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                                                                                                                                   Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                             

BAUDRILLARD: ESPECULAÇÕES ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE CORPO E A
MODA E OUTROS TEÓRICOS QUE CONVERGEM PARA O TEMA

Aldo Ambrózio 1
Universidade Anhembi Morumbi

Paulo Alexandre C de Vasconcelos 2
Universidade Anhembi Morumbi –Eca -Usp

RESUMO

Refletir sobre Baudrillard é pensar também no consumo, e porque não na moda, este breve
artigo busca fazer uma passagem, ainda que geral, rápida ,sobre a obra do filósofo, adentrando
nos vieses paradigmáticos conceituais do mesmo e de outros autores ao circunscrever as
relações entre produção, consumo e moda-corpo e as implicações destas decorrentes, com as
questão do corpo, consumo e de uma pseudo-conciência da moda.

Palavras Chave: Baudrillard; Produção/Consumo; Moda e Subjetividades.

ABSTRACT

To think about Baudrillard is to think also about the consumption, and because not in the
fashion, this short article looks to do a passage, still general what, quick, on the work of the
philosopher, entering in the slants paradigmatics you conceptualize of the same thing and of
other authors while circumscribing the relations between production, consumption and
fashion-body and the implications of these resulting ones, with the question of the body,
consumption and of a pseudo-concience of the fashion.

Key Words: Baudrillard; Production / Consumption; Fashion and Subjectivities.
                                                            
1
 Mestre em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo. Doutorando em Psicologia Clínica pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Bolsista pela CAPES. É professor convidado da Universidade
Anhembi Morumbi. Possui artigos publicados em anais de congresso nacionais e internacionais. É pesquisador
nos temas: poder; subjetividades e sua relação com o contemporâneo. E-mail: aldoamb@uol.com.br.
2
 Doutor pela Eca Usp, com a obra Baudrillard do Texto ao Pretexto-1999, Alexa Editorial 2004, tendo outras
obras publicadas na área de Comunicação, consumo e imaginário,bem como artigos em publicações Nacionais e
Internacionais; docente da Anhembi Morumbi, professor credenciado - convidado Eca Usp na disciplina
Consumo Estratificado da Produção Cultural. Pesquisador nas áreas: Comunicação Consumo, Moda e
imaginário. E-mail:paulovas@gmail.com. 

então. e. discutiu o tempo.Nanterre. para além do contemporâneo ou mesmo um tempo que ainda não conseguimos denominá-lo. mas em um campo mais amplo da ordem do consumo. inclusive.Por uma Crítica a Economia Política do Signo. assume uma postura de um filósofo/pensador iconoclasta. dos objetos. Seguiram-se. o que na verdade corresponderiam respectivamente aos seus títulos: Sistema dos Objetos . foi para Jean Baudrillard um mote nas suas reflexões. ou. das trocas. onde. obteve sua primeira pós para. numa visão de envolvimento do corpo e do erótico e porque não da moda como instância do comportamento amalgamado pela ordem desses valores advindos da publicidade. em que há na seqüência a morte de Barthes. destacadamente. para um novo tempo que denominaremos como quisermos. da sedução. além de elegermos. “For a Political Economy of the Sign” (1972). o que se percebe é uma mudança forte na sua escrita e nas suas abordagens. Esta última. em 1966 com influência decisiva da obra O sistema da Moda de Roland Barthes. Baudrillard nasceu em Reims. principalmente. seja o pós-moderno. entre outras coisas. em que. outros livros: “A Sociedade de Consumo” (1970). trazendo de modo novo a Semiologia e a Psicanálise ao seu discurso. publicar “O sistema dos Objetos”. Mesmo sem assumir tal fato. França. em seguida. em 20 de julho de 1929. isto já coincide com a metade da década 1980. como o próprio relatou: “Um paroxista indiferente”. o corpo e a existência do homem face às novas ordens de valores aos quais. marca sua crítica e descrição de uma pós-modernidade. Faleceu em março de 2007. o consumo e a força do signo.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              UM PERFIL DO AUTOR E OBRA A busca de reflexões sobre a contemporaneidade e. A obra de Baudrillard estréia para nós brasileiros nas suas três grandes reflexões sobre o objeto. juntamente com Henri Lefebvre. fizemos deles um cenário para tramarmos nossa convivência. . Lecionou na Universidade de Paris X.Sociedade do Consumo. À época. Estas obras já nos chamavam atenção pela trama do consumo em que ele tenta re-argumentar. e aqui seu mérito em redimensionar a moda em que pese não tratá-la por esta denominação.

de modo a trazer um perfil diferente. crítico. 1978). o aleatório e o caos. 1997). quase como um verdadeiro inventário. 1999). A visibilidade discursiva o tragou para um novo espaço social. com ele. o virtual. para detectar alguns fundamentos epistêmicos de seu pensamento bem como os principais eixos temáticos sobre os quais ele se apoiou para tramar os aportes teóricos que. sobre este tipo de comunicação que. entre outras coisas. podemos enfatizar: o objeto. Em toda sua obra escolheu um patamar filosófico. não se furtaria a falar da publicidade – matéria sobre a qual soube investir com tanta força – observando discretamente a moda como um dos seus vieses. Sociedade do Espetáculo (DEBORD. redesenhado e reconfigurado para uma nova ordem do além do humano. 2002). . da ordem dos valores para assim desfiar suas considerações sócio-filosóficas. formatando-o na ordem das aparências para ainda não falarmos da ordem simulacral. Baudrillard (2001) fez um apanhado de sua obra total. Império (HARDT e NEGRI. o corpo foi submetido. ao falar do consumo aponta para discursos visíveis e. 2000).                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              Baudrillard busca uma nova contribuição ao entendimento do sujeito. o obsceno. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTEMPORÂNEO Falar da moda é entrar em uma discussão sobre os processos que a fazem funcionar em meio a uma sociedade contemporânea que é classificada por variadas denominações: Sociedade do Consumo (BAUDRILLARD. dentro dessa exacerbação do consumo face às estratégias da sexualidade e do imaginário sedutor expostos na visibilidade sígnica. A ordem dos valores como paradigma da cultura em que. Sociedades de controle (DELEUZE. Baudrillard. a transparência. o valor. neste aspecto. poderíamos continuar ad infinitum em tais classificações sobre o que nos acontece no momento hodierno. partindo desses seus novos encaminhamentos reflexivos. recebe um estudo denso. nesta primeira fase de sua obra. a sedução. Em Senhas. e assim. entre eles. foi atarraxado por novas próteses que intermedeiam a existência e a condição de sujeito discursivo. Capitalismo Tardio (Mandel.

criatividade e compromisso com os objetivos da empresa. uma distinção do que é produzido e do volume dessa produção. por fim. ao se referir a isso. Hardt e Negri (2002) assim como Gorz (2003) e Lazarrato (2001) nos dirão que se trata da exploração do trabalho imaterial em substituição à exploração do trabalho material que era observada no momento anterior do modo de produção capitalista. um capitalismo de sobre-produção. Quanto à força de trabalho. . Para entendermos essas mutações no funcionamento do capitalismo contemporâneo descritas por Deleuze (2000). e de propriedade. para a produção. como o era durante todo o século XIX e até meados do século XX. mas sim. o reino da produção. Gounet (2002). se acompanharmos a descrição desses pensadores. Onho (1997) e Coriat (1994). Uma pergunta pertinente para isso seria: o que aconteceu com o reino da produção nesse período que marca nossa experiência contemporânea? Harvey (2003). Deleuze (2000). destacando aí: habilidade de gestão dos recursos de produção. a organização da localização dos equipamentos de produção e. apesar das diferenças terminológicas.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              Contudo. com a cabeça erguida. nos apontam uma transformação dos aparelhos produtivos que envolvem: a organização do uso da força de trabalho. nos dirá que já não se trata de um capitalismo de concentração. observaremos que as exigências deslocam-se de um uso rotinizado da força física dos trabalhadores para a busca da exploração de suas habilidades intelectuais. em uma cartografia na qual o que gostaríamos de levantar seriam as imbricações entre o corpo e a moda. ou monta peças destacadas e que quer vender serviços para com isso comprar ações. que agora compra produtos acabados. faz-se necessário atendermos o conselho do velho Marx (1998) que nos convidou a abandonarmos a esfera ruidosa da circulação e adentrarmos. basta levantarmos um aspecto comum a todas essas leituras do momento em que vivemos: as mutações operadas no funcionamento do capitalismo no período posterior às crises do Petróleo em finais da década de 1970.

não obstante. e sua substituição pela célula. própria da organização fordista. a extinção da linha de produção. Como na esfera financeira o giro do capital 3 é mais rápido e a taxa de remuneração 4 mais elevada do que no                                                              3   Trata-se do tempo decorrido entre o investimento inicial (momento em que o dinheiro deixa as mãos do capitalista) e o retorno desse investimento (momento em que o dinheiro retorna às mãos do capitalista). Essa diversificação e estilização da produção são acompanhadas. na determinação do sentido da acumulação. onde: D = Capital Dinheiro. D’ = D + ∆D. 4 Trata-se do percentual sobre o investimento inicial que é ganho pelo capitalista em uma operação de investimento qualquer.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              Quanto à organização dos equipamentos no interior dos aparelhos produtivos é observado. ∆D representando o acréscimo auferido pelo capitalista na aplicação. quanto mais se falava que os produtos tinham qualidade. M = Objeto ao qual o capital dinheiro foi aplicado. própria da organização toyotista. sintomas que levou Antunes (2003) a classificar como falaciosos os discursos de qualidade total que acompanharam essas modificações na base produtiva das empresas. o que é resultado das mutações anteriores. por uma obsolescência tanto material quanto estética dos produtos. deixa-se de se produzir – em um único aparelho produtivo – uma pequena variedade de produtos em grandes lotes e passa-se a produzir uma extensa variedade de produtos em pequenos lotes abrindo-se espaço para a grande variedade de estilos que marcam os produtos contemporâneos. A tese desses autores firma-se na especulação em torno das diferenças no tempo de giro do capital e das taxas de remuneração entre as esferas financeira e produtiva. no consumo. . Chesnais (1996) e Carcanholo e Nakatani (1999) na qual é apresentada uma transferência da hegemonia. do capital produtivo para o capital fictício resultando em uma financeirização crescente dos investimentos na economia capitalista mundial. ou seja. menos eles eram duráveis tanto materialmente quanto esteticamente. Por fim. a que nos parece mais significativa é a apresentada por Harvey (2003). por esses autores. Poderíamos enumerar variadas razões para essas transformações nos aparelhos produtivos. Esse ciclo é descrito da seguinte maneira: D-M-D’.

esse. como subjetivamente. pois. consumo e sujeitos que consomem não é recente. A necessidade que sente deste objeto é criada pela percepção do mesmo. Portanto. A fome é fome.. o setor produtivo teve de passar por uma série de reestruturações no momento em que ocorreu essa financeirização da economia. o objeto do consumo.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              setor produtivo. cria um público capaz de compreender a arte e de apreciar a beleza. A produção não produz. não só objetiva. E. É por essas razões que Deleuze (2000) classificou esse capitalismo como de sobre-produção identificando seus interesses na venda de serviços e na compra de ações que marcam justamente esse deslocamento da hegemonia do setor produtivo para a esfera financeira. [. Segundo tal conceito do mundo das finanças a gestão produtiva e administrativa de uma empresa devem funcionar segundo o princípio do aumento crescente da riqueza dos acionistas. Marx (1978. é uma fome muito distinta da que se devora carne crua..                                                              5 Tal subordinação é visível por meio do conceito de governança corporativa. 108) já atentava para isso quando afirmava. se constatamos a ocorrência de transformações naquela é de se pensar que essa também sofreu profundas mutações nesse período posterior ao fim da década de 1970. então. a produção cria o consumidor. mas a fome que se satisfaz com carne cozida. p. está subordinado à esfera financeira 5 . já que. Abrimos a discussão. Logo. estamos falando de indivíduos que consomem. que se come com faca ou garfo. o qual podemos datar o início em fins da década de 1970 com as crises do petróleo. como quando falamos de consumo. tal como qualquer produto. A observação dessa simbiose entre produção. é mediado pelo objeto. mas também um sujeito para o objeto. para suprir as elevadas taxas de remuneração auferidas na esfera financeira. não dá para não estabelecer também uma relação direta dessas transformações na produção e no consumo com transformações no tipo de consumidor que surgiu nesse período. Desse modo.] o próprio consumo. Pode parecer estranho uma discussão tão abrangente sobre economia política em um artigo que tem como objetivo traçar imbricações entre o corpo e a moda. pensamos que a esfera da produção está intrinsecamente ligada à esfera do consumo e. ou seja. contudo. vê-se obrigado tanto a reduzir o tempo de giro quanto aumentar as taxas de remuneração. para a produção de subjetividades. mas também o modo de consumo. O objeto de arte. a produção não cria somente um objeto para o sujeito. com unhas e dentes.     . como impulso.

p. com rapidez incrível e com uma consciência do fim jamais vista na História. no âmbito público e no privado. que levaram a formação de uma “moral dos produtores” e uma “ética do trabalho”. com essa constatação. Era necessário que o cenário social. 1998.] As iniciativas “puritanas” só têm o objetivo de conservar. mediada por uma disciplinarização da força de trabalho. dentro e fora da fábrica. político e econômico também fosse embarcado em sua lógica. Para que o fordismo pudesse ter sustentação e se estabelecer como modelo hegemônico de organização produtiva. um determinado equilíbrio psicofísico que impeça o colapso fisiológico do trabalhador. [.                                                              6   O "americanismo" é um instrumento para a existência do "fordismo".. o significado e o alcance objetivo do fenômeno americano. Nesse aspecto. 397). Assim sendo. estaria desprezando qualquer possibilidade de compreender a importância. a racionalização do trabalho e o proibicionismo estão indubitavelmente ligados: os inquéritos dos industriais sobre a vida íntima dos operários. é também um modo de vida físico e psicológico. o fordismo ganhou extensão. O fordismo é o que passa a ser o modo mais eficiente para se acumular capital. os serviços de inspeção usados por algumas empresas para controlas a “moralidade” dos operários são necessidades do novo método de trabalho. E. prolongando-se da fábrica à casa dos operários passando pelo aparelho jurídico. falar da estética de uma organização produtiva é falar também da estética dos sujeitos no momento dessa organização. ouçamos. até as mais específicas como a Lei Seca.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              Também em Gramsci (1998) podemos ver que o americanismo 6 e o fordismo não foram simples formas de organização do trabalho através da articulação da produção. premido pelo novo método de produção (GRAMSCI.  . era necessária a criação de uma sociedade de trabalho. não era necessária apenas a racionalização dos seus processos ou a utilização de suas linhas móveis de montagem. fora do trabalho. Quem risse destas iniciativas (mesmo falidas) e visse nelas apenas uma manifestação hipócrita de “puritanismo”. Na América. O americanismo não é somente um método de trabalho. é a regulamentação racional da sociedade. que é também o maior esforço coletivo realizado até agora pra criar. com formulações de leis desde as mais gerais. é a racionalização que ganha vida nos diversos âmbitos da realidade para potencializar a acumulação de capital.. quando observamos o cenário contemporâneo. o que vemos então modificar-se nesse período em que os aparelhos produtivos se reestruturaram foi todo um modo com se dava o consumo. como as que regulavam o trabalho. um tipo novo de trabalhador e de homem.

assim. nessa distinção do gosto em consumir. Não é difícil de perceber que a moda ocupa aí todo um papel na produção desse sujeito que se sinta atraído pela diferença ao efetuar o ato do consumo. toda essa transformação nos aparelhos produtivos que deixam de fabricar grandes lotes de produtos duráveis e homogêneos no fordismo e passam a fabricar pequenos lotes de objetos diferenciados no toyotismo. diferentemente disso. Fixamos-nos sobre o estágio de seres implicados na matéria que nos faz emergir no visível e do ser na condição do ter. tendo. como o era na época da estética da estabilidade pregada pelo fordismo. com essas transformações. Destarte. para que um aparelho produtivo possa produzir coisas variadas é necessário que os consumidores tenham gosto pela diferença em vez da identidade. mas.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              Se antes o mesmo funcionava por meio de uma estética da estabilidade e da identidade. o faz sustentado pelos objetos que o cerca e que compõem seu cenário para a sua estada social. em buscarem objetos duráveis e que permitam a eles identificarem-se em um conjunto homogêneo de outros sujeitos. somos e estamos. O CORPO E A TRAMA Em Baudrillard. além de ancorar na ordem dos sistemas dos valores. ao consumir. lapidamos o viver e nos acercamos da . mas. Tal cenário compõe a trama com a qual a sociedade de consumo se estrutura e tem como seu álibi a corporeidade que necessitamos para ser e estar. o consumo passou a se dar por meio de uma estética da diferença e da diferenciação. o corpo foi sempre tratado como aquele que. re-configurando ordens novas do valor. Vemos aí. O que quer dizer que os sujeitos não têm mais a preocupação. o que desperta a atenção dos consumidores são objetos fugazes e que permitam que os mesmos se distingam em um determinado meio social. começaremos. Não que essa relação seja direta. em uma espécie de triunvirato. assim. no que a obra de Jean Baudrillard nos será de grande auxílio. uma descrição mais detalhada dessa relação da moda com a produção desse corpo consumidor.

                                                                                                                                                                                                                                                              Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              ritualidade primitiva. novos esquemas de valores se estabelecem e os enredam em esteiras intermináveis Se a ordem do pensar. é uma ossatura de signos. estabelecendo nova resignificação de valores. cuja engrenagem enreda a mais completa teia de sentidos e razões e perpetram todas as cadeias e campos de sentidos e signos. portanto. Desta feita. sem que com isso se excluam para operarem. cujo processo é um ad continuum. de valores que conceituam. sob uma nova ordem de sentido. aos pêlos. mesmo que de maneira velada. ressignificando-o para reconsiderá-lo como mais importante objeto de sentido e do consumo. a ordem de valor. é ressignificada para construir novos poderes e importância. sob a forma de objetos que compõem um círculo de práticas materiais adjudicadas pelas noções conceituais. a que garante a visibilidade do sujeito. sorriso. tornou a sexualidade como um solo complicado. Sobre ele se desenvolvem todas as cadeias operantes de signos que o faz transbordar entre o sagrado e profano. O campo dos sentidos – campo determinante para o desenho do sujeito. compondo as estruturas de realização do humano. seja até mesmo por uma situação de incoerência. A condição dos gêneros em feminino e masculino dá nova perspectiva ao corpo e se desdobra quanto à ordem do humano redizendo novas eficácias e novas ordens de valores. redizendo o corpo e detalhando-o de valores. . esta mesma ordem transversou outras já fundadas e se cruzam. segundo Baudrillard. O corpo. Esse emaranhado de valores. e. portanto. toda malha performática é perscrutada pela ordem do sentido. Desde a pele à ossatura. mas realiza um arcabouço de ordem de valores. da consciência e da linguagem nos tornaram eficientes ao sujeito do sentido e do significado. ao assumir patamares de exposição. em que os signos passam a ordenar a existência. A cada ordem de valor consagrada e fundantes. sua subjetividade e seu convívio – está subordinado ao desenho dos signos e nos permite dar coerência ao ser e ao estar. vislumbram signagens. mesmo que aparente. ou não. do desejo e de trama de operantes. nisto se realizam e emergem os corpos. A sexualidade se coloca dentro deste patamar e estabelece nova ordem de valor. dizem.

desta feita.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              O corpo tangencia toda uma estrutura de alinhamento consciente e inconsciente tornando inevitável a captura do sujeito numa ordem de sentido real ou Imaginário.o corpo . rarefeito e determinante para toda ordem de sedução aliciatória. As linguagens. requer e seduz. O corpo é máquina. ele reverbera incessantemente atiçando poderes pelas linguagens possíveis. se confundem e não mais convivem em campos paralelos. por desdém. fetiche e simulação. e. pede e recomenda o mesmo. e faz da sexualidade o tônus que o decora. em que objetos e toda uma centena de discursos e jogos semânticos lhe absorvem e são absorvidos para manter seu tônus verbo-imagético atualizado nas possíveis conformidades do possível. A estrutura corporal redefine as mesmas ordens anteriores no campo do sagrado e do profano e agora os dois se fundem. enquanto força motriz e depois o tragou para sua subserviência ao manipulá- lo nos tangenciamentos maquínicos para além de um real. o corpo é a mais bela vitrine e álibi. o enredam numa artimanha incomensurável.circuito. se utilizou dele . As próteses convergem para o apelo . enclausurando o corpo. O hiper real. ultrapassando os limites do ser para um além do ser e vindo a conjugar o ter. mas é um contrato com a diversidade de aglutinamentos que a técnica impõe. A Economia. a que se refere Baudrillard. O corpo. como nos apontou Baudrillard. diz o consumo. dito e visto. se mistura e se confunde. Neste reverberamento do maquínico na dimensão explosiva da visibilidade da mídia. signo de uma engrenagem de poder aliciante e aliciador. para redesenhar o sujeito e mantê-lo sob a égide do mais alto estereótipo alucinatório e poder metafórico. O sujeito sempre se põe ao centro definindo outras ordens e transversando a mesma em um sistema . Todas as ordens anteriores que objetivavam o homem na sua diversidade de valores e direitos se negociam para abrir mais portas que. para assegurar o estar. permeado pelos apetrechos das ordens do valor publicitário. por corpus seducione. por sub-julgamento.fazendo a revolução do capitalismo. redecora e vitaliza. como tal. A pele. estar este que rediz a condição do sujeito objetivado da consciência. que opera. a ossatura já não amalgama apenas o biológico. A publicidade mantém vivo. determina o seqüestro do corpo e não sabe mais delimitá-lo.

portanto. este amalgamento que não diz apenas o corpo. é na verdade da ordem do discurso. como uma lógica de exposição e ostentação de signos que é e vai além “da ordem ritual”. perscruta. e ao mesmo tempo pacto do consumo. no que trata da moda. onde se poderia notar em maior grau a ascendência do parecer sobre o ser numa fórmula mais consagrada. acabar e renovar ad eternum. mas de sentir e redizer e reconduzir. A moda é esta circularidade. é resgatado por Coelho ao flagrar numa das características da pós-modernidade. onde se poderia observar uma liberdade sexual muito mais representada. sugerida do que efetivamente praticada. não se correlacionando com o adorno. mas a inclusão da moda como traço da modernidade. insinua. A moda é um espectro de vigilância do ser e da sua capacidade de querer mais. A moda é pacto na estrutura do ser enquanto. Esse cordão circular que envolve a pele e o corpo é sempre detonado por uma ordem simbólica que. sob esse ângulo. a vida é dita pelo consumo.1999) refiro-me a “A moda”. detonam o corpo e ele agora é o mais belo narciso que cegou e não mais se enxergam senão pelo outro. além de dizer.” Aqui o autor chama atenção. negando-o ou o consolidando. redizendo-o . 1995) estaria a moda. é opaco. mas que não espelha. discurso como uma grande trama de sentido cujo único ápice é a discursividade simuladora que faz brilhar um não mais real. para se perceber como às vezes aleatoriamente podemos tomar um dado isolado e o . liquidas. por exemplo. A MODA COMO CONSCIÊNCIA Em outra obra minha (Vasconcelos. indaga. é apressada e muito mais um recurso jornalístico de enfatização e exacerbação do que uma exigência da analise. consolida o estar. válvulas. pelo existir. próteses. pinos.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              do mais humano. mas um hiper- real que atende somente ao desejo simulado Baudrillard. é uma pele inteligente no sentido de não apenas dizer. “ao se referir a um dos traços da pós-modernidade” (Coelho. mas o plasma numa arquitetura do social. numa fome sem fim de sentidos para com isso acreditar que ao dizer e expor.

(Coelho apud Vasconcelos. para ele no século XVI. alinhavar. de um conhecimento de estar. portanto. O corpo amplia-se nesta tal circularidade que exige perscrutar os ambientes e. detona uma aura de expressão em que o eu anseia por expansão para se locupletar. Dessa forma. e. Nessa mudança de peles. “não há nada na moda da modernidade que já não esteja na moda da antigüidade”. é um modo de ser. Ou seja. de um conhecimento com. neste sentido. a este modus. dizer e localizar. é esta linha que borda e reborda os sujeitos e constitui o álibi da moda. de rituais e de formas. na consciência pura ou comprometida. Os objetos. ou seja. esse contorno que amplia a corporeidade e ascende a um patamar de consciência. ela não quer perguntar de fundamentos da ideologia. por conteúdo de algo que me afeta. Este autor ao falar dos nobres italianos sugere um vestir que deve combinar com alguns ditames de cor e forma como aqueles já apregoados na Espanha. Ela reflexiona a si dizendo e apontando para si. se reflete. como diz o próprio Teixeira. pois ela é uma ideologia. e assim ser. dar acabamento. ela não é mais o corpo. como de igual modo não são tanto da modernidade. ela é o ser em extensão de sentido. por destilar sentidos que se evaporam e ao fazê-lo. é cerzir. opera o estágio de um contínuo em se que se afirma inclusive o movimento. pertencem a esta circularidade. chulear e assim constituir os sujeitos na moda. pois. tão moderno. estende o entendimento da moda. A moda é fusão por abranger o entorno. a moda já está exercendo seu papel e para tanto aponta a obra O Cortezão. Se a consciência é estar com. ela não se indaga senão a dizer de si. ela se inscreve na ordem dos sentidos como já dissemos. A moda é esta possibilidade de. agregados que são da pele e da moda. A cultura. com isso. a moda é este desenho de expressão que quer dizer a consciência.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              generalizarmos. de querer ou poder estar.1999) Entendida a moda como uma ritualística e para além. de Baltazar Castiglione. A moda é espelho. ela se vê. Conclui Teixeira apontando para a moda não como fenômeno moderno. de se compreender. as reflexões sobre o que se fala dela na atualidade. mas ela produz um estágio de consciência que é o estar. a moda é . é ter. renovar o homo consumans e o faz na mudança de peles. mas sua ambiência. ou melhor.

neste sentido amplo. o autor ao enveredar pelas estratégias fatais. por indagar do ser. influenciar. 1992. em que os sentidos ecoam. Essa palavra – SISTEMA . ela furou o bloqueio de classes ou dos paradigmas ortodoxos de classe social. ela tem faces múltiplas e constrói a diversidade de consciência simbólica. não só a midiática. O objeto. p. é um laboratório de si em permanente mudança. para operar num novo real. dizem.                                                                                                                                                                                                                                                               Ano 1 ‐ N º 03  Dez‐ 2008                              poder. estádio de comportamento é da ordem não mais apenas do imaginário e sim da mais referencialidade da mais verdade. e torna-se assim como cita o autor “ uma degradação rumo a evidência terrorista do corpo”(BAUDRILLARD. nesta mesma ordem opera o fetiche eu. ou multiplicar o que foi dito pelo poder de dizer e de ter uma consciência. como diz Baudrillard (1990. se mostram e têm um poder de serem vistos. sendo assim. O mundo da moda entendido não só como vestuário. e isto ela faz com a publicidade. aquilo que dita comportamentos e viabiliza o consumo é da esfera do visível publico que se oferece como valor e precipita uma subjetividade mapeada pelos solos da estética e torna assim o sujeito solapado na ordem do objeto absoluto. A cultura da moda é a indistinção do corpo e do rosto vislumbrado apenas as aparências.42) Essa moda. o corpo assim extradita a subjetividade. é uma convergência de sentidos. e em representando. por estar a ser. Para não mais falarmos de consciência de classe. aliás diríamos que a moda nada mais é que essa êxtase laboratorial da cultura. . Nesta mesma via de consideração. enfim de expressar tendo o direito de ser retida e multiplicada. mas. mas toda e qualquer forma de publicização. 98):” O fetiche opera o milagre de apagar toda acidentalidade do mundo e de a substituir por uma necessidade absoluta”. p. e nesta perspectiva o objeto é sedução total. A publicidade. mesmo que a moda insista em dizê-lo que assim faz o realce da subk . da consciência em desvario por querer ser.como bem pensou Barthes. é este empurra do tornar mais o que é menos. mais real que o real. Essa forma de circularidade que a moda propõe. ser entendida. da mais exatidão. já que a moda nos chutou para mais adiante. que teria a moda como ordem de valor e assunção da mercadoria absoluta. de lógicas que se aglutinam num lusco e fusco de trocas e. compreendida. essa circularidade é um sistema. conforme apontamentos de Bourdieu (1982).

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