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2705/2019 Engenharia da Santdade Exame de Consciéncia Todo cristo precisa ter ciante de si a mesma pergunta que S30 Bernardo fezia sobre 2 propria vocacao: “Bernardo, para que vieste?", Nesta primeira pregago de nosso retiro espiritual, antes de apresentar os meios através dos quais haveremos de nos santificar, Padre Paulo nos convica 2 um sincero exame de consciéncia, Sem nos encontrarmos primeiro com nés mesmos, no possivel termos um verdadeiro encontro com o Senhor. seminario de uma diocese deveria ser motivo de grande alegria tanto para o clero quanto para 05 leigos, pois é nesse ambiente de oracio e estudo que séo formados os “homens de Deus”, aqueles que preferiram a vida interior a exterior, a austeridade e a perfei¢ao em vez do conforto e da mediocridade [1]. No seminério, os jovens séo convidados a tomar parte na suprema oblagio de Cristo pela salvagao das almas, de modo que o seminarista — nao por sua pessoa, mas pela agao da graga de Deus na sua vida — converte-se num icone de esperanga para o futuro da Igreja. Uma vocagio como essa nao pode exigir menos do que a santidade. Nao se pode esperar outra coisa de um candidato ao sacerdécio sendo uma profunda busca pela perfeigao crista. £ por isso que os seminérios deveriam ser, acima de tudo, escolas de santidade, que ensinassem os seus alunos a praticar as virtudes cristas com zelo e dedicagao. Afinal de contas, é a eles que o Concilio Vaticano II dirige, em primeiro lugar, estas palavras graves sobre a santificago: devem elevar-se a uma santidade mais alta, “alimentando e afervorando a sua agao coma abundancia da contemplagio, para alegria de toda a Igreja de Deus” [2]. 0 objetivo destas aulas é, pois, indicar o caminho da santidade, trilhado por intimeros santos e santas ao longo da histéria da Igteja, a fim de motivar os seminaristas e padres formadores a redescobrirem o sentido da sua prépria vocacio. Infelizmente, muitos semindrios j4 nio ensinam o caminho da perfeigdo crista, nem creem que seja possivel ser verdadeiramente santo como o foram So Pio de Pietrelcina, Sao Jodo Bosco, Séo Jodo Maria Vianney e muitos outros. E isso é assim porque nao se consideram mais os meios para a verdadeira santificagao, ou, dito de outro modo, a engenharia da santidade. A santidade, assim como um prédio, é um empreendimento que exige uma engenharia adequada. Do contrério, o edificio poderé ruir. Notem este exemplo: existem varios tipos de Prédios, como 0 gético, 0 barroco, o classico, o moderno etc. Mas todos eles devem seguir uma mesma regra fisica, uma mesma engenharia, para se sustentarem de pé. Na Igteja, por sua vez, existem varios movimentos ¢ espiritualidades, desde os carisméticos aos hitpstIpadrepauloicardo.orglaulaslexame-de-consciencia 1 2705/2019 monges beneditinos... Todavia, todos devem obedecer a uma mesma lei da graca, que é 0 que vai nos fazer santos. E porque o Espirito Santo ndo nos faz violéncia, deixando-nos completamente livres para segui-lo ou nao, “aquele que coopera com a graga atual recebe gracas mais abundantes”, ao passo que “aquele que lhe resiste, perde todas as outras gracas e sofrerd um terrivel juizo” (3). A vista disso, ao iniciarmos este curso, queremos propor um sincero exame de consciéncia sem 0 qual nao nos é possivel um verdadeiro encontro com 0 Senhor —,¢ assim considerarmos no somente as nossas misérias e pecados, como também as nossas boas obras e seus porqués; isto é, devemos perguntar-nos a que fim tendem as nossas ages, temos de ir ao deserto de nossas existéncias e ter a coragem de enfrentar nossa realidade, a fim de apresentarmo-nos sem miéscaras diante de Deus. F isso, além de ser doloroso, exige humildade; devemos, como dizia Bento XVI, “inclinar-nos, caminhar espiritualmente por assim dizer a pé, para podermos entrar pelo portal da fé e encontrar o Deus que é diverso dos nossos preconceitos e das nossas, opiniées” [4]. Ao término desse exercicio, descobriremos o porqué de nossa vocacio, a forga que nos move a estar no seminério e, futuramente, na vida sacerdotal Existem muitos seminaristas e padres que se perdem na vocagio porque se esquecem desse “porqué”. A vocacao cai no vazio, na exterioridade, na falta de amor, pois é muito ficil um padre deixar de amar a Deus quando se afasta do caminho da perfeigio. Por isso, o seminarista e 0 padre devem sempre ter & frente de si aquela pergunta de Sao Bernardo de Claraval sobre a propria vocagao: “Bernarde, ad quid venisti?” [5]. if) Referéncias 1. Papa Paulo VI, Carta por ocasigo do 400° aniversdrio do chamado do Concilio de Trento para a fundacao dos semindrios (4 de novembro de 1963). 2. Concilio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen Gentium (21 de novembro de 1964), n. 41. 3, Francisco Spirago, Catecismo Catélico Popular (trad. port. de Artur Bivar). 3.° ed., Lisboa: Unio Gréfica, 1938, vol. 1, p. 287, 4, Bento XVI, Homilia (24 de dezembro de 2011), 5. Guilherme de Saint Thierry, Vita Prima Sancti Bernardi, 4, 19 (PL 185, col. 238A) Trad.: “Bernardo, por que viestes aqui?” hitpstIpadrepauloicardo.orglaulaslexame-de-consciencia 2