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NUEVA CIENCIA Gilbert Hottois

Colección d i r i g i d a p o r N i c a n o r U r s i v .

E L PARADIGMA
BIOÉTICO

Una ética
para la tecnociencia

EDITORIAL DEC HOMBRE

SERVICIO EDITORIAL T r t » ARGITARAPEN ZERBITZUA


UNIVERSIDAD DEL PAIS VASCO T B EUSKAL HERRIKO UNIBERTSITATEA
PREFACIO
E l paradigma bioético : Una ética para la tecnociencia / 4 c
Gilbert Hottois. — Barcelona : Anthropos ; Leioa :
Universidad del País Vasco, 1991. — 208 p. ; 20 c m . —
(Nueva Ciencia ; 8)
Tit. orig.: L e p a r a d i g m e bioéthique : U n e éthique p o u r l a
technoscience
Bibliografía p. 199-202
I S B N 84-7658-308-7

I. U n i v e r s i d a d d e l País V a s c o (Leioa) EL Título I I I . Colección


1. Bioética
57.01:17 Qué i m p o r t a s i el a m o r del prójimo se d a y
17:57.01 O recibe e n f o r m a de aerosol... S i e m p r e es rae-
j o r s e r salvado p o r u n a máquina que no s e r
C. salvado... S i n embargo, esta solución n o m e
<t gusta.

^ J . BRUNNER

« L a técnica se h a c o n v e r t i d o e n p a r t e de n u e s t r a v i d a
Título original: Le paradigme bioéthique. (Une éthique pour — í •"•>- [•••]• V i v i m o s e n t e r a m e n t e i n m e r s o s e n l a m o d a técnica.» 1

la technoscience) [1990] ^ ^ C u a n d o a l g o se hace o m n i p r e s e n t e h a s t a el p u n t o de


Traducción del francés: M . Carmen Monge '• n c o n f u n d i r s e c o n el a i r e m i s m o q u e se r e s p i r a , es e x t r e m a -

Primera edición en Editorial Anthropos: octubre 1991


^ £
^
8
•»
d a m e n t e p e l i g r o s o i g n o r a r l o , d e s c u i d a r l o o, i n c l u s o , s i m -
p l e m e n t e , b a n a l i z a r l o n o evaluándolo c o r r e c t a m e n t e . E s t o
es l o q u e , a m e n u d o , sucede, d e s g r a c i a d a m e n t e , c o n l a téc-
© Gilbert Hottois, 1991
^ i~ n i c a . Este desprecio o esta incompresión p o r l o q u e c o n s t i -
© Editorial Anthropos, 1991
^ £ t u y e e l fenómeno d o m i n a n t e de O c c i d e n t e a c a b a n desarro-
Edita: Editorial Anthropos. Promat, S. Coop. Ltda.
> l l a n d o , o a l m e n o s d e j a n d o d e s a r r o l l a r , reacciones oscuras
Vía Augusta, 64. 08006 Barcelona
E n coedición con el Servicio Editorial de la Universidad del País e irreflexivas e n el O c c i d e n t e tecnocientífico, o l o q u e es
Vasco / Argitarapen Zerbitzua Euskal Herriko Unibertsitatea \ más, d e j a n d o q u e éste se d e s a r r o l l e s i g u i e n d o u n a dinámi-
ISBN: 84-7658-308-7 ^ ca p r o p i a q u e n o se i n t e n t a p e n s a r o, a l m e n o s , a c o m p a -
Depósito legal: B . 31.543-1991 ñarla p o r el p e n s a m i e n t o r e f l e x i v o y crítico.
Fotocomposición: Seted. Sant Cugat del Valles Este l i b r o querría ser u n a m a n e r a de e m p e z a r t a l
2

Impresión: Indugraf, SCCL. Badajoz, 147. Barcelona ^ acompañamiento. I n v i t a a pensar. Pensar de l a m a n e r a


más l i b r e y a b i e r t a sobre el t e m a de l a t e c n o c i e n c i a c o n -
Impreso en España - Printed in Spain
temporánea. S i g u i e n d o u n a línea de reflexión p r o p i a c o n -
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información, en ninguna forma ni por ningún medio, sea mecánico, fotoquímico,
c o n s t i t u y e también u n a especie d e antología i n t e g r a d a de
electrónico, magnético, electroóptico, por fotocopia, o cualquier otro, sin el permiso
previo por escrito de la editorial. textos sobre l a c i e n c i a y l a t e c n o c i e n c i a contemporáneas

'LO y
a*
)
(ver índice de Textos). Estos textos, e s p a r c i d o s p o r e l l i b r o , LTI) y p r o f u n d i z a m o s el s e n t i d o de u n p u n t o de v i s t a evolu-
no necesariamente son u n apoyo del a r g u m e n t o principal: c i o n i s t a d e f e n d i d o p o r m u c h o s tecnocientíficos y q u e hace
p u e d e n i l u s t r a r u n a reserva, u n a objeción, u n a a l t e r n a t i v a , más j u s t i c i a a a l g u n o s aspectos de las p o s i b i l i d a d e s tecno-
u n titubeo i m p o r t a n t e y significativo, i n v i t a n d o a l lector a científicas (capítulos I V y V ) . C o m o y a h e m o s d i c h o , los
pensar en o t r o sentido. tres últimos capítulos ( V I , V I I y V I H ) están d i r e c t a m e n t e
L a o b r a h a s i d o r e a l i z a d a de f o r m a q u e p u e d a ser per- consagrados a l a p r e g u n t a ( p o r l a ) ética, t e n i e n d o e n c u e n -
f e c t a m e n t e leída y e n t e n d i d a i g n o r a n d o l o s t e x t o s q u e l a t a l o q u e h a s i d o d e s a r r o l l a d o e n las secciones preceden-
i l u s t r a n . L a m a n e r a de i n t e g r a r l o s a l c u e r p o d e l l i b r o n o s tes.
h a p a r e c i d o más r i c a q u e l a yuxtaposición, t a l y c o m o se S i existe u n a p r e g u n t a teórica q u e atraviesa t o d o el l i -
h i z o e n l a edición a n t e r i o r , d e l t e x t o d e l a u t o r s e g u i d o de b r o , es l a c u a r t a p r e g u n t a k a n t i a n a : «¿Qué es el hombre?».
u n a antología d e e x t r a c t o s n o i n t e g r a d o s e n e l c o n t e x t o S i h a y u n a i n q u i e t u d q u e subyace a l a p r e g u n t a práctica
apropiado y siempre singular. «¿qué v a m o s a h a c e r d e l hombre?», es l a de preservar l a
H e m o s querido que la obra fuera resueltamente con- a p e r t u r a — e n i g m á t i c a — de esta c u a r t a p r e g u n t a .
temporánea y p r o s p e c t i v a : l a t e c n o c i e n c i a d e h o y y de m a -
ñana es l o q u e n o s h a i m p u l s a d o y las p r e g u n t a s se h a n
p l a n t e a d o s i e m p r e desde esta p e r s p e c t i v a . A u n q u e l a p r e o -
cupación ética sea d o m i n a n t e y «finalista», de a l g u n a m a - NOTAS
n e r a , e l l i b r o , n u e s t r a interrogación, n o es sólo i n t e r n a a l a
1. H . S a c h s s e , «Die M o d e r n e T e c h n i c k u n d die heutige T e c h n i k d i s -
p e r s p e c t i v a ética q u e p r o p o n e . Pues l a reflexión filosófica
kussion», Universitas (abril 1981).
sobre l a t e c n o c i e n c i a , c u a n d o es r a d i c a l , n o p u e d e c o n t e n - 2. E s u n a reedición puesta a l día, refundida y m u y extensamente a m -
tarse c o n p r e g u n t a r s e únicamente s o b r e l o s v a l o r e s q u e p l i a d a ( e n realidad, c a s i d o b l a d a ) de u n a más pequeña obra p u b l i c a d a e n
t r a t a , e n e l seno de u n a d e t e r m i n a d a concepción m o r a l de 1984 bajo el título Pour une etique dans un univers technicien, U n i v e r s i -
d a d de B r u s e l a s .
p r o m o v e r c o n , o a pesar de, las t e c n o c i e n c i a s . Y l o q u e es
más i m p o r t a n t e , l a t e c n o c i e n c i a e m p u j a a l filósofo a p l a n -
tearse y r e p l a n t e a r s e l a p r e g u n t a s o b r e e l s e n t i d o , l a n a t u -
raleza y e l v a l o r d e l a p r o p i a ética, d e l a ética c o m o t a l
— d e l a e t i c i d a d — , y n o sólo de u n a u o t r a m o r a l p a r t i c u -
l a r . Este es e l t e m a c e n t r a l , e l corazón d e l o s t r e s últimos
capítulos y , d e l c u a l , l a bioética es u n a ilustración p r i v i -
legiada.
T r a s h a b e r señalado l a primacía de l a técnica, c o n t r a -
riamente a l a tradición o c c i d e n t a l d o m i n a n t e , e i n t r o d u c i -
d a l a noción de t e c n o c i e n c i a (capítulo I ) , p r e s e n t a m o s l a
evaluación filosófica ( q u e es también l a d e l s e n t i d o co-
m ú n ) más c o r r i e n t e q u e sigue d i s t i n g u i e n d o e n t r e «ciencia
pura» y «técnica», a s i m i l a n d o ésta a u n c o n j u n t o d e útiles
o de m e d i o s a l s e r v i c i o d e l H o m b r e (capítulo LT). S e g u i d a -
m e n t e m o s t r a m o s a l g u n o s de los límites de esta evalua-
ción común, i n s t r u m e n t a l i s t a y antropocéntrica (capítulo

8 9
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UNIVERSIDAD EU BOSQUE
BJ&UOTCCA
CAPÍTULO I
INVENTARÍO
LA IMPORTANCIA D E LA TÉCNICA
•2 2 ^ W P
Élf - FICHA;
v
Y D E LA TECNOCIENCIA

S e podría decir, yendo inmediatamente a lo


esencial, que el saber científico no es n i de
tipo sapiencial, n i de tipo contemplativo, n i
de tipo hermenéutico, sino de tipo operativo.

J . LADRIÉRE

L a c i e n c i a se h a convertido e n u n medio de l a
técnica.

J. ELLUL

1. L a primacía t r a d i c i o n a l d e l a teoría

E l b i n o m i o «teoría-técnica» c o n s t i t u y e u n a de las g r a n -
des a r t i c u l a c i o n e s d e l p e n s a m i e n t o o c c i d e n t a l . A l i g u a l q u e
sucede e n o t r o s b i n o m i o s filosóficos (tales c o m o , p o r ejem-
p l o , «espíritu-materia», «realidad-apariencia», etc.), u n o de
los d o s términos es t r a d i c i o n a l m e n t e v a l o r a d o e n d e t r i -
m e n t o d e l o t r o : e n este caso, l a primacía c o r r e s p o n d e a l a
teoría. E s t a supremacía a r r a n c a de m u y lejos. Y a el p e n -
s a m i e n t o g r i e g o m e n o s p r e c i a b a l a técnica, el d o m i n i o
práctico, y c o l o c a b a p o r e n c i m a l a v i d a c o n t e m p l a t i v a o
teorética. 1

«Platón (Las leyes, V I H , 846) y Aristóteles (Política, I I I ,


5) p r o p u s i e r o n q u e e n sus ciudades ideales ningún t r a b a j a -
d o r m a n u a l p u d i e r a ser c i u d a d a n o . E l t r a b a j o a r t e s a n a l y
m a n u a l es v e r g o n z o s o y d e f o r m a e l a l m a a l a vez q u e e l
c u e r p o . E n el Gorgias, Platón acusa a los " i n g e n i e r o s " , a
n u e s t r o s i n g e n i e r o s a los q u e h e m o s v i s t o aparecer e n l a

11
> El menosprecio platónico
m i s m a época d e l g r a n filósofo. [...] P a r a todos los filósofos
De las tres clases sociales que componen el estado pla-
la v i d a c o n t e m p l a t i v a es s u p e r i o r a las f o r m a s más altas de tónico, la virtud suprema de la episteme es propia de la
a c t i v i d a d práctica. P . M . S c h u h l [...] señala q u e l a c o r r i e n - primera, la de los gobernantes, le corresponde el valor a la
te de p e n s a m i e n t o q u e surge e n J o n i a , e n p a r t i c u l a r c o n clase de los militares, mientras que a la clase inferior for-
A r q u i t a s y E u d o x o , y favorable a l a creación de u n a téc- mada por artesanos y agricultores Platón no les atribuye
n i c a científica, está c o n t r a r r e s t a d a e n Arquímedes a conse- ninguna virtud específica. A juicio de Plutarco, Platón es el
cuencia de l a i n f l u e n c i a platónica. L a oposición entre el responsable de que la techne mecánica fuera desestimada
esclavo y el h o m b r e l i b r e se p r o l o n g a e n l a oposición entre como objeto de interés teórico: «La apreciada techne meca-
nica había sido ejercida con anterioridad por Eudoxo y Ar-
técnica y ciencia» ( B . Gille, Histoires des tecniques, pp.
quitas; éstos, para hacer que la geometría pareciera más
362-363).
agradable, habían solucionado, con ejemplos mecánicos
« E l más g r a n d e de los ingenieros de l a antigüedad, A r - concretos, aquellos problemas geométricos cuya compren-
químedes, n o llegó, parece ser, a convencerse de l a l e g i t i - sión no era inmediata [...]. Pero Platón estaba descontento
m i d a d de sus trabajos de mecánica.» Desde l a Antigüedad con ello y les reprochó que deshonraran de esta manera lo
Clásica, «la v i d a c o n t e m p l a t i v a t r i u n f a d e c i d i d a m e n t e so- superior de la geometría transportando esta ciencia del do-
b r e l a v i d a práctica, a u n q u e Tales, p o r ejemplo, había t r a - minio de las cosas incorpóreas y abstractas al de los obje-
t a d o de asociarlas» (P. S c h u h l , Machinisme et philosophie, tos sensibles y utilizando objetos que eran sólo propios de
p p . 15-16). vulgares y toscos artesanos. Como consecuencia de estas
consideraciones, la mecánica se separó de la geometría y
La descuálificación antigua fue despreciada durante mucho tiempo por la filosofía
pura, quedando reducida al rango de una techne militar»
Por su lado, Plotino lleva hasta el extremo una tenden-
[ M . Medina, De la techne a la tecnología, pp. 46-47].
cia ya patente en Platón y Aristóteles y en la mayor parte
de los filósofos de la Antigüedad —salvo, quizás, en el caso
de los sofistas y de los atomistas—, a saber, el predominio
de la actitud contemplativa o teórica sobre la actitud prác- E n l a h i s t o r i a de Occidente, el p r o y e c t o de l a ciencia o
tica y sobre la actitud productiva o poética: si se admite d e l saber se h a c o n f u n d i d o c o n el p r o y e c t o teórico. E t i m o -
que la actitud teórica apunta al conocimiento riguroso y lógicamente, el término «teoría» evoca l a visión, l a c o n -
demostrativo, que la actitud práctica concierne al buen-ha- templación. Pero l a teoría presenta también l a f o r m a de
cer de u n agente cualquiera y que la actitud productiva o u n logos, de u n d i s c u r s o r a c i o n a l . E l p r o y e c t o teórico es,
poética apunta a crear una cosa distinta de su creador, se pues, un discurso racional articulado que contempla o refle-
ve que la visión griega del universo asigna a la técnica u n ja la estructura racional de lo real. E l saber es «logoteoría».
status inferior. Ésta queda definitivamente en el plano i n -
Este p r o y e c t o perteneció, p r i m e r a m e n t e , a l a filosofía ( c o n
telectual del dominio de la aproximación, en el plano mo-
l a q u e l a ciencia se confundió d u r a n t e m u c h o t i e m p o ) . Pa-
ral del dominio del artificio; su eficacia misma le hace co-
rrer, permanentemente, el riesgo de la desmedida. Se en- só a ser, p o s t e r i o r m e n t e , el de l a ciencia l l a m a d a p u r a .
tiende, pues, que la racionalidad técnica percibida y, a me- Todavía h o y , s o n m u c h o s los q u e esperan, más o m e n o s
nudo descrita de forma sutil, quede en u n plano inferior; expresamente, que l a c i e n c i a p r o d u z c a l a Teoría de l o Re-
que los técnicos, por otra parte necesarios, sean socialmen- al, es decir, u n a i m a g e n simbólica (lógica, matemática,
te menospreciados y que la técnica misma no forme parte u n i t a r i a , lingüística) q u e nos mostrase l a n a t u r a l e z a y l a
de la realización de la esencia del hombre [J.Y. Goffi, La e s t r u c t u r a de l o real, ofreciéndonos l a maestría c o n t e m p l a -
philosophie de la technique, pp. 39-40]. t i v a c o m o s i se t r a t a r a de u n c u a d r o q u e se d o m i n a de u n
vistazo. 2

12 13
L a c i e n c i a l l a m a d a «pura» se s i t u a b a e n u n a esfera de do-por-el-lenguaje, sobre l o r e a l t a l c o m o el lenguaje nos l o
v e r d a d más allá de toda consideración práctica y moral. E n i ofrece. L a a n t i g u a ciencia filosófica es u n a especie de se-
sí, l a c i e n c i a sería necesariamente buena, o e n el p e o r de mántica, de puesta e n o r d e n c o n c e p t u a l d e f i n i t i v a de, y a
los casos, neutra, es decir, n i b u e n a n i m a l a . Sólo s u uso p a r t i r de, el c o n j u n t o m a l o r g a n i z a d o de las significaciones
pondría de relieve l a apreciación m o r a l . E n pocas pala- ^ dadas e n el lenguaje. E l i d e a l de l a c i e n c i a a n t i g u a es el de
bras, el p r o b l e m a de l a elección y de l a r e s p o n s a b i l i d a d ' c o n s t i t u i r u n c u e r p o lógicamente o r g a n i z a d o , apoyado en
éticas n o surgiría más que e n relación c o n l a c i e n c i a lla- definiciones (que e n u n c i a n l a esencia de los seres y de las
m a d a «aplicada», e n t e n d i d a c o m o técnica. cosas) y en p r i n c i p i o s , a p a r t i r de los cuales, se procede
« E l m i s m o p o s t u l a d o que separa l a teoría de l a práctica d e d u c t i v a m e n t e . A l c o n c l u i r el t r a b a j o «científico» (episté-
es e l q u e d i f e r e n c i a el p r o y e c t o científico de sus conse- m i c o ) especulativo, l a semántica confusa y c a m b i a n t e d e l
cuencias, el saber c o n c e b i d o c o m o fin y el saber realizado lenguaje n a t u r a l se mostrará sistemáticamente o r g a n i z a d a
c o m o técnica. L a tecnología, aplicación de l a ciencia, es l a y estabilizada. U n a ciencia así, lingüística, semántica, es-
que a s u m e l a r e s p o n s a b i l i d a d t o t a l y e n t e r a de los i n c o n - peculativa, ofrece u n a i m a g e n d e l m u n d o q u e tiene sentido
venientes d e l p r o g r e s o técnico, n o l a c i e n c i a c u y o verdade- p e r o que, a l m i s m o t i e m p o , n o es d e l t o d o , o es m u y poco,
r o fin es ajeno a l de l a tecnología. L a c i e n c i a es pura» (J.J. operativa. Es decir, esta i m a g e n logoteórica de l o que es
Salomón, Science et politique, p. 2 4 3 ) . — y que procede todavía de l a confusión oscura de las p a -
f labras y las cosas— n o p e r m i t e l a predicción n i l a inter-
vención efectiva e n l o real.
2. L a c i e n c i a m o d e r n a * Las dos grandes características de l a ciencia m o d e r n a
s o n l a matematización y l a experimentación. U n a y o t r a
E n los c o m i e n z o s de l a «ciencia moderna», desde el ¡ o b l i g a n a r o m p e r c o n n u e s t r o ser-natural-en-el-mundo-
siglo X V a l x v n , se p r o d u c e u n a mutación p r o f u n d a de l a por-el-lenguaje. E s t a r u p t u r a p r i v a a l m u n d o de significa-
que nuestras actuales tecnociencias s o n l a consecuencia le- do, a l a vez que hace de él u n c a m p o de operación y de
j a n a . Esta mutación desvió el p r o y e c t o o c c i d e n t a l de cien- acción. S i n e m b a r g o , estos dos grandes i n s t r u m e n t o s de l a
cia h a c i a l a o p e r a t i v i d a d (tecnomatemática) y l o arrancó ciencia m o d e r n a n o s o n r e c o n o c i d o s de i g u a l m o d o p o r
de l a e m p r e s a logoteórica de l a contemplación y d e l l e n - sus p r o m o t o r e s . Así, R. Descartes n o ve más que l a i m p o r -
guaje n a t u r a l . S i n e m b a r g o , los efectos de esta mutación t a n c i a de las matemáticas, m i e n t r a s q u e F. B a c o n n o a d -
apenas serán i n m e d i a t a m e n t e perceptibles: l a c i e n c i a m o - m i t e más q u e l a de la experiencia. Pero u n o y o t r o recha-
d e r n a sigue pensándose de a c u e r d o c o n l a escisión entre l o z a n el saber especulativo l i b r e s c o (escolástico) y s u b r a y a n
teórico y l o técnico, entendiéndose s i e m p r e c o m o «buena» el p o d e r o p e r a t i v o de l a n u e v a ciencia. Para R. Descartes,
o «neutra» e n t a n t o q u e ciencia. ésta nos convierte e n «maestros y poseedores de l a n a t u r a -
leza». Para F. B a c o n , se t r a t a de «dominar l a n a t u r a l e z a
3

V e a m o s cuáles s o n las a r t i c u l a c i o n e s esenciales de esa


f p o r el arte»r
mutación. L a ciencia a n t i g u a (logoteórica), c o n t r a l a q u e
la c i e n c i a m o d e r n a debe i m p o n e r s e , es l a c i e n c i a arsitotéli-
c o - t o m i s t a . Ésta i g n o r a las matemáticas y l a e x p e r i m e n t a - F. Bacon y R. Descartes, maestros de la naturaleza
ción (es decir, l a experiencia p r o v o c a d a y a c t i v a que aisla \ Filosóficamente, pocas cosas parecen aproximar a Ba-
fenómenos y se sirve de i n s t r u m e n t o s ) . H a b l a e l lenguaje con y Descartes puesto que el primero es empirista y el
n a t u r a l y se c o r r e s p o n d e , e n g r a n p a r t e , c o n u n a especula- segundo racionalista* Sin embargo, en lo que concierne a
ción o u n a reflexión sobre n u e s t r o s e r - n a t u r a l - e n - e l - m u n - sus ideas sobre la técnica, la proximidad entre ambos pen-

14 15
>
sadores es mucha. La Antigüedad colocaba a la técnica en [...] Puesto que la técnica está pensada dentro de u n
la esfera de la necesidad, pero la evaluaba negativamente mismo marco, u n mecanismo al servicio del poder, las
en una comparación implícita entre el arte y la naturaleza. operaciones del técnico se describirán de forma similar.
Lo que hay en común entre Bacon y Descartes es una nue- Así, Bacon afirma: «el hombre no tiene otro poder sobre la
va evaluación de la técnica que entraña una reflexión iné- naturaleza que el de poder darle movimiento; y todo lo que
dita sobre las relaciones entre el arte y la naturaleza. Al puede hacer es aproximar o alejar, unos de otros, a los
mismo tiempo, la técnica se convertirá en poder autónomo cuerpos naturales. Cuando este alejamiento o acercamien-
respecto al dominio estrictamente antropológico de la ne- to son posibles [...] lo puede todo; fuera de esto no puede
cesidad. nada» (De Dignitate et augmentis, U, 2). Descartes, por su
* A) Para Bacon las cosas están particularmente claras: «Si parte, escribió, en una forma que recuerda, casi literalmen-
se encontrara u n mortal que no tuviera otra ambición más te, a la de su predecesor, «la medicina, los mecánicos y, en
que la de extender el imperio y el poder del género humano general, todas las artes para las cuales el conocimiento de
sobre la inmensidad de las cosas, tendríamos que convenir en la física puede servir, no tienen más f i n que aplicar algu-
que ésta es más pura, más noble y más augusta que cualquier nos cuerpos sensibles a otros, de modo que se produzcan
otra» (Novum Organum). No se podría ir, más claramente, efectos sensibles como consecuencia de causas naturales»
contra la actitud platónica para quien la ambición más pura (Principios de Filosofía, IV, 204) [J.Y. Goffi, La philosophie
de la technique, pp. 43-45]. %
implica, por el contrario, el rechazo de ese poder.
E l mismo ideal intervencionista encontramos en Des-
cartes: «En lugar de esta filosofía especulativa que se ense-
ña en las escuelas se podría encontrar el modo de obrar * L a n a t u r a l e z a p r o f u n d a m e n t e o p e r a t i v a de l a n u e v a
mediante el cual, conociendo la fuerza y las acciones del c i e n c i a se expresa, de u n m o d o c o n c r e t o , e n el h e c h o de
fuego, del aire, de los astros, de los cielos y del resto de los que e l n u e v o s i s t e m a d e l m u n d o (el h e l i o c e n t r i s m o coper-
cuerpos que nos rodean, tan claramente como conocemos n i c a n o e n oposición a l g e o c e n t r i s m o p t o l o m e i c o ) se i m -
los diversos oficios de nuestros artesanos, podríamos em- p o n e p o r q u e p e r m i t e cálculos más s i m p l e s y p r e d i c c i o n e s
plearlos de igual modo para los usos para los que son pro- más precisas e n l o q u e se refiere a l m o v i m i e n t o de los
pios y, así, volvernos dueños y poseedores de la naturale-
planetas y n o p o r q u e sea i n t u i t i v a m e n t e más evidente ( a l
za» (El discurso del método, VI). Esta comparación entre el
c o n t r a r i o ) o p o r q u e ofrezca u n a i m a g e n más fiel de l o
maestro de escuela y el artesano, comparación de la que
r e a l . L a representación teórica de l o r e a l c o n l a que l a
sale ventajoso el artesano, nos muestra que la escala de
valores se ha invertido desde Platón. c i e n c i a t r a b a j a se c o n v i e r t e así e n modelo, es decir,
B ) E l objetivo de la actividad técnica es el dominio cre- (re)construcción de u n a p a r t e de l o r e a l d e s t i n a d a a d a r
ciente sobre las cosas. Ahora bien, si es necesario obrar i n f o r m a c i o n e s seguras sobre el e n c a d e n a m i e n t o de los
«para extender los límites del imperio del hombre sobre la hechos y las consecuencias de nuestras intervenciones e n
naturaleza entera y hacer todo cuanto le es posible» (La el c u r s o de los a c o n t e c i m i e n t o s . J u n t o a l a interpretación
nueva Atlántida), no se «somete a la naturaleza más que realista q u e t u v o también desde s u n a c i m i e n t o d i c h a c o n -
obedeciéndola» (Novum Organum). Esta fórmula no sería cepción ( y q u e t a n t o i n q u i e t a b a a l a Iglesia p u e s t o que
más que u n slogan si no estuviera matizada: «la ciencia y defendía q u e realmente l a t i e r r a g i r a b a a l r e d e d o r d e l sol y
el poder humano coinciden en todos los puntos y se diri- n o se t r a t a b a sólo de u n m o d e l o de representación), el
gen al mismo objetivo; en la ignorancia está la causa que
sistema c o p e r n i c a n o fue c o n c e b i d o c o m o u n a «ficción
nos priva del efecto; pues no se puede vencer a la naturale-
matemática cómoda p a r a c a l c u l a r y r e c t i f i c a r las Tablas
za más que obedeciéndola; y lo que era principio, efecto o
astronómicas de P t o l o m e o [...], s i m p l e a r t i f i c i o de cálculo
causa en la teoría se convierte en regla, objetivo o medio
en la práctica» (Novum Organum). s i n r e a l i d a d física, útil p a r a s i m p l i f i c a r los cálculos c o n

16 17
q u e c o n s t r u i r u n a n u a r i o d e l t i e m p o » . G a l i l e o , el p r e c u r - por f i n u n camino que conduzca a sus habitaciones priva-
sor d e esta revolución, era a l a vez matemático, e i n g e n i e - das». Bacon proclamaba su varonil intención de presidir
r o d e l d u q u e d e F l o r e n c i a . T a m b i é n él, q u e enunció q u e «el nacimiento verdaderamente masculino del tiempo», de
«el l i b r o de l a n a t u r a l e z a está e s c r i t o e n lenguaje matemá- inaugurar la nueva era en la que la humanidad debía, pro-
gresivamente, adquirir el poder de «conquistarla y some-
t i c o » , fue q u i e n construyó u n telescopio q u e sirvió p a r a
terla [la Naturaleza], de conmoverla hasta sus fundamen-
p r e p a r a r l a penetración e x p e r i m e n t a l de este n u e v o espa-
tos». E n su Avancements des Sciences, Bacon llamaba a los
c i o d e l m u n d o q u e las matemáticas habían a b a l i z a d o teó-
hombres a reconciliarse y a unir sus fuerzas contra la Na-
ricamente. * turaleza, «para tomar p o r asalto y ocupar sus castillos y
3 L a técnica y l a matemática se e n c u e n t r a n , silenciosas, sus plazas fuertes», una invitación que evoca, u n poco, la
e n el seno de l a n u e v a c i e n c i a y , allí, se r e s p a l d a n p a r a violación colectiva de la Naturaleza. Coincidiendo con el
l e v a n t a r l a e m p r e s a d e l saber logoteórico, especulativo y pensamiento de Bacon, Henry Oldenburg escribió a un fu-
simbólico. L a característica f u n d a m e n t a l de l a c i e n c i a m o - turo miembro de la Royal Society que «los verdaderos h i -
d e r n a es l a tecnomatemática, es d e c i r , l a o p e r a t i v i d a d . jos de la ciencia» son aquellos que no están satisfechos con
Además, y pese a q u e esta i d e n t i d a d está lejos de ser i n m e - las verdades ya conocidas, sino que se esfuerzan por
d i a t a m e n t e r e c o n o c i d a p o r q u e se h a l l a a h o g a d a e n u n «abandonar la antecámara de la naturaleza para penetrar
en su gabinete interior». U n historiador especialista en el
océano de filosofía, teología y e s o t e r i s m o diversos, estalla
Siglo de las Luces quedó comprensiblemente impresiona-
c o n v i o l e n c i a e n t o d a u n a alegoría d e l d o m i n i o , l a d o m i n a -
do por este lenguaje de los filósofos del siglo x v m «lleno de
ción, l a penetración y l a posesión de l a n a t u r a l e z a , de las metáforas que apestan a batalla y al acto físico de la pene-
q u e sólo e s t a m o s e m p e z a n d o a e l a b o r a r s u a s o m b r o s o i n - tración». Claramente, la ciencia era u n asunto masculino y
v e n t a r i o (cf. B . Easlea, Science et philosophie. Une revolu- la tierra una mujer. Nuestra última Ilustración tomará
tion 1450-1750, París, Ramsay, 1986). E s t a v i o l e n c i a de l a prestado todo esto a principios del siglo xrx. E n el alba de
acción científica n o se verá d e s m e n t i d a . Según C. B e r n a r d : su carrera en la Real Institución, sir Humphrey Davy, futu-
« N o se h a p o d i d o d e s c u b r i r las leyes de l a m a t e r i a b r u t a ro presidente de la Royal Society, explicaba orgullosamen-
más q u e p e n e t r a n d o los cuerpos y las máquinas i n e r t e s , de te que «el hombre de ciencia», n o contento de lo que se
i g u a l m o d o n o se podrá llegar a c o n o c e r las leyes y p r o p i e - puede encontrar en la superficie de la Tierra, «ha penetra-
dades de l a m a t e r i a v i v a más q u e m a n i p u l a n d o los orga- do en su seno [...] para apaciguar la fiebre de sus deseos
n i s m o s v i v o s p a r a i n t r o d u c i r s e e n s u interior» (Jntroduc- y para extender y acrecentar su poder». Y, retóricamen-
te, preguntaba: «¿Quién no saciaría la ambición de fami-
tion á l'étude de la médecine experiméntale).^
liarizarse con los secretos más profundos de la Naturale-
za, de verificar sus operaciones escondidas?». La ciencia
La ciencia moderna es violenta —proclamaba triunfante— ha dado al filósofo natural
Los filósofos aristotélicos estaban fatalmente estanca- «poderes que podrían calificarse de creadores; éstos le
dos, impotentes ante la Naturaleza —ridiculizaba Bacon—, han permitido [...] p o r la práctica de la experimentación,
y no debían «nunca poner la mano sobre ella n i tomarla». interrogar a la Naturaleza con autoridad y no como lo
Dilapidando su energía en una vana contemplación, Aristó- haría el erudito pasivo que no desea nada más que com-
teles había «dejado la Naturaleza intocada e inviolada». prender las operaciones de la Naturaleza, sino más bien,
Bacon, p o r el contrario, pensaba que podía invitar a los como u n maestro activo que se sirve de sus propios instru-
«verdaderos hijos del saber» que aspiran a «ir más allá» y mentos».
a «someter [...] a la Naturaleza en acción», a unirse a él He indicado ya que la voluntad de liberar a la humani-
para, «atravesando los cursos exteriores de la Naturaleza dad de las numerosas tiranías de la naturaleza es una cosa
en donde tantos han aventurado ya sus pasos, encontrar y el deseo de adquirir u n poder total sobre la naturaleza

18 19
> >
b l a de «la interpenetración de l a ciencia y de l a técnica»
«por sí mismo», otra cosa m u y distinta. Pero, ¿se trataba
realmente de esto? Parece más bien que tras u n largo desa- (op. cit., p . 1.119) y de «la d i f i c u l t a d de disociarlas» (His-
rrollo histórico ha aparecido en Europa occidental u n tipo toires des techniques, p . 1.453).
de hombres que están deseosos de romper sus lazos con la « E l guión q u e u n e los términos de "ciencia-tecnología"
«Tierra Madre» para responder a u n deseo compulsivo de i n d i c a esa unión esencial [...]. L a n u e v a c i e n c i a es, p o r s u
probar su masculinidad y virilidad. E l medio que ellos de- esencia, tecnológica» ( W . B a r r e t , The Illusion of Technique,
bían emplear era la apropiación tecnológica, cada vez más
p. 202). *
pujante, de una Tierra pasiva, para p e r m i t i r a los hombres,
según las palabras maestras de Francis Bacon, «hacer todo
lo que es posible hacer» [B. Easlea, Science et philosophie, El entrelazamiento tecnocientífico
pp. 295-296]. La ciencia pura no es sino u n elemento entre los varios
que constituyen las actividades de investigación: no tiene
por qué ocupar u n lugar prioritario en el camino que con-
duzca a la resolución de los enigmas del universo. Toda la
3. L a t e c n o c i e n c i a contemporánea investigación contemporánea se produce en u n vaivén en-
tre el concepto y la aplicación, entre la teoría y la práctica,
* E l i d e a l a n t i g u o —logoteórico y filosófico— d e l a c i e n - en palabras de Bachelard, entre «el espíritu trabajador y la
c i a está todavía m u y a r r a i g a d o e n l a c o n s c i e n c i a (a despe- materia trabajada». E n esta relación, la theoria es la instan-
c h o de l a mutación p r o d u c i d a e n e l p r o y e c t o o c c i d e n t a l cia primera de la techne, más en sentido cronológico que
d e l saber, e m p l a z a d o c a d a vez más b a j o e l s i g n o t e c n o m a - jerárquico y sin que sus prioridades epistemológicas sean
temático de l a o p e r a t i v i d a d ) . N o s o t r o s s e g u i r e m o s de éste, una constante respecto a los logros técnicos que las fun-
e s e n c i a l m e n t e , l a dimensión técnica. L a matematización dan; las conquistas de la ciencia pasan también por las de
la tecnología^La experiencia de la guerra y, más reciente-
de l a c i e n c i a y de s u objeto se c o n c i b e c o m o l a p u e s t a e n
mente, las investigaciones espaciales o los grandes labora-
m a r c h a de l a p o s i b i l i d a d d e l p l e n o d e s a r r o l l o técnico. L a
torios industriales (los Bell Laboratories, la General Elec-
matematización es l a repetición g e n e r a l d e l a a p r o x i m a - tric, el D u Pont o la LBM) son una muestra de que, si bien
ción a l a t o t a l i d a d de l o r e a l b a j o el ángulo de s u m a n i p u - el desarrollo técnico depende estrechamente de la ciencia
lación üimitada, d e l j u e g o , s i n límites, d e l a realización de pura, el progreso de la ciencia depende también, muy es-
todo l o posible. * trechamente, de la técnica. E l empleo masivo de instru-
« L a teoría matemática p o t e n c i a l i z a [ c r e a l o p o s i b l e , mentos no se ha convertido menos en una norma para los
G . H . ] , p o r el h e c h o m i s m o de q u e ella i n v i s t e a priori u n a científicos que los conceptos y teorías para los ingenieros
n a t u r a l e z a v i s t a d e m a n e r a o p e r a t i v a . L a técnica l a segui- [...]. De igual modo que la ciencia crea nuevos seres técni-
cos, la técnica crea nuevas líneas de objetos científicos. La
rá, más o m e n o s b i e n , c o n más o m e n o s rapidez» ( D . J a n i -
frontera es tan tenue que no se puede distinguir entre la
c a u d , La puissance du rationnel, p . 194).
actitud del espíritu del científico y la del ingeniero, ya que
H o y , los p o l o s teórico y técnico de l a a c t i v i d a d científi- existen casos intermedios [ J J . Salomón, Science et politi-
ca están i n d i s o l u b l e m e n t e trenzados. que, pp. 135-136].*;
~ * «Esta distinción [ e n t r e c i e n c i a y técnica, G . H . ] , a p a r e n -
t e m e n t e c l a r a , está p u e s t a e n tela de j u i c i o p o r e l c r e c i e n - E s t a unión vale i n c l u s o p a r a l a investigación básica, y a
te e n t r e l a z a m i e n t o de las ciencias n a t u r a l e s y d e l a técnica, se t r a t e de l a biología, l a física (desde l a astrofísica a l a
q u e se m a n i f i e s t a t a n t o c o m o u n a tecnificación d e l a c i e n - microfísica) o l a neurología.
c i a c o m o u n a cientifización de l a técnica» ( H . S t o r k , Ein-
fuhrung in die Philosophie der Technik, p . 4 1 ) . B . G i l l e h a -

20 21
Tecnociencia e investigación física básica (F. Gros, Sciences de la vie et société, p . 119). « L a i n t e r d e -
Cuando observamos los objetos de nuestra vida cotidia- p e n d e n c i a e n t r e los progresos e n l a biología básica y far-
na, el proceso físico que hace posible esa observación no macología es t o t a l : l a farmacología depende de todas las
juega más que u n papel secundario. A pesar de ello, cada
a d q u i s i c i o n e s e n biología, los m e d i c a m e n t o s s o n y serán,
proceso de observación provoca perturbaciones considera-
cada vez más, u n e l e m e n t o f u n d a m e n t a l p a r a l a investiga-
bles en las partículas elementales de la materia. Es absolu-
ción básica» (ibíd., p . 147). « L o s i n s t r u m e n t o s s o n actores
tamente imposible hablar de los comportamientos de la
partícula sin tener en cuenta los procesos de observación p r i v i l e g i a d o s e n el avance de las ciencias. A l a vez, conse-
[...]. La pregunta de si esas partículas existen «en sí mis- c u e n c i a y causa de los d e s c u b r i m i e n t o s técnicos y de los
mas» en el espacio y el tiempo no puede, por tanto, plan- nuevos conceptos» (ibíd., p . 149).
tearse en esos términos; en efecto, no podemos hablar más E s t o n o s i g n i f i c a q u e l a distinción entre investigación
que de, los acontecimientos que se desarrollan cuando, por básica e investigación a p l i c a d a (es decir, aquella c u y o fin
la acción recíproca de la partícula y de no importa qué es l a p u e s t a a p u n t o de los d e s c u b r i m i e n t o s e inventos i n -
otro sistema físico, por ejemplo, los instrumentos de medi- m e d i a t a m e n t e explotables desde u n p u n t o de vista econó-
da, se intenta conocer el comportamiento de la partícula.
m i c o ) h a y a desaparecido. S i g n i f i c a sólo que n o se t r a t a de
La concepción de la realidad objetiva de las partículas ele-
u n a a c t i v i d a d científica «pura», «teórica», p o r u n a p a r t e , y
mentales está, pues, extrañamente resuelta [...]. Los defen-
ciencias aplicadas o técnicas, p o r o t r a . Básica o a p l i c a d a ,
sores del atomismo han debido rendirse a la evidencia de
que su ciencia no es más que u n eslabón en la infinita l a investigación es tecnocientíftca y l a s i m p l e observación
cadena de diálogos posibles entre el hombre y la naturale- de l o q u e sucede e n u n l a b o r a t o r i o n o p e r m i t e , e n general,
za y de que, sencillamente, no podemos hablar de una na- d i s t i n g u i r s i las actividades q u e allí se d e s a r r o l l a n s o n a p l i -
turaleza «en sí». Las ciencias de la naturaleza presuponen cadas o n o . S i e m p r e , y e n t o d o l u g a r , el a p a r a t o tecnológi-
siempre al hombre y, como Bohr ha dicho, nosotros no co está presente y tiene g r a n peso.
somos espectadores sino actores en el teatro de la vida [...].
Antes de hablar de las consecuencias generales que se deri-
van de esta nueva situación de la física moderna, es nece- La interacción entre ciencia y tecnología
sario mencionar el desarrollo" de la técnica, tanto por su Lo que es significativo es que, por sus profundas raíces,
importancia en la vida práctica sobre la tierra, como por- la actividad tecnológica contemporánea esté ligada a la
que su desarrollo ha corrido paralelo al de las ciencias de práctica científica. Por otra parte, esta unión es tanto más
la naturaleza; ha sido la técnica la que h a extendido, desde patente cuanto más se la asocia a formas más avanzadas
Occidente, las ciencias de la naturaleza sobre la tierra en- de tecnología. Es interesante constatar que, al principio,
tera y las ha situado en el centro del pensamiento contem- las teorías científicas siguieron a las instauraciones tecno-
poráneo. Durante este desarrollo, a l o largo de los dos últi- lógicas (como es el caso de la máquina de vapor) mientras
mos siglos, la técnica siempre ha sido la condición y con- que en tiempos más recientes, por el contrario, es la teoría
secuencia de las ciencias de la naturaleza [W. Heisenberg, la que ha precedido a las realizaciones técnicas, por ejem-
La naturaleza en la física contemporánea, pp. 18-20]. plo, la energía atómica. Parece, pues, que hay u n carácter
específico en la tecnología contemporánea: su interacción
estrecha con la ciencia.
« E n los próximos veinte años las tecnologías de l o v i v o
Esto plantea, de inmediato, dos cuestiones. Por u n
tendrán u n l u g a r i m p o r t a n t e n o sólo p a r a l a t r a n s f e r e n c i a lado, nos lleva a preguntarnos, considerando la intensidad
y aplicación de c o n o c i m i e n t o s nuevos q u e l l e g a n desde las de esta interacción, si existe aún verdaderamente una dis-
i n v e s t i g a c i o n e s básicas o a p l i c a d a s , s i n o también p a r a tinción entre ciencia y tecnología y, por otra parte, explicar
f e c u n d a r y p e r m i t i r , ellas m i s m a s , estos conocimientos» cómo es posible esta interacción.

22 23
) )
Aparentemente, la frontera entre ciencia y tecnología se Del mundo natural sensible al cosmos tecnocientífico
difumina cada vez más. Por uno y otro lado, l o que sor- La física moderna se ocupa, principalmente, de fenó-
prende, sobre todo, es que nos encontremos en presencia menos a los que la experiencia natural no tiene ningún
de una actividad socialmente organizada, planificada, per- acceso. La óptica no se limita a cuantificar las distintas
siguiendo fines que h a n sido conscientemente elegidos y gradaciones que cualitativamente podemos experimentar,
de carácter esencialmente práctico. Se trata en ambos ca- sino que comprende también el estudio de la luz invisible;
sos de una investigación organizada y sistemática y en la la acústica estudia los ultrasonidos inaudibles [...] y no te-
que el término «investigación» caracteriza tanto lo que nemos ningún órgano para percibir los rayos X o los gam-
se hace bajo el nombre tradicional de ciencia como lo ma [...]. La física se desarrolla tan peculiarmente sólo des-
que se hace bajo el nombre de técnica.KPor ejemplo, pués de haberse desprendido de la experiencia natural sen-
no hay mucha diferencia entre u n laboratorio de investi- sible [...]. Podemos aclarar esto tomando u n ejemplo histó-
gación adscrito a la Universidad en el que, en principio, rico: es m u y conocido que Goethe no quería dejarse arre-
se persigue la «investigación pura» y u n laboratorio de batar, mediante los instrumentos y las matemáticas, la
investigación adscrito a una gran empresa, en el que se visión inmediata de la naturaleza, la Naturaleza misma, tal
preocupan, sobre todo, por sus posibles aplicaciones i n - como ésta se refleja en el espíritu humano. «El micros-
dustriales. %Pero, incluso no considerando los aspectos copio y el telescopio destruyen la sensibilidad pura del
sociales de la actividad científica, que en efecto tanto la hombre.» Goethe sabía que quien hacía uso de ellos en-
aproximan a la actividad tecnológica, se podrían, desde traba en una nueva parcela del mundo. E n efecto, estos
la estructura interna de la andadura científica, extraer ar- instrumentos no sólo sobrepasan a los órganos sensoria-
gumentos para mostrar que ésta tiende, cada vez más, a les del hombre sino que, a la vez, dejan tras de sí al hom-
confundirse con la andadura tecnológica. E n todo caso, no bre natural [...]. Sin embargo, no es esta la concepción
hay otro progreso posible en las ciencias no formales más que prevalece hoy en el mundo de la ciencia y la técni-
que el que se debe a la experimentación o, al menos, a la ca. E n la aproximación actual a la naturaleza, ésta, tal
observación. como la define Heisenberg, acaba identificándose con el
ámbito que las ciencias naturales penetran mediante la
[...] E n cualquier caso, lo que muestran hechos de este
técnica, sin considerar el hecho de que todavía pueda dar-
género (que, p o r otra parte, son cada vez más numerosos)
se como naturaleza en la experiencia inmediata [...]. E l
es, simplemente, que hay una estrecha interacción entre
progreso técnico establece la vida humana sobre bases que
ciencia y tecnología y que el progreso de la ciencia depen-
se alejan, cada vez más, de la existencia natural dada [...].
de, en parte, del progreso de la tecnología y viceversa, pero
La ciencia de la naturaleza acaba convirtiéndose, necesa-
no que ciencia y tecnología tiendan a confundirse. Existe,
riamente, en técnica conforme se va alejando del dominio
a pesar, de todo, una diferencia de naturaleza entre estos
sensible natural [H.J. Meyer, Die Technisierung der Welt,
dos tipos de actividad. E n pocas palabras, se podría decir
pp. 123-124].
que el fin de la ciencia es el progreso del conocimiento
mientras que la tecnología tiene p o r fin la transformación
de la realidad dada [J. Ladriére, Les enjeux de la rationalité,
pp. 55-57]. C o n v e r t i d a , s o b r e t o d o , e n provocación, intervención y
manipulación, l a investigación científica n o es sólo u n a r e -
flexión sobre l o r e a l e n sí. C i e r t a m e n t e , l o teórico es activo
N u e s t r a relación c o n l o r e a l está, de a h o r a e r i adelante,
e n el proceso de investigación, a u n q u e esto c o n s t i t u y a sólo
m e d i a d a técnicamente y n o s i m p l e m e n t e simbólicamente 4

u n a etapa — l a de l a construcción de u n m o d e l o , p o r ejem-


mediada.
p l o , que a m o d o de p l a n o sirve de e l e m e n t o de repre-
sentación a l s e r v i c i o de actividades prácticas, físicas— y
sea u n trampolín h a c i a nuevas investigaciones prácticas.

..• " " X


24 25
« A p a r t i r de ahí, l o q u e suscita l a invención es el deseo la a c t i v i d a d científica contemporánea tiene, a s u vez, m u -
de innovación y , de n u e v o , se r e t o m a el e s q u e m a [...]. P a r a chas consecuencias i m p o r t a n t e s . D i c h o más generalmente,
i n v e n t a r c u a l q u i e r cosa n u e v a debe d e t e r m i n a r s e el n i v e l el c o r r e l a t o de l a c i e n c i a o d e l saber teórico t r a d i c i o n a l era
científico necesario, a l q u e se llega m e d i a n t e l a i n v e s t i - la esencia d e l o b j e t o a c o n o c e r ; el c o r r e l a t o de l a tecno-
gación básica, q u e s u r g e p a r a e n c o n t r a r solución a u n c i e n c i a contemporánea es l a plasticidad del objeto a mani-
p r o b l e m a técnico» ( B . G i l l e , Histoires des techniques, pp. pular ( y a se t r a t e de l a m a t e r i a física, v i v a o pensante). E l
74-75). ser y s u esencia s o n el c o r r e l a t o d e l v e r y d e l h a b l a r . L o
T a m p o c o se d u d a e n d e c i r q u e n o sólo teoría y técnica posible y capaz, el c o r r e l a t o d e l hacer.
están e s t r e c h a m e n t e entrelazadas, s i n o también q u e l a p r i - E n t o d o s l o s ámbitos, c a d a vez más, l a s t e c n o c i e n c i a s
macía l a tiene, cada vez más, el p o l o técnico. crean e l objeto, q u e e x p l o r a n . D e s c u b r i m i e n t o e i n v e n -
«Esta es, e n efecto, l a última p a l a b r a : l a c i e n c i a se h a ción n o están c l a r a m e n t e d e l i m i t a d o s . Así sucede e n físi-
c o n v e r t i d o e n u n m e d i o de l a técnica» ( J . E l l u l , La techni- ca d e partículas, e n química (síntesis n u e v a s ) , e n b i o l o -
que ou l'enjeu du siécle, p . 8). gía (nuevas f o r m a s de v i d a ) y , quizás, d e n t r o de n o m u -
^ H e i d e g g e r , p o r s u parte, p o n e de m a n i f i e s t o «el ca- c h o t i e m p o , e n e l c a m p o de l a psicología ( i n t e l i g e n c i a
rácter engañoso de l a afirmación d e q u e l a técnica m o - artificial).
d e r n a es c i e n c i a n a t u r a l aplicada» (La cuestión de la téc- L a noción de v e r d a d c a m b i a r a d i c a l m e n t e a l pasar d e l
nica, p . 3 1 ) . C o m o también C. M i t c h a m h a c e n o t a r , « e n saber logoteórico a l saber tecnocientífico. L a v e r d a d n o es
l u g a r d e d e s c r i b i r l a tecnología c o m o c i e n c i a a p l i c a d a , y a a q u e l l a e x p e r i e n c i a l u m i n o s a y e x p l i c a t i v a que nos reve-
H e i d e g g e r p i e n s a q u e sería más j u s t o l l a m a r a l a c i e n c i a l a l a esencia p r o f u n d a de l o r e a l y atestigua l a c o n n i v e n c i a
"tecnología t e ó r i c a " » (¿Qué es la filosofía de la tecnolo- f u n d a m e n t a l (ontológica) de las p a l a b r a s y de las cosas,
gía?). L a física m o d e r n a n o es u n a física e x p e r i m e n t a l del lenguaje y de l o r e a l e n l a intuición d e l s e n t i d o d e l ser.
porque aplique a la naturaleza aparatos p a r a interrogar- N o es n i s i q u i e r a esa representación simbólica adecuada
la, s i n o , p o r e l c o n t r a r i o , p o r q u e l a física — y y a c o m o de l o r e a l c o n l a q u e sueña aún la c i e n c i a m o d e r n a . Es
p u r a teoría— o b l i g a a l a naturaleza a m o s t r a r s e c o m o eficiencia tecnofísica, s e g u r i d a d y p o d e r de acción. L a ver-
c o m p l e j o c a l c u l a b l e y p r e v i s i b l e de l a s f u e r z a s q u e l a ex- d a d «objetiva», r e c o n o c i d a c o m o f u n d a m e n t a l m e n t e ope-
perimentación está e n c a r g a d a de i n t e r r o g a r , p a r a q u e se r a t i v a , t i e n e c o m o c r i t e r i o negativo: «si eso falla es que
sepa s i y c ó m o l a n a t u r a l e z a , así o b l i g a d a , r e s p o n d e a l a h a y algún e r r o r e n a l g u n a p a r t e . E l fracaso significa el
l l a m a d a ( H e i d e g g e r , op. cit., p . 29).%. e r r o r ; ese es el p u n t o f u n d a m e n t a l q u e i n t r o d u c e l a prácti-
•lAsí, l a v i e j a concepción teórica de l a contemplación ca (acertar-fallar) e n e l corazón m i s m o de l a relación de
d i s c u r s i v a h a c e d i d o s u l u g a r d o m i n a n t e a u n a relación verdad». S i i n v e r t i m o s e l c r i t e r i o entonces tenemos: «si
esencialmente a c t i v a d e manipulación, de reconstrucción y esto n o es falso, n o fallará», q u e c o n s t i t u y e «la c a r t a epis-
de deconstrucción d e l a r e a l i d a d q u e p o n e l a r e p r e - temológica de l a técnica. Desde ese p u n t o de vista, l a téc-
sentación teórica a l s e r v i c i o de l a actividad manipulativa. n i c a es l a manifestación más ostensible de l a v e r d a d d e l
Los términos «tecnociencia» y «tecnocientífico» señalan, a saber objetivo, manifestación q u e consiste e n l a inversión
la vez, el e n t r e l a z a m i e n t o e n t r e los d o s p o l o s y l a p r e p o n - de los m o m e n t o s práctico y teórico de este saber» (Roque-
d e r a n c i a d e l p o l o técnico y, además, s o n a p r o p i a d o s p a r a plo, Penser la technique, p. 28).
des ig na r l a a c t i v i d a d científica contemporánea e n s u c o m - « L a técnica se c o n v i e r t e e n l a materialización d e l p o d e r
plejidad y originalidad, (acertar) i n s c r i t o e n el saber a título de c r i t e r i o de "ver-
T o m a r c o n s c i e n c i a de la n a t u r a l e z a tecnocientífica, de d a d " (no-falsedad) objetiva. Desde este p u n t o de vista, las

26 27
)
técnicas s o n l a manifestación n a t u r a l d e l a " v e r d a d " de las que y o p u e d o h a c e r o fabricar». Así, l a p r e g u n t a ética es,
ciencias sobre las q u e se fundamentan.» H a y , pues, e n t r e al m i s m o t i e m p o , necesaria e n el c e n t r o m i s m o de l a p r o -
c i e n c i a y técnica, u n a dialéctica q u e se parece a u n «blo- blemática d e l c o n o c i m i e n t o y de los límites d e l c o n o c i -
queo dinámico» q u e algunos l l a m a n «autodesarrollo c i e n - m i e n t o (ver Technik ein Problem der Philosophie).
tífico-técnico» ( R o q u e p l o , op. cit., p p . 128-129). C o n c l u y e n d o , l a técnica envuelve e i n e r v a a l a ciencia
contemporánea. E s t o n o s i g n i f i c a (lo q u e sigue l o m o s t r a -
rá explícitamente) q u e l a c i e n c i a esté a r e m o l q u e de los
Esto funciona
fines técnicos de l a aplicación y q u e se haya c o n v e r t i d o , e n
«¡Esto funciona!» Con este grito de triunfo estremecido
este s e n t i d o , e n e x c l u s i v a m e n t e u t i l i t a r i s t a e interesada.
del inventor se expresa el origen [el de la técnica] profundo
[...] de frases como: Es verdad, es acertado, es bello» [...]. A Que l a c i e n c i a es técnica q u i e r e decir, sobre t o d o , q u e l a
la vez, Zschimmer (Philosophie der Technik) delimita la d i - técnica c o n s t i t u y e u n a mediación esencial de l a relación
ferencia entre el funcionamiento técnico y los aspectos científica c o n l o r e a l . L a técnica y , más generalmente, la
económicos. «Nadie sé para a pensar en la rentabilidad operatividad. L a investigación básica es d e u d o r a d e l apoyo,
económica con la que el osado piloto ha desafiado, por n o m a r g i n a l , de u n a tecnología cada vez más sofisticada.
primera vez, la tempestad y las nubes. Su ingenio pudo ser Y esto q u e a c a b a m o s de designar b a j o el n o m b r e de «in-
trasoñado, derrochando energía y materia. Pero con él, vestigación o c i e n c i a p u r a o teórica» es, generalmente, e n
puede volar —¡qué admirable!—. Que independientemente l a p a r t e q u e n o d e p e n d e d i r e c t a m e n t e de l a técnica, de
de cualquier otra consideración, eso "funcione", que el
n a t u r a l e z a matemática, es decir, o p e r a t i v a . Está c l a r o que
hombre tenga la posibilidad de surcar los aires, los mares
este «ser teórico» n o t i e n e m u c h o q u e v e r c o n el a n t i g u o
y las tierras: ¡De esto se trata sobre todo! [...]. Y esto rto
tiene nada que ver con la economía. Seguramente, el mise- p r o y e c t o teórico ( c o n c e p t u a l , d i s c u r s i v o : f u n d a m e n t a l m e n -
rable principio de la economía aniquilaría cualquier crea- te lingüístico y n o matemático) d e l saber que tratábamos
ción técnica, cualquier audacia, toda la creatividad técni- a l empezar. L a física i l u s t r a , d e l m e j o r m o d o , esta i n e l u c -
ca, si ésta hubiera sido prioritaria o si fuera la idea básica table y d o b l e d e p e n d e n c i a de l a c i e n c i a c o n relación a l a
que se imponía» [A. Huning, Das Schaffen der Ingenieurs, o p e r a t i v i d a d matemática y técnica. E l p r o b l e m a práctico-
pp. 16-17]. ético ( c o n todas sus p r o l o n g a c i o n e s p a r t i c u l a r m e n t e políti-
cas) de l a t e c n o c i e n c i a se i m p o n e t a n f u n d a m e n t a l y u n i -
v e r s a l m e n t e d e b i d o a q u e l a técnica se afianza e n t o d o el
Así c o m o l a c i e n c i a teórica podía ser l l a m a d a p u r a e a n t i g u o p r o y e c t o teorético d e l saber.
i n o c e n t e , l a t e c n o c i e n c i a , a l ser e s e n c i a l m e n t e a c t i v i d a d
p r o d u c t o r a y m o d i f i c a d o r a d e l m u n d o , n o es n u n c a t o t a l -
m e n t e i n o c e n t e . L a praxis es éticamente problemática. L a s El fin de la inocencia científica
cuestiones éticas se c o l o c a n h o y e n el n i v e l de l a investiga- La tecnonaturaleza es, precisamente, el espacio en el
ción l l a m a d a básica d e b i d o a q u e el p r o y e c t o d e l saber es que se cuestionan los escrúpulos y matices que constituyen
la separación ideal entre ciencia y política. No es que lo
h a c e r y p o d e r . E s t o es cierto, p o r e j e m p l o , t a n t o p a r a l o
sagrado y lo profano estén allí condenados a tener buena
q u e se refiere a l a investigación básica e n física c o m o p a r a
relación, al contrario: en la alianza entre el saber y el po-
l o q u e se refiere a l a genética m o l e c u l a r . der, la partida no está igualada y los malentendidos abun-
R e t o m a n d o , e n u n c o n t e x t o contemporáneo, l a p r i m e r a dan. Pero no hay otra elección más que la de hacer como
p r e g u n t a k a n t i a n a : «¿qué p u e d o saber?», G. R o p o h l a d - si el lenguaje, las necesidades y los intereses del uno se
v i e r t e q u e esta p r e g u n t a u n e , de a h o r a e n adelante, el sa- plegaran a los del otro. La élite «científico-técnica» no ha
b e r y e l hacer: « l o q u e y o p u e d o saber» está l i g a d o a « l o tomado el poder y se guarda bien de pensarlo, pero saca

28 29
partido de él; el poder no ha esclavizado a la ciencia y se 2. R e s p e c t o a l origen de l a tradición teórica y a l m o d o cómo c o n el
guarda de hacerlo, pero ha subordinado su progreso [el de n a c i m i e n t o de l a filosofía esta tradición se institucionaliza contra l a vieja
la ciencia] a la consecución de sus propios fines. La tecno- «tradición operativa», artesanal, práctica, i n m e m o r i a l : M . Medina, De la
naturaleza no es neutra, aunque la ciencia pretende serlo; techne a la tecnología, V a l e n c i a , T i r a n t , 1988.
p o r el contrario, ésta determina el fin de la inocencia del 3. Cf. A. Q u i n t , F. Bacon, Oxford Universiry Press, 1980.
4. Cf. infra, c a p . I I I , p. 3: S o b r e l a diferencia entre el signo (lo simbóli-
científico como desligado del proyecto político al que sirve
co) y l a técnica (lo operativo).
y del que se sirve. E l sabio no ocupa el lugar del jefe o del
profeta, está a su servicio sin darse cuenta de que con ello
renuncia a su vocación: trabajando para conseguir su vo-
cación él hace, al mismo tiempo, el trabajo del poder; pue-
de afirmar la cientificidad de su obra a la vez que la inscri-
be en la ideología de una causa.
Lo que el científico no es, de hecho, es u n sabio en el
sentido de que lo que ofrezca sea a la verdad y de que lo
que se ponga en juego en la ciencia (en la tecnonaturaleza)
deje de ser la verdad: la tecnonaturaleza es el espacio en el
que se muestra la ciencia como técnica y al científico
como técnico de u n saber cuya instrumentalidad es el sen-
tido más que la relación a la verdad [J.J. Salomón, Science
et Politique, pp. 271-272].

NOTAS

1. E s interesante señalar también que existe u n a a c t i t u d s i m i l a r d e


m e n o s p r e c i o p o r l a técnica e n lugares distintos a Occidente. (Cf. a l r e s -
pecto: A . Y . A l H a s s a n , « L l s l a m et l a science», La Recherche, j u n i o [1982],
y J . N e e d h a m , La science chinoise et l'Occident.) S i n embargo, fue e n
Occidente donde surgieron l a c i e n c i a y la- técnica m o d e r n a s y, p o r tanto,
es c o n relación a l a c i e n c i a occidental que i n t e r e s a p o n e r e n evidencia
l a evolución de l a relación teoría-técnica. Debido a l a i m p o r t a n c i a que l a
técnica h a a d q u i r i d o e n el m u n d o contemporáneo, los historiadores h a n
tomado c o n c i e n c i a de l a negligencia que h a sufrido l a dimensión práctico-
técnica e n l a h i s t o r i a de l a s civilizaciones y las culturas. Así, tanto las
«historias de l a técnica» c o m o las monografías sobre ella s e h a n m u l t i p l i -
cado. Según B . G i l l e : «Arquímedes representa b i e n el ideal técnico-cientí-
fico de l a E s c u e l a [...]. L a técnica es, e n verdad, l a inspiración de s u s
trabajos teóricos» (Histoires des techniques, p. 3 3 7 ) . A propósito de l a E s -
c u e l a d e Alejandría: «Filón pensaba que l a c i e n c i a e r a u n instrumento, n o
el único, indispensable p a r a l a técnica» {ibíd., p. 3 4 7 ) . «Desde los siglos
x v i a l x v m , i n c l u s o e n el xrx, l a m a y o r parte de los s a b i o s e r a n técnicos:
Benedetti, S t e v i n y Galileo, R o b e r v a l y V a r i g n o n , B l o n d e l y D u h a m e l d u
Monceau» {ibíd., p. 1.453).

30 31
1
)
CAPÍTULO I I

LA E V A L U A C I Ó NA N T R O P O L O G I S T A
DE LA TECNOCIENCIA

L a c i e n c i a ofrece a l a H u m a n i d a d , s i ésta
quiere políticamente, el excitante descubri-
miento del m u n d o y l a m e j o r a permanente de
la vida.

J . MrrrERAND

L a tecnología libera a l h o m b r e de las necesi-


dades materiales y le p r o c u r a alimento, mate-
rias primas, energía, higiene y comunicación,
e n u n a palabra, u n a v i d a libre de necesida-
des, permitiéndole a s i u n a existencia c o n dig-
nidad humana.

K . STEINBUCH

1. Definición d e l a n t r o p o l o g i s m o

E l sufijo « i s m o » es i n d i c a t i v o de q u e u n a c i e n c i a h a
sido a b s o l u t i z a d a y de q u e ésta p r e t e n d e r e s p o n d e r a las
p r e g u n t a s más f u n d a m e n t a l e s . Así, existe u n p s i c o l o g i s m o ,
u n b i o l o g i s m o , u n s o c i o l o g i s m o (recientemente, u n socio-
b i o l o g i s m o ) , u n fisicalismo, etc. E l a n t r o p o l o g i s m o c o i n c i -
de c o n u n a absolutización de l a antropología o de u n a a n -
tropología, es decir, de u n a teoría d e l h o m b r e (que deter-
m i n a l a n a t u r a l e z a , el o r i g e n , las necesidades y los fines
h u m a n o s ) de t a l m a n e r a q u e todas las p r e g u n t a s , todas las
evaluaciones y todas las respuestas se c o n c i b e n y f o r m u l a n
e n términos antropológicos. P o r n a t u r a l e z a , el a n t r o p o l o -
g i s m o v a u n i d o a u n antropocentrismo: t o d a l u z procede
de l a teoría d e l h o m b r e , t o d a significación p i v o t a alrede-
d o r d e l h o m b r e y t o d a finalidad regresa a él.

33
C o n v i e n e señalar q u e l a h u m a n i d a d , y O c c i d e n t e e n nión general, q u e el o r i g e n de estos acelerados perfeccio-
particular, n o ha sido siempre antropologista y antropo- n a m i e n t o s está e n e l p r o g r e s o científico. E l a l m a p o p u l a r
c e n t r i s t a . Más b i e n , n o l o h a s i d o n u n c a . E l centrarse e n el de n u e s t r o t i e m p o ve el b i e n y el fin de todos los males e n
h o m b r e es u n a c o n t e c i m i e n t o filosófico q u e n o se r e m o n t a un aumento indefinido del poder del hombre sobre la natu-
más allá de a l g u n o s siglos. E l p e n s a m i e n t o a n t i g u o se cen- raleza» ( E . D u p r e e l , Deux essais sur le progrés, p p . 48-49)
t r a b a e n l a n a t u r a l e z a o e n el ser; e l p e n s a m i e n t o m e d i e v a l L a visión d e l h o m b r e «en c o n f l i c t o c o n l a n a t u r a l e z a y
e n d i o s ; el p e n s a m i e n t o científico m o d e r n o g i r a a l r e d e d o r dominándola» c o n s t i t u y e «el e l e m e n t o clave d e l i n d u s t r i a -
del universo o la materia. l i s m o , superideología d o n d e m a r x i s m o y a n t i m a r x i s m o s i -
Hacer del h o m b r e — i n d i v i d u o , sociedad o h u m a n i - túan, u n o y o t r o , sus postulados» (A. Toffler, La tercera ola,
d a d — e l núcleo f u n d a m e n t a l d e l p e n s a m i e n t o c o n s t i t u y e , p. 132). H e m o s de a d v e r t i r q u e esta superideología está
pues, u n a c o n t e c i m i e n t o histórico d a t a b l e , d e l que, desde h o y atacada desde n u m e r o s o s flancos. La tercera ola es u n
luego, n o está p r o h i b i d o p r e g u n t a r s e p o r los límites y ex- e j e m p l o i n t e l i g e n t e de u n a de esas críticas e n l a que se
p l o r a r s u alcance. i n v i t a a v e r a l a n a t u r a l e z a c o m o u n compañero y n o
L a concepción a n t r o p o l o g i s t a y a n t r o p o c e n t i s t a de l a c o m o u n esclavo y e n l a q u e se apuesta p o r e l d e s a r r o l l o
t e c n o c i e n c i a consiste e n e n t e n d e r y j u z g a r a esta última e n de las tecnologías blandas, l a descentralización y l a diver-
términos antropológicos: d a d a u n a teoría d e l h o m b r e (ex- sificación tecnológicas. T o f f l e r p o n e «el acento sobre l a
p r e s a m e n t e o n o ) , se c o n s i d e r a y sitúa a l a c i e n c i a y l a s i m b i o s i s o armonía e n t r e e l h o m b r e y l a t i e r r a . E n esta
técnica e n función de d i c h a teoría. o b r a l a noción de h o s t i l i d a d es s u s t i t u i d a p o r la de a l i a n -
«Para salvar n u e s t r a c i e n c i a y n u e s t r a técnica, debemos z a » (ibíd., p . 3 6 0 ) .
p r i m e r o salvar a l h o m b r e [...] r i n d i e n d o j u s t i c i a a l a n a t u - Así se h a d e s a r r o l l a d o , b a j o el efecto de l a t o m a de c o n -
raleza humana» ( L . M u m f o r d , Técnica y civilización, p . 13). c i e n c i a ecologista, l o q u e p u e d e p a r e c e r u n a descentraliza-
E l a n t r o p o l o g i s m o conlleva, e v i d e n t e m e n t e , l a negación ción. L a planetarización m i s m a de l a técnica y de sus con-
de l a autonomía de l a técnica, y ésta « n o f o r m a u n s i s t e m a secuencias i n v i t a a t o m a r u n p u n t o de v i s t a sistemático y
i n d e p e n d i e n t e c o m o e l u n i v e r s o : p a r a el a n t r o p o l o g i s m o l a g l o b a l en el q u e el p e r n i o es l a b i o s f e r a o l a «Tierra» ( h i -
técnica n o existe más q u e c o m o e l e m e n t o de l a c u l t u r a pótesis Gaia, de J . L o v e l o c k ) y n o el h o m b r e . E . M o r i n
humana» (ibíd., p . 18). i n d i c a b a , r e c i e n t e m e n t e , l a n e c e s i d a d de u n copilotaje N a -
E l a n t r o p o l o g i s m o c o n l l e v a u n instrumentálismo: las t u r a l e z a - H o m b r e . E s t a t o m a de c o n c i e n c i a i m p l i c a u n a
técnicas s o n vistas c o m o útiles y m e d i o s físicos q u e p r o - preocupación p o r l a preservación de los e q u i l i b r i o s y d i -
l o n g a n , e n m a y o r o m e n o r m e d i d a , l o s órganos n a t u r a l e s : versidades biológicas. E n c u a l q u i e r caso, l o más frecuente
«la interpretación filosófica más común a f i r m a q u e l o s úti- es q u e esta n u e v a a c t i t u d n o c o n s t i t u y a u n a b a n d o n o r e a l
les y las máquinas s o n extensiones d e l h o m b r e , proyec- d e l p u n t o de v i s t a a n t r o p o c e n t r i s t a . L a preocupación eco-
ciones de sus órganos» (C. M i t c h a m , Types of Technology, l o g i s t a está d i c t a d a p o r l a exigencia de s u p e r v i v e n c i a de l a
p. 2 3 8 ) . L a s técnicas están a l s e r v i c i o d e l h o m b r e y le c o n - especie h u m a n a . E l respeto a l a n a t u r a l e z a n o es u n respe-
ceden s u d o m i n i o sobre l a n a t u r a l e z a . t o a b s o l u t o a l a n a t u r a l e z a p o r ella m i s m a , s i n o u n a nece-
« Y a h e m o s s u b r a y a d o q u e este i d e a l p r o g r e s i s t a , bajo s i d a d q u e se i m p o n e c o n m i r a s a asegurar l a continuación
s u f o r m a más p o p u l a r y b a j o l a c u a l , además, persiste t o - y el f u t u r o bienestar de l a h u m a n i d a d sobre l a T i e r r a . Así,
davía casi i n t a c t o , consiste e n c o n f i a r e n e l v a l o r y b u e n - debemos p r o t e g e r a l a n a t u r a l e z a p o r q u e ésta es patrimo-
h a c e r de los progresos técnicos a c u m u l a d o s (los de l a i n - nio común de la humanidad y n o d e b e m o s d i l a p i d a r l a des-
d u s t r i a y los d e l a r t e de c u r a r ) y , e n pensar, según l a o p i - c o n s i d e r a d a m e n t e p o r q u e n o s pertenece a todos. Resu-

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> )
r n i e n d o , t o d o s los i m p e r a t i v o s relativos a l a n a t u r a l e z a s o n 2. A m p l i t u d y d i v e r s i d a d d e l a evaluación
i m p e r a t i v o s c o n d i c i o n a l e s o técnicos, n u n c a categóricos: l a antropologista
v i d a h a y q u e p r o t e g e r l a p o r q u e es e l m e d i o de s u p e r v i v e n -
cia y de p r o g r e s o d e l h o m b r e . T o d o l o q u e se sigue de aquí U n a interpretación c o r r i e n t e de l a t e c n o c i e n c i a (que se
n o t i e n e s e n t i d o n i v a l o r más q u e e n función d e l h o m b r e y puede r e m o n t a r fácilmente a Descartes, y hasta a F. B a -
s u f u t u r o . E n r e a l i d a d , n o se t r a t a de u n a v u e l t a a u n a con) a p r o x i m a c i e n c i a teórica y técnica c o m o dos f o r m a s
v e r d a d e r a filosofía de l a n a t u r a l e z a o a l s e n t i d o a n t i g u o de solidarias de l a m i s m a v o l u n t a d de p o d e r y d o m i n i o p r o -
la physis. E l a n t r o p o c e n t r i s m o se revela más c o m p l e j o y pios de Occidente. L a c i e n c i a teórica ofrecería u n d o m i n i o
difícil de t r a t a r de l o q u e parecía serlo e n e l siglo X I X e simbólico q u e se realizaría e n l a técnica, l a c u a l p r o c u r a
incluso durante la p r i m e r a m i t a d del X X . u n d o m i n i o efectivo, físico, de l o r e a l .

La naturaleza como patrimonio humano La técnica, dominio humanista de la naturaleza


Ahora bien, ¿cuál es el status de la naturaleza en las Entender el mundo como u n objeto de posesión y utili-
diferentes declaraciones de los derechos del hombre? Se zación humanos es u n evento inaudito y enteramente nue-
podría decir, en primer lugar, que esa naturaleza tiene al vo [...]. E l hombre es visto como u n ingeniero racional que
hombre como centro y que, administrativamente, se en-
clirige las fuerzas del cosmos y las explota. Descartes ha
cuentra en una situación precopernicana en la que se man-
sido, así, el primero en concebir una relación fundamental-
tienen todas las aberraciones del geocentrismo traspasadas
mente técnica del hombre con el universo [...]. E l otro
al derecho.
nombre que debe ser citado es el de Francis Bacon [...].
E n segundo lugar, parece que esta naturaleza está total- Éste proclamó como ideal científico de la modernidad la
mente «humanizada» y, por tanto, totalmente politizada o,
realización del aforismo: «Saber es poder», el método de
si se prefiere, juridizada si uno considera que el derecho es
las ciencias exactas [...]. Sus célebres palabras «natura pa-
u n progreso político. Esto se deduce m u y directamente de
rendo vincitur», tienen u n doble sentido que cabría subra-
la concepción antropocéntrica de la naturaleza.
yar: A la naturaleza se la vence si se la obedece, se le debe
E n tercer lugar, en fin, los únicos peligros que presenta pues obedecer si se la quiere dominar. La finalidad que
la naturaleza resultan de las manipulaciones a las que el
Bacon asigna a la ciencia, al igual que Descartes, es la de
hombre la somete [...]. Dicho esto, y si se intenta describir
mejorar las condiciones de vida, suprimir la necesidad, la
a grandes rasgos el contenido de este «patrimonio común»
preocupación y la miseria, en suma, permitir la prosperi-
se podría, quizás, entresacar dos características: por u n
dad general de la especie humana. Bacon llegó a indicar
lado, este patrimonio es inapropiable, p o r otro, es el único
una sugestiva fórmula para el progreso de las ciencias y las
objeto de u n a gestión llamada «racional» [...].
artes que haría de ellas el medio con el que extender las
Dicho de otro modo, la humanidad es la que adminis-
fronteras del dominio del hombre sobre la naturaleza, una
tra este patrimonio común de la forma más racional; está
extensión del regnum hominis [H.J. Meyer, Die Technisie-
animado por una razón económica universal, puesto que
rung der Welt, pp. 51-53].
representa el género humano y, mejor aún, puesto que pre-
tende revelar lo genuinamente humano.
E n último extremo, esta «Humanidad» apunta a ser el Pero u n p e r s p e c t i v a también a n t r o p o l o g i s t a , e i g u a l -
sujeto universal de la planificación económica mundial en m e n t e generalizada (y q u e se e n c u e n t r a , p o r ejemplo, e n
la que la naturaleza sería, a fin de cuentas, el único objeto algunos filósofos alemanes contemporáneos c o m o J . H a -
[B. Edelman y M.A. Hermitte, L'homme, la nature et le b e r m a s y K . O . A p e l ) , es l a q u e t i e n d e a señalar q u e l a dis-
droit, pp. 135-140]. tinción entre c i e n c i a y técnica se debe a q u e éstas n o res-
p o n d e n a los m i s m o s intereses h u m a n o s (teórico y de co-

36 37
n o c i m i e n t o p a r a l a ciencia; práctico, de d o m i n i o y satis- ciudadanos perciben y aclaman a este último, principal-
facción de las necesidades, p a r a l a técnica). mente bajo dos formas: una, el maqumismo, donde la evi-
« L a f o r m a más común de d i s t i n g u i r e n t r e c i e n c i a y tec- dencia del crecimiento del poder es tan grande; otra, en el
caso la medicina, donde se evidencia su valor para lo que
nología es l a q u e se basa e n los fines e i n t e n c i o n e s : se dice
es perentorio [...]. E n resumen, es el espectáculo de los
q u e e l c o n o c i m i e n t o científico a p u n t a a c o n o c e r el m u n d o , progresos técnicos unidos al del saber, lo que mantiene la
el c o n o c i m i e n t o tecnológico a c o n t r o l a r l o y manipularlo» confianza en la idea del progreso indefinido, como fue la
(C. M i t c h a m , Types of Technology, p. 257). evidencia de los progresos técnicos lo que dio a los pen-
« L a distinción e n t r e c i e n c i a y técnica p r o c e d e f u n d a - sadores del Renacimiento los medios para concebir e i m -
m e n t a l m e n t e de q u e l a p r i m e r a a p u n t a a l c o n o c i m i e n t o , poner la doctrina [ E . Dupreel, Deux essais sur le progrés
m i e n t r a s q u e l a s e g u n d a a l a acción eficaz» (F. Russo, p. 40].
Science et technique, p . 1.112).
L a evaluación a n t r o p o l o g i s t a de l a t e c n o c i e n c i a está, V e r d a d e r o l u g a r común ( e n s e n t i d o n o p e y o r a t i v o ) d e l
pues, c o m o v e m o s , e x t r e m a d a m e n t e g e n e r a l i z a d a y reviste p e n s a m i e n t o contemporáneo, l a evaluación a n t r o p o c e n -
f o r m a s c o n c r e t a s m u y diversas, a veces antagónicas, y e n d o t r i s t a se a f i r m a todavía e n los «Estados Generales de l a
desde u n u t i l i t a r i s m o grosero c e n t r a d o e n l a satisfacción Ciencia» (1982) de los q u e F. G r o s resumía así s u i n t e n -
de las necesidades, h a s t a l a idea de u n a realización final ción: «Tender el p u e n t e q u e p o n g a a l a c i e n c i a a l servicio
de l a esencia d e l h o m b r e gracias a l a mediación de las del h o m b r e » . Este es el núcleo de o b r a s clásicas c o m o Téc-
técnicas y las ciencias. nica y civilización de L . M u m f o r d : «someter l a técnica a
L a ideología d e l Progreso — c u a d r o g e n e r a l d e l pensa- fines humanos» (p. 18) es l a base de u n o de los pilares
m i e n t o h u m a n i s t a — , desarrollada sobre todo a p a r t i r del f u n d a m e n t a l e s d e l h u m a n i s m o r e i n a n t e . H a y q u e recono-
Siglo de las Luces, «prolonga l a utopía técnica e n u n a v i - cer que l a concepción a n t r o p o l o g i s t a e i n s t r u m e n t a h s t a se
sión mesiánica» ( J J . Salomón, Science et politique, p . 47): 1 sugiere espontáneamente p o r l a asimilación t r a d i c i o n a l de
gracias a los desarrollos tecnocientíficos, las necesidades técnica a m e d i o s , d e los q u e e l h o m b r e sería l a fuente r a -
más e l e m e n t a l e s , así c o m o las d e m a n d a s más elevadas c i o n a l y el b e n e f i c i a r i o n a t u r a l .
( i g u a l d a d , j u s t i c i a social, o c i o , etc.), se satisfarán. E l a n t r o p o c e n t r i s m o es e l h o g a r de u n t i p o de filosofía
general de l a técnica q u e se desarrolló e n E E . U U . (cf. l a
serie «Research i n P h i l o s o p h y a n d Technology» d i r i g i d a
El modelo tecnocientífico del progreso
Lo que mantiene la confianza en el progreso universal p o r P. D u r b i n , s i n d u d a l a más i m p o r t a n t e e n el d o m i n i o
en todos los espíritus del siglo xrx no es tal filosofía n i tal de expresión de l a «Society f o r P h i l o s o p h y a n d Techno-
interés, ya que ninguna filosofía y ningún interés son co- l o g y » ) y e n A l e m a n i a ( L e n k , R a p p , H u n i n g , a u t o r de l a
munes a todos los partidarios de la doctrina: sino el hecho V D I [ V e r e i n D e u t s c h e I n g e n i e u r e ] ) b a j o l a f o r m a de u n
de que los progresos se acumulan e imponen a la vista de vasto p r a g m a t i s m o . I n m e d i a t a m e n t e l i g a d o c o n éste, l a
todos. E l optimismo popular se nutre del floreciente espec- concepción a n t r o p o l o g i s t a i n e r v a l o q u e los a m e r i c a n o s
táculo de progresos técnicos que cada década trae. Todos
l l a m a n el «Technology Assessment»: l a evaluación a n t i c i -
coinciden en reconocer que la fuente común de este pro-
pada de los progresos técnicos p a r a o r i e n t a r l o s m e j o r y
greso es la ciencia indefinidamente acrecentada y perfeccio-
nada. d i r i g i r l o s más s e g u r a m e n t e h a c i a ciertos proyectos socia-
E l progreso constante del conocimiento científico au- les o h u m a n o s . Están también e n m a r c a d a s en u n u t i l i t a -
2

menta indefinidamente el poder del hombre sobre la natura- rismo de pocas m i r a s las tecnologías d e n o m i n a d a s p u n t a .
leza; el progreso teórico entraña el progreso práctico. Los U n e j e m p l o , m u y a c t u a l , es el de las biotecnologías, espe-

38 39
)
c i a l m e n t e las m a n i p u l a c i o n e s genéticas e n d o n d e l a m a y o r neral Electric esperaba poder crear u n organismo capaz
p a r t e de las j u s t i f i c a c i o n e s expuestas s o n , casi exclusiva- de extraer metales preciosos de materiales de desecho
[V. Packard, Lhomme remodelé, p. 226].
m e n t e , de t i p o socioeconómico o terapéutico.
U n e j e m p l o de ello sería l a c a r r e r a a l i m e n t i c i a : «una
« U n m i c r o o r g a n i s m o se c o n v i e r t e e n u n a minifábrica
vaca de 500 k g f a b r i c a a l r e d e d o r de m e d i o k i l o de proteí-
t r a b a j a n d o p a r a los hombres.» «Reprogramar a los m i c r o -
5

nas e n 24 h [...]. 500 k g de b a c t e r i a s ( r e p r o g r a m a d a s y


bios p a r a hacerles p r o d u c i r las substancias útiles p a r a l a
c o n t r o l a d a s , G.H.) producirían de 5 a 5 0 t o n e l a d a s de p r o -
sociedad» (L'avenir des biotechnologies vu de Washington). 6

teínas» ( M . A . d ' A d l e r y M . A l l a i n - R e g n a u l t , L'avenir de la


Este u t i l i t a r i s m o llega a t o m a r las f o r m a s más m a t e r i a -
biólogié)?
listas y b r u t a l e s de l a razón económica y c o m e r c i a l . T a m -
O t r o s e j e m p l o s s i m i l a r e s p u e d e n ser l a m e j o r a de l a
bién l o v i v o m a n i p u l a d o — « l a s nuevas f o r m a s de v i d a » —
a g r i c u l t u r a gracias a l a solución d e l p r o b l e m a d e l a fija-
p u e d e n llegar a p a t e n t a r s e c o m o c u a l q u i e r o t r a invención
ción d e l nitrógeno atmosférico; el u s o de b a c t e r i a s des-
o innovación técnicas. E l m e r c a d o —expresión d e l h o m b r e
c o n t a m i n a n t e s ; l a explotación de b a c t e r i a s e n r i q u e c i d a s
y sus necesidades— se i n t r o d u c e e n l a t e c n o c i e n c i a hasta
c o n genes d e o r g a n i s m o s s u p e r i o r e s p a r a p r o d u c i r i n d u s -
e n sus avances más audaces (cf. M.A. H e r m i t t e [ed.],
t r i a l m e n t e moléculas terapéuticas ( i n s u l i n a , p o r e j e m p l o ) ;
L'homme, la nature, le droit).
l a m e j o r a d e razas d e c r i a n z a y , ¿por qué n o ? , de l a es-
pecie h u m a n a : eugenesia, n e g a t i v a y p o s i t i v a , m u e s t r a n
4

esa óptica de m e j o r a de l a h u m a n i d a d g r a c i a s a l a t e c n o -
ciencia. 3. A m b i v a l e n c i a d e l a evaluación a n t r o p o l o g i s t a

S i n e m b a r g o , l a evaluación a n t r o p o l o g i s t a n o tiene p o r
La manipulación genética utilitaria qué ser n e c e s a r i a m e n t e p o s i t i v a : l a ideología d e l progreso
Todavía nos separan decenas de años del día en el que h u m a n o p o r e l p r o g r e s o tecnocientífico n o r e i n a s i n d i v i -
los padres se dirijan al supermercado genético para com- siones. Desde el S i g l o de las Luces existen pensadores — d e
prar allí genes a su elección. La mayor parte de los rasgos f o r m a e j e m p l a r J J . R o u s s e a u — q u e p r o p o n e n concepcio-
que a los padres les gustaría ver manifiestos —inteligencia, nes d e l h o m b r e e n las q u e las ciencias y las técnicas apare-
dones, color del pelo, talla del busto, personalidad, forma cen c o m o c o n t r a r i a s a l a n a t u r a l e z a y a los fines d e l h o m -
de la nariz, probabilidad de vivir mucho t i e m p o — no se bre, y d e b i d o a las cuales l a h u m a n i d a d padece más i n c o n -
encuentran en u n solo gen. Son el resultado de la interac-
venientes q u e beneficios. E n a l g u n o s aspectos, los m o v i -
ción de numerosos genes (sin contar la interacción con el
m i e n t o s ecologistas y f u n d a m e n t a l i s t a s contemporáneos
ambiente después del nacimiento) [...]. Sin embargo, los
progresos ya conseguidos son de u n interés considerable m u e s t r a n también u n n a t u r a l i s m o antitecnocientífico.
para la humanidad. Los sabios esperan, gracias a nuevas
bacterias, estar en condiciones de crear fabricas bioquími- El antropologismo negativo: la «Kulturkritik» alemana
cas que produzcan, por ejemplo, anticuerpos o antibióti- La «Kulturkritik» alemana se opone a la técnica con u n
cos. De hecho, muchos investigadores ya han pedido la pa- no insistente. Explotación y pérdida de la libertad del hom-
tente comercial de algunos de sus descubrimientos. Una de bre (F.G. Junger), despersonalización ( H J . Meyer) y atro-
las posibilidades que parece interesarles particularmente es fia de la consciencia (G. Anders), apatridia y olvido de la
la de fabricar bacterias capaces de estimular el crecimiento tradición (K. Jaspers), educación de masas y pobreza (F.G.
de los cereales. Esto permitiría reducir el consumo de abo- Junger) desmesura (Z.B.R. Dvorak) y u n , cada vez menor,
nos raros y costosos. Uno de los investigadores de la Ge- respeto p o r lo establecido: esto es lo que, junto a otros

40 41
#
males, se ve como el aspecto negativo de la «era de la téc- la falta de una búsqueda filosófica auténtica, preocupa-
nica» y lo que la propia técnica trae. Ésta se hace inhuma- da p o r el rigor y la objetividad (J.C. Beaune, La technolo-
na y se la presiente como una amenaza. La «Kulturkritik» gie, p. 7).
tiene, sin duda alguna, una larga tradición filosófica; su
forma actual está determinada por el idealismo alemán y
por la filosofía de la existencia. Esa es la razón por la cual Huida adelante y nostalgia del pasado
es, además de u n fenómeno filosófico, también u n fenóme- Podemos ya prever, en m i opinión, el conflicto de acti-
no literario [...]. Como centro de la argumentación están tudes que decidirá nuestro futuro. Por u n lado, veo a los
los reproches, según los cuales la técnica deja al hombre que piensan que pueden hacer frente a nuestra crisis, si no
sin hogar y sin base, lo despersonaliza y lo funcionaliza (lo de u n plumazo, al menos sin mucha dificultad. Yo les lla-
que entraña una pérdida de libertad) y saquea la naturale- mo los partidarios de la huida hacia adelante. Por otro
za [ H . Stork, Einfuhrung in die Phillosophie der Technik, lado, se encuentran aquellos que, en demanda de u n nuevo
pp. 80-81]. estilo de vida, buscan retornar a ciertas verdades básicas
acerca del hombre y su universo. Les llamo los nostálgicos
del pasado. Admitamos que los partidarios de la huida
E n s u o b r a , Technology and the Future, E . S h u u r m a n adelante, como el diablo, cantan los mejores refranes, o al
evidencia l a división que existe e n l a opinión filosófica c o n - menos, los más populares y familiares. Uno no puede que-
temporánea acerca de l a cuestión de l a tecnociencia. P o r darse en punto muerto, dicen ellos. Hacerlo significa i r
u n l a d o , h a y pensadores que c o m o F.G. Junger, H . J . M e y e r marcha atrás. Hay que i r hacia adelante. No hay ningún
o M . H e i d e g g e r v e n e n l a técnica u n extravío m a y o r de l a
7
mal en la tecnología moderna, únicamente es incompleta
h u m a n i d a d , l a m a r c a de u n a p r o f u n d a alienación de l a l i - en la actualidad; completémosla. Se podría citar a Sicco
b e r t a d y l a d i g n i d a d h u m a n a s ; p o r o t r a p a r t e , los h a y q u i e - Mansholt, uno de los más eminentes portavoces de la Co-
nes c o m o N . W i e n e r , G. K l a u s o K . S t e i n b u c h v e n e n el munidad Económica Europea como representante típico
p r o g r e s o tecnocientífico el i n c r e m e n t o d e l d o m i n i o d e l de este grupo. «Aún más, más lejos, más rápido, más rico
—dice él—, tales son los imperativos de la sociedad con-
h o m b r e sobre l a n a t u r a l e z a y l a condición de s u liberación.
temporánea.» Y, según él, debemos ayudar a la gente a
adaptarse, «pues no hay otra solución» [...]. ¿Qué decir del
otro punto de vista? Reúne a gentes firmemente convenci-
«Progresistas» y «apocalípticos» das de que el desarrollo tecnológico ha tomado u n m a l
La inexistencia de conceptualizaciones y objetividad giro y que hay que devolverlo al buen camino. La expre-
que caracterizan, generalmente, las negligencias de la filo- sión de «nostálgico del pasado» tiene, claramente, una
sofía en relación a la técnica, determina puntos de vista connotación religiosa. E n efecto, decir «no» a las modas y
sumarios y arcaicos que, dicho m u y simplemente, definen fascinaciones de la época, y poner en cuestión los presu-
dos «escuelas»: los «progresistas» afirman, como u n acto puestos de una civilización que parece destinada a con-
de fe, el valor que la técnica tiene para el ser humano y
quistar el mundo entero, requiere una buena dosis de co-
sueñan con la reconciliación final con una naturaleza
raje. No se puede sacar la fuerza necesaria más que de
reencontrada, donde el trabajo solitario de las máquinas
profundas convicciones. Si no se la sacara más que de u n
permitiría el ocio del hombre; los «apocalípticos» recalcan,
simple temor al futuro, correría el gran riesgo de desvane-
a cual más, el m i t o del aprendiz de brujo creador de algo
cerse en el momento decisivo [E.F. Schumacher, Small is
que le domina; predicen y avisan una catástrofe que acaba-
beautiful, pp. 161-163].
ría, al final, siendo u n sacrificio. Por simplistas que sean,
estas tesis cristalizan los desarrollos intelectuales contem-
poráneos. A su vez, resumen los obstáculos básicos que También e l a n t r o p o l o g i s m o guía l a concepción m a r x i s -
han de combatirse y, sobre todo, muestran, por sí mismas, t a de l a técnica. K . M a r x tiene el mérito de h a b e r s i d o e l

42 43
) )
p r i m e r o e n c o l o c a r el d o m i n i o técnico e n e l c e n t r o de l a se confunden naturalismo, humanismo, socialismo-comu-
atención filosófica, t a l c o m o m u e s t r a K . A x e l o s e n Marx, nismo. La técnica no se reduce a las máquinas y a la pro-
penseur de la technique: «Este p e n s a m i e n t o p a r t e d e l análi- ducción industrial limitada. La técnica, al contrario, es la
fuerza motriz de la historia, el poder que transforma la
sis y crítica de l a alienación d e l ser d e l h o m b r e [...] y hace
naturaleza en historia, el motor del movimiento de la his-
p o s i b l e , e n fin, l a satisfacción p l e n a d e las necesidades
toria universal [K. Axelos, Marx, penseur de la technique,
vitales, el r e i n o de l a a b u n d a n c i a , el m u n d o de l a t r a n s - vol. n , pp. 66; 259].
p a r e n c i a de t o d o l o q u e es y se hace. E s t a ( r e c o n c i l i a -
ción s i g n i f i c a : c o n q u i s t a d e l m u n d o p o r y p a r a el h o m b r e , L a técnica e n c u e n t r a así u n l u g a r e n cada g r a n filosofía
despliegue i l i m i t a d o de las fuerzas de l a técnica» ( v o l . I , de l a H i s t o r i a : m e d i a n t e ésta se favorece o se c o n t r a r r e s t a
p p . 8-9). la realización de los fines últimos d e l H o m b r e y de l a H i s -
E l m a r x i s m o contemporáneo r e t o m a esta i d e a de u n a t o r i a . T o d a s estas escatologías, más o m e n o s laicaizadas,
«redención tecnológica» pero i n v o c a n d o a las técnicas p u n - g i r a n a l r e d e d o r de imágenes antropológicas diversas, a
t a c o m o , p o r e j e m p l o , l o es l a cibernética p a r a G. K l a u s . m e n u d o vagas, q u e v a n desde l a representación d e l h o m -
« A los ojos de K l a u s , l a i d e a de K. M a r x d e " u n r e i n o de l a bre l i b e r a d o de l a m a y o r p a r t e de sus necesidades n a t u r a -
l i b e r t a d " parece realizable s i n obstáculos, gracias a las p o - les ( e v e n t u a l m e n t e bucólicas) a l a i m a g e n de u n a h u m a n i -
sibilidades de l a cibernética. K l a u s p e n s a b a q u e e r a p o s i - d a d «tecnopoética», a r t i s t a y lúdica, p a s a n d o p o r l a i m a -
ble, d a d o u n s i s t e m a cibernético, llegar a u n a síntesis de l a gen de u n a s o c i e d a d l i b r e m e n t e c o m u n i c a t i v a e n l a traspa-
regulación social y de " l i b e r t a d " humana» ( E . S c h u u r m a n , r e n c i a de l a relación c o n o t r a s .
Technology and the Future, p . 311).
P e r o el p u n t o f u n d a m e n t a l d e l c a m b i o q u e se h a p r o -
d u c i d o e n l a evaluación a n t r o p o l o g i s t a de l a tecnociencia,
La tecnociencia, motor de la historia sea p o s i t i v a o negativa, es q u e t o d o sucede c o m o si se
Viendo la técnica, la actividad práctica y sensible como d i s p u s i e r a de l a respuesta a l a p r e g u n t a «¿qué es el h o m -
el motor del desarrollo histórico de la humanidad y de la
bre?» y c o m o s i sobre l a base de esta respuesta se p u d i e r a
transformación de la naturaleza en material del trabajo so-
c o n c l u i r l o q u e es c o n v e n i e n t e h a c e r y n o hacer, aceptar
cial, y viendo la técnica más desarrollada, esto es, la indus-
tria, como lo que prepara la desalienación del hombre, la c o m o p o s i b l e salvación o r e c h a z a r c o m o p o s i b l e extravío.
liberación de su actividad (si bien en el presente remata la Y l a v a g u e d a d de las c o n c e p c i o n e s y escatologías h u m a -
alienación), la satisfacción de la totalidad de sus necesida- nas n o c o n s t i t u y e aquí u n handicap. E s t a imprecisión n o
des naturales, humanas y sociales, Marx asocia indudable- i m p i d e e n a b s o l u t o —¡al c o n t r a r i o ! — ser t a x a t i v a m e n t e
mente la técnica y la ciencia; la técnica productiva e indus- a f i r m a t i v o a n t e p r e g u n t a s concretas. S i n e m b a r g o , c o m o
trial es incluso inseparable de la técnica científica [...]. Con- v e r e m o s e n los capítulos siguientes, l a t e c n o c i e n c i a , lejos
siderando la creencia como uno de los modos particulares de d e c i r n o s l o q u e es e l h o m b r e , n o deja de r e c o r d a r n o s ,
de la alienación, de la fundamental y de la ideológica, que introduciéndolo e n el seno de l a evolución, q u e debería
derivan de la ciencia, Marx no parece destinar a ésta a
a p a r e c e m o s , h o y más q u e n u n c a , c o m o u n e n i g m a abier-
la supresión, como sucede con la política, el Estado, la re-
t o y s o l i d a r i o c o n el e n i g m a m i s m o de l a evolución cós-
ligión, el arte y la filosofía. La creencia, ligada a la técni-
ca, constituida en tanto que saber que reposa sobre u n ha- m i c a , c o m o u n ser e n d e v e n i r , haciéndose, inventándose y
cer, puede sobrevivir al paso de todas las formas de aliena- reinventándose sobre e l f o n d o de u n f u t u r o r a d i c a l m e n t e
ción [...]. inanticipable.
E n la productividad absoluta, la actividad práctica, la
praxis transformadora — e n una palabra, en la técnica—,

44 45
4. L a politización d e l a t e c n o c i e n c i a existe u n hombre en sí o u n arte en sí. Todas las cosas
relevantes de la técnica h a n sido creadas para u n uso y
este uso no sigue fines abstractos o ahistóricos, sino fines
U n aspecto p a r t i c u l a r m e n t e i m p o r t a n t e y espectacular determinados en el seno de conjuntos individuales y socia-
d e l a n t r o p o l o g i s m o r e i n a n t e es l a politización de l a tecno- les descriptibles [K. Tuchel, citado por A. Huning, Das
ciencia. H a y q u e e n t e n d e r a l a vez, d e n t r o de esto, l a servi- Schaffen des Ingenieurs, pp. 27-28].
d u m b r e de l a t e c n o c i e n c i a a l p o d e r político y l a i n t e r p r e t a -
ción de a q u e l l a c o m o u n c o n j u n t o de fenómenos c u y o sen- J.J. Salomón e n t i e n d e q u e esta politización de l a tecno-
t i d o y alcance se revelarían d e l análisis y de l a filosofía c i e n c i a es u n d e s t i n o necesario y q u e se i n s c r i b e , de l l eno ,
políticos. e n l a concepción m o d e r n a de l a c i e n c i a y l a técnica bajo
« P o c o i m p o r t a e l m o d o e n q u e c a r a c t e r i c e m o s l a tecno- las categorías de p o d e r - h a c e r y d o m i n i o i n s t r u m e n t a l de l a
logía [...], es d e l t o d o evidente q u e los m a l e s e n las socie- naturaleza.
dades c a p i t a l i s t a s avanzadas y e n las sociedades socialistas «Las relaciones q u e se h a n t r a b a d o e n t r e c i e n c i a y p o -
burocráticas p r o v i e n e n d e l u s o de l a técnica y q u e el a l - d e r desde m e d i a d o s de este siglo estaban i n s c r i t a s e n el
cance de estos males es, p r i o r i t a r i a m e n t e , u n p r o b l e m a i n i c i o y e n l a n a t u r a l e z a m i s m a de l a c i e n c i a m o d e r n a . [...]
político ( K . N i e l s e n , Technology as Ideology, p . 131). « E s A l c o n c e b i r l a n a t u r a l e z a b a j o el h o r i z o n t e m i s m o de l a
u n e r r o r p r e t e n d e r , c o m o G a l b r a i t y o t r o s autores h a n he- i n s t r u m e n t a l i d a d , l a c i e n c i a se c o n d e n a b a a n o ser más
cho, q u e el o r d e n tecnológico es autónomo y t o m a c u e r p o que u n instrumento» (J.J. Salomón, Science et politique,
p o r sí m i s m o . Más b i e n es, e n u n a m e d i d a considerable, p p . 19-20).
u n a creación de los intereses de l a clase d o m i n a n t e y s u « L a c i e n c i a se r e a l i z a c o m o técnica e n m e d i o de otras,
autonomía, u n a mistificación ideológica» (ibíd., p . 145). ésta es manipulación de fuerzas naturales bajo el horizonte
de decisiones políticas» (ibíd., p . 26).
L a aclaración última de este h o r i z o n t e político debería
Nada de técnica «en sí»
s u r g i r , e v i d e n t e m e n t e , de u n a antropología filosófica sobre
Seguramente es una simpleza decir que cualquier pro-
ducto técnico no está ligado a unos valores. Naturalmente c u y o f o n d o l a unión ciencia-técnica y l a primacía de l a
se puede utilizar u n martillo para clavar u n clavo o para técnica se c o n f i r m a r a .
matar, y la energía nuclear con fines pacíficos o bélicos. Se sabe q u e l a tecnocracia es l a f o r m a más específica
Pero hablar así de la técnica es síntoma de una abstrac- de l a c o m p l i c i d a d entre t e c n o c i e n c i a y p o d e r q u e m u c h o s
ción inadmisible ya que se la haría enteramente ahistórica. c o i n c i d e n e n i d e n t i f i c a r c o m o e l m a y o r p e l i g r o y tentación
Todo producto técnico debe servir para determinadas ne- del Occidente tecnocientífico.
cesidades, cumplir funciones específicas, concretar deter-
minadas perspectivas, cuando éstas sean, incluso, las del
juego. Ahora bien, ¿de quién son esas necesidades, quién Tecnocracia
define las funciones, quién formula las perspectivas? El Podemos denominar tecnocracia al ejercicio del poder
hombre como ser individual y colectivo a u n tiempo, crea de decisión y organización (en el ámbito de la economía,
y utiliza todos los constructos técnicos para fines puestos la industria y el comercio, el Estado o la gran empresa) de
por él y no es posible hablar de técnica sin hacer mención u n pequeño grupo de hombres de formación técnica que
a todo este conjunto. Aquellos que afirman que la «técnica aceptan la disciplina jerárquica y están, generalmente, co-
en sí» es neutra desde el punto de vista de los valores olvi- locados bajo la autoridad de u n jefe. E l poder tecnocrático
dan preguntarse si conocemos lo que de forma general se no tiene su origen n i en una delegación de poderes de tipo
denomina una «técnica en sí». Ésta existe tan poco como democrático n i en la herencia, sino en la elección que rea-

47
46
lizan los gobiernos políticos, si se trata de ia tecnocracia propia del entendimiento humano ordinario n i a partir de
de Estado, o en los elementos dirigentes de la firma (capi- la experiencia ordinaria de la vida, de manera que sólo es
talistas influyentes, directores, etc.), si se trata de la tecno- necesario más información y saber tratarlas científicamen-
cracia de empresas. Como escribió André Siegfried «nos te, sin que las decisiones públicas se perciban apenas. So-
alejamos de la democracia del siglo x v i n : el dirigismo i m - bre esta concepción, Schelsky puede afirmar [...] su idea de
perioso, de la época conlleva la apropiación técnica en l u - que los sistemas fundados en las más diversas ideologías
gar de la delegación [J. Billy, Les techniciens et le pouvoir, se hacen cada vez más parecidos. Está convencido de que
P- 14]. el uso, cada vez mayor, de la ciencia y la técnica, con inde-
pendencia de las visiones circundantes del mundo, entraña
el advenimiento del estado técnico en el que ya no se ejer-
El fin tecnocrático de la democracia ce u n poder sobre las personas, sino en el que se da sólo
Según la concepción tecnocrática, la política acaba una gestión efectiva y organización de los procesos socio-
convirtiéndose en una técnica social que descansa sobre económico-técnicos [A. Huning, Das Schaffen des Inge-
conocimientos sociofísicos y a la que corresponde el nivel nieurs, pp. 125-129].
«meta» de la teoría: una tecnología social. Esta concepción
de la sociedad como una máquina que hay que considerar L a pseudo-tecnocientificación de l a política que c o m -
científicamente convierte a la política, en tanto que activi-
p o r t a l a t e c n o c r a c i a n o excede, g e n e r a l m e n t e , el a n t r o p o -
dad específica del hombre, en redundante ya que, por una
c e n t r i s m o . L a s o c i e d a d tecnocrática es u n p a r i e n t e m u y
parte, la meta está dada, a saber, la satisfacción de las ne-
cesidades y el desarrollo de las capacidades y, por otro allegado de l a utopía ( q u e se d e s a r r o l l a p r e c i s a m e n t e a
lado, la realización de esa meta no es más que u n mero p a r t i r d e l siglo XVI y x v n y de l a c u a l La nueva Atlántida de
problema científico y de organización. La dominación en F. B a c o n c o n s t i t u y e u n a de las p r i m e r a s i l u s t r a c i o n e s ) .
este sistema se expresaría como la obediencia de los Qué es u n a utopía s i n o l a representación, e l «plan» d e
no competentes a las diferentes competencias reales [...]. u n a sociedad p e r f e c t a d o n d e , gracias a los m e d i o s creados
«Esto significa que se ha producido u n cambio que permi- p o r l a razón i n s t r u m e n t a l (es d e c i r , especialmente m e d i a n -
te la construcción de una civilización científico-técnica
te las ciencias y l a técnica), l a h u m a n i d a d habrá, e n fin,
donde la relación de dominio pierde su antigua dimensión
alcanzado o a c t u a l i z a d o s u esencia y alcanzado u n a estabi-
de poder de unas personas sobre otras. E n lugar de leyes y
normas políticas se crea una legalidad fundada en las co- l i d a d f u n c i o n a l feliz y d e f i n i t i v a m e n t e c e r r a d a . Utopía y
sas, propia de la civilización científico-técnica, y que no T e c n o c r a c i a p r o p o n e n u n a «solución final» p a r a l a h u m a -
puede establecerse n i en forma de decisiones políticas n i n i d a d e n c u y o seno l a d e m o c r a c i a n o t i e n e n i l u g a r n i r a -
comprenderse como una normativa enraizada en esas con- zón de ser.
cepciones y visiones del mundo. Así, la idea de democracia
E n conclusión, l a t e c n o c i e n c i a q u e d a r e d u c i d a e n l a
pierde también, de alguna forma, su substancia clásica; en
concepción a n t r o p o l o g i s t a a u n m e r o c o n j u n t o de m e d i o s
lugar de u n a voluntad política del pueblo, surge una legali-
dad efectiva que el hombre produce como ciencia y traba- e i n s t r u m e n t o s , s u b o r d i n a d o s a l a realización de fines o a
jo» [ H . Schelsky, Der Mensch in der Wissenchafilichen Zivi- la satisfacción de ciertas necesidades explicitadas e n u n a
lasation]. [...] E l estado técnico substrae a la democracia su c i e r t a teoría d e l h o m b r e . N o se p l a n t e a ningún p r o b l e m a
substancia porque las decisiones y conclusiones tecnocien- ético específico, es decir, d i f e r e n t e d e l a problemática ge-
tíficas no pueden apoyarse en ninguna expresión de la vo- n e r a l de los m e d i o s y fines bajo l a c u a l se colocaría c o m o
luntad. E n muchos casos, las situaciones en las que hay c o n j u n t o d e t e r m i n a d o de m e d i o s . L o esencial d e l debate se
que tomar u n a decisión, no pueden administrarse intelec-
c e n t r a entonces e n las necesidades y m e t a s q u e h a n sido
tualmente a partir de la capacidad de juzgar racionalmente
satisfechas o e s t i m u l a d a s p o r l a t e c n o c i e n c i a . Esta es l a

49
razón p o r l a q u e m u c h a s obras r e l a t i v a s a l a técnica se genéticos (enfermedades hereditarias, accidentes genéticos, etc.). N o obs-
e n c u e n t r a n e n r e a l i d a d c o n f i n a d a s a l a exposición y crítica tante, l a frontera entre a m b o s tipos de eugenesia es engañosa.
5. Sciences et Avenir (abril 1979).
de las c o n c e p c i o n e s d e l h o m b r e , p r o y e c t o s sociales y c o n -
6. Sciences et Technique (abril-mayo, 1979). E l trabajo realizado p o r
sideraciones políticas, c o m o s i l a t e c n o c i e n c i a n o c o n s t i t u - F . Gros, F . J a c o b y P. Royer, Sciences de la vie et société, París, S e u i l ,
y e r a también u n fenómeno l o s u f i c i e n t e m e n t e autónomo y 1979, Points, contiene u n a m i n a de ilustraciones (especialmente, pp. 195
específico c o m o p a r a p l a n t e a r p r e g u n t a s p r o p i a s e i r r e d u c - ss.).
tibles a o t r a s . 7. H a y que h a c e r notar que l a posición de Heidegger sobre la tecnolo-
gía n o es simplemente negativa, s i n o profundamente ambivalente. Ade-
más, Heidegger n o tiene u n a actitud antropocentrista respecto de l a técni-
ca. S u p e n s a m i e n t o es irreductible a l antropocentrismo reinante e n la m a -
y o r parte de la filosofía contemporánea.

NOTAS

1. A m e n u d o se h a señalado el carácter de religión l a i c a i z a d a que


posee l a d o c t r i n a m a t e r i a l i s t a y racionalista del Progreso, a l a vez que se
h a d e n u n c i a d o s u f i n a l i s m o vago y mitológico. «Con l a llegada del r a c i o -
n a l i s m o l a c r e e n c i a e n l a técnica a c a b a convirtiéndose e n u n a religión
materialista. L a técnica es eterna e i n m o r t a l , c o m o D i o s Padre. S a l v a a l a
H u m a n i d a d , c o m o D i o s H i j o y, n o s i l u m i n a c o m o el Espíritu S a n t o . S u
adorador es el snob progresista de los tiempos m o d e r n o s desde L a Mettrie
hasta Lenine» (O. Spengler, L'homme et la technique, París, G a l l i m a r d ,
1958, Idees, p. 148). «Llamamos Progreso a l c a m i n o sobre esas vías: era
el gran slogan del precedente siglo. L o s h o m b r e s v e n ante ellos l a historia,
c o m o u n a g r a n a r t e r i a e n l a que, bravamente y s i e m p r e "adelante", desfila
la " h u m a n i d a d " [...]. Pero ¿hacia dónde v a ? Y ¿durante cuánto t i e m p o ?
P a r a llegar ¿adonde? E r a u n poco ridículo ese c a m i n o h a c i a el infinito y
a lo infinito, h a c i a u n objetivo e n el que los h o m b r e s n o p e n s a b a n s e -
riamente o que n o s e representaban c o n c l a r i d a d , i n c l u s o , a d e c i r ver-
dad, que n o se atrevían a e x a m i n a r : pues u n objetivo es u n fin» (ibíd.,
pp. 47-48).
2. V e r D e r i a n y Staropoli, La technologje incontrolée?, París, P U F ,
1975, pp. 15, 29-30, passim. «El Technology Assessment trata de c o n s i d e -
rar c o n j u n t a m e n t e l a interrelación entre tecnología, s o c i e d a d y m e d i o a m -
biente. E n l a fase de investigación, todos los grupos sociales interesados
se a s o c i a n a l trabajo. E n otras palabras, se trata de tener e n c u e n t a todos
los efectos p r o b a b l e s de l a s nuevas tecnologías, lo q u e c o m p r e n d e t a m -
bién s u s i m p l i c a c i o n e s sociales.» I d e a próxima a l a anterior el «Risk
Assessment», a u n q u e éste tiene u n carácter más político: «se trata de u n
e x a m e n político a c e r c a del riesgo, e x a m e n que puede c o n d u c i r a l a c o n -
clusión d e que " n o h a c e r n a d a " es preferible a c o r r e r el riesgo» (A. J a u -
motte, «L'Université face á la science et l a technique e n accusion», Les
cahiers du Centre J. Georgin [ m a r z o 1980]).
3. Science et Avenir (abril 1979).
4. L a eugenesia negativa y terapéutica n o trata de m e j o r a r las c a p a c i -
dades n o r m a l e s d e l h o m b r e p a r a convertirlo e n u n «superhombre» ( c o m o
es el c a s o de l a eugenesia positiva), sino sólo de s u p r i m i r los defectos

50
CAPÍTULO I I I

TECNOCIENCIA Y MANIPULACIÓN
D E LA NATURALEZA HUMANA

Quizás, n o quede lejos el m o m e n t o e n que se


diga: « M i hipotálamo se baña e n luberina» e n
lugar de u n s i m p l e «Os amo». E s t o n o es más
que u n a ocurrencia.

J . D . VlNCENT

N o puedo saber s i existe u n muro, l a n a t u r a -


leza h u m a n a , c o n t r a el que l a técnica se r o m -
pe los dientes [...]. E l d i l e m a entre h o m b r e y
n a t u r a l e z a n o es suficiente p a r a fundamentar
u n a crítica a l a técnica y no es sino u n c o n -
trapunto a l a o m n i p o t e n c i a técnica.

J. ELLUL

U n a m e t a o, a l menos, u n a posibilidad, surge


de l a revolución biomédica: l a reconstrucción
del h o m b r e y n o simplemente «un c a m b i o e n
l a forma de pensar, p o r el pensamiento».

D.J. ROY

S i el h o m b r e h a de m o d e r a r s u a c t i v i d a d tecnocientífi-
ca, es indispensable que él no se vea afectado por aquello
mismo que mide. A h o r a b i e n , l a t e c n o c i e n c i a h a a d q u i r i d o
y aumentado su poder para modificar y manipular la Na-
t u r a l e z a y l a n a t u r a l e z a h u m a n a . Ofrece p o s i b i l i d a d e s f u -
t u r a s y u n a visión de f u t u r o , s i g u i e n d o las cuales el h o m -
b r e y el m u n d o n a t u r a l s o n r a d i c a l m e n t e t r a n s f o r m a b l e s .

Los límites de la perspectiva instrumentalista de la técnica


Las determinaciones antropológicas, hasta aquí satis-
factorias, se h a n convertido en insuficientes respecto a la
técnica moderna: una serie importante de antropólogos-fi-

53
lósofos de la última generación como P. Alsberg, M . Sche- p u e d e i l u s t r a r s e c o n a l g u n o s ejemplos t o m a d o s de l a l i t e -
ler, Ortega y Gasset, W. Sombart, A. Gehlen, etc., entien-
r a t u r a científica. 1

den que la esencia de la técnica se halla en el hecho de qué


—*' Se u t i l i z a técnicamente l o vivo, o parcelas de l o
el hombre la ha desarrollado como prolongación de sus
órganos con el fin de paliar sus propias insuficiencias or- vivo, c o m o i n s t r u m e n t o s p a r a p r o d u c i r , p o r ejemplo, seres
gánicas. Esta tesis de la técnica como «suplemento orgáni- vivos s i n precedentes ( u s o de plásmidos c o m o «vectores
co» [...] no define la esencia de la técnica moderna ya que genéticos», es d e c i r , h e r r a m i e n t a s de comunicación y
presupone una relación hombre-mundo en la que el hom- t r a n s f e r e n c i a de genes; u s o de e n z i m a s de restricción
bre, dotado de órganos-herramientas, se encuentra frente a c o m o escalpelos genéticos y de e n z i m a s ligasas p a r a soldar
la naturaleza, la domina y explota [...]. Frente a aquélla (es A D N ) y se e n t i e n d e c o n c e p t u a l y m a t e r i a l m e n t e l o v i v o ,
decir, frente al comportamiento instrumentalista en rela- m i c r o y macroscópico, c o m o máquinas o fábricas p a r a
ción a la naturaleza) se da la relación entre el hombre y la
c a p t a r , t r a n s f o r m a r y p r o d u c i r energía y p a r a c i n c e l a r m o -
realidad técnicamente producida [...]. Este mundo técnico
léculas complejas, etc. y-
es, en esencia, construcción y comprensión del hombre
mismo [...]. Dios ha creado la tierra, el agua, los árboles, « L a célula f u n c i o n a de m o d o s i m i l a r a c o m o l o hace
los animales, en suma, la Naturaleza; pero el hombre ha u n a fábrica química e n m i n i a t u r a y a u t o m a t i z a d a [...]
creado los ferrocarriles, las carreteras, los aviones y la ra- [gracias a l a c u a l ] las pequeñas moléculas s o n p r o d u c i d a s
dio, los spoutniks y la organización de partidos; en la civili- átomo a a t ó m o » (F. Gros, et. al, Sciences de la vie et socié-
zación técnica el hombre se descubre a sí mismo como té, p . 27).
invención científica y como obra técnica. Por tanto, de he- « L a bioconversión establecerá s u éxito sobre el descu-
cho, una nueva relación del hombre con el mundo y con él b r i m i e n t o e invención de p l a n t a s más eficaces p a r a t r a n s -
mismo se ha instituido, extendiéndose sobre la Tierra, con f o r m a r l a energía solar» (ibíd., p . 9 6 ) .
la civilización técnica [ H . Shelsky, Auf der Suche nach
— ^ I n v e r s a m e n t e , se c o n c i b e n máquinas f u t u r a s c o m o
Wirklichkeit, pp. 456-457].
seres vivos q u e p u e d a n e v o l u c i o n a r . « E n efecto, llegará u n
día, quizás, e n q u e e d u c a r e m o s a nuestras máquinas ^(A.
E n l u g a r de u n s i m p l e m e d i o o h e r r a m i e n t a — « Y a q u e
Toffler, Le choc du futur, p . 222).^Con esto sueñan las re-
ante t o d o l a técnica m o d e r n a n o es u n a h e r r a m i e n t a y n o
cientes investigaciones r e l a t i v a s a los b i o t r a n s i s t o r e s c o n
tiene n a d a q u e v e r c o n herramientas» ( M . Heidegger, Nur
-^semiconductores m o l e c u l a r e s , e n el c a m p o de los o r d e n a -
ein Gott kann uns noch retten)— l a técnica es y a e l medio,
dores químicos o biológicos, q u e u t i l i z a n las p r o p i e d a d e s
el m i c r o c o s m o p l a n e t a r i o , e n c o n s t a n t e evolución, e n el
lógicas de las macromoléculas sintetizadas p o r m e d i o de
que p a s a m o s d e l n i v e l más c o n c r e t o (el c o n f o r t doméstico,
la ingeniería genética, asi sti da p o r ordenador. Así, el círcu- 5

p o r e j e m p l o ) a l más abstracto (las últimas i n f o r m a c i o n e s


l o se c i e r r a : l a cibernética hace p o s i b l e l a manipulación
sobre l a expansión y o r i g e n d e l u n i v e r s o , p o r ejemplo; i n -
más d e l i c a d a d e l ser v i v o l o que, a s u vez, hace posible
f o r m a c i o n e s conseguidas y d i f u n d i d a s gracias a l a técnica).
u n a n u e v a generación cibernética, e n el s e n t i d o casi p r o -
p i o de «generación». 2

— * S e m o d i f i c a n t o t a l m e n t e l o s m o d o s de r e p r o d u c -
1. M a n i p u l a c i ó n d e l a n a t u r a l e z a : ción n a t u r a l : el caso e x t r e m o es l a clonación, p r a c t i c a d a y a
hacia el tecnobiocosmos e n mamíferos ( c o n clones de r a t o n e s e n Genova) y peces Á
— -Se m e z c l a n especies n a t u r a l e s c o n el fin de e x p l o r a r
^ L a t e c n o c i e n c i a t r a n s t o r n a , hace estallar, física y c o n - e i n v e n t a r técnicas de hibridación o q u i m e r a s ^(por ejem-
c e p t u a l m e n t e , el m u n d o y e l o r d e n l l a m a d o n a t u r a l . ^ E s t o p l o , células híbridas de r a t o n e s y h o m b r e s a las q u e p r o -

54 55
)
informáticas y cibernéticas q u e cercan, p o c o a poco, l a
5

piedades cancerígenas c o n f i e r e n u n a especie d e i n m o r t a l i -


b i o s f e r a e n u n a especie de «tecnosfera».
d a d p o r multiplicación i n d e f i n i d a ) .
« E l g r a n S i g n i f i c a d o , e l g r a n Referente " N a t u r a l e z a " h a
— Se p a t e n t a n seres vivos m a n i p u l a d o s c o m o s i fue-
m u e r t o y l o q u e l o r e e e m p l a z a es e l m e d i o [...] e n e l q u e e l
r a n i n v e n c i o n e s inéditas. 4

sistema d e circulación de signos ( d e valores de cambio/sig-


D e h e c h o , se asiste a u n e n g o m a d o p r o g r e s i v o de l a
n o ) a n u l a t o d a referencia, o b i e n , llega a tener, de nuevo,
d i f e r e n c i a e n t r e «natural» y «artificial» e n b e n e f i c i o d e u n a
s u p r o p i o referente» ( J . B a u d r i l l a r d , Pour une critique de
m i x t u r a medio-dada, medio-construida donde, a todos los
l'economie politique du signe).
niveles, l o s elementos n a t u r a l e s se i n t e g r a n e n c o n j u n t o s
artificiales, y viceversa. Más q u e d e u n «tecnocosmos» o L a astronáutica ofrece l a p o s i b i l i d a d de v e r r e a l m e n t e
de u n a «tecnoesfera», conviene h a b l a r d e u n tecriobiocos- el m u n d o c o m o u n p l a n e t a sobre e l f o n d o d e l espacio a l a
mos q u e se extiende p o r t o d a l a T i e r r a . Este e n g o m a d o d e vez q u e extiende l a tecnosfera, p o c o a poco, más allá de
l o n a t u r a l y d e l o a r t i f i c i a l se expresa también e n e l h e c h o la T i e r r a m i s m a . . . Todavía q u e d a p o r d e s a r r o l l a r t o d a u n a
de q u e t o d o está c a r a c t e r i z a d o c o m o « p r o d u c t o » , «funcio- fenomenología de l a tecnociencia que pueda favorecer u n a re-
nante» y sobre t o d o «sistemático»: t o d o s l o s e l e m e n t o s d e l flexión filosófica a t e n t a a l a época. E n t r e l a p l a s t i c i d a d d e
t e c n o b i o c o s m o s , desde l a molécula a l a s o c i e d a d , se apre- la n a t u r a l e z a y l a c o n s t r u c t i v i d a d de l a tecnociencia, e n t r e
h e n d e n c o m o sistemas d e c o m p l e j i d a d i n i g u a l a b l e , i n t e - las q u e se lían c o m p l e j a s alianzas, ¿qué q u e d a aún d e l vie-
grados, j e r a r q u i z a d o s e i n t e r c o n e c t a d o s . j o p r o y e c t o teórico de u n a ciencia, i m a g e n p u r a d e l o r d e n
i n m u t a b l e d e l a naturaleza?
G. S i m o n d o n c o n c i b e este a c e r c a m i e n t o e n t r e l o n a t u -
r a l y l o técnico c o m o u n índice d e evolución d e perfección
del o b j e t o técnico: « E l objeto técnico c o n c r e t o , i.e., evolu-
c i o n a d o , se acerca a l m u n d o de existencia d e l o s objetos 2. Manipulación d e l h o m b r e : ¿hacia e l «cyborg»?
n a t u r a l e s , t i e n d e h a c i a l a c o h e r e n c i a i n t e r n a [...] y , todavía
más, i n c o r p o r a u n a p a r t e d e l m u n d o n a t u r a l q u e i n t e r v i e - Estas t r a n s f o r m a c i o n e s h a n p a r e c i d o r e l a t i v a m e n t e be-
ne c o m o condición d e f u n c i o n a m i e n t o y f o r m a , así, p a r t e n i g n a s m i e n t r a s q u e n o se h a puesto e n j u e g o a l h o m b r e
d e l s i s t e m a d e causas y efectos. Este o b j e t o , e n s u e v o l u - m i s m o . A h o r a b i e n , r e s u l t a que, i n d i r e c t a m e n t e ( p o r l a vía
ción, p i e r d e s u carácter de a r t i f i c i a l i d a d : l a a r t i f i c i a l i d a d de l a reconstrucción d e l m e d i o n a t u r a l ) y d i r e c t a m e n t e , e l
esencial d e u n o b j e t o reside e n el h e c h o d e q u e e l h o m b r e f i n p o r e l q u e apuesta l a t e c n o c i e n c i a se c e n t r a también e n
debe i n t e r v e n i r p a r a m a n t e n e r a ese o b j e t o e n l a exist- la condición o esencia n a t u r a l - c u l t u r a l d e l h o m b r e .
6

encia, protegiéndolo c o n t r a e l m u n d o n a t u r a l [...]» (Du


mode d'existence des objets techniques, p . 4 6 ) . *La múltiple manipulación de lo humano
L a u n i d a d r e a l se c o n v i e r t e e n l a navaja tecnobiocósmi- Una buena parte de las adquisiciones conseguidas por
la biología y la medicina aseguran el dominio sobre la pro-
ca: «[...] es l a relación c o n o t r o s objetos, técnicos o n a t u r a -
creación: medios anticonceptivos, detección prenatal de en-
les, l a q u e r e g u l a y p e r m i t e e l a u t o m a n t e n i m i e n t o d e l a s
fermedades, inseminación artificial y reimplantación de
c o n d i c i o n e s p a r a e l f u n c i o n a m i e n t o ; e l o b j e t o n o está ais- ovocitos humanos fecundados in vitro, etc. Todas estas téc-
l a d o [...]» (ibíd., p . 4 7 ) nicas están a punto de modificar por completo las conduc-
Para ilustrar las transformaciones d e l m u n d o y o r d e n tas tradicionales de reproducción y la sexualidad [...].
naturales, nos centraremos, fundamentalmente, e n las bio- Si bien la técnica no esté aún a punto, se puede prever
tecnologías. S i n e m b a r g o , otras líneas d e investigación la posibilidad, de aquí a veinte años, de elegir el sexo de los
s o n , i g u a l m e n t e , sugerentes c o m o e l deseo d e c r e a r redes niños. Aunque, bien pensado, cabría la posibilidad de que

56 57
entre la aparición de una técnica semejante y su puesta en Suche nach Wirklichkeit, p . 4 5 0 ) . H a c e algunos años, u n a
práctica p o r el cuerpo social se interpusiera una posible
sociedad c a l i f o r n i a n a intentó asegurar l a congelación de
resistencia, opuesta p o r la opinión pública o las institucio-
cadáveres e n nitrógeno líquido c o n m i r a s a u n a posible
nes. E n lo que se refiere a experimentos que afectan al
patrimonio genético humano, como la remodelación de ge- resurrección técnica f u t u r a . C u r i o s a m e n t e , l a m u e r t e h a
nes p o r la ingeniería genética o la «clonación», es decir, la s i d o r e i v i n d i c a d a e n los últimos años c o m o u n derecho
producción de millares de individuos genéticamente idénti- c o n t r a el forcing de l a s u p e r v i v e n c i a tecnológica y h a llega-
cos, están fuera del alcance humano, a l menos, en los pró- d o a h a b l a r s e de ello, i n c l u s o , c o m o de «un derecho a l a
ximos veinte años. muerte».
La obtención de drogas psicotrópicas está actualmente — Se m a n i p u l a l a e x p e r i e n c i a i n t e r n a , desde l a afecti-
en u n a verdadera explosión p o r lo que a los países occi- v i d a d h a s t a l a a c t i v i d a d simbólica. A l o l a r g o de los últi-
dentales se refiere [...]. Es probable que se pueda disponer m o s años, los resultados de las investigaciones acerca de
de drogas capaces de modificar los estados de ánimo a
los d i s t i n t o s n e u r o t r a n s m i s o r e s s o n espectaculares.^Las a l -
voluntad, de provocar emociones previamente elegidas, de
teraciones de s u química podrían d a r n o s l a llave q u e
controlar algunos aspectos del funcionamiento cerebral sin
efectos de adicción, saturación y decadencia, propios de a b r i e r a las p u e r t a s de las v a r i a c i o n e s d e l h u m o r , l a c o m -
los productos actualmente disponibles como la morfina. prensión de l a depresión y de l a l o c u r a s ( e n p a r t i c u l a r , l a
Es más, no es inconcebible que se descubran compuestos esquizofrenia).
que permitan actuar específicamente sobre el centro cere- — Se c a m b i a n los m o d o s de reproducción: desde el
bral llamado de «autoestimulación» o de «placer» y esti- bebé p r o b e t a a l a i d e a de l a clonación; desde l a congela-
m u l a r l o de manera diferente. ¿fcCómo imaginar las con- ción de e m b r i o n e s o gametos a l a producción de niños c o n
secuencias de tales descubrimientos? [F. Gros, F. Jacob y más de d o s padres genéticos o a l a p o s i b i l i d a d de q u e m a -
P. Royer, Sciences de la vie et société, pp. 266-267]. míferos s u p e r i o r e s p o r t e n fetos h u m a n o s . L a idea de l a
clonación e n el h o m b r e es, s i n d u d a , de buenas a p r i m e -
Estas s o n algunas i n d i c a c i o n e s c o n c r e t a s d e l a a m p l i - ras, el e j e m p l o más c l a r o de confrontación c o n l a s e n s i b i l i -
t u d de esta apuesta. « A l i g u a l q u e l a configuración geográ- d a d ética. v L a i n d i v i d u a l i d a d , e l ser u n o m i s m o , es u n he-
fica d e l p l a n e t a , el c u e r p o h u m a n o h a r e p r e s e n t a d o s i e m - c h o esencial de n u e s t r a v i d a ^ L a i d e a de q u e p u e d a e x i s t i r
p r e u n p u n t o fijo de l a e x p e r i e n c i a h u m a n a , u n a " i d e a f u n - seres h u m a n o s n o i n d i v i d u a l i z a d o s , a b s o l u t a m e n t e idénti-
d a m e n t a l " * H o y n o s acercamos a pasos a g i g a n t a d o s a l día cos, r e s u l t a terrorífica c u a n d o se l a piensa. [...] L a crea-
e n q u e el c u e r p o h u m a n o n o p u e d a c o n s i d e r a r s e c o m o i n - ción m i s m a de u n solo i n d i v i d u o p o r clonación nos parece
m u t a b l e . E l h o m b r e será capaz [...] de r e m o d e l a r n o sólo m o r a l m e n t e r e p u g n a n t e ^ l a clonación de seres h u m a n o s
cada c u e r p o , u n o a u n o , s i n o también l a r a z a h u m a n a e n pondría e n p e l i g r o l a s u p e r v i v e n c i a m i s m a de u n a socie-
s u c o n j u n t o ^ ( A . Toffler, Le choc du futur, p . 2 2 5 ) . d a d democrática. »^»De ahí l a reacción de algunos biólogos
— Se m a n i p u l a l a m u e r t e : « L o s órganos a r t i f i c i a l e s d i - c o n el f i n de p r e v e n i r l a p o s i b i l i d a d de l a clonación: «de-
s o c i a n l a m u e r t e , " l a c o r t a n a r e b a n a d a s " ; el ser-para-la-
7 c l a r a n d o i n v i o l a b l e el p a t r i m o n i o genético humano» y p r o -
m u e r t e , m e d i t a d o desde s i e m p r e e n las r e l i g i o n e s y filoso- h i b i e n d o este t i p o de e x p e r i m e n t o s i n c l u s o e n s i m i o s .
8

fías, se h a c o n v e r t i d o e n u n a especie d e defecto técnico — Se piensa e n l a p o s i b i l i d a d de m a n i p u l a r genética-


c o n t i n g e n t e y t e m p o r a l . ¿Qué s i g n i f i c a s i n o q u e l a m u e r t e m e n t e l a especie. L a introducción de genes h u m a n o s e n
de u n h o m b r e es más u n a i m p o t e n c i a c o n t i n g e n t e de l a m i c r o o r g a n i s m o s es y a u n a r e a l i d a d ; l a manipulación efec-
m e d i c i n a , u n a c c i d e n t e técnico, p o r l l a m a r l o de algún t i v a d e l p a t r i m o n i o genético h u m a n o , l a exploración de l a
m o d o , q u e u n d e s t i n o necesario?» ( H . Schelsky, Auf der p o s i b i l i d a d genética de agregar genes sintéticos o genes de

58 59
o t r a s especies, r a y a l a f r o n t e r a e n t r e l o i m a g i n a r i o y l o m u e r t e ) ; u n a vez m o d i f i c a d a tecnocientíficamente l a expe-
p o s i b l e e n las próximas décadas. riencia e x t e r n a y todas las f o r m a s de experiencia interna...
— - Se p r o y e c t a n también t o d o t i p o d e alianzas e i n t e - ¿qué quedará de i n t a n g i b l e e n l a esencia n a t u r a l - c u l t u r a l
graciones r e c i p r o c a s t e estrechas s i m b i o s i s , e n t r e e l h o m - del h o m b r e ? Parece q u e l a t e c n o c i e n c i a v a a afectar a t o -
b r e y e l e m e n t o s cibernéticos: prótesis múltiples^especial- das las p r e t e n d i d a s constantes de l a n a t u r a l e z a h u m a n a , a
m e n t e las sensoriales ( l l a m a d a s a u n «futuro espectacu- todas aquellas situaciones q u e J a s p e r s \ d e n o m i n a b a «lími-
lar», F. G r o s et. al, Sciences de la vie et société, p . 161) c o n t e » , d e j a n d o a b i e r t a l a p u e r t a de l a i n e s c r u t a b l e p l a s t i c i -
12

u n a a p e r t u r a e n el c a m p o de percepción más allá de l a d a d de l a especie y s u s c i t a n d o p r e g u n t a s q u e s o n p r o p i a -


percepción h u m a n a n a t u r a l ( i n f r a r r o j o s , u l t r a v i o l e t a , o n - m e n t e éticas..
das d e r a d i o , l u z p o l a r i z a d a , u l t r a s o n i d o s . . . ) l o q u e conlle-
va u n c a m b i o t o t a l de l a e x p e r i e n c i a e x t e r n a . I n v e s t i g a c i o - Manipulación del humor y de la personalidad
nes sobre l a telepresencia: conexión electrónica fina, sen- Los sabios h a n pensado durante mucho tiempo que el
s o r i a l y m o t r i z , e n t r e u n i n d i v i d u o y u n a máquina ciberné- cerebro sólo podía aprender mediante los cinco sentidos:
t i c a q u e se e n c u e n t r a m u y lejos, e n u n m e d i o i m p e n e t r a - vista, oído, olfato, gusto y tacto. Gracias a sus descubri-
ble p a r a e l h o m b r e . mientos, Delgado ha llegado a modificar comportamientos
aprendidos con independencia de los cinco sentidos. De
^ N u e s t r a m e t a es crear u n l a z o de unión t a n íntimo e n - ese modo, por ejemplo, u n chimpancé gruñón es conver-
t r e el h o m b r e y l a máquina q u e e l técnico n o se dé c u e n t a tido en dócil. Es más, para el tratamiento de los transtor-
s i q u i e r a q u e e l r o b o t e x i s t e . ^ Psicológicamente, será el nos neurológicos, Delgado prefiere la estimulación química
h o m b r e q u i e n esté t r a b a j a n d o e n el f o n d o d e l océano y a la estimulación eléctrica. La electricidad es u n medio
él reaccionará, d e i n m e d i a t o , s i s u o t r o y o [...] se e n c u e n - simple, mientras que los productos químicos se presentan
tra en peligro.» 9 bajo formas infinitamente variadas. Las bombas electro-
químicas accionadas por una señal de radio, liberan canti-
.Investigaciones sobre l a implantación de m i n i s i s t e m a s
dades infinitesimales de sustancias químicas en los lugares
electrónicos e n el cerebro*: m i c r o e l e c t r o d o s q u e i n f l u y a n elegidos. Delgado dispone ya de u n sistema de doble sonda
selectivamente sobre los centros de p l a c e r o a g r e s i v i d a d . que le permite buscar y reducir mezclas de líquidos en el
E n m e n o s d e u n siglo, e l « h o m b r e "simbiótico" estará d i - interior del cerebro y analizar, así, las modificaciones que
r e c t a m e n t e c o n e c t a d o a través de s u p r o p i o sistema ner- resultan de la estimulación química [...].
v i o s o c o n o r d e n a d o r e s miniaturizados». 10
vTambién en humanos se ha practicado la reducción de la
¿Prótesis c o n t r a e l d o l o r , l a v i o l e n c i a , prótesis p a r a el agresividad mediante la estimulación eléctrica del cerebro.
placer, l a m e m o r i a y h a s t a p a r a e l r a z o n a m i e n t o . ^ ¿Cuál 1 Robert Heath, de la Universidad de Tulane, uno de los pre-
será, se p r e g u n t a T o f f l e r — n o s i n h u m o r s ( L e Choc du fu- cursores en el estudio de la estimulación eléctrica del cerebro
humano, ha equipado a enfermos mentales, peligrosamente
tur, p . 2 3 8 ) — , e l s i g n i f i c a d o de l a p a l a b r a «humanidad»
agresivos, con autoestimuladores. E n una película se nos
c u a n d o el h o m b r e sea « e n p a r t e p r o t o p l a s m a y e n p a r t e
muestra cómo u n paciente sale, él mismo, de u n estado agre-
transistor»? Y añade: « E n efecto, e x i s t e n fuertes p r o b a b i l i - sivo apretando el botón de su estimulador [...]. t
dades d e q u e los c o m p o n e n t e s biológicos de los s u p e r o r d e - ^ Albert Rosenfeld, u n autor científico m u y respetado,
nadores d e l f u t u r o sean acopios de cerebros^,(p. 2 4 3 ) . nos propone una especulación interesante: «Se puede ima-
U n a vez c o n c l u i d a s las investigaciones c u y o fin es l a ginar fácilmente que en el futuro la gente lleve electrodos
manipulación y reconstrucción de l a i d e n t i d a d i n d i v i d u a l y autoestimulantes (esto podría incluso llegar a estar de
específica d e l h o m b r e , t r a n s f o r m a d o s y m a n i p u l a d o s los moda) que les vuelvan sexualmente activos en cualquier
momento o que les permita d o r m i r o quedarse despiertos
límites de l a existencia (desde l a concepción h a s t a l a

60 61
según sus necesidades, que les disminuya el hambre si de- animal y la humana. O ¿es posible esperar que los científi-
sean perder peso, que supriman su tristeza, que los vuelva cos sean t a n prudentes en la experimentación humana,
valerosos cuando tengan miedo o tranquilos si están ner- como audaces lo han sido en la experimentación animal?
viosos». Este cuadro puede resultar seductor, pero ¿qué es- [V. Packard, The people Sephers, pp. 134-135].
perar de estos felices presionadores de botones? ¿Comen-
zarían poco a poco a experimentar problemas de identi- Prótesis o Cyborg
dad?, ¿o a convertirse en u n a carga para la sociedad? Sólo La simbiosis hombre-máquina tendrá u n aire m u y dife-
el tiempo podrá responder a semejante pregunta^V. Pac- rente a aquel en que el ser humano es considerado como
kard, The people Sephers, pp. 54, 56, 70]. u n elemento del sistema mecánico o la máquina como u n
componente del sistema humano. Todo modelo que da prio-
ridad a la máquina lo llamo «cyborg», aquel que da priori-
Manipulación de la procreación humana dad al ser humano, l o llamo «prótesis» [...]. El concepto de
E l biólogo animal E.S.E. Hafez realizó la siguiente pre- cyborg sigue el punto de vista del ingeniero; el de prótesis,
visión: «De aquí a algunos años una mujer podrá comprar el punto de vista del médico [...]. La noción de cyborg se
u n minúsculo embrión congelado, llevárselo a su médico, refiere a u n sistema coordinado hombre-máquina con el
hacérselo implantar en el útero, portarlo nueve meses y fin de encajar aquello que n i el uno n i el otro podrían re-
parirlo como si hubiera sido concebido en su propio cuer- alizar separadamente [...]. E l concepto de prótesis se refie-
po. E l embrión se venderá con garantías contra toda tara re a los instrumentos, mediante los cuales una función de-
genética. E l comprador será informado, previamente, acer- teriorada del organismo humano es, al menos parcialmen-
ca del color de los ojos y cabellos del bebé, su sexo, su te, restaurada [...]. «Cyborg» señala la inferioridad del
estatura probable en la edad adulta y su posible CI». hombre respecto a la máquina; «prótesis» el servicio de la
Para una pareja que desea fervientemente tener u n hijo, máquina para beneficio del hombre [...]. Así, el primero
la fecundación en laboratorio parece algo m u y razonable. podría ser llamado «deshumanizante» de seres humanos,
E n principio, constituye una forma de progreso más. Pero el segundo, «humanizante» de máquinas. E n resumen, en
este tipo de experimentación es precisamente la que si se el caso de una prótesis, la máquina compensa una defi-
fomenta, corre el riesgo de abrir el paso a toda una serie ciencia del organismo humano mientras que en el caso del
de técnicas nuevas en el campo de la reproducción huma- cyborg, el organismo humano compensa u n vacío en la
na de las que hablaremos en los capítulos siguientes (tales máquina [ E . Birne, en P.T. D u r b i n (ed.), Humanization of
como úteros de alquiler, crecimiento de fetos hasta su Technology: slogan or ethical Imperative, pp. 152 ss.].
completo desarrollo fuera de la matriz humana, predeter-
minación del sexo, fabricación genética de seres humanos
por encargo, creación de hombres «superiores», copias de
hombres «deseables», combinaciones hombre-animal, etc.). 3. Manipulación simbólica y manipulación técnica
Desde u n punto de vista científico, la manipulación del
semen no es más que el primer paso. Si se avanza por esa T o d a s estas p o s i b i l i d a d e s , efectivas o irreales, suscitan
vía de u n modo descontrolado caeremos en una pendiente u n a resistencia e n o r m e e n el c a m p o de l a c u l t u r a t r a d i c i o -
deslizante que puede conducir a la deshumanización del n a l , r e l i g i o s a o filosófica. ¿Por qué?
Hombre. Por otro lado, hay que señalar u n punto impor-
E l p e n s a m i e n t o r e l i g i o s o y el filosófico se r e e n c u e n t r a n
tante y es el de que estas técnicas son beneficiosas en lo
e n el p u n t o de l a valoración y conservación d e l h o m b r e
que concierne a la producción de ganado. E n este sentido
no podemos sino aplaudir el trabajo que permite obtener n a t u r a l - c u l t u r a l . P o r « h o m b r e natural-cultural» conviene
razas cualitativa y cuantitativamente superiores. Pero a m i e n t e n d e r l a definición de h o m b r e c o m o ser v i v o ( a n i m a l )
entender, hay una gran diferencia entre la experimentación consagrado a l lenguaje ( a l símbolo y, p o r ello, a l a c u l t u -

62 63
> \
r a ) , c a p a c i d a d lingüística que c o n s t i t u y e s u d i f e r e n c i a es- las más c o r r i e n t e s s o n las lingüísticas: e n p r i m e r l u g a r y
pecífica, es decir, s u esencia. P r o d u c i e n d o a l h o m b r e , l a f u n d a m e n t a l m e n t e , l a educación y aculturación lingüísti-
evolución genética n a t u r a l h a p r o d u c i d o u n ser v i v o des- cas d e l niño, y también — y a título de e j e m p l o — l a p r o p a -
t i n a d o a l a evolución histórico-cultural: u n «animal simbó- ganda, los discursos políticos, las ideologías, l a i n f l u e n c i a
lico». de los mass-media. E n c i e r t a f o r m a , l a c i e n c i a y l a técnica
« E l h o m b r e posee u n lenguaje simbólico, este es u n o e n c u e n t r a n s u l u g a r e n este c o n c i e r t o simbólico y a q u e
de los rasgos más i m p o r t a n t e s [...] q u e le d i s t i n g u e de los ellas segregan ideologías. Pero este t i p o de intervención
a n i m a l e s [...]. S i n e m b a r g o , a u n q u e l a a p t i t u d p a r a a p r e n - ideológica n o pertenece específicamente a l a tecnociencia.
d e r u n lenguaje c u a l q u i e r a esté c o n d i c i o n a d a genética- L a manipulación de l o h u m a n o p r o p i a de esta última n o
m e n t e [...], l a l e n g u a q u e a p r e n d e m o s n o s es i m p u e s t a p o r tiene p a r a l e l o c o n o t r a s f o r m a s simbólicas de formación e
l a c u l t u r a e n l a q u e crecemos» (T. D o b z h a n s k y , L'homme intervención e n el h o m b r e . Es esta d i f e r e n c i a c o n l a q u e
en evolution, p . 89). « T o d o Homo sapiens [...] t i e n e l a fa- sueña, p o r e j e m p l o , e l biólogo J.F. D a n i e l l i c u a n d o escribe:
c u l t a d de a p r e n d e r u n lenguaje, n o i m p o r t a cuál, y a d q u i - «Es h o r a de b u s c a r c ó m o m e j o r a r l a condición h u m a n a de
r i r u n a c u l t u r a , n o i m p o r t a cuál. E s t a a p t i t u d es u n o de m o d o diferente a c o m o se haría m e d i a n t e el c a m b i o de las
los u n i v e r s a l e s biológicos de n u e s t r a especie [...]. N o exis- instituciones».
t e n genes p a r a l a c u l t u r a o l e n g u a francesa, c h i n a u h o t e n - A l g u n o s ejemplos precisarán esta d i f e r e n c i a . L a cons-
tote. N u e s t r o g e n o t i p o n o s confiere u n a g r a n p l a s t i c i d a d trucción de u n a p e r s o n a l i d a d se hace, n o r m a l m e n t e , m e -
c u l t u r a l y ( n o se insistirá jamás d e m a s i a d o sobre este p u n - d i a n t e m e d i o s «simbólicos»: l a educación, e l discurso m o -
t o ) , esta p l a s t i c i d a d es u n a característica d e l a especie, f o r - r a l , e l a d o c t r i n a m i e n t o , e l psicoanálisis. Este último es
j a d a p o r l a selección n a t u r a l e n e l c u r s o de l a evolución p a r t i c u l a r m e n t e s i g n i f i c a t i v o e n u n m o m e n t o e n el q u e se
biológica» (ibíd., p p . 363-364). c o m i e n z a a d o m i n a r l a d e l i c a d a n a t u r a l e z a química d e l ce-
Las c u l t u r a s s o n c o n j u n t o s de signos, símbolos, d i s c u r - r e b r o (la de los n e u r o t r a n s m i s o r e s ) y se i n t e n t a d e t e r m i -
sos más o m e n o s o r g a n i z a d o s q u e e v o l u c i o n a n f o r m a n d o n a r la unión q u e existe e n t r e los t r a s t o r n o s de ésta y cier-
t r a d i c i o n e s . D e f i n i r a l h o m b r e c o m o el ser v i v o esencial- tas psicosis y, más g e n e r a l m e n t e , las m o d i f i c a c i o n e s d e l
m e n t e h a b l a n t e es, a l m i s m o t i e m p o , a s e g u r a r q u e el úni- h u m o r . A h o r a b i e n , c u a l q u i e r a q u e sea l a complicación
co t i p o d e mutación, manipulación e i n t e r v e n c i o n e s conce- del método psicoanalítico, éste también se presenta c o m o
bibles y a d m i s i b l e s p a r a el h o m b r e debe ser d e l o r d e n d e l m u c h o más «natural», « m o r a l » y « h u m a n o » que l a i n t e r -
lenguaje. D e j a n d o a p a r t e a l a técnica, l a evolución h u m a n a vención neuroquímica. ¿Por qué? P o r q u e los m e d i o s y téc-
y la d i f e r e n c i a d e c u l t u r a s s o n f u n d a m e n t a l m e n t e e v o l u - nicas psicoanalíticos s o n , exclusivamente, d e l o r d e n d e l l e n -
ción y diversificación de discursos, lenguas, signos y sím- guaje y de este m o d o , c o n f o r m e s a l a esencia d e l h o m b r e .
b o l o s : religiosos, filosóficos, mitológicos, políticos, ideoló- C o m p a r e m o s c o n este m o d o de intervención simbólica
gicos, educacionales, jurídicos, etc. E s t a i m p o r t a n c i a de l o la afirmación siguiente: « L o s t r a s t o r n o s de l a d o p a m i n a
simbólico n o está d e s m e n t i d a —¡al c o n t r a r i o ! — p o r l a c i v i - [ n e u r o t r a n s m i s o r l i g a d o a l a génesis de l a esquizofrenia,
lización a c t u a l q u e n o s asalta, s i n cesar, c o n n u e v o s signos G.H.] n o m e r e c e n más consideración " m o r a l " , " s o c i a l " o
q u e ésta n o deja de p r o d u c i r y p o n e r e n circulación. "psicoanalítica" q u e los t r a s t o r n o s d e l a i n s u l i n a q u e p r o -
Aunque el hombre es el ser vivo consagrado al lenguaje, v o c a n l a diabetes». Conviene «curar l a ' l o c u r a " de i g u a l
la consciencia filosófica, y también la consciencia común m o d o q u e se c u r a n enfermedades d e l hígado o d e l riñon»
más extendida, no tolerarán más que manipulaciones e in- (J. R e n a u d ) .
tervenciones simbólicas de y en lo humano, e n t r e las cuales O t r o e j e m p l o : E x i s t e u n a resistencia b i e n c o n o c i d a a

64 65
é
todas las f o r m a s de intervención técnica e n el p r o c e s o n a - ciones tecnocientíficas, extrañas a esta esencia y, p o r ello,
t u r a l de l a procreación, e m p e z a n d o p o r l a contracepción y infames.
el a b o r t o . N o sólo se p i e n s a q u e es ilegítimo t r a t a r de l i m i - L a d i f e r e n c i a e n t r e el s i g n o y l a técnica e n l a c o n s t r u c -
t a r e l número de n a c i m i e n t o s s i n o q u e se dice, además, ción d e l h o m b r e i n t r o d u c e graves p r o b l e m a s filosóficos y
q u e de hacerse debería ser m e d i a n t e m e d i o s «naturales- éticos q u e n i las a c t i t u d e s de r e c h a z o n i las fobias masivas
culturales» e n los q u e los discursos m o r a l e s , ideológicos y p u e d e n resolver. L a cuestión f u n d a m e n t a l es l a siguiente:
r e l i g i o s o s j u e g a n u n p a p e l considerable. la manipulación tecnocientífica, la conformación técnica
« P e r o el g r a n a r g u m e n t o i n v o c a d o p o r l a Iglesia católi- del h o m b r e q u e n o pase p o r u n a mediación simbólica, ¿no
ca es de t i p o n a t u r a l . Ésta n o p r o h i b e e l c o n t r o l de l a p r o - eliminará, s i m p l e y l l a n a m e n t e , l a consciencia, l a capaci-
creación s i n o q u e r e c o m i e n d a l a c o n t i n e n c i a periódica d a d d e l i b e r a t i v a , l a evolución y formación de l a p e r s o n a l i -
(que sería " n a t u r a l " ) e n vez de l a p i l d o r a , l a esterilización, d a d y l a l i b e r t a d ? ¿ N o es a b s o l u t a m e n t e indispensable l a
el d i a f r a g m a , etc., q u e n o l o serían» ( F . de Closets, En dan- mediación simbólica ( f u n d a m e n t a l m e n t e el lenguaje) d e l
ger de progrés, p . 317). h o m b r e c o n s i g o m i s m o , c o n el o t r o y c o n el m u n d o , p a r a
H a y u n h e c h o u n i v e r s a l m u y p o c o p e n s a d o y es q u e l a que éste se realice c o m o i n d i v i d u o autónomo y consciente,
m u e r t e y el s u f r i m i e n t o de m i l l o n e s de i n d i v i d u o s a causa capaz de elegir y d a r s e n t i d o a s u v i d a y a l m u n d o ? Cierta-
de l a manipulación ideológica p a r e c e n más leves, n o r m a - m e n t e , l a educación simbólica — n a t u r a l - c u l t u r a l — de u n
les e n e l c u r s o y o r d e n de las cosas, q u e l a p o s i b i l i d a d de i n d i v i d u o es difícil, s u éxito es p r e c a r i o y, a m e n u d o , i m -
s o l u c i o n e s técnicas a a l g u n o s p r o b l e m a s de l a h u m a n i d a d . perfecto. Puede ser q u e h a y a d i s f u n c i o n a m i e n t o s y o t r a s
O t r o e j e m p l o : l a idea de u n t r a t a m i e n t o neuroquímico causas biofísicas que, en c i e r t o s casos, i m p i d a n el desarro-
para l a agresividad, p o r ejemplo, suscita e n m u c h o s h u m a - l l o y expansión d e l a p e r s o n a y p a r a c u y o t r a t a m i e n t o l a
nistas, creyentes o n o , u n a especie de h o r r o r . E s necesario intervención tecnocientífica es indispensable. De hecho, l a
t e c n o c i e n c i a es aún d e m a s i a d o i g n o r a n t e e n este d o m i n i o
— p a r a l a ideología d o m i n a n t e de este s i g l o — q u e l a h u -
c o m o p a r a q u e l a intervención n o se realice s i n o c o n l a
m a n i d a d se p a c i f i q u e e x c l u s i v a m e n t e p o r m e d i o d e l l e n -
mayor prudencia.
guaje ( e l diálogo, l a argumentación, l a discusión, el c o m -
p r o m i s o , l a educación, l a aculturación...). C u a l q u i e r o t r a
solución es, a priori, s i n u n e x a m e n serio, r e c h a z a d a de
La diferencia entre el signo y la técnica
f o r m a m a s i v a p o r «evidentemente» m a l a . P o c o i m p o r t a
E n e l f u t u r o , e l r e p e r t o r i o de tecnologías d e c o n t r o l c o -
q u e l a a g r e s i v i d a d y l a v i o l e n c i a t e n g a n — c o m o es p r o b a - nocerá u n c r e c i m i e n t o considerable. D e l a lista de d e s c u -
b l e — raíces a n t e r i o r e s a l o simbólico e i n t r a t a b l e s p o r e l b r i m i e n t o s técnicos p r o b a b l e s p a r a l o s p r ó x i m o s t r e i n t a y
lenguaje. tres años que p r o p o n e H e r m á n K a h n , h e entresacado, de
P a r a f i n a l i z a r , u n último e j e m p l o más p r o s p e c t i v o : e n t r e l o s c i n c u e n t a p r i m e r o s títulos, u n g r a n n ú m e r o de

c o m p a r e m o s los procesos n a t u r a l e s - c u l t u r a l e s d e l a p r e n d i - técnicas d e c o n t r o l d e l a c o n d u c t a y m o d i f i c a c i ó n d e l a


personalidad: 30) técnicas nuevas que vayan tan lejos
zaje memorístico p o r audición, l e c t u r a y repetición c o n l a
c o m o s e a p o s i b l e e n l a v i g i l a n c i a , c o n t r o l y dirección t a n t o
inserción de m i c r o m e m o r i a s electrónicas b a j o l a f o r m a d e
d e l o s i n d i v i d u o s c o m o d e l a s o r g a n i z a c i o n e s ; 3 3 ) técnicas
prótesis memorísticas variables según las necesidades. nuevas y más seguras p a r a la «educación» y propaganda
T o d o s estos ejemplos, siendo t o d o s b a s t a n t e b e n i g n o s , que afectan a l c o m p o r t a m i e n t o h u m a n o , público y priva-
m u e s t r a n c l a r a m e n t e l a d i f e r e n c i a e n t r e las m a n i p u l a c i o - d o ; 3 4 ) l a a p l i c a c i ó n d e p r o c e d i m i e n t o s electrónicos para
nes simbólicas d e l ser h u m a n o , m a n i p u l a c i o n e s i n t e r n a s l a comunicación directa c o n el cerebro y p a r a s u estimula-
de l a esencia n a t u r a l - c u l t u r a l d e l h o m b r e , y las i n t e r v e n - ción; 3 7 ) n u e v a s técnicas a n t i e x c i t a n t e s r e l a t i v a m e n t e e f i -

66 67
• I
caces; 39) una mayor variedad de nuevos productos far- 4. Límites d e l a n t r o p o l o g i s m o
macéuticos que permitan el control de la fatiga, la relaja-
ción, la vivacidad, el humor, la percepción e imaginación;
L a base d e l t e m o r , repulsión y s e n t i m i e n t o de p e l i g r o
41) mayores posibilidades para «cambiar» el sexo de los
individuos; 42) otros medios para ejercer u n control o una a b s o l u t o q u e l a técnica suscita e n u n a p a r t e de la cons-
influencia de orden genético sobre la constitución básica c i e n c i a filosófica y e n l a casi t o t a l i d a d de l a consciencia
del individuo... Previsiones de este tipo son, en verdad, ex- religiosa es l a «exterioridad» de l a técnica e n relación c o n
tremadamente discutibles. Cuando menos, nos da una idea la esencia n a t u r a l - c u l t u r a l d e l h o m b r e . E s t a reacción se
de la posibilidad de que el comportamiento humano pueda r e m o n t a lejos y está a n c l a d a en el f o n d o mitológico de l a
ser, en el futuro, liberado de todo sistema de normas liga- h u m a n i d a d . N o p a r e c e q u e ésta p r o c e d a de u n a m e r a va-
das a la gramática de los juegos del lenguaje y, en lugar de loración a n t r o p o l o g i s t a , s i n o de l a intuición de q u e l a tec-
esto, integrado en sistemas autorregulados del tipo hom- n o c i e n c i a c o n c e n t r a u n a tentación y p e l i g r o esenciales: el
bre-máquina y sometidos a u n control físico o a una i n - de e l i m i n a r los límites de l a esencia y l a condición h u m a -
fluencia psicológica directos. Las manipulaciones psicotéc-
na. E n Les masques du désir, J . B r u n p e r c i b e b i e n el alcan-
nicas del comportamiento permiten hoy, ya, eliminar la
ce e i d e n t i d a d de l o q u e actúa bajo el exceso tecnocientífi-
desviación anticuada producida p o r normas interiorizadas,
co: «Este m o t o r n o es o t r o q u e el deseo d e l h o m b r e p o r
pero susceptibles de reflexión. Las intervenciones biotécni-
cas del sistema regulador de las glándulas endocrinas y las exceder l a diferenciación q u e r e i n a e n los c u a d r o s espacio-
intervenciones a fortiori de la transmisión genética de i n - t e m p o r a l e s de l a existencia, e n el i n t e r i o r de los cuales éste
formaciones hereditarias podrían p e r m i t i r mañana u n con- sufre sus límites» (p. 74). «Cortar l a c u e r d a d e l T i e m p o y
trol aún mayor del comportamiento. De este modo, las an- el Espacio, c o r t a r el h i l o de l a existencia, es l a misión o n -
tiguas zonas de la consciencia desarrolladas en la comuni- tológica c o n q u e l a técnica h a s i d o investida; l a técnica es
cación por medio del lenguaje acabarían atrofiándose. A aquello a l o q u e e l h o m b r e h a q u e r i d o c o n f i a r el p o d e r
este nivel, en que los técnicos toman al hombre por objeto (extático) de a r r a n c a r l o d e l ghetto humano» (p. 16). « E n
[Human teckniken], se podría hablar del fin de la manipu- este sentido, es u n a manipulación ontológica, y l o que lla-
lación psicológica en u n sentido análogo a como se habla m a m o s progreso [...], u n m o v i m i e n t o h a c i a otra parte c o n
hoy del fin de las ideologías políticas y la alienación natu-
el q u e el h o m b r e espera e n c o n t r a r l a solución p a r a sí m i s -
ral espontánea. Dicho de otro modo, el desfase incontrola-
m o m e d i a n t e u n a disolución salvadora de s u esencia y s u
do en el marco institucional se podría dominar. Pero con
existencia» (p. 2 0 8 ) .
ello, la autoobjetivación del hombre se habría completado
bajo la forma de una alienación planificada en la que los S i l a t e c n o c i e n c i a se p e r c i b e aún c o m o a q u e l l o suscep-
hombres harían su historia voluntariamente, pero no cons- t i b l e de h a c e r estallar l a esencia d e l h o m b r e , evidentemen-
cientemente. te n o puede m e d i r s e y a más p o r esta esencia, n i juzgarse o
N o pretendo decir, en modo alguno, que el fantasma evaluarse a p a r t i r de u n a «naturaleza» h u m a n a q u e t i e n d e
cibernético de la autoestabilización de las sociedades vaya a resquebrajarse. L a s categorías antropológicas n o son,
a realizarse de forma análoga al instinto ( n i siquiera que pues, suficientes. E n este p u n t o , a l m e n o s , las evaluacio-
sea realizable), pero pienso que empuja hacia adelante, de
nes mitológicas y teológicas de l a t e c n o c i e n c i a l e rinden,
u n modo utópico negativo, hipótesis vagas que están en la
en c i e r t o m o d o , j u s t i c i a a l a s i m i l a r l a , más o m e n o s expre-
base de la consciencia tecnocrática y que indican, así, una
evolución tendencial que, bajo la dominación confortable samente, a fuerzas demoníacas ( g e n e r a l m e n t e ) o divinas,
de la ciencia y la técnica, no tiene el sello de una ideología es decir, n o s i m p l e m e n t e h u m a n a s .
[J. Habermas, La technique et la science comme «ideologie», N o se t r a t a de r e v i v i r de n u e v o l a concepción mitológi-
pp. 65-67]. ca o teológica. P e r o c o n v i e n e c o m p r e n d e r q u e l a evalua-

68 69
ción a n t r o p o l o g i s t a c o r r i e n t e , q u e i m p r e g n a el h u m a n i s m o cas es, de ahora en adelante, u n hecho consumado. Tam-
p r o g r e s i s t a l a i c o , es quizás, e n ciertos aspectos, m u y c o r t a bién en el relato que de ella se quiere hacer, los hombres
de m i r a s y s u p e r f i c i a l y, p o r esta razón, frágil y q u e n o aparecen solos y se les intenta dar una realidad histórica.
ofrece u n a concepción y u n a interpretación q u e p u e d a res- Así deben aparecer Dédalo y su leyenda [B. Gille, Histoires
p o n d e r , c o n a l t u r a , a los anatemas filosófico-religiosos. des techniques, pp. 125-127].

Dios, único recurso frente a la técnica


De la evaluación mítico-réligiosa a la laicidad N o se puede conocer si existe u n muro, la naturaleza
antropologista y humanista humana, contra el que la técnica se rompe los dientes. Me
Con Prometeo franqueamos u n umbral. La técnica co- es imposible contraponer como factores dialécticos a la
menzó a humanizarse. Sigamos a P.H. Michel. técnica y al hombre permanente.
«Aunque ésta aparece como u n regalo de los dioses, es La naturaleza, desde luego, no es permanente.
u n h i m n o homérico glorificando a Hermes, que si bien no N o existe una naturaleza inmutable, intangible, cuya
es u n dios, al menos, sí es humano en el sentido de aun- persistencia nos sea garantizada por una parte (y si cree-
que no posee las artes de toda eternidad, puede descubrir- mos en la creación, esto es lo que se quiere decir, aunque
las mediante la inteligencia. Él las inventa, como haría u n se diga lo contrario) y, por otra, de la cual nosotros poda-
hombre genial, y las transmite a los hombres dirigiéndose mos considerar que su estructura es una ley, de leyes, u n
a su facultad de comprensión. E l arte no es, necesariamen- modelo bueno y conforme, según la gran tentación: es pre-
te, u n regalo de los dioses, puede ser resultado de una es- ciso obedecer a la naturaleza. Pero la naturaleza (como
pecie de hurto en perjuicio de los dioses. E l mito de Pro- conjunto de leyes y como modelo) es lo que nosotros he-
meteo da forma legendaria a este sentimiento.» mos fabricado. H o y en día vemos lo frágil que es en tanto
E l conflicto que estalla entre Prometeo y Zeus no apa- que realidad concreta. E l átomo estalla, el océano se con-
rece, de hecho, más que en u n texto tardío de Diodoro. tamina...
Para J.P. Vernant, el mito del robo del fuego se presenta E l hombre o la naturaleza, este dilema no es suficiente
en Hesíodo bajo una forma m u y unificada y revela ya u n para fundamentar una crítica a la técnica y no es más que
problema que toca la función técnica: el trabajo es la con- u n contrapunto a la omnipotencia técnica. Aquélla en u n
secuencia del conflicto entre Zeus y Prometeo. E l robo del todo (que engloba al hombre y la naturaleza). Ya que exis-
fuego debe ser pagado. E n adelante, toda la riqueza tendrá te una especie de mutación (de dialéctica) es necesario que
el trabajo p o r condición. De la oposición entre la fecundi- exista una fuerza complementaria fuera del sistema. Esta
dad y trabajo, entre lo que la naturaleza procura, por me- fuerza que el sistema es incapaz de absorber no puede ser
diación de los dioses, y la técnica, dada al maldito o roba- más que Dios, u n Dios trascendente [...].
da p o r él o salida de su imaginación [...]. Pero habiendo conocido al Dios de Jesús, yo declaro
Dédalo nos conduce a una tercera etapa, la definitiva, que es el único recurso del hombre frente a la técnica
que consiste en una especie de laicidad de las técnicas [...]. [J. Ellul, Á temps et contretemps, pp. 182-183].
Nosotros salimos definitivamente de nuestros orígenes
divinos. Dédalo es u n hombre: él tiene, incluso, u n sustrato
histórico, o casi. Se le sitúa en el tiempo y en el espacio,
tiene relaciones familiares. No recibe, «inventa» [...].
Podríamos decir que en el periodo de tiempo que me- NOTAS
dia entre Prometeo y Dédalo, cualquiera que sea el siglo al
que se adjudique el primer gran progreso de las técnicas 1. E l lector encontrará abundante documentación e n F . Gros, et al.,
griegas, éste pasó a ser obra esencialmente humana y, de Science de la vie et société, París, Seuil, 1979, Points, y e n V . P a c k a r d ,
la cual, se sabe que fue humana. La laicidad de las técni- L'homme remodelé, París, Calmann-Lévy, 1978.

70 71
) )
2. V e r J . R o s n a y , «Les biotransistors: l a microélectronique d u x x i sié- entre el s i t e m a nervioso central de los a n i m a l e s o el h o m b r e y los ordena-
cle», La Recherche, 7-8 (1981). dores» está y a a l a o r d e n del día (ver J . de Rosnay, art. c i t ) .
3. L a técnica de clonación consiste e n i n t r o d u c i r e n u n a célula huevo 12. «Situaciones fundamentales que nuestra v i d a i m p l i c a y "que" n o
receptora, previamente anucleada, l a totalidad del p a t r i m o n i o genético de podemos traspasar n i transformar.» Éstas son, particularmente, l a necesi-
u n a donante, es decir, el núcleo de otra célula donante. S i se consigue dad de morir, sufrir, luchar, l a dependencia del azar, l a enfermedad, el
provocar el proceso de división del huevo así dotado genéticamente, se envejecimiento, l a l e y del trabajo, l a obligación de elegir, l a culpabilidad...
obtendría u n individuo genéticamente idéntico e n s u totalidad a aquel del (ver K . Jaspers, Introduction á la philosophie, París, P l o n 1965 10/18
que proviene l a célula donante. A diferencia de l a reproducción bisexual p. 18).
ordinaria, todo el p a t r i m o n i o genético provendría de u n solo individuo y
no de dos.
4. De donde surge u n enjambre de preguntas y p r o b l e m a s (algunos
curiosos) respecto a l alcance jurídico-ético de estos procedimientos: ¿Pue-
de u n s e r vivo s e r patentado? ¿Puede r e p r o d u c i r s e u n a bacteria p a t e n -
tada? ¿Una p e r s o n a infectada p o r tal bacteria infringe l a ley? (ver N .
Wade, «Supreme C o u r t H e a r s argument o n patenting life forms», Science
[4-4- 1980], Cf. especialmente: B . E d e l m a n y M.A. H e r m i t t e (eds.), Uhom-
me, la nature et le droit, París, C h r i s t i a n Borgois, 1988).
5. L o s d o c u m e n t o s preparatorios p a r a las investigaciones e n el c a m p o
de l a s c i e n c i a s cognitivas del P r o g r a m a F A S T (1986-1987) s o n , a este r e s -
pecto, e s p e c i a l m e n t e elocuentes. E s t e p r o g r a m a europeo, destinado a
competir c o n p r o g r a m a s s i m i l a r e s japoneses y a m e r i c a n o s , trata, n i más
n i menos, q u e de m o d e l i z a r y construir m o d e l o s d e inteligencia n a t u r a l y
explicar l a intencionalidad h u m a n a . M o d e l i z a r l o h u m a n o p a r a hacerlo
compatible p a r a l a interacción h o m b r e - o r d e n a d o r ; c o n s t r u i r u n m o d e l o
de cerebro, a p r o v e c h a n d o los procesos cognitivos h u m a n o s ; m o d e l i z a r y
realizar, bajo l a f o r m a d e sistemas operativos efectivos, l a percepción v i -
sual, l a m e m o r i a , l a aprehensión del sentido lingüístico y el aprendizaje;
desde l a realización de u n «modelo de comprensión del lenguaje natural
de u n a frase sencilla h a s t a l a complejidad total de u n discurso»; desarro-
llar tecnologías capaces de integrar operativamente l a representación del
sentido común, l a inducción y el r a z o n a m i e n t o p o r analogía; desarrollar
«sistemas que generen automáticamente p r o c e d i m i e n t o s p a r a l a r e s o l u -
ción de problemas»; tecnologías p a r a abstraer, p a r a r e c o n o c e r el lenguaje
hablado, etc. E l s i s t e m a se convierte, así, e n u n compañero completo del
h o m b r e y l a integración hombre-máquina se h a c e total.
6. «Esencia natural-cultural del hombre» e n el sentido de que el h o m -
bre es, p o r naturaleza, u n ser consagrado a l a c u l t u r a . E s t o se desarrollará
más adelante.
7. V e r «Les organes artificiéis», Science et Avenir, n.° especial (1979).
8. V e r M . B l a n c , «Clonage de mammiféres: le " m e i l l e u r des m o n d e s "
est-il p o u r demain?», La Recherche (abril 1981).
9. F . H a r r o i s - M o n i n , « L H o m m e dans l a p e a u d u robot», Science et
Vie (agosto 1981).
10. V e r F . Hermitte, « L e cerveau: N o u v e a u x pouvoirs-nouveaux de-
voirs», Revue des Deux Mondes.
11. L a idea de «ultramicrocircuitos» biocompatibles y que p e r m i t a n l a
fabricación de c i r c u i t o s lógicos implantables» [...] [ c o n ] conexión directa

72 73
CAPÍTULO I V

E L FUTURO: ENTRE HISTORIA


Y TECNOCIENCIA

¿Quo vadis homo sapiens?

F. WUKETIS

E l futuro no h a estado n u n c a t a n «abierto»


c o m o h o y c u a n d o sabemos que depende de
nuestra p r o p i a producción.

H. SCHELSKY

1. I m p o r t a n c i a d e l a unión e n t r e técnica y f u t u r o

E n t r e l a p r e g u n t a p o r l a técnica y l a dimensión d e l f u -
t u r o se d a u n a relación esencial. A u n q u e n o l o parezca
esta relación y a es a n t i g u a . E n las p r i m e r a s «utopías» q u e
s i t u a b a n el m o d e l o o p o r v e n i r soñados de l a sociedad e n
o t r o s l u g a r e s geográficos, l a técnica aparece c o m o u n
c o m p o n e n t e c a p i t a l de tales sociedades.
1

L a i m a g e n d e l f u t u r o es, sobre t o d o , u n a i m a g e n técni-


ca: l a ciencia-ficción se d e s a r r o l l a a p a r t i r d e l m o m e n t o e n
q u e el p r o y e c t o teórico d e l saber es s u s t i t u i d o , cada vez
más, p o r l a t e c n o c i e n c i a .
L a formulación contemporánea de l a tercera p r e g u n t a
k a n t i a n a , «¿qué p u e d o esperar?», n o p u e d e realizarse más
que t e n i e n d o en c u e n t a l a i m p o r t a n c i a de l a tecnociencia.
H o y , los paraísos e i n f i e r n o s , las utopías y antiutopías es-
tán sobre l a T i e r r a , e n u n d e t e r m i n a d o t i e m p o y concebi-
dos e n función d e las ciencias y l a técnicas: « L o q u e l a
h u m a n i d a d p u e d e esperar e n este m u n d o d e s a r r o l l a d o y
degenerado p o r l a técnica» ( R o p o h l , op. cit.). jf^

75
\ vez merezca este menosprecio crítico. Sin embargo, si la
Enseñar en el futuro consideramos como u n tipo de sociología del futuro, más
Lo que se necesita no es otra cosa sino u n movimiento que como literatura, la ciencia-ficción toma u n inmenso
masivo en «favor del futuro». Debemos crear, en cada es- valor, ya que engrandece el espíritu y le da a éste la capaci-
cuela y en cada comunidad, u n «Consejo del Futuro» com- dad de anticiparse a los hechos. Nuestros hijos deberían
puesto p o r hombres y mujeres encargados de confrontar el estudiar a Arthur C. Clarke, W i l l i a m Tenn, Robert Hein-
futuro con los intereses presentes [...]. lein, Ray Bradbury y Robert Sheckley, no porque estos es-
Por lo que respecta a estos programas, en lugar de par- critores nos hablen de naves cósmicas y máquinas del
t i r del principio de que todas las disciplinas enseñadas hoy tiempo, sino sobre todo y lo que es más importante, por-
tiene razón de ser, los Consejos del Futuro deberán partir que pueden conducir a los jóvenes a explorar, con la ima-
de la afirmación contraria: no hay que incluir nada en u n ginación, la jungla de los problemas políticos, sociales, psi-
programa dado que no esté perfectamente justificado des- cológicos y éticos que deberán afrontar cuando sean adul-
de el punto de vista del futuro [...]. tos. Habría que obligarles a leer ciencia-ficción para el fu-
Decenas de millones de niños son obligados por la ley a turo próximo [A. Toffler, Le choc du futur, pp. 450, 456-
pasar horas preciosas de su vida «empollando» materias 457, 473].
cuya utilidad futura es más que hipotética. ¿No sacarían
mayor provecho del estudio de la probabilidad, la lógica, la
L a bibliografía de los ensayos sobre el t e m a «Técnica y
programación de ordenadores, la filosofía, la estética o la
Futuro» a u m e n t a r e g u l a r m e n t e y las a c t i t u d e s de rechazo
comunicación de masas?
Invito al que encuentre que el programa actual tiene ante l a técnica se acompañan, g e n e r a l m e n t e , de u n a nos-
sentido, a que explique a u n muchacho inteligente de ca- t a l g i a p o r el pasado o d e l sueño de u n r e s u r g i m i e n t o d e l
torce años por qué el álgebra y el francés son esenciales pasado e n el f u t u r o . 2

para él. Las respuestas de los adultos son, casi siempre, Técnica, f u t u r o y ética f o r m a n u n a constelación n u e v a
evasivas. La razón de ello es simple: el programa actual es que se expresa e n l a creciente t o m a de consciencia de
una herencia inconsecuente del pasado [...]. n u e s t r a responsabilidad c o n respecto a l f u t u r o y, más exac-
Damos a nuestros hijos cursos de historia; ¿por qué no t a m e n t e , c o n relación a l t i p o de f u t u r o q u e p r o d u c i r e m o s
les damos igualmente cursos sobre futuro en los que las técnicamente, p o r e j e m p l o , a g o t a n d o , o n o , ciertos r e c u r -
posibilidades y probabilidades sistematizarían el objeto de
sos p l a n e t a r i o s , e l i g i e n d o t a l t i p o d e energía o t o l e r a n d o
las investigaciones, del mismo modo que hoy estudiamos
t a l f o r m a de manipulación genética. S i n d u d a , esta situa-
el sistema social de los romanos o el nacimiento del feuda-
ción es n u e v a y l a h u m a n i d a d sólo está c o m e n z a n d o a t o -
lismo?
Uno de los filósofos futuristas más eminentes de Euro- m a r consciencia de ello. 3

pa, Robert Jungk, ha dicho: «En nuestros días, el acento se « E l f u t u r o d e l m u n d o tecnológico d i f i e r e c u a l i t a t i v a -


pone sólo en el estudio de lo que ha sucedido y lo que se m e n t e de l o q u e las épocas a n t e r i o r e s l l a m a b a n futuro»
ha hecho. Mañana [...] u n tercio, al menos, de las confe- (G. P i c h t c i t a d o p o r A.R. M i c h a e l i s y H . H a r v e y [eds.],
rencias y de los trabajos prácticos estarán consagrados a la Scientists in Search of their Conscience, p . 29).
obra filosófica, artística, técnica y científica en curso, para
prever las crisis y las soluciones posibles a los problemas
La dimensión del futuro
del futuro».
Desde san Agustín, Occidente ha conocido una inter-
Para estos cursos no disponemos de literatura del futu-
pretación teológica global de la Historia y, en este sentido,
ro, sino de una literatura sobre el futuro que comprende
se ha distinguido, decididamente, de los clásicos para quie-
no sólo las grandes utopías sino también la ciencia-ficción
nes el cosmos era eternamente igual y el motor de la histo-
contemporánea. Esta última es, a menudo, considerada
ria no estaba planeado de antemano. Pero la interpreta-
con cierto desdén como u n sucedáneo de la literatura, y tal

77
V
ción cristiana de la historia es, como la del mundo, cerra- o l v i d a r a sus creadores está c o n d e n a d a a l estancamiento»
da: es Historia Santa que va de la Caída a la Redención y (L'esprit de sel, p . 91). L a n a t u r a l e z a futurológica de l a tec-
al Juicio Final. Sólo que pone en el lugar que ocupa la n o c i e n c i a expresa u n a de las vertientes de l a unión intrín-
providencia divina —Providencia— la Razón y su Progre- seca e n t r e ésta y e l poder: n o es l a de l a dominación y
so. La creencia en el Progreso se basa en el progreso real y c o n t r o l de l o que, a p r i m e r a vista, es, sino l a actualización
empírico de las Ciencias de la Naturaleza. [...] [Éstas] se
de t o d o l o posible, l o q u e p u e d e ser, l o q u e es p r o d u c t i b l e ,
distinguen del antiguo modelo científico dominante por-
r e c o n s t r u i b l e , m a n i p u l a b l e . C o n s t i t u t i v a m e n t e , l a tecno-
que son fundamentalmente ilimitadas, abiertas. Así, una
c i e n c i a avanza, debe avanzar, so p e n a de p e r d e r s u i d e n t i -
nueva perspectiva de conocimiento [...] pasa de la antigua
d a d o p e r a t i v a . Así pues, acentúa, sobre t o d o , u n m o m e n t o
imagen espacial-estática del mundo a la dimensión tempo-
ral-histórica de u n futuro ilimitado [...]. Por tanto, ha teni- de l a t e m p o r a l i d a d : el f u t u r o . E l f u t u r o está c o n s t a n t e m e n -
do lugar algo así como u n cambio en la relación del hom- te r o m p i e n d o c o n el pasado, dejándolo caer e n el o l v i d o ; l a
bre con el tiempo. E l centro de gravedad del sentimiento t e c n o c i e n c i a n o tiene m e m o r i a . S u dinámica n o es sensi-
de la existencia se desplaza hacia el futuro y transforma ble más q u e a l a u m e n t o de poder. Es progresiva y t r a n s -
también, de este modo, su relación con el presente [H.J. gresiva. N o c o n o c e los límites i m p u e s t o s p o r l o d a d o más
Meyer, Die Technisierung der Welt, p. 55]. que p a r a p o n e r l o s a p r u e b a . B a j o este aspecto, la a n d a d u -
r a tecnocientífica está e n las antípodas de l a de la filosofía.
U n a de las razones p o r las q u e t a n t a i m p o r t a n c i a se d a E l pensamiento filosófico es p r o f u n d a m e n t e regresivo, busca
h o y a l a dimensión d e l f u t u r o e n n u e s t r a s acciones se debe los presupuestos y fundamentos, de trascendencia y trascen-
al h e c h o también de q u e l a acción t e m p o r a l de las grandes dentales que ofrecen las condiciones de p o s i b i l i d a d de l o que
empresas tecnocientíficas y a n o se evalúa e n años, s i n o e n es y se hace y , a l m i s m o t i e m p o , explícita los límites — i n -
decenios y , a m e n u d o , excediendo l a duración de l a exist- franqueables— de l o q u e puede ser y hacerse. D e ahí t a m -
e n c i a i n d i v i d u a l . Y a se t r a t e , p o r e j e m p l o , de los grandes bién que el filósofo caracterice l a tecnociencia c o m o an-onto-
p r o g r a m a s de exploración espacial o de p r o y e c t o s tales lógica, c o m o extraña a l a p r e g u n t a p o r el ser y su sentido y
c o m o e l d e l a secuenciación d e l g e n o m a h u m a n o , los p i o - en l a que se u n e n los tres m o m e n t o s de l a t e m p o r a l i d a d (pa-
neros n o conocerán jamás los resultados, p o r n o h a b l a r de sado, presente y f u t u r o ) entendida c o m o historia.
las consecuencias prácticas y teóricas diversas ( t a n i m p r e -
visibles) q u e les sobrevivirán.
S i n e m b a r g o , l a relación e n t r e técnica, t e c n o c i e n c i a y 2. L a h i s t o r i a c o m o «porvenir d e l p a s a d o »
f u t u r o n o es c i r c u n s t a n c i a l s i n o p o r el c o n t r a r i o constituti-
va. L a t e c n o c i e n c i a está o r i e n t a d a , sobre t o d o , h a c i a e l f u - E n esta sección a b o r d a m o s l a oposición entre dos rep-
t u r o , es d e c i r , n o se p r e o c u p a , o l o hace m u y p o c o , p o r s u resentaciones d e l t i e m p o , e n general (y d e l f u t u r o e n p a r t i -
h i s t o r i a . A l i n v e s t i g a d o r sólo le i m p o r t a el estado de l a c u l a r ) . N o t r a t a r e m o s l a t e r c e r a representación d e l t i e m p o ,
cuestión, el estado a c t u a l de s u d i s c i p l i n a l l e n a de p o t e n - más a n t i g u a : l a concepción cíclica d e l m i t o que n o deja
c i a l i d a d e s (de posibles d e s c u b r i m i e n t o s o i n v e n c i o n e s ) . l u g a r p o s i t i v o a l f u t u r o . L a p r i m e r a representación d e l
P o r o t r a p a r t e , éste dejará p r o n t o de ser c o m p e t i t i v o e n el t i e m p o de l a q u e nos v a m o s a o c u p a r es l a concepción
p l a n o de l a investigación si se deja a b s o r b e r p o r las etapas histórica. U n a h i s t o r i a es u n a sucesión s i n g u l a r de aconte-
y e r r o r e s «pasados» de s u ciencia. J . M . Lévy-Leblond h a - c i m i e n t o s singulares, c u y o c o n j u n t o «tiene sentido», «va a
b l a de u n a «amnesia constitutiva» de l a c i e n c i a y añade, algún lugar», es c o m p r e n s i b l e pues, aparentemente, tiene
s i g u i e n d o a W h i t e h e a d q u e «una c i e n c i a q u e h a d u d a d o e n u n f i n . Aquí e n t e n d e r e m o s p o r «historia, t e m p o r a l i d a d h i s -

78 79
tórica» e l p e r i o d o de t i e m p o e n e l q u e e l h o m b r e está p r e - «Eliminar l a alienación d e l h o m b r e permitirá l a r e i n t e -
sente, q u e él, m e d i a n t e sus p r o p i a s acciones o r i e n t a d a s h a - t gración, l a v u e l t a d e l h o m b r e a sí mismo.» « E l h o m b r e
c i a m e t a s y m e d i a n t e sus i n t e n c i o n e s , c o n s t i t u y e a l m e n o s reintegrará así s u ser, s u n a t u r a l e z a y s u esencia; volverá a
p a r c i a l m e n t e y q u e él se representa g l o b a l m e n t e c o m o u n a é l » ( K . Axelos, Marx, penseur de la technique, v o l I I , p . 80).
duración c o n final y c o n sentido. « E l h o m b r e alcanzará, pues, s u h u m a n i d a d t o t a l , l a h u m a -
L a interpretación l i n e a l de l a H i s t o r i a c o n c e d e u n l u g a r n i d a d q u e n o se h a m a n i f e s t a d o aún p l e n a m e n t e ; n o obs-
considerable a l f u t u r o . Y a se t r a t e de l a concepción j u d e o - tante, l a h u m a n i d a d d e l h o m b r e depende d e l presupuesto
c r i s t i a n a o de l a concepción m a r x i s t a d e l a h i s t o r i a , el f u - de q u e éste supere s u alienación» (p. 82). « L a v u e l t a a los
t u r o y, más especialmente, s u término (el «fin de los t i e m - orígenes se p r o d u c e y e n d o h a c i a el futuro» (p. 85).
pos» o el «fin de l a Historia»), se a n t i c i p a s i e m p r e e n u n « M a r x n o expone e n n i n g u n a p a r t e el p r o b l e m a de l o
d i s c u r s o e n el que, sobre t o d o , se revela el c o n t e n i d o o l a que "precede" a l a a c t i v i d a d h u m a n a , e l d e v e n i r - h i s t o r i a de
forma. L a m i r a d a del h o m b r e (eventualmente ayudado p o r l a n a t u r a l e z a [...]. T o d a la evolución de l a n a t u r a l e z a , t o d o
Dios) l l e g a h a s t a e l f i n a l de l a línea d e l t i e m p o y recoge l o q u e c o n d u c e h a s t a el h o m b r e , q u e d a más allá de s u
esta pre-visión (que a veces es también p r o v i d e n c i a ) e n u n visión» (p. 74). « L a h i s t o r i a h u m a n a c o m i e n z a c u a n d o l a
propósito escatológico q u e le guía y sosiega. n a t u r a l e z a crea a l h o m b r e , creación q u e s u p o n e el p r i n c i -
E n l a tradición filosófica aún h o y d o m i n a n t e , e l t i e m p o p i o » (p. 75). « E l m u n d o c o m i e n z a c o n l a h i s t o r i a humana»
d i g n o d e consideración se i d e n t i f i c a c o n l a H i s t o r i a , l a ¡ (p. 77). « L a p r e g u n t a acerca d e l i n i c i o a b s o l u t o de l a h i s t o -
c u a l t i e n e u n s e n t i d o : es u n a h i s t o r i a c o n dirección y e n l a ria h u m a n a n o t i e n e respuesta. M a r x p i e n s a q u e es u n a
que, e n c o n j u n t o , esta dirección se conoce: L a C i u d a d de p r e g u n t a s i n sentido» (ibíd., v o l . I , p p . 95-96).
Dios, l a S o c i e d a d s i n Clases, l a H u m a n i d a d D e s a l i e n a d a y L a t e m p o r a l i d a d histórica es n a r r a t i v a y p o r ello «da
R e c o n c i l i a d a , l a S o c i e d a d de l a Comunicación E m a n c i p a - ' sentido». E n ella y p o r ella el pasado i n i c i a l y e l f u t u r o
da, etc. L o q u e p r e c e d e a l a H i s t o r i a — l a p r e - h i s t o r i a — n o f i n a l se e n c u e n t r a n . E l pasado es p a r a u n c i e r t o p o r v e n i r y
se niega, s i n o q u e , más b i e n , se i g n o r a p o r carecer de i n t e - éste es de u n c i e r t o pasado. E n t r e ellos vive l a c o n t i n u i d a d
rés filosófico. T o d o sucede c o m o s i el h o m b r e , l a h i s t o r i a , de u n s e n t i d o (y p o r t a n t o , de u n v a l o r y u n a f i n a l i d a d )
el sentido, el v a l o r , etc., c o m e n z a r a n y a c a b a r a n j u n t o s . L a c o n c u y o rasero se m i d e y a d q u i e r e n s e n t i d o cada h e c h o y
H i s t o r i a es, p o r o t r a p a r t e — c u a n d o es e n t e n d i d a c o m o cada acto de l a h i s t o r i a . Se dice q u e e l t i e m p o histórico es
« p r o g r e s o » — , l a duración de l a realización o actualización hermenéutico, es decir, q u e n o i n v e n t a s u f u t u r o s i n o a
de l a esencia d e l h o m b r e : esta esencia se da, e n c i e r t a f o r - p a r t i r de u n a p e r p e t u a reinterpretación y reapropiación de
m a , e n e l o r i g e n a u n q u e h a estado, e n el o r i g e n también, s u pasado. E s t a comunicación e n t r e el pasado y el f u t u r o ,
p e r d i d a o «retenida» ( « c a í d a » , «alienación», «potenciali-
así c o m o s u m a n t e n i m i e n t o , es o b r a d e l presente y de las
dad»...). L a H i s t o r i a se i d e n t i f i c a c o n l a ( r e ) c o n q u i s t a de l a
elecciones sensatas q u e e n él se t o m e n . E l t i e m p o histórico
esencia d e l h o m b r e n o acorde c o n él e n e l l e j a n o pasado
s u b r a y a l a i m p o r t a n c i a de l a m e m o r i a y de l a tradición
(el p r i n c i p i o d e l a h i s t o r i a ) y a p r o p i a b l e p a r a e l h o m b r e ,
p a r a q u e p u e d a darse u n f u t u r o c o n s e n t i d o .
f i n a l m e n t e , e n u n f u t u r o lejano (en el f i n de l a H i s t o r i a ) .
E s t a concepción d e l t i e m p o histórico está h o y puesta
E s t a es l a razón p o r l a q u e e l f u t u r o histórico es porvenir
e n d u d a p o r u n a d o b l e razón. E n p r i m e r l u g a r desde d e n -
del pasado. E n esta perspectiva, el p a p e l j u g a d o ' p o r l a téc-
' t r o , y a q u e l a (pre)visión escatológica q u e h a p e r m i t i d o
n i c a , i n c l u s o c u a n d o se l a r e c o n o c e v i g o r o s a m e n t e c o m o
s i e m p r e , hic et nunc, a f i r m a r (al m e n o s , simbólica o espe-
hace e l m a r x i s m o , se l i m i t a a favorecer ( o c o n t r a r i a r ) ese
; c u l a t i v a m e n t e ) l a línea d e l t i e m p o y expresar el sentido
p o r v e n i r d e l pasado.
¡ último de l a h i s t o r i a , r e s u l t a y a dudosa. E l socavamiento

80
de los p o s t u l a d o s m a r x i s t a s de l a h i s t o r i a h a acelerado es- l a d o . N o se t r a t a de u n a p r e g u n t a científica q u e p u e d a ela-
te m o v i m i e n t o . E l sentido de l a h i s t o r i a p i d e , c a d a vez b o r a r s e técnicamente n i resolverse metódicamente, s i n o de
más, q u e se b u s q u e , e x p l i c i t e y , casi se i n v e n t e , s i n las u n a p r e g u n t a filosófica y a que, a u n q u e carece de respues-
garantías de u n a m i r a d a i n d u d a b l e y a n t i c i p a d o r a q u e lle- ta, desvela cosas, s i n e m b a r g o , bajo u n n u e v o ángulo. Pen-
gue h a s t a l o último. sándola s e r i a m e n t e c o n t r a s t a c o n l a experiencia de u n a
Desde f u e r a : a causa de l a i n s i s t e n c i a tecnocientífica o p a c i d a d y a p e r t u r t a radicales d e l f u t u r o , de l o posible. S u
p o r e x t e n d e r gigantescamente el t i e m p o a n t e r i o r a l a H i s - efecto es antiescatológico: c u b r e y desvela, a l a vez, de u n
t o r i a d e l a H u m a n i d a d , extensión esta q u e se c o n c i b e , e n solo golpe, todas las gnosis de l a H i s t o r i a y d e l T i e m p o .
p r i m e r l u g a r , c o m o i n a c a b a d a , s i n s e n t i d o y e n l a q u e sólo
existe « a z a r y necesidad», esto es, fuerzas ciegas q u e h a -
Trasparencia y opacidad del futuro tecnocientífico
brían p r o d u c i d o , s i n e m b a r g o , i n c o m p r e n s i b l e m e n t e , l a
E l futuro no ha estado nunca tan abierto como hoy
H i s t o r i a , e l H o m b r e , e l S e n t i d o , l a F i n a l i d a d , etc. L a H i s - cuando reconocemos que depende de nuestra propia pro-
t o r i a aparece c o m o u n a especie de r a r a b u r b u j a de s e n t i d o ducción. Esta situación conduce a la paradójica tesis de
entre dos abismos s i n sentido debido a que l a i n m e n s i d a d que los medios determinan el fin del proceso. Así se alcan-
pre-histórica (desde l a evolución d e l c o s m o s h a s t a l a apa- za una estructura decisiva de éste: su imprevisibilidad
rición d e l h o m b r e ) i n v i t a a evocar, a l m e n o s f o r m a l m e n t e , como plan. Ciertamente, es posible determinar los planes y
u n a i n m e n s i d a d post-histórica. fines de cada proceso particular, dentro de la reconstruc-
L a articulación de l a H i s t o r i a ( h u m a n a ) y de l a E v o l u - ción tecnocientífica del mundo, y emplear la técnica como
medio para conseguirlo, sin embargo este esquema de pen-
ción ( c ó s m i c a ) c o n s t i t u y e n e l m a y o r r e t o filosófico de
samiento es inútil en relación al Todo. L o que determina la
n u e s t r o t i e m p o . S i n d u d a , sólo a p a r t i r de aquí, podría
continuación del proceso de la civilización científica es el
a r r o j a r s e a l g u n a l u z sobre las p r e g u n t a s «éticas» suscita- conjunto de las posibilidades tecnocientíficas que nosotros
das p o r las tecnociencias y sus p o s i b i l i d a d e s . transformamos sin cesar. No hay ninguna forma de saber
humana que pueda deducir de antemano qué mundo y
qué hombres aparecerán así [ H . Schelsky, Auf der Suche
3. E l f u t u r o i r r e d u c t i b l e : a p e r t u r a y o p a c i d a d nach Wirklichkeit, p. 462].
radicales
M i e n t r a s t a n t o , se i n t e n t a ridiculizar l a p r e g u n t a p o r el
Filosofías y teologías h a c e n j u e g o s m a l a b a r e s c o n l a f u t u r o m e d i a n t e respuestas vagas y tópicos q u e t e s t i m o -
E t e r n i d a d y e l F i n de l a H i s t o r i a . S i n e m b a r g o , p a r e c e n n i a n , sobre t o d o , l a f a l t a de imaginación: así, p o r ejemplo,
i m p o t e n t e s p a r a t o m a r s e r i a m e n t e e n consideración — n o se c i t a e l a n i q u i l a m i e n t o físico de l a h u m a n i d a d o se extra-
p a r a r e s p o n d e r a ello s i n o p a r a i n t e n t a r c o m p r e n d e r l o — p o l a n s i t u a c i o n e s o esperanzas político-económico-sociales
u n a p r e g u n t a d e carácter r e l a t i v a m e n t e b u e n o c o m p a r a d o actuales q u e de i n m e d i a t o se c o n v i e r t e n e n vagas previsio-
c o n las especulaciones q u e p r e t e n d e n c e r r a r l a t o t a l i d a d nes, grot escamente, desde el m o m e n t o m i s m o e n q u e se
d e l t i e m p o : ¿Qué será del hombre en un millón, en diez c o n c r e t a n y p r e c i s a n : ¿cómo podríamos i m a g i n a r que,
millones de años? d e n t r o de u n o s c u a n t o s cientos de m i l e s de años, l a h u m a -
Esta pregunta n o juega n i c o n la E t e r n i d a d n i c o n el n i d a d aún se e n c u e n t r e b u s c a n d o el m o d o de a u m e n t a r el
F i n de los t i e m p o s . U n límite, u n a fecha d a d a que, a u n q u e número de k W / h o r a d i s p o n i b l e p o r h a b i t a n t e , o de l a orga-
lejana, es, s i n e m b a r g o , m u y r a z o n a b l e c o m p a r a d a c o n l a nización de u n a Sociedad de los Ociosos...? 4

i n m e n s i d a d d e l t i e m p o cósmico q u e l a c i e n c i a n o s h a reve- L o s v i s i o n a r i o s d e l f u t u r o — t a l y c o m o éstos se expre-

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san, p r i n c i p a l m e n t e , e n l a c i e n c i a ficción— n o r i n d e n de- Para c o n s e g u i r u n a analogía aceptable sobre l o d i s t i n t o
m a s i a d a j u s t i c i a a l f u t u r o . M u y a m e n u d o , l a c i e n c i a fic- que puede llegar a ser el f u t u r o lejano, h a y q u e i m a g i n a r s e
ción se agota e n s i m p l e s proyecciones d e l presente (y has- l o t o t a l m e n t e diferente, l o casi i m p o s i b l e , de l o q u e es l a
t a d e l p a s a d o ) e n el f u t u r o . L a s futurologías y p r o s p e c t i v a s H i s t o r i a , l a C u l t u r a , el H o m b r e c o m o f u t u r o lejano de l a
apenas l o h a c e n m e j o r . Se c o n t e n t a n c o n p r o y e c t a r e n u n era s e c u n d a r i a d o m i n a d a p o r los d i n o s a u r i o s .
f u t u r o próximo l a continuación o variación de las c o n d i - H a c e c i e n m i l l o n e s de años, el h o m b r e n o e r a pensable,
ciones históricas y de las perspectivas tecnológicas presen- n o p o r q u e n o había h o m b r e s p a r a p e n s a r l o , s i n o p o r q u e el
tes. E s t a a c t i t u d p u e d e p a r e c e r r a z o n a b l e p e r o niega el
5 t i e m p o es construcción, invención, o p e r a t i v i d a d i n a n t i c i -
v a l o r sui generis d e l p r o p i o f u t u r o . pable.
L a c o r r e c t a evaluación de l o q u e el f u t u r o p u e d a ser, L a analogía pre-histórica i n v i t a a diseñar el f u t u r o leja-
t a l c o m o se i m p o n e e n nuestros días, está e s t r e c h a m e n t e n o c o m o «post»-histórico ( a u n q u e este término n o se refie-
l i g a d a a l a cuestión de l a t e c n o c i e n c i a . U n a analogía p u e d e re a ningún c o n c e p t o preciso) y n o es más q u e u n a pala-
m o s t r a r l a o p a c i d a d y a p e r t u r a radicales citadas más a r r i - bra-símbolo de u n a r a r e z a y o p a c i d a d absolutas.
ba. E s t a analogía i n v i t a a d a r l a v u e l t a a l eje t e m p o r a l de
l a p r e g u n t a : ¿qué e r a e l h o m b r e hace diez, c i e n m i l l o n e s
de años? N o es q u e e l h o m b r e f u e r a entonces p o s i b l e , 4. F u t u r o y t e c n o c i e n c i a
c o m o l a c i e n c i a a c t u a l también l o m u e s t r a , s i n o que, sobre
t o d o , era i m p r e v i s i b l e ( a m e n o s q u e se s u s c r i b a u n t i p o u L a p r e g u n t a p o r el f u t u r o está m u y e s t r e c h a m e n t e liga-
o t r o de finalismo teológico o metafísico). Precisamente, es d a a l a de t e c n o c i e n c i a . N o sólo l a m a y o r p a r t e de los
l a c i e n c i a l a q u e n o s h a desvelado esta i n m e n s i d a d d e l futurólogos están de a c u e r d o e n d e c i r q u e el f u t u r o , i n c l u -
tiempo anterior a l a H i s t o r i a y la tecnociencia, l a que nos so el r e l a t i v a m e n t e próximo, es i m p r e v i s i b l e , s i n o q u e l i -
m u e s t r a q u e el h o m b r e es u n p r o d u c t o d e l j u e g o e n t r e los g a n esta i m p r e v i s i b i l i d a d a l m o d o c ó m o se v a a d e s a r r o l l a r
azares físicos y m u t a c i o n a l e s ; u n a combinación bioquími- la tecnociencia.
ca q u e n i n g u n a m i r a d a n i ningún logos d i r e c t o r d o m i n a y r « D e l a m i s m a m a n e r a que n o h a y u n a ley científica d e l
dirige. p rogre s o científico, n o h a y técnica de l a invención técnica»^
« H o y p o d e m o s a f i r m a r , c r e o yo, q u e u n a teoría u n i v e r - (A. B o r g m a n n , The explanation of technology, p . 112).
sal, p o r grandes q u e sean sus éxitos e n o t r o s ámbitos, n o H o y existe u n g r a n número de o b r a s referentes a l f u t u -
podrá p r o c u r a r respuestas sobre l a biosfera, s u e s t r u c t u r a r o q u e m e n c i o n a n listas de d e s c u b r i m i e n t o s hace p o c o
o s u evolución e n t a n t o q u e fenómenos deducibles de p r i - a n u n c i a d o s y q u e n o h a n llegado a realizarse, así c o m o
m e r o s p r i n c i p i o s [...] l a b i o s f e r a n o c o n t i e n e u n t i p o p r e v i - también e x p o n e n q u e se d a n i n v e n c i o n e s tecnocientíficas
sible de objetos o fenómenos, s i n o q u e c o n s t i t u y e u n a c o n - q u e se h a n p r o d u c i d o p e r o q u e n o se habían p r e v i s t o . L a 6

t e c i m i e n t o p a r t i c u l a r q u e a u n q u e es c o m p a t i b l e c o n p r i - i m p r e v i s i b i l i d a d d e l f u t u r o se r e c o n o c e cada vez más hasta


m e r o s p r i n c i p i o s , s i n e m b a r g o , no es deducible de ellos. el p u n t o de ser el t e m a p r i n c i p a l de algunas o b r a s . 7

P o r t a n t o , es e s e n c i a l m e n t e i m p r e v i s i b l e [...]. T o d a s las E s t a i m p r e v i s i b i l i d a d — q u e c o n v i e r t e , a l a vez, a l f u t u -


religiones, casi t o d a s las filosofías, y hasta u n a p a r t e de r o e n a b s o l u t a m e n t e o p a c o y t o t a l m e n t e a b i e r t o — proce-
l a c i e n c i a m i s m a , t e s t i m o n i a n e l i n c a n s a b l e esfuerzo de de, e n última i n s t a n c i a , d e l h e c h o de q u e el f u t u r o está, de
la h u m a n i d a d p o r t r a t a r de negar, desesperadamente, s u h o y e n adelante y cada vez más, c o l o c a d o bajo l a égida d e l
p r o p i a contingencia» (J. M o n o d , Le hasard et la necessité, r e s u l t a d o y de las p o s i b i l i d a d e s tecnócientíficos y a q u e el
p p . 54-55). m o d o de evolución tecnocientífica pertenece a l o r d e n de l a

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construcción y l a invención, e n s u m a , a l o r d e n de l a prác- «Nosotros n o c r e a m o s l a solución, sólo l a d e s c u b r i m o s
t i c a c r e a d o r a q u e n i n g u n a teoría p u e d e a n t i c i p a r . [...]. E l h o m b r e de l a técnica a c t u a l i z a el ser p o t e n c i a l de
L a i m p r e v i s i b i l i d a d de l a investigación i m p r e g n a l o s las e s t r u c t u r a s preestablecidas» ( F . Dessauer, Philosophie
escritos de los técnicos y científicos q u e r e f l e x i o n a n sobre der Technik: Das Problem der Realisierung, p . 19).
s u a c t i v i d a d . Es, p o r e j e m p l o , u n a c o n s t a n t e de l a o b r a :
Sciences de la vie et société.
La creación técnica como continuación de la creación divina
-*«Pues l a p r i m e r a característica de l a investigación es l a E n la técnica se expresa el Espíritu en general —como
de ser i m p r e v i s i b l e * [ . . . ] L o i m p o r t a n t e e n l a investigación Espíritu divino y como Espíritu del Mundo—jl^Este Espíri-
es s u imprevisibilidad» ( p p . 15-16). «Está c l a r o q u e t o d o
v t u de la Naturaleza o M u n d o es para Dessauer una expre-
d e s c u b r i m i e n t o m a y o r , es decir, i m p r e v i s i b l e [...]» (p. 15). sión del Espíritu divino. Él explica así su concepción teoló-
« E s p o s i b l e , a posteriori, seguir p a s o a p a s o l a génesis gico-religiosa de la técnica: «Para el optimista, que cree en
de las novedades p o r s u filiación técnica p e r o r e s u l t a i m - el sentido de la vida y en una sabiduría inmanente de lo
p o s i b l e prever, a priori, l a f o r m a c o n c r e t a de dichas nove- que llega, el desarrollo de la técnica en su totalidad no
puede ser aflictivo. La técnica es, en su esencia más pro-
dades y e l m o m e n t o e n q u e v a n a aparecer» ( B . G i l l e [ed.],
funda, continuadora de la creación^El Creador no cierra el
Histoires des techniqu.es, p. 4 1 ) .
mundo, al contrario, ha concedido al espíritu humano, que
¿Cómo —se p r e g u n t a n H . K a h n y A . J . W i e n e r — o s e r í a ha creado a su imagen, la capacidad de enriquecer la tierra
p o s i b l e prever, i n c l u s o de f o r m a m u y general, u n i n v e n t o o con nuevas estructuras* No ha creado n i la rueda, n i la
u n descubrimiento condicionados p o r descubrimientos o máquina de vapor, n i el barco, n i el teléfono pero ha dota-
i n v e n t o s q u e todavía n o se h a n realizado? * do al hombre de la capacidad y del deber de proseguir, de
L a t e m p o r a l i d a d tecnocientífica está m a r c a d a p o r e l se- forma ilimitada y siguiendo u n plan previamente estableci-
l l o de l a o p e r a t i v i d a d creadora. E s t o se d e d u c e d e l h e c h o do, la obra de la Creación»^ [...] Dessauer parte así del pre-
y a señalado (cap. I ) de q u e el p o l o teórico y a n o es e l d o - supuesto de que el hombre no puede crear más de lo que
ha sido planificado por Dios. E n la invención se actualiza
minante.
para el hombre una solución preestablecidav[A. Huning,
« H a y , p o r o t r a p a r t e , filósofos de l a técnica q u e n i e g a n
Das Schaffen des Ingenieurs, p. 20].
esta o p e r a t i v i d a d c r e a d o r a i m p r e v i s i b l e y q u e c o l o c a n l a
c r e a t i v i d a d tecnocientífica e n l a p r o v i d e n c i a d i v i n a de l a
que l a h u m a n a es continuación, p e r o q u e r i d a y p l a n i f i c a d a S i n e m b a r g o , n o se t r a t a sólo, c o m o a c a b a m o s de ex-
p o r D i o s , de l a Creación; L o posible es, desde entonces, p o n e r , de q u e t o d a l a e x p e r i e n c i a práctica d e l d e s a r r o l l o de
configurado y pensado previamente p o r Dios y l a p r o d u c - l a técnica vaya c o n t r a esta planificación (que se puede
ción c r e a d o r a h u m a n a n o es más q u e l a actualización de a f i r m a r dogmáticamente s i e m p r e c o m o m i s t e r i o teológi-
algunas de estas p o s i b i l i d a d e s c o n t e n i d a s e n el e n t e n d i - co), sino, sobre t o d o , de q u e es p r e c i s a m e n t e e n s u vertien-
m i e n t o d i v i n o . Así, e v i d e n t e m e n t e , el c o n j u n t o de l a e v o l u - te teórica d o n d e l a t e c n o c i e n c i a contemporánea i n v i t a a
ción y l a e m p r e s a tecnocientífica e n l a z a n c o n el s e n t i d o abandonar l a i m a g e n del universo determinista y previsi-
teológicamente asegurado c o n t r a el n i h i l i s m o d e l p u r o p o - ble. L a c i t a a r r i b a expuesta de J . M o n o d , c o n c e r n i e n t e a l a
der (de l o p o s i b l e s i n límites, an-ontológico). E n esta pers- evolución, v a y a e n este s e n t i d o . L o s trabajos contemporá-
pectiva, el p o l o teórico continúa, e n última i n s t a n c i a , d o - neos a p o y a n esta i m p r e v i s i b i l i d a d e n e l m o d o de evolución
m i n a n d o (bajo l a figura de l a previsión d i v i n a ) y l a i m p r e - de las e s t r u c t u r a s c o m p l e j a s (a m e n u d o orgánicas) aleja-
v i s i b i l i d a d i r r e d u c t i b l e d e l f u t u r o está negada p o r l a p r o v i - das d e l e q u i l i b r i o y dotadas de c a p a c i d a d de a u t o r r e o r g a -
dencia eterna. nización. Estas e s t r u c t u r a s (y l a b i o s f e r a está enteramente

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f ( S c h u u r m a n , Technology and the future, Toronto, Wedge, 1980, pp. 2 2 7 -
c o m p u e s t a p o r u n número gigantesco de tales e s t r u c t u r a s 231). V e r también, p o r ejemplo, l a sección «El aprendiz de brujo y el
e n interacción), a consecuencia de inestables i m p u l s o s b u e n pasado» e n F . de Closets, En danger de progrés, pp. 60 ss.
( f l u c t u a c i o n e s ) i n t e r n o s y externos, p a s a n p o r b i f u r c a c i o - 3. E j e m p l o s a este respecto pueden hallarse e n los trabajos del C l u b
nes evolutivas c u y a solución n o está d e t e r m i n a d a de ante- de R o m a . L a p r i m e r a aportación concerniente a los límites del c r e c i m i e n -
to h a constituido u n verdadero c a m b i o (ver D . H . Meadows, Halte a la
m a n o y q u e p e r m i t e n , i n c l u s o , l a aparición de p r o p i e d a d e s
croissance, y H . Colé, C . F r e e m a n et al, Thinking about the futur. Londres,
e n t e r a m e n t e nuevas, c o m o es el caso, p o r e j e m p l o , de l a Chatto a n d W i n d u s , 1973). Pero el filósofo que más sistemáticamente h a
aparición d e o r g a n i s m o s vivos a p a r t i r d e l a combinación articulado esta noción de responsabilidad e n l a perspectiva de u n a ética
de e s t r u c t u r a s inertes. H a y , p o r t a n t o , u n a i m p r e v i s i b i l i - p a r a el futuro es H . Joñas (cf. Prinzip Verantwortung. Versuch einer Ethik
fiir die technologische Zivilisation, F r a n c f o r t a. M., S u h r k a m p , 1979). Cabe
d a d e n e l f o n d o d e l c o s m o s e n evolución; u n a i m p r e v i s i b i -
señalar también l a última parte del libro de W. S h u l z , Philosophie in der
l i d a d r a d i c a l q u e r o m p e t o t a l m e n t e c o n l a i m a g e n de u n a veranderten. Welt, Pfullinger, 1972.
c i e n c i a y de u n m u n d o d e t e r m i n i s t a y p r e c a l c u l a b l e , q u e 4. S. L e m (Summa Technologiae, Francfort a.M., Insel, 1976, p. 123)
n o s c o n f i n a — a n o s o t r o s , los h o m b r e s — e n l a i n m a n e n c i a recuerda l a tipología prospectiva de K a r d a s h e w , q u i e n clasifica las civi-
de u n a difícil y p e l i g r o s a «navegación a o j o » ( p e r o de m u y lizaciones (del futuro o extraterrestres) p o r l a cantidad de energía que
s o n capaces de d o m i n a r y utilizar (y que c o m p r e n d e desde l a energía de
c o r t a vista), y q u e está e n c o n s o n a n c i a c o n el m o d o « e m -
u n a estrella h a s t a l a de u n a galaxia). A u n q u e desmesurada, se trata toda-
pírico» de d e s a r r o l l o tecnocientífico. L o s trabajos de P r i g o - vía de u n a s i m p l e extrapolación — c u a n t i t a t i v a — de preocupaciones del
gine, de A t l a n , de Várela, de M a t u r a n a , etc., i l u s t r a n esta presente.
confirmación «teórica» de l a a p e r t u r a y o p a c i d a d d e l f u t u - 5. O. F l e c h t h e i m , el padre de l a futurología, n o concibe el futuro más
r o e n l a e r a tecnocientífica. 9 que desde u n a perspectiva s o c i a l e histórica. E l futurólogo debe contribuir
a l a pacificación igualitarista de l a h u m a n i d a d .
- E l m o d o c o m o crece y e v o l u c i o n a l a t e c n o c i e n c i a i n d u -
6. A.C. Clarke, Profib du futur París, Planéte, 1964; F . de Closets, Scé-
ce a u n a n u e v a e x p e r i e n c i a f u t u r a m u y d i f e r e n t e de las narios du futur, París, Denoel, 1978.
experiencias d i r e c t r i c e s d e l p e n s a m i e n t o mítico, teológico 7. P o r ejemplo, G . Elgozy, Le bulff du futur, París, Colman-Lévy, 1974.
y filosófico t r a d i c i o n a l e s q u e n o r e c o n o c e n l a i r r e d u c t i b i l i - 8. V e r Van 2000, Verviers, Marabaut, 1972.
d a d d e l f u t u r o s E s t a i n a u d i t a puesta e n escena d e l f u t u r o 9. I. Prigogine e I . Stengers, La Nouvelle Alliance, París, G a l l i m a r d ,
1979; H . Atlan, Entre le cristal et la fumée, París, S e u i l , 1979; Á tort et á
c o r r e p a r e j a a l a ausencia de c u a l q u i e r visión a n t i c i p a d o r a
raison.
— p r e v i s o r a o p r o v i d e n c i a l — acerca de éste, a l a vez q u e se
m u e s t r a c o m o r a d i c a l m e n t e a b i e r t o y opaco. E s a es l a i d e a
q u e h a o r i g i n a d o este ensayo: el pasado h a d e j a d o de ser
u n v a l o r d o m i n a n t e y c e n t r a l allí d o n d e el f u t u r o p r i m a
a b s o l u t a m e n t e , p e r o este f u t u r o es, e n sí m i s m o , m u d o e
impenetrable.

NOTAS

1. Véanse l a s «utopías» d e T . Moro, F . B a c o n y C a m p a n e l l a .


2. P o r ejemplo, el grupo de filósofos que S c h u u r m a n l l a m a «trascen-
dentalistas». S t e i n b u c h h a criticado violentamente esta t e n d e n c i a antitéc-
n i c a y antifuturista característica de u n a parte del p e n s a m i e n t o alemán

88 89
CAPÍTULO V

¿UNA « T E C N O E V O L U C I Ó N » AUTÓNOMA?

P a r a u n evolucionista que m i r a tanto h a c i a


adelante c o m o h a c i a atrás, l a pregunta más
c r u c i a l de los tiempos modernos es: ¿a qué se
parecerá l a evolución bajo el d o m i n i o de l a
c u l t u r a h u m a n a ? N o p o d e m o s contestar esa
pregunta simplemente extrapolando los h e -
chos pasados de l a evolución orgánica, c o m o
si l a h u m a n i d a d n o fuera sino otra especie
biológica más.

G . L . STEBBINS

1. L a autonomía d e l a técnica

L a t e c n o c i e n c i a tiene, cada vez más, el p o d e r de m o d i f i -


car l a n a t u r a l e z a h u m a n a y p r o d u c i r e n ella m u t a c i o n e s
que n o s o n t r a n s f o r m a c i o n e s simbólicas. También l a consi-
deración n o a n t r o p o l o g i s t a de l a tecnociencia coincide e n
p r e g u n t a r s e p o r el f u t u r o aclarándolo, i n d i r e c t a m e n t e , m e -
d i a n t e u n a analogía c o n el t i e m p o prehistórico. De ahí que,
desde u n a perspectiva de l a evolución, acabe considerándo-
se n a t u r a l el d e s a r r o l l o de u n a evaluación n o a n t r o p o l o g i s t a
de l a tecnociencia, siempre y c u a n d o n o se s u c u m b a e n
u n o u o t r o f i n a l i s m o q u e vea e n l a evolución l a acción de
u n logos, u n a m a n o o u n a m i r a d a que conduce a l a h u m a -
n i d a d hasta l a c u m b r e . De i g u a l m o d o q u e l a tecnociencia
n o es sólo antropológica, l a evolución que h a p r o d u c i d o el
h o m b r e t a m p o c o es sólo d e l h o m b r e . Quienes c e n t r a n l a
tecnociencia e n el sujeto c r e a d o r h u m a n o y l i m i t a n ahí s u
alcance, o l v i d a n q u e el h o m b r e es antes q u e creador «crea-

91
ción», n o e n u n sentido teológico, sino e n el sentido de q u e Una tecnoevolución ciega, autónoma y amoral
es p r o d u c t o de l a o p e r a t i v i d a d cósmica. E s t o n o significa Esta lentitud evolutiva se acompaña también de una
que e l h o m b r e n o juegue ningún p a p e l e n l a evolución tec- gran diversificación irracional de modelos. La evolución de
las técnicas se produce mediante impulsos individuales,
nocientífica, s i n o que el papel que le c o r r e s p o n d e n o es el
con m u l t i t u d de experiencias desordenadas. Existe u n de-
de r e c t o r d e l juego. L a evaluación n o a n t r o p o l o g i s t a de l a
terminado tipo de instrumento o institución en los que
tecnociencia i n v i e r t e los papeles: es el h o m b r e q u i e n se c o n - se producen modificaciones incoherentes que no son adap-
vierte e n u n m o m e n t o y e n u n i n s t r u m e n t o de l a evolución taciones a partir de este tipo. Uno se queda estupefacto,
creadora, de l a q u e l a tecnociencia es l a f o r m a a c t u a l . E s t o por ejemplo, cuando visita u n museo de armas o herra-
n o significa q u e l a tecnociencia sea el i n s t r u m e n t o p a r a l a mientas y percibe la extrema diversidad de formas que
realización de l a esencia o de l a n a t u r a l e z a d e l h o m b r e . toma u n mismo instrumento, en la misma época y el mis-
L a autonomía de l a evolución tecnocientífica (especial- mo lugar [...].
m e n t e de l a técnica) h a s i d o d i v e r s a m e n t e señalada. Así, La gran idea que resuelve, parece ser, todos los proble-
mas técnicos, lleva a decir que la técnica no es lo malo,
p o r e j e m p l o , l o h a h e c h o J . E l l u l e n s u l i b r o La technique
sino el uso que el hombre hace de ella. No hay más incon-
ou l'enjeu du siécle, q u i e n l a h a s u b r a y a d o v i g o r o s a m e n t e :
venientes en la técnica que los de cambiar su uso [...]. Eso
« L a técnica deja de ser el objeto p a r a e l h o m b r e p a r a c o n - reestablecería al hombre: él es quien decide en qué sentido
vertirse e n s u p r o p i a substancia: y a n o se p o n e f r e n t e a l orientar las investigaciones. Es necesario, pues, mejorar al
h o m b r e , s i n o q u e se i n t e g r a e n él y p r o g r e s i v a m e n t e l o hombre. Aunque esto es, justamente, u n error. Significa
absorbe» ( p . 4 ) . que se desconoce bastante la realidad técnica: en primer
« E n l a a c t u a l i d a d , l a técnica h a llegado a t a l p u n t o de lugar, con esto se supone que la técnica se orienta en u n
evolución q u e se t r a n s f o r m a y p r o g r e s a s i n u n a decisiva determinado sentido por motivos morales y, en consecuen-
intervención d e l h o m b r e . [...] Y a n o es e l h o m b r e i n g e n i o - cia, no técnicos. Sin embargo, una de las grandes caracte-
rísticas de la técnica (que estudiaremos extensamente) es
so q u i e n d e s c u b r e a l g u n a cosa [...], e l s a l t o adelante l o
que no soporta el juicio moral, que es resueltamente inde-
p r o d u c e , p r e c i s a m e n t e , esta s u m a anónima d e c o n d i c i o -
pendiente de él y que lo elimina de su dominio. La técni-
nes. C u a n d o están r e u n i d a s todas las c o n d i c i o n e s , n o h a y
ca no obedece nunca a esta distinción y tiende, por el con-
más q u e u n a mínima intervención de u n h o m b r e p a r a q u e trario, a crear una moral técnica absolutamente indepen-
se p r o d u z c a u n p r o g r e s o importante» (p. 8 0 ) . « L a técnica diente.
es autónoma: [...] l o es, a n t e t o d o , e n relación c o n l a eco- Este es, pues, uno de los elementos más débiles de este
nomía o l a política. [...] L a técnica c o n d i c i o n a y p r o v o c a punto de vista: no percibir que la técnica es autónoma en
los c a m b i o s sociales, políticos, económicos. E s , pese a las relación a la moral y que no es la inspiración de u n senti-
aparien ci a s [...], e l m o t o r de t o d o l o demás» (p. 121). 1 miento, más o menos vago, del bien del hombre lo que
E n efecto, es i n c l u s o c o r r i e n t e q u e e n las c o n s i d e r a c i o - cambiaría lo que fuese, n i aún la conversión de los hom-
nes d e a l g u n o s d e t e r m i n i s m o s económicos y v o l u n t a d e s bres que tratan con la técnica. Como mucho, dejarían de
ser buenos técnicos. Esta actitud supone, por otra parte,
sociopolíticas i n s p i r a d o s p o r ideologías (y, p o r t a n t o , p o r
que la técnica evoluciona con vistas a u n f i n (y que este f i n
r e p r e s e n t a c i o n e s simbólicas de l o q u e es, p u e d e y debe
es el bien del hombre). Lo que creemos haber demostrado
ser), se subraye, a n t e t o d o , l a autonomía y e s p e c i f i c i d a d de en el parágrafo anterior es, precisamente, que la técnica es
l a dinámica tecnocientífica. E l t e m a d e l a tecnoevolución totalmente ajena a esta noción, que no persigue u n fin
autónoma t o m a , s i n e m b a r g o , t o d a s u a m p l i t u d — a n - a n - confesado, o no, sino que evoluciona de forma puramente
tropológica— c u a n d o se d e s a r r o l l a e n u n a analogía p a r c i a l causal: la combinación de elementos precedentes crea los
c o n l a evolución de l a v i d a . nuevos elementos técnicos. No hay ningún proyecto o plan

92 93
que se realicen progresivamente. No hay, n i siquiera, una explican p o r su valor adaptativo. Es el caso de la cresta del
tendencia infusa en el movimiento técnico que vaya apare- gallo; se podría mencionar también las plumas de ostenta-
ciendo conforme se va concretando. Estamos inmersos en ción de los machos de ciertas especies de pájaros, por
u n ciego orden de fenómenos hacia el futuro, en u n domi- ejemplo, del pavo real o el faisán [...]. De forma análoga,
n i o de la causalidad integral. Por ello, colocar arbitraria- la variedad de productos de una tecnología determinada
mente tal o cual fin en la técnica o proponer una orienta- dispone de caracteres sin función que no se pueden expli-
ción para ésta es negar la técnica misma y privarla de su car n i a partir de las condiciones en las que ciertos pro-
naturaleza y fuerza [J. Ellul, La technique ou l'enjeu du sie- ductos son utilizados n i a partir de la finalidad de sus usos
cle, pp. 67, 68, 90 y 91]. [S. Lem, Summa Technologiae, pp. 27-33].

L a aproximación entre tecnoevolución y bioevolución


2. Bioevolución y tecnoevolución (o evolución n a t u r a l ) se d a e n los d o s sentidos y n o es sólo
a p l i c a b l e a las tecnociencias «puntas».

Bio y tecnoevolución
Existen asombrosas analogías entre las dos evoluciones. Darwinismo técnico
No sólo los primeros anfibios se parecían a los peces y los «Un constructor de barcos puede ser, quizás, m u y hábil
primeros mamíferos a los pequeños reptiles, también el y, sin embargo, no fabricará jamás dos barcos exactamente
primer avión, el primer automóvil o la primera radio de- iguales [se trata de barcos de pesca de 1860; G.H.]. Las
ben su apariencia externa a las formas que les precedieron variaciones que aparezcan así pueden ser denominadas ac-
y de las que fueron copiados [...]. De igual modo que los cidentales. Pero incluso una variación mínima se notará
pájaros han conquistado el cielo y los herbívoros los pra- durante la navegación y, desde entonces, ya no volverá a
dos, los automóviles han dominado las carreteras y condu- ser azar si los marineros notan que el barco ha mejorado y
cido a l nacimiento de variantes cada vez mejor especializa- se ha convertido en más apropiado a sus fines, n i si ellos
das. E n «la lucha por la vida», el coche ha suplido a la recomiendan que se elija este barco como modelo... Se po-
diligencia [...]. E l avión que ocupa el espacio aéreo como dría creer que cada uno de estos barcos es perfecto en su
su «nicho ecológico», se desarrolla, quizás aún más rápido, género ya que ha conseguido esta perfección p o r u n desa-
y combina diversamente las formas y modos de propulsión rrollo unilateral en una determinada dirección. Cada tipo
[...]. Estos dos medios de transporte no h a n alcanzado to- de mejora ha progresado hasta el punto de que desarrollos
davía la fase culminante de su desarrollo y, por ello, no ulteriores habrían entrañado más importantes defectos que
puede decirse nada sobre sus formas futuras. E n el caso nuevas ventajas... Yo concibo el proceso de la forma si-
del dirigible, frente a la amenaza de las máquinas y de los guiente: cuando germina la idea de formas nuevas y mejo-
aparatos más pesados que el aire, se manifiesta una ten- res se genera una larga serie de prudentes experiencias,
dencia a la elefantiasis, característica de u n a rama evoluti- cada una comportando modificaciones extremadamente
va en vías de extinción y ya próxima a su fin [...]. Con las pequeñas, que puede conducir al afortunado resultado de
analogías entre la dinámica de la bioevolución y de la tec- u n barco tal y como uno lo quería.» Este modelo, casi dar-
noevolución, que gráficamente puede ser representada me- winiano del cambio técnico, de E. Sundt integra las si-
guientes ideas: 1) las variaciones son aleatorias, al menos
diante una curva que asciende lentamente hacia u n punto
primitivamente [...]; 2) las variaciones son, en general, muy
culminante para, posteriormente, descender de nuevo has-
pequeñas; 3) el producto de la variación seleccionada es
ta el aniquilamiento, no se agotan las semejanzas entre
una mejora local; 4) la imperfección del constructor — s u
ambos dominios. Hay también otros parecidos aún más
incapacidad para hacer copias perfectas— es una condi-
sorprendentes. Así, por ejemplo, los seres vivos manifiestan
ción para la perfección del resultado final [...]. Sundt se
conjuntos de rasgos cuya aparición y perpetuación no se

94 95
engaña cuando afirma que esto constituye u n modelo m u y p e r o descienden de antepasados q u e n o v o l a b a n . Para p o -
análogo al de la selección natural. E l que él señale la per- der v o l a r h a n d e b i d o e v o l u c i o n a r genéticamente d u r a n t e
cepción de las modificaciones y su subsiguiente elección m i l l o n e s de años. E l h o m b r e se h a c o n v e r t i d o e n el más
ya pone de manifiesto que se trata de u n modelo de selec- poderoso ser que vuela aunque construyendo máquinas vo-
ción artificial más que natural [...] [J. Elster, Explaining lantes y n o r e c o n s t r u y e n d o s u genotipo» (T. D o b z h a n s k y ,
Technical Change, pp. 136-137]. et al, Evolution, p . 458).
A.C. Clarke, p o r s u p a r t e , i n t e r p r e t a l a p r o g r e s i v a c o n -
K . Axelos c i t a (Marx, penseur de la technique, v o l . JJ,
q u i s t a d e l espacio c o m o u n salto e v o l u t i v o de consecuen-
p. 269), a este respecto, u n t e x t o de El Capital: « D a r w i n h a
cias i n c a l c u l a b l e s , c o m p a r a b l e a l a c o n q u i s t a de l a t i e r r a
c o n d u c i d o l a atención sobre l a h i s t o r i a de l a tecnología firme p o r l a v i d a p r i m i t i v a . E l v u e l o espacial representa el
4

n a t u r a l , es d e c i r , s o b r e l a formación de los órganos de las máximo a b s o l u t o e n l a expansión d e l n o m b r e respecto a l


p l a n t a s y a n i m a l e s considerados c o m o m e d i o s de p r o d u c - m u n d o n a t u r a l sensible. Es p r e c i s a m e n t e e n este c o n t e x t o
ción p a r a l a v i d a » . 2
d o n d e l a idea de r e c o n s t r u i r a l h o m b r e c o m o u n « c y b o r g »
L a genética contemporánea se h a l l a b a s t a n t e más avan- o u n «cibernántropo» es más p l a u s i b l e . 5

zada, a este respecto, e n l a comprensión de t o d a esta tec-


nología n a t u r a l fina, l o q u e h a p e r m i t i d o l a evolución de Cyborg
las especies h a s t a e l h o m b r e . C o n o c e los d o s grandes m e - E n u n coloquio en 1976 de la American Association for
c a n i s m o s de l a evolución: l a mutación de genes y l a altera- de Advancement of Science, una comisión se consagró a la
ción de c r o m o s o m a s enteros. M i d e l a p r o x i m i d a d c r o m o - posibilidad de enriquecer la memoria mediante la implan-
tación de u n ordenador en el cerebro. La discusión, apa-
sómica e n t r e l o s p r i m a t e s y el h o m b r e e n t r e los q u e l a
sionante, era impulsada p o r u n joven psicólogo de la Uni-
separación se debe sólo, parece, a d i f e r e n c i a s e n l a c o m b i - versidad Rockefeller, Adam V. Reed, que realizó los prime-
nación d e l m a t e r i a l genético. ros pasos en esa dirección. Este primer paso consistía en
S i n e m b a r g o , las analogías e n t r e tecnoevolución y b i o - descifrar el lenguaje interior del cerebro. Los estudios con
evolución a b u n d a n : e x t r a o r d i n a r i a v a r i e d a d de especies y animales parecían aportar los elementos de información
f o r m a s vivas; i m p r e v i s i b i l i d a d e v o l u t i v a q u e se p r o d u c e sobre el sistema de codificación de las neuronas y el modo
m e d i a n t e saltos i m p o r t a n t e s ( d i s c o n t i n u o s ) o p o r m u t a c i o - en que el cerebro trata la información. E l objetivo de Reed
era el de llegar a concertar el espíritu y el ordenador de tal
nes a d i t i v a s ; selección de f o r m a s más f u n c i o n a l e s m e d i a n -
manera que «cada vez que necesitáramos saber algo [...] la
te l a extinción i m p l a c a b l e de f o r m a s caducas; s o l i d a r i d a d información se presentara inmediatamente a nuestro espí-
estrecha t a n t o d e t o d o s los c o m p o n e n t e s de l a b i o s f e r a ritu». El ordenador se convertiría en u n componente nor-
c o m o de l a tecnosfera; a m o r a l i d a d r a d i c a l de l a t e c n o y l a
3
mal del cerebro [...].
bioevolución. Ninguno de los sabios presentes puso categóricamente
L a defensa de u n a evolución tecnocientífica n o es ex- en duda la posibilidad de llevar a bien u n proyecto así.
c e p c i o n a l . Este p u n t o de v i s t a guía l a Summa Technologiae Algunos, simplemente, expresaron su escepticismo o esti-
de S. L e m : el f u t u r o cibernético, l a s i m b i o t e c n i a h o m b r e - maron que se necesitaría mucho tiempo. Mientras tanto,
o r d e n a d o r , será u n a mutación t a n i m p o r t a n t e de l a espe- J. Mcarthy, experto en ordenadores de la Stanford Univer-
sity ha dicho: «En caso de que resulte, esto constituirá u n
cie c o m o el paso a l homo sapiens. L e m a p u n t a , i n c l u s o , l a
salto evolutivo completo de la especie» [V. Packard, The
m u y r e m o t a p o s i b i l i d a d de l a pérdida de l a b i o m o r f i a h u -
people Sephers, pp. 269-270].
m a n a n a t u r a l ( p p . 67-69).
« L o s pájaros, l o s murciélagos y los insectos v u e l a n ,

96 97
4 é
El cuerpo remodelado titución d e l h o m b r e , y l o biológico e n general, p o r siste-
E n u n congreso que reunía en Londres a biólogos m u y m a s cibernéticos evolutivos.
renombrados, J.B.S. Haldane se extendió sobre la facultad « L o s sistemas cibernéticos d e t i p o s o c i a l s o n [...] u n a
de crear formas humanas desconocidas y extraordinarias f o r m a de evolución i n t e r m e d i a e n t r e los sistemas biológi-
que sirvan para la exploración del espacio: «Las adversi- cos y técnicos [...] l a h i s t o r i a se p r e s e n t a c o m o u n proceso
dades más manifiestas en medios extraterrestres, subra- t r a n s i t i v o de transformación de los sistemas cibernéticos,
yó Haldane, son las diferencias de gravedad, temperatura,
a l o l a r g o d e l c u a l se efectúa e l r e e m p l a z o p r o g r e s i v o de l a
radiaciones, presión y composición del aire... Evidente-
f o r m a biológica de tales sistemas p o r u n a f o r m a abiológi-
mente, u n gibón está mejor preparado que el hombre para
ca o técnica (hasta el) f i n i n e v i t a b l e de l a h i s t o r i a que c o n -
la vida en u n medio con menor gravedad como es el caso
de una nave espacial, u n asteriode e, incluso quizás, sobre sistiría e n l a desaparición t o t a l d e l e l e m e n t o biológico
la luna. U n mono platirrino provisto de una cola prensil (representado, sobre t o d o , p o r el h o m b r e ) [...] [ y el a d v e n i -
estaría allí aún más a sus anchas. L a inserción de genes m i e n t o d e ] sistemas cibernéticos p u r a m e n t e técnicos capa-
permitiría, tal vez, dotar a la raza humana de rasgos pa- ces [...] de autoevolución. [...] S u p o n e r el a d v e n i m i e n t o de
recidos». [...] Lederberg observó con optimismo que, u n f u t u r o p o s t s o c i a l de sistemas técnicos, convertidos e n
sin duda, se podría conseguir lo mismo, y más fácilmente, t o t a l m e n t e autónomos m e d i a n t e procesos lógico-informa-
p o r vías distintas a las genéticas. «Nos estamos preparan- cionales y procesos de reproducción, equivale a a f i r m a r
do para modificar al hombre experimentalmente median- que l a evolución de los sitemas cibernéticos se hará s i n l a
te cambios psicológicos y embriológicos y mediante la participación d e l h o m b r e (de l a h u m a n i d a d ) y, l o que es
sustitución de diferentes partes del cuerpo p o r máquinas
más, de ningún ser, c u a l q u i e r a q u e sea s u n a t u r a l e z a b i o -
—declara Lederberg—. Si deseamos u n hombre sin pier-
lógica [...]. L a n u e v a c i e n c i a (más b i e n l a " m e t a c i e n c i a " )
nas, no necesitamos hacerle nacer así, podemos cortár-
será el p r o d u c t o de l a a c t i v i d a d de los sistemas técnicos
selas; si deseamos u n hombre con cola, encontraremos
u n medio para injertársela» [A. Toffler, Le choc du futur, m i s m o s y, e n consecuencia, l a participación d e l h o m b r e
pp. 231-232]. e n l a elaboración de teorías científicas n o sólo será inútil
sino, casi seguro, i m p o s i b l e . [...] L a evolución autónoma
de l a técnica s i g n i f i c a u n f u t u r o d e l m u n d o q u e h e m o s
N o sólo e n t r e los genéticos e x i s t e n defensores d e l p u n - c o n o c i d o t o t a l m e n t e imprevisible» («Historiographie cyber-
t o de v i s t a e v o l u c i o n i s t a , también e n t r e los cibernéticos. nétique: L ' h i s t o i r e considérée c o m m e u n e etape de l'evolu-
Para a l g u n o s , el u m b r a l i n f o r m a t i v o (necesidad de d o m i - t i o n cybernétique», Cybemetica [1984]).
n a r u n a m a s a c a d a vez más gigantesca de i n f o r m a c i o n e s
c a m b i a n t e s ) e n el q u e se h a l l a c o n f i n a d a a c t u a l m e n t e l a
h u m a n i d a d es u n a b a r r e r a o u n a desgracia e v o l u t i v a q u e Mitología tecnocientífica evolucionista
sólo podrá traspasarse m e d i a n t e l a informatización de l a Cuando Nietzsche hablaba del Superhombre, sus espe-
culaciones estaban, a menudo, respaldadas por u n pathos
sociedad. 6

evolucionista; para él, el hombre no era sino u n puente y


O t r o s , e n c a m b i o , d e f i e n d e n u n a posición m e n o s s u t i l y la distancia que le separaba del Superhombre era tan gran-
están más d e c i d i d a m e n t e dispuestos a e m p r e n d e r «la i n - de, pero tan franqueable, como la que le había separado
vestigación de l a i d e a según l a c u a l los o r d e n a d o r e s c o n s t i - del gusano o del mono. Este sueño del hombre por tala-
t u y e n l a próxima etapa e v o l u t i v a h u m a n a — u n salto ade- drar la coraza misma de su especie está tecnificado en el
l a n t e e q u i v a l e n t e a l d e s a r r o l l o d e l córtex cerebral».
7 deseo de manipular la evolución. Esta es la razón también
A. J d a n k o es u n o de los q u e más lejos h a l l e v a d o l a por la que Timothy Leary ordena: «¡Extendeos!, ¡Mutad!,
¡Naced!». Pues es necesario que nos sumerjamos en el
idea de u n a tecnoevolución autónoma, p r e s a g i a n d o l a sus-

99
98
Océano de la Vida para acabar con nuestro exilio bioexis- v i r u l e n t a m e n t e p o r l o s p a r t i d a r i o s d e l p u n t o de vista d e l
tencial: «¡Mutad! ¡Regresad a casa!». La tecnología debe a n t r o p o l o g o c e n t r i s m o y , a veces, de u n a m a n e r a t a n dog-
ponerse «al servicio de las aspiraciones celestes que se mática c o m o las a f i r m a c i o n e s q u e t r a t a de r e b a t i r , d o g m a -
contienen en nuestros códigos celulares». Por ello el revo- t i s m o que, a s u vez, se t r a d u c e e n u n v o l u n t a r i s m o y fe e n
lucionario debe ceder su puesto al «evolucionario» capaz
el h o m b r e :
de manipular las estructuras del A D N y manipular las fuer-
zas gravitacionales. E l planeta Tierra no es más que una «La tesis de la autonomía del desarrollo científico-técnico
minúscula parte de nuestro terreno de juego; debemos ex- es falsa porque es preciso que sea falsa. S i se acepta q u e l a
tender nuestros horizontes; «nuestra única misión es hacer sociedad se p r o d u c e a sí m i s m a esto n o s p r o h i b e aceptar
el amor a la Vida misma». Sólo así podremos «conver- c u a l q u i e r factum tecnologicum y de esto, precisamente, se
tirnos en los mecanismos interiores del reloj» y penetrar- t r a t a c u a n d o se h a b l a de l a decisión de i n s t i t u i r u n c o n t r o l
en otro tiempo, comprendiendo que, n i nuestra Tierra, n i s o c i a l de l a tecnología» ( R o q u e p l o , Penser la technique,
nosotros mismos, somos el fin del Viaje galáctico-evolucio- p . 147).
nista. Nos abrevaremos con formidables bocados genéticos
U n a d e las críticas realizadas a l m i t o de l a tecnoevolu-
y cósmicos.
ción autónoma es q u e es u n a ideología peligrosa: u n a
E n realidad, no pretendemos decir que los dos últimos
ideología de inspiración tecnocrática q u e c o n d u c e a l a ne-
libros de Timothy Leary marcaron una fecha capital en la
historia de las ideas; pero son significativos en lo que a los gación d e l a d e m o c r a c i a . Así, p o r ejemplo, J . H a b e r m a s
estados de ánimo generales se refiere [J. B r u n , Les mas- insiste e n q u e e n l a tesis q u e a f i r m a q u e l a evolución de l a
ques du désir, pp. 224-225]. sociedad se h a l l a d e t e r m i n a d a p o r l a lógica d e l progreso
tecnocientífico, se esconde u n a añagaza q u e p r o d u c e
«constreñimientos objetivos a los q u e se debe c o n f o r m a r
u n a política q u e desee r e s p o n d e r a las necesidades f u n c i o -
3. Límites d e u n a analogía
nales». De t o d o ello surge l a utopía de u n a sociedad t o t a l -
m e n t e f u n c i o n a l q u e i n t e g r a , p e r f e c t a m e n t e , el «sistema
C o m o señala J . E l s t e r e n s u o b r a Explaining technical hombre-máquina» c o n e l q u e t i e n d e a c o n f u n d i r s e y d o n d e
Change, e x i s t e n dos f o r m a s de d a r c u e n t a d e l c a m b i o téc- la práctica c o m u n i c a t i v a , el c a m b i o y l a evolución simbóli-
nico: ca — l a discusión, l a argumentación y l a elección reflexiva
y l i b r e — h a n desaparecido p o r c o m p l e t o (La technique et
a) c o n s i d e r a r e l c a m b i o técnico c o m o u n a a c t i v i d a d la science comme idéologie, p p . 4 5 ss.).
r a c i o n a l y acabada, c o m o l a elección de l a m e j o r i n n o v a - L a p r i m e r a objeción c o n t r a l a tesis de l a evolución a u -
ción de e n t r e u n c o n j u n t o de c a m b i o s realizables; tónoma es q u e sus p a r t i d a r i o s i g n o r a n l a c o m p l e j i d a d r e a l
b) o c o n s i d e r a r el c a m b i o técnico c o m o u n c i e g o p r o - de l o que, c o r r i e n t e m e n t e , se conoce p o r l a siglas I + D
ceso d e éxitos y errores, a l q u e se añaden, p r o g r e s i v a m e n - (Investigación y D e s a r r o l l o ) . L a dinámica tecnocientífica
te, pequeñas m o d i f i c a c i o n e s aleatorias p e r o , casi, mecáni- depende de u n a t r a m a de factores económicos, sociales,
c a m e n t e seleccionadas. políticos e i n c l u s o psicológicos q u e n o están más ausentes
de l a investigación f u n d a m e n t a l de l o q u e l o están e n l a
E l p r i m e r m o d e l o es antropologocéntrico; e l segundo, investigación y a c o n c l u i d a . P a r a t o m a r r e a l m e n t e cons-
el m o d e l o e v o l u c i o n i s t a que, bajo las más agudas f o r m a s , ciencia de l o q u e se esconde b a j o el término de «ciencias
se c o n v i e r t e , t a l y c o m o a c a b a m o s de ver, e n f r a n c a m e n t e contemporáneas» h e m o s de a n a l i z a r l o c o m o u n p r o g r a m a
, ^ ' ^ - a r r p - o p o l ó g i c o . Este segundo m o d e l o es c r i t i c a d o m u y de investigación q u e , e n p r i m e r l u g a r , está c o n c e b i d o p o r

101
V '

u n e q u i p o de investigadores y d e f e n d i d o , después (sobre c r e a d o r a y l a Ubre elección. E l d e s a r r o l l o técnico n o es u n


t o d o desde el p u n t o de v i s t a de l a subvención q u e c o n d i - fenómeno biológico, s i n o cultural».
c i o n a s u realización), e n el seno de l a institución de o r i g e n También o t r o s autores señalan esta evidencia, a saber,
y de las diversas i n s t i t u c i o n e s q u e f i n a n c i a n el p r o y e c t o , que n o existe n a d a p a r e c i d o a u n a tecnoevolución autóno-
e n diferentes etapas y t e n i e n d o e n c u e n t a aspectos múlti- m a y q u e d i c h a evolución es i m p e n s a b l e y a q u e el h o m b r e
ples e n d o n d e l o económico y l o político s o n t a n d e t e r m i - es s i e m p r e necesario e n e l i n i c i o y f i n de l a I + D .
n a n t e s c o m o el interés p r o p i a m e n t e científico. Se t r a t a , e n S o n m u c h o s los autores q u e s u b r a y a n el carácter p e l i -
fin, de h a c e r u n s e g u i m i e n t o de c ó m o será r e a l i z a d o c o n - groso de esta concepción q u e c o n d u c e a l f a t a l i s m o y a l
c r e t a m e n t e este p r o g r a m a y cuáles serán sus posibles p r o - a b a n d o n o de los valores éticos y políticamente cruciales
l o n g a c i o n e s . L o s factores h u m a n o s , «demasiado h u m a -
8
c o m o l a l i b e r t a d , l a razón y l a r e s p o n s a b i l i d a d . D i c h o de
n o s » , i n t e r f i e r e n a t o d o s los niveles m o t i v a n d o , f r e n a n d o y o t r o m o d o , e n el caso hipotético de q u e n i n g u n a de las
o r i e n t a n d o e l d e s a r r o l l o tecnocientífico y s o n también, s i n tesis a n t e r i o r e s f u e r a v e r d a d e r a , sería preciso elegir la de
e m b a r g o , los q u e n o r m a l m e n t e se e s t i m a n c o m o «extra- la r e s p o n s a b i l i d a d d e l h o m b r e , y a q u e se t r a t a , precisa-
ños» o «parásitos» y los que, aquellos q u e d e f i e n d e n l a te- m e n t e , de u n p o r v e n i r h u m a n o d e l h o m b r e . «Queremos
sis de l a autonomía t e c n o e v o l u t i v a , desean (fantasmagóri- ser responsables de n u e s t r o futuro», c l a m a R o q u e p l o (Pen-
camente) suplantar o refutar. ser la technique, p . 123). D i s c u r s o s v o l u n t a r i s t a s c o n t r a
U n a s e g u n d a objeción consiste e n s u b r a y a r todas las concepciones d e t e r m i n i s t a s .
d i f e r e n c i a s q u e existen entre l a bioevolución y l a t e c n o - T a m p o c o r e s u l t a v a n a l a sugerencia de J . E l s t e r de ser
evolución y q u e h a c e n q u e l a analogía o c u l t e más q u e des- p r u d e n t e s : « N u n c a recalcaré s u f i c i e n t e m e n t e — e s c r i b e —
vele. Así, p o r e j e m p l o , F. R a p p n o s m u e s t r a , e n u n e s t u d i o que las analogías c o n l o biológico sólo p u e d e n sugerir p r e -
t i t u l a d o « D i e T e c h n i k ais F o r t s e t z u n g d e r Evolution?», las 9 guntas p e r o n u n c a d a r respuestas» (Explaining Technicál,
d i f e r e n c i a s q u e h a y e n t r e a m b o s t i p o s de evolución. P a r a change, p . 135).
R a p p l a línea explicativa de l a teoría de l a evolución es S i n e m b a r g o , y s i b i e n esto es c i e r t o , conviene también
causal y las m u t a c i o n e s s o n debidas a u n ciego p r o d u c t o n o caer jamás e n el exceso c o n t r a r i o q u e niega l a especifi-
d e l azar. P o r el c o n t r a r i o , l a invención (los d e s c u b r i m i e n - c i d a d de l a dinámica tecnocientífica, l a reduce a l o econó-
tos) s o n e l r e s u l t a d o de u n a a c t i v i d a d c o n s c i e n t e o r i e n t a d a m i c o o, l o q u e es peor, a l o ideológico y «cultural». Estas
h a c i a u n fin y c o n m o t i v a c i o n e s c u l t u r a l e históricamente p r e g u n t a s d e b e n p e r m a n e c e r planteadas o abiertas. N o es
( n o n a t u r a l m e n t e ) d e t e r m i n a d a s . L a selección biológica se este el p u n t o de v i s t a de R o q u e p l o , q u i e n a f i r m a q u e «este
debe a l a necesaria adaptación a u n m e d i o n a t u r a l d a d o , constante " f o r z a m i e n t o de las posibilidades"», resorte de l a
m i e n t r a s q u e e n l a evolución tecnocientífica, es el m e d i o el I + D tecnocientífica, n o es más q u e el efecto de «la c o n c u -
q u e es a d a p t a d o a l h o m b r e . E n l a elección de t a l d e s a r r o - r r e n c i a económica y militar» (op. cit, p . 130). ¡Como s i el
l l o tecnocientífico i n t e r v i e n e n j u i c i o s de v a l o r q u e n o t i e - h o m b r e n o estuviera también más allá o más acá de todas
n e n análogos e n l a n a t u r a l e z a : p o r u n l a d o h a y l i b e r t a d , las f o r m a c i o n e s económicas y políticas! E x i s t e n ideologías
v o l u n t a d , elección deliberada; p o r el o t r o , d e t e r m i n i s m o e n e l ámbito económico y político, c o m o existen también
ciego. N o h a y e n t r e a m b o s t i p o s de evolución n i n g u n a e n el científico y técnico.
analogía e n l o q u e se refiere a l a trasmisión y difusión de L a afirmación, a p a r e n t e m e n t e evidente, de que u n a
l o n u e v o . Así, F. R a p p c o n c l u y e : «la bioevolución d e t e r m i - tecnoevolución s i n e l h o m b r e es i n c o n c e b i b l e descansa
n a d a p o r las leyes de l a n a t u r a l e z a c o n t r a s t a , pues, c o n sobre l a idea de q u e e n el m u n d o n o h a y c r e a t i v i d a d s i n
u n a tecnoevolución c a r a c t e r i z a d a p o r l a e s p o n t a n e i d a d el h o m b r e . T a l c o m o h e m o s d i c h o , esta e v i d e n c i a es falsa

102 103
l o an-antropológico, es decir, n o t o m a e n serio l a fase an-
y t o d a l a p r e h i s t o r i a , t o d a l a c o s m o y bioevolución están
tropológica de l a evolución, y desemboca e n u n i n h u m a -
ahí p a r a c o r r o b o r a r l o . L a p r e s e n c i a m i s m a d e l h o m b r e d a
nismo.
c o n s t a n c i a de esta e v i d e n c i a . P o r o t r a p a r t e , l o s p a r t i d a -
P o r l o q u e respecta a las i n q u i e t u d e s políticas t a n a
r i o s de l a tesis d e l a autonomía d e l a dinámica t e c n o c i e n -
m e n u d o señaladas a propósito de l a concepción evolucio-
tífica n o n i e g a n q u e l a t e c n o c i e n c i a necesite a l h o m b r e ,
n i s t a , debería s o r p r e n d e r n o s , e n p r i m e r l u g a r , e l carácter
s i n o q u e él sea s u fin «natural» y q u e éste c o n t r o l e y
r a d i c a l m e n t e antiético, i n c l u s o , antiafectivo de este p u n t o
o r i e n t e — p u e d a p r e v e r y p r o v o q u e — s u d e s a r r o l l o de u n a
de vista.
m a n e r a esencial. A m e n u d o , el énfasis s o b r e l a autonomía
Antiético p o r q u e l a bioevolución es a m o r a l y l a tecno-
y l a e s p e c i f i c i d a d tecnocientífica es polémica: c o n s t i t u y e
evolución sigue e l f a m o s o «imperativo tecnológico»: « P o -
u n a reacción c o n t r a l a s tesis inversas q u e h a c e n de l a I +
d e r i m p l i c a deber» o « E s necesario hacer t o d o l o q u e es
D u n a especie de epifenómeno d e l o s procesos económi-
p o s i b l e hacer, e x p e r i m e n t a r s i n límite a l g u n o a l a l i b e r -
cos y d e l a s d e c i s i o n e s políticas. A n t e r i o r m e n t e h e m o s
tad». Más adelante v e r e m o s q u e l a dinámica de l a tecno-
m o s t r a d o también q u e las t e c n o c i e n c i a s , p o r s u creciente
c i e n c i a es, e n sí, c o n t r a r i a a l a s e n s i b i l i d a d axiológica o
c a p a c i d a d m a n i p u l a d o r a , t i e n d e n a exceder e l a n t r o p o l o -
ética c o m o t a l . H a b e r m a s , desde s u p e r s p e c t i v a de crítica
g o c e n t r i s m o , es d e c i r , l a r e f e r e n c i a estable a l « h o m b r e
a las ideologías, l o h a v i s t o b i e n : « L a c o n s c i e n c i a tecnocrá-
natural-cultural».
t i c a n o refleja l a disolución de t a l o c u a l e s t r u c t u r a m o r a l
s i n o " e l r e c h a z o " de l a " m o r a l i d a d " e n t a n t o q u e categoría
de l a existencia e n general» (La Technique et la science
4. H u m a n i s m o y e v o l u c i o n i s m o comme idéologie, p . 57).
Pero l a ética, l a m o r a l , s o n inseparables de l a sensi bi l i -
T o m a r v e r d a d e r a m e n t e e n serio l a noción de evolución d a d y de l a a f e c t i v i d a d . ¿Cómo s i n o i b a a p o d e r d i s t i n g u i r
n o es y u x t a p o n e r tecnoevolución y bioevolución o h a c e r e n t r e el b i e n y el m a l y a r e a l i z a r j u i c i o s m o r a l e s u n ser
u n a sucesión l i n e a l q u e vaya desde l a evolución biológica que n o «sintiera» (que f u e r a e n t e r a m e n t e ajeno a sus sen-
(bioevolución), y p a s a n d o p o r l a evolución sociohistórica t i m i e n t o s y e m o c i o n e s ) ? A l d i s o c i a r razón y v o l u n t a d (de-
(logoevolución), h a s t a l a evolución técnica (tecnoevolu- seo) se acaba e n e l i m p e r a t i v o no-ético d e l p o d e r de l a
ción) s i n o , p o r e l c o n t r a r i o , de t o m a r s e r e a l m e n t e e n serio t e c noc ie nc ia .
l a fase antropológica («humana») de la evolución e i n t e n t a r
S i n d u d a , habría m u c h o q u e d e c i r sobre los fantasmas
r e f o r m a r l a , s i es preciso, c o n o c i e n d o los r e c u r s o s (todos
i n d i v i d u a l e s y colectivos, las f r u s t r a c i o n e s , angustias, c o n -
los r e c u r s o s d e l antropólogo) y s i n i g n o r a r l o s límites (el
flictos y deseos, más o m e n o s inconscientes, q u e gobier-
excedente o p a c o y a b i e r t o p r o p i a m e n t e e v o l u c i o n i s t a y a n -
n a n l a t e c n o f i l i a y l a t e c n o f o b i a , y q u e se p r e c i p i t a n , u n o ,
antropológico).
e n el m i t o d e l e v o l u c i o n i s m o tecnocientífico y , el o t r o , e n
T a l y c o m o y a hemos dicho, el antropologocentrismo las resistencias simbólicas a las dinámicas tecnocientíficas.
n o q u i e r e v e r este exceso: se empeña e n q u e l a h i s t o r i a M u c h o s «genios» podrían, s i n d u d a , a p o r t a r u n t e s t i m o n i o
(que es l a duración p r o p i a « á lanthropologos», l a cadena «humano, d e m a s i a d o humano» sobre los i n f i e r n o s p r i v a -
c o n t i n u a de sus m e t a m o r f o s i s simbólicas o de sentido) dos q u e existen e n el o r i g e n de sus sueños y deseos de
agota el t i e m p o y l o posible. E n c i e r t a f o r m a , hace c o m o s i sobrehumanidad o abhumanidad. 1 0

c o n t a r a c o n l a respuesta a l a p r e g u n t a «¿qué es e l h o m -
bre?», c o m o s i t u v i e r a e l logos h u m a n o . E l e v o l u c i o n i s m o
a l c o n t r a r i o n o ve más q u e este exceso m e t i e n d o e n éste

105
104
Soy una máquina pensante y harían de él el fundamento de toda una ciencia
Norbert Wiener nació en 1894, era el primer hijo de nueva [D. Ritchie, Le cerveau binaire, pp. 125-127].
Leo y Bertha Wiener. Leo Wiener, inmigrado ruso y miem-
bro de la Universidad de Harvard, conoció a Bertha cuan- L a h u m a n i d a d crea s u f u t u r o i n t e r p r e t a n d o l o r e a l ( p o r
do él enseñaba en Missouri y se casaron en 1893. Norbert t a n t o , también a ella) simbólicamente y forzándolo tecno-
estaba destinado a u n fin doloroso pues Leo quería que su científicamente. L a r e a l i d a d (la n a t u r a l e z a , l o dado), p o r
hijo fuera u n genio, sometiendo al muchacho a u n riguro- s u p a r t e , se resiste. E n t r e estos tres términos — n a t u r a l e z a ,
so entrenamiento intelectual. Los resultados fueron espec-
t e c n o c i e n c i a y símbolo ( c u l t u r a , expresión de los deseos,
taculares: Norbert leía a los tres años y conocía a los seis
s e n t i m i e n t o s y v a l o r e s ) — se d a u n a interacción constante.
las obras de Darwin. Las sesiones de ejercicios matemáti-
Es necesario p e n s a r esto s i n concesión, es decir, e n l a
cos eran implacables y todo error se sancionaba con rudos
reproches que le arrancaban las lágrimas. [...] c o m p l e j i d a d de l a c o n s c i e n c i a y d e l p r o f u n d o e n i g m a u
Que Norbert era brillante estaba fuera de duda. Cuando o p a c i d a d q u e l a envuelve y p e n e t r a y q u e hace q u e el h o m -
tenía once años entró en el Tufts College (ahora Tufts Uni- bre, e n t a n t o q u e cristalización cósmica a b i e r t a , exceda a l
versity) de Medford, en Massachusetts, cerca de Boston. h o m b r e reflejado y t e o r i z a d o p o r el h o m b r e , antropológi-
Tres años después tenía su diploma y entraba en Harvard c a m e n t e . E l r e c o n o c i m i e n t o especulativo (antropológico)
con catorce años para preparar su doctorado. Pero aquello de este exceso t o m a , p a r t i c u l a r m e n t e , l a f o r m a de u n a i m -
que su precoz formación le había dado en aptitudes inte- p r e v i s i b i l i d a d r a d i c a l d e l f u t u r o o l a d e l carácter a b i s m a l
lectuales, se lo había pagado en estigmas emocionales de- de l a l i b e r t a d .
bidos al brutal régimen impuesto p o r su padre. Norbert
sabía cómo resolver integrales y convertir una matriz, pero
conocía poca cosa de los sentimientos humanos, tanto pro-
pios como ajenos. Era, a la vez, u n atleta mental y u n de-
sequilibrado emocional, lleno de dolorosos recuerdos y
NOTAS
rencores que atormentarían su vida [...].
Norbert no podía dejar de pensar que sus padres, inten-
tando darle l o que ellos consideraban una buena educa- 1. V e r también J . E l l u l , La Technique ou l'enjeu du siécle, París,
A. C o l i n , 1954, pp. 12, 59, 75. «Son los imperativos d e l a tecnología y de
ción, habían jugado con él u n juego peligroso corriendo,
l a organización, n o l a s imágenes de l a ideología, lo que determina l a for-
incluso, el riesgo de destruirle. E n su autobiografía, Ex-
m a de l a s o c i e d a d económica» ( J . K . G a l b r a i t h citado p o r B . Gille [ed.],
prodige, advierte a todos aquellos padres que se meten en Histoires des techniques, París, G a l l i m a r d , 1978, p. 1.409, Pléiade).
la cabeza el hacer de sus hijos unos Wunderkinder: 2. H a g a m o s notar que M a r x tenía l a intención de dedicar el tomo JJ
Que todo aquel que decida modelar u n alma humana a de E l capital a D a r w i n ( F . D o b z h a n s k y , L'homme en évolution, París,
su medida se asegure de tener una imagen digna de ser F l a m m a r i o n , 1966, p. 158).
reproducida, y que sepan que el poder de modelar u n inte- 3. A título de ejemplo, el automóvil c o n u n s i s t e m a p o r e n c i m a y p o r
lecto naciente es u n poder de muerte tanto como u n poder debajo del que s u construcción y utilización postulan y s i n la c u a l n o
de vida. podría s u b s i s t i r (ver B . Gille, op. cit., pp. 796-797).
4. «Epilogue» e n G . F a r m e r y D . J . H a m b l i n (eds.), Premiers sur la
Norbert no era m u y consciente de haber sido una crea-
Lune, París, Laffont, 1970.
ción deliberada del intelecto de su padre, una pequeña má-
5. «Cyborg», contracción de «cibernética» y «organismo» p a r a desig-
quina pensante que se podía programar para hacerla pen- n a r u n a entidad que sería m i t a d biológica m i t a d tecnológica. L a palabra
sar como u n genio. Leo Wiener había escrito u n día en u n apareció e n u n contexto de discusiones relativas a l a reconstrucción par-
poema: «yo soy una máquina... ¿Cómo puede nunca llegar cial del h o m b r e c o n vistas a u n a m e j o r adaptación a las condiciones del
a pensar una máquina?». Años más tarde,-Norbert y otros vuelo espacial.
hombres de ciencia, retomarían este concepto de máquina 6. V e r S . L e m , Summa Technologiae, Francfort a.M., Insel, 1976, p. 64;

106 107
W. Stegmuller, Hauptstrónmungen der Gegenwartsphüosophie, vol. I I , CAPÍTULO V I
Stuttgart, Króner, 1975, pp. 4 8 0 s s .
7. D. Ritchie, Le cerveau binaire, París, Laffbnt, 1985.
8. L a o b r a d e G . F o u r e z , La construction des sciences, París/Bruselas, LAS T R E S VÍAS D E LA ÉTICA
U n i v e r s i d a d D e B o e c k , 1988, ilustra bien esta m i r a d a c o m p l e j a sobre el
«hecho» científico e n nuestra sociedad.
9. E n F . R a p p (ed.), Naturverstandnis und Naturbeherschung, Munich,
F i n k , 1981, pp. 147 ss. Véanse también l a s páginas q u e G . S i m o n d o n
dedica a l a crítica de l a analogía. Así, p o r ejemplo, u n a «especie técnica»
(la caldera) p u e d e integrarse e n l a constitución de u n a n u e v a línea especí-
fica (la locomotora), c o m o u n elemento más de los m i e m b r o s de esta
n u e v a especie. E n el m u n d o d e l o vivo, los m i e m b r o s d e u n a especie n o
p a s a n a s e r n u n c a partes constitutivas (órganos) de los m i e m b r o s de u n a E l objetivo es m a n t e n e r l a integridad de l a es-
n u e v a especie (Cf. Du mode d'existence des objets techniques, París, Aubier, pecie y n o el de modificarla
1969, pp. 66 ss.).
F . de CLOSETS
10. Cf. p o r ejemplo, D. Ritchie, Le cerveau binaire, op. cit., respecto a
V o n N e u m a n n , N . Wiener, A. T u r i n g , etc.
S i algo p u e d e ser hecho, debe ser hecho. Y ,
de todas formas, se hará.

V. PACKARD

M o d e l a r a l s e r h u m a n o e n otro tiempo m o n o -
morfo.

A. TOFFLER

«¿Debemos hacerlo porque es posible?» Creo


que h a y casos e n los que debemos decir:
«no». E s decir, poner u n límite.

J. HERSCH

S i g u i e n d o a K a n t , R o p o h l («Technik — e i n P r o b l e m d e r
Philosophie») s u b r a y a q u e l a p r e g u n t a «¿qué d e b o hacer?»
depende de a q u e l l o q u e s o y capaz de hacer. L a técnica
h a d i l a t a d o e x t r a o r d i n a r i a m e n t e n u e s t r o c a m p o de acción
—«incluso el a n i q u i l a m i e n t o de este p l a n e t a está ante n o -
sotros»— y c o n ello l a p r e g u n t a ética se h a a m p l i a d o t a m -
bién. Es necesario t o m a r c o n c i e n c i a de cuáles s o n las c o n -
secuencias, i n c l u s o lejanas, de n u e s t r a acción técnica. Ro-
p o h l c o n c l u y e q u e « N o d e b e m o s h a c e r t o d o l o que l a téc-
n i c a n o s p e r m i t e hacer».
L a p r e g u n t a ética está l i g a d a a l f u t u r o y a l a tecnocien-
c i a de u n a f o r m a general y concreta. L a p o d e m o s e n u n c i a r
de l a f o r m a siguiente: «¿Qué v a m o s a hacer d e l hombre?».

108 109
Moratorias
¿Qué clase de hombre vamos a construir?
Los especialistas de la vida son conscientes de la exist-
Si reflexionamos detenidamente sobre todos los presu-
encia de u n posible riesgo biológico. Debido, quizás — a l
puestos que subyacen a todas estas representaciones sobre
menos en parte—, a los accidentes que han resultado en
el hombre encontraremos u n punto común a todas ellas: el
estos últimos años de productos utilizados sin cuidado ta-
mismo punto común que subyace a las hipótesis de todos
les como los botes de aerosol, la talidomida o el DDT o el
aquellos que trabajan en ámbitos tan punteros como el de
cloruro de vinilo. Muchos especialistas del campo de la re-
la biogenética, la cirugía cerebral, la biología molecular,
producción h a n puesto f i n a sus intentos de implantar u n
etc. E n todos ellos la hipótesis dominante es que los seres
embrión, creado en laboratorio, en el útero de mujer, por
humanos poseen una plasticidad casi infinita.
razones de riesgo evidentes: el de hacer nacer u n monstruo
Los hombres son la materia p r i m a que necesita ser per-
del que, legalmente, no se podrían despojar y que podría,
feccionada, modificada o, al menos, mejorada, tanto por
además, atraer la atención pública.
su propio bien como por el bien de los otros hombres. Las
E n 1974 biólogos moleculares del mundo entero se pu-
personas maleables son susceptibles de ser también con-
sieron de acuerdo para aceptar una moratoria (sin prece-
trolables. Así, allí donde en otro tiempo los defensores de
dentes en la historia) para algunos tipos de manipulacio-
la idea de la perfectibilidad humana razonaban en térmi-
nes genéticas. Combinando diferentes tipos de genes ani-
nos morales, los nuevos revolucionarios intentan cambiar
males con algunos tipos de bacterias, estuvieron a punto
a la gente física, afectiva o mentalmente. A menudo, sus
de crear formas de vida hasta hoy desconocidas. Algunas
esfuerzos son también apoyados por el Estado. Efectiva-
de estas formas de vida, particularmente peligrosas, eran
mente, si estos proyectos salen adelante los hombres cam- susceptibles de reproducirse. Paul Berg, de la Universidad
biarán y acabarán siendo algo m u y distinto a lo que ahora de Stanford, era probablemente uno de los punteros en la
son. José Delgado, el revolucionario investigador en el investigación mundial en esta materia. Él fue quien animó
campo del cerebro humano, sugiere que la pregunta prin- la campaña de la moratoria y quien, más tarde, empujó
cipal no es «¿qué es el hombre?» sino, más bien, «¿qué con fuerza para definir las reglas acerca de lo que era
tipo de hombres vamos a crear?» [V. Packard, The people aceptable y de lo que no lo era. E l sentimiento de malestar
Saphers, pp. 20-21]. de Berg llegó a u n punto culminante cuando otros investi-
gadores comenzaron a tomar contacto, cada día, con su
equipo para pedir materiales biológicos. «Yo les pregunta-
L a c o n s c i e n c i a tecnocientífica m u e s t r a , c a d a vez más, ba lo que querían hacer —cuenta—... Algunos de ellos te-
u n a s e n s i b i l i d a d m o r a l (a l a vez esencial, d i f u s a y e m i n e n - nían en su mente experimentos horribles y n i la menor
t e m e n t e problemática) q u e g r a v i t a a l r e d e d o r d e l p o d e r tec- idea de las posibles consecuencias.»
nocientífico necesario p a r a m a n i p u l a r l a n a t u r a l e z a h u m a -
E n lugar de hacer que cesaran este tipo de proyectos de
n a . V . P a c k a r d p o n e de m a n i f i e s t o q u e e n l o s últimos años investigación escribió a muchos de sus colegas para invi-
m u c h o s biogenéticos, de a l g u n a f o r m a a l a r m a d o s p o r las tarles a unirse a él y redactar la carta (desde ese momento
p o s i b i l i d a d e s de s u arte, se h a n (si p u e d e l l a m a r s e así) histórica) que abogara en favor de una moratoria para al-
«convertido», es d e c i r , se h a n c o m p r o m e t i d o c o n u n a a c t i - gunos tipos de experimentos con A D N recombinante. Esta
v i d a d s o c i a l o m o r a l . También se h a n m u l t i p l i c a d o los co- carta se publicó en dos de las revistas científicas más pres-
mités, c o m i s i o n e s e i n s t i t u t o s de bioética o d e ética de las tigiosas del mundo, Nature (Inglaterra) y Science (Estados
ciencias de l a v i d a . E n este c o n t e x t o se sitúa l a f a m o s a Unidos). La moratoria sugerida ha sido realmente respeta-
da — t a n t o como ha durado— en el mundo entero, o casi
m o r a t o r i a a q u e se h a n sujetado las m a n i p u l a c i o n e s gené-
[V. Packard, The people Saphers, p. 305].
ticas. L a i d e a se debe a P. B e r g , de S t a n f o r d , p e r o s u p r i n -
c i p i o g e n e r a l (el d e u n c o n t r o l ético d e l a c i e n c i a ) estaba
siendo y a largamente debatido.

110
¿Inutilidad y peligro del control ético de la ciencia? 1977]). Pero la idea de si las constataciones científicas
E l entremetimiento de la ética en el trabajo científico tienen consecuencias perversas se examinará más tarde
se asemeja a la arbitrariedad de la censura de que gozaban [A. Fagot-Largeault, L'homme bio-éthique, pp. 33-34].
los tribunales de la Inquisición (aunque sin una referencia
trascendental). Sin embargo, esto es algo bastante inútil: si L a p r i m e r a p r e g u n t a , ¿qué será e l h o m b r e d e n t r o de
hay u n dominio donde hace estragos (a la larga) una rigu- u n millón de años?, n o es n i técnica n i práctica. L a segun-
rosa selección darwiniana, es en el d o m i n i o de las ideas da, ¿qué v a m o s a h a c e r d e l h o m b r e ? , es práctica y u r g e n -
científicas. Bien entendido, el acatamiento de una deonto- te, exige respuestas concretas y p a r t i c u l a r e s , y a q u e l a m a -
logía profesional es menos una cuestión moral que de pro-
y o r p a r t e de l a h u m a n i d a d está i n t e r p e l a d a p o r las p o s i b i -
vecho: el investigador que fabrica los resultados es, tarde o
lidades tecnocientíficas. Conviene, s i n e m b a r g o , q u e c u a n -
temprano, eliminado de la competición. Deshabilitado por
do e l a b o r e m o s l a s respuestas n o p e r d a m o s de vista las
conducta deshonesta. Querer prescribir el respeto a la ver-
dad es comportarse como si se tuviera miedo a que la consecuencias de l a p r i m e r a cuestión q u e c o m p o r t a l a
verdad no se imponga: sin embargo, la verdad en el domi- r u p t u r a c o n t o d a s l a s gnosis y escatologías de l a h u m a n i -
nio científico ¿no es lo que se impone a fin de cuentas, lo dad y la historia.
que resiste todos los embites críticos? U n darwiniano no E s t a r u p t u r a n o es u n a c o n t e c i m i e n t o p u r a m e n t e nega-
debería temer que la especie más apta no sobreviviera, ya tivo y «desesperante». Debería p r e v e n i r n o s acerca de las
que la especie prueba su aptitud sobreviviendo. peligrosas i l u s i o n e s — m e s i a n i s m o s , u t o p i s m o s — q u e exis-
Esta reflexión, sin embargo, confía en que el instinto de t e n e n quienes están c o n v e n c i d o s de q u e d i s p o n e n de l a
verdad no conduce a la especie humana a catástrofes (que
respuesta a las p r e g u n t a s «¿qué es e l hombre?» y «¿cuál es
la naturaleza intelectual es buena). La voluntad de someter
el s e n t i d o de l a historia?», y de q u e d i s p o n e n también de
la búsqueda del saber a normas éticas «más altas» proce-
los m e d i o s y estrategias más a p r o p i a d a s p a r a r e a l i z a r efec-
de, a veces, menos del horror a fallar que del ansia de ver-
dad. Esta querella se ha alimentado, recientemente, con la t i v a m e n t e l a concepción d e l h o m b r e y l a h i s t o r i a v i n c u l a -
utilización de datos pseudocientíficos sobre el cociente i n - das a esas respuestas. E n u n a p a l a b r a , deberían l i b r a r n o s
telectual: si la ciencia prueba la inferioridad genética de de t o d a tentación t o t a l i t a r i s t a , y a fuese tecnocientífica
una raza, se ha dicho, entonces la ciencia es dañina; toda ( c o m o l a de l a creación d e u n a t e c n o c r a c i a m a t e r i a l i s t a ) o
investigación que conduzca a descubrimientos que cho- simbólica (la imposición de u n d o g m a religioso).
quen con el sentido moral debe ser prohibida. H e n r i Poin- S i c o n s i d e r a m o s l a p r e g u n t a «¿qué d e b e m o s hacer d e l
caré (1910) se contentaría con decir que de enunciados en hombre?» de u n a m a n e r a e n t e r a m e n t e general y f o r m a l ,
indicativo («existen diferencias de CI»), n o se pueden ex-
se p u e d e n d i s t i n g u i r tres t i p o s d i s t i n t o s de respuestas q u e
traer jamás proposiciones imperativas («hay que tratar con
son i m p r e s c i n d i b l e s reseñar antes de q u e d a r n o s c o n u n a e
inferioridad a aquellos que tienen u n C I diferente»), es de-
cir, no se extraerá nunca de la ciencia una proposición i n t e n t a r p r e c i s a r l a . Estas tres vías s o n :
«que afirme o contradiga la moral». Otros lo han expresa-
do así: «no estamos obligados a creer en la uniformidad a) O p t a r p o r l a solución de i n t e n t a r t o d o l o tecnocien-
biológica para poder afirmar la libertad e igualdad huma-
tíficamente p o s i b l e ;
nas» (E. Wilson, 1978, cap. 2); «lejos de amenazar la justi-
b) o p t a r p o r u n r e c o n o c i m i e n t o g l o b a l y de l a conser-
cia, el descubrimiento de la verdad le da u n fundamento
realista» (B. Davis, 1979). Por ejemplo, la «prueba» de la vación d e l h o m b r e - n a t u r a l e z a ;
heredabilidad en u n 80 % de la inteligencia fue debilita- c) o p t a r p o r u n a vía i n t e r m e d i a e n l a q u e se i n t e n t e n
da cuando se descubrió el carácter imaginario de las ob- algunas de las p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas e n función de
servaciones de C. Burt (cf. p. e. Medawar, NYRB [3 feb. ciertos c r i t e r i o s a d e t e r m i n a r .

112 113
1. L a p r i m e r a vía: e l e n s a y o l i b r e d e l o p o s i b l e «Si n o se acepta algún t i p o de límite después de q u e algo
o «imperativo técnico» sea posible, s i e m p r e habrá a l g u i e n , e n algún l u g a r , dis-
p u e s t o a e x p l o t a r esa posibilidad» (A. Toffler, Le choc du
D e c i d i r s e p o r i n t e n t a r t o d o l o q u e es p o s i b l e n o c o i n c i - futur, p . 2 3 4 ) . E n los límites de l o i m p o s i b l e y de l o inútil
de c o n l a afirmación de q u e t o d o es p o s i b l e , n i t a m p o c o t o d o se hará, a l m e n o s , u n a vez. « C r e o q u e t o d o l o q u e
c o n q u e t o d o l o q u e es p o s i b l e es e f e c t i v a m e n t e r e a l i z a b l e . puede hacerse se hará». 2

S i g n i f i c a sólo q u e n o se r e c o n o c e ninguna limitación a J . B r o n o w s k i p a r e c e e n c o n t r a r e n este p r i n c i p i o , y n o


priori p a r a i n t e n t a r , s i n límites, t o d o l o p o s i b l e . E s decir, s i n razón, l a esencia m i s m a de l a investigación científica:
n i n g u n a limitación a priori y a sea ética, metafísica, r e l i g i o - « L a c i e n c i a consiste e n i n t e n t a r cada posibñidad a l t e r n a -
sa o, de f o r m a general, simbólica. L a experimentación sólo t i v a m e n t e [...], e n r e c h a z a r l o q u e n o f u n c i o n a y a d m i t i r
mostraría l o q u e es p o s i b l e — l o q u e f u n c i o n a — aquí y l o q u e f u n c i o n a s i n inquietarse p o r el hecho de que esto cho-
a h o r a . Y sólo m e d i a n t e l a actualización de l o p o s i b l e p o - que c o n n u e s t r o s prejuicios» (A Sense of the Future, p . 2).
dríamos c o n o c e r , p r o g r e s i v a m e n t e , de qué está l l e n o el « S i o b e d e c e m o s e l p u n t o de v i s t a d o m i n a n t e , n o debe
presente. Repitámoslo: e n ningún caso se t r a t a , pues, de i m p o n e r s e ningún límite ético a l a investigación. S u l i b e r -
n e g a r las l i m i t a c i o n e s i m p u e s t a s p o r las leyes de l a N a t u - t a d es u n p o s t u l a d o incontestable» ( H . J . M e y e r , Die Tech-
raleza. Se t r a t a , p r e c i s a m e n t e , p o r e l c o n t r a r i o , de r e c o n o - nisierung der Welt, p . 207).
cer q u e éstas son el único constreñimiento a c e p t a d o p a r a Y es c i e r t o q u e e n t o d o este a s u n t o de l o q u e se t r a t a ,
l a l i b e r t a d h u m a n a , y q u e e n t a n t o q u e son empíricas, se e n última i n s t a n c i a , es d e l derecho y l i b e r t a d de l a i n v e s t i -
d a n p o r l a e x p e r i e n c i a y, p o r t a n t o , s i e m p r e hipotéticamen- gación científica. A u n q u e d u r a n t e el l a r g o t i e m p o e n q u e
te. F. B a c o n , u n o de los p r i m e r o s pensadores q u e formuló la c i e n c i a se pensó c o m o esencialmente (logo)-teórica o
la c o n s i g n a tecnocientífica de «hacer t o d o l o q u e es p o s i - c o g n i t i v a y f u n d a m e n t a l m e n t e o r i e n t a d a h a c i a el c o n o c i -
b l e hacer» d e j a b a y a c l a r o q u e n o se p u e d e v e n c e r a l a m i e n t o d e l a n a t u r a l e z a esa l i b e r t a d n o se presentía c o m o
n a t u r a l e z a más q u e obedeciéndola. amenaza, a h o r a , e n c a m b i o , se h a p r o d u c i d o u n g r a n c a m -
L a p r e g u n t a — s i hay o n o que intentar t a l experiencia, b i o e n las tecnociencias, e n especial, e n el ámbito de las
p r o m o v e r t a l investigación— c o r r e p a r a l e l a a sus i m p l i c a - tecnociencias biomédicas. '
ciones éticas, especialmente desde q u e e l h o m b r e se h a ^ « E l p r o b l e m a de l a ética de l a experimentación surge
c o n v e r t i d o e n b l a n c o de las investigaciones. ¿Hay q u e esti- del c o n f l i c t o n o resuelto e n t r e d o s valores s o c i a l m e n t e es-
m u l a r investigaciones centradas e n l a manipulación t e c n o - tablecidos: l a d i g n i d a d e i n t e g r i d a d d e l i n d i v i d u o y l a l i b e r -
científica d e l i c a d a de l a p e r s o n a l i d a d c o m o p o r e j e m p l o , t a d de l a investigación científica.» H o y , el concepto-valor
3

i m p l a n t a r a u t o e s t i m u l a d o r e s e n el c e r e b r o q u e p r o c u r e n el de l i b e r t a d científica se h a t r a n s f o r m a d o , e n p a r t e , e n l a
sueño, l a valentía o l a t r a n q u i l i d a d a v o l u n t a d ? (V. Pac- noción de u n «imperativo técnico o tecnológico o t e c n o -
k a r d , The people Saphers, p p . 285 ss.) ¿Conviene c o n t i n u a r científico»,.jyeámos algunas f o r m u l a c i o n e s .
c o n las investigaciones — y , p o r t a n t o , m a n i p u l a c i o n e s — E . T e l l e r ( p a d r e de l a b o m b a atómica)^«El h o m b r e tec-
sobre e l g e n o m a h u m a n o o, i n c l u s o más m o d e s t a m e n t e , nológico debe p r o d u c i r t o d o l o q u e es p o s i b l e y debe a p l i -
c o n las referentes a las m o d a l i d a d e s de l a procreación? ¿Y car los c o n o c i m i e n t o s a d q u i r i d o s s i n límite a l g u n o » ^
qué p e n s a r de las investigaciones s o b r e t r a s p l a n t e s , aún e n D . G a b o r ( p a d r e de l a holografía): « L o que puede ser
el límite d e l a ficción, realizadas c o n p r i m a t e s — i n j e r t o s h e c h o debe hacerse». 5

de cabezas o c e r e b r o s — ? ' D . J a n i c a u d : « T o d o l o q u e es técnicamente r e a l i z a b l e x

L a tentación de i n t e n t a r t o d o l o p o s i b l e es p o d e r o s a . debe ser r e a l i z a d o c o n i n d e p e n d e n c i a de q u e esa realiza- \

114 115
• P o r s u p a r t e , J.P. D i c k i n s o n (Science and scientific re-
ción se j u z g u e c o m o m o r a l m e n t e b u e n a o m a l a » (La Puis-
sance du rationnel, p . 146). searchers in modem society, p p . 73 ss.) señala q u e l a fuer-
E n tres p a l a b r a s , según H . O z b e k h a n : « C a n i m p l i e s za, el deseo, el e m p u j e i n v e s t i g a d o r n o es r e d u c t i b l e n i a
ought». B a j o u n a f o r m a más m o d e r a d a y s u g i r i e n d o l a
6 fines u t i l i t a r i o s n i a los i n d u c i d o s p o r l a c o m p e t e n c i a . « E n
filiación e n t r e e l i m p e r a t i v o técnico y el d e r e c h o , o l a l i - l a a n d a d u r a científica hay, allí d o n d e ésta resalta, u n m e -
b e r t a d , de l a investigación científica: « L a e m p r e s a científi- c a n i s m o casi i n c o n t r o l a b l e , biológico... N o c o n o z c o n i n g u -
ca está basada e n u n a especie de laissez-faire. [...] L a ideo- n a o t r a ocupación h u m a n a [...] d o n d e aquellos q u e se h a n
logía de l a c i e n c i a p r o c l a m a l a autonomía de l a investiga- c o m p r o m e t i d o c o n ella están h a s t a t a l p u n t o cautivados,
ción». 7 t a n t o t a l m e n t e p r e o c u p a d o s y a r r a s t r a d o s más allá de sus
S e g u r a m e n t e , e n t r e este «espíritu técnico» y « e l espíritu fuerzas y recursos... Se t r a t a , a m i entender de u n c o m p o r -
d e l capitalismo» h a y p r o f u n d a s analogías q u e g r a v i t a n a l - t a m i e n t o i n s t i n t i v o y q u e n o c o m p r e n d o c ó m o funciona.»
r e d e d o r de l a noción de poder (posible + p o d e r , d o m i n a - Este i n s t i n t o o pulsión q u e i n v i t a a j u g a r l i b r e m e n t e
ción). Pero e n el respaldo m u t u o o l a dialéctica d e l p o d e r c o n l o p o s i b l e y , de ese m o d o , a crear — e s t a t e n d e n c i a
q u e c a r a c t e r i z a las relaciones e n t r e e l d i n e r o y l a técnica, «tecnopoética», podría d e c i r s e — parece i n c l u s o más i m -
n o s parece t e m e r a r i o q u e r e r s u b o r d i n a r u n o d e los d o s p o r t a n t e q u e el deseo de d o m i n a r , p o d e r y c o n t r o l a r q u e
términos a l o t r o . L a dinámica tecnocientífica d e l a e x p a n - t a n a m e n u d o se h a i d e n t i f i c a d o c o m o l a esencia de l a
sión d e l p o d e r es u n t e m a l o s u f i c i e n t e m e n t e i d e n t i f i c a b l e t e c n o c i e n c i a ( v o l u n t a d de p o d e r ) . P o r ello, y de b u e n a
c o m o p a r a ser t e m a t i z a d o p o r sí solo. gana, i n s i s t i m o s e n l a f e c u n d a ambigüedad q u e , a l a vez,
el término « p o d e r » evoca: el p o d e r d o m i n a d o r y e l j u e g o
Tecnociencia y economía de l o p o s i b l e .
A menudo, lo que conduce hasta la invención, el desa- « E l t a n a c t i v o deseo de p o d e r y dominación de l a técni-
rrollo o la construcción de algo es simplemente el deseo ca t i e n e s u o r i g e n e n las pulsiones o r i g i n a l e s a l a c o n s t r u c -
del ingeniero por conocer si algo «va» o «funciona». Así, ción, e l j u e g o , el b r i c o l a g e y l a experimentación, l i b r e de
Klaus Tuchel se pregunta «si la voluntad de volar no es t o d a finalidad y q u e c o n s t i t u y e n l a raíz de t o d a c i e n c i a
más bien u n viejo sueño de la humanidad que se afirma p o s i t i v a y de t o d o t i p o de técnica» (A. H u n i n g , Das Schaf-
que la búsqueda de medios de transporte más eficientes
fen des Ingenieurs, p . 31).
económicamente. Es necesario, p o r otro lado, preguntarse
L a m a y o r p a r t e de las veces los tecnocientíficos — y e n
si muchas invenciones y construcciones no se h a n origina-
do a partir u n instinto («Trieb») de conocimiento o juego especial los i n g e n i e r o s — s o n p e r f e c t a m e n t e conscientes de
que, en principio, no busca satisfacer ninguna necesidad l a imbricación de s u a c t i v i d a d c o n l a economía, l a política
determinada, so pena que consideremos la voluntad de co- o l a sociedad. S i n e m b a r g o , sus deseos más p r o f u n d o s
nocimiento como u n a necesidad del hombre que en modo s o n , a m e n u d o , los de «realizar t o d o l o técnicamente p o s i -
alguno podríamos llamar económica [...]. Así, la base de ble, i n d e p e n d i e n t e m e n t e de tales consideraciones y p o r el
las decisiones técnicas no depende sólo de decisiones eco- solo h e c h o de q u e es técnicamente factible» (ibíd., p . 110).
nómicas, sino también, e inversamente, las propias posibi- L a tentación de i n t e n t a r , s i n límite a l g u n o , t o d o l o p o -
lidades técnicas son condiciones o presupuestos de las de-
sible es u n a t e n d e n c i a m u y enraizada. Así, p o r ejemplo, e n
cisiones económicas. E n lo que respecta a la relación entre
La nueva Atlántida de F. B a c o n (1627) y a puede leerse: « E l
técnica y economía, no hay subordinación, en principio, de
u n dominio sobre otro sino, más bien, u n proceso comple- f i n de n u e s t r a Fundación es el c o n o c i m i e n t o de las causas
j o de condicionamiento recíproco» [A. Huning, Das Schaf- y los m o v i m i e n t o s secretos de las cosas; extender los lími-
fen des Ingenieurs, pp. 114-115]. tes d e l i m p e r i o h u m a n o c o n e l f i n de ejecutar todas las

116 117
cosas posibles». T o d o sucede c o m o s i , c o n s t i t u t i v a m e n t e ,
8 nuestros químicos se esforzaban p o r encontrar la piedra
algo e n el h o m b r e t u v i e r a e n ello los límites de s u esencia filosofal. Hoy, nuestra ambición se ha hecho mayor. Ya no
es hacer oro, ¡sino hacer Vida! ¿Y quién osaría decir, a la
y de s u condición n a t u r a l .
vista de l o que ha pasado desde hace 50 años, que eso
fuera una simple ilusión? ¿No vamos a ser capaces, u n día,
La procreación y el deseo demiúrgico de provocar lo que la Tierra, dejada en sus propios brazos,
Llegamos, así, al punto de partida común del Deseo y no parece poder hacer: una nueva ola de organismos-una
la técnica desde que la Creación de Adam volvió a empe- Neo-Vida artificialmente suscitada? [...] Sí; el sueño del
zar, este comienzo no se sitúa en el principio de los tiem- que obscuramente se nutre la investigación humana, es, en
pos (cuando el hombre no podía ser autocreador porque el fondo, el de elevar su poder más allá de todas las afini-
no existía) sino en el tiempo mismo. E l surgimiento del dades atómicas, moleculares o de la Energía de fondo a la
embrión no es obra de Dios, la procreación no implica el que todas las otras energías sirven: agarrar, todos juntos, la
apareamiento de esas dos mitades de ser complementarias palanca del Mundo poniendo la mano sobre el Resorte
que son el hombre y la mujer, cada uno de los cuales es, a mismo de la Evolución». Pero Teilhard sí llegó a decir que
su vez, necesario e insuficiente; aquí el embrión nace in «hay menos diferencias de las que se suponen entre Inves-
vitro, a partir de las manipulaciones en cuyo curso el hom- tigación y Adoración»; lo artificial altera lo natural para
bre actúa sobre las células tratadas como materiales. E l «obrar más, a fin de ser más». Hay que, pues, probarlo
Deseo demiúrgico de la autodivinización del hombre esta- todo, no dejar nada por intentar con el fin de «crear más».
lla en este esfuerzo por sustituir la reproducción por la [...] Pero, ¡ay! E l optimismo innato de R.P. Teilhard le ha-
producción [J. B r u n , Les masques du désir, p. 83]. cía poner el m a l entre paréntesis; olvidaba fácilmente que
la conquista de estos «secretos» tan alabados desemboca
en la violencia, en el menosprecio de la persona humana y
U n a de las justificaciones filosóficas u t i l i z a d a s p a r a de- en el sacrificio del hombre en la Investigación [J. Brun, Les
fender l a opción de i n t e n t a r t o d o l o p o s i b l e se sustenta e n el masques du désir, pp. 85-86].
h e c h o de q u e esta t e n d e n c i a prolongaría l a evolución crea-
d o r a e x p l o r a n d o , de f o r m a c o n s t r u c t i v a , l a p l a s t i c i d a d de l a
especie h u m a n a , de l a v i d a y , más generalmente, d e l ser. L a perspectiva e v o l u c i o n i s t a d e l i m p e r a t i v o técnico a d -
^ ( E l genético j u s t i f i c a s u acción p o r el h e c h o de q u e él q u i e r e u n s e n t i d o p e c u l i a r s i se tiene fe e n u n a especie de
continúa l a evolución.» « E l h o m b r e , e n t a n t o q u e especie,
9 sabiduría dinámica ( n o estática) de l a n a t u r a l e z a o d e l cos-
n o está d a d o de u n a vez p o r todas [...] s i n o q u e s u p r o p i o m o s e n evolución. P a r t i e n d o d e l a c o n s t a n t e de q u e el c u r -
d e s a r r o l l o le i n c u m b e . ^ so de l a evolución (el i n t e n t o a p a r e n t e m e n t e ciego y alea-
t o r i o de l o p o s i b l e y l a selección de l o q u e f u n c i o n a ) h a
Técnica, evolución y chardinismo i d o h a c i a u n a c o m p l e j i d a d creciente c o n e m e r g e n c i a de
A partir del momento en que se ve la V i d a en el Mundo nuevas f o r m a s de v i d a h a s t a e l h o m b r e , m u c h o s tecno-
como expresión de u n Dios Vivo, a partir del momento en científicos p a r e c e n pensar q u e sólo el método de ensayo-
que la evolución se entiende como Paraíso de la Eternidad e r r o r es f e c u n d o , y n o sólo f e c u n d o , s i n o , i n c l u s o , j u i c i o s o
en marcha, [...] nos encontramos en presencia de una es- y a q u e p e r m i t e l a e m e r g e n c i a de l o m e j o r y e l progreso.
pecie de hegelianismo biológico, es decir, de teilhardismo. L a i d e a de r e a l i z a r c u a n t o es posible responde, i g u a l -
Desde él, el hombre, como colaborador de Dios, se encarga
m e n t e , a l a tentación de l o q u e se podría l l a m a r «la c r e a t i -
de tomar en sus manos la Creación.
v i d a d tecnocientífica p o r l a c r e a t i v i d a d tecnocientífica», es
Así, el iniciado místico reúne en u n mismo deseo al
decir, p o r e l p l a c e r y l a satisfacción q u e ésta suscita e n
alquimista y al sabio [...]. Ciertamente que Teilhard de
Chardin no escribió: «En otro tiempo, los precursores de q u i e n l a p r a c t i c a c o m o t a l y q u e t a n t o evoca aquella o t r a

119
118
tentación d e l A r t e p o r el A r t e . Seducción «tecnopoética» E v i d e n t e m e n t e , esta perspectiva sólo se sustenta s i se
que m a n i f i e s t a , c l a r a m e n t e , l a a m o r a l i d a d f u n d a m e n t a l de a d m i t e q u e l a esencia de l a técnica contemporánea n o se
la t e c n o c i e n c i a . agota, e n m o d o a l g u n o , e n el s e r - m e d i o o s e r - i n s t r u m e n t o .
« H a y u n a fascinación p r o p i a de l a técnica [...] que nos
El arte por el arte tecnocientífico lleva a p e n s a r q u e ejecutar t o d o l o q u e es técnicamente
A l experto, como al tribunal, no le está permitido inter- p o s i b l e es u n a a c t i t u d progresista y técnica. Este es el
venir en el dominio en el que él arbitra, ya que el científico
c o m p o r t a m i e n t o típico de l a p r i m e r a generación q u e p r u e -
manipula lo suyo, incluso, cuando el placer de encontrar la
b a todas las p o s i b i l i d a d e s , s i m p l e m e n t e , p o r q u e s o n n u e -
solución técnica l o vuelve ciego o insensible a las conse-
cuencias que resultan de su actividad. Esta ceguera causa- vas, c o m o u n niño juguetón o u n m o n o joven... L a a c t i v i -
da por estetismo no elimina la realidad de la intervención, d a d técnica m a d u r a es o t r a . U t i l i z a los i n t r u m e n t o s técni-
es decir, la instrumentalidad del saber. La ciencia p o r la cos c o m o m e d i o s p a r a c o n s e g u i r u n fin [...]. U n a técnica
ciencia no es el arte p o r el arte, a menos, precisamente, q u e se d a p a r a u n fin e n sí [...] todavía n o es técnica.» 11

que pongamos entre paréntesis el objetivo del que se hace E n c u a l q u i e r caso, n o cabe n i n g u n a d u d a de q u e esta
instrumento satisfaciendo las exigencias de sus propios f i - p r i m e r a vía expresa p u n t o s de v i s t a p a r t i c u l a r m e n t e p u -
nes. «Mi opinión sobre este tema es que, cuando vosotros
jantes e n l a imaginación contemporánea.
veáis alguna cosa técnicamente deliciosa (technicálly sweet)
la llevéis adelante y la realicéis sin preguntaros nada hasta
después de haber obtenido vuestro éxito técnico.» E n esta
célebre frase de Oppenheimer se encuentra todo el equívo-
2. L a s e g u n d a vía: l a conservación d e l
co y la mala fe de los científicos en su relación con el
hombre-naturaleza
poder. Creen que afirmando que el objeto de una investi-
gación es bueno p o r el solo hecho de que es realizable, y
tanto más realizable cuanto más depende de soluciones «Mantener e l p l a n e t a e n u n estado de bien-estar p a r a
«deliciosas», creen separar su dictamen de las implicacio- el h o m b r e » ( G r o s , Sciences de la vie et société p . 57). «So-
nes que entraña, declinando toda responsabilidad en nom- m o s los gestores d e l a b i o s f e r a p e r o n o los propietarios»
bre de las exigencias de la investigación —exigencias esté-
(p. 2 0 1 ) . L a t e c n o c i e n c i a podrá ponerse a l servicio de esta
ticas, cuyo carácter, aparentemente no instrumental es, sin
preservación gracias a los «bancos de conservación de m a -
embargo, l o que engendra la instrumentalidad del produc-
t o — [ J J . Salomón, Science et politique, pp. 255-256]. t e r i a l v i v o » y de u n a «gestión r a z o n a d a d e los genomas de
los seres vivos» (p. 115). Así, Sciences de la vie et société
apuesta p o r l a preservación, conservación y homeóstasis
E n realidad, la pasión que habita en el inventor no tie-
de n u e s t r a b i o s f e r a c o n todas sus especies n a t u r a l e s .
ne ninguna relación, sea del tipo que sea, con sus conse-
cuencias. Aquélla es su razón de vivir personal, su propia
alegría y su propio dolor. E l inventor, esencialmente en sí El respeto por la vida
y por sí, goza de su triunfo sobre los provocadores enig- Para evitar que las condiciones de vida sean puestas en
mas de la naturaleza. Se burla de que su descubrimiento peligro por este constante trajín humano, debe tenerse en
sea útil o peligroso, fecundo o destructivo. Nadie, p o r otra cuenta dos tipos de precauciones.
parte, está en condiciones de juzgar, p o r adelantado, todo 1) Preservar los equilibrios biológicos del planeta: la
esto. Las consecuencias de «una conquista técnica de la biosfera, de la que evidentemente dependemos, corre el
humanidad» nunca son previsibles [O. Spengler, L'homme riesgo, cada vez más y más gravemente, de ser alterada
et la technique, pp. 148-149]. conforme crecen los medios de acción humana. La acción
transformadora que el hombre ha realizado desde siempre

120 121
i)

sobre su medio reviste, de ahora en adelante, nuevas d i - y el h o m b r e , de t a l m o d o q u e s i se concede u n v a l o r p a r a


mensiones. Toda imprudencia corre el riesgo de pagarse el a n i m a l h o m b r e , h a y a también q u e p o s t u l a r — s a l v o que
cara rompiendo la homeóstasis terrestre. A este respecto el v a l o r d e l h o m b r e «se haga caer d e l c i e l o » — algún v a l o r
merecen una atención particular dos clases de fenómenos. p a r a los seres vivos n o h u m a n o s . E n t r e el h o m b r e y los
E n p r i m e r lugar, la evolución de los componentes químicos otros seres vivos habría u n a especie de s o l i d a r i d a d ontoló-
de la biosfera. Por no poner más que u n ejemplo, la con-
gica y axiológica. 12

centración en la atmósfera de anhídrido carbónico se ha


G e n e r a l m e n t e , l a m o r a l c o n s e r v a c i o n i s t a reúne t e n d e n -
acrecentado enormemente desde comienzos de este siglo
[...]. E n segundo lugar, la supervivencia de las especies ani- cias q u e p u e d e n ser o m a r c a d a m e n t e antitecnocientíficas
males y vegetales que pueblan la tierra. Todas las especies (vuelta p u r a y s i m p l e a l a n a t u r a l e z a , c o m u n i d a d e s r u r a -
vivas mantienen entre ellas relaciones, ya sea de coopera- les, etc.) o favorables, exclusivamente, a algunas tecnolo-
ción, caza o predación. Como a menudo h a n señalado los gías l l a m a d a s «blandas» q u e n o t r a s t o r n e n « e l sabio o r d e n
especialistas, la desaparición de una especie puede entra- de l a naturaleza». Pues «todas las cosas n a t u r a l e s c o n o c e n
ñar consecuencias importantes en u n ecosistema. La regla u n a c i e r t a m e d i d a e n s u tamaño, s u r a p i d e z o violencia»;
debería ser, en este caso, la de concertación internacional a h o r a b i e n , «la tecnología n o r e c o n o c e ningún p r i n c i p i o de
y prudencia. autolimitación» y «toda a c t i v i d a d q u e n o respeta este p r i n -
2) Salvaguardar la diversidad biológica. No se trata
c i p i o de autolimitación es diabólica» ( S c h u m a c h e r , Small
sólo de conservar algunas especies en vías de extinción. Se
is beautiful, p p . 153, 161).
trata también de salvaguardar, en el seno de algunas espe-
cies de particular interés para el ser humano, la riqueza E n s u m a y o r p a r t e , l a i m a g e n de l a n a t u r a l e z a q u e s u b -
que les otorga su diversidad genética [F. Gros, Sciences de yace bajo estas consignas de no-intervención es r a d i c a l -
la vie et société, pp. 275-276]. m e n t e p r e d a r w i n i a n a . L a n a t u r a l e z a se c o n s i d e r a sincróni-
ca e i d e a l i z a d a m e n t e c o m o estable, e q u i l i b r a d a , armónica
y s a b i a y, a m e n u d o , explícitamente o n o , c o m o r e g u l a d a
T a m b i é n l a «filosofía» o f i c i a l de l a U N E S C O hace u n a
p o r D i o s . E n pocas p a l a b r a s , g e n e r a l m e n t e suele excluirse
l l a m a d a a u n a m e j o r «gestión de l o v i v o » y a u n a «estrate-
g i a m u n d i a l de conservación». de este p u n t o de v i s t a l a b a r b a r i e , l a v i o l e n c i a , los cataclis-
m o s , las i n m u m e r a b l e s desapariciones de especies, las m u -
G e n e r a l m e n t e se t r a t a de l l a m a d a s de a d v e r t e n c i a q u e
taciones d e s a f o r t u n a d a s , t o d o s los accidentes, callejones
se c e n t r a n sólo e n el s e n t i d o de l a r e s p o n s a b i l i d a d c o l e c t i -
v a de los h o m b r e s respecto de las amenazas q u e pesan s i n salida, catástrofes, derroches, desmedidas, etc., q u e ca-
sobre el a m b i e n t e y q u e p o n e n e n p e l i g r o l a c a l i d a d de r a c t e r i z a n también a l a n a t u r a l e z a c o n s i d e r a d a desde u n
v i d a de las generaciones f u t u r a s e, i n c l u s o , l a s u p e r v i v e n - p u n t o de v i s t a dinámico y e v o l u c i o n i s t a .
cia m i s m a d e l a h u m a n i d a d . Así, y c o m o y a h e m o s señala- L a m o r a l de l a conservación n o parece fundarse s i n o
do, l o q u e se recoge bajo el n o m b r e de ecoética o de ética e n u n m a r c o teológico que hace d e l h o m b r e y de l a n a t u -
a m b i e n t a l s o n a c t i t u d e s q u e o s c i l a n desde u n p u n t o de vis- raleza l a o b r a sagrada de D i o s . S i n d u d a , este m a r c o está,
t a e s t r i c t a m e n t e antropocéntrico (y desde e l c u a l l a a t e n - c o n frecuencia, más o m e n o s implícito y se reduce a u n
ción a l a n a t u r a l e z a n o t i e n e s e n t i d o más q u e e n función s e n t i m i e n t o r e l i g i o s o d i f u s o d e l carácter sagrado de l a n a -
d e l h o m b r e (esta es l a posición más e x t e n d i d a ) , h a s t a u n t u r a l e z a y d e l h o m b r e n a t u r a l - c u l t u r a l . U n a declaración r e -
p u n t o de v i s t a q u e i n t e n t a e n c o n t r a r u n a especie de filoso- ciente y p a r t i c u l a r m e n t e c l a r a de esta m o r a l de n o - i n t e r -
fía de l a n a t u r a l e z a e n l a q u e se señale u n v a l o r p r o p i o vención puede leerse e n L'instruction sur le respect de la vie
p a r a los seres vivos n o h u m a n o s , c e n t r a d a e n e l a r g u m e n - humaine naissante et la dignité de la personne (1987) p u b l i -
t o de l a c o n t i n u i d a d e n t r e las f o r m a s de v i d a p r e h u m a n a s cada p o r el C a r d e n a l R a t z i n g e r y que, e n s u m a , p o n e fin a

122 123
dades occidentales, a u n q u e sean considerados c o n h o s t i l i -
l a investigación y d e s a r r o l l o e n c a m p o s c o m o e l d e l a p r o -
d a d o reserva p o r l a c o n c i e n c i a e i n s t i t u c i o n e s religiosas,
creación y l a genética h u m a n a s . E l núcleo c e n t r a l de esta
p r e c i s a m e n t e p o r ser «contra natura». S o n m u c h o s los q u e
Instruction es q u e h a y q u e respetar el o r d e n y las vías de
señalan el carácter r u i n o s o y bárbaro d e l «laissez faire l a
l a N a t u r a l e z a p o r q u e expresan l a v o l u n t a d d i v i n a .
Nature». P o r t a n t o , h a y aquí u n debate de f o n d o q u e c o r r e
L a ética de l a no-intervención y de l a conservación d e l
el g r a n riesgo de hacerse más i n t e n s o a l h i l o de «las p r o -
h o m b r e - n a t u r a l e z a r e q u i e r e m u c h a s p u n t u a l i z a c i o n e s . Vea-
mesas y peligros» de los desarrollos e n c u r s o e n el c a m p o
m o s algunas.
de las tecnociencias biomédicas. Así, r e f l e x i o n a n d o a p r o -
E n p r i m e r l u g a r , es c l a r o q u e a l a r g o p l a z o — p e r o , q u i -
pósito de las nuevas p o s i b i l i d a d e s p a r a d i a g n o s t i c a r defec-
zás, también e n u n f u t u r o n o l e j a n o y c o m o consecuencia
tos genéticos graves t r a s m i t i d o s o t r a s m i s i b l e s a l embrión,
de algún c a t a c l i s m o cósmico i m p r e v i s i b l e — e l h o m b r e n a -
C r i c k a f i r m a q u e « e n el m a r c o de u n a ética h u m a n i s t a , n o
t u r a l está c o n d e n a d o físicamente a l a desaparición. Sólo
veo p o r qué esto sería u n derecho p a r a t e n e r niños». F. de
u n a tecnología e x t r e m a d a m e n t e a v a n z a d a podría e v i t a r
Closets, q u e l e c i t a , añade q u e se podría «considerar q u e l a
ese d e s t i n o . S i n e m b a r g o , n o podría h a c e r l o s i n afectar
sociedad a u t o r i z a a t e n e r niños a u n q u e el i n d i v i d u o sea
también, p o r c o m p l e t o , l a condición n a t u r a l d e l h o m b r e .
estéril» {En danger de progrés, p p . 2 8 3 - 2 8 4 ) . 13

E n s e g u n d o l u g a r , a u n q u e esta ética p r e t e n d e salva-


E n s u r a d i c a l i d a d , l a m o r a l de l a s i m p l e y p u r a r e n u n -
g u a r d a r f i e l m e n t e l a n a t u r a l e z a h u m a n a , i g n o r a u n aspec-
cia a l a t e c n o c i e n c i a y de u n a especie de v u e l t a a l a n a t u -
t o esencial de ésta: q u e e l h o m b r e es también homo faber
raleza (tentación q u e , r e g u l a r m e n t e , suele aparecer) es t a n
o Especie Técnica; el ser v i v o q u e t r a n s f o r m a y r e c o n s t r u y e
a b s u r d a q u e apenas m e r e c e ser t e n i d a e n c u e n t a . Convie-
la naturaleza que le h a engendrado y que se reconstruye t a m -
ne, también, c o n s i d e r a r l a ética de l a conservación d e l
bién a sí m i s m o .
h o m b r e y l a n a t u r a l e z a c o m o u n a f o r m a mínima de l a vía
E n t e r c e r l u g a r (este p u n t o se desarrollará e n l a vía
i n t e r m e d i a q u e se expresa, p o r ejemplo, e n las m o r a t o r i a s
i n t e r m e d i a ) , las cartas q u e j u e g a n los defensores de l a c o n -
que los científicos se i m p o n e n y c u y o efecto es frenar, c o n
servación p u e d e n estar t r u c a d a s . Así, p o r e j e m p l o , las i n -
m a y o r o m e n o r fuerza, a l a tecno ci enci a. E l p r o t o t i p o de
vestigaciones p a r a l a conservación de los seres vivos, tales
esta clase de m o r a t o r i a s es el q u e se i m p o n e n los biólogos
c o m o e l d e s a r r o l l o de l a m e d i c i n a , p u e d e n , según m u c h o s
c o n respecto a las m a n i p u l a c i o n e s genéticas, t a l c o m o l a
genéticos ( J . H u x l e y , J . L e d e r b e r g , L . Kass, T . D o b z h a n s k y ,
i n i c i a t i v a de P. B e r g . M i e n t r a s q u e m u c h o s científicos esti-
etc.) t e n e r efectos inversos a l a conservación sana de l a
m a n q u e l a única f o r m a a d m i s i b l e de hmitación de l a i n -
especie, f a c i l i t a n d o , p o r e j e m p l o , l a perpetuación de defec-
vestigación sería u n a m o r a t o r i a l i b r e m e n t e d e c i d i d a p o r
tos genéticos. E n r e s u m i d a s cuentas, e l coste — e n s u f r i -
los m i s m o s especialistas d e l c a m p o tecnocientífico a l q u e
m i e n t o h u m a n o — de u n a aplicación e s t r i c t a d e l n o - i n t e r -
l a m o r a t o r i a se a p l i c a , o t r o s , e n c a m b i o , se r e b e l a n i n c l u s o
v e n c i o n i s m o técnico e n l a condición n a t u r a l d e l h o m b r e
c o n t r a esa f o r m a de a u t o c o n t r o l colectivo.
sería e n o r m e , t a n t o es así q u e l a c r e e n c i a e n l a «sabidu-
«Tales investigaciones [se refiere a las d e l cerebro;
ría», «la b o n d a d » , «la armonía» y «la m o d e r a c i ó n » de l a
G.H.] n o p u e d e n y n o d e b e n detenerse. N o creo, en abso-
n a t u r a l e z a es, s i n d u d a , l a p e o r de las cegueras q u e afec-
l u t o , e n las m o r a t o r i a s , n i s i q u i e r a p i e n s o q u e sean p o s i -
t a n crónicamente a l a h u m a n i d a d . Este n o - i n t e r v e n c i o n i s -
bles» (A.R. M i c h a e l i s y H . H a r v e y [eds.], Scientist in Search
m o d e l «laissez faire a l a Naturaleza» llevaría, p o r o t r a p a r -
of their Conscience, p . 151). L a a m b i v a l e n t e autolimitación
te, a p r o h i b i r u n a g r a n c a n t i d a d de p o s i b i l i d a d e s técnicas,
que p r e t e n d e n i m p o n e r s e los tecnocientíficos ( d i v i d i d o s
m u c h a s de las cuales (especialmente las q u e c o n c i e r n e n a
e n t r e el d e m o n i o de l a investigación y el s e n t i d o d < r e s p e - .
l a procreación h u m a n a ) se están y a a p l i c a n d o e n las socie-

125
124
t o a l h o m b r e ) es, a veces, p e r c e p t i b l e e n f o r m u l a c i o n e s La que duplicara las ventajas y los inconvenientes. ¿Qué
c o m o «debemos f e l i c i t a r n o s p o r q u e e l e s t u d i o [ d e l desa- podría ser una «soft science»? Sería la que se basara en
r r o l l o d e l embrión; G.H.] se h a v u e l t o difícil e n l a especie una rigurosa contabilización entre el activo y el pasivo. La
h u m a n a a causa de las reglas éticas y jurídicas, c a d a vez, que tuviera en cuenta los daños causados a la naturaleza,
más a p r e m i a n t e s [teniéndose l a impresión d e pesadas las coacciones impuestas al hombre, las perforaciones he-
chas en fuentes no renovables. La que contabilizaría en su
fuerzas y de i m p e d i m e n t o s i n t o l e r a b l e s ; G . H . ] » ( G r o s et al,
activo toda esta famosa «calidad de vida»: la salud, el ocio,
Sciences de la vie et société, p . 42).
el plan de vida, el encanto del trabajo, la belleza de la na-
¿Cuáles s o n las m o t i v a c i o n e s p r o f u n d a s (más allá de l a turaleza, la riqueza de las relaciones humanas... Los gran-
s i m p l e p r u d e n c i a ) q u e s u b y a c e n a las a c t i t u d e s de r e n u n - des ejes de la investigación se deberían definir en función
cia respecto a las p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas, capaces de de esta contabilidad ampliada y no de u n a contabilidad
t r a s t o r n a r el h o m b r e - n a t u r a l e z a ? estrecha y monetaria [F. de Closets, En danger de progres
N e g a t i v a m e n t e h a b l a n d o , se debe a u n a especie de h o - p. 88].
r r o r sagrado c o n relación a t o d o l o q u e a m e n a z a c o n de-
vastar los c i m i e n t o s m i s m o s d e l o r d e n n a t u r a l , p a r t i c u l a r -
m e n t e e l de l a n a t u r a l e z a h u m a n a . E l deseo de i n t e r v e n i r a 3. L a vía i n t e r m e d i a : p r i m e r a aproximación
especies n a t u r a l e s superiores, de p r o d u c i r híbridos genéti-
cos p a r a - h u m a n o s , i m p u l s a r la s i m b i o t e c n i a h o m b r e - o r d e -
E l i m p e r a t i v o técnico lleva f u e r a de l a ética. Las c o n -
n a d o r o d e s a r r o l l a r el arte de l a prótesis más allá de u n
signas de n o intervención y conservación l l e v a n f u e r a de l a
c i e r t o u m b r a l p u e d e parecer i n s o s t e n i b l e .
tecnociencia. U n a y o t r a actitud extremas buscan, en
P o s i t i v a m e n t e h a b l a n d o , l a e x p e r i e n c i a y afirmación s u m a , resolver l a cuestión expuesta n e g a n d o u n o u o t r o de
del v a l o r d e l h o m b r e n a t u r a l - c u l t u r a l e n l a convicción de los dos términos presentes. A m b a s p e c a n de i r r e a l i s m o y
que el h o m b r e n o puede llegar a ser v e r d a d e r a m e n t e «hu- simplificación.
m a n o » , es d e c i r , u n a p e r s o n a consciente, l i b r e , autónoma
E n t r e los dos extremos que, a l i g u a l que t o d o l o límite,
y, también, a b i e r t a y sensible a l o t r o , s i n o s i g u i e n d o u n
t i e n e n algo de abstracto, existe u n l u g a r p a r a u n a extensa
único c a m i n o y u t i l i z a n d o m e d i o s n a t u r a l e s y c u l t u r a l e s
g a m a de soluciones i n t e r m e d i a s q u e vienen a decir que a l -
(simbólicos); e n l a convicción de q u e n o p u e d e p r o d u c i r s e gunas de las posibilidades tecnocientíficas s o n posibles bajo
tecnocientíficamente a l h o m b r e o a l «superhombre» y q u e ciertas condiciones. Así se p l a n t e a el p r o b l e m a de los crite-
d e m a s i a d a intervención técnica e n este ámbito c o n d u c e , rios, s u elección, s u justificación y s u apücación. P r o b l e m a
necesariamente, a lo a b h u m a n o o i n h u m a n o . éste p a r t i c u l a r m e n t e i m p o r t a n t e y d e l q u e v a m o s a ver, a n -
tes q u e nada, sólo algunos de sus c o n t o r n o s formales.
E n p r i m e r l u g a r se podría p e n s a r u n c r i t e r i o de libertad
«Hard Science» o «Soft Science»
según el c u a l u n a p o s i b i l i d a d — u n a experiencia, p o r ejem-
Hemos visto que la ciencia y la técnica se han movido
p l o — se p e r m i t e desde el m o m e n t o e n q u e todas las partes
al servicio del poder y bajo u n único criterio: la eficacia.
Poco i m p o r t a n las consecuencias indirectas, los inconve- i m p l i c a d a s h a n c o n s e n t i d o e n ello u n a información verda-
nientes, las falsas promesas: lo más eficaz es siempre lo dera, c o m p l e t a y c o m p r e n s i b l e . E l caso más s i m p l e e n el
mejor. Así, la «hard science» sería la que mirara siempre la que se p o n e e n práctica este c r i t e r i o c o i n c i d e c o n l a regla
columna positiva medida en dinero y nunca la columna de o r o de l a experimentación biomédica: el p r i n c i p i o d e l
negativa; la de los abonos, los pesticidas, los desechos, el c o n s e n t i m i e n t o i n f o r m a d o y l i b r e . E n este caso, general-
combustible fósil, la producción en masa o el automóvil. m e n t e , n o h a y más q u e dos i n d i v i d u o s d i r e c t a m e n t e i m p l i -

126 127
#
cados: e l e x p e r i m e n t a d o r y el paciente-sujeto de l a e x p e r i - E l segundo g r a n c r i t e r i o de selección pertenece a u n
mentación. A h o r a b i e n , i n c l u s o bajo esta f o r m a t a n s i m - o r d e n t o t a l m e n t e d i s t i n t o . Se, e n u n c i a f o r m a l m e n t e c o m o
ple, l a aplicación d e l c r i t e r i o de l a l i b e r t a d i n d i v i d u a l sigue: « N o i n t e n t a r n a d a q u e n o sea p a r a e l b i e n d e l h o m -
c o m o único p r i n c i p i o de selección y de limitación de l o b r e y l a humanidad». S i n e n t r a r e n l a i n f i n i t a discusión
tecnocientíficamente p o s i b l e acarrea a l g u n o s p r o b l e m a s . acerca de l a n a t u r a l e z a de este « b i e n » y e n l a l e g i t i m i d a d
P r i m e r a m e n t e , p o r q u e las c o n d i c i o n e s de u n v e r d a d e r o de l a a u t o r i d a d q u e l o d e t e r m i n a (este debate, c i e r t a m e n t e
«consentimiento informado» s o n , a m e n u d o , m u y difíciles c a p i t a l , n o está p r o p i a m e n t e l i g a d o a l a cuestión de l a téc-
de c u m p l i r . L o s sujetos potenciales n o t i e n e n , necesaria- n i c a ) , l l a m a n aquí l a atención dos p u n t u a l i z a c i o n e s . L a
mente, l a competencia requerida para apreciar justamente p r i m e r a , es u n a l l a m a d a general: este n u e v o c r i t e r i o , c u a l -
la información q u e se les d a de b u e n a fe ( i g n o r a m o s aquí q u i e r a q u e sea s u c o n t e n i d o p a r t i c u l a r , n o s vuelve a p o n e r
l a p o s i b i l i d a d de a b u s a r d e l sujeto dándole u n a i n f o r m a - e n u n m a r c o a n t r o p o l o g i s t a : l a t e c n o c i e n c i a n o tiene senti-
ción falsa, i n c o m p l e t a u o r i e n t a d a ) . Parece, pues, deseable d o y l e g i t i m i d a d más q u e a l servicio d e l h o m b r e y l a h u -
q u e se a p l i q u e l a r e g l a q u e i m p o n e u n a p r u d e n c i a y u n a m a n i d a d . E s t o s u p o n e q u e se p u e d e saber e n t o d o m o -
reserva, t a n t o más grandes c u a n t o q u e e l sujeto es m e n o s m e n t o l o q u e es e l h o m b r e y, así, q u e p u e d e n precisarse
a p t o p a r a a p r e c i a r críticamente y c o n c o n o c i m i e n t o de las consignas q u e d e b e n servirle. U n a c r e e n c i a t a l es, sobre
causa l a información. t o d o , p e ligros a p o r ser p o t e n c i a l m e n t e dogmática y t o t a l i -
Pese a esto, aún se plantearían p r o b l e m a s todavía más t a r i a . P o r o t r a p a r t e , el c o n f i n a m i e n t o a n t r o p o l o g i s t a a l
evitar e l t e n e r q u e t o m a r e n serio e l exceso, e l desborda-
i n s o l u o l e s . C u a n d o se t r a t a de u n a investigación auténtica
m i e n t o de las tecnociencias respecto a l a evaluación a n t r o -
(cuyos r e s u l t a d o s s o n , a l m e n o s , p a r t i c u l a r m e n t e i m p r e v i -
p o c e n t r i s t a o r d i n a r i a , c o r r e el g r a n riesgo de entrañar c o n -
sibles), l a información consistirá, e n m a y o r o m e n o r m e d i -
secuencias inesperadas. L l e g a m o s , así, a l a tercera obser-
da, e n confesar q u e se avanza a ciegas y q u e el c o n s e n t i -
vación.
m i e n t o es, s i e m p r e , u n a apuesta o u n a l o c u r a .
O t r a d i f i c u l t a d más es q u e m u c h a s investigaciones n o P o d e m o s , e n efecto, p r e g u n t a r n o s s i i n t e n t a n d o u n
c i e r t o número de p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas beneficio-
t r a t a n c o n i n d i v i d u o s a d u l t o s , c o m o sucede c o n l o q u e a l
sas y h u m a n i t a r i a s , según todas las apariencias, el m a r c o
c a m p o de l a reproducción se refiere: « E l f u t u r o niño n o
a n t r o p o l o g i s t a se verá, s i n e m b a r g o , a m e d i o o l a r g o p l a -
puede d a r s u c o n s e n t i m i e n t o p a r a l a fertilización in vitro,
zo, forzado, d e s b o r d a d o . ¿Acaso e l servicio tecnocientífico
c o n s e n t i m i e n t o r e q u e r i d o p a r a t o d o t i p o de e x p e r i e n c i a
al b i e n h u m a n o n o es necesariamente engañoso?
q u e se h a c e e n e l h o m b r e » ( H . H u s s e y ) . Y ¿qué d e c i r de
las investigaciones, m u c h o más i m p e r s o n a l e s , relativas a l «Cada n u e v o p o d e r d e s t i n a d o a m e j o r a r el bienestar
del h o m b r e puede, igualmente, volverse e n dirección opues-
g e n o m a h u m a n o y , p o r t a n t o , a l d e s t i n o de l a especie?
ta» (D.J. R o y , Promesses et dangers d'un pouvoir nouveau,
I m p o n e r c o m o condición p a r a l a experimentación so-
p. 84).
b r e l o h u m a n o l a m e r a obtención d e l c o n s e n t i m i e n t o , i n -
L o q u e sigue s o n algunos ejemplos de investigaciones
cluso i n f o r m a d o (si f u e r a posible), t r a e c o m o consecuen-
tecnocientíficas q u e p a r e c e n ofrecer todas las garantías de
cia, de f o r m a general, e l q u e n o se l i m i t e l a l i b e r t a d (de
u n auténtico servicio a l « b i e n » h u m a n o .
i n t e n t a r l o p o s i b l e y de l a investigación) más q u e p o r l a
l i b e r t a d ( d e l i n d i v i d u o ) . C o m o es fácil prever, sea l o q u e
sea l o q u e se i n t e n t e y el riesgo q u e ello conlleve, habrá — L a neurotecnología debería p e r m i t i r s u p r i m i r o ca-
s i e m p r e u n i n d i v i d u o d i s p u e s t o a c o r r e r e l riesgo y o t r o n a l i z a r e l d o l o r , l a a g r e s i v i d a d y l a a n g u s t i a , gracias a t r a -
p a r a hacérselo c o r r e r . t a m i e n t o s químicos o eléctricos ( i m p l a n t a c i o n e s ) .

128 129
I>

— L a s tecnologías de reproducción deberían, r a z o n a - t a n t o , de p e r d e r l a ? N o o b s t a n t e , el h o m b r e es i r r e e m p l a z a -


blemente, p e r m i t i r n o cargar a la sociedad c o n individuos ble p o r u n a d o b l e razón e s t r e c h a m e n t e l i g a d a : el h o m b r e
q u e s u f r a n defectos genéticos graves e i n o p e r a b l e s y c u y o t i e n e u n v a l o r e n sí y (o sobre t o d o p o r q u e ) el h o m b r e es
d e s t i n o sería desdichado. la fuente de t o d o v a l o r . P o r e l h o m b r e , y sólo p o r él, existe
— D o m i n a r las causas d e l e n v e j e c i m i e n t o permitiría e n el u n i v e r s o l o q u e l l a m a m o s deber, m o r a l o c a p a c i d a d
a l a r g a r l a v i d a m e d i a a l g u n o s d e c e n i o s o, i n c l u s o más ética. E l v a l o r g e n u i n a m e n t e h u m a n o reside e n el hecho,
tiempo. s i n p a r a l e l o c o n c u a l q u i e r o t r o h e c h o d e l m u n d o , de que
— L a p u e s t a a p u n t o de m e j o r e s prótesis: desde órga- p o r él, y sólo p o r él, l a p r e g u n t a acerca d e l b i e n y el m a l
n o s sensoriales más elaborados o más poderosos, hasta l a surge e n el m u n d o y l a l i b e r t a d d e l d e b e r se r e a l i z a e n el
disposición i n m e d i a t a de m e m o r i a s artificiales... j u e g o cósmico d e l azar y l a necesidad.
Así pues, e n última i n s t a n c i a , e l h o m b r e debería ser
T o d a s estas p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas q u e están ex- p r o t e g i d o p o r q u e es l a fuente de t o d o valor, e n t a n t o que
plorándose e n n u e s t r o s días están a l s e r v i c i o d e l h o m b r e . d i s p o n e de c a p a c i d a d ética y n o t a n t o p o r q u e tiene u n
S i n e m b a r g o , también están, a f e c t a n d o s e n s i b l e m e n t e l a v a l o r en sí.
condición h u m a n a , las «situaciones-límite» de l a h u m a n i - H . Joñas p r o p o n e c o m o l e y ética f u n d a m e n t a l l a de
14

d a d , desde l a concepción h a s t a l a m u e r t e . Estas p o s i b i l i d a - q u e l a existencia o l a esencia d e l h o m b r e n o p u e d e n j a -


des s o n tales q u e n o puede preverse c ó m o reaccionará y se más, e n s u t o t a l i d a d , c o n v e r t i r s e e n u n a apuesta de l a m a -
comportará u n a h u m a n i d a d q u e h a y a sido, p o r s u b i e n , nipulación. Este p r i n c i p i o podría f o r m u l a r s e así: «obra de
d e l t o d o o e n p a r t e , r e m o d e l a d a . ¿Qué hará, o n o hará, t a l m o d o q u e las consecuencias de t u acción sean c o m p a t i -
u n a s o c i e d a d de i n d i v i d u o s electroquímicamente p a c i f i c a - bles c o n l a p e r m a n e n c i a de u n a v i d a auténticamente h u -
da? ¿Qué acometerán los h o m b r e s c u y a esperanza de v i d a m a n a sobre l a Tierra» o « d e t a l m o d o q u e el h o m b r e p u e -
se h a y a d o b l a d o ? ¿Cómo pensarán y obrarán los h o m b r e s d a ser e n t a n t o q u e h o m b r e » . A l f o r m u l a r esta ley Joñas
c o n s u e x p e r i e n c i a s e n s o r i a l ampüada y d i s p o n i e n d o de está p e n s a n d o m e n o s e n el p e l i g r o d e l p u r o y s i m p l e a n i -
u n a m e m o r i a m u l t i p l i c a d a p o r cien? ¿Qué sucederá c o n q u i l a m i e n t o físico de l a h u m a n i d a d ( c o m o consecuencia
u n a h u m a n i d a d cuyos i n d i v i d u o s sean h i j o s de padres des- de u n a g u e r r a , p o r e j e m p l o ) q u e e n l a «muerte esencial»:
c o n o c i d o s , únicos, t r i p l e s o cuádruples? T o d a s estas p r e - l a deconstrucción/reconstrucción tecnológica d e l h o m b r e .
g u n t a s q u e d a n s i n respuesta. T a n t o más c u a n t o q u e , m u - Este es el p e l i g r o más específico, pues p o n e e n p e l i g r o l a
chos de estos c a m b i o s podrían ser a c u m u l a t i v o s . L a h u - s e n s i b i l i d a d ética m i s m a d e l h o m b r e , esto es, de s u facul-
m a n i d a d , tecnocientíficamente r e m o d e l a d a p o r s u « b i e n » , t a d o c a p a c i d a d ética {«Ethikfáhigkeit»). S i n embargo, para
tendrá u n a relación, o f a l t a de relación, c o n l a h i s t o r i a , l a preservar esta c a p a c i d a d ética q u e hace a l h o m b r e y a l
c u l t u r a , el arte, l a acción y l a t e c n o c i e n c i a q u e n o s o t r o s n o v a l o r d e l h o m b r e , es también i n d i s p e n s a b l e preservar el
p o d e m o s n i i m a g i n a r y u n a c a p a c i d a d de resistencia y a u - c o m p l e j o h o m b r e - n a t u r a l e z a - c u l t u r a . L a s e n s i b i l i d a d ética
d a c i a de l a q u e n o t e n e m o s n i idea. n o existe más q u e e n el h o m b r e t a l y c o m o éste se h a
E n r e a l i d a d , el h o m b r e está a b o c a d o a l a vía i n t e r m e - constituido natural-culturalmente.
d i a q u e es también l a q u e r e s u l t a de u n a oscilación e n t r e A l i g u a l q u e l a c a p a c i d a d lingüística, l a c a p a c i d a d ética
los d o s límites e x t r e m o s . S i n e m b a r g o , esta vía i n t e r m e d i a está i n s c r i t a e n e l g e n o t i p o h u m a n o , a u n q u e sólo c o m o
actúa s o b r e u n a i n c e r t i d u m b r e f u n d a m e n t a l : e l s e r v i c i o posibilidad.
«humanista» de l a t e c n o c i e n c i a ¿no c o r r e también e l ries- « E l h o m b r e h a s i d o d o t a d o n o de u n a m o r a l y de u n o s
go de c o n d u c i r más allá de l a esencia d e l h o m b r e y , p o r valores, s i n o de l a f a c u l t a d de a d q u i r i r l o s . L o s valores d e l

130 131
f)
h o m b r e s o n p r o d u c t o de s u c u l t u r a , y n o d e s u genotipo» deshumanización [...] c u a n d o las partes d e l c u e r p o que t i e -
(T. D o b z h a n s k y , L'homme en évolution, p . 3 8 8 ) . n e n q u e v e r c o n l a p e r s o n a l i d a d se m o d i f i q u e n o r e e m p l a -
« L o q u e es h e r e d i t a r i o es el p o d e r , l a c a p a c i d a d p a r a l a cen, c u a n d o se i n t e n t e n c o m b i n a c i o n e s entre a n i m a l e s y el
ética. L a c u l t u r a e n l a q u e e l i n d i v i d u o h a n a c i d o es l o q u e h o m b r e , c u a n d o l o s órganos sexuales, separados d e l cuer-
d i r i g e l a expresión de l a ética [...]. L a evolución n o h a d o - p o y e n c u l t i v o , se c o n v i e r t a n e n c o n t i n u o s p r o d u c t o r e s de
t a d o a l a h u m a n i d a d de u n s i s t e m a ético p a r t i c u l a r ; h a s e m e n p a r a f u t u r o s seres humanos» (pp. cit, p . 355).
h e c h o a los seres h u m a n o s capaces de a p r e n d e r diferentes L a solución a l p r o b l e m a expuesto n o c o i n c i d e , desgra-
t i p o s de éticas, de valores y de morales» (T. D o b z h a n s k y , c i a d a m e n t e , c o n l a aplicación d e l c r i t e r i o d e l «servicio a l
Évolution, p . 4 5 5 ) . b i e n d e l h o m b r e » , s o b r e t o d o , s i este « b i e n » se i d e n t i f i c a
Llegados a este p u n t o l a p r e g u n t a ética, e n e l m a r c o de c o n l a disminución ( n o m a t i z a d a ) d e l s u f r i m i e n t o , desgra-
u n a reflexión sobre l a técnica, t o m a u n a n u e v a dimensión. cias o d i f i c u l t a d e s . V e a m o s a l g u n o s ejemplos q u e i l u s t r a n
E n e l caso de las p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas, y p u e s t o esta d i f e r e n c i a .
q u e estas p o s i b i l i d a d e s p u e d e n afectar c o n s i d e r a b l e m e n t e
a l a n a t u r a l e z a h u m a n a , se t r a t a m e n o s de u n debate d e n - — L a p o s i b i l i d a d de u n c o n t r o l electroquímico d e l h u -
t r o de l a p r o p i a ética ( c o m o es el caso, p o r e j e m p l o , e n el m o r —supresión automática de l a a n g u s t i a , el dolor, l a
q u e dos m o r a l e s , o más s e n c i l l a m e n t e , dos valores e n t r e n agresividad, l a tensión psicológica, e t c . — disminuirá, segu-
e n c o n f l i c t o ) , q u e de u n debate e n el q u e l a ética m i s m a , r a m e n t e , l a c a n t i d a d de s u f r i m i e n t o s i n d i v i d u a l e s , pero p a -
c o m o t a l y c o m o p o s i b i l i d a d específicamente s o l i d a r i a de rece q u e también c o n ello p u e d e d i s m i n u i r s e , a l t i e m p o
la h u m a n i d a d , está e n j u e g o . (salvo q u e n u e s t r a s elecciones sean r e a l m e n t e las adecua-
Parece q u e , e n g r a n m e d i d a , l a unión e n t r e «Ética y das, a u n q u e n o se sabe c ó m o ) , el s e n t i d o m o r a l .
T é c n i c a » debe resolverse a f a v o r de u n a d e las d o s alter- — L a s nuevas técnicas de reproducción y fecundación
nativas: Ética o Técnica. L a p u j a tecnocientífica p o r l a l i - p e r m i t e n a a l g u n a s parejas t e n e r niños s i n , quizás, dañar
b e r t a d de i n t e n t a r t o d o l o p o s i b l e c o n d u c e , de seguro, e n m o d o a l g u n o s u sentido m o r a l . A h o r a b i e n , paralela-
más allá de l a ética. «[...] l a autonomía [ d e l a técnica] se
15
m e n t e , l a p o s i b i l i d a d de c l o n a r h o m b r e s , acción que p r o -
manifiesta respecto a l a m o r a l y a los valores espiritua- duciría i n d i v i d u o s t o t a l m e n t e idénticos y suprimiría las es-
les. L a técnica n o s o p o r t a ningún j u i c i o , n o acepta n i n g u - t r u c t u r a s m i s m a s de parentesco, sí v a a afectar, de seguro
n a limitación» ( J . E l l u l , La technique ou l'enjeu du siécle, ( p e r o ¿cómo y e n qué m e d i d a ? ) , el s e n t i d o ético de los
p. 121). «clones» y de quienes e s t u v i e r a n r e l a c i o n a d o s c o n ellos,
L a «vuelta a l a naturaleza» es, desde u n p u n t o de v i s t a a u n q u e n o fuese más q u e p o r el h e c h o de q u e se habría
práctico y m o r a l , u n a aberración. L a n a t u r a l e z a está más p e r d i d o el carácter único d e l i n d i v i d u o h u m a n o p o l i c o p i a -
acá de l a ética. Queda, pues, l a vía i n t e r m e d i a y l a selec- do. L o m i s m o sucede c o n l a perspectiva de p r o d u c i r híbri-
ción d e l o p o s i b l e técnicamente. Parece, p o r t a n t o , q u e l a dos p o r m e z c l a genética de especies de p r i m a t e s supe-
p r u d e c i a c o n q u e debería realizarse d i c h a selección deberá riores c o n el h o m b r e .
atender, s o b r e t o d o , l a cuestión s i g u i e n t e : ¿tal o c u a l p o s i - — L a m a y o r p a r t e de las veces es e x t r e m a d a m e n t e d i -
b i l i d a d tecnocientífica c o r r e , o n o , el riesgo de d i s m i n u i r , fícil (casi i m p o s i b l e ) a p r e c i a r las consecuencias éticas que
casi de s u p r i m i r , l a c a p a c i d a d ética d e l i n d i v i d u o o de l a conllevará u n a d e t e r m i n a d a p o s i b i l i d a d tecnocientífica.
humanidad? ¿Qué d e c i r de l a eugenesia ( p o s i t i v a y negativa), d e l p a r e n -
E s t o es l o q u e V . P a c k a r d l l a m a el p e l i g r o de d e s h u m a - tesco genético múltiple, de l a liberalización d e l arte de l a
nización: « E s m u y p r o b a b l e q u e se p r o d u z c a u n efecto de prótesis, de las m a n i p u l a c i o n e s genéticas, de los bancos de

132 133
órganos p o r congelación de cadáveres frescos o p o r c o n - co — l o que es ya bastante complicado—, sino u n gemelo
servación vegetativa de m u e r t o s - v i v o s ( c o m a s irreversibles, que sería su padre o su madre? Kass estima que el resulta-
etc.), d e l t r a t a m i e n t o electroquímico de n e u r o s i s y de p s i -
16 do sería desastroso desde u n punto de vista psicológico. De
cosis, de l a p o s i b i l i d a d de i n s e r t a r m i c r o m e m o r i a s e n el igual modo, la clonación sería algo desastroso si tuviera
c e r e b r o h u m a n o , de las i n v e s t i g a c i o n e s s o b r e c y b o r g s , que convertirse en u n modo general de reproducción.
Arrastraría a la humanidad a u n callejón sin salida, indu-
etc.?
ciéndola a una disminución brutal de la diversidad biológi-
ca que, generalmente —se cree—, es necesaria para el pro-
Sueños y pesadillas I: clones humanos greso humano [...].
Ya se juzgue excitante, o no, la posibilidad de que los Uno de los argumentos utilizados p o r Joshua Lederberg
individuos se reproduzcan sin tener que pasar por una re- en favor de la clonación es que ésta ofrece la posibilidad
lación sexual es tomada m u y seriamente por muchos cien- «de servir para los trasplantes de órganos, evitando el pro-
tíficos eminentes, a quienes habría que sumar nombres blema del rechazo». Pero Lederberg olvida plantearse el
como los de Joshua Lederberg, James Watson, R. Edwards tipo de relaciones personales que se establecerían entre
y Jean Rostand. La discusión no se centra en saber si la dos gemelos idénticos, uno de los cuales tuviera que pedir
partenogénesis humana es, o no, realizable, sino en qué al otro que pusiera a su disposición sus recursos físicos. Es
fecha lo será y cuál será el mejor modo de hacerlo. [...] fácil suponer que si de lo que se trata es de que u n gemelo
Seguramente, a menos que la clonación humana no se «clonado» sirva únicamente como material de recambio de
prohiba, corre el riesgo de convertirse en realidad durante piezas estropeadas, valdrá más no conocerlo, o conocerla,
la existencia de la mayor parte de las personas que ahora muy íntimamente [V. Packard, The people Saphers, pp. 254,
viven. Efectivamente, en la medida en que va a tratarse de 260-261, 284].
una «perturbación mayor de las leyes de la evolución», por
tomar las palabras de Lederberg, creo que sería necesario
reflexionar sobre ello, breve, pero seriamente. E n teoría, la
Sueños y pesadillas II: quimeras humanas
reproducción no sexual —o asexual— presenta numerosas
E n el momento actual, y mientras no se produzcan i n -
ventajas. Ofrece la posibilidad de salvaguardar y extender,
fra-hombres, los investigadores pretenden probar todas las
de manera más precisa que la reproducción sexual, los do-
combinaciones posibles entre el hombre y el animal. Todo
nes particulares de algunos individuos, a l menos en lo que
intento p o r crear infra-hombres produciría, probablemen-
a l a base genética de estos individuos se refiere. Sinshei-
te, u n escándalo. Pero nos está permitido suponer que,
mer declara: «La clonación permitiría la conservación y
poco a poco, la gente se acostumbraría a ello. U n cierto
perpetuación de los mejores genotipos de nuestra especie...
número de científicos, reunidos p o r la Rand Corporation,
de igual modo que la invención de la escritura ha permiti-
han planteado la hipótesis de que la producción en serie
do conservar los frutos de su trabajo». Y Lederberg se pre-
de murantes humanos especializados podría ponerse en
gunta: «¿Por qué no copiar directamente a u n individuo
marcha hacia el año 2025. Tales seres para-humanos servi-
superior en lugar de dejar que lo haga el azar al que está
rían para todo tipo de fines. Por ejemplo, como basureros
ligada la reproducción sexual como en el caso de la deter-
o excavadores, oficios para los que cada vez hay menos
minación del sexo, por ejemplo?». [...]
candidatos en el mundo occidental. O, aún más, se les po-
León Kass resume la situación de forma brutal: «No dría confinar en lugares cerrados donde servirían como
existe ninguna regla moral que nos permita saber si la clo- materiales de reserva de órganos para trasplantes. Tal y
nación humana es aceptable». ¿Estamos preparados para como ya hemos visto, las hembras animales que servirán
una nueva ética? [...] de madres sustitutas serán mejoradas gracias a aportacio-
Y, ¿qué decir de los problemas de identidad que debe- nes humanas [...].
ría afrontar u n niño que tuviera no sólo u n gemelo idénti- Evidentemente, todavía estamos bastante lejos de las

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•1
predicciones hechas por algunos sabios respetables que y sin carácter de obligatoriedad, puede tener algunos resul-
afirman que es posible crear híbridos vivos entre el hom- tados positivos para la familia y la sociedad. E l asesora-
bre y el animal. Si es cierto que esta idea va a llegar a miento genético, el examen fetal y los análisis sistemáticos
convertirse u n día en realidad, no queda de más que nos a gran escala, creo que deberían ser fomentados. Pero
preguntemos: ¿cómo trataremos a esos híbridos? cualquier obligación implica una usurpación inútil de
nuestra libertad individual. E l problema más delicado pa-
Gerald Leach ha expuesto bien el dilema ante el que
rece ser el de saber quién eliminará a quién.
nos encontraríamos: «Si se creara u n híbrido hombre-ani-
mal, no lo guardaríamos en casa, sino en u n zoo o en u n N o olvidemos que l o r d Byron estaba cojo. Dostoievski
laboratorio y pagaríamos por verlo y p o r sentir el placer de era epiléptico. Woodie Guthrie tenía la enfermedad de
estar ligados a él... Sin embargo, puede qué esta nueva re- Huntington. Abraham Lincoln era víctima de u n m a l here-
lación resulte difícil de soportar. Los biólogos que trabajan ditario que le producía muchos problemas, entre los que se
en este ámbito harían bien en no olvidar el m i t o del mino- hallan una talla anormal en los dedos de los pies y las
tauro, el Hombre-toro al que hubo que encerrar en u n la- manos. Es indiscutible que muchas personas sobresalen en
berinto porque era demasiado horrible para mirarlo». L o sus actividades para compensar su inferioridad.
más embarazoso, quizás, sería determinar lo que es real- Sir Julián Huxley predijo: «La eugenesia negativa sólo
mente «humano». Creemos saberlo pero, ¿realmente es t a n puede jugar en la evolución u n papel menor y será suplan-
claro? Nuestra vanidad podría afectarse. ¿Cuáles son las tada, progresivamente, por medidas eficaces de eugenesia
fronteras de lo humano? ¿Cuáles son las características positiva» [V. Packard, The people Saphers, p. 241-242].
que hacen a la especie humana única en este planeta? N o
olvidemos que t a n humanos son los aborígenes como los
sabios atomistas [...]. El parentesco múltiple como técnica eugenésica positiva
La creación de quimeras puede poner en riesgo el senti- La posibilidad más inquietante, llegar a conseguir se-
do de la especificidad y la dignidad humanas. Es probable men enriquecido, ha sido descubierta por Beatrice Mintz
que nos dirijamos hacia la creación de quimeras con com- del Institute for Cáncer Research de Filadelfia. Ella consi-
ponente humano. Algunas, quizás, hasta tendrán aparien- guió poner a punto una técnica de investigación para ra-
cia humana. Esta es una razón más para instituir, en cada tones, que permite obtener u n parentesco múltiple. Este
país moderno, una comisión para la investigación genética. temible método consiste en hacer copular simultáneamen-
No veo más que una justificación a la creación de seres te a una pareja de ratones negros de raza pura y una pare-
infra-humanos: el campo que abre a la investigación médi- j a de ratones albinos también de raza pura. E l proceso es
ca y a los trasplantes de órganos. Nunca jamás, los seres el siguiente: cuando los dos huevos fecundados adquirie-
infra-humanos deberán salir de este ámbito [V. Packard, ren el estado de división de ocho células se los coloca uno
The people Saphers, pp. 264-265, 267]. junto a otro en una probeta. La envoltura externa de cada
embrión se disuelve, de modo que las células pueden mez-
clarse. B. M i n t z consiguió así u n embrión de ocho células
compuesto por las células que provenían de ambas parejas.
La eugenesia negativa E n resumen hay, pues, cuatro pares. E l nuevo embrión
Se ha hecho muchas proposiciones para promocionar continuó su crecimiento, tras implantarse, en una rata que
la esterilización de las personas con defectos genéticos i m - lo llevó a término. E l recién nacido presentaba característi-
portantes. E n Dinamarca la ley impone la esterilización de cas blancas y negras mezcladas, no sólo en la piel, sino
las mujeres que tienen u n C I inferior a 75. Hace 25 años también en los ojos. ¿Sería posible producir de igual modo
que el Estado de Carolina del Norte hizo obligatoria la es- seres humanos con padres múltiples? B. M i n t z está «total-
terilización de los débiles mentales. Cerca de 100.000 per- mente convencida de ello».
sonas fueron esterilizadas [...].
La eugenesia negativa, si se practica de forma humana Robert Sinsheir piensa que es probable y cuando se

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136
pregunta p o r lo que sucedería desde u n punto de vista psi- s u sexo. P r o h i b i r , r o t u n d a m e n t e , de elección d e l sexo t a m -
cológico responde: «Nadie puede decirlo». Y aunque p u -
p o c o es resolver el p r o b l e m a d e l niño simbólicamente r e -
diera decirse, el resultado tampoco sería m u y efectivo. Por
chazado. Es más, l a v o l u n t a d de los padres de c o n f o r m a r a
su parte, B. Mintz es pesimista en cuando a las ideas que
desencadenan el entusiasmo de los eugenistas positivos. E l su(s) hijo(s) sobrepasa l a cuestión d e l sexo: afecta a l a e d u -
tema de la paternidad múltiple le parece irresponsable. cación, a los sueños de los padres, a sus esperanzas y a m -
¿Por qué? Porque los resultados son imprevisibles. A dife- b i c i o n e s p r o y e c t a d a s sobre s u descendencia. ¿En qué sería
rencia de los ratones de laboratorio, los seres humanos no perverso el i d e a l de u n a p a r e j a deseosa de t e n e r u n a niña
son de raza pura. E l niño podría nacer hermafrodita, a después de h a b e r t e n i d o u n niño, o viceversa? ? E n qué
menos que los cromosomas sean examinados cuidadosa- m e d i d a sería, a fortiori, c o n d e n a b l e el deseo de u n a pareja
mente. De igual modo, salvo que se supervisaran m u y que y a h a y a t e n i d o tres o c u a t r o h i j o s de u n m i s m o sexo
atentamente los genes de la pigmentación, el niño podría de t e n e r u n h i j o d e l o t r o sexo, etc.? N o es sólo l a p r o b l e -
tener u n a apariencia vagamente veteada [V. Packard, The
mática i n d i v i d u a l de los sueños de los padres, que, p o r
people Saphers, pp. 246-247].
o t r o l a d o , c o n v i e n e t e n e r s i e m p r e e n cuenta, l o q u e n o s
parece c a p i t a l e n esta cuestión, s i n o q u e l a t e c n o c i e n c i a n o
C o m o p a r a u n a p a r t e considerable, l a repercusión ética
debe c o n v e r t i r s e e n e l m e d i o p a r a r e a l i z a r n o i m p o r t a qué
depende de las c o n d i c i o n e s p a r t i c u l a r e s e n q u e es c o n d u c i -
deseo. Es también esencial el e n t o r n o ideológico-cultural
d a u n a investigación y u n a p o s i b i l i d a d d i f u n d i d a , es casi
e n q u e se u b i c a e l p r o b l e m a . L a p o s i b i l i d a d de l a elección
i m p o s i b l e d e c i d i r a priori y a b s o l u t a m e n t e s i t a l cosa debe
del sexo, b a j o ciertas c o n d i c i o n e s , n o n o s parece u n a even-
ser t o l e r a d a o i n t e n t a d a , o i n c l u s o —¿previsoriamente?—
t u a l i d a d n e c e s a r i a m e n t e n e g a t i v a o i n q u i e t a n t e e n u n país
descartada. L o q u e l l a m a m o s e n t o r n o simbólico ( c u l t u r a ,
d o n d e l a i g u a l d a d e n t r e el h o m b r e y l a m u j e r se h a c o n -
ideología, i n s t i t u c i o n e s , t r a d i c i o n e s , régimen político, etc.)
v e r t i d o e n u n a r e a l i d a d , n o sólo e n las leyes s i n o también
de las p o s i b i l i d a d e s tecnocientíficas debe desempeñar u n
e n las prácticas sociales, las m e n t a l i d a d e s y los c o m p o r t a -
p a p e l c a p i t a l e n l a evaluación de aquéllos.
m i e n t o s . E n tales c o n d i c i o n e s , el desear u n niño c o n u n
T o m e m o s u n p r i m e r e j e m p l o : se hace c a d a vez más sexo d e t e r m i n a d o n o es automáticamente r e l a c i o n a b l e a
p r e c i s a l a p o s i b i l i d a d de c o n o c e r m u y t e m p r a n a m e n t e c u a l q u i e r deseo de p o d e r o a c u a l q u i e r pulsión compensa-
— c o m o o c u r r e e n el caso de las f e c u n d a c i o n e s in vitro— t o r i a : p u e d e ser e l deseo de u n a p a r e j a de e n r i q u e c e r s u
el sexo d e l embrión y , p o r t a n t o , l a p o s i b i l i d a d de elegir el experiencia y sus alegrías c o m o padres, y, p o r t a n t o , de
sexo d e l bebé. S u p o n g a m o s q u e esta técnica se perfeccione desarrollarse e n l a a p e r t u r a de las diferencias, de l a rique-
y se h a g a m e n o s pesada, y q u e l a p o s i b i l i d a d d e l a elección za de las alteridades... N o o c u r r e l o m i s m o allí do nde, p o -
d e l sexo se c o n v i e r t a e n u n a r e a l i d a d : ¿hay q u e p r o h i b i r l a , lítica y s o c i a l m e n t e , simbólica e i m a g i n a r i a m e n t e , l a m u -
o n o ? A l g u n o s a f i r m a n q u e aquí habría ( c o m o e n el p r o - j e r continúa siendo i n f r a v a l o r a d a , c o n s i d e r a d a m e n o s q u e
b l e m a de l o s a b o r t o s p o r c o n v e n i e n c i a p e r s o n a l , q u e esta el h o m b r e . E n tales países, l a p o s i b i l i d a d de elegir el sexo
p o s i b i l i d a d entrañaría), p o r p a r t e de los padres, u n deseo sólo puede c o n v e r t i r s e e n fuente de abusos, de i n j u s t i c i a s y
a b u s i v o de c o n f o r m a r a l niño, deseo n a c i d o de l a i n c a p a c i - de riesgos s u p l e m e n t a r i o s . L a cuestión de l a elección d e l
d a d de a c e p t a r y q u e r e r a l prójimo p o r él m i s m o e i n d e - sexo n o p u e d e considerarse i n d e p e n d i e n t e m e n t e de s u e n -
p e n d i e n t e m e n t e de l a i m a g e n q u e se h a y a ( p r e ) f o r m a d o de t o r n o simbólico e i n s t i t u c i o n a l — a todos los niveles: i n d i -
aquél. Quizás p u e d a ser así, p e r o esta objeción n o resuelve v i d u a l - f a m i l i a r ; s o c i a l y político; c u l t u r a l y t r a d i c i o n a l —
el p r o b l e m a . F o r m u l a r l a n o hará q u e los p a d r e s se v u e l v a n d o n d e t a l p o s i b i l i d a d está l l a m a d a a actualizarse o n o . Es
más acogedores a l a llegada de u n bebé c u a l q u i e r a q u e sea m u y c i e r t o q u e las c o n d i c i o n e s ideales de s u d e s a r r o l l o n o

138 139
t
existen más q u e de m a n e r a más o m e n o s a p r o x i m a t i v a , t u d de donación, q u e el término «donante» e n p r i n c i p i o
e n ciertos países. Pero esto n o debe c o n d u c i r a c o n d e n a r p r e s u p o n e . E l paso de l a a c t i t u d de protección «egoísta» y
p u r a y s i m p l e m e n t e esta p o s i b i l i d a d que, b i e n e n t e n d i - posesiva d e l d i f u n t o , a u n a a c t i t u d más a b i e r t a de d o n a -
da, p u e d e también desempeñar u n p a p e l p o s i t i v o e n el ción, n o podría hacerse sino l e n t a m e n t e m e d i a n t e u n es-
r e c o n o c i m i e n t o v e r d a d e r o de l a d i f e r e n c i a e i g u a l d a d de fuerzo de sensibilización, de información y de educación
sexos. que u n a ley c o m o l a c i t a d a hace casi inútil, p o r q u e el úni-
S e g u n d o e j e m p l o . L a s técnicas de extracción y de co t i p o de s o l i c i t u d q u e espera d e l i n d i v i d u o parece n e g a t i -
t r a n s p l a n t e de órganos se h a n d e s a r r o l l a d o c o n s i d e r a b l e - vo: n o h a c e r n a d a y , p o r t a n t o , ser p r e s u m i b l e d o n a n t e , u
m e n t e e n estos últimos años de f o r m a q u e se n o t a u n a oponerse y , p o r t a n t o , r e a c c i o n a r n e g a t i v a m e n t e a esta
f a l t a a g u d a de n u m e r o s o s t i p o s d e t r a n s p l a n t e s . L a reac- presunción.
ción a este déficit, q u e sería únicamente d i c t a d o p o r l a
v o l u n t a d de e x p l o r a r las p o s i b i l i d a d e s a b i e r t a s p o r l a téc-
Extracción de órganos
n i c a y l a preocupación p r o g r e s i s t a d e l «bien d e l h o m b r e » ,
Como dice J. Rostand: «como el "cuerpo vivo", el cadá-
consiste e n l e g i s l a r l a autorización d e l a extracción de ór-
ver está hoy valorado por el único hecho del progreso de
ganos e n u n cadáver q u e puede i n t e r e s a r p a r a esa extrac-
las ciencias biológicas». Antaño estaba destinado a des-
ción (ejemplo: jóvenes fallecidos e n u n a c c i d e n t e ) . E s t o p o - componerse liberando sus elementos psicoquímicos, los
dría ser c o n s i d e r a d o c o m o u n a ley «social» o i n c l u s o «hu- cuales se reintroducían en el ciclo general de la vida cós-
manitaria». S i n e m b a r g o , y cada u n o p u e d e s e n t i r l o te- mica de una manera lenta (inhumación) o brutal (incinera-
n i e n d o e n c u e n t a esta e v e n t u a l i d a d , u n a a c t i t u d t a l afecta ción). Actualmente, algunos de sus órganos pueden ser
p r o f u n d a m e n t e n u e s t r a relación c o n l a m u e r t e y c o n el reintroducidos en el ciclo de la vida humana. Lo que la
c u e r p o d e l h o m b r e . Éste es t r a d i c i o n a l m e n t e u n o b j e t o de naturaleza hacía globalmente y en su provecho, el hombre
puede hacerlo con sus órganos particulares y en beneficio
respeto y el sujeto de m i s t e r i o s «sagrados» p a r a los cre-
propio.
yentes. E s también, p a r a sus padres, e l símbolo presente
Pero el ejercicio de este nuevo poder no es concreta-
de u n ausente q u e fue a m a d o y el s o p o r t e d e l d o l o r . Breve-
mente posible más que si se supera efectivamente el senti-
m e n t e , es t o d o l o c o n t r a r i o a u n «depósito d e órganos úti-
miento espontáneo que suscita de profanación y de falta
les» a l o q u e le r e d u c e l a consideración de s u única f u n - de respeto infligidos al difunto. Para lo cual tenemos que
ción técnica y a b s t r a c t a m e n t e h u m a n i t a r i a . interrogarnos sobre el origen y las razones de u n senti-
N o se t r a t a de o p o n e r aquí, s i m p l e m e n t e l o p o s i b l e y e l miento como ese. E l cadáver es el símbolo presente de una
i m p e r a t i v o tecnocientífico, de u n a p a r t e , y las f u n c i o n e s ausencia. Continúa señalando una presencia convertida,
simbólicas, de o t r a , c o m o s i u n a s f u e r a n a b s o l u t a m e n t e ahora, en radicalmente ausente [...].
b u e n a s y las o t r a s m a l a s (o a l revés). Se t r a t a de t o m a r e n Desde entonces, la injuria cometida al cadáver median-
te la extracción se convierte en una injuria cometida a la
consideración t o d o s los aspectos y sus a m b i v a l e n c i a s , y de
relación, profundamente sagrada, que los familiares tienen
i n t e n t a r articularlos. Relacionadas c o n este f i n , las leyes
aún con él [...].
a u t o r i t a r i a s , de aplicación automática, p a r e c e n d e p o c a
Con relación al cadáver, la ética varía según la cosmo-
u t i l i d a d y , quizás, destructivas. Así, e n Bélgica t o d o i n d i v i - logía, la antropología y la fe que uno tenga. E n u n mundo
d u o q u e n o h a f o r m u l a d o expresamente u n a s o l i c i t u d precientífico, mentalidad mística, panteísmo, cristianismo,
o p u e s t a (¿hostil?) es v i s t o p o r l a Administración c o m o u n pueden originar actitudes diferentes. E n u n mundo marca-
p r e s u m i b l e d o n a n t e p o t e n c i a l . U n a l e y c o m o esta n o v a e n do por el pensamiento científico y técnico, la función ins-
el s e n t i d o de u n a evolución de m e n t a l i d a d e s h a c i a l a a c t i - trumental del cuerpo muerto no sólo aparecerá, sino que

140 141
é>

9. «Biologie et morale», Tríbune de Allemagne (16-8-1981).


se puede convertir hasta tal punto en invasora que toda
10. M. R e h b i n d e r , «Rechtliche u n d ethische G r e n z e n der G e n m a n i p u -
ética corre el peligro de ser pensada a partir de esa fun-
lation», Univesitas (agosto 1979).
ción, en detrimento de la función simbólica. 11. Cf. V o n W e i z s a c k e r , citado p o r H . Stork, Einführung in die Philo-
Me parece, por el contrario, que la actitud justa consis- sophie der Technik, Darmstadt, Wiessenschaftliche Buchgesellschaft 1977
te en articular entre ellas ambas funciones. E l cadáver no pp. 177-178.
es sólo u n depósito de órganos útiles del que se pueda dis- 12. Cf. a este respecto la reflexiones de H . JOÑAS, Das Prinzip Verant-
poner en función de las necesidades de los seres vivos, es wortung: Versuch einer Ethik für die technologische Zivilisation, Francfort
también símbolo presente de una ausencia, símbolo de u n a. M., S u h r k a m p , 1979.
ser que ha podido ser profundamente amado y que acaba 13. Según B . G l a s s , los dirigentes del futuro decretarán que los padres
«no tienen derecho a c a r g a r a l a sociedad c o n u n niño m a l f o r m a d o o
de desaparecer. Pensar éticamente u n a extracción de órga-
mentalmente incompetente» (V. P a c k a r d , op. cit., p. 238).
nos requiere que no se desdeñen estos elementos de orden
14. Das Prinzip Verantwortung: Versuch einer Ethik für die technologis-
relacional que existen en el entorno familiar. Es decir, que che Zivilisation, op. cit.
este último debe ser consultado. 15. L a a m o r a l i d a d de l a técnica se h a subrayado, a menudo, e n u n a
Para reunir estas conclusiones en u n a fórmula, diría ecuación: l a técnica es u n m e d i o (ver, p o r ejemplo, H . J . Meyer, Die Tech-
que función instrumental y función simbólica del cadáver nisierung der Welt, Tubinga, Niemeyer, 1961).
deben articularse entre ellas, regularse la una p o r la otra, 16. O «neomuertos [que] podrían también utilizarse c o m o fábricas'de
lo cual no puede hacerse sino en referencia a una estructu- hormonas, de antitoxinas y de anticuerpos» (V. P a c k a r d , op. cit., p. 307).
ra de donación, desempeñando el papel de término medio.
Sobre este punto, la ley francesa está lejos de ser satisfac-
toria. La extracción es recogida no como u n a donación
sino como una toma [P. Demy, «La l o i francaise sur le
prélévement d'organes», en La Bioéthique, pp. 134-135].

NOTAS

1. S i se d e s e a n v e r otros ejemplos se p u e d e r e v i s a r el cap. m y, e n


general, V . P a c k a r d , The people Saphers, L o n d r e s , F u t u r a , 1978.
2. Galetti, «Les organes artificiéis», Science et Avenir (julio 1981).
3. R . B o g o m o l n y (ed.), Human Experimentation, D a l l a s , Southern
Methodist University Press, 1976, p. 83.
4. Citado p o r H . L e n k , «Towards a p r a g m a t i c a l s o c i a l Philosophy o f
Technology a n d the Technological Intelligentsia», e n P . T D u r b i n (ed.), Re-
search in Philosophy and Technology, vol. 7, G r e e n w i c h , C T , J a i Press,
1984.
5. Citado p o r D. J a n i c a u d , La puissance du rationnel, París, G a l l i m a r d ,
1985.
6. Citado p o r H . L e n k , «Towards a p r a g m a t i c a l s o c i a l Philosophy of
Technology a n d the technological Intelligentsia», e n P . T . D u r b i n (ed.), Re-
search in Philosophy and Technology, op. cit.
7. J . J Salomón, e n A.R. Michaelis y H . H a r v e y (eds.), Scientists in
Search of their Conscience, Berlín/Heidelberg, Springer, 1973.
8. Citado p o r J . J . Salomón, op. cit., p. 39

143
142
CAPÍTULO Vil

A S P E C T O S S O B R E LA VÍA INTERMEDIA

L a acción n o puede p o n e r en juego jamás l a


existencia o l a esencia del hombre.

H. JOÑAS

S i realmente l a técnica m e hace soberana-


mente libre, s i puedo hacerlo todo, entonces
soy también espantosamente responsable de
Todo.

J. ELLUL

Tecnología y filosofía representan los polos


extremos del hiato entre las «dos culturas».

C. MrrcHAM

N o p o d e m o s legislar p a r a l a eternidad [...]. E s


imposible e i n c l u s o i n m o r a l .

P. ROQUEPLO

1. Interacción d e l o simbólico y d e l a técnica

E n t r e l o simbólico (lo c u l t u r a l , l o t r a d i c i o n a l , l o i n s t i t u -
c i o n a l , l o ideológico, etc.) y las tecnociencias hay, a l a vez,
diferencias e i n t e r a c c i o n e s . E s t o debe h a c e r que seamos
cautos a n t e tres p e l i g r o s : el de confusión o reducción, el
de separación y a i s l a m i e n t o , y el de simplificación.

a) Las f o r m a s e n q u e el signo y l a técnica se c o n f u n -


den, y viceversa, s o n i n n u m e r a b l e s . L a más a n t i g u a , s i n
d u d a , es l a m a g i a q u e a t r i b u y e a los signos u n a eficacia
tecnofísica. S i n e m b a r g o , las confusiones m o d e r n a s v a n ,
más b i e n , e n o t r o s e n t i d o , a t r i b u y e n d o a las tecnociencias
v i r t u d e s simbólicas, es d e c i r , q u e d a n a l a h u m a n i d a d u n

145
I)

d e t e r m i n a d o fin y u n s e n t i d o a l a vez q u e l a u n e n . E s t a es errores y c o n t r a t i e m p o s de elevado coste h u m a n o p o r l o


la ilusión q u e c r e a n l a m a y o r p a r t e d e las ideologías y u t o - que a l s u f r i m i e n t o se refiere.
pías tecnocientíficas. U n a exigencia p r i m e r a y c a p i t a l c o n -
siste e n r e c o n o c e r , entre l a profusión de d i s c u r s o s q u e e n - E n l a práctica, el p r o b l e m a de l a interacción o dialécti-
v u e l v e n las tecnociencias, l a p a r t e q u e describe l o q u e es ca e n t r e l o simbólico y l o técnico está e n el corazón de u n
p o s i b l e h a c e r tecnocientíficamente ( l a p a r t e o p e r a t i v a y g r a n número de trabajos y empresas, en especial desde
p r o p i a m e n t e «científica») y d i s t i n g u i r l a de l a p a r t e q u e n o que se e m p e z ó a t e n e r c o n s c i e n c i a de l a a m b i v a l e n c i a de
es más q u e m e r o acompañamiento ideológico, f a n t a s m a - las tecnociencias y de l a h e n d i d u r a q u e existía e n l a socie-
górico y simbólico suscitado, más o m e n o s i n c o n s c i e n t e - d a d o c c i d e n t a l e n t r e d o s «culturas»: l a l i t e r a r i a y l a cientí-
m e n t e , p o r el deseo —deseos, angustias, esperanzas, sue- fica (cf. P. S n o w , The two Cultures and a Second Look,
ños—. A h o r a b i e n , conseguir u n a información r e a l m e n t e 1963). L o s i n t e n t o s p a r a c o n s t r u i r u n p u e n t e y a r t i c u l a r l o
fiable es l a p r i m e r a a c t i v i d a d q u e los p r o p i o s científicos técnico y l o simbólico se r e a g r u p a n , f u n d a m e n t a l m e n t e ,
d e b e n r e a l i z a r . C o n s t a n t e m e n t e t e n e m o s e x p e r i e n c i a de l a e n t o r n o a los ejes centrales siguientes: 1) investigaciones
desnaturalización q u e las tecnociencias están c o n o c i e n d o . sobre l a h i s t o r i a de las ciencias y las técnicas, c u y o fin era
¿Qué imágenes — y qué hechos o acciones técnicas p r e c i - m o s t r a r q u e esta h i s t o r i a n o es de u n a dirección única y
sas— evocan, p o r ejemplo, en n o s o t r o s expresiones tales o b l i g a d a , s i n o r e a l m e n t e c o m p l e j a , l l e n a de errores, r e m o r -
c o m o «bebés probetas» o «Big-Bang»? d i m i e n t o s , a b a n d o n o s , callejones s i n salida y, sobre t o d o ,
b) D i s t i n g u i r n o es e n a b s o l u t o aislar, s i n o r e c o n o c e r de líneas de investigación y de d e s a r r o l l o p r o f u n d a m e n t e
las d i f e r e n c i a s c o n el f i n de p o d e r e n t e n d e r m e j o r las i n - i n f l u e n c i a d a s p o r el e n t o r n o simbólico y psicosocial; 2) los
fluencias, c o n d i c i o n a m i e n t o s recíprocos e i n t e r a c c i o n e s . g r u p o s y p r o g r a m a s de investigación S-T-S (Ciencia, Tec-
E n t r e e l b o r d e de l o simbólico (atravesado p o r c o r r i e n t e s nología y S o c i e d a d ) y de d e s a r r o l l o de u n a «cultura cientí-
de i d a y v u e l t a e n t o d o s los sentidos) y las t e c n o c i e n c i a s , fica» q u e se p r e g u n t a n c ó m o r e m e d i a r l a r u p t u r a socio-
las i n t e r a c c i o n e s s o n constantes. L o s recientes d e s a r r o l l o s ideológica existente e n t r e las «dos culturas» y cómo r e a l i -
en e l c a m p o d e l a procreación s o n u n a fue nt e e x t r a o r d i n a - zar u n a integración recíproca y l o más fluida p o s i b l e entre
ria de f a n t a s m a s , d i s c u r s o s convergentes y divergentes la c u l t u r a h e r e d a d a d e l pasado y l a científico-técnica del
que, a s u vez, i n c i d e n e n el d e s a r r o l l o y orientación de f u t u r o ; 3) l a p u e s t a e n práctica de p r o g r a m a s de evalua-
esas t e c n o c i e n c i a s e n p l e n o estado de d e s a r r o l l o . A s u vez, ción p l u r i d i m e n s i o n a l de proyectos de investigación y de-
las t e c n o c i e n c i a s s o n l a fuente y e l b l a n c o d e t i r o e n los s a r r o l l o («Technology Assessment», «Risk Assessment») en
q u e se e x p r e s a n y d i s i m u l a n los p o l i m o r f o s deseos de p o - los q u e se a n a l i z a n y c o n s i d e r a n , a n t i c i p a d a m e n t e , todas
der, de liberación, de represión, etc. las consecuencias e i m p l i c a c i o n e s previsibles (políticas,
c ) D e b e m o s a n a l i z a r , e n l a m e d i d a de l o p o s i b l e , e l económicas, sociales, psicológicas, ecológicas, jurídicas,
c o n j u n t o d e factores q u e interactúan y n o s i m p l i f i c a r las etc.) f a c i l i t a n d o y c o n t r o l a n d o , así, s u inserción e n l a so-
c i e d a d e n q u e v a n a i m p l a n t a r s e ; 4) el d e s a r r o l l o de «co-
cuestiones ético-políticas que se i m p o n e n respecto a l a i n -
m i s i o n e s y comités de ética», e n especial, e n el c a m p o de
vestigación y a l d e s a r r o l l o científico. E s t o n o s permitirá
las tecnociencias biomédicas. Estos comités, c u y a regla de-
distinguir, en p r i m e r lugar, que hay dos tipos de constric-
bería ser l a p l u r i d i s c i p l i n a r i e d a d y p l u r a l i s m o , a b o r d a n las
ciones y de límites c u a n d o se h a b l a de i n t e n t a r t o d o l o
prácticas biomédicas c o n s i d e r a n d o n o sólo aquello que va
tecnocientíficamente posible: p o r u n l a d o , los físico-objeti-
e n interés de l a I + D tecnocientífica, sino, sobre t o d o ,
vos, p o r o t r o , los simbólico-culturales. D e s p r e c i a r u n o s u
t e n i e n d o e n c u e n t a t o d o s los p r o b l e m a s h u m a n o s q u e se
otros supone u n a actitud irresponsable y que conduce a

146 147
p l a n t e a n ; 5) e l esfuerzo general y más d i f u s o , p e r o c a p i t a l La reflexión de Roqueplo es más adecuada a la realidad:
p a r a l a d e m o c r a c i a , de l a intercomunicación e n t r e tecno- la cultura técnica consiste, más bien, en conocer el medio
en el que se vive. E l que no tiene esa cultura ignora su
científicos (expertos), políticos, los diferentes g r u p o s socia-
medio y está doblemente alienado: no domina su propio
les y e l público e n general. Esto n o q u i e r e d e c i r q u e este
entorno y está en dependencia de aquellos que tienen el
esfuerzo n o conlleve también u n a serie d e «deslizantes» «conocimiento». La cultura consiste en la posesión de
riesgos c o m o el de l a «expectocracia» o t e c n o c r a c i a , el de conocimientos y del saber-hacer susceptibles de darnos u n
l a divulgación c a r i c a t u r i z a d a de l a c i e n c i a , l a m a n i p u l a - dominio personal sobre nuestro entorno y u n control sobre
ción de l a opinión pública e n t o d o s los sentidos, etc. la actividad de aquellos que crean los recursos. La falta de
¿Significan t o d o s estos esfuerzos q u e es p o s i b l e u n a esta cultura causa una alienación generalizada. No insistiré
v e r d a d e r a síntesis e n t r e l o simbólico y l o tecnocientífico? en el tema de que el gran boom tecnológico impide tener
una «cultura omnitécnica» en cirugía, en informática, en
U n a síntesis de este t i p o implicaría algo más q u e l a s i m p l e
electricidad, en mecánica, en ingeniería genética, en quími-
gestión de las i n t e r a c c i o n e s e n t r e dos p o l o s c u y a r e l a t i v a
ca, en televisión, etc. Esto es imposi- ble. Pero el hecho del
autonomía e i d e n t i d a d n o s o n negados e n esta gestión. E l que Roqueplo habla (los conocimientos prácticos y técni-
t e m a de l a síntesis acaba así c o n v e r t i d o e n e l t e m a — t a n cos) es mucho más grave y no tiene nada que ver con una
e x t r e m a d a m e n t e p o l é m i c o — de l a p o s i b i l i d a d de u n a a u - cultura. Más bien nos conduce hasta una pregunta funda-
téntica c u l t u r a científico-técnica. mental: ¿a qué podemos llamar cultura? [...]
También aquí existen dos tendencias v i o l e n t a m e n t e e n - Una cultura técnica es esencialmente imposible. Para
frentadas: p o r u n lado, l a c u l t u r a tecnocientífica n o es sólo que sea posible los tecnólogos la reducen, como hemos vis-
u n a e x i g e n c i a sensata y legítima, s i n o también necesaria to, a una mera acumulación de conocimiento [J. Ellul, Le
p a r a u n a s o c i e d a d responsable. P o r o t r o l a d o , l a noción bluffiechnologigue, pp. 170-175].
m i s m a es c o n t r a d i c t o r i a y carece de s i g n i f i c a d o : t a l c u l t u -
r a n o p u e d e n a c e r más q u e de l a dirección de aquellos q u e La cultura no tiene originariamente, y en sí, nada que
ver con la ciencia y no resulta, en modo alguno, de ella
jamás h a n c o m p r e n d i d o l o q u e es u n a c u l t u r a . E n este
[...]. La ciencia no tiene, como tal, ninguna relación con la
p u n t o n o s l i m i t a r e m o s a i l u s t r a r este i m p o r t a n t e debate
cultura y ello se debe a que se desarrolla fuera de la esfera
q u e g i r a a l r e d e d o r n o sólo de l a definición de c u l t u r a , s i n o de la «cultura» [...]. La relación entre ciencia y cultura es
también — i n c l u s o , quizás, y e n p r i m e r l u g a r — de las d e f i - una relación de exclusión recíproca [ M . Henry, La barba-
n i c i o n e s de prácticas tecnocientíficas. U n t e m a c r u c i a l , rie, passim].
pues, sería el de l a relación e n t r e t e c n o c i e n c i a ( t e c n o m a t e -
mática) y lenguaje.
Por una cultura tecnocientífica
E s imposible una cultura tecnocientífica La cultura debe quedar por encima de la técnica, pero
La divulgación no trasmite más que el discurso y el dis- debe incorporar a su contenido el conocimiento e intuicio-
curso (técnico) no es la práctica (científica). Del conoci- nes de los genuinos esquemas técnicos. La cultura sirve al
miento científico no puede surgir una cultura porque éste hombre para regular su relación con el mundo y consigo
se desnaturaliza cuando se transforma en discurso y olvida mismo; ahora bien, si la cultura no incorpora la tecnología
las condiciones de su propia producción. La divulgación esto acabará produciendo una laguna y no podrá procurar
no puede pretender ser otra cosa que una operación de una normatividad reguladora de la relación del hombre
socialización de la ciencia, conducente a l a jerarquización con el mundo. Pues en el binomio hombre-mundo, que es
de saberes. [...] el de los conjuntos técnicos, existen pautas de acción y de
condicionamientos que no pueden entenderse con claridad

148 149
más que mediante los conceptos definidos por u n estudio pues, para suprimir, en la medida de lo posible, esta alie-
más reflexivo y directo. La cultura debe ser contemporá- nación [P. Roqueplo, Penser la technique, pp. 37-38].
nea a las técnicas, debe reformar y renovar su contenido
etapa por etapa. Si la cultura sólo es tradicional es falsa
porque implícitamente comporta una forma de regulación
2. R e c o n o c e r e l v a l o r p r o p i o d e l o simbólico
de las técnicas que es de otra época, u n a forma de repre-
sentación reguladora falsa sobre u n m u n d o al que ya no se
puede aplicar. Así, identificar las realidades técnicas con E s t e r e c o n o c i m i e n t o p u e d e ser e v i d e n t e para^os^füó^
utensilios es u n estereotipo cultural basado en la noción sofos, l o s p s i c o a n a l i s t a s , los e s t u d i o s o s de las c i e n c i a s
normativa de utilidad, a la vez, valorizante y desvalorizan- sociales, l o s h o m b r e s de religión, etc. S i n e m b a r g o , n o
te. Pero la noción de utensilio y de utilidad es inadecuada es n e c e s a r i a m e n t e e v i d e n t e p a r a los tecnocientíficos.
al papel efectivo y actual de los conjuntos técnicos en el C u a n d o decíamos a n t e r i o r m e n t e q u e h a y q u e t e n e r e n
mundo humano; no puede, por tanto, ser reguladora de u n c u e n t a las c o n s t r i c c i o n e s simbólicas, n o e r a sólo e n u n
modo eficaz. s e n t i d o n e g a t i v o , es d e c i r , e n e l s e n t i d o de q u e l a i g n o -
E l ensamblaje hombre-mundo se desarrolla aislada- r a n c i a de estas c o n s t r i c c i o n e s serían nefastas p a r a e l de-
mente, de manera no integrada, anímica, cuando carece de
s a r r o l l o tecnocientífico. N o s o t r o s p e n s a m o s q u e l a nega-
la aportación de la regulación cultural, pasando por la me-
ción, e l m e n o s p r e c i o , l a marginación d e l o simbólico es
diación adecuada de las realidades técnicas. Por el contra-
n e f a s t a y p e l i g r o s a e n sí p o r m u c h a s o t r a s r a z o n e s . E n
rio, este desarrollo, sin la regulación de las realidades téc-
nicas que envuelven al hombre, justifica, al menos aparen- p r i m e r l u g a r , u n m o t o r — h u m a n o — f u n d a m e n t a l de l a
temente, la deficiencia implícita de l o cultural respecto a lo I + D es el deseo y sus fantasmas, t a n t o los mejores c o m o
técnico; una cultura autojustificativa se desarrolla en los los p e o r e s . P e r o , s o b r e t o d o , p o r q u e c o n v e r t i r a l m u c h a -
medios humanos promoviendo una técnica, mientras que c h o e n h o m b r e y s u maduración p r o g r e s i v a h a c i a l a a u -
la cultura general se convierte en inhibidora, pero no re- t o n o m í a p e r s o n a l , es u n p r o c e s o simbólico, e n t e n d i e n d o
guladora, de todas las técnicas [G. Simondon, Du mode q u e l o simbólico — e l l e n g u a j e — es f u n d a m e n t a l m e n t e
d'existence des objets techniques, p. 227]. expresivo y f o r m a d o r de l a afectividad h u m a n a . L o s i m -
bólico — a u n q u e este es u n p u n t o q u e n o p o d e m o s desa-
E l medio en el que vivimos está, cada vez más, consti- r r o l l a r e n este l i b r o , c e n t r a d o e n l a t e c n o c i e n c i a y n o e n
tuido p o r objetos técnicos. Como resultado de ello, quien l o s i m b ó l i c o — t i e n e l a v i r t u d de u n i r y a t a r , a l a vez q u e
no posee una cultura técnica vive en la ignorancia de su
c o n s e r v a l a s d i f e r e n c i a s , e l s e n t i d o de l a a l t e r i d a d . E l
propio medio y se encuentra doblemente alienado; por u n
símbolo a r t i c u l a l o h u m a n o — e l s e r - e n - e l - m u n d o - c o n - e l -
lado, no domina su propio medio; p o r otro, esa falta de
o t r o — . N o podemos pensar l o que l l a m a m o s libertad,
dominio le coloca socialmente en una dependencia perma-
nente de las organizaciones e individuos que poseen las ética, c a p a c i d a d de elección, etc., f u e r a d e l a s i m b o l i z a -
competencias de que él carece, sin que él pueda controlar ción. R e n d i r j u s t i c i a a l a i m p o r t a n c i a d e l o simbólico es
el modo en que éstos ejercen esas competencias e intervie- r e n d i r j u s t i c i a a esa p a r t e d e l h o m b r e q u e se resiste a l a
nen así, a través de su entorno, sobre su propia existencia. objetivación y a l a mecanización: esa p a r t e e x p r e s i v a d e l
La cultura técnica consiste, precisamente, en la posesión s u j e t o , de l a i n t e r i o r i d a d ; esa p a r t e q u e a l g u n o s querrían
de los conocimientos y saber-hacer susceptibles de dar u n l l a m a r e s p i r i t u a l o m o r a l . E s a m i s m a p a r t e es también
mínimo de dominio personal sobre nuestro entorno y con- la que nos otorga lo que l l a m a m o s la d i g n i d a d h u m a n a
trolar la actividad de aquellos cuya competencia se prueba e n t a n t o q u e personas, es d e c i r , l a q u e n o p u e d e ser u n
indispensable. La ausencia de esta cultura constituye una s i m p l e m e d i o ( q u e Se u t i l i z a c o n fines e x t e r i o r e s o e x t r a -
causa generalizada de alienación. Su desarollo se impone,

150 151
ños), n i u n b i e n ( q u e se posee), n i u n o b j e t o ( q u e se 3. L a s o l i d a r i d a d antropocósmica
m a n i p u l a ) , n i u n p r o d u c t o ( q u e se c o n d i c i o n a técnica-
m e n t e p o r u n trabajo n o simbólico).
E s t a es, e n p r i m e r l u g a r , ontológica, p e r o c o m o t a l , tie-
ne también consecuencias éticas. E l término s o l i d a r i d a d
Control tecnocientífico y educación simbólica del hombre
antropocósmica s i g n i f i c a q u e el h o m b r e n o es esencial-
Aliviar a los enfermos mentales de sus síntomas doloro-
m e n t e ajeno a l c o s m o s q u e l e rodea, s i n o p o r e l c o n t r a r i o
sos e incapacidades [gracias a la acción química o eléctrica
directa sobre el cerebro; G.H.] parece una buena acción. que es, e n t a n t o q u e especie n a t u r a l , u n p r o d u c t o de ese
Pero una vez hecho esto el paso ya está dado, desde aliviar cosmos. B i e n e n t e n d i d a , d i c h a s o l i d a r i d a d — q u e n o puede
al paciente, u n f i n totalmente conforme con la tradición d u d a r s e h o y más q u e p o n i e n d o e n t e l a de j u i c i o l a t o t a l i -
médica, hasta aliviar a la sociedad de los inconvenientes d a d d e l saber científico— t i e n e u n efecto q u e es, h a s t a
causados por el comportamiento difícil de algunos de sus c i e r t o p u n t o y a l a vez, r e d u c t o r p a r a el h o m b r e e «irre-
miembros [...]. Los inquietantes problemas sobre la regula- ductor» p a r a el cosmos o l a n a t u r a l e z a . P o r u n l a d o , l a
ción o carencia de regulación en las sociedades modernas s o l i d a r i d a d antropocósmica n o s f u e r z a a pensar l a especi-
de masa hacen m u y tentadora la idea de tratar de extender
ficidad o l a d i f e r e n c i a antropológica (el lenguaje, l a cons-
tales métodos de control a categorías no médicas y con
ciencia, e l pensamiento...) c o m o i n m a n e n t e a l a evolución
fines de manipulación social. Aquí se plantean numerosas
cuestiones relativas a la dignidad y derechos humanos [...]. y n o c o m o llegada de f u e r a (de algo s o b r e n a t u r a l , d i v i n o ,
¿Debemos inducir en el muchacho estructuras de aprendi- e s p i r i t u a l , t r a n s c e n d e n t e ) ; p e r o p o r o t r o l a d o , el h e c h o de
zaje mediante la administración masiva de drogas, en de- q u e l a evolución biofísica h a y a p o d i d o «producir» u n ser
trimento del papel jugado en ello p o r las motivaciones au- así i n v i t a a q u e v u e l v a a pensarse de n u e v o esa evolución
tónomas? ¿Debemos eliminar la agresividad mediante la — e s p e c i a l m e n t e conceptos r e d u c t o r e s c o m o el de m a t e r i a ,
pacificación electrónica de algunas zonas del cerebro? m e c a n i c i s m o , d e t e r m i n i s m o , etc.— afectándolos c o n p o -
¿Debemos producir sentimientos de felicidad o de placer tencialidades, v i r t u a l i d a d e s e índices de extrañeza q u e n o
mediante la estimulación independiente de los centros de estaban e n el c u a d r o d e l d u a l i s m o teológico cartesiano, e n
placer y sin l a presencia de los objetos-origen de felicidad
el q u e se separaba u n a s u b s t a n c i a a b s o l u t a m e n t e i n e r t e ,
o placer y sin preocuparnos p o r haberlos alcanzado me-
objetiva, p u r a m e n t e extensa ( c u a n t i t a t i v a ) , r e d u c t i b l e a las
diante una realización personal y vivida? [...] Incluso sin
considerar el tema de la coacción o consentimiento n i el leyes de l a mecánica y de l a c u a l se podría o b t e n e r u n a
de los efectos marginales inesperados que todo esto podría visión c l a r a y d i s t i n t a , f u e r a de t o d a d u d a , de a q u e l l a o t r a
producir, cada vez que abandonamos la manera humana p a r t e , l a s u s t a n c i a e s p i r i t u a l y pensante s i n n a d a e n co-
de tratar los problemas humanos y que la cortocircuita- mún c o n l a a n t e r i o r .
mos, mediante u n mecanismo impersonal, nos despojamos
E l s e n t i d o de l a s o l i d a r i d a d antropocósmica se o p o n e
de u n a parte de la dignidad de la consciencia personal
y damos u n nuevo paso hacia el camino que lleva desde a este d u a l i s m o e n t r e m a t e r i a y espíritu q u e a l i v i a más los
los sujetos responsables hasta los sistemas de compor- p r o b l e m a s filosóficos de l o q u e los resuelve y a q u e l a co-
tamiento programados [ H . Joñas, Das Prinzip Verantwer- municación e n t r e a m b a s sustancias n o e r a p o s i b l e más
tung: Versuch einer Ethik für die Technologische Zivilisation, q u e r e c u r r i e n d o a D i o s . P e r o d i c h a oposición lejos de m a -
pp. 51-52]. t e r i a l i z a r o de b a n a l i z a r o de n a t u r a l i z a r a l h o m b r e d a , e n
c a m b i o , a l a n a t u r a l e z a (a l a m a t e r i a ) u n a dimensión
enigmática y a q u e esta «naturaleza material» h a engen-
d r a d o o h e c h o p o s i b l e l a « e m e r g e n c i a » de «personas
conscientes».

152 153
1 ^ V

L a s o l i d a r i d a d antropocósmica p r e s e n t a también u n a que se puede buscar el bien humano, sino también el de


las cosas extrahumanas y extender el reconocimiento de
implicación ética q u e podría r e s u m i r s e de l a f o r m a s i -
«fines en sí mismos» más allá de la esfera humana, inclu-
guiente. S i el h o m b r e tiene v a l o r y es r e s u l t a d o de u n a
yendo la preocupación por aquéllas en la noción de bien
evolución y de u n m e d i o n a t u r a l e s , éstos n o p u e d e n que- del hombre [...]. [La visión científica dominante de la natu-
d a r t o t a l m e n t e f u e r a de ese v a l o r y d i g n i d a d , so p e n a de raleza] nos refuta, absolutamente, el derecho teórico de
defender l a hipótesis de q u e l o específicamente h u m a n o concebir la naturaleza como algo digno de respeto, habién-
p r o c e d e de a l g o s o b r e n a t u r a l — u n a e n t i d a d e s p i r i t u a l , p o r dola reducido a la indiferencia del azar y de la necesidad y
e j e m p l o — , l o q u e valorizaría a l h o m b r e p e r o desvaloriza- habiéndola despojado de todo fin valioso [ H . Joñas, Das
ría d e l t o d o a l a n a t u r a l e z a . C i e r t a m e n t e , e n t r e e l v a l o r d e l Prinzip Verantwortung: Versuch einer Ethik für die Techno-
logische Zivilisation, pp. 27-29].
h o m b r e y e l de las f o r m a s de v i d a n o h u m a n a p u e d e n d i s -
t i n g u i r s e grados, p e r o parece difícil, desde u n r e c o n o c i -
m i e n t o ontológico de l a s o l i d a r i d a d antropocósmica, negar
a l a n a t u r a l e z a t o d o v a l o r e n sí. 4. E l s e n t i d o d e i m p r e v i s i b i l i d a d y a p e r t u r a .
L a preservación d e l o p o s i b l e

¿Cuál es el interés ético por la naturaleza?


La Naturaleza, como responsabilidad del hombre es, E n este p u n t o t r a t a r e m o s , sobre t o d o , de entender el
seguramente, una novedad sobre la que la teoría ética debe sentido a n t e r i o r m e n t e expuesto y q u e e l i m i n a el espíritu
meditar. ¿Qué tipo de obligación se impone a este respec- escatológico y utópico, o s i m p l e m e n t e d e t e r m i n i s t a , q u e
to? ¿Es sólo por una cuestión de prudencia p o r lo que no pretende p o d e r a n t i c i p a r y e n h e b i l l a r , a l m e n o s e n p r i n c i -
debemos matar a la gallina de los huevos de oro o por lo pio y formalmente, el futuro.
que no debemos cortar la rama sobre la que estamos? Es
más, ese «nosotros» que está ahí colocado y que corre el
riesgo de caer en u n abismo, ¿quién es? y ¿cuál es mi inte- M escatología ni utopía
rés en que permanezca o caiga? Hay que desconfiar de todos los que pretenden conocer
L a orientación antropocéntrica de toda ética clásica se el destino futuro de la sociedad o el fin de la historia, con
mantiene aquí [...] en la medida en que es el destino del respecto al cual todo lo que ha sido hasta aquí no sería
hombre, en su dependencia respecto del estado de natura- más que una preparación y el momento presente una eta-
leza, lo que constituye la última palabra de u n interés mo- pa de transición. Se ve, inmediatamente, de dónde se pue-
ral por la conservación de la naturaleza. Sin embargo, esta den esperar las objeciones a nuestro punto de vista: de las
nueva forma de acción humana ¿no podría significar tam- escatologías históricas, las utopías políticas y la fe apolítica
bién que es sólo por el interés humano p o r l o que es nece- en u n progreso ilimitado [...], el futuro (por no hablar de
sario tener en cuenta que nuestro deber se extiende más su desconocimiento esencial) no es, n i más n i menos, que
allá de él y que la limitación antropocéntrica de todas las él mismo, que lo que no ha tenido ninguna época pasada.
éticas anteriores no es válida? A l menos, no es absurdo E l devenir en la historia [...] — e l devenir de la humanidad,
preguntarse si el estado de naturaleza no humano, la bios- si se quiere— tiene u n sentido totalmente distinto al del
fera como totalidad y como conjunto de partes, ahora bajo devenir del individuo que va desde el germen hasta la edad
nuestro poder, depende de nuestra custodia y si nos está adulta. La humanidad [...] no es objeto de una realización
dirigiendo una súplica ética no sólo con vistas a nuestro programada que la conduciría de la imperfección a la per-
interés futuro, sino por derecho propio. Si así fuera, esto fección, de lo provisional a lo definitivo, como es el caso
exigiría u n a profunda renovación de toda nuestra concep- de los nuevos individuos que la recomponen sin cesar. De
ción de los fundamentos éticos. Pues significaría no sólo la humanidad no se puede decir nunca (salvo bajo la for-

154 155
#
ma de una mera especulación) lo que «no» es aún> a me- dades. Esta n o es u n a cuestión q u e c o n c i e r n a exclusiva-
nos que sea restrospecuvamente y en función de épocas m e n t e a l f u t u r o . Preservar l o posible es también, y quizás
determinadas del pasado: así, p o r ejemplo, el hombre me- p r i m e r a m e n t e , p r e s e r v a r y salvar el pasado. Conservar
dieval no es «aún» u n científico [...] [ H . Joñas, Das Prinzip aquellos c a m i n o s q u e l a v i d a o l a h u m a n i d a d t o m a r o n en
Verantworting: Versuch einer Ethik für die Technologische o t r o t i e m p o , y luego a b a n d o n a r o n . Existe también u n posi-
Zivilisation, pp. 201-202]. ble p a t r i m o n i o ratural y c u l t u r a l . L a salvaguardia de las
i n n u m e r a b l e s f o r m a s de v i d a —especies— amenazadas es
E l r e c o n o c i m i e n t o de l a s o l i d a r i d a d antropocósmica y la conservación d e l p a t r i m o n i o de las posibilidades n a t u r a -
de l a i m p r e v i s i b i l i d a d de l a evolución n o d e b e n c o n d u c i r a les, h o y t a n sistemáticamente o r g a n i z a d o . «Si seguimos l a
l a negación d e l h o m b r e — e n t e n d i d o c o m o u n a especie "lógica" de l a clonación n o es descabellado i m a g i n a r l a Tie-
biológica c u a l q u i e r a d e s t i n a d a a desaparecer—: eso sería r r a t o t a l m e n t e c u b i e r t a p o r dos o tres especies de cereales y
u n biologismo simplista que n o tiene en cuenta l a f o r m a u n a veintena de especies d e árboles [...] u n o de los p r i m e -
ros i m p e r a t i v o s q u e se i m p o n e a l a h u m a n i d a d es evitar l a
p r o p i a d e ser d e l h o m b r e e n l a evolución, p r e c i s a m e n t e ,
uniformización y preservar l a s i n g u l a r i d a d e n el ámbito de
m e d i a n t e las m e d i a c i o n e s simbólicas y técnicas. Debería,
lo orgánico. Y este i m p e r a t i v o tiene u n v a l o r ético» (Ribes,
s i n e m b a r g o , d e j a r e n t r e v e r el s e n t i d o de l a p r e c a r i e d a d
Biologie et éthique, p p . 83, 91). L a salvaguardia d e l p a t r i m o -
d e l h o m b r e . P r e c a r i e d a d q u e q u i e r e d e c i r aquí d o s cosas:
n i o de las p o s i b i l i d a d e s culturales (simbólicas) h a sido, e n
u n a , q u e el h o m b r e puede ser b a r r i d o d e l a faz de l a t i e r r a
c i e r t o m o d o , i n t e n t a d a hace m u c h o t i e m p o p o r m e d i o de
p o r u n c a t a c l i s m o cósmico, y q u e l a c i e n c i a y l a técnica,
archivos, bibliotecas, p o r el t r a b a j o de los historiadores e n
u t i l i z a d a s d e u n a m a n e r a responsable, podrían a y u d a r n o s
todos los ámbitos, de los arqueólogos y , más recientemen-
c o n t r a ese d e s t i n o de desaparición. E l h o m b r e n o debe
te, de los etnólogos y de los antropólogos. L a tarea es g i -
verse, n e c e s a r i a m e n t e y b a j o s u f o r m a a c t u a l , c o m o e l
gantesca y t a n u r g e n t e c o m o la que se refiere a l a n a t u r a l e -
p u n t o t e r m i n a l de l a evolución cósmica. N o h a y razón a l -
za: f o r m a s de c u l t u r a (lenguas, tradiciones, costumbres...)
g u n a p a r a c o n s i d e r a r sagrados o i n t a n g i b l e s n i n g u n o d e
desaparecen cada día, a l a vez q u e desaparecen f o r m a s de
los aspectos n a t u r a l e s o c u l t u r a l e s de s u condición presen-
vida. A h o r a b i e n , de l a m i s m a m a n e r a que se i g n o r a s i u n
te. E s t o n o es — v o l v e r e m o s a ello más a d e l a n t e — u n a i n -
día surgirá u n a p r o m e t e d o r a p o s i b i l i d a d p a r a explotar a
vitación a h a c e r n o i m p o r t a qué, n o i m p o r t a cuándo y n o
c u a l q u i e r especie vegetal salvaje, s i n interés hoy, n o pode-
i m p o r t a c ó m o , s i n o u n a l l a m a d a a l a a p e r t u r a —es d e c i r , a
m o s saber t a m p o c o s i e n e l f u t u r o el h o m b r e n o encontrará
l a l i b e r t a d e n c u a l q u i e r caso, a l a precaución de n o descar- a l g u n a nueva perspectiva o a l g u n a enseñanza sana e n t a l o
t a r jamás a priori y , s o b r e t o d o d e f i n i t i v a m e n t e , u n a p o s i - c u a l tradición o c u l t u r a h o y ignoradas.
b i l i d a d c u a l q u i e r a . E s t o es, p o r e j e m p l o , l o q u e p r e t e n d e n
h a c e r l o s q u e r e h u s a n c u a l q u i e r t i p o d e manipulación e n
el c a m p o de l a procreación o d e l g e n o m a h u m a n o . E n
El imperativo ético de la salvaguardia de lo humano
c a m b i o es u n sí a las m o r a t o r i a s , a los debates, a las d i s -
U n imperativo apropiado a la nueva forma de obrar hu-
cusiones, a las r a l e n t i z a c i o n e s y a l a p r u d e n c i a . Y u n n o a
mana y del sujeto de este obrar podría enunciarse así:
las exclusiones, a los o s t r a c i s m o s , a las p a r a d a s y conde- «obra de tal manera que las consecuencias de t u acción
nas dogmáticas y absolutas m o t i v a d a s p o r referencias tras- sean compatibles con la permanencia de una vida auténti-
cendentes negadoras de l a s o l i d a r i d a d antropocósmica y camente humana sobre la Tierra»; expresado negativamen-
de l a a p e r t u r a . te: «obra de tal modo que las consecuencias de t u acción
Sobre t o d o , es necesario q u e conservemos las p o s i b i l i - no sean destructivas para la posibilidad futura de tal vida»;

. 156 157
)

o simplemente: «No pongas en peligro las condiciones de de d a t o s de t o d o t i p o ) c u y o g i g a n t i s m o n o excluye l a flexi-


una perpetuación indefinida de la humanidad sobre la Tie- b i l i d a d y f a c i l i d a d d e acceso, deberían p e r m i t i r l a salva-
rra»; o, de nuevo contemplada positivamente: «Incluye en g u a r d i a de las p o s i b i l i d a d e s pasadas a t o d o s los niveles,
tus elecciones presentes la integridad futura de la humani- condición i n d i s p e n s a b l e p a r a m a n t e n e r a b i e r t o s el f u t u r o
dad como objeto de t u voluntad» [ H . Joñas, Das Princip y n u e s t r a c a p a c i d a d d e respuesta a n t e s u i m p r e v i s i b i l i d a d .
Werantworting: Versuch einer Ethik für die Technologische
L a preocupación p o r el f u t u r o pasa p o r preocupación p o r
Zivilisation, p. 36].
el pasado.

Las elecciones que hagamos h o y e n el c a m p o de l a


t e c n o c i e n c i a , e s p e c i a l m e n t e respecto a l a s tecnologías, 5. P r a g m a t i s m o , p r u d e n c i a , r e s p o n s a b i l i d a d
v a n a estar marcadas p o r l a i m p r e v i s i b i l i d a d y apertu-
r a . H e m o s de d e s c o n f i a r d e q u i e n e s n o s o f r e c e n u n c a m i - T o d a s estas exigencias p r o c e d e n de l a c o m p l e j i d a d y
n o único — d e c r e t a d o c o m o l a única p o s i b i l i d a d o l a m e - a m b i v a l e n c i a , así c o m o de l a preocupación p o r l a i n d e t e r -
j o r — t a n t o más c u a n t o q u e s u c o m p r o m i s o n o s p a r e z c a minación d e l f u t u r o . Complejidad p o r c u a n t o q u e ésta está
más i r r e v e r s i b l e . N o hay, e n a b s o l u t o , u n one best way en todas p a r t e s y n o es o b j e t i v a , sistemática, a n a l i z a b l e y,
tecnológico. U n a elección tecnológica n o es l a m e j o r más de este m o d o , c o n t r o l a b l e : está e n l a s o l i d a r i d a d a n t r o p o -
q u e e n función de u n d e t e r m i n a d o p r o y e c t o s o c i a l , de u n cósmica así c o m o e n l a dialéctica e n t r e l o simbólico y l o
d e t e r m i n a d o c o n j u n t o de valores, de d e t e r m i n a d a s expec- tecnocientífico q u e d e s e m b o c a n , u n a y o t r a , e n l a i m p r e -
tativas y d e d e t e r m i n a d a s necesidades. E s t e d e b a t e h a es- v i s i b i l i d a d , l i b e r t a d , y creación, es decir, e n l a elección 1

t a d o y está aún e n e l corazón de las tecnologías p a r a l a q u e c o m p o r t a i r r e d u c t i b l e m e n t e u n riesgo y q u e n o se


producción de energía y de todas las e m p r e s a s , p r o g r a - deja r e d u c i r a u n a conclusión lógica o a u n a consecuen-
m a s y p r o y e c t o s de I + D de grandes d i m e n s i o n e s . « E n cia mecánica necesaria. Ambivalencia, p o r c u a n t o q u e és-
los g r a n d e s p r o y e c t o s tecnológicos, las a l t e r n a t i v a s estra- t a es también u n i v e r s a l , t a n t o sincrónica c o m o diacróni-
tégicas y l a s e q u i v a l e n t e s f u n c i o n a l e s d e b e n tenerse e n c a m e n t e . S i s o m o s conscientes d e esta a m b i v a l e n c i a p o -
cuenta» ( H . L e n k , « T o w a r d s a p r a g m a t i c a l s o c i a l p h i l o - d r e m o s r e c o n o c e r q u e l a separación e n t r e el b i e n y el m a l
s o p h y o f T e c n o l o g y a n d t h e T e c h n o l o g i c a l intelligentsia», n o se d a n u n c a de u n a f o r m a d e f i n i t i v a y a b s o l u t a : que l o
p. 3 6 ) . L o está también e n l a problemática d e las t e c n o l o - que está b i e n aquí, e n u n c o n t e x t o d e t e r m i n a d o , n o l o
gías a l t e r n a t i v a s y de trasferencias tecnológicas: t r a s f e r e n - está n e c e s a r i a m e n t e e n o t r o ; q u e l o q u e es u n m a l o u n
c i a de tecnologías occidentales h a c i a e n t o r n o s simbólicos s i n s e n t i d o h o y , se p u e d e t o r n a r i m p o r t a n t e mañana. S i n
(regímenes políticos, f o r m a s de s o c i e d a d , t r a d i c i o n e s , c u l - e m b a r g o , q u e sea a m b i v a l e n t e n o s i g n i f i c a que l a d i s t i n -
t u r a s , i n s t i t u c i o n e s , etc.) m u y d i f e r e n t e s . S i n o t e n e m o s ción e n t r e el b i e n y e l m a l sea i m p o s i b l e e n d e t e r m i n a d a s
c u i d a d o c o n m a n t e n e r u n a tecnología e n e l e n t o r n o p a r a s i t u a c i o n e s e n q u e h e m o s de elegir y, m e n o s aún, s i g n i f i -
el q u e h a s i d o c r e a d a , puede suceder q u e l a m e j o r t e c n o - ca q u e h a y a q u e c u l t i v a r l a a m b i v a l e n c i a o l a ambigüedad
logía e n u n m e d i o acabe mostrándose c o m o l a p e o r e n e n t o d o m o m e n t o . Se t r a t a sólo d e r e c o n o c e r q u e e l m e -
o t r o . P o r t a n t o , es i g u a l m e n t e i m p o r t a n t e c o n s e r v a r ( l o j o r esfuerzo y el más lúcido p a r a h a c e r las cosas unívo-
q u e q u i e r e d e c i r : n o rechazar, e c h a r e n o l v i d o , h a c e r pres- cas, p a r a i d e n t i f i c a r el espectro de p o s i b i l i d a d e s y, p o r
c r i b i r y r e e n v i a r a l no-ser y a l n o - v a l o r d e f i n i t i v o ) j u n t o a t a n t o , p a r a elegir el b i e n y d i s t i n g u i r l o d e l m a l e n u n a
l a d i v e r s i d a d biológica y l a d i v e r s i d a d c u l t u r a l , l a d i v e r s i - situación es, e n esencia, a l g o l i m i t a d o , s i e m p r e p r e c a r i o y
d a d tecnológica. L a s nuevas f o r m a s de m e m o r i a (bancos provisional.

158 159
La actitud pragmatista — t a l como la entendemos— i n - A l g u n o s autores i m p o r t a n t e s (p.e., H . Joñas) h a n s u -
t e n t a t e n e r e n c u e n t a todos los aspectos q u e h e m o s m e n - b r a y a d o el p a p e l p r e p o n d e r a n t e q u e tiene l a responsabili-
c i o n a d o . U n a ética pragmática r e n u n c i a a p r e v e r y resol- dad e n c u a l q u i e r ética q u e q u i e r a adecuarse a n u e s t r a c o n -
v e r d e a n t e m a n o t o d o s los p r o b l e m a s o a b u s c a r , a priori, t e m p o r a n e i d a d tecnocientífica y q u e q u i e r a tener e n cuen-
l a solución a t o d a s las p r e g u n t a s . Ésta n o p r e t e n d e c o n - ta, lúcidamente, el f u t u r o de u n m u n d o e n el q u e n i Dios
t r o l a r simbólica o tecnocráticamente el f u t u r o , s i n o reco- n i l a Naturaleza garantizan la estabilidad o l a permanen-
nocer su imprevisibilidad, acomodarse a su indetermina- cia. C i e r t a m e n t e , esta noción de r e s p o n s a b i l i d a d (colectiva
b i l i d a d . Parte d e l p r i n c i p i o de q u e a u n q u e n o d i s p o n e m o s y, p o r t a n t o , m a r c a d a m e n t e política) es c r u c i a l e n l a m e d i -
de n i n g u n a revelación escatológica, t e n e m o s s u f i c i e n t e l u z d a m i s m a e n q u e el p o d e r de acción d e l h o m b r e h a creci-
p a r a a f r o n t a r las cuestiones q u e se p l a n t e a n h o y y c o n d o e n o r m e m e n t e . También es c i e r t o q u e l a r e s p o n s a b i l i -
vistas a u n f u t u r o n o d e m a s i a d o l e j a n o . E s t a l u z decrece d a d i m p l i c a q u e se i n t e n t e c u a n t o sea p o s i b l e p a r a prever
c o n m a y o r r a p i d e z c u a n t o más i n t e n t a m o s a n t i c i p a r n o s a las consecuencias (todas las consecuencias) q u e v a a tener
u n f u t u r o q u e es, cada vez, m e n o s p r ó x i m o . U n a ética la actualización de u n a d e t e r m i n a d a p o s i b i l i d a d , i m a g i -
pragmática es más a p r o p i a d a p a r a c o n s i d e r a r p r o b l e - n a n d o c o n ella diversos «escenarios».
m a s c o n c r e t o s y prácticos q u e cuestiones especulativas,
a u n q u e sea v i t a l p a r a ésta n o r o m p e r e n t e r a m e n t e c o n
l a especulación. «Engelhardt y C a l l a h a n ( 1 9 8 0 ) — c o m o Prever para querer
hace n o t a r F a g o t - L a r g e a u l t (L'homme bio-éthique, p . 2 6 ) — Así expuestos, los resultados de los estudios prospecti-
se d a n c u e n t a de q u e e n l a práctica, las c o m i s i o n e s de vos dan una imagen m u y falsa de lo que es la previsión del
bioética l l e g a n , p o r l o general, fácilmente a a c u e r d o s so- futuro. Hacen de ella una profecía con base racional. Sin
embargo, no se trata de eso. Determinar el curso inevitable
b r e cuestiones concretas, i n c l u s o a u n q u e l o s i n t e r l o c u -
del progreso no constituye más que una primera operación
tores d e n a sus j u i c i o s m o r a l e s f u n d a m e n t o s m u y dife- en la construcción del futuro. Bertrand de Jouvenel, defi-
rentes.» niendo el papel de quienes las realizan, declaró reciente-
mente: «Se trata de buscar a qué diferentes futuros posi-
Una ética abierta, concreta y evolutiva bles o "futuribles" nos llevarían diferentes conductas de la
Mañana será otro día: la esencia m i s m a de la moral sociedad... Por tanto, se piensa en el futuro con vistas a
exige que se debatan situaciones reales que son las nues- esclarecer la acción. Esta unión con la práctica es tan fuer-
tras evitando a toda costa, bajo el pretexto de prever el te que yo rechazaría la invitación de pasar una hora en el
futuro, ponerse en órbita y despegar de la realidad que nos año 2000, no interesándome el futuro ya hecho, sino el
concierne [...]. esfuerzo para mejorarlo». La mayor parte de las invencio-
Cualquiera que sea el estado de causa no podemos le- nes anunciadas son inevitables, cualquiera que sea el régi-
gislarlo para toda la eternidad. E n el estado actual de la men vigente y la política seguida. E l hombre no puede sino
evolución de las ciencias y de nuestra cultura, esto resulta adelantar o retrasar la fecha. Pero permiten numerosos fu-
imposible. Sería, incluso, inmoral. Encuentro que esta vo- turos posibles. Se pueden hacer muchas cosas con el con-
luntad de dominar la historia, en nombre de algunos gran- trol del tiempo o la herencia. Todo lo que dice el que rea-
des principios es, al cabo, extremadamente inmoral: es me- liza una previsión, es que, inevitablemente, el hombre
j o r encontrarse constantemente con las dificultades con- poseerá esos poderes. [...] La lectura de estas previsio-
cretas con las que la gente no deja de debatirse [P. Roque- nes no debe hacer que vuelva a surgir de nuevo el «todo
plo, Penser la technique, p. 107]. está escrito» fatalista. Justamente, se trata de lo contra-
rio. Para dejar de lado el fatalismo es indispensable co-
nocer lo que resultaría inevitable con vistas a someterlo a

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0)

la voluntad humana [F. de Closest, En danger de progrés,


n o h e m o s t o m a d o p o r razones y s e n t i m i e n t o s que s o n sólo
pp. 72-73]. nuestros. P o r ello, u n a vez más, l a preocupación p o r el
f u t u r o c o m p o r t a también l a exigencia de l a preocupación
Pero esta r e s p o n s a b i l i d a d debe ejercerse, u n a vez más, p o r el pasado, l a trasmisión de l a h e r e n c i a de las p o s i b i l i -
t e n i e n d o e n c u e n t a los diversos c o m p o n e n t e s de l a era tec- dades de antaño.
nocientífica, entre los que figuran l a a p e r t u r a e i m p r e v i s i -
b i l i d a d d e l f u t u r o . N o hace f a l t a q u e l a r e s p o n s a b i l i d a d
Generaciones futuras: su libertad, nuestra responsabilidad
— e s p e c i a l m e n t e e n relación c o n «generaciones futuras»—
Los efectos que el futuro va a sufrir a largo plazo y
llegue a ser obsesiva, c o m p u l s i v a y n e g a d o r a de l a l i b e r t a d
como consecuencia de las decisiones particulares que to-
e n l a q u e t o d a r e s p o n s a b i l i d a d se e n r a i z a . L a ética de l a memos ahora, no sólo están más allá de nuestras previsio-
r e s p o n s a b i l i d a d debe ser a b i e r t a y e v o l u t i v a . N o puede nes debido al gran número de incógnitas que existen en la
«negar» el f u t u r o , es decir, p r e t e n d e r p l a n i f i c a r l o p a r a s u ecuación objetiva de las circunstancias, sino también por
m a y o r b i e n y e v i t a n d o , a t o d a costa, e r r o r e s o tentaciones la espontaneidad y libertad de la vida misma — l a más
q u e s o n las nuestras. T e n e m o s , a n t e t o d o , l a r e s p o n s a b i l i - grande de todas las incógnitas que, por otra parte, debe
d a d de l e g a r a las generaciones f u t u r a s u n a situación en l a quedar comprendida también en nuestra responsabilidad
que ellos p u e d a n también ser responsables, es decir, elegir total. Pues, precisamente, estos efectos, cuya manifestación
no puede ponerse a cargo de la responsabñidad del respon-
l i b r e m e n t e s u c a m i n o , s u i d e n t i d a d y s u f u t u r o . N o s en-
sable — a saber, la autonomía de la existencia confiada a
c o n t r a m o s aquí c o n el c r i t e r i o , y a expuesto, de l a salva-
su responsabilidad [el arquetipo de toda responsabilidad es
g u a r d i a de l a «capacidad ética», es d e c i r , de l a elección y la responsabilidad de los padres respecto de sus hijos;
l a l i b e r t a d . U n a ética q u e es c o n s c i e n t e de l a r e s p o n s a b i l i - G.H.]— son, en última instancia, el objeto mismo de su
d a d respecto a l f u t u r o n o p u e d e e x c l u i r a priori y , sobre compromiso responsable. Considerando este horizonte
t o d o , de u n a vez p o r todas, u n a p o s i b i l i d a d , u n c a m i n o . trascendente, la responsabilidad no debe ser tanto determi-
« L o q u e se r e c h a z a aquí y h o y c o m o m o r a l m e n t e i n a c e p t a - nante como «posibüizante» (lo que significa preparar y de-
ble ( c o m o l a ectogénesis), señala F a g o t - L a r g e a u l t , m i e m - jar abierto). E l futuro del que somos responsables es el
b r o d e l Comité N a t i o n a l C o n s u l t a t i f d'Éthique francés, auténtico fin de nuestra responsabilidad. E l fin más eleva-
p u e d e l l e g a r a ser e l b i e n e n o t r o l u g a r o mañana» ( « L a do a que ésta puede apuntar es el de abstenerse, por respe-
to al derecho, de lo que no es aún y cuyo devenir se ha
reflexión p h i l o s o p h i q u e e n bioéthique», p . 4 ) . L a p r e o c u p a -
solicitado [ H . Joñas, Das Prinzip Werantwortung: Versuch
ción p o r e l f u t u r o o l o que se l l a m a , c a d a vez más a m e n u -
einer Ethik für die technologische Zivilisation, p. 198].
do, p o r las «generaciones futuras» t i e n e c o m o p r i m e r a exi-
gencia q u e n o seamos abusivos. Sería a b u s i v a t o d a p r e o -
N o es extraño v e r m u y c i t a d a a l a a n t i g u a v i r t u d aris-
cupación p o r el f u t u r o , c u a l q u i e r a q u e fuese aquella, basa-
totélica de l a prudencia e n l o r e l a t i v o a las cuestiones éti-
d a e n nuestra concepción sobre l o q u e debe ser, e n n u e s t r a
cas referentes a las t e c n o c i e n c i a s . E x i s t e n algunas buenas
visión de l o q u e es deseable y l o q u e n o l o es, e n nuestras
r a z o n e s p a r a ello p u e s t o q u e l a p r u d e n c i a — l a «phrone-
d i s t i n c i o n e s e n t r e el b i e n y el m a l o e n t r e l o n o r m a l y l o
s i s » — es, p r e c i s a m e n t e , l a v i r t u d q u e necesita el h o m b r e
m o n s t r u o s o . L a preocupación p o r el f u t u r o debe ser l a de
p a r a a c t u a r e n el m a r c o de u n m u n d o a m p l i a m e n t e i m -
n o legar a las generaciones f u t u r a s u n m u n d o m e n o s r i c o
p r e v i s i b l e y, p o r t a n t o , n o d o m i n a b l e a n i v e l teórico. A h o -
q u e el n u e s t r o e n p o s i b i l i d a d e s y, p o r t a n t o , e n l i b e r t a d .
r a b i e n , s i e m p r e y c u a n d o n o p e r d a m o s de v i s t a que l a
N u e s t r a previsión debe l i m i t a r s e a n o c e r r a r d e f i n i t i v a -
oposición e n t r e episteme ( c i e n c i a teorética p u r a q u e c o n -
m e n t e — s u p r i m i r , o l v i d a r o p r e s c r i b i r — los c a m i n o s que
cierne a l m u n d o esencial) y saber práctico y técnico (te-

162 163
chne) q u e c o n c i e r n e a l m u n d o d e l d e s a r r o l l o sensible y a í c o n q u i s t a de u n a e m p r e s a así, n o se da, n i se dará, s i n
n o existe, de t a l m o d o q u e l a última p a l a b r a l a t i e n e l a \ r e p e r c u t i r s o b r e n u e s t r a concepción de l a esencia d e l
p r u d e n c i a y q u e n i n g u n a f o r m a de saber o sabiduría s u - h o m b r e : l o q u e es, l o q u e podría ser y l o q u e debería ser.
p e r i o r r e l a t i v a a l a esencia y fines últimos de las cosas Se t r a t a , e n el f o n d o , de t o m a r e n serio l a noción de «evo-
n o s es accesible. Desde este p u n t o de v i s t a l a p r u d e n c i a | lución e n l a fase antropológica»: de n o n e g a r q u e e l Homo
a d q u i e r e u n carácter ontológico o cósmico: l a h u m a n i d a d j es, desde u n p u n t o de vista e v o l u t i v o , el p r o d u c t o de u n
está l l a m a d a a a d m i n i s t r a r el presente y e l f u t u r o de l a i p r o c e s o biocósmico e x t r a o r d i n a r i a m e n t e l a r g o ; de n o ne-
evolución antropocósmica e n l o s límites d e s u saber y p o - ' g a r q u e c o n e l Homo aparece e n l a evolución u n n u e v o
d e r actuales sólo m e d i a n t e l a p r u d e n c i a . E s t a p r u d e n c i a ¡ d o n — e l de l a ética, e l d e l lenguaje, e l d e l sentido, el d e l
debe m e z c l a r l a l i b e r t a d y l a a p e r t u r a — y , p o r t a n t o , n o ! valor, e t c . — i r r e d u c t i b l e a t o d o c u a n t o le precede. Las re-
atarse, p o r e j e m p l o , a t o d a costa, a l a f o r m a a c t u a l d e l ! l i g i o n e s y metafísicas h a n a b s o l u t i z a d o l a d i f e r e n c i a a n -
h o m b r e n a t u r a l - c u l t u r a l — ; p e r o d e b e también t e n e r e n ! tropológlca q u e se i d e n t i f i c a c o n el logos, el espíritu, e l
c u e n t a el h e c h o de q u e n i n g u n a s e g u r i d a d o garantía, n i n - a l m a , en s u m a , c o n l a p r e s e n c i a s u b s t a n c i a l e n l a n a t u r a -
g u n a guía s e g u r a y a c t i v a se p u e d e esperar de n i n g u n a leza de u n a s o b r e n a t u r a l e z a . P o r el c o n t r a r i o , h e m o s de
t r a s c e n d e n c i a D i v i n a n i de ningún P l a n o P e r m a n e n c i a de p e n s a r l a c o m o i n m a n e n t e a l a evolución, p e r o a l a vez,
l a N a t u r a l e z a . D i c h o de o t r o m o d o , si n o t i e n e c u i d a d o , e l j c o m o e n l a v a n g u a r d i a d e ésta y , e n este s e n t i d o , trascen-
h o m b r e podría, e n efecto, desaparecer, s i n q u e esta des- I dente (si es q u e esta p a l a b r a evoca u n exceso t e m p o r a l
aparición c o n t a r a c o n ningún t i p o de redención, n i sobre- v e n i d e r o ) . L a «trascendencia» d e l h o m b r e residiría, pues,
n a t u r a l n i n a t u r a l (evolutiva). e n el h e c h o d e q u e se e n c u e n t r a e n ese p u n t o e n e l que,
a p a r e n t e m e n t e , l a evolución se hace, se busca, se elige,
\ i n t e n t a o r i e n t a r s e a p a r t i r d e ella m i s m a , es decir, a p a r t i r
6. S o b r e l a evolución e n l a fase antropológica de l a fase antropológica.
I n t e n t e m o s i l u s t r a r esto a p a r t i r de u n p r o b l e m a p a r -
L a preocupación filosófica q u e a t r a v i e s a las páginas t i c u l a r : l a experimentación, n o d i r e c t a m e n t e terapéutica,
precedentes, e n las q u e h e m o s i n t e n t a d o p r e c i s a r u n p o c o sobre el embrión h u m a n o . Respecto a este t e m a existen
los g r a n d e s ejes de l a vía i n t e r m e d i a , es q u e se deje r e a l - dos a c t i t u d e s e x t r e m a s : l a p r i m e r a ve a l embrión, c u a l -
m e n t e a b i e r t a l a p r e g u n t a «¿qué es el h o m b r e ? » conser- q u i e r cosa q u e éste sea, c o m o u n a p e r s o n a , p o t e n c i a l , o
v a n d o e l s e n t i d o de l a s o l i d a r i d a d antropocósmica, es de- n o ; l e concede, más o m e n o s explícitamente, u n a trascen-
c i r , q u e se r e c o n o z c a q u e l a exploración de esta i n d e t e r - dencia vertical e i n t e m p o r a l que lo conduce a u n plano
m i n a b i l i d a d n o es sólo u n a cuestión de p a l a b r a s , de sím- ontológico d i s t i n t o d e l de l a n a t u r a l e z a e n d e s a r r o l l o , sa-
b o l o s , d e hermenéutica, s i n o también u n a s u n t o r e l a t i v o a c a n d o así a l h o m b r e — e n c u a n t o a s u especificidad, l a
l a experimentación tecnocientífica, el ensayo, l a acción ( d i f e r e n c i a antropológica— f u e r a de l a evolución, d i s o c i a n -
biofísica, etc. I n t e n t a r nuevos d i s c u r s o s y nuevas perspec- 1
d o l a s o l i d a r i d a d antropocósmica a f a v o r de u n a a u t o n o -
tivas de interpretación s o b r e l a esencia d e l h o m b r e es u n a !
mización o absolutización de l o antropológico q u e desem-
cosa e i n t e r p r e t a r l a secuenciación d e l g e n o m a h u m a n o b o c a s i e m p r e e n u n a teología r e c o n o c i d a c o m o t a l o ca-
o t r a m u y d i s t i n t a , i n c l u s o a u n q u e a m b a s cosas se d e n i n - í ;
m u f l a d a e n f o r m a s seculares. A u n q u e e n grados m u y dis-
t e r r e l a c i o n a d a m e n t e . Así, c i e r t a concepción de l a esencia t i n t o s , desde Platón a K a n t , desde e l c r i s t i a n i s m o hasta e l
d e l h o m b r e podría c o n d u c i r , p e r f e c t a m e n t e , a r e n u n c i a r a ;j m a r x i s m o y hasta e n e l p e n s a m i e n t o de H a b e r m a s y A p e l
u n a e m p r e s a t a l c o m o l a secuenciación. I n v e r s a m e n t e , l a 'A ( c e n t r a d o e n «la s o c i e d a d de comunicación emancipada»)

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0>

l a d i f e r e n c i a antropológica ( e l logos, e l V e r b o ) se h a refle- procreación, técnicamente m e d i a d a s , caen e n l o i m a g i n a -


jado, simplemente, c o m o lo diferente, c o m o l a diferencia rio y g e n e r a n , a l a vez, nuevos símbolos q u e se c o n v i e r t e n
a b s o l u t a , o r i g i n a l y última q u e a g o t a el s e n t i d o d e l ser y e n favorables u hostiles a estas técnicas o a otras. D e este
el d e v e n i r . m o d o , p r o s i g u e l a h i s t o r i a e n t r e el signo y l a técnica...
L a segunda actitud, en cambio, tiende a n o ver al e m -
brión más q u e c o m o u n m a t e r i a l biológico c u y a única d i -
f e r e n c i a respecto de o t r o s e m b r i o n e s de mamíferos reside
e n l a presencia, a u s e n c i a o configuración de algunas m o - NOTAS
léculas. E s t a a c t i t u d , q u e extrañamente l l e v a s u lógica has-
t a e l e x t r e m o , se d a c o m o e r r o r i n v e r s o a l a n t e r i o r . I g n o r a 1. E n relación c o n esta noción c r u c i a l de «elección», el lector puede
remitirse a l a o b r a de J . P a u m e n , Temps et choix, Bruselas, E d i t i o n s d e
la e s p e c i f i c i d a d de l a fase antropológica d e l a evolución, LUniversité de Bruxelles, 1974.
i g u a l a a l h o m b r e —embrión, s i n d u d a , p e r o p o t e n c i a l m e n -
te h o m b r e — c o n e l resto de las especies vivas, d a n d o a l
traste c o n l a d i f e r e n c i a antropológica desde l a q u e el h o m -
bre se r e l a c i o n a c o n el u n i v e r s o e n evolución. L o s defenso-
res de esta s e g u n d a p o s t u r a actúan c o m o s i el h o m b r e n o
c o n c e d i e r a a las cosas más q u e u n v a l o r tecnocientífico,
o c o m o s i l o único q u e se p u d i e r a t e n e r e n c u e n t a f u e r a
ese v a l o r tecnocientífico. O l v i d a n o m a r g i n a n p o r c o m p l e -
to — c o m o i m a g i n a r i a , inoperante, arcaica, etc.— la rela-
ción simbólica e n t r e las cosas y los seres.
U n embrión de h o m b r e n o p u e d e c o n s i d e r a r s e n u n c a
c o m o u n m a t e r i a l biológico más ( a u n q u e se t r a t e de u n
embrión e n vías de d e s a r r o l l o ) , s i m p l e m e n t e p o r q u e es
u n embrión humano y esta determinación n o se a g o t a e n
la m e r a física, química o biología.
Es p o s i b l e q u e s i d e s c a r t a m o s estas dos a c t i t u d e s extre-
m a s (de l a s cuales u n a t i e n d e a p r o h i b i r c u a l q u i e r e x p e r i -
mentación n o terapéutica sobre el embrión e n c u a l q u i e r
c i r c u n s t a n c i a , y l a o t r a conlleva l a tentación de a p l i c a r ,
p u r a y s i m p l e m e n t e , el i m p e r a t i v o técnico) p u e d a t e n e r l u -
gar u n a v e r d a d e r a consideración ética de los p r o b l e m a s .
D i c h a consideración atenderá los c a m b i o s q u e c o n f o r m a n
l a expresión simbólica y l a intervención tecnocientífica,
c a m b i o s c u y a sucesión i n t e g r a l a evolución e n l a fase a n -
tropológica. B a j o el i m p u l s o de deseos, f a n t a s m a s , p e t i c i o -
nes y ofertas i n d i v i d u a l e s o colectivas y de sus expresiones
simbólicas se h a n d e s a r r o l l a d o nuevas p o s i b i l i d a d e s e n el
c a m p o de l a procreación h u m a n a ; estas nuevas f o r m a s de

166 167
• é
CAPÍTULO VLTI

E L PARADIGMA BIOÉTICO

L o único que sabemos es que nadie debe o c u -


p a r el lugar desde el c u a l se decide el m o d o
de c r e a r o modificar al hombre.

M. SERRES

N a d a h a y de sacrosanto e n la naturaleza h u -
m a n a . Nosotros, c o m o personas, somos libres
p a r a cambiarla siempre y cuando proceda-
m o s c o n p r u d e n c i a y los colaboradores con-
sientan.

H.T. ENGELHARDT

S i se h a i m p u e s t o t a n t o el t e m a de l a bioética desde
hace u n o s años es, i n d u d a b l e m e n t e , p o r q u e este término,
a p a r e c i d o a p r i n c i p i o s de los años setenta, designa u n ám-
b i t o e n e l q u e el c o n j u n t o de p r o b l e m a s que h e m o s i d o
e n u m e r a n d o se p l a n t e a n y entretejen insistiéndose e n ellos
de u n a f o r m a a l a vez teórica y m u y concreta. Para el filó-
sofo, y más g e n e r a l m e n t e p a r a e l h o m b r e q u e q u i e r e refle-
x i o n a r sobre las cuestiones éticas suscitadas p o r las tecno-
ciencias contemporáneas c o n todas sus consecuencias y
t o d o s sus aspectos, l a bioética puede ser c o n s i d e r a d a
c o m o paradigmática.
¿Qué e n t e n d e m o s p o r bioética? E l término n o se r e -
fiere a u n a n u e v a d i s c i p l i n a tecnocientífica (ya q u e es
d e m a s i a d o i n t e r d i s c i p l i n a r y y a q u e está d e m a s i a d o i n -
v e s t i d a de a p u e s t a s ideológicas y filosóficas), n i a u n a
n u e v a ética, u n i v e r s a l y a c t u a l , de l a v i d a ( p u e s t o q u e
está e n el c e n t r o de las c o n t r o v e r s i a s , debates y p r e g u n -

169

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tas). A u n q u e los p r o b l e m a s s u s c i t a d o s p o r l a s t e c n o c i e n - bre). E n esto se c e n t r a l a bioética. P o r o t r a p a r t e , l a bioé-
1

cias b i o m é d i c a s o c u p a n u n l u g a r i m p o r t a n t e e n ella, l a t i c a designa, s i n o u n a v e r d a d e r a metodología, a l m e n o s


bioética n o se i d e n t i f i c a de i n m e d i a t o c o n l a ética o sí u n a f o r m a de aproximación a este t i p o de p r o b l e m a s .
l a deontología médica, s i n o q u e éstas c o n s t i t u y e n , más U n espíritu q u e , g e n e r a l m e n t e , aparece c o m o m u l t i o i n -
b i e n , capítulos y aspectos m u y i m p o r t a n t e s d e l a p r o b l e - terdisciplinar y como pluralista. L a pluridisciplinariedad
e n l a aproximación es u n a e x i g e n c i a — n o sólo de las d i -
mática bioética q u e i n c l u y e , también, c u e s t i o n e s r e l a t i -
versas ciencias n a t u r a l e s s i n o , i n c l u s o , de las ciencias h u -
vas a l a manipulación (biotecnologías, ingeniería gené-
m a n a s , el d e r e c h o , l a teología y l a filosofía— q u e r e s u l t a
tica...) y a l a preservación de especies n o h u m a n a s , vege-
de l a c o m p l e j i d a d o b j e t i v a d e las cuestiones q u e e n ella se
tales y a n i m a l e s , así c o m o c u e s t i o n e s r e l a t i v a s , de m o d o
p l a n t e a n . E n c u a n t o a l p l u r a l i s m o se i m p o n e c o m o conse-
más g e n e r a l , a l a gestión de l a b i o s f e r a . D e este m o d o l a
c u e n c i a de l a c o m p l e j i d a d y d i v e r s i d a d de las sociedades
bioética c u b r e u n c a m p o q u e v a desde l a deontología y
( h u m a n a s ) e n las q u e se p l a n t e a n cuestiones s i m i l a r e s re-
ética médicas, c e n t r a d a s e n p r o b l e m a s a m e n u d o próxi-
conociéndose q u e c o n c i e r n e n a l h o m b r e y q u e t r a t a n
m o s a l a filosofía de los d e r e c h o s d e l h o m b r e , a l a
cuestiones r e l a t i v a s a valores, s e n t i d o y fines, p a r a las q u e
« e c o é t i c a » o «ética ambiental» c e n t r a d a e n l a s o l i d a r i -
ningún i n d i v i d u o o g r u p o t i e n e el m o n o p o l i o legítimo de
d a d antropocósmica y próxima a l a filosofía de l a n a t u -
l a respuesta.
raleza a t e n t a a las dimensiones evolucionistas.
S i r e s t r i n g i m o s l a problemática bioética a l a ética
médica d e j a m o s f u e r a m u c h o s de los i n t e r r o g a n t e s q u e El paradigma bioético
se p l a n t e a n . E n efecto, el h o r i z o n t e t e ó r i c o y práctico U n análisis filosófico de los debates bioéticos puede .
último de l a ética médica es, e s e n c i a l m e n t e , terapéutico, servir para poner de manifiesto la profunda división de
opiniones existentes. Muchos de los puntos de vista ideoló-
es d e c i r , t i e n e l a intención de d e v o l v e r a l i n d i v i d u o a
gicos y religiosos pueden dar respuestas específicas a las
u n a i n t e g r i d a d n a t u r a l (la salud) p e r t u r b a d a . A h o r a
cuestiones morales despertadas en las discusiones bioéti-
b i e n , las c u e s t i o n e s más a g u d a s y p e r t u r b a d o r a s d e r i v a n cas. E n la medida en que estas respuestas específicas no
d e l h e c h o d e q u e l a m e d i c i n a d e s a r r o l l a l a c a p a c i d a d de pueden justificarse en términos de u n análisis general y de
m o d i f i c a r esa « i n t e g r i d a d » y a sea m e j o r á n d o l a ( p o r ej.: una argumentación racional, se abre u n abismo entre la
e u g e n e s i a p o s i t i v a ) o sustituyéndola ( p o r ej.: p r o c r e a - bioética de la filosofía no confesional (secular), en general,
ción) y «justifica» ese d e s a r r o l l o desde u n p u n t o d e v i s t a y los análisis que se intentan desde puntos de vista religio-
e v o l u c i o n i s t a de l a n a t u r a l e z a h u m a n a y d e l h o m b r e , sos e ideológicos particulares [...]. Como el mundo no pa-
rece adoptar una ortodoxia particular, y sí una ortodoxia
d o n d e l a n o c i ó n de «integridad natural» ( c o m o s a l u d y
impuesta como en el caso de Irán o la URSS, la bioética se
n o r m a l i d a d ) se c o n v i e r t e e n e x t r e m a d a m e n t e r e l a t i v a e
desarrollará, inevitablemente, como una dinámica de ra-
inestable. cionalidad no confesional en una época de incertidumbre.
Podríamos d e f i n i r l a bioética, e n u n s e n t i d o l a t o , c o n Es decir, que la existencia de discursos abiertos y pacíficos
el fin de q u e p o d a m o s e n t e n d e r n o s , d i c i e n d o q u e ésta de- entre grupos divergentes, tales como ateos, católicos, j u -
s i g n a u n c o n j u n t o de cuestiones c o n u n a dimensión ética díos, protestantes, marxistas, heterosexuales y homosexua-
(es d e c i r , e n las q u e los valores y cuestiones q u e se p o n e n les, respecto a cuestiones de política pública concernientes
e n j u e g o sólo p u e d e n resolverse m e d i a n t e actos d e elec- a los temas de salud conducirá, inevitablemente, hacia u n
lenguaje neutro común. La bioética está a punto de desa-
ción) s u s c i t a d a s p o r el, cada vez m a y o r , p o d e r d e i n t e r -
rrollar la lingua franca de u n mundo preocupado por la
vención tecnocientífica e n el ámbito de l a v i d a orgánica salud, pero desprovisto de u n punto de vista ético común
(especialmente, aunque n o exclusivamente, sobre el h o m -

170 171
[H.T. Engelhardt, jr., The foundations of Bioethics, pp. VTfl los otros en sus relaciones personales, ¿qué razones pode-
y 5]. mos objetar sino las que se refieren a una visión particular
de la vida buena en la que se considera que la felicidad
conseguida mediante la autodisciplina debe ser preferible a
Expondré a continuación seis p u n t o s q u e ilustrarán p o r
la tranquilidad debida, en parte, a la intervención médica?
qué l a bioética es paradigmática respecto a l a problemáti-
[Engelhardt, The foundations of Bioethics, p. 379].
ca expuesta e n los capítulos precedentes.

Dominarse antes que la fortuna


E l espíritu progresista tiene puesta su esperanza y es-
I 1. Bioética y t e c n o c i e n c i a fuerzo en la modificación de las condiciones externas de
existencia del individuo. No sueña más que con mejores
' L a bioética surge e n relación a las f o r m a s de I + D e n medios para dominar las fuerzas naturales o mejores insti-
) las q u e el carácter tecnocientífico es m u y f u e r t e y m e d i a n - tuciones políticas, jurídicas, administrativas, etc. No tiende
fc te las cuales se h a p u e s t o de m a n i f i e s t o e l carácter experi- a mejorar al propio individuo. Cada innovación está inspi-
rada en una necesidad, u n deseo o una ambición aceptada
m e n t a l i s t a , p e r o también m a n i p u l a d o r e i n t e r v e n c i o n i s t a ,
como tal. Podría decirse que el progresista tiende a mejo-
I a c t i v o y técnicamente a r m a d o de l a c i e n c i a contemporá-
rar indefinidamente el medio en que el individuo vive y no
I nea. C o n l a genética comenzó a i m p o n e r s e el término
al individuo mismo: el cambio se reduce a las cosas, lo que
«manipulación» p a r a d e s c r i b i r los aspectos esenciales de evita que el individuo tenga que cambiar o mejorarse a sí
' l a I + D . L a t e c n o c i e n c i a se h a m o s t r a d o más v i v a m e n t e mismo, al menos, por su propio esfuerzo. E l espíritu de la
) c o m o «obstinación excesiva de l o posible» e n e l ámbito de moral es, en su naturaleza más profunda, opuesto a aquel
. l a b i o m e d i c i n a c o m o l o a t e s t i g u a n expresiones c o m o «en- otro espíritu^Lá moral puede considerarse como una técni-
c a r n i z a m i e n t o terapéutico o procreático». P r e c i s a m e n t e , ca social; pero una técnica basada en el esfuerzo del indivi-
I p o r q u e se t r a t a de l o v i v o y, sobre t o d o , d e l h o m b r e m i s - duo sobre sí mismoiíFrente a las imperfeciones y acciden-
t m o , el p r i n c i p i o de «la l i b e r t a d de investigación» e n las tes fallidos de la naturaleza o de la Sociedad, la reacción
tecnociencias biomédicas se p e r c i b e c o m o p e l i g r o s a m e n - moral consiste en recurrir al sacrificio, en hacer concesio-
* te próximo a u n p r i n c i p i o an-ético: el i m p e r a t i v o técnico nes, en renunciar o en cambiar los fines: privarse uno mis-
mo para ayudar a los otros, abandonar las pretensiones
) según el c u a l es necesario h a c e r t o d o l o q u e es p o s i b l e
propias que atormentan a los otros, moderar los propios
l hacer.
deseos y controlarlos según ciertos criterios, en armarse de
coraje, paciencia y resignación. Descartes se inspiraba en
' Medicina y mejores mundos los estoicos diciendo: dominarse para ser feliz. E n esta fór-
k que la medicina puede no sólo controlar el dolor y mula se contiene toda la oposición que intentamos subra-
la ansiedad, sino también, al menos en principio, reforzar yar: el sabio recurre a la técnica moral, al esfuerzo de diri-
t las capacidades y aumentar el placer, en el futuro estará, girse a sí mismo; el progresista común no quiere sino acu-
k m u y probablemente más de l o que l o fue en el pasado, mular fuera de sí cambios conformes a sus deseos sin so-
asociada a una mejora de las transformaciones y del bie- ñar con que tiene que vencer el destino [ E . Dupreel, Deux
) nestar de los individuos [...j^Es difícil encontrar una obje- essais sur le progrés, pp. 64-65].
. ción seria, de principio, contra esta empresaySi realmente
las drogas controlan y mejoran el estado de ánimo sin
E l d e s a r r o l l o de l a bioética rinde j u s t i c i a a l d e s a r r o l l o
) efectos secundarios serios y, p o r el contrario, ayudan al
I individuo a cumplir mejor sus metas profesionales, a ser e m i n e n t e m e n t e práctico de l a t e c n o c i e n c i a : desde las tec-
mejores esposos y amantes, a tratar más amablemente a n o c i e n c i a s de investigación básica (que r e v e l a n cuestiones
I

I 172 173

i
éticas p o r q u e i m p l i c a n l a experimentación c o n seres v i - a l o s i m b ó l i c o y y a q u e las r e l i g i o n e s (y, e n m e n o r g r a d o
vos, c o m o e n el caso de l a experimentación c o n e m b r i o - y de f o r m a más a m b i g u a , también las metafísicas) cons-
nes, el c e r e b r o , l o s n e o - m u e r t o s , etc.) a las t e c n o c i e n c i a s t i t u y e n las prácticas simbólicas p o r e x c e l e n c i a y las teo-
a p l i c a d a s ( p r o b l e m a s éticos r e l a t i v o s , p o r e j e m p l o , a l a r i z a c i o n e s s o b r e l a n a t u r a l e z a simbólica de t o d o l o q u e
v i d a q u e acaba, a l a procreación, a l a extracción y t r a n s - es ( D i o s es V e r b o , P a l a b r a y m e d i a n t e e l V e r b o c r e a a l
p l a n t e s de órganos, etc.). L a bioética v e r i f i c a , s o b r a d a - M u n d o ) . E x i s t e n r e a c c i o n e s análogas, a u n q u e de m e n o r
m e n t e , q u e e l p r o y e c t o o c c i d e n t a l contemporáneo d e l sa- a m p l i t u d , p r o c e d e n t e s de o t r o s c a m p o s teóricos p r e o c u -
ber n o es, e n ningún sentido, p u r a m e n t e c o n t e m p l a t i v o , p a d o s también p o r l o simbólico, c o m o e l d e l a filosofía,
logoteórico. el psicoanálisis y , más d e s i g u a l m e n t e , l a s c i e n c i a s h u -
m a n a s . L a s p r e s i o n e s simbólicas s o b r e l a bioética s o n
e n o r m e s , p u e s m e d i a n t e l a interpretación bioética ( a l -
2. Bioética e interacción e n t r e l o simbólico t e r a d a p o r e l d e r e c h o y l a política) l o s p o d e r e s simbóli-
y la tecnociencia cos b u s c a n r e t o m a r el c o n t r o l d e l a t e c n o c i e n c i a q u e es
— d e s d e e l d e s a r r o l l o de l a c i e n c i a m o d e r n a — l a causa
« L a h i s t o r i a de l a bioética n o s m u e s t r a q u e los teólo- d e l d e b i l i t a m i e n t o d e esos p o d e r e s a l o s q u e e l l a n i e g a
gos h a n o c u p a d o e n ella, desde s u n a c i m i e n t o , u n l u g a r s u l e g i t i m i d a d . A h o r a b i e n , c o m o se t r a t a de u n a cues-
privilegiado.» E l c a m p o de l a bioética h a estado i n t e g r a -
2 tión ética i m p o r t a n t e , y ésta es i n c o n c e b i b l e s i n el reco-
d o p o r teólogos y , de f o r m a general, p o r p e n s a d o r e s c o n n o c i m i e n t o d e l a i m p o r t a n c i a d e l a s m e d i a c i o n e s simbó-
u n h o r i z o n t e religioso que h a n m a r c a d o p r o f u n d a m e n t e l i c a s p a r a l a maduración y e l e j e r c i c i o de l a l i b e r t a d de
l a reflexión s o b r e l a t e c n o c i e n c i a contemporánea. Q u e elección, l a bioética n o p u e d e d e j a r de r e c o n o c e r t a m -
sólo l o h a y a n s u b r a y a d o F l e t c h e r , R a m s y , C a l l a h a n , E n - bién e l v a l o r d e l o simbólico. P o r esta razón, l a bioética
g e l h a r d t , Joñas, E l l u l , etc., n o s i g n i f i c a q u e ellos se h a y a n es, n a t u r a l m e n t e , u n t e r r e n o p r i v i l e g i a d o p a r a las reac-
acercado a este c a m p o c o n u n a a c t i t u d dogmática y sí ciones simbólicas.
que, a l m e n o s , se h a n m o s t r a d o más sensibles a l a t r a m a L a a p r o x i m a c i ó n bioética es, y a l o h e m o s d i c h o , p l u -
ético-filosófica más p r o f u n d a de las t e c n o c i e n c i a s c o n - ridisciplinar y pluralista y, m u y a m e n u d o , los tecno-
temporáneas, a l a q u e ellos h a n d a d o u n v a l o r casi o n t o - científicos (médicos, b i ó l o g o s ) s o n n u m e r o s o s , y h a s t a
lógico. N a t u r a l m e n t e , h a s i d o desde l a religión desde d o n - m a y o r i t a r i o s , e n l o s debates. E n r e a l i d a d , l a bioética es,
de se h a o r g a n i z a d o l a m a y o r r e s i s t e n c i a simbólica a l a pues, u n e s p a c i o p r i v i l e g i a d o p a r a l a interacción e n t r e l o
t e c n o c i e n c i a , y esta r e s i s t e n c i a — q u e se sitúa e n l a estela simbólico y l o tecnocientífico. U n p a r a j e c o m p l e j o y difí-
d e l c o n f l i c t o e n t r e l a religión y l a c i e n c i a m o d e r n a , h o y de c i l e n el q u e l o s tecnocientíficos están i n v i t a d o s a expo-
n u e v o a b i e r t o o, e n c u a l q u i e r caso, r e a v i v a d o c o n g r a n n e r , d e f o r m a c l a r a , l o s aspectos p r o p i a m e n t e científicos
f u e r z a — a l c a n z a e n e l c a m p o de l a bioética u n a agudeza y técnicos de l a s c u e s t i o n e s d e b a t i d a s y , a l m i s m o t i e m -
máxima, casi t e c n o y cientificofóbica, e n l a q u e se reco- p o , a h a c e r q u e c o m p a r t a n también s u p e r i c i a y sus sue-
n o c e u n a h o s t i l i d a d o d e s c o n f i a n z a t o t a l c o n respecto a l a ños. Pues l a t e c n o c i e n c i a t i e n e , c l a r o está, sus símbolos
tecnociencia. c o n d u c t o r e s , sus sueños, sus p r o m e s a s , sus utopías. E n
Es a b s o l u t a m e n t e lógico q u e l a m a y o r oposición s i m - c u a n t o a l o s p o r t a v o c e s de l a s d i v e r s a s t e n d e n c i a s r e l i -
bólica a l a s t e c n o c i e n c i a s v e n g a d e l a s r e l i g i o n e s y q u e giosas, ideológicas y e s p i r i t u a l e s , están i n v i t a d o s a expo-
éstas i m p r e g n e n m a s i v a m e n t e el á m b i t o b i o é t i c o y a q u e , ner, s i p u e d e n , los alcances, r a z o n e s y j u s t i f i c a c i o n e s de
c o m o h e m o s i n t e n t a d o m o s t r a r , l a técnica es l o o p u e s t o sus p r i n c i p i o s , sus a f i r m a c i o n e s , p r o h i b i c i o n e s ^ y d o g -

174 ¡£ r:. 475


m a s . E n l a m e d i d a e n q u e estas j u s t i f i c a c i o n e s — y es c o m o u n ser q u e m u e s t r a u n estatus ontológico d i s t i n t o
s i e m p r e e l c a s o — están l i m i t a d a s y r e m i t e n a u n a fe q u e —trascendente o sobrenatural: espiritual, i n m a t e r i a l — del
n o t o d o s c o m p a r t e n , estos p o r t a v o c e s están, c o n t o d a s u de l a r e a l i d a d n a t u r a l ) . L a explicación de l a a m p l i t u d y
b u e n a fe, o b l i g a d o s a r e c o n o c e r l a r e l a t i v i d a d y n o u n i - éxito de l a experimentación a n i m a l p a r a l a puesta a p u n t o
v e r s a l i d a d de s u s c o n v i c c i o n e s , s u c o n c e p c i ó n d e l a « m e - de prácticas terapéuticas sobre el h o m b r e se c e n t r a e n esta
j o r v i d a » , d e l b i e n y los v a l o r e s s u p e r i o r e s d e l h o m b r e . p r o x i m i d a d biológica. P e r o esta biologización tiene serios
B i e n l l e v a d a , l a discusión bioética debería c o n d u c i r a peligros. D e ahí, l a i m p o r t a n c i a de l a gestión médica de
m a y o r c l a r i d a d objetiva, subjetiva e intersubjetiva y a la l a «biología humana» y l a p r o f u n d a significación e n los
delimitación d e ese m í n i m o s o b r e el c u a l t o d o s l o s p a r t i - debates q u e a c u s a n a l a m e d i c i n a de d e s h u m a n i z a r s e
c i p a n t e s e n e l d e b a t e p u e d e n p o n e r s e de a c u e r d o . E s t e adoptando u n p u n t o de vista exclusivamente « b i o » (-lógico,
c o n s e n s o podría c o m p r e n d e r también u n m í n i m o d e -químico, -físico) y queriéndose a sí m i s m a c o m o u n a tec-
n o r m a s q u e o f r e z c a u n m a r c o p a r a l a regulación simbó- n o c i e n c i a p u r a m e n t e e x p e r i m e n t a l y q u e investiga m e r -
l i c a d e l a I + D e n este c a m p o . m a n d o s u vocación g l o b a l : l a d e l arte de c u r a r , d a r asis-
E n el ámbito de l a bioética se h a n m u l t i p l i c a d o e n los t e n c i a , a y u d a r y s o c o r r e r a l h o m b r e q u e sufre. L a gestión
últimos años — ¡ y esto n o se h a a c a b a d o ! — l o s consejos, médica de t o d o l o q u e c o n c i e r n e a l a experimentación e
c o m i s i o n e s , c e n t r o s , comités e i n s t i t u t o s c o n vocación éti- investigación s o b r e e l h o m b r e —gestión q u e i m p l i c a q u e
ca, p l u r i d i s c i p l i n a r y p l u r a l i s t a . E n t r e los más célebres se los p r o g r a m a s de investigación sean s u m i d o s e n l a apre-
h a l l a n : l a C o m m i s s i o n W a r n o c k ( I n g l a t e r r a ) , el K e n n e d y ciación de comités éticos e n los q u e los médicos s o n , gene-
I n s t i t u t e o f E t h i c s ( W a s h i n g t o n ) , el H a s t i n g s C e n t e r ( N u e - r a l m e n t e , m a y o r i t a r i o s — debe r e c o r d a r , e n p r i n c i p i o , q u e
va Y o r k ) , e l Comité C o n s u l t a t i f N a t i o n a l d'Éthique ( F r a n - e n este d o m i n i o d e l a I + D i m p o r t a n o t r o s i m p e r a t i v o s y
cia). E n todas estas i n s t i t u c i o n e s se p r o d u c e , de f o r m a que éstos deberían ser previos a los m e r o s i m p e r a t i v o s tec-
i n t e n s a p e r o , e n p r i n c i p i o también más lúcida, l a i n t e r a c - nocientíficos.
ción e n t r e l o tecnocientífico y l o simbólico. E n ellos se ela- P o r o t r a p a r t e , y p a r a e x p o n e r e l s e g u n d o aspecto de
b o r a l a gestión s o c i a l g l o b a l y n o v i o l e n t a d e estas i n t e r a c - l a g r a n s e n s i b i l i d a d antropocósmica de l a bioética, t o d a
ciones. u n área de l a bioética se p r e o c u p a d i r e c t a m e n t e p o r esta
s o l i d a r i d a d e n t r e e l h o m b r e y l a n a t u r a l e z a . Se t r a t a d e
las p r e o c u p a c i o n e s ecológicas: ecoéticas, ética m e d i o a m -
b i e n t a l . . . E n este á m b i t o se a t i e n d e e l t e m a de l o s g r a n -
3. Bioética y s o l i d a r i d a d antropocósmica
des e q u i l i b r i o s d e l a b i o s f e r a ( e n l a q u e e l h o m b r e j u e g a ,
c a d a vez más, u n a p a r t e i m p o r t a n t e p o r r a z o n e s d e l de-
L a s o l i d a r i d a d antropocósmica es p a r t i c u l a r m e n t e fuer-
sarrollo técnico) a l a s o l i c i t u d y c u i d a d o de los animales
te e n bioética p o r m u c h a s razones. E x p o n d r e m o s las d o s
y l o v i v o e n g e n e r a l : d e sus « d e r e c h o s » , d e l r e s p e t o q u e
principales.
les es d e b i d o . C o m o h e m o s v i s t o , se b a r a j a n aquí cues-
Las tecnociencias biomédicas (especialmente l a m e d i c i -
t i o n e s de f o n d o r e s p e c t o a l « a n t r o p o l o g o c e n t r i s m o » d o -
n a desde q u e se convirtió e n e x p e r i m e n t a l y se b i o l o g i z ó )
m i n a n t e , y a u n a renovación d e l a «filosofía d e l a n a t u -
v e n a l h o m b r e desde u n p u n t o de vista, cada vez más, b i o -
raleza».
lógico y h a s t a biofísico y bioquímico (pensemos, p o r ejem-
p l o , e n l a genética m o l e c u l a r ) . Es decir, c o m o u n ser v i v o
e n t r e o t r o s que, c o n s i d e r a d o e n c i e r t a f o r m a , n o se d i s t i n -
gue d e l resto de los seres vivos s i n o m u y débilmente ( y n o

176 177
o
4. Bioética y b ú s q u e d a d e u n a n u e v a posición nes. L a bioética m a n i f i e s t a l a m u l t i p l i c i d a d i r r e d u c t i b l e
d e l a ética de n u e s t r a s sociedades y, a contrario, el carácter dogmá-
t i c o , t o t a l i t a r i o y, p o r t a n t o , i n t o l e r a b l e de t o d a v o l u n t a d
n o pacífica de d a r a las p r e g u n t a s bioéticas respuestas
L a bioética c o n s t i t u y e u n c r i s o l p a r a l a investigación
c o n pretensión u n i v e r s a l , ancladas e n p r i n c i p i o s y f u n d a -
y c r e a t i v i d a d éticas, t a n t o e n e l p l a n o práctico — é t i c a
m e n t o s a b s o l u t o s q u e se i m p o n g a n p o r ser las únicas
a p l i c a d a — c o m o e n e l p l a n o teórico. L o s comités, c o m i -
«verdades».
siones y o t r o s g r u p o s p l u r i d i s c i p l i n a r e s y p l u r a l i s t a s d e
Es a l t a m e n t e s i g n i f i c a t i v o q u e e n los Derechos d e l
investigación c o n u n a p e r s p e c t i v a ética r e p r e s e n t a n , e n
H o m b r e — e n l a filosofía c o n l a q u e se c o n f o r m a el espíri-
este s e n t i d o , v e r d a d e r o s l a b o r a t o r i o s e n l o s q u e , s i n e m -
t u de los grandes códigos y las declaraciones de l a d e o n t o -
b a r g o , se e l a b o r a n m u y a m e n u d o l a s p r e g u n t a s desde
logía y ética m é d i c a — t a l c o m o se h a n a f i r m a d o e n l a De-
u n p u n t o de v i s t a antropologocéntrico. E s t o es especial-
claración Universal de 1948 (a d i f e r e n c i a d e l texto de 1789)
m e n t e f u e r t e e n esta n u e v a posición d e l a ética de l a q u e
se h a y a r e n u n c i a d o a t o d a fundamentación teológica o
l a bioética n o t i e n e e l m o n o p o l i o , p e r o p a r a l a c u a l e l l a
metafísica común y explícita. Este a b a n d o n o se m u e s t r a
parece i n c l u s o u n a a l t e r n a t i v a paradigmática. N u e s t r a
c l a r a m e n t e e n los b o r r a d o r e s de las discusiones de los
caracterización de esta posición reúne l o e s e n c i a l d e l o s
c o n s t i t u y e n t e s : los h o m b r e s n o p u e d e n ponerse u n i v e r s a l -
aspectos de l a vía i n t e r m e d i a , e n e l s e n o d e l a c u a l se
m e n t e de a c u e r d o n i sobre Dios, n i s i q u i e r a sobre c u a l -
3

i n s c r i b e esta posición.
q u i e r N a t u r a l e z a o Esencia H u m a n a . Desde el p u n t o de
— Abandono de la voluntad de fundamento teológico o
vista ontoteológico, los Derechos d e l H o m b r e están, pues,
metafísico. L a p r i m e r a enseñanza, teórica y práctica, de
los debates bioéticos es q u e existe u n n ú m e r o i n d e f i n i d o e desprovistos de f u n d a m e n t o común. S o n u n c o n j u n t o de
i m p o r t a n t e de cuestiones graves s o b r e las q u e los h o m - p r i n c i p i o s sobre los cuales, prácticamente, todos los h o m -
bres n o p u e d e n entenderse p o r q u e n o t i e n e n l a m i s m a bres se e n t i e n d e n . Y h a n dejado a cada u n o — i n d i v i d u o o
concepción d e l m u n d o y de l a v i d a , n i l a m i s m a jerarquía c o l e c t i v i d a d — l a p o s i b i l i d a d , i n c l u s o l a r e s p o n s a b i l i d a d , de
de valores: el estatus de u n embrión, el a b o r t o , l a c o n t r a - f u n d a r l o s según s u concepción d e l m u n d o y d e l b i e n . «Las
cepción, el diagnóstico p r e n a t a l , l a definición de l a m u e r - diversas t r a d i c i o n e s espirituales s o n sólo u n a "referencia
te, l a f a m i l i a , e l d e r e c h o a p r o c r e a r , el d e r e c h o a d i s p o n e r v i v a " , d a n a sus adeptos razones filosóficas p a r a respetar
d e l p r o p i o c u e r p o , l a eutanasia, l a experimentación c o n los derechos d e l h o m b r e . » 4

a n i m a l e s , l a fecundación asistida, etc., s o n a l g u n o s de los L o s q u e a b o r d a n l a bioética desde u n p u n t o de vista


p r i n c i p a l e s t e m a s , y e n los q u e p r o t e s t a n t e s , m u s u l m a n e s , «fundamental», es decir, t r a d i c i o n a l y dogmático, y a sean
ateos, católicos, deístas, agnósticos, judíos, p o r n o h a b l a r metafísicos o teológicos (y s o n m u c h o s ) n o respetan l a es-
de b u d i s t a s o a n i m i s t a s , n o p u e d e n p o n e r s e d e a c u e r d o . p e c i f i c i d a d — l a n o v e d a d — de las cuestiones y de s u c o n -
Se t r a t a , s i n e m b a r g o , de cuestiones esenciales y a q u e e n texto.
ellas está i m p l i c a d a u n a definición d e l h o m b r e , d e l a v i d a L a bioética i n v i t a , pues, a c a m b i a r el p u n t o de vista
y de l a m u e r t e . E l debate bioético e x p o n e e l p l u r a l i s m o de f u n d a m e n t a l i s t a p o r el p u n t o de vista regulador, a l m e n o s
n u e s t r a s sociedades tecnocientíficas c o n u n a a g u d e z a i n i - e n t o d o l o q u e c o n c i e r n e a l e s t a b l e c i m i e n t o de u n a ética
g u a l a b l e y establece l a i n e x i s t e n c i a de u n f u n d a m e n t o co- pública común.
mún o d e u n a argumentación c a p a z de c o n d u c i r s i n cons- — Una ética de normas reguladoras. «Discutimos, e n
t r i c c i o n e s , m i s t i f i c a c i o n e s o v i o l e n c i a , a t o d o s los m i e m - l u g a r de b a t i r n o s o e x c o m u l g a r n o s u n o s a o t r o s : Este es el
b r o s de u n a s o c i e d a d a c o m p a r t i r las m i s m a s c o n v i c c i o - paso ético f u n d a m e n t a l , a q u e l p o r e l q u e se e n t r a e n l a

178 179
" c o m u n i d a d c o m u n i c a t i v a " donde hay "reconocimiento re- hacer u s o de l a f u e r z a o de l a represión sobre u n ser pací-
cíproco d e las personas c o m o sujetos d e l a a r g u m e n t a - fico d o t a d o d e c o n s c i e n c i a , razón y l i b e r t a d . T o d a a u t o r i -
• y tí C d a d y t o d a r a c i o n a l i d a d m o r a l n o p u e d e n v e n i r más que
cion . » 3
de l a l i b r e adhesión. E s t o s i g n i f i c a q u e n i n g u n a fuerza
E l h e c h o de q u e n o exista n i u n h o r i z o n t e n i u n f u n d a - debe ser i m p u e s t a a q u i e n n o l o h a y a c o n s e n t i d o l i b r e -
m e n t o a b s o l u t o común n o i m p i d e q u e los h o m b r e s , d e m e n t e e n c o m p r o m i s o s a n t e r i o r e s . E l P A excluye, pues,
b u e n a v o l u n t a d y deseosos ( u obligados) de v i v i r j u n t o s y c u a l q u i e r u s o de represión o v i o l e n c i a p a r a a r r a s t r a r a las
de h a c e r j u n t o s u n c i e r t o número de cosas, p u e d a n p o n e r - personas a u n o u o t r o p u n t o de vista, o h a s t a algún valor,
se de a c u e r d o s o b r e u n i m p o r t a n t e número d e cuestiones. c u a l q u i e r a q u e éste sea. Este p r i n c i p i o es, según E n g e l -
Estos a c u e r d o s se o b t i e n e n , g e n e r a l m e n t e , a l a c a b a r u n h a r d t , c o n s t i t u t i v o d e l espacio ético, e n l a m e d i d a en q u e
diálogo, u n a discusión, u n a negociación — a l término d e l a ética se d e f i n e p o r l a v o l u n t a d de resolver los conflictos
u n a «interacción comunicativa» c o m p l e j a , q u e sería s i m - de f o r m a n o v i o l e n t a , s i n r e c u r s o a l a fuerza, y respetando
ple c o n s i d e r a r c o m o e n t e r a m e n t e r a c i o n a l , i n c l u s o a u n q u e l a l i b e r t a d d e l o t r o , g e n e r a l m e n t e , p o r l a negociación dia-
la razón j u e g u e aquí u n p a p e l específico. L o s consensos 6
logada. E l P A está e n l a base de t o d a «comunidad moral»,
realizados de este m o d o expresan reglas u objetivos c o m u - d e f i n i d a c o m o «conjunto d e personas interesadas p o r l a
nes. L a s n o r m a s , así o b t e n i d a s s o n p r o f u n d a m e n t e p r a g - solución de las c o n t r o v e r s i a s m o r a l e s p o r vías, f u n d a m e n -
máticas, e n e l s e n t i d o d e q u e resuelven p r o v i s i o n a l m e n t e t a l m e n t e , n o apoyadas e n l a fuerza» ( E n g e l h a r d t , op. cit.,
(esta p r o v i s i o n a l i d a d puede ser l a r g a — i n d e f i n i d a — o e n - p . 42).
teramente p u n t u a l ) problemas de l a vida social p l u r a l y
s o n , además, revisables (renegociables: los debates p u e d e n
El Principio de Autonomía
v o l v e r a a b r i r s e s i existen nuevas «razones» o « h e c h o s » ) . Cualquier autoridad [moralmente legítima; G.H.], rela-
Estas n o r m a s c o n s t i t u y e n , p o r t a n t o , u n a ética e v o l u t i v a y tiva a acciones que afectan al otro en una sociedad no con-
abierta, l o q u e n o s i g n i f i c a inestable o anárquica. Además, fesional y pluralista, deriva del consentimiento libre del
cada u n o es l i b r e de fundar, a s u m a n e r a ( o s e n c i l l a m e n t e otro. E n consecuencia: sin ese consentimiento no hay au-
de j u s t i f i c a r ) las n o r m a s q u e h a c o n s e n t i d o . toridad. Los actos dirigidos contra esta autoridad son con-
E n estos límites, n o parece d e l t o d o i m p o s i b l e llegar a denables ya que colocan a aquel que la viola fuera de la
consensos r e g u l a d o r e s mínimos q u e se r e f i e r a n a l a m a y o r comunidad moral general y que ya legitiman [...] el uso de
una fuerza punitiva o defensiva p o r parte de cualquier
p a r t e de las cuestiones de bioética, y a c i t a d a s a n t e r i o r m e n -
miembro de esa comunidad moral particular. Consenti-
te; s i n e m b a r g o , c o m o expresiones de u n a s o c i e d a d p l u r a l . miento implícito: los individuos, grupos y estados tienen
A u n q u e es evidente q u e estas reglas estarán, p o r l o gene- autoridad para proteger al inocente contra una violencia
r a l , m u y lejos de l a regulación m o r a l q u e los f u n d a m e n t a - que no consiente [...]. Justificación del principio: el Princi-
listas — c u a l e s q u i e r a q u e éstos s e a n — habrían deseado i m - pio de Autonomía expresa el hecho de que la autoridad
p o n e r , e n t o t a l c o h e r e n c i a c o n s u fe p a r t i c u l a r . para resolver las diferencias morales, en una sociedad no
E l p e n s a d o r que, a n u e s t r o j u i c i o , h a s i d o e l más explí- confesional y pluralista, no puede derivarse más que de u n
acuerdo entre los participantes en el debate, y de ningún
c i t o y el q u e más lejos h a e m p u j a d o l a lógica de esta n u e v a
argumento racional n i de ninguna creencia común. Es por
posición ética e n e l ámbito de l a bioética h a s i d o H . T . E n -
esto p o r lo que el consentimiento está en el origen de la
g e l h a r d t , e n s u o b r a t i t u l a d a The foundations of Bioethics. autoridad y en el respeto al derecho de los participantes
E n g e l h a r d t d i s t i n g u e dos p r i n c i p i o s básicos: e l P r i n c i p i o para consentir l a condición necesaria de posibilidad de
de Autonomía (PA) y el P r i n c i p i o de h a c e r e l B i e n ( P B ) . E l una comunidad moral. E l Principio de Autonomía es l a
PA e n u n c i a q u e n o se puede, bajo n i n g u n a c i r c u n s t a n c i a ,

180 181

7 / / / ' ' ' •' ' ' ' / : / / 7 / / / : / / / / / / 7 7 r / " / 7 r r 7 7 7


i0
base de la gramática mínima de todo lenguaje moral [...]. p. 72). E l PA «es l a base p a r a l a elaboración común de
Máxima: No hagas a otro lo que él no se haría a sí mismo
p r o g r a m a s p a r t i c u l a r e s de b i e n obrar» (ibíd., p . 85).
y hazle l o que, de acuerdo con él, os hayáis comprometi-
A u n q u e , s i n d u d a , sea deseable q u e e n l a elaboración
do a hacerle. E l Principio de Autonomía fundamenta lo
que podría llamarse la ética de la autonomía como respeto de estos p r o g r a m a s m o r a l e s , e n e l seno de c o m u n i d a d e s
m u t u o [ H . T. Engelhardt, jr., The foundations of Bioethics, m o r a l e s p a r t i c u l a r e s , l a razón — l a argumentación r a c i o -
p. 86]. n a l — j u e g u e u n p a p e l i m p o r t a n t e , E n g e l h a r d t parece n o
hacerse i l u s i o n e s sobre l a c a p a c i d a d q u e la m e r a razón
tiene p a r a f u n d a m e n t a r , c o n c r e t a m e n t e , n o r m a s y valores.
E l PA h a c e posibles y viables las c o m u n i d a d e s m o r a -
«Desde l a Revolución francesa h a s t a l a Revolución de oc-
les, es d e c i r , aquellas c o m u n i d a d e s q u e c o m p a r t e n Ubre-
t u b r e , l a razón p r o v i s t a de a u t o r i d a d m o r a l , h a fracasado
m e n t e u n a concepción homogénea d e l a v i d a b u e n a , u n a
e n s u i n t e n t o de asegurar u n a visión p a r t i c u l a r de l a v i d a
jerarquía d e valores y de fines a p e r s e g u i r . Tales c o m u n i -
buena» (ibíd., p . 39). L o d e t e r m i n a n t e , pues, es e l acuerdo
dades n o e x i s t e n y n o se c o n s t i t u y e n más q u e p o r l a a d h e -
l i b r e m e n t e c o n s e n t i d o , q u e se presenta, o n o , c o m o r a c i o -
sión l i b r e d e l o s i n d i v i d u o s . E n sí, e l P A n o d a ningún
n a l m e n t e a r g u m e n t a d o . « L o s m e d i o s pacíficos i n c l u y e n el
c o n t e n i d o (deontológico, axiológico, de n o r m a s o valores
a c u e r d o (asentido) sobre u n a base de argumentación r a -
p r e c i s o s ) a estas c o m u n i d a d e s q u e p u e d e n ser m u y d i v e r -
c i o n a l (rational argument) o sobre l a base de u n consenso
sas y c o e x i s t i r l i b r e y pacíficamente e n e l s e n o d e l espacio
(agreement). Allí d o n d e l a argumentación r a c i o n a l falta, en
público ( e n p r i n c i p i o , a l m e n o s , t a n v a s t o c o m o l a h u m a -
p r i n c i p i o , q u e d a el consenso (agreement)» (ibíd., p . 43).
n i d a d y , e n t o d o caso, c o n las d i m e n s i o n e s de u n a socie-
E s t a limitación de l a r e f e r e n c i a r a c i o n a l — q u e p e r m i t e
d a d p l u r a l i s t a y democrática) q u e se m a n t i e n e a b i e r t o p o r
a E n g e l h a r d t e v i t a r d i f i c u l t a d e s teóricas ( c o m o ¿qué es u n
el PA. L a única exigencia p a r a esto es q u e n i n g u n a d e las
a r g u m e n t o r a c i o n a l ? ) y prácticas (de hecho, l a m a y o r par -
c o m u n i d a d e s contravenga la regla del respeto a l a liber-
te de a c u e r d o s e n t r e los h o m b r e s n o s o n n a d a , o m u y
t a d d e l o t r o , n i e n t r e sus m i e m b r o s , n i c o n m i e m b r o s de
poco, r a c i o n a l e s ) c o n las q u e se e n f r e n t a n filósofos c o m o
o t r a c o m u n i d a d . L a h u e l l a de s u n e o k a n t i s m o h a c e q u e
H a b e r m a s o A p e l — , le c o n d u c e también in fine a n o o c u l -
E n g e l h a r d t p r e s e n t e e l PA c o m o el p r i n c i p i o t r a s c e n d e n t a l
t a r l a p o s i b i l i d a d y l e g i t i m i d a d de u n estallido d e l antropó-
de l a ética, c o m o s u condición de p o s i b i l i d a d y v a l i d e z . E l
logos, e n t e n d i d o e n l a h u m a n i d a d o e n l a especie h u m a n a ,
PA p r o t e g e l a l i b e r t a d p e r s o n a l e n l a m e d i d a e n q u e las
p o r el c a m i n o de l a multi-reconstrucción-diversificación
p e r s o n a s , así p r o t e g i d a s , r e s p e t a n también el PA. E l úni-
tecnocientífica l i b r e m e n t e c o n s e n t i d o , de esta h u m a n i d a d .
co u s o legítimo de l a ética se d a c u a n d o u n a p e r s o n a o
Aquí, s e g u r a m e n t e , se sitúa e l a l i c i e n t e de u n debate f u n -
u n a c o m u n i d a d m o r a l debe defenderse c o n t r a l a agresión
d a m e n t a l , a l a vez r e n o v a d o y clásico, sobre «razón y l i b e r -
o l a i n t o l e r a n c i a de o t r a p e r s o n a o c o l e c t i v i d a d q u e q u i -
tad» e n e l q u e , p o r u n l a d o , están los p a r t i d a r i o s d e l m a n -
siera, p o r e j e m p l o , i m p o n e r sus v a l o r e s y sus fines p a r -
t e n i m i e n t o — y r e f o r z a m i e n t o — de l a u n i d a d ( i g u a l d a d ,
ticulares.
h o m o g e n e i d a d ) de l a especie h u m a n a e n n o m b r e de l a r a -
E l P A es «la condición necesaria de p o s i b i l i d a d p a r a zón y de l a u n i v e r s a l i d a d y en d e t r i m e n t o de l a l i b e r t a d
resolver las cuestiones m o r a l e s s i n v i o l e n c i a y p a r a preser- (juzgada c o m o excesiva e i r r a c i o n a l ) y , p o r o t r o lado, los
v a r u n d i s c u r s o ético m í n i m o de aprobación o r e p r o b a - que, desde u n a perspectiva m u y lógica, e m p u j a n t a n t o a l a
ción. E s , e n este s e n t i d o , f o r m a l . O f r e c e l a m a t r i z vacía t o l e r a n c i a q u e l l e g a n a d e s p o j a r l a de t o d a razón d r o g a n d o
que p e r m i t e e n g e n d r a r l a a u t o r i d a d m o r a l e n u n a sociedad el p r i n c i p i o de autonomía, c u a l q u i e r a q u e sea l a a v e n t u r a
p l u r a l i s t a (secular) gracias a l c o n s e n t i m i e n t o mutuo» (ibíd., pacífica de éste. L a a u d a c i a de E n g e l h a r d t está, a l a vez,

182 183
generada y c o n t e n i d a , c o m o v e r e m o s , e n s u distinción e n -
é
hay. E s t a d u a l i d a d de l a v i d a ética contemporánea p r o d u -
t r e «ser humano» y «persona». ce algunas d i f i c u l t a d e s . E x i g e u n a especie de fe m o d e r a d a
E l segundo p r i n c i p i o q u e E n g e l h a r d t p r o m u e v e e n el q u e es f r u s t r a n t e p a r a e l creyente «al q u e se le i m p i d e
corazón d e l a problemática bioética es e l Principio de hacer creer c o n d e m a s i a d a f u e r z a p o r q u e eso puede i n t e r f e r i r e n
el Bien ( P B ) . Este es, podría decirse, el p r i n c i p i o sustan- la l i b e r t a d de otro» (ibíd., p . 52).
c i a l . Concede u n c o n t e n i d o axiológico y deontológico a las
diversas c o m u n i d a d e s m o r a l e s : define e l b i e n y o r d e n a Las dos dimensiones de la ética
c u m p l i r l o . « S ó l o e n relación a u n a c o m u n i d a d m o r a l p a r - La vida moral se vive de acuerdo con dos niveles o d i -
t i c u l a r se a p r e n d e s i es j u s t o o n o , válido o n o , h a c e r las mensiones: 1) una ética no confesional (secular) pobre en
cosas q u e , p o r d e r e c h o m o r a l n o c o n f e s i o n a l (secular), se contenidos, capaz de mantener unidas a muchas comuni-
t i e n e d e r e c h o a hacer. E l ámbito de l a ética n o c o n f e s i o n a l dades morales divergentes y, 2) las comunidades morales
n o agota el u n i v e r s o de l a reflexión ética» {op. cit, p - 4 9 ) . particulares en las que cada uno puede adquirir u n sentido
satisfactorio acerca de lo que es la vida buena. Este primer
nivel ético puede defenderse en términos de una argumen-
El Principio de hacer el Bien tación moral general concerniente a la naturaleza de la éti-
«El fin de la acción moral es hacer el bien y evitar el ca. Ofrece algunas conclusiones morales absolutas y uni-
mal. E n una sociedad pluralista no confesional, no puede versales, aun cuando es pobre en contenidos. La segunda
establecerse ningún orden particular de bienes y males ya dimensión, presenta visiones concurrentes sobre la vida
que su justificación requeriría una intuición m o r a l particu- buena, los vicios y virtudes. E n esta segunda los argumen-
lar [...]. Sin embargo, lo que caracteriza el proyecto ético tos no son concluyentes y, a menudo, si no siempre, se
es el compromiso de hacer el bien, pues sin este compro- requiere la aceptación de algunas premisas básicas: tal
miso la vida m o r a l no tiene ningún contenido [...]. como, p o r ejemplo, que ninguna argumentación es segura.
Justificación del principio: el principio de hacer el bien [...] E n consecuencia, los médicos y enfermeras, así como
refleja el hecho de que el interés ético comprende la reali- otros trabajadores de la rama médica, terminan asumien-
zación del bien y evitar el mal. [Pero como las discusiones do papeles morales m u y complicados. E n primer lugar, de-
a propósito de esto] no pueden ser resueltas en las socieda- ben vivir su vida moral dentro de ambas dimensiones éti-
des pluralistas más que apelando al principio de autono- cas [...]. Por ejemplo, el ginecólogo católico romano que se
mía, que es, conceptualmente, anterior a l principio de ha- oponga a l aborto y la contracepción deberá aceptar el he-
cer el bien. [...] cho de que las mujeres tengan u n derecho a abortar (con-
Máxima: haz a los otros su bien. E l Principio de hacer forme a la moral pluralista secular) pese a que éste sea
el Bien fundamenta lo que se puede llamar la ética de la moralmente inaceptable para él. E l médico estará obligado
asistencia al bienestar (Welfare) y las simpatías sociales a desarrollar l a capacidad de remitir a sus pacientes a
[H.T. Engelhardt, j r . The foundations of Bioethics, pp. 86- otros médicos cuando el conflicto moral aparezca [H.T.
87]. Engelhardt, jr., The foundations of Bioethics, pp. 54-55].

La tensión ética
L a problemática a c t u a l de l a ética — y q u e aparece más
Existe una tensión en las raíces mismas de la ética. Tal
m a n i f i e s t o e n l a bioética— exige, pues, q u e c a d a u n o p u e -
tensión proviene de la diferencia entre el respeto a la liber-
d a v i v i r e n d o s niveles de c o n c i e n c i a m o r a l . E l p r i m e r n i - tad y la preocupación por el mejor interés para las perso-
v e l es el d e l PA, «trascendental», u n i v e r s a l , idéntico p a r a nas. E n la práctica médica esta tensión está constantemen-
todos p e r o f o r m a l y vacío. E l s e g u n d o n i v e l se c o n c r e t a e n te presente. A menudo, los pacientes se aferran a compor-
tantas concepciones d e l b i e n c o m o c o m u n i d a d e s m o r a l e s tamientos que los médicos y enfermeras saben que son pe-

184 185
ligrosos y que, posiblemente, pueden ser causa de dolen- ficción especulativa E n g e l h a r d t i m a g i n a también a los án-
cias y, a la larga, quizás, de la muerte. E n numerosas oca- geles y extraterrestres) de l a especie homo sapiens podrían
siones los médicos y enfermeras, p o r respeto a esas perso-
ser personas, o q u e l a especie h u m a n a , e n p a r t e o e n s u
nas, deben tolerar estilos de vida nocivos o que para los
t o t a l i d a d , p r o f u n d a m e n t e m o d i f i c a d a (podríamos pensar,
cuales no existe u n tratamiento. Sin embargo, los médicos
p o r ejemplo, e n l a supresión t o t a l de las diferencias sexua-
y enfermeras, al elegir una profesión que se basa en la sal-
vaguardia de la salud del paciente, se h a n consagrado a les m e d i a n t e u n m o d o de reproducción e n t e r a m e n t e a r t i f i -
preservar, del mejor modo posible, el interés del paciente cial) seguiría c o m p u e s t a p o r personas.
[...]. Esta tensión es radical [...] se ha generado bajo la for- « H a y q u e s u b r a y a r q u e esta concepción m o r a l se basa
ma de dos principios éticos conflictivos: el Principio de Au- n o e n los seres h u m a n o s s i n o e n las personas. Que u n ser
tonomía y el Principio de hacer el Bien [H.T. Engelhardt, relevante de u n a especie p a r t i c u l a r n o es i m p o r t a n t e [...]»
jr., The foundations of Bioethics, p. 66]. (ibíd., p. 107). « E l ser h u m a n o es t a n s i g n i f i c a t i v o p o r q u e
los m i e m b r o s de l a especie homo sapiens s o n e x t r a o r d i n a -
P e r o las cosas p u e d e n ser aún más c o m p l e j a s : se d a el riamente conscientes, r a c i o n a l e s y están dotados de u n
caso de q u e c i u d a d a n o s q u e p e r t e n e c e n a d o s c o m u n i d a - s e n t i d o m o r a l » (ibíd., p. 107).
des m o r a l e s d i s t i n t a s se e n c u e n t r a n e n u n a situación so-
c i a l e n q u e l a acción de u n o es v i t a l p a r a el o t r o . Así, p o r
e j e m p l o , podría darse el caso d e l m é d i c o agnóstico q u e Los seres humanos y las personas
Existe u n a diferencia entre nosotros en tanto que perso-
q u i e r e , de a c u e r d o c o n s u concepción de l o q u e es e l b i e n ,
nas y nosotros en tanto que humanos. Esta distancia es el
r e a l i z a r u n a transfusión de sangre u r g e n t e a u n paciente abismo que separa al ser dotado de reflexión y capacidad
que es T e s t i g o de Jehovah, q u i e n l a r e c h a z a sobre l a base de manipulación del objeto de su reflexión y de su mani-
de s u p r o p i a concepción acerca d e l b i e n . E l médico debe, pulación. Desde nuestro punto de vista, en tanto que per-
en v i r t u d d e s u P A r e n u n c i a r a salvar a o t r o c o n t r a s u sonas que tienen concepciones y esperanzas particulares,
v o l u n t a d . E l P r i n c i p i o de Autonomía i m p i d e q u e el P B se podemos valorar si este es el mejor lugar o medio del cos-
c o n v i e r t a e n tiránico: n o es el caso de t r a t a r a o t r o c o m o mos [...] y hacer planes para cambiarlo [...]. Podemos eva-
luar si esta es la mejor naturaleza y buscar la forma de
nos gustaría t r a t a r l o , jamás d e b e m o s i m p o n e r a o t r o u n
cambiarla si la encontramos insatisfactoria. Como perso-
b i e n q u e rechaza. L a r e g l a d i c e q u e d e b e m o s h a c e r a o t r o
nas, podemos objetivar nuestros cuerpos. Podríamos dis-
su b i e n ( t a l c o m o el o t r o l o c o n c i b e ) . P e r o esta r e g l a n o cernir el modo según el cual estaríamos mejor conforma-
p u e d e d e j a r de p a r e c e r tiránica de c a r a a l a c t o r . E s t o sig- dos. Hasta ahora, nuestras intervenciones han sido modes-
nifica que o t r o n o puede exigirme que le haga u n «bien» tas [...]. Pero nuestra capacidad para i r contra la naturale-
q u e p a r a m í es u n m a l ! E s t o es l o q u e E n g e l h a r d t l l a m a a za humana y manipularla, según los fines impuestos por
veces el «Principio de n o hacer el m a l » q u e n o es s i n o u n a las personas, crecerá... Desarrollando las posibilidades de
p a r t e esencial d e l P B : « n o se p u e d e estar o b l i g a d o a pres- la ingeniería genética, no sólo en células somáticas sino
también germinales, seremos capaces de conformar y re-
t a r a o t r o u n s e r v i c i o q u e se ve c l a r a m e n t e y s i n ambigüe-
modelar nuestra naturaleza de u n modo acorde con los
d a d c o m o u n a violación d e l P B » (ibíd., p. 77).
diseños elegidos por las personas. A la larga, esto podría
E l P A se refiere a personas. Sólo las personas p u e d e n entrañar una cambio radical de nuestra naturaleza huma-
c o n c e b i r y r e s p e t a r el PA. Según E n g e l h a r d t , l a noción de na que haga que los taxonomistas del futuro la consideren
p e r s o n a n o es idéntica n i r e d u c t i b l e a l a de ser h u m a n o . como una nueva especie. Si la naturaleza humana no tiene
E s t o s i g n i f i c a , c o n c r e t a m e n t e , q u e seres diferentes (bioló- nada de sagrado (y ningún argumento no confesional —se-
g i c a m e n t e , físicamente, m a t e r i a l m e n t e , y p a s a n d o a u n a cular— podría atestiguarla como sagrada), no hay ninguna

186 187
razón para que no sea radicalmente modificada sobre la
base de razones particulares y con prudencia [H.T. Engel-
• ¿ N o a m e n a z a e l P A y e l concepto de persona c o n c o n -
d u c i r n o s , de nuevo, a n o c i o n e s antiéticas debido, i n c l u s o ,
hardt, jr., The foundations of Bioethics, pp. 376-377]. a s u f o r m a l i d a d y s u v a c u i d a d p u r a m e n t e operatorias? E n
r e a l i d a d , l a concepción de E n g e l h a r d t n o parece sostener-
E n t o d o a q u e l l o q u e n o se refiere a «personas» n o se se s i n o p o s t u l a n d o u n d u a l i s m o ontológico inconfesado: l a
a p l i c a e l PA s i n o e l P B e n t o d a s u d i v e r s i d a d . Así, p o r «persona» n o será u n c o n c e p t o p u r o o u n a idea, pero sí
e j e m p l o , sucede c o n los animales, e m b r i o n e s o s u b n o r m a - u n a e n t i d a d e s p i r i t u a l . O, a l m e n o s , necesitará u n Dios
les p r o f u n d o s . . . p o r l o que E n g e l h a r d t debe r e v i s a r s u c o n - que garantice y preserve (¿libere?) a l a persona p o r m e d i o
cepto de persona y c o n c e b i r l o según g r a d o s o m o d a s aná- de todas las m e t a m o r f o s i s biofísicas f u t u r a s d e l h o m b r e .
logos q u e , más o m e n o s , se a p r o x i m e n a a l g u n a s c u a l i d a - A p a r e c e n así u n a g r a n c a n t i d a d de i n t e r r o g a n t e s filosófi-
des de las p e r s o n a . cos, más o m e n o s clásicos, q u e E n g e l h a r d t n o a b o r d a . S u
S i e n d o t o t a l m e n t e coherentes estas c o n s i d e r a c i o n e s r e - p u n t o de vista se h a c e pragmático — s u metafísica míni-
lativas a l a distinción entre «seres humanos» y «personas» m a — y entre estos límites, s u ética es, s i n d u d a , i l u m i n a -
(

p u e d e n c o n d u c i r n o s hasta m a n i p u l a c i o n e s — q u e E n g e l - d o r a . S i n e m b a r g o , es también destacable que esta refle-


h a r d t ve c o m o prudentes— q u e n o s v u e l v e n a c o l o c a r ante xión ética c o m i e n z a s i e n d o r a d i c a l m e n t e a n t r o p o c e n t r i s t a
las p r e g u n t a s q u e y a habíamos p l a n t e a d o . U n a de las más y acaba, e m p u j a d a p o r s u lógica i n t e r n a ( l a primacía d e l
i m p o r t a n t e s sería: ¿Podría s u b s i s t i r e n e l h o m b r e algo PA) y p o r s u consideración de q u e t o d o l o tecnocientífica-
i c o m o l a s e n s i b i l i d a d ética (ligada a l a a f e c t i v i d a d y p o r m e n t e posible debe realizarse, e n u n a n t r o p o c e n t r i s m o e n
t a n t o a l a erótica, a l deseo... y p o r qué n o , c l a r a m e n t e , a l a el que se p l a n t e a n p r e g u n t a s n o pragmáticas, p r o p i a m e n t e
d i f e r e n c i a sexual) c u a n d o éste haya s i d o p r o f u n d a m e n t e metafísicas, q u e y a h e m o s expuesto y q u e es necesario de-
«transformado» c o r p o r a l y cerebralmente? j a r abiertas.
i
¿Suprimir la diferencia sexual? ¿Romper la unidad de la especie humana?
N o tendremos, cada vez más, la necesidad de aceptar Las primeras aplicaciones de la ingeniería genética se-
i nuestros destinos sino de elegirlos [...]. Podremos suprimir- rán probablemente intentos m u y modestos de modificar
los caracteres sexuales primarios entre hombres y mujeres células somáticas con el fin de ayudar a enfermos que su-
* ligados a la gestación y el nacimiento mediante la fecunda- fren. Sin embargo, considerándola desde u n plazo de tiem-
, ción-gestación in vitro y a la ingeniería genética. Incluso, po mayor, puesto que somos una especie libre y en progre-
se podrían fundir los caracteres sexuales secundarios y re- so tecnológico, los cambios mayores serán inevitables. E l
» alizar el Mejor de los Mundos Unixesuales [...]. Estas posi- hombre existe sobre la Tierra hace sólo unos millones de
I bilidades despiertan preguntas que debemos tratar con años. Si nosotros tenemos la suerte de tener descendientes
prudencia [...]. Sería necesario que la ingeniería produjera vivos dentro de unos millones de años después, es proba-
> los resultados esperados sin efectos sociales marginales no ble que decidan reconstruirse a sí mismos para vivir mejor
I deseables [...]. Debido a que las capacidades humanas for- en el modificado medio terrestre y, quizás, de otros plane-
m a n una totalidad integrada, sería necesario evaluar inte- tas. ¿Qué podría contenerlos para que no realizaran esas
) gradamente los probables cambios sociales y de cualquier intervenciones genéticas que, a largo plazo, serían a la vez
accesibles y seguras? Se puede pensar que tendrán razones
j otro tipo que resultarían de una remodelación así de la
de tipos m u y distintos para remodelar en profundidad la
naturaleza humana [H.T. Engelhardt, jr., The foundations
naturaleza humana en función de sus nuevos ambientes
\ of Bioethics, p. 380].
[H.T. Engelhardt, jr., The foundations of Bioethics, p. 381].
\

)
189
5 188
ü
t)>
2. J . M . Thevoz, « U n e r e c h e r c h e interdisciplináire: L a bioéthique», Re-
NOTAS
vue de Theologie et Philosophie (1982).
3. Cf. Verdoodt, Naissance et signification de la Déclaration Universelle
1. P a r a concretar u n poco más expondré a continuación u n a e n u m e - des Droits de l'Homme, L o v a i n a , Nauwelaerts.
ración empírica de los temas bioéticos, tal y c o m o éstos a p a r e c e n hoy. 4. A. Fagot-Largeault, e n M . H . P a r i z e a u (ed.), Bioéthique. Méthodes et
fondements, A C F A S , Montreal, 1989.
A) Intervención e n el ámbito d e l a reproducción h u m a n a : c o n t r o l d e
5. Ibíd.
natalidad, aborto, I A C , I A D , F I V , donación de gametos, donación de e m -
6. P a r a este t e m a , cf. G . Hottois, Du sens commun á la société de
briones, «madres de alquiler», elección de sexo, congelación de e s p e r m a ,
communication, París, V r i n , 1989.
congelación de óvulos, congelación de embriones, partogénesis provoca-
da, ectogénesis, gestación de embriones h u m a n o s e n especies n o h u m a -
nas, clonación, diagnóstico prenatal, consultorios genéticos, terapia gené-
tica, eugenesia positiva y negativa, control demográfico, esterilización d e
retrasados mentales.
B ) Intervenciones e n el patrimonio genético: manipulación de A D N
no h u m a n o , manipulación de A D N h u m a n o , reanimación de A D N m u e r -
to, i n c i d e n c i a de l a m e d i c i n a sobre l a selección n a t u r a l .
C ) Intervenciones sobre el envejecimiento y l a muerte: e u t a n a s i a a c t i -
v a o pasiva, senectud, encarnizamiento terapéutico, m u e r t o s vivientes.
D ) Manipulación d e l cuerpo h u m a n o : estirpación y trasplante de ór-
ganos ( i n c l u i d o el de tejidos, especialmente el nervioso), prótesis.
E ) Manipulación de l a personalidad: neurocirugía, investigaciones so-
bre el control de l a conducta, psicotrópicos y neuroquímica, intervencio-
nes electroquímicas.
F ) Manipulación de seres y m e d i o s vivos n o h u m a n o s : n o c i v i d a d de l a
sociedad tecnológica dañina p a r a l a v i d a vegetal y a n i m a l , experimenta-
ción c o n a n i m a l e s , conservación de especies, nuevos materiales mutagéni-
cos, a r m a s biológicas.
G ) Experimentación c o n h u m a n o s : e m b r i o n e s y h u m a n o s e n todas las
etapas de desarrollo (infancia, edad adulta, tercera e d a d ) y según situacio-
nes distintas (voluntarios, mercenarios, prisioneros...) c o n m i r a s terapéuti-
cas o, simplemente, experimentales.
H ) M a n i p u l a c i o n e s transespecíficas: híbridos y q u i m e r a s n o h u m a -
nos, fertilizaciones transespecíficas (test de esterilidad e n h o m b r e s ) , m a n i -
p u l a c i o n e s transespecíficas c o n implantación d e elementos h u m a n o s (cé-
lulas, A D N , órganos...).

A u n q u e n o pretendo ser exhaustivo, esta lista es bastante completa. L a


ordenación es sólo indicativa y n o u n a clasificación. M u c h o s temas po-
drían colocarse e n otros epígrafes distintos. E n fin, s i tuviera que precisar
u n p o c o más el c a m p o temático, se podría proceder m e d i a n t e círculos c o n -
céntricos, yendo desde el núcleo central e n el que se sitúan l a s cuestiones
universalmente reconocidas c o m o centrales e n l a bioética ( s i n que por el
m o m e n t o p o d a m o s determinar s i ese corazón será s i e m p r e el m i s m o o si,
más bien, estará determinado p o r las circunstancias) y donde p u e d e n e n -
contrarse temas relativos a l a manipulación de l a reproducción y l a experi-
mentación h u m a n a s . E n l a periferia encontramos, p o r ejemplo, cuestiones
relativas a l a manipulación de seres vivos y medios vivos n o h u m a n o s . E s t a
es, a l menos, l a impresión que uno tiene c u a n d o revisa l a literatura actual.

191
190
INDICE D E EXTRACTOS

L a desciialificación a n t i g u a
J.Y. G O F F T 12
E l m e n o s p r e c i o platónico
M. MEDINA 13
F. B a c o n y R. Descartes, m a e s t r o s de l a n a t u r a l e z a
J.Y. G O F F I 15
L a c i e n c i a m o d e r n a es v i o l e n t a
B. E A S L E A 18
E l e n t r e l a z a m i e n t o tecnocientífico
J.J. SALOMON 21
T e c n o c i e n c i a e investigación física básica
W. HEISENBERG 22
L a interacción e n t r e c i e n c i a y tecnología
J. L A D R L E R E 23
D e l m u n d o n a t u r a l sensible a l cosmos tecnocientífico
H J . MEYER 25
Esto f u n c i o n a
A. HUNING 28
E l fin de l a i n o c e n c i a científica
JJ. SALOMON 29
La naturaleza como p a t r i m o n i o h u m a n o
B. E D E L M A N y M . A . H E R M I T T E 36

193
L a técnica, d o m i n i o h u m a n i s t a de l a n a t u r a l e z a Enseñar e n e l f u t u r o
H J . MEYER A. TOFFLER
E l m o d e l o tecnocientífico d e l p r o g r e s o L a dimensión d e l f u t u r o
E. D U P R E E L H.J. M E Y E R
L a manipulación genética u t i l i t a r i a T r a s p a r e n c i a y o p a c i d a d d e l f u t u r o tecnocientífico
V. PACKARD H. SCHELSKY
E l a n t r o p o l o g i s m o negativo: l a «Kulturkritik» L a creación técnica c o m o continuación
alemana de l a creación d i v i n a
H. STORK A. HUNING
«Progresistas» y «apocalípticos» U n a tecnoevolución ciega, autónoma y a m o r a l
J.C. B E A U N E J. ELLUL
H u i d a a d e l a n t e y n o s t a l g i a d e l pasado B i o y tecnoevolución
E. F . SCHUMACHER S. L E M
L a t e c n o c i e n c i a , m o t o r de l a H i s t o r i a D a r w i n i s m o técnico
K. A X E L O S J. ELSTER
N a d a de técnica « e n sí» Cyborg
K. T U C H E L V. PACKARD
Tecnocracia E l cuerpo remodelado
J . BlLLY A. TOFFLER
E l fin tecnocrático de l a d e m o c r a c i a Mitología tecnocientífica e v o l u c i o n i s t a
A. HUNING J. BRUN
Los límites d e l a perspectiva i n s t r u m e n t a l i s t a Soy u n a máquina
de l a técnica D. RITCHIE
H. S H E L S K Y ¿Qué clase de h o m b r e v a m o s a c o n s t r u i r ?
L a múltiple manipulación de l o h u m a n o V. PACKARD
F . G R O S , F . J A C O B y P. R O Y E R Moratorias
Manipulación d e l h u m o r y de l a p e r s o n a l i d a d V. PACKARD
V. PACKARD ¿Inutilidad y p e l i g r o d e l c o n t r o l ético
Manipulación de l a procreación h u m a n a de l a ciencia?
V. PACKARD A. F A G O T - L A R G E A U L T
Prótesis o C y b o r g T e c n o c i e n c i a y economía
E. B I R N E A. HUNING
L a d i f e r e n c i a e n t r e el signo y l a técnica L a procreación y el deseo demiúrgico
J. HABERMAS J. BRUN
De l a evaluación mítico-religiosa a l a l a i c i d a d Técnica, evolución y c h a r d i n i s m o
antropologista y humanista J. BRUN
B. GLLLE E l arte p o r e l arte tecnocientífico
D i o s , único r e c u r s o frente a l a técnica J.J. SALOMON
J. ELLUL O. S P E N G L E R

194
E l respeto p o r l a v i d a M e d i c i n a y mejores m u n d o s
F. G R O S 121 H.T. ENGELHARDT, jr. 172
« H a r d Science» o «Soft Science» D o m i n a r s e antes q u e l a f o r t u n a
F. D E C L O S E T S 126 E. DUPREEL 173
Sueños y pesadillas I : clones h u m a n o s E l P r i n c i p i o de Autonomía
V. P A C K A R D 134 H.T. ENGELHARDT, jr. 181
Sueños y pesadillas I I : q u i m e r a s h u m a n a s E l P r i n c i p i o de h a c e r e l B i e n
V. P A C K A R D 135 H.T. ENGELHARDT, jr. 184
L a eugenesia n e g a t i v a Las dos d i m e n s i o n e s de l a ética
V. P A C K A R D 136 H.T. ENGELHARDT, jr. 185
E l p a r e n t e s c o múltiple c o m o técnica L a tensión ética
eugcncsica p o s i t i v a H.T. ENGELHARDT, jr. 185
V. P A C K A R D 137 Los seres h u m a n o s y las personas
Extracción de órganos H.T. ENGELHARDT, jr. 187
P. R E M Y 141 ¿Suprimir l a d i f e r e n c i a sexual?
Es i m p o s i b l e u n a c u l t u r a tecnocientífica H.T. ENGELHARDT, jr. 188
J. E L L U L 148 ¿Romper l a u n i d a d de l a especie h u m a n a ?
M. HENRY 149 H.T. ENGELHARDT, jr. 189
P o r u n a c u l t u r a tecnocientífica
G. S I M O N D O N 149
P. R O Q U E P L O 150
C o n t r o l tecnocientífico y educación simbólica
del h o m b r e
H. JOÑAS 152
¿Cuál es e l interés ético p o r l a naturaleza?
H. JOÑAS 154
N i escatología n i utopía
H. JOÑAS 155
E l i m p e r a t i v o ético de l a salvaguarda de l o h u m a n o
H. JOÑAS 157
U n a ética a b i e r t a , c o n c r e t a y e v o l u t i v a
P. R O Q U E P L O 160
Prever p a r a q u e r e r
F. D E C L O S E S T 161
Generaciones futuras: s u libertad, nuestra
responsabilidad
H. JOÑAS 163
E l p a r a d i g m a bioético
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196 197
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2. A m p l i t u d y d i v e r s i d a d de l a evaluación
antropologista 37
3. A m b i v a l e n c i a de l a evolución a n t r o p o l o g i s t a . . 41
4. L a politización de l a t e c n o c i e n c i a 46

III. TECNOCIENCIA Y MANIPULACIÓN


D E LA NATURALEZA HUMANA 53

/ 1. Manipulación de l a n a t u r a l e z a : h a c i a
el t e c n o b i o c o s m o s , 54
-| 2. Manipulación d e l h o m b r e : ¿hacia el «cyborg»? . 57

202 203
o u O /
3 Bioética y s o l i d a r i d a d antropocósmica . .
3 . Marúpulación simbólica y manipulación técnica . 63 4 . Bioética y búsqueda de u n a n u e v a posición
R ^ OY
4 . Límites d e l a n t r o p o l o g i s m o 69
de l a ética
R U
^ IV. E L FUTURO: E N T R E HISTORIA Y TECNOCIENCIA . . 75
índice d e e x t r a c t o s
S A L C
1. I m p o r t a n c i a d e l a unión e n t r e técnica y m t u r o . 75 Obras citadas
~~' * 2 . L a h i s t o r i a c o m o «porvenir d e l pasado» . . . . 79
3. E l futuro irreductible: apertura
y o p a c i d a d radicales 82
~ 4 . F u t u r o y tecnociencia 85
1
SCH V. ¿UNA «TECNOEVOLUCIÓN» AUTÓNOMA? 91
SCH
1. L a autonomía de l a técnica 91
i 2. Bioevolución y tecnoevolución 94
SNO 3. Límites de u n a analogía 100
1 4. H u m a n i s m o y evolucionismo 104
SPE
]
L A S T R E S VÍAS D E L A É T I C A 109
STE
I 1. L a p r i m e r a vía: el ensayo l i b r e d e l o p o s i b l e
STE o «imperativo técnico» 114
i j 2 . L a segunda vía: l a conservación d e l
STC
j hombre-naturaleza 121
T O l j < 3. L a vía i n t e r m e d i a : p r i m e r a aproximación . . . 127
i h
_ ¡ VIL A S P E C T O S S O B R E L A VÍA I N T E R M E D I A 145

y^j 1. Interacción de l o simbólico y de l a técnica . . . 145


2. R e c o n o c e r e l v a l o r p r o p i o d e l o simbólico . . . 151
3. L a s o l i d a r i d a d antropocósmica 153
4. E l sentido de i m p r e v i s i b i l i d a d y apertura.
L a preservación de l o p o s i b l e 155
5. P r a g m a t i s m o , p r u d e n c i a , r e s p o n s a b i l i d a d . . . 159
6. L a evolución e n l a fase antropológica 164

í^Vin. E L PARADIGMA BIOÉTICO 169

1. Bioética y t e c n o c i e n c i a 172
2 . Bioética e interacción e n t r e l o simbólico
y l a tecnociencia 174

204