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Abertura Decadência

O Bairro Anjo da Guarda está localizado na periferia A doença e idade


da Ilha de São Luis, na área do Itaqui-Bacanga, outrora Acaba a vida da gente
conhecido por Sitio Itapicuraíba. Seja rico, ou seja, pobre
Terrenos remanescentes da Aldeia do mesmo nome, Seja plebeu, ou seja, nobre
que tinha como chefe, o poderoso Cacique Japiaçú, citado na Destrói a auto-estima do vivente.
historia do Maranhão.
A comunidade teve a sua fundação por foca da Quando o homem tem saúde
tragédia do incêndio do Goiabal, palafita que existia atrás do É jovem, tem pinta de artista
centenário Cemitério do Gavião, fato ocorrido no final da Piloto de competição
Década de 60 contada em minuciosos detalhes no livro do Acaba em tal situação
escritor e radialista, Maciel Gomes de Sousa, obra digna de Com o rosto jogado na pista.
ser lida.
O governador da época, sensibilizado com a situação Sem forças para reagir
dos desabrigados, determinou que eles fossem remanejados Com a alma em decomposição
para uma área de propriedade do Governo Federal. Surgido Com o corpo jogado na cama
então, a Vila do Anjo da Guarda. A pessoa já não ama
Os moradores da época construíram a imagem de um Para ele só existe o não
anjo, símbolo da luta pela moradia, que logo em seguida,
tornou-se símbolo absoluto do bairro. É chegado o fim do ano
Tempos depois, o grande monumento foi destruído, Confraternização de natal
para construção de uma praça, em um tremendo ato d A mulher e os filhos se cansaram
vandalismo e desrespeito ao povo católico do bairro. Os falsos amigos se mandaram
E a ceias é feita em outro local.

Vem então a depressão


Uma tristeza lhe invade a alma
Chega à força da mão de Deus
E de forma carinhosa
E um remédio milagroso lhe acalma.
O Mascate Salin

Salin era um carcamano, Tinha com companhia


Natural da Palestina. Um rádio de pilha e um cão,
Que fugindo de um conflito, Ultimo com quem dividia
Veio parar na Argentina. Salsicha e seu pão.

Na velha Buenos Aires, Ligava seu radinho,


A sorte não lhe sorriu. E as noticias ouvia.
Veio então tentar a vida, Lia seu alcorão,
Em recife, no Brasil. E na sua cama dormia.

Na “Veneza” brasileira, Salin tinha saudades


Trabalhou como engraxate, Da sua Palestina querida,
Tendo depois abraçado Lugar onde viveu
A profissão de mascate. Dias felizes de sua vida.

Com uma mala nas costas E o tempo foi passando,


E uma matraca na mão, Salin sequer percebeu,
Vendia de porta em porta Um dia senti-se mal,
Linha agulha e botão. Caiu na cama e morreu.

Não conhecia a cidade, E encontrado depois,


Falava mal o português, Já em decomposição,
Tinha dificuldades Vigiado de perto
Para conquistar o cliente. Pelo dileto cão.

Morava em Iputinga, Os vizinhos solidários,


Ia até Encruzilhada, Fizeram subscrição
Voltava ela mesma rota, E venderam o radinho
Tinha uma vida cansada. Para pagar o caixão.
Minha mãe

Levado ao cemitério, Minha mãe, minha querida


Foi triste aquele momento, Aquela que me deu a luz,
Seu tumulo não teve numero, Que um dia caiu doente
Pois não tinha documento. Partiu daqui der repente
E foi morar com Jesus.
Todos foram para casa,
Pois logo anoiteceu. Se tu soubesse mãezinha
Todos menos o cão De tudo que eu passei
Que de tristeza morreu. Daria um livro de história
Talvez ficaria na memória
Da família que criei.

Fique certa minha mãe


Seu filho foi um batalhador
Nascido em tempo de guerra
No mar como uma terra
Me considero um vencedor

Pode esperar minha velha


Em breve iremos nos encontrar
Quero te dar um abraço
Quero seguir os teus passos
E não mais iremos nos separar.
Campos de Pinheiro

Quantas Saudades eu sinto A noite tem uma festa.


Lá nos campos de Pinheiro. E o rapaz forasteiro,
O boi valente tocando, Dança com a linda moça,
Por um destemido vaqueiro, Ao som de sopro e pandeiro.
Quem monta somente osso, No barracão enfeitado,
O seu cavalo sandeiro. Lá nos campos de Pinheiro.

E quando chega o inverno, É chegado o mês de Junho.


O caboclo canoeiro. E aquele nosso vaqueiro,
Desliza em sua “ubá” Pega o chapéu de fita,
Por entre os algodoeiros, Sua gola e o sandeiro.
Para caçar jaçanã, E começa a brincar boi,
Lá nos Campos de Pinheiro Lá nos Campos de Pinheiro

É de ferrar gado, Oh, que saudade que sinto,


Juntos patrão e vaqueiro. Do caboclo companheiro,
Dividem até os bezerros, Dos peixes assados na brasa,
E costume corriqueiro, Da Jaçanã no tempero.
O vaqueiro ganha sorte, Então aumenta a saudade,
Lá nos Campos de Pinheiro Lá nos Campos de Pinheiro

É dia de exposição Quem não conhece a baixada,


E o rico fazendeiro, É preciso ver primeiro,
Compra a peso de ouro, Sentir a hospitalidade
O novilho mais faceiro. Da esposa do vaqueiro.
Para enfeitar a fazenda, E ver o cartão-postal que são
Lá nos Campos de Pinheiro Os Campos de pInheiros.
Alucinação

Ouricuri, Pernambuco O Zé então fecha os olhos,


Mês de Outubro, verão. Pedindo em oração,
A sede matando o gado Para Nosso Senhor Jesus Cristo,
E a seca no Sertão Mandar chuva pro sertão.

Junto ao pé de macambira Terra de mulher direita,


A vaca branca agoniza. De homem trabalhador
A cascavel muda o couro, Que confia muito em DEUS,
Pela folhagem desliza. Em Cristo, Nosso Senhor.

A cadela vira-lata, Nesse momento uma nuvem,


Que é só couro e costela, Vai dali se aproximando,
A boca aberta de sede, Então começa a chover,
Pode se ver a goela. E o chão vai se molhando.

O velho galo pedrês, A vaca se levantou,


Não canta, não faz mais nada. A cascavel foi embora,
O bico arrasta o chão, A cadela vira-lata
Tem sua crista arriada. Até latiu nessa hora.

Encostado ao tronco seco,


Está ali o Zé “não sei de quê’.
Que tendo perdido tudo,
Parou ali para morrer.

Ao lado de sua mulher,


Com seu vestido rasgado,
No peito seco de leite,
Tem filho pendurado.
A vida e o Rio Lembranças

Feliciano era um velho lavrador


A vida é igual um rio Que morava no alto das colinas
Você pode comparar Com sua mulher Dona Chica
Nasce um olho d’água doce E suas filhas pequeninas
Percorre vario caminhos
Passa por rosas e espinhos Cabelos Brancos cor de algodão
E acaba na agua salgada do mar. Olhos azuis cor do céu
Sua humildades e Ternura
Há a vida como o Rio Negro Era um favo de mel
Afluente do rio mar ranças
Que por ser negro é discriminado No amanhecer do dia
Pelo Solimões branquelo Naqueles tempos de agosto
Que só por ser amarelo Os espinhos lhe feriam os pés
Insiste em não se encontrar. E o orvalho lhe banhavam o rosto

Há vida como o Parnaíba Honesto trabalhador


Que separa o Piaui do Maranhão Sua palavra era riqueza
Gente que mora em Teresina Conhecido como bom pagador
Percorre uma longa ponte Nunca faltava comida em sua mesa
Com problemas aos montes
Vem para Timon ganhar o pão. Depois de velho e doente
Foi obrigado a tomar decisão
Há vidas como o São Francisco Se separar da sua filha Maria
Que o Turista nunca esquece Atitude que lhe partiu o coração
Gente como um certo político
Humilde e inteligente Abençoou a sua pequena
Que Continua a ajudar a sua gente Naquele momento
Enquanto o mandato permanece O homem forte enfraqueceu
Chorou bastante naquela despedida
Tempos depois Feliciano morreu

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