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Coleção Fábulas Bíblicas Volume 56

TIAGO
O APÓSTOLO

INVENTADO

JL
jairoluis@inbox.lv

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Sumário
1 - Tiago, mais um apóstolo Inventado ........................................... 4
1 - Tiago, o “irmão de Jesus”: >>> .......................................... 4
2 – Escolha seu Tiago aqui: ..................................................... 6
2 - O Tiago real? .......................................................................... 7
1 - A evidência de Josefo: assassinato relacionado com rixas ....... 7
2 - Rivalidades dinásticas entre os sumos sacerdotes no empório de
Yahvé: .................................................................................. 8
3 - A passagem de "Tiago" de Antiguidades (20:9), de Josefo. ....10
3 - O testemunho da Epístola de Paulo ...........................................12
1 - Paulo e Tiago: Luta de poder .............................................12
2 - A evidência do Evangelho e de Atos: a reescrita do cristianismo
em curso. .............................................................................17
3 - As referências a “Tiago” no Evangelho e em Atos .................18
4 - Depois do Tiago real: a Lenda ............................................23
5 - O personagem de ficção: “Tiago, o Justo” ............................23
6 - Notas ..............................................................................25
4 - Mais bobagens do Cristianismo >>> .........................................29
Mais conteúdo recomendado ...................................................30
Livros recomendados .............................................................31
Referência original.................................................................40

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1 - Tiago, mais um apóstolo Inventado

1 - Tiago, o “irmão de Jesus”: >>>

De um judeu radical a um mártir cristão e piedoso
Depois do “Testemunho Flaviano”, esta é a segunda interpolação
mais usada pelos apologistas e defensores da historicidade de
Jesus, o texto onde se menciona um “Tiago irmão de Jesus”.
Segundo esses defensores este texto, menos trilhado que o
anterior, demostraria que um Jesus, concretamente o
neotestamentário, foi a quem se referia Josefo neste parágrafo.
Eles estão certos disso?
Tiago (também conhecido como Jacobo ou Santiago) é um desses
nomes aos quais a Bíblia recorre com alarmante frequência (não
nos esqueçamos de que Maria tem uma irmã que também se
chamava Maria *). O resultado é bastante confuso. Pelo menos
cinco (e possivelmente oito) personagens do Novo Testamento se
chamam Tiago. Afortunadamente, quase todos são fantasmas. O
que tem menos consistência, “Tiago, filho de Alfeu”,
considerado como umo dos doze discípulos, não tem um papel
destacado nisto. Tampouco um “Tiago, o irmão de
Judas” recebe mais que um par de menções, não porque seja um
discípulo, mas porque tem um irmão que o é. Só há um “Tiago,
filho de Maria” que talvez seja considerado como “Tiago, um
dos quatro irmãos de Jesus” – Será este, seguramente, o mais
importante? Não, em absoluto. Quem tem o orgulho de figurar
neste posto é “Tiago, filho de Zebedeu, irmão de João”
(também conhecido como “Tiago, o Maior”). Este tipo
4

aparece em várias cenas-chave: quando JC (Jesus Cristo, para os
amigos) é “apertado” pela filha de Jairo, quando JC se
“transfigura” em uma figura brilhante em cima da montanha e é
dirigido por uma nuvem que fala, e quando um JC bastante menos
radiante se mete no Getsemani. O filho do velho Zebedeu também
está presente no famoso “quarto alto” em Pentecostes e recebe
sua parte do espírito santo ardente.
Também temos dois “Tiago, o Justo”, um “Tiago de
Jerusalém”, um “Tiago Protepiscopus” (primeiro bispo de
Jerusalém) e um “Tiago, o Menor”.
Tabela com as citações de “Tiago” na Bíblia:
Livro

Versículos

Vezes citado

Mateus

6 versículos

6

Marcos

13 versículos

Lucas

8 versículos

8

Atos

5 versículos

7

1 Coríntios

1 versículo

1

Gálatas

3 versículos

3

Tiago

1 versículo

1

Judas

1 versículo

1

15

Agora veja algo curioso: o Tiago que, ao que parece, lidera a
Igreja Mãe da cristandade durante trinta anos e que tem
nada menos que uma relação de sangue com o próprio deushomem, não desempenha nenhum papel na história do
evangelho – mas se destaca percorrendo a terra promovendo o
show cristão. E ainda mais curioso que isso: depois de liderar a
Igreja durante tanto tempo – durante os anos cruciais de
formação do cristianismo – a história de Tiago está fracamente
registrada. A Igreja se centra mais na dupla dinâmica de Pedro e
5

Paulo. Conhecemos mais sobre as férias de Paulo em Chipre que
da suposta carreira evangelizadora de Tiago em Jerusalém.

2 – Escolha seu Tiago aqui:






Tiago foi irmão de sangue de Jesus, nascido da
Virgem Maria.
[Se é Protestante, escolha esta opção]
Tiago foi um dos filhos de José de um matrimonio
anterior.
[Se é Ortodoxo, escolha esta opção]
Tiago foi "primo" de Jesus.
[Se é Católico, escolha esta opção]
Tiago era possivelmente um líder de uma seita de
judeus radicais, como os essênios ou nazarenos, cuja
biografia foi canibalizada em ao menos duas pessoas (um
"santo" companheiro do deus-homem Jesus e um "bispo"
de Jerusalém).
[Se pensa por você mesmo, escolha esta opção]

O que está acontecendo?
6

Este problema é surprendentemente importante porque, com o
colapso de quase todas as demais “evidências” para o deushomem às quais os crentes se aferram, a falha agora se concentra
no nosso velho amigo Josefo, mas não no famoso e desacreditado
Testemunho Flaviano e sim na “referência jacobina” em
Antiguidades (20:9) de Josefo.
Querem nos fazer crer que Tiago se converteu tardiamente ao
cristianismo depois de um encontro com o Deus-homem
ressucitado, que encabeçou um aprazível movimento espiritual
até que conheceu a morte em um glorioso martírio e que morreu
tão silenciosamente como havia vivido. Entretanto, a verdade é
bastante diferente desta fantasiosa lenda – uma verdade que
concorda com a verdadeira política da Palestina a meados do
século primeiro.

2 - O Tiago real?

1 - A evidência de Josefo: assassinato relacionado com rixas

Quando eliminamos a interpolação cristã da referência “jacobina”
em Josefo, se torna evidente que Tiago era o irmão, não de um
inexistente “Jesus Cristo”, mas de Jesus bar Dameus,
brevemente sumo sacerdote no ano 63. Na rivalidade cada vez
mais violenta entre as duas grandes famílias que tinham
controlado o sumo sacerdócio durante um século, Tiago era o
irmão de um competidor junto com seus seguidores e este foi
eliminado pelo chefe da facção rival. Em poucas palavras, a família
prejudicada obteve o controle do Templo. Mas uma vez que o novo
procurador romano se instalou, pressionou Agripa II para sustituir
7

Jesus bar Dameus por um candidato mais pró-romano - e Jesus,
filho de Gamaliel se convirteu em sumo sacerdote.
2 - Rivalidades dinásticas entre os sumos sacerdotes no empório
de Yahvé:

ANO

SUMO SACERDOTE

37 A.E.C

Ananel – “sacerdote dA Babilônia”, da linha de Zadok,
designado por Herodes, o Grande.

36 A.E.C

Aristóbulo III
assassinado).

35 A.E.C

Anane l (renomeaado)

25 A.E.C

Jesus, filho de Phiabi.

23 A.E.C

Simão, filho de Boetos (Betusianos, seita pró-herodiana
dos saduceus).

5 A.E.C

Matias, filho de Teófilo (5 José, hijo de Ellem (1 día) 4

4 A.E.C

Joazar, filho de Boetos.

4 A.E.C

Morte de Herodes, Arquelau, etnarca da Judeia;
Antipas, tetrarca da Galileia.

4 A.E.C

Eleazar, filho de Boetos (nomeado por Arquelau).

1 A.E.C

Jesus, filho de Sic.

6 D.E.C

Prefeitura romana da Judeia: Coponio

6 D.E.C

Joazar, renombrado.

6 D.E.C

Ananus, filho maior de Seth (nomeado por Quirino,
legado romano da Síria).

9 D.E.C

Prefeito Marcus Ambibulus.

12 D.E.C

Prefecto Annio Rufo.

15 D.E.C

Prefeito Valerio Grato.

15 D.E.C

Ismael, filho de Phiabi (Nomeado por Grato).

16 D.E.C

Eleazar, filho de Ananías

16 D.E.C

Simão, filho de Camithus.

18-36 D.E.C

José Caifás, filho de Ananus, o maior (retirado por
Vitelio).

26 D.E.C

Prefecto Poncio Pilato.

32 D.E.C

Pomponio Flaco, legado da Síria

35 D.E.C

L. Vitelio, legado da Síria.

(17

anos

de

idade,

Hasmoneu,

8

36 D.E.C

Prefeito Marcelo.

36 D.E.C

Jonatas, filho de Ananias (Atos 4:6, Anás) (eliminado
por Vitelio).

37 D.E.C

Prefeito Marulo.

41 D.E.C

Rei Herodes Agripa I.

37 D.E.C

Teófilo, filho de Ananías (eliminado por Claudio, Emp.
41-54)..

39 D.E.C

Publio Petronio, legado da Síria.

41 D.E.C

Simão (Cantheras?) filho de Boetos (eliminado por
Agripa).

41 D.E.C

Vibio Marcus, legado da Síria.

42 D.E.C

Matias, filho de Ananías, irmão de Jonatas (eliminado
por Agripa).

43 D.E.C

Aljoneus (Elioneus) filho de Cantheras.

45 D.E.C

Josefo, filho de Camydus (eliminado por Agripa).

44 D.E.C

44 Herodes Agripa I morre; procuradoria romana:
Cuspio Fado.

45 D.E.C

Casio Longino, legado da Síria.

46 D.E.C

Procurador Tiberio Alexander.

47 D.E.C

Ananías, filho de Zebedeu (Atos 24).

48 D.E.C

Procurador Ventidio Cumano.

50 D.E.C

Ummidius Quadratus, legado da Síria

52 D.E.C

Ananías enviado para ser julgado en Roma (absolvido?
Regressado?)

52 D.E.C

Procurador Antonio Felix.

53 D.E.C

Herodes Agripa II, rei da Galileia.

53 D.E.C

Jonatas voltou a ser nomeado (assassinado por
instigación de Felix).

58 D.E.C

Ismael, filho de Phiabi (tomado como refém por Popea,
esposa de Nero, Emp. 54-68)

60 D.E.C

Domicio Corbulo, legado da Síria.

60 D.E.C

Procurador Porcio Festo.

62 D.E.C

Procurador Albinus.

61-62 D.E.C

Joeseph Cabi, filho de Simão (eliminado por Agripa II)

63 D.E.C

Cestio Callus, legado da Siria.

62 D.E.C

Ananías, filho de Ananias (eliminado por Agripa II)

63 D.E.C

Jesus, filho de Dameus (eliminado por Agripa II)

63 D.E.C

Jesus, filho de Gamaliel (um protegido de Ananus)

9

64 D.E.C

Procurador Gesio Floro (Seu sequestro do Templo
dourado precipita distúrbios e logo a guerra).

65 D.E.C

Matías, filho de Teófilo.

66 D.E.C

Phanias, filho de Samuel (nomeado durante la guerra).

69 D.E.C

Licinio Mucianus, legado da Síria.

70-135 D.E.C

Legados romanos.

135 D.E.C

O Imperador Adriano suprimiu a província da Judéia.
Depois disso, é parte da Síria-Palestina.

3 - A passagem de "Tiago" de Antiguidades (20:9), de Josefo.

Mas não o Tiago cristão:
Nesta passagem Josefo fala das artimanhas para garantir o alto
sacerdócio. Ananus (Anás, Ananias) provém de uma dinastia de
grandes sacerdotes. Temos uma passagem quase indiferente, da
referência a um tal Tiago a quem Josefo obviamente considera um
personagem secundário:

“… Sendo Anás deste carácter, aproveitando-se da
oportunidade, pois Festo havia falecido e Albino todavia
estava a caminho, reuniu o sinédrio. Levou a julgamento o
irmão de Jesus que se chamava Cristo; seu nome era
Jacobo (Tiago), e com ele faz comparecer vários outros. Os
acusou de infratores da lei e os condenou ao
apedrejamento”.

Algumas traduções, para conservar um tom mais “autêntico”,
afirmam que Josefo escreve “o irmão de Jesus, o chamado
Cristo”. Mas se continuarmos a leitura, no mesmo parágrafo,
Josefo nos dize que houve um chamamento ao novo procurador
(NÃO pela lapidação de Tiago, mas pela convocação do Sinédrio
por Ananus!):
10

“… Albino, convencido, enviou uma carta a Anás, na qual,
cheio de indignação, lhe avisava que se vingaria contra ele.
Em seguida o rei Agripa, tendo lhe tirado o pontificado, que
exerceu durante três meses, pôs em seu lugar Jesus, filho
de Dameus.”
Josefo nos diz claramente que Tiago é o irmão de Jesus bar
Dameus!

Se você eliminar a expressão falsa sobre “ser chamado o Cristo”,
sem dúvida acrescentada por un editor cristão, então este Tiago
teria sido o irmão do homem que finalmente se fez sumo
sacerdote devido à execução de Tiago. Por outra parte, a
referência a “Cristo” aqui, se baseia na já desacreditada
interpolação inserida no capítulo 18 (Testemunho Flaviano).
No texto de Josefo, Jesus, filho de Dameu, é o mais importante
dos dois, por isso coloca seu nome em primeiro lugar. Tiago
poderia pertencer a uma facção de fanáticos e “infractores da lei”,
e tinha claramente um irmão nas altas esferas, mas isso é tudo o
que se pode deduzir de Josefo.
Vale a pena ressaltar que Josefo não se preocupa em mencionar
a morte de Tiago em seu “Guerras Judaicas”. Em troca é Ananus
(Anás, Ananias) quem recebe a simpatia de Josefo:

"Não se confunda, se eu disse que a morte Anás foi o início
da destruição da cidade(Jerusalém) e que a partir de hoje
pode ser datada a queda de seu muro e a ruina de seus
erros, sobre a qual se viu seu sumo sacerdote e o
procurador de sua conservação, assassinado no meio da
sua cidade."

11

Um pouco mais adiante em 20.9.4 de Antiguidades, Josefo não só
explica como a “facção de Ananus” recuperou o sumo sacerdócio,
mas também como as duas seitas continuaram sua inimizade:

“O rei privou do pontificado a Jesus, filho de Dameus e
deu para Jesus, filho de Gamaliel. Por este motivo
nasceu entre os dois uma severa disputa. Cada um deles
reuniu um grupo de homens da pior índole, que se
insultavam uns aos outros e às vezes até se apredejavam.”

O controle do sumo sacerdócio se tornou mais volátil quando as
nuvens da guerra se reuniram.
A evidência de Paulo: gangues rivais dividem a terra.
Muchas sectas crecen en torno a un núcleo de la familia (a religião,
acima de tudo, é um negócio). O tal Tiago, sin duda junto con sus
hermanos, recorrió Jerusalén en una operación “Iglesia de Dios”.
Pablo, el intruso fuera de la ciudad, estaba de acuerdo con hacer
fuerza en la acción y en una división del territorio.

3 - O testemunho da Epístola de Paulo

Paulo, pregador do culto a Cristo, menciona Tiago, mas
não o discípulo:
1 - Paulo e Tiago: Luta de poder

Gálatas é uma carta de um Paulo ansioso e triste, frustrado com
a facilidade que seus seguidores estão sendo recrutados por um
pregador rival da proteção do altíssimo, amaldiçoa a concorrência
e mistura ameaças emocionadas na esperança de que seus
conversos antigos voltarão à sua facção.
12

Gálatas 1:6-9
6 - Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que
vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; 7 - O qual
não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar
o evangelho de Cristo. 8 - Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo
do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho
anunciado, seja anátema. 9 - Assim, como já vo-lo dissemos, agora
de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro
evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

Pode-se verificar que este aproveita para qualificar-se como o
representante autorizado alegando que o que ele prega não é de
um ser humano, mas um deus:
Gálatas 1:11-12
11 - Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi
anunciado não é segundo os homens. 12 - Porque não o recebi,
nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.

Paulo evita citar seu rival (“alguém”, 1:9; Quem é?, 3:1; “Eles …”,
4:17), mas de repente surge quem ele tem em mente. Em
Gálatas, Paulo nos conta um pedaço de sua carreira. Ele lembra a
seus leitores que havia devastado com sucesso a Igreja de Deus
uma vez antes (1:13).
Ele diz que sua posição não dependia de nenhum homem (1:16),
na verdade, se reuniu com Tiago durante a sua estadia (breve)
em Jerusalém com Cefas.
Gálatas 1:19
E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do
Senhor.

Em toda a epístola, Paulo usa a palabra irmão (2:4, 3:15, 4:12)
no sentido de membro de uma irmandade - não como irmão
13

(em um dado momento chama seus leitores de “meus filhos”, mas
dificilmente queria dizer que estes fossem seus descendentes).
Este primeiro encontro (Tiago nem sequer se dignou a falar com
ele?) foi depois de Paulo passar três anos na Arábia (o que coloca
a reunião ao redor do ano 38 de nossa era). Catorze anos mais
tarde (ao redor do ano 52) Paulo está de novo em Jerusalém.
Desta vez ele está com dois guarda-costas - Barnabé e Tito- e
está muito mais seguro de si mesmo.
Gálatas 2:2
E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre
os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que
de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.

A confrontação é obviamente tensa (“…falsos irmãos … Se
infiltraram secretamente para espiar nossa liberdade … A fim de
nos reduzir à escravidão -. Nem por um momento cedemos em
submissão a eles” 2:4:5). Desta vez, Paulo não se deixa
impressionar pelos “que tinham reputação de ser importantes”
(que não lhe “acrescentaram nada de novo” 2:6).
As negociações nesta “guerra territorial” começam. A oferta de
Paulo, que não podia ser recusada, era para administrar as
operações entre os incircuncisos:
Gálatas 2:9
E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados
como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos
as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós
fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;

Por sua parte, Paulo se compromete a fazer um pagamento para
os irmãos (“os pobres” ou “gentios”) em Jerusalén, mas nem tudo
14

está bem entre Paulo e seu velho amigo Cefas. Paulo estava
esperando desertar da turma de Tiago? “E, chegando Pedro à
Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.” (2:11).
Em certo ponto Cefas está comendo com “pessoas das nações” de
Paulo. No entanto, “alguns da parte de Tiago” (2:12) chegam e
Cefas “foi se retirando, e se apartou deles, temendo os que eram
da circuncisão.”
Em Gálatas Paulo não menciona nada sobre leis alimentares - este
elemento é uma invenção do autor de Atos. Ao longo da epístola,
Paulo ataca energicamente a circuncisão, que para ele era, sem
dúvida, um bando que Tiago liderou quando os judeus foram
helenizados caindo na prática e alguns judeus tiveram "operações
de conversão". Um Paulo sarcástico inclusive deseja que seus
rivais castrem a si mesmos (5:12).
Paulo não se refere em nenhum lugar a outros Tiagos, nem a
nenhum apóstolo, nem a nenhum ‘Tiago, o Justo”. Esses
personagens vão materializar-se no futuro (aproximadamente 20
anos mais tarde), quando os escritores dos evangelhos juntarem
suas fantasias copiando uns aos outros. (João copia de Lucas, que
copia de Mateus, que copia de Marcos).
Se o Tiago de Paulo era o patriarca de uma “Igreja de Deus” no
ano 50 de nossa era, bem que poderia ter sido o próprio Tiago
eliminado por Anás, o sumo sacerdote dos anos 60, segundo
informado por Josefo. Mas - segundo o testemunho de Paulo - ele
não foi um “irmão de Jesus Cristo”, não foi um discípulo, não foi
um “cristão” paulino e certamente não foi um pacifista.
O biblista e sacerdote católico John P. Meier, declara que, e citou
textualmente, “A força probatória deste texto sobre a existência
histórica de Jesus se reforça se for unido com um par de
15

passagens autênticas de Paulo” em Gálatas, já que neste, quando
se refere a Tiago como irmão se usa a palavra grega “adelphós”
cujo significado é “irmão de sangue”. Mas pouco importa que,
como já demonstramos, Paulo decidisse atribuir laços sanguíneos
de Tiago com Jesus. O texto importante é o que resulta do texto
de Antiguidades judaicas (o chamado Cristo). “tou legomenou
Cristou (tou legomenou Cristou)”.
Meier explica que um cristão não teria escrito “o chamado Cristo”,
mas “era Cristo” e, devido a isto, este texto não pode ser outra
interpolação cristã. Mas fora o fato que Josefo usa na frase “que
foi chamado o Cristo” (tou legomenou Christou o τοῦ λεγομένου
Χριστοῦ) um caso oblíquo (diminuido), esta mesma expressão
podemos encontrar em grego sendo utilizada tanto em João 4:25
(Disse a mulher: "Eu sei que o Messias ( chamado Cristo ) está
para vir.) como em Mateus 1:16: “e Jacó gerou José, marido de
Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”. A frase se
encontra de forma muito similar em Mateus por mais duas vezes,
em 27:17 e 27:22, onde o autor do Evangelho de Mateus cita a
Pilatos se referindo a Jesus “Jesus, chamado o Cristo”.
Mateus 27:17
Pilatos perguntou à multidão que ali se havia reunido: "Qual destes
vocês querem que lhes solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?"
Mateus 27:22
Perguntou Pilatos: "Que farei então com Jesus, chamado Cristo? "
Todos responderam: "Crucifica-o! "

Veja as diversas expressões nas quais o cristianismo usa essa
frase comparando-as com o texto de Josefo:

16




Ἰησοῦ τοῦ λεγομένου Χριστοῦ (Iesou tou legomenou
Christou) = Jesus, o chamado Cristo (Antiguidades Judaicas
20:200).
Ἰησοῦς ὁ λεγόμενος Χριστός (Iesous ho legomenos
Christos) = Jesus, chamado o Cristo (Mateu 1:16).
ὁ λεγόμενος Χριστός (ho Christos legomenos) = [él],
llamado el Cristo (João 4:25).
Ἰησοῦν τὸν λεγόμενον Χριστόν (Iesoun ton legomenon
Christon) = Jesus, chamado o Cristo (Mateus 27:17).
Ἰησοῦν τὸν λεγόμενον Χριστόν (Iesoun ton legomenon
Christon) = [a] Jesus, chamado o Cristo (Mateus 27:22).

Isto literalmente derruba a afirmação de Meier, de que não
poderia ser uma interpolação cristã.

2 - A evidência do Evangelho e de Atos: a reescrita do
cristianismo em curso.
“Família” versus “12 eleitos”
Os dois principais protagonistas – Tiago e Paulo – foram
assassinados a meados dos anos 60, mas foi o “bando de Tiago”,
com sede em Jerusalém, o que mais sofreu com as guerras de 69
a 135. Os paulinistas finalmente ganharam – nos guetos da
diáspora – e quando os vencedores escreveram os evangelhos,
o verdadeiro Tiago – (Líder radical essênio?) – foi refundido a
partir de duas formas – por um lado como “Tiago, o Justo”, um
bispo piedoso, e por outro como “Tiago, o irmão de João”,
um testemunho (“real”) útil para os eventos mais importantes na
vida do (fictício) deus-homem. Nos textos sagrados os irmãos de
Tiago foram marginalizados e o número de testemunhos
17

(discípulos) foi aumentado até completar o número mágico de
doze. Embora tenha levado séculos para que os escritores de
ficção cristã fabricassem biografias “apócrifas” para a maioria
deles.
3 - As referências a “Tiago” no Evangelho e em Atos
Quando se escreveram os evangelhos, para todos os efeitos, o
Tiago e os judeus da “igreja de Deus” foram eliminados da
história. O “irmão” João não o menciona em absoluto e Lucas
se refere unicamente aos diversos discípulos obscuros com esse
nome.
Em Marcos, Mateus e Atos os vestigios do Tiago real aparecem
vagamente, mas ainda são perceptíveis, como “Irmão” de Jesus
em Mateus 13:55-56.
Mateus 13:55-56
Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e
seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? 56 - E não estão entre
nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto?

Marcos 6:3 diz quase o mesmo. Os nomes são os equivalentes a
quatro nomes hebraicos muito comuns - Yaakov, Yosi, Shimón e
Judá. Na lenda, nenhum dos irmãos de Jesus se converteu em um
seguidor antes de morrer. Na verdade, sua família pensou que
estava louco.
A numerosas referênças do Evangelho a um Tiago são quase todas
de um “Tiago, filho de Zebedeu”, um personagem que ganhou
protagonismo com os irmãos João e Pedro em um círculo de três.

18

Este trio substitui convenientemente aos três de Paulo:
“Tiago, Cefas e João.

O livro de Atos menciona um ‘Tiago’ em várias ocasiões:
Atos 12 mostra o rei Herodes
irmãos, Tiago foi assassinado
afortunado Pedro teve melhor
acorrentado e sob forte escolta,
escapar.

sendo desagradável contra os
a fio de espada enquanto o
sorte, – pois mesmo preso,
recebe ajuda de um anjo para

Atos 12:1-4
1 - E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre
alguns da igreja, para os maltratar; 2 - E matou à espada Tiago,
irmão de João. 3 - E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou,
mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos ázimos.
4 - E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a
quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo
apresentá-lo ao povo depois da páscoa.

Aqui cabem algumas perguntas:
1. Por que o tal anjo não ajudo também ao pobre Tiago?
2. Por que Pedro não mandou o anjo ajudar Tiago?
3. Tiago tinha que ser eliminado para dar lugar à subida de
‘Pedro’ ao poder? (Algo que os autores, desde logo, queriam
destacar)
Tiago, o irmão de Dameu morreu durante o reinado de Herodes
Agripa II, o autor de Atos, ao contrário, decidiu matar o seu Tiago
sob o reinado do pai, Herodes Agripa I.
Atos 12:5-6

19

Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua
oração por ele a Deus. 6 - E quando Herodes estava para o fazer
comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois
soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta
guardavam a prisão.

Atos 12:10-16
10 - E, quando passaram a primeira e segunda guarda, chegaram à
porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si
mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se
apartou dele. 11 - E Pedro, tornando a si, disse: Agora sei
verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão
de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeus esperava. 12 - E,
considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha
por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam. 13
- E, batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu
a escutar; 14 - E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a
porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta.
15 - E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era.
E diziam: É o seu anjo. 16 - Mas Pedro perseverava em bater e,
quando abriram, viram-no, e se espantaram. 17 - E acenando-lhes ele
com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara
da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo,
partiu para outro lugar.

Pedro (justamente antes de seu repentino desaparecimento a
“outro lugar”!) diz ao grupelho na casa de Maria, mãe de João que
tinha por sobrenome Marcos, que avisassem “Tiago e os
irmãos.” (12:17).

- Mas ‘Tiago’ acabara de ser eliminado por Herodes, por que
acontece isto? Para manter a linha da história na estrada
se fez passar o primeiro Tiago como o irmão de João.

20

Em Atos 15:12-29 o escritor volta a contar a história do chamado
“Concílio de Jerusalém” já descrito mais de 20 anos atrás por
Paulo, em Gálatas.
Atos 15:22-29
12 - Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo,
que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por
meio deles entre os gentios. 13 - E, havendo-se eles calado, tomou
Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me: 14 - Simão
relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles
um povo para o seu nome. 15 - E com isto concordam as palavras dos
profetas; como está escrito: 16 - Depois disto voltarei, e reedificarei
o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas ruínas,
e tornarei a edificá-lo. 17 - Para que o restante dos homens busque
ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado,
diz o Senhor, que faz todas estas coisas, 18 - Conhecidas são a Deus,
desde o princípio do mundo, todas as suas obras. 19 - Por isso julgo
que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se
convertem a Deus. 20 - Mas escrever-lhes que se abstenham das
contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do
sangue. 21 Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada
cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas. 22 - Então
pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger
homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a
saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os
irmãos. 23 - E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os
apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que
estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde. 24 - Porquanto ouvimos
que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e
transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e
guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, 25 - Pareceunos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los
com os nossos amados Barnabé e Paulo, 26 - Homens que já
expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.
27 - Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos

21

anunciarão também as mesmas coisas. 28 - Na verdade pareceu bem
ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão
estas coisas necessárias: 29 - Que vos abstenhais das coisas
sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da
fornicação, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos
vá.

- Esta versão elimina a animosidade que se encontra na
epístola de Paulo. Contada como o “regozijo” dos irmãos
em histórias de novos recrutas de Paulo, tem Pedro
recordando os anciãos e os fariseus contando sua missão
com os gentios, e tem Tiago (não como um “pilar”, mas
ainda no comando) decidindo que os recrutas não judeus
não serão obrigados a circuncidar-se ou guardar as leis
dietéticas judaicas.

Alguns anos mais tarde, depois de sua terceira viagem, ao redor
do ano 57, em Atos 21 Paulo enfrenta Tiago e os anciãos de novo.
Tiago não diz nada. Ele é agora uma figura silenciosa.
Paulo enfrenta as acusações de que estaria dissuadindo os judeus
da circuncisão e da ley. Ele está de acordo com uma “limpeza
ceremonial (se declara como culpado?) -, Mas “os judeus da Asia”
jogam a multidão contra ele e acaba sendo preso pelos soldados.
Isto serve como um recurso literário para que Paulo aborde “os
judeus” com grande detalhe, em seguida ao Sinédrio, depois ao
sumo sacerdote Ananias e finalmente chegue diante do
gobernador romano e do rei Agripa!

- Tuda uma promoção rápida para um profeta marginal!

Em contraste, Tiago (o pilar) desapareceu. Diz Robert Eisenman,
uma autoridade em Tiago:
22

“A marginalização de Tiago … é uma das tarefas mais
exitosas de reescritura – ou sobrescritura jamais
conseguida.”

Eisenman sustenta (em “Tiago, o irmão de Jesus: a chave para
decifrar os secredos do cristianismo primitivo e dos Rolos do Mar
Morto” - James the Brother of Jesus: The Key to Unlocking the Secrets of Early
Christianity and the Dead Sea Scrolls. Penguin, 1998.) que o martírio de
“Estevão” em Atos, é na realidade uma sobrescritura de um
ataque físico contra Tiago por parte de Paulo.
4 - Depois do Tiago real: a Lenda
O título de “Justo” (Zaddik) se outorgava tanto aos demandantes
do Sumo Sacerdócio como aos carismáticos homens santos
judeus. O verdadero Tiago (“Ya’akov HaTsaddik”) e seu irmão
Dameus, portanto, poderiam ter ostentado esse título. Mal
traduzido ao griego como “Sadduc” ou “Sadoc”, o termo
finalmente apareceu para nos dar o pueril “Tiago, o justo”.
5 - O personagem de ficção: “Tiago, o Justo”
Hegesipo nos traz “Tiago, o Justo” - Chefe da Igreja de Jerusalém.
Hegesipo, “historiador” cristão do século II y Orígenes en el siglo
III d.e.c teorizaram entre eles transmitindo toda a história de
Tiago de una forma piedosa absurda. Em suas mãos a “oposição
sumo sacerdote” judaico se metamorfoseia em um bispo cristão
– ao redor de um século antes de que esse título existisse.
Agora temos uma versão fantasiosa de sua vida e da morte:
23

“Tiago, o Justo”, ao que parece, era um homem santo que “não
bebia vinho e sidra, não comia carne e nunca utilizou uma navalha
sobre sua cabeça.”
Depois da crucificação de seu irmão Jesus,
pequena comunidade de judeus-cristãos de
liderança, a “igeja” de Jerusalém tratou de
judaico do grupo e se opôs às tentativas de
os não circuncidados, não judeus.

viu a luz e levou à
Jerusalém. Sob sua
preservar o caráter
converter os goyim,

Em torno do ano 60 havia conseguido atrair muitos a crer em
Jesus. Isso alarmou os “escribas e fariseus”, que o acusavam de
“prejudicar o povo”, e por isso, o colocaram no muro do Templo
do Monte. Mas como Tiago se recusou a negar o evangelho de seu
irmão, foi jogado do muro.
Quando descobriu-se que ele não tinha morrido na queda,
“começaram a apedrejá-lo” e uma pessoa no meio da multidão,
um lavadeiro, atingiu Tiago na cabeça com um bordão.

Sua morte se converteu em um “martírio glorioso” e sua audácia se converte no catalizador de toda a
guerra contra Roma!
Outro exemplo de cristãos que roubam a história judaica
para seus próprios fins.

Hegesipo é o primeiro a se referia a um monumento levantado
para Tiago em Jerusalém. Será que ele também já estava no
lucrativo negócio de ossários?! (ver: Caja de Trucos - O mercado
de antiguidades religiosas é especialmente lucrativo. Museus do
mundo competem entre ricos colecionadores particulares para ter
uma prova indescritível da "mão de Deus na história").
24

6 - Notas

1 - Os herdeiros de Jesus
Um remanecente do “bando de Tiago” sobreviveu pelo menos até
o século IV. Conhecidos como os desposyni, que alegavam
descender não de qualquer Jesus, mas dos “primos” do Senhor.
Uma delegação foi recebida friamente em Roma pelo papa
Silvestre no ano 318. Já fazia mais de meio século que Roma tinha
declarado sua pretensão de autoridade através da “sucessão
apostólica” e que não estava disposto a conceder crédito a uma
entidade rival de uma “linhagem de sangue” divina.
O ambiente sectário do “cristianismo judaico” (Saduceus,
essênios, ebionitas, recabitas, elcesaites, sabeus, mandeus, etc)
foi incerto pelo menos até as proscrições de Constantino.
Dispersos no deserto, ou sob a terra e impulsionados por algumas
destas seitas fanáticas, mais tarde contribuiriam à teologia do
Islamismo.
2 - A “Epístola de Tiago”.
Temos aqui um pequeno e curioso tratado do Novo Testamento,
que evita mencionar Jesus por completo! Esta carta de ‘Tiago’ está
escrita em grego no estilo clássico de uma diatribe cínico-estoica.

Um galileu de uma família pobre escreveu neste estilo
retórico helenizado?
Se o fez, seu testemunho é bastante estranho.

25

A peça inteira (na verdade não é uma carta) é de “Tiago servo de
Deus” às “12 tribos que estão espalhadas por todas as
partes.” Agora adivinhem quem serian?
A frase “e do Senhor Jesus Cristo” aparece plantada nos versículos
1:1 e 2:1 – fora isso, tudo é agitação e propaganda judaica,
com construções semíticas como “cumpridores da palavra”.
Talvez por isso esta espístola tenha sido quase esquecida por
quatro séculos. O Concílio de Trento a incluiu no canon em 1563,
mas Erasmo não gostou e Lutero a chamou “uma epístola inútil,
indigna do espírito apostólico”.
Por que essa fria recepção?
- Não diz nada em absoluto sobre o deus-homem, seu
nascimento, sua vida, sua morte e sua ressurreição!
- Não cita nada do deus-homem, mas cita extensamente as
escrituras judaicas e os Profetas.
- Está em total desacordo com a fórmula paulina de “só a fé” e
sobre condenação ao ‘homem rico’ e suas roupas.
- Manda “confessar os pecados uns aos outros” (5:16).
A carta não foi atribuida a ‘Tiago’ antes de Orígenes no século
terceiro, uma boa indicação de que foi Orígenes quem interpolou
as duas referências (perdidas no texto) a Jesus Cristo. A
declaração (5:6) “matastes o justo” poderia ser um fraco eco da
morte de Tiago, o irmão de Jesus bar Dameus registrada por
Josefo. Talvez tenha se originado com os desposyni …

26

3 - Conclusão
Como conseguimos comprovar, longe de demonstrar a
historicidade do Jesus do Novo testamento, o que o texto mostra
realmente é o despropósito dos cristãos de querer nos fazer crer
que o Jesus mencionado neste parágrafo é o personagem fictício
que alimenta sua imaginação.
Una vez más, a remoção das interpolações nos mostra uma
realidade bem distinta e mais coerente com a história da Palestina
do século I. Onde, tal como acontece hoje, a luta pelo controle e
pelo dominio da população através do controle religioso era “o pão
de cada dia”, onde líderes sectários atuavam em prol de seus
interesses, lutando entre si e distorcendo a história sempre que
conseguiam êxito.
Unidas todas as peças e eliminadas todas as mentiras tudo
adquire mais sentido. O resultado é o fiel reflexo de uma
sociedade sectária e dividida que introduziu seus líderes a fio de
espada. Algo muito distante do conto - por si só contraditório repleto de amor e paz que nos têm vendido as atuais igrejas ao
longo dos últimos 16 séculos sobre um semideus (deus-homem)
arquetipado e misterioso.
Quando eliminamos a interpolação cristã da referência “jacobina”
em Josefo, se torna evidente que Tiago era o irmão, não de um
inexistente “Jesus Cristo”, mas de Jesus bar Damneus,
brevemente sumo sacerdote no ano 63.

27

4 - Fontes:
Paul Johnson, Una Historia de los Judios (Phoenix Grant, 1987)
Dan Cohn-Sherbok, El Judio Crucificado (Harper Collins, 1992)
Henry Hart Milman, La Historia de los Judios (Everyman, 1939)
Josefo, La guerra judía ( Penguin, 1959)
Leslie Houlden (Ed.), el judaísmo y el cristianismo (Routledge, 1988)
Karen Armstrong, Una historia de Jerusalén (Harper Collins, 1999)
Robert Eisenman, Santiago, el hermano de Jesús (1997)
Michael Grant, Herodes el Grande (American Heritage, 1971)
Norman Cantor, La Cadena Sagrado – Una historia de los Judios (Harper
Collins, 1994
Nicholas De Lange (Ed.) La historia ilustrada del pueblo judío (Aurum, 1997)
Roger Viklund – Los pasajes de Jesús en Josefo – un estudio del caso – “El
hermano de Jesús, llamado Cristo”: el pasaje de Santiago, Antiguedades
20:200

Fonte do artigo:
Este artigo foi extraído de www.jesusneverexisted.com e ampliado com vários
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João Paulo II sobre como cruzar o umbral da esperança a
força de fé e obediência. Eu sei que não está na moda
julgar a religião por seus efeitos históricos recentes,
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exercícios de memória a este respeito são essenciais para
a
compreensão
do
surgimento
de
algumas
monstruosidades políticas ocorridas no século XX e outras
tão atuais como as que ocorrem na ex-Jugoslávia ou no
País Basco”.
Fernando Savater. El País, 17 de junho de 1995.
“Este segundo volume, como o primeiro, nos oferece uma
ampla e sólida informação sobre esse período da história
da Igreja na sua transição de uma marcada atitude de
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históricos. Desde la misma
existencia de Jesús, hasta
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Evangelios,
la
instauración y significación
de los sacramentos o la
supuesta infalibilidad del
Papa.
Todos estos asuntos son
estudiados, puestos en
duda y expuestas las
conclusiones en una obra
de rigor que, traducida a
numerosos idiomas, ha
venido a cuestionar los
orígenes,
métodos
y
razones de una de las
instituciones
más
poderosas del mundo: la
Iglesia católica.

“Se bem que o cristianismo
esteja hoje à beira da
bancarrota
espiritual,
segue impregnando ainda
decisivamente nossa moral
sexual, e as limitações
formais de nossa vida
erótica continuam sendo
basicamente as mesmas
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época de Lutero ou de
Santo Agostinho. E isso nos
afeta a todos no mundo
ocidental, inclusive aos não
cristãos ou aos anticristãos.
Pois o que alguns pastores
nômadas
de
cabras
pensaram há dois mil e
quinhentos anos, continua
determinando os códigos
oficiais desde a Europa até
a América; subsiste uma
conexão tangível entre as
ideas sobre a sexualidade
dos
profetas
veterotestamentarios ou de
Paulo e os processos penais
por conduta desonesta em
Roma, Paris ou Nova York.”
Karlheinz Deschner.

"En temas candentes como
los del control demográfico,
el uso de anticonceptivos,
la ordenación sacerdotal de
las mujeres y el celibato de
los sacerdotes, la iglesia
sigue anclada en el pasado
y bloqueada en su rigidez
dogmática. ¿Por qué esa
obstinación que atenta
contra la dignidad y la
libertad de millones de
personas? El Anticatecismo
ayuda eficazmente a hallar
respuesta a esa pregunta.
Confluyen en esta obra dos
personalidades de vocación
ilustradora y del máximo
relieve en lo que, desde
Voltaire, casi constituye un
Género literario propio: la
crítica de la iglesia y de
todo
dogmatismo
obsesivamente
<salvífico>.

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1 – (365 pg) Los
orígenes, desde el
paleocristianismo hasta
el final de la era
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2 - (294 pg) La época
patrística y la
consolidación del
primado de Roma

3 - (297 pg) De la
querella de Oriente hasta
el final del periodo
justiniano

4 - (263 pg) La Iglesia
antigua: Falsificaciones y
engaños

5 - (250 pg) La Iglesia
antigua: Lucha contra los
paganos y ocupaciones
del poder

6 - (263 pg) Alta Edad
Media: El siglo de los
merovingios

34

7 - (201 pg) Alta Edad
Media: El auge de la
dinastía carolingia

8 - (282 pg) Siglo IX:
Desde Luis el Piadoso
hasta las primeras luchas
contra los sarracenos

9 - (282 pg) Siglo X:
Desde las invasiones
normandas hasta la
muerte de Otón III

Sua obra mais ambiciosa, a “Historia
Criminal do Cristianismo”, projetada em
princípio a dez volumes, dos quais se
publicaram nove até o presente e não se
descarta que se amplie o projeto. Tratase da mais rigorosa e implacável
exposição jamais escrita contra as formas
empregadas pelos cristãos, ao largo dos
séculos, para a conquista e conservação
do poder.
Em 1971 Deschner foi convocado por uma corte em Nuremberg acusado
de difamar a Igreja. Ganhou o processo com uma sólida argumentação,
mas aquela instituição reagiu rodeando suas obras com um muro de
silêncio que não se rompeu definitivamente até os anos oitenta, quando
as obras de Deschner começaram a ser publicadas fora da Alemanha
(Polônia, Suíça, Itália e Espanha, principalmente).

35

414 páginas
LA BIBLIA DESENTERRADA
Israel Finkelstein es un arqueólogo y
académico
israelita,
director
del
instituto
de
arqueología
de
la
Universidad de Tel Aviv y coresponsable de las excavaciones en
Mejido (25 estratos arqueológicos, 7000
años de historia) al norte de Israel. Se
le
debe
igualmente
importantes
contribuciones a los recientes datos
arqueológicos
sobre
los
primeros
israelitas en tierra de Palestina
(excavaciones de 1990) utilizando un
método que utiliza la estadística (
exploración de toda la superficie a gran
escala de la cual se extraen todas las
signos de vida, luego se data y se
cartografía por fecha) que permitió el
descubrimiento de la sedentarización de
los primeros israelitas sobre las altas
tierras
de
Cisjordania.
Es un libro que es necesario conocer.

639 páginas
EL PAPA DE HITLER: LA VERDADERA
HISTORIA DE PIO XII
¿Fue Pío XII indiferente al sufrimiento
del pueblo judío? ¿Tuvo alguna
responsabilidad en el ascenso del
nazismo? ¿Cómo explicar que firmara
un
Concordato
con
Hitler?
Preguntas como éstas comenzaron a
formularse al finalizar la Segunda
Guerra Mundial, tiñendo con la
sospecha al Sumo Pontífice. A fin de
responder a estos interrogantes, y con
el deseo de limpiar la imagen de
Eugenio Pacelli, el historiador católico
John Cornwell decidió investigar a
fondo su figura.
El profesor Cornwell plantea unas
acusaciones acerca del papel de la
Iglesia en los acontecimientos más
terribles del siglo, incluso de la historia
humana, extremadamente difíciles de
refutar.

36

513 páginas

326 páginas

480 páginas

En esta obra se describe
a algunos de los hombres
que ocuparon el cargo de
papa. Entre los papas
hubo un gran número de
hombres
casados,
algunos de los cuales
renunciaron
a
sus
esposas e hijos a cambio
del cargo papal. Muchos
eran hijos de sacerdotes,
obispos y papas. Algunos
eran bastardos, uno era
viudo, otro un ex esclavo,
varios eran asesinos,
otros incrédulos, algunos
eran ermitaños, algunos
herejes,
sadistas
y
sodomitas; muchos se
convirtieron en papas
comprando el papado
(simonía), y continuaron
durante
sus
días
vendiendo
objetos
sagrados para forrarse
con el dinero, al menos
uno era adorador de
Satanás, algunos fueron
padres
de
hijos
ilegítimos, algunos eran
fornicarios y adúlteros en
gran escala...

Santos
e
pecadores:
história dos papas é um
livro que em nenhum
momento
soa
pretensioso. O subtítulo é
explicado pelo autor no
prefácio, que afirma não
ter tido a intenção de
soar absoluto. Não é a
história dos papas, mas
sim,
uma
de
suas
histórias. Vale dizer que o
livro originou-se de uma
série para a televisão,
mas
em
nenhum
momento soa incompleto
ou
deixa
lacunas.

Jesús de Nazaret, su
posible descendencia y el
papel de sus discípulos
están
de
plena
actualidad. Llega así la
publicación de El puzzle
de Jesús, que aporta un
punto de vista diferente y
polémico sobre su figura.
Earl Doherty, el autor, es
un estudioso que se ha
dedicado
durante
décadas a investigar los
testimonios acerca de la
vida
de
Jesús,
profundizando hasta las
últimas consecuencias...
que a mucha gente le
gustaría no tener que
leer. Kevin Quinter es un
escritor
de
ficción
histórica al que proponen
escribir
un
bestseller
sobre la vida de Jesús de
Nazaret.

37

576 páginas

380 páginas

38 páginas

First published in 1976,
Paul
Johnson's
exceptional
study
of
Christianity has been
loved and widely hailed
for its intensive research,
writing, and magnitude.
In a highly readable
companion to books on
faith and history, the
scholar
and
author
Johnson has illuminated
the Christian world and
its fascinating history in a
way that no other has.

La Biblia con fuentes
reveladas (2003) es un
libro del erudito bíblico
Richard Elliott Friedman
que se ocupa del proceso
por el cual los cinco libros
de la Torá (Pentateuco)
llegaron a ser escritos.
Friedman sigue las cuatro
fuentes del modelo de la
hipótesis
documentaria
pero
se
diferencia
significativamente
del
modelo S de Julius
Wellhausen
en varios
aspectos.

An Atheist Classic! This
masterpiece,
by
the
brilliant atheist Marshall
Gauvin is full of direct
'counter-dictions',
historical evidence and
testimony that, not only
casts doubt, but shatters
the myth that there was,
indeed, a 'Jesus Christ',
as Christians assert.

38

391 páginas
PEDERASTIA EM LA IGLESIA CATÓLICA
En este libro, los abusos sexuales a
menores, cometidos por el clero o por
cualquier otro, son tratados como
"delitos", no como "pecados", ya que en
todos los ordenamientos jurídicos
democráticos del mundo se tipifican
como un delito penal las conductas
sexuales con menores a las que nos
vamos a referir. Y comete también un
delito todo aquel que, de forma
consciente y activa, encubre u ordena
encubrir
esos
comportamientos
deplorables.
Usar como objeto sexual a un menor, ya
sea mediante la violencia, el engaño, la
astucia o la seducción, supone, ante
todo y por encima de cualquier otra
opinión, un delito. Y si bien es cierto
que, además, el hecho puede verse
como un "pecado" -según el término
católico-, jamás puede ser lícito, ni
honesto, ni admisible abordarlo sólo
como un "pecado" al tiempo que se
ignora conscientemente su naturaleza
básica de delito, tal como hace la Iglesia
católica, tanto desde el ordenamiento
jurídico interno que le es propio, como
desde la praxis cotidiana de sus
prelados.

Robert Ambelain, aunque defensor de
la historicidad de un Jesús de carne y
hueso, amplia en estas líneas la
descripción que hace en anteriores
entregas de esta trilogía ( Jesús o El
Secreto Mortal de los Templarios y Los
Secretos del Gólgota) de un Jesús para
nada acorde con la descripción oficial
de la iglesia sino a uno rebelde: un
zelote con aspiraciones a monarca que
fue mitificado e inventado, tal y como
se conoce actualmente, por Paulo,
quién, según Ambelain, desconocía las
leyes judaicas y dicha religión, y quien
además usó todos los arquetipos de las
religiones que sí conocía y en las que
alguna vez creyó (las griegas, romanas
y
persas)
arropándose
en
los
conocimientos sobre judaísmo de
personas como Filón para crear a ese
personaje. Este extrajo de cada religión
aquello que atraería a las masas para
así poder centralizar su nueva religión
en sí mismo como cabeza visible de una
jerarquía eclesiástica totalmente nueva
que no hacía frente directo al imperio
pero si a quienes oprimían al pueblo
valiéndose de la posición que les había
concedido dicho imperio (el consejo
judío).

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Referência original

Traduzido, adaptado e ampliado do original em:
http://www.ateoyagnostico.com/2013/08/12/santiago-el-hermano-de-un-judoradical-a-un-mrtir-cristiano-y-piadoso/#more-6917

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