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REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

A PROPOSITO DEL 80.° ANIVERSARIO DE LA


"PROVIDENTISSIMUS DEUS"

J O S É MARÍA CASCIARO

Una advertencia preliminar

El t i e m p o dedicado a pensar y escribir estas cuartillas


h a sido un e x a m e n de conciencia sobre m i propia con-
ducta de e x é g e t a católico. Desde luego, n o h e p r e t e n d i d o
l e v a n t a r n i n g u n a clase de crítica n e g a t i v a al trabajo de
mis colegas escrituristas. H a sido una reflexión sobre
nuestro trabajo, t o m a d o en sus líneas generales y sin r e -
f e r e n c i a a n i n g ú n autor en particular. Si estas r e f l e x i o -
nes l o g r a r a n contribuir a una clarificación de la v e r d a d e r a
naturaleza, fines y estatuto de la exégesis católica, a u n -
que sea corrigiendo más o menos mis puntos de vista, m e
alegrará saber que no h e p e r d i d o el t i e m p o . En todo caso,
pienso que la cuestión n o carece de i m p o r t a n c i a p a r a la
T e o l o g í a y Exégesis y que, concebidas éstas c o m o un ser-
vicio a la Iglesia, una diakonía ekklésiastiké, p o d r í a n ser
útiles t a m b i é n , m á s allá de las cuestiones científicas, al
mismo Pueblo de Dios, en una medida bien modesta,
por supuesto. Sí, r e a l m e n t e , hubiera acertado a soulever
una cuestión de alguna relevancia, mis colegas de p r o f e -
sión, los escrituristas católicos, p o d r í a n d a r unos juicios
e n p r i m e r a instancia que y o t e n d r é m u y en cuenta gus-
tosamente. Si la cuestión m e r e c i e r a alguna atención más

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JOSE MARIA CASCIARO

arriba, todos nosotros podremos beneficiarnos del juicio


de la I g l e s i a sobre las opiniones de los teólogos.

A modo de balance

Transcurridos o c h e n t a años desde la encíclica Provi-


dentissimus Deus de L e ó n X I I I , la exegesis católica ha
recorrido un l a r g o iter. Es e v i d e n t e su f e c u n d i d a d b i b l i o -
gráfica en ese p e r í o d o de t i e m p o . P e r o , ú l t i m a m e n t e , m u -
chos exégetas, l e g í t i m a e inevitablemente, han comen-
zado a reflexionar sobre su propio quehacer exegético,
sobre sus m é t o d o s y resultados, sobre las relaciones e n t r e
Exegesis y Teología, sobre los principios hermenéuticos
que de una m a n e r a m á s o m e n o s refleja e m p l e a n en sus
análisis de i n v e s t i g a c i ó n y en sus síntesis, y h a n afron-
tado, desde diversos aspectos, el p r o b l e m a epistemológico.
C o m o en otros campos de la a c t i v i d a d del espíritu hu-
m a n o , apenas a l c a n z a d a una frontera, se siente la gra-
v i t a c i ó n hacia o t r a m e t a m á s l e j a n a . E n efecto, la e x e -
gesis católica de 1973 h a dado un g i r o casi copernicano
respecto de la situación en que se e n c o n t r a b a h a c i a 1893,
momento de la aparición de la Providentissimus Deus.

Entonces, los exégetas católicos eran sobre todo " t e ó -


l o g o s " de profesión. M o v i d o s por impulsos de su conciencia
y de su a f á n de conocer en p r o f u n d i d a d la P a l a b r a de
Dios escrita, o llevados por su sentido de responsabilidad
de h o m b r e s de Iglesia, y con el fin i n m e d i a t o de d e f e n d e r
la Biblia de los ataques de n o pocos cultivadores de las
diversas ciencias históricas o de la naturaleza, se a v e n -
turaban a p e n e t r a r por los diversos campos de la crítica
histórico-literaria, de la filología semítica y oriental, i n -
t e r v e n í a n e n las polémicas acerca de la historia compa-
rada de las religiones, a b o r d a b a n estudios de la historia
del a n t i g u o O r i e n t e m e d i o y p r ó x i m o , o de las flamantes
ciencias de la naturaleza. A r q u e o l o g í a , prehistoria, etc.,
fueron focos de a t r a c c i ó n de los nuevos escrituristas, e s -
pecialidad que se iba i m p o n i e n d o en los estudios de la
teología apologética de los católicos de fin de siglo. L a
citada encíclica Providentissimus Deus, de una parte,

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así como la f u n d a c i ó n de L'École pratique d'études bibli-


ques de Jerusalén, el posterior Pontificium Institutum
Biblicum de R o m a , y la m i s m a Pontificia Commissio de re
bíblica de otra, impulsaron los estudios específicamente
bíblicos, o r i e n t a r o n a sus cultivadores y h a n v e n i d o for-
m a n d o sucesivas p r o m o c i o n e s de especialistas, que p r o n t o
h a b r í a n de l l e n a r las publicaciones científicas y las e x p l i -
caciones docentes en F a c u l t a d e s teológicas, en S e m i n a r i o s
y en Universidades. Se m u l t i p l i c a r o n los estudios m o n o -
gráficos y los eruditos c o m e n t a r i o s a la Biblia... Se ha
h a b l a d o de aquel entonces como del c o m i e n z o de una n u e -
va era de la exégesis católica: la exégesis científica y
especializada, que sigue v i g e n t e y en la que nos hemos
f o r m a d o los que en la h o r a presente nos podemos l l a m a r
de algún m o d o profesionales de los estudios bíblicos.

Sin duda es e x a g e r a d o h a b l a r de una n u e v a era, pues


la exégesis cristiana y católica n o h a n cesado nunca de
trabajar, si se exceptúa la crisis g e n e r a l de la cultura
de occidente en la alta E d a d M e d i a . E n cualquier caso,
el balance de los últimos o c h e n t a años alcanza un n i v e l
de a l t a productividad.

L a exégesis católica h a podido c o n t a r con muchos y


muy eruditos cultivadores, t a n t o del A n t i g u o como del
N u e v o T e s t a m e n t o . Los m o d e r n o s especialistas h e m o s sido
impulsados a una ardua y prolija p r e p a r a c i ó n lingüística,
histórica, l i t e r a r i a y crítica. U n cierto prestigio ha sido
dado a estos especialistas, l e n t a m e n t e preparados con un
b a g a j e i n s t r u m e n t a l i m p r e s i o n a n t e . Sin e m b a r g o , esa c o s -
tosa especialización ha producido t a m b i é n un efecto par-
c i a l i z a n t e : m i e n t r a s se iban acumulando horas y años de
esfuerzo en la adquisición de las ciencias auxiliares y en
el oficio de e x p e r t o en estudios bíblicos, n o es e x a g e r a d o
decir que sé iban e m p o l v a n d o y a r r i n c o n a n d o los estudios
y conocimientos p u r a m e n t e " t e o l ó g i c o s " , adquiridos en m á s
t e m p r a n a j u v e n t u d , m e d i a n t e los cursos institucionales y
el período de L i c e n c i a t u r a en S. T e o l o g í a , que según la
legislación eclesiástica, se m a n t e n í a n c o m o c a m i n o p r e v i o
e indispensable p a r a el l o g r o de los grados en Sagrada
Escritura. N o obstante esta sabia m e d i d a del M a g i s t e r i o ,

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que siempre exponía con claridad el c a r á c t e r esencial-


m e n t e teológico de los estudios bíblicos, al cabo de pocos
decenios se había producido una i n v e r s i ó n : los estudios
" t e o l ó g i c o s " , en la práctica, se h a b í a n c o n v e r t i d o casi en
un requisito a c a d é m i c o para la especialización en los e s -
tudios " b í b l i c o s " , m e t a de los j ó v e n e s estudiosos.
E n el m o m e n t o de la historia, en el cual v i v i m o s ahora,
nos e n f r e n t a m o s con un p r o b l e m a h e r m e n é u t i c o , casi t o -
t a l m e n t e inverso del que estábamos en 1893. Los j ó v e n e s
exégetas católicos pueden verse muy bien pertrechados
de las disciplinas auxiliares, p r e l i m i n a r e s para un estudio
" d i r e c t o " de la B i b l i a ; dicho de o t r o m o d o , con un b a g a j e
s u m a m e n t e técnico de las reglas y principios racionales
de h e r m e n é u t i c a . E n efecto, se h a n conseguido resultados
positivos en la i n v e s t i g a c i ó n de parcelas relativas a la
filología, historia, arqueología, etc., auxiliares de la E x é -
gesis bíblica, aspectos particulares de la r e a l i d a d ( l a r e -
velación b í b l i c a ) , pero se ha p e r d i d o en buena p r o p o r c i ó n
la universalidad del objeto de estudio.
L a causa es que se ha r e l e g a d o a un p l a n o m u y secun-
dario aquel ejercicio científico y sapiencial de la razón
natural, que i n t e n t a c o m p r e n d e r la r e a l i d a d t o t a l y que,
b r e v e m e n t e , podemos l l a m a r filosofía. Desde m i v e r t i e n t e
de e x é g e t a de la Biblia, pienso que estoy p l e n a m e n t e de
acuerdo con m i colega C. Cardona, especulativo, cuando
escribe: " O g g i c o m e ieri la teologia è stata f a t t a dalla
f e d e con la filosofia. M a n i f e s t a o nascosta che sia la sua
presenza, riconosciuta o meno dal teologo, n o n c'è una
sola teologia in cui n o n si possa i n d i v i d u a r e una filosofia:
un m o d o scientifico di esercitare la r a g i o n e n a t u r a l e con
la r e l a t i v a concezione della r e a l t à t o t a l e . . . Q u a n d o questo
n o n risulta, si t r o v a n o n più una teologia ( u n t e o l o g o ) ,
m a una f e d e ( u n c r e d e n t e ) e anche una filologia (un filo-
l o g o ) o una storia (uno storico, forse uno storico cristiano)
o qualunque a l t r a scienza n o n r i g u a r d a n t e che un a s p e t t o
p a r t i c o l a r e della r e a l t à (o del p e n s i e r o ) e che quindi n o n
può r i c e v e r e e v e r t e b r a r e il resto della r e a l t à . . . " ( 1 ) . M á s

(1) C. CARDONA, II passaggio alla Teologia, en "Divinitas" 15, 3


(1971) 454. Cfr. etiam todo el art. pp. 454-79.

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a d e l a n t e t e n d r e m o s ocasión de insistir sobre la u n i d a d de


la T e o l o g í a , que i m p l i c a n las citadas palabras. D e mo-
m e n t o baste subrayar que la tarea del e x é g e t a no se r e -
duce, en m i opinión, a adosar a un t e x t o d e t e r m i n a d o de
la Biblia, aquellos datos históricos, literarios y culturales,
que f o r m a n el background o el Sitz im Lében del pasaje
en cuestión y que p e r m i t e n c a p t a r m e j o r el alcance h i s -
tórico del t e x t o . T a l labor es, desde luego, necesaria, p e r o
no es suficiente, no es todo. L a ciencia bíblica h a de p r o -
ponerse la "edificación del Cuerpo de C r i s t o " , de modo
a n á l o g o a como el h a g i ó g r a f o tuvo esa m i s m a finalidad al
escribir bajo la acción de la inspiración divina. Así, pues,
el exégeta se ciñe n e c e s a r i a m e n t e a un t e x t o bíblico d e t e r -
m i n a d o y hace una p r i m e r a i n v e s t i g a c i ó n de su sentido,
ayudado por esa técnica crítica histórico-literaria. P e r o el
e x é g e t a sabe que la Biblia no es sólo un d o c u m e n t o ar-
queológico, sino v i v o en el seno de la Iglesia. Y se p r e -
gunta qué significa aquel t e x t o en el conjunto de la r e -
v e l a c i ó n ; c ó m o lo ha i n t e r p r e t a d o la Iglesia, en su d o c -
t r i n a y en su práctica, a lo l a r g o de su historia posterior;
cómo refleja ese texto, desde su ángulo concreto de visión,
la v i d a de la Iglesia que precedió a la redacción canónica
del pasaje; c ó m o el t e x t o en cuestión se inserta en la
visión cristiana unitaria; cómo debe ser aplicado a la
v i d a del cristiano... Si el e x é g e t a n o se planteara, más o
m e n o s según los casos, esas cuestiones, n o sería, en mi
opinión, un v e r d a d e r o exégeta, sino un erudito o i n v e s -
t i g a d o r de las circunstancias históricas o literarias de la
Biblia, y se iría c e r r a n d o el h o r i z o n t e p a r a la i n t e l i g e n c i a
profunda del t e x t o , p a r a la v e r d a d e r a " l e c t u r a cristiana"
de la Biblia.

T a m p o c o puede caer el e x é g e t a en el e x t r e m o opuesto,


a saber, desentenderse del uso de la razón, con su equipo
de ciencias y métodos auxiliares, para interesarse sólo en
" q u é significa el t e x t o p a r a m í , en orden a m i personal
decisión de f e " , prescindiendo de su sentido l i t e r a l y e s -
piritual. Es c l a r o que por ese camino del subjetivismo
p r o n t o se llegarla a alguna especie de fideísmo y de i g n o -
rancia. Esta segunda tendencia no es m e r a m e n t e h i p o t é -

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tica, sino que está h a c i e n d o presión ú l t i m a m e n t e a los


espíritus, tras la exégesis "existencial".

Los principios de la hermenéutica católica

E n teoría se sigue sabiendo, y quizá m e j o r formulado


que nunca, que " l a S a g r a d a Escritura h a y que leerla e
i n t e r p r e t a r l a con el m i s m o Espíritu con que se escribió,
para sacar el sentido e x a c t o de los t e x t o s s a g r a d o s " ( 2 ) ,
y t a m b i é n que " h a y que a t e n d e r no m e n o s d i l i g e n t e m e n t e
al contenido y a la unidad de toda la S a g r a d a Escritura,
t e n i e n d o en cuenta la t r a d i c i ó n v i v a de toda la Iglesia
y la a n a l o g í a de la f e " ( 3 ) . I g u a l m e n t e , el M a g i s t e r i o h a
v u e l t o a insistir en que " e s deber de los exégetas el t r a -
bajar según estas reglas p a r a e n t e n d e r y exponer total-
m e n t e el sentido de la S a g r a d a Escritura... P o r q u e todo
lo que se refiere a la i n t e r p r e t a c i ó n de la S a g r a d a Escri-
tura está sometido en última instancia a la Iglesia, que
t i e n e el m a n d a t o y el ministerio d i v i n o de conservar y de
interpretar la Palabra de D i o s " ( 4 ) . Sin embargo, y a
pesar de toda esta insistencia y c l a r i d a d del M a g i s t e r i o ,
a la hora de la práctica, se ha llegado, como nunca, a una
separación entre " e x é g e s i s " y " t e o l o g í a " , c o m o si aquélla
no constituyera p a r t e de ésta, y ésta pudiera a n d a r d e s -
l i g a d a de la p r i m e r a . T e ó r i c a m e n t e n a d i e afirma tal cosa,
pero p r á c t i c a m e n t e " t e ó l o g o s " y " e x é g e t a s " m a r c h a n por
caminos bien diversos, hasta el punto de que hemos p o -
dido comprobar que, en reuniones conjuntas, unos y otros
casi "hablamos un lenguaje distinto" (5).

P u e d e apreciarse una tendencia, bastante generalizada,


por la cual los " e s c r i t u r i s t a s " no nos consideramos " t e ó -
l o g o s " y viceversa, los " t e ó l o g o s " , n o nos consideran tales
a los " e s c r i t u r i s t a s " . ¿Es esto bueno? P i e n s o que n o . Es

(2) CONC. VATICANO II, Const. Dogm. Dei Verbum, n 12.


(3) Ibldem.
(4) Ibidem.
(5) Esta última observación ha quedado un tanto paliada en los
últimos años, debido a un acercamiento de los "teólogos" al lenguaje
de los "biblistas", pero no a un acercamiento nuestro al de los pri-
meros.

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más, opino que la exégesis bíblica es una disciplina n e t a -


m e n t e t e o l ó g i c a ; o dicho de o t r o m o d o , el quehacer e x e -
gético es una t a r e a e s e n c i a l m e n t e teológica. T i e n e razón
H . Schlier cuando afirma que " q u i e n equipado con todas
las técnicas del saber filológico e histórico se acerca a
i n t e r p r e t a r la S a g r a d a Escritura y n o se preocupa de a ñ a -
dir la e x p e r i e n c i a f u n d a m e n t a l , de la que nos habla el
m i s m o N u e v o T e s t a m e n t o , es decir, la f e , ese t a l jamás
llegará a conocer la r e a l i d a d que nos comunica en su
mensaje el N u e v o T e s t a m e n t o ( 6 ) .
L a situación actual ha llegado hasta el punto de que
la cuestión hermenéutica se h a constituido en la question
biblique por excelencia, a l g o así c o m o la inerrancia bí-
blica fue la question biblique de las últimas décadas del
siglo x i x . E n efecto, sobre el especialista en S. Escritura
gravitan a h o r a varias tensiones que h a c e n de su oficio
una t a r e a ardua y compleja, en la que puede sentirse el
desaliento de la propia l i m i t a c i ó n h u m a n a : ¿cómo c o n o -
cer en profundidad, de un lado, las técnicas acreditadas
ú l t i m a m e n t e c o m o específicas del e x é g e t a (principios ra-
cionales de crítica histórico-literaria, con su complejo
cortejo y a p o y o de disciplinas a u x i l i a r e s ) ; de otro m a n -
t e n e r una m e n t e abarcadora de los grandes t e m a s e i n t e -
reses vitales de la teología (discurso g e n e r a l de la fe c r i s -
t i a n a ) ; poseer al menos una a m p l i a información de la
historia de los dogmas, del M a g i s t e r i o eclesiástico... y,
finalmente, de los acuciantes problemas epistemológicos,
que le p l a n t e a la v a r i a d a filosofía c o n t e m p o r á n e a ? L a si-
tuación es casi agobiante, si el e x é g e t a n o quiere resig-
narse a convertirse en m e r o historiador de un d e t e r m i n a d o
m o m e n t o y c a m p o de la r e v e l a c i ó n d i v i n a escrita, o, por
el e x t r e m o contrario, e n un expositor "iluminado", que
d e m a s i a d o c ó m o d a m e n t e prescinde de la trabajosa tarea
histórico-crítica. Pienso que estas exigencias, de las que
acabo de hablar, r e l a t i v a s a la ardua t a r e a y compleja
p r e p a r a c i ó n del e x é g e t a católico n o son n a d a exageradas.
P a r a quien l e p a r e c i e r a n lo c o n t r a r i o , l e i n v i t o a leer las

(6) H. SCHLIER, ijber Sinn und Aufgabe einer Theologie des Neuen
Testament, Freiburg in Br. 1964, p. 11.

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siguientes palabras del S. P a d r e P a u l o V I , de j u n i o de


1971:

" A t c u m h o r u m t e m p o r u m eruditio progrediens,


quaestiones in hisce disciplinae ( r e f e r e n t e s a los estu-
dios bíblicos) p r o p o n a t cotidie n o v a s easque a d e x -
p l i c a n d u m n o n fáciles, i n d e flt u t p e r a r d u u m e v a d a t
munus iis concreditum, qui Sacris L i t t e r i s sint dè-
d i t i ; qui quidem, etsi opus h a b e n t h a e c studia ex-
colere r a t i o n e ac via, quae cum recentioribus s c i e n -
tiflcis pervestigationibus congruant, norunt tamen
Deum non privato doctorum iudicio, sed Ecclesiae
suae Sacras commisisse Scripturas, quae p r o i n d e a d
normam christianae traditionis et hermeneuticae
semper i n t e r p r e t a n d a e erunt, sub tutela et custodia
M a g i s t e r i i ecclesiastici" ( 7 ) .

Insisto, pues, en que la h e r m e n é u t i c a y la exégesis b í -


blica no son una ciencia m e r a m e n t e histórica, sino esen-
c i a l m e n t e teológica, en la que, por e n c i m a de las técnicas
críticas, debe ponerse la a c t i t u d c r e y e n t e de la fe. A n t e
la Biblia, el i n t é r p r e t e debe situarse c o m o un d i a l o g a n t e
al que no c o m p e t e j u z g a r el t e x t o de m o d o e x c l u s i v a m e n t e
h u m a n o : de un l a d o está Dios, que l e h a b l a en el t e x t o
sagrado, que n o es un d o c u m e n t o arqueológico, sino v i v o ,
p l a n t a d o en la T r a d i c i ó n i n i n t e r r u m p i d a de la I g l e s i a ; de
otro, está el propio i n t é r p r e t e , que debe ponerse cuidadosa
y h u m i l d e m e n t e a la escucha de Dios, para entenderle. Ese
e n t e n d i m i e n t o es un acto de fe que e x i g e la obediencia
del i n t é r p r e t e .

Objeto y método del conocimiento exegético

Es esta una cuestión de la que siento t e n e r aquí que


sobrevolar demasiado deprisa. C o m o t o d a ciencia, su es-
pecificidad viene determinada, en primer lugar, por el
objeto y por el m é t o d o de c o n o c i m i e n t o de la ciencia en

(7) P A U L I P P . V I , Litterae Apostolícete motu proprio datae: De


Pontificia Commissione Biblica ordinanda novae leges statuuntur.
Romae 27 iunii 1971, AAS L X I I n. 9 (30 septembris 1971) pp. p9-70.

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cuestión. P e r o en T e o l o g í a , y por t a n t o en Exégesis b í -


blica, el c o n o c i m i e n t o procede f o n t a i m e n te de su objeto
m i s m o . Desde luego que, c o m o t o d a ciencia, la Exégesis
contempla su objeto racionalmente y con sus métodos
propios; pero en T e o l o g í a y Exégesis los datos de la r a z ó n
son subsidiarios ( 8 ) . E n efecto, la T e o l o g í a y la Exégesis
n o son p r i m a r i a m e n t e un "discurso del h o m b r e acerca de
D i o s " : el punto de p a r t i d a es la Revelación, es decir, un
discurso-acción de Dios acerca de sí m i s m o y, secundaria-
m e n t e , acerca de otras realidades en dependencia de Dios
( e l h o m b r e , el m u n d o . . . ) . Es, pues, el o b j e t o m i s m o de la
T e o l o g í a , Dios, quien d e t e r m i n a el m o d o del c o n o c i m i e n t o
teológico. Es Dios quien, al revelarse al hombre, se le m u e s -
t r a c o m o o b j e t o de su c o n o c i m i e n t o y a m o r . Es el propio
objeto de la T e o l o g í a , el que dándose sobre todo en el V e r b o
E n c a r n a d o , P a l a b r a de Dios " p r o n u n c i a d a en el t i e m p o " ,
se muestra al espíritu h u m a n o y da a éste, m e d i a n t e la
gracia y la f e , la capacidad de conocer su propio objeto.
P o r ello, el m o d o del c o n o c i m i e n t o teológico es distinto
del de las demás ciencias. Estas pueden contemplar su
o b j e t o propio m e d i a n t e la sola luz de la r a z ó n natural.
E n cambio, el c o n o c i m i e n t o t e o l ó g i c o ( y por t a n t o e x e g é -
t i c o ) e x i g e una i n i c i a t i v a por p a r t e del propio objeto, es
decir, la revelación de sí m i s m o ; después v i e n e el iter del
c o n o c i m i e n t o h u m a n o - r a c i o n a l , con la i l u m i n a c i ó n nece-
saria y constante de la fe sobrenatural ( 9 ) .

(8) Sobre este aspecto concreto y sobre algunas ideas que ex-
pongo en los párrafos inmediatos, cfr. G. CHANTRAINE, A propos de la
liberté du théologien, en "Nouvelle Revue Théologique" X C I (1969)
531-538.

(9) Evidentemente, el concepto de revelación que yo tengo creo


que se ajusta con el de la tradición teológica cristiana y católica y
está en franca oposición, por ej., con el mantenido por la escuela
protestante liberal, desde D. F. Schleiermancher hasta R. Bultmann,
por no citar más que al primero y al último de sus máximos repre-
sentantes, con las matizaciones que se han dado dentro de esa escuela.
Esta tiene el denominador común del subjetivismo: la revelación,
para esos autores, no es propiamente una manifestación que Dios da
de Sí mismo al hombre, sino una expresión o una interpretación que
el hombre se hace acerca del problema de Dios, como fruto del sensus
religioso o de la comprensión de la propia existencia.

353

23
JOSE MARIA CASCIARO

L a s palabras que acabo de escribir, suscitan la n e c e s i -


d a d de una aclaración sobre el concepto de T e o l o g í a y de
Exégesis. Y o estoy de acuerdo con m i colega J. L. I l l a n e s
al concebir la T e o l o g í a en la línea que parece debe a t r i -
buirse a S a n t o T o m á s . I l l a n e s trae a colación, como t e x t o
m u y r e p r e s e n t a t i v o , un pasaje del C o m e n t a r i o al De Tri-
nitate de B o e c i o :

" C u m p e r f e c t i o h o m i n i s consistât i n coniunctione a d


D e u m , o p o r t e t quod h o m o ex omnibus quae in ipso
sunt, q u a n t u m potest a d d i v i n a i n n i t a t u r et a d d u c a -
tur, ut intellectus c o n t e m p l a t i o n i , et r a t i o inquisi-
tioni d i v i n o r u m v a c e t . . . " (10).

Y c o m e n t a : " L a aplicación de la distinción e n t r e in-


tellectus y ratio a la explicación del progreso i n t e l e c t u a l
del h o m b r e en su c o n o c i m i e n t o de Dios, i m p l i c a la d i s -
tinción de un doble m o v i m i e n t o : la c o n t e m p l a c i ó n , a t r i -
buida al intellectus, por la que el h o m b r e se connaturaliza
e identifica con la v e r d a d d i v i n a conocida; la investiga-
ción, propia de la ratio, por la que la doctrina de la f e es
analizada y estudiada... esa p a r t i c i p a c i ó n en el conocer
de Dios... despliega su capacidad sapiencial en dos d i r e c -
ciones... :

a) la sabiduría de los santos, que j u z g a de todas las


cosas per modum inclinationis...

b) la sabiduría del que posee el h á b i t o de la cien-


cia... que j u z g a per modum cognitionis, y que deriva de
la investigación, del estudio, del esfuerzo, de la reflexión,
del análisis.

L o que, según S a n t o T o m á s , d e t e r m i n a de m a n e r a i n -
m e d i a t a a la teología es, pues, el deseo de conocer y de
expresar con claridad lo creído... De a h í que como suele
decirse a menudo, el teólogo considere las verdades r e v e -
ladas n o f o r m a l m e n t e c o m o ut credibilia, sino ut intelle-
gibilia, no desde la perspectiva del a s e n t i m i e n t o , sino de

(10) STI. THOMAE AQU., In Boetii de Trinitate, prooem. q. 2 a. 1.

354
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

la c o m p r e n s i ó n de aquello a lo que el a s e n t i m i e n t o debe


ser p r e s t a d o . . . " ( 1 1 ) .

C o n todo, en el c o n o c i m i e n t o t e o l ó g i c o - e x e g é t i c o , el e s -
p í r i t u h u m a n o n o p u e d e constituirse en i n s t a n c i a crítica
suprema. P o r el c o n t r a r i o , la " f u e r z a p e c u l i a r " , la " e v i d e n -
cia de la certidumbre", no viene de la razón (llámese
crítica l i t e r a r i a , g n o s e o l o g í a r a c i o n a l , c r í t i c a histórica, e t c . ) ,
sino de la i n m e r s i ó n del espíritu del h o m b r e e n la P a l a b r a
de Dios, en la cohesión de la r a z ó n del t e ó l o g o con la fe
d e la Iglesia, o si se prefiere, más exactamente, con la
predicación apostólica, cuyo depositum se encuentra en
la S. Escritura y e n la S. T r a d i c i ó n ( 1 2 ) . P e r o Escritura
y T r a d i c i ó n n o son un t e s t i m o n i o m e r a m e n t e documental
de la p r e d i c a c i ó n apostólica, sino la c o n t i n u a c i ó n v i v a de
ésta, confiada p o r los A p ó s t o l e s a sus sucesores, que son,
no haría falta r e p e t i r l o , el P a p a y los Obispos e n comu-
n i ó n eclesiástica ( n o nosotros, los p r o f e s o r e s e investiga-
dores de la T e o l o g í a ) ( 1 3 ) .

(11) J. L . ILLANES, Sobre el sentido del saber teológico, en " D i -


vinitas" X V I , 3 (1972) 427-29.
(12) Cfr. CONC. VATICANO I, Const. Dogm. Dei Filius, cap. 4, Dz3+
3020: " L a doctrina de la fe que Dios ha revelado, no ha sido pro-
puesta como un hallazgo filosófico que debe ser perfeccionada por
los ingenios humanos, sino entregada a la Esposa de Cristo como un
depósito divino, para ser fielmente guardada e infaliblemente decla-
rada. D e ahí que también hay que mantener perfectamente aquel
sentido de los sagrados dogmas que una vez declaró la Santa Madre
Iglesia y jamás hay que apartarse de ese sentido, con pretexto y en
nombre de una más alta inteligencia".
(13) "Este término, depósito, que San Pablo repite muchas veces,
se refiere sin duda a las verdades de la fe, enseñadas por el Após-
tol, que los Pastores de la Iglesia deben conservar, defender y trans-
mitir. Del depósito de S. Pablo nacen algunas enseñanzas muy impor-
tantes; se indica que, desde la edad apostólica, existía un conjunto
de verdades reveladas bien determinado e inequívoco, una síntesis,
una especie de catecismo, que se debe enseñar y aprender de acuerdo
con una formulación determinada por el Magisterio apostólico; y que
debe transmitirse después con rigurosa fidelidad. Esto supone la tra-
dición, es decir, la enseñanza oral y autorizada de la Iglesia primitiva
(cfr. 2 Tim 2,2; 1 Cor 11,2.23; 15,1-3 etc.). Y nace, además, otra
enseñanza: la transmisión del depósito, siempre con vigilante aten-
ción para que no se altere la enseñanza originaria, pero con insomne
aplicación para meditarlo, explorarlo, transformarlo de implícito en
explícito, de bíblico en teológico, y de antiguo en siempre actual

355
JOSÉ MARÍA CASCIARO

En conclusión, el objeto propio del c o n o c i m i e n t o teo-


l ó g i c o y e x e g é t i c o es Dios m i s m o en cuanto que se revela
sobrenaturalmente ( 1 4 ) . El punto de p a r t i d a de la e x é g e -
sis n o es el discurso h u m a n o sobre Dios (esto puede ser
objeto de la F i l o s o f í a ) , sino el discurso-acción de Dios
a c e r c a de Sí mismo en palabras y acciones h u m a n a s i n s -
piradas y, sobre todo, en el V e r b o E n c a r n a d o , el Dios h e c h o
hombre.
Sobre este presupuesto ha de fundarse toda hermenéu-
tica bíblica y, como en un todo coherente, la actitud del
investigador c r e y e n t e de la Biblia. En suma, t o d o i n v e s -
t i g a d o r de la Biblia, si se a p a r t a r a del sensus que el M a g i s -
t e r i o ha dado a la S. Escritura, si se olvidara de esa guía
i n t e r p r e t a t i v a , destruiría el principio f u n d a m e n t a l de la
exégesis cristiana, derrumbaría el m é t o d o propio y el m o d o
de c o n o c i m i e n t o peculiar de su propia ciencia y, por t a n t o ,
h a r í a v a n o su propio trabajo y esfuerzo de investigador.
T a l " a c t i t u d h e r m e n é u t i c a " no e x i m e , sin e m b a r g o , del
esfuerzo intelectual de la r a z ó n i n f o r m a d a por la f e . El
Concilio V a t i c a n o I I ha puesto en su punto los progresos
que h a b í a n ido l o g r a n d o las disciplinas teológicas acerca
de las relaciones existentes e n t r e Biblia e Iglesia. R e c u é r -
dense, por ejemplo, los números 8, 9 y 10 de la C o n s t i t u -
c i ó n Dei Verbum. En ellos se e x p o n e n a u t é n t i c a m e n t e las
íntimas y esenciales relaciones existentes entre Biblia,
Sagrada Tradición y Magisterio eclesiástico, los cuales,
" s e g ú n el designio sapientísimo de Dios, están entrelaza-
dos y unidos de tal f o r m a que n o t i e n e n consistencia el
uno sin los otros y que juntos, cada uno a su modo, bajo
l a acción del Espíritu Santo, contribuyen eficazmente a la
salvación de las a l m a s " ( 1 5 ) .

(cfr. S. Th. I I - I I , q. 1 a. 7 ) " . PABLO V I , Insegnamenti, Tipogr. Poligl.


Vaticana, vol. V , pp. 695-696.
(14) También mi concepto de revelación difiere del propuesto por
O. Cullman, para quien la revelación no versa sobre el ser de Dios,
sino sólo sobre su acción salvífica en favor del hombre. Esta con-
cepción está influyendo actualmente en algunos teólogos y exégetas
católicos y da lugar a posiciones extremadamente "soteriologistas",
que se reflejan en tesis como la de la "Trinidad económica", y en
otras tendencias claramente antimetafísicas.
(15) CONC VATICANO I I , Const. Dogm. Dei Verbum, n. 10.

356
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

A la Biblia h a precedido, a c o m p a ñ a d o y seguido el i m -


pulso del m i s m o Espíritu, d e n t r o de la m i s m a Iglesia, l a
cual, a su vez, ha precedido, a c o m p a ñ a d o y seguido a la
Biblia ( e x t e n d e m o s el concepto de I g l e s i a de algún m o d o
t a m b i é n al Pueblo de Dios del A . T . ) . El sabio exégeta
M . J. L a g r a n g e , ya escribía en 1904, al reflexionar sobre el
propio m é t o d o h e r m e n é u t i c o : " N o s o t r o s seguimos un m é -
todo excelente p r a c t i c a n d o la crítica ( b í b l i c a ) sin p e r d e r
de vista j a m á s la a u t o r i d a d de la Iglesia, puesto que la
r e g l a por excelencia de la propia crítica es t e n e r en cuenta
el m e d i o a m b i e n t e ( d e un escrito) y la I g l e s i a es el medio
en el que h a aparecido la E s c r i t u r a " ( 1 6 ) . P e r o la I g l e s i a
no es sólo el m e d i o en que ha aparecido la Biblia, sino
t a m b i é n la realidad v i v i e n t e para la que se ha escrito l a
Biblia, es el " c u e r p o de C r i s t o " . En El se ha r e v e l a d o el
P a d r e , y en la Iglesia ha sido depositada la r e v e l a c i ó n del
P a d r e en el H i j o , la predicación e v a n g é l i c a ( t e s t i m o n i o e
interpretación auténtica) acerca del H i j o , y la "realiza-
c i ó n " de las promesas divinas de salvación, que habiéndose
cumplido en el V e r b o E n c a r n a d o se v a n r e a l i z a n d o tam-
bién en el cuerpo de Cristo, que es la Iglesia (cfr. E p h 1,
22-23; Col 1,24, etc.).

Sabido es que en el conocimiento teológico (y, por


t a n t o , e x e g é t i c o ) la fe tiene, en cierto modo, una función
c o r r e l a t i v a a los primeros principios en el conocimiento
natural (Metafísica). Tanto la f e — l a fe objetiva y la
a c t i t u d de f e — como los primeros principios, son el punto
de p a r t i d a r e s p e c t i v a m e n t e de la T e o l o g í a y de la M e t a -
física; pero, al m i s m o t i e m p o son un p u n t o de partida
que no se abandona j a m á s en el proceso del c o n o c i m i e n t o .
Y lo m i s m o que si un filósofo perdiera el h á b i t o de los
primeros principios, p e r d e r í a el h á b i t o de la Metafísica,
si un teólogo perdiese la fe, perdería el h á b i t o de la T e o -
logía, ésta quedaría como un cuerpo sin alma, un cadáver.
L o s diversos textos de la Biblia son útiles para instruir,
corregir y edificar, j u n t a m e n t e , en estrecho entramado,
con la S a g r a d a T r a d i c i ó n , guardada y explicitada en la

(16) M . J. LAGRANGE, La méthode historique, Paris 1904, p. 19.

35Î
JOSE MARIA CASCIARO

Iglesia. P e r o la v e r d a d y la v i d a no se sacan solamente de


esos textos de la S. Escritura, sino j u n t a m e n t e de Dios
y de su Iglesia. P o r eso, el instruir, corregir y edificar son
tres aspectos del exégeta, que i n t e n t a e m p l e a r su m e n t e
y su corazón de m o d o a n á l o g o a c o m o el h a g i ó g r a f o e m p l e ó
su propia personalidad ( 1 7 ) .
D e todos modos, es bien sabido t a m b i é n , que la S. T e o -
logía, por ser un conocimiento de Dios adquirido, tiene
algo de n a t u r a l y h u m a n o : t r a b a j a sobre la Revelación,
a p o r t a n d o a ella el esfuerzo de la r a z ó n h u m a n a , aunque
n o ésta sólo, sino ratio fide illustrata...
Era necesario recordar estas cosas, muy elementales,
para abordar a h o r a una posible aporía que a algún lector
puede habérsele ido p l a n t e a n d o , y que podría formularse
t a l vez de esta m a n e r a : ¿ P e r o qué diferencia h a y e n t o n -
ces e n t r e T e o l o g í a y Exégesis bíblica? Según lo que v e n i -
m o s h a b l a n d o ¿no parece que la Exégesis está i n v a d i e n d o
el t e r r e n o de la T e o l o g í a ? ¿Qué distinción hay, siquiera
m e t o d o l ó g i c a , e n t r e T e o l o g í a y Exégesis?

Sin perjuicio de v o l v e r sobre ello al tratar, al final de


este ensayo, del t e m a de Teología bíblica y unidad de la
Teología, m e parece que es más honesto responder ahora,
aunque sea b r e v e m e n t e , a tales interrogantes.
Pienso que será bueno p a r t i r de algunas nociones b á -
sicas que pueden ser c o m ú n m e n t e admitidas.
D e n t r o del g é n e r o del presente ensayo, podríamos d e s -
cribir la T e o l o g í a c o m o el esfuerzo por conocer y expresar,
con ayuda de los recursos de la razón n a t u r a l siempre
fide illustrata, lo que con a n t e r i o r i d a d y a es creído y de
a l g u n a m a n e r a conocido gracias a la autoridad de Dios que
revela. L a T e o l o g í a no se identifica, pues, con la f e , p e r o
la presupone y no la abandona. L a T e o l o g í a se m u e v e en
la línea del e n t e n d e r lo que ya se cree. N o es el " d e s c u -
b r i m i e n t o " de verdades que antes no se creían. L a Teo-
logía no añade nuevos artículos a los de la fe, sino que
intenta explicarlos, penetrarlos con la razón, explicitar

(17) Soy deudor de las ideas de este breve párrafo a mi colega


el prof. M. Giesler, en un estudio suyo inédito.

358
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

o aplicar la v e r d a d que ya se poseía antes, aunque fuese


de una m a n e r a n o r a c i o c i n a d a y como en g e r m e n . " E l p r o -
ceder teológico, ese ir de los principios a las conclusiones...
no debe ser, pues, interpretado según un movimiento
c e n t r í f u g o en el que, a p a r t i r de un núcleo de fe, se v a
d e r i v a n d o h a c i a conclusiones cada vez m á s alejadas del
c e n t r o y más irrelevantes desde la perspectiva del existir
cristiano, sino al c o n t r a r i o c o m o un m o v i m i e n t o centrípeto,
ya que consiste en conducir a su c e n t r o e i l u m i n a r a p a r t i r
de él toda v e r d a d y todo c o n o c i m i e n t o " ( 1 8 ) . E n ese m o -
v i m i e n t o c e n t r í p e t o la T e o l o g í a indaga, por m o d o de una
m a y o r profundización intelectual o racional, el propio dato
revelado.

¿ C ó m o procede la T e o l o g í a ? Y a sabemos que ratione


fide illustrata. Pero precisamente aquí, en las diversas
f o r m a s de actualizar esa r a t i o y de aplicarla, es donde
radica la distinción de las diversas disciplinas teológicas,
e n t r e ellas la Exégesis bíblica y, al m i s m o t i e m p o , en la
convergencia sobre la ratio fide illustrata es d o n d e se
asienta t a m b i é n la profunda unidad de todas las disci-
plinas v e r d a d e r a m e n t e teológicas.

A m i m o d o de ver, la especificidad de la Exégesis bíbli-


ca radica p r o p i a m e n t e en la investigación, profundización,
aclaración y d e t e r m i n a c i ó n del sentido o contenido de los
t e x t o s de la S. Escritura. M i r a , pues, p r i m e r a m e n t e a la
revelación contenida en los textos sagrados; se aplica
a estudiar, en p r i m e r l u g a r tres aspectos de esos t e x t o s :
1) su integridad y autenticidad, 2) su sentido y 3) sus
circunstancias, que pueden dar luz acerca del alcance de
ese sentido. Esta tarea es un trabajo p r i m a r i a y esencial-
m e n t e hermenéutico: se t r a t a de a l c a n z a r con precisión
qué es lo que dicen, con la m a y o r circunstanciación po-
sible, los textos sagrados. L a ratio o m é t o d o propio de la
Exégesis bíblica es una ratio que podríamos llamar, resu-
midamente, hermenéutica.

P e r o la Exégesis, si p r e t e n d e ser una disciplina cien-


tífica, no puede quedarse en una labor m e r a m e n t e a n a l í -

(18) J. L. ILLANES, o. c, p. 444.

359
JOSE MARIA CASCIARO

tica. C o m o toda ciencia tiende a o r g a n i z a r sus datos y


logros en un cierto sistema; a la labor analítica sigue i n -
m e d i a t a m e n t e la de síntesis. P o r ese c a m i n o , i r r e n u n c i a -
ble, la Exégesis bíblica tiende n e c e s a r i a m e n t e a la Teología
bíblica.

Así, pues, el m é t o d o propio del c o n o c i m i e n t o de la E x é -


gesis es el h e r m e n é u t i c o . E n t a n t o que hermenéutica, la
Exégesis bíblica tiene, metodológicamente, una amplia
coincidencia con la h e r m e n é u t i c a general, cuyo método
peculiar es la crítica histórico-literaria. L a Exégesis bí-
blica queda, pues, especificada, d e n t r o de las disciplinas
teológicas, por el m é t o d o c r í t i c o - l i t e r a r i o . Aquí, en el l e g í -
t i m o uso de este método, radica uno de los dos puntos
donde se a p o y a la especificidad de la Exégesis en relación
con las d e m á s disciplinas teológicas.

Pero la Exégesis no seria v e r d a d e r a m e n t e bíblica, si


consideráramos la S. Escritura s o l a m e n t e c o m o un docu-
m e n t o arqueológico y no como algo vivo, n a c i d o en el seno
de la Iglesia, crecido, conservado y a u t é n t i c a m e n t e inter-
p r e t a d o por ella. Sobre ello ya h e m o s h a b l a d o lo necesario
para nuestro propósito. P o r esta causa (que entra dentro
de otros m á s amplios aspectos de la economía divina de la
Revelación) el m é t o d o crítico h i s t ó r i c o - l i t e r a r i o n o basta
por sí solo p a r a constituir a la Exégesis bíblica en ciencia
propia. El m é t o d o de aquella no es p u r a m e n t e una ratio
hermenéutica naturalis, sino una ratio hermenéutica na-
turalis fíale íllustrata. Esto configura radical y esencial-
m e n t e el m é t o d o de la Exégesis bíblica. Y aquí se da una
causa de relación esencial con las demás disciplinas v e r -
d a d e r a m e n t e teológicas. Porque la captación del sentido
del t e x t o sagrado no puede lograrse independientemente
de la fe y ésta no se constituye por la sola Scriptura, sino
in sinu Ecclesiae.

P o r t o d o lo cual, una separación e i n d e p e n d e n c i a ab-


solutas de la investigación exegética respecto del conjunto
t o t a l de las disciplinas teológicas sería una autodestruc-
ción de la Exégesis bíblica, un desconocimiento de su propia
esencia, una contradicción.

360
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

N o quiero ahora, en gracia a la brevedad, abordar la


cuestión ( d e suyo muy i n t e r e s a n t e y relacionada con n u e s -
tro tema) acerca de si la Exégesis bíblica investiga el
sentido i m p l í c i t o de la r e v e l a c i ó n escriturística, o sólo el
explícito. P a r a m í es e v i d e n t e que ambos, pero n o quiero
a h o r a e n t r e t e n e r m e en esta cuestión.

Los dos polos de la hermenéutica

D e lo dicho, y de otras muchas más razones que no es


caso consignar aquí, se desprende la doble metodología
hermenéutica que debe m a n e j a r el e x é g e t a católico. De
un lado, como a n t e cualquier texto, debe ayudarse de todos
aquellos auxilios racionales de crítica histórico-literaria,
n o r m a l m e n t e d e n o m i n a d o s principios, criterios o reglas r a -
cionales de i n t e r p r e t a c i ó n , comunes en h e r m e n é u t i c a ge-
neral. D e otro, como es sabido, están los principios o c r i -
terios dogmáticos, o de fe, específicos de la exégesis bíblica,
en cuanto disciplina veré theologica. T o d o esto es m u y
sabido, pero quiero subrayar algo, que quizás n o suele ser
suficientemente ponderado. Es claro que la distinción de
ambas series de criterios es m e t o d o l ó g i c a m e n t e correcta
y útil, pero — y aquí está el a c e n t o — hay que e v i t a r al
aplicar los principios h e r m e n é u t i c o s , esto es, al hacer la
exégesis bíblica, una separación de ambas series c o m o si
se t r a t a r a de dos mundos distintos, pues, en t a l caso, se
llegaría a una vivisección destructora, incluso desde la
propia perspectiva del saber. Sería como querer separar en
un h o m b r e v i v o a l m a y c u e r p o : supondría la m u e r t e .

Es que la r e a l i d a d del cristianismo, o quizá m e j o r dicho,


de Cristo mismo, v i v o y a c t u a n t e en la Iglesia, y j u n t o con
El la r e v e l a c i ó n del P a d r e y la misión del Espíritu Santo,
desbordan siempre la i m a g e n fijada en un d o c u m e n t o l i -
terario, aunque sea el propio t e x t o sagrado e inspirado de
la Biblia. En n i n g ú n caso puede ser desligado el texto
bíblico de su m e d i o vital, que es la vida entera de la I g l e -
sia, en cuyo seno adquirió su redacción literaria a im-
pulsos de la divina inspiración y en cuyo seno ha sido cus-
todiado e interpretado.

361
JOSÉ MARÍA CASCIARO

L a I g l e s i a rodea, pues, a la Biblia. N o sólo la I g l e s i a


del t i e m p o histórico que precedió o sincronizó con la r e d a c -
ción de d e t e r m i n a d o t e x t o canónico, sino t a m b i é n la I g l e -
sia de todos los tiempos que h a n v e n i d o detrás de la m u e r t e
del ú l t i m o apóstol, hasta nuestros días. P o r ello, el Ma-
gisterio h a podido decir a u t é n t i c a m e n t e : " A s i m i s m o , para
p o n e r coto a los ingenios petulantes, decreta que nadie,
a p o y a d o en su propia prudencia, en m a t e r i a de fe y c o s -
tumbres, que p e r t e n e c e n a la edificación de la doctrina
cristiana, retorciendo la S a g r a d a Escritura h a c i a sus p r o -
pias opiniones, se a t r e v a a i n t e r p r e t a r l a c o n t r a el sentido
que tuvo y t i e n e la Santa M a d r e I g l e s i a — a la cual c o m -
pete juzgar sobre el v e r d a d e r o sentido e interpretación
de las Sagradas Escrituras—, contra el común sentir de
los Santos Padres, por más que tales interpretaciones no
h u b i e r a n de ser nunca p u b l i c a d a s " ( 1 9 ) . P o r consiguiente,
el e x é g e t a debe t e n e r a la vista y como s i m u l t á n e a m e n t e
los dos tipos de criterios h e r m e n é u t i c o s m e n c i o n a d o s : debe
aplicar la m e j o r técnica histórico-crítica que le propor-
ciona la cultura de su época y, al m i s m o tiempo, acceder
al t e x t o sagrado con el hábito de la T e o l o g í a , que es, en
resumen, la puesta en ejercicio de la fe, a c o m p a ñ a d a de
todo el a m p l i o dispositivo doctrinal y espiritual que le p e r -
m i t e su oficio p r o p i a m e n t e de " t e ó l o g o " en la Iglesia.

N o puedo menos de i n v i t a r a mis colegas los exégetas


católicos a reflexionar sobre hasta qué punto el principio
protestante de la sola Scriptura no se está deslizando, al
m e n o s en la práctica, en muchos de nuestros trabajos.
N o podemos pasar por alto autorizadas a d v e r t e n c i a s c o m o
la siguiente, del C a r d e n a l L. J a e g e r : "En la Const. De
divina Revelatione del V a t i c a n o I I , se h a insistido en la
í n t i m a unión que existe e n t r e la Escritura, T r a d i c i ó n y M a -
gisterio de la Iglesia. E x p l í c i t a m e n t e se declara que la I g l e -
sia no t o m a de la sola Escritura su certeza acerca de todas
las cosas reveladas. Contrasta con esta doctrina una de
las incomprensibles desviaciones postconciliares: algunos

(19) CONCILIO TRIDENTINO, sess. 4.a 8 - I V - 1 9 5 6 , Decreto sobre la


edición y uso de los libros sagrados Cfr. S. Muñoz IGLESIAS, Documen-
tos Bíblicos, Madrid 1955, n.° 53 (pág. 182).

362
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

teólogos, e n t r e ellos personas de g r a n prestigio, sostienen


en publicaciones de m u c h a difusión el principio de l a sola
Scriptura, que contradice al V a t i c a n o II... y a la naturaleza
i r r e f o r m a b l e de l a doctrina católica. Esos teólogos sacan
de la I g l e s i a a l a Escritura. Y esto es como sacar del agua
a u n p e z : se puede disecar el pez m u e r t o , y h a c e r l e la
autopsia hasta los m á s m í n i m o s detalles, pero y a n o es
el o r g a n i s m o v i v o " ( 2 0 ) .

U n a observación podría añadirse a ú n : aunque la i n -


t e r p r e t a c i ó n d e l a Biblia debe buscar el sentido de ésta
de l a m a n e r a m á s objetiva posible, e n l a práctica v i v a de
la I g l e s i a se h a seguido un justo m e d i o e n t r e dos e x a g e -
raciones e x t r e m a s : de un l a d o el subjetivismo incontro-
lado de cada i n t é r p r e t e ( e n que f r e c u e n t e m e n t e h a caído
la exégesis protestante, como consecuencia, entre otras
cosas, de su p r i n c i p i o del " l i b r e e x a m e n " ) ; y de otro, l a
oclusión a los carismas del Espíritu S a n t o . E n este segundo
aspecto c o n v i e n e recordar que de h e c h o , muchos santos
doctores h a n enriquecido la vida cristiana con p e n e t r a c i o -
nes v e r d a d e r a m e n t e v i t a l i z a n t e s d e l sentido de la S. E s -
critura. Aquí queda un m a r g e n , prudentemente utiliza-
ble, p a r a l a sensibilidad del i n t é r p r e t e , desigual desde su
capacidad espiritual, moral, especulativa, artística, psico-
lógica, etc. ( 2 1 ) .

Los métodos histórico-críticos

La investigación escriturística contemporánea ha a l -


canzado un desarrollo extraordinariamente considerable
por l o que se refiere a todo el vasto c a m p o de las técnicas
de h e r m e n é u t i c a racional. A d e m á s de los auxilios sumi-
nistrados por las disciplinas literarias e históricas, que
t i e n e n y a u n a m a d u r e z multisecular, e n las últimas déca-
das se h a n conseguido f o r m u l a r unos métodos hermenéu-

(20) CARD. LORENZ JAEGER, en Rheinischer Merkur 16-IV-1971. La


cita, ya traducida, me ha sido facilitada por mis colegas de Facultad
los profs. M. A. Tabet y C. Morales.
(21) Cfr. R. LAPOINTE, Les trois dimensions de l'herméneutique,
Paris 1967. Es un libro breve pero sugerente.

368
JOSÉ MARÍA CASCIARO

ticos racionales que, aunque nacidos, en p a r t e , de la propia


d i n á m i c a de la crítica literaria de los siglos x i x y xx, h a n
alcanzado una precisión técnica mayor que en épocas
pasadas. M e refiero, n a t u r a l m e n t e , a p a r t e de la aplica-
ción de la teoría de los géneros literarios, al m é t o d o h i s -
tórico-formal (Formgeschichtliche Methode) y al histó-
rico-redaccional (Redaktiongeschichtliche M e t h o d e ) . Cier-
t a m e n t e , en sus inicios p a r t í a n de graves prejuicios y e r r o -
res de o r d e n filosófico y teológico. P e r o en buena medida,
aunque a veces t a m b i é n con excesivas concesiones, h a n ido
siendo depurados en parte por los exégetas católicos hasta
ser empleados con utilidad para hondar en el proceso
de f o r m a c i ó n literaria ( e s p e c i a l m e n t e de algunos c o n j u n -
tos de escritos canónicos c o m o el P e n t a t e u c o , los Salmos
y sobre t o d o los Evangelios Sinópticos) y para precisar
los rasgos peculiares de cada escrito inspirado ( 2 2 ) .

Sobre todo, los métodos histórico-críticos se aplican en


muy diverso sentido, especialmente al N. T., según se p a r t a
de una posición v e r d a d e r a m e n t e católica, o de una a c t i t u d
protestante-liberal, y no digamos ya desde una m e n t a l i d a d
racionalista. Cuando los fundadores de la Formgeschichte
propusieron, cada uno a su m o d o , este m é t o d o , lo h a c í a n
como un i n t e n t o , más o m e n o s d r a m á t i c o , de dar razón
de los f u n d a m e n t o s de su fe cristiana. Simplificando la
cosa, para ser breves, podemos decir que los r e f o r m a d o r e s
del siglo x v i , al a p a r t a r el v a l o r n o r m a t i v o de la S. T r a -
dición de la I g l e s i a — c o n su guía más seguro del M a g i s t e -
r i o — y quedarse con la sola Escritura, desencadenaron,
— a u n q u e h a y a sido a su pesar—, un proceso de demolición
de la propia Escritura, bien conocido. E n efecto, la crítica
histórico-literaria del ú l t i m o siglo ha ido, por su p a r t e ,
redescubriendo lo que siempre se había t e n i d o en la I g l e -
sia Católica como una posesión pacífica, aunque por esto
quizás no f o r m u l a d a con precisión teológica. M e refiero
n a t u r a l m e n t e a la trabazón í n t i m a e n t r e T r a d i c i ó n y E s -
critura. Volvía a descubrirse, en sectores culturales de

(22) Cfr. Instructìo "Sanata Mater Ecclesia" de la Pont. Com.


Bíblica de 21-IV-1964, acerca de la veracidad histórica de los Evan-
gelios.

364
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

g r a v i t a c i ó n protestante, que la Biblia ni había n a c i d o ni


crecido fuera de su terreno propio, que es la v i d a de la
Iglesia, la T r a d i c i ó n . A l derrumbarse los criterios de i n s -
piración formulados por el protestantismo a n t e los golpes
de la crítica histórico-literaria, la situación de los e x é g e -
tas y teólogos protestantes se hizo poco menos que deses-
perada. Así estaban las cosas después de muchas décadas
de polémica en torno al " p r o b l e m a del Jesús de la h i s t o -
ria y del Cristo de la f e " .

Desde el m o m e n t o en que la crítica r a c i o n a l i z a n t e c l a -


sifica los escritos del N u e v o T e s t a m e n t o c o m o una simple
klein-literatur, y se acepta de una m a n e r a simplista esta
hipótesis, la fuerza p r o b a t i v a de tales escritos h a b r á de
verificarse según la naturaleza de ese g é n e r o y los p r o c e -
sos literarios que se suponían i n h e r e n t e s a él, en todas
las culturas. Entonces, p a r a los teólogos de esos a m b i e n t e s
de g r a v i t a c i ó n protestante o racionalista, era poco menos
que imposible mostrar una base científica razonable de
su fe cristiana. H a b í a que llegar a todo trance, hasta el
núcleo firme y seguro del "Jesús histórico", a través de
una depurada crítica h i s t ó r i c o - l i t e r a r i a de los escritos n e o -
testamentarios. Esto iba a e x i g i r un esfuerzo imponente
de reconstrucción de las formas literarias, de su naci-
m i e n t o , proceso e incorporación a los libros del N. T., en
una palabra, de su evolución, para d e t e r m i n a r con p r e c i -
sión su g r a d o de historicidad. Cuando años m á s tarde,
por ejemplo, J. Jeremías escribe en el p r ó l o g o de su libro
Die Gleichnisse Jesu que lo más i m p o r t a n t e es llegar " t a n
lejos hasta que sea posible dar con seguridad en el blanco
de la ipsissima vox Jesu", está d e l a t a n d o honestamente
su d r a m á t i c a inseguridad, que corrobora al seguir afir-
m a n d o que " n a d i e como el H i j o del H o m b r e m i s m o y su
palabra puede dar p l e n a m e n t e fuerza a nuestra predi-
cación".

P a r a un e x é g e t a católico n o puede existir t a l intento


desesperado de buscar a t o d o t r a n c e las ipsissima verba
Christi. Y ello por dos sencillas r a z o n e s : una, que cuantas
cosas consignan los hagiógrafos neotestamentarios en
cuanto t e s t i m o n i o de lo que dijo el propio Jesús, gozan de

365
JOSÉ MARÍA CASCIARO

un altísimo g r a d o de v e r a c i d a d histórica, aunque n o nos


reproduzcan m a g n e t o f ó n i c a m e n t e las ipsissima verba Chris-
ti; la otra, que cuanto nos n a r r a n acerca de Jesús, son
auténtico testimonio apostólico, el único testimonio que
Dios m i s m o ha querido que nosotros conociéramos, t e s t i -
m o n i o apostólico que es necesario y suficiente para basar
con toda seguridad nuestra fe. P a r a un católico, un su-
m a r i o n a r r a t i v o de S. M a t e o , por e j e m p l o , goza de toda
autoridad divina, porque está inspirado por Dios. Cuando
la Iglesia, en su a n t i g u a y S. T r a d i c i ó n , así lo recibió,
como p a r t e integrante de la S. Escritura y, cuando el
Magisterio infalible de la I g l e s i a determinó su canoni-
cidad, fundado precisamente en la T r a d i c i ó n , • n o hacía
otra cosa sino reconocer que esos escritos son la palabra
inspirada de Dios.

E n la base de toda h e r m e n é u t i c a católica está la roca


firme de la inspiración divina de la Escritura, g a r a n t i z a d a
para todo fiel, incluido el teólogo, por la T r a d i c i ó n viva
de la Iglesia, en cuyo seno se escribieron los libros sa-
grados y en los cuales se v i o a sí m i s m a la I g l e s i a fiel-
m e n t e reflejada en su ser de la m a n e r a m á s t r a s c e n d e n t e :
lo que e s e n c i a l m e n t e es y lo que debe ser.
P o r lo mismo, los escritos sagrados del N. T . para el
e x é g e t a católico no son m u r o que nos separa del Jesús
histórico, sino todo lo contrario, la auténtica puerta que
nos lleva a Jesucristo, en su profundo misterio, en su u n i -
dad hipostática inseparable de Dios y H o m b r e v e r d a d e r o ,
del Jesús de N a z a r e t y del Mesías, del H i j o de Dios E n -
c a r n a d o . T a l misterio i n a g o t a b l e de las divitiae Christi,
es p r e c i s a m e n t e abordable sólo v i v i e n d o en el seno de la
Iglesia, r e c o n f o r t a d o el h o m b r e por la P a l a b r a y los s a c r a -
m e n t o s , y con el m a r sin f o n d o de la m e d i t a c i ó n sobre la
revelación divina escrita.
Desprotegida de la S. T r a d i c i ó n , la exégesis científica
acatólica se encuentra fluctuante entre el dilema del fi-
deísmo o del racionalismo. T o d o s los intentos recientes,
por honestos que sean en sus intenciones, g r a v i t a n h a c i a
esos dos polos, que en casos hasta se entrecruzan, p r o d u -
ciendo unas tensiones desgarradoras en una m i s m a per-

366
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

sona: fideísmo en la p i e d a d personal, r a c i o n a l i s m o en la


demostración científica. L o s exégetas católicos n o debe-
mos caer ingenuamente en ese campo magnético. Los
métodos histórico-críticos nos son, en buena hora, a u x i -
liares secundarios aunque útilísimos, p e r o no modifican e n
n a d a sustancial nuestra f e : ni le p r o p o r c i o n a n una base
nueva imprescindible, porque nuestra fe está asentada e n
la T r a d i c i ó n v i v a de la Iglesia, en la cual Escritura, T r a -
dición y Magisterio se c o m p l e t a n mutuamente; ni nos
descubren n a d a n u e v o sustancial que no supiéramos de
antes... S i m p l e m e n t e nos ayudan a reconstruir la p r e h i s -
toria de los Evangelios escritos o de otros libros del A . y
del N. T., a t r a v é s de las formas literarias, de las fuentes
precanónicas, de los procedimientos redaccionales de los
hagiógrafos y del Sitz im Leben en que sucesivamente
fueron t o m a n d o configuración literaria. P e r o , en definiti-
va, n a d a de ellos cambia sustancialmente el testimonio
de f e del escrito sagrado en su f o r m a definitiva canónica.

Los exégetas católicos, guiados por los sabios consejos


del M a g i s t e r i o ( e s p e c i a l m e n t e en este p u n t o de la Instruc-
tio Sancta Mater Ecclesia de la Pontificia Comisión Bí-
blica, y de la Constitución Dei Verbum) debemos u t i l i z a r
los métodos histórico-críticos, pero con la serena actitud
de quien sabe que sólo nos p r e s t a n una ayuda auxiliar,
con vistas a una m a y o r p e n e t r a c i ó n en nuestro conoci-
m i e n t o r a c i o n a l de la Escritura. Su uso, no debe i n v e r t i r
los valores de la Exégesis.

P r e c i s a m e n t e la inversión de esos valores es una de


las causas principales de que el e n o r m e esfuerzo de la
i n v e s t i g a c i ó n c o n t e m p o r á n e a , en los dominios de la c r í t i c a
racional, n o se h a y a visto coronado, de m o d o general, p o r
un f r u t o paralelo, desde el p u n t o de vista de la p r o f u n d i -
zaron teológica. Sé que esta afirmación puede parecer
fuerte y que necesita ser m u c h o más m a t i z a d a , e n t r e otros
e x t r e m o s por lo que a t a ñ e a los logros en T e o l o g í a B í b l i -
ca, que h a n sido amplios. P e r o , en m i opinión, el objeto,
método y finalidad de la T e o l o g í a Bíblica es otra de las
orientaciones cuestionables de los exégetas católicos de
la a c t u a l i d a d : g r a n p a r t e de los frutos bibliográficos m u e s -

367
JOSÉ MARÍA CASCIARO

tran un profundo "decalage" del concepto de Exégesis


bíblica, que es u r g e n t e reconsideremos y rectifiquemos.
P i e n s o que e n t r e las causas de esta cuestionable d e s -
proporción (ingente trabajo crítico y relativo fruto teo-
lógico) hay que m e n c i o n a r dos aspectos de la "actitud
h e r m e n é u t i c a " con que a veces se aborda la exégesis. M e
refiero, de un lado, a la pérdida, al m e n o s parcial, del
habitus veré theologicus con que los biblistas afrontamos
a veces el t e x t o s a g r a d o ; ello i m p l i c a una pobre " a c t i t u d
h e r m e n é u t i c a " f r e n t e a una rica p r e p a r a c i ó n técnica. El
otro aspecto es la escasa sintonización con el conjunto
g e n e r a l del discurso cristiano, o dicho aún más l l a n a m e n -
te, la f a l t a de consciencia y aún de pretensión de ser
p l e n a m e n t e consecuentes con el principio básico, que, p o i
otro lado, lo afirmamos t e ó r i c a m e n t e de c o n t i n u o : la B i -
blia ha de i n t e r p r e t a r s e en su m e d i o a m b i e n t e vital, que
es la Iglesia, toda ella, en sus más completas manifes-
taciones a lo l a r g o de toda su historia. E n suma, pienso
que no sería injusta la acusación que se nos hiciera de
h a c e r a h o r a exégesis m e r m a d a de visión a m p l i a y verda-
d e r a m e n t e teológica, que debe trascender la pura histo-
ria que acaba en el p r i m e r siglo de nuestra era.

La Teología Bíblica

Junto a la continuación del g é n e r o l i t e r a r i o de grandes


c o m e n t a r i o s a la S. Escritura, los frutos quizá más b r i -
llantes de la exégesis católica m o d e r n a h a n sido los e s -
tudios, a diverso nivel, encuadrados en el n u e v o género
de la l l a m a d a Teología Bíblica. C o m o es sabido, ésta v i e n e
considerada como una p r i m e r a sistematización de las i n -
vestigaciones analíticas de la Exégesis. L a utilidad y n o -
bleza de esta r a m a de las disciplinas teológicas es e v i -
dente. P e r o , ¿podemos a c e p t a r la l e g i t i m i d a d de una pura
" t e o l o g í a b í b l i c a " tal como en la práctica la v e n i m o s c o n -
cibiendo c o m ú n m e n t e ? ¿Puede acaso existir una v e r d a d e r a
teología bíblica i n d e p e n d i e n t e de la universa Theologia?
L a " T e o l o g í a B í b l i c a " católica ¿no constituye en el f o n d o
un cierto m i m e t i s m o de la posición confesional p r o t e s t a n -

368
REFLEXIONES SOBRE LA EXÉGESIS CATÓLICA

te? E n otras palabras, la teología bíblica en uso a c t u a l -


m e n t e e n t r e los teólogos católicos, ¿no presenta de algún
m o d o un olvido del p r i n c i p i o f u n d a m e n t a l hermenéutico
de que la B i b l i a n o puede ser c a b a l m e n t e c a p t a d a e i n -
t e r p r e t a d a fuera del seno de la T r a d i c i ó n de la Iglesia?

L a s respuestas a estos i n t e r r o g a n t e s h a n de ser n e c e -


s a r i a m e n t e m u y matizadas. I n d u d a b l e m e n t e , los estudios
realizados en las diversas Teologías bíblicas son de un
v a l o r que n o puede ser desestimado a la ligera. A d e m á s ,
constituyen un impulso de c r e c i m i e n t o y desarrollo de la
Universa Theologia lleno de posibilidades. En efecto, a la
Exégesis y T e o l o g í a bíblicas p e r t e n e c e el i n m e n s o servicio
de ofrecer a otras disciplinas teológicas el contenido, c i e n -
tíficamente preparado, de la Revelación divina escrita.
Ello es una base, sin cuya solidez, la T e o l o g í a especulativa,
por ejemplo, difícilmente podría seguir avanzando. Sin
e m b a r g o , de no buscar s e r i a m e n t e , por p a r t e de todos, la
colaboración e interrelación de las diversas disciplinas
teológicas, éstas podrían sufrir la acción de una fuerza
en cierto m o d o c e n t r i f u g a n t e de la u n i d a d de la T e o l o g í a ,
que es scientia una. Del m i s m o modo, tal actitud llevaría
a una situación d e s i n t e g r a n t e o p a r c i a l i z a n t e de la propia
naturaleza de la i n t e r p r e t a c i ó n de la Biblia.

Con todas las reservas que presenta la delicadeza del


caso, podría decirse que la T e o l o g í a Bíblica es presentada
por buena p a r t e de nosotros, los e x é g e t a s de hoy, como
una teología que se elabora exclusiva o casi e x c l u s i v a m e n t e
desde la i n t e r p r e t a c i ó n directa y autónoma de la S. Escri-
tura. E n la práctica, muchos de e n t r e nosotros, parece
que concibamos la i n t e r p r e t a c i ó n de la S. Escritura como
si debiera ser explicada s o l a m e n t e por los libros sagrados
mismos y por las circunstancias histórico-religiosas en
que nacieron, con independencia de toda otra dimensión
sobrenatural y al m a r g e n de las explicitaciones dogmáti-
cas y teológicas posteriores. T a l concepción nos lleva m u -
chas veces a dar un peso y un crédito desorbitados a la
exégesis crítico-positiva, r e l e g a n d o a un plano m u y secun-
dario, e incluso d e j a n d o a un lado en no pocos casos, la
i n t e r p r e t a c i ó n del M a g i s t e r i o y de la rica t r a d i c i ó n cris-

369
24
JOSÉ MARÍA CASCIARO

tiana. E n alguna ocasión ha podido p a r e c e r que el recurso


a la i n t e r p r e t a c i ó n del M a g i s t e r i o y de la T r a d i c i ó n era
hasta metodológicamente impropio o heterónomo, como
si éstos hubiesen oscurecido el sentido genuino de la
P a l a b r a de Dios. En algunos casos más radicales se h a p o -
dido oír h a b l a r incluso de e n a j e n a c i ó n de la P a l a b r a di-
v i n a . A lo más, como c o n c e d i e n d o al M a g i s t e r i o sólo un
v a l o r n e g a t i v o , c o m o n o r m a de corrección. U n a t a l c o n -
cepción de T e o l o g í a Bíblica, que c i e r t a m e n t e aparece e n t r e
algunos autores católicos, adolece o b v i a m e n t e de un f u e r -
te sabor protestante, que debe ser sometido a crítica en
los dominios de la epistemología bíblica.

Es preciso, pues, que los escrituristas reconsideremos


la concepción de la T e o l o g í a Bíblica a la luz de la n a t u -
raleza del c r e c i m i e n t o teológico y de los principios de la
h e r m e n é u t i c a católica. E n a l g ú n m o m e n t o , h e llegado a
p l a n t e a r m e la p r e g u n t a de si a los escrituristas nos puede
acechar un p e l i g r o de estricticismo o m i n i m a l i s m o dog-
m á t i c o , s e m e j a n t e al de los escribas saduceos: así c o m o
éstos n o a d m i t í a n m á s que lo c l a r a m e n t e declarado en la
ley mosaica y quedaron rezagados en el c r e c i m i e n t o v i v o
de la r e v e l a c i ó n y de la fe de Israel, nosotros somos por
principio reacios a f o r m u l a c i o n e s y declaraciones de la
fe, con que el M a g i s t e r i o de la I g l e s i a h a ido e x p l i c i t a n d o y ,
por t a n t o , enriqueciendo h o m o g é n e a m e n t e el d o g m a g e r m i -
n a l y v i v o consignado de a n t i g u o en la S a g r a d a Escritura.
Pienso que a nosotros, los exégetas, nos toca una cierta
función, si se quiere, hasta de f r e n o a la i m a g i n a c i ó n c r e a -
dora de los especulativos, p e r o nunca una misión de o b s -
táculo p a r a l i z a n t e en la profundización de las insonda-
bles riquezas de la revelación, pues equivaldría a m a n t e -
ner, a t o d o trance, un anclaje impeditivo de todo pro-
greso doctrinal en la v i d a de la Iglesia. Ello sería un d e s -
censo, de alguna m a n e r a , a la sola Scriptura.

S e g u r a m e n t e , el esfuerzo de una tal reconsideración


h a r í a v e r más c l a r a m e n t e el l u g a r que ocupa en la ciencia
exegética el estudio y m e d i t a c i ó n de la S. Escritura in sinu
Ecclesiae. E n esta perspectiva recobrará, sin duda, su i m -
portancia práctica — t e ó r i c a m e n t e n i n g ú n e x é g e t a de p r o -

370
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

fesión lo h a n e g a d o — el recurso constante a la exégesis


de los P a d r e s , de los Doctores de la Iglesia, de la L i t u r -
gia, de una catequesis multisecular y, de m a n e r a especial,
del M a g i s t e r i o . E n efecto, pienso que los escrituristas h e -
mos de t e n e r m á s en cuenta que el M a g i s t e r i o no sólo
h a c e exégesis e n aquellos casos en que se pronuncia s o -
l e m n e m e n t e sobre la i n t e r p r e t a c i ó n a u t é n t i c a de un d e -
t e r m i n a d o t e x t o bíblico, sino que en toda su rica ense-
ñ a n z a propone una a m p l i a exégesis, más o menos implícita,
que c o m p e t e al i n v e s t i g a d o r de la B i b l i a saber explicitar
y apreciar en t o d o su alcance.

E n este c o n t e x t o , a los estudios crítico-positivos y a


sus resultados maduros, se les seguirá concediendo el
v a l o r auxiliar que les c o m p e t e como tales, p e r o sin i n v e r -
tir el orden que el M a g i s t e r i o ha v e n i d o recordando, sobre
todo en la enseñanza de los últimos Pontífices, desde
L e ó n X I I I a P a b l o V I , y en los otros documentos de los
concilios y de la Pontificia Comisión Bíblica. N o h a r í a f a l t a
aclarar que cuanto h e dicho acerca de los estudios modo
positivo y modo histórico n o contradice o menosprecia los
esfuerzos y los resultados de tales investigaciones. De n i n -
guna m a n e r a . L o que quiero decir es que un e x é g e t a c a -
tólico, que l e g í t i m a m e n t e se a d e n t r a en tales trabajos,
debe ser siempre consciente de que para él y para la
ciencia que cultiva, esos estudios históricos y positivos n o
son un fin, un scopus, sino unos pasos en su iter hacia la
exégesis doctrinal o teológica. Aquí, c o m o en otros casos,
h a y que salvar el peligro de que " l o s árboles no dejen
v e r el bosque". O m e j o r aún, saber aplicar inteligente-
m e n t e a la Exégesis bíblica, aquellas palabras sapienciales
de Jesús: "Haec oportuit faceré, et illa non omittere"
( M t 23, 23). A l m i s m o t i e m p o , la aplicación de la d o c t r i n a
sobre la naturaleza de la inspiración divina de la Escri-
tura debemos t e n e r l a presente, en acto, a la h o r a de h a c e r
exégesis. N o debe ser r e l e g a d a a un presupuesto, previo
pero c o r t a m e n t e operante. Por el c o n t r a r i o , deberá ser
t e n i d o en cuenta c o m o principio p e r m a n e n t e de h e r m e -
néutica, que encuentra f á c i l m e n t e su g r a v i t a c i ó n mode-
radora en inteligente conjunción con la crítica de las

371
JOSÉ MARÍA CASCIARO

fuentes y la aplicación de los métodos histórico-críticos.


L a teología de la inspiración, en efecto, se c o n v i e r t e en
principio h e r m e n é u t i c o desde el m o m e n t o que nos enseña
la v e r d a d e r a naturaleza de la B i b l i a : libro divino-huma-
no. Ella nos p e r m i t e p l a n t e a r n o s en toda su p r o f u n d i d a d
el sensus Scripturae sacrae, r e l a c i o n a n d o unos escritos con
otros, d e n t r o del desarrollo p r o g r e s i v o del p l a n revelador
del autor divino, Dios, común a todos los libros. Ella nos
p e r m i t e v e r la a r m o n í a de ambos T e s t a m e n t o s y la unidad
de toda la Escritura, siendo un c o r r e c t i v o constante y
superador de la tendencia analítica y disgregante que, de
hecho, lleva f r e c u e n t e m e n t e consigo la aplicación exclu-
siva de los métodos m e r a m e n t e racionales.

La "Teología crítica"

Se ha podido detectar, sobre todo en estos diez o quince


últimos años, una velada, o incluso a veces abierta acti-
t u d de revisión radical del concepto de T e o l o g í a y, c o n -
secuentemente, de Exégesis católica. Ello está p r o d u c i e n -
do, peligrosa y r á p i d a m e n t e , un v a c i a m i e n t o del v a l o r y
d i g n i d a d específicos de la T e o l o g í a y de la Exégesis bí-
blica: puede observarse un " d é c a l a g e " de la exégesis, por
el que se la h a c e descender al n i v e l de una ciencia m á s .
Cualquiera que lea a t e n t a m e n t e la producción exegética
de estos últimos años, puede apreciar f á c i l m e n t e cómo los
estudios bíblicos se encuentran, de modo casi general,
inmersos m e t o d o l ó g i c a m e n t e en el espacio de g r a v i t a c i ó n
d e la historia o de la filología, habiéndose como salido
casi por c o m p l e t o del de la S. T e o l o g í a . Sé que este punto
necesita más matizaciones y esclarecimientos, y que es
insuficiente tal como ahora lo p r o p o n g o " t o u t c o u r t " . E n
todo caso se i m p o n e un r e t o r n o , bien m e d i t a d o , a la v e r -
dadera naturaleza de la T e o l o g í a . P a r e c e i m p l i c a r super-
ficialidad y ceguera notables la actitud, c o m p a r t i d a hoy
por no pocos de los que se l l a m a n teólogos, los cuales se
deslumhran y tal vez se a c o m p l e j a n a n t e las realizaciones
técnicas de las ciencias humanísticas positivas. E n efecto,
según se desprende de t a l actitud, la aparición y d e s a r r o -

372
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

lio de esas ciencias positivas, históricas y bíblicas, o b l i -


garía a una revisión del concepto de Teología, de sus
resultados f u n d a m e n t a l e s e, incluso, de la doctrina ho-
m o g é n e a m e n t e enseñada por el M a g i s t e r i o a lo l a r g o de
tantos siglos. Debo t a l vez recordar que, cuando hablo
de T e o l o g í a , i n c l u y o en ella la Exégesis bíblica c o m o una
de sus partes componentes.

E n otras palabras, en estos últimos años, se está v o l -


v i e n d o a producir d e n t r o de algunos a m b i e n t e s "teológi-
c o s " del catolicismo un m o v i m i e n t o t a n radical y desde
luego m u c h o más a m p l i o c u a n t i t a t i v a m e n t e que el m o d e r -
nismo del e n t o r n o del 1900. El M a g i s t e r i o pontificio, desde
S. P í o X hasta P a b l o V I , no ha cesado de a d v e r t i r sobre
tales peligros, denunciar los errores y proponer las o r i e n -
taciones pertinentes. N o es ahora mi propósito aportar
aquí la a m p l í s i m a colección de enseñanzas y documentos
de los últimos pontífices, porque a l a r g a r í a en exceso las
reflexiones que quiero e x p o n e r en estas páginas. P o r otro
lado son bien conocidos de mis colegas los teólogos y los
escrituristas, aunque — r e c o n o z c á m o s l o sincera y humil-
d e m e n t e — con frecuencia no los t e n e m o s suficientemente
en cuenta a la hora de nuestro trabajo investigador o
expositivo. Cuántas denuncias, auténtica y autorizada-
m e n t e proféticas, de P a b l o V I caen en el silencio de n u e s -
tros trabajos; incluso palabras dichas en ocasiones b i e n
solemnes son rodeadas c o m o de una "ley del silencio",
aunque el P a p a denuncie una situación actual grave:
" L a I g l e s i a j u z g a que es obligación suya n o interrumpir
los esfuerzos p a r a p e n e t r a r más y m á s en los misterios
profundos de Dios, de los que tantos frutos de salvación
m a n a n para todos y, a la vez, proponerlos a los h o m b r e s
de las épocas sucesivas cada día de un m o d o m á s a p t o .
P e r o , al m i s m o tiempo, h a y que t e n e r sumo cuidado p a r a
que, m i e n t r a s se realiza este necesario deber de i n v e s t i -
gación, no se derriben verdades de la doctrina cristiana
(ne... christianae doctrínete veritates labefactentur). Si
esto sucediera — y v e m o s dolorosamente que h o y sucede
en r e a l i d a d — (Quod sí fíat videmusque, pro dolor, hodie
id reipsa fieri), ello llevaría la perturbación y la duda a

373
JOSE MARIA CASCIARO

los fieles ánimos de m u c h o s " ( 2 3 ) . " D i g a m o s , además, que


las dificultades (actuales c o n t r a la f e ) surgen t a m b i é n de
los estudios filológicos, exegéticos e históricos aplicados a
la p r i m e r a fuente de la v e r d a d revelada, que es la S a g r a d a
Escritura. Sin el c o m p l e m e n t o que da la T r a d i c i ó n y sin
l a asistencia autorizada del M a g i s t e r i o eclesiástico, el e s -
tudio de la Biblia sola está t a m b i é n lleno de dudas y de
p r o b l e m a s , que desconciertan la f e más que fortificarla.
Se ha d e j a d o a la i n i c i a t i v a del i n d i v i d u o t a l p l u r a l i s m o
d e opiniones, que se sacude la f e en su certeza subjetiva
y se le quita su autoridad social. S e m e j a n t e fe origina
obstáculos a la u n i d a d de los creyentes, cuando la f e debe
ser la base de la c o n v e r g e n c i a ideal y espiritual: una sola
es la fe ( E p h 4, 5 ) " ( 2 4 ) .

P o r esta causa, v u e l v e n a t e n e r actualidad, al cabo de


unos sesenta años, los documentos m a g i s t e r i a l e s de S a n
P í o X . E n efecto, el S a n t o Pontífice tuvo que e n f r e n t a r s e
en su t i e m p o , por p r i m e r a vez, con las extrapolaciones
y equivocaciones graves de las entonces j ó v e n e s escuelas
positivas, históricas y bíblicas. E n aquellos años, como
ahora, se observa un proceso de r e l a t i v i z a c i ó n : apoyán-
dose en premisas filosóficas i n m a n e n t i s t a s , se c a m i n a a
reducir a historia de la r e l i g i ó n y a problemas e p i s t e m o -
lógicos insolubles de exégesis, las verdades reveladas. E n
t a l e s a m b i e n t e s de r e l a t i v i z a c i ó n del depositum fidei, no
d e j a de ser significativo el olvido de t a n t a s advertencias
del M a g i s t e r i o constante de los últimos P a p a s y el ataque
o el desprecio precisamente al M a g i s t e r i o de San P í o X.
Son éstas unas circunstancias que m e r e c e n ser conside-
radas con t o d o cuidado y penetración, ya que, la fácil b a n -
dera de la libertad, m a l comprendida, podría l l e v a r f a l a z -
m e n t e a las peores de las tiranías. P r e c i s a m e n t e porque
el teólogo debe sentirse filialmente libre en el seno de su
m a d r e la Iglesia, no debe i m p o r t a r l e correr el riesgo de
c i t a r a l M a g i s t e r i o , de cualquier época que sea, c o n v e n -

(23) PAULO V I , Solemnis Professio fidei pronuntiata die 30 iunii


1968, n. 4.
(24) PAULO V I , Alocución en la audiencia general de 30 de octu-
bre 1968, ("L'Osservatore Romano" 31 octubre 1968).

374
• REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

cido de su profunda h o m o g e n e i d a d , a lo l a r g o de los s i -


glos (25) y persuadido de su noble t a r e a de buscar s i n c e -
r a m e n t e la v e r d a d . Es j u s t a m e n t e el ejercicio de esa l e g í -
t i m a libertad el que puede, e incluso debe, l l e v a r al t e ó -
logo a formarse, sincera y fundadamente, una opinión
contrastante, en m a y o r o m e n o r grado, con la m o d a c i e n -
tífica del m o m e n t o , o con las presiones a m b i e n t a l e s de
unas ideologías de la época.

Teología Bíblica y unidad de la Teología

Es de esperar que si nosotros los escrituristas católicos


sabemos p r o n t o r e e n c o n t r a r una teología bíblica concebida
en su v e r d a d e r a línea y m e j o r precisada de lo que mis
reducidos alcances pueden proponer, se podrá superar el
a n t a g o n i s m o que, de algún m o d o , se h a v e n i d o p r o d u c i e n -
d o en las últimas décadas e n t r e exégesis positiva y t e o -
l o g í a especulativa. Es más, abrirá el c a m i n o p a r a que de
v e r d a d la S a g r a d a Escritura vuelva a ser como el a l m a de
toda la T e o l o g í a , según h a querido enseñar el Conc. V a -
t i c a n o I I , y c o m o ya lo fue a n t a ñ o e n t r e los P a d r e s y
e n t r e los m á s grandes teólogos, como San A g u s t í n y S a n t o
T o m á s . E n esta dirección, pienso que los exégetas podremos
ofrecer un g r a n servicio a la T e o l o g í a , a p o r t a n d o muchos
puntos de c o n t a c t o y de colaboración con los teólogos sis-

(25) A este respecto me parece oportuno citar un párrafo de S .


S. Pablo VI, en su discurso del miércoles 12-1-1966: " N o n sarebbe
perciò nel vero chi pensasse che il Concilio rappresenti un distacco,
una rottura, ovvero, come qualcuno pensa, una liberazione dall'in-
segnamento tradizionale della Chiesa, oppure autorizzi e promuova
un facile conformismo alla mentalità del nostro tempo, in ciò ch'essa
ha di effimero e di negativo piuttosto che di sicuro e di scientifico,
ovvero conceda a chiunque di dare il valore e l'esspressione che crede
alla verità della fede. Il Concilio apre molti orizzonti nuovi agli studi
biblici, teologici e umanistici, invita a ricercare e ad appronfondire
le science religiose, ma non priva il pensiero cristiano del suo rigore
speculativo, e non consente che nella scuola filosofica, teologica e
scritturale della Chiesa entre l'arbitrio, l'incertezza, la servilità, la
desolazione, che caratterizzano tante forme del pensiero religioso
moderno, quand'è privo dell'assistenza del magisterio eclesiástico"
(Texto tomado de PAOLO VI, Discorsi al Popolo di Dio, Roma, Edit.
Studium, 1967, voi. 3.°, p. 195).

375
JOSÉ M A R Í A CASCIARO

temáticos, en beneficio del progreso de la T e o l o g í a , scientia


una, que es t a n t o como decir de la I g l e s i a y de los hombres.
N a t u r a l m e n t e n o se m e ocultan los problemas que p u e -
den plantearse e n t r e las relaciones y distinciones de los
métodos peculiares de i n v e s t i g a c i ó n exegética y sistemá-
tico-especulativa r e s p e c t i v a m e n t e . De una p a r t e h a y c o i n -
cidencias e n t r e ellas, d e n t r o del m é t o d o genérico del c o -
n o c i m i e n t o teológico. D e otra, existen diferencias de p r o -
c e d i m i e n t o , de t e m á t i c a , etc. Esto ocurre t a m b i é n entre
las diversas ramas particulares de una misma ciencia.
P e r o en t o d o caso, no son m a y o r e s que los ya planteados
a causa de la fuerza c e n t r i f u g a n t e de una concepción a u -
t ó n o m a del análisis e x e g é t i c o . L a s diferencias de los d i -
versos " l e n g u a j e s " no deben ser t a n t a s n i t a n irreductibles
como a veces se quiere i n t e n c i o n a d a m e n t e subrayar. En
otras palabras y b r e v e m e n t e , pienso que es u r g e n t e buscar
las vías de solución h a c i a una cierta c o n v e r t i b i l i d a d —la
mayor posible— entre las categorías especulativas y el
l e n g u a j e más sencillo, menos preciso, de los datos r e v e -
lados. P o r supuesto, todo esto implica un j u i c i o sobre los
diversos sistemas de p e n s a m i e n t o en uso y la aceptación
de un cierto pluralismo, pero t a m b i é n la superación de
las posiciones e x t r e m a d a s de escuela, para ir, por el c o n -
t r a r i o , en búsqueda de una síntesis abierta y una koiné
metafísica, en la que todos podamos entendernos. Desde
luego, hasta a h o r a no se v e otra perspectiva probada con
é x i t o que la que pueda e n t r o n c a r con el realismo m o d e -
rado aristotélico-tomista, p r e c i s a m e n t e porque no consti-
tuye una posición de escuela, sino que se sitúa, en h o r i -
zonte abierto, por e n c i m a de escuelas y sistemas cerrados.

T o d o ello nos e n f r e n t a >—aunque c i e r t a m e n t e de m o d o


aquí poco e l a b o r a d o — con el p r o b l e m a de la vuelta a la
i n t e g r a c i ó n de los estudios bíblicos en los estudios t e o l ó -
gicos. Quizás, después del l a r g o c a m i n o recorrido por la
exégesis católica en los últimos o c h e n t a años, debamos
ahora t r a b a j a r por una nueva confluencia de esfuerzos.
Esta confluencia de todas las disciplinas teológicas r e -
cobra su f u n d a m e n t o y j u v e n t u d en una vuelta a u t é n t i c a
y profunda a la v e r d a d divina contenida en la Escritura

376
REFLEXIONES SOBRE LA EXEGESIS CATÓLICA

y la T r a d i c i ó n . C o m o dice el V a t i c a n o I I " l a S a g r a d a Es-


critura contiene la P a l a b r a de Dios; por eso la Escritura
debe ser como el a l m a de la S a g r a d a T e o l o g í a " ( 2 6 ) . Ello
implica que el estudio de la Biblia no puede ser p a t r i m o -
n i o exclusivo de unos especialistas técnicos, sino que se
abra c o m o p a t r i m o n i o común, a todas las r a m a s de la
Teología, por supuesto cada una contemplándola desde
su p u n t o de vista peculiar y con su m é t o d o propio, lo m i s m o
que con sus alcances limitados. D e aquí, a h o n d a n d o , podrá
orientarse de un l a d o el c o m e t i d o específico del "escri-
t u r i s t a " como " t e ó l o g o e s p e c i a l i z a d o " y, de otro, el " t e ó -
logo s i s t e m á t i c o " , que debe tener t a m b i é n como a l m a de
su estudio la S a g r a d a Escritura. D e m o d o p a r a l e l o p o d r í a n
centrarse otras especializaciones, c o m o la del teólogo " h i s -
toriador del d o g m a " . El hablar de confluencia de las dis-
ciplinas teológicas no implica confusión entre unas y
otras. Y a h e m o s dicho que a la Exégesis bíblica corres-
ponde aportar el sentido de los textos de la Escritura,
cuidadosamente interpretado con arreglo a las circuns-
tancias concretas de cada escrito. Sin duda queda aún
m u c h o c a m i n o por a n d a r en este punto de la i n t e r c o m u -
n i c a c i ó n de unas disciplinas con otras. Y quizás t a m b i é n
que e n m e n d a r . P e r o la actual situación del p a n o r a m a t e o -
lógico y bíblico debe ser abordada con interés de solu-
c i ó n : de h e c h o h a y que superar la actual casi i n c o m u n i -
cabilidad e n t r e biblistas y sistemáticos.

E n el orden práctico y académico, h e m o s de i n t e n s i -


ficar el t r a b a j o c o n j u n t o y el diálogo e n t r e cultivadores
de las diversas disciplinas sagradas. T a l estrecha c o l a b o -
r a c i ó n p e r m i t i r á a unos y a otros salir de la visión, s i e m -
pre reducida, de sus respectivas parcelas, p a r a cooperar
desde ellas, p e r o con una visión más a m p l i a de conjunto,
hacia lo que todos a f a n o s a m e n t e buscamos: la Verdad
Suprema, el c o n o c i m i e n t o ilustrado y v i v i d o de las p r o -
fundas realidades de Dios, la i n v e s t i g a c i ó n y progreso de
todas las ciencias sagradas, y en especial de las ciencias
bíblicas, en la unidad de la única fuente de la R e v e l a c i ó n

(26) Dei Verbum, n. 10.

377
JOSE MARIA CASCIARO

de Dios e n Cristo, a la que sólo p o d e m o s acercarnos en


el seno de la I g l e s i a v i v a , en la cual " l a Tradición, la
Escritura y el M a g i s t e r i o de la Iglesia, según el p l a n p r u -
dente de Dios, están unidos y ligados de m o d o que n i n g u n o
pueda subsistir sin los o t r o s " ( 2 7 ) .

(27) Dei Verbum, n. 24.

378

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