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VIAGEM À RODADAPARVÓNIA RELATÓRIO EM 4 ACTOS E 6 QUADROSPELO COMMENDADOR GIL VAZ ILUSTRADO POR MANUEL DE MACEDO ANOTADO E COMENTADO PELO

AUTOR E PELOS SRS. Alberto Braga, Alberto de Queiroz, Alexandre da Conceição, Alfredo Ribeiro, Antero de Quental,Bernardo Pinheiro, Carlos Faria, Carlos Lobo de Ávila, Carlos de Moura Cabral, Cristóvão Aires, Coelho de Carvalho, Fernando Leal, Gervásio Lobato, Guerra Junqueiro,Guilherme de Azevedo, Guilherme Gorjão, Jaime Batalha Reis, Jaime Victor,João de Deus, J. de Sousa Araújo, Joaquim de Araújo, José de Alpoim, Júlio César Machado,Leite Bastos, Magalhães Lima, Oliveira Martins, Pinheiro Chagas,Ramalho Ortigão, Rui Barbo, Rui da Câmara, Sérgio de Castro, Tomás Bastos, Urbano de Castro, Vicente de Pindela, etc., etc. REPRESENTADO NO Teatro DO GINÁSIO DRAMÁTICO NA NOITE DE 17 DE JANEIRO DE 1879 AO ACTOR FRANCISCO ALVES DA SILVA TABORDAE AOS SEUS COLEGAS DO TEATRO DO GINÁSIO Meu caro Taborda A noite de 17 de Janeiro de 1879 foi a mais tempestuosade que há memória, tantona plateia do Ginásiocomo nos dramas daRua dos Condes. O assobio silvava no ar comviolência, os raios cruzavam-se na atmosfera ²com castões de marfim, enquanto da segunda ordem, sobre os chapéus altos dos precitos, caía uma chuva torrencial de cadeiras de palhinha. Era um inferno! A consciência de Gil Vaz sentia-se nessa hora um pouco satisfeita, pois que ele, comendador excepcional, tendo a certeza de haver feito uma obra infeliz, não podia limitar as suas ambições a ver o seu nome citado como o dum talentoso confrade nas locais do Sr. Quirino Chaves, ou elogiado como o dum dramaturgo consciencioso nas correspondências do Sr. Carrilho. Quando temos a certeza de haverfeito uma obra literáriamá, já é uma doce consolação que o noticiário nacional a considere de todo o ponto detestável.

O meu amigo, que nunca tinha visto assimdesencadeadas em volta de si as fúrias do temporal,foi verdadeiramente heróico nessa noite,procurando salvar dos horrores da tormentaum relatório irremediavelmente perdido de antemão.Certamente merecia por tal feito a medalha de oiro que o Diário do Governo, de quandoem quando, confere à «generosidade e àfilantropia» se o Governo²por motivos políticosde consideração² não se recusasse obstinadamentea praticar esse acto de justiça. Ofereço pois este livro a si e aos seus colegasque tanta coragem desenvolveram na hora do perigo, não exigindo que de futuro o tragamao peito como ornato, nas ocasiõessolenes,mas que simplesmente o guardem nas suas gavetascomo lembrança dum relatório que, depoisde viver o espaço duma pateada, intentaressuscitar para viver o duma primavera. Gil Vaz

Não é um prólogo que eu escrevo para o relatório deGil Vaz, é simplesmente uma nota constituída por algumaslinhas de prosa em que vou dizer, com toda a sinceridade,o que pensam da Viagem à roda da Parvóniae da pateada com que o público a festejou na primeiranoite da sua aparição. Ao que me parece, o segredo da quedado relatório de Gil Vaz é facílimo de investigar desde que o leitor tinhaa paciência de o ler. Em primeiro lugar este relatórionão é uma obra de teatro: falta-lhe a estruturacénicae as condiçõesindispensáveis numa produção de talnatureza. Ora toda a gente sabe que uma obra destas,por mais sensata que seja, desde que deixou de ser lidano parlamento, por exemplo, para passar a ser lida noGinásio, saiu do meio natural em que lhe era dadofazer dormir, para entrar noutro em que so podia serpateada. Em face desta verdade tão simplesmente enunciada,baqueiam todas as teorias formuladas a respeito daqueda de tão conspícuo como moderado relatório. O espíritopúblico que muitos pensaram indignar-se pelacrueldade da frase²e recomendação da polícia -, apenasse indignou, instintivamente, pela má divisão das cenas.Os espectadores ainda podiam perdoar que o pensamentoaparecesse um pouco nu, mas o que não perdoariamnunca era que às actrizes não sucedesse o mesmo. Um regímen offenbachiano de quinze anos produz destasambições salutares, tanto na política como no teatro. A Viagem à roda da Parvónia, em todo o caso, é umaobra de sinceridade posta em quatro actos e seis quadros.O Governo Civil,proibindo-a no dia seguinte ao daprimeira representação, como atentatória da moral pública,prestou-lhe a maior homenagem oficial que estava nasua mão, distinguindo-a no meio da degringolade geralem que nada mais lhe era dado proibir, tanto nos costumes como na literatura. À primeira vista parecerá um desacato que Gil Vaz noseu relatório represente, sob o aspecto de D. Quixote, ochefe do poder executivo presidindo a um conselho deministros pantagruélico, excedendo os limites imagináveise possíveis do burlesco. Esta noção cómica do poder executivo foi transmitida a Gil Vaz pela história doseu tempo expressa no jornalismo, nas discussões parlamentares, nas polémicas partidárias, nos panfletos enas valsas quotidianas. A diferença e aspecto dos doispersonagens consiste só em um andar vestido segundo Keil e outro segundo Gustavo Doré. Isto é: a Viagem à roda da Parvónia, não é umainspiração de Gil Vaz; é simplesmente inspiração de umestado social e político reconhecido por todos. Hoje tiradodo meio ruidoso da cena e colocado na pacífica serenidadedo livro, este modesto relatório vaidecerto encherde arrependimento muita gente que uma noite o pateou,iludida pelas transfigurações teatrais.

A infalibilidadedo papa? de nenhuma forma. Gil Vaz faz do exercício do sufrágio um conceito muito inocente! O desastre teatral da Viagem à roda da Parvóniaexplica-se pois pela deficiência de condiçõescénicas. comopor exemplo no segundo acto. abrandura das alusões. equebrou igualmenteos bancos que encontrou à mão.como sacrilégio político e passatempo teatral. nem a religião.indiferenteou imparcial. fazendo em vista deles alguns croquis a carvão com o piedoso fim de divertir as plateias. tem feito a educação de duas gerações. Foram eles que se encarregaram de demonstrar que aViagem à roda da Parvónia não tinha realmente as proporçõesescandalosas que de princípio lhe atribuíra.O público. Gil Vazchega a mostrar-se digno da grinalda de rosas devida à virtude. em que assistimos a umaluta eleitoral tremenda sem que nos seja dado escutar amais simples descarga de fuzilaria! Os candidatos disputamo triunfo. Muitas das cenas nem têm o mérito da composição. que se aproveitaram de todas estas circunstâncias para tomar vindicta.Se deve penitenciar-se de algum pecado é deter faltado ao que devia à sensibilidade pública. É esta a melhor desforra de Gil Vaz. pode ter o valor dum lugar selecto. Nema moral. por que antes de tudo ela é orelatório sincero da desmoralizaçãopolítica e social contemporânea. A inocência das donzelas? muito menos. tão ingénuas são as tintas de que se serve. achandoquetinha pago de mais para ver pernas de menos. Dado este lado fraco. a ingenuidadeda sua crítica posta emparalelo com os artigosde fundo. o que se ataca neste relatório? A família?não. Noutras. que de oraavante pode responder pela sua obra. Neste relatório dão-se apenas algumas gebadas inofensivasnos vícios. convencido de quedeve um favor aos espectadores que a apuparam e outroàpolícia que a proibiu. tendo a simplicidadede não dar tiros um no outro! Que magnífico efeito teatral perdido! Decididamente.A Viagem à roda da Parvónia como afirmação políticapode ser exemplo a parlamentares: era face das discussõesjornalísticas. a sátira ficoua descoberto das bengalas descontentes. A própria monarquiaconstitucional e representativa? ainda menos.são simples fotografias do natural. que. a dinheiro e a vinho. importando-se mais com os conceitos de que com a recitação ao piano! De resto. talé a moderação de linguagem em que estáescrita. A Viagem à roda da Parvónia aqui está hoje pois numpalco aonde o público a não pode patear²sem esgotar aedição. Gil Vaz não tem pois que arrepender-se da intençãoque lhe ditou a sua obra.e pela falta de aparato teatral a que o público de ordinárioestácostumado. GUILHERME DEAZEVEDO . deixou-setambém levar por influências suspeitas. durante o período constitucional. nem as instituições. a modéstia dosepigramas.

1.) 1. Os caninos. então aqui os ministériosjácaem por causa de um dente? 2. era com um palhaço quase tão estropiado como ele.² De quando em quando rapazes atravessamapregoando cautelas. noites de poesia! Auras cheias de som. 1. 2.° Sujeito²Se lhe parece! Na política todosos dentes são necessários menos o do siso. pouco mais ou menos. daquia pouco os lugares de ministros hão-de ser postosa concurso. 2. Olhe.mas não era com o registo civil.VIAGEM À RODADA PARVÓNIA ACTO I QUADRO I A cena representa uma arcada do Terreiro do Paço. .(retiram-se) (Dois banqueiros conversando.²Váriosgrupos conversam. à altura de 4 palmos. . 1.70 mil contos de réis. dando-se a resolver os seguintesproblemas. o caroço é a penitenciária.ºSujeito (interrompendo) ²Agora não haviade custar muito a levantar. . . 2.² Vendilhões de água frescagabam a excelência do líquido. olhando paraa porta da secretaria da Marinha) 0h.° Sujeito²Bem sei. CENA I Um Sujeito (declamando a passear.° Sujeito (continuando) ²Roer em 7 anos. .° Sujeito²A Leona Daré fazia issonos Recreios. No fim de contasnão há prova possível para a dentadura humana.) .° Sujeito²Suspender o registo civil em cima dum trapézio. quem quer a taluda! é do Fonseca!. noites deLisboa.esses entãosãoindispensáveis.ºSujeito²Tem razão. oh. noites cheias de aromas! Garoto (passando a correr)²Amanhã anda aroda. .ºSujeito ² Homem.º Levantarcom os dentes.Tanto pode mastigar um orçamento como uma pedreira. (Dois sujeitos conversando. a burra dotesouro. incluindo o caroço. 1.

º Bacharel ²Seu maganão! sim senhor! deu-lhe no vinte. (Fogem olhando para todos os lados.º Bacharel (Diz-lhe ao ouvido um segredo. fazendo comentários. 2. (Separam-se tossindo.° Jornalista ²Eu já vi aquela cara não seiaonde.) 1.) 1.° Jornalista ²E o que te parece? 2. hein? 2.° Bacharel ²Olé! então pela capital? O que é feito dessa bizarria?há séculosque te não vejo?Venha de lá esse abraço! então também vens aosconcursos? 2. 1.) .º Jornalista²Olé! quem seráaquele quechega? 2.° Jornalista²Leste o belo artigo do Tibúrcioatacando a nomeação doscónegos? 2.° Bacharel (intencionalmente com o dedo indicador) ² Pai Paulino tem olho.° Jornalista ²Li. 1.° Gatuno ²Então já tomaste medida à fechadura? 2.) 1.º Gatuno²Não foi preciso: a polícia deu-me a chave.1.º Banqueiro ²Então as inscrições sobem oudescem? 2. (Dois bacharéis dândis.) 1.(dirigemse para ofundo) (Dois jornalistas em fraternal colóquio.) 1.º Banqueiro ² Vão subindo àproporção quea moralidade vai descendo. (Olham todos para o lado donde deve viro personagem. Podes ter a certeza que és despachado.° Jornalista ²Parece-me que o Tibúrcio pretendeuma conezia no Tribunal de Contas.° Bacharel ²E tens bons empenhos. ambiciosos de conservatóriase delegacias.) (Dois gatunos. furandoa parede das secretárias com as respectivas bengalas.ºBacharel²Que remédio! É preciso agenciara vida.

Finalmente. não podendo ser de pó dos séculos. vamos ver. S. quese cheguei devo-o unicamente a este raro quadrúpede originário de Sintra. e respondem-me: olhe. o Diário de Notíciashá-de dizer alguma coisa (puxa dum órgãoda opinião. oh Lusos. condecorado com váriasordensnacionais e estrangeiras.descansa que bem o precisas! 1. filho doJudeu Errante Sénior. A tiracolo um frasco de genebra eum binóculo. é ali abaixo à direita. donde venho e para onde vou? Eu lhe digo. dequalquer outro.ºSujeito²Espera. nãohádúvida. me conduziu à terra quelhe foi berço e aonde recebeu a sua primeira educação.ª viaja incógnito e tenciona demorar-se pouco tempo entre nós. e que há poucosdias mandou vender em leilão. solteiro. o póloNorte. quer talvez saber quem eu sou. muito espantado aolhar para mim. S. depois de ter assistido à queda dos impérios. Foi ele que. com borla. entre as quais ado camelo branco de Portugal e a de S. depoisde ter visto as pirâmides do Egipto. um verdadeiro almocreve dos tempos. e lê) «Espera-se hoje nesta cidade. depois o Cicerone Judeu (aparece montado num burro. isento do recrutamento.muito conhecido dos nossos leitores. Tenho de idade7000 anos e 3 dias. Judeu Errante. Tenho-me farto de perguntara toda a gente aonde fica este país. abastado proprietárioe capitalista. com um ramo deloiro à porta:²caminho. andarilhoeterno. Cartago.pode ter a certeza de que nesse instantepousou a planta fatigada na cidade de Ulisses. e em sentindo no nariz um cheiro pouco parlamentar.²Ando há sete mil anosà busca da Parvóniae só hoje a pude encontrar. Quemsou? Sou o Judeu Errante Júnior. que um príncipe excêntrico daqui levou há dois anos. (mostra um papel) aqui estáa certidão. à revoluçãode 1820.depois duma digressão pela Europa. que traz muito bem dobrado na algibeirafurtada. Apeia-se ficando com o burro presopela rédea) ² Tenho corrido Seca e Meca. galochas de borracha. vem coberto de pó dos séculos ² ou. e diz-meum: olhe. Tiago daArábia.na cabeça umcarapuço de lã. caminho.bacharel em quatro faculdades e vacinado. (prende o burro) Descansa dedicado companheiro. (levando o lenço aonariz) Fique entretanto entendido. caminho e voudar à ilha de Chipre! Torno a perguntar.ºSujeito (perguntando ao outro) ²Quem seráeste sujeito.CENA II Os mesmos.» .²Nascido na freguesia do Éden. ao dilúvio. Roma. Fazemos votos paraque o ínclito viajante encontre no país do canoroépico Luiz de Camões toda a acolhida lisonjeiraa que tem jus. quem será? 2. outrora Ulissipo e em nossos dias Parvónia. faltava-me correr os Olivais de Santarém! Condenadopelo destino a caminhar constantemente. (suspende-se) perdão! (olhando para a plateia) Aquele senhor de óculos azuis queali está no fundo da plateia. traja varinogrosseiro. cavalheiro de estimáveis qualidades.cheguei. Babilónia. movidopela nostalgia dapátria. o Judeu ErranteJúnior. vá o senhor andando por aí abaixo.

sócio da sociedadefilarmónicaOs Sobrinhos de Minerva epreparo-me para fazer o meu exame de instrução primária. (aparte) Vamos beberum copinho de holanda. Sou um poeta célebre. Com umas solas só. Judeu ²Infeliz! (tira dinheiro do bolso. sossegue. (Assinado) Possidónio.° Sujeito ²Acertaste. galochas tão danadas Quem as pode fazer? Deus ou o Manuel Lourenço. viajante. 1. recebendoo manuscrito) Não tenho mais trocado. colocando nessas palhetas legendarias a seguinteinscrição: Pisaram do Sinai as sarças inflamadas.(retirase humildemente) Um Poeta (saindo apressado do portão duma secretaria) ²Li o seu nome nos jornais e creio queo meu não lhe será também desconhecido.e que tu. estão hoje reduzidos a pouco mais de 15000! Judeu ²Bem sei de que me falais.cá vão para o museu. Chamo-me Artur. Judeu (descalçando as galochas de borracha e entregando-lhas) ²Aqui tendes as galochas de Aasvero:galochas ilustres que deram a volta ao globo. depois de tantas batalhas e de tantasprivações. (tira um rolo de papel do bolso). poderás venderao governo para o museu do Carmo.viageiro. acudo sempre a prestar-lhe a minha homenageme a proporcionar-lhe ensejo de mais uma vezpatentear o seu coração filantrópico cm prol dumainstituição de beneficência. Passei metade da minha vida a escrevê-lo e outra metade a procurar um editor. que. 1. que é a primeira dentre todas as que florescem no sagrado rochedodas pátrias liberdades. Judeu ²Oh! meu caro amigo. ó benfeitor da humanidade.1. É um volumede versos. penhora-me.° Sujeito²Cáestá o homem que me convém.º Sujeito (calçando as galochas) ²Graças. .Há muito tempo que o conhecia de nome.queira desculpar dar-lhe só um pataco. donde há 44 anos vieram os 7500. Euquando tenho notícia da chegada dum forasteiroilustre. Calcaram do deserto o areal imenso. Poeta (recebendo)² Obrigado! Já vejo que sabeisdar protecção ao génio.(aproxima-se) Meu caro senhor. Falais-me dessa instituição simpática cognominada modernamenteo albergue da Ilha das Galinhas? 1.° Sujeito²Por enquanto não. (curva-se numaprofunda vénia) Tenho a honra de o cumprimentar.

Quanto quer? Accionista ²Bem sabe que com a vinda dasnoites grandes as acções tornaram a subir imenso. 2. . Ora aquiestá quem me vai ficar com estas 50 acções dacompanhia do gás. não estou aqui recenseado! 1. O que vale é que se contentamcom pouco.ºPolítico. Judeu ²Mas.mas é o mesmo. o amigo para acender um charuto. as inscrições descem:o país. Não o incomodarei muito. 1. evisto ser penhorado todo o que vem a este país. cheio de nobreisenção eleitoral)² Extraordináriopaís! Chegueihá meia hora e eis-me já sem consciência e sem galochas! Palavra de honra! de que tenho mais penaé das galochas! Accionista duma companhia (aproximando-sedo Judeu) ²Felicito-me com o meu país pela chegada dum cavalheiro de tantos créditos. Judeu (guardando o dinheiro.° Político²Eu não tenho o gosto de o conhecer. desta maneiraficamos ambos habilitados. Maria até Cabeceirasde Basto. Vou ajustar doisgalegos e pode contar que ainda hoje lhe fica colocado na cozinha (saiapressadamente). Judeu ²Mas sou um estrangeiro?. masmande-me pôr em casa o gasómetro. 1. desde Maçãs de D. . penhora-meimenso.O gabinete está em crise. Olhe.²Que tem isso? Vota como morto.ºPolítico²Tomo a liberdade de lhe pedir oseu voto. meu caro senhor. Com todo o gosto. levanta-se como um só homem e batendoum murro patriótico no altar da pátria exclama: salta Messias para um! .pedia-lhe o extremo obséquio de dizer o que pretendede mim.° Político (ao ouvido) ²Vale uma libra (dá-lheuma libra e retira-se).° Político²Não tem dúvida: vota em Belém. Judeu ²Mas o meu voto nestas condições oque pode valer? 1. Judeu²Oh! meu caro. Accionista ² Contrato feito. Judeu ²Bem sei. Permita-me que o venhafelicitar em nome do grupo político de que façoparte. Político (aproximando-se) ²A folhadeu-meconta da sua chegada. Judeu ²Pois não. eu para o apagar.Judeu ²Já sei que nestepaís o costume maisarreigado é o de pedir. para evitar questõestome lá por elas esta caixa de fósforos. .

Judeu ² Não tem de quê. lembrei-me de o consultar a tal respeito.moralidade incerta.º69. principalmente a subtracção.° Banqueiro ²Ora aqui está o cavalheiro queeu procuro há tanto tempo. Doulhe um abraço. Idade certa. as 4 operações. A minha questão é esta: pretendo fundar um banco que se deveintitular:²Sociedade da Agricultura do PinhaldaAzambuja². 1. 1. ao cabo de ano e meio fugimos e osaccionistas são metidos na cadeia. Judeu ²Quantas vezes quebrou? 2. Político²Então queira perdoar. dentaduraem bom estado. O nosso programa é simples: levantaro mais que puder e pagar o menos que forpossível.e sabe a razão por que não aceito o seu convite? É porque ainda não tive tempo de comprar umapito. Calva a que forpossível:antes de mais que de menos. não tem de quê. ler.Dá-sefiador e paga-se aos meses. mas demos tempo ao tempo. bemsei. agarrando-o pelobotão do casaco). Meu caro senhor: souum dos primeiros banqueiros da Parvónia. Sabendo recitarao piano preferese.n.Neste país estão tantas pessoas àmesa do orçamento. Bigode e pêra. Carta àRua dos Vinagres. contar. A pêra pelomenos é indispensável. Judeu (reparando num indivíduo que se dirigea ele com ar sinistro) ² Outro! o que quererá este!Deus do céu. Sabemosque a sua excursão tem sido das maisaventurosas e das mais profícuas para a ciência. que acho muito melhor ir paraos Irmãos Unidos. a ruína dos accionistas e a prosperidade dosdirectores. Exigemse as seguinteshabilitações. desde 12 a 24.Hátrês meses que pomoseste anúncio no Diário de Noticias: (lê) «Precisa-se dum Marquês de Pombal por um semestre. é um país único esta Parvónia! Geógrafo (solene) ²Preclaro viandante. Peso. (retirando-se)Para a outra vez será. profissão vadio. nãoincluindo a cabeça. as arrobas necessáriaspara um conselheiro. Sabemos que V.» (declamando) Ora como aindanão apareceu concorrente que satisfaça. meu caro senhor. visto ser um cavalheiro de tal guisa e de tamanho estofo. incluindo o de demência. Vireioutro dia em que tenha fundosdisponíveis (retira-se e assalta outro sujeito que passa. Ex.° Banqueiro² Apenas 4! É muito pouco. Nãotenho nada de meu e devo 400 contos de réis: éo que se chama entre nós uma fortuna sólida. Judeu (com entusiasmo) ²Com mil demónios!Você é um homem de génio. que fez a viagem à roda do Terreirodo Paço em 3 anos²e de gatas. Estômago de avestruz. que subiu intrepidamentea calçada da Estrela numa corrida . Judeu²Peço desculpa. estadoqualquer. sobreloja. mas declaro-me incompetente. escrever.° Banqueiro ²Então muito obrigado.destinado a fomentar a pobreza dopaís.ª descobriu as nascentes doAlviela.

até outro dia. um deles écorcunda e tem 4 braços.° que o Tejo é de cristal.parece impossível! Não foi sócio da Sociedade deGeografia. pela oposição 200.° que o Alvielaé um rio. já tinham sido explorados pelo governo. Judeu²Oh. Na verdade souinábil para tão grande cometimento! No meutestamento tenho determinado que se me grave na campa fria o seguinte epitáfio:²Foi bom pai. ou então. Cicerone (chegando apressado: grande toilettede belfurinheiro em exercício) ² Ora onde eu o venhoencontrar? Maganão. sabemosque está isento do recrutamento.se lhe faz mais arranjo. deseja empenhar o relógio? Pretende ser deputado? Pelo governo custa-lhe 300 libras. Tenho um cirro no estômago e deito sangue pelo nariz. está nomeado sócio emérito dasmil e duas sociedades de geografia que existemna Parvónia.Nunca o vi mais gordo? o que deseja?. pode meter-se no Tribunalde Contas. sabemos que é maior.º queos caminhos-deferroportugueses antes de exploraremos accionistas. mas guarda a cavalo é melhor.àhora. sabemos que é vacinado e portanto.há tanto tempo que onão via! Judeu (absorto)²Nem eu. meu caro senhor. sabemos que se não descobriu o Brasilfoi porque jáestava descoberto. ali naRua do Arsenalhá cigarrilhas espanholasmagníficas. meu caro senhor. Geógrafo(solene) ²Paciência: não fiquemos mal porisso. querqueira quer não. . 2. sou uma pobreviúva com37 anos e 44 filhos todos tísicos.quer ser da irmandade dos Terceiros?quer elogiosnosjornais? Ou antes pelo contrário não quer nadadisto e deseja apenas ser um brasileiro rico e bemconceituado na sua freguesia? Por que . com a condição expressa de fazeruma prelecção em que demonstre: 1. 3. Cicerone (falando apressadamente e tirandovários objectos das algibeiras e da mala que traz a tiracolo) ²Então o amigo já tora hospedaria?Precisa escovas para o cabelo? Quer a pasta daJustiça? Quer que lhe leve as malas ou quer a carta do conselho? Olhe. No Conselho de Estado nãohá agoravaga.deseja empenhar a consciência. . mas sequer o hábito de S. Escolha. Viúva ²Meu caro benfeitor: uma esmolinha pelo amor de Deus.bom esposo. Prefere ser guarda-nocturno? visconde nãoé mau. Quer casar. de mais a mais. e não obstante. . Tiago também se lhe arranja: isto aqui é pedir por boca. bom irmão. . Não tem senão escolher: ou vai para a Rua dos Vinagres.²Já vê que me é impossível aceitar. bom amigo. (chora) Judeu²Infeliz! só lhe falta ter caído dum andaime! Tome lá um pataco para mandar levantar a casa e a espinhela dos seus meninos (dá-lhe dinheiro: a viúvasai agradecendo).ardeu-me ontem a casa!! . e a pé.

não há tempo a perder. decida-se: o senhor precisa por força de alguma coisa. fluidos transmutativos. absolutamente tudo. eu lha digo já²entretantoserá sempre bom disfarçar o nome e acara. Aqui tem uma pomada parafazer cair ocabelo e os ministérios. para abrir caminho e conseguir tudo. títulos de divida infundada. Olé! vai-memeter este burro no Tribunal deContas (saem de braço dado). Cicerone²A primeira coisa que há a fazer. Agora. As eleições estão à porta. microscópiospara ver pulgas e grandes homens. aqui tem cartasde conselho. Judeu (detendo-se) ² Mas o demónio é o burro!aonde é que havemos de guardar este jumento? Cicerone² Não tem dúvida (chamando um garoto). títulos para deitar nódoas e sabonetes para as tirar.para obter tudo o que quiser.enfim. Judeu ²Deputado! Mas se eu não souber lernem escrever? Cicerone ²Melhor! pode já contar com a eleição. baralhosde cartas. vamos àigreja.não mefica com este décimo da lotariade Espanha e comesta comendade Isabel a Católica? São ambasdo Fonseca! Vamos. . deve propor-se deputado. aqui tem nesta drogaria diabólica tudo quanto é preciso para levar um homem desde a imortalidadeaté àpolícia correccional! Judeu (entusiasmado) ²Eureka! achei o meuhomem! O Cicerone que eu procurava há tantotempo! (dando-lhe o braço) Vamos dar um passeiopela Parvónia.

À urna cidadãos. imaginando que só havia deputadodo governo e agora. Candidato (acompanhado de regedor e cabos de polícia. votos.²Trocam-selistas. senhores. . Dizei-me. Odeficit. vergonha é confessá-lo.²Há discussões acaloradas em vários grupos. desde ontemàs 7 horas da tarde até hoje às 11 horas e 3 quartos. os frutos mais benéficos.° Eleitor ²Não me apanha o voto senãoquem me pagar a renda da casa. tendo umadelas este letreiro: «Cartaxo e Governo»..° Eleitor (altamente indignado) ²E então eunão fui vender o meu voto há oito dias.²No adro acham-se estabelecidas muitas vendas delicores com que os votantes refrigeram as consciências. bebidas e outros artigos de comércio.QUADRO I I A cena representa o adro duma igreja que se vê ao fundo.senhores! uma coisaridícula. 3. uma dívida de merceariaque nos envergonhava em face da Europaculta e de todas as nações do globo que caminhamna vanguarda da bancarrota e do descrédito.²Famílias pelas janelaspresenciam a luta.à urna pela justiça. majestoso. o que digo uma vez está dito.° Eleitor (noutro grupo) ²Que burro que eufui! . aindaontem era apenas de 720 réis. lenço de seda de ramagens) ²Meus senhores: é chegado o momentoem que o cidadão tem de exercer um dos direitosmais sublimes que a sociedade lhe confere. Em volta casas. senhores:o que era o deficit ontemàs 5 da manhã? Nada. detém-se no meio dos grupos. . etc. à urna por este ministérioprovidencial cuja iniciativa fecunda e benéficatem produzido já. 3. à urna pela moralidade. etc. quando estavama quartinho. apareceum da oposição que os está pagando a 4 libras. as medidasmais rasgadas. e declaro-tedebaixo da minha palavra de honra que ninguémse poderá gabar de me apanhar o voto por menos de 3 libras. 1.²Trava-se campanha eleitoral. 2. e de cada lado uma taberna.° Eleitor (conversando com outro) ²Sabesperfeitamente que sou um homem de convicçõesfirmes.²E a outraeste: «Oposição e Bucelas». e em tão .° Eleitor (desdenhoso)²Essa não é má! Tués um asno ! Faz o que eu fiz: vendi o meu primeiropor um quartinho e depois por dezoito milréis.° Eleitor²E afinal de contas com quem votas? 2. àúltima hora. à urna pois. CENA I Candidato do Governo ² Eleitores ² Povo² Cabos de polícia² Galopins ² Vendilhões de capilésede consciências.limpando o suor com mm. oscometimentos mais salutares. com vinho a rodo e hábitos de Cristo para quemquiser! 2.

poucotempo. 1.então eleitores. votai com o Governo. seguido do Cicerone. muitíssimo bem. cidadãos independentes. se quereis que vos saia asorte grande. escrivães de fazenda. . fala. . nascido na plebe. Agora o que eu quero ver é como quecanta. Se te sentes inspirado. Uma voz dentro da igreja (soltando um rugidorouco) ²Vaifazer-se a chamada.²A multidão mostra-secheia de curiosidade. não vão verter o sanguenos campos da batalha de Waterloo ou no cerco do Porto. Comecemoso nosso trabalho. bravo. conseguiucom o suor do seu rosto (limpa a calva)elevar-se. CENA II JudeuErrante. osfilhos das vossas entranhas.) .A eleição parece-me segura depois da conversaque tivemos com o influente do círculo. se quereis ser guardas acavalo. se quereis que os vossos filhos. Judeu (ao Cicerone) ²Para que demónio estáaquelaigreja aberta? Cicerone² É verdade. que. se quereis uma boacolheita de azeitona.²Lá falar falaele bem. atéum dos primeiros cargos políticos da nação. Nas tabernas convertem-se osfiéis ao Governo para votarem na oposição. se quereis que as vossasesposas não morram de parto. se não quereis isso. depois o burro. entretantosempre é bom dizer algumas palavras aos eleitoresrenitentes. (Alguns cabos de polícia levam galhardamente asmãos aos punhos dos bengalões ferrados que lhesservem de espadas). Eleitores. se quereis ser arcebispos. Judeu²Vamos a isso. Judeu²E as missas dizem-se nas tabernas? Cicerone²Não. votai comJoão Fernandes Júnior. Vozes. faz comentários. graças à energia da situação que nos governa. numgrupo.° Eleitor (falando com outro). (Coloca-seem atitude defalar.²Muito bem. tinha-me esquecido dete dizer que na Parvónia as eleições fazem-se nasigrejas.e cónegos da Sé. ²Várioseleitores. que nãohá tempo a perder.²Candidato do governo.ei-lo transformado de 720 réis em 720contos! Vozes²Muito bem. quevos dê o mal nas vinhas. ou que vos caia o cabelo. Candidato (continuando inspirado sempre e transpirandocada vez mais) ² Desafio os mais acérrimosinimigos do gabinete a que venham contestaresta verdade. e osfiéisà oposição para votarem no Governo.se não quereis que vos arda a casa. de simples sacristão em Matacães. muito bem ! .

devorarem impelidas pela fome os próprios leitõezinhos recém-nascidos.) 1. qual é pois o meio decortaras dificuldades. . Srs.Srs.quando vemos as porcas. porque é uma calúniadizer que a oposiçãonão quer cónegos. ó sacrilégio! contra todosos princípios da maternidade. senhores. a um porco respeitável. país de família. (Alguns eleitoresabraçam-no com efusão. Cicerone (ao Judeu) ²Sim senhor.Eleitores. temfome. Voz na igreja (rugindo num acesso de fúriaconstitucional)²Vaifazer-se a chamada. quando se vêem milhares e milhares decevados.Cicerone²Começa: não tenhas medo. . povoemos asdioceses! Quea Sé de Lamego venha em auxílio dos montadosdo Alentejo e que àqueles a quem falta a bolota(chora) não falte ao menos uma conezia. tenho em mira apenas uma coisa: fazer-me despachar patriarca eguarda a pé de segunda classe duma alfândegada raia. logo tenhouma grande fome. eu tenho um grande estômago. quando populações inteirasde bácoros famintos abandonam os montadose vêm ao Ministério do Reino pedir providências.Quando o Alentejo inteiro estálutando com umaseca calamitosa. (A multidão acerca-se) 1. Quem tem estômago. eleitores. (Assoase em sinal de enternecimento). Já vedes que sou um homem perfeitamentedesinteressado. muito bem. Vozes²Muito bem. eu seiperfeitamente conciliar o meu apetite com a minhagratidão. andaste muitobem. Eia. . quando essa provínciaoutrorapróspera não produz hoje nem sequer as bolotas necessárias para adornar as fardas dos conselheirosdo Tribunal de Contas. eleitores do círculo13500. O teu discurso foi um modelo de eloquência. Os directores gerais são 8 ou 9 e oscevados são 800 ou 900.Tem só um inconveniente.dizei-me senhores: qual é nestas circunstânciasa atitude que deve tomar um partido que seinteressa pela prosperidade das províncias dapública administração que se acham todas tãoincultas como aquela a que me acabo de referir?Francamente.° Eleitor (aparte) ²Isto é que é falar ! Voujá mandar abrir coroa. Judeu(comgravidade) ²Srs.nãopodemos dar-lhe um lugar na alfândega de consumo. ainda ontem gordos efelizes e hoje reduzidos à miséria. Judeu²Sim. senhores. na triste situaçãode chegarem a pedir um lugar de amanuense.° Eleitor (aparte) ²A minha pena é nãoser do Alentejoe não ser mais porco do que sou. é que daqui a pouco toda a gente quer ser porco nestepaís. por cabeça!Apresentando-me ante vósa reclamar o vosso sufrágio. harmonizando os legítimosinteresses dos bácoros com as conveniências doscabidos. Se eu forpatriarcahão-de vocêstodos ser cónegos. De resto.

conclusão: ganhamos por uma libra. O nosso adversáriodispõe de 3. João Fernandes. metade paracada um. conversando comum galopim. Sr. vossemecêé homemde palavra ou não é homem de palavra? Candidato ²Essa não é má. (ao candidato) Vamos a saberuma coisa. Se nós formos ao poderas dioceses são todas para nós. 4. . Cartas na mesa. . Ai. (à porta da taberna) Bota lá meia canada. não podendo ser. Depois de beber Cartaxo Vou-me atirar ao Bucelas. negócios são negócios. Candidato . .) ² Então o que te palpita. canta): Estou bêbado como um cacho.640$000 réis. 4.Judeu²Deixa-te disso.° Eleitor (ébrio. Judeu ²Alto lá! isso é uma minoria insignificante. pois você duvidade mim? Galopim ²Meu caro Sr. mas em todo ocaso.644$500.° Eleitor (saindo da igreja a cambalear. Toma lá os últimos 5 tostões (dá-lhos). agora é que são elas! . .Demónio! Já me parece muito dinheiro! o que vale é que não é meu (passa-lhe dinheiro). venceremosou não? Galopim ²Com mais 300 libras arranja-se onegócio. pode contar desde já comum gabinete reservado nesse estabelecimento debeneficência. Galopim (aparte.João Fernandes. Você vencendoa eleição despacha-meguarda-mor da penitenciária? Deputado²Isso não prometo. nós dispomos de réis3. Candidato (à porta da tasca. entrando na taberna) ²Istoos deputados deviam fazer inleições todos os diaspara ajudar a viver os probres. havemosde ganhar por cinco mil réis. metendo parte do dinheiro nobolso segundo as práticasseguidas em casos destes) ²200 são para me comprar a mim e 100 para compraros eleitores. . Judeu (comentando-o)²De soberania eleitoral. Judeu (a Cicerone) ²O que te parece? a coisaestá segura? Cicerone ²Seguríssima.

mais uma condição. Sª dá-me uma palavrinha em particular? 1. o preço duma consciênciajá em 4ª mão. Sª na qualidade dum dos eleitores mais independentesdesta freguesia diz-me quanto recebeupara ir votar com o candidato governamental? 1.a 2ª por um lugar decantoneiro. Judeu²Pois olhe. visto conhecer a minha fé inabalável. dir-lhe-ei que vendi três vezes o voto ao mesmo candidato. Sª recebe mais estes 240 réis. Judeu (em tom repreensivo) ² Meu amigo. isto é cá para nós. Mas. 1. pois cidadão (ao ouvido) para osamigos também há Porto e também umas mãozinhase carneiro. Cicerone ² Peço perdão.Efectivamentevossemecêé um dos eleitores mais francos e maisconscienciosos que tenho conhecido. da 3ª vez parece-meque fezum mau negócio. é nisto que estáa minha coerênciapolítica. . estouàs suas ordens. Judeu ² Queira desculpar. quero também umacomenda. Judeu ²E por quanto.º 1485 para ir à exposição deParis representar a Parvónia na classe de velas de estearina ou rolhas de cortiça.º Eleitor ²Negóciofeito. para bem de todos nós e do país. e alémdissoprometemosnomeá-loadidon. não estou a atentarlhecontra a consciência. supunha-o com maisjuízo! Para que quer vossemecêa comenda? 1.º Eleitor ²A 1ª vez por um lugar de sacristão. mas quero propor-lheum contrato.V.Vamos ver se nosentendemos com ele.Cicerone ²Vejo ali um eleitor que está comcara de se vender segunda vez. (conta de dinheiro)V. Cicerone ²Muito bem.º Eleitor (aproximando-se) ²Pois não. pode-se saber? 1. (chamando-o) V. estou a atentar-lhe contrao estômago. Candidato (aproximando-se e pegando na mãodo eleitor que puxa para o extremo oposto da cena) Cidadão independente: vossemecê vê ali escrito«Cartaxo».º Eleitor ²Sinceramente. Cicerone (invectivando)² É indigno atentarcontra a consciência duma eleitor! Candidato²Falta à verdade: ofereci-lhe vinhoda minha lavra. e a 3ªpor um lugar de bacharel em direito. meu caroamigo.º Eleitor ²Essa não é má! É para a vender.

(declamando)Sobremesa: Sonhos. 1. Rimgrelhado com conservadores. (ao público) Queiramdesculpar.º Eleitor ²Os senhores deviam fazer o quequis fazer el-rei Salomão num caso semelhante. Maria. aminha lista aqui está. Cicerone (chamando-o a um lado da cena)²Bem. Chispes de cónego. reflectindo) ²Francamente. estômago e consciência na Parvóniaé a mesma coisa. Sobremesa. se quiser (continuando aler). Judeu (intervindo)²Não se deixe seduzir! (comaltivez) Vê a minha lista? (mostra um papel e lê):Sopa de cevadinha (declamando). Cicerone ²Mas então vota connosco? Candidato²Posso contar consigo? 1. Maçãs de D. aquilo é o caldo negro de Esparta. Um eleitor (correndo apressado com um copo devinho na mão)²Deixa-me lá ir depressa que aindanão votei senão 5 vezes! Candidato (ao galopim)²A nossa gente já veiotoda? .º 23 A. . mas isto é um reclame. cabeça deporco e de distrito. Deputado (chamando-o a outro lado)²Bem.ouça: (lê) Sopa Zambeziana. emcomparação do quereza esta lista do governo. motivo por que vou primeiro comer umae depois a outra. Maionesede deputados. Rua do Alecrim. se quereis saladade lagosta.Judeu²Pois. Lombo de Zé Povinho. 1. .° Eleitor (aparte. aqui está a nossa lista.acho a lista do governo muito superior à daoposição. Borges de Castro. oferecemãozinhas de carneiro! pois bem. Costeletas de carneiro ou de tesoureiro pagador. Cabeça de comarca com ervas.n. (entra na igreja) Uma voz (à porta da igreja) ²Está a concluir achamada. Vinhos: Porto 1815. votai com a oposição. Candidato (puxando o eleitor)²Não vacilehomem. verificadores da Alfândega egenerais de brigada. Candidato (bradando com voz convicta)² Votai com o Governo. se quereismeio bife. Desenjoativos: mexilhõezinhos pretos de Castelo Branco.Dividirem-me ao meio e ficar cada um com metadedo meu voto.° Eleitor (tomando uma resolução) ²As duassão tão boas que não posso deixar de as comer ambasao mesmo tempo: sou ecléctico. sem o diminutivotambém se dá. Cicerone (puxando o eleitor por sua vez)²Aquele desgraçado oferece vinho do Porto. Borrachos àportuguesa. Paio com comendas. Neves de todasas qualidades.

deseja algum empregozinho? Cego² Mas bem vê que sou cego! &&& Candidato²Ah. . Voz na igreja ²António Moita.Galopim²Parece-me que ainda falta. não estou recenseado nestafreguesia! Cicerone ²Não tem dúvida: a mesa não repara. (Entra um sujeito que recebe de cada candidato. . (Aparece um homem em moletas). com o meu dever(entra na igreja). Judeu (chamando-o)²Oh! ceguinho. então por que não tinha ditoisso há mais tempo! Põe-se-lhe uns óculos azuise vai para olheiro da penitenciária. não se deixe seduzir. . irmãozinho.Vossemecêquer irvotar pelo Governo? Cego²Mas eu não vejo nada! Candidato²Também eu não.) Eleitor ²Sim senhor.pedem-se 5 libras. a competente lista). Aqui está o que é franqueza. senhor. mas isso nãofaz ao caso. Então vossemecê não é votante? Cego²Oh.(Passa a outro eleitor: a mesma cena. (entrega-lhe a lista e encaminha-o carinhosamenteà porta daigreja) Ora vamos lá. ² Seja pelo divino amor de Deus: aquiestá um homem que vê ao longe! Voz na igreja (chamando)²Policarpo da SilvaBanana. venha cá!Olhe que num dia como este não se pedem 5 réis.um doscandidatos dá-lhe dinheiro. ora diga. Um cego (aparecendo a pediresmola) ²Uma esmolinhapelo amor de Deus! quem me dá 5 réizinhos. Sujeito ² Ora cá vou cumprir. Candidato (intervindo)²Oh.ao passar por eles. venhacá. Cego.(aparte) Realmente nós em vez de fazermosLotas devíamos antes fazer deputados. Voz igreja ² José dos Caracóis.

Ainda falta muitagente nossa. mete-lha nos dentes. outra é para auma (sae). Voz na igreja ²Lázaro do Espírito Santo. Candidato (ao galopim)²Levemo-loà boca daurna. Judeu ²Quem é o maneta? Cicerone ² Ei-lo que chega. (Aparece um homemsem braços) Maneta² Cáestou.como quem procura os braços) ² Mas a este homemfaltam todas as condiçõesnecessárias para pegarna lista? Maneta (pegando na lista com os dentes)²Agoraa outra! Judeu ²A outra. Faleci há 4 dias na freguesia deSanta Justa. ilDEL (actidindo). Judeu (fazendo menção de lhe entregar a lista. O maneta é que se estádemorando!mandei-lhe já dois recados. ² Ai! coitadinho.>r['ATo. . mio pode votar! Estehomem não está morto! O DA MAGA (deitando a cabeça de fora) ²Nãoposso votar. 3. (Aparece um homem de gatas). (Aparece uma maca conduzindo um doente). (Os dois fazem cadeirinha com os braços e levam-no). Cicerone²Ah.) Maneta (mostrando a lista e d libra nos dentes)²Uma é para o estômago.C\x. essa não é má! aqui está a minhacertidão de óbito. ² Oni que incoimnodo. deixe-meampará-lo ! (ampara-o dum lado). ²Protesto. venha a lista. meucaro amigo! ãei-^e-me an^^^aríA-o. (Ampara-o do outrolado acompanham-no ambos à jwrfa da igreja.º Eleitor. Judeu ²Ora isto é que é uma eleição disputada! Se continua assim levo cheque ! Entretantonunca pensei que tivesse tantas disposiçõespara candidato! Cicerone²Não te assustes. tenho por isso todas as condiçõesque a lei exige para votar nas Mercês.) Voz na igreja ²José Gato da Costa. já sei o que ele quer! (Tira umalibra do bolso. que? Maneta ²A outra lista.

. . que venham de lista na mão. Cicerone (ao judeu) ²Y^^íq é que é o momento da crise (sai). queira desculpar. Que toque a trombeta. Galopim²Mas aonde!. ser anjo noParaíso ou banqueiro em Lisboa? O DA maga (reflectindo) ²Eu sei? Pareçe-era preferível ir para o céu.'"^ classe no outro mundo. . João. (Entra nosgrupos agitando o chapéu e o lenço deramagens). .º Eleitor ² Perdão. Candidato (aproximando-se da maca e levantandoa cortina) ²Meu caro defunto. mas olhe queser da polícia civil não é pior! Doente ²Bem. Do Juízo Final Os mortos saindo debaixo do chão Que venham. agora não hesito. .3. cantando). Candidato²Está o demónio! se não arranjamosmais algum voto ! . mas esses já votaramtodos! Candidato (passeandoagitado) ²Estamos perdidos! (para a multidão) Cidadãos independentes!Qual de vocês quer vender o voto pela coroa daPolónia ou por uma pipa de vinho?. Galopim ²Era muito bom. Judeu (mostrando-se aflito. Galopim ²Parece-me que temos a eleição empatada! . Candidato ²Lá me roubou aquele voto comque eu contava ! . Que toque a trombeta. vou para ocorpo de polícia. Candidato²Na freguesia do Alto de S. . . Judeu (do outro lado da maca. <pic venha o maneta. Venha a lista (judeu entrega-lhea lista). Que toque a trombeta. . que venha o hospital. . Que venha o sepulcro. . a ir para o Limoeiro! Judeu²Ser anjo é muito bom. . Que vculia o zarollio. levantando a outracortina) ²Qual prefere vossemecê. não sabia. se vota como governo arranjo-lhe um lugar vitalício de arcanjoGabriel de l.

como trhnnpliador).) Candidatoa um eleitor ²Este é nosso: é odefunto Matusalém que vota sempre com o governoconstituído. Não melembrei de mandarcirculares para os Prazeres! Cicerone (entra conduzindo o jumento à rédea. Jumentos. Votar. Judeu ídesnnimaão) ²Parece que afinal de contasporco a eleição. . votar. mortos. por mim. que venham milhões de jumentos.Fantasmas extintos. jumentos. Candidato ²Protesto! Esse burro estánacionalizadoestrangeiro. É para isso que tem 4pés. falso! Os parlamentos não costumamlegislar contra si mesmos. por mim (Um empedro entra na cena diriginf^o-sti silencioso para a igreja. votar.²És tu que me salvas! Agorajá posso dizer que vou ao parlamento montado nocorpo eleitoral! ^^ Cai o pano ACTO II QUADRO III . mortos. Oh. erguei-vos das campas marmóreas! Oh. aqui está o que nos vai salvar! Candidato²Protesto! a lei é expressa! Nãoconfere o direito de sufrágio aos jumentos! Judeu (hradando cm cima de tim marco de j^^-draJ) ²Y. Toma lá. Votar por três pintos Na oposição! . oh. Cicerone²Não só há-de votar mas há-dedeitar 2 listas na urna. mortos. dácá. Jumentos sem fim. deixai-vos de histórias. erguei-vos das campas marmóreas! Que venham as ondas e os raios e os ventos! Que venham. mortos. Sombrios. Oh. Judeu (correndo ao hiirro e montando-se nele. de patas no ar. . Por mim. triunfante) ²Nos grandes lances é que os burrosse conhecem. Na vida não há Senão nm manji. famintos.

° Deputado (fazendo menção de tirar as botas) ²Meus caros colegas.Demóstenes. Presidente²Ordem. CENA I Siniplicao cBa»^ Xevot^* l*rosi«lente. ²Presidente usa barbasbrancas. . 1.SliiiiHtroíii e Uei>iBfa«los 1. (Os deputados cravam os enormes palitos atrás daorelha). comprar unias botas novasque me estão apertando os calos como um milhão de demónios! 1. recolham os seuspalitos que vai começar asessão. o nosso grande orador.²Em frente. estrado da presidência²lugares dos secretários.A cena representa uma paródiaàcâmara dos deputados.palitando os dentes. liancada dosministros. em frente algumas bancadas com deputados.º Deputado (abrindo uma gaveta e procurandoum colarinho) ² Demónio! deixeme pôr o colarinho.° Deputado (aparte)²E natural. dão licença? Vozes ² À vontade. . . Eiftao gravata^ é raro o dia em que atrago ! . 1.puf ! . calvointeiramente.º Deputado (tirando o casaco)²Que calor! .²As tribunas estão vazias.² Os secretários comem bolos. 2.²Os dois secretários. vai finalmente ter o seu rival? . . à vontade. . ² Vários grupos conversamcom a maior semcerimónia. . não está habituadoa usá-las.Não sei por que. um de 6 anos outrode 9. óculos azuis com aros de metal amarelo. assim que chegueifui ao Manuel Lourenço. (Vários deputados durante esta cena estão conversando.° Deputado (tirando as botas e calçando unssapatos de tapete) ²Calçado isto I Foi presente deminha mulher no dia dos meus anos. . 2. .²Lado direito. .° Divertido (num grupo) ²Então. Presidente ²Meus senhores. 2. meus senhores I Calcemas suas botas que vai abrir-se a sessão. emsessão. e praticando outrosactos mais ou menos próprios do moderno parlamentarismo).º Deputado ²Esta manhã.²Os deputados vestem a capricho. segundo dizem. ² Presidente entretém-se folheando papéis. é uma coisa que me esquece sempre! íata tim lenço de chita de ramagem em voltado pescoço assoando-se primeiro a ele estrondoso'-mentej. ambos de bigode e pêra.

.Foi do meu tempo em Coimbra.2. Ci. Aqui jaz na campa fria. Ce. .º Deputado ²E que tal. (Emendando).ordem. rapaz hábil? 4.DeputadoSimplício das Neves quenão é permitido recitar o «Noivado do Sepulcro» no seio da representação nacional.Há um epitáfio delefeito aos anos de minha sogra!! . não. conseguiu fazê-lo condenarsó a dez anos de prisão! Depois para a música. a capital é uma Babilónia I *" A D.mulher do recebedor. . . Presidente (interrompendo) ² Meus senhores. . 3. . . As flores d'alma que se alteiam belas . Ah. . Simplício (cheio de indignação). meu amigo. (reflectindo). . Lembrem-se que estão no seio da representaçãonacional. encomenda-me umlivro de missa e umas galochas de borracha da última moda.. (pensa) As armas e os barões assinalados. Ah cáestáele ! Um tal Cícero de Freitas. 3.° Deputado ²Diz que sim! que é um talCi. . lá disseram-meque fosse . isto é do Luiz de Araújo .. Só em instruçãoprimária teveele 17! Logo que se formou defendeu nos auditóriosde Cabeceiras de Basto um réu e.° Deputado. neste funeral moimento A minha sogra Maria do Sacramento Que foi o meu amor e o meu tormento! 2. .° Deputado ²Admirável! Admirável. Gertrudes. . Queiram mandar-se tomar assento. apesarde ele estar inocente.. 1..° Deputado (intervindo) ²Conheço perfeitamente. ²Tenho aobservar ao Sr. . uns versosque vieram publicados na «Trombeta de Faro»e no «Clamor da Beira Baixa»! . ..° Deputado²Um prodígio ! E um rapaz de grande valor! . cáestá. . .² Um tal Ci. . .. ah.º Deputado. Ci. Ainda nãovai. . 4. é umprodígio! Presidente (ao deputado que recita).²YéXúi\o. issoé um barra ! Tem uma mazurca intitulada o Charutoque é um verdadeiro primor! Então no verso! Ah. Simplício (familiarmente a outro deputado) ²Isto. . . Ora deixe verse melembro. cáestá. de maneira que há três dias que andoa correr a cidade por causa desta encomenda!Assim que recebi a carta fui logo à Torre do Tombo para comprar o livro de missa. .²Tenho-o mesmo debaixo da língua! . .

Simplício fa um ílcpufadoJ. Simplício (indignado). começam todos a rir-se. resolvi com os meus botões. Virá pedir que lhe quebremos os ferros da escravidão '? . como os -pretos e vai tomar assento 7ias lançadas do fundo). . como se vê. Presidente (aos contínuos) ²Tirem o chapéuda cabeça do Sr. bigode epêra. . Presidente (interrompendo e tocando um grandechocalho que tira debaixo da mesa) ²Vai abrir-sea sessão. mandar-lhe o Crimedo Padre Amaro. pardessu.^ no braço. . Cáestá o nosso homem (vai cumprbnentcd-o). 2.²Depois um prelo trajariilo calça de riscas e casaco de ganga amartdla.²Protesto. Simplício e obriguem-no a tomar assento. Sr. Sr. Vozes²Péu. Cumprimenta para um e outro lado. perdão! está a sessão aberta. . . é que euqueria dizer. por que isto. . SiMPiJGiO. Sim. Simplício (pondo o chapéu e arremetendo) ²Sr. . vou àbiblioteca. . (convicto) é para não ficar de pé.²Bonita figura. (Senta-se) Presidente ²Está aberta a Praça da Figueira. CENA II Os nioí^tno^. dum lado azul e do outrovermelha. (contínuas executam). . sim senhor! SiMPíJGiu íco)iJi(h)icialme)itej. Enquantoàs galochas.²Ei-lo que chega. por força que deve ser umlivro religioso. . . presidente!protesto ! e se me sento não é para obedecer à intimaçãoda banca! Sr. Simplício tenha termos!.. . .em vez do livro de missa.presidente ! . por baixo do qual trazescondida uma casaca.²Coníesaomos que vamos ainda na retaguarda do progresso! A liberal Inglaterra e a jovemAmérica de ha nuiito que acabaram com os pretos e entre nós.àbiblioteca nacional. Fitam-no todos com curiosidade. «lucSeu ílrraiite. . . e nãoencontrando o tal livro. metamorpbosfadoein Cícero d«^ Freitaii^: ar importante. . . presidente.. corro todos os ministérios. ainda estão com vigor! O que pretendera este negro? . . . parto dalicomo um raio.²E um homem de cunho I Entra um preto trajando gravemente .(Ajxcrece gente de todos os feitios nrís gcderias).° Deputado. um livroescritopor um padre. péu ! . Se me sento. eu sou umburro de força e as violências não me atemorizam. péu. .

. para o sino da igreja matriz da Alfandega da Fé. Sr. .²De justiça. . .º IJeputaDO.²E melhor ir buscá-la ao Alentejo. .²Leve aquele senhor ao chaíiiriz: *^ perdão.²Pela Beiral Xào «e recorda V 57 Simplício. tenha a bondade de chamar à ordem estes malcriados!.²Intime o ilustre deputado . SiMi'Lrcio. com a minha voz eloquente. e até hoje.2. o Sr. . Simplício ípocesí^o). . Este e quando nasci ! 2.²Por ondeV Por Guiné ou pela Zambézia 2. Pkesidkntk fao continua). . . PiiESiDKNTE.²Sr.² Sr. . tenha a bondade de ine mandar dar um copo de água que estou muito aflito ! . coragem! Simplício (depois de ter tossido muitíssimo. . -^ Como eu ia dizendo. de justiça!. Simplício. (Contínuo traz um copo de água de tamanho incomensurável.²Coragem. Uma voz. ² O homem tem sede? Simplício (acabando de beber). .º Deputado. não têm os poderes públicos prestado orelha investigadora aos justos clamores da opinião indignada ! é uma questão momentânea. presidente.²São os dois momentos mais solenes da minha vida. presidente. . presidente! vai n'esta porca a honra da nação ! -* Cícero i^k Freitas fà parte). Sr. Simplício. Sr. Ha 20 anos que tenho assento nesta casa. Simplício (para um deputado). Simplíciodebruça-se sobre ele e hcòe com sofreguidão..²Este preto é nosso colega: c deputado.²A custa d'essa porca tem o ilustredeputado comido como ura porco. e lia 20 anos que. traga umchafariz àquele senhor. Outra voz. deputado Simplício ! .²Ao Alentejonão: àfamília!. enganei-me. eu venho aqui reclamar todos os dias uma porca!. presidente. presidente . ha vinte anos que o8 reclamo uma porca ..( Presidente chama à ordem tocando o chocalho com violência).²Tem a palavra. .²Aljl é verdade. presidente I .MA voz. U. Sr. .° Deputado. .

-* MiM. S'MPLiGio (fulo de raiva.²Pois uniito bem.²As galerias não podem imitar vozes de animais irracionais. Paulino de Guiné. presidente. Ao vizinho Bata-me aqui nas costas: bata! PiíESiDENTE. Simplício. mande retirar primeiro o Sr. Esse direito pertence exclusivamente .^^ Presidente (para as galerias).>TRO DA REINAÇÃO. presidente: Não sei se os espilros que a câmara acaba de soltar. para o bom andamento deste debate de instrução e recreio. . -* íao drjiiitado) Peço ao ilustre deputado que.²A palavra pode retirar-ma: a agaia nunca. ² Em nome de que principio quer o governo defender uma eleição em que a urna foi violentada às 3 horas da manhã com uma gazua criminosa '? .²De justiça! sempre de justiça ! Sr. Voz NA GALERIA. . engasgando-se). engulaimediatamente o porco.²Perdão: não foi com uma gazua. Pketo (com ar altivo). .a que retire o porco. Vozes. Cícero (Levantando-se).²Sr. . (A galaria e a câmara expilravi intencÀoncdmente).í câmara.² O ilustre prcopinaute . . Simplício.²Ordem! ordem!. tanto melhor! Orgulho-me de ser preto e só deixarei de o ser quando và nisso o interesse do meu país.²Atcllim ! Preto. foi com uma chave mandada ir expressamente do ministério do reino.²Sr. miando. retiro-lhe a palavra e a água ! Simplício (abraçando-seà faça pronto a morrer por <Un). Simplício. presidente: se quer que retire o porco.²Eu mato aquele demónio ! Vou ter uma apoplexia fulminante ! (Bebe na taça e engasga-se mais. .²Que sede. CiGKUO HE PuKiTAS. grunhindo. significam uma alusãopolítica: se assim é. Presidente.²Tem a palavra o Sr. Sr. O que está na tela da discussão é a porca da Alfandega da Fé. é uma insinuação pessoal. etc. -* Preto. (Na gcderia sentem-se vozes cantando de (galo.

(Dirige-seatrás da mesa da presidência. Paulino como poeta.²Sr. conquanto inspirada. preto aqui está! E o preto que vem d'Angola Com o seu azeite. Paulino de Guiné. CiCEiío (abraçando o preto). . e por isso peço para a minha moção ser litografada e posta à venda a 2UU réis o exemplar. e nisto não faço mais do que prestar-lhe a homenagem que as duas Beiras Ihe consagram. (Tumulto).²Apoiado. Presidente do Conselho. presidente: O ilustre preopinante o Sr. para provar àcâmara as fraudes que se cometeram n'esta eleição cabralina. eu sou o primeiro a aplaudir. Não é mau nascer branco. presidente: tenha a bondade de tocar bem esse chocalho: não lli'o puz aí para outra coisa. muito bem.60 diz isso por que lhe recusei antes de ontem uma comenda do camelo branco para s. apoiado! Cícero.²Muito bem. a não ser um taiigo que. Eu logo responderei à alusão do camelo. não apresentou um único argumento razoável.²Bravo. ex. mas Sr. muito bem! Afianço-lhe que não morro 61 ainda sem ser preto. é insuficiente! A questão é simples: houve um candidato que teve 5400 votos. em todo o caso não deixa de ser conveniente acompanhar às vezes com os pretos. (Declamando) Sr. . Phkto (continuando). vou mandar parii a mesa a seguinte moção: (Canta em estilo de tango).²Sr.'"' exportar para Pei*naniLuco ! Vozes. Preto vem. meu amigo. preto rebola. presidente. voltando disfarçadamente a casaca que traz vestida. Eu respeito o Sr. nuiito bem. presidente. cujo carácter respeito e de cuja voz eu não duvido. Preto vem. francamente. ² Aparte). a voz do tango. Simplício. (Esjnlros na galeria e na câmara). E bom a gente estar preparado para todas as eventualidades. outro . em face da realidade.²Sr.²Peço a palavra. -presidente: não quero cansar ‡ mais a paciência da câmara. Vozes. olá ! .

Simplício (mostrando uma fava).teve simplesmente 6300: logo. Como vêem é sem preparação. Acpii têm meus senhores n'esta urna o deputado que obteve a maioria de votos. Sr. Como vêem é tudo sem preparação.²Vac proceder-se à votação do círculo de lielem que ontem se discutiu: quem votar pelo candidato do governo deposita na urna uma fava branca. Presidente. fO continuo traz duas urnas e vai p>(ii'cor7'endo as bancadasrecebendo os votos).²Vai proceder-se à contagem. Simplício. vamos à fava. a favor d'cste resulta uma minoria esmagadora de 900 votos.²É verdade! é verdade ! muito bem. Simplício (metendo favas nos bolsos das calças. (Agita as urnas mostrando-as e colocando-as de novo em cima da mesa). Simplício. (Os contínuos levam as urnas para a mesa: o 2^1'èsidente levanta-se. Dou-lhe .²Vamos à votação. (Faz trejeitos de i^restlgiador fingindo arrancar Jluidos duma A prestidigitação parlamentar 63 nrna ixira a outra: de cada vez que faz esta operarão sente-se cair na urna do lado esquerdo tuna fava. (Enrole-a).²E a ultima branca: cávai para a urna. (Aparece um contínuo 62 com nm açafate de fava que distrUme aos deputados: aJf/uns servem-se às mãos cheias.²E o mesmo que dizer. tenha a bondade de me emprestar ainda uma galoclui. começaiido a roê-las). tenha a bondade de me emprestar o seu chapéu: (contínuo vai buscar o chapéu: presidente coloca-o sobre a urna) Sr. arregaça as mangas: declamando): Meus senhores: como vêem aqui não ha preparações. quem votar pelo da oposição deposita uma fava preta. Tira alguns votos duma das urnas e mete-os na hoca). minoria suficiente para lhe negar o diploma de deputado: eis a verdade ! -*' Vozes. e n'esta o deputado (pic obteve a minoria* Muito bem. no chapéu e nas botas). Presidente.²Eu como gosto mais cVellas não é pretas nem brancas: é torradas. (Coloca a galocha sobre a outra urna). Presidente. Cícero fàjyartej.

²Cávão outros tantos do governo para compensar (tira da outra urna algumas favas. () vento parece-me que principia a soprar do outro lado da oposição. .²Sr. chamava-se então Mr. Simplício. mas o presidente da mesa que fazia a habilidade. otrabao e outros. Hermann ! . . Agora vejamos a urna do deputado da oposição. -'^ Cícero (aparte). -. Ex.²Se estivesse sú na tela do debate uno fazia mal nenhum: o pior é que está também nas vinhas. . Já vi isto há-de haver uns lõ anos. . Dou-lhe duas. As origens do filoxera perdem-se nas noites dos tempos. Presidente ! Tem a bondade de não comer os votos da oposição ! .uma. JáPlínio o moço.²Muito bem! muito bem! Cícero. mesa da presidência e volta novamente a casaca). dou-lhe três. ²E uma empalmação perfeita!. Aqui teeni VV. fPíta^ct de muitos apontamentos que consulta). e engole-as.Presidente. . .²Está o filoxera na tela do debate.'"^* eleito um representante pciítoral que pode servir para os oradores débeis tomarem às colheres antes de começar a sessão ! ^' (Entrega o frasco ao contínuo que o vai ^colocar muito direito sobre uma^ cadeira²alguns deputados vão cu7nprim&ntar o frasco). Se quiserem podem tirar as suas botas que vamos entrar na ordem do dia. Vozes. continuando). (Volta-a de fundo para baixo e tira de dentro um pequenino frasco). ²Peço a palavra Sr. . (revirando os apontamentos j^or todos os lados). -^ Nestepaís.²Meus senhores. está terminado 6i este inoiílentc. (Levanta a tampa da urna do lado direito). Alguns deputados nsam francamente d'esta concessão da i^t^csidencia) . Como vêem a urna do deputado da maioria não tem nada ! (Bate-lhe no fundo com uma regoa. Simplício. Presidente. (Vai atrás da. CiCEiu) (aparte) ²Xada^ já me não convém a allianea com os pretos. Presidente. Presidente. . é preciso muito cuidado cm virar a casaca a tempo. . voltando-a para baixo).

Sr. vão ver o que é um barra. ²Vão ver. e vamos com passo firme proclamar a origem do flagelo até aos Faraós ! Vozes. Vozes.. atestam a existência do terrível flagelo nas vinhas do alto Douro ! Vozes. O meu ilustrecolega o Sr. bem como no museu do Carmo da 6o ©Parvónia. Aguiar. presidente.²Apoiado. presidente. ²Muito obrigado. encontram-seespécimenes curiosos do flagelo. . (Aparte). até às cpochas mais remotas. . muito bem.^ por que me esqueceu em casa o resto dos apontamentos.² (J Simplíciodesembucha !. não posso continuar por duas razões: a l. Simplício (continuando). (cada vez mais atrapalhado examinando os apontamentos) . (Alguns deputados abraçam-no). . . da biografia do animalzinho que nos ocupa.Cícero (aparte). fazendo a história . mas. Cícero. muito obrigado. Simplício heróico).²Muito bem.²Muito bem. . Meti-me n'uma camisa d'onze varas ! Uma voz (na galeria). jáPlínio o moço. do flagelo devastador. .Cícero de Freitas. presidente.. ' Sr. íengasgado) do flageloterrível. Cícero (desaperta o casaco.²Tem a palavra o Sr. Simplício. fatigar a câmara²e a plateia. passa tragicamente a dextra pela cabeleira e crava o polegar na cava do colete). e em tempos ainda mais remotos o próprio Sr.²Sr. Matemos o bicho.'"^ porque não o permite o estado da minha saúde: a 2. ²Eu nuo quero. Presidente.²Quer qiie lhe bata nas costas? Simplício.²No museu do Louvre de Paris.²Como ia dizendo. Simplício (para alguns deputados). Cícero.²Sr.²Pedaços d'asnos ilustres. presidente. não fiquemos 5 66 cm Plínio.Simplício remontou-se até aos tempos mais distantes. (Pausa). (Senta-se).

com as mãos postas. que execute no mais breve espaço de tempo aquele preceito do evangelho: crescei e multiplicai vos. Sr. A ciência da Parvónia. como disse há pouco. presidente do conselho. . presidente. Sr. porque as vinhas não hão-de ter o filoxera?. sendo esta isca o lugar de fiscalizador da Penitenciária. presidente: quem é o filoxera. . Sr. confessando que o filoxera é um bicho de princípios. Descendo ao campo da pratica. 2.º mandar uma grande comissão pedir-lhe de joelhos. qual a razão. este verme calamitoso a que bem pode chamar-se o Átila d'entre Douro e Minho. as próprias 67 estrelas o que sãoelas se não o filoxera do infinito ?!. 'amanuenses. resistiu .²Excedeu a expectativa publica! Simplício.²^luito bem ! muito bem I Ciceuo.²Apoiado ! muito bem ! . presidente. ^^ Vozes. . o filoxera é o cavalo branco de Bonaparte. jáchegou a prometer-lhe um caminho-de-ferro de via reduzida. desde a criação do mundo até àcriação das cartas de conselho.° pescar o filoxera com um anzol e uma isca.²Sr. e até. se o marido tem a sogra. (entusiasmo crescente na câmara e nas galerias). Sr. presidente. Vozes.is promessas do governo com uma coragem que sou o primeiro a louvar.. . firme nas suas convicções.o ministério da fazenda até ao Pinhal da Azambuja ! e ellc.° Deputado (a Simjiiclo). tem proposto até boje os dois expedientes infrutíferos que eu passo a enumerar: 1. presidente. vejamos quais sejam os meios mais profícuos para multiplicar. donde vem e para onde vai? O filoxera. Cícero (cheio de serenidade). Se a couve tem a lagarta.²Sr.²Este demónio faz carreira ! Cícero. desde.²Sr.. (Assoa-se). ministros ! O filoxera é tudo: o filoxera é o Sr. tanto pode dar nas vinhas como nas cadeiras dos Srs. 2. por isso me limitarei apenas a tratar dos meios mais eficazes para a multiplicação deste insecto roedor. presidente.do verme supracitado. o filoxera é o cedro da montanha. o filoxerasão os Srs. . presidente. Encaremos a questão pelo lado filosófico. se o homem tem a pulga.

Artigo 2. Quando se.²Com mão diurna e nocturna eu tenho meditado sobre o insecto. (Simplícioabraça-ocomovido. e o bixo. Ex. e incapaz de deixar de roer as vinhas paracomeçar a roer as £2. tenho a honra de mandar para a mesa o seguinte projecto de lei: (!(}) Artigo 1. A parteira será presidente e ao mesmo tempo relator. presidente: de ha muito que conheço todos os bixos que prosperam nas províncias da publica administração.incapaz de mudar de casaca. do vereador do pelouro dos incêndios.°. duma parteira aprovada pela escola médica. Cícero. do Patriarca da Parvónia. muito bem! admirável! sublime ! . entre tanto se a câmaraestáfatigada. .* que o filoxera me não é estranho. Uno-nie do coração à proposta que o ilustre deputado acaba de mandar para a mesa. Artigo 3.²Sr.º E para esse fim nomeada uma comissão composta. o bixo será intimado para fazer desaparecer todas as vinhas do alto Douro no espaço de 24 horas. presidente.²Muito bem. como o estão reclamando os mais caros interesses da pátria. Sr. terá deixado de existir! Fomos nós que o matamos ! Vozes. Cícero.° Ficam revogados todos os bixos em contrai-io. mas penso ter resolvido a questão ! Quereis matar o bicho? Unamo-nos como um S(') liomem: levantemo-nos às G da manliã e bebamos um copinho do genebra. o ministério não pode ficar silencioso e não pode deixar de dizer à face da nação: «Vamos ao bixo: matemolo. ² Sr. com gravidade). presidente. . Vai n'esta questão a independência da pátria e do decilitro. presidente. e d'ITerodcs rei da Judeia.²Faz favor de continuar sobre o decilitro! Cícero (depois de uma pequena pausa. presidente. . . Uma voz na galeria.ratificacões ! 68 Vozes. Sr. às G horas da manhã. apoiado. já vê V. trata de fomentar a ruina do país. e sendo . ^i 69 Vozes.²Muito bem. muito bem.²Muito bem.²Sr. Presidente do Conselho.

à tarde e à noite».²Estou aqui estou a mudar outra vez de casaca e a passar-me para o governo. Que andam duzentos mil ratos A roer dentro duma queijo. proponho sessão secreta para cantar àcâmara uma moção. Sr. Deus quis que Job fosse pobre E Job deu tudo. pode mandar vir o insecticida. um bixo. Se quiser fazer figura. presidente. que distribuem pelos deputados). canta): O bixo que foste bixo. . O bixo que jánão és. 70 Cícero fvac à (javda da mesa dos ministros e tirando uma guitarra. Presidente. Presidente (ao continuo).²Está aberta a sessão secreta. (xis galerias despejam-se. deitando olhos invejosos para a representação nacional²especialmente para as bandejas). foi franco. . ^"^ Cícero (aparte). O melhor é o Limoeiro.²Salta insecticida para. o melhor triunfo vocal duma Cícero contemporâneo 71 Quando o mundo estava em trevas E o fósforo em santa paz. Porta prós envergonhados! Nas terras de Campolide Ha mil anos de sobejo. resmungando. Não entrou por não haver. . Mas não achando bastante Pôs o dinheiro n'um banco ! ²O melhor hotel qual é '? Perguntou-me um estrangeiro. (Contínuos entram trazendo bandejas com copos de licor.também necessário. presidente: visto tratar-se de matar o bixo. (Declamando) Sr. O bixo que te viraste Da cabeça para os pés ! Uma regnteira um dia Quis ir ver os deputados.

Deu-me um polícia a primeira E a outra deu-ma um fadista. A oposição e a maioria fraternizam ao som do bandolim. pasícia preocupado. etc. Semeei no meu quintal Uma abóbora chibante. ² Iiíiioceiífia varre o cLião e limpa o |ó das árvores. Apollo. grandepamlega 7io seio da representação nacional). A presidência 2jde de parte a respeitabilidade. Nasceu-me um cónego gordo Cora uma tromba d'elefante ! -Um carro puxado a bois Plantei d'estaca imia vez. lago com cisnes.²E preciso ter tudo bem limpo ponpie hoje espero visitas de cerimónia.Sabem quem fazia a noite? A companhia do gás! Apitei ontem na feira Com três facadas à vista. Jacintha Disse ao rei. agita-se toda. ²Ao fundo um letreiro que diz : Parnaso CENA I Ciccroni transformado em Apolo. Em Freixo de Espada-à-cinta Vamos ter o real cVagoa ! (A câmara possuída de sacro entusiasmo. Nasceu-me pouco depois Um comboio português ! Xo meu quintal semeei Um cónego papa-íina. com grande magoa. tira os óculos e bamboleia-se. ^^ Cai o pano j ACTO III QUADRO I Jardim com estátuas. Nasceu-me ao fim de dois meses Uma abóbora-menina ! Rainha D. Vasculha Lem . arvoredos.

²Provavelmente já não vão senão 7o à noite ! Hoje. Inocência. visto a Tlialia não estar em casa. e no fim de contas. . Apollo.²Está tudo pronto: quer mais alguma coisa? Apollo.²Bem.todos os cantos.² Bem.²Está tudo bem limpo. . Inocência. pode perfeitamente fazer-mo despachar para a secretaria da marinha. é provável que fossem ouvir a música ao Passeio Publico.²Jásaíram? Inocência.²As musas jásaíram ha muito tempo. e depois trata de fazer açorda d'alho para as musas almoçarem. como é dia santo. Apollo. . O diacho daquele Judeu Errante Júnior. Apoli-0. Inocência. como cá não há Parnaso com 74 subsidio dos deiizcs. agora vai deitar uma quarta tle ração ao Pégaso.²Sacudiste bem o pó das árvores? Inocência. e se encontrares algumas notas ou algumas rimas difíceisnão as deites na barrica do lixo sem mas mostrares primeiro. se hão-de estar aqui para serem apresentadas aos estrangeiros que chegam. ²Mas eu não sei. não tive outro remédio senão alugar este quintal e transformar-me eu mesmo em Apolo pai'a fazer as honras do estabelecimento! É bom ir-lhe fazendo as vontades. eu vou fazer queixa ao ministério do reino! Então o tesouroestá a dar um subsidio d'uns poucos de contos de réis a Melpomene..²Mas que patifaria é esta? Nada.²Algumas nem ficaram em casa.. Com este frio' estão todos os dias morrendo as borboletas e os amanuenses. Innockngl\. teni-me dado um trabalhão! Palavra que y\ estou arrependido de me ter encarregado do lhe mostrar a Parvónia! Anda ha uns poucos de dias ati-az de mim para eu o apresentar no Parnaso. representar!. . andam em orgias f('tra do estabelecimento ! . de forma que. por que às vezes ainda podem servir. e como ele esta semana pertence à maioria ministerial. (Ao público) Não ha outro remédio. Apollo. e a gastar um dinheirão com a aposentação de Thalia. prepara-te para seres apresentada em lugar dela a uma visita que espero logo..

²Melhor! vai fazer o que tens a fazer. diz-me ele. com um ordenado formidável e promessa duma boa colocação nas colónias. . ^^ Inocência (entrando). Também não admira. porque não se demora nada. sem incómodo ! f^cnt^a-se n'u)n dos bancos. de Freitas. (8ae) V 76 CENA II Judeu Errante c Iiiiiocencia Judeu. Judeu. é ele. . (Inocência sete).²Sim. é alguma das musas.²Está ali um senhor que o procura. (A Inocência) Como se chama? . Ontem passei eu por um largo aonde havia um grande casarão cheio de frestas. Ora quem haveria de dizer que na Parvónia o Parnaso é a coisa que existe mais parecida com a Perna de Pau! . senhor ! Bem se ve que a civilização moderna também tem penetrado neste recinto! (Examinando a cena. mas como sou liomem sério não estou resolvido a entrar em semiIhante casa. Já li alguma coisa no Diário do Governo a respeito d'essa Academia das Belas. Apollo. ² Disse que era o Sr. Ci. é ele ! Disse como se chamava ? Inocência. aqui é a Academia das Belas Artes. ou então a criada de quarto de Thalia.²Oh ! demónio.²Ah ! aqui é que é a Academia das Peitas? Bem sei. Inocência.* naturalmente. Manda-o entrar e diz-lhe que espere um quase nada. . AjxtrteJ. aqui é que é o armazém do Quintão.* qualidade! O melhor anda agora a fazer serviço n'um dos ministérios.Apollo. Vou-me arranjar convenientemente. Muito custa a ser Apollo n'um Parnaso d'estes ! Só d'aluguel do Pégaso pago eu oito tostões por dia no Arco do Bandeira. (A Inocência). . minha menina. Isto. e como ia com um colega.²Não tem que ver. . em que ontem se faloulá na câmara?» ^^ Nada. porque a falar a verdade não estou bem a carácter para Apollo.²Ah! pois não. . Ci. e não é um Pégaso de 1. tive um palpite: pesquei o olho e disse-lhe ao ouvido: «O colega.²O meu amo disse que tivesse a bondade de esperar um bocadinho. Apollo.

77 Inocência.²Inocência, uma criada para o servir. (Canhij: » Sou a Inocência pura e singela, Sou a Inocência do meu país ! Namoro à noite, posta àjanela Quer o sargento, quer o juiz. A mim perder-me qualquer menino, Ai, Inocência n'essa não càe; Por que eu sou filha do pai Paulino, E tenho olho como meu pai ! Já fui criadaduma senhor cura. Fui vivandeira duma regimento; Sou a Inocência; mulher mais pura. Ninguém n'a encontra nem n'um convento. Com pó vermelho sobre o meu rosto Pinto a inocência, quem tal diria! E em noites quentes do mês d'agosto Vou aos Recreios com minha tia. Eu vou à missa, toda de preto, Sem fazer caso que olhem para mim. Que ricas missas que ha no Loreto ! Nunca houve em Roma tão bom latim ! 78 Ainda ha bem pouco, certo ministro Foi ànoitinha, bater-me à porta; E ouvi dizer-lhe com tom sinistro, «Não te me faças mosquinha morta!» Eu sou mais pura (|ue ura jardineiro. Sou mais suave que iima essência, Ando }i procura dumabrasileiro, A quem unir a minha inocência Judeu.²Muito bem! Canta admiravelmente e tem um nome muito simpático. De que terra é; de Xerez ou de Bucelas? Inocência. ² Nada, não senhor, sou portuguesa. Judeu.²Ah! é a Luwcencia portuguesa ! Olha cora quein eu venho encontrar-me ! Tcnlio muito gosto em a conhecer: ha uns poucos de dias que ando à sua procura! Innogkncia (bniraínlu os olhos).²Muito obrigada a V. S/ Judeu.²Que InocênciaAté baixa os olhos

com pejo! Então gosta d'aq\ii estar? Innockngía.²EUe. . . para lhe falar a verdade. . . os ares aqui são bons. . . depois uma vista muito bonita. . . muito bonitas sombras. . . Judeu.²Vejam o que é a Inocência! Até acha as sombras bonitas ! (Pegando i/tim livro que en. cvw Apollo Parvonez, em fins do século XIX 79 contra em cima do hanco). O PrimoBasílio! que horror ! Escondamos este romance querido dos olhos da Inocência! (Esconde-o na algibeira). Inocência.²Se quiser pode ler; eu já li e gostei muito. Judeu.²Oh! Santa Inocência! (Levanta-se). Deixa que eu te abrace ! (Diligênciaabraça-a). Então não sabes que os livros próprios para uma Inocência como tu, Siio os do Sr. Monteverde? Inocência.²(Dando-lhe uma palmadinha na /ifíce.^" Maganão, olhe que pode vir o meu amo! (foge.) Judeu (absorto). ² Que Inocência esta, meu Deus ! Passa as mãos assim pela cara dos homens, e hão-de depois horrorizar-se se a virem ler o Primo Bazílio! . . . SCEXA III Os inejiinios o .'tpollo.²Apollo aparece com uma grande cabeleiraamarelada, cor (ie gt-mina d'ovo; em cima da cabeleira uma lira de papel doirado. Manto azul 'semeado de estrelas. Na casaca o habito de S. Tiago em formato firiuide. Luneta duma vidro só. Penaatrás da orcilia. ^* .\P0LL0.²Ora bem vindo seja, iiicu bom amigo. A Inocênciafoi-me agora mesmo dizer, que tinha chegado. Desculpe não ter vindo ha mais tempo. 80 Judeu. ²A menina Inocência ! que simpática criatura! Palavra que é das coisas mais curiosas que tenho encontrado neste país ! Olhe, se não lhe fizer muita falta ha de ceder-ma para a levar como recordação ! . . . Apollo.²Como queira, meu amigo. Sabe que o meu maior desejo é obsequiá-lo ! Judeu.²Ah! mas agora reparo! Foi fixzer toilette por minha causa ? Xào merecia a pena ! bem sabe que não sou- de cumprimentos ! . . . ^

Apolo.²Não me incomoda nada! Como lhe quero apresentar varias notabilidades da Parvónia, c* conveniente estar revestido das minhas insígnias oficiais. Ainda deixei no baú, 48 grã-cruzes, e 322 comendas; mas não é preciso mais do que isto, por agora. Judeu (aparte).²Como Apollo do guarda-roupa do Cruz c dos melhores que tenho visto ! Apollo.²Ora, meu caro: vou ICr o programa do dia para que veja que a minha única ambição c que fique conhecendo todas as celebridades que pi'esentemente se podem admirar na Parvónia: oiça. Judeu.²Ora diga hí; mas cuidado; se houver alguma coisa com sentido mais livre, não nos escute a Inocência ! . . . Apolo.²Não tem dúvida. Agoraestáàjanela; são horas de falaràpolícia. 81 Judeu.²Muito bem muito bera! Como ú santa esta Inocência, que tem horas certas para falar àpolícia ! 3^ Apollo.²Oiça. O programa é pomposo, e para não fugir às praxes, contem até varias promessas que não serão cumpridas. Judeu.²Então é exactamente um programnia ministerial ? Apollo.²Pouco lhe íVilta: và vendo (lej.² O capitão Boyton. Judeu. ²Conheço perfeitamente: já uma vez, quando andei com vontade de me suicidar, lhe comprei um cinto de salvação para me atirar ao Tejo e ir logo ao fundo. Apollo.²Este não vem hoje. Propôs ao ministério da fazenda o fornecimento de dois mil cintos de borracha para salvar as hnanças, e como não havia dinheiro para lh'os comprar, vingou-se com um discurso em inglês na Soci('<^"'h>. <h' Geographia e partiu. Judeu.²Deixá-lo ir embora. Homem', não sei se a hprracha nos poder;i salvar; o mais que ela tem feito até hoje, é ajudar-nos a perder. Apollo (lendo).²Ristori e Ilolofernes: (declamando) também ])artiram; nem eu admitia esta

pela instrução publica. mas em todo o caso o 92 é o mais celebre. Temos mais. Judeu. Isto não quer dizer que os outros não façam a mesma coisa. Mcs6 82 mo porque ei'a o miico meio que tínhamos de nos vingar cVelle. sem ela cortar nmito a sério a cabeça de Holofernes. a princesa Magalona. ² O quilómetro 92 está em dúvida se virá. tenho compreendido tudo o mais. essa princesa é das tais que se esquecem de partir. Há-de concordar que é um grande melhoramento introduzido na nossa viação acelerada? Apollo.²O quilómetro 92 é um quilómetro que nós temos expressamente para descarrilamentos. ² Que demónio é o quilómetro 92? Apollo.²As dez horas grande recepção da Princesa Ratazana! Judeu. com a aplicação dos seus métodos. examinada ela. depois chamava-se a princesa AzuUna.² O que me diz! tíunbem vem essa prin83 ceza ! E celebre ! ando a encontrá-la desde o fim do século passado ! Já uma vez almocei com ela costeletas de selvagem nas florestas virgens da América. e outra vez merendei pérolas de Ceilão no boulevard dos Italianos ! Da j)primeira vez chamavase. sem necessidade de mm-o no cemitério. apresentação da instrução publica nacional.²Ora aíestá por onde devemos começar. Judeu. Judeu.²E também essa a minha opinião. é o quilómetrooficial das catástrofes. e agora cbamase a princesa Ratazana ! Quanto estimo encontrala! Apollo. Apollo.²O demónio é se ela se esquece e não vem Judeu.²Mas ultimamente o pensamento do ministro. . é tornar todos os quilómetros igualmente aptos para os passageiros quebrarem as pernas! Um homem compra o seu bilhete e dão-lhe logo uma senha para ser enterrado em sagrado.trágica do século passado. mas que nunca se esquecem de chegar. se bem me lembro. segundo ele mesmo mo confessou ontem na câmara. ‡ ‡ Apollo (lendo).²Não tenha medo.²E uma ideia que sou o primeiro a aplaudir: deixemos pois o quilómetro 92 (lench). Judeu.

Menino Matusalém.²Já o menino fica sabendo que cifra vale dez. SCEXA IV Os mesmos.²Esta. podem começar as provas. i.²Mas é exactamente o que eu tinha dito! Professor ²Hão-de concordar que é uma intel83 ligencia precoce. . Professor. Apollo (chegando-se a um bastidor). se mo dá licença. Professor.*^ Estudante (lendo. Judeu. Judeu.²Por em quanto não merece mais do que 18 valores! deijce-o.²B. Apollo. minha cabeça é muito mais redonda? Isto é um zero. b. Tratemos de a desenvolver. Matusalém. Que cifra é esta? Matusalém.²Então se dá licença. vestidos de Débé. a cantar).Apollo (lendo). o professor escreve numa pedra com giz). (Dá-lhe dez lyalmatoadasj. e passo jáà execução. . Pode principiar cpiando quiser. tenha a bondade de vir dar a sua lição. . mestre. .²Antes meu pai me tivesse destinado a ministro da fazenda.²Xào estamos aqui para outra coisa.²Dispenso-me de discm'so d'abertura. agora mande entrar a instrução publica. professor de instrução primaria. depois de profunda vénia.²O burro! Então você não vê que a. aquilo é que é uma criançaaplicada! . foi seu pé. (Matlivsalem aproxhna-se.²Basta. b. que já não precisava aprender contas! ^^ 1. guardemos o resto para surpresa. bé. menino Slathusaleni e outros discípulos. Venha cá. senhor. velhos de 80 a 90 anos. Matusalém (chorando). ² Sentam-se todos n'um dos bancos. Alguns melem o dedo pelas profundidades do nariz.²Muito boas noites! Çciimprimentandoj é uma dor d'alma metercrianças cVesta idade na escola! Professor. Judeu ²Aquilo. bi. Professor (ao disci^ndo). é a cabeça do Sr. bà. à. eu bem a vi. fugiu a bux-ra.²Queira entrar a instrução nacional. Judeu (aparte). sim. ²Temos mais. é.

²Ha meio século apenas que frequenta a minha escola. b. professor. Sr. é necessário que estes idtimos sejam aposeritados. *^ entretanto. é. Ex. para a Universidade ou para o Curso superior de letras. e dentro de 24 anos chega a sabor o que c um ditongo ! Por este sistema é impossível que dentro de 3 ou 4 séculos haja na Parvónia uma pessoa que não saiba assignar o scti nome de cruz! Professor. para bem do país. ha de dar-me licença que contemple as provas de atraso dos seus discípulos. e parece incrível ! jáconhece as vogais! *^ Judeu. Ex.²^Lamento.²J\. ao menos com o manual de Monteverde por inteiro.²É uma dor d'alma mudarcrianças para a escola assim.Professor. -hoje graças àsolicitude dos governos já 86 poucos se acliam n'essas tristíssimas condições . b. ²Hei-de fazer 3 séculos a lõ do mês passado.²Que aplicação de criança! Agora. ComoV. bé.²Estou convencido que este rapaz dentro de 24 horas é ministro.* sabe muito melhor do que eu. diga-me cá: quantos anos tem? 87 Matusalém. a. mas ainda até hoje a minha requisição não foi satisfeita.'^ que abunde nas suas ideias. Judeu (ponderando). fugiu a burra. Ainda ha poucos dias foi encomendada por 600 mil réis uma pai*a o seminário de Pinhel. tenha uma palmatória trio pequena! Não chega a ser do tamanho da roda duma carro Professor.²E verdade que uma pjilmatoria de primeira ordem. tanto para a ignorância primaria como -para a ignorância secundaria.í. como por exemplo. Judeu. Professor.²Menino Matusalém Júnior. não vac longe o tempo cm ípie os conselheiros de Estado da Parvónia sabiam todos ler e escrever. professor. Judeu.'' Discípulo (lendo). 1.²Com todo o prazer! Judeu. que tendo V. Judeu. Sr. foi por seu pé.S. não custa barata.²Permitta-mc V.²Ha seis anos consecutivos que reclamo outra pelo ministério das obras publicas.^ ideiastão grandes. uo desabrochar da vida! .

Vaiver! AÍATIIUSALEM.l o que c a influencia do clima? Este macaquinho (pie ainda ha pouco andava talvez trepando pelas florestas da África ou da América. conheci perfeitamente o Sr. ²Como me chamo? (pausa). é o pai do género humano. esgravatando.²]\renino. faça relatórios. .. segundo ouvi dizer no Curso superior de letras. . *^ Professou. Alvares Cabral. jjorque o assim.. Judeu. Professou (ao Judeu).. ²Alto cstà . alto mora . . diga-me cá: () que é que ó branco é. a galinha o pueV Matusalém (semj)re com o <ledo no nariz). e não se esqueça nunca das tradições de seu pai. . que. Agora responda: alto está.²Alto está.m. .²E um digno filho do seu progenitor! Simãozinho.²Sim. E a cabeça do Sr.. desenvolva quanto for possível o seu nome e a sua cauda. alto mora. se quiser fazer carreira. .²Chamava-se Simão. . Judeu. estarádaqui a pouco a trepar peba 8S. consclheii'o Nazílreth. não tenha má-língua. árvore da liberdade até chegar aos mais altos cargos da nação! PjtOFESSoR. isso. PmtFEssOH.. ²Vou mostrar-lhe a precocidade d'esta criança. Barros. senhor. que se chega a comendador de diversas ordens . Judeu.^E do Maranhão. Judeu.² O que é que é branco é.²Ora aqui está quem ha de descobrir a . todas cilas menores. .²Que perspicácia!.²Vejam l. .²Avança. Não faça alusões.(profundamente admirado). já sei! E o chapéu do Sr. ²Menino. ²Vamos a ver. Judeu (severo). o meu menino? Matusalém. Judeu. Professou.²Como se cliama? AIathusalem (enterrando mais o dedo no nariz). a galinha o pueV. Ah! já me lembro! chamo-me Jucà. alto está. *'* Judeu. Simão! c csgravata bem esse nariz. todos o A^êem ninguém o adora'? Matusalém (absorvido).²Como se chamava seu pai? Matiiusale.

agora o pai ! .²Ora agora deixe-o comigo. . nestes tempos de corrupção c de patifaria. Responde: aonde c que nascem os pretos? 90 Matusalém. ²A niàe dos filhos de Zebedeu é fácil saber quem é. se eu não existisse. Menino.. como de maus.²São tantos.em. ²Demónios levera o rapaz! (conceatrandose todo) Ora deixem-me meditar n'uni problema que nem eu próprio saiba resolver í (Pausa). medita bem no que te vou perguntar.em. Judeu (indignado).²E a viagem à roda da Parvónia. o Filho.1 JuítEU. ]Menino.²Ninguém o leva à parede I Judeu. . . se for para receber 3 vezes 3 são 90. quantos são os inimigos do homem? Matusalém. '^‡^ Apullo (cheio de resolução). Pode perguntar àqueles senhores. ou o Espírito Santo? Matusalém. c d'alii são oriundos. deixe-me fazer-lhe uma pergunta.²Falia como S. (Apontando para a plateia).²E extraordinário ! Este Simão. quantos são os credores. 89 Judeu (ahismado). ² Yiva desesperar a gente! ]\[as eu te apanho. Se for para eu pagar. Professou.²Distingo. Ah! cáestá ellc! (a Matusalém) 3 vezes o? Matusalém. Judeu. Quem é o pai dos filhos de Zebedeu? Matusalém (concentrando-se) . 3 vezes 3 é zero. . o Padre. jwrquc são 3 gémeos.² E aquilo que pode servir tanto à gente de bons hábitos. obucca <l'oiro ! PunFESSuR. Simão. João.²Na Beira Baixa. ² Continuemos. seria único! Espera que eu te arranjo! Ora diz-me cá: qual é mais velho. c acabar com a divida flutuante ! PiU)FESSOH.* maravilha do mundo? Mathusaí.²Qual é a 8.Matiiusai. .²Ora espere que eu o arranjo.quadratura do circulo.²São todos 3 da mesma idade. queira darmc uma definição clara do que sejam os hábitos de Cristo.

professor! Profícuos resultados tem t^ocemessê obtido com um mctliodo cujo autor. Judeu (mostrando o método numa das mãos e uma bolacha na outra). e dou-me por vencido. o homem que não saiba ler nem TitoLívio nem Homero.²Ei-lo. é uma bolacha. é o paiAdão. mas que francamente está um pouco atrasado com relação à nossa época.²Estou vencido. um exame d'instrução primaria ! .° Discípulo.²Menino Samuel.. Judeu. uma pela manha. (Vaià pedra e risca.²Mas Sr. como todos sabem. aparte). Judeu. tomando 3 pílulas.²Ah! bem sei.° Discípulo. no original.²Custa-me a confessalo. lê passadas Í4 horas correntemente o Diário de Noticias. E!. Professou.JuDi-:u (desalentado). 1. professor. (Tira do bolso uma cartilha. ² E outra bolacha.. Apollo (contrito. Escolha dentre os seus discípulos aquele que lhe aprouver. ²Está a servir de lebre nos restaurantes da Parvónia.) Menino. (Tira-lha). . Judeu (ao professor). Professou. um passo em frente! (1. E realmente vergonhoso que para os altos cargos do estado se exija tão-somente saber recitar ao piano.. isso é a ruina da ignorância publica! Se esse método se propagasse.²Submeto-me com júbilo . digam'e uma coisa. ²Uma ultima.) Acaba de se inventar um novo sysícina que tem a propriedade exclusiva de fabricar 400 génios por minuto.²E isto o que é? (mostrando outra bolacha). mas é verdade. por meio destemétodo maravilhoso. . Traz por aí esse maravilhoso método? Judeu. (Tira-lha das mãos. Ouviu? . estaríamos arriscados a que dentro cm pouco se 91 exigisse para o simples lugar de ministro da coroa. 'outra à noite. ²Meu menino. *^ Judeu.'^ discípuloaproxima-se) . Ah ! Judeu. Sr. Professor.²^1 e E. e come-a).²Ora.ís experiências. pode-se mamar e lOr ao mesmo tempo o regulamento do imposto do consumo. outra ao jantar. Vamos ensaiá-lo.²E mister entrar com passo firme na senda da civilização. ve isto? 1. Aonde é que está o gato? Matusalém.

I'rofessor. . Judeu. hão-de estar todos já a fazer 6 ó. Vozes. Não se recolluim tarde.²^Aí vem a filha de Thalia. é um método tão claro.²O.²Muito bem. Professor (aos discípulos). como vê. (Os discípulos saem aos pulos em grandes alaridos. vestida a carácter Apollo. Professor (acabando de mastigar).° Discípulo. CENA V Os mesmos. vou também para láensiná-lo.²7. arrisco-me a perder o lugar. sentemo-nos para ouvir o que ela diz.²Dou-lhe os meus parabéns por este momento de prazer que me proporcionou. se^ o resto do método ó assim. mas em todo o caso.) 93 Judeu (a Apollo). que bom! (come-a. Ú. Ú!. Judeu chegando-se ao lyrofessor).²Faz muito bem.²Esse métodovai fazer imia revolução no mundo ! Apenas morrer o resto dos habitantes do Ceará.²Eu também quero aprender! Estou com muita fome. *' Judeu.²Ora aqui está como vossemecê e todos os seus discípulos só n'uma lição ficaram conhecendo o valor das vogais. que é impossível que no Brasil não renda alguns pretos. Tiinlia com ademanestrágicos. . Judeu (distribuindo bolachas por todos).²Ú. que bom! (Abre a hôcca e engoleaj. a instrução popular precisa de ser levada à bolacha. Judeu-^Lugaràmusa ! coitada ! Ela apesar .²Que ó isto? (Mostra-lhe outra holahca). (Mostrando outra bolacha). Judeu (ao professor). deixe ir os seus meninos embora.² Agora.²Meninos. mas olhem que em sendo 5 horas da numhã. bastam-me as consoantes para me dar de comer. porque hão-de estar com vontade de tomar o seu caíie no Martinho. Que letra é esta? 2.²Pois venha cá. ou ver se pescam a Rainha das Águas nos Recreios. podem sair. Apollo. Ú. depois de conhecer as vogais. Jldel'.º Discípulo.92 2.

Até que enfim vou dormir! Ali! sim! (senta-se.²Como foz frioj meu Deus. senlior! tenho sede de sangue! Judeu (compadecido). que logo hl lhe mando mais luna coroa por conta do ministério do remo Apullo. não. como faz frio! Judeu fãjxirtej. dcixae passar a Thalia ! .²Até à con95 summaçrio dos séculos. ainda parece frescalhota ! TiiALiA (avançando lentamente com ar solene). minha senhora! Ao menos veja se faz isso por menos 15 dias ! *^ (caindo em si).²Oh! minha rica senhora.²Uma pedra.²Ah ! não quereis ouvir a minha voz? Pérfidos! Não importa. Como a sombra de Branco. .²O melhor é não lhe dizer nada. *^ continuarei a perseguirvos até àconsumação dos séculos ! (retirase a passos lentos).²E esta! Então não vem ela representar a Enterrada encostada ao meu ombro! Thalia.²-Que admiração ! o termómetro na Guarda está dois graus abaixo das acções do Banco do ultramar! Thalia. ande. và.²(com voz cavernosa 'cheia de ódio e de sono) Sangue. Mas agora me lembro! esta é a voz da Inocência ! (aparte). Como é bom dormir no seio que amamos quando ao longe se escuta o rugir da tempestade ! Judeu.. aliás temos tragédia. Judeu (caminhando atrás d'eUa)..²Meus senhores. Thalia (erguendo-se arrebatada). encostando a face ao homhro do Judeu). . O Apollo parece-me que me fez partida. de que serve a vida ! Deixai. olé! Já com este são dois pajDcis que vejo fazer àInocência ! Apollo (questionando à porta). ²Deixai-me morrer! Ah! sim. . Por onde andais vós meus filhos ! Ah ! eu sinto na face o gelo do sepulcro ! Os vermes começam a raorder-me I Judeu (aparte).²Coitada ! Fazí dó ! 94 TiiALiA. oh!mas eu tiro-lhe a desforra. uma pedra para descansar! Ha tanto tempo que procuro aonde encostar a cabeça!.de ter uns poucos de séculos. o melhor é ir para casa.

Este senhor é que suspirou sem minha ordem.²O meu credo é explícito²e não .' não podem entrar. não devo senão a jóia de ha meio século. quando ainda agora passava pela casa Havanesa ! Satânico. meus senhores ? Temos guerra no Parnaso ? Apollo. por que estou S(j em atraso de dez anos com as minhas quotas do I*arnazo.²Fui insultado por este senhor. e eu não admito que ninguém suspire sem me pedir licença! Judp:u. ao menos no Campo Grande ! Fraternizemos todos em espírito ! Satânico. (Entram os dois poetas) Apolo. Entrem meus senhores. pelo Chiado ? ! Lyi\ico (altivo). e que tanto hão-de morrer amanuenses.²Ora se me permite. Satantco (indignado). nunca ! Judeu. ² Eu também.²Olhe. para que andam a jogar a pancada no meio da Rua'? Lírico.²Nunca. ²Realmente soppimha-os com mais juízo ! Ora os senhores que não lhes falta nada.²Então.'. Eu 96 me encarrego de resolver a questão. os senhores não constam do programnia.²Se isto continua assim.²-E falso. entrem.²Então que é isso. SCEXA VI i^» luoíâiEnos. se não pode ser no campo da arte. vestidos ambos a caraclcr. ² HdúiO todo o direito d'entrar. como ministros. Barnabé Trovão² cuido ser este o seu nome : não era muito melhor andar com o seu colega em santa paz caçando borboletas e meios grogs. Ltric. «fiadcu* Apolo* Malaiiico c Líyrifo. no campo da arte. sryuiido os melhores modelos do género ² Vide Marliulio ou casa 11avarioza. vou pedir providencias ao ministério da marinha ! Judeu. Judeu (intervindo). o melhor é deixá-los entrar. Sr.

suspendam! Ora eu vou provar-lhes como se podem conciliar as duas escolas. Um queijo do Rabaçal . senhores. conlo põe uma galinha um ovo ! LykíCu (sempre com voz maviosa jirocurando dar ao verso a ternura do violino. muito bem! Judeu 'fem êxtase): Vem ó anjo do Senhor. ² Oh! meus amigos! pelo amor de Deus ! Quanto mais não seja. abaixo o firmamento. lá para o pé cVAImacla. responde. (recita com voz convulsa). ²Bravo! bravo! muito bem. Abaixo os senhorios! 97 Lírico (do lado Ojyj^osto da snnfi vnirhi 'ira 0(^0 docemente ao som da orquestra): Ouves ao longe. »*> Foi uni poeta que morreu d 'amor! 7. Oh! meiga lua ideal. Tu lembras no meio das nuvens. Oiçam o género lírico daiido fraternalmente a mão ao género realista ! Oiçam ! (recita com entJiusiatimoJ. conciliem a gramática ! Satã Ni CO (concentrando-se num Irado de indignação. O meiga filha do céu ! (mudando de tom) .abjuro dele. 98 Judeu. Eu quero ver cair batidos pelo vento Os déspotas sombrios! Abaixo o real de água.²Suspendam. Feito com as tintas de Rubens ! Vozes. Xinguem ! responde numa voz tremenda Funérea dobre que nos causa horror I Foi mnisimi aiiianueiise que vooinla scort-tn ria i!a fazenda. Abaixo quanto existe em toda a Immanidade ! Expulsemos o altar e expulsemos o frade. quem será? Xinguem! Judeu. Iluminemos tudo e ponhamos de novo A terra. Da ermida o sino retumbar além? E ele ou cila? Serás tu ou nada? Diz.

² Já o não largo.²Daqui não sae.² Oh ! com os demónios. Pirolito que já bateu ! (Os dois poetas aI)raçam-n'o com cffação). em lugar d'almoçar a brisa da manha.²Pois muito bem.²Lávai outro exemplo em que as duas escolas se combinam ainda em dozes Ciíuacs: 99 (Recita com o lenço na boca a fingir a voz embargada pelo pranto).²Meus amigos: oiçam a voz da experiência que é boa conselheira. Judeu. ha de vir para a minha! Satânico...² Eu é que não lhe largo esto braço! Lírico. como eu. Nestesepulcro enterrada. Judeu. lá preguei com as duas escolas em terra ! (ajuda a levantá-los) . minha sobrinha ! Desde que ela feneceu Ando todo apoquentado. Querem a celebridade no seu país ? Querem a multidão de joelhos. 100 Lírico. doe-lhes alguma coisa? (ao Lírico) Queira desculpar. . veremos.²Palavra! se tivesse iima força assim ia jádaqui ao Terreiro do Paço derrubar as instituições !.²Sim.²Faça. ^* Satânico. absorta a seus pés? Satânico e Lírico (com avidez). Amélia. . não sabia que o meu amigo estava tão debilitado :. Fiz-lhes mal. Judeu (desembaraçando-se d'ambos com um empurrão que prega com os dois trovadores no chão). O que fará meu cunhado ! Satânico (puxando j^or um braço do Judeu). Viveu uma madrugada.. Aqui jaz uma florinha.²Nada.Pirolito que bate que bate. sim! Judeu. almoce bifes. sabe o que eu lhe invejo? é a força ? Judeu.. O meu amigo ha de vir para a minha escola! Lírico (idem). eu lhes vou ensinar o meio pratico de amanhã poderem dar um beneficio . E quando assim ando eu.²Olhe.

²Agora não tenho tempo. e não tardo nada. Não se assoem.²Vou saber a causa da demora. (Passa-Ilie os dedos ^96?o nariz que solta uns soas fanhosos de clarinete). Veja ! Lyuigo. Judeu (pegando no chapéu). se lhe faz conta pode já pagar adiantado (puxa de bilhetes da alfjiheira). muita cautela e nada de lenço ! (a AjjoUo). senhor. Lyiucío. logo. isto é uma riqueza! Ora sopre. sem se sentir ! Veja a riqueza que tem nas ventas ! . não se assoem que é uma pena darem cabo desses dons da providencia. que é a única classe cpic nãoestá representada! ^'^ Judeu.²Também quer! O que eu vou fazer é ensinar-lhe a engolir espadas como os chineses do Circo.²Xada. .²Parecem-me narizes filarmónicos de mais ! Mas vàlá. O que tem o senhor aqui? Satânico (fanhoso). mas sopre com sentimento ! (Satânico sopra. O amigo ainda precisa d'alguns ensaios. .²Isto não é um nariz. Judeu. 101 Lyrigo.²Vou pedir ao governo parajne nomear representante dos narizes parvoíces na exposição de Paris. o Judeu levanta os dedos como quem toca vmajlaida).no Ginásio. não . Agora cuidado. (Dirige-se ao Satânico sefjxiranãolhe intencionalmente no nariz).²Admira! Também estou já notando a falta. Apollo. c um nariz fagote. nada! também quero dar concertos pelo nariz ! Judeu.²Eu também quero ! eu também quero! Judeu. o meu amigo ha de ficar-me com um bilhete para o beneficio que eu fizer era S. ²Em paga. Eiitao a Princesanão chega ! . . c sobretudo. . Vamos com Deus ! parece-se um pouco com a voz da Pcrnini.²Sobretudo recomendo-lhes uma coisa. vamos a ver se o seu nariz tem vocação. mas em todo o caso a beneficio da ilha das Flores pode tocar ! Satânico (saltando de contente).²Não me aperte o nariz! Judeu. Yê? o senhor o que é. Carlos.

ura criado preto.²Sinto rumor: o que teremos de novo? -<«% A sucessora da princesa Azulina 103 CENA VII Os mesmos.102 os deixe brigar. acordando estremunhado). Agora que está aqui o Sr. porque podem díir cabo dos narizes (aparte). meus senhores. (Vão todos à porta). Satânico. Ouves ao longe. do tribunal de contas. meus senhores.. Em 3 dias faço-lhes conhecer todas as vogais . Apollo. porque não aproveitam a ocasião para aprenderem a ler? Professor que tem estado a dormir. ^udcu transformado em Princesa Ratazana em toilete mirabolante..²Se querem vamos a isso. oiçam um conselho. lugaràprincesa. Apollo (acudindo à porta). Apolo dá o braço à princesa Ratazana que atravessa a cena deitando a luneta com pretensão.²Pensa talvez que não sabemos lidar com caudas ilustres ! Lyrigo (a Satânico). cheia de pedrarias e de plumas. convidados. Apollo. Diversos convidados sustentam.²Comitiva da princesa. a grande cauda do vestido da pn'inceza). mestre. que tempo levani a pintar uma princesa assim V . ^^ Apollo.²D francez de todos os personagens é a caprictio. Satânico. lá para o pé d'Almada. visto os senhores serem tão prendados. aí vem a princesa: lugar.²Aí vem. {SaeJ.²Não me fale nisso! o senhor está atrasado mil anos! A arte de leitura é indigna do nosso tempo ! Lírico (recita ao som da orquestra uma das estrofes antecedentes).²Meus amiguinhos. e cumprimentando p>ara todos os lados.²Cuidado. cuidado nuo levantem de mais o vestido da princesa. Visto cmbaçar-mc com a Thalia vou também ver se o embaço a ele. diz-me cá.²Parece-me muito amável! Ó aquela.

² Oi.²Ilustre madama! Sede bem-vinda ao torrão Parvo iiez ! lia muito que os nossos estômagos vos reclamam. Cá os líricos são assim! Ratazana. (Como quem procura as frases fazendo ao mesmo tempo corneta acústica com a mão p>ara ouvir melhor). ÍOim ! parece que não respondi mal"?. eu bciu disia que crn pintada! vc seu patetinlia '? Satânico. Digo tanta tolice em francez que é impossível que me não faca compreender ! Lírico.Satânico.²Não esteja a tirar as azeitonas que parece mal ! . e queremos provar-vos. . .²Tolo! vocênão vê que não é luntada! Ora ponha-lhe o dedo na cara c verá. (Custando-lhe muito a falar e pronunciando as palavras' duma forma quase imperceptível). .²Monsiú.²Vamos a ver que tal é esta bagagem literária! Apollo (aparte). . AP0LL0. ² Messias. . vamos jantar que tenho à barriga a dar horas. e se tanto for preciso a recitar ao piano ! Satânico (explorando os pratos e a mesa do jantar donde rouba uma azeitona que come). ' Ratazana. toda a literatura da Parvónia vos reclama de braços abertos e guardanapo nos joelhos .(aparte). .²Como eu ia dizendo. .²Basta de palavreado. ² Deixem-me agora fazer o meu discm'S0 (voltando-se com ar decidido). madame. que amabilité. . Satânico.²Ah. Eu na minha qualidade de poeta lírico declaro jáàprincesa que não dispenso orelheira de porco e o competente paio do Alentejo. que estamos dispostos a trinchar em vossa honra meio bife com batatas. Lírico (passando furtivamente um dedo pela cara da princesa. Eu veulio aporter a vous un petit super! (aparte}. Lírico.fxi Satânico). ² E verdade! quem havia de dizer I.. ilustre madama. lOo' Apolo continuando para a princesa). . madama.²E para abrir o apetite. (Um criadovai dispondo cm cima duma mesa nm serviço de jantar). e esfregando-o depois no punho da ca104 )ítisf(J. .

²Basta de sânscrito.. (A princesa). Lírico (para o criado).² O amigo. eu vou-lhe falar. . Preto. Já me parece isto uma torre de Babel! Falemos n'uraa língua que se entenda. (Os convidados sentam-se todos. cávai esta ave de pena para fortalecer o estro. . (Tirando um papel do bolsa e lendo às escondidas).²Pae Paulino. Ratazana (apertando-lhe as mãos).²Oui madama ! Ratazana. (aparte) ah. Satânico (bradando aflito).²Xada. Monsiú la Madame! moi le ministre prochaine de la . que vocação que tenho para a língua bunda! Convidado (aparte cheio de resolução).Apollo (fazendo porta voz duma jornal e hradando cheio de convicção). . Madame je. ²Monsiu. . Apollo (ao preto).²Monsiú preto. toalhe :l Ia table.²A ultima que havia serviu-se ontem. . como sou ctrangere. a língua de vaca. Madame la table está posta.²Viva a reinação ! Satânico. verse dois . . Lírico (metendo uma galinha assada na algibeira). . . ²Bem! manja muito' bera ! Apollo (ao p>^'<^to). (A princesa). alguns põem guardanapos ao pescoço.²Nada. 106 Monsiú ..²Já não ha: acabou-se antes do jantar. (li princesa). .²A sopa! então" eu não como sopa? Preto. (aparte). . Lírico. me farei intender à assembleapoF-meio de língua universal. . eu também tenho de lhe dizer alguma coisa em francez : não quero dar parte de fraco diante de tão ilustreassembleia.²Traga-nie pão!. Oh.²Isto é que é um pagode ! Lvaico (a Satânico). je vous salute !. ²Mousiú. meus^ senhores. senhores. por mostrar Ta admiracion que sinto por touti que na Parvónia touchc la lira. já sei. atando-osatrás da nuca). Madame. Apollo (intervindo). . (O preto pjuò a mesa). Ratazana (remirando). je.

A subscrição não chegou para o vinho. falo eu. limjKindo o suor da testa com a toalha da mesa). ²Bem. .. grand homme ! . . oui madame.. merci. . 108 LyniGo.²Je. Tenha a bondade de tomar a palavra o que souber alguma coisa de línguas mortas! Ande Sr. Je.siú.remerceamos o acolhimento distinguido cpie finisaes de nos dar ! Vossos chefes d'obra suo remarcàveis. . . . madame! C'est le mais belo momento de ma course de poete ! Ratazana.²Pois eu quero mais paio e alémdisso umdicionário francês.²Meus senhores: não podemos ficar silenciosos.. 107 Preto. (Estende-lhe o copo).²A lasanté de vous ! . muito obrigado! Ratazana (aparte). Ratazana (erguendo-se de copo em punho brindando a Apolo. . . ao filho de seu papá ! -.decilitros. ²Estar bem bom.²Eu não falo sem me darem mais paio . (aparte). . Vozes.²Urrali! Urrali!. oui! Não é cela da nossa parte nem uma mensonja nem uma flateria ! . Apollo. Mirabeau. Je.²Bebo à la santé ! . Apollo.²Urra! Apollo (levantando-se comovido) indo ao pé da princesa a quem aperta a mão. Ratazana. .²A le fils de son papa! ‡''* Vozes.²A la santo de Mirabeau! Apollo (aparte). (Levanta-se.²A comoção embarga-lhe o francez ! (brindando a Apollo). de nionsiú.²É uma pena não haver orelheira. não sei qual dos senhores é? Satânico. oui. mafemme! Kous vous . ninguém toma a palavra. mon.. . bera bom! Lírico (aparte).²Merci. Copeei esta íalla duma romance original português que li a semana passada . Apollo (agradecendo comovido).^²Que me diz d'estes viandas cara principeza? Ratazana. . .²Jánão ha senão água. Mademoiselle Ratazana. .

contas do Porto. ² Urra ! urra ! (delírio geral.²Não estão maus versos estes ! Meus senhores merenda feita companhia desfeita: são 4 libras por cabeça. Lírico. naturalmente. Em suma. tem fadistas. Apollo. já foi mestre de francez no liceu ! Apollo.²Olha que falia bem! Satânico. Amanuenses c flores. E taníLcm ricos doutores.²Silêncio seniores ! Ratazana (cantando com voz requebrada ao som do piano.! Lírico (aparte). A visitar a Parvónia A pátria da laranjeira. Ao partir miidia alma aflita Dirá com imensas magoas: E uma terra bonita E há por lá bem boas águas ! Vozes.²É francez puro de S. líl nm paíssingular A pátria dos malmequeres! Pode-se dar um jantar Ficando os mesmos talheres ! Tem poetas. Eu venho do mar da Jónia Metida n'uma liteira.²Permiti que vous salutc com toute o desintcrressamento ! je salute a osted.² Ora ouçam agora.²Finalmente. seus maganões. Tiago de Compostela ! Apollo (continuando). . Lírico.²Temos versos. 110 (Um criado chega e entrega um papel a Apolo.²Poderá. varias comensais aplaudem em cima das cadeiras).e parece-me que não fica mal. estou chargado pelos meus concitoaiòcs de vous afirmer-lc gáudioentusiástico que lhe boulevessa toute la fibrc de Ic estômago ! Ratazana (erguendo-se em atitude de cantar). tem Lellas vistas. d09 Apollo.

pensativo. ² O Judeu Errante. abraçados um ao outro).. grandes janelas dando sobre uma praça. Apollo. e outros animais. Ratazana (ao criado com a conta na mão). Satânico.²Cávai o proscrito para o cxilio. Muito boas noites. 2.° CONVIDAD0 (vindo à loca da cena. varia? mascaras exóticas. pórticos.Lyrigo.²o que é isto? é o diable. (Mete-se debaixo do canapé). venha cá entre as 10 e as 11 (enfiando peloburaco do 2)ontoJ.º Convidado (com voz cava em que transpira uma resolução inabalável). de raposa.²4 libras! (estupefacto). em vez de cabeças d'anjos. Sala fantástica: coluninaí?. caras de papagaio. madama ! (chega-se d Princesa estendendo-lhe uma salva para receber o dinheiro).. Ollie.²Eu não pago nem 5 réis ! Lírico.²Então pagar. Lyrigo. Emigrei cm 1833 por causa da carta. cabeças de coflbos. eu!. meus senhores. não torno a mudar de sexo tão cedo. confidencialmente ao jmhlico).²Com esta são duas vezes que emigro. jumentos com óculos. ^' Lyrigo. ²Um tlirono cuja base é envolvida em nuvens d'algodão em rama donde imergem. ‡^'^ Cai o pano ACTO lV QUADRO A' A cenarepresenta o Olimpo. emigro hoje por causa da conta. trajando de D.²O mais que podem fazer é penhorar-me a lira ! Satânico. Ratazana. . ²Cá vamos fazer versos para as profundezas da caixa. QnlchoU' (vide os desenhos de Gustavo Doré) acaba-se sentado nu Ibrono.² Mais isto que vem a ser monsiú? 111 Criado.²4 libras ganho eu num ano! 1 .²Antes meter-me pela terra dentro! (abre-se um alçapão no fundo no qual desaparecem o Lírico e o Satânico.²4 libras! eu cá não pago nada. (Mete-se debaixo da mesa dando jn-eviamente a conta princesa).

Perguntando que tal. um simples pst. que quando olho lá para baixo. tão alto. Ofuscadas por tão grande luz. para os píncaros do Himalaia.SCEXA I ». quem é? lio 2. director dos destinos da Parvónia ! . O Grão-Lama de ^ alie dos Perus V .²Eis-me nas eminências do poder ! acima de mim ninguém I Quem havia de dizer que tão depressa eu chegaria jI alta dignidade de Grão-Lama. Quiclioto. um piscar d'olho.. Quixote (chegando o nariz com sofreguidão aos rolos defumo). Quixote.²Ainda ontem a ursa maior. um gesto. vaimelhor. E o Grão-Lama de Vale dos Perus I 1. . para fazer rolar no cadafalso a cabeça de 30 amanuenses e 18 generais de brigada ² já falecidos.^ Pajem. conduzindo às 8 114 plagas do futuro o precioso fardo das inúmeras províncias da publica administração ! Eu estou tão alto. Eia ! seguremos com mão firme as rédeas da nau do estado que navega pelo oceano revolto de vulcões da demagogia. Ei-lo erguido no topo dos mundos Recostado no seu canapé ! Ao correr nos espaços profundos Diz o sol às estrelas. . O que é isto meu Deus ? Ah ! é o nastro da cerouhl desapertado. tão alto. (Aperta a fita da ceroula.²(trémulo na orquestra. depois dois pajens extremamente graciosos '" D. D.²E as estrelas tremendo de susto. Pudibundas respondem a custo. Foi bater-lhe à janela²truz-truz.²Embriaguemo-nos I o incenso ó o simonte dos deuses! 1/ Pajem. tremo diante de Deus por tamanha responsabilidade! (voltando-se repentinamente). que basta uma palavra minha. palavra d'honra que tenho vertigens ! Quando altas horas da noite me lembro.° Pajem. canta ou recita). pondo-se de cócoras coruo um simjjJes mortal. (Entram dois pajens com incensadores e colocando-se aos lados do trono começam a inctnsalo).

um piscar de olho. Pudibundas respondem a custo. para fazer rolar no cadafalso a cabeça de 30 amanuenses e 18 generais de brigada²jáfalecidos. um gesto.²Embriaguemo-nos I ó iusenso ó o simonte dos deuses ! 1. para os píncaros do Himalaia. Diz no espaço. (Entram dois pajens com incensadores e collocandose aos lados do trono começam a inccnsalo). A dar vivas ao Lama-Espavento.. Kil-o erguido no topo dos mundos Recostado no seu canapé I Ao correr nos espaços jDrofundos Diz o sol às estrelas. Ao Grão-Lama de Vale dos Perus I Pajem. tãoaltotão alto. . como vai. Pei-guntar. QuiCiiOTE (chegando o nariz com sofreguidão aos rolos defumo).² Vem as ondas batidas do vento. Com o fragor dum enorme arcabuz. (Aperta a fita da ceroula. O que é isto meu Deus ? Ah ! é o nastro da ceroula desapertado.²O universo. palavra de honra que tenho vertigens ! Quando altas horas da noite me lembro. contrito.2.²E as estrelas tremendo de susto. E o Gruo-Lama de Vale dos Perus ! 1.' Pajem.² Hotentotes de argola ao focinho Vem coiTendo ligeiros e nus. o grande. o infinito O Grão-Lama de Vale dos Penis ! 114 plagas do fiitiu-o o precioso fardo das inúmeras províncias da publica administração ! Eu estou tão alto. pondo-se de cócoras corno um simples mortal).² (tremido na orquestra.²Ainda li ontem a ursa maior. vaibonzinho O Grão-Lama de Vale dos PenisV Os DOIS. que basta uma palavra minha. de gatas.° Pajem. canta 'ou recita). tremo diante de Deus por tamanha responsabilidade! (voltando-se repentinamente). quem c? lio 2. um simples pst. Ofuscadas por tão grande luz.° Pajem. o innnoital. caramba I eia sus I Viva. que quando olho lá para baixo.° Pajem. D.

vai melhor. Trazer-te aqui. (Enfia pela cabeça de D.²O universo. caramba ! eia sus ! Viva. se o globo para o polo é chato. e pendurar-te ao peito. Para o Grão-Lama apresentar um dia O astro do dia posto a tiracolo! Se Deus criou o grande mar dos soes. oinfinito O Grão-Lama de Vale dos Perus ! 116 D. o imortal. o grande. Com o fragor duma enorme arcabuz. . Deus é teu genro e somos n(')s teu neto.²Hotentotes d'argola ao focinho Vem correndo ligeiros e nus.º^ Pajem. como vai. Que os rouxinóis fazem gemer nas balsas. de gatas. Quixote (examinando os alhos com atenção.²Cantam que nem dois rouxinóis! (Entra uma fada que se vem colocar em frente do trono. No céu profundo fez girar o sol. Quixote. A dar vivas ao Lama-Espavento. Diz no espaço.° Pajem. cantando com acompanhamento de piano). Galgando mundos por cera mil atalhos. . Um c^lar feito dumaréstia d'alhos. O Grão-Lama de Vale dos Perus? 2. contrito.Foi bater-lhe à janela² truz-truz. Se por ventura tão comprido ele é. D. E em fim.²Vem as ondas Latidas do vento. Foi Deus que quis dar aoGrão-Lama imenso^ Um grande lenço para tomar rapé I . . E que Deus quis fazer botões de chama. vaibonzinho O Grão-Lama de Vale dos Perus V Os DOIS. Se o arco-íris pelo azul fulgura. Ao Grão-Lama de Vale dos Perus 1 . Não ha dialecto que esta gloria exprima. E que o sapato lhe pousaste em cima! 117 Por isso eu venho lá dos céus profundos. A FADA Quando do caos tirou Deus o mundo. Quixote um colar cie réstias d'allios que lhe dá em roda do pescoço duas voltas). Perguntando que tal. Perguntar. Para o Grão-Lama mandar por nas calças.

Volta para os mundos sidéreos d'onde vieste e quando estiveres com o Supremo Arquitecto do Universo dá-lhe lembranças minhas. que diacho ! ou eu me engano muito.²São enormes e da mais fina água ! . realeza e hidra da anarquia. Sancho ! caem os bancos. M. (Vide desenhos de Gustavo Doré). é que nunca lhos encontrei. QuiciiOTE. sou único ! (Toca uma campainha.²Qual? meu rico amigo: rc119 vela-me esse segredo?. .. Feliz o dia em que abordei às plagas da Parvónia bifurcado num jumento! Sou feliz ! Sou poderoso. caem os teatros. . Quixote. D. ²Eu cair. tropa. Aparece um continuo). DA REINAÇÃO. M. QuicnOTE. . Diga ao Sr. Eu só com a icléa de largar amanha a cadeira do poder emagreci 1-i arrobas a noite passada! Só já peso 161.²E nós ainda nãocaímos. cair o eco e morrerem todas as cotovias. QurciiOTE.²Sabes o que n<3s vamos fazer? Vamos arranjar um atentado ! Olha que um atentado bem preparadinho.²Eis-meàs vossas ordens senhor.²Meu Sanclio-Paio ! Meu querido Sancho. . DA REINAÇÃO.' D. Nunca Sancho! a coisaestámá. Sancho I E mais fácil.²Ai Sancho. . DA RKiNAÇÃo.. D. mas ha ainda um meio de nos salvarmos. 118 SCEXA 1 1 I>. caem as torres. .²Ora deixa-te de asneiras. . . quem me dera o teu bom humor ! A pátriaestá em perigo I Cai tudo. D. . E a eterna cantiga! Diz toda a gente que as cadeiras do poder têm espinhos ! Pois eu cá por mim^ francamente. . QurciiOTE (imlignarlo) . . com povo. ministro da i'eiB>ncão* trajando de Sancho Pança. ministro da reinação que o estou esperando. . Obrigado arcanjo ! . Sancho. não ha dúvida. iM. (Fica meditabundo. Os pajens e a fada saem fazendo profunda vénia). M. ou . caem os estadistas ! . meu único amigo ! Nunca pensei que fossem tão lancinantes e de tal guisa as agruras do poder ! Eu trago os meus pés ensanguentados pelos abrolhos da governança publica I . DA REINAÇÃO. mas olha que estamos quase ! . . . feito com todos os matadores.

. DAS E. entra o ministro das cmbircaçõesj. íjue fugisse. é necessário termos o regicida. .²Boni. O Sr.²E nuiito b(Mn feito. quem o manda ser toloV. a Bartolomeu . 120 SCEXA III ' D. <tuiclioto» dcpoiã iisiiiistro das cuifi>ai*c-ac'õc!i D. a Mindeloestá 121 a concertar no hospital de S. Sancho. QuiciiuTE. DA REINAÇÃO. ministro das embarcações que venha à falia. M. um continuo traz-lhe um telegrama:^lencloJ. Exercito Parvonez com])osto duma general bateu-se valentemente ficando prisioneiro.'i meia noite. Sobretudo recommcndalhc luna coisa: Quando eu o agarrar (|ue não faca muita forca . «Ultramar àmeia-noite».l cinta. . Olí-í^hote. José. que é para eu lhe poder botar a unha no momento critico. M. . (O continuo sae.MBAMCAÇUES. DA REINAÇÃO. Ele o numero dos tolos é infinito ! Se queres arranja-se o negócio para esta noite?. .² Quem sabe?.. QuiGiiOTE.» M. Quixote (continuando a ler). rríe-llie botas de montar e uma barba grande até . A que horas ha de ser a couía? D. Sr.²Bem.²«O govciMiador e secretário comidos com mandioca pelo gentio. então ouve lá. DAS EMnAHCAÇÕKS ²Eu é quenão sei como isso ha de ser! O Pimpão anda a fazer serviço do Arco de Bandeira para Benfica .²Sete horas em ponto. I). (Sae). gentio gostou mais do secretário por ser mais tenro. .²Isso fica por minha conta. AcaLo de receber o seguinte telegrama.²Estamos salvos. Olá temos história! (Ao continuo). Gentio sublevado. deixa-me dar as minhas ordens. «Ultramar . . (Declamando). Conselheiro Frota levantcmonos -jí altura da situação: medidas enérgicas! M..» -'^ (Declamando). .ainda não é d'esta que n(')S vamos abaixo. . Tara (jue (|uez'ia ele as pernas?. . Descansa. DA HEiNAÇÃo. (Esfrega as mãos de contente. OA REINAÇÃO.²Fica tudo ao meu cuidado. D. QuiCiiOTE. M. (LP). Primeiro que tudo. M.²Xào te esqueças de lhe mandar buscar um barrete frígio ao guarda-roupa do Cruz. coriselheiro Frota. D.

e de lá começássemos a acenar com iima carapuça vermelha. (Os dois ficam pensativos como quem meditft n'um alto prohlcma). DAS EMBARCAÇÕES. ^^ D.²E a guarda municipal ia talvez para a cadeia. o <pie ha a fazer é o seguinte: mandar bater desde já no arsenal da marinha a cavilha mestra dum 122 alaúde de guerra.Io Coyaoit M. c. DA REiNAC.²Isso c impossível. porque as bombas de morfinasãoproibidas pelo direito internacional. M. essa não a podemos mandar. Todos estes navios deverão ser artilhados com pianos.Dias está a preparar-se para um concurso de amanuense. por que não pode ficar a barra sem defesa ! . era o resultado. e então nós mandávamos pôr o Antunes e o Castelo Branco . cho por inteiro. M. dirigida por mim que sou pássaro bisnau. OuiGiioTE. aposentar desde já o resto da armada parvoneza com todo o carun-. DAS EMBAiíCAÇUES. quem me diz a mim (pie o gentio não viria por alii atraído por aquela cAr tão grata aos selvagens.. .²Lembra-me outra coisa. os dois qysnes do passeio publico. mastros de marfim e velas de diamantes.\o (entrando apressado). DAS EMBARCAÇÕES (continuando). Oliciiote.'is portas d'Alcântara. M. soltavase-lhe a guarda municipal e.²viandar construir alii duas ou três dúzias de bergantins com cascoâ d'oiro.²De maneira que estamos a ver navios ? M. Nada. e a Deusa dos Mares. .²Aqui . . DAS EMBAKGAÇÕES. . Finalmente. Nomear almirantes da esquadra. quando o gentio passasse. SCEXA IV Oí^ aiac^snos* iiBíitâi^tro «!a rcEiiação acoiiipaiiljado do c*a|t3t. E se n<)s subíssemos ao zimbório da Estrela. . . (JuiCHOTK. . D.²E isso exactamente o que eu não vejo ! D. Oci CHUTE. Estabelecer uma escola naval de rouxinóis. . D.²E se nós debelássemos os rebeldes mandando-lhes ler aquela ultimo relatório que você fez ! .²Lá isso é. não ha dúvida. o Antunes apitava.

fazemo-lo visconde? . 50 bilhetes a cruzado cada um. e pidso livre !. Aqui tem você o bem conhecido Pimpão. D. o Jónatas dos tempos modernos: naa és tu que nadas como os peixes. Nem precisa carvão.²Menos para navegar. j. DA REINAÇÃO.co a VV. (8ae e volta JorfOj trazendo xim navio jyequenino com rodas.²lllustrc Boytou. Repito: isto que acpii vê serve para tudo. ²isto serve para tudo. são três vinténs no vapor do Burna^'. M.²Isto serve para tudo. pn. Já foi arcebispo de 12i Mitilene . cobre-se com uma redoma. tu és o Asavherus das águas.têm os senhores o capitão Boyton que lhes deseja falar n'um negócio urgente. S. c é um lindo ornamento de sala. já serviu -de nau do Estado. . como eu ia dizendo. QuiCiiOTE.²Está tudo a postos. Quer-se mandar para a outra banda em comissão de serviço? Prendem-se-lhe umas bóias. QuicrioTE ícom enthnsiasmoj .^* tamanha delicadeza. Jáestão passados doze. Boyton.²Agrade. U. ilustre Bovton. iM i>AS EMBARCAÇÕES.²A coisa arranjase ? 123 M. e entrega-se a um homem que o vailá levar. e andamos agora com a ideia de o rifar em vinte mil réis.²Vou apresentar ao ilustre capitão alguns modelos de vasos de guerra feitos no nosso arsenal. Põe-se-lhe uma parelha de nuilas. fA Boyton). DAS EMBARCAÇÕES. n'um discurso que eu fiz na abertura das curtes. E a Parvónia.l dobrou o cabo das Tormentas que fica ali ao pé do Banco Ultramarino. M. fora os emolumentos. mas não posso aceitar. tem a lionra de te oferecer o lugar d'almirante-mor da sua esquadra ! D. . QuiCiiOTE. embrulha-se num papel muito bem embrulhadinho.. quer você ficar com o resto.²Aceite. são os j)eixes que nadam como tu. coloca-se em cima duma mesa. e a Parvónia. Qn CIIOTE (a Sancho àparie). Tira-se-lhe a parelha.²Não me interrompam. DA REINAÇÃO (aparte). olhe que não é mau: ÕOO mil réis.raflo j^or ton harhante). D. e fica uma diligência..

(põe-no na ccdjeca) serve também. quero simplesmente o que ela tem de bom. à primeira vista. Para saber quando anda a roda ! . Mas uma vez que VV. . diria que este navio era de papel ! . (tomando-lhe o peí<o). (desdobra o periódico e l'è). Sc não ouçam: «Amanhã anda a roda. Leve como uma pena ! . M. o Tejo. mais nada. espera os seus fregueses .em condiçõesnáuticas muito superiores às do Pimpão.²0'ferro dos nossos navios é quase tão leve como este! mas ainda assim. Este barco tanto se pode trazer no mar como se pode trazer na cabeça. todos os segredos da arte da guerra. DAS EMBARCAÇÕES.'''* desejam reformar a esquadra parvoneza vou apresentar-lheí o modelo que mais convém para a marinha destepaís. . (Faz cVelle um chajíeo de hicos. Ei-lo! Xào ha dúvida que isto é um navio . Depois de servir de chapéu de transporte assim. . . caixa de correio íí porta. não chegámos ainda a tamanha perfeição!. o feliz cambista Fonseca. QuicnoTE (convicto). Quem como eu não tivesse estudado profundamente. Esta invenção tem ainda uma propriedade extraordinária.²E depois podemos até fazer uma coisa! Que ó mudar a cliapellaria da marinha para o estaleiro do Roxo! BoYTON (triunfante. . ²Vamos dar cabo do gentio? BoYTON.² Com licença. . DA REJNAÇÃO. . i>AS EMB.²E tudo chapa de ferro! 1). M. meus senhores.²Mas não é tudo. tirando-lhe o chapeAi). com mão diurna e nocturna. . Quixote (para o ministro das embarcações). ora imaginem para que? (pausa de todos os circunstantes). 12o BoYTON.^²Navega quatrocentas e três milhas por segundo.²Eu da Parvónia.²E extraordinário! Que resistência de couraça ! DoYTOX.²E engenhosíssimo ! M.VHCAÇÕES (pegando no navio e examinandooj. D. e 'põe-no na cabeça do ministro das embarcações). S. mister é confessá-lo.lioYTON. (mostrando-o em forma de navio) e de fragata de bicos deste modo. (Tira do bolso tim navio feito do Diário de Noticias). meus caros Parvonezes.

».²Pouco mais ou menos. Capitão. Uma coisa. . . DA REINAÇÃO. (toca a campainha. . QuickofeJ. . 120 diz-llic que suo para mim. menos libra. . bem encolhidinhas.. . Quer vosso ir passi ficar os rebeldes com uma frota de 400 galeões. Capitão: vamos ao que importa. Uma arniada de 400 vasos por este modelo não se arranja com menos. percebes?.²Níío. mais libra. . capitão. aparece o continuo. Vossos lembram-se que.²Eu lhe digo. lá O FíinjMo é que elenão leva. metemo-lo a navegar d'entro duma banheira c ficou logo tão estragado que foi preciso mandal-o arranjar de novo em casa do Baltresqui! '^^ BoYTON (para D. que talvez faça algum abatimento. DAS EMBARCAÇÕES. E d'unia cor muito cativa e em lhe caindo um pingo d'água fica logo uma nódoa. D. .²Aceito a proposta. isso é negócio alii para 900 contos de réis. . dum semestre do Diário de Noticias. porquanto ó que ficará ao todo a expedição? 127 BoYTON. para o não chega.²E eu que ainda não estou habilitado ! . quando ele chegou. Cecília Fernandes e seu marido? M. O gentio está sublevado. (Tira uma folha da carteira^ escreve com um lápis grande de carpinteiro. E pegar-lhe já na palavra antes que ele se arrependa. Que material é necessário para uma esquadra de 400 navios como este? BoYTOX (calculando). mantimentos etc.²Pode mesmo levar o Plm]jLio.. .² aparte). D. Quixote (aparte). e entrega ao capitão). M. feitos segundo este modelo no estaleiro de D. quando é à partida? D. ²Imediatamente. D. aqui tem um clieque de 900 contos que irá receber ao ministério da fazenda nas arcas do tliesom'0. petrechos. . etc. Vai-mejá comprar ao Fonseca duas cautelas de doze. QuiciiOTE. etc.²Um ovo por um real! (para Sanclwj em voz baixa) Ora vê tu como(5s fomos comidos da outra vez ! 900 contos custou o Pimpão e não é para se comparar com um monitor de guerra como este ! . artilharia. QuicnoTE. (Declamando). Quixote.²Em suma: material.

M. Hei de indagar onde cila mora para lhe mandar um ramo .²Sim.²E quem nos diz a nós que o capitão nos não sae um grande patife. DAS Embarcações (resoluto). DAS EMBAHCAÇÕES. M. .²Se elas ainda lá estiverem. mas ele fica alii para o pé da Serra da Estrela. . Bom. e que em vez da cabeça do Bonga nos não trará um queijo?. temos nós por conseguinte 39 léguas. DOS p:STRANirAVEis. não é? D. vários pretendentes. .²Parece-me que sim!. ele o Bonga é preto. iM. . DA REINAÇÃO (aparte). . . Quícho^eJ. Capitão: nós dcscjarianíos que em vez da cabeça nos trouxesse o Bonga completo.²És um homem de génio I Palavra de honra. diz que lia qucijos de cabeça de preto! D. DA REINAÇÃO (aparte). .²Meu caro ministro dos Negócios Estrangeiros como vac a política europeia? M. . DAS KMBARCAÇÕÉS fci D. faz 29: de Cabeceiras de Basto à Serra da Estrela contam 10 léguas. Ol'Ciiote. Quixote. . do que eu duvido muito. Boyton. M.ocio^ csfranhavcig* miiiit^fro «Ea» ittjiistíças* mi» nit^fro fia raxenda alheia. D. dentro de 3 dias coinprometto-me u apresentar-lhe a cabeça do Bonga.. hei de lhes trazer o Bonga não só inteiro mas vivo: até avista. (aparte) trago-lhes o Pae Paulino.²Quantas léguas são daqui ao Ultramar? (estajjefacção geral).²Olha líí. DAS EMBARCAÇÕES. . 129 CENA V o» wnoHtnon* ininÍ!!$tro dos nog.²Ora deixa-me ver: (Faqui ao Carregado 10: do Carregado a Leiria 5. <" BoYTOx. D. e um dia do Ultramar para cá.²Indo para a Serra da Estrela não admira.²Perfeitamente. BoYTON.²A(lmira\'cl! ainda Iiontem à noite a vi n'uma frisa em S. faz 15: de Leiria a Cabeceiras de Basto 14.²Muito bem: dia e meio em diligência daqui para o Ultramar.²Um queijo? -M. Carlos.. Quixote. porque é a descer. OL'Chotk. ministro des (losoarriliiamcnloi^ piiltlicoí!). (Sae). eu não estou agora bem certo. M. Ora o ultramar. dessa é que eu não me tinha lembrado! (Para Boyton).

'*" que ha de haver dois meses.²Tenho muita ])eiia em llie dizer que não. e depois veio-me um tifo que me pôsàs portas da morte. IJ. traz um laço ao peito). Quixote. M.²Oh. já lhe mandei fazer. uma cadeira de rodas. para acabar a minha convalescença. Agora graças a Deus vou um poiico melhorzinho. nos DESCARRILHAMENTOS-²Salliu de"là lia de haver uma semana.M. Está gordo como um cevado. porque vossemecê. Daqui a pouco não pode dar um passo. ^-^ . D. que lhe beba melhor.²E que espero minha sogra. cada vez melhor. deve estar por ahi. ² C) que pretende? 1 . DA REINAÇÃO. mas os médicos rccomcndainme todo o cuidado e bom ar: que coma bem. Quixote. Ex. ^D. menos dia. pelo ministério das obras publicas. 9 130 D.²Feliz homem que tem nma sogra a viajar nos caminhos-de-ferro da Parvónia! (Entra o ministro da fani/rhf alheia).²Ora viva! ditosos olhos que o vecm ! Como vai o deficit ? M. de vir pedir aos Srs. . queiram repoltrearse nesses fauteuils e tratemos de dar imia A'ista d'olhos pelas diversas províncias da publica desorganização. ministros o lugar de governador da Serra de Monsanto que está agora vago.²Cada vez melhor. meu caro ministro dos descarrilamentos públicos. (Entra um sujeito com ar doentio. ou do que c que foi.² Saibam W. . QuicnoTE. pc>la sua aparência. OlioIIOTR (a um 2»:rson(i(ji'ii} qtie tntra). OuiGHOTE. mais dia. . DA FAZENDA. não sei se foi duma orelheira com feijões que comi ao jantar. (Sentcmi-se todos). lá isso nada ! . M.de violetas. i»A REINAÇÃO (aparte). e posso garantir-lhe que dentro de três meses. D. . tive uma gástrica. c sobretudo trabalho. tem 131 ainda robustez demasiada para exercer um cargo de natureza tão sedentária.²Meus senhores. Vae eu então lembrei-me. sabe-mo dizer por ventura se jáchegou o comboio do Porto? .° Pretendente.

DA REINAÇÃO.²O seuhores I mas como líci 'de dar de comer a tanta boca ! . ²Está ali fora um senhor que diz que vem buscar Moçambique.²Aquela fortaleza é que me convinha. isso será coisa de muito peso"? kSc é. DA REINAÇÃO (encontrando-0 no cesto dos papéis velhos). senhor.²C) Sancho. OuiCiiOTE. Quixote.1. DA Reinação. D. OuiGiioTE.²Efifectivauiente. aquela fortaleza bem adubada pode dar um resultado magnifico ! O terreno é óptimo. 1. general de brigada 3. fica desde já nomeado para dar o seu parecer sobre as peças que se representaram no teatro de D. etc. nas gavetas. em cima das mesas. não tem artilharia. fazem 7. o lugar que lhe posso dar é o d'almo"xarife das bocas-de-fogo. Qual de vocês me sabe dizer onde está o mapa da Parvónia? (Procuram nas pastas. est.²Não é. (Entra um moço de fretes). 4. eu saberei agradecer a Y. (Sancho segura uma das extremidades . . vou chamar mais alguém. pega d'ahi.²Eu lhe digo: íconfa pelos dedos j O governador. a duas bocas cada um.i-se embora que se lhe arranja o emprego que lhe convém. ]Maria n. M. Como quer coisa de pouco trabalho. .²Meus senhores. S. QuiCiiOTE (desenrolando o mapa). D. 1 . . .²Ah.'' Continuo (anunciando) . serve-me. Criado. OciCíioTE. D. temos nós já 13 bocas.²Cáestáele ! Será bom mandá-la encaixilhar. a minlia batatinha. na serra de Monsanto.º Pretendente Çinnlfo confoife)-²Sim. depois até lá podia semear os meus feijõezinhos. ² E são uiuitas as bocas de fogo ? D. .° PiiETENDENTE. . se lhe convém. mande-o entrar. .í bom: v.²Está bom. (Voltando-se para os colegas).*^ PiiETENDENTE ((itfrrddo). . É pacifica. 3 cirurgiões. M. senão. bem sei. D.²Olhe. . ^'^ . . podemos aparecer no barril do lixo.° Pretendente. 1. olhem que qualquer dia. o capelão. M.

M.²Era a minha vontade ha muito tempo. M.M. você levanta a grimpa?. DAS INJUSTIÇAS (agastado). entregando o resto dentro dumaenvelope ao 'moço de fretes).D. . logo no principio. Aqui tem. Assim é bastante? 131 ' D.²Pois n'esse caso. QuiGiiOTE. Quixote com uma tesoura corta um pequeno pedaço. DA REINAÇÃO. que deixa sobre a mesa. Rua!. você não vê? D. ainda nos fica aqui a Beira-Baixa e um bocado de Trás-os-Montes. M. ora assim é que o (rcfjidro) fica muito bera. que esse levou-o agora aquelesujeito ..² O homem. .²O colega das injustiças. . OlJGItote. .²Preciso do registo todo para acender o meu charuto. c não o perca. ( Sae). tu deste-lhe tudo? D. DAS INJUSTIÇAS. e vocês também não hão-de tardar muito atrás de mim.. ainda c muito. OníCHOTE. . . (Colérico).²Pois mande você em quem quiser. mas lá em mim é que não manda.senhor. DAS INJUSTIÇAS (vai para acender um charuto^ e dá toda a força a um bico de gás que espalha um grande clarão). d'aquém e d'além) sempre é bom riscar o d'além. QuiGHOTE. QuiGHOTE. DAS INJUSTIÇAS (pegcindo no chapéu). modere-me ali aqueleregisto. Criado.²O conselheiro Frota. DA REINAÇÃO. dê só iueia força ao registo que tanta luz faz mal aos olhos. QuicnOTE.²Xào SC vê liada. (Ministro das einharca<^des vae à luz e dá-lhe meia força).²O D. Meia força no registo que mando eu ! . mas é o mesmo. etc. ''‡' . Entregue lá ao seu amo. Ainda é muito.²Sim. aonde se diz: «i?ei de tal e coisas. n'aqucllc ro133 mancc da carta constitucional. D.²Baia! Fique descansado (sae). M. sossega.. .²Ah. Quixote. .²Deixa estar. .. DAS EMBARGAÇUES (diminuindo a luz até que a apaga de todo). que leva coisa de valor. Quixote em voz baixa). . .do mapa e D. M. DA reinação (para D. M. D.. M.

São tantos os comissários que temos mandado à exposição que. M. M. por<]ue embirro com nódoas no fato. . DA reinação. Criado. .. é aqui.° Pretendente. se é hl em baixo no armazém? D. ²Meus senhores: o meu amo o Sr. 2. ²Jásei que é. Qliciiote. eu tenho tanta vontade de ir à exposição que me comprometo a não receber mais de duas libras diárias a por o resto das despesas da miidia algibeira! . 135 2. QuiciiOTE.º Pretendente (aparecendo à porta). . . que tinham cá uma coisa para tne dar. QuiGHOTE.²Os americanos estão ainda nuiito pouco civilizados! Bem se rc que o progresso não chegou ainda aos Estados Unidos ! . ²j\Ieiis senhores I .²Quem temos mais?.²() que? Mas o que quer você estudar ? 2. . . general. ²Isso é para você: ao seu amo jáoferecemos. Ora tome hl vossemecê este penduricalho.. iM. Ora então passem por cá muito bem. D. (saindo). se os puséssemos ao comprido uns adiante dos outros.²Mas meus senhores.²Ora o que? O meio mais perfeito de gastar agradavehiiente 3 libras por dia em G meses a seguir. Xem ao menos sabem aonde se põe umacomenda! (ao criado). .Um criado (entrando).º Pretendente. nãoquis. I). (Tira da gaveta um grandecrachá de folha-de-flandres). Não sei se é aqui.²Sim. general Grant que foi presidente dos Estados Unidos. CuEADO. . chegavam do Terreiro do Paço ao Trocadero ! 2. (Aparte).²Meus caros colegas ! E preciso acabar com isto ! A Parvónia tem õ milhões d'habitantes e pêlo menos 4 milhões 908 mil já estão expostos em Paris. DA REINAÇÃO. Criado (remirando o crachá).²E aqui. disse-me que passasse por aqui.²Sim senhor: eu hl entregarei ao Sr..° Pretendente. scit bruto.²Meus senhores: desejo imenso ir à exposição de Paris e não tenho dinheiro. DA REINAÇÃO. senhor^ fico sabendo!.²E bem bonito! . Vi.. Isso põe-se no peito do casaco. No casaco é que eu a não ponho. quero por conseguinte que o governo me mande hi estudar. DA reinação.

²Bem. a estas horas ! D. e também algumas viúvas. e despaehal-os como papel na alfandega do Porto . .²^lexis olhos divisam maca ! Não é isto uma ilusão? . está-se a divertir! para cpie quer o assobio? . DA ReinatÀ I. Sancho.²Xatiu'almente é o poder judicial ! Outra mais ! .²Está-se a fazer tarde para 137 o jantar. Qltciiote. Agora. . OijICIIute. M. M. Quixote (ao continuo). DOS DESCAURii. Continuo. ² K para apitar quando tiver a felicidade de o encontrar na Rua. .1). . .'"*". mande entrar: mas não todos: (pie encarreguem dois de falarem por eles. (Pretendente sae).. muito obrigado. l).²Muitoobrigado. .ao (assif/uando). Xatuialmente é o poder executivo ! Deus lhe fale n'alma . manda lavrar a portai-ia. DA Reinação ²De sorte inc^ímniodarào mais que os vivos. vem hoje. Pretendente.²Estãoali f()ra alguns mortos que desejam falar a SS. quero ver se não me traz unia lembrança de Paris I . . I»A REINAÇÃO (tambémàjanela. Qlighute (chegando a uma janela.M. DA REiXAÇ. Oltciiute. M. (Entrega-a ao pretendente). ² Mortos! o que desejarrio esses importunos? M. \^à-se embora e traga-me de lá um assobio! Pretendente (aparte).²Õ que lhes parece? mandam-se entrar ? M. 1).²Ainda aqui te136 nlio algumas lavradas de prevenção. naturalmente foi o poder legislativo que estava ontemà noite em perigo de vida. . c estes defuntos se liãocle vir amanha. ² Coitado! ele é tão modesto que <í inqiossivel deixar de lhe fizer a vontade ! Duas libras! Ora que luizeria ! . Ex. Exa ^ Olhe já me lembrei de trazer alii duas ou três dúzias do cortes de seda. coitado ! Ainda outra. Ah ! já sei.iiAMENTOS. M.\o.. DAS EMiíAUCArÕES. I).²As ordens de V.²Jáseiquemsão. .² Ora. . . . Sancho Paio?.. DA reina(.

... . Quixote.. 138 M. ² O Matos. fa um galego que surge à porta).i boxa xenlioria que mora ao pé do Entroncamento'.. Ol'ICIIOT&. 0.²Xaiba boxa xenhoria que foi o Matos.²Quem os matou? quem os matou?. Ol'IGHOTk. . usa bigode e pêra?. é preciso um exemplo teiTÍvel. D.²E a miiilia opinião desde a semana passada. QuíCiíOTe (para o galego. (continuo saej..²Sr. DA REINAÇÃO. polícia. E alto. (Um polícia aparece). Quixote. Galego. Quem é que vera n'essas macas '? Galego. . Ot^'iciiOTE. que aquela mania d'introduzir nos nossos caminhos-de-ferro rails de cortiça ainda havia de produzir alguma desgraça! . Lobo? Galego.²O Antunes. e tragamoaqui a perguntas. (ao continuo) mande-me cáumpolícia. D. D. .²Xe é alto? Ora cxa ! tem um quilómetro .. .. Sr.²Xaiba boxa xenhoria que sào axaxinados ... Quixote.. diga depressa.!. ...²Um quilómetro de comprimento. Polícia. QL-if-iiOTE. Galego.. . . clama-me toda a guarda municipal e as reservas!.²]\[as xaiba 1)oxa xenlioria que o Sr.'' que tamanho d'assassino ! Sancho.²Xada! aqui anda coisa!. Clazofile-me o Matos Miranda nas enxovias do Governo Civil.²Xaiba boxa xenhoria (pie nmn xcnhor: foi o Matos Miranda? D.² Quem é esse Matos Miranda? D. D. Galego. QuiCiiOTií. Xada.²Mas os sinais particulares. que é um barra para descarrilar ! D. ²Você conliccc-o? sabe aonde ele mora? Galego..²Eu bem lhe dizia.²Xaber. > D. que é do Antunes? Aonde é que está o Castelo Branco?. ou baixo. j\rattos não ó imia pessoa ! o senhorMatos ]\Miranda é o kiloinetro 02 dos descarris da Parvónia. ministro dos descarrilamentos públicos.

da febre amarela. Quixote.''^ e 3. seges.]\Ias o amigo c teimoso . cavalos e outros funcionários encarregados de darem . vais ver o que é um decreto catita (ditando).°^Seràaumentado 140 o preço dos bilhetes do caminho de feito para auxiliar a construção dos sobreditos jazidos perpétuos. Recomendar-seha que o coveiro assista sempre ii chegada dos comboios e que não haja a mínima falta de caixões.°²E nomeada uma comissão composta do vomito negro. a tradfecçào livre: O vós que entrais. será lavrada a seguinte tabuleta : «O voi qui intrate. DA REINAÇÃO. e de João Brandão² relator. Atendendoà celeridade das vias da Parvónia. escreve lá tu que tens boa letra. Providencias enérgicas ! Sancho. . sendo substituídos por ciprestes com os seus respectivos galhos e paramentos. e nomeado o Sr. e por baixo.°²Junto de cada estação serácriado um cemitério com o competente pessoal: capelão. õ. .º² É demitido o actual director dos caminhos-de-ferro. Sinto-me inspirado.)^. para estudar os meios convenientes d'aperfeiçoar por tal forma os caminhos-de-ferro . G.. em vez de serem de cortiça. ]S['esses cemitérios haverá três jazigos perpétuos de família. de I . gatos-pingados. e todos os petrechos necessários para comodidade dos defuntos. Lagoia. 4. 139 M. '^^ D. 2. ao bem do publico. fazei testamento).º²Arrancar-se-ão desde já todos os eucaliptos e mais árvores que guarnecem os caminhos de ferro. das 7 pragas do Egipto. cirios. etc.''.. lasciatí ogni esperança. às m'gencias do estado etc. correspondentes aos bilhetes que os defuntos apresentarem no acto de tomar posse. e coisas. 2. As vírgulas mandam-se depois pôr à Academia.²Olhe eu bem preguei que os rails.í cova o corpo dos passageiros. fossem de miolo de sabugo ! . hei por bem decretar: Xo frontíio de todas as estações dos cajninhos de ferro de Parvónia.^ classe. 3. Levantemo-nos à altura^ da catástrofe. . . para quem nfio souber francez.²Bem.

SOENA VI Os mesmos* depois um correio. Qual de vocês sabe ler por cima ? . Foi vista ontemà . que hão de morrer não só os que vêem nele mas até os que ficam ! E um caminho-de-ferro de recochetc I iM. . D. mas vae ver o meu. N. os bilhetes d'ida e volta. DOS riESCABRiLiiAMENTos. . M. Qt^íCiíOTE. DA Reinação. (abrindo um maço e tirando de dentro nm grande rolo de papd de forrar casas). B: íicam suprimidos. Cala-tecoração ! Realmente o meu burro é imi homem de génio ! Ainda hontcin era um burro como qualquer de nós simples. M.²Chega o correio com os despachos. e recva cominovido). Lisboa GU defuntos.da Parvónia. Estamos n'uma crise pavorosa! A ordem periclita ! Salvemos a ordem ! Continuo íannunclondo). íEnfra um correio a cavalo n^ion burro.²Entãocávai. não sei se ainda me recordo .²Hão-depermitir (para os ministros) que eu acrescente ainda um artigo ao funerário decreto que tu ó Quiehote magnânimo acabas de rediírir ! . que saiam de Vila Nova de Gaia 30 passageiros de perfeita saúde e cheguem a . . DA REINAÇÃO. DA REINAÇÃO. 141 D.²Oh.²Eu já sabia tudo isso e muito mais I Pensa talvez que não estou ao facto dos últimos aperfeiçoamentos introduzidos na viação acelerada? Este do Porto para Lisboa não foi feito ]ior mim. QuiGHOTE.²Eu aprendi isso ha muito tempo. moi"taes. Quixote.^Ísào podemos receber hoje mais pretendentes. vamos a ver. que foi feito com todas as condições de mortalidade ! O meu caminho-de-ferro é de tal ordem. em seguida um coro de donzelas D. M. . por inúteis. . para o não estragar. e ei-lojá transformado em cavalo de correio de ministros ! . é melhor pôr-lhe um nota-hene.²^Olha. O Sancho. pega d'ahi. 142 (lendo) «A liyíliM da anarquia ha obra de' duas semauas que levanta o colo. . o meu jumento! o meu querido jumento ! favança para ele.

e um chapéu-de-chuva de 12 varetas. virgens ! (coro. relampejos abrasam os liorisontes caliginosos. não é Campeador? iM. persignamse.meia-noite a tomar capilé na Flíir dos Teatros. descei sobre a fronte deste Campeão.» f). Quixote. Olhe. DA REINAÇÃO. das Províncias! (O cunirarega faz 143 uma trovoada equatorial. (Declamando). pirem-se. (|uando a ordem periclita. . A pedir-vos com seu pranto. impávido. diga lá ao contrai*ega que faça trovões e relâmpagos. DA REINAÇÃO ([jaru as mulheres). a coisaestá preparada? Bem vês que é preciso salvar a pátria I Xào recuemos. Tragamme raios.²Ora vamos a isso. (para o ministro da reinação). . D.²Donzelas ! A ordem periclita. desafia com a dextra os elementos e com a sinistra comprime o coração febricitante. Trémulo dê violinos.. Entra um coro de donzelas lacrimosas). QuiciiOTE. . D. repete).²Xào: parece-me que c Campeão . nciCiiOTE. .M. Olha lá. Está tudo perdido ! Caiuontem Babilónia e c^hiu ha 200 anos o Banco do Ultramar ! A província conspira! Viseuagita-se! abatamos a cabeça ao vulcão da demagogia ! (aparte a uni dos ministros). M.'i minha hidra da anarquia que eu te vou fazer uma sorte de gaiola ! Línguas de fogo descei sobre mim ! sob a h'onte deste outro Cid Cam. e. QlíCiiotk (puxando pelo relógio). Ministros. vão-se embora que não fazem nada cojuelle! Está como luna bixa! (ouve-se ton galo cantando). '^' Anda l. As donzelas da cidade Vêem hoje ó meu senhor.²Aqui está uma dúzia deles. I).. Sancho! Colegas.² Sim. Que abrandeis vosso rigor! . DAS EMBAUCAÇÕES. QuiCiiOTE. eia sus I . Trazia bigode e pêra. cruzam-se raios. .²O meninas. .²Sancho. embrulhados em cobertores. por sinal. depressa que a quero fulminar! . . (Entre(ia-lhe alguns raios de papelão vervielhb). (Põe ciisjx) lia ponta dos raios).. D. o vosso único dever c dar defensores àpátria ! Retirem-se. fracas mulheres? (Coro. cantando no estilo do nBanto António»).. O que pretendeis.

ouves? Os espectadores estão impacientes ! Combinamos o atentado para as sete horas. por 14o que tem a memoria fraca. O regicida não estava ainda muito certo no papel. ou é o galo da vizinha. Quixote. e não temos nada preparado ! Fazemos fiasco.²São 7^ e 10 minutos.» \). O atentado terálugaràs 7 horas da noite.²Tinha previsto tudo. 14i D.²Desgraçados. QciGHOTE (tirando o relógio). Lendo) «Grande atentado.²Olha GW tinha mandado pôr este cartaz nas esquinas (mostra um cartaz.²Ouves Sancho? São os gansos no Capitólio ! A hidra apropinqua-se ! iM. M. o povo impacienta-se ! Arranjaste iis coisas mal. Quixote.²Abaixo a demagogia! ouve-se fora wn rugido de povo. .²Sancho. com a presença das autoridades.I). (Coloca no cartaz uma . D. ou então é a prima-dona de S. DA REINAÇÃO.tira de papel e Ic). Carlos que está a cantar q Barbeiro de tíevillia.²O colega. » (Ruído de povo ao longe). Os MINISTROS. DA REINAÇÃO. «Por incómodo do regicida. Preços os do costume.²Ouves. 0L'!CHOTe. e com autorização superior. que prega na parede. Sancho.²Qual ganso. restam apenas 5 minutos para me preparar. . são sete menos cinco minutos. digo-to eu! M. DA REINAÇÃO. o atentado que devia realizar-seàs 7 horas só pode ter lugaràs 7 e um quarto. QuiciiOTE.²Srio os gansos do Capitólio. Sancho. sabe que mais? não me mace com a hidra! D. no longe). nem meio ganso! Aquilo. e por isso mandei colocar nos cartazes o seguinte contra-amiuncio. Récita única. Sancho ! ^^ M. DA REINAÇÃO. que não sentem as ameaças da demagogia ! . D. Bertoldinho o celebre regicida. no Rocio. Quixote. . acha-se de passagem n'esta cidade aonde darji umsi função extraordinária a pedido de varias famílias. que tanto furor tem feito ultimamente em todas as capitães da Europa e no Peru.

²Salvei a pátria ! D. . bom.²A coisa vae bem. .. D. Bem!. (faz forças' com uma cadeira levantandoa por uma perna à altura da cabeça). Ora deixa ver se mo esqueceu alguma coisa! Cá vac o bruquel. preciso coragem. . dou-a por muito bem empregada! . 10 146 SCEXA VII Sente-se rodar uma carruagem²rugidos de povo. (passeando agitado) preciso força. a hidra é levada de mil demónios. DA REINAÇÃO. . . . (caminhando para a porta). . . Quixote (entra triíimjíhante. Sancho. . DAS EMBARCAÇÕES. E agora <'» hidra.m sobre a mesa). . . M. ^²O Saiiclio. DOS DESCARRILIIAMENTOS. salto de pantera do regicida! . . DA Reinação. M. O meu guarda-chuva? onde é que puseram o meu guarda-chuva ? ! . Que o Senhor dos exércitos seja comigo ! . .Sancho o meu cavalo do batalha ? ! .. . nu eu ou tu ! ! . Sancho. . . (Ouvese rugido de povo^ dando vivas). lá prende o assassino pelos cabelos . cá vão as galochas . M. Qniohote em faoe da Hidra 147 mas perdi uma galocha. . D. . povo a aclama-o e fanfarras tocando o piroUto). DAS EMBARCAÇÕES.²Viva O salvador da pátria e das batatas. Olhem o povo ansioso ! . Ah. desenvolvamos os músculos!. . .²Qual? M. Regicida atravessa a multidão. qual daqueles é que é o regicida? M. . . A tipóia aproxima-se . Deu-lhe um tiro. . não falta nada ! (sae floreando a espada). anda aqui pulse^ir comigo! (pidseia. . . . . cá vac o montante. . M. . regicida mete o dedo no nariz como quem vae tirar uma navalha. . com uma coisa vermelha na cabeça.²O que traz uma vassoura na mão! Calem-se: chegou o momento. em baixo . (voltando atrás indeciso). (Povo fora corresponde). . que lhe acertou na algibeira do colete . de vinte libras. Quixote Icvantase . DA FAZENDA..²Lá vem o tirano! ó af|iiello de bigode e pêra. DA REINAÇÃO (àjaiidla). tipóia parou. . . . . . M. .²E dc barbas grandes. . . . . .

i\Ieus senhores. D. Adeus! ó ricas horas depois da missa. que estás muito suado* ÍD. . se não arranquei a pele ao leão. Ol'ic\íotk. DA REINAÇÃO.²Eu sou o inverno de 1878.² Sempre será bom beber um cacharolete. entram sucessivamente "° O Inverno. e usava chino²a pérfida!. quando eu melancólico e janota me sentava nas cadeiras do Passeio ouvindo as harpas dependuradas . cavilosamente metido no nariz.²Deixa estar. .^^ M. de intensidade: hinos na cena e na*orquestra. que eu não trocaria por um verdadeiro diadema! (põe a cabeleira de j>«?/2«ço n luz eléctrica e a chuva cVoiro redobram. Hércules trazia aos ombros a pele que arrancara ao leão de Xumca. e começa a cair sobre ele uma chuva cVoiro). ² E metcstc-a no governo civil?. (Mostra o cazamo). Qt^iciioTE. ia perpetrar o assassinato. coloca-se no meio da cena..²Cidadues! acabo de salvar a pátria!. Quixote bebe. c de soterrar duma vez para sempre a hidra da demagogia ! Quando a hidra com o dedo regicida. DA REINAÇÃO. e . com os gadanlaos salvadores agarrei-a pela grenha. E o cazacào do Sousa! (pde-n'o aos ombros). Tableau QUADRO VI A cena representa um bosque CENA I Ag» ãfisaíro es(aç«^cs elo aosno representadas por mulheres vestidas a carácter. vai ao trono e tira de lá um imenso casacão com uma gola de peles. (Tira do bolso um chino de palhaço). ha de haver Ii8 três anos. desgraçadamente a hidra era calva. Ei-lo. . eu.meio dia de Janeiro. e eu. à hycii-a da anarquia ! E esta. M.²Músicas retumbem! Povo aclamame. Quixote. Depois disto só me faltava ornar a fronte com este cliinó regicida. . D. .²Não. . . D. aos domingos. arranquei uma... e tu ó JablochoíF ilumina-me! (Um jorro de luz eléctrica hat^-lhe em cheio na fronte pensativa). M. que se poe amanhã um amiuncio no Diário de Noticias! . Nunca mais aquecerei as niinlias mãos enregeladas ao sol claro e benigno duma bcllo. DA REINAÇÃO.

essa estação do sono. Dorme um arcanjo que comeu nas hortas Eirós na grelha. E amanuenses a morrer d 'amor ! . saudades ricas. (senta-se pensativo). Que os arvoredos vem despir no vai. . Eu vou dormir à branca luz do luar. vagueiam tiritando de frio. . Ai. ficam às boticas. . Mais belhi e pura que a gentil Phrinó. lol Chega o inverno.í divinal pelintra. Olha que zanga. A Primavera (recitando) Sou primavera. o Relatório do JSepiãchro c o Noivado do Registo Civil. digam lá. Dos senapisraos que eu lhes fiz gastar. róseairmã da aurora. aonde os meus oito mil irmãos.» '(Senta-se meditabundo) . E n'ella ó bardos de tristeza etérea. . Eu sou o rubro estio. Eu sou o outono. '* Vou partir para o abismoinsondável do Tempo. A Primavera que expirou em flor? Contas na Aline.dos salgueiros entoarei. sào os meses em que os bons burgueses. Gravai-me ó bardos a seguinte leria: «Nestesepulcro aonde às horas mortas. não c? ' loO Eu vou baixar à minha campa fria. Na minha cova hão-de gravar. O Outono. Que calcam no lagar as uvas cor de sol : . (Seiíta-se merencória^ esinrra. . ao soluçar da lira! «Que resta ao anjo. assoa-se e começa a desfolhar uma bonina da encosta).²é nova. Esta inscrição que será posta era breve: «O triste Outono não produz mais soninho Que os relatórios cpie a Parvónia escreve. os oito mil invernos pretéritos. E apesar disso vou morrer agora. uma tipóia a Cintra. Inda que seja sem ortografia. . assoando aos farrapos das nuvens os seus defluxos imortais ! . . O Estio. Pilham à noite sua catarral ! . Fazendo o chilo o menestrel suspira. desferidas pela brisa. no descanso eterno. os meses flalraejantes .

No. Corri mundo infinito e o mundo atr. onde se servem os melhores honhons da divina graça que se fabricam em .Dou as brasas do amor às bocas dos amantes.² E não sentes remorso.²Ora adeus meu amigo! . no demónio! . e fiz economias.iz de mim ! Eu fui desde Belém correndo para Ericeira.prjiticamos neste mundo.ít:\s . daqui a um anuo. em Cintra. O Invkiino. a uma espécie de Baltrcsqui. . no Colete-Encarnado. Lembrem-se que vamos dar contas a Deus das acções que. E fui desde a Figueira à Povoa de Varzim ! No doido turbilhão da minha doida rota Perdi n'uma batota os meus dois mil róisinhos.. E ó ultimo dcào da mitra de Pinhel! Agora desço à cova e desço resignado. IwEH. Recitarei ao piano algumjis poesias.²]Minlias irmãs' fciçnm o acto de contrição. Fui a Cascais. e levo ainda para o tumulo uma madeixa composta dos três últimos cabelos que lhe ornavam a fronte. PuiMAVÉUA. . E se eu voltar de novo. e fui confessar-mo a uma igreja da moda. . mas posso afoitamente dizer que ninguém viveu tanto cm tão pouco tempo. Quando vi que estava chegada a minha ultima hora. Que vida desvairada avida em Matosinhos ! JMinlia curva cxliibi tãolânguida e tão bclla-j Com calças de fianeía. ao Egipto. ioi Joguei o voltarete a seis feijões a entrada . a Espinho. E a Julieta eu dou a voz do rouxinol. bebi o ultimo copo de Champanhe. A 1'RiMAVEitA. Por mim morreu d'anior um delegado ancião. Primavera. . atadas co'um' cordel.. emíim. Passei 15 dias nos Irinàos Uitidos na companhia líricaduma deputado da província. . O Inverno. dei a ultima gargalhada. ² Aivi apenas o inezes.²A calvície c a coroa de loiros com que as vigílias ornamentam a fronte pensativa do legislador e do fdosofo ! A PiUMAVKUA. Gozei o meu bocado. . ²Doze banqueiros illu. a Nazaré.\\l153 liram cVamor por mini ! E então as pândegas no Dafundo. d'essa vida dissipada? .

O Estio. isso é roubado.NO.. Eu que vi a guerra do Oriente no Diário de Noticias. e vãoenforcá-lo outra vez amanha pela manhã.²E se nós depositássemos o testaISo mento na torre do Tombo ou no Banco do Ultramar?. O Estio. recurvados. São menos A Primavera.²(. até do ministério da mariidia rcci'bi um ofício de namoro em verso ! A 1'nniAVERA. (Jlhem. . . mas eles começam assim: 154 Os Delegados que se alteiam belos Puros. "O l. . Aqui ha dois anos recebi de Viseu uma carta em que se me dizia isso mesmo . Se querem que lhes diga. singelos. podia ser vaidosa e. O Inverno. . amor. eu.Paris. O Estio^²M o confessor absolveu-te? A PiuMAVKRA. .²Sempre indiscrições! sempre indiscrições! Então o que direi eu que vi dar o pliiloxera nas vinhas e no parlamento ! Eu que assisti às eleições! que vendi o meu voto quatro vezes. O (Jcto. n'cssé artigo. vivos. .²Cala-tecegarrega! No que as senhoras não podem deixar de estar de acordo ó no seguinte: que vamos mon-er dentro de poucos instantes. e que é necessário entregar a alguém o testamento de nosso pae o ano de 1><7(S.Eu na minha qualidade de Primavera tinha amado muito.NVRKNO.²Absolveu-rae pela mesma razão por que Cristo absolveu a Magdalena./lha l. . que cantaram o Outono. e assisti à guerra do Parnaso no Jornal da Noite !.²Não sei se me lembro. Está no oratório. .²^0 melhor é fazer isso no cartório do tabelião Scholla. O Outono.²Ora adeus!.²Aqui' estou eu que. vê se te lembras '?*Gosto tanto de versos! O OUTONO.í.²Precisamos uma pessoa de confiança. e no concelho de Mortágua. ²Isso é impossível por que foi prezo. .nap sou. . não Contiindo os que me fizeram versos nas duas ]3eiras. A Primavera. . tendo alémdisso a habilidade de nàoisair deputado ! . conheço eu perto de vinte mil na Extremadura. sí) filhos famílias. .

eterna. começam a chamar-rae! Sabem que mais. por que não sei qual é mais do Tombo: se o banco se a torre. DO Capote. Como José do Capote vou-me deitar na minha cama. .²lleconheceume ! não ha remédio senão obedecer. . no Capute. A 1'iuMAVEuA. faz favor duma palavrinha? CENA II A8 minas* «foííié «lo Capoto» depois a SBor te J. José do Capote. . Na Parvónia ha só uma instituição que dê garantias de segurança.²Creiam n'uma coisa. desgraçadas.²Esperem que ele ahi vem (olhando 2Xira a esquerda e chamando) O Sr. agora como particul. .²O so Taborda! .²Ora minhas senhoras. 1)0 Capote. 7 séculos de gloria e . O Estio.²O Sr.²E o poder judicial? O Inverno. J.²É a Carta? O Estio. . . muito boas noites! O Inverno (suiJpH^antcJ. Na Parvónia ha apenas uma coisa duradoira.0 Inverno. ²^Não. tem 7 031)65068 de saragoça. não me macem. . E o José do Capote ! Vozes. . (entrando). José do Capote! por alma de quem tem lá no outro mundo demore-se mais um quarto de hora neste inferno I Faça-nos este obsequio ! . Ex. J. DO l-APuTE (atcrraãof àiviríe).u' aqui estou às ordens de . uma instituição legendaria. O Inverno.O Estio. (Ao Inverno). Esse capote José.²Muito obrigado a VV. . Estou farto de desgostos.²Lá isso de modo nenhum. As senhoras acabam de me ver desempenhar um papel de 200 páginasna «Viagem à roda da Parvónia » 6. J. .²É o arco das Águas-livres ? .º . . .²Não estou para mais maçadas.'^^ mas eu é que ua Parvónia não fico nem mais um instante.²Ah! o José do Capote!. O Inverno. Sabem as senhoras dizer-me por que Rua se vae para o exílio? lo6 O Inverno. uma coisa inviolável. Ha 000 annos que aqui passo o inverno e conheço bastante este país. quando eu ia muito descansadometer-me em vale de lençóis.²O José do Capote para o exílio! Jamais ! .

Eis o testamento. e encarregamos "o Sr.²Olhe. juízes. .²MiiJias meninas toca para o sepulcro que está ali o charàhancs do Lagoia à espera . .. J. Guardas-nocturnos.²A única pena que levamos deste vale de lágrimas c n?io poder tornar a ouvir o José do Capote ! . Recebedores. O Inverno'. para recreio dos presentes e excmlo7 pio dos viiiflouros.«* A Primavera. Ex. Eis doeste mundo a miserávelfarsa! Eu que ontem fui galã. A Morte (aparecendo com a sua fouce).²Adeus. conselheiros. adeus ! (saliem acenando com os lenços). Que não fiz afinal coisa nenhuma! Quantos barões criei nem já me lembro I Mil e oito fiz eu só em Dezembro. generais. posso partir jímanhã pela manhií. .²Vamos já para a eternidade ! .² Coitadas ! No fim de contas pareciam-me boas raparigas ! chegou-me a lágrima ao olho ! . (Um sino dá meia noite). José do Capote de as transmitir à posteridade. . Vamos lá a ver o testamento. nós somos quatro irmãs. Todas. toca para o jazigo de família (bate-lhe com a fouce). porem o demónio das raparigas deinorarani-me tanto que s<). Despachei três mil guardas a cavalo. cónegos. bispos. E obrei milagres de tal gniza em suma. . as 4 Estações. e lemos liontem no Almanaque do Preto que devemos morrer àmeia-noite em ponto<í. Entrega um papel). De direito escrivães. A Primavera (suplicante). . Bocas-de-fogo. . DO Capote (acenando também com o lenço). eis-me comparsa! Em poder excedi Sardanapalo. o que sei eu ! . (Assoase e começa a ler). aguadeiros.VV. "^ Amanuenses sem conta. sG José do Capote. fiscais. depois de tamanhas desilusões queria ir para longe destepaís ingrato.as alturas do poder.. Eu depois que cahi (}. Escrevemos as nossas ultimas disposições. já tinha comprado imi bilhete d'ónibus para o Desterro. Viscondes fiz aos centos e aos milhares^ Ricas parelhas fiz de ricos pares. .²Ao menos deixe-nos estar até àmeia-noite e um quarto ! A Morte.

Não ha no mundo nem um primo meu. eu t'o rogo de mãos postas. Na Boa-Hora. . Mandei erguer de verão pelo Calor. Que a esta hora não soja patriarca. prontos. nossos fundilhos. e isto tão bem. Em cuja carta eu lhe dizia: ² O rio Manda depressa ainda (pie seja um fio Da tua água fresca e transparente. aparelhados. Fiz uma coisaimensamente bclla. Escrevi uma carta ao Alviela. . Macau Por trezentos mil réis:²jánão é mau! Gente enviei da França . E a todos eles. Que ficou toda a gente sem vintém ! . . IGO O Chiado illurnmei cie tal maneira Que o }X)]ieia'nrio pode àcozinheira Seu namoro fazer já como dantes. Eu liz chegar²que extraordinários brilhos ! Nossos fundos. Com seus cavalos e oom seus chinelos. Solor. ollia que ratões ! . Marrocos me enviou ministros belos. Ou cabeça de porco²ou de comarca! Sobrinhos despachei por toda a parte. caso nunca visto. foi o do Can-can. . Eu mandei dar o habito de Cristo ! . Gastando apenas oito eventos contos! Fiz um milagre fantasioso. Pus na caixa de crédito. . pães da pátria. Diz a um galega que te traga às costas! ² Dos dois processos de que falo agora. Timor. Direi apenas em linguagem chan. inédito.^ capital. G dos llecrcios c o da Boa-Hora. esmagador. Que cheguei a arranjar cem deputados. E não podendo tu vir «pessoalmente» Alviela. E a tanto me ajudou o engenho e arte. Que eu próprio disse com os meus botões-. Cem. Lá n'esse Campolide sublimado De licto feito e caso mui pensado. Um grande templo enorme. a cinquenta. Moçâmedes. . isto é. A quarenta. Ollia que gajos. Tal génio eu tive e tive tais cuidados. . lo9 Mas tanta gente e cVuma ordem tal.

e à casa pia! Desde que annos» ha.Que belo que era o^ gás para os -amantes ! E agora ó pobre gás que raes morrer Só já serves para tinta de escrever ! Eu. . tomou-me conta da alimária e não sei o que foi feito dele ! . DO Capote (aparte). quem tal diria. Meus pães eram pobres e não me poderam foi-mar senão ejii cinco 161 íaculdcacles. Desde os bancos. Eu. Ah.tudo achei de pé n'esta nação. raas^ agora o que quero c o meu jumento! Com as maldições da Parvónia bem me arranjo eu. E como conseguiu tal maravilha? ²Crcou um banco e fez-se director!» (Dedamando). uma libi'a.²Eu já vi esta cara. J. Sejam os senhores testemunhas de que cumpri com o meu dever. Dj Capote (desvairado). um lugar d'amanuense? Qualquer coisa me serve?. E fiz tudo cair de trambolhão. CENA III José «Io Capote. causou furor. agora o burro é que eu não dispenso! Aquele diacho do cicerone que me apareceu quando eu cheguei. . Com bcUa ortografia estes dizeres: «Aqui jaz n'esta cova imi bom pandilha: Gozou.²Meu caro senhor. Corapromettime a ler este papel e graças a Deus sai-me muito melhor do que esperava. sei ler e escrever. não me lembro aonde ! J.²O meu fidalgo: não ha por ahi uma pontinha de charuto. .Uendi^o. Mendigo.²O meu burro! Ponhammc já para aqui o jumento.². não sou homem de princípios. . (Ao mendigo). Diga-me uma coisa. Tão patusco. você não o encontrou por ahi? Mendigo (aparte). comeu. meu Deus. mas. Bom. Até ao ministério. burros tenho encontrado tantos aqui por esta Rua por onde vim. bebeu. tão rico e tão magano! Escrevam-me na campa. . (Cicerone disfarçado) Mendigo. não houve um auno. nos Prazeres.²Esta fisionomia não me é estranha. Por que c preciso que se saiba.

. .² Mal imaginas tu aonde elepára. em. Tão burro se mostrou e tão sandeu. . (Ao cicerone). . Em que ministério d'onze varas tu me meteste ! . Mendigo. no Egipto ? . em Cintra. D"acor.darei imediatamente por conta o resto das provindas ultramarinas ! . tu e eu. J. . comeu.²E o mesmo não ha dúvida! E o cicerone que eu encontrei debaixo da arcada no primeiro acto da revista. é o meu buiTO a única coisa que me prende à existência ! Traz-mo e eu te. ó céus. Mendigo. Digo-te mais. é uma roda levada da fortuna ! . . De tal modo. . . De bmTO de Cacilhas oriundo Mudado. remontando-se nos espaços translúcidos: música na orquestra. . .do. 163 Tantos pinotes na Parvónia deu. mas nada disso me consola da perda do meu burro. Eis o burro imortal que aqui neste proscénio Ovante vae subindo. Quando este pano se levante ao fundo. Este homem parece-me o Judeu Errante que eu encontrei aqui ha uns tempos no Terreiro do Paço! li 162 J. comeu. . Mendigo O teu burro preclaro. E eu cjue quando estava nas alturas do poder. DO Capote. andei à tua procura por toda a parte para te despachar fiscahsador-mór das burras do tesouro ! . à gloria! Isto é que foi um burro. DO Capote. isto é que foi um génio. Que agora vamos vê-lo. magnânimo patife ! . as bolhas do sabão sobem e hão-de subir sempre ! . . . amigo meu. àapoteose. e talvez por isso mesmo tu subiste e eu desci ! Convence-te duma coisa. . Nazaré. DO Capote (aparte). . Eu era esperto e tu quase idiota. ao fundo avisia-se o burro cercado de nuvens.²Em Cacilhas. DO Capote (com êxtase). Ali meu caro. .que francamente não lhe posso dizer se algum d'el^ les seria o seu. em burro-mor do mundo ! (Mutação. vem a meus braços. comeu. . J.) J.²Que queres ! perdi-te de vista ! O mundo é assim. (Aparte).

Propõese pelo meu circulo Barros e Cunha. laotissiinos desejam a troco dê todos os com[)romisfos e sacrifícios. A propósito: O coração do povo não é incorruptível. mas encerra um fundo de bondade e de justiça (jue o faz abraçar todas as ideias generosas.não sei senão uma. . Eu conhecia este bom rapaz. ''* Fiixi '5 NOTAS Nota l²Pafj.' Os dois retiram. interrompia logo a conversa e perguntava sobressaltado: ²Não ouviram agora um tiro? ²Nada! Não ouvimos tiro neidium. ponderando o escândalo que seria não chegar a querer de graça. F. alta e baixa. sem alcançar maioria absoluta.²Sucedeu em Pernamljuco uaia grande desgraça. o que tantos. são idóas associadas. E diz da minha parte ao sol com teu focinho Que me mande de lá mais dois metros de orelhas. inscripyOes. moralidade. Eu também. . acabei por dizer. uma quinta-feiraà noite: . e folgava de a contar. direi agora: líanqueiros. e sabia o natural empenho do pae em o levar ao parlamento: sabia de política apenas o necessário para a detestar. actualmente chamado duque de Ávila. Por isso resisti a todas as instancias. 18 Liase outro dia no Diário de Noticias: «Homicídio iiivoluuiario. E icnpiíigia a trágica aiiedocta. A fim eu ser feliz na Parvónia!²Adeusinho. Barão de Alcantarilha e José Figueiredo. de tal desfechou um tiro contra seu próprio cunhado. julgando que atirava a um veado. e alguns se lembram de me propor. lodos bem esperançados. bancos. sem compromisso nem sacriQcio algum. 168 A janoiriíiba trouxe eleições sob o Pôncio Pilatos do progresso. em ella llic ieml)raiiilo. directores de bancos. até que emílm.E o jumento maior de que nos reza a história ! Vae perder-te no Olimpo entre as fulvas centelhas. mas José Figueiredo vence.» Um sujeito que sabia duma tlesgraça sirailhante. contra José Figueiredo. (ju». ²A propósito de liro.

Nós nem sabíamos que tu podias ser eleito disse o 169 povo. previa-o. pobres somos nós todos. quotizandose para beber à saúde do deputado. No domingo imediato. ²Deus fez o mundo em seis dias. parecia-lhes que uma potencia invisível os tinha auxiliado. rompe em justas queixas pela insistência com que apesar das suas advertências era importunado com negócios do Banco em sua própria casa. tu és bom rapaz. vamos-te eleger de graça. ultimo verso: convence-me de que eu nada pedia do Haoco. mas agora que nos dizem que podes ser. E os pobres festejaram a sua própria victoria. antes lhe pru[)orcionava a ele ocasiãode pôrtin pratica o espírito e a letra daquela instituição essencial170 . Assim cahi das nuvens no parlamento. apresenta-me por nome e titulo. saio eleito por cem votos de maioria. tu não tens feito mal. U director lira o semblante e o boné: prova-me que sabia de cor as Flores do Campo. . aceito. onde tinha direito e necessidade de repousar. Já varias vezes o qucbraio tinha solicitado esse favor. e pede-me pelo amor de Deus que o acompanhe a casa duma director do banco. Transporto-me a Lisboa e quebra por esse tempo um negociante meu patrício. nem uma ideia tão aproximada da transfiguração no Tabor. e nós não havemos de ganhar uma eleição em três? dizia eu aos que arrepelandose [tela minha irresolução viam correr um tempo precioso e irreparável. Fomos. Não me surpreendeu. E tinha: era a grande potencia do coração do povo. contra as instruções de Pondo Pilatos. O quebrado. Eu nunca Gz tão alia ideia da dignidade de dc|iutado.Pois se me elegerem. e apesar dos trabalhos acumulados da numerosa e prestigiosa família Mascarenhas. que £ó com certo favor do Banco de Portugal Sf podia salvar. . envolvendo na quebra fortuna e crédito d'u!ii pobre amigo seu muito dedicado. Assombro geral ! Os próprios vencedores custava-lhes reconhecer a sua obra. tu recomendas o outro. debalde. por uma eleição singular. não sabendo que dizer. desde o [primeiro até ao. (que podia ser a coisa mais ordináriadeste mundo). Apenas o directí-n" o avista.

aventurando. por exemplo. Os sábios. 19 Admiremos a reserva do comendador Gil Vaz. ousamos desmenti-lo peremptoriamente. saí nadando em delicias por ter aa mesmo tempo salvado uraa família e penhorado o Banca de Portugal. para deixar a gente²grega. com a sua aucloridade d'oráculos. Aviso aos pretendentes. Quem seria o empenho do feliz candidato? Mistério que morrerá naturalmente com os dois e com o ministro da coroa que assignou o respectivo despacho. não revelando o segredo pronunciado pelo segundo bacharel. chamam-lhe. chymicos e físicos. pur anti-phrase²resulta de uina combinação híbrida entre as einaaações do cano e as da mercearia. V. prevalecendo os elementos «do esgoto. that is the question. os entendesse logo. Gomo se deverá designar esse cheiro particularíssimo?²Eis o problema. que não é sabia.²depois de mortas. cheiro siii generis. . que se alguém devia favores^ era o Banco que mos devia a mim. Mas. que a falecida Margarida Gautliier. Ora. porque também não ha nada como o grego. pode obrigar a desviar da linha recta da justiça um ministro parvoncz. . 21 Parece que o cheiro peculiar e característico de Lisboa² cheiro.mente patriótica e buraana. João de Deus. se nós entendêssemos o (]ue eles dizem. Outras vezes. Nota 2²Pag. se em vez de cheiro empyreumoíico. Nesta certeza. ?dizem que o cheiro é empyreumatic-o. Se porventura algum espírito maligno faz suposições temerosas. os mesmos sábios. Livre-me entretanto Deus de pensar que um secretário de Estado na Parvónia obedeça a outros ditames que não sejam os da sua consciência. quando se vêem atrapalhados para exprimir o cheiro d 'alguma substância. ao ouvido do primeiro. 171 Xota 3~Pacj. G. porque não ha nada como o latim para dar aos sábios um tom de autoridade infalível. os sábios dissessem apenas ² cheiro a queimado² é natural que toda a gente. diverso dos cheiros conhecidos. Esta história parece-me um justo comentário à frase que Gil Vaz me encarrega de anotar. Na í*parvónia as mulheres galantes nunca tiveram influencia nos negócios» públicos. união não haveria .

Seriam. conforme o testemunho do bardo inglês. não sei se augusto. . pela simples observação de que. Em 70 annos não se pode exigir maior adiantamento àcivilização de um povo. eu votaria que se lhe clamasse unicamente ² cheiro de Lisboa. é certo. Recomendo-oànossa douta Academia. e voltando ao cheiro que faz o objecto desta nota. Lord Byron. Ramalho nas Farpas. Contudo. apesar de que o dito cheiro me parece antes² muito para lamentar. guardando o dito substantivo. e dedicou-lhes. é raríssimo o ver por essas Ruas os seguintes utensílios domésticos: banheiras e bidés. da hipocrisia do lisboeta contemporâneo. Não ha ménage lisboeta sem ura ou mais ferros de engomar. em compensação. Tinham a velha sinceridade' portuguesa. uma estrofe agradecida. quando os taxou de imundos. usando a camisa suja. e. nem do cheiro de Lisboa.º"* comendadorGil Vaz. Aqueles não se lavavam.iie que se dá o luxo de mandar varrer as Ruas. mas não eram hipócritas. pois. mas também se não lavam. iSão acontece o mesmo aos netos. ha 70 annos. e sem trocadilhos de mau gosto. eu declaro que aceito. a designação que lhe deu o ex. abundam os ferros de engomar. . j] verda. claro está que deixaria por isso mesmo de haver sábios ² o que seria uma grande desgraça. O lisboeta de hoje guarda as conveniências. não havendo ignorantes.is pias. de cheiro pouco parlamentar. 173 O cheiro de Lisboa é assumpto que dá para uma monografia em muitos volumes. porque tem graça. . em casa n. . o substantivo de Cambronne. l-lu acrescento que. e aceito a. ostentam camisas deslumbrantes d'alvuras. . e. que teve ocasião de a apreciar na sua passagem entre nós. fiara eles. nos canos da cidade. mas também tinham a franqueza de o mostrar claramente. não se esqueceu d'ella. 172 Já não floresce na Parvónia essa livre instituição nacional chamada Água vae. como já provou irrefutavelmente o Sr. Deixando. do fundo da Grécia. no tocante ao asseio individual. O ferro de engomar é o símbolo. fora d'ella. Eu acho que o satânico poeta do Childc-Harold foi sobremaneira injusto para nossos avós.ignorantes. O lisboeta do tempo de Byron não se pejava de que o estrangeiro o visse deitar pi la janela fora. Os netos. na sua gloria os sábios. nas inúmeras mudanças de casa a que procede duas vezes por ano a população da capital. porem.

não se importa de a ter limpa: É gente imunda. tamanho como o -Serapis ou maior ainda! um grande B. » E o B chegou. encher-lhe os dois ventres. Divaga triste.. Depressa. unhiirt. (Dorme. Que faz ao longe tão brilhante vista. eiií^ordalo. 174 Nota 4²Pag. Though shtnt vitli E(|Tpl'splagiie. 'Mid many things that grieve-bolh iiose and ee. Disconsolate will wander up and down. um desalmadíssimo B. That sheening far. ó visões da minha Inglaterra: ó batatas da minha GrãBretanha: vinde a mim e. .comendadorGil Vaz. Pelos modos era cor de rato. um B nunca visto.. que me encha o coração em trevas. nnkempt. fora de poilas. celestial seems to be. depressa o B* ² a sliijicndous and ominous B. que excedem talvez o espaço que para elas me foi oferecido pelo Sr. que eu visito. por especial obsequio aos patriotas lusos. Mas sua alteza não olhava a dinheiro. A questão era possuí-lo.» Feuxando Leal. um B formídando. que recollieis meus reais suspiros. ajudai-me a suportar o enorme peso do meu tédio e da minha nostalgia. For hut and palace show like filthily: The dingy denizens are rear'd in dirt. Eu quero uma lembrança ! ó ministros. D. um estupendo B. ó sonhos do meu trono. para fechar estas desleixadas linhas. Parvonez que vista Camisa. No personage of high or mean degree Doth care for cleanness of surtoiít or shirt. e uma versão d'ella. exclamara n'um Ímpeto de saudade e de enternecimento : ²«Ó céus de Portugal. matreiro e custava dez libras. mas levanta a grimpa.E. roffash'(l. metter- . ó solidões. que fiz livremente como sabia e podia : «But whoso entereth within th is town. ó gentes do poder. passeianilo ha dois annos o seu spleen pelas clássicas terras do Sr. dou em seguida. a estância de Byron a que atrásaludi. vendo a sujidade Que oíTendtí a cada [)asso o olfacto e a visla. Afonso Henriques de gloriosa memoria e encontrandose por acaso. ó fâmulos.» «Mas quem entrar na occidental cidade. 21 Conta-se que sua alteza o príncipe de Gales. Choça 6 palácio mostram igualdade ^ Na porcaria. procurai depressa ! firocurae-me um IB« umB grande.

lhe alguma palha no estômago e levá-lo de[iois aos seus queridos ingleses. macilento e de poucas palhas na barriga. não lhe falta boa vontade de ser agradável 176 aos Srs. mais conspícua. eu ! que trago comigo Ixiiladeiras encantadoras e tigres r rozes. exclamando ainda com orgulho e majestade: «Eu ! que tive a meus pés rnjahs opulentos e príncipes orgulhosos. «Olhai-o e vereis que ele é bizarro. eu lambem lenho um B. impetuosos. que a referida tuba perdoe ao contrito e já assaz pateado comendador. eu. o maganão. -» Soube-se alfim {que ratice !J que o tal B. Vem agora o Judeu Errante Júnior. suspirou lânguida: «Tti vaes partir sem que talvez o pranto. . . empregando a chave de oiro Giial da acolhida lisonjeira a que tem jus. 22 Pode ser que o comendador Gil Vaz não lenha imitado condignamente o etlylo de gala da mais terna. hoje deplora. E válá um burro llar-se na amisado de um príncipe! . . JVofa 6²Pag. G. 26 ‡ . . magro. mostrou que. atento a que o desventurado. um B que me 17o custou dez libras (ten poundsj e que é a mais notável ¼expressão de um povo que adoro. e pensativo como os mais insignes pensadores. V. mais autorizada. e mais sensata tuba da opinião parvomza. Xota 5²Pag. de um povo. Só a pátria. alarmada. que presenciei as [>haniasticas iluminações do Ganges e os miríficos j<»í. e. como os mais bizarros Bdalgos. «Olhai-o. chamando Canoro épico a Luiz de Camões.'os de luz do Elefante. M.» E os urras estrugiram os ares²violentos. a falta cometida. que venero. era nem mais nem menos que um pequeno jerico de Cintra. e alTirma-nos ter comprado em leilão o animal. Se incorreu n'císepeccado. . olhai-o e saudade-T. vulcânicos.4GALHÃES Lima. cuja perdão país ainda. chefes de repartição e outras pessoas graves que prezam este apuro de linguagem e estes extremos de cortesia devidos a um cavalheiro apreciável como o foi inegavelmente o autor dos Lusíadas.

mas por isso mesmo que é tudo e mais alguma coisa. a recitação entre nós é tudo. a calva luzidia e aguda do Sr. um bandido que se te apresentasse com a figura monumental do Sr. da nossa política. dos nossos bancos²se aceitasses um faia. a voz sonora e valente do Sr. prefiro o que souber recitar ao piano. os mesmos trémulos vibrantes se vae parar a regiões tão diametralmente opostas ! 177 Mfra questão iVaconipanliamento. ou melhor. Barros e Cunha. Sim querido amigo. E que seria de nós. Aquele conduz à Rocha tarpeia do Limoeiro com escala pela Boa Hora. no teu relatório menos extraordinário que muitos que conhecemos editados pela folha oficial. a pêra levemente retorcida do Sr. as faz gemer sob a delicada pressão dos seus finos dedos esguios? Não. o farto bigode do Sr. por um lado a nt-fasta influência da pérfida guitarra. dize-meoque seria d'isto tudo. aíTirmo-o. por outro o doce o meifio auxilio do [)ianno. E para o meu marque/ de Pombal. das nossas iiisliiuigões. aquilo que em Lisboa a representa. Carrilho. da nossa pátria. que lesse escrevesse e contasse como quabjuer mestre-escola d'aldôa? Dize-me. mil vezes não. t^osta e Silva.Querido Gil Vaz. Nas estreitas e tortuosas Ruas d'Alfama reina o ditoso fado. para o marquês de Pombal que necessito. da nossa sociedade União e Capricho. não basta. franzina. a sintetiza²O bairro Alfama e a Baixa²porque de resto Oh ! sociedade raffiné ! tu és neste meio de faias bandurristas e burgueseslíricos a modesta e ignorada violeta:²não falemos em ti. Estas levam directamente ao Capitólio. é necessário marcar-lhe restrições. Na baixa imperam as Flores d'alma. definirlhe as procedências. das nossas colónias. const-lbeiro Nazan-tli. a sua unha crescida. dirás. ha lacunas importantes que causariam a desgraça eterna de qualquer comendador de Cristo de carne e osso que ousasse perfilhá-las. o que . às cadeiras da governação. com as mesmas notas dolentes. Ora vê tu como partindo da mesma origem. Então imaginas tu por acaso que aqueles que tem o longo tirocínio da guitarra. Manuel Tribuno dAssunifição. emudecem porventura diante das brancas teclas d*uin piano. juro-o até se quiseres Gil Vaz. das nossas finanças. Senão examinemos a sociedade portuguesa. quando uma mão pálida. Não basta.

de que tanto as Sés como os montados produzem idênticos resultados em face da balança.seria de nós? De nós que segundo a exfiressâo. Presidente do Conselho estamos ha já 30 annos no cairel do abismo! . vendo perfeitamente a grande necessidade que a nossa pátria tem d'uin reformador. é a aspiração comum de todos os políticos da Parvónia. . oficiais de repartição e amanuenses. 42 Esta sopa é uma especialidade do Restaurante da Marinha. ainda a não pôde digerir completamente. quando dispõem de 300 libras para comprar votos. elegem-se eles dt-putados² vendendo-se depois ao governo por metade do preço. Bernardo Pinheiro. V. E é por isto que tu (iil Vaz. do Sr. Offerecel-a aos eleitores é abusar da sua inocência. Xota 8²Pag. 31 A ialenção do autor da Viagem à roda da Parvónia. sábios e ignorantes. parece concluir-se d'£íhi que entre um burro e tão digno tribunal não ha incompatibilidade de maior importância. Srs. 12 178 Nota 7²Pag. A exclamação do Judeu Errante justiGca-se pois em vista d'esta crença arreigada na opinião dos cépticos da Parvónia. 38 Na Parvónia os galopins eleitorais nem sempre teema abnegação deste. E demasiadamente forte e só estômagos robustos a podem suportar sem inconveniente. enviando a repousar no reniaiiço do tribunal de contas. Um eleitor desiludido e roubado. No Tribunal de Contas jazem conselheiros. 37 O canonicato e a bolota são por igual considerados entre nós como frutos d'engorda. Nota O²Pag. que não merecia decerto mais do que outras um Ião lancinanteepigrama. . textual. Não podem concorrer. G. G. 179 Nota 10²Pag. V. de juízo atilado e porte digno. deverias ter acrescentado ao trecho que tenho a honra de anotar as seguintes linhas: Os que recitarem à guitarra estão por este facto fora das condições. O primeiro habitante da Parvónia que provou a sopa Zambeziana em Dezembro de 1878. d'orelhas mínimas e de orelhas grandes. . Na maioria dos casos. em personagem Ião francamente classiQcailo no reino animal. não foi lançar um vitupério sobre aquela digna repartição. mas como por outro lado aquela serena mansão.

Além d'esta vantagem. recitar à lua um poema de dor. votam por um candidato e às vezes pelo outro. nem nas plateias dos teatros a fazer a corte às nossas namoradas. V. lançar na urna o seu voto. por uma escada de seda. pode irritar o sistema constitucional e digestivo se não houver cuidado com ela. acompanhado pela faladamúsica das esferas. ao piano. no dia do renhido combate. O seu aspecto era deselegante. sem aproveitarem do vinho de nenhum.e ninguém prevê se a sua compleição acabará por ceder ao peso que traz no estômago. Hoje. Aparecia depois da meia-noite. Nota 11²Pag. G. Nota 12²Pag. à falta da valsa dos dois mundos. mas para ir. não para trepar. escrever e contar. Era incapaz de prestar um serviço àpátria que o aturara uma vida inteira dando-lhe muitas vezes um talher àmesa do orçamento e a farda de cavaleiro 6dalgo. o 4'spectro saiu da sua obscuridade e terá todas as regalias de cidadão que paga décima e sabe ler. graças à influencia de vários galopins. V. na maioria dos casos. misteriosamente. absorto como um maníaco. 48 O espectro antigamente. porem. 46 Os mortos da Parvónia gozam. vera envolto na sua modesta e no seu lençol branco. habilitados com o curso completo de eleições. sem consciência e sem rarne²que são dois enormes pesadelos. ao balcão duma mulher bela. G. tinha a insignificante missão de fazer chorar as crianças e de alimentar as ton terias dos supersticiosos. de primeira intuição para quem conheça a estratégia do sufrágio. de braços abertos como que pretendendo abraçar o espaço e arrastando umas cadeias de ferro como ura forçado das galés. fazer proclamar o deputado ministerial ou o . conhecido n'uma pequena roda e estávamos certos de que não o mcontrariainos no Restauram 180 Club a comer meio bafe. fúnebre como ura cipreste. da regalia de se acharem receraseados e de poderem votar livremente nos círculos aonde por ventura a luta eleitoral corra mais acesa. Tanto a sopa que leva Zambézia como a que leva lagosta ou colorau. Continua a receber pelo correio as listas dos candidatos e. Vivia. esguio como um romântico. apenas.

No adro achei homens mal-encarados e mais mal lavados . ridicularizada como um charlatão. este período do Relatório do comendador Gil Vaz. . cabe-lhes «somente salvar a que estiver mais arriscada. DE Moura Cabr. São privilegio dos recenseamentos eleitorais C. ISada de indiscrições.^l. 182 Nota 13²Pag. A liberdade de voto. como tlbristo nas mãos dos judeus. Teve razão. em que a consciência nacional envergue os trajos de cloivn e venha à praça trabalhar conforme lhe pagarem. que o voto dos mortos veio aprimorar. Não é progressista. essa generosa carta d 'alforria. cheia de escrúpulos e. apedrejada como um hydropbobo. constituinte ou regenerador. . dumainsuportável poseuse. entretanto. o espectro começou a figurar nos cadernos do recenseamento e a prestar o[itiinos serviço. .... não . a Gamara Municipal e a Junta do Distrito. Vamos. . O que então se elegia não eram deputados.deputado (la oposição segundo o que apresentar²melhor prograinma? não:²melhor vinho. vou mandar fazer um adjectivo para te lançar aos pés a minha admiração. com sorrisos «amizade. A sua influencia é notável desde que se compreendeu que a seriedade. Assisti àcena. mais duvidosa.passa dumapretensiosa ridícula. Que o diga. Desde que a seriedade passou a andar espetada nas baionetas da chacota. abraços febris e moedas <le cinco tostões. apupada. não no teatro porque lá não fui n'essa ruidosa noute da Parvónia. isto é. Ô progresso. não 181 tem corpolítica. mas coisa que o vale. O público quando viu aparecer em cena. Com espectros ninguém brinca. portanto. entre nós. sem ser necessário apelar para as próprias declarações parlamentares. (orou e não gostou. incapaz de continuar no exercício das suas funçõesnestes tempos de loucura. 49 Garanto como testemunha de vista. tem aqui toda a fisionomiaduma dança grotesca. fazendo a digestão com a nossa palavrosa blague até novo espectáculo. Tinha ido para ver como era aquela coisa. Um Espectro. mas no recinto de uma Igreja do Porto.. É recebido com todas as honras. a sua única inimiga. pastéis de bacalhau.

Este: Qual é da Gamara ? ²O eleitor virando-lhe as costas cora enfado e náuseas de ambas as espécies: Eu sei láquais é ! 0. ríspido. Xota 14²Pag. por causa ! O sacristão. duas listas. Ali ao pé havia uma casa onde se ia comer carneiro assado com molho de vinho verde. Era um formigueiro de. M. Escarranchados nos homltros do animal. «Grande terra!" exclamou ele' ao confrontar o aspecto da cidade com o da sua aldeola. A Memoria do Terreiro do Paço absorveu-lhe por longo tempo o olhar extático. cigarro ao canto da boca. Quem vinha montado no corpo eleitoral não era o Judeu Errante. e cuja história vos vou contar. os braços do Sentieiro amparavam-no contra a turba. Com um ar petulante de cidadão bêbado o eleitor passou das mão? do Sentieiro às do presidente. no alto. fora o vinho. O burro que eu vi votar não era o da Par^^onia. Era utna formosa manhã. 52 Cedo virá o dia em que as botas recebam também a consagração publica e sejam elevadas ao pantheoQ das celebridades. ríspido. ríspido e da oposição. Viu-se pela primeira vez em plena cida(b' de Ulisses. Esse deputado que se queixa dos calos é talvez um conhecido vosso. Ahi se vendiam os botos. E então um pensamento lhe atravessou o cérebro: ser grande. Chegou a Lisboa ha meses. também furava no meio da gente. Regulavam por dois mil réis. Passavam listras. eram os fortes braços do Sentieiro. trabalhava. . que entrou na igreja resmungando a cambalear. . eleitores era volta da 183 Mesa e o presidente. em vez d'irem parar aos barris do lixo. os cabelos em pastas sobre os olhos.ainda. era um cidadão bêbado como um cacho. Pois julgam que a bota não tem influência directa nos destinos das nações? Enganam-se meus senhores. à surrelfa. o primeiro homem do Porto para eleições. Tinham o olhar avinhado. cé fácil provai -o . Era pelo governo. coxo e gago. fazer . e debaixo do braço bengalas de cana com castão de marfim. Dentro da igreja presidia àcoisa um bacharel importante. havia ditos e chalaças. Havia ali um cheiro penetrante a vinho e a homem .

^tar. Foi para uma hospedaria. O rapaz omle é o mellior sapateiro ?» E ei-lo atii vae até ao Manuel Lourenço escolher um par (Ih bolas dt^ primeira qualidade. para uma galeria de S. mudou de fato. D'ahi a Ires dias abriu-se o parlamento. essa eterna fonte de galhofa e de alegria? Ali encostado ao parapeito de oleado esgarçado. Disse. já fico conhecido pelos pés. narcisou-se um pouco e só quando 18i ia para calçar as botas é que reconheceu a saliência dos tornozelos I <'\l preciso (iisfarçir isto para não parecer [iroviíiciaiio.» Um dia na câmara encheu-se de indignação contra o discurso de um director geral da fazenda e julgando-se no iheatro começou a patear violentamente. dizendo para os colegas do lado: i<Hic mores hominum corrigu) itu7\» A aura da sorte bafejava-o e as suas moções eram sempre aprovadas na generalidade.me Victor. através do qual passa a crina do recheio²o que é uma mina de . Jay. Os calos linham-lhe aumentado. arrumou a bagagem. mas ao pé de um triumplio o que importa um calo ! Tem corrido muitas sessões e graças a estas botas beneméritas. nós aspiramos boje a ()lenos polmões o arda liberdade I Gil Vaz travou relações com este cavalheiro e é a cUe que se referem as palavras que commeiítamos. Resla-nos a^'ora fazer um apelo aos corações patrióticos: Que as botas deste pae da pátria sejam obtidas por sub-^cripção nacional e dependuradas no alto da câmara dos senhores deputados para perpetuarem às gerações vindouras a memoria dos nossos triunfos f>parlamentares. Mãos à obra. é certo. dizia ele consigo. não foi espairecer o mau humor e desopilar o Qgado. uma tarde de Janeiro quando anda no ar uma melancolia vaga. «Bom sinal. música o vivorio. Isto há-de con. Bento. tornar-se celebre. [umisou. 52 Quem é que um dia n'uma tarde chuvosa e triste. e talvez um dia me recebam lá na terra com foguetes. todos os olhares dos colegas se voltaram para elas. almoçou. ver a representação nacional. 185 Nota lò²Pag. As sua^ botas novas ran-íiam com um som particular: quando entrou.figura.

com as pernas erguidas. É esta a fisionomia do nosso parlamento. as mãos metidas no cós das calças. que assistem à sessão. que ficam sendo [lara lodos como uns misteriosos hieróglifos² falados. e outros estão muito recostados nas suas cadeiras. quando com meia dúzia d'amigos se fuma o ultimo charuto do dia e se contaiu as anedotas galantes e as observações picarescas. e os discursos têm. ou no meio dos arrebatamentos dos seus raptos oratórios. finalmente. que nunca calçou luvas. com um sinal expressivo. que Offerecem os deputados ao país que os contempla? Ninguém ocupa o seu lugar e ninguém escuta o orador. o colete meio desabotoado. de carteiras que batem ao cerraiem-se. a este à vontade. confirma-o exuberantemente. como as que se tomam n'uma sala duma cenlc depois das duas da madrugada. levando a mão toda aberta àboca. ha pouco sucedido com ura dos representantes do povo. de paletot de panno piloto. o peitilho amarrotailo. Alguns deputados pacatos e ordeiros fazem tranquillaraente a sua correspondência. li o nosso deputado ura dos mais gárrulos borradores da Gamara. Depois. a gravata à banda. coçando nervosamente a cabeça² começa a expectorar frases tremebundas. de cadeiras que se arrastam. é uma realidade. O deputado ao pedir a palavra. é uma retórica de fato feito comprado em algibebe. é uma retórica de chinelos. de broiichilicos que tossem. A nossa retórica parlamentar é uma retórica deshabillé.²quem é que não tem visto o espectáculo desordenado. metendo o polegar entre os lábios. Um facto perfeitamente autêntico. levanta-se e acena para o continuo. que se usa no Collete encarnado. ca[)richoso. n'uma posição tão familiar. A esta 186 desenvoltura. de friorentos que aquecem os pés ao calor do fogão. de turbulentos que berram² e dos secretários que entoam ifuma malopèa somiiolenla umas leitoras. forrado de castorina ² ura paletot da Ribeira Velha² um pouco aberto. os joelhos à altura da boca. como os deputados. de grupos que palestram. é uma retórica. A influencia da toilette sobre a eloquência não é uma fantasia.distracções para os lábios das praças de pret. acusações virulentas. corresponde uma eloquência também de joelhos àboca. Ha umwuido constante de portas que se aiirein que se fecham. ealem .

como quem não vê nem ouve o que em roda de si se passa. n'uraa altitude de extasis. Afinal soube-se a causa daquela transformação-^ eram as luvas² eram as traiçoeiras. as pérfidas. que arrombando as carteiras. Bento sentou-se na sua cadeira. esmagadores. olhando sempre para as mãos. nenhum revolucionário. 6 nem estrondeou os ares com as suas apóstrofes clamorosas. uma ao lado da outra. não escarrou. O Sr. apreciado escritor e poeta. Causou pasmo esta altitude: todos lhe perguntavam o que tinha² se lhe fizera mal algum guisado dos Irmãos Unidos. Carlos Lobo d'Ávila. procura simplesmente os Srs. sem saber onde as havia de metter. com os receios de quem tem um crime a esconder e a altivez de quem quer patentear uma gloria imortal. se linha saudades da terra. se lhe subira à cabeça a música da Aida. Pois bem ! uma d'eslas manhãs o nosso homem por um d'estes singulares caprichos da imaginação. Em S. já não tinha nos grossos lábios carnudos o palito do ai-. moço. as pernas conservavam-se modestamente. lanto das suas opiniões como do seu bíceps. produzirão mais efeito do que Pavia i88 entrando de quépi na cabeça e a espada em punho em pleno congresso espanhol. nem esborrachou a carteira com os seus gestos. elas. se se lhe secara a garganta² ou enfim se algum imprudente lhe viera falar n'esse monstro horrendo² a civilidade? E o homem a tudo dizia² não ² acenando melancolicamente com a cabeça. dá-nos nas suas graciosas . as de cor d'amêndoa torrada! Portanto. 187 n'umas luvas de pelica que o lojista a muito custo lá ajustou e abotoou. Se eles enirarem um dia pela câmara dentro. nem interrompeu os oradores com as suas frases plebeias. querido país. adirmam o vigor. com um pacote de luvas debaixo do braço. entrou n'um luveiro e envergou as suas fones mãos vermelhas e cabeludas. fazendo horas para ir para a câmara. não procures nenhum político.dos seus discursos atroadores. Xota 16²Pag. e os pés pacatamente apoiados no chão. se queres morigerar o teu parlamento. nenhum poder do estado. Luiz d'Araújo. Õ3 O equivoco deste deputado é desculpável. Baron e Ferrier. ao mesmo tempo. E ahi vae o nosso homem pelos Paulistas abaixo. são celebres os seus apartes em oitava alta e os seus murros atbelelicos. ao passear pelo Chiado.

naquele doloroso transe. não tiveram mão era si. com soluços aíílictivos. muito arreados. Doroteia. . ²E Jesus. Deram em chorar um grande choro amargo. cora saca a tiracolo e paletot cor de pombo lançado às costas com as mangas perdidas. com a pena atrás da orelha. . Km vez duma epigrama de mau gosto ba pois uma pequenina sátira. que haviam de guiar seis cavalos possantes. ora D. G. inofensiva e justa. meu Pae do céu I²exclamava o abade aflito²sosseguem. 3 na almofada (ia boleia e G na imperial do tejadilho²estava quase a partir. deputado!²exclamou o caixeiro da companhia. desatou n'uma tal . adeus. O doutor abraçou-as. que estava à porta da estação. A Igreja venceu mais uma vez. E ora alentava D. naquela separação angustiosa. que lhe repuxasse a cabeleira. As manas do doutor. minhas senhoras! O mano há-de voltar. tinham vindo ao bota-fora. mana Doroteia. flanqueado de dois. e despediu-se dos amigos. com uma coleira de guizos. que era atreita a achaque de nervos. a mais velha das manas.trovas os Lusíadas do século xix. bera trajado. abadesrechonchudos e triumpbanles de patriotismo. no facto de se atribuir ao aulbor das Intrigas no Bairro um verso de Camões. As duas senhoras. 54 A diligência²daquelas enormes diligências do Minho. Felícia. O cocheiro. aos abraços. já no seu lo^ar ajeitavaas rédeas duplas. que comportam 18 passageiros dentro. que foi mister a intervenção do Padre Ignacio para os separar. que lhe passava debaixo do queixo. e disse-lhes a tremer: ²Adeus. abraçadas no doutor Simplício. O doutor Simplícioencaminhava-setrémulo de coro189 moção. Nota 17²Pag. com tal força. para dar ordem de partida. E ao desembocar da Rua das Gaivotas apareceu então o deputado Simplício. Antes de poisar o pé no estribo anediou circunspectamente a barba cerrada. e acaudilhado por uma horda de eleitores entusiastas. ^'era um nem outro tem por tanto razão de se achar offetidido. como uma presilha. Quando a diligência partiu. uma barba nacional. Enião !. ²Ahi chega o Sr. V. mana Felícia. duas honestas solteironas de papeira penugenta e olhos bugalhudos.

o deputado parrana. A m:i!ula de frites. ao amanho da sua casa. Deixem-na chorar! E flato. perdido naquele bulício. que tinha de ir salvar a pátria exaltando-a ao pináculo da celebridade com o seu verbo inspirador. Felícia arrancou três arrotos do intimo esófago e desandou para casa com o coração alanceado. ‡O deputado atlante havia de alçapremar a autonomia. é! Então que querem ? É mana ! . Os deputados da oposição teriam de pasmar da sua eloquência. Na capital ²onde nunca Simplício fora² deparava-selhe o Fórum. Bento. pudor! Chegou. E. A tentadora segredou-Ibe qualquer palavra provocante. havia ele de voltar à sua aldeia. 190 D. A representação nacional²digam as sátiras o que disserem²custa muita lágrima de senhoras honestas. ²Isso é flato²explicava ello às pessoas. ao observar o doutor achaparrado. que fazia dó. S' guiu-o até àhospedaria com chufas e assobios. a vaguear pelas Ruas de maior transito. quando viu aquele José do . com chapelinho desabado e saias sofraldadas. . saiuà noite de casa.berreira e estrebuchamento. e desatou às gargalhadas. O abade interveio ainda. 191 Depois de entrada tão auspiciosa o deputado Simplício. que arrebata nas suas presas um cágado de charneca. Pelo menos. O que seria da pátria sem esta artilharia de odres ! Enquanto as manas se encaminhavam para casa. Apeou lesto e p^l‡s^uroso. O sufrágio faz-se à custa de vinte costaneiras e ao som timpânico de outros tantos arrotos histéricos. no cárneo escandecido tumultuavam-lhe os discursos de* Cícero e de Demóstenes. Ia atordoado ! Ao passar no Lar^zo do ílocio. como condor audaz. Vejam que honestidade e que inocência se perdia ali ! Aquela doce vestal de Kíbadojo ia macular as suas vestes cândidas na chafurda de S. . endireitou com ele uma graciosa rapariga. Pro. seguia por entre aqueles cerrados pinheirais do Minho a diligência em que viajava Simplício. se acaso o governo não atendesse às suas queixas e reclamações. que acudiam em torno d'(lla. A multidão das galerias ouvi-lo-iaatónita. à rabiça do arado<como um Cíncinatus do século xix. onde ia forrageando a oratória selecta e rederaplora.

Voltaire consolou Graisset. . e estão muito arriscados a que este pretor os mande justiçar. Quem quer troçar não vae para os teatros. como a de Graisset está pura do pecadoteatral. porque a alma deles. o deputado Simplício² vejam que devasso!² principiou a manifestar a sua assistência ali. porque a circum192 estância de haver posto em cena na boca de alguns personagens alguns bons ditos não era razão suíTiciente para que ele. pelos pés ! Ah! Simplício! ab ! Simplório! Nunca as mãos te doam. mas não incorreram no desagrado divino. que assistia da sua cadeira ao espectáculo. . incorreram evidentemente no desagrado literário do Sr. ano as galerias de S. D. é preciso tHrmos'o . julgasse ter consumado essa obra dos demónios chamada uma peça. Portjue o Ginásio Dão é um lugar de troça. E o deputado Simplício. Nesse.vga. A esfera legal da troça é S. vae para as câmaras. pela obra que Ozerara representar no Ginásio. erguer trémulo a bengala. Bento não tiveram cócegas. cora o alfange do Sr. mostrando-lhe que a obra da sua mocidade inexperiente o não levaria tão directamente como ele receava às pena? do inferno. Graisset. Luiz da Câmara. Como troça o publico paleou a Viagem à roda da Parvónia. com o sorriso dos justos. comendadorGil Vaz! Alueuto Br. D. eles fizeram apenas uma troça. e pa(eou-a merecidamente. . V Nota 18²Peg. mas as plateias do Ginásio e o Príncipe Real riram e choraram quando os autores da Parvónia ressuscitaram o deputado Simplício. n'esse ponto estão inocentes. ainda que amarelamente.Egipto de cbiuó. Luiz da Gamara suspenso sobre suas cabeças. Eles não fizeram uma peça. e responder irado e rouco: ²Isto é uma Babilónia ! . Bento.oõ Quando no século passado Graisset pedia a Deus Nosso Senhor que lhe perdoasse o ler incorrido no desagrado da misericórdia divina escrevendo peças de Ihealro. Para sermos patuscos até o ponto de pormos a chacota em mangas de camisa e de lhe darmos sopapos no ventre é preciso acharmo-nos habilitados para esse fim pelas leis do reino. e sobre o patíbulo. eles podem sorrir. O temor do inferno não deve atribular os seus derradeiros momentos. . Os autores da Viagem ú roda da Parvónia.

. Se és 13 194 tiabilaiite da capital e vives na abastança vaes para Cascais ou para Pedrouços. os mariscos. Era geral a decência. Bento de dia e troça no Ginásio à noite 6 troça de mais para as forças parlamentares e representativas do país. as saladas. Mas. Percorri todos os lugares. 193 Além disso os autores da Viagem à roda da Parvónia furam irreverentes e aleivosos com uma instituição pura. E d( pois. vaes com a família para as praias. Nota l!j²P(uj. onde fui comprar as minhas ervilhas. é caluniar os mercados. examinei detidamente a caça. e se os teus haveres não consentem que te alargues muito. as frutas. em uma certa época do ano. eu não sei porque lu te não hás-de de lavar. Mas em tudo isto andas contrafeito. O aspecto daa??embléa era perfeitamente digno e respeitável.e em todo o congresso nem uma só figura de retórica feriu os meus ouvidos. e que pela boca da urna os mesmos regedores nos tenham dito: Ide c sede videcentes! Troça em S. na verdade. limitas-te simplesmente a ir à barca. Refiro-meà praça da Figueira. n'essa digna praça. mas sim a couve lombarda. Eu ainda esta manhã lá estive. Braamcamp o que se discutia. que para os próprios senhores deputados liavia sido até lioje inviolável e sagrada. Caminhas para o banho como quem caminha para o patíbulo. Fontes nem a capacidade do Sr. E via-se bem pela cordura dos interlocutores que Dão era a honra do Sr. e todavia é certo que tu te não lavas. meu caro indígena. o banho de mar tão aconselhado na medicina não é por forma alguma um banho de lavagem. Às vezes. acossado pelo teu reumatismo ou pelo amor impertinente de tuas filhas.mandato dos povos. Ram. Õ7 O parvonez viu n'eslas palavras uma alusão ao seu proverbial horror pela água e indignou-se. é preciso estarmos autorizados pelo sufrágio dos regedores. Dir-se-ia que naquele recinto se não estava legislando. e ninguém me descompôs.\liio Ortigão. as capoeiras. A gentil dama . Dizer ao publico e à posteridade ² Está aberta a praça da Figueira² e abrir em seguida uma sessão do parlamento é infamar a praça da Figueira.

57 O chocalho é um instrumento demasiadamente rústico para um parlamento. No Ginásio. E o que fazes tu meu caro parvonez em todo o resto do atino i* Deixas campear por toda a parte com um império que horroriza as mil doenças que se repastam na imundície. 58 O deputado Simplício quando bradava cheio deentusiasmo: «Vae n'essa porca a honra da nação. Silva Ramos. e assim tu quase chegaria. estas exclamações foram .^ a desconhecer a pneumonia que não pequeno contingente dá no correr do ano para o banquete dos vermes. provaste que necessitavas simplesmente de um duche.parvoneza ao recolher do oceano não é precisamente a Vénus saída das espumas. Nota 21²Pag. V. G. mas uma chryslalisação disforme de clilorureto de sódio com alguns limos na base. quando a opinião se indigna ouse constipa. 58 lestas vozes d'oriiiiario só se ouvem na Parvónia no seio da representação nacional. mas. Sabia que em face de uma porca²ainda que seja cRua. não ha na Parvónia resistências que não se vençam. Ò Parvónia onde estão as tuas termas? Onde os teus estabelecimentos balneários? Não os possuis? recorre para as tuas abluções ao chafariz. lava-te.» servia-se apenas de um grunhido oratório com que pretendia comover a sensibilidade da câmara. Abi onde ha menos água é que ella melhor se dá. na memorável noite da representação da peça. não querendo que te conduzissem ao chafariz na pessoa do teu i9ò representante Simplício. Enfurecendo-te contra as palavras de Gil Vaz. por exemplo. (1. Se eu tivesse tempo. havia de ex[>licar-ie como as doenças produzidas pelas rápidas variações de temperatura ou pela mudança repentina de um meio para outro podem ser evitadas pelo uso quotidiano dos banhos frios. V. mas que se compreende n'uma representação nacional que muitas opiniões insuspeitas játêm chegado a considerar demasiadamente rústica para um chocalho. Nota 22²Pag. ao tanque. Nota 20²Pag. parvonez aníigo. ó uma bela flor que tu acaricias em teus braços e que não necessita de rega. por Deus. O tifo.

Faltava-lhe a palavra. ajudar à missa cantada nos domingos e ouvir de tempos a tempos as prelecções 197 do Sr. e deixando em casa a esbracejar com gritos e flatos histéricos um bando de tias solteironas. parava um pouco.tão bem emitidas que dir-se-iam feitas pela soberania popular e não por aniniaes escriturados expressamente para lai fim. acompanhadas ao cravo e à guitarrinha. uns robustos braços de aldeão. Nota 24²Pag. V. sem nitidez e sem unção ? Ele curvava-se um pouco.. beberricava a pequenos goles. que ainda cantavam. enxugava os lábios no linho Onissimo do seu lenço. Õ8 Acusa muita gente o parlamento da Parvónia d'abusar deste direito que Ibe confere o regimento. Os braços de Simplício. 59 Simplício tinha o grande pressentimento da influência da água no parlamentarismo da Parvónia: «²A palavra pôde retirar-ma. G. Fora disso ressona. de pulsos vermelhos. pegava delicadamente no copo. G. Simplício foi para um seminário estudar latim. fazendo pequeninos gestos com as mãos. em cujos dedos os brilhantes duma anel punham cintilações miudinhas. O copo-d¶água era para ele uma tradição. iS'estas frases ha um brado eloquentíssimo de dor e uma conquista notável para a retórica. fortemente apertados nos punhos estreitos. e mais do que isto:²uma crença. Não é tanto assim. toda bondosa. . E ao lado uma taça d'água. O parlamento só grunhe em ocasião d'excitação partidária. É que Simplício via n'ella a redempção do seu país pelo discurso e a excelênciadeste pelas libações do protoxido d'hidrogénio. V. ao bispo? O gesto ficava incompleto? Os textos da Bíblia sabiam gaguejados. 196 Nota 2S²Pafj. que dizia as suas conferencias e conselhos cotn sorrisos e palavras melífluas. bispo² uma pessoa alta. Senão vejamos. abraçam com amor a velha taça da câmara dos deputados na Parvónia. a água nunca!» clama Simplício em alta grita. . . E Simplício tinha razão. e a palavra sabia corrente. as trovas melancólicas das Mareias e dos Cupidos. Um dia Simplício saiu de casa n'uma manhã. o gesto docemente desempenado. cavalgando um macho que partiu n'um chouto capaz de despegar as costelas do arcabouço humano mais bem construído.

com dinheiro de menos e mariolice de mais. de mártir do Calvário. E Simplício notou ainda que nas falias eleitorais do parodio²um façanhudo galopim²a água era uma parte obrigada. assado. Lá estava o copo-d¶água ! K Simplício notou que era ele o grande salvador das situações dilhceis. sabiam um non plus ultra de trica e patifaria. frito. Notou ainda Simplício que o Sr. os actos de licenciado na grande sala dos capelos.InQuencia da taça! I Simplício acabou os preparatórios e matriculou-se em direito na Universidade. foi administrador 198 e ganhou as eleições de parceria com o morgado. Tirou os seus diplomas que rezavamduma ncminé e uma distinção em Direito Romano. Ainda a taça ! Simplício foi também advogado. e ouviu discursos. Defendeu cora grandes períodos cheios de misericórdia. as Iheses. e que levavam 20 votos à urna. guisado. foi um Calixto Elói da Queda dum anjo. ia-o enchendo com água. acompanhados pelo copo. e que os discursos do mestre-escola. 11 Simplício bacharelou-se. e sempre a água ! IV Finalmente um dia Simplício saiu deputado pelo governo. feito cm maionese por aquele parvoniense. teve foguetes e música. dois assassinos que tinham sido seus regedores. Presenciou os doutoramentos. sob os olhares ferozes dos reis da Parvónia. uma espécie de vírgula que separava os argumentos pró dos argumentos contra. o abade e o mestre de primeiras letras. Simplício notou que aprumando o corpo. cosido. Assistiu ao latira silabado dos discursos da abertura das aulas e distribuição dos prémios. se conseguiam grandes efeitos persuasivos. atirando os braços e os berros com grande força de convicção. depois de . bebendo de tempo a tempo uns goles d¶água com um ar vagaroso e cheio de dignidade. que o cavalo branco de Napoleão. partiu para Lisboa. de apóstrofes lamurientas aos jurados. A água. ^'eiu para a sua aldeia. e ao som triumphantc duma charanga de serpenlões e cornetins. ministro da fazenda ao passo que aliviava de números o estômago. pertencente agora aos discursos d'ura deputado da província. prestou juramento à Carta.

Kin certa época. e que nas gloriosas estreias parlamentares dos deputados da maioria a capital da Parvónia ² terra pobre d'água. viu e tirou conclusões. figura agradável e conhecer as cinco parles do discurso. V.199 adubado a gotas. bebeu. E preciso mais que ludo e sempre ² o copo-d¶água ! . o reclame não se faz só nas colunas dosjornais ou nas esquinas das Ruas. por exemplo. deputados: para ser orador na Parvónia. grande homem. querias tu dizer: ó Srs. Somente foi impotente contra o deficit. É necessário não só ter mais votos mas também mais regedores que o seu antaiíonisla. aliás apregoado como uma maravilha pilo Writo burocrático dos Carrilhos do país. Um dia sentiu a gloria fazer-lhe cócegas na ponta da língua. A água gastava-se nos discursos do parlamento. quis ser orador. Lembrou-se de José Estevão. ÒO U espíritofaccioso das oposições na Parvónia. V. produzia na câmara tempestades de apoiados e bravos de admiração. daquele liquido. G. mas rica de procissões² corria perigo de morrer à stkle. Nota 21)²Pag. A insinuaçãocai todavia por terra se considerarmos que para violar uma^ urna não é bastante uma chave: d'or200 dinario estes arrombamentos fizera-se por meio d-ura administrador do concelho e ura presidente de nieza. barafustou. voz sonora. Borges de Figueiredo e o seu compêndio de oratória! ]S"essas palavras.ma. Simplício ouviu. tomou apontamentos. a água nunca!» O Simplício. V. faz-se também nas sessões parlamentares aonde de ordinário sae muito mais barato. G. 4oda a fortuna do xarope peitoral de Jantes proveio dele ler assento no parlamento. não basta ter peito forte. . JSfota 2õ²Pcifj. gritou.m. costuma às \e2es assacar calúnias ú\'A\i natureza ao governo. que grande verdade tu descobriste ! Foste maior que Quintiliano. Simplício agarra-se à taça e brada: «a palavra poue retirar. G. d'Ali'Oi. quisfalar. 01 Para tducidação do texto cumpre explicar que na Parvónia a circunstância de ter mais votos não é suficiente para um candidato se considerar eleito. venceste o Sr. Nota 27²Pag.lOíK . 03 Na Parvónia. Pediu a palavra. e quando o presidente quis parar os rios daquela eloquência.M..

ignora-se por querazão.º'" Amigo. todo o desleixo e toda a ignorância que em suas forças cabe para a melhor multifilicaçâo do insecto dainniiibo. 64 Ex. entende-se com todos em geral. ihic atire a prirruira pedra o que ainda não virou a casaca: São aspalavras textuais do evangelho constitucional da Parvónia. Só n'uma dada circurastancia se é inabalável e firme.²Sou de V. Mostra-nos a sua salyra o Parlamento em busca dos meios de melhor multiplicar o filoxera.²por que enfim não se pode também exigir do Sr. diz na sua Viagem à roda da Parvónia parecem-me tão inteiramente exactas que é da mellior vontade que lhe envio para um tal Relatório o documento que me pede. ou proibir a entrada de vinhas que os trouxessem de fora. Só n'uraa dada situa(. Ora eu posso dar testemunho de que os go\eriios. Pois meu caro amigo.ão se não vira: ²é quando se usa fraque. ainda livres da protegida praga. Ha 8 annos que se sabe da existência do phyjldxera no vale do Douro. consultado eu como especialista no assumpto tenho a responder-lhe que é exactamente o que em Portugal se tem feito. e os Presidentes das grandes comissões toem empregado (oda a incúria. não se entende com um político era espacial. 04 Este epigrama. como vê. Ministro das Obras Publicas e do Sr.²A maior parte das coisas que V. aos nossos altos funcionários para promover a multiplicação dos terríveis insectos. Jaime Batalha Reis. V. estabelecer morada nas províncias. Só não a compreende quem não tiver lido o Diáriooficiai . Nota 30²Pag. -201 Nota 20²Pag.Pag. Pouco mais resta fazer.Nota 28 . e ainda hoje as plantas do Douro viajam livremente por todo o país conservando nos poderes públicos a doce esperança de que o bicho se digne emOm. 67 Esta forma de julgar o filoxera é toda parvoneza. por ora. Duraiite esses 8 aniios evitou-se com todo o cuidado estudar os pbylloxeias em Portugal. etc. um dia ou outro. os Conselheiros Directores Gerais. Dire202 clor Geral do Comercio e Industria que vão requestar amorosamente os pbylloxeras poedeiras. (1. ou ensaiar os meios de os destruir. a bavt l-o.

. em sessão secreta. o debate realiza. chegou a ofender o pudor da musa inspiradora d'alguns amanuenses que assistiam à recita. A referida musa não deixou pois de o estigmatizar devidamente por meio d'algumas botas e n'algumas locais que davam conta da recita em eslylo ainda mais pelintra do que o próprio Parnaso em questão. outro dos grandes recursos de que a sabedoria dos povos e dos governos nos momentos extremos lança mão para esconjurar os flagelos. sempre benévolo. Com dois tropos e uma caldeira d'agua benta resolvemse na Parvónia todos os problemas.Yo^rt 32²Pag. 73 O Parnaso do tbcatro do Ginásio na primeira noite da representação da Parvónia. Xota 31²Pag. O filoxera tem até hoje nas nossas regiões vinhateiras sotTrido uma tenaz perseguição de frases e não está naturalmente longe de ser também combatido com preces. Nota 33²Pag. voluntariamente. G. contra as determinações expressas do regioiento. pelo estado da lona que o constituía. compulsar a legislação e observar as instituições da Parvónia. intervir n'esle ponto da discussão. V. G. 00 « Este insecticida é regularmente servido na Parvónia uma vez por semana aos representantes do povo. 203 Para que as galerias não tentem. . V. V. não aguarde a intimação. ao trabalho a que o governo o pretenda coagir tielos meios administrativos e judiciais ao seu alcance.aonde o bixo é de quando em quando apostrofado por este teor. G V. 72 O autor tendo sempre em atenção os processos da moderna escola naturalista. Xota 34²Pag. 08 lia toda a esperança de que o [ibilloxera. quis que a sua peça fosse copiada ao vivo da câmara palpitante. procedendo antes disso. Só depois d'isto é que a gente pode dizer em consciência²que patuscada Deus do céu ! G. Para se compreender bem o delírio indígena é preciso ler os orçamentos .se aos cálices.

duma 204 calhegoria realmente inferior. de tectos altos aparentando a solidez das construçõesbabilónicas c para o fundo do qual dá ingresso uma larga escadaria por onde os devotos escorregam até à bateria de cascos inGleirados ao longo das paredes como canhões de quarenta almudes desafiando todas as virtudes teologais era geral e a da temperança em especial. entra silencioso. Raras vezes ali dá ingresso "a gente de má nota. quem a não conhece? Só quem não for português.. a taberna mais popular. G. bebei e dormi. mais lírica e mais nacional da Parvónia. \í um armazém espaçoso. no gozo da carta do conseitio² com as honras e as rações correspondentes ao cargo. Xota 3õ²Pag. Em esplendor é um pouco somenos. O diletante do termo ou de GoUares. pode. V. o que é realmente humilhante para um animal que vê tantos colegas. Londres.²a um recanto uma pequenina câmaramisteriosa como santuário privado das libações ocultas ² eis o aspecto geral do templo.G. com uma porta para cada Rua²a fim de salvar as retiradas. depõe uma moeda de cobre sobre o balcão recebe do locandeiro um copo que emborcaduma . convicto. O Quintão comunicando duas das principaisRuas da capital da Parvónia. 76 Quem não conhece o Quintão. e ao mesmo tempo 20o abrir caminho do mundo dos desenganos para o mundo dos decilitros. Nota 36 ² Pag. Querem dizer: ² Enlrae. 75 O Pégaso na Parvónia está sempre ao serviço das colónias² na qualidade de correio. do que a passagem GeollVoy ou a Boiington árcade de. Os coixões que forram a antessala são como uraa legenda. considerar-se como uma d'essas passagens que hoje são o encanto da moderna Paris. amplo. talvez. mas em todo o caso na Parvónia é única. O aspecto do Qumtão é pacato. sereno. com a vantagem de dar sabida dumaRua para a outra. ou não se interessar pelas coisas pátrias! Um armazém lajeado com as paredes forradas de colchões. V. não tiver o mandato dos povos.

na Parvónia. eraquanto os representantes do povo parvonez. lia uma grande loquacidade meridional. a polícia e as criadas. nos polícias e nas inocências da nossa boa terra. escritos na língua do país. d'ordinário é segundo olHciai ou chefe de repartição. V. obrigando o Judeu Errante a dizer que utn colega lhe tinha falado nas câmaras no Quintão não cometeu sacrilégio porque mereça a indignação dos seus conterrâneos. e que em vez de trazer um astro. e sae gravemente pela porta do fundo²entrando quase sempre outra vez pela da frente. Nota 30²Pag. Nota 37²Fafe. G. O Quintão é uma instituição que se conserva pura. traga uma pena atrás da orelha. O grande merecimento da Viagem à roda da Parvónia é este: o seu humorismo é a história contemporânea do país. Todas são palavrosas²não ha Inocência sem retórica . Gil Vaz. Nota 38²Pag. aonde aprendia a amar o vício ornado de coitpleís. não é d'admirar que. no espaço compreendido entre duas colheitas. da criada e da políciaindígena cifrase n'isto²namorar. . pelo grande laço do amor da janela abaixo. é uma síntese histórica.4r. và no ónibus do Ratto. V. não têmsinal algum nos lampos pelo qual nos dêem a conhecer a qualidade d'ideias que contêm.\. . contada a largos mas profundos traços. Em todo o caso a sonolência antes de frequentar os modernos romances da escola realista já frequentava as operetas dTlíTenbach. Os seus cascos tem logo no tampo marcada a giz a quantidade de litros que encerram.trago. Pelo Quintão desliza no decurso do ano. \l tudo isto se prende²a inocência. 81 Isto não é simplesmente um bon-mol. em vez d'ir para a secretaria no carro do Sol. toda a galeria de tipos da Parvónia. RUY DA Cam. existem vários livros místicos muito mais perigosos do que o 206 Primo Basílio. E por isso que a maior parte das vezes enganam a freguesia. G. 79 Na Parvónia. A história da Inocência. 70 Como Apolo. dá um estalo com a língua no céu-da-boca.

as reformas e expedientes progressistas e progressivos que o segundo tinha adoptado. necessidade provada pelo crescimento constante da divida publica durante as sabias gerências dos homens eminentemente instruídos nas ciênciasmatemáticas que têmocupado a cadeira de ministro da fazenda em todas as épocas do sapientíssimoregímen monárquico constitucional ([ue felizmente nos rege. acrescendo que o progressista tem. 85 Effecti vãmente para resolver a crise financeira com que lutamos ha tantos annos. As flores de laranja. Nota 40²Pacj. A polícia. (Juando d'esles dois prazeres pode rea207 lisar um²namorar da janela^. ordena e desenvolve. Embora os apitos prudentes dos burguesesgorjeiem nas vielas ante as navaibas inevitáveis de Lisboa nocturna. quando pod(?r. sendo a sua função conservadora só. enquanto que a função do partido progressista é progredir. a criada não deixa a janela debaixo da qual os homens de fita azul e branca no braço. bebem sequiosos e apaixonados as palavras d'amor e a agua das biqueiras. O primeiro conserva. Gervásio Lobato. a falta absoluta do conhecimento de contabilidade. Nos regímenes representativos e constitucionais puros todo o movimentocivilizador da sociedade depende da 208 existência de dois partidos²conservador e progressista. a criada e a Inocência vivem do coração e do namoro. não pode fazer retrogradar e anular o que encontrou. falia e ama²são quase as suas únicas ocupações. A pbrase de Gil Vaz é uma página profundamente verdadeira da vida parvonesa. é necessário possuir entre as qualidades negativas que deve ter lodo o ministro português. sem mentir ao seu programa e perder a popularidade. eslà nas suas sete quintas. de sorte que. caminhar em progressão. ²os quaistêmfunçõesdistintas no raachinismo administrativo e político. os terçados e os tachos de cozinha são sacrificados muitas vezes a este grande prazer indígena. embora as vozes do comandorouquejem nas goelas esganiçadas das donas de casa impacientes. D'esta teoria do movimento constitucional se conclue que nenhum partido pode. desfazer o que o outro fez. conforme . A polícia então.de «secretário dos amantes» e relentos apanhados na janela da travessa.

e aparecendo o deficit em virtude das perturbações revolucionarias. não ha partidos que se digam conservadores. de pôr os elementos sociais.\lho. O único remédio possível seria pois chamar para a pasta da fazenda quem não tivesse a mais pequena noção de calculo. são todos progressistas. que chegara a aspeçada. Miguel trocasse a espingarda pela charwia e pelo arado. Um dos inúmeros convencionados de Évora Monte. como. não só. não se desenvol209 vem as industrias próprias. porque a espingarda ficou como um troféu em poder dos vencedores. Coelho de Carva. porem. Não se pode dizer que o defensor de D. internacionais e agrícolas. uma anedota. Simplício tem razão. é que veio a ser um dos criados mais cuidadosos e trabalhadores duma rico lavrador do lugar. pela ignorância dos nossos grandes homens c pelas circunstânciasinternacionais. . depois de muitos cnncs de activo serviço. chamado aos conselhos da coroa. A vida do campo é sadia e enche-nos de vigor. o crescimento progressivo dá-se unicamente na divida publica. Apliquemos o sistemaà questão financeira. terminada a guerra civil voltou à aldeia natal. A propósito. um partido não pode matal-o mas até o outro tem de o aumentar. Mas. o que é lacto. Na Parvónia. ri'um livro onde o seu desenho tivesse melhor cabimento. noi-a apresente em traços vigorosos de mestre.aos seus principies. Isto é elementar. como o espírito poderoso e invencivelmente artístico do autor do Fr. que encontrou quando. provando-se o aforismo económico ² uma nação é tanto mais prospera quanto mais deve. Sendo impossível a vida moderna sem o crédito. Garrett esqueceuse d'ella nas Viagens na minha terra e tarde virá quem. 8õ A escola parvoneza do b-a-ba fugiu a burra. é uma das maiores curiosidades e ao mesmo tempo uma das maiores calamidades deste século de luzes. de sorte que a progressão do desenvolvimento político-social é continua. porem. já na antiguidade Régulo e Cincinato pensavam d'esla maneira. Nota 41²Pag. ‡ ii'uma progressão cuja razão se acha tomando a média do movimento realizado até a esse momento. consequente e tem a sua compensação no aumento das fontes de receita. equilibrando-se o deve e ha de haver. Luiz de Sousa.

Quando o Mclhodo João de Deus. nem mesmo nas obras do Sr. baixinho. o. Mas ditongo. E o antigo campeão da legitimidade exclamou em voz alta e como que possuídoduma grande tristeza intima: ²Ditongo? Isso nunca o meu amo. qual mais absurdo. vogal. por mais que lhe explicassem.e triuraphal. de que o aspeçada fora digno filho.Cristóvão chegou a ser. Lá vogal. Duma vez entrou dentro da modesta saleta onde o cura ia iniciando os pequenitos naquela obra suavíssima: terminava a lição das vogais e passava-se aos ditongos. o projirio Castilho que tanto a peito tomou a causa da Instrução Popular ensinava as vogais com simplicidades ingénuas. apenas nos textos sânscritos conhecemos essa especialidade. ia acompanhar à residência da aldeia os netos radiosos e alegres do abastado lavrador que o acolhera no seu lar amigo e consolador. mais de três pelo menos. quase mentalmente: ²Ditongo ! Este facto sintetiza a escola parvoneza. a obra mais altamente revolucionaria da nossa idade. não compreendia. Ora ha que tempo isso lá vae ! E todos me perguntavam: o Sr. E vão sempre caladinhos Quando carapuça tem. A carapuça era o circunflexo: w e í com acentocircunflexo. como esta: 211 ' A. i. vozeiam. ditongo? E apesar de nos seus tempos de rapaz ter aprendido a ler. lendo os nomes ² . foi ele por muitos annos. Quando em cima o pau lhes vem. atraví>ssou todo o 14 210 reino umarápida marcha gloriosa . e. o Sr. o antigo convencionado de Évora Monte. retirado já do mais activo serviço dos campos. lêem irracionalmente. Castilho se encontra. . não prestava atenção e repelia consigo. voga! está em casa? Tudo era o Sr. u. De quantos lêem sabido d'ella. Toda a boa vontade se quebra de encontro aos sistemas de leitura. qual mais incompreensível. . Ao cabo de seis annos saia-se da escola.

a explorar exactamente o que lá não ha talvez com abundância. V. Casimiro. quebrando bancos. maravilhoso e milagroso até para muitos que não acreditam em milagres. paleando. como ha pouco dizia nos seus versos épicos e sempre gloriosos um dos maiores poetas do nosso tempo e um dos amigos mais Íntimos de Gil Vaz. a Viagem da Parvónia. João de Deus e o chefe do partido que estiver na oposição. viver em boa paz com ella. 86 O estado manteve sempre inalterável o preceito de não exigir exame d'instrução primaria para o cargo de conselheiro. Oxalá que para bem das repartições de Estado ella fosse adoptada igualmente com respeito aos amanuenses e chefes de repartição G. 87 O comendador Gil Vaz descobriu a verdade. Esta salutar medida tem produzido os resultados mais benéficos. Daniel e uma parte da Carlilho de Mestre Ignacio. Ora. acabou com essa absurda e tirânica entidade do mestre tradicional e fez do professor um ente humano. com falias patrióticas.²Gil Vaz fez a critica. 212 Nota 43²Pag. ²o espírito. António da Costa. . cerrando os punhos e enxugando as camarinhas. Em vez da Lanterna Marjica. veio dar razão ao Comendador: ‡Matusalém ainda não lê por cima. A instrução nacional pode representar-se n'um quadro completo com dois traços espirituosos do lápis de Bordalo Pinheiro: Matusalém na apre7idizagem do alfabeto E aos lados. A prosa substituiu a caricatura. vê-la. através o monóculo do seu crachá da rosa²que regula os ventos da importância comercial e burocrática nas praças do velho e do novo mundo. Nota 42²Pag. soltando gritos. O melhodo João de Deus. tralal-a com mais respeito e com . atirando com assobios e com obscenidades. J. estando Bordalo Pinheiro no Brasil. Bento. aparecendo de improviso. três homens a protestar: D. D'AnAUJo. E a Parvónia. abrindo definitivamente no grande muro Ignorância trezentas portas de azul. com ares solenes.Antão. * Porque é necessário conhecer a verdade. .

«hebdomadário» de Freixo de Espada ou de Santarém. . assobiando ² injuriaram a Bíblia e a Carta. Uma cintilação de verve tem maior poder que uma brochura. tudo se ilumina por instantes e todos se. com mais consideração e menos familiaridade. Um bom dito. perspicaz. ondulada. cheia de boas concepções. E a ciênciaportuguesa segue o processo dos namorados do romantismo:²cozese com as paredes para ir falar com Lamarck.menos retórica. fino. vale mais que um artigo de fundo. em zig-zags caprichosos. apresentou-o na Dgura clássica e respeitável de um velho patriarca. em vez de o publicar na Voz do Ecfio. por falar na cauda do género humano? Não cremos. aquela n'um dos seus mais notáveissimbolismos. Ninguém protestou. sem que lhe acenem com importância. ministro do reino. Mas. mesmo petulante. Por isso dispensou a estatística comparativa. a Parvónia seria ofendida nas suas crenças. 213 Aquela é um relâmpago que se rasga n'uma fita artística.\stro. assim como os nomes de Darwin e de Heckel. Por que Gil Vaz só pedia ao governo alguns professores pelo método de João de Deus. conhecem n'um momento. Maurício Block e os grossos tomos de erudição fácil. embora comendador. Os problemas do cruzamento das raças e 214 da selecção natural. fantasiosos. andam tão desviados do nosso mundo. Gil Vaz é uma inteligência moderna. Matusalém continuava na soletração Sérgio de C. que ficam de mal para sempre. E 03 frequentadores do Ginásio. Quando o relâmpago aparece ou o bom espírito se mostra do meio da grande escuridão. e a esta na liberdade de petição. um homem de espírito com setenta annos de idade. bonitos. inimigos. da tempestade ou da vulgaridade. é um chapéu desabado. Por que a final' o pseudónimo é uma capa àespanhola. Neste ponto faremos justiça à geral ignorância. Destina-se à gloria. A brochura portuguesa é quase sempre uma banalidade. que passa desprezada. e dirigindo um requerimento ao Sr. que os sábios atiram com as suas doutrinas como quem comente um delito. desprezou Larousse. e produz decepções: para o autor e para o editor.

Nota 44²Pag. 88 «Alto está alto mora, todos o vêem, ninguém o adora,» pode effecli vãmente ser a cúpula de feltro d'eslesr. conselheiro, com uma única diferença;²como -vulto dominante o Sr. conselheiro tem a consagração unânime do mundo português, o consenso unânime do mundo burocrático, sendo duas vezes um grande homem. Desde que s. ex.º é ura verdadeiro fenómeno aposentado com o ordenado por inteiro, ha o direito de discutir a sua individualidade, pelo menos aquela que é do domíniodoschapeleiros. Não vaen'istoaminimaoíTensa, G. V. Nota 4õ²Pag. 89 A plateia confirmou plenamente a opinião do Matusalém. Aplaudir uma peça com delírio é um caso vulgar: basta para isso que a peça representada seja mais ou menos detestável. Agora patear um relatório com frenesi 215 é caso nunca visto n'uni país aonde os fabricantes de relatórios o menos que costumam a apanhar é a comenda da Conceição. Esta circunstância é extremamente lisonjeira para o autor da peça, que devia ficar bastante penalizado se o. publico recebesse a sua obra como costuma receber as do Sr. José Romano ou as do Sr. Quirino Chaves. G. V, Nota 46²Pag. 91 Esta sensata observação do previdente professor parvonez bastaria, só por si, para desanimar os aposloios do meihodo João de Deus, o qual longe de ser um beneficio para o país, como eles proclamam, é uma verdadeira calamidade nacional. âe o b-a ba, e a palmatória conseguirem habilitar para a gloria meninos de 10 annos, ensinando-lhes a ler rasoavelraente, e dando-lhes na certidão do exame de primeiras letras um diploma de membro da sociedade dos"imortais, inlaginc-se o que nos aguarda no futuro ! I[nagine-se o que ainda virá a ser deste abençoado país onde as sumidades, ao mesmo tempo que raarran» nos astros, se dignam enxamear de génios os liotequins, as arcadas do Terreiro do Paço, e as redacções dos mil e um periódicos de cada bairro ! Imagine-se o formigueiro de numes que darão d'ora avante ingresso na gloria. . . e na alfandega do consumo ! E em que bonita idade !

Está provado que 5 annos e 60 lições do novo meihodo de leitura, podem hoje em dia habilitar para a imortalidade um menino português. 216 Que galanteria ! Estou vendo de cá o pequenino imortal. Tem um côvado de altura, chapou alto, bengala de ranna da Índia, relógio e corrente dupla, calças de boca-de-sino, e uma reputação. . . uma reputação, que se espanta a gente de ver como tanta gloria cabe em tão franzino corpo! Ora, mesmo assim, o receio do tímido professor da Parvónia parece-nos de somenos importância na particularidade que cila. O país nem sempre costuma ser muito exigente com os ministros. As vezes nem se lhes pede outra certidão que não seja a do baptismo. Essa é que ninguém lhe dispensa. CURISTOVAM AVRES. Xota 47²Fag. 03 l"]àta descrença pela vulgarização da arte (raprender a ier é perft-itamente admissível n'um Apollo em exercício no Parnaso da Parvónia. Ainda assim reviria uma certa caridade d'intenções não querendo complicar no Ceará o flagelo (la fome com o da letra redonda. G. V. Nota 4S²Parj. 04 Thalia naturalmente quis dizer Banquo. A musa da tragédia que |)reside aos destinos do teatro parvonez, na sua qualidade de génio nacional, vota um soberano desprezo à sintaxe e àprosódia o tem pela gramática aquele horror instintivo que é característico dos que usam auréola olVicial. - G. V. 2J7 Nota 40²Pa(j. 95 Esta suplica comovedora que o Judeu Errante dirige a Thalia só pode ser compreendida pelos que não têm logrado adormecer no começo duma primeiro acto e acordado altas horas no silencio da noite, aos roncos dumaplateia beatifica espreguiçando-se no meio do acto quinto. Esses são os felizes. Os precitos são os que padecem d'insóniasuficiente, e de coragem bastante para velarem toda a noite em desforra do bilhete que compraram e em homenagem aos «logios da gazeta que leram. G. V. Nota 50²Pag. 97

O autor a fim de dar a comoção precisa a este verso, fê-lo o mais comprido que Ibe foi possível. Provou assim o seu respeito pelos amanuenses mortos «m flor, demonstrando que sabia honrar o melro com que os bardos do Ihesouro publico medem as suas trovas e os sentimentalistas do Pote das Almas os seus panos crus. G. V. . Nota 51²Pag. 100 O espiritualismo neocatólico, essa deplorável reacção do sentimentalismo beato contra o espírito critico e eminentemente científico do século xviii, tão brilhantemente afirmado nos grandes trabalhos dos enciclopedistas franceses, deu à Europa essa coisa absurda, monstruosa, incongruente e doentia, que se chama romantismo, uma das mais notáveis e perniciosas doenças 2!8 mentais de que tem padecido a humanidade, doença que a atrasou quase um século no seu natural desenvolvimento, pervertendo-lhe o sistema nervoso, empobrecendolhe o sangue, arruinando-lhe o estômago encurvandolhe a espinha. É notável que um dos maiores génios literários de que se gloria a nossa espécie, Victor Hugo, apesar de respirar desde o berço a atmosferaasfixiante do romantismo, tenha encontrado na robustez do seu organismo forças para nunca se deixar invadir pelos miasmas d'essa falsa sentimentalidade. É esta uma prova de alto valor para a avaliação da superioridade excepcional daqueleextraordinário talento. Devemos a essa doença, eminentemente depressora do sistema nervoso, diversas calamidades publicas, e entre elas a praga interminável dos poetas sentimentais e incompreendidos, faltos decor e de senso comum, cheios de caspa e de vícios, malandros e csquipaticos, declamadores e ignorantes, que são o filoxera das nossas secretarias e o oidiíun tukeri da nossa política. São eles que, por uma infracção ainda inexplicávelàimortal teoria da selecção natural, invadiram todos os nossos altos empregos e dão por conseguinte a toda a nossa vida publica este carácter sentimental, balofo, declamador, profundamente imoral, radicalmente inútil e genialmente estéril que a distingue como uma nódoa na vida actual dos povos da Europa. E preciso limpar a cabeça do país d'esta caspa repugnante, que ameaça de lhe perfurar o cárneo, absorvendo-lhe os poucos miolos que lhe restam. Ao comendador Gil Vaz se deve o grande beneficio de ter aplicado bons antídotos contra este grande envenenamento nacional. Agora começa a dar encontrões

219 ,nestes safardanas. É preciso não parar ahi; é preciso ir até ao murro e ao pontapé, aliás não faz nada. Mais bifes pois e menos brisas. Alexandre da Conceição. iVbto 52²Pag. 101 Efectivamente, n'uma exposição em que muitos parvonezes subsidiados foram meter o nariz a pretexto de representarem coisas insignificantes, o não haver quem representasse esta classe, foi muito notado não só por nacionais, como por estrangeiros que sabem ser este povo essencialmente senhor do seu nariz. A Parvónia patentearia ali uma colecção completa a única no seu género, dividida em duas secções, uma antiga outra moderna. A antiga seria representada pelos narizes fosseis da época pré-histórica encontrados pelos Srs. Carlos Ribeiro 6 Delgado nas suas investigações às bacias do Tejo e Sado, e também pelo da celebre estanqueira do Loreto, conservado cuidadosamente no museu do Carmo, a cargo do Sr.Possidónio. A moderna conteria todos os narizes de cera, base dos discursos feitos no seio da representação nacional, nos comícios, na geografia, nas associações, incluindo a agrícola: por todos aqueles que tocam fagote quando ressonam até aos que tocam flauta quando acordados, e finalmente por um notável nariz político que pelo seu descumunal tamanho pode ocultar em caso de perigo, bem à vontade n'uma só venta o seu partido, quando julgue ir benzer-se e quebre o nariz. 220 Nenhuma nação do mundo bos poria ali o nariz adiante, e o próprio júri da exposição decerto não torceria o nariz ao conferir-lhe o grande premio de honra; e de futuro este produto parvonez seria mais considerado pois que em legar de ser guarnecido com borbulhas ou verrugas sel-o-hia com medalhas. G. GoRJÃo. Nota 53²Pag. 103 Quem ler esta rubrica imaginará que Gil Vaz, por azedume, por misantropia, quer negar aos portugueses, às classes ilustradas que formam o séquito da princesa Ratazana, a habilidade incontestada que elas possuem de falar bem as línguas estrangeiras. É verdade que os portugueses e os russos formam na Europa uma verdadeira excepção, quando se trata de línguas. Ha portugueses que tem o puro acento do boulevard dos Italianos, e

Não havia quase calor. Não obstante eu sou testemunha auricoiar de que ha em Lisboa pessoas que pertencem às classes dirigentes.outros que possuem por tal forma os segredos. entremeados por verbos desconhecidos. do que por uma análise mais ou menos teórica . tudo isto com uma pronuncia portal forma ingénua. a vila tinha uma animação ruidosa. uma vida anormal. que 221 é mister ser duma rara perspicácia para perceber vagamente o que eles querem dizer. com conjunções e artigos especiais. pic-nics. aqui e acoláfalava-se n'um baile no palácio. Estava um dia extraordinário. uma música de regimento locava na praça era frente do palácio real o repertório italiano de uma sentimentalidade doentia. os alvores tinham cintilações de esmeralda adoráveis. Pedro que como todos sabem é no mês de Junho. é fazerem um tal amálgama de vocábulosfranceses alinhados numa construção pliantasista. que faliam um francez tal que se torna impossível serem compreendidas. do seu aspecto festivo. A cada momento repiques de sinos e estalar de foguetes. e sobretudo da multidão que andava pelas Ruas. as tipóias rodavam por aquelas estradas com estrondo. um diplomata estrangeiro. no dia de S. Nos Pizõos. combinavam soirées. enfileirados. um alto dignitário da corte. De Lisboa tinha ido imensa gente. Eu estava um dia em Cintra no hotel Victor. Fal-o-hei sentir melhor por meio de um exemplo frisante. não é não terem uma ideia precisa e nítida das regras da gramática. os omnibos sucediam-se perfeitamente apoplécticos de homens e mulheres. quando por acaso as necessidades da vida social as obrigam a empregar esse idioma. Não é não terem pronuncia. De resto o processo que empregam é duma extrema facilidade e não é mister muito trabalho para o surpreender. recentemente chegado a Lisboa. e os tics do inglês que ninguém acredita que não seja essa a sua própria língua. a serra no cimo estava coberta por uma névoa ligeira que envolvia a Pena como n'um véu de gaze e lhe dava o aspecto fantástico de um castelo de legenda. Foi então que o . O diplomata admirava-se da animação da vila. No terraço do Victor estavam três pessoas. porque a família real estava em vigilialura por aquelessítios. radiosas nas suas toilettes de veio. e eu. passeios. na estrada nova as senhoras em grupos riam e conversavam.

110 O alçapão é uma das mais res[)citaveis instituições da Parvónia. E por intervenção dele que no momento oportuno se salvam tanto os estadistas como os devedores.º acto uão foi representada no teatro do Ginásio. V. V. V. quand les magestés. G. Olhei para ele: estava sereno. são as de legislador. como um homem que não tem a pesar-lhe na consciência. 113 Os dois pajens extremamente graciosos foram incluídos na peça de propósito para satisfazer a ansiedade publica. mas simplesmente por o actor Taborda se julgar incompatível com a toiletteduma grande dama. tranquilo e feliz. De resto d'ahi para cima. il tombe ici le pouvoir du monde. Nota 57²Pag. J108 ' Para compreender este brinde da princesa Ratazana é preciso saber que na Parvónia para se ser celebre. motivo porque a incluiu no presente relatório. G. sedenta de paixão no decurso da recita. Eu seguia perfeitamente a lenta elaboração da frase que ele ia soltar. E ahi deixo para exemplo de vindouros e ensinamento de contemporâneos o que ele disse. quis dar-lhe uma explicação d'esse facto e começou de testa franzida a meditar na resposta. nem uma má acção. Os pajens do Ginásio satisfaziam a todas as condições plásticas exigidas pela rubrica. O autor não quis entretanto privar a posteridade da sua obra.dignitário supracitado. Nota õG^Pag. tudo. 111 A cena 7/ do 3. Nota 5õ²Pafj. ²Mon cher. cônscio de que a insónia do leitor não deixará de lhe ficar agradecida. Nota õà^Pag. basta ser Qlho de seu pae. Alberto de Queiroz. e aproximei-me disfarçadamente para não perder nem uma sílaba. Desde que se é filho de seu pae as funções mais reles que se podem exercer. G. outro tanto parece não ter sucedido no teatro do Príncipe Real do . nem uma asneira. não por que o autor a julgasse ofensiva do decoro publico. Graças a esta abertura providencial consegue a Parvónia 2â3 ver de ano para ano medrar o seu deficit a ponto de ser já hoje um dos mais florescentes do mundo civilizado. sont ici.

G. somos de opinião que aquilo que o gentio achou duro foi o rodízio. Somos inteiramente de parecer que o telegrama do relatório do ex. a leitura do telegrama que temos a lionra de anotar. atenta a compunção cora que o Comércio da referida cidade. e outras por quem a Rua das Flores se contorce em anciãs de lúbrico desespero.º" Sr. Também não teve essa sorte o seu secretário porque no citado oíTicio s. o supracitado oíTicio. O governador não foi tal comido com mandioca porque assim o prova exuberantemente o seu ollicio. 50 grumetes e grande números de papéis das tribos de Mata e de Bianza. no qual relata a sua ² infausta expedição n'um clamor do fundo da sua alma '. Oçor e Jim achou mais tenro foi. Caso este de novo complicado por outro telegrama lido no dia 20 pelo ilustre poeta Thomaz Ribeiro na secretaria dos negócios da marinha. embarcado na escuna Bissau com 55 soldados. de 1 de Janeiro ao governador-geral de Cabo-Verde. Infeliz Comércio do Porto! Eai obsequio a ele Gil Vaz promete. depois dos documentos mandados publicar pela câmara dos dignos pares. Phryne.comendadorGil Vaz lhe foi realmente enviado do ultramar e que ele encerra. lido tetricamente pelo actor Taborda. lamentava nas suas colunas a falta de mulheres. alheia às lutas partidárias e comerciais da sua terra. 2 oficiais. não mencionando no rol da equipagem o seu secretário.º diz ter. podemos facilmente explicar o texto. V. de aturadas investigações a que procedemos e da mais escrupulosa narração dos factos que da Guiné nos foi amavelmente enviada por um cavalheiro de Jafunco. ex. E o que o mesmo gentio de Jafunco. Hoje. o facto de ter o rodízio recuado com fúria e arrombado a amurada lançando-se ao mar. 1 corneteiro. 224 Nota Õ8²Pag. Mas asseverando.Porto. incluir como primeiras damas Cleópatra. sem a menor dúvida. não o secretário. 120 Uma das coisas que mais profundamente impressionaram a sala do GinásioDramático na memorável e sombria noute de 18 de Janeiro de 1879 foi. a história dos acontecimentos de Bolor. a Bella Helena. que se não achava a bordo onde se conservava o governador pronto² como ele o declara²a ir morrer com os seus soldados logo que para isso oportunamente . com leves incorreções devidas a máorganização do serviço telegráfico. na outra peça que tiver a loucura de fazer.

das incorrecções telegráficas do texto causou. . em companhia dos autores da Viajem ú roda da Parvónia. eu tencionava seguir aquele caminho já trilhado por D. das de oiro.João vi e por outros personagens . No dia era que o Santo Ollicio da Parreirinha me indigitasse para figurar n'um auto de fé. o governador olhando ao longe a carnificina e o canibalismo das negras coortes recitava no tombadilho: E n'isto no intimo tremia-nie o peito d'ouvir sem respeito falar de meu pae.Marquês de Valada a inlerpelliir. ministro das obras publicas sobre a péssima organização do serviço dos telegrapbos. mais ou menos perseguidos nas respectivas especialidades pelo novo Torquemada. um enorme abalo no espírito publico e esta foi talvez uma das razões que levaram o Sr. c vitimas da sua [)perseguição.º ! ! E quererem fazer-me viclima sem necessidade nenhuma. todos nós. Nota 59²Pag. na sessão de 5 de Março. citado oficio. Historiando esta celebrada jornada afirmamos que a palavra²fatalidade! que se encontra no ainda. mas sim os referidospapéis da tribo de Bianza entre os quais averiguamos achar-se o poema B. com as veemências ilas suas mais sentidas colo leras o Sr.o chamasseòi. dos guardas-nocturnos. (D. Jtnjmr. vem no original em grego: ANAFRU Assim como somos levados a cnV que no momento cm que a escuna levantou ferro. àophenomcno do Arco do Bandeira. do Sousa Bastos. Jaime: logo daquilo que o gentio gostou foi do²lirismo do Sr. porem. 121 Preferia dar uma nota de dez mil réis. quando foi o Pimpão terrestre que levantou contra mim todos os cabelinhos rancorosos que se abrigam sob as azas nasais de s. ex. do i\Ianuel (lamarão e demais vendedores da loteria espanhola. sob o dossel da Parreirinha põe as uvas em pisa e faz em bnijaço os tristes dos seus governados que lhe caem sob a vara do lagar. do cambista Fonseca. como dissemos. envio li) O facto. De mais a mais uma nota a propósito da Deusa dos Mares e do Pimpão marítimo. ' Vicente de Pindella. cortaiido-me até a retirada por mar. Thomaz Ribeiro. a escrever uma nota de dez iinbas ao alcance das vistas" coruscantesdaquele que. no ponto que se refere ao desastre do rodízio.

não ouso melindrar aqueles dois padrões nacionais e por isso findo aqui a nota. . e. pois. ella encarrega-se de substituir a sujidade individual com que cada pessoa entra no banho pela imundície colectiva. .não menos medrosos. Rosa Araújo. Cumprem ambos a sua missão e tão bera que a pátria lhes deve um monumento. de optar pela fogueira do auto de fé crepitando no largo de S. manchado. na minha desventura. O ilustre. Seria um crime de lesa-confeitaria e uma ofensa a Brillat Savarin que todos os políticos e diplomatas devem respeitar por necessitarem de lhe pedir emprestada a capa da elegância para encobrirem as suas feias tendências vorazes. entre o fogo e a agua. ao menos de especiaria no mostrador do Sr. por causa de uma nota ! E eu juro que não teíiho ódio nem ao Pimpão nem . no dia em que se decidir da minha sorte. depois de um tratamento regenerador e de bem polvilhado com (jrangea. Os melindres da pintura do Pimpão clamara energicamente contra a ida dele para a Guiné. Ele no seu género d'inutilidade oficial é o mais completo que se pode encontrar. . . . nem que a sua generosidade feche os olhos à precaução de seis rodelas de cortiça enfiadas n'uraa corda de linho. Enquantoele apanha ostras no costado como um cão deitado ao sol apanha moscas. . bolor. concordo tanto com o Ministro da Reinação que . Alfredo RiiiEmo. e sujeitá-lo a um mórbido regímen de .à Deusa. Nenhum patriota â28 quererá ver o Pimpão. Carlos ou pela morte inglória naà salsas ondas. Alémdisso não se ha de pegar no Pimpão. Nota 60²Pag. terei. entre aqueles dois monstros marítimos. Interpretando os sentimentos do meu país. que desliza quotidianamente para o Tejo. . o excelente Ministro da lleinação tem carradas de razão. isto é. . Enfim. ella como exemplar premiado do asseio nacional é a mais perfeita expressão. senão de pedra. Eis-me. Pois nem esse recurso me deixam ! Indispondo-me com o Pimpão e com a Deusa dos Mares. as mãos dos indígenas africanos não são das menos sujas nem das menos ásperas. antes de a tet começado. tencionava safar-me por mar. eu pudesse salvar uns calções e umas bóias! ? Mas não é de crer que a cólera do terrível Inquisidor me consinta aquele atavio de meu recato. essas duas vigilantes sentinelas da capital pelo lado do Bogio. 126 Apoiado! Mil vezes apoiado ! !. Se ao menos.

pintado. C. ainda com o risco de ter alguma dosezita de bolor. foi verdadeiramente inspirado pondo aquela pergunta nu boca 230 . regedor do distrito.. Nota 62²Pag. governador civil. 127 E evidente que Cfta sabia resposta do ministro das embarcações foi da ia depois de ouvida a junta consultiva do ultramar. e o bolor de cá mesmo no fim de muitos annos. para Munique ornar o Pinacoteca. transigindo com o senso comum. deixar de pedir noticias do deficit. Naíjuella resposta observam-se os sulcos do pesado critério arrobiano. Bolor. Todavia. do que seja tratado a chocolate por algum filantropo de S. por meio duma simples fustigadeiia com um iUimo de Ortigas. e Gil Vaz..\RL0S Faria. no momento solene em que llie meltia na mão o implacável gladio exterminador dos cauteleiros. em quanto o espírito arrobiano pairar sobre as instituições nacionais. obrigandoo a proibir as representações da Via(/em à roda da Parvónia. a que fosse para Guiné. O Bolor de lá pôde desfazê-lo. . Oxalá tal gladio se não transforme em cana verde quando ao Mavorte. desaparece e deixa livre a pintura. servindo de nume e oráculo a alguns dos poderes do estado. João de Sousa Araújo. E foi precisamente esse espírito (síntese de todas as calinadas) quem se apossou da consciência administrativa do Sr. e os lampejos espiri229 tuaes do imaginoso pae da pátria (que mais exactamente poderia ser denominado a ama seca das colónias). E daqueleteor são quase todos os documentos. ou mesmo para a Academia de Pintura de Lisboa. o qual guindou àcategoria de lanifício o algodão africano. como acaba de ser praticado com feliz resultado n'uma paisagem de Matias Lopez. Nota Ol²Paj. . que até nos moinhos via terríveis gigantes não podia. lhe saia branco algum bilhete de Espanha. resultantes das funçõesprodutoras de muitas das estações oíEciaes. Gostava de o ver. ou dando tréguas sequer à incorrecção gramatical. Francisco. collocando a várzea de Colares ao sopé das origens do Zambeze. . 130 D. na sua visita à Parvónia. que jamais atraiçoarão o seu destino.preferia que o Pimpão fosse. Quixote. continuará a manter-se tu! estado de coisas. . no nosso entender. E acho pior que seja comido de.

Nota 64²Pag. senhor ministro da fazenda! Urbano de Castro. 131 Os prémios à melhor peça no teatro normal da Parvónia são tirados à sorte. em terceiro não ter lido as peças. G. Para fazer parte da comissão que faz andar a roda é preciso em primeiro lugar não ser dramaturgo. Nota 65²Pag. Em consequência de não poder vencer o inimigo. Reclamado pelos espíritos . Quixote quando descerra os lábiosnaquela interrogação: Então como vae o deficit? não é porque tenha curiosidade de inquerir do nosso estado financeiro. Se assim fosse perguntaria também a como estão as inscrições. V. è como se dissesse: ² Então como vae o gigante? E não havia D. ministro imaginará que uma cadeira para o deficit se faz abi com qualquer pinhal. este governador vence o competente soldo.do famoso cavaleiro andante e não na de outro qualquer. cora qualquer floresta? Nem talvez com todas osilorestas da Zambézia. Quando ellediz:² Então como vae o deficit. constitui a guarnição e armamento da terrível 231 fortaleza. Quixote perguntar por tão formidável monstro? Quanto à resposta do ministro da fazenda alheia pareceme excelente. Esta ordem é engraçadíssima ! Então no ministério das obras publicas ha por ventura madeira que chegue para semelhanteconstrução? O Sr. estando pronto a vencer tudo o mais que for necessário para bem dos destinos da Parvónia. Nota 63²Pag. Dadas estas garantias d'imparcialidade é fácil obter o lugar. em segundo nunca ter ido ao teatro. instituída para descansoduma governador que. 131 A fortaleza de Monsanto 6 uma praça de guerra²de recreio. V. G. 134 Esta história é pouco mais ou menos a da instituição do registo civil na Parvónia. Porque é bom que se saiba que D. a qual é declarar o ministro que mandou pelo ministério das obras publicas fazer uma cadeira de rodas para o deficit. Na ultima parte porem ha uma coisa que se me figura naturalmente impossível. com qualquer mata. gratificações e forragens. por si só.

posto em pratica deixou tudo às escuras. um dos citados autores de caminhos de ferro com descarrilamentos periódicos e localizados. conservação . 130 Houve tempo em que as obras na Parvónia se faziam de lavar e durar. porque ao menos poupam as despezasde. o referido registo que tantas seduções apresentava em teoria. Não se julgue que este horror pela agua provém de serem feitas com falta de asseio. que. G. . logo depois de abertos à circulação. com a gloria de ser compatriota de Ião prestantes filósofos. depois de completar a sua obra. não menos beneméritos. Na Parvónia. passou nas suas linhas férreas a ser um facto necessário. Para país pobre.e surpreendem o indígena que. preservandoo do incêndio e da ruina por meio do para-ritos. O iridigena tem. localizou a queda do raio. E o feliz reconheceu que tinha ali obra de autor. por assim dizer. Nota GO -Pag. não existe na 23-2 Parvónia nem nos caminhos de ferro. . que sendo um acidente fortuito. De todos os descobrimentos modernos não conhecemos outro que se lhe avantaje. rigorosamente determinado. Os trabalhos de Franklin conseguiram dirigir a faísca eléctrica para determinado ponto de um edifício. há-os que se vão a baixo por mal construídos. V. descobre que só tem caminhos de ferro velhos. conseguiram como resultado dos seus profundos estudos localizaro descarrilamento. a suprema ventura de saber onde pode partir as pernas e que tem onde cair morto. d'elas representam uma verdadeira limpeza! A longevidade explicada muitas vezes pela locução [popular. optamos por estes. Ila-os que desabam por mal conservados. descobertas e demonstradas pelos sábios parvonezes. hoje não duram desde que apanham a primeira lavagem. que produz o seu quadro. assim pintor de fama depois dos últimos toques na tela escolhe um bum pulo de vista 233 para observar o efeito. e de ferro. precisando . incalculável. a humanidade celebra com louvores a memoria do sábio do novo mundo. as leis de Kepler. Na Parvónia os sábios do mundo velho. como a Parvónia. como lugar mais apropriado para ver os seus trabalhos.liberais. foi encarrapitar-se n'uraa cadeira de ministro. ouvindo falar muito era caminhos de ferro novos. os inquéritos tecm mostrado que muitas. não valem seguramente as leis do descarrilamento.

Gil Vaz. porque não o havia. se nenhuma entre nós o faz? Aquela desappro' vação para cá não pega! Foi decerto Gil Vaz. por coquetismo de poeta. comissário irreal da Polícia Civil de Lisboa: Mando a qualquer agente de polícia que. G. e colocar rails que prestassem. JúlioCésar Machado. querendo livrar-se de que ao seu nome ficasse unido por ornato o vulgarizadoadjunto de festejado autor* preparara de anlepé aquelechinfrim glorioso a que se refere o Taborda na''pbrase acima. que. V. G. a impossível indicação do ministro da Reinação. sob pena da lei desobedecendo. 142 «Cristóvão Pedro de Moraes Sarmento. e as tragédias tem premio. 140 Neste ponto a intenção do autor foi introduzir na peça o elemento feminino tão reclamado pela superior na noite da primeira representação.²Parece-me que sim ! Voz de compadre. 140 . bem como para que ordene que seja desde já contraanunciado o espectáculo d'esla noite. V. substituir as travessas podres. porém. que se resumiam em fazer de novo o leito da via. De ordinário encontra-se mais quem prefira ficar sem pátria a ficar descalço.²E fiasco de encomenda. os dramas são sagrados. Nota 67²Pafj. Não se* seguiu. Xota 70~Pafj.» Está conforme. 144 ²Fazemos fiasco Sancho ? ! Uma voz na plateia. cujas representações ficam prohibi<las.zeram rai/s de miolo. 147 Este acto de abnegação tem poucos precedentes na história contemporânea. B. É o miolo a matéria prima que falta em todas as obras da Parvónia. ‡ Nota 71²Pafj. intime a Empresa do Teatro do Ginásio.º Governador Civil. visto este por mim assignado. para que retire imediatamente da cena a peça A Viagem à roda da Parvónia. Porque haveria de fazer fiasco esta 234 peça. não se po. Nota 60²Pag. T. expedido em virtude de ordens recebidas do Ex. se não ha exemplo de fiascos em teatroportuguês ! As. comedias vão às nuvens. Nota 68²Fag.apenas uns ligeiros retoques.

e applicalhe gravemente um relatório. O relatório O a morpbina nacional. 236 Comissão Primeiro de Dezembro llie cortaria depois as garras ! . porque o orçamento coloca-os na vantajosa situação de receberem directamente no osso as injecções subcutâneas. reurie-se uma junta com o titulo de comissão. O exercito não tem organização. Nota 72²Pag. para . nem armas? Mas tem relatórios ! e a questão militar dorme ! Cora a marinha então foi-se de uma prodigalidade inaudita. Berram algumas províncias por caminhos de ferro? Oh! províncias do diabo.as ilhas Sandwich. para os Estados-Unidos. para Demerara. G. pois ha algum caminho de ferro possível que não tenha dez relatórios? A instrução primaria e secundaria vae de mal para pior. E ba ainda quem se queixe ! Ha patifes que afirmam que os governos não curam as enfermidades pátrias! Gaiumniadores ! Qual é a grande questão. quer dizer. nem instrução. os mais validos dos braços portugueses ? Mas não ha só um relatório sobre a emigração. Se nós pudéssemos impingir uns poucos de relatórios ao leão de Castela ! . Vamos fazendo cada vez pior figura nas exposições? Mas ainda não passou uma só sem o competente relatório. . porque se lhe deram relatórios e o Pimpão ! Antes lhe dessem só relatórios ! E acham que o sistema seja mau? A defesa nacional pode lucrar muito cora ele. V. foram expressamente escriplos para em horas de melancolia o parlamento da Parvónia cantar à viola. ijuando o país sente as dores e.Estes dois cânticos de que não é bem autor o Sr. banhos de relatórios ao osso dos professores d'Instrução primaria.\235 cruciantes de algum dos muitos males que o corroem. miseráveis ! A emigração levou para o Brasil. e a superior de pior para péssima? Senhores! a ciência nacional cumpriu o seu dever! Deu-lhes relatórios em injecções hipodérmicas. ha uns poucos de relatórios. que por ahi corre. . Florêncio Ferreira. Como a . a que se não tenha aplicado um relatório? Respondam. lõl Estes versos têm um' grande alcance.

e agoniza agora. ex.O relatório na Parvónia constitui um systeiiia medico que pode figurar dignamente ao lado do de Uabnemann e do de Priessnitz. Scolia. ex.º no oratório. relatoriopatas. 154 É rigor de expressão. Se uns ad<?ptos. bem podem tratar de outro oficio os elegíveis. P. porque têm ambas as coisas: patas e relatórios. para alguns Ímpios dissidentes da política gaslrico-militaote. sobretudo. competentemente assinadas. lêem até uma grande vantagem sobre os seus colegas. posto que. cora licença da previa censura.tabelião Scolla. se os governos destepaís dão agora em comprar os eleitores. porem. a qual ficção. Nota 72^Pag. um ponto histórico. comprando a consciência de uns pobres diabos sem senso moral nem senso político. decerto não menos contestado do que o famoso milagre de Ourique. e que para 237 honra do país é bem que se diga e fique assim consignado. Ora o dito sistema. seja ainda hoje esse caso da estada de s. independente c patriótico. É que. se manteve quarenta e tantos annos comprando com os bens dos frades a consciência de pns bons burgueses.^ mais 50 réis por cada assigoatura e o governo provava exhaberantemente o seu muito amor às instituições e. Não se fez assim o fez-se mal. como é de razão. justificarem plenamente o seu nome. à verdade. Chagas. após uma vida estragada de ruinosos empréstimos. Na verdade o tabelião Scolia não cometeu nenhum crime reconhecendo as assinaturas d"un3 desgraçados que declararam ter vendido os votos por alguns tostões. a fim de simularem um apoio que na realidade ninguém lhes dá a sério. a quem chamaremos. está reduzido a uma ficção ridícula. ou pelo menos tornarem-se de futuro mais rascàveis do que até aqui . tirando a camisa a uns para encher a barriga a outros. Ganhava com isso s. e ferrar com essas declarações todas. Nem agora nem então enforcaram o Sr. Deste incidente sobressaiu apenas uma verdade amarga e assustadora deveras para todos nós. para ele as reconhecer. que desejavam ser alfjuma coisa. O governo tinha maneira mais nobre e mais legitima de se desagravar da pirraça. não ha discrepância nenhuma é na decadência do sistema constitucional. se nos permitem a franqueza do nosso modo de ver. que felizmente nos rege a todos. no cartório do Sr. No ([ue. era promover dos mesmos eleitores a declaração do preço por que a oposição lhes pagara a elesaquele testemunho de brioso civismo.

é que o eleitor está no seg direito. e. seguinte memorávelperíodo: «Em 1878 o svàtema raonarchico constitucional. lõS Vide a folha oficial da Parvóniarespectiva ao referido mês. o povo. Ele fez acompanhar a sério o governo. porem. tudo que ele tinha de melhor e de mais nacional. para que lhe fizesse o testamento.\ verdade. o que até parece inacreditável. já que. que então regia o feliz estado da Parvónia. aliásinsignificativíssima.tabelião Scolla. aquele bom e patriótico bacalhau da famosa extinta companhia úc pescarias. com muito alvoroço. foi ler com o seu mais particular e nobre amigo o Sr. o pão a Í5 réis e o fiel amigo. além do clássico e característico Zezinho de camellão que lhe arrancou dos ombros impiamente como se o habito fizesse o monge. . c com Zé ou sem Zé. acabando-se caduco e velho. com a certeza de que acccila uma restituição. . Sob este ponto de vista o acto do governo foi um acto económico. Congratulamo-nos porque em seu favor gemassem os prelos. G. V. discursar a valer a oposição. rebentar de zelo governamental um regedor! Dia virá em que a história imparcial dos grandes factos ha de fazer-lhe justiça inteira. do fundo 238 do nosso patriotismo e do intimo do nosso estômago. ele. o. ficasse sendo mais homem e menos camelo Leite Bastos. do muito que dá ao fisco.têm sido nas suas exigências de campanário. o rude e triste lazaro. Ella ao referir este espantoso incidente. tudo havia tirado ao povo. no qual deixou outro sim em descargo de consciência. damos os mais sinceros parabéns à liberdade e ao digno tabelião. 239 Nota 73²Pag. tirarádele por certo todas as conclusões a que se presta. e escreverá. por seus muitos pecados e tricas sabidas. aos eleitores de lieintica e Carnide. mas subversivo das boas praxes da política digestiva. com a alegria de quem vê entrar em casa o fdho pródigo. finalmente com a consciência de que assim ha de apressar a queda impreterível dos que exploraram e lograram tantas vezes a sua credulidade c a sua confiança. e por seu respeito estremecessem os princípios na sua pureza mais casta. Nós. a cotação oilicial de três libras por voto. com seriedade austera e desassombro independente. inclusive as casas baratas. Para não perder tudo vae metendo na algifjcira o dinheirito do voto.

Louvemos-lhe antes esse movimento de furor heroe-comico. Não levemos pois a mal ao publico o ter protestado contra uma comédia. que merece louvor. Prova que a corrupção idiota da sociedade de Lisboa é mais o resultado lastimável de condições externas. do que duma perversão intima e espontânea. como quem confessa cinicamente e se compraz na própria abjecção. Ignora-a em grande parte. e do desastre teatral da mesma. Mas não o reconhece e não admite que lho digam. que em todo o caso prova que a sua . porque não tem entendimento para mais²e essa ignorância é o refúgio da sua dignidade. as suas pretensões e a sua ignorância. em que era vilipendiado² embora com justiça. burgueses pataratas. com os seus ridículos e as suas baixezas. Entendo alé que era de prever. além de tudo mais. Não é Falstaff. Não me desagrada isso. Esta indignação tem muito de risível. Vou responder-lhe muito sinceramente. acho aquele desastre coisa muito natural. ]são assisti à representação: mas. Está claro que não podia Gil Vaz ser recebido como triunfador.Xota 74²Pag. c lulliquanti. é simplesmente Sancho. 163 Meu caro Gil Vaz: pergunta-me o que penso da Viagem à roda da Parvónia. provavelmente porque se reconheceu n-'ella. não ha dúvida. mas no fundo faz honra ao publico²nos limites em que tal expressão é aplicávelneste caso. É um sintoma de que a desorganização não ataca ainda o intimo do ser. e apresentou esse quadro ao juízo do publico lisbonense que frequenta tlicatros. agiotas trapalhões. pj-opoz-se o meu amigo descrever a sociedade de Lisboa. seria. e a sua indignação é sincera. literatos ocos. . deputados balofos. Pode ser que às vezes. isto é. Não escarnece de si mesmo. . Toma-se ainda a sério. O publico protestou contra a caricatura. cínico. desconfie de que é tolo. se esse publico aplaudisse o quadro da própria ignominia. na variedade pitoresca das suas pequenas e não pequenas misérias moraeseintellectuaes. o seu descaramento e o seu vazio. Segundo me consta. se a peça corresponde àdescrição que d'ella me fizeram. jornalistas intrigantes. que lhe era apresentado. Ora eu considero isto como uma virtude relativa. em momentos raros de relativa lucidez. precisamente aos representantes e membros activos d'essa sociedade que se descrevia coino grotesca e desprezível ²burocratas enfatuados. Não o é. 210 Com efeito. janotas falidos.

ura pouco pedantesca na sua gravidade convicta. e por conseguinte um pouco ridícula. sintomas precursores duma renovação fecunda da alma colectiva. porque se não brinca com a gangrena. se é o quei^u julgo. Andamo-nos a rir continuamente uns dos outros. é o ferro em brasa que convêm aplicar-lhe. intriga. para uns rudes e broncos Lusitanos. Gil Vaz podia ter dito muito mais. na virtuosa intenção. explora. Uma certa dose de seriedade. Mas. coisa semelhante. ainda quando seja um pouco hirta. ainda muito moderada. é verdade. Voltaire feriu profundamente o cristianismo com as suas chocarrices. O autor usou da caricatura e do epigrama. goza. mas não feriu menos a seriedade moral. de dois gumes. vende e 6 vendida. parece-me. o cautério. tais como nos criou este pobre canto do mundo onde nascemos. relaxa e acaba por tornar imbecis aqueles mesmos que o empregam contra a imbicilidade alheia. Depois. a Lisboa inicial e oficiosa. não é um remédio. Pode. a dignidade. a religiosidade da geração que se associou. sem bem saber porque. O riso amolece. de nos corrigirmos e reformarmos mutuamente. as fundas indignações. Quanto à peça em si. estamos já notavelmente décraS' sés e que temos bastante espírito: mas receio que prove ao mesmo tempo que já não temos vigor moral para mais. e rudemente. Se 241 ba gangrena n'esse corpo social²e tantos symptoraas rapidamente acumulados a estão denunciando²é. que patusca. é porque perdeu. sem ofensa da justiça. compra e é comprada. chatina. São coisas anódinas. para dizer mais e tudo e eficazmente. É uma arma perigosa.dignidade não está inteiramente obliterada. com alguns preconceitos e uma certa estreiteza . para as nobres cóleras. é condição 16 2Í2 essencial da vitalidade e da sanidade do espírito publico. o riso é um dissolvente. devia ser doutro modo. essa Lisboa merecia certamente as honras patibulares da sátira juvenalesca. Receio que nos venha a acontecer. firmemente. por certos lados. Isto é uma tendência deplorável. os ódios justiceiros. uma arma má. Quando um povo chega a rir-se de si próprio. em Portugal. ao que parece. provar que. c afinal temo que não façamos senão relaxarmo-nos uns e outros cada vez mais. Lisboa. ao seu eterno ricanement.

Metralhar a Parvónia a cascas de pepino.inerente a toda a convicção séria. este sorriso²a flor. venha mais tarde. Quando a terra é melhor. mais gracioso²mas os povos gentis estão muito longe de serem os povos fortes. . de conções. E os loureiros do monte aos loureiros urbanos! Guerra Junqueiro. E quando tudo ri. quando eu trago minha alma cheia De ninhos. da sua virtude colectiva. não vou catar-te os percevejos Ó Parvónia. Dizendo ànatureza em festa²ahi vem o Amor! Dando ao ramo²essa espVança. Tornou-se talvez mais gentil. 243 Quando a bênção de Deus²o céu azul²se arqueia Sobre nós. Mas não quero. Esfaquear Prudhome. e apunhalar Calino Cravando-lhe no ventre o lápis de Gil Vaz. que ba algum tempo nos cozinha a nossa elegante literatura. a reconhecerse pouco substancial e até causadora de certa anemia moral. Os cânticos do arroioàs valsas dos pianos. Eu declaro. E abrindo sem corar às abelhas gulosas Com a chave do sol as alcovas das rosas. Nota 75²Pag. Antero de Quental. e quando tudo canta. Traz-me por forma tal a primavera absorto Que prefiro a carqueja ao comércio do Porto. uma boa parte. . seuão a melhor parte. nem vou pilhar-te em ratoeiras As raposas da inveja e os leirões das asneiras. Abril anda já pelas campinas Calcando aereamente os trevos e as boninas. . quando é mais verde a planta. daqui por alguns annos. Receio um tanto que a espirituosa puré de epigramas e ditos. 16S Era minha intenção este livro divino Fechal-o à gargalhada em sátira mordaz. de alvoradas de beijos.

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