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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI

TUTELA PROVISÓRIA

ESPIRITO SANTO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS1

As tutelas provisórias fazem parte de um conjunto de novidades trazidos pelo


novo Código de Processo Civil, o diploma legal já apelidado por alguns de "Código
dos Advogados", devido a ampla participação da classe no processo de elaboração
do projeto. É fato que o CPC/15 trouxe uma séries de benefícios aos advogados,
inclusive a simplificação de determinados procedimentos. A tutela provisória é gênero
tendo como espécies a tutela de urgência e evidência. Estes novos procedimentos
simplificaram os antigos processos cautelares que há muito se viram desvirtuados de
sua verdadeira função. As tutelas são classificadas quanto ao tempo de seu pleito,
motivação, requisitos e seus efeitos no ordenamento jurídico. Sem sombra de dúvidas,
as tutelas provisórias fazem parte de um conjunto que veio para dar efetividade a
celeridade processual, chamando a existência a vivencia da razoável duração do
processo, tendo em vista a possibilidade de ser ver satisfeita a pretensão antes
mesmo da propositura do processo principal, mesmo que de forma provisória.

Fonte: www.cpcnovo.com.br

1 Texto extraído do link: http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,tutelas-provisorias-no-


cpc15,55701.html
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TUTELAS PROVISÓRIAS

A Lei nº 13.105/2015, aprovada em 16 de março de 2015 e publicada em 17 de


março de 2015, com vacatio legis de um ano, veio como uma tentativa de dar
efetividade ao princípio da celeridade processual, trazendo em seu bojo um conjunto
de novidades que visam gerar mudanças significativas, com o fulcro de combater o
mal da morosidade outrora impregnado nos processos cíveis. Como sabiamente
afirmou Rui Barbosa: “A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e
manifesta.”
Alfredo Buzaid, na exposição de motivos ao Código de Processo Civil de 1973,
já tratava das duas exigências necessárias para o aperfeiçoamento do processo: a
rapidez e a Justiça. Porém, o que se via na prática era a banalização do termo
razoável duração do processo, tendo em vista as inúmeras demandas que seguiam
durante anos antes de findar a lide.
Entre as várias mudanças trazidas pelo novo diploma legal, tem se destacado
a tutela provisória, um mecanismo que permite ao magistrado, após provocação da
parte interessada, antecipar os efeitos práticos pretendidos pelo autor e que
normalmente só seriam gerados após prolatada sentença.
O novo Código de Processo Civil adotou um padrão sincrético, atribuindo as
tutelas provisórias em livro próprio (livro 5) na parte geral do processo (art. 294 ao
311). Citamos Carreira Alvim, em sua obra "Alterações do Código de Processo Civil":

"O sincretismo processual traduz uma tendência do direito processual, de


combinar fórmulas e procedimentos, de modo a possibilitar a obtenção de
mais uma tutela jurisdicional, de forma simples e imediata, no bojo de um
mesmo processo, com o que, além de evitar a proliferação de processos,
simplifica e humaniza a prestação jurisdicional".

O objetivo no novo diploma legal é tornar simples a prestação jurisdicional,


desburocratizando determinados procedimentos que outrora congelavam a marcha
processual.
Sem dúvida as tutelas provisórias são uma das grandes apostas realizadas
pelo legislador, trazendo-nos um início de esperança de ver concretizado o princípio
da celeridade processual além da teoria, dando a ele efetividade prática.

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Para se ter uma plena compreensão das tutelas provisórias, necessário se faz
compreender a sua classificação quanto ao momento em que são requeridas:
antecedente ou incidental e a sua justificativa: urgência e evidência.

Distinção entre Tutela Antecedente e Incidental

A novidade legislativa visou dar cabo aos antigos processos cautelares que já
assumiam verdadeiro status de satisfação e não cautela. As tutelas provisórias vieram
para permitir que antes mesmo de ser proposto o processo principal o autor pudesse
ver garantido o futuro provimento do seu pleito ou a satisfação da pretensão do direito
material. O que distingui em regra os institutos é o momento em que são aplicados,
antes, no mesmo momento ou após a ser postulado o pedido principal.

Tutela Provisória de Urgência Antecipada Antecedente ou incidental

Reza o artigo 294 do CPC/15 que a tutela provisória pode fundamentar-se em


urgência ou evidência. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode
ser concedida em caráter antecedente ou incidental.
A tutela de urgência de caráter antecedente tem natureza satisfativa,
correspondendo a efetiva satisfação da pretensão do direito material, podendo ser
pleiteada antes ou no momento em que for postulada a ação com pedido principal, a
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e indicar o pedido
de tutela final, com exposição da lide, do direito que se busca realizar e o
preenchimento dos requisitos do art. 300 do CPC/15. É importante observar que a
tutela de urgência de caráter antecedente não exime o autor do pagamento de custas
processuais.
Após a interposição do pedido de tutela provisória de urgência em caráter
antecedente, caso está seja concedida, deve o autor efetuar o aditamento da inicial
no prazo de 15 dias, com a complementação de sua argumentação, juntada de novos
documentos e confirmação do pedido de tutela final (art. 303, I).
Por outro lado, as tutelas provisórias de urgência antecipadas incidentais são
pleiteadas após a propositura da petição inicial contendo o pedido principal, ficando o
autor livre do pagamento de novas custas processuais.
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Tutela Provisória de Urgência Cautelar Antecedente ou Incidental

A banalização e o desvirtuamento do processo cautelar, que passou a ser


adotado em situações absolutamente impróprias, como quando o demandante
deduzisse pretensão de cunho satisfativo, em virtude desta total ausência de
mecanismos específicos, foi um dos principais motivos que levaram o legislador a
trazer no novo diploma legal a distinção entre tutelas antecipadas e cautelares.

Fonte: cdn01.justificando.cartacapital.com.br

A tutela cautelar antecedente segue as mesmas diretrizes da tutela provisória


de urgência antecipada antecedente no que se refere ao momento da sua
aplicabilidade. Será tutela provisória de urgência de natureza cautelar antecedente
quando for pleiteada antes ou no momento em que for postulada a petição contendo
o pedido principal, de igual sorte será incidental quando for postulada após ter sido
realizada a postulação do pedido principal.
É importante salientar que ao ser efetivada a tutela cautelar, o pedido principal
terá que ser formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será
apresentado nos mesmos autos em que foi deduzido o pedido de tutela cautelar, não
dependendo do adiantamento de novas custas processuais (art. 308 do CPC/15).
A tutela provisória de urgência cautelar, seja antecedente ou incidental, não
visa a satisfação antecipada da pretensão e sim a garantia de que o futuro provimento
jurisdicional seja possível, útil e proveitoso. É de fundamental importância
compreender que a tutela provisória antecipada possui natureza satisfativa enquanto
a tutela cautelar é de caráter não satisfativo, sejam antecedente ou incidental.

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Requisitos para a concessão da tutela provisória

O caput do art. 300 do CPC/15 e o §3º, apontam os requisitos para a concessão


das tutelas provisórias de urgência. Segue reproduzido o texto na integra:

Art. 300 - A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciam a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado
útil do processo.
§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando
houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

O primeiro requisito trazido pelo texto é a probabilidade do direito. Importante


não confundir probabilidade com possibilidade, há distinções entre ambos os
institutos. Segundo o dicionário Aurélio probabilidade se refere a verossimilhança,
enquanto possibilidade faz referência tão somente a algo que possa acontecer.
A verossimilhança (probabilidade) se refere a tudo o que tem aparência de
verdadeiro, plausível ou provável, não se tratando de mera expectativa e sim de
verdade aparente.
O primeiro requisito imputa ao demandante o ônus de provar, juntamente com
sua petição, prova suficiente da verossimilhança. Deve existir o "fumus boni iures",
não havendo a fumaça do bom direito não será admissível a concessão da tutela
provisória de urgência, seja em caráter antecedente ou incidental.
O segundo requisito apontado pelo texto é o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo. Tal requisito aponta para a necessidade de existência do
periculum in mora, não havendo perigo na demora não há que se falar em tutela de
urgência.
O terceiro e último requisito é a reversibilidade dos efeitos da decisão constante
no parágrafo segundo do artigo 300. O terceiro requisito exige uma certa cautela por
parte do leitor. É de fundamental importância não confundir a "reversibilidade dos
efeitos da decisão" com a "reversibilidade da decisão".
É comum perceber equívocos referentes ao terceiro requisito para a concessão
da tutela provisória de urgência, sendo que alguns estão fazendo referência a
"reversibilidade da decisão". Como primeiro ponto é óbvio que a decisão pode ser
reformada ates do trânsito em julgado, porém, nem sempre os efeitos desta decisão
poderão ser revertidos ao status quo ante. Para que seja concedida a tutela provisória

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de urgência, em caráter antecedente ou incidental, é necessário que os efeitos da
decisão - e não a decisão propriamente dita - possam ser revertidos.

Tutela de Evidência

Eis aqui uma inovação que em nada se assemelha a qualquer outro dispositivo
legal do antigo CPC.
O caput do artigo 311 do CPC/15, bem como seus incisos, demonstram os
requisitos para a concessão da tutela de evidência. Diferente das tutelas provisórias
de urgência, as tutelas de evidência serão concedidas independentemente da
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo.
Será concedida a tutela de evidência em conformidade com o artigo 300
quando ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou manifesto propósito
protelatório da parte e quando o direito só puder ser comprovado via prova
documental, havendo tese firmada em I.R.D.R ou Sumula Vinculante.

DAS TUTELAS IDÔNEAS PARA ASSEGURAÇÃO DO DIREITO

O processo cautelar, como instituto autônomo não consta do novo CPC, o


mesmo ocorreu com a tipificação das medidas cautelares. O fato de ter suprimido a
autonomia do processo cautelar e não mais ter repetido as hipóteses de cabimento
em nada interfere na tutela cautelar. Todas as tutelas antes tipificadas (nominadas)
no CPC/73 podem ser concedidas com base no poder geral de cautela.
A existência da tutela de urgência de natureza cautelar se justifica pela natural
demora na atuação e satisfação do direito por meio do processo de conhecimento,
seguido do cumprimento da sentença, ou por meio do processo de execução. Essa
demora, natural porque a atuação da jurisdição se embasa em análises definitivas,
pode conduzir à ineficácia da prestação jurisdicional. Surgem então as medidas
cautelares como forma de garantir a efetividade da tutela pleiteada, mediante
averiguação superficial e provisória da probabilidade do direito do requerente e da
possibilidade de ocorrência de dano de difícil reparação ou ocorrência de risco ao
resultado útil do processo.

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Se no curso do processo de conhecimento, no qual se discute a propriedade
de um automóvel, ou mesmo antes da instauração do processo, houver fundado
receio de que o réu venha a danificá-lo, pode o autor pleitear o sequestro do bem. A
medida que decreta a apreensão do bem litigioso, por si só, não vai garantir o direito
do autor, mas apenas a efetividade do processo se ele sair vencedor, o que em última
análise significa proteção ou acautelamento do direito substancial. Embora um dos
requisitos da tutela cautelar se refira ao perigo ao resultado útil do processo, a
referibilidade sempre será o direito material afirmado pela parte requerente.

Fonte: uniesp.edu.br

Com o mesmo objetivo, pode o credor de um título executivo requerer, antes


ou no curso do processo de execução, o arresto de bens suficientes para garantir o
seu crédito, caso tome conhecimento de que o devedor está dilapidando todo o
patrimônio.
Como se vê, a tutela cautelar concedida em caráter incidental ou antecedente
tem caráter instrumental, porquanto objetiva assegurar a utilidade do processo em
qualquer de suas fases, afastando, assim, o risco de inocuidade da prestação
jurisdicional.
As medidas provisórias de urgência de natureza cautelar podem ser efetivadas
mediante qualquer uma das medidas nominadas nos arts. 812 e seguintes do CPC/73.

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Os nomes desapareceram do novo CPC, uma vez que não há requisito específico
para esta ou aquela medida – todas serão concedidas com base no poder geral de
cautela –, mas a tutela permanece. As medidas cautelares típicas (nominadas) não
mais se encontram regulamentadas no novo CPC. Contudo, permite-se que o juiz,
com base no poder geral de cautela, defira a tutela adequada para acautelar o direito
a ser certificado no processo de conhecimento ou realizado por meio do processo de
execução ou na fase do cumprimento da sentença. Em caráter exemplificativo, o art.
301 do novo Código elenca o arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de
protesto contra alienação para assegurar o direito afirmado no processo, mas
qualquer outra medida útil a tal finalidade pode ser concedida. A necessidade de
acautelamento do direito posto em juízo determinará a natureza da tutela a ser
deferida.
Arresto é a medida de apreensão de bens que tem por fim garantir futura
execução por quantia certa. Ele incide sobre bens indeterminados e seu efeito
principal é a afetação do bem apreendido enquanto a decisão não for modificada ou
revogada. Se, por exemplo, um determinado credor perceber que seu devedor está
ocultando ou dilapidando o patrimônio para fraudar eventual execução, pode pleitear
a tutela de urgência através do arresto de tantos bens quanto bastem para garantir a
futura execução por quantia certa. Vale lembrar que a medida também pode ser
pleiteada no bojo da execução.
Por outro lado, o sequestro é medida que visa garantir execução para a entrega
de coisa, ou seja, sua incidência é sobre bens determinados. Exemplo: autor e réu
disputam a propriedade de um automóvel em ação reivindicatória. Qualquer uma das
partes pode requerer o sequestro desse bem, a fim de garantir a completa realização
do direito. Evidentemente que a parte que tem a posse do bem não vai se interessar
por requerer o sequestro.
Para o deferimento da medida, que pode ser antecedente ou incidental, é
necessário que o juiz se convença de que, sobre o bem objeto da ação (futura ou em
trâmite) tenha-se estabelecido, direta ou indiretamente, uma relação de disputa entre
as partes da demanda.
O arrolamento de bens, por sua vez, tem a finalidade de conservar bens sobre
os quais incide o interesse do requerente da medida, como, por exemplo, do cônjuge
para resguardar sua meação na partilha; do herdeiro em relação aos bens da herança;
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do sócio em relação aos bens sociais etc. Tal conservação se faz com o arrolamento,
ou seja, com a “listagem” dos bens e seu depósito, que pode recair sobre a pessoa
do possuidor.
Distingue-se o arrolamento das medidas de arresto e sequestro. No arresto,
faz-se a constrição de bens indeterminados, bastantes para garantir futura execução
por quantia certa. No sequestro, a constrição recai sobre bem determinado que esteja
sendo objeto de disputa ou que venha a ser disputado. Já no arrolamento, a constrição
incide sobre bens indeterminados, não litigiosos, com o exclusivo intuito de conservá-
los, até a resolução de demanda que com eles se relaciona.

Fonte: blog.una.br

As três primeiras (arresto, sequestro e arrolamento) encontravam-se previstas


no CPC/73 como espécies de medida cautelar. Com relação ao registro de protesto
contra alienação, apesar de não haver dispositivo correspondente na legislação de
1973, já estava abarcado pelo poder geral de cautela do juiz previsto no art. 798 do
CPC/73. A medida consiste na averbação, pelo oficial do registro de imóveis, na
matrícula do imóvel, do protesto contra a alienação de bens, com a finalidade de tornar
pública a discordância do credor quanto à alienação de bem do devedor.
O registro de protesto contra a alienação não impede o exercício do direito de
dispor, que é inerente à condição de proprietário, mas permite que terceiros tomem

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ciência da pretensão do requerente. A publicidade dessa medida servirá para evitar
futura alegação de boa-fé por parte do adquirente do imóvel objeto do protesto.
Para melhor compreensão acerca dessa medida que, ressalte-se, não é nova
em nosso ordenamento, vejamos trecho do posicionamento do Superior Tribunal de
Justiça no julgamento do REsp nº. 1.229.449/MG, de relatoria da Ministra Nancy
Andrighi:

“Processual Civil. Protesto contra alienação de bens. Limites. Requisitos.


Legítimo interesse. Não-nocividade.
1 – O protesto contra alienação de bens não tem o condão de obstar o
respectivo negócio tampouco de anulá-lo; apenas tornará inequívocas as
ressalvas do protestante em relação ao negócio, bem como a alegação desse
– simplesmente alegação – em ter direitos sobre o bem e/ou motivos para
anular a alienação […]”.

O protesto contra alienação de bens é medida tipicamente cautelar. Como já


dito, a exclusão do processo cautelar autônomo do nosso ordenamento jurídico não
impede que providências cautelares sejam adotadas pelo juiz. A essência das
medidas cautelares permanece presente em nosso ordenamento, não mais como
medidas cautelares típicas ou nominadas, mas com base no poder geral de cautela,
que permite ao magistrado conceder as medidas exemplificativamente citadas, bem
como “qualquer outra medida idônea para asseguração do direito” (art. 301, parte final,
CPC/2015).
Assim, conclui-se que é bem verdade que a expectativa criada pelos brasileiros
na eficácia do novo Código de Processo Civil se mostra em parte atendida pelos
mecanismo das tutelas provisórias. A fundamentação de urgência no pleito antes,
durante ou após a propositura de ação principal, gera grande expectativa de uma
maior efetividade da tão sonhada celeridade processual na esfera cível. A tutela de
evidência é um mecanismo totalmente novo, o novo diploma legal peca na ausência
de especificidade do dispositivo, o que certamente acarretara debates acalorados,
porém, deixa em seus incisos as circunstancia em que serão concedidas - ainda
restando a dúvida se de oficio pelo juiz ou a requerimento das partes, ou de ambas as
formas. Pela inteligência do artigo 311, entendo que ambas as possibilidade são
válidas.

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TUTELA PROVISÓRIA NO NOVO CPC: PANORAMA GERAL2

Tutela de urgência e tutela de evidência

A tutela provisória poderá fundar-se em “urgência” ou “evidência” (art. 294,


caput). A distinção já existia no diploma de 1973, embora não estivesse explicitada
(CPC/73, art. 273, I, e art. 796 e ss. versus art. 273, II e § 6º).
A tutela de urgência será concedida quando forem demonstrados elementos
que indiquem a probabilidade do direito, bem como o perigo na demora da prestação
da tutela jurisdicional (art. 300).
A tutela da evidência, por sua vez, dispensa a demonstração de periculum in
mora quando: (i) ficar caracterizado abuso do direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório da parte; (ii) as alegações de fato puderem ser comprovadas
apenas mediante prova documental e houver tese firmada em demandas repetitivas
ou em súmula vinculante; (iii) se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova
documental adequada do contrato de depósito; ou (iv) a petição inicial for instruída
com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o
réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável (art. 311).

Tutela de urgência cautelar e antecipada

A tutela urgente é subdivida em “cautelar” e “antecipada”, com ambas podendo


ser concedidas em caráter antecedente ou incidental (art. 294, parágrafo único).
Embora se mantenha a distinção conceitual entre ambas, confere-se-lhes o
mesmo tratamento jurídico. Aplica-se a ambas o mesmo regime quanto a
pressupostos e via processual de pleito e concessão. A unificação de regime é
positiva, seja sob o aspecto do rigor científico, seja pelas vantagens práticas.

2 Texto extraído do link: http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI236728,81042-


Tutela+provisoria+no+novo+CPC+panorama+geral
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Eliminação da duplicidade de processos

Quando requerida em caráter incidental, a medida (seja ela cautelar ou


antecipada) terá lugar dentro do processo em curso, sem autuação apartada e
independentemente do pagamento de custas (art. 295).
Quando o pedido for formulado em caráter antecedente, isso implicará
obviamente a constituição de um processo. Todavia, subsequentemente, o eventual
pedido principal será formulado nessa mesma relação processual (arts. 303, § 1º, I, e
308).

Fonte: abrilexame.files.wordpress.com

Essa é também uma inovação elogiável. O modelo do processo cautelar


autônomo, adotado pelo Código de 1973, mostrou-se desnecessário e mesmo
contraproducente.

O ônus da formulação do pedido principal

Mas, a partir desse ponto, estabelece-se parcial dicotomia de disciplinas, que


em grande medida põe a perder o propósito de unificação de regimes das medidas
urgentes. Ainda que admitindo tanto a tutela cautelar quanto a tutela antecipada em

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caráter antecedente, o Código previu regras distintas para uma e outra, no que tange
ao ônus de formulação de pedido principal, depois de efetivada a medida urgente.
Uma vez efetivada a tutela cautelar em caráter antecedente, o autor fica
incumbido de formular o pedido principal no prazo de trinta dias, sob pena de cessação
de eficácia da medida (arts. 308 e 309, I). Caso cessada a eficácia da tutela cautelar,
é vedada a renovação do pedido, salvo por fundamento diverso (art. 309, parágrafo
único).
Já se a tutela urgente deferida em caráter preparatório for antecipada, o autor
tem ônus de complementar sua argumentação e confirmar o pedido de tutela final em
quinze dias, ou em outro maior que o juiz lhe der, sob pena de extinção do processo
sem julgamento de mérito (art. 303, §§ 1º, I, e 2º).
Aí já se tem clara diferença no regime das duas providências urgentes, quando
pleiteadas em caráter preparatório. Mas a distinção vai bem mais longe.

Estabilização da tutela antecipada

Na hipótese de tutela antecipada antecedente, o ônus do autor de formular


pedido principal deve ainda ser conjugado com outra imposição normativa. Se o réu
não recorrer da decisão concessiva da tutela antecipada, o processo, uma vez
efetivada integralmente a medida, será extinto. Todavia, a providência urgente ali
concedida manterá sua eficácia por tempo indeterminado (art. 304).
Vale dizer, a tutela antecipada antecedente estabilizar-se-á. Ela continuará
produzindo os seus efeitos enquanto não for revista, reformada ou invalidada
mediante ação própria em um novo processo (art. 304, § 3.º), a ser iniciado por
qualquer das partes (art. 304, § 2.º). Não há coisa julgada material (art. 304, § 6º).
Mas o direito de rever, reformar ou invalidar a decisão concessiva da tutela antecipada
estabilizada submete-se a prazo decadencial de dois anos (art. 304, § 5º).

Enfraquecimento da unicidade de regime das medidas urgentes

Essa regra, na versão original do projeto do Código, seria aplicável tanto à


tutela antecipada quanto à tutela cautelar concedidas em caráter preparatório. Na

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Câmara dos Deputados, passou-se a prever que apenas a tutela antecipada
preparatória seria apta a estabilizar-se.
A razão de se limitar a estabilização à tutela antecipada é facilmente
identificável: não há sentido em se manter por tempo indeterminado uma providência
meramente conservativa, que é o que se tem com a tutela cautelar. Mas os
inconvenientes dessa distinção de regimes também são facilmente previsíveis: haverá
o recrudescimento das disputas classificatórias entre tutela cautelar e tutela
antecipada, com o propósito de se afastar ou obter a estabilização.
Na tentativa de diminuir tais disputas, o parágrafo único do art. 305 prevê que
o juiz, ao considerar que uma tutela pleiteada em caráter antecedente como “cautelar”
tem natureza antecipatória, deverá determinar seu processamento em conformidade
com as regras do art. 303 (que poderão conduzir à estabilização). O CPC/15, a
exemplo do que fazia o CPC/73 no art. 273, § 7º, disse menos do que devia, pois tal
controle deve ocorrer também na hipótese inversa: ao deparar-se com um pedido de
tutela antecipada antecedente que a rigor tem natureza cautelar, o juiz deverá também
corrigir o processamento da medida, de modo a excluir-lhe a possibilidade de
estabilização. Mas há ainda problemas a resolver: (i) não havendo tal controle prévio
pelo juiz, o pedido de tutela urgente antecedente processado pela via incorreta
submeter-se-á aos efeitos jurídicos dessa via? (ii) havendo o controle prévio pelo juiz,
o entendimento por ele adotado é passível de posterior rediscussão (inclusive e
especialmente se já tiver havido a estabilização)? Esses questões serão enfrentadas
num próximo texto.

Técnica monitória

A estabilização da tutela antecipada antecedente reúne as características


essenciais da técnica monitória: (a) há o emprego da cognição sumária com o escopo
de rápida produção de resultados concretos em prol do autor; (b) a falta de recurso do
réu contra a decisão antecipatória acarreta-lhe imediata e intensa consequência
desfavorável; (c) nessa hipótese, a tutela antecipada permanecerá em vigor por tempo
indeterminado – de modo que, para subtrair-se de seus efeitos, o réu terá o ônus de
promover ação de cognição exauriente (ainda que ambas as partes detenham
interesse e legitimidade para a propositura dessa demanda – art. 304, § 2º). Ou seja,
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sob essa perspectiva, inverte-se o ônus da instauração do processo de cognição
exauriente; e (d) não haverá coisa julgada material.
Esses são os traços fundamentais da tutela monitória, em seus diferentes
exemplos identificáveis no direito comparado e na história do processo luso-brasileiro.
Tais atributos estão também presentes tanto na ação monitória acrescida pela Lei
9.079/95 ao Código de 1973 (art. 1.102-a e ss.), quanto naquela também prevista no
diploma de 2015 (art. 700 e ss.).

Fonte: www.fucamp.edu.br

Trata-se de técnica de tutela que não guarda identidade com a tutela de


urgência. Basta ver que a concessão do mandado de cumprimento, na ação monitória,
não se subordina à demonstração de perigo de dano. Seu escopo não é impedir danos
irreparáveis ou de difícil reparação, mas abreviar a solução de litígios, sem que se
tenha cognição exauriente de seu mérito.
Assim, na tutela antecipada antecedente, ao mecanismo de tutela urgente
agregou-se a técnica monitória.

BIBLIOGRAFIA

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Revista dos Tribunais, 2015.

15
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TALAMINI, Eduardo. Tutela provisória no novo CPC: panorama geral. Disponível


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THEODORO, Humberto. Júnior. Curso de Direito Processual Civil - Volume I. 57ª


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WAMBIER, Luiz Rodrigues; TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo


Civil. Processo Cautelar e Procedimentos Especiais. 11 ed., São Paulo: Revista
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16
WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; SANTOS, Evaristo
Aragão; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins; SATO, Priscila Kei; VASCONCELOS, Rita
de Cássia de. Novo CPC Urgente. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.

LEITURA COMPLEMENTAR

TUTELAS PROVISÓRIAS NO NOVO CPC

Autora: Taína de Souza Palaro


Disponível em: https://tainapalaro.jusbrasil.com.br/artigos/216435324/tutelas-
provisorias-no-novo-cpc
Acesso em: 15/02/2017.

RESUMO

O presente artigo visa estudar as inovações nas tutelas provisórias trazidas


pela Lei 13.105, de 16 de Março de 2015, que institui o novo Código de Processo Civil,
o qual passa a vigorar após um ano da data da sua publicação. Inicialmente denota-
se que não houve mudanças abruptas na essência das referidas tutelas, mantendo-
se os seus requisitos, porém, a mudança ocorreu especificamente em relação ao
procedimento inicial a ser observado, e também em relação aos efeitos da tutela após
ser concedida.
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Palavras-chave: tutela, cautelar, antecipatória, código processo civil.

1 INTRODUÇÃO

No Código de Processo Civil de 1973 havia a possibilidade de concessão de


tutela cautelar, disciplinada no Livro III, e de tutela antecipada, nos termos do artigo
273, tendo aquela, via de regra, natureza assecuratória e esta satisfativa.
A concessão de tutela provisória, seja ela de natureza satisfativa, assecuratória
ou cautelar, é feita através de cognição sumária, uma análise perfunctória do juízo,
portanto, fundada em um juízo de probabilidade, fazendo-se necessária a imposição
de alguns requisitos, tais como o fumus boni iuris e o periculum in mora na tutela
cautelar, e na tutela antecipada, além destes, exige-se a verossimilhança da alegação
e o fundado receio de dano ou abuso de direito de defesa.
O doutrinador MARINONI, distingue-as nos seguintes termos:

A tutela cautelar tem por fim assegurar a viabilidade da realização de um


direito, não podendo realizá-lo. A tutela que satisfaz um direito, ainda que
fundada em juízo de aparência, é “satisfativa sumária”. A prestação
jurisdicional satisfativa sumária, pois, nada tem a ver com a tutela cautelar. A
tutela que satisfaz, por estar além do assegurar, realiza missão que é
completamente distinta da cautelar. Na tutela cautelar há sempre
referibilidade a um direito acautelado. O direito referido é que é protegido
(assegurado) cautelarmente. Se existe referibilidade, ou referência a direito,
não há direito acautelado (1999, p. 93).

THEODORO JUNIOR aduz que “as medidas cautelares não têm um fim em si
mesmas, já que toda a sua eficácia opera em relação a outras providências que hão
de advir em outro processo” (2010, p. 488).
Denota-se que o processo cautelar é dependente do processo principal,
podendo ser instaurado no curso ou antes dele, sendo-lhe apensado, porém, o
legislador de 2015 repensou essa dependência e unificou os processos.
No novo código não há mais um processo cautelar destinado a prestar apenas
a tutela cautelar, unificou-se o procedimento e dentro do mesmo processo as partes
podem pedir tanto a tutela de urgência ou de evidência, quanto a tutela final, seja de
caráter antecedente ou incidental.
O doutrinador MARINONI faz crítica ao Código de 2015 por conservar a
expressão tutela provisória, ainda que tenha aplicado as “técnicas antecipatórias
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como meio de distribuição isonômica do ônus do tempo no processo, ligando-se tanto
à urgência como à evidência” (2015, p. 306). Segundo o doutrinador a terminologia
conservada “obscurece a relação entre técnica processual e tutela do direito, turvando
os pressupostos que são necessários para prestar diferentes tutelas mediante a
técnica antecipatória” (2015, p. 306).
Com todas as inovações trazidas, denota-se que os conceitos balizares foram
mantidos, permanecendo a tutela antecipatória como aquela que proporciona a
realização de um direito, e a tutela cautelar aquela que assegura que o direito da parte
eventualmente e futuramente tenha condições de ocorrer.
O CPC de 2015 trouxe em seu Livro V as denominadas tutelas provisórias, que
englobam as tutelas de urgência e as tutelas de evidência, agrupando as tutelas do
gênero satisfativo com as cautelares.
Disciplinou no parágrafo único do artigo 294 que ambas as tutelas podem ser
cautelar ou antecipada, concedidas em caráter antecedente ou incidental no processo,
sendo neste último caso prescindível o pagamento de custas e naquele conservada a
competência do juiz competente para conceder a tutela definitiva. Preservou-se o
princípio da demanda (artigos 2º e 141), não podendo o Juiz conceder a tutela
provisória de ofício, mas, fundamentando na estrutura cooperativa do novo Código
(artigo 6º), pode consultar a parte se há interesse, ao perceber que é possível tutelá-
la provisoriamente.
Manteve-se o caráter precário da tutela, podendo ser a qualquer tempo, no
processo, revogada ou modificada (artigo 296), porém ratificou a necessidade de
fundamentação do juízo.
O novo CPC ressaltou em diversos dispositivos a necessidade da
fundamentação das decisões prolatadas, aplicável também às tutelas provisórias.
Nessa nova temática, o julgador obrigatoriamente tem que enfrentar todos os
fundamentos arguidos pelas partes (artigo 489, § 1º, IV), tanto em decisões
interlocutórias, como em sentenças e acórdãos, conforme disposto no artigo 489, o
qual em seu parágrafo primeiro arrola os defeitos da fundamentação.
O artigo 297 do Novo Código de Processo Civil, com base no Poder Geral de
Cautela, possibilita ao juiz determinar, incidentalmente no processo, as medidas que
julgar necessárias para efetivação da tutela provisória, assim como previsto no artigo
798 do Código vigente. Para MARINONI “afasta-se de um sistema de técnica
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executiva rígida e avizinha-se a um sistema de técnica maleável” (2015, p. 309),
visando a efetividade do processo. Ressalva-se ao previsto no referido artigo as
execuções contra a Fazenda Pública.
Passa-se a analisar, separadamente, o procedimento a ser adotado na vigência
do Código de Processo Civil de 2015, nas tutelas provisórias.

2 DA TUTELA DE URGÊNCIA

O legislador unificou o procedimento das denominadas no Código de 1973 de


tutela cautelar e a antecipação dos efeitos da tutela, visando simplificá-las e extirpar
qualquer dúvida quando ao cabimento de uma em detrimento da outra. A tutela de
urgência engloba a tutela antecipada e a tutela cautelar.
MARINONI faz critica a denominação utilizada pelo legislador, pois segundo ele
“a antecipação é apenas uma técnica processual que serve para viabilizar a prolação
de uma decisão provisória capaz de outorgar tutela satisfativa ou tutela cautelar
fundada em cognição sumária” (2015, p. 312).
Os requisitos para concessão da tutela antecipada ou da tutela cautelar,
antecedente ou incidental, são os mesmos (art. 300): i) probabilidade do direito, ii)
perigo de dano, para as tutelas antecipadas e iii) risco ao resultado útil do processo,
para as tutelas cautelares.
Tem-se assim que há urgência sempre que cotejada as alegações e as provas
com os elementos dos autos, concluindo-se perfunctoriamente que há maior grau de
confirmação do pedido, e que a demora poderá comprometer o direito provável da
parte, imediatamente ou futuramente.
Com relação à tutela de urgência antecipada de natureza satisfativa, para sua
concessão, estabeleceu o legislador ser necessária também a análise da
reversibilidade jurídica da tutela, nos termos do § 3º do artigo 300.
Por terem os mesmos requisitos o legislador reconheceu a fungibilidade entre
as tutelas provisórias no parágrafo único do artigo 305.
Conforme ensina MARINONI, ainda que o artigo refira-se apenas as tutelas
provisórias antecedentes, sopesando os princípios da duração razoável do processo
e da economia processual “e a necessidade de se privilegiar as decisões de mérito

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em detrimento de decisões puramente formais para causa (artigo 317, CPC) (...) há
fungibilidade entre as tutelas que podem ser obtidas mediante a técnica antecipatória”
(2015, 308), assim, estende-se à todas as tutelas provisórias.
Inova o CPC de 2015 na tutela de urgência quando exige a garantia do juízo,
conforme § 1º do artigo 300, dispensável em casos de hipossuficiência da parte e
quando o direito é desde logo muito provável, ficando ao crivo do julgador.
O CPC de 1973 trazia a possibilidade de responsabilidade em caso de uso
indevido do processo apenas nas ações cautelares, já o novo CPC prevê a
responsabilização da parte por eventuais danos à parte contrária que a efetivação da
tutela de urgência causar (art. 302), sendo unificado os regimes, aplicando-se a tutela
cautelar e a tutela antecipatória, e a indenização prevista será liquidada nos mesmos
autos. Ressalta-se que tal responsabilidade pode ser objetiva, bastando a
demonstração do nexo causal entre a concessão da tutela e o prejuízo suportado pela
parte, não se discutindo culpa.
Defende o doutrinador MARINONI a responsabilidade subjetiva nos casos dos
incisos I (sentença de improcedência) e IV (reconhecimento de decadência ou
prescrição) do artigo 302, pois se a “tutela provisória é necessária e devida, conforme
a apreciação sumaria do juízo, torná-la posteriormente indevida e atribuir
responsabilidade objetiva pela sua fruição implica ignorar efetiva existência da decisão
que anteriormente a concedeu” (2015, p. 314).
Para doutrinador, ao conceder a tutela o juiz analisou seus requisitos, conheceu
da ação, não podendo posteriormente ignorá-los e imputar a parte responsabilidade
objetiva.
Os procedimentos iniciais de ambas possuem os mesmos requisitos, um
regime jurídico único, ensejando celeridade processual, dispensando a propositura de
um novo processo e dispêndio de novas custas, possibilitando que as tutelas
provisórias sejam pleiteadas e concedidas na própria ação principal.
Outra inovação verificada é a estabilidade dos efeitos da tutela concedida
antecipadamente, tornando estável a decisão se o réu, citado, não interpõe Agravo de
Instrumento (recurso cabível contra decisão interlocutória, a qual, nos termos do § 2º,
do artigo 203 é aquela que não põe fim ao processo), autorizando a extinção do
processo liminarmente.

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O § 6º do artigo 304 dispõe que a decisão que extingue o processo quando o
réu, devidamente citado, não interpõe o recurso cabível, não faz coisa julgada
material, pois inexiste cognição exauriente, porém, não influi na estabilidade dos
respectivos efeitos.
O parágrafo 2º do artigo 300 dispõe que a tutela pode ser concedida
liminarmente, ou seja, inaudita altera parte, segundo MARINONI quando “o tempo ou
a atuação da parte contrária for capaz de frustrar a efetividade da tutela sumária”
(2015, p. 313), ou após justificação prévia, ou seja, após intimada a parte contraria a
se manifestar exclusivamente sobre o pedido de tutela de urgência. Segundo o
doutrinador “nada obsta que a tutela de urgência seja concedida em qualquer
momento do procedimento, inclusive na sentença” (2015, p. 313).

2.1 Da Tutela Antecipada Antecedente

A Tutela Antecipada Antecedente revela uma nova dinâmica processual em


substituição da “cautelar preparatória” do código de 1973, havendo a possibilidade de
mero aditamento da inicial.
Trata-se de tutela provisória de natureza satisfativa antecedente a propositura
da ação, através da qual possibilita-se manejar o pedido, tão somente, para a
antecipação da tutela satisfativa, expondo o direito que se busca e demonstrando o
perigo da demora, porém, necessário se faz que esta intenção do autor seja expressa
na petição inicial (artigo 303, § 5º), sob pena de não ser possível estabilizar os efeitos
da antecipação da tutela.
Nesse caso, a petição inicial limitar-se-á ao requerimento da tutela antecipada,
expondo amplamente seus fatos e fundamentos, com apenas a indicação do pedido
de tutela final, vinculado o valor da causa ao valor do pedido final e não havendo
necessariamente o nexo de causalidade entre a tutela provisória e a tutela final.
Concedida a tutela, o autor terá o prazo de 15 (quinze) dias, ou em outro maior
que o juiz fixar, para aditar sua inicial, complementando e explanando seu pedido final,
sob pena, na inobservância deste prazo, de extinção do processo sem julgamento do
mérito (art. 303, § 1º e 2º).
Na nova sistemática do código, antes de iniciar o processo, o réu será citado e
intimado para audiência de conciliação ou mediação (artigo 334), iniciando seu prazo
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de defesa a partir da realização desta. Assim, após aditamento da inicial, o réu será
citado nesses termos, e não havendo autocomposição, inicia-se seu prazo para
contestação (artigo 335).
Importante consignar que o novo CPC traz a possibilidade das partes
manifestarem o desinteresse pela audiência de conciliação ou mediação, devendo o
autor fazê-la na própria exordial, e o réu através de petição apresentada com 10 (dez)
dias de antecedência da data da audiência (art. 334, § 5º).
A tutela concedida deverá, obrigatoriamente, ser impugnada pelo réu através
do recurso de agravo de instrumento, por tratar-se de decisão interlocutória nos
termos do artigo 1.015.
A não interposição do recurso fará com que a tutela se torne estável (art. 304),
mas não faz coisa julgada material, conservando seus efeitos enquanto não for
revista, reformada ou invalidada por decisão de mérito proferida em ação autônoma,
proposta perante o mesmo juízo por uma das partes (art. 304, § 2º), no prazo de 2
(dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo.
Caso não seja concedida a tutela, o autor terá prazo de 5 (cinco) dias para
emendar a petição inicial, sob pena de indeferimento e extinção do processo sem
resolução do mérito (art. 303, § 6º).

2.2 Da Tutela Cautelar Antecedente

O legislador aludiu no artigo 301 algumas das tutelas cautelares previstas no


antigo código. Porém trata-se de rol exemplificativo, pois é possível obter-se tutela
cautelar atipicamente, pois são cabíveis outras medidas idôneas a assegurar o direito,
sempre que preenchido os requisitos comuns a todas as tutelas cautelares:
probabilidade do direito e o perigo na demora.
Os tramites iniciais da propositura da ação com pedido de tutela cautelar
antecedente assimilam-se com os da tutela antecipada antecedente, limitando-se a
demonstrar os requisitos para concessão da tutela assecuratória, com indicação da
tutela final.
Concedida a tutela, será aberto prazo de 30 (trinta) dias para que o autor
formule o pedido principal nos mesmos autos e independente do recolhimento de
novas custas processuais (art. 308).
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Denota-se que, somente com relação ao prazo concedido, há uma diferença
entre as tutelas de urgência antecipatórias.
Nesse procedimento, o réu será citado para no prazo de 5 (cinco) dias contestar
o pedido, sob pena de presunção de aceitação dos fatos (art. 306 e 307).
Aditada a exordial, as partes serão intimadas para audiência de conciliação ou
de mediação (art. 308, § 3º), sendo esta infrutífera, será concedido prazo de 15
(quinze) dias para contestação (art. 308, § 4º), prosseguindo a ação pelo rito comum.
O réu nesse procedimento apresentará duas contestações.
A tutela cautelar concedida se tornará estável, porém, o legislador discriminou
no artigo 309 o rol de hipóteses as quais cessará os efeitos da tutela.
A inovação primordial do novo CPC com relação aos processos cautelares foi
a unificação das ações, deixando de existir as ações cautelares propriamente dita,
passando a ser um procedimento na própria ação principal.

2.3 Da Tutela De Urgência Incidental

A tutela de urgência, quando incidental no processo, será requerida através de


petição nos próprios autos, demonstrando os requisitos do fumus boni iuris e o
periculum in mora, estabelecidos no artigo 300 do novo CPC.

3 DA TUTELA DE EVIDÊNCIA

O novo CPC trata da tutela de evidência em seu artigo 311, dispondo que para
a sua concessão é necessária a evidência do direito, de forma contundente a formar
um juízo de cognição sumária, independente do periculum in mora e do risco ao
resultado útil do processo. Foram elencada 4 (quatro) hipótese de concessão: i) abuso
do direito de defesa ou manifesto proposito protelatório; ii) quando comprovada
através de prova documental fundamentada em precedentes ou sumula vinculante; iii)
pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de
depósito e iiii) inicial instruída com prova documental incontestável.
A tutela a ser concedida é pautada na incontestabilidade do direito da parte
autora, ou seja, o juiz a concederá de forma provisória considerando a incontroversa

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do direito disputado, reduzindo os efeitos do tempo despendido no trâmite normal do
processo, afinal, não merece suportá-lo o autor que antecipadamente desincumbiu-se
a contento do ônus probatório.

Segundo MARINONI a “tutela pode ser antecipada porque a defesa articulada


pelo réu é inconsistente ou provavelmente o será”. (2015, p. 322).

A tutela de evidência tem paridade com a tutela antecipada do antigo CPC,


inovando ao permitindo que o juiz conceda parte do pedido antes da prolação da
sentença, em caráter definitivo, fazendo coisa julgada material, impugnável através
de agravo de instrumento (art. 356, § 5º). Exceto aos casos em que a tutela é
concedida liminarmente, a sua concessão normalmente ocorrerá após a contestação.
MARINONI entende que a tutela de urgência em caso de defesa inconsistente
dever ser entendida “como uma regra aberta que permite a antecipação da tutela sem
urgência em toda e qualquer situação em que a defesa do réu se mostre frágil diante
da robustez dos argumentos do autor” (2015. P. 322). Faz crítica quanto aos
precedentes, pois para o doutrinador o que autoriza a tutela de urgência é em “caso
de haver precedente do STF ou do STJ ou jurisprudência firmada em incidente de
resolução de demandas repetitivas nos Tribunais de Justiça ou nos Tribunais
Regionais Federais”. (2015, p. 322), não podendo valer-se de quaisquer precedentes
de casos repetitivos.

4 ESTABILIDADE DAS TUTELAS

Algo que ocasionou bastante discussão e que foi alvo de críticas dos
doutrinadores, foi em relação à inovação da estabilidade das tutelas provisórias, o que
não se pode confundir com a coisa julgada.
A estabilidade da tutela ocorre quando o réu não se manifesta visando
exaurimento da cognição, sendo ela por tempo indeterminado.
Sobre a estabilidade das tutelas provisório, ensina MARINONI que:
Apenas a tutela provisória satisfativa fundada na urgência pode ser
automatizada e estabilizada. A tutela da evidência não pode ser autonomizada e, por
conseguinte, estabilizada. A tutela cautelar, embora possa ser autonomizada, não

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pode ser estabilizada – dada obviamente a referibilidade que lhe é inerente” (2015, p.
315 - 316).
Para desconstituir a estabilidade da tutela, o legislador empregou a técnica do
contraditório eventual, invertendo a iniciativa para o debate, podendo qualquer das
partes, no prazo de dois anos, propor ação com intuito de rever, reformar ou invalidar
a tutela estabilizada, denominada por MARINONI de “ação exauriente”, prevista no §
2º do artigo 304.
Assim determinou-se que a referida ação visa exaurir a cognição, ou seja,
passa-se da cognição sumária para a cognição exauriente da matéria.
O parágrafo 4º do artigo 304 do novo CPC traz a obrigatoriedade da ação
exauriente ser instruída com a ação antecedente, na qual foi concedida a tutela, pois,
conforme alhures, aquela ação é uma continuação do debate iniciado nesta.
O doutrinador MARINONI ao comentar o artigo 304, entende que, embora haja
previsão expressa apenas do réu opor-se a tutela concedida através da interposição
de agravo de instrumento, entende ser cabível também opor-se pela contestação ou
pelo intento de comparecimento em audiência de conciliação ou de mediação, desde
que no mesmo prazo para interposição do agravo, pois, para ele “tem-se que entender
que a manifestação do réu no primeiro grau de jurisdição serve tanto quanto a
interposição do recurso para evitar a estabilização dos efeitos da tutela” (2015, p. 317).
O parágrafo 6º do artigo 304 determina que a decisão que concede a tutela não
faz coisa julgada, somente ficará estabilizada e só será afastada por decisão proferida
na ação exauriente.
A questão levantada por MARINONI foi em relação à força da estabilidade após
decorrido o prazo para propositura da ação exauriente, ora, se o legislador vinculou a
afastabilidade da estabilidade à propositura da ação exauriente, se decorrido seu
prazo decadencial, certamente a estabilidade torna-se indiscutível e imutável, o que
nos termos do artigo 502 do CPC, identifica-se com o conceito de coisa julgada
material.
O doutrinador sobrepesa a constitucionalidade do instituto, para ele
O que é de duvidosa legitimidade constitucional é equiparar os efeitos do
procedimento comum – realizado em contraditório, com ampla defesa e direito à prova
– com os efeitos de um procedimento cuja sumariedade formal e material é
extremamente acentuada.
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(...) a estabilização da tutela antecipada antecedente não pode adquirir a
autoridade da coisa julgada – que é peculiar aos procedimentos de cognição
exauriente. Passado o prazo de dois anos, continua sendo possível o
exaurimento da cognição até que os prazos previstos no direito material para
a estabilização das situações jurídicas atuem sobre a esfera jurídica das
partes (por exemplo, a prescrição, a decadência e a supressio). Em resumo:
o direito à adequada cognição da lide constitui corolário do direito ao processo
justo e determina a inafastabilidade da ação exauriente para formação da
coisa julgada. Fora daí há ofensa ao direito fundamental ao processo justo
pelo próprio legislador infraconstitucional incumbido de densificá-lo. (2015, p.
318)

Certamente outra conclusão não há de chegar senão a explanada pelo


doutrinador, pois visou-se no novo código dar ampla participação das partes,
integrando sempre que possível as partes e o juízo, atento aos direitos
constitucionalmente estabelecidos. Estabilizar uma decisão baseada em uma análise
perfunctória ao nível de coisa julgada, não parece ser razoável ao novo procedimento.

5 CONCLUSÃO

O Código de Processo Civil, instituído pela Lei 13.105/20015 trouxe diversas


inovações, principalmente em relação às tutelas provisórias, o que provavelmente
suscitará inúmeras dúvidas, bem como formar-se-á novas doutrinas e jurisprudências
segundo as suas diretrizes.
Segundo entrevista do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, a
ideologia do novo Código de Processo Civil é tornar o processo mais ágil e eficiente,
buscando meios de desburocratiza-lo, observando sempre o contraditório e a ampla
defesa.
Como é comum em qualquer modificação do cotidiano, essas mudanças a
princípio poderão gerar certa insegurança aos operadores e estudiosos do direito, mas
analisando as intenções do legislador percebe-se que buscou-se harmonizar o
procedimento civil, o qual está hodiernamente como uma “colcha de retalhos”.
Ao estudar o Novo CPC verifica-se que o legislador preocupou-se com a
autocomposição da lide, inclusive atribuindo um dinamismo maior entre as partes, e
entre partes e juízes, com as devidas observâncias aos direitos fundamentais.
As novas sistemáticas das tutelas provisórias visam a celeridade do processo,
bem como representam uma economia de custas processuais, e diminuem o

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assoberbamento do judiciário, pois na prática atual, verificava-se em muitos casos o
uso indevido das ações cautelares, as quais sobrecarregavam o judiciário, e quando
concedidas, assegurando o direito clamado, seu beneficiário não promove a ação
principal defendendo seu suposto direito, o que se faz questionar se realmente existe.
Exemplo comum são as exibições de contratos bancários, das quais muitas encerram-
se com a sua apresentação, o que possivelmente poderia ter o mesmo deslinde na
via administrativa, já que não há direitos a serem discutidos.
Impõe-se um ônus maior ao réu de defender-se dos pedidos de tutela
provisória, principalmente pela previsibilidade da estabilidade dos efeitos da tutela,
mas cotejando os procedimentos, as inovações trazem maior segurança jurídica às
partes.

REFERÊNCIA

MARINONI, Luiz Guilherme. A antecipação da tutela. 5 ed., São Paulo: Malheiros


Editores, 1999.

MARINONI, Luiz Gullherme; ARENHART, Sergio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo


Código de Processo Civil Comentado. 1 ed., São Paulo: Revista dos Tribunais,
2015.

NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria Andrade. Código de Processo Civil
Comentado e Legislação Extravagante. 10 ed., São Paulo: Revista dos tribunais,
2007.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 44 ed., Rio de


Janeiro: Forense, 2009, vol. 2.

WAMBIER, Luiz Rodrigues; TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo


Civil. Processo Cautelar e Procedimentos Especiais. 11 ed., São Paulo: Revista
dos tribunais, 2011.

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