concepgdes liberais. Estas pareciam associadas a0 fortalecimento de valores considerados universais, como democracia, direitos humanos, protegdo ambiental, direitos sociais. Assim, o interesse nacional é o de captar as tendéneias profundas, buscando ajustar-se as dinimicas da ordem mundial que podem ser iiteis a legitimagio © & concretizagao dos proptios objetivos. Segundo Lafer (2000), a diplomacia