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Faculdade de Motricidade Humana ± Ano Lectivo 2010/2011 Corporeidade e Terapias Expressivas

Universidade Técnica de Lisboa Faculdade de Motricidade Humana Reabilitação Psicomotora

Corporeidade e Terapias Expressivas
Ana Rita Abreu Marta Lamy Cartaxo Docente Professora Drª. Paula Lebre

Facul ade de t icidade umana Ano ecti o orporeidade e erapias E pressi as

Índice
Introdução ................................ ................................ ................................ .............................. 2 Um pouco de história ................................ ................................ ................................ ............ 3 A ançoterapia em Portugal ................................ ................................ ................................ 6

O que é a dançoterapia? ................................ ................................ ................................ ...... 6 O que é ançoterapia Integrati a? ................................ ................................ ...................... 8 Conceptualização reflexões gerais ................................ ................................ ............... 8

Definição ................................ ................................ ................................ ............................. 9 Metodologia ................................ ................................ ................................ ........................ 9 Conceptualização A análise do movimento de aban ................................ .................. 11

A forma e o esforço ................................ ................................ ................................ ......... 12 Desenvolvimento de uma sessão ................................ ................................ .................. 12 Desenvolvimento do terapeuta ................................ ................................ .......................... 14 A investigação em Dançoterapia ................................ ................................ ....................... 15 A intervenção em diferentes populações ................................ ................................ .......... 15 Dançoterapia com idosos ................................ ................................ ............................... 16 A dançoterapia na Saúde Mental ................................ ................................ ................... 17 Indivíduos com necessidades especiais ................................ ................................ ....... 17 Necessidades Educativas Especiais (NEE) ................................ ................................ .. 17 Nos distúrbios do comportamento sócio -emocional ................................ ..................... 18 Nos comportamentos Agressivos ................................ ................................ .................. 18 Conclusão ................................ ................................ ................................ ............................ 20

Sessão de dançoterapia................................ ................................ ................................ .......... 21
Bibliografia ................................ ................................ ................................ ........................... 23  

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como idosos.I A dança existe desde a antiguidade. "    Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e erapias Expressivas /   !  . e apenas recentemente foi considerada como terapêutica. definindo o que é e dançoterapia e dançoterapia integrativa. Este trabalho visa abordar a dança como uma terapia. aparecendo assim a dançoterapia. bem como a intervenção em diferentes populações. distúrbios do comportamento sócio emocional e dos comportamentos agressivos. Continuaremos o trabalho. referindo varrias personagens importantes neste processo. Aqui explicamos um pouco da história da dançoterapia. Saúde Mental. crianças com Necessidades Especiais. das suas origens.

Margaret Morris publicou Notação do Movimento que descreve um sistema baseado na anatomi a. 3). no oriente. dois trabalhos foram realiados ao mesmo tempo com esse objectivo. experimentando -se 9). adorações e outras manifestações colectivas (Castro. impondo restrições ao movimento livre e natural (Castro. Na Inglaterra. Era através da dança que se salientava a importância do corpo. A dança étnico -folclórica utiliza movimentos tradicionais. como forma de se reencontrar com a natureza. 3). indo de encontro às suas raízes primitivas (Duncan.Um hi ó i O homem primitivo. a fim de permitir uma terceira dimensão. (Castro. distanciando -se das origens expressivo-naturais. ao recuperar conceitos e da dança da Grécia antiga. 969 cit in 3). livre de restrições e dos estilos convencioanis. bem como o dançar com os pés descalços 3). ela provocou grande choque. O desenvolvimento das psicoterapias e da dançoterapia associa-se às solicitações da própria sociedade. Com o desenvolvimento da dança moderna. O desenvolvimento da psicologia (nomeadamente a valorização dada ao corpo no crescimento pessoal e social) e o desenvolvimento da dança moderna (que pressupõe a reflexão de estados interiores através do movimento. ficaram imagens de dança. passou pela ússia. retendo uma certa qualidade vital. capaz de estimular a acção grupal. De todos os povos. de onde emergiram diversos gr upos de apoio. (( '& '( '& 3 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e erapias Expressivas / % $ ) # . Dançavam em procissões. sobretudo dos Etruscos. A dança -espectáculo desenvolveu-se segundo padrões de forma. Ao longo da história. Em plena época de académico. Assírios. principalmente para uso em terapia física. a dança. indus. 3). ou à sua alma (Castro. 9 5. 9). Em 9 8. descobriu a importância do movimento rítmico. conteúdo e técnica. festas. Astecas e dos Maias. Isadora Duncan 7) que veio revolucionar as ideias vigentes da dança. Chineses. Castro. Em ( 878 9 formalismo expressões (Castro. Duncan discordava dos métodos de ensino dos seus professores. A dança moderna passou a enfatizar a transmissão da expressão emocional direc ta. através do movimento corporal. Os trabalhos em dançoterapia relacionam-se com o final da II Guerra Mundial quando os soldados necessitaram de acompanhamento psicológico. concebia o moviemnto físico como uma reacção natural e biológica do homem às suas emoções. como instrumento mais imediato de expressão e comunicação 3). houve uma necessidade crescente de encontrar uma forma de registo dos movimentos fluidos. e a procura do movimento espontâneo e da expressão individual) levou à emergência da dançoterapia (Couto. a bailarina norte -americana. diversas técnicas de intervenção (Couto. seguiu duas linhas principais: a dança social e étnico-folclórica e a dança -espectáculo.

de modo que o tempo também pode ser representado com precisão.Ao mesmo tempo. Propõe uma dança que expressava a interioridade do indivíduo (Vaysse. Os dois lados da barra representavam os lados direito e esquerdo do corpo e o comprimento de cada símbolo mostrou o tempo gasto por cada parte do movimento. cria nos Estados Unidos. participar em experiências partilhadas. 997 cit in Castro. A simplicid ade e adaptabilidade significava que ele poderia ser aplicado a todos os tipos de movimento. produziu Schrifttanz. a escola Denishawn. 9). ‡ Objectivos do processo de simbolização: a integração da experiência e das palavras na acção. Foi num curso de dança que descobriu a inerência terapêutica da dança. 997 cit in Couto. O casal uth Denis e ed Shawn. desenvolver a consciência de partilhar sentimentos e experiências. 993 cit in Castro. em dança moderna. bailarinos contemporâneos de Isadora. favorecimento da independência. Neste contexto. desenvolveu um método de trabalho próprio que veio dar origem à dançoterapia 9). ocidentalizaram a arte e a filosofia orientais. cit in Castro. ou seja. Marian Chace ( 896 97 ) fez a sua formação na escola Denishawn. desenvolvimento da confiança. na sua experiência (Vaysse. a exteriorização dos seus sentimentos e pensamentos. um instrumento ao serviço do homem e 3). o papel do terapeuta é o de facilitador e catalisador da comunicação não verbal que emana do paciente. não o contrário (Sandel. 965 Chace fundou a Associação Americana de Dançoterapia (Couto. estar consciente das respostas de e para os outros. os objectivos gerais de Chase tinham sido desenvolvidos de acordo com as seguintes concepções técnicas: ‡ Objectivos de acção corporal: criação de uma imagem corporal realística. concebendo a dança como um meio. 3). a vantagem era que era possível registar a co ntinuidade do movimento. a expansão do repertório simbólico. Segundo Chailin ( 975. (Couto. Na abordagem de Chace. 3). Marian Chace coloca o homem no centro das suas preocupações terapêuticas. ‡ Objectivos do relacionamento terapêutico. a principal inovação foi a utilização de uma coluna vertical para representar o tempo. 55 43 45 43 4 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e erapias Expressivas / 2 1 6 0 . em Viena. As sessões podem decorrer sob a orientação de um paciente que leva a que os outros membros do grupo participem 9). udolf aban. Juntando o seu interesse pela saúde mental com a sua própria visão da dança. ‡ Objectivos da actividade rítmica do grupo: sentir a própria vitalidade. promover as interacções. visando: um desenvolvimento da própria identidade. canalizar a energia dentro de uma estrutura. Os primeiros passos para a con stituição da dançoterapia foram a passagem da noção de corpo dançante a corpo comunicante (Couto. ao criar imagens visuais exóticas de deuses orientais. Em 9). que.

do toque. Alma awkins ( 9 4 998) trabalhou sobre a autenticidade da acção do corpo e a congruência entre movimentos externos e sensações internas que são mais 9). 4 cit in Couto. O ponto comum entre semelhanças e diferenças (Flechter. podemos concluir que os processos de transformação ocorrem. A simples acção motora. Considerando os dançoterapeutas que até aqui abordámos. e da necessidade. 979 cit in Castro. 9). estas várias linhas orientadoras é que através do movimento. único. ‡ Converter um conflito emocional subjectivo numa expressão motora objectiva: ‡ Utilizar o movimento de forma que os pacientes aumentem as suas habilidades individuais para que se adaptem adequadamente ao envolvi mento. O movimento espontâneo/ autêntico é precisamente o movimento improvisado. preparados após relaxação (Couto. 99 cit in 3). a expressão do acto simbólico de imagens nascem e crescem com o desenrolar da acção ( evy. 9). as técnicas orientadoras da dançoterapia continuam a apresentar 3). A técnica de improvisação-contacto encontra-se na direcção da dançoterapia. a dança. externamente ( alprin. 9): ‡ Identificar e reparar as zonas corporais não utilizadas ou mal utilizadas. são técnicas de exploração do corpo e do movimento que propiciam formas de autoconhecimento. Actualmente. Blanche Evan ( 9 98 ) especializou -se no trabalho com crianças com a 9).Mary Starks Whithouse ( 9 979) dirigiu o seu trabalho essencialmente a neuróticos e recorre às ideias de Jung que integram o omem numa dimensão universal. 9). As release tecnhique e contact -improvisation (improvisação -contacto). sendo utilizada como forma de trabalho corporal e psíquico (Castro. existe a possibilidade de BB A@ AB A@ 5 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e erapias Expressivas / 9 8 C 7 . internamente. recorrendo à utilização de movimentos ³naturais´ do corpo e à escuta interior. sua abordagem a que designou ³dança criativa como terapia´ (Couto. Os objectivos e particularidades da dançoterapia de Schoop são assim sintetizados (Couto. pois procura a exploração da relação entre o movimento dançado e o pensamento como intermediário do contacto ps íquico. ‡ Estabelecer ligações entre o psíquico e o corpo. 3). ou podem ocorrer. que t ransporta consigo o imaginário. rudi Schoop ( 9 3 999) recorria à imaginação de modo a facilitar a acção e. Castro. no desenvolvimento das próprias experiências. Acreditava que o corpo humano só existe pelo movimento e que a mentalidade e espiritualidade são consequências do corpo em movimento. as polaridades secretas dos indivíduos (Couto. todos os exercícios tinham por objectivo a aquisição de consciência do corpo e das suas possibilidades (Couto.

como a valorização de uma psicomotricidade expressiva. que se transformam em movimentos repletos de significado ( evy. tendo como principais instrumentos de trabalho a análise do movimento e o trabalho com o corpo. Este autor entende a dançoterapia como um ponto de confluência onde coabit am ou podem coabitar múltiplas abordagens teóricas. tanto na sua vertente psicopedagógica.libertação de sentimentos reprimidos. (Santos.´ O autor afirma ainda que esta utilização da dança por parte do indivíduo não implica.a Sociedade Portuguesa de Dança -Movimento erapia (SDMT Pt). por parte deste. inovadora e internacional. surgiu em . trabalhando em conjunto para o reconhecimento e valorização desta activida de profissional. Segundo Couto ( 9). 995 cit in Castro 3). que está em constante diálogo com as suas congéneres europeias. das terapias expressivas. contando. a dançoterapia encontra -se no seio das terapias de mediação corporal e. AD i mP g l À semelhança da Association for Dance Movement herapy.´ II HG HI HG 6 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e erapias Expressivas / F E P D . no seu quadro de formadores. afirmavam que ³A Já em 983 Bartenief f & ewis cito n Castro ( dançoterapia requer uma observação baseada na análise de movimento e sempre a possibilidade de produzir mudança. 3). uma patologia ou mesmo uma dificuldade assinalada. um domínio da dança. como clínica. 3). divulgação e investigação em Dança-Movimento Terapia (Castro. Desde o inicio que esta sociedade propõe uma perspectiva dinâmica. Segundo este autor a dançoterapia constitui uma abordagem de tipo comunicativo e relacional e pretende o tratamento de indivíduos. 3). a valorização de uma concepção de corpo (e do movimento) como espaço de projecção do Eu e a valorização de uma vivência criativa e expressiva do corpo com enfoque na experiência emocional dai recorrente. dentro destas. Oq i ? A delimitação conceptual de dançoterapia não é fácil de sistematizar devido à diversidade de práticas e metodologias que esta utiliza. afirma que a dançoterapia ³ consiste no uso Já Payne ( 993) cit in Castro ( criativo do movimento e da dança no contexto de uma relação terapêutica. com elementos de qualificada reputação pedagógica e c línica e tendo como principal objectivo desenvolver acções de formação. pela diversidade de formação dos dançaterapeutas e das orientações teóricas que servem de base à prática da 6) dançoterapia.

999): VV UT UV UT 7 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / S R Q . Consiste no uso terapêutico do movimento no quadro de um processo que visa a integração psico-física do indivíduo e que tem como premissa considerar que todo o movimento corporal pode proporcionar mudanças na psique promovendo a saúde e o crescimento pessoal. perceptivas e expressivas e propõe um trabalho sobre a imagem do corpo. ‡ A importância da relação cliente -terapeuta no processo terapêutico. Couto ( 9) afirma ainda que se tem de ter em atenção a abordagens da dançoterapia que fazem uso do movimento do corpo e/ou da expressão corporal para proporcionar ao indivíduo um melhor e maior conhecimento de si próprio. ‡ O movimento como reflexo da personalidade. Stanton -Jones ( 99 ) apresenta cinco princípios: ‡ A relação corpo-mente (o homem visto de forma holí stica). O facto de na dançoterapia o elemento terapêutico baseia -se no acto que visa melhorar a capacidade de comunicação e de interacção. ‡ A inerência do valor terapêutico no processo criativo. A dançoterapia dirige -se às potencialidades sensoriais. expressivas e criativas. 999). A base teórica para esta abordagem encontra -se na psicologia humanista e existencial. considerando-as como forma de tratamento e/ou crescimento pessoal. 9). com o objectivo de integrar essas componentes nos processos psicológicos específicos de cada indivíduo. É isto que torna a dançoterapia diferente das outras terapias expressivas como a dramaterap ia ou a musicoterapia. podemos encontrar alguns princípios para os quais todas as abordagens confluem. em que se destaca a importância do corpo e do movimento significativo e que se fundamenta sobre a psicologia do desenvolvimento humano. (cit in Co uto 9) Segundo Castro ( 3) a dança terapia distingue -se de outras utilizações da dança por se debruçar sobre as suas componentes lúdicas. Podemos ainda basear -nos neste autor para concluirmos que ³a dançoterapia é um método terapêutico vivo e criativo. das suas limitações e desejos em vez das abordagens que utilizam a dançoterapia para aceder ao inconsciente do indivíduo. Apesar das diferentes abordagens da dançoterapia. bem como activar a dinâmica intra -psiquica. em geral.´ Esta técnica permite melhorar a capacidade de comunicação e interacção inter-pessoal. a comunicação não verbal e diferentes sistemas de análise do movimento. A dançoterapia tem uma enorme diversidad e de metodologias e técnicas podendo-se referir vários pontos (Santos.Podemos ainda citar Vaysse ( 997) que defende que a dançoterapia pressupõe uma base teórica. sem que o sujeito passe os seus próprios limites (Santos. ‡ Conhecimento dos processos inconscientes através do movimento. psicanalista que se fundamenta no uso do corpo como mediador terapêutico (cit in Couto.

a atitude do dançaterapeuta: mais ou menos directiva. na expressão e criação artística pr ximo da est tica . em 1 2 cit in Santos 1 propõe uma reflexão sobre o Ser Humano. canto. Es uema 1 W X . nos vários estados de consciência pr ximo da metafísica . Estas psicoterapias. a introdução em maior ou menor grau ou não da linguagem verbal o recurso em maior ou menor grau ou não a outros veículos artístico expressivos música. atrav s da análise do es uema 1 podem ser centradas: no corpo biol gico pr ximo da l gica . pintura« . drama. nas suas múltiplas vertentes e assim sendo criou a rosa filos fica ou cru es de sabedoria onde nos sugere uma intervenção psicoterapêutica ue uma analogia com as várias vias de entrada em contacto com o ser. o recurso a múltiplas t cnicas consoante a orientação te rica do terapeuta e do tipo de população a ue se destina. jogo. O ue é Dançoterapia Inte rativa Conceptualização ± reflexões gerais Santos. na relação com o utro pr ximo da tica .Faculdade de Motricidade Humana ± Ano Lectivo 2010/2011 Corporeidade e Terapias Expressivas o trabal o individual versus trabal o grupal. o recurso ou não a sistemas de notação e/ou análise de mo vimento para registo ou estruturação de futuras sessões . a estruturação em maior ou menor grau ou a não estruturação das sessões.

faz -se a centração do tema que será trabalhado de forma individual ou em díade. A Dançoterapia Integrativa desenvolve -se não só a partir de um setting essencialmente expressivo e corporal. apresenta um modelo de sessão onde começa por uma abertura onde é feito um aquecimento com o objectivo de disponibilizar o cor po.Defi i A Dançoterapia Integrativa é uma abordagem que se pretende integradora. 3. segundo Santos ( 999) pretende fazer emergir sensações. sentimentos e imagens internas para um nível externo de acção. ‡ da criatividade como inerente à Pessoa humana. A nível conceptual procurando integrar aspectos de 4 grandes escolas psicoterapêuticas ocidentais: a psicanalítica. . estético e ético. 5. afectivo. a cognitivista. integrada e integral. continuando -se para a exploração onde é feita a exploração e expansão do tema possibilitando assim a vivência de uma situação relacional diferenciada. A diferentes níveis. ‡ da construção de significados dentro de relacioname ntos. onde o terapeuta. que são inicialmente despoletadas e finalmente integradas através do corpo em movimento. energético. a sistémica e a humanista. A nível das várias modalidades expressivo -artísticas. A nível metodológico onde se desenvolvem métodos não -verbais. em enquadramentos relacionais (grupo. A nível do olhar sobre o corpo estabelecido entre os vários níveis do Ser no corpo (biológico. Santos ( 999). passando-se depois para o foco onde. pintura. as fragilidades. 999). 999): ‡ da unidade bio -psicológica humana. A nível das atitudes atitude mais ou menos directiva. consoante as patologias. mas também verbal. em diversas facetas(Santos. 999): . os indivíduos (Santos. emocional. facilitar a passagem do verbal para o não verbal e fazer uma abertura do grupo. ‡ da natureza fundamental do jogo no desenvolvimento e nas interacções. numa atitude de permanente implicação. relacional. e sempre. em relação ao jogo dinâmico que é 4. drama. dd cb cd cb 9 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / a ` Y i h f g e . através do emprego de expressões criativas como desenho. mental e espiritual). acabando a sessão com uma fase de integração cujo objectivo é a integração corporal e psicológica do vivenciado durante a sessão. Metodologi Esta abordagem à Dançoterapia Integrativa. A Dançoterapia Integrativa tem os seguintes pressupostos (Santos. através do diálogo. ‡ da sabedoria albergada e expressa nos vários registos corporais. música e associação livre. propícia exper iências ao nível emocional. díade ou in dividualmente).

Este método inclui (Santos. ‡ ecurso a metáforas verbais. permitindo no processo criativo o encontro fundo entre inconsciente e consciente. ‡ Força (como é que o corpo responde à força da gravidade?). música e desenho/pintura. ‡ O recurso à improvisação é uma das formas privilegiadas de acção. 999): ‡ Uso do espaço (como é que a pessoa se move?). ‡ Organização do tempo (através da velocidade e da aceleração ascendente ou descendente de tensão no movimen to). inclui. ‡ Focagem na experiênc ia sensorial e/ou física e/ou reflexões verbais. ‡ Trabalho vivencial e integrador com o corpo. segundo Santos ( 999).Para a observação. ‡ ecurso à expressão plástica. ao drama ou expressão sonora como veículos complementares de expressão e interacção. v w uu ts tu ts Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / r q p . ‡ Uso de improvisação de movimentos e/ou dança ou jogos estruturados. compreensão e desenvolvimento do movimento atendemos a quatro aspectos (Santos. ‡ O jogo criativo como agente de mudança. ‡ Forma (como é que o corpo de adapta e move no espaço). entre outros: ‡ Uso de objectos. ‡ O recurso à verbalização como forma de elaboração e consciencialização A técnica de Dançoterapia Integrativa. na medida em que permite uma forte ancoragem ao µaqui e agora¶. ‡ Espelhamento e des -síncronias de movimento. 999): ‡ Possibilidade de intervenções a curto ou a longo prazo em sessões de grupo. ‡ ecurso a interacções com movimento criativo.

instinto ou intuição para se poder mover. pois este tem uma capacidade natural em esticar -se. iniciando ou respondendo ao contacto. onde nos movemos. O de os movemos Seja no espaço pessoal ou geral. redondas ou pontiagudas (Wethered. 995). trabalhamos ou brincamos. dobrar-se virar-se e torcer-se. trás. 973). considerando o corpo como um todo e nas suas diferentes partes isoladas e em coordenação. emoções. Como os movemos De forma a termos o controlo do nosso corpo. trabalhar. podendo tomar formas planas. 973). frente trás. imaginar. sentir. sendo possível „„ ƒƒ ‚ ‚ƒ ‚ Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / € y x … † … … … . movemo -nos em diferentes níveis e direcções (Wethered. forte ou suave. como nos movemos e com quem nos movemos (Wethered. Cada um de nós tem uma personalidade/mentalidade distinta. e sem esta nossa vida interna o corpo não f unciona. sem nos movermos (Wethered. 973). Podemos mover o corpo em diferentes níveis: alto. falar. 995). expressando o nosso interior. O corpo também se desloca em diagonais: esquerda em frente direita para trás. médio e baixo. 973). Ao juntarmos os níveis com as direcções obtemos as dimensões: alto baixo. Tudo isto implica ouvir. alterar a forma do corpo. delicado e gentil (Payne. objectos e estímulos com que vivemos. O corpo é o instrumento que se move no interior de edifícios e no exterios. De acordo com a tensão: firme. virando-se e torcendo-se com uma enorme variedade de esforços e qualidades depe ndendo do carácter e humor da pessoa que se move (Wethered. Tudo isto faz com que nos movimentemos de diferentes maneiras. sensações. esquerda para trás direita para a frente (Wethered. Podemos também. necessitamos de adquirir a noção corporal. 973. Podemos mover o corpo com ambas as partes em simultâneo ou um lado de cada vez (simetria). Integrando todos os aspectos falados até agora é possível estabelecer um trabalho em grupo (Payne. direita e esquerda. 995). Com q em os movemos Uma relação implica o mundo de cada pessoa. esticando-se. O corpo desloca-se. observar. Os princípios do movimento podem ser divididos em quatro categorias: o que movemos. pois este necessita de pensamentos. em diversas direcções: frente. 973). fazer desporto ou pensar. dobrando-se. direita esquerda. Payne. Podemos comer o corpo de acordo com o tempo: rapidamente o u devagar.Conceptualização ± A análi e o movimento e aban Não podemos viver sem nos mover: não conseguimos cantar.

995). Em cada plano o movimento pode variar entre dois extremos: orizontal (extendido e junto). apresentando as contrastantes bipolaridades. Peso e Tempo. tal como na forma: Espaço (flexível e directo). e Tempo (suspenso e rápido) (Davies. ). activa -se na introdução ao tema. 995). Vertical (subir e descer). Apenas alguns conseguem mostrar o que querem por palavras. até ao encerramento com o retorno à calma (Payne. mesmo que não consigamos ver a sua figura (Wethered. para compreender as suas capacidades e o seu estado de espírito. torna -se importante observar o movimento dos pacientes. Portanto.reconhecer as pessoas e sentir o seu esta do de espírito apenas olhando para os seus movimentos. Espaço. e Sagital (avançar e retrais) (Davies. As três q alidades do movimento (esforço) aban identifica as três qualidades do esforço. É importante reflectir com os clientes acerca da sua experiencia na sessão e passo a passo alcançar os objectivos. o plano da Porta (Vertical) que divide entre a frente e trás do corpo. Peso (leve e forte). O desenvolvimento de uma sessão pode ser visto como um ³ciclo de energia criativa´. ‡ Não é permitido provocar danos físicos a si próprio. para assim criar um ambiente de relaxação no grupo e promover a antecipação da sessão. 973). n os colegas ou no espaço em que está inserido. em que o tema é desenvolvido no meio da sessão. Desenvolvimento de ma sessão Wethered ( 973) considera que para a realização de uma sessão é necessário observar os pacientes. para assim promover as suas capacidades e conceder um sentimento de sucesso e satisfação. que corta o corpo ao nivel da cintura. até ao clímax. e a oda (Sagital) que separa o lado direito do esquerdo. ). não no sentido de invadir a sua privacidade. em vez de os fazer pensar que as sessões farão tudo na sua vida ficar maravilhoso (Payne. que começa no aquecimento. 995). mas para os ajudar a expandir as suas próprias capacidades. Payne ( 995) utiliza as seguintes regras para a prática das sessões: ‡ A sessão começa e termina sempre no tempo estipulado. A forma e o esforço Os três lanos do movimento (forma) Os planos podem ser descrito como o plano da Mesa ( orizontal). mas outros apenas mostram o que sentem através do movimento. É às vezes também importante haver um ritual de encerramento da sessão (Payne. É importante desenvolver um ritual no inicio das sessões. “ ” ’’ ‘ ‘’ ‘ Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / ‰ ˆ ‡ — – • .

Uma estrutura bem seleccionada e um líder são necessários para facilitar a espontaneidade do grupo (Payne. ‡ Cada membro é responsável pela própria participação. apesar de serem encorajados. 973). ‡ Como as circunstâncias. ‡ Não é permitido fumar.‡ Confidencialidade: o conteúdo do grupo não será revelado fora das sessões. considerar o corpo como um todo. para criar um equilíbrio no grupo. no chão ou outras superfícies diferentes (Wethered. juntando -se aos outros e para se adaptarem a situações que menos gostam (Wethered. ‡ Tal comportamento forçado é contraproducente a longo tempo e está associado com o stress. ): h gg fe fg fe 3 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / d ™ ˜ . ‡ Perder a consciência no nosso movimento individual é apresen tar um movimento como um fantoche. Mesmo sem música. 995). As diferentes partes do corpo parecem ser puxadas por cordas de fantoche e não estão integradas no comportamento de todo o corpo. beber ou mascar p astilha elástica durante as sessões. Os princípios de amb são os mesmos de hoje em dia (Davies. ultrapassando o movimento individual. ‡ Essa consciência. mãos para emitir som em diferentes partes do corpo. É então importante ter ideias das diversas músicas. todos temos uma voz. 973). Alguns só participaram se fizerem tudo o que querem ou se tiverem a música que querem. ‡ Todos têm a sua forma particular de se movimentar. muitas vezes impedem as pessoas de seguir o seu caminho individual. pode ser utilizada para evitar movimentos estranhos. mas sim. comer. e dar a cada indivíduo a oportunidade de ter alguma satisfação e experiencia criativa. Na escolha da música para as sessões é necessário ter em conta os gostos individuais no grupo. Pode ser utilizada para reflectir ou contrastar com as emoções do grupo (Payne. não devemos concentrar -nos em apenas numa parte do corpo isoladamente. Ao mesmo tempo. é essencial que fiquem conscientes do mesmo. 995). há que incentivar à participação de todos. Portanto. Ao utilizar música é importante ter em atenção a sua componente emocional. Os participantes necessitaram de estar em contacto com os seus sentimentos e pensamentos e manter um equilíbrio entre os dois.

Esta autora defende ainda que o modelo humanista utiliza principalmente uma prática de dançoterapia centrada no paciente. ‡ Observar os seus próprios medos e apreensões como terapeuta. o que implica uma boa formação psicoterapêutica prévia e paralela à intervenção. o nn ml mn ml 4 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / k j i . ouvidos e coração da outra pessoa´ ogers. que considera essencial ‡ ever as notas de avaliação desde a sessão anterior e planear a nova sessão ogers. 6) 6) ainda refere que faz parte da formação do dançaterapeuta o Santos ( treino de alguns instrumentos de avaliação. quer numa perspecti va de movimento individual como de uma perspectiva multi -modal mas que no entanto. durante pelo menos três anos. 995): ‡ Ensaiar e visualizar onde. na medida em que os seus movimentos são altamente visíveis semp re e para todo o grupo. Ainda a mesma autora apresenta três condições básicas para um relacionamento entre terapeuta e paciente: ‡ Congruência (³ser congruente num relacionamento é ser genuíno´ 993). uma dupla vertente: a psicoterapêutica e a da dança que se encontram integradas num modelo teórico vivencial de onde fazem parte não só a danç oterapia de futuro terapeuta como também a sua prática supervisionada. Para trabalhar com grupos diversos são importa ntes os seguintes pontos (Payne. 4) Em situações de grupo o dançaterapeuta exerce uma poderosa influência. com quem e onde a sessão irá ter lugar. ‡ Empatia (³a compreensão do mundo através dos olhos.Desenvolvimento o terapeuta 6) toda a formação de dançaterapeutas desenvolvida em Segundo Santos ( vários países do mundo inclui. abordagem que foi desenvolvida por Carl ogers e que é uma das mais frequentes. ‡ Incondicionalidade de um olhar positivo ( a aceitação sem julgamento). (Santos. a maioria dos dançaterapeutas na sua prática não os utiliza devido à sua complexidade e a sua difícil aplicabilidade a grupos. Como irá lidar com isso? ‡ Pensar no que vai correr bem e qual será a maior dificuld ade na sessão ‡ Decidir qual o mínimo de resposta do grupo face à sessão.

Novos investigadores focam -se cada vez mais. que ambos são necessários para uma perspectiva compreensiva dançoterapia. de interacções precoces em famílias em risco. o desenvolvimento de modelos teóricos e a testagem de objectivos. da educação especial. 6). afirmando ainda a necessidade de mais investigação. coerente e correcto. estando frequentemente mais relacionados com o e nsino de uma área cientifica particular do que com a criação de novo conhecimento. na medida em que convergem para um retrato holístico comportamento humano.A afirma ainda que a investigação é importante para a sobrevivência da profissão e não para o desenvolvimento da prática clínica. da saúde mental.T. centre -se em si próprio no local sossegado. entanto. A A. mas centrando a sua atenção no processo artístico em si e nas suas relações que são esta belecidas com as suas criações (Santos. 999): ‡ ³profiláctica´ ou ao nível de prevenção. A intervenção em iferentes populações Actualmente. A investigação em Dançoterapia Utilizando Santos ( 6) como referência podemos afirmar que em iggens apela à necessidade de criação e expansão do conhecimento em dançoterapia pela partilha de experiências através de escritos sobre a prática. etc. mesmo em situações terminais. Berrol ( ) cit in Santos ( 6) refere que os dois grandes modelos investigação são o modelo científico e o modelo fenomenológico. Santos ( tais como as metodologias tradicionais das ciências comportamentais. da psicossomática. a dançoterapia objectiva uma abordagem multivectorial em áreas onde eventualmente seja necessária uma intervenção (Santos. ajudam a gerar um produto mais consistente. ‡ terapêutica e reeducativa em diversas áreas da medicina física. entre outros ‡ e numa perspectiva de melhoria da qualidade de vida. nomeadamente para a avaliação da qualidade.D. de no da do 6) afirma que o uso de métodos de i nvestigação já estabelecidos.‡ Memorizar o plano e preparar para modifica -lo se necessário. afirmando ainda. não só numa investigação participante. v uu ts tu ts 5 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / r q p . em casos de comportamentos de risco. de acordo com as respostas do grupo ‡ Imediatamente após a sessão.

os sons podem aumentar a expressão e comunicação. beneficiam da dançoterapia que enfatiza a consistência e previsão do tempo.a verdade é que a idade tem um menor impacto nas habilidades da pessoa.Para a depressão. esmurrar e lançar. ‡ Perturbações psiquiátricas . zanga e frustração. ‡ Sempre que possível. Estes objectos podem estimular movimentos como apertar. ‡ A utilização de acessórios. Sandel e ollander ( 995) consideram as seguintes técnicas como sendo as mais úteis em dançoterapia para lidar com a população idosa: ‡ A formação de um círculo. como primeira estrutura espacial. Já pessoas com problemas psicológicos crónicos. expressando os através de actividades de grupo e ganhando apoio ao partilhar estes sentimentos com o grupo. Todas as pessoas idosas. do que doenças ou traumas. É necessário aceitar a pessoa com as suas dificuldades físicas. ‡ Dificuldades cognitivas As pessoas que apresentam falhas de me mória. para assim desenvolver a p articipação. mentais ou cognitivas. muitos idosos apresentam dificuldades físicas ‡ Com dificuldades físicas crónicas. conseguem funcionar em sessões de dançoterapia. Em combinação com o movimento. aumentando as oportunidades de contacto visual. espaço. à música e ao toque é transcendente aos efeitos do envelhecimento.Dançoterapia om idosos Quando nos referimos à dançoterapia com idosos é necessário definir qual a população em causa (Sandel & ollander. incluindo a doença de Alzheimer. artrite ou outras doenças degenerativas. Deve-se incluir música característica da geração. mesmo as que têm as suas limitações físicas. a dançoterapia em grupo dá a oportunidade de mobilizar os sentimentos de perda. confusão e outras incapacidades orgânicas. bem como músicas mais actuais. liderança e actividades. ‡ A música com um ritmo claro é mais consistentemente utilizada para a dançoterapia. 995): ‡ Com idade muito avançada . contribui para a sensação de união no grupo. os participantes devem emitir sons enquanto se movem. adaptando as sessões. beneficiam de um programa de dançoterapia com ênfase num ambiente consistente e orientador. podem ser úteis para estimular a actividade e encorajar a participação entre os idosos. } || {z {| {z 6 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / y x w ~ . pois a resposta do humano ao ritmo.

999). e apen as quando este adquire uma maior segurança es pacial se poderá desenvolver toda a sua capacidade na expressão psicomotora. Na deficiência motora enfatiza -se o contacto corporal e o desenvolvimento do conhecimento quinestésico experienciando contrastes dinâmicos e situações activas e passivas (Canner. o que é fundamental para pessoas com deficiência sensorial e/ou motora. Jungianas (em que o objectivo da terapia é a individualização. … „„ ƒ‚ ƒ„ ƒ‚ 7 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas /  €  † . Necessidades Educativas Especiais (NEE) Tropea ( 98 . 999) considera relevante para uma metodologia de trabalho individual a utilização de abordagens: Psicodinâmicas (caracterizada pela integração das teorias de Freud e pós -Freud). a pessoa compreender -se a ela própria como um ser único e inseparável. cit in Santos. Na deficiência visual privilegia -se a comunicação segura entre o terapeuta e o indivíduo. 999). pelas implicações e consequências da prática (Santos. cit in Santos. 999) utiliza a dança e o movimento criativo em turmas de crianças com distúrbios sócio-emocionais. sendo importante uma maior coerê ncia e consistência. musicais e de movimentos (Santos. 999). us ando técnicas de role -palying para a clarificação de sentimentos). enfatizando -se a geração de novos vocabulários de movimento e de sincronia de grupo. uma metodologia de trabalho em grupo é importante a utilização da teoria Psicodinâmica (considera o conceito de que os estados emocionais inconscientes tendem a surgir como reacção à frustração implicada na aprendizagem). umanístic o-Existencial (inclui conceitos psicodinâmicos e de dinâmica de grupos) e Aprendizagem Social (em que o foco está na aprendizagem de padrões de comportamentos que o individuo retira do meio). Vários dançoterapeutas utilizam a dança com esta população a nível individual ou em grupo. é frequente o uso de repetições rítmicas. distinta dos outros). Considerando-se a dançoterapia como uma abordagem psicoterapêutica. cit in Santos. Na deficiência mental. Stant-Jones ( 99 . Indivíduos om necessidades especiais Waren e Coaten ( 993 cit in Santos. 989 cit in evy.A dançoterapia na Saúde Mental É na área da Saúde Mental que são verificadas as abordagens teóricas da dançoterapia. 999) consideram que a dançoterapia tem um valor terapêutico na expressão da criatividade. Para os mesmos autores. ou seja. Ego -Psicanalíticas (utiliza vários conceitos psicanalíticos para a análise do movimento) e Gestálticas (enfati za o simbolismo e a metáfora.

U. o tempo e os limites espaciais dos movimentos. Nos comportamentos Agressivos Torrance ( 3) cit in Santos ( 999).A. Nos distúrbios do comportamento sócio -emocional Muitas das crianças com características onde se podem incluir distúrbios do comportamento emocional. tipicamente diagnosticados com desordens de ajustamento. 999) a sua proposta de dançoterapia ajuda à promoção e desenvolvimento da socialização das crianças com NEE. Portanto. reflecte sobre a forma de criar e manter um contacto terapêutico com indivíduos que regularmente apresentam comportamentos agressivos. desajustamentos sociais. dificuldades em certas áreas da competência social como na área da verbalização. a estrutura de um grupo em movimento. promovendo as suas aprendizagens conceptuais e o desenvolvimento da imagem do corpo ( eventhal. que começam e terminam sempre da mesma maneira. desenvolve sessões. de forma a encorajar a criança a auto-direccionar-se. de socialização e do controle da impulsividade. de cooperação. como um ritual de aquecimento e conclusão. 999). pré -delinquências.Nas crianças com dificuldades de aprendizagem e distúrbios da fala recorre -se à dançoterapia realizando-se sequências estruturadas de movimentos. Muitas destas crianças apresentam também uma auto estima baixa. assegura a segurança emocional para a aprendizagem de novas realidades de interacção social. de expressão de afectos positivos. condutas disruptivas. desvantagens e privações várias. fobia escolar. com uma metodologia estruturada. etc. de escuta. Segundo Samuelson ( 98 . 999). Foram realizadas 4 sessões durante os 3 meses de trabalho de campo com uma classe de 8 rapazes entre os 3 e 4 anos que foram seleccionados com  ŒŒ ‹Š ‹Œ ‹Š 8 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / ‰ ˆ ‡ . onde exploram a forma. Este autor refere que os antigos comportamentos anti sociais reflectidos em movimentos como a impu lsividade ou a perda de controlo podem ser µnegociados¶ em novos comportamentos e respostas. hiperactividade. Segundo Far ( 997) cit in Santos ( 999). baixo desempe nho escolar. Milliken no seu programa de intervenção na violência desenvolvido em prisões dos E. tendem a manifestar o seu sofrimento em expressões de zanga e comportamentos anti -sociais. dificuldades de aprend izagem. muitos jovens negros americanos. Payne desenvolveu uma investigação ao longo de quatro anos que teve como objectivo a análise de percepções dos jovens delinquentes face a um programa de dançoterapia. cit in Santos. praticados com estruturas de movimento como a câmara lenta ou a r egulação da tensão/relaxação (Santos. 999). dificuldades na linguagem.( Santos. com um número limitado de indivíduos e num espaço amplo. depressão e/ou comportamentos agressivos. têm estas características associadas a problemas de comunicação. etc. cit in Soares.

o que não implica uma atitude absolutamente directiva do terapeuta. d eterminou as suas percepções. Não existe na dançoterapia metodologias especificamente utilizadas maioritariamente por dançoterapeutas para a abordagem de populações particulares. ‡ interrupções durante as sessões. Segundo Schmais e Diaz-Salazar ( 998) cit in Santos ( 999) os grupos com desordens de carácter parecem responder melhor em situações terapêuticas num meio claro e bem delimitado.E. ‡ a terminologia usada no inicio das sessões. ‡ o número do grupo (considerando 8 um grupo demasiado grande). Como verificámos. 999): ‡ o vivenciaram numa dimensão que varia entre a alegria e o aborrecimento. Esta autora (Santos. ‡ não percepcionaram que as sessões atingiram os objectivos propostos. Os resultados do estudo das percepções dos adolescentes face a um programa da dançoterapia demonstraram que(Santos. para informação. ‡ consideravam a abordagem do terapeuta como não directiva e responsiva. ” ““ ’‘ ’“ ’‘ 9 Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas /   Ž . No entanto.E. ‡ contacto físico inapropriado. a espontaneidade. como sejam o desenvolvimento e o incremento de vocabulário de movimento. preferindo sessões altamente estruturadas. o que foi considerado µbons atributos¶. 999) apresenta ainda as limitações do seu estudo: ‡ dificuldades sentidas pelo absentismo e nas relações de transferência. a sensibilidade ao eu e a coesão de grupo. ‡ resistência ao movimento.base em critérios de desempenho linguístico e de leitura . parecem existir alguns pontos de concordância na maioria das intervenções em algumas populações com N.

apesar de não termos uma formaç ão específica em dançoterapia podemos verificar que podemos utilizar muitos dos seus princípios. œ› šš ™˜ ™š ™˜ Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / — – • . e hoje em dia existem diferentes métodos para se conseguir utiliz á-la com diferentes populações.Conclusão As pesquisas efectuadas levaram -nos a conhecer melhor a dançoterapia e os seus fundamentos e bases. Podemos verificar que todos os dançoterapeutas deram a sua contribuição para a evolução da dançoterapia. A dançoterapia passou por um processo de modificação. Para nós. psicomotricistas.

baixo. x. só com mão direita. Só com a mão esquerda. x. lado. esquerda direita) Estratégias Crianças  Música ³Vamos dizer olá´ de Panda minutos Olá As crianças movimentam-se pela sala livremente. Quando a música disser para dizer ³olá´. movimentos amplos e menos amplo Crianças  Música ³Dango Daikasoku´ de Chata 8 minutos úsica do corpo Sentadas em círculo. as crianças irão reproduzir sons com as várias partes do corpo de modo a seguir o ritmo da música. x.Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / Data: de Junho de Local: Sala terapêutica Duração a sessão: 6 minutos Sessão de dançoterapia Ana ita Abreu e arta Cartaxo aixa etária ateriais Duração Descrição a activi ade Objectivos Actividade de quebragelo  Facilitar interacção entre o grupo  Melhorar a itmicidade  Noção de espaço (cima. A sequência é a seguinte: Bater as palmas na mão dos colegas ao seu lado. epete. mas últimos dois movimentos a cabeça cai para baixo uma vez. x. Inclinar cabeça para o lado esquerdo. Cada um inventa um movimento que expresse o que sente com a música. todas as crianças têm de dizer olá e acenar a quem esteja perto. Inclinar cabeça para o lado direito. Tocar na perna dos colegas do lado.  Melhorar a itmicidade  Melhorar a noção corporal  Sequencialização de movimentos  Memória  Coordenação dos movimentos  Explicação do exercício com linguagem simples  Fazer demonstração  eforço positivo Aquecimento 0 minutos ž . sem parar o movimento.

os indivíduos devem fazer o oposto. no seu próprio colchão. Deve haver depois um momento de escuta do corpo para os indivíduos poderem sentir as diferenças. ou seja. Quando a música parar os dois têm de permanecer estáticos e quando a música recomeçar trocam de papéis. Estes devem estar sempre em contacto através dos objectos escolhidos por cada. partes do corpo. em que têm de fazer o oposto do que o colega está a fazer.  Melhorar o trabalho em equipa  Trabalhar a coordenação motora com o outro  Explicação do exercício com linguagem simples  Fazer Demonstração  eforço positivo Adultos  Colchões  Música minutos Sentir o corpo Individualmente.  Melhorar a noção corporal  Facilitar o trabalho em pares  Trabalhar a criatividade e espontaneidade  Comunicação Adultos  Música  ³Foot loose´ de Kenny oggins  ³Maria´ de Blondie I need a hero de Bonnie Tyler  Panos  Paus  Cordas e elásticos minutos Em contacto Primeiro dançam com o objecto.Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / Adolescentes  Música ³Electric Mind´ minutos Actividades 35 minutos Espelho do movimento Os adolescentes são divididos em pares onde um deles começará por ser o líder e realizar movimentos que queira de acordo com a música. fazendo círculos. O seu par terá de conseguir imitar os movimentos. Os indivíduos são divididos em pares e ao som da música devem realizar movimentos pela sala.   Explicação do exercício com linguagem simples Demonstração ŸŸ . Retorno à calma 0 minutos elaxamento e descontracção muscular  Ter noção da capacidade do seu corpo se unir ou esticar. cima baixo. fazendo com que haja o maior espaço entre os segmentos possível. cada indivíduo tenta fechar o seu corpo ao máximo de forma a não haver espaços entre os vários segmentos. Depois vão fazer o espelho dos opostos. sozinhos. Após esta posição. explorando. separar ao máximo o corpo. sentindo o seu corpo muito apertado e fechado.

ollander. Couto. A. M. Laban´s Legacy of Movement Analysis .43 Santos. A. S. Macdonald & Evans TD. ( 973) Drama and Movement in Therapy. ondon ¥¥ ¤£ ¤¥ ¤£ Faculdade de Motricidade umana Ano ectivo Corporeidade e Terapias Expressivas / ¢ ¡   . Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Performance Artística Dança. Levantamento e Sistematização de Abordagens Actuais . When Words are Not Enough. ) Beyond Dance. ( 995) Dance/Movement Therapy with Aging Populations. Wethered. Universidade Técnica de isboa. ( 9) Princípios e Práticas de Dançoterapia. Cap. 33 . E. outledge New York & ondon. Universidade Técnica de isboa Faculdade de Motricid ade umana.Bibliografia 3) Dança e Psicoterapia: Levantamento e Análise da Situação da Castro. ( Dançoterapia em Portugal . A. ( Great Britain. outledge. . ( 995) Creative Movement and Dance in Groupwork . Sandel. Payne. Universidade Técnica de isboa Faculdade de Motricida de umana. In F. p. . Davies. ( 999) A Dança e o Movimento Criati vo no desenvolvimento de algumas dimensões da competência social ± Uma abordagem às Terapias Expressivas na Intervenção em crianças com comportamentos agressivos . evy (Ed. The Therapeutic Use of Movement.. Tese de Dissertação apresentada à Faculdade de Motricidade umana com vista à obtenção de gra u de Mestre em Educação Especial. Oxon: Winslow. Drama and Music.) Dance and Other Expressive Art Therapies. Disseração com vista à obtenção do Grau de Mestre em Performance Artística/Dança. .