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Instituto Politécnico de Tomar

Escola Superior de Tecnologia de Tomar
DEPARTAMENTO DE ARTE, CONSERVAÇÃO E RESTAURO

Licenciatura em Conservação e restauro

Introdução à Conservação e Restauro

Apontamentos sobre, Metodologia de intervenção

Docentes: Ricardo Pereira Triães
(Eq. Assistente 1º Triénio)

2007/2008
2º Ano
1º Semestre
Proposta de tratamento

1

É uma sugestão de metodologia de intervenção que melhor se adapte
a um determinado bem.
Após as informações obtidas na identificação e diagnóstico, torna-se
possível esboçar uma linha de intervenção.
Na proposta de tratamento, para além da indicação da metodologia a
desenvolver, devem de ser apresentadas quais as técnicas e os
materiais a utilizar na intervenção de conservação e restauro.
O local onde a peça irá ser exposta ou armazenada deve ser
conhecido, uma vez que pode influenciar a escolha de alguns
materiais ou metodologias a seguir.
Uma vez que se trata de uma proposta, não deve nunca ser encarada
de uma forma rígida, podendo por vezes ser alterada caso a
metodologia, materiais ou técnicas, se revelem insatisfatórios ou
venham mesmo a provocar danos durante o tratamento.
O registo da proposta de tratamento é essencial para um correcto
desenvolvimento da intervenção.

Proposta de tratamento dos azulejos do Claustro e do Consistório da
Ordem terceira de São Francisco, São Salvador da Bahia - Brasil
1. Registo gráfico antes da intervenção e registo fotográfico exaustivo
(antes, durante e após o tratamento);
2. Limpeza superficial dos vidrados e dos contornos;
3. Remoção das argamassas das juntas;
4. Remoção de azulejos;
5. Limpeza de argamassas antigas;
6. Recolha de amostras para análise;
7. Aplicação de biocida quando necessário;
8. Dessalinização;
9. Consolidações e colagens;
10. Manufactura de azulejos;
11. Colocação dos azulejos removidos;
12. Preenchimento de juntas;
13. Preenchimento de falhas e lacunas;
14. Pintura e reintegração.

Tratamento

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da sua localização ou possibilidade de deslocação e dos objectivos pretendidos com este processo (preocupações científicas. De um modo geral deve de deixar documentado a situação em que o bem se encontrava antes do tratamento. etc.Restauros que alterem intencionalmente a aparência do bem. A remoção de parte ou da totalidade dos restauros antigos deve sempre respeitar a integridade do bem. . de divulgação. adivinhando se os efeitos da sua remoção serão vantajosos.Reintegrações cromáticas excessivas (sobre o original) ou mesmo enganadoras (como os repintes integrais ou parciais). Remoção de restauros antigos Após o exame inicial de um bem imediatamente antes da intervenção. técnicas.).O efeito visual indesejado provocado pela alteração visual dos materiais. do tipo de intervenção a realizar. Podem ser várias as razões para que isso aconteça: . . pedagógicas.Preenchimentos de lacunas cobrindo parte do original. a sua remoção 3 . . . ou se. uma das primeiras tarefas pode ser a remoção de restauros antigos. pelo contrário. os principais tratamentos realizados assim como as técnicas usadas e o estado do bem após a intervenção. .A degradação dos materiais usados na conservação e restauro dos bens (pondo em risco a sua integridade físico-química ou provocando alterações ao nível estético).Uma deficiente e desajeitada utilização dos materiais usados na conservação e restauro.Registo gráfico antes da intervenção e registo fotográfico exaustivo O registo de uma determinada intervenção começa durante o processo de identificação e diagnóstico. As formas de registo escolhidas em cada situação devem depender do tipo de bem em questão.

4 . os restauros antigos podem conter algum interesse histórico. devendo este processo ser sempre registado e documentado. Serve como forma de evitar/minimizar eventuais danos que se possam vir a sentir na superfície. No primeiro caso a remoção dos materiais do faceamento não levanta problemas. O faceamento deve ser realizado com a aplicação sobre a superfície de um material como o papel japonês. os quais devem ser ponderados pelo conservador- restaurador. Por outro lado. mesmo nos casos em que se entenda importante remover esses materiais deve-se. ser efectuado sobre superfícies em destacamento ou com bastantes fracturas. e fornecer um contributo para a história da conservação e das suas técnicas. ou até mesmo valor estético.pode contribuir para uma maior degradação durante e/ou após esta intervenção. Faceamento/facing Trata-se de um processo de tratamento que visa a protecção das superfícies dos bens durante o processo de transporte. Todavia. guardar amostras ou a totalidade do material removido. A aplicação desta protecção pode ser realizada sobre superfícies em óptimo estado de conservação e servindo só como protecção ou. a gaze. Este adesivo deve ser totalmente reversível e não provocar nenhuma alteração na superfície. Trata-se da aplicação de uma fina camada de um material inerte (que não interaja com a superfície do bem a proteger) através da aplicação de um adesivo em baixas concentrações. A remoção ou manutenção destes restauros depende de vários factores. desmontagem ou tratamento. sempre que seja possível e desejável. pelo contrário. ou outro. Estes materiais podem ser guardados separadamente e não se perdendo a informação que pode ser útil em estudos posteriores. e o adesivo deve ser pincelado sobre este. enquanto no segundo caso o processo de eliminação da protecção pode causar o destacamento de partes da superfície.

a continuidade dos tratamentos pode ser condicionada caso esta fase do tratamento não seja prevista. respondendo a uma necessidade muito específica. Remoção/desmontagem de bens integrados Quando nos referimos a bens culturais integrados. . algum mobiliário. como é o caso da talha. No caso de perda de função ligante das argamassas de assentamento dos azulejos. Cabe ao conservador-restaurador a decisão sobre o levantamento/desmontagem e assegurar que estão reunidas todas as condições para a sua posterior montagem/recolocação sem prejuízo para o bem e o espaço que integra. estes. 5 . pelo menos enquanto a superfície se encontrar instável.Este facto pode ser uma condicionante ao próprio processo de aplicação de faceamento. os materiais ou ferramentas usadas. existe sempre uma forte probabilidade de se criarem novos danos uma vez que se intervém fisicamente sobre os bens. alterando drasticamente a sua proposta de tratamento. Qualquer que seja o método escolhido.A etiquetagem de todas as partes do conjunto (por razões de segurança). Caso exista a necessidade de se proceder a esta fase devem ser tomadas algumas medidas que previnam futuros danos ou acidentes: .O registo da localização de cada parte. embora não apresentando problemas de conservação em si mesmo. pode ser necessário a sua remoção do suporte ou a sua desmontagem temporária para continuação do tratamento. azulejo. as técnicas. entre outros. estão seriamente em risco pois podem facilmente cair e fracturarem-se ou serem roubados. Estas acções podem ser lavadas a cabo na totalidade do bem ou de modo pontual. No entanto.

podendo por vezes ser o único efectuado. . . normalmente um dos primeiros tratamentos. Por limpeza entende-se a remoção de qualquer matéria estranha ao bem original.. .Os materiais e o tipo de fabrico. estarem à superfície ou no interior do bem e serem de maior ou menor facilidade de remoção.Aplicação de uma protecção na superfície exposta (onde tem a decoração). . Limpeza O processo de tratamento de limpeza de um bem cultural pode consistir numa operação muito simples ou ser um processo bastante demorado. A limpeza é uma das operações mais comuns. .Os ambientes e locais onde permaneceram. . produzindo fracturas ou destacamentos. etc).O uso.Se a sujidade desfigurar o aspecto do bem.Se o bem for poroso e a sujidade puder vir a impregnar-se ou ser arrastada para o seu interior.Aprovisionamento/concepção de caixas/suportes para acondicionamento e/ou transporte. etc. 6 . . dissimulando a sua textura/cor/decoração. Estas matérias estranhas podem ser de diversa ordem e estar relacionadas com. Em casos específicos a limpeza pode também influenciar a continuidade dos tratamentos. estarem incrustadas ou pouco aderentes. Podem também ser necessários realizar algumas acções que facilitem a remoção/desmontagem dos bens integrados (abertura de juntas. remoção de elementos metálicos. As razões que justificam o processo de limpeza como essencial são diversas: . Podem existir em maior ou menor quantidade. provocando manchas.Se a sujidade poder vir a acentuar a deterioração.A época. não considerado como uma intervenção de restauro.

também algumas matérias estranhas ao objecto podem ter algum interesse histórico ou etnográfico e a sua manutenção ser desejável. sendo os métodos mecânicos e com solventes os mais usuais. O exame visual deve anteceder qualquer operação de limpeza.Escovas. acabamento. são essenciais para garantir uma boa adesão dos novos adesivos e um bom ajustamento dos fragmentos. riscos ou desgaste. a eliminação de materiais estranhos das zonas de fractura. embora. no sentido de clarificar que tipo de sujidade. pela sua natureza. . protecção. mancha ou sujidade. no próprio bem (caso não contribua para a sua alteração) ou fora deste (caso esteja a contribuir para a sua degradação). do facto de estar à superfície ou no interior e do estado de conservação dos bens. etc. com uma peça cerâmica de superfície vidrada. Os métodos mecânicos apenas são utilizados para as limpezas de superfície. Alguns materiais. podem ter intencionalmente sido aplicados em determinados bens com distintas finalidades (eliminar a porosidade. são mais susceptíveis se comparadas por exemplo. Tal como nos restauros antigos. Podem ser usados diversos utensílios e ferramentas desde: .Pano macio e seco. entretanto alterados. mancha ou depósito se trata e também a natureza do material e o estado de conservação do bem.Por exemplo. devido a uma deficiente utilização. As superfícies policromadas. Em termos de segurança para o conservador-restaurador os métodos mecânicos são menos agressivos (pois evita-se o uso de solventes tóxicos). podem provocar-se alguns danos tais como. 7 . tais como poeiras. A escolha do método depende do tipo de depósito. sendo os métodos que utilizam solventes também indicados para a limpeza de manchas e sujidades impregnadas.) e não devem ser tidos como uma matéria estranha (embora possam ter que ser igualmente removidos). gorduras ou restos de colas. do grau de aderência. Os métodos mecânicos têm a vantagem de ser mais facilmente controláveis. Os métodos de limpeza podem ser diversificados.

. . .Água (com ou sem detergentes).Micro jacto abrasivo.Lixas. pela particularidade do aparecimento destes nos corpos porosos.Rebarbadora.Pincéis e trinchas. .Detergentes neutros (sem aditivos e são preferíveis aos sabões). . a sua forma de remoção e o tipo de degradação física que 8 . Dessalinização Na prática. a remoção de sais solúveis faz parte do processo de limpeza. No entanto.Bases.Enzimas.Bisturi. A presença de sais solúveis é um caso deste tipo. Existem depois casos particulares de limpeza.Ácidos. . . .Agentes sequestradores. . .Solventes orgânicos. . o tipo de material e o seu estado de conservação. O mais comum é usar um cotonete embebido no solvente ou a aplicação deste num pacho sobre a sujidade.Espátulas. O método de aplicação pode variar consoante a extensão das sujidades e a sua aderência. em zonas de difícil acesso ou em avançado estado de degradação que necessitam de métodos menos comuns ou que necessitam de tratamentos anteriores. ou seja. onde por vezes se tem de recorrer a uma consolidação prévia. . Para a remoção de sujidades e depósitos superficiais e manchas impregnadas podem ser utilizados vários produtos químicos..Minicraft (miniberbequim) com pontas abrasivas ou de corte. Das várias categorias de produtos químicos usados na limpeza de superfícies e na remoção de manchas impregnadas temos: . .Punções e alfinetes. borrachas abrasivas ou canetas de fibra de vidro.

9 . O mais importante é remover os sais do interior dos corpos porosos e a forma de o fazer é através da sua difusão em água. O tipo de infestação pode ser também referenciada através do suporte pelo qual é constituído um determinado bem. A secagem de corpos contaminados por sais. .Agitação/Dispersão. . .Banho estático. sempre que se verifique necessário. alvo de uma análise metodológica mais cuidada.Electrodiálise e electroosmose. podendo ser detectados por simples observação. como uma camada de fino pó branco. . Podem ser usados os seguintes métodos de dessalinização: . Os métodos de remoção de sais solúveis. podem ser diversos e apresentam as suas vantagens e desvantagens em relação ao tipo de bens. . permite que estes precipitem pela evaporação da água.Aplicação de pachos/compressas. mas sim a tensão provocada pela cristalização destes. A presença de sais solúveis pode detectar-se pela presença de finas “agulhas” nas superfícies expostas dos bens e de forma menos evidente. através de alguns métodos de exame e análise ou pela lavagem e verificação da condutividade da água.Limpeza com ultra-sons.provocam nos bens são. A cristalização destes sais ocorre no interior dos bens junto à superfície. A sua presença pode ser induzida pelas formas de degradação apresentadas pelos bens. frequentemente.Lavagem/pulverização de água sobre as superfícies. não é causadora de alteração. nas zonas de fendas e fracturas ou sob o vidrado e camadas policromas. Desinfestação A desinfestação é uma operação corrente no processo de tratamento de bens culturais. . A presença de sais solúveis em si.Lavagem em água corrente.

Os suportes inorgânicos e expostos a condições ambientais propícias.Penetração.Aparência. que devem ser escolhidos consoante o tipo de infestação presente de modo a que este seja o mais eficiente possível.Reversibilidade. as suas dimensões. Existem diversos tipos de agentes biocidas. . algas. designada normalmente.Nos suportes lenhosos ou compostos por fibras vegetais é comum a presença ou vestígios da presença de insectos xilófagos. manifestando alterações como fracturas/fissuras. fungos. térmitas. Caso os bens apresentem uma actividade biológica torna-se necessário a sua eliminação como forma de estabilização do processo de degradação. etc. Consolidação Quando a estrutura/suporte dos bens se encontra de tal forma degradado. . estado de conservação. etc. etc.Tipo de consolidante.) e aplicado por via húmida ou em câmaras de expurgo. Em termos práticos este processo de tratamento consiste em introduzir um material no interior do material de suporte que venha a promover a adesão entre as partículas. O método de aplicação pode ser muito diversificado (consoante o tipo de bem. O agente escolhido deve ser inerte aos materiais que compõem o bem. fungos. é comum o desenvolvimento de microrganismos tais como líquenes. Na escolha dos materiais consolidantes devem de ser tidos em considerados os seguintes requisitos: . por consolidação. carunchos. escamação ou destacamentos. devolvendo a resistência aos bens. . é necessário uma medida de conservação permanente e duradoura. ou quando a superfície se apresenta pulverulenta e sem consistência. O material introduzido no suporte designa-se por consolidante. 10 .

.Impregnação em vácuo. A maioria das resinas é usada em solução. não de uma parte deslocada/separada do bem. seja necessário realizar alguns tratamentos adicionais. .Aplicação por pulverização ou em “spray”. Os solventes menos voláteis e mais penetrantes são os mais indicados para a maioria das situações. sendo usados de forma exclusiva em algumas áreas da conservação. A penetração do consolidante também depende do método de aplicação e do tempo de secagem. como camadas de policromia ou vidrados.Aplicação por pipeta ou gota a gota.As condições ambientais. .Aplicação por injecção. Do ponto de vista prático trata-se de uma pequena colagem. O método de aplicação. . utilizando apenas uma das designações. ou seja. Podem ser usados os seguintes métodos de aplicação do consolidante: . em concentrações baixas. embora dependa do tipo de consolidante. Deste modo pretende-se introduzir um adesivo entre o suporte e a camada em destacamento. Em algumas situações podem até confundir-se os termos. mas também da sua forma e dimensão e do local onde se proceda à consolidação (em laboratório ou in situ).Aplicação a pincel. . por vezes até 15%. . por vezes. esta operação designa-se por fixação. Após a consolidação os bens podem voltar a ser manuseados embora. 11 . De um modo geral são usadas resinas como consolidantes. Fixação Quando se pretende apenas fixar partes em destacamento. mas que se encontra em vias de destacar. sem que exista uma alteração efectiva do suporte. depende igualmente da extensão e do grau de alteração do bem. na ordem dos 5 a 10%. como a limpeza de excessos de consolidante.Por imersão.

Exposição. Devem ser considerados na escolha de um adesivo o tipo de material de que o bem é composto. 12 . . .Evitar a perda dos fragmentos.Viscosidade. . Também se devem referir neste ponto a estabilização de fissuras. que as operações de consolidação servem para estabilizar os suportes e a fixação as camadas superficiais.Compatibilidade. Colagem A colagem é um tratamento bastante usual na conservação e restauro e pode ser motivada por diferentes propósitos. Poder ser efectuada para: . . a sua forma e dimensão. .Reversibilidade. . Como a fixação se efectua de modo pontual.Com seringa. Aparentemente trata-se de uma colagem. quer em relação à escolha do consolidante e às características que deve apresentar.Com micropipeta. .Resistência da ligação do adesivo.A pincel.No que respeita á aplicação deste adesivo devem ser consideradas as observações feitas para o processo de consolidação. . mas o método de aplicação e as características do adesivo (principalmente a sua concentração/viscosidade) são as mesmas usadas para a fixação. . grosso modo.Cor e translucidez. Pode resumir-se. deve ser feita através de meios que permitam controlar a sua aplicação: .Devolver a utilidade/funcionalidade ao bem. o estado de conservação. as condições ambientais de exposição ou armazenamento e as condições de manuseamento durante e após o tratamento.Devolução da forma e do aspecto estético. Em relação ao adesivo devem ser consideradas as seguintes propriedades: .

podem ser suportados pelo seu enterramento parcial numa caixa de areia ou suportado por sacos de areia.Existem fragmentos que necessitem de ser colados com uma ordem específica. molas ou pinças mantendo os fragmentos estáveis durante a colagem e conferindo o aperto necessário. Caso haja necessidade a colagem pode ser ensaiada de diversas formas: .Não de deixam fragmentos por colar. Método de suporte De um modo geral todos os adesivos demoram algum tempo até produzirem uma ligação resistente. o que requer uma forma de suporte temporário na posição desejada. o prazo de validade. A forma mais simples é tirar partido da gravidade. o tipo de armazenamento e os cuidados a ter no manuseamento. usando ou não um suporte para o corpo principal. colocando a fractura na posição de plano horizontal. ou o corpo principal do bem. De uma forma simples os fragmentos. Outro aspecto é no doseamento das quantidades necessárias para cada operação de colagem e a sua toxicidade (ou dos solventes usados). .Existem lacunas. o tempo de trabalho do adesivo após preparação (pot-life) e o tempo de secagem/reacção. .Pela numeração dos fragmentos. .Durabilidade e adaptação às condições ambientais.Através de desenho. . É igualmente importante conhecer os procedimentos de preparação.Pela montagem com fitas adesivas. Não existe nenhuma regra que nos indique a melhor forma de colar os vários fragmentos. Quando existem vários fragmentos a colar é importante estabelecer uma ordem para a colagem de modo a verificar se: . 13 . É importante é avaliar quais as melhores condições de união dos fragmentos e o seu alinhamento. Podem igualmente ser usados grampos..

As resinas naturais são cada vez menos usados na conservação e restauro em substituição dos adesivos sintéticos. usando um solvente apropriado. ou apenas após a secagem/reacção utilizando métodos mecânicos e consequentemente mais agressivos. resíduos de adesivos de colagens anteriores. gorduras. quer seja antes ou após a evaporação do solvente. Os adesivos à base de solventes. Para cada tipo/categoria de resina o procedimento pode ser diferente. principalmente no caso de bens de grandes dimensões. podem ser divididos. A ligação entre fragmentos é relativamente rápida e têm a vantagem de poder ser ajustada ou até mesmo anulada. acrílicos e vinílicos. embora seja. mas existem situações em são convenientes. De um modo geral os adesivos à base de solvente são sempre mais fáceis de remover. normalmente. as quantidades necessárias e o tempo de trabalho da resina. mais comuns em conservação e restauro. etc. O envelhecimento e alteração destas resinas é mais rápido. conferindo pressão com a ajuda de grampos para uma melhor colagem. tendo atenção às concentrações. Os adesivos devem ser previamente preparados. Após a mistura aplicam-se sobre uma das faces da fractura. do ponto de vista químico. adesivos de nitrato de celulose.. Procedimento Antes da colagem é necessário que as zonas de fractura estejam bem limpas de sujidades. de fácil eliminação. A colagem com emulsões de Acetato de Polivinilo (PVA) é mais comum em bens cuja matéria de suporte seja a madeira. em três categorias.O uso de cintas também é comum. devendo a quantidade de adesivo deve ser a menor possível e não permite correcções após a sua reacção. a viscosidade. o tempo de mistura dos componentes. 14 . Os excessos de adesivo devem ser removidos logo após a colagem. A sua aplicação é normalmente feita a pincel sobre ambas as fracturas e após a união das partes. As resinas epóxidas são compostas por dois componentes que se misturam antes da sua aplicação.

deve apresentar uma viscosidade muito baixa para penetrar bem na fissura. A aplicação pode ser executada com a ajuda de um pincel. A montagem destas lascas deve ser testada de forma a averiguar se são coladas com os fragmentos maiores ou apenas no final. necessitando para o efeito de serem consolidadas de forma a evitar o seu prolongamento e consequente fractura. aplicando um adesivo adequado e forçando ligeiramente o ajuste entre as duas partes. Os excessos de adesivo devem ser muito bem limpos. estas deves de ser fixadas/coladas. deve aplicar-se uma ligeira pressão para remoção de excessos de adesivo. Em alguns casos podem ser usados reforços que mantenham o ajuste entre as partes. uma seringa ou uma micropipeta. as fracturas degradadas e quando se reforçam as uniões com espigões. Tal como na colagem devem ser consideradas as características dos materiais para a escolha do adesivo. do tipo de material de suporte e do método de aplicação. caso contrário nunca se conseguirá um bom ajustamento. As fissuras criam nos bens alguma instabilidade física. as lascas. Quando os bens apresentam lascas. 15 . A escolha da resina a usar depende do tipo de fissura. usando um solvente. São elas as fissuras/fendas.As resinas epóxidas são também de fácil remoção antes de reagirem. No entanto. Após a aplicação. seja qual for o tipo de adesivo. Colagens especiais Existem algumas situações específicas que requerem um adesivo com características e métodos de aplicação específicos. Quando esta correcção é possível pode ser efectuada com uma colagem ou consolidação da fissura. Os empenos caracterizam-se pela distorção entre dois fragmentos que não voltam a unir correctamente. os empenos.

como foi referido anteriormente. Quando estes já existem originalmente. A utilização de espigões é usada apenas em situações excepcionais. 16 . oferecendo uma manipulação mais segura. Depois de realizados os dois furos mede-se a sua profundidade e o espigão é cortado um pouco mais curto. podem ser mantidos. mas mesmo em suportes resistentes. pode ser necessário reforçar/substituir os suportes. mas são adicionados materiais “novos” que impedem que as camadas superficiais se degradem. Os furos podem ser inclinados e a colocação do espigão não deve introduzir tensões no suporte. Todavia. caso a sua conservação seja difícil e a sua função estrutural esteja em risco. ao apresentarem-se degradados. pretende devolver a união entre as partículas em suportes ser resistência mecânica.Quando um bem apresenta degradação das zonas de fractura pode ser difícil efectuar a colagem e mantê-la estável enquanto o adesivo reage. Reforço de estruturas de suporte O envelhecimento e degradação dos materiais de suporte ou das estruturas podem contribuir como causa de degradação das camadas superficiais. os materiais de suporte. No caso de materiais com funções apenas de estrutura. uma vez que é necessário perfurar o bem. Deste modo a colagem pode ser realizada através da adição de cargas ou agentes tixotrópicos aos adesivos (para alterar a sua viscosidade) ou então usando um material de preenchimento com propriedades adesivas. A consolidação. podem ser substituídos e manter a sua funcionalidade. pode existir essa necessidade. Por outro lado. ou efectuados em restauros posteriores. Os materiais usados em espigões devem ser estáveis e manter a resistência. O diâmetro do espigão deve ser o menor possível (desde que ofereça a resistência desejada) e o furo deve ter um diâmetro igual ou inferior ao espaço em seu redor. a sua substituição em caso de degradação pode ser uma opção. por questões de prevenção.

devem se ser compatíveis com os originais. . pelo contrário. brilho. A escolha do tipo de material de preenchimento está condicionada pelo tipo de material (principalmente as suas características superficiais .Se é reversível. transparência. . materiais de outra natureza. que não se trata de um preenchimento. . fracturas e pequenas lacunas Quando um bem sofre um choque mecânico violento e se quebra. de modo a não introduzir futuras alterações. Preenchimento de fissuras. de modo a evitar a sua quebra ou para uma melhor manipulação ou exposição. . .Se é durável. . de uma forma menos agressiva para o bem.Se o material de preenchimento é modelado ou vazado.Se é física e quimicamente estável.opacidade. . etc. Deve ser sempre realizado o registo gráfico e/ou fotográfico da substituição/reforço dos suportes.Podem também. tintas ou cargas. etc.) e a sua aplicação com o tipo de reintegração cromática (ou ausência desta) pretendida no final.Se adere bem ao suporte.Se podem ser adicionados pigmentos. . existe sempre alguma perda de material na zona de impacto e de fractura.Se tem uma resistência e densidade adequada. O preenchimento destas zonas numa intervenção de conservação e restauro acontece por questões de carácter estético. penetração de insectos nocivos.Se admite a aplicação de revestimentos de superfície. Os materiais usados neste tipo de operação. ser apenas adicionado pontualmente um reforço estrutural. Na escolha dos materiais de preenchimento também importa saber qual a forma de aplicação e ter em conta as seguinte características: .Se é seguro durante a sua utilização Podem ser usados os mais diversos tipos de materiais: 17 . mas também para conferir maior resistência à colagem e evitar a penetração e acumulação de sujidades. Podem ser usados materiais de preenchimento do mesmo tipo dos materiais originais ou.

da observação de documentos gráficos ou fotográficos do bem ou de bens semelhantes. . . Materiais à base de gesso.da relação de simetria. gatos. . e eticamente aceitável. Reconstituição volumétrica Quando a área de lacuna dos bens é de grandes dimensões. Pastas e resinas epóxidas. Resinas diversas com e sem cargas.Orifícios provocados pela utilização de espigões. a reconstituição das lacunas ou reconstituição volumétrica não é de todo recomendada. . os pequenos preenchimentos não necessitam de materiais de suporte para os materiais de preenchimento. . Gesso. Os tipos de preenchimentos podem ser agrupados consoante a causa da origem do dano e consequente perda de material. podem provocar um efeito inestético. Ao contrário dos preenchimentos de pequenas áreas. devido às dimensões das lacunas. Na maioria dos casos.da observação de outros objectos semelhantes.Lacunas interiores e de maiores dimensões. quando existe uma evidência clara da sua forma através: . etc. para além de poderem causar debilidades ao nível estrutural. A sua reconstrução só deve ser ponderada. Pasta de modelar.Lascas/lacunas nos elementos decorativos mais salientes. . como vimos anteriormente.da continuidade das formas. . A maioria dos suportes são temporários. embora neste processo seja mais comum. pregos. mas em circunstâncias específicas podem ser usadas estruturas que permanecem no interior do preenchimento.Argamassas. Quando não se observam estas premissas.Perda de material ao longo das fracturas. existem situações onde a forma do bem se perde devido a mutilações de grandes dimensões. 18 .do efeito de simetria por revolução. .

quer por moldagem.Limas. ou então a cópia de uma área simétrica no mesmo bem. . Dependendo do tipo de material de preenchimento e do tipo de superfície do bem cultural.Minicraft com pontas de corte e abrasivos.Pastas abrasivas e de polimento. . A moldagem é um processo mais rápido e mais exacto.As lacunas de grandes dimensões podem ser reconstituídas quer por modelação. . do volume de excessos. Caso a reconstituição seja obtida por moldagem. . etc. . Recorre-se à modelação quando apenas temos como referência uma imagem e não o objecto em si ou quando se assume a continuidade das formas. também o tipo de acabamento pode variar. da posição e acessibilidade do preenchimento. Dependendo do material usado no preenchimento. O preenchimento das lacunas pode ser feito directamente na zona de lacuna ou modelado à parte e depois inserido na área a preencher. Nivelamento/polimento O corte de excessos e o nivelamento/polimento é uma parte essencial do processo de preenchimento.Camurça. necessitar de corte de excessos e nivelamento. nem com o material de preenchimento. podemos utilizar diferentes materiais e utensílios para corte e abrasão: . 19 . . As superfícies do preenchimento podem ficar finalizadas apenas com um polimento final ou. mas implica a existência de um bem idêntico de modo a copiar a zona em falta. o material do molde não deve interagir com os bens. e ser de fácil remoção.Pedra de ágata.Lixas/papéis abrasivos. que elimina as irregularidades de superfície.Bisturi.

são desmontados ou removidos dos seus suportes originais necessitam de voltar a ser montados ou recolocados. implica. os bens voltam a integrar os espaços para onde foram concebidos. de preferência com os tons mais aproximados. O preenchimento de azulejos em falta é uma forma de completar o painel e evitar que se mantenham áreas rebaixadas ou preenchidas à face do azulejo com argamassas. .O tipo de superfície do bem também deve ser considerado na altura de escolher a melhor forma de efectuar o nivelamento. . como vimos anteriormente. e na maioria dos casos é o que acontece. a prática mais comum nesta área da conservação e restauro tem mostrado o contrário. por diversas razões. essencialmente. Neste caso.Por passarem a integrar colecções museológicas.Pelo facto de terem sido deslocados e com o tempo se perder a sua referência original. É sempre desejável. isso pode não acontecer: . evitando assim danos nas superfícies. por razões estéticas. Manufactura de réplicas A manufactura de réplicas em azulejos é um caso particular do preenchimento de elementos em falta. No entanto. a criação de uma réplica (um elemento novo). No entanto. recriando-se variados desenhos de painéis e criando-se as respectivas cópias. quer o preenchimento ao nível do suporte. neste caso no painel. Apenas se devem criar réplicas dos elementos que sejam a continuidade das formas dos azulejos envolventes ou no caso de pertencerem a uma composição em padrão. quer ao nível da decoração. Os elementos novos devem de ser marcados no seu tardóz com a referência ao ano da sua produção e aplicação. 20 .Em caso de destruição/ruína do edifício onde pertenciam. Montagem/recolocação de bens desmontados Quando os bens.

. quer deste ao edifício que integra. . . esses materiais devem ser compatíveis e não contribuir para a alteração do bem. .Reintegração cromática.Preenchimento de lacunas ao nível do suporte.Por terem sido roubados e não serem reclamados (por desconhecimento da sua recuperação). Quando os bens são desmontados. apenas possíveis após a sua montagem/recolocação. tal como a limpeza ou a colagem. existe a necessidade de serem aplicados novos materiais para o seu assentamento.Preenchimento de lacunas ao nível do vidrado. No caso dos painéis de azulejos torna-se necessário: . a sua montagem implica. 21 .Por razões de conservação e segurança contra vandalismo/furto. geralmente. Quando são removidos e se elimina os materiais que realizavam a sua fixação ao suporte. Quando a montagem do bem implica a aplicação de elementos que promovam a ligação das várias partes.Preenchimento de juntas. A reintegração cromática pretende eliminar o efeito contrastante dos materiais de preenchimento. De um modo geral é quase sempre necessário a realização de trabalhos suplementares. Em qualquer um dos casos. os materiais novos a aplicar devem ser idênticos aos materiais originais (com propriedades idênticas) ou caso não seja aconselhável. a aplicação de novos elementos para a fixação e suporte. torna-se necessário efectuar alguns preenchimentos na zona de junção das partes e a sua eventual reintegração. . Reintegração cromática O processo de reintegração cromática é o único que não se pode considerar como uma técnica de conservação. quer seja entre as diversas partes constituintes do bem. integrando-os cromaticamente.

deve cuidar-se para que as reintegrações não cubram partes originais do bem. Da mesma forma. que é levado a diferentes estádios. quer em relação à execução dos preenchimentos. 22 . Neste sentido. e deve de respeitar a essência do bem. Em relação aos materiais usados na reintegração podem ser de diversa ordem. A reintegração cromática é um último retoque superficial que apenas denota um valor estético. esta operação nunca deve ser uma tentativa de enganar ou iludir ninguém. quer em relação à aplicação das cores. Na prática. que se sobreponham apenas aos preenchimentos. Dependentemente do tipo de opção de reintegração (ou assumir apenas o preenchimento. disfarçando as várias fases da intervenção (colagens e preenchimentos). a reintegração também não deve ser utilizada para dissimular manchas ou sujidades não removidas durante a limpeza. Cada técnica apresenta as suas vantagens e desvantagens.O relevo ou importância que é atribuído a determinados bens. colorido ou não) é importante decidi-lo antes de iniciar o tratamento. pela especificidade dos materiais. Independentemente das técnicas usadas na reintegração cromática. mas sim uma forma de criar uma situação esteticamente confortável à sensibilidade do observador. pode servir como pretexto e justificação da reintegração cromática dos preenchimentos. a reintegração cromática tem por objectivo tornar os preenchimentos menos óbvios. tornando-as objecto de exposição e simbologia para um grupo populacional alargado ou simplesmente de recordação pessoal de um determinado momento ou experiência. Em cada área da conservação. consoante a técnica escolhida. São também diferentes as correntes teóricas que sustentam o desenvolvimento das várias práticas da actividade da conservação e restauro. ou seja. uma vez que isso pode condicionar outras fases do processo de intervenção. de uma forma mais ou menos perceptível. também se foram desenvolvendo e enraizando algumas técnicas em detrimento de outras. utilização/funcionalidade ou da sua integração espacial.