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GARCILASO D E LA VEGA

OBRA POETICA

E D I C I Ó N DE
BIENVENIDO MORROS

ESTUDIO PRELIMINAR DE
R A F A E L L AI'ESA
SONETO XIII

A D a f n e y a los b r a z o s le crecían
y en l u e n g o s r a m o s v u e l t o s se m o s t r a b a n ;
en v e r d e s hojas v i que se tornaban
los cabellos q u ' e l o r o escurecían:
5 de áspera c o r t e z a se c u b r í a n
los tiernos m i e m b r o s q u e aun b u l l e n d o 'staban;
los b l a n c o s pies en tierra se hincaban
y e n torcidas raíces se v o l v í a n .
A q u e l que fue la causa de tal d a ñ o ,
10 a fuerza de llorar, crecer hacía
este á r b o l , q u e c o n lágrimas r e g a b a .
¡ O h miserable e s t a d o , o h m a l tamaño,
q u e c o n llorarla c r e z ca cada día
la causa y la r a z ó n p o r q u e lloraba!

S e g u r a m e n t e p e r t e n e c e al p e r í o d o n a p o l i t a n o , a p e s a r d e n o h a b e r s e a d u c i d o
m á s a r g u m e n t o s q u e el t e m a m i t o l ó g i c o y su e s t r e c h í s i m a r e l a c i ó n c o n u n pasaje
de la é g l o g a II.
D a f n e , h e r i d a c o n la flecha d e l d e s d é n y a c o s a d a p o r A p o l o , se c o n v i r t i ó e n
l a u r e l c u a n d o el d i o s e s t a b a a p u n t o d e a l c a n z a r l a . L o s c u a r t e t o s se l i m i t a n a
d e s c r i b i r la m e t a m o r f o s i s d e la ninfa e n l a u r e l , m i e n t r a s los t e r c e t o s r e p r o d u c e n
la escena d e A p o l o l l o r a n d o s o b r e el á r b o l , a la q u e n o sólo se h a a t r i b u i d o
el v a l o r e m b l e m á t i c o d e l s u f r i m i e n t o a m o r o s o , sino t a m b i é n el d e la p r o p i a poesía.
El s o n e t o se c i ñ e b a s t a n t e a la l e t r a , e s p e c i a l m e n t e e n los c u a r t e t o s , a O v i d i o ,
Metamorfosis, X I V , si b i e n e m p l e a u n l e n g u a j e p e t r a r q u e s c o .
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' y se m o s t r a b a n convertidos en 4 9 («e ' n d ú o r a m i m u t a r s i a m b e le
largos r a m o s ' . braccia!»).
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vi: n o p a r e c e u n m e r o s u s t e n t o del 5 - 8
O v i d i o , Metamorfosis, I, 5 4 9 y
v e r s o ( H e r r e r a ) , s i n o p o d r í a b r i n d a r el 551: «mollia c i n g u n t u r tenui praecor-
p u n t o d e vista del p o e t a , q u e q u i z á e s - dia l i b r o , I ... I pes m o d o t a m u e l o x
taba c o n t e m p l a n d o alguna p i n t u r a so- p i g r i s r a d i c i b u s h a e r e t » ; p e r o los ú l t i -
b r e el t e m a . m o s s i g n o s d e vida (v. 6 ) p a r e c e n c o n -
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E n t i é n d a s e : 'los cabellos q u e c o n c o r d a r m e j o r c o n I, 5 5 4 - 5 5 5 : « s e n t i t
su b r i l l o e s c u r e c í a n al m i s m o o r o ' , se- adhuc trepidare n o u o sub cortice
gún una ponderación típicamente pe- pectus
t r a r q u i s t a . L a t r a n s f o r m a c i ó n d e bra- 6
L o s miembros se identifican e n m e -
zos y cabellos a m p l i f i c a a O v i d i o , d i c i n a c o n los d i s t i n t o s ó r g a n o s y p a r -
Metamorfosis, I, 5 5 0 : «in f r o n d e m cri- tes del c u e r p o h u m a n o ( c o r a z ó n , c e r e -
n e s , i n r a m o s b r a c c h i a c r e s c u n t » , véa- b r o , h í g a d o , e t c . ) ; los d e D a f n e , al
se t a m b i é n P e t r a r c a , Canzoniere, XIII, transformarse en u n árbol, quedan, ló-

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SONETO XIII 35

g i c a m e n t e , c u b i e r t o s p o r u n a corteza, s ó l o el " c í r c u l o v i c i o s o d e l d o l o r a m o -
q u e sí p u e d e r e l a c i o n a r s e c o n el ' p e l l e - r o s o " ( R i v e r s ) , sino t a m b i é n q u e al llo-
j o ' o la ' p i e l ' . r a r y e s c r i b i r s o b r e la a m a d a D a f n e (el
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aquel: A p o l o , q u i e n , e n a m o r a d o laurel) crece t a m b i é n su p r o p i a poesía
d e ella, la e s t a b a p e r s i g u i e n d o a n t e s d e q u e m e r e c e t a m b i é n el l a u r e l , o sea, la
la t r a n s f o r m a c i ó n . g l o r i a . E n P e t r a r c a , L a u r a y el l a u r e l
' q u e , al l l o r a r l a , c r e z c a el á r -
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se i d e n t i f i c a n a veces c o n s u p r o p i a e s -
b o l , el m o t i v o y la r a z ó n d e l l o r a r l a ' ; critura y quizá en Garcilaso funcione
«El ú l t i m o t e r c e t o q u i z á s i g n i f i q u e n o un mecanismo semejante» (J. Alcina).

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