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ALAIN TOURAINE

UN DESEO DE
HISTORIA
autobiografia intelectual

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GENERAL ITAM
3 06.09 BIBLIOTECA
T727DA "RAÙLBAILLÈRESiR.”
e .î Colección
José Luis LamacfricfSauza
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Alain Touraine es en estos momentos uno de los sociólogos
más importantes de Europa, con contribuciones ya conoci­
das en España, como La Sociedad Postindustrial o La
Sociología de la Acción.

Muy criticado por algunos, excesivamente alabado por


otros, esta autobiografía intelectual que ahora publicamos
permite conocer mejor su aportación y sus ideas resumidas
por él mismo. El lector podrá comprobar que el intento de
denostar a Touraine como ideólogo de derechas carece de
la más mínima base. A lo largo de su vida ha intentado
profundizar en los movimientos sociales (categoría im pues­
ta por él), señalando las limitaciones de los análisis
marxistas oficiales, pero sin caer en la otra vertiente
estructural funcionalista de la sociología, de evidente
filiación reaccionaria. Es el suyo un empeño intelectual
serio por dar una nueva visión de la sociedad postindus­
trial, por analizar los nuevos movimientos sociales como las
luchas antinucleares o los movimientos feministas en
los que él ve el espacio en el que se estaría llevando
actualmente la lucha más radical, aunque no por eso
exenta de contradicciones, contra el sistema. El libro
term ina precisamente haciendo u n a llamada para estar
atentos a esos movimientos, analizar sus contradicciones
y potenciar sus aspectos más positivos.

biblioteca de bolsillo
«Promoción del pueblo»
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G EN ERAL ITAM
BIBLIOTECA
3 0 6.09
"BAÚL BAI LLId E l JB.**
T727DA C o fa cciò n
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B iblioteca «P rom oción d el P ueblo»

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T ít u lo o r ig in a l: Un d ésir d ’histoire

C olección: B ib lioteca « P ro m o ció n d el P u eb lo » , n .° 31


E d ita: Z E R O , S. A . A rta s a m in a , 12. B ilbao.
D is trib u id o r exclusivo: Z Y X , S. A . L érida, 82. M ad rid -2 0 .
T rad u c c ió n d e R en e P alacios.
P o rta d a d e Ignacio P é re z P in o .
© Stock, París, 1977.
© Z ero, 1978.
M ad rid , s e p tie m b re , 1978.
I. S. B. N .: 84 - 317 - 0473 - X
D e p ó sito legal: M -30 185 - 1978.
P rin te d in S p ain . Im p re s o en E spaña.
F o to co m p o sició n : M . T . - T el. 255 12 13 - M ad rid .
Im p rim e . G ráficas C o lo r. M aría Z ayas, 15. M ad rid .
Un deseo de Historia
A u to b io g ra fía in te le c tu a l

A la in T o u r a in e
:
i -

i
P a ra M arisol
y
p a ra P h ilip p e
e l c am in o re c o rrid o

Este te x to , g ra b a d o e n p rim e ra in s ta n c ia
p o r D o m in iq u e G riso n i, su frió lu e g o m o d if i­
caciones. Y o revisé y tra n s fo rm é p r o f u n d a ­
m e n te a q u e l p rim e r o rig in a l. Si b ie n h e escri­
to cada lín e a d e este lib ro , sé q u e é ste
h u b ie ra sido d ife re n te si a n te s n o h u b ie s e p a ­
sado p o r las m a n o s d e u n o y e n te y c o rre cto r
ta n a p a sio n a d o , co m o firm e e n sus re c h az o s,
p e ro ab ierto a nuevas id eas, incluso c u a n d o
son d istin ta s d e las q u e so stien e. C la u d e
G lay m an su g irió n u m ero sas correcciones a la
p rim e ra versió n d e l tex to ; se lo ag ra d ez co .
S' ' i
Introducción

¿Por q u é te n g o q u e e scrib ir m is recuerdos? N o soy u n


h o m b re p ú b lic o ; n o m e h e co d ea d o con los g ra n d e s d e
este m u n d o n i p a rtic ip é e n decisiones graves. M i v id a n o
conoció a v e n tu ra s e m o c io n a n te s y n i siq u ie ra te n g o e d a d
com o p a ra e fe c tu a r u n b a la n c e d e m i tra b a jo y m i exis­
ten cia.
E n co n secu en cia, n o h a b la ré d el p a sa d o , incluso c u a n d o
re c u erd e m i in fa n c ia o el c lim a in te le c tu a l y p o lític o e n el
q u e h e tra b a ja d o .
Sólo d ije — y lu eg o e sc rib í— estas p á g in a s p a ra aclarar
m is id eas, m is p royectos, m is esp eran zas actu ales. ¿Y c ó m o
c o m p re n d e r lo q u e p ie n s a y lo q u e b u sca c u a lq u ie ra si se
ig n o ra to d o sob re él, su itin e ra rio , su a m b ie n te ? P e ro ,
¿ p o r q u é to m a r la p a la b ra d e este m o d o ?
P o rq u e d u ra n te m u c h o tie m p o ello n o fu e p o s ib le . La
a m p lia in d ife re n c ia d e la u n iv e rs id a d p o r las ciencias socia­
les, el c h o q u e con id e o lo g ía s in to le ra n te s y la le n titu d d e
m i p ro p ia fo rm a c ió n — a lu m n o estu d io so y d e b u e n a s
n o ta s p e ro , fin a lm e n te , a u to d id a c ta — m e e n c e rra b a n e n
el silencio. P o r el c o n tra rio , d e sd e h a ce a lg u n o s a ñ o s se
a m p lió el espacio en q u e m e m u e v o ; se re in ic ia ro n las d is ­
cusiones, el c o n o c im ie n to logró av an zar p ese a las b a rre ra s,
y, sobre to d o , n u e stra so cie d a d volvió a a d q u irir u n
se n tid o vital: se p la n te a n n u e v o s p ro b le m a s, e sta lla n c o n ­
flictos, se c o n fo rm a n d is tin to s m o v im ie n to s. M a ñ a n a ,
8 UN DESEO DE HISTORIA

p ro b a b le m e n te — e sp e ro q u e m a ñ a n a m is m o — , la socie­
d a d e n la q u e vivo h a b r á d e sac u d ir los viejos p riv ileg io s,
las a n tig u a s categ o rías, los p o d e re s en v ejecid o s. P a ra le la ­
m e n te , tras largos años d e a p re n d iz a je y d e ejercicio, q u iz á
co n sig a d a r curso a las id eas q u e h e e la b o ra d o y explicar
d e m e jo r m o d o m i a n á lisis d e las sociedad es, d e su fu n c io ­
n a m ie n to y su tra n s fo rm a c ió n .
A tales razo n es se d e b e q u e h a b le h o y , n o ta n to d e m í
co m o d e las e x p erien cias, los p ro b le m a s y las tareas q u e
c o n fo rm a ro n m i v ida y q u e c o n stitu y e n u n a p a rte d e lo
q u e se d e n o m in a la «situación» en la q u e to d o s d e b e m o s
a c tu a r, in te le c tu a l y p o lític a m e n te . P o rq u e soy sociólogo.
Q u ie n le h a b la a u n a so cied ad d e sí m is m a , ¿no d e b e
acaso ser in te rro g a d o , e x a m in a d o , ya q u e to d o s d e b e n
s a b e r d e d ó n d e p ro v ie n e n esas ideas q u e p u e d e n c a m b ia r
la im a g e n q u e él tie n e d e sí y de los otros? N o p re te n d o
a p o rta r el c o n o c im ie n to a u n m u n d o a d o rm e c id o . El soció­
lo g o n o se h a lla p o r e n c im a d e la so cied ad q u e e stu d ia . A sí
p u e s, es preciso q u e él m ism o e m p re n d a la ta re a d e
situ a rse y q u e a y u d e d e ese m o d o , a la crítica q u e d e b e
ejercerse a sus ideas.
Este libro es p u e s u n b a lan c e p o r p a rtid a d o b le , ya q u e
h a sid o escrito al té rm in o d e u n largo p e río d o d e tra b a jo y
e n u n m o m e n to en e l q u e to d o el m u n d o sien te q u e la
so cied ad se tra n s fo rm a , y p e rm ite , a q u ie n e s e sc u c h an al
so ció lo g o , h a b la r d e l p re s e n te y d e l p o rv e n ir y ju z g a rlo
s e g ú n lo q u e h a n sido h a s ta a q u í su v id a y su tra b a jo .

París, a b r il d e 1977.
Capítulo I
Caída libre

C arezco d e m e m o ria . Q u izás ello se d e b a a q u e


d u ra n te tr e in ta años h e c o rrid o m ás p a ra a lejarm e d e l p a ­
sado q u e p a ra av an zar h a cia u n p o rv e n ir d e l q u e h a b ría
d e b id o te n e r u n a im a g e n clara. C u a n d o p ie n so e n m i j u ­
v e n tu d y e n el a m b ie n te e n q u e ella se d esarro lló , s ie n to a
la vez q u e sig u e n m a rc á n d o m e y q u e n o consigo c o m p re n ­
derlos, v e rm e vivir y p e n s a r e n ellos. S ería preciso q u e u n
h is to ria d o r recogiese m i te s tim o n io y el d e m u c h o s otros,
e stu d iase d o c u m e n to s y estadísticas p a ra re c o n s tm ir u n a
im a g e n c o h e re n te de u n m u n d o a la vez d e m a s ia d o cer­
cano y d e m a sia d o a le ja d o . C u a n d o e ra n iñ o , q u ie n e s h a ­
b la b a n de la p re g u e rra — la p rim e ra — m e p a re c ía n evocar
u n a h isto ria q u e no m e co n cern ía. E l m u n d o d e la p re ­
g u e rra — la s e g u n d a — d e b ie ra c o n ce rn irm e, c o n to ta l
se g u rid a d , y sin e m b a rg o lo sien to ta n a je n o a lo q u e soy
a c tu a lm e n te co m o m u c h o s p e río d o s q u e , e n el lic e o o la
fa c u lta d , re c o rd a b a n m is p rofesores d e h isto ria . O c u rre
q u e m e e n c u e n tro a isla d o d e m i in fa n c ia y d e m i a d o les­
cencia p o r u n m u ro d e s o m b ra y d e fu e g o , la g u e rra y el
h u n d im ie n to d e la so cie d a d francesa. E n los E stad o s
U n id o s, q u e se a u to d e n o m in a n país n u e v o , h e e n c o n tra d o
p o r to d a s p a rte s tra d ic ió n y c o n tin u id a d . A q u í, c u a n d o m e
vuelvo p a ra c o n te m p la r el c a m in o re c o rrid o , sólo h a llo i n ­
dicios in te rru m p id o s , c u b ie rto s d e ru in a s o d e c o n stru c ­
ciones n uevas. Y a n o sé d e d ó n d e p ro v en g o ; ta l vez
10 UN DESEO DE HISTORIA

p o rq u e siem p re m e in te re s é e n la m a n e ra d e ir m ás allá.
N o re n ie g o d e m i p a s a d o ; estoy lig a d o a él, p e ro si to d a v ía
vive e n m í, yo ya n o e sto y e n é l. D eseo p e rte n e c e r a lo q u e
h e d e n o m in a d o , co n o tro s , u n a so cie d a d p o s in d u s tria l — a
p u n to d e su rg ir— , p e r o p o r m i p e rs o n a lid a d y las c o n d i­
ciones e n las q u e e lla se fo rm ó p e rte n e z c o a u n p a sa d o in ­
m e m o ria l, q u e p o r c ie rto es p re in d u s tria l. T e n g o la im p re ­
sión d e m o v e rm e s in d e sc a n so e n tre los siglos XEX y X X I,
sien d o el X X , p a ra m í, u n sim p le lu g a r d e p a so .

M etro Bac*

C u a n d o in te n té p e n s a r e n m i ju v e n tu d y e n m i in fa n ­
cia, tu v e m u c h a s d ific u lta d e s p a ra d escrib irlas e n té rm in o s
sociales, so b re to d o d e b id o a q u e re su lta ría m u y su p erficial
situ arlas e n categ o rías sociales o p ro fesio n a les. Si p ro c u ro
u b ic ar el a m b ie n te e n q u e crecí, p ie n so a n te to d o e n u n
b arrio m ás q u e e n u n lu g a r, e n u n espacio m á s q u e e n u n
m e d io social. Mis p a d re s vivían e n París, b u le v a r R aspail
a b ajo , casi e n la e s q u in a d e lo q u e e n to n c e s era la g lo rieta
C h a p p e , d e c o ra d a c o n u n a e s ta tu a d e l in v e n to r d e l te lé ­
grafo ó p tic o . E ra u n b a rrio d e la b u rg u e s ía a risto c ra tiz a n te .
El fa u b o u rg S a in t-G e rm a in c o n flu ía allí co n la b u rg u e sía
m ás n u e v a d el b u le v a r R asp a il, e n el lím ite d e l m u n d o
aristocrático d e la calle d u B ac o d e las calles d e V a ren n e y
d e l ’U n iv e rsité, h a b ita d a s p o r n o b le s y p o r el p u e b lo
h u m ild e q u e les serv ía. E ra u n m u n d o e n el q u e , p o r
cierto , n o fa lta b a el d in e ro , p e ro d o n d e el sa b le y el h iso p o
re su lta b a n m ás im p o r ta n te s o , e n to d o caso, m á s re s p e ta ­
dos q u e la c u e n ta b a n c a ria . M u n d o de tra d ic io n e s y d e
p recep to s, a la vez arcaico y d in á m ic o . M i fa m ilia n o
p e rte n e c ía a las d e tra d ic ió n ; yo n o te n g o a sc e n d ie n te s n i
p aren tesco s d e a ltu ra . M i p a d re h a b ía «sub id o » p o r los es­
tu d io s. F o rm ad o e n e l e s p íritu d e la T ercera re p ú b lic a ,
creía a n te to d o e n las v irtu d e s d e la ciencia y la e d u ca c ió n .
* Se refiere a la e sta c ió n d e l m e tro d e París, situ a d a ju sta m e n te en las
confluencias de los bulevares R aspail y S ain t-G e rm a in con la calle d u Bac. C o n esta
expresión el a u to r quiere u b ic a r y n o m b ra r el a m b ie n te característico de los lugares
de París d o n d e vivió y tran scu rrió su in fa n c ia y ju v e n tu d (N . d e l E .)
CAIDA UBRE 11

Esta capa social, e n e l lím ite d e la v ieja b u rg u e s ía y d e la


n u e v a clase m e d ia , b a sta n te ajena al m u n d o d e «los n e g o ­
cios», d e se m p e ñ ó u n g ra n p a p e l e n la v id a fran cesa d e s­
pués d e la g u e rra . Q u ie n e s n aciero n e n ella sirv iero n al
estado m á s q u e al cap ital. N o es u n a z a r q u e el C o m isa-
riado g e n e ra l d e p lan ificació n se h a lle e n ese b arrio :
en carn a to d o su e sp íritu . P u e d e h a lla rse e n él a servidores
d el e stad o q u e n o g a n a n m u c h o d in e ro , al ig u al q u e sus
antecesores q u e p ro b a b le m e n te r fu e ro n g e n erale s, a b o g a ­
dos u o b is p o s ... V ale decir, g e n te m ás v o lcad a h a c ia la
d efen sa d e los valores y d e las fo rm a s d e co n tro l d e la so ­
cied ad q u e h a c ia las actividades com erciales, m á s clara­
m e n te m ie m b ro s de u n a é lite q u e d e u n a clase d irig e n te .
Mi p a d re re p re se n ta b a a u n a g e n e ra c ió n e n ascenso (esos
nuevos e strato s d e q u e h a b ía h a b la d o G a m b e tta algo
a n te s ), y al m is m o tie m p o al m o v im ie n to d e d e c a im ie n to d e
to d a la v id a francesa de e n tre g u e rra s. Era m é d ic o ; con
a lg u n o s o tro s h a b ía sid o , a n tes d e 1914, d e a q u é llo s q u e
d esarro llaro n u n a m e d ic in a cien tífica, y m ás ta rd e fu e u n o
d e los p rim e ro s e n in tro d u c ir la g e n é tic a e n la m e d ic in a
francesa. A l m ism o tie m p o , so b re llev a b a cada vez m ás el
peso d e u n m u n d o m é d ic o en el q u e la carrera y los
h o n o res d e te n ía n el p ro g reso in te le c tu a l. M urió e n el
m o m e n to e n q u e a ca b a b a de ser e le g id o p re s id e n te d e la
A c ad e m ia d e m e d ic in a . A u n q u e c a d a vez m ás a p re sa d o en
u n siste m a d e n o ta b ilid a d , sa b ía m a n te n e r n o o b s ta n te
u n a g ra n d ista n c ia p a ra consigo, in c a p a z d e co m erciar, d e
saber g a n a r el d in e ro q u e le h a b ría c o rre sp o n d id o d a d o su
nivel p ro fe sio n a l. H o m b re de la n a tu ra le z a , le g u s ta b a n las
largas c a m in a ta s, los sitios solitarios; a m ig o d e los libros,
co n feccio n áb alo s él m ism o , yo lo im a g in o co m o u n p e r ­
sonaje d e l re n a c im ie n to , h o m b re d e la n a tu ra le z a y d e la
ciencia, p in ta d o p o r F rançois C lo u e t.
El m u n d o de m i in fa n c ia estuvo fu e rte m e n te m a rc ad o
p o r la sep aració n e n tre v id a p ú b lic a y v id a p riv a d a , e n tre
v ida d e los h o m b re s y v id a d e las m u je re s; sie n d o los
niñ os c o n fia d o s al gineceo.
O c u p á b a m o s u n a p a rta m e n to e n el q u e se p ra c tic a b a la
m e d ic in a . La p a rte n o b le era la p a rte p ro fe sio n a l, q u e
d a b a al b u le v a r, p e ro la fa m ilia vivía d a n d o al p a tio , e n
12 UN DESEO DE HISTORIA

h a b ita c io n e s o scuras y frías. La fro n te ra e n tre a m b as p a rte s


era casi in f r a n q u e a b le , ta n to com o la d is ta n c ia e n tre los
se n tim ie n to s p e rs o n a le s y las fu n cio n es fa m ilia re s o socia­
les. E sta b a n a llí e l p a d r e o el h ijo m ás e n sus p a p e le s q u e
co m o p e rso n as. A l m is m o tie m p o , el m u n d o p a te rn o era
el m u n d o d e la re s p o n s a b ilid a d y d e la c re ac ió n , m ie n tra s
q u e el m a te rn o e ra e l d e la te rn u ra y, ta m b ié n , el d e las
b u e n a s c o stu m b re s y m a n e ra s, d e la in te g ra c ió n social y
c u ltu ra l. A m o r m a te r n o q u e su p o p ro te g e rm e h a sta tal
p u n to , p ese a m is re tira d a s y h u id a s h a cia la so le d a d , q u e
h iz o n acer e n m í u n d e se o d e in fa n c ia q u e reviví m ás ta rd e
con m is p ro p io s h ijo s. S obre to d o , fu i e d u c a d o e n u n eli-
tism o a la vez e x ig e n te y c o n fia d o . C recí con la id e a d e
q u e n o so tros n o s h a llá b a m o s en el c e n tro d e l m u n d o , q u e
los franceses, los in g le ses, los a lem an es y a lg u n o s o tro s
e u ro p e o s e ra n los ú n ic o s p u e b lo s cultos d e la tie rra : los
am ericano s e ra n n u e v o s ricos m á s b ie n in so p o rta b le s; E u ­
ro p a , p o r el c o n tra rio , era el sitio p riv ile g ia d o d e la
c u ltu ra , y los p a ris in o s, a c o n d ic ió n de q u e h u b ie s e n a p ro ­
b a d o o posiciones d ifícile s, eran- e n v e rd a d la sal d e la
tie rra . P ara m i p a d re e x istían , m a n ifie s ta m e n te , dos c a te ­
gorías d e p erso n as: q u ie n e s h a b ía n a p ro b a d o las o p o sicio ­
nes m ás d u ra s, y el re sto . Q u e se fuese p o lité c n ic o , n o rm a ­
lista* o in te rn o d e los h o sp itales de París n o s u p o n ía
n in g u n a d ife re n c ia . Q u e se ganase poco o m u c h o d in e ro
ta m p o c o c a m b ia b a la situ a c ió n ; p e ro q u e a lg u ie n p u d ie se
a scen d er so c ia lm e n te a d e sp e c h o d e los e stu d io s c o n stitu ía
u n e sc á n d a lo . A sí p u e s , n o existía p a ra él o tra id e a p o ­
sib le y e n c o n se c u en c ia p a ra m í, u n n iñ o , n in g u n a o tra
q u e n o consistiese e n se g u ir o tro c am in o q u e el d e n o m i­
n a d o «los estudios».
El a p a r ta m e n to e n q u e m e crié era u n a v e rd a d e ra b i­
b lio te c a, d e d ie z m il o q u in c e m il v o lú m e n e s. N u e stra
v id a e sta b a c e n tra d a e n el tra b a jo . La m o ra lid a d q u e la
reg ía d e sc a n sa b a e n la convicción d e q u e h a b ía q u e r e n u n ­
ciar al p la c e r in m e d ia to p a ra c o n stru ir u n a o b ra ú til y
d u ra d e ra , o m ás triv ia lm e n te : «N o vayas a ju g a r, h a z tu s

* A lu m n o s de la Escuela P olitécn ica y de la Escuela N o rm a l, lugares d o n d e , g e­


n e ra lm e n te , se edu can las clases d irig en tes francesas. (N . d e l E.)
CAIDA UBRE 13

d eb eres si q u ie re s triu n fa r m a ñ an a » . C u a n d o yo e s tu d ia b a
en el liceo, p o r la n o c h e íb a m o s co n m i h e rm a n o a d e s p e ­
dirnos d e m i p a d re q u e tra b a ja b a h a sta m u y ta rd e e n su
escritorio; si p o r c a su a lid a d nos p re se n tá b a m o s a n tes d e las
diez y m e d ia — te n ía m o s e n tre d ie z y trece añ o s— él n o s
decía: « E ntonces, ¿no se tra b a ja esta noche?» A u n q u e nos­
otros p re fe ría m o s d o rm ir e n n u estras cam as y le v a n ta rn o s a
las once m e n o s v e in te p a ra besarle a u n a h o ra c o n sid e ra d a
d e ce n te . Este m u n d o e sta b a m u y seguro d e sí; d e sc a n sa b a
sobre valores n a cio n a le s, pro fesio n ales y sociales q u e
ju z g a b a e v id en tes. El q u e se h u b ie se c o n fig u ra d o e n m í ta l
sistem a de exigencias q u e m e m arcó p a ra to d a la v id a ,
explica la v io len cia con q u e e x p e rim e n té , a la v e z, la
m e d io c rid a d y el h u n d im ie n to d e ese m u n d o c u a n d o p u d e
d a rm e c u e n ta d e ello. E n efecto, ese a m b ie n te q u e afir­
m a b a co n s e m e ja n te fu e rz a sus valores se h a lla b a e n to ta l
d e sc o m p o sició n . U n a fa m ilia fu e rte y ex ig en te m e d ió los
m edios y, so b re to d o , la n ece sid ad d e salv arm e d e l
d esastre, a la vez q u e lo e x p e rim e n ta b a ta n to co m o yo. N o
se sale de tales c o n tra d icc io n e s.

La instrucción p ú b lic a

P ero , a n te to d o , ese m u n d o e ra p a ra m í el liceo: liceo


M o n ta ig n e , liceo L o u is-le-G ran d , n a d a d e d e sp re c ia b le e n
ello. A h o ra b ie n , yo h e d e te s ta d o el liceo y, lu e g o , la u n i­
versidad: esto explica a lg u n a s posiciones q u e to m é e n m i
vida. E n p rim e r té rm in o , siem p re fu i in cap az d e p e r m a ­
necer u n a h o ra con las p ie rn a s p o r d e b a jo d e u n a m esa,
in m ó v il, y la d isp o sic ió n de los espacios e n u n a escu ela
siem p re m e h a p a re cid o d e u n a b ru ta lid a d to ta lm e n te
in ú til e in e x p lic ab le . D e sp u é s, a p re n d í q u e e n los liceos
fa lta a c tiv id a d , y el s e n tim ie n to q u e m e d o m in ó d u r a n te
años fu e el a b u rrim ie n to . A b u rrim ie n to ta n g ra n d e q u e ,
m u y p ro n to , d esd e los n u e v e años d e e d a d , c o m en c é a
d e d ica rm e a o tras o cu p acio n es d u ra n te las horas d e clase.
R e d a c ta b a te x to s m u y escolares: u n m a n u a l de g e o g ra fía ,
lu eg o u n tra ta d o de lite ra tu ra francesa q u e e la b o ra b a co n
m is c o m p a ñ e ro s, y q u e a b arca b a m u c h o s c ie n to s d e
14 UN DESEO DE HISTORIA

p á g in a s . T e n ía yo d ie z , o n c e a ñ o s ... ¡H a b ía q u e o c u p arse
e n alg o , a la e sp e ra d e q u e a u n o le p re g u n ta s e n c a d a
q u in c e d ía s !... A d e m á s, e l liceo sólo se in te re sa b a e n
tex to s, lo q u e s ie m p re m e ch o có p ro f u n d a m e n te . N o creo
q u e la situ a c ió n h a y a c a m b ia d o m u c h o , a ju z g a r p o r los
p ro g ra m a s d e m is h ijo s. Lo m á s e scan d alo so e n la escu ela
fran cesa es su v o lu n ta d s iste m á tic a d e s u p rim ir la clase, a
los a lu m n o s com o g ru p o , y, m ás a m p lia m e n te , d e n e g a r lo
q u e p u e d e d e n o m in a rs e e d u c a c ió n . E l á m b ito escolar n o
q u ie re ser e d u c a tiv o . P a ra re to m a r los v ie jo s té rm in o s o fi­
ciales, d a u n a in s tru c c ió n p ú b lic a y n o u n a e d u c a c ió n
n acio n al. Se h a e x p lic a d o la situ a ció n d icién d o se q u e ello
era re su lta d o d e u n p a c to e n tre el e sta d o y la b u rg u e sía: la
b u rg u e sía e d u c a b a , fija b a las n o rm a s, y el e sta d o tra n s m i­
tía los in s tru m e n to s . Es v e rd a d , p e ro in s u fic ie n te . La e d u ­
cación d e u n n iñ o fran cés re p o sa so b re la id e a d e q u e la
a u to rid a d es ex terio r. A u n jo v e n a m e ric a n o se le e n se ñ a
u n a m o ra l; se le e n s e ñ a a c o n d u c irse d e u n a d e te rm in a d a
m a n e ra , a sen tirse c u lp a b le o , p o r el c o n tra rio , m o ra lm e n ­
te satisfecho d e sus actos. E n F ran cia h e m o s sido e d u ca d o s
se g ú n u n m o d e lo q u e p ro v ie n e de la re lig ió n y d e l e sta d o .
D ios n o es la c o n cien cia; el e sta d o n o es los g ru p o s d e
p resió n . Se tr a ta d e a b so lu to s, es el m á s allá: u n o d e b e
co n fo rm arse a sus p rin c ip io s y te m e r su ju ic io , p e ro n o se
está re a lm e n te o b lig a d o a c re er e n sus ó rd e n e s. La ú n ic a
v e n ta ja d e la re lig ió n co nsiste e n q u e ella d isp e n sa d e te n e r
u n a m o ra l, y la ú n ic a v e n ta ja d e l e sta d o resid e e n q u e él
p u e d e p ro te g e r c o n tra el d o m in io d e los n o ta b le s. Al
m e n o s, yo lo h e c re íd o así.
Fui e d u c a d o e n e ste m u n d o . El p ro fe so r n o es u n a n i­
m a d o r, sino u n m e d ia d o r. El ú ltim o e n p e n sa r así fu e
M alrau x, c u a n d o creó las casas d e c u ltu ra . Estas d e b ía n ser
lugares d e e n c u e n tro d e «la g en te» c o n las g ra n d e s o b ras.
D ios o el estad o . G e n te a la q u e n o h a y q u ie n se atre v a a
lla m a r «masa» y a la q u e se d e n o m in a rá el p u e b lo , o , en
los g ran d es días, la n a c ió n . P ero la n a ció n es, e n re a lid a d ,
los su jeto s d el e sta d o , y n o la v o lu n ta d n acio n a l d el
a ñ o II* . N o h e p o d id o s o p o rta r b ie n e ste sistem a. El m e
* Hace referencia al a ñ o II, ex p resió n e m p le a d a en la revolución francesa
su stitu y en d o al calendario ro m an o . (N. d e l E.)
CAIDA UBRE 15

fo rm ó y soy in c a p a z de h a b itu a rm e a u n a so cied ad d e tip o


c o m u n ita rio a la a m erica n a . P ero te n g o la sen sació n d e
q u e m e h a v io le n ta d o d e m a n e ra p e rm a n e n te y, so b re
to d o , q u e m e h a im p e d id o ex p resarm e. A lgo d e sp u é s , e n
los ú ltim o s cursos d el liceo s ie m p re fu i u n m a l a lu m n o , n o
p é sim o , sino u n a lu m n o in a d a p ta d o (en p a rte a cau sa d e
m i escasa e d a d ; a p ro b é m i se g u n d o añ o d e b a c h ille ra to a
los q u in c e a ñ o s, y el p rim e ro el a ñ o a n te rio r, d e p a n ta lo ­
nes cortos). S iem p re m e afectó , e n la v id a u n iv e rsita ria y
escolar, q u e se m e im p u sie se n m o d e lo s d e c o m p o rta m ie n ­
to in te le c tu a l q u e eran d e sum isión. Lo q u e se lla m a in te ­
ligencia e n el siste m a escolar es, so b re to d o , la c o m p re n ­
sión correcta d e u n tex to escrito. E sto n o es d e l to d o d e s­
p reciab le, p e ro sólo es u n a fo rm a d e in te lig e n c ia ; la c a p a ­
c id ad d e in v e n ta r, d e im a g in a r, d e expresarse p e rs o n a l­
m e n te es o tra cosa.
C o m o los e stu d io s q u e seguí d a b a n m u c h a im p o rta n c ia
a las letras clásicas, re c u erd o m i d e sp e c h o y m i triste z a
c u a n d o tra b a ja b a con am igos, e n p re p a ra to rio * so b re
T ácito u H o m e ro . A lg u n o s h a lla b a n rá p id a m e n te el
se n tid o d e los pasajes difíciles, m ie n tra s q u e con fre c u e n c ia
yo m e veía e n serias d ific u lta d e s. N u n c a tu v e u n a d is p o ­
sición a d e c u a d a se g ú n el se n tid o escolar. S ie m p re m e in te ­
resé m ás e n im a g in a r y e n expresarm e y, ta m b ié n , conservé
d el e je m p lo p a te rn o la id e a se g ú n la cual lo esen cial c o n ­
siste en p ro d u c ir, in v e n ta r, a p o rta r algo n u e v o , y n o re p ro ­
d u c ir fie lm e n te el p a sa d o . Me g u s ta m ás escrib ir q u e leer,
m ás h a b la r q u e escuchar.
N o g u a rd o m u c h o s recu erd o s d e m is p ro feso res. La
relación tra d ic io n a l era de su m isió n o, p o r el c o n tra rio , d e
jaleo. Los a lu m n o s p ro c e d e n c o m o los so ld ad o s e n sus
cuarteles. E n clase n o se p u e d e n i d isc u tir n i ex p resarse,
p ero en el p a tio se crea u n a c u ltu ra escolar secreta. Los
profesores e s ta b a n ta n a g o b ia d o s com o los a lu m n o s p o r
esta e d u c a c ió n , y p o r cierto q u e m u c h o s d e ellos, h u y e n d o
d e la im p e rs o n a lid a d d e c o stu m b re , se o c u p a ro n co n
m u c h o in te ré s d e m is p ro b le m a s escolares. A l n o ser la
* La expresión K h â g n e p ertenece al arg o t e s tu d ia n til fran cés y hace referencia a
las clases y cursos p rep arato rio s a las escuelas superiores, en ré g im e n d e tu to rías
generalm ente. T rad u cim o s com o preparatorio (N . d e l T .)
16 UN DESEO DE HISTORIA

clase u n g ru p o , sólo q u e d a b a n los am ig os. E n m a sc u lin o ,


d e sd e ya, p o rq u e e sta fo rm a c ió n se b a sa b a e n u n a s e p a ­
ración to ta l d e los sexos. E ra u n m u n d o d e chicos q u e n o
te n ía la m e n o r re la c ió n co n el d e las n iñ a s, y p a ra m a le s
m ay o res pasé sin a le g ría m u c h o s a ñ o s e n tre los scouts. E sto
n o c o n v en ía d e n in g ú n m o d o a m i te m p e ra m e n to , q u e e ra
p o co c am o rrista y m á s b ie n in te le c tu a l. C o n s ta n te m e n te
te m ía q u e se m e ro m p ie s e n las gafas. El escu ltism o e ra u n
m o v im ie n to a g re siv a m e n te m a sc u lin o , d e u n a n tic u a d o
in c re íb le , p e ro q u e h iz o q u e m e g u sta se n las largas c a m i­
n a tas p o r el b o s q u e y los fu e g o s d e c a m p a m e n to .
El a m b ie n te e n q u e crecí era d e d erech as, p e ro los
a co n te c im ie n to s p o lític o s n o s e ra n b a s ta n te ajen o s e n la
é p o c a en q u e te n ía m o s e n tre d iez o d o c e años. N o o b s ­
ta n te , m e q u e d a n a lg u n o s recu erd o s po lítico s; el m ás
a n tig u o d a ta d e l 6 d e fe b re ro . Los cam elots d u r o i* te n ía n
u n a sed e ju s ta m e n te a l la d o de m i casa, e n la calle S a in t-
G u illa u m e . A llí vivía la fa m ilia D a u d e t, al la d o d e
C iencias p o lític a s. R e c u e rd o la lle g a d a d e los jovencitos d e
A c tio n française p o r las calles de G re n e lle h acia el b u le v ar,
y su a ta q u e a los g u a rd ia s a cab a llo , la n z a n d o las verjas d e
los árb o les d e l b u le v a r R asp a d c o n tra a q u ello s jin e te s y
d e sja rre ta n d o co n navajas, a los caballos. E n ese b a rro , el
F re n te p o p u la r in fu n d ía te rro r. El m u n d o o b re ro p a re cía
le ja n o y a m e n a z a d o r. M en d és-F ran ce d ijo , h a b la n d o d e la
in m e d ia ta p o sg u e rra : «La h is to ria d e F ran cia h a e sta d o d o ­
m in a d a p o r el h e c h o de q u e la clase o b re ra n o o b tu v o él
acceso al p o d e r q u e c o n q u is tó e n la m ay o ría d e los p a íse s
e u ro p e o s.» D u ra n te la p re g u e rra , la b u rg u e sía p a ris in a
te n ía relaciones m á s arcaicas to d a v ía . P ara ella, la clase
o b re ra era «los arrab ales» , in sta la d o s a lre d e d o r d e la
c iu d a d . La clase o b re ra e ra ya n u m é ric a m e n te im p o r ta n te
e n F ran cia, p e ro la F ran c ia oficial era u n m u n d o p re in d u s ­
tria l, h e c h o de c a m p e sin o s, fu n c io n a rio s, c o m ercia n te s y
g e n te de p ro fe sio n e s lib e ra le s, m ie n tra s q u e a lre d e d o r d e
las c iu d a d e s se a p iñ a b a la oscura m asa d e los o b rero s y las
fáb ricas. F ran cia n o e ra u n a sociedad in d u s tria l. El v e rd a ­

* M ilitantes realistas d e l p e río d o d e en treg u erras, dedicados g e n e ra lm e n te a


re p a rtir p ro p a g a n d a m o n árq u ica. (N . d el E.)
CAIDA UBRE 17

d ero p r o b le m a , e n la b u rg u e s ía , era la te n ta c ió n fascista. A l


ir al liceo L o u is-le -G ra n d veía p o r la calle S ain t-Jacq u es a
los J P (las J eu n esses p a tr io te s , e q u iv a le n te s al G U D
actual) m a n ife s tá n d o s e a n te la fa c u lta d d e d e re c h o c o n tra
G a sto n J è z e , p ro feso r d e la m ism a q u e h a b ía d a d o a c o n o ­
cer u n c o m u n ic a d o a la S o cied ad d e N acio n es c o n d e n a n d o
la in te rv e n c ió n ita lia n a en E tio p ía . Los J P , cuyo je fe e ra
T a ittin g e r, y la A c tio n française d e M aurras y d e D a u d e t se
la n z a b a n c o n tra la iz q u ie rd a y co n tra la re p ú b lic a . La
F ran cia tra d ic io n a lista , a fe cta d a p o r la crisis y p o r el te m o r a
la clase o b re ra , se h a cía fascista. M i a m b ie n te se m a n tu v o
e n lo esencial — si n o c o m p le ta m e n te — al a b rig o d e la
te n ta c ió n fascista. Era d e m a sia d o conservador; los g ra n d e s
p rin c ip io s, el e litism o , el e sta d o y la relig ió n ju g a b a n e n él
u n p a p e l m u y c o n sid e ra b le , lo q u e le h a cía sen tirse d e m a ­
siado só lid o p a ra caer e n el fascism o. Se era n a c io n a lista ,
no fascista. M ás ta rd e , m u c h o s chicos de este a m b ie n te l u ­
ch aro n e n la división Leclerc. E x trañ o m u n d o , ta n arcaico
com o m o d e rn iz a d o r, ta n e x ig e n te com o ciego; lo o p u e sto
a la m o d e rn id a d , p e ro a n im a d o p o r u n g ran d e se o d e
acción y re b e ld e a la ru tin a . G e n te te n sa . U n u n iv e rso
cerrado al q u e , si tuviese q u e e n co n trarle u n la d o b u e n o
— y n o te n g o m o d o d e h a llá rse lo — , e sta b a p ro te g id o p o r
su p ro p ia v e tu ste z c o n tra el m u n d o del d in e ro , la e sp e c u ­
lación, el m e rc a d o n e g ro .

Un «e stu d ia n te »fu e ra d e l tie m p o

Pasé d e allí sin solución d e c o n tin u id a d a u n lu g a r e x ­


tra o rd in a rio , e x tra v ag a n te : el p re p a ra to rio d u ra n te la
g u erra. Fui a lu m n o d e estos cursos e n el L o u is-le-G ran d ;
allí viví en u n m u n d o fu e ra d e l tie m p o , fu e ra d e l esp acio ,
se g u ra m e n te fu e ra d e la h isto ria . C reo q u e n o p asé, e n
cuatro añ o s, u n solo d o m in g o sin tra b a ja r. Las referen cias
d o m in a n te s n o s lle g a b an d e la lite ra tu ra . T res épocas se
su ced iero n e n ese a m b ie n te : la m ía , la m ás a n tig u a , e n la
q u e u n o se d e fin ía e n relació n con la lite ra tu ra ; lu e g o ,
diez años d e sp u é s, a q u é lla e n q u e u n o se d e fin ía e n re la ­
ción con la filosofía; y fin a lm e n te , d iez añ o s m ás ta rd e ,
18 UN DESEO DE HISTORIA

a q u é lla e n q u e los a lu m n o s p e n s a ro n e n té rm in o s p o líti­


cos. Y o p e rte n e z c o p r o b a b le m e n te a la ú ltim a g e n e ra c ió n
p a ra la q u e el g ra n p u n to d e re fe re n c ia f u e G id e . Lo leí
con e n tu siasm o c u a n d o te n ía dieciséis o d iecisiete añ o s.
E x p e rim en té u n a m o r p a rtic u la r p o r Les nou rritu res terres­
tres y Les n o u velles nourritures, p e ro ta m b ié n p o r S i le
grain n e m eu rt, o p o r La p o r te étro ite. U n ic a m e n te su
fa c eta de los F a u x -m o n n a yeurs n u n c a m e g u stó m u c h o .
D os o tres años d e sp u é s, le í con p a sió n a M alrau x . L ’e sp o ir
— m á s q u e La c o n d itio n h u m a in e — re s p o n d ía a m is a c ti­
tu d e s c o n tra d ic to ria s resp ecto d e l le ja n o m u n d o d e la
acción, q u e m e a tra ía co m o la v id a m is m a y d e l q u e p e r ­
m a n ec ía se p a ra d o p o r la co n cien cia. P ero m i m a y o r
recu erd o d e e sta é p o c a (y d e l q u e jam ás volví a h a lla r
e q u iv a le n te e n el te a tro ) fu e Le so u lier d e satin, re p re se n ­
ta d o e n 1943 e n la C o m é d ie-F ra n ça ise, co n Jea n -L o u is
B arra u lt. P asáb am o s m u c h o tie m p o le y e n d o y c o m e n ta n d o
textos. El la tín y el grieg o e ra n co m o ejercicios d e g im n a sia
in d isp e n sa b le s p a ra a p ro b a r o p o sicio n es, p e ro m i in terés
n u n c a m e volcó h a c ia ese la d o . Jam á s e x p e rim e n té el
m e n o r p lacer c o n la lite ra tu ra la tin a , y m i ú n ic o b u e n
re c u erd o es la le c tu ra de H o m e ro . La c o stu m b re e sta b le cía
q u e e n el e x am e n d e l ’E cole N o rm a le el c a te d rá tic o d e
griego solicitase e n el oral, sin n in g u n a p re p a ra c ió n , q u e se
tra d u je ra a H o m e ro . Eso q u e yo leía c o n fre c u e n c ia La
O disea e n el m e tro . L ogré le e r, a sim ism o , m u c h o s discursos
d e D e m ó ste n e s. T u c íd id e s y los trágicos h a n sid o s ie m p re
d e m a sia d o difíciles p a ra m í. P e ro en re a lid a d n o te n ía m o s
acceso a las lite ra tu ra s a n tig u a s; m ás b ie n se tra ta b a , creo,
d e arraig arn o s si n o e n u n a d e te r m in a d a c u ltu ra , al m e n o s
sí e n el se n tid o q u e u n a tra d ic ió n le h a b ía o to rg a d o . Las
clases de francés y de filo so fía eran las q u e a lim e n ta b a n
n u e stra v id a in te le c tu a l. M i a c tiv id a d e sta b a a b s o lu ta m e n ­
te d o m in a d a p o r las d ise rta c io n e s o las ex p licacio n es d e
tex to s. Y o n o so ste n ía , d e n in g ú n m o d o , u n a a c titu d
p ro p ia d e u n e m p o lló n . E x p e rim e n ta b a g ra n satisfacción
in te le c tu a l al e x p resarm e so b re u n a id e a o u n te x to . N o
tu v e p rofesores n o ta b le s , a excepción d e F e rd in a n d Al-
q u ié , q u e era el g ra n h o m b re d e l p re p a ra to rio d e L ouis-le-
G ra n d . V olví a h a lla rle d o s o tres veces e n m i c a m in o .
CAIDA UBRE 19

Sean cu ales sea n sus o p in io n e s e n la a c tu a lid a d , sig u e


sien d o p a ra m í el g ran p ro feso r q u e fu e .
Mis g ra n d e s alegrías p ro v e n ía n d e los tex to s lite ra rio s.
Mi g e n e ra c ió n fu e e d u c a d a e n el c u lto d e B a u d e la ire y d e
R im b a u d . N in g ú n tex to m e m arcó m ás q u e U ne saison en
enfer. T o d a v ía c o n stitu y e, p a ra m í, u n te x to d e in ic ia c ió n .
N o p u e d o p e n s a r e n las Fleurs d u m a l sin re c o rd a r q u e
fu e ro n , d u r a n te años, el c e n tro d e l m u n d o c u ltu ra l,
e x ig e n te y cerrad o , con el q u e m e id e n tific a b a . A través d e
a lg u n o s te x to s com o ésos p asé d e l m u n d o escolar al m u n d o
real, q u e n o p o d ía vivir sino co m o algo im a g in a rio . La
escuela la b ra b a m is juicios y m is s e n tim ie n to s. A cau sa d e
h a b e r re c ib id o u n a ed u cació n «clásica», Ita lia será sie m p re ,
p a ra m í, u n p aís a b s o lu ta m e n te d ife re n te : era e l p aís
sag rad o . E n la c u ltu ra q u e recib í, A le m a n ia , In g la te rra o
los Países B ajos n o tie n e n n a d a q u e p u e d a co m p ararse a
R om a o F lorencia. B rujas o la N a tio n a l G a lle ry e ra n
a d m ira b le s, p e ro no div in as co m o el Foro o gli U ffiz z i.
C u a n d o , d e sp u é s de la g u e rra , p u d e viajar, m e fu e im p o ­
sible c o n c e b ir d irig irm e a o tra p a rte q u e n o fu ese Ita lia .
Y o d e te s ta b a la c u ltu ra g re c o rro m a n a q u e se m e h a b ía
im p u e s to p e ro estab a c o m p le ta m e n te p e n e tra d o p o r ella.
A u n q u e lo esencial, p a ra m í, era la m o ra l, y n u n c a la
lite ra tu ra . T e n ía yo g ra n d e s p re o c u p a c io n e s relig io sas, li­
gadas a a q u e l encierro im p u e sto y a la au sen cia d e c a p ta ­
ción d e l m u n d o real. H ay q u e reco n o cer q u e a q u e l m u n d o
d e p re p a ra to rio , con b ie n pocas excepcio n es, estu v o d u r a n ­
te c u a tro a ñ o s fu e ra d e l tie m p o y d e los a c o n te c im ie n to s.
E x tra o rd in a ria desco n ex ió n . Si a c tu a lm e n te se m e d ic e: «La
escuela es u n a escuela burguesa», c o n te sto q u e es cierto
p ero q u e , m á s a ú n , es u n a escuela lib resca. H e v iv id o esa
v ida p a to ló g ic a d e los sem in aristas d e u n iv e rsid a d , tr a b a ­
ja n d o e n m e d io de las llam as y d e las c o n m o cio n es sin ser
afectad o s p o r ellas. E n 1944, e n e l L o u is-le -G ra n d , e ra n
fre c u e n te s las alertas aéreas. Se b a ja b a al só ta n o , d o n d e
c o n tin u a b a la explicación d e los tex to s la tin o s o g rieg o s.
Los a c o n te c im ie n to s o c u rría n , re a lm e n te , ¡sobre n u e stra s
cabezas! G u a rd o u n re s e n tim ie n to in e x tin g u ib le d e u n
m u n d o social y libresco q u e , e n n o m b re d e l tra b a jo , el
saber y la d ig n id a d , fu e ta n castrad o r. F in a lm e n te , la
20 UN DESEO DE HISTORIA

c u ltu ra e n la q u e f u i e d u c a d o era e x tre m a d a m e n te d u a lis ­


ta : el alm a c o n tra e l c u e rp o , la e s p iritu a lid a d c o n tra la
m a te ria lid a d , el s e n tid o c o n tra el caos d e los a c o n te c im ie n ­
tos; los h o m b re s p o r u n la d o , las m u je re s p o r el o tro . E n
este a m b ie n te , las ciencias sociales no p o d ía n te n e r c a b id a .
Y yo era el p rim e r c o n v e n c id o d e ello. M i ú ltim o re c u erd o
d e m is años d e p re p a ra to rio se s itú a e n 1945, e n la calle
d ’U lm , e n el p r im e r p iso d e l ’Ecole N ó rm a le , e n u n a sala
. lla m a d a salón d e a cto s. A llí a p ro b é el o ral d e filo so fía. E n
u n m o m e n to , C a n g u ilh e m m e d ijo: «D ése v u e lta . A llí
atrás ve vd. u n a s losas d e m á rm o l c o n el n o m b re d e los
a n tig u o s a lu m n o s m ie m b ro s d e las d is tin ta s acad em ias.
P u e d e leer: “ H e n r i B erg so n - A c a d é m ie des Sciences
m o rales e t p o litiq u e s ” . ¿ Q u é son p a ra u s te d las “ ciencias
m o rales y p o lític a s ’’ ?» Y o e ra u n b u e n a lu m n o d e p re p a ­
ra to rio p o r lo q u e c o n te s té : «Eso no existe». A lg ú n tie m p o
d esp u és, ¡m e c o n v e rtí e n sociólogo! E n e fe cto , era e v id e n te
q u e n o ex istían . ¡C o n o c im ie n to s im p u ro s , inferiores! E n
esta c o n d e n a veo h o y m e n o s u n a p o sició n clasista q u e
el sig n o d e u n a so c ie d a d e n d e sc o m p o sició n , in c ap a z d e
p e n sa r e n sí m is m a . S o c ie d ad -av e stru z , co n la cab eza e n la
a re n a y el culo al a ire . S o c ie d ad d e s-re a liz a d a , con s o b re ­
p ro d u c c ió n d e p rin c ip io s , id e a s, sím b o lo s, b arreras. S ien ­
to , p o r la F ran cia d e p re g u e rra , u n a viva re p u g n a n c ia , y si
b ie n p a rtic ip é e fe c tiv a m e n te e n el c lim a a la vez in d u stria -
liz a d o r y m o d e rn iz a d o r d e los v e in te año s d e p o sg u e rra y
e n la e sp e ra n z a m e n d e s is ta * d e los añ o s 50, fu e p o r h o rro r
d e a q u e l p a sa d o c u y a su ficien cia y m e d io c rid a d se m e
h a b ía n v u e lto in s o p o rta b le s . T a m b ié n a d v e rtí b a s ta n te
rá p id a m e n te la d e c a d e n c ia in te le c tu a l d e la p re te n c io sa e
in e rte F rancia d e e n tre g u e rra s .
E n ese aislad o a m b ie n te d e p re p a ra to rio la a ctiv id ad
in te le c tu a l p e rso n a l, los lib ro s y los a m ig o s o c u p a b a n casi
to d a m i vida. C u a n d o d ig o los «am igos», n o se tr a ta d e
u n a p a la b ra to ta lm e n te exacta: m ás b ie n h a b ría q u e d ecir
los «com pañeros», o sea a q u é llo s con q u ie n e s se tra b a ja b a .
N o creo h a b e r h a b la d o a m e n u d o d e p ro b le m a s p erso n ales

* R eferente a P ierre M en d és-F ran ce, u n o d e los d irig en tes d e la IV R epública y


de la iz q u ierd a francesa. (N . d e lE .)
CAIDA UBRE 21

con am ig o s. P e ro p a sa b a h o ras e n te ra s d is c u tie n d o el te m a


de la d isertació n d e filo so fía o d e fran cés. Y las am istad es
o los d e sa c u erd o s e sta b a n d e te rm in a d o s p o r id eas y gustos
in te le ctu a le s o literario s. A fin es d e m i p e río d o de p re p a ­
rato rio m i a m ig o m ás cercano fu e Jea n -F ran ç o is L yotard.
En 1944, la v id a era c o m p lic a d a , casi n o h a b ía electrici­
d a d . L y o tard y yo íb a m o s e n to n c e s a tra b a ja r al h o sp ita l
Laënnec, p o r la n o c h e, e n locales o c u p a d o s d u ra n te el d ía
p o r la c o n su lta de d e rm a to lo g ía q u e d irig ía m i p a d re .
Lyotard vivía e n el b u le v a r d e V a u g ira rd , yo e n el b u lev ar
R aspad, y yo h a c ía el reco rrid o e n bicicleta. El era a lta n e ro
y reservado. N os e n o jam o s p o rq u e yo e ra m u y esp iritu a lis­
ta y él, p o r el c o n tra rio , te n ía u n n ie tz sc h eísm o agresivo y
cínico. A sim ism o , le g u s ta b a M o n th e rla n t, y, a m í, G id e:
era éste u n te m a d e d e sa c u erd o . H e co n serv ad o p o r él la
a d m ira c ió n y el te m o r q u e m e in sp ira b a .
C om o n o m e c o m u n ic a b a fá c ilm e n te co n los o tro s, m e
co n v ertí e n m i p ro p io c o n fid e n te , y d u ra n te c u atro o cinco
años escribí u n diario cuyos cien to s d e p á g in a s viven to d a ­
vía b ajo u n a p ila de viejos e x p e d ie n te s y d e textos red ac­
tad o s en la m is m a época. Sólo h e v u e lto a h o je arlo u n a
vez, y lo h a llé m u y lejos d el m u n d o e n q u e vivo a u n q u e
m u y p a re cid o a lo q u e soy. A veces te n g o la im p resió n d e
acercarm e p o c o a poco a u n a ju v e n tu d p o r la q u e m á s h e
p a sa d o q u e vivido.

E l desastre

El ú n ic o m o m e n to e n q u e se n tí, p o r la fu e rz a d e las
cosas, q u e la h isto ria n o s a ta ñ ía , fu e d u ra n te el desastre.
H a b ía m o s p a sa d o el a ñ o d e g u e rra e n O rlé a n s, d o n d e m i
p a d re , b a s ta n te m ay o r, h a b ía sido m o v iliz a d o p a ra d irig ir
u n h o s p ita l. C u a n d o llegó la in v asió n , m i fa m ilia se
re p le g ó a C h e r. A q u í escuché la n o tic ia d e l arm isticio , e n
u n bar. El m ariscal P é ta in h a b la b a co n su voz tré m u la . Era
escuchado e n u n clim a d e triste z a , d e d ig n id a d , y, sobre
to d o , d e c o b a rd ía . La b u rg u e sía fran cesa h a b ía te n id o
m ie d o . R e c o rd a b a el F re n te p o p u la r, la crisis, el q u e b ra n to
de su o rd e n . Se a b a n d o n a b a al castigo. T u v e la sensación
22 UN DESEO DE HISTORIA

física d e q u e ese m u n d o ta n seg u ro de sí y a n o era n a d a .


%La o c u p a c ió n s u p u s o , so b re to d o , u n a v id a m a te ria l
d ifícil. E n n u e s tro g ran a p a rta m e n to só lo h a b ía u n a
h a b ita c ió n re sca ld a d a, con d iez o doce g ra d o s, y p o r la
n o c h e to d a la fa m ilia tra b a ja b a a lre d e d o r d e la m esa. M i
p a d re escribía sus a rtíc u lo s, yo hacía m is v ersio n es, m i
h e rm a n o sus d e b e re s de m a te m á tic a s, u n a d e m is h e rm a n a s
p re p a ra b a sus e x á m e n e s d e m e d ic in a , la o tra sus d e b eres
d e liceo, y m i m a d re zurcía. E ste m u n d o ta n n o b le vivía
e n la d e c a d e n c ia m a te ria l, d ig n a m e n te , p e ro sin c o m p re n ­
d e rla . Por s u p u e s to , e n tre los q u in c e y v e in te añ o s n o tu v e
vacaciones. Tal es el sab o r de m i ju v e n tu d : el c o n tra ste
e n tre el e litism o d e m i fo rm a c ió n escolar o la fu e rz a d el
a m b ie n te fa m ilia r, y la u s u ra d e la v id a c o tid ia n a . A raíz
d e a q u é llo m e q u e d ó u n a in a d a p ta c ió n d e fin itiv a h a cia
to d o a m b ie n te q u e s ie m p re m e im p u lsó a h a c e r las cosas a
to d o co rrer e in te n s a m e n te , a re sp e ta r ú n ic a m e n te la
creación y el tra b a jo p ro d u c tiv o , p e ro ta m b ié n a s e n tirm e a
d isg u sto e n to d as p a rte s . Si m e co n v ertí e n soció lo g o , ello
q u iz á se d e b a a .q u e re r volver a e n c o n tra r u n m u n d o
«exterior» del q u e p o r ta n to tie m p o y ta n c o m p le ta m e n te
h a b ía sido se p a ra d o , d u r a n te m is in te rm in a b le s a ñ o s d e
se m in a rista . El d ía e n q u e la h isto ria b a rrió esta so cied ad
e n m o h e c id a , to d o lo q u e h a b ía en la vieja casa, e n la so­
c ie d a d francesa, y, so b re to d o , e n sus escuelas m e p areció
alg o irreal. Mi v id a in te le c tu a l fu e d e te rm in a d a p o r esta
r u p tu r a . La so cie d a d c a m b ió c o m p le ta m e n te , sus p rin c i­
p io s se h u n d ie ro n e n el po lv o ; F ran cia, u n p e rso n aje y casi
u n a d iv in id a d , n o e ra m ás q u e u n te rrito rio o c u p a d o . La
h isto ria se encargó d e a rra stra r h acia el m a r to d o s los
desechos de u n a g ra n d e z a m u e rta .
Lo q u e d e a q u e lla e d u c a c ió n p e rm a n e c e e n m í es u n a
c ierta d ista n cia , q u e h o y critico y preservo a la v ez, con
re sp ec to a las «realidades» económ icas. E n el m u n d o en
q u e crecí se p o d ía u n o c o n v ertir, si acaso, e n fascista o
c o m u n is ta , p e ro s e g u ra m e n te q u e n o e n v e n d e d o r de
in m u e b le s . N u n c a a b a n d o n a ré la id e a s e g ú n la cual la
so cied ad no es s o la m e n te u n «sistem a», sino q u e es
a rra stra d a p o r eso q u e p u e d e d e n o m in a rse , in d ife re n te ­
m e n te , fu erzas, id eas o acciones. Si se m e h a b la d e lu ch a
CAIDA UBRE 23

de clases, lo e n tie n d o ; p e ro si a lg u ie n a firm a : «Los


h o m b re s se m u e v en p o r el d in ero » , ya n o lo e n tie n d o . La
id e a d e q u e la so cied ad está o rg a n iz a d a a lre d e d o r d e
p rin c ip io s d e in te g ra ció n m e re su lta ajen a. La so c ie d a d n o
es lo q u e es, carece d e n a tu ra le z a ; es el p ro d u c to d e
acciones, es decir, a la v e z, de conflictos y d e v alo res. N o
m e a tra e p e n sa r en té rm in o s de p re se n te . El té rm in o
«S ociedad d e consum o» es algo q u e no tie n e u n s e n tid o
m uy p o sitiv o p a ra m í. Se c a n ta al p lacer, a la in te g ra c ió n ,
a la a d a p ta c ió n ; sien to h o rro r p o r esas p alab ras. Si a lg u ie n
m e h a b la d e la in d u stria liz a c ió n o d e la creación d e u n a
n u ev a n a c ió n — a lu d ie n d o al T ercer m u n d o o al m u n d o
soviético— e x p e rim e n to u n cierto e n tu sia sm o , a u n q u e m e
o p o n g a a los p rogram as q u e p ro p o n e n .
M is añ o s juveniles te rm in a ro n e n u n a situ a c ió n d e d e s ­
c o m p o sició n to ta l, c u a n d o irru m p ió la h isto ria . Q u e ría
a b a n d o n a r m is estu d io s — com o to d o el m u n d o — p e ro
fin a lm e n te los c o n tin u é . E n a g o sto de 1944, d u r a n te la
lib e ra ció n d e París, viví e n C o m m e rc e -S a in t-A n d ré , cerca
de la g lo rie ta D a n to n . U n a m a ñ a n a vi u n o s so ld ad o s
a lem an e s m u e rto s en la e sq u in a d e a m b o s b u le v ares. P a r­
ticip é e n la construcción de barricadas en la calle d e
1’A n c ie n n e -C o m é d ie y e n S a in t-A n d ré-d es-A rts. P e ro e n
o c tu b re re c u p eré el p a tio a sfalta d o y las salas con v e n ta n a s
e n re jad a s d el L o u is-le-G ran d . T ras u n ú ltim o a ñ o d e v id a
escolar, e n o c tu b re d e 1945 m e h a lla b a e n u n á n g u lo d e l
p a tio c u a d ra d o de l ’Ecole N ó rm a le . El ed ificio e sta b a
to d a v ía o c u p a d o por g ra n d e s d o rm ito rio s, atrav esad o s p o r
u n p a sillo c en tral hacia el q u e se a b ría n las p u e rta s d e las
cam arillas cerradas p o r c o rtin a s blancas. E n a q u e lla c a m a ­
rilla h a b ía u n a cam a d e h ierro . R ecu erd o m i p rim e ra
n o ch e. A b rí m i se m iv e n ta n a (los ta b iq u e s d e las c a m a ri­
llas c o rta b a n las v e n ta n a s e n dos); escu ch ab a el ru id o d e l
p e q u e ñ o su rtid o r. Ese fu e u n o d e los m o m e n to s d e d ic h a
en m i v id a. N o el e sta r e n l ’Ecole N ó rm a le , con la q u e
m e h á b ía llevado m uy m a l, sino escuch ar a q u e l p e q u e ñ o
su rtid o r. V eía allí to d o s los ja rd in e s d el M e d ite rrá n e o
s o ñ a d o ... H a b ía sido tra n s p o rta d o p o r u n a ilu sió n q u e n o
d u ró sino pocos días, la ilu sió n d e q u e d e sp u é s d e to d o ib a
a p o d e r ingresar en el m u n d o vivo, en vez d e co n o cerlo
8 UN DESEO DE HISTORIA

p ro b a b le m e n te — e sp e ro q u e m a ñ a n a m is m o — , la socie­
d a d e n la q u e vivo h a b r á d e sac u d ir los viejos p riv ileg io s,
las a n tig u a s c a te g o ría s, los p o d e re s en vejecid o s. P a ra le la ­
m e n te , tra s largos a ñ o s d e a p re n d iz a je y d e ejercicio, q u iz á
co n sig a d a r curso a las id eas q u e h e e la b o ra d o y ex p licar
d e m e jo r m o d o m i a n álisis d e las sociedades, d e su fu n c io ­
n a m ie n to y su tra n s fo rm a c ió n .
A tales ra z o n e s se d e b e q u e h a b le h o y , n o ta n to d e m í
co m o de las e x p erien c ia s, los p ro b le m a s y las ta re as q u e
c o n fo rm a ro n m i v id a y q u e c o n stitu y e n u n a p a rte d e lo
q u e se d e n o m in a la «situación» e n la q u e to d o s d e b e m o s
a c tu a r, in te le c tu a l y p o lític a m e n te . P o rq u e soy sociólogo.
Q u ie n le h a b la a u n a so cied ad de sí m is m a , ¿no d e b e
acaso ser in te rro g a d o , e x a m in a d o , ya q u e to d o s d e b e n
sa b e r d e d ó n d e p ro v ie n e n esas ideas q u e p u e d e n c a m b ia r
la im a g e n q u e él tie n e d e sí y de los otros? N o p re te n d o
a p o rta r el c o n o c im ie n to a u n m u n d o a d o rm e c id o . El soció­
lo g o n o se h a lla p o r e n c im a d e la sociedad q u e e stu d ia . A sí
p u e s, es preciso q u e él m ism o e m p re n d a la ta re a d e
situ arse y q u e a y u d e d e ese m o d o , a la crítica q u e d e b e
ejercerse a sus ideas.
E ste lib ro es p u e s u n b a la n c e p o r p a rtid a d o b le , ya q u e
h a sid o escrito al té rm in o d e u n largo p e río d o d e tra b a jo y
e n u n m o m e n to e n e l q u e to d o el m u n d o sie n te q u e la
so cie d a d se tra n s fo rm a , y p e rm ite , a q u ie n e s e sc u c h an al
so ció lo g o , h a b la r d e l p re s e n te y d e l p o rv e n ir y ju z g a rlo
s e g ú n lo q u e h a n sido h a s ta a q u í su v id a y su tra b a jo .

París, a b r il d e 1977.
Capítulo I
Caída libre

C arezco d e m e m o ria . Q u izás ello se d e b a a q u e


d u ra n te tre in ta años h e c o rrid o m ás p a ra a le ja rm e d e l p a ­
sad o q u e p a ra av an zar h a c ia u n p o rv e n ir d e l q u e h a b ría
d e b id o te n e r u n a im a g e n clara. C u a n d o p ie n so e n m i ju ­
v e n tu d y e n el a m b ie n te e n q u e ella se d esarro lló , s ie n to a
la vez q u e sig u en m a rc á n d o m e y q u e n o co n sig o c o m p re n ­
d erlo s, v erm e vivir y p e n s a r e n ellos. Sería p reciso q u e u n
h is to ria d o r recogiese m i te s tim o n io y el d e m u c h o s o tro s,
e stu d iase d o c u m e n to s y estad ísticas p a ra re c o n stru ir u n a
im a g e n c o h e re n te de u n m u n d o a la vez d e m a s ia d o cer­
cano y d e m a sia d o a le ja d o . C u a n d o e ra n iñ o , q u ie n e s h a ­
b la b a n d e la p re g u e rra — la p rim e ra — m e p a re c ía n evocar
u n a h isto ria q u e no m e co n ce rn ía . El m u n d o d e la p re ­
g u e rra — la s e g u n d a — d e b ie ra c o n ce rn irm e, c o n to ta l
se g u rid a d , y sin e m b a rg o lo sien to ta n a jen o a lo q u e soy
a c tu a lm e n te co m o m u c h o s p e río d o s q u e , e n el liceo o la
fa c u lta d , re c o rd a b a n m is p rofesores d e h isto ria . O c u rre
q u e m e e n c u e n tro aislad o d e m i in fa n c ia y d e m i a d o les­
cencia p o r u n m u ro d e s o m b ra y d e fu e g o , la g u e rra y el
h u n d im ie n to d e la so cie d a d francesa. E n los E stados
U n id o s, q u e se a u to d e n o m in a n país n u e v o , h e e n c o n tra d o
p o r to d a s p a rte s tra d ic ió n y c o n tin u id a d . A q u í, c u a n d o m e
v uelvo p a ra c o n te m p la r el c a m in o reco rrid o , sólo h a llo i n ­
dicios in te rru m p id o s , c u b ie rto s de ru in a s o d e c o n stru c ­
ciones nuevas. Y a n o sé d e d ó n d e p ro v e n g o ; ta l vez
10 UN DESEO DE HISTORIA

p o rq u e sie m p re m e in te re s é e n la m a n e ra d e ir m ás allá.
N o re n ie g o d e m i p a sa d o ; estoy lig a d o a él, p e ro si to d a v ía
vive e n m í, yo ya n o esto y e n él. D e se o p e rte n e c e r a lo q u e
h e d e n o m in a d o , con o tro s , u n a so cie d a d p o s in d u s tria l — a
p u n to d e su rg ir— , p e ro p o r m i p e rs o n a lid a d y las c o n d i­
ciones e n las q u e ella se fo rm ó p e rte n e z c o a u n p a sa d o in ­
m e m o ria l, q u e p o r c ie rto es p re in d u s tria l. T e n g o la im p re ­
sión d e m o v e rm e sin d e sc a n so e n tre los siglos X IX y X X I,
s ie n d o el X X , p a ra m í, u n sim p le lu g a r d e p a so .

M etro Bac*

C u a n d o in te n té p e n s a r e n m i ju v e n tu d y e n m i in fa n ­
cia, tu v e m u c h a s d ific u lta d e s p a ra describ irlas e n té rm in o s
sociales, so b re to d o d e b id o a q u e re su lta ría m u y su p erficial
situ arlas e n categ o rías sociales o p ro fesio n a les. Si p ro c u ro
u b ic a r el a m b ie n te e n q u e crecí, p ie n so a n te to d o e n u n
b arrio m á s q u e e n u n lu g a r, e n u n espacio m á s q u e e n u n
m e d io social. M is p a d re s v ivían e n P arís, b u le v a r R asp ad
a b ajo , casi e n la e s q u in a d e lo q u e e n to n c e s era la g lo rieta
C h a p p e , d e c o ra d a c o n u n a e s ta tu a d e l in v e n to r d e l te lé ­
grafo ó p tic o . E ra u n b a rrio d e la b u rg u e s ía a risto c ra tiz a n te .
El fa u b o u rg S a in t-G e rm a in c o n flu ía allí con la b u rg u e sía
m ás n u e v a d e l b u le v a r R a s p a d , e n el lím ite d e l m u n d o
aristocrático d e la calle d u Bac o d e las calles d e V a re n n e y
d e l ’U n iv e rsité , h a b ita d a s p o r n o b le s y p o r el p u e b lo
h u m ild e q u e les servía. E ra u n m u n d o e n el q u e , p o r
cierto , n o fa lta b a el d in e ro , p e ro d o n d e el sab le y el h iso p o
re s u lta b a n m ás im p o rta n te s o , e n to d o caso, m á s re s p e ta ­
dos q u e la c u e n ta b a n c a ria . M u n d o d e tra d ic io n e s y d e
p re c ep to s, a la vez arcaico y d in á m ic o . M i fa m d ia n o
p e rte n e c ía a las d e tra d ic ió n ; yo n o te n g o a sc e n d ien te s n i
p a re n tesc o s d e a ltu ra . M i p a d re h a b ía «subido» p o r los es­
tu d io s. F o rm a d o e n e l e s p íritu d e la T ercera re p ú b lic a ,
creía a n te to d o e n las v irtu d e s d e la ciencia y la e d u ca c ió n .
* Se refiere a la estació n d e l m e tro d e París, situ ad a ju s ta m e n te e n las
confluencias de los bulevares R asp ad y S a in t-G e rm a in con la calle d u Bac. C o n esta
expresión el a u to r quiere u b ic a r y n o m b ra r el a m b ie n te característico de los lugares
de París d o n d e vivió y transcurrió su in fa n c ia y ju v e n tu d (N . d e l E .)
CAIDA UBRE 11

E sta capa social, e n e l lím ite d e la v ieja b u rg u e s ía y d e la


n u e v a clase m e d ia , b a s ta n te a je n a al m u n d o d e «los n e g o ­
cios», d e se m p e ñ ó u n g ra n p a p e l e n la v id a fran c esa d es­
p u és d e la g u e rra . Q u ie n e s n aciero n e n ella sirv iero n al
e sta d o m á s q u e al cap ital. N o es u n a z a r q u e el C o m isa-
ria d o g e n e ra l d e p la n ific a ció n se h a lle e n ese b arrio :
e n ca rn a to d o su e sp íritu . P u e d e hallarse e n él a servidores
d el estad o q u e n o g a n a n m u c h o d in e ro , al ig u a l q u e sus
antecesores q u e p ro b a b le m e n te r fu e ro n g e n erale s, a b o g a ­
dos u o b is p o s ... V ale decir, g e n te m ás v o lc ad a h a c ia la
d e fe n sa d e los valores y d e las fo rm as d e co n tro l d e la so­
c ied a d q u e h a c ia las activ id ad es com erciales, m ás clara­
m e n te m ie m b ro s de u n a é lite q u e d e u n a clase d irig e n te .
M i p a d re re p re s e n ta b a a u n a g e n eració n e n ascenso (esos
n uevos estrato s de q u e h a b ía h a b la d o G a m b e tta algo
a n te s), y al m is m o tie m p o al m o v im ie n to d e d e c a im ie n to d e
to d a la v id a francesa d e e n tre g u e rra s. E ra m é d ic o ; con
a lg u n o s o tro s h a b ía sid o , a n te s de 1914, d e a q u é llo s q u e
d esarro llaro n u n a m e d ic in a cien tífica, y m ás ta rd e f u e u n o
d e los p rim e ro s e n in tro d u c ir la g e n é tic a e n la m e d ic in a
francesa. A l m ism o tie m p o , so b rellev ab a cad a vez m ás el
peso d e u n m u n d o m é d ic o e n el q u e la c arrera y los
h o n o res d e te n ía n el p ro g reso in te le c tu a l. M u rió e n el
m o m e n to en q u e a ca b a b a de ser eleg id o p re s id e n te d e la
A c ad e m ia d e m e d ic in a. A u n q u e cada vez m á s a p re sa d o en
u n sistem a d e n o ta b ilid a d , sa b ía m a n te n e r n o o b s ta n te
u n a g ra n d ista n c ia p a ra consigo, in cap az d e c o m ercia r, d e
sab er g a n a r el d in e ro q u e le h a b ría c o rre sp o n d id o d a d o su
nivel p ro fesio n a l. H o m b re de la n a tu ra le z a , le g u s ta b a n las
largas c a m in a ta s, los sitios solitarios; a m ig o d e los libros,
co n feccio n áb alo s él m is m o , yo lo im a g in o c o m o u n p e r­
sonaje d e l re n a c im ie n to , h o m b re d e la n a tu ra le z a y d e la
ciencia, p in ta d o p o r F rançois C lo u e t.
El m u n d o de m i in fa n c ia estuvo fu e rte m e n te m a rc a d o
p o r la sep aració n e n tre v id a p ú b lic a y v id a p riv a d a , e n tre
v ida d e los h o m b re s y v id a d e las m u je re s; s ie n d o los
n iñ o s co n fiad o s al gineceo.
O c u p áb a m o s u n a p a rta m e n to en el q u e se p ra c tic a b a la
m e d ic in a. La p a rte n o b le era la p a rte p ro fe s io n a l, q u e
d a b a al b u le v ar, pero la fa m ilia vivía d a n d o al p a tio , e n
12 UN DESEO DE HISTORIA

h a b ita c io n e s oscuras y frías. La fro n te ra e n tre a m b a s p a rte s


era casi in f r a n q u e a b le , ta n to co m o la d ista n cia e n tre los
se n tim ie n to s p e rs o n a le s y las fu n c io n e s fam iliares o socia­
les. E sta b a n allí el p a d r e o el h ijo m ás e n sus p a p e le s q u e
com o p e rso n as. A l m is m o tie m p o , el m u n d o p a te rn o era
el m u n d o d e la re s p o n s a b ilid a d y d e la creació n , m ie n tra s
q u e el m a te rn o e ra e l d e la te rn u ra y, ta m b ié n , e l d e las
b u e n a s c o stu m b res y m a n e ra s, d e la in te g ra c ió n social y
c u ltu ra l. A m o r m a te r n o q u e s u p o p ro te g e rm e h a s ta ta l
p u n to , pese a m is re tira d a s y h u id a s h acia la so le d a d , q u e
h iz o n acer e n m í u n d e se o d e in fa n c ia q u e reviví m á s ta rd e
con m is p ro p io s h ijo s. S obre to d o , fu i e d u c a d o e n u n eli-
tism o a la vez e x ig e n te y c o n fia d o . C recí con la id e a d e
q u e n o so tro s nos h a llá b a m o s e n el c en tro d e l m u n d o , q u e
los fran ceses, los in g le ses, los alem an e s y a lg u n o s o tro s
e u ro p e o s e ra n los ú n ic o s p u e b lo s cultos d e la tie rra : los
am ericanos e ra n n u e v o s ricos m ás b ie n in so p o rta b le s; E u ­
ro p a , p o r el c o n tra rio , e ra el sitio p riv ile g ia d o de la
c u ltu ra , y los p a ris in o s, a c o n d ic ió n d e q u e h u b ie s e n a p ro ­
b a d o o posiciones d ifícile s, e ra n e n v e rd a d la sal d e la
tie rra . P ara m i p a d re e x istían , m a n ifie s ta m e n te , dos c a te ­
gorías d e perso n as: q u ie n e s h a b ía n a p ro b a d o las o p o sicio ­
nes m ás d u ra s, y el re s to . Q u e se fu e se p o lité c n ic o , n o rm a ­
lista* o in te rn o d e los h o sp ita les de París n o su p o n ía
n in g u n a d ife re n c ia. Q u e se ganase poco o m u c h o d in e ro
ta m p o c o c a m b ia b a la situ a c ió n ; p e ro q u e a lg u ie n p u d ie se
a scen d er so c ia lm e n te a d e sp e c h o d e los estu d io s c o n s titu ía
u n e sc á n d a lo . A sí p u e s , n o existía p a ra él o tra id e a p o ­
sib le y e n c o n se c u en c ia p a ra m í, u n n iñ o , n in g u n a o tra
q u e n o consistiese e n s e g u ir otro c am in o q u e el d e n o m i­
n a d o «los estudios».
El a p a rta m e n to e n q u e m e crié era u n a v e rd a d e ra b i­
b lio te c a, d e d iez m il o q u in c e m il v o lú m e n e s. N u e stra
v id a e sta b a c e n tra d a e n el tra b a jo . La m o ra lid a d q u e la
reg ía d e scan sab a e n la convicción d e q u e h a b ía q u e r e n u n ­
ciar al p lacer in m e d ia to p a ra c o n stru ir u n a o b ra ú til y
d u ra d e ra , o m ás triv ia lm e n te : «N o vayas a ju g a r, h a z tu s

* A lu m n o s de la Escuela P o litécn ica y de la Escuela N o rm a l, lugares d o n d e , g e ­


n e ra lm e n te , se ed u can las clases d irig e n te s francesas. (N . d el E.)
CAIDA UBRE 13

d eb eres si q u ie re s triu n fa r m a ñ an a » . C u a n d o yo e s tu d ia b a
e n el liceo, p o r la n o ch e íb a m o s con m i h e rm a n o a d e s p e ­
d irn o s d e m i p a d re q u e tra b a ja b a h a sta m u y ta rd e e n su
escritorio; si p o r c a su a lid ad n o s p re se n tá b a m o s a n tes d e las
d iez y m e d ia — te n ía m o s e n tre d iez y trece añ o s— é l nos
decía: « E n to n ces, ¿no se tra b a ja esta noche?» A u n q u e n o s­
o tro s p re fe ría m o s d o rm ir en n u e stras cam as y le v a n ta rn o s a
las once m e n o s v ein te p a ra besarle a u n a h o ra c o n sid e ra d a
d e c e n te . Este m u n d o e sta b a m u y segu ro d e sí; d e sc a n sa b a
so b re valores n a cio n a le s, p rofesionales y sociales q u e
ju z g a b a e v id e n te s. El q u e se h u b ie se c o n fig u ra d o e n m í ta l
sistem a d e exigencias q u e m e m arcó p a ra to d a la v id a ,
explica la v io len cia co n q u e e x p e rim e n té , a la v e z , la
m e d io c rid a d y el h u n d im ie n to d e ese m u n d o c u a n d o p u d e
d a rm e c u e n ta d e ello. E n efecto , ese a m b ie n te q u e afir­
m a b a c o n s e m e ja n te fu e rz a sus valores se h a lla b a e n to ta l
d e sc o m p o sició n . U na fa m ilia fu e rte y e x ig en te m e d ió los
m ed io s y, so b re to d o , la n ece sid ad d e salv arm e d el
desastre, a la vez que lo e x p e rim e n ta b a ta n to co m o y o . N o
se sale d e ta le s c o n tra d icc io n e s.

La instrucción p ú b lic a

P ero , a n te to d o , ese m u n d o era p a ra m í el liceo : liceo


M o n ta ig n e , liceo L o u is-le-G ran d , n a d a d e d e sp re c ia b le e n
ello . A h o ra b ie n , yo h e d e te s ta d o el liceo y, lu e g o , la u n i­
v ersidad: esto explica a lg u n a s posiciones q u e to m é e n m i
v id a. E n p rim e r té rm in o , sie m p re fu i in cap az d e p e r m a ­
n ecer u n a h o ra con las p ie rn a s p o r d e b a jo d e u n a m esa,
in m ó v il, y la d isp o sic ió n d e los espacios e n u n a esc u e la
siem p re m e h a p a re cid o d e u n a b ru ta lid a d to ta lm e n te
in ú til e in ex p lic ab le . D e sp u é s, a p re n d í q u e e n los liceos
fa lta a c tiv id a d , y el s e n tim ie n to q u e m e d o m in ó d u r a n te
añ o s fu e el a b u rrim ie n to . A b u rrim ie n to ta n g ra n d e q u e ,
m u y p ro n to , d e sd e los n u e v e años d e e d a d , c o m e n c é a
d eificarm e a o tras o cu p acio n es d u ra n te las h o ras d e clase.
R e d a c ta b a te x to s m u y escolares: u n m a n u a l de g e o g ra fía ,
lu eg o u n tr a ta d o d e lite ra tu ra francesa q u e e la b o ra b a con
m is c o m p a ñ e ro s, y q u e a b arca b a m u c h o s c ie n to s d e
14 UN DESEO DE HISTORIA

p á g in a s. T e n ía yo d ie z , o n c e a ñ o s ... ¡H a b ía q u e o c u p a rse
en a lg o , a la e sp e ra d e q u e a u n o le p re g u n ta s e n c a d a
q u in c e d ía s !... A d e m á s , el liceo sólo se in te re sa b a e n
textos, lo q u e s ie m p re m e chocó p ro f u n d a m e n te . N o creo
q u e la situ a c ió n h a y a c a m b ia d o m u c h o , a ju z g a r p o r los
p ro g ram a s d e m is h ijo s . Lo m á s escan d alo so e n la escu ela
francesa es su v o lu n ta d siste m á tic a d e s u p rim ir la clase, a
los a lu m n o s co m o g ru p o , y, m ás a m p lia m e n te , d e n e g a r lo
q u e p u e d e d e n o m in a rs e e d u c a c ió n . El á m b ito escolar n o
q u ie re ser e d u c a tiv o . P ara re to m a r los v ie jo s té rm in o s o fi­
ciales, d a u n a in s tru c c ió n p ú b lic a y n o u n a e d u c a c ió n
n acio n al. Se h a e x p lic a d o la situ a ció n d ic ié n d o se q u e ello
era re su lta d o d e u n p a c to e n tre el e sta d o y la b u rg u e sía: la
b u rg u e sía e d u c a b a , fija b a las n o rm a s, y e l e sta d o tra n s m i­
tía los in s tru m e n to s . Es v e rd a d , p e ro in s u fic ie n te . La e d u ­
cación d e u n n iñ o fran cés rep o sa so b re la id e a d e q u e la
a u to rid a d es e x te rio r. A u n jo v en a m e ric a n o se le e n s e ñ a
u n a m o ra l; se le e n s e ñ a a c o n d u cirse d e u n a d e te rm in a d a
m a n e ra , a se n tirse c u lp a b le o, p o r el c o n tra rio , m o ra lm e n ­
te satisfecho d e sus actos. E n F ran cia h e m o s sid o e d u c a d o s
seg ú n u n m o d e lo q u e p ro v ie n e d e la re lig ió n y d e l e sta d o .
D ios n o es la co n cie n c ia; el e sta d o n o es los g ru p o s J e
p resió n . Se tr a ta d e a b so lu to s, es el m á s allá: u n o d e b e
con fo rm arse a sus p rin c ip io s y te m e r su ju ic io , p e ro n o se
está re a lm e n te o b lig a d o a creer e n sus ó rd e n e s. La ú n ic a
v e n ta ja d e la re lig ió n consiste e n q u e ella d isp e n sa d e te n e r
u n a m o ra l, y la ú n ic a v e n ta ja d e l e sta d o resid e e n q u e él
p u e d e p ro te g e r c o n tra el d o m in io d e los n o ta b le s. A l
m e n o s, yo lo h e c re íd o así.
F ui e d u c a d o e n este m u n d o . El p ro fe so r n o es u n a n i­
m a d o r, sino u n m e d ia d o r. El ú ltim o e n p e n sa r así fu e
M alraux, c u a n d o c re ó las casas d e c u ltu ra . Estas d e b ía n ser
lugares d e e n c u e n tro d e «la g e n te» co n las g ran d es o b ra s.
D io s o el e sta d o . G e n te a la q u e n o h a y q u ie n se atre v a a
lla m a r «masa» y a la q u e se d e n o m in a rá el p u e b lo , o , e n
los g ran d es días, la n a ció n . P ero la n a ció n es, e n re a lid a d ,
los su jeto s d e l e sta d o , y n o la v o lu n ta d n acio n al d e l
a ñ o II*. N o h e p o d id o so p o rta r b ie n e ste sistem a. El m e
* Hace referencia al a ñ o II, expresión e m p le a d a en la revolución francesa
su stitu y en d o al calendario ro m an o . (N. d e l E.)
CAIDA UBRE 15

fo rm ó y soy in c ap a z d e h a b itu a rm e a u n a sociedad d e tip o


c o m u n ita rio a la am erican a. P ero te n g o la sen sació n d e
q u e m e h a v io le n ta d o d e m a n e ra p e rm a n e n te y, sobre
to d o , q u e m e h a im p e d id o e x p re sa rm e . A lgo d e sp u é s , en
los ú ltim o s cursos del liceo s ie m p re f u i u n m al a lu m n o , no
p é sim o , sin o u n a lu m n o in a d a p ta d o (en p a rte a c au sa d e
m i escasa e d a d ; ap ro b é m i s e g u n d o a ñ o d e b a c h ille ra to a
los q u in c e a ñ o s, y el p rim e ro el a ñ o a n te rio r, d e p a n ta lo ­
nes cortos). S iem pre m e afectó , e n la vida u n iv e rsita ria y
escolar, q u e se m e im p u sie se n m o d e lo s d e c o m p o rta m ie n ­
to in te le c tu a l q u e eran d e su m isió n . Lo q u e se lla m a in te ­
lig en cia e n el sistem a escolar es, s o b re to d o , la c o m p re n ­
sión co rrecta d e u n texto escrito. E sto n o es d el to d o d es­
p re c iab le , p e ro sólo es u n a fo rm a d e in telig en cia; la cap a­
c id ad d e in v e n ta r, d e im a g in a r, d e expresarse p e rs o n a l­
m e n te es o tra cosa.
C o m o los estudios q u e seguí d a b a n m u c h a im p o rta n c ia
a las letras clásicas, re c u e rd o m i d e sp e c h o y m i triste z a
c u a n d o tra b a ja b a con am igos, e n p re p a ra to rio * sobre
T ácito u H o m e ro . A lg u n o s h a lla b a n rá p id a m e n te el
s e n tid o d e los pasajes difíciles, m ie n tra s q u e con frec u en c ia
yo m e veía e n serias d ific u lta d e s. N u n c a tu v e u n a d isp o ­
sición a d e c u a d a según el se n tid o escolar. S iem p re m e in te ­
resé m ás e n im a g in a r y e n e x p re sa rm e y, ta m b ié n , conservé
d el e je m p lo p a te rn o la id e a se g ú n la cual lo esen cial co n ­
siste e n p ro d u c ir, in v e n ta r, a p o rta r alg o n u ev o , y n o re p ro ­
d u c ir fie lm e n te el p asado. M e g u s ta m ás escribir q u e leer,
m ás h a b la r q u e escuchar.
N o g u a rd o m u ch o s recu erd o s d e m is p ro feso res. La
relació n tra d ic io n a l era de su m isió n o , p o r el c o n tra rio , de
jaleo . Los a lu m n o s p ro c e d e n c o m o los so ld ad o s e n sus
cuarteles. E n clase no se p u e d e n i d iscu tir ni expresarse,
p e ro e n el p a tio se crea u n a c u ltu r a escolar secreta. Los
profesores e s ta b a n ta n a g o b ia d o s co m o los a lu m n o s p o r
esta e d u c a c ió n , y por cierto q u e m u c h o s de ellos, h u y e n d o
d e la im p e rso n a lid a d d e c o s tu m b re , se o c u p a ro n con
m u c h o in te ré s de m is p ro b le m a s escolares. A l n o ser la
* La expresión K h a g n e p ertenece al arg o t e s tu d ia n til francés y hace referencia a
las clases y cursos preparatorios a las escuelas su p eriores, en rég im en d e tu to rías
g en eralm ente. T raducim o s com o preparatorio (N . d e lT .)
16 U N DESEO DE HISTORIA

d a se u n g ru p o , sólo q u e d a b a n los am ig o s. E n m a sc u lin o ,


d e sd e ya, p o rq u e e sta fo rm a c ió n se b a s a b a e n u n a s e p a ­
ració n to ta l d e los sexos. E ra u n m u n d o d e chicos q u e n o
te n ía la m e n o r re la c ió n co n el d e las n iñ a s , y p a ra m a le s
m ay o res p asé sin a le g ría m u c h o s a ñ o s e n tre los scouts. E sto
n o c o n v e n ía d e n in g ú n m o d o a m i te m p e ra m e n to , q u e era
p o co c a m o rrista y m á s b ie n in te le c tu a l. C o n s ta n te m e n te
te m ía q u e se m e ro m p ie s e n las gafas. E l escu ltism o e ra u n
m o v im ie n to a g re siv a m e n te m a sc u lin o , d e u n a n tic u a d o
in c re íb le , p e ro q u e h iz o q u e m e g u s ta s e n las largas c a m i­
n a ta s p o r el b o s q u e y los fu e g o s d e c a m p a m e n to .
El a m b ie n te e n q u e crecí era d e d e re ch a s, p e ro los
a c o n te c im ie n to s p o lític o s nos e ra n b a s ta n te ajen o s e n la
é p o ca e n q u e te n ía m o s e n tre d iez o d o c e años. N o o b s ­
ta n te , m e q u e d a n a lg u n o s re c u erd o s p o lítico s; el m ás
a n tig u o d a ta d el 6 d e fe b re ro . Los ca m elo ts d u r o i* te n ía n
u n a sed e ju s ta m e n te a l la d o d e m i casa, e n la calle S ain t-
G u illa u m e . A llí vivía la fa m ilia D a u d e t, al la d o d e
C iencias p o líticas. R ec u e rd o la lle g a d a d e los jovencitos d e
A c tio n fran çaise p o r las calles de G re n e lle h acia el b u lev ar,
y su a ta q u e a los g u a rd ia s a c ab allo , la n z a n d o las verjas d e
los árb o les d el b u le v a r R aspail c o n tra a q u e llo s jin e te s y
d e sja rre ta n d o co n navajas, a los caballos. E n ese b a rro , el
F re n te p o p u la r in fu n d ía te rro r. El m u n d o o b re ro p a re c ía
le ja n o y a m e n a z a d o r. M en d és-F ran ce d ijo , h a b la n d o d e la
in m e d ia ta p o sg u erra: «La h is to ria d e F ran cia h a e sta d o d o ­
m in a d a p o r el h e c h o de q u e la clase o b re ra n o o b tu v o él
acceso al p o d e r q u e c o n q u istó e n la m a y o ría d e los p aíses
e u ro p e o s.» D u ra n te la p re g u e rra , la b u rg u e s ía p a risin a
te n ía relacio n es m á s arcaicas to d a v ía . P a ra ella, la clase
o b re ra e ra «los arrabales», in sta la d o s a lre d e d o r d e la
c iu d a d . La clase o b re ra e ra ya n u m é ric a m e n te im p o rta n te
e n F ran c ia , p e ro la F ran cia oficial era u n m u n d o p re in d u s ­
tria l, h e c h o de c a m p e sin o s, fu n c io n a rio s , co m ercian tes y
g e n te d e p ro fesio n e s lib erales, m ie n tra s q u e a lre d e d o r d e
las c iu d a d e s se a p iñ a b a la oscura m asa d e los ob rero s y las
fá b ric a s. F ran cia n o era u n a sociedad in d u s tria l. El v e rd a ­

* M ilitan tes realistas d e l p erío d o de en treg u erras, d edicados g en eralm en te a


re p a rtir p ro p a g a n d a m o n á rq u ic a . (N . d el E.)
CAIDA UBRE 17

d ero p r o b le m a , e n la b u rg u e s ía , era la te n ta c ió n fascista. A l


ir al liceo L o u is-le -G ra n d veía p o r la calle S ain t-Jacq u es a
los J P (las Jeu n esses p a tr io te s , e q u iv a le n te s al G U D
actual) m a n ife s tá n d o s e a n te la fa c u lta d d e d e re ch o c o n tra
G a sto n J è z e , p ro feso r d e la m ism a q u e h a b ía d a d o a c o n o ­
cer u n c o m u n ic a d o a la S o cied ad d e N acio n es c o n d e n a n d o
la in te rv e n c ió n ita lia n a en E tio p ía . Los J P , cuyo je fe era
T a ittin g e r, y la A c tio n française d e M aurras y d e D a u d e t se
la n z a b a n c o n tra la iz q u ie rd a y c o n tra la re p ú b lic a . La
F rancia tra d ic io n a lista , a fe c ta d a p o r la crisis y p o r el te m o r a
la clase o b re ra , se hacía fascista. M i a m b ie n te se m a n tu v o
en lo esen cial — si n o c o m p le ta m e n te — al a b rig o d e la
te n ta c ió n fascista. Era d e m a sia d o conservador; los g ra n d e s
p rin c ip io s, el elitism o , e l e sta d o y la relig ió n ju g a b a n e n él
u n p a p e l m u y c o n sid e ra b le , lo q u e le h acía sen tirse d e m a ­
siado só lid o p a ra caer e n el fascism o. Se era n a c io n a lista ,
n o fascista. M ás ta rd e , m u c h o s chicos de este a m b ie n te lu ­
ch aro n e n la división Leclerc. E x trañ o m u n d o , ta n arcaico
com o m o d e rn iz a d o r, ta n e x ig en te co m o ciego; lo o p u e sto
a la m o d e rn id a d , p e ro a n im a d o p o r u n g ran d e se o d e
acción y re b e ld e a la ru tin a . G e n te te n sa . U n u n iv e rso
cerrado al q u e , si tuviese q u e e n co n trarle u n la d o b u e n o
— y n o te n g o m o d o d e h allárselo — , e sta b a p ro te g id o p o r
su p ro p ia v e tu ste z c o n tra el m u n d o del d in e ro , la e sp e c u ­
lación, el m e rc a d o negro.

Un «e s tu d ia n te »fu era d e l tie m p o

Pasé d e allí sin so lu ció n d e c o n tin u id a d a u n lu g a r ex ­


tra o rd in a rio , ex trav ag an te: el p re p a ra to rio d u r a n te la
g u erra. F ui a lu m n o d e estos cursos e n el L o u is-le-G ran d ;
allí viví e n u n m u n d o fu e ra d e l tie m p o , fu e ra d e l esp acio ,
s e g u ra m e n te fu e ra d e la h isto ria . C reo q u e n o p a sé , en
cu atro añ o s, u n solo d o m in g o sin tra b a ja r. Las referen cias
d o m in a n te s n o s lleg ab an d e la lite ra tu ra . T res ép o cas se
su ce d ie ro n e n ese a m b ie n te : la m ía , la m ás a n tig u a , en la
q u e u n o se d e fin ía e n relación con la lite ra tu ra ; lu eg o ,
diez años d e sp u é s , a q u é lla e n q u e u n o se d e fin ía e n re la ­
ción con la filosofía; y fin a lm e n te , diez años m ás ta rd e ,
18 UN DESEO DE HISTORIA

a q u é lla en q u e los a lu m n o s p e n sa ro n e n té rm in o s p o líti­


cos. Y o p e rte n e z c o p r o b a b le m e n te a la ú ltim a g e n e ra c ió n
p a ra la q u e el g ra n p u n t o d e re fe re n c ia fu e G id e . Lo leí
co n e n tu siasm o c u a n d o te n ía dieciséis o d iecisiete añ o s.
E x p e rim en té u n a m o r p a rtic u la r p o r Les nou rritu res terres­
tres y Les n o u velles n ou rritu res, p e ro ta m b ié n p o r S i le
grain ne m eu rt, o p o r La p o r te étro ite. U n ic a m e n te su
faceta de los F au x-m on n ayeu rs n u n c a m e g u stó m u c h o .
D os o tres añ o s d e sp u é s , le í co n p a sió n a M alrau x . L ’e sp o ir
— m ás q u e La c o n d itio n h u m a in e — re s p o n d ía a m is acti­
tu d e s c o n tra d ic to ria s re sp e c to d e l le ja n o m u n d o d e la
acción, q u e m e a tra ía c o m o la v ida m is m a y d e l q u e p e r­
m a n ec ía sep a ra d o p o r la conciencia. P ero m i m ay o r
recu erd o d e e sta é p o ca (y d e l q u e jam ás volví a h a lla r
e q u iv a le n te e n el te a tro ) fu e Le sou lier d e satin, re p re se n ­
ta d o e n 1943 e n la C o m é d ie -F ra n ç a ise , c o n Jea n -L o u is
B arra u lt. P asáb am o s m u c h o tie m p o le y e n d o y c o m e n ta n d o
textos. El la tín y el g rie g o e ra n co m o ejercicios d e g im n a sia
in d isp e n sa b le s p a ra a p ro b a r opo sicio n es, p e ro m i in terés
n u n c a m e volcó h a c ia ese la d o . Ja m á s e x p e rim e n té el
m e n o r p lacer co n la lite ra tu ra la tin a , y m i ú n ic o b u e n
recu erd o es la le c tu ra d e H o m e ro . La c o stu m b re e stab lecía
q u e e n el e x am e n d e l ’E cole N o rm a le el cate d rá tic o d e
griego solicitase e n el o ra l, sin n in g u n a p re p a ra c ió n , q u e se
tra d u je ra a H o m e ro . Eso q u e yo le ía co n fre c u e n c ia La
O disea e n el m e tro . L ogré le e r, asim ism o , m u c h o s discursos
d e D e m ó ste n e s. T u c íd id e s y los trágicos h a n sid o sie m p re
d e m asia d o difíciles p a ra m í. P ero en re a lid a d n o te n ía m o s
acceso a las lite ra tu ra s a n tig u a s; m ás b ie n se tra ta b a , creo,
d e arraigarnos si n o e n u n a d e te r m in a d a c u ltu ra , al m e n o s
sí e n el se n tid o q u e u n a tra d ic ió n le h a b ía o to rg a d o . Las
clases de fran cés y d e filo so fía eran las q u e a lim e n ta b a n
n u e stra v id a in te le c tu a l. M i a c tiv id a d e sta b a a b s o lu ta m e n ­
te d o m in a d a p o r las d ise rta c io n e s o las ex p licacio n es d e
tex tos. Y o n o so ste n ía , d e n in g ú n m o d o , u n a a c titu d
p ro p ia d e u n e m p o lló n . E x p e rim e n ta b a g ra n satisfacción
in te le c tu a l al e x p re sa rm e so b re u n a id e a o u n te x to . N o
tu v e profesores n o ta b le s , a excepción d e F e rd in a n d A l-
q u ié , q u e era el g ra n h o m b re d e l p re p a ra to rio d e Louis-le-
G ra n d . V olví a h a lla rle d o s o tres veces e n m i c a m in o .
CAIDA UBRE 19

Sean cuales sean sus o p in io n e s e n la a c tu a lid a d , sig u e


sien d o p a ra m í el g ra n p ro feso r q u e fu e .
Mis g ra n d e s alegrías p ro v e n ía n d e los tex to s lite ra rio s.
Mi g e n e ra c ió n fu e e d u c a d a en el c u lto d e B a u d e la ire y d e
R im b a u d . N in g ú n tex to m e m arcó m ás q u e U ne saison en
enfer. T o d a v ía c o n stitu y e, p a ra m í, u n te x to d e in ic ia c ió n .
N o p u e d o p e n sa r e n las Fleurs d u m a l sin re c o rd a r q u e
fu e ro n , d u r a n te años, el c en tro d el m u n d o c u ltu ra l,
e x ig en te y cerrad o , co n el q u e m e id e n tific a b a . A través d e
a lg u n o s te x to s com o ésos p a sé d e l m u n d o escolar al m u n d o
real, q u e n o p o d ía vivir sino co m o a lg o im a g in a rio . La
escuela la b ra b a m is ju icio s y m is s e n tim ie n to s. A causa d e
h a b e r re c ib id o u n a e d u ca c ió n «clásica», Ita lia será sie m p re ,
p a ra m í, u n p aís a b s o lu ta m e n te d ife re n te : era el p aís
sagrado. E n la c u ltu ra q u e recib í, A le m a n ia , In g la te rra o
los Países B ajos n o tie n e n n a d a q u e p u e d a co m p ararse a
R o m a o Florencia. B rujas o la N a tio n a l G a llery e ra n
a d m ira b le s, p e ro n o d iv in as c o m o el F o ro o g li U ffiz z i.
C u a n d o , d e sp u é s d e la g u e rra , p u d e v iajar, m e fu e im p o ­
sible c o n c e b ir d irig irm e a o tra p a rte q u e n o fu ese Ita lia .
Y o d e te s ta b a la c u ltu ra g re c o rro m a n a q u e se m e h a b ía
im p u e s to p e ro e sta b a c o m p le ta m e n te p e n e tra d o p o r ella.
A u n q u e lo esencial, p a ra m í, era la m o ra l, y n u n c a la
lite ra tu ra . T e n ía yo g ra n d e s p re o c u p a c io n e s religiosas, li­
gadas a a q u e l encierro im p u e s to y a la au se n c ia d e c a p ta ­
ción d e l m u n d o real. H ay q u e reco n o cer q u e a q u e l m u n d o
d e p re p a ra to rio , con b ie n pocas ex cep cio n es, estuvo d u r a n ­
te c u a tro a ñ o s fu e ra d e l tie m p o y d e los a co n te c im ie n to s.
E x tra o rd in a ria d esco n ex ió n . Si a c tu a lm e n te se m e d ice: «La
escuela es u n a escuela b u rg u esa» , c o n te s to q u e es cierto
p e ro q u e , m ás a ú n , es u n a escuela libresca. H e v iv id o esa
v id a p a to ló g ic a d e los sem in aristas de u n iv e rsid a d , tr a b a ­
ja n d o e n m e d io de las llam as y d e las co n m o cio n es sin ser
afectados p o r ellas. E n 1944, e n el L o u is-le -G ra n d , e ra n
frec u en tes las a le ñ a s aéreas. Se b a ja b a al só tan o , d o n d e
c o n tin u a b a la explicación d e los tex to s la tin o s o g rieg o s.
Los a co n te c im ie n to s o c u rría n , re a lm e n te , ¡sobre n u e stra s
cabezas! G u a rd o u n re s e n tim ie n to in e x tin g u ib le d e u n
m u n d o social y libresco q u e , e n n o m b re d e l tra b a jo , el
sab e r y la d ig n id a d , fu e ta n c astra d o r. F in a lm e n te , la
20 U N D ESEO D E H IST O R IA

c u ltu ra e n la q u e f u i e d u c a d o era e x tre m a d a m e n te d u a lis ­


ta: el alm a c o n tra e l c u e rp o , la e sp iritu a lid a d c o n tra la
m a te ria lid a d , el s e n tid o c o n tra el caos d e los a c o n te c im ie n ­
tos; los h o m b re s p o r u n la d o , las m u je re s p o r el o tro . E n
este a m b ie n te , las cien cias sociales no p o d ía n te n e r c a b id a .
Y yo era el p rim e r c o n v e n c id o d e ello. M i ú ltim o re c u erd o
d e m is años d e p re p a ra to rio se s itú a e n 1945, e n la calle
d ’U lm , e n el p r im e r p iso d e l ’Ecole N ó rm a le , e n u n a sala
. lla m a d a salón d e a cto s. A llí a p ro b é el o ral d e filo so fía. E n
u n m o m e n to , C a n g u ilh e m m e d ijo: «D ése v u e lta . A llí
atrás ve v d. u n a s losas d e m á rm o l co n el n o m b re d e los
a n tig u o s a lu m n o s m ie m b ro s d e las d is tin ta s a ca d e m ias.
P u e d e leer: “ H e n r i B erg so n - A c a d é m ie des Sciences
m o rales e t p o litiq u e s ” . ¿ Q u é son p a ra u s te d las “ ciencias
m o rales y p o lític a s “ ?» Y o era u n b u e n a lu m n o d e p r e p a ­
ra to rio p o r lo q u e c o n te s té : «Eso n o existe». A lg ú n tie m p o
d esp u és, ¡m e c o n v e rtí en sociólogo! E n efecto , era e v id e n te
q u e n o ex istían . ¡C o n o c im ie n to s im p u ro s , in ferio res! E n
esta c o n d e n a veo h o y m e n o s u n a p o sició n clasista q u e
el sig n o d e u n a so c ie d a d e n d e sc o m p o sició n , in c a p a z d e
p e n sa r en sí m is m a . S o c ie d ad -av e stru z , c o n la c ab e z a e n la
a re n a y el culo al a ire . S o c ie d ad d e s-re a liz a d a , c o n s o b re ­
p ro d u c c ió n d e p rin c ip io s , id e as, sím b o lo s, barreras. S ien ­
to , p o r la F rancia d e p re g u e rra , u n a viva re p u g n a n c ia , y si
b ie n p a rtic ip é e fe c tiv a m e n te e n el c lim a a la vez in d u s tria -
liz a d o r y m o d e rn iz a d o r d e los v e in te a ñ o s de p o s g u e rra y
e n la e sp e ra n z a m e n d e s is ta * d e los a ñ o s 50, fu e p o r h o rro r
d e a q u e l p a sa d o cu y a su ficien cia y m e d io c rid a d se m e
h a b ía n v u e lto in s o p o rta b le s . T a m b ié n a d v e rtí b a s ta n te
rá p id a m e n te la d e c a d e n c ia in te le c tu a l d e la p re te n c io s a e
in e rte F rancia d e e n tre g u e rra s .
E n ese aislad o a m b ie n te d e p re p a ra to rio la a ctiv id ad
in te le c tu a l p e rs o n a l, los lib ro s y los am ig o s o c u p a b a n casi
to d a m i vid a. C u a n d o d ig o los «am igos», n o se tr a ta de
u n a p a la b ra to ta lm e n te exacta: m ás b ie n h a b ría q u e d ecir
los «com pañeros», o sea a q u é llo s co n q u ie n e s se tra b a ja b a .
N o creo h a b e r h a b la d o a m e n u d o d e p ro b le m a s p erso n ales

* R eferente a Pierre M en d és-F ran ce, u n o d e los d irig en tes d e la IV R epública y


de la izq u ierd a francesa. (N . d e lE .)
CAIDA UBRE 21

con a m ig o s. P e ro p a sa b a h o ras e n teras d isc u tie n d o el te m a


de la d ise rta c ió n d e filo so fía o de francés. Y las a m ista d e s
o los d e sa c u e rd o s e sta b a n d e te rm in a d o s p o r ideas y gustos
in te le c tu a le s o literario s. A fines d e m i p e río d o d e p r e p a ­
rato rio m i a m ig o m ás cercano fu e Jean -F ran ço is L y o tard .
En 1944, la v id a era co m p lic ad a , casi n o h a b ía e lec trici­
d a d . L y o tard y yo íb a m o s en to n ces a tra b a ja r al h o s p ita l
L aënnec, p o r la n o ch e, e n locales o c u p a d o s d u ra n te el d ía
p o r la c o n s u lta de d e rm a to lo g ía q u e d irig ía m i p a d re .
L yotard vivía e n el b u le v ar d e V a u g ira rd , yo en el b u le v a r
R asp ad , y yo h a cía el re c o rrid o en bicicleta. El era a lta n e ro
y reserv ado. N o s en o jam o s p o rq u e yo era m u y e sp iritu a lis­
ta y él, p o r e l c o n tra rio , te n ía u n n ie tz sc h eísm o agresivo y
cínico. A sim ism o , le g u s ta b a M o n th e rla n t, y, a m í, G id e :
era éste u n te m a de d e sa c u erd o . H e conservado p o r él la
a d m ira c ió n y el te m o r q u e m e in sp ira b a.
C o m o n o m e c o m u n ic a b a fá c ilm e n te co n los o tro s, m e
co n v ertí e n m i p ro p io c o n fid e n te , y d u ra n te c u atro o cinco
años escribí u n diario cuyos cientos d e p á g in a s viven to d a ­
vía b a jo u n a p ila de viejos ex p ed ie n te s y d e tex to s re d a c ­
tad o s e n la m is m a época. Sólo he v u e lto a h o je a rlo u n a
vez, y lo h a llé m u y lejos d el m u n d o en q u e vivo a u n q u e
m u y p a re c id o a lo q u e soy. A veces te n g o la im p re sió n d e
acercarm e p o c o a poco a u n a ju v e n tu d p o r la q u e m á s h e
p asad o q u e vivido.

E l desastre

El ú n ic o m o m e n to en q u e sen tí, p o r la fu e rz a d e las


cosas, q u e la h isto ria nos a ta ñ ía , fu e d u ra n te el desastre.
H a b ía m o s p a sa d o el a ñ o d e g u e rra en O rlé a n s, d o n d e m i
p a d re , b a s ta n te m ay o r, h a b ía sido m o v iliz a d o p a ra d irig ir
u n h o s p ita l. C u a n d o llegó la invasión, m i fa m ilia se
re p le g ó a C h e r. A q u í escuché la n o tic ia d e l a rm isticio , en
u n b a r. El m ariscal P é ta in h a b la b a con su voz tré m u la . Era
escuch ad o e n u n clim a d e tristeza, d e d ig n id a d , y, so b re
to d o , d e co b ard ía. La b u rg u e sía fran cesa h a b ía te n id o
m ie d o . R ec o rd a b a el F re n te p o p u la r, la crisis, el q u e b ra n to
de su o rd e n . Se a b a n d o n a b a al castigo. T u v e la sen sació n
22 UN DESEO DE HISTORIA

física d e q u e ese m u n d o t a n seg u ro de sí y a n o era n a d a .


%La o c u p ac ió n s u p u s o , so b re to d o , u n a v id a m a te ria l
difícil. E n n u e s tro g ra n a p a rta m e n to sólo h a b ía u n a
h a b ita c ió n re sca ld a d a, con d iez o doce g rad o s, y p o r la
n o c h e to d a la fa m ilia tra b a ja b a a lre d e d o r d e la m e sa . M i
p a d re escribía sus a rtíc u lo s , yo h a cía m is versiones, m i
h e rm a n o sus d e b e re s de m a te m á tic a s, u n a d e m is h e rm a n a s
p re p a ra b a sus e x á m e n e s d e m e d ic in a , la o tra sus d e b eres
d e liceo, y m i m a d re z u rc ía. E ste m u n d o ta n n o b le vivía
e n la d e ca d e n cia m a te ria l, d ig n a m e n te , p e ro sin c o m p re n ­
d e rla . Por s u p u e s to , e n tre los q u in c e y v e in te añ o s n o tu v e
vacaciones. T al es el sa b o r de m i ju v e n tu d : el c o n tra ste
e n tre el elitism o d e m i fo rm a c ió n escolar o la fu e rz a d e l
a m b ie n te fa m ilia r, y la u s u ra de la v id a c o tid ia n a . A raíz
d e a q u é llo m e q u e d ó u n a in a d a p ta c ió n d e fin itiv a h a c ia
to d o a m b ie n te q u e sie m p re m e im p u lsó a h a ce r las cosas a
to d o correr e in te n s a m e n te , a re sp e ta r ú n ic a m e n te la
creación y el tra b a jo p ro d u c tiv o , p e ro ta m b ié n a s e n tirm e a
d isg u sto e n to d a s p a rte s . Si m e c o n v ertí e n sociólogo, ello
q u iz á se d e b a a ,q u e re r volver a e n c o n tra r u n m u n d o
«exterior» d e l q u e p o r ta n to tie m p o y ta n c o m p le ta m e n te
h a b ía sido s e p a ra d o , d u r a n te m is in te rm in a b le s añ o s d e
sem in arista . El d ía e n q u e la h isto ria b a rrió esta so cied ad
e n m o h e c id a , to d o lo q u e h a b ía e n la vieja casa, e n la so­
c ie d a d francesa, y, s o b re to d o , en sus escuelas m e p a re ció
algo irreal. M i v id a in te le c tu a l fu e d e te rm in a d a p o r esta
ru p tu ra . La so cie d a d c a m b ió c o m p le ta m e n te , sus p rin c i­
p io s se h u n d ie ro n e n el p o lv o ; F ran cia, u n p erso n aje y casi
u n a d iv in id a d , n o e ra m á s q u e u n te rrito rio o c u p a d o . La
h isto ria se en carg ó d e a rra stra r h acia el m a r to d o s los
desechos de u n a g ra n d e z a m u e rta .
Lo q u e d e a q u e lla e d u c a c ió n p e rm a n e c e e n m í es u n a
cierta d istan cia, q u e h o y critico y preservo a la vez, co n
resp ecto a las «realidades» económ icas. E n el m u n d o e n
q u e crecí se p o d ía u n o co n v ertir, si acaso, e n fascista o
c o m u n ista , p e ro s e g u ra m e n te q u e n o e n v e n d e d o r d e
in m u e b le s. N u n c a a b a n d o n a ré la id e a se g ú n la cual la
so ciedad no es s o la m e n te u n «sistem a», sin o q u e es
arrastrad a p o r eso q u e p u e d e d e n o m in a rse , in d if e re n te ­
m e n te , fu e rz as, id e as o acciones. Si se m e h a b la d e lu c h a
CAIDA UBRE 23

d e clases, lo e n tie n d o ; p e ro si a lg u ie n afirm a: «Los


h o m b re s se m u e v en p o r el d in ero » , ya n o lo e n tie n d o . La
id e a d e q u e la so cied ad e stá o rg a n iz a d a a lre d e d o r d e
p rin c ip io s d e in te g ra c ió n m e re su lta a jen a . La so cie d a d n o
es lo q u e es, carece d e n a tu ra le z a ; es el p r o d u c to d e
acciones, es decir, a la vez, d e con flicto s y d e valo res. N o
m e a tra e p e n sa r en té rm in o s de p re se n te . El té r m in o
«S ociedad de consum o» es algo q u e n o tie n e u n s e n tid o
m u y p o sitiv o p a ra m í. Se c a n ta al p la ce r, a la in te g ra c ió n ,
a la a d a p ta c ió n ; siento h o rro r p o r esas p a la b ra s. Si a lg u ie n
m e h a b la de la in d u stria liz a c ió n o d e la creación d e u n a
n u e v a n a c ió n — a lu d ie n d o al T e rc e r m u n d o o al m u n d o
so v iético— e x p e rim e n to u n cierto e n tu sia sm o , a u n q u e m e
o p o n g a a los p ro g ram a s q u e p ro p o n e n .
Mis a ñ o s juveniles te rm in a ro n e n u n a situ a c ió n d e d e s ­
co m p o sició n to ta l, c u a n d o irru m p ió la h isto ria . Q u e ría
a b a n d o n a r m is e stu d io s — com o to d o el m u n d o — p e ro
fin a lm e n te los c o n tin u é . En a g o sto d e 1944, d u r a n te la
lib e ra c ió n de París, viví e n C o m m e rc e -S a in t-A n d ré , cerca
d e la g lo rie ta D a n to n . U n a m a ñ a n a vi u n o s s o ld a d o s
a le m a n e s m u e rto s en la e sq u in a d e a m b o s b u le v ares. P a r­
ticip é e n la construcción de barricad as e n la calle d e
1’A n c ie n n e -C o m é d ie y e n S a in t-A n d ré -d e s-A rts. P e ro e n
o c tu b re recu p eré el p a tio a sfalta d o y las salas con v e n ta n a s
e n re ja d a s d el L o u is-le-G ran d . T ras u n ú ltim o añ o d e v id a
escolar, e n o c tu b re d e 1945 m e h a lla b a en u n á n g u lo d e l
p a tio c u a d ra d o de l ’Ecole N ó rm a le . El ed ificio e sta b a
to d a v ía o c u p a d o p o r g ra n d e s d o rm ito rio s, atrav esad o s p o r
u n p asillo cen tral hacia el q u e se a b ría n las p u e rta s d e las
cam arillas cerradas p o r co rtin as blancas. E n a q u e lla c a m a ­
rilla h a b ía u n a cam a de h ie rro . R ecu erd o m i p rim e ra
n o c h e . A b rí m i s e m iv e n ta n a (los ta b iq u e s d e las c a m a ri­
llas c o rta b a n las v e n ta n a s e n d o s); escu ch ab a el m id o d e l
p e q u e ñ o s u rtid o r. Ese fu e u n o de los m o m e n to s d e d ic h a
e n m i v id a . N o el e sta r e n l ’Ecole N ó rm a le , con la q u e
m e h a b ía llevado m u y m a l, sin o escuch ar a q u e l p e q u e ñ o
su rtid o r. V eía allí to d o s los ja rd in e s d el M e d ite rrá n e o
s o ñ a d o ... H a b ía sido tra n s p o rta d o p o r u n a ilu sió n q u e n o
d u ró sin o pocos días, la ilu sió n d e q u e d e sp u é s d e to d o ib a
a p o d e r ingresar en el m u n d o vivo, e n vez d e co n o cerlo
24 UN DESEO DE HISTORIA

sólo a través d e los escritos y las co n v en cio n es escolares. La


h isto ria h a b ía in v a d id o n u e s tra p e q u e ñ a c iu d ad e la ; ib a a
ser necesario sa b e r arreglárselas e n ese g ra n b a ru llo . P ero
m u y p ro n to la a p a r e n te tra n q u ilid a d d e ese su p erlice o fa l­
sa m e n te lib re m e ib a a re s u lta r in s o p o rta b le .
T al fu e la ju v e n tu d q u e yo m ism o m e o to rg u é d e sd e
m i in g re so e n el m u n d o a d u lto . Y sin e m b a rg o , d escri­
b ié n d o la h o y , s ie n to q u e c o m ie n z a a e scap ar d e esta fo rm a
e n la q u e d u r a n te ta n to tie m p o la e n c e rré . Y n o es la
cólera c o n tra u n a a u to rid a d , u n a escuela, u n a s co n v en cio ­
nes d e sd e h a ce ta n to d esap arecid as lo q u e m e d ev u elv e
cad a poco tie m p o a ella, sin o m ás b ie n el olor d el g ra n
a b e to p o r el q u e tre p a b a e n casa d e m i tío , m ás a llá d e
A ix-les-B ains, o la d e se m b o c a d u ra d e la c a rre te ra so b re los
árb o les e n lo a lto d e l R evard, a d o n d e su b ía e n bicicleta. Y ,
m ás a ú n , es el la rg o p a sillo d e l a n tig u o a p a rta m e n to q u e
c o n d u cía d e l c o m e d o r a la cocina, d o n d e to d a v ía sien to el
frío d e los in v ie rn o s m a l rescald ad o s, y d o n d e veo la s ilu e ta
m e n u d a , c o ro n a d a p o r u n in m e n s o m o ñ o , d e a q u é lla q u e
era, p a ra m í, m u c h o m ás q u e u n a «criada». C recí e n u n
m u n d o e n el q u e e x istían la so m b ra y la d ista n cia , d o n d e
el v eran o n o era el viaje, sino la c a m in a ta , buscar c h a m ­
p iñ o n e s, el p aseo p o r la c arretera sin a u to m ó v ile s y el b a ñ o
e n u n lag o frío d e m o n ta ñ a . U n m u n d o e n el q u e el
espacio e ra n a c io n a l, n i m ás n i m e n o s, y d o n d e cad a d ía le
e n se ñ a b a al n iñ o q u e p e rte n e c ía a u n a so cied ad y a u n a
c u ltu ra cuyos sím b o lo s son sagrados y la p e re n n id a d está
aseg u rad a.
Busco lo q u e esa in fa n c ia h a d e ja d o e n m í, algo d e lo
q u e ap en as te n g o c o n cien cia p e ro q u e , sin e m b a rg o , m e
g u ía com o u n ra d a r. ¿N o será, m ás q u e to d o o tro a n ta ­
g o n ism o , el de lo serio y lo d iv e rtid o ? ¿Será lo serio, ta l
vez, u n a fo rm a d e b ilita d a d e lo sag rad o ? Es c ierto , d e
to d o s m o d o s, q u e sólo he sido a tra íd o p o r los in d iv id u o s,
las id e as, las acciones so sten id as p o r u n a creencia y u n
co m p ro m iso m ás a llá d e la ru tin a , el c o n su m o o la b ú s ­
q u e d a d e v en tajas m a te ria le s. A p re n d í a d e sc o n fia r d e l uso
q u e d e este e n tu sia sm o h a c e n los tira n o s, g ra n d e s y p e q u e ­
ños. Pero ag rad ezco a m i in fa n c ia , e in c lu so a m i liceo , el
h a b e rm e o to rg a d o la insatisfacción.
Capítulo II
El fuego

Calle d ’U lm

Mis p rim e ra s sem anas o m is p rim e ro s m eses e n la calle


d ’U lm fu e ro n felices. D e sp u é s d e l tra b a jo ta n a p re m ia n te
del p re p a ra to rio y del e x a m e n , e n c o n tré allí u n a e x tre m a ­
d a lib e rta d de m o v im ie n to s y u n a ausen cia de p re o c u p a ­
ciones escolares q u e n o c arecían d e u n cierto e litism o . Los
«norm alistas» casi n i se p re o c u p a b a n p o r el p ro b le m a d e
los d ip lo m a s: su s u p o n ía q u e u n o h a b ía a p ro b a d o sus
ex ám en es, y los profesores d e la S o rb o n n e d a b a n p ru e b a s
de u n a b u e n a v o lu n ta d re a l al re sp ec to . P ara m í, se tra ta b a
de u n c am b io to ta l d e v id a , ya q u e m e h a b ía c o n v e rtid o
en in te rn o . A sí p u es, p a sé c u a tro años en esos ed ificio s, d e
ellos tres e n la vieja escuela. Sólo el ú ltim o año viví e n los
nuevos edificios, lujosos: ¡te n ía m o s a g u a calien te e n las
h a b ita c io n e s !... C onocí e l siste m a tra d ic io n a l d e cu arto s,
en los q u e éram o s c u a tro e n p rim e r a ñ o , luego tre s al añ o
sig u ie n te, y d o s p ara p re p a ra r las oposiciones. P o r ta n to ,
hice lo q u e to d o el m u n d o : gocé d e m i lib e rta d , to m é el
sol en las te rra z a s, d i v u e lta a las m esas m u y a c tiv a m e n te
a q u el a ñ o . O tro s, com o J a c q u e s Le G o ff, m i c o m p a ñ e ro d e
cu arto d e o posiciones, ju g a b a n al b rid g e . Me g u s ta b a físi­
c a m e n te l ’E cole, ios á rb o le s h a cia el lado d e la calle
R a ta u d , la in m e n s a b ib lio te c a p o r d o n d e circu láb am o s
lib re m e n te y n u e stro B arrio L a tin o , vivo y tra n q u ilo , ajen o
24 UN DESEO DE HISTORIA

sólo a través d e los escritos y las co n v en cio n es escolares. La


h isto ria h a b ía in v a d id o n u e s tra p e q u e ñ a c iu d a d e la ; ib a a
ser necesario sa b e r arreglárselas e n ese g ra n b a ru llo . Pero
m u y p ro n to la a p a re n te tra n q u ilid a d d e ese su p erlice o fa l­
sa m e n te lib re m e ib a a re su ltar in s o p o rta b le .
T al fu e la ju v e n tu d q u e yo m ism o m e o to rg u é d e sd e
m i in g reso e n e l m u n d o a d u lto . Y sin e m b a rg o , d escri­
b ié n d o la h o y , s ie n to q u e c o m ie n z a a escap ar d e esta fo rm a
e n la q u e d u r a n te ta n to tie m p o la e n ce rré . Y n o es la
cólera c o n tra u n a a u to rid a d , u n a escuela, u n a s c o n v en c io ­
nes d e sd e h a ce ta n to d esap arecid as lo q u e m e d ev u elv e
cad a poco tie m p o a ella, sino m ás b ie n el o lo r d e l g ran
a b e to p o r el q u e tre p a b a e n casa d e m i tío , m ás a llá de
A ix-les-B ains, o la d e se m b o c a d u ra d e la c a rre te ra so b re los
árb o les e n lo a lto d e l R evard, a d o n d e s u b ía e n b icicleta. Y ,
m ás a ú n , es el la rg o pasillo d e l a n tig u o a p a rta m e n to q u e
co n d u cía d e l c o m e d o r a la cocina, d o n d e to d a v ía sie n to el
frío d e los in v ie rn o s m a l rescald ad o s, y d o n d e veo la silu e ta
m e n u d a , c o ro n a d a p o r u n in m e n s o m o ñ o , d e a q u é lla q u e
era, p a ra m í, m u c h o m ás q u e u n a «criada». C recí e n u n
m u n d o e n el q u e e x istían la so m b ra y la d ista n cia , d o n d e
el v eran o n o era el v iaje, sino la c a m in a ta , b u scar c h a m ­
p iñ o n e s, el p aseo p o r la carretera sin a u to m ó v ile s y el b a ñ o
e n u n lago frío d e m o n ta ñ a . U n m u n d o e n el q u e el
espacio era n a c io n a l, n i m ás n i m e n o s, y d o n d e c ad a d ía le
e n se ñ a b a al n iñ o q u e p e rte n e c ía a u n a so cied ad y a u n a
c u ltu ra cuyos sím b o lo s son sag rad o s y la p e re n n id a d está
aseg u rad a.
Busco lo q u e esa in fa n c ia h a d e ja d o e n m í, algo d e lo
q u e ap en as te n g o con cien cia p e ro q u e , sin e m b a rg o , m e
g u ía com o u n ra d a r. ¿N o será, m á s q u e to d o o tro a n ta ­
g o n ism o , el de lo serio y lo d iv e rtid o ? ¿Será lo serio , tal
vez, u n a fo rm a d e b ilita d a d e lo sagrad o ? Es cierto , de
to d o s m o d o s, q u e sólo he sido a tra íd o p o r los in d iv id u o s,
las id e as, las acciones so sten id as p o r u n a creen cia y u n
co m p ro m iso m ás a llá d e la r u tin a , el c o n su m o o la b ú s ­
q u e d a d e v en tajas m a te ria le s. A p re n d í a d e sc o n fia r d e l uso
q u e de este e n tu sia s m o h a ce n los tira n o s , g ran d es y p e q u e ­
ños. Pero ag rad ezco a m i in fa n c ia , e in c lu so a m i liceo , el
h a b e rm e o to rg a d o la insatisfacción.
Capítulo II
El fuego

Calle d ’U lm

Mis p rim e ra s sem anas o m is p rim e ro s m eses en la calle


d ’U lm fu e ro n felices. D e sp u é s d e l tra b a jo ta n a p re m ia n te
d el p re p a ra to rio y del e x a m e n , e n c o n tré allí u n a e x tre m a ­
d a lib e rta d de m o v im ie n to s y u n a ausen cia de p re o c u p a ­
ciones escolares q u e n o carecían d e u n cierto e litism o . Los
«norm alistas» casi ni se p re o c u p a b a n p o r el p ro b le m a d e
los d ip lo m as: su su p o n ía q u e u n o h a b ía a p ro b a d o sus
ex ám en es, y los profesores d e la S o rb o n n e d a b a n p ru e b a s
d e u n a b u e n a v o lu n ta d re a l al re sp ec to . P ara m í, se tra ta b a
d e u n c am b io to ta l d e v id a , ya q u e m e h a b ía c o n v e rtid o
e n in te rn o . A sí p u es, p a sé c u a tro años e n esos ed ificio s, d e
ellos tres e n la vieja escuela: S ólo el ú ltim o añ o viví e n ios
nuevos edificios, lujosos: ¡te n ía m o s a g u a calien te e n las
h a b ita c io n e s !... C onocí e l s iste m a tra d ic io n a l d e cu arto s,
e n los q u e éram o s c u atro e n p rim e r a ñ o , lu eg o tres al añ o
sig u ie n te , y dos p a ra p re p a ra r las oposiciones. P o r ta n to ,
hice lo q u e to d o el m u n d o : gocé d e m i lib e rta d , to m é el
sol en las te rra z a s, di v u e lta a las m esas m u y a c tiv a m e n te
a q u e l a ñ o . O tro s, com o J a c q u e s Le G o ff, m i c o m p a ñ e ro d e
cu arto d e oposiciones, ju g a b a n a l b rid g e . M e g u s ta b a físi­
c a m e n te l ’E cole, los árb o les h a c ia el lad o d e la calle
R a ta u d , la in m e n s a b ib lio te c a p o r d o n d e circu láb am o s
lib re m e n te y n u e stro B arrio L a tin o , vivo y tra n q u ilo , ajen o
26 U N D ESEO D E H IST O R IA

al b u le v a r S a in t-M ic h e l, cuyos c o m ercia n te s y falsos e s tu ­


d ia n te s siem p re d e te s té . E l p la c e r d e e sta r allí era m u y
sim p le : h a b e r c o n q u is ta d o u n p o c o d e lib e rta d . A sí, p o r
o tra p a rte , es com o fu n c io n a n las so cied ad es elitistas: se les
im p o n e n o b lig a c io n e s c o n sid e ra b le s a q u ie n e s e stá n d e s ti­
n ad o s a fu n c io n e s su p erio re s; d e sp u é s d e lo cual se les
c o n ced e u n a g ra n lib e rta d . Se s u p o n e q u e u n a so cied ad n o
p u e d e p e rp e tu a rse n i sus é lites d irig e n te s e stá n p re p a ra d a s
so la m e n te p a ra la c o n fo rm id a d . Es n ecesario q u e se
fo rm e n e n u n d e sc a rrío c o n tro la d o . Los a lu m n o s d e las
g ra n d e s escuelas n o a b u sa b a n d e ello co n frec u en c ia ,
a u n q u e esta e x tre m a d a lib e rta d d e q u e n o so tro s d is p o n ía ­
m o s n o re s u lta b a p e lig ro s a p a ra la so cie d a d , p u e s to q u e
p ro v e n ía d e años d e o b lig a c io n es y e ra sa n c io n a d a p o r el
h e c h o d e q u e u n d ía (m u y le ja n o p a ra no so tro s) h a b ría
q u e so m eterse a e se p e q u e ñ o castig o lla m a d o «oposicio­
nes». In te le c tu a l m e n te , n o tu v e g ra n d e s satisfacciones
d u ra n te m is dos p rim e ro s años. La p rin c ip a l fu e el curso
d ic ta d o p o r u n g e ó g ra fo , R o g er D io n , q u e nos h a b la b a d e
los tip o s d e suelos franceses. M is a m ig o s y yo estáb am o s
los tip o s de su elo s franceses. M is am ig o s y yo estam os
!$> e n ca n ta d o s con e sa in te lig e n c ia q u e lig a b a h isto ria , g e o ­
g rafía y o rg a n iz a c ió n social. P o r lo d e m á s , co m o yo era e s­
tu d ia n te d e h is to ria , la S o rb o n n e era u n m u n d o b a s ta n te
triste . C u a n d o to d a v ía era a lu m n o d e filo so fía e n el
L o u is-le-G ran d , s e g u ía p o r m i c u e n ta los cursos d e G eo r-
ges L efebvre y de A u g u s tin R e n a u d e t, q u e fu e ro n g ra n d e s
h isto ria d o re s. P e ro la m a y o ría d e sus sucesores e ra n
m ed io cres. El a m b ie n te d e la S o rb o n n e carecía c o m p le ta ­
m e n te de in te ré s; e ra m á s b ie n u n m e rc ad o d e cursos; la
g e n te ib a a a d q u ir ir u n o s cursos y, u n a vez e fe c tu a d a su
tra n sac c ió n , se v o lv ía a su casa. D e b o co n fesar ta m b ié n
q u e los jóvenes «n o rm alistas» se c o n sid e ra b a n su p erio res y
n o se m e z c la b a n fá c ilm e n te c o n la m u c h e d u m b re d e
a lu m n o s d e la S o rb o n n e . A sí p u e s , p ro b a b le m e n te p o r
b u e n a s razones, ta n to c o m o p o r o tra s m alas, sie m p re
g u a rd é u n a c ie rta aversión re sp ec to d e ese fe o ed ificio
lla m a d o la S o rb o n n e , y q u e es ta n p o c o n o ta b le e n su in te ­
rio r com o e n su e x te rio r. P ara n o so tro s, h isto ria d o re s, la
v id a in te le c tu a l se h a lla b a en o tra p a rte ; e sta b a e n lo q u e
EL FUEGO 27

se c o n o cía c o m o la «escuela de los A n nales» , fo rm a d a b ajo


la in flu e n c ia d e L ucien F ebvre y d e M arc B loch. El R abelais
d e F ebvre o La so c ié té fé o d a le d e M arc B loch fu e ro n los
g ra n d e s lib ro s d e m i g e n e ra c ió n de h isto ria d o re s, c o n los
d e P ire n n e , q u e era u n poco el p a d re esp iritu a l d e d ic h a
escuela. E n tre m is p ro feso re s, m e v in c u lé con E rn e st
L ab ro u sse, g ra n a n im a d o r de la h isto ria eco n ó m ica e n la
S o rb o n n e , co n q u ie n tu v e ocasión d e tra b a ja r. ¡V igorosa y
g e n ero sa p e rso n a lid a d ! P ero en el fo n d o estos e stu d io s, q u e
m e in te re s a b a n , casi n o m e satisfacían , y e n c o n tra b a e n
esta v id a «n o rm alista» ta n ta ex tra ñ ez a resp ecto d el m u n d o
co m o e n la v id a de se m in a rista q u e h a b ía llev ad o co m o
in te rn o d e p re p a ra to rio . N o p o r con v ertirse en u n cura
je su íta se e stá m ás cerca d e la re a lid a d . M e parecía q u e m i
a m b ie n te s e g u ía e sta n d o e x tra o rd in a ria m e n te c e rra d o ,
p ese a q u e las p u e rta s se h a b ía n a b ie rto . Y o h a b ía q u e rid o
salir d el m u n d o escolástico; libresco y y a veía, a m i a lr e d e ­
d o r, a m u c h o s q u e se c o m p o rta b a n to ta lm e n te d e a c u e rd o
con sus reglas y p a s a b a n casi sin tran sició n d e u n a s itu a c ió n
d e a lu m n o s a o tra d e «casi e n se ñ a n te » . C o m en cé a p a r ­
lo te a r e n las terrazas co n u n o d e m is c o m p a ñ e ro s, J e a n
P é n a rd . H a c ia fines d e l s e g u n d o a ñ o d e cid í c a m b ia r d e
aires, y él ta m b ié n . El d e jó l ’E cole, p a rtió h acia N o ru e g a
u tiliz a n d o a l ’A lliance française y lu e g o se c o n v irtió en
co n sejero c u ltu ra l. En c u a n to a m í, u tilic é u n a o c asió n : se
m e h a b ía p e d id o , com o a otros e stu d ia n te s, q u e p re p a ra s e
u n tra b a jo co n ocasión d e l c en te n a rio d e la re v o lu c ió n
h ú n g a ra d e 1848, e n colaboración con u n a in s titu c ió n
h ú n g a ra q u e e ra el e q u iv a le n te d e l ’Ecole N o rm a le
su p e rio r e n H u n g ría , E ôtvôs C o lle g iu m . Escribí e n to n c e s
u n p e q u e ñ o ensayo so b re la im a g e n - d e la re v o lu c ió n
h ú n g a ra e n la p re n sa francesa. P asé sem an as a g ra d a b le s e n
la B ib lio te c a n acio n a l le y en d o las gacetas d e 1 8 4 8 , y
v ie n d o c ó m o los diarios d e d e re ch a o d e iz q u ie rd a in fo r­
m a b a n d e d ife re n te m o d o so b re los m ism o s sucesos.
28 UN DESEO DE HISTORIA

P artida

A sí p u e s, lle g u é u n d ía de v e ra n o a u n a H u n g ría
o c u p a d a p o r el e jé rc ito soviético, p e ro lib e ra d a , e sta d o e n
q u e siguió d u r a n te casi u n a ñ o m á s. V iví p rim e ro e n
D e b re c e n , d e sp u é s e n B u d a p e s t, d o n d e m e e stab lecí
d u ra n te dos o tres m eses e n el E otvos. Y o q u e ría ir a
G recia, d o n d e M arcos lu c h a b a to d a v ía c o n tra los c o m u n is ­
tas d e l in te rio r. H e g u a rd a d o u n re c u e rd o d e s lu m b ra n te
de la H u n g ría d e 1 9 47. País c o n m o c io n a d o p o r la lib e ra ­
ció n , d e l q u e los g ra n d e s p ro p ie ta rio s y los g ra n d e s b u r ­
gueses, se h a b ía n m a rc h a d o e n tre n e s a le m a n e s, d o n d e se
h a b ía h ech o u n a re fo rm a ag raria a la vez e sp o n tá n e a y
o rg a n iz a d a , e n d o n d e e x p e rim e n ta b a p o r to d a s p a rte s u n a
ren o v ación social v ig o ro sa , y d o n d e re in a b a la m ás a m p lia
lib e rta d . V ivía yo en el lad o d e l B u d a , e n el m o n te
G e lle rt, p e ro ib a a p a se a r p o r el o tro la d o , p o r P e st,
c ru z a n d o los g ra n d e s p u e n te s d e l D a n u b io . M e in te re sa b a
p o r la re fo rm a a g ra ria . M e d irig ía to d a s las sem a n a s al
cam p o con p e rfe c ta lib e rta d , h a b ie n d o e le g id o yo m ism o a
m is in té rp re te s. M e d e te n ía e n las g ra n ja s, al azar, y p la n ­
te a b a m is p re g u n ta s . E ste p rim e r tra b a jo sociológico casi
n o tu v o d ifu s ió n , p e ro fu e ú til p a ra a lg u n a g e n te . Los
viajes p o r pro v in cias m e d ie ro n ta m b ié n la o casió n d e d e s ­
c u b rir y d e g u sta r los vin o s h ú n g a ro s y el a g u a rd ie n te d e
d am asco, el baracz, q u e c o n su m ía e n c a n tid a d e s c o n sid e ­
rables. Lo q u e b ie n p u e d e ex p licar el ex celen te re c u erd o
q u e g u a rd o de ese p a ís. D e H u n g ría pasé a Y u g o slav ia, n o
sin d ificu lta d e s, p o r q u e el te ló n d e acero d e esa ép o ca
sep a ra b a H u n g ría d e Y u goslavia. H u n g ría e sta b a e n el
oeste y Y u g o slav ia e n el este. L leg u é p u e s a u n B elg rad o
a b so lu ta m e n te soviético. N o te n ía p o s ib ilid a d e s d e salir a
m ás de q u in c e k iló m e tro s de la c iu d a d , salvo p a ra d irig ir­
m e h a sta el m o n u m e n to a los m u e rto s d e la g u e rra d e
1914, q u e p a ra m í sólo s u p o n ía u n a atracción lim ita d a .
G ru p o s d e activistas recorrían la c iu d a d c a n ta n d o : «¡Viva
Stalin! ¡Viva T ito !» A d v e rtí rá p id a m e n te q u e e s ta b a
c o m p le ta m e n te b lo q u e a d o y q u e n o p o d ría ir h a cia el sur.
P or o tra p a rte , a d e c ir v e rd a d , m e fa lta b a d in é ro . Feliz-
EL FUEGO 29

m e n te , e n c o n tré e n la e m b a ja d a d e F ran c ia a Je a n -M a rie


S o u to u , jo v e n consejero m u y d e sta c a d o , q u e lu eg o h a b ría
d e h a c e r u n a c arrera b rilla n te . Su m u je r y él m e o freciero n
las ú n ic as co m id as n o rm a le s q u e to m é d u r a n te este
tie m p o . C u a n d o ya n o tu v e re a lm e n te n in g ú n m e d io d e
su b siste n c ia , e l e m b a ja d o r, m u y g e n tilm e n te , p a g ó m i
b ille te d e v u e lta . G u a rd o u n g ran re c u e rd o d e e ste viaje,
in te rru m p id o p o r p a ra d a s im p rev istas ya q u e las vías
h a b ía n sid o d e stru id a s. El tre n ta rd ó m á s d e v e in tic u a tro
h o ras e n ir d e Z ag reb a T rieste. U n a n o c h e , hacia las once,
lle g u é a V e n ec ia . Era a fines d e n o v ie m b re ; salí d e la es­
tación; el a ire era d u lc e, u n a s m u je re s p a se a b a n , c o n u n
n iñ o d o rm id o en sus brazos; g e n te e n g ru p o s h a b la b a e n
los bares y los re sta u ra n te s a orillas d e l c an a l. R esp iré p r o ­
fu n d a m e n te esa d u lz u ra , la d e O c c id e n te e Ita lia , q u e
h a b ía c o m e n z a d o a d e sc u b rir. V olví a F ran cia, n o s in d ifi­
c u lta d e s, ya q u e el p a ís esta b a p a ra liz a d o p o r la h u e lg a
g en eral. H a b ía m u c h a n iev e e n M o d a n e , d o n d e el tr e n se
d e tu v o . T u v e p ro b le m a s p a ra e n c o n tra r a lg ú n c am ió n q u e
q uisiese lle v a rm e a París.

E l carbón

N o te n ía in te n c ió n de re a n u d a r m is estu d io s. H a b ía
in fo rm a d o d e m a n era u n ta n to cab alleresca a l ’E cole N ó r­
m a le so b re m i deseo d e n o volver a e lla , y b a sta n te p r o n to
p a rtí h a cia el n o rte d o n d e a lg u ie n m e h a b ía h e ch o p o s ib le
e n tra r e n c o n ta c to con C h a rb o n n a g e s d e F rance. A sí, m e
e n co n tré in s ta la d o al la d o d e V a le n c ie n n e s, en R aism es,
c iu d a d a la vez m in e ra y de m e ta lu rg ia p e sa d a . A llí se
fa b ric a b a n v ag o n es d e ferrocarril. P asé el in v ie rn o e n las
m in as. P rim e ro m e alojé e n u n caserío d e m in e ro s, e n casa
d e u n o d e ello s, cuya m u je r m e p re p a ra b a el café. E ran
p erso n as b a s ta n te m ayores, m u y a g o ta d a s p o r el tra b a jo ,
m ás q u e a h o rra d o ra s. N o h a b ía b o m b illa eléctrica d e m ás
d e v e in te vatio s en esa casa, en la q u e se vivía e n la
p e n u m b ra . A este m in e ro le g u s ta b a f u m a r p u ro s , p ero
co n sid e ra b a im p o sib le m o strarse en p ú b lic o e n esta activ i­
d a d típ ic a m e n te cap italista. E n to n ce s, los d o m in g o s p o r la
30 UN DESEO DE HISTORIA

m a ñ a n a se p e rd ía p o r las a rb o le d as p a ra f u m a r a ocultas
u n p u ro b e lg a , q u e p o r o tra p a rte n o te n ía n a d a d e espec­
ta cu lar. C o m o yo n o e ra m u y fu e rte y a b s o lu ta m e n te n a d a
c u alificad o , e fe c tu a b a u n tra b a jo d e m a n io b ra s, co n o cid o e n
la te rm in o lo g ía d e l N o rte co m o chercheur a terre. M i
salario era b a jo . La p e n s ió n q u e d e b ía p a g a r, y q u e p ro b a ­
b le m e n te n o era excesiva, lo c u b ría p o r e n te ro . A l té rm in o
d e a lg u n as sem anas tu v e q u e b u sca r u n tip o d e v id a m en o s
costosa. Viví e n to n c e s e n las barracas d e «los m arg in ad o s» ,
las d e los tra b a ja d o re s e x tran jero s. La m in a , e n a q u e lla
ép o ca, era u n a s u p e rp o sic ió n d e g ru p o s étn ico s. Los
franceses c o n s titu ía n la aristocracia; n o tra b a ja b a n e n el
d e rrib o d u ra n te la n o c h e . T o d o el p e rso n a l d e m a n d o s
in te rm e d io s, to d o s los cap ataces, e ra n franceses, salvo
c u a n d o e ra n p o la co s, p u e s éstos fo rm a b a n el seg u n d o
estrato . H a b ía n v e n id o d e sp u é s de la p rim e ra g u e rra
m u n d ia l, y su c o m u n id a d m o s tra b a m u c h a co h esió n . D e
ella salió el a ctu al p rim e r m in is tro d e P o lo n ia , G ierek , q u e
tra b a jó e n las m in a s d el N o rte y d e B élgica. P o r d e b a jo se
h a lla b a n los m a rg in a d o s, sobre to d o a le m a n e s lleg ad o s a
F rancia e n busca d e tra b a jo . E ra n éstos tra b a ja d o re s lib res,
p e ro q u e vivían e n barracas, e n p ésim as co n d icio n es. La
ú ltim a categ o ría e r a la d e los p risio n ero s d e g u e rra . C o m o
sobre to d o yo tra b a ja b a p o r la n o c h e , v eía p o r la m a ñ a n a
có m o p a rtía n los p risio n ero s e n sus v a g o n eta s. H a b ía n
«hecho su carbón» d u ra n te la n o c h e , s in refrig erio , sin
d u c h a , y re g re sa b a n c o m p le ta m e n te n e g ro s, m ie n tra s q u e
no sotros nos d u c h á b a m o s . La d u c h a a b ra sa n te e n aq u ellas
in m en sas salas lle n a s d e v a p o r era u n m o m e n to d e g ra n
alivio.
El tra b a jo e n la m in a , ta l c o m o lo c o n o cí, se h a cía d e
u n m o d o o b so le to . N o h a b ía g ran d es co rtes m e ca n iz ad o s,
sin o cortes p e q u e ñ o s . La ú n ic a m o d e rn iz a c ió n in tro d u c id a
p o r en to n ces era lo q u e los m in e ro s d e n o m in a b a n co n u n
té rm in o e n c a n ta d o r b o is de fe r, los p u n ta le s . E l te ch o d e
los cortes era s o ste n id o tra d ic io n a lm e n te m e d ia n te p u n ta ­
les d e m a d e ra , p ro v e n ie n te s co n frec u en c ia d e los a b eto s
d e las L andas. P e ro se c o m e n z a b a a in tro d u c ir p u n ta le s d e
h ie rro re g u la b le s y m ás có m o d o s. S in e m b a rg o , los
m in e ro s p e n s a b a n q u e los p u n ta le s d e m a d e ra o frecían
EL FUEGO 31

m ayores v e n ta ja s, ya q u e , c u a n d o la tie rra se h u n d e , la


m a d e ra c ru je , y e n co n secu en cia p re v ie n e d e p o sib les acci­
d e n te s. Los m in e ro s te n ía n el casco c h a to d e c u e ro q u e
to d a v ía p u e d e verse en los d ib u jo s d e otras épocas y b a jo el
cu al co lo cab an u n p a ñ u e lo . L levaban la lá m p a ra e n el
cu ello c o lg ad a d e otro p a ñ u e lo . D e sp u é s h a b ría d e lleg ar
la lá m p a ra e n el casco, m ás ligera y m ás c ó m o d a . La
lá m p a ra d e l m in e ro era b la n c a y la d e l c a p a ta z , q u e le
servía p a ra d e te c ta r los gases, te n ía u n a lla m a am arilla .
C u a n d o se a d v ie rte la p re sen c ia d e u n re sp la n d o r am arillo ,
se sabe q u e h a y q u e tra b a ja r m ás a c tiv a m e n te , p u e s el
m ism o a n u n c ia al c ap a ta z de recorrid a. N o so tro s tra b a já ­
b am o s e n to n c e s en cortes b ajos, p ro b a b le m e n te d e u n
m e tro y v e in te . C reo in clu so h a b e rm e h a lla d o a veces e n
cortes n e ta m e n te m ás b a jo s, d e o c h e n ta c e n tím e tro s. Pero
ta m b ié n — y ésta era u n a d e las tareas d el e q u ip o n o c tu r­
n o — h a b ía q u e evacuar el carb ó n q u e se a m o n to n a b a en
los corredores e n chapas al c o n d u cirlo d e l co rte a la ra m p a .
E n los sectores m o d e rn iz a d o s se e m p le a b a ya tra n s p o rta d o ­
res o scilantes q u e fa c ilita b a n la caída d e l c a rb ó n . P o r o tra
p a rte , a m e n u d o h a b ía q u e su b ir los tra n s p o rta d o re s fijos
p a ra d e sb lo q u e a rlo s, lo q u e p u e d e ser p elig ro so . P e ro el
tra b a jo n o c tu rn o es m e n o s can sad o c u a n d o n o se e stá e n el
d e rrib o . A d e m á s , n u n c a m a n e jé el m a rtillo n e u m á tic o ; es
u n tra b a jo cualificado y q u e exige u n a fu e rz a física consi­
d e ra b le . T ra b a já b a m o s e n u n p e q u e ñ o e q u ip o , a lre d e d o r
d e l lla m a d o «m inero», o «el obrero», q u e es el o b re ro
c u alificad o , je fe d e e q u ip o . E xpresión q u e ta m b ié n p u e d e
ser h a lla d a e n las v id rierías. N o to d o el m u n d o tie n e
d e re ch o a ser lla m a d o «obrero». C o n él tra b a ja b a u n ayu­
d a n te , p o la co , d e fa m ilia q u e vivía e n F rancia, p e ro q u e
h a b ía p a rtid o después d e la g u e rra a P o lo n ia, d o n d e ya n o
se h a b ía e n c o n tra d o a g u s to . H a b ía v u e lto a p ie , a F ran cia,
c ru z a n d o to d a s las zonas o c u p a d a s d e Silesia. Le e n c a n ta b a
ro b a r, ro p as o d in e ro , a n o im p o rta b a q u ié n . C o m o b u e n
p o la co , so b re to d o p ro c u ra b a ro b a r a los a lem an e s. L a vida
d e la m in a e sta b a d o m in a d a p o r el o d io e n tre a lem an e s y
p olacos. Si yo h u b ie se p e rd id o m i p o rtafo lio s co n m i p a g a
d e la q u in c e n a , este a m ig o p o la co , e v id e n te m e n te , m e lo
h a b ría d e v u e lto . Era u n h o m b re de u n a g ra n g e n e ro sid a d
32 UN DESEO DE HISTORIA

y m u y b u e n h a b la d o r . T ra b a ja m o s ta m b ié n , a lg ú n tie m p o ,
con u n m u c h a c h o m u y jo v e n q u e a c a b a b a d e casarse. N e ­
cesitab a d in e ro p a ra c o m p ra r su c o m e d o r y, e n c o n se c u e n ­
cia, c u m p lía jo r n a d a d o b le , u n a b ajo tie rra , o tra e n las
oficinas. T ra b a ja b a d e este m o d o dieciséis h o ras d iarias.
P o r la n o c h e e s ta b a m u y c a n sa d o y d o rm ía e n u n rin c ó n ;
nosotros v ig ilá b a m o s la lle g a d a d e la lá m p a ra a m arilla d e l
cap ataz p a ra d e sp e rta rle . E n las barracas, so b re to d o , tra té
a los polacos. H a b ía bares p o laco s y b ares a lem an e s, y, a
fin a l d e la s e m a n a , se b e b ía m u c h o y así e sta r p re p a ra d o
p a ra la gresca. T rifu lc as serias q u e p ro d u c ía n m u e rto s . La
fro n te ra b e lg a n o q u e d a b a lejos; la g e n te to m a b a el
tra n v ía d e . S a in t-A m a n d , q u e ta m b ié n servía p a ra p a sa r
ta b ac o y c h o c o la te de c o n tra b a n d o , y d esap arecía p o r
Bélgica.
M e p a re c ía h e rm o s a e sta re g ió n d e V a len c ie n n es, so b re
to d o c u a n d o tra b a ja b a p o r la n o ch e. La e x p lo ta ció n se
h a lla b a e n los lím ite s d el b o s q u e d e S a in t-A m a n d , y p o r
las m a ñ a n a s, c u a n d o m e re c o g ía, a co rtab a p a ra volver a m i
casa p o r los m o n te s to d a v ía c u b ie rto s d e n ie v e, atravesados
p o r g ra n d e s a la m e d a s, c o ro n a d o s p o r u n cielo carg ad o p e ro
m u y in e sta b le y q u e d if u n d ía u n a luz v ib ra n te , in clu so e n
in v iern o . A sí c o m o la sid e rú rg ic a L orraine es triste , p u e d e
afirm arse q u e el p a isa je d e l N o rte es a n im a d o , so b re to d o
a causa d e su h ie lo , y p o rq u e es p o rta d o r d e u n a civ iliza­
ción p a rtic u la r. Ese m u n d o d e la m in a era el d e la v ieja
clase o b re ra , d e fin id a p o r u n tip o d e v id a y u n tip o d e
h o m b re s m ás q u e s im p le m e n te p o r u n a s c o n d icio n es d e
trab ajo .
M u n d o de h o m b re s . N o hay p rá c tic a m e n te e m p le o s
fe m e n in o s en esa re g ió n . M ás h a cia el o e ste , las m u je re s y
las hijas d e m in e ro s ib a n a tra b a ja r a A rm e n tié re s, e n la
in d u s tria te x til, y lle v a b an u n a v id a m u y d u ra , p u e s se las
recogía — q u iz á se las recoja to d a v ía — h a cia las cinco d e la
m a ñ a n a e n u n a u to c a r p a ra h a ce r largos trayectos. P o r la
n o c h e volvían ta rd e , y al d ía sig u ie n te p o r la m a ñ a n a los
au tocares q u e ib a n a las fá b ric a s textiles lle v a b an a m u je re s
d o rm id as. E n la re g ió n d e R aism es, éste es el m u n d o e n el
q u e la v id a p riv a d a y la v id a d e la c o m u n id a d e sta b a n to ­
ta lm e n te d o m in a d a s p o r las m u je re s e n cerrad as e n la casa,
EL FUEGO 33

q u e p a s a b a n su tie m p o lim p ia n d o sus cocinas, c a le n ta n d o


café o p re p a ra n d o re b a n a d a s d e p a n con m a n te q u illa .
C o m o los h o m b re s c a m b ia n d e e q u ip o c o n s ta n te m e n te , es
necesario q u e p u e d a n e n c o n tr a r casi d e m o d o p e rm a n e n te
re b a n a d a s d e p a n con m a n te q u illa y café. E ra u n m u n d o
ya en vías d e d e stru cc ió n , d e s tru id o p o r el d e sa rro llo d e la
p ro d u c c ió n y p o r la lle g a d a m asiva d e p erso n as m a rg in a d a s
y p risio n e ro s d e g u erra, q u e co n v ertía a a q u e l sitio e n u n a
especie d e g ra n caravana. M u n d o d e s tru id o asim ism o
p o rq u e el in v ie rn o d e 1947-1948 se s itú a e n tre la s dos
g ra n d e s h u e lg a s que m a rc a ro n p a ra sie m p re e sta re g ió n .
C u a n d o yo lle g u é , los C R S d e J u le s M och h a cía p o c o q u e
h a b ía n ev ac u a d o esta z o n a o c u p a d a co m o u n te rrito rio
c o n q u is ta d o , p ro v o c a n d o u n a v io le n ta h o s tilid a d d e la
p o b la c ió n . Los m ineros e s ta b a n sin d ical y p o lític a m e n te
o rg a n iz ad o s p o r la C G T y p o r el P C , q u e , ta n to u n a com o
o tro , h a b ía n fo rm ad o d e sd e h a cía d ecenas d e añ o s a m ili­
ta n te s to ta lm e n te id e n tific a d o s co n la p o b la c ió n y con la
re g ió n . E n las h u e lg as, las m u je re s e ra n ta n activas com o
los h o m b re s . Si afirm o q u e se tra ta b a d e u n a v ie ja clase
o b re ra , n o q u ie ro d ar u n a im a g e n d e E p in al* , la d e u n
m u n d o o rg a n iz a d o a lre d e d o r d e sus p ro p io s valores (otros
h a b la ría n así d e l m u n d o c a m p e sin o ); ta m p o c o q u is ie ra d a r
la im p re sió n d e q u e e ra ése u n lu g a r d e m ise ria . A llí se
vivía co n e strec h e z, p u e s , p e se a la p rio rid a d o to rg a d a al
c a rb ó n , casi to d o s los o b re ro s e sta b a n m a l p a g a d o s y tra ­
b a ja b a n e n cond icio n es e v id e n te m e n te p en o sas. E ra sobre
to d o u n g ru p o social m ás vo lcad o sobre sí q u e h a c ia su
p a p e l e n la sociedad. Los m in e ro s — casi e n to d o el
m u n d o — tie n e n u n a c o in c id e n c ia d e clase, d e sí m ism o s,
m ás fu e rte q u e su con cien cia d e las relacio n es d e clases, y,
sobre to d o , q u e su co n cie n c ia p o lític a d e clase. In clu so
p u e d e decirse q u e , e n m u c h o s países, el ra d ic a lism o social
d e los m in e ro s h a sido co n frec u en c ia asociado a u n refor-
m ism o p o lític o . Esto a firm a su a isla m ie n to . Más ta rd e ,
c u a n d o hice encuestas so b re el m u n d o o b re ro , m e so rp re n -

* E pinal. C iu d a d francesa, cap ital d e l d e p a rta m e n to d e los Vosgos. E l a u to r se


refiere en esta expresión francesa a u n a im agen m an o sead a, caduca, ya que esta
ciudad es fam osa p o r sus g rib a d o s an tig u o s. (N. d el E .)
34 UN DESEO DE HISTORIA

d ió a d v e rtir q u e c u a n to m á s se v a h a c ia categ o rías aislad as,


m á s p o sitiv a es la im a g e n d e la so cie d a d y d e las o p o r tu ­
n id a d e s q u e ella o frece. Si p re g u n to a u n o b re ro m e ta lú r­
gico cu alific ad o , p a ris in o , e n c u e n tro u n vivo s e n tim ie n to
p o r las barreras sociales c o n las q u e c h o c a n sus h ijo s. Y m e
d ice: «Las g ra n d e s escuelas, la m e d ic in a están reservadas
p a ra los h ijo s d e ricos.» U n m in e ro , p o r el co n tra rio , a fir­
m a : «Mi h ijo n o es m ás b ru to q u e c u a lq u ie r o tro ; n a t u ­
ra lm e n te , p u e d e lle g a r a d o n d e sea.» Las b arreras sociales
so n poco a p re c ia d a s p o rq u e e stá n lejos, y p o rq u e el
a m b ie n te es só lid o y e stá a isla d o d e l resto d e la so cied ad .
P a ra los m in e ro s , la escuela es la escuela p rim a ria , q u e es
g ra tu ita , d o n d e c o n c u rre n to d o s los n iñ o s ... E stá a b ie rta a
to d o s, ¡pero a ella sólo v a n h ijo s d e m in ero s! El m a e stro es
a lg u ie n q u e vive c o n ellos; se a c e p ta q u e se p re o c u p e p o r
los n iñ o s, q u e in te n te enviarlos al coleg io su p e rio r, y e n
co n secuencia los m in e ro s tie n e n u n a im a g e n d e la so cied ad
e x tra ñ a m e n te a b ie r ta , ya q u e e n re a lid a d se h a lla n ta n e n ­
cerrados e n su c o n d ic ió n q u e v e n el ascenso social co m o
u n a especie d e ilu s ió n . A l m ism o tie m p o , q u ie re n p a rtir.
P u es todos los m in e ro s — y sobre to d o las m u je re s— d icen :
«Mi hijo n o será c o m o su p a d re .» Los h o m b re s q u e conocí,
y q u e te n ía n c u a r e n ta a ñ o s, h a b ía n b a ja d o a la m in a co n sus
p a d re s c u a n d o e ra n m u y jó v e n es; n u n c a tu v ie ro n o tra p o s i­
b ilid a d . A p a rtir d e la fin a liz a c ió n de la g u e rra se e x te n d ió
la in fo rm a c ió n , la in d u s tria se desarro lló y la c a m p a ñ a
e fe c tu a d a a fav or d e los m in e ro s les h iz o d e sc u b rir q u e
e ra n ellos q u ie n e s s o p o rta b a n lo esencial d e l esfu erzo d e la
reco n stru cció n n a c io n a l, m ie n tra s q u e n o e ra n , se g u ra ­
m e n te , los m e jo r p a g a d o s. A sí p u e s, las m u je re s q u e ría n
q u e sus h ijos se fu e s e n . N o sólo p a ra ascen d er, sino
ta m b ié n p a ra e v ita r los sin sa b o re s d e q u e to d o el m u n d o
h a b la b a c o n s ta n te m e n te . ¡U n m in e ro d e c in c u e n ta años
n o es u n fu n c io n a rio o u n e m p le a d o d e c in c u e n ta años! Y a
h a tra g a d o m u c h o polvo y sus p u lm o n e s e stá n e stro p ead o s.
Y sin e m b a rg o , la m in a es u n m u n d o b a s ta n te tr a n q u i­
liz a d o r, pese al p e lig ro . Es casi a co g e d o ra , so b re to d o e n
in v iern o : e n ella , la te m p e ra tu ra es b u e n a . P o r o tra p a rte ,
h a b ía p o r a q u e lla é p o ca m u c h a s p o sib ilid a d e s d e c o m u n i­
cación, q u e d e sa p a re c ie ro n co n la creació n d e g ran d es
EL FUEGO 35

tajos. Se h a b la b a al a n d a r, d u ra n te las p au sas o el


a lm u e rz o . E l tra b a jo n o e ra m o n ó to n o , las tareas a c u m p lir
m u y d is tin ta s . M u n d o m u y artesanal e n el q u e el o b re ro
te n ía q u e se r cap az de e x tra e r el c a rb ó n , re p a ra r las t u b e ­
rías, a p u n ta la r , co n o cer el te rre n o y sus reacciones. M u n d o
v e rd a d e ra m e n te o b re ro . La relación e n tre el o b re ro y la
e m p re sa e ra d ire c ta . La e m p re sa , p a ra el m in e ro , era el ca­
p a ta z . La re la c ió n con é l era u n a re la ció n d e m e rc a d o , ya
q u e to d o el p ro b le m a consistía en carg ar v a g o n e ta s y
ev alu ar su c arg a. El c ap a ta z le dice al m in e ro : «Tus v ag o ­
n e tas n o e s tá n c o m p le ta s, fa lta n c in c u e n ta k ilo s ...» O
b ie n , a c u sa ció n m á s fre c u e n te y grave: «N o h a y m á s q u e
c arb ó n ; y tie n e s q u e carg arlo con roca.» Y el m in e ro c o n ­
testa: «N o p u e d o co n se g u ir u n re n d im ie n to a lto , es u n
te rre n o p e lig ro s o ; tu v e q u e a p u n ta la r varias veces; d e b í ir
con c u id a d o p o rq u e la a re n a se d e sp re n d ía d e l te c h o ...» O
b ie n : «El a ire n o lle g a b a h a sta el m a rtillo n e u m á tic o .» La
c o m p ra v e n ta d e la fu e rz a de trab ajo es visible d ire c ta m e n ­
te. La c o n d ic ió n o b re ra , e n la m in a o e n las in d u s tria s d e
base, se vive al m ism o nivel d e l tra b a jo . E n la in d u s tria
a u to m o v ilístic a , p o r el c o n tra rio , el p u e sto d e tra b a jo n o es
la u n id a d sig n ificativ a; lo es el ta lle r o la c ad e n a . É n las
m in a s a n tig u a s la u n id a d es el p e q u e ñ o e q u ip o d e tres,
c u atro o c in co , e n co n flicto d irecto con el c a p a ta z q u e
ev alú a u n tra b a jo del q u e n a d ie p u e d e p re v e r e x a c ta m e n te
to d as las c o n d icio n es. El cap ataz es u n o b re ro a n tig u o , así
q u e conoce e l a su n to , p e ro d e se m p e ñ a el p a p e l d e l p a tró n .

H acia la so cio lo g ía

N o fu i, p o r su p u e s to , u n v e rd a d ero m in e ro , p o r q u e n o
e sta b a o b lig a d o a serlo. Y o sabía q u e u n d ía c erca n o vol­
vería a u n a activ id ad in te le c tu a l, in clu so e n el caso d e n o
d esear re a n u d a r los e stu d io s. P ero este paso p o r la m in a
im p u lsó m á s d ire c ta m e n te m i o rie n ta c ió n p ro fe s io n a l q u e
los cursos a q u e h a b ía asistid o .
D u ra n te e sta te m p o ra d a cayó en m is m a n o s el lib ro d e
G eo rges F rie d m a n n : L es p r o b lè m e s h u m ain s d u m a ch in is­
m e in du striel. P o r c ie rto , m e concern ía. P u b lic a d o e n
36 UN DESEO DE HISTORIA

1946, era u n a o b r a m u y n u e v a e n F ran cia, ya q u e la u n i ­


v ersid ad fran cesa casi n i se d ig n a b a o c u p arse d e los p r o b le ­
m as c o n te m p o rá n e o s d e l tra b a jo , y m e n o s a ú n d e l tra b a jo
o b re ro , te m a p r o b a b le m e n te d e m a sia d o v u lg a r p a ra n u e s ­
tros g ran d es c o n o c im ie n to s . F rie d m a n n fu e el p rim e ro e n
e stu d ia r s e ria m e n te los ta lle re s y fáb ricas, e n e n c a b e z a r la
crítica c o n tra el ta y lo rism o y sus p re te n sio n e s cien tíficas.
R ecordó las o b je c io n e s d e los fisiologistas, los p sicó lo g o s y
los sociólogos; in te n tó d a r u n a p rim e ra im a g e n d e la o rg a ­
n izació n d e l tra b a jo , a través d e las p rim e ra s g ra n d e s e n ­
cuestas a m e ric a n a s, d e las co n d u ctas colectivas d el tra b a jo .
Leí ese lib ro co n e n tu sia s m o . H a b la b a d e lo q u e m e in te ­
resaba. Se a v e n tu r a b a lejos d e l m u n d o escolar, h a b la n d o
d e eso q u e in g e n u a m e n te yo h a b ría lla m a d o «la vida». El
m u n d o o b re ro , es d e c ir a la vez el tra b a jo m a te ria l d e p ro ­
d u c ció n , u n a clase social y el m o v im ie n to o b re ro h a b ía n
irru m p id o e n m i e x isten c ia . P ara m í, jo v en b u rg u é s h ip e r-
escolarizado, la lib e ra c ió n y la ép o ca 1945-1947 (con los
c o m u n istas e n el g o b ie rn o ) lo h a b ía n tra sto c a d o to d o . P ero
la irru p ció n e n m i e x p erien c ia vivida d e la clase o b re ra
com o re a lid a d y c o m o fu e rz a fu e m á s e n co n creto im p o r­
ta n te . Si se m e h u b ie s e p e d id o d ib u ja r la so c ie d a d , yo
h a b ría p u e sto e n su c e n tro u n a fá b ric a o u n a m in a . P ara
m í, el m u n d o o b re ro (y n u n c a p e rd í esta im a g e n , h o y ca­
d u cad a) e ra el fu e g o . Si eleg í la m in a , ello se d e b e a q u e el
c arb ó n s u p o n e e l fu e g o . D espués h a b ría d e g u s ta rm e ,
m u c h o , la s id e ru rg ia . E n tre los m ás h e rm o so s re c u e rd o s d e
m i v id a, c o n sid e ro las noches p asad as e n F ran cia o e n
C h ile, al la d o d e los a lto s h o rn o s, los tra n sfo rm a d o re s Bes-
sem er, las acerías M a rtin , las gruesas la m in a d o ra s. Q u é
g ra n d e za y b e lle z a las d e u n a b a te ría d e h o rn o s M a rtin
d u ra n te la n o c h e , o u n a b an ic o de llam as B essem er q u e se
deshace, o la c o la d a de u n a lto h o rn o . Ese fu e g o h a c ía es­
ta lla r la b u rb u ja d e a ire o d e p a p e l e n la q u e yo e s ta b a e n ­
cerrado, y s im b o liz a b a la «reconstrucción», la d e l p a ís y la
m ía. E x p e rim e n té u n e n tu sia sm o in d u s tria l. H e visto
varias veces La lín e a general, d e E ise n stein , y c a d a v ez con
m ayor e m o c ió n . P e n s a b a , co m o m u c h o s, q u e la m á q u in a ,
el tra b a jo o b re ro y la acción colectiva o b re ra ib a n a
c o n stru ir u n a n u e v a so cied ad . H e sido d e los q u e h a b la r o n
EL FUEGO 37

y h a b la b a n d e u n a so cied ad p o s in d u stria l; creo q u e n o lo


h a b ría h e c h o si no m e h u b ie se g u s ta d o ta n to la in d u s tria li­
zació n . Se h a b la hoy d e l m ito d e la in d u s tria liz a c ió n ; n o
fu e u n m ito , sino u n a g ra n re a lid a d . Sé lo q u e hay d e p e ­
ligroso e n estos se n tim ie n to s. Lejos d e m í la id e a d e
a firm a r q u e el m u n d o o b re ro o el tra b a jo e n las fá b ric a s es
siem p re e n tu sia s m a n te , p e ro n o ex ag erem o s; p u e d e serlo.
E v id e n te m e n te , si las c ircu n stan cias m e h u b ie s e n a rro ja d o
al á m b ito te x til, otras h a b ría n sid o m is reaccio n es. Sin
e m b a rg o , n o es la c asu a lid ad la q u e m e im p id ió e sta r e n la
in d u s tria te x til. M e a tra ía n las in d u s tria s d e b ase, el c a rb ó n
y el acero, q u e te n ía n u n valor estratég ico y sim b ó lic o
m u c h o m ás fu e rte . Para u n a g ra n p a rte d e m i g e n e ra c ió n ,
este n u e v o re la n z a m ie n to d e la e c o n o m ía fran cesa c o n sti­
tu y ó u n a g ra n alegría. Los sin d ic alista s, e n to d o caso, la
e x p e rim e n ta b a n fu e rte m e n te . A c tu a lm e n te salim os de la
so ciedad in d u stria l. C o n d e n a m o s la p o lu c ió n y sab e m o s
q u e el p ro g reso económ ico ya no d e p e n d e , p rim o rd ia l­
m e n te , de la in d u stria p ro p ia m e n te d ic h a. N o fu i d e los
ú ltim o s e n se ñ a la r el fin d e la e ra in d u s tria l, p e ro m a n te n ­
go d e e lla , así co m o d e m i e d u c a c ió n , el c u lto p o r la tra n s ­
fo rm ació n d el m u n d o a través d e l tra b a jo y la v o lu n ta d .
T a n to p e o r si d e sd e hace cierto tie m p o , y p o r a lg u n o s años
to d a v ía , este s e n tim ie n to parece an acró n ico .
G u ia d o p o r la esp e ra n za d e c u b rir poco a p o co la d is­
ta n cia e n tre m i fo rm ac ió n in te le c tu a l y el m u n d o d e l
tra b a jo , e n tre el B arrio L atin o y B illa n c o u rt, n o m e dejé
llevar p o r u n a teoría o p o r h ip ó te s is, s im p le m e n te q u e ría
re fle x io n a r sobre el tra b a jo y n o s o la m e n te so b re los tex to s.
P reo cu p acio n es y s e n tim ie n to s c o m o los m ío s p u d ie r o n
llevar a lg u n o s a convertirse e n in te le c tu a le s del p a rtid o
c o m u n ista . Esa g e n te , q u e se p r e g u n ta d e sd e h a c e u n o s
años so b re su a v e n tu ra p e rs o n a l, fu e d u ra n te m u c h o s años
c o lm a d a d e b ien es. El a p a ra to d e l p a rtid o e n F ran c ia y e n
el e x tra n jero les p ro d ig ó con q u é h a la g a r su a m o r p ro p io , y
ellos sig u e n m a n te n ie n d o m á s o m e n o s la p o s ib ilid a d d e
cu ltiv a r su ja rd ín in te le c tu a l y c o m u n ic arse c o n q u ie n e s n o
e sta b a n c o m p ro m e tid o s con su p a rtid o . P o r el c o n tra rio ,
yo viví la d o b le so led ad d e q u ie n es c o n sid e ra d o c o m o p e r­
d id o p o r la u n iv e rsid a d y q u e n o se sie n te a n im a d o p o r las
38 UN DESEO DE HISTORIA

fiestas p a rtid a ria s. D e a h í m i a p e g o al «m icroclim a» in te ­


lectual e n el q u e h e viv id o , lle n o d e sin sab o res, p e ro
b u rb u ja d e o x íg e n o e n u n u n iv e rso c o n ta m in a d o p o r el
sectarism o y el c o n se rv a d u rism o m á s e s tú p id o .
I n m e d ia ta m e n te , h a b ía q u e vivir. D e sp u é s d e h a b e r
leíd o el lib ro d e F r ie d m a n n , le escrib í. P ro b a b le m e n te se
aso m b ró al re c ib ir u n a carta de u n m u c h a c h o «norm alista»
con el sello de la re g ió n d e las m in a s. M e re s p o n d ió c a lu ­
ro sa m e n te , c o m p ro m e tié n d o m e a re in ic ia r m is e stu d io s y a
a p ro b a r m i lic e n c ia tu ra . V olví p u e s a París. H ice u n
p e q u e ñ o e stu d io so b re u n a c o o p e ra tiv a o b re ra d e p ro d u c ­
ció n , lo q u e m e p e r m itió p asar el v e ra n o . F rie d m a n n o rg a ­
n iz a b a p o r e n to n c e s u n a serie d e e stu d io s so b re las tra n s­
fo rm acio n es p ro fe sio n a le s e n d is tin ta s in d u s tria s . M aurice
V erry o b serv ab a las la m in a d o ra s d e las A rd e n n e s , y
V iviane J a m a ti la in d u s tria relo jera e n D o u b s ; F rie d m a n n
m e envió a R e n a u lt, d o n d e p o r lo d e m á s f u i re c ib id o fría ­
m e n te , p e ro d o n d e m e e stab lecí gracias, so b re to d o , a j e a n
M yron y a R a y m o n d V atier. A l m is m o tie m p o volvía a
l ’Ecole N ó rm a le q u e m e a se g u ra b a el a lb e rg u e y la com ida.
Sus re sp o n sa b le s se m o stra ro n co m p ren siv o s y n o m e p id ie ­
ro n ex plicaciones p o r ese año d e r u p tu r a . E n re a lid a d , yo
seguía e sta n d o a u s e n te , p o rq u e d e se a b a d e d ica rm e a
a q u ella ta re a e n la casa R e n a u lt. P asé allí p rá c tic a m e n te
to d o el a ñ o , e s tu d ia n d o los ta lle re s u n o tra s o tro p a ra
conocer las tra n sfo rm a c io n e s in tro d u c id a s e n el trab ajo
o b re ro . E sta fá b ric a e ra u n a esp ecie d e m u seo e n el q u e
c o h a b ita b a n fo rm a s a n tig u a s y n u e v as d e p ro d u c c ió n .
Incluso se a c a b a b a n d e in tro d u c ir m é to d o s d e fab ricació n
m u y m o d e rn o s: las m á q u in a s d e tra s m is ió n . C onocí algo
las o tras fábricas, sobre to d o la d e Le M ans, p e ro tra b a jé
e se n c ialm en te e n B illa n co u rt, a d q u irie n d o u n c o n o cim ien ­
to b a s ta n te d e ta lla d o d e la fáb rica, b u sc a n d o asim ism o
a lg u n o s d o c u m e n to s histó rico s o e sta d ístic o s, difíciles d e
h a lla r e n o tra p a rte . Q u e ría in te n ta r re c o n stru ir la h isto ria
p ro fesio n a l de la in d u s tria a u to m o v ilístic a .
E sto o cu p ó lo esencial d e m i a ñ o d e p re p a ra c ió n del
d ip lo m a d e e stu d io s superiores (e q u iv a le n te d e la actu a l li­
cen ciatu ra). P e ro ta m b ié n te n ía q u e escrib ir u n tra b a jo
c o m p le m e n ta rio . U n p ro feso r d e h is to ria ro m a n a m e p id ió
EL FUEGO 39

u n a m e m o ria so b re las técnicas bancarias e n la R o m a d el


siglo IV d e n u e s tra era. M e d e d iq u é a u n a c o m p ila c ió n
su p erfic ial d e tra b a jo s a le m a n e s, p e ro este b u e n p ro fe so r,
al ver el tra b a jo m e d ijo : «¡V eo, señ o r, q u e ta m b ié n es V d .
cap az d e h a c e r u n tra b a jo serio, y n o so la m e n te p e rio d is ­
m o!» E n esto q u e , a u n q u e yo n o te n ía n in g ú n d e se o d e
volver a la v id a escolar, F rie d m a n n insistió n u e v a m e n te
p a ra q u e a p ro b a se m i lic e n c ia tu ra , a g re g a n d o con e le g a n ­
cia: « T a n to si es V d ., a d m itid o co m o n o , h a ré q u e in g re se
en el C N R S .»
A sí, d u r a n te a q u el a ñ o casi a b a n d o n é la so cio lo g ía p o r
la q u e h a b ía c o m e n z a d o a in te re sa rm e y m e re in te g ré a los
edificios d e TE cole N ó rm a le . C o m p a rtía m i c u a rto d e
e stu d io con J a c q u e s Le G o ff, q u e acabó sien d o u n o d e los
h isto ria d o re s m á s originales d e su g e n e ra c ió n . P re p a ra m o s
n u e stra lic e n c ia tu ra sin e x tre m a d a p asió n . Mi m e jo r re ­
c u e rd o es el h a b e r d e d ica d o u n tie m p o to ta lm e n te d e s m e ­
su ra d o — dos m eses d e l a ñ o — a u n a p o n e n c ia s o b re los
seléu cid as, u n o de los re in o s h e le n o s, es d ecir s o b re A sia
o c c id e n ta l y c e n tra l p o s a le ja n d rin a . Mis c o n o c im ie n to s d e
h isto ria e ra n d e los m ás flojos, p e ro a p ro b é m i lic e n c ia tu ­
ra. El p re s id e n te d e m esa, F e rn a n d B ra u d e l, tu v o l a d e li­
c ad eza de colocarnos ex a eq u o a J a c q u e s Le G o ff y a m í. Es
u n h o m b re re sp ec to d e q u ie n tu v e lu eg o o tra s ra z o n e s p a ra
estar re c o n o c id o . Le a g ra d a b a darse la im a g e n d e u n c o n ­
q u is ta d o r, lle n o d e d esp recio p o r el viejo m u n d o u n iv e r­
sita rio , áv id o d e cabalgatas p o r las desco n o cid as tie rra s d e
las ciencias sociales. S eguro d e sí, g ran señ o r, b ru ta l y afec­
tu o so , fu e ta n d e te s ta d o co m o a d m ira d o . N u n c a o lv id a ré
q u e p e rm itió q u e m u c h o s, e n tre los q u e m e c u e n to , tr a b a ­
ja se n e n co nd iciones favorables.

E l oficio

T al co m o F rie d m a n n m e lo h a b ía p ro m e tid o , in g re sé
en el C N R S. E ra en 1950. Sólo éram os alg u n o s e n la
sección d e sociología. C asi to d o s p e rte n e c ía n al C e n tro d e
estu d io s sociológicos, p rim e ra p e q u e ñ a célu la cread a p o r la
d irecció n d e l CN RS y q u e p rim e ro fu e d irig id a p o r
40 UN DESEO DE HISTORIA

G eo rg es F r ie d m a n n y p o r G e o rg es G u rv itc h . E ste C e n tro


d e estu d io s sociológicos c o n sta b a d e u n a g ra n h a b ita c ió n ,
sep a ra d a e n dos p o r u n a c o rtin a y d o s escalones, e n u n a
casa d e l b u le v a r A ra g o , casi fre n te a la p risió n d e la S an té .
La señora H a lb w a c h s, cuyo m a rid o , g ra n sociólogo, h a b ía
m u e rto d e p o rta d o , y q u e era h ija de V íc to r B asch,
ta m b ié n a sesin ad o d u r a n te la g u e rra , p re sid ía m u y m a te r­
n a lm e n te n u e stra s activ id ad e s. E ste p e q u e ñ o c e n tro , a
cargo d e G eo rg es F r ie d m a n n , e ra d irig id o p o r u n g ru p o d e
c u atro perso n as: E d g a r M o rin , P a u l-H e n ri C h o m b a rt d e
L auw e, P a u l M au c o rp s y yo. N o te n ía m o s n in g u n a re fe re n ­
cia teó rica o e m p íric a p a rtic u la r. M au co rp s y C h o m b a rt
e ra n los p rim e ro s e n h a b e r c o n stitu id o e q u ip o s d e tra b a jo :
M o rin escribía ya so b re d istin to s te m a s con su sie m p re g ra n
ta le n to . P o r ser m á s jo v en y m á s to rp e , yo m e esfo rzab a a
la vez e n c o n tin u a r las in v estig acio n es sobre los p ro b le m a s
d e l tra b a jo y o rie n ta rm e te ó ric a m e n te . M a te ria lm e n te , la
v id a d e los jóvenes in v e stig ad o res no e ra fácil. Las carreras
e ra n le n ta s y los salario s bajos. Sólo po co a p o co los s in d i­
catos lo g raro n o b te n e r m ejo ras. V iví d u ra n te este p e río d o
cerca del p u e n te d e B illa n c o u rt, e n u n b a rrio o b re ro , al
lad o de la casa R e n a u lt, lo q u e no era p re c isa m e n te u n a
c asu a lid ad . D e jé e l lu g a r u n o s años d e sp u é s p a ra p a sa r a
C h á te n a y -M a la b ry , e n m e d io d e los á rb o les, n o lejos d el
p a rq u e d e Sceaux. P e rm a n e cí largo tie m p o e n C h á te n a y ,
q u e ta n to m e g u s ta b a , p o rq u e era u n p o b la d o en el q u e
p o d ía e fe c tu a r c a m in a ta s q u e m e lle v a b a n h a sta Va-
llée-aux-L oups, la p ro p ie d a d d e C h a te a u b ria n d , c u id a d a
p o r la v iu d a d e u n m éd ico y q u e ta m b ié n es h ija de Pléja-
no v . A l lad o d e V allée-au x -L o u p s se e n c u e n tra la calle
E u g é n e -S in e t; s itu a d a a lo larg o d e los viveros C ro u x p o r
u n la d o , e in m e n so s ja rd in e s y a lg u n as casas, d e las q u e
u n a p e rte n e c ió a F a u trie r, p o r el o tro . El p in tó c u ad ro s
p a ra los fu sila d o s, q u e eran e je c u ta d o s m u y cerca, al b o rd e
d e l c am in o d e l ’O rm e -M o rt. A llí tra n scu rrió m i v id a
fa m ilia r in te rru m p id a p o r viajes y co n feren cias en el ex­
tra n je ro . N o re fe riré a q u í re c u erd o s m u y p e rso n ale s. N o
q u ie ro aislar a m i m u je r d e A m é ric a la tin a , su lu g a r d e
o rig e n y d e la q u e d iré m ás a d e la n te el lu g a r q u e o cu p ó e n
m i v id a. Y con to d o , d e d iq u é u n o d e m is libros al ced ro
EL FUEGO 41

situ a d o a n te n u e stras v e n ta n a s d e C h á te n a y , p a ra a firm a r


q u e sin él, o sea sin el p e q u e ñ o g ru p o fa m ilia r, s in m i
m u je r y m is d o s hijos, yo n o h a b ría p o d id o tra b a ja r ta n to
e n u n a s co n d icio n es a veces d e sa le n ta d o ra s. P ero eso es
a firm a r m u y p o c o . E n re a lid a d , m i v id a sin ellos h a b ría
sid o ta n d ife re n te q u e in clu so n o p u e d o im a g in a rla y a d i­
v in a r las direccio n es q u e m i tra b a jo h a b ría to m a d o . C reo
q u e los h o m b re s de m i g e n e ra c ió n h a n sid o los p rim e ro s
e n o to rg a r u n a im p o rta n c ia ta n g ra n d e , ta n c e n tra l a sus
relaciones c o n sus hijos. La seried a d y la in te lig e n c ia d e
M arisol, así c o m o el e n c a n to y la im a g in a c ió n d e P h ilip p e
fo rm a n p a rte d e m í ta n to co m o m i tra b a jo o m i in te ré s p o r
la p olítica.
El p e q u e ñ o m u n d o d e los sociólogos e sta b a al m a rg e n
d e la u n iv e rs id a d . Ser sociólogo era — y lo es a ú n — m e n o s
d e c e n te q u e ser h isto ria d o r, filósofo o la tin is ta . N o so tro s
eram os m a rg in a le s o a típ ic o s. M aucorp s, q u e m u rió d e m a ­
siado p r o n to , era un oficial de m a rin a , a n tig u o a lu m n o d e
la Escuela n a v al y, p ro b a b le m e n te , u n o d e los p o co s e n
h a b e r p a sa d o a la Francia lib re . C h o m b a rt d e L auw e p r o ­
v enía de la e tn o lo g ía , p e ro ta m b ié n d e la RAF. M o rin
h a b ía co rrid o m u ch o s y graves p elig ro s y h a b ía te n id o u n a
v id a e rra n te d u ra n te la g u e rra . N o éram o s so la m e n te m a r­
g in ales e n relació n con la v id a u n iv e rsita ria , sino ta m b ié n
resp ecto d e l a p a ra to c o m u n is ta q u e nos ro d e a b a . N o p a r ti­
c ip áb am o s e n polém icas con los in te le c tu a le s c o m u n is ta s
d e a q u e lla ép o ca; yo, p e rs o n a lm e n te , n u n c a lo h ic e . P ero
los sociólogos eran acusados d e ser a g e n te s d e la b u rg u e s ía ,
ya q u e su p e n sa m ie n to lib re a m e n a z a b a el p re d o m in io
a u to rita rio d e l PC.
D u ra n te d ie z años d e d iq u é lo esencial d e m i tra b a jo a
lo q u e se lla m a b a la sociología in d u s tria l. A n te to d o ,
re to m é m i e stu d io so b re R e n a u lt, p a ra c o m p le ta rlo . Ese
fu e m i p rim e r libro. P a rtic ip é e n in v estig acio n es so b re la
sid eru rg ia lo ren esa e hice u n p e q u e ñ o e stu d io s o b re los
o breros d e o rig e n agrícola. S obre to d o , p re p a ré la rg a m e n te
u n a m p lio e stu d io , q u e te rm in ó s ie n d o u n grueso to m o :
La conscience ouvriere. E n 1959, el tra b a jo e fe c tu a d o p o r
a lg u n o s d e n o so tro s n o s p e rm itió crear la rev ista S o cio lo g ie
d u travaii. La fu n d é con M ichel C ro z ie r, J e a n -D a n ie l
42 UN DESEO DE HISTORIA

R ey n a u d y J e a n - R e n é T r é a n to n . Q u e ría m o s p u b lic a r tr a b a ­
jos d e in v e stig ac ió n , y n a tu r a lm e n te los b u sc á b a m o s e n los
p ro b le m a s d e l tr a b a jo q u e to d a v ía g o z a b a n d e l p riv ileg io
d e p arecer los m á s im p o r ta n te s y, so b re to d o , los m ás a le ­
jad o s d e la re tó ric a a c a d é m ic a . Y o h a b ía c o m e n z a d o a
o rg a n iz ar, en el m a rc o d e l C N R S , u n g ru p o d e tra b a jo . E n
1958 pasé a H a u te s E tu d e s , d o n d e m e c o n v ertí e n d ire c to r
d e e stu d io s e n 1 9 6 0 . D e sd e m i lle g a d a creé allí u n a
u n id a d d e tra b a jo q u e d u r a n te doce añ o s se lla m ó «Labo­
ra to rio d e so cio lo g ía in d u s tria l» y q u e a c tu a lm e n te se d e ­
n o m in a « C entro d e e stu d io d e los m o v im ie n to s sociales».
C o n tin ú o o c u p á n d o m e d e él. P u e s b ie n , d u ra n te to d o este
p e río d o m is p rin c ip a le s p re o c u p a c io n e s e stu v ie ro n c e n tra ­
d as e n los p ro b le m a s d e l tra b a jo o b re ro y d e la em p resa
in d u s tria l. M i p r im e r te m a fu e la e v o lu ció n p ro fe sio n a l, es
d ecir las relacion es e n tre la e v o lu ció n té c n ic a y la ev olución
p ro fesio n a l. ¿ C ó m o tra n s fo rm a n los oficios la e v o lu ció n d e
las m á q u in a s? P u n to d e p a r tid a a p a re n te m e n te a lejad o d e
los cam p o s e n q u e tra b a jé a c o n tin u a c ió n : los m o v im ie n to s
sociales, la so cio lo g ía p o lític a . M e in te re sa b a el tra b a jo e n
su aspecto m ás in m e d ia to , el d e l p u e s to , el d e l ta lle r. E sta
elección tuvo m u c h a im p o rta n c ia p a ra m í, a n te to d o
p o rq u e re s p o n d ía a m i deseo d e c a p ta r re a lid a d e s co n cre­
ta s, y p o r o tra p a r te p o rq u e m e a p o rta b a u n siste m a d e re ­
feren cia. D u ra n te esos años d esarro llé u n p e n sa m ie n to
sobre las tra n s fo rm a c io n e s d e l tra b a jo , d e la situ a c ió n y la
conciencia d e los o b re ro s . La id e a m u y s im p le d e la q u e
p a rtí consistía e n la su cesió n d e d ife re n te s sistem as d e
tra b a jo .'L o q u e o b s e rv a b a era el p aso d e lo q u e llam é u n
sistem a p ro fe s io n a l a u n siste m a técn ico . El p rim e ro está
d o m in a d o p o r la a u to n o m ía p ro fe sio n a l d e los o b rero s, al
m ism o tie m p o q u e p o r su re la ció n d ire c ta m e n te a n ta g ó n i­
ca con el c ap ital. D e d o n d e su rg e u n a d u a lid a d f u n d a ­
m e n ta l: los o b re ro s s o n , a la vez, asalariad o s y tra b a ja d o ­
res. D e a h í se p a só al m u n d o d e la o rg a n iz a c ió n , es d e cir a
u n d o m in io m ás d ire c to y m ás c o m p le to d e l c a p ita l sobre
el tra b a jo . E s tu d ié , e n p a rtic u la r, la c a te g o ría de los O S ,
d e los obreros n o c u alific ad o s, y los m e ca n ism o s m e d ia n te
los cuales se d e stru y ó la a u to n o m ía p ro fe sio n a l.
EL FUEGO 43

La conciencia obrera

Ese tra b a jo m e llevó rá p id a m e n te a estu d io s so b re la


conciencia d e clase, s o b re la conciencia o b re ra . M ás q u e
h a b la r de e lla e n g e n e ra l, m e in teresé e n su « h isto ria n a ­
tural». ¿C óm o, y c u á n d o , ella es fu e rte o d éb il? D e sc u b rí
q u e alcan za su ap o g eo e n u n lu g a r preciso: e l d el
e n c u e n tro co n flictivo e n tre el m u n d o d e l tra b a jo y el
m u n d o d e la o rg a n iz ac ió n y, y en d o m á s lejos, e l d e l
cap ital. A e sto se d e b e q u e en las activ id ad es co n fu e rte
a u to n o m ía p ro fe sio n a l — com o la c o n stru cció n o las
m in a s— e sta co nciencia d e clase, es d ecir esta c o n cien cia
d e u n a so c ie d a d d irig id a p o r el d o m in io d e l c a p ita l so b re
el tra b a jo , sea m á s b ie n d é b il, m ás d é b il e n to d o caso q u e
u n a co n cien cia d el g ru p o o b re ro en sí, p u e s a q u í u n a viva
conciencia d e l co nflicto e n tre el tra b a jo y el c ap ital es m ás
defensiva q u e asociada a la id ea m á s g e n eral d e u n a
o rie n ta ció n c a p ita lista o socialista de la in d u s tria liz a c ió n .
Los retos g en erales del co n flicto vivido son p o co c o n sc ie n ­
tes. Si se p a sa a sectores con a lto d esarro llo te c n o ló g ic o ,
com o el gas, la e lec tricid a d o el p e tró le o , la c o n cien cia d e
clase es to d a v ía m á s d é b il. Y alcanza su m á x im a e x p re sió n
e n tre los o b re ro s cu alificad o s, p e ro e n las in d u s tria s ya
d o m in a d a s p o r la «racionalización», p o r e je m p lo , e n la
tra n sfo rm a c ió n d e los m e ta le s . P o r ello el sin d ic alism o h a
sido a n im a d o p o r ob rero s cualificados, e n to d o caso h a sta
los años 6 0 , y e n p a rtic u la r p o r los o b re ro s e sp ecializad o s.
D a n ie l M o th é , u n o d e los pocos obrero s q u e h a escrito e n
té rm in o s d e sociología so b re la c o n d ic ió n o b re ra , es u n
caso característico: es u n o b re ro especializad o d e la casa
R en a u lt. La m a y o ría d e los m ilita n te s q u e h a n ju g a d o u n
p a p e l im p o r ta n te e n la C G T y en el PC p ro v ie n e n d e esas
categorías. Lo m ism o o c u rre con los ferroviarios. E ste ra z o ­
n a m ie n to d e h is to ria d o r q u ie re s u p o n e r q u e es p o s ib le
situ a r el n a c im ie n to , la m a d u re z y la d e c lin a c ió n de la
conciencia d e clase o b re ra . U n m o v im ie n to social c e n tra d o
e n la co n cien cia o b re ra e stá ya h istó ric a m e n te s itu a d o ;
a d q u irió to d a su a m p litu d a fines d el siglo X IX , e n u n a
ép o ca s im b o liz a d a p o r los n o m b re s d e T a y lo r y F o rd .
44 UN DESEO DE HISTORIA

Esto m e llevó a e n te n d e r q u e el m u n d o o b re ro y la
co n d ició n o b re ra n o so n d e fin ib le s ú n ic a m e n te e n té r m i­
nos de relaciones e c o n ó m ica s d e tra b a jo . O b re ro no es sólo
q u ie n se h a lla s o m e tid o al d o m in io c ap italista . Lo es
ta m b ié n el p ro d u c to r, a q u é l q u e carga, en n u e s tra socie­
d a d in d u s tria l, ese v a lo r c u ltu ra l q u e es el tra b a jo p r o d u c ­
tiv o. El es e l tra b a jo p ro d u c tiv o , él es e l p ro d u c to r, y
d e b id o a q u e es e l p o r ta d o r d e este valo r c u ltu ra l, ch o ca co n
q u ie n ta m b ié n es u n a fu e rz a d e p ro d u c c ió n , p e ro cuyos
in tereses sociales se o p o n e n a los suyos: el c a p ita lista . Se
trata d e un con flicto social, d e una lucha p o r e l c o n tr o l d e
la sociedad d e p ro d u c c ió n in d u s tria l. U n p u ro c o n flic to
eco n ó m ico se tra d u c e e n el e co n o m ism o , q u e p u e d e e n ­
contrarse m a siv a m e n te e n tre los O S. El O S q u ie re m ás
d in e ro , sobre to d o c u a n d o tra b a ja en c a d e n a . Q u ie re te n e r
v en tajas e co n ó m icas q u e c o m p e n s e n , o al m e n o s q u e
h a g a n m ás a c e p ta b le , u n tra b a jo q u e carga so b re el in d iv i­
d u o ten sio n es fisio ló g icas y psicológicas m u y fu e rte s. Los
o b rero s n o c u alificad o s p u e d e n ta m b ié n te n e r, m ás a llá d e l
e co n o m ism o , eso q u e h e d e n o m in a d o u n a c o n cien cia p r o ­
leta ria , o sea la c o n c ie n c ia d e ser to ta lm e n te d o m in a d o s .
Se la e n c u e n tra , e n p a rtic u la r, e n tre q u ie n e s tie n e n u n
tra b a jo e sp e c ia lm e n te d u ro — com o los m in e ro s— o u n a
e x tre m a d a in s e g u rid a d d e e m p le o . El sin d icalism o re v o lu ­
cion ario se e x te n d ió c o n frec u en c ia , e n tre o b rero s q u e
tra b a ja b a n e n ta lle re s m ás q u e e n fábricas. La co n cien cia
d e clase alcan za su m a y o r e x p resió n allí d o n d e se e n c u e n ­
tra n la afirm ació n d e los d e re ch o s del tra b a jo y la re iv in d i­
cación p ro le ta ria . La s e g u n d a o to rg a a la p rim e ra u n a
fu e rz a d e r u p tu r a q u e la p ro te g e c o n tra las te n ta c io n e s d e
la aristocracia o b re ra . La p rim e ra o to rg a a la s e g u n d a la
c a p a c id ad d e s u p e ra r o b je tiv o s económ icos o la p a rtic ip a ­
ción h e te ró n o m a e n u n a acción p o lític a y, d e h e c h o , la
fu e rz a d isu aso ria d e u n a c o n testació n d e clase. E ste
e n c u e n tro se o p e ra p re c isa m e n te allí d o n d e se c o n ju g a n la
a u to n o m ía p ro fe sio n a l y la p ro d u c c ió n de m asa. S itu a c ió n
in e sta b le , p u e s to q u e con s u m a ra p id e z , e n los sectores
av an zad o s, los tra b a ja d o re s re s u lta n d e fin id o s sólo p o r u n
lu g a r en la o rg a n iz a c ió n , e n vez d e serlo, e q u ip a d o s c o n su
oficio, fr e n te a ella . E n esta n u ev a situ a c ió n , n u m e ro sa s
EL FUEGO 45

categ o rías re iv in d ic a n m e jo re s co n d icio n es d e tra b a jo y d e


p a g a , p e ro sin conciencia d e clase. Se tra ta a q u í d e lo s tra ­
b a jad o res d e l sector b u ro c ra tiz a d o . Se e n c u e n tra n e n u n a
escala y e x ig en u n a m ejo ra d e l ín d ic e . A firm a n : « ¿P o r q u é
soy B4 c u a n d o el tip o d e al lad o es C 5?» Lo q u e d e fin e ,
d esd e ya, u n a in te g ra ció n conflictiva.
A sí p u e s, el m u n d o o b re ro h a p a sa d o su ce siv am e n te p o r
c u a tro g ra n d e s tip o s d e acción sindical:
1. El sin d icalism o c o rre sp o n d ie n te a u n a sim p le d e f e n ­
sa e c o n ó m ica (u n o de cuyos p rim e ro s e jem p lo s h istó ric o s se
e n c u e n tra e n el siglo X IX , e n la in d u s tria d e l a lg o d ó n e n
In g la te rra ).
2. U n sindicalism o rev o lu cio n ario p ro le ta rio , allí
d o n d e los p ro b le m a s d e e m p le o so n m ás a p re m ia n te s q u e
las c o n d icio n es d e trab ajo .
3. El q u e h a b ría q u e d e n o m in a r u n sin d icalism o d e
clase, cuyo g ra n p e río d o h a b ría q u e s itu a r, p r o b a b le m e n ­
te , e n e n tre g u erras: 1926, la g ra n h u e lg a in g lesa s e ñ a la el
fin d e l a n tig u o m u n d o o b re ro ; 1936, e n Francia y e n los
E stados U n id o s , ofrece la im a g e n m á s fu e rte d el sin d ic a ­
lism o d e clase. El p e rso n a je c e n tra l es p o r e n to n c e s el
m e ta lú rg ic o cualificado.
4 . P ro g resiv am en te se va h a cia situ acio n es e n las q u e
ap arece, co m o dicen los sociólogos, u n a c ie rta in s titu c io n a -
lizació n d e los conflictos. C reo q u e e ste fe n ó m e n o tie n e
causas p rofesionales, a d e m á s d e causas sociales. E n el
p ro p io n iv el de su p osición social, el actor, social d e ja d e
situ a rse a n te la em presa; p ie rd e su a u to n o m ía p ro fe sio n a l.
E stá c o m p le ta m e n te d e fin id o p o r su p a p e l, p o r su lu g a r en
u n a re d d e co m u n icacio n es. En el sen o d e la o rg a n iz ac ió n
ex isten n u m e ro so s conflictos, e n p a rtic u la r e n tre categ o rías
p ro fesio n a les. P or e je m p lo , e n tre m éd ico s y e n fe rm e ra s,
profesores y a d ju n to s, servicios com erciales y servicios d e
fab ricació n , expertos y cu ad ro s d e m a n d o d ire c to , e m p le a ­
dos y jefes. Estos conflictos c u e s tio n a n el ejercicio d e la
a u to rid a d , y p o r ta n to la o rg a n iz ac ió n d e l tra b a jo , p e ro n o
la o rie n ta c ió n social d e la p ro d u c c ió n . Q u ie n es, e n la
e m p re sa , p ro c e d e n a u n a crítica fu n d a m e n ta l e n té rm in o s
d e clase, n o p u e d e n h a ce rlo sino h a b la n d o e n n o m b re d e
a q u é llo s q u e se e n c u e n tra n e n el e x te rio r d e la o rg a n iz a ­
46 UN DESEO DE HISTORIA

ció n y q u e so n , d e a lg u n a m a n e ra , c o n su m id o re s. Lo q u e
p o d ría d e n o m in a rs e el fin d e la c o n d ic ió n o b re ra n o
su p o n e q u e ya n o h a y a o b re ro s, sino el fin d e esta s itu a ­
ció n c e n tra l, el d e l o b re ro a p o y a d o to d a v ía e n su a u to n o ­
m ía , su oficio y, ta m b ié n , el d e los e le m e n to s d e u n a
c u ltu ra , p e ro a ta c a d o ya p o r los m é to d o s a u to rita rio s d e
o rg a n iz a c ió n d e l tra b a jo .
Al llevar a cab o tales e stu d io s tu v e ta m b ié n c u id a d o en
lu c h a r c o n tra d ife re n te s fo rm as d e id e o lo g ía s p a tro n a le s,
con fre c u e n c ia so ste n id a s p o r id eo lo g ías p ara u n iv ersita ria s.
El d esarro llo d e la in d u s tria , la p re o c u p a c ió n p o r la p r o ­
d u c tiv id a d , la p re s ió n sin d ic al h a b ía n v u e lto in su fic ie n tes
y h a s ta in s o p o rta b le s los a n tig u o s m é to d o s d iscip lin ario s
d e m a n d o . H e p o d id o a p re c ia r la m is m a e v o lu ció n , algo
d esp u és, e n la U n ió n S oviética. H u b o p re o c u p ac ió n p o r
e n to n ce s p o r eso q u e se lla m ó las relacio n es h u m a n a s , es
d e c ir u n a c ierta in te g ra c ió n psico ló g ica d e los o b rero s o de
los tra b a ja d o re s e n las e m p resas. El te m a se p re s e n tó b ajo
la fo rm a d e u n a id e a m u y sim p le: c u a n d o la g e n te es
d ich o sa, tra b a ja m e jo r. Si se p re te n d e q u e la g e n te re p o rte
m á s d in e ro , es p reciso q u e sea fe liz . Si se m e jo ra n las c o n ­
d icio n es d e tra b a jo , el e n to rn o m a te ria l, las relaciones d e
a u to rid a d , la c o m u n ic a c ió n , e tc ., p u e d e o b te n e rse u n
m e jo r re n d im ie n to . T a l era la n u e v a id e o lo g ía p a tro n a l. La
crítica a la m is m a p ro v in o sobre to d o d e los sociólogos
am erican o s d e c o m ie n zo s de los años 50. Los v e n d ed o res
d e «relaciones h u m a n a s» a firm a b a n : « C u a n d o la g e n te es
feliz ¡el r e n d im ie n to es m ayor!» A h o ra b ie n , aq u ello s
in v estig ad o res o b se rv a ro n q u e eso era falso, d e b id o a dos
razo nes.
1. Ser d ich o so no significa n a d a e n sí; la satisfacción
e n el tra b a jo n o es u n a u n id a d ; se d iv id e en al m e n o s
varias d im e n sio n e s in d e p e n d ie n te s : satisfacción d e l p u e sto
d e tra b a jo , d e l e q u ip o , d e l e m p le o , d e la e m p re sa y d el
sa la rio .
2. C u a n d o se b u sca la co rrelación e n tre el re n d im ie n to
y estas d im e n sio n e s de la satisfacción e n el tra b a jo , se d e s­
c u b re q u e ella, e n g e n e ra l, n o existe, salvo qu izás e n tre el
re n d im ie n to y la n a tu ra le z a d el e q u ip o . E sta c o n clu sió n es
d e s u m a im p o rta n c ia , p u e s d e stru y e la id e o lo g ía co n siste n ­
EL FUEGO 47

te e n re la c io n a r u n a c o n d u c ta en el tra b a jo con s e n tim ie n ­


tos. A firm a r q u e la satisfacció n y el re n d im ie n to están
ligados e q u iv a le a h acer d e sa p a rec e r las relaciones c o le c ti­
vas d e tra b a jo , las situ a c io n e s d e clase. Esos sociólogos
am erican o s fu e ro n m u y co n scien tes de ello: ex ce le n te
e je m p lo d e a p o rta c ió n p o sitiv a d e u n a in v e stig ac ió n p a ra
d e stru ir u n a id eo lo g ía. P o r o tra p a rte , p ro lo n g a b a n la
p a rte m á s a d m ira b le d e la g ran e n cu e sta d e so cio lo g ía
in d u s tria l e fe c tu a d a b a jo la d irecció n d e F. R o e th lisb e rg e r
en la W e s te rn Electric. E sta inv estig ació n h a b ía a p o rta d o
observacioners a p a sio n a n te s sobre e l fe n ó m e n o d e l « fre n a ­
do». T a y lo r d ecía: «O frezco e stím u lo s fin an ciero s, y los
o b rero s se g u irá n m is m é to d o s racionales de tra b a jo q u e
a crecen tarán sus ganancias». A h o ra b ie n , esta e n c u e s ta
d e m u e s tra q u e los o b rero s n o se c o m p o rta n así. El p ro p io
g ru p o o b re ro se fija sus n o rm a s. El q u e u n o s tra b a ja d o re s
se e n tie n d a n p a ra fijarse cuotas d e p ro d u c c ió n y las
re s p e te n , s u p o n e la e x p resió n co n creta d e u n a c o n cie n c ia
de las relacio n es d e clase. T a m b ié n e n Francia la m a y o ría
de los sociólogos h a n h e c h o lo q u e h a n p o d id o p a ra criticar
las id e o lo g ía s p a tro n a le s, y sobre to d o lo q u e se d e n o m in ó
el m o v im ie n to d e las relacio n es h u m a n a s . Es c ie rto q u e
estas id e o lo g ía s re a p are c en c o n s ta n te m e n te , b a jo fo rm a s
siem p re n uevas. A c tu a lm e n te se h a b la m ás fá c ilm e n te de
c re a tiv id a d q u e d e relaciones h u m a n a s . Sería ta n e x ag e ra ­
d o to m a r e n serio esas seudociencias h u m a n a s co m o
n eg arles to d a im p o rta n c ia . Se tra ta de id eo lo g ías, es d ecir
de la in te rp re ta c ió n p a tro n a l de u n a situ a ció n n u e v a , e n la
q u e la in te g ra c ió n en la e m p re sa d e se m p e ñ a u n p a p e l m ás
c en tral q u e la b ú s q u e d a d e l re n d im ie n to .
P ero q u iz ás, asim ism o , el peso d e las id eo lo g ías a p a rtó
p a u la tin a m e n te a la m a y o ría d e los sociólogos d e lo s p r o ­
b le m a s d e l tra b a jo . Y o m ism o lle g u é a se n tirm e a g o ta d o
de e scu ch ar h a b la r, p o r u n lad o , d e p a u p e riz a c ió n a b so ­
lu ta y, p o r o tro , de relacio n es h u m a n a s . Los a ñ o s d e la
lib e ra ció n se alejab a n , y co n ellos el im p u lso a la vez
re c o n stru c to r y p ro g resista q u e m e h a b ía a rra stra d o .
N u e stro p e q u e ñ o g ru p o d e sociología in d u stria l se d is p e r­
só. G eo rg es F rie d m a n n , q u e h a b ía sido su p a d re in te le c ­
tu a l, c o m e n z ó a volcarse m ás h a cia los p ro b le m a s d e los
48 UN DESEO DE HISTORIA

m e d io s d e c o m u n ic a c ió n . M ichel C ro z ie r e m p re n d ió sus
e stu d io s so b re las o rg a n iz a c io n e s q u e h a b ría n d e d e se m b o ­
car e n u n a crítica d e los b lo q u e o s d e la so cied ad b u ro c rá ­
tica. O b ra cuya im p o rta n c ia re c o n o zc o , a u n q u e la c ritiq u e ,
y q u e se c o n v irtió e n la p rin c ip a l id e o lo g ía d e los tecn ó -
cratas q u e lle g a b a n al p o d e r co n la Q u in ta re p ú b lic a .
J e a n -D a n ie l R a y n a u d y o tro s se in s ta la ro n e n el nivel in te r­
m e d io d e las re la cio n e s p ro fesio n a les. Y o m e v o lq u é h acia
el e stu d io d e los m o v im ie n to s sociales, m e n o s p a ra a m p lia r
m i c o n o c im ie n to d e l m o v im ie n to o b re ro q u e p a ra reco n s­
tru ir u n a im a g e n d e la so c ie d a d en té rm in o s d e p royectos y
d e conflictos. M e a le ja b a así, a la v ez, d e u n e stu d io
co n serv ad o r d e los m e ca n ism o s de in te g ra c ió n o de a d a p ta ­
ción y de u n a d e n u n c ia d e los «m ecanism os» d e d o m in io
social q u e m e p a re c ía q u e a p la s ta b a to d a p o s ib ilid a d d e
acción v e rd a d e ra y q u e ju s tific a b a a los d ic ta d o res q u e p r e ­
te n d e n h a b la r e n n o m b re d e los tra b a ja d o re s . E ste deseo
m e llevó a d a r u n ro d e o te ó ric o , q u e p ro b a b le m e n te n o
h a b ría sido ta n la rg o si la situ a ció n p o lític a e in te le c tu a l e n
la q u e yo tra b a ja b a n o h u b ie s e sid o ta n d esfav o rab le p a ra
el n a c im ie n to d e u n a n u e v a re p re se n ta c ió n d e la so cie d a d .
Capítulo III
El atolladero

La d ivisió n

D e sp u é s d e la lib eració n y d u ra n te u n larg o p e río d o se


im p u so la id e a seg ú n la cu al n a cía y d e b ía n a ce r u n a n u e v a
sociedad; el c re cim ien to e co n ó m ico te n ía q u e e sta r asocia­
do a u n a tra n sfo rm a c ió n p o lític a y social. T a n to los c o m u ­
nistas c o m o el g a u llism o , y la m a y o ría d e las fu e rz a s p o lí­
ticas, h a b ía n m a n ife sta d o su acu erd o al p ro g ra m a d e l
C N R , a la vez m o d e rn iz a d o r y so cializan te. A h o ra b ie n , la
h isto ria d e l c u arto d e siglo q u e acab am o s d e v iv ir fu e la d e
la d iso ciación p rogresiva d e esos dos aspectos. H e m o s lle ­
g ad o a h o ra a u n a e x tre m a sep aració n d e los p ro b le m a s d e
la e c o n o m ía y de los d e la so cie d a d , a ta l p u n to q u e n i
siq u ie ra se h a b la ya d e estos ú ltim o s. N o s e n c o n tra m o s ,
v ein ticinco años d esp u és d e la lib e ra c ió n , a co rralad o s e n tre
q u ie n es n o s h a b la n d e l siste m a m o n e ta rio , d e la crisis d e la
en erg ía o d e l e sta n c a m ie n to , y las voces d e q u ie n e s h a b la n
de in tim id a d o d e d e se o . ¿ Q u é nexo p u e d e estab lecerse
e n tre la crisis d e l p e tró le o y u n deseo in d e te r m in a d o d e
lib eració n ? N o lo h ay . E l c a m p o d e la so c ie d a d h a
estallado e n p e d az o s. N o se c u estio n ó el c re c im ie n to eco ­
n ó m ico h a s ta fin es d e los años 60. El m is m o c o m p o rtó
tran sfo rm acio n es m a te ria le s y sociales c o n m o c io n a n te s.
P u e d e afirm arse q u e d u r a n te este p e río d o la v id a d e
n u e stro tip o d e so cied ad fu e d o m in a d a p o r el m o v im ie n to
50 UN DESEO DE HISTORIA

in te le ctu a l c o n o c id o com o el p ro d u c to n a cio n a l b r u to , y


m ás s im p le m e n te p o r el g ra n te m a d e la en erg ía. F in a l­
m e n te , a crec en tar la c a n tid a d de e n e rg ía su p o n ía , sin caer
e n u n m al ju e g o d e p a la b ra s , p e rm itir q u e la so cie d a d
fuese m ás e n érg ica y, ta m b ié n e n co n secu en cia, m ás
activa. H e a h í el títu lo d e u n lib ro d e l sociólogo A m ita i
E tzio n i, The A c tiv e Society. N o es p o r c asu a lid ad q u e yo
m ism o, a u n q u e co n u n á n im o m u y d ife re n te , h a y a
h a b la d o d e « p ro d u c c ió n d e la socied ad » , lo q u e p u e d e
suscitar u n c o n tra s e n tid o . E ste títu lo d e m i p rin c ip a l lib ro
(P rodu ction d e la société) lleva a c re e r q u e h a b lo d e lo
q u e la so cied ad p ro d u c e , c u a n d o de n in g ú n m o d o se tra ta
d e eso, sino d e la p ro d u c c ió n d e la so cie d a d p o r sí m ism a ,
d e la in v e n ció n d e la so cie d a d p o r sí m ism a . C o n to d o ,
p a u la tin a m e n te , lo q u e era e sp e ra n z a tecn o crática se
convirtió e n p re o c u p a c ió n eco n ó m ica. El cre cim ien to fu e
re e m p laz a d o p o r la crisis. Si c o n sid e ro m i a m b ie n te d e
trabajo d u r a n te to d o este p e río d o , te n g o la m ism a im p re ­
sión d e d e te rio ro , n o m a te ria l, sino c u ltu ra l. La sociología
se desarrolló h a s ta ta l p u n to q u e se creyó, a la vez, e n el
crecim iento y e n las necesarias tra n sfo rm a c io n es sociales.
Pero m u y p r o n to tu v e la im p re s ió n d e q u e se p e rd ía la
p ro p ia id e a d e u n c a m b io social y d e q u e , fin a lm e n te , el
o b je to d e la sociología d e sa p a re c ía c o n la c a p a c id ad y el
deseo d e n u e stra so cie d a d d e a c tu a r so b re sí m ism a .
T e n g o la sensación d e h a b e r viv id o estos v ein ticin co
años tra n q u ila m e n te , e n v e rd a d , e n u n p a ís n o a fectad o
b ru ta lm e n te p o r la g u e rra , q u e sólo lo fu e e n el m o m e n to
de la O A S ... y, sin e m b a rg o , e n u n c lim a d e a n sie d a d , casi
de h iste ria , y c o m o u n su je to p e rd id o . A cab o d e re e n c o n ­
trar ese c lim a al ver la a u to b io g ra fía film a d a d e Sartre.
G u e rra fría y g u e rra d e C o re a, g u e rra d e In d o c h in a y
g u erra d e A rg e lia , c o m p lo ts y p ersecu cio n es, crisis m in is ­
teriales y div isio n es ideológicas; es v e rd a d q u e h e m o s
vivido e n u n a te n s ió n c o n sta n te , a g o ta d o ra , irriso ria ta l
vez. Si esto se o lv id a , ¿cóm o p u e d e c o m p re n d e rse lo
q u e fu e e sta g e n e ra c ió n ta n b ie n re p re s e n ta d a , e n sus es­
p eran zas, sus cóleras y sus co n tra d icc io n e s, p o r el p ro p io
Sartre? A n te s d e la g ü e ra , se tra ta b a s im p le m e n te d e la
d esco m p o sició n . D u ra n te la lib e ra ció n , a b o rtó rá p id a m e n ­
EL ATOLLADERO 51

te la c re ac ió n d e u n a so cied ad . Lo q u e h o y m e a so m b ra ,
com o hace v e in te años, es q u e este país ta n rico, ta n p riv i­
le g ia d o , sea d e u n a fra g ilid a d e x tre m a . T e n g o sie m p re la
sensación d e q u e to d o se va a d e sp lo m a r m a ñ a n a — y n o
m e h e e q u iv o c a d o c o m p le ta m e n te , ya q u e — d e sp u é s d e
to d o — el p a ís oficial se d e rru m b ó e n 1940, en 1958 y e n
1968. La so c ie d a d francesa n o se a d a p ta a sus c am b io s.
S igue s ie n d o , c o m o a firm a n a lg u n o s am igos la tin o a m e ri­
canos, el m ás rico d e los países su b d esa rro lla d o s. El
d e rru m b a m ie n to d e n u e stras ilu sio n es colectivas tras la li­
b eración f u e m u y rá p id o . La ru p tu r a d e la so cie d a d
fran cesa p o r la g u e rra fría , la q u ie b ra d e la iz q u ie rd a a
p a rtir d e 1 947, el b lo q u e ruso c o n tra el b lo q u e a m e ric a n o ,
crearon u n a situ a c ió n in m e d ia ta m e n te in to le ra b le . D e s ­
ap areció el esp acio p o lítico e in te le c tu a l p a ra u n a tra n s fo r­
m ación v o lu n ta ria de la so cied ad . D e in m e d ia to n o s e n ­
c o n tra m o s e n u n clim a d e g u e rra fría. E n tre las h u e lg a s d e
1947 y d e 1948 m e v o lq u é h acia la sociología, y a lo larg o
de los d iez a ñ o s sig u ie n te s, o al m e n o s h a sta 1956, q u ie n e s
q u e ría n c o m p re n d e r la sociedad e stu v iero n co g id o s y d iv i­
d id o s e n tre id eo lo g ías adversas. T o d o s n o so tro s m o stra m o s
to d a v ía las h u e lla s d e este p e río d o d e e n fre n ta m ie n to s
id eo ló gicos a b s o lu ta m e n te d e stru cto res.

Los E stados U n id os

E n 1952, d e b id o a q u e se n tía d e sa p a rec e r la p r o p ia


base de m i activ id ad p ro fe sio n a l, ya q u e la so cio lo g ía era
re c h az ad a co n ig u a l fu e rz a p o r la u n iv e rsid a d tra d ic io n a l y
p o r el p a rtid o c o m u n is ta q u e to d a v ía d o m in a b a la iz q u ie r­
d a , d ecid í e s tu d ia r algo de sociología, lo q u e n u n c a h a b ía
te n id o la p o s ib ilid a d d e hacer. O b tu v e u n a beca d e la
F u n d a c ió n R o ck efeller gracias al h is to ria d o r F red erick L añ e,
a q u ie n , sin e m b a rg o , n o h a b ía o c u lta d o m i a n tip a tía p o r
la p o lític a a m erica n a . L legué p u e s e n o to ñ o d e 1952 a
H a rv ard , d o n d e m e alo jé e n la E lio t H o u se . Los e s tu d ia n ­
tes d e H a rv ard viven e n residencias a la in g le sa, h e rm o sas y
co n fo rta b le s. T e n ía yo a llí u n m u y b u e n a m ig o , M a rtin
M alia. La a tm ó s fe ra era d e e stu d io ; los e stu d ia n te s y p r o ­
52 UN DESEO DE HISTORIA

fesores e ra n d e lo m ás in te lig e n te s. P o r la n o c h e , los jó v e ­


nes asisten tes se r e u n ía n e n u n saló n fo rra d o e n m a d e ra
provisto d e s illo n e s p ro fu n d o s , d o n d e b e b ía m o s a g u a r­
d ie n te de A rm a g n a c , francés. T o d o a q u e llo m e p o n ía
fu e ra d e m í, p o r q u e , c u a n d o h a b la b a d e l m a ccartism o ,
m is p re g u n ta s e ra n c o rté sm e n te e v itad as. N o p o d ía so p o r­
ta r ese a risto c ra tism o fa lsa m e n te lib e ra l. Y m e n o s a ú n las
enseñanzas d e T a lc o tt P arsons, fig u ra c e n tra l d e la socio­
logía a m e ric a n a c u y a o rie n ta c ió n n o h e d e ja d o d e c o m ­
b atir.
D e jé H a rv a rd c o n la im p re sió n d e h a b e r viv id o e n u n a
corte d e m a s ia d o c iv ilizad a, a je n a a la a g ita c ió n d e los
p u e b lo s. D u r a n te m u c h o tie m p o seg u í e x p e rim e n ta n d o la
sensación d e q u e n o so tro s, los n u ev o s in v estig ad o res p r o ­
v en ien tes d e F ra n c ia , d e u n a u n iv e rs id a d d e so rg a n iz a d a y
sin tra d ic ió n , é ra m o s jóvenes b á rb a ro s to d a v ía p o co p u li­
dos, a u n q u e lle n o s d e en erg ías, m ie n tra s q u e N u e v a
In g la te rra era el V iejo M u n d o . T u v e esta sen sació n h a sta el
m o m e n to e n q u e to m é c o n tac to , u n o s añ o s d esp u és, co n
la o tra A m érica, o sea C alifo rn ia. D e allí p a sé a N e w Y o rk ,
a la C o lu m b ia U n iv e rsity , p o r e n to n c e s la c im a d e la socio­
logía, d irig id a p o r L azarsfeld y M e rto n . V iví e n u n b arrio
p u e rto rriq u e ñ o , d e s p u é s d e h a b e rm e a lo ja d o p o r u n o s d ías
en H a rle m , lo q u e m e p re p a ró p a ra m i re c u e rd o m ás vivo
d e ese a ñ o , la te m p o ra d a q u e pase e n C h icag o .
E stuve e n e s ta c iu d a d a fines d e l in v ie rn o y to d a la p r i­
m avera. V ivía al s u r d e la u n iv e rs id a d , e n u n b arrio céle b re
en A m érica p o r h a b e r sido d escrito e n u n a n o v ela d e
Farell: S tu d s L o n ig a n . B arrio d e g e n te h u m ild e , a g ita d o
p o r b a n d a s al e stilo d e W e s t S id e Story. C u a n d o lle g u é , el
b arrio n e g ro o c u p a b a tre s b lo q u e s. C u a n d o lo d e jé , to d a
m i calle e ra n e g ra . Viví el p e río d o q u e p o d ría d e n o m in a r
el de los ú ltim o s b lan co s. Los n o ta b le s se h a b ía n m a rc h ad o
a n tes, ya q u e la lle g a d a de los n eg ro s sig n ific a b a el h u n d i ­
m ie n to d e l v a lo r d e la p ro p ie d a d . A u n q u e q u e d a b a n
ú n ic a m e n te h o m b re s solos, m a rg in a le s, co n frec u en c ia
borrachos o d ro g a d o s. M uchas veces a y u d é a volver a tales
desechos a sus casas. Y o vivía e n casa d e u n a vieja señ o ra
de o rig en sueco y m u y racista; su g ra n s u e ñ o co n sistía e n
q u e su h ija la in v ita se a su casa d e T exas. P ero ésta escurría
EL ATOLLADERO 53

el b u lto . F in a lm e n te , le a n u n c ió a su m a d re q u e n o p o d ía
re c ib irla . E n e fe c to , esa p o b re m u je r se q u e d ó , la ú n ic a
b la n c a , e n a q u e lla calle.
E n m e d io d e m i estancia, re u n ié n d o m e con a m ig o s d e
H a rv a rd , P e te r M ath ias, q u e llegó a ser u n ex celen te h is to ­
ria d o r e n In g la te rra , y J im S chlesinger, p o r e n to n ce s jo v e n
e c o n o m ista y d e l q u e n o im a g in a b a q u e h a b ría d e c o n v e r­
tirse e n je fe d e l P e n tá g o n o , e fe c tu é u n reco rrid o p o r
A m é ric a e n coche. C u a n d o volví tras h a b e r co n o cid o to d o
el O e s te , e n los p e ld a ñ o s d e la casa a lg u n o s jó v e n e s
to c a b a n la g u ita rra , y la p o b la c ió n se h a b ía d o b la d o .
C o m o a to d o s los sociólogos, m e g u stó m u c h o C h ic a g o ,
c iu d a d sociológica p o r excelencia, c u e rp o social d e so lla d o .
A llí, u n rico es rico , y u n p o b re es p o b re . N in g u n a c a p a d e
m o n u m e n to s o c u lta , co m o e n P arís, la v io le n ta re a lid a d .
C u a n d o to m a b a el m e tro a éreo , p a sa b a a la a ltu r a d e l
p rim e r piso d e los m ás esp an to so tu g u rio s. Viví e n el
b arrio n eg ro u tiliz a n d o com o g u ía Black M etrópolis, d e St.
C lair D ra k e y C la y to n . Ib a con fre c u e n c ia a u n a d e esas
iglesias q u e p a re c e n tie n d a s y q u e se lla m a n sto re -fro n t
churches, d o n d e las cerem o n ias religiosas e ra n a n im a d a s
p o r cánticos ritm a d o s y m o v im ie n to s d e ex altació n . E ra el
ú n ico b la n co d e la concurrencia. Los fieles se a lz a b a n y
d a n z a b a n c a n ta n d o , a veces e n tra b a n e n tra n c e. Los
b a u tism o s e ra n m ag n ífico s. E ran los ú ltim o s años e n q u e
u n b la n co p o d ía pasearse d u ra n te la n o c h e p o r los b a rrio s
negros. T ales fu e ro n m is p rim era s im p re sio n e s d e A m é ri­
ca: u n m u n d o in te le c tu a l m u y re fin a d o , p e ro fa lto a m i
e n te n d e r d e v a len tía, y q u e n o se a trev ía a m ira r a la
sociedad d e fre n te , c o n fo rm á n d o se c o n re c u b rirla con
falsos e sp le n d o re s de teo rías tra n q u iliz a d o ra s. El triu n fo
del fu n c io n a lism o de esa época n o p u e d e e n te n d e rs e sin
esa g ran a u to sa tisfa c c ió n , esa au sen cia d e crítica re sp ec to
de la so cied ad am erican a q u e se e x p licab a d e h ech o p o r la
fo rm id a b le p o te n c ia de ese país y suv p o d e r d e in te g ra c ió n
y d e lu c h a c o n tra los m arg in ales e n ese p e río d o d e g u e rra
fría. A m é ric a tie n e o tra cara, fe liz m e n te , la q u e d e sc u b rí
en C h icago, la d e u n país co n v en cid o d e q u e lo esen cial
ocurre en la base y d isp u e sto a a co g e r a las m in o ría s.
S iem pre m e g u stó esta A m érica, p u ja n te , a m e n u d o
54 UN DESEO DE HISTORIA

b ru ta l, p ero in n o v a d o ra , p ro te s to n a y d e m o crática . Sin


e m b a rg o , n o la e n c o n tr é co n fre c u e n c ia e n las g ran d es
u n iv ersid ad es, d e m a s ia d o p re o c u p a d a s p o r fo rm a r u n a
é lite social al m is m o tie m p o q u e e n p ro d u c ir conoci­
m ie n to .

E l p a r tid o c o m u n ista

V olví a F ran c ia e n el m o m e n to e n q u e se v e n tila b a el


affaire R o sen b erg , lo q u e m e d io ocasión p a ra u n a p rim e ra
in te rv e n ció n p ú b lic a . E n u n g ra n m itin e n el P a b e lló n d e
exposiciones, e n la P u e rta d e V ersalles, h a b lé d el c lim a
m accartista p a ra e x p lic a r la c o n d e n a de los R o sen b erg . Ese
clim a n o d is p e n s a b a a F rancia. H e n ri L efeb v re, m ie m b ro
d e l P C , fu e e x p u lsa d o d e l C N R S p o r razo n es p o líticas y,
com o p o r e n to n c e s yo m e o c u p a b a d e la sección sindical d e
los sociólogos, tu v e q u e o rg a n iz a r su d e fe n sa , lo q u e
resultó difícil p o r q u e el p ro p io P C re c h a z a b a la existencia
d e la sociología. C u a n d o ib a a ver a a lg u n o s g ra n d e s d ig n a ­
tarios de la u n iv e rs id a d o d el C N R S , c o m u n istas n o m e
o c u lta b a n su d e sc o n fia n z a resp ecto d e la sociología, ¡cien­
cia b u rg u e s a !... La N o u v e lle C ritiq u e n o s a ta c a b a v io le n ­
ta m e n te y d a b a a e n te n d e r, fá c ilm e n te , q u e n o s h a llá b a ­
m os a su eld o d e l c a p ita lism o in te rn a c io n a l.
E stábam os a b ru m a d o s e n tre e l p e n s a m ie n to d el P C ,
q u e rech azab a to d o e stu d io d e la so cie d a d , q u e im p o n ía
d o g m as en fla g ra n te c o n tra d icc ió n co n la re a lid a d — co m o
el d e la p a u p e riz a c ió n a b so lu ta — y u n a o la a tla n tista ,
reaccionaria, q u e so sten ía u n a SFIO e n proceso d e p ro f u n ­
d a d e g e n e ra c ió n . ¿ H a b ía q u e e le g ir e n tre los estalin istas y
aq u éllo s a q u ie n e s d e b u e n a g a n a yo lla m a b a los social-
traid o res de la S F IO , a q u ie n e s h a b ría m o s d e e n co n trar
u n o s años d e sp u é s e n el colm o d e la abyección? La d e s­
co m posición d e la iz q u ie rd a d e s tru ía la c a p a c id a d d e tra n s ­
fo rm ación de la s o c ie d a d , situ a b a a los in te le c tu a le s e n u n a
posición d ifícil. E l d in a m is m o p o lític o d e la so cied ad fra n ­
cesa fu e c o n d e n a d o d e sd e q u e la g u e rra fría im p u so la d es­
articu lació n d e las fu e rz as d e iz q u ie rd a y p ro d u jo u n
acuerdo d e u n a p a rte d e la iz q u ie rd a con u n a p a rte d e la
EL ATOLLADERO 55

d e re ch a , e n vez d e l b lo q u e d e iz q u ie rd a s, q u e se h a lla b a
e n el cinism o d e to d o s y e n el ser d e l tie m p o e n e l m o ­
m e n to d e la lib e ra c ió n . Los in te le c tu a le s, q u e se s e n tía n
ta n p ro fu n d a m e n te lig a d o s a la tra n sfo rm a c ió n d e su
so cied ad , se e n c o n tra b a n fu e ra d e to d a práctica social y
p o lític a , sin p o d e r a c e p ta r el le n g u a je d e p alo d el P C , n i
las in fa m ia s d e los socialistas de d e re ch a o d e l M RP.
A lg u n o s e rra ro n p o r p o sicio n es c o n tra d icto ria s, s irv ie n d o a
u n am o p e ro c o n d e n á n d o lo e n p riv a d o , o b ie n e x tra v iá n ­
dose en el im p o sib le R D R .
Esos in te le c tu a le s se re p le g a ro n en to n ces p o lític a m e n te
so b re lo q u e se c o n v irtió e n su o b se sió n , la lu ch a c o n tra las
guerras colo n iales. D u r a n te dieciséis a ñ o s, m i v id a p o lític a
p a risin a e stu v o a n te to d o d o m in a d a p o r el te m a d e las
gu erras coloniales. E n el a m b ie n te en q u e v iv í, su
p resen cia fu e c o n sta n te y p re d o m in a n te . Pero p ese a esta
m o v ilización in c e sa n te , se n tía m o s el carácter a rtific ia l de
esas gu erras, p u e s n a d ie p u e d e a firm a r q u e ellas fu e se n
o b ra d el g ran c ap ital francés. Los g ra n d e s in te re se s eco ­
n ó m ico s m ira b a n m ás h a cia el valle d el R in y se o c u ­
p a b a n e n d esarrollar su c a p a c id a d c o m p e titiv a en el
m arco d el M ercado C o m ú n . Estas g u e rra s, lejos d e ser ex­
p resió n d e las fu erzas d o m in a n te s , lo fu e ro n de la d e s c o m ­
posición d e l siste m a p o lític o . Q u ie n e s ju g a ro n u n p a p e l
cen tral e n esas a v en tu ras son las fu erzas m ás a lejad as d e las
g ra n d e s clases d e fin id a s p o r in tereses eco n ó m ico s, g ru p o s
q u e se d e fin ía n p o r u n a id e o lo g ía m ás q u e p o r u n a
p o lítica, o a trav és de u n a p o lític a m ás q u e m e d ia n te i n te ­
reses e co n ó m ico s. La p e q u e ñ a b u rg u e sía católica c o n d u jo la
g u e rra d e In d o c h in a ; la p e q u e ñ a b u rg u e sía SFIO d irig ió la
g u e rra de A rg elia. H a c ia 1958 se m e n ta b a u n a a n é c d o ta
rev eladora. E n 1956, G u y M ollet lla m ó a P a u l R iv e t. E ste
h a b ía d e se m p e ñ a d o u n p a p e l im p o r ta n te en la a n tr o p o lo ­
gía en F rancia, com o c re a d o r d e l M useo del H o m b re . P ero ,
sobre to d o , h a b ía sid o el p rim e r electo d e la iz q u ie rd a
u n id a , a n tes d e l F re n te p o p u la r, e n París. G u y M o lle t le
solicitó q u e fu ese a A m é ric a la tin a p a ra explicar q u e , en
A rg elia, la R e p ú b lic a fran c esa d e fe n d ía las luces c o n tr a el
o scu ran tism o m u s u lm á n . S ig n o d e la p erv ersió n d e u n a
idea: los ja co b in o s se c o n v e rtía n e n v erd u g o s, y el te m a d e
56 UN DESEO DE HISTORIA

la u n ific a c ió n te rrito ria l (de D u n k e rq u e a T a m a n ra sse t),


q u e se p re s e n ta b a c o m o u n lib e ra lism o p ro g re sista , era
m u y s im p le m e n te e l re c o n o c im ie n to d e q u e la h is to ria se
le ía al revés. U n a n tig u o in te le c tu a l an tifa sc ista , J a c q u e s
S o u ste lle , se c o n v irtió e n el h é ro e d e los c o lo n o s re tr ó ­
g rad os.
Las g u e rra s c o lo n ia les a te s tig u a n sob re to d o la d e sc o m ­
p o sició n d e la a n tig u a so cie d a d , in c ap a z ya d e situ a rse al
nivel d e los g ra n d e s m o v im ie n to s d e la h isto ria , lo q u e
explica ese c o m p ro m iso ex ag erad o , d e sp ro p o rc io n a d o co n
los in te re se s e co n ó m ico s q u e ta l o cual g ru p o p o d ía te n e r
q u e d e fe n d e r, y q u e d e se m b o c ó e n catástrofes c o n sid e ra ­
bles e n In d o c h in a y g ig a n te sc as e n A rgelia. Los in te le c tu a ­
les e n c o n tra b a n a h í u n a situ a c ió n q u e les o b lig a b a a
d e n u n c ia r to d o . P ie rre V id a l-N a c q u e t fu e el Z o la d e este
affaire, el h o m b re d e la v e rd a d y d e la lib e rta d , c o n tra
M assu, c o n tra los to rtu ra d o re s de A rgel y e n casos m u y
co ncretos co m o el affaire A lleg, e n el q u e h a b ía , a la vez,
p rin c ip io s q u e d e fe n d e r y h ech o s q u e esta b le ce r. M i
a m b ie n te p e rso n al d e tra b a jo fu e a fe cta d o d ire c ta m e n te
p o r to d o s estos a su n to s . La secretaria d e n u e stro g ru p o fu e
p e rse g u id a ; tu v e q u e llevarla a B élgica y su v id a resu ltó
p ro f u n d a y d e fin itiv a m e n te p e rtu rb a d a p o r la re p re sió n .
La p o lic ía se p re s e n tó m u c h a s veces e n n u e stro s locales.
U n o d e m is m ejo res am ig o s, J a c q u e s D o fn y , fu e e x p u lsa d o
d e F ran c ia , lo q u e le llevó a convertirse e n el m ás activo
o rg a n iz a d o r de la so cio lo g ía e n Q u e b e c . D u ra n te la ú ltim a
fase d e la g u e rra d e A rg e lia , la d e los añ o s 6 0 -6 2 , m e
p arece h a b e r e sta d o , to d o s, c o n s ta n te m e n te feb riles. R e p i­
to q u e n o creo q u e estos a c o n te c im ie n to s, p o r graves q u e
h a y a n sido en sí, n o s m o v ilizasen d e m o d o ta n to ta l si n o
h u b ie s e n sido el s ig n o de la d e stru cc ió n d e n u e s tra c a p a c i­
d a d p o lític a . El g o b ie rn o M endés-F ran ce fu e im p o r ta n te ,
sobre to d o p o rq u e h iz o ren acer esa c a p a c id a d p o lític a ,
p o rq u e a firm a b a u n a v o lu n ta d d e acció n , d e a lejar la a u to -
d e stru cc ió n d ra m á tic a d el siste m a p o lític o , q u e p o co
d esp u és llegó h a s ta el suicid io .
G u a rd o u n e x tra ñ o re c u e rd o d e la p a z e n A rg elia. N o s
h a llá b a m o s e n u n e sta d o d e excitació n e x tra o rd in a ria , sólo
h a b lá b a m o s de la O AS. Llegó la p a z. O ch o días d e sp u é s,
EL ATOLLADERO 57

n a d ie h a b la b a ya d e A rg e lia . B rusco c am b io g e n e ra c io n a l.
E n el espacio d e unas s e m a n a s c am b ió to d o el p a n o ra m a
c u ltu ra l y p o lític o . U nas can cio n es re e m p la z a ro n a o tra s , y
L évi-S trauss, si así p u e d e decirse, re e m p la z ó a S a rtre .
D u r a n te q u in c e años, F ran c ia se h a b ía in d u s tria liz a d o ,
e n riq u e c id o , p e ro e n el fo n d o n o h a b ía vivido e n a b s o lu to
p o lític a o c u ltu ra lm e n te esta tra n sfo rm a c ió n . H a b ía sido
to ta lm e n te re q u e rid a id e o ló g ic a y p o lític a m e n te p o r las
g u erras co lo n ia les, p ro b le m a s obsesivos p e ro a n tig u o s .
A u n q u e d e sd e el m ism o d ía e n q u e las co lo n ias, f in a l­
m e n te , se h a b ía n in d e p e n d iz a d o , se ad v irtió q u e el
m u n d o h a b ía estad o e n m o v im ie n to . H a b ía m o s e sta d o
c o m p le ta m e n te c o n g elad o s p o r ese in m e n so b lo q u e d e la
v ida p o lític a . ¿D e q u é m o d o este país h a b ría p o d id o
m a n e ja r d e m o c rá tic a m e n te su p ro p ia tra n s fo rm a c ió n ,
c u a n d o im p o n ía a g ru p a m ie n to s d e p o b la d o s e n los A u rés
o m ie n tra s u n gordo a lm ira n te se re g a lab a u n a g u e rra e n
T o n k ín ?
A l la d o d e esto, y e n g ra n p a rte p o r su causa, n u e s tro
espacio in te le c tu a l fue d o m in a d o h a sta 1956 p o r e l PC .
¡R esulta difícil im a g in a r h o y lo q u e era la d o m in a c ió n
co m u n ista! C u a n d o to d a v ía e sta b a yo en l’Ecole N ó rm a le ,
asistí e n el refectorio a las colectas y a la p re p a ra c ió n d e
regalos p a ra el s e p tu a g é sim o aniversario d el P a d re d e los
p u e b lo s. U n o s c o m p a ñ e ro s, q u e son h o y in te le c tu a le s
m u y co n o cid o s, y que p o r o tra p a rte so stie n e n , e n g e n e ra l,
otras o rie n ta c io n e s políticas,, ¡nos so lic itab a n o fre n d a s p a ra
el d ictad o r! Q u ie n es n o e ra n co m u n istas, caso fre c u e n te e n
las ciencias sociales, e ra n m a n ifie s ta m e n te co n sid e ra d o s
com o m a rg in a le s. Pero m u y p o co n u m e ro so s s o n los
in v estig ad o res d e ciencias sociales cuya v id a n o fu ese d o m i­
n a d a p o r sus relaciones c o n el P C . C reo q u e d o n d e m e jo r
se c u e n ta to d o es en la a d m ira b le A u to c ñ tiq u e d e E d g a rd
M o rin . A u n v e in te años d e sp u é s , re s u lta ú til in te rro g a rse
sobre este p a p e l del P C , re fle x io n a r sobre n u e stra ex p e­
riencia p e rso n a l del e sta lin ism o . La v id a p o lític a y el
p e n s a m ie n to social no v o lv e rá n a ren acer v e rd a d e ra m e n te
e n n u e stro país sino el d ía e n q u e la rev eren cia re sp e c to al
PC haya d esap arecid o , e n q u e se desacralice c o m p le ta m e n ­
te eso q u e m u ch o s p á lid o s progresistas lla m a n to d a v ía el
58 UN DESEO DE HISTORIA

P a rtid o , co m o si h u b ie s e q u e o p o n e r u n d io s ú n ic o a las
m ú ltip le s d iv in id a d e s d e las re lig io n e s p ag an as.
M e parece la m e n ta b le la p o b re z a y la d e s h o n e s tid a d d e
los análisis so b re lo q u e se lla m ó el «culto d e la p e rs o n a ­
lid ad », o sea el e sta lin is m o , y q u e es el fe n ó m e n o c o m u ­
n ista. El PC no e scap a al h e c h o d e q u e en to d o m o v im ie n ­
to q u e se dice re v o lu c io n a rio a c tú a n a la vez u n m o v i­
m ie n to social y u n a crisis d e las in stitu c io n e s y d e l e sta d o
(n o 'h a g o sino p a ra fra se a r a L e n in , al co m ie n zo d e La e n ­
f e r m e d a d in fa n td . ..) . E n co n secu en cia, su acción a p u n ta
siem p re, p o r u n la d o , a c a m b ia r la so cie d a d , y, p o r el o tro ,
a ap o d erarse d e l e s ta d o . H a y p aíses e n los q u e es a rra stra d o
p o r u n o u o tro d e estos o b je tiv o s. Si se vive e n C h in a e n la
p rim e ra m ita d d e l siglo X X , lo esencial consiste e n
trasto car el a p a ra to e sta ta l p a ra to m a r el p o d e r. Esa era,
asim ism o, la situ a c ió n d e L en in e n 1917. Si se es u n
m in e ro inglés e n 1 926, m ás b ie n se q u ie re c a m b ia r la so ­
c ied a d , las relacio n es d e p ro d u c c ió n , los salarios, e tc.
F rancia es el m ás o rie n ta l d e los países o c c id e n ta le s, o el
m ás o c cid e n ta l d e los p aíses o rie n ta le s. P aís d o m in a d o p o r
u n a b u rg u e sía , p e ro so b re to d o p o r u n e sta d o , d e d o n d e
surge la im p o rta n c ia d e l P C y el te m a d e la d ic ta d u ra d e l
p ro le ta ria d o : la p a la b r a « p ro letariad o » p ro v ie n e d e l le n ­
g u aje d e clases; la p a la b r a « d ictad u ra» , d e l le n g u a je
p o lític o . Lo esen cial p a ra el P C es la p re e m in e n c ia d e l
acto r p o lític o , es d e cir d e l p a rtid o , e n ta n to q u e a g e n te
fo rm ativ o y d e re a liz a c ió n d e l m o v im ie n to o b re ro , así
co m o el estad o n a p o le ó n ic o o g a u llista fu e el a g e n te d e
fo rm ació n y de re a liz a c ió n d e la b u rg u e sía c a p ita lis ta ... Y
e n n u e stro espacio p o lític o so cial c o n g ela d o , n o so tro s c o n o ­
cim os u n a s u b o rd in a c ió n c a d a vez m ás e x tre m a d a d e u n
c o n te n id o social c rista liz a d o , q u e se h a b ía v u e lto m ític o ,
resp ecto d e u n a cto r p o lític o . F in a lm e n te , se lle g a al
p re d o m in io m ás e x tre m a d o d e la acción d e la clase
m e d ia n te la e stra te g ia d e r u p tu r a p o lític a . E sta situ a c ió n
d u ró h a sta 1956. E n los m e d io s in te le c tu a le s, la re v u elta
d e B u d a p e st y el in fo rm e Jru sc h o v señ alaro n el fin d e la
in flu e n c ia c o m u n is ta . B u d a p e s t fu e esencial, p o rq u e s u p u ­
so el e n c u e n tro d e los in te le c tu a le s d e l círculo P e tó fi con
los obreros m e ta lú rg ic o s de C se p e d , a lia n z a , clásica en
EL ATOLLADERO 59

E u ro p a , d e los in te le c tu a le s y d e l m o v im ie n to o b re ro
c o n tra el a p a r a to estatal. P o r p rim e ra v ez, el p a p e l q u e se
h a b ía a tr ib u id o el PC se veía n e g a d o p o r el h e c h o d e q u e ,
a la vez, q u ie n e s crean las ideas y q u ie n e s se h a lla n e n las
fá b íic as lu c h a n contra su d ic ta d u ra . D e sd e e n to n c e s , la
h isto ria d e l P C sigtie sie n d o u n e le m e n to esen cial d e
n u e stra h is to ria p o lítica, p e ro es u n a h is to ria sec u la ri­
zad a.
A p a r tir d e ese p e río d o , el P C en F ran cia se e n c u e n tra
en u n a s itu a c ió n de la q u e ya n o saldrá m ás, d e fin id a p o r
dos im p e ra tiv o s o p u esto s. P or u n lado es, co m o lo a firm a ,
el p a rtid o d e la clase o b re ra , y lo seg u irá sie n d o h a s ta su
ú ltim o d ía y q u e no es, to d a v ía , el d e m a ñ a n a . Q u ie re
m a n te n e r el control p o lític o d e la clase o b re ra , y si la
iz q u ie rd a g a n a e n 1978, b u sca rá a n te to d o aseg u rarse el
c o n tro l d e la g ran in d u s tria n a cio n a liz a d a. P o r o tra p a rte ,
está o b lig a d o a d efinirse p o r su situ ació n a iz q u ie rd a , en
u n siste m a p o lític o re p re se n ta tiv o , e n u n a so c ie d a d civil
q u e tie n e u n a cierta c a p a c id a d p a ra tra ta r sus co n flicto s. El
PC no cesa, d e sd e hace v e in te añ o s, d e b alan cearse e n tr e la
a p e rtu ra y el cierre, e n tre la m a n o te n d id a y el p u ñ o
cerrado. Q u ie re m a n te n e r u n a base y u n análisis d efen siv o s
e n u n a so c ie d a d que ya n o p u e d e ser to ta lm e n te c o n d e n a ­
d a . G e o rg es M archáis lo re p re se n ta a d e c u a d a m e n te : a b ie r­
to y b ru ta l a la vez. H a b la d e sd e el b u n k e r, p e ro se d irig e
a u n espacio p olítico a b ie rto . El PC p u e d e lan zarse — se h a
visto e n e sto s ú ltim o s a ñ o s— a la lu c h a c o n tra los so cialis­
tas, y, p o r ta n to , volver a cerrarse, re to m a r el le n g u a je d e
co m ien zo s d e los años 30 c o n tra los so cialtraid o res, y, p o r
el c o n tra rio , p u e d e m u ltip lic a r los avances h a c ia to d o el
m u n d o , d e sd e los cristianos a los g au llistas. N o h a y q u e
p re g u n ta rs e si va a ir h a cia u n la d o o h a cia el o tro . S e d e b e
excluir ta n to la so ciald em o cratrizació n d e l P C c o m o u n
re to rn o al le m a «clase c o n tra clase». P e rm a n e c e rá d e f in iti­
v a m e n te e n esta d u a lid a d , p o rq u e ya n o se h a lla h istó ric a ­
m e n te so b re su p ropio te rre n o . R e sp o n d e , a la v e z , a su
p ro p ia ló g ica y a u n a lógica q u e le es a je n a , p e ro q u e lo
p e n e tra . P o r ello le re su lta rá difícil escap ar a u n retro ceso
m ás o m e n o s rápido y q u e , ló g ic a m e n te , d e b e rá d e ja r el
p a p e l p rin c ip a l, a iz q u ie rd a , a u n p a rtid o so cialista q u e
60 UN DESEO DE HISTORIA

n a d a te n g a d e c o m ú n con a q u e lla SFIO q u e ta n to h e d e ­


testad o .
Para te rm in a r d e esb o z a r la escena p o lític a so b re la q u e
se situ ó m i tra b a jo , h a b ría fin a lm e n te q u e h a b la r d e l
g au llism o. Me s ie n to e n u n aprieto. P o rq u e , si ob serv o a
Francia desde S irio , reco n o zco fácilm ente la fu e rz a d e la
posición g a u llista y d e su lu c h a c o n tra los b lo q u e s. P ero
viviendo en F ra n c ia , n o en e l p e n sa m ie n to g a u llia n o sin o
e n el ré g im e n g a u llis ta , fu i c o n sta n te m e n te a n tig a u llis ta .
A n te to d o , re c u e rd o 1958. La llegada d e d e G a u lle al
p o d e r, en m a y o , se p ro d u jo sobre el cu erp o m o rib u n d o d e
la C u a rta re p ú b lic a . M ien tras u n a gran m a rc h a fú n e b re d e
la N a tio n a la B a stille (o d e la N a tio n a la R e p u b liq u e )* ,
ech ab a a la re p ú b lic a p o r tie rra , algunos am ig o s — M o rin ,
Lefort, P agés— y yo fabricam os, e n o c h o d ía s, u n n ú m e ro
de la revista A r g u m e n ts q u e expresaba a la vez n u e stro
rechazo a b so lu to d e l g au llism o y n u e stro rechazo d e la
desp reciable c o m e d ia de la d efen sa de la C u a rta re p ú b lic a .
N eg áb am o s la c o n fra te rn iz a c ió n de los viejos d e la C u a rta
con la Q u in ta . N o fu e casualidad, el q u e los c u atro , e n el
a m b ie n te sociológico, h ay am o s estado d iez añ o s d e sp u é s , y
m u y a c tiv a m e n te , al lado d el m o v im ie n to d e m ay o . M i
an tig a u llism o e x p re sa b a a n te to d o m i v o lu n ta d d e o to rg a r­
le a la so cie d a d la p rio r id a d sobre el e sta d o , y d e lu c h a r
c o n tra la im p o te n c ia d e las fuerzas p o p u la re s d iv id id a s. D e
p ro n to , p u e sto q u e e sta sociedad se h a b ía h u n d id o e n las
guerras co lo n iales, el e sta d o se situ a b a e n p rim e r lu g a r. El
o rd e n v en ía a o c u lta r el m o v im ie n to d e las relaciones
sociales. Los m o d e rn iz a d o re s económ icos se a p o y ab a n e n la
fuerzas sociales y c u ltu ra s m á s arcaicas, tecn ó cratas eleg id o s
p o r las viejas clases m e d ia s, lo q u e q u e b ró el d eseo d e
m o d e rn iz a c ió n e c o n ó m ic a y social d e la lib e ra c ió n ; la
arcaización social se c o n v e rtía en la c o n d ic ió n d e l d e sa rro ­
llo eco n ó m ico . E l q u e la sociedad francesa sea ta n d é b il se
d e b e a q u e es, a n te to d o , y sobre to d o , u n e sta d o . E ste,
lig ad o a la vez a las a n tig u a s clases d irig e n te s o m e d ia s y
p re o c u p a d o p o r su p ro p io p o d e r, d e ja p o co espacio a las
fuerzas sociales, a sus conflictos y a sus neg o ciacio n es.

* Plazas d e P arís, escenarios d e im p o rtan tes m anifestaciones. (N . del E .)


EL ATOLLADERO 61

Los in telectu a les

N u n c a se h a re fle x io n a d o ta n to so b re los « in telectu ales»


com o e n la Francia m o d e rn a . P o r lo d e m á s, la m is m a
p a la b ra ¿n o nació en F ran cia, e n el m o m e n to d e l affaire
D reyfus? P a ra nosotros, sociólogos, e sta referen cia tie n e u n
se n tid o p reciso , ya q u e la sociología apareció en F ran cia e n
relación d ire c ta con a q u e l g ra n d e b a te . E n p a rte , ese
rechazo a n tis e m ita h iz o q u e los in te le c tu a le s b u rg u e ses
ju d ío s se sin tiesen s u fic ie n te m e n te d istan ciad o s d e su
sociedad p a ra p o d e r p e n sa rla . N o es c asu a lid ad q u e la
sociología e n Francia h a y a sido casi to ta lm e n te ju d ía y
ta m b ié n e n los E stados U n id o s. P ara ser sociólogo h a y q u e
te n e r u n cierto d is ta n c ia m ie n to , n o estar e n te ra m e n te
ap resad o e n el te jid o social. A sí p u e s , tal vez d e b e ría m o s
agradecerles al g en eral d e G a u lle y a los tecn ó cratas el q u e
p e rm itie ra n , al su b o rd in a r la so cie d a d al e sta d o , crear ta l
d ista n cia y g e n e ra r u n a reflexión crítica. Los in te le c tu a le s
están s ie m p re re p a rtid o s e n tre dos p a p ele s: su fa c e ta d e
clérigo y su faceta de p ro fe ta s. E n tie n d o p o r clérigo al
m e d ia d o r e n tre la sociedad y lo q u e e stá m ás allá d e ella,
los dioses, el p rín c ip e , la v e rd a d o la n a tu ra le z a . El clérig o
se e n c u e n tra e n las p u e rta s d e la c iu d a d o e n la m á s a lta
to rre. El in te le c tu a l clérigo a p e la a u n m ás allá d e la so ­
c ied a d , ascien d e hacia algo q u e se h a lla m ás a rrib a , y e n
co n secu en cia se id e n tific a a sí m is m o , p o r en cim a d e los
d e só rd en e s d e la sociedad, con u n a b so lu to . A c titu d a la vez
d e p u re z a y a b so lu tista . E n el m u n d o m o d e rn o , y e n
n u e stro siglo e n p a rtic u la r, d o m in a d o to d a v ía p o r la revo­
lu c ió n soviética, el clérigo es, s o b re to d o , el clérigo
le n in ista , a q u e l q u e , c o n tra la s o c ie d a d , c o n tra las fu e rz a s
sociales, c o n tra el p o d e r p o d rid o , a p e la a la cien cia, a la
h isto ria, q u e h a b rá n d e en carn arse e n el p a rtid o o e n el
n u e v o p o d e r. H ay en e l clérigo un d efen so r d e l p o d e r
a b so lu to. P ien so q u e e n n u e stro siglo, e n el q u e el p o d e r
estatal y la c o n ce n tra c ió n d e l p o d e r eco n ó m ico n o h a n
cesado d e acrecen tarse, u n a d e las m ayores o rie n ta cio n es
d e l in te le c tu a l es, el p e n s a m ie n to b o lc h e v iq u e . H ay e n
m u c h o s in te le c tu a le s u n p e q u e ñ o M ao o u n p e q u e ñ o
62 UN DESEO DE HISTORIA

L enin q u e co n fre c u e n c ia desco n o ce c o m o ta l, y q u e


a p u n ta a im p o n e r, c o m o e n el m o m e n to d e la rev o lu ció n
francesa, la d ic ta d u ra d e la ra z ó n , d e l e s p íritu , d e la
h isto ria , d e la cien c ia , d e u n a id e a q u e d o m in e a la
so c ie d a d .
La o tra v e rtie n te es la v e rtie n te p ro fé tic a . El in te le c tu a l
h a b la e n n o m b re d e a q u e llo s q u e , p u e s to s ya e n m o v i­
m ie n to p o r el c a m b io h istó ric o , n o se h a n in c o rp o ra d o
to d a v ía al m u n d o d e la p a la b ra , de los d erech o s p o lítico s,
d e la in stru c ció n p ú b lic a . T al es el p a p e l d e la in te llig e n t­
sia. El in te le c tu a l, el e s tu d ia n te d e P e te rsb u rg o o d e
M oscú, en el m o m e n to d e la a b o lic ió n d e la se rv id u m b re ,
h a b la n e n n o m b re d e esos c am p e sin o s q u e se h a n p u e sto
e n m o v im ie n to , p e ro q u e n o h a b la n , y casi al m ism o
tie m p o c o m ie n za n a h a b la r e n n o m b re d e los o b rero s, e n
especial en el s u r d e R u sia, d e esos o b re ro s q u e n o tie n e n
d erech o a h a b la r y q u e e stá n so m etid o s a la rep resió n .
En la F ran cia g a u llis ta , el p o d e r casi n o se valió d e los
in telectu ales. E ra a lg o d e m a sia d o p ra g m á tic o y no d e m a ­
siado a u to rita rio . E n co n secu en cia, los in te le ctu a le s se
con virtieron e n m a s a — d e m a sia d o fá c ilm e n te , d e m a sia d o
c ó m o d a m e n te — e n p ro fe ta s, de m o d o q u e n u e stra socie­
d a d parece d o m in a d a de u n la d o p o r el e sta b lish m e n t y,
d e l o tro , p o r los in te le c tu a le s, q u e fo rm a n u n a n tiesta ­
blish m en t, sin e m b a rg o b a s ta n te b ie n e sta b le cid o . H a b la n
al estad o de ig u a l a ig u a l. F rancia tu v o d o s p rín cip es: d e
G a u lle y J e a n -P a u l S artre, u n o a la o rilla d e re ch a , o tro e n
la o rilla iz q u ie rd a , d ia lo g a n d o p o r e n c im a d el Sena; d e
G a u le siem p re c u id ó q u e S artre fu ese tra ta d o con las c o n ­
sideraciones d e b id a s a su ra n g o . A sí, los in te le c tu a le s d e
F rancia e ra n d e fin id o s d e m a n e ra a m b ig u a . D e a h í esa
te n ta c ió n d e l m u n d o c o m u n is ta q u e , p a ra los in te le c tu a ­
les, n o fu e la te n ta c ió n p o p u lis ta , sin o , m u c h o m ás s im ­
p le m e n te , la te n ta c ió n d e l p o d e r a b s o lu to p a ra los in te le c ­
tu ales orgánicos. P e ro la ép o ca d e l e sta d o g a u llista acab ó ,
las te n ta cio n e s c o m u n ista s se h a n d e b ilita d o m u c h o a c tu a l­
m e n te , a u n q u e los in te le c tu a le rs v u e lv e n a ser p ro fe ta s.
S u rg en n u ev o s m o v im ie n to s sociales, p e ro los n u ev o s
o p rim id o s e stá n to d a v ía , a m e n u d o , p riv ad o s d e la
p a la b ra . Los in te le c tu a le s h a b la n p o r los in m ig rad o s, los
EL ATOLLADERO 63

p risio n e ro s, lo s reclu id o s e n asilos y h o sp icio s. Y el m u n d o


u n iv e rsita rio se co n v ierte c a d a vez m á s e n u n lu g a r d e
m a rg in a c ió n , d e crisis, y n o ya d e a p re n d iz a je d e l p o d e r .
D e sd e el B arrio L atino p ro v in ie ro n , a p a rtir d e 1 9 6 8 , los
lla m a d o s a la c o n testació n .
P ero e ste iz q u ie rd is m o ta m b ié n p u e d e estar c a rg a d o d e
e sp íritu clerical, así co m o d e e sp íritu p ro fètic o . Lo p r o p io
d el iz q u ie rd is m o es, p re c isa m e n te , ser d o b le y c o n tra d ic ­
to rio . El iz q u ie rd is m o es sie m p re , a la vez, lib e rta rio y
b o lc h e v iq u e . E n el h é ro e m ás sa g ra d o d e l iz q u ie rd is m o ,
C h e G u e v a ra , ¿cóm o e v ita r ver los d o s aspectos? P o r u n
lado,, el te m a d e l re b e ld e , d el m é d ic o q u e d e ja B u e n o s
A ires, q u e se m ezcla en las re v o lu c io n es d e A m é ric a
C e n tra l, e m b a rc a en el G ra n m a , d e ja el p o d e r in s ta la d o ,
re to m a el c a m in o de la a v e n tu ra y va a sacrificarse a
B olivia. P o r o tro la d o , a q u é l q u e d irig e e n C u b a la p o lític a
m ás le n in is ta , d e acu sad o c e n tra lism o , d e p rio rid a d a b s o ­
lu ta o to rg a d a a la in d u s tria p e sa d a , co m o lo m u e s tra su
fam o so d e b a te con C h arles B e tte lh e im . D e l m ism o m o d o ,
el iz q u ie rd is m o e n F rancia tu v o s ie m p re d o s caras, q u e e n
la te rm in o lo g ía c o rrie n te p o ste rio r a 1968 re c ib ie ro n el
n o m b re d e «troskista» y «m aoista», y q u e , m e jo r, h a b r ía
q u e lla m a r «b o lch ev iq u e» y «libertaria».
P ro p io d e l iz q u ie rd ism o es ser a rra strad o h a c ia ese
p u n to o m e g a en el q u e la creación d e u n a n u e v a s o c ie d a d y
el rech azo d e la sociedad se m e zc la n e n u n a e sc a to lo g ia
p o lític a . La g ra n fig u ra d e los in te le c tu a le s es S artre. I n te ­
lectu al d e la in tellig en tsia lib e ra l, h a b la e n n o m b re d e
a q u éllo s q u e n o tie n e n p a la b ra , d e los co lo n iz ad o s o d e los
tra b a ja d o re s in m ig rad o s. P ero este h o m b re q u e ta n to
lu ch ó y h a b ló p o r los p u e b lo s y las m asas n o c o n q u istó esa
a u d ie n c ia única- q u e es la suya a n a liz a n d o o a n im a n d o
lu ch as sociales. Su p a p e l real fu e , s ie m p re , el d e c o m b a tir
al e sta d o . S u d ra m a reside e n q u e es u n p ro fe ta q u e n o se
d irig e d e h e c h o sino a las fu erzas lib e ra le s (c o m p re n d id a s
las lib e rta ria s) d e los re g ím e n es d e tip o o c cid e n ta l. C a d a
vez q u e to m ó posiciones p ro p ia m e n te sociales y p o lític a s,
lo h iz o a d e s tie m p o o d e m a n e ra c o n fu sa . E n c o m p e n s a ­
ció n , a lg u n a d e sus p ro te sta s m o rales n o fu e n i d é b il n i
in ú til. Su p ro p ia g ra n d e z a consiste, e n h a b e r p ro c u ra d o
64 UN DESEO DE HISTORIA

h a b la r p o lític a m e n te p a ra e l p u e b lo , c u a n d o n u n c a p u d o
h a b la r sino c o n tra el P rín c ip e , e n la g ra n tra d ic ió n lib e ra l.
M e sien to m á s p r o f u n d a m e n te so lid ario d e a q u ello s
q u e , más allá d e los s e n tim ie n to s y d e los rech azo s, h a n
a n aliza d o las n u e v a s fo rm as d e p o d e r y d e c o n testa ció n .
N u n c a p u d e o lv id a r los p rim e ro s g ra n d e s artícu lo s d e
C h a u lie u c o n tra la b u ro c ra cia e n Socialism e ou Barbarie.
C asto riad is — b a jo to d o s sus s e u d ó n im o s o b ajo su p ro p io
n o m b re — y C la u d e L efo rt fu e ro n los d efen so res m ás ex i­
g e n tes d e u n a n u e v a crític a d e l p o d e r. Ellos son d e
a q u éllo s cuyo p e n s a m ie n to será c ad a vez m ás in d is p e n s a ­
b le p a ra los n u e v o s m o v im ie n to s sociales y p o lítico s. P ero
h a sta ta n to éstos se o rg a n ic e n , el p e n s a m ie n to c o n te s ta ­
tario c o n tin ú a p o r largos m e a n d ro s. El ex p lo ra los n u ev o s
cam pos e n los q u e se ejerce el p o d e r, y co n frecu en cia
p ie rd e incluso d e v ista la crítica social p a ra lanzarse a u n a
re v u e lta c u ltu ra l g lo b a l. H e a h í, p ro b a b le m e n te , el
c am in o in d ire c to al té rm in o d el cual sé d esarro llarán
nuevas lu ch as sociales, p e ro q u e e n el in te rm e d io corre el
riesgo d e extrav iarse. Es u n a especie de in fie rn o e n e l q u e
la c o n testació n se ex p resa co n to d a s sus fu erzas, p e ro , e n
su lím ite , sin o b je to , sin á m b ito .
D e m a n e ra q u e el m u n d o de los in te le c tu a le s d e
iz q u ie rd a se d e sg a rra p o c o a p o co e n tre a q u éllo s, p o r u n
la d o , q u e se e n c ie rra n e n u n g ran re c h az o q u e n o es m ás
q u e la te o ría d e u n a p rá c tic a o b re ra rev o lu cio n aria e n vías
d e d e sa p a ric ió n , y, p o r el o tro , q u ie n e s a firm a n a n te to d o
la necesid ad d e a d o p ta r u n a n u e v a im a g e n d el m u n d o ,
p e ro cuya crítica es m e n o s p o lític a y social q u e c u ltu ra l.
R esu lta u rg e n te q u e la re fle x ió n h a g a su rg ir a la vez el
n u e v o c a m p o c u ltu ra l e n q u e vivim os, las n u ev as fo rm as
d e p o d e r y los n u ev o s m o v im ie n to s sociales, y p o r ta n to
u n a n u e v a d e fin ic ió n d e la so cied ad , a l m ism o tie m p o
— p ara d ecirlo c o m o S erge M oscovici— q u e u n n u e v o
estad o n a tu ra l. A c tu a lm e n te , p o r u n a p a rte la c o n testació n
social es rech azo d e l o rd e n social e n g e n eral, com o si éste
estuviese sie n d o a rra stra d o p o r u n a p u tric ió n m a te ria l y
m o ral, y, p o r o tr a , c reació n de u n a c u ltu ra p o sin d u stria l.
E xisten pasos e n tre u n a y o tra , p e ro a m b as co rrien tes
sig u en e sta n d o sep arad as. El d ía en q u e se e n c u e n tre n
EL ATOLLADERO 65

h a b rá n a c id o u n a n u e v a in tellig en tsia y se fo rm a rá n
n u e v o s m o v im ie n to s sociales y u n a n u e v a p o lític a ; h a ­
b re m o s e n tra d o e n u n a n u e v a so cied ad . N o so tro s vivim os
la d isg re g ac ió n d e la in tellig en tsia d e la ép o ca in d u s tria l,
d e la in te llig e n tsia d e l siglo X IX . La fig u ra d e S artre
c o m p le ta esa h isto ria . A h o ra , los h ijo s d e S artre se h a n
sep a ra d o ; u n o s , s ig u ie n d o al m a e stro , se h a n s u m id o e n el
iz q u ie rd is m o , y los o tro s h a n sido a d o p ta d o s p o r Lévi-
Strauss o p o r o tro s p e n sa d o re s, b u sc a n d o d e fin ir u n n u e v o
espacio d e l c o n o c im ie n to y d e la ex p erien cia h u m a n o s .
A sí p u e s, nos e n c o n tra m o s a n te u n vacío. El o b je tiv o
q u e yo m e fijo cada vez m ás c o n sc ie n te m e n te c o n siste e n
tra b a ja r p o r la u n ió n d e u n a n u ev a im a g e n d e la c u ltu ra y
d e u n n u e v o análisis d e los conflictos sociales. P o r q u e el
in te rro g a n te q u e nos d e b e m a n te n e r d e sp ie rto s es:
¿ q u ié n e s serán los actores de la h is to ria en el te a tro e n el
q u e el n u e v o d e c o ra d o ya h a sid o m o n ta d o ? D e h e c h o ,
esta tra n sic ió n señ a la p a ra m í el n a c im ie n to de la so cio lo ­
gía. P o rq u e estam os fin a lm e n te e n el m o m e n to e n q u e se
p u e d e p e n sa r so c ia im e n te la so cied ad .
V iví y vi p e rs o n a lm e n te estos p ro b le m a s y estas opo-
sicones. N u n c a a c e p té d e ja rm e llevar to ta lm e n te d e u n la d o
o d el o tro , n o h a lla n d o sin e m b a rg o u n m e d io a c o g e d o r
p a ra u n p e n sa m ie n to q u e no p e rm itía to m a r a c titu d e s
sim p les, a u n q u e crea q u e el m ism o p e rm ite s u p e r a r las
co n tra d icc io n e s y las co n fu sio n es a ctu ales y n u trir d e sp u é s
u n a re fle x ió n y u n a acción p o líticas. ¿Pero q u ié n , e n tr e los
in te le c tu a le s d e iz q u ie rd a , n o e x p e rim e n tó esta im p o te n c ia
y esta so led ad ? Se m e h a co n sid e ra d o a m e n u d o ta n to
te cn ó c ra ta co m o iz q u ie rd ista . ¿T ecnócrata? C re o q u e ,
sobre to d o , fu e H e n ri L efebvre q u ie n m e llam ó así. Q u iz á
p o rq u e n o co n cib o q u e se p u e d a p e n sa r e n la so c ie d a d , los
m o v im ie n to s sociales, sin p e n sa r asim ism o e n la e c o n o m ía ,
la a d m in istra c ió n , el á m b ito in te rn a c io n a l, etc. E n este
se n tid o , soy m uy fu n d a m e n ta lm e n te a n tiz q u ie rd is ta : m e
niego a salir d e l c am p o d e las fu e rz as eco n ó m icas y p o lí­
ticas reales. Lo q u e m e in te re sa es, e fe c tiv a m e n te , sab er
cuáles serán los conflictos sociales y po lítico s, y p o r ta n to
los m ecanism os de tra n sfo rm a c ió n d e la so cied ad . P e ro si
ser te cn ó c ra ta su p o n e p e n sa r así, la a n titecn o cracia n o es
66 UN DESEO DE HISTORIA

m ás q u e u n a a c titu d , u n a p o se , y n a d a tie n e q u e v er co n
la acción social y p o lític a . E sta irre s p o n s a b ilid a d es la q u e ,
p o r o tra p a rte , p ro v o c a el e n c a n to alg o trilla d o d e a lg u n o
d e m is críticos. ¿ Iz q u ie rd ista s? T a m b ié n se m e h a h e c h o
este re p ro c h e . E n e l m u n d o u n iv e rsita rio , b a sta n te g e n te
q u e e n se ñ a b a c o n m ig o e n N a n te r re se n ie g a to d a v ía a
d a rm e la m a n o , y h e su frid o u n cierto n ú m e ro d e c o n se ­
cuencias n o rm ales p a r a las p o sicio n es q u e sostuve e n el 6 8 .
E n efecto , d u ra n te la la rg a fase e n q u e la te n ta c ió n d e la
in te g ra c ió n social f u e ta n fu e rte , es cierto q u e s ie m p re
to m é posición c o n tra el p o d e r de tu rn o . N u n c a , p u e s, tu v e
activ id ad es p o lític a s, sino m a rg in a le s. C u a n d o u n a m in o ría
se separó d e la S F IO p a ra p ro te s ta r c o n tra su p o lític a e n
A rg elia, in g resé e n el PSA , y lu e g o e n el P S U , q u e a m p lió
su acción. P ero lo d e jé c u a n d o sus luch as in te rn a s lo p a r a ­
liz a ro n . Y o p e rte n e c ía a u n a c o rrie n te d e o p in ió n ; n o
p o d ía a d h e rirm e a u n p ro g ra m a p o lític o d u ra n te esa in te r ­
m in a b le h ib e rn a c ió n d e la iz q u ie rd a .
La crítica q u e a c e p to y q u e m e h a g o a m í m ism o
reside en q u e in te n to p e n sa r so cia lm e n te u n a so cied ad q u e
n o se p ie n sa así. Y o a n tic ip o , y, en co n secu en cia, al n o
c o rre sp o n d e r a la p o sició n y a los intereses de los actores
sociales reales, no re c ib o las v e n tajas de los id eó lo g o s. C reo
q u e la sociología a c a b a e n este m o m e n to su trav esía d e l
d esierto . H ay m o m e n to s e n q u e a u n a sociedad le re s u lta
im p o sib le p e n sa rse so c ia lm e n te . P or e je m p lo , c u a n d o
e x p e rim e n ta u n e sta llid o , o p asa p o r u n a tran sició n , c o m o
se d ice con u n té rm in o d e m a s ia d o fácil. P ero n u e stro p a p e l
consiste e n e la b o ra r los in s tru m e n to s d e c o n o c im ie n to q u e
h a b rá n d e p e rm itirle , a la so cie d a d , q u e se c o m p re n d a
c u a n d o se h alle n u e v a m e n te e n co nd icio n es d e e fe c tu a r
elecciones v o lu n ta ria s, lo q u e , p a ra F rancia, p u e d e p r o d u ­
cirse m a ñ a n a m ism o .
C apítulo IV
La sociedad perdida

A n te la sociología

Y o no recib í, d u r a n te m is e stu d io s, n in g u n a im a g e n
d e la sociedad. La e c o n o m ía y la sociología, al n o fo r m a r
p a rte n i d e las letras n i d e las ciencias, e sta b a n to d a v ía
excluidas d e los p ro g ra m a s escolares, q u e sólo re c o n o c ía n
dos ejércitos d el saber, u n o d irig id o p o r las m a te m á tic a s ,
el otro p o r la filosofía. P e ro co m o no se p u e d e s u p e r a r tal
im a g e n , la e n se ñ a n za tra n s m itía u n a q u e p ro v e n ía d ire c ­
ta m e n te d e l p e n sa m ie n to d e l siglo p a sa d o . D os te m a s la
d e fin ía n . El p rim ero es el e v o lu cio n ism o . Las te n d e n c ia s
de la h is to ria se realizan a través de las fo rm acio n es so cia­
les. C u a lq u ie ra q u e sea el m o d o , id e alista o m a te ria lis ta ,
con el c u al se d e fin a e sta e v o lu ció n , siem p re se v u e lv e a
caer en la id e a d e l paso d e lo sim p le a lo c o m p le jo , d e lo
tra d icio n al a lo m o d e rn o , d e la in m o v ilid a d al m o v im ie n ­
to. El se g u n d o te m a , n a c id o d e l p rim e ro , consiste e n q u e
h a b ie n d o d e fin id o así u n a so cied ad p a rtic u la r d a d a s u u b i­
cación en u n a evolu ció n m a te ria l o c u ltu ra l, se la c o n c ib e
com o u n o rg an ism o o u n a m á q u in a , d irig id a p o r u n o s
p rin cipios. P rincipios q u e p u e d e n ser valores, u n a fo rm a
d e p o d e r o fu e rz as de p ro d u c c ió n . Las sociedades e s tá n e n
la h isto ria , y h ay un p rin c ip io , u n a fu e rz a q u e se h a lla e n
el co razó n d e la so cied ad . E n eso q u e p u e d e lla m a rs e la
sociología clásica (y q u e e n n u e s tra ép o ca se d e n o m in ó ,
66 UN DESEO DE HISTORIA

m á s q u e u n a a c titu d , u n a po se, y n a d a tie n e q u e v er co n


la acción social y p o lític a . E sta irre sp o n sa b ilid a d es la q u e ,
p o r o tra p a rte , p ro v o c a el e n c a n to algo trilla d o d e a lg u n o
d e m is críticos. ¿ Iz q u ie rd ista s? T a m b ié n se m e h a h e c h o
este re p ro c h e. E n e l m u n d o u n iv e rsita rio , b a sta n te g e n te
q u e e n se ñ a b a c o n m ig o e n N a n te rre se n ieg a to d a v ía a
d a rm e la m a n o , y h e s u frid o u n cierto n ú m e ro d e c o n se­
cu en cias n o rm ales p a ra las p o siciones q u e sostuve e n el 68.
E n efecto , d u r a n te la la rg a fase e n q u e la te n ta c ió n d e la
in te g ra c ió n social f u e ta n fu e rte , es cierto q u e sie m p re
to m é posición c o n tra el p o d e r d e tu rn o . N u n c a , p u e s, tu v e
activ id ad e s p o lític a s, sino m a rg in a le s. C u a n d o u n a m in o ría
se separó d e la S F IO p a ra p ro te s ta r c o n tra su p o lític a e n
A rg e lia , in g resé e n el P S A , y lu e g o en el PS U , q u e a m p lió
su acción. Pero lo d e jé c u a n d o sus luch as internáis lo p a r a ­
liz a ro n . Y o p e rte n e c ía a u n a c o rrie n te d e o p in ió n ; n o
p o d ía a d h e rirm e a u n p ro g ra m a p o lític o d u ra n te esa in te r ­
m in a b le h ib e rn a c ió n d e la iz q u ie rd a .
La crítica q u e a c e p to y q u e m e h a g o a m í m ism o
resid e en q u e in te n to p e n s a r so cialm en te u n a so cied ad q u e
n o se p ie n sa así. Y o a n tic ip o , y, en co n secu en cia, al no
c o rre sp o n d e r a la p o sició n y a los intereses d e los actores
sociales reales, no re c ib o las v en tajas d e los id eó lo g o s. C reo
q u e la sociología a c a b a e n este m o m e n to su trav esía d el
d e sie rto . H ay m o m e n to s e n q u e a u n a so cied ad le re su lta
im p o sib le p e n sa rse so c ia lm e n te . Por e je m p lo , c u a n d o
e x p e rim e n ta u n e s ta llid o , o p asa p o r u n a tran sició n , co m o
se dice con u n té rm in o d e m a s ia d o fácil. Pero n u e stro p a p e l
consiste en e la b o ra r los in s tru m e n to s d e c o n o c im ie n to q u e
h a b rá n d e p e rm itirle , a la so cied ad , q u e se c o m p re n d a
c u a n d o se h a lle n u e v a m e n te e n co nd icio n es d e e fe c tu a r
elecciones v o lu n ta ria s, lo q u e , p a ra F rancia, p u e d e p r o d u ­
cirse m a ñ a n a m ism o .
C apítulo IV
La sociedad perdida

A n te la sociología

Y o no recibí, d u r a n te m is e stu d io s, n in g u n a im a g e n
de la so cied ad . La e c o n o m ía y la socio lo g ía, al no fo rm a r
p a rte n i d e las letras n i d e las ciencias, e sta b a n to d a v ía
excluidas d e los p ro g ra m a s escolares, q u e sólo, rec o n o cía n
dos ejército s d el sab er, u n o d irig id o p o r las m a te m á tic a s,
el otro p o r la filosofía. P ero co m o n o se p u e d e s u p e ra r tal
im a g e n , la e n se ñ a n z a tra n s m itía u n a q u e p ro v e n ía d ire c ­
ta m e n te d e l p e n s a m ie n to d e l siglo p a sa d o . D os te m a s la
d e fin ía n . El p rim ero es el ev o lu cio n ism o . Las te n d e n c ia s
de la h is to ria se re a liza n a través de las fo rm acio n es socia­
les. C u a lq u ie ra q u e sea el m o d o , id e alista o m a te ria lista ,
con el c u a l se d e fin a e sta e v o lu ció n , s ie m p re se v u elv e a
caer e n la id e a del paso d e lo sim p le a lo c o m p le jo , d e lo
tra d ic io n a l a lo m o d e rn o , d é la in m o v ilid a d al m o v im ie n ­
to. El se g u n d o te m a , n a c id o d e l p rim e ro , consiste e n q u e
h a b ie n d o d e fin id o así u n a so cied ad p a rtic u la r d a d a su u b i­
cación e n u n a evolución m a te ria l o c u ltu ra l, se la c o n cib e
com o u n o rganism o o u n a m á q u in a , d irig id a p o r u n o s
p rin cip io s. P rincipios q u e p u e d e n ser valores, u n a fo rm a
de p o d e r o fuerzas d e p ro d u c c ió n . Las so cied ad es e stá n e n
la h isto ria , y hay u n p rin c ip io , u n a fu e rz a q u e se h a lla e n
el c o ra zó n d e la so cie d a d . E n eso q u e p u e d e lla m a rse la
sociología clásica (y q u e e n n u e s tra ép o ca se d e n o m in ó ,
68 UN DESEO DE HISTORIA

m ás g e n e ra lm e n te , so cio lo g ía fu n c io n a lista ), estas d o s


ideas se d a n e n c o n ju n to c o n e x tre m a n itid e z . La h is to ria
es el paso de c o m u n id a d e s re strin g id a s y lim ita d a s p o r re ­
laciones de p ro d u c c ió n , p o r fo rm as d e acció n in s tr u m e n ta ­
les, científicas, ra c io n a le s. Paso d e lo tra d ic io n a l a lo
m o d e rn o , co m o c u a lq u ie ra p u e d e d ecirlo e n u n le n g u a je
in g e n u a m e n te id e o ló g ic o . D e l m is m o m o d o , e n u n a
p erspectiva m a rx ista , la so c ie d a d d o m in a d a p o r la lógica
de la clase d irig e n te ta m b ié n es d e fin id a , p e ro e sta vez
c o n tra d ic to ria m e n te , e n relació n con el m o v im ie n to d e las
fuerzas d e p ro d u c c ió n . C u a lq u ie ra q u e sea la m a n e ra en
q u e se d e fin a la s o c ie d a d , ésta no es c o n c e b id a c o m o el
p ro d u c to d e su p ro p ia a cc ió n , de su p o lític a . La h is to ria
nos d ev u elv e s ie m p re a algo q u e escap a a la acción social,
q u e es, se g ú n las escu elas, el p ro g re so d e l e s p íritu
h u m a n o , la te n d e n c ia a la d ife re n c ia c ió n y a la ra c io n a li­
zación, o el p ro g reso y el d esarro llo d e las fu erzas d e p r o ­
d u cció n . T o d a v ía h o y p u e d e observ arse u n e je m p lo u n
ta n to d esecad o de e ste p e n sa m ie n to : la o rie n ta ció n o ficial
d e la sociología soviética, q u e re to m a las tesis ev o lu cio n is­
tas o p tim ista s d e l siglo X IX . U n a so c ie d a d es d e fin id a y
ju z g a d a e n relació n con la «rev o lu ció n c ien tífica y técnica»,
n u evo n o m b re d e l p ro g re so . E sto re m ite fin a lm e n te a la
id e a d e q u e las c o n d u c ta s sociales d e b e n ser ju z g a d a s e n
té rm in o s d e d e b e r m o ra l, el q u e nos c o m p ro m e te a l servi­
cio d e u n m ás a llá d e la so cied ad . E n el le n g u a je c o m u ­
n ista, es la m isió n h istó ric a d el p ro le ta ria d o , léase d el
p a rtid o . P ero n o es n a d a d ife re n te d e la im a g e n d e n a ció n
q u e nos d io M ich e le t y q u e ta n to s h isto ria d o re s h a n d a d o a
los checos, servios, h ú n g a ro s , y, h o y , a los m ex ican o s, a r­
gelinos o b rasileñ o s. A lg o se realiza a trav és d e la h is to ria ,
q u e nos su p e ra , q u e es a la vez u n p e rso n a je y u n d e stin o .
A n d ré M alrau x es p ro b a b le m e n te el ú ltim o q u e h a y a
h ech o e n te n d e r e n p le n o siglo X X la im a g e n d e la socie­
d a d d e l siglo X IX . Es n o rm a l q u e , c u a n d o u n a im a g e n d e
la h isto ria d e ja de ser la h isto ria re a l, se co n v ierte e n u n
discurso — e n e ste caso a d m ira b le — so b re la « co n d ició n
h u m a n a » . E n este s e n tid o , ya lo h e d ic h o , las casas d e c u l­
tu ra q u e A n d ré M alrau x creó son creacio n es d e l siglo X IX .
H ay q u e p o n e r ai p u e b lo e n re la c ió n co n el e sp íritu , la
la s o c i e d a d p e r d i d a 69

c u ltu ra , p a ra p e rm itir u n a re a p ro p ia c ió n sim b ò lic a d e la


h isto ria .
A sí p u e s , la rep re se n ta ció n d e la so cied ad e stu v o
siem p re d o m in a d a , h a sta e n la é p o c a c o n te m p o rá n e a , p o r
la id e a s e g ú n la cual los h ech o s sociales están d e te rm in a d o s
p o r u n o rd e n superior. Es lo q u e yo h e lla m a d o los
fiadores m etaso ciales d e l o rd e n social. B ajo su fo rm a m ás
a n tig u a , e l o rd e n social ap arece d e te rm in a d o p o r u n o rd e n
sag rad o . La h is to ria es c o n c e b id a e n té rm in o s d e cre ac ió n ,
de c a íd a , d e p ro fetas, d e re d e n c ió n y d e fin d e l m u n d o .
Pero esto está lejos de noso tro s. H o y estam o s m u c h o m ás
m arcad o s p o r u n p e n sa m ie n to d e la so cied ad en el q u e los
hechos sociales son considerados c o m o d o m in a d o s p o r los
hechos p o lític o s y ju iíd ico s. Existe el o rd e n d e las p a sio n e s,
y a q u é l, su p e rio r, de las leyes. Las leyes llev an el o rd e n a
las p a sio n e s, sea d e m a n era lib e ra l, sea d e m a n e ra a u to c rà ­
tica. T a l es el p e n sa m ie n to social q u e c o rre sp o n d e a la
e c o n o m ía m e rc a n til, d e sd e la filo so fía p o lític a in g le sa
h a sta la o b ra d e M o n te sq u ie u . La so cied ad in d u s tria l
reem p lazó a estos fiadores m etasociales in m ó v ile s (c o m o el
o rd e n d e lo sagrado o el o rd e n p o lític o ju ríd ico ) p o r el
m o v im ie n to . P ero la so cie d a d sig u ió e sta n d o s u b o rd in a d a
a u n fia d o r m etasocial q u e es el s e n tid o d e la h is to ria , lo
q u e c o n o cem o s com o evolución o p ro g reso . A h o ra b ie n ,
esta im a g e n d e la sociedad h a lleg ad o a ser h o y in a c e p ta b le
p o r d o s ra z o n es. La p rim e ra es la m u ltip lic id a d d e tip o s d e
sociedades in d u stria le s y la d iv e rsid ad d e su d e sa rro llo .
N a d ie , p o r e je m p lo , p ie n sa se ria m e n te q u e el J a p ó n será,
en d ie z añ o s, lo q u e son los E stados U n id o s a c tu a lm e n te , o
q u e M éxico es ho y lo q u e los E stados U n id o s e ra n h ace
c in c u e n ta a ñ o s. Esta especie d e in g e n u id a d e tn o c è n tric a se
h a v u e lto in s o p o rta b le , y e n consecu en cia ya n o p o d e m o s
situ ar a u n a sociedad e n u n a evolu ció n . C h in a n o es la
URSS con v e in te años d e atraso; sig u e o tro c a m in o . Y
J a p ó n es y será d ife re n te a los E stados U n id o s . La s e g u n d a
razó n — q u e com enzó a m a n ife sta rse m u c h o m ás p r o n to —
consiste e n q u e la idea de u n m o to r c e n tra l, c a p a z d e
arrastrar a to d a la so cied ad , d e jó d e c o rre sp o n d e r a la
ex periencia. El g ran fe n ó m e n o es la p e n e tra c ió n d e la p o li-
70 UN DESEO DE HISTORIA

p a ra decirlo c o n o tra s p a la b ra s, las in sta n cia s h a n d e ja d o


de ser d iscern ib les.
¡M ucho a d m iro a la g e n te q u e h a b la d e lo eco n ó m ico !
¡Q u é m ira d a m ás p ersp icaz! C o n fieso q u e n o sé q u é es ese
algo e co n ó m ico d e fin ib le in d e p e n d ie n te m e n te d e los
actores sociales y p o lític o s. Y c u a n d o el P C h a b la d e c a p i­
talism o m o n o p o lis ta d e e sta d o , e n c u e n tro m e jo r la e x p re ­
sión p o rq u e , in c lu so si e l análisis es m a lo , ella d ice, a la
vez, c a p italism o y e sta d o . P or cierto q u e deseo q u e se d ig a
q u e el e sta d o e stá al servicio d e l c a p ita lism o , p e ro o b ie n
se su p o n e d e sd e el c o m ie n z o lo q u e h ay q u e m o stra r, o b ie n
se a d m ite e n la p rá c tic a q u e la u n id a d o b serv ad a es u n
c o n ju n to p o lític o -e c o n ó m ic o . Si se o b serv a la U n ió n Sovié­
tica, C h in a o V ie tn a m , re su lta difícil sa b e r d ó n d e se h a lla n
lo eco n ó m ico , lo p o lític o y lo id e o ló g ic o . A p a rtir d e la
creciente in te rv e n c ió n d e l e sta d o , las fu erzas p o lític a s, los
sin d icato s, las n e g o cia c io n es colectivas, la id e a d e q u e la
sociedad es m o v id a p o r u n m o to r lla m a d o las fu erzas d e
p ro d u c c ió n o las leyes in te rn a s d e l cap italism o p arece d e s­
p la z a d a . E sto n o q u ie re d ecir q u e n o h ay a u n a cierta resis­
ten cia, u n a c ierta ló g ica in te rn a d e las estru ctu ras e sta b le ­
cidas, p e ro ellas se m a n ifie sta n m ás com o fu erzas d e
inercia — q u ie ro d e c ir d e re p ro d u c c ió n d e lo e x iste n te —
q u e co m o lo q u e d irig e la e v o lu ció n h istó ric a . La id e a de
q u e el c o n ju n to d e la h isto ria es d irig id o p o r la c o n tra d ic ­
ción e n tre u n b e n e fic io q u e cae in e x o ra b le m e n te y n uevas
fuerzas d e p ro d u c c ió n m e parece u n a p u ra m ito lo g ía . La
cap a c id ad d e le c tu ra de los hechos a p a rtir d e tales
h ip ó te sis es ta n d é b il com o a p a rtir d e la «ley d e los tres
estados» d e A u g u sto C o m te . H ay q u e a b a n d o n a r c o m p le ­
ta m e n te e sta re p re se n ta c ió n d e la so cied ad com o re g id a
p o r leyes n a tu ra le s a la vez q u e d o m in a d a p o r u n m ás allá.
E stim o , sin e m b a rg o , al sociólogo q u e en Francia, a m i
e n te n d e r, m e jo r re p re se n tó este p e n s a m ie n to p resocioló­
gico, G e o rg es G u rv itc h . Sostuvo u n a sociología q u e tu v o el
g ran m é rito d e ser a n tifu n c io n a lista y a n tic o n se rv a d o ra ,
p ero q u e e n su p ro p io p rin c ip io era la an tiso cio lo g ía.
P ro cu ró h a lla r, tra s la o rg a n iz ac ió n d e la so cied ad , el fu e g o
d e la v id a , q u e lu e g o se d e g ra d ó e n sistem a d e re p ro d u c ­
ció n , e n c o n tro les in stitu c io n a le s, e tc. E ste fu e g o p u e d e
LA SOCIEDAD PERDIDA 71

d e n o m in a rse la lib e rta d — y ta l era la te n d e n c ia d e


G u rv itc h — d e d a r u n a in te rp re ta c ió n m o ral o p o lític a q u e
sigue sie n d o , en Sartre ta n to co m o e n G u rv itc h , f u n d a ­
m e n ta lm e n te in d e te rm in a d a , n o social. La sociología d e
G u rv itc h y de S artre es el p u n to to p e , el m o m e n to fin a l d e
esa sociología d e l siglo X IX e n la q u e el p rin c ip io h istó ric o
de la racionalización y de la in d u stria liz a c ió n se v u elv e
filosófico, y e n la q u e la s u p e ra c ió n d e las o b lig a c io n es y
de los ó rd e n e s se hace «puro», sin c o n te n id o . D e h e c h o ,
to d o in te n to p o r salvar los restos d e este ev o lu cio n ism o , d e
esta filosofía d e la h isto ria es v ano, in clu so si el m is m o
p u e d e a lim e n ta r u n a filosofía m o ral vigorosa. El p e río d o
q u e a ca b a m o s d e vivir está se ñ a la d o p o r la d e c lin a c ió n
fu n d a m e n ta l d e l viejo p e n s a m ie n to social, y p o r la a p a ri­
ción d e u n a n u e v a im a g e n d e la c u ltu ra y, en p a rte al
m e n o s, d e la sociedad. H ay q u e reco n o cer este a g o ta m ie n ­
to de la filo so fía social a n te s d e v er e n q u é c o n d icio n es el
p e n sa m ie n to social p u e d e re n a c e r b a jo u n a fo rm a n u e v a :
la sociología.
La tra n sfo rm a c ió n esencial de n u e stra c u ltu ra — es d ecir
la m a n e ra d e d e fin ir n u e stra s relaciones con n u e s tro
e n to rn o — co n siste e n n o a p e la r m ás a u n p rin c ip io d a d o r
de se n tid o y a je n o a la re a lid a d , y, p o r ta n to , a la a c tiv id a d
social. H ay q u e a d m itir q u e las relacio n es d e l h o m b re y su
e n to rn o c o n fo rm a n un siste m a , p e ro q u e el sistem a social
es capaz no sólo de m o d ific a r su p ro p io p ro g ra m a en
fu n ció n de las m o d ificacio n es d e l e n to rn o , sino so b re to d o
de p ro d u c ir sus p ro p ias o rie n ta c io n e s, y n o de re p ro d u c ir
su código. Esta ap ro x im ació n e lim in a la id e a d e ev o lu ció n
y, en co n secu en cia, la idea d e u n se n tid o m etaso cial d e la
historia. D e n in g ú n m o d o ella p u e d e ser re d u c id a al
estu d io d e eso q u e p u e d e llam arse la re p ro d u c c ió n o los
sistem as d e in te rc a m b io q u e se c o n fo rm a n a las c o n d ic io ­
nes de supervivencia de la c o lec tiv id a d . La sociedad n o es
so lam en te u n c o n ju n to d e m e ca n ism o s d e c o n tro l, p o ­
n ie n d o y m a n te n ie n d o a cad a cu al en su sitio . Es a n te to d o
u n a g e n te d e p ro d u c c ió n d e sus p ro p ia s o rie n ta cio n es, y
po r ta n to d e sus p rácticas y d e sus tran sfo rm acio n es.
S u p o n e u n a v e rd a d era b a n a lid a d a firm a r q u e acab am o s d e
vivir tre in te añ o s de cam b io s e co n ó m ico s, tecnológicos,
72 UN DESEO DE HISTORIA

e tc ., e x c e p c io n a lm e n te rá p id o s, y sin e m b a rg o , e x tra ñ a
p a ra d o ja , e n el c o ra z ó n d e este p e río d o ex cep cio n al d e
co n m o cio n es m a te ria le s y sociales el p e n s a m ie n to re d e s­
c u b rió lo e sta b le , lo in m ó v il. N u n c a se h a b ló ta n p o co d e
p ro d u c c ió n co m o e n e s ta so cie d a d d e p ro d u c c ió n . E n tre
u n a teo ría d e la c u ltu r a y u n a te o ría d e l o rd e n y d e su
p ro d u c c ió n (q u e se h a n visto a c o p la d a s, casi fu sio n a d a s a
causa de la au se n c ia d e te o ría sociológica), lo q u e fa lta (y
q u e co n stitu y e la clave d e b ó v e d a d e l análisis) es u n a teo ría
d e la cap a c id ad d e la so c ie d a d p a ra a c tu a r so b re sí m ism a ,
d e la acción d e la s o c ie d a d so b re sí m ism a . A no so tro s nos
c o rresp o n d e e fe c tu a r e sta te o ría .
Este atraso, tie n e u n a ex p licación. H is tó ric a m e n te ,
c u a n d o c a m b ia m o s d e so cie d a d , lo q u e nace a n te to d o es
u n n u ev a im a g e n d e la c u ltu ra . A c ab a m o s d e ver n a ce r
u n a re p re se n ta c ió n d e la c u ltu ra e n té rm in o s d e siste m a , y
h a sta e n té rm in o s d e e s tru c tu ra , y ya n o e n té rm in o s de
ev o lu ción. El m o v im ie n to d e id e a s q u e se llam ó e stru c tu -
ralism o fu e e se n c ia lm e n te esa s u p e ra c ió n d e l ev o lu cio n is­
m o , el rechazo d e u n s e n tid o p ro v e n ie n te d e a fu e ra , im ­
p u e sto a los h ech o s sociales. E sta a n tro p o lo g ía es la c o n d i­
ción d e n a c im ie n to d e la sociología, q u e sólo p u e d e n acer
asociada a esta im a g e n de la c u ltu ra , p e ro ella p u e d e
ta m b ié n ser u n o b stá c u lo a su d e sa rro llo , e n la m e d id a en
q u e esta d e fin ic ió n d e u n n u e v o c a m p o c u ltu ra l fu ese
tra n scrita d ire c ta m e n te e n té rm in o s sociales, e n el q u e se
disecarían los h e c h o s sociales. U n s e g u n d o re to rn o d e b e
p u es volver a in tro d u c ir e n el análisis a l c a m p o d e la acción
social.

E l tie m p o d e la u to p ía

Lo q u e ya d o m in a n u e stro p re s e n te es el largo y m u y
sinuoso m o v im ie n to a través d e l c u al re d e sc u b rim o s la
acción social. La lín e a recta n o es el c am in o m ás co rto d e
u n p u n to a o tro de la h isto ria d e las id eas o d e la h is to ria a
secas. N osotros p a rtim o s d e u n a im a g e n cristalográfica d e
la sociedad. La so c ie d a d , com o cristal, co m o e stru c tu ra ,
com o siste m a cap az d e re p ro d u c irse , co m o có digo y co m o
LA SOCIEDAD PERDIDA 73

regla. Y v em o s, d e sd e h ace b a s ta n te tie m p o , to ta lm e n te al


o tro e x tre m o d e l h o riz o n te in te le c tu a l, a p a re c e r lo o p u e s ­
to , el deseo o el rechazo. P refiero decir, e n té rm in o s so cio ­
lógicos: la u to p ía . U to p ía q u e n o es en sí u n a re s p u e s ta a
u n a nu ev a im a g e n de la c u ltu ra , sino >a la id e o lo g ía te c n o -
crática d e los d irig en te s. E n e fe cto , e n la situ a c ió n in te le c ­
tu a l q u e d a p rio rid a d a la c u ltu ra p o r e n c im a d e la socie­
d a d , es v e rd a d q u e u n a id e o lo g ía d e directiv o s re in a m ás
fá c ilm e n te , ya q u e ella n o e n c u e n tra p e n s a m ie n to social
o rg an izad o . E n esta situ a c ió n a p a re c e n las u to p ía s , q u e
p ro te sta n c o n tra la d esp e rso n aliza c ió n y c o n tra el c a rá c te r
a u to m á tic o d e los m ecan ism o s sociales; u to p ía s d e l d e s­
e n fre n o y d e la re fo rm u la c ió n d e u n a im a g e n d e la socie­
d a d a p a rtir d e lo m ás ín tim o . A sí es c o m o h e m o s visto
triu n fa r p e n sa m ie n to s q u e a c e p ta ro n la im a g e n d e la
s o c ie d a d -m á q u in a , p ero a g re g a n d o : «Se h a v u e lto im p o s i­
b le lu c h ar e n esta sociedad; ella es m á q u in a , es siste m a , ya
no se p u e d e m e te r en e lla el d e d o o la p a la b ra , ya n o se
p u e d e p ro te s ta r y a ctu a r sino al m a rg e n o in clu so fu era» .
Tal fu e la fu e rz a d e l lla m a m ie n to d e M arcuse. El a c e p ta la
im a g e n de la so cied ad c o m o sistem a, p e ro a g reg a q u e esta
sociedad es u n id im e n s io n a l, q u e d e riv a , co m o e n u n a
sociología d e ficción al estilo d e O rw ell, m ás allá d e la
h isto ria, so cie d a d to ta lita ria q u e carece d e e n to rn o y q u e
sólo re p ro d u c e el código d e u n p o d e r a b so lu to o d e los
privilegios e x o rb ita n te s. C o n tra este p o d e r, M arcu se sólo
c u e n ta con los m a rg in a d o s, los d ro p -o u t, las m in o ría s
étnicas o los g m p o s d e jóvenes q u e h a b rá n d e fo rm a r
co n traso cied ad es, c o n tra c u ltu ra s , y q u e q u iz á h a y a n d e
llegar, así, no a h acer q u e la so cie d a d c a m b ie , sin o a q u e
estalle en p e d a z o s ... o, p a ra re to m a r la te rm in o lo g ía d e
M o rin, L efo rt y C asto riad is, a a b rir u n a brecha. A c ab a m o s
d e vivir u n p e río d o d o m in a d o p o r la y u x tap o sició n d e u n a
im a g e n d e la sociedad c o m o siste m a d e re p ro d u c c ió n , y
p o r ta n to c o m o u n m u n d o c errad o , y p o r o tra p a rte llenos
d e h echos q u e se d a n d e b ru ces c o n tra e sta re a lid a d , e n
n o m b re d e u n a cierta su rre a lid a d : deseo , lib e ra c ió n , re la ­
ciones in te rp e rso n a le s, c o n tra c u ltu ra .
Esta situ a c ió n ap arece c ad a vez q u e surge u n n u e v o
tip o d e so cie d a d . C u a n d o se p la n te a la so cied ad in d u s tria l
74 UN DESEO DE HISTORIA

vem os n acer, a n te to d o , u n a im a g e n d e la n a tu ra le z a , fo r­
m a d a e n p a rte e n e l sig lo X V III, la d e los filó so fo s, en el
m o m e n to e n q u e se p re p a ra la g ran tra n sfo rm a c ió n
e co n ó m ica e n In g la te rra . L u eg o , a co m ien zo s d e l siglo
X IX , vem os a p a re c e r p ro te s ta s , m u y elitistas con fre c u e n ­
cia, la ap ela c ió n a lo s s e n tim ie n to s o al a rte , c o n tra la
m á q u in a y la u tilid a d . Y v em o s ta m b ié n , e n té rm in o s d i­
fe re n te s, los p rim e ro s m o v im ie n to s c o n te sta ta rio s, q u e son
m o v im ie n to s relig io so s, m o ra le s, q u e re c u rre n a la c o m u ­
n id a d , a la co n cie n c ia o a la b e lle z a . P ero la d ista n c ia e n tre
la u to p ía y los m o v im ie n to s sociales ya n o es ta n g ra n d e
co m o en el p a sa d o : e lla d is m in u y e inclu so ta n rá p id a m e n -
te r q u e las u to p ía s se c o n v ie rte n ya e n m o v im ie n to s e n vez
d e ser im ágenes d e la so cie d a d id e a l, reservadas a las e n so ­
ñ acio n es d e a lg u n o s in te le c tu a le s aislados. Y e llo p o rq u e la
resistencia al p o d e r e sta b le c id o ya no p u e d e ser to ta lm e n te
e fe c tu a d a e n n o m b re d e fu erzas sociales; lo es ta m b ié n e n
n o m b re d e a q u e llo q u e resiste a la in te rv e n c ió n social y
q u e es n a tu ra l, se tr a te d e las co n d icio n es d e su p erv iv en cia
d e u n ecosistem a, d e l le n g u a je d e l in c o n sc ie n te o d e la d e ­
fe n sa de la id e n tid a d . P ero h o y lo m ás im p o r ta n te n o es
reco n o cer la fu e rz a re c rea d o ra d e la u to p ía ; sí lo es el
p re g u n ta rs e e n q u é c o n d ic io n e s, m ás a llá d e e sta y u x ta p o ­
sición d e l m u n d o m e c á n ic o y d e la id e n tid a d , h a b rá d e
volver a fo rm a rse u n a im a g e n co n flictiva d e la so cied ad .

E l o rd en y la exclu sión

La p rim e ra e ta p a fu e la d e la creació n d e u n a n u e v a
im a g e n de la n a tu ra le z a y d e la c u ltu ra , e n u n vacío social.
La s e g u n d a , la a p a ric ió n e n este vacío social d e u n a lu z
in te rm ite n te , u tó p ic a , fu eg o s artificiales u tó p ic o s , q u e
d a n z a n a lre d e d o r d e la esfera d e la so cied ad . La te rc era, la
q u e p reced e in m e d ia ta m e n te al re n a c im ie n to d e l p e n s a ­
m ie n to social, a rro ja u n a d u d a sobre ese c arác te r c errad o ,
n a tu ra l, m ecán ico d e la so cied ad . H ay q u ie n e s d ic en : ese
siste m a lla m a d o n a tu ra l es to d o lo c o n tra rio ; es la fo rm a
e n q u e se m a n ifie s ta u n a d o m in a c ió n . T a l es p re c isa m e n te
el m o m e n to a c tu a l d e l p e n s a m ie n to social. M o m e n to e n
LA SOCIEDAD PERDIDA 75

q u e se a c e p ta to d a v ía el carácter sistem ático d e l o rd e n


social, p e ro n o m b rá n d o lo ya social y n o n a tu ra lm e n te .
En el tra n scu rso d e los ú ltim o s a ñ o s, la c o rrie n te d e
p e n s a m ie n to m ás viva, la q u e m e jo r h a c o rre sp o n d id o al
e sp íritu d e l tie m p o , es la a n im a d a e n F rancia p o r M ichel
F o u c a u lt. P a ra él, el m u n d o m o d e rn o , la so cied ad c o n te m ­
p o rá n e a es u n vasto siste m a de reglas y d e co n tro les n o li­
g a d o e sp e c ífic am e n te a u n m ecan ism o c en tral co m o la
g a n an c ia o el p o d e r p o lític o , sino al o rd en e n g e n e ra l. Este
o rd e n , este siste m a d e m allas cada vez m ás racional y té c ­
n ic a m e n te te jid o , acrecien ta in e x o ra b le m e n te el en cierro .
N os h a lla m o s c ad a vez m ás encerrados e n u n siste m a d e
ra c io n aliza c ió n , es d e c ir d e n o rm a liz a c ió n , o d e n o rm a -
ció n , q u e tie n d e a se p a ra r, v aliénd o se d e u n ju icio n o ya
fin a l n i ú ltim o , sino c o tid ia n o , a los b u e n o s de los m alo s,
a q u ie n es se a d a p ta n a las reglas y q u e re p ro d u c e n el
siste m a , d e q u ie n es d is ie n te n , con o cid o s co m o e n fe rm o s,
crim in ales, m in o rías. El m ecan ism o es ta n g e n e ra l q u e
to d o el m u n d o p e rte n e c e u n d ía u o tro , bajo u n o u o tro
aspecto d e su p e rs o n a lid a d , a u n a m in o ría . A tal p u n to
q u e no q u e d a n ad ie en el centro, e n la m ay o ría silenciosa.
La so cied ad , el o rd e n , n o se d e fin e n ya p o r u n c o n te n id o ,
m e d ia n te valores, sino p o r u n siste m a d e d iscrim in a ció n
ta l q u e al fin de cu en tas todos e sta m o s seguros d e ser
m in o riz a d o s, en u n o u o tro m o m e n to . D e sd e este p u n to
d e vista, la expresión d e los e stu d ia n te s d e l 68: «T odos
som os ju d ío s alem anes» es de u n a a c e rta d a ju s te z a . El
sistem a fu n c io n a de ta l m a n e ra q u e en u n m o m e n to
crucial to d o s p o d e m o s con v ertirn o s e n ju d ío s a le m a n e s o
e n el e q u iv a le n te de lo q u e fu e ro n los ju d ío s a le m a n e s e n
el sistem a n a z i.
H en o s a q u í en u n p u n to m u y im p o rta n te d e la
h isto ria de las ideas sociales, u n p u n to d ra m á tic o . T o d o el
m u n d o sab e q u é a p o rta d e novedosa e sta lín ea d e p e n s a ­
m ie n to : a rra n ca al análisis social d e to d o sitio p riv ile g ia d o .
En efecto, es cierto q u e los conflictos y los d e b a te s ya n o se
sitú a n en u n d o m in io p a rtic u la r y c e n tra l, los d erech o s
cívicos o los d e los tra b a jad o res, p o r e je m p lo . P ero u n a n á ­
lisis de la exclusión, así com o u n an álisis d e la re p ro d u c ­
ción son d e m asia d o d ifu so s y n o p e rm ite n re c o n stru ir la
'6 UN DESEO DE HISTORIA

p o sib ilid a d d e la acció n p o lític a e n el in te rio r d e l p ro p io


o rd e n social.
A firm ar, p o r e je m p lo , q u e el siste m a u n iv e rsita rio
re p ro d u c e los p riv ileg io s d e la b u rg u e s ía n o ex p lica p o r
q u é h u b o u n m o v im ie n to e s tu d ia n til, u o b lig a a p e n sa r
q u e ese m o v im ie n to es to ta lm e n te irriso rio , q u e n o es m ás
q u e la m a n ife stac ió n d e c o n tra d icc io n e s in te rn a s. A sí p u e s ,
M ichel C ro zier p ie n sa q u e el siste m a b u ro c rá tic o francés v a
de crisis e n crisis y n o h a c e m ás q u e h u n d irs e e n su in c a ­
p a c id a d d e e v o lu cio n ar. P e ro m e p a re ce d ifícil — ta n to e n
F ran cia com o e n o tro s p aíses— re d u c ir el m o v im ie n to
e stu d ia n til a la m a n ife sta c ió n d e esa crisis. D e u n m o d o
m ás g e n e ra l, no se p u e d e n c o n fu n d ir tres re a lid a d e s b ie n
d iferen tes: u n o s siste m a s de re p ro d u c c ió n , p o r lo d e m á s
cada vez m ás d e sc o m p u e sto s; u n o rd e n g e n e ra l y a p re ­
m ia n te q u e no d e fin e u n a so c ie d a d , sino m ás b ie n u n tip o
g en eral de esta d o ; y, fin a lm e n te , lo esen cial, n u e v as
fo rm as y nuevos c e n tro s d e p o d e r, q u e n o so n el o rd e n
social e n g en eral, sin o lu g ares d e m a n d o . P o r c ie n to q u e se
los p u e d e h a lla r e n to d o s los d o m in io s d e la v id a social,
p e ro n o p o r ello so n m e n o s id e n tific a b le s. S on los g ra n d e s
ap arato s d e gestió n y d e decisión. V olveré so b re ellos. P o r
a h o ra p refiero re a cc io n a r c o n tra la ilu sió n d e la u n id a d y
d e la in te g ra ció n d e l c o n ju n to d e prácticas, y p o r ta n to d e l
o rd e n social. Lo q u e se re p ro d u c e carece d e u n id a d , está
h e ch o d e c u a lq u ie r m o d o , d e l p re s e n te y d e l p a sa d o , co m o
u n a o lig a rq u ía e n la q u e se m e z c la n las viejas fa m ilia s y los
n u ev o s ricos. Se p r e te n d e creer e n la u n id a d d e lo q u e se
re p ro d u c e , o b ie n d e los priv ileg io s. Y o so ste n g o , p o r el
c o n tra rio , q u e esa u n id a d n o existe. E n el caso d e la
escuela, e n p a rtic u la r, n o existe n in g u n a in te g ra c ió n id e o ­
lógica d e los p ro g ra m a s. La escuela o la fa m ilia , o to d o
o tro a g e n te de so cializació n , in te rv ie n e , es v e rd a d , c o m o
in s tru m e n to d e in c u lc ac ió n , d e re p ro d u c c ió n . P ero lo q u e
yo n ie g o es la u n id a d d e lo in c u lc ad o o d e lo re p ro d u c id o .
E n la escuela e n c o n tra m o s e le m e n to s d e d o m in a c ió n d e
clase. P ero en el caso francés e n c o n tra m o s ta m b ié n la
in te rv e n c ió n d e u n e sta d o d irig id o p o r la p e q u e ñ a b u r g u e ­
sía, o , p o r el c o n tra rio , d e in sp ira c ió n a u to rita ria y, f in a l­
m e n te , lo q u e d e n o m in o la re tó ric a escolar, es d e c ir la
LA SOCIEDAD PERDIDA 77

a u to n o m ía d e los e n se ñ a n te s al fa b ric a r clases m e d ia s y o r­


g a n iz a r ta m b ié n u n a c ie rta v ida in te le c tu a l en fu n c ió n d e
sus p ro p io s criterios. P ie n so q u e esto s tres e le m e n to s se
d e s c o m p o n e n : el d o m in io d e clase, p o r e je m p lo , e s a la
vez el d e la b u rg u e sía d e h o y y el d e la a n tig u a b u rg u e s ía ,
o incluso d e la aristocracia, gracias a la c o n tin u id a d d e los
colegios d e jesu ítas y d e o ra to ria n o s h a sta en los liceos,
d e sd e el co leg io d e C le rm o n t h a sta el liceo L o u is-le -G ra n d .
C u a n ta m a y o r d istan cia se e stab lezca d e l p o d e r e c o n ó m ic o
y d e sus p ro b le m a s, m ás c o m p le jo será lo q u e se r e p r o d u ­
ce. Su c o n te n id o p e rte n e c e a u n b lo q u e h istó rico h e te r o ­
g é n e o y n o a u n a clase d irig e n te . S a b e m o s q u e n u e s tro
siste m a esco lar está h e c h o , a la v ez, d e u n a tra d ic ió n
e sta ta l n a p o le ó n ic a , d e u n a tra d ic ió n so cia ld e m ó c rata, d e
u n a c u ltu ra b u rg u esa y d e u n a c u ltu ra p ro feso ral.
R esu lta incluso p elig ro so p restar u n a u n id a d ilu s o ria a
los p riv ileg io s y a las tra d ic io n e s. S u p o n e aco rd ar d e h e c h o
u n a p rio rid a d in d e b id a al e sta d o , q u e u n ific a y c o d ifica las
prácticas, p o r encim a d e las clases sociales, q u e se d iv id e n
y se c o m b a te n . A sí, la a te n c ió n se d esv ía d e lo esencial: d el
d e sc u b rim ie n to de los n u ev o s adversarios, e n ca n ta d o s d e
p e rm a n e c e r ocultos detrás d e defensas p a ra ellos s e c u n d a ria s
y q u e p u e d e n ser atacad o s sin q u e p elig re su p o d e r.
Q u e d a el in te rro g a n te : a c tu a lm e n te , el análisis d e la a c ti­
v id ad social, d e la p ro d u c c ió n de la so cie d a d sig u e e s ta n d o
en la s o m b ra , m ie n tra s q u e se p o n e el acen to s o b re los
m ecan ism o s de re p ro d u c c ió n ; ¿ p o r q u é ? ¿Por q u é esta
visión in v e rtid a d e la so cie d a d , reprodu cción p o r e n c im a
de p r o d u c c ió n ? P o rq u e vivim os el m o m e n to e n q u e el
p e n sa m ie n to social es a p ro p ia d o p o r el m u n d o u n iv e rs ita ­
rio, p o r u n m u n d o de clérigos, q u e v iv en u n a p r o f u n d a
crisis d e re p ro d u c ció n , q u e choca a n te to d o con c u a lq u ie r
a g en te d e la educación e n u n m u n d o q u e cam b ia: ig le sia,
fa m ilia , escuela, etc. Y los in te le c tu a le s d a n a la so c ie d a d
de hoy u n a in te rp re ta c ió n d e sus co n flicto s a p a rtir d e su
p ro p ia crisis. Q uiero d ecir q u e los in te le c tu a le s, m u y n a tu ­
ra lm e n te , a d q u ie re n p rim e ro u n a v isión id eo ló g ica d e la
sociedad y, p u e sto q u e ellos m ism os so n los p ro d u c to s d e
u n a e d u ca c ió n e n crisis, le p re sta n a é sta u n a u n id a d q u e
ella no tie n e , p ara salv a g u a rd a r o re fo rz a r su p o sició n . El
8 UN DESEO DE HISTORIA

análisis d e los m e c a n is m o s d e exclusión tie n e m u c h o m ás


fu e rz a q u e los d iscu rso s d e m a sia d o g en erales so b re la re­
p ro d u c c ió n . ¿Y có m o n o reco n o cer su fe c u n d id a d , c u a n d o
Sartre o F o u c a u lt lu c h a n p o r y con los p risio n e ro s, c u a n d o
el m u n d o d e los tra b a ja d o re s sociales sale d e sus ru tin a s
con servadoras, c u a n d o se h a e m p e z a d o a d u d a r so b re el
p a p e l d e los h o s p ita le s p siq u iá tric o s, etcétera?
Estos d e b a te s y e sta s lu ch as son el p u n to m ás av an z a d o
d e la crítica social a c tiv a . P ero in c lu so a q u í fa lta la c a p a ­
c id ad d e n o m b ra r a l a d v ersa rio . G ra n d e z a y lím ite d e u n
lib eralism o re a l, m ilita n te , q u e d e sc u b re la falsa ra c io n a ­
lid a d y lo q u e o c u lta e l o rd e n . Los in te le c tu a le s n o p u e d e n
ir m ás lejos; n o p u e d e n s u s titu ir a u n a s fu e rz as sociales
p o p u la re s, las ú n ic a s e n p o d e r h a c e r su rg ir los g ra n d e s
conflictos. E llos c o n trib u y e n a p re p a ra r el n a c im ie n to d e
tales fu e rz a s, p e ro a c o n d ic ió n d e señalarse a sí m ism o s los
lím ites d e su p ro p ia acción. La situ a c ió n a c tu a l evoca la
crisis d e l a n tig u o ré g im e n ; está d o m in a d a p o r la lu c h a
c o n tra los p riv ile g io s, p e ro es c o n d u c id a p o r sem iprivi-
leg iado s. E sta lu c h a d e los in te le c tu a le s c o n tra los p riv ile ­
giados h ace ta m b a le a r la c o n fia n z a en el o rd e n a n tig u o ,
p ero al m is m o tie m p o p u e d e desv iar d e los p ro b le m a s
sociales c en trale s, q u iz á , p o r o tra p a rte , p o rq u e esos
m ism o s in te le c tu a le s se e n c u e n tra n e n s itu a c ió n a m b ig u a .
Ellos so n , a la v ez, la flo r y n a ta d e l viejo m u n d o (cad a vez
m ás elitista s, so fisticad o s), y a g e n te s d e d e stru c c ió n d el
a n tig u o o rd e n , p e ro en c o n d icio n es tales q u e n o p u e d e
h a b e r c o n tin u id a d e n tr e esta crisis d e l a n tig u o ré g im e n y
la c a p ta c ió n te ó ric a o p rá c tica d e los co n flicto s sociales
reales y c en trale s d e la n u e v a so cied ad . N o s h a lla m o s p re c i­
s a m e n te e n ese m o m e n to a m b ig u o e n q u e p re d o m in a la
im a g e n d e u n a so c ie d a d u n id im e n s io n a l, so cie d a d d e
en cierro , d e m allas y de cables (com o se d ice d e las socie­
d a d es in fo rm a tiz a d a s q u e tie n e n m e d io s d e c o n tro l cad a
vez m ás estrictos), d e esas sociedades p ro g ra m a d a s y llen as
de n o rm a s. N o s h a lla m o s en la a m b ig ü e d a d d e la re iv in ­
d ic ac ió n , d e la p ro te s ta c o n tra u n o rd e n q u e sólo es c a p ta ­
d o d e sd e fu e ra , d e lo a lto , y n o d e sd e el in te rio r y d e sd e
a b ajo .
T al e ra , ya, la c rític a d e los e stu d ia n te s d e m ay o d e l 68
LA SOCIEDAD PERDIDA 79

a M arcuse. C u a n d o lle g ó , fu e a ta c a d o p o r los e s tu d ia n te s


p arisin o s q u e le d ije ro n : « u sted h a b la d e so cied ad u n id i­
m e n sio n a l, y a firm a q u e la ú n ic a acción p o sib le d e b e
p ro v e n ir d e la m a rg in a c ió n . ¡N osotros n o som os m a r g in a ­
dos! Los e stu d ia n te s so n g e n te , p o r c u a lq u ie r lad o q u e se
los to m e , p riv ileg ia d a y c en tral. M ire, a q u í, e n este
m o m e n to , las b arricad as e stá n en el b u le v a r S a in t-M ic h e l,
n o e n A u b e rv illie rs. Q u ie n e s las le v an taro n n o son m a rg i­
n ales in d e fin id o s , sino e s tu d ia n te s , y p o r ta n to “ h e r e d e ­
ro s” »... La c o n testació n resurgió e n el c en tro del siste m a .
D e m is conversaciones co n M arcuse e n a q u e l m o m e n to m e
q u e d ó la im p re sió n d e q u e a c e p ta b a esta crítica y q u e
m o d ific a b a ya su p e n s a m ie n to p a ra te n e rla en c u e n ta . P ero
el p ro p io m o v im ie n to d e m ayo n o p o d ía escap ar a la
a m b ig ü e d a d . Su fu e rz a consistió e n red escu b rir la lu c h a
social, p e ro n o sep arab a los n u ev o s conflictos de la crisis d e
las a n tig u a s in stitu c io n e s, un iv ersitarias o p o lític a s. Se
s itu a b a e n el m o m e n to e n q u e los conflictos no p u e d e n ser
a p re h e n d id o s , to d a v ía , sin o so b re el m o d o d e la crisis. A l
n o p o d e rse c a p ta r a ú n los m e ca n ism o s, las relacio n es
sociales c en trale s, se c a p ta b a u n o rd e n q u e se d e c la ra e n
crisis; se p re s ta aten ció n al n ú m e ro crecien te de q u ie n e s ya
n o a g u a n ta n , q u e ya n o h a b la n el le n g u a je n u ev o , q u e se
re tira n , se d e rru m b a n , se vuelven locos, q u e ya n o
s o p o rta n m á s. E n efecto, así es co m o se sien te la crisis d e l
a n tig u o ré g im e n , pero so b re to d o a través d e ella a p a re c e n
los co n flicto s d e l n u e v o m u n d o . A sí, m e d ia n te e sta vía
in d ire c ta , se d e sc u b re n los n u ev o s conflictos sociales. D e l
m ism o m o d o , a co m ien zo s d e la in d u stria liz ac ió n c a p ita ­
lista, el d e sa rra ig o , la m ise ria , el alco h o lism o y la p ro s ti­
tu c ió n g e n e ra ro n u n a crítica m o ra l y social a la vez im p o r ­
ta n te y ciega, p o rq u e n o h a b ía id e n tific a d o to d av ía al a d ­
versario c e n tra l: el c a p ita lism o . Es tie m p o , incluso h o y , d e
reconocer q u e el análisis d e la crisis sólo p u e d e ser e fec­
tu a d o a p a r tir d e u n an álisis d e los sistem as de p ro d u c c ió n
y d e p o d e r. T al es la ta re a q u e m e h e asig n ad o .
Tras h a b e r situ a d o así las e tap a s d e re n a c im ie n to d e l
p e n s a m ie n to social, q u e rría a h o ra h a ce r u n b alan ce, m ira r
el p a isaje, a n te s d e p e n e tr a r e n el análisis d e la so cie d a d .
80 UN DESEO DE HISTORIA

E scondites

A lgo q u e choca d e in m e d ia to es q u e , h o y , q u ie n
in te n ta p e n sa r la s o c ie d a d se e n c u e n tra ro d e a d o d e im á g e ­
nes q u e son o tro s ta n to s esc o n d ite s. Q u ie ro d e c ir q u e d e
to d as p a rte s nos lle g a n im ág en es q u e p a re c e n im p o n e rn o s
a n aliza r la so cied ad e n té rm in o s n o sociales. E n este
se n tid o nos h a lla m o s e n el p u n to cero , en busca d e la
so c ie d a d p e rd id a . C u a n d o m iro h a c ia los c u a tro p u n to s
card in ales, e n c u e n tro c u a tro im á g e n e s p rin c ip a le s.
1. La p rim e ra , q u e p a lid e ce d e sd e h a ce m u c h o tie m p o ,
es la q u e nos h a d ic h o : la so cie d a d es u n a m a n e ra d e ser,
u n o rd e n d e n o rm a s y d e p rin c ip io s , u n a c u ltu ra q u e
descansa sobre u n o s valores (la ra c io n a liz a c ió n , la secu lari­
zació n , p o r e je m p lo ). A q u í, la p r o p ia id e a d e la acción
social n o tie n e lu g ar; lo q u e existe es el d e s tin o , el d e b e r,
la vocación; la g e n te va, o n o , e n el s e n tid o de la h isto ria ;
cada u n o d e n o so tro s tie n e relacio n es co n los dioses y co n
los d e m o n io s. C ad a u n o es c o n d u c id o p o r u n ra d a r, p o r
p rin cip io s q u e se le im p o n e n . La so cie d a d es u n c o n ju n to
d e g e n te llev ad a p o r su c o n cie n c ia, o in fiel a su lla m a d a y
sed u cid a p o r los d e m o n io s o p o r la n a tu ra le z a . En co n se­
cuencia, n o estam o s s itu a d o s re sp ec to d e relaciones socia­
les, sino a n te valores.
2. La se g u n d a es la im a g e n n e g a tiv a d e u n o rd e n q u e
es d o m in a c ió n a la vez id e o ló g ic a , p o lític a y eco n ó m ica.
S istem a p re o c u p a d o a n te to d o d e a se g u ra r su p e rp e tu a ­
ción. T o d av ía a q u í, la acción social n o p a re ce te n e r lu g a r.
3. La tercera im a g e n es p ro d u c id a p o r la id e o lo g ía
tecnocrática. Es la id e a se g ú n la c u a l la so cied ad es p u ro
c am b io , p u ra a d a p ta c ió n , y q u e p o r ta n to es u n m e rc ad o .
N o ya so lam en te u n m e rc ad o e c o n ó m ic o , sin o ta m b ié n , o
m ás a ú n , u n m e rc a d o p o lític o o id eo ló g ico . Este p e n s a ­
m ie n to p ro c la m a el fin de los g ra n d e s p rin c ip io s y d e las
ideologías; a h o ra se tra ta d e a d a p ta rs e , d e n egociar. T o d o
se h a co n v ertid o e n tá c tic a y e stra te g ia .
4. Y fin a lm e n te aparece la id e a ’d e u n m u n d o e n
crisis, in cap az de a d a p ta rs e , d e c a m b ia r, arrastrado a la
LA SOCIEDAD PERDIDA 81

d e c a d e n c ia y d o m in a d o p o r c o m p o rta m ie n to s irrac io n a les,


p e rv e rtid o s.
C u a tro im ágenes: la d e ca d e n cia , el m e rc ad o , la d o m i ­
n a c ió n , la m o d e rn id a d . T ie n e n e n c o m ú n el q u e e n to d o s
los casos el acto r social p e rc ib e la so cie d a d co m o u n a cosa,
co m o u n o rd e n ajeno a la acción. Estas im á g e n es s o n ta n
fu e rte s q u e m e p ro d u c e n u n a g ran d u d a .
E n el m o m e n to en q u e d ig o q u e la sociología n a c e ,
¿ n o h a b ría p o r el c o n tra rio q u e decir q u e ella d e sa p a re c e ,
d e b id o a q u e la razó n d e ser no s o la m e n te d e los c o n flic ­
to s, sino d e l fu n c io n a m ie n to d e la so cie d a d , está e n lo
sucesivo fu e ra d e l c am p o social? La id e a es d e fácil f o r m u ­
la ció n . E n el siglo X IX nos co n v en cim o s d e q u e los p r o ­
b le m a s sociales h a b ía n d e sb o rd a d o el c a m p o p o lític o , se
h a lla b a n e n u n m á s allá q u e era el lu g a r d e las re la cio n e s
d e clases, d e l tra b a jo , d e la p ro d u c c ió n . ¿Acaso a h o ra n o
te n e m o s, e n e fe cto , p o r u n la d o el o rd e n , q u e e s tá m ás
allá de lo social, q u e es el p o d e r a b s o lu to , y p o r el o tr o la
n a tu ra le z a ? El o rd e n , y c o n tra él ¿ n a d a m á s q u e esos m ú l­
tip les m o v im ie n to s d e los q u e Serge M oscovici d ijo q u e
eran re p e tid o s in te n to s d e «ensalvajam iento»? ¿N o e sta m o s
a h o ra d e fin itiv a m e n te m ás allá d e lo social, es decir e n u n
c h o q u e d ire c to e n tre , p o r u n a p a rte , u n o rd e n q u e hay
q u e expresar, e n el lím ite , e n té rm in o s n o sociales, a u to ­
m á tic o s, la m a q u in a ria d el sistem a social, y, p o r o tra
p a rte , el deseo o to d o o tro p rin c ip io d e c o n te sta c ió n q u e
ya n o es d e fin id o e n té rm in o s d e p a p e le s sociales? H e a h í
la g ra n c u e s tió n . U n a c u e stió n q u e n o s lleva d ire c ta m e n te
a p re g u n ta rn o s si en e fe cto vivim os e l fin d e la so c ie d a d ,
d e u n a d e fin ic ió n social d e la e x p erien c ia . In te rro g a n te al
q u e se p u e d e re s p o n d e r d e dos m a n e ra s o p u e sta s . La
p rim e ra dice: h a y q u e c am b iar ra d ic a lm e n te las b ases d e l
p e n s a m ie n to so b re la sociedad; la o tra : d e n in g ú n m o d o ;
vivim os la crisis y el fin d e u n a so c ie d a d , y es p re c iso q u e
a p re n d a m o s , a través d e la co nciencia y la ex p erien cia d e la
crisis, a p e n sa r u n a sociedad n u e v a q u e , p o r p rim e ra vez,
no sea p e n sa b le sino e n té rm in o s de relacio n es sociales. E n
este s e n tid o , e n este m o m e n to nos h a lla m o s a la vez m u y
alejados y m u y cerca d e l n a c im ie n to d e u n p e n s a m ie n to
social d e la sociedad. La p rim e ra re s p u e s ta ya h a b ía sido
82 UN DESEO DE HISTORIA

d a d a p o r T o c q u e v ille . U n a s o c ie d a d d e m asas d isu e lv e las


d e p e n d e n c ia s y las b a rre ra s y p e r m ite la a p a ric ió n d e u n
p o d e r a b s o lu to . Se a ñ a d e h o y q u e la re siste n c ia a ese p o d e r
sólo p u e d e p ro v e n ir d e la d e fe n s a d e u n a id e n tid a d , d e
u n a n a tu r a le z a o d e u n a c o m u n id a d . E n tre ese m ás a llá y
este m á s ac á d e las re la c io n e s sociales, d e las in s titu c io n e s y
d e los c o n flic to s o rg a n iz a d o s , n o h a b r ía m ás q u e u n
co n fu so y c a m b ia n te ju e g o d e in te re se s m u y diversos. E sta
v isió n es s e d u c to r a . S in e m b a r g o , m e p a re c e in c a p a z d e
d irig ir e l an á lisis. S igo s ie n d o g u ia d o p o r el e je m p lo m a r-
xista, p o r la v o lu n ta d d e ro m p e r e sta im a g e n d e m a s ia d o
g e n e ra l d e l p o d e r y d e v o lv e r a h a lla r la n a tu ra le z a p re c isa
d e u n a d o m in a c ió n .

Bíotv-up*
P e ro l a so cio lo g ía n u n c a p u e d e n a c e r a n te s d e q u e la
escen a so c ia l se h a y a re a n im a d o . A c a b a m o s d e c a m b ia r la
escen a d e n u e s tr o te a tro y el e q u ip o d e los o b re ro s estru c -
tu ra lis ta s h a in s ta la d o u n n u e v o d e c o ra d o . A c a b a m o s d e
e sc u ch ar u n a s voces e n a lg u n a p a r te h a c ia el fo n d o d e la
esc en a o e n la sala. C o m e n z a m o s a p o n e r e n f u n c io n a ­
m ie n to la s lu ces y a v e r a lg u n a s s o m b ra s q u e a tra v ie sa n la
escena: lo s te c n ó c ra ta s, las so c ie d a d e s m u ltin a c io n a le s . Lo
q u e to d a v ía n o s fa lta , a lg o q u e es el g ra n in te rro g a n te d e l
so ció lo g o , es sa b e r q u é p e rs o n a je , d a d a su a c c ió n , su
lu c h a , h a b r á d e r e a n im a r la escena. ¿ Q u ié n v a a to m a r el
lu g a r d e la clase o b re ra , c o n v e rtid a e n a g e n te p o lític o m ás
q u e e n a c to r d e los g ra n d e s p ro b le m a s sociales? El
so ció lo g o t ie n e v e r d a d e r a m e n te , a ú n , lo s o íd o s so rd o s.
¿ C u á n d o v a n a r e to m a r la p a la b r a los acto res? ¿ C ó m o ,
d e sd e e n to n c e s , n o p e n s a r e n m ay o d e l 68 y e n lo q u e
sig n ific a e s to : n o ya el a c to r q u e t o m a la p a la b ra , sin o la
p a la b ra q u e p ro d u c e al a c to r y q u e re v e la las re la cio n es so ­
ciales? P o r q u e e l m o v im ie n to social es el q u e h a r á a p a re c e r
a los a c to re s y su c o n flic to . H e a h í e l m o m e n to en q u e nos
e n c o n tra m o s s itu a d o s . L a h isto ria y a n o p u e d e a p a re c e r

* Expresión tomada del título de la película de Antonioni. (N. del E.)


LA SOCIEDAD PERDIDA 83

c o m o el tr iu n f o d e l a m o d e r n id a d o , in v e rs a m e n te , co m o
el d e u n o r d e n re p re s o r. N o s h a lla m o s e n el a lb a d e u n
n u e v o d ía , d e n u e v o s c o m b a te s y d e n u ev a s e s p e ra n z a s . El
so c ió lo g o n o p u e d e d e s c u b rir y a n u n c ia r s o b e r a n a m e n te lo
q u e h a b r á d e o c u rrir. S in m o v im ie n to s sociales n o h ay
so cio lo g ía p o s ib le . E l m o v im ie n to social p ro d u c e la so cio ­
lo g ía al m is m o tie m p o q u e el so ció lo g o rev ela el s e n tid o
d e l m o v im ie n to so c ia l. S in el n a c im ie n to d e l m o v im ie n to
o b re ro , n o h a b r ía h a b i d o te o ría d e la so c ie d a d in d u s tria l.
Se h a b r ía p e r m a n e c id o e n el an á lisis e c o n ó m ic o o e n la
p ro te s ta m o ra l. A p u e s to p o r q u e ya se fo rm a n los m o v i­
m ie n to s so ciales q u e v a n a ex ig ir el re n a c im ie n to d e n u e v a s
re la cio n es sociales, a l m is m o tie m p o q u e n u e s tro tr a b a jo ,
s u p e r a n d o e in c o rp o r a n d o la crista lo g ra fía e s tru c tu ra lis ta ,
las u to p ía s d e l d eseo o la crítica d e la re p ro d u c c ió n y d e la
ex c lu sió n , h a b r á d e ilu m in a r la esc en a. B low -up. N o s o tro s
so m o s q u ie n e s to m a m o s la fo to q u e h a r á a p a re c e r al p e r s o ­
n a je , al m is m o ti e m p o q u e el m o v im ie n to d e los a c to re s
será el q u e n o s o b lig a r á a d e sp la z a r n u e s tr a m ir a d a , d e la
sala h a c ia la escena.
_
C apítulo V
P e n s a r la s o c ie d a d

H u b ie s e p re fe rid o n o te n e r q u e p r e o c u p a r m e p o r
c o n s tru ir u n a re p re s e n ta c ió n g e n e ra l d e la so c ie d a d . Y ello
p o r q u e la in v estig ació n n o tie n e o tro o b je tiv o p r in c ip a l
q u e re so lv e r p ro b le m a s, y p o r t a n t o im a g in a r, e n u n c ia r y
v e rific a r h ip ó tesis.
P e ro , e n las cien cias sociales e sta m o s o b lig a d o s a
d e d ic a r m u c h o tie m p o a ta re a s p r e p a ra to r ia s p o c o g lo rio ­
sas, s ie m p re a p u n to d e re in ic ia rse , y s in e m b a rg o in d is ­
p e n s a b le s . N o se las d e b e lla m a r te o ría , sin o q u e h a b r ía
q u e h a b la r d e p ro le g ó m e n o s. Las e stre lla s o las h o rm ig a s
n o i m p o n e n su p r o p ia re p re s e n ta c ió n a q u ie n e s la s e s tu ­
d ia n ; p o r e l c o n tra rio , la so cio lo g ía o la h is to ria se e je rc e n
s e g ú n d o c u m e n to s q u e so n , m ás o m e n o s d ire c ta m e n te ,
p o rta d o r e s d e tal re p re s e n ta c ió n . E n c o n s e c u e n c ia , h a y q u e
h a c e r la crític a d e esas n o c io n e s y d e esas c a te g o ría s q u e
u n o se ve llevado a c o n f u n d ir c o n los p ro p io s h e c h o s .
S o b re to d o , h a y q u e a p ro v e c h a r las v e n ta ja s d e n u e s tr a
so c ie d a d . Su g ra n c a p a c id a d d e acción so b re sí m is m a ,
d e b id o a l c re c im ie n to o la re v o lu c ió n , fa v o rec e e l n a c i­
m ie n to d e u n an álisis social q u e n o e x p lic a lo so cial sin o
p o r lo so cial, co m o lo ex ig ía D u r k h e im . Lo q u e s u p o n e u n
e s fu e rz o crítico p a r a lib e ra rse d e to d a filo so fía social o
m o ra l. Si tu v e q u e d e d ic a r m u c h o tie m p o a h a c e rm e u n a
id e a d e la so c ie d a d , ello fu e así, t a m b i é n , p o r q u e c u a n d o
p u s e m a n o s a la o b ra n o e n c o n tré a m i alcan ce n in g ú n
86 UN DESEO DE HISTORIA

i n s tr u m e n to d e an á lisis. P o r u n la d o se m e in c ita b a a
d e s c rib ir y a r e la ta r , sin p re o c u p a r m e p o r las c a te g o ría s a
e m p le a r n i p o r s u o rig e n ; p o r el o tr o , se h a b l a b a sobre la
s o c ie d a d m á s q u e d e la so c ie d a d . Y c u a n d o , e n el tra n s ­
cu rso d e m i p r im e r a e sta n c ia e n los E stad o s U n id o s , e n ­
c o n tré la te o r ía d o m in a n te e n esa é p o c a , el fu n c io n a lis m o ,
m e c h o c ó t a n v iv a m e n te y m e p a re c ió ta n c a rg a d a d e id e o ­
lo g ía c o n s e rv a d o ra q u e n o p u d e e v ita r c o m b a tirla e n su
p ro p io te r r e n o . A la v ez q u e d e d ic a b a u n t ie m p o c o n sid e ­
ra b le a m i e n c u e s ta so b re la co n c ie n c ia o b re ra , p r e p a ra b a
Sociologie d e / ’action. El lib ro in te re s ó a u n c ie rto n ú m e ro
d e c o le g a s , p e ro f u e c o n sid e ra d o m á s b ie n s e v e ra m e n te p o r
u n t r i b u n a l d e la S o rb o n n e . A q u e l d ía , q u ie n e s m e ju z ­
g a b a n a p ro v e c h a ro n esa ú ltim a o c a sió n p a r a d e c irm e lo
q u e les d is g u s ta b a d e m í y d e m i tr a b a jo , y e sto e n té r m i ­
n o s q u e yo e x p e rim e n té c o m o t a n in ju s to s q u e m e le v a n té
p a r a d e ja r la s a la e n la q u e d e f e n d ía m i tesis, se m e
re tu v o . F u e a fin e s d e ju n io d e 1965. P a rtí h a c ia C h ile
u n o s d ía s d e s p u é s y p a sé u n a s m a la s s e m a n a s re v iv ie n d o
cu al u n a p e s a d illa a q u e lla m u e r te c e re m o n ia l. P a sa ro n los
m eses. L a u n iv e rs id a d d e M o n tre a l m e in v itó p o r a lg u n a s
s e m a n a s e n el o to ñ o d e 1967. A llí, e n m e d io d e a m ig o s, al
la d o d e l m o n te R oyal, ro jo y a m a rillo p o r el o to ñ o ,
c o m e n c é a r e u n ir m is id e a s. N a d a q u e d ó d e a q u e llo s p r i ­
m e ro s c ie n to s d e p á g in a s , p e ro ellas tra je ro n o tra s, escritas
e n C h á te n a y , S a n tia g o o Los A n g e le s . P ese a o tro s t r a b a ­
jo s, d u r a n t e los cinco a ñ o s s ig u ie n te s n o d e jé d e d e d ic a r la
m a y o r p a r te d e m i tie m p o al lib ro p u b lic a d o e n el o to ñ o
d e 1 9 7 3 : P roduction d e la société. U n a ñ o d e s p u é s , P ou r
la sociologie, u n a co lecció n d e e n sa y o s, f u e o fre c id o c o m o
p u n t o d e re fe re n c ia a lo s le c to re s d e a q u e l g ru e so lib ro .
R e c ie n te m e n te , e n La so ciété in visible, re to m é y p r o f u n d i­
cé el tr a t a m i e n t o d e a lg u n o s p ro b le m a s y , so b re to d o , d e l
c a m b io social. M e g u s ta ría re to c a r c a d a c ie rto tie m p o
p a r te s d e m i lib ro p rin c ip a l, p e r o él c o n s titu y e u n p u n t o
d e p a r ti d a su fic ie n te . F in a lm e n te voy a p o d e r d e d ic a rm e al
v e r d a d e r o tra b a jo . E l a n d a m ia je e s tá c o m p le to ; f a lta
c o n s tru ir. P o r ú ltim a v ez, h a g a m o s el b a la n c e d e n u e stra s
h e r ra m ie n ta s .
L a so c ie d a d h a sid o , p r im e r o , u n s e n d e ro d e u n
PENSAR LA SOCIEDAD 87

b o s q u e , a b ie r to a d u ra s p e n a s e n tr e las leyes d e D io s y las


d e la n a tu ra le z a . P oco a p o c o , e lla d e s b ro z ó a los d io ses y a
la n a tu r a le z a , p a r a lle g a r al sitio e n q u e a h o r a n o s
h a lla m o s , e n u n a s itu a c ió n casi in v ersa e n la q u e y a n o h a y
ni u n o s n i o tro s. A h o ra , so m o s re sp o n sa b le s d e to d o . N o
h e m o s m a ta d o a los d io ses, n o s los h e m o s d e v o ra d o .
N u e s tra so c ie d a d n o es u n a so c ie d a d sin dio ses, p u r a m e n te
p o sitiv a , p u r a m e n te s e c u la riz a d a o ra c io n a liz a d a . E lla h a
re in c o rp o ra d o e n sí lo q u e d o m in a b a a las so c ie d a d e s
a n te rio re s . Lejos d e ser p o sitiv a y tra n s p a re n te , es una
so c ie d a d qu e actúa sobre s í m ism a, q u e , e n c o n se c u e n c ia ,
está d iv id id a co n sig o m is m a . D e a h í, p r o b a b le m e n te , m i
re sisten c ia a do s im á g e n e s e x tre m a d a s d e la so c ie d a d q u e
ya h e m o s e n c o n tr a d o en n u e s tro c a m in o : a q u é lla , n e o lib e ­
ra l, q u e a n u n c ia el a d v e n im ie n to d el p ra g m a tis m o , d e los
cálculos y d e las e stra te g ia s, d e la a d a p ta c ió n al « g o lp e a
g o lp e» , y la d e la so c ie d a d e n ta n t o q u e o rd e n c o m p a c to ,
d o m in a c ió n y re p ro d u c c ió n . N u e stra s so c ie d a d e s, p o r el
c o n tra rio , e stá n m ás d e sg a rra d a s q u e n u n c a . E sta m o s o b li­
g ad o s a c o n s id e ra r a la s o c ie d a d co m o p ro d u c to d e sí
m is m a , c o m o acción so b re sí m is m a , p e ro a tra v é s d e la
m u ltip lic id a d d e las re la cio n es y d e los co n flic to s so ciales.
H e n o s a q u í a n te las dos p a la b ra s claves d e l an á lisis d e la
s o c ie d a d : re la ció n social y a c c ió n .

A lgunas palabras

La so c ie d a d es acción so b re sí m ism a : es lo q u e ella se


h a c e , lo q u e ella se p ro d u c e . P ero n o se p ro d u c e a p a r tir
d e u n m á s allá, d e l lu g a r d e los d io ses, d e l lu g a r d e l o rd e n
p o lític o o d e la h isto ria ; só lo se p ro d u c e a tra v é s d e sí
m is m a , es d e c ir m e d ia n te su s re la c io n e s sociales. A q u í,
m u y b re v e m e n te , h ay q u e fo r m u la r los p rin c ip io s e le m e n ­
tales d e l an á lisis sociológico.
Los re s u m iré e n tres p ro p o sic io n e s:
1. El o b je to d e la so cio lo g ía es e l estu dio d e las rela­
ciones sociales. E sto nos lib e ra d e g o lp e d e u n a g ra n p a r te
d e a q u e llo q u e se cree d e b e ser la so cio lo g ía. D e sc rib ir u n
asp e cto d e las so cie d a d e s c o n te m p o r á n e a s n o d e p e n d e d e
88 UN DESEO DE HISTORIA

la so c io lo g ía . H a b la r d e las c o n d ic io n e s d e v id a d e los
o b re ro s d e C h ic a g o o d e lo s c a m p e s in o s ta ila n d e s e s , d escri­
b ir las in s titu c io n e s p o lític a s o las p rá c tic a s re lig io sas e n
P arís o R ío d e J a n e ir o d e p e n d e d e eso q u e s ie m p re se h a
d e n o m in a d o la h is to ria y la g e o g ra fía . N o v eo m o tiv o p a r a
d a rle o tr o n o m b r e . La sociología trata d e un orden d e
hechos específicos: las relaciones sociales. N o tie n e p o r
o b je to n i la s situ a c io n e s o b je tiv a s , n i las in te n c io n e s o las
o p in io n e s . C o n siste in c lu so m e n o s e n e x p lic a r lo su b je tiv o
p o r lo o b je tiv o , o lo o b je tiv o p o r lo s u b je tiv o . S u p rin c ip io
b ásico es: e l se n tid o de una con du cta está d eterm in a d o p o r
la natu raleza d e las relaciones sociales en las cuales está
situ ado e l actor.
2. ¿ Q u é es u n a re la c ió n social? Es u n a in te ra c c ió n
d e te r m in a d a p o r u n c a m p o . H a y d o s g ra n d e s ó rd e n e s d e
in te ra c c io n e s : u n o e s tu d ia d o p o r la so c io lo g ía , y o tro
e s tu d ia d o p o r su h e r m a n a casi g e m e la , la c ie n c ia p o lític a .
E x isten , d e h e c h o , in te ra c c io n e s sin cam po, ta le s q u e los
ac to res s o n d e f in id o s c o m p le ta m e n te p o r su s in te re se s, sus
co n flic to s o su s n e g o c ia c io n e s. A ello s lle v a el an á lisis p o lí­
tico . Sus p rin c ip a le s e je m p lo s so n la g u e rra y el m e rc a d o .
E n ello s lo s a c to re s se s itú a n a n te to d o c o n su s o b je tiv o s
y sus a n ta g o n is m o s . El c a m p o d e b a ta lla o el d e la t r a n ­
sacció n n o in te rv ie n e n e n la d e f in ic ió n d e los actores.
E sto se a p lic a , a sim ism o , f u e r a d e los fe n ó m e n o s m ilita re s
y e c o n ó m ic o s , p o r e je m p lo e n la s n e g o c ia c io n e s. La v id a
p o lític a s u p o n e asp e cto s d e m e rc a d o y d e g u e rra . N o so tro s,
so ció lo g o s, e s tu d ia m o s , p o r el c o n tra rio , lo q u e d e n o m i­
n a m o s re la c io n e s sociales, es d e c ir in te ra c c io n e s d e fin id a s
p o r u n c a m p o d e t e r m in a d o .
T o m o u n e je m p lo p a r a m o s tra r d e in m e d ia to la
d ife re n c ia e n tr e esto s d o s tip o s d e in te ra c c ió n : si c o n sid e ro
la re la c ió n e n tr e u n o b re ro y u n c a p a ta z e n u n a e m p re s a
in d u s tr ia l, c u a lq u ie ra ve q u e n o h a y a h í u n o b re ro y u n
c a p a ta z q u e se e n c u e n tr a n e n la e m p re s a p a r a c o m b a tirse y
n eg o c ia r. C u a lq u ie ra e n tie n d e q u e la fá b ric a , o sea el
p a tr ó n , e l s is te m a d e a u to r id a d , el p o d e r , es lo q u e d e fin e
la p o s ic ió n « o b rero » y la p o sic ió n « cap ataz» . Se p u e d e i m a ­
g in a r fá b ric a s — y las h a y — e n las q u e n o e x ista n c a p a ta ­
ces, e n d o n d e la d is trib u c ió n d e la a u to r id a d se e fe c tú e d e
PENSAR LA SOCIEDAD 89

o tro m o d o . En consecuencia, no ten em os a q u í e l caso d e


personajes qu e se encuentran, sino e l d e p a p e le s qu e se
juegan. A q u í, es el c a m p o el q u e m a n d a . Y esto m e llev a
al terc ero y ú ltim o c a p ítu lo d e este b re v e tr a ta d o d e
so ciología.
3. ¿ Q u é es u n c a m p o ? Es una intervención de la socie­
d a d sobre s í m ism a. I d e a s im p le , p e r o f u n d a m e n ta l.
R e to m o m i e je m p lo d e la re la c ió n o b re ro -c a p a ta z . E lla es
d e f in id a p o r u n m o d o d e a u to r id a d . La o rg a n iz a c ió n i n ­
d u s tria l es p ro d u c id a p o r u n a in te rv e n c ió n q u e e m a n a d e
u n p o d e r y q u e c o n stru y e los p a p e le s y sus re la c io n e s. Estos
p a p eles se definen a s í m ism os p o r sus relaciones d ife re n ­
ciales con ese p o d er. Se e x p e rim e n ta q u e e l c a p a ta z es el
re p re s e n ta n te d el p o d e r , y q u e el o b re ro es q u ie n s u fre el
p o d e r. A s í pues, n o hay relaciones sociales sin d im en sió n
de p o d e r. T o d a re la c ió n social s u p o n e u n a d im e n s ió n d e
p o d e r p o r q u e los actores e stá n d e fin id o s p o r su re la c ió n
con el p o d e r.
U n a vez p la n te a d o s estos p rin c ip io s , h ay q u e in tro ­
d u c ir d o s g ra n d e s p ro b le m a s q u e o c u p a n lo e se n c ia l d e
n u e s tro tra b a jo .
P rim e r p ro b le m a : ¿so n to d a s estas in te rv e n c io n e s d e la
m is m a n a tu ra le z a ? ¿N o h a y d ife r e n te s tip o s d e in te r v e n ­
ciones?
S e g u n d o p ro b le m a : ¿ q u é sig n ific a e s ta e x p re s ió n ta n
vaga: «la so ciedad»? ¿ Q u é es e s ta s o c ie d a d q u e a c tú a so b re
sí m ism a ?
E x isten , e n e fe c to , n u m e ro s o s n iv eles d e in te rv e n c ió n
d e la so c ie d a d so b re sí m is m a . El q u e d i c o m o e je m p lo es
el d e las o rg a n iz a c io n e s, c o n ju n to s c o n c e rta d o s d e m e d io s
al servicio d e u n a acción s o b re ü n e n to rn o , c o m o u n a e m ­
p re sa, u n h o s p ita l, u n a e sc u e la , u n r e g im ie n to , e tc . A q u í,
la in te rv e n c ió n c o n siste e n d e f in ir reg las, p a p e le s , re la c io ­
n e s d e a u to rid a d . A u n n iv e l m á s e le v a d o , e n c o n tra m o s
ca m p o s d e d e c isió n c irc u n sc rito s p o r d e te r m in a d o s p rin c i­
p io s. Y o los lla m o in s titu c io n e s . Los ac to res, fu e rz a s p o lí­
ticas, g ru p o s d e in te re se s o d e p re s ió n , e je rc e n a llí su i n ­
flu e n c ia so b re las d e c isio n e s. La in te rv e n c ió n , to d a v ía
a q u í, p ro v ie n e d e fu e ra , d e m á s a rrib a . E n la c im a d e las
leyes se e n c u e n tra la c o n s titu c ió n , p e r o , t a m b i é n , u n
90 UN DESEO DE HISTORIA

d o m in io d e clase q u e fija lím ite s a l ju e g o d e las in s t it u ­


cio n es p o lític a s . F in a lm e n te , m ás a r rib a , e n c u e n tro re la ­
cio n e s d e clase q u e e s tá n s itu a d a s e n u n c o n ju n to d e i n te r ­
v e n c io n e s d e la so c ie d a d so b re sí m is m a , m e d ia n te las
c u a le s é s ta d e f in e n sus o rie n ta c io n e s c u ltu ra le s , las c a te g o ­
rías d e su p rá c tic a , sus fin e s . Las d e n o m in o la h is to ric id a d
d e u n a s o c ie d a d . La so c ie d a d se le e , e n to n c e s , d e a rrib a
a b a jo . L a h is to ric id a d es el c a m p o d e a c c ió n d e las clases.
El re s u lta d o d e su s re la c io n e s es u n d o m in io q u e c irc u n s­
crib e el c a m p o in s titu c io n a l y se p a ra a los actores p o lític o s
e n c o n se rv a d o re s u o p o sito re s. El re s u lta d o d e sus d isc u sio ­
n e s p ro d u c e leyes o c o n tra to s , q u e d e te r m in a n las fo rm a s
d e o rg a n iz a c ió n y, e n c o n se c u e n c ia , los p a p e le s sociales.
T a l es la je ra rq u ía d e los siste m a s sociales. ¡P ero c u id a d o !
C u a n d o d ig o je ra rq u ía h a y q u e d e s e c h a r to d a id e a d e
s u p e rp o s ic ió n d e d ife r e n te s c a te g o ría s d e h e c h o s. Y o n o
je ra rq u iz o lo e c o n ó m ic o o lo p o lític o ; yo je ra rq u iz o re la ­
cio n es d e clases, re la c io n e s p o lític a s y re la c io n e s o rg a n iz a ­
tiv as, lo q u e es m u y d ife r e n te . N u n c a h a b la m o s d e
fa cto res, y ja m á s d e in sta n c ia s.

U n id a d y d u a lid a d d e la so c ie d a d

A h o ra , h ay q u e c o n sid e ra r la o tra c u e s tió n ; ¿ q u é es


e s ta s o c ie d a d q u e a c tú a s o b re sí m ism a ? N o s h a lla m o s a q u í
a n te u n p r o b le m a f u n d a m e n ta l. P u e d o im a g in a r u n a so ­
c ie d a d q u e se c o n te m p la e n u n e sp e jo o q u e se re p ro d u c e .
S ería d e f in id a , e n to n c e s , co m o u n p e rs o n a je q u e p r o m u lg a
reglas: e l rey, la ig lesia o el e s ta d o ... P e ro ¿c ó m o p u e d e
h a b la rs e d e u n a so c ie d a d q u e in te rv ie n e so b re su p ro p io
fu n c io n a m ie n to ? ¿ D e d ó n d e p ro v ie n e ese vo lverse so b re
sí? ¿ C ó m o p u e d e la so c ie d a d a c tu a r so b re sí m ism a ?
R e su lta claro q u e el c a m in o in te le c tu a l q u e m e h a c e
a firm a r q u e la so c ie d a d p ro d u c e sus c a te g o ría s d e p rá c tic a s,
su ser, su fu n c io n a m ie n to , m e o b lig a a a g re g a r d e in m e ­
d ia to : la so c ie d a d se d iv id e , u n a p a r te d e e lla a c tú a so b re
el c o n ju n to d e la so c ie d a d . N o p u e d o s e p a ra r in te le c tu a l­
m e n te las d o s a firm a c io n e s q u e sí p u e d o s im b o liz a r
m e d ia n te las d o s p a la b ra s clave d e m i a n á lisis: la h is to ri­
PENSAR LA SOCIEDAD 91

c id a d — v ale d ec ir esta p ro d u c c ió n d e la so cied a d p o r sí


m is m a — y las re la c io n e s d e clases — o sea esta r u p t u r a q u e
h ac e q u e u n a p a r te d e la so cied a d se id e n tifiq u e c o n la
h is to ric id a d , se h a g a ca rg o d e ella y c o n stru y a así su p o d e r
y sus p riv ileg io s, m ie n tr a s q u e la o tra se d e fie n d e c o n tra
este d o m in io y b u sc a r e to m a r la d ire c c ió n d e esa h is to r i­
c id a d . E sto m e o p o n e a la vez a dos c o n c e p c io n e s o p u e s ta s
e n tre sí.
La p rim e ra d ic e : e n la c im a se h a lla n los v alo re s; a
p a r tir d e ello s se c o n f o rm a n n o rm a s q u e rig e n los d o m i ­
n io s p a rtic u la re s d e la v id a social: el tra b a jo , la fa m ilia o la
p o lític a , lo q u e d a n a c im ie n to a o rg a n iz a c io n e s, j e r a r q u i­
zad as y d iv ersific ad as, p e ro e n el in te rio r d e u n a c u ltu r a .
P o r e je m p lo , e n la c u ltu ra m o d e rn a , ra c io n a liz a d o ra ,
in d u s tria l, se e n c u e n tr a n , a la v ez, in g e n ie ro s y p e o n e s .
La co n c ep ció n in v e rsa a firm a : lo p rim e ro y f u n d a m e n ­
tal es la o p o sic ió n d e clases; c a d a clase es p o rta d o r a d e su s
p ro p ia s c a te g o rías, d e su id e o lo g ía . P e ro la clase d o m i n a n ­
te tie n e u n g ra n p riv ile g io : es ca p az d e im p o n e r s u id e o ­
lo g ía. P o r ta n to , lo q u e p a re c e ser el te r r e n o c o m ú n e n el
cu al se e n f re n ta n las clases n o lo es e n a b s o lu to : la clase
d irig e n te tie n e la e le c c ió n d e l te rre n o , la elección d e las
arm a s, y e lla es la q u e d e f in e las c o n d ic io n e s d e la i n t e ­
racció n e n tre las clases.
Y o n ie g o del m is m o m o d o a m b a s visiones. La c a p a c i­
d a d d e acción de la s o c ie d a d so b re sí m is m a , la p ro d u c c ió n
d e la so c ie d a d p o r sí m is m a y su d iv isió n e n clases s o n las
dos caras d e la m is m a m o n e d a . S on d o s a firm a c io n e s in s e ­
p a ra b le s, q u e tie n e n el m ism o e s ta tu to teórico . A ello se
d e b e el q u e yo p r e te n d a q u e to d a c o n d u c ta so cial sea
d e f in id a c o n ju n ta m e n te p o r u n a re la ció n c o n u n p o d e r , y
e n co n secu en cia, sea c o n flic tiv a , y, a trav é s d e la re fe re n c ia
a u n c a m p o , a eso q u e d e n o m in o c o n flic to d e in te re se s ,
id e n tid a d d e a p u e sta s. Se lu c h a p o r el c o n tro l, p o r la d i ­
recció n d e u n o u o tro tip o , d e u n o u o tro n iv el, d e i n t e r ­
v en c ió n d e la so c ie d a d so b re sí m is m a , c o n s titu y e n d o el
a su n to clave el c o n flic to p o r la g e stió n d e la p ro d u c c ió n d e
la so c ie d a d p o r sí m is m a . ¿ P u e d e a firm a rse q u e las
re lacio n es d e clase so n re la c io n e s sociales d e p ro d u c c ió n ?
E n s e g u id a e lim in é la i d e a d e clases re d u c id a s a u n a e s tr a ­
92 UN DESEO DE HISTORIA

tific a c ió n so c ia l, a la d e s ig u a ld a d social; y a g re g o a h o ra :
n o , las re la c io n e s d e clase n o s o n re la c io n e s sociales d e
p ro d u c c ió n ; so n re la c io n e s d e p ro d u c c ió n d e la so c ie d a d
p o r sí m is m a . Lo q u e está e n ju e g o e n estas re la c io n e s es el
c o n tro l d e l a h is to ric id a d .
¿C ó m o se m a n ifie s ta e s ta p ro d u c c ió n d e la s o c ie d a d
p o r sí m is m a , e s ta h is to ric id a d ? L a h is to ric id a d , la p r o d u c ­
c ió n d e las c a te g o ría s m á s g e n e ra le s d e la c u ltu r a y d e l
c a m p o d e l a acción social tie n e tre s d im e n s io n e s p r in c ip a ­
les: u n a d im e n s ió n q u e yo lla m a ría el m o d o d e c o n o c i­
m ie n to (lo m is m o q u e M ic h e l F o u c a u lt d e n o m in a u n epis-
iem a), u n m o d o d e a c u m u la c ió n (es d e c ir u n a d im e n s ió n
e c o n ó m ic a ), y u n a d im e n s ió n q u e lla m o m o d e lo c u ltu ra l.
Es la im a g e n q u e u n a so c ie d a d se fo rm a d e su c a p a c id a d
d e a c tu a r s o b re sí m is m a , d e su h is to ric id a d , im a g e n q u e
p u e d e ser n o so cial, p o r e je m p lo si u n a s o c ie d a d se s o m e te
a u n o r d e n s u p e rio r q u e d e t e n t a la c re a tiv id a d , y q u e
p u e d e lla m a rse D io s.
1. U n m o d o d e c o n o c im ie n to es a la vez u n a a p u e s ta ,
u n c a m p o d e re la c io n e s d e clases, p e ro a l m is m o tie m p o
n u n c a se o frece a la o b se rv a c ió n fu e ra d e u n a c ie rta
d iv isió n . E stá d iv id id o e n id e o lo g ía s , p e r o al m is m o
tie m p o es el c a m p o q u e p ro d u c e p a rtic u la re s re la cio n es d e
clases. Los in te le c tu a le s s o n , a la v ez , id e ó lo g o s q u e r e p r o ­
d u c e n id e o lo g ía s d e clase y p ro d u c to re s d e c o n o c im ie n to , y
p o r ta n to u n a p a r te d e la c u ltu r a y el c a m p o e n e l c u a l
h a b r á n d e d e fin irse n u e v a s re la c io n e s d e clases.
2. E n el p la n o e c o n ó m ic o , la h is to ric id a d co n siste e n
re tira r d e l c irc u ito d e p ro d u c c ió n -c o n s u m o u n a p a r te d e l
p ro d u c to c o n s u m ib le p a r a a c u m u la rlo e in v e rtirlo b a jo u n a
fo rm a d e t e r m in a d a p o r el m o d e lo c u ltu ra l. El m ism o
p u e d e se rv ir p a r a c o n s tru ir c e m e n te rio s , ig lesias, p a la c io s,
m o n u m e n to s o fábricas. E l tip o d e in v e rs ió n d e te r m in a el
m o d o d e p ro d u c c ió n .
3. F in a lm e n te , el m o d e lo c u ltu ra l es u n a re p r e s e n ta ­
c ió n , p e r o n o s e p a ra b le d e u n a ac ció n m a te r ia l, d e l g ra d o
d e in flu e n c ia e c o n ó m ic a d e la so c ie d a d so b re sí m is m a .
C u a n d o m á s d é b il es la c a p a c id a d d e ac c ió n d e la so c ie d a d
so b re sí m is m a , m á s e x te rio r a la s o c ie d a d p a re c e el p r i n ­
cip io d e c re a tiv id a d . P o r el c o n tra rio , c u a n to m á s f u e r te es
PENSAR LA SOCIEDAD 93

e lla , m á s es c a p ta d a p rá c tic a m e n te , d e f in id a co m o creci­


m ie n to o c o m o ciencia.
La h is to ric id a d es, a la vez, e p is té m ic a , e c o n ó m ic a y
c u ltu r a l, p e r o el n iv e l d e h is to ric id a d d e b e ser d e f in id o p o r
u n a p rá c tic a m a te ria l, e c o n ó m ic a .
El n iv e l m á s b a jo c o rre s p o n d e a las so cie d a d e s a g ra ria s
q u e só lo p u e d e n a c tu a r so b re la re p ro d u c c ió n d e la fu e rz a
d e tra b a jo , q u e só lo in v ie rte n p a r a a u m e n ta r la c a n tid a d
d e p ro d u c to s c o n su m ib le s. A u n n iv e l m á s e le v a d o se
e n c u e n tr a n las so cied ad es m e rc a n tile s e n las q u e in te r v ie ­
n e n el in te rc a m b io y la d is trib u c ió n d e b ie n e s . P o r e n c im a d e
ellas, las so cie d a d e s in d u s tria le s s u e le n u tiliz a r el c a p ita l
a c u m u la d o p ara m o d e la r la o rg a n iz a c ió n d e l tr a b a jo , la
d iv isió n d e las ta re a s, lo q u e en g e n e ra l se lla m a la ra c io ­
n a liz a c ió n . F in a lm e n te , las so cied a d es p o s in d u s tr ia le s « p ro ­
d u c e n p ro d u c tiv id a d » , in v e n ta n p ro d u c to s n u e v o s, s u e le n
re a liz a rse al nivel d e los c o n ju n to s d e p ro d u c c ió n , e m p r e ­
sas y siste m a s eco n ó m ico s.
P e ro , ¿ d e d ó n d e su rg e q u e u n a so c ie d a d se e n c u e n tr e a
ta l o cu al n iv e l d e h is to ric id a d ? El sig lo X IX r e s p o n d ió a
e s ta p r e g u n ta en té rm in o s d e e v o lu c ió n , d e p a sa je p r o g r e ­
sivo a la ra c io n a lid a d y a la c o m p le jid a d . Si n ie g o esta
re s p u e s ta , m e veo o b lig a d o a d e c ir lo s ig u ie n te : el n iv e l d e
in flu e n c ia d e u n a s o c ie d a d so b re sí m is m a p r o v ie n e d e l
n iv el d e l e s tím u lo y d e challenge p r o v e n ie n te d e s u e n ­
to rn o . D ic h o d e o tro m o d o , u n a so c ie d a d a lc a n z a u n n iv el
d e in flu e n c ia so b re sí m is m a ta n t o m ás e le v a d o c u a n to
q u e se v ea m ás e s tim u la d a y m ás a m e n a z a d a d e f u e r a ,
p re c is á n d o s e q u e el e n to rn o d e u n s is te m a so n la s o tras
so c ie d a d e s o , in clu so , los m ie m b ro s d e la so c ie d a d ta n to
c o m o u n m a rc o n a tu r a l. E l n iv el d e lo m á s ín tim o e n u n a
so c ie d a d , su p ro d u c c ió n e n sí m ism a , n o es d e f in id o co m o
lo in te rio r, sin o c o m o lo e x te rio r. Lo e se n c ia l, m e p a re c e ,
es la a m e n a z a , c d ig á m o slo m á s c la r a m e n te : la g u e r ra . Las
so c ie d a d e s p o s in d u s tria le s n o so n sólo las m á s p ro m e te ic a s ,
s in o t a m b i é n las m á s frág ile s, las m ás a m e n a z a d a s . El
m u n d o e n q u e v iv im o s n o p u e d e se r d e f in id o s o la m e n te
p o r el tr iu n f o de la p o s itiv id a d ; d e b e serlo a la vez p o r el
triu n fo d e l c o n o c im ie n to c ie n tífic o y p o r el d e los im p e ­
rios. E stas so cied a d es d e h is to ric id a d m u y a c u sa d a , y q u e
94 UN DESEO DE HISTORIA

yo d e n o m i n o s o c ie d a d e s p o s in d u s tr ia le s o p ro g ra m a d a s ,
q u e ti e n e n c a p a c id a d p a r a a c tu a r so b re la to ta lid a d d e su
f u n c io n a m ie n to y n o re c o n o c e r o tro p rin c ip io d e c re a tiv i­
d a d q u e s u p r o p ia o b ra , n o so n d e n i n g u n a m a n e r a las
so c ie d a d e s p o sitiv a s d e A u g u s te C o m te , o esas so cie d a d e s
lib re s c o n q u e se s o ñ a b a a fin e s d e l sig lo X I X y h a s ta e n las
g ra n d e s c o n m o c io n e s d e la p r im e r a m ita d d e l sig lo X X .
D e s p u é s d e la u n i d a d , la d u a lid a d . C u a n d o d ig o « re la ­
cio n e s d e clases», h a b lo d e re la c io n e s so ciale s, d e re la c io n e s
e n tr e a c to re s d e f in id o s p o r sus re la c io n e s c o n la h is to ric i­
d a d y p o r s u c o n flic to p a r a el c o n tro l d e ese c a m p o d e
h is to r ic id a d . A g re g o q u e n o p u e d o im a g in a r u n a s itu a c ió n
social q u e n o e n tr a ñ e , q u e n o s u p o n g a u n a co n c ie n c ia d e
s itu a c ió n so c ia l. N o hay clase sin conciencia d e clase. E sto
n o q u ie r e d e c ir q u e in d iv id u o s o g ru p o s , e n u n m o m e n to
c u a lq u ie r a , se a n d e f in id o s ú n ic a m e n te p o r su p e r te n e n c ia
d e clase. E s tá c la ro q u e e n u n m o m e n to d a d o , o b re ro s q u e
tie n e n u n a c o n c ie n c ia d e clase p u e d e n a c tu a r co m o
fran ceses o a le m a n e s , o e n ta n to q u e m ie m b ro s d e u n a
fa m ilia , u n g ru p o lo c a l, u n a c a te g o ría d e e d a d , u n g ru p o
re lig io so , o in c lu so e n ta n t o q u e in d iv id u o s e n ascenso o
c a íd a s o c ia l. P e ro las re la c io n e s d e clases so n las re la c io n e s
sociales m á s f u n d a m e n ta le s d e s d e el p u n t o d e v ista d e l
f u n c io n a m ie n to d e u n a so c ie d a d . E sto q u ie re d e c ir, so b re
to d o , q u e la c a p a c id a d d e ac ció n c o le c tiv a n o p ro v ie n e
f u n d a m e n t a l m e n t e d e l p a r tid o o d e la o rg a n iz a c ió n , q u e
e lla e x is te al n iv e l d e la p ro p ia clase. H e d e f in id o a las
clases c o m o ac to res h istó ric o s. Sus re la c io n e s so n re la c io n e s
e n tr e a c to re s o rie n ta d o s . A ello se d e b e el q u e h a y a q u e
d e s c o n fia r d e an á lisis d e m a s ia d o fáciles q u e re la c io n a n
d ir e c ta m e n te u n a acción d e clase y u n a p o lític a o u n a e x ­
p re s ió n c u ltu r a l. E stas b u r d a s c o rre la c io n e s so n casi s ie m ­
p re fa ls a s , p u e s e v ita n lo s v e rd a d e ro s p r o b le m a s , a q u é llo s
q u e só lo p u e d e n e n te n d e rs e al n iv e l d e l siste m a fo r m a d o
p o r u n c a m p o d e h is to ric id a d y d e re la c io n e s d e clases. Es
ta n fa lso h a b la r d e u n a ló g ic a n a tu r a l d e l b e n e fic io c o m o
f r a g m e n ta r la s o c ie d a d e n series d e ac to res q u e p e r s ig u e n
sus in te re s e s s u p e r fic ia lm e n te d e fin id o s . Lo m ás in a c e p ta ­
b le c o n s is te e n n o v er e n u n a so c ie d a d sin o la c o n f o rm a ­
c ió n d e u n a d o m in a c ió n d e clase. T a l a firm a c ió n re m ite al
PENSAR LA SOCIEDAD 95

fu n c io n a lis m o m ás c h a to . E n lu g a r d e d e c ir «los v alores» se


dice «la clase d irig e n te » , y se re cre a u n c a m p o h o m o g é n e o
e n el in te r io r d el c u a l se e s tu d ia los m e c a n ism o s d e jera r-
q u iz a c ió n , fu n c io n a lid a d , c e n tr a lid a d , m a r g in a lid a d , d e l
m o d o m á s tra d ic io n a l.
P o r el c o n tra rio , s ie m p re m e re p re s e n to la s o c ie d a d
c o m o , a la v e z , o rie n ta d a p o r su h is to ric id a d y d iv id id a p o r
la lu c h a d e su s clases. Sé q u e el c o n flic to n u n c a es c o m p le ­
ta m e n te a b ie rto , q u e h a y siste m as d e d o m in a c ió n . P ero
u n a d o m in a c ió n d e clase ja m á s , ta m p o c o , está c o m p le ta ­
m e n te c e rra d a . S ie m p re h ay lu g a r p a r a la lu c h a y lo s c o n ­
flicto s. E x is te n siste rm a s c o m p le to s d e d o m in a c ió n , p e ro
ésto s n u n c a p u e d e n ser id e n tific a d o s c o n u n a clase d ir ig e n ­
te. S ó lo u n e s ta d o a b s o lu to p u e d e im p o n e r u n d o m in io
a b s o lu to ; m ie n tra s q u e la e x iste n c ia d e u n a clase d ir ig e n te
p la n te a p o r sí m ism a la e x iste n c ia d e u n co n flicto activo
co n la clase d irig id a . R esulta claro, ahora, que h ab la r d e la
so c ie d a d es hablar d e la acción social. La so cied a d n o es u n
ser, u n a n a tu ra le z a , u n o rg a n is m o ; es u n a red d e re la c io ­
n e s so ciales o rg a n iz a d a s a lre d e d o r d e lu ch as p o r la
d ire c c ió n d e diversos m o d o s d e in te rv e n c ió n d e la so c ie d a d
so b re sí m is m a . T e n g o u n a im a g e n d ra m á tic a d e l a so cie­
d a d , p u e s to q u e h a y d ra m a c u a n d o h a y lu c h a . La e x p e ­
rie n c ia c o tid ia n a n o es la d e u n a so c ie d a d t o t a l m e n t e
a n im a d a p o r la p ro d u c c ió n d e sí m is m a y p o r las lu c h a s
p o r el c o n tro l d e esta p ro d u c c ió n ; p e r o d e a h í es d e d o n d e
h a y q u e p a r tir , p o r q u e lo q u e n o es d ra m á tic o , o se a el
o r d e n , la re p ro d u c c ió n , y c o m o c o ro la rio la a d a p ta c ió n o la
m a rg in a c ió n , d e b e ser c o n s id e ra d o c o m o u n a c h a ta m ie n to ,
u n a d e s tru c c ió n d e la acció n y d e las re lacio n es so ciale s, y
p o r t a n t o c o m o la p a to lo g ía d e la s o c ie d a d .
E sta im a g e n d ra m á tic a d e la s o c ie d a d c o n c u e rd a c o n la
n u e s tra ; es n o rm a l q u e sea p r o d u c id a p o r ella. Las so cie­
d a d e s d e l p a s a d o , ac o rra la d as e n tr e el o rd e n d e los d io s e s y
las leyes d e la n a tu ra le z a , d e ja r o n a la acción so c ia l u n
esp a cio d é b il, p e ro f u e r te m e n te ilu m in a d o , a q u é l e n el
q u e se s itú a n los g ra n d e s h o m b re s . C re o q u e si s ie m p re
h e m o s sid o fa scin ad o s p o r esos p e rs o n a je s , ello se d e b i ó a
q u e , e n esas so cied a d es e n c e rra d a s e n siste m as d e r e p r o ­
d u c c ió n , ello s e ra n , e n la c im a d e la so c ie d a d , los ú n ic o s
96 UN DESEO DE HISTORIA

ac to res. P r o p io d e n u e s tra s so c ie d a d e s es q u e el d o m in io
d e la a c c ió n , q u e a n te s e s ta b a lim ita d o a a lg u n o s p r ín c i­
p e s, s e ñ o re s , g u e rre ro s o s a c e rd o te s, se e x te n d ió a la casi
to ta lid a d d e la p o b la c ió n , lo q u e n o d e ja d e s u p o n e r
c o n se c u e n c ia s n e g a tiv a s, sin el p e lig ro , y a p r e s e n tid o p o r
T o c q u e v ille , d e q u e esta m o v iliz a c ió n p u e d a crear e l t o t a ­
lita ris m o . D e h e c h o , h e m o s lle g a d o a situ a c io n e s so ciales
e n las q u e los m o v im ie n to s so ciales, las accio n es d e clase,
se p l a n t e a n c a d a v ez m á s c o m o p o r ta d o r e s d e sü p r o p io
s e n tid o , e s d e c ir, c o m o n o s u b o rd in a d o s a las leyes d e la
n a tu r a le z a , al p e n s a m ie n to s u p e r io r d e sab io s u h o m b re s
p o lític o s o a u n p a r tid o to d o p o d e ro s o , p o r ta d o r d e la
v e rd a d d e la h is to ria y d e la n a tu ra le rz a . N o s h a lla m o s
p u e s e n u n a so c ie d a d e n la q u e to d o n o s a p a re c e c o m o
accio n es y re la c io n e s sociales, y e n c o n se c u e n c ia e n u n a so ­
c ie d a d e n l a q u e to d o p a re c e e fím e ro . L a s o c ie d a d n o es u n
c o n ju n to d e m e c a n ism o s re g id o s p o r leyes n a tu ra le s , sin o
u n a r e d d e re la c io n e s, d e lu c h a s , d e n e g o c ia c io n e s , d e
m o v im ie n to s sociales. C u a n to m á s a v a n z a m o s , la s o c ie d a d
m á s n o s p a re c e ú n d r a m a o u n e n m a r a ñ a m ie n to d e
d ra m a s , c o m o e l te a tr o d e la h is to ria . P e ro u n te a tr o al
m o d o d e l q u e m u e s tra e l fe stiv al d e N a n c y , e n e l q u e el
m u n d o a p a re c e a g ita d o d e a rrib a a b a jo p o r ese m o v im ie n ­
to d e l a a c c ió n y d e los co n flic to s.

E l p o d e r com o p a to lo g ía

S e ría , sin e m b a rg o , u n a im a g e n in to le ra b le p o r in g e ­
n u a la d e u n a so c ie d a d c a d a v ez m á s a b ie r ta , e n la q u e
to d o el m u n d o tu v ie se la p a la b r a . L a c a p a c id a d (q u e
p a re c e ilim ita d a ) d e acció n d e la s o c ie d a d so b re sí m is m a
tie n e c o m o c o n tra p a rtid a el re fu e rz o , la tra n s f o rm a c ió n d e l
o rd e n . C u a n to m ás se a g ita la s o c ie d a d , m á s se re fu e rz a n
los s is te m a s d e o rd e n . C u a n to m ás f u e r te es la d ia lé c tic a d e
las re la c io n e s so ciales, m á s a p r e m ia n te se h ac e la p o s itiv i­
d a d d e l o rd e n . C u a n d o las so c ie d a d e s , las c o le c tiv id a d e s
e s ta b a n a m p lia m e n te o c u p a d a s e n su s im p le re p ro d u c c ió n ,
el p o d e r , si b ie n era a b s o lu to , n o e ra m e n o s le ja n o . E ra el
d el f a r a ó n , c o n sus p irá m id e s , sus tra b a jo s fo rz a d o s y sus
PENSAR LA SOCIEDAD 97

ejército s; la v id a c o tid ia n a d e l c a m p e s in o e s ta b a e x p u e s ta a
c o n m o c io n e s ; p ero en sus o p e ra c io n e s c o tid ia n a s sólo
e s ta b a d é b ilm e n te m a rc a d a p o r las in te rv e n c io n e s d e l
p o d e r. Y sab e m o s c ó m o e n u n a m o n a r q u ía a b s o lu ta , u n a
e s p a ñ o la p o r e je m p lo , la id e a d e l p o d e r m o n á r q u ic o
c e n tra l s ie m p re h a sid o aso c ia d a a la d e la a u to n o m ía , la
d e los fu eros, lo q u e sie m p re p e r m itió — in c lu s o e n
F ra n c ia — q u e u n a c ie rta tra d ic ió n m o n a r q u is ta se p r e s e n ­
tase c o m o alg o lib e rta ria . C u a n to m á s viv im o s e n u n a
so c ie d a d ac tiv a , m á s , ta m b ié n , n o s v em o s in m e rs o s — lo
q u e p a re c e ría c o n tra d ic to rio — e n u n a so c ie d a d r e g la d a . El
c a m p o d e l c o n tro l social n o d e ja d e e x te n d e rs e , y al m is m o
tie m p o e s te c o n tro l social se in te rio riz a . U n o d e los
g ra n d e s fe n ó m e n o s a c tu a les es el re e m p la z o e n l a v id a
p riv a d a d e la c o s tu m b re y d e lo p r o h ib id o p o r n o rm a s . La
acción so b re el c o m p o r ta m ie n to h u m a n o se e fe c tu ó ,
d u r a n te m u c h o tie m p o , n e g a tiv a m e n te , m e d ia n te s a n c io ­
n es y re p u ls a : ho y , ella tie n d e a u tiliz a r c a d a v ez m á s las
re c o m p e n s a s . A q u í se so stie n e la id e o lo g ía d e los d e t e n t a ­
d o res d e l o rd e n — q u e se h a n c o n v e rtid o m e n o s e n a g e n te s
d e co e rció n q u e e n a g e n te s d e m a n ip u la c ió n . E sta i n t e r i o ­
riz a c ió n d e las n o rm a s es re c ie n te e n F ran cia: e n el esp a cio
d e u n a g e n e ra c ió n , y sin crisis m a y o re s, este p a ís ca tó lic o se
c o n v irtió e n u n p a ís p ro te s ta n te . Las re fe re n c ia s a l a a u to ­
rid a d o rg a n iz a d a d e la ig lesia h a n d e s a p a re c id o p o r
c o m p le to . La iglesia c a tó lic a se h a d e s c o m p u e s to . P o r to d a s
p a rte s flo re c e n c a m p a ñ a s d e m o ra liz a c ió n . A lg u n o s e sp íri­
tu s su p erficiales a f ir m a rá n : la ig lesia c a tó lic a h a d e s a p a r e ­
cid o , n o s h em o s lib e ra d o . Es c ie rto , p e ro el h e c h o d e
h a b e rse lib e ra d o d e u n a ig lesia p u e d e asim ism o p e r m itir la
in flu e n c ia d e los m o ra liz a d o re s , d e a q u e llo s q u e b u sc a n
fijarn o s n o rm a s d e c o n s u m o y d e re la c io n e s sociales. Y a n o
se n o s d ic e lo q u e n os está p r o h ib id o h a c e r, sin o lo q u e
no s está p ro h ib id o n o h a c e r, a m e n u d o e n n o m b r e d e l
re n d im ie n to , ya s e a m o n e ta r io o sex u a l. Play-Boy es u n
b u e n e je m p lo de e sta id e o lo g ía d e d irig e n te s : a p ro v e c h e su
c u e rp o c o m o a p ro v ech a a su e m p re s a ; te n g a u n b u e n re n ­
d im ie n to afectivo o sex u a l; h á g a lo al m á x im o p o s ib le , lo
m e jo r p o s ib le , e n el tie m p o m á s b re v e p o s ib le , p a r a te n e r
u n b u e n ín d ic e d e e fic ie n c ia ...
98 UN DESEO DE HISTORIA

E stas o b se rv a c io n e s m e lle v a ro n al s e g u n d o g ra n te rre ­


n o d e l a n á lis is so cio ló g ico . La so c ie d a d tie n e u n a fa c e ta d e
s o m b ra s y u n a fa c e ta d e lu z . L a fa c e ta d e lu z es la acció n ,
la h is to ric id a d , y e n c o n se c u e n c ia to d a s las re lacio n es
sociales a tra v é s d e las c u a le s ella se m a n ifie s ta y se re aliza;
la fa c e ta d e s o m b ra s es el a c h a ta m ie n to d e las re lacio n es
sociales, e l r e e m p la z o d e la p ro d u c c ió n d e la so c ie d a d p o r
sí m is m a p o r la re p ro d u c c ió n d e l o r d e n e s ta b le c id o . Lo
q u e d e te r m in a e n to n c e s e l te rc e r c a m p o d e la a c tiv id a d
so cio ló g ica, el m ás d ifícil d e c o n q u is ta r: ¿ e n q u é se c o n ­
v ie rte n e s to s actores así a p la s ta d o s p o r e l o rd e n ? N o h a b lo
d e a lg u n o s d e n o so tro s d e s ig n a d o s c o m o v íc tim a s, d isi­
d e n te s o m a rg in a le s , sin o d e to d o s los q u e n o so m o s su je ­
tos s o b e ra n o s d e la h is to ria , co n sc ie n te s y o rg a n iz a d o s, sin o
p e rs o n a je s re v e n ta d o s c o m o u n a e s c u ltu ra d e L ip sch itz.
C a d a u n o d e n o so tro s p a r tic ip a e n la p ro d u c c ió n d e la
h is to ria , p e r o al m ism o tie m p o e stá s e p a ra d o d e e lla ; está
e n c e rra d o e n el m u n d o d e l p o d e r y d e l o rd e n . E n co n se­
c u e n c ia , c a d a cu a l vive e n c a te g o rías q u e so n u n o b stá c u lo
a su p a r tic ip a c ió n e n la acción d e la so c ie d a d so b re sí
m ism a . E s ta s itu a c ió n es la q u e yo d e n o m in o — n o sin h e ­
s ita c ió n — la alienación , d a n d o a e sta p a la b r a d e m a s ia d o
im p re c isa u n s e n tid o p re c iso , lim ita d o . E n u n a re la ció n
social, el q u e es d o m in a d o a c tú a a la v ez s e g ú n su p o sic ió n
y s e g ú n e l p a p e l q u e le o to rg a el d o m in a n te . S ig u e a la vez
dos ló g icas c o n tra d ic to ria s: la d e l d o m in a d o y la d e l d o m i­
n a n te . A sí p u e s , es c o n tra d ic to rio c o n s ig o m is m o , in c o h e ­
re n te , s e p a ra d o d e sí m is m o , es d e c ir a lie n a d o . T a n to m ás
c u a n to q u e el p a p e l q u e o to rg a el d o m in a n te n o es
im p u e s to d ire c ta y p e r s o n a lm e n te . Se im p o n e a través d e
la im p e rs o n a lid a d , la p o s itiv id a d d e l o rd e n , s e g ú n el
m o d o d e lo n a tu r a l, el b u e n s e n tid o , la a d a p ta c ió n : la
g e n te es así, h ay q u e c o n fo rm a rse . Los m o d o s d e c o n d u c ta
acordes c o n los in te re se s d e los d irig e n te s n o se im p o n e n al
d irig id o , al d o m in a d o , sin o a trav és d e e s ta n a tu ra liz a c ió n
y este c o n se n so s u p u e s to . D e m o d o q u e la c o n tra d ic c ió n
n o es re c o n o c id a . C u a n d o lo es, es el re s u lta d o d e l tra b a jo
d e los m o v im ie n to s sociales. E stos s ie m p re le h a n d ic h o a
la g e n te : lo q u e se p ie n s a , lo q u e se h a c e , se está fo rz a d o a
h ac erlo p o r el o tro , p o r el a m o . Y a p a r tir d e l m o m e n to e n
PENSAR LA SOCIEDAD 99

q u e se h a n o m b r a d o al a m o , se d e s c u b re q u e se está
a p re s a d o e n tre los p r o p io s in tere se s y lo q u e t a m b i é n es el
p ro p io in te ré s, p e ro e x te rio r, es d e c ir so m e te rse a l a m o , ya
q u e él es q u ie n tie n e e l p o d e r. A p a r tir d e l m o m e n t o e n
q u e se vive la c o n tra d ic c ió n , ya se es u n acto r. La a lie n a ­
c ió n o c u rre c u a n d o se a p r e h e n d e la lógica d e l a m o c o m o la
lóg ica n a tu r a l, y c u a n d o se e n tie n d e la p ro p ia ló g ic a d e
d o m in a d o co m o p e c a d o , com o lo q u e d e stru y e — y a q u e ,
p u e s to q u e n o se p r o c e d e co m o to d o el m u n d o , n o se es
n a t u r a l ... E n o tras p a la b r a s , q u e se está loco. Y h e a q u í
qu e e l am o se ha co n vertid o en e l bu en sen tido y la reivin­
dicación en la disidencia. D a r la v u e lta a esta in v e rs ió n
d e fin e la ta re a m á s c o m p le ja d e las ciencias h u m a n a s :
lle g a r a e n c o n tra r e n las c o n d u c ta s lla m a d a s p a to ló g ic a s o
d is id e n te s (la lo c u ra , la c rim in a lid a d o las d is tin ta s fo rm a s
d e re c h a z o o de a g re siv id a d ), n o la n o c o n f o rm id a d c o n la
n o rm a (le n g u a je q u e h a y q u e d e stru ir), sin o el e fe c to d e la
p é r d id a d e h is to ric id a d y, p o r ta n to , d e re la cio n es so ciales.
Se in g re s a a q u í e n d o m in io s d e los q u e la s o c io lo g ía h a
sid o d e s e c h a d a (el o r d e n se d e f ie n d e )/ a h í es d o n d e ella
h a b r á d e e fe c tu a r, a n o d u d a r lo , sus p ro g reso s m á s e sp e c ­
tacu la res e n los d e c e n io s p o r v en ir, c u á n d o se a p r e n d a a
tra ta r esto s p ro b le m a s e n té rm in o s d e re la cio n es so ciales y
m e d ia n te re la cio n es so ciale s— e n vez d e p ro c u ra rs e n a t u ­
ra liz a r esto s p ro b le m a s , c o m o si la g e n te estu v iese e n f e r m a
o fu e se v íc tim a d e m a la s c o n d icio n e s.

Los m o vim ien to s sociales

H e n o s a q u í d e v u e lta al p u n to d e p a r tid a . L a so cie­


d a d es acción so b re sí, p ro d u c c ió n c u ltu ra l, p e ro a través
d e la d iv isió n de los co n flic to s sociales. E sto es lo q u e h ac e
q u e el o b je to p rin c ip a l d e la so cio lo g ía sea el e s tu d io d e las
c o n d u c ta s sociales y, e n p rim e r lu g a r, el e s tu d io d e la s c o n ­
d u c ta s q u e c o m p r o m e te n m ás d ire c ta m e n te a la h is to ric i­
d a d , es d e c ir, las re la c io n e s y los co n flic to s d e clases,
c o n d u c ta s d e n o m in a d a s los m o v im ie n to s so ciales. Estos
so n accio n es co lectiv as a n ta g ó n ic a s , y p o r ta n to s itu a d a s e n
100 UN DESEO DE HISTORIA

re la c io n e s c o n flic tiv a s d e clases, p a r a el c o n tro l d e l a h is ­


to ric id a d .
U n m o v im ie n to social se d e fin e p o r la c o n ju g a c ió n d e
d o s d im e n s io n e s ; es a la v ez c o n flic to c o n e l a d v e rsa rio y
o b je tiv o d e u n c a m p o c u ltu ra l c o m ú n . El m o v im ie n to ca­
p ita lis ta y e l m o v im ie n to so cialista, los p a tro n e s y los
o b re ro s , se c o m b a te n , p e r o p o r el c o n tro l d e u n c a m p o
q u e d e f in e n e n los m is m o s té rm in o s , al q u e d e n o m in a n ,
t a n t o u n o s co m o o tro s , la in d u s tr ia o el p ro g re s o , el
m u n d o d e l tra b a jo , el m u n d o d e l a h o rro , el m u n d o d e la
e v o lu c ió n . A l ig u a l q u e e n las so cie d a d e s m e rc a n tile s e n
las q u e e l c a m p o c u ltu r a l es p o lític o y n o e c o n ó m ic o ; los
ricos y lo s p o b re s d e f ie n d e n in te rp re ta c io n e s sociales
o p u e s ta s d e l o rd e n p o lític o . U n m o v im ie n to n o p u e d e ser
re d u c id o a u n a re iv in d ic a c ió n y , m e n o s a ú n , a u n a v o lu n ­
t a d d e c a m b io ; es lu c h a p o r el c o n tro l d e lo s in s tru m e n to s
y d e los p r o d u c to s d e la in te rv e n c ió n d e la so c ie d a d so b re
sí m is m a . Los c o n flic to s d e clase p e r te n e c e n p u e s a u n tip o
d e s o c ie d a d , n a c e n y m u e r e n c o n él. La h is to ria d e las
lu c h a s d e clases, así c o m o la d e los siste m a s h istó ric o s d e
acció n es d is c o n tin u a . La h is to ria n o es la la rg a lu c h a d e los
p o b re s c o n tr a los ricos, d e los tra b a ja d o re s c o n tr a los
ociosos; n o es el la rg o ascen so h a c ia el p ro g re so ; es u n a
serie d is c o n tin u a d e lu c h a s d e clases, ta n t o c o m o u n a serie
d is c o n tin u a d e siste m a s h istó rico s d e a c c ió n .
S e g u n d a o b se rv a c ió n : n o h ay h is to ric id a d sin lu c h a d e
clases, no hay so c ie d a d sin clases aparte de sociedades
lim ite s sin historicidad, es decir en particu lar sin acu m u la­
ción y sin intervención. P u e d e h a b la rs e d e las so c ie d a d e s
p rim itiv a s co m o d e so c ie d a d e s d e a b u n d a n c ia q u e sólo
p r o d u c ía n p a ra el c o n s u m o y q u e in c lu so se lib r a b a n a la
d e s tru c c ió n s im b ó lic a d e b ie n e s; ta le s so cie d a d e s p u e d e n
ser so c ie d a d e s sin clases. P e ro , a p a r tir d e l m o m e n to e n
q u e se in g re s a e n lo q u e C la u d e L évi-S trauss lla m a las
« so cied a d es ca lie n te s» , es d e c ir so c ie d a d e s c o n h is to ric id a d ,
y a n o h a y s o c ie d a d e s s in clases. A c tu a lm e n te , n u e s tra s
so c ie d a d e s h a n a lc a n z a d o tasas d e a c u m u la c ió n n u n c a
a n te s re a liz a d a s. N o n o s h a lla m o s e n so c ie d a d e s c a lie n te s ,
sin o a b ra s a n te s , y q u e e n co n se c u e n c ia so n c a d a v ez m ás
so c ie d a d e s d e clases. Q u ie n e s h a b la n a la vez d e crecí-
PEN SA R LA SO C IED A D 101

m ie n to y d e so cied a d es sin clases q u ie r e n b u rla rse d e n o s­


o tro s . E ste le n g u a je sólo es, to ta lm e n te clásico , el d e u n a
n u e v a clase d ilig e n te . P a ra r e to r n a r al p r o b le m a d e los
m o v im ie n to s sociales, es im p o r ta n te n o te n e r u n a im a g e n
p o s itiv is ta . U n m o v im ie n to social es ta l e n la c o n ju g a c ió n
d e d o s ó rd e n e s d e accio n es: las accio n es d e r u p t u r a y las
ac cio n es d e re fo rm a . C u a n d o la te n d e n c ia a la r u p t u r a es
d é b il, los m o v im ie n to s sociales t ie n d e n a ser a v a la d o s p o r
las re fo rm a s in s titu c io n a le s . C u a n d o la r u p t u r a es d e m a ­
sia d o f u e r te , la fo r m a c ió n d e u n n u e v o p o d e r d e e sta d o
tie n d e a im p o n e rse so b re el m o v im ie n to p o p u la r ; l a to m a
d e l p o d e r se im p o n e so b re la tra n s fo rm a c ió n d e la so ­
c ie d a d .
In c lu s o h a b ría q u e ir m ás lejos. N o b a s ta c o n a f ir m a r
q u e los m o v im ie n to s sociales se h a lla n e n el p u n t o in e s ta ­
b le d e e n c u e n tro e n tr e las re fo rm a s y las r u p tu r a s ; ellos
so n , a la vez, r e fo rm a y r u p tu r a . N o so n s o la m e n te la
e s p e ra n z a , el m o v im ie n to p o sitiv o d e u n a fu e rz a so cial q u e
b u sc a lib e ra rse y o r ie n ta r la so c ie d a d . S o n t a m b i é n d e s­
tru c to re s d e l p re d o m in io d e su a d v e rsa rio y d e l o r d e n q u e
lo s o s tie n e . Son a la vez p o rta d o r e s d e v id a y d e m u e r te ,
d e e s p e ra n z a y d e v io le n c ia . P e rs o n a lm e n te , p a r a re a c c io ­
n a r c o n tra los análisis d e la so c ie d a d e n té rm in o s d e c o n ­
tra d ic c io n e s , he in s is tid o v o lu n ta r ia m e n te s o b re el a sp e c to
p o sitiv o d e los m o v im ie n to s sociales. S ie m p re m o s tr é , e n
m is in v e stig a c io n e s s o b re la c o n c ie n c ia o b re ra , q u e el m o ­
v im ie n to o b re ro n o e ra ú n ic a m e n te lu c h a a n tip a tr o n a l,
sin o q u e e ra al m is m o tie m p o v o lu n ta d d e c o n s tr u ir el
m u n d o d e los tra b a ja d o re s y d e los p r o d u c to r e s , d e
c o n s tru ir u n a so c ie d a d in d u s tr ia l b a s a d a e n el tr a b a jo . D e
a h í la im p o rta n c ia d e los te m a s aso c ia cio n ista s q u e , s i e s tá n
a isla d o s, se c o n v ie rte n e n u to p ía s , p e ro q u e s o n u n a
c o m p o n e n te in d is p e n s a b le d e l m o v im ie n to o b re ro . S in
e m b a r g o , es a sim ism o im p o r ta n te in tr o d u c ir e le m e n to s
n e g a tiv o s . E l m o v im ie n to social h a c e s u rg ir u n c o n flic to
d e s tru y e n d o u n o r d e n . D e s tm y e , p u e s , las re la c io n e s
so ciales e sta b le c id a s, y, so b re esta ta b l a ra sa, im p o n e u n a
v o lu n ta d q u e es lib e ra d o ra , p e r o q u e n ie g a las re la c io n e s
d e clases y, en c o n se c u e n c ia , se c o n v ie rte e n u n p u ro
p o d e r . C u a n to m á s e x tre m a d o es e l m o v im ie n to , m ás

m
102 UN DESEO DE HISTORIA

r o m p e c o n e l o rd e n , p e r o ta m b ié n es lle v a d o a p r o p o n e r
o tro o r d e n e n m a y o r g ra d o . T ie n d e a c o n v e rtirse , a la v ez,
e n a q u e l q u e lla m a a la lu c h a to ta l c o n tra e l p o d e r y a q u e l
q u e c o n s tru y e u n n u e v o e s ta d o .
M e g u s ta ría re c u rrir a q u í a la o p o sic ió n q u e p r o p o n e
D a n ie l V id a l en su e s tu d io d e u n m o v im ie n to so cial c o n
c o m p o n e n te re lig io so — los cam isards — *, la d e l a sp e c to
p ro fè tic o y e l asp e c to sec ta rio d e la acción d e lo s p r o te s ­
ta n te s re p rim id o s . T o d o m o v im ie n to so cial es a la vez
p ro fè tic o , d e s tr u c to r d e l o r d e n , y se c ta rio , y a p u n t a a crear
u n n u e v o o r d e n t a n t o m ás a b s o lu to c u a n d o m á s a b s o lu to
es el c o n flic to . E stas d o s fa c e ta s d e lo s m o v im ie n to s
sociales se c o n ju g a n d e u n a m a n e r a a ú n m á s c o n c re ta .
B asta c o n p e n s a r e n las p a la b r a s e m p le a d a s p a r a h a b l a r d el
m o v im ie n to o b re ro o d e m o v im ie n to s re v o lu c io n a rio s.
E stas p a la b r a s s ie m p re e s tá n to m a d a s d e l le n g u a je m ilita r.
N o es p o r a z a r q u e los h ijo s d e la re v o lu c ió n se c o n v ie rta n
e n m a ris c a le s im p e ria le s , c o m o S ta lin , y q u e M ao t a m b i é n
fu e s e u n je fe d e e s ta d o civil y m ilita r a b s o lu to . T a l es la
p a r a d o ja o lo p a té tic o d e los m o v im ie n to s so ciale s. D e f in i­
d o s e n y p o r u n siste m a al q u e n o so b re v iv irá n , d a d o q u e
n o p a s a r á n a la s o c ie d a d s ig u ie n te , sin e m b a r g o n o se
v u e lv e n p o d e ro s o s sin o tra n s f o rm á n d o s e e n a g e n te s d e l
c a m b io h is tó ric o .
E stos m o v im ie n to s , q u e s o n el c o ra z ó n m is m o "de la
so c ie d a d civ il, so n ta m b i é n c o n tra -e s ta d o s y m o v im ie n to s
d e m o v iliz a c ió n . Im p lic a n su p r o p io s e n tid o y, al m ism o
tie m p o , s o n s ie m p re la in f a n te r ía e n las lu c h a s e n tre
im p e rio s y e n tre p rín c ip e s . Es im p o s ib le d e f in irlo s p o r u n a
fu n c ió n o p o r u n a e se n c ia . E n el p ro p io i n te r io r d e estas
accio n es co lec tiv a s, las m á s im p o r ta n te s d e to d a s , v u e lv e a
h a lla rse t o d a la c o m p le jid a d d e la s o c ie d a d . S o b re to d o
c u a n d o esto s m o v im ie n to s se m e z c la n c o n o tr o tip o d e
lu c h a s so ciales, las lu c h a s c o n tra el o rd e n e n t a n t o q u e d e s ­
ig u a ld a d , in ju s tic ia , p riv ile g io . E stas so n p la n te a d a s n o e n
n o m b r e d e in te re se s d e clases o d e g r u p o s so ciales d e fin i-

* M o v im ien to calvinista d e C év en n es (M acizo C en tral) q u e se re b e ló después


d e l e d ic to d e N a n te s c o n tra L u isX IV . (N. d e l E .).
PENSAR LA SOCIEDAD 103

d o s, s in o e n n o m b re d e la m o d e r n id a d , c o n tra lo m u e r to y
a fa v o r d e lo vivo. E sta lu c h a e n n o m b re d e la v id a , la
p a r tic ip a c ió n , el p ro g re so , c o n tra las b arreras y c o n tra los
p riv ile g io s , esta lu c h a lib e ra l p u e d e ser d e e x tre m a i z q u i e r ­
d a , d e c e n tr o iz q u ie rd a o de c e n tro d e re c h a . S ie m p re es
i m p o r t a n t e , p u e s es el in s tr u m e n to q u e p e rm ite q u e u n a
a c c ió n d e v a n g u a rd ia , esen cial p e r o m in o rita ria , se tr a n s ­
f o r m e e n m o v im ie n to d e m asas. A sí, los m o v im ie n to s
so ciales tra z a n su v ía b rilla n te y s a n g r ie n ta e n tre , p o r u n
la d o , las suaves p e n d ie n te s , d e m a s ia d o suaves, d e la
m o d e rn iz a c ió n y la a d a p ta c ió n , y, p o r el o tro , los a c a n tila ­
d o s a b r u p to s , v ertig in o so s, d e l p o d e r , d e la g u e rra y d e la
m u e r te . ¿D e q u é m o d o q u ie n los o b serv a p o d ría v iv ir e n
sí, d e u n solo g o lp e , to d o s los se n tim ie n to s q u e ellos
su sc ita n ? ¿C óm o e n tu sia sm a rse a la vez p o r la o b r a d e
ju s tic ia , la ag ita c ió n p o p u la r , la g u e rra d e lib e ra c ió n , la
in v e n c ió n d e u n a n u e v a c u ltu ra ? N o so tro s m ism o s, a q u í,
p e rte n e c e m o s en g ra d o s u fic ie n te a la so cied a d o c c id e n ta l
co m o p a r a ser s e n sib le s a la e x te n s ió n d e las lib e rta d e s
p ú b lic a s y al p ro g reso d e las c o s tu m b re s , p e ro so m o s h e r e ­
d e ro s d e m a s ia d o ce rca n o s d e u n e s ta d o n a c ió n c o n s tru id o ,
al ig u a l q u e los o tro s , p o r la c o n q u is ta , y v ib ram o s to d a v ía
s u fic ie n te m e n te f u e r te a n te el g ra n n o m b re d e la re v o lu ­
ció n c o m o p ara ser so lid ario s d e la in m e n s a o b ra d e s u b ­
v e rsió n d e la d e p e n d e n c ia y d e la m ise ria q u e se h a
c u m p lid o e n el E ste, c a d a vez m á s lejo s h a c ia e l E ste.
Q u e , al m e n o s, la m ira d a p u e s ta so b re los g ra n d e s
m o v im ie n to s q u e a g ita n y tra n s f o rm a n a la so c ie d a d n o s
h a g a cap aces d e d is tin g u ir lo e se n cial d e lo s u b a lte rn o , d e
n o ser e n g a ñ a d o s p o r las g ra n d e s p a la b ra s q u e re c u b re n los
p e q u e ñ o s in te re se s, y d e re c o n o c e r, e n d o n d e e x ista , la
e s p e ra n z a y el sacrificio m e d ia n te los cu ales h ay h o m b r e s
q u e s u b v ie rte n lo q u e se a u to d e n o m in a el o rd e n , q u e se
h a lla e n la p e o r tir a n ía y e n el m e jo r c o m p ro m is o , y
p ro c u ra n , a través d e la acción, n e g á n d o s e a su d e s tin o ,
p r o d u c ir su p ro p ia h is to ria .
104 UN DESEO DE HISTORIA

E l sociólogo

A sí p u e s , el e s tu d io d e la so c ie d a d es p rim e ro y a n te
to d o e l e s tu d io d e las lu c h a s so ciale s, d e b id o a q u e to d a s
las re la c io n e s sociales tie n e n u n a d im e n s ió n co n flic tiv a. El
so ció lo g o n o es a q u é l q u e e x p lica c ó m o f u n c io n a e l c a p ita ­
lism o c o n te m p o r á n e o , sin o a q u é l a q u ie n se le p id e q u e
h a g a c o m p r e n d e r p o r q u é la g e n te h a c e lo q u e h a c e — y,
e n p a r tic u la r , c o m p re n d e r los g ra n d e s m o v im ie n to s colec­
tivos q u e c u e s tio n a n las o rie n ta c io n e s g e n e ra le s d e la
so c ie d a d . P e ro , ¿c ó m o p u e d e n a c e r el an á lisis e n el m ism o
in te rio r d e la so c ie d a d q u e e s tu d ia , sin e sta r p ro te g id o ,
co m o el d e l h is to ria d o r o el d e l e tn ó lo g o , p o r la d ista n c ia
c ro n o ló g ic a o c u ltu ra l q u e lo s e p a ra d e su o b je to ? E l
so c ió lo g o d e b e . h a lla rse e n u n sitio a la v ez p reciso y
a m b ig u o . Y e s ta a m b ig ü e d a d lo a y u d a e n su c o n o c im ie n ­
to . D a d o su e sfu e rz o d e c o n o c im ie n to , c o n trib u y e a
d e f in ir e l c a m p o c u ltu ra l d e la s o c ie d a d , p e r o sólo
a p r e h e n d e este c a m p o c u ltu r a l a trav és d e las re la c io n e s
sociales. A u n q u e , a la v ez , a n a liz a las re la c io n e s sociales
d e sd e el p u n t o d e v ista d e l c a m p o c u ltu ra l q u e las
p r o d u c e , y o b se rv a el c a m p o c u ltu ra l d e s d e el p u n to d e
v ista d e las re la cio n es sociales q u e lo a n im a n . P or tanto,
observa un o b je to que es a la vez, acto d e conocim iento y
p r o d u c to ideológico. El so c ió lo g o está a p ris io n a d o e n tre
estos d o s s e n tid o s d e lo q u e e s tu d ia . H e a firm a d o c o n
fre c u e n c ia q u e el sociólogo d e b e se r u n in te le c tu a l crítico ,
p o r q u e q u e r ía o p o n e r m e a la im a g e n d e l in te le c tu a l o rg á ­
n ico , d e l in te le c tu a l lig a d o al siste m a d e g e stió n , o m á s
g e n e r a lm e n te , a l siste m a d o m in a n te .
P e ro esta p a la b r a «crítico» es, e n sí, d e m a s ia d o v aga.
D e h e c h o , el so ció lo g o d e b e ser d o b le m e n te crítico . C ritic a
las id e o lo g ía s , el p u n t o d e v ista d e los a c to re s, p a r a volver
a h a lla r las re la c io n e s sociales y su s riesgos. P ero d e b e
a s im is m o critica r las c a te g o ría s d e l o r d e n d o m in a n te ,
e n c o n tr a r d e trá s d e ellas los co n flic to s y los d e b a te s , lo q u e
le i m p o n e e s ta r d e l la d o d e los d o m in a d o s , p o r q u e so la ­
m e n te c u a n d o éstos p u e d e n h a b la r y a c tu a r las re lacio n es
so ciale s, y p o r ta n to el o b je to d e e s tu d io d e los sociólogos,
PENSAR LA SOCIEDAD 105

se v u e lv e n visibles. A sí, el so ció lo g o d e b e to m a r p o r o b je to


— h a y q u e d e c ir u n a p e r o g ru lla d a — las re la cio n es so c ia le s,
es d e c ir las in te ra c c io n e s p ro d u c id a s y d e fin id a s p o r u n
c a m p o q u e es la m a n ife s ta c ió n d e u n m o d o d e i n te r v e n ­
c ió n d e la so cied a d so b re sí m is m a . P e ro h ay q u e h a c e r
a p a re c e r este o b je to , q u e n o es v isib le ; h a y q u e e x tra e rlo y
re c o n s tru irlo . P o rq u e lo d a d o es e l a c to r e n u n a s itu a c ió n ,
c o m o el c o n d u c to r e n la r u t a , q u e se c o m p o rta b ie n o m a l,
se o r ie n ta e n u n m a p a , se a d a p ta e n to n c e s a u n d a to s o b re
el q u e n o tie n e n in g u n a in flu e n c ia . E l sociólogo se v e
t e n t a d o a a c e p ta r e sta re a lid a d « o b jetiv a» . Si cede a e sta
te n ta c ió n , h a b la a lg o m ás r ig u ro s a m e n te q u e o tro s, p e ro
in c lu so si e m p le a m é to d o s c o m p le jo s n o n o s e n s e ñ a f i n a l ­
m e n te n a d a n u e v o . E n su lím ite , si se d e d ic a a e f e c tu a r
s o n d e o s ¡es u n b u e n fo tó g ra fo ! P e ro P a u l L azarsfeld h a
re c o rd a d o q u e los s o n d e o s e ra n d o c u m e n to s h istó ric o s, y
n o an á lisis. H e m o s lle g a d o al m o m e n to e n q u e la s o c io lo ­
g ía ya n o p u e d e v ivir e n esta h is to ria d e s c rip tiv a d e l
p re s e n te , m e n o s e x ig e n te q u e la h is to ria d el p a s a d o ,
to d a v ía m á s a p re sa d a e n e l e s p íritu d e l tie m p o y c u y o s
tra b a jo s h a b r á n de a n u la rs e to d a v ía m ás rá p id a m e n te q u e
los lib ro s d e h isto ria . La id e a d e d e f in ir c o n ju n to s
h istó ric o s es to ta lm e n te c o n tra ria a la n a tu ra le z a m is m a d e
la re fle x ió n so cio ló gica. El m e jo r h is to ria d o r es a q u é l q u e
lo g ra c o n ju n to s d e m á s la rg a d u ra c ió n , re la tiv a m e n te
e sta b le s. E n las so cied a d es m u y c a lie n te s , m u y c a rg a d a s d e
h is to ric id a d y d e a c o n te c im ie n to s , la so lid ez d el a n á lisis
h is tó ric o se d e b ilita . E n to n c e s, n o h a y q u e e s tu d ia r ya
c o n ju n to s h istó rico s, so cie d a d e s o civ iliz acio n e s. H a y q u e
a n a liz a r m e c a n ism o s y c o n s tru ir c o n c e p to s q u e n o p u e d a n
ser d e fin id o s sin o en té rm in o s d e acció n social y d e r e la ­
cio n es sociales.
Lo m ás d ifíc il co n siste e n re d e f in ir la re la ció n d e l
so ció lo g o c o n su o b je to d e e s tu d io . Q u ie n ob serv a d e s d e
f u e r a d e s tru y e su o b je to , ya q u e r e e m p la z a las re la c io n e s
sociales e n m o v im ie n to p o r el o r d e n , cuyas c a te g o rías d e s ­
c rip tiv as y clasificato rias d e b e in c lu so a c e p ta r, las q u e
s ie m p re e stá n carg ad as d e id e o lo g ía . P o r el c o n tra rio , el
so c ió lo g o d e b e in te rv e n ir lo m ás d ir e c ta m e n te p o s ib le ,
crear s itu a c io n e s ta n c o n tro la d a s y e x p e rim e n ta le s com o s e a
106 UN DESEO DE HISTORIA

p o s ib le , p a r a h a c e r a p a re c e r las re la c io n e s , los c o n flic to s o


los a c u e rd o s q u e q u ie r a e s tu d ia r. Y a se h a v isto c ó m o
a lg u n o s so c ió lo g o s m o n ta b a n «juegos» p a r a e s tu d ia r las
d e c isio n e s in d u s tria le s o u rb a n a s . S u in te rv e n c ió n d e b e
ser m á s d ire c ta to d a v ía c u a n d o se t r a t a d e e s tu d ia r re la c io ­
n es d e clases y d e m o v im ie n to s sociales. Es d e m a s ia d o
p r o n to , a ú n , p a r a q u e h a b le d e estos n u e v o s m é to d o s c u y a
e la b o ra c ió n m e o c u p a rá m is p ró x im o s a ñ o s d e tra b a jo ,
p e ro p u e d o re c o rd a r u n a in v e s tig a c ió n b a s ta n te re c ie n te .
E s ta b a d e d ic a d a al M o v im ie n to fra n c é s p a r a el p la n n in g
fa m ilia r. Se e f e c tu ó , b a jo la d ire c c ió n d e D o m in iq u e
W o lto n , e n el in te rio r d e l m o v im ie n to , c o n m ilita n te s . N o
só lo lle g ó a c o n c lu sio n e s q u e n o e r a n p re v is ib le s , sin o q u e
— a lg o q u e es lo m á s in te re s a n te — se lleg ó a estas c o n c lu ­
sio n e s a tra v é s d e u n a crisis o u n a re d e fin ic ió n p o r el
m o v im ie n to m is m o d e sus o b je tiv o s. E l m e jo r te st d e los
re s u lta d o s d e l e s tu d io so cio ló g ico f u e su e fe c to so b re el
p ro p io m o v im ie n to , q u e , d e m a n e r a lib re , se tra n s f o rm ó
p r o f u n d a m e n t e . E l m o v im ie n to e s ta b a c o n v e n c id o d e q u e
re p r e s e n ta b a la m o d e r n id a d c o n tra la tr a d ic ió n , las lu ces
c o n tra el o s c u ra n tis m o , la ra z ó n c o n tra la ig le sia ca tó lica; y
a d v irtió q u e este an á lisis era in s u fic ie n te e in c lu so fa lso ,
q u e el v e r d a d e r o p r o b le m a n o se h a lla b a a h í. El m is m o se
e n c o n tr a b a m á s b ie n e n el c o n flic to e m e r g e n te e n tre
q u ie n e s q u ie r e n n o rm a liz a r u n n u e v o c a m p o d e c o n d u c ta s
so ciales y q u ie n e s , d e m a n e r a m ás o m e n o s p re cisa, a p e la n
a u n a lib e ra c ió n d e r la se x u a lid a d y d e las m u je re s. D ic h o
d e o tro m o d o , e l c o n flic to e ra m e n o s e n tr e la tra d ic ió n y la
in n o v a c ió n q u e e n tre u n a d e r e c h a y u n a iz q u ie r d a .
C u a n d o se h iz o c o n sc ie n te , el m o v im ie n to se d iv id ió .
P rim e ra im a g e n d e l e s tu d io a c o m p re n d e r: u n a in v e s tig a ­
c ió n e f e c tu a d a c o n actores co lectiv o s, s itu a n d o a éstos e n
u n a in te ra c c ió n c o n sus in te rlo c u to re s re ales y aso c ia n d o el
an á lisis d e l so ció lo g o a u n a u to a n á lis is d e l g r u p o m ilita n te .
D e se o v iv a m e n te q u e p o n g a m o s f in a l p e r ío d o d e los
frescos, q u e los so ció lo g o s d e je n d e c u b rirse d e trá s d e los
an á lisis lla m a d o s h istó rico s, y q u e p ro c u re n in v e n ta r
m é to d o s activ os d e in te rv e n c ió n . S o b re t o d o , h ay q u e sa lir
d e la e le c c ió n m o rta l e n la q u e n o s s e n tim o s e n c e rra d o s,
e n tr e la o b je tiv id a d y el p re ju ic io id e o ló g ic o .
PENSARLA SOCIEDAD 107

Lo q u e se c o n s id e ra o b je tiv id a d co n siste, d e h e c h o , e n
a c e p ta r s in c ritic a rla s, sin in v e stig a r su ra z ó n d e se r, las
c a te g o rías d e l o rd e n e s ta b le c id o . Y es c ie rto q u e ú n ic a ­
m e n te la a te n c ió n p r e s ta d a a lo q u e se h a lle d is m in u id o o
e x c lu id o p o r este o r d e n p e r m ite to m a r la d ista n c ia in d is ­
p e n s a b le al an á lisis. P e ro n o se g a n a n a d a c o n se p a ra rse d e
u n a id e o lo g ía p a ra id e n tific a rs e c o n o tra .
P o r el c o n tra rio , h ay q u e situ a rse e n m e d io d e las
re la cio n es sociales y d e sus re to s , y n o situ a rse e n el lu g a r
d e l ac to r, d e sus in te re s e s y d e sus id eo lo g ías. Lo q u e
im p o n e al so ció lo g o u n a situ a c ió n ta n d ifícil co m o l a d e l
in te le c tu a l c o m p ro m e tid o d e f in id o p o r S a rtre . C o m p r o m e ­
tid o p e ro n o p a r tid a r io , so lid a rio co n u n c o m b a te m á s q u e
con u n a o rg a n iz a c ió n . Sé m u y b ie n q u e n o h a y lu g a r p a ra
él a llí d o n d e la g u e rra c a u sa estra g o s, p e ro ta m b ié n sé — y
m ás a ú n — q u e el c o m b a tie n te q u e n o esc u ch a su a n á lisis,
in clu so si é s te p ro v ie n e d e lejo s, n o es m á s q u e u n
d e fe n s o r d e l o rd e n e s ta b le c id o o a e stab le cerse . Si y o soy
so ció lo g o , ¿ n o se d e b e e llo , so b re to d o , a q u e v iv í la
d isociació n d e los m o v im ie n to s sociales y la d e sus fo rm a s
p o lítica s e id e o ló g ic a s? P o r u n la d o , el m o v im ie n to o b re ro
se c o n v irtió , a veces, e n s im p le g r u p o d e p re s ió n y , o tr a s ,
e n in s tr u m e n to d e u n p o d e r to ta lita rio ; p o r el o tr o , los
n u ev o s m o v im ie n to s sociales so n c o n f u n d id o s a ú n c o n la
n eg a ció n y la re v u e lta . Y o m is m o , n o soy e n a b s o lu to el
in te le c tu a l « flo ta n te » q u e d e s e a b a M a n n h e im . N o h e
d e ja d o d e e s ta r c o m p ro m e tid o , p e r o n u n c a m e aso c ié al
p a r tid o c o m u n is ta , n i s iq u ie ra e n la ép o ca e n q u e e r a el
m á s a tra y e n te , e n las m in a s d e la p o s g u e rra . A is la m ie n to
q u e exige a lg o d e a u s te r id a d y e x p o n e a los re p ro c h e s d e
los m ilita n te s y d e los d o c trin a rio s. ¡P ero q u é i m p o r ta eso!
H e m o s h e c h o n u e s tro c a m in o , p ro d u c id o id e a s, c u a n d o
ú n ic a m e n te e s tá b a m o s ro d e a d o s , h a c e v e in te a ñ o s , d e
p re ju ic io s y d e slogans. U n a n u e v a g e n e ra c ió n h a b r á d e
reco g er el f r u to d e n u e s tro s esfu erzo s. H e m o s re fle x io n a d o
y v e la d o d u r a n te e s te a lb a in te r m in a b le .
108 UN DESEO DE HISTORIA

E l cam bio y la estructura

T o d o lo q u e a c a b o d e d e c ir se re fie re a l e s tu d io d e l
fu n c io n a m ie n to d e las s o c ie d a d e s o , c o m o se a f ir m a a
veces, d e la e s tru c tu r a so cial. Es tie m p o ya d e d e f in i r las
re la c io n e s e n tr e este t i p o d e an á lisis y el e s tu d io d e l
c a m b io . T a r e a t a n t o m á s in d is p e n s a b le c u a n to q u e a q u é ­
llos q u e h a n le íd o e l té r m in o « h isto ric id a d » d e s e a n p e n s a r
q u e m i in te n c ió n c o n siste e n re in tro d u c ir la h is to r ia e n el
an á lisis so cio ló g ico , y e f e c tu a r u n análisis d e s o c ie d a d e s e n
p u ro c a m b io . L a id e a es te n ta d o r a . ¿ N o se d e b e p e n s a r
q u e la h is to ria se a c e le ra , q u e y a n o h a y p u n t o s fijo s n i
m o d o s d e p ro d u c c ió n ? , ¿ q u e to d o se a n e g a e n e l c a m b io ,
y, e n c o n s e c u e n c ia , n o se tr a t a d e p r e g u n ta r lo q u e s o n las
so cied a d es s in o c ó m o se tra n s fo rm a n ? M ás a ú n , u n o
te n d e r ía a a f ir m a r q u e el c a m b io n o tie n e o tr o s e n tid o ,
o tra d ire c c ió n q u e la d e s in te g ra c ió n d e los a b s o lu to s , el
p ra g m a tis m o y , p o r t a n t o , la ra c io n a lid a d i n s tr u m e n ta l d e
las e s tra te g ia s . N u e s tr a s so c ie d a d e s y a n o t e n d r í a n g ra n d e s
p ro b le m a s , s in o u n n ú m e r o in f in ito d e te n s io n e s y d e
co n flic to s; p e r te n e c e r ía n a u n m u n d o p o r v e n ir e n e l q u e
el ú n ic o v a lo r se ría la c a p a c id a d d e c a m b io — lo q u é a rro ja
u n a im a g e n n e g a tiv a s o b re to d o lo q u e re siste a l c a m b io ,
so b re las tra d ic io n e s , lo s p rin c ip io s , los c o n flic to s g lo b a le s.
P e ro e s ta im a g e n es d e m a s ia d o «liberal», só lo c o n v ie n e a
las so cied a d es m ás d o m in a n te s . A sí p u e s , o t r a es la q u e se
h a in tr o d u c id o c o n m a y o r fu e rz a .
A sí co m o e l ú ltim o sig lo h a b ló e n té r m in o s d e e ta p a s
d e d e s a rro llo , así t a m b i é n el m u n d o d e h o y tie n d e a
p e n s a r e n té r m in o s d e d iv e rs id a d d e v ías d e l c a m b io
h istó ric o . R e v a n c h a d e l h isto ric ism o c o n tra el e v o lu c io n is ­
m o . E n el s ig lo X IX , In g la te r r a tu v o u n a v isió n e v o lu c io n is ­
ta . P o r el c o n tra rio , a q u é llo s q u e se s itú a n e n el p u n t o d e
v ista d e los p a íse s a tra sa d o s y q u e d e b e n a v a n z a r a m a rc h a s
fo rz a d a s y m o v iliz a rse p a r a m o d e rn iz a rs e p ie n s a m ás e n
té rm in o s , d ig a m o s así, a le m a n e s . Se m o v iliz a n e n su e s p e ­
cific id a d . V is ió n h is to ric is ta q u e d o m in ó a E u r o p a c e n tra l
c o n su a p e la c ió n a la n a c ió n c o n tra e l d o m in io e x tra n je ro y
s u v o lu n ta d d e e n c o n tr a r u n a e sp e c ific id a d c o n c re ta p a r a
PENSAR LA SOCIEDAD 109

salv ar la c u ltu r a y la e c o n o m ía n a c io n a le s. A c tu a lm e n te , el
h is to ric is m o se im p o n e casi p o r c o m p le to . N o se ve acaso
c ó m o las tra n s fo rm a c io n e s e c o n ó m ic a s se e x p a n d e n p o r
to d a s p a r te s e n el m u n d o y n u n c a d e la m is m a m a n e r a . ..
E v id e n te m e n te , la re v o lu c ió n so v iética c o n s titu y ó , a q u í , la
r u p tu r a p rin c ip a l, ya q u e p o r p rim e ra vez se asistió al n a c i­
m ie n to d e lo q u e d e n o m in o u n m o d o d e d e sa rro llo , es
d e c ir, u n m o d o de tra n s fo rm a c ió n so cial, q u e n o era d e
n in g ú n m o d o d e ig u a l n a tu ra le z a q u e el m o d o in g lé s.
P e ro d e s d e e n to n c e s h e m o s v isto n a c e r las vías c h in a ,
c a m b o y a n a , ira q u í, a rg e lin a , m e x ic a n a , ja p o n e s a , e tc . El
a s u n to clave resid e e n q u e , si d u r a n te u n tie m p o p u d o
satisfac er u n a so lu ció n in te r m e d ia a firm á n d o s e q u e to d o s
los c a m in o s c o n d u c e n a R o m a (o a N ew Y o rk o a M o scú ),
h o y esto n o es creíb le. Los ch in o s n o se c o n v e rtirá n e n
rusos y los ja p o n e se s n o se v o lv erá n am e ric a n o s. Las m o v i­
lizac io n e s p o lític a s, sociales y c u ltu ra le s n o e x c lu y e n d e
n in g u n a m a n e r a el q u e h a y a características g e n e ra le s d e
los g ra n d e s tip o s de so c ie d a d e s; p e ro los c o n ju n to s h is tó ri­
cos (o las fo rm a c io n e s sociales, co m o d ic e n lo s m a rx ista s)
e stán m a rc a d o s , f u n d a m e n ta lm e n te , ta n t o p o r su m o d o
d e d esa rro llo co m o p o r su m o d o d e p ro d u c c ió n . H e a q u í
u n a id e a so b re la q u e h a y q u e d e te n e rse .
M ien tras n o co n o cim o s n a d a m á s q u e u n tip o d e
so c ie d a d in d u s tria l, el tip o b ritá n ic o o su im a g e n m a n c h e s -
te ria n a , n o h icim o s d ife re n c ia s e n tre sistem a y génesis.
A p a r tir d e l m o m e n to e n q u e o b se rv a m o s u n a p l u r a ­
lid a d d e tip o s d e so cied ad es in d u s tria le s , o b ie n d e c im o s
q u e to d o es d ife re n te d e u n p a ís a o tro , lo q u e m e p a re c e
falso, o b ie n re co n o ce m o s q u e h ay q u e d is tin g u ir d o s
d im e n s io n e s e n el a n á lisis: el f u n c io n a m ie n to d e la
so c ie d a d in d u s tria l y el m o d o d e in d u s tria liz a c ió n . Lo q u e
yo lla m a ría u n cam po d e h isto ricid a d p o r u n la d o , y, p o r
el o tro , u n m o d o de desarrollo. U n m o d o d e d e sa rro llo es
la m a n e ra d e p a sa r d e u n m o d o d e p ro d u c c ió n a o tro , o d e
u n siste m a d e acción h istó ric a a o tro . Su n a tu r a le z a re s u lta
m e jo r d e f in id a p o r la n a tu r a le z a d e la é lite , o sea d e l
g ru p o d ir ig e n te q u e o r d e n a este pro ceso d e tr a n s f o r m a ­
ció n . C o n o c e m o s países in d u s tria liz a d o s p o r su b u rg u e s ía
n a c io n a l, y o tro s cuya in d u s tria liz a c ió n es d irig id a p o r u n
110 UN DESEO DE HISTORIA

e s ta d o n a c io n a l al servicio d e la fo r m a c ió n d e u n a
b u rg u e s ía n a c io n a l, c o n m e z c la d e l se c to r p ú b lic o y d e
sec to r p r iv a d o . E n o tro s casos, a ú n , es u n p a r tid o re v o lu ­
c io n ario el q u e d irig e la in d u s tria liz a c ió n ; y e n o tro s m á s,
es u n a b u r g u e s ía e x tra n je ra o b ie n u n e s ta d o n a c io n a lis ta
q u e no p u e d e ap o y a rse e n u n a clase d ir ig e n te n a c io n a l.
L ista d e s o r d e n a d a , p e ro q u e nos m u e s tra q u e a q u í h a b la ­
m o s d e c u a lq u ie r o tra cosa q u e n o sea e l f u n c io n a m ie n to
d e la s o c ie d a d in d u s tria l. A q u í, n o se t r a t a d e re la c io n e s
d e clases, sin o d e élites d irig e n te s , y e n c o n se c u e n c ia d el
e sta d o . L os d is tin to s m o d o s d e d esa rro llo c o rre s p o n d e n a
d ife re n te s tip o s d e e s ta d o , c o n sid e ra d o é s te c o m o a g e n te
d e tra n s f o rm a c ió n social.
P u e d e n d e fin irs e tre s g ra n d e s tip o s d e e s ta d o . P rim e ro ,
el m e n o s a u tó n o m o , b ra z o a rm a d o d e la clase d irig e n te ,
co m o e n e l caso d e la In g la te rra v ic to ria n a o d e la F ran c ia
d e Luis F e lip e , e n el q u e se a firm a b a q u e el g o b ie rn o era
el co n se jo d e a d m in is tr a c ió n d e la b u rg u e s ía . E stos países
se d ic e n lib e ra le s, p lu ra lis ta s , y h a n lle v a d o b a s ta n te lejos
la d e c a d e n c ia d e l e s ta d o , n o e n p ro v e c h o d e l p u e b lo sino
e n p ro v e c h o d e la clase d irig e n te . U n s e g u n d o tip o es
a q u é l e n q u e el e s ta d o es el a g e n te d ire c to d e l d e sa rro llo
e c o n ó m ic o . Se fo r m a ya u n e sta d o m á s f u e r te c u a n d o la
b u rg u e s ía n a c io n a l es d é b il y d e b e , p o r ra z o n e s p o r o tra
p a r te e s ta ta le s — p o r e je m p lo d e in d e p e n d e n c ia , d e u n i­
d a d n a c io n a l— ap o y a rse e n fracciones d e la a n tig u a clase
d irig e n te . E sta d o a risto c rá tic o y m o d e r n iz a d o r a la v ez , ta l
co m o lo c o n o c ie ro n A le m a n ia , Ita lia y J a p ó n . E sto s tres
países h a n te n id o el m is m o m o d o d e in d u s tria liz a c ió n , y
p o r ta n to el m is m o tip o d e relacio n es e n tr e el e s ta d o y las
clases, lo q u e e x p lic a q u e h a y a n sido los tre s p rin c ip a le s
p o rta d o r e s d e l fa scism o . E ste n o e stá lig a d o d ire c ta m e n te
al c a p ita lis m o . In g la te rra y los E stad o s U n id o s f u e ro n los
ce n tro s d e l c a p ita lis m o y n o c o n o c ie ro n el fascism o . E ste
está lig a d o a u n d e te r m in a d o m o d o d e in d u s tria liz a c ió n ,
c a p ita lis ta p o r c ie rto , p e ro p ro p io d e los p aíses q u e
lo g ra ro n su d esa rro llo m á s p o r su e s ta d o q u e p o r su
b u rg u e s ía . Si se c o n sid e ra a países e n los q u e las b u rg u e sía s
era n m á s d é b ile s a ú n , c o m o R u sia o C h in a , y d o n d e las
fu e rza s d e co n se rv ac ió n y los p riv ile g ia d o s e r a n p o d e ro so s,
PENSAR LA SOCIEDAD 111

se a d v ie r te q u e c o n o c ie ro n u n a r u p tu r a d e l e s ta d o y la
c o n s tru c c ió n d e o tro e s ta d o , d e u n e s ta d o re v o lu c io n a rio
c o m u n is ta . A m e d id a q u e u n o se aleja d e A le m a n ia h a c ia
C h in a , h a c ia el E ste, se va h a c ia u n a s itu a c ió n en la q u e el
p a p e l d e l e sta d o , d e la acción p o lític a , es ca d a v ez m á s
f u n d a m e n ta l. E l e s ta d o es el q u e m o v iliz a a la s o c ie d a d
p a r a tra s to c a r o b stá c u lo s lig a d o s a u n a d e p e n d e n c ia e x te r­
n a y a b lo q u e o s in te rn o s . C a m in o q u e c o n d u c e d e l e s ta d o
b is m a rc k ia n o a la d ic ta d u r a d e l p ro le ta ria d o . Si, p o r el
c o n tra rio , se va h a c ia el O e s te , se e n c u e n tra u n te rc e r tip o
d e e s ta d o , p ro p io d e los p a íse s c a p ita lista s d e p e n d ie n te s
e c o n ó m ic a m e n te o c o m p le ta m e n te c o lo n iz a d o s. E n estos
p aíses, la é lite d irig e n te es la b u rg u e s ía e x tra n je ra , lo q u e
p ro d u c e u n terc er tip o d e e s ta d o , m e n o s s o b e ra n o y m ás
p o lític o , m á s in te g ra d o r, c o n ju n to m á s o m e n o s e s ta b le d e
fu e rz a s y d e m o v im ie n to s p o lític o s q u e q u ie re n lib e ra rs e
d e la d e p e n d e n c ia . T ales f u e ro n los re g ím e n e s p o p u lis ta s y
n a c io n a lis ta s , d e N a sse r a P e ró n , d e C á rd e n a s a N y e re re .
A sí p u e s , e n el p r im e r caso el e s ta d o e stá so b re to d o lig a d o
a la clase d irig e n te ; en el s e g u n d o , es a n te to d o u n a g e n te
d e in d u s tria liz a c ió n v o lu n ta ris ta ; e n el te rc e r caso, f in a l­
m e n t e , es m ás u n c a m p o d e fu e rz a s, e n p a r tic u la r d e
clases m e d ia s civiles o m ilita re s . T o d a so c ie d a d n a c io n a l
d e b e ser d e f in id a c o n ju n ta m e n te p o r u n m o d o d e p r o d u c ­
c ió n y p o r u n m o d o d e d e sa rro llo . N o se p u e d e o p o n e r a
los E s ta d o s U n id o s y a la U n ió n S oviética s o la m e n te co m o
u n p a ís c a p ita lis ta y u n p a ís so cialista. E n ta n to q u e socie­
d a d e s in d u s tria le s , tie n e n el m ism o tip o d e re la c io n e s d e
clases, b a sa d a s e n el p r e d o m in io d e los o rg a n iz a d o re s so b re
los tra b a ja d o re s . P ero u n o f u e in d u s tria liz a d o p o r su b u r ­
g u e sía n a c io n a l, y el o tro p o r u n e sta d o n a c id o d e u n
m o v im ie n to y d e u n a crisis re v o lu c io n a rio s.
En consecuencia, capitalism o y socialism o son m odos
de desarrollo, no m odos d e p rodu cción . El c a p ita lis m o es
la in d u s tria liz a c ió n p o r la b u rg u e s ía . El so cialism o es la
in d u s tria liz a c ió n p o r u n e s ta d o - p a rtid o re v o lu c io n a rio . E n
u n a s o c ie d a d c a p ita lista o b se rv o , a n te to d o , el m u n d o d e
la fá b ric a , con el p a tr ó n , su s in g e n ie ro s y sus c a p a ta c e s,
q u e e x p lo ta n a lo s o b re ro s, q u e m a n ip u la n la o rg a n iz a c ió n
d e l tra b a jo c o n tro la n d o el p r o d u c to d e l tra b a jo o r g a n iz a ­
112 UN DESEO DE HISTORIA

d o . E ste p ro c e s o es el m is m o e n la U R S S . P ero lo q u e ,
a d e m á s , o b s e rv o , es u n m o d o d e tra n s fo rm a c ió n so cial q u e
se e f e c tú a m e d i a n t e el m e rc a d o . E c o n o m ía d e m e rc a d o ,
b a s a d a e n la c o m p e te n c ia y e n el p e rs o n a je d e l e m p re sa rio
e n el s e n tid o s c h u m p e te ria n o . E stas d o s re a lid a d e s n o
e stá n n e c e s a r ia m e n te asociadas: p o r u n la d o , el m u n d o d e l
e m p re s a rio y d e l m e rc a d o y, p o r el o tr o , la d irec ció n d e la
o rg a n iz a c ió n in d u s tr ia l, d e la fá b ric a e n la q u e se d e d u c e
la g a n a n c ia . Si m e v u elv o h a c ia al U R S S , veo e n e lla , d e l
m is m o m o d o , d o s e le m e n to s : p o r u n a p a r te p a tro n e s , y,
p o r la o tra , u n a g e n te d e d e sa rro llo q u e n o se ap o y a e n el
m e rc a d o s in o s o b re u n a v o lu n ta d p o lític a , a s a b e r el
p a r tid o . E l p a r t i d o n o es la clase d ir ig e n te , sin o la é lite
d ir ig e n te , c o m o los fin a n c ie ro s e n e l m u n d o c a p ita lis ta . A sí
co m o p u e d e n e x istir c o n flic to s e n tr e los in d u s tria le s y los
fin a n c ie ro s , h a y co n flic to s e n tre los m anagers y el p a r tid o
e n la U R S S , o e n los países d e d e m o c ra c ia p o p u la r . Lo q u e
se d e n o m in ó c o n u n té r m in o in e x a c to la re fo rm a e c o n ó m i­
ca e n la U R S S , H u n g r ía o C h e c o slo v a q u ia n o e ra m á s q u e
u n asp e c to d e e sta s lu c h a s, q u e se rig ie ro n e n g e n e ra l p o r
u n a c ie rta a p e r t u r a d e l p a r tid o a los m anagers, p e ro so b re
to d o p o r u n a re c o n c ilia c ió n r á p id a e n tr e m anagers y
p a r tid o c o n tr a e l p e lig ro d e u n a p re s ió n p o p u la r , a p a r tir
d e l m o m e n to e n q u e é sta a p a re c ía .
D e ig u a l m o d o , e n el m u n d o c a p ita lis ta se lle g ó al caso
d e q u e lo s in d u s tria le s se re b e la s e n c o n tra los fin a n c ie ro s,
p e ro c u a n d o el p u e b lo alzó la c a b e z a , u n o s y o tro s se
a lia ro n c o n tr a el p e lig ro c o m ú n . A sí p u e s , h a y q u e
re n u n c ia r a d e f in ir g lo b a lm e n te a u n a so c ie d a d co m o
c a p ita lis ta o so c ia lista . R e su lta a b s u r d o , h o y , d iv id ir el
m u n d o e n « b lo q u e ca p ita lista » y « b lo q u e socialista»; h ay
m u c h o s g r a n d e s tip o s d e m o d e lo s d e d e s a rro llo , y el
m o d e lo n a c io n a lis ta d e los a n tig u o s p a íse s c o lo n iz a d o s es
ta n i m p o r ta n te co m o el so cialista o e l c a p ita lis ta . E n el
lím ite , la o p o s ic ió n c a p ita lism o -so c ia lism o n o es h o y m ás
q u e u n d is fra z c ó m o d o d e la h e g e m o n ía m ilita r e je rc id a
p o r los d o s g ra n d e s . D a d o q u e a m b o s tie n e n m á s b o m b a s
y fu e rz a s d e s tru c tiv a s , q u ie re n t a m b i é n te n e r el m o n o p o lio
d e l an á lisis d e l m u n d o c o n te m p o r á n e o .
S o b re to d o , h a y q u e o to rg a r la m a y o r im p o rta n c ia a la
PENSAR LA SOCIEDAD 113

se p a ra c ió n d e los dos g ra n d e s ejes d e l an á lisis so cio ló g ico :


el e je d e la e s tru c tu ra — y p o r ta n to d e las re la cio n es d e
clases— y el d e l c a m b io — y p o r ta n t o d e l e sta d o . El
a n á lis is d e l fu n c io n a m ie n to y el an á lisis d e l c a m b io n o
p u e d e n e fe c tu a rs e e n los m ism o s té rm in o s . C u a n d o se
a n a liz a el f u n c io n a m ie n to d e u n siste m a , se e n c u e n tr a a
ac to res e n co n flic to y re to s; c u a n d o se t r a ta d e e s tu d ia r el
c a m b io , se e n c u e n tra p rim e ro u n a c to r c e n tra l, el e s ta d o ,
c a p a z o n o d e m o v iliz a r a u n a so c ie d a d n a c io n a l e n u n
e n to r n o d e f in id o so bre to d o p o r re la c io n e s d e c o n q u is ta y
d e d e p e n d e n c ia . Esto im p o n e u n a d is tin c ió n : e n el a n á lisis
i n te r n o d e u n a so c ie d a d , las re la cio n es d e clases y sus re to s
d irig e n las in s titu c io n e s p o líticas q u e e n m a rc a n a las o r g a ­
n iz a c io n e s. P o r e l c o n tra rio , c u a n d o se e s tu d ia el c a m b io
h is tó ric o , h a y q u e p e n s a r e n té rm in o s d e e s ta d o , p u d i e n d o
e ste e s ta d o e s ta r m ás o m e n o s lig a d o a u n a clase d irig e n te .
A sí p u e s , el e s ta d o n o p u e d e ser c o n f u n d id o c o n el s is te m a
p o lític o . A c a b a m o s d e asistir a las elec cio n es a m e ric a n a s.
D u r a n te m u c h o tie m p o , los E stad o s U n id o s q u isie ro n ser
— y lo h a n sid o e n a m p lia m e d id a — u n a so c ie d a d m ás q u e
u n e s ta d o . A h o ra b ie n , tie n d e n a ser, p r im e r o , u n e s ta d o ;
lo a d v irtie ro n p rim e ro d u r a n te la g u e rra fría , y so b re to d o
d u r a n te la d e V ie tn a m , q u e su p u so el e n c u e n tro co n el
a d v e rs a rio p u r o , la d e r ro ta m ilita r, la crisis y el re fu e rz o
d e l e s ta d o . D e s d e hace tres añ o s se asiste a u n a esp ecie d e
v o lu n ta d d e re v a n c h a d e la so c ie d a d civil. E l esta b lish m en t,
los g ra n d e s ca ciq u es d e l p a r tid o r e p u b lic a n o , fu e ro n , a m e
to d o , q u ie n e s d irig ie ro n el affaire W a te r g a te , re v a n c h a d e l
g ra n c a p ita lis m o c o n tra el e sta d o . A h o ra a c a b a m o s d e v e r
c ó m o la g e n te h u m ild e , e n u n a o la p o p u lis ta y m o ra liz a -
d o ra , lleva al p o d e r a C a rte r. V ieja tra d ic ió n a m e ric a n a ,
r e p e tid a p o r la h isto ria d e l S u r, q u e d e b e ser i n te r p r e ta d a
ta m b ié n c o m o la re v an ch a d e la so c ie d a d civil c o n tra el
e s ta d o . S a b e m o s q u e h a d e h a b e r to d a v ía u n a p a ra to
e s ta ta l, p e ro lo esencial co n siste e n re c o n o c e r q u e la
h is to ria d e las clases y la d e l esta d o m á s se c ru z a n q u e
e n c u e n tr a n . E sto es casi te m a d e b ro m a e n F ra n c ia , e s te
d o b le asp e c to d e los g o b e r n a n te s , q u e so n a la vez r e p r e ­
s e n ta n te s (están s u b o rd in a d o s a las fu e rz a s sociales, y e n
c o n se c u e n c ia , a las re la c io n e s d e clases) y h o m b re s d e
114 U N DESEO DE HISTORIA

e s ta d o , es d e c ir d irig e n te s q u e a c tú a n e n f u n c ió n d e u n a
situ a c ió n in te r n a c io n a l y e n té r m in o s d e ac c ió n v o lu n ta ris-
t a d e tra n s f o rm a c ió n d e la s o c ie d a d .
D e p r o n to , t o d a la c u e s tió n d e la so c io lo g ía es é sta :
¿cu ál es la re la c ió n e n tre el e s ta d o y l a clase d irig e n te ?
D a ré u n a r e s p u e s ta d o b le , p a r tie n d o d e l p rin c ip io d e q u e
n o s e n f r e n ta m o s c o n so c ie d a d e s d e clases. C u a n to m ás
e fe c tiv a m e n te s o n c o n d u c id a s p o r s u clase d ir ig e n te ,
m e n o s a u tó n o m o es el p a p e l d e l e s ta d o , y , a sim ism o , m á s
s u b o rd in a d o s y a u tó n o m o s so n , a la v e z , e l s is te m a p o lític o
y las e x p re s io n e s c u ltu ra le s re s p e c to a esas re la c io n e s d e
clases; m á s lib e rta d e s h a y e n to n c e s . Se t r a t a d e so c ie d a d e s
d e d e s ig u a ld a d , d e e x p lo ta c ió n y d e p lu ra lis m o . S o b re
to d o , s o n s o c ie d a d e s d o m in a n te s . C ie r ta m e n te , lo s E sta d o s
U n id o s tie n e n m á s lib e rta d e s q u e V ie tn a m , p e ro e llo s
f u e r o n lo s q u e b o m b a r d e a r o n V ie tn a m , y V ie tn a m el
q u e tu v o q u e lib e ra rse d e la in v a sió n a m e ric a n a . Y h e a q u í
la o tr a c a te g o ría : los p aíses c o n b u r g u e s ía d é b il, d o m in a ­
d o s p o r la c o lo n iz a c ió n , e n c a d e n a d o s e n la d e p e n d e n c ia o
s im p le m e n te d e te n id o s p o r los b lo q u e o s d e la v ieja a u t o ­
cracia y p o r crisis in te rn a s , h is tó r ic a m e n te tie n e n q u e
lib e ra rs e . Las lib e rta d e s so n u n a cosa, los m o v im ie n to s d e
lib e ra c ió n so n o tra . C o m o m u c h o s fra n c e se s d e se o q u e
u n a s y o tro s se c o n f u n d a n : q u e u n o se lib e r e y q u e sea
lib re al m is m o tie m p o , p e ro la re a lid a d es o tra . L a h is to ria
y el m u n d o e lig e n p e r p e tu a m e n te e n t r e las lib e rta d e s y la
lib e ra c ió n , e n tr e la m o d e r n id a d y la m o d e rn iz a c ió n , e n tr e
los d o s s e n tid o s d e la p a la b r a « d e m o c ra c ia » . N o veo p o r
q u é h a y q u e p r o h ib ir a la U R S S , a los p a ís e s d e d e m o c ra c ia
p o p u la r , a C h i n a , V ie tn a m , C a m b o y a , q u e a f ir m e n q u e su
ac ció n d e d ic ta d u r a d e l p r o le ta ria d o es u n a ac ció n d e m o ­
c rá tic a , es d e c ir d irig id a p o r la in d e p e n d e n c ia , e l d e s a rro ­
llo d e la n a c ió n y d e l p u e b lo c o n tr a los c a p ita lista s y el
d o m in io e x tra n je ro . D ic h o e sto , n a d a a u to r iz a a a b u so s d e
le n g u a je q u e c o n f u n d a n esta lib e ra c ió n c o n eso q u e a q u í
se lla m a la d e m o c ra c ia , o sea la c a p a c id a d d e in te rv e n c ió n ,
d e e x p re s ió n y d e o rg a n iz a c ió n d e la m a y o ría d e la p o b l a ­
c ió n e n e l p ro c e so d e d ec isió n p o lític a , y m á s a ú n la n o
c o n c e n tra c ió n d e l p o d e r p o lític o , e c o n ó m ic o , c u ltu ra l e n
las m is m a s m a n o s . P o r u n la d o , d e m o c ra c ia s lib e ra d o ra s;
PENSARLA SOCIEDAD 115

p o r el o tro , d em o cracia s lib e ra le s: so n éstas dos re a lid a d e s


d e las cu a le s u n a re m ite al fu n c io n a m ie n to in te rn o d e u n a
so c ie d a d , y la o tra , al p ro c e so d e in d u stria liz a c ió n .
C u a n d o se vive e n la m ise ria y e n el d o m in io c o lo n ia l,
la g ra n ta re a co n siste e n salir d e ellos y d a r u n ta z ó n d e
arro z y a lfa b e tiz a c ió n a to d o e l m u n d o . P ero es é s ta u n a
o b ra d e n a tu ra le z a d iv e rsa a lo lla m a d o d e m o c ra c ia e n los
países ca p ita lista s. E sto q u ie re d e c ir q u e c u a n d o c o n s id e ­
ra m o s fe n ó m e n o s ta n fu n d a m e n ta le s c o m o e l e s ta lin is m o ,
h a y q u e a d v e rtir q u e este tip o d e ré g im e n to ta lita rio
e s ta b a s u p u e s to d e s d e el c o m ie n z o e n la re a lid a d so v ié tic a ,
p o r el sim p le h e c h o d e q u e la acción d e clase, e l
m o v im ie n to social era d é b il e n u n a R u sia d é b ilm e n te i n ­
d u s tria liz a d a , m ás d é b il a ú n (com o lo re co rd ó L e n in ) e n
las c irc u n sta n cias d ra m á tic a s d e la g u e rra civil. Lo p r o d u jo
u n a lógica e s ta ta l: la c o n s tru c c ió n d e u n e s ta d o , la d e f e n s a
d e la co le c tiv id a d n a c io n a l, la d e fe n s a d e l p o d e r so v iético .
El p ro ceso q u e d e f in e la h is to ria d e la URSS re sid e e n
q u e este esta d o d ic ta to ria l tu v o q u e re p rim ir y liq u id a r lo
q u e h a b ía h a b id o d e m o v im ie n to social, y se c o n v irtió e n
to ta lita rio , a p ro p iá n d o s e d e u n a id e o lo g ía . El e s ta lin is m o
es, en el s e n tid o e s tric to , u n a d ic ta d u r a so b re el p r o l e t a ­
ria d o , es d e c ir u n a d ic ta d u r a lle g a d a a l p o d e r a p a r tir d e l
m o v im ie n to o b re ro , p e ro v u e lta c o n tra él.
L legados a q u í, se te n d e r ía a d ec ir: ¡vayam os m á s lejos!
¿P o r q u é p re o c u p a rse p o r esos v iejo s p ro b le m a s d e clases?
T o d o es c a m b io , to d o es e s ta d o . C u a n d o se o b se rv a la
h is to ria d e l siglo X IX , ¿ q u ié n e s son los g ra n d e s p e r s o n a ­
jes? N o , p o r c ie rto , D isra e li o G la d s to n e , sin o la m a rin a
m e rc a n te in g lesa, el d in e ro , el c a p ita l, el e sp íritu m a n c h e s-
te ria n o . E n el siglo X X , p o r el c o n tra rio , los g ra n d e s p e r ­
so najes so n H itle r, S ta lin , M a o , d e G a u lle , K issin g e r,
N asser o B u m e d ia n — p e rs o n a je s p o lític o s. N a d ie o sa ría
d ec ir h o y q u e h a y q u e d e slig a rse las g ra n d e s e s tru c tu ra s
ec o n ó m icas e n c u y a su p e rfic ie o c u rre n los a c o n te c im ie n to s
p o lítico s. M ao , ¿ u n a c o n te c im e n to s o b re u n fo n d o e c o n ó ­
m ico ? A c tu a lm e n te , c u a n to m á s se a v a n z a h a c ia los p a íse s
c o m u n ista s y h a c ia los p a íse s a n tig u a m e n te c o lo n iz a d o s y
d e p e n d ie n te s , n o sólo lo p o lític o se im p o n e so b re lo e c o ­
n ó m ic o , sin o q u e , m á s a ú n , la id e o lo g ía se im p o n e so b re
116 UN DESEO DE HISTORIA

lo p o lític o . E stas s im p le s o b se rv a c io n e s n o lle v a n a p e n s a r


q u e el a n á lis is d e la s e s tru c tu ra s sociales d e b a ser r e e m p la ­
z a d o p o r e l d e las d e l c a m b io , sin o m á s b ie n q u e sus
re la c io n e s, y p o r ta n t o las d e la clase d ir ig e n te y d e l
e s ta d o , c a m b ia n s e g ú n la s itu a c ió n c o n sid e ra d a . C u a n to
m á s se e s tá e n u n a s o c ie d a d d e clases, m e n o s a u tó n o m o es
el e s ta d o e n re la c ió n c o n la clase d irig e n te , y el c a m b io es
m á s e n d ó g e n o y, e n c o n se c u e n c ia , e c o n ó m ic o . P o r el
c o n tra rio , c u a n to m á s se está e n so c ie d a d e s c o n d é b il clase
d irig e n te , e n las q u e el e s ta d o ju e g a u n p a p e l e se n c ia l, y
c u a n to m á s e x ó g e n o y v o lu n ta r is ta es a la vez el c a m b io ,
e n m a y o r g ra d o la id e o lo g ía d o m in a a la p o lític a , q u e
d o m in a a la e c o n o m ía . A q u í, e n el e s tu d io d e l c a m b io ,
h a y q u e h a b l a r e n té rm in o s d e fa c to re s o d e in sta n c ia s,
m ie n tra s q u e , c u a n d o se t r a ta d e h a b la r d e la s o c ie d a d , n o
h a y q u e e m p le a r estas' p a la b ra s p o r q u e lo e c o n ó m ic o , lo
p o lític o y lo id e o ló g ic o n o son se p a ra b le s.
P o d e m o s a h o ra re s p o n d e r m á s d ire c ta m e n te al p r o b le ­
m a d e las re la c io n e s d e la clase d irig e n te y d e l e s ta d o . P a ra
a p o rta r u n a re s p u e s ta , h a y q u e re c o rd a r q u e las re la cio n es
d e clases tie n e n d o s caras: los c a p ita lis ta s y la clase o b re ra
e stán re la c io n a d o s y e n f r e n ta d o s d e d o s m a n e ra s c o m p le ­
m e n ta r ia s y o p u e s ta s . P o r u n a p a r te se e n f r e n ta n p o r el
c o n tro l d e la h is to ric id a d , d e la in d u s tria . A e s to se le
p u e d e lla m a r re la c io n e s d e p ro d u c c ió n . P o r o tr a p a r te ,
cad a u n a d e e sta clases t ie n e u n a a c titu d d e fe n siv a : la clase
d irig e n te se id e n tific a c o n el p ro g re so , p e ro a sim ism o se lo
a p r o p ia y tra n s f o rm a este p a p e l d irig e n te e n d o m in a c ió n
d e l o r d e n y e n p riv ile g io s. La clase o b re ra n o es s o la m e n te
la q u e lu c h a p o r la re a p ro p ia c ió n d e la in d u s tria liz a c ió n ;
ta m b ié n se d e f ie n d e e n n o m b r e d e su o ficio , su c u ltu ra , su
a u to n o m ía p ro fe sio n a l. C u a n d o la clase p o p u la r d e f ie n d e
su a u to n o m ía y c u a n d o la clase s u p e rio r d e f ie n d e sus p r i ­
v ileg io s, d e ja d e h a b e r , e n tr e estas a c titu d e s d efen siv as,
re fe re n c ia a la h is to ric id a d . Se tr a ta d e re la c io n e s d e r e p r o ­
d u c c ió n . A firm o p u e s q u e la distancia q u e separa a las re­
laciones d e p ro d u cció n de las relaciones de reproducción,
que separa e l conflicto ofen sivo de las clases sociales d e su
conflicto defensivo, es lo q u e defin e la a u to n o m ía d e l
estado.
PENSAR LA SOCIEDAD 117

E n u n p a ís c a p ita lis ta c e n tra l (es d e c ir q u e e x p lo ta al


re sto d e l m u n d o ), las clases sociales están d e f in id a s , a n te
to d o , p o r su s lu ch as a lre d e d o r d e u n re to ; sobre to d o , el
c o n flic to d e clases o c u p a u n lu g a r c e n tra l. P o r el c o n tra rio ,
el p a p e l d e l esta d o es d é b il. A la in v ersa, si se c o n s id e ra a
la v ieja R u sia con su s p riv ile g ia d o s y, p o r o tra p a r te , a sus
c o m u n id a d e s c a m p e sin a s q u e d e f ie n d e n su a u to n o m ía , e n
d o n d e la b u rg u e s ía in d u s tria l p e rm a n e c e r e la tiv a m e n te
d é b il, se c o m p re n d e el p a p e l p r e d o m in a n te q u e h a b r á d e
d e s e m p e ñ a r el e sta d o c o m o a g e n te h istó rico . E ste va a d e s ­
e m p o tra r a las m a sa s p o p u la re s y s u p e ra r su c o n s e rv a d u ­
rism o tra d ic io n a l p u r a m e n t e d e fe n siv o ; y v a a e n t r a r e n
a c c ió n , a sim ism o , p a r a r o m p e r los p riv ileg io s y p e r m itir la
m o d e rn iz a c ió n del p a ís, es d e c ir, la creac ió n d e u n a n u e v a
clase d ir ig e n te q u e él c o n tro la rá e s tre c h a m e n te . E n c o n s e ­
c u e n c ia , n o es c ierto q u e h a y a p o r u n la d o el e sta d o y, p o r
el o tro , las clases sociales. F in a lm e n te , la s itu a c ió n d e la
so c ie d a d civil es la q u e d e te r m in a el g ra d o d e a u to n o m ía
d e l e s ta d o .
A sí p u e s , m e o p o n g o a u n a visión p u r a m e n te h is to ri-
cista. Es v e rd a d q u e ex iste u n a m u ltip lic id a d d e v ía s d e
c a m b io h istó rico y q u e la o rg a n iz a c ió n social es u n a m e z c la
d e fo rm a s g en é tic as y d e fo rm a s e stru c tu ra le s. P e ro m e
n ie g o a a f irm a r q u e to d o es d ife re n c ia h istó ric a e n tr e c o n ­
ju n to s c o n c reto s, e n tr e n a c io n e s p a rtic u la re s . E n ú l t im o
an á lisis, lo p r e d o m in a n te es la n a tu ra le rz a d e las re la c io n e s
e n tre a m b a s caras, p o sitiv a y n e g a tiv a , o fe n siv a y d e f e n s i­
va, d e las re lacio n es d e clases. E sto q u ie re d e c ir, a s im is m o ,
q u e el e s ta d o de las re la cio n es d e clases a n iv el in te r n a c io ­
n a l, o sea la n a tu ra le z a d e l siste m a m u n d ia l d e p r e d o m i ­
n io e s ta b le c id o p o r u n a clase d irig e n te , es u n e le m e n to
escencial d e c o m p re n s ió n d e las re la cio n es e n tre clases
d irig e n te s y estad o . La p rio rid a d , a l fin d e cuentas, p e r ­
ten ece a una análisis en térm in o s d e clases y en té rm in o s
de historicidad, p e r o a c o n d ic ió n d e a d v e rtir q u e este
m is m o an álisis d e b e in c lu ir el te m a d e l p r e d o m in io in t e r ­
n a c io n a l d e u n m o d o d e p ro d u c c ió n p a r a p o d e r e x p lic a r la
n a tu ra le z a d e las re la c io n e s e n tr e el e s ta d o y la clase
d irig e n te . L a p a ra d o ja a p a r e n te re sid e e n q u e c u a n to m ás
h a b la m o s d e u n a s o c ie d a d q u e se p ro d u c e a sí m is m a , m ás
118 UN DESEO DE HISTORIA

— c o n tr a r ia m e n te a lo e s p e ra d o — se e n c u e n tr a se p a ra d o
el an álisis d e l c a m b io d e l an álisis d e la e s tru c tu ra . E llo
p o r q u e la n o c ió n d e h is to ric id a d es u n c o n c e p to q u e se
e n c u e n tra e n e l c e n tro d e l an á lisis d e l fu n c io n a m ie n to d e
la so cied a d y n o d e l c a m b io . E sto re m ite a a firm a r q u e
c u a n to m á s e n te n d e m o s la so c ie d a d c o m o u n siste m a d e
re la cio n es so ciale s, m á s , ta m b ié n , n o s v e m o s llev ad o s a
re co n o ce r el c a rá c te r e x ó g e n o d e l c a m b io . In c lu so e n este
s e n tid o n o s a le ja m o s d e f in itiv a m e n te d e la im a g e n e v o lu ­
c io n is ta d e u n c a m b io e n d ó g e n o q u e n o s le g ó el siglo
X IX .
C apítulo VI
A m é r ic a L a tin a .
La d e p e n d e n c i a

E n el m o m e n to e n q u e esc rib o , la A m é ric a la tin a q u e


co n o cí h a c e u n o s v e in te a ñ o s va a d e sa p a re c e r. E n 1 9 6 4 , el
g o lp e d e e s ta d o b ra s ile ñ o d isp e rsó (al m e n o s p ro v is io n a l­
m e n te ) la v id a in te le c tu a l, s u p rim ió p o r u n largo p e r ío d o
la v id a p o lític a e im p la n tó e n ese c o n tin e n te m ás b i e n
p acífico la t o r tu r a y la re p re sió n siste m átic as. L u e g o , el
p e q u e ñ o U r u g u a y (del q u e se h a b la b a a lg o lig e r a m e n te
e n E u ro p a , d ic ié n d o se q u e era la S u iza d e A m é ric a la tin a ),
tras el fracaso d e los tu p a m a r o s y la in sta la c ió n d e u n
ré g im e n d ic ta to ria l v a g a m e n te e n c u b ie rto p o r u n p re s i­
d e n te , in ic ió ta m b ié n u n a re p re s ió n v io le n ta ; este p a ís e s tá
casi e n vías d e d e s a p a ric ió n : su s in te le c tu a le s , sus m é d ic o s ,
sus in g e n ie ro s se h a n m a rc h a d o . P ero , so b re to d o , p a r a
m í, esta d e s a p a ric ió n d e u n a A m é ric a la tin a es la d e C h ile ,
d o n d e vi n a c e r, m ás q u e e n o tra p a r te , u n m o v im ie n to
p o p u la r, y al q u e d ejé a p la s ta d o p o r la re p re s ió n y e m p o ­
b re cid o p o r u n a p o lític a e c o n ó m ic a u ltra rre a c c io n a ria . E l
silencio cayó s o b re este p a ís. A h o ra se lle g a al fin a l d e l
c a m in o . A r g e n tin a , q u e f u e el m á s rico, el m ás b r illa n te ,
el m ás u r b a n iz a d o d e lo s p aíses d e A m é ric a la tin a , e sa
A rg e n tin a q u e h a c e v e in te añ o s pasó p o r ta n to s o b s tá c u lo s ,
se h u n d e a su vez en u n a re p re sió n q u e q u ie re d e s tru ir e n
p a r tic u la r a la m a y o r in tellig en tsia d e A m é ric a la tin a . M á s
a llá d e las m asacres y d e las e x p u lsio n e s m asiv as, se
p re te n d e la d e s a p a ric ió n d e u n tip o d e c iv iliz a c ió n .
T o d a v ía r e c ie n te m e n te el r é g im e n m ilita r p e r u a n o , a m b i ­
g u o en v e rd a d , p e ro q u e in d ic a b a u n e sfu erzo p o r
c o n s tru ir u n a re a lid a d n a c io n a l fu e ra d e la s u m isió n al e x ­
120 U N DESEO DE HISTORIA

tra n je ro , a c a b a d e in c lin a rse a la d e re c h a , p o c o d e sp u é s d e


la e lim in a c ió n d e V e la sc o . Q u e d a , p o r s u p u e s to , u n
M éxico q u e se a b r e u n p o c o , p e r o c u y a re a lid a d es m á s
b ru ta l d e lo q u e e n g e n e ra l se cree, u n a V e n e z u e la q u e se
e sfu e rz a p o r d e s a rro lla r u n a p o lític a e c o n ó m ic a m á s n a c io ­
n a l, p e r o e n su t o t a l id a d A m é ric a la tin a se in c lin a h a c ia u n
n u e v o tip o d e s o c ie d a d , m á s d ir e c ta m e n te d o m in a d a p o r
u n a g e s tió n a u t o r i t a r ia q u e aso cia las e m p re sa s e x tra n je ra s
y e l c a p ita lis m o d e e s ta d o . N o in te n to id e a liz a r el p a s a d o ;
só lo h a b lo a q u í d e m i e x p e rie n c ia p e rs o n a l. M e d e s p id o d e
la A m é ric a l a t i n a n a c io n a lis ta y p o p u lis ta q u e c o n o c í. P asé
m u c h o tie m p o e n esos p a íse s y te n g o la se n sa c ió n d e q u e
c a d a v ez iré a e llo s c o n m e n o r fre c u e n c ia . E sp e ra ré el
re to rn o d e a lg o d e lib e r ta d e n A m é ric a d e l S u r p a r a r e in i ­
ciar allí u n o s e s tu d io s q u e sin e m b a r g o n o a b a n d o n o ,
gracias a m is e s tu d ia n te s d e l I n s titu to d e E s tu d io d e l D e s ­
arro llo E c o n ó m ic o y S ocial.
P e ro la e s p e r a n z a ta m b ié n p u e d e se r u n a h u i d a a n te
el a n á lisis. P re f ie ro p e r m a n e c e r p la n ta d o cerca d e ' las
m in a s . P o r q u e e l p a ís q u e m e jo r c o n o c í, C h ile , e s tá t o t a l ­
m e n te t r i t u r a d o y d e b i d o a q u e a h o r a e s tá c e rra d o p a r a
m í, la p r e g u n t a q u e h a y q u e te n e r el co raje d e p la n te a r es
la d e la n a tu r a le z a d e ese d ra m a : ¿a q u ié n se ase sin ó e n
S a n tia g o , e n M o n te v id e o , e n B u e n o s A ires? A h o m b re s e
id eas, al m o v im ie n to p o p u la r y la a g ita c ió n a n tiim p e r ia lis ­
ta , n a tu r a lm e n te . P e ro m u c h o m á s to d a v ía : a u n tip o d e
ré g im e n y d e s o c ie d a d , lle n o s d e d e b ilid a d e s y d e c o n tr a ­
d iccio n e s, p e r o lle v a d o s p o r u n e s p íritu n a c io n a l, r e iv in d i­
cacio n es so ciale s y u n a in m e n s a m o v iliz a c ió n . M e d io sig lo
d e c o n c ie n c ia y d e e s p e ra n z a s , e n te rra d a s p o r u n a a c u m u ­
lació n b r u ta l y u n a s a n g r ie n ta re p re s ió n . Soy so lid a rio c o n
los p ris io n e ro s y e x ilia d o s, p e r o , e n ta n ta s c iu d a d e s co m o
co n o z co , ¿a q u i é n h a b la r le ah o ra ?

A l encuentro d e Chile

C o n o c í A m é r ic a la tin a p o r p r im e r a v ez e n 1956. L le g u é
a S a n tia g o e n a g o s to ; h a b ía sid o e n v ia d o a llí, p r im e r o d e
u n p e q u e ñ o g r u p o , p o r G e o rg e s F r ie d m a n n , a q u ie n la
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 121

u n iv e rs id a d d e C h ile le h a b ía p e d id o q u e o rg a n iz a s e u n
c e n tro d e in v e stig a c io n e s sociológicas. U n a ñ o d e s p u é s
lle g ó J e a n - D a n ie l R a y n a u d , y al a ñ o sig u ie n te L u cie n
B ram s. D e b ía yo c re a r u n g ru p o d e sociología d e l tra b a jo .
N o h a b la b a e s p a ñ o l y m e fu e ro n necesarias v arias s e m a n a s
p a r a d e s e n v o lv e rm e : d ic ta r cursos, ¿ n o es la m e jo r m a n e r a
d e a p r e n d e r u n a le n g u a ? Los e s tu d ia n te s le a y u d a n a u n o .
M i a p re n d iz a je f u e b a s ta n te rá p id o . A l té r m in o d e u n a s
s e m a n a s e n c o n tré a A d ria n a y m e casé e n S a n tia g o . S u
p a d r e , p ro fe s o r d e le tra s, h a b ía a n im a d o d u r a n te m u c h o s
a ñ o s el liceo e x p e rim e n ta l d e la u n iv e rsid a d d e C h ile ,
s e g u r a m e n te el m e jo r d e l c o n tin e n te , p e n e tr a d o p o r los
a sp e c to s m á s in n o v a d o re s d e la e n s e ñ a n z a a m e ric a n a ,
c a p a z d e d o ta r d e u n a lto n iv e l d e c o n o c im ie n to a sus
a lu m n o s . D e e s te liceo , m ix to d e s d e a n te s d e la g u e rra ,
s u rg ió b u e n n ú m e ro d e a q u e llo s q u e ib a n a ser los a g e n te s
d e p ro g re so y d e tra n s fo rm a c ió n social d e su p a ís. La
m is m a A d ria n a h a b ía sid o u n a d e las lu m b re ra s d e ese
liceo, p e ro n o s o la m e n te a él le d e b ía el ser a la vez
co razó n y ra zó n , b e lle z a y v o lu n ta d . ¿P o r q u é c o m p a r tí m i
v id a c o n esta m u je r , a la q u e e n c o n tré ta n le jo s, ta n
d ife r e n te d e m í, a je n a a m i- c u ltu r a ta n to c o m o yo a la
su y a, y cu y a p re s e n c ia m e p a re c e ca d a d ía ta n n u ev a ?
P o rq u e ella es eso q u e yo n u n c a p o d ré a p r e n d e r y q u e se
h a lla e n ese c o ra z ó n d e la v id a social al q u e ja m á s lle g a ré ,
la re la ció n co n el o tro . A m o la g e n e ro s id a d , p e r o ta l v ez
p o r q u e ella es u n m o v im ie n to h a c ia el o tro q u e n o exige
re sp u e s ta . E lla, p o r el c o n tra rio , sa b e re c ib ir t a n t o co m o
d a r. E lla e sta b le c e , m á s a llá d e la g e n e ro s id a d , la s im p a tía .
E lla crea e n c a d a in s ta n te la v id a c o n tra el e g o ísm o y
c o n tra la re g la m u e r ta . El so ció lo g o sólo g ira a lr e d e d o r d e
ese d o n d e a m o r q u e e lla p o see .
E n c u a n to a m i tra b a jo e n S a n tia g o , p e n s é q u e e n vez
d e d ic ta r cursos a a lg u n o s fu tu r o s in v e stig a d o re s, lo m e jo r
sería e m p re n d e r u n a in v e stig a c ió n c o n ellos. E sta id e a m e
p e r m itió p asar u n a g ra n p a r te d e m i e sta n c ia f u e r a d e
S a n tia g o , ya q u e e le g í co m o te m a la c o m p a r a c ió n e n tre
do s categ o rías o b re ra s , v ecin as u n a d e la o tra g e o g rá fic a ­
m e n te , los m in e ro s d e c a rb ó n y los o b re ro s d e la s id e ru r­
gia. Los m in e ro s e s ta b a n e n L o ta, al su r d e C o n c e p c ió n , y
122 UN DESEO DE HISTORIA

la g e n te d e la sid e ru rg ia a lg o m á s al n o r te , e n H u a c h ip a to .
A m b a s in d u s tria s se h a lla n a o rillas d e l m a r. Las m in a s d e
L o ta, p a r ti e n d o d e u n p r o m o n to r io , tie n d e n sus g alerías
b a jo el m a r . P asé m u c h o s m e se s e n e s ta re g ió n , lo q u e m e
p e r m itió t e n e r d e C h ile u n c o n o c im ie n to d ife r e n te d e l d e
la m a y o ría d e v iajeros. Los e x tra n je ro s sa le n p o c o d e la
c a p ita l y r a r a m e n te v a n a las re g io n e s in d u s tria le s , q u e sin
e m b a rg o , h a n ju g a d o u n p a p e l e se n c ia l e n la v id a d e
C h ile .
L o ta se c o m p o n e d e la c iu d a d a lta , la c iu d a d d e la
c o m p a ñ ía , d o n d e se h a lla n las bocas d e e x tra c c ió n , las
villas o b re ra s , el b a rrio d e los e m p le a d o s y el d e los in g e ­
n iero s. Las c a te g o ría s p ro fe sio n a le s e s tá n m u y se p a ra d a s:
o b re ro s y e m p le a d o s tie n e n escuelas y p isc in a s s e p a r a d a s ...
A l p ie d e la c o lin a se e x tie n d e la c iu d a d lib re , a lre d e d o r d e
su p la z u e la e s p a ñ o la — t a n p o c o e s p a ñ o la —-, c iu d a d d e
b arracas, d e tie n d a s , d e tu g u r io s y d e c h a b o la s , c iu d a d d e
ta l vez 5 0 .0 0 0 h a b ita n te s y d o n d e n o e je rc ía n sin o m u y
p o co s m é d ic o s . C iu d a d d e m is e ria s o m e tid a a u n c o n tro l
m u y e s tric to p o r p a r te d e la c o m p a ñ ía . M u n d o d e
m in e ro s , g e n te p ro v e n ie n te d e l c a m p o q u e m a n te n ía
g ra n d e s c o n ta c to s con su fa m ilia . C o n fre c u e n c ia , los
p a rie n te s sin tr a b a jo v e n ía n a in sta la rse e n su s casas,
a u n q u e el a lo ja m ie n to s u m in is tra d o p o r la c o m p a ñ ía era
o c u p a d o p o r o c h o , d ie z , d o ce p e rs o n a s . N o so tro s q u e r ía ­
m o s e fe c tu a r u n e s tu d io e n b ase a e n tre v ista s y o b se rv a ­
cio n es. T a n p r o n t o c o m o lle g a m o s, d e s p u é s d e h a b e r visto
al r e p re s e n ta n te d e la c o m p a ñ ía , los in v e s tig a d o re s c h ile ­
n o s y yo fu im o s a v er a los sin d ic a lista s y les p e d im o s
e n tr a r e n c o n ta c to co n lo s o b re ro s. H ic ie ro n so n a r las
siren as y o rg a n iz a ro n u n a g ra n r e u n ió n d e m in e ro s e n la
e x p la n a d a . N o s d ie ro n u n a lta v o z p a r a q u e ex p licásem o s lo
q u e q u e ría m o s h a c e r. F u im o s v e r d a d e r a m e n te b ie n ac o g i­
do s e n e s ta c o m u n id a d , e n la q u e la co n c ie n c ia d e g ru p o ,
la c o n c ie n cia d e clase , era f u e r te , e n d o n d e los o b re ro s q u e
tie n e n m a y o r c o n c ie n c ia d e su s itu a c ió n d e clase so n
a q u é llo s q u e m á s se h a lla n e n el c o ra z ó n d e la p o b la c ió n ,
los m e n o s c u a lific a d o s. E l s in d ic a to es la e x p re sió n d e la
c o m u n id a d c o n tra la p a tro n a l. El tie m p o d u r o d e l a ñ o es
el d e la d is c u s ió n d e la lista d e re iv in d ic a c io n e s; el s in d i­
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 123

c a to es e n to n c e s la e x p re sió n m is m a d e l g r u p o , y s u s d ir i­
g e n te s , to d o s c o m u n is ta s , se e n c u e n tr a n m u y u n id o s a la
b a se . R e s u lta ta m b ié n c a ra c te rístic o o b serv ar q u e a q u e llo s
m á s cató lico s so n a sim ism o los m á s m ilita n te s s in d ic a l y
p o lític a m e n te . A n tig u a im a g e n q u e m e re c o rd a b a m i
in fa n c ia , c u a n d o v eía a los p e sc a d o re s d e D o u a r n e n e z o d e
A u d ie r n e a lre d e d o r d e la ig le sia , los d o m in g o s , c o n la
b a n d e r a ro ja al f r e n te .
H u a c h ip a to es u n a p l a n t a sid e rú rg ic a b a s ta n te n u e v a
q u e , s in se r in m e n s a , r e p r e s e n ta b a u n g ra n p ro g re s o p a r a
C h ile ; e n c o n se c u e n c ia , es u n a e m p re s a cu y o n iv e l té c n ic o
y los salario s eran ele v a d o s, p e ro d o n d e las c o n d ic io n e s d e
h a b ita b ilid a d e r a n m a la s — so b re las colinas a lr e d e d o r d e
T a lc a h u a n o . A q u í a p a re c ía la o tr a cara d é la clase o b re ra ,
o b re ro s q u e no se d e f in ía n c o m o c o m u n id a d , c a si n u n c a
e ra n d e o rig en ru ra l y se s e n tía n im p u ls a d o s , a c a u s a d e esa
té c n ic a m o d e rn a y d e esos salario s m á s e lev a d o s, h a c ia la
clase m e d ia . Los s in d ic a to s e s ta b a n d iv id id o s, d e s d e q u e el
g o b ie rn o h a b ía e lim in a d o a los c o m u n is ta s , y d e b ilita d o s
p o r lu c h a s d e te n d e n c ia s . Los tra b a ja d o re s m ás m ilita n te s
e ra n a q u é llo s q u e se c o n s id e r a b a n co m o m á s p e r te n e c ie n ­
te s a la clase m e d ia , p a re c ié n d o le s el s in d ic a to u n m e d io
d e p re s ió n so bre el e sta d o . H e a q u í, p u e s , d o s ca ras d e la
clase o b re ra b a s ta n te d ife r e n te s c o m o p a ra q u e re s u lte fá c il
e n c o n tr a r sitio p a r a u n a c o n c ie n c ia d e clase a la e u r o p e a .
S ó lo d u r a n te la U n id a d P o p u la r, gracias a a m ig o s h o y
e x p u ls a d o s d e su p a ís, p u d e e s tu d ia r el te r c e r c e n tro
in d u s tria l d e e s ta re g ió n , la p e q u e ñ a c iu d a d d e T o m é , a
u n a s d ec en as d e k iló m e tr o s al n o r te d e C o n c e p c ió n . T o m é
es la c iu d a d te x til. A h í e n c o n tré e n e s ta d o p u r o lo q u e
p u e d e llam arse u n a ac ció n d e clase, q u e n o es n i l a d e fe n s a
d e la c o m u n id a d , n i u n a p re s ió n e c o n ó m ic a , s in o la lu c h a
d irig id a c o n tra e l p a tr o n o e n n o m b r e d e l tr a b a jo y p o r
u n a tra n s fo rm a c ió n d e la g e s tió n e c o n ó m ic a .
E stos focos d e c o n c ie n c ia d e clase o b re ra e r a n — y
s o n — m u y lim ita d o s e n A m é ric a la tin a .
124 UN DESEO DE HISTORIA

Las so cied a d es d e p e n d ie n te s

Lo d ic h o lle v a a p l a n t e a r u n in te rro g a n te im p o rta n te :


¿ p o r q u é e n ese c o n tin e n te d e s o b re e x p lo ta c ió n n o h a y
g ra n d e s m o v im ie n to s y g r a n d e s p a r tid o s re v o lu c io n ario s?
¿P or q u é , e n A m é ric a l a tin a , el P C n u n c a ju g ó u n p a p e l
cen tral? P o r q u e , in c lu so e n C h ile , ja m á s d e s e m p e ñ ó el
m ism o p a p e l q u e e n F ra n c ia , Ita lia o E sp a ñ a ; y e n B rasil,
A rg e n tin a o M éxico su p a p e l es s e c u n d a rio . A n te to d o ,
p o rq u e la c la s e o b re ra e stá d e s a rtic u la d a y los s e n tim ie n to s
d e la b a s e y la e s tr a te g ia d e la c ú s p id e e s tá n , e n lo
esen cial, s e p a ra d o s . N o e x iste c o n tin u id a d e n tre la c o n ­
ciencia d e fe n s iv a d e b a se y la ac c ió n o fe n siv a p o lític a d e la
c ú sp id e , q u e rige la c a p a c id a d d e ac ció n d e clase. P o r el
c o n tra rio , e x iste u n a f u e r te d iso c ia c ió n e n tre la b ase y la
c ú sp id e . Y t a m b i é n u n a g ra n d is ta n c ia e n tr e los n ú c le o s d e
o b re ro s m ilita n te s , c o n c e n tra d o s a m e n u d o s e n e m p re sa s
ex tra n je ra s, y los o b re ro s d e las in d u s tria s tra d ic io n a le s,
q u e tr a b a ja n p a r a u n m e rc a d o in te r io r d e d é b il p ro g re so o
tra n s fo rm a c ió n , o , m á s a ú n , la m a sa c o n sid e ra b le d e t r a ­
b a ja d o re s s u b e m p le a d o s y d e s o c u p a d o s n o p ro te g id o s p o r
las leyes so ciales. E n s e g u n d o té r m in o , y esto s o rp re n d e rá
m á s, p o r q u e el s in d ic a lis m o e n A m é ric a la tin a h a sid o el
m á s r á p id a m e n te in c o rp o r a d o al siste m a p o lític o . E n el
p ro p io C h ile , p a ís d e m ilita n tis m o o b re ro d e sd e la c rea­
ció n d e la p r im e r a g ra n c e n tr a l s in d ic a l e n los añ o s 2 0 , el
sin d ic a lism o n o es a je n o al ju e g o p o lític o . Lo es m á s d e lo
q u e fu e la C G T U e n F ra n c ia p o r la m is m a ép o ca. El caso
m ás e x tre m o es el d e los m in e ro s d e l e s ta ñ o b o liv ia n o s, el
n ú cleo o b re ro m á s m i li t a n t e d e A m é ric a la tin a . Los
o b re ro s m ilita n te s re v o lu c io n a rio s lo g ra ro n , p o r in te rm e d io
d e su c é le b re d irig e n te , J u a n L e c h ín , p a rtic ip a r d ire c ta ­
m e n te e n e l ju e g o p o lític o d u r a n te el p e r ío d o d e l M ovi­
m ie n to N a c io n a lis ta R e v o lu c io n a rio . E n B rasil, los s in d ic a ­
to s, e n su m a y o r p a r te , f u e r o n cread o s p o r el e s ta d o . Si
b ie n es c ie rto q u e e n A r g e n tin a ex istía e n los añ o s 30 u n
sin d ic a lism o p u ja n te , n o lo es m e n o s q u e a p a r tir d e l
p e río d o 1 9 4 3 -1 9 4 5 y c o n la in s ta la c ió n d e l p e ro n is m o e n el
p o d e r, es é s te el q u e c o n tro ló a la C G T . T ra s la c a íd a d e
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 325

P e ró n , re s u lta d ifíc il d e sb ro z a r lo sin d ic a l d e lo p o lític o .


H a b la r d e la C G T s u p o n e h a b la r d e «las se se n ta y dos», es
d e c ir d e l a g r u p a m ie n to d e los se s e n ta y d o s s in d ic a to s d e
o rie n ta c ió n p e r o n is ta . E n M éxico, las g ra n d e s o rg a n iz a c io ­
n es s in d ic a le s, d e s d e la C R O M , s ie m p re h a n esta d o
e s tre c h a m e n te lig a d a s al p o d e r. Se a d v ie rte e n to n c e s q u e
la clase o b re ra n o e s tá o rg a n iz a d a c o n la c o h e re n c ia y e n el
a is la m ie n to q u e evoca e n E u ro p a la im a g e n d e l m o v im e n -
to o b re ro . E n A m é ric a la tin a , el m u n d o o b re ro es a la vez
m ás h o m o g é n e o (a cau sa d e la im p o rta n c ia d e la m ig ra c ió n
y d e la d e l s u b e m p le o ) y m u y in te g ra d o e n el siste m a
p o lític o . L a d e b ilid a d d e la clase o b re ra c o rre s p o n d e a u n a
d e b ilid a d p a r a le la d e la b u rg u e sía . E n C h ile , c h o c a el q u e
este p a ís h a y a casi n e g a d o la in d u s tria liz a c ió n d e s d e h a c e
cien a ñ o s . T o d o o c u rre co m o si h u b ie s e u n a c u e rd o m ás o
m e n o s a c e p ta d o o im p u e s to e n tr e , p o r u n a p a r te , ei c a p i­
ta lis m o e x tra n je ro q u e se a p o d e ra d e los recursos p r in c ip a ­
les y, p o r o tra , u n a b u rg u e sía lo c a l s u b o rd in a d a q u e sig u e
sie n d o m e rc a n til y fin a n c ie ra . A m e d ia d o s d e l sig lo X IX
C h ile co n o c ió u n d esa rro llo in d u s tria l; d e s p u é s d e la
g u e rra d e l P acífico , q u e te rm in ó c o n la a d q u is ió n d e las
p ro v in cia s d e l N o r te (to m a d a s a P e rú y B olivia), C h ile fu e
d e s p o ja d o d e su s recursos y los in g leses se a p o d e ra r o n d e
ellos. E stos fu e ro n los am os h a s ta los años 2 0 , e n q u e los
re e m p la z a ro n los am erican o s. D u r a n t e este larg o p e r ío d o ,
la b u rg u e s ía c h ile n a e n el p o d e r n o fu e u n a b u rg u e s ía
in d u s tria l, sin o g ru p o s fin a n c ie ro s, co m erciales y b a n c a rio s
q u e v iv ían e n y d e la d e p e n d e n c ia . E l p aís era d ir ig id o p o r
u n b lo q u e e n el p o d e r al q u e yo d e n o m in a r ía l a o lig a r­
q u ía , q u e u n ía los in tere se s tra d ic io n a le s d e los g ra n d e s
p ro p ie ta rio s d e la tie rra y los d e lo s fin a n c ie ro s m á s o
m e n o s aso ciad o s al c a p ita lism o e x tra n je ro . A sí p u e s , n o
e n c u e n tro e n el p ro p io C h ile n i clase o b re ra f u e r te m e n te
c o n s titu id a n i b u rg u e s ía n a c io n a l in d e p e n d ie n te . F a lta n los
g ra n d e s p e rso n a je s d e la h isto ria social q u e e sp e ra m o s se g ú n
n u e stra s id eas e u ro p e a s, la b u rg u e s ía y el p ro le ta ria d o .
¿ Q u ié n e s so n , e n to n c e s, e n A m é ric a la tin a , lo s g ra n d e s
p erso n ajes? A n te to d o , el c a p ita l e x tra n je ro , q u e e stá in s ­
ta la d o en enclaves: m in a s d e c o b re e n C h ile o d e e s ta ñ o e n
B olivia, p e tró le o en V e n e z u e la , a lg o d ó n o c a ñ a e n la costa
126 UN DESEO DE HISTORIA

p e r u a n a , b a n a n o e n A m é ric a c e n tr a l, c a ñ a e n C u b a e n
o tro t i e m p o , e tc .; o , in c lu so , q u e h a p e n e tr a d o m ás
p r o f u n d a m e n te e n el c o n ju n to d e l p a ís , p e r m i t i e n d o la
creació n d e u n a clase c a p ita lis ta n a c io n a l c o m o e n la r e g ió n
d e l R ío d e la P la ta , c o m o e n las re g io n e s d e l café e n B rasil,
o co m o e n e l m o m e n to d e l d e sa rro llo d e la c a ñ a e n M éx ico
a c o m ie n z o s d e l sig lo X X . E so, p a r a el p r im e r p e r s o n a je ,
L u eg o , al la d o d e u n siste m a cu y a ló g ica es e x te rio r a l t e r r i ­
to rio n a c io n a l, te n e m o s p a rte s im p o r ta n te s d e la p o b l a ­
c ió n q u e h a n sid o d e ja d a s fu e ra d e este siste m a d o m i n a n ­
te . S itu a c ió n c e rc a n a a la q u e creó la c o lo n iz a c ió n fr a n c e s a
o in g le sa a l o rg a n iz a r e n M arru eco s o e n K e n y a se c to re s
m o d e rn o s , y al esfo rzarse p o r e n m a rc a r al re s to d e l p a ís e n
la re d d e e s tru c tu r a s tra d ic io n a le s. T e n e m o s a q u í, a s im is ­
m o , u n s e c to r d e a g r ic u ltu r a c a p ita lis ta , d e c o m e rc io o d e
m in a s , q u e se e x tie n d e , q u e a se g u ra sus p riv ile g io s y q u e
c o m p rim e a u n a p a r te d e la p o b la c ió n e n u n a e c o n o m ía
m a rg in a l. E l g ra n in te ré s d e l c a p ita lism o e x tra n je ro c o n sis­
te e n e v ita r l a fo rm a c ió n d e u n m e rc a d o n a c io n a l. P e r o — y
a q u í es d o n d e las im á g e n e s se e m p a ñ a n — c o n f r e c u e n c ia
se tie n d e a creer q u e e n tr e este d o m in io e x te rio r y estas
p o b la c io n e s c o m p rim id a s se e sta b le c e n re la c io n e s d e d o m i ­
n io a u to c r à tic o a b s o lu to . D e n in g u n a m a n e r a . P o r e l
c o n tra rio , e n tr e a m b o s se e x tie n d e u n in m e n s o e sp a c io
p o lític o , o c u p a d o p o r d o s g ra n d e s c a te g o ría s q u e n o s o n
clases p r o p ia m e n te r h a b la n d o : la «clase» m e d ia y los « m a r­
ginales».
¿ Q u é es la clase m e d ia ? C u a n d o co n o c í C h ile , e n 1 9 5 6 ,
y h a s ta 1 9 6 4 , e ste p a ís m e h a c ía p e n s a r e n g ra d o s u m o e n
la F ran cia d e m i in fa n c ia : p o se ía in d u s tria s , p e r o n o e r a u n
p aís in d u s tr ia l. S o b re u n fo n d o d e c a m p e s in a d o r e in a b a lo
q u e se p o d r ía d e n o m in a r , e n F ran c ia , u n a p e q u e ñ o -
b u rg u e s ía — g e n te d e l co m e rc io , fu n c io n a rio s , p ro fe s io n e s
lib era le s— m u y in flu y e n te . G e n te q u e n o es d e l p u e b l o ,
q u e m u ltip lic a los sím b o lo s d e n o p e r te n e n c ia a la clase
o b re ra , y c u y o n iv e l d e v id a descan sa e n los b ajo s salario s
d e los o b re ro s y d e l p e rs o n a l d o m é stic o y, t a m b i é n , so b re
el n iv el m u y b a jo d e los a lq u ile re s . C a te g o ría s m e d ia s
in te re sa d a s e n la s e g u r id a d y la e d u c a c ió n , a la vez laicas y
co n se rv ad o ra s c o m o los ra d ic ales d e F ra n c ia al s u r d e l
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 127

L o ire, e n d o n d e la in d u s tr ia n o o c u p a b a m u c h o l u g a r , y
q u e era y es d e p e n d ie n te d e la F ra n c ia in d u s tria l. G e n te
a je n a a las p re o c u p a c io n e s d el d e sa rro llo e c o n ó m ic o , po co
s e n s ib le a l p r o b le m a d e la d e p e n d e n c ia re sp e c to d e l c a p i­
ta lis m o e x tra n je ro , y q u e son in clu so u n a clase d e a p o y o a
este d o m in io e x tra n je ro al m ism o tie m p o q u e re c ib e n
p riv ile g io s d e l e s ta d o y q u ie re n d e s a rro lla r su p a p e l.
E n C h ile , el e s ta d o fa b ricó d e s d e h a c e u n sig lo u n a
clase m e d ia s u p ra d e s a rro lla d a m e d ia n te la a y u d a l a co n s­
tru c c ió n , la m u ltip lic a c ió n d e los e m p le o s p ú b lic o s y u n a
in fla c c ió n m u y im p o r ta n te . En e fe c to , c u a n d o el c o b r e o el
n itra to se v e n d ía n b ie n , se c re a b a n e m p le o s p ú b lic o s , y
c u a n d o se v e n d ía n m a l, p a ra p a g a r a los fu n c io n a rio s se
e m itía d in e ro . E sta clase m e d ia a le n ta b a el d e s a rro llo d e la
in te g ra c ió n n a c io n a l b a jo la a u to r id a d d e l e s ta d o . E n este
s e n tid o , su s o b je tiv o s so cio c u ltu ra le s e r a n m á s im p o r ta n te s
q u e sus o b je tiv o s e c o n ó m ic o s. E n e s te p u n t o , p o d e m o s
to d a v ía p e n s a r e n la F ra n c ia d re y fu s ia n a . Los d re y fu sia n o s
y los ra d ic a le s a n tic le ric a le s e ra n m e n o s a g e n te s d e p ro g r e ­
so ec o n ó m ic o q u e d e in te g ra c ió n social m e d i a n t e la
e d u c a c ió n y a trav és d e las in s titu c io n e s p o lític a s. L u c h a ­
b a n c o n tra la in f lu e n c ia d e la ig le sia , c o n tra los p a r tic u ­
larism o s y c o n tra los c a ciq u es tra d ic io n a le s . E n A m é r ic a
la tin a , y c o n fre c u e n c ia , e sta clase m e d ia h a sid o n a c io n a ­
lista , in c lu so , a veces, p o p u lis ta . Los d irig e n te s , lle v a d o s
ta m b ié n p o r su a m b ic ió n p e rs o n a l, q u is ie ro n a p e la r a los
e le m e n to s p o p u la re s c o n tra las viejas o lig a rq u ía s y asociar­
los p o lític a m e n te a la clase m e d ia . E n C h ile , la d e m o c ra c ia
cristia n a , ijis ta la d a e n e l p o d e r c o n F re i, y q u e re to m a b a
d e o tra m a n e ra los esfu e rz o s d e A le ssa n d ri e n los a ñ o s 20 e
in clu so los d e l F re n te P o p u la r e n 1 9 3 8 -1 9 4 0 , se esfo rzó
ta m b ié n p o r a m p lia r e l c a m p o d e l e s ta d o , lig a d o a la clase
m e d ia , a so c iá n d o se c o n las fu e rz a s p o p u la re s c o n tr a las
viejas o lig a rq u ía s , lo q u e s u p o n e la d e fin ic ió n m is m a
d e l p o p u lis m o .
E ste p o p u lis m o d e clase m e d ia fu e el eje d e la h isto ria
d e A m é ric a la tin a d u r a n te se se n ta a ñ o s. A c ció n g u ia d a p o r
u n a clase m e d ia lig a d a al e s ta d o y q u e a p e la b a a l a p le b e
u r b a n a , a u n p u e b lo q u e n o es d e f in id o p o r la c o n d ic ió n
o b re ra , sin o p o r u n a d é b il in te g ra c ió n al a p a r a to d e
128 UN DESEO DE HISTORIA

p ro d u c c ió n , a la vez p o r q u e éste n o a p u n t a al d e sa rro llo


d e l m e rc a d o n a c io n a l y p o r q u e n o h u b o , c o m o e n
In g la te rra , c o o rd in a c ió n e n tr e la tra n s fo rm a c ió n d e la eco ­
n o m ía a g r a ria y el d e s a rro llo d e la e c o n o m ía u r b a n a e i n ­
d u s tria l. E l m u n d o c a p ita lis ta m o d e r n o m a n tu v o la eco ­
n o m ía a n tig u a y é s ta se d e r r u m b a , se vacía b r u ta lm e n te
co m o n u b e d e to r m e n t a , d e s p r e n d ie n d o u n a m a n o d e
o b ra e x c e d e n te (a c re c e n ta d a p o r la o la d e m o g rá fic a ) q u e el
siste m a n o a b so rb e . A lg o q u e d e f in e a d e c u a d a m e n te la
d e s a rtic u la c ió n d e la so c ie d a d ; n o ex iste ló g ic a in te g ra d a
d e l d e s a rro llo d e l c a p ita lis m o . E ste d e sa rro llo , d a d o q u e se
e fe c tú a b a jo d o m in a c ió n e x te rio r, m a n tie n e sectores t r a d i­
cio n ales, n o es d ir ig id o p o r u n a clase d ir ig e n te n a c io n a l,
n o a p u n ta a l d e sa rro llo d e u n m e rc a d o i n te r n o n a c io n a l, lo
q u e d a lu g a r a d esfases y d e sa rtic u la c io n e s. T o d o ello
p ro d u c e u n ju e g o p o lític o a m p lia m e n te a u tó n o m o , in c lu so
e n los p a ís e s a u to rita rio s — la in e s ta b ilid a d d e estos re g í­
m e n e s lo d e m u e s tr a — , p e ro el e s ta d o es d é b il. La c a p a ­
c id a d d e la so c ie d a d n a c io n a l d e a c tu a r d e m a n e r a a la vez
in d e p e n d ie n te y e fic a z , f r e n te a sus p ro p io s p ro b le m a s y al
d o m in io e x tra n je ro , es m u y re d u c id a , c o n casi u n a e x c e p ­
c ió n , la d e M éx ico, p o r q u e é ste f u e tra n s fo rm a d o p o r lo
q u e se lla m a revolu ción ; se tra ta d e u n a p a ra to d e e sta d o
q u e o c u p ó el p a p e l c e n tra l y q u e a d m in is tr ó las re la cio n es
co n el c a p ita lis m o e x tra n je ro . O t r a e x c e p c ió n , m u y p a rc ia l,
es la d e B ra sil, c o n to d a la tra d ic ió n d e G e tu lio V arg as.
P e ro , d e u n m o d o g e n e ra l, e n C h ile c o m o e n A rg e n tin a ,
P e rú , B o liv ia o C o lo m b ia , el e s ta d o e ra tr a d ic io n a lm e n te
m u y d é b il y re s u lta b a casi a u s e n te .
La ú l t i m a c a ra c te rístic a d e estas so c ie d a d e s c o n siste e n
q u e e n el s e n o d e esta g r a n a u to n o m ía d e l m u n d o p o lític o
ex iste u n a a u to n o m ía m a y o r to d a v ía d e la p ro d u c c ió n
id e o ló g ic a . Los in te le c tu a le s h a n j u g a d o e n A m é ric a la tin a
u n p a p e l e x c e p c io n a l. E n e s te c o n tin e n te , m á s q u e e n c u a l­
q u ie r r e g ió n , los u n iv e rsita rio s se h a n e n c o n tr a d o e n el
c e n tro d e la v id a p o lític a y d e la v id a in te le c tu a l. E sto
c o m e n z ó e n C ó rd o b a , A r g e n tin a , e n 1 9 1 8 , y se p ro p a g ó
co m o u n r e g u e ro d e p ó lv o ra . El m u n d o u n iv e rs ita rio c o n ­
q u is tó la a u t o n o m í a e n to d a s p a r te s , es d e c ir u n a i n d e p e n ­
d e n c ia p r e s u p u e s ta r ia e in s titu c io n a l e n re la c ió n c o n el
:
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 129

m in is te r io d e e d u c a c ió n . Se v olvió, a la v e z , m u y a rtific ia l,
m u y p e q u e ñ o b u rg u é s y, al m ism o tie m p o , h ip e r p o p u lis -
ta , re v o lu c io n a rio y m u y c o m p ro m e tid o e n u n a o b r a d e i n ­
te g ra c ió n n ac io n a l. El m u n d o u n iv e rs ita rio re c ib e g ra n d e s
p riv ile g io s, p ero a l m is m o tie m p o está a tra v e s a n d o p o r
c o rrie n te s p o lític a s, c o n su m a fre c u e n c ia , m u y ra d ic a le s.
E xtrem o com prom iso p o lític o y extrem o desapego in s titu ­
cional. E l caso m ás e x tre m o es el d e la u n iv e rsid a d d e S an
M arco s, e n L im a, d iv id id a d u r a n te a ñ o s e n tr e g ru p o s d e
e x tre m a iz q u ie r d a a islad o s d e las fu e rz a s p o lític a s n a c io ­
n a le s, y d e los cu a le s a lg u n o s la n z a ro n g u e rrilla s al c a m p o
q u e f u e r o n m a sa c ra d a s e n p o cas se m a n a s p o r el e jé rc ito .
M ás e x tre m a d o to d a v ía e ra el caso d e la u n iv e rs id a d d e La
H a b a n a , b a jo B a tis ta , a n im a d a p o r u n a a c tiv id a d p o lític a
in te n s a e irriso ria, b ie n d e sc rita p o r F id e l, q u e e lig ió
d e ja rla , c o n d e n a n d o esas p a la b ra s al v ie n to p a r a e n c a m i­
n a rse a M éxico y p r e p a r a r la e x p e d ic ió n d e l G r a n m a . La
s itu a c ió n es d ife re n te e n A rg e n tin a , d o n d e el p e r o n is m o
p e n e tr ó m á s p r o f u n d a m e n te e n la u n iv e rs id a d , e l m o v i­
m ie n to d e los m o n to n e r o s e n c o n tr ó a llí u n a b a se im p o r ­
ta n te . P e ro , en to ta l, los m o v im ie n to s iz q u ie r d is ta s ,
in c lu s o c u a n d o h a n te n id o u n a im p o rta n c ia c o n s id e ra b le ,
n o c o n trib u y e ro n a re fo rz a r las re iv in d ic a c io n e s p o p u la re s .
S u fro al v er ta n ta s id e a s p ro v e n ie n te s d e E u ro p a re p e tid a s
á v id a m e n te p o r in te le c tu a le s d e los p aíses d e p e n d ie n te s .
P o rq u e estas id eas, q u e a p e la n a la re s p o n s a b ilid a d d e los
in te le c tu a le s , les sirv e n p a ra aislarse d e la re a lid a d social e n
q u e v iv e n , a veces p a r a co n v e rtirse e n b u ró c ra ta s , y o tras
veces — algo m ás r e s p e ta b le — p a ra la n z a rse a a v e n tu ra s
d e s e s p e ra d a s, e x tra ñ a d a s d e las m asas p o p u la re s . P e ro , a
m e d id a q u e n u e stro s p aíses e u ro p e o s in g re s a n e n m a y o r
g ra d o e n u n im p e rio d irig id o p o r las so cie d a d e s m u l ti n a ­
cio n a le s, ¿ n o c o n o c e m o s, ta m b ié n n o so tro s, e sta p é r d id a
d e re s p o n sa b ilid a d y e s te desfase d e m u c h o s in te le c tu a le s ?
E n el m u n d o la tin o a m e ric a n o , las fo rm a s d e l c a m b io
h is tó ric o , y e n c o n se c u e n c ia la d e p e n d e n c ia re s p e c to d e l
e x tra n je ro , rig en la v id a social m ás d ir e c ta m e n te q u e las
leyes in te rn a s d e l siste m a c a p ita lista . C o n s titu y e u n e rro r
p r e te n d e r a n a liz a r estas so cied a d es c o m o se a n a liz a las
n u e s tra s . N o es q u e c a re z c a n d e re a lid a d p r o p i a , o q u e
130 UN DESEO DE HISTORIA

sea n e n t e r a m e n t e tra n s p a re n te s a la ló g ic a d e u n b e n e fic io


q u e se e la b o r a e n u n c e n tro m u y le ja n o , sin o p o r q u e la
d e p e n d e n c ia c rea so c ie d a d e s d e u n tip o p a rtic u la r. D e s g ra ­
c ia d a m e n te , se h a n e s tu d ia d o poco las sociedades d e p e n ­
dien tes; a e llo se d e b e el q u e yo les h a y a d e d ic a d o u n lib ro
p u b lic a d o e n 1976. N o so n co lo n ias; tie n e n u n a a m p lia
a u to n o m ía . P ero la d e p e n d e n c ia las h a d e s q u ic ia d o : e n
ellas, la id e o lo g ía d irig e lo p o lític o , q u e d irig e lo e c o n ó m i­
co a n iv e l n a c io n a l, m ie n tra s q u e a l m is m o tie m p o u n
p o d e r e c o n ó m ic o e x tra n je ro d irig e d e s d e fu e ra su f u n c io ­
n a m ie n to .
E sto r e s u lta im p o r ta n te p a r a c o m p r e n d e r e l m o m e n to
m á s d ra m á tic o y re c ie n te d e la h is to ria la tin o a m e ric a n a , el
d e la U n i d a d P o p u la r. P o rq u e lo ca rac te rístic o es, a n te
to d o , el p r e d o m in io d e las acciones d e tip o p o lític o - id e o ­
lógico y la m u y d é b il c a p a c id a d p a r a d e sa rro lla r u n a
p o lític a e c o n ó m ic a . E sta f u e o b ra d e u n h o m b r e y d e u n
g ru p o ; y d e n in g ú n m o d o el re s u lta d o d e u n a d isc u sió n d e
las fu e rz a s p o lític a s y sociales. H a b ía u n a crisis d e s u b ­
p ro d u c c ió n ; V usk ov ic creyó e n to n c e s , e n 1 9 7 0 , q u e n o se
p o d ía r e la n z a r la e c o n o m ía a c re c e n ta n d o la o fe rta (la s p a ­
tro n a le s h a b í a n fr e n a d o sus in v ersio n es), y q u e p o r ta n t o
h a b ía q u e a u m e n ta r la d e m a n d a . P e ro el a s u n to n o f u e
b ie n lle v a d o e n p a r te p o r a u se n c ia d e c o n o c im ie n to s t é c n i ­
cos, p e r o s o b re to d o p o r q u e n o e x istía n las c o n d ic io n e s
p o lític a s p a r a e s ta ac ció n e c o n ó m ic a . E n e fe c to , a l r e la n z a r ­
se la p r o d u c tiv id a d se te r m in ó e n r iq u e c ie n d o a la b u r g u e ­
sía. La i d e a c o n sistía , e n to n c e s , e n q u e lu e g o el e s ta d o h a ­
b ría d e r e c u p e r a r to d o e ste d in e ro , lo q u e s u p o n ía u n a m u y
f u e r te p r e s ió n p o p u la r, u n a p o lític a re v o lu c io n a ria . A h o r a
b ie n , la U n i d a d P o p u la r se h a lla b a s itu a d a e n tr e te n s io n e s
in s titu c io n a le s m u y p recisas. Los c o m u n is ta s n o ib a n d e s ­
c a m in a d o s al a firm a r q u e e sta salid a re v o lu c io n a ria n o e ra
p o s ib le y q u e h a b ía q u e te rm in a r con e s a p o lític a e c o n ó m i­
ca. D e s p u é s d e lo c u a l ya n o h u b o p o lític a e c o n ó m ic a
n in g u n a ; la o le a d a p o p u la r se im p u s o y el e sta d o se c o n ­
fo rm ó c o n a b r ir c ré d ito s a las em p re sas e m b a rg a d a s , lo q u e
c o n trib u y ó a la d e s in te g ra c ió n e c o n ó m ic a , a u n a lz a d e la
in fla c ió n y a u n a d ra m á tic a d e sc o m p ó sic ió n d e l e s ta d o ,
d a d a s las p re s io n e s e c o n ó m ic a s y p o lític a s ejercid as p o r los
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 131

E stad o s U n id o s y la fu e rz a d e la c o n tra o fe n siv a d e la


d e re c h a y d e los p o se e d o re s.
La g ra n d ific u lta d c o n q u e se e n f r e n ta n to d o s los
m o v im ie n to s p o lítico s e n A m é ric a la tin a consiste e n q u e
no p u e d e n se g u ir u n a so la lín e a d e acción. S on m o v im ie n ­
tos d e clase, p e ro ta m b ié n n a c io n a lis ta s y al m ism o tie m p o
m o d e rn iz a d o re s , q u e lu c h a n c o n tr a la d u a lid a d im p u e s ta
p o r la d o m in a c ió n e x tra n je ra . T o d o g o b ie rn o , c u a lq u ie r a
q u e sea, d e b e m a n e ja r e ste tro n c o d e tre s caballos q u e v a n
en d irec cio n es d ife re n te s.
C h ile conoció la fr a g m e n ta c ió n d e estas d ife re n te s t e n ­
d e n c ia s. La contradicción p o r la q u e to d o s estos regím en es
m ueren reside en q u e una vida p o lític a y social d o m in a d a
p o r la depen den cia tien e d ificu lta d es para organizarse
alrededor de un agen te central d e desarrollo, e l estado. E n
estas so c ie d a d e s f r a g m e n ta d a s y d e s a rtic u la d a s, t o d o d a
p rio rid a d a las fu e rz a s d e base y, m ás a ú n , a las c o rrie n te s
id eo ló g icas, y p o r ta n to , a lo m ú ltip le . La a tra c c ió n d e los
e u ro p e o s p o r C h ile p ro v e n ía d e lo m is m o q u e d e te r m in a b a
la d e b ilid a d d e su ré g im e n : se e s ta b a e n relació n c o n u n
m o v im ie n to d e m o c rá tic o , e n el q u e las co e rcio n es d e l
o rd e n e ra n m ín im a s y d o n d e se e x p re sa b a n to d o s los i n t e ­
reses y to d a s las o p in io n e s . Es v e r d a d , se e s ta b a e n las
a n típ o d a s d e l m o d e lo c o m u n is ta , d e l m o n o p o lio d e u n
p a r tid o re v o lu c io n a rio . El a c to r c e n tra l n u n c a f u e u n
p a r tid o u o tro ; el ú n ic o a c to r q u e h a b r ía p o d id o se r d iri­
g e n te e ra la c e n tra l sin d ic a l, a la q u e A lle n d e q u e r ía c o n ­
v e rtir e n p ie d ra a n g u la r d e su ré g im e n . P ero ella n o p o d ía
s u s titu ir al p ro p io e sta d o . E n u n a so c ie d a d d o m in a n te y
e s ta b le , c o m o los E stad o s U n id o s , las fu e rza s so ciales, los
p la n te a m ie n to s sin d ic a le s, los m o v im ie n to s d e los n e g ro s
p u e d e n d esa rro llarse e n el in te r io r d e u n im p e rio . P o r el
c o n tra rio , la s itu a c ió n d e d e p e n d e n c ia im p o n e u n p a p e l al
e s ta d o . E n los países d e l E ste, d e s d e A le m a n ia h a s ta C h in a ,
en d o n d e la a u to n o m ía d e la s o c ie d a d era d é b il y d o n d e el
p o d e r d e l e sta d o a u to c rà tic o e r a a b s o lu to , el m o v im ie n to
social se a ju s tó al m a rc o d e l e s ta d o . T u v o co m o o b je tiv o la
to m a d e l esta d o ; se a p o d e ró d e él e im p u s o a la s o c ie d a d la
d ic ta d u r a d e u n p a r tid o . E n c a m b io , en los p a íse s d e
A m é ric a la tin a (y ta m b ié n d e A fric a o d e l m u n d o á ra b e ),
132 U N DESEO DE HISTORIA

la d e s a rtic u la c ió n d e la so c ie d a d p ro v o c a la o p o s ic ió n d e
dos lógicas q u e se d e s a rro lla n y q u e se e n f r e n t a n : la d e u n
sistem a p o lític o m u y in te g r a d o r y la d e fu e rz a s sociales e
id eo ló g icas m u y ex p lo siv as. E n a lg u n o s m o m e n to s es
p o sib le a d v e r tir (p ie n so e n el B rasil d e K u b its c h e k ) q u e se
c o n ju g a n e l p o p u lis m o y u n re fu e rz o d e l a p a r a to d e l
e sta d o , p e r o lo m á s fre c u e n te es q u e h a y a c h o q u e , o p o s i­
ció n e n tr e a m b a s ex ig en c ias. En u n p a ís e x tr e m a d a m e n te
d o m in a d o p o r el c a p ita l e x tra n je ro c o m o P e rú , la ac ció n
e sta ta l p u e d e c o n v e rtirse e n n a c io n a lis ta e i n t e n t a r c rear
su p ro p io p o p u lis m o — se le h a v isto d u r a n te o c h o a ñ o s
b a jo el im p u ls o d e V elasco . P e ro e n C h ile , así c o m o e n
A rg e n tin a , U r u g u a y y el B rasil d e los ú l t im o s a ñ o s a n te s d e l
g o lp e d e e s ta d o , se a d v ie rte , p o r el c o n tr a r io , c ó m o se
acelera la fra g m e n ta c ió n d e las fu e rz a s so ciale s e id e o ló g i­
cas, lo q u e p ro v o c a u n a in te rv e n c ió n d e l e s ta d o , p e ro q u e
se c o n v ie rte e n c o n tra rre v o lu c io n a rio , a n tip o p u lis ta . A q u í
in te rv ie n e el p e rs o n a je q u e h a p a s a d o a ser el m á s im p o r-
ta n te r d e l c o n tin e n te : el e jé rc ito .
En to d a s p a rte s d o n d e h u b o im p u ls o p o p u lis ta , h a y u n
c o n tra im p u ls o , re p re sió n m ilita r. El e jé r c ito es la ex p resió n
m ás p u r a d e l e s ta d o , salvo allí d o n d e é ste e stá d e sc o m ­
p u e s to , d o n d e se fo r m a n e jército s p riv a d o s , p e r o , ¿n o
q u ie re e s to d e c ir q u e el e sta d o se h a re d u c id o a u n n iv el
local? La in te rv e n c ió n d e los m ilita r e s se s itú a e n el
m o m e n to e n q u e la acció n d e las fu e rz a s p ro g re sista s,
a p u n ta n d o a u n a in te g ra c ió n so cial, p o lític a e id e o ló g ic a ,
llega a a c re c e n ta rse (o a c o n tra d e c irse c o n ) la d e sc o m p o si­
ción d e l e sta d o . E n c o n se c u e n c ia , la in te rv e n c ió n d e l
ejército es la re v a n c h a d e éste c o n tra las fu e rz a s p o p u la re s .
Lo q u e tie n e d o s s e n tid o s d ife re n te s . E l p r im e r o se in sc rib e
en la ló g ic a d e u n a a c u m u la c ió n c a p ita lis ta e f e c tu a d a b a jo
co n tro l e x tra n je ro . N o h a y q u e o lv id a r, p o r e je m p lo , q u e
u n asp e c to ese n cial d e la v id a e n B rasil d e sp u é s d e l g o lp e
d e e sta d o es la b a ja d e los salarios re a le s. El n u e v o e sta d o
tie n e , p u e s , u n p a p e l clásico d e re tro c e s o d e las re iv in d i­
caciones e n p ro v e c h o d e u n a a c u m u la c ió n c a p ita lis ta . P ero
se c o m e te ría u n e rro r caso d e c re e r q u e la re p re sió n se
explica ú n ic a m e n te así. E lla se s itú a , a s im ism o , e n u n a
p ersp e c tiv a n a c io n a lista , a n tip o p u lis ta , o p u e s ta al im p u lso
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 133

c o n ju n to d e las fu e rz a s p o p u la re s y d e u n a p a r te d e las
clases m e d ia s q u e ti e n d e a u n a p a r tic ip a c ió n a m p lia d a , u n
« co n su m o p o lítico » a c re c e n ta d o . E n c o n se c u e n c ia , ex iste
u n a in te rv e n c ió n d e l e sta d o q u e es m e n o s p r o c a p ita lis ta
q u e c o n tra p o p u lis ta y, al m ism o tie m p o , n a c io n a lis ta . A
esto se d e b e q u e se a d v ie rta , e n t o d a A m é ric a l a tin a , al
m is m o tie m p o q u e el d esa rro llo d e l c a p ita lis m o e x tra n je ro
y la re p re s ió n c o n tra las fu e rza s p o p u la re s , los p ro g re so s
d e l c a p ita lism o d e e s ta d o , y la c re a c ió n d e g r a n d e s
e m p re sa s p ú b lic a s. Y p o r ello e x iste n sie m p re d o s lógicas:
la d e l d esa rro llo c a p ita lis ta d e p e n d ie n t e en la q u e se
aso cian — n o sin te n s ió n — las e m p re sa s e x tra n je ra s y las
e m p re sas p ú b lic a s, y la d e la in te g ra c ió n re p resiv a a n t i p o ­
p u lis ta . Los q u e d e f in e n a los g o b ie rn o s m ilita re s sólo
co m o a g e n te s d e l im p e ria lis m o a m e ric a n o o e u r o p e o se
e q u iv o c a n . C o n o c e m o s p o r cierto el p a p e l e x tr e m a d a m e n ­
te d ire c to d e l D e p a r ta m e n to d e e s ta d o e n C h ile o B ra sil, el
d e la C IA e n B olivia t a n t o co m o e n C h ile . Su in te rv e n c ió n
e n la re p re s ió n a n t i p o p u l a r y e n la ac ció n p a ra d e r ro c a r a los
re g ím e n e s d e iz q u ie r d a es c o n s ta n te y d ire c ta . P e ro si se
a firm a d e m a n e ra d e m a s ia d o u n ila te ra l la u n id a d d e l e s ta d o
y d el c a p ita lism o e x tra n je ro , se u b ic a a las fu e rz a s d e o p o ­
sición fr e n te a u n m u r o in f r a n q u e a b le y creo q u e e llo
s u p o n e d a r p m e b a s d e u n p e s im is m o excesivo. P o r el
c o n tra rio , p ie n so q u e d e h e c h o n o s e n f re n ta m o s h o y c o n
dos ad v ersarios, m u y a m e n u d o a lia d o s , p e ro q u e t a m b i é n
p u e d e n sep ararse: el e sta d o e n ta n to q u e a g e n te d e u n a
a c u m u la c ió n c a p ita lis ta d e p e n d ie n te y el e s ta d o c o m o
fu e rz a d e re p re sió n a n tip o p u lis ta . A m b o s se u n e n c u a n d o
se v en a m e n z a d o s p o r las fu erzas p o p u la re s , es d e c ir, e n el
m o m e n to d e l g o lp e d e e sta d o . P e ro tie n d e n a s e p a ra rs e
c u a n d o el p o d e r d e l e s ta d o está m e jo r e s ta b le c id o y
c u a n d o la e c o n o m ía p ro g re sa . La d is ta n c ia q u e se c rea
e n tre estas dos ló g ic a s estata le s es la q u e los o p o s ito re s
p u e d e n u tiliz a r.
T o m e m o s el e je m p lo d e B rasil: co n o c ió u n a f u e r te
p e n e tra c ió n d e e m p re sa s e x tra n je ra s y n o se p u e d e n c ita r
g ra n d e s d ecisio n es ec o n ó m ic as d e l g o b ie rn o b r a s ile ñ o
d e sd e h ac e d o ce a ñ o s, q u e sean c o n tra ria s a los in te re s e s d e
las e m p re sa s m u ltin a c io n a le s ; al m is m o tie m p o se h a
134 UN DESEO DE HISTORIA

im p u e s to u n n a c io n a lis m o a n tip o p u lis ta , so b re to d o b a jo


los p re s id e n te s C o s ta e S ilv a y M ed ici. A h o r a b ie n , a c tu a l­
m e n te , b a j o G e is e l, q u e f u e d ire c tiv o d e la m a y o r e m p re s a
p ú b lic a — P e tro b ra s — c o h a b ita n a m b a s te n d e n c ia s . P o r
u n a p a r te , la te n d e n c ia re p re siv a a n tip o p u la r y, p o r o tra ,
u n a t e n d e n c ia a l re fu e rz o d e l a p a ra to e c o n ó m ic o d e l
e s ta d o c o m o m e d io d e in c o rp o ra c ió n al m u n d o c a p ita lis ta ,
lo q u e p u e d e lle v a r a u n a v o lu n ta d d e a m p lia r el m e rc a d o ,
y e n c o n s e c u e n c ia , a d e s a rro lla r la clase m e d ia y o to rg a r le
d ere c h o s e c o n ó m ic o s, c u ltu ra le s y p o lític o s q u e le c o n v e n ­
g a n . D e a h í la lib e ra liz a c ió n d e l ré g im e n a n te s y d e s p u é s
d e las e le c c io n e s d e 1 9 7 4 , d e te n id a u n o s m eses d e sp u é s d e
q u e la o p o s ic ió n h u b ie s e g a n a d o las elec cio n es, p e r o q u e
n o f u e s u p r im id a . E sta distensao, c o m o se la lla m a , este
lib e ra lis m o d e clase d ir ig e n te , q u e c ie r ta m e n te n o tie n e
n a d a d e d e m o c rá tic o , n o p u e d e se r c o n f u n d id o c o n e l
n a c io n a lis m o re p re siv o q u e o rig in ó el a c ta in s titu c io n a l n . °
5 , d e d ic ie m b re d e 1 9 6 8 , c re a n d o u n a v e r d a d e ra d ic ta d u r a .

P inochet: d e l ascenso b r u ta l a la caída p o s ib le

R e s u lta m ás d ifíc il h a b la r d e C h ile , p e ro es ta m b ié n


alg o m ás i n m e d i a t a m e n t e im p o rta n te . P ese a la a p a r e n te
u n id a d d e la « ju n ta» m a n te n g o m i h ip ó te s is c e n tra l.
A firm o q u e e x is te n d o s lógicas d ife re n te s e n la p o lític a d e
la ju n ta . M i so rp re sa s u rg e a n te el h e c h o d e q u e u n a d e
a m b a s s ig a p re v a le c ie n d o , c u a n d o yo p e n s a b a q u e se ría
m á s r á p id a m e n te s u p e r a d a . M e ex p lico : la ló g ic a q u e
d o m in a a C h ile , d a d a la p o d e ro sa fu e rz a d e la m o v iliz a ­
c ió n p o lític a a n te s d e s e p tie m b re d e 1 9 7 3 , es la d e la v io ­
le n c ia re p re s iv a . P in o c h e t es el h o m b re d e la re p re s ió n y d e
la C IA . E c o n ó m ic a m e n te , él h a sacad o a d e la n te a los v iejo s
g ru p o s fin a n c ie ro s y n o a la b u rg u e s ía in d u s tria l. D e s tru y ó
a la clase m e d ia a s a la ria d a , y p o r ta n to e l m e rc a d o d e los
p ro d u c to s in d u s tria le s , y así h iz o re tr o c e d e r e c o n ó m ic a ­
m e n te a l p a ís . S u p r in c ip io c e n tra l d e g o b ie rn o es la r e p r e ­
sió n c o n tra rre v o lu c io n a ria . Se situ ó al o tro la d o d e los
c o m ie n z o s m ás m o d e ra d o s d e l p o p u lis m o , a n te s d e 1920.
P o lític a q u e s u p o n ía la lle g a d a m a siv a d e in v e rsio n e s
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 135

e x tra n jeras y u n a s u m is ió n to ta l d e l p a ís a los b e n e fic io s d e


éstas. P e ro estas in v e rsio n e s n o lle g a ro n . El g o b ie r n o
recibió m u c h o d in e ro d e l g o b ie rn o a m e ric a n o , p e r o p a r a
so b rev iv ir. N o o b tu v o in v e rsio n e s p ro d u c tiv a s p o r q u e a los
g ra n d e s c a p ita lista s les r e p u g n ó in v e rtir e n u n p a ís q u e se
lib ra b a a s e m e ja n te re p re s ió n y q u e d e s tru ía el m e rc a d o
in te rn o . E sta ló g ica d e P in o c h e t, q u e es c o n tra rre v o lu c io ­
n a ria , es d ife r e n te d e u n a ló g ic a n a c io n a lista , y m á s p r o ­
p ia m e n te fascista, q u e b u s c a u n d esa rro llo d e l a p a r a to d e
esta d o y, e n c o n se c u e n c ia , el a p o y o d e u n a clase m e d ia
su p e rio r. E l g e n e ra l L e ig h , je fe d e la av ia c ió n , r e p r e s e n ta
e sta te n d e n c ia . Y o creí q u e la te n d e n c ia c o n tra rre v o lu c io ­
n a ria c e d e ría b a s ta n te r á p id a m e n te el sitio a la te n d e n c ia
fascista. S in e m b a rg o , el p r im e r in c id e n te serio só lo se
p r o d u jo e n n o v ie m b re d e 1975. U n a c o n v e rg e n c ia d e la
o p o sic ió n c ris tia n o d e m ó c ra ta y d e la o p o sic ió n m ilita r
a m e n a z ó a P in o c h e t. E sta a m e n a z a f u e a le ja d a . La p r e s e n ­
cia d e K issin g er e n el D e p a r ta m e n to d e E sta d o e r a u n a
b a z a im p o r ta n te p a r a el d ic ta d o r . El n u e v o p r e s id e n te
a m e ric a n o h a b r ía d e h a c e r p e lig ra r a P in o c h e t y a p o y a r
u n a p o lític a d e d e sa rro llo e c o n ó m ic o c a p ita lis ta y a u to r i­
ta ria , u n e sfu e rz o p a r a re c o n s tru ir u n se c to r e c o n ó m ic o
p ú b lic o y, e n c o n se c u e n c ia , p a r a recrear u n a clase m e d ia
q u e c o n s titu y a el m e rc a d o in d is p e n s a b le p a r a los p r o d u c ­
to s in d u s tria le s. E sfu e rz o a p o y a d o e n e m p re sa s in d u s tria le s
ta n to n a c io n a le s c o m o e x tra n je ra s. Lo q u e n o e lim in a ría la
re p re s ió n . E sta s o lu c ió n n o es e n sí d e m o c r a tiz a d o r a , y n o
h e c re íd o , d e sd e h a c e c u a tr o a ñ o s, e n la p o s ib ilid a d d e u n a
' a p e rtu ra lib e ra l e n C h ile . P e ro la lu c h a e n tr e las d o s t e n ­
d en c ia s m ilita re s , q u e ta r d e o te m p r a n o d e b e rá im p lic a r la
e lim in a c ió n d e P in o c h e t, p u e d e c re a r u n a s itu a c ió n e n la
cu al a lg u n o s re p re s e n ta n te s d e la clase m e d ia in te r v e n d r ía n
e n las lu c h a s in te rn a s d e la j u n t a p a r a p ro c u ra r i n tr o d u c ir
sus o b je tiv o s, q u e n o r m a lm e n te d e b e n s u p o n e r u n a c ie rta
lib e ra liz a c ió n . T o d a v ía h a y q u e s e g u ir s ie n d o c o n s c ie n te s
d e q u e este ju e g o c o n tin ú a e x c lu y e n d o a las fu e rz a s p o ­
p u la re s.
E n B rasil, la u tiliz a c ió n d e e s ta d is ta n c ia e n tr e las d o s
lógicas d o m in a n te s es la ú n ic a p o lític a p o s ib le p a r a e l
M D B , el p a r tid o d e o p o sic ió n . E stas e stra te g ia s d e re a p e r-
136 UN DESEO DE HISTORIA

tu r a p o lític a so n riesg o sas, ti e n e n p o cas p o s ib ilid a d e s d e


ésito en lo in m e d ia to , p e r o so n las ú n ic a s p o s ib le s a larg o
p la z o . E n e l caso c h ile n o h a y q u e o to rg a r u n a p r io r id a d
a b s o lu ta a l d e rro c a m ie n to d e la p o lític a e s tric ta m e n te c o n ­
tra rre v o lu c io n a ria y re tr ó g r a d a d e P in o c h e t, s a b ié n d o s e sí
q u e ello lle v a rá a n te to d o a u n d e sa rro llo e c o n ó m ic o c a p i­
ta lis ta p e rifé ric o . T a l so lu c ió n , e n la p re s e n te c o y u n tu ra ,
n o lle g a rá p r o b a b le m e n te a p o n e r f in a la re p re s ió n , p e ro
p u e d e lim ita r la e , in c lu so — p e ro esto se e n c u e n tr a m ás
a llá d e m is e sp e ra n z a s p e rs o n a le s — , p e r m itir la re a p a ric ió n
d e u n m í n im o ju e g o p o lític o . D o s m a n a d a s d e lo b o s lu c h a n
e n tre sí. E s to ya es algo a le n ta d o r: se p u e d e e s p e ra r q u e los
lo b o s se d e v o re n u n o s a o tro s.
El a p la s ta m ie n to d e las fu e rz a s p o p u la re s o la e v o lu ­
c ió n h a c ia la d e re c h a d e re g ím e n e s n a c io n a lista s h a n c o n ­
s o lid a d o s u fic ie n te m e n te la d o m in a c ió n d e los ricos y d e l
esta d o c o m o p a ra q u e se p u e d a o p e r a r u n a c ie rta a t e n u a ­
ció n d e la re p re s ió n , lle v a n d o a u n a b u e n a p a r te d e
A m é ric a la tin a h a c ia la m e z c la d e p ro g re sism o y d e
re p re s ió n , d e n a c io n a lis m o y d e su m isió n a lo s in te re se s
e x tra n je ro s q u e c a ra c te riz a a M éxico.
N o p u e d o evocar los p ro b le m a s d e A m é ric a la tin a sin
q u e v u e lv a n a m i m e m o r ia los ú ltim o s a ñ o s — q u e yo
viví— d e l a U n id a d P o p u la r . V iv í el g o lp e d e e s ta d o e n
S a n tia g o . E n la m a ñ a n a d e l 11 d e s e p tie m b r e , in m e d i a t a ­
m e n te d e s p u é s d e h a b e r e sc u c h a d o los c o m u n ic a d o s d e
a m b o s b a n d o s p o r ra d io , p a r tí a p ie h a c ia e l c e n tro d e la
c iu d a d q u e se v a c ia b a d e e m p le a d o s , e v ita n d o a lg u n o s
tiro s s o b re la a v e n id a c e n tra l. M e in s ta lé e n el vacío
d e sp a c h o d e u n m in is tro a d o sc ie n to s o tre s c ie n to s m e tro s
d e l p a la c io p re s id e n c ia l, q u e vi b o m b a rd e a r. D e jé el
ce n tro a n te s d e l t o q u e d e q u e d a . N a d a se m o v ía e n la
c iu d a d . L os b a rrio s p o p u la re s e s ta b a n e n silen cio ; e n las
zo n as re s id e n c ia le s, las casas te n ía n iz a d a la b a n d e r a , co m o
lo h a b ía p e d id o la j u n t a . La lín e a q u e s e p a ra b a el jú b ilo
d e l a p la s ta m ie n to e ra la f r o n te r a q u e se p a ra a la b u rg u e s ía
d e l p u e b lo . A l c a m in a r p o r las a v e n id a s vacías re c o rd a b a
las ú ltim a s se m a n a s d e ju lio y a g o sto , c u a n d o S a n tia g o
vivía el asc en so d e l p o d e r p o p u la r . P or su la d o , lo s s in d i­
cato s o r g a n iz a b a n m a n ife sta c io n e s , p e ro p a siv a s. A p rin c i-
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 137

p ío s d e m es» u n a m a n if e s ta c ió n p a r a a p o y a r el in g re s o d e
los m ilita re s en el g o b ie r n o y, fin a lm e n te , u n m i t i n d e
s o lid a rid a d c o n el g e n e ra l Pra.ts, q u e a c a b a b a d e s e r o b li­
g a d o a d im itir. A s u n to s a c e p ta b le s , p e ro p o co n a tu r a le s
co m o p a r a m o v iliz a r el e n tu s ia s m o p o p u la r. M ie n tra s
los o ra d o re s o ficiales se e s fo rz a b a n p o r ex p licar la p o lític a
g u b e r n a m e n ta l, e s c u c h a b a m u y cerca d e m í a u n g ru p o
im p o r ta n te d e m ilita n te s d e l M IR y d e o tras o rg a n iz a c io n e s
d e e x tre m a iz q u ie r d a q u e c o re a b a n la co n sig n a d e l p o d e r
p o p u la r. S e n tía , a la v e z , la crisis p o lític a , el asc en so d e las
fu e rza s p o p u la re s y la c re c ie n te d iso ciac ió n d e l i m p u ls o
social y d e las in s titu c io n e s . E sta b a im p re s io n a d o p o r el
p eso d e io s m o v im ie n to s d e b ase y p o r la a m p l i t u d d e l
d esfile d e l 4 de s e p tie m b r e . V i al p u e b lo , m e d io m i ll ó n o
u n m illó n d e p e rs o n a s , d e s fila n d o a n te la M o n e d a , a n te
A lle n d e . S eg u í p o r g ra n p a r te d e la c iu d a d a las c o m itiv a s ,
a sus p a n c a rta s y a los c a m io n e s ca rg a d o s d e h o m b r e s y
m u je re s. P ese al h u n d i m ie n to e c o n ó m ic o d el s is te m a , el
ap o y o p o p u la r a A lle n d e era p o d e ro s o , e n n a d a m a n i p u l a ­
d o p o r las o rg a n iz a c io n e s. P ero e ra a q u é l u n p u e b l o sin
e sta d o y s in d irec ció n p o lític a , p o r q u e , a p e n a s se d e j a b a a
la m u l t i t u d en m o v im ie n to p a ra re fle x io n a r, se s e n t í a p o r
to d a s p a r te s la d u d a e , in c lu so , la im p o te n c ia . Y o vivía,
a la v e z , co n v e n c id o d e la e x tre m a d a g ra v e d a d d e la
crisis y e n esp era d e u n a n u e v a in ic ia tiv a p o lític a d e l
g o b ie rn o . S ab ía, al ig u a l q u e to d o s , q u e la d e r e c h a p r e p a ­
ra b a ac tiv an o en te u n a a c c ió n , s e n tía la a m e n a z a , p e r o , p o r
cu rioso q u e p a re z c a , n o se n tía a lre d e d o r d e m í m o v iliz a ­
ció n a lg u n a con vistas al e n f r e n ta m ie n to . N a d ie , a l m e n o s
d e la iz q u ie rd a , e sp e ra b a c o n c la rid a d el d e s e n c a d e n a ­
m ie n to d e l g o lp e d e e sta d o . Lo a te s tig u a n así m is e n c u e n ­
tro s d e la p ro p ia v ísp era d e l g o lp e , el lu n e s. P or la m a ñ a n a
fu i a ver a u n o d e m is a n tig u o s e s tu d ia n te s , m u y lig a d o al
viejo m in is tro d e e c o n o m ía . E ste m e in v itó a c e n a r la
n o c h e s ig u ie n te ; e n la ta rd e d e ese m ism o lu n e s p a s é p o r
m i d e s p a c h o d e la fa c u lta d d e so cio lo g ía y fui a e s c u c h a r
u n a c o n fere n cia d ic ta d a p o r u n so ció lo g o esp a ñ o l s o b re los
p ro b le m a s del fra n q u is m o y la g u e rra civil e s p a ñ o la . A m i
la d o se h a lla b a u n am ig o esp a ñ o l q u e e ra el c o n s e je ro m ás
ín tim o d e A lle n d e . A las siete d e la n o c h e , d e s p u é s d e
138 UN DESEO DE HISTORIA

haber hablado de España, nos separamos y me dijo: «Voy a


casa del presidente». Volví a ver en París a este amigo,
que casi milagrosam ente escapó a la m uerte, ya que al día
siguiente estaba en la Moneda, con Allende. Anécdota
que prueba que en el centro del sistema se ignoraba to d o ,
la noche del 10, sobre el golpe de estado ya en marcha. Y
en ese país en el que el movimiento popular parecía tan
fuerte, donde un desencadenam iento popular había res­
pondido a principios del verano a u n intento de golpe, no
pasó casi nada durante las horas que siguieron al golpe de
estado. Vivía yo bastante cerca de una zona industrial
im portante y por la noche escuché disparos; inmovilizado
por un toque de queda de treinta y seis horas, imaginaba
un amplio levantam iento popular. De hecho, la capacidad
de lucha arm ada era débil. No hay muchos ejemplos de un
movimiento popular tan am plio, detenido por un golpe
de estado tan bruscamente, sin lucha. Esto no fue así por
ausencia de convicción, sino m aterialm ente por falta de
armas, y sobre todo por fragmentación, desintegración de
una capacidad política em pleada en u n estado en ruinas.
Las fuerzas armadas pudieron actuar con efectivos lim ita­
dos: dos aviones girando alrededor del palacio presidencial
y dejando caer las bombas que lo incendiaron, un desta­
camento m ilitar en el cuartel central, pero bastante débil
al comienzo; había pocas tropas visibles en el resto de la
ciudad. Patética contradicción entre la movilización p o p u ­
lar y el vacío de estado, la ausencia de capacidad de acción
central y m ilitar por parte del gobierno popular. La m uerte
voluntaria de Allende, prácticamente solo en la Moneda,
es el símbolo a la vez del coraje y de la impotencia de la
Unidad Popular. Se sacrificó, no quiso desatar una guerra
civil que consideraba perdida de antem ano. Después de él
llegó la barbarie.
Mi últim a imagen de Chile es de algunos días después,
la misma víspera de mi partida: la últim a visita que
efectué, con dos o tres amigos, a Pablo N eruda, m uerto,
trasladado el día anterior a su casa, al pie del cerro San
Cristóbal. Esta casa había sido saqueada, los cristales rotos,
los libros quem ados, verosímilmente por grupos de extre-
1 . 1 r* i 1 i r i
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 139

continente, parecía abandonado en su ataúd, rodeado so­


lam ente por su m ujer y cuatro o cinco amigos fieles. Algo
después llegaron los embajadores de Suecia y de Francia.
N eruda murió con su país, con una civilización. En el
m om ento en que yo tom aba el avión, al día siguiente, se
efectuaba su patético entierro, en el que la m u ltitu d se
atrevió a cantar La Internacional acompañándolo al cemen­
terio general. Este hom bre había sido aceptado, reconoci­
do como el símbolo del país y del continente por casi todas
las categorías sociales; moría rechazado, era enterrado por
sus compañeros de lucha, primera víctima, ya, de la repre­
sión. No he vuelto a ver los Andes dom inando a Santiago,
las minas de carbón a la orilla del m ar, el cobre al pie de
los volcanes, en el desierto del Norte. Aguardo con espe­
ranza que desaparezca Pinochet, que haya voces que
vuelvan a hacerse escuchar en Santiago.

Quebec libre

Dejemos, sin olvidarlo, este m undo al que ahora hay


que intentar entender a través de su silencio obligado,
para volver a encontrar, en otro sitio, los mismos proble­
mas. Lo que me gustó de América latina es el esfuerzo de
pueblos, de naciones, de trabajadores por recuperar su
existencia nacional, su capacidad de acción, su in d ep en ­
dencia. Esos países querían alcanzar más conciencia.
Encontré esta necesidad, más fuerte aún, en un rincón de
América del Norte. Amo a Quebec. N o creo q u e ello se
deba principalm ente a que allí se habla francés, sino más
bien porque nosotros, franceses, que tenem os la costumbre
de ser colonizadores, experimentamos u n choque cuando
aquellos que hablan nuestra lengua son colonizados. En
Montreal, los barrios ricos hablan inglés y los barrios
pobres, francés. En las fábricas, en los cuarteles, p o r todo
se observa a gente que se niega a hablar francés porque
esto supondría cerrarse las vías del ascenso social. Ca­
nadá, y en especial Quebec, está sometido a la lógica de
la dependencia: omnipresencia de la dominación extran­
jera, autonom ía del espacio político, papel im portante de
140 UN DESEO DE HISTORIA

los intelectuales, am bigüedad de la burguesía, que es


menos una burguesía nacional que u n apéndice de u na
burguesía extranjera, debilidad política de una clase obrera
cada vez más apresada en la red de los sindicatos ameri­
canos. Esta desarticulación de las sociedades dependientes
es extremada en Quebec, donde se convierte en una
fragmentación total de la identidad de los habitantes, que
son, a la vez, de cultura francesa, canadienses y norteam e­
ricanos. Buzos alzados demasiado rápidam ente, m ucha­
chos o muchachas de veinticinco años que, hace diez, en
las escuelas religiosas secundarias recibían como modelo de
conducta a Bayard, los cruzados, quizás a Ju an a de Arco,
seguramente a San Luis, y que en pocos años son trasla­
dados de u na edad media de leyenda a un siglo XX
dominado por una gran m etrópoli, por empresas m oder­
nas y la aprem iante proximidad de los Estados Unidos.
Gente a la vez pesimista, frágil, sin raíces, dividida en esa
desarticulación extremada de la sociedad de que ya hablé y
que vive difícilm ente el doble movimiento de super-
desarrollo social e ideológico y de difícil constitución de un
estado como agente de transformación histórica.
Hay que preguntarse si habrá, y a qué nivel, encuentro
y alianza entre la voluntad de creación de u n estado
nacional y el desarrollo de las fuerzas sociales e intelec­
tuales internas. Las relaciones entre el movimiento sindical
y el nacionalismo, que es pequeño burgués, han sido difí­
ciles. La victoria electoral del PQ, ¿favorecerá su conjun­
ción? El caso de Quebec es menos trágico que el caso de
los países latinoamericanos, pero tam bién aquí la cuestión
consiste en saber si habrá nexo entre las fuerzas sociales y
el estado, o si u n estado pequeño burgués que administre
la dependencia habrá de ser combatido desde fuera por
fuerzas sociales e intelectualers que naveguen en la ficción.
René Levesque llega a prim er ministro después del fracaso
de los liberales desechados por una coalición de descon­
tentos más que por u n impulso independendsta. Una vez
más, tem o u n a política solamente integradora, populista,
que no se atreva a encargarse claramente del conjunto de
tareas de u n estado. Pero si bien me preocupo, me siento
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 141

las posibilidades nacionales de un Q uebec que con bastan­


te prem ura debe elegir entre, por un lado, el retroceso
anunciador de una desaparición próxima y, por el otro, la
responsabilidad nacional.

Portugal: la cabeza y los pies

Q uerría, dejando de lado el continente americano,


hacer otro alto, en Portugal. En Quebec, el gran peligro es
la incorporación a América. Portugal, ese país dom inante-
dom inado, que ha creado su propia dependencia im po­
niendo su dominio a sus colonias, fue incapaz de crear su
propia transformación social y política. La sociedad y el
estado se han disociado. En ese Portugal asfixiado por su
propia locura colonial y reaccionario en la época d e Salazar
y de Caetano, un golpe de estado creó u n poder m ilitar y,
detrás de ese poder (y en cierta m edida en su interior), el
partido comunista, que había sido la principal fuerza orga­
nizada de la oposición al fascismo y había sufrido una
represión muy dura, se esforzó por apoderarse del m ando
de la sociedad. Lógica militar y política totalm ente cons­
truida en la cúspide. Lo que no quiere decir que no ocu­
rriese nada en la base. Todo se agitó en el cam po, en las
fábricas, en los barrios: ocupación de tierras, comités de
barrio, consejos de fábrica. Pero incluso allí donde el PC
intervino más directam ente, aquéllo se produjo an te todo
para controlar, para dirigir, mucho más que para desarrollar
esos movimientos de base. Y, por su parte, esos comités no
podían intervenir en un plano propiam ente político.
D urante mis estancias en Portugal me vi constantem ente
sorprendido por esta distancia entre la vida política en la
cúspide y las transformaciones sociales de base. Los diarios
de Lisboa dedicaban poco espacio y escaso interés a las
transformaciones sociales. El verano de 1975 fue un gran
período de ocupación de tierras en el Sur; los diarios de
Lisboa prácticamente no hablaban de ello. Finalm ente,
esta disociación condujo al fracaso absoluto de la política
del PC al mismo tiempo que al de las ilusiones de Otelo.
Volvió la victoria de la buena gente. Se evitó lo peor. La
142 UN DESEO DE HISTORIA

victoria com unista habría conducido inevitablemente a la


guerra civil, y Portugal evitó una dictadura de extrema
derecha. El país se repliega hacia una socialdemocracia
levemente inclinada a derecha debido a la experiencia de
la lucha con los comunistas. Viví esta historia con angustia
y con dos sentim ientos encontrados. Tiendo a reafirmar el
primero. Estaba en Portugal en julio de 1975, en el
m om ento d e la mayor presión de los comunistas y de al­
gunos elem entos del ejército, sobre todo del Copcon, con
el PS. Estuve en el m itin del PS que las fuerzas del Copcon
intentaron im pedir presionando directamente. Estuve en
la tribuna con Mario Soares y no procuro disimular que mi
posición era entonces, y lo sigue siendo, de hostilidad
respecto al PC portugués, que sólo podía llevar a la dicta­
dura más extrem ada o a la guerra civil. Creo que la actitud
defensiva d el PS tenía una base social mucho más fuerte y
m e siento, a este nivel, solidario contra la política de
Cunhal. Y sin embargo, nunca pensé que el PS pudiese
representar, por sí mismo, la solución conveniente para
Portugal. U n país tan dependiente, tan periférico en rela­
ción con el centro del capitalismo, no podía depositar su
suerte en u n a vaga socialdemocracia. He creído, y creo aún
que Portugal rozó la única solución positiva, la solución
tercerm undista propiciada por Meló Antunes y que, por
cierto, en el espíritu de éste, no era imaginable sin la par­
ticipación de Otelo. Solución nacionalista y populista,
alejada, por la propia naturaleza de la sociedad portugue­
sa, de una transformación revolucionaria dirigida por un
aparato doctrinario. Esta situación que había visto diseñar­
se desde m i primera estancia fracasó en particular a causa
de la actitud de Otelo. En el m om ento de su detención,
después del 25 de noviembre, en una declaración de
prensa, reconoció en algunas frases que la solución era la
que le había propuesto Meló Antunes. Pero ocurrió que se
encaminó en otro sentido; se dejó arrastrar por fuerzas
políticomilitares izquierdistas, cuya capacidad de acción
era, en realidad, m uy débil y que incluso se reveló ridicula
el 25 de noviem bre. Lo cual no podía tener sentido, salvo
que se intentase lo imposible, es decir la alianza con los
comunistas; pero ¿quién puede creer que la alianza de
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 143

izquierdistas y comunistas puede ser una alianza sólida y


que no sea otra cosa que la del devorador y el devorado?
¿Y cómo, en 1975, se puede tom ar a Cuba como m odelo
de una revolución popular, cuando este país se halla lejos,
tan lejos, de la imagen entusiasmada que había dado en
sus comienzos? Esta predisposición aventurista de Otelo,
tanto como la demasiado larga resistencia de Vasco
Gonfcalves, explican que no se haya podido in ten tar la
solución que denomino tercermundista o nacionalpopulis-
ta. A partir de ese m om ento había que elegir pura y
simplemente entre la solución militarcomunista — que ya
se descomponía, porque la mayoría de los militares no
querían pasar a estar bajo control comunista— y la
solución social demócrata de derecha, que nos rem ite, por
otra parte, al período 1910-1926, que terminó m uy m al y
que sólo podía significar una especie de incorporación
periférica de Portugal al m undo capitalista europeo. No
tengo un juicio negativo sobre la solución que se adoptó:
creo que la solución actual im pidió lo peor; Portugal no se
halla en un baño de sangre. ¡Pero qué repugnante lodazal!
¡Qué prueba más dramática de la disociación, fatal para
los países dependientes, entre una lógica del estado (que
aquí fue la de los comunistas y del ejército) y la de fuerzas
sociales e ideológicas estatal y económicamente irresponsa­
bles! Portugal conoció esta extremada fragmentación, que
finalmente se tradujo en una doble anulación de las
fuerzas estatales y de las fuerzas revolucionarias, en un
triunfo de la ciénaga y en la autodestrucción de todas las
posibilidades de la sociedad portuguesa.

A favor de los palestinos

En el paso de uno a otro tem a, y comunicando mis


reacciones ante lo que vi o viví, me expongo a que se me
reproche incoherencia: en Chile hablo favorablemente de
los comunistas; en Portugal, todo lo contrario. Pero
¿dónde está la contradicción? Lo que ante todo me
importa en este m undo llamado en desarrollo es la posi­
bilidad de un pueblo de actuar sobre su porvenir. Lo que a
144 UN DESEO DE HISTORIA

la vez supone — y toda la diferencia reside ahí— movili­


zación popular, y por tanto acción de clase, y capacidad
estatal de decisión. ¿Cómo hacer que surja esta elección
principal sin manifestar, para term inar, mi adhesión a la
causa palestina? El problema de Israel y los palestinos ea el
único que dividió al pequeño m undo en el que trabajé y
viví. N o vi que mis amigos se opusiesen unos a otros a
propósito de la guerra de Argelia o de la guerra de Indo­
china: todos se oponían a ellas. N o los vi dividirse en 1958
respecto a la llegada de de Gaulle al poder: prácticamente
nunca escuché a mi lado peroratas gaullistas. Pero en el
m om ento de la guerra de Jos seis días, gente muy cercana
una a otra firmó declaraciones que separaban a aquellos
que defendían la existencia de Israel de quienes defendían
la causa árabe. En el plano de las ideas, cuando conocí por
prim era vez el Líbano y pude tom ar contacto directo con el
problem a palestino, tenía orientaciones próximas a las del
N ouvel Observateur, vale decir que había que reconocer la
existencia de Israel y la de los palestinos, crear un hogar
nacional palestino y las condiciones internacionales que
perm itiesen una coexistencia de ambos estados, pero no
tenía conocimiento directo del problem a palestino. Me
interesé más directamente en él en el curso de mi
segunda estancia en el Líbano. D ediqué casi todo m i
tiem po a encuentros con dirigentes de los diferentes movi­
mientos, sobre todo con Hawatmé, el jefe del FDPLP, y
visité campos de refugiados. A partir de ese m om ento
pensé que el problema principal no es el de las relaciones
entre las comunidades (sunita, m aronita, chiita, drusa,
etc.), sino ante todo el de la transformación política del
m undo árabe. El gran problem a es, más allá de un movi­
m iento nacionalista árabe, la formación de estados nacio­
nales asociados no a burguesías nacionales, sino a peque-
ñoburguesías nacionales, reforzadas bajo Sadat, y que
rigen la acción de Assad en Siria. El «frente del rechazo», y
sobre todo el FPLP, insta desesperadamente a esta unidad
árabe que, lo creo, se eclipsa inevitablem ente tras la for­
mación de los estados nacionales y sus conflictos. De ahí la
urgencia de la constitución de u n estado palestino; ligar la
suerte de la nación palestina a un gran movimiento ara­
AMERICA LATINA. LA DEPENDENCIA 145

bista no tiene salida. En cambio, la creación de u n hogar


nacional (Cisjordania y Gaza, para empezar) es funda­
mental, porque solamente a partir de la transformación de
la región en estados nacionales y a partir de perspectivas de
desarrollo económico ofrecidas por el petróleo, estos países
podrán ver desarrollarse luchas sociales, separaciones entre
las clases que se desarrollarán transversalmente a las fron­
teras estatales N o veo otra solución que la creación de
estados nacionales (situación peligrosa pero inevitable).
Hawatmé tiene razón cuando acepta, por esta razón, la
alianza con los objetivos del Fath, sabiendo que chocará
con los dirigentes del estado palestino. El sabe que el des­
arrollo de una dinámica social será lento y difícil. El p ro ­
blema palestino rige el problema libanes. Si se aísla éste,
sólo se puede ir hacia el caos. El Líbano conoce u n a doble
desarticulación, ya que por un lado la comunidad maroni-
ta — y las comunidades cristianas en general— se ha sos­
tenido contra el imperio turco (no sin dificultades; basta
con pensar en la suerte de los armenios), y en consecuencia
busca defenderse y sobrevivir. Pero el Líbano cristiano es
también una burguesía financiera, especuladora, incapaz
de realizar el desarrollo económico del país y que siempre
hizo fracasar los intentos de modernización nacional, como
la del general Chehab, pese al apoyo que le brindaban
algunos empresarios dinámicos. Si se añade que la super­
posición del problema palestino y de la doble desarticu­
lación de la sociedad libanesa crea una situación favorable
a la rivalidad de las grandes potencias —cómo com pren­
der pues la situación sin referirse a la rivalidad franco-
británica, y luego americano-soviética— , se entiende que el
estallido de la situación sea perm anente y que todo se
conjugue para arrastrar a este desgraciado país hacia u n a
extremada fragmentación. Una vez más, no existe, en mi
opinión, solución al problema libanés, es decir a la exis­
tencia nacional libanesa, que no pase por la creación previa
de un estado nacional palestino, o, inversamente, por el
paso del Líbano a protectorado extranjero. Lo que en m i
espíritu no condena de ningún modo al estado nacional
israelí, cuya existencia tiene los fundam entos más sólidos,
ríiucho más allá de los horrores de la persecución nazi.
146 UN DESEO DE HISTORIA

Incluso m e siento más cerca, culturalm ente, de la izquier­


da israelí que de los combatientes palestinos. Pero única­
mente la lucha palestina se opone hoy al triunfo de las
burguesías nacionales cada vez más asociadas a los intereses
generales de la dominación capitalista. El porvenir de
Israel no puede ser opuesto a la necesidad de una solución
al problem a nacional palestino. Kamal Ju m b latt me lo
dijo con enorm e franqueza. Las pasiones y los incidentes
más trágicos no impedirán que no haya otra solución que
esta tan difícil coexistencia.
C apítu lo VII
La primavera y el invierno
de la universidad
j

!
i

Cuando procuro imaginarme cómo un historiador de


comienzos del próxim o siglo que escribiese sobre este
período que abarca los veinte o treinta años de la
posguerra, tengo la impresión de que podría escribir dos
libros entremezclados pero casi sin relaciones entre sí. El
primero reproduciría el disgusto sobre el crecimiento, que
no sólo es sostenido por los dirigentes. Es cierto que la
sociedad francesa se ha m odernizado extraordinariamente,
se ha vuelto industrial, se h a abierto al m undo exterior. Se
elevó el nivel de vida; en el campo de la educación
conocimos, como en muchos países, un rápido crecimiento
del núm ero de estudiantes. Es fácil escribir sem ejante
libro. No digo que el mismo sería com pletam ente falso,
pero sí que su tono me parecería distante. Quizá p o r haber
vivido en el m undo universitario, tengo de esta historia
una visión muy diferente. Tengo la sensación d e haber
vivido en una sociedad que se desplomó en 1940, cuyo
orden político fue trastocado por un golpe de estado
militar en 1958, y que vivió una crisis profunda, n o sola­
m ente cultural, sino tam bién social y política, en 1968. D e
ahí la imagen, no de una sociedad en crecimiento y que
cada vez se hace más fuerte, sino de una sociedad que ha
dado tum bos entre crisis y rupturas. Si se aísla esta visión
de la otra, se haría excesiva; lo im portante es el contraste

i
146 UN DESEO DE HISTORIA

Incluso m e siento más cerca, culturalm ente, de la izquier­


da israelí que de los combatientes palestinos. Pero única­
m ente la lucha palestina se opone hoy al triunfo de las
burguesías nacionales cada vez más asociadas a los intereses
generales de la dominación capitalista. El porvenir de
Israel no puede ser opuesto a la necesidad de una solución
al problem a nacional palestino. Kamal Ju m b latt me lo
dijo con enorm e franqueza. Las pasiones y los incidentes
más trágicos no impedirán que no haya otra solución que
esta tan difícil coexistencia.
C apítulo VII
La primavera y el invierno
de la universidad

Cuando procuro imaginarme cómo un historiador de


comienzos del próximo siglo que escribiese sobre este
período que abarca los veinte o treinta años de la
posguerra, tengo la impresión de que podría escribir dos
libros entremezclados pero casi sin relaciones entre sí. El
primero reproduciría el disgusto sobre el crecimiento, que
no sólo es sostenido por los dirigentes. Es cierto que la
sociedad francesa se ha modernizado extraordinariam ente,
se ha vuelto industrial, se ha abierto al m undo exterior. Se
elevó el nivel de vida; en el campo de la educación
conocimos, como en muchos países, un rápido crecimiento
del núm ero de estudiantes. Es fácil escribir sem ejante
libro. No digo que el mismo sería com pletam ente falso,
pero sí que su tono me parecería distante. Quizá p o r haber
vivido en el m undo universitario, tengo de esta historia
una visión muy diferente. Tengo la sensación de haber
vivido en una sociedad que se desplomó en 1940, cuyo
orden político fue trastocado por u n golpe de estado
militar en 1958, y que vivió una crisis profunda, n o sola­
m ente cultural, sino tam bién social y política, en 1968. D e
ahí la im agen, no de una sociedad en crecimiento y que
cada vez se hace más fu ene, sino de una sociedad que ha
dado tum bos entre crisis y rupturas. Si se aísla esta visión
de la otra, se haría excesiva; lo im portante es el contraste
148 UN DESEO DE HISTORIA

entre am bas imágenes. Por un lado, el crecimiento econó­


mico; p o r el otro, la inestabilidad, la incoherencia, la
debilidad de la sociedad.

A falta de universidades

Im agen que se im pone desde que uno se sitúa en la


universidad, ahí donde una sociedad prepara claramente
su porvenir y donde, en consecuencia, se advierte si ella es
capaz de conducir sus propias transformaciones. La escuela
ha sido en Francia, hasta estos muy últimos años, un
m undo sagrado. Era progresista, laica, luchaba contra los
caciques locales, religiosos o no, era igualitaria, con todas
sus oposiciones a cátedra y exámenes anónimos. E incluso
esta austeridad que hacía que fuese más instrucción
pública que educación nacional (sólo se enseñaba en ella
conocimientos positivos: matemáticas, lenguas, etc.), hacía
que tam poco aceptase (contrariamente a las public shools
inglesas) las desigualdades sociales; creía en la ciencia, era
nacional y pacífica, en suma, poseía todas las virtudes. En
cuanto a los enseñantes eran pobres pero honestos, sacrifi­
cados por el bien público y la educación de los niños. Sólo
hace m uy poco que desapareció esta imagen de la escuela,
que se dejó de ver en ella un m undo socialmente abstrac­
to, ligado exclusivamente a la ciencia y al estado, que se
reconoció que form aba parte de nuestra sociedad, que no
era tan progresista, tan igualitaria como se había querido
creer, y que era más un obstáculo que un apoyo para la
democratización y el progreso.
Pero no quiero retom ar el tem a, convertido en lugar
común, de la desigualdad de posibilidades en la escuela,
porque experim ento, al escucharlo, la ausencia de una
visión histórica más completa. En una sociedad campesina
y m ercantil en la que las barreras sociales y económicas
eran tan difíciles de franquear como superar los particula­
rismos culturales, la escuela fue vivida como un instru­
mento de liberación. Recuerdo la confianza absoluta de los
mineros del N orte puesta en la escuela, única posibilidad
para que sus hijos salgan de la m ina y del caserío en que
la primavera y el invierno ... 149

habitan. Y, para los enseñantes, la escuela era u n arma


contra los caciques, los curas, todas las fuerzas y tradiciones
aristocráticas y monárquicas del país. El m u ndo del
trabajo, separado del progreso por la propiedad burguesa,
apelaba al conocimiento para preparar su liberación.
Pienso en Blanqui, en los anarquistas andaluces y en todos
los revolucionarios que piadosamente celebraron el culto
de la ciencia y de la educación. La desigualdad no data de
hoy; ella era, evidentem ente, mayor cuando u n a gran
parte de la población era analfabeta. Pero la escuela no es
ya liberadora. Las antiguas barreras se han derrum bado y,
ahora, en la escuela es donde las desigualdades se m ani­
fiestan más directamente. La ciencia, la técnica y los
diplomas se convierten en instrumentos de dom inio en la
sociedad meritocrática, y la fisión nuclear ha ligado dram á­
ticamente saber y poder. N o basta con denunciar la des­
igualdad en la escuela; es más im portante aún reconocer
que después de haber sido apertura en un m undo cerrado,
esperanza en una sociedad de reproducción, la escuela se
ha convertido en barrera en una cultura en transformación
y puede aparecer como lugar de reproducción en una
sociedad que produce cada vez más su porvenir y su pre­
sente. De ahí la necesidad de una crítica fundam ental del
sistema escolar, que va m ucho más allá de la búsqueda de
una igualdad tanto más ilusoria cuanto que la escuela
transmite la desigualdad social más de lo que la crea por sí
misma. Lo que supone, ante todo, la desacralización de la
escuela, al mismo tiem po que la destrucción de todo el
aparato burocrático de reglas, programas e inspecciones
que im pide que nuestra sociedad se reapropie de su
escuela y que la libere.
La universidad era todavía más sagrada, primero porque
para la mayoría era algo lejano, u n objetivo difícil de
alcanzar. En consecuencia, la gente no quiere que se la
haga saltar en el m om ento en que, finalm ente, sus hijos
van a ingresar en ella. La universidad era vista como una
fortaleza del saber, tanto como los profesores. Imagen
asombrosa cuando se conoce la realidad. Los franceses no
tienen ningún conocimiento de la realidad universitaria de
su país. Todavía hoy se escucha decir que hay que destruir
150 UN DÉSEO DE HISTORIA

la universidad napoleónica. La obra de N apoleón influyó


sobre los liceos, y m uy poco en la enseñanza superior.
Basta con recordar que mucho después de Napoleón, a
mediados del siglo XIX, la facultad de letras y la facultad
de ciencias sólo agrupaban en París a algunos profesores y
a algunos cientos de estudiantes. Los profesores universi­
tarios, para N apoleón, eran inspectores generales que
presidían las mesas examinadoras del bachillerato. Así
pues, el hecho del que hay que partir es la falta de un i­
versidades en nuestra tradición. Yo podría valerme de la
imagen clásica m ediante la cual intentam os hacer entender
a los extranjeros la organización aparentem ente compleja
de nuestra enseñanza superior; esta im agen es la de un
tronco envejecido, pero del que salen ramas nuevas en
cuyos extremos estalla todavía la vida. Tras el declinar de
fines de la edad media, en el m om ento del humanismo y
del renacimiento, cuando el conocimiento ya no pasa sola­
m ente por el latín, sino, tam bién por el griego, por el
hebreo, por las matemáticas y la astronom ía, Francisco I
crea, contra la universidad, lo que hoy se llama el College
de France. En el siglo XVIII surgen en toda Europa las
ciencias naturales; se instala entonces el admirable Museo
de Historia Natural fuera de la universidad. En el siglo
XIX, cuando los estudios experimentales y filológicos se
desarrollan en Alemania, se crea, siempre fuera de la
universidad, l ’Ecole Pratique des Hautes Etudes. En el
siglo X X, cuando el gran problema pasa a ser la investiga­
ción científica organizada en laboratorios, aparece, u na vez
más fuera de la universidad, el CNRS. En el intervalo, la
revolución francesa había creado las escuelas especiales
que, reuniendo algunas escuelas del antiguo régimen y
completadas con otras, iban a formar el bloque de las
grandes escuelas. Así pues, toda la historia de la enseñanza
superior y de la investigación, en Francia, es la de las
«contrauniversidades».
En el siglo XIX existe un modelo predom inante, el
modelo alemán, el de la universidad de Berlín creada por
H um boldt después de Jena. A partir de 1850, Oxford y
Cambridge, en Inglaterra, se reforman según el modelo de
las universidades alemanas. Entre 1870 y 1900 se produce
LA PRIMAVERA Y BLINVIERNO... 151

la form idable creación del sistema universitario americano,


bajo la dirección de tres grandes presidentes o fundadores
de los que el más im portante fue Eliot, el presidente
m odernizador de Harvard. Tam bién en Francia aparece un
m ovim iento de reformas, lanzado por un determ inado
núm ero de universitarios, y en particular por el rector
Louis Liard. Se trata de crear universidades a la alem ana, a
la inglesa, a la americana. Este intento fracasa. Sólo se crean
facultades sin autonom ía. D urante toda la prim era m itad
del siglo XX, y hasta 1968, la organización de las univer­
sidades no cambia fundam entalm ente. La historia de la
ciencia en el siglo XIX se dicta muy poco en la universi­
dad. Todos los franceses pequeños han aprendido a
respetar los nombres de Pasteur y de Claude B ernard... El
segundo trabajó en el Collège de France, que no pertenece
a la universidad. En cuanto al primero, su laboratorio se
hallaba en l’Ecole Normal Superior, que, durante todo el
siglo XIX, se halló fuera de la universidad, y a la que sólo
habría de ser añadida a comienzos de nuestro siglo. El
centro de la investigación científica, por esa época, es
l ’Ecole Polytechnique. Hasta me resulta dificultoso hacer
entender a mis amigos extranjeros lo que hago, dónde
trabajo, porque los que encuentro son profesores en
Harvard o Berkeley, en Oxford o Cam bridge, en Francfort
o Munich, en Sao Paulo o México. Y yo, ¿dónde estoy?
Recapitulo mi vida profesional: fui alumno en u n liceo y,
después de mi bachillerato, no ingresé en la universidad;
seguí en el liceo, fui interno. Ingresé en l’Ecole Normale;
es cierto que forma parte de la universidad, pero esta
pertenencia es casi ficticia. Luego ingresé en el CNRS,
donde pasé ocho años. Ahí fui elegido para l ’Ecole des
Hautes Etudes, donde todavía me encuentro. D urante tres
años fui, además, profesor en una universidad. Tres años
sobre veinticinco durante los cuales, como se dice, serví a
la educación nacional. He ahí una situación q u e casi no
tiene equivalente en los países extranjeros, salvo en la
URSS, donde el sistema descansa desde hace siglos en la
dualidad entre la universidad y la Academia de Ciencias.
En Francia no tenem os solamente estos dos elem entos,
sino cuatro: las universidades, la investigación científica,
152 UN DESEO DE HISTORIA

las escuelas profesionales (en especial de ingenieros), y


finalm ente esas parauniversidades que son los grandes
establecimientos de enseñanza superior: College de Tran­
ce, Ecole des Hautes Etudes, Museo de Historia Natural,
Conservatorio de Artes y Oficios, etc. No tenemos sistema
de enseñanza superior.
Todo ello comporta que la universidad ocupe poco
sitio en la cultura general. Contrariamente a lo qué creen
los franceses, su universidad no sufre p o r dar una form a­
ción demasiado general, sino p o r ser demasiado profesio­
nal y, sobre todo, dentro de marcos caducos. Esto no es
totalm ente cierto para las mejores escuelas; pero sí lo es
para las facultades de medicina y de derecho, hechas con el
fin de preparar para funciones profesionales y que tradi­
cionalm ente han estado dominadas, como en la mayoría
de países, por los propios profesionales, ha vetustez de la
organización universitaria sólo se hizo insoportable cuando
las universidades tuvieron que acoger a gran número de
estudiantes, cuando fueron desbordados los marcos profe­
sionales universitarios, los mismos que convenían al reclu­
tam iento de enseñantes. Se abrió un largo período de des­
orden. Parecería que salimos de él paulatinam ente y que
se conform a bajo nuestros ojos un sistema extraño que
descansa en una jerarquía de los campos de estudio. En la
cima, protegido por una fuerte selección, el reclutamiento
de los tecnócratas, administrativos e ingenieros. Por deba­
jo, las facultades profesionales, economía y medicina, que
han establecido la selección ya oficialmente, como en
medicina, ya oficiosamente, como en los estudios de
economía, donde todo se ha dispuesto para incluir sufi­
cientes matemáticas — que por lo demás no tienen siempre
un em pleo directo— con el fin de elim inar a quienes no
provienen del bachillerato. Finalmente, por debajo de los
economistas y médicos, administradores de sistemas com­
plejos de producción, vienen los estudiantes de letras y de
ciencias, reunidos en aibañales cuya función principal es la
de no servir para nada. Los estudiantes ingresarán en la
vida activa un poco por delante de los bachilleres, pero sin
amenazar el orden tecnoburocrático y los privilegios de las
grandes escuelas. N o es u n azar el que el reclutamiento
. LA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 153

social de los estudiantes de ciencias sea el más bajo; el


sistema marcha bien: da ias posibilidades más débiles a
quienes provienen del nivel social más bajo. En conclu­
sión, el sistema es incoherente, segmentado y, finalm ente,
bastante liberal para dejar llegar Ja ola de estudiantes, pero
bastante conservador como para encerrar a la mayoría en
parkings, para retom ar la expresión exacta de André
Lichnerowicz.
¿Por qué no interpretar así lo que se titula la crisis de
la universidad? Fue necesaria una desorganización de este
tipo para que se estableciera un sistema brutalm ente jerar­
quizado y pretendidam ente adaptado al m undo m oderno.
El estallido del movim iento estudiantil hizo ver —al
menos a algunos— que la crisis era el instrum ento de una
transtormación no planificada pero sin embargo significa­
tiva. N anterre fue ei ejemplo perfecto de una improvisa­
ción que respondía a una crisis y que, como ésta, anuncia­
ba indirectamente nuevas orientaciones.

En Nanterre, en el 68
Así pues, ¿hay que condenar a Nanterre? Sin embargo,
quise ir allí, porque siempre pensé que la nueva facultad
sería menos ciega que las antiguas en cuanto a su propio
funcionamiento. N o quiero caer en la caricatura: hay tanta
gente activa e inteligente en la universidad como en otras
partes. Pero la institución universitaria era ciega, indife­
rente a sus propios problemas. Cuando N anterre se creó,
en el desorden de universidades desbordadas, m e sentí
atraído por este lugar salvaje. Un día, teniendo que formar
parte de un tribunal examinador de tesis (en la sala del
consejo, en lo alto de la torre central), contem plé el paisaje
alrededor de mí: m e conquistó. Y me sigue atrayendo.
París visto del revés, no el Arco de Triunfo y sus avenidas
bien trazadas, sino los depósitos, las chabolas y los solares.
La verdad de todo lo que después se llamará m onum ento,
proeza técnica, centro comercial, autopista. Me dije que
•allí, simbólicamente, en ese barrio de chabolas, bloques* y
En el origina] la conocida expresión francesa H .L .M . (N. del T.)
154 UN DESEO DE HISTORIA

solares, la buena conciencia y el barniz universitario


tendrían q u e desmoronarse, que se iba a poder inventar
formas nuevas de vida universitaria. M antenía el razona­
m iento que siempre apliqué en m i vida universitaria:vivir
al m argen, allí donde está la vida, la innovación, y quizás
el descubrimiento.
N anterre se creó muy de acuerdo con la imagen que yo
tenía de ella. Fue una universidad m odernizadora (empleo
adrede esta palabra am bigua); a las ciencias sociales se les
otorgaba u n a importancia mayor que en la Sorbonne; ella
buscaba preocuparse por su sitio en la sociedad, planteaba
el problem a de sus relaciones con su entorno económico y
social. Era también un lugar en el que, debido a su
aislam iento, profesores y estudiantes m antenían mucho
más contacto que en la Sorbonne.
G uardo del período 1966— 1968, en el desorden, en la
falta de acabado de los edificios repelentes, el sentim iento
de u n dinamismo vigorizante. En sociología, y en la
mayoría de los departam entos, las relaciones de los
enseñantes con los estudiantes eran excelentes, y entre los
primeros se manifestaba un deseo bastante general de
renovación. Nanterre era una facultad activa, mal equipa­
da, pero cuya importancia todos comprendían. Luego
surgió el movimiento estudiantil, con el que estuve
bastante estrechamente mezclado. No quiero analizar
nuevam ente este movimiento — el libro que le dediqué,
escrito a partir del verano de 1968, no tiene por qué ser
reem plazado— , sino decir más bien cómo lo vi desde mi
puesto, que era particular, pues fui responsable del depar­
tam ento de sociología en N anterre, de 1967 hasta fines de
1969. Tengo conciencia de falsear las perspectivas al no ver
aquí sino los acontecimientos de N anterre, pero creo que
desde este sitio se veía mejor lo que era portador de
porvenir. Manifestaré tam bién mis dudas sobre m i propia
interpretación del movimiento de mayo. En Nanterre he
pensado desde el prim er día, y no sólo a nivel universi­
tario, sino tam bién a otro más general, que a través de la
crisis y de sus consecuencias sociales y psicológicas debían
aparecer elementos, tal vez desordenados pero capitales,
de transformación de la cultura y de la sociedad.
LA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 155

Mi particularidad, algo que debe pertenecer a m i p er­


sonalidad, consiste en que en vez de gozar con esa mezcla
de crisis y de conflictos, en vez de hallarme como u n pez
en el agua, constantemente luché contra la crisis y contra
las conductas de crisis e intenté participar intelectual y
políticamente en todo lo que era contestación y transfor­
mación. Situación incómoda, ya que en N anterre las m a­
nifestaciones de la crisis, las conductas de desorganización
y las conductas innovadoras se mezclaban constantem ente.
En el año de 1967 hubo una primera huelga dirigida
contra determ inadas consecuencias de la ley Fouchet.
Nació en nuestro departam ento y fue dirigida, sobre todo,
por Philippe Meyer, que luego se convirtió en u n buen
sociólogo. Huelga muy mal vivida por el conjunto de
profesores. Yo tuve que negociar con los estudiantes en m i
calidad de director del departam ento y defenderlos ante el
consejo de facultad. En realidad, este prim er conflicto
manifestaba una preocupación y un rechazo m ás que la
prosecución de objetivos precisos. Aceleró la crisis general.
Unos meses después, a comienzos de 1968, pequeños
grupos desataron una campaña contra el decano, calificán­
dolo de SS, acusación inadmisible, insoportable, dirigida a
un hom bre que había sido deportado. Yo condené total­
m ente este tipo de comportamiento, así como después, sin
la m enor duda condené tam bién totalm ente los ataques
escandalosos contra Paul Ricoeur, cuando fue decano de la
facultad en 1969. Pero al mismo tiempo, en la prim avera
de 1968, con otros tres o cuatro profesores de la facultad,
luché contra el espíritu de sanción y de represión. Fui el
único en Francia, y por cierto que sin convencer a la
mayoría, que anunció, m ediante dos largos artículos en Le
Monde, la crisis inm inente. D urante esos meses tuve
siempre conciencia de vivir dos tipos de problemas a la
vez. Por un lado, un alzamiento contra un tipo d e educa­
ción y, más ampliamente, de sociedad. Por otro, las con­
ductas desatadas de individuos o de grupos cuya rebelión
habría de manifestarse en no im porta qué situación de
crisis. El análisis debe conectar estos dos órdenes de p ro­
blemas; cuando se los vez, por el contrario, hay q u e sepa­
rarlos, no tomar a los contestatarios por fanáticos, y
156 UN DESEO DE HISTORIA

tampoco hay que confundir todas las conductas de crisis


con la contestación.
Para m í, yo tenía una tarea concreta: denunciar y
combatir la ceguera universitaria. La ceguera: he ahí lo que
define m ejor que nada las reacciones de la institución u n i­
versitaria durante este período. Recuerdo a aquel profesor
que, a ny lado en el gran hall de N anterre, u n día de
huelga general, en m edio de cientos de estudiantes que
rodeaban a u n representante del SDS alemán, ¡afirmaba
que todo aquéllo no era más que la obra de una decena de
agitadores! El ministro de educación nacional (con quien
yo había sido estudiante en la calle d ’Ulm) me decía,
aquella primavera: «Entonces... ¿tus chinos?...» Y no era
el gobernante más ciego, y por cierto que tampoco el más
conservador, bien lejos de ello. Pero la universidad no se
daba cuenta de su propia situación. Al igual que en
circunstancias más dramáticas el rector de la universidad de
París (hablo aquí de la noche de las barricadas), al
recibirme en el transcurso de una misión de la que yo
había tom ado la iniciativa en m edio de la noche, con otros
dos enseñantes y tres estudiantes, entre ellos Daniel
Cohn-Bendit, ni siquiera advirtió la presencia del principal
líder estudiantil en su despacho: era, probablem ente, uno
de los pocos parisinos incapaces de reconocer a Cohn-Ben­
dit. ¡Extraordinaria ceguera!
Mi posición ante el estallido de mayo era la siguiente:
al estar el m ovim iento dirigido por los estudiantes, yo,
enseñante y responsable de un departam ento, debía
defender la enseñanza al mismo tiem po que la acción de
los estudiantes. En cuanto a esto, nunca hubo problem a
serio con los sociólogos de Nanterre. Q uizá lo haya hoy. El
estudiante que mejor conocía yo era Cohn-Bendit, y
nuestras relaciones eran amistosas. Lo siguen siendo.
Nunca hubo el m enor ataque personal en el departam ento
de sociología: «Vd. se ocupa del departam ento, yo me
ocupo de la política», me decía Cohn-Bendit. Los estu­
diantes revolucionarios no pensaban destruir la universi-
dad;tam poco cuestionar el conocimiento en sí. A ctualm en­
te, lo que se refiere a la universidad e incluso a la ciencia
provoca d u d a y sorpresa. No era ése el caso en el 68.
LA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 157

D ado que la confianza en la ciencia y la educación era


general se podían plantear conflictos importantes en esos
terrenos. Pero, por supuesto, esos problemas dejaron de
ser esenciales a partir del m om ento en que el conflicto se
amplió y cuando desborcó la facultad, es decir cuando ésta
fue clausurada. Entonces pasó a ser esencial, evidentem en­
te, reconocer lo que ocurría.
El acontecimiento tenía dos sentidos y, por tem pera­
m ento, me mostré más sensible a uno que a otro. Por una
parte, una revuelta cultural, cargada de nuevos plantea­
mientos (más que de reivindicaciones) referidos a la vida
personal, la sexualidad, la expresión («Sea realista: pida lo
imposible», «Gozar en las calles», la apelación reichiana. al
deseo, etc.). Todo eso estaba lejos de mí y bastante lejos
de N anterre. Eran, más bien, los planteam ientos de la
Sorbonne y del Odeón. Yo abom iné de io que ocurrió en
el O deón, no me gustó nada el espectáculo que se
brindaba en la Sorbonne y siempre tuve en mucho mayor
estima y admiración a los estudiantes que veía, o sea, sobre
todo, a los estudiantes del 22 de marzo, para quienes los
aspectos de la revolución cultural no eran los más im por­
tantes. Ellos estaban más orientados hacia temas sociales y
políticos; eran revolucionarios más que innovadores cultu­
rales. Por otra parte, el segundo planteam iento era, en
toda su complejidad y con toda su riqueza, la renovación
de los movimientos sociales, de las acciones colectivas de
base. Esta renovación se realizaba de dos maneras a la vez:
primero, todo el m undo pensaba — a derecha como a
izquierda— que la apropiación social del conocimiento era
un campo político nuevo y fundam ental. En el mismo
mom ento en que los estudiantes de sociología advirtieron
que no iban a vivir en la universidad, ya que no había
lugar para ellos, que por tanto iban a ser echados fuera,
comprendieron que los conocimientos de demografía,
sociología, antropología que se les brindaba no iban a ser­
virles de gran cosa. Iban a dedicarse al marketing,
encargarse de alguna sección de personal, ser los perros
guardianes de u n capitalismo tecnocrático. Se sintieron
vendidos al m undo del dinero y del poder. Esta cuestión
fue vivida más profundam ente en Francia que en los
158 UN DESEO DE HISTORIA

Estados U nidos. Tem a al que estoy muy estrechamente


ligado, ya que no creo que se pueda entender a nuestras
sociedades si no se reconoce que actualm ente el conoci­
m iento se h a convertido en un elem ento del poder y, en
consecuencia, en u n asunto social y político fundam ental.
A esto se añadía el resurgimiento de todos los movimien­
tos ideológicos y sociales que recurrían a la base en contra
del aparato. Era el desencadenamiento confuso y poderoso
de todas las tendencias antileninistas. Recuerdo aún una
sesión en el anfiteatro que había sido rebautizado «Che
Guevara», en la que Cohn-Bendit arrojó a la cara de los
dirigentes de las juventudes comunistas todo el martirolo­
gio de los movimientos revolucionarios. Confieso, para mi
vergüenza, haber escuchado aquel día muchos nombres
por prim era vez. Se sentía renacer tradiciones proudhonia-
nas, sindicalistas revolucionarias, anarquistas, libertarias.
Doce años después del informe Jruschov, doce años
después de Budapest y del octubre polaco, unas semanas
antes de la invasión de Checoslovaquia, renacía sobre las
ruidas del m undo estaliniano la inmensa ola de los
militantes vencidos, reprimidos y desfigurados, por la
policía, los campos de deportación y la m entira. Ese fue el
día en que Cohn-Bendit proclamó que había que «romper
el cemento que contenía a la fuente cautiva».
Todo eso me parecía indicar la presencia de un movi­
miento social, la definición de un nuevo campo para
nuevas luchas. Esta rehabilitación no se producía tampoco
sin una cierta adhesión a un pasado un tanto mítico. Este
movimiento buscaba relacionarse con el movimiento obre­
ro. Se trataba de «hacer pasar la bandera revolucionaria de
las manos frágiles de los estudiantes al fuerte puño de los
obreros», lo que llevó a marchas tristem ente simbólicas
Luego, volví a l'Ecole des Hautes Etudes, a los sitios que
mezcló crisis universitarias e innovación cultural, antiguas
frases socialistas y nuevos movimientos sociales. Reconozco
que el mismo agotamiento del m undo universitario (así
como otras causas) dio paso a la imagen de la crisis y de la
brecha. Nueve años después, la imagen de N anterre se ha
borrado u n poco. Mayo del 68, actualm ente, es identifi­
cado con la Sorbonne. Para m í quedan Nanterre y el
XA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 159

resurgimiento de las luchas sociales antiguas y nuevas más


que la crisis cultural. He ahí el sentido de mayo, tal como
lo viví.
Encontré tam bién la alegría de una liberación, el
encuentro con la vida opuesta al absurdo. Experimenté
este sentimiento con gran fuerza cuando algunos estudian­
tes comparecieron ante el consejo de disciplina de la un i­
versidad, tribunal de dignatarios reunidos en u n a Sor­
bonne rodeada por la policía. Yo tenía que intervenir ante
ese consejo para defender a cuatro o cinco estudiantes,
entre ellos Cohn-Bendit, que habían solicitado, a Henri
Lefebvre y a mí, que así lo hiciésemos. La situación era, a
la vez, grotesca y absurda. En ese París am otinado se le
reprochaba haber roto puertas y por reuniones no autori­
zadas a un Cohn-Bendit que se burlaba de sus jueces con
una inspiración rabelesiana. Como el presidente le repro­
chaba el hecho de haber participado en una reunión
prohibida, él rechazó la acusación afirmando que había
estado en su casa aquel día. El presidente le preguntó:
«¿Qué hacía vd. en su cada a las dos de la tarde?» El
contestó: «El amor. ¿Le asombra, señor presidente, que se
haga el am or a las dos de la tarde?» Escándalo. Las
conductas no pasaban ya por los canales institucionales. El
agua se desbordaba, era la inundación. Hablé a favor de
esos estudiantes con toda sinceridad, porque tam bién yo
tenía conciencia de haber vivido en el escándalo, desde el
m om ento en que se me había obligado a ser un alum nito
de liceo, con las piernas bajo la mesa durante dos horas
escuchando al señor que hablaba, hasta todos los años
pasados en una universidad que negaba las ciencias sociales
y que rechazaba toda reflexión sobre sí misma. Más allá
del escándalo, viví intensam ente los momentos del alza­
miento. Puesto que pertenezco a un país dom inado por su
estado, me sentí enteram ente en mi lugar en el interior de
las barricadas de la calle Gay-Lussac, así como m e sentí
feliz, después de u n largo circuito por París, en la noche
del 24 al 25, encerrado en la Sorbonne hasta la m añana.
Algunos consideraron anticuados estos sentimientos y estas
barricadas, pero cuando por un lado están los policías y
por el otro los estudiantes, me parece insensato permane-
160 UN DESEO DE HISTORIA

cer en la cama, o, como los puristas maoístas, la noche de


las barricadas, volver a casa porque allí no está el proleta­
riado. Cualquiera que sea el juicio que se manifieste sobre
mayo del 68, aquéllos, que se encontraron en los sitios
donde se producía el acontecimiento y que no reconocie­
ron su im portancia y su significación harían mejor en no
ocuparse demasiado en reflexionar y actuar sobre la
sociedad, porque es inadm isible no darse cuenta de las
explosiones de tam aña importancia.
Todo ese fuego se extinguió pronto. El movimiento
francés acabó más brutalm ente todavía que el movimiento
americano, que había durado mucho tiem po, ya que había
comenzado en 1964. En uno y otro caso, el movimiento
estudiantil había desatado una acción mucho más amplia:
en Francia, la huelga general y la crisis política; en los
Estados Unidos, la cam paña contra la guerra y la gran ola
de la primavera de 1970, en el m om ento de la invasión de
Camboya. En ambos casos, el movimiento resultó desbor­
dado e incluso quebrantado por el exceso de éxito. En
mayo, no era cuestión de pensar que los estudiantes iban a
encontrar una salida política. Me mostré m uy hostil a los
intentos que se manifestaron al respecto en la reunión de
Cnarléty. Y aprobé enteram ente a Cohn-Bendit cuando,
reapareciendo en la Sorbonne y oponiéndose a algunos de
sus amigos, dijo que era una locura el querer crear un
partido de mayo, porque no tendría salida política. En los
Estados Unidos, donde estuve en junio, y luego en octubre
de 1970, todo se derrum bó en pocos meses. En el otoño de
1968, el movimiento en Francia se había descompuesto,
sólo quedaban en el campo de batalla los salteadores de
cadáveres, los comportamientos en crisis. Llegó el m om en­
to de ajuste: 1969 y 1970. Los estudiantes revolucionarios
habían dejado N anterre; los enseñantes activos, de derecha
o de izquierda, hicieron lo mismo; el campus había sido
quemado por el fuego de la crisis. Lo sabio hubiera consis­
tido en llam ar a profesores y estudiantes nuevos. El año
1969 estuvo dom inado por conductas de descomposición.
Yo tenía que defender a mi departam ento contra todo el
m undo. Apenas salía del despacho de Edgar Faure habién­
dole convencido de que no suprimiese la sociología en
LA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 161

N anterre, cuando grupos de estudiantes me atacaban


porque había salvado u n departam ento que estaba al
servicio del capitalismo. En el consejo de universidad, la
mayoría de los profesores ni siquiera querían saludarme,
esperando únicam ente la ocasión de suprim ir esa m aldita
sociología. En suma, me sentí agotado. No sé si tuve razón
al salvar la sociología en Nanterre, pero, para m í, era
evidente que tenía que hacerlo.
Acabé por m archarme, agotado, a fines de 1969. Fui
durante tres meses a enseñar en Los Angeles. Vi Califor­
nia, encontré a Edgar Morin que estaba a punto de vivir su
gran descubrimiento del «método» y que se sentía feliz.
Luego, volví a l ’Ecole des Hautes Etudes, a los sitios que
no habían sido destruidos por la irracionalidad y las conse­
cuencias de lo que ya no sería en lo sucesivo más que una
crisis.

Proyecto para una universidad.

Asistimos en Francia a la muerte de la universidad de


los profesores Quienes se esfuerzan por m antener una
organización de estudios que descansa en las categorías
internas de la enseñanza y por el reclutamiento d an una
batalla propiam ente reaccionaria, aun cuando la cubran
con una ideología de izquierdas y recurran a la cultura
desinteresada contra la influencia del capitalismo. N adie se
ha adherido más que yo a la libertad de los universitarios,
pero las necesidades de la creación son una cosa, la
organización de la enseñanza es otra, y todos los estudian­
tes no son futuros profesores. Hay que term inar con esta
visión corporativista de la universidad. Solamente a partir
de ahí se podrá com batir la política de la clase dirigente y
la sumisión de la universidad a los intereses de los grandes
aparatos.
Esta política intenta profesionalizar la universidad, es
decir adaptarla al mercado del trabajo tal como ha sido
construido por los intereses de la patronal y del estado.
Muchos han advertido sobre lo que tiene de ilusorio esta
«adaptación» a una situación de empleo en constante
162 UN DESEO DE HISTORIA

cambio. Prefiero definir las elecciones reales ante las cuales


nos encontramos, o sea enunciar lo que puede ser una
universidad liberada del corporativismo y al mismo tiempo
antitecnocrática. Sostendré una idea central, alrededor de
la cual organizaré otras propuestas. Pienso que la función
de la universidad consiste en preparar a la sociedad para el
cum plim iento de un determ inado núm ero de acciones
sobre sí m ism a y para el análisis de esas acciones. Quiero
decir que el objeto de los estudios universitarios debe ser
com prender cómo se opera la acción de la sociedad sobre sí
misma y su entorno. La u nidad de organización en la en­
señanza superior no debe ser la «disciplina», sino el campo
de acción social: salud, producción, información, guerra,
vejez, lengua, sexualidad, etc. N o hay que separar los
conocimientos de su em pleo social y de su trasmisión.
Quien quiera estudiar los problemas de la salud debe
adquirir conocimientos biológicos, químicos, los propia­
m ente médicos, pero tam bién debe preguntarse por lo que
determ ina el estado de salud de una población, qué es un
hombre enferm o, cuál es la relación entre médico y
enfermo o qué es un hospital. En consecuencia, biología,
prácticas médicas, economía, epidemiología, psicoanálisis,
sociología deben concurrir a la función de los especialistas
de la salud a los que se llamará médicos, enfermeras,
administradores de hospitales. Todos, aún, deben apren­
der a conocer a la vez al enfermo, la enferm edad, la
medicina y la administración de cuidados. Tómese asimis­
mo el ám bito urbano: arquitectura, tecnología de la cons­
trucción, sociología urbana, geografía, conocimientos jurí­
dicos y políticos deben participar en la formación de
quienes tienen incidencia en las ciudades. El papel de la
universidad consiste en organizar conocimientos diversos
alrededor de grandes interrogantes: ¿qué ciudad? ¿‘Para
qué sociedad? ¿Para qué clase de vida? y agrego: ¿qué
significa enseñar aspectos que atañen a la ciudad y a la
urbanización? La universidad debe tomar como objeto de
estudio al conjunto de u n a práctica social colectiva. Tal es
mi idea directriz: nuestra universidad fue construida alre­
dedor de disciplinas; debería serlo alrededor de campos de
intervención social.
LA PRIMAVERA Y ELINVIERNO... 163

Pero toda la actividad universitaria no puede depender


de un m ism o modo general de organización. Un conjunto
universitario debe implicar tres subconjuntos. A cabo de
indicar el más masivo, pero es necesario que exista
asimismo u n medio de aprendizaje, formación, innovación
y expresión, una escuela, todavía se la quiere llamar
así. La escuela debe ser administrada por los enseñantes y
los estudiantes, m ientras que la gestión de los d ep arta­
mentos a que me refería debe corresponder a consejos en
los que los usuarios, ciudades y asociaciones, empresas y
sindicatos, profesionales y administradores, sean mayoría.
En tercer lugar, la universidad debe ser tam bién u n lugar
de producción del conocimiento. Este papel es el principal
para muchos universitarios, entre los que m e cuento. Pero
el mismo sólo puede ser protegido si se encuentra relativa­
m ente separado de los otros y, en consecuencia, no puede
otorgar a los universitarios el derecho de administrar por su
cuenta el conjunto del sistema. Reclamo la mayor inde­
pendencia para la producción de ideas y del conocimiento
y tam bién, más concretamente, la independencia de los
investigadores respecto del poder político y administrativo.
Creer que puede hacerse de la universidad una república
oligárquica de profesores o una cooperativa de enseñantes
y alumnos, sin tomar en consideración la necesaria separa­
ción de esas tres funciones, conduce al fracaso.
Sólo puede salvarse la universidad «federalizándola»,
reconociéndole una am plia autonomía a cada una d e esas
tres funciones, es decir, a la producción, la trasmisión y la
utilización social del conocimiento. Mi objetivo no consiste
en fragm entar la universidad. Atiéndase al caso. La frag­
mentación es total y viene de lejos. Por el contrario, yo
deseo restablecer u n nexo entre productores, trasmisores y
usuarios de los conocimientos. Sin el nexo entre esas tres
funciones, se llega a la ruptura a la francesa an te un
m undo replegado sobre sí mismo, la universidad, y un
m undo exterior, la sociedad. Cuando en Francia se habla
de reformar la universidad actual, sólo parecería haber
elección entre dos posibilidades. La prim era, que condujo
a la descomposición actual, es la del conservadurismo y el
corporativismo universitario. La segunda, anim ada p o r una
164 UN DESEO DE HISTORIA

especie de rabia destructora, quiere adaptar la universidad


a la sociedad, es decir al em pleo, lo que quiere significar a
los intereses de la patronal. Ahora bien, existe una tercera
vía, más realista: convertir a la universidad en lugar de
reflexión sobre la producción, y en lo posible sobre la
producción democrática, de la sociedad por sí misma, una
reflexión sobre su propia acción. La universidad es el lugar
donde la sociedad debe producir sus categorías, sus con­
ceptos, sus técnicas, sus ciencias, esclarecer sus modos
sociales y económicos de intervención sobre sí misma. Es
también el sitio en donde la sociedad debe pensar su
pasado, reflexionar sobre su porvenir, compararse con otras
sociedades... ¿Cómo puede pensarse seriamente que se
puede y debe m antener el aislamiento corporativista de la
universidad, o que se puede hacer u n a universidad técnica
y profesional? Esto me parece escandaloso y sólo puede
desembocar en la destrucción de la universidad.
En este período de espera de cambios probablem ente
im portantes en la sociedad francesa, hay que recordar la
exigencia absoluta de una recreación de la universidad.

Un territorio liberado

Viví dram áticam ente la situación universitaria, pero


tuve la posibilidad de encontrar en la sexta sección de
l ’Ecole Pratique des Hautes Etudes (se llama así, con un
título de antigualla lleno de encanto), formas de organiza­
ción del trabajo y un m edio intelectual que, sin ser perfec­
tos, son más que aceptables. Esta Ecole es el mejor empleo
de ese «establishment paralelo» que podía crearse en una
situación a la francesa. Al igual que el CNRS y la
Fundación de Ciencias Políticas, ella se desarrolló en ese
solar que despreciaban los representantes de las disciplinas
nobles, el de las ciencias sociales, y con gran audacia.
Algunos historiadores, inm ediatam ente después de la
guerra, fueron los creadores de la «sexta sección». Esta
había sido ya prevista por Víctor Duruy en 1869, pero
nunca se realizó. Lucien Febvre fue su fundador; luego,
Fernando Braudel le dio toda su am plitud y, en especial,
LA PRIMAVERA Y EL INVIERNO... 165

logró que esta creación de historiadores se convirtiese en


lugar de trabajo para antropólogos, economistas, sociólo­
gos, especialistas de diferentes regiones del globo. U na de
las fuerzas de l’Ecole reside en que no está dividida en
secciones: historia, sociología, economía, antropología,
etc. O tra, en haber tenido una dirección, porque una
institución universitaria sólo puede tom ar decisiones y
estar atenta al porvenir si tiene una gran capacidad de
decisión, es decir, de algún m odo, u n estado que le
perm ite ir más allá de los equilibrios entre grupos de
presión. Fernand Braudel, Clemens Heller y Louis Velay
fueron, durante muchos años, la dirección de esta Ecole;
ésta les debe gran parte de su éxito. Jacques Le G o ff le
otorga ahora un papel más nacional que exclusivamente
parisino, adaptándola a las nuevas formas de la vida u n i­
versitaria. Ingresé en 1’Ecole en 1958, primero como jefe
de trabajos, luego como director de estudios, en la prim a­
vera de 1960. Creé un centro titulado «Laboratorio de
Sociología Industrial» y que hoy se llama «Centro de
Estudio de los Movimientos sociales». Así pues, hace casi
dieciocho años que dirijo este centro que, ahora, es uno de
los más activos de 1’Ecole.
Hay dos maneras de concebir u n centro de investiga­
ciones: algunos se organizan alrededor de un pensam iento,
de un camino m uy preciso. Esto depende de la naturaleza
de este camino, y tam bién, probablem ente, de la natura­
leza del carácter del hom bre que es su principal repre­
sentante. Se trata entonces de un centro-equipo, en el que
con la mayor frecuencia, es así, los miembros del equipo
aparecen como colaboradores del principal responsable. En
París conocemos, en ciencias sociales, dos o tres de estos
centros. Marcan profundam ente la vida intelectual. Pero
existe el riesgo de que esos centros se conviertan en capillas
o sectas, lo que se produce si su existencia es prolongada
artificialmente. Con todo, juegan un papel esencial. Mi
centro pertenece a otra categoría. Basta con ver la lista de
sus miembros y sus publicaciones para advertir q u e no se
halla organizado alrededor de temas comunes, y aún
menos de una doctrina o de una escuela. Centros sem ejan­
tes podrían ser simples conglomerados. Pero escapan de
166 UN DESEO DE HISTORIA

este peligro si se definen a la vez por una orientación


intelectual general (aunque ella no sea seguida directa­
m ente p o r todos los m iembros del centro) y por su capa­
cidad de crear un espacio de innovación intelectual. En mi
centro partim os de los problemas del trabajo. Esto quiere
decir, asimismo, que los problemas del movimiento obrero
y, en consecuencia, las nociones y las orientaciones marxis-
tas han jugado, para los investigadores de este centro, un
papel im portante. Pero si observo lo que hoy se hace en
él, advierto que sus investigadores se ocupan más en
nuevos campos — la ciudad, la salud, el desarrollo— o en
conflictos y movimientos sociales.
El centro desem peña un papel positivo en la m edida
en que, cualesquiera sean las preferencias doctrinarias e
intelectuales de unos y otros, el m ismo es un lugar de
innovación, de evolución, de conversión. Es uno de los
sitios de París donde un sentim iento de responsabilidad
social sirve de punto de partida para una investigación
dirigida hacia los nuevos problemas sociales, las nuevas
políticas y los nuevos movimientos sociales. Esta diversidad
de los investigadores me parece indispensable, a condición
de que está ligada a una cierta capacidad de comunicación.
Me parece muy acertado que en el dom inio urbano una
determ inada orientación marxista, la de Manuel Castells,
asistido p o r Edy Cherki y D om inique Mehl, dialogue y se
oponga am igablem ente con otra orientación marxista, la
de Jean Lojkine, o con el tem peram ento más libertario de
Alain C ottereau, m ientras que D aniel Bertaud reconstruye
casos concretos. Está bien que la reflexión sobre las
sociedades dependientes y el desarrollo se efectúe en
nuestro centro, de un lado por A nouar Abdel Malek, del
otro por D aniel Pécat, A lbert Meister y Michel G utelm an,
o en m i propio seminario. Y, tam bién, el que Daniel
Vidal traslade a las Cévennes camisardes de fines del siglo
XVII el análisis de los movimientos sociales. Me siento
dichoso cuando veo que se constituyen, espontáneamente,
relaciones de trabajo entre investigadores que primero
estaban alejados unos de otros, pero que se encuentran en
estos amplios temas: el cuerpo, la salud, la medicina, la
enferm edad; o si veo que Anne-Marie Guillemard, traba­
la primavera y el invierno ... 167

jando sobre la vejez, Claudine Herzlich sobre la enferm e­


dad, A ntoinette Chauvenet o François Steudler sobre el
sistema de asistencia hospitalaria, Claude Liscia y Françoise
Orlic sobre la ciudades de paso y los «marginales», inter­
cambian ideas; y lo mismo en cuanto a Bernard M ottez,
que se interesa por los minusválidos, los sordomudos, o
Jean-Max Gaudillière y Françoise Quarré, que estudian
desde hace muchos años los hospitales psiquiátricos y se
dedican a reflexionar sobre la locura. Yo mismo acabo de
constituir, en mi centro, u n nuevo equipo. Con Zsuzsa
Hegedus, Françoise D ubert, Michel Wieviorka vamos a
explorar nuevos métodos de estudio de los movimientos
sociales. Este tem a y este grupo hacen revivir en mí la
alegría de aprender, directa y metódicamente a la vez,
prácticas sociales. Renaud D ulong y Louis Queré abordan
por su parte los problemas y los movimientos regionales
con un ánimo diferente.
No creo que en el m om ento actual se deba dar
privilegio a la formación de centros que sean escuelas. Nos
hallamos en un período de rápidas transformaciones como
para que convenga construir casas muy solidad. L ’Ecole
des Hautes Etudes, el Centro de Estudios de los Movi­
mientos Sociales son formas débiles de organización: sus
reglas son ligeras; en ellas, la definición de los papeles es
siempre incierta. En mi centro no existen secciones. La
administración me solicita todos los años que reparta a los
investigadores en grupos, algo que hago piadosam ente, y,
debe» confesarlo, sin siquiera informar a los interesados, ya
que entiendo que hay que considerar esas clasificaciones
como desprovistas de importancia y de estabilidad. Espero
que mantengamos suficiente ligereza e indeterm inación en
nuestras formas de gestión para finalm ente, en nuestro
impreciso objetivo del porvenir intelectual, poder referir­
nos a conceptos amplios y a buenos métodos a p artir de los
cuales, algún día, pueda volver a desarrollarse u n cierto
clasicismo.
No soy ni marginal ni conservador. Me gusta la
aventura solitaria, pero m e hago cargo de los problem as
generalers de mi profesión. Presidí la Sociedad Francesa de
Sociología y llegué a vicepresidente de la Asociación
168 UN DESEO DE HISTORIA

Internacional de Sociología, funciones modestas a fin de


cuentas, pero en las que únicam ente quienes reverencien
más que yo a las instituciones verán una contradicción con
mi gusto por los puestos avanzados riegosos y m i acepta­
ción de u n aislamiento, que sin embargo a veces m e pesa,
lejos de las fiestas y de las camaraderías ideológicas.
Puesto que m e voy refiriendo cada vez más a mi
trabajo personal, ¿cómo no hablar finalm ente del que es
m i lugar más público y más secreto: el seminario que dirijo
desde hace muchos años, los jueves por la m añana, en la
calle de Varenne? A dmiro los seminarios técnicos, ésos en
los que u n muy pequeño núm ero de investigadores que
poseen el mismo tipo de conocimientos, orientados hacia
los mismos problemas, analizan juntos documentos. Algún
día me gustaría trabajar así, pero hasta el presente mi
pensam iento, en busca de sí y sensible a los estrechos
nexos que ligan la transformación de la sociedad y la
transformación del pensamiento sobre la sociedad, difícil­
m ente p u d o manifestarse m ediante un seminario de ese
tipo. Yo me he dirigido a un público heterogéneo e
internacional, pese a que mi seminario estuviese muy
centrado en mi propia investigación intelectual. Siempre
fue el lugar de expresión y de comunicación a través del
cual me sentí impulsado hacia adelante, llamado a buscar
nuevas ideas. Así pues, le he otorgado a este seminario tal
lugar en mi vida personal que me pregunto si se trata de
m i oficio o de mi droga. En todo caso, mucho sentiría hoy
tener que dejar por algún tiem po esa mezcla de confesio­
nario público, representación teatral y creación intelectual
al que m e dedico todos los jueves por la m añana.
C apítulo VIII
¿P or q u é lu c h a r ?

D urante dos decenios de fuerte crecimiento la idea más


extendida sobre el porvenir consistió en creer en la
continuación de la expansión y en perder paulatinam ente
el sentido de los límites y de la lógica particular de la
sociedad en que vivimos. De hecho, perdimos la imagen
de nuestra sociedad en beneficio de una representación
bastante vaga de las tendencias o de las orientaciones
generales del cambio. Se había infiltrado la idea misma de
que cuanto más avanzasen nuestras sociedades, más ha­
brían de definirse íntegram ente por su capacidad de
cambio y cada vez menos por su estructura y por sus
grandes conflictos o sus ideologías.

El fin de los personajes

A mediados de los 60, en un libro titulado La société


post-industríelle intenté defender la opinión contraria a
esta manera de ver y procurar un prim er análisis de esta
sociedad posindustrial. Me preguntaba ante todo por la
naturaleza del poder dirigente, las relaciones de clases y los
movimientos sociales que podían formarse y obrar en la
nueva sociedad. Esto me sigue preocupando todavía, pero
han pasado diez años y hoy nos es posible retom ar estos
problemas de m odo más preciso, puesto que los aconteci-
170 UN DESEO DE HISTORIA

miemos económicos, culturales y sociales ya nos han


ofrecido algunos elementos suplementarios de reflexión.
Actualm ente casi ni se discute la idea de ruptura, de
cambio de sociedad, que era muy poco adm itida todavía a
mediados de los 60. Resultaría asombroso que no se reco­
nociese que un crecimiento propiam ente excepcional, unas
alteraciones técnicas, económicas, sociales fundamentales
no p uedan llegar a transformar profundam ente la natura­
leza de la sociedad. Me asombra un tanto el ver la
preocupación por la continuidad que, al parecer, domina a
muchos observadores en un período como el nuestro, que
es un período de discontinuidad y de cambios brutales.
Esta conciencia de la mutación social se ha nutrido de
reflexiones y de reacciones provenientes de las más diversas
direcciones. Ante todo, el descubrimiento de lo que se
denom inó los límites del crecimiento, en el m om ento de
la crisis de la energía, situada ésta después de otros
elementos de crisis (crisis m onetaria, económica). La
conjunción de estas crisis y de esta tom a de conciencia
llevó entonces a adm itir la idea de que era imposible
imaginar la prosecución pura y simple de la expansión
anterior. Incluso si se critican las predicciones pesimistas de
los expertos del Club de Roma en el informe Meadows
sobre el agotam iento de las materias primas, no queda por
menos que aceptar que resulta imposible proseguir duran­
te mucho tiem po, o bien generalizar, la expansión de los
últimos treinta años. Debemos tener en cuenta que no
vivimos en una sociedad sin fronteras o sin límites. No
podemos imaginar que haya bastante oxígeno o materias
primas para perm itir que el conjunto de la hum anidad
viva al nivel de vida americano actual. Tenemos una
capacidad casi ilimitada de intervención en un entorno
limitado.
Ju n to con estas consideraciones económicas han inter­
venido hechos sociales y, ante todo, la reaparición, en los
años 60, de movimientos contestatarios. El movimiento
estudiantil, en los Estados Unidos y en Japón primero,
luego en Alemania, Francia e Italia, sacudió la cultura
mercantil. Más allá de los movimientos sociales, el cambio
de naturaleza de nuestra sociedad dejó sus huellas en el
¿POR QUE LUCHAR? 171

conjunto de las conductas culturales. Desde hace diez o


quince años, todo ocurre como si las conductas culturales,
que habían estado asociadas a la sociedad industrial (capi­
talista o no), se desligasen de ella, y como si comenzasen a
faltarle, a esta sociedad, la base o los apoyos culturales.
Primero es la gente que no sigue el movimiento, q u e se nie­
ga a jugar el juego, no acepta los valores profesionales y so­
ciales de u n a sociedad de trabajo: beatniks, hippies, m iem ­
bros de com unidades... Estos fenómenos no pueden ser m a­
sivos, pero anuncian un cambio en las ideas y las costum ­
bres. De modo más general, escuchamos por todas partes
nuevas llamadas a la diversidad, a la diferencia y esto,
evidentem ente, no es separable de las transformaciones del
sistema económico m undial. Lo que se conoce como el
Tercer M undo no era más que un conjunto de países
colonizados; el m undo socialista sólo era u n a Rusia
soviética que luchaba contra el subdesarrollo y se hallaba
sumida en la dictadura. Sólo había un modelo único de
«civilización». Ahora bien, hoy reconocemos a la vez las
limitaciones y el etnocentrismo y los crímenes de los
etnocidas. Ello, no por espíritu liberal o sim plem ente
como consecuencia de la descolonización, sino porque
comenzamos a aceptar la idea de que las sociedades se
desarrollan según modelos muy diversos, definidos por sus
formas de intervención sobre sí mismas. Al mismo tiem po,
la sociedad no puede representarse como un tren cuya
locomotora seiía la economía, y los vagones la sociedad y la
cultura.
Nos vemos llevados, al mismo tiempo que a reconocer
la pluralidad de modos de desarrollo, a com prender que
no se puede definir una cultura por su conform idad a u n
modelo general del progreso (como si hubiese conductas
modernas y conductas tradicionales). Asimismo, a nuestra
sociedad la define el hecho de que elim ina todas las
referencias al ser, a la esencia, a todo lo que acabaría por
proyectarse en forma de principios en nuestras conductas;
lo que sacude muchas nociones antiguas. Quiero conside­
rar dos o tres de estas transformaciones concretas. La
primera y más im portante para el sociólogo atañe a las
clases sociales. La sociedad industrial y el pensam iento
172 UN DESEO DE HISTORIA

marxista nos han enseñado ya a pensar en térm inos de


relaciones de clases, más que en términos del ser de clase.
Todavía en el siglo XIX las clases eran grupos reales, es
decir poseedores de una cultura y separados de los otros
por barreras institucionales. Actualm ente hemos llegado al
límite de u n a evolución. Ya no se puede hablar de clases
sociales, sólo hay que hablar de relaciones de clases,
y terminamos afirmando que vivimos en u n a sociedad
de relaciones de clases, sin clases reales, quiero decir con
esto: sin que las clases sean grupos reales, visibles,
poseedores de u n tipo propio de vida particular. Estamos
muy lejos del tiem po en que éramos dirigidos y dom ina­
dos por u n a aristocracia, por señores feudales o, incluso,
por una burguesía: somos dirigidos y estamos dominados
p o r aparatos.
Es cierto que, a veces, estos aparatos suelen crear privi­
legios para quienes los dirigen, constituyéndolos así en un
grupo real. Pero esto se encuentra esencialmente en los
países de tipo soviético y por tanto m ediante el poder del
estado: en ellos, los dirigentes tienen acceso a tiendas,
hospitales, escuelas, alojamientos que les están reservados.
No es éste el caso en los países capitalistas, donde una
extremada desigualdad no implica, con todo, la creación
de privilegios regulares, al menos no en un nivel muy
elevado. Es evidente que quien dirige es la empresa de
grandes dimensiones y no tal o cual categoría de gente,
lo que no quiere decir que no haya, como lo demostró
W right Mills, fusiones entre la burguesía de otros tiempos
y los nuevos dirigentes de las organizaciones, así como
hubo fusiones entre la aristocracia y la burguesía en la
Inglaterra de los siglos XVII y XVIII. En el aspecto
popular, si se contem pla los films que se hicieron sobre la
clase obrera en 1936 —por ejemplo el de Henri de
Turenne, 3 6 — , la clase obrera puede ser reconocida
físicamente. Ahora bien, hoy las categorías m aterialm ente
más desfavorecidas son cada vez más raram ente descritas
como clase obrera o como una de sus partes. Podrá
nombrarse a los trabajadores inmigrados, a los ancianos o a
los habitantes de una región en declive. Pero el aloja­
miento, el nivel de ingresos, el nivel de educación, los
¿POR QUE LUCHAR? 173

utensilios domésticos, todo eso no me parece que perm ita


considerar que lo que se denom ina clase obrera sea hoy
aislable y reconocible. ¡Esto no quiere decir que todo el
m undo vive de la misma manera! Simplemente, tenem os
que estar atentos para definir hoy las relaciones de
alienación, explotación o dominación en términos que
designen directamente esas mismas relaciones y no a los
personajes o los grupos sociales reales que las viven.
Un segundo campo de aplicación de esta m ism a idea
general es el de las relaciones entre los sexos. Los grupos de
sexo, en tanto que grupos reales, tienden a desaparecer.
Hubo, y hay todavía, u n a condición femenina, pero su
especificidad se ha debilitado. La progresión del trabajo
femenino, al que puede llamarse liberación o participación
cada vez más fuerte en el circuito de la vida económica,
conduce lentam ente a acercar la situación fem enina a la de
los hombres. Resulta característico ver que la diferencia
entre el voto masculino y el voto fem enino ha disminuido.
Es éste un fenómeno im portante, ya que supone proba­
blemente la victoria de la izquierda. El día en que las
mujeres voten como los hom bres, la izquierda ganará. Y
esta desaparición progresiva de los grupos de sexo viene
acompañada por una mayor atención volcada sobre los
problemas de la sexualidad y las relaciones sexuales.
También aquí las relaciones son más reales que los perso­
najes.
Un tercer y últim o ejemplo es el de la nación. Nosotros
provenimos de sociedades en las que las luchas de clases y
la vida política se situaban en u n marco nacional ya cons­
tituido, o que construía el movim iento de las nacionalida­
des, lo que vuelve a hallarse en el nacionalismo que hemos
visto desarrollarse con la descolonización. No se puede
apartar de una historia social de la época industrial a este
personaje central: la nación. A hora bien, hoy vivimos, al
menos en nuestra parte del m undo, en un universo en el
que las naciones han dejado de ser personajes centrales.
Henri Lefebvre inicia la publicaciójn de un gran libro
sobre el estado, y destaca este fenóm eno de la catolicidad
de la nación-estado. N uestra historia, ¿no está ya a punto
de salir de esa etapa? Hoy dom ina el papel de los imperios
174 UN DESEO DE HISTORIA

supranacionales, de las zonas de influencia e, inversamen­


te, el de los movimientos nacionalizadores, es decir
nacionalidades que no desean o no pueden ya identificarse
con un estado, pero quieren entenderse como nacionalida­
des. A m i entender, el estado-nación ha sido desbordado
por arriba y por abajo; como compensación, las relaciones
interimperiales (más que internacionales) desem peñan en
nuestra vida cotidiana un papel form idable. ¿Q uién de
nosotros no cree que, finalm ente, nuestra existencia coti­
diana está dom inada por las relaciones entre los dos
grandes? Pensemos en V ietnam , Líbano o Angola. ¿Cómo
no advertir que el choque entre imperios penetra hasta el
corazón de la vida nacional? Para nosotros, los franceses,
así como para los italianos, después de la guerra, la victoria
socialmente previsible de la izquierda fue im pedida p o r el
choque de los imperios, por la guerra fría.
Esta desaparición de las clases, de los sexos, de los
estados, en tanto que colectividades reales, como persona­
jes, y este triunfo de las relaciones de clases, de las rela­
ciones sexuales y de las relaciones interimperialistas como
líneas de fuerza de nuestra experiencia colectiva debilitan
los mecanismos de trasmisión y de reproducción social. De
ahí proviene la crisis de la educación. Nos aflige imaginar
formas de eso que denominamos «educación» y que no son
más que trasmisión de una herencia, conformación a
modelos preestablecidos. Esta alteración de nuestras con­
cepciones conmovió a la iglesia católica. Y tam bién
modificó el papel de la familia, lugar de reproducción por
excelencia pero que paulatinam ente es concebido más
como lugar de producción de la vida afectiva, y por tanto
de deseo y de relaciones sociales. Desgraciadamente apenas
empieza a afectar a la escuela, encerrada en demasiadas
defensas administrativas.

Actores y retos

Procuremos describir ahora el paisaje nuevo en el que


es preciso que aprendamos a vivir. A nte todo, nuestra
sociedad no se reconoce como dom inada por un orden
¿POR QUE LUCHAR? 175

cualquiera de hechos que serían ajenos a su propia acción.


Nosotros no la pensamos ya en términos de evolución o de
progreso, sino de política en el sentido más am plio del
térm ino. Lo que implica un conjunto de transformaciones
muy concretas. Cambiamos de modo de organización, de
criterios de jerarquización y, también, de m odelo de
consumo. Nuestra sociedad define cada vez m enos el
consumo como u n nivel. Los novelistas del siglo X IX nos
habían acostumbrado a esa búsqueda de la adquisición, a
signos de nivel: indum entaria, alimentación, tiem po libre,
lenguaje que indicaban una posición social. Por el contra­
rio, nuestra sociedad define al consumo como goce.
Agrego de inmediato que esta imagen del consumo y del
goce se desdobla en función de las posiciones de clase. Del
lado de la clase dirigente (es decir de los grandes aparatos
de producción y de consumo), se venden productos dicién­
dose, sobre todo a las mujeres: disfrute, o bien: agrade.
Las fuerzas y las ideologías de oposición, por su lado,
hablan de espontaneidad, de expresión, de lo imaginario.
De ahí una erotización general, buscada, del consumo. En
cuanto a la jerarquización, en las sociedades capitalistas
industriales ella, se basaba en la relación con el capitad y
con el dinero. La posesión del capital definía a la
burguesía; la posesión de u n ahorro, a la pequeña b u rgue­
sía; la vida a salto de mata, el endeudam iento, el crédito,
señalaba al pueblo. Hemos ingresado hoy, y las sociedades
socialistas antes que las capitalistas, en un m undo de
aparatos en el que la jerarquía es ante todo un nivel de
autoridad o de títulos, una jerarquía de diplom as, sin
olvidar que los diferentes regímenes los definen d e modo
diferente. Así se trate de la posición ocupada en el partido
comunista chino o soviético o del lugar en el organigrama
de una empresa m ultinacional, la jerarquía se sitúa en el
interior de los aparatos. El nivel es definido por la
capacidad de manejar sistemas simbólicos y, sobre todo, de
participar en el poder ligado a la gestión de los grandes
aparatos. Finalmente, tam bién las formas de organización
del trabajo han sido modificadas. Las sociedades m ercanti­
les han conocido lo que Max W eber llamó la burocracia, es
decir, la jerarquía de las posiciones, la impersonalidad de
176 UN DESEO DE HISTORIA

los derechos y los deberes correspondientes a la función y


no al individuo. En la sociedad industrial se impuso otro
modelo de organización: el rendim iento. A ello se debe
que la opinión pública tenga razón al considerar que el
trabajo en cadena, incluso si no está generalizado, es la
quintaesencia de la sociedad industrial. Cuando los sindi­
catos com batieron las cadencias infernales, tocaron u n
problem a central. A ctualm ente, en una sociedad dom ina­
da por los grandes aparatos surgen nuevos tipos de organi­
zación: se orienta a una gran diversidad de medios hacia
un objetivo particular. El prim er ejemplo célebre de este
nuevo tipo de organización fue el desembarco de 1944. Lo
im portante consiste en la idea de que se puede llegar a u n
punto dado por distintos modos de combinación de causas
o de medios.
Tales son las nuevas orientaciones normativas que rigen
los principales aspectos de la organización económica. U na
vez que ha descrito las grandes transformaciones de
nuestra cultura, el sociólogo debe sobre todo interrogarse
sobre las nuevas relaciones sociales que se conforman en
ese cam po cultural. ¿Q ué formas adquieren ellas? ¿Y qué
pueden ser las luchas sociales en esa sociedad? Es tentador
afirmar que esas relaciones se basan en la fuerza o el poder
más que en la propiedad. Unos grupos ejercen el poder y
unas masas lo sufren; m undo de imperios y de sujetos. En
una palabra, la potencia dom inante no sería ya la clase
dirigente, sino el estado. ¿No es así en la URSS o en China?
Y cuando en los países capitalistas se habla de capitalismo
m onopolista de estado, ¿no se quiere decir que cada vez es
en mayor grado el estado la fuerza dom inante? Si observo el
Tercer M undo, ¿no se im pone en él, todavía esa idea?
He dicho suficientem ente que el concepto de estado
está indisolublem enter ligado al análisis del cambio social,
como para negar totalm ente esta visión de las cosas. Es
cierto que nuestras sociedades cambian rápidamente, y
que, en la m edida en que cambian, el papel del estado es
cada vez más fundam ental. Pero esto en ningún caso
puede reemplazar un análisis de las relaciones de clases.
Estas son más fáciles de aislar en los países capitalistas, en
donde la autonomía del estado está más lim itada. En estos
¿POR QUE LUCHAR? 177

países es donde, incluso cuando el beneficio de la empresa


privada sigue siendo el principal motor de los cambios
económicos, hay que reconocer el cambio de m odo de
producción. El beneficio y el rendim iento dependen
menos de las formas de organización de la fabricación y
más de la capacidad de crear nuevos productos y d e adm i­
nistrar aparatos complejos. Nuestro m undo está dom inado
por los grandes aparatos y si bien es cierto que estos
aparatos están atravesados por muchos conflictos, afirmo
que en las grandes organizaciones hay cada vez menos
conflictos de clases, y que éstos enfrentan cada vez más a las
grandes organizaciones con el mundo exterior qu e ellas
dominan.
He ahí el motivo por el cual ni la clase dirigente ni los
movimientos sociales se sitúan exclusivamente en el orden
de la producción económica en sentido estricto. E n todas
partes se han desarrollado procesos de industrialización y
de concentración: en el comercio, pero sobre todo en las
actividades terciarias modernas: la investigación científi­
ca, las atenciones médicas, la información. En todas partes
se conforman aparatos dirigentes que im ponen su volun­
tad a los consumidores. Finalm ente, la más im portante
concentración de poder aparece en la gestión de las
técnicas nucleares, civiles y militares, tan formidables que
una amenaza a veces difusa, a veces localizada parece pesar
constantemente sobre nosotros. Estas modificaciones pro­
fundas de la cultura y de las relaciones de clases no han
dado lugar todavía a u n conjunto sólido de análisis.
Parecería que dudamos, o que somos im potentes para
pensar en las nuevas formas de poder. Entre los discursos
manifestados, hay que aislar uno, el más elaborado y que
tiende a dominar a los otros. Consiste en afirmar: existe u n
sistema cada vez más integrado de dominio y de dirección
y que necesariamente se halla en manos del centro
principal de poder: el estado. Así pues, el conflicto de
clases es reemplazado por la oposición d e l orden y de lo
que es excluido p o r el orden. N o acepto esta idea; m e
niego a creer que se haya salido del dominio de las
relaciones de dases para entrar en el orden de lo político o
de lo totalitario.
178 UN DESEO DE HISTORIA

En verdad, esta imagen es seria. Recuerda sobre todo a


la URSS, dom inada por u n sistema totalitario y en el que
las fuerzas de oposición apelan al nacionalismo, a la
religión, a un retorno tolstoiano a la tierra rusa o a las na­
cionalidades minoritarias cuando se trata de ucranianos,
georgianos o lituanos. Pero este razonamiento no es
aplicable directamente al nuevo m odo de producción
posindustrial que se plantea; el mismo sólo conviene a un
cierto m odo de desarrollo, aquél en el que el estado total
es dom inante. No es aceptable para las sociedades capita­
listas, en las que no es el estado, sino más bien una clase
d irig en te' quien domina la escena social. A ello se debe
que sea peligroso m antener esta imagen de un poder total
al que sólo se le puede oponer fuerzas que recurren a las
conductas marginales o a las minorías bajo todas sus
formas, y que, en consecuencia, son necesariamente per­
dedoras. Pensamiento que remite a las ilusiones utópicas
de comienzos del siglo XIX en el m om ento de la gran
proletarización, cuando sólo se pensaba en salir de la
miseria a través de rupturas. Pensamiento histórico insu­
ficiente, ya que no preparaba la formación del movimiento
obrero y las luchas de clases propias de la sociedad indus­
trial. H ay que estar a la escucha y en busca de las fuerzas y
de las conductas que se oponen al orden establecido, que
no juegan el juego o no se integran en la esfera de
dom inación de esos grandes aparatos. Pero ellas no
pueden ser más que una forma prim era y confusa de
resistencia al poder de los aparatos. Si se les aísla, si se
convierten en su propio fin, estas conductas de margina-
ción, o bien son autodestructivas —como en muchas
comunidades en las que lo esencial de la actividad es
absorbido por la conservación de relaciones interpersonales
muy aprem iantes— , o bien se convierten en instrumentos
funcionales de innovación cultural para el sistema. En
realidad, lo im portante en ellas es que son ya formas
fragmentadas de resistencia y de oposición, no al orden, a
la m odernidad o a la sociedad, sino a los centros de
dominación. Su importancia proviene de que la inmensa
am plitud de la dominación social aleja cada vez más una
de otra las dos vertientes de la acción social. La acción
¿POR QUE LUCHAR? 179

defensiva es aquélla mediante la cual los dom inados se


protegen de la influencia de los amos. El obrero defendía
su autonom ía profesional, su empleo y la vida de su
com unidad. Anteriorm ente, se ha visto cómo las colectivi­
dades defendían su existencia o su lengua contra el poder
político central. Hoy, esta defensa supera la frontera de lo
social, debido a que el poder llega a dom inar todos los
aspectos de la vida colectiva. Ella debe apelar a u n a natu­
raleza. Los grandes movimientos contestatarios hablan en
nombre de la defensa de la naturaleza, lo que supone
reivindicar un «estado de hecho», y por tanto una diferen­
cia. Unos homosexuales, en una discusión televisada,
dicen: nos negamos a discutir las razones por las cuales
somos homosexuales; somos así; tal es nuestra naturaleza.
La remisión a la especificidad, a la diferencia es im portante
y va más allá de la defensa del papel profesional o político.
El movimiento antinuclear pone en juego, tam bién él, una
fuerza defensiva que es más que el temor del accidente,
que llega hasta la defensa del patrim onio genético: no
queremos engendrar monstruos. Es decir: queremos defen­
der lo más fundam ental en nuestra naturaleza, y que la
ciencia, la tecnología y el poder que las utiliza están a
punto de alterar. Algo que amplía fantásticam ente el
campo de las luchas sociales. He ahí en cuanto al lado
defensivo.
Hay que pasar ahora a la vertiente contraofensiva,
considerar las luchas por la reapropiación del poder de
acción de la sociedad sobre sí misma. En la época de las
sociedades mercantiles, se trataba de luchas cívicas para
establecer la república y restaurar para el pueblo la capaci­
dad de decisión. En la efioca industrial se trataba, por y
para los trabajadores, de reapropiarse del trabajo acum ula­
do, el capital, y por tanto del poder económico. A ctual­
m ente, así como la acción defensiva ha superado los
límites de lo denom inado lo social para ir hacia la natura­
leza, así tam bién la acción contraofensiva desborda el
marco tradicionalm ente considerado como social, va más
allá y plantea tres cuestiones inseparables. Primero, la
apelación a la creatividad, al derecho de ser productor, de
elegir sus actividades, sus consumos o sus formas de
180 UN DESEO DE HISTORIA

trabajo. En segundo lugar, la llamada al deseo, lo que


probablem ente no es algo diferente, y sí formulado
únicam ente en otra clave. Apelación a lo que lleva más
allá del objeto deseado en vez de encerrar en u n sitio, un
lugar, u n a identidad y un placer. Aspiración al deseo sobre
el placer, a la superación sobre la identidad. Es normal
que se utilice un vocabulario psicológico, pero lo im por­
tante es q u e ahora hay una carga de relaciones sociales. El
tercer térm ino empleado es el de comunicación; la apela­
ción ofensiva a la voluntad de comunicación, contra la
subordinación a la regla, al espectáculo o a la excitación
impuestos. La idea de comunicación es la que el sociólogo
preferiría, pues ella incluye a las otras dos. Ella combate
más directam ente la señalización, la práctico-inercia, por
parte de los centros dirigentes que quieren constituir la
sociedad como orden, m ediante la com partim entación, la
expulsión, la marginación, la especialización, etc. La
aspiración a la comunicación es la aspiración a la relación
social.
La cuestión que ahora se plantea consiste en saber
cómo pueden constituirse movimientos sociales, cómo la
defensa de una identidad y de la naturaleza puede unirse a
la voluntad de creación de relaciones, a la apelación al
deseo. U nión difícil, cada vez más difícil, pues la am plia­
ción de los movimientos sociales, que desbordan todo
campo y todo grupo particular, tiende a desmembrarlas.
En otro tiem po estos movimientos eran contenidos en
límites estrechos, pero no tenían dificultades en elevarse a
acción heroica. Actualm ente, el terreno está libre, pero ya
nada im pone que las componentes del movimiento se
unan. Ellas están presentes, ¿pero surgirán o no las
condiciones de su cristalización histórica? Por una parte se
escucha la llamada a la naturaleza, a la diferencia, que
desborda los objetivos sociales, políticos o económicos
m ediante objetivos socioculturales. Existe asimismo el sen­
tim iento de planetarización de los problemas. Pero estas
acciones defensivas se dispersan, corriendo el riesgo de
encerrarse en u n a identidad temerosa, y no se ligan
fácilmente con acciones contraofensivas. La unidad de los
nuevos movimientos sociales les viene de la ideología de
¿POR QUE LUCHAR? 181

los antiguos movimientos en declive, es decir e n vías


de consolidación. El sol poniente del marxismo sigue ilu­
m inando los primeros elementos de la nueva vida social,
que no son todavía vividos sino como la negación del
orden por los movimientos antiautoritarios, antiorganizati­
vos, que no van más allá de la apelación a la identidad o a
un deseo socialmente indeterm inado. El trabajo teórico y
práctico de los sociólogos debe consistir en relacionar la
defensa de una naturaleza, la aspiración a un deseo, la
lucha contra todos los aparatos de dominación y la solida­
ridad con todos aquellos a los que conciernen estos
conflictos.

Contestaciones

Habría que definir más históricamente la situación de


estos nuevos movimientos sociales que todavía se hallan
mezclados con luchas de otra naturaleza. En un período de
concentración del poder económico, de transformación del
papel del estado, surge primero, contra una confianza
liberal indeterm inada en la m odernidad, una resistencia
general sostenida sobre todo por viejas élites o por catego­
rías en vías de extinción. Luego viene, más allá de esta
resistencia, la ilusión populista, es decir, una mezcla de
oposición y de contraproyectos, una voluntad de m antener
la continuidad de lo que existe a través del cambio, o de
hacer que lo mismo se convierta en lo otro sin dejar de ser
lo mismo. Más tarde aún, más allá de esta ilusión popu­
lista, aparecen los elementos que yo describía en teoría y
que van a constituir los nuevos movimientos sociales. Tales
son las componentes de nuestro presente. En las luchas
que observamos, lo antiguo se mezcla con lo nuevo, el
tradicionalista se mezcla con el contestatario, en condicio­
nes que no podemos definir a pñori. N o siempre lo que
parece lo más progresista será lo más im portante en la
constitución de los nuevos movimientos sociales. Mucho se
perderá en las luchas actuales. A través de esta confusión
histórica, en la que lo más visible es lo que m uere, hay
que aprehender la formación de nuevos movimientos
182 UN DESEO DE HISTORIA

sociales, y por tanto de u n a nueva vida política. El caso


más simple es el de los movimientos que apelan a la m o­
dernización, a la destrucción de las barreras tradicionales y
del absurdo, en beneficio de un sentido por otra parte
poco preciso, definido más como capacidad de acción,
como libertad. Posición liberal, im portante sobre todo en
Francia, en la m edida en que la industrialización desde
hace treinta años ha sido acom pañada por un fuerte
conservadurismo social y cultural, lo que creó grandes des­
fases entre el estado real de la sociedad y las normas
sociales o morales que la rigen.
Buena parte de las prácticas de los movimientos feme-
minos* depende de este aspecto; se trata de suprimir obstá­
culos, desigualdades tradicionales, sobre los cuales la socie­
dad no se interroga, de denunciar barreras y clasificaciones
casi espontáneas y revindicar para las mujeres, m ediante
eso mismo, igualdad de situación y libertad de creación.
Simone de Beauvoir es la figura central de este movimien­
to liberal que vuelve a encontrarse tam bién, en las organi­
zaciones sindicales, en las luchas por la igualdad de los
salarios femeninos con los salarios masculinos o por la
igualdad de posibilidades ante la formación o la prom o­
ción profesionales. Tam bién en los medios universitarios,
en los Estados Unidos más que en Francia, las mujeres han
llevado a cabo una campaña bastante activa por asegurar la
igualdad de sus derechos y de sus posibilidades en su vida
profesional. Pero este programa, al igual que todos los
programas liberales, es vago y hasta am biguo. Resulta fácil
criticarlo afirmando que esta apertura, esta supresión de
barreras, tiene muchas posibilidades de ejercerse en favor
de las categorías superiores mejor situadas. Para las restan­
tes, puede sostenerse la idea de que esta liberación o esta
equiparación de las mujeres no son, después de todo, sino
la posibilidad de poner a disposición de un capitalismo de
consumo más fuerza de trabajo, más poder adquisitivo. La
liberación de las mujeres, desde este m undo de vista, es
análoga a la liberación de los esclavos en el siglo XIX, que
no puede separarse del triunfo de la ideología y de los in­

* En el original féminins. (N. del T.)


¿POR QUE LUCHAR? 183

tereses capitalistas, es decir, de la creación de una m ano de


obra «libre», a disposición del empresario capitalista. A
esto se debe que se pueda preguntar si lo que vemos
desarrollarse en este m om ento no es sobre todo la
penetración de la vida privada o familiar por parte de los
intereses capitalistas. U na posición liberal no deja de ser
positiva, pero no hay que dejarse engañar por el tono
contestatario al que ella recurre en momentos de crisis.
Neuwirth, Giscard y Simone Veil fueron quienes tom aron
las medidas más activamente reclamadas; no digo esto para
subestimar la importancia de las mismas, sino para
recordar que ellos no son revolucionarios. En este sentido,
resulta más interesante observar ante todo lo que es
exactamente la inversa, es decir los movimientos fem eni­
nos de resistencia. Por todas partes se afirma la voluntad
de las mujeres por reconquistar un conocimiento y una
afectividad que ya no sean regidas por el papel que les
asignan los hombres. Pero esta resistencia, a su vez, puede
encerrarse en un gheto homosexual o atañer solamente a
una élite de intelectuales. Me asombró en los Estados
Unidos, y en especial en Boston, observar la im portancia
de este autoaislamiento. Algunas de mis estudiantes se
negaban a tom ar el m etro o el autobús porque era condu­
cido por un hombre. En una gran universidad fem enina,
Radcliffe, se habían planteado batallas durante m ucho
tiempo para que desapareciese la separación entre el
colegio de muchachos y el de muchachas, lo que se
obtuvo. Radcliffe y Harvard fueron integradas. Pero yo vi
el rechazo de las estudiantes de Radcliffe en particular en
la vida de Harvard, su voluntad de tener profesoras para
las mujeres y en un m edio que ejercía sobre sus miembros
fuertes presiones homosexuales. Algunas campañas m u n i­
cipales (una o dos de ellas tuvieron logros bastante im por­
tantes) tam bién fueron conducidas por mujeres abierta­
m ente lesbianas. Todo esto es im portante, pero se enfrenta
rápidam ente con los límites del aislamiento, porque esta
apelación a la especificidad es elitista y no atañe verda­
deram ente sino a un pequeño núm ero de intelectuales. Lo
que restringe el alcance del movimiento. Este liberalismo
abstracto y este integrismo feminista sólo pueden ser
184 UN DESEO DE HISTORIA

superados p o r u n movimiento que apele a lo que ha sido


dado e interiorizado, a lo que ha sido «feminizado», contra
los aparatos de dominación machista, conformados alrede­
dor del dinero, el poder o la guerra. El movimiento fem eni­
no se vuelve im portante en la m edida en que lucha por
todos contra la tecnocracia, pero en nom bre de todo lo que
ha sido negado por ésta y dado a las mujeres como signo de
dependencia. Las mujeres se com portan como los coloni­
zados. Al igual que los movimientos de liberación de que
Frantz Fanón y Jacques Berque tanto han hablado, ellas
oponen a los valores de los dominadores — la racionalidad,
el dinero, el poder— lo más ajeno al colonizador, lo más
oculto. Jacques Berque, en unos escritos m uy hermosos, ha
otorgado por esta razón un gran papel a las mujeres colo­
nizadas. Fue su enclaustramiento lo que a m enudo las
convirtió, en especial en el m undo árabe, en u na fuerza de
liberación. Del mismo m odo puede pensarse que en el
seno de la sociedad tecnocrática masculina la m ujer es una
población colonizada que, reivindicando los derechos de
su sexualidad y de su cuerpo, puede entablar la batalla
contra la dom inación del poder y de la agresividad, y
luchar así — pero en nombre de todos— por eso que ya he
definido como uno de los elementos esenciales de los
nuevos movim ientos sociales: la alianza entre la naturaleza
y la creatividad.
Puede razonarse de manera análoga sobre los movi­
mientos d e defensa regionales que se convierten con
frecuencia en movimientos nacionalizadores. Pueden ellos
aparecen, ante todo, como movimientos de defensa o de
resistencia de categorías amenazadas por la transformación
del capitalismo y del estado. Pierre G rém ion tocó un
punto im portante al describir la crisis del estado tradicio­
nal. Estado que es representado superficialmente como un
puro aparato administrativo, napoleónico, y que en reali­
dad se halla en acuerdo constante con los caciques locales.
La integración social y cultural de Francia era m ucho más
débil de lo que hoy se cree, y sólo muy recientem ente ha
progresado vivamente con la movilidad geográfica y el
desarrollo de la cultura de masas. En consecuencia las élites
regionales, que disponían de una autonom ía bastante
¿POR QUE LUCHAR? 185

grande, ya en el marco local, ya en relación con el aparato


estatal, están hoy amenazadas y tienden a defenderse. Este
pudo ser el caso de grupos aristocratizantes o de u n a parte
del clero en el oeste de Francia antes de la guerra, pero
también el de toda clase de notables, desde los propieta­
rios hasta los enseñantes; Inversamente, nuevos notables
quieren liberarse de esta tutela del estado y reivindican pra
las regiones un desarrollo autónom o. Ellos pueden, inclu­
so, animar un movimiento populista, es decir, apelar a la
idea de que apoyándose en sus formas tradicionales de or­
ganización social y cultural, una colectividad puede
asegurar su evolución sin ruptura, sin tener que pasar por
la proletarización social y cultural, característica de la
industrialización capitalista clásica. Era éste el plan tea­
miento de los intelectuales rusos en los años 1870-1880; las
tradiciones colectivistas' de los campesinos rusos iban a
perm itir el paso a un socialismo m oderno evitando la frag­
mentación capitalista. Estas cuestiones están igualm ente
presentes en Francia, fuertem ente alimentadas p o r ideas
cristianas, ya que la desaparición de la iglesia católica hizo
que los medios cristianos se volviesen comunitarios. La
tendencia a las comunidades de base, tan im portante entre
los cristianos, puede adquirir formas muy reformistas o,
por el contrario, revolucionarias, espontaneístas o escatoló-
gicas. Esta componente cristianopopulista desempeñó un
papel considerable por interm edio de grupos semipolíticos
que son, a la vez, corrientes de opinión y partidos políti­
cos, como el PSU. Pero la cuestión principal es: a p artir de
esta resistencia de los antiguos caciques, a partir de esta
ilusión populista, ¿en qué condiciones pueden surgir
nuevos movimientos sociales? O tra formulación: ¿en qué
condiciones pueden movilizarse contra la dominación de
los aparatos centrales los movimientos regionales o nacio-
nalizadores, superando e incluso combatiendo la cuestión
de la comunidad y el integrismo nacional, yendo más allá
de la aspiración ilusoria a una pura autonomía social y
cultural? Hay dos tendencias en los movimientos regiona­
les y nacionalizadores: una se vuelca hacia la búsqueda de
la identidad, hacia la defensa de u n ser, una tradición,
una cultura, y combate globalm ente al extranjero, al colo­
186 UN DESEO DE HISTORIA

nizador; la otra busca constituir, más allá de los marcos


arbitrarios y paralizantes del estado burocrático, u n a
voluntad y una capacidad de acción, pero en el marco de
un programa político general. Q ueda entonces por deter­
minar no ya lo que son los movimientos regionales sino en
qué condiciones, cómo o cuándo esta segunda tendencia
puede imponerse sobre la prim era, encerrada en la reivin­
dicación de una identidad contradicha por la creciente
incorporación a cambios de todo orden. Inversamente, hay
que preguntarse cómo la conciencia de identidad puede
alimentar u n a contestación autogestionaria más allá de una
incorporación bastante floja del movimiento regional en
una «izquierda unida» nacional.
Estos interrogantes son válidos tam bién para otros
movimientos. En el movimiento estudiantil del 68 veo una
revuelta cultural y la aparición de nuevos movimientos
sociales, movimientos de lucha alrededor de la utilización
social del conocimiento. Pero veo tam bién, suscitados por
la crisis fundam ental de las universidades en Francia, m o ­
vimientos de ruptura, de búsqueda de identidad, de aisla­
miento. Todavía aquí, la cuestión consistía en saber en
qué condiciones las significaciones positivas, las del 68, se
impondrán sobre las significaciones negativas, aquéllas que
dom inaron la crisis de 1976, y contra las cuales luchan los
propios militantes estudiantiles. Así consideremos a los
movimientos nacionalizadores estudiantiles, femeninos o
antinucleares, vivimos esta situación de equilibrio, sum a
muy clásica, entre lo que es resistencia al cambio o ilusión
utópica de la continuidad, y lo que, a través de miles de
estallidos y mil conflictos, puede constituir los movimien­
tos sociales de mañana: la alianza de la defensa de una
naturalerza con la aspiración a la creatividad contra los
aparatos tecnocráticos. Es probable que los movimientos
antinucleares desempeñen en un próximo futuro un papel
central. Ello porque, más que los otros, escapan a una
acción puram ente defensiva; y porque pueden señalar con
precisión a su adversario, las centrales y otras instalaciones
nucleares, lugares precisos construidos por un poder tecno-
crático fácilmente reconocible. Pero su desarrollo será
regido por las tensiones entre una aspiración defensiva de
¿POR QUE LUCHAR! 187

los equilibrios naturales, e incluso a una detención del


crecimiento, y una acción contraofensiva, análoga a la del
movimiento obrero, pero capaz de llevar mucho m ás lejjos
la contestación. Acción dirigida contra la concentración del
poder y capaz de derribar la ilusión de que n o hay
alternativa, de q u e la técnica im pone una política. Y, en
consecuencia, guiada más por la voluntad de restablecer la
democracia que p o r una imagen de la civilización ideal.

La autogestión

Desde hace algunos años, una palabra define el


objetivo de estos nuevos movimientos sociales: autoges­
tión. Resulta difícil tratar a esta palabra como si fuese un
concepto de las ciencias sociales, cuando se ha convertido
en una cuestión social y política. Así pues, prim ero hay
que tomarla por lo que es, por el signo de una transfor­
mación de los movimientos sociales. Ante todo, se opone
a «dictadura del proletariado». La autogestión es prim ero
la afirmación de los derechos de los movimientos sociales a
regirse por sí mismos, en vez de ser dirigidos por u n
partido o una ideología que representern científicamente,
y por tanto, de m odo absoluto, el sentido de la historia.
En este sentido y en la m edida en que hay que elegir entre
grandes cuestiones históricas, yo elijo claramente la auto­
gestión en vez de la dictadura del proletariado, sobre todo
en Francia, donde la primacía de la lucha por o contra el
estado sobre li transformación de las relaciones sociales ha
sido casi constanter. Pero hay que ir más lejos, pues en la
misma palabra, se mezclan diferentes ideas.
Reparo entres: primero, una versión radicalizada de lo
que en los países anglosajones se denom ina desde hace
mucho la «democria industrial». El supuesto rem ite a la
desaparición de los obstáculos — que siguen siendo consi­
derables en Francia— a la organización sindical, a la
participación de los ciudadanos, trabajadores o consum i­
dores, en las decisiones que les conciernen. Un segundo
sentido más contestatario afirma la necesidad d e movi­
mientos de base contra todas las formas y todos los niveles
188 UN DESEO DE HISTORIA

de institucionalización. A quí se manifiesta, asimismo, u n a


gran desconfianza respecto al estado, que no es un árbitro
pues hoy está cada vez más ligado a la gestión; lo que
refuerza la aspiración a movimientos de base contra todo
reformismo. Estas dos ideas están y estarán presentes
durante m ucho tiem po en el corazón de nuestra vida
social. Pero una tercera idea puede tam bién infiltrarse en
el tem a de la autogestión: la de que u n grupo puede
controlar su propio cambio como m anera de preservar su
identidad. Peligrosa ilusión. No hay continuidad en el
cambio, así como no hay revolución a través de la ley. Si
una categoría puede m antener su identidad a través del
cambio, ello no puede ocurrir sino rodeándose de garantías
del estado y protegiéndose con él contra el cambio, lo que
pasa a ser exactamente lo contrario de la autogestión: la
formación de un grupo de presión corporativo, que
asegura el m antenim iento de sus hábitos o de sus privile­
gios. Este es, de m odo muy amplio, el caso de la
enseñanza. Puede decirse que ella se autorrige: muchas
decisiones cotidianas son tomadas, conjuntam ente, por las
organizaciones profesionales y por las instancias adm inis­
trativas. Pero se trata de una caricatura de la autogestión,
ya que esto no apunta sino a m antener u n a presión sobre
el aparato estatal.
La autogestión supone una sociedad abierta, en la que
una clase dirigente busca im poner directam ente su dom i­
nación, y no una sociedad en la cual grupos de intereses
rivalizan en su presión sobre un estado distribuidor y
árbitro. El tem a de la autogestión no está exento de la idea
de un conflicto abierto, mientras que la defensa corporati­
va apela constantem ente a u n estado protector.
Todo ello lleva a plantear u n últim o interrogante
¿cómo se form an los movimientos sociales? ¿Cómo p ueden
superar las tentaciones de la identidad, como la de la
simple apertura liberal? Hay que responder hoy que los
movimientos de lucha social sólo pueden tom ar forma si
están asociados a fuerzas políticas de cambio. H e ahí el
precio de su extensión casi infinita. No tienen límites,
pero carecen de principio interno de unificación. N o se
trata de volver a la teoría y práctica leninista: la tom a del
¿POR QUE LUCHAR? 189

poder del estado, la utilización de la crisis y de la


descomposición de las instituciones será lo que dará su
im portancia histórica al movimiento. Me opongo a este
tipo de nexo entre movimientos sociales y políticos,
porque la fuerza política que tom a el estado se define de
inm ediato, necesariamente, por su propia dictadura sobre
los movimientos sociales que la han llevado al poder. Pero
supondría una ilusión el creer que la elección de la auto­
gestión contra la dictadura del proletariado perm ite llegar
a una pura «sociedad civil» en la que no habría ya estado,
en la que las fuerzas sociales pudiesen ser definidas sin su
relación con el estado. Como vivimos en una situación que
no es revolucionaria, en la que existen canales institucio­
nales de cambio, hay pues que adm itir que la formación
de los movimientos sociales no puede ser com pletam ente
separada de la acción de los partidos políticos. Solamente
la existencia de fuerzas propiam ente políticas perm ite hoy
la formación de movimientos sociales, que, dejados a su
ventura, se desintegrarían en defensa de una naturaleza y
en la aspiración a una creatividad indeterm inada. Si los
movimientos sociales creen poder prescindir de estas rela­
ciones con las fuerzas políticas, no pueden sino zozobrar
en la ilusión de la espontaneidad y en las limitaciones del
izquierdismo, así se trate de un izquierdismo autoritario,
es decir de la ilusión de que los movimientos d e base
pueden constituirse como partido, o bien, por el contrario,
de un izquierdismo libertario, que se esfuerce por definir
la acción de les movimientos sociales esencialmente como
antipartidos o al margen de los partidos. Al mismo
tiem po, hay que declarar que los movimientos sociales
pueden afirmarse por primera vez como portadores de
pleno derecho de su propio sentido político e ideológico.
Lo que no contradice el hecho de que la acción histórica, la
formación real, práctica, de estos movimientos sociales no
pueda producirse sin la intervención de fuerzas políticas,
las únicas capaces de definir el espacio estratégico en el
cual estos movimientos pueden desarrollarse. En Francia,
Italia y otros países, las centrales sindicales —y en particu­
lar en Francia la CFDT— son las que desem peñan u n
papel esencial, más aún que los partidos, como «operado­

i
190 UN DESEO DE HISTORIA

res políticos» de los nuevos movimientos sociales. Actual­


m ente, su formación, su tendencia a la fragmentación
dependen ante todo de condiciones políticas, y sobre todo
de la apertura de los partidos políticos a su respecto.

El sindicalismo

Este repaso de los nuevos movimientos sociales obliga a


redefinir el lugar del sindicalismo. Al hablar de la concien­
cia obrera, cuya historia natural intenté escribir, así como
situar el lugar central de la conciencia de clase y por tanto
de la acción de clase obrera, me interrogaba de antem ano
sobre el porvenir del sindicalismo y, de m odo más general,
por el del movimiento obrero. Más allá del punto central
de la conciencia obrera, ¿en qué se convierte el movimien­
to obrero? Llegará u n m om ento en el que ya no podrá
ocupar aquel lugar central que fue suyo a partir del gran
desarrollo de la industria en Europa y después de la Co­
m una de París. Si es cierto que hay que negar las ridiculas
afirmaciones sobre el fin del movimiento obrero, e incluso
sobre el fin de la clase obrera, o, de un modo general,
sobre lo que en los años 50 se llamaba el fin de las
ideologías, no lo es menos que, durante los años 50 y 60,
en los grandes países capitalistas, se advierte muy clara­
mente que las sociedades industriales negocian cada vez
más los conflictos industriales gracias a la intervención del
estado, por un lado, y, por el otro, al refuerzo de las
organizaciones sindicales. Hasta se ha visto cómo se des­
arrollaba, por ejem plo en la enseñanza, un sindicalismo
muy im portante cuyas bases e ideas son sensiblemente
diferentes de las del sindicalismo obrero de clase. Por todas
partes se observa una transformación parcial, aunque
im portante, de un movim iento social de reivindicaciones
negociadas en el marco de las instituciones. Indudable­
m ente, en Estados U nidos, Alemania o Suecia el movi­
miento obrero no se muestra ya como portador de enfren­
tamientos divisorios. Al mismo tiem po, este sindicalismo
adquiere una im portancia creciente en la vida social y
económica del país. ¿Cómo reaccionar ante estas transfor­
¿POR QUE LUCHAR? 191

maciones del movimiento obrero? Ante todo, reconocien­


do el nuevo papel de muchas organizaciones sindicales.
Los sindicatos de enseñantes, por ejemplo, cuya práctica es
sobre todo corporativa, emplean con frecuencia u n voca­
bulario y una ideología que no se corresponden con sus
prácticas. Espero que pronto encuentren perspectivas de
acción más amplias, pero han penetrado muy profunda­
m ente en el funcionamiento de la administración pública
como para hallarse en una posición de lucha de clases
abierta, mientras que los funcionarios se encuentran en
una situación muy diferente a la de los obreros asalariados
estrechamente sometidos al rendim iento.
En segundo térm ino, habría que intentar precisar la
evolución del movimiento obrero, en especial en Francia.
Esquemáticamente, el sindicalismo contem poráneo pasó
por tres fases.
1. Primero, los años 1957-1959, los de la caída del
sistema político y la llegada de de Gaulle al poder. Dado
que las organizaciones políticas tradicionales se d ebilita­
ban, las organizaciones sindicales adquirieron lugar predo­
m inante. Es el m om ento en que la CFTC lanza la idea de
planificación democrática por interm edio de G ilbert De-
clercq. En ese momento habrá tam bién esfuerzos p o r m o­
dificar, modernizar, renovar la concepción del sindicalismo
sin cuestionarla fundam entalm ente. Tal es el planteam ien­
to de la nueva clase obrera, cuestión al que está ligado, pre­
cisamente, el nombre de Serge Mallet, y en la que m e inte­
resé. El mismo fue ineludo primero en un número d e la re­
vista Arguments dedicado a los problemas obreros. Edgar
Morin me había pedido que me ocupase de él y yo había in ­
vitado a Serge Mallet a que escribiera sobre el tema, tam bién
tratado por mí. La idea es simple: el movimiento obrero no
cambia de naturaleza, pero sus objetivos se am plían al
mismo tiem po que varía su composición profesional; en las
industrias modernas, los obreros muy cualificados, pero
sobre todo los técnicos, e incluso hasta los cuadros, desem­
peñan el papel que los obreros más clásicos —esencial­
m ente cualificados— desempeñaron en el período prece­
dente. Esta cuestión de la nueva clase obrera recordaba
sobre todo el carácter «positivo» del movimiento obrero,
192 UN DESEO DE HISTORIA

mientras q u e en esta época la idea dom inante era todavía


la de la pauperización, lanzada por el PC. Los analistas de
la nueva clase obrera insistía en el aspecto ofensivo del
m ovim iento obrero, que lucha por una sociedad de traba­
jadores, de productores. Estas ideas impactaron considera­
blem ente, pienso en especial en el trabajo de Serge
Mallet sobre la Thomson; su papel fue positivo en la m e­
dida en q u e llevaron a tom ar una actitud realista en
relación con la evolución económica. Se aceptaba buscar
nuevas formas de lucha social, en vez de sostener una im a­
gen estrictam ente proletaria, muy envejecida. Más tarde,
muchos comentarías —pero no Mallet— procuraron otor­
gar a esta idea una am plitud totalm ente excesiva. Actual­
mente las cosas son bastante claras, en especial gracias a los
estudios efectuados después de 1968 sobre las huelgas, que
han m ostrado el interés y los límites de esta idea. Estos
estudios revelaron que en 1968, en el m om ento de las
grandes huelgas, quienes habían ido más lejos eran, en
efecto, los trabajadores de las industrias más modernas. Ni
los portuarios, ni los ferroviarios, ni los metalúrgicos, sino
los trabajadores de la informática, la aviación, las oficinas
de investigación, o sea de sectores en los que esta famosa
clase obrera de técnicos era muy im portante. Quienes
detentan la capacidad técnica, la fuerza de producción son
los que mejor pueden discutir la apropiación social del
aparato de producción. Pero los cuadros no son revolucio­
narios. Entre los cuadros o los técnicos superiores, quienes
se m ostraban más activos se encontraban muy cerca del
medio estudiantil, o bien pertenecían a grupos revolucio­
narios. En consecuencia, su categoría como tal no está ver­
daderam ente implicada en su acción. Agrego que la
práctica sindical después de 1968 demostró en Francia,
Italia, etc., que estas categorías ya no desem peñaban el
papel principal. A partir de 1969 se ha visto que los OS,
los trabajadores de las regiones periféricas, las mujeres no
cualificadas, los trabajadores inmigrados, intervenían más
activamente que los nuevos especialistas.
'2. Después de este planteam iento surgió u n segundo,
característico de la CFDT a partir de su gran desarrollo en la
industria. Se trata de la idea de la ampliación del campo
¿POR QUE LUCHAR? 193

de reivindicaciones. El sindicalismo tradicional estaba


concentrado en los problemas del trabajo; en lo sucesivo,
los problemas sindicales se extienden a un cam po social
mucho más amplio, se rem ontan a los problemas d e polí­
tica económica (y de ahí el papel de la CFDT o de la CGT
en las comisiones de planificación), pero tam bién a los
problemas del fomento de los recursos, la urbanización, la
condición de las mujeres, la fam ilia, el tipo de vida, el
consumo... D urante buen número de años se desarrolló la
idea de que el movimiento obrero había pasado de reivin­
dicaciones cuantitativas y defensivas a reivindicaciones
cualitativas más ofensivas. No se cuestionaba la función
del sindicalismo; se afirmaba u n a ampliación de su campo.
Esta idea me parece falsa, ante todo porque no es
cierto que el movimiento obrero, durante ochenta años,
no haya sino defendido objetivos cuantitativos de salario o
de empleo. Cuando se introdujo el taylorismo en 1913, en
las fábricas Renault, estalló u n a gran huelga contra este
método de organización del trabajo, es decir sobre u n
problema que no era cuantitativo. Del mismo m odo, el
interés del sindicalismo por los problemas culturales se
hacía mucho más patente en otra época que ahora. El
tema de la cultura proletaria fue muy poderoso antes y
después de la guerra de 1914, en Francia, Alem ania o
Austria. Agrego que esta am plitud aparece a m enudo
como la marcha hacia un vago reformismo participacionis-
ta — que la CGT le ha reprochado a determ inadas tenden­
cias de la CFDT— o bien puede, inversamente, dirigirse
hacia movimientos que no tienen m ucho que ver con el
sindicalismo.
3. Esto nos conduce a la tercera fase, que concierne
más al cambio de naturaleza y al papel de la acción sindi­
cal. En la sociedad en que ingresamos, el lugar de trabajo
ya no es el corazón de los conflictos o de las contradiccio­
nes de la sociedad. Por el contrario, las empresas se
convierten en grandes organizaciones que perm iten que
todos sus miembros participen en su posición dom inante,
sin que por lo demás resulten abolidos ios conflictos inter­
nos. Las principales contradicciones se producen entre la
empresa y su entorno, el territorio o la población que ella
194 UN DESEO DE HISTORIA

controla. Por este hecho, los sindicatos se ven obligados a


perder su papel de movimiento social y a ver aum entar su
papel de agentes políticos, o sea de elementos de un
sistema de decisión. Los partidos políticos ya pasaron por
esta evolución. Las principales luchas sociales fueron, en
una época, luchas políticas: luchas por los derechos del
hom bre y del ciudadano, el derecho al voto, la indepen­
dencia de las colonias. A m edida que el movimiento
obrero se desarrolló con la sociedad industrial, hemos visto
que las fuerzas surgidas de la revolución francesa se con­
vertían en elementos del juego político, y no ya en porta­
doras de los grandes movimientos sociales. Los sindicatos
comienzan a seguir el mismo camino. Actualmente,
cuando preguntam os qué política económica y social van a
seguir Francia, Alemania, Inglaterra, los Países Bajos o
Noruega, procuramos saber cómo habrá de efectuarse una
negociación entre el gobierno, la patronal y los sindicatos.
Además, existe ahora un gran número de organizaciones
profesionales. Cuando se hablaba del sindicalismo, se
evocaba siempre el sindicalismo obrero. Ahora, no hay ya
diferencia fundam ental entre el sindicalismo obrero, la
federación de sindicatos de trabajadores agrícolas o de las
asociaciones de defensa como el CID-Unati. Ello no
porque yo confunda los intereses que estas organizaciones
representan, sino porque todas son actores del sistema
político, utilizando los mismos canales institucionales y los
mismos m étodos de presión. La sociedad funciona en base
a negociaciones entre grupos de intereses socioeconómicos
organizados. Estudiar la política, hoy, no supone solamen­
te seguir la actividad del parlam ento. U na historia política
de Francia debe conceder más espacio a la CGT o a la
FNSEA que al partido radical o a los radicales de
izquierda. El sindicalismo se convierte en u n actor político,
y añado: un actor político sólo tiene importancia si es el
operador político de movimientos sociales. Los partidos
republicanos o socialistas han sido, en otro tiempo, los
operadores políticos de los movimientos populares, luego
del movimiento obrero.
El porvenir del sindicalismo se halla, o bien en incor­
porarse paulatinam ente al sistema político, o bien en
¿POR QUE LUCHAR? 195

convertirse además en el operador de nuevos movimientos


sociales, para darles una dimensión política. Tal es el papel
de la CFDT; mientras que la CGT parte de una orienta­
ción política para dar curso a una acción sindical, contando
con sus propios resortes y siguiendo el movimiento contra­
rio. A bierta a los nuevos movimientos sociales, ella
también se esfuerza por ampliar el campo de negociaciones
y reforzar la presión de los trabajadores. La CFDT, desde
hace diez años, es la mayor fuerza innovadora de la socie­
dad francesa. Su pensamiento, su acción anuncian la
sociedad de m añana creando un nuevo tipo de m ilitantes.
Pero ninguna de las dos grandes centrales (la situación de
FO es muy diferente, ya que lo esencial de su fuerza se
halla en el sector público) se define solamente por la
reivindicación y la negociación colectiva, lo que les da una
importancia política general. Dicho esto, surge que hoy el
papel central del sindicalismo obrero es la lucha, con
frecuencia conducida con fuerza, por la ampliación de su
capacidad de negociación. Se trata de lo que yo denom ino
un reformismo radical, o sea la necesidad del radicalismo,
en el sentido anglosajón, para llegar al reformismo. La
costumbre francesa dice que hay que romper las puertas
para que a uno lo reciban. ¡Fue necesaria la huelga del 68
para obtener el reconocimiento de la sección sindical de
empresa! Pero tam bién se aprecia que se desarrolla el
nuevo papel del operador político, que es más noble y más
im portante. Y existe, finalm ente, otra faceta del sindica­
lismo. Cuando una categoría social deja de conducir, por
razones históricas, el movimiento social principal, no por
ello deja de ser menos conductora de una subjetividad de
clase. Si adoptamos un térm ino del lenguaje religioso, se
forma lo que podría llamarse un fundamentalismo obrero.
Quiere decir que sigue habiendo conciencia de clase obrera
allí donde ya no hay capacidad de acción revolucionaria, y
en especial en las categorías que recientemente h a n arriba­
do a la industria, que viven por ejemplo una experiencia
de proletarización, de sumisión a un empleador m o n o p o ­
lista en una región débilm ente industrializada. Puede tra ­
tarse, asimismo, de trabajadores inmigrados que ingresan
en la actividad industrial. Así se opera una especie de
196 UN DESEO DE HISTORIA

retorno al sindicalismo revolucionario de base, de resurgi­


m iento de la vieja conciencia de clase, incluso cuando los
antiguos objetivos de la acción se negocian cada vez más.
Pero estas acciones se lim itan bastante rápidam ente a
reivindicaciones salariales y condiciones de trabajo, dem a­
siado estrechas, que no pueden renovar el movimiento
obrero. A unque el sindicalismo vive a tres niveles a la vez:
el nivel central de la negociación difícil; por encim a, el papel
del operador político de los nuevos movimientos sociales; y
por debajo, las llamas de una antigua conciencia obrera que
retorna poco a poco, a través de los resurgimientos de la
conciencia de clase, a acciones cada vez más defensivas.

La apertura

Al pensar en los meses y en los años que tenemos por


delante, me pregunto cómo se combinarán las respuestas a
dar a dos problermas muy diferentes: el desarrollo de las
luchas sociales en el interior de un tipo de sociedad y el
paso de una etapa histórica a otra. Por u n lado la lucha de
clases, por el otro el paso a la sociedad posindustrial.
La complejidad y la fragilidad de la situación francesa
provienen de que tenemos necesidad, a la vez, de un
desarrollo de las luchas sociales y de una fuerte capacidad
de transformación histórica. U na reflexión en profundidad
sobre las relaciones entre estas dos tareas dirige nuestro
porvenir político. Habremos de ver que se desarrollan
nuevas luchas sociales, que surgen nuevos actores de clase;
al mismo tiem po, tenemos que romper con u n m odo libe­
ral, capitalista, de transformación histórica. A nte todo,
porque sufrimos bloqueos reforzados por el gaullismo y
por la resistencia de antiguas categorías económicas, de
antiguas formas de organización social y de antiguos
modelos de com portam iento que llevan a que los proble­
mas del cambio exijan y hayan de exigir la intervención
autónom a de u n estado transformado; luego, porque
nuestros países no poseen ya la hegemonía m undial, y no
pueden conformarse con exportar su estado a través de
guerras coloniales.
¿POR QUE LUCHAR? 197

Desde hace tres años pienso constantem ente en el


ejemplo chileno. Es peligroso reducir el análisis de la caída
de la U nidad Popular a la intervención de los Estados
Unidos, Kissinger, la CIA o los militares brasileños. Soy el
últim o en subestimar la importancia de estas intervencio­
nes, pero se las preveía. ¿Por qué haber hablado tanto de
la dependencia, el imperialismo, el colonialismo si se
había pensado que en el m om ento fatídico el imperialismo
no intervendría? El gobierno de izquierda sabía que
tendría que enfrentarse con la oposición, el sabotaje, la
intervención directa de fuerzas imperialistas. ¿Pero p or
qué su derrota fue tan brutal, que no permitió la lucha
popular contra el golpe de estado? Porque la dinámica de
la U nidad Popular se expresaba únicam ente en términos
de fuerzas sociales, que no reconocían la existencia y el
papel del estado. Tengo pocas inclinaciones leninistas,
pero combatir al leninismo no puede llevar a olvidar el
problem a y el papel del estado. Acabo de leer u n a decla­
ración de Clodomiro Almeyda, que coordina actualm ente
las fuerzas de la U nidad Popular y que desarrolla valiente­
m ente este asunto a propósito de su país.
N o se trata de afirmar que nos hallamos en una situa­
ción de crisis generalizada, dependencia y miseria, que la
prioridad debe correspodner al estado, a la tom a del
poder y a la dictadura del proletariado. Ya no se trata de
decir que hay que hacer desaparecer al viejo estado para
llegar a una sociedad de espontaneidad y creatividad. Es
preciso reconocer que los problemas políticos de la socie­
dad francesa tienen dos aspectos: hay que hacer que avan­
cen, a la vez, la autogestión y la planificación.
Esta doble lectura se impone desde el m om ento en que
se intenta definir la evolución del estado y del sistema
político en Francia, en el curso de los últimos veinte años.
Progresivamente, el estado, primero absoluto, volvió a
situarse en la lógica del gran capitalismo internacional.
Tras haber afirmado al capitalismo francés, que era débil y
desorganizado después de la guerra, consiguió situar a la
economía francesa en la economía atlántica, de tal m odo
que poco a poco, y es ésta la lógica de los intercam bios
internacionales, las grandes empresas y el dólar se im pusie­
198 UN DESEO DE HISTORIA

ron a u n a economía que prim ero estaba preocupada por la


reconstrucción nacional, y por. tanto por u na intervención
directa del estado. Desde de G aulle hasta Pom pidou y
Giscard, el estado, siempre m anteniendo un papel eco­
nómico esencial, abandona su lógica de reconstrucción
nacional para incorporarse al m undo del gran capital. La
transformación más espectacular se sitúa bajo Pom pidou.
Vivimos entonces, después de la austeridad y la grandeza
gaullista, un período de transición dom inado por los
escándalos financieros, la corrupción, la ostentación, detrás
de la gran palabra industrialización, de los intereses más
indecentes. El desarrollo del gran capitalismo industrial y
financiero bajo Pom pidou sigue estando pues asociado a la
defensa de las viejas clases medias y de la vieja burguesía
negociante. La gran innovación de Giscard consiste en
querer reem plazar la alianza del capitalismo de estado con
esas viejas categorías sociales por la del capitalismo m oder­
no y las nuevas clases medias. Resulta fácil advertir que
m engua la base política del gaullismo. El electorado
gaullista era un electorado senil de agricultores, de mujeres
sin em pleo, de habitantes de los pueblos. Ahora bien, el
electorado senil, por definición, tiende a desaparecer; las
mujeres votan cada vez más como los hombres, y la urba­
nización le ha restado m ucha importancia al voto de los
pueblos y la campaña. Un gobierno de derecha sólo puede
mantenerse si conquista a las nuevas clases medias, es decir
a los empleados, los funcionarios, los técnicos. Por otra
pane, los programas de reforma de Giscard han sido clara­
m ente dirigidos hacia este aspecto, como lo confirma la
imagen de la sociedad francesa que él mismo acaba de dar
en su libro Démocratie française. Si bien ha adquirido u na
posición bastante fuene en la opinión pública, ello es
producto de haber hecho aprobar leyes, en especial sobre
el abono, que fueron apoyadas por la gran mayoría de la
opinión, pero que concordaban con las batallas libradas
sobre todo por mujeres de las clases medias, y que asegu­
raban esa modernización de las costumbres a la que estas
categorías sociales son particularm ente sensibles. Pero en el
orden social y económico, los intentos de reforma fracasa­
ron. N o se lograron ni la reforma de la empresa, ni la del
¿POR QUE LUCHAR* 199

régim en tributario, ni la de la regionalización. Ahora


bien, todos ellos son problemas esenciales para las nuevas
clases medias. La concentración económica alejó a los
cuadros de los centros de decisión, y la intervención
creciente del estado, con su corolario, la im potencia de las
m unicipalidades sin recursos suficientes, desespera a todos
los animadores de la vida local y regional. Finalm ente, los
cuadros asalariados medios se indignan al ver que las
formas más espectaculares de enriquecim iento escapan
am pliam ente a la acción del impuesto. No le resultaba
imposible a un gobierno de derecha operar estas reformas.
No logró hacerlas aprobar en gran parte porque el princi­
pal aparato político de la derecha sigue siendo el partido
gaullista. Por otra parte, la derecha liberal estaba dom ina­
da políticamente por grandes caciques, poco capaces de
obtener un amplio apoyo político. Es evidentem ente difícil
convencer a los franceses de que el partido del príncipe
Poniatowski se ha volcado en profundas reformas sociales.
Giscard d ’Estaing expresó claramente la idea según la cual
únicam ente esta orientación hacia el centro, es decir, en
busca del apoyo de las nuevas clases medias, puede
perm itir que se desarrolle la modernización del capitalismo
francés. Pero u n a vez frenadas y hasta detenidas sus
orientaciones del comienzo, ya no se atreve hoy a volver a
lanzar una corriente reformista y se conforma con solicitar­
le al economista Raymond Barre que tranquilice a las clases
medias y a los consumidores en general, lim itando la
inflación, pero sin querer tocar ias desigualdades y los
privilegios que son, directa e indirectam ente su causa
principal. Hoy, después del discurso frágil del reformismo
giscardiano, se despliega el triunfo del dinero. Cuando, en
medio de un m illón de parados, u n hom bre de n e ­
gocios como Jacques Borel declara que la crisis es ante
todo de «oportunidades», su declaración es señal no ya
sim plem ente del mal gusto de un individuo, cuya caída
está cercana, por lo demás, sino tam bién del triunfo de
una burguesía luisfelipiana que ya no cree necesarios ni u n
discurso prudente y moralizador ni algunas lágrimas de
cocodrilo sobre la desocupación. El provenir de la derecha
liberal se ve amenazado, y ya parece que se prepara u n
200 UN DESEO DE HISTORIA

nuevo m ovim iento bonapartista, que intentaría movilizar


a la opinión conservadora contra la izquierda. En el
m om ento en que escribo, escucho por todas partes cómo se
predice la irresistible ascensión de Chirac. A riesgo de ser
desm entido rápidam ente por los hechos, tiendo a afirmar
que no creo en ello. Es cierto que Chirac detenta u n
instm m ento político que le falta, cruelmente, a Giscard;
pero éste corresponde mejor que su adversario de derechas
al estado de una sociedad francesa en la que no veo de qué
se alim entará u n gran movimiento bonapartista. Al
menos, antes de la victoria de la izquierda. El papel de
Chirac no puede pasar a ser preponderante sino después de
esta victoria. Esta nueva división entre orleanistas y bona-
partistas hace poco probable que la derecha pueda m ante­
ner la dirección política de la sociedad francesa. Lo que, a
la vez, es la causa y la consecuencia de la reaparición de un
partido y de u n movimiento socialistas. Fueron necesarias
circunstancias y conductas casi increíbles para que en
Francia se haya visto la casi desaparición de u n partido
socialista. Se precisó del genio diabólico —o de la ausencia
diabólica de genio— de Guy Mollet para llegar a tales
extremos y al pequeño 5% en la elección presidencial de
1969- La subida socialista sólo es espectacular desde
Epinay. H abía sido preparada en cierta m edida por Alain
Savary, pero indudablem ente el nuevo equipo, y sobre
todo el propio François M itterrand, son los autores de esté
ascenso. Este vuelve a abrir el campo político en Francia.
En la izquierda estuvimos dominados durante mucho
tiempo por el tope comunista. Luego, el terreno fue
ocupado por la contestación de grupos y de movimientos
cuya fuerza ideológica e intensidad m ilitante eran conside­
rables, pero que, por definición, no ofrecían solución
política.
Por prim era vez desde hace mucho, una solución de
izquierda parece posible y hasta probable. La vida política
no era más q u e un debate sobre el estado; los problemas
de la sociedad vuelven a surgir, se los trata de nuevo polí­
ticamente. Es ésta una razón am pliam ente suficiente como
para considerar que nuestra vida y nuestro pensamiento
políticos están dominados por la resurrección del partido
¿POR QUE LUCHAR? 201

socialista. La existencia de este partido perm ite que los


problemas sociales puedan ser y sean ya, nuevam ente,
problemas políticos e ideológicos, y no solamente princi­
pios o acción de minorías. Pero al mismo tiem po todos
sienten que no se puede definir la próxim a gestión guber­
nam ental del PS sin pensar en la otra vertiente de la vida
nacional, o sea en las responsabilidades del estado e n tanto
que agente de cambio histórico en u n entorno internado-
nal muy apremiante.
Esta dualidad de problemas, m ucho más que el estado
de las.fuerzas políticas, explica que en este m om ento la
cuestión no estribe en una victoria del PS, sino en u n a
victoria de la unión de la izquierda. La izquierda debe
atender a las relaciones entre los problemas de la sociedad
y los del estado. El PC es una fuerza concebida esencial­
m ente para la gestión del estado. El PS se apoya en un
conjunto de fuerzas de transformación de la sociedad. Al
igual que el gaullismo era esencialmente una concepción
del estado, mientras que el liberalismo es definible en
términos sociales, es decir, en térm inos de clases sociales.
D urante mucho tiempo la derecha consiguió ligar mejor
estas dos componentes. Derecha liberal y derecha gaullista
han estado asociadas desde el fin del reinado de de Gaulle.
D urante este tiem po, había por el contrario la gran
oposición entre u n a izquierda com unista y jacobina y u n a
izquierda espontaneísta, apoyada en la diversidad y el
utopismo de las nuevas fuerzas de reivindicación y de
contestación... Ahora, a la inversa, las dificultades en el
interior de la derecha no hacen sino aum entar, y, pese a
incidentes serios, las relaciones entre las dos componentes
de la izquierda parecen cada vez más estabilizadas.

Aquello en que creo

Querría ahora definir mi propia posición. Está dom i­


nada, ante todo, por la defensa de las libertades. Tengo
conciencia de pertenecer a una sociedad en la que el tem a
de las libertades es más im portante que el de la liberación.
Si fuese u n negro de Soweto o si hubiese sido u n vietna­
202 UN DESEO DE HISTORIA

mita, habría pensado a la inversa. Pero aquí donde vivo,


me opongo fundam entalm ente a la reunión de poder
estatal, poder económico y autoridad cultural en las
mismas m anos. Soy en consecuencia, y más simplemente
todavía, hostil a la om nipotencia del estado.
Soy un intelectual, y mi prim er deber consiste en
defender la libertad intelectual. En mi opinión, esto es
algo que se da por supuesto. Por ejem plo, para mí, que
tengo contactos con América latina, es esencial defender a
los intelectuales reprimidos en Brasil, Uruguay o Argenti­
na, denunciar la destrucción de la vida intelectual en
Chile. Tampoco tengo dudas para protestar contra el terro­
rismo gubernam ental en Irán. Y menos aún cuando se
trata de defender los derechos de los judíos en la URSS, o
denunciar la perversión de las ciencias hum anas —y en
especial de la psiquiatría o de la psicología, pero tam bién
de la sociología— como instrum ento de poder. Incluí mi
nombre entre quienes luchaban por la liberación de Pliuch
y otros más. En la posición y las rupturas producidas a
propósito de Solyenitsin (pienso aquí en u na discusión
bastante dolorosa entre los dos periódicos que leo, Le
Monde y Le N ouvel Observateur), me sentí del lado de
Edgar Morin y de Claude Lefort. Q uienes condenan a
Solyenitsin porque tiene opiniones reaccionarias cometen
una falta grave, porque ante el inmenso fenóm eno del
Gulag, poco im portan las opiniones de aquel que protesta
(y Claude Lefort ha dado de él u n a imagen mucho más
justa m ostrando la del hom bre com ún, con todo lo que
tiene y no tiene de únicam ente progresista, resistiendo el
aparato aplastante del poder totalitario). No creo que
suponga ser un «querido profesor» ingenuo el protestar
hoy contra los atentados a la libertad tanto en el Este como
en el Oeste; por el contrario, creo que ella, que sólo fue
posible para los intelectuales protegidos, recuerda a todos
cuál es la basa indispensable de todo régimen democrático.
El papel de estos intelectuales es lim itado, pero es su deber
de estado. Entiendo que la sociedad china funciona de
otra manera y tam bién me preocupo por ello; no admito
que un intelectual de los países industrializados no se
comprometa activamente en la defensa de las libertades.
¿PORQUE LUCHAR? 203

Si decidí publicar la mayoría de mis libros en Seuil,


ello se debe a que Paul Flamand ha dado ahí pruebas de
su valentía como defensor de estas libertades, en cualquier
parte del m undo y sobre todo más cerca de nosotros, en
Francia. En términos más generales, apoyo la idea d e que
el problem a principal de nuestro tiempo no consiste ya en
apelar a un pueblo, una masa, una mayoría, sino en
limitar primero la influencia de un sistema dom inante,
que tiende a convertirse en económico, cultural y político a
la vez. Por ello me siento solidario de la defensa de los
derechos de las minorías. Creo posible el que se inicien
transformaciones políticas y sociales que consigan extender
'y consolidar estas libertades y, al mismo tiempo, asegurar
la transformación y la modernización económica y social
del país. He ahí dos asuntos aparentem ente opuestos, pero
yo reivindico a uno y otro. Sí, deseo una ampliación de la
democracia social, la autogestión, los derechos de las
minorías, la posibilidad de contestación y creo en la
existencia de movimientos der base que nunca serán
institucionalizados. Pero paralelamente considero q u e es­
tamos situados ante obstáculos que hay que superar. En los
próximos veinte años, o bien nos convertiremos en u n país
relativamente subdesarrollado y en todo caso dependiente,
o bien nos contaremos entre las sociedades q u e han
alcanzado un nuevo estado de desarrollo económico y de
organización social. D urante un largo período hemos
tenido la sensación de que los países de Europa se acerca­
ban unos a otros y que los más atrasados alcanzaban al
resto. Vemos nuevamente que la distancia entre ellos se
acrecienta, así como se agrava nuestro riesgo de caída. Por
cierto que en la izquierda no complacen estas preocupacio­
nes. Por el contrario, creo que nuestra situación nos im pone
no disociar completamente contestación y gestión. Ello p o r­
que los peligros que corremos provienen sobre to d o del
arcaísmo de nuestra sociedad y de suys desigualdades. Así
como el movimiento obrero fue tam bién un agente de
progreso de toda la sociedad, los nuevos movimientos
sociales pueden y deben modernizar a este país al mismo
tiempo que atacan a un poder que se apoya de hecho en
formas arcaicas de organización social, impuestas por los
204 UN DESEO DE HISTORIA

detentadores de privilegios. Este poder pu ed e tener reac­


ciones análogas a las de un grupo social o de u n individuo
en situación de movilidad descendente, reacciones irracio­
nales de violencia que pueden traducirse en movimientos
autoritarios peligrosos. Un movimiento que lucha por más
libertad, más democracia y por la autogestión es la única
posibilidad para que la sociedad francesa asegure un salto
adelante, es decir, que sea capaz de ingresar en la sociedad
posindustrial. Me sitúo claramente en una visión «progre­
sista»; creo en la posibilidad de una modernización
histórica y una transformación social realmente asociadas.
Soy consciente de que este lenguaje puede parecer
reformista, pero a escala m undial y de la miseria, ¿se halla
Francia realm ente en situación revolucionaria? Deseo que
la izquierda consiga lo que es posible, en vez de refugiarse
en el absoluto o sucumbir en el caos. La posibilidad de la
sociedad francesa es hoy la alianza entre la voluntad de
modernización económica y las luchas por la transforma­
ción social. Esta alianza es posible y está im puesta por la
necesaria lucha contra los privilegios, contra las desigual­
dades trasmitidas, contra lo que está muerto.

La izquierda debe elegir

Y ahora, ¿cuáles son las alternativas más concretas que


se le ofrecen a la sociedad francesa, o más exactamente a
la izquierda en Francia? Me parece que en el interior de la
corriente mayoritaria de la izquierda pueden reconocerse
tres tendencias principales: la primera es la más política,
en el sentido estricto del término. Ella apunta a las
condiciones de la victoria electoral y considera los límites
que la constitución im pone a ésta. Q uiere evitar las
rupturas y teme sobre todo los excesos y los cambios totales
que beneficiarían a una derecha autoritaria. Lo que
corresponde a la actitud de la fracción del electorado cuya
adhesión es necesaria para la victoria de la izquierda. Pero
tal orientación socialdemócrata se opone claramente al
espíritu y a las consecuencias del programa com ún, que
proclama la necesaria ruptura con el capitalismo actual,
¿POR QUE LUCHAR! 205

otorgando importancia central a las nacionalizaciones


im portantes. Puede estarse seguro de que el partido
comunista, que espera de estas nacionalizaciones el refuer­
zo de su influencia en el corazón del sistema productivo,
sería hostil a una política tan moderada, que tam bién
resultaría desbordada por muchos movimientos de base. La
segunda está guiada por un espíritu unitario, por el deseo
de volver a encontrar la unidad, quebrada en 1920, entre
el movimiento socialista y la defensa de la ideología
marxista m ediante la prioridad acordaba a las transform a­
ciones económicas. Pero se corre el riesgo de q u e éstas
im pliquen tensiones sociales e im pongan una acción
jacobina, planificadora, centralizadora. Es incluso la razón
de mi oposición a esta tendencia. Si se consideran esenciales
las m edidas que implicarían grandes rupturas económicas,
hay que estar seguros de poseer los medios políticos para
gestionar una situación difícil, imponer sacrificios, ganar la
batalla de la producción. Al partido comunista le gustaría
probablemente q u e un gobierno de izquierda se convirtie­
se en un gobierno de salvación pública. Me parece
evidente que Francia rechazaría brutalm ente una política
que impusiese tales sacrificios y tales coacciones. Lo que
llevaría indefectiblem ente a la victoria de u n bonapartism o
dirigido por Chirac. Agrego asimismo que no consigo ver
lo que los socialistas que siguen esta tendencia, bastante
numerosos, esperan lograr. Serían las primeras víctimas del
conflicto que aquélla no dejaría de provocar entre el
partido socialista y el partido comunista. Finalm ente, y
sobre todo, ¿cómo puede defenderse una política basada
en una visión tan arcaica de la sociedad, en la idea de que
la economía rige a la sociedad y que la clase obrera es
perm anentem ente el agente principal de las grandes luchas
sociales? A quí ocurre que lo que parece unir a la izquierda
—una tradición y un lenguaje más que un análisis y una
acción— , en realidad la debilita, im pidiéndole observar y
comprender la situación en que se encuentra y la que su
victoria puede crear. Me vuelvo pues hacia u n a tercera
tendencia, la que da prioridad a la renovación de los
planteos y las sensibilidades políticos, tendencia que
comenzó a definirse en el momento de los congresos
206 UN DESEO DE HISTORIA

socialistas a fines de 1974. Ella le debe m ucho a quienes


provenían del PSU; está fuertem ente marcada p or nexos
con la CFDT y se la encuentra en la revista Faire.
Esta concepción asocia dos proposiones: la de la
extensión de la democracia que va hasta la transformación
de las grandes instituciones sociales para hacer de ellas
instrum entos de liberación, creatividad y justicia, y la de la
destrucción de los privilegios y las situaciones adquiridas.
La sociedad francesa es increíblemente tradicional, viejo
carricoche enganchado a una locomotora económica bas­
tante m oderna. Las relaciones de autoridad, los medios de
comunicación, los mecanismos de adaptación pertenecen
todavía en lo esecial a u n a sociedad de cambios lentos y
limitados a la cúspide. Si la izquierda no se encarga de las
transformaciones de la sociedad, ésta se derrum bará.
Inglaterra es una economía débil y una sociedad fuerte;
Francia se halla, en parte al menos, en la situación inversa.
Los riesgos de crisis, de descomposición son enormes en
una sociedad tan vieja, en la que son muchos los bajos
salarios, frecuente la arbitrariedad patronal, asfixiante la
burocracia, alejada de las realidades culturales y sociales la
enseñanza escolar. Ahí está la prioridad: tom ar por los
cuernos a la sociedad para transformarla, en vez de esperar
los efectos tranquilizadores de un logro económico. Pero
también hay que efectuar la crítica de esta tendencia. Su
peligro reside en dejarse arrastrar por las sectas y los
grupos, sumirse en discusiones indeológicas tan vanas que
muy a m enudo lo m oderno raya en lo arcaico, que el vino
nuevo se vuelca en odres viejos, corriéndose el riesgo de
que las utopías de la identidad y de la com unidad sustitu­
yan a un programa político.
Lo que me lleva a considerar más directam ente el papel
del PS. Es peligroso que resulte dividido entre las tres
tendencias que acabo de distinguir. Puede ser arrastrado
por movimientos izquierdistas, mientras que algunos de
sus dirigentes darían prioridad a una estrategia política
compleja y una parte de sus militantes organizados
seguirían al ,partido comunista en un nuevo jacobinismo.
Para superar este riesgo de fragmentación es preciso, ante
todo, que el PS refuerce su propia integración, que tenga
¿POR QUE LUCHAR? 207

una visión clara de las alternativas a jugar, que se niegue a


ser un partido «péscalo todo» y que sus dirigentes dispon­
gan de real autoridad a todos los niveles. Pero este
refuerzo no puede ser puesto al servicio de cualquier
política. Hay que dar prioridad a las transformaciones
sociales. La política económica debe ser concebida como
un m edio al servicio de este fin y no como el objetivo
principal. Para evitar su propia división, el PS debe tomar
la iniciativa de profundas transformaciones sociales en vez
de ser desbordado por movimientos de base que se
opongan a las tensiones impuestas por los efectos de una
crisis económica. Concebir y realizar una política social,
¿no supone, a la vez, realizar los objetivos de los
movimientos sociales y mostrarse capaz de gestionar las
relaciones entre las transformaciones sociales y u n conjunto
de obligaciones económicas y políticas? Desde este punto
de vista, la acción del PS me parece haber sido muy
insuficiente. ¿Qué urbanización, qué educación, qué
sistema de salud? He ahí unos programas de acción social
que m e gustaría m ucho ver que se discuten abiertam ente
desde la cúspide hasta la base; si el PS no es capaz de
definir unos objetivos, la transformación de la sociedad se
efectuará en su contra, y en consecuencia p o ndrá en
peligro el equilibrio del estado. Entiendo la tentación de
algunos: el PS ha visto cómo se le reprocha su pensam iento
económico insuficiente en el m om ento del Frente Popular.
Pero sería peligroso que la prioridad dada a la gestión
económica llegase a poner entre paréntesis la transform a­
ción de la sociedad durante uno o dos años, p o rque este
bloqueo implicaría un desbordamiento por parte de la
base. E, inversamente, una acción puram ente contestataria
es impensable; supondría una locura no considerar cons­
tantem ente las obligaciones impuestas por el sistema
económico internacional. Si se está en un proceso revolu­
cionario, lo que rige es el movimiento mismo de la radica-
lización. A ún es preciso observar que la contrapartida de
este principio de acción consiste en que siempre llega un
Termidor, luego un imperio y, en consecuencia, el aplas­
tam iento del movimiento revolucionario en beneficio de
una nueva élite dirigente.
208 UN DESEO DE HISTORIA

Hay que adm itir que nos hallamos en una situación


mixta y q u e debemos, a la vez, gestionar la transformación
de la econom ía y desarrollar una lucha propiam ente social.
Un gobierno de izquierda debe combinar ambas acciones,
en particular extendiendo la democracia y, ante todo, en el
lugar de trabajo. Vuelve a surgir aquí, u n a vez m ás, el
papel de los sindicatos que deben ocupar un sitio central
en la form ación de la política económica y social. Pero el
partido socialista es el que hoy detenta la clave del
problem a, pues la victoria de la izquierda será ante todo la
victoria del partido socialista y de todo lo que se reconozca
en él. el PC apela al pueblo de Francia, pero tendrá que
llevar a efecto una política sobre todo defensiva, una
política de bunker, que habrá de apoyarse en el sector
nacionalizado. Se asegurará así una capacidad de resisten­
cia a las presiones izquierdistas y a la influencia política
predom inante de los dirigentes socialistas. En esta situa­
ción, el PS se va a ver apresado entre el bunker comunista,
los planteam ientos de base izquierdista y las obligaciones
del entorno internacional'e interior. ¿Cómo podría resistir a
esas presiones si no llega a ser capaz de asegurar u n nexo
estable entre las diversas componentes de su acción?
Porque el PS no puede ser reducido —no más de lo que
Allende podía serlo— a un solo objetivo y a u n a sola
tendencia. Debe llegar a combinar unos movimientos de
base relativam ente autónomos con u n movimiento político
que sea capaz de darle una expresión institucional y con
un gobierno capaz de gestionar la economía. La solución
de este problem a que rige nuestro porvenir más inm ediato
pertenece, por supuesto, a los propios dirigentes políticos,
pero cada uno de nosotros, en el interior y en el exterior de
los partidos políticos, debe intervenir m ediante la palabra,
el pensam iento y la acción para que se resuelva este pro­
blema. Las posibilidades de una transformación de la
sociedad francesa dependen de nuestra reflexión actual y
de la capacidad política del partido socialista de m añana.
Si se deja descuartizar por fuerzas opuestas, no podrá
resistir al movimiento bonapartista que ya se prepara y
que, jugando sobre el miedo, buscara im poner unas
elecciones después de algunos meses de debilitam iento y
¿POR QUE LUCHAR? 209

de caos económico y repetir la operación de junio del 68.


La victoria es necesaria; desde hace u n año ella parece
probable y ya los «enarcas»* concluyen sus disertaciones
con u n elogio del socialismo. Pero se va a desencadenar la
lucha política. A hora es cuando la izquierda debe apelar
por u n a gran transformación de la sociedad, debe oponer
la esperanza y la imaginación al conservadurismo y al
m iedo. Desde ahora mismo debe proclamar que quiere y
que va a transformar la sociedad, que es indispensable
reem plazar un crecimiento industrial agotado por u n creci­
m iento posindustrial, es decir, orientado por los grandes
servicios colectivos: salud, educación, información, urbani­
zación y defensa del medio am biente y del territorio.
Solamente tal elección puede acabar con el desempleo,
pero esto supone considerables transformaciones en la
inversión. Tal objetivo, ¿no habrá de suscitar más entusias­
mo que la perspectiva de un pilotaje prudente entre la
inflación y el subempleo?
Pero esta nueva política económica supone la acción de
nuevas fuerzas sociales y más aún, quizá, un cambio en
nuestras categorías mentales y, en consecuencia, en las
políticas.
Desearía que mi propia reflexión, partiendo de una
crítica de las ideas establecidas, contribuyese a inventar los
objetivos sociales y económicos nuevos en cuyo interior
habrán de situarse las decisiones y las luchas del porvenir,
si al menos así volviéramos a hallar el deseo de producir
nuestra historia.

Responsabilidad

No dejo mi suerte y mi confianza en manos de la


izquierda y del programa común. Lucho por u n a cierta
orientación de la izquierda, la que asocia las reformas
institucionales y económicas, indispensables para liquidar
u n pasado cormpto, con las nuevas fuerzas sociales y los

* Expresión referida a los dirigentes salidos de la E N A . (N. del E.)


210 UN DESEO DE HISTORIA

nuevos planteam ientos culturales cuya im portancia es ahora


bastante visible y de cuya parte he com batido activamente
desde hace más de diez años. Ya he m anifestado suficien­
temente la importancia prim ordial de una victoria política
de la izquierda como para considerar ahora más fríamente
las tensiones, pero tam bién las negociaciones que se
deberán establecer entre la institucionalización de los
viejos movim ientos y la formación de los nuevos. Me
ayudará a ello una comparación.
Cien años después de la revolución francesa, nuestros
radicales (por qué no algo socialistas) defendían con
pasión, incluso con sectarismo, la república, instalaban en
las escuelas y la universidad el cientificismo y el progre­
sismo, hasta entablaban difíciles batallas por el laicismo o
por el capitán Dreyfus. ¿Qué hay de m alo en ello? Pero los
nuevos caciques, con la boca todavía llena de las grandes
palabras revolución y libertad, hacían disparar de buena
gana sobre los huelguistas y se preocupaban muy poco por
la miseria obrera. Frente a ellos, el movim iento obrero no
era más q u e una fragmentación de grupos y tendencias,
más volcados hacia el absoluto de las doctrinas o de la
huelga general que hacia la negociación y lá acción
política. Pero algunos como Jean Jaurés trabajaban para
unir el espíritu republicano y el espíritu socialista que con
frecuencia se combatían. Casi un siglo después, henos aquí
en una situación com parable. El socialismo reemplazó a la
república y el marxismo a los programas de la escuela laica.
Nadie se atrevería a decir que los problemas de la
economía y del trabajo no se hallan en el centro de la
sociedad, lo que ya perm ite oponerse a la aparición de
nuevas contestaciones, cóm odam ente denunciadas como
izquierdistas. Y sin embargo los nuevos combates de la
izquierda son reales y el reino de la derecha es tan nefasto
hoy como al día siguiente de la C om una. Así pues, ¿qué
hacer? ¿Situarse en el campo del progreso, sin ocultarse
que soñar con el socialismo y la revolución, hoy, es algo
tan huero como cantar a la república y la libertad de 1900,
o, por el contrario, apuntarse del lado de los nuevos
contestatarios, denunciar el reino de los aparatos como se
denunció a las libertades burguesas y apelar a nuevos
¿POR QUE LUCHAR? 211

combates y a nuevos militantes? Entiendo una y otra


elección; la primera gusta a mi razón, la segunda m e atrae
m ucho más. Después de treinta años de reinado de la
derecha, pienso q u e un gobierno de izquierda abriría la
vía a grandes reformas y a una renovación general de la
vida política. Pero con igual convicción apruebo a quienes
desean, ante todo, hacer estallar los nuevos problemas
liberándolos de un vocabulario y de u n a ideología q u e los
ocultan y los presentan como simples complementos de u n
program a inm utablem ente calificado como socialista. N in­
guna de estas dos actitudes puede en realidad satisfacerme,
ya que, lo queramos o no, nos hallamos en un intervalo y
las soluciones simples y extremas aportan en este caso más
confusión que claridad. Así pues, me conformo con pedir
algo más de audacia intelectual y de imaginación polí­
tica.
Necesitamos algo, e incluso m ucho de audacia intelec­
tual para rechazar expresiones peligrosam ente equivocadas
como «régimen de transición hacia el socialismo». U n
gobierno de izquierda no será de transición, y menos aún
hacia el socialismo, porque resulta tan absurdo definir hoy
a la sociedad m ediante un tipo de gestión económica
como, hace cien años, definirla a través de las instituciones
políticas. Observo hoy lo que es la izquierda y entiendo
que se llame socialista, a condición de reconocer que el
movim iento socialista y el propio movimiento obrero no
son ya las fuerzas que dan nacim iento, o que organizan y
elevan al nivel político e ideológico la protesta popular.
¡Qué im portan las susceptibilidades! A quí hay que serrar
las ramas muertas de lo imaginario político, porque ellas
nos im piden ver delante. Del mismo m odo, deseo que el
marxismo se convierta poco a poco en el discurso oficial de
la universidad, desplazando así a los últimos restos de
pensamientos difuntos desde hace mucho. Aún hay que
añadir francamente que este pensam iento, tan encantado­
ram ente convertido en teoría, ya casi no trabaja y que la
creación intelectual se realiza fuera de los caminos trillados
por sus exégetas. Pido en suma que se ganen las batallas
que hay que entablar, que se efectúen reformas, pero que
unos objetivos positivos y limitados no se paguen con el
212 UN DESEO DE HISTORIA

precio del triunfo insolente de nuevos caciques y nuevas


ortodoxias.
Esta «secularización» de la acción política sólo tendría
un interés limitado si no fuese una condición indispensa­
ble para el examen y la solución del problem a principal
ante el cual estamos situados, el de las relaciones entre una
acción política demasiado institucionalizada, que abusa de
la gloria d e antiguos movimientos sociales que la llevaron
al poder y nuevos movimientos, todavía fragmentarios y
contradictorios.
Si la izquierda term ina identificándose con el movi­
m iento obrero en nom bre de u n gran ideal, sólo podrá
defenderse contra unas contestaciones que descansan sobre
una visión totalm ente distinta de la cultura y de la socie­
dad. Tomándose demasiado en serio, acordará prioridad
absoluta a los equilibrios económicos, rem itiendo para más
tarde la transformación de las «superestructuras», lo que
puede conducir a dos salidas. O bien la ebullición social
que habrá de nacer de este retraso se verá lim itada por u n
régim en autoritario, o bien ella desorganizará los progra­
mas gubernam entales. La primera solución, de inspiración
estaliniana, es poco probable, dada la relación actual de las
fuerzas políticas. La segunda es más previsible. ¡Hermosa
perspectiva para u n gobierno socialista la de ser víctima de
una crisis social en el mismo m om ento en que habría de
lograr éxitos económicos! Así pues, apelo a una izquierda
pragmática, que niegue las grandes ideologías, pero que se
preocupe constantem ente por dar una expresión política a
los nuevos movimientos sociales. ¿Por qué el partido
socialista no podría hacer de m anera decisiva lo que la
CFDT logra tan valientemente: ser el operador político de
las nuevas contestaciones?
Pero hay que volverse tam bién hacia los nuevos
movimientos sociales y pedirles que reconozcan hoy la
necesidad e incluso la prioridad de una estrategia política.
Habrá que seguir el ejemplo de los movimientos regiona­
les: ellos se alejan de la búsqueda absoluta de identidad
para insertar sus reivindicaciones en la estrategia de la
izquierda. Probablem ente resulta más difícil de elaborar
una solución análoga en el caso de movimientos cuyos
¿POR QUE LUCHAR? 213

objetivos son más generales y más fundam entales, como el


movim iento ecologista; habría que aceptar elaborar tales
soluciones.
El mayor peligro consiste en la ruptura entre la
sociedad y el sistema político; éste sólo será conquistado si,
en lo inm ediato, por parte de los partidos tanto como por
parte de los movimientos, se reconoce que ha llegado el
m om ento de dar prioridad a la estrategia, no para perderse
en u n a vaga institucionalización, sino para asegurar la
continuidad entre la solución de antiguos problemas y la
m aduración de los nuevos. Recurro al ejemplo d e Jean
Jaurès. Porque hoy, nuevam ente, tenem os más necesidad
de estrategia y sentim iento que de doctrina y disciplina.
Esto m e conduce a una últim a reflexión sobre el papel
de los intelectuales. En la situación que parece te n er que
crearse pronto aparecerán dos tipos de intelectuales:
prim ero, necesariamente, unos intelectuales gerentes,
que tendrán la responsabilidad de la política económica y,
tam bién, la capacidad de dar un marco institucional a
nuevas reivindicaciones y contestaciones sociales. Pero
tam bién tiene que hacerse escuchar otra categoría de
intelectuales, que advierta al pueblo para que se cuide de
nuevos amos y, sobre todo, de los riesgos de sumisión a un
estado om nipotente. Hay que m antener una cierta distan­
cia — y tensiones— entre los movimientos contestatarios y
la gestión estatal. Es preciso, pues, que haya intelectuales
críticos, que tengan la voluntad de defender las libertades,
que nunca puedan ser sacrificados a la confianza en u n
régimen «progresista». Así sean izquierdistas o sim plem en­
te de izquierda, estos intelectualers desempeñan y desem­
peñarán un papel indispensable, porque todo lo q u e evite
la confusión entre los movimientos sociales y el poder es
útil, en particular allí donde —felizm ente— el poder no
pueda imponer su hegemonía.
Los intelectuales pueden contribuir a hacer que se
respete esta distancia entre contestación y gestión, partici­
pando ante todo en la defensa de los oprimidos y su
contestación. Pero tam bién, dado que hemos aprendido a
desconfiar de las incitaciones a la liberación que llevan en
sí el poder, ellos deben luchar por hacer que se reconozca
214 UN DESEO DE HISTORIA

todo lo que debe perm anecer más allá del poder político,
que perm ite la creatividad intelectual tanto como la
liberación social, y que im pone al poder — y por tanto se
opone— las barreras de lo que se conoce como libertades.
Dos papeles que se unen en Francia en la acción extrema
de Sartre a partir de 1968. Pero si tengo que nom brar al
intelectual cuya actitud ha sido constantem ente la más fiel
a la im agen que acabo de presentar, debo más bien hablar
de Jean Vilar. En la unión que él ha vivido entre acción
democrática y rigor espiritual, entre compromiso y sole­
dad, hallo una imagen ejem plar del papel del intelectual.
En el m undo de la excentricidad y de la autocracia, este
papel consiste en ayudar al pueblo a salir del silencio y la
represión. En el m undo del poder y de la m anipulación en
que vivimos, aquél consiste, por el contrario, en luchar
contra lo absoluto del poder, el dinero o la ideología.
Papel lim itado, mal aceptado, porque no hay que esperar
ni desear que sea entendido por todos. Pero es preciso que
algunos hablen fuertem ente por la libertad de elección,
por la capacidad de producir, crear, hablar, amar, estar en
comunicación, por el derecho a la disidencia e incluso al
silencio. Sería un error dramático pensar que son éstos
unos tem as envejecidos, una etapa moralista y pequeño
burguesa superada en el camino de las grandes revolucio­
nes proletarias. Es propio de nuestro tiem po el que estas
cuestiones aristocráticas, que se convirtieron en temas de la
burguesía, luego de la clase m edia, sean hoy portadores de
la defensa de los débiles contra el poder y contra su orden.
Pero ¿esta distinción no es insuficiente? ¿No corres­
ponde al largo período que acabamos de vivir y durante el
cual la gestión económica y las fuerzas sociales populares se
han visto com pletam ente desunidas? La verdad es que no
tengo ganas de ser un gerente y que no me satisface ser
solamente un crítico. Deseo ser de aquellos que descubren
la sociedad y la cultura en que ingresamos, en sus orien­
taciones generales a la vez que en sus luchas sociales.
D urante mucho tiem po, este deseo fue irrealizable. ¿No se
vuelve el mismo más realista a m edida que se anuncia más
claramente un cambio de sociedad que habrá de ser
definido, a la vez, por la irrupción de las fuerzas populares
¿POR QUE LUCHAR? 215

y por una transformación del campo de la cultura y de la


propia economía? En mi trabajo deseo, asimismo, ir más
allá del análisis, de la crítica, de las ideas. Quiero inventar
una práctica sociológica que conduzca a prácticas sociales
y, de este modo, que haga surgir la sociedad nueva que se
forme alrededor de nosotros y que nosotros creemos
tam bién m ediante nuestra acción colectiva. D espués de
una larga fase de trabajo descriptivo, me he encerrado
mucho tiempo en una necesaria elaboración teórica.
H abiendo reunido un determ inado número de ideas que
me parecían coherentes y claras, por tanto después de
haber llegado al punto adonde me conducía m i obra
Production de la société, acabo de pasar tres años viviendo
con esas ideas e incorporándolas a mi experiencia y a mi
personalidad escribiendo algunos libros: Pour la sociologie,
Lettre a une eludíante, La société invisible y éste q u e acaba
aquí. Ahora se completa un m om ento de mi reflexión y de
m i vida intelectual. Quiero en lo sucesivo crear una
práctica profesional a partir de estas ideas y deseo q u e esta
práctica, estos estudios sobre los movimientos sociales,
sean un medio de elevar la capacidad de acción colectiva
de estos movimientos y, a través de ellos, de toda la
sociedad. Quienes se conforman con describir el funciona-
-miento del orden pueden situarse en una posición de
objetividad frente a él y aceptar en su análisis las categorías
de la práctica social. Pero si se quiere aprehender los
movimientos sociales y la acción histórica, es preciso que la
propia investigación los haga aparecer, los ayude a des­
prenderse de las obligaciones de la práctica regulada y
organizada. El sociólogo no puede conformarse con obser­
var, debe intervenir. De m anera que el interés del conoci­
m iento no es aislable del progreso de los propios movi­
mientos sociales. La sociología no merece q u e se le
dedique la vida si no es capaz de conducir a prácticas
liberadoras. Es necesario que el sociólogo produzca socio­
logía, pero este trabajo de conocimiento no p u ed e ser
separado de su intervención para acrecentar la capacidad
de acción de la mayoría sobre su experiencia colectiva y
personal.
Dos veces en un mes, la prim era cerca de N ueva York,
216 UN DESEO DE HISTORIA

la segunda en París, escuche la misma objeción. El análisis


de los movimientos sociales sólo puede servir a los dirigen­
tes: nosotros debemos dedicarnos, por el contrario,^ a
analizar el propio sistema dirigente. Asombrosa paradoja.
Y, ante todo, ¿por qué la clase dirigente, si controla y lo
m anipula todo, no sacaría provecho de esos estudios
«objetivos» tanto como de los estudios propiam ente socio­
lógicos? E, incluso, ¿quién me asegura que la negación de
los estudios sociológicos no es una artimaña de esta misma
clase dirigente? Si se parte de la imagen absurda de una
dom inación total, todo parece pervertido y sólo queda huir
y encerrarse en el silencio. La verdadera discusión esta más
allá. Si se piensa que las conductas sociales sólo m anifies­
tan las leyes y las contradicciones objetivas de un sistema
de dominación o de explotación, no hay en efecto, ya, ni
sociología ni movimientos sociales posibles. N o se puede
concebir sino el enfrentam iento de dos élites dominadoras.
Por el contrario, creo que la sociología es necesaria, porque
en toda sociedad existen fuerzas de oposición al mismo
tiem po que cuestionamientos culturales. N i unas ni otros
serán nunca totalm ente destruidos o tergiversados por la
clase dirigente. La acción de estas fuerzas sociales y
culturales es la que hace que surja, entre las mentiras del
orden, la realidad de las relaciones sociales, y por tanto el
objeto del conocimiento sociológico. Sostengo que el co­
nocimiento y la libertad siguen siendo aliados y que allí
donde la sociología existe, el poder no ha im puesto una
dominación total. No limito a las ciencias sociales a este
papel a la vez crítico y profètico. Muchos intelectuales
serán llamados a participar en la gestión de una sociedad
transformada, pero es preciso que algunos sepan vivir este
período de mutaciones no buscando gestionarla mejor,
sino, a la vez, haciendo visible el nuevo campo cultural en
el que estamos situados y ayudando al mayor núm ero
posibler de actores sociales a actuar, en vez de sim plem en­
te reaccionar ante un orden impuesto.
¿Coincidencia? Inicio una nueva etapa de mi trabajo
en el m om ento en que probablem ente vamos a entrar en
profundas transformaciones sociales y políticas. Tengo la
sensación de que se acaba un período, el de la expansión
¿PORQUE LUCHAR? 217

capitalista y su impotencia creciente para dom inar sus


desequilibrios; el de los intentos abortados de una m oder­
nización conservadora de la sociedad francesa; tam bién, el
de las dudas, las divisiones, las utopías.
M añana viviremos y pensaremos de otro m odo. No
escribo estas «memorias» después de haber atravesado
grandes acontecimientos, sino al término de un largo
período de espera, de tanteos y de preparación. En este
lugar y con los medios materiales e intelectuales que son
los nuestros en este mom ento, tenem os que prepararnos
para vivir la única tentativa posible de transformación de
nuestra sociedad. Si ella fracasa, derivaremos lenta, bas­
tante cóm odam ente, hacia la dependencia y un subdesa­
rrollo relativo. Algunos esperan de las elecciones solamente
un cambio de mayoría y de gobierno. Yo les otorgo otro
sentido: después del golpe de estado de 1958 y la crisis del
régimen de 1968, 1978 puede ser el año del vuelco del
poder establecido y, a no dudarlo, el gran enfrentam iento
del pueblo con sus amos. Yo no soy ni dirigente político ni
guía de la opinión. N o soy un personaje público. Y sin
embargo siento hasta qué punto están entremezclados los
cambios políticos que se acercan y los que transforman ya
la orientación de m i trabajo. Porque no separo el trabajo
de la sociología de la historia de una sociedad. ¿Q uién se
atrevería, ya, a separar el análisis económico de la historia
económica? Es preciso que ocurra lo mismo con nosotros
en el m om ento en que las fuerzas sociales, las contestacio­
nes y las discusiones políticas tienen muchas posibilidades
de volver a tomar la palabra. Los movimientos sociales
hacen que surja el objeto de nuestros estudios destruyendo
las ilusiones del orden, y nuestros análisis, a su vez, para
ser verdaderos, deben ser capaces de acelerar su acción. Me
apresuro a hacer cuentas, saber dónde me encuentro, de
dónde vengo y el camino que he recorrido para, m ás bien,
perder totalm ente la memoria y volver a encontrar la
esperanza en un m undo renovado. La vigilia se acaba; ya
no es hora de contar historias. Hay que volver al trabajo.
I n d ic e

Introducción .................................................................... 7

Capítulo Primero
Caída lib r e ........................................................................ 9
Metro-Bac ........................................................................ 10
La instrucción p ú b lic a .................................................... 13
Un «estudiante» fuera del tiem po ................................ 17
El d e s a s tre ........................................................................ 21

Capítulo Segundo
El f u e g o ............................................................................ 25
Calle d ’U lm .................................................................. 25
P a r tid a .......................................................................... 28
El c a r b ó n .......................................................................... 29
Hacia la sociología....................................................... 35
El o f ic io ........................................................................ 39
La conciencia obrera .................................................. 43

Capítulo Tercero
El atolladero .................................................................... 49
La d iv is ió n .................................................................... 49
Los Estados U n id o s ..................................................... 51
El partido com unista................................................... 54
Los intelectuales ......................................................... 61

Capítulo Cuarto
La sociedad p e rd id a ......................................................... 67
A nte la sociología....................................................... 67
El tiempo de la utopía ............................................... 72
220 UN DESEO DE HISTORIA

El orden y la exclusión .............................................. 74


Escondites....................................................................... 80
B lo w -u p ......................................................................... 82

Capítulo Quinto
Pensar en la so cie d a d ....................................................... 85
Algunas p a la b ra s ......................................................... 87
U nidad y dualidad de la sociedad ........................... 90
El poder como p a to lo g ía ............................................ 96
Los movimientos sociales............................................ 99
El so ció lo g o ..................................................................... 104
El cam bio y la estructura ............................................. 108

Capítulo Sexto
América Latina. La dep en d en cia................................... 119
Al encuentro de Chile ................................................. 120
Las sociedades d e p en d ie n te s........................................ 124
Pinochet: del ascenso brutal a la caída posible . . . 134
Quebec libre ................................................................ 139
Portugal: la cabeza y las p ie rn a s................................. 141
A favor de los p a lestin o s.................................... 143

Capítulo Séptim o
La primavera y el invierno de la u n iv e rsid ad ............. 147
A falta de u n iv ersid ad es............................................ 148
En N anterre, en el 6 8 ................................................... 153
Proyecto para una u n iv e rsid ad .................................... 161
Un territorio lib e r a d o ................................................ 164

Capítulo Octavo
¿Por qué lu c h a r? ................................................................ 169
El fin d e los personajes . ............................................ 169
Actores y r e to s .............................................................. 174
C ontestaciones................................................................ 181
La a u to g e s tió n ................................................................ 187
El sindicalismo . ............................................................ 190
La apertura .................................................................. 196
Aquello en que c r e o ..................................................... 201
La izquierda debe e le g ir ............................................... 204
Responsabilidad ................................................... 209
O b r a s d e A la in T o u r a in e
e n c a s t e lla n o

América del Sur: un proletariado nuevo. Nova Terra.


1965.
Sociología de la acción. Ariel. 1969-
Los trabajadores y la evolución técnica. Nova Terra.
1970.
La sociedad post-industrial. 3 .a edición. Ariel. 1973.
Vida y muerte d el Chile Popular. Siglo XXI. 1974.
Cartas a una estudiante. Kairós. 1977.
Introducción a la sociología. Ariel. 1978.
V
NOVEDADES BIBLIOTECA DE BOLSILLO
PROM OCION DEL PUEBLO

24. Freire, una pedagogía para el adulto. 4 .a Edición.


Sebastián Sánchez.
25. El pensamiento de Kropotkin. Ciencia, ética y
anarquía.
A. Cappelletti
26. Escuela viva. 2 .a Edición.
F. Fernández Cortés.
27. Manual de educación ecológica.
Holger Strohm.
28. Historia del anarcosindicalismo. 4 .a Edición.
J. Gómez Casas.
29- El Estado en la historia.
Gastón Leval.
30. Orellana: Asamblea en la escuela. 2 .a Edición.
F. Fernández Cortés.
31. Un deseo de historia. Autobiografía intelectual.
Alain Touraine.
32. Contraescuela. 3 .a Edición.
Alumnos de Barbiana.
33. Las fronteras de la educación. Epistemología y ciencias
de la educación.
Angel I. Pérez.
34. Historia de las Bolsas de Trabajo. Los orígenes del
sindicalismo revolucionario.
Fernand Pelloutier.
35. Nietzsche.
Lou Andreas Salomé
36. El juego de los niños. Estudio sobre la génesis de la
infancia.
D onata Elschenbroich.
37. El feminismo en España. Apéndices; docum entos y
bibliografía completa del feminismo.
Anabel González.
38. Ensayo de pedagogía utópica. 4 .a Edición.
Carlos Díaz y Félix García.