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Título: Unidade 03

Autor: Jonas Lachini

Cálculo II – 90 horas
Unidade 3 – A integral definida – 1a. parte

Introdução

Nesta unidade, começamos o estudo da integral definida. No Cálculo I, aprendemos como calcular a
velocidade de um objeto a partir da distância percorrida; este procedimento nos levou à noção de
derivada ou de taxa de variação de uma função. Agora, vamos estudar o problema inverso: conhecendo
a velocidade, determinar a distância percorrida. Isto nos levará ao conceito de integral definida, que
nos possibilita calcular a variação total de uma função a partir de sua taxa de variação.

Invista tempo para aprender os conceitos e, sobretudo, para saber aplicá-los. Certamente, você já está
usando integral definida; ela aparece com muita freqüência em problemas de Física e de Engenharia.
Aprenda de modo especial, como é que funciona a integral definida e quando é que ela pode ser
empregada.

Orientações

• Estude atentamente as Notas de Aula 3. Analise com bastante cuidado os exemplos


apresentados e os exercícios resolvidos.
• Estude este assunto em um livro de Cálculo. O Questionário 3 pode ajudá-lo nessa tarefa.
• Resolva os Exercícios 3. As questões neles propostas servem para você fixar conceitos e
melhorar sua habilidade em lidar com integrais.
• Não deixe de esclarecer suas dúvidas. Para isso, recorra ao correio acadêmico, aos chats ou,
melhor ainda, a seu grupo de estudos de Cálculo.

Leia sempre o quadro de avisos!

3.1 Medindo a distância percorrida

Se um automóvel se desloca a uma velocidade constante, podemos calcular a distância que percorre
usando a fórmula distância = velocidade x tempo . No problema seguinte, veremos como é possível
estimar a distância percorrida por um carro quando sua velocidade é variável (não é constante).

Suponha que um carro esteja se movimentando a uma velocidade crescente e que meçamos sua
velocidade a cada segundo, registrando os dados da Tabela 3.1.

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Tempo (s) 0 1 2 3 4 5
Velocidade (m s ) 7 13 18 22 25 27
Tabela 3.1
A partir das informações constantes dessa tabela, queremos estimar a distância percorrida pelo carro
durante os cinco primeiros segundos.

Já que não sabemos a que velocidade o carro se move a cada instante, não conseguimos calcular a
distância exata, mas temos condições de fazer uma estimativa. Como a velocidade é crescente,
podemos afirmar que, no primeiro segundo, o carro percorre, no mínimo, 7 metros (estamos
considerando a menor velocidade do carro no primeiro intervalo de tempo). De modo análogo, o carro
percorre pelo menos 13 metros durante o próximo segundo; no mínimo, 18 metros ao longo do terceiro
segundo, e assim por diante. Então, durante os cinco primeiros segundos, a distância mínima percorrida
pelo carro é:

7.1 + 13.1 + 18.1 + 22.1 + 25.1 = 85 metros

Observe que cada parcela desta soma é o resultado do produto de uma velocidade por um tempo; a
segunda parcela, por exemplo, é (13 m s).(1s) = 13 m . Assim, podemos afirmar que o total obtido, 85
metros, é a distância mínima percorrida pelo carro durante os cinco primeiros segundos, ou seja, 85
metros é uma estimativa inferior para essa distância.

Para obter uma estimativa superior, podemos pensar que, ao longo do primeiro segundo, o carro
percorre, no máximo, 13 metros; no segundo seguinte, 15 metros; no terceiro segundo, 18 metros, e
assim por diante. Portanto, em um período de cinco segundos, o carro percorre, no máximo,

13.1 + 18.1 + 22.1 + 25.1 + 27.1 = 105 metros

O resultado obtido, 105 metros, é a distância máxima percorrida pelo carro durante os cinco primeiros
segundos, ou seja, 105 metros é uma estimativa superior para essa distância. A partir dessas duas
estimativas, podemos afirmar que a distância total percorrida nos cinco primeiros segundos está entre
85 e 105 metros; usando símbolos matemáticos, podemos escrever:
85 metros ≤ distância total percorrida ≤ 105 metros

Observe que existe uma diferença de (105 − 85) = 20 metros entre a estimativa inferior e a superior.
Essa diferença entre estimativas pode ser obtida considerando-se a velocidade nos instantes
t = 0 e t = 5 , juntamente com o intervalo entre as tomadas de velocidades, que aqui é um segundo:

(estimativa superior) – (estimativa inferior) = v(0) − v(5) . (1) = 7 − 27 . (1) = 20 m

Vamos melhorar a estimativa da distância percorrida pelo carro tomando medidas mais freqüentes da
velocidade. A Tabela 3.2 traz a velocidade tomada a cada 0,5 segundo.

Tempo (s) 0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
Velocidade (m s ) 7,0 11,0 13,0 16,0 18,0 20,5 22,0 23,5 25,0 26,0 27,0
Tabela 3.2

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Com esses dados, podemos obter uma nova estimativa inferior da distância percorrida, tomando a
velocidade no início de cada metade de segundo:

distância mínima = (7,0).(0,5) + (11,0).(0,5) + (13,0).(0,5) + (16,0).(0,5) + L + (26,0).(0,5) =


= (7,0 + 11,0 + 13,0 + 16,0 + 18,0 + 20,5 + 22,0 + 23,5 + 25,0 + 26,0).(0,5) =
= 91 metros
Observe que esse valor, 91 metros, é maior do que a estimativa inferior, 85 metros, obtida com os
dados da Tabela 3.1.

Uma estimativa superior é obtida considerando a velocidade ao final de cada metade de segundo:

distância máxima = (11 + 13 + 18 + 18 + 20,5 + 22 + 23,5 + 25 + 26 + 27).(0,5) = 101metros

Este resultado, 101 metros, é menor do que a estimativa superior, 105 metros, obtida anteriormente.

Essas duas novas estimativas nos autorizam a escrever:

91metros ≤ distância total percorrida ≤ 101metros


Repare que a diferença entre a estimativa superior e a inferior agora é de 10 metros, metade do que era
antes:
(101 − 91) = 7 − 27 . (0,5) = 10 m

Dividindo pela metade o tamanho dos intervalos entre as medidas da velocidade, reduzimos pela
metade a diferença entre as estimativas superior e inferior. Isso nos sugere que, diminuindo os
intervalos entre as tomadas de velocidade, provavelmente obteremos medidas mais precisas da
distância total percorrida pelo carro. Seguindo essa hipótese, quando tomarmos a velocidade a cada
décimo de segundo, a diferença entre a estimativa superior e a estimativa inferior deverá ser de
(27 − 7 ). 0,1 = 2 metros .

3.2 A representação gráfica da distância percorrida

A estimativa da distância percorrida fica facilitada pelo uso de aplicativos computacionais; neste item,
utilizamos o software Graphmática para, a partir de tabelas numéricas, ajustar o gráfico da função
velocidade e fazer o cálculo da distância percorrida.

O gráfico da Figura 3.1 é o da velocidade em função do tempo, feito com os dados da Tabela 3.1.

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Figura 3.1

A medida da área do primeiro retângulo hachurado é 7, que é o mesmo valor da estimativa inferior da
distância percorrida durante o primeiro segundo; a medida da área do segundo retângulo hachurado é
13, estimativa inferior da distância percorrida no segundo intervalo. Prosseguindo nesses cálculos,
podemos afirmar que a estimativa inferior da distância total percorrida (85) é representada pelo total
das áreas dos retângulos hachurados.

A área obtida considerando a soma das áreas dos retângulos hachurados (85) e dos retângulos de
contorno em vermelho (20) representa a estimativa superior da distância total percorrida (105).
Podemos ainda afirmar que a soma das áreas dos retângulos de contorno em vermelho representa a
diferença entre a estimativa superior e a inferior. Para calcular essa diferença, imagine os retângulos de
contorno em vermelho deslocados para a direita; empilhados um em cima do outro, eles formam um
retângulo de base 1 e de altura 20. Observe que a altura 20 é a diferença entre os valores inicial e final
da velocidade (20 = 27 – 7) e que a base 1 é o intervalo de tempo entre as tomadas de velocidade.

Também o gráfico da Figura 3.2 é o da velocidade em função do tempo, feito a partir da Tabela 3.1.

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Figura 3.2

A medida da área do primeiro retângulo hachurado é 13, que é o mesmo valor da estimativa superior da
distância percorrida durante o primeiro segundo; a medida da área do segundo retângulo hachurado é
18, estimativa superior da distância percorrida no segundo intervalo. Prosseguindo nesses cálculos,
podemos afirmar que a estimativa superior da distância total percorrida (105) é representada pelo total
das áreas dos retângulos hachurados.

A área obtida considerando a soma das áreas dos retângulos hachurados (105), menos a área dos
retângulos de contorno em vermelho (20), representa a estimativa inferior da distância total percorrida
(85). Podemos ainda afirmar, como visto anteriormente, que a soma das áreas dos retângulos de
contorno em vermelho representa a diferença entre a estimativa superior e a inferior. Para calcular essa
diferença, imagine os retângulos de contorno em vermelho deslocados para a direita; empilhados, um
em cima do outro, eles formam um retângulo de base 1 e de altura 20. Observe novamente que a altura
20 é a diferença entre os valores inicial e final da velocidade (20 = 27 – 7) e que a base 1 é o intervalo
de tempo entre as tomadas de velocidade.

Para a velocidade medida a cada meio segundo, temos o gráfico da Figura 3.3, de acordo com os
valores da Tabela 3.2. A área dos retângulos hachurados representa a estimativa inferior da distância
total percorrida (91); a área dos retângulos hachurados (91), mais a área dos retângulos de contorno em
vermelho (10), representa a estimativa superior da distância percorrida (101). De novo, a diferença
entre essas estimativas é representada pela soma das áreas dos retângulos de contorno em vermelho.
Visualize essa diferença: empilhando os dez retângulos de contorno em vermelho, obtemos um
retângulo de altura 20 e de largura 0,5; a área desse retângulo é igual a 20 x 0,5 = 10 e representa a
diferença entre as estimativas superior e inferior da distância percorrida. Observe, mais uma vez, que a
altura 20 é a diferença entre o valor inicial e o valor final da velocidade (20 = 27 – 7) e que a base 0,5 é
o intervalo de tempo entre duas tomadas consecutivas de velocidade.

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Figura 3.3

Na Tabela 3.3, estão as estimativas superior e inferior da distância total percorrida, calculadas pelo
computador. Elas foram feitas com a função velocidade ajustada de acordo com os dados da Tabela
3.1.

Número de intervalos 5 10 20 50 100


Estimativa inferior 84,9556 90,2355 92,8020 94,3185 94,8201
Estimativa superior 104,9031 100,2092 97,7889 96,3133 95,8175
(Superior – Inferior) 19,9475 9,9737 4,9869 1,9948 0,9974
Tabela 3.3

Observe que, à medida que aumenta o número de intervalos, a diferença entre a estimativa superior e a
estimativa inferior diminui e se aproxima de zero. Para encontrar o valor exato da distância percorrida,
fazemos o número de intervalos aumentar arbitrariamente. No caso da função velocidade estudada com
a Tabela 3.3, o computador indicou que a distância percorrida pelo automóvel durante os cinco
primeiros segundos foi de 95,08 metros.

Exemplo 1
Se, no problema discutido a partir da Tabela 3.1, a velocidade fosse dada a cada centésimo de segundo,
qual seria a diferença entre a estimativa superior e a estimativa inferior da distância total percorrida?

Solução
A diferença seria representada pela área de um retângulo de altura 20 (velocidade final – velocidade
inicial) e de base 0,01 (intervalo entre as tomadas de velocidade). Portanto, podemos escrever:
diferença = velocidade final − velocidade inicial . (0,01) = 27 − 7 . (0,01) = 0,2

Observação:
Se a velocidade fosse medida a cada milésimo de segundo, teríamos:
diferença = velocidade final − velocidade inicial . (0,001) = 27 − 7 . (0,001) = 0,02

Exemplo 2
Considerando ainda o mesmo problema, com que freqüência devemos marcar as velocidades de modo
a estimar a distância percorrida com uma precisão de 1 centímetro ou 0,01 metro?
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Solução
A diferença entre a estimativa superior e a inferior deverá ser inferior a 0,01. Chamando de h a duração
de um intervalo entre duas tomadas consecutivas de velocidade, devemos ter:
27 − 7 . h < 0,01
0,01
Resolvendo essa desigualdade, temos h < ⇒ h < 0,0005 .
20
Assim, se as medidas da velocidade forem feitas a intervalos menores do que 0,0005 segundos, a
estimativa da distância terá precisão inferior a um centímetro.

3.3 A medida exata da distância percorrida

No estudo do problema anterior, observamos que, à medida que encurtamos os intervalos entre as
tomadas de velocidade, conseguimos resultados cada vez mais precisos na estimativa da distância
percorrida. Essa observação nos sugere o uso da idéia de limite para determinar precisamente a
distância total percorrida; é o que vamos fazer neste item.

Suponha que um objeto se mova no intervalo de tempo a ≤ t ≤ b , com velocidade crescente v = f ( t ) .


Queremos calcular a distância percorrida por esse objeto no intervalo dado. Vamos tomar medidas de
v = f ( t ) em instantes t 0 , t1 , t 2 ,L, t n , sendo t 0 = a e t n = b , igualmente espaçados. O intervalo de
b−a
tempo entre duas medidas é ∆t = . Lembre-se de que ∆t (leia delta t) representa a variação ou o
n
incremento de t.

Durante o primeiro intervalo de tempo, a velocidade é aproximadamente igual a f ( t 0 ) , de modo que a


distância percorrida é cerca de f ( t 0 ) . ∆ t . Durante o segundo intervalo de tempo, a velocidade está
próxima de f ( t1 ) e a distância percorrida fica em torno de f ( t 1 ) . ∆ t . Continuando desse modo,
podemos estimar a distância percorrida em cada um dos intervalos. Somando todas essas estimativas,
obtemos uma estimativa para a distância total:

distância total percorrida entre a e b ≈ f ( t 0 ) .∆ t + f ( t 1 ).∆ t + f ( t 2 ).∆ t + L + f ( t n −1 ).∆ t


Esta soma é chamada de soma à esquerda porque usamos como valor da velocidade o da extremidade
esquerda de cada intervalo de tempo. Ela é representada pela soma das áreas dos retângulos da Figura
3.4.

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Figura 3.4

Podemos, de maneira semelhante, estimar a distância percorrida tomando o valor da velocidade na


extremidade direita de cada intervalo. Neste caso, para o primeiro intervalo, a velocidade é f ( t1 ) e a
distância percorrida é f ( t1 ) . ∆t ; para o segundo intervalo, a velocidade é f ( t 2 ) e a distância é
f ( t 2 ) . ∆t , e assim por diante. A estimativa da distância percorrida no último intervalo é f ( t n ) . ∆t .
Somando as estimativas, temos:

distância total percorrida entre a e b ≈ f ( t 1 ).∆ t + f ( t 2 ).∆ t + f ( t 3 )∆ t + L + f ( t n ).∆ t

Esta é a soma à direita porque tomamos como valor da velocidade o da extremidade direita de cada
intervalo. Ela é representada pela soma das áreas dos retângulos da Figura 3.5.

Figura 3.5

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Quando f é crescente, a soma à esquerda é uma estimativa inferior para a distância total e a soma à
direita é uma estimativa superior. Se f for decrescente, a soma à esquerda corresponde a uma estimativa
superior e a soma à esquerda corresponde a uma estimativa inferior (Veja Figura 3.6). Se uma função f
alterar intervalos de crescimento com intervalos de decrescimento, poderemos decompor essa função
em intervalos menores nos quais ela seja só crescente ou só decrescente. Com isso, poderemos utilizar
o mesmo procedimento que empregamos até aqui na estimativa da distância percorrida.

Figura 3.6

Tanto para funções crescentes quanto para funções decrescentes, o valor exato da distância percorrida
está em algum lugar entre as duas estimativas e a precisão das estimativas depende da proximidade
entre a soma à esquerda e a soma à direita. Assim, para uma função crescente ou decrescente no
intervalo [ a , b ] , podemos escrever:
diferença entre a estimativa sup erior e a estimativa inf erior =
= diferença entre a soma à direita e a soma à esquerda =
= diferença entre f (a ) e f (b) . ∆t = f (b) − f (a ) . ∆t

Utilizamos módulos para garantir uma diferença não-negativa, isto é, positiva ou nula. Tornando ∆t
cada vez mais próximo de zero, tomamos medidas da velocidade com freqüência cada vez maior; com
isso, podemos fazer a diferença entre as estimativas superior e inferior ficar tão pequena quanto
quisermos.

Para encontrar a distância total exata percorrida entre os instantes a e b, tomamos o limite da soma à
esquerda ou da soma à direita quando n , o número de subdivisões do intervalo [ a , b ] , tende para
infinito. Usando a notação de limite, podemos escrever:

(distância total percorrida entre a e b) = lim (Soma à esquerda ) =


n→∞

= lim [f ( t 0 ) .∆t + f ( t 1 ).∆t + f ( t 2 ).∆t + L + f ( t n −1 ).∆t ] =


n→∞
= (medida da área abaixo da curva entre t = a e t = b )
e

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(distância total percorrida entre a e b) = lim (Soma à direita ) =
n→∞

= lim [f ( t 1 ) .∆t + f ( t 2 ).∆t + f ( t 3 ).∆t + L + f ( t n ).∆t ] =


n→∞
= (medida da área abaixo da curva entre t = a e t = b )

Observe que, quando n for suficientemente grande, tanto a soma à esquerda quanto a soma à direita são
estimativas precisas para a distância percorrida.

Exemplo 3

Suponha que um óleo esteja vazando de um reservatório a uma taxa decrescente. A taxa é medida de
hora em hora, de acordo com a Tabela 3.4

Tempo (hora) 0 1 2 3 4 5
Taxa (litros/hora) 35 30 26 23 21 20
Tabela 3.4

Com base nesses dados, faça uma estimativa para a quantidade total de óleo que vazou do reservatório
durante as cinco primeiras horas.

Solução
A quantidade máxima de óleo que poderia ter vazado durante a primeira hora (isto é, entre
litros
t = 0 e t = 1 ) é 35 x 1 hora = 35 litros . Durante a segunda hora, a quantidade máxima que
hora
litros
poderia ter vazado é 30 x 1 hora = 30 litros . Prosseguindo nesse raciocínio, podemos escrever
hora
que a quantidade máxima de óleo que poderia ter vazado durante as cinco primeiras horas é dada pela
soma:
litros
quantidade máxima = estimativa sup erior = (35 + 30 + 26 + 23 + 21) x 1 hora = 135 litros
hora
De modo semelhante, a quantidade mínima que poderia ter vazado durante as cinco primeiras horas é:
litros
quantidade mínima = estimativa inf erior = (30 + 26 + 23 + 21 + 20) x 1 hora = 120 litros
hora

Observe que, quando as medidas da taxa são tomadas de hora em hora, a diferença entre a estimativa
superior e a inferior é

estimativas sup erior − estimativa inf erior = 120 − 135 = T (5) − T (0) . ∆t = 20 − 35 . 1 = 15 litros ,

em que T(5) = 20 é a taxa medida em t = 5 , T(0) = 35 é a taxa em t = 0 e ∆t = 1 é o intervalo entre


duas tomadas sucessiva da taxa.

Na Figura 3.7 está a solução gráfica deste problema, feita com o Graphmática.

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Figura 3.7

Para melhorar a estimativa, precisaríamos aumentar a freqüência da tomada da taxa de vazão. Na


Tabela 3.5 , vamos considerar que a taxa tenha sido medida a cada meia hora:

Tempo (hora) 0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
Taxa (litros/hora) 35,0 33,0 30,0 27,0 26,0 24,0 23,0 22,0 21,0 20,5 20,0
Tabela 3.5

Com base nesses dados, as estimativas superior e inferior são dadas, respectivamente, pelas somas:
quantidade máxima = estimativa superior =
litros
= (35 + 33 + 30 + 27 + 26 + 24 + 23 + 22 + 21 + 20,5) x 0,5 hora = 130,75 litros
hora

quantidade mínima = estimativa inferior =


litros
= (33 + 30 + 27 + 26 + 24 + 23 + 22 + 21 + 20,5 + 20) x 0,5 hora = 123,5 litros
hora

Na Figura 3.8 está a solução gráfica deste problema, feita no Graphmática.

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Figura 3.8

Observe que, agora, a diferença entre a estimativa superior e a inferior é:

T(5) − T(0) x ∆t = 20 − 35 x 0,5 = 7,5 litros , ou seja, a metade da encontrada antes, quando
consideramos ∆t = 1 . Se as medidas da taxa fossem tomadas a cada décimo de hora, isto é,
considerando ∆t = 0,1 teríamos:
estimativa sup erior − estimativa inf erior = 20 − 35 x 0,1 = 1,5 litros
Fazendo ∆t = 0,01 , ou seja, tomando medidas da taxa a cada centésimo de hora, a diferença entre as
estimativas é:
estimativa sup erior − estimativa inf erior = 20 − 35 x 0,01 = 0,15 litros
Assim, podemos admitir que é possível calcular a quantidade total de óleo que vazou, com qualquer
precisão desejada, desde que se tenha acesso às medidas da taxa a cada instante durante o intervalo de
cinco horas. Esta é a idéia que sustenta o conceito de integral definida, assunto que vamos estudar nos
itens seguintes.

Na Tabela 3.6 estão as estimativas da quantidade total de óleo que vazou, feitas no computador, usando
5, 10, 50 e 100 intervalos. Elas diferem dos valores encontrados com os dados fornecidos nas tabelas
anteriores porque o computador fez um ajuste da função.

Número de intervalos 5 10 50 100


Soma à esquerda 135,0338 130,9883 127,8943 127,5165
Soma à direita 120,0388 123,4907 126,3948 126,7667
Diferença 14,9950 7,4975 1,4995 0,7498
Tabela 3.6

O valor exato da quantidade total de óleo que vazou é representado pela área da Figura 3.9; de acordo
com o computador, a medida dessa área é de 126,9606.

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Figura 3.9

Observe que essa estimativa, de 126,9606 litros, está entre os valores da soma à esquerda e da soma à
direita encontrados na Tabela 3.6.

3.4 A integral definida

Nos exemplos do item anterior, vimos como é possível determinar a distância percorrida ou a
quantidade de óleo que vazou usando o limite de uma soma. Esse processo de formar somas e tomar o
limite tem muitas aplicações e pode ser definido para qualquer função f que satisfaça determinadas
condições. É o que vamos estudar neste item.

Suponha uma função y = f ( t ) , que é contínua em [a , b] , ou seja, para a ≤ t ≤ b . Dividimos o intervalo

[a, b] em n subintervalos de comprimento ∆ t = b − a . Sejam t 0 , t 1 , t 2 , ..., t n −1 e t n as extremidades


n
dos subintervalos, conforme mostram os gráficos da Figura 1.10, com a = t 0 e b = t n .

Figura 3.10

Podemos formar duas somas:

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Soma à esquerda = f ( t o ) . ∆ t + f ( t 1 ) . ∆ t + L + f ( t n −1 ) . ∆ t
Soma à direita = f ( t 1 ) . ∆ t + f ( t 2 ) . ∆ t + L + f ( t n ) . ∆ t
Estas somas podem ser representadas graficamente pela soma das áreas dos retângulos da Figura 3.10,
respectivamente, desde que f ( t ) ≥ 0 e a < b .

Usando a notação sigma ou a notação de somatório, podemos escrever tanto a soma à esquerda quanto
a soma à direita de maneira mais compacta. O símbolo Σ é o sigma maiúsculo, o S do alfabeto grego.
Com ele, escrevemos:
n
Soma à direita = f ( t 1 ) . ∆ t + f ( t 2 ) . ∆ t + L + f ( t n ) . ∆ t = ∑ f ( t i ) . ∆ t
i =1

O sinal Σ indica que devemos somar parcelas da forma f ( t i ) . ∆ t . A letra i que aparece nesta notação é
um subíndice ou variável indicial e assume valores naturais; o i = 1 que está na base do sigma nos diz
para começar em i = 1 e o n que está no topo nos diz para parar em i = n.

No caso da soma à esquerda, começamos em i = 0 e paramos em i = n − 1 :


n −1
Soma à esquerda = f ( t o ) . ∆ t + f ( t 1 ) . ∆ t + L + f ( t n −1 ) . ∆ t = ∑ f ( t i ) . ∆ t
i=0

Quando n tende para infinito, a soma à direita e a soma à esquerda são iguais e podem ser representadas
pela área da região do plano limitada por y = f ( t ) , y = 0 , t = a e t = b , desde que f ( t ) ≥ 0 e a < b .

Se y = f ( t ) é contínua em [a , b] , o que acontece com a maioria das funções estudadas no Cálculo, os


limites das somas à direita e à esquerda existem e são iguais. Nesse caso, definimos a integral definida
como sendo o limite dessas somas. Assim, a integral definida de y = f ( t ) , de a até b, indicada por
b

∫ f ( t ) dt , é o limite da soma à esquerda ou da soma à direita, tomando-se n subintervalos, quando n fica


a
arbitrariamente grande.

b n −1
lim lim
∫ f ( t ) dt = n → ∞ (soma à esquerda) = n → ∞ ∑ f ( t ) ∆t
i =0
i
a

b n
lim lim
∫ f ( t ) dt = n → ∞ (soma à direita ) = n → ∞ ∑ f ( t ) ∆t
i =1
i
a

Cada uma dessas somas é chamada de uma soma de Riemann; a função y = f ( t ) é chamada de
integrando ou função integranda; a e b são os limites ou os extremos de integração. A notação ∫ é
originária da letra S e significa soma da mesma forma que o Σ . O dt na integral vem do fator ∆ t .

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n −1
Observe que os limites do símbolo ∑
i=0
são 0 e n − 1 , para somas à esquerda; para somas à direita os
n b
limites do símbolo ∑i =1
são 1 e n. Os limites do símbolo ∫ são a e b, nos dois casos.
a

Exemplo 4
2
1
Encontre somas à esquerda e somas à direita com n = 2 e n = 10 para ∫ x dx .
1

Solução
2 −1
Neste problema, a = 1 e b = 2 , de modo que, para n = 2 , temos ∆x = = 0,5 . Portanto,
2
x 0 = 1, x 1 = 1,5 e x 2 = 2 . Assim,

1
1 1 
soma à esquerda = ∑ f ( x i ) . ∆ x = f (1) ∆x + f (1,5)∆x =  +  (0,5) ≈ 0,8333
i=0  1 1,5 
2
 1 1
e soma à direita = ∑ f ( x i ) . ∆ x = f (1,5) ∆x + f (2) ∆x =  +  (0,5) ≈ 0,5833
i =1  1,5 2 

Na Figura 3.11, estão representadas as duas somas. Observe que a soma à esquerda e maior do que a
área abaixo da curva e a soma à direita é menor, de modo que podemos escrever:
2
1
0,5833 < ∫ dx < 0,8333
1
x

Figura 3.11

2 −1
Quando n = 10 , ∆ x = = 0,1 e podemos escrever;
10
9
soma à esquerda = ∑ f ( x i ) ∆x = (f (1) + f (1,1) + f (1,2) + L + f (1,8) + f (1,9) ) (0,1) ≈ 0,7188
i=0
10
e soma à direita = ∑ f ( x i ) . ∆ x = (f (1,1) + f (1,2) + f (1,3) + L + f (1,9) + f (2) ) (0,1) ≈ 0,6688 .
i =1

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Figura 3.12

Exemplo 5

Esboce uma tabela das somas à esquerda e à direita com 2, 10, 50 e 250 subdivisões para verificar que
o valor da integral definida se aproxima do valor indicado, à medida que o número de subdivisões
π2

aumenta: ∫ sen x dx ≈ 0,9992 .


0

Solução

Com o uso do Graphmática, pode-se fazer a Tabela 3.7:

Número de intervalos 2 10 50 250


Soma à esquerda 0,5549 0,9187 0,9834 0,9961
Soma à direita 1.3399 1,0757 1,0148 1,0023
Tabela 3.7

As somas à esquerda e as somas à direita convergem para 0,9992, de modo que podemos escrever que a
π2

soma à esquerda < ∫ sen x dx <


0
soma à direita, qualquer que seja o número de divisões; quando
π2

n = 250 , por exemplo, temos 0,9961 < ∫ sen x dx < 1,0023 .


0
π2

Na Figura 3.13 , está a representação gráfica do valor da integral ∫ sen x dx ≈ 0,9992 , a medida da área
0
hachurada.

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Figura 3.13

3.5 Exercícios resolvidos e comentados

Orientações:
A resolução e comentários dos exercícios contêm os diversos conceitos estudados na
Unidade 3 e ajudam na fixação desses conceitos. Servem ainda como sugestões para a resolução das
questões das atividades.
Sempre que tiver dúvida a respeito de qualquer afirmativa aqui feita, você deverá procurar
esclarecimento, revendo os textos estudados ou solicitando orientação pelo correio acadêmico.
Para o estudo desses exercícios, você deve dispor de lápis e papel. Não se pode fazer esse
estudo como se faz a leitura de notícias de jornal; é preciso estar atento aos detalhes e, ao final,
compor uma visão bem completa do problema

1) Abaixo, estão os gráficos de f ′(x) = 3x 2 + 2x − 4 e o de sua antiderivada, a que passa pelo


ponto (1, 3) .

a) Indique neste gráfico qual é a curva que representa a função y = f (x) . Justifique sua
indicação.

b) Determine a fórmula da antiderivada y = f (x) .

Solução

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a) A parábola com concavidade voltada para cima é o gráfico da função derivada f ′(x) = 3x 2 + 2x − 4 ;
a curva que apresenta duas voltas é o gráfico da antiderivada. O gráfico de
f ′(x) = 3x 2 + 2x − 4 corta o eixo das abscissas nos pontos A (à esquerda) e B (à direita). À esquerda
do ponto A e à direita do ponto B, a derivada é positiva e, portanto, a antiderivada y = f (x) é
crescente nesses intervalos; entre A e B, a derivada é positiva e, com isso, a antiderivada é
decrescente nesse intervalo. Além disso, no ponto A, a derivada passa de positiva para negativa, o
que indica que a função antiderivada, y = f (x) , tem um máximo local; por outro lado, no ponto B,
a derivada passa de negativa para positiva, indicando que a antiderivada tem um mínimo local.
Tanto os intervalos de crescimento ou de decrescimento quanto os pontos de máximo ou de mínimo
locais aqui apontados são confirmados pelo gráfico da antiderivada.
b) Para determinar a fórmula da antiderivada, fazemos f (x) = ∫ f ′(x) dx e obtemos:
f (x) = ∫ (3x 2 + 2x − 4) dx = x 3 + x 2 − 4x + C
Levando em conta que o ponto (1, 3) pertence ao gráfico de y = f (x) , podemos escrever:
f (1) = 3 ⇒ 13 + 12 − 4 ×1 + C = 3 ⇒ C = 5
Portanto, a antiderivada procurada é definida pela fórmula f (x) = x 3 + x 2 − 4x + 5 .

d
2) Depois de determinar a derivada cos ( x 2 ) , use o resultado obtido para calcular a integral
dx
indefinida ∫ 3 x sen (x 2 ) dx .
Solução
Usando a regra da cadeia para a derivação, obtemos:
cos (x 2 ) = −sen ( x 2 ) ⋅ (2x) = −2x sen(x 2 )
d
dx
Esse resultado nos permite calcular a integral ∫ 3 x sen (x 2 ) dx , conforme indicado a seguir:
3 3
∫ 3 x sen (x ) dx = − ∫  −2x sen(x 2 )  dx = − cos (x 2 ) + C
2

2 2

3) Considere a função f (x) = 2x(x + 1)(x − 2) , cujo gráfico está abaixo.

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2
Com base nas informações deste gráfico: (a) determine o valor da integral ∫ f (x) dx
−1
e, a seguir, (b)
2
indique, em termos de medida de área, o significado do valor encontrado para ∫ f (x) dx .
−1
a) Cálculo da integral:
2 2 2

∫ f (x) dx = ∫ 2x (x + 1) (x − 2) dx = 2 ∫ (x − x − 2x) dx
3 2

−1 −1 −1
2
 x4 x3 
= 2  − − x2 
4 3  −1
 8  1 1  9
= 2  4 − − 4 −  + − 1  = −
 3  4 3  2

9
b) O resultado obtido, − , é a medida da área da região A1 , abaixo da curva e acima do eixo x,
2
entre x = −1 e x = 0 , menos a medida da área da região A 2 que está abaixo do eixo das
abscissas e acima da curva, no intervalo x = 0 e x = 2 . De acordo com o gráfico, temos:
0
0
 x4 x3    1 1  5
A1 = ∫ f (x) dx = 2  − − x 2  = 2 0 −  + − 1  =
−1 4 3  −1   4 3  6
2
2
 x4 x3   8  16
A 2 = − ∫ f (x) dx = −2  − − x 2  = −2  4 − − 4 − 0  =
0 4 3 0  3  3
5 16 5 − 32 9
Assim, A1 − A 2 = − = =−
6 3 6 2

Questionário 3

Procure em um livro de Cálculo os assuntos Soma de Riemann e Integral Definida. Estude esses
assuntos e procure responder às seguintes questões:

1) Escreva uma expressão para uma soma de Riemann de uma função f. Explique o significado da
notação que você usar.

2) Se f ( x ) ≥ 0 , qual a interpretação geométrica de uma soma de Riemann dessa função? Ilustre com
um diagrama.

3) Se y = f ( x ) assume valores positivos e negativos, qual a interpretação geométrica de uma soma de


Riemann? Ilustre com um digrama.

4) Escreva a definição de integral definida de uma função contínua de a até b.

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b
5) Qual a interpretação geométrica de ∫ f ( x) dx ,
a
se f ( x ) ≥ 0 para a ≤ x ≤ b ? Ilustre com um

diagrama.
b
6) Qual a interpretação geométrica de ∫ f ( x) dx ,
a
se f assume valores positivos e negativos no

intervalo [a , b] ? Ilustre com um diagrama.

Exercícios 3

1) Um automóvel consegue parar 5 segundos após o motorista ter pisado no freio. Enquanto os freios
estavam acionados, foram registradas as seguintes velocidades:

Tempo (s) 0 1 2 3 4 5
Velocidade (m/s) 27 18 12 7 3 0

Com base nos dados da tabela:


a) Determine estimativas superior e inferior para a distância percorrida pelo carro após os
freios terem sido acionados.
b) Mostre, em um esboço de gráfico da velocidade versus tempo, as estimativas encontradas
assim como a diferença entre essas estimativas.

2) Use o quadriculado da Figura 1 para obter estimativas da área da região limitada pela curva, pelo
eixo horizontal e pelas retas x = −1 e x = 7 . Obtenha estimativas superior e inferior de modo que
a diferença entre elas seja de, no máximo, 4 unidades de área.

Figura 1

3) O gráfico da função y = e − x 2 está na Figura 2. Obtenha estimativas para a área da região


2

hachurada com erro inferior a 0,1. Como se pode aproximar a medida desta área hachurada com
qualquer grau de precisão?

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4) A Figura 3 mostra o gráfico da velocidade de um objeto em metros por segundo. Faça uma
estimativa para a distância total percorrida pelo objeto entre t = 0 e t = 5 .

5) Use um software para fazer uma tabela das somas à esquerda e das somas à direita com 2, 10, 50
e 250 subdivisões; verifique que, à medida que o número de subdivisões aumenta, o valor da
integral definida se aproxima do valor indicado.

∫e dx ≈ 1,4712
2 x2

∫ x dx ≈ 2,0654
x
0
1

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π2

∫ cos x dx ≈ 0,9951
0

3
1
∫ sen  x  dx ≈ 1,538
0, 2

∫ sen ( x ) dx ≈ −0,0255
2

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