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FERNANDO ANTONIO NOVAIS.

PORTUGAL E BRASIL NA CRISE DO ANTIGO


SISTEMA COLONIAL (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 1983.

1. Estrutura e dinâmica do Sistema : 1) a colonização como sistema,


2) características do exclusivo metropolitano, 3) a questão da
acumulação da burguesia metropolitana e a economia
mercantilista, 4) escravidão e o tráfico negreiro

2. Fatores para a crise do colonialismo mercantilista, manifestações


da “crise”

• Entender a natureza e os mecanismos da Crise do Sistema Colonial e do


Antigo Regime, distinguindo os mecanismos de seu funcionamento, para
apreender as contradições próprias deste sistema;

• Característica do SISTEMA COLONIAL: conjunto de relações entre as


metrópoles e suas respectivas colônias, num dado período da história da
colonização que marcou a Era Moderna, parte integrante do quadro da
economia mercantilista. A partir dessa premissa ele aponta um aspecto
importante: nem toda colonização se processa dentro dos quadros do
sistema colonial, “noutras palavras, é o sistema colonial do mercantilismo
que dá sentido à colonização europeia entre os Descobrimentos Marítimos
e a Revolução Industrial”.

• Ênfase nos denominadores comuns entre os processos de colonização


realizados ao longo destes séculos, um “projeto básico, que por vários
séculos informou a política ultramarina das nações europeias”

• Articula ideologicamente o processo de colonização aos objetivos


econômicos e políticos do MERCANTILISMO: 1)o metalismo, 2) noção de
que os lucros são gerados no processo de circulação de mercadorias,
levando ao princípio da balança comercial favorável, 3) deste segundo
princípio derivaria também a política protecionista, com defesa da saída de
matéria prima, estímulo as exportações de manufaturas, dificuldade ou
proibição de importação de manufaturados.

• Papel das colônias: constituir-se em retaguarda econômica da metrópole;


as colônias garantiriam a auto suficiência da metrópole.

• Nexos entre Projeto colonizador, política absolutista e mercantilismo:


“Podemos, pois, particularizando esta primeira descrição do sistema
colonial dizer que ele se apresenta como um tipo particular de relações
políticas, com dois elementos: um centro de decisão (metrópole) e outro
(colônia) subordinado, relações através dos quais se estabelece o quadro
institucional para que a vida econômica da metrópole seja dinamizada
pelas atividades coloniais.”

• Novais caracteriza essa fase como o capitalismo mercantil: “No universo da


vida econômica, entre a dissolução paulatina da estrutura feudal e a
eclosão da produção capitalista, com persistências da primeira e elementos
peculiares da segunda, configura-se a etapa intermediária que já vai se
tornando usual chamar-se capitalismo mercantil, pois é o capital
comercial, gerado mais diretamente na circulação das mercadorias que
anima toda a vida econômica”.

• Novais aponta a relação entre os diversos elementos que caracterizam o


Antigo Regime: “Absolutismo, sociedade estamental, capitalismo
comercial, política mercantilista, expansão ultramarina e colonial são,
portanto, partes de um todo, interagem reversivamente neste complexo
que se poderia chamar, mantendo um termo da tradição, Antigo
Regime.” Nesta fase, o capital comercial comandou as transformações
econômicas e os limites encontrados pela burguesia mercantil foram
superados com as economias coloniais, que agiam fomentando a
acumulação e possibilitando a mobilização de recursos para o
desenvolvimento dos mercados nacionais. Assim, “A colonização europeia
moderna aparece, assim, em primeiro lugar como um desdobramento da
expansão puramente comercial”.

• Novais vincula-se claramente a linha interpretativa formulada por Caio


Prado Júnior: “A colonização moderna portanto, como o indicou
incisivamente Caio Prado Júnior, tem uma natureza essencialmente
comercial: produzir para o mercado externo, fornecer produtos tropicais e
metais nobres a economia europeia – eis, no fundo, o ‘sentido da
colonização”.

• O papel do “exclusivo metropolitano” no comércio ultramarino: estímulo a


acumulação primitiva de capital na economia metropolitana a expensas
das economias periféricas coloniais. O exclusivo metropolitano constituía-
se assim no “mecanismo por excelência do sistema, através do qual se
processava o ajustamento da expansão colonizadora aos processos da
economia e da sociedade europeias em transição par ao capitalismo
integral” O sistema colonial em funcionamento, configurava uma peça da
acumulação primitiva de capitais nos quadros do desenvolvimento do
capitalismo mercantil europeu.

• Antigo Sistema Colonial e a organização econômica das colônias:


1)produção colonial (produção de determinadas mercadorias para o
mercado europeu) – ampliação da economia de mercado, respondendo a
necessidade do capitalismo em formação. N análise de Novais, a
colonização organiza-se no sentido de promover a primitiva acumulação
capitalista nos quadros da economia europeia. 2) Tráfico negreiro: se
constituiu num dos setores mais rentáveis da economia colonial, montado
para atender a um aparato produtivo onde povoamento e ocupação
atenderam aos objetivos da empresa colonial.

• Crise do colonialismo mercantilista: 1) formação de uma sociedade colonial


escravista, antepondo-se cada vez mais aos valores da sociedade burguesa
em ascensão na Europa; 2) impossibilidade de inversões tecnológicas
numa economia escravista (economia predatória), 3) limites da expansão
colonial dados pelo esgotamento dos recursos , 4) a estrutura escravista da
economia e da sociedade colonial, implicava numa limitação ao
crescimento da economia de mercado e de um mercado interno.
• Esses elementos tornavam a economia colonial totalmente dependente da
economia metropolitana, pois dada a estreiteza do mercado interno, não
tinha condições de auto estimular-se ficando ao sabor dos impulsos do
centro dinâmico dominante, isto é, do capitalismo comercial europeu.