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© Joan Sureda

A n n a M a r i a G u a s c h e s cat edrática d e Historia del


A r t e C o n t e m p o r á n e o e n la U n i v e r s i d a d d e B a r c e l o n a .
D i r e c t o r a d e la R e v i s t a d e E s t u d i o s C u l t u r a l e s y A r t e
C o n t e m p o r á n e o , h a p u b l i c a d o n u m e r o s o s libros y é n -
s a y o s s o b r e arte actual. Dirige distintos p r o y e c t o s d e
i n v e s t i g a c i ó n c e n t r a d o s e n las r e l a c i o n e s e n t r e a r t e
y globalización. H a sido p r o f e s o r a visitante e n varias
universidades d e Estados Unidos y d e A m é rica L a ­
tina. C o m o crítico d e a r t e c o l a b o r a r e g u l a r m e n t e e n
m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n d e s d e 1 9 7 9 y h a recibido
d i s t i n t o s p r e m i o s c o m o el d e l A C C A ( A s s o c i a c i ó C a t a ­
l a n a d e C r i t i c s d ’A r t ) d e 2 0 0 0 y el d e l G G A C ( G r e m i d e
G a l e r i e s d ’A r t d e C a t a l u n y a ) d e 2 0 1 3 .

E n A l i a n z a E d i t o r i a l h a p u b l i c a d o E l a r t e ú l t i m o d e l si­
g l o xx. D e l p o s m i n i m a l i s m o a lo m u l t i c u l t u r a l ( 2 0 0 0 ) .

Ilustración d e cubierta:
A n t o n i M u n t a d a s , O n Translation. T h e A u d i e n c e , 1 9 9 8 - 2 0 0 0
E l a r t e e n la e r a d e l o g l o b a l
1989-2015
Alianza F o r m a
E l a r t e e n la e r a d e l o g l o b a l
1989-2015

Anna Maria Guasch

Alianza Editorial
R e s e r v a d o s t o d o s l o s d e r e c h o s . E l c o n t e n i d o d e e s t a o b r a e s t á p r o t e g i d o p o r la L e y , q u e e s t a b l e c e p e n a s
d e p r i s i ó n y / o m u l t a s , a d e m á s d e las c o r r e s p o n d i e n t e s i n d e m n i z a c i o n e s p o r d a ñ o s y p e r j u i c i o s , p a r a
q u i e n e s rep r od u je r en , plagiaren, distribuyeren o c o m u n i c a r e n p ú b l i c a m e n t e , e n t o d o o e n parte, u n a
o b r a literaria, artística o c i e n tífica, o s u t r a n s f o r m a c i ó n , i n t e r p r e t a c i ó n o e j e c u c i ó n artística f i j a d a e n
c u a l q u i e r t i p o d e s o p o r t e o c o m u n i c a d a a t r a v é s d e c u a l q u i e r m e d i o , s i n la p r e c e p t i v a a u t o r i z a c i ó n .

© A n n a M a r í a G u a s c h Ferrer, 2 0 1 6
© A l i a n z a Editorial. S.A., M a d r i d , 2 0 1 6
C a l l e J u a n I g n a c i o L ú e a d e T e n a . 1 5; 2 8 0 2 7 M a d r i d
www.alianzaeditorial.es
ISBN: 978-84-9104-294-5
D e p ó s i t o legal: M . 3 9 7 - 2 0 1 6
P r i n t e d in S p a i n

SI Q U I E R E R E C I B I R I N F O R M A C I Ó N P E R I Ó D I C A S O B R E L A S N O V E D A D E S i ^ E
A L I A NZA EDITORIAL, ENVÍE U N C O R R E O E L E C T R Ó N I C O A LA DIRECCIÓN:
alianzaeditorial@anaya.es
~7_
Indice

Listado d e ilustraciones. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Prólogo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

Pr i m e r a parte
LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

1. U n a n u e v a m a n e r a d e c o n c e b i r y o r g a n i z a r el m u n d o . . . . . . . . . . . . . . . 27
2. E l p r o c e s o d i n á m i c o d e lo g l o b a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Lo global y lo local. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
La g l o b a l i z a c i ó n c o m o i n t e n s i f i c a c i ó n d e la m o d e r n i d a d . . . . . . . . . . . . . . . . 34
La a r queología del f u t u r o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3. A r t e y g l o b a l i z a c i ó n : l o s i n i c i o s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
El caso de Third Text. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
L a a p o r t a c i ó n d e A r t in A m e r i c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
El N e w Internationalism. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
El síndrome de M a r c o P o l o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4. M e t o d o l o g í a s , c o n c e p t o s y e n f o q u e s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
Los W o r l d Art Studies. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
Los Global Art Studies. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

S e g u n d a parte
TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

5. Los debates. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Postestructuralismo y diferencia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
L a p o s m o d e m i d a d y lo global . . . . . . . . . . 60
10 EL ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

6. E l a f i a n z a m i e n t o teórico d e lo p o s c o l o n i a l y lo p e r i f é r i c o . . . . . . . . . . . . . 63
La m i r a d a oriental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
El discurso antillano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
El tercer e s p a c i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
La subahernalidad. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
La hibridación. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
7. L o s f u n d a m e n t o s d e la d i v e r s i d a d c u l t u r a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
El discurso multiculturalista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
C u e s t i o n a r el m u l t i c u l t u r a l i s m o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
8. E l d i s c u r s o i n t e r c u l t u r a l a n t e la d i v e r s i d a d . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
E l t r a b a j o d e la i m a g i n a c i ó n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
La emicidad m o d e r n a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
P e n s a r m á s allá d e la n a c i ó n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
L a p r o d u c c i ó n d e lo l o c a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
9. U t o p í a y a n t a g o n i s m o e n la g l o b a l i z a c i ó n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
Imperio y multitud. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
D e l r i z o m a a la t e o r í a d e las e s f e r a s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
E l M a n i f i e s t o C o m p o s i c i o n i s t a . . . . . ....... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
L o m o d e r n o y lo l í q u i d o . . . . . . . . 95
D e la c u l t u r a - m u n d o a la n u d a v i d a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
L a antiglobalización. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98

Tercera parte
LAS E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

10. P r i m e r o s c u e s t i o n a m i e n t o s a la e x p o s i c i ó n o c c i d e n t a l . L a s e x p o s i c i o n e s d e 1 9 8 9 . . 105
M a g i c i e n s d e la i e r r e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
L a p o l é m i c a e n t o m o a M a g i c i e n s d e la t e ñ e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
L a III B i e n a l d e L a H a b a n a . . . . . . . . . '.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
The OtherStory. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
11. D e r i v a s poscoloniales hacialo g l o b a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
Cocido y crudo e Inklusion/Exklusion. . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
L a s b i e n a l e s d e J o h a n n e s b u r g o y el c o n t i n e n t a l i s m o . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125

S a o P a u l o y la a n t r o p o f a g i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
12. L a fricción local-global. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
L a s p l a t a f o r m a s d e Kassel. L a irrup ci ó n d e lo g l o b a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
R e c e p c i ó n crítica. . . . . . . . . . . . . . . 138
ÍNDICE 11

El efecto Kassel.............................................................................................................................. 141


Lo contemporáneo global............................................................................................................. 144
13. El fenóm eno del b ienalism o.................................................................................................... 149
La bienal periférica como nuevo salón global............................................................................. 150
La bienal periférica como postinstitución................................................................................... 152
La bienalización a debate............................................................................................................. 153

C u arta parte
L O S G IR O S D E L O G L O B A L

14. El giro geográfico.................................................................. 161


L o s n u e v o s lu g a r e s y t e r r i t o r i o s d e u n a g e o g r a f ía d is c u r s iv a 161
L a g e o g r a f ía y la c u l t u r a v i s u a l .............................................................. 163
L a s e x p o s i c io n e s g e o g r á f ic a s .................................................................. 166
L a m o v i li d a d e n e l m a r c o c u r a t o r i a l .................................................. 167
E l c o n c e p t o d e la t i t u d c o m o v ia je y t r a d u c c i ó n .......................... 171
D e la g e o e s t é ti c a a la g e o p o l í t i c a .......................................................... 175
A p o r ta c i o n e s a r t ís t ic a s ................................. ..................................... 179
D e s lo c a liz a c ió n t r a n s r e g i o n a l . . . . . . .......................................... 179
P e n s a m i e n t o f r o n t e r a ........................................................................ 182
C a r to g r a f í a d e l e s p a c io g l o b a l i z a d o ........................................... 191
C o n t r a c a r t o g r a f í a s ............................................................................... 194
L a c i u d a d g l o b a l ................................................................................... 197
15. El giro eco ló g ico ................................................................... 205
D e la g e o g r a f ía a la e c o l o g í a ................................................................... 205
E l p r o y e c t o d e l a n t r o p o c e n o ................................................................ 210
L a s n u e v a s e c o l o g í a s .................................................................................. 218
A p o r ta c i o n e s a r t ís t ic a s ...................................................................... 218
A m o d o d e c o n c l u s i ó n ..................................... :............................... 226
16. El giro e tn o g rá fic o ............................................................................................................ 229
La etnografía como disciplina metodológica de la creación artística............................... 229
El lugar y su especificidad.................................................................................................... 233
El artista como etnógrafo..................................................................................................... 234
Las exposiciones de sesgo etnográfico................................................................................ 237
La reinvención del trabajo de campo y otros usos de lo etnográfico..;,1............................ 239
La problematización de la etnografía como método y la documentación como género 245
17. El giro de la tra d u c c ió n ......................... 255
Hacia una epistemología de la traducción 255
12 EL ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

L a tra du cc i ón c o m o i n s t r u m e n t o para crear espacios d e u n e n t e n d i m i e n t o transversal. . 258


E l p r o y e c t o O n Trartslation: A n t o n i M u n t a d a s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264
18. El giro dialógico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275
Colectivismo y colaboración versus d i á l o g o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275
C o n v e r s a c i ó n e instrucciones participativas versus d i á l o g o . . . . . . . . . . . . . . . 284
P e d a g o g í a versus d i á l o g o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 294
19. E l g i r o d e la m e m o r i a y d e la h i s t o r i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301
M e m o r i a e historia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 305
M e m o r i a s cosmopolitas y transnacionales. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 333
M e m o r i a y archivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 340
Memoria y monumento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 340
A m o d o de conclusión. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 346
20. El giro d o c u m e n t a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349
L o d o c u m e n t a l e n lo c o n t e m p o r á n e o g l o b a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 350
E l d o c u m e n t a l y la v e r d a d . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 354
C r e a c i ó n y é ti ca d e la r e s p o n s a b i l i d a d . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 357
Las contraimágenes o imágenes antagónicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 365
L a s ficciones d o c u m e n t a l e s . . . . . . . . . 372
E l d o c u m e n t a l y el v i d e o e n s a y o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 387
21. El giro c o s m o p o l i t a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 391
G e n e a l o g í a d e lo c o s m o p o l i t a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 391
E l c o s m o p o l i t i s m o y el a r t e c o n t e m p o r á n e o g l o b a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 395
Á m b i t o expositivo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 396
P r á c t i c a s artísticas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 399

Notas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 409
Indice onomástico. . . . . . . . . . . . . . 445
Listado d e ilustraciones

El giro geográfico

1 a y b. U r s u l a B i e m a n n , F o t o g r a m a d e l v í d e o X - M i s s i o n , 2 0 0 8 . © C o r t e s í a d e la artista.
2. B o u c h r a Khalili, V i d e o i n s t a l a c i ó n T h e M a p p i n g J o u r n e y ( 2 0 0 8 - 2 0 1 1 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
3 a y b. A n t o n i M u n t a d a s , F o t o g r a m a s d e l v í d e o O n T r a n s l a t i o n : F e a r / M i e d o ( 2 0 0 5 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.
4. A n t o n i M u n t a d a s , F o t o g r a m a s d e l v í d e o O n T r a n s l a t i o n : M i e d o C J a u f ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
5 a y b. F r a n c i s A l y s , T h e G r e e n L i n e . j e r u s a l e m ( 2 0 0 4 ) . E n c o l a b o r a c i ó n c o n J u l i e n D e v a u x . D o c u m e n ­
t a c i ó n v i d e o g r á f i c a d e u n a a c c i ó n . I m a g e n d e J u l i e n D e v a u x . © C o r t e s í a d e l artista.
6. R o g e l i o L ó p e z C u e n c a . F o t o g r a m a d e l v í d e o W a l l s ( 2 0 0 6 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
7. R o g e l i o L ó p e z C u e n c a y E l o V e g a . F o t o g r a m a d e l v í d e o H i s t o r i a d e d o s c i u d a d e s ( 2 0 1 0 ) . © C o r t e s í a
d e l artista.
8. M a r c o s Á v i l a F o r e r o . F o t o g r a m a d e l v í d e o C a y u c o , S i l l a g e O u j d a / M e l i l l a ( 2 0 1 3 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.
9 a, b y c. M ultiplicity. V í d e o i n s t a l a c i ó n S o l i d S e a , K a s s e l , 2 0 1 2 . © C o r t e s í a d e l artista.
10. B u r e a u d e t u d e s . M a p a s d e l p r o y e c t o G o u v e r n e m e n t m o n d i a l ( 2 0 0 3 , 2 0 0 5 , 2 0 1 3 ) . © C o r t e s í a d e l
colectivo.
1 1 a y b. F r a n c e s c o J o d i c e . F o t o g r a m a s d e l v í d e o S a o P a u l o Citytellers. © C o r t e s í a d e l artista.
12. R o g e l i o L ó p e z C u e n c a . I n s t a l a c i ó n A stillágrafo, B i e n a l d e S a o P a u l o 2 0 0 2 . © C o r t e s í a d e l artista.
13. R a q s M e d i a C o l l e c t i v e . T h e C a p i t a l o f A c c u m u l a t i o n ( 2 0 1 0 ) . V i s t a d e la e x p o s i c i ó n e n la N a t i o n a l
G a l l e r y o f M o d e m A r t , N u e v a D e l h i , 2 0 1 5 . F o t o : U m a n g B h a t t a c h a r y y a . © C o r t e s í a d e l c ol ec ti v o.
1 4 a y b. A l e x a n d e r A p ó s t o l . I n s t a l a c i ó n f o t o g r á f i c a R e s i d e n t e P u l i d o ( 2 0 0 1 ) . ; ^ C o r t e s í a d e l artista.
15. C a r l o s G a r a i c o a . I n s t a l a c i ó n C o n t i n u i d a d p a r a u n a a r q u i t e c t u r a ajena, 2 0 0 2 . D o c e f o t o g r a f í a s b l a n c o
y n e g r o , 3 0 x 4 0 c m c a d a u n a . V i s t a d e la i n s t a l a c i ó n e n D o c u m e n t a 11, K a s s e l ( 2 0 0 2 ) . C o l e c c i ó n R o s a y
G i l b e r t o S a n d r e t t o , M i l á n . © C o r t e s í a d e l artista.
14 EL ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

El giro ecológico

16. U r s u l a B i e m a n n . F o t o g r a m a d e la v i d e o i n s t a l a c i ó n B l a c k S e a Files, 2 0 0 5 . © C o r t e s í a d e la artista.


17. U r s u l a B i e m a n n . C a n a l d e T o s h k a e n E g i p t o . F o t o g r a m a d e la v i d e o i n s t a l a c i ó n E g y p t i a n C h e m i s t r y ,
2 0 1 2 . © C o r t e s í a d e la artista.
18. U r s u l a B i e m a n n y P a u l o T a v a r e s . F o t o g r a m a d e l v í d e o F o r e s t L a w ( 2 0 1 4 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
19. T h e O t o l i t h G r o u p . F o t o g r a m a d e l v í d e o T h e R a d i a n t ( 2 0 1 2 ) . © C o r t e s í a d e l os artistas.
2 0 . T h e O t o l i t h G r o u p . F o t o g r a m a d e l v í d e o M e d i u m E a r t h ( 2 0 1 3 ) . © C o r t e s í a d e los artistas.
2 1 . T u e G r e e n f o r t . I n s t a l a c i ó n D i f f u s e E i n t r ä g e ( 2 0 0 7 ) . F o t o : R o m a n M ä r z . © C o r t e s í a d e l artista.
22. T u e G r e e n f o r t . Instalación Erdglass. N a t u r u n d a n d e r e städtische T ä u s c h u n g e n (2013). F o t o : R o m a n
M ä r z . © C o r t e s í a d e l artista.
2 3 . M a r i s a G o n z á l e z . L a fábrica. E l d e r r i b o ( 2 0 0 0 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
2 4 . M a r i s a G o n z á l e z , N u c l e a r L e m ó n i z . F a l l o d e m o t o r e s ( 2 0 0 3 - 2 0 0 4 / 2 0 1 5 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
2 5 a y b. L o r e n a L o z a n o . P a t i o sur: n a r r a t i v a s d e u n n o -jardín. © C o r t e s í a d e la artista.
2 6 a y b. L o r e n a L o z a n o . F l e r b a r i u m . © C o r t e s í a d e la artista.

El giro etnográfico

27. H a n n a h C o l l i n s . V i d e o i n s t a l a c i ó n L a M i n a ( 2 0 0 1 - 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
28 a y b. H a n n a h C o l l i n s . V i d e o i n s t a l a c i ó n P a r a l l e l ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
29 a y b. H a n n a h C o l l i n s . F o t o g r a m a s d e l v í d e o C u r r e n t H i s t o r y ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
30 a y b. J o r d i C o l o m e r . F o t o g r a m a d e l v í d e o A v e n i d a I x t a p a l u c a ( H o u s e s f o r M e x i c o ) ( 2 0 0 9 ) . © C o r t e s í a
d e l artista.
3 1 a y b. J o r d i C o l o m e r . F o t o g r a m a d e l v í d e o A r c h i t e c t s ( T é t o u a n ) ( 2 0 1 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
3 2 a y b. J o s e p - M a r i a M a r t í n . D o c u m e n t a l L a c a s a d i g e s t i v a p a r a L a v a p i é s ( 2 0 1 0 - 2 0 1 1 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.
3 3 a y b. J o s e p - M a r i a M a r t í n . I n s t a l a c i ó n M a d e in C h i l e ( 2 0 1 0 ) . © C o r t e s í a d e l artista.

E l g i r o d e la t r a d u c c i ó n

34 a y b. R o g e l i o L ó p e z C u e n c a . E l p a r a í s o es d e los e x t r a ñ o s (1 9 9 9 - ) . © C o r t e s í a d e l artista.
35. J o r d i C o l o m e r . I n s t a l a c i ó n y v í d e o A r a b i a n S t a r s ( 2 0 0 5 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
36 a y b. A n t o n i M u n t a d a s . O n T r a n s l a t i o n . T h e A u d i e n c e ( 1 9 9 8 - 2 0 0 1 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
37. A n t o n i M u n t a d a s . O n Translation. E l A p l a u s o ( 1 9 9 9 ) . F o t o : M a g d a l e n a M a r t í n e z F r a n c o . © C o r t e s í a d e l
artista. \
3 8 a y b. A n t o n i M u n t a d a s . O n T r a n s l a t i o n . L a i m a t g e . ( B a r c e l o n a , M a c b a , 2 0 0 2 - 2 0 0 3 ) . F o t o : R o c c o
Ricci. © C o r t e s í a d e l artista.
LISTADO D E ILUSTRACIONES 15

5 9 a y b. A n t o n i M u n t a d a s . O n Translation. I G i a r d i n i ( 2 0 0 5 ) . F o t o : C l a u d i o F r a n z i n i . © C o r t e s í a d e l
artista.
- a y b. A n t o n i M u n t a d a s . O n T r a n s l a t i o n : A c y k R a d y o M y t h s a n d S t e r e o t y p e s ( 2 0 1 0 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.
- I a y b. A n t o n i M u n t a d a s . O n T r a n s l a t i o n . A s i a n P r o t o c o l s ( 2 0 1 4 ) . F o t o : L e e S a n g j a e . © C o r t e s í a d e l
artista.

El giro d i a l ó g i c o

4 2 A n t o n i A b a d , m e g a f o n e . n e t ( 2 0 1 4 - ) . © C o r t e s í a d e l artista.
a. L l e i d a : c a n a T ' G I T A N O
b. C i u d a d d e M é x i c o : s i t i o * T A X I
c. N u e v a Y o r k : c a n a T P L U R A L
d. T i n d u f , A r g e l i a : c a n a t S A H A R A U l
e. S a n J o s é , C o s t a R i c a : c a n a t G E N T R A L
f. S a n J o s é , C o s t a R i c a : c a n a l * C E N T R A L
g. S a o P a u l o , B r asil: c a n a C M O T O B O Y
h. S a o P a u l o , Brasil: c a n a C M O T O B O Y
- • a y b . O l i v i e r R e s s l e r . W h a t is D e m o c r a c y ? ( 2 0 0 7 - 2 0 0 9 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
- a. b , c y d. P e p A g u t , H é r c u l e s P ú b l i c o ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
- ' P e p A g u t . H é r c u l e s e s p e c t a c u l a r i z á n d o s e ( 2 0 0 6 - 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
- a. b , c, d , e y f. M i q u e l G a r c í a . F o t o g r a m a s d e l v í d e o L a A s a m b l e a ( 2 0 1 2 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
4 7 M i q u e l G a r c í a . I n s t a l a c i ó n p e r f o r m a t i v a P r á c t i c a s d e E m p o d e r a m i e n t o c u l t u r a l 2. G a l e r í a á n g e l s b a r -
c e l o n a ( 2 0 1 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista. v
- ' N u r i a G ü e l l . A y u d a H u m a n i t a r i a ( 2 0 0 8 - 2 0 1 3 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
- N u r i a G ü e l l y Levi Orta, Aplicación M o r a l Desplazada #7; Crecimiento E xponencial (2010-2012).
© C o r t e s í a d e l o s artistas.

E l g i r o d e la m e m o r i a y d e la h i s t o r i a

5 ¡ a y b . A l f r e d o J a a r . S e a r c h i n g f o r A f r i c a in L I F E ( 1 9 9 6 ) , © C o r t e s í a d e k a m e l m e n n o u r (Par í s ) , G a l e r i e
L e l o n g ( N u e v a Y o r k ) , G a l e r i e T h o m a s S c h u l t e ( B e r l í n ) y d e l artista ( N u e v a Y o r k ) .
5 1 a, b , c y d . A l f r e d o J a a r . I n s t a l a c i ó n T h e S i l e n c e o f N d u w a y e z u ( 1 9 9 7 ) . © C o r t e s í a d e G a l e r í a O l i v a
A r a u n a ( M a d r i d ) , G a l e r i e T h o m a s S c h u l t e ( B e r l í n ) y d e l artista ( N u e v a Y o r k ) .
^ 2 a y b . A l f r e d o J a a r . I n s t a l a c i ó n T h e L a m e n t o f l m a g e s ( 2 0 0 2 ) . © C o r t e s í a ifie G a l e r i e L e l o n g ( N u e v a
York), L o u i s i a n a M u s e u m o f M o d e m A r t ( H u m l e b a e k ) , M u s e u m o f M o d e r n A r t ( N u e v a Y o r k ) y del
artista ( N u e v a Y o r k ) .
16 EL ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

5 3 a y b. A l f r e d o Jaar. I n s t a l a c i ó n T h e S o u n d o f S i l e n c e ( 2 0 0 6 ) . © C o r t e s í a d e G a l e r í a O l i v a A r a u n a
( M a d r i d ) , k a m e l m e n n o u r (París), G a l e r i e L e l o n g ( N u e v a Y o r k ) , G a l e r i e T h o m a s S c h u l t e (Berlín),
M u s e u m o f C o n t e m p o r a r y A r t ( C h i c a g o ) , P h i l a d e l p h i a M u s e u m o r A r t (Filadelfia), y d e l artista
( N u e v a York).
5 4 . K r z y s z t o f W o d i c z k o . G u e s t s , c i n c o v i d e o p r o y e c c i o n e s s i n c r o n i z a d a s ( 2 0 0 9 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
5 5 a, b y c. D e r m i s A d a m s . F o t o g r a m a s d e l v í d e o M a k e D o w n [ T a k e T w o ] ( 2 0 0 5 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
5 6 a, b, c, d y e. Ó s c a r M u ñ o z . V i d e o p r o y e c c i ó n R e / t r a t o ( 2 0 0 3 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
5 7 a, b, c, d, e y f. Ó s c a r M u ñ o z . F o t o g r a m a s d e u n a v i d e o p r o y e c c i ó n P r o y e c t o p a r a u n m e m o r i a l ( 2 0 0 5 ) .
© C o r t e s í a d e l artista.
5 8 . J o s é A l e j a n d r o R e s t r e p o . F o t o g r a m a d e l v í d e o m o n o c a n a l V i a c r u c i s ( 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
5 9 a y b. J o s é A l e j a n d r o R e s t r e p o . F o t o g r a m a s d e l v í d e o m o n o c a n a l S a n t o r a l ( 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.
6 0 . J o s é A l e j a n d r o R e s t r e p o . F o t o g r a m a d e la v i d e o i n s t a l a c i ó n S a n t o J o b ( 2 0 0 8 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 1 a y b. F r a n c e s c T o r r e s . B e l c h i t e / S o u t h B r o n x . A T r a n s - C u l t u r a l a n d T r a n s - H i s t o r i c a l L a n d s c a p e ( 1 9 8 8 ) .
© C o r t e s í a d e l artista.
6 2 a y b. F r a n c e s c T o r r e s . S e r i e f o t o g r á f i c a Visita d e M u n c h a u s e n ( 1 9 8 7 - 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 3 a, b, c y d. F r a n c e s c T o r r e s . M e m o r i a f r a g m e n t a d a . 1 1 - S N Y . A r t e f a c t o s d e l H a n g a r 1 7 ( 2 0 1 1 ) . © C o r ­
tesía d e l artista.
6 4 a y b. F r a n c e s c T o r r e s . O s c u r a es la h a b i t a c i ó n d o n d e d o r m i m o s ( 2 0 0 4 - 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 5 . K u t l u g A t a m a n . F o t o g r a m a d e l v í d e o J o u r n e y t o t h e M o o n ( 2 0 0 9 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 6 . K u t l u g A t a m a n . V i d e o i n s t a l a c i ó n P u r s u i t o f H a p p i n e s s ( 2 0 0 9 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 7 a, b, d y d. K a d e r Attia. I n s t a l a c i ó n T h e R e p a i r f r o m O c c i d e n t t o E x t r a O c c i d e n t a l C u l t u r e s . V i s t a d e
la i n s t a l a c i ó n e n d O C U M E N T A (13), K a s s e l ( 2 0 1 2 ) . F o t o : K a d e r A t t i a y R o m á n M á r z . © C o r t e s í a d e l
artista.
6 8 a, b, c y d. D e i m a n t a s N a r k e v i c i u s . F o t o g r a m a s d e l f i l m T h e H e a d ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
6 9 a, b, c y d . T h o m a s H i r s c h h o m . B a t a i l l e M o n u m e n t (es cu lt u ra ), D o c u m e n t a 11, K a s s e l , ( 2 0 0 2 ) . F o t o :
W e m e r W a s c h m a n n . © C o r t e s í a d e l artista.
7 0 a y b. T h o m a s H i r s c h h o m . F o u c a u l t 2 4 , P a r í s ( 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
7 1 a y b. F e m a n d o S á n c h e z Castillo. F o t o g r a m a d e l v í d e o R i c h C a t D i e s o f H e a r t A t t a c k i n C h i c a g o [ G a t o
rico m u e r e d e i n f a r t o e n C h i c a g o ] ( 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
7 2 a y b. F e m a n d o S á n c h e z Castillo. I n s t a l a c i ó n Barricadas, j u e g o s y j u g u e t e s ( 1 9 9 5 - 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l
artista.

El giro d o c u m e n t a l

7 3 a y b. I n g r i d W i l d i M e r i n o . V i d e o i n s t a l a c i ó n L a e n t r e v i s t a t e r m i n a d a , e n t r e v i s t a i n t e r m i n a b l e ( 2 0 0 9 ) .
© C o r t e s í a d e la artista.
7 4 a y b. I n g r i d W i l d i M e r i n o . V i d e o i n s t a l a c i ó n L o s I n v i s i b l e s ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
LISTADO D E ILUSTRACIONES 17

7 5 a y b. A k r a m Z a a t a r i . T i m e C a p s u l e ( 2 0 1 2 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
7 6 . A h l a m S h i b l i . u n t i d e d (G o t e r n . ° 3 8 ) , a l - Q r a i n , a l - N a q a b , P a l e s t i n e ( 2 0 0 2 - 2 0 0 3 ) . © A h l a m S h i b l i .
C o r t e s í a d e l artista.
7 7 . A h l a m Shibli. u n t i d e d ( T rackers n.° 7 ) L a k h i s h A r m y B a s e , B e i t G u b r i n , I s ra e l / Pa l e st i n e ( 2 0 0 5 ) .
© A h l a m S h i b h . C o r t e s í a d e l artista.
7 8 . A h l a m Shibli. u n t i d e d ( D e a t h n.° 33), P a l e s t i n e ( 2 0 1 1 - 2 0 1 2 ) , c a m p o d e r e f u g i a d o s d e Balata, 1 6 d e
f e b r e r o d e 2 0 1 2 . F o t o d e l m á r t i r K h a l i l M a r s h o u d c o l g a d a e n el c u a r t o d e e s t a r q u e s u h e r m a n a e s t á
l i m p i a n d o . E n el p ó s t e r , u n r e g a l o d e las A b u A h M u s t a f a B r i g a d e s , s e le n o m b r a c o m o s e c r e t a r i o
g e n e r a l d e las a l - A q s a M a r t y r s ’ B r i g a d e s d e B a l a t a . © A h l a m S h i b h . C o r t e s í a d e l artista.
79. Y a e l B a n a n a . F o t o g r a m a del v í d e o S u m m e r C a m p (2007). © A n n e t G e l i n k Gallery ( A m s t e r d a m ) y
S o m m e r C o n t e m p o r a r y A r t ( T e l A v i v ) . C o r t e s í a d e la artista.
8 0 a y b . K u t l u g A t a m a n . V i d e o i n s t a l a c i ó n K ü b a , ( 2 0 0 4 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 1 a, b , c, d , e y f. K u t l u g A t a m a n . F o t o g r a m a s d e l v í d e o P a r a d i s e ( 2 0 0 6 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 2 . H a r u n F a r o c k i . F o t o g r a m a d e l v í d e o E y e / M a c h i n e , I ( 2 0 0 0 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 3 . H a r u n F a r o c k i . F o t o g r a m a d e l v í d e o E y e / M a c h i n e , II ( 2 0 0 2 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 4 . H a r u n F a r o c k i . F o t o g r a m a d e l v í d e o S e r i o u s G a m e s I: W a t s o n is D o w n ( 2 0 1 0 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 5 . O m e r F a s t . F o t o g r a m a d e l v í d e o T h e C a s t i n g ( 2 0 0 7 ) . © C o r t e s í a d e l artista.
8 6 . O m e r F a s t . F o t o g r a m a d e l v í d e o C o n t i n u i t y , ( 2 0 1 2 ) . © C o r t e s í a d e l artista.

El giro c o s m o p o l i t a

8 7 . D a y a n i t a S i n g h . F i l e R o o m ( 2 0 1 1 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
8 8 . D a y a n i t a S i n g h . M o n a a n d M y s e l f ( 2 0 1 3 ) . © C o r t e s í a d e la artista.
P ró lo g o

C u an d o en 1989 visité la exposición M agiciem de la terre en el C entre


G eorges P o m p id o u de P arís, pensé q ue m uchos aspectos del arte iban
a d a r un vuelco radical. N i la exposición ni su com isario, Je a n -H u b e rt
M artin, d irecto r en aquellos años del M usée N ational d 'A rt M o d em e
de París, estuvieron exentos d e crítica, p ero lo cierto es que desde
principios de la década d e los noventa se fue im p oniendo un nuevo
paradigm a artístico gestado y co n firm ad o p o r historiadores del arte,
antropólogos, activistas, teóricos culturales, cu radores, artistas y crea­
dores. Se en tró en una era transicional que n o sólo ha supuesto el
paso de un m u n d o etn o cén trico a u n o m ulticultural y global o la
em ergencia de cuestiones de id en tid ad cultural, m ovilidad geopolítica
y desterritorialización, fuesen diásporas, exilios o nom adism os, sino la
aceleración social del tiem p o y el eclipse virtual de la distancia.
La aldea global q u e M cL uhan había form ulado a principios de la
década de los sesenta se em pezó a hacer presente en el proceso de
espacialización del arte que M artin p ro p u g n ó pocos meses antes de que
se derru m b ase el M u ro de Berlín y la globalización y los conceptos de
globalidad y glocalidad nos situasen ante una realidad plural en la que
lo local y específico convivían con lo ubicuo y am orfo en un m arco, sin
em bargo, plagado de conflictividad, tensión y contradicción.
M agiciens de la terre d escu b rió u na p ro fu n d a falla en el m u n d o del
arte co n tem p o rán eo , lim itado hasta entonces, con escasas m atizacio-
nes o excepciones, a las fronteras de E u ro p a y A m érica del N orte.
Falla q ue su com isario in ten tó su b san ar p re sen tan d o obras de M arina
A bram ovic, Jean-M ichel A lberola, G iovanni A nselm o, Jo h n Baldessa-
ri, G a b riel Bien-Aim , A lighiero Boetti, C hristian Boltanski, Louise
B ourgeois, D aniel B urén, F rancesco C lem ente, E nzo C ucchi, H an s
20 E L ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

H a^cke, A nselm Kiefer, B arbara Kruger, R ichard Long, M ario M erz,


A ntoni M iraida, Ju a n M uñoz, Claes O ld en b u rg , Sigm ar Polke, D aniel
S poerri o Je ff W all, p o r sólo citar algunos d e los «occidentales», junto
a piezas de F réd éric Bruly B ouabré, Bodys Isek Kingelez, C heri Sam ­
ba, A lfredo Jaar, C ildo M eireles, H u an g Yong Ping, Sarkis o Yang Jie
C hang. A unque, com o se le criticó en su día, hizo esa aleación artística
aún con m irada occidental y sin una clara voluntad o capacidad de
co ntextualizar el proceso creativo alejado de lo canónico.
Veinticinco años después, la m irada occidental ha dejado de ser
im perante, tal com o se p uso de m anifiesto en el rem ake de M agiciens de
la terre que tuvo lugar en el C entre G eorges P om pidou en julio de 2014
y que elevó la exposición de 1989 a la categoría de «m uestra de culto».
E n dicho remake, fue edificante repensar a través de docum entos, epis­
tolarios, publicaciones, films y fotografías la aventura conceptual de
M agiciens de la terre, p ero sobre to d o fueron estim ulantes los debates
llevados a cabo en la B ibliothèque K andinsky del p ropio P o m p id o u
sobre la genealogía de la exposición, su recepción crítica y los desplaza­
m ientos teóricos q ue im plicó, cuestiones estas consideradas en un
m om ento en que la producción artística, en el m arco de la cultura, o b e­
dece a una galopante globalización social y económ ica.
Los años q ue m edian en tre M agiciens de la terre de 1989 y su
recreación docum ental en el C entre G eorges P o m p id o u en 2014 cons­
tituyen el territorio tem poral que escanea y cuestiona este libro, un
territo rio de flujos cam biantes y categorías m ezcladas dom in ad o p o r la
capacidad creativa de la interacción y del diálogo, pero tam bién p o r
una econom ía en crisis q ue p one en entredicho el desarrollo basado en
el crecim iento o p o r una política de sociedades pospolíticas que gene­
ran tan to utopías de no-fronteras com o radicales procesos de carácter
religioso y territorial.
Si M agiciens de la terre inició el viraje del arte m undial al global,
nuestro libro p reten d e transitar de la historia del arte contem poráneo a
la global, una globalización m últiple y paradójica que aglutina tanto
discursos teóricos o curatoriales com o prácticas artísticas a través de
cuatro bloques o partes. La prim era trata de los códigos de lo global, la
segunda analiza sus teorías y discursos, la tercera detalla sus exposicio­
nes y la cuarta desarrolla los giros de lo global en la práctica artística. Al
respecto m e gustaría aclarar que la elección de las obras y de los artistas
que construyen nuestro discurso, en tanto que cá^os de estudio, ha o b e­
decido exclusivamente al criterio de su adecuación a las m acrocuestiones
globales y a la voluntad de crear un palim psesto de narraciones d iscon­
tinuas ajeno a cualquier valoración crítica o estética. H em o s hecho
P R Ó L O G O 21

n u e s t r a la c o n s i d e r a c i ó n - d e J a m e s C l i f f o r d d e p e n s a r y e s c r i b i r a c e r c a
d e la c u l t u r a o el a r t e — e n s u c a s o , la e t n o g r a f í a — d e s d e el p u n t o d e
v i s t a p r i v i l e g i a d o d e la o b s e r v a c i ó n p a r t i c i p a n t e , p a r t i c i p a c i ó n , t a m ­
b i é n c o m o la d e l o s a r t i s t a s , e n l a q u e p r i m a el t e s t i m o n i o p o r e n c i m a
d e la a u t o n o m í a d e l l e n g u a j e y la é t i c a y la p o l í t i c a s o b r e la e s t é t i c a .
C o n ello n o s s i t u a m o s e n los m u l t i d i s c i p l i n a r e s y transversales g l o ­
b a l a r t s t u d i e s , q u e , a d i f e r e n c i a d e l o s w o r l d a r t s t u d i e s , a b a n d o n a n el
i n t e r é s p o r el o t r o d e s d e la p e r s p e c d v a y la d i c o t o m í a c e n t r o - p e r i f e r i a .
S i g u i e n d o a P i o t r P i o t r o w s k i , h e m o s d e r i v a d o los d i s c u r s o s históricos
b a s a d o s e n la j e r a r q u i z a c i ó n y e n l o s c e n t r o s d e p o d e r h a c i a n a r r a c i o n e s
histórico-artísticas t r a n s n a c i o n a l e s , pluralistas, h o r i z o n t a l e s , p o l i f ó n i c a s
y m u l t i d i m e n s i o n a l e s . F r e n t e al w o r d s y s t e m a u s p i c i a d o t a n t o p o r la
s e g u n d a g e n e r a c i ó n d e la E c o l e d e s A r m a l e s , la d e F e m a n d B r a u d e l ,
c o m o p o r el p e n s a m i e n t o t a r d o m a r x i s t a , s e a p o r e j e m p l o el d e I m m a -
n u e l W a l l e r s t e i n , n o s s i t u a m o s e n el g l o b a l s y s t e m d e p e n s a d o r e s c o m o
M a n u e l Castells, S a s k i a S a s s e n o T o n i N e g r i : u n p e n s a m i e n t o q u e q u i e ­
b r a el d u a l i s m o c e n t r o - p e r i f e r i a a p a r t i r d e las t e c n o l o g í a s d i g i t a l e s d e

QVTX3)¿M
i n f o r m a c i ó n y c o m u n i c a c i ó n d e las q u e e m e r g e u n a e s t r u c t u r a social e n
r e d e n t o d o s l o s á m b i t o s d e la a c t i v i d a d h u m a n a — d e l e c o n ó m i c o al
c u l t u r a l o artístico— c a r a c t e r i z a d a p o r s u i n t e r d e p e n d e n c i a g l o b a l y
d o m i n a d a p o r m e t a m o r f o s i s capitalistas t r ansnacionales.
E n el p l a n t e a m i e n t o y d e s a r r o l l o d e e s t e l i b r o e n m a r c a d o p o r l as
d o s v e r s i o n e s d e M a g i c i e n s d e la t e r r e y p o r la e r a d e i n t e r d e p e n d e n c i a
y d e t r a n s f o r m a c i ó n m u l t i d i m e n s i o n a l d e la r e a l i d a d a l a q u e a s i s t i m o s ,
h a n s i d o decisivos los e n c u e n t r o s e i n t e r c a m b i o s m a n t e n i d o s c o n dis­
tintos inv es ti g ad or es individuales y g r u p o s d e trabajo internacionales a
lo l a r g o d e u n p e r í o d o d e m á s d e d i e z a ñ o s . E n este s e n t i d o c o n s i d e r o
m u y e n r i q u e c e d o r a n u e s t r a r e l a c i ó n c o n el C e n t r e A r t e t m o n d i a l i s a -
tion y s u directora Z a h i a R h a m a n i , relación q u e se h a c o n c r e t a d o e n
d i f e r e n t e s s e m i n a r i o s o r g a n i z a d o s g r a c i a s a la c o l a b o r a c i ó n e n t r e la
U n i v e r s i d a d d e B a r c e l o n a , el I n s t i t u í n a t i o n a l d ’h i s t o i r e d e l’a r t
( I N H A ) d e P a r í s y l o s A r c h i v e s d e la c r i t i q u e d ’a r t ( R e n n e s ) d i r i g i d o s
p o r J e a n - M a r c P o i n s o t . Q u i s i e r a d e s t a c a r i g u a l m e n t e las c o l a b o r a c i o ­
nes llevadas a c a b o c o n J o n a t h a n Harris, profesor d e G l o b a l A r t &
D e s i g n S t u d i e s e n la B i r m i n g h a m C i t y U n i v e r s i t y ; A n t h o n y C a s c a r d i ,
p r o f e s o r d e C o m p a r a t i v e L i t e r a t u r e , S p a n i s h , a n d R h e t o r i c e n la U n i ­
v e r s i d a d d e C a l i f o r n i a , B e r k e l e y , y e n la a c t u a l i d a d d e c a n o d e A r t s a n d
H u m a n i t i e s d e la m i s m a u n i v e r s i d a d ; M a r q u a r d S m i t h , p r o f e s o r e n lá
S c h o o l o f H u m a n i t i e s e n el R o y a l C o l l e g e o f A r t d e L o n d r e s y e d i t o r
d e l J o u r n a l o f V i s u a l C u l t u r e , e Irit R o g o f f , p r o f e s o r a d e V i s u a l S t u d i e s
e n la G o l d s m i t h s d e la U n i v e r s i d a d d e L o n d r e s . Q u e r í a t a m b i é n d e d i -
22 EL ARTE E N LA ERA D E L O G LO B A L

car unas palabras de g ratitu d y adm iración por el trabajo del profesor
e investigador de la U niversidad A utónom a M etropolitana de M éxico
D F N ésto r G arcía C anclini, con el que he m antenido un fructífero
diálogo, esencial p ara la gestación de este libro.
E n algunos aspectos d e n u estro trabajo han sido tam bién muy
relevantes los in tercam b io s d e inform ación y conceptuales qu e he
m an ten id o en la School o f the A rt In stitu te de C hicago con Jam es
E lkins, en el C e n te r for B asque Studies d e la U niversity o f N evada
(Reno) con Jo seb a Z ulaika, con la profesora G iuliana B runo en la
U niversidad de H a rv a rd y con A ndrea B uddensieg, del Z en tru m für
K unst u n d M ed ien tech n o lo g ie (ZK M ) y d irecto ra del proyecto G A M
- G lo b al A rt and th e M useum , en p articu lar los relacionados con la
m u estra T he G lobal C ontemporary: A r t W orlds after 1989 (2011-
2012, Z K M , K arlsruhe). Ig u alm ente m e gustaría resaltar lo positiva
q u e ha sido la ex p erien cia de trab ajar jun to a M aria H lavajova, d irec­
to ra artística del p ro y ecto Former West, que d esd e el cam po del arte
y la teo ría c o n tem p o rán ea posco m u n ista y poscolonial reflexiona
so b re los acontecim ientos políticos, culturales, artísticos y eco n ó m i­
cos q u e han ido tran sfo rm an d o el m u n d o o ccidental d esde 1989.
T am bién con B eatrice von Bism arck, profesora en la H o ch sch u le für
G ra fik u n d B u ch k u n st de Leipzig, iniciam os una vía de colaboración
en to rn o a su p ro y ecto C ultures o fth e Curatorial y la nueva m anera de
asum ir el giro curatorial en los discursos y prácticas artísticos co n ­
tem p o rán eo s.
H em os de reconocer asimismo nuestra deu d a con M onica Juneja,
directora del program a A sia and Europe in a G lobal Context. Shifting
A sym m etries in Cultural Flows del Karl Jaspers C enter de la Universi­
dad de H eidelberg, que bajo el lem a «pensar más allá de nuestros p ro ­
pios lenguajes» apuesta p o r p lantear nuevas negociaciones entre lo local
y lo global no en térm inos rom ánticos sino desde la historia de cada
región y desde nuevas prem isas como: ¿cóm o negociar tem poralidades
desiguales?, ¿cóm o se posiciona cada sujeto den tro de la historia y de su
pasado?, etc. C on Angela D im itrakaki, lecturer en C ontem porary A n
H istory and Theory en la U niversidad de E dim burgo, trabajam os con­
juntam ente en el proyecto de investigación Uses o fth e Fast del progra­
m a H E R A (H um anities in the E uropean Research Area), en el que cola­
b oran asim ismo Ju a n V icente Aliaga (Universität Politécnica de
Valencia), Elke Krasny (Akadem ie d er bildender! ijKünste, Viena), Malin
H edlin H ayden y Jessica Sjoholm (Universidad de Estocolm o) y Larry
P erry (U niversidad de Brighton). Y finalm ente con M ichele C om eta, de
la Universitä degli Studi de Palerm o, com parto una misma constatación
P R Ó L O G O 23

d e q u e la h i s t o r i a d e l a rt e, s e a c o n t e m p o r á n e a o n o , r e q u i e r e p a r a s u
c o m p r e n s i ó n del a p o r t e d e los G l o b a l Studies.
D e s d e o t r o p u n t o d e v i s t a , la p o s i b i l i d a d d e p o d e r p r e s e n t a r e n
tres c i u d a d e s d e A m é r i c a L a t i n a ( B o g o t á , 2 0 0 9 , S a n t i a g o d e Chi le ,
2 0 1 0 , y L a H a b a n a , 2 0 1 1 ) la m u e s t r a L a m e m o r i a d e l o t r o r e s u l t ó d e c i ­
s i v a p a r a e s t a b l e c e r f r u c t í f e r a s r e l a c i o n e s e n t r e el v i d e o e n s a y o y el
v i d e o d o c u m e n t a l c o n a l g u n a s d e las m a c r o c u e s t i o n e s g l o b a l e s , f u e s e n
la t r a d u c c i ó n , la g e o g r a f í a o la e t n o g r a f í a . M i a g r a d e c i m i e n t o a M a r í a
B e l é n S á e z d e I b a r r a , d i r e c t o r a d e l M u s e o d e A r t e d e la U n i v e r s i d a d
N a c i o n a l d e C o l o m b i a ( B o g o t á ) , R a m ó n C a s t i l l o ( c o n s e r v a d o r jefe d e l
M u s e o N a c i o n a l d e Bellas Artes, d e Santiago d e Chile) y J o r g e F e r ­
n á n d e z (director del C e n t r o W i l f r e d o L a m , d e L a H a b a n a ) p o r su
a p o y o incondicional a nuestro proyecto.
T o d o s e s t o s c o n t a c t o s y r e l a c i o n e s n o h a b r í a n s i d o p o s i b l e s s i n la
e structura técnica y e c o n ó m i c a q u e s u p o n e n los p r o y e c t o s d e investiga­
c i ó n p ú b l i c o s y c o m p e t i t i v o s a u s p i c i a d o s p o r el M i n i s t e r i o d e E c o n o m í a
y C o m p e t i t i v i d a d , c o m o el q u e d i s f r u t o c o m o i n v e s t i g a d o r a p r i n c i p a l e n
el m o m e n t o d e e s c r i b i r e s t a s l í n e a s : C a r t o g r a f í a C r í t i c a d e l A r t e y la V i s u a ­
l i d a d e n la E r a d e l o G l o b a l : N u e v a s M e t o d o l o g í a s , C o n c e p t o s y E n f o q u e s
A n a l í t i c o s / Ü P a r t e ( M I N E C O H A R 2 0 1 3 - 4 3 1 2 2 - P ) , e i g u a l m e n t e s i n el
r e c o n o c i m i e n t o d e g r u p o s d e i n v e s t i g a c i ó n c o n s o l i d a d o s p o r p a r t e d e la
A g e n c i a d e G e s t i ó d ’A j u t s U n i v e r s i t a r i s i d e R e c e r c a d e la G e n e r a l i t ä t d e
C a t a l u n y a , e n este c a s o Art, Globalització, Interculturalitat ( A G I / A R T ) ,
p r o y e c t o y g r u p o i n s e r t a d o s e n el m a r c o d e l D e p a r t a m e n t d ’H i s t ó r i a d e
l ' A r t d e la U n i v e r s i t ä t d e B a r c e l o n a y c u y a s a c t i v i d a d e s s e p u e d e n r a s ­
t r e a r e n la w e b h t t p : / / a r t g l o b a l i z a t i o n i n t e r c u l t u r a l i t y . c o m y e n la p u b l i ­
c a c i ó n científica R e v i s t a d e E s t u d i o s G l o b a l e s & A r t e C o n t e m p o r á n e o
R E G / A C : http://revistes.ub.edu/index.php/REGAC/index.
E s t a m b i é n i m p o r t a n t e la l a b o r l l e v a d a a c a b o e n l o s c u r s o s a ñ í l a ­
l es q u e , d e s d e 2 0 1 4 , b a j o el t í t u l o O N M E D I A T I O N . T e o r í a y P r á c t i c a s
C u r a t o r i a l e s e n e l A r t e G l o b a l y c o n la c o d i r e c c i ó n d e l p r o f e s o r M a r t í
P e r a n , p r o f u n d i z a n s o b r e la d e r i v a d e l a s p r á c t i c a s c u r a t o r i a l e s c o n ­
t e m p o r á n e a s e n t e n d i d a s c o m o m e c a n i s m o d e m e d i a c i ó n . Y p o r lo
q u e r e s p e c t a a los c o n t a c t o s c o n instituciones m u s e í s t i c a s t e n e m o s q u e
a g r a d e c e r la i n e s t i m a b l e c o l a b o r a c i ó n d e B a r t o m e u M a r i e n s u e t a p a
d e director del M u s e u d'Art C o n t e m p o r a n i d e B a r c e l o n a ( M A C B A ) y
del a ct ua l d i r e c t o r F e r r á n B a r e n b l i t , y a las f a c i l i d a d e s p o r p e r m i t i r
q u e algunos d e nuestros congresos internacionales y simposios
p u d i e r a n c e l e b r a r s e e n el A u d i t o r i o d e l M A C B A . T a m b i é n a g r a d e c e r
el a p o y o d e J o s é M . G a r c í a C o r t é s , d i r e c t o r d e l I V A M v a l e n c i a n o y d e
C a r i e s G u e r r a , d i r e c t o r d e la F u n d a c i ó T a p i e s d e B a r c e l o n a h a c i a
24 EL ARTE E N LA ERA D E L O G L O B A L

nuestros proyectos d e investigación tanto aquellos q u e versan sobre


p r o c e s o s c u r a t o r i a l e s c o m o l o s q u e s e c e n t r a n e n l as e p i s t e m o l o g í a s
del m u n d o global.
P o r ú l t i m o quisiera a g r a d e c e r los e n r i q u e c e d o r e s e n c u e n t r o s q u e
h e m a n t e n i d o c o n M e n e n e G r a s y P i l a r P a r c e r i s a s , c o n las q u e c o m ­
p a r t í l a d i r e c c i ó n d e n u e v e s e s i o n e s d e C r i t i c a d ’A r t e n u n M ó n G l o b a l
( A C C A , 2005, 2013), c o n Joaquín Barriendos, Martí Peran, J u a n
V i c e n t e A l i a g a y C a r i e s G u e r r a , m i e m b r o s d e los g r u p o s d e investiga­
c i ó n a n t e s m e n c i o n a d o s c o n los q u e o r g a n i c é , e n t r e otros, los s i m p o s i o s
Culturas Visuales/Di se ño s Globales entre 2 0 0 7 y 2 012, c o n Nasheli
J i m é n e z del Val y P a u l a Barreiro, c o l a b o r a d o r a s m u y cercanas e n dis­
t i n t o s p r o y e c t o s d e i n v e s t i g a c i ó n d e la U n i v e r s i t ä t d e B a r c e l o n a c o n
M a g a l y Espin os a , B e l é n S á e z d e Ibarra, C l a u d i a C a m p a ñ a y Carlos
A r t u r o F e r n á n d e z , gracias a los q u e h e m a n t e n i d o u n p e r m a n e n t e
c o n t a c t o c o n el m u n d o d e l a r t e l a t i n o a m e r i c a n o . T a m b i é n n u e s t r a
gratitud p ar a aquellos investigadores e n f o r m a c i ó n del g r u p o A G I /
A R T : D i a n a P a d r ó n , R a f a e l Pinilla, Jul ia R a m í r e z B l a n c o , O l g a S u r e -
d a , J o s é L u i s B r a v o , A n d r e a D í a z y, e n e s p e c i a l , a C h r i s t i a n A l o n s o
q u e c o n sus trabajos d e d o c u m e n t a c i ó n h a n c o n t r i b u i d o a q u e este
l i b r o s a l g a a la luz.
Finalmente, reconocer mi d e u d a con Antoni A ba d, Dermis A d a m s ,
P e p Agut, M a r c e M í Antúnez, Ursula Biemann, Tania Bruguera, H a n -
n a h Collins, J o r d i C o l o m e r , M i q u e l García, F r a n c e s c o Jodice, A l f r e d o
Jaar, R o g e l i o L ó p e z C u e n c a , J o s e p - M a r i a M a r t í n , A n t o n i M u n t a d a s ,
O s c a r M u ñ o z , J o s é A l e j a n d r o Restrepo, F r a n c e s c Torres, Ingrid W i l d i
M e r i n o y K r z y s z t o f W o d i c z k o , artistas a los q u e n o s ó l o a d m i r o p o r s u
trabajo creativo s i n o c o n los q u e a d e m á s m a n t e n g o u n a fructífera a m i s ­
t a d . Y e n e s p e c i a l q u i s i e r a a g r a d e c e r a A n t o n i M u n t a d a s el q u e m e
p e r m i t a c o n u n a d e s u s o b r a s i l u s t r a r la p o r t a d a d e e s t e l i b r o q u e ,
s i g u i e n d o c o n el p r o p i o título, d e s e a r í a m o s q u e t u v i e s e u n a d i f u s i ó n
r e a l m e n t e global.
N o q u e r í a a c a b a r estas pa l a b r a s d e gratitud, r e c o n o c i m i e n t o y d e u ­
d a s s i n h a c e r u n a b r e v e m e n c i ó n a J o a n , a C l a u d i a y a O l g a y al r e s t o d e
m i familia q u e c o n s u paciencia y g e n e r o s i d a d m e h a n p e r m i t i d o d i s p o ­
n e r d e t i e m p o suficiente p a r a p o d e r llevar a c a b o y c o n c l u i r c o n ilusión
y e n t u s i a s m o e s t e e x t e n s o , t a n t o e n el t i e m p o c o m o e n l o s c o n t e n i d o s ,
trabajo.

Barcelona, 2 0 d e enero d e 2 0 1 6
Primera parte

L o s c ó d i g o s d e lo global

D e f i n i r , a p r i n c i p i o s d e la s e g u n d a d é c a d a d e l s i g l o X X I , l o c o n t e m p o r á n e o
s u p o n e u n a clara v o l u n t a d d e s u p e r a c i ó n d e t o d a f o r m a d e e x c l u s i ó n p a r a
r e c l a m a r u n a p r esencia e n u n m u n d o del arte q u e se e x p a n d a a través del g l o ­
bo, d e s a f i a n d o antiguas fronteras geográficas y r e i v indicando narrativas d e
l u g a r y d e d e s p l a z a m i e n t o , e s decir, n u e v a s p r á c t i c a s c u l t u r a l e s q u e t r a n s f i g u ­
r a n las r e l a c i o n e s e n t r e l o g l o b a l y lo l o c a l y a r t i c u l a n el d i s c u r s o d e la d i f e r e n ­
cia. L a s d i m e n s i o n e s t e m p o r a l e s y las e x p e r i e n c i a s r e l a c i ó n a l e s a p o r t a n n u e v a s
c u e s t i o n e s p a r a la p r o d u c c i ó n y d i s e m i n a c i ó n artísticas. Y , c o m o a i i r m a N i k o s
P a p a s t e r g i a d i s , el « c o d a » p a r a el artista c o n t e m p o r á n e o q u e d a d e f i n i d o p o r el
d e s e o d e estar « e n » lo c o n t e m p o r á n e o m á s q u e d e p r o d u c i r u n a e l e v a d a res­
p u e s t a « a » l o c o t i d i a n o . E s t a r e n el l u g a r d e l « a q u í » y el « a h o r a » , t r a b a j a r c o n
o t r o s e n u n a p r á c t i c a s i m u l t á n e a y c o n c r e t a , c o n t e m p l a r la r e a l i z a c i ó n d e l t r a ­
b a j o e n la e x p e r i e n c i a d e la c o n e x i ó n s i g n i f i c a n e l e v a r el v a l o r d e l a s p e c t o
« p e r f o r m a t i v o » d e la p r á c t i c a y d e s p l a z a r el p a p e l r e f l e x i v o d e la p r o d u c c i ó n
c u l t u r a l 1.
A h o r a el artista c o n t e m p o r á n e o y a n o t i e h e q u e d e c i d i r e n t r e la d i s y u n t i v a
d e p e r m a n e c e r e n el c o n t e x t o l o c a l o p a r t i c i p a r e n l o s d i á l o g o s t r a n s n a c i o n a l e s .
T o d o el q u e p e n e t r a e n el c o n t e x t o d e l a r t e c o n t e m p o r á n e o f o r m a p a r t e d e u n
c o m p l e j o p r o c e s o q u e circula a l r e d e d o r del m u n d o y q u e se d e f i n e n o sólo p o r
la c u e s t i ó n d e la d i f e r e n c i a s i n o p o r las d i s t i n t a s v í a s d e « e s t a r e n el m u n d o » .
L o s artistas, s i g u e c o m e n t a n d o N . P a p a s t e r g i a d i s , e n s a n c h a n l o s l í m i t e s d e s u
p r á c t i c a al d e f i n i r s u c o n t e x t o y s u s e s t r a t e g i a s c o m o ú n a s u m a d e p a r a d o j a s :

M u s e o s sin p a r e d e s . C i u d a d e s c o m o l a b o r a t o r i o s . A r c h i v o s v i v o s . N a r r a t i v a s
d e l c a m i n a r . E s t o s e s l ó g a n e s s o n c o m u n e s e n el m u n d o d e l arte. Y r e v e l a n u n
c o m ú n d e s e o : e x t e n d e r lo s p a r á m e t r o s d e l a r t e al i n c o r p o r a r n u e v a s t e c n o l o ­
gías, n u e v o s l u g a r e s y n u e v a s p e r s p e c t i v a s . Y al i n t r o d u c i r n u e v o s i n s t r u m e n ­
tos, l u g a r e s y t e m á t i c a s n o h a c e n s i n o e x p a n d i r la c a t e g o r í a d e lo c o n t e m p o ­
r á n e o 2.
26 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

S e trataría t a m b i é n d e u n a r t e q u e a f i r m a s u c o n t e m p o r a n e i d a d sin lím it es y sin


h is to ri a al s o s t e n e r q u e « s ó l o » p u e d e s e r c o n t e m p o r á n e o p o r q u e a n iv el local
n o p o s e e s u p r o p i a h i storia d e la m o d e r n i d a d , c o n t o d o l o q u e ello i m p l i c a d e
a p u n t a r h a c i a n u e v a s a u d i e n c i a s , m u c h a s d e ellas c o n t r a d i c i o n e s l o c a l e s q u e
n o h a n s i d o filtradas p o r el p e n s a m i e n t o d e la I l u s t r a c i ó n .
1
U n a nueva manera
d e c o n c e b i r y o r g a n i z a r el m u n d o

E n la n u e v a r e d i s t r i b u c i ó n d e l o s l u g a r e s e n l o s q u e l o q u e c u e n t a s o n
las n u e v a s n a r r a t i v a s d e m o v i l i d a d y d i f e r e n c i a s o n m u y p e r t i n e n t e s
l a s t e o r í a s d e A r j u n A p p a d u r a i s o b r e « l o s p a i s a j e s é t n i c o s » , el p a i s a j e
n o t a n t o d e l a s c o m u n i d a d e s e s t a b l e s s i n o d e l as p e r s o n a s q u e c o n s t i ­
t u y e n el c a m b i a n t e m u n d o e n q u e v i v i m o s : t u r i s t a s , i n m i g r a n t e s , r e f u ­
g i a d o s , e xi li ad o s, t r a b a j a d o r e s i n v i t a d o s , así c o m o o t r o s g r u p o s o i n d i ­
v i d u o s e n m o v i m i e n t o constante*. E n efecto, A p p a d u r a i se vale del
t é r m i n o e t h n o s c a p e s ( e n l u g a r d e l a n d s c a p e s ) A e n la m e d i d a e n q u e l o
p r i m o r d i a l — i d i o m a , c o l o r d e la piel, el b a r r i o o l a s r e l a c i o n e s d e
p a r e n t e s c o — se globaliza. L o q u e e q u i v a l e a h a b l a r d e u n a e x t e n s i ó n
d e los s e n t i m i e n t o s d e i n t i m i d a d y p e r t e n e n c i a e n e s p a c i o s v as to s e
i r r e g u l a r e s q u e c o n v i e r t e n la c u e s t i ó n d e la i d e n t i d a d , q u e « u n a v e z
s u p o e s t a r c o n t e n i d a e n la l á m p a r a d e la l o c a l i d a d » , e n u n a f u e r z a
g l o b a l , « d e s l i z á n d o s e a t r a v é s d e l as r a j a d u r a s d e l o s E s t a d o s y l a s
f r o n t e r a s » 5. T a l c o m o s o s t i e n e A p p a d u r a i , e n la m e d i d a e n q u é l o s
g r u p o s m i g r a n , se r e a g r u p a n e n n u e v o s lugares, r e c o n s t r u y e n sus his­
t o r i a s y r e c o n f i g u r a n s u s p r o y e c t o s é t n i c o s , l o e t n o d e la e t n o g r a f í a
a d q u i e r e u n a c u a l i d a d r e s b a l a d i z a y n o l o c a l i z a d a , h a s t a el p u n t o d e
q u e los n u e v o s paisajes d e i d e n t i d a d e s d e g r u p o — los «paisajes étni­
c o s » o e t h n o s c a p e s — d e j a n d e s e r o b j e t o s a n t r o p o l ó g i c o s f a m i l i a r e s al
p e r d e r s u a nclaje a u n territorio y c i r c u n s c r i p c i ó n a ciertos límites
e s p a c i a l e s , y c o b r a s e n t i d o la d i n á m i c a c u l t u r a l d e l o q u e s e h a d e n o ­
m i n a d o «desterritorialización»; u n t é r m i n o a c u ñ a d o inicialmente p o r
D e l e u z e y G u a t t a r i q u e se a p l i c a a los g r u p o s é t n i c o s q u e t rascién¿|en
l as f r o n t e r a s t e r r i t o r i a l e s e s p e c í f i c a s y l a s i d e n t i d a d e s . S e g ú n e s t o s f i l ó ­
s o f o s , la c l a s i f i c a c i ó n t r a d i c i o n a l e n t r e s u j e t o y o b j e t o o f r e c e u n a n o
p r e c i s a a p r o x i m a c i ó n al p e n s a m i e n t o y d e b e r i a s e r s u s t i t u i d a p o r la
28 LO S C Ó D IG O S D E L O G L O B A L

clasificación tierra /te rrito rio , con los con cep to s subsidiarios de «líneas
d e fuga» (que provocan el m ovim iento y ab ren las brechas en el terri­
torio posib ilitan d o una D T pura) y los «agenciam ientos» (unidad
m ínim a de la realidad y elem entos en m ovim iento)6.
E n este estu d io ab o rd arem o s la globalización com o la nueva clase
d e arte co n tem p o rán eo d e las dos últim as décadas; un tipo de arte que
se desm arca claram ente de la p o sm o d em id ad y que requiere a su vez
otras narrativas a la h o ra de escribir una nueva historia del arte (¿una
historia del arte bajo el giro global?), que apuesta m ás p o r la id entidad
cultural q ue p o r los sentim ientos estéticos y q u e busca enfatizar los
aspectos geopolíticos e institucionales en d etrim en to de las cuestiones
de estilo, innovación y progreso, d an d o p o r sen tad a una clara com pli­
cidad en tre el arte y los ám bitos sociales y culturales.
Y si bien p u ed e parecer q ue la globalización es una nueva y rem o­
zada versión de la p o sm o d em id ad , las dos in co rp o ran una clara volun­
tad de periodización, m uy lejos aún de ser una sim ple sustitución de la
posm odernidad. Las diferencias en tre am bas, com o sostiene el teórico
cultural Im re Szem an, que establece una serie de provocativas obser­
vaciones acerca del papel de la cultura en la era de la globalización
en tendid a com o un proyecto político neoliberal, son destacadas. La
globalización, a d iferencia de la po sm o d ern id ad , considerada una cate­
goría estética usada para describir estilos arquitectónicos, m ovim ientos
artísticos o estrategias literarias, es una realidad q ue tiene relativam ente
p oco q u e ver con los co n cep to s d e estética y cu ltu ra, tal com o los
en ten d ía la p o sm o d e rn id a d . N o hay una cu ltu ra g lobalizad o ra d e la
m isma m anera q ue sí p odem os h ablar de una cultura p o sm o d em a
(tam poco habría una arquitectura, un arte o una literatura globales); y
si la po sm o d ern id ad co m p o rtab a diversas innovaciones formales, la
globalización parece invertir esta relación, p o n ien d o todo el énfasis en
reestructu rar los vínculos en tre política y poder, así com o un redim en-
sionam iento de la p roducción económ ica desde lo nacional hacia lo
transnacional a la luz de las operaciones del capital financiero.
C on la globalización p arece su sp en d erse lo q ue era central en los
debates d e la p o sm o d em id ad : la categoría d e representación. P o r el
contrario, la globalización sería legible en las relaciones qu e desde
siem pre han sido consideradas prim arias a la representación, y en ella
la cultura sería sólo u n o de los m últiples aspectos d e la pro d u cció n de
m ercancías7. Y finalm ente lo q u e distanciaría de una m anera más clara \
la globalización d e la p o sm o d em id ad sería la am bición pública del
con cep to en sí mismo:
U N A N U E V A M A N E R A D E CONCEBIR Y O R G A N I Z A R EL M U N D O 29

E s e v i d e n t e q u e h a y m á s j u e g o e n el c o n c e p t o d e g l o b a l i z a c i ó n d e l q u e
n u n c a h u b o c o n la p o s m o d e m i d a d , u n j u e g o q u e s e e x t i e n d e m á s allá
d e las c a t e g o r í a s est ét ic a s e n la d e t e r m i n a c i ó n d e la f o r m a d e l p r e s e n t e
y d e l f u t u r o . I n c l u s o si a m b o s c o n c e p t o s f u n c i o n a n c o m o t é r m i n o s d e
p e r i o d i z a c i ó n p a r a el p r e s e n t e , la g l o b a l i z a c i ó n s e ref ie re a la s a n g r e , el
s u e l o , la v i d a y la m u e r t e e n t é r m i n o s q u e la p o s m o d e m i d a d n u n c a
p u d o imaginar*.

¿ C ó m o a f e c t a r í a n e s t a s c u e s t i o n e s al t e r r e n o d e la l i t e r a t u r a o t e o r í a
a r t í s t i c a ? Q u i z á s e n e s t e s e n t i d o la m a y o r c o n t r i b u c i ó n d e la g l o b a l i ­
z a c i ó n h a y a s i d o r e d e f i n i r s u s p r á c t i c a s a la l u z d e u n m u n d o d e c o n e ­
x i o n e s y c o m u n i c a c i o n e s transnacionales q u e s u p o n e n hasta cierto
p u n t o el f i n d e l E s t a d o - n a c i ó n y d e l p r o v i n c i a l i s m o ( p a r r o q u i a l i s m o )
i m p l í c i t o e n la c u l t u r a n a c i o n a l . D e a h í q u e m u c h a s p r á c t i c a s t e ó r i c a s
y v i s u a l e s d e n t r o d e la g l o b a l i z a c i ó n s e d i r i j a n h a c i a la t r a n s f e r e n c i a y
el m o v i m i e n t o d e la c u l t u r a : l o s c a m b i o s d e u n l u g a r a o t r o , la r e c i é n
d e s c u b i e r t a m o v i l i d a d , la d e s c o n t e x t u a l i z a c i ó n y l a r e c o n t e x t u a l i z a -
c i ó n e n n u e v o s l u g a r e s y los n u e v o s c o n c e p t o s q u e t o d o ello c o m p o r ­
ta: d i á s p o r a , c o s m o p o l i t i s m o , la p o l í t i c a y l a p o é t i c a d e l « o t r o » y el
l e n g u a j e d e los e s t u d i o s p o s c o l o n i a l e s e n g e n e r a l 9.
D e s d e o t r a p e r s p e c t i v a , O k w u i E n w e z o r s e r e f i e r e a la g l o b a l i z a ­
c i ó n c o m o la c o n s o l i d a c i ó n d e l o q u e él d e n o m i n a « c o n s t e l a c i ó n p o s ­
colonial», e n t e n d i e n d o p o r constelación u n c o n j u n t o d e a c u e r d o s d e
p r o f u n d a s relaciones y fu e r z a s f u n d a d a s p o r los d i s c u r s o s d e p o d e r :
relaciones d e n a t ur al e za geopolítica q u e se b a s a n e n f o r m a s aleatorias
. d i s c o n t i n u a s d e c r i o l l i z a c i ó n , h i b r i d a c i ó n y c o s m o p o l i t i s m o 10. C o r n o
s o s t i e n e a s u v e z T e r r y S m i t h , el p a r a l e l i s m o e n t r e c o n t e m p o r a n e i d a d
y g l o b a l i d a d d e b e r í a s u p o n e r u n e s t a d i o e n el c u a l el p l a n e t a , la g e n t e
y l as c o s a s q u e h a b i t a n e n él p u e d a n i m a g i n a r u n a m u t u a l i d a d c o n s ­
t r u c t i v a b a s a d a e n el h e c h o d e c o m p a r t i r n u e s t r a s d i f e r e n c i a s :

C o n t e m p o r a n e i d a d y planetariedad n o s a b r e n a múltiples interaccio­


n e s a t r a v é s d e las c u a l e s c o n s t a n t e m e n t e h a c e m o s n u e s t r o s m u n d o s -
c o n - e l - m u n d o , u n m u n d o t od av ía e n p r o c e s o d e ser g l o b a l i z a d o p e r o
q u e al m i s m o t i e m p o s e d e s p l a z a , r á p i d a m e n t e , m á s allá d e la g l o b a l i ­
z a c i ó n 11.

S m i t h s e r e f i e r e al a r t e d e la « t r a n s n a c i o n a l t r a n s i c i o n a l i d a d » , q u e , al
m e n o s , i n c l u y e tres fases d e n t r o d e lo g l o b a l c o n t e m p o r á n e o : u n a b u s
q u e d a reactiva y antiimperialista d e u n a i m a g i n e r í a n a c i o n a l y localis­
ta; u n r e c h a z o d e u n i d e n t i t a r i s m o s i m p l e y d e u n n a c i o n a l i s m o
c o r r u p t o a favor d e u n internacionalismo naíf y finalmente, u n a
30 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

amplia búsqueda de un cosmopolitismo en un contexto de una per­


m a n e n t e transición d e t o d a clase d e cosas y relaciones. E s p r e c i s a m e n ­
t e la t e r c e r a d e e s t a s t e n d e n c i a s , q u e e n n i n g ú n c a s o p u e d e d e n o m i ­
n a r s e u n e s t i l o o u n p e r í o d o , la q u e p r o l i f é r a b a j o el r a d a r d e la
g l o b a l i z a c i ó n . R e s u l t a d e u n n o t a b l e i n c r e m e n t o d e l n ú m e r o d e artis­
t a s d e t o d o el m u n d o y d e l as o p o r t u n i d a d e s q u e l a s n u e v a s t e c n o l o ­
gías o f r e c e n a m i l l o n e s d e u su a r i o s y afecta d i r e c t a m e n t e a e x p l o r a c i o ­
n e s t e n t a t i v a s d e t e m p o r a l i d a d , l u g a r , afiliación y a f e c t o y las c a d a v e z
m á s i n c i e r t a s c o n d i c i o n e s d e v i d a d e n t r o d e la c o n t e m p o r a n e i d a d e n
u n p l a n e t a f r á g i l 12. S m i t h e n t i e n d e la c o n t e m p o r a n e i d a d c o m o u n
e s t a d i o e n el c u a l el p l a n e t a y t o d o l o q u e e s t á e n él ( p e r s o n a s y c o s a s )
p u e d e n imaginar u n a m u t u a l i d a d constructiva b a s a d a en u n a d e c u a d o
r e p a r t o d e n u estras diferencias.
2
El p r o c e s o d i n á m i c o d e lo global

C o m o s o s t i e n e H a b i b u l H a q u e K h o n d k e r 1, e s a m e n u d o difícil e n el
c a m p o d e las c i e n c i a s s o c i a l e s i d e n t i f i c a r q u i é n u s ó el t é r m i n o « g l o -
b a l i z a c i ó n » p o r p r i m e r a v e z . E l s o c i ó l o g o M a l c o l m W a t e r s 2 d e f i n e la
globalización c o m o u n p roceso q u e c o m p o r t a u n a transformación en
la o r g a n i z a c i ó n e s p a c i a l d e l a s r e l a c i o n e s y t r a n s a c c i o n e s s o c i a l e s ,
g e n e r a n d o flujos y n e t w o r k s t r a n s c o n t i n e n t a l e s d e actividades, d e
i n t e r a c c i o n e s y d e e j e r c i c i o s d e p o d e r . W a t e r s d e f i n e t a m b i é n la g l o ­
b a l i z a c i ó n c o m o u n p r o c e s o s o c i a l e n el c u a l l a s r e s t r i c c i o n e s g e o g r á ­
f i c a s s o b r e l o s a s u n t o s s o c i a l e s y c u l t u r a l e s r e t r o c e d e n y e n el c u a l la
g e n t e a d q u i e r e u n a clara c o n c i e n c i a d e q u e e f e c t i v a m e n t e están
retrocediendo. C o n anterioridad a Waters, encontramos, n o obstan­
te, u n a s p r i m e r a s d e f i n i c i o n e s y u s o s d e l c o n c e p t o g l o b a l i z a c i ó n e n
los escritos d e d o s s o c i ó l o g o s : M i k e F e a t h e r s t o n e y R o l a n d R o b e r t ­
s o n . J u s t o d e s p u é s d e l c o l a p s o d e la U n i ó n S o v i é t i c a , M i k e F e a t h e r s ­
t o n e 3 v e e n la g l o b a l i z a c i ó n u n p r o c e s o t r a n s n a c i o n a l e n e l c u a l d i v e r ­
s o s f l u j o s c u l t u r a l e s e s t á n m e d i a d o s p o r el i n t e r c a m b i o d e b i e n e s ,
capital, g e n t e , i n f o r m a c i ó n , c o n o c i m i e n t o e i m á g e n e s . Y e n l u g a r d e
q u e r e r r e d u c i r la c u l t u r a a la e c o n o m í a p o l í t i c a , p r o p o n e q u e l a d i v e r ­
s i d a d , v a r i e d a d y r i q u e z a d e las « t e r c e r a s c u l t u r a s » a c t ú e n d e c o n t r a ­
p u n t o s a las f u e r z a s h o m o g e n e i z a d o r a s d e l c a p i t a l i s m o . D e h e c h o ,
estas « t e r c e r a s c u l t u r a s » s o n t a m b i é n r e s u l t a d o d e u n a serie d e flujos
transnacionales estrechamente relacionados c o n u n c o m p l e j o escena­
rio m a c r o e c o n ó m i c o .
32 LO S C Ó D IG O S D E L O G L O B A L

L o g lo b a l y lo lo c a l

El sociólogo R oland R o bertson, en su tex to Globalization: Social


Theory a n d G lobal C ulture (1992), p artien d o del térm ino «globaliza-
ción de los negocios», q u e expertos d e m arketing usaban al referirse a
que los p ro d u cto s de origen japonés deberían ser locales, esto, es d e b e ­
rían resp o n d er al gusto y a los intereses locales, sin dejar de ser globa­
les en su aplicación y alcance, definió el térm ino globalización com o la
«com presión del m u n d o y la intensificación de la conciencia del m u n ­
d o com o un to do», o en otras palabras com o «la interpenetración de
la universalización de la particularización y la particularización del
universalism o»4.
L a expansión del form ato de Estado-nación alrededor del m undo,
y las bienales de arte contem poráneo casi en cada Estado-nación, serían
en este caso «particularidades universalizadas». Y, p o r el contrario, un
particularizado universalism o quedaría ejem plificado por cada uno de
los suplem entos nacionales a la historia del arte o al propio arte contem ­
p oráneo5. R obertson establece una clara distinción entre «globaliza­
ción» y «globalidad», asignando el fenóm eno de globalización a un p ro ­
ceso histórico q ue se encarga de expandir la idea de la m odernidad
occidental alrededor del m undo y el de globalidad a un asunto concre­
to, geográfico y espacial6. Analizada históricam ente, la globalización
incluye cinco estadios clave en su proceso en E uropa. A la «fase germ i­
nal» (prim era fase), una fase que se habría iniciado a m ediados del siglo
XV cuando las ideas acerca de las com unidades nacionales em pezaron a
em erger, siguió la «fase incipiente» de finales del siglo XIX , en la cual se
hicieron realidad las ideas originarias de la fase inicial y se entablaron las
relaciones internacionales. La «fase del despegue» se desarrolló entre
1870 y 1920 y, en palabras de R obertson, fue la más im portante. F ue en
estos m om entos cuando se creó el concepto de m u n d o contem poráneo
y se produjo un crecim iento de un buen núm ero de redes internaciona­
les. A contecim ientos com o la Segunda G uerra M undial y la b om ba ató­
m ica en el período en tre 1920 y 1965 conform an la cuarta fase o «fase
hegem ónica». C on los inicios de los años sesenta com enzaría la «fase
incierta», en cuyo m om ento el capitalism o prevaleció com o una form a
individual del proceso de globalización.
D esd e o tro p u n to d e vista, la cuestión del espacio es más específi­
ca y afecta de una m anera in d ep en d ien te al co n cep to d e «globalidad».
Así, m ientras q u e la idea de m o d ern id ad sugiere p o r lo com ún un
p ro ceso de hom ogeneización desde un p u n to de vista tem poral e his­
tórico q u e nos llevaría a hablar de «globalización», el co n cep to de
EL P RO C ES O D IN Á M I C O D E L O G L O B A L

« g l o b a l i d a d » n o s p e r m i t e s u p e r a r la p r o p o s i c i ó n d e q u e s i m p l e m e n t e
la g l o b a l i z a c i ó n e s u n a c o n s e c u e n c i a d e la m o d e r n i d a d . E n c a m b i o ,
s o s t i e n e R o b e r t s o n , « g l o b a l i d a d » e s la c o n d i c i ó n g e n e r a l q u e h a « f a c i ­
l i t a d o » la d i f u s i ó n d e la « m o d e r n i d a d g e n e r a l » , o d i c h o e n o t r a s p a l a ­
b r a s : la « g l o b a l i d a d » s e e v i d e n c i a e n t é r m i n o s d e la i n t e r p e n e t r a c i ó n
d e civilizaciones distintas g e o g r á f i c a m e n t e :

E l a r g u m e n t o c e n t r a l d e e s t a d i s c u s i ó n r a d i c a e n el h e c h o d e q u e el
d e b a t e a c e r c a d e la h o m o g e n e i z a c i ó n g l o b a l v e r s u s la h e t e r o g e n e i z a -
ción d eb er ía ser trascendido. N o es tanto u n a cuestión d e d e f e n d e r
u n i l a t e r a l m e n t e la h o m o g e n e i z a c i ó n o la h e t e r o g e n e i z a c i ó n , s i n o q u e
m á s b i e n s e trata d e las v í a s e n las q u e las d o s t e n d e n c i a s s e h a n c o n ­
v e r t i d o e n estilos d e v i d a o e n c o n s t a n t e s d e la c o t i d i a n i d a d d e finales
d e l siglo X X . Y e n tal p e r s p e c t i v a el p r o b l e m a r a d i c a e n p er fi la r la
m a n e r a e n q u e a m b a s t e n d e n c i a s s e i m p l i c a n m u t u a m e n t e 7.

D e a h í la p e r t i n e n c i a d e u n n u e v o n e o l o g i s m o , l o q u e R o b e r t s o n
d e n o m i n a « g l o c a l i z a c i ó n » 8 , q u e r e s u l t a d e la u n i ó n e n t r e g l o b a l y l o c a l
y q u e s e m a n i f i e s t a e n el h e c h o d e q u e la g l o b a l i z a c i ó n i m p l i c a la
r e c o n s t r u c c i ó n d e los c o n c e p t o s d e hog ar , c o m u n i d a d y localidad. L o
local n o d e b e ser visto c o m o u n a c o n t r a p a r t i d a a lo global; m á s b i e n
d e b e s e r c o n t e m p l a d o c o m o u n a s p e c t o d e la g l o b a l i z a c i ó n . U n a i d e a
q u e s u g i e r e u n a h o m o g e n e i z a c i ó n g e n e r a l d e las i n s t i t u c i o n e s y d e las
experiencias d e u n m o d o histórico y temporal. P o r q u e , c o m o sostiene
Robertson:

E n n u m e r o s o s r el at os c o n t e m p o r á n e o s , las t e n d e n c i a s g l o b a l i z a d o r a s
se c o n s i d e r a n e n t en s i ó n c o n a f i r m a c i o n e s locales d e i d e n t i d a d y c u l ­
tura. I d e a s c o m o lo g l o b a l v e r s u s l o local, l o g l o b a l v e r s u s lo t r ibal lo
i n t e r n a c i o n a l v e r s u s l o n a c i o n a l y l o u n i v e r s a l v e r s u s lo p a r t i c u l a r s o n
a m p l i a m e n t e p r o m o v i d a s 9.

L o g l o b a l n o s e o p o n e a lo local, s i n o q u e m á s b i e n a q u e l l o q u e se
refiere a lo local está e s e n c i a l m e n t e i n c l u i d o d e n t r o d e lo global. L a
globalización enten di d a c o m o « u n a c o m p r e s i ó n del m u n d o e n su
t o t a l i d a d » i n c o r p o r a la v i n c u l a c i ó n d e l o c a l i d a d e s , p e r o t a m b i é n la
i n v e n c i ó n d e la l o c a l i d a d . E s l o q u e R o b e r t s o n d e n o m i n a « l a i d e o l o g í a
d e l h o g a r » c o m o r e s p u e s t a al h e c h o d e q u e v i v i m o s e n u n a c o n d i c i ó n
d e «si n h o g a r » y «sin raíces».
Y d e a h í la i n s i s t e n c i a p o r p a r t e d e R o b e r t s o n e n el u s o d e l n e o l o ­
g i s m o «glocalización» c o m o aquella f ór mu la q u e m a n t i e n e en c o n s ­
t a n t e t e n s i ó n l as t e n d e n c i a s d e la g l o b a l i z a c i ó n) y d e la l o c a l i z a c i ó n :
/ *
G L O B A L

« H e m a n t e n i d o q u e la g l o b a l i z a c i ó n — e n u n a m p l i o s e n t i d o , la c o m ­
p r e s i ó n d e l m u n d o — g r a d u a l m e n t e i n c o r p o r a la c r e a c i ó n d e locali­
d a d , p r o c e s o s e s t o s q u e a s u v e z c o n f o r m a n la c o m p r e n s i ó n d e l m u n ­
d o e n s u c o n j u n t o » 10. E l l o l l e v a a R o b e r t s o n a u s a r el t é r m i n o
« g l o c a l i z a c i ó n » d e u n a m a n e r a e s t r a t é g i c a , p r i m e r o p a r a d e m o s t r a r la
naturaleza c o m p l e m e n t a r i a e interpenetrativa d e d o s tendencias a p a ­
r entemente opuestas: h o m o g e n e i z a c i ó n y heterogeneización, y s e g u n ­
d o p a r a , m á s allá d e la c o n c e p c i ó n j a p o n e s a d e « g l o c a l i z a c i ó n » , p r o ­
m o v e r u n p r o c e s o d e g e n e r a l i z a c i ó n p a r a e n t e n d e r y a b a r c a r el m u n d o
c o m o u n t o d o , d a n d o a s í p o r s u p e r a d a la e r a d e l E s t a d o - n a c i ó n ( u n
c o n s t r u c t o r i d e o l ó g i c o d e f i n a l e s d e l s i g l o x v m ) , la m a y o r f u e n t e d e
p r o d u c c i ó n d e diversidad e hibridación.

L a g l o b a l i z a c i ó n c o m o i n t e n s i f i c a c i ó n d e la m o d e r n i d a d

E n l as a n t í p o d a s d e i n t e r p r e t a r la g l o b a l i z a c i ó n c o m o u n f e n ó m e n o
v i n c u l a d o a p e r s p e c t i v a s m i c r o s o c i a l e s y locales, c o m o d e f e n d í a
R o b e r t s o n , el s o c i ó l o g o A n t h o n y G i d d e n s , o t r o d e los m á s d e s t a c a d o s
p e n s a d o r e s e n e s t e á m b i t o , p l a n t e a el i n c i p i e n t e f e n ó m e n o d e la g l o ­
b a l i z a c i ó n c o m o u n a c o n s e c u e n c i a d e la i n t e n s i f i c a c i ó n d e l o s p r o c e ­
s o s a s o c i a d o s a la m o d e r n i d a d 11. S e g ú n G i d d e n s , la g l o b a l i z a c i ó n p u e ­
d e s e r d e f i n i d a c o m o la i n t e n s i f i c a c i ó n d e l a s r e l a c i o n e s s o c i a l e s
a l r e d e d o r d e l m u n d o , l a s c u a l e s v i n c u l a n l o c a l i d a d e s d i s t a n t e s d e tal
m a n e r a q u e los a c o n t e c i m i e n t o s locales est án d e t e r m i n a d o s p o r s u c e ­
sos q u e o c u r r e n a k il ó m e t r o s d e distancia y viceversa. Y e n t o d o caso,
G i d d e n s i l u s t r a r í a l a p r i m e r a g e n e r a c i ó n d e d e b a t e s s o b r e la g l o b a l i ­
z a c i ó n : a q u e l l a q u e d e s d e la p e r s p e c t i v a m a r x i s t a y f u n d a c i o n a l i s t a
p r i v i l e g i a r í a l a s t e n d e n c i a s h o m o g e n e i z a n t e s d e la g l o b a l i z a c i ó n , l a s
q u e a p u e s t a n p o r u n a n o c i ó n d e « s i s t e m a - m u n d o » q u e p r i m a lo u n i ­
v e r s a l s o b r e l o p a r t i c u l a r e n c l a r a o p o s i c i ó n a las t e n d e n c i a s d e lo
h e t e r o g é n e o , y q u e i n c l u y e a los t e ó r i c o s f o r m a d o s n o y a e n las c i e n ­
cias sociales s i n o e n los e s t u d i o s culturales e interculturales, c o m o
E d w a r d S a i d , H o m i K . B h a b h a y S t u a r t H a l l , así c o m o a los a n t r o p ó ­
l o g o s J a m e s C l i f f o r d , G e o r g e M a r c u s y el p r o p i o R o b e r t s o n .

L a arqueología del futuro

A m o d o d e síntesis e n t r e las p o s i c i o n e s d e R o l a n d R o b e r t s o n y
A n t h o n y G i d d e n s , h a b r í a q u e c i t a r la « t e r c e r a v í a » p r o p u e s t a p o r el
EL P R O C E S O D IN Á M I C O D E L O G L O B A L 35

t e ó r i c o e s t a d o u n i d e n s e F r e d r i c J a m e s o n e n la L í n e a d e s u s a g u d a s
r e f l e x i o n e s s o b r e la p o s m o d e m i d a d 12, el m u l t i c u l t u r a l i s m o 13 y la g l o -
b a l i z a c i ó n 14. E n la a n t o l o g í a T h e C u l t u r e s o f G l o b a l i z a t i o n , e n la q u e ,
e nt re otros, c o l a b o r a r o n N o a m C h o m s k y , E n r i q u e Dus se l, D a v i d
Harvey, G eeta Kapur, Walter M i g n o l o y M a s a o Miyoshi, J a m e s o n ve
la g l o b a l i z a c i ó n c o m o el s i g n o d e la e m e r g e n c i a d e u n a n u e v a c l a s e d e
f e n ó m e n o social q u e a b a r c a c u e s t i o n e s políticas y e c o n ó m i c a s , p e r o
t a m b i é n culturales y sociológicas, p o r n o h ab la r d e aspectos relaciona­
d o s c o n la i n f o r m a c i ó n y l o s m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n , la e c o l o g í a , el
c o n s u m o y la v i d a c o t i d i a n a .
U n f e n ó m e n o , sin e m b a r g o , q u e t o d a v í a n o p o s e e n i n g ú n estricto
c a m p o disciplinar o u n c o n t e x t o privilegiado y q u e requiere u n a
u r g e n t e d e f i n i c i ó n e n a r a s d e a m p l i a r la c o m u n i c a c i ó n m u n d i a l , a s í
c o m o el h o r i z o n t e d e l m e r c a d o m u n d i a l . D e s m a r c á n d o s e d e l a s t e o ­
r ías d e R o b e r t s o n a p r o p ó s i t o d e la d i n á m i c a d e la g l o b a l i z a c i ó n c o m o
el d o b l e p r o c e s o d e p a r t i c u l a r i z a c i ó n d e l o u n i v e r s a l y d e u n i v e r s a l i z a ­
c i ó n d e l o p a r t i c u l a r e n u n a « v i s i ó n u t ó p i c a » d e la g l o b a l i d a d , J a m e -
s o n a p o r t a u n a p e r s p e c t i v a estructural d e distintas f o r m a s d e globali­
z a c i ó n q u e a t a ñ e n a lo político, a lo e c o n ó m i c o y a Jo cultural, señala
q u e se h a c e preciso añadir u n a dosis d e « n e g a t i v i d a d » a esta f ó r m u l a
e i n s i s t e e n l as r e l a c i o n e s d e a n t a g o n i s m o y t e n s i ó n .
D e a h í la p r o p u e s t a d e d e f i n i r la g l o b a l i z a c i ó n c o m o u n a « t o t a l i ­
d a d n o t o t a l i z a b l e » q u e intensifica las r e l a c i o n e s b i n a r i a s e n t r e s u s
p a r t e s , e n la m a y o r í a d e l a s n a c i o n e s p e r o t a m b i é n e n r e g i o n e s y g r u ­
p o s , l o s c u a l e s s e a r t i c u l a n m á s s e g ú n el m o d e l o d e i d e n t i d a d n a c i o n a l
q u e e n t é r m i n o s d e c l a s e social. R e l a c i o n e s q u e p u e d e n r e c l a m a r t a n t o
la u n i v e r s a l i d a d c o m o la p a r t i c u l a r i d a d , d e p e n d i e n d o d e l p u n t o d e
procedencia, y q u e necesariamente c o m p o r t a n u n c o m p o n e n t e s i m ­
bólico, e x p r e s a d o a través d e u n a serie d e i m a g i n a r i o s colectivos.
J a m e s o n define este « s i m b o l i s m o » n o c o m o m e r a m e n t e «cultural» o
n o real: p a r a q u e s e p r o d u z c a e s t a t r a n s m i s i ó n s i m b ó l i c a , e s n e c e s a r i a
la p r e e x i s t e n c i a d e c a n a l e s e c o n ó m i c o s y c o m u n i c a c i o n e s q u e p o t e n ­
cien t o d o tipo d e i n t er ca m bi os tanto positivos c o m o negativos d e s a ­
f i a n d o el v i e j o c o n c e p t o d e l E s t a d o - n a c i ó n e n f a v o r d e u n a n u e v a
d i m e n s i ó n espacial y geopolítica.
A j u i c i o d e J a m e s o n , el e s p a c i o i n t e l e c t u a l d e la g l o b a l i z a c i ó n
i n c l u y e la i n t e r s e c c i ó n d e u n n ú m e r o d e d i f e r e n t e s e j e s c o n c e p t u a l e s ,
q u e c o m p o r t a n la l i b e r a c i ó n d e la c u l t u r a l o c a l d e l a s r i g i d e c e s d e l
espacio nacional y q u e e n última instancia p r o p o n e n u n a sustitución
d e l o r e g i o n a l y l o l o c a l p o r l o t r a n s n a c i o n a l , v o l v i e n d o i n c l u s o al i d e a l
d e u n a s o c i e d a d civil, tal c o m o s u r g i ó e n l o s o r í g e n e s d e la e m e r g e n c i a
36 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

d e la s o c i e d a d b u r g u e s a d e s d e e l f e u d a l i s m o . M á s q u e c o m o u n n u e v o
c a m p o d e e s p e c i a l i z a c i ó n , s e d e b e r í a v e r la g l o b a l i z a c i ó n c o m o u n
e s p a c i o d e t e n s i ó n e n el c u a l l o v e r d a d e r a m e n t e p r o b l e m á t i c o d e la
globalización todavía tiene q u e producirse: « L o q u e p ar ec e claro
— a f i r m a b a J a m e s o n t o d a v í a e n la f e c h a t e m p r a n a d e 1 9 9 8 — e s q u e el
e s t a d o d e c o s a s q u e la p a l a b r a « g l o b a l i z a c i ó n » i n t e n t a d e s i g n a r a ú n
t i e n e q u e p r o d u c i r s e y n o s a c o m p a ñ a r á e n l o s t i e m p o s v e n i d e r o s » 15.
3
A r t e y globalización: los inicios

L a s p r i m e r a s f i s u r a s e n r e l a c i ó n c o n el d e s m a n t e l a m i e n t o d e l p a r a d i g ­
m a occidental b a s a d o e n u n a n o c i ó n h e g e m ó n i c a y centralizada del
a r t e s e g e s t a r o n e n el á m b i t o d e l p e n s a m i e n t o p o s c o l o n i a l , q u e p a u l a ­
t i n a m e n t e f u e s u p l a n t a n d o el « v i e j o » y « e u r o c é n t r i c o » i n t e r n a c i o n a ­
l i s m o del m u n d o del arte p o r u n a m á s a m p l i a n o c i ó n d e u n i m a g i n a r i o
« g l o b a l i s t a » e n el a r t e c o n t e m p o r á n e o .

El caso de Third Text

D o s a ñ o s a n t e s d e l q u e p u e d e c o n s i d e r a r s e el p r i m e r i n t e n t o d e e x p o s i ­
c i ó n g l o b a l e n el c a m p o d e l a s a n e s p l á s t i c a s — n o s r e f e r i m o s a M a g i ­
c i e n s d e la terre, 1 9 8 9 — , d e s d e e l á m b i t o d e l p e n s a m i e n t o p o s c o l o n i a ] y
d e l á m b i t o a n t r o p o l ó g i c o - a r t í s t i c o - c u l t u r a l e m p e z a r o n a e m e r g e r las
p r i m e r a s v o c e s d e f e n s o r a s d e u n c a m b i o h i s t ó r i c o h a c i a la periferia y u n
a l e j a m i e n t o d e l c e n t r o d e la c u l t u r a d o m i n a n t e . E n c o n c r e t o , f u e el
anista y teórico poscolonial, instalado e n L o n d r e s d e s d e 1964, R a s h e e d
A r a e e n el q u e , c o m o c o n t i n u a c i ó n d e s u s r e f l e x i o n e s p u b l i c a d a s e n t r e s
n ú m e r o s d e la r e v i s t a B l a c k P h o e n i x ( 1 9 7 8 ) 1, l i d e r ó a p a n i r d e 1 9 8 7 e n
el p r o y e c t o e d i t o r i a l d e la r e v i s t a T h i r d T e x t 2 la n e c e s i d a d d e e n c o n t r a r
u n a s a l i d a a la p a r á l i s i s i n t e l e c t u a l d e la m a y o r í a d e l o s d i s c u r s o s c r í t i c o s
o c c i d e n t a l e s d e los a ñ o s o c h e n t a y d e r e c u p e r a r m o d e r n i d a d e s « a l t e r n a ­
t i v a s » i g n o r a d a s p o r la c o r r i e n t e p r i n c i p a l d e la p r o p i a m o d e r n i d a d . E n
el t e x t o M a k i n g M y s e l f V i s i b l e ( 1 9 8 4 ) , q u e r e u n i ó s u t r a b a j o a r t í s t i c o y
s u s e s c r i t o s h a s t a la f e c h a , A r a e e n e m p e z ó a p l a n t e a r s e la c u e s t i ó n d e
« q u i é n » s e h a c e v i s i b l e ^ « d ó n d e » , al t i e m p o q u e s e ñ a l ó q u e l a « i d e n t i ­
d a d c u l t u r a l » n o e r a u n h e c h o p r i o r i t a r i o d e n t r a d e l s i s t e m a o f i c i a l d e la
38 LO S C Ó D IG O S D E L O G L O B A L

m o d ern id ad occidental, ni tam poco podía ser identificado p o r un sim ­


ple re to m o al arte de carácter nacionalista y tradicional. M ás allá del
espíritu progresista de la m odernidad, los artistas no occidentales
seguían ex perim entando una total exclusión de la historia del arte
m oderno. D e ahí la elección del térm ino th ird (tercero) en el m arco del
arte contem poráneo en una sociedad poscolonial, en clara referencia al
«otro», convertido en «tercero» com o desafío al m odelo de oposición
binaria basado en un sistem a de clasificación fija, según el cual las prác­
ticas culturales son catalogadas en térm inos de «yo» y «otro». C om o
sostiene Araeen: «Si la aceptación del Tercer M u n d o com o entidad su b ­
desarrollada q ue sólo aspira a em ular los m odelos y estándares occiden­
tales no p u ed e ser ya asum ida, ¿puede la cultura beneficiarse de una
representación más auténtica?»3.
R esultaba pues esencial localizar las m anifestaciones de la d o m i­
nación en las funciones d e las prácticas culturales en cuestión. Y en
este sen tid o había q u e lu ch ar co n tra una m o d ern id ad asociada a la
intem aciónalización de prácticas artísticas, com o o currió después de
la Segunda G u e rra M undial con el expresionism o abstracto n o rte a ­
m ericano y la consiguiente hom ogeneización d e sus prácticas en cues­
tión de estilo. U na m o d ern id ad que había excluido a los artistas del
T ercer M u n d o en térm in o s de reconocim iento y aceptación ya que
desde los años sesenta — con m ovim ientos com o B lack P ow er en E sta­
dos U nidos— se estaba co n statan d o una verdadera crisis de legitim i­
d ad en el seno de la cultura occidental:

L a c ris is d e le g i t i m i d a d t i e n e u n a la r g a h is to r i a e n la c u l t u r a o c c id e n ta l
— s o s tie n e A r a e e n — , p e r o la n o v e d a d e n s u m a n i f e s t a c ió n d e p o s g u e ­
r r a e s e l r e c o n o c i m i e n t o d e u n a f a lta d e r e p r e s e n t a c i o n e s ( p o s itiv a s ) d e
m u j e r e s y d e p u e b l o s c o lo n i z a d o s , r e c o n o c i m i e n t o q u e r e s u lta d i r e c t a ­
m e n t e d e la s lu c h a s a n ti c o lo n i a le s y a n t i r r á c i s t a s y d e l m o v i m i e n to
f e m in i s ta -'.

A nte tal crisis d e la cu ltu ra occidental, parecía necesario reivindicar la


id en tid ad cultural m ás allá de to d o re to m o a un arte nacionalista y
«tradicional» y en el m arco de una consideración del arte n o separada
d e la política. D e ahí la aparición de un proyecto editorial com o T hird
Text, que, distanciándose d e revistas com o October, consagrada al dis­
curso teórico-artístico de la corrien te principal, o Frieze, qu e re p re­
sentaba a la Young British A rtists (YBA), tratab ^ de analizar lo exclui­
d o y rep rim id o p o r el p o d e r y las estructuras institucionales5. La
cuestión n o era tan to la exclusión de los artistas de la escena artística
com o la ignorancia y supresión de su co ntribución a los diferentes
A R T E Y G LO B ALIZACIÓN: L O S INICIOS 39

d e s a r r o l l o s d e la c o r r i e n t e p r i n c i p a l . E n e s t e c o n t e x t o , T h i r d T e x t ,
s i g u i e n d o el m a g i s t e r i o d e E d w a r d S a i d y s u t e o r í a p o s c o l o n i a l , l l e g ó
a la c o n c l u s i ó n d e q u e l a a c t u a l s i t u a c i ó n n o e r a s ó l o r e s u l t a d o d e la
n e g l i g e n c i a h u m a n a s i n o q u e r e p r e s e n t a b a la i d e o l o g í a d e la i n s t i t u ­
c i ó n a r tística: « T h i r d T e x t r e p r e s e n t a u n a l e j a m i e n t o d e l c e n t r o d e la
c u l t u r a d o m i n a n t e p a r a p o d e r c o n s i d e r a r el c e n t r o d e s d e u n a p e r s ­
p e c t i v a c r í t i c a » 6 . Y si la c e l e b r a c i ó n d e l o e x ó t i c o n o e r a n u e v a , sí l o
e r a el h e c h o d e q u e el « o t r o » y a h a b í a d e j a d o d e s e r el c u l t u r a l m e n t e
e x ó t i c o « o t r o » , i n c l u i d o s los a f r o a m e r i c a n o s y los a f r i c a n o s n e g r o s ,
q u e v i v i e n d o e n d i s t i n t o s p a í s e s o c c i d e n t a l e s c o m p a r t í a n n o s ó l o el
h e c h o d e e s t a r f u e r a s i n o la c o n s t a n t e p r e o c u p a c i ó n p o r s u s p a í s e s d e
o r i g e n . U n a r t i s t a p a l e s t i n o p u e d e a r t i c u l a r s u e x p e r i e n c i a d e la d i a s ­
p o r a , u n o s u d a f r i c a n o , m o s t r a r l o q u e o c u r r i ó d u r a n t e el a p a r t h e i d ; y
así u n n ú m e r o i n a c a b a b l e d e e j e m p l o s .

P e r o la p e l o t a s e p a r a a q u í . I n t e n t a dirigir t u m i r a d a h a c i a las e s t r u c t u ­
r a s i d e o l ó g i c a s d e las i n s t i t u c i o n e s q u e s e p r e o c u p a n p o r el s u f r i m i e n ­
t o y la l u c h a d e g e n t e d e o t r o s p a í s e s y v e r á s q u e las p u e r t a s s e c i e r r a n
a n t e t u s o j o s 7.

U n e j e m p l o p a r a d i g m á t i c o d e c ó m o el r e n o v a d o « o t r o » i b a a p a r e c i e n ­
d o e n l o s s u c e s i v o s n ú m e r o s d e la r e v i s t a T h i r d T e x t l o o f r e c e el t e x t o
de Geeta K a p u r « T h e Centre-Periphery M o d e l or H o w W e Are Pla­
c e d ? C o n t e m p o r a r y C u l t u r a l P r a c t i c e i n I n d i a » 8, e n e l q u e s e p l a n t e a
el d u a l i s m o e n t r e i n t e r n a c i o n a l i s m o y r e g i o n a l i s m o a p u n t a n d o a la
necesidad d e hablar n o tanto d e u n a «diversidad regional» c o m o d e
u n a «diferencia cultural». El c o n c e p t o d e centro-periferia c o m o u n
t i p o d e g e o g r a f í a p ol ít ic a d e las c u l t u r a s m u n d i a l e s s e b a s a , a juicio d e
K a p u r , e n u n m o d e l o d e b a s e superestructural. L a s culturas industria­
l e s a v a n z a d a s (el P r i m e r M u n d o ) c o n s t i t u y e n el c e n t r o , y a e l l a s l es
c o r r e s p o n d e el i n t e r n a c i o n a l i s m o , m i e n t r a s q u e l a s c u l t u r a s p o s c o l o ­
n i a l e s s u b d e s a r r o l l a d a s y e c o n ó m i c a m e n t e d e p e n d i e n t e s (el T e r c e r
M u n d o ) e n c a j a n e n la p e r i f e r i a . D e s d e la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , el
i n t e r n a c i o n a l i s m o c o m o i d e o l o g í a s u p r i m e la p o s i b i l i d a d d e u n a v a n ­
g u a r d i a histórica a p e s a r d e q u e s i m u l a s u s reflejos c o n c e p t u a l e s . E s t a
s u p r e s i ó n d e la v a n g u a r d i a c o m o u n a c a t e g o r í a h i s t ó r i c a c o n e c t a r í a , al
d ec ir d e K a p u r , c o n lo q u e F r e d r i c J a m e s o n d e n o m i n a lógica del c a p i ­
t a l i s m o tardío: c o n s u m i s m o , m e r c a d o s artísticos, r e d e s m e d i a l e s .
F r e n t e a e ll o, s e i m p o n e r e c u p e r a r el v i e j o c o n c e p t o d e d i v e r s i d a d
r e g i o n a l o el r e n o v a d o d e d i f e r e n c i a c u l t u r a l , l o q u e s u p o n e r e i v i n d i ­
c a r el t é r m i n o r e g i o n a l i s m o , c o n t o d o l o q u e ¿ A p l i c a d e i n t e g r i d a d
40 LO S C Ó D IG O S D E L O G L O B A L

territorial y cultural, p ro p io de las periferias. F ren te al centro cosm o­


polita o incluso la noción de diferencia m ulticultural, se im pone el
co n cep to de «diferencia cultural» qu e in tro d u ce un relativism o que a
su vez alienta la idea de principio de la universalidad. Lo regional
p ro p o rcio n aría las fuentes que conform an lo universal: « N uestra
alternativa desd e la periferia, sostiene K apur, consiste en dejar de usar
categorías esencialistas — incluyendo las del m ito y d e otros m odelos
orgánico-sim bólicos de pen sam iento»9.

L a a p o r ta c ió n d e Artin America

O tra fisura en la nueva condición posteurocéntrica del arte, en este


caso desde una defensa del trabajo de artistas contem poráneos de
diversos contextos geográficos, fue protagonizada p o r una de las
revistas erigidas en el m áxim o ex p o n e n te del mainstream, A r t in A m e ­
rica, q ue en su n ú m ero de julio d e 1989, «T he G lo b al Issu e» 10, avanzó
la definición d e ese m o m ento inaugural d e lo global a través de una
serie de declaraciones de artistas y d e teóricos culturales — com o Mar-
th a Rosler, Jam es C lifford, Boris G roys, R obert Storr, Craig O w ens y
M ichele W allace— en las q ue parecía d estacar una idea com ún: la del
peligro de una no bienvenida hom ogeneización y cultura d e consum o
originada p o r el creciente proceso de globalización. U n proceso que el
econom ista estad o u n id en se T h eo d o re Levitt había asociado en su tex ­
to de 1983, The M arketing bnagination, al con cep to de «im aginación
de m ercado», según el cual es en la im aginación (en el sentido de que
la gente n o co m p ra cosas, sino soluciones a problem as, con lo que ello
significa de saltar de lo obvio a lo significativo) d o n d e radica el origen
del éxito de las diferentes transacciones com erciales11.
P artien d o de las teorías de Levitt, que veía el m u n d o en su totali­
d ad unificado en unos pocos m ercados o culturas del gusto («cada vez
m ás gente de todas partes es m ás parecida en sus deseos y en sus com ­
p o rtam ien to s, tan to si estam os h ab lan d o de la coca-cola, d e m icro p ro ­
cesadores o d e jea n s»), M artha Rosler trazó un paralelism o en tre la
incipiente globalización y el co n tex to p o sm odem o:

Mientras que la cultura tiende a emerger de Ias metrópolis, en el mun­


do posmoderno de transmisiones a nivel internacional, la cultura de
las áreas periféricas paradójicamente es objeto de una progresiva reva-
lorización, tanto si estas áreas son los flecos de la propia metrópoli
como si proceden de lugares distantes v marginales12.
ARTE Y G L O B A L E A C IÓ N : LO S IN IC IO S 41

Pero, advierte Rosler, la historia d e «conexiones globales» qu e harían


posible las teorías so b re lo p o sm o d ern o es tam bién la historia de las
«desconexiones» d e g ente de d istintas clases e id entidades, d en tro de
la m ism a ciudad y país, incluso en las econom ías avanzadas: «Si consi­
deram os la im agen fotográfica del globo terráq ueo, vem os cóm o
representa u na id en tid ad que sólo p u ed e ser vista desde fuera, una
fase-espejo de la id en tid ad localizada en el im aginario»13.
D esde o tro p u n to de vista, el antropólogo Jam es Clifford, ante las
preguntas ¿significa la llegada de una «nueva cultura visual posm oder­
na global» el fin de las especifidades locales o regionales? y ¿estamos
asistiendo com o testigos a la em ergencia de una cultura internacional
híbrida que respeta la diferencia y la heterogeneidad?, apunta a la nece­
sidad de establecer distintos órdenes en el estudio de la «diferencia» en
el nuevo m apa neo o poscolonial q ue tengan en cuenta el im pacto de la
tecnología y la p roducción de cultura en cualquier contexto local. U no
de estos órdenes sería la «desaparición» de la diferencia, un segundo
consistiría en la «traducción» de ciertos órdenes de la diferencia, m ien­
tras que el tercero supondría la «creación» de nuevos órdenes de la
diferencia. Y si bien es relevante tener conciencia de estos tres niveles,
Clifford sugiere que lo im portante son los procesos de «traducción» de
esta diferencia que hagan posible «crear» nuevos órdenes de la m ism a14.
P o r su parte, C raig O w ens, q ue en aquellos m om entos preparaba
la exposición — nunca llevada a cabo d eb id o a su m uerte prem atura—
Exoticism: A Figure fo r E m ergenáes (ICA, L ondres), hizo hincapié en
el creciente interés p o r p arte d e académ icos, curadores, críticos y artis­
tas p o r los p ro d u cto s culturales del llam ado Tercer M undo a p artir del
trabajo reconstructivo y /o arqueológico de intelectuales poscoloniales
com o E d w ard Said, G ayatri Spivak y H o m i B habha, y señaló que estos
autores habían sido influidos p o r la teoría eu ro p ea fruto d e las secuelas
de la descolonización, en concreto p o r las ideas de F oucault acerca del
binom io poder-conocim iento, la crítica de D errid a al etnocentrism o
occidental y la form ulación «el deseo del h o m b re es el deseo del otro»
de Lacan. U na conjunción que explicaría la em ergencia de un «nuevo
exotism o» o, en otras palabras, la recuperación, más allá de las distor­
siones de la representación racista/im perialista, de una auténtica voz
del «otro»: la nativa, la tribal, etc. La paradoja residiría, a juicio de
O w ens, en q ue los intelectuales poscoloniales n o se interesaban tanto
en lo «nativo» sino en el «sujeto eu ro p eo » del im perialism o, y, m ás^
específicam ente, en los m ecanism os a través de los cuales E u ro p a se
consolidaba a sí m ism a com o sujeto soberano al situar sus colonias
com o su «otro».
42 LO S C Ó D IG O S D E L O G L O B A L

Y concluye CKvens: «E n lugar d e rep resen tar el Tercer M undo


(com o lugar de diferencia y h eterogeneidad), nosotros desde las
m etrópolis d eberíam os p lan tearnos la cuestión d e qué (o quién) no
p u ed e ser asim ilado p o r las tendencias globales del capital y su cu ltu ­
ra. Q uizás es en el proyecto d e cóm o ap ren d er a representarnos a
nosotros m ism os — com o h ab lar «a», m ás q u e «para» o «acerca» de
los o tro s— d o n d e residiría la posibilidad d e una cultura g lobal15.

El New Internationalism

Las fisuras q u e T hom as M cEvilley anunciaba en su artículo «A brir la


tram pa. La exposición p o sm o d em a y M agos d e la T ierra» 16 al co m en ­
tar las consecuencias de M agiciens de la terre se em pezaron a constatar
en o tro lugar del mainstream, L ondres, cuyo In stitu te o f N ew In tern a­
tional Visual A rts (INIVA) propició desde principios de los noventa
los deb ates en to rn o al N e w Intern a tio n a lism '', en clara sintonía con
las políticas culturales del A rts C ouncil en el R eino U nido, basadas en
u na gradual integración de las m inorías étnicas — sobre todo, la co m u ­
nidad de artistas negros— en el seno d e la sociedad y cultura b ritán i­
cas. Y ello en coincidencia con el co n cep to p o sm o d ern o d e m ulticul-
turalism o, un co n cep to p ro b lem ático que, al tiem po qu e p erm ite la
coexistencia de m últiples culturas particulares en las m etrópolis occi­
dentales — la m ayoría culturas inm igrantes— , convierte la ciudad en
un anim ado patchw ork cultural q u e no deja d e ser un instrum ento
discrim inatorio según el cual las instituciones culturales occidentales
consideran al « o tro» algo o alguien qu e necesita ser n o m b rad o de un
m odo d ife re n te 18. C om o sostiene Araeen:

N o h a y n a d a m a l o e n el m u l t i c u l t u r a l i s m o p e r se . P e r o e n O c c i d e n t e
h a s i d o u s a d o c o m o u n i n s t r u m e n t o c u l t u r a l p a r a « e t n i c iz a r » a la
p o b l a c i ó n n o b la n c a c o n e l fin d e a d m i n i s t r a r y c o n t r o l a r s u s a s p i r a ­
c io n e s d e i g u a l d a d 19.

Y es así com o en el co n tex to de la nueva situación geopolítica in tern a­


cional resultaba vital la llegada del térm ino N ew Internationalism , un
co n cep to q u e no o b stan te difería d e otros internacionalism os re p re ­
sentados con an terio rid ad p o r la B auhaus y del internacionalism o de
la nueva arq u itectu ra, que, en tre otros, b uscaba^ im plantar un m o d e­
lo u tó p ic o y occidental del m undo. Tal com o sostiene H o u H a n ru , el
«nuevo internacionalism o» reflejaría a la vez el pluralism o de las reía-
A R T E Y GLOBALIZACIÓN: L O S INICIOS 43

c i o n e s p o l í t i c a s , e c o n ó m i c a s y c u l t u r a l e s i n t e r n a c i o n a l e s y las c o n t r a ­
dicciones y conflictos p r o p i o s d e este p r o c e s o d e pluralización. D e s d e
e s t e p u n t o d e v i s t a , el « n u e v o i n t e r n a c i o n a l i s m o » n o d e b e r í a s e r e n
n i n g ú n c a s o u n n u e v o « i s m o » , s i n o p o r el c o n t r a r i o u n p r o c e s o d e
« d e s i s m i z a c i ó n » . P o d r í a s e r c o m p a r a d o c o n el c o n c e p t o c i e n t í f i c o
d e « e n t r o p í a » , c u a n d o u n o r d e n e s t a b l e d e la m a t e r i a e n t r a e n u n
p e r í o d o d e d e s i n t e g r a c i ó n h a c i a u n c a o s t o t a l y, al m i s m o t i e m p o ,
n u m e r o s o s y v ar ia dos n u e v o s ó r d e n e s se p r o d u c e n e n este caos. L a
o b r a d e a r t e s e ñ a l a r í a e n t o n c e s t a n t o el g r a d o d e d e s o r d e n e n l o s c o n s ­
t i t u y e n t e s d e l o s s i s t e m a s a r t í s t i c o s c o m o d e l a s n u e v a s a l t e r n a t i v a s 20.
S i g u i e n d o a H a n r u , t o d o d e b a t e s o b r e el « n u e v o i n t e r n a c i o n a l i s ­
m o » e n arte c o n t e m p o r á n e o se b a s a prioritariamente e n investigacio­
nes sobre «multiculturalismo», debates e x t r e m a d a m e n t e importantes
e n la p r á c t i c a a r t í s t i c a p o s m o d e r n a y e n la i n v e s t i g a c i ó n t e ó r i c a . A s í l o
e n t e n d i ó T h e Institute o f N e w International Vis ua l A r t s ( I N I V A ) , c r e a ­
d o e n 1 9 9 1 , q u e n o d u d ó e n d e s c r i b i r el « n u e v o i n t e r n a c i o n a l i s m o »
c o m o u n c o n c e p t o e m e r g e n t e q u e se sustentaba e n n u e v e p u n t o s
r e c o g i d o s e n u n p s e u d o m a n i f i e s t o , e n u n a c l a r a a p u e s t a p o r la i n c l u ­
sión «institucional» del arte n o occidental e n u n e x p a n d i d o m a i n s ­
t r e a m . S e p o d í a l e e r e n el p u n t o c u a r t o :

E l N e w I n t e r n a t i o n a l i s m refleja u n m o m e n t o c a m b i a n t e e n la h i s t o r i a
d e l a rte, r e s u l t a d o d e u n a m i g r a c i ó n d e p o s g u e r r a y d e l d e s a f í o d e
t o d o tipo d e fronteras culturales e ideológicas.

Y e n el p u n t o s iete:

El N e w Internationalism n o es exclusivo. Sin b u s c a r u n a confronta-


* c i ó n n e g a t i v a c o n la h i s t o r i a d e l a r t e o c c i d e n t a l , e s t á i n t e r e s a d o e n
a m p l i a r el e n t e n d i m i e n t o d e la h i s t o r i a d e l a r t e m á s allá d e l o s l í m i t e s
del pasado.

O el p u n t o o c h o :

E l N e w I n t e r n a t i o n a l i s m i n c o r p o r a el c o n c e p t o d e B l a c k A r t y a la v e z
p e r m i t e a l o s arti s t a s u n a d e c i s i ó n s u b j e t i v a q u e les l l e v a m á s allá d e la
d e f i n i c i ó n d e l B l a c k A r t 21.

T r a s la p u b l i c a c i ó n e n 1 9 9 1 d e e s t o s p r i n c i p i o s , e n l o s q u e s e b u s e á ^
b a n n u e v a s v í a s e n la p r o d u c c i ó n , e x h i b i c i ó n , p r e s e n t a c i ó n e i n t e r p r e ­
t a c i ó n e n p e r m a n e n t e d i á l o g o c o n las viejas f ó r m u l a s d e c e n t r a l i d a d ,
el I N I V A — c o n p o s t e r i o r i d a d I n l V A 22— s i g u i ó a ó t i v o c o n la o r g a n i -
44 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

z a c i ó n d e s i m p o s i o s , c o m o el d e n o m i n a d o A N e w I n t e r n a t i o n a l i s m ,
c e l e b r a d o e n la T a t e G a l l e r y d e L o n d r e s e n a b r i l d e 1 9 9 4 , y l a u l t e r i o r
a nt ol og í a p u b l i c a d a G l o b a l Visions. T o w a r d s a N e w I n t e r n a t i o n a l i s m
i n t h e V i s u a l A r t s ( 1 9 9 4 J P , e n la q u e la d e f i n i c i ó n d e N e w I n t e r n a t i o ­
n a l i s m , u n a p a l a b r a d e m o d a p o l í t i c a m e n t e c o r r e c t a q u e p o d r í a atri­
buirse a cualquier práctica institucional d o t á n d o l a d e u n a etiqueta d e
l e g i t i m i d a d 24, e r a c a d a v e z m á s c u e s t i o n a d a p o r u n d e s t a c a d o n ú m e r o
d e c o n t r i b u c i o n e s c o m o las d e S a r a t M a h a r a j , O l u O g u i b e , H o u H a n -
ru, R a s h e e d A r a e e n , J i m m i e D u r h a m o G e r a r d o M o s q u e r a .
M á s a llá d e l a s p o s i b l e s r e s e r v a s q u e d i c h o s a u t o r e s e x p r e s a r a n e n
s u s r e f l e x i o n e s , p o d r í a m o s c o n c l u i r q u e el « n u e v o i n t e r n a c i o n a l i s ­
m o » , m á s q u e i n t e r e s a r s e p o r las o b r a s d e a r t e a i s l a d a s o e n g r u p o s d e
estilos, lo h i z o p o r los m e c a n i s m o s i n s t i t u c i o n a l e s . L a p r e g i m t a sería
¿ c ó m o las i n s t i t u c i o n e s artísticas a c o g e n y r e p r e s e n t a n e n e x p o s i c i o ­
n e s , c a t á l o g o s y e s c r i t o s a c a d é m i c o s el a r t e n o o c c i d e n t a l ? E l t e x t o
C h a n g i n g States. C o n t e m p o r a r y A r t a n d I d e a s in a n E r a o f G l o b a l i s a ­
t i o n 25 r e c o g e y c o m p i l a t o d a s l a s a c t i v i d a d e s l l e v a d a s a c a b o d u r a n t e
u n a d é c a d a p o r el I n s t i t u t o , a d e m á s d e a n a l i z a r a l g u n o s d e l o s m a c r o -
c o n c e p t o s q u e p r e s i d e n el n u e v o e s p a c i o , y a n o m u l t i c u l t u r a l n i n a c i o ­
nal sino, c o m o sostiene S tuart Hall, d e u n c o n t r a d i c t o r i o p r o c e s o d e
g l o b a l i z a c i ó n d e f i n i d o p o r los c o n c e p t o s d e viaje y t r a d u c c i ó n q u e
e s t á i r r e m e d i a b l e m e n t e t r a n s f o r m a n d o el m u n d o , y t a m b i é n l a o b r a
d e a r t e y el á m b i t o a r t í s t i c o :

H a c i e n d o c o n e x i o n e s laterales, c r u z a n d o f r o n t e r a s , s u b v i r t i e n d o las
f r o n t e r a s , p e r o d e s c e n t r a n d o t a m b i é n las V i d a s i n d i v i d u a l e s , c o m u n i ­
d a d e s e n d e s a r r a i g o , d e s p l a z a n d o g e n t e , d e s t r o z a n d o e c o n o m í a s frági­
les y d e m a n e r a f u n d a m e n t a l r e d i b u j a n d o r e l a c i o n e s d e p o d e r y c u l t u ­
ra, g l o b a l m e n t e , .e n t r e n o s o t r o s y ellos, O c c i d e n t e y el resto, N o r t e y
S u r , m a r g e n y c e n t r o 26.

El síndrome de M a r c o Polo

E n a b r i l d e 1 9 9 5 la H o u s e d e r K u l t u r e n d e r W e l t d e B e r l í n o r g a n i z ó
el s i m p o s i o T h e M a r c o P o l o S y n d r o m e . P r o b l e m s o f I n t e r c u l t u r a l C o m ­
m u n i c a t i o n i n A r t T h e o r y a n d C u r a t o r i a l P r a c t i c a ^ e n el q u e , j u n t o a l as
intervenciones d e H a n s Belting, C a t h e r i n e D a v i d , T h o m a s M c E v i l l e y
y J e a n - H u b é r t M a r t i n 27, e n t r e o t r o s , el c r í t i c o c u b a n o G e r a r d o M o s ­
q u e r a , e n s u p o n e n c i a « T h e « M a r c o P o l o S y n d r o m e » , t r a s v e r e n el
y
ARTE Y G L O B A L IZ A C IÓ N : LO S IN IC IO S 45

viajero veneciano a un p io n ero en la experiencia d e en ten d im ien to del


« o tro » (aunque los intentos de u n ir las dos culturas fracasaron d eb id o
a las sospechas suscitadas p o r am bos lados), sostiene q u e hem os ten i­
do q u e esp erar hasta el fin del siglo XX p ara d escu b rir que estam os
sufrien d o el « sín d ro m e de M arco Polo»:

L o q u e e s m o n s t r u o s o r e s p e c t o a e s t e s í n d r o m e e s q u e p e r c i b e lo q u e
e s d i f e r e n t e c o m o p o r t a d o r d e lo s v ir u s q u e a m e n a z a n a la v id a e n
lu g a r d e c o m o e le m e n t o s n u tr ic i o n a le s . Y si b ie n n o n o s a s u s ta c o m o
c u a l q u i e r o t r o s í n to m a , n o o b s t a n t e c o m p o r t a u n a e le v a d a d o s is d e
m u e r t e a la c u l t u r a 28.

D e ahí q u e no d eb am o s sim p lem en te p en sa r en la globalización en el


sen tid o de u na ó rb ita tran sterrito rial con co n tactos en todas d ireccio­
nes. T am poco consiste en una in terc o n ex ió n efectiva del p laneta
en tero gracias a una red de com unicaciones e intercam bios. M ás bien
resp o n d e a un sistem a radial e x te n d id o d esd e los más diferenciados
centro s d e p o d e r hacia sus m últiples y diversificadas zonas de influ en ­
cia económ ica. La globalización ha av anzando poco en las periferias,
ya q u e se ha globalizado d esd e y p ara los centros. U na estru c tu ra tal
im plicaría la existencia d e am plias zonas de silencio d esconectadas
unas de otras, o sólo co n ectad as in d irec ta m e n te p o r m edio de las
nuevas m etrópolis. E ste m ap am u n d i de núcleo radial y de áreas no
co nectad as causa intensas co rrien tes en bu sca de conexión; la ó rb ita
global genera e stru c tu ralm en te la diáspora. La contrad icció n in h e­
ren te es re p ro d u c id a en los cen tro s de co n tro l hacia los inm igrantes:
los tem en tan to com o los necesitan. E n m edio d e estas com plejas
confro n tacio n es, ad q u iere su sen tid o el co n c ep to d e « S u r global»,
que tien e m ás q u e ver con la geografía del p o d e r qu e con la geografía
física. U n co n c ep to q u e p u e d e fu n c io n a r com o un gueto, una llam a­
da a la cuota m u lticu ltu ral y a la corrección cultural, o incluso un
espacio para el nuevo exotism o. Y tam bién p u ed e funcionar com o una
noción de so lid arid ad e n tre los excluidos en su crítica resp ecto al
poder. Y si b ien es obvio q u e el «arte del Sur» no constituye una
id en tid a d cu ltu ral ni tam p o co u n a síntesis, sí en cam bio p odem os
h ab lar de m osaico:

E l la m e n t a b l e r e s u l t a d o e s q u e lo s p a ís e s y la s c u l t u r a s d e l T e r c e r M u g i­
d o a p e n a s h a n s i d o c a p a c e s d e a r t i c u l a r e s t a s u n io n e s e n u n m o s a ic o
f u n d a d o s o b r e lo q u e lo s p o d r í a a g l u t i n a r p o r e n c im a d e s u s m ú l ti p le s
d if e r e n c ia s .
46 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

A s í , a j u i c i o d e M o s q u e r a , el a r t e « c u l t o » d e l T e r c e r M u n d o n o e s el
r e s u l t a d o d e la e v o l u c i ó n d e l a s c u l t u r a s p r e c o l o n i a l e s , c u y a s t r a y e c t o ­
r i a s f u e r o n d r a m á t i c a m e n t e m o d i f i c a d a s p o r el c o l o n i a l i s m o . C o m o
a r t e c o n t e m p o r á n e o , f o r m a p a r t e d e la u n i v e r s a l i z a c i ó n d e l c o n c e p t o
y la p r á c t i c a d e l a r t e c o m o a c t i v i d a d a u t o s u f i c i e n t e b a s a d a e n c o n t e m ­
p l a c i ó n « d e s i n t e r e s a d a » y d e r i v a a la p r o d u c c i ó n d e u n t i p o d e c ó d i ­
g o s m u y e s p e c i a l i z a d o s d e s d e el p u n t o d e v i s t a e s t é t i c o - s i m b ó l i c o .
T o d o ello n o d e j a d e ser u n p r o d u c t o colonial. P e r o c o m o s os ti en e
M o s q u e r a citando a J i m m y D u r h a m e n D o e s a n y c o n te mp o ra ry expe-
rience exist that isnt? [ ¿ E x i s t e a l g u n a e x p e r i e n c i a c o n t e m p o r á n e a q u e
n o l o e s ? ] , el a r t e o c c i d e n t a l e s t a m b i é n u n p r o d u c t o c o l o n i a l , s ó l o
q u e d e s d e el « o t r o l a d o » . D e a h í , s u g i e r e M o s q u e r a , q u e n o s e a p l a u ­
s i b l e b u s c a r u n a d i f e r e n c i a p e r s e e n el a r t e d e l T e r c e r M u n d o c o m o
algo o p u e s t o a otras prácticas c o n t e m p o r á n e a s . L a s diferencias v e n ­
drían d a d a s del « u s o » q u e c a d a autor, m o v i m i e n t o o cultura h a g a del
a r t e , e l c u a l p u e d e s e r c o n d i c i o n a d o p o r la w e l t a n s c h a u u n g ( u n a c i e r t a
f i l o s o f í a d e la v i d a ) , p o r v a l o r e s , e s t r a t e g i a s , i n t e r e s e s , p a t r o n e s c u l t u ­
rales, t e m a s y t é c n i c a s p a r t i c u l a r e s .
Y d e s d e los c e n t r o s existe u n a cierta t e n d e n c i a a m i r a r a este arte
s o s p e c h o s o d e i l e g i t i m i d a d : a los artistas s e les d e m a n d a n s u s p a s a p o r ­
tes, q u e c o n f r e c u e n c i a n o e s t á n e n r e g l a , d e b i d o a q u e c o r r e s p o n d e n
a p r o c e s o s d e hibridación, a p r o p i a c i ó n , resignificaciones, n e o l o g i s ­
m o s e i n v e n c i o n e s e n r e s p u e s t a a la s i t u a c i ó n a c t u a l . D e s d e O c c i d e n t e
s e p i d e a e s t e a r t e q u e e s t é v i n c u l a d o a c u l t u r a s t r a d i c i o n a l e s (lo c u a l
d e r i v a d e la m a r g i n a l i z a c i ó n q u e la m o d e r n i z a c i ó n c o l o n i a l les h a
i m p u e s t o ) , e s d e c i r , o r i e n t a d o al p a s a d o o a u n p r o d u c t o d e « p u r o
p r e s e n t e » . E n e s t e s e n t i d o , el t é r m i n o « a u t e n t i c i d a d » s e h a e m p l e a d o
d e s d e la « p u r i d a d d e l o s o r í g e n e s » p a r a a s í d e s c a l i f i c a r la c u l t u r a p o s ­
c o l o n i a l al a c u s a r l a d e s e r s i m p l e m e n t e d e r i v a t i v a d e O c c i d e n t e .
E s t a s u e r t e d e « s í n d r o m e d e M a r c o P o l o » 29 a j u i c i o d e M o s q u e r a
s e h a l l a t a n f u e r t e m e n t e i n s t a l a d o q u e d o m i n a t o d a s las m a n i f e s t a c i o ­
n e s p o s m o d e r n a s . L a n u e v a a t r a c c i ó n d e l o s c e n t r o s h a c i a la a l t erali-
d a d h a p e r m i t i d o u n a g r a n c i r c u l a c i ó n y l e g i t i m a c i ó n d e las periferias.
S i n e m b a r g o , c o n e x c e s i v a f r e c u e n c i a el a r t e q u e e x p l í c i t a m e n t e m a n i ­
fiesta d i f e r e n c i a h a s i d o v a l o r a d o , o, m e j o r , h a s a t i s f e c h o las e x p e c t a t i ­
v a s d e l « o t r o » e n el d e n o m i n a d o n e o e x o t i s m o p o s m o d e r n o : L a
« F r i d o m a n í a » e n E s t a d o s U n i d o s sería u n flagrante e j e m p l o , actitud
q u e e n ú l t i m o t é r m i n o h a a l i m e n t a d o el « a u t o o l t r a c i s m o » d e l a s p e r i ­
ferias p o r lo c u a l a l g u n o s artistas, c o n s c i e n t e o i n c o n s c i e n t e m e n t e ,
h a n a p o s t a d o p o r u n paradójico a ut oe x o t i s m o q u e había d a d o lugar a
l as c u l t u r a s v e r n a c u l a r e s y,^io o c c i d e n t a l e s e n l o s c i r c u i t o s d o m i n a n t e s
A R T E Y G LOBAL I ZA C IÓ N : LOS INICIOS 47

d e l arte; n o o b s t a n t e ello h a b r í a d e s e n c a d e n a d o u n a n u e v a o l a d e
« e x o t i s m o » p o r t a d o r d e u n e g o c e n t r i s m o p a s i v o o d e s e g u n d a clase,
lo q u e , e n l u g a r d e uni ve rs a li za r s u s p a r a d i g m a s , a c a b a r í a p o r f o r m a ­
t e a r la p r o d u c c i ó n c u l t u r a l d e la p e r i f e r i a s e g ú n l o s p a r a d i g m a s d e l
c o n s u m o occidental.
El « s í n d r o m e d e M a r c o Polo», s e g ú n M o s q u e r a , es u n a e n f e r m e ­
d a d c o m p l e j a a la q u e le g u s t a e s c o n d e r l o s s í n t o m a s . L a l u c h a c o n t r a
el e u r o c e n t r i s m o n o d e b e r í a e n c u m b r a r el a r t e c o n el m i t o d e la a u t e n ­
t i c i d a d , q u e p a r a d ó j i c a m e n t e p o d r í a c o n t r i b u i r a la d i s c r i m i n a c i ó n
q u e s u b s i s t e e n las a rtes v i s u a l e s d e l T e r c e r M u n d o e n los c i r c u i t o s
i n t e r n a c i o n a l e s . S e r í a m á s p l a u s i b l e a n a l i z a r c ó m o el a r t e a c t u a l d e u n
p a í s o d e u n a r e g i ó n r e s p o n d e a las n e c e s i d a d e s estéticas, s o c i a l e s y
c u l t u r a l e s d e la c o m u n i d a d a la q u e p e r t e n e c e . Y la r e s p u e s t a e s g e n e ­
r a l m e n t e m e z c l a d a , relacional, a p r o p i a c i o n i s t a y e n t o d o c a s o « i n a u ­
t é n t i c a » y a la v e z a d e c u a d a p a r a h a c e r f r e n t e a n u e s t r a r e a l i d a d ' 0 . D e
a h í la n e c e s i d a d d e r e i v i n d i c a r u n a s n u e v a s r e l a c i o n e s i n t e r c u l t u r a l e s
q u e n o s ó l o c o n s i s t i r í a n e n a c e p t a r al « o t r o » p a r a a s í c o m p r e n d e r l o , o
contribuir a n ue st ro p r o p i o e n r i q u e c i m i e n t o gracias a su diversidad,
sino q u e implicarían reciprocidad. Y M o s q u e r a concluye:

E s t o i m p l i c a a s u v e z q u e el « o t r o » h a c e l o m i s m o c o n m i g o , p r o b l e m a -
t izar m i a u t o c o n c i e n c i a . L a c u r a c i ó n d e l « s í n d r o m e d e M a r c o P o l o »
r e q u i e r e ir m á s allá d e l c e n t r i s m o e n a r a s d e l r e c o n o c i m i e n t o d e u n a
m i r í a d a d e f u e n t e s l u m i n o s a s d i f e r e n t e s 51.
4
M e to d o lo g ía s, co n cep to s y en fo q u es

Tal com o sostiene H an s B elting citan d o a u n o de los pioneros del uso


de la palabra «global» en el cam po de la historia, B ruce M azlish1, si
bien la publicación de recientes libros con títulos com o W orld A r t
H istory y G lobal A r t H istory p arece sugerir que los dos térm inos p u e ­
den ser usados de form a indistinta, n o o b stan te se hace preciso señalar
su diferencia d e significados, tan to d esd e un p u n to d e vista co n c ep ­
tual com o en su alcance cronológico2.
E n la transición en tre el w orld art y el global art h ab ría qu e hacer
una clara diferenciación, q u e a juicio de B elting coincidiría con el
im pacto de la exposición M agiáens de la terre, la cual habría señalado
un antes y un después n o sólo en el ám b ito de la cu rad u ría y teoría
institucional, sino tam bién en el de la historiografía. Así, m ientras qu e
el w orld art señalaría una vieja idea co m p lem entaria a la m o d ern id ad
y el colonialism o q u e designa el arte de los « otros» m o strad o en los
«m useos occidentales» — p o r lo general m useos etnográficos— , el
co n cep to de global art sería en esencia co n tem p o rán eo y d e «espíritu»
poscolonial y trataría de su stitu ir el esquem a de la m o d ern id ad hege-
m ónica d e centro-periferia p o r un arte de todas las procedencias y en
m uchos casos excluido del m ainstream artístico occidental.

L o s W o r ld A rt S tu d ie s

El co n cep to d e w orld art designaba el arte de «todos los tie m p o s ^ el


patrim onio d e la H u m an id ad ; inicialm ente fue acu ñ ad o com o una
noción colonial usada p ara coleccionar el arte d e «los otros», com o
ana tipología distinta de arte n o vinculada a los in tereses de la crítica
50 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

d e arte s i n o d e los a n t r o p ó l o g o s . E l p r o y e c t o A t l a s o f W o r l d Art, e d i ­


t a d o p o r J o h n O n i a n s e n 2 0 0 4 , f u e u n o d e los p r i m e r o s e n c o r r e g i r
e s t e p r e j u i c i o al c o n s i d e r a r q u e la ú n i c a d i s t i n c i ó n e n t r e el a r t e o c c i ­
d e n t a l y el n o o c c i d e n t a l e r a p u r a m e n t e g e o g r á f i c a . P e r o h a s t a e s t e
m o m e n t o l a s c o n n o t a c i o n e s c o l o n i a l e s h a b í a n s i d o i n h e r e n t e s a la
c o n c e p c i ó n d e l w o r l d art. P a r a O n i a n s , e r a f u n d a m e n t a l l i b e r a r t o d o
r a s t r o c o l o n i a l d e la c o n c e p c i ó n d e l w o r l d a r t tal c o m o h a b í a s i d o
p r a c t i c a d a e n las p r i m e r a s d é c a d a s d e l s i g l o X X p o r h i s t o r i a d o r e s d e l
a r t e d e la E s c u e l a d e V i e n a , c o m o H e i n r i c k G l ü c k e n el I n s t i t u í f ü r
K u n s t g e s c h i c h t e d e la U n i v e r s i d a d d e V i e n a , q u e e n 1 9 3 4 e s c r i b i ó u n
estudio titulado H a u p t w e r k e der Weltkunst, y s eguida p o r historiado­
r e s d e l p e r í o d o d e p o s g u e r r a c o m o el e s t a d o u n i d e n s e W i l l i a m H .
McNeill, q u e en 1967 publicó su notable/! WorldHistory, liberado ya
d e t o d a v i s i ó n e u r o c é n t r i c a d e l « o t r o » c o m o t e m a p a r a la e s c r i t u r a d e
la h i s t o r i a * .
R e c o g i e n d o el e s p í r i t u d e M c N e i l l , el d i s c u r s o d e l w o r l d a r t — a ú n
s i n i n c o r p o r a r el c o n c e p t o g l o b a l a r t — s e s u m ó a e s t a v i s i ó n a n t i e t n o -
c é n t r i c a , c o m o l o p o n e d e m a n i f i e s t o el a r t í c u l o d e J o h n O n i a n s
« W o r l d A r t S t u d i e s a n d t h e N e e d for a N a t u r a l H i s t o r y o f A r t » 4, q u e
s u g i r i ó q u e el n u e v o c a m p o d e e s t u d i o n o s ó l o d e b e r í a s e r g l o b a l e n
o r i e n t a c i ó n s i n o m u l t i d i s c i p l i n a r e n a p r o x i m a c i ó n . C o m o s o s t i e n e el
propio Onians*, a d e m á s de proporcionar acceso a un amplio espectro
d e c o n o c i m i e n t o e n r e l a c i ó n c o n i n s t i t u c i o n e s a r t í s t i c a s , el h e c h o m á s
destacable d e a m b o s proyectos, Atlas of W o r l d Art y T h e W o r l d Art
L i b r a r y b, es q u e p e r m i t e n a d q u i r i r u n g e n u i n o p u n t o d e vista g l o b a l
s o b r e t e m a s q u e a m e n u d o h a n e s t a d o e x c l u i d o s d e los intereses e u r o ­
p e o s : u n p u n t o d e v i s t a q u e o f r e c e la o p o r t u n i d a d d e r e v a l o r i z a r la
p r o p i a t r a d i c i ó n e u r o a m e r i c a n a , lo c u a l llevaría a m u c h a s c o n c l u s i o ­
nes. U n a es q u e n u e s t r a c o m p r e n s i ó n d e esa tradición h a s ido c o n s t r e ­
ñ i d a p o r la p r e f e r e n c i a p o r u n a a p r o x i m a c i ó n « h i s t ó r i c a » ; e s d e c i r ,
aquella q u e analiza a c o n t e c i m i e n t o s p r i n c i p a l m e n t e e n t é r m i n o s d e
u n a s e c u e n c i a c r o n o l ó g i c a y p r e s e n t a , p o r e j e m p l o , la h i s t o r i a d e l a r t e
c o m o u n d e s a r r o l l o e s e n c i a l m e n t e lineal q u e v a d e s d e la G r e c i a a n t i ­
g u a h a s t a la A m é r i c a m o d e r n a . U n a a p r o x i m a c i ó n h i s t ó r i c a q u e n o
s ó l o h a b r í a o b s t a c u l i z a d o el e s t u d i o d e las t r a d i c i o n e s d e o t r a s á r e a s
d e l g l o b o s i n o q u e h a b r í a h e c h o difícil a p r e c i a r la v a r i e d a d y c o m p l e ­
j i d a d d e las p r o p i a s :

A d o p t a n d o la a p r o x i m a c i ó n g e o g r á f i c a , el A t l a s y la L i b r a r y h a c e n m á s
q u e facilitar ú n i c a m e n t e u n i g u a l t r a t o d e t o d a s las t r a d i c i o n e s tal
c o m o s e e n c u e n t r a n e n el m u n d o . T a m b i é n h a c e n p o s i b l e el r e c o n o c i -
M ET O DO L OG Í AS , C O N C E P T O S Y E N F O Q U E S 51

m i e n t o d e la c o m p l e j i d a d d e l m o s a i c o d e l c u a l s e c o n s t r u y e la t r a d i ­
c i ó n e u r o a m e r i c a n a , t o m a n d o t a n e n s e r i o el a r t e d e E s t o n i a c o m o el
d e I n g l a t e r r a , y las i n s t i t u c i o n e s d e S k o p j e t a n t o c o m o las d e S t u t t ­
g a r t 7.

L o q u e el A t l a s y l a L i b r a r y o f r e c e n f i n a l m e n t e e s la o p o r t u n i d a d d e
e n t e n d e r q u e h a y m u c h a s otras perspectivas del arte a l r e d e d o r del
m u n d o , perspectivas f o r m a d a s p o r u n a g r a n variedad d e factores d e
t i p o social, político, e c o n ó m i c o , religioso, i d e o l ó g i c o o histórico. S i n
u n a g e o g r a f í a tal, e s i m p o s i b l e e n t e n d e r la i m p o r t a n c i a d e l a r t e c o m o u n a
manifestación mundial.
E l carácter multidisciplinar q u e p r o p i c i a n los « W o r l d A r t S t ü ­
c k e s » 8, c o n r e c o r r i d o s q u e v a n d e s d e la n e u r o c i e n c i a h a s t a la a n t r o p o ­
l o g í a y la f i l o s o f í a , f u e a s u v e z c o m p a r t i d o p o r h i s t o r i a d o r e s d e l a r t e
c o m o K i t t y Z i j l m a n s , a n t r o p ó l o g o s c o m o W i l f r i e d v a n D a m m e 9 , d e la
S c h o o l o f W o r l d A r t S t u d i e s d e la U n i v e r s i d a d d e L e i d e n , o D a v i d
C a r r i e r 10, q u e , c o m o J o h n O n i a n s , v i e r o n e n el w o r l d art u n a a p r o x i ­
m a c i ó n a l a s p o l í t i c a s i d e n t i t a r i a s y a l a s p r á c t i c a s c u l t u r a l e s m á s allá
d e l j u i c i o d e v a l o r k a n t i a n o c o m o p o s t u l a d o e s t é t i c o 11.

L o s Global Art Studies

E l p a s o d e la « W o r l d A r t H i s t o r y » a l a « G l o b a l A r t H i s t o r y » , c o n
t o d o lo q u e s u p o n í a c o n s i d e r a r u n m u n d o g l o b a l i z a d o e i n t e r c o n e c t a ­
d o q u e i m p l i c a b a el fin d e las h i s t o r i a s d e l a r t e t a n t o u n i v e r s a l e s c o m o
n a c i o n a l e s 12, s e a f i a n z ó e n el c o n t e x t o a r t í s t i c o p a r a l e l a m e n t e a l o s
i n t e n t o s p o r p a r t e d e la h i s t o r i o g r a f í a d e s u p e r a r l o s l í m i t e s t e r r i t o r i a ­
les i m p u e s t o s p o r l os v i e j o s p a r á m e t r o s d e l e u r o c e n t r i s m o b a s a d o s e n
el d o m i n i o d e l o o c c i d e n t a l y u n p r o y e c t o d e m o d e r n i d a d c o n s t i t u i d o
c o m o u n a f o r m a d e universalismo, d e racionalidad instrumental y d e
i n d i v i d u a l i s m o a u t ó n o m o . E n u n a n u e v a d e f i n i c i ó n d e l c o n c e p t o d e lo
g l o b a l q u e s u p u s i e r a el p a s o d e l c o n c e p t o « m u n d o » ( w o r l d ) al c o n ­
c e p t o « g l o b a l » (global), h a y q u e d e s t a c a r l a c e l e b r a c i ó n d e u n a s e r i e
d e seminarios y foros d e debate. P o r ejemplo, T h e Art Seminar (Uni-
versity C o l l e g e C o r k y T h e B u r r e n C o l l e g e o f Art, Irlanda), q u e e n s u
e d i c i ó n d e 2 0 0 5 a b o r d ó p o r p a r t e d e s u p r o m o t o r J a m e s E l k i n s el
t e m a Is A r t H i s t o r y G l o b a l ? 13 e n el q u e s e p r e g u n t ó q u é c l a s e d e 1h i s ­
t o r i a s d e l a r t e p u e d e n s e r e s c r i t a s b a j o e l í m p e t u d e la g l o b a l i z a c i ó n , y
el C o n g r e s o I n t e r n a c i o n a l d e H i s t o r i a d e l A r t e ( C I H A ) e n M e l b o u r n e
( A u s t r a l i a , 2 0 0 8 ) , q u e c o n el l e m a C r o s s i n g C u l t u r e s 14 y e n p o n e n c i a s
52 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

c o m o «Perspectives o n Global Art History» y « T h e Idea of W o r l d Art


H i s t o r y » p r e t e n d í a , a u n d e n t r o d e u n u s o a m b i g u o d e las t e r m i n o l o ­
gías, visibilizar u n c a m b i o d e p e r s p e c t i v a q u e p e r m i t i e s e u s a r i n d i s t i n ­
t a m e n t e l o s t é r m i n o s g l o b a l a r t y w o r d art, l i b e r a d o e s t e ú l t i m o d e
t o d o b a g a j e colonial. E l arte g l o b a l n o sólo es policéntrico c o m o p r á c ­
tica, s i n o q u e r e q u i e r e u n d i s c u r s o p o l i f ó n i c o ; y m i e n t r a s q u e l a h i s t o ­
r i a d e l a r t e s e p r o p o n e d i v i d i r e l m u n d o , p o r el c o n t r a r i o el a r t e g l o b a l
i n t e n t a r e s t a u r a r s u u n i d a d e n o t r o nivel. Y c o m o s o s t i e n e Belting, n o
s ó l o h a y u n c a m b i o e n el j u e g o , s i n o q u e s e a b r e a n u e v o s p a r t i c i p a n ­
t e s q u e h a b l a n e n m u c h a s l e n g u a s y q u e d i f i e r e n e n c ó m o c o n c i b e n el
a r t e d e s d e u n a p e r s p e c t i v a local: « E s t a m o s a n t e u n n u e v o m a p e o d e
los m u n d o s d e l a r t e e n plural, q u e p o s t u l a la d i f e r e n c i a g e o g r á f i c a y
c u l t u r a l » 15.
E l l o y a f u e a p u n t a d o p o r el p r o p i o B e l t i n g e n s u e n s a y o A r t H i s ­
t o r y a f t e r M o d e r n i s m 16 , e n el q u e c o n s t a t a l o s n u e v o s d e s a f í o s q u e s u r ­
g e n e n la d i s c i p l i n a d e la h i s t o r i a d e l a r t e a n t e el fin d e la m o d e r n i ­
d a d 1'. E l a r t e g l o b a l n o s ó l o a c e l e r a l a s a l i d a d e l a r t e c o n t e m p o r á n e o
d e u n a h i s t o r i a d e l a r t e lineal, s i n o q u e t a m b i é n s e e x p a n d e y f l o r e c e
e n p a r t e s d e l m u n d o d o n d e la h i s t o r i a d e l a r t e n u n c a s e h a b í a p r a c t i ­
c a d o o e n l a s q u e s ó l o s e g u í a m o d e l o s c o l o n i a l e s : « E n l a a c t u a l i d a d , la
historia d e l arte se e n f r e n t a a desafíos d e distinta naturaleza. E l a u m e n ­
to d e n u e v o s m u n d o s del arte e n m u c h a s partes del planeta requiere
u n a n a r r a t i v a q u e t a m b i é n d e b e t e n e r e n c u e n t a el c r e c i e n t e p a p e l d e
l o e c o n ó m i c o y l o p o l í t i c o p a r a d e s c r i b i r el n u e v o a r t e » .
B a j o este m i s m o espíritu, H a n s Belting, j u n t o a u n g r u p o d e inte­
l e c t u a l e s y t e ó r i c o s v i n c u l a d o s al Z K M d e K a r l s r u h e , P e t e r W e i b e l
y A n d r e a B u d d e n s i e g , a través d e distintas e x p o s i c i o n e s , s i m p o s i o s y
p u b l i c a c i o n e s , s e e n c a r g a r o n d e i n t r o d u c i r e n el d i s c u r s o a r t í s t i c o el
c o n c e p t o d e « a r t e g l o b a l » ; u n c o n c e p t o s u p e r a d o r d e las f ó r m u l a s
tanto del internacionalismo m o d e r n o c o m o del « n u e v o internaciona­
l i s m o » p o s m o d e r n o q u e s e c o n s o l i d ó e n el a f i a n z a m i e n t o d e u n a n u e ­
v a disci pl i na d e e s t u d i o s : la d e n o m i n a d a « G l o b a l S t u d i e s » .
E n el q u e s e r í a p r i m e r l i b r o d e l a t r i l o g í a C o n t e m p o r a r y A r t a n d
T h e M u s é u m d e 2 0 0 7 18, P e t e r W e i b e l y A n d r e a B u d d e n s i e g t r a t a n d e
d o c u m e n t a r e l i m p a c t o d e la g l o b a l i z a c i ó n e n e l a r t e c o n t e m p o r á n e o
y e n la e s c e n a d e l m u s e o p a r a a s í d a r v i s i b i l i d a d a u n f e n ó m e n o q u e e n
l o s ú l t i m o s a ñ o s s ó l o s e h a b í a p r o d u c i d o e n el á m b i t o d e l a s l l a m a d a s
b i e n a l e s p e r i f é r i c a s y q u e c o n s i s t í a e n ir m á s W l á d e l c o n c e p t o d e
« e u r o a m e r i c a n i s m o » ; lo q u e se c o n o c í a c o m o « B e y o n d E u r o a m e r i -
c a » . S e g ú n H a n s B e l t i n g , a la c l á s i c a e x p o s i c i ó n d e a r t e v i n c u l a d a al
« c u b o b l a n c o » l e s i g u i e r o n , p r i m e r o , el a r t e p e r f o r m a n c e y l u e g o l o s
M E T O D O L OG Í AS , C O N C E P T O S Y E N F O Q U E S 53

n u e v o s ' m e d i o s y l a s v i d e o i n s t a l a c i o n e s 19, f e n ó m e n o s q u e s ó l o s e p r o ­
d u c í a n e n el m u n d o d e l a r t e o c c i d e n t a l , m i e n t r a s n a d i e p o d í a d e j a r d e
r e c o n o c e r q u e los recién llegados del a n t i g u o T e r c e r M u n d o i b a n a s u ­
m i e n d o el l i d e r a z g o e n el c u r s o d e l o s a c o n t e c i m i e n t o s y el f e n ó m e n o
d e l « g l o b a l i s m o » s e i b a c o n v i r t i e n d o e n la a n t í t e s i s d e l u n i v e r s a l i s m o
al d e s c e n t r a l i z a r u n m u n d o u n i f i c a d o y u n i d i r e c c i o n a l y d a r c a b i d a a
« m ú l t i p l e s m o d e r n i d a d e s » 20 .
E s t a m o s l l e g a n d o a u n e s t a d i o , s o s t i e n e B e l t i n g , e n el q u e l o s c o n ­
c e p t o s d e m o d e r n o , c o n t e m p o r á n e o y global a d q u i e r e n especial rele­
v a n c i a p a r a los n u e v o s m u s e o s f u n d a d o s e n lu g a r e s n o o c c i d e n t a l e s
d e l m u n d o , q u e , d e u n a m a n e r a d i f e r e n t e a las ferias d e a r t e y a las
bienales, o r g a n i z a d a s p o r c u r a d o r e s individuales q u e se dirigen a
c o l e c c i o n i s t a s i n d i v i d u a l e s y s i g u e n las l e y e s d e l m e r c a d o , t i e n e n q u e
r e p r e s e n t a r e s t o s a s p e c t o s t a n t o d e s d e el p u n t o d e v i s t a d e s u c o l e c ­
c i ó n c o m o p a r a el p ú b l i c o l o c a l 2 1 .
S i g u i e n d o c o n esta m i s m a línea, e n 2 0 0 9 H a n s B e l t i n g y A n d r e a
B u d d e n s i e g publicaron u n n u e v o volumen, T h e Global A r t World.
A u d i e n c e s , M a r k e t s , a n d M u s e u m s , e n el q u e r e a l i z a b a n u n a i n v e s t i g a ­
c i ó n d e los distintos p r o c e s o s d e u n a p r o d u c c i ó n d e arte global, dis­
t i n g u i e n d o e n u n a p a r t e d e l c o n c e p t o d e « a r t e m u n d o » (w o r l d a r t ) la
h e r e n c i a m u n d i a l d e l a r t e d e t o d a s l a s é p o c a s y p a í s e s y f i n a l m e n t e el
arte global, q u e d e n o t a b a c l a r a m e n t e u n desarrollo c o n t e m p o r á n e o y
q u e , c o m o el « a v e f é n i x » r e n a c i e n d o d e l a s c e n i z a s d e l a r t e m o d e r n o
a finales del siglo X X e n clara o p o s i c i ó n a los p r e c i a d o s ideales d e p r o ­
g r e s o y h e g e m o n í a , a d q u i r í a u n a n u e v a d i m e n s i ó n e n f u n c i ó n d e los
c a m b i o s y desafíos tanto e c o n ó m i c o s c o m o políticos q u e d e s d e 1 9 8 9
se p r o d u j e r o n a lo largo y a n c h o del globo. E l arte global n o p u e d e
con si de r ar se e n n i n g ú n c a s o s i n ó n i m o d e arte m o d e r n o ; p o r defini­
c i ó n es c o n t e m p o r á n e o , y n o e x a c t a m e n t e d e s d e u n p u n t o d e vista
cronológico, sino t a m b i é n e n u n sentido simbólico e incluso ideológi­
c o 22. E l a r t e a e s c a l a g l o b a l n o d e b e i m p l i c a r , a j u i c i o d e B e l t i n g , u n a
i n h e r e n t e c u a l i d a d estética: m á s q u e r e p r e s e n t a r u n n u e v o c o n t e x t o
i n d i c a r í a m á s b i e n la p é r d i d a d e u n c o n t e x t o o d e u n f o c o , i n c l u y e n d o
a s í s u p r o p i a c o n t r a d i c c i ó n al i m p l i c a r l o s c o n t r a m o v i m i e n t o s d e
r e g i o n a l i s m o y tribalización, d e s d e u n p u n t o d e vista t a n t o n a c i o n a l
c o m o cultural o religioso.
Y a e n el t e r c e r v o l u m e n d e la t r i l o g í a , G l o b a l S t u d i e s . M a p p i n g
C o n t e m p o r a r y A r t a n d C u l t u r é 2* , e n el m a r c o d e l p r o y e c t o « G l o b a l
A r t a n d t h e M u s e u m » ( G A M ) , s e a n u n c i a b a el a m p l i o e s p e c t r o d e l
t é r m i n o « g l o b a l » , q u e se v i n c u l a b a c o n la i m a g e n c o n t e m p o r á n e a d e l
m u n d o y q u e debería d e s m a r c a r s e d e téripinos c o m o «universal» y
54 LOS C Ó D I G O S D E L O G L O B A L

e m p l e a r o t r a s c a t e g o r í a s y r e l a c i o n e s d e p o d e r p a r a o r d e n a r la totali­
d a d d e cosas, c o n t e x t o s y experiencias; u n a totalidad q u e se p o d í a
d e n o m i n a r « g l o b a l » , « u n i v e r s a l » o « e l m u n d o » . D e a h í la n e c e s i d a d
d e a d o p t a r u n a n u e v a m e t o d o l o g í a d e trabajo, los « G l o b a l S t u d i e s »
— a m e d i o c a m i n o e n t r e los V i s u a l S t u d i e s y los C u l t u r a l S t u d i e s — ,
q u e , m á s q u e c o n s i d e r a r s e u n a disciplina i n d e p e n d i e n t e , d e b e n ser
v i s t o s c o m o u n a d i s c i p l i n a a u x i l i a r q u e m e d i a e n t r e la h i s t o r i a d e l a r t e ,
la e t n o g r a f í a y los e s t u d i o s r e g i o n a l e s .
S e g u n d a parte

T e o r í a s y d i s c u r s o s d e lo gl obal

E l fin d e la m o d e r n i d a d m o n o c u l t u r a l s u p u s o la e m e r g e n c i a y la c o n s o l i d a c i ó n
d e u n d i s c u r s o q u e d o m i n a las p r á c t i c a s artísticas c o n t e m p o r á n e a s , p e r o t a m b i é n
las curatoriales, t e ó r i c a s e historiográficas: el d i s c u r s o d e la o t r e d a d , d e la i d e n t i ­
d a d , d e las d i í e r e n c i a s q u e i n t e n t a n d a r r e s p u e s t a a las s i g u i e n t e s p r e g u n t a s :
¿ Q u i é n t i e n e a u t o r i d a d p a r a h a b l a r d e la i d e n t i d a d o la a u t e n t i c i d a d d e u n g r u ­
p o ? ¿ C ó m o c h o c a n y c o n v e r g e n el y o y el o t r o e n los e n c u e n t r o s d e la e t n o g r a f í a ,
los viajes, o e n las r e l a c i o n e s i n t e r é t n i c a s ? ¿ Q u é n a r r a t i v a s p u e d e n e x p l i c a r la
p r e s e n t e g a m a d e m o v i m i e n t o s l o c a l e s ? ¿ C ó m o i n t e g r a r lo local e n lo g l o b a l ?
D e s d e finales d e l os a ñ o s s et en ta , c o n los p r i m e r o s s í n t o m a s d e la e r o s i ó n
del principio d e legitimidad del s a b e r q u e e n p al ab ra s d e J e a n - F r a n ç o i s L y o ­
t a r d 1 d a n l u g a r a u n a « r e d i n m a n e n t e y p l a n a » q u e f a v o r e c e la d i s e m i n a c i ó n d e
los j u e g o s d e l e n g u a j e y q u e a s u v e z c o r r e n p a r a l e l o s al a u g e d e los p l a n t e a m i e n ­
tos p o s c o l o n i a l e s p o r p a r t e d e a u t o r e s c o m o E d w a r d S a i d 2 , s e asiste a u n a m á x i ­
m a e c l o s i ó n d e l d i s c u r s o d e las d i f e r e n c i a s d e n t r o d e lo q u e s e p o d r í a d e n o m i ­
n a r « r e p a r t o d e e x o t i s m o s » , d o n d e el q u e e n u n p r i n c i p i o e r a el y o d o m i n a n t e
(civilizado) s e v a a p r o x i m a n d o y c o n f u n d i e n d o c o n el o t r o (pr i m i t i v o ) , y d o n d e
t i e n d e n a d e s a p a r e c e r las f r o n t e r a s e n t r e los c o n c e p t o s d e c i u d a d a n o y e x t r a n ­
jero, d e n a c i ó n y sujeto.
C o m o r e z a b a el título d e la b i e n a l d e L y o n d e l 2 0 0 0 , P a r t a g e d ' e x o t i s m e s *,
« t o d o s s o m o s e x ó t i c o s a la m i r a d a d e l o t r o » o, c o m o s o s t i e n e C o c o F u s c o , la i d e n ­
t i d a d racial n o s ó l o c o n c i e r n e a lo n e g r o , lo latino, lo asiático, lo a f r o a m e r i c a n o ,
s i n o t a m b i é n a lo b l a n c o : « I g n o r a r la e t n i c i d a d b l a n c a e s r e d o b l a r s u h e g e m o n í a y
evitar t o d o juicio crítico e n la c o n s t r u c c i ó n d e l o t r o » . E l m u n d o y a n o está d i v i d i d o
e n e s t r u c t u r a s binarias: lo civilizado, lo p r i m i t i v o , lo c r u d o , lo c o c i d o , la cultura, la
s u b c u l t u r a . N i está d o m i n a d o p o r u n a m i r a d a e t n o c é n t r i c a y p o r u n a s o c i e d a d
b a s a d a e n el m o n o c u l t u r a l i s m o y la h o m o g e n e i z a c i ó n f u n d a m e n t a l i s t a p r o p i a <fl¡e
la m o d e r n i d a d ; u n a ' m o d e r n i d a d q u e t u v o e f e c t o s p e r v e r s o s p a r a las « c u l t u r a s
e x ó t i c a s » , q u e e r a n m a n t e n i d a s casi e n la c a t e g o r í a d e « c u r i o s i d a d e s » y q u e s ó l o
s e r v í a n p a r a e s t i m u l a r la e x c e l e n c i a d e las c r e a c i o n e s d e l m u n d o «civilizado».
5
L o s debates

Postestructuralismo y diferencia

E n el m a r c o d e l o s a n á l i s i s p o s t e s t r u c t u r a l i s t a s s o b r e e l l e n g u a j e , u n a
d i m e n s i ó n i m p o r t a n t e la o c u p a la n o c i ó n d e « d i f e r e n c i a » e n t e n d i d a
d e s d e la p e r s p e c t i v a d e q u e u n a d e f i n i c i ó n p o s i t i v a s e a p o y a e n la
n e g a c i ó n d e a l g o q u e s e p r e s e n t a c o m o a n t i t é t i c o a ella. D e l o c u a l s e
d e d u c e q u e t o d o análisis d e s i g n i f i c a d o i m p l i c a r í a d e s e n t r a ñ a r estas
negaciones y oposiciones b u s c a n d o su operatividad en contextos
específicos.
D e f u n d a c i o n a l e s p u e d e n c o n s i d e r a r s e las t eo rí as d e J a c q u e s
D e r r i d a e n la m e d i d a e n q u e c u e s t i o n a la e s t r u c t u r a d e l a « e p i s t e m e »
o c c i d e n t a l q u e p o s i c i o n a a E u r o p a e n el c e n t r o y s u b o r d i n a a o t r a s
c u l t u r a s e i n v i t a a c o n c e p t u a l i z a r la r e l a c i ó n e n t r e el y o y el o t r o a t r a v é s
d e l l e n g u a j e . D e r r i d a , e n e f e c t o , d e c o n s t r u y e el r e c h a z o d e l o t r o p o r
p a r t e d e l d i s c u r s o d o m i n a n t e s i g u i e n d o u n a l í n e a a b i e r t a p o r el t a m ­
b i é n filósofo E m m a n u e l L é v i n a s , e n u n a relación ética d e « a p e r t u r a » a
l a s d i s t i n t a s f o r m a s d e la d i f e r e n c i a . U n a p r i m e r a a p r o x i m a c i ó n d e s d e
la f i l o s o f í a a e s t a d e n u n c i a d e l g e s t o e t n o c é n t r i c o q u e s i t ú a al o t r o e n
u n m a r c o a p a r e n t e m e n t e unlversalizante se p r o d u c e e n 1965, c u a n d o
D e r r i d a s u s t i t u y ó p o r p r i m e r a v e z la v o c a l e p o r l a a e n el t é r m i n o diffé-
rance, e n u n artículo d e d i c a d o a A n t o n i n A r t a u d , « L a p a r o l e s o ufflé»
[ « L a p a l a b r a s o p l a d a » ] 4 , y c o n p o s t e r i o r i d a d e n la c o n f e r e n c i a « L a
d i f f é r a n c e » , p r o n u n c i a d a e n la S o c i e d a d F r a n c e s a d e F i l o s o f í a ..en
1 9 6 8 5 . E n r e a l i d a d , c u a n d o D e r r i d a s u s t i t u y e la e d e l v o c a b l o f r a n c é s
d i f f é r e n c e p o r u n a a p a r a f o r m a r el t é r m i n o d i f f é r a n c e , e s t á r e c u r r i e n d o
a u n a p a l a b r a q u e n o existe e n francés, a u n n e o l o g i s m o , y se r e m o n t a a
la d i f e r e n c i a d e u s o s y s i g n i f i c a d o s d e l t é r m i n o . g n e g o d i a p h é r e i n y d e l
58 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

l a t i n o diferre, q u e s e h a l l a n e n el o r i g e n d e l o s c o r r e s p o n d i e n t e s v e r b o s
f r a n c e s e s r e l a c i o n a d o s c o n la d i f f é r a n c e . C o n r e l a c i ó n a la p r i m e r a v e r ­
s i ó n d e l a d i f f é r a n c e , c u y a h u e l l a d e s c u b r i ó D e r r i d a e n el « t e a t r o d e la
c r u e l d a d » d e A r t a u d , d o n d e n o se p l a n t e a n distinciones e n t r e los
« ó r g a n o s » d e l t e a t r o — el a u t o r y el d i r e c t o r — y d o n d e , e n s u m a , la
d i f f é r a n c e s e r í a la « a n a r q u í a i m p r o v i s a d o r a » , e n el s e n t i d o d e q u e s e r í a
p o r t a d o r a d e negatividad, p e r o t a m b i é n d e u n a alteralidad q u e e s c a p a ­
ría sin c e s a r a l o m i s m o y a l o i d é n t i c o 6, la s e g u n d a v e r s i ó n d e la m i s m a 7
s u p o n e r e i v i n d i c a r el h e c h o d e la d i f e r e n c i a p a r a d ó j i c a m e n t e d e s d e u n
u n i v e r s a l s i n c e d e r n i al c o m u n i t a r i s m o n i al c u l t o n a r c i s i s t a d e las
p e q u e ñ a s d i f e r e n c i a s . ¿ C ó m o c o n g e n i a r las d i f e r e n c i a s — a q u e l l o q u e
c o r r e s p o n d e r í a a la p s i c o l o g í a d e l o s p u e b l o s , o a la « e t n o p s i c o l o g í a » ,
c o n s u s diferencias culturales, n ac io na l es , lingüísticas o i n c l u s o h u m a ­
n a s — s i n r e n u n c i a r a l c a r á c t e r u n i v e r s a l i z a n t e d e la d i f f é r a n c e ? , s e p r e ­
g u n t a D e r r i d a . Y la r e s p u e s t a e s t á e n el t e x t o L a différance, q u e s e ini­
cia c o n esta a s e v e r a c i ó n :

H a b l a r é , p u e s , d e u n a letra. D e la p r i m e r a , si h a y q u e c r e e r e n el alfa­
b e t o . H a b l a r é p u e s d e la letra a, d e e s t a p r i m e r a letra q u e h a p o d i d o
p a r e c e r n e c e s a r i o i n t r o d u c i r e n la e s c r i t u r a d e la p a l a b r a d i f f e r á n c é ’.

Y continúa Derrida:

D i f f é r a n c e n o e s l i t e r a l m e n t e n i u n a p a l a b r a ni u n c o n c e p t o . . . sería
m á s bien u n exceso, y e n t o d o caso superaría toda representación
o n t o l ó g i c a (la d i f e r e n c i a n o es, n o existe, n o e s u n s e r p r e s e n t e ) .

T o d o e n el t r a z a d o d e la d i f e r e n c i a s e r í a « e s t r a t é g i c o » y « a v e n t u r a ­
do»; estratégico p o r q u e n i n g u n a v e r d a d trascendente y presente fuera
d e l c a m p o d e l a e s c r i t u r a p u e d e d o m i n a r la t o t a l i d a d d e l c a m p o ; a v e n ­
t u r a d o p o r q u e e s t a e s t r a t e g i a n o e s u n a s i m p l e e s t r a t e g i a e n el s e n t i d o
d e q u e o r i e n t a la t á c t i c a h a c i a u n o b j e t i v o f in al , u n telos. E s t r a t e g i a e n
d e f i n i t i v a s i n f i n a l i d a d , s e la p o d r í a l l a m a r « t á c t i c a c i e g a » , e m p í r i c a .
H a b r í a p u e s u n c i e r t o « v a g a b u n d e o » e n el t r a z a d o d e la d i f e r e n c i a , e n
e l s e n t i d o d e q u e n o s i g u e la l í n e a d e l d i s c u r s o f i l o s ó f i c o - l ó g i c o , y,
s o b r e todo, u n a v o l u n t a d d e situarse estra té g ic am en te e n u n presente,
lo q u e D e r r i d a d e n o m i n a « n u e s t r a é p o c a » :

P a r t o p u e s , e s t r a t é g i c a m e n t e , d e l l u g a r y d e l t i e m p o e n el q u e n o s o t r o s
e s t a m o s , a u n q u e m i a p e r t u r a n o s e a e n ú l t i m a i n s t a n c i a justificable y
s i e m p r e s e a a p a r t i r d e I n d i f e r e n c i a y d e s u h i s t o r i a 9.
Y e s así, e n l a z a n d o el v e r b o « d i f e r i r » c o n el v e r b o l a t i n o d i f e r r e , a
saber, la a c c i ó n d e d e j a r p a r a m á s t a r d e , q u e i m p l i c a u n r o d e o , u n a
d e m o r a , u n retraso, u n a reserva, c o m o D e r r i d a h a c e s u y o u n c o n c e p ­
t o n u n c a h a s t a e s e m o m e n t o c o n t e m p l a d o e n s u d i s c u r s o : el d e la
t e m p o r i z a c i ó n . D i f e r i r e s e n t o n c e s t e m p o r i z a r , es r e c u r r i r a la m e d i a ­
c i ó n t e m p o r a l ; y e s e n e s t e s e n t i d o e n el q u e h a b r í a q u e e n t e n d e r l a
différance n o c o m o u n a esencia, u n a ontología o metafísica, sino
c o m o u n m o v i m i e n t o d e espaciamiento, u n «devenir-espacio» del
tiempo, u n « devenir-tiempo» del espacio y claramente, u n a referen­
c i a a la a l t e r a l i d a d , a u n a h e t e r o g e n e i d a d . L o c u a l e x p l i c a r í a , al d e c i r
d e D e r r i d a , la i n s c r i p c i ó n d e l o m i s m o , q u e n o e s lo i d é n t i c o , c o m o
différance. U n a differánce q u e e n ú l t i m o t é r m i n o ( c o n c e p t o s estos
q u e D e r r i d a desarrollaría e n u n libro m u y posterior, L e m o n o l i n g u i s -
m e d e l ’a u t r e , d e 1 9 9 6 10) s e c o n s t r u i r í a h i s t ó r i c a m e n t e y s e a r t i c u l a r í a
c o m o r e a f i r m a c i ó n d e lo m i s m o : u n a e c o n o m í a d e lo m i s m o « e n s u
r e l a c i ó n » c o n el o t r o .
A b o r d a n d o el e t n o c e n t r i s m o c o m o l a c o n s t r u c c i ó n i n t e l e c t u a l y
h e g e m ó n i c a d e la historia, D e r r i d a , e n o t r o t e x t o d e 1 9 6 7 — e n reali­
d a d s u t es is d o c t o r a l , D e l a g r a m m a t o l o g i e n — , n o s ó l o d e s a f i ó l a s t e s i s
e s t r u c t u r a l i s t a s i m p l a n t a d a s p o r S a u s s u r e e n el s e n t i d o d e p r o p o n e r
u n a n u e v a c o n c e p c i ó n d e la e s t r u c t u r a d e s c e n t r a d a , s i n o q u e s e s i r v i ó
del lenguaje h e i d e g g e r i a n o p a r a declarar u n a n u e v a época. U n a é p o c a
e n la q u e la t a r e a e s « l e e r off», y j u g a r a la e s c r i t u r a e n f u n c i ó n d e las
n u e v a s r e l a c i o n e s d e « p e r t e n e n c i a » y « r u p t u r a » c o n r e s p e c t o a la h i s ­
t o r i a d e la m e t a f í s i c a o c c i d e n t a l . D e r r i d a a p u n t a q u e u n a t r a d i c i ó n
sólo p u e d e ser distorsionada y t r a n s f o r m a d a e n sus jerarquías consti­
t u t i v a s d e s d e la v í a d e c o n s t r u c t i v a . S i g u i e n d o u n e n i g m á t i c o c a p í t u l o
d e n o m i n a d o « E x e r g o » 12 ( p a r t e d e u n a m e d a l l a o m o n e d a d o n d e s e
s i t ú a la i n s c r i p c i ó n ) i n c l u i d o a m o d o d e p r ó l o g o e n D e l a g r a m m a t o l o -
gie, D e r r i d a l l a m a l a a t e n c i ó n s o b r e el « e t n o c e n t r i s m o » , q u e e n t o d a s
partes conlleva u n c o n c e p t o d e escritura q u e e n c u e n t r a paralelismos
c o n el l o g o c e n t r i s m o y la m e t a f í s i c a — q u e e j e m p l i f i c a c o n l as f i g u r a s
d e Jean-Jacques Rousseau, C l a u d e Lévi-Strauss y F e r d i n a n d d e S aus­
s u r e — , q u e , s e g ú n él, p e r t e n e c e r í a n a u n a t r a d i c i ó n q u e h a b r í a q u e
cuestionar para pensar e n u n a « n u e v a época». D e ahí q u e p u e d a c o n ­
cluirse q u e , a p e s a r d e q u e d i c h o t exto t o d a v í a está d o m i n a d o p o r u n
a u t o r i t a r i o « y o » y u n i n c l u s i v o « n o s o t r o s » , n o o b s t a n t e l l a m a la a t e n ­
c i ó n p o r s u c a r á c t e r « e x t r a ñ o » , e n la m e d i d a e n q u e a v a n z a « e n t r b
líneas», e n e s p a c i o s ocultos, e n u n a v e r s i ó n p olifónica del o r d e n r acio­
n a l d e la m e t a f í s i c a .
60 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

L a p o s m o d e r n i d a d y lo global

E s t a d i s c u s i ó n s o b r e la justicia y las d i f e r e n c i a s c u l t u r a l e s t i e n e u n o d e
s u s p r i m e r o s c e n t r o s d e g r a v e d a d e n el d e b a t e q u e e n el á m b i t o d e la
p o s m o d e r n i d a d , y d e u n a m a n e r a p a r a l e l a a l o q u e o c u r r í a e n el c a m ­
p o d e la a n t r o p o l o g í a c o n f i g u r a s c o m o C l i f f o r d G e e r t z , p r e t e n d í a
a p r o x i m a r s e a la h i s t o r i a n o d e s d e la v i s i ó n d e l o s v e n c e d o r e s s i n o
d e s d e el c o n o c i m i e n t o e t n o g r á f i c o d e l o s v e n c i d o s . L a v e r s i ó n p o s m o ­
d e r n a d e e s t e d e b a t e s e d e b e a J e a n - F r a n ç o i s L y o t a r d , p a r a el c u a l el
d i s e n s o , la a c t i v a c i ó n d e las d i f e r e n c i a s , d e l o s «is lo te s c u l t u r a l e s sin
c o m u n i c a c i ó n m u t u a » y la d i v e r s i d a d c u l t u r a l s o n los e l e m e n t o s d e f i ­
n i d o r e s d e esta situación. L y o t a r d , e n efecto, es u n o d e los p r i m e r o s
t e ó r i c o s q u e a p e l a a la f a l t a d e c r e d i b i l i d a d d e l a n o c i ó n d e t e o r í a
u n i v e r s a l y d e l a s m e t a n a r r a t i v a s — p o r e j e m p l o , el m a r x i s m o — d e la
m o d e r n i d a d . Ello se concreta e n L a condición p o s m o d e r n a (1979),
d o n d e f o r m u l a d e u n a m a n e r a m á s r o t u n d a s u t e o r í a d e la « d i f e r e n ­
c i a » ( d e l s i l e n c i o d e l a s d i f e r e n c i a s e n el e s p a c i o d e l a m o d e r n i d a d ) a
t r a v é s d e tres c o n c e p t o s clave: la p a r a l o g í a ( d e s d e u n p u n t o d e vista
e t i m o l ó g i c o s i g n i f i c a m á s a llá d e l a r a z ó n o d e l l o g o s y o b l i g a al s i s t e m a
a d e s p l a z a r s u s l í m i t e s ) , e l d e b a t e y el d i s e n s o c o n t i n u o ( i m á g e n e s d e
a l t e r a c i ó n d e las r eg l a s e s t a b l e c i d a s p o r los u ni ve r s a l e s ) . G r a c i a s a
estas tres f o r m a s d e p e n s a m i e n t o se h a b r í a h e c h o p o s i b l e la « f r a c t u r a »
d e l a s t o t a l i d a d e s y d e l o s m e t a r r e l a t o s f u n d a c i o n a l e s y el f i n d e u n a
m o d e r n i d a d m o n o c u l t u r a l , b a s a d a e n sistemas universalizantes, exclu-
y e n t e s y a ut or it a ri os . L y o t a r d c o n s t a t a el d e s e n c a n t o d e la « u t o p í a
m o d e r n a » , u n c a m b i o e n l a c o n d i c i ó n d e l s a b e r a n t e l a c r isis y el d e s ­
g a s t e d e l o s g r a n d e s r e l a t o s d e la m o d e r n i d a d .
E s e n e s t e s e n t i d o e n el q u e la c o n d i c i ó n p o s m o d e r n a a b r e l a p o s i ­
b i l i d a d p a r a la e n u n c i a c i ó n d e las d i f e r e n c i a s , d e los e s p a c i o s m a r g i n a ­
d o s , d e l a s h e t e r o g e n e i d a d e s d e l l e n g u a j e , c a l l a d o s b a j o el m a n t o d e
los d iscursos únicos. A h o r a , sostiene L y o t a r d , estos e s p a c i o s d e s p l a z a ­
d o s v i e n e n a s u m a r s e a la « v i e j a c i u d a d » a t r a v é s d e u n a d i s e m i n a c i ó n
d e los j u e g o s d e l e n g u a j e ( « a los l e n g u a j e s a n t i g u o s s e les s u m a n los
n u e v o s , q u e f o r m a n l o s s u b u r b i o s d e la c i u d a d v i e j a , e l s i m b o l i s m o
q u í m i c o , la n o t a c i ó n i n f i n i t e s i m a l » ) 13 y d e u n a f r a g m e n t a c i ó n q u e n o s
l l e v a a la c o n c l u s i ó n d e q u e n o e x i s t e u n m e t a l e n g u a j e u n i v e r s a l , d e
q u e e l p r o y e c t o d e l s i s t e m a - s u j e t o h a s i d o u n f r a c a s o , d e q u e el p r o ­
y e c t o d e e m a n c i p a c i ó n n a d a t i e n e q u e v e r córijla c i e n c i a y d e q u e las
tareas d e investigación se h a n c o n v e r t i d o e n tareas parcelarias q u e
n a d i e d o m i n a . Y finaliza L y o t a r d :
L a s diferencias d e b e n e n c o n t r a r u n a e n u n c i a c i ó n pertinente, ser r e v e ­
l a d a s d e s d e el s e n t i m i e n t o , d e s d e la i n e s t a b i l i d a d q u e p r o d u c e n , p a r a
p o d e r s e r re-escritas e n s u s p r o p i a s l e n g u a s , p a r a e v i d e n c i a r s u s t e n s i o ­
n e s y c h o q u e s c o n los s i s t e m a s i m p u e s t o s , e s p a c i o s e n l os c u a l e s las
d i f e r e n c i a s p u e d a n m a n i f e s t a r s e p o r sí m i s m a s d e s d e el s i l e n c i o al q u e
h a n s i d o s o m e t i d a s 14.

E n u n t e x t o p o s t e r i o r , L e d i f f é r e n d 15, d e 1 9 8 3 , d e d i c a d o a d i l u c i d a r
c ó m o s e p u e d e s a l v a r el h o n o r d e l p e n s a m i e n t o d e s p u é s d e A u s c h w i t z ,
Lyotard, a u n q u e sostiene q u e s i e m p r e h a b r á diferencias irreductibles
a criterios u n i v e r s a l e s , n o o b s t a n t e i n t e n t a a s e g u r a r q u e las d i f e r e n c i a s
s e a r t i c u l e n y q u e las v i s i o n e s m i n o r i t a r i a s y d e o p o s i c i ó n a p a r e z c a n e n
el l e n g u a j e y s e a n a f i r m a d a s e n l o s d i s c u r s o s s o c i a l e s a p a r t i r d e la
reivindicación del t é r m i n o « d i f e r e n d o » . P o r q u e , c o m o sostiene:

E l n o s o t r o s m o d e r n o , d e la c o m u n i d a d , la s o l i d a r i d a d y la u n i v e r s a l i ­
d a d , e s t á astillado. D e s p u é s d e A u s c h w i t z n o s e p u e d e p r e t e n d e r q u e
la h u m a n i d a d s e a u n a ni q u e la u n i v e r s a l i d a d s e a la c o n d i c i ó n h u m a n a .
E l d i f e r e n d o sería e n e s t e s e n t i d o el p r i n c i p i o d e la justicia d o n d e a
t o d o s s e les p e r m i t e h a b l a r y e n t r a r e n el t e r r e n o d e la a g o n í s t i c a v i d a
c o n t e m p o r á n e a , e n t e n d i e n d o p o r agonística aquello q u e p r e s u p o n e
q u e la v i d a s o c i a l y c u l t u r a l s i e m p r e e s t a r á d i v i d i d a e n t r e p o s i c i o n e s
q u e d i f i e r e n 16.
6
El afianzamiento teórico d e
lo p o s c o l o n i a l y lo periférico

E l t é r m i n o « p o s c o l o n i a l i s m o » es t r e m e n d a m e n t e a m b i g u o , y t a n t o sus
s ignificados c o m o s u s i m p l i c a c i o n e s h a b r í a q u e referirlos e n p r i m e r a
i n s t a n c i a al p e n s a m i e n t o c o l o n i a l d e l q u e e m e r g e n . E l p o s c o l o n i a l i s ­
m o e s t á d i r e c t a m e n t e v i n c u l a d o al d e c l i v e d e l o s i m p e r i o s b r i t á n i c o y
f r a n c é s e n la s e g u n d a m i t a d d e l siglo X X , a u n q u e n o h a y q u e o l v i d a r
q u e e m e r g e d e las p r i m e r a s e x p e r i e n c i a s d e i n d e p e n d e n c i a y d e
n e o i m p e r i a l i s m o e n A m é r i c a L a t i n a . Y e n t o d o c a s o , el p o s c o l o n i a l i s ­
m o sólo p u e d e entenderse c o m o u n a «secuela» d e tod a n o r m a t i v a
c o l o n i a l ; d e a h í q u e el t é r m i n o d e b a s e r e n t e n d i d o c o m o u n m e d i o
p a r a n o m b r a r u n a serie d e c o n t e x t o s históricos y d e l u g a r e s g e o g r á f i ­
c o s d e s c o n c e r t a n t e s e n s u escala.
E l p o s c o l o n i a l i s m o s e r e f i e r e al a n á l i s i s d e la m e c á n i c a d e l p o d e r
c o l o n i a l , l a e x p l o t a c i ó n e c o n ó m i c a q u e t r a j o c o n s i g o y u n a f o r m a al
m i s m o t i e m p o crítica y d e c u e s t i o n a m i é n t o é t i c o y cultural. E s p u e s u n a
f i l o s o f í a p o l í t i c a , p e r o a la v e z , e n u n a m p l i o s e n t i d o , e s u n a é t i c a q u e
d e s c r i b e u n m u l t i f a c é t i c o y a b i e r t o p r o c e s o d e i n t e r r o g a c i ó n y crítica.
E n e s t e s e n t i d o , y t r a s c o n s i d e r a r el p a p e l p r e c u r s o r d e l p e n s a d o r a n t i ­
l l a n o F r a n t z F a n ó n , s i n d u d a el m á s i n f l u y e n t e d e l o s p e n s a d o r e s
ant i c o l o n i a l e s , q u e e n o b r a s c o m o P e a u noire, m a s q u e s b l a n c s ( 1 9 5 2 )
d e s c r i b e l o s e f e c t o s p s i c o l ó g i c o s d e l c o l o n i a l i s m o y, e n c o n c r e t o , el
t r a u m a d e s e r f o r z a d o a m i r a r s e a sí m i s m o d e s d e el e x t e r i o r 1, p e n s a ­
m o s q u e e s M i c h e l F o u c a u l t el m á s c l a r o p r e c u r s o r d e la filosofía p o s ­
c o l o n i a l e n s u i n n o v a d o r a d i s e c c i ó n d e la r e l a c i ó n e n t r e p o d e r y c o n o -
c i m i e n t o . E l m o d o d e análisis q u e F o u c a u l t d e n o m i n a « a r q u e o l ó g i c o »
s e i n t e r e s a p o r c ó m o el c o n o c i m i e n t o o p e r a c o m o u n a p a r t e d e u n
s i s t e m a - r e d a p u n t a l a d o p o r e structuras d e p o d er t a n t o políticas c o m o
64 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

s o c i a l e s . D e a h í q u e el u s o d e c o n o c i m i e n t o s e a u n « a r m a » p o l í t i c a y
p u e d a s e r v i r p a r a p r o p a g a r y r e f o r z a r la m a r g i n a c i ó n s o c i a l y la o p r e ­
s i ó n d e a q u e l l o s q u e q u e d a n f u e r a d e l o s d i s c u r s o s oficiales.

L a m i r a d a oriental

L a influencia del p e n s a m i e n t o arqueológico d e Foucault p er mi te a


u n o d e los f u n d a d o r e s del p e n s a m i e n t o poscolonial, E d w a r d Said,
servirse d e las n o c i o n e s d e p o d e r y d i s c u r s o p a r a p r o f u n d i z a r e n los
m e c a n i s m o s del colonialismo. E n su texto Orientalism (1978)2 obser­
v a l a d i v i s o r i a r e l a c i ó n e n t r e el c o l o n i z a d o r y el c o l o n i z a d o , p e r o d e s ­
d e u n á n g u l o d i f e r e n t e . A l i g u a l q u e F a n ó n , e x p l o r a la m a n e r a e n q u e
el c o l o n i a l i s m o e l a b o r a u n a f o r m a d e v e r el m u n d o , u n o r d e n d e c o s a s
q u e tiene q u e ser leído c o m o v e r d a d e r o y propio. P e r o S a i d presta
m á s a t e n c i ó n a los « c o l o n i z a d o r e s » q u e a los « c o l o n i z a d o s » , y e n e s p e ­
cial a la m i r a d a q u e a q u e l l o s p r o y e c t a n s o b r e estos.
L o q u e h a c e S a i d , p a r t i e n d o d e la n o c i ó n d e d i s c u r s o d e f i n i d a p o r
F o u c a u l t e n L a a r q u e o l o g í a d e l s a b e r y e n V i g i l a r y castigar, e s a n a l i ­
z a r el p r o c e s o p o r el c u a l E u r o p a p r o d u c e y c o d i f i c a e l s a b e r s o b r e
Oriente:

S o s t e n g o q u e si n o s e e s t u d i a el o r i e n t a l i s m o e n t a n t o q u e d i s c u r s o , s e
h a c e c o m p l e t a m e n t e i m p o s i b l e c o m p r e n d e r la d i s c i p l i n a q u e h a p e r ­
m i t i d o a la c u l t u r a e u r o p e a m a n e j a r — e i n c l u s o p r o d u c i r — O r i e n t e
d e s d e el p u n t o d e vista político, s o c i o l ó g i c o , militar, i d e o l ó g i c o , c ie nt í ­
f i c o e i m a g i n a r i o d u r a n t e el p e r í o d o q u e h a s e g u i d o al S i g l o d e las
L u c e s [...]. E n r e s u m e n , d e b i d o al o r i e n t a l i s m o , O r i e n t e n u n c a h a
s i d o , y n o e s u n t e m a d e r e f l e x i ó n o d e a c c i ó n libre3.

S i g u i e n d o a F o u c a u l t , S a i d p o n e d e r e h e v e los v í n c u l o s e n t r e i m p e r i a ­
l i s m o ( p o d e r ) y c i e n c i a s h u m a n a s ( c o n o c i m i e n t o ) ; a q u í el c o l o n i z a d o r
a p a r e c e c o m o el f u n d a m e n t o p r i n c i p a l d e l a s n a r r a c i o n e s — e n l a s
c u a l e s el c o l o n i z a d o s e c o n v i e r t e e n el « o t r o » — al m a n i f e s t a r u n c o n o ­
c i m i e n t o s o b r e él, e n m e d i o - d e l o s d i v e r s o s p r o c e s o s d e d o m i n a c i ó n .
E s t a n a r r a c i ó n v í a c o l o n i z a d o r e v i t a q u e e l « o t r o » h a b l e p o r sí m i s m o ;
e s el p o d e r c o l o n i a l el q u e p r o d u c e l a i m a g e n d e l c o l o n i z a d o , q u e s e
c o n v i e r t e e n a l g o « e x ó t i c o » . S e g ú n S a i d , las r e l a c i o n e s E s t e y O e s t e ,
O r i e n t e y O c c i d e n t e n o se c o r r e s p o n d e n c o n tipa realidad estable q u e
existe c o m o u n h e c h o natural. S a i d a f i r m a q u e O r i e n t e y O c c i d e n t e
trabajan c o m o términos opuestos, y O riente h a sido construido c o m o
u n a inversión negativa d e d a cultura occidental.
EL A F I A N Z A MI E NT O TEÓRICO D E L O POS C O L O N I A L Y L O PERIFÉRICO 65

E l t é r m i n o « o r i e n t a l i s m o » c u b r e tres s ignificados i n t e r r e l a c i o n a ­
d o s : p r i m e r o s e r e f i e r e al e s t u d i o a c a d é m i c o d e O r i e n t e e n l a s m ú l t i ­
p l e s d i s c i p l i n a s d e la a n t r o p o l o g í a , la s o c i o l o g í a , la h i s t o r i a y la f il o s o ­
fía. E n s e g u n d o l u g a r , « o r i e n t a l i s m o » e s u n a f o r m a d e p e n s a r b a s a d a
e n u n a d i s t i n c i ó n a la v e z o n t o l ó g i c a y e p i s t e m o l ó g i c a e n t r e O r i e n t e y
Oc c i d e n t e , q u e tiende a b u s c a r u n a oposición binaria o u n a dicoto­
m í a , s i e m p r e d e s t r u c t i v a y e n g a ñ o s a , e n t r e e l E s t e y el O e s t e . Y e n
t er ce r lugar, « o r i e n t a l i s m o » p u e d e s er visto c o m o u n estilo o c c i d e n t a l
d e d o m i n a c i ó n s o b r e el o t r o . Y c o m o s o s t i e n e J a n e H i d d l e s t o n 4 ,
« o r i e n t a l i s m o » e s u n d i s c u r s o e n el s e n t i d o d e F o u c a u l t : u n a a m p l i a
r e d d e t e x t o s , i m á g e n e s y p r e c o n c e p c i o n e s q u e s i r v e n p a r a d e s i g n a r al
«otro oriental» c o m o u n a suerte d e s u c e d á n e o e incluso subterráneo.
S e trataría d e r e p r e s e n t a r a O r i e n t e u s a n d o u n d e t e r m i n a d o n ú m e r o
d e p r e c o n c e p c i o n e s y a s u n c i o n e s q u e a y u d a n a r e f o r z a r la p o s i c i ó n d e
Occidente c o m o centro d e poder.
Q u i z á s e l h e c h o d e s t a c a b l e d e S a i d n o e s t a n t o el t e x t o e n sí m i s ­
m o sino c ó m o este inspiró a u n a n u e v a g e n e r a c i ó n d e p e n s a d o r e s ,
a l g u n o s f u n d a m e n t a l e s p a r a el m u n d o d e l a r t e . L o q u e a p r e n d i e r o n
s u s s e g u i d o r e s f u e b á s i c a m e n t e la i d e a d e q u e el i m p e r i o « c o l o n i z a b a »
i m a gi na c io ne s. F a n o n h a b í a t r a b a j a d o este t e m a a nivel psicoanalítico,
m i e n t r a s q u e S a i d d e m o s t r ó l a l e g i t i m a c i ó n d e l i m p e r i o p a r a el o p r e ­
sor. Y si c o l o n i a l i s m o s i g n i f i c a b a c o l o n i z a r l a m e n t e , e n t o n c e s l a r e s i s ­
t e n c i a a ello s i g n i f i c a b a « d e s c o l o n i z a r la m e n t e » .

El discurso antillano

C o n d e u d a s al p e n s a m i e n t o d e F o u c a u l t , p e r o e n e s t e c a s o e n t r e m e z ­
c l a d o c o n l a d e c o n s t r u c c i ó n d e J a c q u e s D e r r i d a , h a b r í a q u e s i t u a r la •
aportación del p e n s a d o r m ar t i n i q u é s E d o u a r d Glissant, q u e e n su
t e x t o L e D i s c o u r s antillais5 c o n c i b e la i d e n t i d a d d e l C a r i b e y la p o é t i c a
d e la c r i o l l i z a c i ó n c o m o c a t a l i z a d o r e s d e l o q u e p u e d e s e r l e í d o c o m o
u n a r e v o l u c i ó n cultural global, u n a r ev ol uc i ón q u e d e f i e n d e u n m o d e ­
lo alternativo d e r e l a c i o n a l i d a d d e s e s g o ético y cultural.
E n el c a p í t u l o « L e r e t o u r e t l e d é t o u r » , G l i s s a n t c o n s t a t a l a d i f e ­
r e n c i a e n t r e el « d e s p l a z a m i e n t o » ( p o r e x i l i o o d i s p e r s i ó n d e u n p u e ­
b l o q u e c o n t i n ú a s u s t r a d i c i o n e s e n o t r a p a r t e ) y el « t r á f i c o » d e u n a
p o b l a c i ó n q u e se m u e v e hacia u n a n u e v a parte del m u n d o . E s e n este J
c a m b i o d o n d e h a b r í a q u e d e s c u b r i r los secretos m e j o r g u a r d a d o s d e
e s t a « r e l a c i ó n » e n la q u e G l i s s a n t , d e s d e s u e x p e r i e n c i a c a r i b e ñ a ,
e n t i e n d e al « u n o » c o m o e n g a ñ o , c o m o a q u e l q u e ^ s e e s f u e r z a p o r
66 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

e s c o n d e r l o m ú l t i p l e d e l s er: « S i e x a m i n o a O c c i d e n t e , v e o q u e d e c i ­
d i d a m e n t e n o h a d e j a d o d e c o n c e b i r el m u n d o i n i c i a l m e n t e c o m o
s o l e d a d y, e n s e g u i d a , c o m o i m p o s i c i ó n » 6 .
F r e n t e al a c t u a l p r o c e s o d e g l o b a l i z a c i ó n , q u e n o e s s i n o u n a o p o ­
sición d e O c c i d e n t e ( s i s t e m a - m u n d o c o n s t r u i d o a partir d e u n m e r c a ­
d o t r a n s n a c i o n a l q u e t r a t a d e l e g i t i m a r la h e g e m o n í a p o l í t i c a , e c o n ó ­
m i c a y lingüística), s ó l o u n c a m b i o e n n u e s t r o s p e n s a m i e n t o s , e n
n u e s t r a s poéticas, es decir, e n n u e s t r o s i m a g i n a r i o s , n o s llevará a c o n ­
c e b i r el m u n d o r e s p e t a n d o l a d i f e r e n c i a y la d i v e r s i d a d . A n t e i m a g i n a ­
rios q u e d e s d e a n t a ñ o h a n c o n s i s t i d o e n d e s e a r y c o n q u i s t a r , t e n i e n d o
e n c u e n t a el d o m i n i o d e t e r r i t o r i o — n o m a d i s m o d e la f l e c h a — , el
poeta p r o p o n e u n imaginario q u e describe c o m o u n «pensamiento
a r c h i p i é l a g o » d e s t i n a d o a p o n e r e n c o n t a c t o t o d a s las f o r m a s d e c u l ­
t u r a , a s u s c i t a r el e n c u e n t r o , la i n t e r f e r e n c i a , el c h o q u e , l a s a r m o n í a s y
d e s a r m o n í a s entre culturas dentro del t o d o - m u n d o .
A p a r t i r d e l c o n c e p t o d e « r e l a c i ó n » , G l i s s a n t c r e a u n a r e d al s e r ­
v i c i o d e u n v a s t o p r o y e c t o d e d e s c o l o n i z a c i ó n , s u s t i t u y e n d o el cri te ­
rio d e i d e n t i d a d - r a í z ú n i c a p o r la d e i d e n t i d a d - r i z o m a y r e e m p l a z a n ­
d o el s e n t i m i e n t o d e p e r t i n e n c i a p o r la n o c i ó n d e r e l a c i ó n . Y u n a
c o s a m u y i m p o r t a n t e , el e s p a c i o d e j a d e s e r u n e s p a c i o d e e x c l u s i ó n
y s e c o n v i e r t e e n u n l u g a r d o n d e , d i r í a m o s m e t a f ó r i c a m e n t e , el s u e l o
e s l i b r e d e b a j o d e l a s c o n s t r u c c i o n e s , d o n d e e l t e r r i t o r i o d a l u g a r a la
t i e r r a . Y e n t r e l a t i e r r a y el h o m b r e G l i s s a n t p r o p o n e t e j e r r e l a c i o n e s
privilegiadas e imprevisibles s o b r e u n sistema q u e ya n o f u n c i o n a
c o m o l e g í t i m a p o s e s i ó n d e l t e r r i t o r i o s i n o c o m o « v í n c u l o e n t r e el H o m ­
b r e y la T i e r r a » . Y s i e m p r e p a r t i e n d o d e l s u p u e s t o d e q u e el l u g a r
e s u n l u g a r r e l a c i o n a l q u e n o c o r r e s p o n d e c o n el E s t a d o - n a c i ó n , u n
l u g a r e n e x p a n s i ó n espiritual y n o d e e x p a n s i ó n y c o n q u i s t a territo­
rial. L o q u e s u c e d e e n - e l C a r i b e ( y s u l e n g u a b a s a d a e n i n t e r c a m b i o s
y colisiones c o n e l e m e n t o s culturales p rovenientes d e horizontes
c o m p l e t a m e n t e d i s t i n t o s ) , c o n el f e n ó m e n o d e la c r i o l l i z a c i ó n p u e d e
s er v i r t a m b i é n c o m o m e t á f o r a q u e o p e r a e n el r e s t o d e l m u n d o . L a s
c u l t u r a s d e l m u n d o se criollizan, es decir, n o s ó l o se m e z c l a n y se
c o n t a m i n a n sino q u e , lo m á s i m p o r t a n t e , interactúan, se alteran
m u t u a m e n t e p o r m e d i o d e i n t e r c a m b i o s , c o n colisiones inevitables,
g u e r r a s sin p i e d a d , n u e v a s colonizaciones, p e r o t a m b i é n f a v o r e c i e n ­
d o el p r o g r e s o d e c o n c i e n c i a y d e e s p e r a n z a . P o r q u e , c o m o d i c e G l i s ­
s a n t r e f i r i é n d o s e t a n t o al t é r m i n o « c r i o l l i z a c i ó n x ¡ - c o m o a l a « t o t a l i d a d
tierra» o «tierra e n t e n d i d a c o m o u n archipiélago», d o n d e n o existe
n i n g u n a a u t o r i d a d o r g á n i c a «los f e n ó m e n o s d e criollización s o n
f e n ó m e n o s d e e n o r m e i m p o r t a n c i a p o r q u e p e r m i t e n h a c e r efectivo
EL A FI A NZ A MI E NT O TEÓRICO D E L O POS C O L O N I A L Y L O PERIFÉRICO 67

u n n u e v o e n f o q u e d e l a d i m e n s i ó n e s p i r i t u a l d e la h u m a n i d a d e n s u
diversidad»'.

El tercer espacio

E n la t r a n s i c i ó n e n t r e l o s c o n c e p t o s d e p o s m o d e r n o y p o s c o l o n i a l f u e ­
r o n d e c i s i v a s las c o n t r i b u c i o n e s d e l t e ó r i c o c u l t u r a l i n d i o a f i n c a d o e n
E s t a d o s U n i d o s H o m i B h a b h a , q u e , t r a s c o n s i d e r a r el f i n d e l d i s c u r s o
p o s m o d e r n o y sus s ub co n c e p t o s colindantes c o m o simulacro, d e c o n s ­
t r u c c i ó n , m u e r t e d e l a u t o r o fin d e las g r a n d e s n a r r a t i v a s («el d i s c u r s o
d e la p o s m o d e r n i d a d e s a la v e z u n i n f o r m e p o s t m ó r t e m d e l f i n d e l a
m o d e r n i d a d y u n i n f o r m e p o s p a r t o d e l o s o r í g e n e s d e l p r e s e n t e » 8 ),
p l a n t e ó la a l t e r n a t i v a d e l d i s c u r s o p o s c o l o n i a l c o m o la p o s i c i ó n d e s d e
la c u a l d e c o n s t r u i r l a s e s t r a t e g i a s d e la c o l o n i z a c i ó n , a s í c o m o el l u g a r
a s i g n a d o a los d iscursos culturales e intelectuales c o n t e m p o r á n e o s .
E n t r e los p r o c e s o s d e d e c o n s t r u c c i ó n d e lo colonial d e s t a c a s u
n o c i ó n d e « t e r c e r e s p a c i o » , o el r e c o n o c i m i e n t o d e q u e l a d i f e r e n c i a
es libre d e t o d o s i s t e m a p o s i c i o n a l y n egativo, s u p e r a d o r a d e t o d o
s i s t e m a b i n a r i o , d i a l é c t i c o y o p o s i c i o n a l . E s c r i b i r a c e r c a d e la d i f e r e n ­
cia cultural significa, p a r a B h a b h a , r e c o n o c e r m o m e n t o s d e h i b r i d a ­
ción e incorporar u n n u e v o y a veces paradójico vocabulario con pala­
bras c o m o «ambivalencia», «frontera», «contingencia», «dispersión»,
« d i s y u n c i ó n » , « d i s e m i n a c i ó n » , « d i s c o n t i n u i d a d » , « h i b r i d a c i ó n » , in-
b e t w e e n , « i n c o n m e n s u r a b i l i d a d » , « i n d e t e r m i n a c i ó n » , «intersticial»,
«liminal», « m a rginal», «transicional», «traslación» o «incerteza.
U n a i n i c i a l a p r o x i m a c i ó n a e s t o s p l a n t e a m i e n t o s s e c o n c r e t ó e n el
t e x t o « B e y o n d t h e P a l é : A r t in t h e A g e o f M u l t i c u l t u r a l T r a n s l a t i o n » 9,
e n el q u e l l e g a a la c o n c l u s i ó n d e q u e el m o m e n t o p r e s e n t e n o e s t á -
d e f i n i d o p o r el p r e f i j o « p o s » , s i n o p o r « m á s a l l á » [ b e y o n d ) :

E l « m á s allá» n o e s n i u n n u e v o h o r i z o n t e n i u n d e j a r a t r á s el p a s a d o .
C o m i e n z o s y finales p u e d e n s e r los m i t o s s u s t e n t a d o r e s d e l os a ñ o s
i n t e r m e d i o s . P e r o e n el fin d e siglo n o s e n c o n t r a m o s e n u n m o m e n t o
d e t r á n s i t o e n el q u e e s p a c i o y t i e m p o p r o d u c e n c o m p l e j a s f i g u r a s d e
diferencia e identidad, p a s a d o y presente, a d e n t r o y afuera, inclusión y
e x c l u s i ó n [...]. H a y u n s e n t i d o d e « d e s o r i e n t a c i ó n » , d e p e r t u r b a c i ó n
d e d i r e c c i ó n e n el m á s allá. Y e s así c o m o l l e g a m o s a las n o c i o n e s d e
raza, s e x o , g e n e r a c i ó n , g e o p o l í t i c a local, o r i e n t a c i ó n s e x u a l q u e h a b i -
t a n el m u n d o « p o s » m o d e r n o . L o q u e e s v e r d a d e r a m e n t e i n n o v a d o r
d e s d e el p u n t o d e vista t e ó r i c o y l o q u e e s t a m b i é n p o l í t i c a m e n t e c r u ­
cial e s la n e c e s i d a d d e p e n s a r m á s allá d e n a r r a t i v a » > d e o r i g e n p a r a
68 T EO R ÍA S Y D ISCURSOS D E L O G L O B A L

c o n c e n t r a r s e e n a q u e ll o s p r o c e s o s p r o d u c i d o s e n la a r t i c u l a c i ó n d e la s
d if e r e n c i a s c u lt u r a l e s . Y s o n p r e c i s a m e n t e e s t o s e s p a c i o s tn b e tw e e n
(e n m e d i o ) lo s q u e p r o p o r c i o n a n u n t e r r e n o a p r o p i a d o p a r a e l a b o r a r
e s t r a te g ia s d e i d e n ü d a d s i n g u l a r o c o m u n i t a r i a q u e in i c ia n n u e v o s s ig ­
n o s d e d if e r e n c i a c u lt u r a l , a s í c o m o d e c o l a b o r a c i ó n y c o n t e s t a c i ó n 10.

E n este texto, el a u to r p ro p o n e distintas vías p o r las que el «uno» (el


pálido, el blan co hegem ónico occidental) se en cu en tra y acaba co n ­
fu n d ién d o se con el « o tro » (el m inoritario supeditado): «El acto de
in tercam b io en tre culturas se hace efecdvo a través de la exacerbación
de lo q ue cu ltu ralm en te es inconm ensurable o extraño, lo cual p erm i­
te una co m prensión del «o tro», así com o u n a m isteriosa alienación de
n u estra p ro p ia p rio rid ad c u ltu ral» 11.
El m en cio n ad o ensayo adelanta algunas de las tesis de su texto
The Location o f C ulture (1994)l2, en el que plantea de m anera m uy
lúcida la noción de «vivir en los bordes», en lugares transicionales
d o n d e se im p o n en los conceptos d e beyond (más allá) e in-hetw een (en
m edio). El m ás allá n o es un horizonte, que deja atrás al pasado, sino
una zona de tránsito, u na travesía, un in-betw een d o n d e se e n tre c ru ­
zan pasado y p resente, diferencia e iden tid ad , fuera y d en tro , inclu­
sión y exclusión: un espacio pues intersticial, h íb rid o , liminal, más allá
de las definiciones binarias (com o n ativ o /ex tran jero o m aestro/escla-
vo):

M á s a llá d e l b l a n c o , m á s a llá d e la m o d e r n i d a d , m á s a llá d e las n o c i o ­


n e s d e c la s e y g é n e r o , m á s a llá d e la s n a r r a ti v a s d e o r i g e n n o s e n c o n ­
t r a m o s c o n la a r t i c u l a c i ó n d e la s d if e r e n c i a s c o n lo s e s p a c i o s i n t e r m e ­
d i o s 13.

Y son p recisam en te estos espacios interm ed io s los que nos p ro p o r­


cionan el terreno favorable para las estrategias de autoprotección — sin­
gular o co m u n itaria— q u e inician nuevos signos de id en tid ad . P e r­
m an ecien d o en el b o rd e , nos dice B habha, el em igrante es invitado a
in terv en ir acd v am en te en la transm isión de la herencia cultural o
trad ició n (tan to del h o g ar com o de la tierra de acogida) m u ch o m ás
q u e a a c ep tar p asivam ente a sus venerables ancestros. E ste em igrante
p u e d e cuestionar, volver a p o n e r d e m o d a o m ovilizar ideas recibidas.
Y es así com o el co n o cim iento h ered ad o p u ed e ser reinscrito con
nuevos significados. B habha llam a a esta acción « rein stau rar» o
« rein v en tar el pasado»: «el p asad o -p resen te se convierte en p arte de
la n ecesid ad , n o de la nostalgia del vivir». E ste reinventar el p asado
in tro d u c e adem ás o tras in co nm ensurables tem p o ralid ad es culturales
EL A FI A NZ A MI E NT O TEÓRICO D E L O P O S C O L O N I A L Y L O PERIFÉRICO 69

h a c i a l a i n v e n c i ó n d e l a t r a d i c i ó n ; d e a h í la a p a r i c i ó n d e l c o n c e p t o d e
h i b r i d a c i ó n , c o m o u n a m a n e r a d e p e n s a r m á s allá d e n o c i o n e s b i n a ­
rias d e i d e n t i d a d , b a s a d a s e n i d e a s d e r a í c e s y d e p u r e z a cultu ra l ,
racial y n a c i o n a l . B h a b h a a c a b a c o n las d e f i n i c i o n e s b i n a r i a s ; n a t i v o /
forastero y maestro/esclavo, q u e s o n consideradas i d e ol óg i ca me nt e
s o s p e c h o s a s e inapropiadas. E l arte del p r esente necesita u n h áb it o
m e n t a l e n el c u a l m o v i m i e n t o y e n t r e c r u z a m i e n t o s o n f u n d a m e n t a l e s .
B h a b h a n o s u r g e a q u e p e n s e m o s m á s allá d e n a r r a t i v a s d e l o o r i g i n a ­
rio: t o d o e n el t e r r i t o r i o i n t e r m e d i o . Y e s t a m b i é n e n la p r e s e n c i a d e
las « t e m p o r a l i d a d e s c u l t u r a l e s i n c o n m e n s u r a b l e s » d o n d e B h a b h a
a n t i c i p a el s i g u i e n t e e s p a c i o e n s u i d e a r i o e n el q u e p l a n t e a l a e s t é t i c a
d e la f r o n t e r a q u e c u e s t i o n a d i r e c t a m e n t e l o s c o n o c i m i e n t o s b i n a ­
rios. E s a q u í d o n d e B h a b h a a l u d e i m p l í c i t a m e n t e a u n a s p e c t o d e
e x t r a ñ e z a , d e d i s r u p c i ó n (cita l i t e r a l m e n t e a F r e u d y s u c o n c e p t o d e
u n c a n n y , d e t r a u m a , d e a n s i e d a d ) ; y e s e s t a p r e s e n c i a u n c a n n y la q u e
s e g ú n B h a b h a t i e n e el p o d e r d e d e s a c t i v a r l a e x c l u s i v a l ó g i c a b i n a r i a
d e la q u e d e p e n d e n u n a g r a n v a r i e d a d d e d i s c u r s o s : n a c i o n a l i s t a s ,
c o l o n i a l i s t a s o p a t r i a r c a l e s 14.
E n c o n c l u s i ó n , H o m i B h a b h a r e i v i n d i c a la e x p e r i e n c i a a f e c t i v a d e
la « m a r g i n a l i d a d s o c i a l » , p r o p i a d e f o r m a s c u l t u r a l e s n o c a n ó n i c a s ,
q u e o b l i g a a c o n f r o n t a r l a c a n o n i z a c i ó n d e la i d e a d e e s t é t i c a a f a v o r
d e u n a cultura c o m o p r o d u c c i ó n desigual e i ncompleta d e sentido y
v a l o r , g e s t a d a e n el a c t o d e s u p e r v i v e n c i a s o c i a l . L a t r a n s m i s i ó n d e l a s
c u l t u r a s d e s u p e r v i v e n c i a n o t e n d r í a l u g a r e n el m u s é e i m a g i n a i r e d e
las c u l t u r a s n a c i o n a l e s :

L a c u l t u r a c o m o e s t r a t e g i a d e s u p e r v i v e n c i a e s a la v e z t r a n s n a c i o n a l y
tr a n s i c i o n a l . T r a n s n a c i o n a l p o r q u e l o s d i s c u r s o s p o s c o l o n i a l e s c o n ­
t e m p o r á n e o s están a r r a i g a d o s e n historias d e d e s p l a z a m i e n t o cultural
( migración, diáspora, d e s p l a z a m i e n t o , r e ubicación) y transicional p o r ­
q u e e s t a s h i s t o r i a s d e d e s p l a z a m i e n t o , f a v o r e c i d a s p o r las t e c n o l o g í a s
m e d i á t i c a s g l o b a l e s , i m p o n e n la p r e g u n t a d e l s i g n i f i c a d o d e c a d a c u l ­
t u r a y c o n v i e r t e n el f a c t o r d e t r a d u c c i ó n c u l t u r a l e n la f o r m a c o m p l e j a
d e s i g n i f i c a c i ó n 15.

E s d e s d e esta p er sp ec t iv a h í b r i d a del valor cultural («lo t r a ns na c io na l


c o m o transicional»), c a d a v e z m á s alejada d e t o d o intento holístico d e
e x p l i c a c i ó n s o c i a l , c o m o el i n t e l e c t u a l p o s c o l o n i a l i n t e n t a e l a b o r a r u n
p r o y e c t o h i s t ó r i c o y l i t e r a r i o q u e i n t e g r e el h e c h o d e la o t r e d a d s i p
c a e r e n l a s t e o r í a s d e l r e l a t i v i s m o o p l u r a l i s m o c u l t u r a l p r o p i a s d e la
p o s m o d e r n i d a d . S e g ú n B h a b h a , la p e r s p e c t i v a p o s c o l o n i a l n o s o b l i g a
a r e p l a n t e a r las l i m i t a c i o n e s d e u n s e n t i d o l iberal y c ó m p l i c e d e la
70 TEO R IA S Y D ISCURSOS D E L O G L O B A L

co m u n id ad cultural; la id en tid ad cultural y política se construye


m ed ian te un proceso d e alteridad en el qu e no sólo cuentan las cues­
tiones d e diferencia racial y cultural, sino tam bién los problem as de
sexualidad y género:

L a c u l t u r a s e v u e lv e t a n t o u n a p r á c t i c a i n c ó m o d a y p e r t u r b a d o r a d e
s u p e rv iv e n c ia y s u p le m e n ta r ie d a d ( e n tre a r te y p o lític a , p a s a d o y
p re s e n te , p ú b lic o y p riv a d o ) c o m o u n a re s p la n d e c ie n te p re s e n c ia en
u n m o m e n t o d e p la c e r , i l u m i n a c i ó n o li b e r a c i ó n . Y e s a p a r t i r d e
e s t a s p o s i c i o n e s n a r r a t i v a s c o m o la p r e r r o g a t i v a p o s c o l o n i a l b u s c a
e x t e n d e r u n a n u e v a d i m e n s i ó n d e c o l a b o r a c i ó n , t a n t o d e n t r o d e lo s
m á r g e n e s d e l e s p a c i o - n a c i ó n c o m o a tr a v é s d e lo s l í m i te s e n t r e n a c i o ­
n e s y p u e b l o s [ . . . ] . M i u s o d e la t e o r í a p o s t e s t r u e t u r a l i s t a e m e r g e d e
e s ta c o n tr a m o d e r n id a d p o s c o lo n ia l. I n t e n to r e p r e s e n ta r u n a c ie rta
d e r r o t a . O , in c l u s o , u n a i m p o s i b i l i d a d d e O c c i d e n t e d e l o g r a r la
a u t o r i z a c i ó n d e la id e a d e c o l o n i z a c i ó n . I m p u l s a d o p o r la h i s t o r i a
s u b a l t e r n a d e lo s m á r g e n e s d e la m o d e r n i d a d ( m á s q u e p o r lo s f r a c a ­
so s d e l lo g o c e n tris m o ) h e tr a ta d o , e n a lg u n a p e q u e ñ a m e d id a , d e
r e v i s a r lo c o n o c i d o y d e r e n o m b r a r lo p o s m o d e r n o d e s d e la p o s i c ió n
c o l o n i a l 16.

L a su b a lte r n a lid a d

E n sus influyentes ensayos «S ub altern Studies: D eco n stru ctin g H is ­


to rio g ra p h y » 17 y «C an th e S ubaltern Speak?», G ayatri Spivak a rtic u ­
ló su discurso alred ed o r de las diferencias y la subalternalidad p o n ie n ­
d o en evidencia el p ro ceso de «violencia epistém ica» qu e se establece
en la creación de la figura del «otro», del subalterno. Spivak ex p lo ró
la cuestión de si era o n o posible re cu p erar las voces d e aquellos qu e
h ab ían sido sujetos de las representaciones coloniales, en p articu lar
m ujeres e in terp re tarlas com o p o ten cialm en te disruptivas y subversi­
vas.
Según Spivak, la historia del im perialism o está m arcada p o r su
«violencia epistém ica»: en el'sen tid o de que la figura del sujeto colo­
nial se convierte en una proyección eu ro p ea y sobre él se im prim en los
p atro n es de conocim iento europeos. El « otro» es rep resen tad o com o
u na realidad que es posible conocer, clasificar, controlar. L a necesidad
d e c o n tro l p o r p a r te d e la razó n o cc id e n tal ¿o lo n iz a d o ra se inicia
— afirm a Spivak b asán d o se en D errid a— en el p o d e r de rep resen tar
al o tro a través de su p ro p io cam po cognoscitivo.
EL AFIA NZ A MI E NT O T EÓRICO D E L O P OS C O L O N I A L Y L O PERIFÉRICO 71

L a hibridación

E n la i n t r o d u c c i ó n a la s e g u n d a e d i c i ó n a m p l i a d a d e C u l t u r a s h í b r i ­
d a s 18, N é s t o r G a r c í a C a n c l i n i s e o c u p a d e c ó m o l o s e s t u d i o s s o b r e
h i b r i d a c i ó n m o d i f i c a n el m o d o d e h a b l a r s o b r e i d e n t i d a d , c u l t u r a ,
diferencia, d e s i g u a l d a d o multiculturalidad y s o b r e parejas o r g a n i z a ­
d o r a s d e los c o n f l i c t o s e n las c i e n c i a s s o c i a l e s tales c o m o t r a d i c i ó n /
m o d e r n i d a d , n o r t e / s u r o local/global. T r a s p r e s e n t a r los d i v e r s o s u s o s
del c o n c e p t o d e hibridación p o r parte d e teóricos poscoloniales c o m o
H o m i B h a b h a (procesos interétnicos y d e descolonización), J a m e s
C l i f f o r d (viajes y c r u c e s d e f r o n t e r a s ) , S t u a r t H a l l y M a r t í n - B a r b e r o
( f u s i o n e s a r t í s t i c a s y lit e r a r i a s ) , s e p r e g u n t a si e n r e a l i d a d el r e c u r s o a
u n t é r m i n o tan c a r g a d o d e equ ív oc o s c o m o «híbrido» p u e d e s u p l a n ­
tar los a n t i g u o s c o n c e p t o s d e s i n c r e t i s m o e n c u e s t i o n e s religiosas, d e
m e s t i z a j e e n h i s t o r i a y a n t r o p o l o g í a o d e f u s i ó n e n el c a m p o m u s i c a l :
¿ C u á l e s la v e n t a j a , s e p r e g u n t a el a u t o r , p a r a la i n v e s t i g a c i ó n científica
d e recurrir a u n t é r m i n o p l e n o d e e q u í v o c o s ? U n t é r m i n o q u e G a r c í a
C a n c l i n i d e f i n e c o m o u n « p r o c e s o s o c i o c u l t u r a l e n el q u e l a s e s t r u c t u ­
ras « discretas», q u e existían e n f o r m a s e p a r a d a , se c o m b i n a n p a r a
g e n e r a r n u e v a s e s t r u c t u r a s , o b j e t o s y p r á c t i c a s » 19. U n t é r m i n o q u e le
s i r v e p a r a i d e n t i f i c a r m ú l t i p l e s a l i a n z a s b a j o el s i g n o d e l a s m e z c l a s
interculturales d e r i v a d a s d e p r o c e s o s migratorios, turísticos o d e
i n t e r c a m b i o e c o n ó m i c o o c o m u n i c a c i o n a l , sin o l v i d a r la d i m e n s i ó n
i n d i v i d u a l y c o l e c t i v a d e la h i b r i d a c i ó n , n o s ó l o e n las a r t e s s i n o e n la
’. i d a c o t i d i a n a y e n el d e s a r r o l l o t e c n o l ó g i c o .
A partir d e estas con si de r ac io ne s, G a r c í a C a n c l i n i se interesa n o
: a n t o p o r el t é r m i n o « h i b r i d e z » c o m o p o r los « p r o c e s o s d e h i b r i d a ­
c i ó n » , y s e ñ a l a q u e la h i b r i d a c i ó n s e d i r i g e t a n t o a los s e c t o r e s e c o n ó ­
m i c o s d e l a s c l a s e s d o m i n a n t e s c o m o a lá's c l a s e s d e s f a v o r e c i d a s q u e
q u i e r e n a p r o p i a r s e d e los b e n e f i c i o s d e la m o d e r n i d a d . E n e s t e s e n t i ­
d o l o q u e s e i m p o n e e s u n a r e l a t i v i z a c i ó n d e la n o c i ó n d e i d e n t i d a d e s
p u r a s o a u t é n t i c a s ; f r e n t e a u n c o n c e p t o c e r r a d o d e la i d e n t i d a d
o p u e s t a a la g l o b a l i z a c i ó n , G a r c í a C a n c l i n i , e n la l í n e a d e o t r o s t e ó r i ­
c o s c u l t u r a l e s c o m o D a v i d G o l d b e r g 20, p r o p o n e , d e s p l a z a r el o b j e t o
J e e s t u d i o d e la i d e n t i d a d a l a h e t e r o g e n e i d a d y la h i b r i d a c i ó n i n t e r ­
culturales:

E n u n m u n d o t a n f l u i d a m e n t e i n t e r c o n e c t a d o , las s e d i m e n t a d o r e s
ide n t i t a r i a s o r g a n i z a d a s e n c o n j u n t o s h i s t ó r i c o s m á s o m e n o s e s t a b l e s
(etnias, n a c i o n a l e s , d a s e s ) s e r e e s t r u c t u r a n e n m e d i o d e c o n j u n t o s
i n t e r é t n i c o s , t r a n s c l a s i s t a s y t r a n s n a c i o n a l e s 21.
y •»
72 TEORIAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

Y e s d e s d e e s t a p e r s p e c t i v a d e s d e l a q u e G a r c í a C a n c l i n i r e i v i n d i c a la
h e t e r o g e n e i d a d y la p o s i b i l i d a d d e m ú l t i p l e s h i b r i d a c i o n e s c o m o u n
p r i m e r m o v i m i e n t o p o l í t i c o p a r a l i b e r a r al m u n d o d e l a l ó g i c a d e la
h o m o g e n e i z a c i ó n . E s lo q u e d e n o m i n a « h e t e r o g e n e i d a d m u l t i c u l t u ­
r a l » 22 p a r a p r o p o n e r l a v i s i ó n d e l a s d i s t i n t a s m o d a l i d a d e s d e h i b r i d a ­
ción c o m o u n t é r m i n o d e tra du cc i ón entre mestizaje, sincretismo y
f u s i ó n q u e c a r a c t e r i z a r í a la c u l t u r a d e l o s p a í s e s e n d e s a r r o l l o , c o m o
p o r e j e m p l o l o s q u e c o n f o r m a n A m é r i c a L a t i n a . G a r c í a C a n c l i n i a fir­
m a q u e las f o r m a s artísticas d e la « c u l t u r a d e elite» e s t á n p e r d i e n d o s u
p r i v i l e g i o a n t e las f o r m a s artísticas « i n d u s t r i a l i z a d a s » (cine, televisión,
m ú s i c a p o p u l a r ) ; e s t a e v o l u c i ó n a b r e las p u e r t a s a u n c a m p o d e e n o r ­
m e s p o s i b i l i d a d e s cul tu ra l es . D e e s t a m a n e r a la e s tética y a n o e s d o m i ­
n i o e x c l u s i v o d e l o s m e d i o s d e e x p r e s i ó n t r a d i c i o n a l e s d e la a l t a c u l t u ­
ra, s i n o u n c o n c e p t o q u e s e u t i l i z a e n t o d o s l o s c a m p o s d e la a c t i v i d a d
c u l t u r a l . P a r a él, p o r t a n t o , e l c o n s u m o e s a l g o b u e n o p a r a p e n s a r
( t o d o l o c o n t r a r i o d e la t r a d i c i ó n m a r x i s t a - a d o m i a n a ) . E n u n t e x t o
p o s t e r i o r , D i f e r entes, d e s i g u a l e s y d e s c o n e c t a d o s . M a p a s d e intercultu-
r a l i d a d P , el a u t o r p l a n t e a c ó m o , a n t e u n m u n d o c u y a g l o b a l i z a c i ó n
e c o n ó m i c a n o s ó l o i n t e r c o n e c t a s i m u l t á n e a m e n t e t o d o el p l a n e t a s i n o
q u e c r e a n u e v a s d i f e r e n c i a s y d e s i g u a l d a d e s , la triple n e c e s i d a d d e
r e c o n o c e r l a s d i f e r e n c i a s , c orregir l a s d e s i g u a l d a d e s y c o n e c t a r a l a s
m a y o r í a s a las r e d e s g l o b a l i z a d a s . E s e n este p u n t o c u a n d o G a r c í a
C a n c l i n i a v a n z a d e l a v i s i ó n d e u n m u n d o ?nulticultural — y u x t a p o s i ­
c i ó n d e e t n i a s o g r u p o s e n u n a c i u d a d o n a c i ó n b a j o el s i g n o d e l o
h e t e r o g é n e o — a o t r o in t e r cu l t u r a l g l o b a l i z a d o q u e r e m i t e a l a c o n ­
f r o n t a c i ó n y e l e n t r e l a z a m i e n t o . F r e n t e a l a s p o l í t i c a s r e l a t i v i s t a s d e la
d i f e r e n c i a q u e p r o m u e v e la i d e o l o g í a m u l t i c u l t u r a l , G a r c í a C a n c l i n i
e n t i e n d e lo intercultural c o m o u n a c o n s e c u e n c i a directa d e los p r o c e ­
s o s d e h i b r i d a c i ó n , e n l a m e d i d a e n q u e i m p l i c a el h e c h o d e q u e « l o s
diferentes s o n lo q u e s o n » e n relaciones d e n e g o c i a c i ó n , conflicto y
p r é s t a m o s r e c í p r o c o s 24. C o m o c o n c l u y e G a r c í a C a n c l i n i :

E s t a m o s a v e r i g u a n d o c ó m o p o d r í a ser u n a c i u d a d a n í a globalizada
[...]. E n u n m u n d o o r g a n i z a d o a la v e z p a r a i n t e r c o n e c t a r y excluir, las
d o s p ol ít ic a s m á s e n s a y a d a s h a s t a a h o r a p a r a la i n t e r c u l t u r a l i d a d — la
t o l e r a n c i a h a c i a l o s d i f e r e n t e s y la s o l i d a r i d a d d e los d e a b a j o — s o n
r e q u i s i t o s p a r a s e g u i r c o n v i v i e n d o [...]. C o m u n i c a r a l o s d i f e r e n t e s ,
c o r r e g i r las d e s i g u a l d a d e s y d e m o c r a t i z a r el. a c c e s o a l o s p a t r i m o n i o s
i n t e r c u l t u r a l e s s e h a n v u e l t o t a r e a s i n d i s o c l a b l e s p a r a salir d e e s t e
t i e m p o d e a b u n d a n c i a m e z q u i n a 25.
4>
7
Los fundamentos
d e la d i v e r s i d a d cultural

E l discurso multiculturalista

E l p r e f i j o « m u l t i » d e m u l t i c u l t u r a l i s m o c o m o el r e c a m b i o al p r e f i j o
« m o n o » ( n o s r e f e r i m o s al m o n o c u l t u r a l i s m o q u e h a b í a d o m i n a d o
b u e n a p a r t e d e l c a r á c t e r e t n o c é n t r i c o d e la m o d e r n i d a d y d e l c o l o n i a ­
l i s m o ) s e i m p u s o c o m o el r o s t r o o c c i d e n t a l d e la i d e o l o g í a p o s c o l o n i a l
q u e d e s d e l a s m e t r ó p o l i s , d e s d e l o s c e n t r o s d e p o d e r , r e i v i n d i c a b a l as
p ol ít ic a s d e la i d e n t i d a d y o t r e d a d c o i n c i d i e n d o c o n el fin d e la G u e ­
r r a F r í a , l a c a í d a d e l M u r o d e B e r l í n e n 1 9 8 9 y el a f i a n z a m i e n t o d e l a s
m i n o r í a s étnicas e n E s t a d o s U n i d o s y los p a í s e s a n g l o s a j o n e s e n lo q u e
se c o n o c i ó c o m o «lo políticamente correcto», e n t e n d i d o c o m o u n a
fusión estratégica entre corrientes p r o c e d e n t e s del postestructuralis-
m o francés (Michel Foucault y J acques Derrida) y del m a r x i s m o
deconstructivo (Ernesto Laclau y Chantal Mouffe).
E l c o n c e p t o p o s m o d e r n o d e m u l t i c u l t u r a l i s m o , tal c o m o h a s i d o
v i s t o p o r a l g u n o s t e ó r i c o s c o m o L o t t e P h i l i p s e n 1, e s el e j e m p l o d e la
d i f e r e n c i a c i ó n d e m ú l t i p l e s c u l t u r a s p a r t i c u l a r e s — la m a y o r í a i n m i ­
g r a n t e s — q u e h a b i t a n e n las m e t r ó p o l i s o c c i d e n t a l e s . L o m u l t i c u l t u ­
r a l s i g n i f i c a la c o h a b i t a c i ó n d e d i f e r e n t e s g r u p o s é t n i c o s y c u l t u r a l e s
que negocian u n c o m ú n m a r c o de ciudadanía pero siempre t o m a n d o
O c c i d e n t e c o m o t e m a p r i v i l e g i a d o d e c o n o c i m i e n t o . D e s d e la p e r s ­
p e c t i v a d e e s t a v i s i ó n « p o l i c é n t r i c a » , el m u n d o c o n s t a d e m ú l t i p l e s
l u g a r e s culturales d i n á m i c o s , m u c h o s p u n t o s d e vista posibles; c o m o
s o s t i e n e n R o b e r t S t a m y E l l a S h o h a t 2 , e s t e é n f a s i s e n el p o l i c e n t r i s i ^ i o
n o se refiere a p u n t o s espaciales d e o r i g e n s i n o a « c a m p o s d e p o d e r » ,
e n e r g í a y l u c h a . E l p r e f i j o « p o l i » , m á s q u e a l u d i r a u n a i n f i n i t a lista d e
centros d e poder, i n t r o d u c e u n principio sistemático d e diferencia-
74 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

ción, relacionalidad y vínculo. N i n g u n a ú n i c a c o m u n i d a d o n i n g u n a


p a r t e d e l m u n d o , c u a l q u i e r a q u e s e a el p o d e r e c o n ó m i c o o p o l í t i c o , s e
h a l l a p r i v i l e g i a d a d e s d e el p u n t o d e v i s t a e p i s t e m o l ó g i c o .
E n 1 9 9 4 u n o d e l o s p i o n e r o s d e l a i d e o l o g í a m u l t i c u l t u r a l , el f i l ó ­
s o f o c a n a d i e n s e C h a r l e s T a y l o r , e n « T h e P ol it ic s o f R e c o g n i t i o n » 3, e n
s u d e f e n s a d e la n e c e s i d a d d e « r e c o n o c i m i e n t o » p o r p a r t e d e los g r u ­
p o s m i n o r i t a r i o s o s u b a l t e r n o s y a l g u n a s f o r m a s d e f e m i n i s m o , f u e el
d e s e n c a d e n a n t e d e lo q u e se c o n o c e c o m o política del multiculturalis-
m o . T a y l o r s o s t i e n e la t e s i s d e q u e n u e s t r a i d e n t i d a d s e m o l d e a e n
p a r t e p o r el r e c o n o c i m i e n t o o p o r l a f a l t a d e e s t e y a m e n u d o t a m b i é n
p o r el « f a l s o » r e c o n o c i m i e n t o d e l « o t r o » . E s t o l l e v a a p e n s a r q u e u n
i n d i v i d u o o u n g r u p o d e p e r s o n a s p o d r á n sufrir u n v e r d a d e r o d a ñ o ,
u n a a u t é n t i c a « d e f o r m a c i ó n » , si la g e n t e q u e l o r o d e a m u e s t r a u n c u a ­
d r o limitativo, d e g r a d a n t e o d e s p r e c i a b l e d e este. T a y l o r d e m a n d a q u e
t o d o juicio d e v al or a c e r c a del « o t r o » p r e s u p o n g a u n a f us i ó n d e h o r i ­
z o n t e s n o r m a t i v o s p a r a n o c a e r e n juicios f a v o r a b l e s y p r e m a t u r o s q u e
serían c o n d e s c e n d i e n t e s y etnocéntricos.
S e g ú n T a y l o r , si q u e r e m o s c o m p r e n d e r l a í n t i m a c o n e x i ó n e n t r e
identidad y reconocimiento, d e b e m o s tener en cuenta u n rasgo deci­
s i v o d e la v i d a h u m a n a : s u c a r á c t e r « d i a l ó g i c o » , la c a p a c i d a d d e l l e n ­
g u a j e h u m a n o p a r a e x p r e s a r s e . Y p o r l e n g u a j e T a y l o r a l u d e t a n t o al
l e n g u a j e d e l a r t e c o m o al d e l g e s t o , al d e l a m o r ; l e n g u a j e s q u e a p r e n ­
d e m o s m e d i a n t e n u e s t r o i n t e r c a m b i o c o n l o s d e m á s : « L a g é n e s i s d e la
m e n t e h u m a n a n o es m o n o l ó g i c a ( n o es algo q u e c a d a q u i e n logra p o r
sí m i s m o ) s i n o d i a l ó g i c a » , s o s t i e n e T a y l o r 1. Y c o n c l u y e :

E l q u e y o d e s c u b r a m i p r o p i a i d e n t i d a d n o significa el q u e la h a y a
e l a b o r a d o e n el a i s l a m i e n t o , s i n o q u e la h e n e g o c i a d o p o r m e d i o d e l
d i á l o g o , e n p a r t e a b i e r t o , e n p a r t e i n t e r n o ; c o n los d e m á s [...]. M i
p r o p i a i d e n t i d a d d e p e n d e , e n definitiva, d e m i s r e l a c i o n e s d i a l ó g i c a s
c o n l o s d e m á s 5.

E s e n e s t e c o n t e x t o e n el q u e c o b r a n a s u v e z s e n t i d o l as t e o r í a s d e l
p e d a g o g o e s t a d o u n i d e n s e P e t e r M c L a r e n , q u e e n s u s iniciales r e f l e x i o ­
n e s s o b r e el f e n ó m e n o d e la m u l t i c u l t u r a l i d a d d i s t i n g u e e n t r e u n m u l -
t ic u l t u r a l i s m o c o n s e r v a d o r , o t r o liberal y o t r o liberal d e i z q u i e r d a s
q u e d e n o m i n a « mu lt i c u l t u r a l i s m o crítico» y q u e , a diferencia del c o n ­
s e r v a d o r ( p a r a el q u e el s e p a r a t i s m o e n t r e l a s éjtnias s e h a l l a s u b o r d i ­
n a d o a la h e g e m o n í a d e l o s W A S P y s u c a n o n fija c ó m o a c t u a r p a r a s e r
« p o l í t i c a m e n t e c o r r e c t o » 6 ), e x p o n e l a s p o s i b l e s v i o l a c i o n e s e n q u e
e s t a i g u a l d a d p u e d e d e s e m b o c a r p o r el d e s i g u a l a c c e s o a l o s b i e n e s e n
LOS F U N D A M E N T O S D E L A DIVERSIDAD C ULTURAL 75

el á m b i t o s o c i a l . D e a h í l a d e n o m i n a c i ó n « m u l t i c u l t u r a l i s m o c r í t i c o »
q u e c o m p a r t e n m i n o r í a s c hicanas, latinas y feministas y q u e consiste
e n c o n s i d e r a r , al d e c i r d e G a r c í a C a n c l i n i 7 , l as d i f e r e n c i a s r e l a c i o n a ­
d a s y n o c o m o i d e n t i d a d e s s e p a r a d a s . E s t a m a n e r a d e c o n c e b i r la d i f e ­
r e n c i a é t n i c a d e f o r m a r e l a c i o n a l f a v o r e c e r í a la c o n s t r u c c i ó n d e u n a
n u e v a f o r m a d e m e s t i z a j e q u e , al d e c i r d e M c L a r e n , n o se r í a :

[...] u n a d o c t r i n a d e i d e n t i d a d b a s a d a e n el b r i c o l a j e c u l t u r a l o u n a
f o r m a d e s u b j e t i v i d a d e x t r a v a g a n t e , s i n o u n a p r á c t i c a crítica d e n e g o c i a ­
c i ó n c u l t u r a l y t r a d u c c i ó n q u e i n t e n t a t r a s c e n d e r las c o n t r a d i c c i o n e s d e l
p e n s a m i e n t o d u a l i s t a o c c i d e n t a l . L a crítica a la c u l t u r a d o m i n a n t e , e n
v e z d e s e r h e c h a d e s d e c a d a g r u p o , sería u n a resis te n ci a m u l t i c u l t u r a l 8.

T a m b i é n e n la d é c a d a d e los n o v e n t a e n E s t a d o s U n i d o s , d o m i n a d a
p o r el f e n ó m e n o d e l m e l t i n g p o t d e s d e e l c a m p o d e l a s c i e n c i a s s o c i a ­
les, el c r í t i c o c u l t u r a l F r e d r i c J a m e s o n , e n s u e n s a y o « S o b r e l o s e s t u ­
d i o s c u l t u r a l e s » ( 1 9 9 3 )9 , i n t e n t a b a d e l i m i t a r el c a m p o d e i n v e s t i g a c i ó n
p r e s e n t a n d o los e s t u d i o s culturales c o m o u n p r o y e c t o « p osdiscipli­
n a r » q u e d e s a f i a b a t o d a a p r o x i m a c i ó n histórica y b u s c a b a inscribir
u n a s e r i e d e t r a b a j o s a c a d é m i c o s r e f e r i d o s al p l u r a l i s m o e n l o q u e
D e l e u z e d e n o m i n a b a « m i c r o g r u p o s » ( f e m i n i s m o , política d e los
n e g r o s , m o v i m i e n t o gay, es t u d i o s c h i c a n o s , culturas p o p u l a r e s y d e
m a s a s ) y s u s i d e n t i d a d e s particulares. C i e r t a s d i f e r e n c i a s (raza, g é n e ­
ro, e tn ia y s e x u a l i d a d ) e n t r a r í a n e n colisión p a r a constituir u n n u e v o
o b j e t o d e e s t u d i o p o s d i s c i p l i n a r q u e afe ct ar í a a las á r e a s d e la s o c i o l o ­
g í a , la a n t r o p o l o g í a , l a h i s t o r i a y l a l i t e r a t u r a . E n p a r t i c u l a r , d e s t a c a la
a p u e s t a d e J a m e s o n p o r la a n t r o p o l o g í a , q u e , lejos d e s e r u n a discipli­
n a tradicional, es o bjeto d e u n a « c o n v u l s a t r a n s f o r m a c i ó n textual y
m e t o d o l ó g i c a » . S e r í a u n a a n t r o p o l o g í a e n t e n d i d a , s i g u i e n d o las d i r e c ­
trices f u n d a c i o n a l e s d e J a m e s Clifford, G e o r g e M a r c u s o M i c h a e l Fis-
cher, c o m o u n a n u e v a clase d e etnología, u n a n u e v a « a n t r o p o l o g í a
i n t e r p r e t a t i v a » o t e x t u a l e n el m a r c o d e l a s p o l í t i c a s d e i d e n t i d a d d e
los n u e v o s m o v i m i e n t o s sociales o m i c r o g r u p o s .
P a r a d i s i p a r l o m o n o l ó g i c o , J a m e s o n d a la b i e n v e n i d a a la c e l e b r a ­
c i ó n y a n á l i s i s d e n u e v o s t i p o s d e c o m p l e j i d a d e s e s t r u c t u r a l e s y d e la
m e z c l a p e r s e q u e p o t e n c i a la c r e a c i ó n d e g r u p o s , s u a r t i c u l a c i ó n y
espacio. C o m o sostiene J a m e s o n :

S e trata d e u n a s i t u a c i ó n e n la q u e l o s o b j e t o s c u l t u r a l e s e s t a b l e é y los
textos d e b e n reescribirse c o m o m o v i m i e n t o s d i a l ó g i c a m e n t e a n t a g o ­
nistas, e n la l u c h a e n t r e los g r u p o s y m o v i m i e n t o s q u e t i e n d e n a e x p r e ­
s a r s e a f e c t i v a m e n t e b a j o la f o r m a d e o d i o y E n v i d i a 10.
76 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

C u e s t i o n a r el m u l t i c u l t u r a l i s m o

A l o l a r g o d e l a d é c a d a d e l o s n o v e n t a el m u l t i c u l t u r a l i s m o h a s i d o a
la v e z d e f e n d i d o y d i f a m a d o , i d e a l i z a d o y v i t u p e r a d o t a n t o c o m o i n s ­
t r u m e n t o p e d a g ó g i c o y cul tu ra l c o m o d e s d e s u d i m e n s i ó n política.
C o m o s e p o d í a l e e r e n T h i r d T e x t , el m u l t i c u l t u r a l i s m o i n s t i t u c i o n a l
es u n i n s t r u m e n t o r e g u l a d o r desarrollado p o r O c c i d e n t e p a r a afian­
z a r s u h e g e m o n í a c u l t u r a l y p e r p e t u a r la j e r a r q u í a s e g ú n la c u a l los
artistas o c c i d e n t a l e s o b t i e n e n s u r e c o n o c i m i e n t o s o b r e la b a s e d e s u s
p r o p i o s m é r i t o s i n d i v i d u a l e s , m i e n t r a s q u e los artistas n o o c c i d e n t a ­
les s o n ú n i c a m e n t e a c e p t a d o s e n la m e d i d a e n q u e r e p r e s e n t a n a u n a
c o m u n i d a d é t n i c a y u n a c u l t u r a l o c a l a la q u e e l l o s o s u s a n c e s t r o s
p e r t e n e c e n 11.
E l m u l t i c u l t u r a l i s m o s e p r e s e n t a b a c o n s u s b e n e f i c i o s y s u s fla­
q u e z a s , y a ellas s e a c o g i e r o n b u e n a p a r t e d e l o s t e ó r i c o s c u l t u r a l e s e n
el á m b i t o d e las a r t e s v i s u a l e s q u e l o c o n s i d e r a r o n u n i n s t r u m e n t o
d i s c r i m i n a t o r i o p o r el c u a l l a s i n s t i t u c i o n e s c u l t u r a l e s o c c i d e n t a l e s
p o d í a n m a n e j a r a los otros c o m o al g u i e n o a lgo tan distinto q u e n e c e ­
sita s e r n o m b r a d o d e u n a f o r m a d i f e r e n t e . C o m o a p u n t a R a s h e e d
A r a e e n , si b i e n n o h a y n a d a m a l o e n el m u l t i c u l t u r a l i s m o p e r se, n o
obs ta nt e d e s d e O c c i d e n t e se h a u s a d o c o m o u n i n s t r u m e n t o cultural
p a r a « e t n i c i z a r » a l a p o b l a c i ó n n o b l a n c a c o n el f i n d e p o d e r a d m i n i s ­
t r a r y c o n t r o l a r m e j o r s u s a s p i r a c i o n e s e n f a v o r d e la i g u a l d a d . Y d e l
m i s m o m o d o , sirve t a m b i é n c o m o u n a cortina d e h u m o p a r a e s c o n d e r
las c o n t r a d i c c i o n e s d e u n a s o c i e d a d b l a n c a i n c a p a z d e r e n u n c i a r a s u
l e g a d o i m p e r i a l 12.
E l m u l t i c u l t u r a l i s m o a p l i c a d o al á m b i t o d e l a s a r t e s v i s u a l e s e s t a ­
ría, a j u i c i o d e A r a e e n , r a c i o n a l i z a d o p o r el « t o d o v a l i s m o » d e la p o s ­
m o d e r n i d a d a m e n u d o e n c o m p l i c i d a d c o n el d i s c u r s o p o s c o l o n i a l .
P e r o el p r o b l e m a n o s e l o c a l i z a d e n t r o d e l a p o s m o d e r n i d a d , s i n o q u e
s e e x t i e n d e e n el t i e m p o h a s t a el c o l o n i a l i s m o y l a f o r m a e n q u e l o s
artistas n a t i v o s r e s p o n d i e r o n a l o q u e f u e i m p u e s t o s o b r e ellos c o m o
u n d i s c u r s o d e la c i v i l i z a c i ó n m o d e r n a . Y s e p r e g u n t a A r a e e n :

¿ S u c u m b i e r o n e s t o s artistas a e s t a d o m i n a c i ó n , p r o d u c i e n d o p a s t i c h e s
d e l a r t e o c c i d e n t a l , o m á s b i e n s e trata d e u n p u n t o d e p a r t i d a p a r a u n
viaje d o l o r o s o q u e f i n a l m e n t e los l l e v ó a las m e t r ó p o l i s m o d e r n a s ?
¿ Q u é h a c í a n e x a c t a m e n t e e n las m e t r ó p o l i s ? ' ^ P r o d u j e r o n s ó l o t r a b a ­
jos d e r i v a t i v o s d e s e g u n d o o t e r c e r o r d e n tal c o m o i n f o r m a n las insti­
t u c i o n e s artísticas y s u s v o c e r o s q u e s e a u t o d e f i n e n c o m o críticos e
h i s t o r i a d o r e s d e l a r t e ? 13.
LOS F U N D A M E N T O S D E L A DIVERSIDAD CULTURAL 77

E n s u m a , a juicio d e A r a e e n , la i m p e r a n t e n o c i ó n o c c i d e n t a l d e m u l t i -
c u k u r a l i s m o s e r í a e l p r i n c i p a l o b s t á c u l o al q u e n o s e n f r e n t a r í a m o s e n
n u e s t r o i n t e n t o d e c a m b i a r el s i s t e m a y c r e a r u n p a r a d i g m a i n t e r n a ­
c i o n a l e n e l q u e l o q u e c u e n t a e s la o b r a d e a r t e , c o n s u s p r o p i o s r o l e s
p a r a la p r o d u c c i ó n y l e g i t i m a c i ó n e n t é r m i n o s d e e s t é t i c a , f o r m a c i ó n
histórica, l u g a r y significación. R o l e s n o n e c e s a r i a m e n t e « d e r i v a d o s d e
n i n g u n a c u l t u r a o r i g i n a l » 14. P o r o t r o l a d o , p a r a J e a n F i s h e r 15, u n a d e
.as m a y o r e s p a r a d o j a s d e l a m u l t i c u l t u r a l i d a d e r a p r e c i s a m e n t e l a i n t e ­
g r a c i ó n d e l o s a r t i s t a s n e g r o s y n o e u r o p e o s e n el s i s t e m a d e l a r t e
o c c i d e n t a l y, e n c o n c r e t o , e n s u h i s t o r i o g r a f í a , s u m e r c a d o , s u e s t é t i c a
y s u s v a l o r e s críticos. A s í , n o s i e m p r e e x p o n e r u n m a y o r n ú m e r o d e
artistas n o e u r o p e o s p o r p a r t e d e m u s e o s y g a l e r í a s o c c i d e n t a l e s r e s ­
p o n d í a a u n a v o l u n t a d d e d e s a f i a r las teorías estéticas e u r o c é n t r i c a s y
s u jer ár qu i co s i s t e m a d e valores. T o d o lo contrario: se e s t a b a asistien­
d o a u n n u e v o f e n ó m e n o d e « e x o t i z a c i ó n » a partir d e u n a a p r o p i a c i ó n
d e s i g n o s d e la d i f e r e n c i a c u l t u r a l :

E l t r o t a m u n d i s m o se h a c o n v e r t i d o e n u n p a s a t i e m p o curatorial p o p u ­
lar q u e d a c o m o r e s u l t a d o u n e n t r e t e n i m i e n t o g e o é t n i c o q u e m a n t i e n e
las j e r a r q u i z a d a s d e s i g u a l d a d e s i n t e l e c t u a l e s e n t r e las p r á c t i c a s artísti­
c a s d e e u r o p e o s y n o e u r o p e o s al t i e m p o q u e e n m a s c a r a las d e s i g u a l e s
r e l a c i o n e s e c o n ó m i c a s y d e p o d e r 16.

Y m i e n t r a s q u e p a r a O c c i d e n t e e n m a r c a r y e v a l u a r las p r o d u c c i o n e s
culturales a través d e sus p r o p i o s estereotipos d e o t r e d a d es reducirlas
a u n e s p e c t á c u l o d e e s e n c i a l i s m o r a c i a l o t i p o l o g í a é t n i c a , p a r a la
s u p e r v i v e n c i a artística y e c o n ó m i c a d e l o s artistas n e g r o s y n o e u r o ­
p e o s i m p l i c a a c e p t a r los m e r c a n t i l i z a d o s sig no s d e etnicidad, los c u a ­
l e s l o s h a c e n c ó m p l i c e s d e l d e s e o o c c i d e n t a l p a r a el « e x ó t i c o o t r o » . E l
artista « e x o t i z a d o » e stá m a r c a d o n o c o m o u n s u j e t o p e n s a n t e o u n
i n n o v a d o r individual sino c o m o p o r t a d o r d e signos y significados cul­
t u r a l e s h o m o g e n e i z a n t e s . S e r v i s t o « d e n t r o » d e l m a r c o d e la e t n i c i d a d
e s s e r v i s t o « f u e r a » d e u n r i g u r o s o d e b a t e h i s t ó r i c o y f i l o s ó f i c o ; el
p r o b l e m a r a d i c a e n c ó m o c r e a r u n l u g a r d e s d e el c u a l s e a p o s i b l e
h a b l a r y s e r o í d o s i n c o m p r o m e t e r la p r o p i a e x p e r i e n c i a v i t a l s e a c u a l
sea su origen.
L a n e c e s i d a d d e r e c o n c e p t u a l i z a r la m a r g i n a l i d a d cultural, m á s
q u e u n p r o b l e m a d e «invisibilidad», lo es d e excesiva visibilidad e n
t é r m i n o s d e i n t e r p r e t a r la d i f e r e n c i a c u l t u r a l c o m o a l g o f á c i l n i e n t e
n e g o c i a b l e . E l h e c h o d e q u e s e e s p e r e d e los artistas n e g r o s y n o e u r o ­
p e o s q u e p r o d u z c a n u n arte t a n t o é t n i c o c o m q político, m i e n t r a s q u e
78 TEORIAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

o t r a s p o s i c i o n e s s o n t á c i t a m e n t e i g n o r a d a s , s u g i e r e q u e la v is i b i l i d a d
n o h a s i d o a d e c u a d a p a r a p r o p o r c i o n a r l as c o n d i c i o n e s d e u n s u j e t o
h a b l a n t e i n d e p e n d i e n t e . P o r el c o n t r a r i o , d i c h a s e s t r a t e g i a s h a n s i d o
c o n t r a p r o d u c e n t e s p a r a el arte: c u a n d o s e i n c o r p o r a el t r a b a j o d e n t r o
d e l as p o l í t i c a s i d e n t i t a r i a s , t i e n d e a c o n v e r t i r s e e n u n a s u b c a t e g o r í a
d e sociología o a n t r o p o l o g í a , m e n g u a n d o s u eficacia t a n t o estética
c o m o c rí ti ca . S u r g e , a j u i c i o d e F i s c h e r , u n a s i t u a c i ó n a b s u r d a e n la
c u a l s e e s p e r a q u e los artistas n e g r o s h a g a n a r t e s ó l o a c e r c a d e c u e s t i o ­
n e s « n e g r a s » c o m o si, p o r e j e m p l o , el r a c i s m o n o f u e r a u n t e m a d e
r e p r e s e n t a c i ó n p a r a la c u l t u r a b l a n c a d o m i n a n t e .
L a s o l u c i ó n s e r í a n o t a n t o a d o p t a r el m o d e l o d e h i b r i d a c i ó n ,
a m p l i a m e n t e c o n c e p t u a l i z a d o p o r H o m i B h a b h a 17, c o m o el d e s i n c r e ­
t i s m o , q u e n o i m p l i c a e l e m e n t o s fijos s i n o u n a c o n t i n g e n t e a f i l i a c i ó n d e
t é r m i n o s d i s p a r e s c a p a c e s d e desafiar p o s i c i o n e s o d e alterar relaciones
d e f r o n t e r a s p e r m e a b l e s . Y si la h i b r i d a c i ó n d e p e n d e d e la v i s i b i l i d a d d e
u n s i g n o q u e b u s c a e s t a b l e c e r s e a sí m i s m o e i n t e n t a r e s o l v e r t o d a a m b i ­
g ü e d a d , el s i n c r e t i s m o a p u n t a a r e l a c i o n e s c o n s t a n t e m e n t e m ó v i l e s q u e
o p e r a n e n la e s t r u c t u r a d e l o s l e n g u a j e s y e n el n i v e l d e l a p e r f o r m a n c e ,
tal c o m o p o n e n d e m a n i f i e s t o l o s t r a b a j o s d e J i m m i e D u r h a m , G a b r i e l
O r o z c o y Santi Q u e s a d a , q u e v i v e n y trabajan e n m e d i o d e u n a plurali­
d a d d e s i g n o s c u l t u r a l e s 18. E n el c a s o d e J i m m i e D u r h a m , h a b l a r í a m o s
d e u n artista q u e a lo l a r g o d e la d é c a d a d e los o c h e n t a j u g ó c o n distintas
e s t r a t e g i a s r e t ó r i c a s , u n a d e las c u a l e s f u e p a r o d i a r el m e t a l e n g u a j e d e la
e t n o g r a f í a — u n a d i s c i p l i n a a c a d é m i c a o c c i d e n t a l c ó m p l i c e e n la r e p r e ­
s i ó n d e l a s c u l t u r a s n a t i v a s a m e r i c a n a s — a p a r t i r d e la p r e s e n t a c i ó n d e
artefactos e t n o g r á f i c o s falsos e n instalaciones c o m o O n L o a n f r o m the
M u s é u m o f t h e A m e r i c a n I n d i a n , d e 1 9 8 5 , o e n o t r a s p i e z a s e n las q u e s e
s o c a v a la estética o c c i d e n t a l a t r a v é s d e u n a e s t ra te g ia d e n e o p r i m i t i v i s -
m o — « i d i o t a s a l v a j e » — m u y a p e t e c i b l e p a r a la a u d i e n c i a b l a n c a q u e
b u s c a b a u n a r e d e n t o r a u t o p í a postindustrial.
L a p o s m o d e r n i d a d y el m u l t i c u l t u r a l i s m o e r a n v i s t o s c o m o p r o ­
b l e m a s q u e tenían q u e ser d e c o n s t r u i d o s y r e e m p l a z a d o s p o r otras
m a n e r a s d e p e n s a r l a p l u r a l i d a d y la d i f e r e n c i a d e u n m o d o « p o l í t i c a ­
m e n t e c o r r e c t o » . E n e s t e s e n t i d o , tras u n m i n u c i o s o anáfisis d e las
s i t u a c i o n e s p o l í t i c o - s o c i a l e s d e l o s p a í s e s d e la E u r o p a d e l E s t e y, e n
c o n c r e t o , d e l o s B a l c a n e s c o m o u n e s p a c i o f u e r a d e l t i e m p o e n el q u e
O c c i d e n t e p r o y e c t a su « c o n t e n i d o f a n t a s m a g ó r i c o » ( c o n c e p t o similar
al d e « o r i e n t a l i s m o » d e E d w a r d S a i d ) , el f i l ó s o f o y s o c i ó l o g o e s l o v e n o
S l a v o j Z i z e k 19 n o s p o n e c o m o e j e m p l o s d o s p e l í c u l a s , u n a d e l c i n e a s t a
m a c e d o n i o M i l c h o M a n c h e v s k i , B e f o r e t h e R a i n { A n t e s d e la lluvia,
1 9 9 4 ) r e a l i z a d a e n la i n d e p e n d i e n t e R e p ú b l i c a d e M a c e d o n i a , d o n d e
LOS F U N D A M E N T O S D E LA DIVERSIDAD CULTURAL 79

s e c o n f u n d e n t r e s h i s t o r i a s — la d e u n m o n j e o r t o d o x o c r i s t i a n o , la
directora d e u n a agencia d e noticias británica y u n nativo fotógrafo d e
guerra m a c e d o n i o — ,y u n a s e g u n d a d e E m i r Kusturica, U n d e r g r o u n d
1 9 9 5 ) 20 , c o m o l o s ú l t i m o s p r o d u c t o s i d e o l ó g i c o s d e l m u l t i c u l t u r a l i s -
m o l i b e r a l d e O c c i d e n t e . L o q u e a m b a s p e l í c u l a s o f r e c e n a n t e la m i r a ­
d a del e s p e c t a d o r o c c i d e n t a l liberal es p r e c i s a m e n t e lo q u e este q u i e r e
v e r e n la g u e r r a b a l c á n i c a : el e s p e c t á c u l o d e u n c i c l o d e p a s i o n e s m í t i ­
c a s , i n c o m p r e n s i b l e s y a t e m p o r a l e s q u e c o n t r a s t a n c o n la v i d a d e c a ­
d e n t e y a n é m i c a d e O c c i d e n t e . E l p u n t o d é b i l d e la m i r a d a m u l t i c u l -
turalista u n i v e r s a l n o estaría e n s u i n c a p a c i d a d p a r a « a r r o j a r a g u a
s u c i a s i n a r r o j a r al b e b é » 21, e n p a l a b r a s d e Z i z e k — q u e s u g i e r e e s t a ­
b l e c e r u n a a n a l o g í a c o n el p s i c o a n á l i s i s c u y o p r o p ó s i t o n o s e r í a s a c a r ­
s e d e e n c i m a el a g u a s u c i a (los s í n t o m a s , los « t i c s » p a t o l ó g i c o s ) p a r a
c o n s e r v a r al b e b é (el c e n t r o d e l « y o » s a l u d a b l e ) — , s i n o m á s b i e n e n
a r r o j a r al b e b é ( s u s p e n d e r el « y o » d e l p a c i e n t e ) p a r a c o n f r o n t a r al
p a c i e n t e c o n s u p r o p i a « a g u a sucia», c o n los s í n t o m a s y fantasías q u e
e s t r u c t u r a n s u g o c e . Y el m é r i t o d e l f i l m a n t e s a l u d i d o U n d e r g r o u n d
e s q u e , s i n s e r c o n s c i e n t e d e ello, t o r n a v i s i b l e e s t a a g u a s u c i a ; l o c u a l
le l l e v a a p r e g u n t a r s e : ¿ C ó m o s e i n s e r t a e s t a p o e s í a i d e o l ó g i c a m u l t i -
c u l t u r a l i s t a e n el c a p i t a l i s m o g l o b a l d e h o y t e n i e n d o p r e s e n t e q u e el
v e r d a d e r o p r o b l e m a s i g u e s i e n d o el d e l u n i v e r s a l i s m o e n l a s s o c i e d a ­
d e s a c t u a l e s ? O ¿ c ó m o s e r e l a c i o n a el u n i v e r s o d e l c a p i t a l c o n l a f o r ­
m a d e l E s t a d o - n a c i ó n e n la e r a d e c a p i t a l i s m o g l o b a l ? Y r e s p o n d e
Z i z e k : « C o n el f u n c i o n a m i e n t o m u l t i n a c i o n a l d e l c a p i t a l y a n o n o s
h a l l a m o s f r e n t e a la o p o s i c i ó n e s t á n d a r e n t r e m e t r ó p o l i s y p a í s e s c o l o ­
n i z a d o s . L a e m p r e s a g l o b a l r o m p e el c o r d ó n u m b i l i c a l q u e l a u n e a s u
n a c i ó n m a t e r n a y trata a s u país d e o r i g e n s i m p l e m e n t e c o m o o t r o
t e r r i t o r i o q u e d e b e s e r c o l o n i z a d o . [...]. H o y el c a p i t a l i s m o g l o b a l
— d e s p u é s del c apitalismo n ac io na l y d e s u fase colonialista/interna-
c i o n a l i s t a e n t r a ñ a n u e v a m e n t e u n a n e g a c i ó n d e la n e g a c i ó n [...].
C o m o c u l m i n a c i ó n d e e s t e p r o c e s o h a l l a m o s l a p a r a d o j a d e la c o l o n i ­
z a c i ó n e n la c u a l s ó l o h a y c o l o n i a s , n o p a í s e s c o l o n i z a d o r e s : el p o d e r
colonizador n o proviene m á s del E s t a d o - N a c i ó n , sino q u e surge
d i r e c t a m e n t e d e l a s e m p r e s a s g l o b a l e s » . A la l a i g a , c o n c l u y e Z i z e k ,
« n o sólo t e r m i n a r e m o s u s a n d o ropa d e u n a república bananera, sino
q u e v i v i r e m o s e n r e p ú b l i c a s b a n a n e r a s » 22.
Y s i n l u g a r a d u d a s , l a f o r m a i d e a l d e la i d e o l o g í a d e e s t e c a p i t a l i s ­
m o g l o b a l e s la d e l m u l t i c u l t u r a l i s m o , u n a a c t i t u d q u e , d e s d e u r j a
s u e r t e d e p o s i c i ó n g l o b a l v a c í a , t r a t a a c a d a c u l t u r a l o c a l c o m o el c o l o ­
n i z a d o r t r a t a al p u e b l o c o l o n i z a d o : c o m o « n a t i v o s » , c u y a m a y o r í a
d e b e s e r e s t u d i a d a y r e s p e t a d a c u i d a d o s a m e n t e . E s decir, la r e l a c i ó n
80 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

e n t r e c o l o n i a l i s m o i m p e r i a l i s t a t r a d i c i o n a l y la a u t o c o l o n i z a c i ó n c a p i ­
tal is ta g l o b a l e s e x a c t a m e n t e l a m i s m a q u e l a r e l a c i ó n e n t r e el i m p e r i a ­
l i s m o c u l t u r a l o c c i d e n t a l y el m u l t i c u l t u r a l i s m o . D e l a m i s m a m a n e r a
q u e e n el c a p i t a l i s m o g l o b a l e x i s t e la p a r a d o j a d e l a c o l o n i z a c i ó n s i n l a
m e t r ó p o l i c o l o n i z a n t e d e t i p o E s t a d o - n a c i ó n , e n el m u l t i c u l t u r a l i s m o
e x i s t e u n a d i s t a n c i a e u r o c e n t r i s t a r e s p e t u o s a p a r a c o n las c u l t u r a s
l o c a l e s , s i n e c h a r r a í c e s e n n i n g u n a c u l t u r a e n p a r t i c u l a r 23.
E n o t r a s p a l a b r a s , s e g ú n Z i z e k , el m u l t i c u l t u r a l i s m o e s u n a f o r m a
d e r a c i s m o n e g a d a , invertida, autorreferencial, u n « r a c i s m o c o n dis­
t a n c i a » : r e s p e t a l a i d e n t i d a d d e l « o t r o » , y la c o n c i b e c o m o u n a c o m u ­
n i d a d a u t é n t i c a c e r r a d a , h a c i a l a c u a l él, el m u l t i c u l t u r a l i s t a , m a n t i e n e
u n a distancia q u e se h a c e posible gracias a su p o s i c i ó n universal privi­
l e g i a d a . E l m u l t i c u l t u r a l i s m o sería, a juicio d e Z i z e k , u n r a c i s m o q u e
vacía s u p o s i c i ó n d e t o d o c o n t e n i d o positivo, p e r o i g u a l m e n t e m a n t i e ­
n e esta p osición c o m o u n privilegiado « p u n t o v acío d e u n i versalidad»
d e s d e el c u a l u n o p u e d e a p r e c i a r y d e s p r e c i a r las o t r a s c u l t u r a s p a r t i ­
c u l a r e s : e l r e s p e t o m u l t i c u l t u r a l i s t a p o r la e s p e c i f i c a d d e l « o t r o » e s
p r e c i s a m e n t e l a f o r m a d e r e a f i r m a r l a p r o p i a s u p e r i o r i d a d 24. Y a p o s t i ­
lla Z i z e k :

L a c o n c l u s i ó n q u e s e d e s p r e n d e d e lo e x p u e s t o e s q u e la p r o b l e m á t i c a
d e l m u l t i c u l t u r a l i s m o q u e s e i m p o n e h o y — la c o e x i s t e n c i a h í b r i d a d e
m u n d o s c u l t u r a l m e n t e d i v e r s o s — e s el m o d o e n q u e s e m a n i f i e s t a la
p r o b l e m á t i c a o p u e s t a : la p r e s e n c i a m a s i v a d e l c a p i t a l i s m o c o m o siste­
m a m u n d i a l universal. E s t a p r o b l e m á t i c a multiculturalista d a t e s t i m o ­
n i o d e la h o m o g e n e i z a c i ó n s in p r e c e d e n t e s d e l m u n d o c o n t e m p o r á ­
n e o . Y e n e s t e c o n t e x t o , las b a t a l l a s d e b e n g i r a r s o b r e l o s d e r e c h o s d e
las m i n o r í a s étnicas, l os g a y s y las l e s b i a n a s , los d i f e r e n t e s estilos d e v i d a
y o t r a s c u e s t i o n e s d e e s t e tipo, m i e n t r a s el c a p i t a l i s m o c o n t i n ú a s u
m a r c h a t ri un fa l 25.
8
E l d i s c u r s o i n ter cul tur al a n t e la d i v e r s i d a d

D e s d e el á m b i t o d e l a f i l o s o f í a p o l í t i c a , e l m u l t i c u l t u r a l i s m o p r o n t o
f u e c e d i e n d o s u l u g a r a u n n u e v o « i s m o » , el i n t e r c u l t u r a l i s m o b a s a d o
e n n u e v a s p o s i b i l i d a d e s e n la r e l a c i ó n e n t r e c u l t u r a s y q u e p a r e c í a
t r a s c e n d e r l a s e s p e c i f i c i d a d e s d e l a h i s t o r i a , la r a z a , e l l e n g u a j e y el
t i e m p o . E s t a m o s m u y lejos d e la i d e o l o g í a m u l t i c u l t u r a l e n t e n d i d a
c o m o u n pluralismo tout court q u e sigue m a n t e n i e n d o u n espacio d e
j e r a r q u í a s y s e i m p o n e s u p e r a r la f a s e d e l m u l t i c u l t u r a l i s m o p o r la d e l
i n t e r c u l t u r a l i s m o , e s d e c i r , la d e l i n t e r c a m b i o d e c u l t u r a s a t r a v é s d e las
n a c i o n e s , c o n t o d o lo q u e ello s u p o n e d e u n a r e a p r o p i a c i ó n d e lo
n a c i o n a l y s u s r e n o v a d o s c o n t a c t o s críticos c o n lo internacional.
L o intercultural se pre se nt a c o m o u n «tercer estadio» s u p e r a d o r
d e la a n ü g u a d i c o t o m í a i d e n t i d a d / d i f e r e n c i a y l o s d i á l o g o s e n t r e d i s ­
t i n t o s c o n t e x t o s n a c i o n a l e s a t r a v é s d e u n a m a y o r p o t e n c i a c i ó n d e las
s u b j e t i v i d a d e s , l a s r e a l i d a d e s p a r t i c u l a r e s d e c a d a s e r h u m a n o m á s allá
del c o n c e p t o d e lo étnico, y d e u n m a y o r d i á l o g o e n t r e lo universal y
l o l o c a l , e n t e n d i e n d o l o l o c a l ( s i n ó n i m o d e sit io o l u g a r ) m á s c o m o
relacional y c o n t e x t u a l q u e c o m o escalar o espacial. D e u n m o d o dis­
t i n t o al m u l t i c u l t u r a l i s t a , q u e s e d i s t a n c i a r í a a sí m i s m o d e l o t r o a t r a ­
v é s d e u n a p r i v i l e g i a d a u n i v e r s a l i d a d , el i n t e r c u l t u r a l i s t a , al m e n o s e n
s u s m a n i f e s t a c i o n e s m á s i d e a l i z a d a s , b o r r a r í a las d i s t i n c i o n e s d e f e n ­
die nd o ante t o d o u n a universalidad compartida («todos s o m o s uni­
versales», « t o d o s s o m o s exóticos»).
S e g ú n A r j u n A p p a d u r a i 1, u n o d e l o s p r i m e r o s a u t o r e s e n d e f e n ­
d e r e l i n t e r c u l t u r a l i s m o c o m o r e s p u e s t a a u n m u n d o e n el < ^ u e l a s
fronteras n a c i o n a l e s y g eo g r á f i c a s se d e s p l a z a n c o n s t a n t e m e n t e , vivi­
m o s e n u n m u n d o e n el q u e l a m o d e r n i d a d e s t á d e s b o r d a d a , c o n i r r e ­
g u l a r c o n c i e n c i a d e si e s v i v i d a d e f o r m a d e s p a r e j a . L o c u a l s u p o n d r í a
82 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

u n a f r a c t u r a total c o n t o d o t i p o d e p a s a d o q u e , s e g ú n A p p a d u r a i ,
l l e v a i m p l í c i t a u n a t e o r í a d e la r u p t u r a q u e a d o p t a n l o s m e d i o s d e
c o m u n i c a c i ó n y los m o v i m i e n t o s m i g r a t o r i o s y se e xp l i c a a través d e los
t r e s c o n c e p t o s f o r m u l a d o s p o r A p p a d u r a i : e l t r a b a j o d e la i m a g i n a ­
c i ó n , l a p r o d u c c i ó n d e l o c a l i d a d y l a i d e a d e la p o s n a c i ó n .

E l t r a b a j o d e la i m a g i n a c i ó n

P a r t i e n d o d e la b a s e d e q u e los m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n e l e c t r ó n i c o s
t r a n s f o r m a n el c a m p o d e los m e d i o s m a s i v o s d e c o m u n i c a c i ó n , d e l
m i s m o m o d o q u e lo h a c e n r e s p e c t o a los m e d i o s d e e x p r e s i ó n y c o m u ­
n i c a c i ó n t r a d i c i o n a l e s , A p p a d u r a i e n t i e n d e la i m a g i n a c i ó n c o m o u n
h e c h o s o c i a l y c o l e c t i v o y, a p a r t i r d e a h í , el t r a b a j o d e l a i m a g i n a c i ó n
c o m o u n e l e m e n t o c o n s t i t u t i v o d e la s u b j e t i v i d a d m o d e r n a e n la s o c i e ­
d a d postelectrónica:

A l s u g e r i r q u e e n u n m u n d o p o s t e l e c t r ó n i c o la i m a g i n a c i ó n j u e g a u n
p a p e l si g n i f i c a t i v o n u e v o b a s o m i a r g u m e n t o e n las tres d i s t i n c i o n e s
s i g u i e n t e s . L a p r i m e r a e s q u e a c t u a l m e n t e la i m a g i n a c i ó n s e d e s p r e n ­
d i ó d e l e s p a c i o e x p r e s i v o p r o p i o d e l m i t o , d e l a r t e y d e l ritual y p a s ó a
f o r m a r p a r t e d e l t r a b a j o m e n t a l c o t i d i a n o d e la g e n t e c o m ú n . E s decir,
p e n e t r ó e n la l ó g i c a d e la v i d a c o t i d i a n a d e la q u e h a b í a s i d o e x i t o s a ­
m e n t e d e s t e r r a d a . L a s e g u n d a d i s t i n c i ó n e s e n t r e la i m a g i n a c i ó n y la
fantasía. L a t e r c e r a e s t á e n t r e el s e n t i d o i n d i v i d u a l y el s e n t i d o c o l e c t i ­
v o d e la i m a g i n a c i ó n .

E n e s t e ú l t i m o a s p e c t o , A p p a d u r a i s u b r a y a q u e , m á s q u e la i m a g i n a ­
c i ó n c o m o u n a fac ul ta d d e i n d i v i d u o s geniales, h a b r í a q u e referirse a
ella c o m o u n a p r o p i e d a d d e c o l e c t i v o s 2 .
U n o d e l o s c a m b i o s p r i n c i p a l e s e n el o r d e n c u l t u r a l g l o b a l p r o v o ­
c a d o p o r e l c i n e , l a t e l e v i s i ó n y la t e c n o l o g í a d e l v í d e o , a s í c o m o p o r
o t r o s m e d i o s m á s t r a d i c i o n a l e s d e c o m u n i c a c i ó n t e n d r í a q u e ver, a
j u i c i o d e A p p a d u r a i , c o n la i m a g i n a c i ó n a u n n i v e l s o c i a l . Y si la i m a ­
ginación (una imaginación c o m o propiedad d e individuos y n o c o m o
f a c u l t a d d e i n d i v i d u o s g e niales) y la fantasía s e p u e d e n c o n s i d e r a r
a n t í d o t o s d e t o d a e x p e r i e n c i a social, lo c i e r t o e s q u e e n las p a s a d a s
d o s d é c a d a s m u c h a s p e r s o n a s e m p e z a r o n a sentir e i m a g i n a r c o s a s d e
f o r m a c o n j u n t a , c o m o g r u p o — e n l o q u e el a ú t q r d e n o m i n a « c o m u n i ­
d a d d e s e n t i m i e n t o » — , d e la m i s m a m a n e r a q u e e n s u s p r o p i a s v i d a s
a t r a v é s d e los p r i s m a s d e las p o s i b l e s v i d a s p r e s e n t a d a s p o r los m e d i o s
d e c o m u n i c a c i ó n . D e e s t e m p d o , la fan ta sí a s e h a b r í a c o n v e r t i d o e n
EL DISCURSO INTERCULTURAL A N T E LA DIVERSIDAD 83

u n a p r á c t i c a s o c i a l i m p l i c a d a e n la f a b r i c a c i ó n d e m u c h a s v i d a s s o c i a ­
l e s p a r a m u c h a g e n t e d e m u c h o s p a í s e s 3. Y c o m o a c l a r a A p p a d u r a i ,
m á s q u e t r a t a r s e d e u n a v e r s i ó n l ú d i c a d e la i m a g i n a c i ó n , l o q u e e s t e
n u e v o j u e g o c o n l a i m a g i n a c i ó n p r o p o n e e s la p o s i b i l i d a d d e c o n f i r ­
m a r una variedad de « c o mu ni d ad es imaginadas»4 que generan nuevos
t ip os d e a c c i ó n política, n u e v o s tipos d e e x p r e s i ó n colec ti v a y t a m b i é n
n u e v a s n e c e s i d a d e s d e d i s c i p l i n a soc ia l y d e v i g i l a n c i a p o r p a r t e d e las
elites: « E s e n e s t e s e n t i d o q u e d i g o q u e l a s b i o g r a f í a s d e la g e n t e
c o m ú n y c o r r i e n t e s o n c o n s t r u c c i o n e s e n las q u e la i m a g i n a c i ó n j u e g a
u n p a p e l f u n d a m e n t a l » 5.

L a etnicidad m o d e r n a

E n los capítulos «Paisajes étnicos globales: a p u n t e s e interrogantes


p a r a u n a a n t r o p o l o g í a t r a n s n a c i o n a l » y « L a v i d a m á s allá d e l p r i m o r -
d i a l i s m o » , e n l o s q u e s e c u e n t a el p a s o d e l a s t e s i s p r i m o r d i a l i s t a s q u e
e x p l i c a n las e t n i c i d a d e s d e l siglo X X a las tesis c ul t u r a l i s t a s y t r a n s n a ­
cionales, e n d o n d e m u c h a s etnicidades nacionales m o v i l i z a d a s d e b i d o
a la e m i g r a c i ó n i n t e r n a c i o n a l o p e r a n m á s allá d e los l í m i t e s d e l E s t a ­
d o - n a c i ó n , A p p a d u r a i s e p l a n t e a la i d e a d e l a « p o s n a c i ó n » , a s í c o m o
la c u e s t i ó n d e l o s s u j e t o s p o s n a c i o n a l e s . E s t a r í a m o s , así, i n m e r s o s e n
u n p r o c e s o h a c i a u n o r d e n g l o b a l d e n t r o d e l c u a l el E s t a d o - n a c i ó n
resulta o b s o l e t o y es r e e m p l a z a d o p o r otras f o r m a c i o n e s d e lealtad e
i d e n t i d a d , así c o m o p o r f o r m a s a l t e r n a t i v a s d e o r g a n i z a c i ó n d e l tráfi­
c o d e r e c u r s o s , i m á g e n e s e i d e a s ; f o r m a s q u e o b i e n d e s a f í a n el E s t a ­
d o - n a c i ó n d e u n a m a n e r a activa o b i e n s o n alternativas a n t a g ó n i c a s
f o r j a d o r a s d e l e a l t a d e s a g r a n e s c a l a . E l E s t a d o - n a c i ó n e s t á e n crisis y
p a r t e d e ella s e d e b e a q u e m a n t i e n e u n a r e l a c i ó n c a d a v e z m á s t e n s a
y v i o l e n t a c o n s u s o t r o s p o s n a c i o n a l e s 6.

P e n s a r m á s allá d e la n a c i ó n

Y e s así c o m o los n u e v o s m o v i m i e n t o s é t n i c o s r e c l a m a r í a n u n n u e v o
e n t e n d i m i e n t o d e l a s r e l a c i o n e s e n t r e l a h i s t o r i a y l a a g e n c i a s o c i a l , el
c a m p o d e l o s a f e c t o s y el d e l a p o l í t i c a , l o s f a c t o r e s a g r a n e s c a l a y l o s
.a l o r e s l o c a l e s . E n e s t e s e n t i d o , e n la m e d i d a e n q u e l o s E s t a d o ^ p i e r ­
d e n s u m o n o p o l i o r e s p e c t o a la i d e a d e n a c i ó n , e s p e r f e c t a m e n t e
r n t e n d i b l e q u e g r u p o s d e t o d a c l a s e i n t e n t e n u s a r la l ó g i c a d e la
r . a c i ó n p a r a c o n q u i s t a r el E s t a d o — o u n a p a r t e d e él— :
84 TEORIAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

E s t a l ó g i c a e n c u e n t r a s u p u n t o m á x i m o d e p o d e r m o v i l i z a t o r i o e n la
i n t e r s e c c i ó n e n t r e el c u e r p o y las pol ít ic a s d e E s t a d o , e s decir, e n a q u e ­
llos p r o y e c t o s q u e d e n o m i n a m o s é t n i c o s y q u e , e q u i v o c a d a m e n t e ,
s o l e m o s t o m a r l o s c o m o a t á v i c o s 7.

L a p r o d u c c i ó n d e lo local

E n r e l a c i ó n c o n el E s t a d o - n a c i ó n , a A p p a d u r a i le p r e o c u p a n d e u n a
m a n e r a e s p e c i a l l o s n u e v o s s i g n i f i c a d o s d e l o l o c a l e n el m a r c o d e t o d o
tipo d e desestabilizaciones transnacionales. A l respecto, A p p a d u r a i se
p r e g u n t a : ¿ Q u é l u g a r c o r r e s p o n d e a lo local e n los e s q u e m a s relativos
al f l u j o c u l t u r a l g l o b a l ? ¿ P u e d e l a a n t r o p o l o g í a m a n t e n e r a l g ú n p r i v i ­
legio retórico especial e n u n m u n d o d o n d e lo local p a r e c e h a b e r p e r ­
d i d o s u a n c l a j e o n t o l ó g i c o ? D e a h í la m a n e r a e n q u e A p p a d u r a i
e n t i e n d e lo local c o m o alg o relacional y c o n t e x t u a l e n l ug ar d e algo
espacial o u n a m e r a c u e s t i ó n d e escala. L o e n t i e n d e c o m o u n a cuali­
d a d f e n o m e n o l ó g i c a c o m p l e j a , c on st it u id a p o r u n a serie d e relaciones
e n t r e l a i n m e d i a t e z s o c i a l , l a s t e c n o l o g í a s d e la i n t e r a c c i ó n s o c i a l y la
relatividad d e los c o n t e x t o s 8.
A p p a d u r a i se p r e o c u p a t a m b i é n d e sujetos locales, d e c o n t e x t o s
localizables e n u n m u n d o q u e se h a «desterritorializado», u n m u n d o
d i a s p ó r i c o y transnacional; u n m u n d o d o n d e los m e d i o s m a s i v o s d e
c o m u n i c a c i ó n e l e c t r ó n i c o s e s t á n t r a n s f o r m a n d o las r e l a c i o n e s e n t r e
i n f o r m a c i ó n y m e d i a c i ó n . A p p a d u r a i e n t i e n d e lo local c o m o a lgo «frá­
g i l » , d e s e s t a b i l i z a d o p o r el m o v i m i e n t o d e p e r s o n a s y g r u p o s , l l e n o
d e contradicciones y d e s p l a z a d o p o r f o r m a c i o n e s d e n u e v o s tipos d e
v e c i n d a r i o s , s o b r e t o d o virtuales. Y es así c o m o los n u m e r o s o s g r u p o s
h u m a n o s y las p o b l a c i o n e s d e s p l a z a d a s , d e s t e r r i t o r i a l i z a d a s y t r a n ­
s e ú n t e s q u e c o n f o r m a n los paisajes étnicos del m u n d o c o n t e m p o r á ­
n e o s e h a l l a n e n v u e l t o s e n la c o n s t r u c c i ó n d e l o l o c a l , e n t a n t o q u e
« e s t r u c t u r a d e s e n t i m i e n t o s » , p o r l o g e n e r a l c o m o r e s p u e s t a a la e r o ­
sión y d i s p e r s i ó n d e los v ec i n d a r i o s c o m o f o r m a c i o n e s sociales c o h e ­
r e n t e s . Y si b i e n e s t a d i s l o c a c i ó n e n t r e v e c i n d a r i o s y l o l o c a l n o e s
n u e v a y n o c a r e c e d e p r e c e d e n t e s históricos, lo v e r d a d e r a m e n t e n u e ­
v o e s la d i s l o c a c i ó n e n t r e e s t o s p r o c e s o s y l o s d i s c u r s o s q u e h o y r o d e a n
al E s t a d o - n a c i ó n d e t e r m i n a d o s p o r l o s m e d i o s e l e c t r ó n i c o s d e c o m u ­
n i c a c i ó n , i n c l u y e n d o l o s d i s c u r s o s d e l i b e r a l i ¿ a c i ó n e c o n ó m i c a , el
m u l t i c u l t u r a l i s m o , los d e r e c h o s h u m a n o s y las r e i v i n d i c a c i o n e s d e los
r e f u g i a d o s 9.
EL DISCURSO INTERCULTURAL A N T E LA DIVERSIDAD 85

D e s d e o t r a p e r s p e c t i v a , el d r a m a t u r g o y e s c r i t o r R u s t o m B h a r u -
cha, q u e e n u n p r i m e r texto d e 1990, Theatre a n d the World. Perfor­
m a n c e a n d t h e P o l i t i c s o f C u l t u r e 10, e m p e z ó a f o r m u l a r u n a s t e s i s i n i ­
c i a l e s s o b r e la t e o r í a i n t e r c u l t u r a l e n el á m b i t o t e a t r a l , e n el e n s a y o
« I n t e r c u l t u r a l i s m a n d its D i s c r i m i n a t i o n s . S h i f t i n g t h e A g e n d a s o f t h e
N a t i o n a l , t h e M u l t i c u l t u r a l a n d t h e G l o b a l » 11 s e r e f i e r e a l a f i l o s o f í a
p o l í t i c a d e la i n t e r c u l t u r a l i d a d c o m o i n t e r c a m b i o d e c u l t u r a s a t r a v é s
d e las n a c i o n e s . J u n t o c o n las t e n d e n c i a s d e g l o b a l i z a c i ó n (y r e s i s t e n ­
c i a a la g l o b a l i z a c i ó n ) i n c o r p o r a d a s a l a s p r á c t i c a s i n t e r c u l t u r a l e s , s e
h a c e n e c e s a r i o p o n e r d e r el ie ve las á r e a s f r o n t e r i z a s e n las q u e las
a g e n d a s d e «Ínter» y multiculturalismo c o n v e r g e n y se separan.
D e s d e el p u n t o d e v i s t a i n t e r c u l t u r a l , l o n a c i o n a l n o t e n d r í a f u t u r o :

E l m u n d o e s t á e n el p r o c e s o d e d e s p l a z a r s e d e la f a s e n a c i o n a l i s t a a la
fase cultural, y es p r eferible distinguir á r e a s culturales m á s q u e n a c i o ­
nes, c o n lo q u e ello i m p l i c a d e u n cierto m e n o s p r e c i o a los d i s c u r s o s
n a c i o n a l i s t a s d e r e s i s t e n c i a , q u e c alifica d e c o e r c i t i v o s , t o t a l i z a n t e s ,
elitistas, a u t o r i t a r i o s , e s e n c i a l i s t a s y r e a c c i o n a r i o s . Y e n e s t e c o n t e x t o
l o i n t e r c u l t u r a ] e s la m e j o r o p c i ó n q u e p u e d e e x p l i c a r e s t o s d i á l o g o s y
e s t a s r e l a c i o n e s m á s allá d e r a c i s m o s s e s g a d o s o i n v e r t i d o s , d e x e n o f i -
lias, x e n o f o b i a s , a u t o r i t a r i s m o s v e l a d o s , d e m e c e n a z g o s i d e o l ó g i c o s ,
d e s o b r e i d e n t i f i c a c i ó n y / o a l i e n a c i ó n d e l o t r o 12.

D e a h í la d e f e n s a , p o r p a r t e d e R u s t o m B h a r u c h a , d e la t e o r í a i n t e r ­
c u l t u r a l p a r a r e c o n o c e r n o s ó l o q u e la c u l t u r a e s u n á m b i t o c a m b i a n t e
q u e e n g l o b a el c o n j u n t o d e p r o c e s o s s o c i a l e s d e p r o d u c c i ó n , c r e a c i ó n
y c o n s u m o d e la s i g n i f i c a c i ó n d e la v i d a s o c i a l , s i n o q u e e s t á f u n d a ­
m e n t a l m e n t e b a s a d a en m e c a n i s m o s d e interacción y confrontación.
L a cul tu ra n o p u e d e ser vista c o m o u n adjetivo s i n o c o m o u n s u s t a n ­
t i v o . O d i c h o d e o t r o m o d o : al u t i l i z a r el t é r m i n o « c u l t u r a l » n o s r e f e ­
r i m o s a u n a d i m e n s i ó n q u e d a c u e n t a d e las d i f e r e n c i a s , los c o n t r a s t e s
y l a s c o m p a r a c i o n e s e n t r e c u l t u r a s y n o a a l g o q u e p o r t a e n sí c a d a
g r u p o ; e s u n a d e f e n s a d e la i n t e r c u l t u r a l i d a d e n t e n d i d a c o m o la f o r m a
e n q u e s e r e l a c i o n a c a d a i n d i v i d u o c o n l a a l t e r i d a d , e s d e c i r , c o n el
« o t r o » , c o n el q u e e s d i f e r e n t e y s e r e c o n o c e e n u n p l a n o d e i g u a l d a d .
L a a c t i t u d i n t e r c u l t u r a l e s j u s t a m e n t e la q u e s u r g e d e l e n c u e n t r o c o n
lo e xt ra ño , lo exótico, y del r e s p e t o y tolerancia p o r n u e s t r a s di f e r e n ­
cias.
9
U t o p í a y a n t a g o n i s m o e n la g l o b a l i z a c i ó n

E l h e c h o d e q u e el c o n c e p t o « g l o b a l » , s u n e o l o g i s m o , « g l o b a l i z a ­
ción», y su versión europea, «mund ia l iz ac ió n» , se h a y a n p o s i c i o n a d o
d e s d e la d é c a d a d e l o s a ñ o s n o v e n t a d e l s i g l o X X c o n t a n t a f u e r z a e n
los d e b a t e s políticos, sociales, e c o n ó m i c o s y c ulturales n o s lleva a p e n ­
sar q u e e s t a m o s asistiendo a u n c o m p l e j o p r o c e s o d e vastas p r e t e n s i o ­
n e s q u e e q u i p a r a la n o c i ó n d e g l o b a l i z a c i ó n a u n c o n c e p t o e p i s t e m o ­
l ó g i c o q u e c o m p r e n d e la h i s t o r i a y al c a p i t a l i s m o d e n t r o d e u n a m i s m a
d i n á m i c a , c o n t o d o lo q u e ello s u p o n e d e e s p e r a n z a h a c i a u n f u t u r o
i n c i e r t o y d e s c o n o c i d o ( d e a h í el c o n c e p t o d e u t o p í a ) , p e r o a la v e z d e
c l ausura y cierre d e p r o m e s a s i n c u m p l i d a s . C o m o sostiene P a b l o
D á v a l o s 1, el d i s c u r s o d e la g l o b a l i z a c i ó n e s t á e n t r a n d o e n el t e r r e n o d e
la f i l o s o f í a c o m o u n a n o c i ó n q u e c r e a u n c a m p o d e s e n t i d o s s o b r e la
r e a l i d a d , la h i s t o r i a , e l s e r h u m a n o y s u s p o s i b i l i d a d e s d e t r a n s f o r m a ­
c i ó n s o c i a l . U n a n o c i ó n q u e s e r e p l a n t e a el v i e j o c o n c e p t o d e t o t a l i d a d
v i n c u l a d o al C o r p u s t e ó r i c o d e l m a r x i s m o y a u n c o n c e p t o d e r e a l i d a d
e n t e n d i d a c o m o u n t o d o e s t r u c t u r a d o y d i a l é c t i c o e n el c u a l c u a l q u i e r
h e c h o p u e d e ser c o m p r e n d i d o c o n c e p t u a l m e n t e .
A m e d i d a q u e h a i d o e v o l u c i o n a n d o el d i s c u r s o d e la g l o b a l i z a c i ó n ,
a u p a d a p o r l as n u e v a s t e c n o l o g í a s t e l e m á d c a s , s e l e h a n i n c o r p o r a d o
v a r i o s ejes c o n c e p t u a l e s , a l g u n o s d e los c u a l e s a p u n t a n a las « u t o p í a s d e
la g l o b a l i z a c i ó n » , a a q u e l l o s p r o c e s o s c u l t u r a l e s q u e a c e r c a n l o s t i e m p o s
y los e s p a c i o s (y q u e d a r í a n c u e n t a d e c o n c e p t o s c o m o translocal, d e s t e -
r r i t o r i a l i z a c i ó n , c u l t u r a l í q u i d a , t e o r í a d e l a s e s f e r a s , g l o c a l i s m o ), m i e n ­
tras q u e o t r o s a l u d e n a s u s c o n t r a d i c c i o n e s ( m o v i m i e n t o s d e resistenciá^
social y c i u d a d a n a d e u n a s o c i e d a d sin u t o p í a s y u n a historia c o m o « n o
l ugar» d e s d e Seattle hasta P o r t o A l e g r e y B o m b a y ) . D e u n o s y otros
i n t e n t a r e m o s h a b l a r e n las p á g i n a s q u e s i g u e n a c o n t i n u a c i ó n .
88 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

Imperio y multitud

S i la d e c o n s t r u c c i ó n f u e u n o d e l o s m a y o r e s e t h o s d e la p o s m o d e r n i d a d
e n s u d e s a f e c c i ó n p o r las g r a n d e s n a r r a t i v a s y s u a p u e s t a p o r los d i s c u r ­
s o s f r a g m e n t a r i o s , s i n d u d a el c o n c e p t o q u e e n el m a r c o d e l o g l o b a l
s u p l a n t a a la d e c o n s t r u c c i ó n e s el d e l a d e s t e r r i t o r i a l Í 2a c i ó n : s u p e r a d o el
c o n c e p t o d e centro, c o m o ya hicieron ver e n su decisivo e n s a y o I m p e r i o
H a r d t y N e g r i (2000), lo q u e a h o r a d o m i n a n s o n e s p a c i o s desterritori-
z a d o s , e s p a c i o s periféricos, e s p a c i o s d e s p l a z a d o s : los l u g a r e s d e las n u e ­
v a s g e o g r a f í a s d e l o g l o b a l q u e n o s i n v i t a n a d i b u j a r u n p a n o r a m a artís­
tico d o m i n a d o p o r u n a s n u e v a s c a r t o g r a f í a s e n las q u e lo q u e d o m i n a
s o n l o s via je s, l o s d e s p l a z a m i e n t o s , l a s m i g r a c i o n e s , las d i á s p o r a s , t o d o
e l l o b a j o u n i m p u l s o f u n d a m e n t a l : el d e l as d i f e r e n c i a s .
L a g e o g r a f í a , la e t n o g r a f í a , l a m e m o r i a , la t r a d u c c i ó n s o n a l g u n a s
c o n s e c u e n c i a s d e este «efecto g l o b a l » que, a u n q u e tiene sus m á s desta­
c a d a s m a n i f e s t a c i o n e s e n los p r i m e r o s a ñ o s d e l siglo X X I , n o o b s t a n t e
s i g u e u n a g e n e a l o g í a q u e r e c o r r e l o s ú l t i m o s a ñ o s d e la a l t a m o d e r n i d a d ,
u n o s a ñ o s d o m i n a d o s p o r p r o t a g o n i s m o d e l as a c t i t u d e s y l o s p r o c e s o s
m á s allá d e l o s p o s i c i o n a m i e n t o s f o r m a l e s , a s í c o m o el m o m e n t o d e la
p o s m o d e m i d a d y d e l p o s c o l o n i a l i s m o , m a r c a d o p o r la i r r u p c i ó n d e l o s
p l a n t e a m i e n t o s d e las d i f e r e n c i a s c u e s t i o n a d o r e s d e la h e g e m o n í a d e l
d i s c u r s o m o n o c u l t u r a l , el e t n o c e n t r i s m o y la m i r a d a o c c i d e n t a l .
E n e s t e n u e v o e s t a d i o d e l o g l o b a l f u e r o n d e c i s i v a s e n el a ñ o 2 0 0 0
l as r e f l e x i o n e s d e H a r d t y N e g r i c u a n d o , a n t e l a i r r e v e r s i b l e g l o b a l i z a -
c i ó n e n el á m b i t o d e l o s i n t e r c a m b i o s e c o n ó m i c o s y c u l t u r a l e s y a n t e
la d i n a m i z a c i ó n d e l as g e o g r a f í a s c o n t e m p o r á n e a s , d e f i n e n n u e s t r o
actual m o m e n t o c o n u n r e n o v a d o c o n c e p t o d e i m p e r i o q u e n a d a tiene
q u e v e r c o n el c o l o n i a l . ¿ A q u é s e l l a m a i m p e r i o ? , s e p r e g u n t a n H a r d t
y Negri. P o r i m p e r i o se e n t i e n d e u n a n u e v a f o r m a global d e s o b e r a ­
nía, c o m p u e s t a d e m ú l t i p l e s o r g a n i s m o s n a c i o n a l e s y s u p r a n a c i o n a l e s
q u e i n v i t a n a l a d e s c e n t r a l i z a c i ó n y a l a d e s t e r r i t o r i a l i z a c i ó n e n el m a r ­
c o d e l a e c o n o m í a g l o b a l . E n c o n t r a s t e c o n el i m p e r i a l i s m o ( f o r m a
i m p e r i a l d e g o b i e r n o ) , E m p i r e n o e s t a b l e c e u n c e n t r o territorial d e
p o d e r — el i m p e r i o e s t a r í a a l l á d o n d e e s t u v i e s e a c u m u l a d o el c a p i t a l ,
e n S i n g a p u r , W a l l S treet, H a r v a r d o la r e g i ó n m á s r e c ó n d i t a d e l A f r i c a
N e g r a , y p o r t a n t o y a n o h a y u n c e n t r o h e g e m ó n i c o o b a r r e r a s fijas e n
la n u e v a « c a r t o g r a f í a d e l n o l u g a r » :

P e n s a m o s q u e n o h a y lugar d e centralización del im pe r i o , q u e es p r e ­


ciso h a b l a r d e l n o lugar, a m o d o d e m e t á f o r a d e los m ú l t i p l e s e i n d i f e ­
r e n c i a d o s l u g a r e s [...]. N o d e c i m o s q u e W a s h i n g t o n n o s e a i m p o r t a n -
UTOPIA Y A N T A G O N I S M O E N

te: W a s h i n g t o n p o s e e la b o m b a ; N u e v a Y o r k , el d ó l a r ; L o s Á n g e l e s , el
l e n g u a j e y la f o r m a d e c o m u n i c a c i ó n . P e r o l o s l u g a r e s d e l m a n d o lo
a t r a v i e s a n t o d o , allá d o n d e h a y n u e v a s j e r a r q u í a s y n u e v a s f o r m a s d e
e x p l o t a c i ó n 2.

E n u n n u e v o trabajo e n 2004, Multitude, M i c h a e l H a r d t y A n t o n i o


Negri aportaron u n renovado concepto de «multitud» que ya n o pre­
s e n t a las c o n n o t a c i o n e s n e g a t i v a s d e l a s m a s a s , q u e n u n c a p o d r í a n
a c t u a r d e s d e s u p r o p i a iniciativa y serían e x t r e m a d a m e n t e v u l n e r a b l e s
a t o d o tipo d e m a n i p u l a c i o n e s externas, sino q u e c o m p o r t a u n c o m ­
p o n e n t e s o c i a l d e g r a n a c t i v i d a d ; la m u l t i t u d e n c i e r r a u n a g r a n d i v e r ­
s i d a d i n t e r n a , s e c a r a c t e r i z a p o r s u v i d a e n c o m u n i d a d (c o m m u n a l
life) y g a r a n t i z a u n a c o n s i d e r a b l e l i b e r t a d i n d i v i d u a l d e n t r o d e las
p r o p i a s diferencias culturales. L a m u l t i t u d n o sería u n a m a s a d e g e n ­
te; m á s b i e n e s t a r í a c o m p u e s t a d e u n a h e t e r o g é n e a j u n g l a d e i d e a s ,
c o s a s , a c c i o n e s o a c t i t u d e s s i n g u l a r e s . M ú l t i p l e s a c t i t u d e s : la m u l t i t u d
t r a s c e n d e r í a las f r o n t e r a s n a c i o n a l e s d e l E s t a d o - n a c i ó n , sería u n a
categoría m á s c e r c a n a a u n c o n j u n t o intercultural d e gente, d e c o n ­
venciones, d e acciones, mientras q u e d a n ación asumiría u n a identidad
ú n i c a 3.
A b u n d a n d o e n e s t e s e n t i d o , P a o l o V i r n o , e n s u G r a m á t i c a d e la
m u l t i t u d ( 2 0 0 3 )4 , d e s a r r o l l a el c o n c e p t o d e m u l t i t u d d e m a n e r a a l g o
d i f e r e n t e d e la d e H a r d t y N e g r i : v e la m u l t i t u d c o m o r e s u l t a d o d e l
p r o c e s o d e p r o d u c c i ó n p o s f o r d i s t a : al i g u a l q u e el c o n s u m i d o r d e h o y
e s u n s u b p r o d u c t o d e la t r a n s i c i ó n d e l c a p i t a l i s m o a v a n z a n d o d e s d e u n
m e r c a d o d e p r o d u c t o s h a c i a u n m e r c a d o d e s í m b o l o s , la m u l t i t u d e s el
p r o d u c t o d e la t r a n s f o r m a c i ó n d e l p r o c e s o d e p r o d u c c i ó n . E n c o n t r a s t e
c o n el f o r d i s m o , a s p e c t o s c o m o la f l e x i b i l i d a d , el l e n g u a j e , la c o m u n i c a ­
c i ó n y las r e l a c i o n e s a fectivas h a n a d q u i r i d o u n a i m p o r t a n c i a c o n s i d e r a ­
b l e e n la a c t u a l i d a d e n n u m e r o s a s a c t i v i d a d e s . Y e s o s , c o m o a f i r m a
P a s c a l G i e l e n , s o n l o s « c o m p o n e n t e s a l o s q u e r e s p o n d e la m u l t i t u d » .
Y e n ú l t i m o t é r m i n o l o q u e sí c o m p a r t e n V i r n o y H a r d t y N e g r i e s u n a
m i s m a m a n e r a d e e n t e n d e r la m u l t i t u d c o m o a l g o f l e x i b l e , h í b r i d o , e n
c o n s t a n t e flujo y desterritorializado. P o r o tr a parte, y s i g u i e n d o a P a s c a l
G i e l e n , la m u l t i t u d a l i m e n t a r í a u n p e r m a n e n t e s e n t i d o d e « n o s e n t i r s e
e n casa»: d e s a r r o l l o s t e c n o l ó g i c o s c o m o I n t e r n e t y los viajes l o w cosí
: r e a n a la v e z u n a m o v i l i d a d r e a l y v i r t u a l q u e p e r m i t e a la m u l t i t u d
desplazarse a l r e d e d o r del m u n d o y estar e n t o d a s partes én' jt od o
m o m e n t o : « E l ejercicio del p o d e r , h a s t a a h o r a localizable y loc al iz a do
d e b i d o al h e c h o d e e s t a r b a s a d o e n el c o n c e p t o d e “ t e r r i t o r i o ” s e e s t á
d e s p l a z a n d o a u n e s p a c i o q u e e s t á e n c o n s t a n t é ' f l u j o » 5.
90 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

T r a s la f a s e p o s m o d e r n a e n la c u a l s e u s ó la m o v i l i d a d v e r d c a l
p a r a i n t e n t a r d e c o n s t r u i r la d i f e r e n c i a e n t r e l a a l t a y la b a j a c u l t u r a s ,
a h o r a se trataría m á s b i e n d e u n a m o v i l i d a d h o r i z o n t a l q u e n o s c o n ­
d u c e a d i s t i n t a s e x p e r i e n c i a s a r t í s t i c a s y c u l t u r a l e s 6 y e n l a q u e el m u n ­
d o del arte se siente p a r t i c u l a r m e n t e i m p l i c a d o . G i e l e n se refiere a u n a
m u l t i t u d artística q u e , a u n q u e d e p e n d e d e s u b s i d i o s d e los g o b i e r n o s
n a c i o n a l e s — al m e n o s e n E u r o p a — , e s t á e n c o n t r a n d o u n b u e n n ú m e ­
r o d e a l t e r n a t i v a s t a n t o f u e r a c o m o e n el p a í s d e o r i g e n , l o c u a l le
p e r m i t e e s c a p a r s e d e los « g u e t o s » d e los g o b i e r n o s n ac i o n a l e s : « E s
p r e c i s a m e n t e e n e s t a d e p e n d e n c i a — a p u n t a G i e l e n — e n la q u e l o s
a r t i s t a s i n d i v i d u a l e s p u e d e n p e r m i t i r s e u n a m a y o r s i n g u l a r i d a d y a la
v e z s e r a b s o r b i d o s j u n t o c o n s u s i n n u m e r a b l e s c o m p a ñ e r o s e n el
« m u r m u l l o d e la m u l t i t u d » 7 . S i g u i e n d o a P a s c a l G i e l e n , e l c u a l a s u
v e z s e m u e s t r a c e r c a n o a las t eo r í a s d e V i r n o , la c u a l i d a d c e n t r a l d e
n u e s t r o s d í a s es: m o v i l i d a d , f l e x i b i l i d a d e n el t r a b a j o , c o m u n i c a c i ó n y
l e n g u a j e , a l e g r í a , d e s a p e g o y a d a p t a b i l i d a d . E n o t r a s p a l a b r a s , el t r a ­
b a j a d o r inmaterial p u e d e estar c o n e c t a d o e n c ua l q u i e r l u g a r y e n c u a l ­
q u i e r m o m e n t o . Y y a n o s e trataría t a n t o d e u n a m o v i l i d a d física c o m o
mental.

D e l r i z o m a a la t e o r í a d e las e s f e r a s

E s e n el m a r c o d e l o g l o b a l , d o n d e l o q u e i m p o r t a e s o t r o t i p o d e
n e g o c i a c i ó n e n t r e l o l o c a l y l o g l o b a l , e n el q u e s e i m p o n e u n n u e v o
m o d e l o d e r e d m á s p r ó x i m o al c o n c e p t o d é e s f e r a , tal c o m o s u g i e r e
P e t e r S l o t e r d i j k e n « F o r e w o r d t o t h e T h e o r y o f S p h e r e s » , q u e al d e
« r e d » (n e t w o r k f . A s í , m i e n t r a s q u e l a s r e d e s y s u d e r i v a d o f i l o s ó f i c o ,
el r i z o m a , s o n b u e n o s p a r a d e s c r i b i r i n e s p e r a d a s c o n e x i o n e s a l a r g a
d i s t a n c i a a p a r t i r d e p u n t o s locales, las e s f e r a s s o n útiles p a r a d e s c r i b i r
c o n d i c i o n e s a t m o s f é r i c a s locales, frágiles y c o m p l e j a s 9. M i e n t r a s q u e
las r e d e s s o n b u e n a s s u b r a y a n d o b o r d e s y m o v i m i e n t o s , las e s f e r a s lo
s o n d e s t a c a n d o matrices y envolturas.
M á s a llá d e l c a r á c t e r « a n é m i c o y a n o r é x i c o » d e l a s r e d e s , l a s e s f e r a s
n o s o n a n é m i c a s , s i n o m á s b i e n c o m p l e j o s e c o s i s t e m a s e n l o s q u e l as
f o r m a s d e v i d a d e f i n e n s u « i n m u n i d a d » m e d i a n t e la e l a b o r a c i ó n d e
m u r o s protectores i n v e n t a n d o e l a b o r a d o s sistemas d e «aire a c o n d i ­
c i o n a d o » . Y si b i e n t a n t o l as r e d e s c o m o l a ^ e s f e r a s s o n n o c i o n e s
i n d i s p e n s a b l e s p a r a e n t e n d e r la g l o b a l i z a c i ó n , u n t é r m i n o v a c í o q u e
s ó l o s e p u e d e def in ir d e s d e las l o c a l i d a d e s y a t r a v é s d e las c o n e x i o n e s
q u e l o g l o b a l p u e d e g e n e r a r l o c i e r t o e s q u e , tal c o m o s o s t i e n e P e t e r
UTOPIA Y A N T A G O N I S M O E N

S l o t e r d i j k , e x i s t e u n a c l a r a c o n e x i ó n e n t r e el f e n ó m e n o d e l a g l o b a l i -
z a c i ó n y l o q u e el a u t o r d e n o m i n a e s f e r o l o g í a o « t e o r í a d e l a s e s f e r a s » .
S i g u i e n d o a Sloterdijk e n respuesta a J e a n - C h r i s t o p h e R o y o u x , e n
s u o p i n i ó n la g l o b a l i z a c i ó n e l e c t r ó n i c a y t e l e m á t i c a r e p r e s e n t a u n a ter­
c e r a v í a e n la a c t u a l g l o b a l i z a c i ó n . E s el e s t a d i o f i n a l d e u n p r o c e s o
q u e e m p e z ó e n l a é p o c a d e la c o s m o l o g í a g r i e g a . P e r o al m i s m o t i e m ­
p o e s el p r o d u c t o d e u n r a d i c a l d e s a c u e r d o d e b i d o al c u a l l o s s e r e s
h u m a n o s t u v i e r o n q u e a b a n d o n a r el p r i v i l e g i o d e h a b i t a r u n v e r d a d e ­
r o c o s m o s , e s d e c i r , u n c o n f o r t a b l e y c e r r a d o m u n d o . E l c o s m o s , tal
c o m o l o c o n c i b i e r o n l o s g r i e g o s , e r a i m a g i n a d o b a j o la f o r m a d e u n a
b u r b u j a g r a n d e y simétrica. Aristóteles y sus discípulos f u e r o n los res­
p o n s a b l e s d e esta i dea del c o s m o s c o m p u e s t o d e esferas c o n c é n t r i c a s
y celestiales d e c r e c i e n t e d i á m e t r o : u n m o d e l o d e m u n d o q u e y a n o
s e r í a o p e r a c i o n a l . C o n r e s p e c t o a si la e s f e r o l o g í a q u e p r o p o n e S l o t e r ­
dijk s u p o n e u n a r e c o n ce p tu al iz ac i ón del e s p a c i o q u e permitiría m e j o ­
r a r l a s r e l a c i o n e s e n t r e l o s s e r e s h u m a n o s y el t o d o , S l o t e r d i j k d e f i e n ­
d e la i d e a d e l h o m b r e c o n t e m p o r á n e o c o m o u n a s u e r t e d e « c u r a d o r »
q u e p l a n i f i c a el e s p a c i o e x p o s i t i v o q u e él m i s m o h a b i t a r á . C a d a h o m ­
b r e se h a c o n v e r t i d o e n u n c u r a d o r d e r m u s e o . Y e n este sentido
p o d r í a m o s c o n c l u i r q u e el a r t e d e la i n s t a l a c i ó n e s la c o m ú n p r o f e s i ó n
q u e t o d o el m u n d o e s o b l i g a d o a p r a c t i c a r : la i n o c e n c i a d e l h á b i t a t
t ra d i c i o n a l está p e r d i d a p a r a s i e m p r e . A n t e la a c t u a l d e s t r u c c i ó n d e
tantas cosas, c a d a habitante, n o i m p o r t a d e q u é a p a r t a m e n t o , c i u d a d
o país p r o c e d a , a c a b a r á convirtiéndose e n u n a suerte d e planificador
d e s u p r o p i o lugar. C a d a h o m b r e e n este s e n t i d o n o sól o n a c e libre e
i g u a l , s i n o q u e e s t á c o n d e n a d o a v i g i l a r el e s p a c i o e n el q u e v i v e p a i r a
a s e g u r a r la h a b i t a b i l i d a d d e s u e n t o r n o . Y ello e n lo q u e r e s p e c t a t a n ­
t o al e s p a c i o p r i v a d o c o m o al p ú b l i c o .
Y si el p r i n c i p a l e r r o r d e la f e n o m e n o l o g í a f u e s u m e r g i r al i n d i v i ­
d u o e n l a « p i s c i n a u n i v e r s a l » q u e e s el m u n d o — s i g u i e n d o el d i c t a d o
d e H e i d e g g e r — , Sloterdijk q u i e r e m o s t r a r que. esta m i s m a i n m e r s i ó n
s e p u e d e r e p r o d u c i r a p e q u e ñ a e s c a l a e n el m o m e n t o e n q u e u n r e c i é n
nacido entra en contacto c o n u n juguete d e su cuna: «El juguete t oda­
v í a p o s e e e s t a c a p a c i d a d d e s o p o r t a r el é x t a s i s e x i s t e n c i a l d e l r e c i é n
n a c i d o . Y e s t o e s l o q u e n e c e s i t a p a r a g a r a n t i z a r u n a a p e r t u r a i n i c i a l al
m u n d o . L a a p e r t u r a e s al m i s m o t i e m p o u n a c o n c e n t r a c i ó n , y e s t a
c o n c e n t r a c i ó n n e c e s a r i a m e n t e p o s e e l as c u a l i d a d e s d e u n r e l a t i v o c i e ­
rre; u n c i e r r e d e s d e el c u a l s e v i s l u m b r a la r e a p e r t u r a . E s t a r e n u n a ^
esfera es e x a c t a m e n t e este m o v i m i e n t o . C i e r t a m e n t e , los seres h u m a ­
n o s n o s o n existencias d e s n u d a s e n u n éxtasis global. S i e m p r e e s t a m o s
r o d e a d o s d e u n cierto n ú m e r o d e objetos, d e referencias q u e d e s t a c a n
92 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

s o b r e el h o r i z o n t e , p e r o la a p e r t u r a d e e s t e h o r i z o n t e n o d e b e r í a o s c u ­
r e c e r el h e c h o d e q u e t a m b i é n s u p o n e u n c i e r r e r e l a t i v o . E l h o r i z o n t e
es u n c í r c u l o a b i e r t o q u e n o s p e r m i t e vivir e n u n a s u e r t e d e éxtasis
interior. E s u n c o n t e n e d o r m e d i o a b i e r t o . Y e n m i o p o s i c i ó n e sta
s e m i a p e r t u r a p u e d e s e r m e j o r e x p r e s a d a d e s d e la e s f e r o l o g í a q u e d e s ­
d e la f e n o m e n o l o g í a » 1 0 .
L a esfera es p u e s u n « m u n d o relativo», f o r m a t e a d o p o r sus h a b i ­
t a n t e s , u n m u n d o p l a g a d o d e islas q u e d e b e n e n t e n d e r s e c o m o m o d e ­
los d e m u n d o s d e n t r o del m u n d o , m i n i a t u r a s del m u n d o : « E n m i o p i ­
n i ó n » , c o n c l u y e Sloterdijk, « t o d o s los seres h u m a n o s s o n a n t e t o d o
l o s h a b i t a n t e s d e e s t a s i s l a s » 11.

El Manifiesto Composicionista

A p a r t i r d e l a s t e o r í a s d e P e t e r S l o t e r d i j k s o b r e l a s e s f e r a s , el f i l ó s o f o
B r u n o L a t o u r d e s a r r o l l ó u n n u e v o c o n c e p t o , el d e « c o m p o s i c i ó n »
( d e l l a t í n c o m p o n e r e , « c o m p o n e r » ) 12, q u e p e r m i t i r í a d e s p l a z a r n o s d e
l a s e s f e r a s a l o s netifiorks ( r e d e s ) e n el s e n t i d o d e v o l v e r a p o n e r l as
c o s a s j u n t a s sin p e r d e r s u h e t e r o g e n e i d a d , c o m p a r t i e n d o u n cierto
v o c a b u l a r i o c o m ú n , p e r o sin jerarquía alguna:

E s m i s o l u c i ó n a la d i v i s i ó n m o d e r n o / p o s m o d e r n o . E l t é r m i n o « c o m ­
p o s i c i ó n » p u e d e c o n v e r t i r s e e n u n a a l t e r n a t i v a p l a u s i b l e a la m o d e r n i ­
zación. A q u e l l o q u e n o p u e d e ser ya m o d e r n i z a d o , aquello q u e h a sido
p o s m o d e r n i z a d o e n t r o z o s y p i e z a s , p u e d e t o d a v í a e s t a r c o m p u e s t o 13.

C o m o sostiene B r u n o L a t o u r , r e p i t i e n d o a l g u n o s d e los c o n c e p t o s
d e s a r r o l l a d o s e n s u e n s a y o N o u s n 'avons j a m á i s été m o d e r n e s : Essai
d ’a n t h r o p o l o g i e s y m é t r i q u e u , a u n q u e u n m a n i f i e s t o n o p u e d e s e r d e
g r a n u t i l i d a d e n l o s t i e m p o s a c t u a l e s , n o o b s t a n t e la i d e a d e e s c r i b i r e l
« M a n i f i e s t o C o m p o s i c i o n i s t a » consistiría e n r e c u p e r a r u n g é n e r o
anquilosado e m p e z a n d o c o n algo c o m o : « U n espectro persigue n o
s ó l o a E u r o p a s i n o al m u n d o : e l d e « c o m p o s i c i o n i s m o » . T o d o s l o s
p o d e r e s del M u n d o M o d e r n o h a n e n t r a d o e n u n a s a g r a d a alianza
p a r a e x o r c i z a r e s t e e s p e c t r o » 15.
E l t é r m i n o « c o m p o s i c i ó n » t e n d r í a t a m b i é n q u e v e r c o n arte, p i n ­
tura, m ú s i c a , teatro, d a n z a , c o r e o g r a f í a y e s c e n o g r a f í a y p o d r í a ser
s i n ó n i m o del v o c a b l o «constructivismo», a u n q u e lo i mportante, m a t i ­
z a L a t o u r , n o e s si u n o b j e t o e s t á c o n s t r u i d o o n o , s i n o si e s t á b i e n o
m a l c o n s t r u i d o , b i e n o m a l c o m p u e s t o ; y s o b r e t o d o q u é q u e d a tras
UTOPÍA Y A N T A G O N I S M O E N LA GLOBALIZACIÓN 93

los p r o c e s o s d e c o n s t r u c t i v o s q u e t a n t o h a b í a n p r o p i c i a d o los p e n s a ­
d o r e s p o s m o d e r n o s . L a dialéctica f u n c i o n a a h o r a e ntre los p r o c e s o s
d e « d e s c o m p o s i c i ó n » y « r e c o m p o s i c i ó n » . Y es d e s d e esta perspectiva
d e s d e la q u e L a t o u r b u s c a « r e c o m p o n e r » tres d e los g r a n d e s p i l a r e s
q u e h a b í a n s u s t e n t a n d o el d i s c u r s o d e l a m o d e r n i d a d : el d e c rí ti ca , el
d e n a t u r a l e z a y el d e p r o g r e s o . P e r o q u i z á s l o m á s i n t e r e s a n t e e s c ó m o
a través del c o n c e p t o d e c o m p o s i c i ó n L a t o u r e l a b o r a u n a alternativa
t a n t o a la m o d e r n i d a d d e v e r d a d e s ú n i c a s c o m o a l a p o s m o d e r n i d a d
p l a g a d a d e r e l a t i v i s m o s . L a c o m p o s i c i ó n s e r í a a s í u n a a l t e r n a t i v a al
e s p í r i t u c r í t i c o d e la m o d e r n i d a d a l a h o r a d e d e s a c r e d i t a r p r e j u i c i o s ,
iluminar nociones y espolear m e n t e s y t a m b i é n a su universalismo.
D e n t r o d e s u p a r t i c u l a r filosofía, L a t o u r a b o g a p o r u n a n u e v a o n t o l o -
g í a e n l a q u e u n i v e r s a l i s m o y r e l a t i v i s m o c o n v i v a n s i n j e r a r q u í a s , e n la
q u e los d i s c u r s o s s o b r e s o s t e n i b i l i d a d y e c o l o g í a c o n v i v a n c o n los c u l ­
turales, e n la q u e lo e s p e c u l a t i v o c e d a s u p r o t a g o n i s m o a l o m a t e r i a l ,
a lo o b j e t i v o c o m o o p u e s t o a lo subjetivo, estético, e x c e s i v o y s u p e r -
fluo. L a s c u e s t i o n e s d e c a m b i o y a g e n c i a n o s o n ni r ad i c a l e s ni r e v o l u ­
c i o n a r i a s , s o n c o t i d i a n a s y, a m e n u d o , i m p e r c e p t i b l e s :
**
N e c e s i t a m o s a p o s t a r p o r lo m a t e r i a l , p o r l o m u n d a n o , p o r lo i n m a ­
n e n t e , p o r l o realista; p o r u n a m á s c o r p o r i z a d a d e f i n i c i ó n d e l m u n d o
m a t e r i a l si q u e r e m o s (científicos, activistas, pol ít ic o s) c o m p o n e r el
m u n d o c o m ú n a partir d e p i ezas i n c o n e x a s e n lu g a r d e d a r p o r s e n t a ­
d a s la u n i d a d , la c o n t i n u i d a d y el a c u e r d o 16.

D e a h í la n e c e s i d a d d e r e c u r r i r , c o m o t a m b i é n l o h a b í a h e c h o M a r x e n
el M a n i f i e s t o C o m u n i s t a , a u n n u e v o m a n i f i e s t o , el M a n i f i e s t o C o m -
posicionista:

¿ P o r q u é r e c u r r o al p o m p o s o g é n e r o d e l m a n i f i e s t o p a r a e x p l o r a r e s t a
a p r o x i m a c i ó n p r o s p e c t i v a al f u t u r o ? P o r q u e a p e s a r d e l a b i s m o d e
t i e m p o y d e q u e parecen abiertamente contrapuestos, h a y u n a tenue
r e l a c i ó n e n t r e el M a n i f i e s t o C o m u n i s t a y el C o m p o s i c i o n i s t a . M á s allá
d e la c r e e n c i a e n la crítica radical, e n u n c o m p r o m i s o e n u n i d e a l i z a d o
m u n d o m a t e r i a l , e n u n a total c o n f i a n z a e n la e c o n o m í a y u n a fe e n el
p r o g r e s o p r o p i o s del M a n i f i e s t o C o m u n i s t a , los d o s manifiestos c o m ­
p a r t e n algo: la b ú s q u e d a d e l o c o m ú n . L a s e d p o r el m u n d o c o m ú n e s
lo q u e el c o m p o s i c i o n i s m o c o m p a r t e c o n el c o m u n i s m o , a u n q u e c o n
u n a p e q u e ñ a y c r u c i a l d i f e r e n c i a : la d e q u e a h o r a n a d a v i e n e i m p u e s t o , ^
d e s d e arr ib a, s i n o q u e t o d o s e c o m p o n e d e s d e la b a s e . T o d o o c u r r e ^
c o m o si la e s p e c i e h u m a n a , e x p u l s a d a d e la u t o p í a d e la e c o n o m í a ,
b u s c a r a u n a n u e v a u t o p í a , la d e la e c o l o g í a . D o s d is ti nt a s i n t e r p r e t a ­
c i o n e s y u n a m i s m a raíz, e i k o s ; la p r i m e r a s i e p d o u n a d i s t o p í a y la
94 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

s e g u n d a u n a p r o m e s a q u e h a s t a el m o m e n t o n a d i e s a b e c ó m o llevar a
t é r m i n o . ¿ C ó m o p u e d e c o n s t r u i r s e u n a h a b i t a b l e c a s a p a r a las m a s a s
errantes?

E s t o s e p r e g u n t a L a t o u r , p a r a c o n t e s t a r : « e s t a e s la ú n i c a c u e s t i ó n q u e
v a l e la p e n a t e n e r e n c u e n t a e n e s t e M a n i f i e s t o C o m p o s i c i o n i s t a » 17.
E s t e p a s o d e la e c o n o m í a a l a e c o l o g í a a t r a v é s d e u n a ó p t i c a m a t e ­
r ialista y o n t o l ó g i c a y u n a n u e v a f e e n u n f u t u r o q u e B r u n o L a t o u r
d e f i n e c o m o « p r o s p e c t i v o » 18 c o n s t i t u y e la b a s e t e ó r i c a d e u n b u e n
n ú m e r o d e p r o y e c t o s teóricos recientes, c o m o los d e A l a i n B a d i o u ,
Gilíes D e l e u z e y Félix Guattari, q u e p a r t e n del p l a n t e a m i e n t o d e
L a t o u r p a r a elaborar c o m p l e j a s m i r a d a s s o b r e a l g u n o s sectores del
p e n s a m i e n t o m á s c o n t e m p o r á n e o s , c o m o el m o v i m i e n t o f i l o s ó f i c o d e
c r e c i e n t e p r e s e n c i a e n el d i s c u r s o a r t í s t i c o c o n t e m p o r á n e o d e n o m i n a ­
d o Speculative R e a l i s m , así c o m o la c o r r i e n t e filosófica d e l N e w E x i s ­
t e n t i a l i s m 19, v i n c u l a d a c o n u n a r e n o v a d a n o c i ó n d e o b j e t i v i d a d , q u e
a ñ a d e n n u e v a s r e f l e x i o n e s al c a m p o d e la a n t r o p o l o g í a c e n t r a d a s e n
u n a a p r o p i a c i ó n p o l í t i c a d e la n o c i ó n d e a n t r o p o c e n o .
E l m o v i m i e n t o Speculative Re a l i sm t o m ó s u n o m b r e d e u n s i m p o ­
s i o c e l e b r a d o e n e l G o l d s m i t h s C o l l e g e d e la U n i v e r s i d a d d e L o n d r e s
e n 2 0 0 7 e n el q u e i n t e r v i n i e r o n , e n t r e o t r o s , e l f i l ó s o f o f r a n c é s Q u e n ­
t i n M e i l l a s s o u x 20, d i s c í p u l o d e A l a i n B a d i o u , y el f i l ó s o f o e s t a d o u n i ­
d e n s e G r a h a m H a r m a n , m á s c e r c a n o a B r u n o L a t o u r , los cuales, c o n ­
t r a r i a m e n t e a las f o r m a s d o m i n a n t e s d e la filosofía p o s k a n t i a n a ,
d e f e n d i e r o n u n a n u e v a a p r o x i m a c i ó n a l o s o b j e t o s d e s d e el r e v i v a l d e
u n a m e t a f í s i c a q u e e n t i e n d e l o r e a l c o m o u n a n u e v a o n t o l o g í a e n la
q u e i n c l u s o l o s s e r e s h u m a n o s s e c o n v i e r t e n e n o b j e t o s , j u n t o al f u e g o ,
al a l g o d ó n o al á r b o l 2 1 . A e s t e s i m p o s i o s i g u i ó o t r o c e l e b r a d o e n la
U W E d e Bristol e n 2 0 0 8 titulado Speculative Realism/Speculative
M a t e r i a l i s m , el a n t e c e d e n t e i n m e d i a t o d e p r o y e c t o s e x p o s i t i v o s c o m o
el t i t u l a d o B l o w u p : S p e c u l a t i v e Re a l i ti e s ( V 2 R o t e r d a m , 2 0 1 2 - 2 0 1 3 j22 ,
q u e p l a n t e ó d i s c u s i o n e s s o b r e l o n o h u m a n o , l o q u e e s t á m á s a llá d e
l o h u m a n o y o t r o s a s p e c t o s d e l « n u e v o m a t e r i a l i s m o » , y el c e l e b r a d o
e n la K u n s t h a l e F r i d e r i c i a n u m d e K a s s e l e n s e p t i e m b r e d e 2 0 1 3 , S p e ­
c u l a t i o n s o n A n o n y m u s M a t e r i a l s 23, q u e i n t e n t ó c r e a r u n a n u e v a o n t o ­
logía p a r a los o b j e t o s e n línea d i r e c t a c o n la « O b j e t c - O r i e n t e d P h i l o ­
s o p h y » ( O O P ) , d e G r a h a m H a r m a n , q u e busca u n n u e v o lugar para
l o s o b j e t o s d e n t r o d e la « f i l o s o f í a r a d i c a l » y 'Ids l i b e r a d e s u c o n d i c i ó n
d e m e r a s u p e r f i c i e a j e n o s a t o d a a p r o x i m a c i ó n e n p r o f u n d i d a d a la
r e a l i d a d . E l a u t o r r e i v i n d i c a el r e t o r n o al o b j e t o ( t o d a s l a s c o s a s , t a n t o
l a s f í s i c a s c o m o l a s ficticias, S e r í a n i g u a l m e n t e o b j e t o s ) c o m o u n a n u e -
UTOPÍA Y A N T A G O N I S M O E N LA GLOBALIZACIÓN 95

v a f o r m a d e r e a l i s m o q u e , m á s allá d e l o f a c t u a l y c ó s i c o , n o r e n u n c i a
a s u d i m e n s i ó n especulativa. T o d o lo q u e existe s o n o b j e t o s reales
c o n c e b i d o s c o m o realidades a u t ó n o m a s o sustancias individuales;
i n c l u s o l o s s e r e s h u m a n o s s e c o n v i e r t e n e n o b j e t o s , al i g u a l q u e el
f u e g o , el a l g o d ó n o u n á r b o l . N o h a y u n a r e l a c i ó n d i r e c t a s i n o m á s
b i e n u n a g r i e t a a b s o l u t a e n t r e el c o n o c i m i e n t o d e l o r e a l y l o r e a l e n sí
m i s m o , lo q u e lleva a H a r m a n a d e n o m i n a r a s u o n t o l o g í a « r e a l i s m o
s i n m a t e r i a l i s m o » 24.
T a m b i é n la r evista T e x t e z u r K u n s t d e d i c ó el n ú m e r o d e m a r z o d e
2 0 1 4 al t e m a S p e k u l a t i o n / S p e c u l a t i o n 25 r e u n i e n d o a p o r t a c i o n e s d e t e ó ­
ricos c o m o S t e v e n S ha v i r o , A r m e n A v a n e s s i a n , S u h a i l M a l i k o S o p h i e
C r a s , q u e s e p l a n t e a r o n d i s t i n t a s v a l o r a c i o n e s d e s d e el p u n t o d e v i s t a
artístico, t e ó r i c o y c u r a t o r i a l a c e r c a d e l c r e c i e n t e a u g e d e los m o d e l o s
e s p e c u l a t i v o s e n f i l o s o f í a , a r t e , l i t e r a t u r a y el m e r c a d o .

L o m o d e r n o y lo líquido

T r a s s u s análisis s o b r e la g l o b a l i z a c i ó n , e n t o s q u e Z y g m u t B a u m a n
l l e g ó a l a c o n c l u s i ó n d e q u e l o q u e l a c a r a c t e r i z a b a e r a t a n t o la « l i b e r ­
t a d d e m o v i m i e n t o » d e p e r s o n a s c o m o la m o v i l i d a d s i n r e s t r i c c i o n e s
d e c a p i t a l 26, e l a u t o r a v a n z ó s u p e n s a m i e n t o e n u n n u e v o t e x t o d e l
2 0 0 0 , L i q u i d M o d e r n i t y 27, e n el q u e s e v a l i ó d e l a n o c i ó n d e f l u i d e z 28
c o m o m e t á f o r a p a r a c o n s t a t a r el f i n d e u n m u n d o e s t a b l e s o c i a l m e n t e ,
u n m u n d o m a r c a d o p o r el i m p u l s o r e v o l u c i o n a r i o y la b ú s q u e d a d e u n
c o n s t a n t e o r d e n . S e g ú n B a u m a n , los fluidos y s u facilidad e n « d e s p l a ­
z a r s e » , « d e r r a m a r s e » , « s a l p i c a r s e » y « v e r t e r s e » c o n s t i t u i r í a n la m e t á ­
f o r a a d e c u a d a p a r a a p r e h e n d e r la n a t u r a l e z a d e la f a s e a c t u a l d e l a
historia d e la m o d e r n i d a d , s u p e r a n d o t o d o h á b i t o s e d e n t a r i o y a p o s ­
t a n d o p o r e l n o m a d i s m o , l a f a l t a d e d o m i c i l i o fijo y la n o p e r t e n e n c i a
a u n E s t a d o : « E s t a m o s a s i s t i e n d o a la v e n g a n z a d e l n o m a d i s m o c o n ­
t r a el p r i n c i p i o d e la t e r r i t o r i a l i d a d y el s e d e n t a r i s m o . E n la e t a p a f l u i ­
d a d e la m o d e r n i d a d , la m a y o r í a s e d e n t a r i a e s g o b e r n a d a p o r u n a elite
n o m a d e y e x t r a t e r r i t o r i a l » 29 .
D e a h í la e x i s t e n c i a d e u n p l a n e t a a t r a v e s a d o e n t o d a s d i r e c c i o n e s
p o r « a u t o p i s t a s d e l a i n f o r m a c i ó n » , e n el s e n t i d o d e q u e n a d a d e l o
q u e o c u r r a e n a l g u n a p a r t e p u e d e , al m e n o s p o t e n c i a l m e n t e , p e r m a ­
n e c e r e n u n « a f u e r a » i n t e l e c t u a l . A s í , e n u n p l a n e t a a b i e r t o a la l i b r e
c i r c u l a c i ó n d e l c ap it al y las m e r c a n c í a s , c u a l q u i e r c o s a q u e o c u r r a e n
u n lugar r e p e r c u t e e n los d e m á s . N a d a p e r m a n e c e e n u n « a f u e r a »
m a t e r i a l . N a d a p e r m a n e c e i n t a c t o y s i n c o n t a c t o . U n a u n i d a d d e la
96 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

h u m a n i d a d — e n a l u s i ó n a la s u c i n t a e x p r e s i ó n d e M i l á n K u n d e r a —
c o m o la g e n e r a d a p o r l a g l o b a l i z a c i ó n s i g n i f i c a q u e « n a d i e p u e d e
e s c a p a r a n i n g u n a p a r t e » 30.
E n lugar d e asentamientos, e c o n o m í a s nacionales o entidades
políticas, e n l u g a r d e la c i u d a d e n c u a n t o s í m b o l o d e c o n t e n c i ó n d e l o
transitorio, e n l u g a r d e l o r d e n y la d i s c i p l i n a n e c e s a r i o s , la f a s e l í q u i d a
d e la m o d e r n i d a d — l a q u e e q u i v a l d r í a a l a p o s m o d e m i d a d — d e s d i ­
bujaría fronteras, d e s h a c i e n d o confines, l l e g a n d o incluso a los á m b i ­
tos nucleares d e nuestra experiencia: a nuestra p e r c e p c i ó n del t i e m p o
y d e l e s p a c i o , a l a i n d i v i d u a l i d a d , al t r a b a j o o a l a c o m u n i d a d 31.
L í q u i d o s e r í a a s í u n a a d j e t i v a c i ó n q u e r e f l e j a r í a l o s e f e c t o s d e la
g l o b a l i z a c i ó n , l as m i g r a c i o n e s , el n o m a d i s m o , el t u r i s m o , I n t e r n e t y la
t e l e f o n í a m ó v i l ; e s decir, las e n o r m e s p o s i b i l i d a d e s q u e o f r e c e n las t e c ­
n o l o g í a s d e l a i n f o r m a c i ó n . P e r o a d e m á s , p a r a el s o c i ó l o g o B a u m a n , el
p a s o d e l o s ó l i d o a l o l í q u i d o e m p i e z a c o n el f i n d e l a v a n g u a r d i a h i s t ó ­
r i c a y el a r t e a c t u a l , q u e él l o c a l i z a e n u n a s e r i e d e c r e a d o r e s d e l o s a ñ o s
s e s e n t a y s e t e n t a : G u s t a v M e t z g e r , u n a r t i s t a p a r a el q u e l a d e s t r u c c i ó n
d e u n a o b r a e s t a b a y a p r e v i s t a e n el m o m e n t o d e s u c r e a c i ó n , o J a c q u e s
V i l l e g l é , c o n s u s o b f á s h e c h a s a b a s e d e j i r o n e s , a s u m i e n d o el h e c h o d e
q u e la historia es u n a f áb r i c a d e d e s e c h o s . M á s q u e c r e a c i ó n o d e s t r u c ­
c i ó n , a p r e n d i z a j e u o l v i d o , e n el c a s o d e V i l l e g l é l a h i s t o r i a s e r í a p r u e b a
v iv i e n t e d e la futilidad d e estas distinciones: « N a d a n a c e p a r a vivir p o r
m u c h o t i e m p o , p e r o t a m p o c o n a d a m u e r e » 32 .
Y c o m o sostiene B a u m a n :

E s t o s artistas, m u y p r o p i o s d e la e r a l í q u i d a m o d e r n a h a c e n el a r t e d e
la m o d e r n i d a d l í q u i d a : c u a n d o el t i e m p o f l u y e p e r o y a n o d i s c u r r e , n o
se e n c a m i n a . E l c a m b i o es con st an t e y y a n o h a y conclusión: u n a
s e c u e n c i a i nc es an t e d e n u e v o s indicios d o n d e , c o m o y a dijo M e t z g e r
h a c e a ñ o s , la d e s t r u c c i ó n final d e l o b j e t o e s t á i n c o r p o r a d a e n él d e s d e
s u c o n c e p c i ó n 33.

D e la c u l t u r a - m u n d o a l a n u d a v i d a

E s d e s d e e s t a p e r s p e c t i v a d e s d e la q u e c r e e m o s n e c e s a r i o t r a b a j a r e n
u n a suerte d e cartografía c o n n u e v o s c o n ceptos-lugares y sus r e n o v a ­
d a s r e l a c i o n e s c o n el a r t e , l a c u l t u r a y la e c o n o m í a ; e c o n o m í a y c u l t u r a
e n tanto q u e s í n t o m a s d e n u e v o s t i e m p o s o lo q u e Gilíes L i p o v e t s k y y
J e a n S e r r o y d e n o m i n a n la c u l t u r a - m u n d o , la c u l t u r a d e l t e c n o c a p i t a -
l i s m o q u e a s u m e u n a v o c a c i ó n planetaria e i n v a d e t o d o s los sectores
U T O PIA Y A N T A G O N IS M O E N LA G L O B A L IZ A C IO N 97

de la sociedad. C om o sostienen Lipovetsky y Serroy, ya no m ás el cos­


m os fijo d e la u n id ad , del sen tid o últim o, de las clasificaciones jerar­
quizadas, sino el d e las redes, del flujo, de la m oda, del m ercado sin
lím ites ni cen tro d e referencia: « E n los tiem pos h ip erm o d em o s la cul­
tu ra se ha co n v ertid o en un m u n d o en el cual la circunferencia está en
todas p artes y el cen tro en n in g u n a» 34.
U na cu ltu ra -m u n d o en la q u e lo universal h u m anista cede su p ro ­
tagon ism o a lo universal c o n c re to y social (ya no m ás el ideal de
ciu d ad a n o del m u n d o , sino el m u n d o sin fro n teras del capital y de las
m ultinacionales, del ciberespacio y del consum o) y en la que la eco n o ­
m ía-m undo se agencia según un m odelo único d e n orm as, de valores,
de fines: el ethos y el sistem a tecnocapitalista. U na cu ltu ra-m u n d o que
asum e cuestiones y problem as de dim ensiones globales com o la eco ­
logía, la crisis económ ica, la inm igración, la po b reza y el terrorism o;
pero tam b ién cuestiones de carácter existencial, com o la identidad, las
creencias y las crisis d e sentido, o los pro b lem as de personalidad:
m und o , en definitiva, q u e se convierte en cultura, cultura que se c o n ­
vierte en m u n d o , com o aseveran Lipovetsky y Serroy. U na cultura-
m u n d o sin fro n teras territoriales, económ icas o políticas qu e d esb o r­
da en to d o s sus principios los lím ites de las culturas derivadas del
hum anism o clásico. U na cu ltu ra -m u n d o q u e n o es ni espejo ni reflejo
de las sociedades, sino el p rin cip io q u e las engendra, las constituye, las
m odela y las hace evolucionar.
Y si en la era m o d ern a la esfera cultural había sido im pulsada p o r
la dinám ica de la ideología individualista con sus exigencias d e libertad
y de igualdad, en la era h ip erm o d ern a — que se correspondería con'la
globalización— es la econom ía y su p o d er lo que se im pone com o la ins­
tancia principal d e la p ro d u cció n cultural. Y es esta «hipercultura» que
aband o n a las tradicionales oposiciones binarias del tipo alta/baja cul­
tura, cultura an tro p o ló g ica/cu ltu ra estética, cultura m aterial/cultura
ideológica y apuesta p o r una constelación planetaria en la que se en tre­
cruzan la cultura tecnocientífica, la de m ercad o y la del individuo,
pasando p o r la m ediática y la de redes, así com o la ecológica. C onste­
lación que generaría u n nuevo tip o de cread o r/req read o r/m an ip u la­
d o r/ co m u n icad o r d e im ágenes al q ue continuam os llam ando, p o r iner­
cia o p o r n o h ab e r en co n trad o n o m b re alternativo, artista.
El artista que asum e esta c u ltu ra -m u n d o se define com o h ab itan te
del m u n d o global y p artic ip a n te en ese m icrom undo: un artista intere- \
sado en el discurso social — n o d e clases sino d e territorios— , no ta n ­
to cread o r de im ágenes com o investigador de ellas, qu e reúne, crea,
cuestiona, relata y ex p o n e inform ación icónica o de o tro tipo sobre
98 TEORIAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

t e m a s d e c a r á c t e r u n i v e r s a l e n u n f o r m a t o q u e la s o c i e d a d o c c i d e n t a l
o el « n o s o t r o s » h a r a t i f i c a d o c o m o « a r t e » . U n a r t i s t a q u e u t i l i z a e s a
i n f o r m a c i ó n n o c o m o ú n i c o o b j e t o d e análisis, s i n o c o m o u n i n s t r u ­
m e n t o m á s , p e r o privilegiando s u estatus « e n tanto q u e arte» p a r a
desenmascarar y denunciar aspectos censurados, humillados, violen­
t a d o s o h e r i d o s d e l m u n d o a ct ua l: d e m o c r a c i a , justicia, o t r e d a d ,
migración, desarraigo y diáspora. T e m a s q u e p o c o o n a d a tienen q u e
v e r c o n las f o r m a s d e v i d a , s i n o c o n la v i d a s a c r i f i c a b l e d e s a l o j a d a
d e l m u n d o , r e d u c i d a a la s u p e r v i v e n c i a , la « n u d a v i d a » q u e G i o r g i o
A g a m b e n p l a n t e a e n s u t e o r í a d e la m a r g i n a l i z a c i ó n ^ , u n a v i d a r e l e g a ­
d a a los m á r g e n e s d e l o social, i n m i s e r i c o r d e e n lo político, e n lo jurí­
d i c o y e n lo b i o l ó g i c o ; u n a v i d a q u e aliena, c u a n d o n o e l i m i n a , a los
c i u d a d a n o s , q u e l e s p r i v a d e s u s d e r e c h o s c o m o ta l e s , q u e l e s a b a n d o ­
n a e n el f a n g o d e l o s c o r r u p t o s s i s t e m a s j u r í d i c o s , q u e c o n v i e r t e el s e r
h u m a n o e n el h o m o s a c e r : e n u n d e p o r t a d o d e c u a l q u i e r o r d e n y d e
c u a l q u i e r b e n e f i c i o d e la s o c i e d a d , e n t r e g a d o a i n e x i s t e n t e s « d i o s e s »
y q u e c o n s u s o l a p r e s e n c i a « m a n c h a » a la s o c i e d a d 36.

L a antiglobalización

U n a ñ o a n t e s d e q u e H a r d t y N e g r i p u b l i c a r a n I m p e r i o , la q u e p u e d e
c o n s i d e r a r s e « b i b l i a » d e l a g l o b a l i z a c i ó n — y s e g ú n S l a v o j Z i z e k el
« M a n i f i e s t o C o m u n i s t a p a r a el s i g l o X X I » 37— , n a c í a e l m o v i m i e n t o d e
la a n t i g l o b a l i z a c i ó n y, c o n él, s e i n i c i a b a u n c i c l o d e p r o t e s t a s y m o v i ­
l i z a c i o n e s , c o n S e a t t l e a l a c a b e z a 38 , b a s a d o e n u n m o d e l o d e u n a a l t a
i n t e n s i d a d d e conflictividad social q u e iba a d o m i n a r a lo largo d e u n a
d é c a d a . M a n u e l C a s t e l l s e s q u i z á s u n o d e l o s t e ó r i c o s q u e m á s fiel­
m e n t e h a s a b i d o r e f l e j a r e s t o s d o s r o s t r o s d e l á g l o b a l i z a c i ó n : el « u t ó ­
p i c o » (la g l o b a l i z a c i ó n c o m o u n p r o c e s o o b j e t i v o y m u l t i d i m e n s i o n a l
q u e a f e c t a a l a e c o n o m í a * a la c i e n c i a , a l a t e c n o l o g í a , a l a c u l t u r a , a la
c o m u n i c a c i ó n ) y el « d i a t ó p i c o » ( a n t i s i s t e m a ) , q u e , f r e n t e a l a p é r d i d a
d e c o n t r o l social y político s o b r e u n s i s t e m a d e de c i s i ó n globalizado,
f a v o r e c e la e c l o s i ó n d e l m o v i m i e n t o a n t i g l o b a l i z a c i ó n , c o m u n i c a d o y
o r g a n i z a d o p o r I n t e r n e t y c e n t r a d o e n p r o t e s t a s s i m b ó l i c a s 39.
B a j o esta v o l u n t a d antisistema, antic ap i ta li sm o y a n t i e s t a d o se vis­
l u m b r a u n a c l a r a r e n o v a c i ó n c o n l o s v í n c u l o s i d e o l ó g i c o s d e la t r a d i ­
c i ó n a n a r q u i s t a q u e e n t r a r í a e n el s i g l o X X I c ó n ^ m á s f u e r z a v i t a l q u e la
t r a d i c i ó n m a r x i s t a , m a r c a d a p o r la p r á c t i c a h i s t ó r i c a d e l m a r x i s m o -
l e n i n i s m o d e l s i g l o X X . T a l c o m o s o s t i e n e B a r b a r a E p s t e i n -40, m u c h o s
d e l o s a c t i v i s t a s r a d i c a l e s , s o b r e t o d o l o s q u e e s t á n e n el c e n t r o d e l o s
UTOPÍA Y A N T A G O N I S M O E N LA GLOBALIZACIÓN 99

m o v i m i e n t o s a n t i c o r p o r a t i v o s y a n t i g l o b a l i z a c i ó n , s e c a l i f i c a n a sí m i s ­
m o s d e a n a r q u i s t a s , a u n q u e , m á s q u e d e l a n a r q u i s m o p e r se, s e t r a t a ­
ría d e u n a cie rt a « s e n s i b i l i d a d a n a r q u i s t a » . A d i f e r e n c i a d e los r a d i c a ­
l e s m a r x i s t a s d e la d é c a d a d e l o s a ñ o s s e s e n t a q u e d e v o r a b a n l o s
e s c r i t o s d e M a r x y L e n i n , p a r a l o s a c t i v i s t a s a n a r q u i s t a s el a n a r q u i s m o
e s u n a e s t r u c t u r a o r g a n i z a t i v a d e s c e n t r a d a , r e b e l d e a la j e r a r q u í a y a la
autoridad, basada en g rupos y asociaciones a d h o c y en u n a t o m a d e
d e c i s i o n e s p o r c o n s e n s o . P a r a e l l o s el a n a r q u i s m o e s i m p o r t a n t e ,
s o b r e t o d o c o m o e s t r u c t u r a o r g a n i z a t i v a y c o m o c o m p r o m i s o c o n el
i g u a l i t a r i s m o : « E s u n a f o r m a d e p o l í t i c a q u e g i r a m á s e n t o r n o a la
e x p o s i c i ó n d e la v e r d a d q u e a l a e s t r a t e g i a . S e t r a t a d e c i d i d a m e n t e d e
u n a p o l í t i c a q u e s e h a c e m o m e n t o a m o m e n t o » 41.
P a r t i e n d o d e l a s t e o r í a s d e M u r r a y B o o k c h i n 42, h a b r í a q u e d i s t i n ­
g u i r e n t r e el « a n a r q u i s m o s o c i a l » y e l « a n a r q u i s m o p e r s o n a l » : el p r i ­
m e r o e s t a r í a v i n c u l a d o a l a t r a d i c i ó n s o c i a l i s t a e n la b ú s q u e d a d e u n a
t r a n s f o r m a c i ó n d e la s o c i e d a d h a c i a u n m á s ig u a l i t a r i o o r d e n p o s c a ­
p i t a l i s t a , m i e n t r a s q u e el s e g u n d o p r e s e n t a el f e n ó m e n o d e l a a n a r ­
q uí a c o m o u n e st ad o del ser q u e p u e d e y d eb er ía ser c o n f r o n t a d o p o r
el i n d i v i d u o a q u í y a h o r a , e x i s t i e n d o u n a b i s m o i n s u p e r a b l e e n t r e
a m b a s perspectivas. Y es p r e c i s a m e n t e este « a n a r q u i s m o personal»,
a q u e l q u e e n t i e n d e la a n a r q u í a c o m o u n a c u e s t i ó n p a r a c r e a r e s p a ­
c i o s a n á r q u i c o s a u n q u e s e a d e u n m o d o p r o v i s i o n a l d e n t r o d e las
e x i s t e n t e s e s t r u c t u r a s sociales, el q u e e n c o n t r a r í a e c o e n t r e el e s p í r i t u
d e c i e r t o s a c t i v i s m o s a n t i g l o b a l i z a c i ó n p a r a l o s q u e la p o l í t i c a y el
s e n t i d o d e la o r g a n i z a c i ó n c lá si ca s c e d e n s u p r o t a g o n i s m o a la i m a g i ­
n a c i ó n , el d e s e o y el é x t a s i s , h a c i a u n a c r e c i e n t e f a s c i n a c i ó n p o r l o
c o t i d i a n o 43.
E l a n a r q u i s m o s e r í a a s í la p e r s p e c t i v a q u e d o m i n a r í a d e n t r o d e l
m o v i m i e n t o a n t i g l o b a l i z a c i ó n , m o v i m i e n t o i n t e g r a d o p o r activistas
q u e t i e n e n p o c o q u e v e r c o n los d e b a t e s t eó ri co s e n t r e a n a r q u i s t a s y
m a r x i s t a s q u e se p r o d u j e r o n e n t r e finales del siglo X I X y p ri n c i p i o s del
siglo X X y q u e p r e s e n t a n m á s p u n t o s e n c o m ú n c o n el s o c i a l i s m o l ib er ­
tario q u e d e f i e n d e N o a m C h o m s k y q u e c o n los escritos c a n ó n i c o s d e
B a k u n i n . L o s activistas a n a r q u i s t a s d e h o y d e r i v a r í a n s u s i d e a s d e u n a
v e r t i e n t e d e la p o l í t i c a d e t i n t e m o r a l , c o m p r o m e t i d a c o n e l i g u a l i t a ­
r i s m o y el a n t i a u t o r i t a r i s m o , y s u a n a r q u i s m o c o m b i n a r í a i d e o l o g í a e
imaginación para expresar su perspectiva f u n d a m e n t a l m e n t e moral a
t r a v é s d e a c c i o n e s q u e p r e t e n d e n a la v e z v i s i b i l i z a r e l p o d e r y s o c a v a r ­
lo. D e a h í el p r o t a g o n i s m o d e p e q u e ñ o s g r u p o s q u e s u m a n f u e r z a
s o b r e u n a b a s e a d h o c e n l o q u e N a o m i K l e i n 44 d e n o m i n a « e n j a m b r e
d e m o s q u i t o s » : u n a f o r m a d e o r g a n i z a c i ó n ¿¡fue p e r m i t e q u e el m o v i -
100 TEORÍAS Y DISCURSOS D E L O G L O B A L

m i e n t o i n c l u y a estilos, t ác t i c a s y o b j e t i v o s d i f e r e n t e s y q u e I n t e r n e t s e a
el m e d i o p o r e x c e l e n c i a p a r a v i n c u l a r a g r u p o s distintos. C o m o s o s t i e ­
n e Klein:

L o s activistas d e l m o v i m i e n t o , s e p a r á n d o s e d e l r a d i c a l i s m o a s o c i a d o a
la V i e j a I z q u i e r d a y a la U n i ó n S o v i é t i c a , r e l a c i o n a n a n a r q u i s m o c o n
protesta airada, c o n d e m o c r a c i a p o p u l a r , sin líderes y c o n c o m u n i d a ­
d e s a p e q u e ñ a e s c a l a 45.

E s e s t e r e n o v a d o i m p u l s o a n a r q u i s t a el q u e p e r m i t e a S i d n e y T a r r o w ,
e n s u t e x t o T h e N e w T r a n s n a t i o n a l A c t i v i s m ^ , d e s a r r o l l a r el c o n c e p t o
d e « c i c l o s d e p r o t e s t a » , q u e e x p l i c a r í a el a g o t a m i e n t o d e u n m o d e l o d e
a c c i ó n g l o b a l u n i f i c a d a ( t a n t o e n el á m b i t o d e l a « p r o t e s t a » , d o n d e el
m á x i m o e x p o n e n t e f u e la A c c i ó n G l o b a l d e l o s P u e b l o s , c o m o e n la
d e la « p r o p u e s t a » , d o n d e el r e f e r e n t e f u e e l F o r o S o c i a l M u n d i a l ) y
d a r í a s e n t i d o a u n a m a y o r d i f u s i ó n d e l a a c c i ó n c o l e c t i v a , d e la c o n t e s ­
tación global a u n q u e diluida e n diversas redes contestatarias y e n u n
a m p l i o repertorio d e «activismo transnacional e n red». P o r q u e , c o m o
s o s t i e n e T a r r o w , e s t a m o s a s i s t i e n d o al p a s o d e u n m o d e l o c l á s i c o d e
l u c h a a n t i g l o b a l i z a c i ó n a o t r o m á s c e n t r a d o e n las c o n e x i o n e s g e n e r a ­
d a s e n t r e e s f e r a s t e m á t i c a s y g e o g r á f i c a s d e a c t u a c i ó n 4 '. U n a c t i v i s m o
q u e v i e n e p e r m e a n d o las a c c i o n e s c o l e c t i v a s n o s ó l o e n u n p l a n o g l o ­
bal, s i n o t a m b i é n e n s u s l u c h a s l o c a l e s a t r a v é s d e las c o n s t r u c c i o n e s
s i m b ó l i c a s y m a t e r i a l e s q u e v a n m á s a l l á d e l E s t a d o - n a c i ó n . Y q u e , al
d e c i r d e T a r r o w , e n l a z a r í a d i r e c t a m e n t e c o n el d e b a t e s o b r e u n « c o s ­
m o p o l i t i s m o c o n r a í c e s » r e l a c i o n a d o t a n t o c o n la d i s p o n i b i l i d a d d e
f o r m a s rápidas d e c o m u n i c a c i ó n personal y vuelos internacionales
b a r a t o s c o m o c o n u n a m p l i o c o n o c i m i e n t o d e l o q u e e s el l e n g u a j e
internacional del inglés y n u e v a s experiencias d e m ov il iz a ci ón o b t e n i ­
d a s g r a c i a s al a c t i v i s m o l o c a l .
S e g ú n T a r r o w , el m o m e n t o a c t u a l s e c a r a c t e r i z a n o t a n t o p o r el
h e c h o d e s e p a r a r a los i n d i v i d u o s d e s us p r o p i a s s o c i e d a d e s c o m o p o r
p r o d u c i r u n a estratificación d e g e n t e q u e , e n s u s v i d a s y e n s u s activi­
d a d e s , s o n c a p a c e s d e c o m b i n a r las f u e n t e s y las o p o r t u n i d a d e s d e s u s
s oc i e d a d e s d e n t r o d e redes fransnacionales e n lo q u e se p o d r í a d e n o ­
m i n a r « a c t i v i s m o m á s allá d e las f r o n t e r a s » . E n e s t e s e n t i d o , l o s acti­
v i s m o s t r a n s n a c i o n a l e s e m e r g e n b á s i c a m e n t e d e s d e a c t i v i d a d e s políti­
cas y sociales locales, y sólo u n p e q u e ñ o p o r c e n t a j e se c o n v i e r t e n e n
internacionales. D e h e c h o , s e g ú n Tarrow, diferentes estudios d e casos
c o m o el m o v i m i e n t o z a p a t i s t a , l o s p u e b l o s i n d í g e n a s , l o s g r u p o s isla-
m i s t a s radicales y los activistas l a b o r a l e s ilustrarían, d e s d e s u s l u g a r e s
y
UTOPÍA Y A N T A G O N I S M O E N LA GLOBALIZACIÓN 101

d e o r i g e n , l a s r e l a c i o n e s e n t r e el a c t i v i s m o t r a n s n a c i o n a l , la p o l í t i c a
n a c i o n a l y l o s c a m b i o s g l o b a l e s 48.
Y ello e n g l o b a r í a t a n t o a a q u e l l o s q u e h a c e n u s o s activistas d e las
n u e v a s tecnologías, e s p e c i a l m e n t e Internet, p a r a p o s i c i o n a r s e e n los
m o v i m i e n t o s a n t i g l o b a l i z a c i ó n 49 c o m o a l o s c o l e c t i v o s q u e , s i g u i e n d o
a R e b e c c a S o l n i t 50, c o n v i e r t e n el a c t i v i s m o e n u n t e r r e n o d e a c c i ó n
i n m a t e r i a l , s i t u á n d o s e e n l a e s f e r a d e l o s i m b ó l i c o , e n t r e el d i s c u r s o
p o l í t i c o y la i m a g i n a c i ó n c o l e c t i v a . P a r t i e n d o p r e c i s a m e n t e d e e s t o s
u s o s s i m b ó l i c o s y e s t é t i c o s d e l a c t i v i s m o , J u l i a R a m í r e z B l a n c o 51 v i n ­
c u l a a l g u n a s a c c i o n e s activistas ( c o m o las d e C l a r e m o n t R o a d , R e c l a i m
t h e S t r e e t s y la C i u d a d d e l S o l ) a u n c o n c e p t o d e u t o p í a e m p l e a d o e n
u n s e n t i d o d o b l e : c o m o r e f e r e n t e a la a c c i ó n p o l í t i c a q u e s e t r a d u c e
e n f o r m a s d e o r g a n i z a c i ó n y d e a c c i ó n política y c o m o u n l u g a r físico
q u e c a t a l i z a l a s f u e r z a s d e e n f r e n t a m i e n t o y l a e s p e r a n z a c o l e c t i v a 52. A
p a r t i r d e l a n á l i s i s d e d i s t i n t o s l u g a r e s y p r á c t i c a s c o m u n i t a r i a s , califi­
c a d a s d e « u t o p í a s d e r e v u e l t a » e n la E u r o p a p o s t e r i o r a la c a í d a d e l
M u r o d e B e r l í n e n t r e 1 9 9 2 y 2 0 1 1 , f e n ó m e n o s c o m o el m o v i m i e n t o
anticarreteras inglés y los c a s o s del colectivo británico R e c l a i m t h e
S t r e e t s y el m o v i m i e n t o 1 1 - M d e M a d r i d ^ S o n e j e m p l o s i l u s t r a t i v o s d e
e s t a s « e s t é t i c a s d e la p r o t e s t a » e n l a s q u e s e p r o p a g a l a u t o p í a c o m o
p o l í t i c a , s i n r e n u n c i a r a la e s t é t i c a . O c o m o s o s t i e n e l a a u t o r a :

Q u i z á s la s e n s a c i ó n d e e m p o d e r a m i e n t o p o l í t i c o s e a c a p a z d e g e n e r a r
u n e m p o d e r a m i e n t o e x p r e s i v o e n a q u e l l a s s i t u a c i o n e s e n las q u e s e
p l a n t e a la p o s i b i l i d a d d e m o d e l a r u n a s o c i e d a d di f e r e n t e . Si p a r a J o s e p h
B e u y s « t o d o s e r h u m a n o e s u n a rtista» y o a ñ a d i r í a q u e t o d a s y t o d o s
t e n e m o s la p o t e n c i a l i d a d d e ejercer, v i t a l m e n t e , c o m o c r e a d o r e s d e
u t o p í a s 53.
Tercera parte

L a s e x pos ici one s d e lo global

E n t r e W e s t k u n s t ( C o l o n i a , 1 9 8 1 ) , u n a e x p o s i c i ó n q u e p u e d e s e r c o n s i d e r a d a el
m á x i m o p a r a d i g m a d e la c e l e b r a c i ó n d e la m o d e r n i d a d s e g ú n el v i e j o s i s t e m a
occidental e internacional, y T h e G l o b a l C o n t e m p o r a r y a n d the K i s e o f N e w A r t
W o r l d s , ( K a r l s r u h e , 2 0 1 1 ) u n a c e l e b r a c i ó n d e l p a r a d i g m a g l o b a l , el m u n d o d e
las e x p o s i c i o n e s h a e x p e r i m e n t a d o u n o d e los m a y o r e s g i r o s e p i s t e m o l ó g i c o s
d e lo q u e p o d r í a m o s d e n o m i n a r « r i t o d e l p a s o » d e u n m u n d o m o n o c u l t u r a l a
otro p a u l a t i n a m e n t e multicultural, intercultural y globalizado.
A p r i n c i p i o s d e los a ñ o s o c h e n t a , n o o b s t a n t e , el m u n d o d e las e x p o s i c i o ­
n es, a j e n o a l os d e b a t e s q u e s e e s t a b a n p r o d u c i e n d o e n el c o n t e x t o p o s c o l o ­
nial, p a r e c í a t o d a v í a a f e r r a d o a la i d e a d e p r o c l a m a r u n a ú n i c a y u n i v e r s a l ­
m e n t e v á l i d a i d e a d e arte. A N e w Spirit i n P a i n t i n g ( L o n d r e s , 1 9 8 1 ) , Z e i t g e i s t
B e r l í n , 1 9 8 2 ) y, e n e s p e c i a l , la a m p l i a a n t o l o g í a W e s t k u n s t s e g u í a n d e e s p a l ­
d a s a t o d o tipo d e arte q u e n o se c oc ie ra e n los g r a n d e s c e n t r o s d e p o d e r ,
m a n t e n i e n d o m u y v i v o el d e b a t e d i s c r i m i n a t o r i o e n t r e c e n t r o y periferia. E n
c o n c r e t o , la m e n c i o n a d a m u e s t r a W e s t k u n s t 1, c o m i s a r i a d a p o r K a s p e r K ö n i g ,
sirvió p a r a p o n e r d e rel ie ve d e s d e u n a m p l i o p a n o r a m a d e p r á c t i c a s artísticas
inscritas e n el m a p a o c c i d e n t a l la n u e v a i d e n t i d a d artística a l e m a n a q u e h a b í a
s i d o b o r r a d a d e s p u é s d e la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , e n el s e n t i d o d e q u e ,
a u n q u e la e x p o s i c i ó n c u b r í a u n e x t e n s o p e r í o d o ( d e 1 9 3 9 a 1 9 8 1 ) y p r e s e n t a ­
b a u n a a m p l i a r e p r e s e n t a c i ó n d e artistas o c c i d e n t a l e s , m u c h o s d e los c u a l e s
i b a n a t e n e r u n n o t o r i o p r o t a g o n i s m o e n los a ñ o s o c h e n t a ( Borofsky, Dan ie ls ,
P a l a d i n o , Salle, S c h n a b e l , W e s t , C h i a , C u c c h i , e n t r e otros), a c t u ó c o m o a b a n ­
d e r a d a p a r a la g e n e r a c i ó n d e artistas a l e m a n e s d e s c o n o c i d o s f u e r a d e las f r o n ­
teras n a c i o n a l e s q u e h a b í a n s i d o c a p a c e s d e c o n e c t a r s u a r t e c o n s u s ra í c e s
locales.
10
P r i m e r o s c u e s t i o n a m i e n t o s a la
exposición occidental.
Las exposiciones de 1989

E n este capítulo a n a l i z a r e m o s distintos p r o y e c t o s curatoriales q u e n o s


a y u d a r á n a repensar operaciones dertxclusión/inclusión e n relación
c o n la n o c i ó n d e h e g e m o n í a o c c i d e n t a l . P r o y e c t o s q u e d a r á n p a u l a t i ­
n a visibilidad a los n u e v o s j u g a d o r e s q u e b u s c a n m a p e a r los c o m p l e ­
jos e n t o r n o s g e o p o l í t i c o s y culturales d e los e n t o r n o s locales q u e
e m p i e z a n a d e s p u n t a r . P a r a f r a s e a n d o al p e r i o d i s t a T h o m a s F r i e d m a n ,
e s c o m o si el m u n d o s e h u b i e r a c o n v e r t i d o e n p l a n o , u t i l i z a n d o l a
m e t á f o r a d e u n « m u n d o p l a n o » p a r a describir, c o n sus beneficios, sus
f r a c t u r a s y c o n t r a d i c c i o n e s , la n u e v a f a s e d e g l o b a l i z a c i ó n 2 q u é m u e s ­
tra c ó m o y p o r q u é m o t i v o p a í s e s c o m o I n d i a y C h i n a , c o m p a ñ í a s ,
c o m u n i d a d e s e individuos, gobiernos y sociedades d e b e n adaptarse a
las c o n d i c i o n e s d e u n m u n d o d o m i n a d o p o r l o s c r e c i e n t e s e f e é t o s d e
las n u e v a s t e c n o l o g í a s y las n u e v a s r e d e s d e c o m u n i c a c i o n e s . A l o q u e
e n r e a l i d a d T h o m a s F r i e d m a n s e r e f i e r e c u a n d o a l u d e a la « p l a n i t u d »
del m u n d o es a que:

[...] las c o n d i c i o n e s g l o b a l e s d e c o m p e t e n c i a e s t á n s i e n d o n i v e l a d a s .
A h o r a es posible p a r a m u c h a m á s g e n t e c o l a b o r a r y c o m p e t i r e n t i e m ­
p o real c o n o t r a g e n t e e n d i f e r e n t e s cl a s e s d e t r a b a j o d e d i f e r e n t e s
lugares del planeta y c o n m e j o r i gu a l d a d d e o p o r t u n i d a d e s q u e e n
c u a l q u i e r t i e m p o a n t e r i o r d e la h i s t o r i a d e l m u n d o 3.
106 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

Magiciens de la terre

U n o d e l o s p r i m e r o s d e s a f í o s e n el á m b i t o c u r a t o r i a l d e h a c e r d e l a s
artes visuales u n f e n ó m e n o m u n d i a l a l r e d e d o r d e culturas se inició e n
el p r o y e c t o e x p o s i t i v o M a g i c i e n s d e la t e r r e ( 1 9 8 9 ) , u n i n t e n t o p o r
p a r t e d e J e a n - H u b e r t M a r t i n d e c o n f r o n t a r vis a vis artistas t a n t o d e l
c o n t e x t o o c c i d e n t a l c o m o d e l n o o c c i d e n t a l , s i n m á s c o n e x i ó n e n t r e sí
q u e la d e f o r m a r p a r t e d e u n a m i s m a c o n t e m p o r a n e i d a d y c o n u n a
d i s t i n t a v a l o r a c i ó n d e l a r t i s t a e n f r e n t a d o al m a g o . T a l c o m o s o s t u v o
J e a n - H u b e r t M a r t i n e n u n a entrevista m a n t e n i d a c o n B e n j a m i n B u c h l o h ,
la e x p o s i c i ó n n o e s t a b a c o m p u e s t a t a n t o d e o b r a s d e a r t e c o m o d e
«objetos d e experiencia y sensación visual» p r o c e d e n t e s d e culturas
d e l t o d o dis ti nt a s c o n el o b j e t i v o d e i n c o r p o r a r « r e f l e x i o n e s críticas»
q u e la a n t r o p o l o g í a a c t u a l h a b í a p l a n t e a d o s o b r e el « p r o b l e m a d e l
e t n o c e n t r i s m o , el r e l a t i v i s m o d e l a c u l t u r a y l a s r e l a c i o n e s i n t e r c u l t u ­
rales»4.
C o n s i d e r a d a e n s u m o m e n t o « e t n o c é n t r i c a » 5, c o m o s o s t i e n e T h o ­
m a s M c E v i l l e y , s i r v i ó p a r a « a b r i r la t r a m p a » 6 e i n i c i a r u n p r o c e s o p o r
el q u e d i s t i n t o s d i s o a r s o s c u r a t o r i a l e s , t a n t o d e l m a i n s t r e a m c o m o d e
las periferias, h i c i e r o n visibles y c o n t e x t u a l i z a r o n las p r o d u c c i o n e s
artísticas y c u l t u r a l e s d e « o t r o s m u n d o s » , t a n t o d e l l l a m a d o « T e r c e r
M u n d o » c o m o d e l « S e g u n d o M u n d o » (los a n t i g u o s p a í s e s d e l e s t e
e u r o p e o ) . M a g i c i e n s d e la t e r r e r e c u p e r ó t o d a l a p a r t e e l i m i n a d a d e
P r i m i t i v i s m in 2 0 t h C e n t u r y A r t d e l M o M A 7, u n a e x p o s i c i ó n q u e c e l e ­
b r ó el p r i m i t i v i s m o y la m i r a d a c o l o n i a l d e l o t r o a p a r t i r d e l a b ú s q u e ­
d a d e a f i n i d a d e s e n t r e arte m o d e r n o y arte tribal e i n t e n t ó m o s t r a r q u e
e n la a c t u a l i d a d e x i s t í a n a r t i s t a s i d e n t i f i c a d o s ( c o n n o m b r e y a p e l l i ­
d o s ) q u e p o d í a n d e s p l a z a r s e a París, c o n los q u e se p o d í a h a b l a r y q u e
p o d í a n s e r m o s t r a d o s al l a d o d e l a s v e d e t t e s o d e l o s a r t i s t a s m á s c o n o ­
c i d o s d e l arte o c c i d e n t a l . E n e s t e s e n t i d o s e invitó a c i e n artistas d e los
c i n c o continentes, d e los cuales v einte e r a n africanos, q u e p i s a b a n p o r
p r i m e r a v e z — a l g u n o s d e ellos lo h a n s e g u i d o h a c i e n d o c o n p o s t e r i o ­
r i d a d — los altos l u g a r e s d e l arte c o n t e m p o r á n e o e u r o p e o . M a g i c i e n s
s e p r o p u s o así p o r p r i m e r a y e z u n a c o n f r o n t a c i ó n d i r e c t a e n t r e los
artistas c o n t e m p o r á n e o s s a l i d o s d e t o d a s las c u l t u r a s d e l m u n d o — a q u í
lo i n t e r n a c i o n a l n o d e s i g n a b a ú n i c a m e n t e E u r o p a O c c i d e n t a l y A m é ­
r i c a d e l N o r t e — , s i n o t a m b i é n l a s t r e s c u a r t a s p a r t e s r e s t a n t e s d e la
h u m a n i d a d . E n la G r a n d e H a l l e d e l a V i l l e t e s e p o d í a n e n c o n t r a r i n e s ­
p eradas yuxtaposiciones fruto d e c o m p a r a c i o n e s escenificadas q u e
p r e t e n d í a n p r o v o c a r « s h o c k s visuales», necesarios, a juicio d e M a r t i n ,
p a r a p r o d u c i r e s t í m u l o s p a r c e l p e n s a m i e n t o y a c t u a r c o m o cataliza-
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 107

d o r e s p a r a p r o y e c t o s e investigaciones futuras: u n a o b r a p o v e r a d e
M a r i o M e r z (U n t i t l e d S c u l p t u r e , 1 9 8 9 ) y u n a p i e z a d e s u e l o L e e t s o i i
( Uranium, 1987) d e J o h n K n i g h t detrás d e u n frontón d e P a p o u a s i e
d e N u e v a G u i n e a o u n g r a n c í r c u l o m u r a l d e R i c h a r d L o n g (R e d E a r t h
Circle, 1 9 8 9 ) e n f r e n t e d e p i n t u r a s o b r e s u e l o d e siete m i e m b r o s d e la
c o m u n i d a d a b o r i g e n a u s t r a l i a n a Y u e n d u m u c o n tres m o t i v o s s e p a ­
r a d o s : W a r n a - J a r d i w a r n p a ( s e r p i e n t e ) , N g a p a ( a g u a ) y Y a r l a (b u s h
p o t a t o ). T a m b i é n s e p o d í a n v e r l o s s i e t e a t a ú d e s p i n t a d o s d e K a n e
K w e i (M e r c e d e s , O n i o n , H o u s e , L o b s t e r , F i s h , E l é p h a n t y A g l e , d e
1 9 8 8 ) , q u e a u n q u e el c o m i s a r i o l o d e n o m i n ó a rt is ta , e r a e n r e a l i d a d
u n e ba ni st a q u e vivía e n G h a n a y h a b í a m u e r t o h a c í a a l g u n o s a ños. E n
los a ñ o s c i n c u e n t a realizó u n p r i m e r a t a ú d e n f o r m a d e b a r c o p a r a
u n o d e sus parientes q u e era pescador. Y c o n los a ñ o s siguió h a c i e n d o
ataúdes p o r e n c a r g o c o n diferentes atributos q u e r e c o r d a b a n a lgún
e l e m e n t o d e s t a c a d o d e l a f o t o g r a f í a d e l d i f u n t o . Q u i z á s el m á s c o n o ­
c i d o e s el a t a ú d e n f o r m a d e v e h í c u l o { M e r c e d e s ) , d e s t i n a d o al p r o p i e ­
tario d e u n a c o m p a ñ í a d e taxis q u e se h i z o e n t e r r a r e n u n c o c h e d e
d i c h a m a r c a . E s t e sería u n c a s o típico d e M a g i c i e n s : c onferir c ategoría
d e o b r a s d e arte a lo q u e e r a n o b j e t o s u n i d o s / a s u s rituales d e origen.
Sostiene J e a n - H u b e r t Martin:

N o v e o p o r q u é n o s e p u e d e n a p l i c a r los criterios d e c r e a c i ó n artística al


t r a b a j o d e K a n e K w e i ( q u e d e j ó n u m e r o s o s s e g u i d o r e s ) , así c o m o apli­
c a r a K w e i el título d e artista: él c r e ó u n a f o r m a q u e n o existía antes.

D e s t a c a r o n t a m b i é n las o b r a s d e l artista d e l Z a i r e B o d y s I s e k K i n g e -
lez, s i e t e m a q u e t a s d e a r q u i t e c t u r a e x t r a v a g a n t e s , v i s i o n a r i a s e i m a g i ­
narias construidas a b a s e d e p a p e l reciclado, cartón y plástico p ar a
u n a c i u d a d c o m o K i n s h a s a , q u e m o s t r a b a e n galerías sin éxito a l g u n o •
h a s t a q u e f u e d e s c u b i e r t o p o r el e q u i p o d e c o m i s a r i o s d e M a g i c i e n s .
M u c h o s críticos h a n c o m p a r a d o estas a r q u i t e c t u r a s d e I s e k K i n g e l e z
(C r o i x d u C i e l , 1 9 8 9 , M a u s o l é e K i n g e l e z y L a M i t t e r r a n é e n n e f r a n ç a i s e ,
1 9 8 9 ) c o n l a a r q u i t e c t u r a p o s m o d e r n a , q u e el p i n t o r n o v i o j a m á s .
O t r o e j e m p l o e s C y p r i e n T o k o u d a g b a , artista d e B e n í n c o m p l e t a m e n ­
t e i m p r e g n a d o d e s u t r a d i c i ó n y r e l i g i ó n , el v u d ú , q u e s e d e d i c a b a a
d e c o r a r los santuarios d e A b o m e y c o n pinturas y esculturas, d e s m a r ­
c á n d o s e d e las t r a d i c i o n e s l o c a l e s y a p o r t a n d o u n estilo m u y p e r s o n a l :
p i n t a b a l o s p e r s o n a j e s d e la m i t o l o g í a v u d ú c o n s o m b r a s n e g r a s y p r o - ;
n u n c i a d a s . J e a n - H u b e r t M a r t i n i n v i t ó a e s t e artista a P a r í s p a r a reali­
z a r u n c o n j u n t o d e e s c u l t u r a s d e d i o s e s v u d ú p a r a el e s p a c i o d e la
V i l l e t t e , V a u d o u Z a n g b e t o L e g b a ( 1 9 8 9 ) , q u e s i t u ó al l a d o u n t e m p l o
108 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

T o x o s s o u d e c o r a d o c o n m u r a l e s d e a t r i b u t o s d e l a s d e i d a d e s . Y allí
t r a b a j ó c o m o lo h a b r í a h e c h o e n s u país: realizó u n a e s c u l t u r a s a g r a d a
c a r g a d a d e s i g n i f i c a c i o n e s . T a m b i é n o r g a n i z ó u n a c e r e m o n i a v u d ú a la
q u e invitó a g e n t e d e B e n í n q u e vivía e n París. P o r lo q u e r es p e c t a a
l a s p i n t u r a s , c a d a u n a p o s e í a u n a f o r m a c o d i f i c a d a c o n r e l a c i ó n a la
l i t u r g i a o a la m i t o l o g í a v u d ú ( d i v i n i d a d e s d e l p a n t e ó n v u d ú , g e n e a l o ­
g í a s d e l o s r e y e s d e A b o m e y ) q u e el e s p e c t a d o r d e P a r í s n o p o d í a
e n t e n d e r e n t o d a su p r o f u n d i d a d y q u e sólo c a p t a b a a u n nivel formal.
P e r o el s i g n i f i c a d o e s t a b a ahí. Y e s t o e r a l o q u e c o n t a b a .
T a m b i é n u n i d a a la r e l i g i ó n v u d ú s e e n c o n t r a b a la o b r a d e P a t r i c k
V i l a i r e d e H a i t í , d e s c u b i e r t o e n el m o m e n t o d e M a g i c i e n s y q u e p r e ­
s e n t ó u n c o n j u n t o d e s i l l a s - t r o n o s (F a u t e u i l T r a p p e , H o m m e F a u t e u i l
y Fauteuil Président, 1986), d e m a s i a d o g r a n d e s p a r a p o d e r sentarse e n
el l o s , c o n u n b a n c o d e a l r e d e d o r d e 1 , 2 0 m o 1 , 3 0 m d e a l t u r a . E s t o s
s i l l o n e s e n m e t a l e s t a b a n r e l a c i o n a d o s d e a l g ú n m o d o c o n el « v u d ú » .
E n F a u t e u i l P r é s i d e n t la f o r m a h u m a n a d e u n p r e s i d e n t e s e r e c o r t a b a
e n el h u e c o d e l d o r s o d e l a silla. Y c a d a u n a d e e s t a s o b r a s m a n i f e s t a b a
el i n t e r é s q u e V i l a i r e e x p e r i m e n t a b a p o r l a h i s t o r i a e i c o n o g r a f í a d e
H a i t í ( d e h e c h o p u b l i c a b a r e g u l a r m e n t e libros y era u n intelectual q u e
p o d í a c o n c e p t u a l i z a r s u p r a x i s al m i s m o n i v e l q u e l o p o d í a h a c e r p o r
ejemplo Daniel Burén).
D e g r a n i m p a c t o r e s u l t ó l a o b r a d e l i n d i o n a v a j o J o e B e n Jr., u n
a r t i s t a q u e h a b í a a p r e n d i d o d e s u p a d r e , u n c h a m á n , la p r á c t i c a d e
c u r a c i ó n u n i d a a rituales d e la a r e n a y m a n t e n í a los d o s oficios s i m u l ­
t á n e a m e n t e : a r t e y c u r a c i ó n . P a r a M a g i c i e n s , J o e B e n Jr. r e a l i z ó u n a
pintura s o b r e suelo, S a n d Painting (1989), é o n p i g m e n t o s miner al e s
o b t e n i d o s d e m o l e r m in e r a l e s , a partir d e d i s e ñ o s c a d a u n o d e los
c u a l e s s e c o r r e s p o n d í a c o n u n ritual a p r o p i a d o a u n t ip o d e e n f e r m e ­
d a d . A l c o n t r a r i o d e l o q u e o c u r r í a e n s u c o n t e x t o original, e n el q u e
l a s p i n t u r a s s ó l o d u r a b a n el t i e m p o d e l a c e r e m o n i a y d e b í a n s e r d e s ­
t r u i d a s e n l a s v e i n t i c u a t r o h o r a s s i g u i e n t e s a l a c e l e b r a c i ó n d e la m i s ­
m a , e n P a r í s l a o b r a p e r m a n e c i ó a l o l a r g o d e t o d a la e x p o s i c i ó n ( e n
r e a l i d a d l o s p i g m e n t o s f u e r o n d e v u e l t o s al d e s i e r t o n a v a j o y d i s p e r s a ­
d o s e n s u s v a s t a s superficies)..

L a p o l é m i c a e n t o r n o a M a g i c i e n s d e la ter r e
/
M a g i a e n s suscitó controvertidas y antagonistas reacciones p o r parte
d e críticos, h i s t o r i a d o r e s d e l arte, e t n ó g r a f o s y t e ó r i c o s , q u e c o n s i d e ­
r a r o n esta p r i m e r a e x p o s i c i ó n d e arte c o n t e m p o r á n e o m u n d i a l u n
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 109

f e n ó m e n o a j e n o a los p a r á m e t r o s críticos c o n v e n c i o n a l e s . S e g ú n los


d e t r a c t o r e s , u n t á c i t o p r i m i t i v i s m o h a b r í a g u i a d o la r e p r e s e n t a c i ó n d e
los artistas n o o c c i d e n t a l e s , p r i v i l e g i a n d o a q u e l l a s o b r a s q u e c o m p o r ­
t a b a n i m p l í c i t a m e n t e l a s h u e l l a s y l o s r e g i s t r o s d e la t r a d i c i ó n ( c o l o r e s ,
p i g m e n t o s , p l u m a s ) e n d e t r i m e n t o d e los artistas c u y o s p r o y e c t o s
d e m o s t r a b a n q u e las s o c i e d a d e s n o o c c i d e n t a l e s n o v i v í a n e n u n f u e r a
d e t i e m p o , s i n o q u e e s t a b a n c o m p r o m e t i d a s c o n el c a m b i o : la m o d e r ­
n i z a c i ó n y la u r b a n i z a c i ó n d e r i v a d a d e ella. S e a c u s a b a a l o s o r g a n i z a ­
d o r e s d e o f r e c e r u n a i m a g e n e n e x c e s o estática d e l artista q u e vivía e n
A f r i c a , e n A s i a o A m é r i c a L a t i n a , i m p e r m e a b l e a la m o d e r n i d a d t é c ­
n i c a , i n t e l e c t u a l y a rt ís ti c a. S e d i j o t a m b i é n q u e , a p e s a r d e l l o a b l e
intento d e J e a n - H u b e r t M a r t i n y sus asesores d e f o m e n t a r u n e n c u e n ­
tro « n o j e r a r q u i z a d o » d e artistas c o n t e m p o r á n e o s o c c i d e n t a l e s y d e
artistas d e á r e a s m a r g i n a l e s d e s c o n o c i d o s e n los c i r c u i t o s d e a r t e c o n ­
t e m p o r á n e o , n o fue sino u n a operación etnocéntrica y h e g e m ó n i c a
q u e n o p u d o e v i t a r la c o n s i d e r a c i ó n d e los « o t r o s » c o m o p r i m i t i v o s y
e n l a q u e la s u p u e s t a c o n n i v e n c i a d e c ó d i g o s c u l t u r a l e s c o n t r a p u e s t o s
q u e d ó r e d u c i d a a u n a c o n f r o n t a c i ó n estética q u e p r e s u p u s o e n t o d o
m o m e n t o la s u p e r i o r i d a d d e la c u l t u r a o c c i d e n t a l f r e n t e a l a s n o o c c i ­
d e n t a l e s (los h o m b r e s f r e n t e a l o s m a g o s ) .
M a g i c i e n s d e la terre s i n d u d a s i g n i f i c ó u n « a n t e s » y u n « d e s p u é s » ,
u n a e x p o s i c i ó n d e referencia f u n d a m e n t a l e n esta deriva etnológica.
M c E v i l l e y , e n el t e x t o d e l c a t á l o g o , a r g u m e n t a u n a t r a n s f o r m a c i ó n d e
la e x p o s i c i ó n m o d e r n a , q u e v e í a al o t r o c o m o e x ó t i c o y c o m o p r i m i t i ­
v o , e n l a e x p o s i c i ó n p o s m o d e r n a , q u e p a r t e d e la d i f e r e n c i a y q u e
p e r m i t e al « o t r o » s e r é l m i s m o 8 . L a e x p o s i c i ó n p o s m o d e m a n o e n u n ­
c i a r í a u n p r i n c i p i o u n i f i c a d o r d e la c a l i d a d , s i n o m u c h o s p r i n c i p i o s
pluralistas y relativizados; t a m p o c o e n u n c i a r í a u n p rinc ip i o u n i f i c a d o r
d e l m o v i m i e n t o e n g e n e r a l , n i d e l p a s a d o artístico, ni p o r s u p u e s t o d é
la h i s t o r i a , n i d e n i n g u n a j e r a r q u í a d e f i n i d a . P o r q u e , c o m o s o s t i e n e
McEvilley:

M a g i c i e n s d e la terre e s p e r a , a fin d e c u e n t a s , o f r e c e r u n a i d e a d e la
situación global del arte c o n t e m p o r á n e o , c o n t o d a s s u s f r a g m e n t a c i o ­
n e s y d i f e r e n c i a s . T a l i d e a p u e d e , a s u v e z , m o d i f i c a r el f o r m a t o d e las
g r a n d e s e x p o s i c i o n e s i n t e r n a c i o n a l e s q u e d e s d e ñ a n el a r t e d e l o c h e n t a
p o r c i e n t o d e la p o b l a c i ó n m u n d i a l 9.
/ I1
Y e n e s t e s e n t i d o M c E v i l l e y c o n c l u y e r e c o n o c i e n d o q u e q u i z á s el
v m a y o r p r o b l e m a d e la m u e s t r a r e s i d a e n m a n e j a r u n a d i m e n s i ó n casi
u n i v e r s a l d e la e x p o s i c i ó n sin e n u n c i a r p r i n c i p i o s u n i v e r s a l e s y e n evi-
110 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

tar las a f i r m a c i o n e s p l a t ó n i c a s d e j u s tificación u n i v e r s a l y e t e r n a q u e


p o d r í a n d e r i v a r d e t o d a a p r o x i m a c i ó n g l o b a l d e m a s i a d o estática: « E n
su afán d e n o i m p o n e r categorías y d e crear u n a apertura, Magiciens
d e la t e ñ e d e f i n e l o i n d e f i n i d o o l a v a r i e d a d c o n t r a d i c t o r i a y p r o p o n e
u n a c e r c a m i e n t o e n t o r n o a la c o n t r a d i c c i ó n , a l a p l u r a l i d a d y a l a
falta d e e s e n c i a , e n t o r n o a u n a i d e a d e l y o q u e h a d e s e r relativa, c a m ­
b i a n t e , c o n m ú l t i p l e s facetas, q u e h a d e estar, e n o t r a s p a l a b r a s , a l r e ­
d e d o r d e u n a n o - i d e a del yo, o d e u n a idea del no-yo. L a dificultad d e
e s t e p r o y e c t o e s p r o p o r c i o n a l a s u i m p o r t a n c i a » 10.
P a r a l e l a m e n t e a la m u e s t r a , t a n t o la r e v i s t a L e s C a h i e r s d u M u s é e
n a c i o n a l d ’a r t m o d e r n e c o m o T h i r d T e x t u p u b l i c a r o n s e n d o s m o n o ­
g r á f i c o s s o b r e l a e x p o s i c i ó n c o n m ú l t i p l e s a p r e c i a c i o n e s al r e s p e c t o .
D e s t a c a p o r s u c a r á c t e r a c e r a d o y c r í t i c o la d e R a s h e e d A r a e e n , q u e e n
el t e x t o « O u r B a u h a u s O t h e r s ’ M u d h o u s e » 12 s e p l a n t e a l a c u e s t i ó n y a
n o t a n t o d e l « o t r o » s i n o d e c ó m o el « o t r o » h a s u b v e r t i d o l a s v e r d a d e ­
r a s a s u n c i o n e s e n l a s q u e l a « o t r e d a d » e s c o n s t r u i d a p o r la c u l t u r a
dominante. L o antropológico, según Araeen, ha d e s e m p e ñ a d o u n
p a p e l d e c i s i v o e n el c o n c e p t o d e M a g i c i e n s d e l a terre, p e r o n o o l v i d e ­
m o s q u e l a p r i n c i p a r f p r e o c u p a c i ó n d e l o a n t r o p o l ó g i c o s i g u e s i e n d o el
i n t e r é s p o r l o p r i m i t i v o , p o r el « o t r o o r i g i n a l » . Y a u n q u e r e c i e n t e s
t r a b a j o s e n a n t r o p o l o g í a h a n i n t e n t a d o c o r r e g i r a l g u n a s d e las p r i m e ­
r a s a s u n c i o n e s — e n p a r t i c u l a r la n o c i ó n d e l a s d e n o m i n a d a s s o c i e d a ­
d e s p r i m i t i v a s c o m o estáticas y d e s u s artistas c o m o a n ó n i m o s — , e s t a
c o r r e c c i ó n e s t á d e a l g u n a m a n e r a f u e r a d e l u g a r . Y p o r o t r a p a r t e el
h e c h o d e s i t u a r e n u n p r i m e r p l a n o l a a t e n c i ó n h a c i a el d i s c u r s o a n t r o ­
p o l ó g i c o e n el c o n t e x t o e x p o s i t i v o n o s h a d i s t r a í d o d e l a s p e c t o f u n d a ­
m e n t a l d e las r e l a c i o n e s e n t r e la c u l t u r a o c c i d e n t a l d o m i n a n t e y o t r a s
c u l t u r a s . Y s e p r e g u n t a A r a e e n : ¿ P o r q u é u n a tal o b s e s i ó n p o r l a s l l a ­
m a d a s s o c i e d a d e s primitivas?, ¿cuáles s o n estas s o c i e d a d e s ? , ¿ n o s o n
la m a y o r í a d e ellas s o c i e d a d e s d e l T e r c e r M u n d o q u e h o y f o r m a n p a r ­
te d e l s i s t e m a global, c o n u n c o m ú n m o d o d e p r o d u c c i ó n y similares
estructuras d e desarrollo? Y a u n q u e países c o m o Ind ia y Brasil n o h a n
g o z a d o del m i s m o s i s t e m a industrializado q u e los países del O e s t e ,
p u e d e q u e la p r o d u c c i ó n a r t í s t i c a d e l m a i n s t r e a m h a y a f o r m a d o p a r t e
d e l o q u e J e a n F i s h e r d e n o m i n a el « p a r a d i g m a d e m o d e r n i d a d » . E s
c i e r t o q u e p u e d e h a b e r c u l t u r a s q u e o p e r a n f u e r a d e l o s l í m i t e s d e la
cultura occidental, p e r o p o d e m o s afirmar q u e n o están afectadas p o r
los desarrollos m o d e r n o s . ' ^
S u m a r g i n a l i d a d tiene m á s q u e ver c o n lo e x t r e m o d e su e x p l o t a ­
c i ó n y p r i v a c i ó n f r u t o d e l i m p e r i a l i s m o o c c i d e n t a l q u e c o n el c a r á c t e r
d e s u s c u l t u r a s . Y l a p r i n c i p á l l u c h a d e la m a y o r í a d e e s t a s c u l t u r a s e s
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 111

p o r l a r e c u p e r a c i ó n d e s u t i e r r a , y s u e n t r a d a e n el m u n d o m o d e r n o e s
p a r t e d e e s t a l u c h a a f a v o r d e u n a a u t o d e t e r m i n a c i ó n 13.
E l p r o b l e m a c o n M a g i c i e n s es q u e n o se c o r r e s p o n d e c o n esta
l ucha ideológica, sino q u e d e b e e n t e n d e r s e d e s d e u n a posición d e
e c l e c t i c i s m o c u l t u r a l e n l a q u e la i d e a h a s t a c i e r t o p u n t o p o s m o d e r n a
d e l e v e r y t h i n g g o e s e s l e g i t i m a d a p o r la b e n e v o l e n c i a d e l a c u l t u r a
d o m i n a n t e , d e m o d o q u e el o t r o q u e d a a c o m o d a d o e n u n « e s p e c t á c u ­
l o q u e p r o d u c e l a i l u s i ó n d e i g u a l d a d » 14.
Efectivamente, Magiciens fue u n gran espectáculo c o n u n a gran
fascinación p o r lo exótico, p e r o e n ú lt i m o t é r m i n o i g n o r ó aspectos d e
naturaleza histórica y epistemológica. L o s comisarios olvidaron q u e
d e s d e la h i s t o r i a d e l a r t e s e p o d í a n s o l u c i o n a r p r o b l e m a s q u e a n t e s
q u e d a b a n c o n f i a d o s a la e t n o l o g í a y a la s o c i o l o g í a y e n g e n e r a l a c u e s ­
t i o n e s c u l t u r a l e s , p e r o s i n d e s c u i d a r a s p e c t o s r e l a t i v o s a la c r e a t iv i d a d
h u m a n a , la estética y el arte. A juicio d e A r a e e n , h a b r í a q u e r e i v i n d i c a r
l o s o b j e t o s d e a l t a c u l t u r a p r o d u c i d o s p o r el « o t r o » e n s u s a s p i r a c i o ­
n e s p o s c o l o n i a l e s a la m o d e r n i d a d :

P o r s u p u e s t o , la c o n j u n c i ó n e n t r e las a s p i r a c i o n e s p o s c o l o n i a l e s e n l os
p a í s e s d e l T e r c e r M u n d o y las a m b i c i o n e s n e o c o l o n i a l e s d e u n c a p i t a ­
l i s m o a v a n z a d o h a p r o d u c i d o n u e v o s c o n f l i c t o s y c o n t r a d i c c i o n e s , las
c u a l e s , a s u v e z , h a n n e c e s i t a d o la e m e r g e n c i a d e u n d i s c u r s o crítico
q u e i n t e r r o g a r a c o r r e c t a m e n t e las r o t a s p r o m e s a s d e la u t o p í a m o d e r ­
n a . L a M o d e r n i d a d p a r a el « o t r o » s i g u e s i e n d o u n t e m a b á s i c o 15.

L o q u e A r a e e n a c a b a c u e s t i o n a n d o d e u n a m a n e r a d i r e c t a e s la a u s e n ­
c i a d e u n m a r c o t e ó r i c o y c o n t e x t u a l q u e p u e d a j u s t i f i c a r el e n c u e n t r o
d e o b r a s q u e r e p r e s e n t a n distintas f o r m a c i o n e s históricas:

S e a p l a u d e el h e c h o d e q u e t o d a s las o b r a s , s e a c u a l s e a s u l u g a r d e
origen, se p r e s e n t a n e n i g u a l d a d d e t é r m i n o s . P e r o ¿ n o es esta igual­
d a d u n a i l u s i ó n ? ¿ C ó m o s e p u e d e c o n s e g u i r e s t a i g u a l d a d si n o e s a
b a s e d e i g n o r a r las d i f e r e n c i a s e n t r e d i s t i n t a s o b r a s ? P o r s u p u e s t o ,
las d i f e r e n c i a s h a n e n t r a d o a f o r m a r p a r t e d e u n e s p a c i o c o m ú n ,
p e r o ¿ c u á l e s el s i g n i f i c a d o d e e s t a e n t r a d a ? ¿ E s p o s i b l e d e n t r o d e l
d i s c u r s o d e la d i f e r e n c i a f u n c i o n a r c r í t i c a m e n t e e n u n e s p a c i o c u r a ­
torial d o n d e la d i m e n s i ó n crítica d e e s t a d i f e r e n c i a e s d e h e c h o n e g a ­
d a e n a r a s d e la i l u s i ó n d e s i m i l a r i d a d e s v i s u a l e s y s e n s i b i l i d a d e s d e
t r a b a j o s p r o d u c i d o s b a j o d i s t i n t o s s i s t e m a s , d e s p l a z a n d o la c u e s t i ó n
d e l p o d e r d e l o s d i s t i n t o s t r a b a j o s d e s d e el d o m i n i o d e la i d e o l o g í a
d e la e s t é t i c a c u l t u r a l ? N o e s e x t r a ñ o q u e el c o m ú n d e n o m i n a d o r
a q u í s e a el t e r m i n o m á g i c o q u e t r a s c i e n d e l o s s i g n i f i c a d o s s o c i o e c o ­
n ó m i c o s 16.
112 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

E l p r o p i o T h o m a s M c E v i l l e y e n u n t e x t o d e 1 9 9 0 17 p u b l i c a d o e n la
r e v i s t a A r t f o r u m , e n el n ú m e r o m o n o g r á f i c o d e n o m i n a d o « T h e G l o ­
b a l I s s u e » , s e ñ a l a la d i f e r e n c i a d e e s c r i b i r « a n t e s » y « d e s p u é s » d e l a
e x p o s i c i ó n . D e s p u é s d e h a b e r v i s t o la m u e s t r a , M c E v i l l e y s e p o n e e n
p a r t e d e l l a d o d e l o s d e t r a c t o r e s c u a n d o a p u n t a la p r e s e n c i a d e m ú l t i ­
p l e s s i g n o s i n q u i e t a n t e s d e r e s i d u a l e s a c t i t u d e s c o l o n i a l e s . E l tít ul o,
a p u n t a M c E v i l l e y , s u g i e r e u n a i n c l i n a c i ó n r o m á n t i c a h a c i a la i d e a d e
u n «artista n a t i v o » n o s ó l o c o m o u n m a g o (casi e n u n e s t a d o p r e r r a -
c i o n a l ) s i n o c o m o a l g u i e n c e r c a n o a l a t i e r r a (el t í t u l o n o e r a « m a g o s
d e l m u n d o » , s i n o « d e la t i e r r a » ) , c o m o e n u n e s t a d o p r e c i v i l i z a d o d e
la n a t u r a l e z a . L o s c u r a d o r e s , c o n t i n ú a M c E v i l l e y , e s t a b a n i n c o m p r e n ­
s i b l e m e n t e m o t i v a d o s p o r u n d e s e o d e n o u s a r la p a l a b r a « a r t i s t a s » e n
d e f e r e n c i a a u n c r e c i e n t e d e b a t e a c e r c a d e si l o s d e n o m i n a d o s « p u e ­
b l o s p r i m i t i v o s » t e m a n l a i d e o l o g í a ( e n el m á s p u r o e s t i l o k a n t i a n o )
q u e c o n v e r t í a l o s o b j e t o s e n « a r t e » . P e r o l o c i e r t o e s q u e la p a l a b r a
« m a g o » n a d a t enía q u e v e r c o n lo q u e e s t a b a n h a c i e n d o artistas c o m o
H a n s H a a c k e , L a w r e n c e Weiner, Barbara Kruger, o incluso Chéri
S a m b a o m u c h o s o t r o s a r t i s t a s d e la e x p o s i c i ó n , t a n t o o c c i d e n t a l e s
c o m o n o occidentales.
P e r o n i e s t a s n i o t r a s m u c h a s r a z o n e s g e n e r a d a s a r a í z d e la m u e s ­
t r a p a r e c í a n j ustificar, a j u i c i o d e M c E v i l l e y , u n a r e a c c i ó n t a n n e g a t i v a
e i n c l u s o v i r u l e n t a c o n t r a la e x p o s i c i ó n . P a r t e d e l a r e a c c i ó n h o s t i l d e
l a c r í t i c a r e s p o n d e r í a al h e c h o d e q u e n i M a g i c i e n s , q u e f u e c o n c e b i d a
c o m o r e s p u e s t a a la c o n t r o v e r s i a q u e u n o s a ñ o s a n t e s h a b í a s u s c i t a d o
la m u e s t r a P r i m i t i v i s m ( y a la q u e s e h a b í a s u m a d o d e u n a m a n e r a
c l a r a m e n t e b e l i g e r a n t e e l p r o p i o M c E v i l l e y 18 ), p u d o s e r v i s t a p o r el
p ú b l i c o n o r t e a m e r i c a n o ni s u a n t e c e s o r a del M o M A , Primitivism, p o r
el p ú b l i c o e u r o p e o . A p a r t i r d e a h í M c E v i l l e y e s t a b l e c e u n p a r a l e l i s ­
m o e n t r e las d o s m u e s t r a s , u n i d a s p o r el h e c h ó d e p r e s e n t a r a r t e d e l
P r i m e r y T e r c e r M u n d o s e n a l g u n o s d e los m á s e m b l e m á t i c o s m u s e o s
o c c i d e n t a l e s , p a r a l legar a la c o n c l u s i ó n d e q u e m u c h o s e h a b í a c o n s e ­
g u i d o e n M a g i c i e n s respecto a Primitivism. Así, m i e n t r a s q u e Primiti­
v i s m p r e s e n t ó o b r a s s i n f e c h a n i a u t o r , M a g i c i e n s l o h a c í a c o m o si s e
tratara d e pie za s occidentales; m i e n t r a s q u e P r i m i t i v i s m h a b í a sid o
eurocéntrica y jerárquica, M a g i c i e n s habría nivelado t o d o tipo d e
j e r a r q u í a s , d e j a n d o a las o b r a s d e a r t e a p a r e c e r sin n i n g ú n m a r c o i d e o ­
l ó g i c o fijo, y m i e n t r a s q u e P r i m i t i v i s m p r e s e n t a b a l a s o b r a s p r i m i t i v a s
c o m o « n o t a s a p i e d e p á g i n a » d e las i m i t a c i o n e s m o d e r n a s o c c i d e n t a ­
les, M a g i c i e n s h a b r í a e s c o g i d o c a d a t r a b a j o p o r s u v a l o r e n sí m i s m o y
n o p o r e l h e c h o d e i l u s t r a r a l g o f u e r a d e sí m i s m o . Q u i z á s , r e f l e x i o n a ­
b a e l c r í t i c o , el h e c h o c l a v e e s q u e l a s d o s e x p o s i c i o n e s e n c a r n a b a n
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 113

i d e a s r a d i c a l m e n t e d i s t i n t a s s o b r e l a h i s t o r i a . Y e n e s t e s e n d d o si P r i -
t n i t i v i s ? n s e b a s a b a t o d a v í a e n el m i t o h e g e l i a n o d e l a s c u l t u r a s o c c i ­
d e n t a l e s , M a g i c i e n s f u e c l a r a m e n t e el e p i t a f i o d e e s t e m i t o y d e l a i d e a
k a n t i a n a del juicio d e v a l o r universal.
P a r a M c E v i l l e y r e s u l t a b a t a m b i é n c h o c a n t e el o r i g e n i d e o l ó g i c o -
político d e los t é r m i n o s d e l d e b a t e s u s c i t a d o e n t o m o a M a g i c i e n s .
M i e n t r a s q u e p a r a los c r í b e o s c o n s e r v a d o r e s la m u e s t r a p a r e c í a d e s ­
t r u i r la m o d e r n i d a d , l o s c r í t i c o s p r o g r e s i s t a s e x p r e s a r o n u n a c i e r t a
d e s a z ó n p o r l a c l a r a d e s p o l i t i z a c i ó n d e l a m u e s t r a : c u e s ü o n a r o n l as
m o t i v a c i o n e s d e la in s t i t u c i ó n , así c o m o la i d e a d e q u e r e r i n t r o d u c i r a
l o s a r t i s t a s e n el m e r c a d o a r t í s t i c o o c c i d e n t a l , c r i t i c a r o n la i m p o s i c i ó n
d e v a l o r e s i nd iv id u al is ta s y b u r g u e s e s s o b r e e s t o s artistas p r o c e d e n t e s
d e s o c i e d a d e s c o m u n a l e s y, e n ú l t i m o t é r m i n o , s o s p e c h a r o n d e l l i d e ­
r a z g o d e las p o l í u c a s c u l t u r a l e s f r a n c e s a s , lo q u e los l l e v ó a r e c l a m a r
u n a m u e s t r a d e á m b i t o g l o b a l m á s allá d e l f i n i s e c u l a r c o l o n i a l i s m o
f r a n c é s 19.
E n el m i s m o a ñ o d e 1 9 8 9 , la r e v i s t a A r t i n A m e r i c a , a d e m á s d e
p u b l i c a r d i v e r s a s o p i n i o n e s e x p r e s a d a s p o r artistas t a n t o o c c i d e n t a l e s
c o m o n o o c c i d e n t a l e s s o b r e las e x h i b i c i o n e s g l o b a l e s , las r e l a c i o n e s
nacionalismo versus internacionalismo y su vinculación c o n culturas
« o t r a s » 20, d e d i c ó u n a r t í c u l o a la e x p o s i c i ó n d e M a g i c i e n s t i t u l a d o
« T h e W h o l e E a r t h S h o w » 21 e n el q u e , t r a s p r e s e n t a r la m u e s t r a c o m o
el v e r d a d e r o a r t e i n t e r n a c i o n a l — o m e j o r g l o b a l — , c o n s t a t ó la n u e v a
e i m p e r a n t e f a s c i n a c i ó n c o n el « o t r o » , el c u a l b u s c a u n i r el s u b l i m e
h e r o i c o y el y o p r i m a r i o e n e l p a n t e ó n d e a l g u n o s d e l o s m i t o s p r o p i o s
d e l s i g l o X X . U n a f a s c i n a c i ó n n o e x e n t a d e p a r a d o j a s d e l a s q u e la
p r o p i a c r í d c a s e h a c í a e c o : ¿ P u e d e e x i s d r a l g ú n c o n t i n u o e n t r e l as
p i n t u r a s d e K i e f e r y las m á s c a r a s c e r e m o n i a l e s d e B e n í n ? ¿ C ó m o s e
p u e d e n h a c e r juicios d e c a l i d a d s o b r e o b j e t o s c o m p l e t a m e n t e alejados
d e nuestra cultura y experiencia? ¿ H a y a l g u n a vía políticamente
c o r r e c t a p a r a p r e s e n t a r a r t e f a c t o s d e o t r a s c u l t u r a s o d e b e r í a la e m p r e ­
s a m u s e o g r á f i c a c u e s t i o n a r la e x p l o t a c i ó n c u l t u r a l ? 22.

L a III B i e n a l d e L a H a b a n a

T a m b i é n e n 1 9 8 9 s e c e l e b r ó la III B i e n a l d e L a H a b a n a , q u e , e n c o m ­
p a r a c i ó n c o n la p r i m e r a , e x c l u s i v a m e n t e l a t i n o a m e r i c a n a , y lá s e g u n ­
da. inscrita e n las e x p e c t a t i v a s d e l T e r c e r M u n d o , s e p r e s e n t ó c o m o
a n o d e l o s g r a n d e s e v e n t o s i n t e r n a c i o n a l e s d e a l c a n c e g l o b a l al m a r ­
e e n d e l s i s t e m a artístico e u r o p e o y n o r t e a m é r i c a n o . A d i f e r e n c i a d e
114 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

l a s d o s c i t a s a n t e r i o r e s , el e q u i p o c u r a t o r i a l i n t e g r a d o p o r L i l i a n L l a -
nes, N e l s o n H e r r e r a y G e r a r d o M o s q u e r a estableció u n t e m a c o m ú n ,
T r a d i c i ó n y c o n t e m p o r a n e i d a d , b a j o el c u a l s e i n c l u í a n u n a e x p o s i c i ó n
c e n t r a l e n el M u s e o N a c i o n a l d e B e l l a s A r t e s d e L a H a b a n a t i t u l a d a
« T r e s M u n d o s » c o n artistas d e p a í s e s d e l S e g u n d o y T e r c e r M u n d o s
q u e t r a b a j a b a n e n el c o n t e x t o d e l a h i s t o r i a d e l a r t e o c c i d e n t a l d e l
P r i m e r M u n d o , y c u a t r o « N ú c l e o s » q u e , f r e n t e a la e s t r u c t u r a m o n o ­
lítica d e la m u e s t r a c e n t r a l , f u n c i o n a r o n c o m o p r i s m a s p r o p i c i o s a u n a
l e c t u r a b a s a d a m á s e n l a d i f e r e n c i a q u e e n la c o m p a r a c i ó n . E l N ú c l e o 1,
c o n artistas c o m o J o s é B e d i a , A h m e d N a w a r , R o b e r t o F e l e o y R o b e r t o
D i a g o , q u e i n c o r p o r a b a n m i t o s h e r e d a d o s , r i t u a l e s o e l l e g a d o d e la
h i s t o r i a n a c i o n a l , s e o c u p ó d e la p r e s e n c i a d e l a s t r a d i c i o n e s c u l t u r a l e s
e n los l e n g u a j e s artísticos c o n t e m p o r á n e o s . E l N ú c l e o 2, c o m p u e s t o
p o r tres i n s t a l a c i o n e s , « B o l í v a r e n tallas d e m a d e r a » , « M u ñ e c a s m e x i ­
c a n a s » y « Ju g u e t e s d e a l a m b r e africanos», fue descrito c o m o u n a
a p o r t a c i ó n a la r i q u e z a d e la c u l t u r a p o p u l a r , e n o c a s i o n e s e x p r e s a d a
d e u n a m a n e r a a n ó n i m a y e n o t r a s p o r artistas p r o f e s i o n a l e s q u e
d a b a n p o r a s i m i l a d o el l e g a d o d e l a s v i e j a s t r a d i c i o n e s d e s d e l o s p a r á ­
m e t r o s d e las art es y los oficios. E l N ú c l e o 3 c o n s i s t i ó e n siete m u e s ­
t ra s, a l g u n a s c o l e c t i v a s , c o m o « L a t r a d i c i ó n d e l h u m o r » , y o t r a s
m o n o g r á f i c a s , c o m o las d e d i c a d a s a G r a c i e l a I t u r b i d e , S e b a s t i a o S a l ­
g a d o y J o s é Tol a, c o n t r a b a j o s t a n t o e n c l a v e crítica c o m o d e h u m o r ,
r elacionados c o n a c o n t e c i m i e n t o s político-sociales específicos. Y
f i n a l m e n t e el N ú c l e o 4 i n c l u í a t a l l e r e s , v i s i t a s a e s t u d i o s y d e b a t e s
a b i e r t o s a ar t i s t a s , c r í t i c o s , e s t u d i a n t e s , p r o f e s o r e s e i n v e s t i g a d o r e s .
C o m o s eñala G e r a r d o M o s q u e r a , u n c a m b i ó significativo r e s p e c t o a
las a n t e r i o r e s b i e n a l e s f u e la i n c l u s i ó n d e artistas e u r o p e o s y n o r t e a ­
m e r i c a n o s p r o c e d e n t e s d e las d i á s p o r a s , c o m o el g r u p o a f r o a s i á t i c o
e s t a b l e c i d o e n G r a n B r e t a ñ a o el d e a r t i s t a s d é la f r o n t e r a S a n D i e g o -
T i j u a n a , lo c u a l a b r í a la n o c i ó n g e o g r á f i c a d e l T e r c e r M u n d o i n c o r p o ­
r a n d o l a s p o r o s i d a d e s d e r i v a d a s d e la m i g r a c i ó n y s u s t r a n s f o r m a c i o ­
n e s c u l t u r a l e s . E n total, q u i n i e n t o s t r e i n t a y o c h o artistas d e c i n c u e n t a
y c u a t r o p a í s e s 23 .
P e r o q u i z á s l o m á s i n t e r e s a n t e d e la B i e n a l f u e s u p o s i b l e p a r a l e ­
l i s m o c o n l a m e t r o p o l i t a n a M a g i c i e n s d e la terre, p a r a l e l i s m o q u e c o n s ­
t a t ó L u i s C a m n i t z e r e n la r e v i s t a T h i r d T e x t . S e g ú n L . C a m n i t z e r , a
p e s a r d e la a b i s m a l d i f e r e n c i a d e r e c u r s o s , las d o s e x p o s i c i o n e s i n t e n ­
t a r o n s e r u n f o r o p a r a el a r t e d e l T e r c e r M u n d o é o n la s a l v e d a d d e q u e
e n la m u e s t r a d e L a H a b a n a l o s t r a b a j o s f u e r o n e x h i b i d o s b a j o la ú n i ­
c a r e s p o n s a b i l i d a d d e l artista m á s allá d e t o d o p a t e r n a l i s m o y artificio
curatorial:
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 115

M i e n t r a s las d o s m u e s t r a s p l a s m a r o n la l i b e r t a d d e m e z c l a r a r t e e l e v a ­
d o y a r t e p o p u l a r , la d e L a H a b a n a i g n o r ó el c o n c e p t o d e m o d a d e la
« o t r e d a d » . [...]. E n P a r í s la b u s c a d a « o t r e d a d » d e t e r m i n ó la i n t e n ­
c i ó n así c o m o la r e a l i z a c i ó n . D e s d e el inicio, el título a b r í a las p u e r t a s
al e x o t i s m o , a u n a r t e q u e n o s e g u í a n o r m a s h e g e m ó n i c a s y q u e a
m e n u d o n o s e d e f i n í a a sí m i s m o c o m o arte. L a p o s i b i l i d a d d e p o s e e r
la c a t e g o r í a d e « m a g o » c o m p a r t i d a p o r l o s artistas h e g e m ó n i c o s a y u ­
d a b a a b o r r a r la m a l a c o n c i e n c i a d e los o r g a n i z a d o r e s . L a H a b a n a n o
f u e u n f o r o p a r a la « o t r e d a d » ( o t h e r n e s s ) , s i n o m á s b i e n p a r a el this-
n e s s d o n d e this e s l o q u e n o s d e f i n e y n o c ó m o s o m o s d e f i n i d o s p o r
o t r o s 24.

A p ar ti r d e tales c o n s i d e r a c i o n e s p o d r í a m o s c o n v e n i r c o n R a c h e l
W e i s s 25 e n q u e l a B i e n a l d e L a H a b a n a f u e u n a d e l a s p r i m e r a s m u e s ­
t r a s d e a r t e c o n t e m p o r á n e o q u e c o n s o l i d ó el m o d e l o d e e x p o s i c i ó n
g l o b a l , e n t é r m i n o s t a n t o d e c o n t e n i d o c o m o d e i m p a c t o , y f u e la p r i ­
m e r a e n c o n s e g u i r l o f u e r a d e l s i s t e m a artístico e u r o p e o y n o r t e a m e r i ­
c a n o , q u e g o z a b a , h a s t a la f e c h a , d e l p r i v i l e g i o d e d e c i d i r q u é t i p o d e
arte tenía u n significado global. W e i s s a f i r m a b a q u e d e u n a f o r m a
d i s t i n t a a l a s b i e n a l e s d e V e n e c i a y S a o P a u l o , la d e L a H a b a n a c e n t r ó
s u a t e n c i ó n e n el a r t e y l o s a r t i s t a s d e f u e r a d e l o s c i r c u i t o s d e l s i s t e m a
d e l a r t e o c c i d e n t a l y, d i s t a n c i á n d o s e d e p r o y e c t o s e n N u e v a D e l h i , E l
Cairo o G a b ó n , apostó p o r desplazarse a su propia región para explo­
r a r la p r o d u c c i ó n a r t í s t i c a a e s c a l a g l o b a l .
P r e s e n t a n d o t r a b a j o s d e p a í s e s d e l T e r c e r M u n d o e n el c o n t e x t o
d e l a h i s t o r i a d e l a r t e o c c i d e n t a l 26, l a B i e n a l t r a t ó d e r o m p e r el e s q u e ­
m a c e n t r o - p e r i f e r i a s u g i r i e n d o q u e la b u s c a d a g l o b a l i d a d d e l n u e v o
m o d e l o e x p o s i t i v o c o n s i s t í a e n la i n c l u s i ó n d e a r t i s t a s d e t o d o el m u n ­
d o sin s er e t i q u e t a d o s c o m o m a i n s t r e a m (es decir, sin f o r m a r p a r t e de,
la g l o b a l i z a c i ó n n e o l i b e r a l ) , p e r o c o n u n a f o r m a d e s c e n t r a l i z a d a d e
p e n s a r lo global y d e articularlo m i c r o p o l í t i c a m e n t e . U n a f o r m a q u e
r e m i t í a d i r e c t a m e n t e , tal c o m o s u g i r i ó G e r a r d o M o s q u e r a , al « s u r g l o -
n a l » e n el s e n t i d o d e q u e s e i n c l u y ó a m u c h o s a r t i s t a s e u r o p e o s y n o r ­
t e a m e r i c a n o s i m p l i c a d o s e n los m o v i m i e n t o s d e d i á s p o r a del T e r c e r
M u n d o , c o m o los artistas n e g r o s d e G r a n B r e t a ñ a , así c o m o artistas
d e la f r o n t e r a d e S a n D i e g o y T i j u a n a ( B o r d e r A r t W o r k s h o p ): « E s t e
m o v i m i e n t o f u e crucial — sostiene M o s q u e r a — p a r a abrir nue st ra
n o c i ó n g e o g r á f i c a d e l T e r c e r M u n d o , i n c o r p o r a n d o las p o r o s i d a d e s
d e r i v a d a s d e la m i g r a c i ó n y d e s u s t r a n s f o r m a c i o n e s culturales». F u e , "
a d e m á s , u n p r i m e r p a s o e n r e l a c i ó n c o n la c u e s t i ó n p l a n t e a d a p o r
L u i s C a m n i t z e r d e q u e la B i e n a l « e s t a b a t o d a v í a a n c l a d a e n u n m o d e ­
l o i n t e r n a c i o n a l d e n t r o d e u n c r e c i e n t e m e r c a d o ¿ r a n s n a c i o n a l » 27.
116 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

The Other Story

T a m b i é n e n 1 9 8 9 tuvieron lugar d o s contraexposiciones c o m o desafío


a la m i r a d a o c c i d e n t a l m o d e r n a . E n l a p r i m e r a , C h i n a A v a n t - G a r d e
( P e k í n , 1 9 8 9 ) , c o n s i d e r a d a la p r i m e r a e x p o s i c i ó n oficial d e la n u e v a
R e v o l u c i ó n C u l t u r a l , C h i n a d e s e m p e ñ ó u n d e s t a c a d o p a p e l e n la h i s ­
toria d e s u a r t e c o n t e m p o r á n e o al m o s t r a r e n l o s e s p a c i o s d e la N a t i o ­
n a l G a l l e r y p o r p r i m e r a v e z las p r á c t i c a s artísticas r e a l i z a d a s e n s u
s u e l o a l o l a r g o d e l a d é c a d a d e l o s a ñ o s o c h e n t a 28.
L a s e g u n d a , T h e O t h e r Story. A f r o - A s i a n Artists in Post-ivar Bri-
t a i n 29, s i g u i e n d o l a s d i r e c t r i c e s d e la r e v i s t a T h i r d T e x t , e n l u g a r d e
b u s c a r l o e x ó t i c o m o s t r ó artistas c o n t e m p o r á n e o s d e c o n t e x t o s c u l t u ­
rales m e z c l a d o s r e s i d e n t e s e n el R e i n o U n i d o , e n t r e ellos D a v i d M e d a ­
lla, G a v i n J a n t j e s , K e i t h P i p e r , L i Y u a n C h i a , M o n a H a t o u m , R a s h e e d
A r a e e n , R o n a l d M o o d y y S a l e e m Arif, artistas c o n los q u e s e t r a t a b a
d e c o n s t a t a r la a u s e n c i a d e artistas n o e u r o p e o s e n la h i s t o r i a d e l a r t e
moderno.
C o m o s o s t e n í a R a s h e e d A r a e e n e n el t e x t o d e l c a t á l o g o :
r
E s t a historia es e x c e p c i o n a l . U n a historia d e h o m b r e s y m u j e r e s q u e
h a n l u c h a d o p o r s u a l t e r i d a d p a r a p e n e t r a r e n el e s p a c i o d e la m o d e r ­
n i d a d q u e les e r a p r o h i b i d a , c o n el fin n o ú n i c a m e n t e d e p r o c l a m a r
s u s r e i v i n d i c a c i o n e s h i s t ó r i c a s s i n o d e c u e s t i o n a r el m a r c o q u e d e f i n í a
l o s l í m i t e s y l o p r o t e g í a . Si i n t e n t o c o n t a r e s t a historia, e s p a r a r e n d i r
h o m e n a j e a e s t e d e s a f í o . M i s p r o p i o s e s f u e r z o s d e artista d e v a n g u a r ­
dia (en O c c i d e n t e ) h a n sido f u n d a m e n t a l e s e n m i t o m a d e conciencia
d e estas cuestiones; sin esta lucha, m e h a b r í a s i d o i m p o s i b l e r e c o n o c e r
la i m p o r t a n c i a d e e s t a historia. P o r t a n t o , n o e s ú n i c a , h a y otras, y c r e o
q u e e s e s e n c i a l p a r a i n t e n t a r e n c o n t r a r n u e s t r o l u g a r e n la h i s t o r i a c o n ­
tar o t r a s h is to ri á s q u e s e d e s m a r c a n d e las n a r r a c i o n e s oficiales p r o d u ­
c i d a s p o r las i n s t i t u c i o n e s d e l p o d e r 50.

L a p r e s e n c i a e n la E u r o p a d e p o s g u e r r a d e a r t i s t a s p o s c o l o n i a l e s l i b e ­
r a d o s d e la e s c l a v i t u d c o l o n i a l i s t a p u s o e n j a q u e la n o c i ó n d e e u r o c e n -
t r i s m o , y, al d e c i r d e A r a e e n , l a ú n i c a m a n e r a d e a f r o n t a r e s t e d e s a f í o
p o r p a r t e d e O c c i d e n t e f u e i g n o r a r l o s . E s t e f u e el d e t o n a n t e q u e
m o v i ó a A r a e e n a c o n c e b i r T h e O t h e r S t o r y e n u n m o m e n t o e n q u e las
i n s t i t u c i o n e s artísticas o c c i d e n t a l e s m a n t e n í a n s u i n t r a n s i g e n c i a y
s e g u í a n v i e n d o a l o s artistas p o s c o l o n i a l e s a l e j a d o s d e la c e n t r a l i d a d
d e la h i s t o r i a d e l r e c i e n t e a r t e b r i t á n i c o . N o o b s t a n t e , los artistas
« o t r o s » , q u e p o r lo g e n e r a l p r o c e d í a n d e las a n t i g u a s c o l o n i a s d e A f r i ­
c a , A s i a y el C a r i b e , n o p o d í a n s e r i g n o r a d o s e t e r n a m e n t e . D e b e r í a n
P R I M E R O S C U E S T I O N A M I E N T O S A L A E X P O S I C I Ó N O C C I D E N T A L 117

h a b e r s i d o r e c o n o c i d o s c o m o p a r t e d e l a s o c i e d a d e u r o p e a , p e r o el
h e c h o d e o t o r g a r l e s la m i s m a c a t e g o r í a q u e a l o s artistas b l a n c o s / e u r o ­
p e o s h a b r í a i n t e r r u m p i d o la g e n e a l o g í a « b l a n c a » d e l a h i s t o r i a d e l a r t e
m o d e r n o . Y la g r a n c u e s t i ó n p a r a l a s i n s t i t u c i o n e s a r t í s t i c a s e r a :
¿ C ó m o r e c o n o c e r a l o s a r t i s t a s a f r o a s i á t i c o s s i n s i t u a r s u t r a b a j o e n el
m i s m o p a r a d i g m a h i s t ó r i c o q u e el d e s u s c o n t e m p o r á n e o s b l a n c o s y,
al m i s m o t i e m p o , d e j a r c o n s t a n c i a d e q u e l a s i n s t i t u c i o n e s n o s e g u í a n
d i s c r i m i n a n d o a los artistas n o b l a n c o s ?
L a s o l u c i ó n , al d e c i r d e A r a e e n , f u e a d o p t a r u n a t e o r í a c u l t u r a l
q u e s e m a t e r i a l i z ó e n la r e v i s t a T h i r d T e x t y e n el t e x t o d e l c a t á l o g o d e
la e x p o s i c i ó n q u e c o n e c t a r a el t r a b a j o d e l o s a r t i s t a s a f r o a s i á t i c o s c o n
sus culturas y contextos d e origen p r o p o r c i o n a n d o u n espacio c o m ú n
p a r a la c i r c u l a c i ó n d e s u s o b r a s e n los circuitos e n u n a r e d c o m p a r t i d a
d e artistas « b l a n c o s » y « n o b l a n c o s » . L o i m p o r t a n t e n o e s r e c o n o c e r
ú n i c a m e n t e las « d i f e r e n c i a s c u l t u r a l e s » c o m o b a s e d e las p r á c t i c a s d e
los artistas p o s c o l o n i a l e s , s i n o m á s b i e n i m a g i n a r u n « t e r c e r e s p a c i o » :
u n e s p a c i o m í t i c o e n t r e l a p e r i f e r i a y e l c e n t r o a t r a v é s d e l c u a l el a r t i s ­
ta p o s c o l o n i a l d e b e p a s a r a n t e s d e a d q u i r i r u n c o m p l e t o r e c o n o c i ­
m i e n t o c o m o «sujeto histórico». D e ahí lsrrazón d e ser d e u n n u e v o
m a r c o c o n c e p t u a l — el m u l t i c u l t u r a l i s m o — p o r el c u a l el « a r t i s t a
o t r o » p u e d e m a n t e n e r s e f u e r a d e l c a n o n d e l a h i s t o r i a d e l a r t e y al
m i s m o t i e m p o p r o m o v e r y c e l e b r a r s u p r o p i a d if e r e n c i a cultural.
E s t o c o n v e r t i r í a al m u l t i c u l t u r a l i s m o e n u n a n u e v a e s t r a t e g i a d e
«contención». U n multiculturalismo e n último término paradójico,
q u e c o l o c a a l o s a r t i s t a s a f r o a s i á t i c o s e n u n a n u e v a m a r g i n a l i d a d , la
m a r g i n a l i d a d d e l p r o p i o m u l t i c u l t u r a l i s m o , e n el c u a l ú n i c a m e n t e l a s
e x p r e s i o n e s d e las d i f e r e n c i a s c u l t u r a l e s s o n vistas c o m o a u t é n t i c a s ; lo
c u a l q u e d a j u s t i f i c a d o y l e g i t i m a d o s o b r e la b a s e d e u n d e s e o p o r p a r -
te d e las c o m u n i d a d e s afr oa si á ti ca s d e p r e s e r v a r s u s p r o p i a s t r a d i c i o 1
nes culturales e n O c c i d e n t e . D e s e o , p o r otro lado, c o m p r e n s i b l e ,
d a d a la s i t u a c i ó n e n d i á s p o r a q u e m a n i f i e s t a n e s t a s p r o p i a s c o m u n i ­
dades. Y se p r e g u n t a A r a e e n : ¿ P o r q u é esto d e b e r í a significar q u e los
in d i v i d u o s d e estas c o m u n i d a d e s están n e c e s a r i a m e n t e a t r a p a d o s
d e n t r o d e e s t a s i t u a c i ó n y q u e n o s o n c a p a c e s d e e x p e r i m e n t a r el
m u n d o m á s allá d e s u s p r o p i a s f r o n t e r a s c u l t u r a l e s ? Y a h í r a d i c a r í a el
p r i n c i p a l p r o b l e m a d e l m u l t i c u l t u r a l i s m o o d e las t e o r í a s d e la d i v e r ­
s i d a d cultural, e n el h e c h o d e n o h a b e r s a b i d o r e s o l v e r el a r t e c o m o
u n a p r á c t i c a i n d i v i d u a l e n l u g a r d e c o m o e x p r e s i ó n d e la c o m u n i d a d [
e n s u c o n j u n t o . Y si b i e n g r a c i a s al m u l t i c u l t u r a l i s m o m u c h o s a r t i s t a s
a r r o a s i á t i c o s h a n t e n i d o la o p o r t u n i d a d d e a d q u i r i r é x i t o e n el m e r c a ­
d o . n o o b s t a n t e h a y q u e a f i r m a r q u e las p r o p i a s i n s t i t u c i o n e s o c c i d e n -
118 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

tales s e h a n s e r v i d o d e s u s d i f e r e n c i a s c u l t u r a l e s y las h a n u tilizado


c o m o u n e s c u d o c o n t r a t o d o a t a q u e h a c i a s u s p o l í t i c a s a r t í s t i c a s 31.
J e a n F i s h e r , e n el n ú m e r o e s p e c i a l d e la r e v i s t a T h i r d T e x t d e o t o -
ñ o / i n v i e r n o d e 1 9 8 9 , escribió:

T h e O t h e r S t o r y n o e s u n i n t e n t o d e r e e s c r i b i r la h i s t o r i a , p e r o sí d e
p r e s e n t a r el s i m p l e h e c h o d e q u e la h i s t o r i o g r a f í a h a s i d o u n c o n s t r u c -
t o e x c l u s i v o q u e h a e l i m i n a d o d e la h i s t o r i a d e l a r t e b r i t á n i c o la e x i s ­
t e n c i a y l a s c o n t r i b u c i o n e s d e s u s arti s t a s « o t r o s » 32.
11
D e r i v a s p o s c o l o n i a l e s h a c i a lo global

Cocido y crudo e Inklusion/Exklusion

C o c i d o y c r u d o ( M a d r i d , 1 9 9 4 ) , la p r i m e r a e x p o s i c i ó n e n t r e m u l t i c u l ­
tural y p o s c o l o n i a l p r e s e n t a d a e n u n a institución m u s e í s t i c a e s p a ñ o l a ,
a u n q u e c o n la f i r m a d e u n c u r a d o r e s t a d o u n i d e n s e , D a n C a m e r o n , s e
f o r j ó a r e b u f o d e l f r a c a s o d e la « b o m b a a r r o j a d a e n la p l a z a m a y o r d e
l a c o m u n i d a d i n t e r n a c i o n a l » , q u e f u e c o m o D a n C a m e r o n d e f i n i ó la
m u e s t r a M a g i c i e n s d e l a terre, q u e , a s u j u i c i o , c a n o n i z a b a la o t r e d a d
d e los artistas l i g á n d o l o s a s u s l u g a r e s d e o r i g e n c o m o p r i n c i p i o o r g a ­
nizativo y b u s c a b a definir algo d e n o m i n a d o «arte g l o b a l » d e s d e u n a
óptica comisarial q u e pretendía explorar u n a constelación «pancultu-
r al ». U n f r a c a s o e x p l i c a b l e p o r el h e c h o d e q u e s u s r e s p o n s a b l e s n o
s u p i e r o n r e s i s t i r s e a s i t u a r la r e t ó r i c a d e l a i d e n t i d a d e n u n a c o n s t r u c ­
c i ó n a ú n d i a l é c t i c a e n t r e lo p r o p i o (los h i p e r r e f i n a d o s artistas o c c i ­
d e n t a l e s ) y l o a j e n o ( lo a u t é n t i c o , l o g e n u i n o , l o p r i m i t i v o ) .
E n este sentido, D a n C a m e r o n parte del texto del a n t r o p ó l o g o
C l a u d e L é v i - S t r a u s s L o c r u d o y l o c o c i d o ( 1 9 6 4 ) 1, e n el q u e , t r a s e s t u ­
d i a r d i f e r e n t e s t i p o l o g í a s a l i m e n t i c i a s , s e e q u i p a r a b a el c o n c e p t o d e
c o c i d o c o n l o c i v i l i z a d o y el d e c r u d o c o n l o p r i m i t i v o , y, y e n d o m á s
allá d e l p u n t o d e v i s t a c o l o n i a l , a p u e s t a p o r u n i n t e r c a m b i o y u n t r u e ­
q u e interactivo d e s ituaciones culturales e n t r e lo « c r u d o » y lo « c o c i ­
d o » m e d i a n t e u n i n t e n t o d e d e s j e r a r q u i z a r el p u n t o d e v i s t a d e l
h a b l a n t e . Y e s a s í c o m o D a n C a m e r o n j u s t i f i c ó l a e l e c c i ó n d e l o s artisi
t a s d e l a m u e s t r a : n o t a n t o p o r el p a í s d e o r i g e n , el s e x o , l o s l a z o s "
é t n i c o s o l a s p r e f e r e n c i a s s e x u a l e s c o m o p o r l a i d e a d e q u e el a r t e
interesante s i e m p r e c o n s i g u e ser local y universal a la vez:
120 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

C o n t r a r i a m e n t e al título e n el q u e s e b a s a , C o c i d o y c r u d o p a r e c e a l u d i r
a la p r o b a b i l i d a d d e q u e e s t a s c a t e g o r í a s n e c e s a r i a m e n t e d e s b o r d e n la
u n a e n la otra, d e q u e u n o d e los c o n c e p t o s n o p u e d a existir sin la p r o x i ­
m i d a d d e l o t r o 2.

L a idea del i n t e r c a m b i o entre múltiples p osiciones culturales e n u n a


línea d e trabajo m á s c e r c a n a a B r i d e o f t h e S u n ( A m b e r e s , 1 9 9 2 ) q u e a
Latin-American A r t o f the 20th Century, « u n repaso d e s c a r a d a m e n t e
n e o c o l o n i a l i s t a » o r g a n i z a d o e n Sevilla p a r a la E x p o d e 1 9 9 2 , s e c o n v i r ­
t ió e n el l e i t m o t i v d e l a m u e s t r a , q u e r e u n i ó a c i n c u e n t a y c i n c o a r t i s t a s
d e v e i n t e países, u n a b u e n a p a r t e d e ellos d e L a t i n o a m é r i c a y E s p a ñ a ,
q u e definían s u p ro pi a v o z s e g ú n sus personales orígenes sociocultura-
les, b u s c a n d o d e l i b e r a d a m e n t e n o p e n a l i z a r a l o s r e p r e s e n t a n t e s d e
m i n o r í a s étnicas, religiosas o s e x u a l e s o c u y o s p u n t o s d e referencia c u l ­
t u r a l s e s i t u a r a n al m a r g e n d e l a s a l i a n z a s d e l e j e e u r o a m e r i c a n o .
E l artista d e C o c i d o y c r u d o s e d e f i n í a c o m o a l g u i e n q u e p r i m e r o
d e s c u b r í a y d e s p u é s r e c o n t e x t u a l i z a b a los materiales, i m á g e n e s , f u e n ­
t e s y s i t u a c i o n e s e n c o n t r a d o s . P i é n s e s e q u e la e x p o s i c i ó n e m p e z ó a
p r e p a r a r s e e n 1 9 9 2 , - a ñ o d e las c e l e b r a c i o n e s d e l Q u i n t o C e n t e n a r i o
d e l D e s c u b r i m i e n t o d e A m é r i c a e n E s p a ñ a , lo c u a l e x p l i c a r í a la n e c e ­
s i d a d p o r p a r t e d e C a m e r o n d e i n c o r p o r a r a a r t i s t a s ( y d e a h í la p r e ­
sencia d e J u a n Dávila, E u g e n i o Dittborn, G a b r i e l O r o z c o , R o s á n g e l a
R e n n ó , José A n t o n i o H e r n á n d e z Díaz, Doris Salcedo, Rogelio L ó p e z
Cuenca, J u a n Luis M o r a z a ) p r e o c u p a d o s por cuestionar abiertamente
a s p e c t o s h i s t ó r i c o s d e d o m i n a c i ó n c u l t u r a l r e l a c i o n a d o s c o n el d e s c u ­
b r i m i e n t o . E n la m u e s t r a e s t u v i e r o n p r e s e n t e s t a m b i é n u n b u e n
n ú m e r o d e artistas i n t e r n a c i o n a l e s ( J a n i n e A n t o n i , X u B i n g , G e n e ­
viève Cadieux, M a r k Dion, M a r l e n e D u m a s , M artin Kippenberger,
P a u l M c C a r t h y , Y a s u m a s a M o r i m u r a , P i e r r e et- G i l l e s , A l l e n R u p p e r s -
berg, Kiki Smith, F r e d Wilson) q u e e n aquellos m o m e n t o s protagoni­
z a b a n a l g u n a s d e las m á s . d e s t a c a d a s e x p o s i c i o n e s m u l t i c u l t u r a l e s d e l
m o m e n t o , c o m o T h e D e c a d e S h o w . F r a m e w o r k s o f Identity in the
1 9 8 0 s ( N u e v a Y o r k , 1 9 9 0 ) , D o c u m e n t a 9 ( K a s s e l , 1 9 9 2 ) o la 1 9 9 3
Biennial del W h i t n e y M u s é u m of A m e r i c a n A rt ( N u e v a York, 1993),
q u e n o sólo pro fu nd i za ro n e n manifestaciones del activismo multicul­
t u r a l s i n o q u e r e p l a n t e a b a n el t r a b a j o p r o f e s i o n a l d e l o s a r t i s t a s e n l a s
citadas m i n o r í a s . C o m p a r a d a c o n u n a m u e s t r a casi c o n t e m p o r á n e a e n
el C e n t r o A d á n t i c o d e A r t e M o d e r n o , O t r o país. E s c a l a s a f r i c a n a s 3,
q u e b u s c a b a u n a c o n f r o n t a c i ó n d e s i g u a l e n t r e "el a r t e a v a n z a d o y el
c u l t o d e O c c i d e n t e , el a r t e p o p u l a r , el c e r c a n o a la a r t e s a n í a y e l n a í f ,
C o c i d o y c r u d o r e c h a z ó los c o n c e p t o s d e p o p u l a r , folclórico, primitivo,
D E R I V A S P O S C O L O N L A L E S H A C I A L O G L O B A L 121

a b o r i g e n , local, e x ó t i c o y é t n i c o p a r a t e n d e r a la h o m o g e n e i z a c i ó n
« v a n g u a r d i s t a y r a d i c a l m e n t e c o n t e m p o r á n e a » e n t r e artistas d e E s t a ­
d o s U n i d o s , C a n a d á , China, Sudáfrica, Latinoamérica, E s p a ñ a , Jap ón ,
C a m e r ú n , M a l t a , e tc ét er a 4.
C o c i d o y c r u d o fue objeto d e u n a p o l é m i c a n o frecuente d e n t r o del
p a n o r a m a crítico e s p a ñ o l : a p a r t e d e s u e l e v a d o p r e s u p u e s t o , s e le cri­
t i c ó p o r l a e l e c c i ó n d e l o s a r t i s t a s , p o r la c a l i d a d d e l a s o b r a s p r e s e n ­
t a d a s , p o r la falta d e r a d i c a l i d a d e n las p r o p u e s t a s , m á s efectistas y
e sp e c t a c u l a r e s q u e r o t u n d a s y creativas, p e r o s o b r e t o d o se c u e s t i o n ó
la b o n d a d d e l a s i n t e n c i o n e s d e l c o m i s a r i o . C o m o s o s t u v o I v á n d e la
N u e z e n l a s p á g i n a s d e la r e v i s t a L á p i z :

E s t e e s el c e n t r o d e l p r o b l e m a ; si los d i s p o s i t i v o s d e i n c l u s i ó n i n c l i n a ­
r á n la b a l a n z a a f a v o r d e s a l i d a s d e s c o l o n i z a d o r a s o s i g n i f i c a r á n u n
d a t o p o s c o l o n i z a d o r , u n c o l o n i a l i s m o d e terciopelo: u n i m p a s s e
m e d i a n t e el c u a l u n O c c i d e n t e d e s o r i e n t a d o r e c o n s t r u í a — c o n a y u d a
d e artistas d e l T e r c e r M u n d o — s u s e s q u e m a s d e a u t o r i d a d c u l t u r a l
[...]. E n la m e d i d a e n q u e las i n c l u s i o n e s s i g a n la l í n e a d e l m o m e n t o ,
el crítico o c o m i s a r i o o c c i d e n t a l l l e v a n d o y t r a y e n d o , c o m p r a d o allá
p a r a v e n d e r a c á , r e i n t e g r á n d o s e al c e n t r o d e s d e u n viaje circular,
e n t o n c e s el b e n é v o l o g e s t o n o p o d r á c a m b i a r el s e n t i d o p e r v e r s o d e
u n e s q u e m a q u e d e j a a la p e r i f e r i a s u e x h i b i c i ó n y a O c c i d e n t e la c o n ­
c i e n c i a crítica d e la m i s m a . U n a p e r s p e c t i v a i m p l í c i t a e n la q u e los
m á r g e n e s p a r e c í a n p o n e r el « c u e r p o » y O c c i d e n t e el « d i s c u r s o » . L a
periferia, el « s a b o r » , y O c c i d e n t e , el « s a b e r » 5.

L a m i r a d a e t n o c e n t r i s t a d e l d i s c u r s o c o l o n i z a d o r q u e insistía e n r e c a l ­
c a r la l ó g i c a d e l m o d e l o e s t é t i c o o c c i d e n t a l fue , a s u v e z , m o t i v o d e
a l g u n a s críticas q u e l l e g a r o n a calificar a C o c i d o y c r u d o d e « s u p e r p r o ­
ducción hollywoodesca» y de proyecto grandilocuente. B er n a r d o Pin-'
t o d e A l m e i d a s o s t e n í a e n las p á g i n a s d e la r ev i s t a L á p i z :

L a g r a n d i l o c u e n c i a d e l e s p a c i o y d e la a m b i c i ó n d e D a n C a m e r o n n o
p a r e c e h a b e r s e a d e c u a d o a l os o b j e t i v o s p r o p u e s t o s . S e s i e n t e la p l u r a ­
lidad d e sentidos c o m o dispersión, repetición, y n o t anto c o m o m u l t i ­
p l i c a c i ó n d e p r o d u c t o s y s e n s i b i l i d a d e s . A l g u n a s o b r a s v i v e n d e la
jus t i f i c a c i ó n literaria p r o g r a m á t i c a q u e las e x p l i c a n al p ú b l i c o , o t r a s
s o n e je rc ic i os e s c o l a r e s y literales e n s u r e l a c i ó n d e t r a b a j o artístico c o n
la r e a l i d a d social y p o l í t i c a 6.
' \
E s t a m i s m a i d e a d e e l i m i n a c i ó n d e la d i f e r e n c i a f u e s u s t e n t a d a p o r
C a r l o s V i d a l , q u e l l e g ó a tildar a D a n C a m e r o n d e racista:
122 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

P o r q u e e n el f o n d o c u a l q u i e r artista q u e e s t o s n u e v o s r acistas q u e s e
s a c i a n c o n s u m a s f i n a n c i a d a s a r r e b a t a d a s a p a í s e s p e r i f é r i c o s [...], q u e
estos d e m a g o g o s v a n a b u s c a r a S u r i n a m o Australia, será s i e m p r e u n
artista s in n o m b r e y sin i n d i v i d u a l i d a d , p o r q u e s u p a p e l e s el d e r e p r e ­
s e n t a r u n a r t e i n f e r i o r [...] y p o b r e d e s e n t i d o s y r e f l e x i v i d a d , u n a
r e p r e s e n t a c i ó n d e u n a c u l t u r a i n e x i s t e n t e s i g u i e n d o l os p a r á m e t r o s
d e l d e s p ó t i c o u n i v e r s a l i s m o h u m a n i s t a , b e a t i f i c a d o y pietista'.

U n n u e v o hito e n este i m p u l s o a favor del c o n c e p t o d e h ibridación e n


c l a r a s i n t o n í a c o n el p e n s a m i e n t o p o s c o l o n i a l y c o n u n a r e i v i n d i c a ­
c i ó n d e l a r t e d e l e x i l i o c o m o f ó r m u l a m á g i c a p a r a c o n t r a r r e s t a r el c o n ­
c e p t o a ú n i m p e r a n t e d e i m p e r i a l i s m o t u v o s u e p i c e n t r o e n la vieja
E u r o p a , e n c o n c r e t o e n el s i m p o s i o o r g a n i z a d o e n B e r l í n e n 1 9 9 5 t i t u ­
l a d o T h e M a r c o P o l o S y n d r o m e . P r o b l e m s o f Intercultural C o m m u n i c a ­
tions in A r t T h e o r y a n d C u r a t o r i a l Practice, q u e , p a r t i e n d o d e l p e n s a ­
m i e n t o d e E d w a r d S a i d e n C u l t u r e a n d I m p e r i a l i s m ( 1 9 9 3 ) 8, c o n s t a t ó
el a c t u a l i n t e r é s d e l o s c e n t r o s h a c i a el a r t e d e la p e r i f e r i a c o m o r e s u l ­
tado d e procesos d e globalización, n u e v a s d e m ografías y descoloniza­
ción:
r*
E l m u n d o g l o b a l e s t a m b i é n — al d e c i r d e G e r a r d o M o s q u e r a — el
m u n d o d e las d i f e r e n c i a s . L a d e s c o l o n i z a c i ó n h a p e r m i t i d o u n a m á s
a m p l i a y a c t i v a i n t e r v e n c i ó n d e las a n t i g u a s v o c e s m a r g i n a l i z a d a s . E n
la a c t u a l i d a d la e s t r a t e g i a d e p o d e r n o c o n s i s t e e n r e p r i m i r o h o m o g e -
n e i z a r la d i v e r s i d a d , s i n o e n c o n t r o l a r l a . E l d e b a t e e t n o c u l t u r a l s e h a
c o n v e r t i d o e n u n e s p a c i o p o l í t i c o d e l u c h a s d e p o d e r t a n t o d e s d e lo
s i m b ó l i c o c o m o d e s d e l o s o c i a l 9.

E l lado curatorial d e este s i m p o s i o t u v o lugar u n a ñ o m á s tarde e n otra


u r b e d e la ó r b i t a g e r m a n o h a b l a n t e , e n c o n c r e t ó e n l a c i u d a d a u s t r í a c a
d e G r a z , q u e e n 1 9 9 6 a c o g i ó la m u e s t r a I n k l u s i o n : E x k l u s i o n . V e r s u c h
einer n e u e n Kartografie d e r K u n s t i m Zeitalter v o n P o s t k o l o n i a l i s m u s
u n d g l o b a l e r M i g r a t i o n , c o m i s a r i a d a p o r P e t e r W e i b e l 10 q u e v o l v i ó a
c u e s t i o n a r el p r o y e c t o d e la m o d e r n i d a d d e s d e el c o n c e p t o d e « n e o -
m o d e r n i s m o » , b u s c a n d o t r a z a r u n a c a r t o g r a f í a d e l a r t e e n la e r a d e l
p o s c o l o n i a l i s m o y d e l a m i g r a c i ó n g l o b a l . A j u i c i o d e P e t e r W e i b e l 11,
e n el c u r s o d e s u a u t o d i s o l u c i ó n , E u r o p a d e s c u b r i ó q u e s u e x p a n s i ó n
i m p e r i a l i s t a s e l l e v ó a c a b o b a j o la f o r m a d e u n a f u n c i ó n u n i v e r s a l
c i v i l i z a d o r a c o n el n o m b r e d e m o d e r n i z a c i ó n . L # s o c i e d a d l i b r e y u n i ­
v e r s a l e u r o p e a , al c o l o n i z a r a l a s o t r a s n a c i o n e s , n o h i z o s i n o d e f o r m a r
s u s c u l t u r a s e n n o m b r e d e l p r o g r e s o , l a l i b e r t a d y la t e c n o l o g í a . P e r o ,
c o m o d e m o s t r a r o n l o s a c o n t e c i m i e n t o s d e la E u r o p a d e l E s t e , la c o l o -
y
D E R I V A S P O S C O L O N I A L E S H A C I A L O G L O B A L 123

n i z a c i ó n d e g r u p o s é t n i c o s p a r t i c u l a r e s d e n t r o las s o c i e d a d e s m u l t i é t -
n i c a s p o r los a g e n t e s del p o d e r c entral e s t a b a e n vías d e d e s a p a r i c i ó n .
E s t o s f u e r o n a l g u n o s d e l o s a r g u m e n t o s c u r a t o r i a l e s q u e W e i b e l utili­
z ó e n u n a exposición anterior d e 1993, K o n t e x t Kunst. T h e A r t o f t h e
9 0 s 12, e n la q u e s e p r o p u s o a d e m á s r e c h a z a r d e u n a m a n e r a r a d i c a l el
« c u b o b l a n c o » d e l a r t e m o d e r n o e n la ó p t i c a d e r e c r e a r u n l u g a r
c o m ú n e n t r e el a r t e y l a p r á c t i c a s o c i a l .
E l « c u b o b l a n c o » , y s u r e f e r e n c i a a la n e u t r a l i d a d d e l e s p a c i o d e l
m u s e o o g a l e r í a e n l o s s e t e n t a , c o n s t i t u y e u n s i n ó n i m o p a r a el a r t e
e u r o p e o y n o r t e a m e r i c a n o q u e o c u l t a t o d a d i f e r e n c i a social, d e g é n e r o ,
religiosa y é t n i c a e n n o m b r e d e la a u t o n o m í a estética y d e u n l e n g u a j e
u n i v e r s a l d e f o r m a s 13. P r i v a n d o a l a s o b r a s d e a r t e d e s u c o n t e x t o h i s ­
t ó r i c o , s e l es n i e g a el d e r e c h o a p a r t i c i p a r e n la c o n s t r u c c i ó n d e la r e a ­
l i d a d . S e g ú n l a s t e s i s d e B r i a n O ’D o h e r t y 14, el e s p a c i o d e l a g a l e r í a
d e b e ser b l a n c o y p u r o , lo q u e s u p o n e excluir t o d a e xp e r i e n c i a q u e n o
s e a la e s t é t i c a , h a c i e n d o d e t o d o o b j e t o , b a n a l o n o , u n a o b r a d e art e.
D e s d e e l p u n t o d e v i s t a d e s u v a l o r a r t í s t i c o , el « t e x t o » a r t í s t i c o d e p e n ­
d e e n t o n c e s d e l e s p a c i o b l a n c o y n e u t r o d e la g a l e r í a . L a s u p r e s i ó n d e l
m a r c o h i s t ó r i c o e n el q u e h a n s i d o c r e a d a s t e s o b r a s d e a r t e d e s e m b o ­
c a , a j u i c i o d e W e i b e l , e n u n a p o b r e z a d e la e x p e r i e n c i a d e la o b r a , p e r o
s o b r e t o d o e n la n e g a c i ó n d e l d e r e c h o d e l a r t e a p a r t i c i p a r e n la c o n s ­
t r u c c i ó n d e la r e a l i d a d . Y f u e e sta r e i v i n d i c a c i ó n d e l l e m a « e l c o n t e x t o
s e c o n v i e r t e e n t e x t o » l a q u e s e c o n v i r t i ó e n el l e i t m o t i v d e l o s a r t i s t a s
p a r t i c i p a n t e s e n la m u e s t r a K o n t e x t e K u n s t , c o m o C o s i m a v a n B o n i n ,
C l e g g & G u t t m a n n , M a r k D i o n , P e t e r F e n d , A n d r e a Fraser, L o u i s e
Lawler, R e i n h a r d M u c h a , Christian Philipp Müller, A d r i á n Piper,
S t e p h a n P r i n a o Z e i m o Z o b e m i g , q u e e n f a t i z a b a n la e x i s t e n c i a d e
m é t o d o s y p r á c t i c a s b a s a d o s e n la c o n t e x t u a l i z a c i ó n , e n o p o s i c i ó n a l as
clásicas f u n c i o n e s d i dácticas e i d e o l ó g i c a s d e l arte tradicional.
E s t e p r e c e d e n t e le s i r v i ó a W e i b e l , e n l a q u e p u e d e s e r u n a e x p o ­
s i c i ó n e n c l a v e « p o s c o l o n i a l » e n el c o n t e x t o d e la E u r o p a c o n t i n e n t a l ,
I n k l u s i o n / E x k l u s i o n ( 1 9 9 6 ) , p a r a insistir e n u n t i p o d e p r á c t i c a s q u e
s u p e r a b a n el d i s c u r s o e s t é t i c o y a b r a z a b a n l a c r í t i c a i n s t i t u c i o n a l y
s i e m p r e p a r t i e n d o d e l s u p u e s t o d e q u e la d e c o n s t r u c c i ó n p o s m o d e r ­
n a d e las g r a n d e s n a r r a t i v a s l o g o c é n t r i c a s d e la m o d e r n i d a d p o d í a s e r
c o m p a r a b l e c o n el p r o y e c t o p o s c o l o n i a l d e d i s o l u c i ó n d e l s i s t e m a
b i n a r i o c e n t r o / p e r i f e r i a d e l d i s c u r s o i m p e r i a l i s t a . S e g ú n W e i b e l , las
g r a n d e s p r e o c u p a c i o n e s p o s t e s t r u c t u r a l i s t a s , c o m o la c r í t i c a d e la
n o c i ó n c a r t e s i a n a d e s u j e t o , la l o c a l i z a c i ó n d e l s u j e t o e n el l e n g u a j e , el
estudio del discurso c o m o discurso m a s c u l i n o o del poder, presentan
u n á n g u l o d i s t i n t o e n el d i s c u r s o p o s c o l o n i a l : d e c o n s t r u c c i ó n y d e s e o -
124 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

I o n i z a c i ó n c o m p a r t e n u n a m i s m a b a s e . O , d i c h o e n o t r a s p a l a b r a s , la
i d e n t i d a d h í b r i d a d e l a u t o r p o s c o l o n i a l s e c o r r e s p o n d e c o n el s i n c r e ­
t i s m o y el e c l e c t i c i s m o d e l a p o s m o d e r n i d a d . E n e s t e s e n t i d o , el « p o s »
d e p o s m o d e r n i s m o y el d e p o s c o l o n i a l i s m o s e c o n d i c i o n a n m u t u a ­
m e n t e . L a p o s m o d e r n i d a d a y u d a a instigar u n d i s c u r s o poscolonial. Y,
a s u vez, «el p o s c o l o n i a l i s m o n o es m á s q u e u n a p o s m o d e r n i d a d poli­
t i z a d a . Y e s e l p o s c o l o n i a l i s m o el q u e c o m p o r t a u n a m i r a d a c r í t i c a
s o b r e los e f e c t o s d e las f o r m a s d e d o m i n a c i ó n , o d e las s o c i e d a d e s ,
t a n t o c o l o n i a l e s c o m o p o s c o l o n i a l e s » 15.
C o n estas reflexiones, W e i b e l a c o m e t i ó su p r o y e c t o expositivo
p a r t i e n d o d e l s u p u e s t o d e q u e , t r a s el f i n d e l c o l o n i a l i s m o y l a c a í d a
del M u r o d e Berlín, O c c i d e n t e seguía c o n s t r u y e n d o y p r o t e g i é n d o s e a
sí m i s m o a t r a v é s d e l o s c o n t r o l e s f r o n t e r i z o s , l o c u a l , t r a d u c i d o al
á m b i t o m u s e í s t i c o , s u p o n í a la c o n t i n u i d a d d e l m o d e l o d e l « c u b o
b l a n c o » c o m o s i n ó n i m o d e p e r p e t u a c i ó n del arte c r e a d o p o r h o m b r e s
c r i s t i a n o s , b l a n c o s y e u r o p e o s c o n la c o r r e s p o n d i e n t e e x c l u s i ó n d e l
arte d e o t r a s r el ig io n es y d e o t r o s p u e b l o s , d e artistas q u e n o p e r t e n e ­
c í a n al g é n e r o m a s c u l i n o y q u e e r a n m e n o s p r e c i a d o s p o r l o s m u s e o s
d e a r t e m o d e r n o . Y " p a r a c o m b a t i r la i d e a s e g ú n la c u a l el « c u b o b l a n ­
c o » se h a b í a c o n v e r t i d o e n s i n ó n i m o d e exclusión, P e t e r W e i b e l r e u ­
n i ó a m á s d e c i n c u e n t a artistas o r i g i n a r i a m e n t e p r o c e d e n t e s d e l T e r ­
cer M u n d o (Félix G o n z á l e z Torres, G a b r i e l O r o z c o , V i c M u n i z ,
N e d k o Solakov, M o n a H a t o u m , M i g u e l H e r n á n d e z Ríos, G u i l l e r m o
Kuitca, H u a n g Y o n g Ping, Iké U d é , Carrie M a e W e e m s , Doris Salce­
d o , K e n d e l l G e e r s ) 16 a u n q u e v i v í a n y t r a b a j a b a n e n O c c i d e n t e . L a
tes is d e W e i b e l e r a l a s i g u i e n t e : d e n t r o d e l m a r c o d e r e f e r e n c i a e u r o a -
m e r i c a n o , el s i s t e m a d e l a r t e d e c i d e p r i m e r o q u é t i p o d e p r á c t i c a s y
p r o d u c t o s t i e n e n q u e s e r c o n s i d e r a d o s a r t e , y, s e g u n d o , q u é t i p o d e
p r o d u c t o s y p r á c t i c a s n o e u r o c é n t r i c a s s e r á n i n c l u i d a s e n el s i s t e m a
e u r o a m e r i c a n o . L a c u l t u r a o c c i d e n t a l d i b u j a f r o n t e r a s e n t r e sí m i s m a
y o t r o s p u e b l o s , c u l t u r a s , r a z a s y r e l i g i o n e s . Y al m i s m o t i e m p o e x c l u ­
y e al « o t r o » — n o i m p o r t a si s o n m u j e r e s , g e n t e d e o t r o c o l o r d e p ie l,
n i ñ o s , a n c i a n o s , h o m o s e x u a l e s , etc.— d e n t r o d e s u p r o p i a cultura. E l
e s p a c i o s o c i a l q u e d a a s í p u r i f i c a d o h a s t a el p u n t o d e q u e n o e s p o s i b l e
n i n g u n a d i s p u t a . L a s v o c e s y el c o n o c i m i e n t o d e l « o t r o » q u e d a n d e
este m o d o r e l e g a d o s a los m á r g e n e s o excluidos.
E l « c u b o b l a n c o » es s i n ó n i m o d e exclusión:
' 'L
E l e s p a c i o p u r o d e la g a l e r í a o d e l m u s e o e s p u r o n o s ó l o d e s d e u n
p u n t o d e vista estético, s i n o q u e t a m b i é n h a e s t a d o p u r i f i c a d o d e s d e el
p u n t o d e vista d e la etnia, d e la religión, d e la c l a s e y d e l g é n e r o , d e tal
D E R I V A S P O S C O L O N I A L E S H A C I A L O G L O B A L 125

m a n e r a q u e lo q u e n o s o t r o s v e m o s e n los m u s e o s revela p r i n c i p a l m e n ­
te o b r a s d e a r t e c r e a d a s p r i n c i p a l m e n t e p o r h o m b r e s , c ristianos, b l a n ­
c o s , e u r o p e o s o n o r t e a m e r i c a n o s . E l a r t e d e las o t r a s r e l i g i o n e s y d e l os
o t r o s p u e b l o s q u e d a e x c l u i d o d e l os m u s e o s d e a r t e m o d e r n o . ¿ N o e s
el a r t e m o d e r n o s ó l o u n a i n v e n c i ó n e u r o p e a , c o m o s o s t i e n e J i m m i e
D u r h a m ? Y e s así d o n d e s e s i t ú a la e x p o s i c i ó n , e n la n e c e s i d a d d e n o
s ó l o d e c o n s t r u i r el « c u b o b l a n c o » , s i n o d e d e c o n s t r u i r el « a r t e b l a n ­
c o » c o m o u n c a m p o d e prácticas d e d o m i n a c i ó n , r e c h a z o y exclusión.
E l m a p a d e la c u l t u r a d e b e s e r d e s c o l o n i z a d o e n a r a s d e u n a v e r d a ­
d e r a c u l t u r a g l o b a l 1'.

L a e x p o s i c i ó n s e c o n v i r t i ó así e n u n n u e v o « at l a s d e l m u n d o » e n la e r a
d e la m i g r a c i ó n g l o b a l , u n atlas m o t i v a d o , s e g ú n p a l a b r a s d e l c u r a d o r ,
p o r u n a s u e r t e d e f r u s t r a c i ó n p o r la b r e c h a e s t a b l e c i d a e n t r e la r e t ó r i ­
c a d e l a i n c l u s i ó n y l a s p o l í t i c a s d e e x c l u s i ó n d e la U n i ó n E u r o p e a .
C o m o a p u n t ó H a n s B e l t i n g , la c u e s t i ó n c e n t r a l d e la m u e s t r a n o s e
a p a r t ó e n d e m a s í a d e l o q u e p u d i e r a s e r el p r o y e c t o t a c h a d o d e e t n o -
c é n t r i c o d e M a g i c i e n s d e la t e r r e . M u c h o s a r t i s t a s s e r e p e t í a n e n a m b a s
exposiciones: Chéri S a m b a , Y i n k a Shonibare, F r e d Wilson, R a s h e e d
A r a e e n , J o e B e n Jr., F r é d é r i c B r u l y B o u a b r é , H u a n g Y o n g P i n g , B o d y s
I s e k K i n g e l e z , y la p r e g u n t a s e g u í a s i e n d o : ¿ E n q u é m e d i d a el a r t e d e
O c c i d e n t e es occidental? E l arte c o n t e m p o r á n e o , c o m o a p u n t a B e l ­
ting, h a e s t a d o c o n f o r m a d o p o r artistas d e o r i g e n n o o c c i d e n t a l d e s d e ,
al m e n o s , l o s a ñ o s s e s e n t a . M á s b i e n p o d e m o s h a b l a r d e u n a l e n t a
t r a n s f o r m a c i ó n d e l l l a m a d o a r t e o c c i d e n t a l , e n el q u e l a s i n s t i t u c i o n e s
s o n m á s o c c identales q u e s u g r a m á t i c a visual o s u m e d i a n i d a d multi-
f o r m a l . L a c u e s t i ó n c o m p e t e m á s a las e s t r u c t u r a s q u e a l a s f r o n t e r a s .
L a e s c e n a artística o c c i d e n t a l h a a b s o r b i d o f á c i l m e n t e n u e v o s p r o t a ­
g o n i s m o s y n u e v o s objetivos locales, q u e a s u v e z e x c l u y e n c u a l q u i e r
r e t o r n o a u n p u r i f i c a d o p e r f i l o c c i d e n t a l e n el a r t e . A m e n u d o d e b e ­
m o s a n t e s l eer las b i o g r a f í a s d e los artistas p a r a p o d e r i d entificar s u
o r i g e n » 18.

L a s b i e n a l e s d e J o h a n n e s b u r g o y el c o n t i n e n t a l i s m o

E n el a r t í c u l o « M o d e r n i t y a n d P o s t c o l o n i a l A m b i v a l e n c e » , O k w u i
E n w e z o r 19, t r a s e s t a b l e c e r c u a t r o i d e a s o c a t e g o r í a s d o m i n a n t e s s o b r e
la m a n e r a d e e n t e n d e r la m o d e r n i d a d ( s u p e r m o d e r n i d a d , a n d r o m Q -
d e r n i d a d , m o d e r n i d a d e x p a n d i d a y a l t e r m o d e r n i d a d ) , s o s t i e n e q u e la
c a t e g o r í a q u e e n c a j a m e j o r c o n A f r i c a e s l a ú l t i m a d e ellas, la a l t e r m o ­
d e r n i d a d . Á f r i c a , al d e c i r d e E n w e z o r , c o m p a r t i r í a - p a r t e d e l d e s p r e c i o
126 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

a c e r c a d e s u n o m o d e r n i d a d c o n el m u n d o m u s u l m á n , a u n q u e l as
s o c i e d a d e s i s l á m i c a s d i s f r u t a r í a n d e u n m a y o r r e s p e t o d e b i d o a la
e x i s t e n c i a d e u n p a s a d o c l á s i c o i s l á m i c o q u e el c o n t i n e n t e n e g r o n o
p o s e e . Y si A f r i c a n o a t e s o r a n i n g u n a c o n c i e n c i a h i s t ó r i c a y c a r e c e d e
«espíritu», c o m o sostenía H e g e l , ¿ c ó m o p u e d e r e c l a m a r su e x p e r i e n ­
c i a d e m o d e r n i d a d si n o e s a p a r t i r d e la n a r r a t i v a m a e s t r a d e la a l t a
m o d e r n i d a d ? Y e s así c o m o Á f r i c a q u e d a r í a r e l e g a d a a u n a e p i s t e m o ­
l o g í a d e l a n o e x i s t e n c i a , a q u e l l a s e g ú n la c u a l n u n c a h a b r í a s i d o
m o d e r n a , utilizando u n o d e los m á s c o n o c i d o s d i c t u m s d e B r u n o
L a t o u r 20.
U n a d e las p r i m e r a s e x p o s i c i o n e s , e n e s t e c a s o u n a b i e n a l , q u e
m e j o r reflejó e stas c o n s i d e r a c i o n e s d e l o « a f r i c a n o » f u e la II B i e n a l d e
J o h a n n e s b u r g o d e 1 9 9 7 21 , q u e , al i g u a l q u e la I B i e n a l , t i t u l a d a A f r i c u s
( 1 9 9 5 ) 22, s e p r e s e n t ó c o m o u n a g r a n e x p o s i c i ó n u n i v e r s a l e n la q u e el
n u e v o arte s ud af ri c an o se m o s t r ó n o sólo a u n a audie nc i a internacio­
nal s i n o a los p r o p i o s s u d a f r i c a n o s . A m b a s b i e n a l e s e x h i b i e r o n arte
local a través d e o b r a s d e diferentes países d e Á f r i c a y d e otras partes
d e l m u n d o , c o n la i n t e n c i ó n d e s i t u a r el a r t e s u d a f r i c a n o e n u n c o n ­
t e x t o g l o b a l . S i g u i e n d o las d i r ec tr i ce s d e s u s d o s c u r a d o r e s , C h r i s t o -
p h e r T i l l y L o m a F e r g u s s o n 23, y c o n u n t o t a l d e m á s d e s e s e n t a a r t i s ­
tas, A f r i c u s a b o r d ó la c u e s t i ó n d e l a « i n c l u s i v i d a d » , la e d u c a c i ó n y l a s
e s t r u c t u r a s d e m o c r á t i c a s . D i e z e x p o s i c i o n e s d e t r a b a j o s d e artistas
s u d a f r i c a n o s b u s c a b a n m o s t r a r la d i v e r s i d a d d e la p r o d u c c i ó n l o c a l
e n c a m i n a d a a c e r r a r las b r e c h a s y c o r r e g i r los d e s e q u i l i b r i o s r e s u l t a n ­
tes d e u n a l a r g a t r a d i c i ó n h i s t o r i o g r á f i c a b a s a d a e n los p r e j u i c i o s
s o c i a l e s , i n d e p e n d i e n t e m e n t e d e si l a s o b r a s p r o c e d í a n d e a r t i s t a s
a u t o d i d a c t a s , d e a r t e s a n o s , d e artistas n e g r o s , d e c r e a d o r e s p r o c e d e n ­
tes d e e n t o r n o s e c o n ó m i c o s d e s f a v o r e c i d o s o d e colectivos. O b r a s q u e
convivían c o n pinturas, esculturas e instalaciones d e r e c o n o c i d o s
artistas b l a n c o s c o m o C l i v e v a n d e n B e r g (T h e M i n e D u m p s P r o j e c t ) o
J a n e A l e x a n d e r , e n s i n t o n í a c o n u n o d e l o s a r t í c u l o s p u b l i c a d o s e n el
c a t á l o g o , el f i r m a d o p o r T h o m a s M c E v i l l e y ( « H e r e C o m e s E v e r y b o -
d y » ) q u e r e f l e j a la p r e o c u p a c i ó n p o r « i n c l u s i v i d a d » y « r a d i c a l d e f i n i ­
c i ó n » d e l c a n o n d e l a r t e s u d a f r i c a n o 2"’.
L a i m a g e n d e la « n u e v a S u d á f r i c a » q u e s e q u e r í a i m p o n e r d e s d e
la i d e o l o g í a p o l í t i c a d e l r e c i é n e l e g i d o G o b i e r n o d e U n i d a d N a c i o n a l
y s u i n t e r é s p o r l a r e c o n c i l i a c i ó n y la c e l e b r a c i ó n d e l p a t r i m o n i o
c u l t u r a l a f r i c a n o , q u e f u e el e s p í r i t u m o t o r d e e s t a I B i e n a l d e J o h a n ­
n e s b u r g o , n o o b s t a n t e c h o c a r o n a b i e r t a m e n t e c o n la II B i e n a l d e
J o h a n n e s b u r g o , T r a d e R u t e s : H i s t o r y a n d G e o g r a p h y ( 1 9 9 7 )25 , c u y o
p r o y e c t o discursivo n o se coció e n J o h a n n e s b u r g o sino e n N u e v a
y
D E R I V A S P O S C O L O N I A L E S H A C I A L O G L O B A L 127

York, e n múltiples reuniones e n apartamentos y bares d e B ro o k l y n y


Manhattan.
E n e f e c t o , d e s m a r c á n d o s e c l a r a m e n t e d e la r e t ó r i c a d e la e t a p a
p o s t a p a r t h e i d c o n la q u e f u e c o n c e b i d a la I B i e n a l , la s e g u n d a c o n v o ­
c a t o r i a f u e d i s e ñ a d a a b i e r t a m e n t e p a r a e x p a n d i r la r e c i é n f o r j a d a r e d
d e v í n c u l o s i n t e r n a c i o n a l e s y e x a m i n a r l a h i s t o r i a d e la g l o b a l i z a c i ó n
e x p l o r a n d o a q u e l l o s m o d o s d e c o n t e s t a c i ó n , análisis e i n t e r p r e t a c i ó n
c o n los q u e los artistas c o n t e m p o r á n e o s s e e n f r e n t a b a n a c u e s t i o n e s
d e colonización, m i g r a c i ó n y tecnología. O k w u i E n w e z o r , nigeriano
e s t a b l e c i d o e n N u e v a Y o r k , y s u e q u i p o d e seis c u r a d o r e s i n t e r n a c i o ­
n a l e s , c o n o c e d o r e s d e l o c u e s t i o n a d a q u e f u e la l a b o r d e J e a n - H u b e r t
M a r t i n e n M a g i c i e n s d e la t e r r e ( 1 9 8 9 ) , p u s o e n t e l a d e j u i c i o l a v a l i d e z
d e las f r o n t e r a s n a c i o n a l e s y el c o n c e p t o d e n a c i o n a l i s m o , l o c u a l s e
t r a d u j o e n la e l i m i n a c i ó n d e las «listas d e l T e r c e r M u n d o » , e s decir, d e
a r t i s t a s c o n e t i q u e t a s n a c i o n a l e s . S e a b a n d o n ó la o r g a n i z a c i ó n c o n ­
v e n c i o n a l e n p a b e l l o n e s n a c i o n a l e s y t o d a s l a s o b r a s s e a c o g i e r o n al
t e m a d e las « r u t a s c o m e r c i a l e s g l o b a l e s » ( g l o b a l t r a d e r o u t e s ) e x p l o ­
r a n d o a s p e c t o s r e l a c i o n a d o s c o n la i d e n t i d a d y el t e r r i t o r i o d e n t r o d e
la « a l d e a g l o b a l » , u n c o n c e p t o q u e r e f l e j a b a la p r o p i a i d i o s i n c r a s i a d e
S u d á f r i c a , q u e s e d e b a t í a e n t r e l a a p e r t u r a y el a i s l a m i e n t o y u n d e s e o
d e i n t e r n a c i o n a l i z a c i ó n , s i n c a e r , n o o b s t a n t e , e n l a i n c l u s i v i d a d y el
r e g i o n a l i s m o d e la I B i e n a l . E n T r a d e R o u t e s la s e l e c c i ó n d e a r t i s t a s
sudafricanos fue c o n s i d e r a b l e m e n t e m e n o r q u e e n 1995, y se prescin­
d i ó d e l a s m a n i f e s t a c i o n e s a r t e s a n a l e s y l a s p r o c e d e n t e s d e la c o m u n i ­
d a d a f a v o r d e o b r a s d e a lto e s t á n d a r a u n q u e s i e m p r e c o n la d e c l a r a d a
i n t e n c i ó n d e i n t e g r a r el a r t e d e S u d á f r i c a e n el c o n t e x t o i n t e r n a c i o n a l
g l o b a l y, e n c o n c r e t o , d e « r e l o c a l i z a r el a r t e s u d a f r i c a n o e n l a p r o p i a
A f r i c a » 26.
O k w u i E n w e z o r n o s e p r e s e n t ó s ó l o c o n e s t a s listas a b i e r t a s d e
artistas, s i n o c o n u n d i s c u r s o t e ó r i c o b i e n a r r o p a d o e n t r e o t r o s p o r
c o n c e p t o s e x t r a í d o s t a n t o d e l a e t n o g r a f í a , c o m o el d e « z o n a s d e
contacto» d e J a m e s Clifford e n T h e P r e d i c a m e n t o f Culture (1988),
c o m o d e l o s d i s c u r s o s p o s m o d e r n o s d e l a d i f e r e n c i a , e n e s p e c i a l el
d e r i v a d o d e las tesis d e M i c h e l F o u c a u l t . L a II B i e n a l d e J o h a n n e s -
b u r g o d e j ó d e s e r u n m a n i f i e s t o ú n i c a m e n t e v i s u a l p a r a p r o p i c i a r la
produ cc i ón d e c o n o c i m i e n t o y sobre t odo para hacer e n efecto posi­
b l e s las « z o n a s d e c o n t a c t o » e n t r e artistas, i n t e l e c t u a l e s , s i t u a c i o n e s
> a c i a l e s y p o l í t i c a s c o n el f i n d e b u s c a r a l t e r n a t i v a s a l a s t e n s i o n e s
e n t r e l o l o c a l y l o g l o b a l . ¿ C u á l e r a el c u t t i n g e d g e d e u n a b i e n a l e n
la q u e p a r t i c i p a r o n a l g u n o s d e l o s m á s d e s t a c a d o s c r e a d o r e s m e t r o ­
p o litanos y periféricos a finales d e los a ñ o s n o v e n t a ? , se p r e g u n t a b a
128 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

E n w e z o r . Y la r e s p u e s t a era: « e l g r a d o e n q u e los artistas p l a n t e a n


cuestiones duraderas»:

L o s artistas d e b e n s e r v i s t o s c o m o o p e r a n d o e n e l e v a d o s n i v e l e s d e
i n v e s t i g a c i ó n e n l o s p r o c e s o s filosóficos, políticos, f e n o m e n o l ó g i c o s y
s o c i a l e s d e n u e s t r o t i e m p o [...]. H a b l a n d e c u l t u r a e n u n a é p o c a e n
q u e la c u l t u r a e s u n a n o c i ó n c u e s t i o n a d a y d e h i s t o r i a e n u n m o m e n t o
e n q u e la h i s t o r i a y a n o e s t á s o m e t i d a a u n a c u e s t i ó n d e a u t o r i d a d .
T e j e n c o m p l e j a s y t u r b a d o r a s narrativas políticas e n m e d i o d e u n c o n ­
t e x t o d e c a o s y d e d e s t r u c c i ó n 27.

C o m o a f i r m ó O k w u i E n w e z o r e n u n a entrevista c o n P a t B i n d e r y
Gerhard Haupt:

U n a d e las c u e s t i o n e s q u e n o s p r o p u s i m o s e n T r a d e R o u t e s f u e la d e
a b o r d a r a s p e c t o s r e l a c i o n a d o s c o n los p a s o s f r o n t e r i z o s , p e r o sin c a e r
e n u n a c e l e b r a c i ó n d e la h i b r i d a c i ó n . E n el e x t r e m o d e n a c i o n a l i s m o s
l l e v a d o s al p a r o x i s m o , q u i s i m o s e x p l o r a r el rol o l o q u e significa la
s i t u a c i ó n d e s e r u n c i u d a d a n o e n el c o n t e x t o p a r t i c u l a r d e p a i s a j e s
p o l í t i c o s c a m i n a n t e s . Q u i s i m o s e x p l o r a r la v i o l e n c i a n a c i o n a l , al i g u a l
q u e la c u e s t i ó n d e la s o b e r a n í a n a c i o n a l e n t o m o a la i d e a d e « n a c i ó n » ;
n o e s t a m o s t a n t o i n t er es a do s e n c ó m o a l g u n a s d e estas c u e st io n es se
e s t a b l e c e n a l r e d e d o r d e sí m i s m a s c o m o e n la f o r m a e n q u e f l u y e n
d e n t r o y f u e r a d e sí, a m e n u d o p r o d u c i e n d o d e s f i g u r a c i o n e s b a s t a n t e
legibles. C r e o q u e l o m á s i m p o r t a n t e d e « A l t e m a t i n g C u r r e n t s » e s el
h e c h o d e a s u m i r q u e , e n el c o n t e x t o d e la g l o b a l i z a c i ó n , e x i s t e n n u e ­
vas temporalidades q u e entran dentro d e nuestro e s q u e m a d e p e n s a ­
m i e n t o 28.

C o m o e j e m p l o d e l q u e f u e s i n d u d a u n o d e l o s t e m a s d o m i n a n t e s e n la
II B i e n a l d e J o h a n n e s b u r g o , e l d e la d i á s p o r a — u n a d i á s p o r a q u e s e
e n t e n d í a c o m o u n i n t e n t o d e e s c a p a r t a n t o a l as c u l t u r a s n a c i o n a l e s
c o m o a la m o d e r n i d a d o c c i d e n t a l y c o m o p a l a b r a c l a v e p a r a c o n s t r u i r
la i d e n t i d a d p e r s o n a l — h a b r í a q u e s i t u a r e l t r a b a j o d e l a r t i s t a n i g e r i a -
n o O l u O guibe, establecido en N u e v a Y o r k y presente e n J o h a n n e s ­
b u r g o . O l u O g u i b e , u t i l i z a n d o el a r t e c o n c e p t u a l c o m o u n a l e n g u a
f r a n c a — o t r o s a r t i s t a s u t i l i z a n la l e n g u a f r a n c a d e l m i n i m a l i s m o y d e r i ­
v a d o s — , n o r e n u n c i ó a l a n a r r a t i v i d a d , a l a m e t á f o r a , al s i m b o l i s m o ; y
así t o d a s u p r o d u c c i ó n , c o m o a f i r m a O k w u i E n w e z o r , e stá c a r g a d a c o n
la m e m o r i a d e la p é r d i d a d e la a l i e n a c i ó n , el a b a n d o n o , la v i o l e n c i a d e
l a r e p r e s e n t a c i ó n , q u e s e p r o y e c t a n s o b r e el « o t r o i n d e s e a b l e » . L a h e r i ­
d a q u e a c a r r e a el e x i l i o e s t á s i e m p r e e n l a o b r a d e O g u i b e , v u l n e r a b l e y
c o n m o v e d o r a , y s u s i d e a s al r e s p e c t o y s o b r e la e m i g r a c i ó n t a m b i é n s o n
D E R I V A S P O S C O L O N I A L E S H A C I A L O G L O B A L 129

válidas p a r a c i u d a d a n o s d e m u c h o s países e u r o p e o s : gitanos, turcos,


b o s n i o s . L a s s u y a s s o n o b r a s e n d e f i n i t i v a q u e s u b r a y a n el n u n c a r e s u e l ­
t o y a m b i g u o e s t a t u s d e l o m a r g i n a d o , p e r o al m a r g e n d e t o d a r e f e r e n c i a
f o l c l ó r i c a o e x c e s i v a m e n t e l o c a l i z a d a 29.
L a e s t r a t e g i a d e O l u O g u i b e , j u n t o c o n la d e o t r o s artistas a f r i c a ­
n o s a f i n c a d o s o n o e n las m e t r ó p o l i s c o m o Bili B i d j o c k a , I k é U d é o
W i l l i a m K e n t r i d g e , r e s u l t a e j e m p l a r al r e s p e c t o : e n v e z d e f o m e n t a r
l o s c o n c e p t o s d e t r a d i c i ó n , a u t e n t i c i d a d y o r i g i n a l i d a d , p o r el c o n t r a ­
r i o t r a b a j ó p o r u n d e s p l a z a m i e n t o y d e l c e n t r o o d e la h i s t o r i a . Y s u s
i m á g e n e s p u e d e n ser calificadas d e d i a s p ó r i c a s , es decir, inter te x tu al es
o intervisuales, c o n p o s i b i l i d a d d e m ú l t i p l e s a s o c i a c i o n e s visuales e
i n t e l e c t u a l e s t a n t o d e n t r o c o m o m á s allá d e l a p r o d u c c i ó n d e c o n o c i ­
m i e n t o 30. Y a s í l o c o n s t a t ó u n a p l é y a d e d e c r í t i c o s i n t e r n a c i o n a l e s ( n o
así la m a y o r í a d e críticos locales, q u e v i e r o n e n la m u e s t r a u n s i g n o d e
e li ti sm o , i n a c c e s i b i l i d a d e i r r e l e v a n c i a ) q u e c o n s i d e r a r o n a la II B i e n a l
d e J o h a n n e s b u r g o l a e x p o s i c i ó n m á s d e s t a c a d a d e la d é c a d a d e l o s
n o v e n t a . C o m o s o s t u v o D a n C a m e r o n e n las p á g i n a s d e la r evista A r t -
f o r u m : « T r a d e R o u t e s : H i s t o r y a n d G e o g r a p h y » es la p r i m e r a e x p o s i ­
c i ó n g l o b a l q u e t r a n s f o r m a la p r o m e s a d e m n a t e o r í a p o s c o l o n i a l d e n ­
tro d e u n a r e a l i d a d t a n g i b l e , e x o r c i z a n d o p o r c o m p l e t o el f a n t a s m a d e
M a g i c i e n s d e la t e r r e d e 1 9 8 9 » 31.

Conclusión

L a II B i e n a l d e J o h a n n e s b u r g o n o s s itúa e n u n territorio n o y a p o s c o ­
lonial s i n o b á s i c a m e n t e g l o b a l d o n d e n o s e n c o n t r a m o s c o n u n a n o c i ó n
d e arte c o n t e m p o r á n e o africano d o m i n a d o p o r u n a globalización q u e
n e g o c i a lo n a c i o n a l c o n lo transnacional, lo regional c o n lo universal,
l o c o s m o p o l i t a c o n l o c o n t i n e n t a l , el s e n t i d o d e l u g a r c o n e l d i s c u r s o
d e l d e s p l a z a m i e n t o , b u s c a n d o u n a n u e v a d i a l é c t i c a e n t r e l o s artistas
d e la d i á s p o r a y l o s q u e a p u e s t a n p o r e l c o n t i n e n t e . E s e n e s t a n e g o ­
c i a c i ó n e n t r e el h o g a r y el e x i l i o d o n d e s e p o d r í a i n s c r i b i r u n n u e v o
c o n c e p t o , el d e « c o n t i n e n t a l i s m o » e n s u s r e l a c i o n e s c o n e l c o s m o p o l i ­
t i s m o y e l t r a n s n a c i o n a l i s m o , q u e e x p o n e O . E n w e z o r e n el t e x t o C o n ­
t e m p o r a r y African A r t Since 1 9 8 0 (2009). U n continentalismo q u e
h a b r í a q u e e n t e n d e r c o m o u n a f o r m a d e resistencia a u n a m a n e r a d e
d e f i n i r el a r t e a f r i c a n o d e s d e e l e x t e r i o r , t a n t o p o r l o s p r o p i o s e x t r á n - 1,
j e r o s c o m o p o r l o s a r t i s t a s d i a s p ó r i c o s c o n a c c e s o al p o d e r i n s t i t u c i o ­
nal. L o i m p o r t a n t e e s e n c o n t r a r l o s r e c u r s o s d e n t r o d e las r e d e s artís­
t i c a s d e u n c o n t i n e n t e d e s a r r a i g a d o p o r el d é f i c i t i n s t i t u c i o n a l , y s ó l o
130 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

así s e p r o d u c i r á n n u e v a s c a r t o g r a f í a s q u e v a l o r e n artistas q u e c o n s t r u ­
y e n s u s carreras e n Africa; d e lo local a lo global, d e lo n a c i o n a l a lo
transnacional, d e lo c o n t i n e n t a l a lo transcontinental: t o d o a t r a v e s a d o
d e afiliaciones, r edes, circuitos, rutas, f r o n t e r a s y trayectorias d e n t r o
d e l p a i s a j e o c u p a d o p o r a r t i s t a s a f r i c a n o s q u e v i v e n d e s d e 1 9 8 0 e n el
c o n t i n e n t e y f u e r a d e él.
E n s u i n t e n t o p o r a r t i c u l a r u n a g e n e a l o g í a d e l o c o n t i n e n t a l , el
filósofo c a m e r u n é s a f i n c a d o e n París Achille M b e m b e , e n s u texto
« A í r o p o l i t a n i s m » 32, i n s i s t e e n l a c i r c u l a c i ó n d e m u n d o s , t a n a r r a i g a d a
e n l a c o n d i c i ó n a f r i c a n a , p e r o n o s ó l o d e s d e la « d i s p e r s i ó n » ( o d i á s p o -
ra), s i n o d e s d e la « i n m e r s i ó n » , e n c o n c r e t o d e s d e u n r e n o v a d o c o n ­
c e p t o d e c o n t i n e n t a l i s m o y la o r g u l l o s a a u t e n t i c i d a d d e u n artista q u e ,
« v i v i e n d o y t r a b a j a n d o » e n Africa, n o r e n u n c i a a s u c o n d i c i ó n d e suje­
t o g l o b a l 55. D a n d o u n p a s o a d e l a n t e r e s p e c t o a u n t r a b a j o e n c l a v e
p o l í t i c a D e la p o s t c o l o n i e ( 2 0 0 0 ) 34, c e n t r a d o e n f o r m a s c o n t e m p o r á ­
n e a s d e o p r e s i ó n y e x p lotación e n Africa, M b e m b e a m p l í a sus ideas
e n el t e r r e n o d e l a v i d a c u l t u r a l y l a c r e a t i v i d a d e s t é t i c a e n e s t e t e x t o
(el a f r o p o l i t a n i s m o c o m o u n a e s t é t i c a y u n a c i e r t a p o é t i c a d e l m u n d o ) ,
p u b l i c a d o o r i g i n a r i e m e n t e e n el p e r i ó d i c o L e M e s s a g e r d e D u a l a
( C a m e r ú n ) . E n « A f r o p o l i t a n i s m e » ( u n a s u m a d e las p a l a b r a s « a f r o » y
« c o s m o p o l i t i s m o » ) , M b e m b e p l a n t e a e n clave n o política c ó m o los
d i s c u r s o s s o b r e Africa, t a n t o d e s d e u n p u n t o d e vista a c a d é m i c o c o m o
popular, están s e s g a d o s p o r u n a va r i e d a d d e clichés v in c u l a d o s a f a n ­
tasías y m i e d o s o c c i d e n t a l e s . P o r e j e m p l o , A f r i c a e s vista, p o r p a r t e d e
O c c i d e n t e , c o m o u n a f i g u r a sin c a b e z a a m e n a z a d a p o r la l o c u r a y
t o d a v í a i n o c e n t e r e s p e c t o a l as n o c i o n e s d e c é n t r o , j e r a r q u í a o e s t a b i ­
lidad, c o m o u n a vasta c u e v a o s c u r a d o n d e c a d a p u n t o d e referencia y
d i s t i n c i ó n s e a ú n a e n t o t a l c o n f u s i ó n y, f i n a l m e n t e , c o m o u n a t r á g i c a e
infeliz h i s t o r i a h u m a n a . A f r i c a sería así u n m o d e l o d e e n t r e l a z a m i e n t o
e n t r e el a q u í y l o s o t r o s l u g a r e s , o l a p r e s e n c i a d e e s t o s o t r o s l u g a r e s
e n el a q u í o l o q u e A c h i l l e M b e m b e d e n o m i n a u n a r e l a t i v i z a c i ó n d e
las r a í c e s y d e las p e r t e n e n c i a s p r i m a r i a s y u n a m a n e r a d e a b r a z a r l o
e x t r a ñ o , l o a j e n o y l o d i s t a n t e y d e r e c u p e r a r l as h u e l l a s d e la d i s t a n c i a
e n lo p r ó x i m o , d e d o m e s t i c a r lo n o familiar, d e t rabajar c o n lo q u e
t i e n e la a p a r i e n c i a d e los o p u e s t o s . M b e m b e p a r t e d e a h í p a r a referir­
s e d i r e c t a m e n t e al t é r m i n o « a f r o p o l i t a n i s m o » , u n a m e z c l a d e s e n s i b i ­
l i d a d c u l t u r a l , h i s t ó r i c a y e s t é t i c a q u e n o h a y q u e c o n f u n d i r n i c o n el
p a n a f r i c a n i s m o ( m o v i m i e n t o p o l í t i c o y s o c i a l q u e p r o m u e v e el h e r m a ­
n a m i e n t o a f r i c a n o ) n i c o n el f e n ó m e n o d e la n e g r i t u d : m á s b i e n s e r í a
c o m o u n a t e r c e r a v í a e n t r e e l n a c i o n a l i s m o a n t i c o l o n i a l y el p a n a f r i c a ­
n i s m o . Sería t a m b i é n u n a t o m a d e p o s t u r a política y cultural r e s p e c t o
D E R I V A S P O S C O L O N L A L E S H A C I A L O G L O B A L 131

a l a n a c i ó n , l a r a z a y la c u e s t i ó n d e la d i f e r e n c i a e n g e n e r a l . P o r q u e ,
c o m o s o s t i e n e M b e m b e , m á s q u e s a c r a l i z a r el c o n c e p t o d e n a c i ó n o
d e r a z a h a y q u e r e a n i m a r el e s p í r i t u d e A f r i c a y, d e e s t e m o d o , r e v i t a ­
lizar las p o s i b i l i d a d e s d e u n arte, u n a filosofía y u n a e st ét ic a q u e p u e ­
d e n a p o r t a r a l g o n u e v o y s i g n i f i c a t i v o al m u n d o e n g e n e r a l . L o i m p o r ­
t a n t e n o e s t a n t o m e d i r s e c o n el p u e b l o d e al l a d o c o m o c o n el m u n d o
e n t o d a s u a m p l i t u d . Y e s así c u a n d o s e refiere a a f r i c a n o s q u e v i v e n
f u e r a d e Á f r i c a ( c o n la e x p e r i e n c i a d e la d i á s p o r a e n m u c h o s c a s o s ) , a
o t r o s q u e r e s i d e n l i b r e m e n t e e n el c o n t i n e n t e p e r o n o n e c e s a r i a m e n t e
e n el p a í s q u e l e s v i o n a c e r y a u n a o t r o s q u e h a n t e n i d o l a o p o r t u n i ­
d a d d e h a b i t a r e n v a r i o s m u n d o s s i n c e s a r d e ir y v e n i r y « d e s a r r o l l a n ­
d o e n este m o v i m i e n t o u n a incalculable riqueza d e m i r a d a s y sensibi­
lidades». Y c o n c l u y e : se trata d e p e r s o n a s q u e p u e d e n e x p r e s a r s e e n
m á s d e u n a l e n g u a y e s t á n d e s a r r o l l a n d o , a v e c e s sin saberlo, u n a c u l ­
t u r a t r a n s n a c i o n a l q u e d e f i n e c o m o « a f r o p o l i t a » 35.

S a o P a u l o y la a n t r o p o f a g i a
r
El h e c h o d e prescindir c o m p l e t a m e n t e d e toda representación nacio­
nal a favor d e u n a estructura temática se c o n s o l i d ó t a m b i é n e n otra d e
l a s b i e n a l e s h i s t ó r i c a s c r e a d a e n 1 9 5 1 e n B r a s i l . N o s r e f e r i m o s a la
Bienal d e S a o Paulo, q u e en su edición d e 1998, a cargo d e Paulo
H e r k e n h o f f y A d r i a n o P e d r o s a , d i o p o r c o n c l u i d a la l a r g a t r a d i c i ó n
d e u t i l i z a r l a m u e s t r a p a r a e x p l o r a r el c u t t i n g e d g e o c c i d e n t a l y, al
t i e m p o q u e h a c í a l l e g a r el a r t e c o n t e m p o r á n e o a B r a s i l , s e r v i r d e p l a ­
t a f o r m a p a r a q u e los artistas b r a s i l e ñ o s y d e A m é r i c a L a t i n a t u v i e r a n
u n a visibilidad internacional.
L a c i t a d e 1 9 9 8 s a t i s f i z o t a m b i é n e s t a n e c e s i d a d d e t r a b a j a r e n el
f o r m a t o d e bienal internacional, a p u n t a n d o c la r a m e n t e a u n a m i r a d a
n o e u r o c é n t r i c a y t r a n s n a c i o n a l s o b r e e l arte, g l o b a l . H e r k e n h o f f s e
v a l i ó d e la n o c i ó n d e a n t r o p o f a g i a ( c a n i b a l i s m o ) y s u s i g n i f i c a d o h i s ­
t ó r i c o d e s d e la p e r s p e c t i v a d e l a f o r m a c i ó n c u l t u r a l d e B r a s i l . P a r t i e n ­
d o d e l « M a n i f i e s t o a n t r o p ó f a g o » , b a u t i z a d o c o n e s t e n o m b r e p o r el
poeta brasileño O s w a l d A n d r a d e e n 1928, y del p o l é m i c o c o n c e p t o
d e a n t r o p o f a g i a , q u e d e f i n í a a la c u l t u r a b r a s i l e ñ a c o m o « d e v o r a d o r a »
d e t o d o s los valores f o r á n e o s p a r a crear s u p r o p i a ide nt id a d, los c u r a ­
d o r e s v i e r o n e n el c o n c e p t o d e a n t r o p o f a g i a u n a p r á c t i c a s i m b ó l i c a ,
r e a l o m e t a f ó r i c a , d e d e v o r a r al « o t r o » , e n e s t e c a s o l a s i n f l u e n c i a s a l a
v e z e u r o p e a s e i n d í g e n a s p a r a forjar u n a ú n i c a cultura poscolonial, e
i n c l u s o la n e c e s i d a d d e i m p o r t a r l o s m o d e l o s d e b i e n a l e u r o p e a .
132 L A S E X P O S I C I O N E S D E L O G L O B A L

A s u m i r la c o n s t a n t e d e « a p r o p i a c i ó n » y l a « c o n t a m i n a c i ó n » e n el
a r t e b r a s i l e ñ o e n r e l a c i ó n c o n E u r o p a f u e el g r a n r e t o d e l e q u i p o c o m i -
s a r i a l d i r i g i d o p o r P a u l o H e r k e n h o f f q u e d i v i d i ó la B i e n a l e n c u a t r o
núcleos, c a d a u n o c o n sus p a r á m e t r o s curatoriales específicos: « R e p r e ­
sentaciones nacionales», « A r t e brasileño c o n t e m p o r á n e o » (subdividi­
d a e n d o s p a r t e s « U m e O u t r o » y « U m e O u t r o s » , c o n artistas c o m o
E rnesto Net o, R iv a n e N e u e n s c h w a n d e r , Cildo Meireles o Beatriz Mil-
h a z e s ) , el « N ú c l e o h i s t ó r i c o » y f i n a l m e n t e el d e n o m i n a d o « R o t e i r o s » .
D e e llos, el m á s e l a b o r a d o d e l o s c u a t r o f u e el « N ú c l e o h i s t ó r i c o :
Antropofagia e Historias d e Canibalismos», q u e presentó u n a reconsi­
d e r a c i ó n d e l a h i s t o r i a d e l a r t e g l o b a l b a j o el s i g n o d e la a n t r o p o f a g i a ,
c o n o b r a s d e s d e el s i g l o X V I h a s t a el X X , y q u e i n c l u í a a p a r t a d o s c o m o
l a c o n f r o n t a c i ó n d e E u r o p a c o n el d e s c u b r i m i e n t o d e l c a n i b a l i s m o e n
A m é r i c a o l a i n t r o d u c c i ó n d e l o s g é n e r o s a r t í s t i c o s e n la c o l o n i z a c i ó n
del continente. T o m a n d o c o m o p u n t o d e partida f u n d a m e n t a l u n a
serie d e o b r a s d e l siglo X V I I d e l p i n t o r h o l a n d é s A l b e r t E c k h o u t , p l a g a ­
d a s d e referencias a r e p r e s e n t a c i o n e s alegóricas d e c a n i b a l i s m o , los
c u r a d o r e s b u s c a r o n e n t o d o m o m e n t o integrar aspectos específicos d e
l a c u l t u r a b r a s i l e ñ a v i s a v i s c o n el a r t e d e O c c i d e n t e . D e a h í l a s c o n ­
f r o n t a c i o n e s d e l e s c u l t o r b a r r o c o b r a s i l e ñ o A l e i j a d i n h o c o n d o s d e los
r e p r e s e n t a n t e s d e la m o d e r n i d a d b r a s i l e ñ a , c o m o T ar si la d o A m a r a l o
A l f r e d o V o l p i , o d e las o b r a s d e G é r i c a u l t , G o y a , V a n G o g h o R o d i n
c o n las A n a M e n d i e t a , H e r m a n n N i t s c h , D a m i e n H i r s t , L y g i a C l a r k ,
H é l i o O i t i c i c a o C i l d o M e i r e l e s , e n u n c l a r o e j e m p l o d e c ó m o d e s d e el
c a n i b a l i s m o e n t e n d i d o c o m o u n a práctica simbólica se p o d í a n e n t e n ­
d e r l a s r e l a c i o n e s d e « o t r e d a d » y r e i v i n d i c a r la a n t r o p o f a g i a c o m o u n a
e s t r a t e g i a d e e m a n c i p a c i ó n c u l t u r a l 36.
E n el n ú c l e o t i t u l a d o « R o t e i r o s , R o t e i r o s , R o t e i r o s , R o t e i r o s ,
R o t e r i o s , R o t e r i o s , R o t e r i o s » (Rutas), p a l a b r a r e p e t i d a siete v e c e s e n
el m a n i f i e s t o d e O s w a l d d e A n d r a d e , e l c o m i s a r i o d i v i d i ó el g l o b o e n
siete á r e a s g e o g r á f i c a s o c o n t i n e n t e s ( C a r i b e , Africa, L a t i n o a m é r i c a ,
Asia, C a n a d á , E s t a d o s U n i d o s , E u r o p a ) , c o m o u n a versión e x p a n d i d a
d e las a l e g o r í a s d e l o s c u a t r o c o n t i n e n t e s d e s a r r o l l a d a s e n el a r t e e u r o ­
p e o d e l siglo x v n , e i n v i t ó a c u r a d o r e s n o b r a s i l e ñ o s a p r e s e n t a r el a r t e
d e e s t a s d i s t i n t a s r e g i o n e s c u l t u r a l e s s i g u i e n d o el m i s m o m o d e l o d e
« d i á l o g o cultural». E l n o m b r e e n plural c o m p o r t a b a a s i m i s m o n u m e ­
r o s o s p u n t o s d e v i s t a , d a n d o a e n t e n d e r q u e n o e r a i m p o r t a n t e la v i e j a
p r á c t i c a d e d e d i c a r e s p a c i o s a g r a n d e s m a e s t r o s ! , n i t a n s i q u i e r a la d e
p l a n t e a r e x p o s i c i o n e s p o r r e g i o n e s , c o m o o c u r r i ó e n la B i e n a l d e 1 9 9 6
c o n e l t í t u l o U n i v e r s a l i t i s , s i n o la i d e a d e u n a m u e s t r a c o m p u e s t a d e
m ú l t i p l e s e x p o s i c i o n e s d e las r e g i o n e s d e l m u n d o : integrar, d e s d e u n a
D E R I V A S P O S C O L O N I A L E S H A C I A L O G L O B A L 133

i m a g i n e r í a t r a n s n a c i o n a l , d i v e r s o s p u n t o s d e vista, a r t i c u l a r criterios y
d e f i n i r u n f o c o . Y si, p o r e j e m p l o , M e r c a t o r o r i e n t ó l a s r e p r e s e n t a c i o ­
n e s c a r t o g r á f i c a s e n f u n c i ó n d e la p o s i c i ó n m á s v e n t a j o s a d e l a m i r a d a
e u r o p e a , e n « R o t e i r o s » el c o n j u n t o n o b u s c a b a r e d u c i r el m u n d o a
u n a universalista o g l o b a l i z a d a visión, ni c a d a r e g i ó n a u n a m i r a d a q u e
t o d o lo abarca. « R o t e i r o s » p o d r í a definirse m á s b i e n c o m o u n trabajo
d e c o s m ó g r a f o s (el c u r a d o r c o m o u n c a r t ó g r a f o ) q u e b u s c a b a n u n a
m i r a d a « d e » o « s o b r e » su p r o p i a región. Y s i e m p r e parti en d o d e
u n a m i s m a m e t o d o l o g í a : u n viaje d e i d a y vuelta: « L o s c u r a d o r e s
d e b e n e f e c t i v a m e n t e c o n s t r u i r s u s r u t a s ( « R o t e i r o s » ) p o r m e d i o d e la
e x p e r i e n c i a d e r e c o r r e r el t erritorio p a r a u n ( r e ) c o n o c i m i e n t o d e s u
arte». D e s p u é s d e t o d o , la c l a v e e s t a b a servida: « E n c o n t r a d e los g a b i ­
n e t e s , la p r á c t i c a c u l t a d e la v i d a » , tal c o m o h a b í a a f i r m a d o A n d r a d e
en 1928.
12
L a fricción local-global

L a s p l a t a f o r m a s d e Kassel. L a irrupción d e lo global

C o m o a n t í d o t o a M a g i c i e n s d e la t e r r e y c o m o c o n t i n u a c i ó n d e la e m p r e ­
s a l l e v a d a a c a b o e n J o h a n n e s b u r g o e n 1 9 9 7 h a b r í a q u e s i t u a r la D o c u ­
m e n t a 1 1 (Kassel, 2 0 0 2 ) , u n p r o y e c t o discursivo-expositivo q u e se p r o ­
p u s o s u p e r a r lo p o s c o l o n i a l y lo m ul t i c u l t u r a l p o r lo global. Así, m i e n t r a s
q u e M a g i c i e n s , tal c o m o e x p o n e E n w e z o r e n el c a t á l o g o 1, a l i m e n t ó la
n o c i ó n d e d i s t a n c i a y la p e r c e p c i ó n d e l e x o t i s m o , D o c u m e n t a a b o g ó p o r
u n a « a n t r o p o l o g í a d e la p r o x i m i d a d » ; m i e n t r a s q u e M a g i c i e n s l e g i t i m ó
s u s e l e c c i o n e s c u r a t o r i a l e s p o r m e d i o d e l c u l t o a la e x p r e s i ó n i n d i v i d u a l
c o m o i n s t a n c i a d e la e x c e l e n c i a artística, D o c u m e n t a d i o v o z a la m u l t i ­
tud, u n c o n c e p t o ext ra íd o e n este c a s o d e F r a n z F a n ó n y T h e W r e t c h e d
o f t h e r E a r t h , y m i e n t r a s q u e M a g i c i e n s i ns is tí a e n el h e c h o d e l l u g a r d e
p r o c e d e n c i a ( c o n p e q u e ñ o s m a p a s p a r a l o c a l i z a r el p a í s d e l q u e c a d a
a r t i s t a e r a o r i g i n a r i o ) , D o c u m e n t a d a b a v a l o r a la e r r a n c i a d e l o s p r o ­
d u c t o r e s h í b r i d o s : y a n o h a b í a u n p u n t o e n el m a p a p a r a c a d a c r e a d o r ,
s ó l o h i s t o r i a s y t r a y e c t o r i a s , y e r a i m p o s i b l e d e j a r c o n s t a n c i a d e ellas.
D o c u m e n t a 1 1 f u e la c u l m i n a c i ó n d e u n p e r í o d o d e e x p a n s i ó n
m á s allá d e E u r o p a y N o r t e a m é r i c a y c o n s i s t i ó e n c i n c o e v e n t o s s u c e ­
sivos ( « c i n c o viajes d e e x p e r i e n c i a y m é t o d o s d e p e n s a r lo g l o b a l » )
c e l e b r a d o s e n c in co continentes a lo largo d e d i e c i o c h o m e s e s e n t e n ­
d i d o s a m o d o d e c o m p e n d i o o « m a p a d e los circuitos del c o n o c i m i e n ­
t o c o n t e m p o r á n e o » a c e r c a d e a r t e , t e o r í a , c i e n c i a , c u l t u r a , e c o l o g í a 1,
especialidad y te m p o r a l i d a d , sistemas u r b a n o s , localidad, globalidad,
f o r m a c i o n e s institucionales, etc.2. P o r q u e , c o m o s o s t u v o E n w e z o r e n
la I n t r o d u c c i ó n d e l c a t á l o g o :
136 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

A u n q u e la p r e p a r a c i ó n y la i n v e s t i g a c i ó n e m p e z a r o n h a c e c u a t r o a ñ o s ,
e s n o o b s t a n t e p e r m i s i b l e d e c i r q u e la o r i e n t a c i ó n d i s c u r s i v a d e D o c u ­
m e n t a 1 1 n u n c a v e r á s u c o n c l u s i ó n e n l o s e s p e c t a c u l a r e s e s p a c i o s lle­
n o s d e p r o y e c t o s a r t í s d c o s q u e la e x p o s i c i ó n o f r e c e a l o s v i s i t a n t e s e n
K a s s e l . L a e x p o s i c i ó n n o s e d e b e e n t e n d e r c o m o u n f i n e n sí m i s m o ,
s i n o c o m o u n a c o r r e a d e t r a n s m i s i ó n q u e reactiva los d e b a t e s , los
w o r k s h o p s , l o s s i m p o s i o s i n i c i a d o s e n las a n t e r i o r e s c u a t r o p l a t a f o r m a s
e n E u r o p a ( V i e n a y B e r l í n ) , e n A s i a ( N u e v a D e l h i ) , e n las A m é r i c a s
( S a n t a L u c í a ) y e n Á f r i c a ( L a g o s ) 3.

E n t r e estos d e b a t e s d e s t a c a r o n , p o r e j e m p l o , los llevados a c a b o e n


N u e v a Delbi, « E x p e r i m e n t s w i t h Truth: Transitional Justice a n d the
P r o c e s s e s o f T r u t h a n d R e c o n c i l i a t i o n » , e n el q u e s e p l a n t e a r o n c u e s ­
t i o n e s c o m o ¿ q u é o c u r r e t r a s la v i o l e n c i a y el c o l a p s o d e l e s t a d o ? o
¿ d ó n d e s e e n c u e n t r a el h o r i z o n t e d e c u l t u r a y c i v i l i z a c i ó n t r a s l a i m p u ­
n i d a d d e l e s t a d o y el f i n d e t o d o t i p o d e a u t o r i t a r i s m o s ? , y e n S a n t a
L u c í a ( P l a t a f o r m a 3 ) , d o n d e s e a b o r d ó la « c r i o l l i z a c i ó n » , u n a m o d a l i ­
d a d d o m i n a n t e e n las p r á c t i c a s c o n t e m p o r á n e a s g r a c i a s a los f e n ó m e ­
n o s d e m i g r a c i ó n y d e s p l a z a m i e n t o y q u e se con fi gu r ó c o m o u n p r o ­
c e s o d e e m e r g e n c i a " d e u n a c u l t u r a d e l m u n d o c o n c e b i d a d e s d e la
p e r s p e c t i v a d e u n radical flujo t a n t o cultural c o m o situacional: « L a s
s o c i e d a d e s criollas t i e n e n s u s p r o p i a s raíces e n las i n s t i t u c i o n e s d e
e s c l a v i t u d y c o l o n i a l i s m o y m a r c a n las i n t e r s e c c i o n e s d o n d e c o n f l u y e n
l a s u b j e t i v i d a d m o d e r n a y e l p r o c e s o h i s t ó r i c o » ' 4.
Y f i n a l m e n t e , y p o r lo q u e r e s p e c t a a la P l a t a f o r m a 5 ( « P a s s a g e s
t h r o u g h t h e c o n s t r u c t i o n o f a n e x h i b i t i o n » ) , la m u e s t r a c e l e b r a d a e n
K a s s e l 5 , O k w u i E n w e z o r , t r a s c o n s t a t a r la f a l t a d e l e g i t i m i d a d d e c i e r ­
t a s p o l í t i c a s m u s e í s t i c a s y d e e x p o s i c i o n e s a g r a n e s c a l a a la h o r a d e
r e c o n o c e r s u c o m p l e j o « t o p o s » e n la n u e v a c o m u n i d a d g l o b a l , s e r e f i ­
rió a ella n o c o m o p r o p i a m e n t e u n a e x p o s i c i ó n s i n o c o m o u n a « c o n s ­
telación d e esferas públicas», y p r o p u s o , p o r u n lado, u n a rearticula­
c i ó n d e l a f o r m a c i ó n h i s t ó r i c a d e la D o c u m e n t a e n la q u e el a r t e s e
i m p o n í a a partir d e m o d e l o s d e r e p r e s e n t a c i ó n y d e narrativas d e s u b ­
j e t i v i d a d a u t ó n o m a y, p o r o t r o , u n a n u e v a m a n e r a d e e n t e n d e r la
e x p o s i c i ó n m á s d e s d e lo d is cu rs i vo q u e d e s d e lo m u s e o g r á f i c o :

E l p a r a d i g m a d e D o c u m e n t a 11 está c o n f o r m a d o p o r fuerzas q u e tra­


t a n d e p r o m u l g a r u n a d i r e c c i ó n m u l t i d i s c i p l i n a r a t r a v é s d e la c u a l las
p r á c t i c a s y l o s p r o c e s o s a r t í s t i c o s s e h a c e n m á s v i v o s , e n a q u e l l o s cir­
cuitos d e c o n o c i m i e n t o p r o d u c i d o s fuera del p r e d e t e r m i n a d o circuito
d e l c a n o n o c c i d e n t a l 6.
L A F R I C C I Ó N L O C A L - G L O B A L 137

D e allí q u e l a e x p o s i c i ó n s e p r e s e n t e e n l a i n t e r s e c c i ó n d i a l é c t i c a e n t r e
el a r t e c o n t e m p o r á n e o y la c u l t u r a y q u e s e a l u d a a ella c o m o u n « d i a g ­
n ó s t i c o » e n el q u e s e r e p l a n t e a n l o s l í m i t e s e n t r e l o p o s c o l o n i a l , el f i n
d e la G u e r r a F r í a , l o p o s t i d e o l ó g i c o , l o t r a n s n a c i o n a l , l o d e s t e r r i t o r i a -
lizado, lo d i a s p ó r i c o y lo global. E n t e n d i d a c o m o u n r e c e p t á c u l o n o
tanto para objetos d e c o n s u m o c o m o para u n a «multiciplicidad d e
v o c e s » , D o c u m e n t a 11 d i o c a b i d a a c u e s t i o n e s d e t r a d u c c i ó n , inter­
p r e t a c i ó n , s u b v e r s i ó n , h i b r i d a c i ó n , criollización, i d e n t i d a d , subjetiva-
ción, d e s p l a z a m i e n t o y reassemblage, cuestiones q u e n o sólo e r a n
a b o r d a d a s p o r artistas s i n o p o r u n a serie d e e n c u e n t r o s e n t r e institu­
ciones, disciplinas, g é n e r o s , g e n e r a c i o n e s , p r o c e s o s , f o r m a s , m e d i o s
d e c o m u n i c a c i ó n , act iv id a de s. Y t o d o ello b a j o c o n c e p t o s e n t r e s a c a ­
d o s d e particulares figuras d e a u t o r i d a d o d e culto, c o m o G i o r g i o
A g a m b e n y s u c o n c e p t o d e « a t e r r i t o r i a l i d a d » , el o r d e n p r i n c i p a l d e la
i n e s t a b i l i d a d , d e la i n s e g u r i d a d y d e la i n c e r t i d u m b r e a ct ua l, u n o r d e n
b a j o el c u a l t o d a s l a s n o c i o n e s d e a u t o n o m í a s o n d e r o g a d a s ; M i c h a e l
H a r d t y A n t o n i o N e g r i y su n u e v o c o n c e p t o d e «soberanía global»,
q u e y a n o se def in e p o r c o n s e r v a d o r a s fronteras d e viejo e s q u e m a del
E s t a d o - n a c i ó n , e i n c l u s o J a c q u e s R a n c i è r e c u a n d o d e f i n e lo político
e n las r e l a c i o n e s e n t r e lo « s i n g u l a r » y l o « u n i v e r s a l » , l o « l o c a l » y lo
« g l o b a l » , s i n o l v i d a r al a n t r o p ó l o g o i n d i o - a m e r i c a n o A r j u n A p p a d u -
rai, p a r a el q u e el d e s p l a z a m i e n t o p e r m a n e n t e d e p e r s o n a s , i m á g e n e s
y p r o d u c t o s t r a n s f o r m a el p l a n e t a e n u n v a s t o e s p a c i o d o n d e la a n t i ­
g u a d i c o t o m í a local/global h a s ido d e s a f i a d a p o r n u e v o s tipos d e flu­
jos d e g e n t e y tecnologías.
O. E n w e z o r se valió e n efecto d e D o c u m e n t a 11 p a r a m a nifestar
s u p a r t i c u l a r c o m e n t a r i o al s i g n i f i c a d o y f u n c i ó n d e l a r t e e n u n m u n d o
g l o b a l , p o s c o l o n i a l e i n t e r c o n e c t a d o , u n m u n d o d o m i n a d o p o r el « f i n
d e l a h i s t o r i a » , p o r el s u e ñ o d e l a « h i b r i d e z c u l t u r a l » d e s d e u n a p r o ­
p u e s t a d e desterritorizalición, es decir, e n u n a n i v e l a c i ó n d e m o c r a t i z a -
d o r a q u e i n c l u y e u n a i m p o r t a n t e p a r t i c i p a c i ó n d e las m i n o r í a s raciales
y d e a r t i s t a s al m a r g e n d e l s i s t e m a d e g a l e r í a s e i n s t i t u c i o n e s . P a r a
materializar s u s ideas, E n w e z o r se c e n t r ó s i m u l t á n e a m e n t e e n distin­
tas l í n e a s d e t r a b a j o : la d e l a r c h i v o , la d o c u m e n t a l , la política, la a n t r o -
p o l ó g i c o - e t n o g r á f i c a y la d e l c i n e d e e x p o s i c i ó n . A d e s t a c a r la « l í n e a
e t n o g r á f i c a » , e n s i n t o n í a c o n la a l t e r a l i d a d y l a n e c e s i d a d d e r e f e r e n -
c i a b i l i d a d c o n el c o n s i g u i e n t e d e s p l a z a m i e n t o d e l a r t e h a c i a la a n t r o ­
p o l o g í a y h a c i a la g e o g r a f í a , e n t e n d i d a s a m b a s c o m o u n s u b g é n e r o d e
la h i s t o r i a d e l a r t e . L a a n t r o p o l o g í a a p o r t a u n t r a b a j o c o n t e x t u a l ( e s
decir, n o a u t ó n o m o ) q u e l l e v ó a m u c h o s artistas a c o n c e b i r p r o y e c t o s
e t n o g r á f i c o s c o m o t r a b a j o s d e c a m p o inscritos 'en lo c o t i d i a n o , e n lo
D E L O G L O B A L

s i n c r ó n i c o y e n l o h o r i z o n t a l y b a s a d o s , e n la m a y o r í a d e l o s c a s o s , e n
la o b s e r v a c i ó n p a r t i c i p a n t e , a u n q u e s i n r e n u n c i a r a l o i n t e r p r e t a t i v o y
la b ú s q u e d a d e lo a l e g ó r i c o o lo s i m b ó l i c o , e n f u n c i ó n d e los casos. ¿ Y
q u é a p o r t a b a la g e o g r a f í a ? U n i n t e r é s p o r el l u g a r , p o r l u g a r e s n o
t a n t o f í s i c o s s i n o i d e n t i t a r i o s : el l u g a r c o m o u n c a m p o d e c o n o c i m i e n ­
t o, u n a z o n a d e i n t e r c a m b i o o d e d e b a t e c u l t u r a l , u n « l u g a r d i s c u r s i ­
v o » q u e n o s l l e v a a d e m á s a u n a n u e v a m o d a l i d a d d e a rtista: el a r t i s t a
n o c o m o h a c e d o r o p r o d u c t o r d e o b j e t o s s i n o « p r o g e n i t o r d e signifi­
cados».
E s t e g i r o e t n o g r á f i c o p o d í a v e r s e e n el t r a b a j o v i d e o g r á f i c o d e la
c i n e a s t a y f e m i n i s t a C h a n t a l A k e r m a n , q u e e n la v i d e o i n s t a l a c i ó n c o n
d i e c i n u e v e m o n i t o r e s F r o m t h e O t h e r S i d e ( 2 0 0 2 ) a b o r d a el t e m a d e l
d e s t i e r r o y la i n m i g r a c i ó n n o a u n n i v e l a b s t r a c t o , s i n o e n la f r o n t e r a
m e x i c a n o - e s t a d o u n i d e n s e ( A r i z o n a ) , h a c i e n d o r e f e r e n c i a a la s i t u a ­
c i ó n d e crisis d e c e n t e n a r e s d e m e x i c a n o s q u e i n t e n t a n e m i g r a r a E s t a ­
d o s U n i d o s y q u e incluso d e n o c h e son detenidos y tratados c o m o
p r i s i o n e r o s d e g u e r r a , o i n c l u s o m u e r t o s p o r r a n c h e r o s c o n rifles al
h o m b r o y m a g n u m s e n m a n o q u e d e c i d e n i m p o n e r c o n total i m p u n i ­
d a d s u s p r o p i a s leyé§. A tra vé s d e I n t e r n e t s e t r a n s m i t í a n i m á g e n e s e n
v i v o d e lo q u e o c u r r í a m i n u t o a m i n u t o e n diferentes p u n t o s d e esta
frontera.

R e c e p c i ó n crítica

K o b e n a M e r c e r , e n s u c o m e n t a r i o a D o c u m e n t a 1 1 \ c o m p a r ó el
e s f u e r z o d e s u c o m i s a r i o p o r c o n v e r t i r la e x p o s i c i ó n e n u n a e m p r e s a
intelectual c o n p a r e c i d o s esfuerzos d e C a t h e r i n e D a v i d e n D o c u m e n t a
1 0 ( 1 9 9 7 ) , a u n q u e s e ñ a l ó el p a s o a d e l a n t e d e E n w e z o r al c o r r e g i r a n t i ­
g u a s e x c l u s i o n e s p o r p a r t e d e l W e s t e r s n i s m . D e « e x h a u s t i v a » f u e cali­
f i c a d a la m u e s t r a p o r p a r t e d e J e a n - P a u l M a r t i n o n s , e x h a u s t i v i d a d
q u e n o p r o c e d í a d e l a e x p o s i c i ó n e n sí m i s m a — u n p r o y e c t o c u r a t o ­
rial d e g r a n c o r r e c c i ó n — s i n o d e l i n t e n t o d e p r e s e n t a r a l g o t o t a l m e n ­
t e i n c o m p r e n s i b l e , q u e el c r í t i c o c a r a c t e r i z a c o m o el u m b r a l i n m a n e n ­
t e d e l p r e s e n t e . D e e s t e m o d o , c o n c l u y e el c r í t i c o , la e x p o s i c i ó n
s u c u m b e a l a ú l t i m a u t o p í a , l a q u e c a p t a el u m b r a l i n m a n e n t e d e l
i n f i n i t o c o m p l e j o d e l p a s o d e l t i e m p o e n la t i e r r a , l o c u a l s e h a c e e v i ­
d e n t e e n el u s o c u r a t o r i a l d e t é r m i n o s q u e e m p i e z a n c o n el p r e f i j o
« t r a n s » (transiciones, t r a n s f o r m a c i o n e s , transnacional, t r a n s g e n e r a ­
c i o n a l , t r a n s m i g r a t o r i o , t r a n s d i s c i p l i n a r , etc.), m a n i f e s t a c i ó n d e q u e l o
q u e se i m p o n e e n D o c u m e n t a es a q u e l l o q u e p e r m a n e n t e m e n t e se des-
LA FRICCIÓN L OCAL-GLOBAL 139

p l a z a d e u n l u g a r otro. P o r s u parte, S t e w a r t M a r t i n 9 n o d u d ó e n c o n ­
s i d e r a r D o c u m e n t a 1 1 u n o d e l o s a c o n t e c i m i e n t o s m á s r a d i c a l e s e n la
h i s t o r i a d e la p r á c t i c a p o s c o l o n i a l , a u n q u e a p u n t ó q u e s u r a d i c a l i d a d
t e n í a p o c o q u e v e r c o n las v a n g u a r d i a s h i s t ó r i c a s y s u s p r o m e s a s d e
u n a p r o f u n d a t r a n s f o r m a c i ó n e n la e s f e r a d e l a s r e l a c i o n e s s o c i a l e s . A
s u j u i c i o , la n o v e d a d d e D o c u m e n t a 1 1 s e r í a m á s c u r a t o r i a l y, e n ú l t i m o
t é r m i n o , u n h i t o e n el d e s a r r o l l o n o s ó l o d e los d i s c u r s o s p o s c o l o n i a l e s
s i n o d e la p r á c t i c a a r t í s t i c a p o s c o l o n i a l .
Y c o m o p o r o t r o l a d o a p u n t a S y l v e s t e r O k w u n o d u O g b e c h i e 10,
D o c u m e n t a 1 1 t r a n s f o r m ó las p r á c t i c a s críticas y c u r a t o r i a l e s d e l a r t e
c o n t e m p o r á n e o al i n v e s t i g a r l a s p o s i b i l i d a d e s d e u n a a c c i ó n p o l í t i c a
e n la e r a p o s t e r i o r al « f i n d e l a r t e » : O g b e c h i e c a l i f i c a a e s t a a c c i ó n d e
« p o l í t i c a d e la i d e n t i d a d » , e n t e n d i e n d o p o r tal u n a a m p l i a g a m a d e a c t i ­
v i d a d e s políticas f u n d a d a s e n las e x p e r i e n c i a s d e injusticia c o m p a r t i d a s
p o r m i e m b r o s d e ciertos g r u p o s sociales c o n u n a d o b l e intención:
p r i m e r o s a l i r s e d e l o s c i r c u i t o s p r e d e t e r m i n a d o s p o r el c a n o n o c c i ­
d e n t a l y s e g u n d o n o p o n e r el a c e n t o , c o m o sí l o h a b í a h e c h o M a g i á e n s ,
e n c u e s t i o n e s r e l a t i v a s a la e t n i c i d a d . Y s i e m p r e d e n t r o d e u n d i s c u r s o
i n clusivo q u e c o n f r o n t a b a lo ético c o n Ids límites d e l p o d e r o c c i d e n t a l
y s u i m p a c t o e n l o s d i s c u r s o s c o n t e m p o r á n e o s d e la g l o b a l i z a c i ó n . S e
p o d r í a c o n c l u i r , a j u i c i o d e O g b e c h i e , a f i r m a n d o q u e la v e r d a d e r a
c o n t r i b u c i ó n d e E n w e z o r n o fue sólo localizar « u n a espectacular dife­
r e n c i a » s i n o h a c e r l o e n u n p l a n o i n t e l e c t u a l y é t i c o , c o n v i r t i e n d o la
e x p o s i c i ó n e n u n a d o c u m e n t a c i ó n literal d e d i f e r e n t e s e s p a c i o s d e
t r a u m a . D e a h í la p r e s e n c i a ju s t i f i c a d a d e i m á g e n e s p r o y e c t a d a s : films,
v í d e o s e i n s t a l a c i o n e s d i g i t a l e s c o n el c o m ú n d e n o m i n a d o r d e p l a n ­
t e a r c u e s t i o n e s a c e r c a d e l a n a t u r a l e z a d e la r e a l i d a d c o n t e m p o r á n e a ,
d e d e t e c t a r el l u g a r d e l o s g r u p o s m a r g i n a d o s d e n t r o d e l n u e v o o r d e n
m u n d i a l y d e h a c e r u n a s u e r t e d e c r ó n i c a d e l a d e g r a d a c i ó n d e la v i d a
p o l í t i c a y c u l t u r a l e n c o m u n i d a d e s e n e s t a d o d e sitio. M u c h a s d e l a s
i m á g e n e s proyectadas incluían m a r c a d o r e s d e fragmentación y c o n ­
flicto, c o m o i m á g e n e s d e h o m b r e s y m u j e r e s a r m a d o s , p o b l a c i o n e s
d i s l o c a d a s y l u g a r e s d e v a s t a d o s p o r la v i o l e n c i a .
C o m o sostiene O g b e c h i e , D o c u m e n t a 11 se valió d e estas i m á g e ­
n e s d e c o n f l i c t o p a r a t e o r i z a r s o b r e el d e s o r d e n c o m o l a n u e v a n o r m a
d e la e x i s t e n c i a c o n t e m p o r á n e a a t r a v é s d e u n a s e r i e d e t r a b a j o s a r t í s ­
ticos d e d i c a d o s a d o c u m e n t a r l i t e r a l m e n t e t o d a s las distintas facetas
d e la e x p e r i e n c i a h u m a n a c o n e s p a c i o s o c u p a d o s p o r u n a s u p e r p o s i ­
c i ó n d e d e t r i t u s p r o c e d e n t e s d e la c u l t u r a u r b a n a , l o c u a l s u p o n í a p o r
p a r t e d e m u c h o s d e los artistas p r e s e n t e s e n D o c u m e n t a u n c l a r o c o m ­
p r o m i s o c o n u n a v i s i ó n s o c i a l a l i m e n t a d a e n l¿i j u s t i c i a y e n la é t i c a ,
D E L O G L O B A L

a u n q u e m o s t r a d a , e s o sí, d e u n a m a n e r a c l í n i c a , p r o p i a d e l o s e s p a c i o s
e x p o s i t i v o s d e l P r i m e r M u n d o . Y l o q u e e s t á c l a r o e s q u e , m á s a llá d e l
h e c h o d e si l a D o c u m e n t a f u e o n o u n a n u e v a « a p r o p i a c i ó n d e l o t r o »
d e s d e O c c i d e n t e , l o c i e r t o e s q u e m u c h a s d e las o b r a s e x p u e s t a s c u e s ­
t i o n a r o n c l a r a m e n t e el e t n o c e n t r i s m o o c c i d e n t a l o p o n i é n d o s e a s u s
e x p a n s i v a s esferas d e influencia. N u m e r o s a s obras, c o m o p o r e j e m p l o
la d e J e f f W a l l , p a r e c í a n a f i r m a r q u e m u c h a s e s t r u c t u r a s d e o p r e s i ó n ,
a u n q u e o p e r a b a n en macroniveles, pod ía n n o obstante tener conse­
c u e n c i a s m u y l o c a l e s . E s el c a s o d e l a f o t o g r a f í a d e J e f f W a l l I n v i s i b l e
M a n ( 2 0 0 0 ) , b a s a d a e n la n o v e l a h o m ó n i m a e s c r i t a e n 1 9 5 2 p o r el
a u t o r y crítico literario e s t a d o u n i d e n s e R a l p h E l l i s o n ( 1 9 1 4 - 1 9 9 4 ) , u n
t e x t o n a r r a d o e n p r i m e r a p e r s o n a p o r el p r o t a g o n i s t a , u n s i n n o m b r e
a f r o a m e r i c a n o q u e s e c o n s i d e r a a sí m i s m o s o c i a l m e n t e i n v i s i b l e , b á s i ­
c a m e n t e p o r el h e c h o d e q u e l a g e n t e l o v e c o m o u n e s t e r e o t i p o y n o
c o m o u n a p e r s o n a real. W a l l , b a s á n d o s e e n la l e y J i m C r o w , q u e d i s ­
c r i m i n a b a a los n e g r o s , r e c r e a c o n m i n u c i o s o d e t a l l e la m o r a d a s u b t e ­
r r á n e a d e l p r o t a g o n i s t a d e la n o v e l a d e E l l i s o n , u n e s p a c i o d o n d e s u b ­
s i s t e r o d e a d o p o r m á s d e m i l b o m b i l l a s , e n c e n d i d a s g r a c i a s a la
e l e c t r i c i d a d r o b a d a d e u n a c o m p a ñ í a estatal. R e c o n o c e m o s el p o d e r
d e l i n q u i l i n o s u b t e r r á n e o , p e r o e s t a m o s h o r r o r i z a d o s p o r el r a c i s m o
q u e le m a n t i e n e e n l o s u b t e r r á n e o r e f o r z a n d o a ú n m á s la i d e a d e s u
i n v i s i b i l i d a d . L a s b o m b i l l a s , e n c e n d i d a s t o d o el t i e m p o , r e f l e j a n u n
i m p u l s o p o r parte del protagonista d e narrar su propia vivencia para
a s e g u r a r así u n a e x i s t e n c i a p r e c a r i a q u e p u e d e s e r b o r r a d a p a r a s i e m ­
p r e si l a c o m p a ñ í a d e s c u b r e s u r o b o y le c o r t a el s u m i n i s t r o e l é c t r i c o .
C o m o s o s t i e n e O g b e c h i e , d e la m i s m a m a n e r a q u e la n o v e l a d e E l l i ­
s o n e s t á p l a g a d a d e m e t á f o r a s y r e f e r e n c i a s al j a z z d e L o u i s A r m -
s t r o n g o a la m ú s i c a « b l u e s » d e l c a n t a n t e W i l l i a m B u n c h — q u e e n los
a ñ o s t r e i n t a a d o p t ó e l n o m b r e d e P e t e r o P e e t i e W h e a t s t r a w — , la
i n s t a l a c i ó n d e W a l l e s u n a e x c e l e n t e m e t á f o r a d e la c o n d i c i ó n d e l o s
s u j e t o s n o o c c i d e n t a l e s e n el d i s c u r s o d e l a g l o b a l i z a c i ó n 11.
T r a s D o c u m e n t a 11, y p a r a l e l a m e n t e a las b i e n a l e s periféricas,
p a r e c í a q u e el m u n d o d e l a r t e e s t a b a b á s i c a m e n t e f o c a l i z a d o e n d o s
g r a n d e s c ue st io n es : p o r u n lado, los n u e v o s r e c o r r i d o s g e o g r á f i c o s
q u e s e g u í a n d e c e r c a los c o n c e p t o s i m p l a n t a d o s p o r I m m a n u e l
Wallerstein e n Geopolitics a n d Geoculture: Essays o n the C h a n g i n g
W o r l d S y s t e m ( 1 9 9 1 ) 12, y p o r o t r o , l a s c u e s t i o n e s r e l a t i v a s a m i g r a c i ó n ,
c u l t u r a e i d e n t i d a d i n m e r s a s e n las n u e v a s m a n e r a s d e h a b i t a r d e s d e
las m ú l t i p l e s p e r i f e r i a s los l u g a r e s d e las m e t r ó p o l i s , e n l o q u e M a r y
L o u i s e P r a t t 13 d e n o m i n a « z o n a s d e c o n t a c t o » , z o n a s c u y a s c u l t u r a s y
p o b l a c i o n e s e s t á n s e p a r a d a s p o r l a g e o g r a f í a , p o r la h i s t o r i a y p o r la
LA FRICCIÓN L O CAL-GLOBAL 141

pertenencia a u n g r u p o h u m a n o o a u n a etnia p e r o q u e están obliga­


das a cohabitar — s i e m p r e e n u n contexto d e fuerzas d e inigualdad—
y, c o n s e c u e n t e m e n t e , a e s t a b l e c e r r e l a c i o n e s d e t r a d u c c i ó n u n o s c o n
otros.

El efecto Kassel

A p a r t i r d e l m o d e l o d e l a D o c u m e n t a 1 1 d e K a s s e l , la p r i m e r a e x p o s i ­
c i ó n r e a l m e n t e g l o b a l y u n a d e l a s p i o n e r a s e n el á m b i t o d e l a s « e x p o ­
s i c i o n e s i d e n t i t a r i a s » 14, el m u n d o d e l a r t e h a v i s t o c ó m o p r o l i f e r a b a n
p o r d o q u i e r e x p o s i c i o n e s a g r a n e s c a l a n o s ó l o p a r a facilitar u n m e j o r
c o n o c i m i e n t o d e l o s m o v i m i e n t o s a r t í s t i c o s al p ú b l i c o g l o b a l a t r a v é s
del u s o s i m b ó l i c o y del i n t e r c a m b i o d e f o r m a s e ideas d e u n arte inter­
n a c i o n a l a v a n z a n d o , s i n o p a r a p r o p a g a r u n a cierta v o l u n t a d d e arte
g l o b a l q u e n o e s c o n d a las a s i m é t r i c a s r e l a c i o n e s d e p o d e r e n las p r á c ­
t i c a s i n s t i t u c i o n a l e s . Y al h a c e r l o , e s t a s e x p o s i c i o n e s b u s c a n n o s ó l o
i n c o r p o r a r l o s e s p a c i o s p e r i f é r i c o s d e la p r o d u c c i ó n c u l t u r a l ( v é a s e las
b i e n a l e s p e r i f é r i c a s ) s i n o s e r u n fiel reflejo- d e l o s c o m p l e j o s m a p a s
s o c i a l e s y c u l t u r a l e s d e t o d a s l a s s o c i e d a d e s g l o b a l i z a d a s , a la p a r q u e
p r o p o r c i o n a r al e s p e c t a d o r u n n u e v o e s p a c i o , n o el d e l a r t e y l a c u l t u ­
ra nacionalista, s ino u n e s p a c i o abierto p a r a c on t e s t a c i o n e s y d el ib er a ­
ciones.
N o es e x t r a ñ o , e n este s e n t i d o , q u e tras D o c u m e n t a 1 1 a l g u n a s
c i u d a d e s e n l as a n t í p o d a s d e l a g e o g r a f í a g l o b a l , c o m o S i n g a p u r , L i n z ,
G r a z y V a n c o u v e r , e n las e x p o s i c i o n e s S ite + Sight, T r a n s l a t i n g C u l t u ­
r e s l5, D e r g l o b a l e K o m p l e x / T h e G l o b a l C o m p l e x 16 y H o m e a n d A i u a y :
C r o s s i n g C u l t u r e s o n t h e P a c i f i c R i m 17 , p r e s e n t a r a n p a r t i c u l a r e s a s p e c ­
tos d e u n a p e r c e p c i ó n del m u n d o global y d e u n a s o c i e d a d globaliza-
da. L a e x p o s i c i ó n Site + Sight: Translating C u l t u r e s situó a S i n g a p u r
c o m o el c e n t r o ( t h e site) e i n v i t ó a v e i n t i s é i s a r t i s t a s d e d i e z p a í s e s d e
t o d o el m u n d o a e x p r e s a r , a t r a v é s d e i n s t a l a c i o n e s s i t e specific, s u s
i n t e r p r e t a c i o n e s , s u m i r a d a (the sight) d e la g l o b a l i z a c i ó n p l a n t e a n d o
la s i g u i e n t e c u e s t i ó n : ¿ R e s u l t a r á l a g l o b a l i z a c i ó n d e l a a s i m i l a c i ó n d e
i d e n t i d a d e s c u l t u r a l e s d e n t r o d e u n ú n i c o y h o m o g é n e o t o d o o la i d e n ­
tidad cultural será a p reciada y desarrollada a c a u s a d e u n a f u n d a m e n ­
tal n e c e s i d a d p a r a la d i f e r e n c i a ? P o r s u p a r t e , H o m e a n d A w a y : C r o s ­
s i n g C u l t u r e s o n t h e P a c i f i c R i m , p r e s e n t a d a e n la V a n c o u v e r A r t
G a l l e r y e n 2 0 0 3 , se s u m ó a este espíritu del t i e m p o c o n u n a selección
d e t r e i n t a y u n a o b r a s ( g r a n d e s i n s t a l a c i o n e s ) d e seis artistas i n t e r n a ­
c i o n a l e s , l a i n d o n e s i a F i o n a T a n , el c o r e a n o D o - H o S u h , el c h i n o Y i n
142 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

X i u z h e n , la c o r e a n a J i n - m e Y o o n , la e s t a d o u n i d e n s e S h a r o n L o c k h a r t
y el j a p o n é s J u n N g u y e n - H a t s u s h i b a , d e dis ti nt a s f o r m a c i o n e s , l u g a ­
res d e p r o c e d e n c i a e historias personales, q u e vivían y t r a b a j a b a n e n
l o s t e r r i t o r i o s q u e b o r d e a b a n el o c é a n o P a c í f i c o (P a c i f i c R i m ) y q u e s e
p l a n t e a r o n c o n c e p t o s c o m o los d e h o g a r y n a c i ó n , i d e n t i d a d cultural,
d i á s p o r a e i n t e r s e c c i ó n m a n t e n i e n d o u n v i v o d i á l o g o c o n el m u n d o a
t r a v é s d e l P a c í f i c o . B u e n e j e m p l o d e ello f u e la v i d e o i n s t a l a c i ó n d e d o s
pantallas d e F i o n a Tan, Saint Sebastian (2001), q u e registraba u n a
a n t i g u a c e r e m o n i a d e m a y o r í a d e e d a d e n K i o t o e n l a q u e la a r t i s t a
a d o p t a b a u n a i d e n t i d a d e n c o n f l i c t o : p a r t e turista, p a r t e c i n e a s t a
d o c u m e n t a l , p a r t e a rtista. O t a m b i é n el f i l m y l a s e r i e d e f o t o g r a f í a s
relacionadas d e S h a r o n Lockart, Teatro A m a z o n a s (1999), c u y o v í n c u ­
l o c o n l as t r a d i c i o n e s d e la e t n o g r a f í a , d e l f i l m d o c u m e n t a l , d e l a f o t o ­
g r a f í a y d e l a r t e c o n c e p t u a l p r o d u c í a , c o m o e n el c a s o d e F i o n a T a n ,
u n t r a b a j o q u e p l a n t e a b a c u e s t i o n e s f u n d a m e n t a l e s a c e r c a d e la n a t u ­
r a l e z a c a m b i a n t e d e la i d e n t i d a d c u l t u r a l .
U n o d e los p r i n c i p a l e s d e s a f í o s p a r a artistas q u e v i v e n e n c o n f i g u ­
r a c i o n e s g l o b a l e s , a juicio d e l c u r a d o r d e la m u e s t r a B r u c e G r e n v i l l e ,
c o n s i s t e e n m a n t e n e r e l s e n t i d o d e u n o m i s m o v i n c u l a d o c o n el l u g a r
d e o r i g e n , s i n d e j a r d e e v a l u a r c r í t i c a m e n t e l a m o v i l i d a d y la f l u i d e z
características d e n u e s t r o t i e m p o . L a s i m á g e n e s y obj et os d e esta
e x p o s i c i ó n l l e g a n e n u n p e r í o d o crítico, c u a n d o t o d o s s o m o s t estigos
d e q u e l a e s c a l a d e l o g l o b a l h a c a m b i a d o el s e n t i d o d e « h o g a r » y
« a f u e r a » . Y si e n a l g u n a o c a s i ó n e s t o s t é r m i n o s p o d í a n s e r a l i e n a d o s
c o n o t r a s n o c i o n e s d e ser, p o r e j e m p l o « y o y e l o t r o » , « r e a l y f a l s o » ,
« t o d o y p a r t e » , a h o r a la i d e a d e l o singu la r , d e l m o v i m i e n t o d e u n
l ug ar o c o n d i c i ó n a o t r o p a r e c e c a d a v e z m á s r e m o t o . S e h a escrito
m u c h o d e este e s p a c i o in b e t w e e n , u n e s p a c i o d e h i b r i d a c i ó n , u n ter­
cer e s p a c i o q u e es u n e s p a c i o d e t r a d u c c i ó n y n e g o c i a c i ó n ; n o o b s t a n ­
te, tal c o m o s u g i e r e el c u r a d o r , l a s o b r a s d e l a e x p o s i c i ó n s u g i e r e n
o t r o s m o d o s : c a d a artista o f r e c e u n a i m a g e n , u n a t o m a d e c o n c i e n c i a
d e algo n u e v o q u e a p a r e c e ante n os o t r o s p e r o n o p u e d e ser c o n t e n i d o
e n los c o n c e p t o s tradicionales d e h o g a r y afuera. E s t a i m a g e n es u n
f a n t a s m a q u e p e r s i g u e la m e m o r i a d e l a r t i s t a y h a b i t a el e s p a c i o d e la
galería. S u p r e s e n c i a está m a r c a d a p o r u n d u p l i c a d o , u n a r epetición,
u n a u nc a n n y , presencia q u e enlaza h o g a r y afuera a través del d e s e o y
d e l t e r r o r 18.
P o r s u p a r t e , e n la d o b l e m u e s t r a r e a l i z a d a e n d o s c i u d a d e s a u s ­
tríacas, L i n z y G r a s z , T h e G l o b a l C o m p l e x ( 2 0 0 2 ) , los c u r a d o r e s
Christa S c h n e e b a u e r y Rainer Z e n d r o n b u s c a r o n crear u n a analogía
e n t r e el t é r m i n o c o m p l e x ^ c o m o a l g o c o m p l i c a d o , m u l t i c o n t e x t u a l y
LA FRICCIÓN LOCAL- G LO B AL 143

c o n j u n t i v o , y el d e g l o b a l i z a c i ó n , c o m o u n c ó d i g o d e l a z e i t g e s t . ¿ E l
r e s u l t a d o ? E s t e g l o b a l c o m p l e x c o m o u n a a m a l g a m a q u e f a v o r e c e el
e n c u e n t r o e n t r e el a m p u l o s o g e s t o h a c i a l a s o c i e d a d m u n d o t a n t o d e
u n a f o r m a s e r i a c o m o i r ó n i c a . D e a h í n o t a n t o la a p u e s t a p o r e n f a t i z a r
la c u e s t i ó n d e q u e t o d o e s t á i n t e r c o n e c t a d o e n t r e sí c o m o la n e c e s i d a d
d e p r e s e n t a r u n c o n j u n t o d e ú n i c o s y s e g m e n t a r i o s a s p e c t o s d e la p e r ­
c e p c i ó n m o d e r n a d e l m u n d o , m á s a llá d e t o d a d i c o t o m í a b i p o l a r ( y o /
otro, v í c t i m a / p e r p e t r a d o r , oriente/occidente, m u n d o c i v i l i z a d o / m u n -
d o p e r i f é r i c o ) 19.
C o n la p r e s e n c i a d e F l o r i a n P u m h ó s l , J u n Y a n g , S i l k e W a g n e r ,
S i m ó n S t a r l i n g y S U P E R F L E X e n l a G r a z e r K u n s t v e r e i n d e G r a z , la
r e f e r e n c i a a la « d e r i v a c o n t i n e n t a l » (c o n t i n e n t a l drift) a l u d í a d i r e c t a ­
m e n t e al g e o f í s i c o a l e m á n A l f r e d W e g e n e r , q u e e n l a d é c a d a d e l o s
a ñ o s v e i n t e i d e ó la t e o r í a d e l a « t e c t ó n i c a d e l a s p l a c a s » ( d e l g r i e g o
t e k t o n i c ó s , « e l q u e c o n s t r u y e » ) , u n a t e o r í a g e o l ó g i c a q u e e x p l i c a la
f o r m a e n q u e e s t á e s t r u c t u r a d a l a l i t o s f e r a (la p o r c i ó n e x t e r n a m á s f r í a
y r í g i d a d e la T i e r r a ) y q u e los c u r a d o r e s d e G r a z u t i l i z a r o n c o m o u n a
m e t á f o r a p a r a r e f e r i r s e a la e n o r m e e n e r g í a q u e d i v i d e el m u n d o e n u n
p r i m e r , s e g u n d o , tercer e i n c l u s o c u a r t o n > u n d o s — casi t a n t o s m u n ­
d o s c o m o c o n t i n e n t e s — d e b i d o a la d e s i g u a l e i n j u s t a d i s t r i b u c i ó n d e
fuentes y recursos.
Y es p r e c i s a m e n t e esta i n c a p a c i d a d p a r a h a c e r frente a los c a m ­
b i o s y d e r i v a s el t e m a d e la m u e s t r a d e G r a z , c o n a r t i s t a s c o m o S i m ó n
S t a r l i n g , q u e , al c o n d u c i r u n v i e j o F i a t 1 2 6 ( c o n p a r t e s p r o d u c i d a s e n
T ur ín y otras e n P o l o n i a e n 1972) d e ida y vuelta entre T u r í n y Polonia,
t r a t a b a d e d e m o s t r a r l a s e s t r a t e g i a s a l t e r a d a s e n la p r o d u c c i ó n e c o n ó ­
m i c a . M i e n t r a s q u e la f o r m a c i ó n d e la i d e n t i d a d c u l t u r a l e s d e s a r r o l l a ­
d a e n u n l u g a r , el p r o c e s o d e t r a b a j o s e c o n t r a t a a p a í s e s c o n b a j o
salario. P a r a d ó j i c a m e n t e , los i n t e r e s e s n a c i o n a l i s t a s s e d e s p l a z a n a u n
p r i m e r p l a n o j u s t o e n el m o m e n t o e n q u e l a s f r o n t e r a s p i e r d e n s u
s i g n i f i c a d o , al m e n o s d e s d e el p u n t o d e v i s t a d e la p r o d u c c i ó n e c o n ó ­
m i c a , tal c o m o r e c o n o c e N a o m i K l e i n , s e g ú n l a c u a l l as g r a n d e s c o r ­
p o r a c i o n e s s i g u e n i n t e r e s a d a s e n la m u l t i n a c i o n a l i d a d , s i m p l e m e n t e
p a r a e n f r e n t a r a u n o s e s t a d o s n a c i o n a l e s c o n t r a los otros. E l país q u e
o f r e c e las c o n d i c i o n e s m á s v e n t a j o s a s , las t asas d e i m p u e s t o s m á s
r e d u c i d a s y los m á s b a j o s b e n e f i c i o s sociales es u n l u g a r atractivo p a r a
l o s s i t i o s d e p r o d u c c i ó n 20. D e s d e o t r o p u n t o d e v i s t a , a p a r t i r d e u n a
i n v e s t i g a c i ó n h i s t ó r i c a , F l o r i a n P u m h ó s l , e n la o b r a H w n a n i s t i c a n d ,
E c o l o g i c a l R e p u b l i c ( 2 0 0 0 ) , tras i n v e s t i g a r l o s p r e r r e q u i s i t o s y el signi- "
ficado del v o c a b u l a r i o del arte m o d e r n o e n sus instalaciones espacia­
les ( p o r e j e m p l o , d i s e ñ o s d e p l a n e s a r q u i t e c t ó n i c o s c a l i f i c a d o s d e u t ó -
144 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

p i c o s ) , b u s c ó a p o r t a r l u z a las e s t r a t e g i a s d e la c o l o n i z a c i ó n y los
i n t e r e s e s d e l o s c o l o n i z a d o r e s q u e s e e s c o n d e n t r a s ellas.
P o r s u parte, e n la e x p o s i c i ó n d e L i n z , T h e I n c o m p a t i b i l i t y o f
V i e w p o i n t s , c o n la p r e s e n c i a d e artistas c o m o A n n e y P a t r i c k Poirier,
Cildo Meireles, D a n i c a Dakic, J u n Y a n g , Peter Friedl y R e n e é G r e e n ,
s e p l a n t e ó la g l o b a l i z a c i ó n e n s u s p u r a s c o n t r a d i c c i o n e s : u n n i v e l ofi­
cial d o m i n a d o p o r las c o r p o r a c i o n e s t r a n s n a c i o n a l e s e n c o n s t a n t e
e x p a n s i ó n y u n nivel s u b t e r r á n e o constituido p o r u n n e t w o r k d e c o n ­
t a c t o s y e n c u e n t r o s n o oficiales. E n e s t e c o n t e x t o d e s t a c ó la v i d e o i n s ­
talación d e R e n é e G r e e n , W a v e l i n k s (un p r o y e c t o iniciado e n 1 9 9 9 y
e n p r o g r e s o ) , q u e , a p a r t i r d e las i n t e r a c c i o n e s e n t r e la g e n t e y la m ú s i ­
c a e l e c t r ó n i c a , p e n e t r a b a e n el t e r r e n o d e l a t e o r í a c u l t u r a l y d e la
t e o r í a d e l o s m e d i a y la c o m u n i c a c i ó n p a r a h a c e r s e e c o d e e s t o s
e n c u e n t r o s c o n t r a r i o s d e n t r o d e la g l o b a l i z a c i ó n . L a a c t u a l c u l t u r a
e l e c t r ó n i c a p a r e c e p r o m o v e r el h e c h o d e r e c u r r i r a a r c h i v o s d e s o n i d o
y a g é n e r o s p r o t o e l e c t r ó n i c o s d e la m i s m a m a n e r a q u e las h i s t o r i a s d e l
pasado cada vez m á s frecuentemente son objeto d e u n a manipulación
digital. N o o b s t a n t e , la g l o b a l i z a c i ó n p r o d u c e t a m b i é n o t r o s n i v e l e s
d e r e s o n a n c i a : la p e r m a n e n t e d e m a n d a d e n u e v a s , e x t e r n a s y f r e s c a s
p r o d u c c i o n e s a c e l e r a la e m e r g e n c i a d e e s c e n a s periféricas, q u e s o n
i g u a l e s a las a n t i g u a s m e t r ó p o l i s e n t é r m i n o s d e i m a g e n y p r o d u c c i ó n .
W a v e l i n k s , e n esta m e z c l a d e s o n i d o y a c t i v i s m o , traza, e n definitiva,
las n u m e r o s a s e i n t r i n c a d a s c o n e x i o n e s e n t r e los m á s d i v e r s o s n i v e l e s
d e r e s o n a n c i a d e l s o n i d o , n o c o m o u n n o b l e f a n t a s m a d e la g l o b a l i z a ­
ción, sino m á s b i e n c o m o u n a m a n e r a d e anclarla g e ográfica e históri­
camente.

L o c o n t e m p o r á n e o global

C o m o s e h a p o d i d o c o n s t a t a r , la g l o b a l i z a c i ó n y s u s e f e c t o s e n t o d a s
l a s á r e a s d e la s o c i e d a d h a n s i d o el l e i t m o t i v d e u n b u e n n ú m e r o d e
p r o y e c t o s c u r a t o r i a l e s e n la p r i m e r a d é c a d a d e l si g l o X X I . D e ellos, sin
d u d a T h e G l o b a l C o n t e m p o r a r y , c e l e b r a d o e n el Z K M / C e n t e r f o r A r t
a n d M e d i a e n K a r s l r u h e e n 2 0 1 1 21 ( c o n u n e p í l o g o e n B e r l í n e n
2 0 1 3 22), e s el q u e a p a r e n t e m e n t e h a p r o p o r c i o n a d o u n a p r i m e r a c o n ­
c l u s i ó n d e q u e las p r á c t i c a s artísticas c o n t e m p o r á n e a s h a n e x p e r i m e n ­
t a d o los « e f e c t o s » o las « p e r c e p c i o n e s » d e u n a g l o b a l i z a c i ó n q u e
p a r e c e h a b e r c o n s u m a d o , d e la m a n o d e l o s d i f e r e n t e s p r o t a g o n i s t a s
d e l s i s t e m a d e l a r t e y s u s i n s t i t u c i o n e s , la c risis d e l c o n c e p t o o c c i d e n ­
tal d e a r t e b u s c a n d o n u e v a s " a u d i e n c i a s d e l a r t e , a l g u n a s d e e l l a s d e n -
LA FRICCIÓN L O CAL-GLOBAL 145

tro d e u n a s t r a d i c i o n e s locales q u e n u n c a h a b í a n s i d o filtradas a través


d e la I l u s t r a c i ó n d e l a e r a m o d e r n a .
T h e G l o b a l C o n t e m p o r a r y a s u m í a u n p r e s e n t e e n el q u e n o s ó l o
u n a p r o p a g a c i ó n d e l a s b i e n a l e s p o r t o d o el m u n d o h a b í a c a m b i a d o
p a r a s i e m p r e la g e o g r a f í a c o n t e m p o r á n e a d e l arte, o u n a n u e v a g e n e ­
r a c i ó n d e artistas p r o c l a m a b a u n a c o e t a n e i d a d e n u n a « l e n g u a c o m ú n »
(k o i n é ) m u n d i a l d e l a r t e , s i n o u n p r e s e n t e p a r a e l q u e el a r t e s e p r e s e n ­
t a b a a sí m i s m o c o m o « c o n t e m p o r á n e o » e n u n s e n t i d o c r o n o l ó g i c o ,
s i m b ó l i c o e i n c l u s o i d e o l ó g i c o . Y e n e s t e s e n t i d o , m á s allá d e u n ú n i c o
m u n d o d e l a r t e , s e i m p o n í a la e m e r g e n c i a , s i g u i e n d o l a s r e f l e x i o n e s d e
M a r c A u g é 23, d e « m ú l t i p l e s m u n d o s d e l a r t e » q u e c o e x i s t í a n y c o m p e ­
tía n c o m o c o n s e c u e n c i a d e la « p r á c t i c a g l o b a l » d e l a r t e c o n t e m p o r á ­
neo. Y c o m o a p u n t a b a n H a n s Belting y A n d r e a B u d d e n s i e g e n u n o d e
los textos del catálogo:

L a realidad global, d e h e c h o , y a n o es s i n ó n i m o del t é r m i n o m u n d o ,


sino q u e está c o m p u e s t a d e u n a m u l tiplicidad d e m u n d o s . E s t a c o n ­
clusión n o sólo es válida p a r a s o ci e d a d e s y culturas e n general, sino
q u e i n c l u y e l o s r e c i e n t e m e n t e e s t a b l e c i d o s m u n d o s d e l arte. L a m u l t i ­
p l i c i d a d r e s u l t a n t e d e e s t o s m u n d o s s e d x p l i c a e n p a n e p o r el h e c h o
d e q u e la p r o d u c c i ó n artística s e e s t á c o n v i n i e n d o c a d a v e z m á s e n
u n a p r o d u c c i ó n c u l t u r a l , e n e s p e c i a l e n a q u e l l o s l u g a r e s e n l o s q u e el
a r t e s i g u e s i e n d o u n a n u e v a e x p e r i e n c i a y n e c e s i t a el s o p o r t e d e las
p r o d u c c i o n e s l o c a l e s d e c a r á c t e r v i s u a l 24.

D a n d o p o r s e n t a d o q u e la g l o b a l i z a c i ó n h a b í a c r e a d o u n n u e v o m a p a
d e l arte, s e i m p o n í a a h o r a la n e c e s i d a d d e s a b e r c ó m o d e b í a s e r d i b u ­
j a d o e s t e m a p a y q u é d e b e r í a s e r s e ñ a l a d o e n él. D e a h í la p r o l i f e r a ­
ción d e n u e v a s regiones d e carácter transnacional, c o m o Asia-Pacífico
u O r i e n t e M e d i o , d e n u e v a s b i e n a l e s e n las q u e l o s t r a v e l i n g c u r a t o r s •
o p e r a n c o m o agentes globales y e x h i b e n u n a m e z c l a d e arte regional e
internacional a u n a audiencia cosmopolita y d e n u e v o s protagonistas
q u e la e x p o s i c i ó n s e e n c a r g ó d e m o s t r a r t a n t o e n f o r m a t o d o c u m e n t a l
c o m o t e x t u a l y o b j e t u a l e n las tres m a c r o s e c c i o n e s e n las q u e s e d i v i ­
d i ó y e n el c o r r e s p o n d i e n t e c a t a l o g o : la R o o m o f H i s t o i r e s , c o n d o c u ­
m e n t a c i ó n d e arte gl o b a l , la p r o d u c c i ó n e p i s t e m o l ó g i c a , q u e se c o n ­
c r e t ó e n d i v e r s o s t e x t o s i n c l u i d o s e n el c a t á l o g o e n los q u e s e i n t e n t ó
c o n s o l i d a r l a f i g u r a d e l c u r a d o r c o m o e t n ó g r a f o y e n t e r c e r l u g a r la
p r e s e n t a c i ó n d e la p r o d u c c i ó n visual ( E i g h t V i e w s f r o m a n E x h i b i t i o n )
d e u n a serie d e artistas b á s i c a m e n t e e s c o g i d o s p o r s u s a p o r t a c i o n e s a
l a s u n i d a d e s t e m á t i c a s e n l a s q u e s e d e s g l o s ó p r o p i a m e n t e la e x p o s i ­
c i ó n y q u e i n c l u í a n a s p e c t o s r e l a c i o n a d o s c o n la t r a d u c c i ó n , c o n las
146 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

f r o n t e r a s , c o n la n u e v a e c o n o m í a y l o s n u e v o s m e r c a d o s , c o n l o s g a b i ­
netes d e c u r i o s i d a d e s o los relatos biográficos.
E n e s t e s e n t i d o , la m u e s t r a s u p u s o u n a c o n s i d e r a b l e r e n o v a c i ó n
d e l o s d i s p l a y s e x p o s i t i v o s al m e z c l a r l o e s t é t i c o - c o n t e m p l a t i v o c o n
lo p e d a g ó g i c o - i n f o r m a c i o n a l . C r o n o l o g í a s , m a p a s , cartografías, p a n e ­
les i n f o r m a t i v o s y p l a n o s d e estadísticas, es decir, m e d i o s gráficos,
c o n f o r m a r o n la d e n o m i n a d a R o o m o f H i s t o i r e s , u n a c r ó n i c a d e las
i n s t i t u c i o n e s artísticas, las e x p o s i c i o n e s y l o s m e r c a d o s e n l o s últi­
m o s veinte a ñ o s q u e se valió del f o r m a t o d o c u m e n t a l p a r a visualizar
las c o n d i c i o n e s c a m b i a n t e s d e la g e o g r a f í a e x p a n d i d a d e l arte. E l
l a r g o c e n t e n a r d e n u e v a s b i e n a l e s q u e , d e s a f i a n d o el v i e j o m o d e l o
binario d e centro/periferia, consolidaron u n m u n d o policéntrico
art ic ul a do e n « r e g i o n e s del arte» s u p r a n a c i o n a l e s (Asia, Asia-Pacífi-
co, E u r o p a , O r i e n t e M e d i o , Africa, Australia) q u e d ó d o c u m e n t a d o
e n el a p a r t a d o M a p p i n g . T h e B i e n n i a l s a n d N e w A r t R e g i ó n s . L a a p a ­
r ic ió n d e n u e v o s á m b i t o s artísticos, los m u s e o s c o m u n i t a r i o s , los
e s p a c i o s a l t e r n a t i v o s , a s í c o m o el p a p e l d e l m u s e o e n o t r a s c u l t u r a s
( c o m o l o s d e A b u D a b i o H o n g K o n g ) , c o n s o l i d a r o n e n el a p a r t a d o
A r t Espaces. A M u s e u m s c a p e in Transition u n c o n c e p t o « d e s p l a z a ­
d o » d e m u s e o g l o b a l . T o m a n d o c o m o p u n t o d e p a r t i d a el a ñ o 1 9 8 9
y s u c r u c i a l p a p e l e n el e n c u e n t r o d e O c c i d e n t e c o n la p r o d u c c i ó n
a r t í s t i c a n o o c c i d e n t a l e n m u e s t r a s c o m o M a g i c i e n s d e la t e r r e o T h e
O t h e r S t o r y ( las d o s d e 1 9 8 9 ) , e n e l a p a r t a d o D o c u m e n t s . E x h i b i t i o n s
a n d the G l o b a l T u r n se presentó a b u n d a n t e d o c u m e n t a c i ó n sob re
i n f l u y e n t e s y c o n t r o v e r t i d a s e x p o s i c i o n e s e n la d e f i n i c i ó n d e l « g i r o
g l o b a l » e n el p e r í o d o 1 9 8 9 - 2 0 1 1 . B r a n d i n g i N e w A r t M a r k e t s a n d
T h e i r S t r a t e g i e s a c o g í a d i f e r e n t e s e s t u d i o s s o b r e las n u e v a s a l i a n z a s
e n t r e los m e r c a d o s f i n a n c i e r o s y artísticos, así c o m o las e strategias
d e l a s c a s a s d e s u b a s t a s e n la p r o m o c i ó n d e l a r t e c o n t e m p o r á n e o e n
n u e v a s l o c a l i z a c i o n e s g e o g r á f i c a s ( C h i n a , I n d i a , A r a b i a , I r á n ) e n las
q u e n o e x i s t í a c o n a n t e r i o r i d a d . Y la c o n c l u s i ó n e r a q u e n o s ó l o las
f e r i a s d e a r t e s i n o t a m b i é n l a s b i e n a l e s e s t a b a n e n t r a n d o e n el s i s t e ­
m a d e l m e r c a d o d e la m i s m a m a n e r a q u e el m e r c a d o d e s e m p e ñ a b a
u n d e s t a c a d o p a p e l e n el d e s a r r o l l o d e l a s n u e v a s r e g i o n e s a r t í s t i c a s
y e n la p r e s e n c i a p ú b l i c a d e a r t i s t a s d e r e m o t a s r e g i o n e s d e l m u n d o
d e l arte.
U n o d e los a p a r t a d o s m á s interesantes d e esta R o o m o f Histories,
q u e p o r o t r o l a d o s e l l ó la c o m p l i c i d a d e n t r e c a p i t a l g l o b a l y a r t e g l o ­
b a l , f u e la o b r a t r a n s _ a c t i o n s : T h e A c c e l e r a t e d A r t W o r l d 1 9 8 9 - 2 0 1 1 ,
e n c a r g a d a p o r l o s o r g a n i z a d o r e s al c o l e c t i v o i n t e g r a d o p o r S t e w a r t
S m i t h y R o b e r t G e r a r d Piefrusko, u n trabajo e x h i b i d o e n pantalla
LA FRICCIÓN LOC A L- G LO B AL 147

p a n o r á m i c a q u e r e p r e s e n t a b a el d e s a r r o l l o t e m p o r a l y e s p a c i a l d e l
« s i s t e m a b i e n a l » y del « m e r c a d o del arte g l o b a l » a través d e u n c o n j u n ­
to d e d a t o s c u y a a n i m a d a visualización y c u y a e xp e r i e n c i a i n m e r s i v a
ofrecían u n a i m a g e n del d e n s o n e t w o r k q u e s i m u l t á n e a m e n t e y través
d e sofisticados p r o g r a m a s informáticos i n f o r m a tanto del c recimiento
y d e la c r o n o l o g í a d e l a s e x p o s i c i o n e s i n t e r n a c i o n a l e s ( i n c l u y e n d o b i e ­
n a l e s ) d e s d e 1 8 9 5 , el a ñ o d e la p r i m e r a b i e n a l , la d e V e n e c i a , h a s t a el
m o m e n t o p r e s e n t e , c o m o d e la m o v i l i d a d d e l o s artistas ( s u s i n t r i n c a ­
d o s v i a j e s d e u n a b i e n a l a la o t r a ) , d e l a s f e r i a s d e a r t e , d e l c r e c i m i e n t o
e c o n ó m i c o y d e la i m p o r t a n c i a d e las s u b a s t a s a n ivel glo ba l.
P o r l o q u e r e s p e c t a a la i n c l u s i v a s e l e c c i ó n d e a r t i s t a s , i l u s t r a b a n
a l g u n a s d e las g r a n d e s c u e s t i o n e s y r e t o s d e á m b i t o t a m b i é n « g l o b a l »
( c o m o r e c a m b i o del c o n c e p t o d e u n m o v i m i e n t o internacional), c o m o
p o r e j e m p l o la c u e s t i ó n d e v i v i r e n u n m u n d o p l a n e t a r i o q u e e n c u e n ­
t r a s u m e t á f o r a e n el a e r o p u e r t o y, m á s e n c o n c r e t o , e n la z o n a d e
tránsito, u n l u g a r i n b e t w e e n d o n d e , m á s q u e llegar a p e r m a n e c e r , u n o
e s p e r a u n a n u e v a p a r t i d a . T a l c o m o m o s t r a b a n las o b r a s d e R a f a e l
L o z a n o - H e m m e r , A d r i á n Paci, H i t o Steyerl y e n especial R a q s M e d i a
C o l l e c t i v e , c o n s u o b r a E s c a p e m e n t (2009'T, u n a i n s t a l a c i ó n c o n v e i n t i ­
siete relojes c o r r e s p o n d i e n t e s a o tr as t antas c i u d a d e s c o n s u s r e s p e c t i ­
v a s z o n a s hor ar ia s , e n t r e otras, la n o c i ó n d e t i e m p o m a p e a y c o m p r i ­
m e el e s p a c i o g l o b a l al e x p e r i m e n t a r u n t i e m p o d i s t i n t o q u e e s c a p a a
las v e i n t i c u a t r o z o n a s h o r a r i a s d e l reloj c u a n d o n u e s t r o s c u e r p o s s e
m u e v e n e n el e s p a c i o . E s p o r ello p o r lo q u e m u c h o s d e e s t o s artistas
s e v a l e n d e la i m a g e n d e l a e r o p u e r t o c o m o u n a m e t á f o r a p a r a ilustrar
la e x p e r i e n c i a d e u n a c o n d i c i ó n g l o b a l q u e e s f a m i l i a r a c a d a p a s a j e r o
c o m o u n a p a r a d o j a a la v e z d e l i b e r t a d y d e cierre.
O t r o g r u p o d e a r t i s t a s d e la m u e s t r a , c o m o B a n i A b i d i , R a s h e e d
A r a e e n , K a d e r Attia, M e s c h a c G a b a , Pieter H u g o , A g u n g K u r n i a w á n
o P a v e l P e p p e r s t e i n , s e s i r v e n d e l o s m e d i o s d e m a s a s , c o m o la t e l e v i ­
s i ó n y e l c i n e , y d e l a c o n s i g u i e n t e c i r c u l a c i ó n d e i m á g e n e s p o r t o d o el
m u n d o p a r a c r u z a r l as f r o n t e r a s d e l o s m u n d o s r e a l e s y e x p a n d i r el c o n ­
s u m o v i s u a l d e la c u l t u r a p o p u l a r p o r d o q u i e r , b i e n p r o y e c t a n d o las
n u e v a s i m á g e n e s g l o b a l e s q u e c o n e c t a n d is ti nt a s c u l t u r a s u n a s c o n las
otras, b i e n a l t e r a n d o distintas tipologías étnicas, b i e n a d o p t a n d o
narrativas locales e n u n c o n j u n t o d e storyboards o ilustraciones m o s ­
tradas e n secuencias entendidas a m o d o d e guías para captar u n a
d e t e r m i n a d a h i s t o r i a , c o m o o c u r r e e n la o b r a d e P i e t e r H u g o ;
N o l l y w o o d (2008), u n a serie d e c u a r e n t a y tres fotografías t o m a d a s e n
N o l l y w o o d , la i n d u s t r i a c i n e m a t o g r á f i c a n i g e r i a n a , q u e , p r o t a g o n i z a ­
d a s p o r a c t o r e s p ro fe si o na le s, r e c r e a n e s c e n a s fílmicas u s a n d o este-
148 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

reotipos p r o p i o s d e este cine o r e p r e s e n t a n mitologías p o p u l a r e s q u e


s u b v i e r t e n la a n t i g u a i d e n t i d a d colonial.
N u e v o s apartados, c o m o «El gabinete d e curiosidades en tiempos
p o s c o l o n i a l e s » ( c o n artistas c o m o N e i l C u m m i n g s & M a r y s i a L e w a n -
d o w s k a , Christian Jankowski, J a m e s L u n a o Nástio Mosquito), « L a
p r á c t i c a d e l a r t e d e s p u é s d e la m o d e r n i d a d » ( M i a o X i a o c h u n , A r a y a
R a s d j a r m r e a r n s o o k o S e a n Snyder), « R e d e s y sistemas: globalización
c o m o t em a» (Yto Barrada, Ursula Biemann, C o m & C o m , I R W I N
a n d N S K S t a t e . c o m o T h e X i j i n g M e n ) , « A r t e c o m o m e r c a n c í a : la
n u e v a e c o n o m í a y los m e r c a d o s artísticos» ( M e l a n i e J a c k s o n , L i u
D i n g , S U P E R F L E X , S t e p h a n i e S y j u c o ) y f i n a l m e n t e « P e r d i d o s e n la
t r a d u c c i ó n : L a s n u e v a s biografías d e artistas» ( Francis Alys, E r i k B ü n -
ger, M o n a H a t o u m , M a r t i n K i p p e n b e r g e r o X u B i n g ) , n o s s i t ú a n a n t e
u n a m u e s t r a q u e d e s t a c a c o m o p r e m i s a f u n d a m e n t a l la i m p o r t a n c i a
d e u n a p r á c t i c a g l o b a l q u e , al d e c i r d e T e r r y S m i t h , n o e s ú n i c a m e n t e
u n a r e a c c i ó n a la g l o b a l i z a c i ó n s i n o u n a r e f l e x i ó n a u d a z y p o s i t i v a al
d e s e o d e l i b e r a r el « y o c u l t u r a l » h a c i a el « o t r o » t r a b a j a n d o a f a v o r d e
la c o l a b o r a c i ó n e n el m a r c o d e u n p r o d u c t i v o « c o s m o p o l i t i s m o » 25.
13
El f e n ó m e n o del bienalismo

E n e s t e p r o g r e s i v o a f i a n z a m i e n t o d e l n u e v o m a p a d e l a r t e e n el q u e
l o s l í m i t e s y f r o n t e r a s c a d a d í a s e h a l l a n e n e s t a d o d e flujo, f u e f u n d a ­
m e n t a l el p r o c e s o d e la d e n o m i n a d a « d e s c o l o n i z a c i ó n d e l m a p a » e n
c l a r a a l u s i ó n al e n s a y o d e G r a h a m H u g g a n « D e c o l o n i z i o n g t h e M a p :
Post-Colonialism, Post-Structuralism a n d thé'Cartographic C o n n e c ­
t i o n » 1 o, d i c h o e n o t r a s p a l a b r a s , la a p e r t u r a h a c i a u n m u n d o p o l i c é n -
t r i c o a r t i c u l a d o e n r e g i o n e s s u p r a n a c i o n a l e s y el g r a d u a l a f i a n z a m i e n ­
t o d e l o q u e s e c o n o c e c o m o « s i s t e m a b i e n a l » o el « n u e v o s a l ó n
g l o b a l » . L o c u a l s e m a t e r i a l i z ó e n la o r g a n i z a c i ó n d e u n e l e v a d o
n ú m e r o d e b i e n a l e s i n t e r n a c i o n a l e s q u e p a s a r o n d e p r o m o v e r el c o n ­
c e p t o d e n a c i ó n - e s t a d o y el d e n a c i o n a l i s m o a c o n v e r t i r s e e n s í m b o l o s
d e l as n u e v a s e s t r a t e g i a s l i b e r a l e s e n l a s q u e l a s c i u d a d e s r e c u r r i e r o n a
d i c h o s e v e n t o s c o n v o c a c i ó n d e d e v e n i r e n « c i u d a d e s c r e a t i v a s » e n el
m a r c o d e los n u e v o s n e t w o r k s globales.
L a B i e n a l d e V e n e c i a , f u n d a d a e n 1 8 9 5 , j u n t o c o n la D o c u m e n t a
d e K a s s e l , c r e a d a e n 1 9 5 5 , s e c o n s o l i d a r o n d u r a n t e l o s a ñ o s d e las
v a n g u a r d i a s y d e la a l t a m o d e r n i d a d e u r o c é n t r i c a c o m o l a s m á s i n f l u ­
y e n t e s e x p o s i c i o n e s i n t e r n a c i o n a l e s q u e n o s ó l o c o n c e n t r a b a n t o d o el
a r t e o c c i d e n t a l s i n o t a m b i é n el a r t e m o s t r a d o e n l a s p r i n c i p a l e s g a l e ­
r í a s y m u s e o s o c c i d e n t a l e s 2 . C o n el « g i r o p o s m o d e m o » y el d e s p l a z a ­
m i e n t o d e l i nt e r é s d e l c e n t r o p o r los m á r g e n e s , así c o m o c o n las t r a n s ­
f o r m a c i o n e s e n el s e n o d e l m u n d o d e l a r t e ( a u m e n t o d e l n ú m e r o d e
ferias y d e revistas d e arte, c r e a c i ó n d e c u r s o s d e c u r a d o r í a e interés
g e n e r a l i z a d o p o r el a r t e c o n t e m p o r á n e o « d e s l o c a l i z a d o » ) , la i d e a d e
q u e t o d a c i u d a d , f u e r a c u a l f u e r a s u u b i c a c i ó n e n el m a p a g e o p o l í t i c o ,
p o d í a actuar c o m o u n h u b ( punto d e i ntercambio o centro d e dis­
t r i b u c i ó n d e l tráfico) i n t e r n a c i o n a l e m p e z ó a ser u n t é m a r e c ur re n te .
150 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

Y d e a h í q u e d e s d e finales d e los a ñ o s o c h e n t a ( L a H a b a n a , 1 9 8 4 ,
B i e n a l d e E s t a m b u l , 1 9 8 7 ) s e e m p e z a r a a p o n e r el a c e n t o e n el f e n ó ­
m e n o d e la e x p a n s i ó n d e l d e b a t e c u l t u r a l e n la l l a m a d a periferia, q u e
n o hizo sino multiplicarse e n muestras n o sólo geográficamente n o
occidentales sino q u e tenían lugar e n culturas n o occidentales.

L a bienal periférica c o m o n u e v o salón global

L o e x p u e s t o s u p r a e x p l i c a el a u g e d e l a s l l a m a d a s b i e n a l e s p e r i f é r i c a s
o e n u n p r i m e r m o m e n t o b i e n a l e s d e l T e r c e r M u n d o 3, m u c h a s d e l as
c u a l e s s e f u n d a r o n c o m o r e a c c i ó n a la i n e x i s t e n c i a d e t o d o t i p o d e
a p o y o p o r p a r t e d e l a s i n s t i t u c i o n e s l o c a l e s a la p r o d u c c i ó n c o n t e m ­
p o r á n e a m á s e x p e r i m e n t a l . B i e n a l e s c o m o l a s D A K ’A R T ( S e n e g a l ) y
Taipéi (Taiwán), f u n d a d a s en 1992, Sharjah (Emiratos Arabes) e n
1993, G w a n g j u ( C o r e a del Sur) e n 1995, J o h a n n e s b u r g o (Sudáfrica)
e n 1995, S h a n g h á i (China) e n 1996, B u s a n ( C o r e a del Sur) e n 1 9 9 8 o
F u k u o k a A s í a n A r t T r i e n a l ( J a p ó n ) e n 1 9 9 9 s u r g i e r o n a n t e la n e c e s i ­
d a d d e c r e a r s u p r o p i a v e r s i ó n d e la d i v e r s i d a d c u l t u r a l f r e n t e a l o s
g u s t o s m e t r o p o l i t a n o s , o, e n o t r a s p a l a b r a s , c o m o la a l t e r n a t i v a p r a g ­
m á t i c a a l o s m u s e o s o c o m o l a s v í a s p o r las q u e l a s c u l t u r a s l o c a l e s
t e n í a n la p o s i b i l i d a d d e p r o p o n e r s u s p r o p i o s g u s t o s l o c a l e s , y n o s ó l o
e n su v e c i n d a d sino a l r e d e d o r del m u n d o . H o y día ya n o es necesario
ir a P a r í s , N u e v a Y o r k , K a s s e l o V e n e c i a p a r a d e s c u b r i r al « o t r o » , l o s
m á r g e n e s , p a r a e n c o n t r a r n o s c o n la d i v e r s i d a d f r e n t e a l o s g u s t o s
m e t r o p o l i t a n o s y p a r a q u e estos q u e d e n s a n c i o n a d o s y validados p o r
l a s e s t r u c t u r a s e i n s t i t u c i o n e s d e l « c a n o n » o f icial. Y tal c o m o p o d e ­
m o s l e e r e n el t e x t o « B i e n n i a l o g y » , si e n la m o d e r n i d a d f u e el m u s e o
el m e d i o a t r a v é s d e l c u a l el a r t e e r a c o n o c i d o , a h o r a , b a j o la c o n d i c i ó n
p o s c o l o n i a l , e s el f o r m a t o « b i e n a l » el q u e s e c o n v i e r t e e n el m e d i o a
través del cual b u e n a parte del arte c o n t e m p o r á n e o se d ifunde, hasta
el p u n t o d e q u e s o n l a s b i e n a l e s l a s q u e e n s ó l o d o s d é c a d a s s e h a n
c o n v e r t i d o e n u n o d e l o s l u g a r e s m á s v i t a l e s y v i s i b l e s n o s ó l o p a r a el
a r t e c o n t e m p o r á n e o s i n o p a r a la p r o d u c c i ó n , d i s t r i b u c i ó n y g e n e r a ­
c i ó n d e u n d i s c u r s o p ú b l i c o e n t o r n o a él4 .
M u c h a s d e estas bienales e n c o n t r a r o n , a s u vez, su o r i g e n e n c o n ­
t e x t o s d e p r o f u n d a t r a n s i c i ó n p o l í t i c a y c u l t u r a l , c o m o el c a s o d e la
B i e n a l d e G w a n g j u , c r e a d a e n 1 9 9 5 c o i n c i d i e n d o c o n la d e m o c r a t i z a ­
c i ó n d e C o r e a d e l S u r tras a ñ o s d e d i c t a d u r a militar, la B i e n a l d e
J o h a n n e s b u r g o ( c o n s ó l o d o s e d i c i o n e s , 1 9 9 5 y 1 9 9 7 ) p o s t e r i o r al f i n
del apartheid, o Manifiesta: B i e n a l e u r o p e a d e arte c o n t e m p o r á n e o
EL F E N Ó M E N O DEL BEENALISMO 151

( 1 9 9 6 ) , así c o m o o t r a s b i e n a l e s d e las d o s E u r o p a s (B e r l í n , 1 9 9 8 , T i r a ­
na, Albania, 2 0 0 1 , M o s c ú , 2005), o r g a n i z a d a s c o m o u n n u e v o f e n ó ­
m e n o d e la u n i f i c a d a E u r o p a t r a s l a c a í d a d e l M u r o d e B e r l í n .
C h a r l o t t e B y d l e r , u n a d e l a s p r i m e r a s h i s t o r i a d o r a s q u e a n a l i z ó el
f e n ó m e n o d e l a s b i e n a l e s e n r e l a c i ó n c o n la g l o b a l i z a c i ó n , c i t a n d o a
R e n é B l o c k , s u g i e r e u n a « t i p o l o g í a d e b i e n a l » q u e p a r e c e s e r el c o m ú n
d e n o m i n a d o r d e u n b u e n n ú m e r o d e b i e n a l e s d e s l o c a l i z a d a s : 1) el
m o d e l o d e Venecia, u n a exposición mundial d e gran formato con
r e p r e s e n t a c i o n e s n a c i o n a l e s ; 2 ) el m o d e l o S í d n e y , q u e r e p r e s e n t a a l a s
bienales d e p e q u e ñ a escala o rg an iz a da s a l r e d e d o r d e u n t e m a definido
p o r el c o m i s a r i o y e n l a s q u e l o s a r t i s t a s i n v i t a d o s d e p e n d e n d e l s o p o r ­
t e f i n a n c i e r o e x t e r i o r ; 3 ) el m o d e l o K w a n g j u , s e g ú n el c u a l la b i e n a l
s e l e c c i o n a artistas i n d e p e n d i e n t e m e n t e d e los p a í s e s r e p r e s e n t a d o s , y
4 ) el m o d e l o M a n i f i e s t a , q u e r e p r e s e n t a u n m o d e l o c a m b i a n t e e n r e l a ­
c i ó n t a n t o c o n el l u g a r c o m o c o n el e q u i p o c u r a t o r i a P . J u n t o a e s t a s
cuatro categorías, B y d l e r p r o p o n e u n a n u e v a categorización, m á s
e x t e n s a e n el t e r r e n o c u l t u r a l , q u e p e r m i t e la p u e s t a e n e v i d e n c i a d e
d i v e r s o s m o d e l o s , f e c h a s y l u g a r e s . S e p o d r í a así clasificar las b i e n a l e s
e n t r e s g r a n d e s g r u p o s : 1) l a s e m p r e s a s c a p i t a l i s t a s f i l a n t r ó p i c a s n a c i ­
d a s e n t r e f in al es d e l si g l o X I X y m e d i a d o s d e l si g l o X X , m u c h a s d e las
cuales h a n sido creadas p o r g r a n d e s m e c e n a s (Bienal d e Venecia, Car-
negie International, Bienal d e S a o P a u l o y d e Sídney); 2) manif es t ac io ­
n e s s u r g i d a s e n la p o s g u e r r a y m a r c a d a s p o r l a p o l í t i c a d e b l o q u e s o
p o r la r e a c c i ó n ( t e r c e r m u n d i s t a ) a t o d o a l i n e a m i e n t o d e e s t e g é n e r o
(.D o c u m e n t a d e K a s s e l , B i e n a l d e V e n e c i a p o s t e r i o r a la S e g u n d a G u e ­
r r a M u n d i a l , B i e n a l d e L a H a b a n a , D a k ’A r t ) , y 3 ) la f l e x i b i l i d a d d e
p r o d u c c i ó n e n las d é c a d a s d e los a ñ o s n o v e n t a y d e l 2 0 0 0 ( B i e n a l e s d e
E s t a m b u l , K w a n g j u , S h a r j a h y M a n i f i e s t a ) 6.
D e s t a c a e n e s t e s e n t i d o el p r o y e c t o M a n i f i e s t a , u n a b i e n a l p a n - '
e u r o p e a y n o m á d i c a ( d e a h í el s u b t í t u l o E u r o p e a n B i e n m a l o f C o n t e m -
p o r a r y A r t ) q u e d e s d e el a ñ o d e s u f u n d a c i ó n e n R o t e r d a m e n 1 9 9 6
h a s t a la c o n v o c a t o r i a d e 2 0 1 4 e n S a n P e t e r s b u r g o ' s e h a m a n t e n i d o
fiel a s u l e m a d e t r a n s g r e d i r l a s e x i s t e n t e s b a r r e r a s r e g i o n a l e s , s o c i a l e s ,
l in gü ís t ic as y e c o n ó m i c a s e n E u r o p a p a r a d a r c a b i d a a j ó v e n e s artistas
e n e s p e c i a l d e la E u r o p a d e l E s t e y d e la p e r i f e r i a d e l c o n t i n e n t e , p a r a
« a y u d a r a c o n v e r t i r a la n u e v a E u r o p a e n el m á s e x c i t a n t e y c u l t u r a l ­
m e n t e d i v e r s o J u g a r d o n d e vivir», c o m o s e p o d í a leer e n u n o d e s u s
t e x t o s f u n d a c i o n a l e s 8. L o s p r o g r a m a s e d u c a t i v o s , los f o r o s d e d i s c ú -
sión, los s e m i n a r i o s (los d e n o m i n a d o s c of fe e b r e a k s ) y las p u b l i c a c i o ­
nes constituyen u n p u n t o d e referencia para n u e v o s m o d e l o s curato-
riales e x p l o r a n d o l o s territorios g e o g r á f i c o s y p s i c o l ó g i c o s d e E u r o p a
152 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

e n la b ú s q u e d a d e u n a v e r d a d e r a i n t e r f a z p a r a l o s d e b a t e s i n t e l e c t u a ­
l e s y a r t í s t i c o s i n t e r n a c i o n a l e s y l a i d i o s i n c r a s i a d e l as s i t u a c i o n e s l o c a ­
les y los g r u p o s m i n o r i t a r i o s d e c a d a c i u d a d - c o n t e x t o 9.

L a bienal periférica c o m o postinstitución

E n m e d i o d e u n p a n o r a m a g r a d u a l m e n t e d o m i n a d o p o r el m o d e l o
n e o l i b e r a l d e g l o b a l i z a c i ó n e n l o q u e s e r e f i e r e a la p r o d u c c i ó n t a n t o
c u l t u r a l c o m o e c o n ó m i c a y p o r l a f u s i ó n d e l a r e v o l u c i ó n d i g i t a l y la
t e c n o l ó g i c a , s e f u e i m p o n i e n d o la i d e a d e q u e l a g l o b a l i z a c i ó n a b r í a
las p u e r t a s a u n a m e j o r c o m p r e n s i ó n d e l a r t e c o n t e m p o r á n e o e n
E u r o p a , N o r t e a m é r i c a , Asia, Africa y L a t i n o a m é r i c a q u e consolida­
b a n la f i g u r a d e u n p ú b l i c o t r a n s n a c i o n a l m á s allá d e l o s t r a d i c i o n a l e s
c i r c u i t o s d e la p r o d u c c i ó n y r e c e p c i ó n i n s t i t u c i o n a l i z a d a s . Y s i n d u d a
l a s b i e n a l e s i n t e r n a c i o n a l e s d e s e m p e ñ a r o n u n d e s t a c a d o p a p e l e n la
c o n f o r m a c i ó n d e estas « n u e v a s geografías culturales» y d e lo q u e
E n w e z o r d e n o m i n a « sistemática i n t e g r a c i ó n d e n t r o d e los lugares
m ó v i l e s d e l d i s c u r s o » 10.
¿ C ó m o p u e d e el c u r a d o r d e a r t e c o n t e m p o r á n e o , s e p r e g u n t a
E n w e z o r , e x p r e s a r s u a g e n d a intelectual d e n t r o del e s t a d o d e «transi­
c i ó n p e r m a n e n t e » ? ¿ C ó m o p u e d e el c u r a d o r t r a b a j a r t a n t o d e n t r o d e l
p e n s a m i e n t o c a n ó n i c o c o m o m á s allá d e e s t e ? ¿ C ó m o reflejar a t r a v é s
d e u n a e x p o s i c i ó n n o t a n t o la n a t u r a l e z a o n t o l ó g i c a d e l a r t e y l a b ú s ­
q u e d a d e la c r e a t i v i d a d a r t í s t i c a c o m o s u c o n d i c i ó n d e a g e n t e a c t i v o
e n u n disperso, f r a g m e n t a d o y asimétrico estado del capitalismo e c o ­
n ó m i c o , e n d é m i c o e n t o d o s l o s s i s t e m a s g l o b a l e s q u e r o z a n el h o r i ­
z o n t e del arte?
E s t o e s l o q u e e x p l i c a q u e e n la m a y o r í a d e los c a s o s d e s d e p r i n c i ­
p i o s del siglo X X I m u c h a s bie na le s q u e h a b í a n n a c i d o c o n v o l u n t a d
«periférica» o d e r e p r e s e n t a r los l l a m a d o s « m á r g e n e s del m u n d o del
a r t e » h a y a n s e n t i d o la n e c e s i d a d d e « o f i c i a l i z a r » el c a n o n d e l a r t e
i n n o v a d o r b u s c a n d o u n d i á l o g o e n t r e las f u e r z a s h o m o g e n e i z a d o r a s
d e la g l o b a l i z a c i ó n y el c o n t e x t o p r o p i o b a j o u n c o m ú n d e n o m i n a d o r :
a p o s t a r p o r la g l o b a l i z a c i ó n m á s q u e p o r l a o c c i d e n t a l i z a c i ó n , p o r l a
« d i v e r s i d a d » m á s q u e p o r la u n i f o r m i d a d . Y s i e m p r e i n t e n t a n d o o f r e ­
c e r n o t a n t o u n p a n o r a m a d e l arte r e c i e n t e s i n o u n p r o y e c t o site-speci­
f i c b a s a d o e n u n a n u e v a m a n e r a d e e n t e n d e r la p r o d u c c i ó n a r t í s t i c a
c o m o u n a n e g o c i a c i ó n entre lo local y lo global y d e i m a g i n a r posibles
a l t e r n a t i v a s f r e n t e a la g r a d u a l h o m o g e n e i z a c i ó n y a c e l e r a c i ó n d e l
c a p i t a l i s m o tardío.
EL F E N Ó M E N O DEL BIENALISMO 153

E s t a d o b l e v o l u n t a d d e s u b v e r t i r a la v e z el e u r o c e n t r i s m o a p a r t i r
d e c o n t r a n a r r a t i v a s y c o n t r a m o d e l o s e x p o s i t i v o s y el m u s e o c o m o u n a
i n s t i t u c i ó n f u e el c o m ú n d e n o m i n a d o r d e u n a s e r i e d e p r o y e c t o s c u r a -
toriales d e O k w u i E n w e z o r , M a s s i m i l i a n o G i o n i o N i c o l á s B o u r r i a u d
e n las b i e n a l e s d e G w a n g j u d e 2 0 0 8 , 2 0 1 0 y 2 0 1 4 , d e D a n C a m e r o n ,
C h a r l e s E s c h e y E I o u H a n r u e n las b i e n a l e s d e E s t a m b u l d e 2 0 0 3 ,
200 3 y 2007, de Charles Merewether, Carolyn Christov-Bakargiev y
D a v i d Elliott e n las b i e n a l e s d e S í d n e y d e 2 0 0 6 , 2 0 0 8 y 2 0 1 0 , d e
D a n C a m e r o n e n la B i e n a l d e T a i p é i d e 2 0 0 6 , d e H e n k S l a g e r e n la
B i e n a l d e S h a n g h á i d e 2 0 0 8 o d e N i c o l á s B o u r r i a u d e n la B i e n a l d e
Taipéi d e 2014.
C o m o s o s t i e n e O k w u i E n w e z o r , el a f á n d e m u c h a s i n i c i a t i v a s
periféricas a g r a n escala n o es n e c e s a r i a m e n t e ofrecer u n a m á s vasta
c o m p r e n s i ó n d e lo local a través del u s o s i m b ó l i c o y del i n t e r c a m b i o
d e f o r m a s e ideas del arte internacional a v a n z a d o sino m á s b i e n p r o ­
p a g a r u n cierto d e s e o e í m p e t u d e g l o b a l i d a d . Y es así c o m o estas
e x p o s i c i o n e s b u s c a n incrustar los e s p a c i o s periféricos d e p r o d u c c i ó n
c u l t u r a l e n la t r a y e c t o r i a d e los d i s c u r s o s artísticos i n t e r n a c i o n a l e s y
producir u n n u e v o tipo d e espacio, u n discurso d e «contestación
a b i e r t a » q u e n o s ó l o t i e n e q u e v e r c o n la r e s i s t e n c i a s i n o t a m b i é n c o n
u n a é t i c a d e la d i s i d e n c i a : « S i n e m b a r g o , e n s u p r o x i m i d a d d i s c u r s i v a
a los m o d o s d e p e n s a m i e n t o o c c i d e n t a l , la t e o r í a p o s c o l o n i a l t r a n s f o r ­
m a e s t e d i s e n s o e n u n a g e n t e d e t r a n s f o r m a c i ó n h i s t ó r i c a q u e le p e r ­
m i t e e x p o n e r a l g u n o s d e los l ím it es y d e las c o n t r a d i c c i o n e s e p i s t e m o ­
l ó g i c a s d e O c c i d e n t e » 11.

L a bienalización a debate

Q u i z á s u n o d e l o s a s p e c t o s m á s i n t e r e s a n t e s d e l f e n ó m e n o d e la b i e ­
nalización h a sido su c a p a c i d a d d e despertar u n a viva controversia,
c o m o s e h a e n c a r g a d o d e r e c o g e r el n ú m e r o m o n o g r á f i c o q u e la r e v i s t a
O p e n . C a h i e r o n A r t a n d t h e P u b l i c D o m a i n ( 2 0 0 9 ) d e d i c ó a la « b i e n a l
c o m o u n f e n ó m e n o g l o b a l » , n o s e p a r a d a d e la l ó g i c a d e l o s m e r c a d o s
n e o l i b e r a l e s o la a n t o l o g í a d e t e x t o s s i g n i f i c a t i v o s p a r a el d e s a r r o l l o
teórico del f e n ó m e n o del bienalismo, titulado T h e Biennial R e a d e r
( 2 0 1 0 ) y p u b l i c a d o c o n m o t i v o d e l a c e l e b r a c i ó n d e la B e r g e n B i e n n i a l
C o n f e r e n c e e n la c i u d a d n o r u e g a d e B e r g e n e n 2 0 0 9 .
L a c o n s i d e r a c i ó n d e la b i e n a l c o m o u n a « i d e n t i d a d i n e s t a b l e » q u e
s e s i t ú a e n t r e la e x p o s i c i ó n y la i n s t i t u c i ó n , q u e s e p r e s e n t a e n e s t a d o
d e c o n s t a n t e f l u j o y q u e e s difícil d e a r t i c u l a r e n t é r m i n o s d e c o n t i n u i -
154 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

d a d o c o m o a l g o m á s q u e la s i m p l e s u m a d e s u s e d i c i o n e s a l o l a r g o
del t i e m p o es m o t i v o d e reflexión p o r parte d e M a r i a H lavajova. D e
a h í la n e c e s i d a d d e d e b a t i r el l u g a r d e la b i e n a l e n r e l a c i ó n c o n o t r a s
i n s t i t u c i o n e s a r t í s t i c a s y, e n c o n c r e t o , d e m e d i r s u p a p e l y s u s i g n i f i c a ­
d o m á s a llá d e l c a r á c t e r r í g i d o , e s t á t i c o , i n m ó v i l y h e g e m ó n i c o d e l
c e n t r o d e a r t e y d e l m u s e o : « E s t a p e r s p e c t i v a e s i n d i s p e n s a b l e e n el
i n t e n t o d e a r t i c u l a r el e s p a c i o e n el q u e l a b i e n a l p u e d a a p o r t a r a l g o
n u e v o s o b r e la m e s a , a l g o q u e n o h a y a e s t a d o allí y q u e « n o e x i s t i r í a
d e o t r a m a n e r a » 12.
E n el a r t í c u l o « M e g a - E x h i b i t i o n s a n d t h e A n t i n o m i e s o f T r a n s n a ­
t i o n a l G l o b a l F o r m » 13, O k w u i E n w e z o r s i t ú a el f e n ó m e n o d e l a s
« m e g a e x p o s i c i o n e s » ( y e n t r e e l l a s el d e la b i e n a l e s y e n g e n e r a l l o s
d i s c u r s o s i n s t i t u c i o n a l e s q u e p o t e n c i a n la c i r c u l a c i ó n d e b i e n e s c u l t u ­
rales) e n u n a n u e v a v i s i o n d e u n a g l o b a l i d a d total y e n u n n u e v o
c o n c e p t o d e m o d e r n i d a d q u e d i s u e l v e el v i e j o p a r a d i g m a d e l a n a c i ó n -
e s t a d o r e e m p l a z á n d o l o c o n la l ó g i c a d e l c a p i t a l i s m o e s p e c t a c u l a r y d e l
m e r c a d o n e o l i b e r a l . E n w e z o r p l a n t e a el h e c h o d e q u e l a b i e n a l , c o m o
el r e s t o d e m e g a e x p o s i c i o n e s d e c a r á c t e r i n t e r n a c i o n a l , n o b u s c a t a n t o
a p o r t a r u n a m á s aúiplia c o m p r e n s i ó n d e los m o v i m i e n t o s artísticos a
l a s a u d i e n c i a s l o c a l e s a t r a v é s d e l u s o s i m b ó l i c o y el i n t e r c a m b i o d e
ideas y f o r m a s d e u n arte internacional a v a n z a d o c o m o p r o p a g a r u n
cierto d e s e o d e g l o b a l i d a d , q u e se b a s a r í a e n u n a n e g o c i a c i ó n d e los
si t i o s l o c a l e s ( n a c i ó n - e s t a d o ) y l o s e s f u e r z o s t r a n s n a c i o n a l e s 14. L a
m i s i ó n d e e s t a s e x p o s i c i o n e s a g r a n e s c a l a ( c o m o las b i e n a l e s ) d e b e r í a
s e r p u e s i n c r u s t a r l o s e s p a c i o s p e r i f é r i c o s e n la t r a y e c t o r i a d e l d i s c u r s o
a r t í s t i c o i n t e r n a c i o n a l ; e n u n a p a l a b r a : p r o m o v e r la p e r i f e r i a c o m o el
d e s t i n o g e n u i n o d e l a m o d e r n i d a d a r tística. Y O k w u i E n w e z o r a c a b a
p l a n t e á n d o s e la c u e s t i ó n c r u c i a l a e s t e f e n ó m e n o :

¿ E s la g l o b a l i z a c i ó n d e la e s f e r a c u l t u r a l u n d e s a r r o l l o h a c i a la i n c l u ­
s i ó n d e p r á c t i c a s a r tísticas m á s allá d e O c c i d e n t e ? , o , p o r el c o n t r a r i o ,
¿ r e p r e s e n t a la p r o m o c i ó n d e u n a n u e v a h e g e m o n í a o c c i d e n t a l p a r a el
a rte, p a r a l o s m o d e l o s e x p o s i t i v o s , l o s c u r a d o r e s y las a u d i e n c i a s ? E n
o t r a s p a l a b r a s , el d e n o m i n a d o b i e n a l i s m o g l o b a l ¿ p r u e b a u n p r o y e c t o
inclusivo, transnacional, multicultural y c o n t r a h e g e m ó n i c o ?

O , c o m o s o s t i e n e u n a d e las m á s d e s t a c a d a s v o c e s d e l g r u p o O c t o b e r ,
la d e G e o r g e B a k e r , e n s u r e s p u e s t a a E n w e z o r , m á s b i e n -se t r a t a d e
u n a m e r a c o n s o l i d a c i ó n d e la c u l t u r a b u r g u e s a d o m i n a n t e , q u e e s a la
v e z « a r c a i c a m e n t e n a c i o n a l i s t a o e x p l í c i t a m e n t e o c c i d e n t a l i s t a » ]\
B a k e r inicia s u r e f l e x i ó n s ó b r e las b i e n a l e s c o n u n a r e f e r e n c i a a u t o -
EL F E N Ó M E N O D E L BIENALISMO 155

b i o g r á f i c a : s u r e s i s t e n c i a a la « c u l t u r a b i e n a l » c o m o s i n ó n i m o d e l
G r a n e l Tour, festivalismo o p a r o d i a d e u n a m i g r a c i ó n f o r z a d a q u e n o
es sino u n a n u e v a f o r m a d e i m p e r i a l i s m o occidental y d e h e g e m o n í a
c u l t u r a l . Y n o s ó l o c u e s t i o n a el p a p e l d e l a s m e g a e x p o s i c i o n e s , e x p o ­
siciones q u e a d o l e c e n d e u n g i g a n t i s m o q u e se h a c e e c o y sirve a los
i n t e r e s e s d e l a e c o n o m í a g l o b a l , s i n o t a m b i é n el d e las a u d i e n c i a s , al
c o n s i d e r a r q u e e s t a s s u p o n e n u n v i o l e n t o a s a l t o p o r u n l a d o a la t r a d i ­
c i o n a l n o c i ó n d e u n a a u d i e n c i a d e l a r t e y p o r o t r o a l a i d e a d e q u e el
a r t e n e c e s i t a u n a a u d i e n c i a o p ú b l i c o e n g e n e r a l . Y si b i e n e s c i e r t o
q u e l a s b i e n a l e s f a v o r e c e n e l a c c e s o a la c u l t u r a a r t í s t i c a a a u d i e n c i a s
locales, n o o b s t a n t e es n e c e s a r i o r e c o n o c e r q u e esta m e d i a c i ó n a c a b a
i m p i d i e n d o d i c h o a c c e s o a estas a u d i e n c i a s e n f a v o r d e c u a d r o s d e
e x p e r t o s y p r o f e s i o n a l e s . D e a h í q u e p u e d a d e d u c i r s e q u e las m e g a e x ­
p o s i c i o n e s e s t á n l i g a d a s a la c u e s t i ó n d e l a e x c l u s i ó n . Y p o r l o q u e
r e s p e c t a a l a r e f e r e n c i a d e E n w e z o r a l a s b i e n a l e s c o m o l as f a c i l i t a d o ­
ras d e e n c u e n t r o s t r a n s n a c i o n a l e s e n t r e artistas, m e r c a d o s d e arte,
i n s ti tu c io ne s y p r o f e s i o n a l e s v a r i a d o s , B a k e r insiste e n q u e d i c h o s
e n c u e n t r o s n o h a c e n s i n o e x c l u i r a la a u d i e n c i a c o n c e b i d a t r a d i c i o n a l ­
m e n t e , q u e p a r e c e n o t e n e r l u g a r e n r e s t e n u e v o e s p a c i o . Y finaliza
p r e g u n t á n d o s e : ¿ S o n las m e g a e x p o s i c i o n e s o las b i e n a l e s p a r t e d e u n a
e s f e r a p ú b l i c a b u r g u e s a q u e a n t e r i o r m e n t e f u e p l a s m a d a e n el m u s e o ?
o ¿ s o n s i g n o s d e la a b s o l u t a d i s o l u c i ó n d e e s t a e s f e r a p ú b l i c a d e n t r o
d e la r í g i d a p a s i v i d a d p r o p i a d e l e s p e c t á c u l o ? Y s u r e s p u e s t a es:

L a s b i e n a l e s g l o b a l e s p r u e b a n q u e la s o c i e d a d d e l e s p e c t á c u l o f u e u n
f e n ó m e n o e u r o p e o e imperial. U n espec t á cu l o antiimperialista'podría
a h o r a s e r i m a g i n a d o , p e r o n o m e g u s t a r í a v e r l o ni c o m o u n m o d o d e
l i b e r t a d o c r i t i c a l i d a d ni c o m o u n a f o r m a d e c o n s e g u i r q u e p r o s p e r e n
las c u e s t i o n e s r e l a c i o n a d a s c o n la d i á s p o r a . M á s b i e n d e b e r í a m o s s e r
c o n s c i e n t e s y resistir a n t e u n a s i t u a c i ó n q u e G u y D e b o r d r e a l m e n t e
c o n o c í a b i e n y d e la q u e e s c r i b i ó e n l o s t é r m i n o s d e « u n a g l o b a l i z a c i ó n
d e l o f a l s o » q u e s ó l o p o d í a c o n d u c i r a u n a « f a l s i f i c a c i ó n d e l g l o b o » 16.

P o r s u p a i t e , e l c u r a d o r y e s c r i t o r S i m ó n S h e i k 17 a b o r d a el f e n ó m e n o
d e l b i e n a l i s m o d e s d e el p u n t o d e v i s t a d e s u s p o t e n c i a l i d a d e s e c o n ó ­
m i c a s , e s d e c i r , c o m o u n a i n d u s t r i a , u n m e r c a d o p a r a el c o m e r c i o y el
t u r i s m o y u n a s p e c t o d e la « e c o n o m í a d e la e x p e r i e n c i a » d e n t r o d e l
c a p i t a l i s m o g l o b a l c o n t e m p o r á n e o . A juicio d e S h e i k , e n las b i e n a l e s
s e i m p o n e la n e c e s i d a d d e c r e a r u n « n i c h o d e m e r c a d o » , u n a i d e n t i ­
d a d e s pecífica, u n a r e p u t a c i ó n y u n p r e s t i g i o q u e las c o l o c a t a n t o e n
el m a p a d e l m u n d o c o m o e n el d e l á m b i t o d e l a r t e . Y c u a n d o s e r ef ie -
156 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

r e a « n i c h o d e m e r c a d o » , l o h a c e c o n r e s p e c t o n o s o l o al c a p i t a l s i m ­
b ó l i c o q u e i m p l i c a el d i s c u r s o d e l m u n d o i n t e r n a c i o n a l d e l a r t e s i n o
t a m b i é n a las r e i v i n d i c a c i o n e s políticas y e c o n ó m i c a s l o c a l e s d i r i g i d a s
a a l c a n z a r u n a cierta s u p r e m a c í a cultural: la s i n g u l a r i d a d d e « e s t a »
cultura, « e s t e » país o « e s t e » lugar.
P a r t i e n d o d e las tesis d e D a v i d H a r v e y e n S p a c e s o f C a p i t a l
( 2 0 0 1 ) 1S, d o n d e u t i l i z a l a c a t e g o r í a m a r x i s t a d e « r e n t a m o n o p o l i s t a »
p a r a a n a l i z a r l o s v í n c u l o s e n t r e g l o b a l i z a c i ó n , m e r c a d o d e la c i u d a d y
m e r c a n t i l i z a c i ó n d e la c u l t u r a , S i m ó n S h e i k e n t i e n d e las b i e n a l e s
c o m o p a r t e d e la « e c o n o m í a d e l a e x p e r i e n c i a » e n la q u e la m e r c a n c í a
e s t á c o n s t i t u i d a n o t a n t o p o r las o b r a s d e a r t e c o m o p o r la e x p e r i e n c i a
d e l a c i u d a d y la e x p o s i c i ó n . A p a r t i r d e l e s t u d i o d e l a s b i e n a l e s d e l
S u d e s t e A s i á t i c o , e l a u t o r s e ñ a l a c o m o u n a d e l a s p r i o r i d a d e s d e la
b i e n a l el h e c h o d e c o n s t r u i r u n a m a r c a (b r a n d i n g ) q u e s i e m p r e s e r á
b i d i r e c c i o n a l . P o r u n l a d o , la c i u d a d c o m o a t r a c c i ó n d e b e p r o p o r c i o ­
n a r u n e n t o r n o a l a b i e n a l ; p o r o t r o , el g l a m u r y el p r e s t i g i o d e l a b i e ­
n a l d o t a n d e u n n o m b r e d e m a r c a a l a c i u d a d , e n v i s t a d e l o c u a l l as
b i e n a l e s d e b e r á n a s u m i r u n a d o b l e t a r e a : d e s t a c a r la s i n g u l a r i d a d d e
u n lugar, u n a r e g i ó n < y s u c ul t u r a c o m o f o r m a d e cultivar a u n p ú b l i c o
n a c i o n a l y d e s e d u c i r a o t r o i n t e r n a c i o n a l y a t r a e r a artistas i n t e r n a c i o ­
n a l e s al e m p l a z a m i e n t o l o c a l y c o n v e r t i r a l o s c i u d a d a n o s d e l p a í s e n
u s u a r i o s i n t e r n a c i o n a l e s y e x p e r t o s e n la c u l t u r a .
L a i m a g e n d e u n a bienal c o m o u n a «aldea global» n o sólo s u p o n e
esta i n t e r c o n e x i ó n e ntre lo local y lo global sino q u e c o m p o r t a n o t a ­
bles implicaciones financieras q u e n o s llevan a hab la r d i r e c t a m e n t e d e
u n a l ó g i c a e c o n ó m i c a q u e g e n e r a i n g r e s o s p o r el t u r i s m o y d e u n a
f i n a n c i a c i ó n q u e e s r e s u l t a d o d e la i n t e r c o n e x i ó n . Y e s así c o m o cier­
t o s m é t o d o s a r t í s t i c o s a c a b a n f u n c i o n a n d o c o m o u n m o d e l o p a r a la
g l o b a l i z a c i ó n e n t é r m i n o s d e p r o d u c c i ó n d e capital:

C u a l q u i e r l u g a r p u e d e c o n v e r t i r s e e n sitio p a r a la p r o d u c c i ó n y l u e g o ,
u n a v e z a b a n d o n a d o c o m o tal, e n sitio t u r í s t i c o [...]. D e e s t a m a n e r a ,
la b i e n a l i z a c i ó n s e c o n v i e r t e e n s i n ó n i m o d e f i n a n c i a c i ó n d e l g l o b o 19.

Y e s t o n o s llevaría a h a b l a r , e n s i n t o n í a c o n las t eorías d e S a s k i a S a s s e n


e n T h e G l o b a l C i t y ( 2 0 0 1 )20 , d e la g l o b a l i z a c i ó n n o c o m o u n p r o y e c t o
c u l t u r a l s i n o c o m o u n c o n c e p t o e c o n ó m i c o c o n e f e c t o s s o b r e las o l e a ­
d a s m i g r a t o r i a s , l o s m e r c a d o s l a b o r a l e s y la p r o d u c c i ó n d e c u l t u r a .
E n p a r e c i d o s t é r m i n o s s e p r o n u n c i a el s o c i ó l o g o P a s c a l G i e l e n
q u e , l e j o s d e r e c o n o c e r e n el f e n ó m e n o d e l b i e n a l i s m o u n a v o l u n t a d
d e p r o m o v e r el e s t a d o - n a c i ó n b a j o l o q u e d e n o m i n a « a g e n d a políti-
EL F E N Ó M E N O D E L BIENALISMO 157

c a » , v e e n la e s t r u c t u r a b i e n a l u n t i p o d e c o m p e t i c i ó n m u n d i a l e n t r e
c i u d a d e s o, d i c h o e n o t r a s p a l a b r a s , u n a e s t r a t e g i a d e m a r k e t i n g d e las
d e n o m i n a d a s c i u d a d e s creativas q u e necesita d e u n a cierta dosis d e
c i n i s m o y o p o r t u n i s m o p a r a s e g u i r o p e r a n d o e n el s i s t e m a a r t í s t i c o
g l o b a l : « S i o b s e r v a m o s p o r u n l a d o el d i s c u r s o d e a r t i s t a s y c u r a d o r e s
q u e o p e r a n a nivel global y p o r otro sus acciones, n o s e n c o n t r a m o s
r e p e t i d a m e n t e c o n la e n o r m e b r e c h a e n t r e l o s d o s . D e a h í q u e o p e r a r
c í n i c a m e n t e resulta f uncional d e n t r o del actual sistema d e bienales»,
c o n c l u y e G i e l e n 2 1 . S e p o s t u l a , p u e s , u n s i s t e m a e n el q u e l o s d i f e r e n t e s
a c t o r e s (artistas, c u r a d o r e s ) s e b e n e f i c i a r í a n d e l a g e n e r a l i z a d a e c o n o ­
m í a d e l m e r c a d o n e o l i b e r a l 22 .
E s t a e s la r a z ó n p o r l a q u e G i e l e n s i t ú a c r í t i c a m e n t e el f e n ó m e n o
del bienalismo e n plena e m e r g e n c i a del contexto del « p o s f o r d i s m o »
(y s u i n d i v i d u a l i z a c i ó n , d e s r u t i n i z a c i ó n , h o r a r i o s d e t r a b a j o flexibles y
la p r o d u c c i ó n d e t r a b a j o i n m a t e r i a l q u e al d e c i r d e H a r d t y N e g r i
c o n s t i t u y e la h e g e m o n í a d e t o d a f o r m a d e p r o d u c c i ó n ) y, e n c o n c r e t o ,
e n el c o n t e x t o d e u n a p o s t i n s t i t u c i ó n q u e e n s u d e s a f í o a l a « i n s t i t u ­
c i ó n c l á s i c a d e l a m o d e r n i d a d » a s u m e o , m e j o r d i c h o , fli rt ea c o n la
terminología d er iv ad a del p e n s a m i e n t o n d e Gilles D e l e u z e : rizomas,
redes, n o m a d i s m o , f o r m a s n o jerárquicas d e organización, escape r o u ­
tes, l a s p a l a b r a s c o n l a s q u e l a s b i e n a l e s h a n p r e s e n t a d o s u s p r o p i a s
o p e r a c i o n e s e n las d o s ú l t i m a s d é c a d a s y c o n las q u e s e d e s m a r c a n d e l
« c u b o b l a n c o » y d e l m u s e o c o m o u n a d e las e n t i d a d e s institucionali­
z ad as q u e se enfrenta a u n a creciente presión.
Y e s e n e s t e p u n t o d o n d e , a m p a r á n d o s e e n l a s o c i o l o g í a y la i d e a
d e q u e las p r á c t i c a s c u l t u r a l e s se m a n t i e n e n g r a c i a s a u n a p o d e r o s a
j e r a r q u i z a c i ó n s oc ia l d e v a l o r e s y n o r m a s , G i e l e n c o n t r a p o n e la b i e n a l
c o m o p o s t i n s t i t u c i ó n al m u s e o i n s t i t u c i o n a l . M i e n t r a s q u e p o r e j e m ­
p l o l a i n s t i t u c i ó n (el m u s e o ) i n c o r p o r a h i s t o r i c i d a d y d i a l o g a c o n el
p a s a d o ( e n el s e n t i d o d e q u e t i e n e s u p r o p i a h i s t o r i a y a m e n u d o s e
b a s a e n ella p a r a p r e s e r v a r o i n c l u s o l e g i t i m i z a r s u e x i s t e n c i a y activi­
d a d e s d e n t r o d e la s o c i e d a d c o n t e m p o r á n e a ) , el e x c e s i v o b o o m d e
b i e n a l e s d e j a p o c o e s p a c i o a la h i s t o r i c i d a d : « O c a s i o n a l m e n t e los visi­
t a n t e s d e las b i e n a l e s q u e d a n a f e c t a d o s p o r u n a d i r í a m o s a m n e s i a
estructural, p o r u n a n e g a c i ó n del c o n t e x t o local y e n g e n e r a l p o r u n a
f a l t a d e c o n c e n t r a c i ó n » 23. C u e s t i o n e s e s t a s q u e a p u n t a n a l a s n u e v a s
d i r e c c i o n e s q u e t o m a l a b i e n a l a r t í s t i c a d e la ú l t i m a d é c a d a , l o c u a l
e x p l i c a r í a el « a n h e l o e s q u i z o f r é n i c o » q u e s e d e b a t e e n t r e l a a p e r t u r a ,
l a m o v i l i d a d h o r i z o n t a l , l a f i g u r a d e l c u r a d o r n o m á d i c o d e la b i e n a l
c o m o p o s t i n s t i t u c i ó n y la b ú s q u e d a d e la m e m o r i a p ú b l i c a y la d u r a ­
b i l i d a d q u e o f r e c e la c l á s i c a i n s t i t u c i ó n a r t í s t i c a r i l o d e r n a (el m u s e o ) .
158 LAS EXPOSICIONES D E L O G L O B A L

Y c o m o c o n c l u y e G i e l e n , el p r o b l e m a r e s i d e e n c ó m o r e a r t i c u l a r la
l o c a l i d a d d e l a b i e n a l y c ó m o c o n c i l i a r la a u t e n t i c i d a d d e f e n d i d a p o r
la i n s t i t u c i ó n m u s e o c o n la i n f i n i t a v a r i a b i l i d a d y d i v e r s i d a d q u e r e c l a ­
m a el s i s t e m a g l o b a l n e o l i b e r a l : « E s d e e s p e r a r q u e las b i e n a l e s g e n e ­
r e n e n el f u t u r o la n e c e s a r i a “ i n e r c i a ” y “ g l o c a l i d a d ” c o m o c o n t r a p u n t o
a la “ h i s t e r i a ” g l o b a l e n l a c u a l l a s b i e n a l e s t o d a v í a s e s i g u e n e n c o n ­
t r a n d o a sí m i s m a s » 24 .
E n c o n c l u s i ó n y tal c o m o p u s o d e e v i d e n c i a la c e l e b r a c i ó n d e l
s i m p o s i o B i e n n i a l s . P r o s p e c t a n d P e r s p e c t i v e s ( 2 0 1 4 ) 25 , el f e n ó m e n o
m u n d i a l del b i e n a l i s m o p u e d e ser visto c o m o u n espejo del p r o c e s o d e
t r a n s f o r m a c i ó n d e s e n c a d e n a d o p o r la g l o b a l i z a c i ó n , u n e s p e j o q u e se
a b o r d ó d e s d e d i f e r e n t e s d i s c u r s o s y c o n c e p t o s . U n o d e e l l o s f u e el
t i t u l a d o « B i e n a l e s y E s p a c i o P ú b l i c o » , q u e d i s c u t i ó la n o c i ó n d e a r t e
c o m o u n d o m i n i o p ú b l i c o y las n u e v a s d e f i n i c i o n e s d e lo p ú b l i c o . E n
u n a n u e v a sección, « B i e n a l e s c o m o m o t o r del c a m b i o social», se c o n s ­
t a t ó el i m p a c t o d e l a s b i e n a l e s e n l a t r a n s f o r m a c i ó n d e la s o c i e d a d y l a
p o l í t i c a . S e a b o r d a r o n t a m b i é n l a s d i n á m i c a s d e l a s b i e n a l e s y el p a p e l
d e s u s a c t o r e s ( c u r a d o r e s , artistas, o r g a n i z a d o r e s , p ú b l i c o s ) y s u s p o s i ­
b i l i d a d e s y l i m i t a c i o m e s e n el c o n t e x t o d e l a s p o l í t i c a s d e c o m e r c i a l i z a ­
ción y final me n te se p l a n t e a r o n diversos m o d e l o s alternativos tratan­
d o d e encontrarles n u e v o s futuros.
Cuarta parte

L o s giros d e lo global

C o m o s o s t i e n e Irit R o g o f f e n el e n s a y o « T u r n i n g » 1, u n a d e las c u e s t i o n e s a
p l a n t e a r c u a n d o r e c u r r i m o s el t é r m i n o « g i r o » ( d e l i n g l é s t u r n ) e s el o r i g e n
e t i m o l ó g i c o d e l m i s m o y, e n e s p e c i a l , s u u s o e n u n m o m e n t o m a r c a d o p o r la
n e c e s i d a d d e « r e e s c r i b i r » n u e v a s n a r r a t i v a s a la l u z d e l o s i n h e r e n t e s d e s a f í o s
d e l a r t e g l o b a l . T r a s d a r p o r s u p e r a d o lo q u e - e n el e s p a c i o d e la m o d e r n i d a d
e r a n l o s i s m o s , l o s estilos, las t e n d e n c i a s a r t í s t i c a s y e n la p o s m o d e r n i d a d las
« c o n d i c i o n e s c r e a t i v a s » ( l é a s e el a p r o p i a c i o n i s m o , el s i m u l a c i o n i s m o o el a c t i ­
v i s m o ) , el r e c u r s o al « g i r o » b u s c a n u e v a s u r g e n c i a s , c o m o la d e a t e n d e r a
p l a n t e a m i e n t o s m á s d e c a r á c t e r c o n t e x t u a l y c i r c u l a r q u e f i l o l ó g i c o y / o lineal.
¿ A q u é n o s re fe r i m os c u a n d o h a b l a m o s del « g i r o » p a r a a cotar lo q u e particu­
l a r i z a y d i f e r e n c i a el t r a b a j o d e l o s p r a c t i c a n t e s d e l g i r o g e o g r á f i c o , d e l e c o l ó ­
gico, e tnográfico, del histórico, del d o c u m e n t a l o del c o s m o p o l i t a ? ¿ H a b l a ­
m o s d e u n a « e s t r a t e g i a d e l e c t u r a » ? ¿ D e u n m o d e l o i n t e r p r e t a t i v o , c o m o así
d e r i v a r í a d e l g i r o l i n g ü í s t i c o d e la d é c a d a d e l o s a ñ o s s e t e n t a , o m á s b i e n d e
u n a e s t r u c t u r a estratigráfica q u e p u e d e ser leída a través d e m ú l t i p l e s p r á c t i ­
cas culturales? ¿ Q u e r e m o s leer u n s i s t e m a a través d e o t r o sistema, d e m o d o
q u e u n o a l i m e n t a al o t r o d e m a n e r a q u e p u e d a n a b r i r n o s a o t r a s f o r m a s d e
s e r ? ¿ O m á s b i e n s e t r a t a d e u n m o v i m i e n t o g e n e r a t i v o e n el c u a l u n n u e v o
h o r i z o n t e e m e r g e e n el p r o c e s o , d e j a n d o a t r á s la p r á c t i c a d e l q u e f u e s u p u n t o
de origen?
L a r e c u r r e n c i a al « g i r o » e n l u g a r d e l estilo, el i s m o o d e la t e n d e n c i a r e s ­
p o n d e r í a e n ú l t i m o t é r m i n o a u n a clara u r g e n c i a d e lo c o n t e m p o r á n e o global:
u n m o m e n t o c a r a c t e r i z a d o p o r el p l u r a l i s m o e s t é t i c o , p o r la s i m u l t a n e i d a d d e
diversos m o d u s operandi y p o r u n a gran multiplicidad d e lenguajes q u e c o n s t a n ­
t e m e n t e c a m b i a n d e estado, a u n c o m p a r t i e n d o m u c h o s rasgos e n c o m ú n . Y a d e ­
m á s el « g i r o » p e r m i t i r í a q u e e n el e s p a c i o d e l o c o n t e m p o r á n e o , d e l a q u í y d e l
a h o r a , c o n v i v a n u n a g r a n d i v e r s i d a d d e historias d e a l r e d e d o r del m u n d o q u e
d e b e n ser c o n f r o n t a d a s s i m u l t á n e a m e n t e e n u n h o r i z o n t e intelectual c o n t i n u o
y d i s y u n d v o , i n t e g r a l a la c o m p r e n s i ó n d e l p r e s e n t e c o i í i o u n t o d o .
160 LOS GIROS D E L O G L O B A L

L a sin fin p r o d u c c i ó n d e d i f e r e n c i a d e l m u n d o d e l arte n o s ó l o es d e b i d a


a la c o h a b i t a c i ó n d e d i v e r s a s i d e n t i d a d e s n a c i o n a l e s , s i n o q u e t a m b i é n e s c o n ­
s e c u e n c i a d e la m a n e r a e n la q u e l o s artistas, l o s c u r a d o r e s o l o s t e ó r i c o s b u s ­
c a n p r e s e n t a r p o s i c i o n e s (los « g i r o s » ) d e n t r o d e e s t e c a m p o , g i r o s q u e s e s o l a ­
parían, se e n t r e c r u z a r í a n , y vivirían e n diferentes localidades, m a n t e n i e n d o
e q u i d i s t a n t e s r e l a c i o n e s c o n las i d e a s u n i v e r s a l e s . Y e l l o e n u n m u n d o d e l a r t e
i n t e r n a c i o n a l d o n d e p a r e c e n h a b e r d e s a p a r e c i d o las l i n g u a s f r a n c a s d e c a r á c t e r
estilístico, p e r o q u e n o q u i e r e r e n u n c i a r a u n a c i e r t a c o m p l e j i d a d f o r m a l .
J u n t o al t u m , la p a l a b r a n e t w o r k e s c l a v e p a r a e n t e n d e r c ó m o l o s artistas
e n t r a n e n c o n t a c t o u n o s c o n o t r o s , t r a b a j a n j u n t o s , p a r t i c i p a n e n las m i s m a s
d i s c u s i o n e s críticas, y l o h a c e n e n l o s p u n t o s d e t r a n s i c i ó n a ú n d e n t r o d e s u s
trayectorias d e c i d i d a m e n t e individuales.
14
El giro geográfico

L o s n u e v o s lugares y territorios d e u n a geografía discursiva

C u a n d o e n 2 0 0 3 , e n el m a r c o d i s c u r s i v o d e la m u e s t r a G e o g r a p h y a n d
P o l i t i c s o f M o b i l i t y , la a r t i s t a y c u r a d o r a U r s u l a B i e m a n n , c o n o c i d a p o r
s u c o m p r o m i s o c o n l as c u e s t i o n e s d e m i g r a c i ó n , g é n e r o y g l o b a l i z a c i ó n ,
a d o p t a b a el t é r m i n o « g e o g r a f í a » c o m o el p r i n c i p a l « l e i t m o t i v » d e la
e x p o s i c i ó n , e s t a b a c l a r o q u e e s t e n a d a t e n í a q u e v e r c o n la g e o g r a f í a
c o m o u n a d i s c i p l i n a d e la g e o f í s i c a , s i n o c o n c u e s t i o n e s r e l a c i o n a d a s c o n
la c u a l i d a d t r a n s f o r m a d o r a d e l u g a r e s y g e o g r a f í a s e n u n t i e m p o e n el q u e
los i n d i v i d u o s n o e s t a b a n o b l i g a d o s a p e r m a n e c e r e n u n m i s m o lugar.
U r s u l a B i e m a n n s e ñ a l ó q u e el p e n s a m i e n t o g e o g r á f i c o s e h a b í a
c o n v e r t i d o , e n el c u r s o d e l a g l o b a l i z a c i ó n , e n e l m á s c r u c i a l y d e c i s i v o
i n s t r u m e n t o d e análisis2, y d e s t a c ó q u e lo i m p o r t a n t e es la c o m p r e n ­
s i ó n p o s m o d e r n a d e la g e o g r a f í a c o m o u n m o d o distinto d e o r g a n i z a r
el c o n o c i m i e n t o e n f u n c i ó n d e la m a n e r a e h q u e l o n a t u r a l , l o s o c i a l y
l o c u l t u r a l q u e d a n r e l a c i o n a d o s e n t r e sí. E l m o d e l o g e o g r á f i c o f u n c i o ­
n a p u e s c o m o u n a p l a t a f o r m a t e ó r i c a d e s d e la c u a l p e n s a r l o s o c i a l e n
u n a vía e x p a n d i d a q u e incluye los c o n c e p t o s d e fronteras, conectivi-
d a d y transgresión. L a g e o g r a f í a e x a m i n a los lu g a r e s q u e n o sólo e s t á n
c o n s t r u i d o s p o r la g e n t e q u e l o s h a b i t a s i n o p o r c o n e x i o n e s y m o v i ­
m i e n t o s d e t o d o t i p o q u e los a tr a v i e s a n e n u n a v a r i e d a d d e escalas q u e
v a n d e l o local, p r i v a d o e í n t i m o a lo p ú b l i c o , t r a n s i c i o n a l y e c o n ó m i ­
co. T a l c o m o a f i r m a B i e m a n n :
' \
Q u e r e m o s p r e s e n t a r u n a a b u n d a n c i a d e i m á g e n e s d e i d e n t i d a d e s flui­
d a s , n o fijas y t r a n s i c i o n a l e s e n c o n s t a n t e c i r c u l a c i ó n e n el m o m e n t o
presente. Estas cualidades d e identidad s o n e n parte resultado d e u n a
162 LOS GIROS D E L O G L O B A L

t r a n s g r e s i ó n d e l o s d i s c u r s o s , p e r o t a m b i é n d e la c i b e r m o v i l i d a d y d e
la m i g r a c i ó n física, al i g u a l q u e d e u n a u m e n t o g e n e r a l d e l o s viajes. S i n
d u d a , la r á p i d a d i s e m i n a c i ó n d e t e c n o l o g í a s d e la i n f o r m a c i ó n y la
liberación d e los países postsocialistas h a n t e n i d o u n definitivo i m p a c ­
t o s o b r e la m o v i l i d a d d e la g e n t e d e s d e p r i n c i p i o s d e la d é c a d a d e l o s
a ñ o s n o v e n t a . P e r o d e s d e s i e m p r e h a n e x i s t i d o t a n t o la m i g r a c i ó n
c o m o l o s v i a j e s 3.

U r s u l a B i e m a n n , al e n f a t i z a r l a i m p o r t a n c i a d e l o s l u g a r e s , d e l a s t r a ­
y ec to ri a s h u m a n a s y d e l tráfico d e s i g n o s y d e i n f o r m a c i ó n visual, n o
hacía sino s u m a r s e a u n a larga genealogía d e p e n s a d o r e s y teóricos del
a r t e q u e d e s d e fin al es d e los a ñ o s o c h e n t a , e n c o n c r e t o d e s d e la e m b l e ­
m á t i c a f e c h a d e « 1 9 8 9 » , a p o s t a r o n p o r la « p r o d u c c i ó n c u l t u r a l d e l
e s p a c i o » , e n l í n e a c o n el p e n s a m i e n t o i n a u g u r a l d e E d w a r d S o j a , q u e
e n P o s t m o d e r n G e o g r a p h i e s : T h e R e a s s e r t i o n o f S p a c e in Critical
T h e o r y ( 1 9 8 9 ) 4 p r e s e n t ó la g e o g r a f í a p o s m o d e r n a c o m o u n a v í a d e
d e c o n s t r u c c i ó n d e la l ó g i c a m o d e r n a d e l e s p a c i o e n la c u a l la r e a l i d a d
c o n d u c e a l a i d e o l o g í a . B a j o la i n f l u e n c i a d e l c o n c e p t o d e h e t e r o t o p i a
d e M i c h e l F o u c a u l t y d e l a s r e f l e x i o n e s d e H e n r i L e f e b v r e e n el t e x t o
L a P r o d u c t i o n d e l ^ e s p a c e ( 1 9 7 4 ) 5, S o j a f o r m u l a s u t e o r í a d e l « t e r c e r
e spacio», u n e s p a c i o d e alteralidad, d e c o n f r o n t a c i ó n y d e mestizaje,
u n e s p a c i o d e u n i ó n e n t r e l o real e i m a g i n a r i o y d e s u p e r a c i ó n d e las
l ó g i c a s b i n a r i a s d e la m o d e r n i d a d (clase, g é n e r o , r a z a ) e n la b ú s q u e d a
d e n u e v o s e s p a c i o s c r e a d o s p o r la d i f e r e n c i a . E l e s p a c i o n u n c a e s a l g o
d a d o , sostiene Soja. N o es u n a «caja c e r r a d a » p a r a ser llenada, n u n c a
es sólo u n a e t a p a o u n m e r o e s c e n a r i o d e f o n d o . Y e n t o d o s los c a s o s
s e t r a t a d e u n e s p a c i o q u e r e m i t e a u n c o n c e p t o m á s a m p l i o , el d e
«espacialidad», entendida c o m o u n «espacio socialmente p r o d u c i ­
d o » . C o m o s o s t i e n e B e r t r a n d W e s t p h a l , s e trataría d e u n « t e r c e r e s p a ­
c i o » d e p o s i b i l i d a d e s p o r u n a p o l í t i c a c u l t u r a l d e la d i f e r e n c i a y la
ident id a d q u e se v e c o m o r a d i c a l m e n t e p o s m o d e r n a y c o n s c i e n t e m e n ­
te e s p e c i a l i z a d a d e s d e s u s o r í g e n e s 6.
L a « e s p a c i a l i d a d » e s u n p r o d u c t o social, p a r t e d e u n a « s e g u n d a
n a t u r a l e z a » , u n a s p e c t o e s e n c i a l d e la v i d a h u m a n a y d e u n a d e s c r i p ­
c i ó n d e l m u n d o . S o j a c o n s i d e r a tres m o d o s d e p e n s a m i e n t o espacial:
el e s p a c i o p e r c i b i d o , el e s p a c i o c o n c e b i d o y el e s p a c i o v i v i d o . Y si l o s
t e ó r i c o s d e l a m o d e r n i d a d s ó l o r e c o n o c e n d o s t i p o s d e e s p a c i o , el
p e r c i b i d o y el c o n c e b i d o , S o j a i d e n t i f i c a u n t e r c e r a s p e c t o d e l a « e s p a ­
c i a l i d a d » e n sí m i s m a , u n a s p e c t o q u e v a m á s a l l á d e t o d a c o n s t r u c ­
c i ó n física o m e n t a l , p e r o q u e i n c o r p o r a y t r a s c i e n d e a l o s d o s . S o j a
u s a el c o n c e p t o d e « t e r c e r e s p a c i o » p a r a d e f i n i r u n a m a n e r a r a d i c a l d e
p e n s a r q u e p l a n t e a u n a alterñativa a t o d a c o n c e p c i ó n binaria del espa-
EL GIRO G E O G R Á F I C O 163

cio. E l « t e r c e r e s p a c i o » e staría c r e a d o b a j o l o s e f e c t o s d e u n a c u l t u r a
c a m b i a n t e y sería u n l u g a r d e s i m u l t a n e i d a d y e n t r e c r u z a m i e n t o , b u s ­
c a n d o e n t o d o s los c a s o s u n a t r a n s f o r m a c i ó n sociopolítica.
F r e n t e al p r i m e r e s p a c i o , el e s p a c i o « p e r c i b i d o » , q u e c o n s i s t e e n
f o r m a s espaciales concretas, cosas q u e p u e d e n ser e m p í r i c a m e n t e
m a p e a d a s , y e n r e l a c i ó n c o n e l s e g u n d o e s p a c i o , el e s p a c i o « c o n c e b i ­
do», u n espacio construido e n f o r m a s mentales o cognitivas y q u e e n
u l t i m o t é r m i n o s e r í a u n a r e p r e s e n t a c i ó n d e p o d e r y d e i d e o l o g í a , el
«tercer espacio» (que Soja d e n o m i n a t a m b i é n «espacio vivido») c o n ­
s i s t e e n p r á c t i c a s s o c i a l e s y e s p a c i a l e s e i n c o r p o r a el m u n d o d e e x p e ­
riencias, e m o c i o n e s y e l e c c i o n e s políticas. S e trata d e u n e s p a c i o
« d i r e c t a m e n t e v i v i d o » , el e s p a c i o d e l o s h a b i t a n t e s y u s u a r i o s , y a la
v e z c o n t i e n e s i m u l t á n e a m e n t e los otros e sp ac io s t a n t o reales c o m o
i m a g i n a r i o s . E l e s p a c i o « v i v i d o » s e s u p e r p o n e al e s p a c i o f í s i c o , h a c i e n ­
d o u n u s o s i m b ó l i c o d e s u s o bj e t o s , y t i e n d e a ser e x p r e s a d o e n siste­
m a s d e s í m b o l o s y s i g n o s n o v e r b a l e s 7.
T a m b i é n el h i s t o r i a d o r d e l a r t e T h o m a s D a C o s t a K a u f f m a n n , e n
sus reflexiones c ontenidas e n T o w a r d a G e o g r a p h y o f A r t (2004), c o n ­
t r a p u s o la « m a n e r a c r o n o l ó g i c a » a la ^ m e t o d o l o g í a h i s t ó r i c a » , e n f a t i ­
z a n d o los a s p e c t o s e s p a c i a l e s d e l análisis n o s ó l o d e los a c o n t e c i m i e n ­
tos y d e los o b j e t o s — i n c l u y e n d o arte y a r q u i t e c t u r a — , s ino d e sus
a n t e c e d e n t e s , s us c a u s a s y sus efectos, e nt re los q u e se c o n t e m p l a n
c o m o e l e m e n t o sustancial los artefactos h u m a n o s . K a u f m a n n se refie­
r e a u n a « g e o g r a f í a h u m a n a » q u e t i e n e e n c o n s i d e r a c i ó n el i m p a c t o
d e l e n t o r n o físico s o b r e los s e r e s h u m a n o s y q u e n o s r e m i t e i r r e m i s i ­
b l e m e n t e a la « g e o g r a f í a c u l t u r a l » , d e d i c a d a a e s t u d i a r la e x p a n s i ó n
d e las c u l t u r a s h u m a n a s a l r e d e d o r d e l g l o b o y o b j e t o d e la n u e v a d i s ­
c i p l i n a d e la « g e o g r a f í a d e l a r t e » .

L a g e o g r a f í a y la c u l t u r a v i s u a l

E n el c o n t e x t o d e e s t e m o m e n t o d e l i m p i e z a é t n i c a , d e f o r z a d a m i g r a ­
c i ó n , d e f r o n t e r a s d i s p u t a d a s y d e n a c i o n e s e n crisis, s e i m p o n e la
p r e g u n t a : ¿ c ó m o p r o y e c t a r las c u e s t i o n e s d e l u g a r e i d e n t i d a d , d e p e r ­
t e n e n c i a y d e e x c l u s i ó n , e n e l á m b i t o d e la c u l t u r a v i s u a l ? Y e n e s t e
s e n t i d o e s f u n d a m e n t a l la a p o r t a c i ó n d e la t e ó r i c a e h i s t o r i a d o r a d e l
a r t e Irit R o g o f f e n e l t e x t o T e r r a I n f i r m a . G e o g r a p h y ’s v i s u a l c u l t u r e .
R o g o f f d e f i n e s u trabajo c o m o u n t e m a e n f o r m a c i ó n q u e n o trata ni
d e p o l í t i c a s i d e n t i t a r i a s n i d e o b r a s d e a r t e q u e h a g a n r e f e r e n c i a a la
i c o n o g r a f í a d e la g e o g r a f í a . N o e s t a m p o c o un, e s t u d i o d e g e o g r a f í a
164 LOS GIROS D E L O G L O B A L

cultural ni u n ejercicio d e c r e a c i ó n d e m e t á f o r a s g eogr áf i ca s a l r e d e d o r


d e c a m p o s d e p r o d u c c i ó n cultural. A l contrario, lo q u e b u s c a R o g o f f
e s t r a z a r v í n c u l o s , e n p r i m e r lugar, e n t r e la d i s l o c a c i ó n d e i n d i v i d u o s
y la d i s r u p c i ó n d e n a r r a t i v a s c o l e c t i v a s y d e l e n g u a j e s d e s i g n i f i c a c i ó n
e n el c a m p o d e la v i s i ó n y, e n s e g u n d o , u n a i n v e s t i g a c i ó n e p i s t e m o l ó ­
g i c a q u e privilegia las r et ó r i c a s e m e r g e n t e s d e los p r o c e s o s d e desterri-
t o r i a l i z a c i ó n b a j o l a c o m ú n a r e n a d e la g e o g r a f í a 8 .
Y ¿ p o r q u é el r e c u r s o a l a g e o g r a f í a ? , s e p r e g u n t a R o g o f f e n la
i n t r o d u c c i ó n . L a g e o g r a f í a , al i g u a l q u e l o s d i s c u r s o s d e l e s p a c i o y la
e s p a c i a l i z a c i ó n , posibilita u n a d i s e r t a c i ó n crítica q u e a f e c t a a u n c o n ­
j u n t o d e c o n d i c i o n e s m a t e r i a l e s d e las v i d a s d e l o s s u j e t o s v i n c u l a d o s
a sus subjetividades psíquicas. L a geografía «sin h o g a r » p e r m i t e r e d e ­
finir a s p e c t o s d e l u g a r lejos d e c o a c c i o n e s c o n c r e t a s d e p e r t e n e n c i a y
n o p e r t e n e n c i a d e t e r m i n a d a s p o r el E s t a d o :

M e s e n t í a t r a í d a p o r t r a b a j a r e n el c a m p o d e la g e o g r a f í a p o r q u e m e
p a r e c í a p o s i b l e localizar d e n t r o d e s u e n t e n d i m i e n t o r e v i s a d o u n c o n ­
j u n t o a l t e r n a t i v o d e r e l a c i o n e s e n t r e s u j e t o s y l u g a r e s e n las q u e l o q u e
c u e n t a n o e s u n c o n o c i m i e n t o c i e n t í f i c o o las c a t e g o r í a s n a c i o n a l e s d e l
e s t a d o q u e d e t e r m i n a n a la v e z la p e r t e n e n c i a y la n o p e r t e n e n c i a , s i n o
u n c o n j u n t o d e a s p e c t o s r e l a c i o n a d o s c o n la p o l í t i c a , la m e m o r i a , la
s u b j e t i v i d a d , las p r o y e c c i o n e s d e d e s e o s f a n t a s m a g ó r i c o s y u n a l a r g a
c a d e n a d e significantes e s c u r r i d i z o s 9.

R o g o f f e n t i e n d e la g e o g r a f í a c o m o u n a c a t e g o r í a e p i s t é m i c a , al i g u a l
q u e el g é n e r o o la r a z a , c a t e g o r í a s q u e c o m p a r t e n u n c o m p r o m i s o c o n
el c o n c e p t o d e p e r t e n e n c i a , q u e t r a b a j a a l r e d e d o r d e l a s d i c o t o m í a s
d e l y o y el o t r o y a l r e d e d o r d e o t r a s e s t r a t e g i a s d e e m p l a z a m i e n t o y
d e s p l a z a m i e n t o . L a g e o g r a f í a sería u n s i s t e m a d e clasificación, a m o d o
d e u b i c a c i ó n , u n l u g a r p a r a historias colectivas, nacionales, culturales,
l i n g ü í s t i c a s y t o p o g r á f i c a s . P e r o el r e t o d e R o g o f f n o s e l i m i t a a e s t a
n u e v a t e o r i z a c i ó n d e l a g e o g r a f í a , s i n o q u e b u s c a e x t r a p o l a r l a al t e r r e ­
n o d e l a c u l t u r a v i s u a l , y e n d o m á s a l l á d e l o q u e f u e el p r o y e c t o d e
h i s t o r i a s o c i a l d e l a r t e d e la d é c a d a d e los a ñ o s s e t e n t a , q u e p o r p r i m e ­
r a v e z p e r m i t í a q u e las n o c i o n e s d e clase, g é n e r o , r a z a y l e n g u a j e p e n e ­
t r a r a n e n l o s a n á l i s i s d e la r e p r e s e n t a c i ó n v i s u a l e i n i c i a b a el p r o c e s o
d e d e s j e r a r q u i z a r las i m á g e n e s e n la c u l t u r a .
D e a h í q u e l a g e o g r a f í a , s i g u i e n d o el t r a b a j o d e d o s g e n e r a c i o n e s
d e g e ó g r a f o s p o s m o d e r n o s y teóricos d e lo u r b a n o ( H e n r i L e f e b v r e ,
Rosalyn Deutsche, D e r m i s W o o d , Cornelia V i s m a n n y Victor Burgin),
se convirtiera e n u n a estructura epistemológica cuyas prácticas n o
sólo atañen a relaciones e c o n ó m i c a s y nacionales sino t a m b i é n a
EL GIRO G E O G R Á F I C O 165

a s p e c t o s i d e n t i t a r i o s y, e n p a r t i c u l a r , a d i s t i n t o s s i g n o s y s i s t e m a s d e
n a t u r a l e z a geográfica, c o m o fronteras, c u e r p o s , e q u i p a j e y cartografía,
q u e R o g o f f v i n c u l a a c i e r t o s a s p e c t o s d e la p r o d u c c i ó n c u l t u r a l v i s u a l
c o n t e m p o r á n e a , d e s d e f o r m a s t r a d i c i o n a l e s d e p i n t u r a h a s t a la f o t o ­
g r a f í a , el v í d e o y la i n s t a l a c i ó n , d e n t r o d e l a m p l i o m a r c o d e l a r t e c o n ­
ceptual c o n ejemplos c o m o H a n s H aa ck e, Joshua G l o t m a n , M o n a
H a t o u m , Joshua Neustein, Guillermo G ó m e z Peña, A n a M en di et a o
Michal Rovner.
S i g u i e n d o c o n e s t a l í n e a d i s c u r s i v a , h a b r í a q u e d e s t a c a r l as r e f l e x i o ­
n e s d e N a t o T h o m p s o n , así c o m o las d e l artista y g e ó g r a f o T r e v o r P l a -
g e n e n el t e x t o E x p e r i m e n t a l G e o g r a p h y . R a d i c a l A p p r o a c h e s t o L a n d s -
c a p e , C a r t o g r a p h y , a n d U r b a n i s m 10. T r a s c o n s t a t a r l a s c o n e x i o n e s e n t r e
l a n u e v a g e o g r a f í a y el c o n c e p t o d e la « p r o d u c c i ó n d e e s p a c i o » d e
H e n r i L e f e b v r e , s e g ú n el c u a l l o s h u m a n o s c r e a n el m u n d o q u e l o s
r o d e a y a s u v e z s o n c r e a d o s p o r e s t e m i s m o m u n d o q u e l o s e n v u e l v e 11,
P l a g e n s e p r e g u n t a c ó m o v i n c u l a r e s t o s n u e v o s a x i o m a s d e la g e o g r a f í a
c o n la p r o d u c c i ó n c u l t u r a l , y t a m b i é n c o n la v i e j a d i s c i p l i n a d e la h i s ­
t o r i a d e l a r t e . T r a s r e c o n o c e r el c a r á c t e r i n t e r d i s c i p l i n a r d e la g e o g r a f í a
c o n t e m p o r á n e a , l l e g a a a f i r m a r q u e s ^ b i e n l o s a x i o m a s d e la n u e v a
geografía p u e d e n guiar t o d o tipo d e práctica e investigación, n o o b s ­
t a n t e u n a a p r o x i m a c i ó n g e o g r á f i c a al a r t e c o m p o r t a u n a c l a r a r e v i s i ó n
d e l a s d i s c i p l i n a s h i s t o r i a y c rítica, tal c o m o s e c o n c i b e n t r a d i c i o n a l ­
mente:

U n g e ó g r a f o i n t e r e s a d o p o r el a r t e e m p e z a r í a c o n p r e m i s a s m u y d i f e ­
r e n t e s d e las d e u n c r í t i c o d e a rte, i n t e r e s a d o e n u n t i p o d e h i s t o r i a d e
arte y teoría q u e P l a g e n d e n o m i n a reading culture y q u e se p o d r í a
e n m a r c a r d e n t r o del giro lingüístico d e l arte e n q u e lo q u e c u e n t a s o n
c u e s t i o n e s d e r e p r e s e n t a c i ó n : describir, explicar, interpretar, e v a l u a r y
e n j u i c i a r las o b r a s d e a r t e p a r e c e n s e r las t a r e a s h a b i t u a l e s d e e s t a c l a s e
d e c r í t i c o q u e a c t ú a c o m o u n e x i g e n t e y p e r s p i c a z c o n s u m i d o r d e la
c u l t u r a 12.

P o r el c o n t r a r i o , u n b u e n g e ó g r a f o p u e d e u s a r l o s a x i o m a s a n a l í t i c o s
p r o p i o s d e l a d i s c i p l i n a p a r a e n f o c a r el p r o b l e m a d e l a r t e d e s d e u n
p u n t o d e v i s t a d i s t i n t o . E n l u g a r d e p r e g u n t a r ¿ q u é e s el a r t e ? o ¿ e s
este arte exitoso?, u n b u e n g e ó g r a f o se plantearía p r e g u n t a s del tipo
¿ c ó m o e s e s t e e s p a c i o l l a m a d o a r t e ? o ¿ c u á l e s s o n las c o n j u n c i o n e s
históricas, e c o n ó m i c a s , culturales y discursivas q u e c o n j u n t a m e n t e
c o n f o r m a n a l g o d e n o m i n a d o « a r t e » y, p o r o t r a p a r t e , p r o d u c e n u n
espacio q u e c o l o q u i a l m e n t e c o n o c e m o s c o m o « m u n d o del arte»? D e
e l l o s e d e d u c e q u e la c u e s t i ó n g e o g r á f i c a n o s e i n t e r e s a t a n t o p o r q u é
166 LOS GIROS D E L O G L O B A L

e s a r t e s i n o p o r c ó m o e s el a r t e . Y así, e n l u g a r d e a p r o x i m a r n o s al a r t e
d e s d e el p u n t o d e vista p r i v i l e g i a d o d e l c o n s u m o , u n g e ó g r a f o crítico
p u e d e r e f o r m a t e a r la c u e s t i ó n d e u n a r t e e n t é r m i n o s d e u n a p r á c t i c a
e s p a c i a l 15.
C o n c e b i d o e n t é r m i n o s d e p r á c t i c a e s p a c i a l , el a r t e n o s ó l o s e i n t e ­
r e s a p o r los o b j e t o s s i n o t a m b i é n p o r las m a n e r a s e n las q u e distintas
a c c i o n e s p a r t i c i p a n e n la p r o d u c c i ó n d e e s p a c i o . Y e n e s t e c a s o la
geografía n o sólo constituye u n m é t o d o d e investigación sino q u e
n e c e s a r i a m e n t e c o m p o r t a la p r o d u c c i ó n d e l e s p a c i o d e i n v e s t i g a c i ó n .
L o s g e ó g r a f o s p u e d e n a n a l i z a r la p r o d u c c i ó n d e l e s p a c i o , p e r o a t r a ­
vés d e este estudio t a m b i é n están p r o d u c i e n d o espacio. L o s geógrafos
n o s ó l o e s t u d i a n la g eo g r a f í a : p r o d u c e n g e o g r a f í a s e n lo q u e el a u t o r
identifica c o m o « g e o g r a f í a e x p e r i m e n t a l » .

Las exposiciones geográficas

U n a d e las p r i m e r a s e x p o s i c i o n e s q u e s e h i z o e c o d e e s t a n u e v a d i m e n ­
sión epistémica d e ^ geografía y su implícito c o m p r o m i s o c o n cuestio­
n e s d e p e r t e n e n c i a a l r e d e d o r d e las d i c o t o m í a s d e l « y o » y d e l « o t r o »
y d e l a s e s t r a t e g i a s d e l « e m p l a z a m i e n t o » y el « d e s p l a z a m i e n t o » f u e
G N S . G l o b a l N a v i g a t i o n S y s t e m ( 2 0 0 3 ) 14, e n l a q u e N i c o l á s B o u r r i a u d ,
a m p a r á n d o s e e n el m a p a a n ó n i m o d e 1 9 2 9 , b e M o n d e a u T e m p s d e s
surréalistes^, se p l a n t e a c ó m o e n u n m u n d o desterritorializado y
r e m o d e l a d o p o r la t e c n o l o g í a la g e o g r a f í a c o m p i t e n o s ó l o c o n la c i e n ­
cia « d u r a » s i n o t a m b i é n c o n los artistas q u e s e a p r o x i m a n a ella d e s d e
u n a p e r s p e c t i v a a l a v e z p o é t i c a y c r ítica. C o n t r a r i a m e n t e al « m u n d o -
s u p e r f i c i e » d e l l a n d art, el a r t e a c t u a l d e s c r i b e u n « p l a n e t a - m e s e t a »
c o n u n a s u c e s i ó n de. e s c e n a r i o s y d e c o r a c i o n e s d o n d e habitar, c o n
m ú l t i p l e s r e d e s e n las c u a l e s n o s m o v e m o s , circuitos p o r los q u e n o s
d e s p l a z a m o s y, s o b r e t o d o , f o r m a c i o n e s e c o n ó m i c a s , s o c i a l e s y p o l í t i ­
cas q u e d e l i m i t a n los territorios h u m a n o s .
D e a h í la e l e c c i ó n p o r p a r t e d e N . B o u r r i a u d d e u n c o n j u n t o d e
artistas c o m o M a r k L o m b a r d i , D o m i n i q u e G o n z a l e z - F o e r s t e r , F r a n z
A c k e r m a n n , W i m D e l v o y e , T h o m a s H i r s c h h o r n , Pierre H u y g u e , Pie-
r r e J o s e p h y B u r e a u d ’é t u d e s , e n t r e o t r o s , q u e h a c e n u s o d e m a p a s ,
p l a n o s , i m á g e n e s - s a t é l i t e y e s t u d i o s sociales c o n la o b s e s i ó n d e d e s c r i ­
b i r e l p l a n e t a y u t i l i z a r s u s e s p a c i o s c o n la a y u d a d e i n v e s t i g a c i o n e s ,
p u e s t a s e n e s c e n a y relatos. L o c u a l llevaría a B o u r r i a u d a d e s c r i b i r
b u e n a parte del arte c o n t e m p o r á n e o c o m o u n a z o n a off-shore (fuera
d e la orilla); n i d e l t o d o i n t e g r a d a e n l a s o c i e d a d , n i t a m p o c o a s u m i e n -
EL G m o G E O G R Á F I C O 167

d o el p a p e l d e u n o b s e r v a d o r n e u t r o . U n a z o n a q u e s e d e f i n e « m a n t e ­
n i e n d o l a s d i s t a n c i a s » , a l t e r n a n d o l a e x p e d i c i ó n c o m p r o m e t i d a e n el
c o r a z ó n d e lo real y el a p a r t a m i e n t o e n la c o m o d i d a d q u e p r o c u r a la
extraterritorialidad. C o m o sostiene B o u r r i a u d : « E l arte es u n m a p a
d e l m u n d o q u e s a l t a d e u n a e s c a l a a la o t r a , p a s a n d o i n d i f e r e n t e m e n t e
d e 1 / 1 . 0 0 0 . 0 0 0 a 1 / 1 ; l a d i s t a n c i a e s la m i s m a , p e r o el f o c o y el m o d o
d e c a p t a c i ó n c a m b i a n , a i m a g e n y s e m e j a n z a d e la f o t o g r a f í a v í a s a t é ­
l i t e » 16.
Y tal c o m o h i z o n o t a r Irit R o g o f f 17, o t r o d e l o s t r a b a j o s q u e d e s d e
e l á m b i t o c u r a t o r i a l a b o r d ó l a d i m e n s i ó n « v i s u a l » d e la n u e v a g e o g r a ­
fía p o s m o d e r n a f u e l a y a c o m e n t a d a m u e s t r a G e o g r a p h y a n d t h e P o l i ­
tics o f M o b i l i t y , e n l a q u e U r s u l a B i e m a n n v i n c u l ó l a n u e v a « g e o g r a ­
fía» c o n c u e s t i o n e s d e m o v i l i d a d , t a n t o la h u m a n a c o m o la r e l a c i o n a d a
c o n las r e d e s e l e c t r ó n i c a s d e n t r o d e la z o n a b i e n d e l i m i t a d a d e « l a
f o r t a l e z a e u r o p e a » . P a r a e n c o n t r a r r e s p u e s t a s a la p r e g u n t a s o b r e q u é
p a p e l d e b e d e s e m p e ñ a r el a r t e e n m a n t e n e r r e l a c i o n e s e n t r e l a E u r o p a
occidental y otros contextos minoritarios tanto e u r o p e o s c o m o n o
europeos, B i e m a n n apostó por proyectos producidos ex profeso por
a r t i s t a s i n t e r n a c i o n a l e s c o m o B u r e a u d ’é t u d e s ( F r a n c i a ) , F r o n t e r a S u r
K R V T ( E s p a ñ a y S u i z a ) , M a k r o l a b ( E s l o v e n i a ) , M u l t i p l i c i t y (Italia) y
R a q s M e d i a Collective (India), q u e a d o p t a r o n diversas f o r m a s d e
c o l a b o r a c i ó n y a l i a n z a s t e m p o r a l e s c o n el f i n d e c o n f e r i r s i g n i f i c a d o a
los e s p a c i o s h a b i t a d o s .

L a m o v i l i d a d e n el m a r c o c u r a t o r i a l

E l c a m i n o e s t a b a y a p r e p a r a d o p a r a las q u e f u e r o n a l g u n a s d e las
ex p o s i c i o n e s e n clave espacial y geográfica q u e se c el eb ra r on a lo largo
d e la p r i m e r a d é c a d a d e l s i g l o X X I . M i g r a c i ó n , m o v i l i d a d , d i á l o g o s
e n t r e l o l o c a l - g l o b a l e n la m a y o r í a d e l o s c a s o s b a j o el e j e S u r - S u r 18
f u e r o n a l g u n o s d e los t e m a s p r e f e r i d o s p o r c u r a d o r e s t a n t o d e e s p a ­
cios artísticos alternativos o d e b i e n a l e s periféricas c o m o d e e x p o s i c i o ­
n e s t e m á t i c a s d e cor te institucional, t a n t o d e p e q u e ñ a s c o m o d e g r a n ­
d e s i n s t i t u c i o n e s m u s e í s t i c a s . B a j o el l l a m a d o m o b i l i t y t u r n 19, q u e
b u s c a c o n c i l i a r , e n el c o n t e x t o d e l o q u e J o a q u í n B a r r i e n d o s d e n o m ina
« g i r o g e o e s t é t i c o » 20, las p o l í t i c a s d e la m o v i l i d a d c o n la s u b j e t i v i ­
d a d c o n t e m p o r á n e a , u n i e n d o l a m o v i l i d a d d e l o s s u j e t o s c o n l o s c o m pone
n t e s d el c a p i t a l i s m o c o g n i t i v o c o n t e m p o r á n e o , h a b r í a q u e citar
una serie d e p r o y e c t o s curatoriales c o m o Crossings (1999), M ig r a t i o n
[2003 L M i grating Identity (2004), O n Mobility (2004) y M o v i m i e n t o
168 LOS GIROS D E L O G L O B A L

d o b l e . E s t é t i c a s m i g r a t o r i a s ( 2 0 0 7 ) , p a r a l o s q u e la d i m e n s i ó n « f í s i c a »
d e la m o v i l i d a d s ó l o t e n í a s e n t i d o u n i d a a s u d i m e n s i ó n « s i m b ó l i c a »
c o n el f i n d e p r o c e d e r a u n a d e c o n s t r u c c i ó n d e l c l á s i c o m a p a p o s c o -
l o n i a l . L o q u e i n t e r e s a r í a e s la « f í s i c a s o c i a l » d e la m o v i l i d a d 21 e n el
s e n t i d o d e c ó m o los d e s p l a z a m i e n t o s (los d e r i v a d o s t a n t o d e l exilio o
d e la d i á s p o r a c o m o d e la m i g r a c i ó n o d e l n o m a d i s m o ) t r a n s f o r m a n el
c o n t e x t o s o c i a l e n el q u e s e i n s c r i b e n m o d i f i c a n d o c o n e l l o la r e d d e
significados fruto del e n t r e c r u z a m i e n t o del m o v i m i e n t o d e los c u e r ­
p o s y d e la r e p r e s e n t a c i ó n cul tu ra l d e l e s p a c i o .
U n a d e l a s p r i m e r a s e x p o s i c i o n e s q u e i n d a g ó e n la c a r t o g r a f í a
r e s u l t a n t e d e l a s r e l a c i o n e s t r a n s c u l t u r a l e s q u e o f r e c e el s i s t e m a i n t e r ­
n a c i o n a l d e l a r t e f u e C r o s s i n g s ( 1 9 9 8 ) 22, q u e s e p l a n t e ó , c o n a r t i s t a s
c o m o Cai G u o - Q i a n g , María M a g d a l e n a C a m p o s - P o n s , Carlos Cape-
lán, J i m m i e D u r h a m , M o n a H a t o u m , A l f r e d o Jaar, Ilya K a b a k o v ,
K c h o , Y i n k a S h o n i b a r e , J a n a Sterbak, Rirkrit Tiravanija, X u B i n g y
J i n - m e Y o o n , c u e s t i o n e s a c e r c a d e l exilio, las i d e n t i d a d e s h í b r i d a s y
las d i s l o c a c i o n e s c u l t u r a l e s e n c i u d a d e s t a n d i s t a n t e s y distintas u n a s
d e las o t r a s c o m o T o r o n t o , V a n c o u v e r , París, L o n d r e s , S í d n e y , J o h a n -
nesburgo, N u e v a Ydrk, Londres y Amberes. T o m a n d o c o m o «leitmo­
t i v » la r e f l e x i ó n d e E d w a r d S a i d « l a m o d e r n a c u l t u r a o c c i d e n t a l e s e n
g r a n p a r t e el t r a b a j o d e e x i l i a d o s , e m i g r a d o s y r e f u g i a d o s » , la c u r a d o ­
r a d e la m u e s t r a , D i a n a N e m i r o f f , s e ñ a l ó q u e l a m e t r ó p o l i a c t u a l s e h a
c o n v e r t i d o n o s ó l o e n l u g a r p a r a el c r u c e d e l a s c o m u n i c a c i o n e s g l o ­
bales sino t a m b i é n e n u n inquietante e n c u e n t r o d e culturas, religiones
y l e n g u a j e s , e n d e f i n i t i v a , u n l u g a r d e c o n f l i c t o s l o c a l e s . D e a h í la
a m b i v a l e n c i a latente e n los d is cu rs o s d e d e s p l a z a m i e n t o q u e se c o n ­
c r e t ó e n l a f ó r m u l a « a q u í y allí» e n l u g a r d e « a q u í o allí»:

Identificaciones, n o identidades, actos d e relación m á s q u e f o r m a s


preestablecidas: esta tradición es u n n e t w o r k d e historias p a r c i a l m e n t e
conectadas, u n persistentemente desplazado y reinventado tiempo/
e s p a c i o d e c r u c e s 25.

C o m o e j e m p l o , la o b r a d e l a r t i s t a c h i l e n o A l f r e d o J a a r q u e e n W a i t i n g
(1998), a partir d e i m á g e n e s fotográficas d e escala c i n e m a t o g r á f i c a d e
l o s r e f u g i a d o s h u t u s h u y e n d o d e l a s r e p r e s a l i a s t r a s la m a t a n z a d e t u t -
sis e n 1 9 9 4 e i n t e n t a n d o a t r a v e s a r u n o d e l o s p u e n t e s p r i n c i p a l e s d e s ­
d e R u a n d a h a s t a Z a i r e ( C o n g o ) , a b o r d ó el t e m a d e la d e s p o s e s i ó n y d e
l a s d e s i g u a l e s r e l a c i o n e s e c o n ó m i c a s y d e p o d e r e n el P r i m e r M u n d o
y « l o s T e r c e r o s M u n d o s » . P a r t i e n d o d e la i d e a d e E d w a r d S a i d d e
c o n s i d e r a r el e x i l i o c o m o u n « c o n t r a p u n t o » y u n « d i s c o n t i n u o e s t a d o
EL GIRO G E O G R Á F I C O 169

d e l s e r » , o t r o s a r t i s t a s d e la m u e s t r a c o m o I l y a K a b a k o v e n T w o W i n ­
d o w s (1998), u n laberinto c o n u n a ú n i c a e n t r a d a y salida q u e o b l i g a b a
al e s p e c t a d o r a d a r u n a d o b l e v u e l t a p a r a a b a n d o n a r el e s p a c i o , j u e ­
g a n c o n d o s realidades — u n a presente, otra p a s a d a — representadas
p o r d o s v e n t a n a s , e n t r e l as q u e e l e s p e c t a d o r h a c e u n c o n s t a n t e v i a j e
d e i d e a y v u e l t a , c o m o o c u r r e e n e l e x i l i o , u n e x i l i o q u e e n el c a s o d e
K a b a k o v c i r c u l a e n t r e el p r e s e n t e y u n p a s a d o n o s t á l g i c o q u e l e i n d u ­
c e a a f i r m a r q u e « l o p e o r q u e el h o m b r e s o v i é t i c o h a c r e a d o [...] e s
v i d a sin e s p e r a n z a , v i d a sin u n a v e n t a n a » 24.
E n u n a n u e v a e x p o s i c i ó n , M i g r a t i o n , c e l e b r a d a e n el K u n s t m u s e u m
d e L i c c h t e n s t e i n ( 2 0 0 3 )25 c o n la p r e s e n c i a d e a r t i s t a s d e d i v e r s a s g e n e ­
raciones, d e s d e J o s e p h Beuys, G e o r g e Brecht, M a r i o M e r z , Pier P a o l o
C a l z o l a r i o R o b e r t F i l l i o u , d e la d é c a d a d e l o s a ñ o s s e t e n t a , h a s t a a c t i v i s ­
t a s d e la d é c a d a d e l o s n o v e n t a c o m o F é l i x G o n z á l e z - T o r r e s , M o n a
H a t o u m o K i m s o o j a , s e p u s o el a c e n t o e n t r a b a j o s p a r a l o s c u a l e s el
h o g a r e x i s t e ú n i c a m e n t e e n la m e m o r i a y el m u n d o e s e x p e r i m e n t a d o
e n u n e s t a d o d e m o v i m i e n t o , e n u n p e r m a n e n t e e s t a d o d e f l u j o e n el
q u e t o d o lo q u e p a r e c e estable es s ól o t e m p o r a l m e n t e estable: « C u a n d o
viajas te d a s c u e n t a d e q u e e r e s s ó l o u n i n v i t a d o d e c o r t o p l a z o , d e q u e
el t i e m p o e s l i m i t a d o » , p a r e c í a s e r el l e m a d e l a m u e s t r a .
P a r t i e n d o d e l a s r e f l e x i o n e s d e F r e d r i c J a m e s o n 26, q u e s u g e r í a q u e
el i m p a c t o g e o g r á f i c o y f e n o m e n o l ó g i c o d e l a s m i n o r í a s y m i g r a n t e s
d e n t r o d e O c c i d e n t e p o d í a s e r c r u c i a l e n la c o n c e p c i ó n d e l c a r á c t e r
t r a n s n a c i o n a l d e la c u l t u r a c o n t e m p o r á n e a , la e x p o s i c i ó n M i g r a t i n g
I d e n t i t y - T r a n s f n i s s i o n / R e c o n s t r u c t i o n ( 2 0 0 4 ) 27, c o m i s a r i a d a p o r R e n é e
R i d g w a y r e u n i ó a d i e c i o c h o a r t i s t a s b a j o u n c o m ú n d e n o m i n a d o r : el
d e q u e l a s c o m u n i d a d e s d e t o d o el m u n d o e s t á n v i v i e n d o la v i d a y
e x p e r i m e n t a n d o l a s c o n e x i o n e s c o n s i g o m i s m a s s ó l o d e n t r o d e la
r e f l e x i ó n d e l otro. Y es así c o m o artistas c o m o A s t r i d Proll, R e r i é e
K o o l , R a i n e r G a n a h l , F e d e r i c o D ’O r a z i o , T i o n g A n g o J o s e p h B e u y s
p l a nt ea r on e n sus o b r a s diversas f o r m a s d e migración: psicológica,
s o c i a l , s o c i o l ó g i c a , física, c o n d i s c u r s o s q u e a b a r c a b a n l a i d e n t i d a d , el
c u e r p o p o l í t i c o , el g é n e r o o el t e r r i t o r i o : e l e m e n t o s q u e s e e n t e n d í a n
c o m o « n o d o s » d e transmisión en u n verdadero palimpsesto. R e n é e
R i d g w a y c o n c l u í a e n el t e x t o d e l c a t á l o g o :

L a e x p o s i c i ó n e s u n a e n t i d a d e n sí m i s m a , u n a e s t r u c t u r a q u e r e v e l a u n a
d i v e r s i d a d d e t e r r i t o r i o s c u l t u r a l e s , d i s t i n t a s n o r m a s e s t éticas, i n t e n t o s
disímiles d e h a c e r lo p r o p i o diferente, r e d e f i n i e n d o n u e v o s ó r d e n e s y
m a p e o s a t r a v é s d e c u l t u r a s . C o m o el o b s e r v a d o r p e r c i b e la e x p o s i c i ó n
c o m o u n t o d o , c o n v e r g e c o m o u n a c t o d e n e c e s i d a d c u l t u r a l 28.
170 LOS GIROS D E L O G L O B A L

D e s d e o t r o p u n t o d e vista, la e x p o s i c i ó n O n M o b i l i t y ( 2 0 0 4 ) sirvió d e
a r g u m e n t o d e u n a muestra «móvil y migrante» c o n u n recorrido q u e
se inició e n A m s t e r d a m e n 2 0 0 4 p ar a, tras r e c o r r e r Berlín, B u d a p e s t
y V i l n a ( c a p i t a l d e L i t u a n i a ) , r e t o r n a r a la c i u d a d h o l a n d e s a e n 2 0 0 6 .
U n a ex p o s i c i ó n c o n c o c u r a d o r e s e n c a d a u n o d e sus lugares d e ori­
g e n q u e s e i b a e n r i q u e c i e n d o c o n las a p o r t a c i o n e s d e l lug ar , h a s t a el
p u n t o d e q u e la m u e s t r a final s u f r i ó u n a t r a n s f o r m a c i ó n r ad i c a l c o n
r e l a c i ó n a s u s p r e d e c e s o r a s . E l t r a b a j o d e c a d a artista — c o m o se
p o d í a v e r e n la i n s t a l a c i ó n d e A l i c i a F r a m i s 2 3 4 N e w D u c h Flags, d e
2 0 0 5 , e n la q u e m e z c l a los c o l o r e s a m a r i l l o y r o j o d e la b a n d e r a e s p a ­
ñ o l a c o n el r o j o , b l a n c o y a z u l d e la h o l a n d e s a y c o n e l l o s d i s e ñ a
e n s e ñ a s q u e a t a ñ e n a la n a c i o n a l i d a d m i x t a — s e a l i m e n t a d e s u p r o ­
p i a c u l t u r a p a r a a c a b a r t r a s c e n d i e n d o f r o n t e r a s y límites. T a m b i é n e n
e s t e s e n t i d o h a b r í a q u e e n t e n d e r la v i d e o i n s t a l a c i ó n d e l a r t i s t a c h i n o
T i o n g A n g , C u t Cióse U p o n Matr i ar c h y (2005), d o n d e m u e s t r a los
d e s a s t r o s o s e f e c t o s d e l t u r i s m o s e x u a l d e distintas m u j e r e s d e la t r i b u
m o s u o , u n a d e las ú l t i m a s s o c i e d a d e s m a t r i a r c a l e s d e l m u n d o q u e s e
h a b í a m a n t e n i d o a i s l a d a h a s t a la l l e g a d a d e l t u r i s m o u r b a n o c h i n o .
E l a r q u i t e c t o Y q n a F r i e d m a n (tal c o m o s e r e c o n o c í a e n u n o d e l o s
t e x t o s d e l c a t á l o g o e s c r i t o p o r la c u r a d o r a L ú e a C e r i z z a ) h a b í a a n t i c i ­
p a d o e n su manifiesto d e 19 5 8 - 1 9 6 2 , titulado « L a arquitectura móvil»,
l a i d e a d e u n a « V i l l a E s p a c i a l » , u n a p o s i b l e m a n e r a d e o r g a n i z a r e n el
f u t u r o f o r m a s d e h a b i t a r la tie rr a. L a m o v i l i d a d q u e p r o p o n í a e n s u s
p r o y e c t o s n o s e r e f e r í a al m o d o d e e d i f i c a r s i n o a l o s u s o s d e e s t e h a b i ­
tar e n c a d a c o n t e x t o . F r i e d m a n b u s c a b a u n a m á x i m a flexibilidad a
t r a v é s d e l d i s e ñ o d e u n a e n o r m e « s u p e r e s t r u c t u r a » s o b r e la c i u d a d .
L o s f u t u r o s h a b i t a n t e s d e estas e s t r u c t u r a s s erían libres d e c o n s t r u i r
s u s h a b i t á c u l o s d e n t r o d e e s t a r e d . E l e j e m p l o d e F r i e d m a n f u e el p u n ­
t o d e p a r t i d a d e l t r a b a j o d e M a r j e t i c a P o t r c y s u d e f e n s a d e la « a r q u i ­
t e c t u r a e s p o n t á n e a » e n l as r e g i o n e s m á s p r e c a r i a s d e l p l a n e t a . O t r o s
artistas d e la m u e s t r a a b o r d a r o n c u e s t i o n e s d e u n a m o v i l i d a d g l o b a l
d e s d e u n a m p l i o e s p e c t r o d e a p r o x i m a c i o n e s d e s d e los análisis críticos
d e las r e d u c c i o n i s t a s r e p r e s e n t a c i o n e s d e la m o v i l i d a d q u e o f r e c e n los
m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n (el c a s o d e l c o l e c t i v o M u l t i p l i c i t y q u e e n f o r ­
m a t o d o c u m e n t a l p r e s e n t ó u n r e t r a t o d e la a r q u i t e c t u r a h í b r i d a d e
villas y p a r q u e s t e m á t i c o s c o n s t r u i d o s e n M a r r u e c o s p o r m a r r o q u í e s
q u e v i v í a n e n E u r o p a ) h a s t a la p r e s e n t a c i ó n d e h i s t o r i a s p e r s o n a l e s ,
e n t r e p o é t i c a s y u t ó p i c a s , c o m o a q u e l l a s q u e tratan d e los a s p e c t o s
l o c a l e s y r e g i o n a l e s d e la m o v i l i d a d ( c o m o e n M i k l ó s E r h a r d t o e n
L e o p o l d K e s s l e r y s u v í d e o I m p o r t d e 2 0 0 6 ) . E n realidad los trabajos d e
la m u e s t r a , c o m o el d e J a v i e r T é l l e z y s u v i d e o i n s t a l a c i ó n T h e G r e a t e s t
EL GERO G E O G R Á F I C O 171

S h o w o n E a r t h ( 2 0 0 6 ) , d e m o s t r a r o n u n a f a m i l i a r i d a d c o n el i n t e r n a c i o ­
n a l d i a l e c t o a u d i o v i s u a l d e la i m a g i n e r í a y c o n el l e n g u a j e c o m ú n d e l o s
p e r i ó d i c o s , la t e l e v i s i ó n , l a s r e v i s t a s e i n c l u s o l o s l i b r o s e s c o l a r e s .

E l c o n c e p t o d e latitud c o m o viaje y tradu c c i ó n

U n n u e v o e j e m p l o d e t o m a r el m o d e l o d e « u n m u n d o s i n c e n t r o »
c o m o poética y epistemología del discurso expositivo se c o ncretó e n
la p r i m e r a e x p o s i c i ó n o r g a n i z a d a p o r u n a i n s t i t u c i ó n m u s e í s t i c a d e l
m a i n s t r e a m : el W a l k e r A r t C e n t e r d e M i n n e a p o l i s , M i n n e s o t a . N o s
r e f e r i m o s a l a m u e s t r a H o w L a t i t u d e s B e c o m e F o r m s : A r t in a G l o b a l
A g e ( 2 0 0 3 )29, q u e p l a n t e a b a a b i e r t a m e n t e la c u e s t i ó n d e l o « g l o b a l
versus lo l oc a l » e n los d e b a t e s artísticos y c ulturales y q u e c u e s t i o n a b a
l a « a u t o r i d a d d e l m u s e o » . T o d o u n r e m a k e d e l t í t u l o c o n el q u e H a r a l d
S z e e m a n n r e v o l u c i o n ó e n 1 9 6 9 e n l a c i u d a d s u i z a d e B e r n a el m u n d o
d e las e x p o s i c i o n e s e n la m u e s t r a W h e n A t t i t u d e s B e c o m e F o r m : L i v e
in Y o u r H e a d , q u e p u e d e c o n s i d e r a r s e u n v e r d a d e r o m o m e n t o f u n d a ­
c i o n a l c u a n d o el c u r a d o r s e c o n v i r t i ó e n u n « a u t o r » y r e c o p i l ó el t r a ­
b a j o d e u n g r u p o d e artistas i m p l i c a d o s e n la n o c i ó n d e « p r o c e s o »
( f o r m a d e u n arte m u l t i f o r m a l , n o rígido) y o b r a h e c h a e n f u n c i ó n del
l u g a r (site-speci/ic).
E l c o m i s a r i o d e H o w Lattitudes B e c o m e F o r m s , P h i l i p p e V e r g n e ,
d e c i d i ó invitar a u n c o m i t é m u l t i d i s c i p l i n a r d e c o n s e j e r o s d e siete
diferentes localizaciones o latitudes p a r a r e p e n s a r u n a serie d e p r e m i ­
s a s a la l u z d e u n a d i s c u s i ó n g l o b a l . E s t a s siete l a t i t u d e s f u e r o n Brasil,
C h i n a , J a p ó n , I n d i a , T u r q u í a , S u d á f r i c a y E s t a d o s U n i d o s , c o n el
s u p u e s t o d e q u e c a d a lugar d e b e r í a ser e n t e n d i d o c o m o u n e j e m p l o
q u e , m e t a f ó r i c a m e n t e , p o d r í a sugerir o tr os territorios del m u n d o .
C a d a « l a t i t u d » s e c o n v i r t i ó e n u n c a s o d e e s t u d i o p a r a el a n á l i s i s d e l a s
a c t u a l e s f o r m a s y p r á c t i c a s a r t í s t i c a s . Y si la e x p o s i c i ó n d e H a r a l d
S z e e m a n n p o n í a el a c e n t o e n l a s a c t i t u d e s d e r i v a d a s d e l o s p r o c e s o s
d e t r a b a j o y d e l a s o b r a s h e c h a s e n f u n c i ó n d e l l u g a r , a h o r a la i m p o r ­
t a n c i a r e c a í a e n l a s n o c i o n e s d e p r o x i m i d a d y l o c a l i d a d , e n el e s b o z o
d e u n a e s t é t i c a d e l g e s t o m i n ú s c u l o , e n l a c r e c i e n t e i m p o r t a n c i a d e l as
p r á c t i c a s d e l d í a a d í a y e n e l p o t e n c i a l s u b v e r s i v o d e l a r t e 30. Y e l l o
d o m i n a d o p o r las n o c i o n e s d e thirdness ( q u e n o t e n d r í a t a n t o q u e v e r
c o n el « T e r c e r M u n d o » s i n o c o n el « T e r c e r C i n e » , u n a m o d a l i d a d d e
t e o r í a f í l m i c a q u e e x p l o r a b a e n q u é m e d i d a las p r á c t i c a s c u l t u r a l e s
b a s a d a s e n la e m a n c i p a c i ó n p o l í t i c a y c u l t u r a l p u e d e n c o m p r o m e t e r s e
c o n e s t r a t e g i a s estéticas) y d e i n - b e t w e e n n e s s (ni c o c i d o ni c r u d o , ni
172 LOS GIROS D E L O G L O B A L

b l a n c o ni n e g r o , n i h o m b r e ni m u j e r , ni c e n t r o ni periferia); n o c i o n e s
e stas c e n t r a l e s e n las p r á c t i c a s artísticas c o n t e m p l a d a s e n e sta e x p o s i ­
c i ó n , tal c o m o r e c o n o c e H o m i B h a b h a , p a r a e l c u a l t h i r d n e s s e s u n
e l e m e n t o c l a v e e n la e n u n c i a c i ó n y c o n c e p t u a l i z a c i ó n d e u n a n u e v a
c u l t u r a i n t e r n a c i o n a l b a s a d a e n la h i b r i d e z . T o d o el p e s o d e l s i g n i f i c a ­
d o d e la c u l t u r a r e c a e r í a — a j u i c i o d e B h a b h a — e n l a t r a d u c c i ó n y
n e g o c i a c i ó n , así c o m o e n los e s p a c i o s « e n - e n t r e » y « m á s allá». Y e s así
c o m o B h a b h a l o c a l i z a l a c u l t u r a e n l o q u e él l l a m a u n « t e r c e r e s p a ­
c io », u n e s p a c i o q u e c o l a p s a las n u e v a s p r á c t i c a s c u l t u r a l e s y las n a r r a ­
t i v a s h i s t ó r i c a s 3 '.
L o i m p o r t a n t e n o e r a p u e s t a n t o el p r o c e s o y l a a c t i t u d c o m o la
« l a t i t u d » y el l u g a r e n l o s q u e c a d a a r t i s t a p r o y e c t a b a s u « l o c a l i d a d »
d e n t r o d e l a g l o b a l i d a d . D e a h í q u e b u e n a p a r t e d e l o s a r t i s t a s d e la
e x p o s i c i ó n p r o c e d e n t e s d e diferentes latitudes (igual d e i m p o r t a n t e s
e r a n los artistas d e J a p ó n , d e T u r q u í a , d e L o s Á n g e l e s , d e B ra s i l o d e
la I n d i a ) s e i n s c r i b i e r a n e n la e s c e n a g l o b a l sin r e n u n c i a r a l o s c o n t e x ­
t o s l o c a l e s y a la p r o d u c c i ó n d e l o c a l i d a d , y t a m p o c o a u n a s e s t r a t e g i a s
d e c rí ti ca , r e s i s t e n c i a y t r a n s g r e s i ó n c o n t r a el h e g e m ó n i c o p o d e r d e l
I m p e r i o . A l g u n a s d e las c u e s t i o n e s p l a n t e a d a s e n H o w L a t i t u d e s B e c o -
m e F o r m s f u e r o n : ¿ C ó m o n o r e a c c i o n a r a la p r e s i ó n d e l n u e v o p o d e r
d e la g l o b a l i z a c i ó n e n l o q u e l l a m a r í a m o s n u e v a s f o r m a s d e a c t i v i s m o
p o l í t i c o f r e n t e a los n u e v o s p r o b l e m a s g e n e r a d o s p o r el c a p i t a l i s m o
g l o b a l ? ¿ C ó m o el a r t e d e o t r a s l a t i t u d e s p u e d e s e r h e c h o y m o s t r a ­
d o ? 32. D e a h í el c a r á c t e r c i e r t a m e n t e u t ó p i c o q u e P a u l o H e r k e n h o f f
e n s u e n s a y o d e l c a t á l o g o c o n f i r i ó a la m u e s t r a :

L a c r e a c i ó n d e u n arte significativo y a n o es m o n o p o l i o d e u n a n a c i ó n
o d e u n p a í s [...] el a r t e n o e s p r o p i e d a d d e n i n g ú n c e n t r o , l u g a r , g e n ­
te, c l a s e , g é n e r o , g r u p o é t n i c o , n o c i ó n d e la'historia, estilo, g u s t o , e s t a ­
d o , l o o c c i d e n t a l , u n a l o n g i t u d , u n a l a t i t u d 33.

N o s h a l l a m o s , c o m o s o s t i e n e P a u l o H e r k e n h o f f , a n t e u n a n u e v a arti­
c u l a c i ó n d e l a s d i f e r e n c i a s q u e d e b e s u p l a n t a r la h i s t o r i a d e l a r t e e u r o -
c é n t r i c a . E s e n e s t e s e n t i d o e n el q u e c o b r a n s i g n i f i c a d o l a s i d e a s f o r ­
m u l a d a s p o r J a m e s o n e n s u e n s a y o « E n d o f A r t o r E n d o f H i s t o r y ? » 34
c u a n d o se p r e g u n t a c ó m o los diversos «fines del arte» p u e d e n ser
c o o r d i n a d o s filosófica y t e ó r i c a m e n t e c o n e s t e n u e v o c i e r r e d e las
fronteras del capitalismo.
Y b a j o e s t a f i l o s o f í a c o b r a s u s e n t i d o el r e c u r s o , t a n t o literal c o m o
m e t a f ó r i c o , a la c a r t o g r a f í a . M á s q u e n e u t r a l i z a r l as d i f e r e n c i a s , c o m o
o c u r r í a c o n l as e x p o s i c i o n e s - i n t e r n a c i o n a l e s d e l P r i m e r M u n d o o l a s
EL GIRO G E O G R Á F I C O 173

b i e n a l e s p o s c o l o n i a l e s , la m u e s t r a t r a t ó d e h a c e r a ñ i c o s la p r á c t i c a d e
p r o m o v e r e s t r a t é g i c a m e n t e e x p o s i c i o n e s d e artistas n o o c c i d e n t a l e s
d e s d e el p u n t o d e v i s t a d e u n « v o y e u r i s m o c u l t u r a l » . E v i t a r el i n t e r n a ­
cionalismo entendido estéticamente c o m o u n a lengua franca p o s m o -
d e m a s u p o n í a , al d e c i r d e l a d i r e c t o r a d e l W a l t e r A r t C e n t e r , K a t h y
Halbreich, a s u m i r ideas d e p e n s a d o r e s poscoloniales c o m o identidad,
l o c a l i d a d , h i b r i d a c i ó n y e s p e c i f i c i d a d cultural. Y e s así c o m o los o r g a n i ­
z a d o r e s i m a g i n a r o n la p a l a b r a « l a t i t u d » c o m o u n d o u b l e e n t e n d r e q u e
e x p r e s a b a la l i b e r t a d c o n la c u a l e s p o s i b l e t a n t o d e f i n i r el f u n c i o n a ­
m i e n t o i n t e r n o d e la e x p o s i c i ó n c o m o d e s c r i b i r u n e s p a c i o g e o g r á f i c o 35.
C o n r e s p e c t o a la s e l e c c i ó n d e artistas, d e s t a c a r o n d o s p r o c e d e n ­
t e s d e u n a d e l a s « l a t i t u d e s » p r e s e n t e s e n la m u e s t r a , B r a s i l , M e r e p e
( M a r c o s R e i s P e i x o t o , u n artista d e B a h í a , « e m i s a r i o d e l l e g a d o d e
Oiticica») y F r a n k l i n C a s s a r o , q u e se a c o g í a n a los p o s t u l a d o s f o r m u l a ­
d o s p o r H é l i o Oiticica e n s u M a n i f i e s t o d e 1 9 6 6 , Position a n d P r o g r a m .
E n él s e e s b o z a r o n los p r i n c i p i o s d e l n e o c o n c r e t i s m o , u n m o v i m i e n t o
b r a s i l e ñ o q u e t r a n s g r e d i ó la a u t o n o m í a a r t í s t i c a d e l p e n s a m i e n t o
e u r o c é n t r i c o a t r a v é s d e la p r á c t i c a d e la a p r o p i a c i ó n . B u r l á n d o s e d e
la h e r e n c i a d e s u f o r m a m i n i m a l i s t a a t r a v o s d e u n p r o c e s o d e n o m i n a ­
d o « a n t r o p o f a g i a » , las c r e a c i o n e s d e O i t i c i c a e n l a z a r o n c o n las l u c h a s
p o l í t i c a s e n b u s c a d e u n a i g u a l d a d s o c i a l e n la d é c a d a d e l o s a ñ o s
s e s e n t a e n Brasil.
L a d e f e n s a p o r p a r t e d e P h i l i p p e V e r g n e d e l as e s t r a t e g i a s e s t é t i c a s
d e lo m a t e c o m o o p u e s t o a lo brillante, la b a j a t e c n o l o g í a c o m o o p u e s ­
t a a la a l t a t e c n o l o g í a o l a p r o d u c c i ó n d e b a j o v a l o r p o d í a a p l i c a r s e a
m u c h a s d e l as o b r a s p r e s e n t e s e n la m u e s t r a . P o r e j e m p l o , el a r t i s t a
Y i n X i u z h e n , e n s u s e r i e d e v i e j a s m a l e t a s ( P o r t a b l e City-Beijing, P o r ­
t a b l e C i t y -Berlin, P o r t a b l e C i t y - S h a n g h a i , 2 0 0 2 ) , p r e s e n t ó el e s p a c i o
u r b a n o c o m o u n a m e t á f o r a p a r a la r e c o l e c c i ó n . E n el i n t e r i o r d e las
m a l e t a s el a r t i s t a i n c l u y ó d i o r a m a s d e c i u d a d e s r e c o n s t r u i d a s a p a r t i r
d e la r o p a u s a d a p o r l o s r e s i d e n t e s . C o m o a f i r m ó E r i n M . Sickler, e n
l u g a r d e i n t e r r u m p i r la r e t ó r i c a g l o b a l c o n l o v e r n a c u l a r , el t r a b a j o d e
X i u z h e n p o d í a ser leído c o m o s i m u l a c r o d e u n e s p a c i o local q u e n o
i n v i t a b a al a n á l i s i s n i t a m p o c o a la a p r e c i a c i ó n e s t é t i c a . L o s r e c u e r d o s
r e c o l e c t a d o s p o r e s t a a r t i s t a s o n m á s b i e n r e c u e r d o s t u r í s t i c o s 36.
L a s o b r a s d e l a r t i s t a j a p o n é s T a b a i m o (J a p a n e s e Z e b r a C r o s s i n g ,
1 9 9 9 ) e n c a j a n e n estas consideraciones. U n c o n j u n t o d e viñetas p r o f u ­
s a m e n t e c o l o r e a d a s y naí fs p r o c e d e n a u n a d e c o n s t r u c c i ó n d e los sis­
t e m a s d e v i d a j a p o n e s e s . L a crítica s e b a s a e n u n a m a n i p u l a c i ó n d e los
estereotipos j a p o n e s e s ( b a ñ o s públicos, salario d e los h o m b r e s ) y se
d i r i g e h a c i a el n a c i o n a l i s m o y s u r e l a c i ó n c o n u n p e r í o d o d e c risis
174 LOS GIROS D E L O G L O B A L

e c o n ó m i c a y, e n g e n e r a l , d e c risis d e v a l o r e s q u e a l t e r a n l a j e r á r q u i c a
c o n s t r u c c i ó n d e la s o c i e d a d j a p o n e s a . C o n u n a s i m i l a r d o s i s d e t e n ­
s i ó n s e e n c u e n t r a n l a s o b r a s d e l t u r c o G ü l s ü n K a r a m u s t a f a y d e la
india S h e e l a G o w d a . E n s u instalación Mystic Transport (1992), G ü l ­
s ü n K a r a m u s t a f a p o e t i z a l a p r o b l e m á t i c a d e l a d e s t e r r i t o r i a l i z a c i ó n al
p e n s a r e n la u r b a n i z a c i ó n y e n r e c i e n t e s d e s a r r o l l o s capitalistas. E s t o s
c e s t o s c o n r o p a s d e c o l o r e s a l u d e n a las p o b l a c i o n e s n ó m a d a s . Y e n
t o d o s los c a s o s e s t a s s á b a n a s d e c o l o r e s a l u d e n a la p r e s e n c i a d e « c u e r ­
p o s » . S h e e l a G o w d a , e n A n d Tell H i m o / M y P a i n ( 1 9 9 8 - 2 0 0 1 ) , c o n ­
t r a p o n e a la a r q u i t e c t u r a d e l c u b o b l a n c o e s t a l í n e a d i b u j o d e c u e r d a
q u e y a n a d a t i e n e q u e v e r c o n u n g e s t o p e r t e n e c i e n t e a la a b s t r a c c i ó n
íaction p a i n t i n g ) s i n o q u e e s u n g e s t o a n t r o p o m o r f i z a d o ( t r a b a j a d o
c o n materiales y h e r r a m i e n t a s — utensilios— tradicionales q u e a l u d e n
a las c o s t u m b r e s indias). L a e x i g e n c i a d e i n f o r m a c i ó n y r e a l i s m o s e
r e v e l a e n el f i l m d e l a r t i s t a c h i n o W a n g J i a n W e i L i v i n g E l s e w h e r e
( 1 9 9 9 - 2 0 0 0 ) , q u e d o c u m e n t a u n fallido d e s a r r o l l o u r b a n í s t i c o e n los
suburbios d e Pekín.
L a p a r a d o j a d e este n u e v o o r d e n glo ba l p o s t o c c i d e n t a l es q u e
m u c h o s artistas i n t e h t a n m á s q u e n u n c a r e i n v e n t a r o e s t a b l e c e r s u d i f e ­
rencia d e n t r o d e estos galopantes pr o c e s o s d e h o m o g e n e i z a c i ó n . O t r o
c o m p o r t a m i e n t o q u e s e d e r i v a d e l a e m e r g e n c i a d e la l o c a l i d a d e n u n
m u n d o g l o b a l s e a p r o p i a d e i d e a s r e l a c i o n a d a s c o n la p e d a g o g í a , la
s o c i o l o g í a , la a n t r o p o l o g í a , el u r b a n i s m o y l as h u m a n i d a d e s e n g e n e r a l .
E s t e e s u n f e n ó m e n o m u y i n t e r e s a n t e q u e i m p i d e a l o s a r t i s t a s v e r s e a sí
m i s m o s c o m o c r e a d o r e s d e « o b j e t o s p a r a la c o n t e m p l a c i ó n » , s i n o m á s
b i e n c o m o « i n s t i g a d o r e s » d e p r o c e s o s e n l o s c u a l e s la a u d i e n c i a e s la
p r o t a g o n i s t a a c t i v a 57. E l l o e x p l i c a r í a l a n e c e s i d a d p o r p a r t e d e l o s a r t i s ­
t a s d e r e l o c a l i z a r p r á c t i c a s m á s a llá d e l m o d e l o d o m i n a n t e , h a c i a u n a
« i n v e r s i ó n e s t é t i c a » d e l o m o d e s t o y l o frágil, a s í c o m o l a n o c i ó n d e l d í a
a d í a y d e l o c o t i d i a n o . E s t a i d e a d e « m o d e s t i a » l a p o d e m o s a p l i c a r a l as
o b r a s d e a r t i s t a s c o m o el s u d a f r i c a n o U s h a S e e j a r i m (S e q u e n c e City,
2 0 0 2 ) y el c h i n o S o n g D o n g ( W a t e r Diary, 1 9 9 5 ) f o r m a l i z a n d o d e s d e la
periferia u n a actitud d e o p o s i c i ó n a los trabajos d e altos valores. T r a b a ­
jar d e s d e l o sencillo p u e d e c o n s i d e r a r s e u n a d o b l e a f i r m a c i ó n : estética
p e r o t a m b i é n política d e u n a m a n e r a n o m o n u m e n t a l y n o d e m o s t r a t i ­
v a . L o c u a l p u e d e s e r d e f i n i d o c o m o la p r o d u c c i ó n d e s i g n i f i c a d o y
c o n t e n i d o d e s d e « a t r á s » ( d e s d e la cola), d e s d e u n a p o s i c i ó n d e u n r e v i ­
t a l i z a d o u n d e r g r o u n d , m á s allá d e l c o n s o l i d a d o m a i n s t r e a m .
L a s o b r a s d e Z o n I t o (S c r a p W o r k s o f S c u m , 1 9 9 9 ) s o n m u y p a r a ­
d i g m á t i c a s al r e s p e c t o . S e t r a t a d e l i b r o s d e a r t i s t a , y l o m á s i n t e r e s a n ­
te s o n las p á g i n a s : t o d a s h e c h a s m a n u a l y a r t e s a n a l m e n t e e n la b ú s -
EL GIRO G E O G R Á F I C O 175

q u e d a d e u n a « n o inocente» inocencia y u n a deliberada «actitud de


a d o l e s c e n t e » . E s t e i m p u l s o d e « r a l e n t i z a D > las c o s a s e n l u g a r d e l a n ­
zarlas a u n f u t u r o m e j o r es sólo u n a s p e c t o d e este a m p l i o e s p e c t r o d e
e s t r a t e g i a s d e l o w p r o d u c t i o n v a l u e q u e b u s c a n r e c o n s i d e r a r las p r á c ­
t i c a s c r í t i c a s y a n o d e s d e e l m á s allá, e l a r r i b a o el d e n t r o s i n o d e s d e la
p u e r t a trasera.

D e la g e o e s t é t i c a a la g e o p o l í t i c a

M á s a llá d e l a d i m e n s i ó n g e o e s t é t i c a q u e v i n c u l a l a d i v e r s i d a d c u l t u r a l
a los c i r c u i t o s g l o b a l e s d e e x p o s i c i ó n d e l arte, h a b r í a q u e citar inicia­
tivas m á s c e r c a n a s a las r e f l e x i o n e s d e I m m a n u e l W a l l e r s t e i n s o b r e
g e o p o l í t i c a y g e o c u l t u r a 38 c o i n c i d i e n d o c o n el f i n d e u n a e r a d e h e g e ­
m o n í a e s t a d o u n i d e n s e e n e l « s i s t e m a - m u n d o » y q u e , al d e c i r d e J a m e -
son, p r e t e n d e n construir n u e v a s cartografías del sab er o n u e v o s
« m a p a s c o g n i t i v o s » e n el m a r c o d e u n n u e v o a n á l i s i s e s p a c i a l d e la
cu l t u r a q u e p e r m i t a a los territorios estab le c er n u e v a s f o r m a s d e p o d e r
e i n t e r a c c i ó n e n t r e i d e n t i d a d e s c u l t u r a l e s 39. E s l o q u e p o r o t r o l a d o
J o a q u í n B a r r i e n d o s d e f i n e c o m o el g i r o g e o g r á f i c o , q u e significa p a r a
l a e s t é t i c a l o m i s m o q u e s u p o n e el g i r o e s p a c i a l c o n r e s p e c t o al a r t e
g l o b a l , c o i n c i d i e n d o c o n el f i n d e l a h e g e m o n í a d e l a e s t é t i c a o c c i d e n ­
tal ( w e s t h é t i q u e ) e n f a v o r d e u n a n u e v a d e s l o c a l i z a c i ó n t r a n s r e g i o n a l
d e l a r t e c o n t e m p o r á n e o “40.
B a j o e s t o s p a r á m e t r o s s e situaría la m u e s t r a U v e n e n G e o g r a p h i e s
( 2 0 1 0 ) 41, c o m i s a r i a d a p o r A l e x F a r q u h a r s o n y T . J. D e m o s , q u e i n t e n ­
t ó m o s t r a r l a s v í a s p o r l a s q u e el a r t e c o n t e m p o r á n e o r e s p o n d í a a l a s
políticas d e u n a g l o b a l i z a c i ó n n e o l i b e r a l r e v e l a n d o s u s p u n t o s d e cri­
sis y d e c o s t e s h u m a n o s y p r o p o n i e n d o i m a g i n a t i v a s p o s i b i l i d a d e s
p a r a u n m u n d o — o m e j o r p a r a u n a g e o g r a f í a — d o m i n a d o p o r la « j u s ­
ticia s o c i a l » . U n m u n d o q u e m a n i f i e s t a a la p a r u n a i n i m a g i n a b l e
r i q u e z a y u n a i n i m a g i n a b l e p o b r e z a y a q u e el b i e n e s t a r d e l o s t r e s
h o m b r e s m á s ricos del p l a n e t a q u e d a e q u i p a r a d o c o n 6 0 0 m i l l o n e s d e
p o b r e s . L o s c e n t r o s d e p o d e r e n el n u e v o o r d e n e c o n ó m i c o m u n d i a l
s o n m ú l t i p l e s y d e s a f i a n t e s : la m i s e r i a n o p u e d e s e r i d e n t i f i c a d a e n u n
ú n i c o d é s p o t a — u n m o n a r c a i m p e r i a l i s t a o u n d i c t a d o r totalitario. E n
s u l u g a r , e s e l a n ó n i m o m e r c a d o « s i n c a b e z a » , q u e v a m á s a llá d e t o d a
s i t u a c i ó n d e n a c i ó n - e s t a d o , el q u e d e t e r m i n a el d e s t i n o d e la g e n t e 42.
C o i n c i d i e n d o c o n el s i m p o s i o T h e G e o p o l i t i c a l T u r n : A r t a n d t h e
C o n t e x t o f G l o b a l i s a t i o n 4 3 , o r g a n i z a d o c o n m o t i v o d e l a m u e s t r a , T . J.
D e m o s s e p r e g u n t ó : ¿ Q u é p u e d e el a r t e c o n t e m p o r á n e o d e c i r n o s
176 LOS GIROS D E L O G L O B A L

a c e r c a d e la g e o g r a f í a d e l c a p i t a l i s m o b a j o la g l o b a l i z a c i ó n ? U n c a p i ­
t a l i s m o q u e h a d i v i d i d o el N o r t e g l o b a l d e l S u r g l o b a l p r o d u c i e n d o y
m a n t e n i e n d o r e l a c i o n e s d e d e s i g u a l d a d social, e c o n ó m i c a y política
entre naciones del planeta ofreciéndonos u n a realidad q u e contradice
la v e r s i ó n t r i u n f a l i s t a d e l a g l o b a l i z a c i ó n q u e c e l e b r a u n a n u e v a e r a d e
m e r c a d o s , d e e q u i d a d social y d e inclusión d e m o c r á t i c a — lo q u e T i l o ­
m a s F r i e d m a n d e n o m i n a el « m u n d o p l a n o » d e u n h o r i z o n t a l e i g u a l i ­
t a r i o c o n s e n s o 44.
N a d a es p l a n o , h o r i z o n t a l o igualitario, s o s t i e n e D e m o s , s i n o q u e
m á s b i e n e s t a r í a d e t e r m i n a d o p o r el v o c a b l o u n e v e n ( d e s i g u a l ) , a c u ñ a ­
d o p o r el g e ó g r a f o N e i l S m i t h e n s u t e x t o U n e v e n D e v e l o p m e n t d e
1 9 9 0 y q u e c o m p a r t i ó el t a m b i é n g e ó g r a f o D a v i d H a r v e y , q u e e n S pa-
ces o f G l o b a l C a p i t a l i s m : T o w a r d a T h e o r y o f U n e v e n G e o g r a p h i c a l
D e v e l o p m e n t ( 2 0 0 8 ) 45 f o r m u l ó u n a a p r o x i m a c i ó n a l a g l o b a l i z a c i ó n
d e s d e la ó p t i c a d e la g e o g r a f í a e n r e l a c i ó n c o n las c o n d i c i o n e s e s p a c i a ­
les d e l c a p i t a l i s m o a v a n z a d o , s e g ú n las c u a l e s c o n f l u y e n t e n d e n c i a s
contradictorias d e capital q u e s i m u l t á n e a m e n t e p r o m u e v e n «igualita­
r i s m o » (la a r m o n i z a c i ó n d e n i v e l e s y c o n t r a d i c c i o n e s d e p r o d u c c i ó n )
y « d i f e r e n c i a c i ó n » a a c u m u l a c i ó n y c e n t r a l i z a c i ó n d e r i q u e z a ) . Y si
bien, c o m o o b s e r v a S m i t h , este « de si gu a l» desarrollo del capitalismo
f u e o b s e r v a d o p o r p r i m e r a v e z e n el s i g l o X I X p o r M a r x , q u e r e f l e x i o ­
n ó s o b r e la « n u e v a e i n t e r n a c i o n a l d i v i s i ó n d e l t r a b a j o » , l o c i e r t o e s
q u e l a a c t u a l s i t u a c i ó n d e la e c o n o m í a g l o b a l f a v o r e c e , s i g u i e n d o a
H a r v e y , la « a c u m u l a c i ó n p o r d e s p o s e s i ó n » , q u e p o n e la lla ga e n las
relaciones e ntre s i stemas d e s a l u d y p o b r e z a y q u e d e s e m b o c a e n lo
q u e N a o m i K l e i n d e n o m i n a el « c a p i t a l i s m o d e l d e s a s t r e » , g e n e r a d o a
p ar ti r d e las r e f o r m a s d e las r e p ú b l i c a s p o s t s o v i é t i c a s .
E s t e s e r í a p u e s e l m a r c o t e ó r i c o q u e a g r u p a r í a la m a y o r p a r t e d e
t r a b a j o s d e los artistas r e u n i d o s e n U n e v e n G e o g r a p h i e s , q u e r e c o n o ­
c e n el c r e c i e n t e d o m i n i o d e l a « d i f e r e n c i a c i ó n » p o r e n c i m a d e l o
« i g u a l i t a r i o » e n el s e n o d e l c a p i t a l i s m o g l o b a l . T r a b a j o s q u e , c o m o l o s
d e U r s u l a B i e m a n n , Y t o B a r r a d a o G e o r g e O s o d i , m a p e a n los e s p a ­
c i o s d e « e x c e p c i ó n » q u e e x i s t e n m á s allá d e l a l e g a l i d a d , al t i e m p o q u e
m u e s t r a n el p e l i g r o s o p a s o a l r e d e d o r d é l a s f r o n t e r a s m i l i t a r i z a d a s d e l
N o r t e y d e l S u r y r e t r a t a n las e m p o b r e c i d a s c i r c u n s t a n c i a s q u e p e r s i s ­
t e n a la s o m b r a d e las i n d u s t r i a s e n e r g é t i c a s . S e trata d e artistas q u e
b u s c a n r e i n v e n t a r n u e v o s m o d o s d e r e p r e s e n t a c i ó n q u e n o s sitúan, d e
u n a m a n e r a crítica y creativa, e n r e l a c i ó n c o n los « d e s a r r o l l o s d e s i g u a ­
l e s » d e la g l o b a l i z a c i ó n e n u n a l í n e a s i m i l a r a la q u e p l a n t e a J a m e s o n ,
q u e e n T h e Geopolitical Aesthetic m u e s t r a q u e los a v a n c e s del c a p i t a ­
l i s m o a v a n z a d o — paisaje financiero global, tecnologías d e c o m u n i c a -
EL GIRO G E O G R Á F I C O 177

c i ó n e n red, m e c a n i s m o s legales transnacionales y p u b l i c i d a d c o n v e r ­


tida e n e s p e c t á c u l o — h a c e n insuficientes los l e n g u a j e s d e análisis y
d e s c r i p c i ó n , es decir, i n a d e c u a d o s p a r a « p e n s a r u n s i s t e m a t a n v a s t o
q u e n o p u e d a s e r a b a r c a d o p o r las clásicas t eo r í a s d e p e r c e p c i ó n c o n
l a s c u a l e s l o s s e r e s h u m a n o s n o r m a l m e n t e s e o r i e n t a n a sí m i s m o s » 46 .
D e a h í la n e c e s i d a d d e recurrir, s e g ú n J a m e s o n , a los « m a p a s c o g -
nit iv os » , q u e h a r í a n p o s i b l e u n a r e p r e s e n t a c i ó n d e las p a r t e s d e l siste­
m a d e n t r o d e u n a vasta y p r o p i a m e n t e n o repres entable totalidad, q u e
n o e s o t r a q u e el c o n j u n t o d e l a s e s t r u c t u r a s s o c i a l e s c o m o t o d o . D e
a h í t a m b i é n la u r g e n c i a d e l o s a r t i s t a s c o n v o c a d o s p o r D e m o s d e visi-
b i l i z a r e s t a cr i s i s d e l a r e p r e s e n t a c i ó n , l o c u a l l l e v ó a Y a n g Z h e n z h o n g
a m a t e r i a l i z a r las políticas y r e f o r m a s d e l n e o l i b e r a l i s m o p a r a h a c e r l a s
v i s i b l e s e i n v i t a r a s u c o n s i d e r a c i ó n c r ítica. A p a r t i r d e n u m e r o s o s
e n f o q u e s q u e v a n d e s d e lo s ociológico h as ta lo afectivo y d e lo d o c u ­
m e n t a l a l o p r e f o r m a t i v o , las o b r a s d e la e x p o s i c i ó n e x p l o r a n f o r m a s
d e i n i g u a l d a d r e l a c i o n a d a s c o n l a g l o b a l i z a c i ó n n e o l i b e r a l , al t i e m p o
q u e r e v e l a n , al d e c i r d e D e m o s , el p o d e r d e e n e r g í a s c r e a t i v a s y a la
vez oposicionales q u e se dirigen e n contra d e sus dictados e c o n ó m i c o -
p o l í t i c o s y s e a b r e n a o t r o s m o d o s d e g i o b a l i z a c i ó n . E s t e e s el c a s o d e l
artista B r u n o S e r r a l o n g u e y s u s series d e fotografías, q u e d o c u m e n t a n
el F o r o E c o n ó m i c o M u n d i a l 2 0 0 4 e n B o m b a y , q u e a g l u t i n ó 2 . 5 0 0
c o n f e r e n c i a s , s e m i n a r i o s y talleres b a j o el e s l o g a n : « n u e s t r o m u n d o n o
e s t á e n v e n t a » , al t i e m p o q u e , e n s u d e c i d i d a v o l u n t a d a n t i e s p e c t a c u ­
lar, b u s c a n c a p t a r el e s p í r i t u d e m u c h o s m o v i m i e n t o s d e l S u r G l o b a l ,
el o t r o r o s t r o d e l e l i t i s m o e c o n ó m i c o d e l F o r o E c o n ó m i c o M u n d i a l d e
Davos. U n a verdadera «globalización desde abajo» q u e presenta u n
descentrado y transnacional « m o v i m i e n t o d e m o v i m i e n t o s » c o m p r o ­
m e t i d o c o n l a j u s t i c i a s o c i a l , l a i g u a l d a d e c o n ó m i c a y la s u s t e n t a b i l i -
d a d e c o n ó m i c a 47.
C o n n u e v a s a p o rtaciones d e Y t o Ba r r a d a , Life full o f H o l e s : T h e
S t r a i t P r o j e c t , 1 9 9 8 - 2 0 0 4 , el c i c l o f o t o g r á f i c o d e G e o r g e O s o d i , O i l
R i c h N i g e r D e l t a , 2 0 0 3 - 2 0 0 7 , o la o b r a d e S t e v e M c Q u e e n , G r a v e s e n d
( 2 0 0 7 ) , l a e x p o s i c i ó n d e l i m i t a , al d e c i r d e T . J. D e m o s , l a s a c t u a l e s
c o n d i c i o n e s d e la g l o b a l i z a c i ó n n e o li be r al , r e v e l a n d o s u b p u n t o s d e
c r isis y d e c o s t e s h u m a n o s , al t i e m p o q u e p r o p o n e n u e v a s p o s i b i l i d a ­
d e s i m a g i n a t i v a s p a r a u n m u n d o — y, p a r a s e r m á s p r e c i s o s , p a r a u n a
g e o g r a f í a — d e justicia social, c r e a t i v i d a d e x p e r i m e n t a l e i n c l u s i ó n
política. T o d o ello n o s lleva a c o n c l u i r q u e m á s q u e v e r el a c t u a l
m o m e n t o d e la g l o b a l i z a c i ó n c o m o u n i n e v i t a b l e r e s u l t a d o d e la
m o d e r n i d a d , se presenta c o m o u n c o n j u n t o d e narrativas e n conflicto
c o n d i s t i n t a s l e c t u r a s p o l í t i c a s y e c o n ó m i c a s . D e a h í q u e la e x p o s i c i ó n
178 LOS GIROS D E L O G L O B A L

n o s invite a d e s f a m i l i a r i z a r n o s y a repolitizar el t é r m i n o g l o b a l i z a c i ó n
a partir d e r e n o v a d a s relaciones e nt re arte y política q u e c o n t e m p l e n
u n f u t u r o j u s t o e i g u a l i t a r i o 48.
T o m a n d o c o m o p u n t o d e p a r t i d a la r e o r d e n a c i ó n d e las r e l a c i o ­
n e s g l o b a l e s tras la S e g u n d a G u e r r a M u n d i a l , « l a h o r a c e r o e u r o ­
pea», u n a n u e v a exposición, After YearZero: Geographies ofCollabo-
r a t i o n s i n c e 1 9 4 5 a9, a b o r d ó e l f e n ó m e n o d e l a c e s u r a h i s t ó r i c a m u n d i a l
d e la d e s c o l o n i z a c i ó n y l o s i n t e n t o s d e d e s a f i a r y t r a n s f o r m a r las c o n ­
d i c i o n e s m a r c o d e la e r a d e la m o d e r n i d a d c o l o n i a l c o n u n a e s p e c i a l
r e f e r e n c i a e n la p r i m e r a C o n f e r e n c i a A f r o - A s i á t i c a d e B a n d u n g
( I n d o n e s i a ) , c e l e b r a d a e n 1 9 5 5 c o n la i n t e n c i ó n d e p r o p o n e r u n n u e ­
v o m o d e l o d e c o l a b o r a c i ó n d e l « S u r G l o b a l » b a j o la b a n d e r a d e u n a
m o d e r n i d a d anticolonial. Y es así c o m o t a n t o los d i s c u r s o s c u r a t o r i a -
les d e la e x p o s i c i ó n c o m o las o b r a s d e l o s artistas, c u a t r o d e ellas
nuevas producciones, buscaron dar respuesta a u n amplio abanico de
c u e s t i o n e s g e n e r a d a s a r a í z d e la h i s t o r i a d e l a m o d e r n i d a d c o l o n i a l y
la d e s c o l o n i z a c i ó n p o s t e r i o r a 1 9 4 5 . P o r e j e m p l o K a d e r A t t i a , e n s u
t r a b a j o R e p a i r in F i v e A c t s ( 2 0 1 3 ) , i n v e s t i g ó las p r á c t i c a s c u l t u r a l e s
d e m u t u a a p r o p i a c i ó n y r e p r e s e n t a c i ó n e n t r e A f r i c a y E u r o p a y, e n
c o n c r e t o , l a s i n t e r c o n e x i o n e s d e la h i s t o r i a c o l o n i a l y la m i s i ó n c r i s ­
t i a n a , c e n t r á n d o s e e n la v a s t a c o l e c c i ó n d e a r t e a f r i c a n o y o b j e t o s d e
c u l t o e n p o d e r d e l V a t i c a n o y q u e p e r m a n e c e n o c u l t o s a la v i s i ó n d e l
público.
P a r a d a r r e s p u e s t a a l a c u e s t i ó n d e c ó m o el m o v i m i e n t o p a n a f r i c a -
n o s e p o s i c i o n ó a sí m i s m o e i n i c i ó u n p e r í o d o d e c a m b i o s a p a r t i r d e
1 9 0 0 , el t r a b a j o d e T h e O t o l i t h G r o u p , I n t h e Y e a r o f t h e Q u i e t S u n
( 2 0 1 3 ) , reflejó este m i s m o h o r i z o n t e d e e x p e c t a t i v a s d e d e s c o l o n i z a ­
c i ó n t o m a n d o c o m o e j e m p l o G h a n a tras s u i n d e p e n d e n c i a d e l I m p e ­
rio B r i t á n i c o e n 1 9 5 7 . P o r s u parte, J o h n A k r o m f r a h , u n o d e los
c o f u n d a d o r e s d e l A u d i o F i l m C o l l e c t i v e , e n la v i d e o i n s t a l a c i ó n T h e
U n f i n i s h e d C o n v e r s a t i o n ( 2 0 1 2 ) , a s u m i ó la c u e s t i ó n d e l p a p e l d e s e m ­
p e ñ a d o p o r l a h i s t o r i a c o l o n i a l y el f a s c i s m o e n l o s m o v i m i e n t o s d e
l i b e r a c i ó n , t o m a n d o c o m o p u n t o d e p a r t i d a las r e l a c i o n e s d e l l e n g u a ­
je d e l o s m o v i m i e n t o s d e l i b e r a c i ó n y d e las r e a l i d a d e s p ol ít ic a s d e las
a n t i g u a s c o l o n i a s d e A f r i c a . C o n c l u s i ó n : la i d e n t i d a d n o e s u n a e s e n ­
c i a n i u n ser, s i n o u n d e v e n i r e n e l c u a l l a s s u b j e t i v i d a d e s i n d i v i d u a l e s
s e f o r m a n e n u n e s p a c i o t a n t o f i c t i c i o c o m o real. L o s c i n e a s t a s Y e r -
v a n t G i a n i k i a n y A n g e l a Ricci L u c c h i , q u e d e s d e los a ñ o s setenta tra­
bajan c o n material d e archivo fílmico c o m o fuente d e sus investigacio­
n e s s o b r e l o s p r o c e s o s d e c o l o n i a l i s m o y d e s c o l o n i z a c i ó n e n la
i n s t a l a c i ó n I m p e r i u m (2 0 1 3 ) , u n a c r ó n i c a d e l a i n v a s i ó n a E t i o p í a p o r
EL GIRO G E O G R Á F I C O 179

p a r t e d e M u s s o l i n i , d a n n u e v a luz y significado a los a c o n t e c i m i e n t o s


h i s t ó r i c o s a p a r t i r d e la a p a r i c i ó n d e e s p e c t r o s q u e e x h u m a n las o l v i ­
d a d a s y, a m e n u d o , v e r g o n z o s a s o f e n s a s h i s t ó r i c a s .

A p o r t a c i o n e s artísticas

E l c a m b i o d e u n d i s c u r s o histórico a o t r o g e o g r á f i c o y espacial, inclu­


y e n d o la g e o g r a f í a g l o b a l y t e c n o l ó g i c a b a j o el p a r a g u a s d e l a m i g r a ­
c i ó n y la g l o b a l i z a c i ó n , h a a l i m e n t a d o d e s d e f i n a l e s d e l o s a ñ o s n o v e n t a
n u m e r o s a s p r á c t i c a s artísticas q u e t r a b a j a n e n lo q u e d e n o m i n a r í a m o s
« d i m e n s i ó n s i m b ó l i c a » d e la m o v i l i d a d , q u e e n t i e n d e la m i g r a c i ó n y
las po l í t i c a s id e n t i t a r i a s c o m o los « r o s t r o s c r í t i c o s » d e a l g u n a s d e las
c o n s e c u e n c i a s c u l t u r a l e s d e la g l o b a l i z a c i ó n . P r á c t i c a s e n d e f i n i t i v a
q u e , m á s q u e i n t e r e s a r s e p o r los l u g a r e s e n s u d i m e n s i ó n física o p a i ­
s a j í s t i c a ( e n el p o l o o p u e s t o al l a n d art), l o h a c e n p o r l a r e l a c i ó n d e l o s
c u e r p o s c o n e s t o s l u g a r e s o territorios, así c o m o p o r las r e p r e s e n t a c i o ­
n e s sociales d e t o d o tipo q u e estos d e s p l a z a m i e n t o s conllevan, g e n e ­
r a n d o u n n u e v o tipo d e relaciones d í p o d e r entre los lugares ( e n t e n ­
d i d o s c o m o lugares discursivos e identitarios y c o m o esferas p ú b l i c a s
t r a n s n a c i o n a l e s ) y las s u b j e t i v i d a d e s .

Deslocalización transregional

E n t r e los artistas q u e s e a c o g e n a esta n u e v a « d e s l o c a l i z a c i ó n t r a n s r e ­


g i o n a l » d e s t a c a r í a m o s p o r s u c a r á c t e r p i o n e r o a la y a c i t a d a U r s u l a
B i e m a n n (Zúrich, 1955), q u e se vale del v í d e o c o m o estrategia o
m e t o d o l o g í a crítica p a r a llevar a c a b o s ü s e s t u d i o s s o b r e las f r o n t e r a s
y las z o n a s extraterritoriales, análisis c u y o s p l a n t e a m i e n t o s d e a m b u l a n
p o r l o s i n t e r s t i c i o s d e l a r t e , la a n t r o p o l o g í a y la e t n o g r a f í a . E l d e n o m i ­
n a d o r c o m ú n d e t o d a s s u s o b r a s , al d e c i r d e T . J. D e m o s , e s « u n e n f o ­
q u e a m p l i o y r i g u r o s o e n la d o c u m e n t a c i ó n d e las c o n d i c i o n e s r ea le s
e n z o n a s d e t r a n s i c i ó n s o c i o p o l í t i c a y u n a c o m p l e j a r e l a c i ó n c o n la
r e p r e s e n t a c i ó n q u e e x c e d e los p r o t o c o l o s d e las c o n v e n c i o n e s d o c u ­
m e n t a l e s t r a d i c i o n a l e s » 50.
E n el v i d e o e n s a y o P e r f o r m i n g t h e B o r d e r ( 1 9 9 9 ) B i e m a n n p l a n t e a
la f r o n t e r a d e los E s t a d o s U n i d o s c o n M é x i c o c o m o u n á r e a g e o p o l í ­
tica c o n s t i t u i d a p o r u n e s p a c i o d i s c u r s i v o y m a t e r i a l q u e s e e x p r e s a a
p a r t i r d e l a r e p r e s e n t a c i ó n y g e s t i ó n d e l a s r e l a c i o n e s d e g é n e r o , la
a l i e n a c i ó n d e las v i d a s d e las m u j e r e s q u e t r a b a j a n e n las m a q u i l a d o -
180 LOS GIROS D E L O G L O B A L

ras, l a d i v i s i ó n d e l t r a b a j o n o r t e - s u r , l a p r o s t i t u c i ó n y l a v i o l e n c i a
s e x u a l e n la e s f e r a p ú b l i c a . D e los c u a t r o c a p í t u l o s e n los q u e s e d i v i d e
el v í d e o ( « T h e P l a n t » , « T h e S e t d e m e n t » , « S e x W o r k » y « T h e
K i l l i n g s » ) , c o m o s u g i e r e A n g e l a D i m i t r a k a k i , el c a p í t u l o m á s s i g n i f i ­
c a t i v o e s e l ú l t i m o , e n la m e d i d a e n q u e s e i d e n t i f i c a u n a f o r m a c l a r a
d e c r i m i n a l i d a d p r e s e n t e e n t o d o el v í d e o : « l o s s e c u e s t r o s , l a s v i o l a c i o ­
n e s y c r í m e n e s ( l o s c o n o c i d o s c o m o f e m i n i c i d i o s ) d e m u j e r e s e n el
d e s i e r t o p o r l a f r o n t e r a l e o t o r g a n al ú l t i m o u n a f o r m a d e i d e n t i d a d
b i o p o l í t i c a p e r t u r b a d o r a » 51.
E n u n a n u e v a o b r a , el v í d e o s i n c r o n i z a d o C o n t a i n e d M o b i l i t y
( 2 0 0 4 ) , B i e m a n n a n a l i z a las c o n d i c i o n e s q u e e s t a b l e c e n los c a m b i o s
e n las r e g u l a c i o n e s d e los d e s p l a z a m i e n t o s t r a n s f r o n t e r i z o s e u r o p e o s
d e s p u é s d e los a t e n t a d o s d e l 1 1 d e s e p t i e m b r e d e 2 0 0 1 , c o n u n p arti­
c u l a r f o c o e n la s i t u a c i ó n d e « s u s p e n s i ó n e s p a c i o t e m p o r a l d e las e x i s ­
t e n c i a s t r a n s l o c a l e s » 52. C e n t r á n d o s e e n la s o f i s t i c a c i ó n y l o s m é t o d o s
d e s a r r o l l a d o s p a r a c o n t r o l a r el f l u j o d e p e r s o n a s y b i e n e s p o r u n l a d o ,
y p o r o t r o e n a q u e l l o s i n d i v i d u o s q u e r e c u r r e n a la s o l i c i t u d d e asilo
c o m o el ú n i c o m é t o d o p a r a p o d e r e v i t a r l a s r e s t r i c c i o n e s a l a m o v i l i ­
d a d , B i e m a n n i d e n t i f i c a l a m o v i l i d a d y la c o n t e n c i ó n c o m o d o s e l e ­
m e n t o s c o n s t i t u t i v o s d e u n o x í m o r o n , la p a r a d o j a d e u n s i s t e m a
c o n e c t a d o p e r o s e g r e g a d o q u e , c o m o s u g i e r e U t a Staiger, e n ú l t i m a
i ns ta nc i a se e q u i p a r a c o n u n a c o n t r a p o s i c i ó n e n t r e los d e r e c h o s d e los
c i u d a d a n o s y l o s d e r e c h o s h u m a n o s ’3.
El p r o y e c t o S a h a r a Chronicle ( 2 0 0 6 - 2 0 0 9 ) es u n a colección d e
d o c e v í d e o s d e c o r t a d u r a c i ó n q u e t e s t i m o n i a n el é x o d o s u b s a h a r i a n o
h a c i a E u r o p a , d a n d o c u e n t a t a n t o d e las d i n á m i c a s d e la m o v i l i d a d
c o m o d e l as p o l í t i c a s d e c o n t e n c i ó n q u e s e s o l a p a n e n e s t a á r e a g e o ­
g r á f i c a . B i e m a n n t r a t a d e r e p r e s e n t a r la c o m p l e j i d a d d e l a s a b s t r a c t a s
r e l a c i o n e s e c o n ó m i c a s a t r a v é s d e la e x p e r i e n c i a d e la m i g r a c i ó n ,
« e n l a z a n d o la c o t i d i a n i d a d c o n la h i s t o r i a c o l o n i a l , e s t r u c t u r a s l e g a l e s
c o n h e c h o s e c o n ó m i c o s , l a s p o l í t i c a s d e c o n t e n c i ó n c o n el d e s e o d e la
m o v i l i d a d » , c o m o d e s t a c a T . J. D e m o s 54 . D e s p o j a n d o l a s i m á g e n e s d e
d r a m a t i s m o , el p a r t i c u l a r e n f o q u e l i b e r a l a r e p r e s e n t a c i ó n d e l f e n ó ­
m e n o d e l a c a r g a c r i m i n a l c o n la q u e l o s m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n
t i e n d e n a a b o r d a r la c u e s t i ó n d e l a m i g r a c i ó n c l a n d e s t i n a y e x p r e s a
u n a c a p a c i d a d d e o r g a n i z a c i ó n social, u n a a c t u a c i ó n o m i t i d a p o r los
r e l a t o s h e g e m ó n i c o s , « i n v i r t i e n d o el e s t i g m a p o r u n a f u e r z a posibili-
t a d o r a » 55.
E n el v i d e o e n s a y o X - M i s s i o n ( 2 0 0 8 ) [ 1 a y b ] , B i e m a n n t o m a l o s
c a m p o s d e refugiados palestinos c o m o objeto d e estudio, e x p l o r a n d o
los diversos discursos legales,-simbólicos, u r b a n o s , históricos y m i t o -
EL GIRO G E O G R Á F I C O 181

l ó g i c o s q u e d e f i n e n las d i v e r s a s p a r t i c u l a r i d a d e s d e e s t o s l u g a r e s q u e
la artista p l a n t e a c o m o el o r i g e n d e las z o n a s extr a t e r r i t o r i a l e s e q u i p a ­
r á n d o l o s c o n las z o n a s d e libre c o m e r c i o , los c e n t r o s turísticos o los
t e r r i t o r i o s f r o n t e r i z o s 56. E l c o n t e x t o g l o b a l d e e x t r a t e r r i t o r i a l i d a d e n
el q u e s e g ú n A d a S b r i c c o l i s e d e b e n s i t u a r l o s a s e n t a m i e n t o s p a l e s t i ­
n o s « e s t á p r o f u n d a m e n t e a f e c t a d o p o r las l ó g i c a s q u e s e h a n i m p u e s t o
d e s d e el 1 1 d e s e p t i e m b r e d e 2 0 0 1 y p o r l a d i f u s i ó n d e u n e s t a d o d e
e x c e p c i ó n , la i m p l a n t a c i ó n d e e s t r a t e g i a s d e c o n t r o l y la s u s p e n s i ó n
d e l o s d e r e c h o s c i v i l e s » 37. D i v i d i d o e n s i e t e c a p í t u l o s ( p r ó l o g o , e s p a ­
cio jurídico, e s p a c i o s i m b ó l i c o , z o n a s d e e x c e p c i ó n , t i e m p o m i t o l ó g i ­
c o , c o m p l e j o i n d u s t r i a l y e s t a d o p o s n a c i o n a l ) , el v í d e o a t e s t i g u a l a s
r e l a c i o n e s d e e s t o s c o m p l e j o s e c o s i s t e m a s c o n la d i á s p o r a , c o n s u p a í s
natal y c o n los otros g r u p o s d e palestinos q u e c o n f o r m a n esta c o m u ­
n i d a d tan dispersa.
B u e n a parte del trabajo d e B o u c h r a Khalili (Casablanca, 1 9 7 5 )
e x p l o r a el á r e a d e l M e d i t e r r á n e o c o m o u n t e r r i t o r i o d e d i c a d o a la
e x i s t e n c i a n o m á d i c a a p a r t i r d e u n a c o m b i n a c i ó n e n t r e la g e o g r a f í a
f í s i c a y l a m e n t a l . E n e s t e c o n t e x t o d e t r a b a j o e n el q u e r e f l e j a el e s t a ­
d o existencial t ransnacional q u e def in e z o n a s d e tránsito y rutas d e
m i g r a c i ó n se i n s c r i b e n los o c h o v í d e o s y o c h o fotografías p r o d u c i d o s
e n t r e 2 0 0 8 y 2 0 1 1 , T h e M a p p i n g J o u r n e y [ 2 ] , q u e f o r m a n la s e r i e l l a ­
m a d a T h e Constellations y q u e tienen c o m o objetivo « m a p e a r » u n a
cartografía alternativa del M e d i t e r r á n e o b a s a d a e n o c h o viajes c l a n ­
d e s t i n o s . E s t a s d e r i v a s c o i n c i d e n c o n las d e la artista, q u i e n v i a j ó d e s ­
d e Marsella hasta Ramallah, desde Bari hasta R o m a , d e R o m a a B ar ­
c e l o n a y d e B a r c e l o n a a E s t a m b u l . C e n t r a d o e n la c o n f r o n t a c i ó n
e n t r e l a s t r a y e c t o r i a s s i n g u l a r e s y la n o r m a t i v i d a d d e l a c a r t o g r a f í a , el
p r o y e c t o s e c e n t r a e n u n a c o n t r a c a r t o g r a f í a b a s a d a e n el g e s t o , el d i b u ­
j o y el h a b l a . A l l l e v a r a c a b o e s t a d o b l e e x p l o r a c i ó n g e o g r á f i c a y
existencial, B o u c h r a Khalili utilizó m a p a s políticos reales d e l M e d i t e ­
rráneo y pidió a inmigrantes i n d o c u m e n t a d o s q u e dibujasen directa­
m e n t e s o b r e ellos s u s viajes ilegales p a r a h a c e r e v i d e n t e la g e o g r a f í a
alternativa q u e estos viajes g e n e r a n . C o m o a p u n t a K a e l e n W i l s o n -
G o l d i e 58, a l i g u a l q u e e l c a r á c t e r f a n t a s m a l d e l p r o t a g o n i s t a d e l l i b r o
d e S a r a m a g o , E l a ñ o d e la m u e r t e d e R i c a r d o R e i s ( 1 9 8 4 ) , los p e r s o n a ­
jes d e K h a l i l i s o n f a n t a s m a l e s : a la v e z p r e s e n t e s y a u s e n t e s , n u n c a
a p a r e c e n e x p l í c i t a m e n t e e n la p an t a l l a . S a b e m o s s u s n o m b r e s , v e m o s
s u s m a n o s , p e r o e x i s t e n p r i n c i p a l m e n t e e n la v o z e n o f f , n a r r a n d o s u s
historias d e viajes c landestinos.
R e f l e x i o n a n d o s o b r e l a c o n f r o n t a c i ó n e n t r e l a g e o g r a f í a y la t r a ­
y e c t o r i a s i n g u l a r d e l a s m i n o r í a s , e s t a a c c i ó p p e r m i t i ó a l a a r t i s t a arti-
182 LOS GIROS D E L O G L O B A L

1 a y b. c u l a r territorios, n a r r a c i o n e s , i d i o m a s y la v o z d e las m i n o r í a s « c o n u n
Ursula Biemann, refinamiento formal y u n a simplicidad e xtrema» q u e evocan u n a
F o t o g r a m a del v í d e o
X - M i s s i o n .2008. «situación e c o n ó m i c a y cultural radical q u e n o s i m p i d e t o d a posibili­
© C o r t e s í a d e la artista. d a d d e e s c a p e » , e n p a l a b r a s d e K h a l i l P 9.

P e n s a m i e n t o frontera

E l h e c h o d e t o m a r el « p e n s a m i e n t o f r o n t e r a » c o m o u n n u e v o l u g a r d e
p r o d u c c i ó n d e s a b e r e s e n l í n e a d i r e c t a c o n el p e n s a m i e n t o d e W a l t e r
M i g n o l o 60 a n i m a l a s o b r a s d e u n a b u e n a p a r t e d e a r t i s t a s g l o b a l e s ,
c o m o C h a n t a l A k e r m a n , A n t o n i M u n t a d a s , Francis Alys, A le j a n d r a
R i e r a , M a r i n e H u g o n n i e r o el c o l e c t i v o B o r d e r A r t W o r k s h o p / T a l l e r
d e A r t e Fronterizo, f u n d a d o e n 1 9 8 4 c o m o parte del C e n t r o Cultural
d e la R a z a e n B a l b o a P a r k ( S a n D i e g o , C a l i f o r n i a ) p o r G u i l l e r m o
L ó p e z P e ñ a , q u e o p o n e a la c a r t o g r a f í a d e l o q u e él d e n o m i n a « n u e v o
o r d e n m u n d i a l » { n e w w o r l d o r d e r ) el m a p a c o n c e p t u a l d e l « n u e v o o r d e n
frontera» { n e w w o r l d border):

U n a z o n a fronteriza trans e intercontinental d o n d e n i n g ú n c e n t r o se


p e r p e t ú a . T o d o q u e d a e n el m a r g e n , l o q u e s i g n i f i c a q u e y a n o e x i s t e
la f i g u r a d e l « o t r o » . O p a r a d e c i r l o m e j o r , l o s v e r d a d e r o s « o t r o s » s o n
l o s q u e r e s i s t e n a la f u s i ó n , al m e s t i z a j e y al d i á l o g o d e las c u l t u r a s 61.

Y tal c o m o s o s t i e n e F r a n c i s c o J a r a u t a e n « H a b i t a r la f r o n t e r a » , c i t a n ­
d o a H a n s E n z e n s b e r g e r . e n L a g r a n ? n i g r a c i ó n , u n a d e las m e d i t a c i o -
EL GIRO G E O G R Á F I C O 183

n e s éticas m á s radicales s o b r e los actuales m o v i m i e n t o s m i g r a t o r i o s 2.


a p u n t a a a n a l i z a r el t e m a d e la f r o n t e r a c o m o u n a m á q u i n a d e d e r e ­ B o u c h r a Khalili,
Videoinstalación
chos, diferencias, c o m p o r t a m i e n t o s , exclusiones y violencias, q u e T h e Mapping journey
e n t r a e n a c c i ó n t a n p r o n t o el p r o c e s o d e l a e m i g r a c i ó n s e d e s e n c a d e ­ ( 2 0 0 8 - 2 0 1 1 ).
© C o r t e s í a d e la artista.
n a , a l t e r a n d o el c o n f o r t a b l e y d e f e n d i d o c a s t i l l o d e l b i e n e s t a r y la
i d e n t i d a d 62.
F u n d a m e n t a l f u e l a a p o r t a c i ó n a la e s t é t i c a d e l a f r o n t e r a d e C h a n
tal A k e r m a n ( B r u s e l a s , 1 9 5 0 - 2 0 1 5 ) , e n e s p e c i a l e n l a o b r a q u e p r e s e n ­
t ó e n la D o c u m e n t a 1 1 d e K a s s e l , F r o m t h e O t h e r S i d e ( 2 0 0 2 ) , q u e
t r a t a s o b r e el d e s t i n o d e l o s m e x i c a n o s q u e p o n e n e n j u e g o s u v i d a al
q u e r e r a t r a v e s a r l a f r o n t e r a c o n E s t a d o s U n i d o s j u n t o al d e s i e r t o d e
A r i z o n a , e n c o n c r e t o e n t r e A g u a P r i e t a y D o u g l a s . T r a s la l e c t u r a p o r
p a r t e d e A k e r m a n d e noticias d e p r e n s a s o b r e los r a n c h e r o s d e A r i z o ­
n a q u e h a b í a n d e c i d i d o i m p o n e r s u s p r o p i a s leyes c o n total i m p u n i ­
d a d , c a z a n d o a l o s i n m i g r a n t e s i l e g a l e s c o n rifles al h o m b r o y t r a t á n ­
d o l e s c o m o p r i s i o n e r o s d e g u e r r a , la artista d e c i d i ó s i t u a r s e e n el l u g a r
y realizar u n a s er ie d e e n t r e v i s t a s c o n g e n t e d e la f r o n t e r a m e x i c a n a a
partir del c o n c e p t o d e m i e d o . C o m o a f i r m ó A k e r m a n :
184 L O S G I R O S D E L O G L O B A L

3 a y b. E s t a m o s a n t e u n a i n s t a l a c i ó n q u e trata d e l m i e d o al o t r o , d e s u p o b r e ­
Antón iMuntadas, z a y d e la p o s i b i l i d a d d e c o n t a g i o . M i e d o , s i n l u g a r a d u d a s a q u e e s t a
F o t o g r a m a s del v í d e o O n
Translation: F e a r / M i e d o . p u t r e f a c c i ó n , e s t a i m p u r e z a , a t a q u e a la i d e a a r c a i c a d e la i n t e g r i d a d
( 2 0 0 5 ) © C o r t e s í a d el d e l c u e r p o , d e la tierra y d e la s a n g r e . Y s o b r e t o d o e n E s t a d o s U n i d o s ,
artista. c o n u n a sociedad f u n d a m e n t a l m e n t e primitiva inventada p o r purita­
n o s e i m p r e g n a d a d e u n a m o r a l i d a d d e d i s c r i m i n a c i ó n racial y u n a
e s c r u p u l o s i d a d o b s e s i v a c o n el o r i g e n . E s t e r i n c ó n d e A r i z o n a e s u n
m u n d o d o n d e , c o n u n rifle al h o m b r o , s e d e f i e n d e n las p o s e s i o n e s c o n ­
tra a q u e l a q u i e n c o n s i d e r a u n i n v a s o r e x t r a n j e r o q u e t r a e c o n s i g o
c o n t a m i n a c i ó n 63.

DentrodelproyectoOn T ranslation, A n t o n i M u n t a d a s ( B a r c e l o n a ,
1 9 4 2 ) h a d e d i c a d o d o s o b r a s al t e m a d e l a f r o n t e r a : O n T r a n s l a t i o n :
F e a r / M i e d o ( 2 0 0 5 ) , e n la f r o n t e r a e n t r e S a n D i e g o ( E s t a d o s U n i d o s ) y
T i j u a n a ( M é x i c o ) , y O n Translation: M i e d o / ] a u f ( 2 0 0 8 ) , e n la q u e
separa Tarifa ( E s p a ñ a ) y T á n g e r ( M a rruecos), p r o y e c t o s estos q u e
r e v e l a n q u e la f r o n t e r a e s a l g o m á s q u e u n l u g a r físico y q u e , a p a r t e d e
l o s p r o p i o s paisajes, s i r v e d e p r e t e x t o p a r a d o c u m e n t a r las v o c e s y los
r o s t r o s q u e la h a b i t a n . L a f r o n t e r a e s a n a l i z a d a c o m o u n e s c e n a r i o
g e o p o l í t i c o , d o n d e la r e a l i d a d f r o n t e r i z a n o e s s ó l o u n h i t o g e o g r á f i c o
sino t a m b i é n u n a construcción mental, c o n d i c i o n a d a p o r factores q u e
v a n d e s d e los prejuicios a l i m e n t a d o s p o r los m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n
h a s t a el m i s m o d e s c o n o c i m i e n t o d e « l a o t r a » c u l t u r a , la c u l t u r a d e l
«otro». E l m i e d o n o es sólo u n s en ti mi e nt o abstracto sino t a m b i é n u n
l u g a r , u n locus. C u a l q u i e r f r o n t e r a s e p l a n t e a c o m o u n l u g a r d e s e p a ­
r a c i ó n ( b a r r e r a ) p e r o t a m b i é n c o m o u n e s p a c i o d e t r á n s i t o ( p u e r t a ) y,
s i n e m b a r g o , l a f l u i d e z e n a m b o s s e n t i d o s n u n c a e s la m i s m a . O n
Translation: F e a r / M i e d o [ 3 a y b ] refleja c ó m o , d e s d e los E s t a d o s U n i -
EL G K O G E O G R Á F I C O 185

d o s , l a f r o n t e r a s e p e r c i b e c o m o el l u g a r p o r d o n d e a c c e d e n a l g u n o s 4.
Antoni Muntadas,
r e s o r t e s q u e f o r m a n p a r t e d e l s i s t e m a e c o n ó m i c o ( c o m o la m a n o d e F o t o g r a m a s de l v í d e o O «
o b r a b a r a t a y la c o n d i c i ó n « s i n p a p e l e s » d e m u c h o s i n m i g r a n t e s ) ; d e s ­ Translation: M i e d o /Jauf
d e M é x i c o la f r o n t e r a s e v i v e c o m o u n a v í a d e e s p e r a n z a e n u n a v i d a (2007). © C o r t e s í a del
artista.
e c o n ó m i c a m e n t e m e j o r y, a la v e z , c o m o el a c c e s o a u n a s i t u a c i ó n
s o c i a l m e n t e p r e c a r i a y m a r c a d a p o r la m a r g i n a l i d a d ; a l o q u e h a b r í a
q u e a ñ a d i r el t e r r o r i s m o , la r e l i g i ó n y la p o s i c i ó n d e la m u j e r y u n a
fractura q u e p u e d e sintetizarse e n los siguientes p a r e s d e c o n c e p t o s :
N o r t e / S u r ( aspecto e c o n ó m i c o ) , O r i e n t e - O c c i d e n t e (aspecto cultural
y r e l i g i o s o ) , á r a b e - e s p a ñ o l ( a s p e c t o l i n g ü í s t i c o ) 64.
E s t a m b i é n interesante anotar que, a u n q u e a m b a s obras m a n t i e ­
n e n el m i s m o t i p o d e f o r m a t o t e l e v i s i v o , n o o b s t a n t e F e a r / M i e d o
s u p o n e u n c a m b i o d e escala, casi r a y a n a e n u n a m a c r o p r o d u c c i ó n d e
casi u n a h o r a d e d u r a c i ó n e n la q u e a las t r a d i c i o n a l e s p r e o c u p a c i o n e s
186 LOS GIROS D E L O G L O B A L

d e M u n t a d a s ( lo p o l í t i c o , l o h i s t ó r i c o , l o c u l t u r a l , l o s o c i o l ó g i c o , l o s
m e c a n i s m o s d e c o n t r o l ) s e s u m a n o t r a s d o s : la d e la s u b j e t i v i d a d p o l í ­
t i c a o c r í t i c a ( m a n i f e s t a r el d e s a c u e r d o a p a r t i r d e p r e o c u p a c i o n e s
p e r s o n a l e s ) y u n a s ciertas c o n c e s i o n e s a l o e s t é t i c o m á s allá d e l o
d o c u m e n t a l . Y e l l o u n i d o a u n a r e i v i n d i c a c i ó n p o r la « e s p e c i f i c i d a d
d e l l u g a r » , q u e t a n t o s e e n t i e n d e c o m o u n pa i s a j e g e o g r á f i c o (a resal­
tar las v i s i o n e s m a r í t i m a s d e l e s t r e c h o d e G i b r a l t a r ) q u e u n p a i s a j e
h u m a n o e n el q u e u n o s p r o t a g o n i s t a s ( c i u d a d a n o s d e T a r i f a y d e T á n ­
ger) n o s relatan s u c o n c e p t o d e m i e d o a partir del c o n s t a n t e j u e g o
entre espacio privado y espacio público. H ablaríamos, c o m o t a m b i é n
ocurre e n M i e d o / j a u f (2007) [4] d e u n a s i m á g e n e s - m e m o r i a p e r o c o n
u n a s a l v e d a d ; a q u í la i m a g e n r e p r o d u c i d a t i e n d e a d e s v i r t u a r la f u e r z a
d e l r e c u e r d o a f a v o r d e l a i n m e d i a t e z , la f u g a c i d a d d e s u e s t r u c t u r a y
el p o d e r d e i m p a c t o q u e c o m p o r t a . L a p r o b l e m á t i c a d e la f r o n t e r a
q u e d a así l i b e r a d a d e s u t r a n s i t o r i e d a d , i n c l u s o d e s u c a r á c t e r d e
« e m p r e s a antropológica», y lo q u e v e m o s es m á s b i e n u n inventario d e
«objetos perdidos», d o n d e se e la bo ra n (obse rv a do re s y o b s e r v a d o s
i n c l u i d o s ) l a s t e o r í a s i n t e r p r e t a t i v a s , l a s s e c u e n c i a s h i s t ó r i c a s y el m i e ­
d o c o n v e r t i d o e n u n m i t o . E n el t e x t o d e l c a t á l o g o s e n o s h a b l a d e q u e
j u n t o a las t e n s a s s i t u a c i o n e s s o c i o p o l í t i c a s y j u r í d i c a s r e l a c i o n a d a s
c o n l a i n m i g r a c i ó n , el n a r c o t r á f i c o , e l e x i l i o y el d e s a r r a i g o , h a y t a m ­
b i é n u n l u g a r p a r a l o e m o c i o n a l 65.
F r a n c i s A l y s ( A m b e r e s , 1 9 5 9 ) utiliza m é t o d o s p o é t i c o s y a l e g ó r i ­
c o s p a r a a b o r d a r las r e a l i d a d e s p o l í t i c a s y sociales, tales c o m o las f r o n ­
teras n a c i o n a l e s , las z o n a s d e c o n f l i c t o y los a s p e c t o s r e l a c i o n a d o s c o n
l a c o m u n i d a d . E n s u i n t e r é s p o r c u e s t i o n e s r e l a t i v a s al u r b a n i s m o y
s u s p e r s o n a l e s e x p l o r a c i o n e s d e l a s c i u d a d e s y la p o é t i c a p a i s a j í s t i c a ,
A l y s c o n c i b e « p a s e o s » q u e s e r e s i s t e n a la s u b o r d i n a c i ó n d e l e s p a c i o
c o m ú n 66. T a m b i é n , e n s i n t o n í a c o n e l g e ó g r a f o p o s m o d e r n o E d w a r d
S o j a 67, A l y s t r a b a j a c o n e s p a c i o s q u e p u e d e n s e r r e a l e s e i m a g i n a d o s .
L o s e s p a c i o s p u e d e n c o n t a r relatos y d e s v e l a r historias. L o s e s p a c i o s
p u e d e n s e r i n t e r r u m p i d o s , a p r o p i a d o s y t r a n s f o r m a d o s a t r a v é s d e la
p r á c t i c a a r t í s t i c a y l i teraria ; el u s o y la a p r o p i a c i ó n d e l e s p a c i o s o n
a c t o s políticos.
A estos p a r á m e t r o s c o r r e s p o n d e su acc ió n- p er fo rm an c e, T h e
L e a k (1995), q u e consiste e n m a r c a r u n trazo c o n pintura azul q u e
g o t e a b a d e u n a l a t a d e p i n t u r a p o r l a s c a l l e s d e S a o P a u l o , d o n d e el
i n i c i o y el f i n a l d e l r e c o r r i d o e r a u n a g a l e r í a d e a r t e . E n 1 9 9 7 , A l y s
p a r t i c i p ó e n la B i e n a l I n S i t e ( S a n D i e g o - T i j u a n a ) c o n u n a a c c i ó n T h e
L o o p , T i j u a n a - S a n D i e g o ( 1 9 9 7 ) e n la q u e i d e ó u n r o c a m b o l e s c o p l a n
p a r a trasladarse e n los d o s e s c e n a r i o s e x p o s i t i v o s ( S a n D i e g o y Tijua-
EL GIRO G E O G R Á F I C O 187

n a ) s i n t e n e r q u e a t r a v e s a r la f r o n t e r a m e x i c a n o - e s t a d o u n i d e n s e . E l
p r o p i o a r t i s t a e s c r i b i ó e n u n o d e l o s a f i c h e s d e la e x p o s i c i ó n :

P a r a v i a j a r d e T i j u a n a a S a n D i e g o , s i n c r u z a r la f r o n t e r a e n t r e M é x i c o
y l o s E s t a d o s U n i d o s , t o m a r é u n a r u t a p e r p e n d i c u l a r a la b a r d a d i v i s o ­
ria. D e s p l a z á n d o m e 6 7 ° S E , l u e g o h a c i a el N E y d e n u e v o h a c i a el S E ,
c i r c u n n a v e g a r é la T i e r r a h a s t a l l e g a r al p u n t o d e p a r t i d a . L o s o b j e t o s
g e n e r a d o s p o r el v i a j e d a r á n f e d e l a r e a l i z a c i ó n d e l p r o y e c t o , el m i s m o
q u e q u e d a r á l i b r e d e c u a l q u i e r c o n t e n i d o c r í t i c o m á s allá d e l d e s p l a z a ­
m i e n t o f í s i c o d e l artista.

S e t r a t ó d e u n a a b s u r d a r e s p u e s t a q u e i n c l u í a u n m a p a c o n el r e c o r r i ­
d o d e s d e M é x i c o , A m é r i c a C e n t r a l , el O c é a n o P a c í f i c o , C h i n a , R u s i a ,
C a n a d á , E s t a d o s U n i d o s y, d e n u e v o , M é x i c o p a r a l l a m a r l a a t e n c i ó n
s o b r e l a s d e s i g u a l d a d e s q u e a f e c t a n el p a s o d e la f r o n t e r a e n f u n c i ó n
d e la n a c i o n a l i d a d d e l c i u d a d a n o .
E n 2 0 0 4 , A l y s reactivó esta a c c i ó n e n o tro escenario, e n c o n c r e t o e n
la f r o n t e r a e n t r e P a l e s t i n a e I s r a e l , c o n o c i d a c o m o la « L í n e a V e r d e » ,
u n a l í n e a t r a z a d a e n u n m a p a c o n u n l á p i z v e r d e p o r M o s h é D a y á n al
f i n a l d e la g u e r r a e n t r e I s r a e l y J o r d a n i a e n 1 9 4 8 . E l a c t o d e t r a z a r la
m i s m a línea c o n p i n t u r a v e r d e es s i m b ó l i c o , v a n d á l i c o , político, p o é t i c o
y a la v e z e f í m e r o . F r a n c i s A l y s s e i n t e r e s ó p o r l a o p i n i ó n y r e a c c i ó n d e
d iferentes a ge nt es , los c ua l e s m o s t r a b a n cierto d e s c o n c i e r t o a n t e este
g e s t o p o é t i c o c a r g a d o d e m e m o r i a política, relatos q u e f o r m a n p a r t e del
v í d e o d o c u m e n t a l T h e G r e e n Line. J e r u s a l e m ( 2 0 0 4 ) [ 5 a y b ] .
E n l a e x p o s i c i ó n G e o g r a f í a s d e l d e s o r d e n 6S, R o g e l i o L ó p e z C u e n ­
ca (Málaga, 1 95 9) pr e s e n t ó u n a instalación c o n d o b l e p r o y e c c i ó n d e
v í d e o t i t u l a d a W a l l s ( 2 0 0 6 ) [ 6 ] : la p r i m e r a d e las p r o y e c c i o n e s r e c o g e
las g r a b a c i o n e s d e las c á m a r a s d e v i g i l a n c i a d e las vallas d e la c i u d a d
d e M e l i l l a y la s e g u n d a , d o c u m e n t a c i ó n d e l o s e s p a c i o s f r o n t e r i z o s d e
M e l i l l a y T i j u a n a , j u n t o c o n la t r a d u c c i ó n d e l c a s t e l l a n o al i n g l é s d e l
p o e m a d e C o n s t a n t i n o Kavafis, « M u r o s » (1896). U n d o b l e texto, u n a
d o b l e l e c t u r a q u e e n f a t i z a la d i v i s i ó n d e l m u n d o a p a r t i r d e m u r o s ,
vallas y f ronteras q u e a c t ú a n c o m o dispositivos d is u a s o r i o s l eg i t i m a ­
d o s p o r a c u e r d o s y t r a t a d o s q u e , c o m o e l d e S c h e n g e n , a c r e c i e n t a n l as
d e s i g u a l d a d e s sociales y e c o n ó m i c o s e n t r e los p a í s e s d e los l l a m a d o s
P r i m e r y T e r c e r M u n d o 69. H i s t o r i a d e d o s c i u d a d e s ( 2 0 1 0 ) [ 7 ] p r o d u ­
c i d a j u n t o c o n E l o V e g a p a r a l a e x p o s i c i ó n A t o p í a . A r t i ciutat a l seg l e
X X I ( 2 0 1 0 ) 70 e s u n v i d e o e n s a y o e s u n m a p a a l t e r g e o g r á f i c o s o b r e la
e x t r a t e r r i t o r i a l i d a d d e l S á h a r a O c c i d e n t a l e s b o z a d o d e s d e l as v i d a s
p a r t i c u l a r e s d e u n o s i n d i v i d u o s q u e h a n h e c h o d e la e xtraterritoriali­
d a d la r u t i n a diaria. D e s t a c a el skyline e n t r e los d o s m u n d o s , B a r c e l o -
188 LOS GIROS D E L O G L O B A L

5 a y b.
F r a n c i s Al y s , T h e G r e e n
L i n e . J é r u s a l e m (20 0 4 ) . E n
colabo r a c i ó n c o n Julien
Devaux. Documentación
v i d e o g r á f i c a d e i m a ac c i ó n .
I m a g e n d e Julien D e v a u x .
© C o r t e s í a d el artista.
EL GIRO G E O G R Á F I C O 189

6.
Rogelio L ó p e z Cuenca.
F o t o g r a m a del vídeo
W a l l s (2006). © C o r t e s í a
de l artista.

7.
Rogelio L ó p e z C u e n c a y
E l o V e g a . F o t o g r a m a del
vídeo Historia d e dos
á u d a d e s (2010).
© C o r t e s í a del artista.
190 LOS GIROS D E L O G L O B A L

n a y el S á h a r a , f r e n t e a f r e n t e . E l p l a n o d e l m e t r o s o b r e el d e s i e r t o , o
el d e s i e r t o a n t e u n e d i f i c i o d e J e a n N o u v e l q u e a p a r e c e c o m o u n o a s i s
e n m e d i o d e u n a c i u d a d q u e a d q u i e r e t r a z a d o s d e s é r t i c o s . C o m o afir­
m a n l o s artistas:

E l retrato, n e c e s a r i a m e n t e p e r e c e d e r o , d e esta s u s p e n s i ó n h a c e u s o d e
g r a b a c i o n e s p r o p i a s y a j e n a s p a r a r e m a r c a r el h e c h o , r e c u r r e n t e , d e l
ser n a r r a d o s p o r otros, i d e a d o s p o r o t r o s (películas, ficción, d o c u m e n ­
tales), d e a u t o r p e r o t a m b i é n Y o u t u b e , d o n d e s e h a c e n p ú b l i c a s a u t o -
rrepresentaciones hasta h a c e m u y p o c o difícilmente inimaginables. El
f r a g m e n t o e s a q u í la u n i d a d b á s i c a : u n a p o l i f o n í a ( ¿ u n a c a c o f o n í a ? )
q u e n o i g n o r a la i n t e r r e l a c i ó n m a c r o / m i c r o c o m o ú n i c a a c e p t a b l e
o p c i ó n n a r r a t i v a a n t e la o b l i g a c i ó n n o s o l o d e d u d a r d e la p o s i b i l i d a d
n o y a d e a l g ú n r e a l i s m o s i n o d e la r e a l i d a d m i s m a 71.

E l t r a b a j o d e M a r c o s Á v i l a F o r e r o (París, 1 9 8 3 ) s e c o n s t r u y e a partir
d e la p r e g u n t a ¿ c ó m o v i a j a n y s e t r a n s f o r m a n l o s s e r e s h u m a n o s , l o s
o b j e t o s y las i d e a s ? U n d e s p l a z a m i e n t o c o n s t a n t e q u e n o s e n s e ñ a lo
q u e h a y m á s a llá d e l a s f r o n t e r a s q u e c o n o c e m o s , u n a c e r c a m i e n t o a la
r e a l i d a d d e l o t r o . D e e l l o e s b u e n e j e m p l o e l v í d e o C a y u c o \ sillage
O u j d a / M e l i l l a ( 2 0 1 2 ) [ 8 ] , q u e r e c o g e la a c c i ó n d e Á v i l a F o r e r o q u e
c o n s i s t í a e n a r r a s t r a r la r e p r o d u c c i ó n e n y e s o d e u n « c a y u c o » ( b a r c o
d e p e s c a q u e s e e m p l e a f r e c u e n t e m e n t e p a r a la i n m i g r a c i ó n i l e g a l )
d e s d e O u j d a (frontera d e M a r r u e c o s c o n Argelia) hasta Melilla (encla­
v e e s p a ñ o l ) . D í a tras día, el b a r c o d e y e s o s e i b a c o n s u m i e n d o d e b i d o
a l a f r i c c i ó n c o n t r a el s u e l o , t r a z a n d o al m i s m o t i e m p o e l m a p a d e s u
m o v i m i e n t o y e v o c a n d o d e u n a m a n e r a p o é t i c a el v i a j e d e m u c h o s
i n m i g r a n t e s ilegales q u e t r a t a n d e c r u z a r las f r o n t e r a s . E s t e p r o y e c t o ,
tal y c o m o a p u n t a C l é m e n t D i r i é /2, r e c o r r e l a e x p e r i e n c i a , l a d i s t a n c i a
transitada, los paisajes atravesados, y los restos d e y e s o del b a r c o e v o ­
c a n s u p r o p i o n a u f r a g i o , u n a r t e q u e s e v i v e , a q u í y allá, c o m o u n a
p r á c t i c a i n s e r t a d a e n el f l u j o d e l a v i d a y d e l a s o c i e d a d . M a r c o s Á v i l a
F o r e r o t r a z a la h u e l l a d e u n e n c u e n t r o , d e u n a historia, d e u n t r a y e c t o ;
el t r a y e c t o d e t o d o s l o s i n m i g r a n t e s q u e i n t e n t a n c r u z a r l a f r o n t e r a
d e s d e M a r r u e c o s h a s t a M el i l l a . P e r o m á s allá d e i n f o r m a r d e e s t o s
v i a j e s , el a r t i s t a s e c o n v i e r t e e n t e s t i g o c o n f r o n t a n d o l a s b a r r e r a s g e o ­
g r á f i c a s e i d e o l ó g i c a s q u e e x i s t e n e n la a c t u a l i d a d . T a m b i é n A l e j a n d r a
R i e r a ( B u e n o s Aires, 1 9 6 5 ) — e n c o l a b o r a c i ó n c o n Pulvia C a r n e v a l e —
h a e x p l o r a d o la m a n e r a e n q u e l a s f r o n t e r a s , t a n t o l a s f í s i c a s c o m o l a s
psicológicas, definen, c u e s t i o n a n y d o c u m e n t a n n u e s t r o m u n d o c o n ­
t e m p o r á n e o e n el v í d e o E N T R E / A C T E , I « I m á g e n e s d e f r o n t e r a » ( u n a
p i e z a aislada d e s u trabajo e n p r o g r e s o D e : maquettes-sans-qualité
EL GIRO G E O G R Á F I C O 191

( 1 9 9 7 - 2 0 0 4 ) , q u e e x p o n í a la m i s e r a b l e s i t u a c i ó n d e e x p l o t a c i ó n d e l os 8.
p u e b l o s i n d í g e n a s d e los A n d e s e n la f r o n t e r a e n t r e A r g e n t i n a ( L a M a r c o s Ávila Forero.
F o t o g r a m a d el v í d e o
Q u i a c a ) y Bolivia (Villazón). C a y u c o , Sillage O u j d a /
M e l i l l a (2013). © C o r t e s í a
d e l artista.
Cartografía del espacio globalizado

Las cartografías del e s p a c i o g l o b a l i z a d o h a n s ido reescritas t a m b i é n


por n u m e r o s o s a r t i s t a s q u e c o n t e m p l a n la a c t i v i d a d c a r t o g r á f i c a c o m o
una n u e v a m a n e r a d e ver y d e pro du ci r espacio, c r e a n d o u n a identi­
dad y f o r m a n d o u n a frontera q u e codifica g e o g r á f i c a m e n t e los m u n ­
dos s o c i a l y n a t u r a l 73. D e e n t r e e l l o s d e s t a c a r í a m o s al c o l e c t i v o M u l t i ­
p l i c i t y , f o r m a d o e n el a ñ o 2 0 0 0 e n M i l á n p o r a r q u i t e c t o s , u r b a n i s t a s ,
g e ó g r a f o s , f o t ó g r a f o s , artistas, p r o g r a m a d o r e s , s o c i ó l o g o s , e c o n o m i s ­
t a s y p r o d u c t o r e s y q u e s e d e f i n e a sí m i s m o c o m o u n a « a g e n c i a d e
i n v e s tig a c i ó n t e r r i t o r i a l » . S u a c t i v i d a d s e c e n t r a e n e x p l o r a r l a s c o n s ­
t a n t e s t r a n s f o r m a c i o n e s e n la m o r f o l o g í a d e las c i u d a d e s e u r o p e a s ,
a n a l i z a n d o las a l t e r a c i o n e s s o c i a l e s y p o líticas d e los e s p a c i o s t r a d i c i o ­
n a l e s f r e n t e a los e s p a c i o s a n o r m a l e s q u e s e c r e a n d e b i d o a la e x i s t e n ­
c i a d e l o q u e d e n o m i n a n el « m u n d o s e c u n d a r i o » 74 y e s t u d i a n d o l a s
f r o n t e r a s c o m o « l a o t r a c a r a d e la g l o b a l i z a c i ó n » 75 . E l p r i m e r o d e s u s
192 LOS GIROS D E L O G L O B A L

9 a, b y c.
Multiplicity.
Videoinstalación Solid Sea,
Kassel, 2 0 1 2 . © C o r t e s í a
d el artista.
EL GIRO G E O G R Á F I C O 193

p r o y e c t o s d e i n v e s t i g a c i ó n , U S E (U n c e r t a i n S t a t e s o / E u r o p e , 2 0 0 0 ) , e s
u n p r o g r a m a d e investigación articulado p o r u n a amp li a red d e cola­
b o r a c i ó n a c e r c a d e l a s t e n s i o n e s q u e s e g e n e r a n e n t r e la m u t a c i ó n
territorial p r o m o v i d a p o r las i n s t i t u c i o n e s y las f o r m a s s o c i a l e s d e
autoorganización espontáneas, n o reguladas o descentradas, plan­
t e a n d o u n a v i s i ó n d e E u r o p a c o m o el r e s u l t a d o d e u n a r e l a c i ó n c o n s ­
t a n t e e n t r e t r a n s f o r m a c i ó n u r b a n a y t r a n s f o r m a c i ó n s o c i a l 76. P a r t i e n ­
d o d e u n a m u l t i t u d d e c a s o s d e e s t u d i o , U S E c u e s t i o n a el m o d e l o d e
r e p r e s e n t a c i ó n d e l territorio e u r o p e o h e g e m ó n i c o p l a n t e a d o p o r las
instituciones c o m o u n « s i s t e m a político / e c o n ó m i c o d o t a d o d e u n
p e r í m e t r o territorial d e f i n i d o y c i r c u n s c r i t o » , r e l e g a n d o e s t a v i s i ó n a
u n s i m p l e « h o r i z o n t e d e p r o y e c c i ó n ; el s u s t r a t o n e u t r o d e u n a r e p r e ­
s e n t a c i ó n política c u y a i n c e r t i d u m b r e , c u y o s desequilibrios y c u y a s
a m b i c i o n e s r e f l e j a y s u f r e » 77.
U n n u e v o p r o y e c t o , S o l i d S e a [ 9 a, b y c ] p r e s e n t a d o e n el m a r c o d e
la D o c u m e n t a 1 1 d e K a s s e l d e 2 0 1 2 , p u e d e d e f i n i r s e c o m o u n a i n v e s t i ­
g a c i ó n m u l t i d i s c i p l i n a r s o b r e el e s t a t u s g e o p o l í t i c o d e l m a r M e d i t e r r á ­
n e o . D i v i d i d o e n c u a t r o c a s o s d e e s t u d i o , el p r o y e c t o a n a l i z a l a s c o n d i ­
c i o n e s políticas, e c o n ó m i c a s y sociales q u e d e f i n e n s u n a t u r a l e z a y c ó m o
e s t a a f e c t a a l as i d e n t i d a d e s d e l a s p e r s o n a s q u e l o c r u z a n . E l p r i m e r
c a s o , S o l i d S e a 0 1 : T h e G h o s t S h i p ( 2 0 0 2 ) , a b o r d a la p r o b l e m á t i c a d e la
v u l n e r a b i l i d a d d e las v i d a s d e los i n m i g r a n t e s c l a n d e s t i n o s q u e i n t e n t a n
c r u z a r el m a r d e s d e el n o r t e d e Á f r i c a p a r a l l e g a r al s u r d e E u r o p a . E l
s e g u n d o caso, S o l i d S e a 2: O d e s s a / T h e W o r l d (2003), e n c o l a b o r a c i ó n
c o n A r m i n L i n k e , Carlotta Cristiani y M a t t e o F r a t e r n o , del O b s e r v a t o ­
r i o N ó m a d a , n a r r a la c o n v i v e n c i a d e d o s n a v e s a m a r r a d a s e n el p u e r t o
d e N á p o l e s q u e a c o g e n m u n d o s p a r a l e l o s c o n d i c i o n a d o s p o r el e s t a t u s
político y e c o n ó m i c o d e sus tripulantes. P o r s u parte, S ol id S e a 03: T h e
R o a d M a p ( 2 0 0 3 ) s e c e n t r a e n la c o m p l e j i d a d d e la r e g i ó n d e la R i b e r a
O c c i d e n t a l o C i s j o r d a n i a , e n la f r o n t e r a e n t r e I s r a e l y P a l e s t i n a , e n la
q u e el c o l e c t i v o r e a l i z a u n a s u e r t e d e e x p e r i m e n t o c o n el q u e i n t e n t a n
c o n f i r m a r la t es is d e q u e « l a p r o l i f e r a c i ó n d e f r o n t e r a s p o l í t i c a s , fís ic as
y p s i c o l ó g i c a s e s el r e s u l t a d o d e l o s m o v i m i e n t o s y d e la i n t e r c o n e x i ó n a
e s c a l a g l o b a l » ' 8 . E l p r o y e c t o c o n s i s t e e n el r e c o r r i d o e n a u t o m ó v i l e n t r e
d o s p u n t o s d e c o n t r o l d e u n t r a m o d e la c a r r e t e r a n ú m e r o 6 0 q u e a t r a ­
v i e s a el t e r r i t o r i o d e m a n e r a v e r t i c a l , p r i m e r o v i a j a n d o c o n u n p a s a j e r o
c o n p a s a p o r t e israelí y p o s t e r i o r m e n t e c o n o t r o c o n p a s a p o r t e p a l e s t i ­
n o . E n el p r i m e r c a s o , el t r a y e c t o s e a l a r g a u n a h o r a ; e n el s e g u n d o ,
c i n c o h o r a s y m e d i a . C o n e s t e p r o y e c t o , el c o l e c t i v o s u b r a y a l a s p a r t i c u ­
laridades geopolíticas q u e caracterizan u n a z o n a geográfica d o n d e se
e n t r e c r u z a n u n a m u l t i t u d d e fronteras, p u n t o s d e control, vallas y
194 LOS GIROS D E L O G L O B A L

b a r r e r a s v i g i l a d a s 79. Y f i n a l m e n t e S o l i d S e a 0 4 : M ( R E ) T o u r i s m ( 2 0 0 4 )
e s t u d i a el i m p a c t o s o c i o p o l í d c o y s i m b ó l i c o d e l o s f l u j o s y t r a y e c t o r i a s
q u e d i b u j a n los m á s d e d o s m i l l o n e s d e m a r r o q u í e s e x p a t r i a d o s o resi­
d e n t e s e n el e x t r a n j e r o ( M R E , M a r o c a i n s R é s i d e n t s à l’é t r a n g e r ) e n s u s
c o n t i n u o s d e s p l a z a m i e n t o s e n t r e el n o r t e y s u r d e l M e d i t e r r á n e o , c o n s ­
t i t u y e n d o u n a d o b l e i d e n t i d a d q u e e n s u p e r f o r m a t i v i d a d activa
« i m p o r t a n t e s t r a n s f o r m a c i o n e s e n la c o n d i c i ó n social y e sp a c i a l d e u n a
g r a n p a r t e d e M a r r u e c o s » e i n t r o d u c e « n u e v o s m o d e l o s e n los s i s t e m a s
f inancieros y d e inversiones, e n los tipos d e c o n s t r u c c i ó n y e n los p r o c e ­
s o s d e u r b a n i z a c i ó n » 80.

Contracartografías

E s t a m b i é n i n t e r e s a n t e d e s t a c a r p o r p a r t e d e o t r o g r u p o d e a r t i s t a s el
r e c u r s o a l a s c o n t r a c a r t o g r a f í a s c o n el f i n d e a n a l i z a r l a s i n f r a e s t r u c t u ­
r a s e c o n ó m i c a s g l o b a l e s e n la b ú s q u e d a d e n u e v a s f o r m a s d e l o q u e
B r i a n H o l m e s d e n o m i n a « c a r t o p o l í t i c a » 81. A e s t a s p r e m i s a s s e a c o g i ó
u n a b u e n a p a r t e d e t o s a r t i s t a s q u e p a r t i c i p a r o n e n la e x p o s i c i ó n A t l a s
critique ( 2 0 1 2 ) 82, c o m o E r i c k B e l t r á n , B e r g e r & B e r g e r , M a r k B o u l o s ,
F e r n a n d Deligny, P e d r o Lasch, V in ce nt M e e s s e n , Nástio M o s q u i t o ,
Stalker o A d r i a n a Varejáo, q u e se valieron d e cartografías radicales e
i m a g i n a r i a s c o m o útiles p a r a la p r o d u c c i ó n d e s a b e r e s , d e n a r r a c i o n e s
y d e realidades.
B a j o e s t e i m p u l s o c a r t o g r á f i c o d e s t a c a r e m o s la a c t i v i d a d d e l
c o l e c t i v o f r a n c é s B u r e a u d ’é t u d e s , f o r m a d o p o r L é o n o r e B o n a c c i n i y
X a v i e r F o u r t q u e s e c e n t r a e n la c r e a c i ó n d e c a r t o g r a f í a s d e s i s t e m a s
sociales, políticos y e c o n ó m i c o s globales. A partir d e p r o y e c t o s inicia­
les d e finales d e la d é c a d a d e los a ñ o s n o v e n t a c o n u n a c o l e c c i ó n d e
arte político d e n o m i n a d o «ar ch iv o s del capitalismo», sus investigacio­
n e s posteriores se f o r m a l i z a n e n u n a d i v e r s i d a d d e infografías, o r g a n i ­
g r a m a s y constelaciones informacionales que, según Brian H o l m e s ,
a s p i r a n a s e r « h e r r a m i e n t a s c o g n i t i v a s q u e d i s t r i b u y e n d e la m a y o r
m a n e r a posible u n tipo d e in f o r m a c i ó n especializada q u e inicialmente
e s t a b a d e s t i n a d a a p u b l i c a c i o n e s t é c n i c a s » 83. C o m b i n a n d o a r t e , t e o r í a
e i n v e s t i g a c i ó n , s u s p r i m e r o s análisis v i s u a l e s p l a s m a n las e s c o n d i d a s
e s t r u c t u r a s q u e i n t e r c o n e c t a n el e n t r a m a d o c o m p u e s t o p o r e n t i d a d e s
financieras, ó r g a n o s g u b e r n a m e n t a l e s , a s e g u r a d o r a s y e m p r e s a s d e
t e l e f o n í a q u e a l i m e n t a n el c a p i t a l i s m o n e o l i b e r a l ( F i n a n c i a l i n d u s t r i a l
c o m p l e x , 2 0 0 2 84) . A 2 0 0 3 p e r t e n e c e s u o b r a W o r l d M o n i t o r i n g A t l a s
e n la q u e s e p o d í a v i s u a l i z a r u n e x t e n s i v o n e t w o r k d e s i s t e m a s d e
EL G IRO G E O G R Á F I C O 195

bases d e datos c o n informaciones entrecruzadas q u e afectaban tanto a 10.


B u r e a u d etudes. M a p a s
a s p e c t o s individuales c o m o a aq u e l l o s relativos a c o m p a ñ í a s t r a n s n a ­ del proyecto
cionales, g o b i e r n o s , fuerzas a r m a d a s , a g e n c i a s internacionales y g r u ­ Gouvernement mondial
p o s d e c i u d a d a n o s . Y e n c o n t r a s t e c o n el m a p a g e o g r á f i c o , b a s a d o e n (2003,2005,2013).
© Cortesía del colectivo.
u n c o n c e p t o f e n o m e n o l ó g i c o del espacio, este « c a r t o g r a m a » o « d i a ­
g r a m a » ( e n el s e n t i d o e n q u e D e l e u z e s e s i r v e d e e s t e t é r m i n o a p a r t i r
del c o n c e p t o d e microfisica del p o d e r d e F oucault) era u n a r e p r e s e n ­
t a c i ó n digital y estructural. E s decir, u n m a p a d e flujos g l o b a l e s q u e
describía n o t a n t o u n a r e d estática c o m o u n a m a t r i z p r o d u c t i v a , u n
196 LOS GIROS D E L O G L O B A L

c a m p o d i n á m i c o e n el c u a l l a s t e n s i o n e s q u e d a b a n m a x i m i z a d a s e n u n
n ú m e r o indefinido d e puntos heterogéneos.
O t r o d e s u s « c a r t o g r a m a s » c o n d e r i v a c i o n e s p o l í t i c a s e s el p r o y e c ­
to G o u v e r n e m e n t mondial ( 2 0 0 3 , 2 0 0 5 , 2 0 1 3 ) [10], q u e aglutina e n u n
e x t e n s o m a p a p o l í t i c o - e c o n ó m i c o las inv is ib l es r e l a c i o n e s d e p o d e r
q u e a f i a n z a n e l st a t u q u o a e s c a l a m u n d i a l c o m p u e s t o p o r u n c o m p l e ­
jo e n t r a m a d o d e s i s t e m a s legales d e los e s t a d o s , t r a t a d o s c o m e r c i a l e s
entre países y regiones, e n t i d a d e s financieras, p e r s o n a s o colectivos
multimillonarios, g r u p o s d e inversión, organizaciones internacionales,
s e r v i c i o s d e i n t e l i g e n c i a y a g e n c i a s d e e s t a d o , lobbies, e q u i p o s d e
i n v e s t i g a c i ó n científico-tecnológicos, i n s tituciones religiosas, O N G s ,
etc. G o u v e r n e m e n t m o n d i a l s e p l a n t e a c o m o u n c o m p l e j o i n t e l e c t u a l
« c a p a z d e coordinar, a c u m u l a r y c o n c e n t r a r los m e d i o s q u e d e f i n e n
l a s n o r m a s y d e t e r m i n a r e l d e s a r r o l l o d e l c a p i t a l i s m o » 85.
I n i c i a d o y d i s e ñ a d o p o r el a r t i s t a e s l o v e n o M a r k o P e l j h a n e n 1 9 9 7
p a r a la D o c u m e n t a 1 0 d e K a s s e l d e 1 9 9 7 , M a k r o l a b e s u n a u n i d a d
habitable t e m p o r a l d e investigación y d e c o m un ic a ci ón , u n c o n t e n e ­
d o r a u t ó n o m o c o n c e b i d o p a r a p o d e r s o p o r t a r la a c t i v i d a d c o n t i n u a d a
d e u n g r u p o d e seisrartistas y científicos a lo l a r g o d e 1 2 0 d í a s e n c o n ­
d i c i o n e s d e a i s l a m i e n t o o , c o m o a f i r m a el p r o p i o P e l j h a n :

E s u n l a b o r a t o r i o e n d e s a r r o l l o p a r a la i n d a g a c i ó n a b i e r t a e i n t e g r a l y
el t r a b a j o c o m ú n e n t r e artistas, c i e n t í f i c o s y p r o f e s i o n a l e s d e l o s
m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n s o b r e c u e s t i o n e s r e l a c i o n a d a s c o n la i n m i ­
g r a c i ó n , la i n v e s t i g a c i ó n , el t i e m p o y el c a m b i o c l i m á t i c o 86.

E l o b j e t i v o final d e l p r o y e c t o e s la c o n s t r u c c i ó n d e u n a e s t a c i ó n i n d e ­
p e n d i e n t e e n el Á r t i c o q u e o p e r e c o m o u n l a b o r a t o r i o p a r a i n v e s t i g a r
l a s r e l a c i o n e s e n t r e el a r t e y l a c i e n c i a . P e l j h a n i d e n t i f i c a la e s t r u c t u r a
i n t e r i o r c o m o el á m b i t o d e l a s ( m i c r o ) r e l a c i o n e s s o c i a l e s q u e r e p r e ­
s e n t a u n c e n t r o d e c o m u n i c a c i ó n al m i s m o t i e m p o q u e u n a h e r r a ­
m i e n t a o u n d i s p o s i t i v o r eflexivo. L a l o c a l i z a c i ó n g e o g r á f i c a d e la e s t a ­
c i ó n es d e l i b e r a d a m e n t e r e m o t a , y las c o n d i c i o n e s d e a i s l a m i e n t o
físico c o n t r a s t a n c o n el e q u i p a m i e n t o d e s i s t e m a s d e c o m u n i c a c i ó n ,
p l a n t e a n d o la o b s e r v a c i ó n d e l m u n d o s ó l o a t r a v é s d e m e d i a d o r e s . L a
tesis d e l p r o y e c t o e s q u e s ó l o la i n t e n s a c o m u n i c a c i ó n d e u n o s i n d i v i ­
d u o s aislados e n u n espacio restringido p o r u n t i e m p o p r o l o n g a d o e n
s e m e j a n t e u b i c a c i ó n r e m o t a p u e d e g e n e r a r l o s c ó d i g o s p a r a la e v o l u ­
c i ó n d e las r e l a c i o n e s s o c i a l e s m e j o r q u e los m o v i m i e n t o s s o c i a l e s y
p o l í t i c o s d e g r a n a l c a n c e 87.
EL G IRO G E O G R Á F I C O 197

L a ciudad global

Tal c o m o sostiene J os é M . G a r c í a Cortés, «el espacio u r b a n o d e n u e s ­


t r a s c i u d a d e s g l o b a l e s e s el l u g a r p r i v i l e g i a d o d o n d e l a i n t e r v e n c i ó n
m a c r o p o l í t i c a y la m i c r o p o l í t i c a p u e d e n e n c o n t r a r á r e a s c o n v e r g e n t e s
e i n t e r d e p e n d i e n t e s , d o n d e s e c o n c r e t a n las t r a n s v e r s a l i d a d e s q u e n o
o l v i d a n l o g l o b a l (el e n t o r n o s o c i a l ) , n i t a m p o c o l o m o l e c u l a r y s u b j e ­
t i v o (la e c o l o g í a m e n t a l ) , y a q u e l a c r í t i c a al p o d e r c e n t r a l n o p u e d e ir
d e s l i g a d a d e l c u e s t i o n a m i e n t o d e l a s e x p e r i e n c i a s y l a s p r á c t i c a s d e la
c o t i d i a n i d a d » 88.
A s í l o h a n e n t e n d i d o u n b u e n n ú m e r o d e artistas, c o m o F r a n c e s ­
c o J o d i c e ( N á p o l e s , 1 9 6 7 ) q u e e n 2 0 0 6 inició u n a serie d e d o c u m e n t a ­
les ( h í b r i d o e n t r e u n a p r o d u c c i ó n c i n e m a t o g r á f i c a , u n a o b r a d e a r t e y
u n t r a b a j o d o c u m e n t a l ) s o b r e las m e g a l ó p o l i s c o n t e m p o r á n e a s t i t u l a ­
d a C i t y t e l l e r s . S e t r a t a d e u n p r o y e c t o d e i n v e s t i g a c i ó n e n el q u e
e x p l o r a d i v e r s o s f e n ó m e n o s s o c i a l e s y s u s i n t e r a c c i o n e s c o n el e s p a ­
cio, e x a m i n a n d o las t r a n s f o r m a c i o n e s s o c i o p o l í t i c a s e n las c i u d a d e s y
e n o t r a s c o m u n i d a d e s . E l e n f o q u e i n t e r d i s c i p l i n a r e n el q u e c o m b i n a
a n á l i s i s q u e p r o v i e n e n d e l a a n t r o p o l o g í a , la s o c i o l o g í a y la a r q u i t e c t u ­
ra le sirve p a r a p r o p o r c i o n a r u n a v i s i ó n p a n o r á m i c a d e ciertas p r o b l e ­
m á t i c a s q u e s o n el r e s u l t a d o d e la t e n s i ó n q u e e n t r e l a s m i c r o h i s t o r i a s
y l o s m a c r o r r e l a t o s d e l a c i u d a d g l o b a l . E s t a s t e n s i o n e s s e d a n e n el
e s p a c i o c o n t e m p o r á n e o , q u e , s e g ú n R a f a e l P i n i l l a , e s al m i s m o s í n t o ­
m a d e u n a c risis y u n a h e r r a m i e n t a q u e d i s p o n e d e u n a p o t e n c i a l i d a d
r e s u b j e t i v i z a d o r a 89.
L a p r i m e r a o b r a d e e s t e p r o y e c t o , el v í d e o S a o P a u l o C i t y t e l l e r s
( 2 0 0 6 ) 90 [ 1 1 a y b ] , a b o r d a d e s d e l a e x p e r i e n c i a d e l o c o t i d i a n o las
m ú l t i p l e s d e s i g u a l d a d e s s o c i a l e s q u e c a r a c t e r i z a n la g r a n m e g a l ó p o l i s
brasileña, c r e a n d o u n a t opografía afectiva d e u n a c i u d a d s e g r e g a d a e n
t é r m i n o s u rbanísticos, e c o n ó m i c o s y sociales; u n retrato c o n s t r u i d o a
partir d e n a r r a c i o n e s e n p r i m e r a p e r s o n a d e e x p e r i e n c i a s d e los cat a ­
d o r e s , t r a b a j a d o r e s d e l g o b i e r n o y c r e y e n t e s d e u n a iglesia p r o t e s t a n t e
q u e f o r m a n p a r t e d e la s o c i e d a d c a r i o c a , p l a n t e a n d o la p r o l i f e r a c i ó n
d e iniciativas a u t o g e s t i o n a d a s c o m o u n a h e r r a m i e n t a q u e s u p l e las
d i f i c u l t a d e s d e r i v a d a s d e l g o b i e r n o d e la h i p e r c i u d a d . E n u n a n u e v a
e n t r e g a , D u b a i C i t y t e l l e r s ( 2 0 1 0 ) , el a r t i s t a i n d a g a s o b r e d i f e r e n t e s h i s ­
t o r i a s n o o f i c i a l e s d e la e x p e r i e n c i a v i t a l e n l a c i u d a d artificial d e
D u b á i , la m á s v i v a c o n s t a t a c i ó n d e q u e e n la a c t u a l i d a d el p e t r ó l e o e s
e l r e c u r s o n a t u r a l m á s p r e c i a d o . C o n s t r u i d a e n el d e s i e r t o y f o r m a d a
p o r u r b a n i z a c i o n e s y c o m p l e j o s residenciales d e alto standing, r a s c a ­
cielos, t i e n d a s d e lujo y d e c o m i d a r á p i d a , D u b á i es l u g a r d e r e u n i ó n
198 LOS GIROS D E L O G L O B A L

1 1 a y b.
F r a n c e s c o Jodice.
F o t o g r a m a s d el v í d e o S a o
P a u l o Cit ytellers. ©
C o r t e s í a d el artista.
EL GIRO G E O G R Á F I C O 199

n o sól o d e altos n e g o c i o s s i n o t a m b i é n d e t o d a s aquellas p e r s o n a s q u e


s e v e n a t r a í d a s p o r el l u j o y l a s u p u e s t a c a l i d a d d e v i d a . E l c r e c i m i e n t o
d e s m e d i d o d e e s t a c i u d a d s i n d u d a r e s i d e e n la f u e r z a d e la m a n o d e
o b r a , q u e e s t á e n la b a s e d e e s t a p i r á m i d e s o c i a l , d e g r a d a d a a l a c o n ­
d i c i ó n d e l a n u e v a e s c l a v i t u d . E l m o s a i c o d e r e l a t o s q u e c o n f o r m a n el
tejido d e l e n s a y o visual y los análisis a n t r o p o l ó g i c o s , s o c i o e c o n ó m i c o s
y políticos del f e n ó m e n o p o r p a r t e d e los e x p e r t o s d a c u e n t a del p r e ­
cio q u e h a y q u e p a g a r — tanto h u m a n o c o m o material y a m b i e n t a l —
p a r a p e r m i t i r la e x i s t e n c i a d e s e m e j a n t e p a r a í s o c a p i t a l i s t a . T r a b a j a d o ­
r e s y o t r o s h a b i t a n t e s d e la c i u d a d n a r r a n a p a r t i r d e s u s e x p e r i e n c i a s
l a s c o n d i c i o n e s d e v i d a y t r a b a j o e n e s t e o a s i s artificial, e q u i p a r a n d o
e n u n a e c u a c i ó n la i n s o s t e n i b l e e x p a n s i ó n e c o n ó m i c a y u r b a n í s t i c a
c o n l o s d e v a s t a d o r e s e f e c t o s d e l a c risis f i n a n c i e r a q u e e c l o s i o n ó e n el
a ñ o 2 0 0 8 91.
T a m b i é n R o g e l i o L ó p e z C u e n c a s e s u m ó a e s t a r e f l e x i ó n s o b r e la
c iudad p o s m o d e r n a global y rebosante d e signos e n u n trabajo d e 2002,
l a i n s t a l a c i ó n A s t i l l á g r a f o [ 1 2 ] p r e s e n t a d a e n el P a b e l l ó n d e E s p a ñ a
d e la X X V E d i c i ó n d e l a B i e n a l d e S a o P a u l o c o n el l e m a g e n e r a l « I c o ­
n o g r a f í a s M e t r o p o l i t a n a s » . L a o b r a c u y o título a l u d e a u n r e c o r r i d o
i m p r e v i s t o o u n a travesía ( en realidad u n a interrelación e n t r e los d o s
e s p a c i o s b á s i c o s d e l a c i u d a d , e l p ú b l i c o y el p r i v a d o , l a c a s a y l a c a l l e
d o n d e se a ú n a n m a p a s , a n u n c i o s , revistas, vallas publicitarias, p a n f l e ­
t o s y p e g a t i n a s ) e s u n a r e f l e x i ó n a c e r c a las h e r i d a s d e la c i u d a d d e S a o
P a u l o c o m o u n a m e t á f o r a s o b r e la r e a l i d a d p o é t i c a y p ol ít ic a d e Brasil.
C o n c e b i d a c o m o u n r e c o r r i d o , la i n s t a l a c i ó n i n c l u y e la l í n e a d e m e t r o
d e S a o P a u l o , las l ín ea s d e p u n t o s q u e d i b u j a n los t r a z a d o s d e l t r e n y
u n a s e r i e d e p i c t o g r a m a s , c o m o e n P o n t o d e D e s e n c o n t r o , d o n d e la
c i u d a d se h a c o n v e r t i d o e n u n a anticiudad. E l p i c t o g r a m a invierte
l a d i r e c c i ó n d e l a s f l e c h a s y e s t a s a p u n t a n a l a d i s p e r s i ó n y, f i n a l m e n t e ,
al d e s e n c u e n t r o , al a i s l a m i e n t o d e l i n d i v i d u o e n la m e g a l ó p o l i s . Y u n
n u e v o p i c t o g r a m a D u c h a m (S)P, e n c l a r a r e f e r e n c i a a l a o b r a d e
D u c h a m p Patrón stoppage c o m o p o r t a d o r del « azar e n conserva», n o s
p r o y e c t a d e n u e v o al i n c i e r t o y m ó v i l m a p a d e S a o P a u l o d o n d e la
i n d e t e r m i n a c i ó n s e i m p o n e s o b r e la c a r t o g r a f í a p r e c i s a . C o m o s e ñ a l a n
R o g e l i o L ó p e z C u e n c a y A l i c i a C h i l l i d a , c o m i s a r i a d e la m u e s t r a , A s t i ­
llágrafo e s u n a r t e f a c t o i m a g i n a r i o , u n a « m a c h i n e c é l i b a t a i r e » , c u y o
t r a b a j o e s e l d e e s c r i b i r a c e r c a d e l as h e r i d a s d e la c i u d a d . E n e s t a
e s c r i t u r a a s t i l l a d a , l a c i u d a d a p a r e c e c o m o u n a s u m a d e i l u s i o n e s falli­
d a s , d e a c c i d e n t e s , d e c a o s y d e a z a r » 92.
D e s d e otra perspectiva, b a s a d a e n u n c r u c e d e intereses e n t r e los
m e d i o s d e c o m u n i c a c i ó n d e m a s a s , la c u l t u r a u r b a n a y e l e s p a c i o d e la
200 LOS GIROS D E L O G L O B A L

12. c i u d a d , h a y q u e s i t u a r el t r a b a j o d e l c o l e c t i v o R a q s M e d i a C o l l e c t i v e ,
Rogelio L ó p e z Cuenca.
Instal a c i ó n A s t i l l á g r a f o , f u n d a d o e n 1 9 9 2 e n N u e v a Delhi. U n trabajo q u e b u s c a i m p l e m e n t a r
Bienal d e S a o P a u l o 2002. e s t r a t e g i a s a l t e r n a t i v a s p a r a la p r o d u c c i ó n y d i s t r i b u c i ó n d e i n f o r m a ­
© C o r t e s í a d e l artista. c i ó n e n la W o r l d W i d e W e b . H a y q u e d e s t a c a r s u p r o y e c t o T h e P r o -
m i s e d City (2010), u n a reflexión s o b r e distintos escenarios culturales
d e Berlín, V a r s o v i a y B o m b a y , tres c i u d a d e s m e t r o p o l i t a n a s d e d o s
c o n t i n e n t e s d i s t i n t o s q u e e j e m p l i f i c a n m u c h a s o t r a s c i u d a d e s e n el
m u n d o u n i d a s p o r u n a m a n e r a s i m i l a r d e e n t e n d e r la p o l í t i c a , l a e c o ­
n o m í a , l a i n d u s t r i a d e l e n t r e t e n i m i e n t o , e l c o n s u m i s m o y el c o m e r c i o .
U n a p a r t e d e e s t e p r o c e s o c o l a b o r a t i v o s e c o n c r e t a e n el v i d e o e n ­
sayo T h e Capital o f A c c u m u l a t i o n (2010) [13], q u e c o n e c t a c a d a u n a
d e l a s t r e s c i u d a d e s e n t r e sí a p a r t i r d e l a s c o n t r i b u c i o n e s d e R o s a
L u x e m b u r g o a la t e o r í a s o c i a l q u e s e m a t e r i a l i z a r o n e n s u o b r a d e
1913, D i e A k k u m u l a t i o n des Kapitals: E i n Beitrag zur ö k o n o m i s c h e n
E r k l ä r u n g d e s I m p e r i a l i s m u s [ L a a c u m u l a c i ó n d e l capital: U n a c o n t r i ­
b u c i ó n a u n a e x p l i c a c i ó n e c o n ó m i c a d e l c a p i t a l i s m o ] m e d i a n t e el m o t i ­
v o n a r r a t i v o d e la b ú s q u e d a d e l c a d á v e r d e l a t e ó r i c a m a r x i s t a . P a r a
R a q s M e d i a , el c u e r p o d e s p e d a z a d o d e R o s a e n c a m a l a m e t á f o r a d e
EL GIRO G E O G R Á F I C O 201

l a s c o n s e c u e n c i a s d e l p r o c e s o d e e x t r a c c i ó n c o n el q u e el c a p i t a l i s m o 13.
d o m i n a l o s o t r o s s i s t e m a s e c o n ó m i c o s . E n la o b r a d e R a q s , el t r o p o R a q s M e d i a Collective.
T h e Capital o f
d e l c u e r p o a u s e n t e r e c u r r e n t e e n la o b r a e c o n ó m i c a y p o l í t i c a d e R o s a A c c u m u l a t i o n (2010).
L u x e m b u r g o lo e n c a m a u n c u e r p o d e s a p a r e c i d o q u e h a sid o e x t r a í d o V i s t a d e la e x p o s i c i ó n e n
la N a t i o n a l G a l l e r y o f
c u a n d o el c a p i t a l i s m o i n d u s t r i a l s e e x p a n d e a o t r a s e s f e r a s m e d i a n t e M o d e m A n , N u e v a Delhi,
s u c a p a c i d a d p a r a s í t i c a 93. 2015. Foto: U m a n g
S e g ú n o b s e r v a u n o d e los m i e m b r o s del colectivo S u d d h a b r a t a B h a t t a c h a r y y a . © Co r t e s í a
d e l colectivo.
S e n g u p t a , T h e C a p i t a l o f A c c u m u l a t i o n m u e s t r a l o s r e s u l t a d o s d e la
p r á c t i c a e s p e l e o l ó g i c a d e l a m e m o r i a e n la c o n t e m p o r a n e i d a d : « l a
o b r a p l a n t e a c u e s t i o n e s a c e r c a d e q u é s u c e d e si e x c a v a s e n el i n t e r i o r
d e l a t i e r r a , q u é p a s a si e x c a v a s e n l a m e m o r i a , si e x c a v a s e n l a h i s t o r i a ,
y q u é s o b r e s a l e d e la t i e r r a e n e s t a e x c a v a c i ó n » 94 . R a q s M e d i a C o l l e c ­
tive p r a c t i c a n la g e o g r a f í a a p a r t i r d e la m e m o r i a , e s decir, la e s t r u c t u ­
r a n a r r a t i v a s e d e s a r r o l l a e n p a r a l e l o a la c r e a c i ó n d e u n a s g e o g r a f í a s
i m a g i n a r i a s a través d e líneas d e e x p e r i e n c i a o d e vivencias q u e v a n
m á s a llá d e u n a r e p r e s e n t a c i ó n c a r t o g r á f i c a e s p e c í f i c a . E s t a s g e o g r a ­
fías, e n l u g a r d e d e l i m i t a r , m u l t i p l i c a n , s u p e r p o n e n el t e r r i t o r i o y la
a d m i n i s t r a c i ó n d e la e x p e r i e n c i a .
202 LOS GIROS D E L O G L O B A L

T a l c o m o s e p u d o c o n s t a t a r e n l a e x p o s i c i ó n E n s u s p e n s i ó n 95,
u n a p a r t e d e los tra ba jo s f otográficos d e A l e x a n d e r A p ó s t o l (Bar-
q u i s i m e t o , V e n e z u e l a , 1 9 6 9 ) o f r e c e n , al d e c i r d e I r i a C a n d e l a , « u n a
c o n statación visual directa del p r o c e s o d e int er ru p ci ón y a b a n d o n o
d e d i s t i n t o s p r o y e c t o s a r q u i t e c t ó n i c o s e n s u p a í s d e o r i g e n » 96. E n la
serie fotográfica R e s i d e n t e F u t i d o ( 2 0 0 1 ) [ 1 4 a y b], u n o d e los pri­
m e r o s trabajos s o b r e este tipo d e arquitectura y u r b a n i s m o « e n s u s ­
p e n s i ó n » , el a r t i s t a ' " m u e s t r a e l e s t a d o d e a b a n d o n o d e v a r i o s e d i f i ­
c i o s m o d e r n i s t a s d e la d é c a d a d e l o s a ñ o s c i n c u e n t a , t a p i a d o s e
i n h a b i l i t a d o s p o r m e d i o d e d i v e r s a s i n t e r v e n c i o n e s digitales. E n esta
lín ea d e t ra b a j o , la serie f o t o g r á f i c a S k e l e t o n C o a s t ( 2 0 0 5 ) s e r e c r e a
e n g i g a n t e s c a s e s t r u c t u r a s d e c e m e n t o ( « d i n o s a u r i o s i n m ó v i l e s » , al
d e c i r d e l artista) d e l q u e i b a a c o n v e r t i r s e e n u n o d e l o s m á s d e s t a c a ­
d o s c o m p l e j o s t u r í s t i c o s d e V e n e z u e l a , la isla c a r i b e ñ a d e M a r g a r i t a ,
p a r a p o n e r e n e v i d e n c i a el s i g n o r u i n o s o d e u n a p o l í t i c a d e s a r r o l l i s t a
i n c o n t r o l a d a f r u t o d e u n a « d e s a s t r o s a e c o n o m í a p e t r o l e r a , d o n d e la
g r a n d i l o c u e n c i a , el o p o r t u n i s m o y l a c o r r u p c i ó n s e d e b a t e n e n t r e l a s
u r g e n c i a e c o n ó m i c a y e l c l i e n t e l i s m o d e l p o d e r p o l í t i c o » 97. E n u n a
n u e v a s e r i e A v . C a r a c a s , B o g o t á ( 2 0 0 6 ) , el a r t i s t a m u e s t r a c o n s t r u c ­
c i o n e s e n e s t a d o d e a b a n d o n o d e la A v e n i d a C a r a c a s d e B o g o t á
( C o l o m b i a ) q u e c o m p a r t e n c o n o tr os edificios c a r a q u e ñ o s , u n a p e r ­
m a n e n t e c u s t o d i a p o r p a r t e d e efectivos militares. Y c o m o c o n c l u y e
Candela:

Q u e u n a arquitectura a b o r t a d a se e n c u e n t r e d e igual m o d o e n V e n e ­
z u e l a q u e e n s u v e c i n a C o l o m b i a d e m u e s t r a h a s t a q u é p u n t o el d o b l e
f e n ó m e n o e s t u d i a d o p o r A p ó s t o l — desarrollo y regresión, planifica­
c i ó n urbanística y d e t erioro social— n o se limita a u n c o n t e x t o n a c i o ­
na l, ni s i q u i e r a c o n t i n e n t a l 98 .
EL GIRO G E O G R Á F I C O 203

U n n u e v o trabajo, e n este c a s o v ideográfico, G h o s t City ( 2 0 0 6 ) p r e ­ 1 4 a [p. anterior] y 1 4 b.


A l e x a n d e r Apóstol.
s e n t a d o e n el p r o y e c t o c u r a t o r i a l d e J o s é M i g u e l G . C o r t é s , C a r t o g r a ­ Ins t a l a c i ó n f o tográfica
fías d i s i d e n t e s 99 r e c o g e l o s t e s t i m o n i o s d e u n g r u p o d e i n d i v i d u o s d e R e s i d e n t e P u l i d o (2001).
distintas e d a d e s , sexos, bar ri os y sectores sociales q u e n a r r a n sus © Co r t e s í a d e l artista.
p e c u l i a r e s historias, m u c h a s d e ellas u n i d a s a m i e d o s i n s t i n t i v o s o p s i ­
c o l ó g i c o s , a c e r c a d e la v i d a c o t i d i a n a d e s u c i u d a d , C a r a c a s . C o m o
escribe J o s é M i g u e l G . Cortés: « L a s historias s o n d e lo m á s e x t r a ñ o y
rocambolesco, pero quizás p o d e m o s entenderlas c o m o metáforas de
u n a c i u d a d , C a r a c a s , y d e u n p a í s , V e n e z u e l a , d o n d e el m i e d o o c u p a
u n l u g a r f u n d a m e n t a l e n s u e x i s t e n c i a d i a r i a » 100.
P o r s u parte, C a r l o s G a r a i c o a ( L a H a b a n a , 1967), a partir d e u n
r e n o v a d o d i á l o g o e n t r e a r t e y e s p a c i o u r b a n o , i n d a g a e n la e s t r u c t u r a
s o c i a l d e las c i u d a d e s a p a r t i r d e l c o n c e p t o d e c i u d a d c o m o e s p a c i o
s i m b ó l i c o q u e a p a r e c e e n a u t o r e s c o m o J o r g e L u i s B o r g e s e Italo Cal -
vino. A través d e u n j u e g o d e m