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Programa CIEE de Educação a Distância

CURSO: ATENÇÃO CONCENTRADA

SUMÁRIO

Introdução ................................................................................................................... 02

Aula 1 - Atenção - O que é Atenção? ........................................................................ 03


Tipos de Atenção: Atenção Voluntária e Atenção Involuntária .................... 04
Determinantes da Atenção........................................................................... 04
Atenção Sensorial, Motora e Intelectual....................................................... 05

Aula 2 - Atenção Concentrada - O que é? .................................................................. 06


Os 3 D’s que dificultam a atenção: desatenção, distração, dispersão ......... 06
Interferências sobre a atenção ..................................................................... 07
A importância da atenção concentrada ........................................................ 08

Aula 3 – A arte de escutar .......................................................................................... 09

Aula 4 – Funcionamento do cérebro no processo de atenção .................................... 11


Os sistemas ................................................................................................. 11
Neuróbica – O que é, como praticar ............................................................ 14

Aula 5 – Memória ........................................................................................................ 17


Como dominar os 3Rs ................................................................................. 18
Tipos de memória ........................................................................................ 18
Técnicas de Memorização ........................................................................... 20

Referências Bibliográficas .......................................................................................... 22

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INTRODUÇÃO

A atenção concentrada é importante porque facilita a comunicação e o relacionamento,


ajuda no aprimoramento da memória, otimiza o aprendizado, mantém o foco nos
objetivos, colabora no estabelecimento de prioridades e melhora a qualidade de vida.

O curso tem como objetivo aprimorar a capacidade de selecionar e reter dados


realmente importantes, diante da sobrecarga de informações que recebemos
diariamente (vida pessoal, profissional e acadêmica).

Perceber que a atenção funciona como um filtro que usamos para selecionar o que
registramos, determinando qualidade de vida e do que fazemos.

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AULA 1 – Atenção

"Que trabalho chato!” "Faz de qualquer jeito”. Faz do jeito que dá". "Não te desgasta, é
só trabalho". Quantas vezes você já não ouviu, falou ou pensou em uma dessas frases?
Pois saiba que elas são veneno puro. São frases como essas que fazem com que
muitos seres humanos estejam sempre abaixo do que poderiam ter sido. Elas refletem
uma atitude de descuido que, geralmente, contamina toda a vida da pessoa – e faz com
que ela viva em "tom menor".

Mas o que elas têm a ver com o tema "atenção ao trabalho?” Sua relação é direta.
Fazer de qualquer jeito, considerar o trabalho chato é ser desatento. E quem é
desatento está aplicando mal o seu dom mais precioso: a atenção.

A atenção é um filtro que usamos. E é ela que determina a qualidade de sua vida e do
que faz. Imagine a enorme quantidade de estímulos que sua mente recebe. Mas, na
verdade, ela não consegue lidar com todos esses estímulos simultaneamente. Está
comprovado que só conseguimos "registrar" uma parte do que acontece à nossa volta.
Para selecionar o que registramos, usamos a atenção. Ela que determina o que é
importante.

Um bom exemplo disso é dirigir e falar no celular ao mesmo tempo. Se estou prestando
atenção na conversa, não estarei prestando total atenção no trânsito. E se acontecer
algo imprevisto, meu tempo de reação (de "registro" de um fato novo) será maior do que
o normal. Resultado? Batida.

Outro exemplo é o trabalho cotidiano. Se achar que minhas tarefas são "chatas", estarei
ocupando minha mente com essa informação. Não deixarei entrar novos "registros",
que permitirão tornar essas tarefas mais criativas, ou que me deixarão ter novas ideias
a partir das tarefas que executo. Estarei condenado (a) pelos meus próprios
pensamentos: minhas tarefas são chatas, logo minha vida é chata – porque eu penso
que é chata.

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Isso cria um ciclo vicioso: acho que é chato, executo sem prestar atenção, não progrido,
e passo o resto da vida me "chateando" sempre com as mesmas coisas...

Tipos de atenção
Falamos comumente da Atenção como voluntária ou involuntária. A primeira refere-se a
casos onde o indivíduo parece ter liberdade e escolha na determinação do foco de sua
Atenção. Esse tipo de atenção exige um certo esforço mental para um determinado fim.
É uma atividade psíquica que permite as representações dos conceitos dos objetos da
atenção para que permaneçam por maior ou menor tempo no campo da consciência.

A Atenção involuntária ou espontânea refere-se a casos em que a pessoa parece ter


menos atuação sobre a escolha da direção de sua atenção. Alguns determinantes da
Atenção involuntária estão relacionados ao afeto e sentimento dirigidos para o objeto.

Outros determinantes se ligam a características duradouras dos objetos estimulantes.


Essas características determinantes podem ser tão solicitantes que acabam atraindo
tiranicamente a Atenção, apesar de parecer que a pessoa atentou voluntariamente. As
características dos estímulos, que exigem Atenção, foram muito estudadas por
experimentos de laboratório e por técnicas de propaganda. Esses fatores determinantes
do estímulo podem ser sumariados da seguinte maneira:

Determinantes da atenção
Intensidade - o silvo da sirene do carro de bombeiros.
Repetição - anúncios na televisão.
Isolamento - uma única palavra, na página da revista.
Movimento e mudança - o pisca-pisca no cruzamento da estrada.
Novidade - o desenho exagerado do último modelo de carro.
Incongruência - a mulher fumando um charuto.

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Atenção sensorial
Nossos cinco sentidos podem ser ativados conscientemente para focalizar a Atenção
sobre um determinado estímulo. Os condicionamentos, muitas vezes inconscientes,
podem proporcionar uma certa atividade de espera, mais ou menos orientada, no
sentido de confirmar ou não uma determinada expectativa.

Ao acrescentar mais sal na comida, por exemplo, nosso paladar espera, com certa
expectativa, constatar determinado gosto, assim como esperamos ver, momentos
antes, determinada cena de acidente ao constatar a direção e velocidade de um carro
de corridas. Trata-se da espera pré-perceptiva. Outras vezes, entretanto, quando os
resultados fogem completamente da expectativa perceptiva, acontece uma espécie de
choque sensorial que dá origem a um estado de surpresa.

Atenção motora
A consciência está concentrada na execução de uma atividade física e muscular pré-
programada. Em casos dessa natureza, a Atenção Motora tem o papel de eficiência,
que consiste em privilegiar os elementos automáticos. Essa forma de atenção
representa uma espécie de alerta das atividades musculares que devem responder
prontamente a determinadas situações no sentido de favorecer a adaptação. A Atenção
motora se caracteriza também pela tensão estática dos músculos, juntamente com uma
hipervigilância da consciência.

Atenção intelectual
Esse tipo de atenção representa o ato de reflexão e de atividade racional dirigido na
resolução de qualquer problema conscientemente definido. Apesar da divisão da
Atenção em Atenção Sensorial, Atenção Motora e Atenção Intelectual, de certa forma a
Atenção implica sempre em alguma atividade intelectual, ora orientando os
movimentos, ora dando sentido às percepções.

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AULA 2 – Atenção Concentrada

O que é?
É a capacidade de reagir aos estímulos do ambiente, sustentando o foco em um deles,
com base em um determinado objetivo. A todo instante seja na escola, no trabalho, na
rua etc., há uma quantidade enorme de estímulos que despertam nossa atenção, daí a
importância de se ter um foco, um objetivo para que mesmo diante de tantos estímulos
possamos finalizar bem uma tarefa, uma leitura etc.

Os 3 D’s que dificultam a atenção: desatenção, distração e dispersão


Desatenção:
• a pessoa comete erros por puro descuido, mostra dificuldade em atividades que
exigem atenção prolongada;
• é desatento (a) com a fala das outras pessoas;
• é pouco persistente, não completa tarefas;
• apresenta um estilo de vida desorganizado, tem dificuldade, por exemplo, em
controlar o talão de cheques, comumente paga contas com atraso etc;
• tem grande dificuldade em estabelecer prioridades;
• costumeiramente perde, ou não sabe onde colocou, objetos ou pertences, como
chaves, canetas, óculos etc;
• qualquer estímulo desvia sua atenção do que está fazendo;
• muda frequentemente de uma atividade para outra, quase sempre sem
completar a anterior;
• vive frequentemente atrasado(a);
• sofre a ocorrência de "brancos" durante uma leitura, conversa ou conferência;
• se houver uma breve interrupção quando está falando ou fazendo alguma coisa,
esquece o que deveria dizer ou fazer.

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Distração:
A atenção vagueia, foge do foco da tarefa para qual é solicitado. O distraído é alguém
extremamente concentrado, mas cuja atenção se encontra em outro lugar.

Dispersão:
Repetido deslocamento do foco atencional, que impossibilita a concentração.
Dificuldades para ter e/ ou manter a atenção concentrada.

Interferências sobre a atenção


No ambiente profissional, devido à competitividade acirrada que acontece no mercado
de trabalho e também dentro das empresas é preciso estar atentos a todos os
“estímulos” que dificultam nossa atenção:

• sobrecarga de informações: com um clique do mouse temos todas as


informações que quisermos. O problema é a concentração para identificar quais
informações são realmente úteis e relevantes.
• rotina tumultuada do ambiente: circulação de muitas pessoas ao mesmo tempo,
tudo deve ser feito com urgência.
• falta de objetivos: pessoas que não fazem planejamento a curto e longo prazo,
não têm foco.
• poluição visual e sonora: por exemplo – estudar vendo televisão e ouvindo
música. Em uma apresentação em público o palestrante deve usar uma roupa
discreta, pois se for muito “chamativa”, vai atrair os olhares para a roupa e não
para o que estiver falando.
• ansiedade: as pessoas têm medo de não conseguirem fazer aquilo que esperam
delas ou querem identificar aquilo que as outras pessoas estão pensando, não
deixam as pessoas completarem o raciocínio. Quando estamos ansiosos, a
capacidade da memória diminui.

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Segundo Edward Hallowell, as empresas precisam criar um ambiente favorável ao


funcionamento do cérebro. Só assim, as mentes terão condições de funcionar em
máxima rotação. “O desafio é não cometer os erros que estimulam o aparecimento da
Característica do Déficit de Atenção”, resume Hallowell. Um desses erros, por exemplo,
é promover uma cultura organizacional que valoriza a velocidade acima de tudo. Outro
pecado capital é ignorar o estresse que eventualmente surge durante o expediente. Por
fim, deve-se evitar que a corrida por produtividade sobrecarregue as pessoas com
tarefas e responsabilidades.

A importância da atenção concentrada


• Facilita a comunicação e o relacionamento: quando prestamos atenção no nosso
interlocutor, entendemos o que ele fala.
• Ajuda no aprimoramento da memória: quando nos envolvemos na leitura,
estimula a retenção, podemos questionar enquanto estivermos lendo. Otimiza o
aprendizado.
• Mantém o foco nos objetivos (planejamento e organização).
• Colabora no estabelecimento de prioridades.
• Melhora a qualidade de vida (social, profissional e acadêmica).

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AULA 3 – A arte de escutar

Os adultos passam 70% do período de vigília se comunicando. E cada tipo de


comunicação é realizado nesta proporção:
Ler – 17%
Escrever - 14%
Escutar – 53%
Falar – 14%

Além de ser a forma de comunicação utilizada com mais frequência, o ato de escutar já
foi identificado como a mais importante habilidade de comunicação no trabalho. Um
estudo que avaliou a relação entre a capacidade de escutar e o sucesso na carreira
revelou que os melhores ouvintes alcançavam posições mais altas na hierarquia das
empresas.

A escuta eficaz depende de quatro fatores: ouvir, prestar atenção, entender e


responder. Ouvir é um processo físico que só pode ser interrompido por um ferimento,
pela idade, por doença ou por tampões. Escutar não é um processo automático.
Muitas pessoas ouvem, mas não escutam. Deixamos de escutar o alarme de um carro
depois de um tempo, assim como deixamos de escutar quando o assunto é
desinteressante ou não tem importância.

Prestar atenção é um processo psicológico. Não é possível prestar atenção a


todos os sons. Por isso, eliminamos conscientemente algumas mensagens e nos
concentramos em outras. Escutamos melhor quando prestamos atenção. E prestamos
atenção quando enxergamos uma recompensa, tangível ou intangível.

Entender é um processo que depende da inteligência e do discernimento do


ouvinte. Em primeiro lugar, é preciso entender a linguagem. A seguir, é fundamental
compreender a mensagem, mesmo que o interlocutor não seja claro. É necessário

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discernimento para entender falas desorganizadas ou mensagens confusas. Afeto e


empatia também influenciam a compreensão.

Responder é dar retorno ao interlocutor. O processo de responder – fazer perguntas


e trocar ideias – só pode acontecer depois de uma escuta atenta. Ouvintes seletivos
respondem apenas à parte do que o interlocutor diz – a parte que os interessa – e o
resto é excluído.

Seja um ouvinte mais eficiente:


• procure as ideias importantes – você leva menos tempo para pensar do que o
interlocutor para transmitir sua mensagem. Preste atenção à ideia central e aos
argumentos que a sustentam.
• faça perguntas – se não conseguir descobrir para onde o interlocutor se dirige,
pergunte com delicadeza.
• repita a mensagem do interlocutor com suas próprias palavras – com esse
procedimento, você saberá se entendeu o que foi dito antes de fazer mais
perguntas.
• não fale muito – é necessário algum retorno para esclarecer o que o interlocutor
está dizendo, mas em geral passamos a expressar nossas ideias quando
deveríamos tentar compreender as ideias do outro.
• não tire conclusões baseadas na primeira impressão ou em julgamentos
apressados. Escute primeiro; trate de compreender; então avalie.

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AULA 4 – Funcionamento do cérebro no processo de atenção

Os sistemas
Sistema Límbico

Alegria, tristeza, medo, prazer e raiva caracterizam fenômenos emocionais e, portanto,


estão diretamente relacionados com o sistema límbico. As manifestações de caráter
emocional realizam-se através do tronco encefálico. Além do tálamo e hipotálamo, a
área pré-frontal também está relacionada com o comportamento emocional. Entre as
principais funções do Sistema Límbico estão a regulação dos processos emocionais, do
sistema nervoso autônomo e dos fatores motivacionais essenciais à sobrevivência da
espécie e do indivíduo.

O hipocampo funciona como uma central de informações, determinando o que será


arquivado na memória em longo prazo. Mais tarde, quando solicitado, ele recupera a
informação. Acredita-se que a decisão do hipocampo para armazenar uma memória
baseia-se em dois fatores: se a informação tem significado emocional ou se está
relacionada a alguma coisa que já sabemos. O hipocampo é também vital para se
fazer mapas mentais.

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A maioria dos problemas que causam deficiências mentais envolve o córtex cerebral ou
o hipocampo. Assim, para manter a capacidade mental ideal, é preciso exercitar essas
partes do cérebro, a fim de que funcionem o melhor possível.

Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso divide-se em Sistema Nervoso Central e Periférico. O Sistema


Nervoso Central é formado pelo encéfalo e pela medula. O encéfalo divide-se em
cérebro, cerebelo e tronco encefálico. O cérebro é formado pelo telencéfalo e pelo
diencéfalo. O tronco encefálico divide-se em mesencéfalo, ponte e bulbo. O Sistema
Nervoso Periférico é formado pelos nervos espinhais e cranianos, gânglios e
receptores. Os nervos são estruturas especializadas em conduzir impulsos para o
Sistema Nervoso Central (impulsos aferentes) e para o Sistema Nervoso Periférico
(impulsos eferentes). São formados por células altamente especializadas, os neurônios,
possuindo um corpo celular com projeções denominadas dendritos e um prolongamento
principal, o axônio.

O mesencéfalo, localizado em seguida ao tálamo e ao hipotálamo, está envolvido na


recepção e na coordenação de informações sobre o grau de contração dos músculos e
sobre a postura corporal. A ponte é constituída principalmente por fibras nervosas que

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ligam o córtex cerebral ao cerebelo. Nessa região encefálica também há centros


coordenadores da movimentação dos olhos, pescoço e do corpo em geral. Além disso,
a ponte participa na manutenção da postura corporal correta, no equilíbrio do corpo e
no estado de tensão dos músculos.

O cérebro recebe, organiza e distribui informações para orientar nossas ações.


Também arquiva informações importantes para o uso futuro.

O córtex é a parte do cérebro responsável pelas faculdades da memória, linguagem e


pensamento abstrato. O hipocampo coordena o recebimento das informações
sensoriais que vêm do córtex, organizando-as em memórias. Os circuitos do córtex e
do hipocampo são projetados para formar vínculos (ou associações) entre diferentes
representações sensoriais do mesmo objeto, evento ou comportamento.

Essas centenas de regiões são ligadas pelo equivalente a fios no cérebro: filamentos
delgados chamados axônios (cada um com apenas um centésimo da espessura de um
fio de cabelo humano) que se estendem das células nervosas e conduzem impulsos
elétricos de uma parte do cérebro para outra. Cada região cortical envia e recebe
milhões de impulsos de dezenas de outras regiões corticais desses axônios.

As associações são representações de eventos, pessoas e lugares que se formam


quando o cérebro decide ligar diferentes tipos de informações, sobretudo se a ligação
pode ser útil no futuro.

Todas essas sensações diferentes fazem com que as células nervosas em muitas
áreas diferentes do córtex sejam ativadas ao mesmo tempo, num padrão determinado,
reforçando algumas das ligações entre essas áreas. Depois que isso acontece,
qualquer coisa que ativa apenas parte da rede, vai ativar também todas as áreas do
cérebro que têm representações de uma rosa.

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Neuróbica – O que é, como praticar

Os programas destinados ao exercício do cérebro ignoravam esses poderosos


caminhos associativos para formar e recuperar memórias. A neuróbica procura acessá-
lo fornecendo ao córtex à matéria-prima que criará novas e vigorosas associações.
Exploramos muito pouco a capacidade do cérebro de fazer novas associações. Cabe
ressaltar que as rotinas não são necessariamente ruins.

O objetivo da neuróbica e dos exercícios apresentados a seguir é lhe proporcionar uma


maneira equilibrada, confortável e agradável de estimular seu cérebro. A neuróbica
exige que você faça duas coisas que pode estar negligenciando em seu estilo de vida:
experimentar o inesperado e mobilizar a ajuda de todos os seus sentidos ao longo do
dia. Basta efetuar pequenas mudanças em seus hábitos diários para transformar as
rotinas cotidianas em exercícios para o desenvolvimento da mente.
O que faz com que um exercício seja neuróbico:

1. Envolver um ou mais dos seus sentidos num novo contexto: ao reprimir o sentido que
você normalmente usa, obrigue-se a contar com os outros sentidos para realizar uma
tarefa comum. Por exemplo: faça uma refeição com a família em silêncio; passe um
perfume de olhos fechados.

2. Concentrar sua atenção: para se destacar dos eventos cotidianos normais e fazer
seu cérebro entrar em alerta, uma atividade deve ser excepcional, divertida, despertar
suas emoções, ou ter um significado pessoal. Por exemplo: no filme “Alto controle” o
ator John Cusak olha para o radar e fala dos chicletes; ver fotos de cabeça para baixo.

3. Transforme uma atividade rotineira em algo inesperado e não-trivial: escolha um


caminho diferente para chegar ao trabalho ou à escola; faça compras numa feira livre
em vez de ir ao supermercado.

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Onde praticar:
No início ou no final do dia:
a) Tome banho com os olhos fechados – localize a torneira para o ajuste da
temperatura e o fluxo da água usando apenas o tato. Debaixo do chuveiro encontre
todos os objetos necessários pelo tato. Enxugue-se de olhos fechados, passe um
hidratante e é bem possível que suas mãos descubram texturas e contornos variados
de seu próprio corpo de que você não tinha consciência quando “via”. Os circuitos do
tato dão acesso aos mapas espaciais, em geral adormecidos, adquirem agora uma
importância crítica para realizar essa simples tarefa.

b) Escove os dentes com a mão esquerda, ou direita (se você for canhoto). Você pode
trocar de mão em qualquer atividade da manhã. Esse exercício exige que você use o
lado oposto do cérebro em vez do lado que normalmente usa.

Ida e volta do trabalho:


a) Siga um percurso diferente para o trabalho ou à escola. Um percurso diferente ativa
o córtex e o hipocampo para integrar as novas paisagens, cheiros e sons que você
encontra num novo mapa cerebral.

b) Seja sociável – não perca as muitas oportunidades que você tem de expandir a
natureza social da ida e volta do trabalho. Pare num lugar diferente para tomar um
café, pegue o ônibus em outro ponto.

No trabalho ou na escola:
a) Mude um pouco os objetos de lugar (no trabalho) – mude os móveis se possível,
acrescente objetos novos. Sente em lugar diferente na escola. Mudar a localização de
objetos que você normalmente pega sem pensar serve para reativar as redes de
aprendizado espacial. As áreas visuais e sensoriais do cérebro voltam a funcionar para
reajustar os mapas internos;

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b) Leve um amigo, pai ou mãe ao seu local de trabalho ou à escola. Tudo aquilo em
que você nem pensa mais será visto como novidade por outra pessoa.

No mercado:
a) Visite uma feira livre – a variedade de odores e de cores das frutas, legumes, lhe
proporcionará uma sensação agradável. Esse exercício contém todos os elementos
neuróbicos: novidade, associações multisensoriais entre diferentes formas, cores,
cheiros e sabores, além da interação social;

b) Visite mercados étnicos – por exemplo: feira oriental, feira das nações com objetos e
alimentos de lugares distantes. O sistema olfativo pode distinguir milhões de odores
pela ativação de combinações singulares de receptores no nariz.

Nas refeições:
a) Introduza novidades: mude a ordem em que come os alimentos, escolha um outro
cômodo da casa para comer, coma com a mão errada, utilize uma louça diferente,
inclua velas, mesmo se for fazer a refeição sozinho (a).

b) Prepare uma refeição desde o início – mesmo preparando um molho para a


macarronada já constitui um bom exercício para os cinco sentidos. Você pode
acrescentar outros temperos etc.

No lazer:
a) Vá a lugares que você nunca esteve antes. Trate de explorar as diferenças visuais,
olfativas e auditivas que o lugar oferece.

b) Veja um filme diferente do estilo que está costumado de assistir ou ouça um estilo de
música diferente.

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AULA 5 – Memória

Aprendemos a amarrar os sapatos, andar de bicicleta, a nadar, tocar um instrumento


musical. A lista é infindável. Sem a memória, seríamos obrigados a reaprender
habilidades e fatos diariamente, como se nunca os tivéssemos aprendido antes. Com
cerca de 1kg, o cérebro humano consegue armazenar mais do que um computador
mediano. No entanto, ao contrário dos computadores, os seres humanos esquecem.

A memória é um processo mental complexo com várias facetas.

Pesquisas recentes identificaram três tipos de memória.

A primeira, memória semântica diminui com a idade. Ela diz respeito ao conhecimento
geral e ao material concreto que armazenamos no cérebro. As informações que
utilizamos no trabalho e o conhecimento que nos serve para responder às perguntas
dos programas de televisão e às palavras cruzadas são bons exemplos de memória
semântica. Essa memória melhora na medida em que vivemos e adquirimos mais
conhecimento geral sobre o mundo externo, mas só é conquistada pelas pessoas que
mantêm a mente ativa.

A segunda, memória implícita, não diminui com a idade; ela permanece mais ou
menos constante. Trata-se de uma espécie de memória motora, ou sinestésica, que
inclui habilidades como digitar, tocar piano, nadar, andar de bicicleta ou dirigir um carro.
O equilíbrio e a coordenação que foram tão difíceis de conquistar aos 8 anos de idade
voltam com um pouco de treino. O corpo parece “lembrar” como pedalar, nadar etc.

A terceira, memória episódica parece diminuir com o tempo. Diz respeito a incidentes
pessoais, autobiográficos, como o cardápio do almoço de ontem, o número de telefone
do vizinho etc.

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Como dominar os 3 Rs

O primeiro passo para se lembrar de uma coisa é registrá-la. O registro é uma forma
de entrada de dados. Se, por falta de atenção, pulamos essa etapa e não colocamos o
nome ou o fato na memória, não haverá nada para ser lembrado. A concentração
também está a serviço do registro. Uma mente livre de distrações e preocupações, um
espírito relaxado física e mentalmente afeta de maneira favorável à capacidade de
concentrar-se naquilo que deseja lembrar.

Quando registramos um nome, um fato ou uma habilidade é preciso armazená-los para


referência futura. Essa armazenagem eficiente é chamada de “retenção”. Ao colocar
itens no banco de memória, não podemos simplesmente jogá-los ali como se fosse um
depósito imenso de materiais. Precisamos de indexadores ou de outros mecanismos
que nos ajudem a armazenar todas as informações que registramos. As pessoas
organizadas retêm mais informações do que as desorganizadas.

A retenção pode ser reforçada pelo interesse, pela observação, pela associação e pela
repetição.

A recuperação é o processo de buscar um item na memória sempre que necessário.


Quando lembramos um fato, nós o recuperamos da fase de retenção da memória. A
recuperação é o desenlace, se a informação foi registrada e retida adequadamente, não
haverá dificuldade para buscá-la na memória quando necessário.

5.2 Tipos de memória

A memória de curto prazo consiste nos “pedaços” de informação que a mente retém por
um período breve. Ela é composta da pequena quantidade de dados que conseguimos
colocar no cérebro a qualquer momento. Às vezes, é chamada de “memória ativa”
porque precisamos manter esses dados ativos na mente para não perdê-los.

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A memória de curto prazo diz respeito a quanto uma pessoa consegue prestar atenção
num dado momento. Ela é a sua “amplitude de atenção”, e apresenta alta velocidade
de esquecimento. Esse esquecimento rápido pode ser combatido com a repetição.

Os benefícios da memória de curto prazo são:


• reduz o acervo. Ela serve como uma espécie de bloco de anotações. Tão logo
você faz os cálculos, paga a conta, faz o pedido etc os dados saem de sua
mente e o espaço fica livre para mais informações.
• ela nos dá um instantâneo dos obstáculos e dos caminhos quando entramos
num local desconhecido. Assim que saímos dele, as informações se perdem e o
cérebro está pronto para a próxima tarefa.
• registra os planos momentâneos – ao manter os projetos e os objetivos na
memória ativa, conseguimos executar com eficiência as tarefas diárias. Ao
cumpri-las, passamos para os planos seguintes.
• ajuda a manter uma conversa – se um colega menciona o nome de um cliente e
passa a chamá-lo de “ele” ou “ela”, sabemos de quem está falando. O nome do
cliente ainda está na memória ativa e podemos acompanhar a conversa.

Memória de longo prazo ou permanente


Muitas pessoas confundem memória de longo prazo com fatos que aconteceram há
muitos anos. Ela pode conter algumas informações aprendidas 10 anos atrás ou 30
minutos antes. Essa memória guarda itens tão variados quanto a data do seu
aniversário, como de um parente falecido, qual chave serve em qual fechadura, como
ligar o microondas etc.

A memória permanente diz respeito a qualquer dado que não é mais consciente nem
está na memória ativa de curto prazo, mas que está armazenado para futura
recuperação ou recordação. É possível pensar na memória como um processo de
apreender e armazenar informações de modo a recuperá-las no futuro. A memória
permanente pode ser comparada aos arquivos alinhados nas paredes. A bandeja de

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entrada tem capacidade limitada. Ela armazena um tanto de conteúdo que logo é
desalojado para abrir espaço para novas informações. Nada vai para os arquivos sem
antes ter sido classificado na bandeja de entrada. A memória permanente é
virtualmente ilimitada, embora seja difícil acessar alguns arquivos.

5.3 Técnicas de memorização

• Repetição
A forma mais simples de decorar uma determinada informação é exatamente repeti-la
um determinado número de vezes até que esteja totalmente apreendida.

• Imagens mentais
Esta técnica baseia-se na ideia da memória fotográfica. Para as pessoas que tenham
maior facilidade em decorar imagens, aconselha-se o recurso a páginas de informação
estruturada e extremamente visual que provoque uma impressão forte na memória e
obrigue a uma recordação exata.

• Técnica dos espaços


Nesta técnica pretende-se utilizar a familiaridade da pessoa com determinado espaço
para recordar determinada informação.

• Palavras-chave
A ideia desta técnica é associar um tópico a cada palavra-chave, de modo que ao
lembrarmo-nos desse termo nos recordamos de todo um raciocínio ou de toda uma
matéria.

• Técnica dos números


Algumas pessoas têm uma maior facilidade em recordar números do que palavras, o
que pode ser comprovado, por exemplo, com os números de telefone. Para essas

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pessoas, a codificação de um conjunto de informações em números pode ser a forma


mais fácil de adquirir todos esses dados.

• Técnica das iniciais


Muitas pessoas têm também maior facilidade de decorar um processo ou dados como
os elementos da tabela periódica, se estes formarem, com as suas iniciais uma palavra
fácil de memorizar e com sentido.

• Rimas e jogos
O ensino de crianças passa muitas vezes por rimas e jogos, que se tornam fáceis
instrumentos de memorização. Este tipo de método muitas vezes recorre a palavras
que soam a outras e que têm um sentido caricato na frase, o que faz com que a
memória os fixe mais facilmente, pois apela à sua componente afetiva.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Filme: Alto Controle – 2001; Ray – 2005

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