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1.

DECISÕES DO STF RELATIVAS À INEXIGIBILIDADE DE FORMAÇÃO


SUPERIOR PARA O EXERCÍCIO DO JORNALISMO

Nota: O Plenário do STF, no julgamento do RE 511.961, declarou como não


recepcionado pela Constituição de 1988 o art. 4º, V, do Decreto-Lei 972/1969, que
exigia diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista.

Nota: O Plenário do STF, no julgamento da ADPF 130, declarou como não


recepcionado pela Constituição de 1988 todo o conjunto de dispositivos da Lei de
Imprensa (Lei 5.250/1967).

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a


informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer
restrição, observado o disposto nesta Constituição.

"O jornalismo> é uma profissão diferenciada por sua estreita


vinculação ao pleno exercício das liberdades de expressão e de
informação. O <jornalismo> é a própria manifestação e difusão do
pensamento e da informação de forma contínua, profissional e
remunerada. Os jornalistas são aquelas pessoas que se dedicam
profissionalmente ao exercício pleno da liberdade de expressão. O
<jornalismo> e a liberdade de expressão, portanto, são atividades
que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser
pensadas e tratadas de forma separada. Isso implica, logicamente,
que a interpretação do art. 5º, XIII, da Constituição, na hipótese da
profissão de jornalista, se faça, impreterivelmente, em conjunto com
os preceitos do art. 5º, IV, IX, XIV, e do art. 220 da Constituição, que
asseguram as liberdades de expressão, de informação e de
comunicação em geral. (...) No campo da profissão de jornalista, não
há espaço para a regulação estatal quanto às qualificações
profissionais. O art. 5º, IV, IX, XIV, e o art. 220 não autorizam o
controle, por parte do Estado, quanto ao acesso e exercício da
profissão de jornalista. Qualquer tipo de controle desse tipo, que
interfira na liberdade profissional no momento do próprio acesso à
atividade jornalística, configura, ao fim e ao cabo, controle prévio que,
em verdade, caracteriza censura prévia das liberdades de expressão
e de informação, expressamente vedada pelo art. 5º, IX, da
Constituição. A impossibilidade do estabelecimento de controles
estatais sobre a profissão jornalística leva à conclusão de que não
pode o Estado criar uma ordem ou um conselho profissional
(autarquia) para a fiscalização desse tipo de profissão. O exercício do
poder de polícia do Estado é vedado nesse campo em que imperam
as liberdades de expressão e de informação. Jurisprudência do STF:
Representação 930, Rel. p/ o ac. Min. Rodrigues Alckmin, DJ de 2-9-
1977." (RE 511.961, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 17-6-
2009, Plenário, DJE de 13-11-2009.)

"A Constituição reservou à imprensa todo um bloco normativo, com o


apropriado nome ‘Da Comunicação Social’ (capítulo V do título VIII). A
imprensa como plexo ou conjunto de ‘atividades’ ganha a dimensão
de instituição-ideia, de modo a poder influenciar cada pessoa de per
se e até mesmo formar o que se convencionou chamar de opinião
pública. Pelo que ela, Constituição, destinou à imprensa o direito de
controlar e revelar as coisas respeitantes à vida do Estado e da
própria sociedade. A imprensa como alternativa à explicação ou
versão estatal de tudo que possa repercutir no seio da sociedade e
como garantido espaço de irrupção do pensamento crítico em
qualquer situação ou contingência. Entendendo-se por pensamento
crítico o que, plenamente comprometido com a verdade ou essência
das coisas, se dota de potencial emancipatório de mentes e espíritos.
O corpo normativo da Constituição brasileira sinonimiza liberdade de
informação jornalística e liberdade de imprensa, rechaçante de
qualquer censura prévia a um direito que é signo e penhor da mais
encarecida dignidade da pessoa humana, assim como do mais
evoluído estado de civilização. (...) O art. 220 da Constituição
radicaliza e alarga o regime de plena liberdade de atuação da
imprensa, porquanto fala: a) que os mencionados direitos de
personalidade (liberdade de pensamento, criação, expressão e
informação) estão a salvo de qualquer restrição em seu exercício,
seja qual for o suporte físico ou tecnológico de sua veiculação; b) que
tal exercício não se sujeita a outras disposições que não sejam as
figurantes dela própria, Constituição. A liberdade de informação
jornalística é versada pela CF como expressão sinônima de liberdade
de imprensa. Os direitos que dão conteúdo à liberdade de imprensa
são bens de personalidade que se qualificam como sobredireitos. Daí
que, no limite, as relações de imprensa e as relações de intimidade,
vida privada, imagem e honra são de mútua excludência, no sentido
de que as primeiras se antecipam, no tempo, às segundas; ou seja,
antes de tudo prevalecem as relações de imprensa como superiores
bens jurídicos e natural forma de controle social sobre o poder do
Estado, sobrevindo as demais relações como eventual
responsabilização ou consequência do pleno gozo das primeiras. A
expressão constitucional ‘observado o disposto nesta Constituição’
(parte final do art. 220) traduz a incidência dos dispositivos tutelares
de outros bens de personalidade, é certo, mas como consequência ou
responsabilização pelo desfrute da ‘plena liberdade de informação
jornalística’ (§ 1º do mesmo art. 220 da CF). Não há liberdade de
imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive
a procedente do Poder Judiciário, pena de se resvalar para o espaço
inconstitucional da prestidigitação jurídica. Silenciando a Constituição
quanto ao regime da internet (rede mundial de computadores), não há
como se lhe recusar a qualificação de território virtual livremente
veiculador de ideias e opiniões, debates, notícias e tudo o mais que
signifique plenitude de comunicação." (ADPF 130, Rel. Min. Ayres
Britto, julgamento em 30-4-2009, Plenário, DJE de 6-11-2009.)

“O Tribunal, por maioria, não conheceu de reclamação – julgando-a


extinta sem julgamento de mérito – proposta por empresa jornalística
contra decisão de Turma Cível do TJDFT, que, nos autos de agravo
de instrumento, se declarara absolutamente incompetente para
apreciar o recurso, reconhecendo conexão com decisão que
decretara a quebra de sigilo telefônico proferida por Juiz Federal no
Estado do Maranhão, mantendo, porém, com base no poder geral de
cautela, decisão liminar do relator original da causa, qual seja, ação
inibitória de publicação de dados sigilosos sobre o autor e contidos
em pendente investigação policial. Alegava a reclamante, em suma,
desrespeito à autoridade da decisão proferida pelo Supremo na ADPF
130/DF (DJE de 6-11-2009), que declarara a revogação integral ou
não recepção, pela ordem jurídica vigente, da Lei 5.250/1967 – Lei de
Imprensa. Pleiteava fosse cassado o acórdão impugnado, fazendo
cessar as restrições informativas (censura) que teriam sido a ela
impostas. Entendeu-se não haver identidade entre a questão jurídica
discutida nos autos da reclamação e a decidida na ADPF 130/DF.
Prevaleceu o voto do relator que salientou, de início, que o objeto da
reclamação reduzir-se-ia a que – na visão da reclamante, impedida
de publicar reprodução de dados relativos ao autor da ação inibitória,
apurados em inquérito policial coberto por segredo de justiça – teria a
decisão impugnada, que confirmara a ordem liminar de impedimento,
desrespeitado a autoridade do acórdão do Supremo na aludida
ADPF. Destacou que, no entanto, a especificidade da reclamação
estaria em que – fundando-se a decisão liminar, editada no agravo de
instrumento, na expressa invocação da inviolabilidade constitucional
dos direitos da personalidade, especialmente o da privacidade,
mediante necessária proteção do sigilo legal de dados obtidos por
interceptação judicial de comunicações telefônicas, velados por
segredo de justiça, perante pretensão, não do Estado, mas de
particular representado por empresa jornalística, de os divulgar em
nome da liberdade da imprensa – o caso não se cingiria à
configuração de contraste teórico e linear entre os direitos
fundamentais garantidos nos arts. 5º, X, e 220, caput, da CF, mas
envolveria também a garantia da inviolabilidade do sigilo das
comunicações telefônicas, previsto no art. 5º, XII, da CF, e
assegurado por segredo de justiça imposto em decisão judicial. Após
salientar as hipóteses de cabimento da reclamação, afirmando que a
mera alegação de eventual transgressão à CF não se inclui entre elas
e, tendo em conta que o objeto da reclamação sob análise restringir-
se-ia à alegação de ofensa à autoridade do acórdão prolatado na
ADPF 130/DF, que dera por inteiramente revogada ou não recebida a
Lei de Imprensa, não sendo lícito ampliar-lhe os precisos limites
decisórios e instaurar extensa discussão constitucional a respeito do
alcance da liberdade de imprensa na relação com o poder
jurisdicional, o relator não vislumbrou, no teor da decisão impugnada,
nenhum desacato à autoridade daquele acórdão, seja contra seu
comando decisório, seja contra seus fundamentos (motivos
determinantes). Registrou que a petição inicial da ação inibitória
movida contra a reclamante estaria baseada na invocação de direitos
da personalidade previstos no art. 5°, X e XII, da CF, da disposição
do art. 12 do CC, assim como da tipificação penal da violação e
divulgação de dados sigilosos oriundos de interceptação telefônica
autorizada judicialmente, consoante preceituam os arts. 8° e 10 da
Lei federal 9.296/1996, e o art. 153, § 1°-A, do CP, sem nenhuma
menção, próxima nem remota, a norma ou normas da lei ab-rogada.
O mesmo ocorreria em relação à decisão impugnada, que, atendo-se
aos fundamentos constitucionais e legais invocados pelo autor, não
teria feito menção a nenhum dispositivo da Lei 5.250/1967. Nesse
contexto, concluiu não se poder cogitar de desrespeito à autoridade
do comando decisório do acórdão da ADPF 130/DF, o que apenas
seria concebível se a decisão impugnada houvesse aplicado qualquer
das normas constantes da lei que a Corte declarara estar fora do
ordenamento jurídico vigente. Também afastou a arguição de ofensa
aos fundamentos ou aos motivos ditos determinantes do acórdão
paradigma. Em síntese, o relator frisou não ser possível extrair do
acórdão da ADPF 130/DF, sequer a título de motivo determinante,
uma posição vigorosa e unívoca da Corte que implicasse, em algum
sentido, juízo decisório de impossibilidade absoluta de proteção de
direitos da personalidade, como a intimidade, a honra e a imagem,
por parte do Poder Judiciário, em caso de contraste teórico com a
liberdade de imprensa. Acrescentou que essa afirmação não
significaria que toda e qualquer interdição ou inibição judicial a
exercício de liberdade de expressão fosse constitucionalmente
admissível, mas apenas sublinharia não se encontrar, na leitura de
todos os votos que compuseram o acórdão paradigma, quer no
dispositivo, quer nos fundamentos, pronúncia coletiva de vedação
absoluta à tutela jurisdicional de direitos da personalidade segundo as
circunstâncias de casos concretos, e que, como tal, seria a única
hipótese idônea para autorizar o conhecimento do mérito da
reclamação.” (Rcl 9.428, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 10-
12-2009, Plenário, Informativo 571.)

“Ninguém ignora que, no contexto de uma sociedade fundada em


bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao
pensamento, ainda mais quando a crítica – por mais dura que seja –
revele-se inspirada pelo interesse coletivo e decorra da prática
legítima, como sucede na espécie, de uma liberdade pública de
extração eminentemente constitucional (CF, art. 5º, IV, c/c o art. 220).
Não se pode desconhecer que a liberdade de imprensa, enquanto
projeção da liberdade de manifestação de pensamento e de
comunicação, reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender,
dentre outras prerrogativas relevantes que lhe são inerentes, (a) o
direito de informar, (b) o direito de buscar a informação, (c) o direito
de opinar e (d) o direito de criticar. A crítica jornalística, desse modo,
traduz direito impregnado de qualificação constitucional, plenamente
oponível aos que exercem qualquer atividade de interesse da
coletividade em geral, pois o interesse social, que legitima o direito de
criticar, sobrepõe-se a eventuais suscetibilidades que possam revelar
as pessoas públicas. (...) É importante acentuar, bem por isso, que
não caracterizará hipótese de responsabilidade civil a publicação de
matéria jornalística cujo conteúdo divulgar observações em caráter
mordaz ou irônico ou, então, veicular opiniões em tom de crítica
severa, dura ou, até, impiedosa, ainda mais se a pessoa a quem tais
observações forem dirigidas ostentar a condição de figura pública,
investida, ou não, de autoridade governamental, pois, em tal contexto,
a liberdade de crítica qualifica-se como verdadeira excludente
anímica, apta a afastar o intuito doloso de ofender. Com efeito, a
exposição de fatos e a veiculação de conceitos, utilizadas como
elementos materializadores da prática concreta do direito de crítica,
descaracterizam o animus injuriandi vel diffamandi, legitimando,
assim, em plenitude, o exercício dessa particular expressão da
liberdade de imprensa. (...) É preciso advertir, bem por isso,
notadamente quando se busca promover, como no caso, a repressão
à crítica jornalística, mediante condenação judicial ao pagamento de
indenização civil, que o Estado – inclusive o Judiciário – não dispõe
de poder algum sobre a palavra, sobre as ideias e sobre as
convicções manifestadas pelos profissionais dos meios de
comunicação social.” (AI 505.595, Rel. Min. Celso de Mello, decisão
monocrática, julgamento em 11-11-2009, DJE de 23-11-2009.)

"Ação cautelar. Efeito suspensivo a recurso extraordinário. Decisão


monocrática concessiva. Referendum da Turma. Exigência de
diploma de curso superior em <Jornalismo> para o exercício da
profissão de jornalista. Liberdade de profissão e liberdade de
informação. Arts. 5º, XIII, e 220, caput e § 1º, da CF. Configuração da
plausibilidade jurídica do pedido (fumus boni iuris) e da urgência da
pretensão cautelar (periculum in mora). Cautelar, em questão de
ordem, referendada." (AC 1.406-MC-QO, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgamento em 21-11-2006, Segunda Turma, DJ de 19-12-2006.)

"Direito à informação (CF, art. 220). Dano moral. A simples


reprodução, pela imprensa, de acusação de mau uso de verbas
públicas, prática de nepotismo e tráfico de influência, objeto de
representação devidamente formulada perante o TST por federação
de sindicatos, não constitui abuso de direito. Dano moral indevido."
(RE 208.685, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 24-6-2003,
Segunda Turma, DJ de 22-8-2003.)
"Liminar deferida em primeiro grau e confirmada pelo Tribunal de
Justiça, que proíbe empresa jornalística de publicar conversas
telefônicas entre o requerente – então Governador de Estado e, ainda
hoje, pretendente à Presidência da República – e outras pessoas,
objeto de interceptação ilícita e gravação por terceiros, a cujo
conteúdo teve acesso o jornal. Interposição pela empresa de recurso
extraordinário pendente de admissão no Tribunal a quo. Propositura
pela recorrente de ação cautelar – que o STF recebe como petição –
a pleitear, liminarmente, (1) autorização de publicação imediata da
matéria e (2) subida imediata do recurso extraordinário à apreciação
do STF, porque inaplicável ao caso o art. 542, § 3º, CPC. Objeções
da PGR à admissibilidade (1) de pedido cautelar ao STF, antes de
admitido o recurso extraordinário na instância a quo; (b) do próprio
recurso extraordinário contra decisão de caráter liminar: razões que
aconselham, no caso, fazer abstração delas. Primeiro pedido liminar:
natureza de tutela recursal antecipada: exigência de qualificada
probabilidade de provimento do recurso extraordinário.
Impossibilidade de afirmação no caso de tal pressuposto da tutela
recursal antecipada: (a) polêmica – ainda aberta no STF – acerca da
viabilidade ou não da tutela jurisdicional preventiva de publicação de
matéria jornalística ofensiva a direitos da personalidade; (b)
peculiaridade, de extremo relevo, de discutir-se no caso da
divulgação jornalística de produto de interceptação ilícita – hoje,
criminosa – de comunicação telefônica, que a Constituição protege
independentemente do seu conteúdo e, consequentemente, do
interesse público em seu conhecimento e da notoriedade ou do
protagonismo político ou social dos interlocutores. Vedação, de
qualquer modo, da antecipação de tutela, quando houver perigo de
irreversibilidade do provimento antecipado (CPC, art. 273, § 2º), que é
óbvio, no caso, na perspectiva do requerido, sob a qual deve ser
examinado. Deferimento parcial do primeiro pedido para que se
processe imediatamente o recurso extraordinário, de retenção
incabível nas circunstâncias, quando ambas as partes estão acordes,
ainda que sob prismas contrários, em que a execução, ou não, da
decisão recorrida lhes afetaria, irreversivelmente, as pretensões
substanciais conflitantes." (Pet 2.702-MC, Rel. Min. Sepúlveda
Pertence, julgamento em 18-9-2002, Plenário, DJ de 19-9-2003.)
“Lei 8069/1990. Divulgação total ou parcial por qualquer meio de
comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial,
administrativo ou judicial relativo à criança ou adolescente a que se
atribua ato infracional. Publicidade indevida. Penalidade: suspensão
da programação da emissora até por dois dias, bem como da
publicação do periódico até por dois números. Inconstitucionalidade.
A Constituição de 1988 em seu art. 220 estabeleceu que a liberdade
de manifestação do pensamento, de criação, de expressão e de
informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerá
qualquer restrição, observado o que nela estiver disposto. Limitações
à liberdade de manifestação do pensamento, pelas suas variadas
formas. Restrição que há de estar explícita ou implicitamente prevista
na própria Constituição. (ADI 869, Rel. p/ o ac. Maurício Corrêa,
julgamento em 4-8-1999, Plenário, DJ de 4-6-2004.)

§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena


liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social,
observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

"As liberdades de expressão e de informação e, especificamente, a


liberdade de imprensa, somente podem ser restringidas pela lei em
hipóteses excepcionais, sempre em razão da proteção de outros
valores e interesses constitucionais igualmente relevantes, como os
direitos à honra, à imagem, à privacidade e à personalidade em geral.
Precedente do STF: ADPF 130, Rel. Min. Carlos Britto. A ordem
constitucional apenas admite a definição legal das qualificações
profissionais na hipótese em que sejam elas estabelecidas para
proteger, efetivar e reforçar o exercício profissional das liberdades de
expressão e de informação por parte dos jornalistas. Fora desse
quadro, há patente inconstitucionalidade da lei. A exigência de
diploma de curso superior para a prática do <jornalismo> – o qual, em
sua essência, é o desenvolvimento profissional das liberdades de
expressão e de informação – não está autorizada pela ordem
constitucional, pois constitui uma restrição, um impedimento, uma
verdadeira supressão do pleno, incondicionado e efetivo exercício da
liberdade jornalística, expressamente proibido pelo art. 220, § 1º, da
Constituição." (RE 511.961, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em
17-6-2009, Plenário, DJE de 13-11-2009.)
"A uma atividade que já era ‘livre’ (incisos IV e IX do art. 5º), a CF
acrescentou o qualificativo de ‘plena’ (§ 1º do art. 220). Liberdade
plena que, repelente de qualquer censura prévia, diz respeito à
essência mesma do <jornalismo (o chamado ‘núcleo duro’ da
atividade). Assim entendidas as coordenadas de tempo e de
conteúdo da manifestação do pensamento, da informação e da
criação lato sensu, sem o que não se tem o desembaraçado trânsito
das ideias e opiniões, tanto quanto da informação e da criação.
Interdição à lei quanto às matérias nuclearmente de imprensa,
retratadas no tempo de início e de duração do concreto exercício da
liberdade, assim como de sua extensão ou tamanho do seu conteúdo.
Tirante, unicamente, as restrições que a Lei Fundamental de 1988
prevê para o ‘estado de sítio’ (art. 139), o Poder Público somente
pode dispor sobre matérias lateral ou reflexamente de imprensa,
respeitada sempre a ideia-força de que quem quer que seja tem o
direito de dizer o que quer que seja. Logo, não cabe ao Estado, por
qualquer dos seus órgãos, definir previamente o que pode ou o que
não pode ser dito por indivíduos e jornalistas. As matérias
reflexamente de imprensa, suscetíveis, portanto, de conformação
legislativa, são as indicadas pela própria Constituição. (...) É da lógica
encampada pela nossa Constituição de 1988 a autorregulação da
imprensa como mecanismo de permanente ajuste de limites da sua
liberdade ao sentir-pensar da sociedade civil. Os padrões de
seletividade do próprio corpo social operam como antídoto que o
tempo não cessa de aprimorar contra os abusos e desvios
jornalísticos. Do dever de irrestrito apego à completude e
fidedignidade das informações comunicadas ao público decorre a
permanente conciliação entre liberdade e responsabilidade da
imprensa. Repita-se: não é jamais pelo temor do abuso que se vai
proibir o uso de uma liberdade de informação a que o próprio Texto
Magno do País apôs o rótulo de ‘plena’ (§ 1º do art. 220)." (ADPF
130, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 30-4-2009, Plenário, DJE
de 6-11-2009.)

§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

“Cabe observar, bem por isso, que a responsabilização a posteriori,


em regular processo judicial, daquele que comete abuso no exercício
da liberdade de informação não traduz ofensa ao que dispõem os § 1º
e § 2º do art. 220 da CF, pois é o próprio estatuto constitucional que
estabelece, em favor da pessoa injustamente lesada, a possibilidade
de receber indenização ‘por dano material, moral ou à imagem’ (CF,
art. 5º, incisos V e X). Se é certo que o direito de informar,
considerado o que prescreve o art. 220 da Carta Política, tem
fundamento constitucional (HC 85.629/RS, Rel. Min. Ellen Gracie),
não é menos exato que o exercício abusivo da liberdade de
informação, que deriva do desrespeito aos vetores subordinantes
referidos no § 1º do art. 220 da própria Constituição, ‘caracteriza ato
ilícito e, como tal, gera o dever de indenizar’, (...), tal como pude
decidir em julgamento proferido no STF: ‘(...) A CF, embora garanta o
exercício da liberdade de informação jornalística, impõe-lhe, no
entanto, como requisito legitimador de sua prática, a necessária
observância de parâmetros – entre os quais avultam, por seu relevo,
os direitos da personalidade – expressamente referidos no próprio
texto constitucional (CF, art. 220, § 1º), cabendo ao Poder Judiciário,
mediante ponderada avaliação das prerrogativas constitucionais em
conflito (direito de informar, de um lado, e direitos da personalidade,
de outro), definir, em cada situação ocorrente, uma vez configurado
esse contexto de tensão dialética, a liberdade que deve prevalecer no
caso concreto.’ (AI 595.395/SP, Rel. Min. Celso de Mello).” (ADPF
130, Rel. Min. Ayres Britto, voto do Min. Celso de Mello, julgamento
em 30-4-2009, Plenário, DJE de 6-11-2009.) Vide: Rcl 9.428, Rel.
Min. Cezar Peluso, julgamento em 10-12-2009, Plenário, DJE de 25-
6-2010.
2. COMENTÁRIOS ÀS DECISÕES DO STF

A decisão em tela trata da decisão do STF no tocante à não obrigatoriedade


de formação acadêmica para o exercício do jornalismo.
As discussões acerca da não obrigatoriedade do diploma (curso superior) no
tocante ao exercício do jornalismo partem das mais diversas convicções. Há quem
diga que tal decisão foi acertada, e que, por conseguinte a apóia, pelo fato da
profissão ser desprovida da necessidade de qualquer conhecimento técnico para
seu exercício.
Não obstante seja muito comum observarmos, sobretudo em blog's,
revistinhas e jornaizinhos ordinários que muitos dos quais se julgam aptos para
discorrer sobre qualquer coisa, publicam barbaridades e as mais diversas bobagens
(verdadeiro lixo), e o pior, prendem a atenção de muita gente!
Assim, seria razoável abrir mão de tais exigências qualificativas para o pleno
exercício da função? Seria realmente indispensável a "devida formação" para o
exercício do Jornalismo? Quais as indisposições que tal atitude causará? Quais os
efeitos que tal decisão por parte do "Guardião da Constituição" promoverá?
O ministro Cezar Peluso disse que experiências de outros países demonstram
que o jornalismo sempre pôde ser bem exercido sem qualquer exigência de
formação universitária. "Não existe no exercício do jornalismo nenhum risco que
decorra do desconhecimento de alguma verdade científica", afirmou.
É realmente lamentável! Mas, partindo do pressuposto de que a informação,
em sentido lato, tanto cria quanto modifica o modo de pensar das pessoas, urge
refletir na extrema importância que cerca a "boa informação" em contexto com o
direito fundamental da "liberdade de expressão", o qual vem sendo interpretado,
pelo menos no que diz respeito à decisão em tela, de forma muito imatura, pois, tal
direito fundamental, tende a entrar em conflito com muitos outros, até mais
importantes, tais como: o direito à intimidade e à vida privada, bem como a própria
dignidade da pessoa humana.
"Nesse campo, a salvaguarda das salvaguardas da sociedade é não restringir
nada. Quem quiser se profissionalizar como jornalista é livre para fazê-lo, porém
esses profissionais não exaurem a atividade jornalística. Ela se disponibiliza para os
vocacionados, para os que têm intimidade com a palavra", afirmou o ministro Ayres
Britto.
É evidente que existem pessoas que possuem uma pré-disponibilidade em
expressar-se, mas, será que tal vocação (supracitada pelo Ministro), apenas, seria
suficiente para trabalhar, adequar e promover a informação sem atingir, direta ou
indiretamente a égide pessoal das pessoas?
O parecer do Ministério Público Federal também foi pela não obrigatoriedade
do diploma. O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, disse que
isso evitaria os obstáculos à livre expressão garantida pela Constituição Federal.
Sinceramente, não consigo vislumbrar quaisquer óbices quanto à liberdade de
expressão, pelo contrário, observo que o maior poder à liberdade de expressão está
exatamente nas mãos de quem deve estar, (O POVO), entretanto, estes não tem
tirado proveito de tal direito, simplesmente por utilizá-lo de forma inadequada.
Todavia, seria interessante para os que se encontram na representação do
POVO, defender tal liberdade de expressão por este ponto de vista?
Vencido no julgamento, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o
jornalista deveria “ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional, que
repercute na vida do cidadão em geral”. Mais uma vez, o Ministro Marco Aurélio
posiciona-se contrário aos interesses de seus colegas, novamente destacando seu
bom senso e profundo conhecimento.
Com efeito, o jornalista aprende a ser o guardião da narração eticamente
correta, é nas cadeiras da universidade que estes aprendem técnicas específicas de
sua profissão, como reportagem, edição, linguagens específicas (vernáculo), bem
como as formas adequadas de tratar um conhecimento, sempre, pelo menos em
geral, considerando princípios éticos.