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Junichiro Tanizaki

El elogio de la sombra

T r a d u c c i ó n d e l francés d e
Julia E s c o b a r

írue la
B i b l i o t e c a de E n s a y o (serie m e n o r )
a
I e d i c i ó n : o c t u b r e d e 1994
a
39 e d i c i ó n : m a r z o d e 2019

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C u a l q u i e r f o r m a de r e p r o d u c c i ó n , distribución,

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T í t u l o o r i g i n a l : Eloge de l'ombre / In'ei Raisan


D i s e ñ o gráfico: Gloria Gauger

© D e la t r a d u c c i ó n , Julia E s c o b a r

© E d i c i o n e s S i r u e l a , S. A . , 1994, 2019

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de a c u e r d o c o n c r i t e r i o s d e s o s t e n i b i Ü d a d
U n amante d e la aiquitectura q u e quiera cons­
truirse e n la actualidad una casa e n el más p u r o es­
tilo j a p o n é s tendrá q u e prepararse a sufrir n u m e r o ­
sos sinsabores c o n la instalación d e la electricidad,
el gas y el agua, y, a u n q u e n o haya pasado perso­
nalmente p o r la experiencia d e construir, bastará
c o n que entre e n la sala d e u n a casa d e citas, d e
u n restaurante o de u n albergue para apreciar el
esfuerzo e m p l e a d o e n integrar a r m o n i o s a m e n t e ta­
les dispositivos e n una estancia d e esülo j a p o n é s . A
m e n o s q u e se sea u n o d e esos aficionados al té que
tratan c o n presuntuoso d e s d é n los adelantos d e la
civilización científica y que establecen su « c h o z a »
e n l o más p r o f u n d o d e cualquier apartado r i n c ó n
campestre, si se está al frente d e una familia d e cier­
ta importancia y se vive e n la ciudad, n o v e o p o r
q u é volver la espalda, so pretexto d e q u e se quiere

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una casa l o más j a p o n e s a posible, a los calefactores,
luces, instalaciones sanitarias, elementos t o d o s ellos
inseparables d e la vida m o d e r n a . Por supuesto, un
h o m b r e medianamente m e t i c u l o s o se devanará los
sesos p o r la m e n o r cosa, el teléfono p o r e j e m p l o , al
q u e relegará bajo la escalera o e n un r i n c ó n del pa-
sillo, d o n d e llame m e n o s la atención. Enterrará los
cables eléctricos e n eljardín, camuflará los interrup-
tores e n los armarios, bajo los anaqueles, extenderá
las líneas interiores al amparo d e los b i o m b o s , d e tal
manera q u e a veces, al c a b o d e tanta inventiva, sien-
tes cierta irritación ante ese d e r r o c h e d e artificio.
Una lámpara eléctrica es ya algo familiar a nuestros
ojos, entonces ¿para q u é esas medias untas, e n lugar
d e dejar la bombilla al aire c o n una sencilla pantalla
d e cristal d e l g a d o y b l a n q u e c i n o que d é una impre-
sión d e naturalidad y simplicidad? A veces p o r la
n o c h e , al c o n t e m p l a r el c a m p o desde la ventanilla
d e u n tren, h e p o d i d o percibir, a la sombra d e los
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shóji d e una granja, una b o m b i l l a que brillaba, so-

1
Tabique móvil formado por una armadura de listones de

cuadrículas apretadas, sobre la que se pega un papel blanco

grueso que deja pasar la luz, pero no la vista. Los sftúji eran has-

ta hace poco el único cerramiento de la casa japonesa. Por la

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litaría, bajo una d e esas delgadas pantallas pasadas
d e m o d a y lo he e n c o n t r a d o d e un gusto exquisito.
Sin e m b a r g o , el ventilador es otra cosa, p o r q u e ni
su ruido ni su forma se adaptan fácilmente al estilo
d e una vivienda japonesa. Si n o te gusta, e n una casa
corriente puedes prescindir d e él, p e r o exi un esta-
blecimiento q u e tiene q u e recibir clientes en vera-
n o n o p u e d e n prevalecer en exclusiva los gustos del
propietario. A m i amigo, el d u e ñ o del Kairakuen,
q u e sabe m u c h o d e arquitectura, le horrorizaban
los ventiladores y durante m u c h o t i e m p o se n e g ó
a instalarlos en las habitaciones; sin e m b a r g o todos
los años, c u a n d o llegaba el verano, tenía q u e sopor-
tar las quejas d e los clientes y t e r m i n ó c e d i e n d o .
Yo, q u e personalmente d e r r o c h é el a ñ o pasado
una fortuna muy p o c o compatible c o n m i situación
e n la construcción d e una casa, h e tenido una e x p e -
riencia similar; c o m o m e e m p e ñ é e n o c u p a r m e d e
todos los detalles, desde los tabiques móviles hasta
el más m í n i m o accesorio, t r o p e c é c o n muchas difi-
cultades. Los shóji, p o r e j e m p l o : a p e l a n d o al b u e n

noche. Jes añaden otros tabiques (amado), también corredizos.

H o y en día, los shóji suelen estar precedidos, o incluso sustitui-

dos, por puertas acristaladas.

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gusto, n o quise p o n e r l e s cristales y d e c i d í utilizar
solo papel; p e r o e n t o n c e s tuve problemas c o n la
iluminación y además cerraban mal. Desesperado,
se m e ocurrió ponerles p o r d e n t r o papel y p o r fue-
ra cristal. Para ello tuve q u e p o n e r marcos dobles a
ambos lados y el gasto aumentó p r o p o r c i o n a l m e n t e ;
c u a n d o p o r fin estuvieron c o l o c a d o s descubrí q u e ,
vistos desde fuera, n o eran más que vulgares puer-
tas d e cristal y que vistos desde dentro, p o r culpa
del cristal que había tras el papel, ya n o tenían el
a h u e c a d o y la suavidad d e los auténticos shóji; en
una palabra, el efecto era bastante desagradable. Te
dices entonces que hubiera sido m e j o r haber puesto
unas sencillas puertas d e cristal y acabas m o r d i é n d o -
te los puños; d e otro n o s reiríamos p e r o tratándose
d e u n o m i s m o n o es fácil admitir el p r o p i o error
hasta q u e n o se ha intentado t o d o .
En las tiendas, últimamente, se encuentran lám-
paras eléctricas c o n forma d e linternas portátiles,
colgantes, cilindricas, o incluso c o n forma d e can-
delabros, más e n c o n s o n a n c i a c o n u n a vivienda
japonesa; sin e m b a r g o a m í n o m e gustan nada y,
p o r mi parte, busqué e n los anticuarios lámparas d e
petróleo, lamparillas d e n o c h e y linternas d e otras
épocas y les puse bombillas eléctricas.

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Pero los q u e m e han d a d o más quebraderos d e
cabeza han sido los aparatos d e calefacción. De to-
d o s los q u e se designan bajo el término g e n é r i c o d e
«estufas» n o hay u n o solo cuya f o r m a p u e d a enca-
j a r en una vivienda japonesa. La estufa d e gas emi-
te además un c o n t i n u o z u m b i d o y, a m e n o s q u e se
haya previsto algún sistema d e venülación, p r o d u c e
inmediatamente d o l o r d e cabeza; la estufa eléctrica
sería ideal en este sentido si las formas n o estuvie-
ran tan desprovistas d e gracia. Es cierto q u e bajo los
estantes se podrían c o l o c a r radiadores parecidos a
los que se utilizan en los tranvías, p e r o al n o verse el
resplandor e n r o j e c i d o del fuego, t o d o el encanto del
invierno quedaría anulado e iría e n detrimento de la
inümidad familiar. Después d e múltiples reflexiones
m a n d é construir un gran h o g a r central, c o m o los
q u e hay en las casas d e los campesinos, y ahí c o l o -
qué una estufa eléctrica; este dispositivo m e permite
a un t i e m p o mantener caliente el agua para el té y
la habitación y, dejando d e lado el elevado costo d e
la o p e r a c i ó n , desde un punto d e vista estético es más
b i e n un éxito.
Así pues había resuelto el p r o b l e m a d e la calefac-
ción d e forma satisfactoria, p e r o el cuarto de b a ñ o
y los retretes iban a causarme nuevos problemas. El

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d u e ñ o del Kairakuen se n e g ó a utilizar el alicata-
d o para las bañeras y los desagües e hizo construir
los cuartos d e b a ñ o d e los clientes totalmente d e
madera, p e r o ni q u e d e c i r tiene q u e las baldosas
son mil veces más e c o n ó m i c a s y más prácticas. Se
podría utilizar una hermosa madera j a p o n e s a para
el t e c h o , los pilares y los tabiques y para l o demás
conformarse c o n u n o d e esos chillones enlosados,
p e r o entonces el contraste llamaría m u c h o la aten-
c i ó n . Esto p u e d e servir c u a n d o t o d o está n u e v o ,
p e r o c o n f o r m e van pasando los años, el granulado
de la madera d e las planchas y d e los pilares adqui-
rirá cierta pátina mientras q u e las baldosas seguirán
c o n s e r v a n d o su brillante y lisa superficie blanca, se
habrá e n t o n c e s c o n s e g u i d o literalmente «casar la
m a d e r a c o n el b a m b ú » . En el cuarto d e b a ñ o las
cosas p o d r í a n arreglarse, e n último e x t r e m o , sacri-
ficando u n p o c o eí lado práctico en aras d e l b u e n
gusto. Pero c u a n d o llegué a los retretes, los apuros
fueron mayores.

Siempre q u e e n algún monasterio d e K i o t o o


d e Nara m e indican el c a m i n o d e los retretes, cons-
truidos a la manera d e antaño, semioscuros y sin
e m b a r g o d e una limpieza meticulosa, e x p e r i m e n -

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to intensamente la extraordinaria calidad d e la ar-
quitectura japonesa. U n pabellón d e té es u n lugar
encantador, lo admito, p e r o l o q u e sí está verdade-
ramente c o n c e b i d o para la paz del espíritu son los
retretes d e estilo j a p o n é s . Siempre apartados del
edificio principal, están emplazados al abrigo d e un
bosquecillo d e d o n d e nos llega u n o l o r a verdor y a
musgo; después de haber atravesado para llegar una
galería cubierta, agachado e n la p e n u m b r a , b a ñ a d o
p o r la suave luz d e los shóji y absorto e n tus ensoña-
ciones, al contemplar el espectáculo del jardín que
se despliega d e s d e la ventana, experimentas una
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e m o c i ó n imposible d e describir. El maestro Sóseki ,
al parecer, contaba entre los grandes placeres d e la
existencia el h e c h o d e ir a obrar cada mañana, pre-
cisando q u e era una satisfacción d e tipo esencial-
mente fisiológico; pues bien, para apreciar d e ple-
n o este placer, n o hay lugar más a d e c u a d o que esos
retretes d e estilo j a p o n é s d e s d e d o n d e , al amparo
d e las sencillas paredes d e superficies lisas, p u e d e s
contemplar el azul del cielo y el v e r d o r del follaje.
A u n a riesgo d e repetirme, añadiré q u e cierto matiz

1
Natsume Soseki (1867-1916), uno de los novelistas más im-

portantes de principios del siglo xx.

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d e penumbra, una absoluta limpieza y un silencio
tal que el z u m b i d o d e u n mosquito p u e d a lastimar
el o í d o son también indispensables.
C u a n d o m e e n c u e n t r o en d i c h o lugar m e c o m ­
place escuchar una lluvia suave y regular. Esto m e
sucede, en particular, e n aquellas construcciones ca­
racterísticas d e las provincias orientales d o n d e han
c o l o c a d o a ras del suelo unas aberturas estrechas y
largas para echar los desperdicios, d e manera que se
p u e d e oír, muy cerca, el apaciguante ruido d e las g o ­
tas que, al caer del alero o de las hojas d e los árboles,
salpican el pie d e las linternas d e piedra y e m p a p a n
el musgo de las losas antes d e que las esponje el sue­
lo. En verdad, tales lugares armonizan c o n el canto
d e los insectos, el gorjeo d e los pájaros y las n o c h e s
d e luna; es el m e j o r lugar para gozar d e la punzante
melancolía d e las cosas en cada una d e las cuatro
estaciones y los antiguos poetas d e haiku han d e b i d o
d e encontrar e n ellos innumerables temas. Por l o
tanto n o parece descabellado pretender que es e n
la construcción d e los retretes d o n d e la arquitectura
j a p o n e s a ha alcanzado el c o l m o del refinamiento.
Nuestros antepasados, q u e l o poetizaban t o d o , c o n ­
siguieron paradójicamente transmutar en u n lugar
del más exquisito b u e n gusto aquel cuyo destino en

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la casa era el más s ó r d i d o y, m e r c e d a una estrecha
asociación c o n la naturaleza, c o n s i g u i e r o n difumi-
narlo mediante una red de delicadas asociaciones
de imágenes. C o m p a r a d a c o n la actitud d e los occi-
dentales que, d e manera deliberada, han d e c i d i d o
que el lugar era sucio y ni siquiera debía m e n c i o -
narse en p ú b l i c o , la nuestra es infinitamente más
sabia p o r q u e h e m o s penetrado ahí, e n verdad, hasta
la m é d u l a del refinamiento. L o s inconvenientes, si
hay q u e encontrar alguno, serían su alejamiento y
la consiguiente i n c o m o d i d a d c u a n d o hay q u e des-
plazarse hasta ahí en p l e n a n o c h e , además d e l peli-
gro, e n invierno, d e resfriarse; n o obstante si, para
s
repetir l o q u e dijo Saitó R y o k u , « e l refinamiento
es frío», el h e c h o d e q u e e n esos lugares reine un
frío igual al q u e reina al aire libre sería u n atractivo
suplementario. M e desagrada soberanamente q u e
e n los cuartos d e b a ñ o d e estilo occidental d e los
hoteles lleguen incluso a p o n e r calefacción central.
Para u n amante del estilo arquitectónico del pa-
bellón d e té, los retretes d e estilo j a p o n é s represen-
tan d e verdad un ideal y resultan totalmente adecua-
dos para un monasterio cuyos edificios son vastos

s
Saitó Ryoku (1868-1904), novelista, crítico y ensayista.

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e n relación c o n el n ú m e r o d e quienes l o habitan y
d o n d e n u n c a falta m a n o d e obra para la limpieza;
e n c a m b i o , en una casa corriente n o es fácil man­
tenerlo limpio. Por m u y vigilante q u e estés y p o r
m u y puntualmente q u e pases la bayeta, en u n suelo
d e madera o c u b i e r t o d e esteras las manchas aca­
ban al final p o r saltar a la vista. H e aquí p o r q u é
un b u e n día decides p o n e r baldosas e instalar una
taza c o n cisterna, pertrechos, sin duda, m u c h o más
higiénicos y más fáciles d e mantener p e r o que, e n
c a m b i o , ya n o tienen la m e n o r relación c o n el «refi­
namiento» o el «sentido d e la naturaleza». C o l o c a d o
bajo una luz cruda, entre cuatro paredes más b i e n
blancas, se p e r d e r á toda gana d e entregarse a la fa­
mosa «satisfacción d e tipo fisiológico» del maestro
Sóseki. Bien es verdad q u e toda esa blancura es d e
una limpieza más q u e evidente, p e r o la cuestión está
e n saber si realmente hace falta prestar tanta aten­
c i ó n a un lugar destinado a r e c o g e r los d e s e c h o s
d e nuestro c u e r p o . Del m i s m o m o d o q u e sería del
t o d o i n a d e c u a d o q u e l a j o v e n más bella del m u n d o ,
aunque su piel fuera d e nácar, exhibiera e n p ú b l i c o
sus nalgas y muslos, sería también una total falta d e
e d u c a c i ó n iluminar ese lugar d e f o r m a tan escanda­
losa; basta c o n q u e la parte visible esté i m p e c a b l e

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para que se tenga una o p i n i ó n favorable d e la q u e
n o se ve. Es infinitamente preferible, e n u n lugar
c o m o ese, velar t o d o c o n u n a difusa p e n u m b r a y
dejar q u e apenas se vislumbre el límite entre l o que
está limpio y l o que lo está algo m e n o s .
Por todas estas razones, c u a n d o m a n d é construir
m i propia casa, o p t é p o r el e q u i p o sanitario, p e r o m e
opuse al enlosado e hice p o n e r un suelo d e madera
d e alcanfor; intentaba d e esta manera recuperar algo
del estilo j a p o n é s , p e r o el x p r o b l e m a estaba e n la
taza. M e explico: c o m o t o d o el m u n d o sabe, las tazas
c o n cisterna son d e porcelana c o m p l e t a m e n t e blan-
ca c o n a d o r n o s d e metal brillante. A h o r a bien, para
este tipo de sanitario, ya sea para uso masculino o fe-
m e n i n o , prefiero la madera. Nada m e j o r que la ma-
dera encerada, p e r o incluso la madera natural, c o n
los años, acaba adquiriendo u n b o n i t o c o l o r o s c u r o
y su granulado desprende entonces cierto encanto
que calma extrañamente los nervios. T e n g o q u e pre-
cisar que para m í el ideal sería una d e esas tazas « e n
flor d e enredadera», hechas d e madera y llenas d e
agujas d e c r i p t ó m e r o m u y verdes, l o q u e sería grato
a la vista y además perfectamente silencioso.
Sin llegar a permitirme una extravagancia d e ese
calibre, al m e n o s quise encargarme u n a taza a c o r d e

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c o n mis gustos, incluso adaptando u n a cisterna;
p e r o para o b t e n e r u n o b j e t o tan singular, habrían
h e c h o falta tantas gestiones y d i n e r o q u e acabé p o r
renunciar.
N o t e n g o nada contra la a d o p c i ó n d e las c o m o ­
didades que o f r e c e la civilización en materia d e
iluminación, calefacción o tazas d e retrete, p e r o , a
pesar d e ello, m e he p r e g u n t a d o p o r q u é , s i e n d o las
cosas c o m o son, n o d a m o s algo más d e importancia
a nuestras costumbres y a nuestros gustos y si sería
realmente imposible adaptarnos más a ellos.
A h o r a están d e m o d a las lámparas eléctricas c o n
f o r m a d e linterna portátil, l o q u e demuestra q u e
n o s h e m o s vuelto a aficionar a la suavidad y al calor,
que habíamos olvidado durante algún tiempo, ca­
racterísticos d e esa materia llamada « p a p e l » ; h e m o s
r e c o n o c i d o q u e se adapta m e j o r q u e el cristal a la
casa j a p o n e s a ; p e r o el sentimiento d e esa necesaria
armonía n o ha llegado todavía al c o m e r c i o d e las
tazas d e retrete o d e las estufas.
En cuanto a la c a l e f a c c i ó n estoy c o n v e n c i d o ,
p o r q u e l o h e p r o b a d o , d e q u e n o hay nada m e j o r
que una estufa eléctrica instalada e n el h o g a r cen­
tral, p e r o n o h e e n c o n t r a d o a nadie que elaborara
ese dispositivo, tan sencillo sin e m b a r g o (existen

18
braseros eléctricos bastante lamentables, p e r o c o m o
m e d i o d e calefacción n o s o n m u c h o mejores q u e
los braseros d e c a r b ó n ) ; eso hace q u e e n el mer-
c a d o s o l o se e n c u e n t r e n esos calefactores d e estilo
occidental, totalmente i n a d e c u a d o s . Es un lujo, l o
admito, insistir e n n o m b r e del b u e n gusto e n deta-
lles tan triviales d e la vida cotidiana. S i e m p r e habrá
alguien q u e m e argumente q u e lo esencial es q u e
p o d a m o s d e f e n d e r n o s d e las diferencias d e tempe-
ratura y del h a m b r e y q u e la f o r m a i m p o r t a p o c o .
E n realidad, p o r m u c h o que te jactes d e tu p r o p i a
resistencia, «los días d e nieve son verdaderamente
fríos» y, si hay algún m e d i o para paliar ese i n c o n v e -
niente, está fuera d e lugar discutir s o b r e su mayor
o m e n o r elegancia; es pues inevitable q u e se quie-
ra disfrutar sin reservas d e esa nueva c o m o d i d a d ,
cosa q u e a c e p t o muy bien; sin e m b a r g o , si Oriente
y O c c i d e n t e hubieran e l a b o r a d o cada u n o p o r su
lado, d e manera i n d e p e n d i e n t e , civilizaciones cien-
tíficas b i e n diferenciadas, ¿cuáles serían las formas
d e nuestra s o c i e d a d y hasta q u é p u n t o serían dife-
rentes d e l o q u e son? Este es el tipo d e preguntas
q u e m e suelo plantear c o n asiduidad. S u p o n g a m o s ,
p o r e j e m p l o , q u e hubiéramos desarrollado una fí-
sica y u n a q u í m i c a c o m p l e t a m e n t e nuestras; las téc-

19
nicas, las industrias basadas e n dichas ciencias ha-
brían s e g u i d o naturalmente c a m i n o s diferentes, las
múltiples máquinas d e uso c o t i d i a n o , los p r o d u c t o s
químicos, los p r o d u c t o s industriales habrían sido
más a d e c u a d o s a nuestro espíritu nacional. Posible-
mente sería lícito pensar q u e los p r o p i o s principios
d e la física y d e la química, considerados bajo un
ángulo distinto al d e los occidentales, habrían te-
n i d o aspectos muy diferentes a los que h o y e n día
se n o s enseña e n l o q u e respecta, p o r e j e m p l o , a la
naturaleza y las p r o p i e d a d e s d e la luz, d e la electri-
cidad o del á t o m o .
C o m o i g n o r o t o d o lo relativo a la física teórica,
e n este caso n o h a g o sino dejar volar mi imagina-
c i ó n ; e n cuanto a los descubrimientos d e o r d e n
práctico, si los j a p o n e s e s h u b i é r a m o s s e g u i d o di-
recciones originales, las repercusiones en nuestra
manera d e vestir, d e alimentarnos y d e vivir habrían
sido sin duda considerables, l o cual es l ó g i c o , p e r o
también lo habrían sido e n las estructuras políti-
cas, religiosas, artísticas y e c o n ó m i c a s ; y se p u e d e
fácilmente imaginar, siendo c o m o es Oriente, que
habríamos e n c o n t r a d o soluciones radicalmente di-
ferentes.
H e aquí un e j e m p l o muy simple. H e publica-

20
d o hace p o c o en los BungeiShunju* u n artículo e n
el q u e c o m p a r a b a la estilográfica y el pincel; pues
bien, s u p o n g a m o s q u e el inventor d e la estilográ-
fica hubiera sido un j a p o n é s o un c h i n o d e otra
é p o c a . Es evidente q u e n o habría d o t a d o a su punta
de una plumilla metálica sino d e un pincel. Y q u e lo
que habría intentado q u e bajara del depósito hasta
las cerdas del p i n c e l n o sería tinta azul, sino algún
tipo d e líquido p a r e c i d o a la tinta china. P o r l o tan-
to, c o m o los papeles d e tipo occidental n o sirven
para el uso del pincel, para r e s p o n d e r a la crecien-
te d e m a n d a se tendría q u e p r o d u c i r u n a cantidad
industrial d e p a p e l análogo al papel j a p o n é s , u n a
5
especie d e hanshi m e j o r a d o , y si el papel, la tinta
china y el pincel hubieran seguido este desarrollo, la

4
Los Anales del Arte literario, revista fundada en 1923 por el es-

critor Kikuchi Kan. Entre los miembros del comité de redacción

de la primera época figuran Yasunari Kawabata, Ryunosuke Aku-

tagawa. En 1935 la dirección de Bungei-Shunjuhináó, en memoria

de este último, el premio Akutagawa, uno de los premios litera-

rios más importantes de Japón. Se concede dos veces al año para

premiar a un escritor novel cuya obra es publicada en la revista.


5
Literalmente, «media hoja», formato de papel japonés de

26 x 35 cm.

21
p l u m a metálica y la tinta occidental n u n c a habrían
c o n o c i d o su auge actual, los partidarios d e los ca­
racteres latinos n o habrían tenido n i n g ú n e c o y los
&
ideogramas o los kana habrían g o z a d o d e un uná­
n i m e y p o d e r o s o favor. Pero esto n o es t o d o : nuestro
pensamiento y nuestra p r o p i a literatura n o habrían
imitado tan servilmente a O c c i d e n t e y, quién sabe,
p r o b a b l e m e n t e n o s habríamos e n c a m i n a d o hacia
u n m u n d o n u e v o c o m p l e t a m e n t e original. C o n esta
digresión he q u e r i d o mostrar q u e la forma de u n
instrumento aparentemente insignificante p u e d e
tener repercusiones infinitas.
Ya sé que t o d o esto son solo imaginaciones d e
novelista, y es evidente que llegados a este p u n t o ya
n o se p u e d e dar marcha atrás y rehacerlo t o d o . Así
que t o d o lo q u e estoy d i c i e n d o n o es sino desear
l o imposible y p r o r r u m p i r e n vanas recriminacio­
nes; p e r o d e j a n d o d e l a d o cualquier tipo d e acritud,
c r e o que es lícito q u e n o s p r e g u n t e m o s sobre ello e
intentemos determinar e n q u é m e d i d a estamos e n
desventaja respecto a los occidentales. En una pala-

6
Sistema de escritura silábica derivada de los caracteres chi­

nos que, asociada a estos, permite anotar fonéticamente la ins­

trumentación gramatical de la lengua japonesa.

22
bra, O c c i d e n t e ha seguido su vía natural para llegar
a su situación actual; p e r o nosotros, c o l o c a d o s ante
una civilización más avanzada, n o h e m o s tenido más
r e m e d i o que introducirla en nuestras vidas y, de re­
chazo, n o s h e m o s visto obligados a b i f u r c a m o s e n
una d i r e c c i ó n diferente a la q u e seguíamos desde
hace milenios: c r e o q u e muchas molestias y muchas
contrariedades p r o c e d e n d e esto.
D e j a n d o a u n l a d o cualquier vanidad, n o t e n g o
i n c o n v e n i e n t e e n admitir q u e h e m o s realizado es­
casísimos p r o g r e s o s materiales en los c i n c o últimos
siglos. T a m b i é n es verdad q u e e n l o s c a m p o s d e
C h i n a o d e la India se p u e d e n d e s c u b r i r formas
d e vida q u e n o han c a m b i a d o e n a b s o l u t o desde
los t i e m p o s d e B u d a o d e C o n f u c i o . P e r o sea c o m o
fuere, la d i r e c c i ó n q u e habíamos t o m a d o era sin
d u d a la más c o n f o r m e a nuestra naturaleza. Y a l o
m e j o r m u c h o más tarde, p e r o s i e m p r e a base d e
avanzar m u y lentamente, n a d a n o s d i c e q u e n o hu­
biéramos inventado algún día los instrumentos d e
u n a civilización avanzada, el equivalente a nuestros
tranvías actuales, nuestros aviones, nuestra radio,
los cuales, e n vez d e ser préstamos ajenos, habrían
sido objetos adaptados realmente a nuestras p r o ­
pias necesidades.

23
V e a m o s p o r e j e m p l o nuestro cine: difiere del
americano tanto c o m o del francés o del alemán, p o r
los j u e g o s d e sombras, p o r el valor d e los contrastes.
Así pues, i n d e p e n d i e n t e m e n t e incluso d e la esce­
nografía o d e los temas tratados, la originalidad del
g e n i o nacional se revela ya e n la fotografía. A h o r a
bien, utilizamos los mismos aparatos, los mismos re­
veladores químicos, las mismas películas; suponien­
d o que h u b i é r a m o s e l a b o r a d o una técnica fotográ­
fica totalmente nuestra p o d r í a m o s p r e g u n t a r n o s
si n o se habría adaptado m e j o r a nuestro c o l o r d e
piel, a nuestro aspecto, a nuestro clima, a nuestras
costumbres.
Y si hubiéramos inventado nosotros el f o n ó g r a f o
o la radio es p r o b a b l e q u e hubieran sido c o n c e b i ­
d o s para destacar las cualidades d e nuestra v o z y d e
nuestra música. En sus rudimentos, nuestra músi­
ca está caracterizada p o r cierta c o n t e n c i ó n , p o r la
importancia q u e c o n c e d e al ambiente, d e manera
que grabada, y l u e g o amplificada p o r los altavoces,
pierde la mitad d e su e n c a n t o . En el arte d e la ora­
toria evitamos los gritos, cultivamos la elipsis y, sobre
t o d o , d a m o s una extrema importancia a las pausas;
ahora b i e n , e n la r e p r o d u c c i ó n m e c á n i c a del dis­
curso la pausa se destruye p o r c o m p l e t o . P o r haber

24
a c o g i d o esos aparatos h e m o s tenido q u e desnatu­
ralizar nuestro arte. Mientras que los occidentales,
c o m o son aparatos inventados y elaborados p o r ellos
y para ellos, los han adaptado desde el principio a su
p r o p i a expresión artística. Hay que considerar que,
solo p o r eso, h e m o s p a d e c i d o auténticos perjuicios.

D i c e n que el papel es u n invento d e los chinos;


sin e m b a r g o , l o ú n i c o que n o s inspira el papel d e
O c c i d e n t e es la impresión d e estar ante un material
estrictamente utilitario, mientras que solo hay que
ver la textura d e u n papel d e China o d e J a p ó n para
sentir un calorcillo que n o s reconforta el corazón. A
igual blancura, la d e u n papel d e O c c i d e n t e difiere
1
p o r naturaleza d e la d e un hoshó o u n papel b l a n c o
d e China. Los rayos luminosos parecen rebotar e n la
superficie del papel occidental, mientras q u e la del
hosho o del papel d e China, similar a la aterciopelada
superficie de la primera nieve, los absorbe c o n suavi­
dad. Además, nuestros papeles, agradables al tacto,
se pliegan y arrugan sin ruido. Su contacto es suave y
ligeramente h ú m e d o c o m o el d e la hoja de u n árbol.

7
Papel japonés de alta calidad, grueso y totalmente blanco,

reservado a los edictos imperiales.

25
D e manera más general, la vista d e u n o b j e t o bri-
llante n o s p r o d u c e cierto malestar. L o s occidentales
utilizan, incluso e n la mesa, utensilios d e plata, d e
acero, d e níquel, q u e p u l e n hasta sacarles brillo,
mientras q u e a n o s o t r o s n o s horroriza t o d o l o que
resplandece d e esa manera. Nosotros también utili-
zamos hervidores, c o p a s , frascos d e plata, p e r o n o
se nos o c u r r e pulirlos c o m o h a c e n ellos. Al contra-
rio, nos gusta ver c ó m o se va o s c u r e c i e n d o su super-
ficie y c ó m o , c o n el t i e m p o , se e n n e g r e c e n del t o d o .
N o hay casa d o n d e n o se haya r e g a ñ a d o a alguna
sirvienta despistada p o r h a b e r b r u ñ i d o los utensi-
lios d e plata, recubiertos d e una valiosa pátina.
Recientemente se ha e x t e n d i d o la costumbre d e
emplear estaño para la c o c i n a china y es m u y p r o -
bable q u e los chinos aprecien la p r o p i e d a d que tie-
n e ese metal d e adquirir pátina. C u a n d o está n u e v o
recuerda al aluminio y la impresión q u e p r o d u c e
n o tiene nada d e agradable; los c h i n o s n u n c a l o ha-
brían a d o p t a d o si n o envejeciera bien y n o acabara
p o r adquirir así cierta elegancia. Además, se p u e d e n
grabar p o e m a s q u e , c o n la superficie e n n e g r e c i d a
p o r el estaño, f o r m a n u n c o n j u n t o p e r f e c t o . En una
palabra, e n m a n o s d e los c h i n o s ese metal ligero,
vulgar y chillón se ha c o n v e r t i d o en un material c o n

26
p e s o y d e b u e n a ley, d e reflejos p r o f u n d o s c o m o la
cerámica.
Los chinos también aprecian esa piedra llama-
da j a d e : ¿acaso n o es preciso ser extremo-oriental,
c o m o nosotros, para encontrar atractivos esos b l o -
ques de piedra extrañamente turbios q u e atesoran
e n l o más r e c ó n d i t o d e su masa u n o s fulgores fuga-
ces y perezosos, c o m o si se hubiese c o a g u l a d o e n
ellos un aire varias veces centenario? ¿ Q u é es l o q u e
n o s atrae en esa piedra que n o tiene ni el c o l o r i d o
del rubí o d e la esmeralda ni el brillo del diamante?
L o i g n o r o , p e r o ante esa turbia superficie, siento
q u e esta piedra es específicamente china, c o m o si
su c e n a g o s o espesor estuviese f o r m a d o d e aluviones
depositados lentamente desde el pasado lejano d e
la civilización china, y t e n g o que r e c o n o c e r q u e n o
m e sorprende la p r e d i l e c c i ó n d e los c h i n o s p o r esos
colores y sustancias.
En l o que se refiere al cristal d e r o c a , e n estos
últimos tiempos se han i m p o r t a d o grandes cantida-
des desde Chile p e r o , c o m p a r a d o c o n el cristal d e
J a p ó n , el d e Chile p e c a d e u n e x c e s o d e pureza y
d e limpidez. El cristal q u e se encuentra desde siem-
pre e n la provincia d e Kai, cuya transparencia se ve
turbada p o r ligeras nubes, p r o d u c e p o r ello m i s m o

27
la impresión d e tener mayor densidad; sin e m b a r g o ,
el que n o s p r o d u c e u n placer aún mayor es el cristal
c o n vetas, el q u e encierra e n su masa parcelas d e
materia opaca.
Incluso el vidrio, ese vidrio d e Kanryu, p o r ejem-
p l o , q u e habían o b t e n i d o los chinos, ¿ n o está más
cerca d e los j a d e s o d e las ágatas q u e d e los cris-
tales d e Occidente?. L o s orientales c o n o c í a n d e s d e
hace m u c h o t i e m p o los secretos d e la fabricación
del cristal, p e r o n u n c a se desarrolló tanto c o m o
e n Europa; e n c a m b i o la cerámica ha h e c h o entre
nosotros p r o g r e s o s m u y considerables, l o q u e sin
d u d a está también r e l a c i o n a d o c o n nuestro g e n i o
nacional.
N o es que tengamos ninguna prevención a priori
contra t o d o l o que reluce, p e r o siempre h e m o s pre-
ferido los reflejos p r o f u n d o s , algo velados, al brillo
superficial y g é l i d o ; es decir, tanto e n las piedras na-
turales c o m o e n las materias artificiales, ese brillo
ligeramente alterado q u e evoca irresistiblemente los
efectos del t i e m p o . «Efectos del t i e m p o » , eso suena
bien, p e r o e n realidad es el brillo p r o d u c i d o p o r la
suciedad d e las manos. L o s c h i n o s tienen u n a pala-
bra para ello, «el lustre d e la m a n o » , los j a p o n e s e s
d i c e n «el desgaste»: el c o n t a c t o d e las m a n o s du-

28
rante un largo u s o , el r o c e , aplicado siempre e n los
mismos lugares, p r o d u c e c o n el t i e m p o una impreg-
n a c i ó n grasienta; en otras palabras, ese lustre es la
suciedad d e las manos.
Esto explica q u e al aforismo que reza: «El refina-
m i e n t o es frío» se le haya p o d i d o añadir «... y algo
sucio». Sea c o m o fuere, es innegable q u e en el b u e n
gusto del que alardeamos entran e l e m e n t o s d e una
limpieza algo d u d o s a y de u n a higiene discutible.
Al contrario que a los occidentales q u e se esfuerzan
p o r eliminar radicalmente t o d o lo que sea suciedad,
los extremo-orientales la conservan valiosamente y
tal cual, para convertirla e n u n ingrediente d e l o
b e l l o . Es u n pretexto, m e dirán ustedes, y l o admito,
p e r o n o es m e n o s cierto que n o s gustan los colores y
el lustre d e un o b j e t o m a n c h a d o de grasa, d e hollín
o p o r efecto d e la intemperie, o q u e p a r e c e estar-
lo, y q u e vivir e n un edificio o entre utensilios que
posean esa cualidad, curiosamente n o s apacigua el
c o r a z ó n y n o s tranquiliza los nervios.
En este sentido, siempre h e p e n s a d o que c u a n d o
el paciente es j a p o n é s , las paredes d e una habitación
d e hospital, las ropas médicas, los instrumentos qui-
rúrgicos n o deberían tener ese brillo metálico o esa
blancura uniforme, sino unos tonos más oscuros y

29
suaves. Si se cuidara al e n f e r m o en una habitación d e
estilo j a p o n é s , d e paredes enlucidas, tendido sobre
esteras, sentiría m e n o s aprensión. Si detestamos ir
al dentista, e n parte es d e b i d o a la repulsión que
nos inspira el ruido del t o r n o al taladrar el diente,
p e r o también a nuestro h o r r o r ante la profusión de
instrumentos d e cristal o d e metal brillante. En una
é p o c a e n la q u e fui víctima d e una fuerte depresión
nerviosa, solo c o n oír hablar de cierto dentista recién
llegado d e A m é r i c a q u e estaba muy orgulloso d e su
instalación ultramoderna se m e p o n í a la carne de
gallina. En c a m b i o , n o m e importaba acudir a un
dentista que, c o m o todavía p u e d e verse e n las ciuda-
des pequeñas, había instalado una consulta algo vieja
en una antigua casa d e estilo j a p o n é s . /
Es cierto q u e sería algo m o l e s t o q u e los instru-
m e n t o s quirúrgicos estuvieran e m p a ñ a d o s p o r el
t i e m p o , p e r o es p r o b a b l e q u e , d e haberse consti-
tuido e n J a p ó n la m e d i c i n a m o d e r n a , se habrían
i m a g i n a d o instalaciones e instrumentales más e n
c o n s o n a n c i a c o n la casajaponesa.
Este es o t r o e j e m p l o d e los inconvenientes que
tiene para n o s o t r o s el u s o d e o b j e t o s prestados.
Hay e n K i o t o u n f a m o s o restaurante l l a m a d o
Waranji-ya. En esta casa, hasta hace p o c o , los reser-

30
vados n o estaban iluminados c o n luz eléctrica, sino
mediante arcaicos candelabros q u e la habían h e c h o
famosa; en la primavera de este año volví después d e
una larga ausencia y p u d e c o m p r o b a r q u e también
ahí habían h e c h o su aparición las lámparas eléctri-
cas c o n forma d e linternas portátiles. Pregunté des-
d e c u á n d o pasaba eso y m e dijeron que desde el año
anterior, que m u c h o s clientes encontraban la luz d e
los candelabros demasiado oscura y q u e n o habían
p o d i d o hacer otra cosa, p e r o q u e a las personas q u e
preferían los objetos antiguos les seguirían llevando
candelabros.
Precisamente yo había i d o ahí para darme ese
gusto y p o r supuesto p e d í un candelabro; entonces
fue c u a n d o m e di cuenta p o r primera vez d e que esa
luz incierta era la que d e verdad realzaba la belleza
d e las lacas japonesas. L o s reservados del Waranji-ya
son unos p e q u e ñ o s y recoletos salones d e té c o n una
superficie d e cuatro esteras y media, y los pilares
8
del toko no ma y el t e c h o tienen reflejos negruzcos,

8
Literalmente «habitación del lecho, alcoba». H u e c o prac-

ticado generalmente en la pared de la habitación principal,

perpendicular al jardín y que desempeña un papel capital en

la decoración de la casa japonesa tradicional. A h í es donde se

31
l o q u e hace que, incluso c o n una lámpara eléctri-
ca c o n f o r m a d e linterna, reine una impresión d e
nocturnidad. Pero c u a n d o sustituyeron la lámpara
p o r un c a n d e l a b r o aún más o s c u r o y p u d e observar
las bandejas y los c u e n c o s a la luz vacilante d e la lla-
ma, descubrí en los reflejos d e las lacas, p r o f u n d o s y
densos c o m o los d e un estanque, u n n u e v o e n c a n t o
totalmente diferente. Supe entonces que si nuestros
antepasados habían e n c o n t r a d o ese barniz llamado
«laca» y se habían d e j a d o hechizar p o r los colores y
el lustre d e los utensilios lacados n o era e n absoluto
p o r azar.
Mi a m i g o Sabarwal m e asegura q u e e n la India,
incluso h o y e n día, siguen r e c h a z a n d o las vajillas
d e c e r á m i c a y prefieren las lacas. En c a m b i o n o s o -
tros, fuera del arte del té o d e algunas circunstan-
cias solemnes, ya s o l o utilizamos cerámica, e x c e p t o
para las bandejas y los c u e n c o s d e sopa, p o r q u e
h e m o s l l e g a d o a considerar la laca rústica y d e s p r o -
vista d e elegancia: ¿ p e r o n o será s i m p l e m e n t e p o r

cuelga un cuadro escogido en función de la estación y se coloca

algún objeto artístico de bronce o de cerámica, o algún adorno

floral. El gusto de los dueños de la casa se juzga por la armonía

conseguida entre estos tres elementos.

32
culpa d e la claridad q u e p r o p o r c i o n a n los nuevos
m e d i o s d e iluminación? En realidad se p u e d e decir
q u e la oscuridad es la c o n d i c i ó n indispensable para
apreciar la belleza d e una laca.
En la actualidad también se fabrican «lacas blan­
cas» p e r o , d e siempre, la superficie d e las lacas ha
sido negra, m a r r ó n o roja, colores estos que consti­
tuían una estratificación de n o sé cuántas «capas de
oscuridad», que hacían pensar e n alguna materiali­
zación d e las tinieblas q u e nos r o d e a b a n . U n cofre,
una bandeja d e mesa baja, un anaquel d e laca d e c o ­
rados c o n o r o m o l i d o , p u e d e n parecer llamativos,
chillones, incluso vulgares; p e r o hagamos el siguien­
te e x p e r i m e n t o : d e j e m o s el espacio q u e los r o d e a
e n una c o m p l e t a oscuridad, l u e g o sustituyamos la
luz solar o eléctrica p o r la luz d e una única lámpara
d e aceite o de una vela, y v e r e m o s inmediatamente
q u e esos llamativos objetos c o b r a n profundidad, so­
briedad y densidad.
C u a n d o los artesanos de antes recubrían c o n laca
esos objetos, c u a n d o trazaban sobre ellos dibujos
d e o r o m o l i d o , p o r fuerza tenían e n m e n t e la ima­
g e n d e alguna habitación tenebrosa y el efecto que
pretendían estaba p e n s a d o para una i l u m i n a c i ó n
rala; si utilizaban d o r a d o s c o n profusión, se p u e d e

33
presumir q u e tenían e n cuenta la f o r m a e n q u e des-
tacarían d e la oscuridad ambiente y la m e d i d a e n
que reflejarían la luz d e las lámparas. P o r q u e una
laca d e c o r a d a c o n p o l v o d e o r o n o está h e c h a para
ser vista d e una sola vez en u n lugar iluminado, sino
para ser adivinada e n algún lugar o s c u r o , e n m e -
d i o d e una luz difusa q u e p o r instantes va revelando
u n o u o t r o detalle, d e tal manera que la mayor parte
de su suntuoso d e c o r a d o , constantemente o c u l t o en
la sombra, suscita resonancias inexpresables.
Además, c u a n d o está c o l o c a d a en algún lugar os-
c u r o , la brillantez d e su radiante superficie refleja la
agitación d e la llama d e la luminaria, desvelando así
la más leve corriente d e aire q u e atraviese d e vez e n
c u a n d o la más tranquila habitación, e incita discre-
tamente al h o m b r e a la e n s o ñ a c i ó n . Si n o estuviesen
los objetos d e laca e n un espacio u m b r í o , ese mun-
d o d e sueños d e incierta claridad que segregan las
velas o las lámparas d e aceite, ese latido d e la n o c h e
q u e son los parpadeos d e la llama perderían segura-
mente buena parte d e su fascinación. Los rayos d e
luz, c o m o delgados hilos d e agua que c o r r e n sobre
las esteras para formar una superficie estancada, son
captados u n o aquí, o t r o allá, y l u e g o se propagan,
tenues, inciertos y centelleantes, tejiendo sobre la

34
trama d e la n o c h e u n damasco h e c h o c o n dibujos
dorados.
U n a vajilla d e cerámica n o es nada d e s d e ñ a b l e ,
es cierto, p e r o a las cerámicas les faltan las cuali-
dades d e s o m b r a y p r o f u n d i d a d d e las lacas. S o n
pesadas y frías al tacto; permeables al calor, n o sir-
ven para los alimentos calientes; además, el m e n o r
g o l p e les saca u n r u i d o s e c o , mientras q u e las lacas,
ligeras y suaves al tacto, n o lastiman el o í d o . Cuan-
d o sostengo en el h u e c o d e m i m a n o u n c u e n c o d e
sopa, n a d a m e resulta más agradable q u e la sensa-
c i ó n de pesadez líquida, d e vivida tibieza q u e expe-
rimenta m i palma. Es una i m p r e s i ó n análoga a la
q u e p r o d u c e al tacto la carne elástica d e un recién
nacido.
Todas estas s o n buenas razones para explicar
p o r qué se sigue sirviendo h o y e n día la s o p a e n u n
c u e n c o d e laca, pues u n recipiente d e cerámica está
m u y lejos d e dar satisfacciones comparables. Y sobre
t o d o p o r q u e , e n cuanto levantas la tapa, el l í q u i d o
e n c e r r a d o en cerámica te revela d e i n m e d i a t o su
c u e r p o y su color. En c a m b i o , desde q u e destapas
un c u e n c o d e laca hasta que te l o llevas a la b o c a ,
experimentas el placer d e c o n t e m p l a r en sus pro-
fundidades oscuras un l í q u i d o cuyo c o l o r apenas se

35
distingue del c o l o r del continente y q u e se estanca,
silencioso, e n el f o n d o . Imposible discernir la natu-
raleza de l o que hay e n las tinieblas del c u e n c o , p e r o
tu m a n o p e r c i b e u n a lenta oscilación fluida, una li-
gera e x u d a c i ó n q u e cubre los b o r d e s del c u e n c o y
q u e dice q u e hay u n v a p o r y el perfume que exhala
d i c h o vapor ofrece un sutil anticipo del sabor del lí-
q u i d o antes d e q u e te llene la b o c a . ¡ Q u é placer ese
instante, q u é diferente del que experimentas ante
una sopa presentada e n u n plato p l a n o y b l a n c u z c o
d e estilo occidental! N o resulta m u y exagerado afir-
mar que es un placer d e naturaleza mística, c o n u n
ligero saborcillo zen.
Siempre q u e o i g o el r u i d o semejante al c a n t o
d e u n insecto lejano, ese silbido ligero q u e p e r f o r a
el o í d o , e m i t i d o p o r el c u e n c o d e sopa q u e t e n g o
ante m í , y s a b o r e o p o r anticipado y e n secreto el
p e r f u m e del brebaje, m e e n c u e n t r o transportado
al terreno del éxtasis. Se d i c e que los amantes del
té, al oír el ruido del agua hirviendo, q u e a ellos
les evoca el viento e n los p i n o s , experimentan u n
arrebato p a r e c i d o tal vez al q u e y o siento.
Se ha d i c h o q u e la c o c i n a j a p o n e s a n o se c o m e
sino que se mira; e n u n caso así m e atrevería a
añadir: se mira, ¡ p e r o además se piensa! Tal es, e n

36
efecto, el resultado de la silenciosa armonía entre
el brillo d e las velas que parpadean en la sombra y
el reflejo d e las lacas. N o hace m u c h o , el maestro
Sóseki celebraba en su novela Kusa-makura^ los c o -
10
lores del yokan y, en cierto s e n ü d o , ¿ n o i n d u c e n
también esos colores a la meditación? Su superficie
turbia, semitranslúcida c o m o u n j a d e , esa sensación
q u e dan d e absorber hasta la luz del sol, d e encerrar
una claridad difusa c o m o u n sueño, esa c o n c o r d a n -
cia profunda entre los tonos, esa complejidad, n o
p o d e m o s encontrarla en n i n g ú n dulce occidental.
Compararlos c o n cualquier crema sería superficial
e ingenuo.
C o l o q u e m o s ahora sobre una bandeja d e dulces
lacada esa armonía c o l o r e a d a q u e es u n yokan, su-
merjámoslo en una sombra tal que apenas se p u e d a
distinguir su color, se volverá m u c h o más p r o p i c i o
a la contemplación. Y c u a n d o p o r fin nos llevemos a

9
La almohada de hierba (fórmula poética, asociada tradicio-

nalmente a «viaje»), novela de Sasume Sóseki, publicada en

1906.
10
Yokan, dulce gelatinoso parecido a nuestras frutas glasea-

das. La base consiste en una pasta de alubias con azúcar y agar-

agar, perfumada con frutas: castaña, caqui, ciruela, etcétera.

37
la b o c a esa materia fresca y lisa, sentiremos fundirse
en la punta d e la lengua algo así c o m o una parcela
de la oscuridad d e la sala, solidificada e n una masa
azucarada, y a ese yókan, q u e en realidad es bastante
insípido, le e n c o n t r a r e m o s una extraña profundi-
dad q u e realza su gusto.
N o c a b e d u d a d e q u e t o d o s los países del mun-
d o han b u s c a d o la a r m o n í a d e c o l o r e s entre los
manjares, la vajilla e incluso las paredes; e n cual-
quier caso, si la c o c i n a j a p o n e s a se sirve en u n lugar
demasiado i l u m i n a d o , e n una vajilla p r e d o m i n a n -
temente blanca, p i e r d e la mitad d e su atractivo.
O b s e r v e m o s p o r e j e m p l o el c o l o r d e la sopa roja
n
de miso que c o n s u m i m o s todas las mañanas y c o m -
p r e n d e r e m o s fácilmente q u e haya sido inventada
e n las sombrías casas d e antaño. U n día e n q u e m e
habían invitado a una r e u n i ó n d e té, m e ofrecie-
ron miso y al ver a la luz difusa d e las velas aquella
sopa cenagosa, c o l o r d e arcilla q u e siempre había
t o m a d o sin prestar atención, estancada e n el f o n d o
del c u e n c o d e laca negra, descubrí d e repente que

1 1
Pasta de soja fermentada con sal y levadura, hervida y pica-

da. Se utiliza c o m o base para una sopa que es ingrediente obli-

gado del desayuno.

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tenía una p r o f u n d i d a d real y un t o n o d e lo más
apetitoso.
1
También el shoyu *, esa salsa viscosa y brillante,
sobre t o d o si se usa esa variedad espesa q u e se lla­
m a tamari, c o m o se h a c e en la r e g i ó n d e Kioto para
c o n d i m e n t a r el p e s c a d o c r u d o , las legumbres c o n ­
fitadas o hervidas, gana m u c h o visto e n la sombra y
forma c o n la oscuridad una a r m o n í a perfecta. P o r
13
otra parte el miso b l a n c o , el tofu, el kamaboko , la
harina d e patata, los pescados blancos, e n fin, todos
los alimentos blancos, n o p u e d e n q u e d a r realzados
si se ilumina su e n t o r n o . Para empezar, el arroz,
solo c o n verlo presentado e n u n a caja d e laca negra
y brillante c o l o c a d a e n un r i n c ó n o s c u r o , se satis­
face nuestro sentido estético y a la vez se estimula
nuestro apetito. N o hay ningún j a p o n é s q u e al ver
ese arroz inmaculado, c o c i d o e n su p u n t o , a m o n t o ­
n a d o e n una caja negra, que e n cuanto se levanta la
tapa emite un cálido vapor y e n el q u e cada grano

1 2
Salsa marrón a base de soja fermentada, condimento esen­

cial en la cocina japonesa.


l s
Pasta espesa obtenida con la carne de algunos pescados

blancos. Cortada en lonchas, es un ingrediente de diferentes

platos.

39
brilla c o m o una perla, n o capte su insustituible ge-
nerosidad. L l e g a d o a este p u n t o , se da u n o cuenta
d e q u e nuestra c o c i n a armoniza c o n la sombra, d e
que entre ella y la oscuridad existen lazos indestruc-
tibles.

Soy totalmente p r o f a n o en materia d e arquitec-


tura, p e r o h e o í d o decir que e n las catedrales góticas
d e O c c i d e n t e la belleza residía e n la altura de los
techos y en la audacia d e las agujas q u e penetran e n
el cielo. Por el contrario, e n los m o n u m e n t o s religio-
sos d e nuestro país, los edificios q u e d a n aplastados
bajo las e n o r m e s tejas cimeras y su estructura desa-
parece p o r c o m p l e t o en la s o m b r a profunda y vasta
que proyectan los aleros. Visto desde fuera, y esto n o
solo es válido para los templos sino también para los
palacios y las residencias del c o m ú n d e los mortales,
l o que primero llama la atención es el i n m e n s o te-
j a d o , ya esté cubierto d e tejas o d e cañas, y la densa
sombra que reina bajo el alero.
Tan densa que a veces, en p l e n o día, e n las tinie-
blas cavernosas q u e se extienden más allá del alero,
apenas se distingue la entrada, las puertas, los ta-
biques o los pilares. En la mayoría d e los edificios
antiguos, y l o m i s m o s u c e d e c o n las i m p o n e n t e s

40
14 15
construcciones c o m o el C h i o n ' i n o los H o n g a n j i ,
así c o m o c o n cualquier granja perdida e n la profun­
didad del c a m p o , si se c o m p a r a la parte inferior, d e ­
bajo del alero, c o n el tejado q u e la c o r o n a , se tiene
la impresión, al m e n o s visual, d e q u e la parte más
maciza, la más alta y extensa es el tejado.
P o r e s o , c u a n d o iniciamos la c o n s t r u c c i ó n d e
nuestras residencias, antes q u e nada d e s p l e g a m o s
d i c h o tejado c o m o un quitasol q u e determina e n el
suelo u n perímetro p r o t e g i d o del sol, l u e g o , en esa
p e n u m b r a , d i s p o n e m o s la casa. Por supuesto, una
casa de O c c i d e n t e n o p u e d e t a m p o c o prescindir del
tejado, p e r o su principal objetivo consiste n o tanto
e n obstaculizar la luz solar c o m o e n p r o t e g e r d e la

1 4
Monasterio de Kioto, situado en las colinas al este de la

ciudad, sede de la secta de la «tierra pura», fundada por el santo

monje H ó n e n (1133-1212). Precedida por una puerta m o n u m e n ­

tal de 25 m de altura (la más alta de Japón), entre otras cosas

contiene la famosa «sala de las mil esteras» y la tumba del santo

fundador.
1 5
N o m b r e de dos grandes monasterios de Kioto, el Honganji

del este y el Honganji del oeste, sedes de dos ramas rivales de

la secta amidista, llamada jódo-shinshu o «escuela auténtica de la

tierra pura».

41
intemperie; se le construye d e manera q u e difunda
la m e n o r s o m b r a posible y un simple vistazo a su
aspecto externo permite r e c o n o c e r que se ha inten­
tado q u e el interior esté expuesto a la luz del m o d o
más favorable. Si el tejado j a p o n é s es un quitasol, el
occidental n o es más q u e u n t o c a d o . C o m o e n una
gorra, los b o r d e s están tan m e r m a d o s q u e los rayos
directos del sol p u e d e n dar e n los m u r o s hasta el
nivel del tejado.
Si e n la casa j a p o n e s a el alero del tejado sobre­
sale tanto se d e b e al clima, a los materiales d e cons­
trucción y a diferentes factores sin duda. A falta, p o r
e j e m p l o d e ladrillos, cristal y c e m e n t o para prote­
ger las paredes contra las ráfagas laterales d e lluvia,
ha h a b i d o q u e proyectar el tejado hacia delante d e
manera q u e el j a p o n é s , q u e también hubiera prefe­
rido una vivienda clara a una vivienda oscura, se ha
visto o b l i g a d o a h a c e r d e la necesidad virtud. Pero
eso q u e g e n e r a l m e n t e se llama b e l l o n o es más q u e
una sublimación d e las realidades d e la vida, y así
fue c o m o nuestros antepasados, o b l i g a d o s a residir,
l o quisieran o n o , e n viviendas oscuras, descubrie­
r o n u n día l o b e l l o e n el s e n o d e la s o m b r a y n o
tardaron e n utilizar la s o m b r a para o b t e n e r efectos
estéticos.

42
En realidad, la belleza d e una habitación j a p o ­
nesa, p r o d u c i d a únicamente p o r u n j u e g o sobre el
g r a d o d e opacidad d e la sombra, n o necesita nin­
g ú n accesorio. Al occidental q u e l o ve le s o r p r e n d e
esa desnudez y cree estar tan solo ante u n o s m u r o s
grises y desprovistos d e cualquier ornato, interpre­
tación totalmente legítima d e s d e su p u n t o d e vista,
p e r o q u e demuestra que n o ha captado e n absoluto
el enigma d e la sombra.
Pero nosotros, n o c o n t e n t o s c o n ello, proyecta­
mos u n amplio alero e n el exterior d e esas estancias
d o n d e los rayos d e sol entran ya c o n m u c h a difi­
cultad, construimos u n a galería cubierta para alejar
aún más la luz solar. Y, p o r último, e n el interior d e
la habitación, los shoji n o dejan entrar más que u n
reflejo tamizado d e la luz q u e proyecta el jardín.
A h o r a bien, precisamente esa luz indirecta y di­
fusa es el e l e m e n t o esencial d e la belleza d e nuestras
residencias. Y para que esta luz gastada, atenuada,
precaria, i m p r e g n e totalmente las paredes d e la vi­
vienda, pintamos a p r o p ó s i t o c o n c o l o r e s neutros
esas paredes enlucidas. A u n q u e se utilizan pinturas
brillantes para las cámaras d e seguridad, las cocinas
o los pasillos, las paredes d e las habitaciones casi
siempre se enlucen y m u y p o c a s veces son brillantes.

43
Porque si brillaran se desvanecería t o d o el e n c a n t o
sutil y discreto de esa escasa luz.
A nosotros n o s gusta esa claridad tenue, h e c h a
de luz exterior y d e apariencia incierta, atrapada e n
la superficie d e las paredes d e c o l o r crepuscular y
que conserva apenas un último resto d e vida. Para
nosotros, esa claridad sobre una pared, o más bien
esa p e n u m b r a , vale p o r todos los a d o r n o s del mun-
d o y su visión n o nos cansajamás.
En estas c o n d i c i o n e s , es evidente que las paredes
enlucidas d e b e n ser recubiertas d e un c o l o r unifor-
m e para n o perturbar esa claridad; aunque el c o l o r
de f o n d o p u e d e variar ligeramente d e una habita-
c i ó n a otra, la diferencia e n t o d o caso solo p u e d e
ser ínfima. N o será una diferencia de tinte, sino más
bien una variación d e intensidad, p o c o más que u n
c a m b i o de h u m o r en la persona q u e mira. D e este
m o d o , gracias a una imperceptible diferencia e n el
c o l o r d e las paredes, la sombra d e cada habitación
se distingue p o r un matiz d e t o n o .
T e n e m o s , p o r último, en nuestras salas d e estar,
ese h u e c o llamado toko no ma q u e a d o r n a m o s c o n
un c u a d r o o c o n un a d o r n o floral; p e r o la f u n c i ó n
esencial d e d i c h o c u a d r o o d e esas flores n o es d e c o -
rativa en sí misma, pues más bien se trata d e añadir a

44
la sombra una dimensión en el sentido d e la profun-
didad. En la propia e l e c c i ó n d e la pintura q u e c o l o -
camos ahí, lo p r i m e r o que buscamos es su armonía
c o n las paredes del toko no ma, l o q u e llamamos un
toko-utsuri. P o r el m i s m o motivo, c o n c e d e m o s a su
montaje una importancia similar a la del valor gráfi-
c o del caligrama o del dibujo, p o r q u e un toko-utsuri
n o a r m ó n i c o quitaría t o d o interés a la o b r a maes-
tra más indiscutible. En c a m b i o p u e d e suceder q u e
una caligrafía o una pintura sin ningún valor en sí
misma, c o l g a d a e n el toko no ma d e u n salón, esté e n
perfecta armonía c o n la habitación y que esta última
y la p r o p i a obra q u e d e n p o r ello revalorizadas.
Pero ¿en q u é , se preguntarán ustedes, consiste
esta armonía c u a n d o se trata d e una o b r a que es
e n sí misma insignificante? Reside habitualmente e n
el aspecto antiguo del papel, el c o l o r d e la tinta o
las resquebrajaduras del armazón. Se establece en-
tonces u n equilibrio entre ese aspecto antiguo y la
oscuridad del toko no ma o d e la propia habitación.
C u a n d o visitamos los famosos santuarios d e Kioto o
d e Nara, nos suelen mostrar, suspendida e n el toko
no ma d e una gran sala al f o n d o del t o d o , algún cua-
d r o q u e dicen ser el tesoro del monasterio, p e r o es
imposible distinguir el dibujo e n ese h u e c o , general-

45
m e n t e tenebroso incluso e n p l e n o día; p o r l o tanto
n o n o s q u e d a más r e m e d i o , mientras escuchamos
las explicaciones del guía, q u e intentar adivinar los
trazos d e una tinta evanescente e imaginar q u e ahí,
sin duda, hay una o b r a espléndida. A pesar d e ello
se sabe muy bien q u e existe una a r m o n í a absoluta
entre esa vieja pintura marchita y el o s c u r o toko no
ma, q u e en definitiva n o importa q u e su dibujo esté
difuminado y que, p o r el contrario, esa imprecisión
es d e l o más adecuada.
En un caso c o m o este, el c u a d r o n o es e n suma
más q u e una «superficie» modestamente destinada
a r e c o g e r una luz débil e indecisa cuya función es
absolutamente la misma q u e la d e una pared enlu­
cida. Por eso, al elegir una pintura d a m o s tanta im­
portancia a la edad y a la pátina, p o r q u e una pintura
nueva, aun h e c h a c o n tinta diluida o c o n c o l o r e s
pálidos, si n o n o s d a m o s cuenta, p u e d e destruir la
sombra del toko no ma.

Si comparáramos una habitación j a p o n e s a c o n


un dibujo a tinta china, los sfwji corresponderían a
la parte en d o n d e la tinta está más diluida, y el toko
no ma al lugar e n q u e está más concentrada. Cada
vez q u e v e o un toko no ma, esa o b r a maestra del refi-

46
namiento, m e maravilla c o m p r o b a r hasta q u é p u n t o
los j a p o n e s e s han sabido dilucidar los misterios d e
la sombra y c o n cuánto i n g e n i o han sabido utilizar
los j u e g o s d e sombra y luz. Y t o d o eso sin buscar
e n particular ningún efecto d e t e r m i n a d o . En una
palabra, sin más m e d i o s q u e la simple m a d e r a y las
paredes desnudas, se ha dispuesto u n espacio reco-
leto d o n d e los rayos luminosos que c o n s i g u e n pe-
netrar hasta allí engendran, aquí y allá, r e c o v e c o s
vagamente oscuros. Sin e m b a r g o , al c o n t e m p l a r las
dnieblas ocultas tras la viga superior, en t o r n o a u n
jarrón d e flores, bajo un anaquel, y aun sabiendo
q u e solo son sombras insignificantes, experimenta-
mos el sentimiento d e que el aire e n esos lugares
encierra una espesura d e silencio, q u e e n esa oscu-
ridad reina una serenidad eternamente inalterable.
En definitiva, c u a n d o los occidentales hablan d e los
«misterios de O r i e n t e » , es m u y posible que c o n ello
se refieran a esa calma algo inquietante q u e genera
la sombra c u a n d o p o s e e esta cualidad.
Yo m i s m o , c u a n d o era n i ñ o , si aventuraba u n a
mirada al f o n d o del toko no ma de un salón o de u n a
«biblioteca» a d o n d e n u n c a llega la luz del sol, n o
p o d í a evitar una indefinible aprensión, un estreme-
cimiento. Entonces, ¿ d ó n d e reside la clave del miste-

47
rio? Pues bien, voy a traicionar el secreto: m i r á n d o l o
b i e n n o es sino la magia d e la sombra; expulsad esa
sombra p r o d u c i d a p o r todos esos recovecos y el toko
no ma enseguida recuperará su realidad trivial d e
espacio vacío y d e s n u d o . P o r q u e ahí es d o n d e nues-
tros antepasados han demostrado ser geniales: a ese
universo d e sombras, que ha sido deliberadamente
creado delimitando un n u e v o espacio rigurosamen-
te vacío, han sabido conferirle una cualidad estéti-
ca superior a la d e cualquier fresco o d e c o r a d o . En
apariencia ahí n o hay más q u e p u r o artificio, p e r o
en realidad las cosas son m u c h o m e n o s simples.
P o r e j e m p l o , n o será difícil imaginar q u e el tra-
zado d e una ventana e n el h u e c o , la p r o f u n d i d a d
d e los n i c h o s , la altura d e los pilares, han exigi-
d o u n a laboriosa b ú s q u e d a q u e escapa a la vista,
y e n l o q u e a m í respecta, c u a n d o estoy a la luz
macilenta d e los shóji d e una «biblioteca» m e olvido
del t i e m p o q u e pasa. Este t é r m i n o d e «biblioteca»
proviene d e que antaño, c o m o indica el n o m b r e ,
era u n lugar para leer; p o r eso se h i z o una venta-
na, p e r o más tarde esta se convirtió en una simple
fuente d e luz para el toko no ma; muchas veces ni
siquiera es e s o , sino u n dispositivo destinado a re-
ducir al nivel d e s e a d o la luz exterior q u e p o r ahí

48
se i n t r o d u c e , filtrándola a través del p a p e l d e los
shóji En realidad, la luz q u e ilumina el reverso d e
d i c h o s shóji c o b r a u n c o l o r frío y a p a g a d o . C o m o si
los rayos d e sol, q u e a duras penas p e n e t r a n d e s d e
el j a r d í n , después d e haberse deslizado bajo eí ale-
r o y haber atravesado la galería, hubiesen p e r d i d o
la fuerza d e iluminar, c o m o si se hubieran q u e d a d o
a n é m i c o s , hasta el p u n t o d e n o tener o t r o p o d e r
q u e el d e destacar la blancura del p a p e l d e los shóji
A m e n u d o m e d e t e n g o ante un shóji para c o n -
templar la superficie del papel, iluminada, p e r o sin
resultar p o r ello deslumbrante. Por e j e m p l o , en las
inmensas salas d e los monasterios ía luz está tan mi-
tigada, d e b i d o a la distancia q u e las separa del jar-
dín, q u e su macilenta p e n u m b r a es igual e n verano
que en invierno, haga b u e n o mal t i e m p o , p o r la
mañana, a m e d i o d í a o p o r la n o c h e . Los umbríos
recovecos que se f o r m a n e n cada c o m p a r t i m e n t o
del apretado armazón del m a r c o de los shóji p a r e c e n
sendos rastros polvorientos y sugieren una impreg-
n a c i ó n del papel, inmutable para toda la eternidad.
En esos m o m e n t o s , llego a dudar d e la realidad d e
esa luz d e e n s u e ñ o y p a r p a d e o . P o r q u e m e p r o d u c e
el efecto d e una ligera bruma que embotase mis fa-
cultades visuales.

49
C o m o si fuesen incapaces d e hacer mella e n las
espesas tinieblas del toko no ma, los reflejos blanque-
cinos del papel rebotan en cierta manera sobre esas
tinieblas, desvelando un universo a m b i g u o d o n d e
sombra y luz se c o n f u n d e n . Ustedes, lectores, ¿ n o
han e x p e r i m e n t a d o nunca, al entrar e n alguna d e
esas salas, la impresión d e q u e la claridad que flota,
difusa, p o r la estancia n o es una claridad cualquiera
sino q u e p o s e e una cualidad rara, una densidad par-
ticular? ¿Nunca han e x p e r i m e n t a d o esa especie d e
aprensión q u e se siente ante la eternidad, c o m o si al
p e r m a n e c e r e n ese espacio perdieras la n o c i ó n del
tiempo, c o m o si los años pasaran sin darte cuenta,
hasta el p u n t o d e creer que c u a n d o salgas te habrás
convertido d e repente e n u n viejo c a n o s o ?

Diríjanse ahora a la estancia más apartada, al


f o n d o d e alguna d e esas dilatadas construcciones;
los tabiques móviles y los b i o m b o s d o r a d o s , c o l o -
cados en una oscuridad q u e ninguna luz exterior
consigue traspasar n u n c a , captan la más extrema
claridad del lejano jardín, del que les separan n o sé
cuántas salas: ¿ n o han p e r c i b i d o n u n c a sus reflejos,
tan irreales c o m o u n sueño? D i c h o s reflejos, pareci-
dos a una línea del h o r i z o n t e crepuscular, difunden

50
e n la p e n u m b r a ambiental una pálida luz dorada, y
d u d o q u e en ningún o t r o sido p u e d a el o r o tener
una belleza más s o b r e c o g e d o r a .
Algunas veces, al pasar p o r delante, m e h e vuelto
para mirarlos d e n u e v o una y otra vez; pues bien, a
m e d i d a q u e la visión perpendicular va d a n d o paso
a la visión lateral, la superficie del p a p e l d o r a d o se
p o n e a emitir una suave y misteriosa irradiación. N o
es un centelleo rápido sino más b i e n una luz inter­
mitente y nítida, algo así c o m o la d e u n gigante cuya
faz cambiara d e color. A veces, el p o l v o d e o r o q u e
hasta entonces s o l o tenía un reflejo atenuado, c o m o
a d o r m e c i d o , j u s t o c u a n d o pasas a su l a d o se ilumina
súbitamente c o n una llamarada y te preguntas, ató­
nito, c ó m o se ha p o d i d o c o n d e n s a r tanta luz en u n
lugar tan oscuro.
A h í es d o n d e c o m p r e n d í p o r primera vez las ra­
zones q u e tenían los antiguos para cubrir c o n o r o
las estatuas d e sus budas y p o r q u é se chapaban c o n
o r o las paredes d e las habitaciones d o n d e vivían las
personas d e categoría. Nuestros c o n t e m p o r á n e o s ,
q u e viven e n casas claras, d e s c o n o c e n la belleza
del o r o . Pero nuestros antepasados, q u e vivían e n
mansiones oscuras, experimentaban la fascinación
d e ese e s p l é n d i d o color, p e r o también c o n o c í a n sus

51
virtudes prácticas. P o r q u e e n aquellas residencias
p o b r e m e n t e iluminadas, el o r o d e s e m p e ñ a b a el pa-
pel d e u n reflector. En otras palabras, el u s o q u e se
hacía del o r o l a m i n a d o o e n p o l v o n o era un lujo
vano, sino q u e , m e r c e d a la razonable utilización
d e sus p r o p i e d a d e s reflectantes, contribuía a dar to-
davía más luz. Si se admite esto se c o m p r e n d e r á el
extraordinario favor d e q u e gozaba el o r o : mientras
que el brillo d e la plata y d e los demás metales se
apaga m u y deprisa, el o r o e n c a m b i o ilumina inde-
finidamente la p e n u m b r a interior sin p e r d e r nada
de su brillo.
C o n anterioridad m e referí al h e c h o d e que las
lacas decoradas c o n p o l v o d e o r o estaban hechas
para ser vistas e n lugares oscuros; esto n o s o l o es
válido para las lacas: si e n los tejidos antiguos se usa-
ban c o n profusión hilos de o r o y d e plata, es eviden-
te q u e se hacía p o r la misma razón. El mejor ejem-
p l o es la estola d e b r o c a d o q u e los monjes llevan
a l r e d e d o r del cuello. En la actualidad, los edificios
religiosos d e las ciudades son e n su mayor parte edi-
ficios claros, h e c h o s para atraer a una masa d e fieles;
e n ellos, esas estolas p a r e c e n inútilmente llamativas
y n o inspiran demasiado respeto a u n q u e estén so-
bre el c u e l l o del más d i g n o prelado; p e r o c u a n d o

52
esos mismos religiosos, sentados e n fila, celebran
un oficio d e liturgia antigua e n algún monasterio
histórico, te ves o b l i g a d o a admirar la a r m o n í a entre
la piel arrugada d e los viejos monjes, el centelleo
de las lámparas ante las estatuas d e los budas y la
textura d e esos b r o c a d o s , y aprecias hasta qué pun-
to ha a u m e n t a d o la s o l e m n i d a d del acto; p o r q u e
c o m o ocurre c o n las lacas doradas, la mayor parte
de los dibujos tornasolados del tejido desaparece e n
la sombra, pues los hilos d e o r o y d e plata solo d e
vez en c u a n d o lanzan u n breve destello.
Por la misma razón, p e r o a lo mejor soy el ú n i c o
q u e experimenta esto, c o n s i d e r o q u e nada forma
u n contraste más afortunado c o n la tez d e los j a p o -
i e
neses que un traje d e n o . P o r supuesto, m u c h o s
de estos trajes tienen u n o s c o l o r e s brillantes y están
profusamente sembrados d e o r o y plata; además,
el actor q u e los lleva en escena n o está maquillado
n
c o m o el actor d e kabuki , p e r o ni la piel oscura c o n

1 6
La forma clásica más antigua del teatro japonés. Creada en

los sigios XIV y XV por Kanze Kanami (1333-1384) y su hijo Zeami

(1364-1444), el no ha sobrevivido hasta nuestros días gracias a una

tradición ininterrumpida.
17
Junto al noy el nin^ójómñ, el kabuki es el tercero de [os gé-

53
reflejos rojizos, característica d e los j a p o n e s e s , ni el
rostro d e marfil amarillento son particularmente
atractivos; y a pesar de eso, cada vez que v e o no m e
q u e d o admirado. Sin duda, las prendas exteriores
c o n dibujos tejidos o b o r d a d o s en o r o y plata son
muy favorecedoras y las capas, túnicas o ropas d e
caza, verde o s c u r o o rojo caqui y los vestidos c o n
mangas estrechas o los amplios pantalones d e u n
b l a n c o i n m a c u l a d o n o l o son m e n o s . C u a n d o p o r
casualidad el actor es u n b e l l o adolescente, la delica-
deza d e la piel, la frescura d e las mejillas q u e tienen
el brillo d e lajuventud, q u e d a n realzadas, despren-
d e n una s e d u c c i ó n que n o se parece e n nada a la
de la piel f e m e n i n a y te das cuenta d e q u e eso era
l o que hacía p e r d e r la cabeza a los grandes señores
de antaño, l o c a m e n t e e n a m o r a d o s d e la belleza d e
sus favoritos.
Los trajes d e kabuki, e n las obras históricas o e n
los intermedios coreográficos, n o son m e n o s esplen-
d o r o s o s q u e los del no y e n general se suele dar p o r
h e c h o que su atractivo erótico es muy superior al
del no; ahora bien, c r e o que q u i e n frecuente asi-

neros clásicos del teatro japonés. Muy apreciado por el público

popular, conoció su apogeo en el siglo xix.

54
duamente a m b o s se habrá d a d o cuenta d e que e n
realidad es t o d o l o contrario. Para q u i e n l o ha visto
p o c o , el erotismo del kabuki parece tan indiscutible
c o m o su belleza; estoy d e a c u e r d o e n q u e eso era así
antaño, p e r o e n la actualidad, e n los escenarios ilu-
minados a la occidental, sus vivos c o l o r e s caen ine-
vitablemente e n la vulgaridad y cansan enseguida.
L o q u e es verdad para el traje l o es también para
el maquillaje: se p u e d e encontrar belleza e n u n ros-
tro totalmente artificial, p e r o n u n c a se experimen-
tará la impresión d e autenticidad q u e p r o d u c e la
belleza sin maquillaje. El actor d e no sube a escena
c o n el rostro, el cuello y las m a n o s q u e le ha d a d o
la naturaleza. En estas c o n d i c i o n e s , sus rasgos n o
tienen más s e d u c c i ó n que la suya propia, sin q u e
nuestros ojos estén e n m o d o alguno engañados. Por
tanto, e n el caso del actor d e no, es imposible que su
rostro d e s n u d o d e c e p c i o n e c o m o l o p u e d e hacer el
d e un actor q u e represente, e n el kabuki, papeles d e
mujer o d e j ó v e n e s galanes.
En c a m b i o , l o q u e n o s llama la atención es el
extraordinario relieve q u e c o b r a su belleza en cuan-
to se p o n e los abigarrados ropajes d e la é p o c a gue-
rrera q u e , a primera vista, n o p a r e c e n demasiado
a d e c u a d o s para quien tenga nuestro c o l o r d e piel.

55
18
H a c e p o c o , tuve la suerte d e ver a KongÓ I w a o en
19
el papel d e Yang Kuei-Fei del no El emperador, y
n u n c a h e olvidado la sublime belleza d e sus m a n o s
entrevistas p o r la abertura d e las mangas. Yo miraba
sus manos, l u e g o miraba las mías, c o l o c a d a s sobre
mis rodillas. Si esas m a n o s parecían tan bellas era
d e b i d o , sin duda, al m o v i m i e n t o d e l i c a d o q u e las
animaba d e la m u ñ e c a a la p u n t a de los d e d o s y
también a la disposición sumamente estudiada d e
los p r o p i o s d e d o s ; sin e m b a r g o subsistía e n m í una
duda: ¿de d ó n d e p o d í a p r o c e d e r ese brillo d e la piel
que parecía desprenderse d e una fuente d e irradia-
ción interior?, p o r q u e , en realidad, eran unas ma-
nos d e j a p o n é s de l o más corriente y, en l o que se
refería al t o n o d e la piel, nada las distinguía d e mis
propias manos, ahí, sobre mis rodillas. D o s , tres ve-
ces, c o m p a r é c o n las mías las m a n o s d e K o n g o e n
escena ante mí, p e r o , p o r m u c h o q u e las compara-

1 8
Kongo Iwao (18S7-I951) fue un celebérrimo actor de no.
l J
' Favorita del emperador Kiung-tsong, asesinada en 756 p o r

los soldados de la guardia. Su figura inspiró a numerosos poetas

japoneses así c o m o varias obras de teatro, en particular dos no,

Yo Kihi (pronunciación japonesa de su nombre) y Kaki (el em-

perador) .

56
ra, aquellas m a n o s m e seguían p a r e c i e n d o iguales. Y
a pesar d e eso, cosa extraña, esas mismas m a n o s q u e
e n escena adquirían u n a belleza casi inquietante,
sobre mis rodillas n o eran sino unas m a n o s d e l o
más corriente.
Este n o es u n f e n ó m e n o exclusivo d e K o n g o .
En el no, la parte del c u e r p o q u e deja ver el tra-
j e es ínfima, c o m o m u c h o el rostro y el c u e l l o y la
m a n o desde la m u ñ e c a hasta la punta d e los d e d o s ;
además, e n u n papel f e m e n i n o c o m o el d e Yang
Kuei-Fei, el actor lleva u n a máscara, d e f o r m a q u e
su p r o p i o rostro está o c u l t o , p e r o e n t o n c e s el c o l o r
d e esa mínima parcela al descubierto p r o d u c e u n
efecto p r o d i g i o s o . Este efecto era particularmente
a s o m b r o s o e n K o n g ó , p e r o las m a n o s d e cualquier
actor, honestas y corrientes m a n o s d e j a p o n é s me-
d i o , desprenden una s e d u c c i ó n tal q u e te h a c e abrir
los ojos d e a s o m b r o , s e d u c c i ó n q u e n o se hubiera
p o d i d o ni sospechar si llevara u n traje m o d e r n o . L o
repito, n o se trata d e ninguna cualidad inherente al
actor g u a p o o b u e n m o z o .
O t r o e j e m p l o : resulta i n c o n c e b i b l e q u e e n la
vida cotidiana los labios d e u n h o m b r e corriente
n o s atraigan; pues b i e n , e n el escenario del no, su
c o l o r rojizo o s c u r o , su piel ligeramente húmeda,

57
sugieren una elasticidad carnal superior a la d e los
labios d e u n a mujer pintados d e rojo. Eso se p u e d e
d e b e r al h e c h o d e q u e el actor, para cantar, h u m e -
d e c e c o n t i n u a m e n t e sus labios c o n saliva, p e r o n o
p u e d o creer que sea esta la única razón. O c u r r e l o
m i s m o c o n el n i ñ o actor, cuyas excelentes mejillas
enrojecidas adoptan c o l o r e s más frescos. Mi expe-
riencia personal m e dice q u e este efecto es más visi-
ble si lleva trajes e n los q u e p r e d o m i n a el c o l o r ver-
de; e n tal caso, la rojez, que en u n n i ñ o d e tez clara
es ya evidente, se realza aún más en el n i ñ o de piel
oscura. P o r q u e e n el n i ñ o d e tez clara el contraste
entre su palidez y ese rojo es demasiado tajante y
el efecto de los c o l o r e s oscuros del traje demasiado
fuerte, mientras que e n el n i ñ o d e tez oscura, d e me-
jillas morenas, el rojo sobresale m e n o s , d e manera
que el traje y el rostro se iluminan mutuamente. El
verde sobrio y el marrón mate, a m b o s colores neu-
tros, destacan m u c h o entre sí y la piel del h o m b r e
amarillo se ve tan favorecida que llama la atención.
Posiblemente exista e n otras partes una belleza
similar, creada p o r la simple armonía d e los c o l o -
res, p e r o si p o r desgracia el no tuviese que recurrir
c o m o el kabuki a los m o d e r n o s sistemas d e ilumi-
nación, es seguro q u e bajo el i m p a c t o d e esa luz

58
brutal sus virtudes estéticas saltarían e n pedazos. Es,
pues, absolutamente esencial q u e el escenario del no
p e r m a n e z c a e n su oscuridad original y, cuanto más
antiguo sea el edificio, mejor. U n a reluciente tari-
m a c o n brillo natural, pilares y tabiques d e reflejos
oscuros, una oscuridad que, p r o c e d e n t e del t e c h o ,
se extienda p o r e n c i m a d e la cabeza del actor c o m o
u n a inmensa campana, ese es el espacio teatral más
a d e c u a d o ; desde este p u n t o d e vista, presentar el no
c o m o lo han h e c h o h a c e p o c o e n el Asahikaikan o
e n el Kokai-do posiblemente n o sea m a l o e n sí mis-
m o , p e r o el no pierde la mitad d e su auténtico sabor.
A h o r a bien, esta oscuridad intrínseca del no y la
belleza q u e genera forman u n singular universo d e
s o m b r a que, e n nuestros días, solo se ve e n el esce-
nario, mientras que antaño n o debían d e estar muy
alejados d e la vida real. ¿ C ó m o p u e d e ser eso?, m e
preguntarán ustedes. P o r q u e la oscuridad q u e reina
e n el escenario del no n o es sino la oscuridad de
las mansiones d e aquellos tiempos; e n cuanto a los
dibujos y a la armonía d e los c o l o r e s d e los trajes del
no, a u n q u e son algo más vivos que e n la realidad,
n o dejan d e ser m e n o s parecidos e n su c o n j u n t o a
los trajes que llevaban los nobles y los señores d e la
é p o c a . Llegado a este p u n t o d e mi reflexión intento

59
imaginarme, y esto m e fascina, el orgulloso aspecto,
c o m p a r a d o c o n el nuestro, de aquellos japoneses d e
antes y, en particular, d e los señores de la guerra que
llevaban los suntuosos trajes d e la é p o c a d e las gue-
20
rras civiles o d e Momoyama . El no muestra, de la for-
ma más elevada posible, la belleza d e los hombres d e
nuestra raza; cuan i m p o n e n t e y majestuoso d e b í a
de ser el porte d e aquellos veteranos de los antiguos
campos d e batalla c u a n d o , c o n sus rostros q u e m a d o s
p o r el viento y la lluvia, totalmente ennegrecidos,
c o n los p ó m u l o s salientes, se p o n í a n aquellas capas,
aquellos trajes p o m p o s o s , aquellos trajes d e c e r e m o -
nia c o n semejantes colores, chorreantes d e luz. Estoy
convencido d e que todos los que disfrutan viendo no
se entregan en cierto m o d o a asociaciones d e ideas de
este tipo y encuentran un placer retrospectivo, c o m -
pletamente ajeno al quehacer del actor, e n decirse
que este universo d e la escena, de tan e n c e n d i d o c o -
lorido, tuvo antaño una existencia real.
En el e x t r e m o opuesto, el escenario del kabuki
p e r m a n e c e hasta el final c o m o un universo d e fic-

2 0
«La montaña de los m e l o c o t o n e s » , colina situada a 5 km

al suroeste de Kioto. El llamado «periodo de Momoyama» co-

rresponde, en historia del arte, a ios últimos años del siglo xvi.

60
c i ó n , sin relación c o n la belleza d e nuestra tierra.
Esto es cierto, p o r supuesto, e n su interpretación d e
la belleza masculina, p e r o l o es todavía más e n la
d e la belleza femenina: m e resulta imposible imagi-
nar que las mujeres d e otras é p o c a s hayan p o d i d o
ser unos seres parecidos a los q u e v e m o s h o y en día
en escena. En el no, el actor q u e hace u n papel d e
mujer lleva una máscara y p o r l o tanto también se
aleja d e la realidad, p e r o los intérpretes d e pape-
les femeninos del kabuki t a m p o c o dan sensación d e
autenticidad. La culpa es, p o r supuesto, d e la ilumi-
n a c i ó n demasiado cruda del escenario; ¿ n o estaba
esta f o r m a d e teatro, especialmente e n los papeles
femeninos, un p o c o más cerca d e la realidad, cuan-
d o todavía n o existían los m e d i o s actuales d e ilumi-
nación, c u a n d o las velas o candelabros difundían
una claridad m e d i o c r e ?
A este respecto se suele decir q u e e n el kabuki
actual ya n o hay actores especializados e n papeles
femeninos que tengan una feminidad tan verosímil
c o m o los d e antes, p e r o n o está muy claro q u e la
culpa sea d e las aptitudes o la belleza d e los acto-
res. P o r q u e si hubieran c o l o c a d o a los actores d e
e n t o n c e s e n u n escenario iluminado c o m o h o y e n
día, es indudable que los c o n t o r n o s angulosos d e su

61
silueta masculina habrían saltado a la vista: ¿no era
la oscuridad la que difuminaba en b u e n a m e d i d a
21
este defecto? A l ver a B a i k o hacia el final d e su vida
22
e n el papel de O k a r u , l o p e r c i b í m u y nítidamente.
Entonces fue c u a n d o m e di cuenta d e que l o que
mataba la belleza del kabuki era esa iluminación inú-
tilmente exagerada.
U n distinguido aficionado d e Osaka m e decía
que durante algún t i e m p o , a principios del Meiji, se
habían utilizado lámparas d e p e t r ó l e o para iluminar
2
el teatro d e marionetas d e bunraku ^ y m e aseguraba
que e n aquella é p o c a d i c h o teatro tenía unas reso-
nancias infinitamente más ricas q u e ahora. Incluso
hoy en día c o n s i d e r o que esas m u ñ e c a s tienen una
vida más auténtica q u e los papeles f e m e n i n o s del
kabuki; p o r q u e a la incierta luz d e aquellas lámparas,
las muñecas debían d e p e r d e r su característica dure-

2 1
O n o e Baiko (1870-1934), sexto con este nombre, célebre

intérprete de papeles femeninos del kabuki.


n
Personaje femenino del famoso drama histórico El tesoro

de los vasallos fieles. Es uno de los grandes papeles del repertorio

del kabuki
2 1
Cantante y director de teatro, muerto en 1810, cuyo nom-

bre sirvió para designar el teatro de marionetas de Osaka.

62
za d e rasgos y sus deslumbrantes reflejos d e b l a n c o
de china debían d e quedar difuminados, y c u a n d o
m e imagino l o que ganaban e n agilidad y la sobre-
c o g e d o r a belleza d e la escena d e aquellos tiempos,
m e siento r e c o r r i d o p o r un estremecimiento invo-
luntario.
C o m o se sabe, e n el teatro d e bunraku las m u ñ e -
cas femeninas solo consisten e n una cabeza y unas
manos. U n vestido d e cola cubría el t r o n c o y las pier-
nas y bastaba c o n que quienes las animaban introdu-
j e r a n sus m a n o s dentro para p r o d u c i r la ilusión d e
movimiento; p o r m i parte c o n s i d e r o q u e este p r o c e -
d i m i e n t o se acerca m u c h o a la realidad, p o r q u e las
mujeres d e antes solo existían realmente d e cuello
para arriba y d e s d e el b o r d e d e las mangas, el resto
desaparecía p o r entero e n la oscuridad. En aquellos
tiempos las mujeres d e ambientes superiores a la
clase m e d i a salían muy raramente y, si l o hacían, era
c o m p l e t a m e n t e acurrucadas e n l o más p r o f u n d o d e
un palanquín, p o r m i e d o a q u e las pudieran vislum-
brar desde la calle; n o es pues nada e x a g e r a d o decir
que, confinadas generalmente e n una habitación d e
sus oscuras mansiones, totalmente sepultadas día y
n o c h e en la oscuridad, solo revelaban su existencia
p o r el rostro.

63
Las ropas, p o r otra parte, más alegres q u e las ac-
tuales para los h o m b r e s , l o eran relativamente m e -
n o s para las mujeres. Las j ó v e n e s y las mujeres d e
las casas burguesas, incluso bajo el antiguo régimen
militar, utilizaban colores increíblemente apagados,
en una palabra, el traje n o era más que una parcela
d e la sombra, s o l o una transición entre la s o m b r a y
el rostro.
El maquillaje incluía entre otras cosas el en-
n e g r e c i m i e n t o d e los dientes; cabe preguntarse si
la finalidad d e esta o p e r a c i ó n n o era, una vez r e b o -
sante d e oscuridad t o d o el espacio e x c e p t o el rostro,
p o n e r una pincelada d e s o m b r a hasta en la b o c a .
Este c o n c e p t o d e la belleza femenina ya n o existe
en nuestros días, a n o ser e n algunos lugares muy
24
especiales c o m o la casa Sumiya d e Shimabara . Sin
e m b a r g o m e resulta posible representarme apro-
x i m a d a m e n t e a las mujeres d e antes al recordar la
silueta d e m i madre c o s i e n d o , c u a n d o y o era n i ñ o ,
25
al f o n d o d e nuestra casa d e N i h o n b a s h i , a la rala

M
Barrio del suroeste de Kioto que a mediados del siglo xvn

era el barrio del placer.


2 5
Barrio céntrico de Tokio, kilómetro cero de las carreteras

procedentes de la capital.

64
luz p r o c e d e n t e del jardín. Hasta esa é p o c a , h a b l o d e
los años veinte del Meiji (hacia 1890), se construían
todavía las casas burguesas d e T o k i o d e tal manera
q u e eran muy oscuras y m i madre, mis tías, alguna
pariente nuestra, casi todas las mujeres d e esa gene-
ración, se e n n e g r e c í a n los dientes. N o r e c u e r d o sus
trajes d e diario, p e r o c u a n d o se vestían para salir
solían llevar tejidos d e c o l o r gris c o n dibujitos. Mi
m a d r e era muy pequeñita, c i n c o pies apenas, p e r o
n o era la única, pues era la estatura n o r m a l d e las
mujeres d e aquella é p o c a . Incluso se p o d r í a llegar a
decir q u e esas mujeres apenas tenían carne. D e m i
m a d r e r e c u e r d o el rostro, las manos, vagamente los
pies, p e r o m i m e m o r i a n o ha c o n s e r v a d o nada que
se refiera al resto d e su c u e r p o .
En este sentido, r e c u e r d o el torso d e la famosa
26
estatua d e K a n n o n del Chuguji : ¿ n o representa
el típico d e s n u d o de la mujer j a p o n e s a d e antes?
A q u e l p e c h o liso c o m o una plancha al q u e se c i ñ e n
u n o s senos d e una delgadez d e papel, aquella cin-

26
A n t i g u o convento de mujeres, famoso por la estatua de ma-

dera de Kannon, bodhisattva de la misericordia, representado a

m e n u d o bajo aspecto femenino y atribuida al príncipe regente

Shotoku-tasihi (572-621).

65
tura apenas m e n o s gruesa q u e el p e c h o , aquellas
caderas, aquella grupa, aquella espalda recta, aquel
tronco estrecho y d e l g a d o hasta el p u n t o d e resul-
tar d e s p r o p o r c i o n a d o c o n el rostro y los m i e m b r o s ,
aquella ausencia d e espesor q u e más que u n ser d e
carne evoca la tirantez de una b o l a d e madera, ¿ n o
es, e n conjunto, la estructura del c u e r p o f e m e n i n o
d e antaño? Todavía h o y en día m e h e e n c o n t r a d o
entre las viejas damas de las familias tradicionales
o entre las geishas algunas mujeres cuyo torso está
c o n f o r m a d o d e esta manera.
Al verlas, p i e n s o irresistiblemente e n la varilla
que f o r m a el armazón d e la m u ñ e c a . En realidad,
el torso n o es sino u n soporte d e s u ñ a d o a recibir el
traje y nada más. Estas mujeres, cuyo torso q u e d a
así r e d u c i d o al estado d e soporte, están hechas d e
una superposición d e n o sé cuántas capas d e seda o
d e a l g o d ó n , y si se las despojara d e sus vestidos solo
quedaría d e ellas, c o m o e n las muñecas, una vari-
lla ridiculamente d e s p r o p o r c i o n a d a . A n t a ñ o , esto
carecía d e importancia p o r q u e estas mujeres, q u e
vivían e n la s o m b r a y solo eran u n rostro blanque-
cino, n o necesitaban para nada tener u n c u e r p o .
M i r á n d o l o b i e n , para los que celebran la triunfante
belleza del d e s n u d o d e la mujer m o d e r n a , d e b e ser

66
m u y difícil imaginar la belleza fantasmal d e aquellas
mujeres.
Algunos dirán que la falaz belleza creada p o r la
p e n u m b r a n o es la belleza auténtica. N o obstante,
c o m o d e c í a antes, nosotros los orientales creamos
belleza h a c i e n d o nacer sombras e n lugares q u e en
sí mismos son insignificantes. Hay una vieja c a n c i ó n
que dice:

Ramajes
reuníalos y anudadlos
una choza
desatadlos
la llanura de nuevo.

Nuestro p e n s a m i e n t o , e n definitiva, p r o c e d e
análogamente: c r e o que l o b e l l o n o es u n a sustancia
e n sí sino tan solo un dibujo d e sombras, u n j u e g o
d e claroscuros p r o d u c i d o p o r la yuxtaposición d e
diferentes sustancias. Así c o m o una piedra fosfo­
rescente, c o l o c a d a e n la oscuridad, emite una irra­
diación y expuesta a plena luz p i e r d e t o d a su fasci­
n a c i ó n d e j o y a preciosa, d e igual manera la belleza
pierde su existencia si se le suprimen los efectos d e
la sombra.

67
En una palabra, nuestros antepasados, al igual
que a los objetos d e laca c o n p o l v o d e o r o o de ná-
car, consideraban a la mujer un ser inseparable d e
la oscuridad e intentaban hundirla tanto c o m o les
era posible e n la penumbra; d e ahí aquellas man-
gas largas, aquellas larguísimas colas q u e velaban las
manos y los pies de tal manera que las únicas partes
visibles, la cabeza y el cuello, adquirían un relieve so-
brecogedor. Es verdad que, c o m p a r a d o c o n el d e las
mujeres de O c c i d e n t e , su torso, d e s p r o p o r c i o n a d o
y liso, p o d í a parecer f e o . P e r o e n realidad olvida-
mos aquello q u e n o s resulta invisible. Consideramos
que l o que n o se ve n o existe. Q u i e n se obstinara e n
ver esa fealdad solo conseguiría destruir la belleza,
c o m o ocurriría si se enfocara c o n una lámpara d e
cien bombillas un toko no ma d e algún pabellón d e té.

P e r o ¿ p o r q u é esta tendencia a buscar l o b e l l o


en l o o s c u r o solo se manifiesta c o n tanta fuerza en-
tre los orientales? Hasta h a c e n o m u c h o t a m p o c o
e n O c c i d e n t e c o n o c í a n la electricidad, el gas o el
p e t r ó l e o p e r o , q u e y o sepa, nunca han experimen-
tado la tentación d e disfrutar c o n la sombra; desde
siempre, los espectros j a p o n e s e s han c a r e c i d o d e
pies; los espectros d e O c c i d e n t e tienen pies, p e r o

68
e n c a m b i o t o d o su c u e r p o , al parecer, es translú-
c i d o . A u n q u e s o l o sea p o r estos detalles, resulta
evidente que nuestra p r o p i a i m a g i n a c i ó n se m u e v e
entre tinieblas negras c o m o la laca, mientras q u e
los occidentales atribuyen incluso a sus espectros la
limpidez del cristal. Los c o l o r e s q u e a nosotros nos
gustan para los objetos d e uso diario son estratifi-
caciones de sombra: los c o l o r e s q u e ellos prefieren
c o n d e n s a n e n sí t o d o s los rayos del sol. Nosotros
apreciamos la pátina sobre la plata y el c o b r e ; ellos
la consideran sucia y antihigiénica, y n o están c o n -
tentos hasta q u e el metal brilla a fuerza d e frotarlo.
En sus viviendas evitan cuanto p u e d e n los recove-
cos y blanquean t e c h o y paredes. Incluso c u a n d o
diseñan sus jardines, d o n d e nosotros c o l o c a r í a m o s
bosquecillos umbríos, ellos despliegan amplias ex-
tensiones d e césped.
¿Cuál p u e d e ser el o r i g e n d e una diferencia tan
radical en los gustos? M i r á n d o l o b i e n , c o m o los
orientales intentamos adaptarnos a los límites q u e
n o s son impuestos, siempre n o s h e m o s c o n f o r m a d o
c o n nuestra c o n d i c i ó n presente; n o experimenta-
m o s , p o r l o tanto, n i n g u n a repulsión hacia l o os-
curo; n o s resignamos a ello c o m o a algo inevitable:
q u e la luz es p o b r e , jpues q u e l o sea!, es más, n o s

69
h u n d i m o s c o n deleite e n las tinieblas y les encontra-
mos una belleza muy particular.
En c a m b i o los occidentales, siempre al a c e c h o
del progreso, se agitan sin cesar persiguiendo una
c o n d i c i ó n m e j o r a la actual. Buscan siempre más
claridad y se las han arreglado para pasar d e la vela
a la lámpara d e p e t r ó l e o , del p e t r ó l e o a la luz de gas,
del gas a la luz eléctrica, hasta acabar c o n el m e n o r
resquicio, c o n el último refugio de la sombra.
Puede ocurrir q u e sea d e b i d o a una diferencia
de carácter; a pesar d e t o d o , quisiera examinar cuá-
les p u e d e n ser las repercusiones d e la diferencia d e
c o l o r d e la piel. Entre nosotros, desde siempre, se
ha c o n s i d e r a d o q u e una piel blanca era más n o b l e
y bella que una piel oscura, p e r o ¿en q u é se dife-
rencia la blancura d e un h o m b r e d e raza blanca d e
nuestra p r o p i a blancura? Si c o m p a r a m o s individuos
aislados p u e d e parecer q u e hayjaponeses más blan-
cos q u e algunos occidentales y occidentales más os-
curos q u e algunos j a p o n e s e s ; sin e m b a r g o , tanto la
blancura c o m o la m o r e n e z d e su piel difieren p o r
su calidad.
Permítanme referir mi experiencia: n o hace mu-
c h o y o vivía en la ciudad alta d e Y o k o h a m a y asistía
c o n frecuencia a las reuniones de los m i e m b r o s d e

70
la c o l o n i a extranjera e iba a los restaurantes y a los
bailes a los que ellos iban; c u a n d o los veía d e cerca,
m e parecía que su blancura n o era tan blanca, p e r o
d e lejos, la diferencia entre ellos y los j a p o n e s e s era
evidente. Algunas damas japonesas llevaban trajes
d e n o c h e tan b u e n o s c o m o los d e las extranjeras y a
veces su tez era más clara q u e la suya, p e r o bastaba
que u n a d e las japonesas se mezclase c o n un g r u p o ,
para que, c o n una simple mirada se la distinguiera
desde lejos. M e e x p l i c o : p o r m u y blanca que sea una
j a p o n e s a sobre su blancura hay c o m o un ligero velo.
A u n q u e estas mujeres, para n o ir a la zaga de las
occidentales, se unten c o n pintura blanca espaldas,
brazos, axilas, en una palabra, todas las partes del
c u e r p o expuestas a la vista, n o consiguen borrar el
pigmento o s c u r o que subyace e n el f o n d o d e su piel.
A pesar d e t o d o , se le adivina, c o m o se p u e d e adivi­
nar una impureza en el f o n d o del agua clara vista
desde muy arriba. Es una s o m b r a negruzca, c o m o
una capa d e polvo, que se aloja entre los d e d o s , en
el c o n t o r n o d e la nariz, alrededor del cuello, en el
h u e c o d e la espalda. En c a m b i o , el f o n d o de la piel
d e los occidentales, aunque tengan la tez algo tur­
bia, sigue siendo claro y translúcido sin q u e jamás,
en ninguna parte del c u e r p o , presenten esa s o m b r a

71
sospechosa. Desde la punta del cráneo hasta la d e los
dedos, son de un b l a n c o p u r o y sin mezcla. Si u n o d e
los nuestros se mezcla c o n ellos, es c o m o una man­
cha sobre un papel b l a n c o , una mancha de tinta m u y
diluida, que incluso nosotros sentimos c o m o una in­
congruencia y que n o n o s resulta muy agradable.
Esto quizá permita explicar la p s i c o l o g í a d e la
repulsión que experimentaban n o hace m u c h o los
h o m b r e s de raza blanca hacia la gente d e color: la
m a n c h a que representa e n una r e u n i ó n la presen­
cia, aunque solo sea d e una o d o s personas de color,
debía de i n c o m o d a r d e alguna manera a los blancos
aquejados d e una sensibilidad exacerbada. N o sé
c ó m o están las cosas ahora p e r o durante la guerra
d e Secesión, c u a n d o las p e r s e c u c i o n e s contra los
negros llegaron al p a r o x i s m o , el o d i o y el desprecio
de los blancos n o s o l o se limitaba a los negros, sino
que también se extendía a los mestizos d e negros y
blancos, a los mestizos de mestizos, a los mestizos d e
blancos y mestizos, y así sucesivamente. N o paraban
hasta que n o hubieran localizado el m í n i m o rastro
d e sangre negra e n aquellos a los q u e clasificaban e n
medias, cuartas, octavas, dieciseisavas e incluso trein-
taidosavas partes d e sangre mezclada. Su o j o experto
localizaba el m e n o r matiz d e c o l o r e s c o n d i d o en la

72
piel más blanca, entre personas que, a primera vista,
n o se diferenciaban para nada del b l a n c o d e pura
raza, p e r o que habían tenido en la segunda o tercera
g e n e r a c i ó n un ú n i c o ascendiente d e raza negra.
H e c h o s c o m o estos p e r m i t e n c o m p r e n d e r los
motivos p r o f u n d o s d e las relaciones q u e nosotros,
los d e raza amarilla, h e m o s entablado c o n la som-
bra. Nadie se p o n e p o r voluntad propia, deliberada-
mente, en una situación que le resulta desfavorable;
es, pues, c o m p l e t a m e n t e natural que para vestirnos,
alimentarnos y alojarnos prefiramos cosas c o n c o -
lores mitigados y que intentemos h u n d i r n o s e n un
ambiente o s c u r o ; ciertamente, nada permite creer
q u e nuestros antepasados hayan sido conscientes d e
ese velo q u e e m p a ñ a b a su piel, p o r q u e ni siquiera
c o n o c í a n la existencia d e una raza d e h o m b r e s más
blancos q u e ellos, p e r o n o p u e d o dejar d e pensar
q u e sus reacciones espontáneas ante los c o l o r e s s o n
las que han o r i g i n a d o sus gustos.

Nuestros antepasados e m p e z a r o n d e l i m i t a n d o
e n el espacio l u m i n o s o un v o l u m e n c e r r a d o c o n el
q u e h i c i e r o n un universo d e sombra; l u e g o confi-
n a r o n a la mujer al f o n d o d e la oscuridad p o r q u e
estaban c o n v e n c i d o s d e q u e n o p o d í a h a b e r e n el

73
m u n d o ningún ser h u m a n o que tuviera una tez más
clara. Si se admite c o n ellos q u e la blancura d e la
piel es la suprema c o n d i c i ó n d e la belleza femenina
ideal, hay q u e r e c o n o c e r que n o p o d í a n actuar d e
otra manera y q u e era perfectamente lícito q u e l o
hicieran. Contrariamente a los cabellos d e los h o m -
bres blancos, q u e son claros, los nuestros son ne-
gros: la p r o p i a naturaleza n o s enseña aquí las leyes
d e la sombra, leyes q u e nuestros antepasados o b e d e -
cían i n c o n s c i e n t e m e n t e para hacer que, mediante
u n j u e g o d e contrastes, u n rostro amarillo pareciera
blanco.
H e d a d o ya mi o p i n i ó n sobre la costumbre d e
e n n e g r e c e r los dientes; p e r o las mujeres d e antes
también se afeitaban las cejas: ¿ n o era esa otra ma-
nera de realzar el brillo d e su rostro? Pero l o que
más m e llama la atención es su famoso lápiz d e la-
bios azul-verdoso c o n reflejos nacarados. En nues-
27
tros días ni siquiera las geishas d e G i o n los siguen
utilizando, p e r o d e t o d o s m o d o s , n o p o d r í a m o s
c o m p r e n d e r su p o d e r d e s e d u c c i ó n si n o n o s repre-
sentamos el efecto d e ese c o l o r a la incierta luz d e

5 7
Barrio de Kioto, famoso por sus geishas, situado al este de

la Kamogawa, al pie del templo de Yasaka, llamado «de Gion».

74
los candelabros. Nuestros antepasados aplastaban
deliberadamente los labios rojos de sus mujeres bajo
ese emplasto verde-negruzco, c o m o incrustado d e
nácar. D e esa manera arrancaban t o d o ardor del ros-
tro más radiante. Piensen e n la sonrisa d e u n a j o v e n ,
a la vacilante luz de una linterna, q u e d e vez e n
c u a n d o hace centellear u n o s dientes lacados d e ne-
g r o d e entre u n o s labios d e un azul irreal d e f u e g o
fatuo: ¿ p u e d e u n o imaginarse un rostro más blanco?
Yo, al m e n o s , l o v e o más b l a n c o que la blancura d e
cualquier mujer blanca, e n ese universo d e ilusiones
que llevo g r a b a d o en mi c e r e b r o .
La blancura del h o m b r e b l a n c o es u n a blancura
translúcida, evidente y trivial, mientras que aquella
es una blancura en cierto m o d o separada del ser hu-
m a n o . P u e d e que una blancura así definida n o ten-
ga ninguna existencia real. Puede q u e n o sea más
q u e un j u e g o e n g a ñ o s o y e f í m e r o d e sombras y d e
luz. L o admito, p e r o n o s resulta suficiente p o r q u e
n o n o s es d a d o esperar nada mejor.
Quisiera h a c e r una observación respecto al c o -
l o r d e la oscuridad q u e n o r m a l m e n t e r o d e a a una
blancura d e este tipo; n o sé ya c u á n d o , h a c e años,
llevé a un visitante p r o c e d e n t e d e T o k i o a la casa
Sumiya de Shimabara y allí percibí, s o l o una vez,

75
cierta oscuridad cuya calidad n o p u d e olvidar. Era
una vasta sala q u e se llamaba, c r e o , la «sala d e los
p i n o s » , destruida p o s t e r i o r m e n t e p o r u n i n c e n d i o ;
las tinieblas q u e reinaban en aquella h a b i t a c i ó n
inmensa, apenas iluminada p o r la llama d e una
única vela, tenían una densidad d e una naturaleza
m u y diferente a las q u e p u e d e n reinar e n u n salón
p e q u e ñ o . C u a n d o entré e n la sala, una criada d e
e d a d madura, c o n las cejas afeitadas y los dientes
e n n e g r e c i d o s , estaba arrodillada c o l o c a n d o el can-
delabro ante un gran b i o m b o ; detrás d e ese b i o m b o
q u e delimitaba un espacio l u m i n o s o de d o s esteras
a p r o x i m a d a m e n t e , caía, c o m o suspendida d e l te-
c h o , una p r o f u n d a oscuridad, densa y d e c o l o r uni-
f o r m e , s o b r e la q u e rebotaba, c o m o sobre un m u r o
n e g r o , la luz indecisa d e l c a n d e l a b r o , incapaz d e
reducir su espesura. ¿Ha visto usted alguna vez, lec-
tor, « e l c o l o r d e las tinieblas a la luz d e una llama»?
Están hechas d e u n a materia diferente a la d e las
tinieblas d e la n o c h e en un c a m i n o y, si m e atrevo
a hacer una c o m p a r a c i ó n , p a r e c e n estar formadas
d e c o r p ú s c u l o s c o m o d e una ceniza tenue, cuyas
parcelas resplandecieran c o n t o d o s los c o l o r e s d e l
arcoíris. M e p a r e c i ó q u e iban a meterse en mis ojos
y, a pesar m í o , parpadeé.

76
A h o r a están d e m o d a los reservados d e dimen-
siones más modestas; los h a c e n d e diez, o c h o o in-
cluso seis esteras, p o r ello, aunque solo encendieran
una vela n o se podría encontrar unas tinieblas d e
ese color; e n c a m b i o , antaño, tanto en los palacios
c o m o e n los lugares d e asueto, la costumbre exigía
techos altos, pasillos amplios e inmensas salas d e va-
rias decenas d e esteras, l o q u e implica que e n aque-
llos edificios, a cualquier h o r a flotara una estancada
oscuridad d e ese tipo, similar a una b r u m a i m p e n e -
trable. Y nuestras gentiles damas c h a p o t e a b a n e n
ese c a l d o espeso y n e g r o e n el que estaban hundidas
hasta el cuello.
N o hace m u c h o m e explayaba sobre este tema e n
mis Ensayos de la ermita a la sombra de los pinos, p e r o
nuestros c o n t e m p o r á n e o s , acostumbrados c o m o es-
tán desde hace ya tiempo a la luminosidad d e la luz
eléctrica, habrían olvidado sin d u d a que hayan p o -
d i d o existir jamás unas tinieblas d e este tipo. A h o r a
bien, esas «tinieblas sensibles a la vista» p r o d u c í a n
la ilusión d e una especie d e bruma palpitante, p r o -
vocaban fácilmente alucinaciones, y en m u c h o s ca-
sos eran más terroríficas q u e las tinieblas exteriores.
Las manifestaciones de espectros o d e monstruos
n o eran en definitiva más q u e e m a n a c i o n e s de esas

77
tinieblas, y las mujeres que vivían e n su seno, rodea-
das de n o sé cuántos visillos-pantallas, b i o m b o s , tabi-
ques móviles, ¿no pertenecían, a su vez, a la familia
d e los espectros? Las tinieblas las envolvían c o n diez,
veinte capas d e sombra, se infiltraban en ellas p o r el
m e n o r resquicio de su ropaje, el cuello, las mangas,
el dobladillo del vestido.
Es más, q u i é n sabe si a veces, a la inversa, dicha
oscuridad n o salía del p r o p i o c u e r p o d e aquellas
mujeres, d e su b o c a d e dientes pintados d e la punta
d e su negra cabellera, cual hilos d e araña, esos hilos
q u e escupía la maléfica «Araña d e tierra».

Si es cierto l o q u e c o n t a b a hace algunos años


28
Takebayashi M u s o a n a su vuelta d e París, T o k i o u
Osaka están m u c h o m e j o r iluminadas que las gran-
des ciudades europeas. En París, en p l e n o s C a m p o s
Elíseos, todavía hay algunas casas iluminadas c o n
p e t r ó l e o , mientras q u e e n J a p ó n , para encontrar
este tipo d e iluminación hay q u e ir al interior d e las

a s
Novelista y traductor (1880-1962), residió en el extranjero,
principalmente en Francia, de 1924 a 1934. Empezó siendo da-
daísta anarquizante y después de la guerra se adhirió al partido
comunista. Tradujo a Daudet, Barbusse y Zola, entre otros.

78
montañas más apartadas. Es cierto q u e posiblemen-
te n o haya otro país en el m u n d o , si e x c e p t u a m o s
América, que se entregue a tal orgía d e luz eléctrica.
Se ha d i c h o que esto era d e b i d o a q u e J a p ó n quería
imitar en t o d o a América. Musban contaba esto hace
cuatro o c i n c o años, antes p o r tanto d e la m o d a d e
los anuncios d e n e ó n ; la p r ó x i m a vez q u e vuelva se
quedará aún más atónito ante este n u e v o incremen-
to d e luz.
Otra a n é c d o t a q u e m e contaba el s e ñ o r Yama-
29
m o t o , d i r e c t o r d e la revista Kaizo . Yamamoto
a c o m p a ñ ó h a c e p o c o al p r o f e s o r Einstein durante
su viaje a K i o t o . El tren atravesaba las afueras d e
30
Ishiyama c u a n d o el profesor, q u e c o n t e m p l a b a el
paisaje p o r la ventana, le dijo: «¡Vaya, n o son m u y
ahorrativos p o r aquí!». C o m o le preguntaran sobre
l o q u e quería d e c i r c o n e l l o , señaló c o n el d e d o
u n poste d e la luz c o n una b o m b i l l a e n c e n d i d a e n
p l e n o día. «¡Einstein es j u d í o , p o r e s o sin d u d a se
fija en esos detalles!», a ñ a d i ó Y a m a m o t o c o m o c o -

2 9
La reconstrucción. Revista fundada en 1919, desaparecida

en 1955. Durante los años veinte fue portavoz del pensamiento

democrático.
3 0
Monasterio sobre el lago Biwa.

79
mentarlo; p e r o a pesar d e t o d o , e n c o m p a r a c i ó n ,
si n o c o n A m é r i c a , al m e n o s c o n E u r o p a , J a p ó n
utiliza el a l u m b r a d o eléctrico sin reparar e n gastos.
A propósito d e Ishíyama, h e aquí otra historia cu-
riosa: dudaba y o sobre el lugar q u e elegiría ese a ñ o
para ir a ver la luna d e o t o ñ o y m e d e c i d í finalmente
p o r el monasterio d e Ishiyama, p e r o la víspera d e la
luna llena leí e n el p e r i ó d i c o una noticia e n la que
se informaba que, para aumentar el disfrute d e los
visitantes que fueran al monasterio al día siguiente
p o r la n o c h e para c o n t e m p l a r la luna, habían c o -
l o c a d o p o r los bosques una grabación d e la Sonata
al claro de luna. Esta lectura m e hizo renunciar al
instante a mi excursión a Ishiyama. U n altavoz es
un azote en sí m i s m o , p e r o y o estaba c o n v e n c i d o d e
q u e si se había llegado a eso, sin d u d a alguna tam-
bién habrían iluminado la montaña c o n bombillas
distribuidas c o n arte para crear ambiente.
Ya e n otra ocasión m e habían estropeado el es-
pectáculo de la luna llena: u n año. quise ir a c o n -
templarla en barca al estanque del monasterio d e
31
Suma e n la d e c i m o q u i n t a n o c h e , así que invité a

3 1
Emplazamiento famoso en la historia y la literatura j a p o -

nesas.

80
algunos amigos y llegamos cargados c o n nuestras
provisiones para descubrir que e n t o r n o al estanque
habían c o l o c a d o alegres guirnaldas d e bombillas
eléctricas multicolores; la luna había a c u d i d o a la
cita, p e r o era c o m o si ya n o existiera.
H e c h o s c o m o este demuestran el g r a d o d e in-
t o x i c a c i ó n al q u e h e m o s l l e g a d o , hasta el p u n t o d e
q u e p a r e c e q u e n o s hayamos h e c h o e x t r a ñ a m e n t e
i n c o n s c i e n t e s d e los i n c o n v e n i e n t e s del alumbra-
d o abusivo. Se alegará q u e p e o r p a r a l o s aman-
tes del c l a r o d e luna, p e r o e n las casas d e citas,
los restaurantes, los albergues, l o s h o t e l e s , ¡ q u é
d e r r o c h e d e luz eléctrica! A d m i t o sin p r o b l e m a
q u e , e n cierta m e d i d a , es necesaria para atraer a
la clientela, p e r o d e t o d o s m o d o s , ¿para q u é sirve
e n c e n d e r las lámparas e n v e r a n o , c u a n d o todavía
es d e día, si n o es para q u e haga más calor? D o n -
d e q u i e r a q u e vaya e n v e r a n o , esta m a n í a m e llena
d e c o n s t e r n a c i ó n . Si e n las h a b i t a c i o n e s reina u n
c a l o r a b s u r d o , incluso c u a n d o h a c e fresco fuera,
la culpa es exclusivamente d e la excesiva p o t e n c i a
o del excesivo n ú m e r o d e b o m b i l l a s , p o r q u e c a d a
vez q u e h e h e c h o el e x p e r i m e n t o d e apagar algu-
na, volvía a h a c e r fresco i n m e d i a t a m e n t e ; es real-
m e n t e c u r i o s o q u e ni los clientes, ni los d u e ñ o s se

81
hayan d a d o c u e n t a n u n c a . P o r p r i n c i p i o , c o n v e n -
dría incrementar a l g o la intensidad del a l u m b r a d o
en invierno y disminuirlo en v e r a n o . Se c o n s e g u i -
ría una sensación d e frescura y habría m e n o s in-
sectos. Pero l o p e o r es que e n c i e n d e n demasiadas
lámparas y l u e g o , a d u c i e n d o q u e h a c e calor, se
p o n e n e n m a r c h a l o s ventiladores, ¡solo p e n s a r l o
m e enfurece!
En una habitación j a p o n e s a , d o n d e el calor se
disipa lateralmente, se p u e d e e n último e x t r e m o
aguantar, p e r o e n una habitación d e hotel d e esti-
lo occidental, d o n d e el aire n o circula bien, cuyos
suelos, paredes y techos irradian p o r todas partes el
calor almacenado, es realmente insoportable. Para
citar un ejemplo, a u n q u e esto m e moleste un p o c o ,
quienquiera q u e haya r e c o r r i d o una tarde d e verano
los pasillos del Hotel Miyako d e K i o t o n o p u e d e de-
jar d e estar d e a c u e r d o c o n m i g o . La cosa es m u c h o
más fastidiosa si se tiene en cuenta que, c o m o forma
una especie d e terraza frente al norte, hay desde ahí
una vista panorámica sobre el m o n t e H i e P , el M o n -

3 2
Montaña al nordeste de Kioto donde se encuentra el mo-

nasterio del siglo IX que ñie la sede de la escuela budista del

Tendai.

82
3a M
te Nyoi , la torre de pisos y el b o s q u e d e K u r o d a r ü
y las verdeantes pendientes d e las montañas d e l este,
espectáculo cuya sola vista refresca el c o r a z ó n .
P o n g a m o s q u e una tarde d e verano te apetece ir
a disfrutar del fresco frente a ese paisaje encantador
y ahí q u e te diriges, s a b o r e a n d o d e a n t e m a n o la bri-
sa q u e imaginas recorre t o d o el edificio; pues bien,
bajo el b l a n c o t e c h o , detrás d e las placas d e cristal
l e c h o s o dispuestas aquí y allá, resplandecen unas lu-
ces brutales. Y c o m o en las construcciones recientes
d e estilo occidental los techos s o n bajos, estas luces
son c o m o bolas d e fuego q u e giran e n c i m a del crá-
n e o y decir q u e h a c e calor es quedarse c o r t o p o r q u e
p r o n t o el resto del c u e r p o acaba t e n i e n d o la misma
temperatura q u e la parte superior y sientes q u e e m -
piezas a asarte, p r i m e r o p o r la cabeza, después p o r
el cuello y l u e g o p o r la espalda.
Y esto n o es t o d o : una sola de esas bolas d e fue-
g o bastaría ampliamente para iluminar un espacio

S 1
Situada al sur del Hiei, perteneciente a la cadena monta-

ñosa que separa, p o r el este, a Kioto del lago Biwa.


3 1
Valle de las montañas al este de Kioto, d o n d e vivió y pre-

dicó el santo monje H ó n e n , fundador de la escuela amidista de

la "berra pura».

83
tan r e d u c i d o , p e r o son tres, cuatro, esos artefactos
mortíferos que brillan en el techo; y a lo largo d e
ías paredes, d e los pilares, p o r todas partes, han i d o
s e m b r a n d o u n o s aparatos más p e q u e ñ o s cuya única
utilidad es la d e pulverizar el m e n o r rastro d e som-
bra que p u e d a haberse refugiado e n los rincones.
En vano buscarás p o r la habitación alguna s o m b r a
fugaz, la mirada n o encuentra en t o r n o suyo sino
paredes blancas, gruesos pilares rojos y p o r último
el suelo, h e c h o c o n superficies d e colores vivos q u e
dibujan c o m o un m o s a i c o , que se meten p o r los ojos
c o m o una litografía recién impresa, cosas todas ellas
que agravan aún más la p e n o s a impresión d e calor.
La diferencia d e temperatura es asombrosa c u a n d o
se viene del pasillo. El aire fresco d e la n o c h e n o
sirve d e nada pues es transformado d e inmediato e n
ardiente vendaval.
N o hace todavía m u c h o t i e m p o , y o iba gustosa-
m e n t e a ese hotel; c o n s i d e r e n esto que d i g o c o m o
un consejo d e a m i g o , en h o n o r de los gratos recuer-
dos que d e él c o n s e r v o ; p e r o sigo c r e y e n d o q u e es
escandaloso arruinar c o n esa iluminación un espec-
táculo c o m o ese, e n el lugar más a d e c u a d o para
gozar d e la frescura d e una n o c h e d e verano. Ese
calor es una molestia para u n j a p o n é s , p e r o también

84
estoy c o n v e n c i d o de q u e l o es para un occidental,
cualquiera que sea la pasión q u e profese p o r la clari-
dad; basta c o n hacer un e x p e r i m e n t o m u y sencillo:
¡que disminuyan la iluminación y se c o m p r e n d e r á
d e inmediato!
N o h a g o sino citar u n e j e m p l o entre mil, y este
hotel n o es el ú n i c o al que le sucede esto. El ú n i c o
que ha evitado este inconveniente es el hotel Im-
perial q u e ha o p t a d o p o r la iluminación indirecta;
p e r o incluso ahí me parece q u e sería c o n v e n i e n t e
reducir ligeramente su intensidad en verano. D e to-
d o s m o d o s la iluminación d e las casas es h o y más
que suficiente para leer, escribir o coser; aumentarla
es u n auténtico d e r r o c h e y, al suprimir los últimos
resquicios d e la sombra, se da la espalda a todas las
c o n c e p c i o n e s estéticas d e la casa j a p o n e s a . Afortu-
nadamente, a veces hay que restringir el gasto d e
electricidad en las casas particulares, simplemente
para ahorrar, p e r o en c a m b i o , e n los establecimien-
tos destinados a recibir clientes, ¡qué d e r r o c h e d e
luz en los pasillos, en las escaleras, en la entrada,
en el jardín, delante d e la puerta, sin más resultado
q u e el d e quitar profundidad a las habitaciones, a
los cuartos de b a ñ o , a las rocas del jardín! En invier-
n o , pase todavía p o r q u e eso calienta algo, p e r o e n

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las n o c h e s d e verano, e n cuanto llegas al hotel, te
encuentras c o n el m i s m o desastre q u e e n el Miyako.
De lo cual infiero q u e solo hay un m e d i o d e gozar
en paz del fresco: quedarse e n casa, abrir d e par en
par las ventanas y tenderse a la s o m b r a bajo el mos-
quitero.

Ya n o r e c u e r d o e n qué revista o e n q u é periódi-


c o leía el o t r o día un artículo d e d i c a d o a las quejas
d e las señoras inglesas d e edad: c u a n d o ellas eran
j ó v e n e s , estaban acostumbradas a tratar c o n respe-
to a las personas mayores, p e r o las j ó v e n e s d e h o y
en día las ignoran, incluso evitan acercarse a ellas,
c o m o si la vejez fuera una tara algo repugnante; se
quejan, en una palabra, d e q u e los j ó v e n e s d e ahora
se c o m p o r t a n d e una manera muy diferente a los
d e antes; deduje q u e los viejos d e t o d o s los países
del m u n d o d i c e n lo m i s m o , que el h o m b r e q u e va
adquiriendo e d a d p a r e c e siempre inclinado a creer
que, bajo t o d o s los aspectos, el ayer era preferible
al hoy. Los viejos de hace c i e n años lamentaban los
tiempos d e hace d o s siglos, y los viejos de hace dos-
cientos años suspiraban p o r los d e hace tres siglos:
nada nos autoriza a creer q u e algún viejo haya ma-
nifestado estar c o n t e n t o c o n el estado d e cosas d e

86
su é p o c a ; sin e m b a r g o esta c o m p r o b a c i ó n es ahora
más cierta q u e n u n c a d e b i d o a los progresos acele-
rados d e la cultura y, sobre t o d o , a las circunstan-
cias sumamente especiales en las q u e se encuentra
nuestro país, p u e s las transformaciones acaecidas
después d e la Restauración del Meiji c o r r e s p o n d e n ,
c o m o p o c o , a la evolución d e tres o c i n c o siglos d e
los tiempos pasados.
L o divertido es que y o , q u e d i g o t o d o esto, h e
alcanzado una edad e n la q u e se p o n e u n o a imitar
el habla sentenciosa d e los viejos; es evidente q u e
a u n q u e los l o g r o s d e la cultura m o d e r n a p u e d e n
seducir a l o s j ó v e n e s , e n c a m b i o , se está p r e p a r a n d o
una é p o c a que va a ser p o c o amena para los viejos.
P o r e j e m p l o , para cruzar, hay que estar atentos a
las señales d e tráfico, c o n l o cual los ancianos n o se
atreven a salir tranquilamente a la calle. Pase todavía
para aquellos a quienes su situación les permite des-
plazarse en automóvil, p e r o , a las personas c o m o y o ,
el simple h e c h o d e arriesgarse a cruzar u n a calle d e
Osaka les exige la tensión nerviosa d e t o d o su ser. Es
verdad q u e hay semáforos y los que están e n m e d i o
d e las plazas se ven perfectamente, p e r o a veces es
muy difícil localizar las luces verdes y rojas q u e se en-
c i e n d e n y apagan en el cielo d e improviso, c u a n d o

87
se pasa por una calle lateral, y además p u e d e ocurrir
q u e e n alguna plaza grande se c o n f u n d a la señal
de u n o d e los lados c o n la q u e está d e frente. Y o
pensaba q u e c u a n d o pusieran guardias d e tráfico
en las plazas d e Kioto sería el final d e t o d o , p e r o a
partir d e ahora s o l o se p u e d e saborear la auténtica
atmósfera d e las calles d e puro esülo j a p o n é s y e n d o
a ciudades c o m o Nishinomiya, Sakai, Wakayama o
Fukuyama.
L o m i s m o o c u r r e c o n los alimentos: encontrar
en una gran c i u d a d manjares a d e c u a d o s para el
paladar de un viejo es una empresa agotadora. Re-
cientemente, un periodista m e p e d í a q u e evocase
u n plato curioso y delicado. Le indiqué la receta del
sushi, c o n hojas d e caqui, que c o m e n los habitantes
d e los valles más recónditos d e las montañas d e Yo-
shino. A p r o v e c h o la ocasión para revelarla aquí.
K
Se c u e c e el arroz c o n salte, a razón de un go
m
d e sake p o r cada shó d e arroz. C u a n d o el agua
empieza hervir se e c h a el sake en la olla. C u a n d o
el arroz está e n su p u n t o , se deja enfriar p o r c o m -
pleto, l u e g o se h a c e n bolitas c o n las m a n o s espol-

3 5
Medida de capacidad: 0,)8 [.
3 6
Otra medida de capacidad: 1,8 1. Equivalen a 10 gó.

88
voreadas d e sal. Las m a n o s n o d e b e n tener n i n g ú n
rastro d e h u m e d a d . A h í está el secreto: solo hay
q u e presionar las bolitas c o n sal. L u e g o se corta
salmón salado en l o n c h a s finas, se e x t i e n d e n las
lonchas sobre las bolitas q u e se envuelven una a
una e n las hojas d e caqui, c o n la superficie hacia
dentro. Previamente se habrán e s c u r r i d o c o n un
p a ñ o m u y s e c o las hojas y el s a l m ó n para quitar
cualquier rastro d e h u m e d a d . H e c h o esto, e n u n a
c u b e t a para sushi o e n una caja d e arroz q u e se
habrá s e c a d o c o n meticulosidad p o r d e n t r o , se dis-
p o n e n las bolitas d e forma q u e n o haya entre ellas
n i n g ú n intersticio, después se p o n e e n c i m a una
tapa q u e cierre h e r m é t i c a m e n t e s o b r e la q u e se c o -
locará una pesada piedra, c o m o para h a c e r encur-
tidos. El sushi se preparan la n o c h e anterior para
p o d e r l o s c o m e r al día siguiente p o r la mañana, y
ese será el día e n q u e sepan mejor, p e r o también se
p u e d e n c o n s u m i r d o s o tres días después. C u a n d o
se vayan a c o m e r se r o c í a n c o n vinagre e n el q u e se
habrá m a c e r a d o una guindilla.
Esta receta m e la d i o un a m i g o q u e , durante una
estancia en Y o s h i n o , la e n c o n t r ó tan sabrosa q u e
quiso aprenderla, p e r o basta c o n q u e se d i s p o n g a
d e hojas de caqui y d e salmón salado para hacerla

89
e n cualquier paite. A n t e t o d o n o olviden que hay
q u e eliminar cualquier rastro d e h u m e d a d y q u e el
arroz d e b e estar totalmente frío; la h e ensayado e n
mi casa y ha resultado excelente. La grasa y la sal
del salmón i m p r e g n a n al arroz j u s t o lo necesario
y n o p u e d o describir la consistencia del p e s c a d o ,
que recupera su elasticidad c o m o si estuviera fres-
c o . El sabor n o tiene nada que ver c o n el del sushi
d e T o k i o : c o m o m e gustaron m u c h í s i m o más, n o
c o m í otra cosa e n t o d o el verano. D i c h o sea d e paso,
¡qué maravillosa f o r m a d e preparar el salmón sala-
d o ! ¡Cuánto h e a d m i r a d o el i n g e n i o d e esos m o n -
tañeses, tan desprovistos sin e m b a r g o de todos los
bienes materiales!, y sabiendo que existen muchas
otras especialidades regionales del m i s m o tipo q u e
esta hay q u e admitir que actualmente el gusto d e
los aldeanos es infinitamente más acertado q u e el
d e los citadinos y, e n cierto sentido, hay ahí un lujo
que nosotros ni siquiera p o d e m o s ya imaginar.
P o r eso los viejos renuncian cada vez más a vivir
en las grandes ciudades y se retiran al c a m p o , p e r o
las pequeñas ciudades d e provincias, a su vez, se
obstinan en adornarse c o n ramilletes d e bombillas
y d e a ñ o e n a ñ o e m p i e z a n a parecerse a Kioto, l o
q u e n o m e tranquiliza en absoluto. A l g u n o s pre-

90
tenden que el p r o g r e s o n o p u e d e detenerse y q u e
el día e n q u e t o d o s los transportes se hagan p o r el
aire o bajo tierra, las calles recuperarán su anterior
tranquilidad, p e r o estemos seguros d e q u e ese día
se habrá inventado algún n u e v o instrumento para
torturar a los viejos. E n resumen, se les i n d u c e a
apartarse del c a m i n o , d e m a n e r a q u e n o tengan
más recurso q u e el d e parapetarse e n su casa y c o -
cinarse p e q u e ñ o s platos para a c o m p a ñ a r el sakeves-
pertino mientras escuchan la radio.
Cosas d e viejos, siempre c h o c h e a n d o , pensarán
ustedes; pues bien, n o c r e o q u e sea exactamente así:
hace p o c o , el cronista del Asahide Osaka, q u e firma
Tensei-jingo-shi (Voz del cielo, palabras h u m a n a s ) ,
se metía c o n los funcionarios del g o b i e r n o civil q u e
para construir una carretera hacia el parque d e
M i n o talaban a tontas y a locas los bosques y nive-
laban las colinas; c u a n d o leí aquello, sentí confir-
madas mis palabras. Destruir hasta la s o m b r a de los
sotos al f o n d o d e la montaña es demasiado y además
una empresa estúpida. A este ritmo, so pretexto d e
hacer más accesibles a las multitudes los emplaza-
mientos artísticos ilustres, llegarán progresivamente
a convertir las afueras d e Nara, Kioto u Osaka en
espacios descarnados.

91
Pero basta d e recriminaciones; soy el p r i m e r o e n
r e c o n o c e r q u e las ventajas d e la civilización c o n t e m ­
p o r á n e a son innumerables y además las palabras n o
van a cambiar nada. J a p ó n está irreversiblemente
e n c a u z a d o e n las vías d e la cultura occidental, tanto
que n o le q u e d a sino avanzar valientemente dejan­
d o caer a aquellos que, c o m o los viejos, son incapa­
ces d e seguir adelante. N o obstante, c o m o nuestra
piel n u n c a cambiará d e color, t e n d r e m o s que resig­
narnos a soportar eternamente u n o s inconvenientes
q u e s o l o p a d e c e m o s nosotros.
A decir verdad, he escrito esto p o r q u e quería plan­
tear la cuestión de saber si existiría alguna vía, p o r
ejemplo, en la literatura o e n las artes, c o n la que se
pudieran compensar los desperfectos. En lo que a m í
respecta, m e gustaría resucitar, al m e n o s e n el ámbi­
to de la literatura, ese universo de sombra que esta­
m o s disipando... M e gustaría ampliar el alero de ese
edificio llamado «literatura», oscurecer sus paredes,
hundir en la sombra l o que resulta demasiado visible
y despojar su interior d e cualquier a d o r n o superfluo.
N o pretendo que haya que hacer l o mismo en todas
las casas. Pero n o estaría mal, creo y o , que quedase
aunque solo fuese una de ese tipo. Y p a r a ver cuál pue­
de ser el resultado, voy a apagar m i lámpara eléctrica.

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Obras de Junichiro Tanizaki
publicadas en Ediciones Símela

El elogio de la sombra (1994 y 2010)

La madre del capitán Shigemoto (2008)

El cortador de cañas (2008)

Retrato de Shunkin (2009)

El puente de los sueños y otros relatos (2009)

El cuento de un hombre ciego (2010)

Arenas movedizas (2010)

La gata, Shozo y sus dos mujeres (2011)

Naomi (2011)

Las hermanas Makioka (2013)

La llave (2014)

Diario de un viejo loco (2014)

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