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MEMORIA

^ESPA
Cf
el reei/^/^^/^

NESTOR /
BRAUNST
M E M O R I A Y ESPANTO
O
E L RECUERD O D E I N F A N C I A

por

N É S T O R A. B R A U N S T E I N

siglo
veintiuno
editores

MÉXICO
ARGENTINA
ESPAÑA
^
s i g l o x x i e d i t o r e s , s . a . d e c.v.
C E R R O D E L A G U A 2 4 8 , R O M E R O D E T E R R E R O S , 0 4 3 1 0 , M É X I C O , D.F.

s i g l o x x i e d i t o r e s , s . a .
GUATEMALA 4824, G1425BUP, BUENOS AIRES, ARGENTINA

siglo xxi d e españa editores, s . a .


M E N É N D E Z PIDAL 3 BIS. 28036, MADRID, ESPAÑA

BF175

2008 B r a i i n s t e i n , Néstor A .
Aíemoria y espanto O el recuerdo de infancia /
N é s t o r A . B r a u n s t e i n . — M é x i c o : Siglo X X I ,
2008.
288 — (Psicología y psicoanálisis)

l S B N - 1 3 : 978-968-23-2738-4

1- Psicoanálisis. I . i. I I . Ser.

p r i m e r a e d i c i ó n , 2008
p r i m e r a r e i m p r e s i ó n , 2010
© siglo x x i e d i t o r e s , s.a. d e c.v.
isbn-13: 978-968-23-2738-4

( l e r c c í i o s resei va<U>s c o n r o r n i c a l;i Uv


i m p r e s o e n e n c i i a d e r i u i c i ó n cloMiíny,tH/.
5 d e f c h r e i o , lt)ie 8
r o l . tcDii'o, ixtapaUira,
r)()r»30 edfí. d e M é x i c o
El primer motor y el hilo conductor ( m o t t o )
de esta obra es una frase de Julio Cortázar:
''La memoria empieza en el terror. "

j, CORTÁZAR, El perseguidor y otros textos. Antología n,


B u e n o s aires, C o l i h u e , 1996, p . 14.

A modo de dedicatoria
TAMARA

5 de febrero de 2000

U n a de las obras excelsas de la i m a g i n a c i ó n d e l siglo q u e tiene a p u r o


p o r ser el pasado es el viaje q u e hace I t a l o C a l v i n o p o r Las ciudades
invisibles. H a c i a la p á g i n a 2S o 24 de la e d i c i ó n e n castellano, el via-
j e r o , M a r c o P o l o , se e n c a m i n a hacia la c i u d a d de T á m a r a , C u a n d o
se a p r o x i m a a ella siente q u e t o d o c u a n t o ve r e m i t e a l a r e a l i d a d de
las cosas: la h u e l l a de las zarpas e n la a r e n a al t i g r e q u e pasó p o r ella,
la n u b e a l a p o s i b i l i d a d de l a l l u v i a , e l f r u t o al á r b o l q u e l o d i o y a la
semilla q u e e n él se esconde y de l a q u e o t r o á r b o l saldrá.
P e r o e n t r a e n T á m a r a y allí se a s o m b r a al ver q u e t o d o i n d i c a algo
d i s t i n t o y a r b i t r a r i o , q u e r e q u i e r e de u n a i n t e r p r e t a c i ó n . Las relacio -
nes son i n d i r e c t a s : u n t o n e l es l a señal de la t a b e r n a , unas tenazas
la d e l dentista ; el o r d e n y l a a m p l i t u d de las casas y j a r d i n e s r e f l e j a
la o p u l e n c i a de sus p r o p i e t a r i o s , la flacura d e l asno la p o b r e z a de
su d u e ñ o ; la sonrisa d e l n i ñ o c o r r e s p o n d e al a m o r de sus padres, la
elegancia de la j o v e n al b u e n gusto de su p r e t e n d i e n t e . N a d a es c o m o
parece: la c i u d a d n o se r e c o r r e , se lee, pues e n ella n a d a hay q u e n o
s i m b o l i c e o t r a cosa, cada detalle h a b r á de ser t r a d u c i d o p o r q u e dice
lo q u e se h a de pensar. Tras r e s i d i r u n t i e m p o e n T á m a r a el v i a j e r o
se va, sin saber a ciencia c i e r t a cuál es la v e r d a d e r a n a t u r a l e z a de l a
c i u d a d , l o q u e se esconde bajo esa avalancha de signos... y e n c u e n t r a

' D e Ficdonario de psicoanálisis, M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 1 , p p . 68-70.

[7]
8 TAMARA

e n t o n c e s q u e las nubes n o son ya nubes n i a n t i c i p a n la lluvia sino


q u e p a r e c e n danzantes, las marcas e n la arena son escrituras de u n
c a l í g r a f o b o r r a c h o , las fruta s son e m b l e m a s de la a n a t o m í a m a s c u l i n a
o femenina.
N o faltará q u i e n d i g a q u e e l viajero p r e - t a m a r i n o estaba m e j o r ins-
t a l a d o e n la r e a l i d a d y n o se c o m p l i c a b a la vida b u s c a n d o sentidos
h e r m é t i c o s , extraviándos e e n dudosas i n t e r p r e t a c i o n e s . N o faltará
q u i e n a f i r m e q u e al estar e n esa e q u í v o c a c i u d a d se infiltró e n él u n a
i n c l i n a c i ó n hacia la sospecha, u n h á b i t o de i n d a g a r a las cosas simples
p a r a descifrarlas c o m o si de c r i p t o g r a m a s se tratase, u n a i n q u i e t u d ,
u n s e n t i m i e n t o de i g n o r a n c i a , u n a necesidad de asegurarse acerca
de l o q u e parece t a n n a t u r a l a los habitantes de la c i u d a d . Pero será
m e j o r n o d e c í r s e l o al viajero q u e pasó p o r T á m a r a : él r e p l i c a r í a q u e
su m u n d o es a h o r a i n f i n i t a m e n t e más r i c o q u e antes, q u e la i n c e r t i -
d u m b r e sobre la significación de l o q u e ve y oye le ha llevado a aguzar
ojos y o í d o s , q u e su tacto recoge a h o r a t e s t i m o n i o s insospechados,
v i b r a c i o n e s sublimes, s u b l i m i n a l e s , matices i m p e r c e p t i b l e s , m i c r o t o -
n a l i d a d e s , sutilezas i n s o n d a b l e s d e l á n i m o y d e l h u m o r , insólitos m e n -
sajes de l o i n a u d i b l e .
Nietzsche y H e i d e g g e r , K a n d i n s k y y Francis B a c o n , S c h o e n b e r g y
L i g e t i , M u s i l y EHot, F r e u d y L a c a n , Resnais y Greenaway, son a l g u n o s
de los pares de n o m b r e s q u e r e p r e s e n t a n a T á m a r a . N o se pasa i m p u -
n e m e n t e p o r sus obras. E l sujeto q u e se somete a ellas t i e n e q u e salir
de sus goznes y pasar a ver el m u n d o de o f r á m a n e r a , de u n a m a n e r a
o t r a . N o se las c o n s u m e : se es c o n s u m i d o p o r ellas. Y n o se p u e d e
d e c i r l o q u e d i c e n . ¿ Q u i é n p o d r í a " c o n t a r " u n a e s c u l t u r a de B r a n c u s i ,
u n a p á g i n a de Beckett, u n a sequenza de Berio? Y n o es p o r q u e tales
p r o d u c c i o n e s e n c i e r r e n u n " m i s t e r i o " . Es p o r q u e c o n f i n a n c o n l o q u e
de v e r d a d vale la p e n a expresar, es decir, c o n l o i n e x p r e s a b l e .
1
I N T R O I T O : L O S PAPELES Í N F I M O S

En toda elaboración psicoanalítica de una biografía


se consigue esclarecer la signifícatixñdad de los recuer-
dos de la primera infancia. Y aun, por regla general,
resulta que justamente el recuerdo que el analizado an-
tepone, el primero que él rejiere, aquel con el cual intro-
duce su biografía, demuestra ser el más importante, el
que oculta dentro de si la llave de los armarios secretos
de su vida anímica.^

1. D E L L I B R O D E L A V I D A C U Y A S P Á G I N A S S O N R E C U E R D O S

¿De d ó n d e , desde c u á n d o , c ó m o , se p o n e e n m a r c h a la m á q u i n a de
la m e m o r i a ? ¿Cuál es la fidelidad, cuál la a u t e n t i c i d a d , d e l p r i m e r re-
cuerdo? ¿Es algo que e n v e r d a d sucedió o es u n m i t o fiindador al q u e
apelamos r e s c a t á n d o l o, e n f u n c i ó n de nuestros intereses presentes,
de u n pasado i n c o g n o s c i b l e y oscuro? ¿ Q u é significación t i e n e , q u e
s e n t i d o p u e d e dársele, r e t r o a c t i v a m e n t e , al m o m e n t o e n q u e c o m i e n -
za la p e l í c u l a de los recuerdos? ¿ C ó m o e m e r g e ese p r i m e r islote q u e
sobresale e n el o c é a n o de la amnesia i n f a n t i l ? ¿ C ó m o p u e d e h a b e r t m
e p i s o d i o q u e sea el p r i m e r o si, p a r a c o n t a r l o , u n o debe decir: "recuer-
d o q u e . . . " y, p a r a e l l o , es necesario p r e s u p o n e r u n *'yo", u n "sujeto"
d e l c u a l l o evocado sería u n " p r e d i c a d o " ? ¿No es ya ese " y o " e l resulta-
d o de u n r e c u e r d o p r e v i o y establecido, de u n a c u e r d o e n t r e u n o mis-
m o y l a p r o p i a i m a g e n , efecto ya de la m e m o r i a ? ¿ O es posible pensar
q u e p r i m e r o está el r e c u e r d o — e m b r i ó n d e l s e r — y l u e g o , c o m o u n a
cicatriz q u e l o i d e de la m e m o r i a , surge el personaje capaz de evocarlo?
E n t a l caso, c a b r í a d e c i r : " M e a c u e r d o , l u e g o ( e r g o , después) e x i s t o ."
"Yo" soy a q u e l a q u i e n u n a vez le pasó "eso" y, si n o f u e r a p o r "eso" n o
sería q u i e n soy; sería o t r o . Soy t a n sólo u n b l o q u e de recuerdos (y de

' S. F r e u d [ 1 9 1 7 ] , " U n r e c u e r d o d e i n f a n c i a e n Poesiay verdad". Obras completas, B u e -


n o s A i r e s , A m o r r o r t u , 1977, v o l . x v i i , p . 143. Cf., infra, p . 50.
* Las t r a d u c c i o n e s están c o n s i g n a d a s . E n los m á s d e los casos f u e r o n cotejadas c o n
los o r i g i n a l e s y, e n caso n e c e s a r i o , c o r r e g i d a s , c u a n d o n o se i n d i c a n o m b r e d e l t r a d u c -
t o r a l c a s t e l l a n o , ellas son o b r a y r e s p o n s a b i l i d a d d e l a u t o r .

[9]
10 LOS PAPELES ÍNFIMOS

o l v i d o s ) q u e p r e s u m o q u e " m e " p e r t e n e c e n . Soy la c o n s e c u e n c i a de


ciertas i n c i e r t a s r e m i n i s c e n c i a s .
¿Tengo u n a r c h i v o de m e m o r i a o soy u n a r c h i v o de r e c u e r d o s y des-
m e m o r i a s ? ¿No es e n la m e m o r i a (o e n la fantasía de " t e n e r l a " ) d o n d e
reside m i e n i g m á t i c a " i d e n t i d a d " ?
E x p l o r e m o s esta i d e a : la m e m o r i a es previa . Es f u n d a d o r a d e l ser.
C a d a u n o de n o s o t r o s llega a ser q u i e n cree ser p o r q u e o r g a n i z a los
datos de su e x p e r i e n c i a pasada c o n u n m o l d e s i n g u l a r y sin maestros
q u e e n s e ñ e n c ó m o r e c o r d a r. D i c h o e n c l a r o : u n o n o "es q u i e n es"
p o r q u e "le pasó eso" sino p o r q u e h a r e g i s t r a d o y ha e n t e n d i d o lo q u e
le pasó de u n a d e t e r m i n a d a m a n e r a , s e l e c c i o n a n d o , r e m e n d a n d o y
e m p a r c h a n d o huellas de e x p e r i e n c i a s personales c o n relatos ajenos.
L a m e m o r i a n o sería u n a r c h i v o de d o c u m e n t o s sino u n a c o n s t r u c -
c i ó n e n r i q u e c i d a p o r la i m a g i n a c i ó n . Reciba el l e c t o r u n e j e m p l o q u e
n o es ftcticio: " D e b o h a b e r t e n i d o tres a ñ o s c u a n d o h u b o u n i n c e n d i o
e n la v u l c a n i z a d o r a d e l v e c i n o . Ese es m i p r i m e r r e c u e r d o : la n o c h e ,
el calor, e l h u m o , las sirenas, la asfixia, el o l o r d e l h u l e q u e m a d o , m i
p a d r e e n v o l v i é n d o m e e n sábanas h ú m e d a s . Nos v i m o s f o r z a d o s a v i v i r
e n casa d e m i s abuelos p o r dos s e m a n a s . . . "
Ciertas impresiones h a n q u e d a d o grabadas, m á s o m e n o s v i v i d a m e n -
te, c o n m a y o r o m e n o r e x a c t i t u d , e n u n " a l m a " i n f a n t i l . L a n i ñ a q u e ,
p o r c i e r t o , ya existía, ya h a b l a b a , ya se c o n t a b a c o m o " u n o " d e n t r o de
la f a m i l i a , t i e n e u n a e x p e r i e n c i a . ¿La p r i m e r a q u e recuerda? Difícil es
aseverarlo, establecer e n los ficheros de la m e m o r i a u n a precisa c r o -
n o l o g í a . E n este caso, eso sí, traumática. A l r e d e d o r de los eventos de la
c a ó t i c a n o c h e d e l i n c e n d i o , l a d e l r e m o t o r e c u e r d o , ella o r g a n i z a ha-
cia atrás, e n retrospectiva, t o d a l a i n f o r m a c i ó n q u e t e n í a d e sí m i s m a
y de la r e d de relaciones e n l a q u e estaba i n m e r s a . De esa c o n f u s i ó n
e x t r a e u n a r e p r e s e n t a c i ó n de q u i é n es ella p a r a los d e m á s q u e se en-
g a n c h a c o n l a i m a g e n de su r o s t r o q u e le devuelve el espejo y c o n el
r e c o n o c i m i e n t o de su n o m b r e p r o p i o y de su l u g a r e n las redes de pa-
rentesco. E l y o i n c i p i e n t e a p o r t a c o h e r e n c i a al c o n j u n t o de su saber,
r e ú n e estos dispersos f r a g m e n t o s . L a n i ñ a (el n i ñ o ) t i e n e , de ahí e n
m á s , u n a l í n e a de a r r a n q u e p a r a u n a n a r r a c i ó n q u e p o d r á hacer e n
p r i m e r a p e r s o n a ; e l t r a u m a t i s m o de l a n o c h e p a u t a d a p o r las sirenas
de los b o m b e r o s i n a u g u r a u n a c i e r t a historización, u n r e l a t o d e l c u a l
ella es l a p r o t a g o n i s t a y n o sólo l a r e p e t i d o r a de l o q u e o t r o s d i c e n de
ella. La vida es una novela, título de u n a p e l í c u l a de A l a i n Resnais, "la
v i d a es u n a n o v e l a " es e l l e m a subyacente a t o d os los Bildungsroman
LOS PAPELES ÍNFIMOS 11

(novelas de f o r m a c i ó n ) c o n las q u e nos i n u n d ó el r o m a n t i c i s m o y la


t r a d i c i ó n q u e le siguió. " L a v i d a es u n a n o v e l a " , la nuestra, la suya, la
q u e c o n t a m o s y q u e c u e n t a n los pacientes, sesión tras sesión, e n su
psicoanálisis, la que se escribe e n d i a r i o s, agendas y autobiografías.
E n e l t e x t o de esa n o v e l a hay s i e m p r e algún m i t o f u n d a d o r , u n a p r e -
h i s t o r i a ancestral, u n r e l a t o d e l génesis q u e el sujeto n o p u e d e recor-
d a r p o r q u e le viene de los labios de o t r o s . Sobre el m i t o o r i g i n a r i o y
sobre las huellas de experiencia s i n n o m i n a d a s se levanta la choza o e l
p a l a c i o de la m e m o r i a e n el q u e a l t e r n a n oscuras cavernas y salones
a m e d i a l u z . D e b e haber, a d e m á s , u n a c o n t e c i m i e n t o p r i m e r o , basal,
q u e sirva de ancla p a r a c o m e n z a r el r e l a t o de las peripecias de u n a
existencia y de u n e x i l i o v i t a l i c i o , u n e x i l i o e n el país de la m e m o r i a .
El primer recuerdo. El recuerdo de infancia. Fantasmal, m í t i c o .
L l a m a m o s "peripecias" a los c a m b i o s r e p e n t i n o s , los a c o n t e c i m i e n -
tos i m p r e v i s t o s y, e n a p a r i e n c i a , azarosos, los accidentes, las d r a m á -
ticas m u t a c i o n e s q u e se p r e s e n t a n e n la v i d a de todos: las peripecias
p a r e c e n obras d e l d e s t i n o , la casualidad o la f a t a l i d a d . N o t i e n e n q u e
ser, p o r fuerza, a c o n t e c i m i e n t o s excepcionales . L a v i d a es u n a novela,
d i j i m o s ; es, t a m b i é n , u n a a v e n t u r a i m p r e v i s i b l e . Cada existencia i n -
cluye u n a c a n t i d a d variable de vaivenes, de vericuetos q u e desvían d e l
c a m i n o , s i e m p re sinuoso. Para empezar, la p r i m e r a , la indeseada, la
de h a b e r n a c i d o , d e s p r e n d i é n d o s e de u n c u e r p o f e m e n i n o . Y, l u e g o ,
todas las d e m á s , q u e trazan u n a biografí a l l e n a de misteriosos p u n -
tos de silencio y de i n c o m p r e n s i ó n a los q u e s u p l a n t a m o s c o n a l g u n a
clase de p e g a m e n t o p a r a q u e n o se nos descosa, p a r a q u e d a r cosidos,
p a r a a r m a r y encola r los fascículos ensamblados de ese " v o l u m e n " q u e
e n t r e t e j e m o s c o n j i r o n e s de la m e m o r i a . Somos los costureros y los
e n c u a d e r n a d o r e s de nuestras vidas. C o n r e c u e r d o s nos v e s t i m o s . . . o
nos disfrazamos.
Se i m p o n e aquí la i m a g e n p r o u s t i a n a d e l libro.^ Cada ser h u m a n o
es c o m o u n l i b r o en d o n d e están escritas, "grabadas", las " i m p r e s i o n e s "
de l o vivido. U n a p u r a tipografía. U n text o legible y t r a d u c i b l e , gene-
r a l m e n t e a b i g a r r a d o y confuso. L o desciframos c o m o p o d e m o s c o n
los ojos m i o p e s de nuestro i n t e l e c t o . Flotamos e n t r e sus j e r o g l í f i c o s y
buscamos las claves q u e se nos h a n p e r d i d o . I n t u i m o s q u e ese l i b r o n o
está sellado de u n a vez y para siempre; está a b i e r t o a i n f i n i t a s r e c o m p o -

M . P r o u s t [ 1 9 1 3 - 1 9 2 7 ] , Á la recherche du temps perdu, P a r í s , L a P l é i a d e , G a l l i m a r d ,


1969, t. ITT, p p . 877 ss.
12 L O S PAPF.LF.S ÍNFIMOS

siciones, a lecturas diversas, a técnicas apenas deliberadas q u e u r d e n el


pasado a p a r t i r de las urgencias d e l presente (tal c o m o sucede — b i e n
lo s a b e m o s — c o n la h i s t o r i a de las naciones, ese c o n j u n t o de m e n t i r a s
q u e escriben los vencedores, la " m e m o r i a colectiva" cara a Halbwachs)
El t i e m p o q u e fluye va d e j a n d o u n a estela de escrituras, charadas a re-
solver, piezas de u n rompecabezas q u e a d m i t e iníinidad de soluciones.
H a c e falta u n " m a n u a l de i n s t r u c c i o n e s " para a r m a r el puzzle^ Pero n i
al m i s m í s i m o Oeorges Perec se le o c u r r i ó que el rompecabezas pudiese
estar c o m p u e s t o p o r partes blandas, maleables, dúctiles, c o m o los r e l o-
jes de Dalí. Sin e m b a r g o , así es nuestra m e m o r i a , ese g a t u p e r i o habita-
d o p o r los p r e j u i c i o s de nuestra p e r s o n a l i d a d , p o r los deseos de quienes
nos r o d e a r o n e n u n c o m i e n z o , p o r las presiones de n u e s t r o g r u p o so-
cial y p o r las ansiedades de n u e s t r o t i e m p o histórico.
¿ Q u i é n e s somos, entonces? A r r i e s g u e m o s : somos u n a m e m o r i a e n
m o v i m i e n t o , h o r a d a d a p o r o l v i d o s y represiones. U n m o d o de c o m -
p o n e r la c h a r a d a de nuestros p r e c a r i o s recuerdos y de p r o p o n e r l a a l a
m i r a d a de los o t r o s q u e t e n d r á n — s i les i n t e r e s a — u n a difícil misión,
la de r e f r e n d a r l a o i m p u g n a r l a . ¿Y las piezas? R e c u e r d o s de fantasías,
fantasías de r e c u e r d o . Proust,"^ q u i e n m á s supo de esto, d e c í a q u e cada
u n o d e b e c u m p l i r c o n el d e b e r de escribir el l i b r o q u e lleva a d e n t r o .
Y él a r m a b a su l i b r o c o n mezclas de sabores y olores, de t r o p e z o n e s y
e n c u e n t r o s fugaces, de retazos de cosas vistas y oídas, e n u n a p a r e n -
te d e s o r d e n t e m p o r a l . Prous t m o s t r ó q u e la m e m o r i a a u t o b i o g r á f i c a
n o se c o m p a d e c e c o n el esquema de u n a c r ó n i c a de a c o n t e c i m i e n t o s
sucesivos. Está t r a m a d a c o m o u n a n a r r a c i ó n d i s c o n t i n u a d o n d e los
h i l o s q u e l l e v a n de u n a p e r i p e c i a a o t r a carecen de p r e m e d i t a c i ó n y
c o n c i e r t o . Es u n a " m e m o r i a i n v o l u n t a r i a " o, p a r a d e c i r l o c o n u n a pa-
l a b r a m á s precisa, i n c o n s c i e n t e . Las c o n e x i o n e s d e l r e c u e r d o son t a n
insólitas c o m o las l i g a d u r a s e n t r e las asociaciones d e l p a c i e n t e p u e s t o
a h a b l a r e n e l diván d e l psicoanalista. I m p e r a e n t r e ellas u n o x í m o r o n
l ó g i c o y s e m á n t i c o , el de u n l i b r e e n c a d e n a m i e n t o .
Fue e l p r i m e r d e s c u b r i m i e n t o de F r e u d : la memoria es discontinua.

^ M . H a l b w a c h s [ 1 9 2 6 ] , Los marcos sociales de la memoria, t r a d . d e M . Raeza y M . M u j i c a ,


B a r c e l o n a , A n t h r o p o s , 2 0 0 4 y [ 1 9 5 0 ] La mémoire collecüve, París, A l b í n M i c h e l , 1997.
G . P e r e c , La vie mode d'emploi, P a r í s , H a c h e t t e , 1978. F a s c i n a n t e e i m p r e s c i n d i b l e
i l u s t r a c i ó n d e esta m e t á f o r a d e l r o m p e c a b e z a s . ( V é a s e infra, cap. 10.) [/.a vida instruc-
ciones de uso, B a r c e l o n a , A n a g r a m a , 1992. T r a d . d e J. E s c u é ] .
^ M . P r o u s t , A la recherche du temps perdu, P a r í s , G a l l i m a r d , L a P l é i a d e , v o l . i i i , p p .
880 y 890.
LOS PAPELES ÍNFIMOS 13

E l sujeto está d i v i d i d o , es múltiple; e n t r e sus partes c o m o e n t r e sus re-


c u e r d o s hay f r o n t e r a s inestables, s i e m p r e e n l i t i g i o . A n t e s , u n p r e c u r -
sor ya h a b í a p r e s e n t i d o la i m p o s i b i l i d a d de la e m p r e s a a u t o b i o g r á f i c a .
Goethe,^ e n los albores d e l r o m a n t i c i s m o , c o m p r e n d í a la d i f i c u l t a d e n
e l m o m e n t o de i n i c i a r el r e l a t o de su v i d a .

E l p r i n c i p a l d e b e r d e t o d a b i o g r a f í a p a r e c e ser el d e r e p r e s e n t a r a los h o m -
b r e s e n l a s c i r c u n s t a n c i a s d e s u é p o c a [ . . . ] P e r o , a t a l fin, se requiere algo inase-
quible, a s a b e r : q u e e l i n d i v i d u o se c o n o z c a a sí p r o p i o y a s u s i g l o ; a s í p r o p i o
e n c u a n t o se h a y a m a n t e n i d o é l m i s m o e n t o d a s l a s c i r c u n s t a n c i a s , y a l s i g l o
c o m o a l g o q u e c o n s i g o a r r a s t r a al q u e q u i e r e y al q u e n o q u i e r e , y l o d e t e r m i -
n a y l o f o r m a . . . (cursivas m í a s ) .

C o n F r e u d y c o n Proust y c o n V i r g i n i a W o o l f y c o n los d e m á s a u t o -
res q u e i r e m o s revisando h e m o s c o n f i r m a d o ese "inasequible" : a na-
d i e le cabe el p r i v i l e g i o de mantenerse siendo e l m i s m o a l o l a r g o d e l
t i e m p o , n a d i e p o d r í a e x p o n e r p l e n a m e n t e al y o y a sus circunstancias.
L a m e m o r i a está desgarrada p o r l o i m p o s i b l e de recordar, p o r l o q u e
f u e consciente y sabido e n su m o m e n t o p e r o n o p u d o ser a s i m i l a d o
p o r e l sujeto y q u e d ó separado de la u r d i m b r e , d e l t e j i d o ( t e x t o ) de
sus evocaciones. Eso q u e n o e m p a l m a ( q u e n o " e m b o n a " ) ^ e n el r e l a t o
de l a v i d a es el " t r a u m a " ; la m e m o r i a de peripecias que n o c o n c i l l a n
c o n l o q u e u n o p u d i e r a l l a m a r " p r o p i o " . L a m e m o r i a es e g o c é n t r i c a y
p r e t e n d e ser a u t ó n o m a . C u a n d o a d v e r t i m o s l o q u e r e a l m e n t e sucedió,
d i f e r e n t e de l o q u e h u b i é r a m o s q u e r i d o , l o sentimos c o m o " a j e n o " y,
l l e g a d o e l m o m e n t o , d i r e m o s q u e l o h a b í a m o s o l v i d a d o . Hasta F r e u d ,
el o l v i d o era u n a excusa válida, u n a m a n i f e s t a c i ó n de i n o c e n c i a . Des-
pués de F r e u d u n o tiene q u e justificarse y d a r explicaciones p o r l o q u e
n o r e c u e r d a pues sospechamos que el o l v i d o tiene razones y p o r eso
p u e d e ser c u l p a b l e, q u e l a amnesia es la h u e l l a de u n c o n f l i c t o y q u e
la m e m o r i a es u n a sirvienta i n f i e l : m u c h a s veces sirve c o m o coartada,
c o m o " e n c u b r i m i e n t o " de l o q u e u n o p r e f i e r e n o saber. C o n fingida
s i n c e r i d a d , dice que guarda l o q u e e n v e r d a d h a inventado,

J. W . v o n G o e t h e [ 1 8 1 1 ] , De mi vida. Poesía y verdad, e n Obras completas, M a d r i d ,


A g u i l a r , 1958, t o m o i i , p . 1459. T r a d . d e R. C a n s i n o s Assens.
^ " E m b o n a r " es u n p r e c i o s o m e x i c a n i s m o . Se r e l a c i o n a ( p a r a n u e s t r a sorpresa y
p a r a alegría d e l fantasma de Georges Perec) c o n el a r m a d o de rompecabezas, d o n d e
las piezas d e b e n " e m b o n a r " sin f o r z a r s u a r t i c u l a c i ó n .
14 LOS PAPELES ÍNFIMOS

Blanchot^ destaca la i m p o r t a n c i a d e l o l v i d o c o m o t r o n c o d e l cual


b r o t a n las ramas de los r e c u e r d o s . D e l m i s m o m o d o h u b i e r a p o d i d o
d e c i r q u e l a m e m o r i a es u n a c o l u m n a h u e c a q u e se c o n s t r u y e e n tor-
n o de u n vacío c e n t r a l h e c h o de o l v i d o y rechazo:

A n t e t o d o olvidar: acordarse de t o d o c o m o p o r olvido. H a y u n p u n t o pro-


f u n d a m e n t e o l v i d a d o d e d o n d e i r r a d i a t o d o r e c u e r d o . T o d o se e x a l t a e n m e -
m o r i a a p a r t i r d e a l g o q u e se o l v i d a , d e t a l l e í n f i m o , fisura minúscula donde
c o m p l e t a m e n t e t o d o pasa.

LJn p r e j u i c i o i n t u i t i v o nos c o n v e n c e de q u e el r e c u e r d o p u e d e
"estar e n la m e m o r i a " o "perderse e n e l o l v i d o " . N a d a más falso: el
o l v i d o es p a r t e i n t e g r a n t e , m a r c o y n ú c l e o d e l r e c u e r d o , razón de la
m e m o r i a . Es c o m o l a m u e r t e : p e r t e n e c e a la v i d a y es su esencia. E l
a f o r i s m o de B i c h a t (1771-1802): " L a v i d a es el c o n j u n t o de tendencias
q u e resisten a la m u e r t e " es i l u m i n a d o r . Si a l g u n a vez se h a b l ó de vida-
muerte p a r a p o n e r e n d u d a la o p o s i c i ó n e n t r e ambas y subrayar su ne-
cesaria c o n t i n u i d a d , a h o r a p o d r í a m o s h a b l a r de memolvidoy p r o p o n e r
l a r i g u r o s a a n a l o g í a e n t r e ambas palabras compuestas d i c i e n d o : " L a
m e m o r i a es e l c o n j u n t o de tendencias q u e resisten al o l v i d o . " Si hay
p u l s i o n e s de v i d a q u e p r e t e n d e n conservar al sujeto a l r e d e d o r de u n
saber i n d i v i d u a l y c o l e c t i v o q u e le p e r m i t e n perseverar e n el ser, hay
t a m b i é n u n a c o n s t a n t e f u e r z a disociativa q u e a n i m a u n m o v i m i e n t o
h a c i a l o i n a n i m a d o , h a c i a la b o r r a d u r a de todas las d i f e r e n c i a s , hacia
el o l v i d o n e c e s a r i o q u e t r a e n las n o c h e s d e l d o r m i r y e l m o r i r . H a y
poderosas p u l s i o n e s tras e l r e c u e r d o y t a m b i é n tras su " o b l i t e r a c i ó n "
{oublitération—inventaríamos u n f r a n c o n e o l o g i s m o sin f a l t a r l e el de-
b i d o respet o a l a diosa E t i m o l o g í a , m e d i o h e r m a n a de M n e m o s y n e ,
diosa de la m e m o r i a y m a d r e de las musas).
P o r l o d e m á s , ¿ c ó m o p o d r í a subsistir u n r e c u e r d o si n o es p o r el
o l v i d o q u e él i n t e g r a y p o r el o l v i d o q u e hay e n su d e r r e d o r ? V l a d i m i r
N a b ó k o v se p i e r d e e n la i n m e n s i d a d a b i e r t a p o r u n m í n i m o r e c u e r d o :
" ¡ Q i i é p e q u e ñ o es e l cosmos ( c a b r í a e n el m a r s u p i o de u n c a n g u r o ) ,
q u é m e z q u i n o e i n s i g n i f i c a n t e e n c o m p a r a c i ó n c o n la c o n c i e n c i a h u -
m a n a , c o n u n solo r e c u e r d o i n d i v i d u a l y su e x p r e s i ó n e n palabras."^

^ M . B l a n c h o t , El último hombre, M a d r i d , A r e n a L i b r o s , 2 0 0 1 , p . 94.


^ V . ' N a b ó k o v [ 1 9 4 7 ] , ¡Habla, memoria!, M é x i c o , Edivisión, 1992, p . 25. T r a d . d e A n -
gélika Scherp, corregida.
LOS PAPELES ÍNFIMOS 15

L o " i n a s e q u i b l e " q u e G o e t h e confesaba d e p e n d e de la i m p o s i b i l i d a d


de " c o n t a r de veras u n a h i s t o r i a " i n d i c a d a p o r D e r r i d a , ' " de la luz
n e g r a de la q u e i r r a d i a t o d o r e c u e r d o de B l a n c h o t , de la i m p o s i b i l i -
d a d de p o n e r a h a b l a r a la m e m o r i a , la de N a b ó k o v y la de todos los
d e m á s , de la i n c a p a c i d a d d e l l e n g u a j e p a r a a p r e h e n d e r l o r e a l q u e
está e n e l c e n t r o de la más í n f i m a e x p e r i e n c i a según l o d e n u n c i a r a
L o r d C h a n d o s e n su carta a p ó c r i f a a R o g e r B a c o n . " E l r e l a t o está
c o n d e n a d o al fracaso; p o r eso, p o r desafiante, es t e n t a d o r . Q u i e n e s se
p r e o c u p a n p o r la subjetividad—cosa tal vez n o m u y f r e c u e n t e e n nues-
tros t i e m p o s consagrados a la objetividad— se e m p e ñ a n e n u n a tarea
de Sísifo, la de dar c u e n t a de sus m e m o r i a s p a r a sí y p a r a los otros. Es
evidente q u e gozan e n la e m p r e s a a u t o b i o g r á f i c a ; sólo así se e n t i e n d e
q u e se consagre n a l o i m p o s i b l e , estremecidos p o r las e m o c i o n e s de
salir a la caza de recuerdos , s i n t i e n d o la f r u i c i ó n de aventurarse e n u n
t e r r e n o d o n d e sólo ellos p u e d e n p e n e t r a r , excitados p o r los desafíos
espirituales de escoger las palabras al c a m b i a r l o q u e d a n a ver y l o
q u e o c u l t a n c o n la s i m p l e sustitución de u n a d j e t i v o p o r o t r o , atraídos
p o r e l s e ñ u e l o de la mistificación y cayendo e n él, s u p o n i e n d o —cosa
n o d e m o s t r a d a — q u e es b u e n o c o n o c e r y t r a n s m i t i r la e x p e r i e n c i a
pasada. P r e t e n d i e n d o sobrevivir a la c o n s a b i d a m u e r t e d e l yo. G é n e r o
p o r d e m á s sospechoso: "—Pasen y o i g a n , señoras y s e ñ o r e s , el apasio-
n a n t e r e l a t o de c ó m o llegué a ser q u i e n soy." S e r á e l t e m a de n u e s t r o
último capítulo.
H a y u n a p a r a d o j a e n e l f u n c i o n a m i e n t o de la m e m o r i a , e n t e n d i d a
c o m o c a p a c i d a d de conservar l a c o n c i e n c i a de algo q u e f u e y ya n o
es bajo la f o r m a de u n r e c u e r d o , c o m o a f i r m a c i ó n de u n c i e r t o saber
sobre algo v i v i d o , visto u o í d o e n e l pasado. Se a p r e c i a m e j o r c u a n d o
el e p i s o d i o e n cuestión result a d o l o r o s o o v e r g o n z o s o . U n o llega a
r e c o r d a r . . . a pesar de u n o m i s m o . E l r e c u e r d o regresa e s p e c t r a l m e n -
te y c o n él l a cauda de d o l o r y vergüenza. Para e v i t a r l o , l a c o n c i e n c i a
i n t e n t a apartarse de este h u é s p e d p o c o apetecible, de este i n t r u s o , y

" N u n c a supe c o n t a r u n a h i s t o r i a . Y c o m o a m o m á s q u e n a d a l a r e c o r d a c i ó n y l a
M e m o r i a — M n e m o s y n e — s i e m p r e h e s e n t i d o esta i n c a p a c i d a d c o m o u n a triste fla-
q u e z a [ . . . ] ¿ P o r q u é n o r e c i b í este d o n ? A p a r t i r d e esta q u e j a , p r o b a b l e m e n t e p a r a
p r o t e g e r m e a n t e ella, u n a sospecha s u r g e s i e m p r e e n m i p e n s a m i e n t o : ¿ q u i é n p u e d e
d e veras c o n t a r u n a h i s t o r i a ? ¿Es p o s i b l e e l n a r r a r ? " J. D e r r i d a , Memorias para Paul de
Man, B a r c e l o n a , Gedisa, 1989, p p . 17 y 25. T r a d . d e C. G a r d i n i .
" H . v o n H o f f m a n s t h a l [ 1 9 0 3 ] , La carta de Lord Chandos, M é x i c o , F C E , 1983. T r a d .
d e j . García Terrés.
16 LOS PAPELES ÍNFIMOS

a veces, n o s i e m p r e , c o n s i g u e d i s f r a z a r lo y hasta " o l v i d a r l o " . E l a n t i -


p á t i c o h a b i t a n t e d e l espíritu es c o n d e n a d o al ostracismo. L a m e m o r i a
n o q u i e r e saber d e l r e c u e r d o q u e asusta o estorba. C u a n d o p u e d e ,
si p u e d e , l o a g u a n t a . Si n o p u e d e , se hace víctima (¿y c ó m p l i c e ? ) de
sus embates. Algún día nos e n c o n t r a r e m o s de f r e n t e c o n el "goce d e l
recuerdo doloroso".
D e t o d o s m o d o s u n o sabe y sabe b i e n l o q u e ha d e s t e r r a d o , u n o
p r e f i e r e " n o m e n t a r la soga e n casa d e l a h o r c a d o " ( q u e result a ser
u n o m i s m o ) y escapa c o n angustia de a q u e l l o q u e evoca el a n t i g u o d o -
lor. O allí se r e f u g i a . B i e n sabemos q u e el displacer e v i t a do al p r e c i o
de la r e p r e s i ó n regresa bajo la f o r m a de "síntomas" , de m o n u m e n t o s
c o n m e m o r a t i v o s de la h e r i d a . Así, m a l o si u n o se a c u e r d a ( p o r q u e
s u f r e ) , m a l o si u n o se o l v i d a ( p o r q u e , de o t r a m a n e r a , t a m b i é n s u f r e ) .
L o q u e d u e l e n o es la c o n c i e n c i a ; d u e l e n l o real d e l g o l p e y de las
m a t a d u r a s q u e d e j ó . D u e l e n , sí, los r e c u e r d o s , p e r o d e b e m o s reco-
n o c e r q u e e n ellos se o c u l t a o t r a r e a l i d a d : l a d e l goce p e c a m i n o s o y
trasgresor. H a b e r s u f r i d o — y r e c o r d a r l o — es u n m é r i t o q u e aspira
a ser r e c o m p e n s a d o . E l m á r t i r es u n acreedor. Las palmas a b r e n las
puertas d e l paraíso.

2. M E M E N T O . E L S U J E T O D E L A ANUNCIACIÓN

F r e u d e n u n p r i n c i p i o c o n f i a b a — d e m a s i a d o , según a m u c h o s nos pa-


r e c e — e n q u e la r e c u p e r a c i ó n de los r e c u e r d o s olvidados , el levanta-
m i e n t o d e l a r e p r e s i ó n y l a s u p e r a c i ó n de l a amnesia i n f a n t i l , servirían
p a r a " c u r a r " al sujeto. Para él, e n ese t i e m p o i n i c i a l d e l psicoanálisis,
l a n e u r o s i s (la h i s t e r i a e n p a r t i c u l a r ) significaba q u e e l sujeto "sufría
de r e m i n i s c e n c i a s " y el t r a t a m i e n t o analítico era u n r e c u r s o p a r a la re-
pesca de los r e c u e r d o s expulsados de la c o n c i e n c i a . P o r eso le p a r e c í a
n e c e s a r i o " r e m e n d a r " l a m e m o r i a , crear c o n d i c i o n e s favorables p a r a
la r e m e m o r a c i ó n y p a r a superar las resistencias al r e c u e r d o . L a m e t a
i n i c i a l d e l psicoanálisis era "hacer consciente l o i n c o n s c i e n t e " e n e l
seno d e la sesión, bajo las c o n d i c i o n e s favorables q u e se crean c u a n d o
e l sujeto está " e n t r a n s f e r e n c i a " c o n u n personaje de q u i e n sabe q u e
n o p o d r á n v e n i r l e n i e n j u i c i a m i e n t o s n i i n d i s c r e c i o n e s . " A h o r a , aquí,
c o n i n i g o , puedes atreverte a r e c o r d a r ; es más, ése es m i deseo y desde
él e n u n c i o p a r a t i u n i m p e r a t i v o : ¡Haz m e m o r i a ! " Es l o q u e parece
p r o p o n e r el analista al analizante c u a n d o l o i n t i m a a d e c i r c u a n t o
LOS PAPELES ÍNFIMOS 17

le venga a la m e n t e . " M e n t e " q u e , e n la a n t i g ü e d a d , y m u y p a r t i c u -


l a r m e n t e e n D a n t e , era apenas u n s i n ó n i m o de " m e m o r i a " . ' ^ N o e n
balde persiste esa r e l a c i ó n e n la l e n g u a i t a l i a n a d o n d e " o l v i d a r " es
dimenticare, desmenuzar dirigimos, si nos atreviésemos — ¿ p o r q u é n o ? —
a i n v e n t a r u n n e o l o g i s m o e n n u e s t r a p r o p i a l e n g u a . L a amnesia es,
antes a u n d e l p o p u l a r i n v e n t o d e l A l z h e i m e r , u n rasgo d i s t i n t i v o de
la " d e m e n c i a " . E n t i e m p o s r e m o t o s el h o g a r de la m e m o r i a era el ór-
g a n o c o r d i a l . Por eso, conservar algo e n ella es " r e c o r d a r " ( e n el cor).
E n i t a l i a n o , a n t ó n i m o de ricordare, es scordare y e l r e f l e x i v o scordarsi
(aria de M o z a r t I K . 5 0 5 ] : Chio mi scordi di ie?), o sea, dejar f u e r a d e l
corazón.
"¡Haz m e m o r i a ! " es, e n latín, u n i m p e r a t i v o q u e se condens a e n
u n solo significant e memento. L a f o r m a m á s usual de esta receta es
''memento morí' ( a c u é r d a t e de la m u e r t e ) q u e nos r e c u e r d a u n a de las
grandes lecciones q u e nos e n s e ñ a M n e m o s y n e , h i j a de Gea y U r a n o ,
d e l cielo y de la t i e r r a . U n a l e c c i ó n q u e t e n d e m o s a o l v i d a r : la m e m o -
r i a n o p r o c e d e desde el pasado, c o m o i n g e n u a m e n t e creemos, sino
desde e l f u t u r o . L o q u e n o se p u e d e o l v i d a r es el f u t u r o desde e l cua l
t o d o r e c u e r d o t o m a r á su s e n t i d o o se develará c o m o p r i v a d o de él.
L a m u e r t e , p o r ser sabida y p r e s e n t i d a , disuelve a la m e m o r i a p o r
a d e l a n t a d o y le m a r c a su d e s t i n o de o l v i d o . C o m o e l r i c o a su f o r t u n a ,
n a d i e deja este m u n d o llevándose sus r e c u e r d o s , su e x p e r i e n c i a , su
a c u m u l a d o saber.
E n u n r e c u e r d o n a r r a d o la lingüística y también e l psicoanálisis
h a n d i s t i n g u i d o al sujeto del enunciado ( g e n e r a l m e n t e **yo", de a l g u i e n
que h a b l a e n el presente y evoca u n a e x p e r i e n c i a previa) y al sujeto de
la enunciación, falsa e i n c o m p l e t a m e n t e representado p o r el '*yo" d e l
e n u n c i a d o , que sabe de la d i f i c u l t a d p a r a c i r c u n s c r i b i r c u a l q u i e r re-
c u e r d o y de las necesarias falsificaciones q u e ese r e c u e r d o debe sufrir
para ser apalabrado y t r a n s m i t i d o a o t r o e n u n a i r r e p e t i b l e e x p e r i e n c i a
de diálogo. Esta distinción esencial e n t r e enundadoy enunciación iiic\u.yG
también, entre u n o y o t r o , al sujetó del inconsciente como m é d u l a d e l dis-
curso, pues el sujeto, h a b l a n d o , n o sabe l o q u e dice y dice siempre más
de l o q u e él cree. N o m e d e t e n d r é e n estos conceptos q u e p e r t e n e c e n
a la lingüística d e l discurso. Hay, sin e m b a r g o , u n tercer sujeto q u e sí
quisiera agregar a ese par de opuestos c o m p l e m e n t a r i o s , los sujetos d e l

H . W e i n r i c h , Lete, arte e critica delloblio, B o l o n i a , I I M u l i n o , 1999, p . 9. T r a d . d e F.


Rigotti.
18 LOS PAPF.LES ÍNFIMOS

e n u n c i a d o y de la e n u n c i a c i ó n . 1 .o llamaré el sujeto de la anunciación^'' el


q u e h a b l a a p a r t i r de su m u e r t e p r e s e n t i d a, hecha presente, a n t i c i p a d a
e n la r e l a c i ó n c o n el fantasma d e l o t r o al q u e destina su palabra o su
escrito r e f e r i d os a ese pasado "inase<:|uible" d e l q u e a r r a n c a la a u t o b i o -
grafía de G o e t h e . E l sujeto de la a n u n c i a c i ó n "realiza" su m e m o r i a al ar-
t i c u l a r l a e n u n discurso, al e x h i b i r l a e n u n a e x p e r i e n c i a dialéctica que
n o r e p r o d u c e n i r e p i t e el pasado vivido sino que l o constituye c o m o
pasado al h i s t o r i z a r l o ante u n oyente. E l r e c u e r d o es c o n s t r u i d o desde
e l f u t u r o q u e le aguarda. L a vida {bios) se edifica c o m o u n a narración
{grafía — y t a m b i é n fonía) de sí m i s m o (auto), es \ Bildungsroman y
la n o v e l a {román) n o e n u n c i a la v e r d a d sino que la ofrece al trabajo
de la d e s c o n s t r u c c i ó n , a la erosión disolvente d e l yo y sus pretensiones
trascendentales q u e acabará p o r r e d u c i r el p e ñ a s c o biográfic o hasta los
p u l v e r u l e n t o s granos de arena d e l ser... antes de a r r o j a r l o a la disemi-
n a c i ó n final de la amnesia. Somos u n a m e m o r i a consciente d e l i n e x o -
rable d e s t i no de su trayecto: el o l v i d o .
¿ C ó m o p o d r í a m o s c o n o c e r u n r e c u e r d o si n o fuese p o r q u e hay al-
g u i e n q u e nos l o cuenta? ¿ C ó m o p o d r í a m o s t e n e r l o n o s o t r o s m i s m o s
si n o fuese p o r q u e o t r o hay q u e lo escucha y l o r u b r i c a c o n su a c u e r d o
o su i n c r e d u l i d a d ? L a m e m o r i a es víncul o social. Es u n a d e m a n d a
d i r i g i d a a u n d e s t i n a t a r i o . N o se g a r a n t i z a a sí m i s m a .
R e c o r d a r es re-presentar. Es atrapar u n a ausencia y volver a hacerla
presente al c o n t a r l a o c o n t á r n o s l a a nosotros mismos e n n u e s t r o "fue-
r o i n t e r n o " . Representación e n el s e n t i d o teatral de la p a l a b r a , u n a perfor-
mance i m i c a o r e p e t i d a , p e r o s i e m p r e d i s t i n t a y v o l u b l e , s o m e t i d a a los
c a p r i c h o s de los intérpretes. Representación diplomática, e m b a j a d o r a d e
u n a a u t o r i d a d lejana, n u n c i o d e l pasado q u e h a b l a e n r e p r e s e n t a c i ó n
d e l f u t u r o . N a d i e i g n o r a que n u e s t r a v i d a a n í m i c a está h e c h a p o r e l
j u e g o de las representaciones (Vorstellungen) y que la ausencia es la c o n -
d i c i ó n de l a re-presentación, t a n t o c u a n d o se trata de palabras c o m o
de cosas. ¿ Q u é o t r a cosa, si n o re-presentació n (de u n a s o m b r a del pa-
sado, e n u n escenario, secreta e m b a j a d o r a ) , p u e d e ser la m e m o r i a ?
E n los siguientes capítulos a l u d i r e m o s a las relaciones e n t r a ñ a b l e s
y los e q u í v o c o s q u e s i e m p r e e x i s t i e r o n e n t r e la l i t e r a t u r a , la filosofía,
l a h i s t o r i a , e l psicoanálisis y a h o r a t a m b i é n la n e u r o f i s i o l o g í a c o n res-
p e c t o a l a f u n c i ó n de la m e m o r i a y su c o r r e l a t o , el o l v i d o . T e n d r e m o s

U s o l a p a l a b r a " a n u n c i a c i ó n " e n su s e n t i d o f u e r t e {AveMaría, gratia plena, Dominus


tecum), e l q u e i n d i c a u n a p r o m e s a , u n p r e s a g i o m e s i á n i c o . V o l v e r e m o s s o b r e e l l o .
LOS PAPELES ÍNFIMOS 19

q u e c o m e n z a r p o r r e c o n o c e r el h e c h o , e v i d e n t e p a r a todos, de q u e el
s u e ñ o es tan sólo la m e m o r i a q u e viene e n e l día de l o s o ñ a d o e n la
n o c h e y d a r e m o s su peso al f e n ó m e n o u n i v e r s a l d e l o l v i d o de s u e ñ o s
y promesas. P o r q u e , sí, sin d u d a , el o l v i d o pesa. P o r q u e "es absoluta-
m e n t e i m p o s i b l e vivir sin olvidar."''*
L a m e m o r i a , q u e b r a d i z a c o l u m n a r o d e a d a de o l v i d o p o r d e n t r o y
p o r f u e r a , es la vida m i s m a , i n c l u s o si la d e f i n i m o s e n t é r m i n o s evo-
lucionistas. Cada o r g a n i s m o y t o d o e n el o r g a n i s m o , es m e m o r i a dar-
w i n i a n a — ¿ q u é , si no? E s c r i b i m o s esta c o n c l u s i ó n y de i n m e d i a t o nos
asalta l a sensación de q u e n u e s t r o t e m a nos invade al p u n t o de llegar
a sofocarnos. Si t o d a m a t e r i a es m e m o r i a (valgan los ecos bergsonia-
n o s ) , si t o d o l o psíquico — e n t a n t o q u e j u e g o de r e p r e s e n t a c i o n e s —
es m e m o r i a , si t o d o es h i s t o r i a , si la m e m o r i a m i s m a viene desde el
f u t u r o , si todas nuestras obras son heredera s de M n e m o s y n e ( m a d r e
de las musas), entonces nos e n c o n t r a m o s ante u n significant e q u e
p r o l i f e r a sin límites y q u e , p o r ser o m n i p r e s e n t e , p i e r d e significación.
Las disciplinas q u e h e m o s i n v o c a d o h a b l a n de la m e m o r i a y o r d e n a n
a la m e m o r i a q u e hable ( c o m o N a b ó k o v : Speak, memoryí) p e r o ¿ha-
b l a n de l o mismo? N o s i n v a d e la sospecha de q u e esta h o m o n i m i a
c o n f u n d e , p r o d u c e u n p u n t o ciego e n los e x p l o r a d o r e s d e l pasado.
E n otras palabras, que la homonimia no es sinonimia, q u e la m e m o r i a n o
es h o m o g é n e a , q u e hace f a l t a disecarla e n los d i f e r e n t e s discursos y
calcular su valor c o n c e p t u a l y lingüístico r e c o n o c i e n d o los múltiples
"juegos de l e n g u a j e " e n los q u e se u t i l i z a e l m i s m o vocablo. L a m e -
m o r i a es u n a pieza q u e asume m i l rostros, q u e desbarata los r o m p e -
cabezas de nuestras especulaciones a m e d i d a q u e los vamos a r m a n d o .
L a m e m o r i a de los filósofos b i e n p u d i e r a no ser — s e g u r a m e n t e no
es— la m e m o r i a de los b i ó l o g o s de la m e n t e o la de quienes evocan
sus r e c u e r d o s personales o l a de los h i s t o r i a d o r e s . Más aún, cada u n o
de esos g r u p o s de profesionales de "la m e m o r i a " a d m i t e la p o l i s e m i a
d e l s i g n i f i c a n te e n su p r o p i o c a m p o y la r o d e a de epítetos. Si vamos a
evocar n o m b r e s p r o p i o s —cosa q u e de a p o c o i r e m o s h a c i e n d o — la
r e m i n i s c e n c i a p l a t ó n i c a n o es la mneme aristotélica, n i l a h e r m a n a de
la i m a g i n a c i ó n hobbesiana, n i la h a c e d o r a de la i d e n t i d a d lockeana ,
n i la Gedachtnis hegeliana, n i la m e m o r i a d a r w i n i a n a d e l pasado de
la especie, n i e l r e c u e r d o b e r g s o n i a n o , n i l a m e m o r i a i n c o n s c i e n t e

F. N i e t z s c h e [ 1 8 7 4 ] , Seconde considération imtempestive, t r a d . d e H . A l b e r t , P a r í s ,


F l a m m a r i o n , 1988, p . 78.
20 LOS PAPELES ÍNFIMOS

f r e u d i a n a , n i la m e m o r i a i n v o l u n t a r i a p r o u s t i a n a , n i la c o m p l e m e n -
t a r i e d a d e n t r e c o d i f i c a c i ó n y r e c u p e r a c i ó n {encodingy retrieva!) de los
fisiólogos cognitivistas, n i la m e m o r i a a u t o b i o g r á f i c a de los escritores
q u e l l e g a n a c r e e r q u e son ellos m i s m o s los personajes a los q u e crean
y a los q u e h a c e n h a b l a r c o m o " y o " . S i g n i f i c a n t e , sólo u n o : " m e m o -
r i a " ; significados, m i l y u n o .
Así c o m o señalamos la i n c o m p a t i b i l i d a d de tantas " m e m o r i a s " y d i -
solvemos el semblante m o n o l í t i c o de la h o m o n i m i a , creemos válido el
i n t e n t o de a r t i c u l a r los parentescos e n t r e tantos conceptos. N u e s t r o
m é t o d o será e l de r e f l e x i o n a r sobre la teoría de la m e m o r i a y d e l o l -
v i d o y de l a represión a p a r t i r de los sospechosos testimonios (¿qué
t e s t i m o n i o n o es sospechoso?) de autores q u e e s c r i b i e r o n sus p r i m e r o s
r e c u e r d o s para p o n e r a p r u e b a dos hipótesis, la p r i m e r a , f r e u d i a n a ,
sobre la i m p o r t a n c i a sustantiva d e l p r i m e r r e c u e r d o e n la vida de u n ser
h u m a n o y la segunda cortazariana, t o m a d a a p a r t i r de u n texto p o c o
d i f u n d i d o d e l autor,'^ de d o n d e deriva el titulo q u e h e m o s a d o p t a d o :
Memoria y espanto.
Precisemos n u e s t r o m é t o d o . T e n e m o s u n m a t e r i a l : la l e t r a escrita
c o m o t e s t i m o n i o de la m e m o r i a . F o r m u l e m o s dos suposiciones: u n a ,
q u e esa e s c r i t u r a d e l p r i m e r r e c u e r d o está i m p r e g n a d a p o r e l deseo d e l
n a r r a d o r q u e se revela e n sus intersticios; dos, q u e esa evocación i n f a n -
t i l está de algún m o d o , f a n t a s m á t i c a m e n t e , presente e n la o b r a e n t e r a
d e l autor. Q u e las letras hayan l l e g a d o hasta nosotros i m p l i c a que son
cartas {letters, ¿ettres, Briefé) pues " u n a carta llega s i e m p re a su destino."^^
¿ P o r q u é esta a f i r m a c i ó n, de a p a r i e n c i a p e r e g r i n a , pues todos sabemos
de cartas p e r d i d a s, de e-mails q u e q u e d a n flotando e n el ciberespacio?
P o r q u e sólo c u a n d o l l e g a n al d e s t i n a t a r i o , i n c l u s o e q u i v o c a d o , es q u e
ellas son cartas; n o antes. ¿ Q u i é n es el destinatario? E l q u e sabe leerlas,
e l q u e descifra los significantes, el i n t é r p r e t e . E l deseo de la letra-carta
es su i n t e r p r e t a c i ó n . Si n o , escrita n o h u b i e r a sido. Nos c o n c e n t r a r e -
m o s e n breves páginas de distintos autores q u e p o n d r á n a p r u e b a el
insólito dictum de J u l i o Cortázar: la memoria empieza en el terror.
H a y u n a p e c u l i a r i d a d c o m ú n al c o n j u n t o de los textos q u e discuti-
r e m o s : son r e c u e r d o s t e m p r a n o s escritos décadas despué s d e l suceso

^^
' V é a s e e p í g r a f e . U n a p r i m e r a v e r s i ó n d e l análisis y d i s c u s i ó n d e la tesis d e C o r t á z a r
a p a r e c i ó c o n el título " U n r e c u e r d o i n f a n t i l d e J u l i o C o r t á z a r " , e n N . A . B r a u n s t e i n ,
Ficdonario de psicoanálisis, M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 1 , p p . 1-6.
J . L a c a n [ 1 9 5 4 ] , " L e S é m i n a i r e s u r La lettre volee", Ecrits, S e u i l , P a r í s , 1966, p . 4 1
[EscHtos 1, M é x i c o , S i g l o X X I , 1984, p . 3 5 ] .
LOS PAPELES ÍNFIMOS 21

al q u e a l u d e n p o r autores significadvos e n el c a m p o de la c r e a c i ó n
l i t e r a r i a o de la psicología. Mas los textos q u e revisaremos n o se c o n -
sideran " i m p o r t a n t e s " e n l o q u e se c o n o c e c o m o "la o b r a " de sus na-
r r a d o r e s . Son, las más de las veces, p r ó f u g o s d e l v o l u m e n de las Obras
completas. Más b i e n son p á r r a f o s desechados, notas al p i e de página,
m e t e o r i t o s d e l r e c u e r d o , cartas q u e p u d i e r o n haberse " p e r d i d o " o
q u e estaban destinadas a la d e s t r u c c i ó n , expresiones surgidas acci-
d e n t a l m e n t e en el f r a g o r de u n a entrevista periodístic a o televisada,
" c u a d e r n o s " ( c o m o los de Valéry, de los q u e no nos o c u p a r e m o s ) es-
critos c o n n o c t u r n i d a d y escalamiento, breves bocetos q u e h a l l a r o n su
c a m i n o hacia u n s u p l e m e n t o c u l t u r a l de algún d i a r i o , evocaciones casi
azarosas e n m e d i o de u n a a u t o b i o g r a f í a . E n suma, n o son textos tras-
cendentales; son, c o m o los l l a m a b a L a c a n e n u n t e x t o de 1958 ( q u e
p o c o h a sido l e í d o y m e n o s c o m e n t a d o ) ^"des petits papiers"}'^ T o m á s
Segovia t r a d u c e ( m a l ) al e s p a ñ o l "papeles í n t i m o s " . E s o s " p a p e l i t o s "
n o son í n t i m o s sino, más b i e n , í n f i m o s , "¿'n^mo5 papeles". L a c a n e n ese
a ñ o (1958) estaba e l a b o r a n d o el c o n c e p t o q u e él c o n s i d e r a ba su ma-
y o r i n v e n c i ó n : el objeto a minúscula, petit a. U n resto, u n r e s i d u o de la
o p e r a c i ó n s i g n i f i c a n t e , u n cach o de garabatos a l r e d e d o r d e l cua l d a n -
zan los personajes de u n a a c c i ó n , c o m o sucede c o n "la carta r o b a d a "
q u e el M i n i s t r o d e l c u e n t o de Poe h a d e j a d o e n e l l u g a r m á s visible de
su estancia p a r a q u e n a d i e p u e d a e n c o n t r a r l a y allí p e r m a n e c e hasta
q u e la audacia y el i n g e n i o de M . D u p i n la descubre y la devuelve a la
r e i n a . E n c o n t r a r la carta y hacer q u e c o m p l e t e su t r a y e c t o r i a l l e g a d o
a d e s t i n o es trabajo de detectives. Infimos papeles serán los i n d i c i o s q u e
fungirán c o m o pruebas en nuestra indagación.
U n accidente buscado, p a r i e n t e l e j a n o d e l azar c o m o la mayorí a de
los accidentes, nos h a c o n d u c i d o u n a y o t r a vez hacia estos restos de
escrituras a p a r t i r d e l p r i m e r o , e l de Cortázar. L u e g o , s i g u i e n d o esa
pista, h e m o s e n c o n t r a d o la h u e l l a d e l " p r i m e r r e c u e r d o " e n Rajuela,
en la teoría e n t e r a d e l psicoanálisis de F r e u d , e n ciertos sonetos y e n
el c o n j u n t o de la o b r a de Borges i n c l u y e n d o a la ceguera c o m o p a r t e
de la o b r a d e l escritor, e n la " e p i s t e m o l o g í a g e n é t i c a " de Piaget, e n el
p r o y e c t o de "vivir p a r a c o n t a r l a " de G a r c í a M á r q u e z , e n las aventuras
d e l p r i m e r e n c u e n t r o c o n el espejo de notables escritoras, e n l a l e n -

J. Lücan [ 1 9 5 8 ] , 'Jeunesse de G i d e , o u l a l e t t r e e t le désir", Écrits, cit., p . 742 [ e d . Siglo


X X I , p. 719].
E n l a e d i c i ó n e n e s p a ñ o l d e ese ensayo: Escritos 2, c i t . , p . 722.

I
22 LOS PAPELF.S ÍNFIMOS

g u a de C a n e t t i q u e estaba consagrada al m a r t i r i o y fue absuelta, e n la


d i s i m u l a c i ó n d e l h o r r o r de la h i s t o r i a p o r los r e c u e r d o s de Perec, e n
la e t e r n a l u c h a de T o s t o i p o r la l i b e r t a d , e n el b e l l o y o r d e n a d o ca-
t á l o g o de las r e m i n i s c e n c i as de Nabókov, E n todos los casos t o p a m o s
c o n u n a c o n s t a n t e : la m e m o r i a d e l espanto y t a m b i é n e l espanto de
la m e m o r i a .
í n f i m o s papeles c o m o los q u e usó J e a n Delay para e s c r i b i r su n o t a -
b l e p s i c o b i o g r a f í a de los p r i m e r o s v e i n t i c i n c o a ñ o s de l a v i d a de A n -
d r é Gide*'^ ( c u a d e r n o s de l e c t u r a , d i a r i o s í n t i m o s , cartas a la m a d r e ,
agfendas de viaje) q u e e n c u e n t r a n e n Jean Delay, el avezado psiquia-
tra, "su d e s t i n a c i ó n de siempre".^^ T a l h a sido n u e s t r o p r o y e c t o : ha-
c e r n o s los destinatario s y los detectives de los petits papiers sin p r e t e n -
d e r e n c o n t r a r e n ellos nuestras p r o p i a s p r e c o n c e p c i o n e s y p r e j u i c i o s
( p e c a d o o r i g i n a l d e l "psicoanálisis a p l i c a d o " ) , sin sacar d e ellos los
conejos q u e p r e v i a m e n t e h e m o s m e t i d o e n la galera. N u e s t r o o b j e t i v o
— d i r á s tú, l e c t o r sin adjetivos, si l o h e m o s c u m p l i d o — es e l de p r o d u -
c i r u n a significación q u e n o p r e e x i s t í a e n n i n g i ' m cielo inaccesible de
Ideas p u r a s o de M e m o r i a s perfectas. N u n c a o l v i d a r e m o s q u e esos ín-
fimos papeles n o t r a s u n t a n u n a e x p e r i e n c i a vivida e n la i n o c e n c i a d e l
a m a n e c e r de l a v i d a , sino q u e son, ellos t a m b i é n , p r o d u c t o s l i t e r a r i o s .
N o son l a "causa" de la escritura: son u n efecto, u n a m a n i f e s t a c i ó n
d e l deseo y d e l p r o y e c t o l i t e r a r i o . Cada u n o es u n a ficción (poesía,
Dichtung); es p o r eso q u e goza n d e l estatuto de la v e r d a d ( Wahrheit).
L l e g a n hasta n o s o t r o s y p o d e m o s h a c e r n o s sus destinatarios p o r q u e a
n o s o t r o s están d i r i g i d o s . N o son ellos e l accidente; e l a c c i d e n t e somos
n o s o t r o s c u a n d o nos cruzamos e n su trayectoria.

J . D e l a y [ 1 9 5 6 - 1 9 5 7 ] , Theyouth of André Gide, C h i c a g o y L o n d r e s , U n i v . o f C h i c a g o


Press, 1 9 6 3 . T r a d u c i d o a l i n g l é s y r e s u m i d o p o r J u n e G u i c h a r n a u d .
J . L a c a n [ 1 9 5 8 ] , £ m í 5 , c i t . , 1966, p . 744 [ e d . S i g l o X X I , p . 7 2 4 ] .
2
J U L I O CORTÁZAR Y E L G A L L O D E L ESPANTO

1. A C E R C A D E L P R I M E R R E C U E R D O , ¿PIEDRA BASAL D E L SUJETO?

E n c i e r t a o c a s i ó n, f u e r a d e l corpus de su o b r a p u b l i c a d a , J u l i o Cortázar
reveló el p r i m e r e p i s o d i o v i t al q u e d e j ó huellas e n su c o n c i e n c i a . E r a
el b r o t e i n a u g u r a l de la m e m o r i a , la página I , q u e le p e r m i t í a c o m e n -
zar la n a r r a c i ó n de su existencia e n p r i m e r a persona, l a i n s c r i p c i ón
de u n m o m e n t o q u e p a r e c í a n o p r o v e n i r d e l r e l a t o de algún o t r o , el
m i c e l i o d e l yo d e l q u e surgía el h o n g o de la h i s t o r i a i n d i v i d u a l . Valdrá
para nosotro s c o m o m i t o d e l n a c i m i e n t o d e l deseo y de la v o c a c i ó n
del escritor.
N a d i e p o d r á , e n este caso c o m o e n n i n g ú n o t r o , d e c i d i r e n q u é
p r o p o r c i ó n el r e c u e r d o r e s p o n d e a la v e r d a d " o b j e ü v a " de l o q u e pasó
o si es u n a leyenda p e r s o n a l , u n a i n v e n c i ó n " m e r a m e n t e subjetiva", u n
emplasto cicatrizante. L o m á s l ó g i c o es, p o r c i e r t o , q u e ambas h i p ó -
tesis c o n f l u y a n d i v e r g i e n d o , c o m o las dos aguas de u n m i s m o t e c h o ,
c o m o los dos sentidos de u n h o m ó n i m o . Sea c o m o f u e r e — r e p r o d u c -
c i ó n o c o n s t r u c c i ó n , r e m i n i s c e n c i a o m i t o — es s e d u c t o r a la hipótesis
de q u e ese p r i m e r r e c u e r d o p r e f i g u r a y lleva e n sí los g é r m e n e s de la
existencia q u e s o b r e v e n d r á después, q u e es u n a c o n t e c i m i e n t o e n el
que se p o d r á leer r e t r o a c t i v a m e n t e , a p a r t i r de l o q u e e l sujeto llegará
a ser, el sello d e l d e s t i n o . E n m e d i o de l a confusa n a d a de u n a l m a
sin asideros pasaría algo, p e r i p e c i a inesperada, q u e instauraría l a v i d a
y le daría s e n t i d o . ¡Fiat lux!, i m p e r a t i v o f e c u n d a n t e p a r a u n a m e n t e
nueva, a n c l a da de a h í e n m á s e n u n l e c h o seguro.
Es t a m b i é n seductora, a u n q u e arriesgada, la hipótesis de q u e el
r e c u e r d o se o r g a n i z a , n o desde el pasado n i desde el presente sino
desde e l p o r v e n i r : l o que u n o l l e g a a ser n o es e l r e s u l t a d o sino, p o r
el c o n t r a r i o , la causa d e l r e c u e r d o . N o r m a l m e n t e son más confiables
los o r á c u l o s q u e presagian el pasado q u e aquellos q u e a n t i c i p a n el
futuro.
D e t o d o s m o d o s la d u d a , e n sí m i s m a f e c u n d a , subsiste: ¿Fue e n
v e r d a d así o e l r e c u e r d o es u n a p r o d u c c i ó n r e t r o a c t i v a q u e t i e n e e l

[••¿3]
24 JULIO CORTÁZAR

p r o p ó s i t o de r u b r i c a r y c o n f i r m a r u n d e s t i n o ya j u g a d o , tal c o m o es
la n o r m a e n las hagiografi^as, las biografías de santos y h é r o e s , p i c t ó -
ricas de a n é c d o t a s i n f a n t i l e s , q u e m u e s t r a n a esos seres excepcionales
e x h i b i e n d o los a t r i b u t o s maravillosos q u e los distinguirán e n sus vidas
c o m o adultos? L a m e m o r i a n o restituye l o p e r d i d o , l o p r o y e c t a hacia
d e l a n t e . Valéry,^ a h o r r a n d o palabras, d e c í a : " L a m e m o r i a es el p o r v e -
n i r d e l p a s a d o ." Lewis Carroll'^ le hace d e c i r a la r e i n a de corazones
q u e es u n a flaca m e m o r i a a q u e l l a q u e sólo trabaja c u a n d o m i r a al
pasado.
¿ C ó m o u b i c a r el p r i m e r r e c u e r d o e n el t i e m p o y e n el espacio si,
p r e c i s a m e n t e , ese r e c u e r d o es a n t e r i o r a c u a l q u i e r significación? Pa-
rece i m p o s i b l e a m e n o s q u e se l o " e n g a n c h e " e n t r e t e j i é n d o l o c o n re-
c u e r d o s u l t e r i o r e s . "Por algo q u e m e pasó allí m i s m o y a los tantos
a ñ o s , eso t i e n e q u e h a b e r pasado antes, c u a n d o . . . " " S u c e d i ó e n casa
de m i a b u e l o . . . " i m p l i c a q u e después, n e c e s a r i a m e n t e después, se
s u p o la e d a d o q u e ese l u g a r era la casa d e l a b u e l o . N o hay m o m e n t o s
p r i m i g e n i o s ; sólo hay r e c o n s t r u c c i o n e s . Las sospechas se a c u m u l a n
sobre las p r e t e n s i o n e s de o r i g i n a l i d a d , a u t e n t i c i d a d y o r i g i n a r i e d a d .
T o d o c o m i e n z o es u l t e r i o r . E l filme de nuestras vidas ( n u e s t r o p r i m e r
i n t e r r o g a n t e e n esta o b r a ) t i e n e su c o m i e n z o e n todas partes y, p o r
eso m i s m o , e n n i n g u n a . N o hay u n b u e n m o d o de e m p e z a r a proyec-
t a r l o y, p o r ser t o d os malos, c u a l q u i e r a p u e d e ser b u e n o .
P o r o t r a p a r t e , d e b e m o s a d m i t i r q u e el r e c u e r d o n o es u n a f u n c i ó n
i n d i v i d u a l s i n o u n a c o n s t r u c c i ó n colectiva, q u e el O t r o se i n m i s c u y e
s i e m p r e e n él, sea a p o r t a n d o datos, sea c e n s u r a n d o y t o r c i e n d o la
e x a c t i t u d d e l r e l a t o según el v i e n t o de intereses n o s i e m p r e claros, sea
v e l a n d o y d e f o r m a n d o las borrosas i m á g e n e s fotográficas d e l pasado
e n l a i m p a l p a b l e s u p e r f i c i e de l a r e m e m b r a n z a . E l O t r o p a r t i c i p a e n
e l p r i m e r r e c u e r d o , a u n q u e más n o sea p o r q u e , a ese e p i s o d i o n u m i -
noso, i n c i e r t o g a r a n t e de la c o n t i n u i d a d de u n a existencia, hay q u e
c o n t a r l o e n p r i m e r a p e r s o n a y p o r q u e es u n p r o d u c t o i n c o n c e b i b l e
f u e r a de u n a l e n g u a h a b l a d a p o r u n a c o m u n i d a d . B i e n sabemos, des-
de W i t t g e n s t e i n , q u e n o hay l e n g u a j e p r i v a d o .
E l p r o p i o Goethe^ e n c o n t r a b a q u e

^ P. V a l é r y [ 1 9 3 6 ] , Cahiers, P a r í s , L a P l é i a d e , G a l l i m a r d , 1994, v o l . i , p . 1256.


^ L . C a r r o l l [ 1 8 7 2 ] , Through the looking-glass, c a p í t u l o 5: "It's a poor sort ofmemory that
only luoiiis backward".
^ J . W . v o n G o e t h e , c i t . , p . 1460.
J U L I O CORTÁZAR 25

Cuando querernos recordar las cosas que en la más tierna infancia nos su-
cedieron, suele ocurrimos con frecuencia que confundamos aquello que a
otros hemos oído con lo que por efecto de la propia experiencia personal
conocemos. Por lo que, sin llevar a cabo sobre ello un exacto examen, que
por otra parte a nada podría conducir, sé que vivíamos en una vieja casona...
(cursivas mías).

Difícil, si n o i m p o s i b l e , es d i s t i n g u i r e l r e c u e r d o " r e a l " d e l " i n d u c i -


d o " y separar las "partes" c o r r e s p o n d i e n t e s a u n o y o t r o u n a vez q u e
se h a n mezclado.^ L a m e m o r i a de u n o se mezcla i n e x t r i c a b l e m e n t e
c o n la m e m o r i a d e l O t r o . A esta variabl e i n f l u e n c i a d e l p r ó j i m o debe-
m o s agregar l o o b v i o : el yo a u t o b i o g r á f i c o dista de ser u n testigo fiel
e i m p a r c i a l . A l c o n t r a r i o , según e l a d e l a n t o p r o f é t i c o de R i m b a u d ,
"Es falso d e c i r : Yo p i e n s o . U n o d e b e r í a d e c i r : Se m e piensa [ . . , ] Yo
es Otro","* yo n o sabe y yo n o q u i e r e saber, yo c o n s t r u y e el r e c u e r d o
c o n materiales h e t e r ó c l i t o s ; " y o " trabaja p a r a crear y hacer c r e í b l e u n a
i m a g e n agradable o d i g n a de c o m p a s i ó n , de h é r o e o de víctima, de
e n g a ñ o s a n i t i d e z o de n e b u l o s a i n d e f i n i c i ó n de e l e m e n t o s esenciales.
"Yo [ q u e ] es O t r o " p a r t i c i p a a r r o j a n d o velos egoístas sobre la histo-
r i a , r e g i s t r a n d o j i r o n e s d e l pasado y e m p a r c h á n d o l o s c o n e l e m e n t o s
traídos de otros t i e m p o s y de otras fuentes. Cada r e c u e r d o de l a t e m -
p r a n a i n f a n c i a es u n patchwork, u n a c o l e c c i ó n interesada, r e v e l a d o r a
(y p o r eso m i s m o m u y i n t e r e s a n t e) de e n m i e n d a s y r e m i e n d o s . Colaje
y bricolaje.
N o nos p r e o c u p a saber si la m e m o r i a de la i n f a n c i a es la c o r r e c t a
r e p r o d u c c i ó n m e n t a l de t i n a c o n t e c i m i e n t o r e a l m e n t e s u c e d i d o al
n i ñ o — e n nuestra investigación c o m p r o b a r e m o s q u e n i l o es n i p o -
dría serlo. L o q u e nos atrae, p r e c i s a m e n t e , es saber q u e e l r e l a t o q u e
r e c o g e m o s es u n a c r e a c i ó n de la fantasía: su v e r d a d n o es históric a
— ¡ q u é p o c o interés t e n d r í a e n ese caso!—, su v e r d a d es d i r e c t a m e n t e
p r o p o r c i o n a l a la distorsión ( p r o p i a y ajena) q u e se h a i n y e c t a d o al
a c o n t e c i m i e n t o . E l Cristóbal de los í n f i m o s papeles carga sobre sus
h o m b r o s al n i ñ o Dios de la v e r d a d . S ó l o q u e es o t r o n i ñ o , d i s t i n t o de
q u i e n él cree.
L a m e m o r i a , según u n a raída m e t á f o r a , es u n a tela: está s o m e t i d a a

* E l e j e m p l o m á s r a d i c a l es e l d e l p r i m e r r e c u e r d o d e J e a n Piaget. Cf. c a p í t u l o 4.
^ A . R i m b a u d [ 1 3 d e m a y o d e 1 8 7 1 ] , c a r t a a G e o r g e s I z a m b a r d , París, G a l l i m a r d
( n r f ) , 1984, p . 200.
26 JULIO C:ORTÁZAR

t o d o s los avatarcs de u n t e j i d o ( t e x t o ) : desgarrones, desgastes, n u d o s ,


hoyos, z u r c i d o s , b o r d a d o s , r e m i e n d o s , costuras h á b i l es o d e s m a ñ a d a s ,
c o l o r i d o s y d e s t e ñ i d o s , cortes, dobleces, arrugas, hilvanes, m a n c h as y
b r i l l o s p u e d e n o c u r r i r e n su s u p e r f i c i e . Las polillas d e l A l z h e i m e r y
la d e m e n c i a t a n t o c o m o las r e p a r a d o r a s m a n o s de la c o s t u r e r a q u e
p u l e y c o r r i g e e n e l t e x t o p u e d e n m o s t r a r o c u l t a n d o ( u o c u l t a r mos-
t r a n d o ) las desnudeces, realzand o así los encantos y los espantos d e l
ser. C o m o d i j i m o s p o c o ha, somos l o q u e r e c o r d a m o s ; somos t a m b i é n
(y a u n q u e nos d u e l a ) eso que o l v i d a m o s . Somos l o q u e n o p o d e m o s
saber de n o s o t r o s m i s m o s . Tres caras y n o dos caras t i e n e la estatua
de M n e m o s y n e : memoria, olvido y represión. N u e s t r o ser de o l v i d o y e l
o l v i d o de n u e s t r o ser n o son accidentales; están p r o g r a m a d o s .
Las c o o r d e n a d a s de t i e m p o y espacio p u e d e n ser, c o m o e n el caso
de Cortáza r (o e l de F r e u d o e l de Borges), m u y precisas. Otras veces,
m u c h a s veces, el sujeto n o p u e d e asentarlas c o n precisión. L a mayoría
de las personas, según los psicólogos q u e a eso se d e d i c a n , u b i c a su
p r i m e r r e c u e r d o e n t r e los dos y los c u a t r o años de e d a d . D e todos m o -
d9s, c o m o d e c í a el escritor inglés L . P. Hartley,^ a u t o r de The go-between,
n o v e l a e n la q u e se basó Joseph Losey para r o d a r u n h e r m o s o filme {El
mensajero del amor, e n e s p a ñ o l ) : " E l pasado es u n país e x t r a ñ o . Las cosas
p a r e c e n d i f e r e n t e s e n é l . " L a pesquisa e n el p r i m e r r e c u e r d o d e l es-
c r i t o r , psicoanalítica u o t r a , es, p o r l o t a n t o , u n a e x p l o r a c i ó n más q u e
detectivesca, más q u e u n a b ú s q u e d a de d o c u m e n t o s e i n t e r r o g a c i ó n
de sospechosos; es u n viaje a n á l o g o a los d e a m b u l a r e s de L i v i n g s t o n e y
Stanley p o r e l c o n t i n e n t e n e g r o , u n a incursión e n e l pasado, es decir,
e n l o q u e se h a desvanecido a u n q u e siga a c t u a n d o , e n l o " i n a s e q u i b l e "
( G o e t h e ) , e n l o abolido.^ E n e l c o r a z ó n de las tinieblas.
P o r o t r a p a r t e , si la m e m o r i a es u n t e j i d o e n d o n d e ciertos p u n t o s
cruciales se a n u d a n c o n otros a p a r e n t e m e n t e triviales p e r o q u e p u e -
d e n asociativamente c o n d u c i r a los p r i m e r o s , es l ó g i c o q u e t a m b i é n
s u c u m b a n al o l v i d o esos e l e m e n t os q u e , e n sí, n o c o n l l e v a n n i n g ú n
" p e l i g r o " y son, p o r sí mismos y p o r su cuenta, incapaces de desencade-
n a r angustia. Es c o m p r e n s i b l e q u e b o r r e m o s los c a m i n o s q u e r e m i t e n
a l o t r a u m á t i c o , l o i n t o l e r a b l e de tales situaciones y q u e e r i j a m o s e n su

^ L . P. H a r t l e y [ 1 9 5 3 ] The go-between. E n e s p a ñ o l : El mensajero. L a frase c i t a d a i n i c i a l a


n o v e l a . E l g u i ó n d e l a p e l í c u l a es d e l P r e m i o N o b e l d e L i t e r a t u r a 2 0 0 5 , H a r o l d P i n t e r .
' E n l a t í n abolere es " a n u l a r , d e s t r u i r , h a c e r p e r d e r el r e c u e r d o d e " {Le Robert: Dic-
ti.onnaire hisiorique de la languefrangaise). Es s u g e r e n t e l a c o n e x i ó n c o n oblivisce d e d o n d e
d e r i v a n oblio, ohlivion, oubliy olvido.
J U L I O CORTÁZAR 27

l u g a r u n a valla t r a n q u i l i z a d o r a de recuerdos a n o d i n o s , de supuestas


trivialidades q u e desvían e l i m p a c t o de lo pavoroso. T a m b i é n l o sabía
Valéry:^ " E l r e c u e r d o es i n d e l e b l e . Es el c a m i n o d e l r e c u e r d o el q u e
se p i e r d e . . . " Se p i e r d e , sí, y p u e d e reaparecer, i n c l u s o p a v i m e n t a d o ,
c u a n d o u n o p r u e b a u n a h u m i l d e galleta c o n c o i d e q u e p r e v i a m e n t e
h u n d i ó e n u n a taza de té.
Mas n o sólo para alejar el espanto se activan los e n c u b r i m i e n t o s de
ese falaz testigo q u e es l a m e m o r i a . Puede darse el caso, y se d a c o n
f r e c u e n c i a , e n q u e u n r e c u e r d o arcaico está c a r g a d o de u n a i n d e c i -
ble c o n g o j a , surcado p o r rasgos i n q u i e t a n t e s y o m i n o s o s . Esa angusti a
resulta i n s o n d a b l e p a r a el sujeto m i s m o : el t e r r o r v i v i d o e n el r e m o t o
pasado le parece absurdo pues l a superficie d e l r e c u e r d o se m u e s t r a
c o m o i n o c u a . D i c h o c o n palabras más técnicas, n o parece h a b e r c o n -
g r u e n c i a e n t r e la r e p r e s e n t a c i ó n i n t e l e c t u a l y el afecto, entre el p e n -
s a m i e n t o y el s e n t i m i e n t o . C o r r e s p o n d e aquí evocar a Pascal y su frase
t a n traficada:^ " E l c o r a z ó n t i e n e razones q u e la razón n o c o m p r e n d e . "
Es m u y c i e r t o : " e l c o r a z ó n " está p l e n a m e n t e i n v o l u c r a d o e n el recuer-
d o pues " r e - c o r d a r " es devolve r al ó r g a n o d e l a m o r , al más í n t i m o
(Erinnerung), l o q u e se h a a p a r t a d o de él. L a razón n o c o m p r e n d e al
c o r a z ó n . . . p o r q u e este " c o r a z ó n " es i n c o n s c i e n t e , si n o d e l r e c u e r d o
e n sí, p o r l o m e n o s de l o q u e el r e c u e r d o i m p l i c a y de las razones de
su v a l o r o m i n o s o para e l sujeto. ¿Nos atrevemos a sostener q u e el ce-
r e b r o (mind) es el ó r g a n o de la m e m o r i a m i e n t r a s q u e el corazó n es e l
ó r g a n o d e l recuerdo ? E n t a l caso ratificaríamos e l saber de la l e n g u a
p e r o , ¿qué paraguas p o d r í a p r o t e g e r n o s de l a l l u v i a de reproches q u e
c a e r í a sobre nosotros desde el adusto cielo de l a "ciencia"?
Las apariencias e n g a ñ a n . ¿ C ó m o sopesar e l ' V a l o r " de u n r e c u e r d o
i n f a n t i l ? E n p r i n c i p i o , d e b e m o s pensar q u e si u n e p i s o d i o , supuesta-
m e n t e i r r e l e v a n t e , se salva d e l c o n s a b i d o d e s t i n o de o l v i d o q u e espera
a los a c o n t e c i m i e n t o s p r i m e r i z o s , es p o r q u e hay e n él algo m u y p a r t i -
cular q u e se conserva c o m o e n i g m a y que esa s i n g u l a r i d a d d e l p r i m e r
r e c u e r d o m e r e c e el c u i d a d o de u n a investigación. Siendo "el p r i m e -
r o " de u n a serie, n o t e n d r í a necesariamente q u e ser i m p o r t a n t e , b i e n
p u d i e r a ser \dl cobre q u e se e n g a l a n a c o n los f u l g o r e s de la p r i m i c i a y

^ P. V a l é r y [ 1 9 2 6 ] , c i t . , p . 1239, E n el c a p í t u l o 6.2 ( p . x x ) , s o b r e e l r e c u e r d o d e Ga-


b r i e l G a r c í a M á r q u e z , v e r e m o s q u e los c i e n t í f i c o s de l a m e m o r i a d i s c u t e n á s p e r a m e n t e
esa c u e s t i ó n .
^ B . Pascal [ 1 6 7 0 ] , Pensées, n ú m . 277.
28 JULIO CORTÁZAR

sería ocioso (ícuparse e n tallar sus facetas, e n a f i n a r sus m i n u c i a s . Por


su c a r á c t e r " o r d i n a r i o " , p o r su aspecto i n o c u o , p a r e c i e r a ser ese p o b r e
m e t a l p e r o p o d r í a , n o obstante, t e n e r el b r i l l o d e l o r o u n a vez q u e se
le q u i t a su p á t i n a de m u s g o y n a d e r í a . A l h a j a o bagatela, será el aná-
lisis d e l t e x t o y n o su i n g e n u o semblant e el que d e c i d a . L a decisión
sobre su v a l o r será r e t r o a c t i v a a u n a i n d a g a c i ó n {recherche) e j e r c i da s in
p r e j u i c i o s . Va sabremos.
E l m i t o de u n o r i g e n absoluto de la m e m o r i a p e r s o n a l es c a u t i v a n t e;
sin e m b a r g o , su c o n c r e c i ó n e n u n r e l a t o es u n a fantasía p u e s . . . pues
n o hay tal o r i g e n . D e l o r i g e t i sólo hay m i t o s . Sin e m b a r g o , los m i t o s
t r a n s m i t e n s i e m p r e u n a v e r d a d a u n q u e n o d i g a n " l a " v e r d a d . Se pres-
t a n a la i n t e r p r e t a c i ó n . Valga c o m o e j e m p l o la h i s t o r i a d e l Génesis . L a
f a s c i n a c i ó n d e l p r i m e r r e c u e r d o , a la q u e i n c l u s o F r e u d se e n t r e g a ,
d e p e n d e — m e p a r e c e — de la anulación del tiempo q u e está implícit a
e n la i d e a de " o r i g e n " . Para q u e algo sea p r i m o r d i a l (f/r) es necesario
q u e n o t e n g a pasado, pues c u a l q u i e r estado a n t e r i o r i m p u g n a r í a su
c o n d i c i ó n f u n d a d o r a . T a m p o c o e n ese "hueso", e n esa "célula g e r m i -
n a l " , e n ese h u e v o f e c u n d a d o d e l ser o de la m e m o r i a , p u e d e h a b e r
i d e a de f u t u r o , de a n t i c i p a c i ó n . E l sujeto surgiría ex nihilo a p a r t i r de
ese m o m e n t o y sólo e n t o n c es p o d r í a aspirar a ser, a ser algo, a desear,
a t e n e r u n a fantasía q u e n o sea m e m o r i a n i p e r c e p c i ó n . ¿ Q u i é n , e n t r e
n o s o t r o s , n o es sensible a la l u z i n c a n d e s c e n te de los c o m i e n z o s q u e
i r r a d i a d e l m í t i c o i n s t a n t e de u n presente q u e n o t i e n e pasado y de u n
f u t u r o d e l q u e n a d a se sospecha?
C u a n d o se escucha ese p r i m e r recuerd o n a r r a d o p o r "su p r o p i e t a r i o " ,
el oyente n o encuentra, p o r l o c o m ú n , nada de particular. Si se le pre-
g u n t a al sujeto m i s m o , él n o consigue, e n general, m u c h o más n i nada
mejor. Pero, e n l o concreto y m u y a m e n u d o , el trabajo de desmenuzar
el relato llega a resultados insospechados, a verdaderas revelaciones que
c o n f i r m a n la aseveración de F r e u d sobre la " i m p o r t a n c i a sustantiva".

2. E L E S P A N T O A U R O R A L D E J U L I O CORTÁZAR

Es h a b i t u a l q u e , c o m o pasa e n el r e c u e r d o precoz de Cortázar, sea el


o t r o , e n este caso la m a d r e , q u i e n p r o p o r c i o n a los datos i n e q u í v o c o s
de t i e m p o y espacio o f r e c i e n d o "los m a r c o s sociales de la m e m o r i a " .
E l l a , si n o e l c u a d r o e n t e r o , a p o r t a p o r l o m e n o s el e n c u a d r e : Barce-
l o n a , 1917, a ñ o s de l a p r i m e r a g u e r r a m u n d i a l . Palabra m a t e r n a , geo-
J U L I O CORTÁZAR 29

grafía e h i s t o r i a c o n f l u y e n , d i b u j a n u n a e n c r u c i j a d a , y de ella despega


e l c a m i n o de u n y o . L a m e m o r i a p i d e sus garantía s historiográficas,
presenta datos de a r c h i v o y los o r g a n i z a e n u n a n a r r a c i ó n h i l a d a .
Recuperemos a J u l i o Cortázar y su r e l a t o . Y a tenemos el m a r c o ,
a p o r t a d o p o r la m a d r e : tres años de edad, Cataluña. E l a u t o r de Rajuela
asesta de i n m e d i a t o la r o t u n d a sentencia: ""La memoria empieza en el terror'
Leamos b i e n : él n o dice " m i " m e m o r i a , dice " l a " m e m o r i a y de tal m o d o
parece e n u n c i a r u n a ley g e n e r a l q u e trasciende al saber psicológico y
p u e d e q u e t a m b i é n al psicoanalítico. ¿Será el caso de todos? ¿Será siem-
p r e de la angustia d e l a b a n d o n o , de la i g n o r a n c i a o de la t e r r i b l e d u d a
sobre el r e t o r n o d e l o t r o ( " — ¿ D ó n d e estás, m a d r e , p o r qué n o aquí,
j u n t o a m í ? " ) , el p u n t o d e l q u e surge, rasgando la lisa superficie de la
nada, u n a grieta que se llenará c o n recuerdos? ¿Se tratará acaso d e l
t e r r o r ante l o desconocido, la derelicción, la o r f a n d a d d e l n i ñ o ante
lo i n n o m b r a b l e y pavoroso? L a p r i m e r a m a r c a e n la frágil m e m b r a n a
d e l ser sería (o es) la d e l desamparo {helplesness, Hilflosigkeity détresse,
d'etresse). Puede q u e el p r i m e r r e c u e r d o de todos sea e l d e l p r o p i o g r i t o
p r o v o c a d o p o r la ausencia de la m a d r e . Y l o q u e sigue, la sobrevivencia,
sería *Vivir para contarla" . U n a articulación d e l g r i t o .
L a g e n e r a l i z a c i ó n a n t i c i p a d a p o r Cortázar, l i g a n d o m e m o r i a y te-
r r o r , p u e d e parecer excesiva. S e r í a fácil objeta r q u e la mayoría n o
p u e d e n i s i q u i e r a destacar c o n n i t i d e z u n p r i m e r r e c u e r d o e n la gavi-
lla de las evocaciones i n f a n t i l e s y q u e hay m u c h o s o t r o s cuya m e m o r i a
i n i c i a l n o es la de algo t e r r o r í f i c o n i tiene esa c u a l i d a d de pesadilla
señalada p o r e l escritor a r g e n t i n o . O t r o s h a b r á , i n c l u s o , q u e sosten-
gan l o c o n t r a r i o y e v o q u e n e l c l i m a de b e n d i t a t e r n u r a , de calidez,
de l u m i n o s o establo c o n la paja, el b u r r o y e l b u e y r e f l e j a n d o la luz
q u e m a n a de los halos de las tres figuras centrales. Mas este recurso
a la t r a n q u i l a p i e d a d d e l o r i g e n sería t a m b i é n capaz de i n d u c i r n o s al
e r r o r ; Cortázar p o d r í a t e n e r razón a u n c u a n d o los más n o c o i n c i d a -
mos c o n él c u a n d o dice q u e el p r i m e r r e c u e r d o r e m i t e a la dislocació n
t r a u m á t i c a d e l espíritu. Cabe la p o s i b i l i d a d de q u e hayamos "olvida-
d o " e l espanto i n a u g u r a l , q u e n o tengamo s e l valor de re-presentarlo y
que nos consolemos suavizando l a angustia p r i m i g e n i a c o n l a i m a g e n
de los regalos q u e nos t r a j e r o n : o r o , m i r r a e i n c i e n s o .

'^^ J . Cortázar, c i t . e p í g r a f e .
" G a b r i e l G a r c í a M á r q u e z , véase infra, c a p . 6, p . 73.
JULIO CORTÁZAR

F r e u d , ya e n 1 8 9 9 , r e v e l ó e l c a r á c t e r " e n c u b r i d o r " de m u c h o s re-


c u e r d o s i n f a n t i l e s (¿todos?) q u e se " v e n " c o m o u n a c o r t i n a de i m -
p r e s i o n e s h i p e r n í t i d a s y q u e , c u a n d o esas grabaciones {recordings!)
son analizadas, r e s u l t a n n o ser r e c u e r d o s de a c o n t e c i m i e n t o s vividos
sino fantasías o b t u r a d o r a s , calmantes, aplacadoras d e l t r a u m a t i s m o
de ese p r i m e r e n c u e n t r o c o n e l espanto d e l q u e C o r t á z a r se d i s p o n e
a hablar. L a m e m o r i a n o f u n c i o n a c o m o u n a m a q u i n a r i a de r e l o j e r í a ;
ella p u e d e ser — n o r m a l m e n t e es— u n a l a m b i q u e de destilación y
t a m b i é n de a d u l t e r a c i ó n d e l pasado. E n el d e c i r de F r e u d : "Los f a l -
seamientos m n é m i c o s son tendenciosos, es decir, s i r v e n a los fines
de la r e p r e s i ó n y sustitución de i m p r e s i o n e s chocantes o desagrada-
bles" ( c i t . ) . L o i l u s t r a r e m o s — e n el c a p í t u lo s i g u i e n t e — c o n su p r o -
p i o caso. N o h a de p a r e c e m o s e x t r a ñ o q u e la m e m o r i a obedezca al
p r i n c i p i o de p l a c e r ( t a l es la p r i m e r a t e o r í a f r e u d i a n a de la m e m o r i a ;
l u e g o , hacia 1920, e n c o n t r a r e m o s o t r a ) y q u e t e n d a m o s a " o l v i d a r " , es
decir, a p r o t e g e r n o s , m e d i a n t e u n falso o l v i d o , de las tantas ocasiones
de d o l o r , de angustia, de vergüenza, de r a b i a y de i m p o t e n c i a q u e ex-
p e r i m e n t a m o s c o n f u e r z a a r r o l l a d o r a , sin los suficientes m e c a n i s m o s
de a m o r t i g u a c i ó n , e n las é p o c as t e m p r a n a s de la v i d a . I n e r m e s e n e l
l a b e r i n t o de l a p e q u e n e z .
T a n escalofriante c o m o b a n a l es el r e c u e r d o evocado p o r J u l i o Cor-
tázar. E n u n a m a ñ a n a c u a l q u i e r a de su i n f a n c i a , hasta e n t o n c e s v i r g e n
de m e m o r i a s , escucha cantar a u n g a l l o . Escalofriante el r e c u e r d o q u e
r e p e r c u t i r á p a r a s i e m p r e a u n q u e la vivencia haya sido desencadena-
d a p o r u n a c o n t e c i m i e n t o o r d i n a r i o a la luz d e l saber d e l a d u l t o . L a
angustia, t o d a angustia, está m o t i v a d a a ú n c u a n d o , e n u n p r i n c i p i o ,
n o sepamos b i e n p o r q u é . C o n el pasar d e l ü e m p o , r e t r o a c t i v a m e n -
te, p o d r á revelarse q u e el t e r r o r i n a u g u r a l d e l n i ñ o se h a desplazado
de u n c o n t e n i d o u r t i c a n t e , " r e p r i m i d o " , a o t r o c o n t e n i d o " i n o c e n t e " ,
a p a r e n t e m e n t e alejado de la angustia. Es así c o m o se e d i f i c a n los "re-
c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " que d a n r e f u g i o al c o r a z ó n y descolocan a la
razón.
Es p o s i b l e q u e el r e c u e n t o q u e Cortáza r se p r e p a r a a b r i n d a r sea la
f u e n t e de l a m e m o r i a de todos y q u e t o d o s hayamos s u f r i d o u n i m p a c -
to semejante, v e r d a d e r o t r a u m a d e l n a c i m i e n t o , de u n s e g u n d o n a c i -
m i e n t o , al l e n g u a j e , q u e pocos de n o s o t r o s nos a t r e v e r í a m o s a evocar

S. F r e u d [ 1 8 9 9 ] " S o b r e los r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " . Obras completas, t r a d . d e J. L .


E t c h e v e r r y , B u e n o s A i r e s , A m o r r o r t u , 1 9 8 1 , v o l . i i i , p p . 291-315.
JULIO CORTÁZAR 31

y l i o p o r c o b a r d í a o p o r falta de d e c i s i ó n — , u n t r a u m a q u e n a d i e
supo c o n t a r c o m o M i c h e l L e i r i s e n las p r i m e r a s páginas de Biffures}'^
H e m o s de escuchar a C o r t á z a r antes de a d h e r i r s e a su asimilación
universal de la m e m o r i a y el t e r r o r . Si fuese c o m o él dice, h a b r í a q u e
buscar la razón de nuestra d e s m e m o r i a e n el u l t r a j e de las f r o n t e r a s
de l o q u e p o d e m o s registrar o codificar . Esas experiencias precoces
"que n o caben e n la cabeza" serían pavorosas p o r e n f r e n t a r n o s c o n
u n a t e n s i ó n i n a g u a n t a b l e : la de despertar sin saber a q u é .
E l escenario de la r e m e m b r a n z a de Cortázar es descrito así:

M e h a c í a n d o r m i r solo e n u n a h a b i t a c i ó n c o n u n v e n t a n a l d e s m e s u r a d o a los
pies d e la c a m a . . . D e la n a d a e m e r g e u n d e s p e r t a r al alba, veo la v e n t a n a gris
c o m o u n a presencia desoladora, u n tema de llanto [...] rectángulo grisáceo
d e l a n a d a p a r a u n o s o j o s q u e se a b r í a n a l v a c í o , q u e r e s b a l a b a n i n f i n i t a m e n t e
e n u n a visión sin asidero, u n n i ñ o d e espaldas f r e n t e al c i e l o d e s n u d o (cit.).

L e e m o s el eco l i t e r a r i o de esta m e m o r i a e n Rayuela'?"^

M e d e s p e r t é y v i l a l u z d e l a m a n e c e r e n las m i r i l l a s d e l a p e r s i a n a . S a l í a d e t a n
a d e n t r o de la n o c h e q u e tuve c o m o u n vómito de m í m i s m o , el espanto de
a s o m a r a u n n u e v o d í a c o n su m i s m a p r e s e n t a c i ó n , su i n d i f e r e n c i a m e c á n i c a
d e cada vez: c o n c i e n c i a , s e n s a c i ó n d e luz, a b r i r los ojos, persiana, el a l b a . . .
Estoy obligado a tolerar que el sol salga todos los días. E s m o n s t r u o s o , £ 5 inhumano
(cursivas de C o r t á z a r ) .

E l O t r o h a t o m a d o sus disposiciones y el c u e r p o d e l n i ñ o sólo p u e -


de someterse, pasivamente, a u n a v i o l e n c i a i n c o m p r e n s i b l e ; n o hay
razones, s i m p l e m e n t e , " m e h a c í a n d o r m i r solo". N o es necesario q u e
d i g a q u i é n e s . Es posible q u e sean "mis padres", es posible q u e n o . L a
i n d e f i n i c i ó n de la i m a g e n d e l O t r o a p o r t a su fascinació n a la frase, t a n
s i m p l e y v e n t u r o s a ( e n t é r m i n o s de p o e s í a) c o m o desoladora ( e n tér-
m i n o s de s u b j e t i v i d a d ) : " M e h a c í a n d o r m i r s o l o . " E l v e n t a n a l ¿ c ó m o
p o d i ía n o ser desmesurado, si n o hay m e d i d a c o m ú n e n t r e el c u e r p o
d e l n i f i o y la casa de los adultos? D e ese v e n t a n a l p r o c e d e u n a luz q u e
atraviesa ojos abiertos al vacío, vacío hacia afuera q u e se c o n t i n ú a e n

M . L e i r i s [ 1 9 4 8 ] , " . . . r c u s e m e i i l " , Bijj'ures, La regle du jeu, París, G a l l i m a r d , L a


P l é i a d e , 2 0 0 3 , p p . 3-6. Cf., m á s a d e l a n t e , c a p í t u l o 12 .
J. C o r t á z a r , Rayuela, M a d r i d , C á t e d r a , 1984, cap. 67, p . 532.
32 jULK)CORTÁZAR

u n vacío hacia a d e n t r o , e n u n a l m a q u e n o es sino v e n t a n a , v e n t a n a


a b i e r t a hacia el e x t e r i o r , c a r e n t e de i n t e r i o r i d a d . V e n t a n a l d e l c u a r t o y
v e n t a n a de los ojos, vacío c o n t r a vacío, n i ñ o a r r o j a d o de espaldas ante
la i n m e n s i d a d de u n cielo sin ropajes, sin bordes, i n f i n i t o y d e s n u d o .
E l "'dasein^ (ser a h í ) y el estado de '^gezoorfen" ( a r r o j a d o e n e l m u n d o ) ,
de los q u e h a b l a H e i d e g g e r , n o p o d r í a n expresarse m e j o r q u e c o n las
simples palabras de este í n f i m o , a t ó m i c o , r e c u e r d o de la i n f a n c i a .
N o hay p u n t o s de r e f e r e n c i a o reparos a los cuales aferrarse; la
visión resbala e n u n m u n d o de objetos i n d i f e r e n c i a d o s , e n u n p u r o
real siniestro e i n n o m b r a b l e , " e n u n a lactancia e n t r e gatos y j u g u e t e s
q u e sólo los d e m á s p o d r í a n r e m e m o r a r " , es decir, e n u n escenario ya
d e c o r a d o p o r o t r o s d o n d e hay cosas q u e se o f r e c e n c o n sus n o m b r e s
p a r a q u e allí se e n g a n c h e u n f u t u r o sujeto. "Yo", q u e todavía n o exis-
t o , n o p o d r í a a c o r d a r m e : "sólo los d e m á s " , m i e n t r a s yo m e desplazo
" e n t r e gatos y j u g u e t e s " q u e serán pasto d e l o l v i d o . E l ser d e l n i ñ o está
s u m e r g i d o e n lo r e a l . E l n o m i r a ; es m i r a d o p o r el o j o c i c l ó p e o de la
i n m e n s a v e n t a n a capaz de hacerle sentir su a b a n d o n o , la p r e c a r i e d a d
d e su v i d a , la c o n d i c i ó n m o r t a l de su i n f i n i t a p e q u e n e z f r e n t e al cielo
de solador.
E n ese paisaje d e s i e r t o d o n d e n a d a s i g n i f i c a p a r a n a d i e , e n ese
e s p e c t r a l e s c e n a r i o de presagios, sucede algo q u e , de t o d o s m o d o s ,
estaba p r e p a r a d o , a l g o q u e n o p o d í a d e j a r de suceder y q u e es, si n
e m b a r g o , i n s ó l i t o e i n e s p e r a d o : el e s t a l l i d o d e l e s t u p o r y d e l vértigo,
l a t r a n s f o r m a c i ó n de l o c o t i d i a n o y f a m i l i a r e n a t e r r a d o r e i n e s c r u -
table.
Sigamos el r e l a t o : cada m a t i z , cada g i r o d e l l e n g u a j e , revela la ver-
d a d de la e x p e r i e n c i a , n o la d e l a c o n t e c i m i e n t o — q u e de él n u n c a
n a d a s a b r e m o s —, la de su e v o c a c i ó n n a r r a t i v a o d i e g é t i c a ; veamos
c ó m o se v a n d i s p o n i e n d o sus e l e m e n t o s . Cortázar n o h a d i c h o toda-
vía — y c o n r a z ó n — q u e ese paisaje de n i ñ o , c u a r t o , v e n t a n a l y cielo ,
estuviese el silencio. E n ese p á r a m o , n i silencio h a b í a .

Y entonces cantó u n gallo, si hay recuerdo es por eso, pero no había noción
de gallo, no había nomenclatura tranquilizante, cómo saber que eso era u n
gallo, ese horrendo trizarse del silencio en m i l pedazos, ese desgarramiento
del espacio que precipitaba sobre mí sus vidrios rechinantes, su primer y más
terrible roe.

E l espanto e n l a t r i v i a l i d a d , vestido c o n los hábitos de l o h a b i t u a l .


J U L I O CORTÁZAR 33

H e m o s estado tantas veces solos e n u n a h a b i t a c i ó n , nos h e m o s des-


p e r t a d o , h e m o s \dsto la luz t e m p r a n a e n t r a n d o p o r la ventana, h e m o s
o í d o el c a n t o de los gallos, h e m o s c o m p r e n d i d o , m á s p r o n t o o m á s
tarde, q u e así c o m e n z a b a u n d í a más de nuestras vidas, es t o d o t a n
usual, q u e p u e d e r e s u l t a r n o s asombroso t a n t o q u e Cortázar r e f i e r a
este e p i s o d i o m o s t r a n d o su c a r á c t e r t e r r o r í f i c o c o m o el q u e , q u e r i é n -
d o l o o n o , p r e t e n d a él — o nosotro s p r e t e n d a m o s — elevarlo a para-
d i g m a d e l n a c i m i e n t o de la m e m o r i a .
¿Por q u é t e n d r í a a l g u i e n q u e sobresaltarse al despertar e n la ma-
ñ a n a , ver la l u z y o í r al gallo? L a angustia, nos dice el escritor, p r o -
viene de u n h u e c o , de u n vacío e n el saber: " n o h a b í a n o m e n c l a t u -
r a t r a n q u i l i z a n t e " . E l a c o n t e c i m i e n t o , b a n a l e n sí, es siniestro p o r l a
falta de a m o r t i g u a c i ó n , p o r la ausencia d e l c o l c h ó n p r o t e c t o r de la
" c o m p r e n s i ó n " . A u s e n t e la p a l a b r a , l o r e a l n o t i e n e asideros y de\dene
pavoroso.
E l n a c i m i e n t o d e l espíritu. A l despertar, cada m a ñ a n a , se p r o d u c e
el despertar a la vida, el d e s p e r t ar al r e c u e r d o y a la h i s t o r i a . Evo-
car, c o m o Proust,''' el desperta r i n a u g u r a l y, e n su caso, t e r r o r í f i c o ,
es l o q u e hace Cortázar. E l acaba p o r d e c i r q u e es el p u n t o e n d o n d e
c o m i e n z a el a c o p i o de sus r e c u e r d o s . D e s p i e r t a de la e t e r n a m u e r t e
a n t e r i o r p a r a e n t r a r e n la v i d a . U b i c a así el instante e n q u e el n i ñ o ,
saliendo de u n a lactancia q u e p e r t e n e c e al O t r o antes q u e a él m i s m o ,
oye el c a n t o d e l gallo y q u e d a a n o n a d a d o p o r esa i n t r u s i ó n de l o r e a l ,
p o r u n g r i t o q u e p r o c e d e de la n a t u r a l e za y l o lleva a sentir su i n d e -
fensión ante l o i g n o t o , l o i n n o m i n a d o .
N o p u d i e n d o saber q u e eso era u n g a l l o vivía el espanto de "ese
h o r r e n d o trizarse d e l silencio e n m i l p e d a z o s . . . " E l silencio n o prece-
día, el silencio era la c o n s e c u e n c ia d e l c h i l l i d o d e l g a l l o , h a b í a sido
creado p o r l a e s t r i d e n c i a d e l cacareo. D e l m i s m o m o d o q u e u n cristal
p e r f e c t o q u e nos envolviese y d e l q u e n o t e n d r í a m o s la n o c i ó n hasta
que u n a p i e d r a cayendo sobre él lo fragmentase y f u é s e m o s h e r i d o s
p o r sus esquirlas. Así, d e s p u és de r o t o , surge e l silencio c o m o d i m e n -
sión y c o m o e n v o l t u r a de la existencia.
E l c a n t o d e l g a l l o n o es t e r r o r í f i c o . E n v e r d a d , n a d a de l o r e a l
es a t r o z en sí, p u e s e l t e r r o r es para sí, es u n e s t a d o d e l a l m a . L o
d e v a s t a d o r es e l d e s c o n o c i m i e n t o , la f a l t a de u n a p a l a b r a r e d e n t o -
r a p a r a esa e x p e r i e n c i a . S í . L a c e r a y d e s g a r r a l a l l u v i a de cristales

M . P r o u s t , c i t . , t o m o i , p p . 3-9.
34 JULIO CORTÁZAR

d e s i l e n c i o c a y e n d o y p e r f o r a n d o la d e l g a d a e p i d e r m i s d e l a l m a
del bebé.
Si cada d e s p e r t a r fuese la r e i t e r a c i ó n de esta escena la v i d a sería i n -
t o l e r a b l e . El h á b i t o y el o l v i d o son las m e d i c i n a s salvadoras q u e p e r m i -
t e n la sobrevivencia . P o d r í a m o s d e c i r q u e hay destinos h u m a n o s d o n -
d e el d e s p e r t a r es i m p o s i b l e p o r q u e el ser n o se l i b e r a n u n c a de "los
v i d r i o s r e c h i n a n t e s " que p e r f o r a n la m e m b r a n a d e l t í m p a n o c o n "su
p r i m e r y más t e r r i b l e roe". {Rock'n roll, ave roc,^*^ b e b é R o c a m a d o u r ,
roc-coq d e l n i ñ o p r e c o z m e n t e b i l i n g ü e . ) N o es difícil e n t e n d e r e l es-
p a n t o de la escena; l o difícil es e n t e n d e r c ó m o se sale d e l d e s a m p a r o
i n i c i a l , c ó m o se llega a hacer de cada m a ñ a n a u n a más e n la r u t i n a de
los trabajos y los días. Cortázar c u e n t a c ó m o p u d o él salir:

M i m a d r e r e c u e r d a q u e g r i t é , q u e se l e v a n t a r o n y v i n i e r o n , q u e l l e v ó horas
h a c e r m e d o r m i r , q u e m i t e n t a t i v a d e c o m p r e n d e r d i o s o l a m e n t e eso; e l c a n t o
d e u n g a l l o b a j o l a v e n t a n a , a l g o s i m p l e y casi r i d í c u l o q u e m e f u e e x p l i c a d o
c o n p a l a b r a s q u e s u a v e m e n t e i b a n d e s t r u y e n d o l a i n m e n s a m á q u i n a d e l es-
p a n t o : u n g a l l o , su c a n t o p r e v i o a l sol, c o c o r i c ó , d u é r m a s e m i n i ñ o , d u é r m a s e
mi bien (cit.).

L a c o l c h a de l a amnesia cae sobre el e p i s o d i o y éste q u e d a c o m o


u n m a n c h ó n l u m i n o s o e n el suelo, bajo el f o l l a j e , e n u n día soleado;
p a r c h e s de l u z y o s c u r i d a d se i n s t a l a n e n la t r a m a de los r e c u e r d o s .
C u a n d o el p e q u e ñ o se eclipsa, surge o t r a voz, la d e l g r a n d e , e n su
l u g a r : " M i m a d r e r e c u e r d a . " L a r e f l e x i ó n t r a t a c o m o p u e d e de dis-
c e r n i r e n t r e l a m e m o r i a d e l u n o y la d e l o t r o . E n este p u n t o l a m e -
m o r i a d e l n i ñ o f u e o b n u b i l a d a p o r e l p á n i c o q u e siguió al c l a m o r o s o
e s t a l l i d o d e l s i l e n c i o. Su angustia es a h o r a u n a d e m a n d a de s o c o r r o ,
u n g r i t o , al c u a l a l g u i e n d e b e r e s p o n d e r . Y ese O t r o , ¿ c ó m o p o d r í a
a u x i l i a r ? ¿ Q u é t i e n e sino palabras, de q u é está h e c h o e l O t r o sino de
palabras, frágiles tablillas de salvación q u e i n t e n t a n l a b o r i o s a m e n t e
evitar e l descalabro, dar asideros al ser e n su naufragic^, c o n s t i t u i r l o
c o m o s u b j e t i v i d a d , p e r m i t i r l e reconocerse c o m o " y o " p r o v i s t o de u n
i n t e r i o r y capaz de r e c o n o c e r y n o m b r a r a los objetos q u e l o r o d e a n
e n el e x t e r i o r ?

A l c a n t o d e l g a l l o q u e s i e m b r a el h o r r o r sigue l a c a n c i ó n de c u n a

594. J. C o r t á z a r , " ¡ A h , si e n e l s i l e n c i o e m p o l l a r a e l R o e ! " , Rayuela, cit-, c a p . 93, p .


JULIO CORTÁZAR 35

que a r r u l l a y devuelve a la suave i n d o l e n c i a d e l d o r m i r . D e u n l a d o , la


invasión de u n real i n t e m p e s d v o , d e l o t r o , la r e p a r a c i ó n c o n e l a r t i l u -
g i o de u n a o n o m a t o p e y a r e d e n t o r a , c o c o r i c ó , kikirikí, a h o r a p u e d e s
i m i t a r tú ese canto q u e te lastimaba, puedes j u g a r a ser tú e l g a l l o q u e
te amenazaba, ya n o temas mi niño, mi Men. E l c a n t o e n c a n t a y asigna
una pertenencia; c o m o objeto investido por el a m o r del O t r o el niño
es a r r a n c a d o a l o r e a l , r e d i m i d o de la angustia. A h o r a es u n ser capaz
de m e m o r i a , u n a m e m o r i a h e c h a , c l a r o está, de las palabras q u e la
l e n g u a de ese g r a n O t r o c o n c e d e . Es a h o r a u n p o l o y u n a l m a c é n
de r e c u e r d o s , de e n t r e c r u z a m i e n t o s e n t r e u n " m e p a s ó " y u n " m e
c o n t a r o n " , u n l i b r o e n d o n d e la página d e l presente evoca otras q u e
ñ i e r o n ya proyectadas y olvidadas e n el c i n e m a t o g r á f i c o d e s a r r o l l o d e
instantes anteriores. Es, llega a ser, "y*^".
^ Que una memoria, la memoria, toda, memoria nazca de la angustia?
¿No caemos e n el exceso al t o m a r la m í n i m a viñeta a u t o b i o g r á f i c a
de J u l i o Cortázar c o m o m o d e l o de la f o r m a c i ó n de la m e m o r i a y d e l
uso l u b r i c a n t e de la p a l a b r a e n la géne-sis d e l sujeto? Nos i n c l i n a m o s
a r e s p o n d e r q u e n o hay exceso y, al m i s m o tiempo, a sugerir q u e esta
f u n c i ó n a p a c i g u a d o r a de la p a l a b r a , así c o m o l a m a g n i t u d de la a n -
gustia p r e c e d e n t e y la r e l a c i ó n q u e hay e n t r e e l frágil artefacto de
los significantes y "la i n m e n s a m á q u i n a d e l e s p a n t o " t i e n e m o d o s y
características c o n t i n g e n t e s q u e h a b r í a q u e d e f i n i r e n cada i m o de
los " m e m o r i o s o s " . L a ley, q u e vale p a r a todos, o b l i g a a i n d a g a r e n l a
e x p e r i e n c i a singular de cada ser h a b l a n t e . U n o p o r u n o .
P e r m i t á m o n o s caer a h o r a e n l a t e n t a c i ó n de u n a c o n j e t u r a , de u n a
i m p r o b a b l e y fascinante c o n j e t u r a : s u p o n g a m o s q u e la i n t e n s i d a d d e
las sensaciones visuales y auditivas de ese despertar y q u e l o desmesu-
r a d o de la angustia d e l n i ñ o p u d i e r o n h a b e r cavado u n surco q u e f u e
salvado p o r la i n t e r v e n c i ó n de los d e m á s ("se l e v a n t a r o n y v i n i e r o n ,
llevó horas h a c e r m e d o r m i r " ) . E n la g r i e t a de ese surco p u d o ger-
m i n a r la v o c a c i ón d e l p o e t a d e d i c a d o a a r r i m a r palabras, a a m o n t o -
narlas, a cercar l o r e al i n n o m b r a b l e y amenazante p a r a m i t i g a r c o n
ensalmos verbales el a b a n d o n o d e l ser. C a n t o d e l g a l l o , a r r u l l o s d e l a
m a d r e , r i t m o s verbales y cadencias d e l n i ñ o así i n i c i a d o e n la p o e s í a .
P u d o h a b e r e n l o q u e c i d o , f u e rescatado, invent ó hermosas ficciones.
O t r o s escritores y escritoras, q u e estamos dispuestos a consultar,
nos a n i m a r á n a sostener esta c o n t i n u i d a d e n t r e e l espanto y la p o e s í a
q u e surge p a r a evocarlo y, e n l o posible , acallarlo. Pero n o p o d e m o s
dejar de sugerir algo más e n r e l a c i ó n c o n el r e l a t o d e l g a l l o de C o r t a -
36 JULIO CORTÁZAR

zar. ¿Y si el n i ñ o no hubiese sido d e s p e r t a d o p o r el c a n t o d e l ave? ¿Y


si e l cacareo f u n c i o n a s e c o m o r e c u e r d o e n c u b r i d o r de "otros r u i d o s "
q u e v e n í a n , n o d e l g a l l i n e r o , n o , sino de u n a r e c á m a r a v e c i na a esa
e n la c u a l l o " h a b í a n d e j a d o solo"? ¿Es la h i s t o r i a e n t e r a d e l g a l l o
u n a p a n t a l l a q u e r e c u b r e el p á n i c o d e l n i ñ o ante o t r a cosa i n c o m -
p r e n s i b l e , la "escena p r i m a r i a " f r e u d i a n a (Urszene), la de la a c t i v i d ad
sexual de u n a pareja, p o r l o c o m ú n la de los padres, q u e p r a c t i c a n la
i n v e t e r a d a c o s t u m b r e d e l c o i t o , t o t a l m e n t e ajena a la p o s i b i l i d a d de
c o m p r e n s i ó n d e l b e b é q u e d u e r m e solo y es d e s p e r t a d o p o r r u i d o s
i n c o m p r e n s i b l e s ? ¿Es u n a escena v i o l e n t a la q u e se d e s a r r o l l a a pocos
m e t r o s , hay a l g u i e n q u e sufre, hay a l g u i e n q u e goza, q u é pasa e n t r e
los a d u l t o s q u e l o e x c l u y e n y l o h a c e n — n o i m p o r t a c u a n i n v o l u n -
t a r i a m e n t e — testigo de u n a escena q u e l o solicita sin q u e él la haya
solicitado? ¿Se p r e s t a r o n los padres, presos de u n a oscura c u l p a b i l i -
d a d , a la i n t e r p r e t a c i ó n , t a n t r a n q u i l i z a d o r a . . . p a r a ellos, y le h i c i e r o n
c r e e r al n i ñ o q u e t o d o ese a l b o r o t o e n e l a m a n e c e r h a b í a sido u n a
c o n s e c u e n c i a d e l r u t i n a r i o a u n q u e e s t r i d e n t e c a n t o d e l gallo? N u n -
ca p o d r e m o s saberlo. N o p o r h i p o t é t i c a , n o p o r l o c u e s t i o n a b l e d e l
f r e c u e n t e aval de "otras e x p e r i e n c i a s clínicas semejantes", p o d r í a m o s
callar n u e s t r a hipótesis. N o p o r t e m e r a r i a la o m i t i r í a m o s .
H e m o s p a r t i d o de u n a idea d i s c u t i b l e : somos l o q u e r e c o r d a m o s ;
somos u n l i b r o d o n d e se i m p r i m i e r o n ciertos instantes de nuestra ex-
p e r i e n c i a y se g r a b a r o n c o m o si fuesen caracteres de i m p r e n t a (impresio-
nes) las palabras q u e nos h a n d i c h o . Somos m e m o r i a . Pero es tambié n
l l e g a d o el m o m e n t o de r e c o r d a r q u e somos también o l v i d o , o l v i d o sa-
l u d a b l e , d e s v a n e c i m i e n to de las marcas candentes de l o inexpresable,
de esos gallos q u e c a n t an sobre la frágil m e m b r a n a de nuestros sueños
y q u e sin r e s p i r o amenazan c o n destrozarla. T a n t o tenemos p a r a olvidar
q u e a q u e l l o q u e registramos n o es, e n última instancia, o t r a cosa q u e
u n m í n i m o residuo d e l c o n j u n t o de nuestra experiencia, u n resto que se
h a filtrado atravesando el celoso c o l a d o r d e l o l v i d o .

T o d o esto significa q u e a u n c u a n d o u n o recuerda algo que u n o n o recordaba


q u e l o r e c o r d a b a , u n o p u e d e h a b e r apenas rasgado tan sólo la superficie c o n
r e l a c i ó n a las cosas q u e u n o n o r e c u e r d a q u e u n o r e c u e r d a . ' ^

David Markson [1988], Wittgenstein's mistress, C h i c a g o , D a l k e y A r c h i v e s Press,


2 0 0 2 , p . 157.
J U L I O CORTÁZAR 37

Si la m e m o r i a , c o m o dice Cortázar, c o m i e n z a c o n el espanto, es el


m i s m o espanto e l q u e da l u g a r a esa defensa q u e n i e g a el r e c u e r d o
t a p á n d o l o c o n el piadoso m a n t o d e l o l v i d o o . . . c o n p o é t i c o s y m i s t i f i -
cadores r e c u e r d o s i n f a n t i l e s .
" M i s t i f i c a d o r e s " , acabamos de escribir. ¿Por q u é , estimado lector,
esa cara de asombro?
Por q u e el r e c u e r d o c o c o r i c ó de Cortáza r b i e n p o d r í a ser "au-
téntico".
-—Creemos q u e n o ; q u e es u n r e l a t o fascinante y lírico d e l naci-
m i e n t o de la m e m o r i a y q u e envuelve u n a v e r d a d , esa de la r e l a c i ó n
entre m e m o r i a y espanto, q u e h a b r á de sostenerse sobre otros a r g u -
m e n t o s y n o sobre el de este e p i s o d i o f r a g u a d o .
— ¿ Y s i n o fuese u n a c o n s t r u c c i ó n posterior? ¿ C ó m o p o d r í a demos-
trar q u e h u b o u n a falsificación p o é t i c a de esa " m e m o r i a " y que ella se
ha i m p u e s t o a la v e r d a d histórica?
— F á c i l m e n t e . T a n sólo l e y e n d o c o n c u i d a d o , c o n algo de descon-
fianza, j u g a n d o u n p o c o a ser detectives de la l e t r a . Basta c o n sostener
u n i n t e r r o g a n t e : ¿ Q u i é n supo, q u i é n d i j o , de d ó n d e surgió, la i d e a de
q u e f u e el gallo lo q u e d e s p e r t ó al n i ñ o ? C i e r t a m e n t e , n o d e l p e q u e -
ñ o J u l i o , q u e dice h a b e r s u f r i d o p o r q u e n o h a b í a n o c i ó n de g a l l o n i
n o m e n c l a t u r a t r a n q u i l i z a n t e . E l n o p o d í a designar la causa de su p r e -
m a t u r o y d o l o r o s o despertar. T a m p o c o p u d i e r o n ser los padres q u e ,
p o r presurosos q u e h u b i e r a n sido e n su a c u d i r al l l a n t o de la c r i a t u r a ,
n o h u b i e r a n sido capaces de d e c i r si f u e el ave c o r r a l e r a , si fue u n d o -
l o r de panza o . . . , o si f u e r o n los amorosos g i m o t e o s de la h a b i t a c i ó n
vecina. Si la e x p l i c a c i ó n e m p l u m a d a q u e le s u m i n i s t r a r o n al n i ñ o - e r a
t r a n q u i l i z a d o r a , ¿a q u i é n t r a n q u i l i z a b a? Sin d u d a , los mayores, ellos,
j u g a r o n al g a l l o (¿o a la g a l l i n a ciega?) e i n s t i l a r o n e n el n i ñ o u n a
creencia. A p a r t i r de ese día J u l i o Cortáza r c o m p r e n d i ó l o q u e era "el
g a l l o " : u n n o m b r e p a r a su angustia, p r i v a d a de significantes, y c o m -
p r e n d i ó q u e p a r a d o m e s t i c a r la f á b r i c a d e l espanto h a b í a que h a c e r
u n a n a r r a c i ó n , c o n t a r u n c u e n t o q u e pudiese servirle, n o p a r a d o r -
m i r , c o m o es h a b i t u a l que se haga c o n los n i ñ o s , sino p a r a d e s p e r t ar
y p o d e r a g u a n t a r e l peso de las t e m i b l e s auroras. E n este caso, c o m o
en tantos o t r o s , e l r e c u e r d o h a b r í a sido t r a n s f o r m a d o e n m e m o r i a ,
e n Deckerinnerung, r e c u e r d o e n c u b r i d o r . Luego, andando el tiempo, la
historia llegaría a ser (edgaralan) poética. Espantosa y, a la vez, consoladora.
Para mayor gloria del olvido.
L A M E M O R L \S U N A R M A R I O R E B O S A N T E D E F A N T A S M A S

1. F R E I I I > Y L O S O R Í G E N E S D E L A MEMORIA

N a d i e d u d a e n a t r i b u i r a F r e u d d e s c u b r i m i e n t o s esenciales sobre los


e n i g m a s d e l p s i q u i s m o i n f a n t i l . N u e s t r o tema, el de los comienzos de la
m e m o r i a p e r s o n a l , es casi consustancial c o n el n a c i m i e n t o d e l psicoa-
nálisis. L a s indagaciones de F r e u d f u e r o n , d i c h o sea sin e x a g e r a c i ó n ,
encarnizadas, t a n t o e n sus pacientes y e n él m i s m o c o m o e s t u d i a n d o
los t e s t i m o n i o s q u e p o d í a consegui r de colegas o literatos q u e h u b i e -
sen escrito sobre ese t e m a . E n í n t i m a r e l a c i ó n c o n la e x p l o r a c i ó n de
los i n i c i o s de la memoria están sus investigaciones, i g u a l m e n t e tenaces,
sobre las razones del f e n ó m e n o c o n t r a r i o , e n a p a r i e n c i a negativo , el
ohñdo, revés y cara opuesta de la m i s m a m e m o r i a . Para él, e n u n p r i n -
c i p i o , a fines del siglo x i x , era tan c i e r t o q u e se o l v i d a p a r a alejar a
los r e c u e r d o s h i r i e n t e s c o m o q u e se r e c u e r d a de m a n e r a disfrazada,
e n c u b i e r t a , p a r a m a n t e n e r a raya o t r a r e m i n i s c e n c i a q u e se p r e f i e r e
alejar de l a c o n c i e n c i a . Se r e c u e r d a para m e j o r o l v i d a r o desconocer.^
L a m e m o r i a , e n la perspectiva d e l psicoanálisis, es u n patchwork: l o f r a g -
m e n t a r i o y lo selectivo de su trabajo (sí; e n efecto, hay u n trabajo de la
memoria) deriva de su o b e d i e n c i a al p r i n c i p i o de placer. L a e c o n o m í a
subjetiva, de a c u e r d o c o n e l p r i m e r F r e u d , t i e n d e a evitar el displacer
y, s i r v i e n d o a t a l fin, p r e f i e r e l a represión al r e c u e r d o p a r a n o v u l n e r a r
ese p r i n c i p i o soberano. A l d o l o r es m e j o r o l v i d a r l o . . . si se p u e d e . E l
s e g u n d o F r e u d , después de 1921, descubre q u e e n m u c h a s ocasiones
sucede lo c o n t r a r i o , q u e , m^s allá del principio de placer, el r e c u e r d o t r a u -
m á t i c o ejerce u n a atracció n fatal y el sujeto goza r e m e m o r a n d o h u m i -
llaciones, vergüenzas y pérdidas irreparables.

' L a s r e f e r e n c i a s o b l i g a d a s s o n , s i g u i e n d o la e d i c i ó n d e las Obras completas d e Sig-


m u n d F r e u d , c i L , los trabajos " S o b r e los r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " ( 1 8 9 9 ) , v o l , i i i , p p ,
301-320, Psicopatología de la vida cotidiana ( 1 9 0 1 ) , v o l . i v , c a p . 4, Un recuerdo infantil de
Leonardo da Vinci ( 1 9 1 0 ) , v o l . x i , p p . 53-128 ( e s p e c i a l m e n t e p p . 77-81) y " U n r e c u e r d o
d e i n f a n c i a e n Poesíay verdad [ d e G o e t h e ] " ( 1 9 1 7 ) , v o l . x v i i , p p . 1S7-150.

[38]
SIGMUNO FREUn 39
F r e u d sigue y seguirá s i e n d o actual e n el t e m a . L a más d e t a l l a d a
investigación de los m e c a n i s m o s cerebrales de la m e m o r i a y el o l v i -
bienvenida, c o m o necesariamente lo es— no podrá dar otra
cosa q u e a q u e l l o q u e p r o m e t e : el saber de los m e c a n i s m os y de los
n ú c l e o s de células y n e u r o t r a n s m i s o r e s q u í m i c o s i n v o l u c r a d o s . N o se
p o d r í a e n t r a r c o n avanzados recursos t e c n o l ó g i c o s e n la c u e s t i ó n de
p o r q u é se r e c u e r d a algo e n p a r t i c u l a r y se o l v i d a e n p a r t i c u l a r o t r a
cosa. A c l a r e m o s , p a r a p r e v e n i r o b j e c i o n e s , q u e n o es ésta o p i n i ó n
u n i v e r s a l m e n t e aceptada. Existe e n el c a m p o de las n e u r o c i e n c i a s
u n a c o r r i e n t e " r e d u c c i o n i s t a " q u e p r e t e n d e q u e la p e r d u r a c i ó n e n
n u e s t r o siglo x x i de tesis " p s i c o l ó g i c a s " es la c o n s e c u e n c ia t a n sólo
de u n a f a l t a t r a n s i t o r i a e n el saber c i e n t í f i c o - n a t u r a l . E l p r o g r a m a ,
sostenido t a m b i é n p o r p s i c ó l o g o s cognitivistas e x t r e m o s , aspira a u n a
t o t a l " n a t u r a l i z a c i ó n " de la m e n t e , a u n pasaje d e l d t i a l i s m o (carte-
siano o n o ) a la o n t o l o g í a s i m p l i f i c a d a de u n m o n i s m o r a d i c a l . E l
c e r e b r o , u n a vez i n v e s t i g a d o , desde esta perspectiva, a r r o j a r á todas
las claves p a r a e x p l i c a r e l f u n c i o n a m i e n t o d e l p s i q u i s m o y la v i d a
a n í m i c a d e l sujeto.^
N u e s t r o p u n t o de p a r t i d a y n u e s t r o m é t o d o i m p u g n a n la hipótesis
reductiva: el estudio de las razones personales d e l r e c u e r d o , s i e m p r e
distintas p a r a cada sujeto, es inaccesible a las técnicas de r e s o n a n c i a
m a g n é t i c a , de e m i s i ó n de p o s i t r o n e s y de m e d i c i ó n de la a c t i v i d a d
eléctrica y de los c a m b i o s de p o t e n c i a l e n las sinapsis n e u r o n a l e s v i n -
culados c o n a c o n t e c i m i e n t o s y prueba s q u e c o n s e r v a n e l estilo de los
aparatos p a r a detectar m e n t i r a s . Es p e r m e a b l e , p o r el c o n t r a r i o , a la
e x p e r i e n c i a dialéctic a d e l e n c u e n t r o de q u i e n cree " t e n e r " la m e m o -
ria c o n o t r o ser h a b l a n t e h a b i l i t a d o p a r a e n t e n d e r c ó m o el r e c u e r d o ,
sin consideraciones p o r la " a u t e n t i c i d a d " de la e x p e r i e n c i a q u e e n
él se evoca, es p o r t a d o r de la v e r d a d d e l sujeto. Las i n e x a c t i t u d e s de
la m e m o r i a n o son m e n t i r a s p a r a detectar sino palomas mensajeras
de los reales m o t i v o s actuantes en el f u n c i o n a m i e n t o a n í m i c o ; ellas
p u e d e n ser investigadas; son accesibles a la razón dialéctica y n o a l a
razón i n s t r u m e n t a l .

^ E. R. K a n d e l , In searck of memory. The eniergence of a nezv science of mind, N u e v a Y o r k ,


N o r t o n , 2006. O b r a notable: el autor, j u d í o n a c i d o e n V i e n a en 1931, a d m i r a d o r de
F r e u d , P r e m i o N o b e l d e M e d i c i n a ( 2 0 0 0 ) , r e l a t a los c o m i e n z o s d e su f o r m a c i ó n c o m o
psicoanalista y su d e d i c a c i ó n u l t e r i o r a t m a " c i e n c i a de l a m e n t e " q u e p o d r í a i n t e g r a r al
saber p s i c o a n a l í t i c o . . . si éste r e n u n c i a r a al c o n c e p t o d e i n c o n s c i e n t e . E n La m.emoria, la
inventora n o s o c u p a r e m o s d e sus i n v e s ü g a c i o n e s y d e s u v i d a .
40 SIGMUND FREUD

L a tesis f r e u d i a n a p u e d e resumirse e n pocas líneas: t a n t o el recuer-


d o c o m o el o l v i d o de episodios de l a p r o p i a v i d a están m o t i v a d o s ,
r e s p o n d e n a u n p r i n c i p i o de causalida d y de míiltiple d e t e r m i n a c i ó n .
U n o y o t r o , r e c u e r d o y o l v i d o , n o son registros o pérdidas m e c á n i c a s
y t a m p o c o p o d r í a n ser totales. Pero, c o m o ya h e m o s a d e l a n t a d o , la
memoria fre^xdiana es una moneda de tres caras. A d e m á s de la m e m o r i a
y e l o l v i d o existe \-3i.represión, es decir, e l f u n c i o n a m i e n t o d e l incon.s-
c i e n t e d e c i d i e n d o q u é , c ó m o y c u á n t o se r e c o r d a r á y se olvidará. L a
m e m o r i a f r e u d i a n a es i n f i e l a l a v e r d a d histórica, a la c r ó n i c a de los
a c o n t e c i m i e n t o s "reales". A c t ú a, n o c o m o u n p r e t e n d i d o " p e r i o d i s -
ta o b j e t i v o " — q u e , b i e n sabemos, n o existe—, sino d i s t o r s i o n a n d o
los r e c u e r d o s y m e z c l á n d o l o s c o n fantasías, c o n novelas f a m i l i a r es y
c o n m i t o s i n d i v i d u a l e s . Los r e c u e r d o s , t a n t o más c u a n t o más p r e c o -
ces, son colajes q u e m e z c l a n rastros de las e x p e r i e n c i a s vividas c o n
los deseos y las aspiraciones p u l s i o n a l e s de la p e r s o n a q u e los evoca y
d e p e n d e n t a m b i é n de la p e r s o n a o d e l c o n t e x t o e n los cuales se p r o -
d u c e l a e v o c a c i ó n . E n otras palabras, la escena del relato del recuerdo es
t a n decisiva p a r a c o m p r e n d e r l o c o m o el texto mismo de lo recordado. L a
m e m o r i a n o es i n d e p e n d i e n t e de su d e s t i n a t a r i o. E l r e c u e r d o i n f a n -
t i l se parece más a u n a c o n s t r u c c i ó n o n í r i c a ( q u e r e q u i e r e de i n t e r -
p r e t a c i ó n ) q u e a u n a r e p r o d u c c i ó n f o t o g r á f i c a de u n a c o n t e c i m i e n t o
pasado q u e , c o n i n g e n u i d a d , se c o n t e m p l a y se acepta c o m o u n fait
accomplL Sabemos q u e t a m p o c o las fotografías son i n g e n u a s , q u e hay
u n deseo a c t u a n t e detrás de l a decisió n de t o m a r l a , de e n m a r c a r l a ,
de i l u m i n a r l a , de seleccionar l o q u e será visible y l o q u e p e r m a n e c e r á
o c u l t o . T a m b i é n la fotografí a es u n h e c h o de discurso y u n mensaje
q u e busca su d e s t i n a t a r i o . U n a carta {letter, lettre). C o n m a y o r razón, e l
r e l a t o de u n r e c u e r d o .
E n l a perspectiva f r e u d i a n a el r e c u e r d o n o es a c e p t a d o p o r su va-
l o r f a c i a l . S i e m p r e r e t o r n a la p r e g u n t a acerca d e l p r o c e s o p o r el c u a l
f u e c o n s t r u i d o y l l e gó a t o m a r su f o r m a actual. I n t e r e sa el trabajo del
recuerdo, e l p r o c e s o de su distorsión, m á s q u e su f o r m a actual. T o d a
m e m o r i a es sospechosa.
E l ser h u m a n o —es u n a c o n s t a t a c i ó n e l e m e n t a l — c o m i e n z a su
existencia e n u n estado de i n d e f e n s i ó n d e l q u e sólo p u e d e salir p o r e l
a u x i l i o a j e n o y, p a r t i c u l a r m e n t e p o r la i n t e r v e n c i ó n de i n s t i t u c i o n e s
c u l t u r a l e s e n t r e las cuales r e s u l t a n esenciales el l e n g u a j e y la f a m i l i a .
D o s q u e son u n a : es e n el seno de la f a m i l i a d o n d e el sujeto se i m -
p r e g n a de su " l e n g u a m a t e r n a " . E l r e c u e r d o y e l o h d d o están ligados
SIGMUND FREUD 41

a la f u n c i ó n d e l lenguaje e n el c a m p o de la p a l a b r a . Si c o n s i d e r a m o s
la " h i s t o r i a de la m e m o r i a " c o m o u n a institución (sería u n a empresa
o r i g i n a l ) veríamo s que los m e c a n i s m o s y estructuras cerebrales q u e la
sirven n o f u n c i o n a n p o r su p r o p i a cuenta; ellos se p o n e n al servicio
de la " p e r s o n a " i n m e r s a e n el lenguaj e q u e es, j u s t a m e n t e , el sujeto
del inconsciente.
El cerebro interviene, p o r cierto, pero subordinándose — y n o
siempre c o n l e a l t a d — a las necesidades y conveniencia s d e l sujeto e n
su relación social c o n los d e m á s .
Los m o d e r n o s científicos q u e c o n o c e n de las estructuras n e u r o l ó -
gicas y de los n e u r o t r a n s m i s o r e s específicos d i s t i n g u e n c o n p r e c i s i ó n
dos mecanismos c o m p l e m e n t a r i o s e n la m e m o r i a : u n o de " p r o d u c -
c i ó n " d e l r e c u e r d o q u e es la inscripción de sus huellas, encoding, y
o t r o q u e es de "utilización" de la m e m o r i a c o d i f i c a d a , es decir, de
r e c u p e r a c i ó n de los r e c u e r d o s p o r activación de esas huellas, retríeval.
F r e u d los l l a m a b a , r e s p e c t i v a m e n t e, procesos de formación {encoding)
y de afloramiento (retrieval) de los r e c u e r d o s . Esta pareja c o n c e p t u a l re-
a p a r e c e r á c u a n d o estudiemos las m e m o r i a s i n f a n t i l e s de los escritores
que nos servirán para p o n e r a p r u e b a la tesis de J u l i o Cortázar y, m u y
en p a r t i c u l a r , c u a n d o e s t u d i e m o s ( e n el c a p í t u l o 1.3) las c o n s e c u e n-
cias teóricas de la s o r p r e n d e n t e —^y r i g u r o s a m e n t e f r e u d i a n a — aseve-
ración de Georges Perec: " N o t e n g o r e c u e r d o s de i n f a n c i a , "
F r e u d n o estaba p r e o c u p a d o p o r la " a u t e n t i c i d a d " d e l aconteci-
m i e n t o r e c o r d a d o o p o r la m a n e r a e n q u e se r e g i s t r a o se r e c u p e r a u n
r e c u e r d o sino p o r el m o d o e n q u e él es e l a b o r a d o p o r e l i n c o n s c i e n t e
y la i n f l u e n c i a q u e ejerce a l o l a r g o de la v i d a u l t e r i o r de u n sujeto.
A l g u n o s h a n h a b l a d o de u n a *Verdad narrativa"^ p a r a d i s t i n g u i r l a de
la " v e r d a d histórica".
El f u n d a d o r d e l psicoanálisis estaba c o n v e n c i d o , según se lee e n
n u e s t r o epígraf e d e l p r i m e r c a p í t u l o ( p . 9 ) , de la i m p o r t a n c i a c a p i t a l
y p e r d u r a b l e d e l p r i m e r r e c u e r d o . Si u n a r e m e m b r a n z a se salva de la
amnesia de los p r i m e r o s a ñ o s , s u p o n í a , es p o r h a b e r en ella a l g o q u e ,
d i r e c t a o i n d i r e c t a m e n t e , h a e j e r c i d o y sigue e j e r c i e n d o a lo l a r g o de
la v i d a u n a f u n c i ó n o r i e n t a d o r a . L o s c o n t e n i d o s manifiestos y s i m b ó -

^ D . S p e n c e , Narrative truth and historical truth, N u e v a Y o r k , N o r t o n , 1982. D . S p e n -


ce: " T h e r h e t o r i c a l volee o f p s y c h o a i i a l y s i s " , y . Amer: Psychoanal. Assn. 38: 579-603, 1990.
S. W e t z l e r : " T h e h i s t o r i c a l t r u t h o f p s y c h o a n a l y l i c r e c o n s t r u c t i o n s " Int R. of Psychoanal.
12:187-197, 1985. R R i c o e u r , " L a i d e n t i d a d n a r r a t i v a " , e n Historia y narratividad, t r a d . ,
A , S a u q u i l l o , B a r c e l o n a , P a i d ó s , 1999, p p . 215-240.
42 SIGMUND FRFUD

lieos de ese p r i m e r r e c u e r d o n o p u e d e n ser i n d i f e r e n t e s a q u i e n se


p r o p o n e explorar el psiquismo.
F r e u d c o n o c í a b i e n a los autores de su t i e m p o . E n e l a r t í c u lo de
1899 (cit. ) h a c í a r e f e r e n c i a a las "investigaciones " ( m e d i a n t e cuestio-
n a r i o s ) de B i n e t y H e n r i (1895) y de los h e r m a n o s H e n r i (1897) q u e
p a r e c e n a p u n t a r a favor de la tesis q u e p r o v i s o r i a m e n t e h e m o s h e c h o
n u e s t r a : " L a m e m o r i a e m p i e za en el e s p a n t o . " F r e u d los cita sin des-
tacar q u e n a d a e n ellos parece compadecers e d e l p r i n c i p i o de place r
y la evitación d e l displacer.

E l c o n t e n i d o m á s f r e c u e n t e d e l o s p r i m e r o s r e c u e r d o s i n f a n t i l e s es, b i e n e l d e
m i e d o , v e r g ü e n z a o d o l o r físico, b i e n e l d e los a c o n t e c i m i e n t o s i m p o r t a n t e s , e n -
f e r m e d a d e s , m u e r t e s , i n c e n d i o s , nadmienío (le un liermano, e t c . ( c u r s i v a s m í a s ) .

S i g m u n d , q u e n o conserva n i n g ú n r e c u e r d o c o n s c i e n t e d e l n a c i -
m i e n t o de los dos h e r m a n o s q u e le s i g u i e r o n (Julius y A n n a ) , deja
c o n s t a n c i a de su e x t r a ñ e z a al e n c o n t r a r q u e , e n c o n t r a d i c c i ó n c o n
esa hipótesis, los p r i m e r o s r e c u e r d o s de a l g u n o s a d u l t o s c t i e n t a n i m -
presiones cotidianas e i n d i f e r e n t e s q u e n o p u d i e r o n p r o v o c a r afecto
a l g u n o e n e l n i ñ o y q u e , sin e m b a r g o , q u e d a r o n impresas c o n t o d o
d e t a l l e e n su m e m o r i a m i e n t r a s q u e o t r o s a c o n t e c i m i e n t o s i m p o r t a n -
tes de l a m i s m a é p o c a h a n pasado sin dejar h u e l l a . ¿ P o r q u é g r a b a r
nimiedades?
Son los r e c u e r d o s de c o n t e n i d o e m o c i o n a l i n d i f e r e n t e los q u e
l a n z a n a F r e u d a p r e g u n t a r s e p o r las razones de su r e t e n c i ó n . Inves-
t i g a n d o c o n su f l a m a n t e m é t o d o p s i c o a n a l í t i c o y t o m á n d o s e a sí mis-
m o c o m o o b j e t o y sujeto de la b ú s q u e d a , u n a b ú s q u e d a c o n fuertes
t i n t e s de p r o u s t i s m o avant la lettre, llega a la c o n c l u s i ó n de q u e esos
r e c u e r d o s s o n t a m b i é n de i m p o r t a n c i a c a p i t a l a u n q u e , p o r la a c c i ó n
de m e c a n i s m o s inconscientes de disimulación , p a r e c e n inofensivos .
L a f ó r m u l a e n la qtxe d e s e m b o c a es q u e el c o n t e n i d o anodino, es de-
cir, l i t e r a l m e n t e , i n d o l o r o , de tales m e m o r i a s es el r e s u l t a d o de u n
c o m p l i c a d o proces o de conflicto (para alejar el d i s p l a c e r ) , represión (de
l o i n c o n c i l i a b l e c o n l a organización d e l yo) y sustitución transaccional
(de las representacione s p o r t a d o r a s de d o l o r y angusti a p o r otras, e n
a p a r i e n c i a i n o c u a s ) . L a e s t r u c t u r a d e l r e c u e r d o es c o m p a r a b l e a la
d e l s í n t o m a y su c o m p o s i c i ó n c o r r e pareja c o n la de los s u e ñ o s . P o r la
i n t r o m i s i ó n d e l i n c o n s c i e n t e difícil es d i s t i n g u i r , e n la m e m o r i a i n f a n -
t i l , u n a r e m i n i s c e n c i a de u n s u e ñ o .
SIGMUND FREUD 48

Por c i e r t o q u e hay episodios i m p o r t a n t e s e n los p r i m e r o s a ñ o s de


la vida q u e n o d e j a n h u e l l a ( n o h a n sido " c o d i f i c a d o s " —encoded), el
destete, p o r e j e m p l o , o la p r i m e r a e x p e r i e n c i a de r e c o n o c i m i e n t o de
sí e n e l espejo. N i n g u n a anamnesis l o g r a r e e n c o n t r a r {to retrieve) esos
m o n u m e n t o s sepultados de la epopey a p e r s o n a l . O t r o s sucesos hay
que p a r e c e n p e r d i d o s p e r o q u e se r e c u p e r a n e n ocasión de u n e n -
c u e n t r o q u e p u e d e ser ocasional o a c c i d e n t a l c o n u n o b j e t o o c o n u n a
palabra q u e desencadena e l r e c u e r d o {retrieval cues, c o m o la magdale-
na l e g e n d a r i a de Proust o la c u n a d e l e j e m p l o de G a r c í a Márquez)."^
L u e g o , al n i ñ o ya c r e c i d o , d u e ñ o de las fianciones lógicas i n h e r e n t e s
al lenguaje, le será posible p o n e r e n o r d e n u n a secuencia c r o n o l ó g i c a
de la m e m o r i a de los c a m i n o s p o r d o n d e el yo a n d u v o . Estos recuer-
dos más tardíos de u n t i e m p o q u e l l a m a m o s c o n p e r t i n e n c i a " e d a d
escolar" p e r t e n e c e n , t ó p i c a m e n t e , al c a m p o de l o p r e c o n s c i e n t e : n o
son conscientes de m o m e n t o , p e r o p u e d e n llegar a serlo sin necesi-
d a d de levantar n i n g u n a r e p r e s i ó n n i de vencer tercas resistencias.
Están ahí, p o r así decir, a disposición de q u i e n h a b l a y cuenta . Es l a
memoria autobiográfica, v a r i e d a d m n é m i c a q u e cabalga e n l a j u n t u r a de
lo s e m á n t i c o y l o e p i s ó d i c o y q u e se ve i n f i l t r a d a p o r el trabajo de la
fantasía q u e hace de la v e r d a d ficción y de la ficción i n s t r u m e n t o de
la v e r d a d . Q u e hace, d e l deseo, h i s t o r i a .
Los psicólogos h a n s e ñ a l a do desde s i e m p r e la v a r i a b i l i d a d de la
é p o c a e n q u e se h a fijado el p r i m e r r e c u e r d o . Personas hay q u e p r e -
t e n d e n q u e los t i e n e n desde su p r i m e r a ñ o de vida; otras l l e g a n a eda-
des tan tardías c o m o los o c h o o diez años y todos los m o m e n t o s i n t e r -
m e d i o s h a n sido invocados. M u c h o s , F r e u d e n t r e ellos, se s o r p r e n d e n
d e l c a r á c t e r a p a r e n t e m e n t e trivia l de estas p r i m e r a s m e m o r i a s . Si el
r e c u e r d o parece b a n a l es p o r q u e i n t e r v i e n e n procesos de desplaza-
m i e n t o q u e l l e v a n a desconoce r {rechazar) su v e r d a d e r a significación.
Hay, e n tal caso, represiones q u e levantar. E l r e c u e r d o es c o m o el c o n -
t e n i d o m a n i f i e s t o de t i n s u e ñ o : es u n m a t e r i a l q u e debe ser i n t e r p r e -
tado p a r a acceder al saber i n c o n s c i e n t e q u e se o c u l t a tras la p a n t a l l a
{Deck, screen, écran) de u n a s u p e r f i c i e a n o d i n a . Son encubridores. Esta
característica " e n c u b r i d o r a " n o es u n a p r o p i e d a d de algunos recuer-
dos m i e n t r a s q u e otros serían " d e s c u b r i d o r e s " . F r e u d sostiene q u e , sin
e x c e p c i ó n , los " r e c u e r d o s de i n f a n c i a " ( e n t r e c o m i l l a d o s p o r el p r o p i o
a u t o r q u e d e s c o n f í a de ellos) son fabricados c o m o f o r m a c i o n e s de

^ V é a s e infra, c a p í t u l o 6.
44 SIGMUNO FREUn

c o m p r o m i s o q u e e x p r e s a n el deseo a la vez q u e l o d i s i m u l a n p o r el
t r a b a j o de la fantasía. Esos " r e c u e r d o s " de los individuos^'

llegan con total universalidad a adquirir el significado de unos "recuerdos en-


cubridores", y de esc modo cobran notable analogía con los rectierdos de
infancia de los pueblos, consignados en sagas y mitos (ctirsivas mías).

U n rasgo de estos p r i m e r o s r e c u e r d o s es su c a r á c t e r visual, el m o d o


plástico de la c o m p o s i c i ó n ("sólo c o m p a r a b l es a aquellas q u e se re-
p r e s e n t a n sobre u n escenario") y el p a p e l p r o t a g ó n i c o q u e el n i í i o
m i s m o t i e n e e n ellas. Los psicólogos de hoy,^ c i t a n d o al F r e u d de 1899
c o m o predecesor, a f i r m a n la necesaria distinción e n t r e los r e c u e r d o s
e n q u e se evoca el escenario d o n d e el n i ñ o es t i n o b j e t o i n m e r s o e n él
y a q u e l l o s d o n d e se r e m e m o r a l o visto desde el c a m p o visual d e l suje-
to m i s m o . L a t é c n i c a de la n a r r a c i ó n c i n e m a t o g r á f i c a p e r m i t e i l u s t r a r
la d i s t i n c i ó n e n t r e las escenas filmadas c o n c á m a r a subjetiva (en las
q u e se filma l o q u e el p r o t a g o n i s t a ve) y las escenas rodadas desde u n a
e x t e r i o r i d a d objetiva , d e c i d i d a p o r el c a m a r ó g r a f o e i n d e p e n d i e n t e
de los personajes. Es u n a a n a l o g í a t a m b i é n o p e r a n t e e n el c a m p o d e l
c u e n t o y la novela, d o n d e se d i s t i n g u e e n t r e el n a r r a d o r q u e c u e n t a ,
e n p r i m e r a p e r s o n a , l o q u e le es dable ver y saber y el n a r r a d o r o m -
n i s c i e n t e , q u e se instala e n el saber sin fallas de u n a tercera person a
d o t a d a , p o r l o c o m ú n , de u n a m i r a d a de águila q u e i n c l u y e t a n t o l o
e x t e r i o r c o m o l o i n t e r i o r de cada personaje. Schacter (cit.) los d e n o -
m i n a , r e s p e c t i v a m e n t e , recuerdos de observador ( e n p r i m e r a persona) y
recuerdos de campo ( e n tercera p e r s o n a ) . Observery field memories, respec-
t i v a m e n t e . E l r e c u e r d o de c a m p o es, p o r fuerza, c o m o ya l o a p u n t a b a
F r e u d , el e f e c t o de u n a falsificación. ^

En la mayoría de las escenas infantiles sustantivas y exentas de toda otra objeción


uno ve en el recuerdo a la persona propia como un niño y sabe que uno mismo
es ese niño; pero ve a ese niño como lo vería un observador situado fucia de la
escena [.-.] N o obstante, resulta claio que esa imagen mnémica no puede ser la
repetición fiel de la impresión entonces sentida. En efecto, uno se encontraba
en medio de la situación y no atendía a sí mismo sino al mundo exterior.

^ S. F r e u d [ 1 9 0 1 ] , Psicopatología de la vida cotidiana, cit., p . 52.


^ D . L . Schacter, Searchingfor memory, N u e v a Y o r k , Basic B o o k s , 1996, p . 2 1 .
^ S. F r e u d [ 1 8 9 9 ] , " S o b r e los r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " , c i t . , v o l . i i i , p . 314.
SIGMUND FREUD
45
Los "recuerdos de i n f a n c i a " d e l a t an su c o n d i c i ó n de a r t i f i c i o s p o r
ser "recuerdos de c a m p o " , episodios vistos c o n el o j o d e l o t r o q u e ma-
neja la c á m a r a d e l v i d e o . L a i m p r e s i ó n o r i g i n a r i a d e l "yo a c t u a n t e " (el
q u e vivió la e x p e r i e n c i a ) se ha p e r d i d o e n l a t r a d u c c i ó n al l e n g u a j e y
a los intereses d e l "yo r e c o r d a d o r " (el q u e la evoca p r e t e n d i e n d o ser
i d é n t i c o al p r i m e r o ) .
F r e u d n o c r e í a c o n i n g e n u i d a d q u e los r e c u e r d o s a p o r t a b a n el co-
n o c i m i e n t o de l o que de veras s u c e d ió en el pasado; p o r el c o n t r a r i o ,
pensaba q u e l o f u n d a m e n t a l era j u s t a m e n t e la distorsiÓTi {Entstellung,
t o d o l o c o n t r a r i o de la exactitud) q u e el sujeto i m p o n í a al m a t e r i a l
r e c o r d a d o para l o g r a r q u e el r e c u e r d o sirviese a los fines d e l p r i n c i -
p i o de placer y a sus conveniencias personales. E l o b j e t i v o p e r s e g u i d o
p o r e l psicoanálisis de los r e c u e r d o s es detectar la o b e d i e n c i a de la
r e m e m b r a n z a al placer o al goce, a la belleza plástica o e l espanto a n t e
lo siniestro (unheimlich) y, e n última instancia, ai i n e v i t a b le o l v i d o . Esa
es la u t i l i d a d d e l r e c u e r d o y ella i m p o r t a más q u e u n a p r o b l e m á t i c a
r e c u p e r a c i ó n de la h i s t o r i a usando algún vehícul o para viajar hacia
atrás, hacia el pasado, a v e n t u r á n d o s e e n la d i m e n s i ó n d e l t i e m p o ,
c o m o los q u e gusta i m a g i n a r la ciencia-ficción . Así, el r e c u e r d o se
c o n v i e r t e e n h e r r a m i e i : i t a p a r a la investigación de las fantasías r e c ó n -
ditas y p a r a la e x p l o r a c i ó n d e l i n c o n s c i e n t e . E n r i g o r , sostenía F r e u d ,
n o cabe d i f e r e n c i a r estos r e c u e r d o s falseados de las fantasías. N a d a de
e x t r a ñ o e n esto; todos " r e c o r d a m o s " relatos, obras de la i m a g i n a c i ó n :
l a n u e s t r a y l a ajena. N a d a m o s e n u n m a r de historias, las q u e i n v e n t a -
mos y las q u e o t r o s i n v e n t a n p a r a nosotros.
L a v e r d a d histórica yace e n esos r e c u e r d o s p e r o e s c o n d i da y de-
f o r m a d a . P o d e m o s arriesgar u n a f o r i s m o : "Si e n algo i n t e r v i e n e l a
m e m o r i a , el resultado, p o r f u e r z a , es falso." Nos colocamos así e n la
d i r e c t a l í n e a f r e u d i a n a q u e t e r m i n a su e x p l o r a c i ó n de los r e c u e r d o s
e n c u b r i d o r e s m a n i f e s t a n d o la sospecha de q u e todos nuestros recuerdos
infantiles conscientes m u e s t r a n nuestros c o m i e n z o s e n la existencia n o
c o m o ellos f u e r o n sino c o m o ellos nos p a r e c e n al evocarlos e n é p o -
cas posteriores. L-os r e c u e r d o s n o p r o c e d e n de aquellos t i e m p o s sino
q u e f u e r o n f o r m a d o s e n t o n c e s p o r razones y m o t i v o s m u y ajenos a
las metas "de la fidelidad histórico-vivencial".^ F r e u d m a r c a la d i s t i n -
ción, recalcada t a m b i é n h o y p o r los "científicos de la m e m o r i a " e n t r e
el m o m e n t o de formación de los r e c u e r d o s (encoding y el m o m e n t o

S, F r e u d f l 8 9 9 ] , cit., v o l . u i , p . 31.5.
46 STGMUND FREUD

de afloramiento de los m i s m o s {retriexjal). L a i n f a n c i a n o aparece tal y


c o m o f u e sino tal y c o m o se nos ( r e ) p r e s e n t a e n t i e m p o s posteriores:
a esos a ñ o s t e m p r a n o s los m o d e l a m o s , los construimos, los n o v e l a m o s .
L a m e m o r i a p e r s o n a l c o n s t r u ye m i t o s . F r e u d estuvo e n t r e los p r i -
m e r o s e n e q u i p a r a r a la h i s t o r i a de las c o m u n i d a d e s c o n la m e m o r i a
de los i n d i v i d u o s singulares. Él n o vacilaba en c o m p a r a r a la n a i i a c i ó n
q u e e l sujeto se c u e n t a p o r m e d i o de estos " r e c u e r d o s " c o n la h i s t o r i o -
g r a f í a de los p u e b l o s q u e f a b r i c a n u n a h i s t o r i a a r t i f i c i o s a de l o olvida-
d o , " u n a h i s t o r i a de la p r e h i s t o r i a " , q u e se a c o m o d a e x a c t a m e n t e a las
o p i n i o n e s y deseos d e l presente. ^

M u c h a s c o s a s se e l i m i n a r o n d e l a m e m o r i a d e l p u e b l o , o t r a s se d e s f i g u r a r o n ,
n u m e r o s a s h u e l l a s d e l p a s a d o f u e r o n o b j e t o d e u n m a l e n t e n d i d o al i n t e r p r e -
t á r s e l a s e n e l s e n t i d o d e l p r e s e n t e , y a d e m á s l a h i s t o r i a n o se e s c r i b í a p o r l o s
m o t i v o s d e u n o b j e t i v o a p e t i t o d e saber, s i n o p o r q t t e u n o q u e r í a i n f l u i r sobre
sus c o n t e m p o r á n e o s , a n i m a r l o s , e d i f i c a r l o s o p o n e r l e s d e l a n t e u n e s p e j o .

Así, p o r m e d i o de los recuerdos , la m e m o r i a consciente de u n


h o m b r e es u n vestido de a r l e q u ín q u e h a sido c o n f e c c i o n a d o tardía
y t e n d e n c i o s a m e n t e . Sin e m b a r g o , la pesquisa e n tales materiales de
disfraz es f u n d a m e n t a l p a r a r e c o n s t r u i r la v e r d a d histórica i r r e c u p e r a -
b l e . Tras estas huellas m n é m i c a s , q u e e l sujeto m i s m o m a l c o m p r e n d e ,
"se e s c o n d e n inestimables t e s t i m o n i o s de los rasgos m á s significativos
de su d e s a r r o l l o a n í m i c o " . Sobre esta base es q u e F r e u d c o n d u c e su
investigación detectivesca p a r a l l e n a r las lagunas de l a h i s t o r i a i n f a n t i l
de L e o n a r d o d a V i n c i y t a m b i é n las de G o e t h e .

2. E L R E C U E R D O P R I M E R O N A R R A D O P O R G O E T H E Y L E I D O P O R FREUD

Pasaremos r á p i d a m e n t e , sin r e p a r a r e n él, sobre e l r e l a t o q u e hace


L e o n a r d o de su e n c u e n t r o , c u a n d o era p e q u e ñ o , c o n e l b u i t r e q u e
le m e t í a la cola e n la boca y q u e resultó ser u n m i l a n o . M u c h o se
h a escrito al respecto y p o c o p o d r í a m o s agregar. E l c o m e n t a r i o de
F r e u d [ 1 9 1 0 ] , r o z a n d o la i n v e r o s i m i l i t u d , sigue s i e n d o u n y a c i m i e n t o
de p l a c e r estético e i n t e l e c t u a l , u n r e l a t o q u e sigue las reglas d e l n a d a
desdeñable género policial.

^ S. F r e u d [ 1 9 1 0 ] , c i t . , v o l . x i , p . 78.
SIGMUND FREUD 47

F r e u d se dedica, siete a ñ o s después d e l e s t u d i o sobre L e o n a r d o ,


e n m e d i o de la p r i m e r a g u e r r a m u n d i a l , a analizar el ú n i c o e p i s o d i o
registrado de la é p o c a m á s t e m p r a n a de la niñe z de su í d o l o l i t e r a r i o ,
J o h a n n W o l f g a n g v o n G o e t h e . E l artículo se i n t i t u l a " U n r e c u e r d o
de i n f a n c i a e n Poesíay x^erdad' (cit. ) e i n c l u y e referencias a la v i d a d e l
escritor, a ese p r i m e r r e c u e r d o d e l n i ñ o p o e t a q u e destrozó la vajilla
a r r o j á n d o l a p o r la v e n t a n a de su casa p a r a d i v e r t i r a u n o s chuscos
que l o a l e n t a b a n , a u n p a c i e n t e q u e e l m i s m o F r e u d a t e n d i ó y q u e
también destrozaba y t i r a b a p o r la v e n t a n a objetos de su f a m i l i a , a
dos pacientes a t e n d i d os p o r u n a colega, p r e c u r s o r a e n el análisis de
niños, e t c é t e r a .
E n este m o m e n t o t a m p o c o nos interesa r e c o n s t r u i r el r e c u e r d o de
G o e t h e sino i n t e r p r e t a r el m o d o de trabajar sobre él y las c o n c l u s i o -
nes a las q u e a r r i b a F r e u d . Su e x p o s i c i ó n f o r m a p a r t e , c o m o se verá,
más d e l psicoanálisis de F r e u d q u e d e l de G o e t h e . E l breve t e x t o de
1917 acaba c o n u n a i n t e r p r e t a c i ó n de ese r e c u e r d o escrita p o r F r e u d
en p r i m e r a persona, es decir, i m p o s t a n d o él e l l u g a r d e l n a r r a d o r ,
c o m o si F r e u d fuese, él m i s m o , G o e t h e . De tal m o d o , p o r sustitución
de la persona , hace caer sobre sí la i n t e r p r e t a c i ó n q u e a p u n t a al o t r o ,
al a u t o r d e l Fausto:

H e s i d o u n a f o r t u n a d o {Glückskind)\l d e s t i n o m e c o n s e r v ó c o n v i d a a u n q u e
me c o n s i d e r a b a n m u e r t o al llegar al m u n d o . E n c a m b i o , e l i m i n ó a m i h e r m a -
n o , d e suerte q u e n o tuve q u e c o m p a r t i r el a m o r d e m i m a d r e c o n él.

N o sabremos n u n c a si esta i n t e r p r e t a c i ó n es válida p a r a G o e t h e


— q u e n u n c a escribió esa frase n i n i n g u n a p a r e c i d a — p e r o segura-
m e n t e sí es válida p a r a S i g m u n d , el h e r m a n o m a y o r de u n n i ñ o p r o n -
t a m e n t e o l v i d a d o , J u l i u s F r e u d , q u e n a c i ó e n 1858 y m u r i ó a los seis
meses de e d a d , días antes de q u e S i g m u n d c u m p l i e s e dos años. E n la
m e m o r i a consciente de F r e u d n o q u e d ó r e g i s t r a d o n i n g ú n r e c u e r d o
de ese h e r m a n o n i de su m u e r t e y t a m p o c o d e l n a c i m i e n t o , c u a n d o
S i g m u n d t e n í a dos años y m e d i o , de u n a nueva h e r m a n a , A n n a , a la
que n u n c a q u i s o m a y o r m e n t e .
N o sabemos si G o e t h e v e r d a d e r a m e n t e odió y d e s e ó la m u e r t e de
su p e q u e ñ o h e r m a n o c o m o l o i n t e r p r e t a F r e u d a p a r t i r de " l o q u e
creemos h a b e r c o l e g i d o de la o b s e r v a c i ó n de o t r o s n i ñ o s " (él m i s m o ,
sin d u d a ) . E n c u a n t o a G o e t h e , quizá sí, quizá n o . L o c i e r t o es q u e
p a r a a f i r m a r l o d e b e r í a m o s v o l v e r n o s espiritistas y convocar al espíritu
48 SIGMUND FREUD

d e l g e n i a l p o e t a p a r a que c o n f i r m e o r e c t i f i q u e nuestias hipótesis.


P e r o sí p o d e m o s creerle a F r e u d c u a n d o , e n t r a d o ya e n la c u a r e n t e n a ,
c o n f e s ó : " P u e d o d e c i r [ . . . ] ) q u e a c o g í a m i h e r m a n o [ J u l i u s ] , c o n ma-
lévolos deseos y v e r d a d e r o s celos i n f a n t i l e s y q u e su m u e r t e s e m b r ó el
g e r m e n de la c u l p a e n mí."^*' U n e f e c t o de esa c u l p a —es F r e u d q u i e n
así l o i n t e r p r e t a — f u e su c a í d a p o c o después de la m u e r t e de Julius
desde u n a l t o t a b u r e t e , accidente q u e le p r o v o c ó u n a intensa h e m o -
r r a g i a y le d e j ó la cicatriz e n la m e j i l l a q u e l o o b l i g ó , p a r a o c u l t a r l a , a
usar b a r b a d u r a n t e t o d a la v i d a . F r e u d n o r e c u e r d a e l i n c i d e n t e p e r o
la p i e l d e su r o s t r o lleva la h u e l l a d e l suceso y e t e r n i z a la m e m o r i a d e l
deseado f r a t r i c i d i o . L a m e m o r i a es u n a cicatriz, c o m o u n a c i r c u n c i -
sión.
Es n o t a b l e q u e , p o r u n a p a r t e , se e q u i p a r a c o n G o e t h e y, al m i s m o
t i e m p o , p o r o t r a , p r e t e n d e b o r r a r la p o s i b i l i d a d m i s m a de h a b e r te-
n i d o esos celos m o r t í f e r o s hacia su p e q u e ñ o h e r m a n o q u e h a descu-
b i e r t o y c o m u n i c a d o a Fliess e n la carta de 20 a ñ o s antes. A l estudiar
la v i d a de G o e t h e r e c u e r d a q u e , c u a n d o el n i ñ o J o h a n n W o l f g a n g
t e n í a 15 meses de edad , e n d i c i e m b r e de 1750, n a c i ó u n a h e r m a n a ,
G o r n e l i a . S o r p r e n d e su c o m e n t a r i o^ ^

Esta m í n i m a d i f e r e n c i a de edades la excluye p r á c t i c a m e n t e c o m o o b j e t o de


l o s c e l o s [ . . . ] L a e s c e n a e n c u y a i n t e r p r e t a c i ó n n o s e m p e ñ a m o s n o se c o n c i -
ba c o n la tierna e d a d de Goethe en el m o m e n t o de nacer C o r n e l i a n i poco
después.

F r e u d , c u a n d o n a c i ó J u l i u s , t e n í a 16 meses de e d a d . J u l i u s m u r i ó
días antes d e l s e g u n d o c u m p l e a ñ o s de S i g m u n d . ¿ C ó m o p u d o , y sobre
la base de q u é a r g u m e n t o s , e x c l u i r los celos de G o e t h e hacia C o r n e l i a
sin negar, e n el m i s m o acto, los suyos p r o p i o s hacia J u l i u s q u e h a b í a
r e c o n o c i d o v e i n t e años antes e n l a citada carta a Fliess?
A l parecer, sin darse c u e n t a de su significación, F r e u d t r a n s c r i be
las notas q u e le p r e p a r ó u n a m i g o p a r a su c o m u n i c a c i ó n acerca d e l
" d e s c u b r i m i e n t o " q u e h i z o e n Poesía y verdad: "'Tampoco Goethe, de peque-
ño, vio con malos ojos morir a un hermaniid^ (cursivas de F r e u d ) , E l resto
d e l t e x t o está escrito c o n tipografía n o r m a l . Ese tampoco, destacado,
d i c e e l p o r q u é d e l interés y de l a i n t e r p r e t a c i ó n q u e e m i t e F r e u d . Ser

^0 S. F r e u d , C a r t a a W . Fliess d e l 3 d e o c t u b r e d e 1897, O . C , c i t . , v o l . i , p . 304.


1' S. F r e u d [ 1 9 1 7 ] , c i t . , v o l . x v n , p . 145.
SIGMUND FREUD
49
c o m o G o e t h e significa, p a r a él, al i d e n t i f i c a r se c o n el poeta, u n a abso-
lución, u n a a n u l a c i ó n d e c u a l q u i e r i m p u t a c i ó n p o r el c r i m e n desea-
d o . Si G o e t h e , i d e a l i z a d o y v e n e r a d o p o r l a c o m u n i d a d entera , p u d o
desear esa m u e r t e y alegrarse c o n ella, ¿por q u é n o también él?
El Glückskind (el nifío d i c h o s o ) carga c o n el peso de u n deseo c u l -
pable pues esa m u e r t e le p e r m i t i ó seguir g o z a n d o casi e n exclusiva d e l
a m o r de su m a d i e . Si n o fuese p o r el n a c i m i e n t o de A n n a , u n a n u e v a
p e r t u r b a d o r a . P o d e m o s d e c i r q u e la a d o r a c i ó n de su m a d r e p o r su
'"goldene Sigi^' (su Segis d o r a d o ) es la clave, según el p r o p i o F r e u d , de
su v i d a entera. N o es casualida d entonce s q u e vuelva a p o n e r e n los
labios de G o e t h e , su m o d e l o , e l artista m a r a v i l l o s o c o n el q u e se i d e n -
tifica, h a c i e n d o uso de la p r i m e r a p e r s o n a d e l singula r — ¡ o t r a v e z ! —
u n a i n t e r p r e t a c i ó n q u e c o r r e s p o n d e a él m i s m o . L e a m o s las palabras
de F r e u d , q u e n o de Goethe'-^:

Cuando uno ha sido el predilecto indiscutido de la madre, conservará toda


la vida ese sentimiento de conquistador, esa confianza en el éxito qtie no
pocas veces lo atrae de verdad. Goethe habría tenido derecho a iniciar su
autobiografía con una observación como esta: " M i fuerza tiene sus raíces en
la relación con m i madre."

Véase la sutileza d e l " u n o " e n el c o m i e n z o de la cita. ¿ Q u i é n ? Si


F r e u d escribe: " F u i u n a f o r t u n a d o p o r q u e n o tuve q u e c o m p a r t i r e l
a m o r de m i m a d r e c o n é l " , se c o i n p r e n d e de i n m e d i a t o q u e la frase
n o es de G o e t h e ; l o m i s m o sucede c u a n d o dice q u e es el o t r o , G o e t h e ,
q u i e n huhieya t e n i d o d e r e c h o a i n i c i a r su a u t o b i o g r a f í a c o n las pa-
labras "m¿ f u e r z a " . Estamos ante u n b u e n e j e m p l o de " a u t o b i o g r a f í a
p o t e n c i a l " o, e n otras palabras, de u s u r p a c i ó n de i d e n t i d a d .
¿De la a u t o b i o g r a f í a de q u i é n habl a Freud? ¿De Poesía y verdad q u e
es la de Goethe? N o . Se t r a t a de su a u t o b i o g r a f í a c o m o " p o e s í a y ver-
d a d " . G o e t h e escribió la de él sin detenerse a h a b l a r d e l a m o r de sti
m a d r e . N o es e x t r a ñ o q u e los analistas hagan i n t e r p r e t a c i o n e s q u e
t i e n e n más de confesiones e n c u b i e r t as q u e de p r o p o s i c i o n e s acerta-
das referidas a sus pacientes. P o r eso m i s m o es menester la cautela e n
la c a n t i d a d y e n el fraseo de las i n t e r p r e t a c i o n e s , e l recurso a u n sabio
escepticismo e n c u a n t o al d e s t i n a t a r i o de sus afirriiaciones , r e c o r d a n -
d o l o q u e a p r e n d e m o s de m u y n i ñ o s c u a n d o r e p l i c a m o s a q u i e n nos

S. F r e u d [ 1 9 1 7 ] , c i t . , v o l . x v n , p . 150.
50 SIGMUND FREUD

ataca q u e : " E l q u e l o dice l o es." Y r e c o n o c e r e m o s q u e F r e u d l o supo


b i e n c u a n d o invent ó el t é r m i n o de " p r o y e c c i ó n " p a r a r e f e r i r s e a este
d e s c o n o c i m i e n t o de u n o m i s m o q u e aparece a la r e f l e x i ó n c o m o su-
p u e s t o c o n o c i m i e n t o sobre o t r o . Sea c o m o f u e r e , es m u y c i e r t o que
F r e u d s u p o y s i e m p r e admitió q u e — G o e t h e o n o G o e t h e — el a m o r
r e c í p r o c o e n t r e él y su m a d r e f u e la f u e n t e de todos sus l o g r o s .
F r e u d e s c r i b i ó a los 70 a ñ o s de e d a d u n a " P r e s e n t a c i ó n
autobiográfica"'"^ q u e le e n c a r g a r o n p a r a u n a o b r a colectiva q u e re-
u n i r í a a las autobiografía s de m é d i c o s destacados. U n o p u e d e reco-
r r e r sus m u c h a s páginas sin e n c o n t r a r e n ella o t r a cosa q u e " m e m o r i a
s e m á n t i c a " , datos, sucesión de las ideas, referencias al m o v i m i e n t o
p s i c o a n a l í t i c o . P e r o si u n o q u i e r e saber q u i é n f u e F r e u d , t i e n e q u e
d i r i g i r s e a su a u t o b i o g r a f í a v e r d a d e r a , la q u e d a sustancia a La inter-
pretación de los sueños, a Psicopatología. de la vida cotidiana, al a r t í c u l o de
1899 sobre los r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s y a revelaciones acerca d e l su-
j e t o de la e n u n c i a c i ó n c o m o — y es u n h e r m o s o e j e m p l o — las q u e se
escapan de este análisis d e l r e c u e r d o de i n f a n c i a {Kindszeiteiinnerung)
en "Poesía y verdad", en u n texto en d o n d e Freud nunca habia como
" y o " p a r a r e f e r i r se a él m i s m o . E l r e l a t o a u t é n t i c o de la v i d a de F r e u d
aparece e n t r e líneas: n o se e n c u e n t r a e n los datos de su v i d a sino e n
su e l a b o r a c i ó n y e n su distorsión de los r e c u e r d o s , e n las asociaciones
q u e c o n s t i t u y e n e l " c o n t e n i d o l a t e n t e " de sus s u e ñ o s . F r e u d , c o m o
t o d o h o m b r e , se esconde e n la m e m o r i a y p e r m i t e q u e su v e r d a d se
filtre e n los i n t e r s t i c i os q u e ella deja. L a m e m o r i a vela; l a p a l a b r a re-
vela.

3. U N A R E M I N I S C E N C I A I N F A N T I L D E S I G M U N D FREUD

Tras esta necesaria r e f e r e n c i a a l o q u e F r e u d sostuvo e n t o r n o de los


r e c u e r d o s precoces de la i n f a n c i a , p o d e m o s d i r i g i r n o s a l o q u e pocos
r e c u e r d a n sobre e l más r e m o t o r e c u e r d o d e l p r o p i o S i g m u n d F r e u d .
P r e g u n t a d o s los psicoanalistas m i s m o s , cada u n o de los cuales h a l e í d o
n o m e n o s de m e d i a d o c e n a de biografías de F r e u d , e m p e z a n d o p o r
l a c a n ó n i c a y c a n o n i z a d o r a de E r n e s t Jones, sobre el p r i m e r r e c u e r d o
q u e relata el h é r o e f u n d a d o r elex-ado al n i v e l d e l Padre, es posible q u e
d u d e n y t e r m i n e n p o r a f i r m a r q u e l o es e l " r e c u e r d o e n c u b r i d o r "

S. F r e u d [ 1 9 2 5 ] , " P r e s e n t a c i ó n a u t o b i o g r á f i c a " , O . C , c i t . , v o l . x x , p p . 7-69.


SIGMUND FREUD
51
p u b l i c a d o e n 1899''^ e n el q u e destacan el c o l o r a m a r i l l o de las flores
d e l d i e n t e de l e ó n y el m a r a v i l l o s o sabor d e l p a n o b s e q u i a d o p o r la
campesina- S i e n d o así, el r e c u e r d o es e n c u b r i d o r p e r o n o d e l espanto
cortazariano a u n q u e algunas de las asociaciones de F r e u d l l e v e n a él.
R e c o r d e m o s a l u n a q u e la perspicacia de analistas posteriores p e r m i -
tió d e s c u b r i r al p r o p i o F r e u d f a l s i f i c a n d o los datos sobre el p r o t a g o -
nista de esa m e m o r i a paradigmática , descrito c o m o " u n h o m b r e de
38 años, de f o r m a c i ó n a c a d é m i c a , q u e ejerce u n a profesión c o m p l e -
t a m e n t e ajena a nuestra d i s c i p l i n a " y q u e , además, es " n o n e u r ó t i c o o
sólo l o era e n m u y escasa m e d i d a . "
F r e u d dice conservar m u c h o s r e c u e r d o s de F r e i b e r g , el p u e b l o de
Moravia e n el q u e n a c i ó e n 1856 y d e l q u e d e b i ó m u d a r s e e n 1859,
recuerdos todos, pues, de los dos y tres años de su vida. A h o r a p o d e -
mos d e c i r qtie el famoso e p i s o d i o relatad o e n 1899, el de las flores
amarillas, es t r i p l e m e n t e e n c u b r i d o r : es u n Decketinnerung p o r q u e su
c o n t e n i d o es d e f o r m a d o y sólo accesible tras u n a laboriosa y a veces
inverosíinil i n t e r p r e t a c i ó n . Es e n c u b r i d o r p o r q u e F r e u d disfraza su
i d e n t i d a d tan " c o m p l e t a m e n t e " c o m o el uso q u e hace de ese a d v e r b i o
para negar q t i e el sujeto ejerce la profesión de psicoanalista. Es e n c t i -
b r i d o r , finalmente, p o r q u e o c u p a el l u g a r de u n r e c u e r d o a n t e r i o r
d e l q u e , c u r i o s a m e n t e , escasean las referencias e n t r e las vastas huestes
de f r e u d ó l o g os q u e e n el m u n d o son y h a n sido — d o n d e n o d e j a m o s
de i n c l u i r n o s .
A l t e r m i n a r el c t i a r t o c a p í t u l o de la Psicopatología de la vida cotidiana,^^
F r e u d , a h o r a sí, sin o c u l t a r su i d e n t i d a d c o m o l o h i z o e n el caso d e l
r e c u e r d o e n c u b r i d o r p r i n c e p s , a p o r t a u n a r e m i n i s c e n c i a que a b o n a
la tesis de J u l i o Cortázar. L a precoz evocación , r e c u p e r a d a p o r él des-
pués de c u m p l i r los 43 años, si b i e n ya h a b í a a s o m a d o antes e n su
c o n c i e n c i a , es de "antes de c u m p l i r yo el tercer a ñ o de v i d a " , dados el
lugar y los personajes q u e i n t e r v i e n e n , además de él m i s m o : F r e i b e r g ,
su m a d r e , su m e d i o h e r m a n o P h i l i p p q u e e m i g r ó a I n g l a t e r r a e n esa
é p o c a . F r e u d m i s m o se encarga de subrayar q u e su h e r m a n a m e n o r
h a b í a n a c i d o " p o r ese entonces" . E l texto es breve p e r o necesita ser
u b i c a d o e n su c o n t e x t o , cosa q u e F r e u d anota sólo de m a n e r a p a r c i a l ,
m u y p a r c i a l , e n los dos sentidos de la palabra.

S. F r e u d [ 1 8 9 9 ] c i t , v o l . l u , p . 303.
'"^ S. F r e u d [ 1 9 0 1 ] c i t . , v o l . v i , p p . 54-56.
52 SIGMUND FREUD

M e veía yo, r o g a n d o y llorando, ante u n cajón cuya tapa m a n t e n í a abierta m i


h e r m a n a s t r o , q u e era u n o s v e i n t e a ñ o s m a y o r q u e y o . H a l l á n d o n o s así, e n t r a -
ba en el c u a r t o , a p a r e n t e m e n t e d e regreso de la calle, m i m a d r e , a la q u e yo
hallaba bella y e x t r a o r d i n a r i a m e n t e esbelta {Schlank).

Para o r i e n t a r s e e n este r e l a t o hay q u e revisar e l . c o n t e x t o : A m a l i a , la


m a d r e de S i g i s m u n d , era la t e r c e r a esposa de su p a d r e , J a k o b F r e u d .
Este era ya u n h o m b r e m a y o r c u a n d o se casó c o n la j o v e n y t e n í a hijos
de la m i s m a e d a d q u e su flamante esposa. U n o de ellos era el Phi-
l i p p de este r e c t t e r d o . L a situación f a m i l i a r era conftisa p a r a el n i ñ o .
E l s u p o n í a q u e el viejo J a k o b era la pareja de Resi W i t t e k , la n i ñ e r a ,
q u e era t a m b i é n u n a p e r s o n a m a y o r ; ellos serían sus abuelos, c o n f u -
sión apoyada p o r c u a n t o sus p r i m o s , q u e vivían e n la v e c i n d a d , hijos
d e l o t r o m e d i o h e r m a n o , de su m i s m a e d a d , e r a n nietos de J a k o b y,
lógicamente, l o llamaban "abuelo". Suponía también que Philip p y
su m a d r e , v e i n t e a ñ e r o s los dos, estaban casados y, p o r c o n s i g u i e n t e ,
e r a n sus padres. De todos m o d o s , estaba p e r p l e j o ante la c o m p l e j a
e s t r u c t u r a f a m i l i a r pues era el a ñ o s o J a k o b q u i e n c o m p a r t í a el l e c h o
con Amalia.
S ó l o c o n estos e l e m e n t o s p o d e m o s seguir e l h i l o de las asociacio-
nes q u e l l e v a n a la i n t e r p r e t a c i ó n de F r e u d , su "inesperada s o l u c i ó n "
d e l e n i g m a d e l r e c u e r d o de sus l l a n t o s ante e l cajón a b i e r t o .

H a b í a n o t a d o la ausencia de m i m a d r e y d i e n sospechar q u e estaba encerra-


d a e n a q u e l c a j ó n o a r m a r i o (Schrank oder Kasten). Por ello, exigí a m i m e d i o
h e r m a n o q u e lo abriese, y c u a n d o m e c o m p l a c i ó , c o n v e n c i é n d o m e de que
m a m á n o se h a l l a b a a d e n t r o , c o m e n c é a g r i t a r y a l l o r a r . É s t e es e l i n s t a n t e
r e t e n i d o p o r e l r e c u e r d o , i n s t a n t e al q u e siguió, c a l m a n d o m i i n q u i e t u d o m i
angustia,^^ la a p a r i c i ó n d e m i m a d r e .

¿Por q u é esta idea tan e x t r a ñ a de que A m a l i a F r e u d p u d i e r a estar


e n c e r r a d a e n el cajó n y p o r q u é buscarla e n su i n t e r i o r ? ¿Por q u é p e n -
sar q u e P h i l i p p p o d í a r e s p o n d e r a su angustia? F r e u d , curioso insacia-
b l e , i n t e r r o g a a su m a d r e , ya p r ó x i m a a los setenta años ( e n 1899) y
a v e r i g u a l o q u e hasta entonces i g n o r a b a , q u e Resi, e n t i e m p o s d e l par-

L a t r a d u c c i ó n es o b j e t a b l e : "Sorge oder Sehnsuckt" escribe F r e u d , So7ge es, i n d u d a -


b l e m e n t e , " i n q u i e t u d o p r e o c u p a c i ó n " , p e r o Sehnsucht no es, e n a b s o l u t o , a n g u s t i a , s i n o
" a n h e l o " o "deseo".
SIGMUND FREUD 53
to de su o d i a d o h e r m a n o , h a b í a c o m e t i d o ciertos robos en la casa v p o r
eso P h i l i p p la h i z o p o n e r e n prisión. A l enterarse de la historia , F r e u d
" c o m p r e n d e " la sucesión de los a c o n t e c i m i e n t o s : c u a n d o se p e r c a t ó de
la ausencia de la n i ñ e r a , el n i ñ o S i g i s m u n d (tal era su n o m b r e e n a q u e l
entonces) le p r e g u n t ó a P h i l i p p d ó n d e estaba ella, i n t u y e n d o q u e él
h a b í a p a r t i c i p a d o e n su r e p e n t i n a desaparición . E l j o v e n P h i l i p p , " i n -
d i r e c t a m e n t e y e n t r e burlas c o m o era su c o s t u m b r e , m e c o n t e s t ó q u e
estaba encajonada'. {Sie ist eingekastelt), e x p r e s i ó n vulgar e n a l e m á n e q u i -
valente al "estar e n c a n a " (¿en canasta?) de la A r g e n t i n a , "estar e n el
b o t e " de M é x i c o , "estar e n j a u l a " o "en c h i r o n a " de España .
S i g i s m u n d a b s o r b i ó l a respuesta (eingekastelt) de m o d o l i t e r a l y d e j ó
de p r e g u n t a r p e r o c u a n d o , t i e m p o después, n o t ó l a ausencia de su
m a d r e creyó q u e e l m a l é f i c o (schlimnte) h e r m a n o h i z o l o m i s m o q u e
c o n Resi y también a ella la h a b í a " e n c a j o n a d o " . L l e v a d o p o r esa f a n -
tasía q u e está a p u n t a l a d a p o r u n e q u í v o c o v e r b a l , p o r u n s i g n i f i c a n t e
polisémico, se puso a c h i l l a r c o n d e s e s p e r a c i ó n y o b l i g ó a P h i l i p p a
que a b r i e r a el c a j ó n , a r m a r i o o baúl q u e h a b í a e n el c u a r t o . Es e l
cajón de su p r i m e r r e c u e r d o . L a a n g u s t ia c e d i ó c u a n d o r e a p a r e c i ó
la m a d r e p o r la p u e r t a de e n t r a d a , b e l l a , e s p i g a d a , l i b r e , resucita-
da. S o n obvias las c o n n o t a c i o n e s sexuales y tanáticas d e l r e c u e r d o .
P h i l i p p parece d i s p o n e r de l a m a d r e y p o d e r e n c e r r a r l a o l i b e r a r l a a
v o l u n t a d . Los cajones, tras la m u e r t e de J u l i u s , h a b l a n de c e r e m o n i a s
f ú n e b r e s . L a m a d r e , secuestrada o d i f u n t a , se presenta e n su fantasía
angustiada c o m o p e r d i d a p a r a s i e m p r e ,
L a 5 connotaciones sexuales son explícitamente esclarecidas p o r F r e u d .
E n su imaginación es e l m e d i o h e r m a n o q u i e n embarazó a l a m a d r e ,
siendo el cajón o a r m a r i o u n equivalente d e l vientre m a t e r n o y parece
sospechar que hay más niños encerrados allí. P h i l i p p es u n rival para Si-
g i s m u n d y t o m a el lugar d e l padre. F r e u d pensaba que era él q u i e n metió
(hineinpraktiziert) a la niña recién nacida e n el vientre de la m a d r e.
L a m e m o r i a b r o t a d e l espanto. S ó l o q u e está desplazada. F r e u d
h a o l v i d a d o t o d o l o r e l a c i o n a d o c o n e l n a c i m i e n t o de su h e r m a n i t a
p e r o ese a c o n t e c i m i e n t o t r a u m á t i c o es r e c o r d a d o y al m i s m o t i e m p o
e n c u b i e r t o p o r u n r e c u e r d o (Deckerinnerung), q u e p e r m i t e revivir la
angustia y d a r l e u n happy ending c o n l a r e a p a r i c i ó n de la m a d r e e n
su delgadez que t r a n q u i l i z a al n i ñ o : ella n o tiene más criaturas e n el

" L a d e l g a d e z " . . . die Schlankheit der rückehrenden Aiutter (Gesammelte Werke., v o l . 4, p .


60, n o t a a g r e g a d a e n 1 9 2 4 ) .
54 SIC^MUND FREUD

v i e n t r e . Puede t a m b i é n p o n e r e n escena la rabia y la desazón ante el


m a l é v o l o h e r m a n o q u e goza d e l c u e r p o de su m a d r e y la e n c i e r r a e n
u n a r m a r i o . E l insiste e n saber q u é se e n c i e r r a e n ese m u e b l e l l e n o de
secretos. R e c o r d e m o s nuestro p r i m e r e p í g r a f e y la a f i r m a c i ó n de q u e
e l r e c u e r d o m á s r e m o t o esconde la llave de los a r m a r i o s secretos de la
vida a n í m i c a {welche die Schlüssel zu den Geheimfachern seÍ7ies Seelenlebens
in sich birgt), ¿Es ése, el de la m e m o r i a de F r e u d , e l c a j ó n d o n d e se es-
c o n d e n la m a d r e y el h e r m a n o r i v a l q u e está e n e l l u g a r d e l padre? ¿Es
n u e s t r a m e m o r i a , la de todos, u n canasto rebosante de fantasmas?
E n algún m o m e n t o , e n estos m i s m o s textos,'^ F r e u d s e ñ a l ó q u e
la s u c e s i ón de asociaciones i m p l i c a u n a causalidad q u e las liga. Pues
b i e n , c u a n d o , p o r p r i m e r a vez, e n la carta q u e escribe a Fliess el 15 de
o c t u b r e de 1897,^^ relata la h i s t o r i a de la m a d r e e n la canasta, i n m e -
d i a t a m e n t e d e s p u é s , le c o m u n i c a a su a m i g o q u e

u n solo p e n s a m i e n t o de validez universal m e h a sido d a d o . T a m b i é n en mí


h e h a l l a d o el e n a m o r a m i e n t o de l a m a d r e y los celos hacia el p a d r e , y a h o r a
lo c o n s i d e r o u n suceso u n i v e r s a l d e la n i ñ e z t e m p r a n a [ . . . ] C a d a u n o d e los
oyentes [ d e Edipo Rey] f u e u n a vez e n g e r m e n y e n la f a n t a s í a u n E d i p o así,
y ante el c u m p l i m i e n t o de s u e ñ o traído aqtjí a la r e a l i d a d objetiva retrocede
e s p a n t a d o , c o n t o d o el m o n t o de r e p i e s i ó n q u e d i v o r c i a a su estado infantil
d e su estado a c t u a l .

F r e u d h a puest o al d e s n u d o las raíces d e l espanto ante la m e m o r i a .


L a angustia aparece c u a n d o l o q u e d e b í a p e r m a n e c e r o c u l t o sale a l a
luz. T a l es la esencia de l o o m i n o s o , l o unheimlich.
E l final d e l r e c u e r d o , p a r a F r e u d c o m o p a r a J u l i o Cortázar, es u n
final feliz; n i e l g a l l o n i el c a j ó n son t e m i b l e s . Pero la angustia ha deja-
d o ya su i m p r o n t a e n el h o m b r e t e r r i b l e m e n t e celoso q u e l l e gó a ser
e l c h i q u i l l o de dos años y m e d i o , ése q u e b e r r e a b a p o r la i n t e r r u p c i ó n
de la presencia de la m a d r e . H a c í a falta q u e ella regresase y p e r s o n i f i -
case al o t r o t r a n q u i l i z a d o r , el q u e p o d í a d e c i r l e q u e sus t e m o r e s e r a n
i n f u n d a d o s , q u e el cajón p o d í a abrirse y cerrarse p o r q u e n o encerra-
b a a n i n g ú n o t r o , m u e r t o o vivo. A b r i r y cerrar, u n o , dos, aquí y allí,
forty da, u n o , dos, la tapa de u n c a j ó n o la p u e r t a de u n a r m a r i o , u n o ,
dos, es... es u n j u e g o de n i ñ o s .

S. F r e u d [ 1 9 1 7 ] , c i t . , v o l . x v u , p . 147.
S. F r e u d [ 1 8 9 7 ] , c i t . , v o l . i , p . 306.
4
EL FALSO ESPANTO D E J E A N PIAGET

1. S E C U E S T R A N A U N N I Ñ O E N U N P A R Q U E D E P A R Í S

Casi n a d i e i g n o r a a j e a n Piagel (1896-1980), el psicólogo suizo q u e


estudió c o n r i g o r el d e s a r r o l l o i n t e l e c t u a l de los n i ñ o s y q u e i n d u j o
de sus investigaciones ciertas ideas q u e p r e t e n d i ó a p l i c a r a la t e o r í a
del c o n o c i m i e n t o c r e a n d o u n a " e p i s t e m o l o g í a g e n é t i c a " . Si b i e n su
n o m b r e y su o b r a t i e n d e n hoy a ser olvidados, pocos dejarían de se-
ñalarlo c o m o t i n o de los pilares de las actuales "ciencias cognitivas".
N o llegamos a él en n u e s t r o transcurso p o r sus investigaciones y los
resultados q u e ellas p r o d u j e r o n sino p o r q u e tuvo a b i e n — y e n dos
ocasiones, e n 194.5 y e n 1969—- relatar el p r i m e r o de sus " r e c u e r d o s
de i n f a n c i a " , u n r e c u e r d o q u e tiene trazas d e l espanto al q u e v e n i m o s
evocando de la m a n o de otro s autores.
Las dos versiones son casi idénticas e n su a p a l a b r a m i e n t o ( ¿ c ó m o
se dirá wording GXX e s p a ñ o l , acaso "puesta e n palabras"?) p e r o f u e r o n
f o r m u l a d a s e n m o m e n t o s y e n circunstancias m u y distintas. U n a f u e
escrita^ c o m o n o t a al p i e de p á g i na e n u n i m p o r t a n t e ensayo, l a o t r a
surgió m i e n t r a s era entrevistado ante las c á m a r a s de televisión e n
1969,^ v e i n t i c i n c o años después de la r e d a c c i ó n d e l m e n c i o n a d o ensa-
yo, origen del símbolo en el 7iiño q u e lleva u n sugestivo s u b t i t u l o : Imita-
ción, juego y sueño, imagen y representación, de a r b i t r a r i a sintaxis, q u e d a
c u e n t a de la m a g n i t u d de las a m b i c i o n e s d e l a u t o r e n el m o m e n t o d e
relatar, e n él, su r e c u e r d o .
A n t e s d e l t e x t o d e l r e c u e r d o de i n f a n c i a c o n v i e n e señalar e l c o n -
texto de la entrevista televisada: Piaget es i n t e r r o g a d o acerca de su re-
lación c o n el psicoanálisis y su m a n i f i e s ta r e n u e n c i a a aceptar las tesis
freudianas; él contesta q u e se debe a que los r e c u e r d o s de i n f a n c i a a

' J . P i a g e t [ 1 9 4 5 ] , La formación del símbolo en el niño, M é x i c o , F C E , 1987, p p . 257-258.


T r a d . d e J . (Gutiérrez.
^ J.-C. B r i n g u i e r , Conversaciones con Piaget, B a r c e l o n a , G e d i s a , 1977, p . 2 1 0 . T r a d .
deJ. Bignozzi.

[55]
56 JEAN PIAGET

los q u e el análisis a t r i b u y e t a n t a trascendencia n o son a u t é n t i c o s: "en


b u e n a p a r t e están r e c o n s t r u i d o s " — l o q u e es u n a tesis r i g u r o s a m e n t e
f r e u d i a n a — y q u e "para el f r e u d i s m o o r t o d o x o , e l pasado d e t e r m i n a
l a c o n d u c t a actual d e l a d u l t o " .
Pasando p o r alto ciertas d i f e r e n c i a s n i m i a s e n t r e las dos versiones
d e l m i s m o preco z r e c u e r d o , daré u n a tercera q u e las condensa. H e
a q u í el r e c u e r d o :

U n o de mis más antiguos recuerdos, que sería asombroso si fuera auténtico,


remontaría a m i segundo año de vida, una edad en que normalmente uno
no tiene recuerdos de infancia. Puedo aún ver, con una gran precisión visual, la
siguiente escena en la que he creído hasta alrededor de los 15 años: estaba
sentado en u n cochecito de niño, empujado por una nana; el paseo se hacía
por Champs Elysées, en París, cerca de la boca del metro, cuando un indivi-
duo quiso raptarme. La correa de cuero amarrada a la altura de mis caderas
me retuvo, mientras la nana trataba valerosamente de oponerse al hombre.
Lucharon y el hombre le hizo unos rasguños en la frente, que aún ahora puedo
distinguir vagamente en su rostro. Luego se reunió una multitud , vino un policía
con una chaqueta cortita como las que se usaban entonces, larga hasta aquí
(gesto ante la cámara) y el hombre huyó a toda velocidad. Puedo aun ver ¿a esce-
na completa y el lugar de los Champs Elysées donde ocurrió. Es un recuerdo sumamente
conmovedor que aún hoy conservo y vuelvo a verlo todo visualmente (cursivas mías).

C l a r o e l r e c u e r d o , v i v i d o el espanto, p e r f e c t a y escueta la h i s t o r i a .
¿Verdad? Pero |ay! Piaget i n t e r c a l a , e n u n a y o t r a versión estas frases
q u e d e m u e l e n el r e l a t o a n t e r i o r :

Cuando tenía cerca de 15 años, mis padres recibieron una carta de m i antigua
niñera diciendo que se había convertido y había entrado al Ejército de Sal-
vación. Quería confesar sus antiguas faltas y, muy especialmente, devolver el
reloj que se le diera como recompensa de esta historia enteramente inventada
por ella.

¡ T o d o falso, fábula p u r a , entonces! Piaget c o n c l u y e : " M u c h o s ver-


d a d e r o s r e c u e r d o s son, sin d u d a , d e l m i s m o o r d e n . " N u e s t r a i n t e l i -
g e n c i a q u e d a p e r p l e j a ante u n a c o n c l u s i ó n t a n tajante y apresurada.
C o t e j a m o s las dos versiones — v e i n t i c i n c o a ñ o s las separan, según d i -
j i m o s — y e n c o n t r a m o s q u e , ante la televisión, i m p r o v i s a n d o , Piaget
a g r e g ó , e n 1969, e n t r e e l r e l a t o c o n v i n c e n t e d e l r e c u e r d o q u e "vuelve
ijEAN PIAGET 57
a ver" y la revelación de la v e r d a d d e l f r a u d e de la n i ñ e r a , u n a o r a c i ó n
que falta e n la versión escrita: " D u r a n t e t o d a m i j u v e i U u d viví c o n el
r e c u e r d o g l o r i o s o de h a b e r sido o b j e t o de u n a t e n t a t i v a de r a p t o . " Esta
frase, c o n e l destacado agregado p o r nosotros, constituy e u n a "peque-
ñ a " d i s c o r d a n c i a d o n d e yace, creo, la clave de la h i s t o r i a . Es aquí, e n
esta d i v e r g e n c i a de las dos versiones, d o n d e nos e n c o n t r a m o s c o n la
verdad de su m e m o r i a y esa v e r d a d p o n e e n escena al deseo del otro q u e
hace " g l o r i o s o " al r e c u e r d o : el deseo d e l secuestrador de apoderarse
del b e b é , el deseo de la n i ñ e r a q u e l o d e ñ e n d e , e l deseo d e l policía
que l u c h a c o n t r a el m a l v a d o e n defensa de la c r i a t u r a , el deseo de los
padres q u e o b s e q u i a n u n r e l o j a la c u i d a d o r a , el deseo ( c o m o se verá)
de la m a d r e s u s u r r a n d o la h i s t o r i a para q u e él n o se e n t e r e . . . i n c l u s o
el deseo de usar este "falso" r e c u e r d o c o m o a r g u m e n t o a favor de su
psicología de l a i n t e l i g e n c i a e n c o n t r a d e l psicoanálisis, a t r i b u y e n d o
a F r e u d tesis q u e le son e x t r a ñ a s . U n deseo q u e se m a n i f i e s t a e n estas
dos versiones, h a b l a d a y escrita, l i g e r a m e n t e divergentes e n t r e ellas y
de las qtie somos nosotros los a f o r t u n a d o s destinatarios.
A n t e las c á m a r a s , Piaget agrega u n a e x p l i c a c i ó n q u e es u n n u e -
vo r e c u e r d o , éste n o tan v i v i d o . Más q u e u n r e c u e r d o , d i g a m o s , es
u n a c o n s t r u c c i ó n explicativa ; si antes, al evocar l o q u e " p a s ó " e n los
Campos Elíseos, t o d o era s e g u r i d a d y r e t o r n o de la e x p e r i e n c i a , aquí
p r e d o m i n a n las cláusulas de r e l a t i v i d a d :

C u a n d o t e n í a , no sé, s i e t e u o c h o a ñ o s , r/ífóz'escuchar a m i m a d r e q u e l e c o n t a -
ba a alguien q u e yo h a b í a sido objeto de u n a tentativa de secuestro. Escuché
e l r e l a t o y probablemente l o o í e n v o z b a j a , n o se l e v a a c o n t a r a u n c h i c o que
c o r r i ó e l r i e s g o d e q u e l o r o b a r a n , eso l o i n q u i e t a r í a , p e r o , c o n l o q u e escu-
c h é , r e c o n s t r u í i a i m a g e n v i s u a l , u n a i m a g e n v i s u a l tan hermosa que aún hoy
permanece a título de recuerdo como si la hubiese vivido (cursivas m í a s ) .

E l " r e c u e r d o " es i n a u t é n t i c o , es el resultado de u n a falsificación


m a l i n t e n c i o n a d a , ¿ c ó m o n o estar de acuerdo? N a d a de eso sucedió en
lo real. L a p r e g i m t a q u e fiota e n el aire desptiés de leer e l r e c u e r d o d e
Piaget es: ¿ c ó m o y p o r q u é esa "faLsa" m e m o r i a a l c a n z ó semejante n i -
vel de c o n v i c c i ón e n e l n i ñ o ? S e g ú n Piaget, e l " r e c u e r d o " n o se f o r m ó
c u a n d o t e n í a m e n o s d e dos a ñ o s sino c u a n d o c o n t a b a ya u n o s siete u
o c h o años. Fue e n t o n c e s q u e se l o " c o d i f i c ó " y persistía a u n i n c ó l u m e
a los setenta a ñ o s de e d a d a pesar de saber m u y b i e n q u e el a c o n t e c i -
m i e n t o r e c o r d a d o n u n c a tuvo l u g a n Su m e m o r i a se c o m p l a c i ó e n u b i -
58 JEAN PIAGET

car r e t r o a c t i v a m e n t e u n h e c h o c o n s t r u i d o c o n i n t e n c i ó n f r a u d u l e n t a
o t o r g á n d o l e todas las apariencias de la o b j e t i v i d a d , Piaget sostiene su
falso r e c u e r d o en las dos o p o r t u n i d a d e s c o m o u n a r g u m e n t o c o n t r a
el psicoanálisis f r e u d i a n o y eso resulta t a n l l a m a t i v o c o m o su apego a
la falsa h i s t o r i a de la n i ñ e r a . Pues n o es p r e c i s a m e n t e Piaget, e l psicó-
l o g o de la i n f a n c i a , u n i n g e n u o . El h a sido u n e s c r u p u l o s o l e c t o r de
F r e u d ( c o m o de t o d os los autores i m p o r t a n t e s e n la psicologí a de su
t i e m p o ) y n o p o d í a i g n o r a r cjue F r e u d , c o m o l o dice e n u n o de sus
textos m á s d i f u n d i d o s , el de 1901 q u e henií>s v e n i d o c i t a n d o , todo s
los r e c u e r d o s de i n f a n c i a son e n c u b r i d o r e s y h a n sido trabajados p o r
la f a n t a s ía q u e los distorsionó al servicio d e l p r i n c i p i o de placer y sus
conveniencias.
Más a ú n . E n 1922 Piaget estuvo e n psicoanálisis d u r a n t e o c h o m e -
ses c o n u n a de las ñguras más i m p o r t a n t e s e n la h i s t o r i a de la d i s c i p l i -
na, Sabina S p i e l r e i n , a n t i g u a p a c i e n t e de J u n g ( c o n q u i e n tuvo u n a
t o r m e n t o s a r e l a c i ó n q u e se h a h e c h o legendaria)'^ q u e , p o s t e r i o r m e n -
te, f u e a m i g a de F r e u d y m i e m b r o de la Sociedad Psicoanalític a de
V i e n a en d o n d e d i o a conocer importantes contribuciones. La más
t r a s c e n d e n t a l de ellas f u e u n a p r o p u e s t a p i o n e r a e n la h i s t o r i a d e l
psicoanálisis: S p i e l r e i n , antes q u e n i n g ú n o t r o , p r o m o v i ó e l r e c o n o -
c i m i e n t o de u n a pulsión de d e s t r u c c i ó n , a n t e c e d e n t e d i r e c t o de la
ptxlsión de m u e r t e q u e F r e u d sacaría a la luz a ñ o s después, e n 1921.
E n la entrevista televisada de la q u e h a b l á b a m o s , despué s de c o n t a r
la h i s t o r i a de su " p r i m e r " r e c u e r d o , Piaget evoca su análisis c o n Spiel-
r e i n (sin n o m b r a r l a ) , e n G i n e b r a , y dice q u e se siente a u t o r i z a d o a ha-
b l a r de psicoanálisis p r e c i s a m e n t e p o r q u e pasó p o r esa e x p e r i e n c i a :
" S i n eso n o hablaría."^ A f i r m a q u e sí, e f e c t i v a m e n t e, él resistía, p e r o
sus resistencias e r a n

— . . . t e ó r i c a s ; e n absoluto referidas a la práctica del psicoanálisis [ . . . ] Yo es-


taba m u y c o n t e n t o de servir de cobayo. Le d i g o qite m e interesó vivamente,
p e r o l a d o c t r i n a es o t r a c o s a . N o v e o e n l o s h e c h o s i n t e r e s a n t e s q t i e m o s t r a b a
el p s i c o a n á l i s i s la n e c e s i d a d d e i n t e r p r e t a c i ó n q u e q u e r í a i m p o n e r . E l l a d e -
t u v o el análisis [...] L e p a r e c i ó q u e n o valía la p e n a p e r d e r u n a h o r a p o r día
c o n u n s e ñ o r q u e no q u e r í a a v a l a r l a t e o r í a .

A . C a r o t e n u t o [ 1 9 8 0 ] , Una secreta simetría. Sabina Spielrein entre Freud y Jung, V»3XCG-


l o n a , G e d i s a , 1984. T r a d . d e R. A l c a l d e .
^ J.-C. B r i n g u i e r , c i t . , p p . 213-214.
JEAN PIAGET 59

. ^Usted h u b i e r a c o n t i n u a d o ?
jA mí m e interesaba m u c h o ] Por e j e m p l o , yo n o t e n g o n a d a de visual. N o
p o d r í a d e c i r l e e l c o l o r d e l t a p i z d e este e s c r i t o r i o s i n m i r a r l o . Y b i e n , l o ex-
t r a o r d i n a r i a m e n t e i m p a c t a n t e es e l n ú m e r o d e i m á g e n e s v i s u a l e s q u e v u e l v e n
c o n los r e c u e r d o s d e i n f a n c i a [ . . . ] Y o e r a v i s u a l d u r a n t e las h o r a s d e a n á l i s i s
d e u n a m a n e r a q u e m e s o r p r e n d í a . V o l v í a a v e r e s c e n a s vivida.s e n o t r a é p o c a ,
r e c o n s t i t u i d a s e n p a r t e , c o m o le d e c í a , p e r o c o n t o d o u n c o n t e x t o , i n c l u i d a s
las f o r m a s y l o s c o l o r e s , c o n u n a p r e c i s i ó n d e l a q u e h u b i e r a s i d o incapaz
f u e r a d e las h o r a s d e a n á l i s i s .

C o n este t e s t i m o n i o n o i m p u g n a b l e q u e d a n claras algunas de las


razones de las resistencias de Piaget a u n a e x p e r i e n c i a q u e calaba
demasiado h o n d o e n él. Su pasión i n t e l e c t u a l i z a d o r a , f u e n t e de los
grandes d e s c u b r i m i e n t o s q u e le d i e r o n j u s t a f a m a , c h o c a r o n c o n el
deseo de la analista ( ¡ s i e m p r e ese deseo d e l o t r o ! ) , al parece r d e m a -
siado interesada e n atraer hacia la "causa" — s e g ú n v e r e m o s — a este
Wunderkind, el n i ñ o p r o d i g i o q u e Piaget era y siguió s i e n d o hasta su
m u e r t e a los o c h e n t a y c u a t r o a ñ o s de e d a d .
Así c o m o Piaget r e c u e r d a t a n n í t i d a m e n t e su vivencia de b e b é , o l -
vida a u n F r e u d q u e leyó, m e m o r i z ó y b o r r ó , u n S i g m u n d F r e u d q u e
escribió:^

D e e s t o s r e c u e r d o s d e i n f a n c i a q u e se l l a m a n l o s m á s t e m p r a n o s n o p o s e e m o s
la h u e l l a m n é m i c a real y efectiva, s i n o u n a e l a b o r a c i ó n p o s t e r i o r d e ella, u n a
e l a b o r a c i ó n q u e acaso e x p e r i m e n t ó los i n f l u j o s d e m ú l t i p l e s p o d e r e s psíqui-
cos p o s t e r i o r e s .

¿ C ó m o p u e d e Piaget usar c o m o a r g u m e n t o p a r a distanciarse d e l


psicoanálisis t m escepticismo q u e estaría m o t i v a d o p o r l o a r t i f i c i a l de
su p r i m e r r e c u e r d o c u a n d o ese escepticismo respecto de los recuer-
dos precoces es u n rasgo d i s t i n t i v o d e l psicoanálisis f r e u d i a n o ? E n c o n -
traremos respuesta a este i n t e r r o g a n t e . Él comenta:''

— T e n g o cierto escepticismo respecto de los rectierdos d e i n f a n c i a . S é b i e n


q u e d e s d e e l p u n t o d e v i s t a p s i c o a n a l í t i c o se p u e d e u t i l i z a r l a m a n e r a e n que
u n c h i c o ( o u n a d u l t o ) r e c o n s t r u y e sus r e c u e r d o s d e i n f a n c i a . P e r o n o c r e o

^ S. F r e u d [ 1 9 0 1 ] c i t . , v o l . i n , p . 52.
J.-C. B r i n g u i e r , cit., p . 2 1 1 .
60 JEAN PIAGET

e n la e x i s i e n c i a de r e c u e r d o s p u r o s ; ellos s u p o n e n s i e m p r e u n a p a r t e m á s o
menos grande de inferencia.

2. L A M E M O R I A E S U N T R A B A J O D E L A IMAGINACION

Si algo caracteriza a la p o s i c i ó n f r e u d i a n a es su coincidencia c o n esa


p r u d e n t e i n c r e d u l i d a d de Piaget. Jamás F r e u d o los f r e u d i a n o s p e n -
saron q u e hallaría n u n místico " r e c u e r d o p u r o " . L o q u e Piaget l l a m a
" u n a p a r t e de i n f e r e n c i a " ( q u e t a m b i é n sería " i n t e r f e r e n c i a " ) es el
a g r e g a d o m e d u l a r y constante d e l trabajo de la fantasía e n la cons-
t r u c c i ó n d e l r e c u e r d o . E n v e r d a d , se sabe de a n t i g u o — n o es u n des-
c u b r i m i e n t o de F r e u d — q u e es difícil d i f e r e n c i a r e n t r e la m e m o r i a y
la fantasía. Para H o b b e s " (1588-1679) "la m e m o r i a y la i m a g i n a c i ó n
son u n a m i s m a cosa q u e p a r a diversas consideraciones posee t a m b i é n
n o m b r e s diversos." L a p a l a b r a " i m a g i n a c i ó n " ("que los griegos llama-
b a n f a n t a s í a ") destaca el c o n t e n i d o e m p í r i c o de la e x p e r i e n c i a y deja
de l a d o el h e c h o de q u e tal e x p e r i e n c i a se va desvaneciendo. L a pa-
l a b r a " m e m o r i a " se c e n t r a e n la c o n s e r v a c i ó n d e l r e c u e r d o y deja e n
u n s e g u n d o p l a n o al aspecto sensual o sensorial (sensuous) de la expe-
r i e n c i a . L a m e m o r i a es, p a r a e l filósofo inglés, la p e r c e p c i ó n de q u e
u n o h a , antes, p e r c i b i d o ; ella p e r m i t e el c o n o c i m i e n t o d e l m u n d o .
" U n a m e m o r i a copiosa o la m e m o r i a de m u c h a s cosas se d e n o m i n a
e x p e r i e n c i a " . Pero "la c o m p r e n s i ó n es o t r a cosa": es l a puesta e n mar-
cha de la i m a g i n a c i ó n p o r el l e n g u a j e , p o r las palabras. S e g ú n c o m o
se le m i r e , u n r e c u e r d o es m e m o r i a o es fantasía. M e j o r d i c h o , es u n a
c o n j u g a c i ó n de ambas.
Es e n esa tradición sobria y v e n e r a b le q u e asimila, c o m b i n á n d o l a s ,
a l a m e m o r i a c o n la fantasía, d o n d e se u b i c a l a d o c t r i n a de F r e u d y
es, acaso, l o q u e n o p o d í a o n o q u e r í a aceptar Piaget c o n su a c e r b o
i n t e l e c t u a l i s m o . E l p r i m e r r e c u e r d o de Piaget n o m u e s t r a t a n t o q t i e
la n i ñ e r a hubiese m e n t i d o (de eso se e n t e r ó después y la c o n f e s i ó n
d e l f r a t i d e c o m e t i d o n o bastó p a r a b o r r a r el " r e c u e r d o " ) sino q u e e l
n i ñ o necesitaba creer e n la "gloriosa" r e a l i d a d de u n a escena que satis-
f a c í a sus fantasías de ser el o b j e t o m a r a v i l l o s o q u e asegiiraba el goce
del Otro.

T . H o b b e s [ 1 6 5 1 ] , Leviatán 2.3 y 2.4.


JEAN PIAGET 61

E n los r e c u e r d o s a u t o b i o g r á f i c o s de Goethe^ e n c o n t r a m o s , al co-


m i e n z o d e l capíttilo i , tras u n a larga r e f e r e n c i a a la c o n j u n c i ó n astro-
lógica de su n a c i m i e n t o , q u e e l p o e t a a f i r m a

C u a n d o q u e r e m o s r e c o r d a r las cosas q u e e n l a m á s t i e r n a i n f a n c i a n o s o c u -
r r i e r o n , suele s u c e d e m o s con frecuencia que confundamos aquello que a
otros h e m o s o í d o c o n lo q u e p o r e f e c t o d e la p r o p i a e x p e r i e n c i a presencial
conocemos. P o r l o q u e , sin llevar a c a b o sobre e l l o u n e x a c t o e x a m e n , que
por otra parte a nada podría conducir, sé q u e v i v í a m o s e n u n a v i e j a c a s o n a . . .
(cursivas m í a s ) .

F r e u d c o m i e n z a su a r t í c u lo de 1917 (cit.) r e c o r d a n d o esta observa-


ción d e l p o e t a q u e r e m i t e al c a r á c t e r i n d u c i d o de los r e c u e r d o s i n f a n -
tiles y se i n t e r r u m p e antes de c i t a r lo q u e G o e t h e e n s e ñ a : q u e de n a d a
sirve buscar los datos " o b j e t i v o s " r e f e r i d o s a la f u e n t e de los r e c u e r d o s
o tratar de d e t e r m i n a r si ellos p r o c e d e n de la p r o p i a e x p e r i e n c i a o de
u n relato escuchado a terceros. L o q u e i m p o r t a es el r e c u e r d o e n sí
m i s m o . Q u e Piaget hubiese sido la víctima de u n i n t e n t o de secues-
tro o q u e ese i n t e n t o haya sido u n a f a b u l a c i ó n de su c u i d a d o r a , e n
nada c a m b i a , desde el p u n t o de vista d e l r e c u e r d o , a la " g l o r i a " q u e
lo a c o m p a ñ a y q u e es, n o u n a consecuencia, sino la causa de su re-
tención e n la m e m o r i a y de la c o n v i c c i ó n absoluta q u e el sujeto t i e n e
de su c a r á c t e r de e x p e r i e n c i a (falsamente) v i v i d a. Si algo p r u e b a e l
relato de Piaget es q u e el f a n t a s m a p r i m a sobre la r e a l i d a d . A F r e u d
le costó pocos a ñ o s darse c u e n t a . P o d e m o s i n c l u s o sostener q t i e el
psicoanálisis n a c i ó c u a n d o F r e u d a c a b ó de c o m p r e n d e r el primado de
la fantasía sobre el recuerdo de u n a c o n t e c i m i e n t o h i s t ó r i c o.
H a b e r sido o b j e t o de u n i n t e n t o de secuestro es e l c o n t e n i d o mani-
fiesto de la fantasía de Piaget e n la q u e él cree a pies j u n d l l a s a pesar de
saber q u e eso n u n c a s u c e d i ó . Escapar d e l r a p t o , d e l kidnapping, ése es
el c o n t e n i d o latente de la fantasía de Piaget. Sí. ¿Sólo entonces, antes
de c u m p l i r los dos años? E l g i n e b r i n o , c o n c i u d a d a n o de Rousseau,
ha d i c h o q u e él resistía i n t e l e c t u a l m e n t e a la t e o r í a d e l análisis y, pese
a e l l o , se h i z o analizar p o r Sabina S p i e l r e i n , de q u i e n él c r e í a (falsa-
m e n t e ) q u e , a su vez, h a b í a sido analizada p o r F r e u d . E l " d a t o " n o era
c i e r t o , p e r o , ¡qué i m p o r t a ! Insisti r e n e l l o "a n a d a p u e d e c o n d u c i r " .
I m p o r t a l o q u e él creía. Su analista, Sabina S p i e l r e i n , era su c o m p a i i e -

J. W . v o n G o e t h e [ 1 8 1 1 ] , c i t . , t. i i , p . 1460.
62 JF.AN PIAOET

r a de trabajo e n el l a b o r a t o r i o de psicología de E d o u a r d C^laparéde;


su l a b o r e n el i n s t i t u t o consistía — p a r a eso h a b í a sido c o n t r a t a d a —
e n e x p l i c a r las tesis psicoanalíticas.^ Piaget c r e í a , a d e m á s , q u e ella n o
e n s e ñ a b a l o q u e sabía a título p e r s o n a l , p o r su v o h m t a d , sino q u e "la
h a b í a m a n d a d o a G i n e b r a la Sociedad I n t e r n a c i o n a l de Psicoanálisis
p a r a h a c e r c o n o c e r la d o c t r i n a " y era e n t o n c e s ctxando él "estaba c o n -
t e n t o de servir de cobayo".'** Piaget hace constar q u e él se resistía a la
"necesidad de i n t e r p r e t a c i ó n q u e ella q u e r í a i m p o n e r " .
¿Cuál es e l escenario f a n t a s m á t i c o d e l psicoanálisis de Piaget acos-
t a d o e n su diván? Revisemos la escena, la de 19^2 ¿No es transparente?
¡ U n i n t e n t o de secuestro! E l fantasm a de los C h a m p s Elysées sigue ac-
t u a n d o . Piaget e n 1969 r e c u e r d a c ó m o esta m u j e r , enviad a p o r F r e u d ,
q u i s o a t r a p a r l o e n 1922, y él resistió —pese a la v i v i d a reviviscencia de
sti pasado q u e alcanzaba en sus sesiones, t a n f u e r t e c o m o sólo p u d o
e x p e r i m e n t a r l a al evocar el i n t e n t o de "secuestro" q u e n u n c a tuvo
lugar. Resistió a t a l p u n t o q u e "ella d e t u v o el análisis". Quiz á Sabina
S p i e l r e i n n o q u i s o o c u p a r el l u g a r de la n i ñ e r a e n la fantasía de su p o r
e n t o n c e s j o v e n analizante. ¡ Q u e viva c o n su fantasía de ser el o b j e t o
m a r a v i l l o s o (agalma) q u e falta al O t r o y q u e l o t i e n t a a p a r t i c i p a r e n
u n a escena de secuestro c r i m i n a l q u e él debe resistir! ¡ Q u e o r g a n i c e
su v i d a c o m o u n a resistencia, desde las t r i n c h e r a s de l o i n t e l e c t u a l
s u p u e s t a m e n t e i g n o r a d o , c o n t r a e l psicoanálisis! N a d i e es más terco
y c o n s t a n t e q u e u n fantasma. Piaget supo e x t r a e r p r o d i g i o s o s resulta-
dos d e l suyo. Su m e m o r i a c o m e n z a b a e n u n espanto v i v i d o e i n t e n -
so... p e r o i r r e a l . Sí; e n efecto, n a d i e es más terco y c o n s t a n t e . . . q u e e l
p r i m e r r e c u e i d o de la i n f a n c i a .

^ E. R o u d J n e s c o y M . P l o n , Diction naire de la psycharuilyse, P a r í s , F a y a r d , 1997. A r t í c u -


lo: S p i e l r e i n , Sabina.
J.-C. B r i n g u i e r , c i t . , p . 213.
5
BORGES I M P L O R A L A C E G U E R A

1 EL. V O M E T L T T P E I C A D O E N L A S L U N A S D E L R O P E R O

Es legítimo q u e t i n o se f a t i g u e y se fastidie l e y e n d o tantos c o m e n t a r i o s


que se h a n escrito sobre la presencia, q u e parece c o m p u l s i v a , de los
espejos, los tigres y los l a b e r i n t o s e n el m u n d o b o r g e s i a n o . Es casi u n
acto de estereotipia agregar algo.más sobre tales i m á g e n e s la o b r a d e l
a u t o r de El aleph, A m e n o s q u e . . . A m e n o s q u e él tenga algo n u e v o
que e n s e ñ a r n o s . Cosa q u e s i e m p r e sucede.
El leitmotiv de nuestras investigaciones es el de u n a m e m o r i a , la m e -
m o r i a , q u e c o m i e n z a en el espanto ( C o r t á z a r ) . Sobre este p u n t o n o
p o d r í a m o s desaprovechar l a respuesta q u e J o r g e L u i s Borges o f r e c i ó
en 1973 a María Esther Vázquez^ c u a n d o ella, e n u n a entrevista, l o
i n t e r r o g ó p o r esas referencias obsesivas, insistentes, p a r t i c u l a r m e n t e
la de los espejos. L a i n m e d i a t a e v o c a c i ó n d e l c é l e b r e escritor f u e la de
u n r e c u e r d o i n f a n t i l , u n o d e l q u e nosotros n o sabemos si es el p r i m e -
r o e n su m e m o r i a , p e r o d e l q u e sí p o d e m o s d e c i r q u e n o c o n o c e m o s
n i n g u n o a n t e r i o r ( n i t a m p o c o p o s t e r i o r ) después de revisar l o q u e
escribió y l o q u e r e s p o n d i ó a sus míiltiples entrevistadores. De t o d os
m o d o s , ya establecimos q u e l o de u n " p r i m e r r e c u e r d o " es s i e m p r e
u n a p r e s u n c i ó n i n d e m o s t r a b l e y mítica, i n f i l t r a d a p o r fantasías, de-
seos y datos adventicios, c u a n d o n o u n a lisa y l l a n a falsificación. N o
apostamos p o r la fidelidad de la m e m o r i a , n i siquiera la de Borges:

E n casa t e n í a m o s u n g r a n r o p e r o d e tres c u e r p o s d e e s t i l o h a m b u r g u é s . Esos


r o p e r o s d e c a o b a , q u e e r a n c o m u n e s e n las casas c r i o l l a s d e e n t o n c e s . Y o m e
a c o s t a b a y m e v e í a t r i p l i c a d o e n ese e s p e j o y s e n t í a e l t e m o r d e q u e esas i m á -
genes n o c o r r e s p o n d í a n exactamente a m í y de lo terrible q u e sería v e r m e
d i s t i n t o e n a l g u n a d e e l l a s . . . C u a n d o y o e r a c h i c o n o m e atrexá a d e c i r l e s a m i s
padres que n o m e dejaran en u n a habitación totalmente oscura para n o tener

' J o r g e L . Borges, Veinlicinco Agosto, 1983 y otros cuentos, M a d r i d , S i r u e l a , 198B, p p .


80-81.

[63]
64 J O R G E TAITS B t ) R ( ; E S

esa i n q u i e t u d . A n t e s d e d o r m i r y o a b r í a r e p e t i d a m e n t e l o s o j o s p a r a v e r si las
i m á g e n e s e n los tres espejos seguían s i e n d o fieles a lo que yo creía m i imagen
o si h a b í a n e m p e z a d o a m o d i f i c a r s e r á p i d a m e n t e y d e u n m o d o a l a r m a n t e . A
e s o se a g r e g ó l a i d e a d e l a p l u r a l i d a d d e l y o , d e q u e e l y o es c a m b i a n t e , d e q u e
s o m o s e l m i s m o y s o m o s o t r o s , eso l o h e a p l i c a d o m u c h a s veces.

C u a n d o son varios los espejos, los á n g u l o s de sus i n c i d e n c i a s de-


b e n , p o r f u e r z a , ser l i g e r a m e n t e d i f e r e n t e s e n t r e sí ("différantes", es-
c r i b i r í a D e r r i d a , t a m b i é n " d i f i r i e n t e s " pues n o se p u e d e n ver dos al
m i s m o t i e m p o , t m lapso de d i f e r i c i ón separa las dos m i r a d a s ) . Los
reflejos son s i m u l t á n e o s ; las m i r a d a s n o p o d r í a n ser sincrónicas . T a l
d i f e r e n c i a vale t a n t o c o n r e l a c i ó n al c u e r p o q u e es visto c o m o a la
r e t i n a q u e se fija e n los varios espejos. De m o d o q u e n i n g u n o de ellos,
p o r su m i s m a m u l t i p l i c i d a d , p u e d e r e d o b l a r y c o n f i r m a r "exactamen-
t e " al " m í " {moi) q u e los observa. Las diversas i m á g e n e s d e s o r i e n t a n
al i n c i e r t o o b s e r v a d o r q u e es la c r i a t u r a , insegura a ú n de su p r o p i a
a p a r i e n c i a : n i n g t m a de ellas es más " r e a l " (verdadera ) q u e o t r a , n i n -
g u n a es i g u a l a o t r a . Todas auténticas, todas falsas. Cada u n a p o d r í a
d i s p o n e r s e a actuar c o n caprichos a a u t o n o m í a , t e m a clásico d e l Do-
ppelgángery t e m a t a m b i é n de siniestros relatos e n los cuales la s o m b r a
se d e s p r e n d e d e l c u e r p o y actúa p o r c u e n t a p r o p i a . L a i m a g e n d e l
p r o p i o c u e r p o y r o s t r o , ese aguijón q u e f u n c i o n a c o m o b r ú j u l a d e l su-
j e t o , vacila. Q u e d a d e s n o r t e a d o .
L a m i r a d a de Borges n i ñ o q u e i n c i d e sobre esos espejos se t r i f u r -
ca. E n e l l u g a r d e l t r i v i o o de la triplopía, c o n el m a t e r i a l de las tres
i m á g e n e s casi simultánea s y m í n i m a m e n t e d i f e r e n c i a d a s, p a r a n o ex-
traviarse, t e n d r í a él q u e realizar u n a c o m p o s i c i ó n u n i f i c a d o r a , u n a
síntesis de los varios " p u n t o s de vista". S ó l o así p o d r í a e l u d i r la desga-
r r a d o r a v i v e n c i a de sentirse u n o y verse t r i n o , de h a b i t a r tres espacios
v i r t u a l e s a la vez, c o n variaciones p o c o perceptible s e n t r e ellos. Si es
difí^cil c o n c e b i r se c o m o siendo u n o y e l m i s m o c u a n d o u n o se ve des-
d o b l a d o p o r la i m a g e n especular v i r t u a l , ¿ c ó m o l l e g a r a ser u n o y el
m i s m o c u a n d o al c u e r p o real c o r r e s p o n d e n c u a t r o representaciones ,
la i m a g i n a r i a de sí, y las tres d u p l i c a c i o n e s de ésta e n las sendas p u e r -
tas d e l r o p e r o h a m b u r g u é s ?
L a i n q u i e t u d d e l n i ñ o r e m i t e , m e parece, c o m o se i n d i c a e n el
r e l a t o de Cortázar, al h e c h o c o n t u n d e n t e q u e él subraya: "rne hacían
d o r m i r solo". Es a los padres a quienes l a c r i a t u r a h u b i e r a q u e r i d o
pedirles protección.
JORGE I UIS BORGES 65

" G e o r g i e " , c o m o V i t a n g e l o M o s c a r d a , el personaje de P i r a n d e l l o


{Uno, nessuno e centomila), es u n o y se ve m u c h o s sin q u e a l g u n o p u e d a
ser más c o n f i a b l e q u e los o t r o s . L a v a r i a b i l i d a d de las perspectivas l o
hace, al m i s m o t i e m p o q u e " u n o y c i e n m i l " , " n i n g u n o " . L a e x t r a ñ e z a
de los espejos reside e n esa m a n í a c o m p u l s i v a q u e ellos t i e n e n , la de
seguirnos, i m i t a r n o s y r e p e t i r nuestros m o v i m i e n t o s . L a ú n i c a m a n e r a
de fijar sus i m á g e n e s es quedarse inmóvil, sin s i q u i e r a p e s t a ñ e a r n i
respirar, m u e r t o . Si los espejos son varios y nos m i r a n , n o hay m a n e r a
de plantarse ante u n o de ellos y d e s c u i d a r la i m p r e d e c i b l e c u r i o s i d a d
o v o r a c i d a d de los d e m á s . Y n o hay o t r o ser h u m a n o allí, e n la escena,
en ese m o m e n t o . N o hay algtüen capaz de g a r a n t i z a r c o n certeza l a
vida. N o hay q u i e n , c o n la suave e m u l s i ó n de las palabras, p u e d a ase-
g u r a r q u e , pese al e s p e c t á c u l o amenazante de la p r o l i f e r a c i ó n de las
imágenes, el ser n o se destroza n i se r e p a r t e e n t r e ellas y q u e el c u e r p o
sigue siendo u n o y ú n i c o . D e b i e r a h a b e r a l g u i e n más dispuesto a i n -
tervenir y disolver de t m p l u m a z o la proliferación de tantos "yoes" q u e
p o d r í a n d e c i d i r s e a actuar cada u n o p o r su l a d o . Falta u n c o n t r o l
que u n i f i q u e y haga c o i n c i d i r e n u n a sola i m a g e n a l a a n á r q u i c a disi-
dencia ( t r i s i d e n c i a e n este caso) de los dobles.
E l n i ñ o se e s c a p a r í a de la c r u j í a de los espejos si lograse espantarlos
quitándoles el a u m e n t o qtie los n u t r e y q u e es la luz. E l p e q u e ñ o , solo,
es i m p o t e n t e p a r a e l i m i n a r a esa c ó m p l i c e de los cristales, i n c i d e n t e
e insidiosa, s i b i l i n a e invasora, q u e se d e r r a m a e n el c u a r t o . P e r o e l
O t r o , acaso él sí, p o d r í a e x p u l s a r a la luz. Borges d i r i g e — q u e r r í a
d i r i g i r — a ellos, a los padres, u n a súplica e x t r a ñ a , p a r a d ó j i c a, i r r a c i o -
nal. H a r í a f a l t a m u c h a valentía p a r a i m p l o r a r semejante b a r b a r i d a d ,
el t r a t a m i e n t o q u i r ú r g i c o de su a n g u s ü a . Es t a n a b s u r d a su d e m a n d a
que le es i m p o s i b l e f o r m u l a r l a . H u b i e r a q u e r i d o p e d i r a sus padres
que l o p u s i e r a n e n u n a h a b i t a c i ó n c o m p l e t a m e n t e oscura. Pero n o se
atrevía. Sus palabras se sofocan antes de ser p r o n u n c i a d a s . L a angus-
tia, la i m p o t e n c i a , n o p u e d e n t r a m i t a r s e en u n discurso q u e p a r e c e r í a
i n a d m i s i b l e . Q u e d a n i n f o r m t d a d a s , atosigadas. " N o m e atreví a decir-
les q u e q u e r í a q u e m e d e j a r a n e n u n a h a b i t a c i ó n t o t a l m e n t e oscura."
¿Quién, q u é c r i a t u r a , se atrevería a pedir la ceguera'? ¿ D ó n d e está e l
n i ñ o q u e p r e f i e r e e h m i n a r la luz a protegerse a m u e b l a n d o el m u n d o
con la visión —antes a u n d e q u e se c o n c r e t a r a la i n v e n c i ó n de M o r e l ,
la q u e h o y se l l a m a televisión?
S e g u r a m e n t e ese n i ñ o n o es Joyce, c o n su f o b i a a las t o r m e n t a s
y su m i e d o a la o s c u r i d a d . Su ceguera, la d e l irlandés, t a m b i é n f u e
66 JORGE LUIS BORGES

buscada; h i z o Lodo l o posible p o r c o n s e g u i r l a c o n la i n a p r e c i a b l e co-


l a b o r a c i ó n de los o f t a l m ó l o g o s q u e l o s o m e t i e r o n a u n a serie de sos-
pechosas operaciones . S e g u r a m e n t e ese n i ñ o n o es t a m p o c o G a b r i e l
G a r c í a M á r q u e z q u e evoca:^

N u n c a p u d e s u p e r a r el m i e d o d e estar solo, y m n c h o m e n o s e n la o s c u r i d a d ,
p e r o m e p a r e c e q u e t e n í a u n o r i g e n c o n c r e t o , y es q u e e n l a n o c h e se m a t e r i a -
l i z a b a n las f a n t a s í a s y los p r e s a g i o s d e ía a b u e l a . Toda\aa a los s e t e r u a a ñ o s h e
v i s l u m b r a d o e n s u e ñ o s el a r d o r d e los j a z m i n e s e n el c o r r e d o r y el f a n t a s m a
d e l o s d o r m i t o r i o s s o m b r í o s , y s i e m p r e c o n e l s e n t i m i e n t o q u e m e e s t r o p e ó la
n i ñ e z : el pavor de la n o c h e .

L a t r i p l e m i r a d a de la m á q u i n a de los espejos deshace a la persona,


la d e s c o m p o n e c o m o hace el p r i s m a c o n la l u z . Esa t r i p l e m i r a d a ,
q u e p o d r í a m u l t i p l i c a r s e hasta el i n f i n i t o , p o n e a t r e p i d a r la inestable
r e p r e s e n t a c i ó n d e l c u e r p o ("...eso q u e yo c r e í a m i i m a g e n " . ) Es fre-
c u e n t e y hasta casi u n i v e r s al q u e los n i ñ o s t e n g a n m i e d o de la oscu-
r i d a d , q u e necesiten de la luz p a r a asegurarse de su p r o p i a presencia
e n el m u n d o , q u e usen a los ojos c o m o m t i l e t a s p a r a q u e e l ser n o se
de-splome. N o es ése, según l o a f i r m a él m i s m o , el caso de Borges. El
h u b i e r a q u e r i d o que "ellos", el O t r o , le diese n la " u n á n i m e n o c h e " y,
e n su d e f e c t o , los l i b r o s , p a r a n o e n c o n t r a r s e c o n su p r o p i o r e f l e j o . E l
espejo n o le c o n f i r m a b a q u e era Borges sino q u e era " u n o , n i n g u n o y
c i e n m i l " , según la perspectiva desde d o n d e era m i r a d o . C o n sus ojos
de p l a t a , los cristales l o d e s c o n c e b í a n .
E l espejo es — d e b i e r a s e r — e l aval de la existencia y de la constan-
cia e n e l espacio d e l c u e r p o c o m o " y o " {moi), c o n t á n d o s e c o m o " u n o " .
¡ P e r o tres espejos! A I p r o l i f e r a r , ellos n o p u e d e n sino destrozar la i m a -
g e n , p u l v e r i z a r l a . H u m p t y D u m p t y , y o , se q u i e b r a y d e s p u é s n i todos
los h o m b r e s n i todos los caballos d e l Rey p u e d e n j u n t a r de n u e v o los
pedazos. ¿Y si cada espejo se consagrase a t o r c e r c a p r i c h o s a m e n t e su
p r o p i a visión de l o q u e se le d a a ver? ¿ Q u i é n p u e d e a r m o n i z a r l o s ,
s o m e t e r l o s a u n r e g l a m e n t o , r e s t r i n g i r su a r b i t r a r i e d a d r e p r o d u c t o -
r a , l a o b s c e n a profusión de sus i m á g e n e s ? L a constancia de la p r o p i a
i m a g e n , o b r a de la m e m o r i a , es u n a p r e c a r i a g a r a n t í a d e l m u n d o e n
q u e v i v i m o s , p e r o sin esa g a r a n t í a n o p o d r í a m o s vivir. Borges a b o r d ó
t a m b i é n ese t e m a en su c u e n t o sobre Funes el m e m o r i o s o : la v a r i a b i l i -

^ G . G a r c í a M á r q u e z , Vivir para contarla, N u e v a Y o r k , K n o p f , p . 32.


JORGE L U I S B O R O E S 67

dad incesante de las apariencias i m p i d e la f o r m a c i ó n de u n c o n c e p t o


c u a l q u i e r a . Funes, e n su m u n d o v e r t i g i n o s o , n o p o d í a c o m p r e n d e r
"que el s í m b o l o g e n é r i c o perro abarcara tantos i n d i v i d u o s dispares de
diversos t a m a ñ o s y diversa f o r m a ; le molestaba q u e e l p e r r o de las tres
y catorce (visto de p e r f i l ) t u v i e r a el m i s m o n o m b r e q u e e l p e r r o de las
tres y c u a r t o (visto de f r e n t e . ) Su propia cara en el espejo, sus propias ma-
nos, le sorprendían cada vez" (cursivas m í a s ) . ¡ Q u é c u r i o s o ! : p a r a saber,
es menester o l v i d a r las ínfimas diferencias q u e l a t e n e n los r e c u e r d o s
de l o p e r c i b i d o . S ó l o así la m e m o r i a es p o s i b l e.
Jorge L u i s Borges d e s a r r o l l a u n r i t u a l q u e p o d r í a llamarse obsesivo-
c o m p u l s i v o . I n t e n t a c a l m a r su angustia r e p i t i e n d o de m o d o casi desa-
fiante la e x p e r i e n c i a q u e l o espanta. A b r e r e p e t i d a m e n t e los ojos, vale
decir, pestañea. C o n s t e r n a d o , j u e g a , e n m e d i o de la n o c h e , al i g u a l
que el n i e t i t o de F r e u d , su p r o p i o fort — da. A p a r e c e , desaparece. I n -
vestiga la c o n f i a b i l i d a d de la m i r a d a q u e l o observa desde las lunas d e l
r o p e r o , la d e l O t r o . ¿"Seguían siendo fieles i m á g e n e s " ? ¿ O r o m p i e r o n
el pacto y se l a n z a r o n a m o d i f i c a r ( l a s ) de m a n e r a veloz y a l a r m a n t e?
¿Quiere él la verdad? N o , n o p i d e la v e r d a d , sino la ratificación de la
i m a g e n q u e él m i s m o se h a b í a f o r j a d o ("lo q u e yo c r e í a " ) . Y, si eso n o ,
¡que venga la c o m p l e t a o s c u r i d a d ! ¿No son éstas las claves de la v i d a y
de la o b r a de Borges?
A n d a n d o el t i e m p o Borges daría u n a versión p o é t i c a ( " d i c e n q u e
catorce versos son s o n e t o " ) , de este recuerdo^

Yo, de n i ñ o , t e m í a q u e el espejo
m e m o s t r a r a otra cara o u n a ciega
máscara impersonal que ocultaría
algo sin d u d a atroz. T e m í asimismo

q u e el silencioso t i e m p o d e l espejo
se d e s v i a r a d e l c u r s o c o t i d i a n o
d e las h o r a s d e l h o m b r e y h o s p e d a r a
e n sti v a g o c o n f í n i m a g i n a r i o

seres y f o r m a s y c o l o r e s nuevos.
( A n a d i e se l o d i j e : e l n i ñ o es t í m i d o . )
Yo t e m o a h o r a q u e el espejo e n c i e r r e

^ J. L . B o r g e s , " E l e s p e j o " , e n Obras completas, B u e n o s A i r e s , E m e c é , t o m o 2, p . l 9 3 .


68 J O R G E I.UTS BORGES

el verdadero rostro de m i alma,


lastimada de sombras y de culpas,
el que Dios ve y acaso ven los hombres.

2. L O S L I B R O S Y L A C E G U E R A C O M B A T E N C O N T R A L O S E S P E J O S

H o r r o r fascinado ante el espejo, d u d a acerca de la i d e n ñ d a d , dudas


sobre q u i é n es el a u t o r de estas línea s o e l s o ñ a n t e de este s u e ñ o e n las
r u i n a s circulares , dudas de C h u a n g Tse acerca de u n a m a r i p o s a que
s o ñ a r í a c o n ser C h u a n g Tse G^n l u g a r de ser él q u i e n la s u e ñ a, recuer-
d o d e l h o r r o r de ser visto y de l a i m p o s i b i l i d a d de escapar a la m i r a d a
ajena, demanda del don de la ceguera y de los l i b r o s , sensació n de n o
saber d ó n d e se está e n m e d i o d e l m u n d o q u e es u n l a b e r i n t o , rechazo
de ese s u c e d á n e o d e l espejo q u e es l a cópttla, capaz de p r o d u c i r otros
ojos q u e se m i r a r í a n e n o t r o s espejos, escapatoria de los espejos en el
e s c o n d i t e de las b i b l i o t e c a s , i n f e r t i l i d a d d e l c u e r p o y f e c u n d i d a d de
u n a e s c r i t u r a q u e es "espejo y m o d e l o " p a r a los escritores p o r venir,
r e c ó n d i t o h a b i t á c u l o de culpas t a n i n n o m i n a d a s c o m o i n o c u l t a b l e s
( p a r a D i o s y acaso t a m b i é n p a r a los h o m b r e s ) , r u d a m e n t e aludidas
p o r la n o c i ó n f r e u d i a n a de s u p e r y ó . ¿No son ésas las c o o r d e n a d a s
de su u n i v e r s o , p r e f i g u r a d a s e n e l h o r r o r de los varios espejos d e l
r o p e r o h a m b u r g u é s , esas q u e B o r g e s convoca obsesivamente "antes
de d o r m i r " ?
L o c a l i z a r e n t o r n o a los múltiple s espejos de a q u e l l a h a b i t a c i ó n
p o r t e ñ a t m presagio {self-fulfilling f?rophesy) d e l d e s t i n o d e l escritor es
a r r i e s g a d o . ¿ Q u i é n p o d r í a v e n i r e n a u x i l i o de esa i n t e r p r e t a c i ó n ? N a -
d i e . . . n a d i e inás q u e e l p r o p i o Borges. Escuchemos l o q u e le dice a
A n t o n i o Carrizo:'*

Carrizo:—Borges, los espejos... no le gustan nada a usted.


Borges: — N o me gustan nada o me gustan demasiado. Ahora, claro que me
he librado de ellos. Porque la ceguera es u n modo drástico de borrar los
espejos.

Borges el memorioso. Conversaciones de J. L. Borges con Antonio Carrizo, M é x i c o , F C K ,


1983, p . 9 2 .
JORGE LUIS BORGES by

Es lástima, lástima p a r a él, q u e la e m a n c i p a c i ó n a n h e l a d a sea d u d o -


sa N o basta c o n dejar de m i r a r l o s para salir de su c a m p o visual y de su
p e r p e t u o acechan Es el espejo u n o b j e t o i n e r t e p e r o es, a la vez, f a n -
tasma p r e ñ a d o de nuestra f o r m a h u m a n a a l a q u e n o p o d e m o s p a r i r .
Mirror—que m i r a m o s — , p e r o t a m b i é n looking glass—cristal q u e nos
m i r a c u a n d o l o m i r a m o s . Borges p u e d e h a b l a r y hasta i n c r e p a r a este
"misterioso h e r m a n o " q u e l o p r o c u r a t a m b i é n e n la n o c h e c e r r a d a
d o n d e ya n o q u e d a n ojos p a r a ver lo que el espejo sigue v i e n d o :

A c e c h a s d e s d e s i e m p r e . E n la t e r s u r a
del agua incierta o d e l cristal que dura
M e b u s c a s y es i n ú t i l e s t a r c i e g o .
El h e c h o de n o verte y de saberte
Te agrega horror...
( " A l e s p e j o " . Obras completas, cit., p. 109.)

Sobre estos versos v o l v e r e m o s de la m a n o de lúcidas escritoras.


De n a d a le valdría ya al a n t i g u o n i ñ o , a h o r a ciego y sabio a n c i a n o ,
c o n t r o l a r a su v i g i l a n te a b r i e n d o y c e r r a n d o los p á r p a d o s . Lo s múlti-
ples ojos de los infatigables cristales siguen i n v a d i e n d o y p e r f o r a n d o
el a l m a d e l ciego que n o p u e d e i g n o r a r l o s a u n q u e , p a r a él, h a y a n v i -
rado desde la n í t i da p l a t a al gris i n f o r m e . E l n i ñ o p e d í a la ceguera. E l
a d u l t o siente q u e la batalla está p e r d i d a , q u e hay u n h o r r o r agregado .
Y sabe de d o n d e viene el espanto: n o d e l c a m p o de l o visual, sino " d e l
v e r d a d e r o r o s t r o de m i a l m a , lastimada de sombras y de culpas".
Si es m e t á f o r a d e c i r q u e los espejos son p r i s i o n e s , n o es m e n o s
m e t á f o r a — m e t á f o r a p r e ñ a d a p o r la i l u s i ó n — p r e t e n d e r q u e u n o
"se l i b r a de e l l o s " p o r m e d i o de la ceguera, c o n v e r t i d a así e n p r e c i o
de la l i b e r t a d . Vale la p e n a d e c i r q u e t a m b i é n la h o j a e n b l a n c o e n
la q u e se abisma el e s c r i t o r es u n a a n u l a c i ó n d e l espejo, u n m o d o
de escapar a él."^ I g u a l m e n t e a b o m i n a d e l espejo la s u p e r f i c ie opac a
de la p á g i n a i m p r e s a , l l e n a de garabatos insensatos, l l e n a de ese r e a l
d e s i m a g i n a r i z a d o de los signos alfabéticos q u e c a r e c e n , c o m o tales,
de s e n t i d o , q u e n a d a d i c e n , p e r o q u e i n v o c a n a u n l e c t o r p a r a q u e
los p u e b l e y los a m u e b l e c o n significados. E l l i b r o t a m b i é n a n u l a e l
j u e g o desestabilizador de las i m á g e n e s . L e e r es, e n t r e otras cosas,
i n v e r t i r la s u p e r f i c i e c r i s t a l i n a , r e f l e j a n t e y p e r s e c u t o r i a d e l espejo

^ Cf. infra, c a p . 15.


70 JORGE LUIS BORGES

a r r u m b á n d o l a c o n t r a la p a r e d . " S u m e r g i r s e en la l e c t u r a " , c o m o se
suele d e c i r , es p r a c t i c a r u n a a b o l i c i ó n "drástica " d e l espacio v i r t u a l
q u e d e s q u i c i a c o n su mensaje de "esquizia". L e e r es u n m o d o de h u i r
de la m i r a d a d e l o t r o y de los espejos a b i s m á n d o s e e n u n e m b u d o de
p a p e l d o n d e el sujeto se segrega, se hace secreto, y deja de ser visto.
Ciegos y lectores, lectores ciegos, sin egos, ¿Quién p o d r í a saber q u é
ven? ¿ Q u i é n p o d r í a verlos si ellos n o ven? Signos q u e e m i t e n la c o n -
signa: " S í g n e n o s . "
B o r g e s n o se atreve a p e d i r la o s c u r i d a d para escapar de los espejos.
¿Es u n a p r e m o n i c i ó n , es e l o r á c u l o i n s c r i t o e n su p r i m e r r e c u e r d o o
tal es e l deseo i n c o n s c i e n t e , j a m á s f o r m u l a d o , p e r o r e a l i z a d o e n la
c e g u e r a q u e l o hace, c o m o a Tiresias, vidente? E l sabe q u e la ceguera
es su d e s t i n o . H a d i c h o q u e "ese l e n t o crepúsculo"'^' c o m e n z ó e n 1899,
c u a n d o n a c i ó . N o bastaba c o n saber q u e era u n m a l h e r e d i t a r i o , el
q u e h a b í a n p a d e c i d o su p a d r e y su abuela. Para él, nietzschean o c o m o
pocos, se t r a t a b a de ja sagen, de d e c i r q u e sí al d e s t i n o . S u p o aceptar
esa c e g u e r a c o m o u n d o n p o r q u e c o r r e s p o n d í a a su deseo más fer-
viente.'

Si aceptamos que en el bien del cielo puede estar la sombra, entonces, ¿quién
vive más consigo mismo? ¿Quién puede explorarse más? ¿Quién puede co-
nocerse más a sí mismo? Segtin la sentencia socrática [gnoti te auton], ¿quién
puede conocerse más que u n ciego?

B o r g e s se c o m p a r a , p o r su " m o d e s t a ceguera p e r s o n a l " , c o n M i l t o n


q u e l l e g ó a l a c e g u e r a t o t a l e n 1652 "pensand o q u e h a sacrificado su
vista v o l u n t a r i a m e n t e y r e c u e r d a su p r i m e r deseo, el de ser u n poeta".*^
C o m o o t r o s , M i l t o n sabía "que su d e s t i n o sería l i t e r a r i o ; y o t a m b i é n ,
si es q u e p u e d o m e n c i o n a r m e " . C o m o Joyce, casi ciego al escribir Fin-
negans Wake, B o r g e s pasa su v i d a " p u l i e n d o las frases e n su m e m o r i a " . ^
Desligarse de l o visible p a r a refugiarse e n el m u n d o a u d i t i v o de las
palabras q u e c r e a n u n a nuev a r e a l i d a d es su p r o y e c t o . N o escribe a
p a r t i r d e la c e g u e r a sino desde u n a ceguera a n u n c i a d a , t r a n s m u t a n d o
la h u m i l l a c i ó n , l a d e s d i c ha y la d i s c o r d i a c o n v i r t i e n d o c o n o r g u l l o "a

J . L . B o r g e s , Obras completas, c i t . , v o l . 2, p . 144.


^ J . L . B o r g e s [ 1 9 7 7 ] , " L a c e g u e r a " . Siete noches, M é x i c o , F C E , 1980, p . 158.
« Ibid., p . 154.
^ Ibid., p . 157.
JORGE LUIS BORGES y-^

la miserable circunstanci a de nuestra vida en cosas eternas o q u e aspi-


r e n a serlo".'** — ¡nada m e n o s !

L a c o m p a r a c i ó n de Borges c o n E d i p o p o d r í a sentirse c o m o a p l i -
cación de u n psicoanálisis oscurantista y d o g m á t i c o , o b j e t o d i g n o de
irrisión. N o nos atreveríamos a s u g e r i r l o . N o hay p o r q u é i n j e r t a r e n
el decir de Borges ideas p r e c o n c e b i d as q u e él n o necesitaba, má s a ú n
c u a n d o sabemos de su d i s t a n c i a m i e n t o c o n las lecturas f r e u d i a n a s
Ello n o i m p i d e q u e l o escuchemos c u a n d o dice, e n la m i s m a c o n f e -
rencia sobre ía ceguera;^'

D e m ó c r i t o d e A b d e r a se a r r a n c ó l o s o j o s e n u n j a r d í n p a r a q u e e l e s p e c t á c u l o
d e l a r e a l i d a d e x t e r i o r n o l o d i s t r a j e r a ; O r í g e n e s se c a s t r ó . H e enumerado
suficientes ejemplos; a l g u n o s tan ilustres q u e m e da v e r g ü e n z a h a b e r hablado
de m i caso p e r s o n a l ; salvo p o r e l h e c h o d e q u e la g e r U e s i e m p r e e s p e r a c o n f i -
d e n c i a s y y o n o t e n g o p o r q u é n e g a r l e s las m í a s .

P o d e m o s dejar de l a d o l o d u d o s o de ambas referencias. D e m ó c r i -


to, el filósofo r i e n t e , d í t í c i l m e n t e h u b i e r a p o d i d o e x p l o r a r e l m u n d o
n a t u r a l c o m o l o h i z o hasta e l fin de su vida sin e l a u x i l i o de l a vista.
U n a l e y e n d a c u e n t a q u e se a r r a n c ó los ojos c o n u n v i d r i o i n c a n d e s -
cente p a r a evitar la distracció n de l o visible " e n u n j a r d í n " (agrega
Borges), p e r o esa l e y e n d a h a s i d o t o t a l m e n t e descartada p o r los e r u -
ditos. T a m b i é n es m u y d i s c u t i d o q u e O r í g e n e s se haya castrado, sea
para evitar e l e s c á n d a l o p u e s t o qvie sus a l u m n o s e r a n t a n t o h o m b r e s
c o m o m u j e r e s ( ¡ ? ) , sea p a r a seguir las e n s e ñ a n z a s de M a t e o ( 1 9 : 1 2 ) ,
" E u n u c o s hay q u e se c a s t r a r o n e n c i e r t a m a n e r a a sí m i s m o s p o r a m o r
del r e i n o d e los cielos c o n el v o t o de castidad" . E n la B i b l i a t r a d u c i d a
y a n o t a d a p o r A m a t u n a n o t a d i c e : " N o es lícito m u t i l a r su c u e r p o ,
c o m o h i z o O r í g e n e s , sino r e f r e n a r las pasiones y llevar e n c a r n e v i d a
celestial."
Borges c o n c e d e la c u a l i d a d de v o l u n t a r i a a su ceguera y n o t i e n e
p o r q u é n e g a r "la c o n f i d e n c i a " q u e l o a s i m i l a c o n leyendas de a u t o -
mutilación a t r i b u i d a s a D e m ó c r i t o y a O r í g e n e s . . . u n o q u e se q u i t ó
los ojos y o t r o q u e se castró.
Nos q u e d a m o s sospechando q u e el espanto de su p r i m e r r e c u e r d o

Ibid., p . 159.
IHd., p p . 157-158.
72 JORGE LUIS BORGES

i n f a n t i l o r i e n t ó su \Tda hacia la c e g u e r a y hacia las visiones sinópticas


d e l u n i v e r s o e n t e r o , las d e l aleph. E s c a p a n d o de la prisión de su c u e r p o
a t r a p a d o p o r los espejos p r o d u j o , c o m o hacedor, i n f i n i t o s universos
v i r t u a l e s , orbis tertius, m u n d o s nuevos p a r a la fantasía; e n ellos podrían
h a b i t a r los h u m a n o s p o n i e n d o distancia c o n el pavor de los espejos.
S U C I O M A M E L U C O D E L C A B O GAJRCÍA

1 ¿DÓNDE SE QUEDÓ E E R E C U E R D O D E INFANCIA?

G a b r i e l G a r c í a M á r q u e z es u n escritor p a r t e n o g e n é t i c o : se e n g e n d r ó
V se parió a sí m i s m o s i g u i e n d o u n proceso insólito q u e l o llevó desde
Aracataca, e n la selva c o l o m b i a n a , hasta el P r e m i o N o b e l de L i t e r a -
tura. ¿ C ó m o p u d o darse ese pasaje insólito desde u n a t i e r r a l l e n a de
leyendas p o r las q u e c o r r e n ríos de sangre q u e d e s e m b o c a n e n el
m a r d e l a s o m b r o , de m a r g i n a l i d a d respecto de u n a c u l t u r a o f i c i a l q u e
desprecia a ese m u n d o y l o tacha de bárbaro, de mestizajes d e s o r b i -
tados, de paisajes p r o t o h i s t ó r i c o s y de casualidades aluviales hasta la
escritura de sorülegios c o n v i g e n c i a u n i v e r s a l, hasta esa p r o v o c a c i ó n
e n lectores de t o d o el m u n d o de u n goce irrefirenable p o r el h e c h i z o
de u n a r e t ó r i c a de la h i p é r b o l e y la paradoja? Es ése, quizás, el m a y o r
de los misterios q u e u n o q u e r r í a aclarar y q u e l o lleva a volcarse so-
bre l o q u e parece ser l a p r i m e r a p a r t e de su a u t o b i o g r a f í a . ' I n c i d e n -
t a l m e n t e , sin buscarlo ( — ¿ S e r á cierto? — L o d u d o ) , e n e l curso de
mis r e f l e x i o n e s e n t o r n o a l a c o n s t r u c c i ó n n a r r a t i v a d e l sujeto c o m o
" y o " y al p r e s u n t o v a l o r o r a c u l a r de los p r i m e r o s r e c u e r d o s , e n c u e n t r o
e n el r e l a t o d e l c o l o m b i a n o o t r o " p r i m e r r e c u e r d o i n f a n t i l " n a r r a d o
concisamente y evocador d e l espanto c o t i d i a n o y c o r t a z a r i a n o . N o es
menos i n c i d e n t a l q u e ese p r i m e r r e c u e r d o se revista, p a r a este autor,
c o n las luces (y las oscuridades) de u n a r e f e r e n c i a p e r s o n a l . O i g a m o s
a G a r c í a Márquez.^

Allí, sin n i n g ú n a n u n c i o , m i m a d r e m e d i o la sorpresa m e n o s p e n s a d a c o n u n


énfasis t r i u n f a l :
— ¡ Y a q u í naciste tú!
N o l o sabía hasta e n t o n c e s , o l o h a b í a o l v i d a d o , p e r o e n el c u a r t o s i g u i e n -
te e n c o n t r a m o s l a c u n a d o n d e d o r m í h a s t a l o s c u a t r o a ñ o s , y q u e m i a b u e l a

^ G . G a r c í a M á r q u e z , Vivir para contarla, c i t .


2 C i t . , p . 40.

r73i
74 G A B R I E L GARCÍA MÁRQUEZ

conservó para siempre, l a había o K i d a d o , pero lan p r o n t o c o m o la vi m e


a c o r d é d e m í m i s m o l l o r a n d o a gritos c o n el m a m e l u c o d e florcitas azules
q u e a c a b a b a d e estrenar, p a r a q u e a l g u i e n a c u d i e r a a q u i t a r m e los p a ñ a l e s
e m b a r r a d o s d e c a c a . A p e n a s si p o d í a m a n t e n e r m e e n p i e a g a r r a d o a l o s b a -
rrotes d e la c u n a , tan p e q u e ñ a y ñ á g i l c o m o la canastilla de Moisés. Esto ha
sido m o t i v o ñ c c u e i U e de discusión y burlas de parientes y amigos, a quienes
m i a n g u s t i a d e a q u e l d í a les p a r e c e d e m a s i a d o racional para u n a edad tan
t e m p r a n a . Y más aún c u a n d o he insistido en que el m o t i v o de m i ansiedad
n o e r a e l a s c o d e m i s p r o p i a s m i s e r i a s , s i n o e l t e m o r d e q u e se e n s u c i a r a el
m a m e l u c o n u e v o . E s d e c i r , q v i c n o se t r a t a b a d e u n p r e j u i c i o d e l i i g i e n e s i n o
d e u n a c o n t r a r i e d a d estética, y p o r la f o r m a e n q u e p e r d t i r a e n m i m e m o r i a
creo q u e fue m i p r i m e r a vivencia de escritor.

Este r e l a t o es típico: nos s u i u c r g e e n u n e p i s o d i o lacerante y t r a u-


m á t i c o , d e n t r o de su b a n a l i d a d . L a e v o c a c i ó n está r o d e a d a p o r los
e l e m e n t o s q u e caracterizan al " r e c u e r d o e n c t i b r i d o r " ( F r e u d , 1899).
E l e p i s o d i o p u e d e parecer b a n a l , n o así stJ f u n c i o n a m i e n t o c o m o
o r á c u l o , t a n t o así q u e el p r o p i o escritor le a t r i b u y e e l sello d e l desti-
n o , u n a m a r c a i n d e l e b l e q u e l o c o n d u c e , de ixianera s o r p r e n d e n t e , a
la escritura.
L a m e m o r i a estuvo h u n d i d a , la v i v e n c i a f u e c o r r o í d a p o r el o l v i d o
y p o d r í a n o h a b e r j a m á s r e f l o t a d o si n q u e el escritor dejase de ser el
m o d e r n o Esop o q u e es, sin q u e , desde e l c o l m a d o vacío q u e l l a m a -
m o s i n c o n s c i e n t e , ese r e c u e r d o dejase de ejercer sus i r r e p r i m i b l e s e
i m p r e v i s t o s efectos. Su r e c u e r d o ¿está e n él o yace d o r m i d o , agazapa-
d o , e n esa c u n a q u e lo espera desde s i e m p r e y q u e p o d r í a n o toparse
n u n c a c o n la s e n s i b i l i d ad d e l p o e t a , de q u i e n f u e r a n i ñ o e n t r e sus
b a r r o t e s , capaz de r e c o r d a r v o l c á n d o s e hacia a d e n t r o {sich erinnern) y
de v e r t e r al e x t e r i o r , hacer la " d e p o s i c i ó n " de su r e c u e r d o {erciussern,
si nos atrevemos a i n v e n t a r u n a p a l a b r a insólita e n a l e m á n , ese i d i o m a
s i e m p r e p r e s t o p a r a la i n n o v a c i ó n l é x i c a ) ? L a c u n a , revisitada c o n su
m a d r e , es u n d e p o s i t a r i o de la m e m o r i a g u a r d a d a q u e h a q u e d a d o a
m e r c e d de u n e n c u e n t r o casual: "la h a b í a o l v i d a d o p e r o t a n p r o n t o
c o m o la v i m e a c o r d é de m í m i s m o . . . " . M o m e n t o e n q u e p o d e m o s
s u s p e n d e r l a frase. De q u i e n se h a b í a o l v i d a d o G a r c í a M á r q u e z — é l
l o d i c e — n o era de la c u n a ; era de sí m i s m o . L a m e m o r i a obedec e a
u n e x t r a ñ o p e r i s t a l t i s m o : c u a n d o los r e c u e r d o s regresan el sujeto es
d e s b o r d a d o p o r su i n c o n t i n e n c i a . L a caca d e l pasado r e c t i p e r a sus
cualidades organolépticas.
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
75
E l r e c u e r d o de los i n o p o r t u n o s e x c r e m e n t o s de G a b r i e l G a r c í a
Márquez n o es el e n c u e n t r o c o n algo p e r d i d o e n e l pasado sino la
p o s i b i l i d a d de p r o d u c i r s e a sí m i s m o a p a r t i r de la e x p r e s i ó n y de
la e x t e r n a l i z a c i o n {Eráusserung), excordadón, c o m o estaríamos tenta-
dos de decir, de la m e m o r i a . Erinnerung es la p a l a b r a a l e m a n a para
" r e c u e r d o " . E n ella destaca la raíz In/Inner que r e m i t e a l o i n t e r i o r .
Aus, e n c a m b i o , es l o q u e está afuera, l o exterior, de ahí, Eráusserung.
La l e n g u a a l e m a n a es m u y a f o r t u n a d a al d i s t i n g u i r c o n c l a r i d a d la
m e m o r i a , Gedachtnis, efecto y a p r e n d i z a je de p e r c e p c i o n e s y acciones
pasadas, d e l Erimierung, r e c u e r d o de u n e p i s o d i o cargado de c o n n o -
taciones afectivas y p r o p i o de los seres que h a b l a n . L a Gedachtnis se
tiene; a la Erinnerutig SG la c u e n t a .
H e g e l e x p l o r ó esta relació n e n t r e l o " i n t e r i o r " {Erinnerung) d e l re-
c u e r d o y l o o b j e t i v a d o , e x t e r i o r i z a d o , archivable, d e la m e m o r i a {Ge-
dachtnis). E n la Enciclopaedia [1830]^ e l filósofo n o r e c u r r e a n u e s t r a
innovación, Eráusserung, él usa la expresión Entáusserung, palabra que
c o r r i ó c o n f o r t u n a en la teoría m a r x i s t a y qtie n o r m a l m e n t e es tra-
d u c i d a cí>mo alienación. Si v e r t i m o s este vocablo al e s p a ñ ol de o t r o
m o d o , c o m o exteriorización {Erciusserung) podremos coincidir con He-
gel e n su líne a de p e n s a m i e n t o , especialmente c u a n d o el filósofo dice
que la interiorizació n y l a e x t e r i o r i z a c i ó n n o son t a n t o opuestas c o m o
c o m p l e m e n t a r i a s : el sujeto p r o f u n d i z a e n su vida i n t e r i o r y e n sus p e n -
samientos e n la m e d i d a e n q u e su e x p e r i e n c i a d e l pasado se expresa
en el discurso y en la escritura. Escribir la a u t o b i o g r a f í a, vivir p a r a
contarla,'^ n o es u n m o d o de m a t e r i a l i z a r algo p r e v i a m e n t e existente
c o m o r e c u e r d o sino c o n s t r u i r u n a n u e v a s u b j e t i v i d a d p o r m e d i o d e
la p a l a b r a h a b l a d a o escrita. N o o t r o es el f u n d a m e n t o de la t é c n i c a
y de la p r á c t i c a d e l psicoanálisis: q u e a l g u i e n , p o r el solo h e c h o de
contar (se), se p r o d u z c a c o m o o t r o d i f e r e n t e al q u e o c u p a b a su lugar,
que sea d i s t i n t o al que era. L a \ T d a — ¿ m e atrevo a d e c i r l o ? — nace d e l
c u e n t o . E l acto de n a r r a r e n u n a cierta escena d e l r e l a t o , e n u n c i e r t o
m o m e n t o de la vida, hacen performativamente a la v i d a q u e es c o n t a d a .
D i r i g i é n d o s e al o t r o , qvie h a b r á de escucharla o d e leerla, la vida n o
es evocada: es p r o d u c i d a . Somos l o qtie (nos) c o n t a m o s . Personajes

^ G.W.F. H e g e l [ 1 8 3 0 ] , Eyidclopedia de las áendas filosóficas, M é x i c o , P o r n i a , Sepaii cuán-


tos 187, 1971, p . 305.
^ C i t . , p . s i n n ú m e r o . E p í g r a f e : " L a v i d a n o es l a q u e u n o vivió, s i n o la q u e u n o r e -
c u e r d a y c ó m o la r e c u e r d a p a r a c o n t a r l a . "
76 G A B R I E L GARCÍA MÁRQUEZ

e n busca de u n a u t o r ; cuento s e n busca de orejas. Relatos v a n a m e n t e


h e r o i c o s q u e c o n j u g a n y segregan " y o " .
L a r e c u p e r a c i ó n de l o o l v i d a d o , q u e n o debe c o n f u n d i r s e c o n ia
r e c o n s t r u c c i ó n (analítica) de l o r e p r i m i d o , es d e s e n c a d e n a da p o r la
voz de l a m a d r e d i c i e n d o : "aquí naciste" y "ésta f u e t u c u n a " . El objeto
m u d o , q u e vivía a r r u m b a d o en el l i m b o de u n a m e m o r i a i g n o r a d a
p o r su d u e ñ o , era u n ente p r i v a d o de significación, estúpido e n su
r e a l i d a d de m a d e r a c o m b u s t i b l e , lista p a r a hacerse h u m o . Basta con
la m e r a p e r c e p c i ó n y c o n la u b i c a c i ó n d e l p e q u e ñ o artefacto e n la
n a r r a t i v a f a m i l i a r ( m a g d a l e n a de Proust, retriex)al cue de los n e u r o f i -
s i ó l o g o s ) , r a t i f i c a d a p o r la p a l a b r a de la m a d r e p a r a q u e se proyecte
l a i m a g e n r a d i o g r á f i ca d e l "hueso de la m e m o r i a " , d e l s i e m p r e iluso-
r i o p r i m e r r e c u e r d o . B r o t a n los e l e m e n t o s " h i p e r n í t i d o s " {überdeutig)
c o n esa c l a r i d a d casi a l u c i n a t o r i a de la m e m o i i a destacada p o r F r e u d
y r e f r e n d a d a p o r nuestros escritores: "el m a m e l u c o c o n florcitas azu-
les" r e c i é n estrenado. Discutirán y seguirán d i s c u t i e n d o los demás, los
p a r i e n t e s , los amigos, c o n el m e m o r i o s o escritor acerca de las razones
q u e él d a p a r a ese s e n t i m i e n t o q u e n o vacila e n l l a m a r " a n s i e d a d " y
" a n g u s t i a " . ¿"Razones" , "causas", "motivos"? Se p u e d e n buscar. "Ra-
c i o n a l i z a c i o n e s " , dirían los usuarios d e l v o c a b u l a r i o d e l psicoanálisis.
C u e s t i ó n i m p o s i b l e de zanjar, diría e l e s c é p t i c o , pues n o se p u e d e
d e s c o n o c e r l a múltiple d e t e r m i n a c i ó n e n el p s i q u i s m o y se arriesga
e l salto a la c a r i c a t u r a c u a n d o se p r e t e n d e , desde d e n t r o o desde fue-
r a d e l sujeto, i m p o n e r u n a " r a z ó n " o u n a " e x p l i c a c i ó n " . E l r e c u e r d o
t i e n e la estofa d e l s u e ñ o , de la pesadilla de desperta r e n u n m u n d o
d e s o l a d o . Es r e a c i o a las i n t e r p r e t a c i o n e s .
E l a u t o r de estas líneas p u e d e r e c o n o c e r e n su p r o p i a h i s t o r i a u n
p r i m e r r e c u e r d o semejante. Hay, e n él, algunas i m p r e s i o n e s i m p r e c i -
sas de t i e m p o a n t e r i o r , sombras de r e c u e r d o . Pero el m o m e n t o pre-
ciso d e l q u e parece a r r a n c a r la m e m o r i a es c o m o si f u e r a " e l m i s m o "
q u e e l d e G a r c í a M á r q u e z . T a m b i é n él, a los tres a ñ o s de e d a d , h a b í a
sido d e j a d o solo, e n este caso e n u n p a t i o e m b a l d o s a d o e n r o j o , j u n t o
a u n gris lavadero de r o p a , e n u n a siesta I t i m i n o s a y azul, y se e n c o n t r ó
e m b a r r a d o de caca y l l o r a n d o c o n d e s e s p e r a c i ó n p o r q u e n a d i e venía
p a r a hacerse c a r g o de l o q u e h a b í a descargado sin querer, sin p o d e r
e v i t a r l o . ¿ D ó n d e reside l o t r a u m á t i c o de estos dos r e c u e r d o s triviales y
c o n f l u e n t e s ? E n la d e m a n d a n o a t e n d i d a , e n l a f a l t a de respuesta d e l
O t r o . Cabe resaltar las palabras esclarecedoras de G a r c í a Márquez:
" q u e a l g u i e n a c u d i e r a a q u i t a r m e los p a ñ a l e s " . Cortázar, e n u n a evo-
G A B R I E L GARCÍA MÁRQUEZ 77
cación de la m i s m a estofa, dice: " M e h a b í a n d e j a d o s o l o . . . y e n t o n c e s
el g a l l o c a n t ó . "
N o sólo la vocación p o r la e s c r i t u r a p u e d e r e c o n o c e r a h í su f u e n t e ,
puede q u e todos los ideales r e d e n t o r e s t e n g an ese h u m i l d e o r i g e n .
¿Por q u é n o , t a m b i é n , la necesidad de u n Dios q u e p r o t e j a al desvali-
d o , la c o n f i a n z a e n u n sistema de relaciones sociales justas, la b ú s q u e -
da de respuestas mágicas o científicas p a r a evitar e l desamparo? ¿Por
qué n o t a m b i é n el a m o r c o n sus promesas, la a m i s t a d , la fidelidad
r e c í p r o c a d e m o s t r a d a e n la constancia para a c u d i r e n respuesta a la
d e m a n d a , el i n t e r c a m b i o de m e r c a n c í a s y servicios, las técnicas de
c o n t r o l c o r p o r a l , las drogas, e n fin, t o d o el esfuerzo h u m a n o p o r ate-
nuar "el malestar e n la c u l t u r a " , q u e p u e d e ser leído c o m o el i n t e n t o
de pasar de u n m u n d o e m b a r r a d o de caca a u n m u n d o p o r s i e m p r e
p e r d i d o de m a m e l u c o s flamantes c o n inmarcesible s florcitas azules?
Q u e "la m e m o r i a e m p i e c e e n el espanto", c o m o d e c í a JuHo Cor-
tázar, significa el c o m i e n z o de la e m p r e s a de "\dvir p a r a c o n t a r l a " , i n -
cluso de " c o n t a r l a p a r a v i v i r " . Se n a r r a , se busca el s e n t i d o , se l l a m a
a la s o l i d a r i d a d d e l O t r o . A l g u i e n debe llegar p a r a p o n e r a distancia
ese n ú c l e o atroz d e l ser, p a r a alejar a la Cosa (Ding), la Cosa o m i n o s a
e i r r e p r e s e n t a b l e , la más p r ó x i m a y la más ajena, éxtima puesto q u e
no es í n t i m a , la Cosa desencadenante d e l p r i m e r y más espantoso g r i -
to s u r g i d o d e l d e s a m p a r o . Cosa salida de las e n t r a ñ a s y o b j e t o de la
mayor r e p u l s a p o r la i n t o l e r a n c i a d e l O t r o . L a señal de esa v e c i n d a d
i n t o l e r a b l e c o n la Cosa es e l g r i t o y es el l l a n t o desconsolado bajo u n
cielo d e s n u d o ante personajes q u e se alejan c r e a n d o c o n su distancia
el escenario d e l t r a u m a t i s m o . E l sujeto a b a n d o n a d o e n t r e sus excre-
mentos, e x c r e m e n t o él m i s m o e n razón de su triste d e r e l i c c i ó n , nace
d e l espanto y trata de recuperarse i m p o n i é n d o s e ideales de l i m p i e z a ,
de c o n f o r t , de belleza, de a m o r . E l p r i m e r r e c u e r d o de G a r c í a Már-
quez, tan falso y e n c u b r i d o r c o m o c u a l q u i e r o t r o , p o d r í a f u n c i o n a r
c o m o el p a r a d i g m a de la c o n s t i t u c i ó n d e l sujeto de los i n t e r c a m b i o s ,
"del t o m a y daca de leche y caca".
A l desvalido Narciso c o n su yo sucio y m a l o l i e n t e , c o n deyecciones
pegadas a l a p i e l q u e i n f i l t r a n su a l m a , n a d i e l o r e d i m e . T i e n e q u e ha-
ber O t r o y e l O t r o n o llega. L a a r m o n í a d e l m u n d o h a sido desgarra-
da. Sin r e m e d i o . Se h a m a r c h i t a d o la prístina belleza de las florcitas
en el m a m e l u c o azul. ¿Se la p o d r á r e c u p e r a r c o n frases bonitas? Acaso
sí; p e r o será o t r a su f r a g a n c i a .
E l a m o r q u e u n o p u e d e t e n e r p o r sí m i s m o se arraiga, se p r e n d e , de
78 G A B K I K L GARCÍA MARQUEZ

ciertos objetos: e n este caso, la c u n a q u e el ancestro, la abuela m a t e r n a


e n su p a p e l de g r a n O t r o , c o n s e r v ó "para s i e m p r e " y el m a m e l u c o con
sus florcitas q u e , n o i m p o r t a n d o l o q u e pasase c o n e l c u e r p o ("los pre-
j u i c i o s de h i g i e n e " ) , d e b í a m a n t e n e r s e i n m a c u l a d o ("la c o n t r a r i e d a d
e s t é t i c a " ) . L a h e r i d a consiste e n n o p o d e r resolver p o r sí solo la situa-
c i ó n vergonzosa de l ser i n v a d i d o p o r la caca, e n d e p e n d e r de o t r o que
p u e d e , p o r q u e sí, p o r m e r o c a p r i c h o , desaparecer... o q u e d a r atrapa-
d o en u n r o p e r o cuya llave está e n m a n o s d e l O t r o m a l é f i c o .
E l ser está a la deriva, a m e r c e d de c o r r i e n t e s , n o p o r invisibles me-
nos t o r m e n t o s a s , e n su "canastilla de M o i s é s " q u e es tan fi'ágil c o m o
él m i s m o . V i v i r es dar ctient a d e l g r a n t r a u m a t i s m o i n i c i a l : el de ser
l a n z a d o a flotar e n el N i l o a p e l a n d o , en un p r i n c i p i o , c o n lágrimas en
los ojos, a la supuesta o m n i p o t e n c i a d e l O t r o , de la h i j a d e l Faraón ,
a l g u i e n capaz de salvar al desconsolado b e b é . L u e g o él pasará de los
b a r r o t e s de su cuna—prisión al a n c h u r o s o a u n q u e tétrico m u n d o de
los a ñ o s de soledad, de la espera de esa carta q u e n u n c a l l e g a p o r q u e
u n o n o t i e n e q u i é n le escriba, de los t i e m p o s d e l c ó l e r a , d e l secuestr<j
y de la m u e r t e a n u n c i a d a , a b r i g a n d o e n t o d o m o m e n t o la mesiánica
esperanza de salvarse y de descagarse a sí m i s m o c o n u n a límpida
escritura.
N o o t r a es la desventura , c u n a d e l deseo d e l escritor. Hay, ¡ay!, hay
q t i e 'Vivir p a r a c o n t a r l a " .

2. L A R E C U P E R A C I Ó N (RETRIEVAL) DE LOS RECUERDOS

Cabe r e n o v a r u n i n t e r r o g a n t e : ¿ D ó n d e estaban las sensaciones q u e


se d e s p i e r t a n e n Proust ante el sabor de la magdalena? ¿ C ó m o es q u e
Piaget vuelve a ver, e n la sesión de análisis, el l u g a r preciso d o n d e
h u b o u n i n t e n t o de secuestro c u a n d o era l l e v a do e n t m cochecit o
p a r a b e b é , suceso q u e n u n c a o c u r r i ó ? ¿ C ó m o es q u e N a b ó k o v ' "vuel-
ve a v e r " su i n f a n t i l s a n t u a r io e n la m a n s i ó n p a t e r n a y siente q u e ya
n a d a c a m b i a r á ? ¿ C ó m o se despierta la m e m o r i a de M a r t h a Robles*^ al
leer e l r e l a t o de u n r e c u e r d o de o t r o escritor? ¿ P o r q u é le alcanza a
G a r c í a M á r q u e z c o n ver su c u n a p a r a t o p a r c o n su " o K d d a d o " p r i m e r
recuerdo?

^ V. N a b ó k o v , ¡Habla memoria/, cit., p . 85. Cf. c a p í t u l o 10.


® C f . , infra, c a p í t u l o s 7.3 y 7.4.
GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ 79

Estas r e c u p e r a c i o n e s de la m e m o r i a n o son buscadas; cada u n a de


ellas es u n accidente, u n a c o n t i n g e n c i a inesperada, q u e d a p i e a u n
estallido de lo r e a l . E n t e n d e m o s c o m o " r e a l " a l o n o s i m b o l i z a d o , a
la vivencia c o r p o r a l q u e es expulsada t a n t o de la p a l a b r a c o m o de la
i m a g e n . E n este e j e m p l o , la e x p e r i e n c i a i n f a n t i l q u e yacía sepultada
esperando, ctial u n a b r o j o , al v i e n t o o al t r o z o de r o p a d e l cua l p r e n -
derse para i r a g e r m i n a r e n o t r a p a r t e , para hacerse n a r r a c i ó n c a r g á n -
dose de sangre y vida. L l a m a r e m o s epifanía/ a esta nítida r e s u r r e c c i ó n
de los recuerdos , c u a n d o el " y o " q u e u n o a c t u a l m e n t e es desaparece
y se ve r e m p l a z a d o p o r el q u e " y o " f u e e n el m o m e n t o r e c o r d a d o . Es
u n f e n ó m e n o de a p a r i e n c i a a l u c i n a t o r i a q u e se desencadena c o m o
u n s u e ñ o , c u a n d o e n c u e n t r a el "resto d i u r n o " capaz de traer de n u e -
vo a la v i d a al a n t i g u o e i g n o t o a c o n t e c i m i e n t o . ¿Sin el r e t o r n o a los
orígenes — l a visita a la casa de los a b u e l o s — avalado p o r la p a l a b r a
m a t e r n a , c u á n t o h u b i e r a p o d i d o d u r a r el ostracismo de la c t i n a d e l
recuerdo? ¿ H u b i e r a regresado a t i e m p o para colarse e n la a u t o b i o g r a -
fía d e l m e m o r i o s o de las putas tristes?
E l r e c u e r d o l a t e n t e (de latens, o c u l t o , e s c o n d i d o ) es u n espectro
en btisca de c u e r p o , c u e r p o de palabras, de i m á g e n e s , de i n t e g r a c i ó n
en u n a n a r r a t i v a , de fechas y p u n t o s de r e f e r e n c i a, de ideas acerca d e l
lugar d e l yo en r e l a c i ó n c o n sus coordenadas t e m p o r a l e s , g e n e a l ó g i -
cas, de espacio, de personajes, de s e n t i d o . Es u n fantasm a s e d i e n t o
de h i s t o r i a q u e m e n d i g a u n l u g a r e n el relato de la v i d a , u n recoveco
para arrellanarse e n la m e m o r i a .
Los especialistas e n la m e m o r i a ( m n e m ó l o g o s , gustosamente los lla-
maríamos) discuten acaloradamente aveces e n t r e dos tesis contrapues-
tas: la p r i m e r a , favorecida p o r la mayoría — a l m e n o s p o r u n a mayoría
de los " r o m á n t i c o s " — dice q u e todos los episodios vividos se conservan
en la m e m o r i a p e r o q u e se ha p e r d i d o el m o d o de acceso a ellos. Recor-
demos q u e así pensaba Paul Valéry (cf. p . 25): n o se p i e r d e el r e c u e r d o
sino el c a m i n o q u e lleva a él. L a segunda dice que sí, efectivamente,
hay o l v i d o y pérdida irreversible de i n f o r m a c i ón y q u e esa pérdida es
p r o p o r c i o n a l al pasaje d e l t i e m p o . O b v i a m e n t e , la p r i m e r a de las afir-
maciones es más atrayente y n u n c a se podría d e m o s t r a r q u e es falsa ( n o

S o b r e l a n o c i ó n d e " e p i f a n í a " , tal c o m o surge de J o y c e , v o l v e r e m o s a l txatar las


p r i m e r a s i m p r e s i o n e s q u e V i r g i n i a W o o t f r e c u e r d a h a b e r v i v i d o ( c a p í t u l o 7.1). E n t o n -
ces p o d r e m o s d i s t i n g u i r a la epifanía, u n a e x p e r i e n c i a sensual y c o r p o r a l r e v i v i d a , d e l
episodio, q u e es r e c o r d a d o y se U a n s m i t e c o m o n a r r a c i ó n .
80 G A B R I E L GARCÍA MÁRQUEZ

es "íálsificable", e n la e p i s t e m o l o g ía de P o p p e r ) . A n t e c u a l q u i e r i m p o -
s i b i l i d a d de r e c o r d a r algo, se p o d í a siempre sostener q u e el fracaso es
t r a n s i t o r i o y q u e se debe a q u e (de m o m e n t o ) n o se h a d a d o c o n la
pista, retriex)al cue, adecuada. M e m o r i a s q u e d o r m i r í a n e n la o s c u r i d ad a
la espera de u n a l á mp a ra q u e las i l u m i n e . Psique y Eros.
H a y casos l e g e n d a r i o s de h i p e r m n e s i a , tales c o m o el f a b u l o s o Si-
m ó n i d e s , i n v e n t o r de las m n e m o t e c n i a s , i n m o r t a l i z a d o p o r C i c e r ó n ,
tales c o m o e l nietzscheano Funes de Borges, tales c o m o e l p r o d i g i o s o
Sherasevski, u n supuesto p a c i e n t e de L u r i a , p s i c ó l o g o soviético,^ tales
c o m o Georges Perec q u e nos a c o s a r á c o n su m e m o r i a e n el capítulo
13- Esos "casos", íicticios o reales, nos e n s e ñ a n q u e o l v i d a r es u n a f u n -
c i ó n necesaria y a d a p t a da q u e p e r m i t e u n m e j o r f u n c i o n a m i e n t o de
la m e m o r i a , c o n m e n o s i n t e r f e r e n c i a de datos obsoletos o p r e s c i n d i -
bles. ¿De q u é nos serviría r e c o r d a r cuál f u e el desayuno q u e t o m a m o s
hace u n a ñ o e n esta m i s m a fecha? ¿Para q u é t e n d r í a m o s e n nuestro
v e s t u a r i o las gastadas blusas (o m a m e l u c o s ) de n u e s t r a infancia?
L a m e m o r i a se destiñ e c o n el t i e m p o p e r o , a veces, t a m b i é n p u e d e
c o n s o l i d a r s e , r e a n i m a r s e c o n nuevos estímulos , r e c i b i r c o m p l e m e n t o s
v i t a m í n i c o s y h o r m o n a l e s bajo la f o r m a de fotografías, conversacio-
nes, e n c u e n t r o s casuales c o n a f ó n i c o s objetos q u e se h a c e n elocuen-
tes c o m o la b e n d i t a c u n a e n l a q u e d o r m í a el n i ñ o G a r c í a M á r q u e z,
Es u n h e c h o que hay m e m o r i a presente y n o utilizada. Estoy pen-
sando y l e y e n d o para este capítulo que escribo, e n c u e n t r o e n algún l u -
gar la e x p r e s i ó n ^^dormant memory'^ y, de r e p e n t e , v i e n e n a m i cabeza los
versos a p r e n d i d o s e n el colegio secundari o y n u n c a evocados e n varias
décadas: Recuerde el alma dormida, / avive el seso e despierte, / contemplando
/ cómo se pasa la vida / cómo se viene la muerte. Sólo q u e , puesto que m i
t e m a es la " m e m o r i a " , el r e c u e r d o m e h a d i c h o u n p r i m e r verso defor-
m a d o p o r m i i n t e n c i ó n i n c o n s c i e n t e : Despierte la. memoria dormida, más
e n c o n s o n a n c i a c o n dormant memory que es el retrieval cae, la clave de re-
c u p e r a c i ó n q u e f u n c i o n ó e n este caso. Las "Coplas de J o r g e M a n r i q u e
p o r l a m u e r t e de su p a d r e " [1476] estaban registradas de algún m o d o
m á s o m e n o s misterioso p e r o , n o sólo necesitaban ser despertadas p o r
u n a llave de acceso a su d o r m i t o r i o , sino q u e la llave m i s m a daba f o r m a
al r e c u e r d o y l o inducía a " e r r o r " , u n e r r o r , claro está, q u e podía co-
r r e g i r s e m e d i a n t e el cotejo q u e después hice c o n el texto de los versos

^ D e F u n e s y d e Sherasevski se t r a t a e n c a p í t u l o s d e La memoria, la inventora ( N ,


B r a u n s t e i n , M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 8 , caps. 2.1 y 5 . 2 ) .
GABRIEL GARCIA MARQUEZ 81
buscado y h a l l a d o en u n a recopilació n de la poesía clásica de España.
Antología e n m a n o , p u d e " c o r r e g i r " m i " r e c u e r d o " y "despertar la me-
m o r i a d o r m i d a . . . " según m i deseo y c o n t r a la l i t e r a l i d a d .
¿ C ó m o existe el r e g i s t r o de u n pasado q u e d u e r m e ? ¿ D ó n d e se le
guarda? Aquí c o m i e n z a e l r e i n o de las m e t á f o r a s . Sobre el " l u g a r "
parece n o haber dudas.^ E l p r o p i o M a n r i q u e dice hace más de q u i -
nientos años q u e es "el seso" —y, p o r c i e r t o , n o es él q u i e n i n v e n t a la
localización c e r e b r a l . Desde e l "vaciadero de basuras", q u e es c o m o
Funes l l a m a a su m e m o r i a , hasta los "vastos palacios" de san Agustín,
desde las i m p r e s i o n e s localizadas e n a l g u n a p a r t e d e l c e r e b r o hasta
las inmensas redes n e u r o n a l e s sin u n topos e s p e c í f i c o , desde los al-
macenes c o n sus estanterías hasta los h o l o g r a m a s d i g i t a l i z a d o s más
o m e n o s lasos, m á s o m e n o s lascivos, según la i n e s c r u t a b le v o l u n t a d
del láser, t o d o ha sido d i c h o y más m e t á f o r a s a g u a r d a n . N o e n v a n o
M n e m o s i n e , incansable m a t r o n a de m e t á f o r a s capaces de evocarla, es
q u i e n a l u m b r ó a las musas.
U n a i d e a m u y lógica p a r a la e s p e c u l a c i ó n filosófica y científic a h a
sido la b ú s q u e d a d e l átomo de la memoria, esto es, la p a r t í c u l a e l e m e n t a l
que, p o r c o m b i n a c i ó n c o n otras, constituiría las m o l é c u l a s , los tejidos
y, finalmente, el vasto o r g a n i s m o de la m e n t e . N o es fácil designar a
ese á t o m o : ¿es u n b i t , a c r ó n i m o de binary digit, q u e , j u n t á n d o s e c o n
otros siete, hasta s u m a r o c h o , h a r á u n hyie?,^^ ¿es u n a n e u r o n a c o n
cientos o m i l e s de d e n d r i t a s y sinapsis?, ¿es u n s i g n i f i c a n t e, es u n f o -
nema?, ¿es u n a l e t r a de las v e i n t i t a n t a s de los alfabetos occidentales
c o n las q u e basta p a r a l l e n a r la b i b l i o t e c a de Alejandría? C l a r a m e n t e ,
la m e t á f o r a escogida p a r a figurar la m e m o r i a es la q u e d e t e r m i n a cuál
será la n a t u r a l e za de sus " á t o m o s " q u e , c o m o su n o m b r e l o i n d i c a , n o
son vtdnerable s a la fisión. (Sí a la ficción). E l s i g n i f i c a n t e q u e h a co-
r r i d o c o n más suerte e n esta c a r r e r a a t ó m i c a es el de "^engrama", pues
r e m i t e la i d e a de " e l e m e n t o " q u e t i e n e inscripció n e n el "seso", caro
a J o r g e M a n r i q u e . Es h o r a de d e f i n i c i o n e s : "Los engramassor^ los c a m -
bios t r a n s i t o r i o s o p e r d u r a b l e s de nuestros cerebros q u e se p r o d u c e n
p o r la c o d i f i c a c i ó n de u n a experiencia."^^

M á s q u e d u d o s o , s a b i d a m e n t e falso, es q u e l a m e m o r i a t e n g a u n o o v a r i o s " c e n -
tros".
A s o c i a c i ó n de A c a d e m i a s d e la L e n g u a E s p a ñ o l a , Diccionario panhispánico de dudas,
B o g o t á , S a n t i l l a n a , 2005. E n p . 107 se agrega a l g o q u e c o n v i e n e a esta investigación sobre
el o l v i d o : " N o d e b e o l v i d a r s e q u e el e q u i v a l e n t e e s p a ñ o l d e este a n g l i c i s m o es octeto."
D . L . Schacter, Searchingfor Memory, c i t . , p . 58.
82 C A B R I E I . OARCÍA MÁRQUEZ

Schacter consigna, e n u n c a p í t u l o notable,'^ q u e la p a l a b r a "engra-


m a " f u e a c u ñ a d a p o r R i c h a r d S e m o n ( B e r l í n , 1859 — M u n i c h , 1918)
p e r o n o a l c a n z ó difusión sino c u a n d o f u e d e s e m p o l v a d a p o r "el g r a n
n e u r o c i e n t í f i c o K a r l Lashley" e n 1950 ( q i i e se " o l v i d ó " d e citar a su
p r e d e c e s o r ) . S e m o n , discípulo c o m o F r e u d d e l b i ó l o g o e v o l u c i o n i s ta
E r n s t H a e c k e l , e n u n a o b r a p r o n t o o l v i d a d a , t i t u l a d a Mneme (1904),
h a b í a h a b l a d o d e u n a " m e m o r i a h e r e d i t a r i a " — a l a q u e nosotros
p r e f e r i m o s l l a m a r " m e m o r i a d a r w i n i a n a " — q u e se distinguía d e la
" m e m o r i a c o t i d i a n a " o psicológica. S e m o n p r o p o n í a d i s t i n g u i r tres
fases e n l a m e m o r i a c o t i d i a n a : l a engrafía q u e e r a la c o d i f i c a c i ó n d e la
i n f o r m a c i ó n q u e será lueg o r e c o r d a d a , e l engramci — c u y a definición
v e n i m o s d e c i t a r — q u e es la " h u e l l a m n é m i c a " y la ecforia q u e es e l p r o -
ceso d e activación o d e r e c u p e r a c i ó n d e u n r e c u e r d o . S e m o n m u r i ó
e n e l o l v i d o (se suicidó e n 1918 d e s p u és d e la m u e r t e d e su esposa).
Sus ideas sobre e l " e n g r a m a " t u v i e r o n u n a f o r t u n a p o s t u m a c u a n d o
L a s h l e y las r e t o m ó p e r o , e s p e c i a l m e n t e, c u a n d o e l c i r u j a n o W i l d e n
P e n f i e l d , e n l a d é c a d a de 1950 realizó investigaciones q u e alcanzaron
e n o r m e n o t o r i e d a d . P e n f i e l d e s t i m u l a b a e l é c t r i c a m e n t e ciertas zonas
d e l l ó b u l o t e m p o r a l e n sujetos despiertos y conscientes y disparaba e n
ellos s o r p r e n d e n t e s r e c u e r d o s d e a c o n t e c i m i e n t o s a n t i g u o s supues-
t a m e n t e o l v i d a d o s. L o s resultados q u e él p r o d u j o h i c i e r o n q u e rápi-
d a m e n t e se viese c o n f i r m a d a l a s u p o s i c i ón d e q u e los r e c u e r d o s n o
están o l v i d a d o s n i p e r d i d o s , s i n o q u e están latentes e s p e r a n d o u n a i n -
c i t a c i ó n a d e c u a d a ( e n este caso e l é c t r i c a p e r o t a m b i é n ¿ p o r q u é no?
sensorial o psíquica ) q u e los reactive p a r a q u e p u e d a n aparecer e n la
c o n c i e n c i a . L a m e n t a b l e m e n t e , r e c u e r d a Schacter,^^ e l entusiasmo de
los q u e p e n s a r o n h a b e r e n c o n t r a d o e l l u g a r d e l a m e m o r i a , e l depósi-
t o d e los engramas, n o duró m u c h o . S ó l o 40 d e los 520 pacientes que
r e c i b i e r o n l a estimulación e n e l l ó b u l o t e m p o r a l t u v i e r o n e x p e r i e n -
cias q u e p o d í a n llamarse r e c u e r d o s y, a ú n ellos, n o p o d í a n d e c i d i r si
se t r a t a b a d e i n c i d e n t e s v e r d a d e r o s , d e a h i c i n a c i o n e s o d e fantasías.
L a d e c i s i ó n d e l i m i t a r m i ensayo a u n aspecto p a r c i a l d e l t e m a de
l a m e m o r i a , e l de los p r i m e r o s r e c u e r d o s y a ciertos materiales qtie
h e d e c i d i d o p r i v i l e g i a r ("ínfimos papeles") m e o b l i g a a dejar ( ¡ p o r
a h o r a ! ) p a r a u n a revisión p o s t e r i o r e l apasionante c a m p o d e la inves-
t i g a c i ó n d e l a m e m o r i a p o r p a r t e d e los n e u r o c i e n t í f i c o s c o n t e m p o -

1^ C i t . , p p . 56-60.
C i t - , p p . 77-78.
G A B R I E L GARCÍA MÁRQUEZ
83
ráneos y los adherentes a los m o d e l o s informávieos. Los avances e n
el c a m p o de la psicoftsiología son notables a u n q u e —es m i creencia,
más aún, m i c o n v i c c i ó n — ellos n u n c a p e n e t r a r á n e n los secretos de
la m e m o r i a si n o t o m a n e n c u e n t a los aspectos subjetivos y de la rela-
ción d e l stijeto c o n los destinatario s de la m e m o r i a , p r e c i s a m e n t e esos
otros, testigos y oyentes, q u e su m e t o d o l o g í a exige dejar afuera. ¿ Q u é
se recuerda, para qué , cuál es el s e n t i d o de la m e m o r i a e n la vida de
u n sujeto q u e es u n n u d o de relaciones c o n los d e m á s e n u n m u n d o
social? D i f í c i l m e n t e las respuestas a esas p r e g u n t a s se e n c u e n t r e n e n
el h i p o c a m p o .
p r o p o n g a m o s l a a n a k j g í a de las relaciones q u e existen e n t r e el apa-
rato de p r o y e c c i ó n c i n e m a t o g r á f i c a y la películ a q u e se e x h i b e . E l
saber, t o d o el saber posible, sobre los mecanismo s de los e q u i p o s d e
proyección fílmica que p e r m i t e n q u e el filme se vea m e j o i o p e o r e n
u n a p a n t a l l a , d i f í c i l m e n t e serán decisivos para c o m p r e n d e r la pelí-
cula. A d m i t i e n d o , p o r c i e r t o , q u e n a d a veríamos de la p e l í c u la sin el
aparato q u e la materializa bajo la f o r m a f u g i t i v a de sombras sobre u n a
pantalla. Es así c o m o c o n c e b i m o s la relación e n t r e el c e r e b r o y la m e -
m o r i a . E l script de la p e l í c u l a q u e vemos c o n a g r a d o o c o n espanto n o
d e p e n d e de los e q u i p o s q u e l a p r o y e c t a n . L/a h i s t o r i a es l e n g u a j e r a .
Las claves de la r e c u p e r a c i ó n de los r e c u e r d o s (retrieval cues), cunas
y magdalenas, d e p e n d e n de la situación d e l sujeto q u e r e c u e r d a e n
relación c o n el o t r o q u e d e b e " a u t e n t i f i c a r " la m e m o r i a . Se r e c u e r d a
para a l g u i e n , p a r a o t r o . E n el caso de los escritores, en n u e s t r o caso
también, e n e l de los n e u r o f i s i ó l o g o s , sin d u d a , se t r a t a de la r e l a c i ó n
entre el r e c u e r d o y u n p r o y e c t o v i t a l, u n a fantasía, efecto de la i m a g i -
n a c i ó n de cada u n o , acerca de l o q u e se q u i e r e conseguir. T o d o s exca-
vamos e n el y a c i m i e n t o de la m e m o r i a y hacemos d e s c u b r i m i e n t o s e n
él. T o d o s estamos interesados e n m o s t r a r el v a l o r e n e r g é t i c o d e l o r o
n e g r o q u e extraemos y nos l i b r a m o s a ejercicios l e t ó r i c o s p a r a p r o b a r
la \^lidez de ntiestras evocaciones en respaldo de ntiestras tesis. Los
saberes q u e alcanzamos son parciales; n i n g u n o excluye a los d e m á s
a u n q u e , p o s i b l e m e n t e , n o estén d i s p o n i b l e s p a r a u n a s u m a t o r i a sen-
cilla. E l m o m e n t o de la síntesis parece n o h a b e r l l e g a d o y la o p o s i c i ó n
e n t i e las m n e m o c i e n c i a s q u e f o r m a n parte de las ciencias de la n a t u -
raleza y las ciencias d e l signo, i n c l u y e n d o al psicoanálisis y la crítica
l i t e r a r i a j u n t o c o n la lingíiística, la h i s t o r i a y la a n t r o p o l o g í a n o es da-
ñina; es f e c u n d a p o r q u e a n i m a u n a d o b l e b ú s q u e d a . L a d i v e r g e n c i a
de los c a m i n o s ensancha e l t e r r i t o r i o que se e x p l o r a .
84 C A R R I E L CAROTA MARQUE

A p r o p ó s i t o , h a b l a n d o de t e r r i t o r i o s : ¿estaba la c u n a de G a b r i e l
G a r c í a M á r q u e z en la casa de su abuela e n Aracataca, estaba e n é|
n ú c l e o a m i g d a l i n o d e l escritor, estaba e n l a p á g i n a 40 de l a a u t o b i ^ ;
grafía, se trasladó a estas páginas q u e h o y escribo y a estos lectores qui^
m a ñ a n a las l e e r á n , d ó n d e diablos está? Se h a o f r e c i d o u n a r e c o m p e n *
sa p o r ella, viva o m u e r t a .
7
V I R G I N I A W O O L F : L A V E R G Ü E N Z A A N T E E L ESPEJO

1- ¿ Q U I É N L E C R E E A V I R G I N I A W O O L F ?

Pocos autores c o m o V i r g i n i a W o o l f (1882-1941) h a n i n c u r r i d o e n l a


escritura a u t o b i o g r á f i c a y e n la n a r r a c i ó n de r e c u e r d o s personales
c o n mayores p r e c a u c i o n e s y c o n m e j o r c o n o c i m i e n t o de los riesgos
que acechan a quienes se atreven a la empresa. Sus r e f l e x i o n e s son
lecciones q u e n i n g ú n i n t e r e s a d o e n el t e m a p u e d e i g n o r a r . " A sketch
o f the past"^ ( U n b o c e t o d e l pasado) p o n e e n p r á c t i c a esa cautela a
p a r t i r de u n a triste c o n s t a t a c i ó n : e l sujeto q u e escribe, a u n a deter-
m i n a d a e d a d , p o r l o c o m ú n d e s p u é s de haber p u b l i c a d o u n a o b r a
más o m e n o s n u t r i d a , se r e f i e r e , c r e y e n d o q u e es él m i s m o , a o t r o , a
q u i e n le s u c e d i e r o n ciertas cosas... p e r o ella o él es ya m u y d i s t i n t o
de aquél a q u i e n tales cosas le s u c e d i e r o n . Ese de q u i e n se h a b l a ya
n o está. Los seres a n t e r i o r e s q u e u n o f u e son fantasmas q u e , p e r d i d o s
e n las b r u m a s d e l pasado, son h o y i r r e c o n o c i b l e s ; la identidad—nadie
podría d i s c u t i r l o — es discontinua. L a m e m o r i a aspira a c o r r e g i r re-
l l e n a n d o y m a q u i l l a n d o . L a p r á c t i c a de la n a r r a c i ó n , d e c í a c o n v e r d a d
y belleza C l a u d e Simon,'^ "es u n esfuerzo d e l espíritu q u e se e m p e ñ a
en calafatear las secuencias d e l t i e m p o q u e h a n escapado a n u e s t r a
p e r c e p c i ó n . " S ó l o el n o m b r e d e l a u t o r persiste i n c ó l u m e . E n el caso
de V i r g i n i a , n i eso. L a esposa de L e o n a r d W o o l f n o es, n i s i q u i e r a e n
el n o m b r e , la h i j a q u e f u e — p o r los genes y p o r su l u c h a c o n t r a é l —
de Sir Leslie S t e p h e n . M u c h a s p o r t a d a s de l i b r o s c o n e l a p e l l i d o de
su m a r i d o escrito e n grandes caracteres después de " V i r g i n i a " , d a n
p r u e b a de esa i n t e r m i t e n c i a d e l n o m b r e . E n p a r t i c u l a r , el f e m e n i n o .
V i r g i n i a W o o l f b i e n sabía q u e q u i e n h a b l a y escribe, e l sujeto de la
enunciación, se e q u i v o c a y extravía al l e c t o r c r e y e n d o y s i m u l a n d o q u e

' V. W o o l f , " A s k e t c h o f t h e past", e n Moments of being, N u e v a Y o r k , H a r v e s t / H . B . J . ,


eds., 1976, p p . 64-159. Las r e f e r e n c i a s d e n ú m e r o d e p á g i n a ( e n t r e p a r é n t e s i s ) r e m i t e n
a esta e d i c i ó n .
^ C. S i m ó n , Le vent, Tentativederestitution dun retable baroque, París, M i n u i t , 1957, p . 146.

[85]
86 VTROTNTA WOOLF

es e l m i s m o que el sujeto del enunciado. C u a n d o h a b l a m o s d i c i e n d o


' ^ o " n o somos a q u e l de q u i e n h a b l a m o s . "Yo" es u n a p a n t a l l a ; e n sí,
u n r e c u e r d o e n c u b r i d o r . L a c l a r i d a d de nuestras a f i r m a c i o n e s — j u n -
to a la n i t i d e z de nuestros r e c u e r d o s y de n u e s t r a i m a g e n de nosotros
m i s m o s — fimciona c o m o u n espejismo q u e m a n t i e n e o c u l t o , tam-
b i é n p a r a nosotros, al ser q u e somos. Q u i e n dice " y o ' u s u r p a el lugar
d e l sujeto y hace o s t e n t a c i ó n de u n a m á s c a r a c o n la q u e se ha i d e n -
t i f i c a d o . T o d o s p o d r í a m o s — d e b e r í a m o s — d e c i r : yo es un desconocido
para mí; una invención caprichosa de mi m,emo7Ía. T a l es e l e q u í v o c o de
l a i d e n t i d a d q u e los espejos a l i m e n t a n . Las m á s de las veces q u i e n se
p r o c l a m a c o m o " y o " , es u n i m p o s t o r : t e m a de "Btjrges y y o " . Por eso es
t a n revelador, e n tod a autobiografía, c o m p r e n d e r cuál es la relación
e n t r e e l a u t o r y su i m a g e n e n e l espejo. Ya l o e n t r e v i m o s c u a n d o nos
i n c l i n a m o s sobre u n Borges t r i p l i c a d o e n u n espejo h a m b u r g u é s . L o
v e r e m o s de m o d o explícito al revisar los tipos de a u t o b i o g r a f í a , dife-
r e n c i á n d o l o s según e l m o d o de r e l a c i ó n e n t r e el escritor y su rostro
(prosopon), e n el c a p í t u l o 13, e l ú l t i m o .
E l d i s t a n c i a m i e n t o e n t r e los dos sujetos ( d e l e n u n c i a d o y de la
e n u n c i a c i ó n ) es i n e l u d i b l e . ¿ C ó m o p o d r í a V i r g i n i a W o o l f , la consa-
g r a d a escritora, e n 1939, considerarse la m i s m a q u e la p e q u e ñ a Jinny,
q t i e vivió ciertas peripecias e n 1885, f e c h a de su p r i m e r recuerdo?
V i r g i n i a S t e p h e n p r o v e n í a de u n a f a m i l i a d o n d e a b u n d a b a n los
l i t e r a t o s . E l escollo q u e ella e n c u e n t r a p a r a p l a s m a r sus experiencias
e n u n a a u t o b i o g r a f í a ya h a b í a sido p i e d r a de t r o p i e z o p a r a su p a d r e ,
sir Leslie Stephen,^ q u e h a b í a escrito, u n a ñ o antes d e l n a c i m i e n t o de
su i l u s t r e h i j a

El autobiógrafo tiene, de oficio, dos ventajas de suprema importancia en toda


obra literaria. El escribe sobre u n tema en el que está genuinamente intere-
sado y en ese tema él es la máxima autoridad. Hay que reconocerle, además,
una especial fortuna, por cuanto sólo en este género de la autobiografía, el
libro es tanto más valioso cuanto mayor es la cantidad de distorsiones (mis-
representations) que contiene. No nos mara\álla que u n hombre presente fal-
samente al personaje de su vecino, pero siempre es curioso ver cómo se las
ingenia para dar u n falso testimonio de sí mismo.

^ L . S t e p h e n [ 1 8 8 1 ] , Autobiography. Hours in a library, L o n d r e s , F o l i o Society, 1991,


v o l . I , p . 185.
VIROINIA WOOl.F 87

V i r g i n i a W o o l f agrega sus p r o p i a s razones p a r a c o i n c i d i r c o n él


c u a n d o c o m p r u e b a q u e la mayoría de los escritos a u t o b i o g r á f i c o s son
fracasos- ¿Por qué? P o r q u e " q u e d a a f u e r a la p e r s o n a a q u i e n las cosas
le p a s a r o n . . . " ¿Nos a t r e v e r í a m o s a d e c i r — s i g u i e n d o su s u g e r e n c i a —
que t o d a autobiografía, sin e x c e p c i ó n , es u n a mistificación y u n a i m -
postura? Sí. N o hay e j e m p l o s e n c o n t r a r i o . L a distorsión {Entstellung)
es e s t r u c t u r a l , c o n s t i t u t i v a ; n o es a c c i d e n t a l y n o se p o d r í a evitar. Las
mejores autobiografías son las q u e r e c o n o c e n esa f a t a l i d a d , las q u e
asumen sin ambages esa i n e v i t a b l e a d u l t e r a c i ón p a s a n d o s u t i l m e n t e
del " g é n e r o a u t o b i o g r á f i c o " al novelístico (Joyce, Proust, Perec, W o o l f
misma, A m a t ) . Pues, p o r mayores q u e sean las p r e t e n s i o n es de ob-
j e t i x i d a d , e l r e s u l t a d o s i e m p r e , de todos m o d o s , será u n a novela. L a
o p a c i d a d p r o c e d e de la m e m o r i a y t a m b i é n d e l i n c o n s c i e n t e : t a n t o
la u n a c o m o el o t r o a r r o j a n su d o b l e sombra , la d e l o l v i d o y la de la
represión, sobre el escritor. A l p r o y e c t a r más luz sobre el espejo sobre-
viene el e n c a n d i l a m i e n t o , n o la transparencia.
Las p r i m e r a s reminiscencias narradas p o r W o o l f n o r e s p o n d e n a la
f ó r m u l a cortazariana. Lejos de ser m e m o r i a s de ausencia y t e r r o r son
\ivencias gozosas de presencia y e x a l t a c i ó n. E n la p r i m e r a e v o c a c i ó n ,
ella está acostada e n e l regazo de su m a d r e m i e n t r a s viajan p o r t r e n .
S u p o n e , p o r la l u z v e s p e r t i n a , q u e estaban v o l v i e n d o de St. Ivés; p e r o
"es a r t í s t i c a m e n t e más c o n v e n i e n t e s u p o n e r q u e e s t á b a m o s y e n d o
hacia St. Ivés." [ — ¡ E s p l é n d i d o e j e m p l o de o b j e t i v i d a d autobiográfi -
ca!—] Allí ve e l vestido floreado de la m a d r e ( ¿ a n é m o n a s ? ) d o n d e
resaltan los vivos colores (azul, r o j o y p í i r p u r a ) y e l f o n d o n e g r o . Esta
p e r c e p c i ó n d e l vestido de su m a d r e abre l a senda p a r a i n t e r n a r s e e n
el v e r d a d e r o p r i m e r m o m e n t o de la m e m o r i a , e l m á s i m p o r t a n t e de
todos.
I m a g i n a W o o l f q u e su vida p o d r í a comparars e c o n u n j a r r ó n q u e se
vacía y se vuelve a llenar, u n a y o t r a vez. E.se j a r r ó n reposa sobre u n a
base q u e es la presencia para s i e m p re r e n o v a b l e de xin i n s t a n t e m e -
m o r a b l e , uno soloy el de la m a y o r de las v o l u p t u o s i d a d e s concebibles .
Su r e c u e r d o es

...el de yacer en cama, medio dormida, medio despierta, en St. Ivés. Es el de


oír el romper de las olas, una, dos, una, dos, lanzando torrentes de agua sobre
la playa; y luego .seguir rompiendo, una, dos, una, dos, detrás de una persiana
amarilla. Es el de escuchar a la persiana arrastrar su pequeña bellota {acorn)
a lo largo del piso mientras afuera sopla el viento mo\'iendo a la persiana. Es
88 VIRGINIA WOOLF

el de yacer y escuchar esos torrentes y ver esa luz, y sentir, es casi imposible
que yo esté aquí; el de sentir el más puro de los éxtasis qne yo pueda concebir.
Puedo pasarme horas tratando de escribir ese recuerdo tal como debiera ser 1
escrito para transmitir la sensación que es, aún en este momento, muy fuerte
en mí, pero siempre fracasaría (pp. 64-65).

E l r e c u e r d o siguiente es bastante p o s t e r i o r p e r o t r a n s c t i r r e tatn-


b i é n e n St. Ivés, l a casa e n e l c a m p o , equivalente p a r a V i r g i n i a d e l
l e g e n d a r i o C o m b r a y de Proust. T o d o e n él es sensualidad, " c o m o si
t o d o estuviese m a d u r o " : susurros, la luz. d e l sol, m u c h o s gratos aromas
a l a vez, c o m e n z a n d o a bajar e n d i r e c c i ó n a la playa, los'manzanos a
su m i s m a a l t u r a , e l z u m b i d o de las abejas, los colores d e l jardín. Estos
dos m o m e n t o s , dice c o n a s o m b r o , son

más reales que el momento actual.. .Puedo alcanzar u n estado en que parezco
estar viendo suceder estas cosas como si estuviese allí; como si las cosas pasa-
sen independientemente, aunque soy ""yo"'quien las hace suceder y mi memoria su-
pliese lo que he olvidado [..,] A menudo me pregunto si las cosas que hemos vivi-
do con tanta intensidad tienen una vida independiente de nuestras mentes, si
aún siguen existiendo [las cursivas han sido agregadas para resaltar el carácter
de artificio que tiene la memoria y su analogía con el trabajo del sueño].

E n o t r o p á r r a f o , se n a r r a el éxtasis al ver u n a f l o r y e n t e n d e r que


esa f l o r es la p a r t e de u n i n m e n s o t o d o . N o s o t r o s , los lectores, capta-
m o s q u e los objetos q u e desencadenatr estos estados de éxtasis y arre-
b a t o (rapture) son, e n sí, triviales, p e r o la e x p e r i e n c i a a l a q u e r e m i t e n
es l a de u n a disolució n de los límites y de la p r o p i a existencia, e n t o d o
c o m p a r a b l e a las ep^ya7^^a5joyceanas, esas bruscas eclosiones de l o real
q u e se p r e s e n t a n c o m o revelaciones p a r a el a r t i s t a j o v e n . Las epifanías
n u n c a a p a r e c i e r o n c o m o tales e n l a o b r a q u e Joyce d i o a la i m p r e n t a ,
c o m o n o fuese p a r a btxrlarse de ellas e n las p r i m e r a s páginas de Ulises.
Esos m o m e n t o s de revelación, t a n c o m e n t a d o s y famosos, sólo h a b í a n
sido descritos y d e f i n i d o s c o m o " e p i f a n í a s " e n u n t e x t o p o s t u m o , Ste-
phen Hero [1906],^ i m p r e s o sin la a p r o b a c i ó n de su autor. E l n o m b r e
de e p i f a n í a f u e descartado e n la p u b l i c a c i ó n de la o b r a a la q u e ese
b o c e t o d i o l u g a r : Retrato del artista adolescente [ 1 9 1 4 ] . W o o l f , sin c o n o -

J a m e s J o y c e [ 1 9 4 4 ] , Stepheii el héroe, B a r c e l o n a , L u m e n , 1978. T r a d . d e J o s é M a r í a


Valverde.
VIRGINIA WOOLF 89
cer las e l u c u b r a c i o n e s literarias de Joyce, describe sus p r o p i o s estados
de t r a n s p o r t e místico, i r r u p c i o n e s de u n goce al q u e las palabras n o
p u e d e n sino traicionar, e x p e r i e n c i a s íntimas, inefables, trascenden-
tes a c u a l q u i e r c o m e n t a r i o q u e resultaría n o sólo i n a d e c u a d o sino
también i n o p o r t u n o . Se trata de sensaciones c o r p o r a l e s y estremeci-
m i e n t o s q u e n i n g ú n d o c u m e n t o p o d r í a validar. Esas vivencias n o son
cuentos. S i m p l e m e n t e , son. Quizá p o r eso, p o r su sinrazón y p o r su
valor artístico, Joyce las s u p r i m i ó, e n t a n t o q u e objetos de la r e f l e x i ó n
teórica de u n l i t e r a t o capaz de bautizarlas, al t i e m p o q t i e , de h e c h o ,
las conservaba e n sus textos: Ulises, b u r l á n d o s e de ellas, es u n a vasta
antología d e las epifanías d e l joveix J i m m y .
¡Cuánta p r o x i m i d a d e n t r e J i m m y y J i n n y (el a p o d o de V i r g i n i a ) !
N a c i e r o n y m u r i e r o n e n los m i s m o s años [(1882-1941) — e l l a v i n o
al m u n d o 15 días después q u e él y se suicidó dos meses después d e l
"casi s u i c i d i o " de Joyce, q u i e n se d e j ó llevar p o r u n a ú l c e r a gástrica
m a l tratada. E n t r a m b o s r e n o v a r o n la l i t e r a t u r a e n inglés; sin e m b a r -
go, n a d a c o n s i g u i ó a p r o x i m a r l o s . T o d o los o p o n í a : h o m b r e él, m u j e r
ella; h e t e r o s e x u a l él, bisexual ella; irlandés él, inglesa ella; de o r i g e n
plebeyo él, de o r i g e n n o b l e ella; c o n u n p a d r e b o r r a c h o , fracasado
y a m a d o p o r su h i j o él, c o n u n p a d r e respetado p o r la sociedad, r i -
d i c u l i z a d o y hasta o d i a d o , e l l a ; i n d i f e r e n t e a la m u e r t e d e su m a d r e
él, s u f r i e n d o c o m o u n g o l p e i n t o l e r a b l e d e l d e s t i n o la m u e r t e de la
m a d r e ella; escapando de su a m b i e n t e y e l i g i e n d o el e x i l i o él, v i v i e n d o
todos sus a ñ o s e n su c o m a r c a n a t a l e n los a l r e d e d o r e s de L o n d r e s ella;
a p r i s i o n a d o p o r las deudas y las d i f i c u l t a d e s p a r a d a r a c o n o c e r su l i -
t e r a t u r a él, d u e ñ a de u n a e m p r e s a e d i t o r i a l p u j a n t e ella; a u t o r d e ung^
escritura desvergonzada él, a u t o r a ella de u n a l i t e r a t u r a respetuosa de
las c o n v e n c i o n e s; satisfecho él de su l u g a r m a s c u l i n o , v i o l e n t a m e n t e
o p o s i t o r a ella d e l l u g a r asignado a las mujeres. N u n c a se e n c o n t r a r o n ,
p e r o c u a n d o M s . Weaver, mecenas de Joyce, llevó a V i r g i n i a el m a n u s -
c r i to de UHses p a r a p u b l i c a r l o en sti e d i t o r i a l , H o g a r t h Press, e l l a l o
tuvo t m t i e m p o e n su casa, l o leyó de m a n e r a s u p e r f i c i a l y l o r e c h a z ó .
V i r g i n i a S t e p h e n - W o o l f despreciaba a Joyce p o r su v u l g a r i d a d escato-
lógica; él d e s d e ñ a b a a la a u t o r a de Las olas m e d i a n t e u n a i g n o r a n c i a
c o m p l e t a y u n a soberbia q u e p a r e c í a d i v i n a .
C o n v e n d r e m o s (pese a la tajante o p o s i c i ó n ) e n designa r c o m o "é^¿-
fajiías'^ — a l g o más trascendental y m e n o s accesible a la razón q u e los
recuerdos— a las p r i m e r a s i m p r e s i o n e s de V i r g i n i a W o o l f . " E n ellas y o
casi n o t e n g o c o n c i e n c i a de m í m i s m a sino t a n solo de l a sensación.
90 VIRGINIA WOOLF

Soy apenas u n d e p ó s i t o d e l s e n t i m i e n t o de éxtasis, de a r r e b a t o " (p.


6 7 ) . D e s p u é s d e l r e l a t o de sus p r i m e r a s y m u y precoces epifanías, su
m e m o r i a , a p t a m e n t e t i t u l a d a Momentos del ser, se d i r i g e a l a n a r r a c i ó n
d e , éste sí, u n recuerdo. E n e l p r e á m b u l o al r e l a t o de este p r i m e r re-
c u e r d o m e n c i o n a q u e "en l u g a r de analizar {instead of analysing)^^ los
s e n t i m i e n t o s de t r a n c e , a los q u e nosotros l l a m a m o s "epifanías" , nos
m o s t r a r á l o q u e q u i e r e d e c i r c u a n d o a f i r m a q u e los r e c u e r d o s son
m á s c o m p l e j o s y m e n o s intensos q u e aquéllas;

U n e j e m p l o es m i s e n t i m i e n t o a c e r c a d e l e s p e j o e n e l v e s t í b u l o . H a b í a u n p e -
q u e ñ o espejo e n el vestíbulo en T a l l a n d H o u s e [...] P a r á n d o m e de puntillas
p o d í a v e r m i r o s t r o . C u a n d o t e n í a , q u i z á s , seis o s i e t e a ñ o s , m e a c o s t u m b r é a
m i r a r m i cara e n el cristal. P e r o sólo l o h a c í a c u a n d o estaba sola [ . . . ] Parecía
q u e u n i n t e n s o s e n t i m i e n t o d e c t t l p a se l i g a b a a m i m i r a d a . ¿ P o r q u é ? Se me
o c t i r r e u n a r a z ó n : m i h e r m a n a V a n e s s a , tres avíos m a y o r , y y o é r a m o s vistas
c o m o m a r i m a c h o s {tomboys) [ . . . ] P u e d e q u e ser d e s c t i b i e r t a s a n t e e l e s p e j o
f u e s e c o n t r a r i o a n u e s t r o c ó d i g o d e m a r i m a c h o s ^ [ - • ] E s t a v e r g ü e n z a a n t e ios
e s p e j o s p e r s i s t i ó d u r a n t e t o d a m i v i d a [...J A ú n n o p u e d o e s p o l v o r e a r m e la
nariz e n público. T o d o lo relacionado c o n la ropa, probármela, entrar e n u n
salón u s a n d o u n vestido ntievo, m e sigue a t e r r a n d o ; o, p o r lo m e n o s , m e hace
s e n t i r t í m i d a , m o l e s t a , c o n s c i e n t e d e m í [ . . . ] ¿ P o r q u é este s e n t i m i e n t o d e p u -
d o r , d a d o q u e p u e d o e s p o n t á n e a m e n t e sentir éxtasis y a r r e b a t o s sin a s o m o de
vergüenza o c u l p a e n tanto ellos n o estén vinculados a m i cuerpo? [...] Debo
h a b e r estado a p e n a d a o asustada p o r m i p r o p i o c t i e r p o . ( p . 68) [...] H e trata-
do de explicar lo mejor que pude p o r qué m e avergonzaba de contemplar m i
p r o p i o r o s t r o y t a n s ó l o p u d e d e s c u b r i r a l g u n a s d e las p o s i b l e s r a z o n e s ; caben
otras; n o creo haber alcanzado la v e r d a d . P e r m í t a n m e agregar u n stteño que
p u e d e estar r e l a c i o n a d o c o n esto de los espejos. S o ñ é q u e m e m i r a b a e n u n
e s p e j o c u a n d o v i e n él u n visaje h o r r i b l e — e l d e u n a n i m a l — s u r g i e n d o re-
p e n t i n a m e n t e s o b r e m i h o m b r o [ . . . ] S i e m p r e h e r e c o r d a d o esa o t r a c a r a e n
e l e s p e j o , f u e s e s u e ñ o o r e a l i d a d , y esa c a r a m e e s p a r U a b a " ( p . 6 9 ) .

H a s t a a q u í V i r g i n i a W o o l f . A u n q u e parezca osadía, nos atrevemos


a insistir e n q u e , d i s t i n g u i e n d o ( c o m o ella l o hace) los " m o m e n t o s de
t r a n c e " de los recuerdos , éste es e l primer recuerdo p r o p i a m e n t e d i c h o

^ Las p a l a b r a s tomboy y tomboyish n o t i e n e n e q u i v a l e n t e e n n u e s t r a l e n g u a . T a n t o


" v a r o n i l " p a r a referirse a u n a m u j e r o a u n a n i ñ a c o m o " m a c h o t a " o " m a r i m a c h o " son
inadecuadas. N o disponemos de mejores.
VIRGINIA WOOI-F 91

que ella evoca. Nos toca c o n t i n u a r su análisis. E l r e l a t o d e l r o s t r o e n


el espejo de la a u t o r a de estos Moments of being es u n c l a r i n a z o de aten-
ción p a r a los psicoanalistas lacanianos, a c o s t u m b r a d o s a pensar e n el
m o m e n t o d e l e n c u e n t r o c o n la i m a g e n especular c o m o u n m o m e n t o
j u b i l o s o , f u n d a d o r de t m e n a m o r a m i e n t o inacabable d e l sujeto p r e n -
dado de su p r o p i a i m a g e n c o m o Narciso. Para esta n i ñ a , e l e n c u e n t r o
con el espejo está c o l o r e a d o p o r la vergüenza. E l espanto sobreviene
i n m e d i a t a m e n t e después c o n la aparición d e l m o n s t r u o e n el s u e ñ o
que, e n el c o r r e r de su p l u m a , sucede i n m e d i a t a m e n t e al r e c u e r d o e n
el relato a u t o b i o g r á f i c o . E l p u d o r y el espanto coaligados e n el p r i m e r
r e c u e r d o la a p r o x i m a n — a u n q u e de m a n e r a a t í p i c a — a la f ó r m u l a de
J u l i o Cortázar. E n la p a r t e final d e l siguiente capíttilo a b o r d a r e m o s e n
detalle la c u e s t i ó n de los espejos e n la m e m o r i a de los escritores.
El recuerdo de la p e q u e ña V i r g i n i a nos lleva a u n a conclusión q u e ten-
dremos que f u n d a m e n t a r c o n cuidad o aunque ahora la expongamos c o n
brusquedad no exenta de dogmatismo: In mirada, la de todos, siempre, es
sexuada. Puede que muchos (¿todos?) lo sepamos; pocos l o h a n d i c h o . Ver
un rostro — y eso sucede desde u n tiempo para nosotros i n m e m o r i a l — es
asignar a ese rostro y a la persona que lo lleva u n lugar e n la división en-
tre los sexos, con la consiguiente sorpresa y desconcierto e n los casos d e
ambigüedad. El proceso n o es voluntario; es automático. N o es particular;
es universal. Si ese aspecto, tan elemental, de la m i r a d a h u m a n a , h a sido
descuidado, menos aún se ha destacado que también la mirada de los espejos,
en su metálica y obscena inocencia, es sexuada.
T a n t o al verse a sí m i s m a c o m o al ver a o t r o : V i r g i n i a S t e p h e n es
u n a n i ñ a ; l o q u e v e n los d e m á s es u n a figura de n i ñ a , ellos le o f r e -
cen c o m o "espacio p r o p i o " ( " A room of one*s {her) oxvn^^ u n m u n d o
f e m e n i n o . L a n i ñ a vista e n e l espejo ( c o m o N a b ó k o v c o n sus p o l i l l a s y
mariposas, según veremos) clava c o n alfileres a la niña-crisálida e n u n
destino de m u j e r , u n d e s t i n o c o m p a r a b l e al de la m a d r e . ¿Es así c o m o
ella q u e r r í a verse o p r e f i e r e su c ó d i g o tomboyish, el q u e c o m p a r t e c o n
la h e r m a n a (Vanessa B e l l ) , j u g a n d o c r i q u e t , b r i n c a n d o e n t r e las rocas
y t r e p á n d o s e a los árboles, p a r a n o h a b l a r de su desaliño? ¿ H a h e r e -
d a d o , c o m o p r e t e n d e , u n p a r a d ó j i c o terror ancestral ante la feminidady
la belleza tal c o m o las ve y a d m i r a e n la h e r m o s a c o m p o s t u r a de su
madre? N o somos nosotros quiene s se l o a d j u d i c a m o s . Es ella q u i e n
lo p r o p o n e , l i t e r a l m e n t e . ^

^ V . W o o l f , Moments of being, c i t . , p . 82.


92 VIRGINIA V^OOLF

Sin e m b a r g o , hela allí, a c e c h a n d o a la c h i q u i l l a q u e la m i r a desde


el o t r o l a d o d e l espejo, asustada p o r la p o s i b i l i d a d de ser vista. H e l a
allí, e s f o r z á n d o s e p o r alcanzar l a a l t u r a de su p r o p i o r o s t r o (standing
on tiptoé) y e n c o n t r a n d o , quizás, u n a i m a g e n inalcanzable y, p o r eso
m i s m o , puesta a sideral distancia. L a m a d r e , m u y p a r t i c u l a r m e n t e en
su caso, es el o b j e t o de u n a m o r i d e a l e i d e a l i z a d o .
S i n caer e n la plácida i n g e n u i d a d d e l psicoanálisis a p l i c a d o p o d r e -
m o s escuchar a V i r g i n i a a l e j á n d o s e de la maravillosa i m a g e n f e m e n i -
n a de l a m a d r e y r i v a l i z a n d o c o n el p a d r e e n su c o n d i c i ó n de escri-
t o r a , de m u j e r de m u n d o y de p e r s o n a ingeniosa. A l m i s m o t i e m p o
q u e l o c o n s i d e r a u n h o m b r e c o n v e n c i o n a l , r e c o n o c e , cerca d e l f i n a l
de su v i d a , q u e l o e n v i d i a b a " a u n q u e n o era u n escritor p o r q u i e n yo
sintiese t m gusto n a t u r a l " (cit., p . 115). Sir Leslie S t e p h e n era u n a
p r e s e n c i a d i v i n a y a l a vez p u e r i l p a r a su f a m i l i a . E n u n m o m e n t o la
n i ñ a , V i r g i n i a , se estaba r e t o r c i e n d o los cabellos c o m o él. C u a n d o la
m a d r e l a r e g a ñ ó , ella c o n t e s t ó : " — P a p á l o h a c e " y la m a d r e le replicó
c o n u n a frase q u e p a r a V i r g i n i a d e b i ó ser u n r e t o " — Sí, papá, p e r o tú
n o p u e d e s h a c e r t o d o l o q u e hace t u p a d r e " ( p . 111). ¿No? ¿Por qué
no? D e sus tórridos romances c o n amigas ( e n p a r t i c u l a r c o n V i c t o r i a
Sackville-West) n a c e r í a e l e n i g m á t i c o Orlando q u e atraviesa sin d i f i -
c u l t a d los siglos de h i s t o r i a , las f r o n t e r a s nacionales y las i d e n t i d a d e s
sexuales, p u d i e n d o pasar de la n o c h e a la m a ñ a n a de la c o n d i c i ó n
m a s c u l i n a a la f e m e n i n a y d e m o s t r a n d o l a i n e s t a b i l i d a d , la disolución
y l a r e c o m p o s i c i ó n constante de l o q u e m u c h o s l l a m a n " y o " .
P o r su e t i m o l o g í a , espejo y espectro (aspecto y especie, espía y es-
p e c t á c u l o ) p e r t e n e c e n a la m i s m a f a m i l i a c o n c e p t u a l . L a i m a g e n en
e l espejo es u n espectro que p r o f e t i z a p o r q u e coagula y consagra p o r
a d e l a n t a d o a ésta, la de aquí, la q u e vive e n el espacio real, dándole la
o r d e n de identificars e c o n u n a efigie de m u j e r que se le i m p o n e c o m o
siendo su p r o p i a y vera figura, p e r e n n e , q u e ella h a b r á d e encarnar, p o r
los designios d e l O t r o , desde a h o r a y p a r a siempre. Surge la p r e g u n t a y
n i V i r g i n i a W o o l f n i nosotros p o d e m o s contestarla de m o d o apresura-
d o : "¿Es l o m i s m o ver e n u n espejo la i m a g e n de u n n i ñ o que la de u n a
n i ñ a y desctxbrir q u e ése es ' u n o ' ? " C r e o q u e tanto ella c o m o nosotros,
c o m o M a r t h a Robles de q u i e n h a b l a r e m o s e n este m i s m o capítulo y
c o m o N u r i a A m a t , de quienes nos o c u p a r e m o s en e l siguiente, tende-
m o s a contestar q u e n o . Porqu e el espejo nos m i r a ; es r m looking-glass. Y
su m i r a d a clasifica e n dos especies: m a s c u l i na y f e m e n i n a ; es sexuada.
¿ Q u é r e l a c i ó n g u a r d a la i m a g e n v a r o n i l o f e m e n i l c o n e l deseo d e l
VIRGINIA WOOLF
93
otro o c o n la i m a g e n sexuada q u e el n i ñ o ya t i e ne d e l o t r o m a t e r n o
o p a t e r n o o f r a t e r n o ? Insistamos e n u n a c o m p r o b a c i ó n i n n e g a b l e :
la i m a g e n especular es s i e m p r e , n o p u e d e n o ser, u n a i m a g e n f u n d a -
m e n t a l m e n t e l i g a d a a la " i d e n t i d a d de g é n e r o " de su " d u e ñ o " o de su
"dueña". Espejo y espectro; t a m b i é n espectáculo: e l q u e nos m i r a nos
califica y cataloga según eso q u e le m o s t r a m o s {what we show). E l espe-
j o refleja l a m i r a d a . , . la d e l O t r o .
Si el rostro vislumbrado en el cristal es, p o r fueiza, el de u n h o m b r e o
el de u n a mujer, la i m a g e n nos p i d e —^y nosotros le p e d i m o s — señales de
acuerdo c o n ntiestro deseo o c o n nuestras inquietudes e incerüdumbres
en relación c o n la i d e n t i d a d sexual. Le pedimos que nos saque de dudas.
El espejo recibe u n a p r e g u n t a ( c o m o el de la m a d r e de Blancanieves);
debe contestarla. N o puede quedarse m u d o ante la interrogación p o r el
sexo. El travestido ilustra m e j o r que nadie este frecuente afán p o r inver-
tir la imagen sexuada ü a n s f o r m á n d o l a en su contraria al revestirla c o n
nuevas ropas. Pero la clínica psicoanalítica devela situaciones insólitas q u e
incluyen el caso, m u c h o más frecixente, de la exageración de los rasgos
que n o r m a l m e n t e a c o m p a ñ an al p r o p i o sexo c o m o m a n e r a de prevenir
la ansiedad de ser visto c o m o perteneciente al oti'o sexo. H a b l o d e l show,
de la representación, de la mascarada, en la exhibición d e l p i o p i o sexo.
Los varones adeptos al físico-culturismo y las mujeres que e x t r e m an el
maquillaje y la exposición de sus atributos femeninos ilustran esta e n c r u -
cijada d e l sexo e n el j a r d í n de los senderos que se bíñircan. Ya hicimos
alusión a la "mascarada" f e m e n i n a ; allí, la exageración de los rasgos m u -
jeriles tiende a ocultar y a "hacerse p e r d o n a r " p o r apoderarse de ciertas
características q u e tradicionalmente distinguen a lo masculino. C u a n d o
O r l a n d o , e l personaje de V i r g i n i a W o o l f , pasó de ser h o m b r e a ser mujer,
se descubrió a sí m i s m o mirándose larga y atentamente e n el espejo. L a
escritora c o m e n t a : '

Se e s t a b a v o l v i e n d o a l g o m á s m o d e s t a , c o m o l a m a y o r í a d e las m u j e r e s , de
su i n t e l i g e n c i a ; u n p o c o m á s v a n i d o s a , c o m o l a m a y o r í a d e las m u j e r e s , d e su
persona. Ciertas sensibilidades a u m e n t a b a n . Otras disminuían.

P e r m i t á m o n o s e n este p u n t o tres digresiones —-una jocosa, u n a


clínica, u n a l i t e r a r i a — antes de v o l v e r a W o o l f .

' V . W o o l f [ 1 9 2 8 ] , Orlando. A biography. E n castellano: Orlando, B a r c e l o n a , Edhasa,


1977, p . 122. T r a d . d e J, L . B o r g e s .
94 VIRGINIA WOOLF;:
I l u s t r e m o s c o n u n chiste, cosa q u e para u n psicoanalista n u n c a está
m a l . E l h o m b r e p r e g u n t a : "¿Porqué ustedes las mujeres t r a t a n siempre^
de c o n q u i s t a r p o r m e d i o de l a belleza e n lugar de h a c e r lo p o r m e d i o d ^
la i n t e l i g e n c i a ?" Y ella contesta: " P o r q u e es m u c h o más fácil encontrar
h o m b r e s t o n t o s q u e h o m b r e s ciegos". C o m o se ve, cuestión de imáge-
nes. N o les va m u y b i e n , p o r l o m e n o s eso se dice, a las nmjeres que
"saben latín " y hacen gala de su i n t e l i g e n c i a ( n i se casan n i ü e n e n b u e n
fin). Ellas, c o n astucia f e m e n i n a , h a n d e s c u b i e r t o q u e es más conve-
n i e n t e d i s i m u l a r ese a t r i b u t o pues a b u n d a n los h o m b r e s q u e n o están
dispuestos a p e r d o n a r esa cvjalidad q u e creen su p a t r i m o n i o n a t u r a l .
R e c u r r a m o s t a m b i é n a u n caso c l í n i c o , q u e t a m p o c o p o d r í a r e p r o -
c h á r s e l e al psicoanalista. U n a j o v e n i n v e s t i g a d o r a e n b i o l o g í a tiene
q u e p r o n u n c i a r unas conferencia s e n el país d e l i"iorte y e n c u e n t r a
u n a e n o r m e d i f i c u l t a d p a r a p r o n u n c i a r las palabras q u e e m p i e z a n
c o n " W " ; p o r ese m o t i v o t r a t a de evitarlas. N o le pasa c o n palabras
c o m o ^^xohar o ^^whicK' p e r o sí " c o n palabras c o m o . . . , c o m o . . . ivomarC\
T i e n e q u e evitar q u e su p r e s e n t a c i ó n al c o n g r e s o de fisiología incluya
esa p a l a b r a . E l l a n o o c u l t a sus rasgos f e m e n i n o s p e r o el s í n t o m a fóbi-
co aparece e n e l c a m p o d e l l e n g u a j e . E l trabajo a n a l í t i c o n o t a r d a en
develar su r e n c o r p o r las l i m i t a c i o n e s profesionale s q u e debe sufrir
p o r ser m u j e r , e l r e s e n t i m i e n t o ante las p r e r r o g a t i v a s de q u e d i s f r u t a n
— o e l l a s u p o n e q u e d i s f r u t a n — los h o m b r e s y, cosa e x t r a ñ a , q u e la
" W " d e l inglés c o r r e s p o n d e a la " M " de " m u j e r " e n español, q t i e es la
m i s m a l e t r a i n v e r t i d a " c o m o e n u n espejo" y q u e esa " M " es la i n i c i a l
d e l n o m b r e de la m a d r e , a u t o r a de los mayores estragos a los que
d e b i ó e n f r e n t a r s e e n la v i d a y q u e a ú n l u c h a , siend o ya u n a científi-
ca c o n h a r t o p r e s t i g i o , p o r superar. Para c o l m o , q u i e n e s la c o n o c e n ,
u n á n i m e m e n t e se s o r p r e n d e n d e l p a r e c i d o físico q u e tiene c o n su
m a d r e , es decir, c o n la i m a g e n o d i a d a de la cual q u i s i e r a d i s t i n g u i i se.
E l espejo, p a r a ella, n o p u e d e ser u n b u e n c o m p a ñ e r o . Es, antes b i e n ,
u n c a r t e r o i n s o l e n t e q u e trae las peores noticias.
Ea relación entre la i m a g e n de la mtijer e n el espejo y la i m a g e n de la
m a d r e c o m o ideal, c o m o vaga figura i n d i f e r e n t e o c o m o m o d e l o delezna-
ble se graba c o n letras de fuego y queda c o m o u n a sombra que a c o m p a ñ a
a tod a m u j e r e n stis encuentros c o n el espejo. L o p o d e m o s ilusu ar con la
referencia literaria ya anunciada. L a protagonista de u n a excelente novela
de D a v id Markson^ m o n o l o g a c o n h u m o r y p r o f u n d i d a d :

D . M a r k s o n [ 1 9 8 8 ] , Wittgenstein's mistress, c i t . , p . 67.


VIRGINIA WOOLF 95

Una vez, en la Galería Borghese, en Roma, firmé un espejo.


Lo hice en uno de los baños para damas, con lápiz de labios.
Lo que firmaba, por supuesto, era una imagen de mí misma.
Sin embargo, cualquier otro que hubiese mirado ahí, donde estaba m i
firma, la hubiese visto debajo de la imagen de otra persona.
Sin duda yo no la hubiese firmado, si hubiese habido otra persona para
mirarla.
Aunque, de hecho, el nombre que puse era Giotto.
Dicho sea de paso, en esta casa hay sólo un espejo.
Lo que el espejo refleja, naturalmente, es una imagen de mí misma.
Aunque, de hecho, io que también se refieja, una y otra vez, es una imagen
de mi madre.
Lo que sucederá es que miraré en el espejo y por un instante veré a m i
madre devolviéndome la mirada.
Sin embargo, me veré a mí misma en el mismo instante. En otras palabras
todo lo que estoy realmente viendo es la imagen de m i madre en la mía
propia.
Supongo que esta ilusión es bástame común y que viene con los años.
Lo que quiere decir que no es n i siquiera una ilusión, puesto que la heren-
cia es la herencia.

N o hay simetría. M a r k s o n n o h u b i e r a p o d i d o p o n e r esas palabras


en la boca de u n personaje m a s c u l i n o Y t a m p o c o h u b i e r a p o d i d o
hacerlo c a m b i a n d o la p a l a b r a " m a d r e " p o r la p a l a b r a " p a d r e " . Pare-
ce q u e e n la a c t i t u d ante e l espejo se d i s t i n g u e n los h o m b r e s de las
mujeres. Los estereotipos, q u e n o son g r a t u i t o s, h a c e n sospechosa la
\ i r i l i d a d de t m h o m b r e p r e n d a d o de su i m a g e n especular y t i e n d e a
considerar c o m o rasgo f e m e n i n o e n él la c o m p l a c e n c i a y e l r e t o r n o
constante al uso de espejitos y espejotes. C o n e x c e p c i ó n de la angusti a
metafísica de Borges ante los espejos plurales, las a u t o b i o g r a f í a s de
los h o m b r e s n o hacen r e f e r e n c i a al r e f l e j o especular, m i e n t r a s q u e tal
r e f e r e n c i a es casi i n f a l t a b l e e n las mujeres q u e c u e n t a n sus vidas.
E l p r i m e r e n c u e n t r o c o n el espejo, ese artefacto e n el q u e r e c o n o -
cemos q u e el m i r ó n q u e está al o t r o l a d o "soy y o " , se graba, i n d e l e b l e ,
en la m e m o r i a , la v e r d a d e r a , la ii^voluntaria, la p r o u s t i a n a , la f r e u d i a -
na. L a i m a g e n es salvadora, c o n f i e r e u n i d a d . Pero t a m b i é n , según sea
el sesgo de la m i r a d a d e l o t r o , p u e d e ser disgregante, cáustica, des-
t r u c t i v a . D i r e m o s q u e la p r i m e r a m i r a d a al espejo es la q u e rescata al
ser de la f r a g m e n t a c i ó n c o r p o r a l . C o n s t i t u y e u n "yo i d e a l " , u n m o d e l o
96 VIRGINIA WOOLFI

de p e r f e c c i ó n al q u e siempre se q u e r r á r e t o r n a r . L u e g o , necesaria-
m e n t e después, aparece el c o n o c i m i e n t o de las d i f e r e n c i a s sexuales •
(genitales) y las de g é n e r o , i n d u c i d a s p o r la c u l t u r a a través de la fárj
m i l i a . T a n t o e n l o a n a t ó m i c o c o m o en l o s o c i o c u l t u r a l ( q u e r e f r e n d a
la división e n t r e m a s c u l i n o y f e m e n i n o ) , el sujeto d e b e a d m i t i r que
ese i d e a l d e l yo es inalcanzable p o r q u e q u i e n es h o m b r e n o es m u j e r
y viceversa. L o q u e i m p o r t a d e l sexo n o son los a t r i b u t o s genitales que •
se t i e n e n o se d e j a n de tener s i n o q u e , téngase l o q u e se tenga, hay
u n a c a r e n c i a y eso q u e se p e r c i b e e n u n a o en u n o c o m o n e g a t i v i d a d
aparece, p o s i t i v a d o , en el sexo d e l o t r o .
L a c o m p l e t u d ( a c é p t e s e el fácil n e o l o g i s m o ) n o existe; siempre hay
y h a b r á u n a falta. E l espejo, al r e f l e j a r u n c u e r p o sexuado, n o t i f i c a esa
r e s t r i c c i ó n . E l i d e a l d e b e ceder ante l a presión de estereotipos y de
s e ñ a l a m i e n t o s de esa d e f i c i e n c i a - d i f e r e n c i a sexual, de los h o m b r e s y
de las m u j e r e s , t a n t o e n el n i v e l de la i m a g e n c o m o e n e l p l a n o de lo
r e a l . E l sujeto se e m p e ñ a r á de a h í en más p o r r e c u p e r a r e l "yo i d e a l " ,
" a h i t o , l l e n o de sí" (J. Gorostiza, Muerte sin fin)^^ p e r o d e b e r á hacerlo
s o m e t i é n d o s e a regulaciones q u e l o e m p u j a r á n a la b ú s q u e d a de la
i n t e g r i d a d p e r d i d a e n el t e r r e n o m i n a d o d e l amor, e s p e r a n d o encon-
t r a r e n e l o t r o e l sustituto de su f a l t a . Para a p r o x i m a r s e al yo i d e a l de-
b e r á plegarse a exigencias " m o r a l e s " q u e p r o c e d e n d e l O t r o : se h a b r á
c o n f i g u r a d o u n c i e r t o "ideal d e l y o " , u n c o n j u n t o de m a n d a m i e n t o s
q u e n o t i e n e c o n t o r n o s d e f i n i d o s , q u e está má s o m e n o s h e n c h i d o
de c o n t r a d i c c i o n e s . V i r g i n i a W o o l f vivió y c o n f e s ó p o é t i c a m e n t e esas
exigencias difíciles d e conciliar. V i d a y o b r a — l o s a m o r e s t a n t o c o m o
los l i b r o s — p a r e c e n entramarse a l r e d e d o r de los e n i g m á t i c o s espejos
sexuados, los plateados h e r m a n o s d e l p r i m e r o , e l q u e ella espiaba e n
Talland House.
E l m i s m o cristal q u e c o m i e n z a p o r i l u s i o n a r c o n e l espejismo de la
i n t e g r i d a d autosatisfecha se e n c a r g a a h o r a de n e g a r l a . H e t e r o s e x u a l i -
d a d , h o m o s e x u a l i d a d y travestismo serán tres de las respuestas, todas
ellas i n s u f i c i e n t e s, a ese r e c o n o c i m i e n t o de la i n c o m p l e t u d q ue d e r i v a
de l a d i f e r e n c i a e n t r e los sexos. D i f e r e n c i a - d e f i c i e n c i a , s e g ú n p r o p u s i -
mos. O r d e n y o r d e n a c i ó n de la i n c o m p a t i b i l i d a d : e l stijeto es i n v i t a d o
a l a r e p r e s e n t a c i ó n carnavalesca de u n a " i d e n t i d a d " q u e p u e d e acep-
tar o rechazar s e g ú n los dos m o d e l o s q u e le ofrece e l e n t o r n o : v a r o n i l
o femenil.

^ J o s é G o r o s t i z a , Muerte sin fin y otros poemas, M é x i c o , F C E , 1983.


VIRGINIA WOOLF 97
2 LA FUNCIÓN E S P E C U L A R D E L A M A D R E

Nos p r e p a r a m o s para la a v e n t u r a d e u n a e x p l o r a c i ó n t e ó r i c a d e l c o n -
tinente v i r t u a l de los espejos, ese c o n t i n e n t e e n e l q u e (creemos q u e )
vivimos. Por a h o r a se trata de r e c u p e r a r al p r i m e r espejo de J i n n y
Stephen, la n i ñ a q u e llegó a ser V i r g i n i a W o o l f , u n a m u j e r q u e h a b l ó
de aquella n i ñ a a d m i t i e n d o q u e la c o n o c í a p o c o y m a l , q u e la h a b í a
olvidado.
El "sencillo i n c i d e n t e d e l espejo", q u e le s u c e d i ó " p e r s o n a l m e n -
te" y q u e desencadenaba e n ella s e n t i m i e n t o s de c u l p a y vergüenza,
le parece i n e x p l i c a b l e c u a n d o reaparece e n su m e m o r i a y p i d e ser
escrito m e d i o siglo después. Sabe q u e hay u n secreto. Q u e r r í a m o s
p e r m i t i r n o s h u r g a r e n él. E l p u d o r de aparecer c o m o m u j e r siguió
actuando e n ella d u r a n t e c i n c u e n t a años; era e l rasgo q u e d e f i n í a su
relación c o n los demás: la v e r g ü e n z a e n c a r n a d a cada vez q u e mostra -
ba su i m a g e n f e m e n i n a . N a d i e d e b í a ver — n i s i q u i e r a ella m i s m a la
recóndita satisfacción q u e la e m b a r g a b a al c o n t e m p l a r s e . Pues ella,
sí, sin d u d a , gozaba, sola, m i r á n d o s e y e s c o n d i é n d o s e . ¿ Q u é veía? ¿ L a
imagen m a t e r n a , s i e m p r e a d m i r a d a , o l a figura rechazada de l a n i ñ a
varonil {tomboyish) q u e los d e m á s , los q u e e j e r c í a n l a presión n o r m a -
lizadora, q u e r í a n c o r r e g i r ? A r r i e s g u é m o n o s a p e n e t r a r e n e l espejo
para averiguar l o q u e J i n n y S t e p h e n hallaba e n él. D i g a m o s q u e no
veía n i a la u n a n i a l a o t r a . N o veía: leía. L e í a e l contraste e n t r e las dos;
el espejo le m o s t r a b a a su yo i d e a l , descargado de las coacciones exte-
riores q u e i n t e n t a b a n o b l i g a r l a a d e f i n i r s e c o m o v a r ó n o c o m o m u j e r .
El goce, el i n e f a b l e e s t r e m e c i m i e n t o q u e d e b í a p e r m a n e c e r l a t e n t e ,
el corazón d e su deseo, estaba e n l a disociación d e sí m i s m a y e n e l
j u e g o de o c u l t a c i ó n d e l goce a n t e la m i r a d a c o a g u l a n te d e l o t r o . L a
p r o p i a i m a g e n —esa de la n i ñ a tomboyish— e r a buscada, esforzándose
incluso {on tiptoe) para alcanzarla, c o m o f u e n t e d e placer. E l displacer
y el espanto p r o v e n í a n de la p o s i b i l i d a d de ser d e s c u b i e r ta g o z a n d o
con su i m p u g n a c i ó n de la d i f e r e n c i a sexual. Su fantasma, c l a r a m e n t e
bisexual, es e l q u e t o m a c u e r p o y v i d a , para a s o m b r o de los lectores,
en Orlando.
E n e l m o m e n t o c u l m i n a n t e d e esa "biografía " se c u e n t a la transfor-
mación fabulosa d e l h o m b r e de t r e i n t a años q u e se acostó a d o r m i r
\ma n o c h e e n C o n s t a n t i n o p l a , f u e d e s p e r t a do p o r e l e s t r u e n d o d e
las t r o m p e t a s , se irguió c o n c o m p l e t a desnudez "ante nuestros o j o s "
y "debemos confesarlo : e r a u n a m u j e r " . T a n p r o n t o cuenta , c o n es-
98 VIRGINIA W G O L F

tas palabras, lo s u c e d i d o , V i r g i n i a Woolí se a p a r t a c o n v e r g ü e n z a de


su m i s m a h i s t o r i a , temeros a de ser vista m i r á n d o s e ante el espejo y
d e s c u b r i é n d o s e femenina:**^ " Q u e otras p l u m a s t r a t e n d e l sexo y de
la s e x u a l i d a d ; en c u a n t o a nosotros, d e j e m o s ese o d i o s o t e m a l o más
p r o n t o posible."
Para c o n f i r m a r n u e s t r a c o n s t r u c c i ó n d e l fantasma de V i r g i n i a
W o o l f , h e m o s de r e t o r n a r al a c o n t e c i m i e n t o más d o l o r o s o de su vida,
la m u e r t e de la i n e n a r r a b l e b e l d a d q u e f u e su m a d r e c u a n d o ella
t e n í a trece años, u n a m u e r t e q u e la s u m e r g i ó en la d e s o l a c i ó n más
espantosa y de la q u e sólo p u d o salir, llevada p o r u n í m p e t u inconte -
n i b l e , m e d i a n t e la c r e a c i ó n poética , e s c r i b i e n d o — ¡ t r e i n t a años des-
p u é s ! — To the Lighthouse, {Alfaro)}^ U n a vez q u e t e r m i n ó de escribir
esa novela a u t o b i o g r á f i c a en la qu e ella se reserva para sí el l u g a r de
u n n i ñ o (James) p u d o escapar de la o b s e s i ó n p o r su m a d r e , d e j ó de
o í r su voz y de verla . " S t i p o n g o — d i c e — q u e hice p o r m í m i s m a lo
q u e los psicoanalistas hace n p o r sus pacientes. " ( p . 8 1 ) . ¿Qué? L o d i -
r e m o s nosotros: r e c o r d a r (y escribir el r e c u e r d o ) p a r a p o d e r olvidar.
M u c h a s páginas más adelante ( p . 108) ella dirá q u e , al i g u a l q u e a la
figura m a t e r n a , Al faro desgastó y b o r r ó l a m e m o r i a de su p a d r e . C o n
l a n o v e l a p u d o d a r p o r acabada l a constante, obsesiva, l u c h a c o n sir
Leslie S t e p h e n q u e siguió a su m u e r t e . Hasta escribir la novela los
labios de V i r g i n i a W o o l f seguían m o v i é n d o s e en agrias discusiones en
q u e , c o n f u r i a , se d e c í a a sí m i s m a l o q u e n u n c a se atrevió a d e c i r l e a
él. E s c r i b i r Al faro f u e la c e r e m o n i a r i t u a l p a r a e n t e r r a r a los padres.
P e r o , a ú n después, ellos, sus espectros, c o m o los d i n o s a u r i o s de T i t o
M o n t e r r o s o , seguían ahí. N o le bastaba c o n despertar, y n o le bastaba
c o n p o n e r s e a leer p o r p r i m e r a vez a F r e u d e n 1939, h e c h o q ue señala
e n sti d i a r i o i n m e d i a t a m e n t e después de c o n t a r la belicosa relación
q u e h a b í a llevado c o n su p a d r e , el escritor, e l r i v a l .
L l e g a d o s a este p u n t o , r e c o r d e m o s q u e James y A l i x Strachey, los
t r a d u c t o r e s oficiales de F r e u d al inglés, e r a n í n t i m o s amigos de los
W o o l f y m i e m b r o s d e l g r u p o de B l o o m s b u r y q u e ella f u n d ó . P o r eso
es q u e resulta r a r o — o m u y c o m p r e n s i b l e — q u e n o quisiese analizar-
se n i enterarse hasta p o c o antes de su s u i c i d i o de l o q u e el psicoaná-
lisis era capaz de d e c i r l e . Más aún, V i r g i n i a y L e o n a r d W o o l f f u e r o n

V i r g i n i a W o o l f , Orlando, c i t . , p . 9 1 .
V i r g i n i a W o o l f , Al faro, B u e n o s A i r e s , S u d a m e r i c a n a , 1983. T r a d . d e A n t o n i o M a -
richalar.
VIRGINIA WOOLF 99
los f u n d a d o r e s de H o g a r t h Press, e d i t o r i a l casi o f i c i a l d e l m o v i m i e n t o
psicoanalítico inglés. Aún e n la a c t u a l i d a d la Standard Edition de las
Obras completas de S i g m u n d F r e u d es p u b l i c a d a p o r H o g a r t h . E l her-
m a n o de V i r g i n i a , Adrián S t e p h e n , era psicoanalista y estaba casado
con u n a psicoanalista. Su esposo, L e o n a r d W o o l f {rara avis, u n pen-
niless Jew — u n judío p o b r e — en el elitista g r u p o d e B l o o m s b u r y ) se
declaró f r e u d i a n o a l o l a r g o de t o d a su vida. Sin e m b a r g o , c u a n d o
V i r g i n i a W o o l f caía presa de sus episodios m e l a n c ó l i c o s y a l u c i n a t o -
rios ellos n o aceptaban o t r o t r a t a m i e n t o q u e las curas de r e p o s o y
engorde (curas de W e i r - M i t c h e l l ) . L a p r e g o n a d a r e l a c i ó n de los W o o l f
con e l psicoanálisis estaba r e s t r i n g i d a a l o i n t e l e c t u a l . E r a más b i e n
una m a n i f e s t a c i ó n de esnobismo, u n m o d o de estar á la page, m i e n t r a s
m a n t e n í a n t e n a z m e n t e su m a q u i l l a j e de c o n f o r m i s m o victoriant> e n
la vida r e a l . L o q u e más les i r r i t a b a de F r e u d y de sus discípulos era
la insistencia e n la .sexualidad. P o d r í a m o s seguir e s c r i b i e n d o sobre la
relación a m b i g u a de V i r g i n i a W o l f c o n F r e u d y c o n el psicoanálisis
pero n o es ése e l o b j e t i v o de este trabajo. Nos i m p o r t a n la m e m o r i a y
el espanto. Y los espejos.
C o m o ella l o e x p r e s ó , d e b e m os confesarlo t a m b i é n nosotros: sólo
p u d o aliviar la d e s o l a c i ó n y sofocar a esos dos fantasmas, el de la her-
mosa m a d r e q u e m u r i ó c u a n d o ella se t r a n s f o r m a b a e n m u j e r , e l d e l
padr e m o d e l o y rival, h u n d i é n d o l o s e n e l agua d e l r í o al q u e e n t r e g ó
su c u e r p o c u a n d o comenzaba el o t o í i o de 1941.
E n la t e o r í a de Lacan^^ el estadio d e l espejo, v i v i d o p o r e l n i ñ o
antes de t e n e r la f i m c i ó n de la palabra , e n t r e los 6 y los 18 meses de
edad, es f u n d a d o r d e l yo. E l infans (sin h a b l a ) , q u e e x p e r i m e n t a b a
antes su c u e r p o c o m o u n c o n j u n t o desgarrado y c a ó t i c o de sensacio-
nes dispersas, e n c u e n t r a e n la i m a g e n q u e le m i r a desde e l o t r o l a d o
del cristal azogado u n a figura i n t e g r a d a , c o m p l e t a , i d e a l , mensajer a
de u n a u n i d a d q u e hasta entonces a él le venía f a l t a n d o . Se e n a m o r a
del o t r o q u e es él m i s m o , s o n r í e c o n j ú b i l o ante él, se e n a j e n a al i d e n -
tificarse c o n u n a i m a g e n que n o es él sino su d o b l e y a la q u e acaba
p o r l l a m a r " y * ^ T o m a c o n c i e n c i a de su existencia m e d i a n t e u n j u e g o
universal q u e consiste e n e n t r a r y salir d e l c a m p o d e l espejo: " n e n e n o

J . L a c a n [ 1 9 3 í v l 9 4 9 ] , "LK?- í^tade d u m i r o i r . . . " , Écrits, S c i i i t , P a r í s , 1 9 6 6 , p p . 9 3 - 1 0 0


[ e d . S i g l o X X I , p p . 8 6 - 9 3 ] . Es é s t e e l a s p e c t o m á s d i f u n d i d o d e l a e n s e ñ a n z a d e L a c a n .
Su r e p e ü c i ó n p u e d e p a r e c e r s u p e r f i n a p e r o r e s u l t a i m p r e s c i n d i b l e p a r a a c l a r a r los ras-
gos esenciales d e l o s r e c t i e r d o s d e las tres e s c r i t o r a s q u e n o s o c u p a n : V i r g i n i a W o o l f ,
M a r t h a Robles y N u r i a A m a t .
100 VIRGINIA WOOLP
está — n e n e está". Fort — Da, u n o , dos — c o m o las olas {The waz/es) en
la e p i f a n í a i n a u g u r a l de V i r g i n i a W o o l f . Los a d u l t o s se a c o m o d a n en
t o r n o a este i n f a n t i l r e f l e j o y a p a r e c e n t a m b i é n ellos d t i p l i c a d o s p o r
e l espejo, c o n f i r m a n d o al n i ñ o q u e sí, q u e ése es él, q u e así es c o m o
es visto y q u e tiene u n n o m b r e p o r el cual él p o d r á reconocerse, ser
r e c o n o c i d o y contestar " — i Presente! ( ¡ m a n d e ! ) " c t i a n d o se le l l a m a .
L a i m a g e n especular, se d i c e , es salvadora, rescata de la dispersión,
se cuaja e n u n c e n t r o a l r e d e d o r d e l c u a l se o r g a n i z a el m u n d o . T a n t o
es así q u e la " l o c u r a " consiste e n n o p o d e r r e c o n o c e r s e c o m o sien-
d o u n o y el m i s m o q u e el d e l espejo, i g n o r a n d o y desestimando la
d i f e r e n c i a a b i s m al q u e se excava e n t r e el espacio v i r t u a l d e l espejo
y el c u e r p o existente en el espacio real. E n el espejo nos i d e n t i f i c a -
m o s c o m o " u n o " al m i s m o t i e m p o q u e nos vemos d u p l i c a d o s y somos
"dos", c u a n d o n o tres o más, c o m o le pasó a Borges. L a " e n a j e n a c i ó n "
{EntáusserungQTí H e g e l ) , consiste, p a r a d ó j i c a m e n t e , e n no enajenarse
y e n n o e n g a ñ a r s e c o n la c r e e n c i a de q u e u n o es el q u e está d e l o t r o
l a d o d e l espejo y q u e el n o m b r e q u e a u n o se le asigna designa al ser
q u e u n o es; ' J u a n Pérez; ése soy y o , a h í m e veo ( m e v e n ) , en el espejo,
e n la f o t o g r a f í a . " E l psicoanálisis h a rastreado esta f a s c i n a c i ó n consigo
m i s m o hasta e n c o n t r a r sus f u n d a m e n t o s m i t o l ó g i c o s y p o r eso le ha
d a d o , desde F r e u d , e l expresivo y exacto n o m b r e de " n a r c i s i s m o " que
evoca y presagia el estatuto m o r t a l d e l e n a m o r a m i e n t o d e sí.
Ese c a u t i v e r i o e n e l calabozo de l a p r o p i a i m a g e n es e l f u n d a m e n t o
d e los a m o r í o s u l t e r i o r e s — n o s e n a m o r a m o s d e q u i e n sabe r e c o n o -
c e r n o s — y se a r r a i g a , c o m o d i j i m o s , e n épicas experiencias d e c o n -
q u i s t a d e l a s i n g u l a r i d a d q u e t i e n e n l u g a r e n t r e los 6 y los 18 meses
d e v i d a . P e r o su efecto n o cesa e n t o n c e s sino q u e se p r o l o n g a a l o
l a r g o d e la existencia. "Sabemos" {creemos saber) q u i e n e s somos y nos
cegamos sin m a y o r crítica c o n la i d e a de q u e somos u n o s y los m i s m o s
desde el n a c i m i e n t o hasta l a m u e r t e . Es — h a c e p o c o l o v i m o s — u n a
d e las f u n c i o n e s esenciales d e l a m e m o r i a , la de e m b a u c a r n o s hacién -
d o n o s los soportes e n los q u e se apoya esa c r é d u l a c o n c i e n c i a d e la
c o n t i n u i d a d p e r s o n a l . E l estadio d e l espejo n o es t r a n s i t o r i o ; es u n a
e s t r u c t u r a p e r m a n e n t e : es l a raíz d e l ser c o m o ente d e ficción, habita -
d o p o r la c r e e n c i a de ser allí d o n d e n i es n i está: e n los espejos y e n la
m i r a d a de los d e m á s . "Soy l o q u e v e n . Ven l o q u e soy." Es e n n u e s t r o
p r ó j i m o , e n los m o m e n t o s de amenaz a p a r a la i d e n t i d a d , t a n f r e c u e n -
tes, d o n d e buscamos la c o n f i r m a c i ón de nuestro ser, el r e c o n o c i m i e n t o
q u e n o s p e r m i t a a f i r m a r ( s u p o n e r ) q u e "somos". P e r o , quizá, — ¿ p o r
VIRGINIA WOOl.F 101
qué n o ? — sol>rarííiu tazones para q u e ru>s avergoncemos de la cosa
que somos, de lo q u e t r a s u n t a m o s, de nuestras culpas i n n o m i n a d a s .
Q p o d r í a m o s calificar c o m o pecado el q u e se descubra u n a c o m p l a -
cencia c o n esa i m a g e n , q u e se revele e l goce a u t o e r ó t i c o \isual e n la
cópula de Narciso consigo m i s m o . ¿Así le pasó a V i r g i n i a Woolfi^ Sería
muy s i m p l e y m a y falso q u e nos r e d u j é r a m o s a e l l o . P e r d e r í a m o s e l
c o m p l e j o valor de su e x p e r i e n c i a y de su r e c u e r d o . D e b e m o s i r más
allá y, si p o d e m o s , ver q u é r e l a c i ó n se teje e n t r e las vivencias de ver-
güenza y de espanto de la escritora c o n la tesis q u e p r o p u s o Cortáza r
después de relatar los efectos d e l angustiante c a n t o d e l g a l l o (si es q u e
tal fue la causa de su d e s p e r t a r ) .
Sabemos ( n o p o d e m o s o l v i d a r ) q u e e n el e n c u e n t r o c o n el es-
pejo n o t o d o es m i e l sobre hojuelas. F a t a l m e n t e ése q u e nos espía
c u a n d o m i r a m o s n u e s t r o p r o p i o r o s t r o es u n i n t r u s o inalcanzable;
e n t e n d e m o s q u e n u n c a p o d r e m o s llegar hasta d o n d e él está c o n su
vana p r o m e s a de u n i d a d . Q u e , n i b i e n nos h e m o s r e c o n o c i d o , h e m o s
t e n i d o t a m b i é n q u e a d m i t i r la penosa d i s o c i a c i ó n, el p e r m a n e n t e des-
e n c u e n t r o c o n ese o t r o i d e a l i z a d o , c o n el yo i d e a l . El cristal, el de todo
espejo, es frágil: nos e n t r e g a el r e f l e j o y al m i s m o t i e m p o nos n o t i f i c a
que es i m p o s i b l e atravesarlo y r e d u c i r l a í n f i m a e i n f i n i t a d i s t a n c ia
•—el p r o f u n d o a b i s m o — q u e nos separa de nosotro s m i s m o s . E n el
j ú b i l o d e l r e c o n o c i m i e n t o hay u n t r a s f o n d o d r a m á t i c o y desolador.
Ese a c o m p a ñ a n t e , t a n p e r p e t u o c o m o la s o m b r a , q u e nos m i r a desde
el o t r o l a d o es, a la vez, el r e p o r t e r o de n u e s t r a i r r e d u c t i b l e soleda d y
el i n f o r m a n t e de q u e , así c o m o él nos m i r a , somos s i e m p re u n o b j e t o
en la m i r a d e l O t r o , de o t r o c u a l q u i e r a q u e cree r e c o n o c e r n o s . N u n c a
p o d r e m o s v e r n o s desde d o n d e e l o t r o nos ve. N u n c a p o d r e m o s c o n -
t r o l a r — a u n c u a n d o m u l t i p l i q u e m o s las horas pasadas ante el espe-
j o — la i m a g e n q u e el o t r o tiene de nosotros.
¿Los d e m á s —ese O t r o q u e nos tiene s i e m p r e e n c u a d r a d o s e n el
visor de su c á m a i a f o t o g r á f i c a — están de más? ¿Podrían faltar? N o .
Ellos t i e n e n la e n c o m i e n d a de garantizar la i d e n t i d a d i m a g i n a r i a , la
del ser de ficción q u e resulta de la s o l d a d u r a d e l n i ñ o real c o n e l n i ñ o
q u e aparece m á s allá, e n e l espacio v i r t u a l d e l espejo. " — E r e s el que ves.
Eres porque te ves'' Ellos d e b e n r a t i f i c a r la identificació n d e l n i ñ o / n i ñ a
c o n su i m a g e n y c o n f i r m a r l e su inserción e n u n a r e d de relaciones
familiares y sociales, e n la h i s t o r i a de u n a c o m u n i d a d . L a e x p e r i e n c i a
del espejo m u e s t r a la d i s o c i a c i ó n e n t r e el l a d o de acá (real — R) y el
l a d o de allá (imaginario — i) de u n o m i s m o y r e q u i e r e de la presencia
102 VIRGINIA WOOLF
de u n t e r c e r o (simbólico — s) q u e sancione y c o n j u g u e , e n el lenguaje,
ese a d v e n i m i e n t o a la existencia d e l yo. R-I-S, a n u d a d o s , n o disocia-
bles. N o hay " y o " antes d e l r e c o n o c i m i e n t o especular. P o r esa misma
y necesaria presencia de los d e m á s — l o s q u e h a b l a n , los q u e p o n e n
n o m b r e s — es q u e t a m b i é n los n i ñ o s ciegos, incapaces de verse refle-
j a d o s e n u n aparato ó p t i c o , a d v i e n e n a la existencia y p u e d e n "verse"
c o m o yoes; ellos, c o m o todos nosotros, necesitan de a l g u i e n que los
vea y los n o m b r e p a r a así p o d e r i d e n t i f i c a r s e c o n la m i r a d a y c o n la
p a l a b r a d e l o t r o . P o r eso t o d o espejo es e n i g m á t i c o ; e n él se plantea
l a p r e g u n t a p o r e l d e s t i n o . N o o t r o es el caso de V i r g i n i a W o o l f en el
m o m e n t o en q u e p u g n a , p a r á n d o s e sobre la p u n t a de sus pies infan-
tiles, p o r alcanzar su i m a g e n . S i e m p r e q u e — ¡ o h , t e r r o r ! — nadie la
cache e n ese j u e g o v e r g o n z a n t e .
E l r e c o n o c i m i e n t o especular es, sobra d e c i r l o , u n a f u n c i ó n de la
m e m o r i a . E l q u e aparece allí es el m i s m o q u e ( u n o r e c u e r d a que) es-
t u v o antes. H a y u n r e t o r n o c i r c u l a r de las figuras q u e g e n e r a la ilusión
de l a c o n t i n u i d a d e n el t i e m p o . S i n e m b a r g o , el t i e m p o i m p o n e sus
c a m b i o s erosivos sobre las i m á g e n e s . Proust d i c e en algún m o m e n t o
d e l a Recherche; " C u a n d o m i r a m o s el r o s t r o de u n a m u j e r q ue f u e bella
n o nos basta c o n l e e r los rasgos actuales; es necesario q u e los traduz-
c a m o s . " T a m b i é n e n el espejo se lee el f u t u r o : es u n i n s t r u m e n t o de
adivinación de l o q u e vendrá. L a catopíromancia es u n o de los pocos
recursos q u e t e n e m o s para p r e d e c i r l o q u e (nos) v e n d r á . L a sabiduría
p o p u l a r m a s c u l i n a h a e l a b o r a d o expresiones p r o v e r b i a l e s al respecto,
n o desprovistas de mi.soginia: "Si quieres saber cuál es la i m a g e n f u -
t u r a d e t u m u j e r n o la m i r e s a ella, m i r a a su m a d r e . " E l espejo, p o r
lo t a n t o , h a b i t a e n las tres d i m e n s i o n e s del t i e m p o y atraviesa los tres
t i e m p o s d e l v e r b o . Es u n a p e r c e p c i ó n e n e l presente, u n a l e c c i ón de
historia, u n a profecía confiable.
Q u i z á sobra decir, p o r o b v i o , q u e la m i r a d a de ese o t r o p u e d e con-
llevar el a m o r o e l o d i o o la i n d i f e r e n c i a . Si e l n i ñ o d e f i n e su i d e n t i -
d a d c o m p a r t i e n d o l o qu e el o t r o "ve" e n él c u a n d o le dice: " —Ese
q u e está e n e l espejo eres tú", la i d e n t i f i c a c i ó n c o n la i m a g e n conlle-
va l a v a l o r a c i ó n h e c h a p o r el a d u l t o d e l ser d e l n i ñ o . U n o es, en u n
p r i n c i p i o , l o q u e e l o t r o ve e n u n o , se m i r a c o n los ojos de ese o t r o .
E l espejo está así a b r u m a d o (o a l i g e r a d o ) p o r el f a r d o d e l a m o r o de
l a h o s t i l i d a d ajena. N o es i g u a l ser l a c r i a t u r a deseada q u e ser eso que
e l o t r o o d i a o t e m e . N o d a l o m i s m o ser aceptado tal c o m o se es que
r e c i b i r l a e x i g e n c i a de ser d i f e r e n t e , más allá i n c l u s o de c o m o u n o
VIRGINIA WOOLF 1Q3

pudiera llegar a ser. N o i m p o r t a q u é es u n o e n la r e a l i d a d ( ¿ q u i é n


sabría l o q u e u n o " v e r d a d e r a m e n t e " es?) sino l a c o m p a t i b i l i d a d o la
diferencia q u e p o d r í a h a b e r e n t r e u n o m i s m o y a q u e l l o q u e c o n s t i t u -
ye el i d e a l d e l o t r o . L a valoración narcisista (el a m o r a sí p r o p i o ) d e l
niño d e p e n d e de c o n t i n g e n c i a s i n g o b e r n a b l e s : si el o t r o l a m e n t a q u e
u n o sea u n a n i ñ a y q u i e r e q u e la i m a g e n q u e aparezca e n el espejo sea
la de u n n i ñ o o viceversa, si el o t r o l o qiñsiera a u n o r u b i o y n o m o -
reno, etc. El espejo no refleja, compara; c o m p a r a c o n la i m a g e n deseada
por el O t r o . M i d e y, p o r l o c o m ú n , e n c u e n t r a e n falta (wanting). Por
eso d e p r i m e . Creemos m i r a r l o c u a n d o es él q u i e n nos m i r a . Po r eso
es maravillosa la a m b i g ü e d a d de la l e n g u a inglesa c u a n d o p r o p o n e u n
sinóniirio para el espejo (mirror, miroir, e n f r a n c é s ) y es looking-glass.
El lector i n g e n u o se c o n f o r m a c o n escuchar: el v i d r i o (glass) e n el
que u n o se m i r a (looks at). Pero qvñen sabe i n t e r r o g a r al s i g n i f i c a n te
oye algo más: el looking-glass es e l cristal q u e nos m i r a . A l i c i a , la de
C a r r o l l , n o p o d r í a pasar a través d e l mirror Ell a atraviesa (goes through)
el looking-glass e n el d o b l e s e n t i d o , activo y pasivo, de la pulsión vistial.
Penetra e n el t e r r e n o desde d o n d e se la m i r a . E l espejo, descubre
Borges, nos acecha. I n d u c e la p a r a n o i a .
Se e q u i v o c a el a u t o r de Las flores del maF^ c u a n d o cree q u e p u e d e
i n t e r v e n i r sobre la i m a g e n d e l o t r o y e n d i l g a r l e sus p r e j u i c i o s . C u a n -
do B a u d e l a i r e ve a u n h o m b r e h o r r i b l e o b s e r v á n d o s e e n el espejo, l o
i n c r e p a y lo r e c r i m i n a p o r detenerse a m i r a r u n a i m a g e n a b o m i n a b l e .
A l o q u e el o t r o r e s p o n d e q u e , según los sacrosantos p r i n c i p i o s de la
revolución d e l '89, él tiene d e r e c h o a mirarse y q u e la cuestió n d e l
placer o displacer q u e e n c u e n t r a e n e l l o n o c o n c i e r n e más q u e a su
conciencia. Pero B a u d e l a i r e insiste e n su e q u i v o c a c i ó n . R e c o n o c e e n
el o t r o la razón j u r í d i c a p e r o cree q u e su protest a está f u n d a d a e n el
" b u e n s e n t i d o " . Su e r r o r es e l de creer q u e p u e d e p o n e r s e e n e l l u g a r
de la m i r a d a d e l " h o m b r e espantoso" q u e , ¿por q u é no?, b i e n p u d i e r a
estar m i r á n d o s e c o n los ojos de algún o t r o q u e l o ama, la m a d r e , p o r
e j e m p l o , p a r a la q u e , p r o v e r b i a l m e n t e , (casi) n o hay hijos feos. ¡Hay,
a la inversa, tantas j ó v e n e s bellas que s u f r e n de h i p o c o n d r í a estétic a y
a l i m e n t a n c o n ella a los c i r u j a n o s plásticos!
L a p o s i b i l i d a d de amarse a sí m i s m o y, p o r c o n s i g u i e n t e , de trans-
f e r i r ese a m o r hacia los d e m á s , reside e n el h e c h o p r i m a r i o , más allá

C h . B a u d e l a i r e [ 1 8 6 0 ] , CEuvres completes, P a r í s , G a l l i m a r d , L a P l é i a d e 197.5


p. 344.
104 VIRGINIA WOOLF

d e l c o n t r o l de cada sujeto, de ser a m a d o , a p r o b a d o , absuelto, p o r el


j u i c i o i n a p e l a b l e de ese O t r o f u n d a d o r y f u n d a m e n t a l q u e es la ma-
d r e . L a i n d i f e r e n c i a o el d e s p r e c i o de la m a d r e , t a n t o c o m o su amor,
p u e d e n ser la m a t r i z e n la q u e e l sujeto a d q u i e r e f o r m a y consistencia,
el espacio e n q u e el sujeto p u e d e llegar a regodearse, d i s f r u t a r o en-
venenarse c o n la i m a g e n de sí m i s m o .
L a i n n o v a d o r a p o s t u r a de L a c a n c u a n d o p r o m o v i ó el estadio del
espejo [ 1 9 4 9 ] h a t e n i d o u n a n o t a b l e i n f l u e n c i a e n los estudios sobre
la s u b j e t i v i d a d e m p r e n d i d o s desde entonces. Así l o r e c o n o c e q u i e n
supo agregar u n a n o t a decisiva al p o s t u l a d o l a c a n i a n o : D . W. W i n -
nicott.^"* Para este r e n o v a d o r d e l psicoanálisis de niños, "En el desa-
r r o l l o e m o c i o n a l i n d i v i d u a l el precursor del espejo es el rostro de la madre'
(cursivas e n el o r i g i n a l ) . C u a n d o el b e b é m i r a e l r o s t r o de la m a d r e
" p o r l o g e n e r a l se ve a sí m i s m o " . C u a n d o la m a d r e l o m i r a , él capta
la i m a g e n de l o q u e ella ve e n él. Si la m a d r e n o p u e d e r e s p o n d e r a
las expectativas e m o c i o n a l e s de los hijos, "ellos m i r a n y n o se ven a sí
m i s m o s " . C o m o consecuenci a se a t r o f i a e n ellos la capacida d creado-
r a y "buscan e n d e r r e d o r otras f o r m a s de c o n s e g u i r q u e el a m b i e n t e
les devuelva algo de sí".
L a expresión d e l rostro m a t e r n o tendría, siempre según W i n n i c o t t ,
u n a f u n c i ó n oracular. Si los b e b é s n o e n c u e n t r a n u n a c o n f i r m a c i ó n de
su existencia e n las expresiones de la m a d r e se e n c u e n t r a n p e r d i d o s :

Los hay que, atormentados por esta forma de insuficiencia relativa de la ma-
dre, estudian su voluble rostro en u n intento de predecir su estado de ánimo,
del mismo modo en que todos nosotros estudiamos el tiempo. Prontamente
el bebé aprende a formular un pronóstico: "Por ahora puedo olvidarme del
talante de m i madre y ser espontáneo, pero en cualquier momento su rostro
se endurecerá o cambiará de h u m o r y tendré entonces que renunciar a mis
necesidades personales pues, de otro modo, seré lastimado en lo más íntimo."
[...] Así tratado, el bebé crecerá sintiendo perplejidad ante los espejos y ante
lo que éstos pueden ofrecer. Si el rostro de la madre se muestra indiferente,
u n espejo será una cosa que se mira, no algo en donde uno mira (cit., p.
149).

D . W . W i n n i c o t t [ 1 9 6 7 ] , " P a p e l d e e s p e j o d e l a m a d r e y l a f a m i l i a e n el d e s a r r o l l o
d e l n i ñ o " , Realidad y juego [ 1 9 7 1 ] , B u e n o s A i r e s , G r a n i c a , 1972, p p . 147-155. t r a d . d e F.
M a z í a . L a t r a d u c c i ó n — d e p l o r a b l e — h a s i d o s u s t a n c i a l m e n t e c o r r e g i d a , cf. Playingand
reality, L o n d r e s , T a v i s t o c k , 1 9 7 1 , p p . 111-118.
VIRGINIA WOOLF 105

L a m e n t e m o s , p o r n u e s t r a p a r t e , q u e W i n n i c o t t n o se haya d e t e n i -
do a d i s t i n g u i r l o p e c u l i a r d e las reacciones d e las niñas ante el r o s t r o
de sus madres, p r i m e r o , y d e los espejos después, e n c o m p a r a c i ó n c o n
los varones. Él d e s e c h ó u n a perspectiva q u e hubiese sido f e c u n d a y,
tal vez, nos c o r r e s p o n d a a nosotros, sus lectores, c o m p l e m e n t a r su ar-
tículo c e n t r a d o e n la m i r a d a m a t e r n a c o m o p r o p u l s o r a d e l d e s a r r o l l o
e m o c i o n a l de los niños. A u n c u a n d o W i n n i c o t t n o d i s t i n g u e los casos
de varones y mujercitas , la i m p o r t a n c i a de la m i r a d a d e la m a d r e es
ilustrada p o r c u a t r o casos q u e él e x p o n e y los c u a t r o s o n de m u j e r e s
adultas. U n a d e ellas, e v i d e n t e m e n t e u n a psicoanalista, es a l g u i e n q u e
ha leído e l trabajo d e L a c a n sobre e l estadio d e l espejo " p e r o n o es
capaz todavía d e establecer e l n e x o q u e yo m e siento e n c o n d i c i o n e s
de hacer e n t r e e l espejo y l a m i r a d a d e la m a d r e . " E l c a m i n o q u e esta-
mos p r i v i l e g i a n d o , e l d e l estiadio d e ínfimo s papeles at<tobiográficos,
podría a b r i r e l paso para d e s c u b r i m i e n t o s cruciales e n la s e x u a c i ó n
a través d e los espejos y d e ese p r e c u r s o r d e los espejos, t a n i m p r e s -
c i n d i b l e c o m o i m p r e d e c i b l e , t a n inestable c o m o e l t i e m p o , q u e es la
mirada de la madre.
Esta adición d e W i n n i c o t t al d e s c u b r i m i e n t o d e L a c a n ( q u i e n , a su
vez, se basó e n H e n r i W a l l o n ) es m e d u l a r p a r a adentrarse e n los re-
cuerdos d e las tres escritoras qtie a b o r d a m o s . Ellas p o n e n e n e v i d e n -
cia tres avatares p a r a d i g m á t i c os d e la r e l a c i ón especial d e las m u j e r e s
c o n e l espejo y c o n l a escritura, r e l a c i ó n q u e resulta ser disünta d e la
que g u a r d a n los h o m b r e s c o n el looking-glass.

3. M A R T H A R O B L E S Y L A F O B I A A L E S P E J O : P R E F E R I R Í A N O V E R M E

Mis c o m e n t a r i o s y conchisiones sobre e l p r i m e r r e c u e r d o d e J u l i o


Cortázar (cf. c a p í t u lo 2) f u e r o n conocidos'^ p o r u n a b t i e n a a m i g a , l a
destacada escritora m e x i c a n a M a r t h a Robles. E n ella a c t u a r o n c o m o
u n g a t i l l o q u e disparó u n r e c u e r d o arcaico, p o s i b l e m e n t e el i n a u g u -
ral, u n r e c u e r d o q u e c o n f i r m a y, a m i m o d o d e ver, e n r i q u e c e la p r o -
puesta d e Cortázar sobre l a relación e n t r e l a angustia ("la m e m o r i a

N . A . B r a u n s t e i n , " F i c c i o n a r i o " , e n Excélsior, M é x i c o , 26 d e m a y o . 2, 9, 16, 2?> y 30


de mayo d e 2001.
M a r t h a R o b l e s es c e l e b r a d a c o m o novelista, ensayista y periodista. A u t o r a d e m u -
c h o s l i b r o s . E n t r e s u s n o v e l a s c a b e d e s t a c a r La condena ( M é x i c o , F C E , 1996) y La ley del
padre ( M é x i c o , F C E , 1 9 9 8 ) .
106
VIROINIA WOOLF

e m p i e z a e n el espanto") y la c a p a c i d a d de crearse a sí m i s m o como


u n "yo autobiográfico". E s t i m u l a d a p o r el t e s t i m o n i o d e l a u t o r de Rayue-
la, M a r t h a Robles r e c o r d ó y c o n c i b i ó u n e s p l é n d i d o t e x t o q u e arroja
nuevas luces sobre aspectos clásicos de la teoría psicoanahtica , parti-
c u l a r m e n t e las c o n c e p c i o n e s lacanianas, las q u e revisamos al recordar
a V i r g i n i a W o o l f y sus visiones de la i n f a n c i a q u e r e l a c i o n a m o s en el
c a p í t u l o a n t e r i o r c o n las ideas de R. D . W i n n i c o t t , sobre el estadio del
espejo, es decir, sobre la r e l a c i ó n q u e cada u n o de nosotros guarda
c o n su p r o p i a i m a g e n a través d e l p r i m e r espejo q u e es la m i r a d a de
la m a d r e . A p r o v e c h e m o s y agradezcamos la generos a l i c e n c i a que la
a u t o r a nos c o n c e d e p a r a citar a m p l i a m e n t e su n a r r a c i ó n e n los mo-
m e n t o s e n q u e p o d a m o s resistir a la t e n t a c i ó n de parafrasearla.
¿Qtié nos dice? P r i m e r o , r e c o n o c e u n efecto q u e llamaré " r e d e n t o r "
p a r a ella de la l e c t u r a d e l p r i m e r r e c u e r d o de Cortázat. M e explico :
c u a n d o Robles era p e q u e ñ a , ''infans", sin alcanzar a ú n la p a l a b r a , tuvo
u n a e x p e r i e n c i a i n t e r i o r , i n c o m u n i c a b l e , s o b r e c o g e d o r a , q u e dejó en
ella u n a i m p r o n t a i n o l v i d a b l e . E l a c o n t e c i m i e n t o f u e u n v e r d a d e r o
episodio, n o u n a sensación i n t e n s a d e l t i p o de la epifanía, incapaz de
t r a n s f o r m a r s e e n r e l a t o. A l g o así c o m o u n t e r r e m o t o en el suelo i n -
f a n t i l q u e supuestamente se e s c a p ó de la c o n c i e n c i a p o r q u e restiltaba
i m p o s i b l e i n t e g r a r l o c o n el c o m p l i c a d o armatoste p a r a encasillar el
espanto q u e l l a m a m o s lenguaje. E l r e c u e r d o de ese " m o m e n t o d e l ser"
estaba, p o r supuesto, desde antes de leer l o d e l g a l l o de Cortázar, p e r o
era inaccesible p a r a ella. ¿ C ó m o h u b i e r a , si n o , p o d i d o recobrarlo?
Estaba "allí" ( ¿ d ó n d e ? ) , s e p u l t a d o e n su m e m o r i a p e r o " r e p r i m i d o " ,
m u y lejos d e l o l v i d o , listo p a r a saltar a la luz de la c o n c i e n c i a c u a n d o
topase c o n su m a g d a l e n a , c o n u n d i s p a r a d o r a d e c u a d o {retrieval cue)
c o m o l o f u e r a la c u n a para G a r c í a M á r q u e z . R e c i b i ó M a r t h a Robles
m i s p r i m e r a s y a ú n proteicas r e f l e x i o n e s e n unas notas periodísticas
( " í n f i m o s papeles") cuyo t e m a era la e v o c a c i ó n de C o r t á z a r n i ñ o , co-
i n c i d i ó c o n la m e t á f o r a de u n p r i m e r r e c u e r d o a t e r r a d o r c o m o hue-
so de la m e m o r i a a p a r t i r d e l c u a l a l g u i e n llega a existir y vishimbró
q u e p o d í a r e c u p e r a r , e n f r e n t a r y d a r f o r m a de r e l a t o l i t e r a r i o a ese,
su p r i m e r e n c u e n t r o c o n l o o m i n o s o . E n c a d e n a d o a la i m a g i n a c i ó n
p o é t i c a , el suceso p u d o así emancipars e de las cadenas d e l o l v i d o (de
l a r e p r e s i ó n , p a r a ser exactos) e integrarse al r e g i s t ro de su m e m o r i a
o f i c i a l . Se a b r i ó c a m i n o hacia la escritura, en d o n d e a h o r a vive. Vaga-
b a i r r e d e n t o ; f u e " r e d i m i d o " . A p a r t i r de los efectos " m e d i c i n a l e s " d e l
h a l l a z g o d e l e p i s o d i o de Cortázar c o n e l g a l l o m a t i n a l , M a r t h a Robles
VIRGINIA WOOLF 107

intuye — p r o m u l g a , me atrevería a d e c i r — u n a asimilación f e c u n d a :


la d e l precoz r e c u e r d o r e c o b r a d o c o n el o r á c u l o . L o d e c i m o s sin o l -
vidar, n i p o r u n instante, q u e los oráculos son s i e m p r e retroactivo s
(nachtráglich, aprés-coup, a posteriorí), Habrán sido oráculos una vez que se
hayan cumplido de m a n e r a l i t e i a l o ñgurada.
El o r á c u l o es u n a e x p r e s i ó n oscura, misteriosa, q u e p o r t a e n sí la
cifra de u n d e s t i n o . C i f r a q u e t a m b i é n lleva —es ella q u i e n así l o i n -
(.^ye el p r i m e r r e c u e r d o . C o n u n a d i f e r e n c i a destacable: el o r á c u l o
es u n mensaje e n i g m á t i c o q u e a p u n t a hacia a d e l a n t e e n la flecha d e l
tiempo m i e n t r a s q u e la evocació n d e l pasado i n f a n t i l revela al d e s t i n o
moviéndose e n reversa; m u e s t r a e n el pasado, p o r la gracia de la m e -
m o r i a , los signos q u e d a n c o h e r e n c i a a la vida.

Profecía hacia atrás o adivinación del revés. A l igual q u e la profecía, c i f r a d o


también, el r e c u e r d o cobra su cabal significación al a b a n d o n a r su e n m u d e c i -
m i e n t o i n t e r i o r [ . . . ] P o r e n t e n d e r l a r e v e l a c i ó n d e l a y e r se v i s l u m b r a n t a m -
b i é n e l hc^y y e l r u m b o d e l p o r v e n i r . A s í , c o n j ^ r o c e d i m i c n t o s s i m i l a r e s a u n -
q u e d e s d e d i r e c c i o n e s c o n t r a r i a s , se j u n t a n e l e s c l a r e c i m i e n t o d e l a m e m o r i a
y la f u n c i ó n d e l o r á c u l o .

M a r t h a Robles c o n c u e r d a c o n la p r e s u n c i ó n f r e u d i a n a ya c i t a d a
( c o m o e p í g r a f e ) acerca d e l c a r á c t e r decisivo d e l p r i m e r r e c u e r d o
para la v i d a d e l ser e n f o r m a c i ó n , c e r r a j e r o capaz de a b r i r los a r m a -
rios secretos d e l a l m a . E l l a se atreve a i r más allá: sostiene q u e el " h u e -
so de la m e m o r i a " f u n c i o n a c o m o u n o r á c u l o r e t r o a c t i v o , u n p u n t o
a p a r t i r d e l c u a l ella p o d r í a leer la c i f r a de su d e s t i n o , f u n d a r s e a sí
misma, f u s i o n á n d o s e c o n su p r o p i o m i t o . Se i m p l a n t a e l fantasm a de
la c o n t i n u i d a d : soy la p l a n t a , f u i la semilla, seré el f r u t o . R e c o r d a r es
viajar hacia la s e m i l l a y a n t i c i p a r e n ella el sabor de la f r u t a . Es regalar-
se c o n u n a c o h e r e n c i a n a r r a t i v a q u e , antes de r e c i b i r e l p e r m i s o p a r a
recordar, c o n d e n a b a la m e m o r i a d e l e p i s o d io al ostracisiTio. Pero, si
Cortázar tiene razón, si el espanto está e n el c o m i e n z o de la m e m o r i a ,
n o c u a l q u i e r a , n o s i e m p r e, está listo p a r a el r e e n c u e n t r o c o n ese e m -
brión de la m e m o r i a . Así c o m o v o l a r es para los pájaros, r e c o r d a r el
o r i g e n es p a r a los intrépidos . O i g a m o s a M a r t h a Robles:

A l leer el p r i m e r r e c u e r d o de J u l i o Cortázar, t a m b i é n yo r e c o r d é . V i l o q u e
sabía sin saber. E r a p e q u e ñ a . T a n t o , q u e los r o p e r o s d e tres l u n a s q u e había
e n la casa d e m i s a b u e l o s p a r e c í a n t a n altos q u e n o t e n í a n fin. Quizá deam-
108 VIRGINIA WOoiííi'

b u l a n d o e n u n a a n d a d e r a , g a s t a b a e l r a t o d t - l st^l a r d i e n t e y e n d o d e a q u í p a r a
allá, m i e n t r a s los a d u l t o s h a b l a b a n . Ay^retaba el c h u p e t e d e u n b i b e r ó n entré
los d i e n t e s c u a n d o , e n u n o d e los c t i a r t o s m á s l u m i n o s o s , m e q u e d é m i r a n d o
m i p r o p i o r e f l e j o . S e n t í p á n i c o . N o s é si f t i e l a r g o o c o r t o e l i n s t a n t e , p e r o rné {
d i c u e n t a d e l p a v o r d e s e r y n o s e r l a <\\ic e s t a b a a l l í a d e n t r o , e n u n a t e r r a d o r
e s p e j o . T o d o o c u r r i ó c o m o e l r a y o , c o m o si d e s c u b r i r e l e s p e j o y m i p r o p i a
d u p l i c a c i ó n f u e r a n u n a y l a m i s m a cosa. N o e n t e n d í a n a d a , salvo q u e u n a yo
—o i n t u i d a c o m o y o — e s t a b a a t r a p a d a e n t i n a d e las l i m a s d e ese r o p e r o y
también m e m i r a b a . Grité. L u e g o lloré. M e f u i y regresé, pero era tanto m i l
m i e d o cjtte, d e s d e e n t o n c e s , m e d i o p o r r o d e a r e l p a t i o p a r a n o t e n e r q u e pa-
sar p o r " e s o " q u e s ó l o y o s a b í a y q u e m e h a b í a e n s e ñ a d o a c o n o c e r e l t e r r o r .

Este es el r e c u e r d o qtie M a r t h a Robles t e n í a y n o tenía, "sabía sin


saber". C o m o d i j i m o s e n los casos anteriores , UJS matices de su relato
están f o r r a d o s de i n t u i c i o n e s expresivas q u e m u e s t r a n la verosimili -
t u d de la e x p e r i e n c i a (la narrativa, n o la r m / q u e es i n s o n d a b l e ) y que
l o h a c e n e j e m p l a r . El r e c u e r d o es angustiante )lsu consectiencia es u n
s í n t o m a , c o n c r e t a m e n t e , u n a f o b i a a los espejos, q u e algún especia-
lista e n palabras d o m i n g u e r a s llamará ''ei.soptrofobia'\a e v o c a c i ó n de
C o r t á z a r f u e capaz de d e s e n c a d e n ar el r e c u e r d o de Robles l i b e r a n d o
su mensaje de insanable d e s o l a c i ó n .
V o l v a m o s a nuestros " í n f i m o s papeles". T a m b i é n los q u e nosotros
e s c r i b i m o s — e n este caso e r a n notas periodísticas q u e n a u f r a g a n al
d í a s i g u i e n t e e n t r e l o q u e n a d i e g u a r d a n i relee, acerca de l a m e m o -
r i a de o t r o (Julio C o r t á z a r ) — p u e d e n actuar c o m o d e t o n a d o r e s de
r e c u e r d o s sepultados, p u e d e n caer i m p e n s a d a m e n t e e n u n espíritu
p r e p a r a d o p a r a r e c i b i r el mensaje y a b r i r e n él u n claro e n los bosques
de la m e i n o r i a . L a sencilla p r e g u n t a : "¿Cuál es t u p r i m e r r e c u e j d o ? " ,
f o r m u l a d a e n c o n d i c i o n e s favorables de d i á l o g o , llega a ser u n apara-
to c o n s t r u c t o r de la m e m o r i a , si no de la infancia, sí acerca de la infancia
d i s t a n t e y p a r a siempr e p e r d i d a . Los ínfimos papelitos de esas escue-
tas a n o t a c i o n e s d e s e n c a d e n a r o n , p r i m e r o , la r e d a c c i ó n de u n c o r r e o
electrónico, luego — p u e d e que incitada p o r mí, p e ro respondiendo a
u n m a n d a t o i n t e r i o r — la de u n e l o c u e n t e a r t í c u l o i m p r e s o q u e llegó
a ser o t r o " í n f i m o p a p e l " d e s t i n a d o a la c o r t a v i d a de u n s u p l e m e n t o
c u l t u r a l de d o m i n g o m e x i c a n o . I m p r e v i s i b l e e n stis c a m i n o s , a r d u a .

'~ M . R o b l e s , " E l p r i m e r r e c u e r d o . Su d o b l e espejo", M é x i c o , Arena, suplemento


c u l t u r a l d e Excélsior, d o m i n g o 3 de j u n i o d e 2 0 0 1 .
VIRGINIA WOOLF
109
es la l u c h a c o n t r a el o l v i d o y la i n d i f e r e n c i a e n la q u e nos e m p e ñ a m o s
los g r a f ó m a n o s q u e pescamos las botellas echadas al m a r p o r los viaje-
ros p e r d i d o s en el h o y o n e g r o q u e l l a m a m o s amnesia i n f a n t i l .
H e m o s i n s i n u a d o q u e el r e c u e r d o de M a r t h a Robles estaba enca-
denado c o m o P r o m e t e o a su roca, esperand o la visita c o t i d i a n a d e l
águila carnívora, p e r o presta t a m b i é n al e n c u e n t r o c o n la casuahdad
o la causalidad de u n e n c u e n t r o c o n o t r a m e m o r i a , e n este caso la
del n i ñ o a t e r r o r i z a d o p o r el canto de u n águila domesticada, l l a m a d a
gallo, q u e le p e r m i t i e s e t o m a r su l u g a r e n el m u n d o de las palabras.
Valdrá la p e n a c o m p a r a r , establecer s i m i l i t u d e s y diferencias.
Calificamos c o m o t r a u m á t i c o a l o i n a s i m i l a b l e , a l o q u e n o se p u e -
de " t r a g a r " n i metabolizar, l o q u e n o se i n t e g r a n i se p u e d e c o n c i l i a r
con el " y o " . A la m e m o r i a c u a n d o es hostil al sujeto. R e f i r i é n d o s e al
e n c u e n t r o c o n e l espejo p a r a el q u e M a r t h a Robles n o estaba p r e p a -
rada ella d i c e :

Los límites i n t e r p r e t a t i v o s de aquella n i ñ a n o abarcaban la f a m i l i a r i d a d de u n


espejo. Sin p o s i b i l i d a d d e agregarse a la p r o p i a ficción, la experiencia trazó
de m a n e r a s u b v e r s i v a su m e n s a j e o r a c t d a r : c i f r ó m i h i s t o r i a .

L a p e q u e ñ a a t e r r o r i z a d a f r e n t e al espejo es — c o m o J i n n y S t e p h e n
respecto de V i r g i n i a W o o l f — el ancestro de la escritora q u e se e n c o n -
tró c o n u n r e c u e r d o de Cortázar y p u b l i c ó la vivida d e s c r i p c i ó n de su
r e c u e r d o . ¿Por q u é " e l ancestro"? ¿No es acaso u n a y la misma? E l l a
destaca la d i f e r e n c i a : " E n t r e la f e c h a d e l e p i s o d i o y la l e c t u r a de l o
que m e p e r m i t i ó recordar, cabe l a p a l a b r a q u e m e d e f i n e , el l e n g u a j e
que m e ha h e c h o ser la q u e soy." P r e s t é m o s l e algunas palabras ( c o m o
si n o las tuviese suficientes) u s u r p a n d o su l u g a r de a u t o r a :

N o ; n o soy a q u é l l a . L a q u e a h o r a soy v i n o d e s p u é s , c u a n d o , e n t r e a q u e l e p i -
s o d i o s i n i e s t r o y e l d í a d e h o y se i n t e r p u s o e l e s p e s o m a n t o d e ! l e n g u a j e , de
los s i g n o s q u e m e p e r m i t e n t r a d u c i r e l a n t i g u o p á n i c o e n esta s u c e s i ó n de
s o n i d o s q u e a s p i r a n a la e x a c t i t u d p o é t i c a .

C o r r a m o s el a l b u r de u n a hipótesis que h a r í a u n c o n j u n t o c o n este


r e c u e r d o y c o n los q u e a ú n d e b e m o s de L e i r i s y Perec.^^ E l t r a u m a t i s -
m o d e l e s p e c t á c u l o de su p r o p i a d e s o l a c i ó n , de su d e s a m p a ro f r e n t e a l

D e u d a s q u e s e r á n l a sustancia d e los c a p í t u l o s 11 y \2.


110
VIRGINIA WOOLF
espejo, n o es u n e p i s o d i o e n ese h o y o n e g r o d e l q u e acabamos de
hablar. N o es u n instante p e r d i d o e n ese p e r i o d o inasible que trans-
c u r r e e n t r e el n a c i m i e n t o y los c i n c o años, si t o m a m o s e n c u e n t a la
l e c c i ó n de T o l s t o i acerca de las dos e t e r n i d a d e s , u n a a n t e r i o r al p r i -
m e r v a g i d o , o t r a p o s t e r i o r al ú l t i m o stispiro, q u e en\aielven el breve
i n t e r l u d i o de nuestras vidas. N o . " E l espeso m a n t o de las palabras"
se c o n s t r u y ó e n Robles p a r a amansar y d o m e s t i c a r la v o r a c i d a d de la
i m a g e n d e l d e s a m p a r o . Su d e s p r o t e c c i ó n , c o m o la de Cortázar, tenía
q u e ser tapizada c o n a l g o d ó n p a r a n o q u e d a r p o r s i e m p r e atrapada
e n el a c c i d e n t e d e l d u r o c h o q u e c o n t r a el espejo e n e m i g o q ue le de-
vuelve, a b o l l a d a y sin p i e d a d , su p r o p i a i m a g e n . El trauma del espejo es el
trauma del nacimiento al lenguaje, a la f u n c i ó n de la p a l a b r a que rescata
al ser e n ciernes s a c á n d o l o de la a t m ó s f e r a de objetos inertes q u e lo
r o d e a n y l o c o n v i e r t e n en u n " y o " . E n el caso de Robles — y en tantos
o t r o s — el t r a u m a se m a g n i f i c a p o r la i n d i f e r e n c i a de los adultos.
L a r e c u p e r a c i ó n d e l r e c u e r d o f u n c i o n a c o m o u n a p r o f e c í a qu e va-
t i c i n a la v i d a p r o c e d i e n d o desde las t i n i e b l a l de u n pasado r e m o t o v
de u n i m p r e v i s i b l e f u t u r o . A h o r a ella p u e d e d e c i r c o n otras palabras
q u e — n u e v a m e n t e — me p e r m i t o i n t e r p o l a r en su t e x t o a r r o g á n d o -
m e el uso de u n a p r i m e r a p e r s o n a d e l singular q u e , p o r c i e r t o , estoy
usurpando

Soy la consecuencia de m i pánico infantil; cuanto vivo y hago — m i escritu-


r a — es u n intento alambicado para continuar escapando del fantasma de mí
misma que me asaltó y aterró en aquella tarde de calor y sombras resplande-
cientes.

Los a d u l t o s (¿los padres?) a c u d i e r o n p a r a a p o r t a r consuelo al o t r o


n i ñ o , a J u l i o Cortázar. L o a r r u l l a r o n , se q u e d a r o n horas c o n él, le
h a b l a r o n , ie e x p l i c a r o n , le d i e r o n n o m b r e s y palabras y compusie -
r o n p a r a él la o n o m a t o p e y a d e l c a n t o d e l g a l l o t r a t a n d o de hacerle
e n t e n d e r q u e n o d e b í a temer, q u e disponía de la lana, la seda y el
a l g o d ó n de las palabras p a r a revestir su desnudez ante l o d e s c o n o c i d o
y p a r a acallar la i n f e r n a l m a q u i n a r i a q u e se p u s o e n m a r c h a , según él
s u p o n e , e n a q u e l l a m a d r u g a d a de 1917. Pasó d e l espanto a la música.
M a r t h a Robles, en c a m b i o , nos d i c e q u e su e x p e r i e n c i a tuvo l u g a r
" m i e n t r a s los adulto s h a b l a b a n " , i n d i c a n d o q u e n o p a r a b a n mientes
e n ella. Las andaderas son aparatos p a r a que el tiiño p u e d a moverse
solo y hacerse i n d e p e n d i e n t e . S o n, a l m i s m o t i e m p o , u n i n s t r v i m e n t o
VIRGINIA WOOLF
111
que p e r m i t e a los mayores quitarse el estorbo de t m a i n c ó m o d a p r e -
sencia i n f a n t i l . Robles nos c o n f í a q u e ella era u n a , u n a más e n u n a
larga sucesión de h e r m a n o s q u e p a r e c í an n o i m p o r t a r p a r a n a d i e ,
la última de varias h e r m a n a s antes de c o m e n z a r c o n la serie de los
hermanos; u n o , acaso dos, h a b í a n ya n a c i d o c u a n d o el e p i s o d i o d e l
espejo. ¿ Q u é p o d í a n i m p o r t a r entonces los l l a n t os y pataleos, el r u i d o
y el f u r o r de la c h i q u i l l a ?
Si a Cortázar le i n y e c t a r o n las palabras t r a n q u i l i z a n t e s , a Robles l a
dejaron sola y asustada, d e s p r o t e g i d a . Quizás ella p r e s e n t í a q u e na-
die e s c u c h a r ía su gñto, el de u n M i m c h e n andaderas. Las palabras
\/inieron después. H u b o q u e inventarlas c u a n d o n o robarlas y tejer
con ellas la r o p a que abrigase el desaliento d e l espíritu q u e s o b r e v i n o
c u a n d o vislumbró que la n i ñ a i n e r m e q u e la c o n t e m p l a b a desde el
o t r o l a d o d e l espejo era u n d o b l e d e l que ya n u n c a p o d r í a separarse,
una a c o m p a ñ a n t e perpetvra, u n a p e r s e g u i d o r a q u e llevaba c o n s i g o la
misma d e s o l a c i ó n , la m i s m a r a b i a , que ella t e n í a : " A p r e t a b a el c h u -
pete de u n b i b e r ó n entre los dientes c u a i d o m e q u e d é m i r a n d o m i
p r o p i o r e f l e j o . Sent í p á n i c o . " Asisdmos así al a l u m b r a m i e n t o d e l Do-
ppelgiinger, a n i m a d o r de tantas obras literarias.
M a r t h a Robles n o veía t a n solo su p r o p i a i m a g e n . E n el espejo se
reflejaban t a m b i é n dos objetos p u e r i c u l t u r a l e s , p r o d u c t o s de l a i n d u s -
tria h u m a n a q u e fabrica andaderas y b i b e r o n e s p a r a q u e el n i ñ o se
las a r r e g l e sin los brazos y sin los pechos de l a m a d r e . P e r d i d a c o m o
Cortázar e n la i n m e n s i d a d , ante espejos (tres t a m b i é n , c o m o e n Bor-
ges) q u e se c o n t i n ú a n hacia a r r i b a sin e n c o n t r a r su t e c h u m b r e , ante
ventanales q u e l l e g a n al c i e l o vacío y sin f o n d o , e n u n a b i s m o q u e se
e x t i e n d e hacia l o alto, el ser i n c i p i e n t e se revela e n su n i m i e d a d , e n
su t o t al d e s a m p a r o . L a a n d a d e r a y el c h u p e t e m o r d i d o c o n desespe-
ración r e v e l a n la rabia p o r la ausencia de los o t r o s , interesados t a n
sólo e n l o q u e sucede e n el a n c h o y ajeno m u n d o de ellos m i s m o s .
Gexvorjenheit de la c r i a t u r a a r r o j a d a a la vida.
Por la falta de una m i r a d a amorosa (la de la m a d r e c o m o p r i m e r es-
pejo, nos e n s e ñ ó W i n n i c o t t ) , n o p u d i e n d o a m a r l o q u e m u e s t r a n esas
lunas de cristal, q u e d a la p o s i b i l i d a d de i d e n t i f i c a r s e c o n esa i m a g e n
depuesta, degradada, de r e s i d u o o e x c r e m e n t o d e l deseo d e l O t r o .
Tal es el m u y f r e c u e n t e d e s t i n o de h o m b r e s y m u j e r e s q u e l l e v a n la
vida s o p o r t a n d o la carga de llegar al m u n d o sin el v i e n t o f a v o r a b le d e l
deseo de la m a d r e que e n c o n t r a r o n G o e t h e y F r e u d , sea p o r su t e m -
p r a n a desaparición c o m o s u c e d í a c o n Rousseau, Y o u r c e n a r o T o l s t o i ,
112 VIRGINIA WOOLF

sea p o r llegar c o m o estorbos u objetos despreciables p o r u n a u otra


l a z ó n e n r e l a c i ón c o n el deseo ( i n c o n s c i e n t e ) de esa m a d r e , ancestro
de los espejos. Así creemos q u e p o d e m o s leer el p á n i c o de M a r t h a
Robles ante su p r o p i a f i g u r a :

Me quedé mirando mi propio reflejo. Sentí pánico. No sé si fue largo o cor-


to el instante, pero me d i cuenta del pavor de ser y no ser la que estaba allí
adentro, en u n aterrador espejo, [ha propia efigie, aún en el espanto, es cau-
tivadora] [...] Me quedé m i r a n d o . . . me f u i y regresé... ¿Por cuánto tietnpo?
¿Fue corto o largo el instante? [...] No lo sé.

E l lenguaje parece i m p r e c i s o , ¿ c ó m o u n instante p o d r í a ser l a r g o


sin c o n t r a d e c i r a su d e f i n i c i ón m i s m a q u e s u p o n e la fugacidad? Si la
s i e m p r e diáfana e s c r i t u ra de n u e s t r a a m i g a i n c u r r e e n este t i t u b e o ,
e n este o x í m o r o n de u n "instante l a r g o " , es p o r q u e nos i n c u m b e a
n o s o t r o s e n c o n t r a r su precisa v e r d a d . Fue u n instante , el instante de
la m i r a d a , p e r o ese instante inatiguró e l t i e m j i o , el t i e m p o para c o m -
p r e n d e r . N o h a b í a " e l t i e m p o " antes de ese e n c u e n t r o sorpresivo c o n
u n a n i ñ a apresada e n los rígidos m a r c o s d e l espejo de u n r o p e r o . E n
ese m o m e n t o c o m e n z a r o n los largos a ñ o s de latencia, d e l r e c u e r d o ;
se volvió constante la acechanza d e l h o r r o r después d e l p r i m e r en-
c u e n t r o c o n la i m a g e n de sí. N o f u e de o l v i d o su d e s t i n o . E l instante
se volvió i n m u n e al t i e m p o , f u e el m a n a n t i a l de u n e t e r n o r e t o r n o ,
c o m o el d e l águila p r o m e t e i c a , sin antes n i después, hasta q u e , leyen-
d o a l g o sobre e l r e c u e r d o de Cortázar, p u d o acabar e l t i e m p o para
c o m p r e n d e r y llegó el m o m e n t o decisivo, el m o m e n t o de concluir.^^
M a r t h a Robles p o n e u n e p í l o g o al " p r o l o n g a d o i n s t a n t e " de su i n f a n -
cia p o r m e d i o de u n acto de escritura, la de estas p r o l i j a s páginas que
nos r e m i t e y cuyo s e n t i d o d e s e a r í a m o s d e s e n t r a ñ a r y desplegar. L a
diégesis, el acto de c o n t a r u n a h i s t o r i a , t o m a n d o distancia d e l p r o p i o
personaje, es catártica.'^**
Su v i d a , a p a r t i r d e l e n c u e n t r o i n f o r t u n a d o c o n la i m a g e n especu-
lar, t i e n e t m a c o n d i c i ó n , u n a c o n d i c i ó n f ó b i c a . H a b r á de vivir recha-

J. L a c a n [ 1 9 4 5 ] , " E l t i e m p o l ó g i c o y e l a s e r t o d e c e r t i d u m b r e a n t i c i p a d a . U n
n u e v o s o f i s m a " , e n Escritos I, c i t . , p p . 187-203.
S o b r e el c o n c e p t o d e diégesis ( e n o p o s i c i ó n a m i m e s i s ) t a n i m p o r t a n t e e n la
n a r r a t o l o g í a c o n t e m p o r á n e a , cf. G . G e n e t t e , Figures ii, 1969 y P. R i c o e u r , Temps et récit,
n, 1984. S u o r i g e n : P l a t ó n , La República, l i b r o i i i ( 3 9 5 a - 3 9 7 d ) y A r i s t ó t e l e s , Poética, cap.
3 (1447a-1448b).
VIRGINIA WOOLF 113

zando c o n angustia y s u f r i e n d o reacciones de i n t o l e r a n c i a y autoinmu-


nidad ante la p r o p i a i m a g e n , M a r t h a Robles sólo l o g r a r í a c o n t i n u a r
con su existencia si c o n s e g u í a escapar de ia v i g i l a n c i a p e r p e t u a y agre-
siva de los espejos q u e p o d í a n d e v o l v e r l a a ese m o m e n t o e n q u e es
cazada p o r la m i r a d a d e l o t r o , p o r los marcos de las lunas de v i d r i o ,
por expresiones objetivantes, ctialesquiera fuesen, p o r ' j u i c i o s " q u e
encarcelan e n j a u l a s invisibles e i n f r a n q u e a b l e s , p o r " i n t e r p r e t a c i o -
nes" r e d u c t o r a s y l i m i t a n t e s , p o r a f i r m a c i o n e s invasoras q u e p r e t e n -
dan d e c i r l e "así eres tú". F ó b i c a era, t a m b i é n , la r e a c c i ó n de V i r g i n i a
Woolf, e n sti caso, ante el h e c h o de ser vista c o m o m u j e r o e x h i b i e n d o
actitudes f e m e n i n a s f r e n t e a la sorpresiva m i r a d a d e l o t r o : Stephen -
W o o l f acata, p o r e j e m p l o , la p r o h i b i c i ó n i n t e r i o r i z a d a de espolvo-
rearse la n a r i z , de probarse ropas. C u a n d o llegue el ú l t i m o c a p í t u l o,
acerca d e l g é n e r o a u t o b i o g r á f i c o , veremos q u e la e s c r i t u r a es, quizás,
el m o d o m á s efectivo de escapar de los espejos-espías: c r e a n d o —^y n o
r e c i b i e n d o — e l p r o p i o r o s t r o e n u n a riesgosa a v e n t u r a d e l ser q u e se
llama p r o s o p o p e y a . |
El o t r o es u n a m i r a d a q u e clava y diseca, u n espejo, u n p e l i g r o d e l
que sólo cabe protegerse d a n d o rodeos . Borges, tan e m p a v o r e c i d o
c o m o M a r t h a Robles, busca la r e p e t i c i ó n de su espanto p a r a d o m e s t i -
car el t r a t i m a , r e s p o n d e c o n u n a c o m p u l s i ó n de aparecer y desapare-
cer c o n e l p e s t a ñ e o y p i d e la ceguera p a r a escapar de m a n e r a drástica
y d e f i n i t i v a . V i r g i n i a W o o l f , se busca y se e n c u e n t r a c o n ella m i s m a
through the looking-glass p e r o t a m b i é n se t o p a c o n l a c u l p a y c o n l a
vergüenza p o r el goce misterioso q u e la i n v a d e . M a r t h a Robles h u y e .
L l e g o a c r e e r q u e los tres se r e f u g i a n e n la escritura.

H a s t a d e s c i f r a r ese e v e n t o r e m o t o (es d e c i r , h a s t a h o y ) n o m e p e r c a t é d e q u e
n u n c a c o n c i l i é ese p r i m e r e n c u e i i t r o c o n m i r e f l e j o . C a s i p r e s c i n d i b l e , c r e c í
alejada d e la " a g r e s i ó n " d e l espejo. A la f e c h a lo e v i t o . . .

Esa e x p e r i e n c i a estaba p r i v a d a "de la p o s i b i l i d a d de agregarse a la


p r o p i a ficción" y, p r e c i s a m e n t e p o r eso, "cifró m i h i s t o r i a " . ¿ Q u é nos
sugiere Robles e n u n s e n t i d o ya n o p e r s o n a l sino universal? Cada u n o
c o n s t r u y e u n a ficción de sí m i s m o a l r e d e d o r d e l " y o " ; esa n a r r a c i ó n
es la " p r o p i a ficción", Y ella agrega: p e r o , e n m i caso, t a l ficción está
c r í p t i c a m e n t e c i f r a d a a l r e d e d o r de u n m o m e n t o e n q u e " y o " n o q u i e -
ro saber — y a la vez n o p u e d o dejar de s a b e r — q u i é n soy. Es q u e ese
"yo", r e f l e j a d o e n el espejo, m e espanta. Quizá diría, a r r i e s g á n d o m e
114 VIROINIA WOOLF

o t r a vez a e n t r e m e t e r en su t e x t o palabras q u e n o f i g u r a n e n él (tal


c o m o h a c í a F r e u d c u a n d o i n t e r p o l a b a frases e n p r i m e r a persona y se |
las a t r i b u í a a G o e t h e ) "—^Vivo e s c r i b i e n d o para escapar de la imagen 1
de la n i ñ a rabiosa q u e m o r d í a el b i b e r ó n y m e a t a c ó sin p i e d a d aquel í
d í a desde e l espejo. V i v o y escribo para q u e ella n o m e atrape como
entonces; para persuadirme a mí misma y para que otros entiendan
q u e yo n o soy a q u é l l a . "
¿ P o r q u é e l espanto f r e n t e a su i m a g e n e n las luirías d e l g r a n r o p e r o
q u e a m u e b l a b a la casa de sus abuelos? Robles arriesga varias hipótesis
y l o hace t a m b i é n , c o m o V. W o o l f , de m o d o i n t e r r o g a t i v o ; balbucea
esbozos de i n t e r p r e t a c i ó n , p r o p o n e esquemas de i n t e l i g i b i l i d a d de
l o m i s t e r i o s o . Es l o q u e se p u e d e hacer si u n o r e c u e r d a qu e "los mis-
terios de los egipcios son m i s t e r i os p a r a los egipcios m i s m o s " . Ante
los secretos f u n d a m e n t a l e s de n u e s t r o ser todos somos egipcios (y así
t a m b i é n Moisés, a g r e g a r ía F r e u d ) .
Primera pregunta de la escritora: "¿Era el d e s c u b r i m i e n t o d e l yo
a t r a p a d o y d u p l i c a d o la causa de t a n r a d i c a l e f p a n t o ? " L a n i ñ a podía
c r e e r q u e ella era u n a , q u e gozaba de l i b e r t a d m o v i é n d o s e "de aquí
p a r a allá " c o n su a n d a d e r a , q u e n a d i e la t o m a b a e n c u e n t a . Gracias al
d e s i n t e r é s de los adulto s q u e h a b l a b a n e n t r e sí, p o d í a captar n o sólo
e l a b a n d o n o e n q u e se la t e n í a sino t a m b i é n la ventaja de hacer l o que
le v i n i e r a e n gana. Y hete aquí q u e e l espejo la refleja, m o s t r á n d o l e ,
c o n alevosía a u n q u e sin p r e m e d i t a c i ó n , q u e hay o t r a M a r t h a . E l t r i p l e
espejo l a m i r a y la agarra e n sus marcos i n f l e x i b l e s . E l Doppelganger
especular le revela su i m p o t e n c i a . Son dos, a m b os de m a d e r a , los cor-
sés q u e l a a p r i e t a n : el m a r c o d e l espejo y el b a s t i d o r de su andadera,
esa prótesis q ue la sostiene e r g u i d a sobre sus pies de b a r r o . A q u e l l o s
ojos q u e v i e n e n d e l otro lado la c o n m i n a n a p e r m a n e c e r en el espacio
v i r t u a l , h i p n o t i z a d a ; sí consigue alejarse, debe volver. " M e f u i y regre-
s é . " A l p o n e r n u e v a m e n t e sti c u e r p o e n el c a m p o visual d e l espejo
r e n a c e el espanto q u e la o b l i g a a u n a nueva h u i d a , d e f i n i t i v a ahora.
N o q u i e r e volver a pasar d e l a n t e de ella m i s m a " o t r i f i c a d a " p o r u n a
m i r a d a de v i d r i o , i n e r t e e i n g o b e r n a b l e . U n a m i r a d a m u d a q u e n o
deja de p r o f e r i r y de p r o f e t i z a r destinos q u e u n o preferirí a i g n o r a r .
Es imposible amordazar a un espejo. Por eso se l o c u b r e r i t t i a l m e n t e c o n
p a ñ o s n e g r o s c u a n d o hay u n m u e r t o e n la casa. Y, c o m o ya Borges lo
I p o r nosotros: "Acechas desde s i e m p r e . / E n la tersura d e l agua
1 " / o d e l cristal q u e d u r a / M e buscas y es inútil estar ciego. /
' ^ n o vert e y de saberte / Te agrega h o r r o r . . . "

1
VIRGINIA WOOLF 115

Segunda preganta'. 'VMe i n t i m i d ó t o p a r m e c o n o t r a n i ñ a q u e repe-


tía m i pasmo a través d e l cristal?" Difícil es s o p o r t a r la angustia de
verse c o m o o t r a . E l r o s t r o d u p l i c a d o revela y a m p l i f i c a su angustia,
su d e s v a l i m i e n t o, su necesidad de escapar. Pasando a través d e l cristal
{through the looking-glass) M a r t h a Robles se e n c u e n t r a c o n o t r a n i ñ a
que es c o m o ella p e r o q u e viene u n p o c o despué s q u e ella. L a r e p e t i -
ción, ya l o d i j i m o s al h a b l a r de Borges, i m p l i c a s i e m p r e u n a diferición
y u n a d i f e r e n c i a ( D e r r i d a ) . E l pasmo llega hasta el espacio v i r t u a l y
regresa desde él p l a n t e a n d o u n e n i g m a : ¿soy yo o n o soy yo? L a i m a -
gen c o n m i n a a dar u n a respuesta paradójica: — S o y yo y no lo soy. P o r
eso i n t i m i d a y acalla.
Tercera pregunta: "¿Me p e r t u r b ó la visión de estar y n o estar e n dos
espacios i n c o n c i l i a b l e s ?" M u l t i p l i c a n d o , p o r n u e s t r a c u e n t a , l a i n t e -
rrogación: "¿Si esa inerxne figura, está allí, d o n d e yo la veo, d ó n d e
quedo yo? ¿ S o m o s las dos i g u a l m e n t e verdaderas o i g u a l m e n t e falsas
o hay u n a q u e es más v e r d a d e r a q u e la otra? ¿A cuál he de creer? ¿Soy
ésa e n el instante en q u e la m i r o o la consallida p o s t e r g a c i ó n , el t i e m -
po í n f i m o q u e va e n t r e yo m i r a r l a y ella m i r a r m e , hace u n a d i f e r e n c i a
entre nosotras dos? ¿Soy ella o es ella u n r e m e d o q t i e p r e t e n d e susti-
t u i r m e u s u r p a n d o m i lugar? ¿Me da ella el ser o m e l o r o b a o m e l o
sustrae e n e l m o m e n t o de d á r m e l o y m e p r o d u c e c o m o u n a ficción e n
d o n d e ella pasa a ser q u i e n m u e v e las palancas? E n ella, ¿me e n c u e n -
tro o m e e n a j e n o y m e p i e r d o ? "
Sigamos a p r e n d i e n d o d e l p r i m e r r e c u e r d o de Robles: l a n i ñ a cae
f u l m i n a d a p o r el espanto. ¿ P o r q u e está sola y n a d i e hay p a r a e x p l i -
carle q u e ésa "es ella"? ¿ P o r q u e sabe o i n t u y e q u e " é s a " e f e c t i v a m e n t e
"es e l l a " y e l verse r e i f i c a d a y alienada e n el cristal, a f u e ra de sí mis-
ma, p i e r d e las vagas c e r t i d u m b r e s que c r e í a tener? ¿ O p o r q u e rechaza
desde esa t i e r n a edad el ser i d e n t i f i c a d a c o m o niñay presiente q u e la
a c e p t a c i ó n de la i m a g e n sexuada que ve la llevará p o r u n c a m i n o q u e
le i m p e d i r í a diferenciarse de las figuras f e m e n i n a s detestadas q u e la
r o d e a n y, m u y p a r t i c u l a r m e n t e , de la madre? ¿ Q u é clase de vacío se
abre b a j o sus pies sin q u e a n d a d e r a a l g u n a p u e d a detenerla?
C o n s i d e r a n d o las a n t e r i o r e s posibles i n t e r p r e t a c i o n e s vemos q u e
es i m p o s i b l e zanjar la cuestión p e r o , p o r o t r a p a r t e , q u e n a d a o b l i g a a
o p t a r e n t r e esas distintas razones. De i g u a l m o d o sucede c u a n d o , tras
relatar u n stieño, u n p a c i e n te p r o p o n e distintas vías asociativas sin sa-
ber p o r cuál decidirse y el psicoanalista le i n d i c a q u e todas son válidas
p o r q u e n o h a b r í a c o n t r a d i c c i ó n entr e ellas. Las varias p r e g u n t a s q u e
116 VIROINIA WOOLF

Robles se f o r m u l a a d m i t e n , todas, u n a m i s m a y l a c ó n i c a respuesta*


"—Sí."
P r i m e r o , la soledad. Sí; hace f a l t a o t r o , u n t e r c e r o , para qu e uno
p u e d a i d e n t i f i c a r s e c o n su i m a g e n . Sé q u i é n soy c u a n d o hay alguien
m á s p a r a c o n f i r m a r l o . Es e l aspecto f u n d a m e n t a l e n la constitución
d e l " y o " q u e recae sobre el mirror role la m a d r e ( W i n n i c o t t ) q u e re-
c o n o c i m o s e n el capítul o 7. Si n o hay q u i e n m e reconozca, ¿ c ó m o sé
q u e soy yo? Se r e q u i e r e d e l r e s p a l d o de las palabras d e l O t r o .
S e g u n d o , la identificación. Si acepto qu e esa figura es la m í a p e r o nxi
r e f l e j o m e i n s p e c c i o n a desde f u e r a , l l e g o a ser e l o b j e t o de u n a mira-
d a y de todas las m i r a d a s q u e m e v e n sin q u e yo p u e d a v e r m e . N o pue-
d o l i b r a r m e d e l o j o ajeno, d e l o j o q u e m e lee y m e i n t e r p r e t a . De ahí
a la p a r a n o i a n o hay más q u e u n paso: "¿Por q u é m e m i r a n ? ¿ Q u é me
ven?" Desde e l o t i o l a d o d e l espejo m i i m a g e n m e hostiga, m e a-cosa.
T e r c e r o : la sexuación, r e l a c i o n a d a c o n las dos anteriores. L a f o r m a
q u e el o t r o r e c o n o c e y c o n la q u e m e i d e n t i f i c o es la de u n a m u j e r en
ciernes. ¿ C ó m o v e n los d e m á s y c ó m o m e r e l a c i o n o y o c o n el hecho
de ser m u j e r ? ¿Es así c o m o q u i e r e n v e r m e y c o m o yo m i s m a q u i e r o
verme? ¿ P u e d o escapar d e l d e s t i n o de las m u j e r es e n t m m u n d o falo-
céntrico? ¿Cómo?
T i e n e la n i ñ a tres m o t i v o s p a r a espeluznarse y h u i r d e l espejo. D i -
gamos algo más d e l t e r c e r o p o r ser el m e n o s r e c o n o c i d o y p a r a abun-
d a r e n eso q u e a p r e n d i m o s de V i r g i n i a W o o l f e n el a p a r t a d o anterior.
C u a n d o e n c o n t r a m o s a o t r o ser h u m a n o la p r i m e r a distinción que
hacemos, y c o n bastante s e g u r i d a d , es la de m a s c u l i n o / f e m e n i n o .
¿ C ó m o n o sería t a m b i é n ésa la p r i m e r a distinción al e n c o n t r a r n o s
c o n el p u e r i l a n t r o p o i d e q u e r e p i t e nuestros gestos, n u e s t r o p r ó j i m o
más í n t i m o y más inalcanzable, el i n t r u s o q u e vive d e l o t r o l a d o del
v i d r i o azogado?
U n a n o c h e , después de cenar, Borges y Bioy Casares discutían
m i e n t r a s desde e l f o n d o r e m o t o de u n c o r r e d o r u n espejo los vigilaba.
A l cabo d e s c u b r i e r o n , cosa i n e v i t a b l e en l o h o n d o de la n o c h e , que
los espejos tienen algo m o n s t r u o s o . B i o y Casares r e c o r d ó entonces la
frase de u n a u t o r i m p r e c i s o , p r o c e d e n t e de u n país c o n j e t u r a l , que
h a b í a p r o c l a m a d o q u e los espejos y l a c ó p u l a son a b o m i n a b l e s p o r q u e
m u l t i p l i c a n el n ú m e r o de los h o m b r e s . Para Borges se trataba de u n a
sentencia m e m o r a b l e , t a m b i é n p a r a nosotros, y hasta el día de hoy
n o sabemos si f u e escrita p o r u n a u t o r a n ó n i m o o si es p r o d u c t o de la
m o d e s t i a de B i o y q u e d i j o h a b e r l a leído e n u n a e n c i c l o p e d i a i n h a l l a -
VIRGINIA WOOLF 117

ble, o de la m o d e s t i a de Borges q u e la a t r i b u y e a q u i e n s u p o n ía ser su


0iejor a m i g o y q u e t a m b i é n resultó ser u n espejo q u e l o i n t e r p r e t a b a
sin a h o r r a r s e la c r u e l d a d , u n Boswell m a l i c i o s o . L o s espejos, m o n s -
truosos y a b o m i n a b l e s , son d o m e s t i c a d o s p o r la i n d u s t r i a , se c o l o c a n
en lugares previsibles y son despojados de su c a r á c t e r o m i n o s o . L a
c o s t u m b r e los vuelve inofensivos. ¿ Q u i é n n o r e c u e r d a la sensación de
extrañeza q u e le invad e c u a n d o t r o p i e z a c o n su p r o p i a i m a g e n espe-
cular de u n m o d o i n e s p e r a d o, a veces agazapada bajo l a f o r m a d e o t r o
ser h u m a n o cjue tiene rasgos m u y similares a los propios ?
N o sólo Borges y Bioy Casares p u e d e n h a b l a r de l o m o n s t r u o s o
de los espejos. S e r í a vano e j e r c i c io de e r u d i c i ó n pasar p o r todos los
textos l i t e r a r i o s , tantos y t a n preciosos, desde el m i t o de N a r c i s o e n
el r e l a t o de O v i d i o hasta a l g u n a p e l í c u l a r e c i e n t e q u e n u n c a falta e n
la cartelera m o s t r a n d o la e x t r a ñ e z a d e l e n c u e n t r o c o n u n o m i s m o o
c o n l o q u e se le parece. Cortázar ha d i c h o q u e l a m e m o r i a e m p i e z a
c o n e l t e r r o r y L a c a n h a b l a d e l e n c u e n t r o d e l n i ñ o c o n su p r o p i a
i m a g e n c o m o u n m o m e n t o de j ú b i l o . E n a p a r i e n c i a , e n t r e ellos, hay
c o n t r a d i c c i ó n , p e r o el r e c u e r d o de M a r t h a Robles p o d r í a zanjar su
d i f e r e n d o . E l p r i m e r e n c u e n t r o c o n el espejo b i e n p u d i e r a ser siem-
pre t e r r o r í f i c o y a n g u s t i a n t e, tal c o m o es r e c o r d a d o p o r ella (y p o r
Borges); la e u f ó r i c a e x a l t a c i ó n q u e sigue e n los e n c u e n t r o s sucesivos
c o n " e l o t r o y o " sería e l r e s u l t a d o de la d o m e s t i c a c i ó n y e l d o m i n i o de
u n a angusti a p r i m i g e n i a ante el Doppelganger. Proust, quizá t a m b i é n
Borges, a c a b ó p o r habituarse a los espejos e i g n o r a r su i n c ó m o d a p r e -
sencia, su o b s e s i ó n r e p r o d u c t i v a .
F r e u d cuenta^^ q u e su n i e t e c i t o de d i e c i o c h o meses h a b í a a p r e n -
d i d o , m i e n t r a s su m a d r e estaba ausente e n e l t r a b a j o y su p a d r e e n l a
g u e r r a , a i d e n t i f i c a r su p r o p i a i m a g e n e n u n espejo q u e llegaba casi
hasta el suelo y l u e g o , a g a c h á n d o s e , a b o r r a r esa i m a g e n h a c i é n d o l a
desaparecer de su c a m p o visual. C u a n d o la m a d r e regresaba, él p o -
día c o n t a r l e , e n su m e d i a l e n g u a , q u e el n e n e se h a b í a i d o " f u e r a " .
La i n t e r p r e t a c i ó n d e l a b u e l o p r o p o n í a q u e el p e q u e ñ o , o b j e t o pasivo
d e l a b a n d o n o de l a m a d r e , l o g r a b a , c o n este j u e g o d e l espejo, trans-
f o r m a r s e e n el sujeto activo q u e m a n i p u l a b a su p r o p i a a p a r i c i ó n y
d e s a p a r i c i ó n , l l e g a n d o así a g o b e r n a r la i n c o n t r o l a b l e ausencia de la
m a d r e , es decir, la salida de él m i s m o d e l c a m p o visual de su m a d r e

^' S. F r e u d [ 1 9 2 1 ] , Más allá del principio de placer, e n Obras completas, c i t . , v o l . x v u i ,


p p . 14-17.
118 VIRGINIA WOOLF

q u e i b a a sus labores. Ese d o m i n i o de la presencia y la ausencia se veía


c o n f i r m a d o p o r u n p r e c a r i o ejercici o de la p a l a b r a (fort / da) y por
u n r e c u r s o a la m e m o r i a q u e le p e r m i t í a relatar, c o n pobres fonemas
t o m a d o s de la l e n g u a m a t e r n a , su h a z a ñ a f r e n t e al espejo. E l j u e g o de
a p a r e c e r y desaparecer de la vista, u n o , dos, u n o , dos, c o m o la m a d r e
de F r e u d e n e l a r m a r i o , c o m o "las olas" (The xvaves) e n la e p i f a n í a de
V i r i g i n i a W o o l f , u n o , dos, u n o , dos, detrás de t m c o b e r t o r o d e l a n t e de
u n espejo, d u p l i c a d o p o r el j u e g o e n el lenguaje, " n e n e está", "nene
n o está", es el c o m i e n z o d e l a n d a r p o r los d e r r o t e r o s de la vida.
D e b e r í a m o s investigar c ó m o se sale de la angustia i n i c i a l : la de sa-
berse objeto de u n a m i r a d a antes de p o d e r ser el sujeto de esa m i r a d a .
O c ó m o se c o n f i g u r a el d e s t i n o de n o p o d e r sobreponerse a esa des-
e s p e r a c i ó n (helpl^sness), c o n s t a t a n d o u n a y o t r a vez q u e la angustia
p e r m a n e c e s i e m p r e en b a r b e c h o y q u e el a l m a vive y vivirá c o n d e n a d a
a s u f r i r p o r la p o s i b i l i d a d i n m i n e n t e de q u e d a r apresada e n t r e los
signos de i n t e r r o g a c i ó n de u n m a l h a d a d o espejo.
Así le s u c e d i ó a n u e s t r a M a r t h a Robles. Elfe vivía e n u n m u n d o
de s o n i d o s y de sombras, e v e n t u a l m e n t e , de olores. Estaba absorbida
p o r e l g o l p e t e a r de sus i n c i e r t o s p r i m e r o s pasos, p o r e l gotear de una
f u e n t e , p o r las voces sin significación de las palabras q u e se profería n
a su a l r e d e d o r , p o r pregone s callejeros, cantos de canarios y r u i d o s de
l a c o c i n a . " T o d o ese m u n d o i n f a n t i l estaba h e c h o de sonidos q u e se
m u l t i p l i c a b a n e n ecos y d u p l i c a c i o n e s e x t r a ñ a s . " ¿ Q u é p o d í a ella i n -
t u i r acerca de sí misma? L a ú n i c a i n f o r m a c i ó n p r o c e d í a de esa f o r m a
d u d o s a y arcaica d e l d o b l e q u e es la s o m b r a . Gozaba de seguirla, de
pisarla, f a s c i n á n d o s e " c o n ese j u e g o de la luz y de las oscuras siluetas,
despojadas de gestos y rasgos", es decir, sin r o s t r o .
L a s o m b r a es u n a d u p l i c a c i ó n de u n o m i s m o q u e n o tiene r o s t r o ;
es descarada, a d i f e r e n c i a de la i m a g e n e n e l espejo q u e está p o b l a d a
de señas de i d e n t i d a d y t i e n e límites espaciales precisos. E l r o s t r o ("/a
figuré'), p e r c i b i d o e n el espejo, fija, m u e s t r a al ser, c o m o dice M a r t h a
Robles, " q u é es" ( m o r t a l ) y " c ó m o es" (sexuado) pues e n la cara nos
t o p a m o s c o n u n a s i n é c d o q u e y u n a m e t o n i m i a d e l c u e r p o : "—Ese soy;
así soy." Es e n t o r n o al s e m b l a n t e q u e se c o n c e n t r a la b ú s q u e d a de los
p a r e c i d o s y de las adscripciones g e n e a l ó g i c a s d e l n i ñ o . "—Se parece
a — N o es r a r o e l caso e n q u e desde la cara i n f a n t i l s u r g e n dudas e n
c u a n t o a la p a t e r n i d a d " v e r d a d e r a " , q u e es l o m i s m o q u e d e c i r dudas
e n c u a n t o al deseo de la m a d r e ( p o r e l p a d r e y hacia e l h i j o ) .
VIRGINIA WOOLF 119

Nítida, ftel y en t o d a su t r a n s p a r e n c i a , la figtira v i s l t u n b r a d a e n el ropero


pgj.|-gnecía s i n d u d a a l u n i v e r s o d e las r e p e t i c i o n e s , c o m o e l e c o y l a s o m b r a
y a c o n o c i d o s . P e r o e r a a l a v e z d i s t i n t a p o r q u e m i r e f l e j o se m o s t r a b a mos-
t r á n d o m e c o n c l a r i d a d . L a n i ñ a se t o p a b a p o r p r i m e r a v e z c o n u n i n d i c i o d e
r e a l i d a d , t i n ser c o n c r e t o . E l h a l l a z g o m e a t e r r ó [...J E r a c o m o si l a s o m b r a ,
de p r o n t o , c o b r a r a vida.

L a s o m b r a conlleva u n h a l o de i n c e r t i d t i m b r e ; su i d e n t i d a d es d u -
dosa; su "descaro", i n f i n i t o . A la s o m b r a u n o la ve, p e r o ella es ciega.
En c a m b i o , la cara, vista e n el espejo, c o n esos ojos q u e l o m i r a n a u n o
desde u n espacio v i r t u a l , i r r e a l , o b l i g a al sujeto a vivir i d e n t i f i c a d o
con esa m i r a d a y, p o r l o t a n t o , a llevar de a h í e n más u n a vida v i r t t i a l ,
i n m a t e r i a l , descarnada. Así, e l r o s t r o n o es l o q u e e n c o n t r a m o s e n la
naturaleza o e n las superficies reflejantes, n o es el r e s u l t a d o de u n a
e x p e r i e n c i a perceptiva. El rostro es una construcción firmada p o r el q u e
nos ve y nos c o n f i r m a q u e " é s e " somos nosoy^os. N o hay r o s t r o sin esta
i n t e r v e n c i ó n d e l s i g n i f i c a n te y de la letra. L^a cara (prosopon) es u n
efecto p o é t i c o (poiesis): p r o s o p o p e y a . V o l v e r e m o s p a r a c u m p l i r c o n
nuestra amenaza a n u n c i a d a .
El espejo nos hace existir e n u n espacio ficticio p e r o la i r r e a l i d a d
a la q u e nos arrastra se t r a n s f o r m a e n n u e s t ra más a u t é n t i c a r e a l i d a d ,
la de ser cuerpos observados. Somos "allí" y, e n c i e r t a f o r m a , deja-
mos de ser "aquí". A l g o de eso vislumbró M a r t h a Robles y se asustó
p o r q u e ya n o p o d í a desprenderse de la i m a g e n e n m a r c a d a , n o p o d í a
aislarse c o m o "aquella criattira solitaiia que fiii". Por el espejo entraba e n
el calabozo de los demás, e n el á r e a bajo v i g i l a n c i a y e s c r u t i n i o , e n e l
"panóptico".
R e c o r d e m o s esa p r o p u e s t a a r q u i t e c t ó n i c a p a r a las c á r c e l es f o r m u -
lada p o r J e r e m y Bentham-^ a fines d e l siglo x v i i r , c o i n c i d i e n d o c o n
la revolución q u e puso e n t r o n o a t i n a i r ó n i c a l i b e r t a d : u n r e c i n t o
c i r c u l a r c e n t r a l desde d o n d e los guardias p o d í a n t e n e r s i e m p r e bajo
o b s e r v a c i ó n a cada u n o de los presos colocados e n celdas c o n u n a
disposición r a d i a d a c o n r e l a c i ó n al o j o alerta de los carceleros. Dios

J . B e n t h a m [ 1 7 9 1 ] , El panóptico, p r ó l o g o d e M . F o u c a u l t , t r a d . d e M . J. d e C h o p i -
tea, P u e b l a - M é x i c o , P r e m i a , 1989. L a p r i m e r a e d i c i ó n e n f r a n c é s f u e a p r e s u r a d a m e n t e
t r a d u c i d a y p u b l i c a d a e n ese m i s m o a ñ o , a q u e l e n q u e l a g u i l l o t i n a c o r t ó la cabeza d e
L u i s X V ' L E l título es e l o c u e n t e y p o d e m o s l e e r e n el f r o n t i s p i c i o d e l v o l u m e n : Panapti-
que. Mémoire. Sur un nouveau principepour construiré des maisons d'inspection, et nommément
des maisons de forcé; parférémie Bentham. Imprimé par ordre de VAssamblée Nationale.
120 VIRGINIA WOOLF

— p o d í a decirse desde los l i e i i i p o s de B e n t h a m y H e g e l , A q u e l que


t o d o l o v e — ha m u e r t o . Sí; ha m u e r t o y f u e s u s t i t u i do p o r esta arqui-
t e c t u r a de la prisión q u e es la p a r a n o i a o r q u e s t a d a y puesta e n acto.
E l p a n ó p t i c o es la v e r d a d d e l m u n d o c o n t e m p o r á n e o : hoy e n día, las
c á m a r a s de televisión p u e d e n estar en c u a l q u i e r p u n t o d e l planeta o
i n c l u s o d e l espacio e x t e r i o r y desde allí cada u n o de los seres h u m a -
nos p u e d e ser o b s e r v a d o p o r el g r a n O t r o si éste d e c i d e q u e merece
la p e n a v i g i l a r l o , ¿ Q u é es u n a c á m a r a sino u n espejo al q u e se agrega
u n a g r a b a d o r a q u e g u a r d a la m e m o r i a de las escenas q u e ve?
L a n i ñ a , a t e m o r i z a d a , gritó; l u e g o a p r e n d i ó a d a r rodeos p a r a n o
e n c o n t r a r s e c o n "eso" unheimlich q u e h a b í a p e r c i b i d o y a n a d i e podía
c o m u n i c a r . N o h a b í a q u i é n le explicase la razón de su espanto. Era
" a l g o q u e aparece sin n o m b r e o sin r e f e r e n c i a " , u n a e n e m i g a i m p o s i -
ble de m a n t e n e r a distancia, tan i n d i s o c i a b l e c o m o la p r o p i a sombra.
N o se t r a t a d e l i n t e r l o c u t o r i m a g i n a r i o c o n el q u e se solazan h a b l a n d o
tantos n i ñ o s e n sus fantasías, p r a c t i c a n d o así u i ^ c u r a e s p o n t á n e a y
a u t o e r ó t i c a de la a m a r g a soledad. Era, p o r e l c o n t r a r i o , a l g u i e n t e m i -
b l e , u n p e r s e g u i d o r , a q u i e n se d e b í a silenciar. L a evitación d e l espejo
se r e d u p l i c a e n la r e p r e s i ó n d e l r e c u e r d o d e l t e r r o r q u e se desencade-
n ó en el p r i m e r e i n f o r t u n a d o encuentro.
¿ Q u i é n es t a n feliz c o m o p a r a n o saber de la m e m o r i a c o m o dolor?
M a r t h a Robles sabe l o q u e r e p r i m i ó y n o p u e d e recordar . E n sus pala-
bras, n o c o n t a m i n a d a s de f r e u d i s m o :

El o h i d o es reserva, pausa que aguarda la ocasión de nombrar el súbito en-


frentamiento con el vacío o, mejor aún, con lo desconocido que asusta. Lo
experimentado, aunque no-dicho, no desaparece del repertorio del ser, más
bien permanece indefinidamente a la sombra, allí donde la voz puede ilumi-
nar indirectamente esa no-palabra cuyo poder orienta la dirección del propio
destino.

L o o c u r r i d o es i n e f a b l e ; está f u e r a de c u a l q u i e r esperanza de c o m -
p r e n s i ó n y d e d i á l o g o . L a p e q u e ñ a d e b e arreglárselas sola c o n su m a l -
d i t o r e c u e r d o . L a i m a g e n corrosiva se p e r p e t ú a c o m o u n incansable
parásito m e n t a l q u e atraviesa c o n sus lanzas los t e g u m e n t o s d e l alma .
N o basta c o n evadir el siniestro e n c u e n t r o c o n el espejo; hay q u e h u i r ,
a d e m á s , d e l u l t r a j e de su m e m o r i a . H a b r á q u e n e u t r a l i z a r l o , e x i l i a r l o
de la h i s t o r i a d e l y o . M a r t h a Robles se o l v i d a d e l p a v o r ante la c h i q u i -
l l a d e l espejo, p a v o r q u e " m i s t e r i o s a m e n t e se o c u l t a , a u n q u e e l voca-
VIROINIA WOOl.F 221

b u l a d o i n t e r i o r acude a sus p r o p i a s leyes, r e s p o n d i e n d o a su i m p a c t o


por otras vías". L a n i ñ a se i m p o n e u n a desviación, dará u n r o d e o p a r a
no chocar c o n ese r e t r a t o a n i m a d o que b i e n c o n o c e de la c r i a t u r a
i n q u i e t a n t e y demasiad o f a m i l i a r q u e le q u i t a el sosiego desde u n a
bruñida superfici e de cristal. Es vital e n c o n t r a r u n m e d i o para salvar-
se de la c o n d e n a a la cadena p e r p e t u a de con-vivir, p o r l o t a n t o , de
medio-vivir, c o n su sosia. E n c o n t r a r á el necesario r o d e o p o r u n c a m i -
no q u e ya adelantamos , el d e l lenguaje, p e r o f u e r a de la palabra. T a l
habrá sido su d e s t i n o . El espejo, e n su estupidez m e c á n i c a n o p o d í a
prever q u e , e s p a n t á n d o l a de l o q u e p o d r í a decir, la i m p u l s a b a a escñ-
tir. ¿Escribir p a r a escapar de sí o, p o r l o m e n o s , de la p r o p i a imagen?
¿ C ó m o , d e l rechazo de la i m a g e n especular, p o d r í a nacer u n escritor?
I n t e r r o g u e m o s o t r a vez a los elocuentes r e n g l o n e s de Robles:

Así c o m o e l r e g i s t r o d e l p l a c e r c o n g r e g a y a r m o n i z a , l a r e m i n i s c e n c i a t r a u m á -
t i c a h i e r e a l l e n g u a j e , l o s e p a r a , l o a i s l a . L a s t i m a s i ^ o s c u r i d a d y, c o n f i n a d o a l o
n o - d i c h o , e l m o m e n t o p a d e c i d o l e s i o n a a d i s t a n c i a , q u e m a s u c i c a t r i z y, d e f o r -
m a d a , s u n e c e s i d a d d e e x p r e s a r s e se e x p a n d e a l a r e g i ó n d e l a a n g u s t i a .

L a angustia es u n a bestia insaciable que d e v o r a las almas. H a y q u e


e n c e r r a r l a y evitar u n posibl e c o n t a c t o c o n sus dentelladas. L a f o b i a
(al espejo) y el o l v i d o ( d e l catastrófic o e n c u e n t r o ) son los bozales
que c i e r r a n su h o c i c o . L a p a l a b r a a m o r d a z a d a se hace s í n t o m a . . . y el
síntoma letra.

4. L A E S C R I T U R A COMO ORÁCULO

L l e g a m o s así, según parece, al secreto d e l r e c u e r d o de M a r t h a Robles


que nos p o n e e n la pista de ese o s c u r o objeto q t i e es el deseo d e l escri-
tor. L l e g a m o s a e n t e n d e r e n q u é s e n t i d o su colisión c o n el espejo cifró
su h i s t o r i a , a c t u ó c o m o u n o r á c u l o , abrió el c a m i n o a la escritora q u e
hoy c o n v o c a a los lectores c o n stt pasión l i t e r a r i a . N o c r e o q u e esta fór-
m u l a se a p l i q u e a todos los escritores n i t a m p o c o a la mayoría; quizá
sólo valga p a r a u n o s pocos. N o hay f ó r m u l a s generales q u e d e f i n a n la
o r i e n t a c i ó n d e l deseo.
R e e n c o n t r a m o s u n t e n í a q t i e nos p e r s i g u e m á s q u e n o s o t r o s a
él e n las p á g i n a s q u e l l e v a m os escritas y e n las q u e v e n d r á n . D e t o -
dos " n u e s t r o s " autores c o n o c e m o s sti m í t i c o " p r i m e r r e c u e r d o " p o r
122 VIROINIA WOOLF

el r e l a t o escrito. L a diégesis ( t é r m i n o n o r e c o n o c i d o p o r el Diccio-


n a r i o de la A c a d e m i a ) , e l acto de n a r r a r p o r la l e t r a o la palabra
es, p o r c i e r t o , u n a p u e s t a e n j u e g o de la m e m o r i a , u n a r e l e c t u r a a
p o s t e r i o r i de ciertas " h u e l l a s m n é m i c a s " . A l g o de u n p r o b l e m á t i c o
a c o n t e c i m i e n t o qtxedó i n s c r i t o e n e l a l m a i n f a n t i l y l l a m a a su rees-
c r i t u r a c o m o " r e c u e r d o " m e z c l a n d o la " m e m o r i a e p i s ó d i c a " {Erin-
nerung) c o n la " m e m o r i a s e m á n t i c a " (Gedachtnis) según los t é r m i n o s
clásicos de H e g e l r e d e s c u b i e r t o s p o r los m n e m o c i e n t í f i c o s c o n t e m -
p o r á n e o s . L a d u d a q u e asalta a m u c h o s escritore s es ésta: ¿puede
i n v e r t i r s e el r e c o r r i d o h a c i e n d o q u e e l e p i s o d i o i n f a n t i l sea, n o u n a
c o n s e c u e n c i a d e l r e l a t o ("Aqu í m e p o n g o a c a n t a r " ) sino la causa
d e l m i s m o , el o r i g e n de la v o c a c i ó n de q u i e n "vive p a r a contarla" ? El
e v e n t u a l v a l o r p r e m o n i t o r i o de ese " p r i m e r r e c u e r d o " es el q u e llevó
a F r e u d a a t r i b u i r l e u n c a r á c t e r s e m i n a l , d e c i s i v o. P o d r í a m o s incluso
c o n f a b u l a r n o s c o n R o l a n d Barthes^"* e i m a g i n a r , c o m o él l o hace, a
u n A u t o r p e r v e r s o q u e p u b l i c a r í a varios l i b r o s f^n las p r i m e r a s déca-
das de su v i d a c o n e l solo o b j e t o de ganarse el d e r e c h o , u n día, de
e s c r i b i r su a u t o b i o g r a f í a e i n t e r e s a r así a u n o s c u a n t o s lectores en
los o r í g e n e s de su m e m o r i a .
De tal m o d o , el p r i m e r r e c u e r do pondría e n m a r c h a u n a vida de escri-
t o r v i v i d a p a r a la a c c i ó n n a r r a t i v a , m u c h a s veces e n sustitución de la
v i d a m i s m a . M u c h o s hay p a r a q u i e n e s e s c r i b i r es u n i n s t r u m e n t o de a-
d i c c i ó n q u e les p e r m i t e la s e p a r a c i ó n d e l O t r o y de sus exigencias más
o m e n o s i n c o l m a b l e s . Este f a n t a s m a de e m a n c i p a c i ó n y a u t o n o m í a se
p l a s m a c u a n d o u n a m u j e r o u n h o m b r e se r e c l u y e n e n el á m b i t o ín-
t i m o , s o l i t a r i o , e n t r e c u a t r o paredes, a r m a d o s de p l u m a y p a p e l o de
u n " o r d e n a d o r " . E l p r i m e r r e c u e r d o sería e n t o n c e s u n a p r o f e c í a que
se c u m p l e a sí m i s m a {self-fulfilling}. A l r e u n i r estas r e f l e x i o n e s c o n la
tesis cortazariana, l o o r i g i n a r i o de la e s c r i t u r a y d e l escritor sería el
h o r r o r ante u n a vivencia t r a u m á t i c a de la q u e es i m p o s i b l e escapar.
L a diégesis (el "acto de l i t e r a t u r a " , diría D e r r i d a ) p e r m i t i r í a sobrevi-
v i r a p e l a n d o al o t r o , al q u e o i r á o l e e r á la t r a n s m u t a c i ó n d e l t e r r o r
e n poesía, l a m e t a m o r f o s i s d e l r o s t r o espantado o avergonzado de
la n i ñ a ante el espejo c o n v e r t i d o e n p r o s o p o p e y a autobiográfica . L a
flecha d e l t i e m p o c o r r e r í a d e l pasado hacia e l f u t u r o : desde l a h e r i d a
p r i m e r a d e l t e r r o r hacia e l escrito cicatrizante .

23 R. B a r t h e s [ 2 0 0 4 ] , La preparación de la novela, M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 5 , p . 277.


T r a d . de Patricia Willson.
VIRGINIA WOOLF
123
Hay o t r a o p c i ó n cviando se r e c o r r e el c a m i n o inverso: el sujeto,
inmerso e n las redes d e l l e n g u a j e, c a p t a d o p o r ellas, b o q u e a n d o p a r a
no ahogarse, f a b r i c a e n su fantasma, r e t r o a c t i v a m e n t e , u n r e c u e r d o
seminal d e l q u e b r o t a n t a n t o su vocación c o m o la sucesión de los
relatos q u e se confiesan c o m o ficciones o q u e a s p i r a n a la o b j e t i v i d a d
histórica, r e c u r r i e n d o , d a d o el caso, a dalos de a r c h i v o capaces de re-
frendarlos. L a " p r o f e c í a " p r i m i g e n i a f u n c i o n a c o m o u n a c o n s t r u c c i ó n
más b i e n precaria q u e r a t i f i c a la c o n t i n u i d a d buscada p o r el y o para
calafatear los agujereados botes de la m e m o r i a y p e r g e ñ a r u n a h o m o -
geneidad ficticia, en el p a p e l , al m a r g e n de la c a r n e y la sangre.
E n i m recient e ensayo. F i e r r e Bayard,^'* psicoanalista y crítico lite-
rario, estudia varios "casos" de escritores (Rousseau, V e r h a e r e n , M e l -
ville, W o o l f , B r e t ó n , Borges) q u e se h a b r í a n a d e l a n t a d o e n sus relatos
a a c o n t e c i m i e n t o s decisivos de sus vidas. Para e x p l i c a r estas " e x t r a ñ a s
coincid e nc i a s" él d i s t i n g u e c u a t r o hipótesis: la i r r a c i o n a l , la r a c i o n a l ,
la f r e u d i a n a y la l i t e r a r i a . ^
La p r i m e r a , irracional, sostiene u n a lectura anticipad a d e l f u t u r o ,
u n a capacidad de adivinación i n h e r e n t e a la escritura o, p o r lo menos,
a ciertos escritores. L a idea es seductora p e r o j a m á s desterraría la sospe-
cha de q u e sólo se consideren las profecías realizadas y q u e , para e l l o , se
fiierce la anticipación retroactiva f u n c i o n a n d o desde el presente hacia
el pasado gracias a u n trabajo que es e n sí m i s m o p o é t i c o . A n d r é Bre-
tón e n c u e n t r a, tal cual, a la m u j e r q u e h a b í a a n t i c i p a d o e n u n p o e m a
escrito c o n la técnica d e l a u t o m a t i s m o p r o p i a de los surrealistas. Acaba
(o empieza) p o r casarse c o n ella. Para él n o existía n i n g u n a d u d a : el
p o e m a h a b í a a n t i c i p a d o el e n c u e n t r o . ¿Lo desmentiría usted?
L a hipótesis racional (o científica) p l a n t e a q u e , e n ciertos casos y
c o m o n o p o d r í a ser de o t r a m a n e r a , existe u n a sucesión de aconte-
c i m i e n t o s más o m e n o s f o r t u i t o s q u e d a n l u g a r a consecuencias q u e ,
hiego, r e t r o a c t i v a m e n t e , se l e e r án c o m o a n t i c i p a d o s p o r la e s c r i t u r a
de los autores. Las peripecias d e l n a r r a d o r son d e p u r a d a s de sus gan-
gas simbólicas p o r el p e n s a d o r r a c i o n a l i s ta y el recurso al s i m p l e j u e g o
m a t e m á t i c o de las p o s i b i l i d a d e s d a r í a c u e n t a de los a c o n t e c i m i e n t o s
reales q u i t á n d o l e s c u a l q u i e r a u r a de m i s t i c i s m o . P o r e j e m p l o , si Bor-
ges se q u e d ó ciego fue p o r u n a e n f e r m e d a d h e r e d i t a r i a y p o r u n acci-
d e n t e d e r i v a d o de la prisa c o n q u e subió u n a escalera oscura hasta d a r
c o n su c r á n e o e n u n a v e n t a n a a b i e r t a hacia a d e n t r o . O t r a c o i n c i d e n -

P. B a y a r d , Demain est écril, París, M i n u i t , 2005.


124 VIRGINIA WOOLF

cia h a b r í a sido q u e ol accidente t u v i e r a lugar e n 1938, el m i s m o año


e n q u e h a b í a m u e r t o su p a d r e ciego.
L a tercera hipótesis freudiana, tal c o m o la presenta Bayard, subraya
la i m p o r t a n c i a d e t e r m i n a n t e d e l pasado y m u e s t r a hasta q u é p u n t o
los textos p u e d e n e n c o n t r a r su inspiració n más a u t é n t i c a e n los acon-
t e c i m i e n t o s q u e t i e n e n l u g a r d e s p u é s . Para e l lo h a b r á q u e r e c u r r i r
— c o m o e s q u e m a d e i n t e r p r e t a c i ó n — a la a c t i v i d a d d e l fantasma del
escritor, u n g u i ó n i m a g i n a r i o r e p e t i t i v o e n el cual el sujeto elige a sus
allegados y los hace actuar r e p r e s e n t a n d o situaciones q u e le p r o c u r a n
e l goce s i g u i e i r d o unas pocas variantes q u e se a c o m o d a n a sti deseo
i n c o n s c i e n t e . Los textos l i t e r a r i o s p o n d r í a n e n escena esos fantasmas
antes q u e ellos l l e g u e n a encarnarse e n la r e a l i d a d .

L a o b r a d e p e n d e e v i d e n t e m e n t e d e la v i d a p e r o la v i d a d e p e n d e i g u a l m e n t e
de la o b r a , pues t a n t o la u n a c o m o la o t r a son expresiones distintas de una
estructura común q u e subyace a sus d e s a r r o l l o s d e s ^ e l a p r o ñ i n d i d a d . T a l
e s t r t i c t u r a es t a n t o m á s i n s i s t e n t e c u a n t o q u e h a l l a sus f u e n t e s e n aconteci-
m i e n t o s m u y antiguos de la historia del sujeto.

B a y a r d e n c u e n t r a q u e se t r a t a de u n a solución a r m o n i o s a al p r o b l e -
m a de la p r e d e s t i n a c i ó n pues p e r m i t e salir c o n s o l t u r a de las aporías
de las lecturas racionales e i r r a c i o n a l e s . R e p r o c h a a la hipótesis f r e u -
d i a n a , sin e m b a r g o , e l atenerse a u n a c o n c e p c i ó n l i n e a l d e l t i e m p o y
n o atreverse a i n v e r t i r la l í n e a h a c i é n d o l a c o r r e r desde el f u t u r o hacia
el pasado, a r e c o n o c e r u n d e t e r m i n i s m o d e l p o r v e n i r . P e r s o n a l m e n t e
creo q u e ésa, q u e Bayard dice q u e falta, es p r e c i s a m e n t e la hipótesis
f r e u d i a n a u n a vez q u e se h a r e p a r a d o e n la insistencia de L a c a n so-
b r e la c o n c e p c i ó n q u e t e n í a F r e u d d e l aprés-coup, de la r e t r o a c t i v i d a d
d e l t i e m p o . E n los e j e m p l o s q u e h e m o s t r a b a j a d o e n estos capítulos
h e m o s i n s i s t i d o s i e m p r e en q u e es e l escritor (o e l analizante) q u i e n
c o n s t r u y e su r e c u e r d o según las necesidades de la causa q u e es siem-
p r e present e y se o r i e n t a hacia la realización d e l deseo e n el f u t u r o
g u i á n d o s e p o r la ficción d e l f a n t a s m a d e l escritor. Es p o r eso que "la
v e r d a d t i e n e e s t r u c t u r a de ficción". Y q u e la m e m o r i a se escribe desde
e l f u t u r o hacia el pasado: su a u t o r es el sujeto de la anunciación.
F i n a l m e n t e , la hipótesis literaria, coloca e n e l l u g a r c e n t r a l al l i -
b r o m i s m o , a la o b r a c o m o p r o y e c t o q u e guía a la existencia y q u e

P. B a y a r d , c i t . , p . 89.
VIRGINIA WOOt.F 125

ambos, t e x t o y vida, están ligados a la certeza de la m u e r t e . Bayard


toma c o m o p a r a d i g m a a P r o u s t y señala, i m p r o p i a m e n t e según creo,
que e n F r e u d el i n c o n s c i e n t e n o c o n o c e el t i e m p o m i e n t r a s q u e el
psiquismo p r o u s t i a n o está i n m e r s o e n él y n o p u e d e concebirse e n su
ausencia. E n Proust, a d i f e r e n c i a de F r e u d , el f u t t i r o , y n o sc>lo el pa-
sado influiría e n nuestros actos. Bayard parece i g n o r a r q u e en Proust
la o b r a , es decir, el l i b r o q u e o r d e n a al a u t o r q u e l o escriba, es u n a
c o n s t r u c c i ó n fantasmátic a q u e o r g a n i z a su v i d a . G a r c í a M á r q u e z vive
para c o n t a r l a , Proust la c u e n t a p a r a vivir y N e r u d a confiesa q t i e la h a
vivido. De h e c h o , la i g n o r a n c i a d e l t i e m p o e n el i n c o n s c i e n t e , p l a n -
teada p o r F r e u d , n o es o t r a co.sa q u e la a c c i ó n d e los procesos p r i m a -
rios q u e r e i m e n sin c o n s i d e r a c i ó n , c o m o en el s u e ñ o , a los d i s t i n t o s
m o m e n t o s d e l pasado. L a m e t á f o r a y la m e t o n i m i a , p r o c e d i m i e n t o s
poéticos y procesos p r i m a r i o s q u e están e n su base, desconoce n las
secuencias c r o n o l ó g i c a s y m e z c l a n los episodios vividos c o n los fantas-
mas d e l escritor a p r o v e c h a n d o u n c o m b u s t i b ^ q u e es el deseo i n t e m -
p o r a l , la pulsión constante y silenciosa y e l goce c o m o m e t a y brújula.
El futuro es el animador del pasado; n a d a es más p r o p i o d e l p e n s a m i e n t o
psicoanalítico q u e esa tesis. E n t r e la "hipótesis f r e u d i a n a " y la " h i p ó -
tesis l i t e r a r i a " hay u n a absolut a s o l i d a r i d a d , casi u n a coalescencia. El
horla n o es u n a p r e m o n i c i ó n de la l o c u r a de Maupassant, es u n a de
sus p r i m e r a s eclosiones así c o m o e l aura f o r m a ya p a r t e d e l ataque
epiléptico e n l u g a r de a n u n c i a r su i n m i n e n c i a .
N o hace falta i n v e n t a r nuevos t i e m p o s verbales p a r a dar cttenta de
nuestro "sujeto de la a n u n c i a c i ó n " q u e resulta de la a c c i ó n c o n c r e t a
de los fantasmas e n la c o n f i g u r a c i ó n t a n t o de la vida c o m o de la o b r a
y e n la s e l e c c i ó n retroactiva de los r e c u e r d o s q u e d a n c o h e r e n c i a y
c o n t i n u i d a d histórica a ambas. E l futuro anterior, " h a b r á sido", es el
t i e m p o v e r b a l c o n el q u e se escribe el g u i ó n {scénario, scnpt) d e la v i d a
de t o d o s. Es u n t i e m p o d e l v e r b o suficiente p a r a m o s t r a r q u e — c u a -
lesquiera q u e sean los avatares de nuestra e x i s t e n c i a — ellos r e o r g a n i -
zarán r e t r o a c t i v a m e n t e todos los a c o n t e c i m i e n t o s d e l pasado y darán
especial relevanci a a los q u e s i r v e n de materiales para la c o n s t r u c c i ó n
de la ( a u t o ) ( b i o ) ( g r a f í a ) . L o q u e nos pasó hatná sido i m p o r t a n t e en
f u n c i ó n de l o q u e nos pasa y nos pasará. El pasado abreva en el futuro.
Siempre es hoy (el f u t u r o es u n fantasm a n o n a t o y el pasado ya n o existe,
ya se m u r i ó ) pero la flecha atraviesa el tiempo desde mañana hacia ayer.
¿ S o n la v i d a y la o b r a de M a r t h a Robles efectos de su p r i m e r y m a l -
h a d a d o e n c u e n t r o c o n e l espejo? N o , si l o pensamos de m o d o m e c á n i -
126 VIROINIA W O O

co; sí, si sabemos r e c o n o c e r e n sii p á n i c o y e n la t o b i a c o n s i g u i e n t e uij,


estilo q u e t r a t a de develar los misterio s de ese instante y u n móvil p
c o n t r o l a r e l espanto — y escaparse de é l — p o r m e d i o de la tersura y
g a l a n u r a de u n a e s c r i t u r a límpida y r e g u l a d o r a d e l goce (espantado
espantoso) ante la i m a g e n especular.
Si "la m e m o r i a e m p i e z a e n el espanto", u n o p u e d e , escribiendo|
d a r vueltas e n t o r n o a la c i r c u n f e r e n c i a de f u e g o c[vie p r o h i b e el reí:!
t o r n o a ese i n f i e r n o o p u e d e , c u a l Poe o K a f k a , arriesgarse e n u n viaje
sin g a r a n t í a s hacia el " c o r a z ó n de las t i n i e b l a s " hasta e n c o n t r a r a K u r
e l o t r o y o , m u s i t a n d o m i e n t r a s agoniza ^Hhe horror, ¿he horror^ M a r l o w
p u d o regresar, p e r o ya n o e l m i s m o , p a r a s i e m p r e o t r i f i c a d o p o r la
travesía r í o a r r i b a (río a d e n t r o ) e n su viaje al c e n t r o d e l c o n t i n e n t e
n e g r o . M u c h o s se q u e d a r o n e n el c a m i n o . I r hacia el espanto, escapar
de él o d a r vueltas e n la p e r i f e r i a , tales son las alternativas d e l viajej
L a m e i r i o r i a es el v e h í c u l o q u e p u e d e transitar, según u n a decisión
i n c o n s c i e n t e d e l escritor, p o r los c a m i n o s c e n t r í f i ^ o s , c e n t r í p e t o s Q
r o t a t o r i o s c o n r e l a c i ó n a la atisencia, a la r e - p r e s e n t a c i ón de lo au^
s e n t é o a su r e c u p e r a c i ó n e n l o i m a g i n a r i o . Tres son, según el cursó
previsto p a r a e l c a p í t u l o final de n u e s t ra a v e n t u r a , los c a m i n o s de la
m e m o r i a autobiográfica. ;
JAURIA A M A T : U N A G U J E R O E N E L ESPEJO

j POR LA VENTANA DE ENFRENTE

isluria A m a t es u n a r e c o n o c i d a novelista catalana q u e escribe e n cas-


tellano, a u t o r a , para citar tan sólo stis tres líltimas novelas, de La inti-
midad ( A l f a g u a r a , M a d r i d , 1997), El país del alma (Seix B a r r a l , 1999)
v Reina de América ( i d . , 2 0 0 2 ) . H a p u b l i c a d o t a m b i é n u n n o t a b l e l i b r o
de breves ensayos, m u c h o s de c o r t e a u t o b i o g r á f i c o , i n t i t u l a d o Letra
herida ( A l f a g u a r a , 1998). E n Babelia, s u p l e m e n t o c t i l t u r a l de El País, el
23 de j u n i o de 2 0 0 1 , d i o a c o n o c e r u n a r t í c u l ^ m u y escueto encabe-
zado c o m o "V'ida de escritora", en el q u e n a r r a su " p r i m e r r e c u e r d o
de la i n f a n c i a q u e tiene q u e ver c o n la l o c u r a y c o n el s u i c i d i o " . C o m o
se ve, o t r o " í n f i m o p a p e l " , u n petit papier, n u e v a m e n t e u n f r a g m e n t o
aislado q u e se p u b l i c a e n u n s u p l e m e n t o c u l t u r a l , de M é x i c o antes,
de B a r c e l o n a ahora,^ q u e se agrega a la m a r c h a de n u e s t r a cavilación.
Para e n m a r c a r su r e c u e r d o , ella a p o r t a ciertos datos personales q u e
no p o d í a n m e n o s q u e l l a m a r n u e s t r o interés, enzarzados c o m o es-
tamos e n el t e m a d e l " p r i m e r r e c u e r d o " , d e l "hueso de la m e m o r i a "
que, segiin la i n t u i c i ó n f r e u d i a n a , o r g a n i z a r ía la v i d a de m u c h o s seres
h u m a n o s y q u e , según Cortázar, está a n c l a d o e n el t e r r o r . T a n t o e n
sentido p r o s p e c t i v o c o m o en s e n t i d o r e t r o s p e c t i v o .
E n la n o t a de Babelia, A m a t relata "esa e x p e r i e n c i a t e r r i b l e p a r a
u n a n i ñ a de ver c o m o u n a m u j e r c o l g a d a de la v e n t a n a de la casa de
e n f r e n t e está a p u n t o de caer en el vacío" . Es d i s c u t i b l e q u e tal sea su
p r i m e r r e c u e r d o , puesto q u e e n La intimidad c u e n t a q u e esa s e ñ o r a ,
divisada desde su " p r i v i l e g i a d a v e n t a n a " (j?) q u e d a b a al m a n i c o m i o
de e n f r e n t e , h a b í a sido vista antes p o r ella "algunas veces". L a i m p r e -

' E n la m i s m a n o t a , N u ñ a A m a t d i c e : " E n s e ñ a r ( p u b l i c a r ) u n t e x t o es c o n d e n a r l o a l
o l v i d o . " E l l a se r e f i e r e a los l i b r o s . . . ¡ C u á n t o m á s r á p i d a es la d e s a p a r i c i ó n d e l a m e m o -
ria d e l o p u b l i c a d o e n los p e r i ó d i c o s ! L o m e m o r a b l e se b o r r a e n el m o m e n t o d e i m p r i -
m i r l o . ¿ P e r o , d e q u é sirve l a m e m o r i a s i n l o s e s p e c t a d o r e s d e s u e s f u e r z o p o r persistir?
¡ Q u e v i v a n los í n f i m o s p a p e l e s ! H a y q u e d a r u n c h a n c e a l r a r o azar d e l n o - o l v i d o .

[127]
128
NURIA AMAT
cisión y la d u d a caracterizan , necesariamente , s i e m p r e , sin e x c e p c i ón
al p r i m e r r e c u e r d o . R e c u p e r a n d o u n a p r e g u n t a ajena p e r o similar a
las q u e h i c i m o s a l c o m e n z a r este r e c o r r i d o p o r "tierras de la memo-
r i a " : " ¿ C u á n d o e m p i e z a e x a c t a m e n t e e l r e c u e r d o , s i e m p r e caprichoso
y e n e m i g o de c u a l q u i e r o b e d i e n c i a [ . . . ] si los r e c u e r d os se sumergen
e n la m i s m a a t m ó s f e r a de los sueños?"^
Sea c o m o f u e r e , esa reminiscencia , p r i m e r a o n o — n a d i e ptiede ase-
g u r a r l o — es la c o l u m n a vertebral de su trayectoria de escritora y de sus
relatos. Es la f u e n t e de su o b r a , el m o m e n t o de su n a c i m i e n t o a u n a se-
g u n d a vida, la de los enigmas terribles q u e q u e r r á explicar (se). L a loca
suicida, vista p o r la ventana c o m o los lobos en el sueño d e l paciente de
F r e u d , será u n ritornello obsesivo en sus páginas p o r q u e responde, para
ella, de m a n e r a fantasmática, al m i s t e r i o de la t e m p r a n a desaparición
de su m a d r e c u a n d o N u r i a era niña, e n el tercer a ñ o de sti vida.
D e la m u j e r su m a d r e , la escritora e n f l o r n o atesora n a d a en la me-
m o r i a , es decir, e n la m e m o r i a " o f i c i a l " , e n los aj^chivos de su yo. Afir-
m a q u e , n o t e n i e n d o n a d a q u e le hubiese q u e d a d o d e l c u e r p o d o n d e
se f o r m ó , ella "es h i j a de palabras" y, c o m o la l o c a de bata b l a n c a de
su p r i m e r r e c u e r d o , " q u e d a s u s p e n d i d a de u n i n f i e r n o de silencio".
P r e s e n t á n d o s e c o m o efecto de lenguaje ("escribir p a r a nacer" ) niega
su o r i g e n c o r p o r a l o se d a a sí m i s m a e l ser c o m o "verbo e n c a r n a d o " ,
c o m o c r i a t u r a c o n u n solo y tardío n a c i m i e n t o : el asomo traumático
al l e n g u a j e q u e está s u m e r g i d o e n u n r e c u e r d o siniestro.
L a m a d r e t u v o tres hijos e n rápida sucesión. N u r i a es la d e l m e d i o ,
la " m u j e r c i t a " . Tras d a r a luz al tercer h i j o la m u j e r n o regresa de la
m a t e r n i d a d sino q u e pasa d i r e c t a m e n t e a u n " b a l n e a r i o " d o n d e mue-
re sin q u e n a d i e sepa b i e n p o r q u é . L a i n f e r e n c i a d e l suicidio^ es avala-
d a p o r u n a m u l t i t u d de i n d i c i o s aianque n a d i e p r o n u n c i a las palabras
decisivas q u e d e s p e j a r í a n l a b r u m a e n t o r n o a esa m u e r t e . L o q ue el
a d u l t o , c o n c r e t a m e n t e e l p a d r e , calla, es r e l l e n a d o p o r el n i ñ o : N u r i a
nos p r e s e n t a su fantasma i n f a n t i l : " L a f u t u r a escritora busca c o n f u n -
d i r a su m a d r e c o n la loca e n c e r r a d a e n el a l t i l l o d e l m a n i c o m i o de
e n f r e n t e . " Subrayemos e l v e r b o busca pues ese v e r b o a p u n t a más al
deseo y al goce e n u n a respuesta c o n f i r m a t o r i a q u e a la angustia en
u n a i n t e r r o g a c i ó n sin final. E l l a p t i e d e , gracias a la m e m o r i a episódi-
ca, c o n v e r t i r s e e n testigo presencial d e l h e c h o q u e es l a c i f r a y clave

^ J u a n C. O n e U i , Cuando entonces, M é x i c o , D i a n a , 1988, p . 75.


^ ¿ D e p r e s i ó n post-parturn? Quizás e l m é d i c o d i r í a a l g o p a r e c i d o .
NURIA AMAT 129

de su vida: la silenciada desaparición de su madre'* q u e se f u e sin d e c ir


una palabra y sin despedirse c o n u n a carta de adiós. E l espectáctilo
de la m u j e r colgada de la v e n t a n a, sostenida p o r u n m é d i c o q u e final-
niente la deja caer, f u n c i o n a a m o d o de " o r á c u l o " (segím la a t i n a d a
designación de M a r t h a Robles), a m o d o de i m p r e s c i n d i b l e p u n t o de
referencia, de imá n m a l é f i c o y de i n c i t a c i ó n a salvarse r e g i s t r a n d o e n
"letras h e r i d a s " la i r r u p c i ó n de la l o c u r a y la m u e r t e . E l o r á c u l o d e l
recuerdo, espeluznante c o m o éste es, l l a m a a f a b r i c a r a m u l e t o s q u e
protejan c o n t r a su i n f l u j o , a instalarse de p o r vida e n u n a escena de
narraciones q u e e n v u e l v a n l o i r r e p r e s e n t a b l e de u n a ausencia.
El recuerdo traumático de N u r i a A m a t tiene dos postigos que conver-
gen para cerrar la ventana de su alma: u n o , latente, es la enigmática muer-
te de la madre en u n lugar i n d e f i n i d o , m a n t e n i d o largo tiempo en secre-
to; el otro, manifiesto, visto con"ojo de cámara fotográfica", es el suicidio
ante su i n f a n t i l m i r a d a de u n a "loca" j u n t o a su ventana de huérfana. E l
recuerdo q u e m a {O rímembrmiza amara!): d e m e n c ia y m u e r t e y d o l o r inso-
portable de la vida asedian a la mujercita que se ñ a quedado sin palabras o
con sonidos que se atraviesan c o m o lagartijas tartamudas e n su lengua.
Perdió a la m a d r e e n el tercer a ñ o de vida. D e ella le q u e d a n u n
h e r m a n i t o r e c i é n n a c i d o , u n baúl c o n ropas viejas e n las q u e atisbará
aromas q u e se desvanecen, pálidas fotografías y confusos recuerdos
ajenos q u e le l l e g a n a través de algunos personajes envidiado s q u e
efectivamente c o n o c i e r o n a su m a d r e , la de sangre y sonidos a r t i c u l a -
dos. E n su a r t í c u l o de Babelia cuenta:^

Seguramente debí decir las primeras palabras de la infancia cuando m i ma-


dre fantasma estaba delante para recibir m i voz y festejarla, pero nadie me
asegura tal cosa... A l morir m i madre, yo, que aún no hablo, me quedo sin
el lugar del habla. Me roban la memoria. Dicen que m i madre era catalana.
[Advertimos la contradicción entre "seguramente debí decir" y "yo, que aún
no hablo"; los adverbios son delatores profesionales.]

A m a t i n f i e r e q u e era " u n a n i ñ a m u d a " q u e " n o e m p i e z a a h a b l a r


hasta b i e n e n t r a d os los c u a t r o años" . P o d e m o s arriesgarnos a recha-
zar la c o n t r a d i c c i ó n a u n a n d o las dos a f i r m a c i o n e s : N u r i a h a b l ó , c o m o

C o m o l a d e G e o r g e s Perec, c a p í t u l o 12. A l i g u a l q u e e l e s c r i t o r f r a n c é s , A m a t t i e n e
sólo u n r e c u e r d o de i n f a n c i a , el r e c u e r d o d e i n f a n c i a , e l d e l a l o c a e n l a v e n t a n a d e l
m a n i c o m i o , a l e g o r í a d e l a d e s a p a r i c i ó n d e la m a d r e .
^ Babelia, s u p l e m e n t o d e El País, M a d r i d , 23 d e j u l i o d e 2 0 0 1 , p . 137
130 NURIA AMA*?'
casi t o d o s los n i ñ o s , en el s e g u n d o a ñ o de su vida; sus ocurrencias
e r a n celebradas, su i n g e n u i d a d festejada. L u e g o , r e p e n t i n a m e n t e , 1¿
m a d r e se f u e p a r a d a r a l u z al a n u n c i a d o h e r m a n o y n o r e g r e s ó de ese
viaje. E l c u e r v o de l a t r a g e d i a q u e r e v o l o t e a sobre su casa, construida
f r e n t e al m a n i c o m i o , j u s t a m e n t e ahí, la deja sin palabras. E l espíritii
y e l h a b l a de N u r i a A m a t m u e r e n y r e c i b e n s e p u l t u r a e n la siempre
visitada t u m b a de la m a d r e m i e n t r a s qu e su frágil c u e r p e c i l l o insiste
e n p e r v i v i r . L a n i ñ a se b o r r a d e l espejo q u e era su m a d r e y debe volver
a nacer. L o hace l e n t a m e n t e , e n u n p a r t o sin l e n g u a m a t e r n a , que se
p r o l o n g a hasta esos c u a t r o a ñ o s de e d a d y se p r o s i g u e e n la tartamu-
dez, en la angustia q u e — d e b e m o s c r e e r l e — le a c o m e t e cada vez que
t i e n e q u e t o m a r la p a l a b r a .
E l s e g u n d o n a c i m i e n t o a la p a l a b r a n o r e p i t e al p r i m e r o . Por una
p a r t e , c u a n d o se decide a hablarlo hace "en castellano, e n el i d i o m a de
m i n o m a d r e . . . u n i d i o m a i n f e r i o r p a r a la f a m i l i a q u e se j a c t a de ser
sencilla y p r o f u n d a m e n t e catalana". Su i n c l i n a c i j [ n p o r la l e n g u a de
Castilla, la l e n g u a d e l invasor, la l e n g u a o f i c i a l de sus c o m p a ñ e r o s en
la escuela f r a n q u i s t a , sanciona la traición de la m a d r e y el distancia-
m i e n t o de la i n c i p i e n t e escritora

En este idioma mío, de m i madre sólo queda el agujero negro de su desapa-


rición. El idioma importado me excluye de las conversaciones familiares. Me
rebelo contra el idioma de la madre ausente.

Sin saberlo e n su m o m e n t o , N u r i a A m a t t o m a la m i s m a decisión


q u e James Joyce. E l r e c h a z ó e l g a é l i c o de sus antepasados irlandeses y
se v o l c ó sobre la l e n g u a de Shakespeare, d e g r a d a d a p o r la v u l g a r i d a d
d e l h a b l a c o t i d i a n a de los ingleses Victorianos. Y A m a t h a b l a r á y escri-
b i r á e n la l e n g u a de Cervantes, esa l e n g u a abaratada p o r la censura
y la c h a t u r a e s p i r i t t i a l d e l r é g i m e n de F r a n c o . Irlandeses y catalanes
(Shaw y W i l d e , G o y t i s o l o y Plá) se v u e l c a n sobre la l e n g u a d e l invasor
p a r a r e s t i t u i r filo y b r i l l o a "la estirpe i n c r e a d a de su(s) raza(s)".
E l o t r o p u n t o e n q ue el s e g u n d o n a c i m i e n t o , p o s t - m a t e r n o , diría-
mos, d i f i e r e d e l p r i m e r o , es c a p i t a l : N u r i a pasará de la p a l a b r a habla-
d a ( " G u a n d o voy a hablar, algo i r r e f r e n a b l e se dispara e n m i cabeza
p a r a r e c o r d a r m e m i c o l o r de o r f e l i n a t o " ) a la p a l a b r a escrita. Se r e f u -
giará e n l a o p u l e n t a b i b l i o t e c a catalana d e l h o g a r paterno.^

« Ibid., p . 169.
IA A M A T 131
f4o tuve más remedio que cambiar la lápida por los libros. Los libros me ha-
blaban. Creía oír a m i madre a través de ellos. Me hablaban del silencio de m i
madre abandonada [...] Las novelas eran como espejos del recuerdo. En ellas
me veía o no me veía, según fuera el capricho del más allá de m i pobre madre.
1 ^ novelas me contaban el silencio de la muerte de m i madre [...] Siempre
tuve la impresión de que la biblioteca formaba parte del cementerio aquel en
el que tenían secuestrado el cuerpo de m i madre.

N u r i a A m a t es hija de G u t e n h e r g y habitante de su galaxia. Exiliada


del ausente cuerpo de la madre y de la lengua de la familia, c o n los labios
cosidos p o r u n a palabra que le falta tanto c o m o al Moisés de Schoenberg,
escoge su carrera: será bibliotecaria, será escritora y novelista, buscaná el
silencio y acabará, necesaria y paradójicamente, haciendo públicas sus i n -
timidades. Parirá a sus libros c o n dolor. Será también, e n su natal Barcelo-
na, profesora de la Escuela de Bibliotecarios. L a biblioteca es u n m u n d o
poblado, a diferencia d e l otro, p o r objetos mud<#s, confiables y c o m p r e n -
sibles. Los libros, a diferencia de los humanos que p i d e n respuestas, ad-
miten c o n indiferencia el silencio de sus lectores. Ellos reposan, impasi-
bles, esperando ser llamados p o r las trompetas de u n i m p r e d e c i b l e lector,
como reposan los esqueletos mientras llega el día d e l j u i c i o que levantará
sus losas. El espacio vital será sepulcral: u n a biblioteca, "una isla flotante
de coinpasión y tristeza colocada e n el centro de m i casa".
A m a t e m e r g e de la i n i c i a l ausencia de su m a d r e , de la a m b i g u a
relación c o n el p a d r e y de la i m p o s i b i l i d a d d e l h a b l a q u e l a clavan e n
la c o n t e m p l a c i ó n d e l e s p e c t á c u l o q u e se d e s a r r o l l a , pasando sobre
el alféizar de su ventana, e n e l l o q u e r o de la casa de e n f r e n t e c o n el
e s p e c t á c u l o de la m u j e r - m a d r e suspendida, p r i m e r o , e n e l vacío y ca-
yendo, después, e n u n a c á m a r a l e n t a , e t e r n a . E m e r g e d e ahí gracias
a u n a r r e g l o p a r t i c u l a r : el p a d r e , m i t a d b i b h ó f i l o , m i t a d b i b l i ó m a n o ,
p e r m i t e q u e la n i ñ a se i n t e r n e e n su c u b i l , e n los nueve m i l v o l ú m e n e s
que ahí conserva. L a mayoría de los l i b r o s p a t e r n o s están e n catalán ,
el i d i o m a d e l q u e ella a b o m i n a b a . E l p a d r e le p i d e q u e o r d e n e y cla-
sifique su tesoro. Ella, la n i ñ a , se consider a " h i j a de u n a b i b l i o t e c a
a b a n d o n a d a " , m i e n t r a s q u e e l h o m b r e e n c u e n t r a e n su o r g u l l o d e
bibhófilo, e n su c o m p u l s i ó n b i b l i o m a n i a c a , e m b l e m a t í z a d a p o r H e n r i
Boulard^ o p o r el d o c t o r K i e n de la novela de C a n e t t i , e n e l goce de

N . A . B r a u n s t e i n , " ¿ C o n o c e u s t e d a H e n r i B o u l a r d ? " , e n Ficdonario de psicoanálisis,


cit., p p . 7-11.
132 NURIA AU^^

la p o s e s i ón de los l i b r o s , u n valioso tesoro q u e es p a r a él — y A n i a t así» '


lo e s c r i b e — "(casi) la esposa de m i padre",^ " u n c e m e n t e r i o paravivd^¿
e n el que podían perfectamente haber enterrado a m i madre". , >^
L a e s c r i t o r a cuya v o c a c i ó n asoma es s o b o r n a d a ( c o n libros, ¿con
q u é , si no?) p o r su p a d r e p a r a q u e ejerza el o f i c i o de b i b l i o t e c a r i a y la
j o v e n se somete, g o z a n d o , a sus demandas.^

Sólo una hija obediente acepta de sti padre encargos como aquél. Yo era la
hija desgraciada de u n padre desgraciado, y esa condición te lleva a aceptar
graciosamente encargos y favores que ningitna otra hija habría estado dis-
ptiesta a asumir a cambio de dinero o siquiera de una buena cantidad de
libros.

D e t o d o s m o d o s s i e m p r e es p r e f e r i b l e acceder a esa clase de deseos


p a t e r n o s q u e a otros más solapados y teñidos p o r ribetes de difícil
confesión."^ ^

Muchas mañanas de d o m i n g o . . . m i padre venía en pijama a regalarme su


cariño o a requerir el mío, según se viera, y se introducía en m i cama y me
abrazaba y mimaba con intensidad y detenimiento excesivos (...) M i padre
me besaba de u n modo inhabitual, con la melosidad y el amaneramiento de
las parejas de enamorados. Y como yo quería a m i padre por encima de todas
las cosas y sentía, además, una compasión inmensa por su tristeza de hombre
viudo, aprendí a soportar ese suplicio con bastante destreza.

Sabemos q u e n o estamos l e y e n d o e n ese p á r r a f o u n a c r ó n i c a de


h e c h o s reales sino u n a n o v e l a q u e se l l a m a La intimidad. M a l podría-
m o s c o n f u n d i r al yo d e l personaje c o n e l y o de u n a h i s t o r i a r e a l . N o
los m e z c l a m o s p e r o sabemos q u e ambos abrevan e n e l m i s m o r í o : el
fantasma. N o nos p r e o c u p a l a l i t e r a l i d a d de la m e m o r i a p o r q u e n o
c r e e m o s e n ella. Los r e c u e r d o s , c o m o nos e n s e ñ a r o n F r e u d y Piaget
e n su m o m e n t o , son c o n s t r u c c i o n e s . Esa presencia d e l p a d r e a r d i e n t e
de c a r i ñ o en la cama de la p e q u e ñ a o es i n d i c a d o r a de u n suceso real
q u e b i e n p u d i e r a h a b er t e n i d o lugar, y r e i t e r a d a m e n t e , e l a b o r a d o y
e n r i q u e c i d o c o m o u r a n i o p o r la m e m o r i a n u c l e a r de la h i j a , o es u n

^ N . A m a t , Letra herida, c i t . , p . 149.


^ La intimidad, c i t . , p . 98.
C i t . , p p . 12-13.
PRIA AMAT 188
, fentasma i n f a n t i l q ue se abre c a m i n o e n la osctira senda d e la c r e a c i ó n
Ipoética, en cuyo caso n o es real; es más, es h i p e r r e a l .
V o l v i e n d o a A m a t : la i n t e r p o s i c i ó n d e la m a d r e - b i b l i o t e c a , e l á m -
bito n e c r o f í l i c o q u e la r e ú n e y la separa d e l p a d r e , r e s u l t a p r o v i d e n -
cial. Para a m b o s . L a m u j e r se c o n c e d e u n a p r ó r r o g a e n su c a m i n o
hacia la e s c r i t u r a y t o m a e l desvío de la b i b h o t e c a . C u i d a r á de los
libros d e ese p a d r e t r a i d o r q u e a c a b a r á d e s h e r e d á n d o l a de sus te-
soros y l e g á n d o l o s , en el m o m e n t o de m o r i r , a su h e r m a n o , q u i e n
hará q u e los c o d i c i a d o s v o l ú m e n e s a c a b e n e n e l g ó d c o c o n v e n t o d e
Poblet. De todos m o d o s , p a r a esta j o v e n q u e vive e n las novelas y q u e
recibe de los m é d i c o s los d e s p i a d a d o s d i a g n ó s d c o s de n e u r a s t e n i a ,
de encefalitis, de e p i l e p s i a , p a r a esta j o v e n q u e r e s u l t a i n c o m p r e n s i -
ble a q u i e n e s c r e e n e n las v i r t u d e s d e l h a b l a , p a r a esta p r ó f u g a d e l
lazo social, n a d a m e j o r q u e u n a b i b l i o t e c a e n la q u e se a b u r r e m u y
a su gusto.

2 . UN PUNTO Y APARTE F,N LA PROPIA IMAOEN

¿Quién p u e d e salvarla? ¿ Q u é talismán p u e d e alejar a los d e m o n i o s


del e.spanto si falta la a m a n t e caricia d e l o t r o , e n c o n c r e t o , de la m a -
dre, p a r a i n t e r p o n e r el l u b r i c a n t e de palabras habladas, de a r r u l l o s y
melodías e n m e d i o d e l desamparo? ¿ Q u é p u e d e p r o t e g e r al c a p u l l o
i n f a n t i l d e l siniestro i n f l u j o de u n a m e m o r i a devastada t a n t o p o r e l
n o saber sobre l a m u e r t e de l a m a d r e c o m o p o r el sí saber, sí h a b e r
visto, l o s u c e d i d o c o n la e n f e r m a de m e l a n c o l í a q ue se a r r o j a al vacío
d e l o t r o l a d o d e l callejón y q u e o f r e c e u n e s p e c t á c u l o q u e r e s p o n d e
al e n i g m a de ia ausencia materna? E l sosiego llega, p a r a N u r i a A m a t ,
bajo la f o r m a de p a l a b r a i m p r e s a . D e l i b r os q u e ella, c o m o personaje
de Fahrenheit 451, a p r e n d e r á de m e m o r i a , " c o n p u n t o s y comas". E l l a
será, p o r l o p r o n t o , u n a m u j e r de p a p e l , u n a " m t i j e r - l i b r o " .
"Puede ser q t i e m i m a d r e m t i e r t a se haya t r a n s f o r m a d o e n u n a
b i b l i o t e c a viva." E n La intimidad la escritora, p o c o d i s i m u l a d a c o m o
p r o t a g o n i s t a , relata esa p r i m e r a é p o c a de sus andanzas. Allí c o n f u n d e
i n t e n c i o n a d a m e n t e n o v e l a y a u t o b i o g r a f í a ( t i e n e p l e n o d e r e c h o a su
ficdonario p e r s o n a l) c u a n d o nos h a b l a de su v i d a t e m p r a n a , de la é p o -
ca e n q u e m a m a b a p a p e l i m p r e s o .
E l l a n o ve a su m a d r e y sti m a d r e n o la ve a ella. Falta e l r e f l e j o
d e l r o s t r o i n f a n t i l e n la m i r a d a r e d e n t o r a de la m a d r e y N u r i a trata
134 NURIA AMAT

de r e c u p e r a r l a sin acabar de c r e e r e n la v e r d a d de los a r t i f i c i o s que


fabrica:

M i madre es u n armario atiborrado de palabras inservibles. Me visto con sus


ropas deformes como si estos vestidos espléndidos fueran mortajas de pala-
bras. Así es como voy construyendo m i cuerpo de escritora. Me disfrazo de
madre y, gracias a esa ropa de palabras, consigo verla por un instante en el
espejo. Es una stterte de destello. Un punto y aparte en el espejo. La escritura,
m i escritura y, finalmente, toda la escritura, consiste en buscarla.

L a n i ñ a n o se busca a sí m i s m a , busca al O t r o e n los espejos y ellos


le r e v e l a n la d o b l e ficción: n i es ella n i es la m u e r t a : ' T r e n t e al espe-
jo soy tantas veces m i m a d r e q u e m e espanta u n p o c o q u e ella pueda
aparecer d e u n m o m e n t o a o t r o y d e s c u b r i r m e e n el acto i n m o r a l de
s u p l a n t a r su i m a g e n . "
C o n e l r e l a t o de A m a t recaemos, de nueva maiíera, e n la vergüenza
d e V i r g i n i a W o o l f . Más a u n , N u r i a A m a t , c o n palabras precisas, escla-
rece a la e s c r i t o r a inglesa. Es p a t e n t e la vergtienza p o r gozar ai susütttir
la i m a g e n de la m a d r e f r e n t e al espejo. L a m i r a d a d e l looking-glass es
d e s p i a d a d a p o r q u e p r o v i e n e desde la u l t r a t u m b a , c o m o la de la loca
e n la v e n t a n a p r i v i l e g i a d a . Q u i e n se m i r a ante e l espejo, particular-
m e n t e si es l a h i j a desconsolada de u n a m a d r e d i f u n t a , ve d e l o t r o
l a d o a l g o q u e n i n g u n a o t r a m i r a d a p o d r í a avalar: u n e s p e c t á c u l o al
q u e o t r o s ojos están ciegos, el de o t r o r o s t r o al q u e se busca y q u e , si
apareciese e n e l espacio r e a l , p r o v o c a r í a el p á n i c o más espantoso. Se
h a b r í a c r u z a d o e l límite e n t r e la v i d a y l a m u e r t e , e n t r e la c o r d u r a y la
l o c u r a . E l c u l p o s o p a s a t i e m p o al q u e se d e d i c a A m a t e n e l desván d o n -
d e se c o n s e r v a n las p e r t e n e n c i a s de l a d i f u n t a m a d r e es u n s u p r e m o
p e c a d o . E l d e s u p l a n t a r l a , el m i s m o j u e g o q u e a c t ú a n ella y su p a d r e
e n las m a ñ a n a s d e l d o m i n g o . U n "acto i n m o r a l " . L a i m p o s t u r a ante
e l espejo, v e r d a d e r o quid pro quo, es o b e d i e n c i a al deseo d e l padre
y desafí o a l a L e y q u e p r o h i b e a la n i ñ a t o m a r e l l u g a r de la m a d r e .
S e g ú n ella, l a c o m p a s i ó n hacia e l p a d r e \ i u d o está e n la base de la p r o -
f a n a c i ó n q u e c o m e t e e n l o i m a g i n a r i o . Zugzwang, c o e r c i ó n i n e l u d i b l e :
haga l o q u e haga, estará m a l h e c h o . . . y n o p u e d e n o hacer. T i e n e q u e
r e p r e s e n t a r a la m a d r e p e r o n o p t i e d e serlo, h a b r á de d i v i d i r s e y llevar

N . A m a t , Letra herida. A l f a g u a r a , M a d r i d , 1998, p . 148.


^2 md., p . 158.
NURIA A M A T 135

mía d o b l e vida de ñcxióii. Misteriosos son los c a m i n o s q u e llevan a la


escritura autobiográfica .
Volvemos t a m b i é n al t e r r o r de M a r t h a Robles q u e se descubre sola
y a b a n d o n a d a ante u n espejo sin d i s c r e c i ó n n i m i s e r i c o r d i a . E l o b j e t o
causante es el m i s m o q u e h a b í a espantado a Borges e n sus n o c h e s y
angustiado a P r o u s t e n stis despertares. Es, o t r a vez, el espejo.
El p a d r e h a colocad o a N u r i a e n el l u g a r de la m u j e r p a r a p a l i a r
u n d u e l o q u e n u n c a a c a b ó . L a n i ñ a se instala e n e l espacio q u e se le
ofrece y o p o n e endebles resistencias. L a loca ha c a í d o p o r la v e n t a n a .
La m a d r e se ha e s f u m a d o e n el vacío d e j a n d o la o b l i g a c i ó n de visitarla
todos los d o m i n g o s e n el c e m e n t e r i o . N o es u n á n g e l q u e vela sobre
sus hijos h u é r f a n o s ; más b i e n llega a ser u n a p e r s e g u i d o r a despiada-
da, t a n t o más c u a n t o q u e n o se la p u e d e odiar. O f i c i a l m e n t e es "la rei-
na de los cielos y de mis s u e ñ o s i m a i l n e r a b l e s " p e r o , e n los anaqueles
de la b i b l i o t e c a , acecha c o m o "la m a d r e más m ^ i g n a y falsa", la ú n i c a
causante de l a desolación h o g a r e ñ a , la c u l p a b l e de la catástrofe f a m i -
liar y d e l l ú g u b r e d e s o r d e n de los s e n t i m i e n t o s de todo s ellos. N u r i a
se niega a absolverla p o r su h u i d a . L a n i ñ a sabe sin q u e n a d i e le diga.
Siente e n sí q u e ella m i s m a es "la más t o r p e p r o l o n g a c i ó n de sus p o -
d r i d o s huesos". N o sólo la i m a g e n reflejada e n los cristales, t a m b i é n
su c u e r p o de n i ñ a real está acechado p o r la m a d r e y s o m e t i d o a la
d e s c o m p o s i c i ó n . Los huesos n o se r e f l e j a n e n el espejo p e r o la m i r a d a
que cae sobre él es radiográfica. L a X de los rayos r e s p o n d e a la i n -
cógnita de la desaparició n de la m a d r e . L a o s a m e n t a d e l c e m e n t e r i o ,
v i n i e n d o desde e l i n e r t e cristal d e l espejo, pasa al o t r o l a d o de la p i e l
viva y se i n c r u s t a e n el r o s t r o i n f a n t i l p r o m u l g a n d o u n a i d e n t i d a d de
destinos. " L a m e m o r i a de su n o existencia persistiría viva e n m í hasta
el día e n q u e f u e r a a r e u n i r m e c o n ella, bajo su m i s m a t u m b a . " P o r su
n o existir la m a d r e es presencia p e r p e t u a , i n o l v i d a b l e clavo h u n d i d o
e n la m e m o r i a .
N o es el m o m e n t o de d e s a r r o l l a r las teorías f r e u d i a n a s sobre la
i d e n t i f i c a c i ó n c o n el objet o p e r d i d o e n el d u e l o y e n la m e l a n c o l í a n i
de r e c o r d a r las tesis actuales, discutibles, de la l i t e r a t a J u d i t h B u t l e r y
de l a queer theory sobre las consectiencias e n la i d e n t i d a d de las perso-
nas q u e n o p u e d e n l l o r a r la ausencia d e l o b j e t o a m a d o c u a n d o éste
es d e l m i s m o sexo. N u r i a es, al fin y al cabo, e n e d a d escolar, la " ú n i c a
m u j e r de la casa". Recibe presiones " n o r m a l i z a d o r a s " p a r a aceptarse
c o m o " u n a " m u j e r c o n su d e s t i n o m a r c a d o p o r la ley c o m ú n de p r o h i -
b i c i ó n d e l incesto; ella debe e n c a r n a r p r e c i s a m e n t e a "esa" m u j e r per-
136 m i R I A AMAT

fecta y o d i a d a , f u e n t e de sus desventuras. T i e n e q u e s u p l i r a la madre


a s u m i e n d o la c o n t i n u i d a d de su vida y n e g a n d o el proceso de duelo*
es e m p u j a d a a t o m a r e l l u g a r de la m u e r t a t a n t o c o n el p a d r e e n las
m a ñ a n a s de d o m i n g o c o m o e n los dos c e m e n t e r i o s : el de Barcelona y
e l de l a b i b l i o t e c a . L a pére-version le es i m p u e s t a . I n a p e l a b l e .
Si n o el p a d r e , ¿qtiién p o d r í a t r a n s m i t i r l e la ley? E n ese sitio de
vacío, de d o b l e vacío p o r l a ausencia de la m a d r e y p o r la i n o p e r a n c i a
d e l p a d r e , se y e r g u e el espejo. A m a t goza sustituyendo a la m u e r t a ,
i n c o r p o r a n d o sus olores, j u g a n d o a e n g a ñ a r al cristal c o n ropas que
la d e f o r m a n . Borges se espanta al ver su i m a g e n c o m o u n a y t r i n a , d i -
solvente de los límites de su i d e n t i d a d ; él p r e f i e r e fugarse de la prisión
d e l espejo. Robles se espantaba al ver el espectro de la m a d r e odiada
y t a m b i é n escapa d e él p o r m e d i o de la escritura. W o o l f gozaba al
j u g a r a n t e e l espejo el d o b l e p a p e l de la m a d r e y d e l a m a n t e que la
c o n q u i s t a , razón p o r l a c u a l le asustaba q u e a l g u i e i ^ l a descubriese en
su c u l p a b l e y v e r g o n z o s o j u e g o b i s e x u a l : la escritura le p e r m i t i ó crear
u n espacio de fantasía e n el q u e p o d í a e s c o n d e r la c u l p a sin r e n u n c i a r
al j u e g o . A m a t tiene m i e d o de ser descubierta, n o p o r u n a presencia
v i v i e n t e s i n o p o r u n a g u j e r o p e r f o r a d o e n el c e n t r o m i s m o d e l espejo
y de ser castigada p o r solazarse e n u n a i m p o s t u r a . Q u i e n l a acecha y
p e r s i g u e , n o m u c h o , " u n p o c o " , e n esos m o m e n t o s de goce vergon-
zante es l a m u e r t a m i s m a q u e p o d r í a d e s c u b r i r su "juego i n m o r a l " .
L a e s c r i t u r a le p r o c u r a u n espacio p r o p i o y la separa d e l yo ideal,
de esa m a d r e acabada y m o r t í f e r a q u e l a l l a m a desde los cielos y que,
a l a vez, l a atrae a los sótanos de l a l o c u r a . E l l a escribe p a r a escapar d e l
h o y o e n e l espejo y d e l vértigo d e las alturas de la v e n t a n a m a n i c o m i a l .
Es " u n p u n t o y aparte e n el espejo" — i m a r a v i l l o s o el p o d e r de las pa-
labras c u a n d o caen e n m a n o s de q u i e n las trae, pulcras, de l a t i n t o r e -
ría! A m a t usa r o p a q u e n o es l a de ella, u n a " r o p a de palabras " q u e le
p e r m i t e ' V e r l a " allí d o n d e se esconde, d o n d e ella, la m a d r e , presencia
e l p e c a m i n o s o e s p e c t á c u l o de la transfiguración filial i m p u e s t a p o r el
p a d r e . N o hay u n a figura m a t e r n a c o n la cual i d e n t i f i c a r s e , a la cual
q u e r e r parecerse. E l i d e a l d e l y o , s u p l e n t e de l a m u e r t a , t e n d r á que
ser alcanzado, p a r a m a y o r goce d e l p a d r e , e s c r i b i e n d o c o m o a él le
gusta, " c o m o D i c k e n s " .
D a m o s e n pensar q u e la l i t e r a t u r a escrita p o r N u r i a A m a t es, bá-
sicamente, l a de novelas m a r c a d a m e n t e autobiográficas. E n ellas la
p r o t a g o n i s t a oscila c o n s t a n t e m e n t e e n t r e u n "soy y o " y u n " n o soy yo;
es l a o t r a " . Su o b r a o b e d e c e a las leyes d e l g é n e r o . Escribe Pau l de
JAURIA AMAT 137
M a n : " L a distinción e n t r e ficción y a u t o b i o g r a f í a n o es u n a p o l a r i d a d ,
'*es esto o es l o o t r o ' sino q u e es... insoluble."^^ A m a t dice la v e r d a d
h a c i e n d o creer q u e u r d e u n a ficción. " Q u i e r o fingir q u e la h i s t o r i a n o
es fingida. M e cuesta i m a g i n a r m i e s c r i t u ra sin el m o t o r de ese equí-
voco constante q u e m a n t e n g o c o n m i g o misma/' A l final u n o n o sabe
quién escribe su página: si ella, si la m a d r e , si la i m a g e n surrealista
de la m e l a n c ó l i c a q u e cuelga en la v e n t a n a de enfi^ente. E l espejo las
hace i n t e r c a m b i a b l e s . E l yo vacila e n t r e u n l a d o y el o t r o d e l estrecho
pasaje q u e la separa d e l m a n i c o m i o , e n t r e u n o y o t r o l a d o d e l espejo
que la m i r a c o n ropas ajenas en e l desván q u e g u a r d a las r e l i q u i a s de
la d i f t m t a .
Dice la v e r d a d de sí m i s m a y la dice t a n t o más c l a r a m e n t e c u a n d o
más cree q u e la o c u l t a ; es p o r eso q u e n u n c a acaba de saber m u y b i e n
p o r d ó n d e pasa la f r o n t e r a e n t r e l o qu e h a vivido e n carn e p r o p i a y lo
que h a d i b u j a d o c o n u n a t i n t a q u e es a ú n m ^ p r o p i a q u e su sangre
arterial. I n v e n t a personajes q u e aveces ( e n La intimidad) h a b l a n " y o "
y d e s d o b l a n c o n s t a n t e m e n t e a la n a r r a d o r a , es decir, son a l a vez ella y
esa m a d r e h e c h a de débiles retoques a su i m a g e n , la i n f a n t i l , la aban-
d o n a d a , d i b u j a d a en l e n g u a ajena, en el i d i o m a q u e su c o m u n i d a d
barcelonesa rechaza, en castellano, sobre hojas de p a p e l . Ya l o d e c í a
en la n o t a de Babelia: " P o n g o n o m b r e s al silencio. I n v e n t o recuerdos
que n o t e n g o . Soy poeta sin saberlo."
Sé q ue estoy c o n s t r t i y e n d o u n a ficción c o n los materiales q u e o f r e -
ce la ficción de sí m i s m a q u e construye A m a t . A c l a r o a c u a l q u i e r lec-
tor d e s p r e v e n i d o q u e a s p i ro a la v e r o s i m i l i t u d y n o a l a v e r d a d (de la
que hace b u e n t i e m p o m e he o l v i d a d o ) . N u r i a A m a t se ve a sí m i s m a
c o m o u n personaje de n o v e l a y yo escribo algo así c o m o u n a n o v e l a de
su novela (y la de otros escritores a r b i t r a r i a m e n t e escogidos) p a r a p o -
ner a p r u e b a la tesis de u n a m e m o r i a q u e c o m i e n z a p o r el pavor. N o
m e p e r m i t i r í a " a p l i c a r l e " el psicoanálisis. Q u i e r o q u e su fina escritura
me revele, p o r el c a m i n o de las letras, o b e d e c i e n d o a sus s i g n i f i c a n -
tes, la e s t r u c t u r a de su fantasma, esa invención q u e se descuelga d e l
r e c u e r d o de la m u j e r s u s p e n d i da e n el aire.
L a carne, parece d e c i r n o s N u r i a A m a t , tiene la consistencia ras-
gable y la p r o p i e d a d c o m b u s t i b l e d e l p a p e l : " M i i n f a n c i a era u n l i b r o
a b a n d o n a d o c o n sus letras m u e r t a s e n itálica. Y m i v i d a era u n l i b r o , y

P. d e M a n , " A u t o b i o g r a p h y as d e f a c e m e n t " , e n The EJieUrric of Rnmanticism, Nueva


Y o r k , C o l u m b i a U n i v e r s i t y Press, 1984, p . 70.
188 NURIA AMAT

u n a t u m b a y unas letras sagradas en itálica." L a vida de p a p e l , la vida


e n e l p a p e l , la v i d a a través d e l p a p e l , hace r e l u c i r a la m u e r t e . La
i d e n t i f i c a c i ó n c o n la m a d r e p o r s i e m p r e ausente pasa p o r las r í g i d a
e s t a n t e r í a s de u n a n e c r ó p o l i s e n c u a d e r n a d a . Los espacios de la vida y
de la m u e r t e , de la c o r d u r a y de la l o c u r a , d e l c o m e r c i o y d e l incesto,
t i e n e n límites i m p r e c i s o s y las pasiones de la l e c t u r a y de la escritura
c u m p l i r á n la misión de r e f o r z a r las f r o n t e r a s y de e r i g i r aduanas entre
la v i d a p o s i b l e y la i m p o s i b i l i d a d de la vida,
N u r i a A m a t se r e f i e r e n o m e n o s de cien veces a "la m a d r e abando-
n a d a " . ¿ A b a n d o n a d a p o r q u i é n ? P o d r í a decirse q u e n o p o r ella, la pe-
q u e ñ a h u é r f a n a , p e r o h e m o s de aceptar su palabra c o m o verdadera.
L a m a d r e la d e j ó , sí, p e r o n o es m e n o s c i e r t o q u e ella d e j ó a la madre
y a c i e n d o e n u n c e m e n t e r i o de letras enlosadas: " U n a se pasa la vida
h a c i e n d o l o c o n t r a r i o de l o q u e su p a d r e desea para, u n a vez m u e r t o
hacer e x a c t a m e i U e l o q u e éste q u e r í a . " ¿ Y q u é querífl el Padre?
P r i m e r o , q u e a c o m o d e su c o l e c c i ó n y d e l i m i t e c l a r a m e n t e los es-
pacios e n t r e l o catalán (suyo) y l o castellano (de la h i j a ) . N u r i a A m a t
es hoy, según sabemos, p r o f e s o r a de la Escuela de B i b l i o t e c a r i o s de
Barcelona.
S e g u n d o , q u e r í a q u e ella escriba c o m o D i c k e n s. N u r i a A m a t se re-
b e l ó , p r o t e s t ó q u e n a d i e escribe c o m o D i c k e n s y creyó q u e sólo podía
salvarse d e l p é r f i d o deseo p a t e r n o si escribía n o como sino contra Dic-
kens. L l e g a a e x p l i c a r la m u e r t e de su p a d r e c o m o u n asesinato que
ella c o m e t i ó : ' ^

Mis textos ilegibles, indignos de una hija de Dickens, terminaron por matarlo. Por
eso cambió su testamento y me desheredó de sus libros que eran míos [..,] porque
en lugar de escribir como Dickens yo escribía como la hija de m i padre.

E l p a d r e n o h u b i e r a p o d i d o i m a g i n a r u n más fiel c u m p l i m i e n t o de
sus deseos. A m a t escapa d e l r e a l i s m o y escribe u n a l i t e r a t u r a i n t i m i s t a ,
c o n f i d e n c i a l , a u t o b i o g r á f i c a. N o sabemos q u é y c u á n t o s a b í a el p a d r e
sobre la v e r d a d de D i c k e ns p e r o A m a t sí l o s a b e :

M i padre ignoraba que las novelas realistas de Dickens eran calificadas de ese
modo por sti exceso de datos personales y autobiográficos. Tal vez m i padre
temía, en el fondo, que yo acabara escribiendo como Dickens (id.).

N . A m a t , La intimidad, c i t . , p . 173.
IRIA AMAT ^

iQué m a r a v i l l o s o j u e g o de espejos! A l c o n s u m a r u n p a r r i c i d i o p u -
. « ^ e n t e i m a g i n a r i o se hace la g u a r d i a n a d e l d e s t i n o real d e l p a d r e
j u n t o a sus dos h e r m a n o s , p r i v a d o s los tres d e l c o n s u e l o m a t e r n o
c u m p l e n p a r a ese p a d r e la misió n salvadora de c o n d n u a r a la m u e r t a
a la vez q u e la m a n d e n e n e n c e r r a d a e n los m u r o s de la biblioteca'
P r e t e n d i e n d o c o n t r a r i a r l o , p r e t e n d i e n d o llevar a cabo u n parricidio^
acaba r e a l i z a n d o su p r o p i o deseo qu e es el deseo d e l O t r o : escribe,
c o m o D i c k e n s , novelas a u t o b i o g r á f i c a s y e n s e ñ a , c o n t i n u a n d o c o n el
encargo p a t e r n o , los arcanos de la profesión a los b i b l i o t e c a r i o s .
9
V L A D I M I R N A B Ó K O V : ¿ C Ó M O S E R Í A E L M U N D O S I N MÍ?

1 . FELICIDADES DE LA MEMORIA INFAN I I L

Q u e n o q u e p a n dudas: fácil d e b e ser e n c o n t r a r e j e m p l o s q u e n o con-


firmen {infirmen, d i c e n los e p i s t e m ó l o g o s desde hace u n t i e m p o ) la
tesis de J u l i o Cortázar, es decir, e n c o n t r a r personas y escritores cuyos
p r i m e r o s r e c u e r d o s n o t e n g a n el c a r á c t e r "espantoso" d e l gallo del
amanecer. C o n f i e s o haberlos buscado c o n ganas, s e n t f ^ u e hallaba el
c o n t r a e j e m p l o p e r t i n e n t e e n V i r g i n i a W o o l f , antes de d i s t i n g u i r entre
e p i f a n í a s y r e c u e r d o s , y a d m i t o q u e e n c o n t r é u n a u t o r e n q u i e n el
placer de r e c o r d a r n o tiene límites y el espanto i n f a n t i l parece fal-
tar: V l a d i m i r V l a d i m i r o v i c h Nabókov.^ (San P e t e r s b u r g o , Rusia, 1899-
M o n t r e u x , Suiza, 1977) Su a u t o b i o g r a f í a es, acaso, desde u n p u n t o de
vista e s t r i c t a m e n t e l i t e r a r i o , la más h e r m o s a j a m á s escrita: u n m o d e l o
definitivo del "género".
E l c o m i e n z o de su relato, e l c a p í t u l o 1 , b i e n p u d i e r a titularse '^Una
infancia perfecta en un mundo perfecto^ B u e n c u i d a d o t i e n e el a u t o r de
e x h i b i r u n m a p a d e t a l l a d o de las tres vastas haciendas de los padres
e n V y r a d o n d e pasó b u e n a p a r t e de su i n f a n c i a b u c ó l i c a y la f o t o g r a-
fía de la i m p r e s i o n a n t e m a n s i ó n f a m i l i a r de g r a n i t o rosa, de estilo
i t a l i a n i z a n t e , e n la n o b l e c i u d a d de San P e t e r s b u r g o . E l a ñ o de su na-
c i m i e n t o , 1899, nos lleva a calcular c o n f a c i l i d a d e l n ú m e r o de 18 para
los a ñ o s q u e t e n í a c t i a n d o estalló la R e v o l u c i ón de O c t u b r e , c u a n d o
su m u n d o de h o l g u r a y p r i v i l e g i o s se d e r r u m b ó . E l p r i m e r l u s t r o de la
i n f a n c i a h a b l a de vacaciones e n I t a l i a y e n A l e m a n i a , de u n desfile de

' V . N a b ó k o v [ 1 9 6 7 ] , ¡Habla, memoria! l.ns r e f e r e n c i a s a esta autobiografía rexiisita-


da s i g u e n l a e d i c i ó n e n e s p a ñ o l ( M é x i c o , E d i v i s i ó n , 1992, t r a d u c c i ó n d e A . S c h e r p ) ,
p e r o t o d a s las citas e s t á n cotejadas (y, e n sti caso, l a t r a d u c c i ó n c o r r e g i d a ) c o n l a e d i -
c i ó n e n i n g l é s : Speak, memory. An autobiography reiñsited, N u e v a Y o r k y T o r o n t o , K n o p f
( E v e r y m a n ' s L i b r a r y ) , 1999.
^ D e h e c h o , el c a p í t u l o a p a r e c i ó p o r p r i m e r a vez e n New Yorkerel 15 d e a b r i l d e 1950
c o n e l t í t u l o " U n p a s a d o p e r f e c t o " , s u p r i m i d o l u e g o e n el v o l u m e n d e f i n i t i v o . ("Prefa-
c i o " , c i t . , p . 10, e n i n g l é s , p . 3.)

[140]
VLADIMIR NABOKOV ^ 141

preceptores qtie l o i n s t r u y e r o n e n las distintas lenguas de O c c i d e n t e ,


de su a p r e n d i z a j e de la e s c r i t u ra antes en inglés q u e en r u s o , de los
aristocráticos o r í g e n e s alemanes de la f a m i l i a de su abuela p a t e r n a ,
de las riquezas de su m a d r e y de las nobles c o n d i c i o n e s patricias de
su p a d r e , h o m b r e i d e a l , el p a d r e de H a m l e t r e d i v i v o , ser e x c e p c i o n a l
que vivía m u y p o r e n c i m a d e l resto de los m o r t a l e s .
C o n s i g n a r e m o s en u n p r i n c i p i o l o q u e está m a n i f i e s t o e n el t e x t o ,
sin a n t i c i p a r la sorpresa q u e nos a g u a r d a al final. E l p r e s u n t o p r i m e r
r e c u e r d o n í t i d o de Nabókov, a q u e l c o n el cual siente q u e n a c i ó a la
vida, tiene l u g a r u n día de c t i m p l e a ñ o s de la m a d r e . E n ese m o m e n -
to, fechable c o n r i g u r o s a e x a c t i t u d , c o n s i g u i ó asociar la i d e a q u e ya
tenía de sus 4 años de e d a d c o n los 27 q u e ella c u m p l í a y c o n los
33 d e l p a d r e . L a c r i a t u r a d i s p o n e hasta los o c h o a ñ o s de " u n d o n
algo m o n s t r u o s o p a r a los n ú m e r o s q u e l o h a c í a u n n i ñ o p r o d i g i o
en m a t e m á t i c a s " ( p . 139). C u a n d o la m a d r e ctxmplió 27 años, dice
él, a m a n e c i ó su s e n t i d o d e l t i e m p o ; ese día c o m p r e n d i ó q u e estaba
insertado e n la h i s t o r i a . . . h i s t o r i a q u e , p a r a el p o b r e Joyce, era u n a
pesadilla de la q u e q u e r í a despertar; p a r a e l m i m a d o Nabókov, u n
plácido s u e ñ o q u e l o p r o t e g í a de la h i s t o r i a qu e l u e g o c a e r í a sobre él
de m a n e r a o m i n o s a . C o n s e r v ó d u r a n t e largos a ñ o s u n p r o f u n d o i n -
terés e n la e d a d de los padres pues e l d a t o le servía de r e f e r e n c i a per-
sonal: " c o m o u n pasajero n e r v i o s o qu e p i d e la h o r a p a r a v e r i f i c a r el
f u n c i o n a m i e n t o de u n n u e v o r e l o j " ( p . 2 3 ) . R e t e n g a m o s ese d a t o d e l
t i e m p o de los calendarios y los c u m p l e a ñ o s , e l t i e m p o " o f i c i a l " , c o m o
"el p r i m e r r e s p l a n d o r de u n a c o n c i e n c i a c o m p l e t a " . Sin vaguedades y
sin vishmrbre s de la m u e r t e .
M i e n t r a s q u e Cortázar e n u n c i a u n a p r o p o s i c i ó n u n i v e r s al q u e l i g a
m e m o r i a y espanto de las auroras, N a b ó k o v f o r m u l a o t r a , d e l t o d o
c o n t r a r i a a la d e l escritor a r g e n t i n o :

Es p o s i b l e q u e s i e n t a u n a a f i c i ó n e x c e s i v a h a c i a m i s p r i n a e i a s impresiones,
p e r o t e n g o r a z o n e s p a r a estarles a g r a d e c i d o [...] N o hay nada más dulce o
e x t r a ñ o q u e m e d i t a r s o b r e esas p r i m e r a s e m o c i o n e s . P e r t e n e c e n a l a r m o n i o -
so m u n d o d e u n a i n f a n c i a p e r f e c t a y p o s e e n p o r e l l o u n a f o r m a p l á s t i c a n a -
t u r a l e n l a m e m o r i a , q u e se d e j a p l a s m a r s i n e s f u e r z o ; es s ó l o a p a r t i r d e l a s

' E l i n t r o d u c t o r d e l a e d i c i ó n e n i n g l é s , B r i a n B o y d , n o v a c i l a e n d e c i r q t i e el p r i m e r
c a p í t t i l o " g i r a a l r e d e d o r d e su p r i m e r r e c u e r d o q u e N a b ó k o v cree q u e d a t a d e u n o d e
los c u m p l e a ñ o s d e su m a d r e " ( p . x v ) .
142 V l . A D T M T R NABÓKOV

r e m i n i s c e n c i a s adolescentes q u e M n e m o s y n e e m p i e z a a p o n e r s e qtvisquillosa
y g r u ñ o n a (p. 25).

N a d a hay e n N a b ó k o v d e los h o r r o r e s i n a u g u r a l e s d e u n n i ñ o na-


c i d o e n el e x i l i o , t r a n s p o r t a d o p o r los vientos d e l a h i s t o r i a (Bruselas
B a r c e l o n a , B u e n o s A i r e s ) , r o d e a d o p o r la r a r a a t m ó s f e r a de u n a gue-
r r a a p o c a l í p t i c a . E l j o v e n V l a d i m i r siente q u e "los n i ñ o s rusos de m i
g e n e r a c i ó n " (¿todos al i g u a l q u e él?) vi\deron u n p e r i o d o resplande-
c i e n t e , g e n i a l , e n d o n d e p o d í a n a c o p i a r las i m p r e s i o n e s d e l m u n d o
de m a n e r a pri\dlegiada, c o m o s i e l d e s t i n o se esforzase e n p r e m i a r a
esos c h i c o s d á n d o l e s i n c l u s o más d e l o q u e m e r e c í a n " e n vista d e l ca-
t a c l i s m o q u e haría a ñ i c o s e l m u n d o q u e c o n o c í a m o s " ( i d . ) .
N o es la m i s m a l a o p i n i ó n de o t r o g r a n " e s c r i t o r " r u s o , perseguido
p o r u n d e s t i n o trágico, Lev D a v i d o v i c h B r o n s t e i n , j u d í o , plebeyo y
a l e j a d o de la c a p i t a l imperial.'*

S u e l e d e c i r s e q u e l a i n f a n c i a es l a é p o c a m á s d i c h o s a d e u n a e x i s t e n c i a . ¿Es
s i e m p r e así? N o . P o c o n u m e r o s o s s o n a q u e l l o s q u e t u v i e r o n u n a n i ñ e z feliz.
L a i d e a l i z a c i ó n d e la i n f a n c i a p r o c e d e d e la r a n c i a l i t e r a t u r a d e los privilegia-
dos. U n a i n f a n c i a c o m p l e t a m e n t e segura q u e d a b a e n la m e m o r i a c o m o u n
e s p a c i o l u m i n o s o i n u n d a d o d e sol e n los a l b o r e s d e l c a m i n o d e la v i d a [.,. ] L a
i n m e n s a m a y o r í a de la gente, apenas a r r o j a n u n vistazo hacia atrás, perciben
p o r e l c o n t r a r i o u n a n i ñ e z s o m b r í a , m a l n u t r i d a , s o m e t i d a . L a \ i d a se e m p e ñ a
e n g o l p e a r a l o s d é b i l e s ¿y q t a i é n . e s m á s d é b i l q u e l o s n i ñ o s ?

T a m p o c o es esto l o q u e e n c o n t r a m o s e n o t r o p o e t a i n s i g n e , tam-
b i é n r u s o , t a m b i é n j u d í o , t a m b i é n e x i l i a d o , J o s e p h Brodsky,^ qtie
c o m i e n z a su a u t o b i o g r a f í a c o n t a n d o dos r e c u e r d o s de i n f a n c i a que
n a d a t i e n e n q u e ver c o n el idílico estar e n casa sino c o n su iniciación
e n el "arte d e l e x t r a ñ a m i e n t o " de sí m i s m o al t e n e r q u e d a r c u e n t a de
su i d e n t i d a d ante extraíaos: r e c i t a r el catecismo m a r x i s t a o tener que
d e f i n i r s e c o m o j u d í o e n el salón de clases: " L a v e r d a d e r a h i s t o r i a de la
c o n c i e n c i a c o m i e n z a c o n la p r i m e r a m e n t i r a q u e u n o d i c e . "
E l pasado de N a b ó k o v es idílico y él es i n f a t i g a b l e e n las loas a esa
p e r f e c c i ó n de la m e m o r i a y de los r e c t i e r d o s q u e se c o m p l a c e e n se-
ñ a l a r c o m o rasgos distintivo s de su m a d r e ( p . 43) y de su p a d r e que

* L . T r o t s k y , Ma vie, P a r í s , G a l l i m a r d , 1953, p . 17.


^ J. B r o d s k y , Less than one, N u e v a Y o r k , N o o n d a y , F a r r a r , Straus G i r o u x , 199.S, p . 7.
VLADIMIR NABÓKOV 143
podía r e c o r d a r la fech a d e l 17 de agosto de 1883 e n q u e cazó u n a rara
itiáriposa ( p . 8 3 ) , fecha q ue el h i j o conserva (¿para q u é ? ) e n su atito-
l^j^^grafía. Por t o d o e l l o p u e d e escribir

El acto de recordar v i v i d a m e n te vm t r o z o de! pasado es algo qvic al parecer he


ejecutado c o n sumo placer d u r a n t e toda la vida, y tengo razones para creer
que esta agudeza patológica de m i facultad retrospectiva constituye u n rasgo
hereditario (p- 8 3 ) .

L a m e m o r i a de Nabókov es t m santuario, u n espacio sagrado al q u e


se repliega p a r a t o m a r fuerza e n los m o m e n t o s difíciles q u e la vida
no le a h o r r ó . El insiste en tratar a los a ñ o s de i n f a n c i a c o m o objetos
conservados e n estado p u r o , i n m u n e s a l a usura, a l a d e g r a d a c i ó n ,
a la falsificación. Su m e m o r i a es u n frasco de f o r m o l . Los r e c u e r d o s
descansan embalsamados e i n c o r r u p t i b l e s :

Vuelvo a ver ttii salón de clases e n Vyra, las rosas azules d e l p a p e l tapiz, la
abierta ventana. Su reflejo llena el espejo ovalado e n c i m a d e l sofá de ctiero
donde está sentado riii tío que m i r a c o n maligna satisfacción tin l i b r o m a l t r a -
tado. U n s e n t i m i e n t o de segtiridad, de bienestar, de calidez estival se i n f i l t r a
en m i r e c u e r d o . Esa robusta realida d hace d e l presente u n espectro. La l u m i -
nosidad desborda el espejo y se d e r r a m a . U n abejorro ha e n t r a d o al c u a r t o y
choca c o n t r a el cielorraso. T o d o es c o m o debiera ser; n a d a cambiar á j a m á s ,
n u n c a m o r i r á nadie ( p . 85, traducción c o m p l e t a d a y c o r r e g i d a , Speak, memory,
cit., p. 5 6 ) .

Los maravillosos r e c u e r d o s son clasificados y g u a r d a d o s en o r d e n ;


hay u n a i n c o e r c i b l e pasión q u e se revela e n la c o l e c c i ó n filatélica de
los m i s m o s e n u n á l b u m de la m e m o r i a ; casi t a n d o m i n a n t e c o m o la
otra pasión de Nabókov: la de atiapar, p i n c h a r c o n alfileres y r o t u l a r
mariposas. Esa pasión, h e r e d a d a t a m b i é n , se m a n i f i e s t a desde los seis
años de e d a d y d u r a t o d a la vida. Su avidez p o r las p o l i l l a s y mariposas
era v i o l e n t a : " E l deseo de d e s c r i b i r u n a nueva especie suplantó p o r
c o m p l e t o , a los o c h o años, al de d e s c u b r i r u n n u e v o n ú m e r o p r i m o "
( p . 139), U n ansia t a n v e h e m e n t e n o p o d í a q u e d a r sin r e c o m p e n s a :
nos e n t e r a m o s así de ciertos b i c h o s q u e llevan su n o m b r e : e l Cydargus
Nabókov ( p . 73) y la Euphitecia nabokovi ( p . 143). C o n o r g u l l o i n v i t a a
los lectores a q u e vean sus colecciones de l e p i d ó p t e r o s en el M u s e o
de Ciencias N a t u r a l es de N u e v a York y e n el de la U n i v e r s i d a d de
144 VLADIMIR NABÓKOV

C o r n e l l . Las reminiscencias se c o n v i e r t e n e n m a t e r i a l l i t e r a r i o y las


mariposas se c o n s e r v a n p a r a s i e m p r e , inmóviles. Retñeved: arrancadas
al o l v i d o y a la naturaleza. C o d i f i c a d a s {encoded) de u n a vez para la
eternidad.
Q u e n a d i e q u i e r a c o n t a m i n a r al e n t o m ó l o g o y al m e m o r i o s o con
i m p u r e z a s sicalípticas y c o n secreciones psicoanalíticas; desde el co-
m i e n z o de la autobiografía, él r u g e de i m p a c i e n c i a :

Déjenme apuntar de txna buena vez qtie rechazo por completo el mundo
vttlgar, rtún (shabby) y medieval de Freud, con su chiflada {cranky) indagación
de símbolos sexuales y sus embrioncitos amargados que espían desde sus ma-
drigueras la vida sexual de sus padres (p. 21).

D e m a s i a d a v e h e m e n c i a en la protesta. C o m o si q u i s i e r a prevenirse
de q u e se le r e c u e r d e el ú n i c o s u e ñ o q u e d e t a l l a e n su autobiografía,
u n s u e ñ o d o n d e n o se necesita ser psicoanalista n i abandonarse al
t r a n q u i l o goce de f a b r i c a r i n t e r p r e t a c i o n e s "atrevidas" p a r a e n t e n d er
de q u é se trata. Se i m p o n e r e p r o d u c i r su i n i m i t a b l e prosa, saborear
cada p a l a b r a .

A l poco tiempo descubrí una espectacular polilla indefensa en una esquina


de la ventana del vestíbulo y m i madre la mató con éter. En los años siguientes
usé muchos agentes letales, pero el menor contacto con esa sustancia inicial
ilumina para mí de inmediato el porche del pasado y atrae a esa aturdida belleza
(Ihat blundering beauty). Una vez, ya adulto, estaba bajo los efectos del éter para
que me extirpasen el apéndice y pude verme a mí mismo, con la nitidez del
dibujo de una calcomanía, con traje de marinero, fijando {mounting) a una
nueva polilla Emperador bajo la guía de una dama china que yo sabía que era
m i madre. Todo estaba allí, diáfanamente reproducido en m i sueño, mientras
mis propias visceras estaban expuestas: el gélido algodón absorbente empa-
pado y apretado sobre la lemúrida cabeza del insecto; los espasmos cada vez
más débiles de su cuerpo; la satisfactoria crepitación producida por el alfiler
que penetraba en la dura caparazón de su tórax; la cuidadosa inserción de la
punta del alfiler en la ranura forrada con corcho de la tabla de exposición;
el ajuste simétrico de las gruesas alas surcadas por gruesas venas debajo de
bandas de papel semitransparente hábilmente pegadas (p. 137, traducción
muy corregida).
VLADIMIR NABÓKOV 145
¿Cuál es la blundering beauty atraída p o r el éter, i n m o v i l i z a d a , p i n -
chada p o r el alfiler, c o n u n goce i n e f a b l e de q u i e n "la m o n t a " y "la
penetra" atravesando su c a p a r a z ó n ?
E l l e c t o r de este s u e ñ o pviede, si q u i e r e , conservar su c a n d o r n a -
bokoviano. N a d a h a b r í a para i n t e r p r e t a r si q u i e n n a r r a este s u e ñ o n o
tiene asociaciones y t a m p o c o saltan en q u i e n l o escucha. Los otros,
los p e r v e r t i d o s q u e sí somos sensibles al h e c h i z o de las palabras de su
grácil prosa, t a m p o c o t e n d r í a m o s nada q u e agregar. S i m p l e m e n t e pe-
diríamos q u e se nos r e p i t a e l r e l a t o , p r e g u n t a r í a m o s si el stieño t i e n e
algo q ue ver c o n la h i s t o r i a d e l precoz a m a n t e de las mariposas, c o n
la c o n t e n c i ó n de imptils^js agresivos, c o n e l d e s p l a z a m i e n t o sobre u n a
inocente p o l i l l a {marooned moUi) de u n a l i b i d o (¿libido? [qué cranky\)
que n o t i e n e — ¡ f a l t a b a m á s ! — n i n g ú n c o n t e n i d o sexual. Quizá, c o m o
lectores p o b r e s en i n g e n u i d a d , nos atreveríamos a sugerir q u e Lolita
(1958), la n o v e l a escrita al m i s m o t i e m p o q u e Speak, memory, (1947-
1960) n o salió de la n a d a .
Parece q u e estas disquisiciones nos h a n llevado f u e r a d e l t e m a de
la m e m o r i a y de los p r i m e i o s r e c u e r d o s. T o c a a h o r a regresar y ver q u e
nuestra i n c u r s i ó n p o r el t e r r e n o o n í r i c o n o f u e vana. Ya establecimos
la r e l a c i ón e n t r e la pasión p o r las mariposas y los goces de la m e m o -
ria, u n a m e m o r i a t a n c o d i f i c a d a c o m o las mariposas e n l a p l a n c h a de
e x p o s i c i ó n . " O b s e r v o c o n placer la h a z a ñ a s u p r e m a de la m e m o r i a , el
uso m a g i s t r a l q u e hace de las a r m o n í a s innatas al g u a r d a r e n su r e d i l
las t o n a l i d a d e s suspendidas y errantes d e l pasado" ( p . 199).
N a d a se h a p e r d i d o . P o r la gracia de u n a m e m o r i a sin tacha, los
r e c u e r d o s h i b e r n a n p l á c i d a m e n t e y p u e d e n ser e x t r a í d o s d e l a l m a -
cén y descongelados cada vez q u e soti r e q u e r i d o s p o r la g u l a de la
evocación. E l m a r a v i l l o s o pasado se r e c u p e r a cada vez q u e e l g e n i o de
la l á m p a r a l o convoca. E n v i d i a b l e situacic>n, e n v e r d a d . Regresemos
a h o r a al g r a t o p r i m e r r e c u e r d o r e c o n o c i d o de t a l m o d o p o r N a b ó k o v
y p o r sus exegetas: e l d e l placer de ubicarse e n ei t i e m p o e n r e l a c i ó n
c o n las edades de los padres, la pasión p o r evocar o r d e n a d a m e n t e los
r e c u e r d o s t e n i e n d o p u n t o s de r e f e r e n c ia " c o m o q u i e n consulta ner-
viosamente el f t m c i o n a m i e n t o de u n r e l o j " .
146 VLADIMIR NABÓKOV

2 . CRONOFOBIA

N a b ó k o v es el evangelista de la nostalgia. F r e n t e a la r o b u s t a realidad


d e l pasado, el presente es u n espectro y n a d a p o d r á cambiar, nadie
h a b r á de m o r i r . E l t i e m p o n o se ha d i s u e l t o : las p o m p a s de j a b ó n que
f a s c i n a r o n al n i ñ o n o h a n estallado; t o d o está ahí, a la m a n o . Mejor
a ú n ; el t i e m p o n o existe

Confieso que no creo en el tiempo. Me encanta plegar m i alfombra mágica,


después de usarla, de modo que una parte del diseño quede encima de la
otra. Dejemos que los visitantes se tropiecen. Y e l momento supremo del goce
de la intemporalidad {the highest enjoyment of tímelessness) sobreviene ctiando
me paro entre raras mariposas y las plantas donde se nutren. Es el éxtasis y,
detrás del éxtasis, hay algo más, difícil de explicar. Es como un vacío momen-
táneo en el que se precipita todo lo que amo (p. 1 6 0 ) .

N a b ó k o v usa la memoria contra el tiempo. E l espanto pascaliano por


e l s i l e n c i o eterno de los espacios i n f i n i t o s e n c u e n t r a e n él u n a exacta
c o n t r a p a r t i d a e n la angustia p o r el tiempo v i v i d o , u n a v e r d a d i n t e r i o r
q u e n o necesita t o m a r en c u e n t a a las m a g n i t u d e s siderales. E l sufre
p o r q u e sabe — p o r d e m á s , d i r í a m o s — q u e la v i d a es "sólo u n a breve
r e n d i j a de l u z e n t r e dos e t e r n i d a d e s de o s c u r i d a d " . Eso se lee e n la
p r i m e r a frase de ¡Habla, memoria!, i n m e d i a t a m e n t e despué s de consta-
tar q u e "la c u n a se mece sobre u n a b i s m o " . N a b ó k o v n o p u e d e dejar
de c a l c u l a r q u e la m u e r t e se a p r o x i m a a razón de u n o s 4 5 0 0 latidos
cardiacos p o r h o r a (contar, c o n t a r l o t o d o , " a r i t m o m a n í a " , según los
clásicos de la psiquiatría) y siente q u e la e t e r n i d a d q u e v i e n e después
de la m u e r t e es terrorífica . T o d o el b e l l o y d i l a t a d o l i b r o es u n alegato
e n c o n t r a d e l t i e m p o . H a b l a de dos e t e r n i d a d e s de o s c u r i d a d y cons-
tata — s i g u i e n d o , sin acordarse de e l l o , a T o l s t o i — q u e hay también
u n " a b i s m o p r e n a t a l " . T o d o eso está d i c h o e n las p r i m e r a s o c h o líneas
de l a a u t o b i o g r a f í a . I n m e d i a t a m e n t e , sin u n p u n t o y aparte, se lanza a
d e s c r i b i r el primen'recuerdo del libro, u n r e c u e r d o q ue p r e f i e r e a t r i b u i r a
" o t r o " , a l g u i e n q u e n o sería él

Sé de u n joven cronofóbico que sintió algo parecido al pánico al ver por pri-
mera vez unas películas caseras tomadas pocas semanas antes de sti nacimien-
to. Veía u n m u n d o prácticamente igual —la misma casa, la misma gente—,
y comprendió al instante que él no tenía allí ningtma existencia y que nadie
VLADIMIR NABÓKOV ^47

lamentaba su ausencia. Vislumbró brevemente a su madre, que saludaba con


tamaño desde la ventana en un piso superior; ese gesto extraño lo perturbó,
corno si se tratase de ur>a misteriosa despedida. Pero más aún lo aterró la vi-
sión de una flamante carriola en el porche, con el aire relamido y usurpador
de un ataúd: estaba vacía, pero era como si, en un orden invertido de ios
acontecimientos, sus propios huesos se hubiesen desintegrado (p. 19).

Éste es el primer recuerdo de Vladimir Nabókov, el p r e s i d e n t e v i t a l i c i o de


su vida y de su o b r a . Este recuerdo fundador es tan precoz que es prenatal.
En su caso, a d i f e r e n c i a de los autores q ue h a n sido hasta a h o r a nues-
tros testigos, n o se p u e d e n i se q u i e r e o c u l t a r q u e el r e c u e r d o h a sido
fabricado y l u e g o se nos distrae acerca de su f u e n t e : es u n a fantasía
e n o r m e m e n t e significativa, precisament e p o r q u e n o busca hacerse
pasar c o m o r e p r o d u c c i ó n de u n a c o n t e c i m i e n t o r e a l . Es u n " p r i m e r
r e c u e r d o " de algo q u e n u n c a sucedió, inverosímil y, p o r eso, verdade-
ro, espantoso, u n a a u t é n t i c a pesadilla. Es el p r i m e r o de Nabókov, sin
duda, p o r e l l u g a r q u e o c t i p a c o m o p r e á m b u l o de la a u t o b i o g r a f í a.
Pero, ¿por q u é n u e s t r a desconfianza ante su a f i r m a c i ó n de q u e t a l
r e c u e r d o n o es p r o p i o sino prestado? ¿ Q u i é n sería el " j o v e n c r o n o f ó -
b i c o " sino el m i s m o escritor q u e describe c o n t a l l u j o de detalles la
vivencia í n t i m a de t m a p e r s o n a de la qu e "ha sabido"?, ¿ Q u i é n sino él
podría ser e l " j o v e n c r o n o f ó b i c o " ? , ¿ Q u i é n c o n o c e " c r o n ó f o b i c o s " y
n o m e r o s h o m b r e s y mujeres acongojados p o r la vejez y la s e g u r i d a d
de la m u e r t e ? ¿ Q u i é n ha c o n o c i d o g e n t e q u e m e r e z c a ese e p í t e t o ?
A d m i t a m o s q u e es u n a c o i i d i c i ó n e x t r a ñ a . A l leer la a u t o b i o g r a f í a c o n
a t e n c i ó n vemos q u e d e b e m o s r e c o r r e r m u c h o t e x t o p a r a e n t e r a r n o s
de q u e e l goce stxpremo d e l escritor es el de la intemporalidad y p a r a
llegar, 140 páginas después, a la c o n f e s i ó n , ya a n t i c i p a d a , de q u e N a -
bókov n o c r e í a e n el t i e m p o y q u e n o p o d í a r e c o n c i l i a r se c o n la i d e a
de la t r a n s i t o r i e d a d . C o m o e l j o v e n p o e t a q u e a c o m p a ñ a b a a F r e u d
— s e g u r a m e n t e Rilke—- en el breve y h e r m o s o t e x t o l l a m a d o , j u s t a-
m e n t e , Verganglichkeit.^
E l espanto c o r t a z a r i a n o resulta ser, e n la e s c r i t u r a de Nabókov, e l
pavor ante u n a existencia p r e c a r i a q u e p o d r í a disolverse e n l a n a d a ,
c o m o el p e r d i d o paraíso i n f a n t i l . En el comienzo era el cadáver, la m a r c h a
atrás e n e l t i e m p o l o lleva a e n c o n t r a r e l p o l v o de sus huesos e n u n a
c a r r i o l a q ue aún n o ha sido estrenada, en u n c o c h e c i t o ( f ú n e b r e )

S. F r e u d [ 1 9 1 6 ] , " L a t r a n s i t o r i e d a d " , e n O. C, c i t . , v o l . x i v , p p . 309-312.


148 VLADIMIR NABÓKOV

q u e l o espera p a r a llevárselo m i e n t r a s la m a d r e ensaya u n a d e m á n de


d e s p e d i d a . M e m o r i a y mariposas t i e n e n q u e salvarlo de ese fantasma
o r i g i n a r i o q u e p r e c e d e y g o b i e r n a a la existencia. A ú n n o h e m o s dado
v u e l t a la p r i m e r a p á g i na de la a u t o b i o g r a f í a y ya nos enteramos de
q u e N a b ó k o v p i q u e t e a c o n t r a la severa N a t u r a l e z a {pickets naturé) que
i m p o n e ese estado de cosas: " U n a y o t r a vez m i m e n t e h a realizado
esfuerzos colosales para d i s t i n g u i r los más débiles destellos en la oscu-
r i d a d i m p e r s o n a l de ambos lados de m i v i d a . " Sabe q u e esa oscuridad
es p r o v o c a d a n a d a más q u e p o r los m u r o s d e l t i e m p o ; sabe q u e contra
ellos se m a g u l l a n sus p u ñ i t o s i m p o t e n t e s . Busca c o n desesperación
u n c a m i n o de escape, h u i r d e l t i e m p o , y acaba d e s c u b r i e n d o "que la
prisión d e l t i e m p o es esférica y n o t i e n e salidas; t o d o l o he i n t e n t a d o ,
e x c e p t o el s u i c i d i o " .
A h o r a e n t e n d e m o s la f u n c i ó n c o n s o l a d o r a d e l desfile de recuer-
dos e n c u b r i d o r e s q u e se a g o l p a n e n su m e m o r i a p a r l a n t e ; el álbum
e n t e r o le sirve p a r a t o m a r d i s t a n c i a d e l asustado j o v e n c r o n o f ó b i c o
q u e n o p u e d e n i confesar q u e es él m i s m o . Y, sin e m b a r g o , el texto,
d e m a j e s t u o s a belleza, a h í está. L a m e m o r i a de N a b ó k o v p i n c h a y
clava sobre placas de c o r c h o a los r e c u e r d o s q u e v u e l a n . L a estra-
t e g i a p a r a alejar a la m u e r t e es e l l a m i s m a m o r t a l . L a m e m o r i a , la
suya, vive p a r a a l i m e n t a r a l a f a n t a s í a . Es s u b l i m e y p a t é t i c o l o que
le o c u r r e al g r a n novelista, e l c r e a d o r de figuras i n m o r t a l e s c o m o
A d a , P n i n , Sebastian K n i g h t c o n su h e r m a n o , H u m b e r t H u m b e r t
c o n L o l i t a y t a n t o s o t r o s : cada vez q u e r e m u e v e a l g u n o de sus p r o -
p i o s r e c u e r d o s y l o pasa a u n p e r s o n a j e de las novelas q u e escribe,
c o m p r u e b a el desmayo de l a m e m o r i a c u a n d o se traslada al p a p e l y
a l m u n d o de l a ficción. L a v i d a se d e s t i ñ e al c o n t a r l a . E n su m e n t e el
r e c u e r d o persiste, p e r o se hace l á n g u i d o y se e n f r í a , p i e r d e su magi a
y acaba p o r q u e d a r m e j o r i m p r e s o e n l a n o v e l a q u e e n su m e n t e . Las
casas d o n d e vivió, u n a vez descriptas p o r e l artista, se d e s m o r o n a n
s i n e s t r é p i t o e n la m e m o r i a , c o m o pasaba e n las a n t i g u a s películas
m u d a s . L e y e n d o e l r e l a t o de esta l u c h a e n t r e e l h o m b r e q u e goza y
e l a r t i s t a, o y e n d o d e l d e s p o j o q u e e l arte p r o d u c e e n la vida, n o p o -
d e m o s d e j a r de evocar " E l r e t r a t o o v a l " de Poe, la h i s t o r i a d e l p i n t o r
q u e va p r i v a n d o de la v i d a a la m o d e l o a m e d i d a q u e e l c u a d r o va
g a n a n d o e n l o z a n í a , hasta l l e g a r a l m o m e n t o c u l m i n a n t e , c u a n d o
l a p i n t u r a está acabada, p e r f e c t a , y acabada t a m b i é n está l a m o d e l o ,
muerta.
Fresca está a ú n l a t i n t a de l a p o s t u m a c o l e c c i ó n de ensayos de W . G.
VLADIMIR NABÓKOV 149

Sebald (1946-2001).^ E l n o t a b l e escritor a l e m á n , a t i t o r de l a g r a n n o -


vela c o n t e m p o r á n e a d e la m e m o r i a , Austerlitz [ 2 0 0 1 ] , c o m i e n z a u n a
nota sobre N a b ó k o v c o n u n a a m p l i a r e f e r e n c i a al " j o v e n c r o n o f ó b i -
co" d e l p r i m e r p á r r a f o de ¡Habla, memoria! y señala los efectos q u e la
anticipación de la m u e r t e t i e n e en el q u e m i r a las i m á g e n e s tomadas
antes de su n a c i m i e n t o : él se ha t r a n s f o r m a d o e n u n espectro q u e ,
antes a u n de h a b er n a c i d o , vive ya e n m e d i o de su p r o p i a f a m i l i a :
espectro c o n u n a c a r n e p o r venir. Sin q u e Sebald a p u n t e a l o qu e n o -
sotros h e m o s d e d u c i d o , q u e la d e s c r i p c i ó n d e l r e c u e r d o c o r r e s p o n d e
a u n a fantasía d e l p r o p i o Nabókov, subraya que esa p r e o c u p a c i ó n p o r
la f u g a c i d a d de la existencia está detrás de la obsesió n d e l a u t o r p o r
a p r e h e n d e r t o d a clase de p o l i l l a s y mariposas. L a n a r r a t i v a c o m p l e t a
de N a b ó k o v está i n f i l t r a d a , e n o p i n i ó n de Sebald, p o r esta i m p r e s i ó n
de qu e nuestras acciones terrenales están siendo observadas p o r otras
especies a u n n o clasificadas y cuyos emisarios a s u m e n a ratos u n p a p e l
de i n v i t a d o s e n las comedias d o n d e p a r t i c i p a m o s c o m o actores. Por
eso, p a r a Sebald, los personajes d e l novelista r u s o , maestro de la l e n -
gua inglesa, t i e n e n la consistencia de figuras o n í r i c a s y los episodios
que él n a r r a t i e n e n la t e x t u r a de los sueños . T o d o s c a m i n a n p i s a n d o
el b o r d e q t i e separa la v i d a d e l m u n d o q ue está más allá, a l u d i e n d o
al m u n d o de su i n f a n c i a q u e se desvaneció sin dejar huellas c o n l a
Revolución de O c t u b r e . Sebald t a m b i é n considera, c o m o nosotros,
que, pese a la precisió n de los r e c u e r d o s (o, t a l vez, p r e c i s a m e n t e p o r
esa e x a c t i t u d ) Nabókov, e n e l f o n d o , se cuesdon a si r e a l m e n t e esa A r -
cadia de su i n f a n c i a tuvo a l g u n a vez existencia r e a l . E l e d é n p e r d i d o
es u n p r o d u c t o r e t r o a c t i v o d e l e x i l i o y de las durezas d e l trabajo y de
los d o l o r e s d e l p a r t o . E n n u e s t r a o p i n i ó n , el paraíso p r i m i g e n i o d e l
que h a b l a l a m e m o r i a de sus p r i m e r o s a ñ o s es u n a m a r i p o s a q ue q u i e -
re v o l a r y p o r eso hay q u e p i n c h a r l a c o n alfileres, m o n t a r l a c o n los
estiletes d e l estilo. Es de vital i m p o r t a n c i a c o n s e r v a r l a m u e r t a , c o n la
ilusión de l a v i d a , clavada e n u n a p l a n c h a de c o r c h o , aplastada e n t r e
las páginas d e los l i b r o s . Sebald ( p . 151) l o dice así:

Nabókov sabía, mejor que la mayoría de sus colegas escritores, que el deseo
de poner al tiempo en suspenso sólo resulta valioso cuando consigue la evoca-
ción más exacta de las cosas sepultadas desde hace mucho en el olvido.

W . G . S e b a l d , Campo Santo, L o n d r e s , P e n g u i n , 2006, p p . 146-155.


150 VLADIMIR NABÓKOV

L a c l a r i d a d de sus r e c u e r d os equivale a la c u i d a d o s a m o n t u r a de
e s p e c í m e n e s l a r g a m e n t e p e r s e g u i d o s y l a b o r i o s a m e n t e cazados du-
r a n t e i n c o n t a b l e s y arduas horas de r e e l a b o r a c i ó n de las líneas que
escribía.
E l p r o y e c t o de N a b ó k o v es c l a r o : i n m o v i l i z a r las alas d e l tiempo
q u e v u e l a fijando a la m e m o r i a , a t r a p a d a p o r la m a g i a d e l éter, c o n pá-
rrafi3s p u n t i a g u d o s . M a t a r a la m u e r t a figura de Moisés, el legislador,
e s c u l p i e n d o su i m a g e n p e r f e c t a , " c o n s u m i e n d o el m á r m o l para que
la estatua crezca",® y l u e g o asestarle u n g o l p e de m a r t i l l o e n la rodilla
o r d e n á n d o l e : E adesso, parla!, Speak, memory!
D i j i m o s al pasar q u e la i m a g e n de las dos e t e r n i d a d e s , u n a anterior,
o t r a p o s t e r i o r al n a c i m i e n t o n o es de N a b ó k o v sino de su p a d r e lite-
r a r i o : L e ó n T o l s t o i . Cabe r e c o r d a r en detalle las palabras d e l escritor
l e g e n d a r i o q u e a p o r t a , c o n su p r i m e r r e c u e r d o , u n a c o n f i r m a c i ón
a d i c i o n a l a la tesis de J u l i o Cortázar. E n sus páginas autobiográficas,
escritas a los 50 a ñ o s de e d a d , leemos'^

Es extraño y terrible pensar que, desde que nací hasta los tres o cuatro años
—época en la que me amamantaron, me destetaron y aprendí a andar y a
hablar—, no puedo recordar nada, excepto las dos impresiones que acabo
de describir. ¿Cuándo empecé a existir, a \ávir? ¿Por qué me agrada represen-
tarme en aquella época y, en cambio, me asusta —como le sucede a mucha
gente— imaginarme el momento en que he de entrar e t t ese estado que se
llama la muerte, ese estado que no dejará recuerdos que puedan expresarse
con palabras? ¿Acaso no vivía en esos primeros años en que aprendí a ver, a
oír, a comprender, a hablar; en los que dormía, reía, mamaba y alegraba a
m i madre? Sí; he vivido y he vivido en u n estado beatífico. ¿Acaso no adquirí
entonces todo lo que ahora me hace vivir? Asimilé muchas cosas y muy rá-
pidamente. En el resto de m i vida no he asimilado ni la centésima parte. La
distancia que hay entre el niño de cinco años y el qite soy ahora, equivale a t m
paso. En cambio, es impresionante la distancia desde los primeros días de la
vida hasta los cinco años. Yes todo u n abismo el que existe entre el embrión
y el recién nacido. L o que media entre la nada y el embrión no es u n abismo,
sino algo inconcebible.

^ M i c h e l a n g e l o B u o n a r r o t i , Poesie, M i l á n , A d e l p h i , 1996.
^ L . N . T o l s t o i [ 1 8 7 8 ] , " P r i m e r o s r e c u e r d o s " . Obras completas, M a d r i d , A g u i l a r , t o m o
I I , p . 1502. T r a d . d e I . y L . A n d r e s c o .
VLADIMIR NABÓKOV 151
Se a n t i c i p a y se teme a la e t e r n i d a d p o s t e r i o r a la é p o c a e n q u e es
posible recordar, c u a n d o la sensación de u n a sucesión e n el d e m p o
ya n o es posible, p e r o n o se p u e d e s i q u i e i a i m a g i n a r a q u e l l o q u e an-
gustiaba a Nabókov, el tiempo c o a g u l a d o, el t i e m p o vacío e i n f i n i t o
que p r e c e de al n a c i m i e n t o , q u e separa a la n a d a d e l e m b r i ó n . Es u n
tiempo s u p r a i n d i v i d u a l , el de la callada gestación en u n m u n d o de
seres hablantes q u e , p o c o a p o c o , van d a n d o l u g a r a u n o s c u r o deseo
del q u e somos los descendientes, cargados c o m o lo estamos de u n a
m e m o r i a g e n é t i c a , de u n a m e m o r i a colectiva y de u n a h i s t o r i a mate-
rializada en lenguaje , leyes, i n s t i t u c i o n e s , expectativas q u e t e n d r e m o s
que hacer p r o p i a s . De las q u e t e n d r e m o s q u e a p r o p i a r n o s p o r m e d i o
de u n p r o n o m b r e q u e t a m b i é n nos es i m p u e s t o : "Yo." N a b ó k o v es
activista e n u n p i q u e t e o c o n t r a la naturaleza. L a suya es, en última
instancia, u n a r e b e l i ó n c o n t r a el lenguaje, c o n t r a la m o r t a H d a d y c o n -
tra la a h e n a c i ó n i n d u c i d a p o r la palabra: ¿ C ó m o p u e d e h a b e r h a b i d o
antes y c ó m o p u e d e v e n i r después u n m u n d o sin mí? ¿ A p a r e c e r á n
los p e r i ó d i c o s el día siguiente a m i muerte? ¿ H a b r á sido m i \ida " u n a
pasión inútil"?
T o l s t o i , c o m o a n t i c i p a m o s , a p o r t a t a m b i é n su c o n t r i b u c i ó n a la te-
sis de este l i b r o , la d e l a r g e n t i n o q u e azarosamente n a c i ó e n Bruselas.
O i g a m o s su r e l a t o , u n o q u e n o r e q u e r i r á de mayores comentarios:^^

N o p u e d o relatar p o r o r d e n mis p r i m e r o s recuerdos, ya que i g n o r o l o que


sucedió p r i m e r o y lo que vino después. Incluso hay algunos de los que no estoy
seguro si han sido realidades o si los he soñado, y son los sig\iientes. Estoy atado,
q u i e r o l i b e r a r las manos, p e r o n o p u e d o . G r i t o y l l o r o ; m e resultan desagra-
dables mis p r o p i o s gritos; sin e m b a r g o , n o p u e d o callar. A l g u i e n se i n c l i n a
hacia mí; n o r e c u e r d o quién es. Esto sucede en la p e n u m b r a . Sé q u e hay dos
personas y que mis llantos les i m p r e s i o n a n ; se i n q u i e t a n p o r mí, p e r o n o m e
desatan. G r i t o aún más desesperadamente. Les parece que es necesario que
esté atado; en c a m b i o , yo sé qtie n o es así; q u i e r o d e m o s t r a r l o ; y lanzo gritos
penetrantes, desagradables para mí m i s m o , pero que n o p u e d o contener. M e
doy c u e n t a de la injusticia y de la c r u e l d a d , n o de la gente que, en v e r d a d , se
compadece de mí, sino d e l Destino, y me qtxejo ante mí m i s m o . No sé si sabré
nunca qué era esto. T a l vez m e estmderan fajando c u a n d o era u n n i ñ o d e p e c h o
y bregaba p o r sacar las manos; o tal vez tuviese más de u n a ñ o y me ataban las
manos para que n o m e rascara u n p i q u e t e . Quizá haya fundido xfatias impresio-

L . T o l s t o i , c i t . , t o m o 2, p . 1 5 0 1 .
152 VLADIMIR NABÓKOV
7ies en un soío recuerdo, como siude ocurrir en sueños; perro lo cierto es que ésta fue lapri-
mera y más fuerte impresión N o conservo en m i memoria mis gritos, ji^
de mi vida.
mis sufrimientos, sino la complejidad y la contradicción de mis impresionase
Deseaba tener libertad, cosa que no molestaba a nadie; y, sin embargo, se me
atormentaba. Aunque me compadecían, me ataban las manos, a mí, que lo
necesitaba todo y era débil, mientras que ellos eran fuertes" (ctirsivas mías).

E l c o m e n t a r i o , c o m o a n u n c i a m o s , será escueto: la afirmació n de


C o r t á z a r se r a t i f i c a de m a n e r a i n e q u í v o c a e n este c o m i e n z o de la me-
m o r i a . S e r í a s u p e r f i n o repasar la o b r a y la v i d a de L e ó n T o l s t o i para
saber c ó m o , e n su r e l a c i ó n c o n la l i t e r a t u r a , c o n el p o d e r político, con
su v i d a f a m i l i a r y c o n y u g a l , c o n la sociedad de su t i e m p o , c o n la his-
t o r i a t o d a de sus largos años, se ha j u g a d o el fantasma de la l i b e r t a d.
Esta p r i m e r a sensació n de i m p o t e n c i a y r e b e l i ó n c o n t r a los poderes
d e l d e s t i n o se h a c o n s e r v a do c o m o u n a cicatriz. L a v i d a , plagada de
n o b l e s empresas fracasadas, así c o m o la m u e r t e e n u n a oscura estación
f e r r o v i a r i a , expresa n el d e s v a l i m i e n t o f r e n t e a las fuerzas opresoras de
los d e m á s q u e — c o m o se d i c e en el r e c u e r d o de i n f a n c i a — n i siquiera
están faltos de c o m p r e n s i ó n . V i e n d o el contraste e n t r e tan sublime
i m p o t e n c i a y t a l a n h e l o de l i b e r t a d hasta d a n ganas de echarse, c o m o
A n a K a r e n i n a , sobre las vías al paso d e l t r e n . O , c o m o Bezújov e n La
guerra y la paz, p o n e r e n j u e g o l a p r o p i a v i d a y t e r m i n a r a m a r r a d o en
la c á r c e l tras u n i n t e n t o de m a t a r a N a p o l e ó n , el t i r a n o .
F a n t a s í a , s u e ñ o o r e c u e r d o . A n t i c i p a c i ó n o r e t r o a c c i ó n de la me-
m o r i a . N a d i e p o d r á n u n c a resolver. N a d i e p o d r á t a m p o c o d u d a r d e l
e s p a n t o y de su p a p e l de bisagra q u e r e ú n e los dos postigos de la vida
y e l arte de T o l s t o i así c o m o de bisagra q u e l o enlaza c o n su descen-
d i e n t e e n l a l i t e r a t u r a , Nabókov.
10
EOLIAS C A N E T T I : EA NAVAJA E N L A L E N G U A '

Parece casi increíble lo mucho que la frase escrita cal-


ma y amansa al ser humano.
Una frase es siempre u?i otro ( e i n a n d e r e s j en re-
lación a quien la escribe.'^

1. LA LENGUA SENTENCIADA

Los datos b i o g r á ñ c o s i n d i c a n q u e Elias C a n e t t i [1905-1994] f u e u n


escritor austríac o de o r i g e n sefardí. Era, d i c h o c o n m a y o r justeza, u n
n a n s n a c i o n a l de la l i t e r a t u r a , el p a r a d i g m a d e l escritor t r a s h u m a n t e
que lleva e n sí las salivas de todas las lenguas de E u r o p a C e n t r a l y las
plasma e n escritura. Fue el a u t o r de u n a ú n i c a y c e l e b r a d a n o v e l a es-
crita e n a l e m á n — s u l e n g u a a d o p t i v a — (Auto da fe, 1 9 3 5 ), de m u c h o s
ensayos y de u n a atitobiografía e n tres v o l ú m e n e s . Esta a u t o b i o g r a f í a
n o c o m i e n z a d e l m o d o h a b i t u a l c o n e l r e l a t o acerca de q u i é n e s f u e -
r o n sus padres o la f e c h a y las circunstancias d e l n a c i m i e n t o . N a r r a
su v i d a c o m e n z a n d o sin p r ó l o g o s n i advertencias c o n el r e l a t o de su
r e c u e r d o i n i c i a l e iniciático . Las p r i m e r a s líneas de La lengua absuelta
rezan así:

M i r e c u e r d o más r e m o t o está b a ñ a d o de rojo. Salgo p o r u n a p u e r t a e n brazos


d e u n a m u c h a c h a , a n t e m í e l s u e l o es r o j o y a l a i z q t i i e r d a d e s c i e n d e u n a es-
calera i g u a l m e n t e roja. Frente a nosotros, [...] aparece u n h o m b r e sonriente
q u e v i e n e a m i g a b l e m e n t e h a c i a m í . Se a p r o x i m a m u c h o , se d e t i e n e y m e d i c e :
" — ¡ E n s é ñ a m e l a l e n g u a ! " Yo saco la l e n g u a . E l p a l p a e n su b o l s i l l o s , e x t r a e

' Elias (Canetti n a c i ó e n B u l g a r i a e n j u l i o d e 1905, m u r i ó e n Z ú r i c h e n 1994. E n


1981 o b t u v o e l P r e m i o N o b e l d e L i t e r a t u r a . La lengua, absuelta [ 1 9 7 7 ] {Diegerettete Zunge
— Geschichte einer jugend) es e l p r i m e r v o l u m e n d e su a u t o b i o g r a f í a , B a r c e l o n a , M u c h n i k
E d i t o r e s , 1980, t r a d u c c i ó n d e L . Día?.. Los n ú m e r o s d e p á g i n a e n t r e p a r é n t e s i s e n e l
t e x t o c o r r e s p o n d e n a la e d i c i ó n d e b o l s i l l o : A l i a n z a E d i t o r i a l , M a d r i d , 1983. Las citas
t e x t u a l e s e s t á n , e n l o p o s i b l e , abreviadas, " e d i t a d a s " , c o m o se d i c e a h o r a .
^ E. C a n e t t i [ 1 9 7 6 ] , La conciejicia de las palabras, M é x i c o , F C E , 1 9 8 1 , p . 7 1 . T r a d . d e
J. d e l Solar.

[153]
154 ELIAS CANETTI

u n a n a v a j a , l a a b r e y a c e r c a n d o \A c u c h i l l a j u n t o a m i l e n g t i a , d i c e ; ^ — A h o r a
l e c o r t a r e m o s l a l e n g u a . " N o m e a t r e v o a r e t i r a r l a l e n g u a , é l se a c e r c a c a d a
vez m á s h a s t a r o z a r m e c o n la h o j a . E n el ú l t i m o m o m e n t o r e t i r a la navaja y
d i c e ; " — H o y todavía n o , m a ñ a n a " . C i e r r a la navaja y la g u a r d a e n su bolsillo
Cada mañana cruzamos l a p t i e r t a y s a l i m o s a l c o r r e t l o r r o j o , se a b r e l a
p u e r t a y a p a r e c e e l h o m b r e s o n r i e n t e . S é q t i é es l o ( p i e v a a d e c i r y e s p e r o
su o r d e n p a r a m o s t r a r la l e n g u a . S é q u e m e la c o r t a r á y c a d a vez t e n g o más
m i e d o . A s í c o m i e n z a e l d í a , y l a h i s t o r i a se r e p i t e m u c h a s v e c e s .
G u a r d o e s t o p a r a m í y es s ó l o i m i c h o m á s t a r d e c j u e se l o m e n c i o n o a
m i m a d r e . D e c o l o r r o j o s ó l o r e c u e r d a la p e n s i ó n d e K a r l s b a d , d o n d e h a b í a
p a s a d o el v e r a n o d e 1907 c o n m i p a d r e y c o n m i g o . H a b í a n traído para mí,
qtie t e n í a dos años, u n a niííeia de Btilgaria, u n a m t i c h a c h a q u e n o llegaba a
l o s q u i n c e a ñ o s d e e d a d . T o d a s las m a ñ a n a s s a l í a t e m p r a n o c o n el n i ñ o e n
b r a z o s [ . . . ] U n a v e z l a v i e r o n e n l a c a l l e c o n u n j o v e n d e s c o n o c i d o ; n o sabe
q u é d e c i r d e é l , u n a r e l a c i ó n c a s u a l . T r a s p o c a s s e m a n a s se c o m p r u e b a q t i e e l
j o v e n o c u p a la h a b i t a c i ó n t r e n t e a la n u e s t r a , al o t r o l a d o d e l c o r r e d o r . A v e -
c e s l a m u c h a c h a c o r r e a s t i e n c u e n t r o d u r a n t e l a n o c h e . M i s p a d r e s se s i e n t e n
responsables p o r ella y la envían i n m e d i a t a m e n t e a B u l g a r i a .
A m b o s , l a m u c h a c h a y e l j o v e n , s a l í a n d e casa a p r i m e r a h o r a , a s í d e b i ó
t e n e r l u g a r e l p r i m e r e n c u e n t r o , así d e b i ó c o m e n z a r t o d o . Ea amenaza del
c u c h i l l o surtió efecto; el n i ñ o g u a r d ó silencio d u r a n t e diez a ñ o s ( p . 8).

E n C a n e t t i , el espanto c o r t a z a r i a n o se presenta sin afeites. L a ame-


naza de m u t i l a c i ó n es d i r e c t a . E l a p r e m i o y la e x t o r s i ó n están r e f r e n -
dados p o r la e x h i b i c i ó n d e l filoso i n s t r u m e n t o de la a m p u t a c i ó n y su
p r o x i m i d a d al ó r g a n o condenadt:>. E l t e r r o r e s g r i m i d o c o n t r a el n i ñ o
c u m p l e c o n su c o m e t i d o . Los d i e z a ñ o s de m u t i s m o p r u e b a n que n o
era u n a m e r a amenaza; el n i ñ o , efectivamente, p e r d i ó su l e n g u a y
sólo la r e c u p e r ó c u a n d o p u d o c o n t a r la h i s t o r i a de la navaja a su ma-
d r e , cosa q u e sticedió tras penosas desventuras y sucesivos exilios. E n
el p r i m e r o de ellos, e n I n g l a t e r r a , mtirió r e p e n t i n a m e n t e el p a d r e ,
de 31 años, p o s i b l e m e n t e e m p u j a d o al suicidicj p o r la i n f i d e l i d a d de
su esposa, o bajo el i m p a c t o de u n a i n s o p o r t a b l e tensión e m o c i o n a l
c u a n d o Elias c o n t a b a siete a ñ o s de e d a d . E l i n c i d e n t e t r a u m á t i c o , so-
b r e e l q u e t e n d r e m o s q u e volver, se convirtió e n u n parteagtias q u e
g o b e r n ó , de a h í e n más, la v i d a d e l escritor.
E l p r i m e r t o m o de la a u t o b i o g r a f í a se t i t u l a Die gerettete Zunge, la
l e n g u a salvada o liberada (más l i t e r a l , c o m o t r a d u c c i ó n , q u e ''absuel-
ta'^). E l título se presta a u n e q u í v o c o e n los d i f e r e n t e s i d i o m a s eu-
155

ropeos p o r q u e " l e n g u a " es t a n t o el ó r g a n o de la b o c a c o n el cual se


articula la p a l a b r a corno el i d i o m a o d i a l e c to e n el q u e se habla. T o d o s
c o i n c i d e n e n q u e C a n e t t i es u n escritor cuya o b r a e m a n a de la i n t r i -
cada e n c r u c i j a d a lingüística e n la q u e se e n c o n t r ó desde su llegad a al
r n u n d o , s i e n d o el i d i o m a de los j u d í o s sefardíes (el l a d i n o ) su l e n g u a
de o r i g e n . E l n a c i m i e n t o d e l f u t u r o escritor a la q u e sería su l e n g u a
definitiva, e l a l e m á n , " m i segunda l e n g t i a m a t e r n a " — c o m o después
dirá—, se prodují) p o r la c r u e n t a i n t e r v e n c i ó n de la p r o p i a m a d r e .
La " l e n g u a " d e l título d e l l i b r o es casi s i e m p r e r e l a c i o n a d a p o r los
críticos l i t e r a r i o s c o n la m a e s t r í a de la escritura de C a n e t t i , su d o n de
lenguas, su versatilida d lingüística, y el e x c e p c i o n a l d o m i n i o de los
arcanos de la l e n g t i a alemana. P e r o el e p i s o d i o de la c r i a d a b ú l g a ra
evidencia q u e la l e n g u a a m e n a z a d a —salvada, l i b e r a d a o absuelta p o r
la e s c r i t u r a — es la q u e está e n la boca, cercada p o r los dientes.
Los dos sentidos de la p a l a b r a l e n g u a p e r m i t e n e n t e n d e r de dos
maneras, las dos legítimas, el n o m b r e de la p r i m e r a p a r t e de la a u t o -
biografía. L a segunda parte lleva u n título n o m e n o s l l a m a t i v o : es La
antorcha al oído. Q t i e el relato c o m i e n c e p o r la a m e n a z a sobre la Zu7ige,
amenaza avalada p o r u n a c u c h i l l a j u n t o al h ú m e d o a p é n d i c e , i n d i c a
que la significación o r g á n i c a y el e p i s o d i o t r a u m á t i c o p r e s i d e n al c o n -
j u n t o de l a n a r r a c i ó n y apoyan la tesis n u c l e a r de n u e s t r o ensayo: la
h i s t o r i a de los comienzos de l a m e m o r i a i n i c i a c o n el m i e d o y c o n la
vivencia d e l d e s a m p a r o . E n este caso p a r t i c u l a r , .9^/5 características nos
i m p o r t a n , una, el m a r c o d e l r e c u e r d o n o f o r m a p a r t e d e l m i s m o y
tiene q u e ser el O t r o (la m a d r e ) q u i e n dé las precisiones t e m p o r a l e s y
espaciales ( K a r l s b a d, v e r a n o de 1907); dos, el r e c u e r d o es e n c u b r i d o r
de o t r a escena, u n a escena de l u j u r i a que e l n i ñ o n o d e b í a revelar si
q u e r í a conservar su l e n g u a ; tres, e n ese p r i m e r r e c u e r d o se constata el
d e s p l a z a m i e n t o sobre u n e l e m e n t o visual a l e a t o r i o c o m o es el c o l o r
( a m a r i l l o p a r a F r e u d , gris p a r a Cortázar, r o j o p a r a C a n e t t i , azul p a r a
G a r c í a M á r q u e z ) ; cuatro, la n i t i d e z de las i m á g e n e s es destacable p o r
su d e f i n i c i ó n — y p o r eso m i s m o sospechosa de falsificación retroac-
t i v a — para u n n i ñ o q u e está iniciándos e e n los secretos d e l lengtiaje ;
cinco, la escena p o n e de m a n i f i e s t o la situación de a b a n d o n o o despro -
t e c c i ó n d e l n i ñ o p o r ausencia de quienes h u b i e r a n p o d i d o a h o r r a r l e
la a n g u s t ia y, seis, hay e l e m e n t o s q u e e n c u b r e n e l h o r r o r y e d u l c o r a n
el r e c u e r d o : el p o t e n c i a l v e r d u g o es " u n h o m b r e s o n r i e n t e q u e v i e n e
a m i g a b l e m e n t e hacia m í " .
R e c a l q u e m o s u n a 5^/?¿¿wa característica. Es i n a u d i t a , e n el r e l a t o de
156 ELIAS CANETTI

C a n e t t i , — c o n r e l a c i ó n a las d e m á s n a r r a c i o n e s de "recuerdo s de i n -
f a n c i a " — la r e i t e r a c i ó n de la escena q u e sucede "cada m a ñ a n a " y q^^
es e l m o d o h a b i t u a l de c o m e n z a r e l día. H a y u n contraste e n t r e la son^
risa d e l t o r t u r a d o r y el p a v o r s i e m p r e e n a u m e n t o d e l n i ñ o q u e sabe
q u e la i n a p e l a b l e sentencia t e r m i n a r á p o r c u m p l i r s e . Es curioso que
C a n e t t i n o relate u n estado de expectativa angustiada p o r esa cons-
tante p r ó r r o g a de la e j e c u c i ó n "—Hoy no, mañana.'' A la luz de la obra
y de la v i d a e n t e r a d e l escritor, tal c o m o es r e c o g i d a e n las biografías
y a la l u z de su m a n e r a de h a b l a r de o b r a y v i d a en la autobiografía,
u n o p u e d e p r e g u n t a r s e si cada despertar, cada a u r o r a , de C a n e t t i no
c o m e n z a b a c o n la frase o m i n o s a : "—^Ahora le c o r t a r e m o s la lengua",
seguida de: " — H o y todavía n o , m a ñ a n a . " S i e m p r e se tuvo en cuenta
la a f i n i d a d de la o b r a de C a n e t t i c o n la de Franz K a f k a y el escritor
austro-búlgaro se o c u p ó de recalcar ese parentesco, n u n c a más paten-
te q u e e n su ú n i c a novela. Auto da fe. ¿No es el r e l a t o d e l n i ñ o , senten-
c i a d o sin proceso a u n a c o n d e n a i n c l e m e n t e , s i e m p re r e n o v a d a , u n
p a r a d i g m a de l i t e r a t u r a k a f k i a n a q u e sigue las huellas de " E n la colo-
n i a p e n i t e n c i a r i a " ? ¿ H a b r á goce, goce a u t é n ü c o , e n la espera de u n a
a m e n a z a q u e n o se c u m p l e " a h o r a " p e r o qu e s i e m p r e se d i f i e r e , en
u n a sobrevivencia p e r p e t u a , sabiendo q u e la m u e r t e h a b r á de llegar,
p e r o "hoy, todavía, no"? L a c o n f e s i ó n de ese goce m a t i n a l p r o v i e n e
d e l p r o p i o a u t o r : "Por ú l t i m o —^y es el más obsesivo de m i s temas—,
la m u e r t e , q u e n o p u e d o aceptar a u n q u e j a m á s la p i e r d o de vista, que
h a b r é de p e r s e g u i r hasta sus más r e c ó n d i t a s guaridas p a r a d e s t r u i r su
falso b r i l l o y fascinación."^ T e n e r l a s i e m p r e cerca, a la \'ista.
D e esta a g o n í a i m a g i n a r i a , de este " m u e r o p o r q u e n o m u e r o " ,
de esta m a n i á ü c a p e r s e c u c i ó n de la p a r c a ( c o m o si n o fuese ella, la
m u e r t e , la fascinante p e r s e g u i d o r a ) , C a n e t t i p r e t e n d e distanciarse,
c o m o Cortázar, c o m o casi todos nuestros autores, e s c r i b i e n d o de
m o d o c o m p u l s i v o . " U n h o m b r e c o m o yo [ . . . ] e x p l o t a r í a o a c a b a r í a
d e s i n t e g r á n d o s e de a l g u n a o t r a f o r m a si n o se calmara e s c r i b i e n d o
u n diario""^ (las cursivas son de E. C ) . L a escritura, confiesa, n o es
v o l u n t a r i a ; es u n a p r o f i l a x i s de la l o c u r a . Los l i b r o s , d i b u j a n d o desde
la p o r t a d a su n o m b r e y su r e n o m b r e , f u n c i o n a n c o m o chavetas, esos
p e q u e ñ o s accesorios q u e se c o l o c a n e n las p u n t a s de los ejes p a r a q u e
las r u e d a s g i r e n y n o se escapen. Si perdiese la chaveta, si le faltase la

^ E. C a n e u i [ 1 9 7 6 ] , La conciencia de las palabras, c i t . , p . 9 1 .


" Cit., p. 71.
ELIAS CANETTI 157

p o s i b i l i d a d de g o b e r n a r el d e s e q u i l i b r i o d e l espíritu p o r la m a g i a de
la c o m p o s i c i ó n c u i d a d a , p u l c r a , de las letras, h a b r í a q u e e n c e r r a r l o .
O p c i ó n de fierro: o la e s c r i t u r a o la m u e r t e (la l o c u r a ) .
L a l e n g t i a h a q u e d a d o h i p o t e c a d a p o r la amenaza q u e p e n d e sobre
ella. L a h i s t o r i a , sólo c o m p r e n s i b l e después (nachtráglich) p o r p a r t e de
u n n i ñ o q u e e n ese m o m e n t o n o p u e d e e n t e n d e r q u é sucede e n t r e el
j o v e n s o n r i e n t e y la c r i a d i t a b ú l g a r a , a c a b a r á p o r develar su t r a s f o n d o
sexual. L a presencia de la ley es m a n i f i e s t a : p o r q u e hay trasgresión es
que n o se p u e d e h a b l a r y q u e la l e n g u a p u e d e ser e x t i r p a d a . Más pal-
m a r i o a ú n resulta el i m p e r i o de esa ley c u a n d o se ejecuta la sentencia
y l a j o v e n c i t a es enviad a de regreso a su país, n o p o r algo q u e se r e f i e r a
al c h i q u i l l o ; n o , él supo callar, sino p o r q u e los padres de C a n e t t i "se
sienten responsables p o r ella".
¿ Q u é veía el n i ñ o y n o d e b í a contar? ¿ Q u é escuchaba d e l e n c u e n -
n^o e n t r e los dos j ó v e n e s ? ¿ C ó m o se ubicaba él ante el e s p e c t á c u l o de
la pareja de amantes? ¿Cuál era su goce c o m o testigo de esa "escena
o r i g i n a r i a " ? N a d a en e l r e c u e r d o parece angustiant e e x c e p t o la afir-
m a c i ó n "Sé q u e m e la c o r t a r á y cada vez t e n g o más m i e d o " . Es la l e n -
gua (¿la lengua?) desahuciada d e l p o e t a en ciernes la qu e t e n d r á q ue
liberarse p o r la escritura.
E l a c o n t e c i m i e n t o c e n t r a l e n su m e m o r i a , el c o r a z ó n p a l p i t a n t e de
la v i d a de C a n e t t i , n o es, sin e m b a r g o , este angustioso p r i m e r recuer-
d o sino l a i n e x p l i c a b l e m u e r t e de su p a d r e , según adelantamos, c u a n -
do él c u e n t a c o n siete a ñ o s de e d a d . L a r e l a c i ó n e n t r e ese suceso y el
siniestro j o v e n de la navaja s o n r i e i i t e nos parece e v i d e n t e y q u e r e m o s
d e m o s t r a r l o . S ó l o q u e a h o r a las palabras de c u r i o s i d a d p r o v i e n e n d e l
n i ñ o y q u i e n t i e n e la l e n g u a presa detrás de labios cerrado s o m e n t i -
rosos es la m a d r e .
H a y q t i e c o n o c e r los antecedentes. L a m a d r e " e n f e r m ó " al a ñ o d e l
traslado de l a f a m i l i a de B u l g a r i a a I n g l a t e r r a (1912) y c o m o "el aire
n o le p r o b a b a " f u e a curarse e n u n sanatorio atistriaco d o n d e descu-
b r i ó q u e n o q u e r í a quedarse e n I n g l a t e r r a , se e m o c i o n ó al d e s c u b r i r
los d r a m a s de S t r i n d b e r g y disfrutó de la c o m p a ñ í a de u n m é d i c o q ue
se e n a m o r ó de ella al p u n t o de p e d i r l e q u e se casase c o n él y n o v o l -
viese c o n su f a m i l i a . Ella, sin c o r r e s p o n d e r a ese a m o r — a l m e n o s ella
así l o asegura—, p e d í a a su m a r i d o p r ó r r o g a s p a r a quedarse p o r rnás
tiempo e n e l sanatorio hasta q u e e l esposo la i n t i m ó , m e d i a n t e u n te-
l e g r a m a , p a r a volver a la casa. T a n t o e n sus cartas c o m o a su regreso la
m u j e r t e n í a i n f o r m a d o al m a r i d o de su m e j o r í a y t a m b i é n — n o b l e z a
158 Fl.IAS CANETTI

o b l i g a — de sus devaneos c o n el m é d i c o . C u a n d o , p o r b u , volvió, el pa-


d r e de C a n e t d la s o m e d ó a u n t o r t u r a d o r i n t e r r o g a t o r i o n o c t u r n o del
q u e s a l i e r o n a m b o s enfadado s y sin hablarse: " . . . c o n cada respuesta
de ella i b a n c r e c i e n d o sus celos: él se e m p e ñ ó e n q u e ella se había
h e c h o c u l p a b l e , n o le creyó y d i o p o r falsas todas sus respuestas" (p
77). E n la m a ñ a n a siguiente el p a d r e estuvo j u g a n d o c o n los niños;
f u e e n t o n c e s c u a n d o d i j o algunas frases i n t r a s c e n d e n t e s. Para Canetti
n u n c a h u b o palabras q u e m e j o r se grabasen e n la m e m o r i a : eran las
postreras q u e oyó de su p a d r e . T e r m i n a d o el j u e g o , el s e ñ o r de la casa
b a j ó a desayunar, c o g i ó el perié^dico q u e a n u n c i a b a el c o m i e n z o de
u n a g u e r r a m á s e n los Balcanes e, instantes después, vacía desploma-
d o e n e l piso c o n su m t i j e r a u l l a n d o a su l a d o e n la creencia de que
estaba fingiendo para castigarla m i e n t r a s le e x i g í a q u e le dijese algo.
H o r a s m á s t a r d e la m a d r e i n c r e p a b a c o n f u r i a al p e q u e ñ o Elias p o r
estar j u g a n d o m i e n t r a s el p a d r e estaba m u e r t o : " C o n los gritos de ella
p e n e t r ó e n m í l a m u e r t e de m i p a d r e y ya n o m e a b a n d o n ó jamás*'
(p. 72).
C o m i e n z a e n t o n c e s u n j u e g o q u e C a n e t t i n o se atreve a i n t e r p r e -
tar y n o s o t r o s sí. A c o t e m o s q u e C a n e t t i ( c o m o N a b ó k o v y, en cierto
m o d o , Borges) f u e d u r a n t e t o d a su v i d a u n e n e m i g o d e c i d i d o d e l psi-
coanálisis y m u y e n p a r t i c u l a r de las a f i r m a c i o n e s f r e u d i a n a s sobre el
c o m p l e j o de E d i p o . C o m o b u e n discípulo de K a r l K i a u s , C a n e t t i n o
dejaba de asaetar c o n sarcasmos al p e n s a m i e n t o y a la o b r a de F r e u d
así c o m o a la p r e t e n s i ó n d e l psicoanálisis de ser u n t r a t a m i e n t o para
el s u f r i m i e n t o p s í q u i c o .
H a b l á b a m o s d e l j u e g o e n t a b l a d o e n t r e el n i ñ o y su m a d r e , u n j u e -
g o q u e consistía e n el i n t e r r o g a t o r i o p o l i c i a l sobre l a m u e r t e d e l pa-
d r e y esposo, u n j u e g o de a r r a n c a r confesiones e f í m e r a s q u e acendra-
b a n las duda s hasta extraer u n a n u e v a c o n f e s i ó n . Esas i n q u i s i c i o n e s
e r a n u n a a u t é n t i c a t o r t u r a {goce—si n o h u b i e s e n gozado ¿por q u é las
r e p e t i r í a n ? ) p a r a ambos y r e n o v a b a n la escena de la alcoba d u r a n t e la
ú l t i m a n o c h e d e l p a d r e , c o n e l h i j o t o i n a n d o sti lugar. Es evidente q u e
los dos se r e g o d e a r o n d u r a n t e veintitrés a ñ o s e n el á c i d o j u e g o de las
medias verdades y las completas m e n t i r a s hasta q u e , c u a n d o Elias te-

Sobre la conflictíva relación de C a n e t d c o n F r e u d , n u e v a versión d e l padre, con-


s u l t a r el s e g u n d o t o m o d e sus m e m o r i a s : La antorcha al oído. Historia de una vida (1921-
]931), B a r c e l o n a , M u c h n i k , 1982, p p . 125-128: " M e d a b a p e r f e c t a c u e n t a de q u e nece-
sitaba (a F r e u d ) c o m o a d v e r s a r i o . P e r o n a d i e h u b i e r a p o d i d o c o n v e n c e r m e e n t o n c e s
d e q u e t a m b i é n m e s e r v í a c o m o u n a especie d e m o d e l o . "
;^UAS CANETTI I59
j i í a y a t r e i n l a años, después de la p u b l i c a c i ó n de Auto da fe (que e n t u -
K Í a s n i ó a la m a d r e ) , ella p r o d u j o u n a h i s t o r i a q u e C a n e t t i estimó q u e ,

lésta sí, era d e f i n i t i v a , " u n a última versión de la m u e r t e de m i p a d r e e n


íia que todavía c r e o " ( p . 78). Cabe apreciar estas palabras en su j u s t o
valor: n o la c o n s i d e ra u n a versión verdadera sino tan solo t i n o b j e t o de
creencia d e l q u e n o está c o n v e n c i d o p o r q u e es t e m p o r a l ("todavía")
e inestable. A n t e s había r e ñ e n d a d o , en "palabras q u e m e p e n e t r a r o n
como si las h u b i e r a p r o n u n c i a d o m i p r o p i o p a d r e , c o m o u n p e l i g r o s o
secreto q u e h a b í a qu e preservar", la versión de q u e el p a d r e m u r i ó
aquella triste m a ñ a n a p o r el disgusto de saber q u e h a b í a c o m e n z a d o
una g u e r r a y q u e en ella m o r i r í a m u c h a gente. C a n e t t i busca u n a ex-
plicación c o n s o l a d o r a p e r o , casi c o n f e s á n d o s e l o a sí m i s i n o , r e c o n o -
ce que n o q u i e r e e n c o n t r a r l a : "Yo 710 podía r e c o n o c e r razc)n absoluta
para su m t i e r t e , y para m í lo m e j o r era q u e n o se encontrase n i n g u n a "
(p. 74, cursivas de E. C ) .
A n t e sus p r e g u n t a s , las p r i m e r a s respuestas de la m a d r e son las de
que "él n o p o d r í a e n t e n d e r " y l u e g o otras q u e revelan " ' m i r a m i e n -
tos' p a r a c o n m i j u v e n t u d " , has versiones se suceden v se c o n t r a d i c e n ;
cada u n a p r o b a b a la m e n t i r a a n t e r i o r ;

M i m a d r e s i e m p r e s o n r e í a c u a n d o d e r e p e n t e m e d e c í a ' A s í te l o c o n t é en-
tonces p o r q u e eras d e m a s i a d o j o v e n . N o lo h u b i e r a s c c ^ m p r e n d i d o " . Yo t e m í a
esa s o n r i s a V\ah, la sonrisa del cortalenguasl], d i s t i n t a d e la suya q u e yo a m a b a . . .
Ella sabía que m e destrozaba d i c i é n d o m e algo nuevo sobre la m u e r t e de m i
p a d r e . E r a c r u e l y l o h a c í a a p r o p ó s i t o , d e s q u i t á n d o s e así d e los c e l o s c o n que
y o l e h a c í a l a v i d a i m p o s i b l e . [ . . . ] L l e v o t o d a s las v e r s i o n e s d e e s t e r e l a t o e n
mi recuerflo, nada he retenido con mayor fidelidad. Q u i z á s p u e d a escribirlas todas
a l g ú n d í a . L l e n a r í a n t m l i b r o , u n l i b r o í n t e g r o , a u n q t x e p o r a h o r a s o n o t r a s las
h u e l l a s q u e s i g o " ( l a f r a s e e n t r e c o r c h e t e s y las c u r s i v a s s o n m í a s ) .

C a n e t t i m a n t u v o su l e n g u a a n u d a d a d u r a n t e diez a ñ o s antes de
confesar a la m a d r e el e p i s o d i o i n f a n t i l . L a m a d r e f u e más persisten-
te y soltó su último r e l a t o al h i j o , n o necesariamente e l v e r d a d e r o ,
veintitrés a ñ o s después de la misteriosa m u e r t e d e l p a d r e . D u r a n t e
todos esos años, el n i ñ o , el adolescente, e l j o v e n escritor, sucesivamen-
te, p r o s i g u i e r o n c o n el m i s m o i m p l a c a b l e i n t e r r o g a t o r i o i n i c i a d o e n
a q u e l l a fatídica m a ñ a n a de 1912. Se repetía la escena de la i n d a g a c i ó n
d e l p a d r e q u e , azuzado p o r los celos, rechazaba las respuestas q u e
r e c i b í a y e x i g í a u n a c o n f e s i ó n sabiendo q u e , de t o d o s m o d o s , n o se
160 EIJAS CANETTI
tranquilizaría c o n ella y a u m e n t a r í a n t a n t o su angustia c o m o su sadis-
m o p o l i c i a l . Dostoievski e n La mansa, Schnitzler, S. Z w e i g y, p o r cierto
S t r i n d b e r g , h a n e x p l o r a d o los recovecos de la pasión de los celos. En
este caso, C a n e t t i , e n el l u g a r de H a m l e t h i j o .

Como para mí no había nada más importante que la muerte de m i padre


viví creyendo por etapas. Finalmente me quedé con la última versión de mi
madre, me instalé cu ella y todo lo que sucedía a m i alrededor giraba en torno
a ella, incluso lo que leía y lo que pensaba. En el centro de cada uno de los
mundos en que me encontraba estaba la mtierte de m i padre. Cuando unos
años despttés me enteraba de algtma novedad, el mundo anterior se derrum-
baba en torno de mí como u n decorado..." (p. 76).

C a n e t t i , t a n ofuscado p o r las tesis f r e u d i a n a s sobre el E d i p o , tan


r e a c i o a aceptarlas, tan e s c é p t i c a m e n t e k r a u s i a n o , es, tras la muerte
d e l p a d r e , f e r o z m e n t e posesivo c o n M a t i l d e A r d i t i , la m a d r e viuda
dispuesta a t o d o p o r su h i j o y bastante p o c o desconsolada.

2 . ESCRIBIR(:) EI. DESEO DE LA MADRE

C a n e t d p o n e e n evidencia ese c o m p l e j o , más de H a m l e t qu e de Edi-


p o , e n el q u e p r e t e n d e r e d i m i r sus propias culpas atribuyéndolas al
deseo de la m a d r e . . . qu e n o p o r n a d a está e n el asunto. Se apacigua
solamente c o n la versión de 1935. C o n v i e n e r e c o r d a r el c o n t e x t o de la
ú l ü m a " c o n f e s i ó n " . Para la m a d r e , "la l i t e r a t u r a universal, qu e d o m i -
naba, llegó a c o n s t i t u i r el a u t é n t i c o sentido de la vida". Sin embargo,
M a t i l d e A r d i d se o p o n í a a la v o l u n t a d del p a d r e que, justo c u a n d o el
n i ñ o llegó a esos fatídicos siete años, c o m e n z ó a darle l i b r os ( e n inglés)
a Elias y a c o m e n t a r c o n él p o r las noches lo q ue h a b í a leído. "Tengo u n
r e c u e r d o impresioi^ante de estos m o m e n t o s " — c o m e n t a el escritor. La
exposición de la m a d r e a las lecttiras del h i j o ("fue la é p o c a q u e menos
m e ha gustado de m i m a d r e " ) tuvo lugar precisamente antes de que
ella se trasladara al sanatorio en A u s t r i a para sti t r a t a m i e n t o , allí d o n d e
el m é d i c o le e n s e ñ ó a a m a r a S t r i n d b e r g . N o a b u n d a r e m o s aquí e n el
t e m a de los celos e n S t r i n d b e r g {El hijo de la sirvienta) n i de su d r a m a
Padre. Q u e el lector, si q u i e r e , a ellos se r e m i t a buscando las pistas de la
pensión de M a t i l d e C a n e t t i . R e c o r d e m o s tan sólo unas palabras de Elias
C a n e t d q u e se leen también e n La lengua absuelta:
ELIAS CANETTI 161
ge afianzaron los celos que me torturaron toda la vida y la fuerza con que
me estremecieron entonces me marcó para siempre. Se convirtieron en m i
verdadera pasión, una pasión cjue no atendía argumentos n i razonamientos
de ningún tipo (p. 151).

Los padres de C a n e t t i h a b l a b a n e n t r e sí en a l e m á n . Se h a b í a n co-


n o c i d o e n V i e n a d o n d e e r a n asiduos c o n c u r r e n t e s al teatro de la c i u -
dad y p r o h i b í a n al p e q u e ñ o Elias a p r e n d e r ese i d i o m a ; era su l e n g u a
secreta. C u a n d o mtirió Jacques C a n e t t i , la m a d r e de Elias se e m p e ñ ó
en f a m i l i a r i z a r (que n o es l o m i s m o q u e e n s e ñ a r ) , a fuerzas y e n pocos
días, la l e n g u a q u e hasta e n t o n c e s estaba p r o h i b i d a p a r a e l n i ñ o . Su
e m p e c i n a m i e n t o , p o r d e c i r l o m e n o s , fue feroz: c o n exigencias des-
medidas, b u r l á n d o s e de los m e n o r e s errores, i n j u r i á n d o l o p o r ser u n
" i d i o t a " y, l o más d o l o r o s o q u e p o d í a incrustarse e n la m e m o r i a d e l
hijo, después de u n a e q u i v o c a c i ó n , la frase " — T u p a d r e sabía a l e m á n ,
¿qué diría t u p a d r e si te viese?" E l p e q u e ñ o c u e n t a :

Yo vivía aterrorizado por sus burlas. Entonces sucedió algo que no acierto a
comprender. Empece a prestar una endiablada atención [...] mientras ella n i
siquiera se daba cuenta de que, por lo preocupado que estaba, casi n i comía.
Ella encontraba pedagógico el terror en que yo vivía [...] Repetía a menudo
la frase del "idiota que traje al m u n d o " que tan profundamente me hería.

R e s u l t a d o : C a n e t t i a p r e n d i ó así el a l e m á n , la l e n g u a c o n d e n a d a
que acababa de ser absuelta. C o n s i g u i ó c o m u n i c a r s e c o n la m a d r e
en el m i s m o i d i o m a secreto q u e antes h a b í a sido e l de su p a d r e y
logró p o r fin q u e ella l o coronase: " — ¡ T ú sí q u e eres m i h i j o ! " L u e g o
C a n e t t i agrega, c o m o si quisiese a n u l a r c u a l q u i e r reserva acerca d e l
e d i p i s m o q u e c o n t a n t o a r d o r denegaba:

Mucho más tarde supe que no era sólo por mí que me enseñó alemán entre
suplicios y burlas. Ella misma tenía una profunda necesidad de hablar alemán
conmigo pues era el idioma de su intimidad [... 1 Era éste el idioma confiden-
cial de su matrimonio. Se sentía perdida sin él y trató de colocarme en su lugar tan
pronto como pudo [...] Así me obligó en poquísimo tiempo a lograr algo que
superaba la resistencia normal de cualquier niño y su éxito ha fijado la natu-
raleza profunda de m i alemán: fue una tardía lengua materna, inculcada a
base de auténticos sufrimientos. Pero no todo fue dolor, pues siguió inmedia-
tamente u n periodo de felicidad que terminó por u n i r m e indisolublemente
162 FT.IAS C A N E T T I

a esa l e n g u a [... ] /.« ierigiia de nuestro amor — ¡ y qué gran amorl— sería el alemán
(p. 9 1 , cursivas m í a s ) .

Las letras de las palabras alemanas e n t r a n c o n la sangre de la len-


g u a . E n s e ñ a r y a p r e n d e r e n u n c l i m a de t e r r o r es t a m b i é n fuente de
u n goce a m a r g o q u e se deja leer e n cada l í n e a d e l t e x t o : la naturaleza
p r o f u n d a de la l e n g u a de C a n e t t i d e b e buscarse en el d o l o r con que
e l n i ñ o , f u r i o s o e i m p o t e n t e , h u r g a e n los d i c c i o n a r i o s y se adentr a en
el l a b e r i n t o de las palabras d e l O t r o , d e l m u e r t o , p a r a c o m p a r t i r a la
m a d r e c o n su fantasma o m n i p r e s e n t e . ("La c o n c i e n c i a de la muerte
de m i p a d r e p e n e t r ó e n mí p a r a ya n u n c a a b a n d o n a r m e . " ) Así nos
a d e n t r a m o s e n la última c o n f e s i ó n de la m a d r e : Elias C a n e t t i venía de
p u b l i c a r , ya e n los a ñ o s p a r d o s , 1935, e n V i e n a , antes de la Anschíuss,
su n o v e l a Auto da je, u n r e l a t o estremecedor , o b r a maestra de la lite-
ratura en alemán.

E n t r e nosotros h u b o largas y difíciles batallas y estuvo a p u n t o de repudiarme


de m a n e r a d e f i n i t i v a . Pero ahora había c o m p r e n d i d o , así lo d i j o , m i lucha por
alcanzar m i l i b e r t a d [ . . . ] El l i b r o , que ella h a b ía leído, era carne de su carne,
d i j o , se r e c o n o c í a en mí, siempre h a b í a visto a las personas tal y c o m o yo las
describía, exactamente así le h u b i e r a gustado escribir a ella. N o era suficiente
q u e m e p i d i e r a p e r d ó n , quería h t i m i l l a r s e ante mí, yo era d o b l e m e n t e su hijo,
h a b í a llegado a ser lo que ella más h u b i e r a deseado que yo f u e r a [ . . . ] La idea
de q u e se i n c l i n a r a ante mí a causa de la novela [ . . . ] me resultaba insopor-
table [ . . . ] C u a n d o la volví a ver debió p e r c i b i r m i confusión, m i vergüenza y
d e c e p c i ó n , y [ . . . ] se dej ó llevar hasta c o n t a r m e t o d a la v e r d a d sobre la muerte
de m i p a d r e . A pesar de sus p r i m e r a s versiones, yo siempre h a b í a i n t u i d o esta
última, a u n q u e siempre traté de r e p r i m i r l a . . . ( p p . 77-78).

L a victcxria de Elias es d e f i n i t i v a : la m a d r e le regalaba algo de liber-


t a d . ¿ C ó m o l o g r ó esta hazaña? A c o p l á n d o s e a la l e n g u a y al deseo de
ella. L a m a d r e t u v o q u e pagar u n p r e c i o : la admisión de u n a c u l p a
q u e aplacaba p a r a s i e m p r e las d u d a s d e l h i j o . ¿Se a q u i e t a Elias por-
q t i e a h o r a sabe la v e r d a d o p o r q u e la m a d r e se h a h u m i l l a d o , se ha
m u t i l a d o , s o l t a n d o su l e n g u a y c o n f e s a n d o e l secreto? ¿Se t r a n q u i l i z a
p o r q u e p u e d e a m o r t i g u a r el t r a u m a t i s m o i n c u r a b l e de la m u e r t e d e l
p a d r e o p o r q u e ha c o n s e g u i d o , p o r la vía de l a e s c r i t u r a y d e l recono -
c i m i e n t o de su ser c o m o autor, t e n e r u n n o m b r e q u e él m i s m o se ha
h e c h o s a l i e n d o de l a aldea b ú l g a r a y de la b a r a b ú n d a de las lenguas
^lAS CANETTI 163
©n las qu e h a b í a crecido? L a escritura de C a n e t t i , así l o confiesa, es
gllisiolítica, t m a vacuna c o n t r a l a l o c u r a . Lleva las huellas pavorosas d e
l2¿ g u e r ra ím t o r n o a los l i b r o s , de la m a d r e c o n t r a el h i j o , d e l esposo
contra la esposa, q ue sólo p u e d e acabar en el sacrificio. E l c o m b a t e
titánico de los esposos; de Teresa c o n t r a K i e n , de K i e n c o n t r a Teresa,
es u n a c o n t i e n d a desesperada en t o r n o de los l i b r o s q u e acaba e n e l
Auto da fe, la g r a n h o g u e r a d e d o n d e la n o v e l a r e c i b e su título.
Acaso a n a d i e se le escapa q u e C a n e t t i supo desde e l p r i n c i p i o , al
igual q u e sti p a d r e , la v e r d a d de lo q u e sucedió e n e l b a l n e a r i o . N o es
poco oír d e c i r a u n a n t i f i e u d i a n o m i l i t a n t e q u e a esa v e r d a d " s i e m p r e
ü-até de r e p r i m i r l a " . N o es a p r e m i a n t e p a r a él q u e la m a d r e le d i g a
"toda la v e r d a d " ; l o i m p o r t a n t e es q u e ella se haya r e n d i d o y h u m i l l a -
do. El j t i e g o sádico e n t r a m b o s ha p e r d i d o s e n t i do (y se desplaza a la
relación c o n su esposa, q u e l o lleva, de n u e v o , a i d e n t i f i c a r s e c o n el
d r a m a p e r s o n a l de T o l s t o i ; Veza es u n a m u j e r posesiva cuyos rasgos
aparecen, d i s i m u l a d o s , en la siniestra Teresa de la n o v e l a ) . E l espectro
de su p a d r e , c o m o e l d e l p a d r e de H a m l e t v a g a b u n d e a n d o sobre las
murallas d e l castillo de E l s i n o r e , p u e d e r e c u p e r a r la paz gracias a l a
venganza efectiva, a u n q u e simbólica, d e l h i j o .
E n t r e el r e c u e r d o más r e m o t o , el de K a r l s b a d , a los dos a ñ o s de
edad, y el r e c t t e r d o más clavado, el q u e es i m p o s i b l e de distanciar
c o m o pasado, e l de Manchester, a los siete años, hay u n a c o r r e s p o n -
dencia y u n a a f i n i d a d qtie los hace vecinos. ¿ Q u é se d i c e n esos m i e m -
bros d e l a pareja q u e c o p u l a n ante él c o n sus lenguas i n c o m p r e n s i -
bles? ¿Cuál es el m i s t e r i o d e l sexo, ese m i s t e r i o q u e C a n e t t i n o p u d o
a d m i t i r hasta t i n a e d a d r i d i c u l a p o r q u e la m a d r e c o n t i n u a b a n e g a n d o
que los n i ñ o s nacían después q u e los padres h a c í a n l o m i s m o q u e el
gallo c o n la gallina? ¿Por q u é le c o r t a r í a n la l e n g u a si h a b l a b a de l o
q u e b i e n sabía q u e pasaba e n t r e e l j o v e n y la c r i a d a b ú l g a r a , d e l lazo
e n t r e M a t i l d e y Jacques, sus padres, de l o q u e h a b í a s u c e d i d o e n el
b a l n e a r i o de R e i c h e n b a c h —eso q ue la m a d r e n u n c a r e c o n o c i ó p l e -
n a m e n t e ? ¿ Q u é sucedió a q u e l l a n o c h e e n el d o r m i t o r i o de los padres
detrás de u n a p u e r t a c e r r a d a a cal y c a n to c o n t r a t o d a curiosidad?
¿Por q u é m o r i r í a e l p a d r e si es q u e u n o p o n e e n d u d a l a b l a n c a i d e a
de q u e cayó f u l m i n a d o p o r noticias q ue leyó ese día e n e l p e r i ó d i c o ?
¿Por q u é t o d o s cuantos c o n o c e n al j o v e n Elias p a d e c e n p o r la t o r t u r a
de sus celos compulsivos? ¿ C ó m o se fijó la amenaza r e c u r r e n t e del
p r i m e r r e c u e r d o , de m o d o i m p l a c a b l e , e n este n i ñ o de letras a q u i e n
los genitales n u n c a le i m p o r t a r o n p o r q u e n u n c a f u e r o n r e c o n o c i d o s
164 KLIAS CANETTI
c o m o f o r m a n d o p a r t e de su a n a t o m í a o la d e l otro? E l n o p o d í a igno-
r a r q u e era d u e ñ o de i n t i m i d a d e s inconfesables q u e p o d í a n llevar a la
m u t i l a c i ó n — y n o sólo de la l e n g u a : "sé q u e m e la c o r t a r á " . ¿Cuál es la
navaja q u e c o n d e n a a su l e n g u a (¿la lengua?) a ser m u t i l a d a cada día
pero "hoy no, mañana"?
Q u i e r o precisar mis ideas al respecto: es p o c o verosímil (como
s i e m p r e sucede c o n la m e m o r i a de la i n f a n c i a ) q u e el n i ñ o de dos
a ñ o s haya r e g i s t r a d o c o n e x a c t i t u d u n diálogo t a n c o m p l e j o c o m o el
q u e se r e p r o d u c e e n el t e x t o de su r e c u e r d o . El p r i m e r c o m p o n e n t e
p o d r í a ser a u t é n t i c a m e n t e m n é m i c o (si es q u e el a d v e r b i o y el adje-
tivo n o e n t r a n e n c o n t r a d i c c i ó n , a c e p t a n d o el o x í m o r o n ) : el color
r o j o , la escalera, la pareja de amantes, el contraste e n t r e la sonrisa y la
amenaza, la t e m i d a navaja. E l s e g u n d o e l e m e n t o , q u e da coherencia
y e n m a r c a al p r i m e r o , p r o v i e n e d e l r e l a t o de la m a d r e , " r o j o " remite
a K a r l s b a d , 1907; h u b o u n a m u c h a c h a búlgara q u e f u e despedida por
u n a m o r ilícito. E l tercer e l e m e n t o es la m a n e r a e n q u e este "recuer-
d o " , q u e es u n f a n t a s m a ( " u n i ón de cosas vistas y oídas", d e c í a F r e u d ) ,
se i n t e g r a c o n l o q u e e l n i ñ o sabía sin p o d e r saber, e l a d u l t e r i o de la
m a d r e , r e v e l a d o r d e l c a r á c t e r sexual d e l r e c u e r d o r e m o t o . D e m o d o
q u e e l p r i m e r r e c u e r d o es el r e s u l t a d o de u n a c o n s t r u c c i ó n doble-
m e n t e a p o s t e r i o r i , d o b l e m e n t e aprés-coup. E l e p i s o d i o de la navaja
q u e llegó p a r a quedarse e n su l e n g u a , la d u d o s a p a l a b r a de la m a d r e y
la m u e r t e d e l p a d r e d i s e ñ a n los tres postigos de la v e n t a n a p o r la cual
Elias C a n e t t i m i r a r á el m u n d o .
R e t o r n a n d o a los i n t e r r o g a n t e s : ¿ P u e d e la l e n g u a — Z u n g e , e n sus
dos a c e p c i o n e s — llegar a ser falo? ¿ C ó m o llega C a n e t t i , de l a i g n o r a n -
cia i m p u e s t a d e l a l e m á n , i d i o m a í n t i m o d e l r o m a n c e e n t r e sus padres,
v e d a d o p a r a e l h i j o , al l u g a r d e l p o e t a y ensayista q u e r e c i b e su Premi o
N o b e l p o r el d o m i n i o de la l e n g u a p r o h i b i d a ?
A d e m á s , h a b r á q u e c o n s i d e r a r la c u l p a y los m e d i o s puestos en ac-
c i ó n p a r a salvarse de sus dentelladas q u e r e m t i e r d e n . L o m e j o r para
el n i ñ o , r e c o n o c e el escritor a d u l t o , era q u e n o se e n c o n t r a s e razón
a l g u n a p a r a l a m u e r t e d e l p a d r e ( p . 74) y, sin e m b a r g o , p o d r í a escri-
b i r u n l i b r o e n t e r o c o n las sucesivas explicaciones q u e r e s p o n d í a n a
su incesante i n d a g a c i ó n . ¿ Q u é sintió al ver a su p a d r e t e n d i d o en el

^ E n esta a r g u m e n t a c i ó n h e r e s u m i d o e l e m e n t c j s d e u n d i á l o g o f e c u n d o c o n D a n i e l
K o r e n , q u i e n h a a p o r t a d o l o esencial. D e j o c o n s t a n c i a d e m i a g r a d e c i m i e n t o al a m i g o
y colaborador.
ELIAS CANKTTI 165

piso, estirado, m u y ceica de la chimenea? E n el r e l a t o , pareciera q u e


nada; m i n u t o s después estaba j u g a n d o c o n u n a m i g o . Sin e m b a r g o ,
no p o d e m o s r e n u n c i a r a n u e s t r o m é t o d o de análisis i n t e r t e x t u a l . Así,
leemos e n o t r o l i b r o de Canetti^

E l t e r r o r q u e un m t i e r t o yaciente p r o d u c e en el á n i m o de q u i e n lo m i r a es
s u s t i t u i d o p o r u n a s a t i s f a c c i ó n : e l o b s e r v a d o r n o es e l m u e r t o . H u b i e r a p o d i -
d o s e r l o . P o r o q u i e n y a c e es e l o t r o . [ . . . ] E s t a s e n s a c i ó n es l a q u e prevalece
r á p i d a m e r u e ; l o q u e al c o m i e n z o e r a t e r r o r se i m p r e g n a I t i e g o d e satisfac-
c i ó n . [ - . . ] E s t e h e c h o es t a n t e r r i b l e y d i r e c t o q u e l o e n c u b r i m o s c o n t o d o s l o s
m e d i o s d i s p o n i b l e s , A l m a r g e n d e q u e n o s d é o n o v e r g ü e n z a , es d e c i s i v o p a r a
la v a l o r a c i ó n d e l ser h u m a n o . P e r o e s t o n o a l t e r a p a r a n a d a e l h e c h o m i s m o .
L a s i t u a c i ó n d e l a s o b r e v i v e n c i a es l a s i t t x a c i ó n c e n t r a l d e l p o d e r .

Eos dos r e c u e r d o s, el más r e m o t o y el de m a y o r i m p a c t o , se c o n -


j u g a n y g u a r d a n e n t r e sí u n a secreta a r m o n í a . P t i e d o s u p o n e r q u e
la vida y la o b r a de C a n e t t i d e r i v a n de la c o n d e n a ejercida sobre su
lengtia, esa c o n d e n a q ue hace q u e la m e d i o c r e t r a d u c c i ó n al espa-
ñol de sti a u t o b i o g r a f ía tenga el g r a n m é r i t o de presenta r la p a l a b r a
gerettete c o m o absuelta. Su ctiestionable " l i b e r a c i ó n " se t r a m i t a p o r el
t r u c o de u n e n c l a t i s t r a m i e n t o en el deseo de m a n i f i e s t o de la m a d r e y
en la realización a p o r f í a d e l deseo ajeno. M e arriesgo a p o s t u l a r q u e
el " r e c u e r d o más r e m o t o " de Elias C a n e t t i , c o n f i r m a t o r i o de la tesis
de Cortázar, se e n t i e n d e a p a r t i r d e l e q u í v o c o e n t r e los dos sentidos
o acepciones d e l vocablo " l e n g u a " . E l p r i i n e r r e c u e r d o , c o n s t r u i d o
r e t r o a c t i v a m e n t e a p a r t i r d e l segundo, es la clave y f u n c i o n a e n e l
i m a g i n a r i o d e l escritor, ese i m a g i n a r i o q u e él q u i s i e r a h a c e r n o s c o m -
partir, segiin la aguda i n t u i c i ó n de M a r t h a Robles, c o m o u n o r á c u l o .
Será escritor, escribirá en a l e m á n , guardará su l e n g u a m a t e r n a (el
l a d i n o ) , g u a r d a r á su l e n g u a sin d e c i r m u c h a s cosas q u e h a l l e g a d o a
c o m p r e n d e r , g u a r d a r á su h a b l a y se e x p r e s a r á p o r escritc:», t r a s p o n i e n -
do sus fantasmas e n letias d e l alfabeto. L a sentencia se hará senten-
ciosa. L l e n a r á de m o d o i n c o e r c i b l e miles de páginas de diarios q u e l o
amansan y l o salvan de la e x p l o s i ó n . Gozará de l a e s c r i t u ra q u e p o n e
a d i s t a n c ia al espanto y le p e r m i t e e n c e r r a r l a l e n g u a e n su b o t e l l a de
dientes. Salvada de la navaja.

' E. C a n e t t i , La conciencia de las palabras, c i t . , p p . 36-37.


11
G E O R G E S PEREC N O T I E N E R E C U E R D O S D E I N F A N C I A ^

1 . HISTORIA DEL HUERFANO QUE ERA HIJO DE SUS PALABRAS

C r e o c o n v e n i e n t e , antes de i n t e r n a r n o s en los recovecos d e l p r i m e r


r e c u e r d o de Georges Perec y sus ecos cortazarianos, p r o p o n e r al
l e c t o r q u e m e a c o m p a ñ e e n u n a p r e s e n t a c i ó n b i o g r á f i c a y literaria
d e l escritor. Georges Perec es u n novelista fi-ancés de l e c t u r a difícil
y e x i g e n t e p a r a el más esforzado de los adeptos a la l i t e r a t u r a . Era
h i j o de j u d í o s píjlacos e m i g r a d o s , q u e vivió apenas 46 a ñ o s (París,
1936-1982); e n ese breve lapso a l c a n z ó a escribir a l g u n o s de los libros
más creativos de la l i t e r a t u r a francesa de p o s g u e r r a ( o , q u i t a n d o su-
p e r f i n a s restricciones temporoespaciales , de la l i t e r a t u r a universal de
t o d o s los t i e m p o s ) . Perec p e r d i ó al p a d r e e n el f r e n t e de batalla en
1940 y sti m a d r e , arrestada e n 1942, f u e d e p o r t a d a a u n c a m p o de la
m u e r t e n u n c a i d e n t i f i c a d o . A m b o s se e s f u m a r o n sin q u e él pudiese
ver sus c u e r p o s n i p r a c t i c a r r i t o s f u n e r a r i o s . Esa t e m p r a n a e inadverti-
d a " d e s a p a r i c i ó n " q u e d ó g r a b a d a c o m o el a c o n t e c i m i e n t o c r u c i a l de
su v i d a y de su o b r a . E n 1956, e n u n c e m e n t e r i o m i l i t a r , e l adolescente
b u s c ó y e n c o n t r ó q u e u n a de las tantas cruces t e n í a i n s c r i t o el n o m b r e
d e l p a d r e ; sintió e n ese m o m e n t o

las ganas de decir algo, de pensar algo, u n balanceo confuso e n t r e una emo-
ción indefinida en el límite del balbuceo y una apatía que bordeaba lo deli-
berado y, por debajo de todo ello, una suerte de secreta serenidad ligada a
la fijación en el espacio y a la escritura pintada e n l a c r u z d e e s t a muerte que
dejaba así de ser abstracta.^

^ E n l a r e d a c c i ó n d e este c a p í t u l o se h a n u s a d o , a d e m á s d e los t e x t o s d e Perec q u e


se c i t a n , d a t o s t o m a d o s d e las revistas L'Arc, iiúiii. 76, 1979 y Magazine Littéraire, n i i m .
193, d e m a r z o d e 1983 y n ú m . 316, d i c i e m b r e d e 1993, d e d i c a d a s a Perec. T a m b i é n se
c o n s u l t ó l a e x t e n s a y r e c o m e n d a b l e b i o g r a f í a d e D . B e l l o s , Georges Perec. A Ufe in tuord,
B o s t o n , D a v i d R. G o d i n e , 1993.
^ G . P e r e c [ 1 9 7 5 ] , Wou le so'uvenir d'enfance, P a r í s , D e n o é l , G a l l i m a r d , L ' i m a g i n a i r e
( 2 9 3 ) , 2 0 0 1 , p . 59.

[i661
EORGES PEREC 167

Si había u n a cruz c o n su n o m b r e — p o d e m o s nosotros conjettirar—- el


>adre olvidado "debió haber \^vido". E n esa t i e r r a t u m b a l estaba clavada
fía raíz m u e r t a d e l n e r v i o de u n diente que el f u t u r o escritor n u n c a tuvo.
El h u é r f a n o q u e d ó al c u i d a d o de parientes de la m a d r e en e l sur de
Francia hasta que volvió a París c u a n d o la g u e r r a h u b o t e r m i n a d o . E n
los años q u e s i g u i e r o n , a ñ o s de soledad sin brújula, t o m ó a l g u n o s cur-
sos universitarios, trabajó c o m o b i b l i o t e c a r i o y se "ganaba la v i d a " (¿?)
escribiendo c r u c i g r a m a s para d i s t i n t os p e r i ó d i c o s . E l é x i t o l i t e r a r i o
sólo llegó p o c o antes de su mvierte p r e m a t u r a p o r c á n c e r de p u l m ó n ,
aunque h a b í a sido r e c o n o c i d o y p r e m i a d o c o m o u n novelista i n n o v a -
d o r desde la aparición de su p r i m e r relato : Las cosas [19615].
L a p r e o c u p a c i ó n p o r d e f i n i r s e a sí m i s m o a p a r t i r de esos b o r r o s o s
o r í g e n e s y p o r develar los misterios de su p r o c e d e n c i a y de su n o m b r e
invade y se i n f i l t r a en todas las hneas y hasla en las e n t r e l i n e a s de su
extensa o b r a . Perec, a q u i e n la H i s t o r i a h a b í a p r i v a d o de r e c u e r d o s
y raíces, era, lógica y p a r a d ó j i c a m e n t e , u n obseso d e la m e m o r i a , u n
apasionado detective de todas las briznas de u n pasado q u e n o p o d í a
dejar escapar. Vivía a t r i b u l a d o p o r u n a r e c o r d a c i ó n m i n u c i o s a q u e
cultivaba, que le estorbaba y q u e , en u n p r i n c i p i o , h u b i e r a q u e r i d o
p e r d e r p a r a instalarse e n u n h i p n ó t i c o presente, lejos de t o d o proyec-
to, lejos d e l m u n d o de los d e m á s , c o m o el p r o t a g o n i s t a de su segunda
novela, Un hombre que duerme [ 1 9 6 7 ] L a p a r t i c u l a r i d a d de esa novela,
segmento p o c o d i s i m u l a d o d e l r e l a t o de sus a ñ o s j u v e n i l e s , es q u e
está escrita en segunda persona. E n c o n t r a m o s en ella frases revela-
doras e n las q ue el a u t o r se dice: " N o te has m t i c r t o . N o te has v u e l t o
l o c o . . . Deja de h a b l a r c o m o u n h o m b r e q u e s u e ñ a . " E n su a u t o b i o -
grafía " p r o p i a m e n t e d i c h a " ( ¿ ? ) , Wo el recueido de infancia [ 1 9 7 5 ] , o b r a
c e n t r a l e n su p r o d u c c i ó n q u e será c o m e n t a d a e n l a segunda p a r t e de
este c a p í t u l o, dice de sí l o bastante para c o m p r e n d e r q u e el hombre que
duerme y q u e habla c o m o si estuviera s o ñ a n d o , h a b í a sido él m i s m o .
C u a n d o toca esa é p o c a de su vida, c o m o n a r r a d o r de su p r o p i a expe-
r i e n c i a y n o ya c o m o p r o t a g o n i s t a de u n a novela, r e c u r r e , en vez de la
segunda persona, a conjugaciones impersonales. V i v e sin p e r m i t i r s e
sentir, es u n sonámbulo.^

^ G . Perec, Un homme qui dort [ 1 9 6 7 ] , P a r í s , D e n o é l , F o l i o ( 2 1 9 7 ) . E n e s p a ñ o l , Un


hombre que duerme, B a r c e l o n a , A n a g r a m a , 1990. T r a d . d e E. Russek. L a c i t a es d e p p .
136-137.
G . P e r e c , Wo eí recuerdo de infancia, c i t . , p . 98.
168 OEORGES

No había ni comienzo ni Hn. N o había tampoco pasado y durante mucho


t i e m p o n i s i q u i e r a h a b í a p o r v e n i r ; s i m p l e m e n t e se d u r a b a . Se e s t a b a a h í . Eso
s u c e d í a e n u n l u g a r q u e estaba lejos, p e r o n a d i e h u b i e r a p o d i d o d e c i r coh
e x a c t i t u d l e j o s d e q u é . D e t i e m p o e n t i e m p o se c a m b i a b a d e l u g a r , se i b a u n o
a o t r a p e n s i ó n o a o t r a r a m i l i a . L a s c o s a s y l o s l u g a r e s n o t e n í a n n o m b r e - la
g e n t e n o t e n í a r o s t r o s [ . . . ] T o d o l o q u e u n o s a b e es q u e e s o d u r ó b a s t a n t e
t i e m p o y q u e d e s p u é s , t m d í a , esc:» se d e t u v o .

A l i g u a l q u e Ehas C a n e t t i , según ya v i m o s , piensa q u e se hubiera


v u e l t o l o c o si n o escribía sti d i a r i o . A l i g u a l qu e tantos o t r o s : Cortázar
N a b ó k o v o KajEka (¿y Joyce?), busca a t r a p a r la m e m o r i a y la esgrime
p a r a alejarse de l o r e a l i n t o l e r a b l e , p a r a salvarse d e l espanto de los ga-
llos a u r ó r a l e s q u e se l l e v a r o n a sus padres al país sin r e t o r n o . A l g u n a
vez p i n t ó c o n palabras su a u t o r r e t r a t o diciendo:^

La escritura m e resguarda. A v a n z o bajo el a m p a r o de m i s palabras, de mis


frases, d e m i s p á r r a f o s h á b i l m e n t e e n t r e t e j i d o s , d e m i s c a p í t u l o s asttttamente
p r o g r a m a d o s . N o m e f a l t a e l i n g e n i o . ¿ N e c e s i t o a v m e s t a r p r o t e g i d o ? ¿ Y si e l
e s c u d o se t r a n s f o r m a s e e n c a d e n a s ?

Esta c o n f e s i ó n d e l v a l o r " p r o f i l á c t i c o " de su escritur a se lee e n me-


d i o de u n " a u t o r r e t r a t o " l i t e r a r i o ; el t e x t o e n cuestión lleva p o r título
u n a c h a r a d a q u e nos atrevemos a t r a d u c i r c o m o "los ñatos d e l a u t o "
{gnoti te auton). Se " c o n o c e a sí m i s m o " i n t e r p o n i e n d o u n a m u r a l l a de
sarcasmos, d u d a n d o i n c e s a n t e m e n te sobre la l e g i t i m i d a d de su pro-
yecto. C o m o rebuscado l a b o r a t o r i s t a de la lengua, hace malabarismos
c o n el l e n g u a j e q u e l o j u e g a . Escribe "palabras cruzadas".
E l ser a m o r f o de l a i n f a n c i a y l a adolescencia, el h o m b r e q u e duer-
m e , se afana e n la c a r r e r a de la v i d a t r a t a n d o de e l u d i r a los fantasmas
de los ancestros desaparecidos y, a la vez, t r a t a n d o de objetivarlos, atis-
b a n d o e n fotografías, p r e g u n t a n d o a los f a m i l i a r e s , r e c o n s t r u y e n d o
p a c i e n t e m e n t e el p r e s u n t o " r e c u e r d o de i n f a n c i a " q u e será el título
de su a u t o b i o g r a f í a . Perec \ive d e s l o m á n d o s e tras t m pasado q u e se le
escapa, q u e le ha sido a r r e b a t a d o , al q u e quisiera enlazar y enjaular
e n u n a estricta coraza de letras metálicas q u e , en su d u r e z a y cerrazón,
n o c e d a n al azar o al c a p r i c h o . A r g u y e q u e nada p u e d e d e c i r a u n q u e
n o sabe si t e n d r í a algo para decir, si n o dice l o q u e p u d i e r a decir

^ G . P e r e c , "Les g n o c c h i s d e l ' a u t o m n e " , e n Je suis né, París, S e u i l , 1990, p . 73.


GEORGES P E R E C 169

p o r q u e l o q u e diría es i n e f a b l e . L o i m p o s i b l e de expresar es el p o l v o
finísimo de la c o n g o j a q u e se filtra e n su escritura. ¿De q u é habla-
ría? ¿ Q u i é n p o d r í a " c o n t a r " u n agujero? ¿ Q u é p o d r í a hablarse de ese
oñgcn i n c o m p r e n s i b l e p a r a u n n i ñ o a q u i e n la H i s t o r i a ( c o n H ) ha
privado de u n a h i s t o r i a ( c o n minúsculas) y l o ha sacado de su cauce?
La despersonalizaciéjn de su escritura r e f l e j a la de su ser. Sabe q u e
cuanto p u d i e r a decir es inai^ie, i n c o l o r o , el signo de u n a a n u l a c i ó n
definitiva. Por eso escribe f o r z a n d o a las palabras, c i r c u n d a n d o a la
Historia, g i r a n d o a l r e d e d o r de ella, d i b u j a n d o r í g i d a m e n t e sus líneas
c o m o si las palabras estuviesen rodeadas p o r los electrizados alambres
de púas de u n c a m p o de c o n c e n t r a c i ó n . Es, c o m o los p r i s i o n e r o s , u n
n ú m e r o sin sustancia. "Si esto es u n h o m b r e . " N o p u e d e consolarse
con bellas i m á g e n e s n i i n t e r r o g a n d o a sus lapsus n i concentrarse en
detalles n i m i o s c o m o el l a r g o de las ropas de su p a d r e n i buscar e n sus
frases, "hallándolas, c i e r t a m e n t e , las c ó m o d a s resonancias d e l E d i p o
y la c a s t r a c i ó n ". Vive y escribe p a r a t o m a r distancia de los fantasmas
quile l o acosan.^

Nunca encontraré, machacando mis palabras, otra cosa que el reflejo final de
una palabra que falta a la escritura, el escándalo de su silencio y de m i silen-
cio. [...] Escribo: escribo porque llegamos a vivir juntos, porque yo era uno
entre ellos, sombra en el medio de sus sombras, cuerpo cercano a sus cuerpos.
Escribo porque ellos han dejado en mí alguna marca indeleble y su huella es
la escritura: en la escritura su recuerdo muere. La escritura es el recuerdo de
su muerte y la afirmación de m i vida.

E n t o d o instante constatamos q u e la p a l a b r a escrita p o r Perec es,


e n su i n t e g r i d a d , a d e m á s de u n i n t r i g a n t e t e s t i m o n i o l i t e r a r i o , el tra-
bajo d e l d u e l o p o r la m u e r t e de sus padres q u e e l nazifascismo le a r r e -
b a t ó . N o es t a n t o que le f a l t a r a n los padres; le pasó algo más t e r r i b l e ,
le f a l t a r o n sus m u e r t e s . I n v o c a al espíritu de los padres desvanecidos
a la vez q u e los ahoga e n t i n t a . L o m i s m o pasa c o n su j u d e i d a d : n o es
p a r a él l a señal de u n a p e r t e n e n c i a sino o t r a f o r m a d e l silencio y d e l
vacíen. L a ú n i c a certeza q u e alcanza es la de h a b e r sido m a r c a d o c o m o
j u d í o y, de ese m o d o , c o n d e n a d o a vivir e n el e x i l i o , e x t r a ñ o p a r a sí
m i s m o , d i f e r e n t e , n o sólo de los otros, sino t a m b i é n de los m i e m b r o s
de "su p r o p i o p u e b l o " , cuyo lenguaje, m e m o r i a y t r a d i c i o n e s n o p u e -

G . P e r e c , "Les l i e u x d ' u n e r u s e " , Penser/classer, P a r í s , H a c h e t t e , 1985, p . 63.


170 GEORGES PEREC •

de c o m p a r d i p o r q u e n o le h a n sido t r a n s m i t i d a s a u n q u e n o puede
d e j a r de interrogarse:^

N o s é c o n p r e c i s i ó n q u é es s e r j u d í o y t a m p o c o l o q u e m e h a c e e l s e r j u d í o
{ce que fa me fait d'étre juij). Es, si se q u i e r e , u n a e v i d e n c i a , p e r o u n a e v i d e n c i a
m e d i o c r e , u n a m a r c a , p e r o u n a m a r c a q u e n o m e v i n c u l a c o n n a d a preciso o
concreto [...] Sería más b i e n u n a ausencia, u n a pregunta, t m cuestionamien-
lo, u n a p u e s t a e n stispenso, u n a i n c | u i e t u d : u n a c e r t i d u m b r e i n q u i e t a detrás
d e l a c u a l se p e r f i l a o t r a c e r t i d u m b r e , a b s t r a c t a , p e s a d a , i n s o p o r t a b l e : la de
h a b e r s i d o d e s i g n a d o c o m o j u d í o y, e n t a n t o q u e j u d í o , v í c t i m a , y d e deber
la v i d a t a n s ó l o al azar y al e x i l i o . M i s a b u e l o s o m i s p a d r e s h u b i e r a n p o d i d o
e m i g r a r a la A r g e n t i n a , a los Estados U n i d o s , a Palestina...

M e j o r p o d r í a m o s d e c i r q u e él — c o i u o C a n e t t i y a d i í e r e i i c i a de Kaf-
k a — n o h a q u e r i d o saber n a d a de esa i d e n t i d a d o f r e c i d a y rechazada.
O constatar q u e p u d o t o m a r l a en serio al p r o y e c t a r escribir y filmar la
h i s t o r i a de Ellis I s l a n d , el l u g a r de c o n c e n t r a c i ó n de los i n m i g r a n t es
q u e l l e g a b a n a N u e v a Y o r k (dieciséis m i l l o n e s de personas e n t r e 1892
y 1924) o, c o n total desenfado , burlars e de su j u d a i s m o en u n o de los
más h i m i n o s o s c o m i e n z o s de " a u t o b i o g r a f í a p o t e n c i a l " j a m á s dados a
la i m p r e n t a . ^

N a c í el 25 de d i c i e m b r e de 0000. S e g ú n d i c e n , m i p a d r e era c a r p i n t e r o . Poco


d e s p u é s d e m i n a c i m i e n t o , los gentiles d e j a r o n d e serlo y d e b i m o s refugiar-
n o s e n E g i p t o . F u e a s í c o m o s u p e q u e e r a j u d í o y es e n esas d r a m á t i c a s c o n d i -
c i o n e s c o m o se e n t i e n d e e l o r i g e n d e m i firme d e c i s i ó n d e ncj s e g u i r s i é n d o l o .
Ustedes ya saben lo que vino después...

Escribe p a r a p o b l a r c o n garabatos u n a nada, u n p u r o a g u j e r o , u n a


casa sin ventanas o unas ventanas sin casa. C u m p l e c o n u n a misión tra-
z a n d o signos e n e l p a p e l q u e le periuitirían , al final, encontrarse con
las claves de u n a v i d a q u e le h a sido r o b a d a . Perec persigue a Perec
y t r a t a de a m a r r a r l o c o n u n a g r a f o m a n í a signada p o r la compulsión .
F u n d a ( e n 1967, c o n R a y m o n d Q u e n e a u y Eran^ois Le L y o n n a i s ) el
O u l i p o (Ouvroir de liitérature potentiel), u n taller de escritores q u e pre-
t e n d e l o g r a r l a c r e a c i ó n l i t e r a r i a pcjr c a m i n o s c o n t r a r i o s a los t r a d i c i o -

^ G . P e r e c , " R é c i t s d ' E l l i s I s l a n d " , e n Je suis né, c i t . , P a r í s , S e u i l , 1990, p p . 99-100.


^ G . P e r e c [X^IO], Je suis né, c i t . , p . 10.
GEORGES FFREC 171
nales d e l l i b e r t i n a j e artístico d e l siglo v e i n t e en d o n d e , e n p r i n c i p i o ,
cada escritor es soberano y tiene e l d e r e c h o de h a c er l o q u e le venga
en ganas. Los o u l i p i a n o s d e c i d e n o b e d e c e r a las constriccione s de
leyes i n c l e m e n t e s qu e ellos m i s m o s se i m p o n e n ; son trabajadores e n
^nQ. fátrica {ouvroir), obreros q u e c u m p l e n c o n m a n d a m i e n t o s qtie
rebasan los o r d i n a r i o s d e l lenguaje, los d e l v o c a b u l a r i o y de la sintaxis,
esforzadosjornaleros q u e van i n c l u s o c o t i t r a las pretensiones de trans-
m i d r u n sentido i t i e d i a n t e la escritura, c o n su i n e l u d i b l e sobrecarga de
i m a g i n a r i o . E x p o n d r é unos pocos ejemplos de esas constricciones au-
toimpuestas q u e hacen a la escritura i m p a r de Perec: escribir frases e n
d o n d e n i n g u n a letra pase p o r a r r i b a o p o r debajo de las líneas rectas
y paralelas d e l r e n g l ó n : p r o h i b i d a s las letras i , j , p , q , 1, d , f, g, h , b,
y^ t, p r o h i b i d o s los acentos (se p u e d e escribir 'un asno p e r o n o 'una
muía); ejercitarse en la p a l i n d r o m í a ( c o m o j u a n Filloy, ese o u l i p i a n o
p a m p e r o ) ; c o m p o n e r poemas q u e t e n g a n o n c e versos de o n c e letras
cada u n o , s i e n d o esas letras las diez más f r e c u e n t es de la l e n g u a f r a n -
cesa (E S A R T 1 N U L O ) más u n a letra a d i c i o n a l ; someter a leyes
m a t e m á t i c a s y a ecuaciones la sucesión de las palabras y las frases. I n -
finitas son las f ó r m u l a s propuestas para estos opresivos " l i p o g r a m a s "
surgidos d e l O u l i p o . E l l e m a q u e las guía p a i e c e ser sartreano : s ó l o
entre los m u r o s de la cárcel (de las palabras) p u e d e existir la l i b e r t a d
del artista p a r a la invención. Es evident e el parentesco e n t r e este p r o -
g r a m a y estos trabajos forzados c o n los de la música d o d e c a f ó n i c a q u e
dejó su i m p r o n t a en el arte d e l siglo v e i n t e .
E n su extensa novela. La vie mode d'ernploi,*^ pieza maestra de la l i -
t e r a t u r a o u l i p i a n a , Perec e s c u d r i ñ a a sus personajes tibicándolos e n
el espacio d e l e d i f i c i o d o n d e h a b i t a n y d e l l i b r o q u e los describe or-
d e n a n d o la sucesión de los episodios e n u n " b i - c u a d r a d o l a t i n o o r t o -
g o n a l de o r d e n 10" ( a h o r r e m o s la farragosa e x p l i c a c i ó n ) . Los saltos
de u n a p a r t e d e l e d i f i c i o a o t r a (de u n capítulo al siguiente) se h a c e n
s i g u i e n d o los m o v i m i e n t o s d e l caballo d e l j u e g o de ajedrez e n u n ta-
b l e r o de diez cuadrados p o r l a d o , sin q u e e l t r e b e j o pase dos veces
p o r el m i s m o cscaqtie. P o d r í a predecirse q ue el r e s u l t a d o sería u n
l i b r o i l e g i b l e , u n a o b r a h e r m é t i c a sólo accesible a chifladcjs capaces
de someterse al caprichoso r e g l a m e n t o i n s t a u r a d o p o r el novelista.
N a d a de eso: el arte d e l escritor p r o d u c e u n j u e g o fascinante de espe-
j o s q u e atrapa al l e c t o r en u n a l a b o r obsesionante c o m o la de a r m a r

^ G . Perec, La vie mode d'emploi, c i t .


172 OKOROES PEREC

el rompecabeza s q u e es la v i d a y c u l m i n a e n u n ñ n a l sensacional pro-


t a g o n i z a d o p o r la l e t r a W , la e x t r a n j e r a p o r excelencia, su letra. En
e l t e x t o están diseminadas citas, n o especiíicadas c o m o tales, de una
m u l t i t u d de autores: Borges, S t e n d h a l , C a l v i n o , F r e u d , L e i r i s , el pro-
p i o Perec, Nabókov, Kafka, G a r c í a M á r q u e z , V e r n e , Proust, Rabelais,
T h o m a s M a n n , M e l v i l l e , Joyce, A g a t h a C h r i s t i e , U n i k a Z u r n , entre
otros. La vida... es un compendio de la literatura universal. N o hace falta
u n m a n u a l de i n s t r u c c i o n e s p a r a i n t e r n a r s e e n el l a b e r i n t o p o r q u e el
l i b r o m i s m o es el m a n u a l .
La vie: mode d'emploi es, a d e m á s , u n i x w e n t a r i o de i n v e n t a r i o s que
r e ú n e e n sus 600 página s a m á s de c i e n (107) catitivantes historias y
a n t i c i p a otras c i e n t o o c h e n t a n o escritas cuyos a r g u m e n t o s caben en
u n a o dos líneas p o r el estilo de "48. E l h i j o de la d a m a d e l p e r r i t o
q u e p r e f i r i ó l a p o r n o g r a f í a al s a c e r d o c i o " o "179. E l v i e j o p i n t o r que
h i z o caber t o d a la casa e n su tela". E l c o n j u n t o de novelas se c o n f i g u-
r a c o m o u n rompecabezas c u y o t e m a es e l arte de a r m a r rompecabe-
zas s e g ú n u n a o r g a n i z a c i ó n r i g u r o s a de l o q u e parece a l e a t o r i o . N a d a
allí es g r a t u i t o , e m p e z a n d o p o r el título: La vida manual del usuario
y p o r e l e p í g r a f e , t o m a d o de J u l i o Verne:"^ "Abre bien los ojos, mira. "
A l g ú n m a l p e n s a d o ^ ' ha escrito q u e las 500 piezas d e l rompecabezas
de la g r a n n o v e l a i n t e g r a n u n a s o m b r í a h i s t o r i a de venganza, reali-
zada c o n e l a r m a de los rompecabezas, c o n t r a su psicoanalista, Jean-
Baptiste Pontalis.'^ Ese análisis de Perec t e r m i n ó e n j u n i o de 1975,
días d e s p u é s de la p u b l i c a c i ó n de su autobiográfica: W o el recuerdo de
infancia, q u e será n u e s t r o o b j e t o y n u e s t r a h e r r a m i e n t a e n el siguien-
te a p a r t a d o .
Es e l m o m e n t o de r e c o r d a r q u e la p e r s e c u c i ó n de sus fantasmas
i n c o n s c i e n t e s se h i z o n o sólo m e d i a n t e los trabajos forzado s de la es-
c r i t u r a sino t a m b i é n r e c t i r r i e n d o al psicoanálisis. Pasó sucesivamente
p o r los divanes de Fran^oise D o l t o (1949) c u a n d o era adolescente.

L a frase p a r e c e iio Lener n a d a d e especial. Está t o m a d a d e A'liguel Strogojf que,


c o m o se r e c o r d a r á , se h a c í a pasar p o r c i e g o .
C l . B u r g e l i n , " A u t o p o r t r a i t d ' u n e a m e " , Magazine Littéraire ( 3 1 6 ) , 1993, p p . 50-52-
C a b e r e c o r d a r q u e P o n t a l i s , d i s c í p u l o d e L a c a n , e r a ya f a m o s o c u a n d o Perec l o v i -
sitó p o r h a b e r e s c r i t o ( c o n J e a n L a p l a n c h e ) u n Vocabulaire de la psychanalyse (París, P U F ,
1968) q u e h a s i d o t r a d u c i d o a t o d o s los i d i o m a s o c c i d e n t a l e s y sigue s i e n d o c o n s i d e r a -
d o esencial p a r a l a i l u s t r a c i ó n d e los psicoanalistas. T o d a s las p a l a b r a s d e l a e s p e c i a l i d a d
e s t á n c l a r a m e n t e d e f i n i d a s e h i s t o r i a d a s e n é l . Perec, este m a n i á t i c o d e l l e n g u a j e , t e n í a
r a z o n e s d e c o n s o n a n c i a e s p i r i t u a l a l b u s c a r el a u x i l i o d e u n " c o l e g a " , J.-B. P o n t a l i s .
GEORGES PERFC 17B

de M i c h e l d e M ' l J z a n (1956-195?) e n s u s a ñ o s d e j u v e n t u d y d e Jean-


gg^p^jste Pontalis (1971-1975), c u a n d o era u n escritor l a u r e a d o . Más
interesante a ú n — f a s c i n a n t e e n v e r d a d — es seguir las múUiples viñe-
tas chuicas q u e e l p r o p i o Pontalis h a d e j a d o d e l caso d e Perec a t r i b u -
yéndole d i f e r e n t e s s e u d ó n i m o s (Pierre , P i e r r e G., P a u l , S i m ó n , e t c . ) .
Hasta d o n d e sabemos, n o h a y antecedentes d e u n psicoanalista qtxe
haya p r e s e n t a d o e l caso d e u n paciente c é l e b r e c o n datos q u e p e r m i -
desen d e s c u b r i r f á c i l m e n t e su i d e n t i d a d y s u i n t i m i d a d . D i s t i n t o , p o r
cierto, e s e l caso d e los pacientes, c o m o los d e F r e u d , que s e h i c i e r o n
célebres p o r los historiales d e l analista ( e l h o m b r e de los lobos, el de
las ratas, J u a n i t o , D o r a ) . Los c o m e n t a r i o s d e Pontalis t o m a n u n sabor
especial c u a n d o se l e e n sabiendo quién e s e l p a c i e n t e , e s e q u e dice:
"No p u e d o t e n e r r e c u e r d o s d e i n f a n c i a p o r q u e m u y t e m p r a n a m e n t e
f u i h u é r f a n o " , a l o q u e e l psicoanalista c o r o n a c o n u n comentario:^'^

Los padres [de "Simón"] m u r i e r o n e n sus p r i m e r o s a ñ o s : d e p o r t a d o s , d e s -


aparecidos. Ve e n esta d o b l e d e s a p a r i c i ó n l a causa d e su " a m n e s i a i n f a n t i l " .
Volverá a m e n u d o s o b r e eso. D i c h o d e o t r o m o d o , los p a d r e s h a n a r r a s t r a d o a
la m u e r t e a l n i ñ o v i v o . N o le q u e d a m á s q u e s o b r e v i v i r . Y l o q t i e s o b r e v i e n e en
las s e s i o n e s es u n a e x t r a o r d i n a r i a m á q u i n a d e p r o d u c i r s u e ñ o s ( n o d e s o ñ a r ) ,
de j u g a r c o n palabras ( m á s qite dejarlas j u g a r ) , de registrar la vida c o t i d i a n a
( c o n l a c o n d i c i ó n d e q u e q u e d e f i j a ) . Se h a b í a c o n s t i t u i d o u n s i s t e m a c e r r a d o
—clausura y separación—, u n a suerte de c a m p o de concentración mental
d o n d e las h a z a ñ a s i n t e l e c t u a l e s , u n a d i s c r e t a e i r ó n i c a m e g a l o m a n í a , habrían
t o m a d o e l l u g a r , p o r i n v e r s i ó n d e las sevicias c o r p o r a l e s y d e l a m i s e r i a f í s i c a .
S i s t e m a d e l q u e y o d e b í a ser t e s t i g o , g u a r d i á n y g a r a n t e . M u y d o t a d o , i n t e l i -
gente, i n g e n i e r o brillante e inventivo, de u n h u m o r u n p o c o sarcástico, no
p a r e c í a e s p e r a r n a d a d e m í , salvo u n r e f u e r z o d e su " b a r r e r a p r o t e c t o r a " [ . . . ]
H a b í a e n é l u n c o r t e e v i d e n t e e n t r e las r e p r e s e n t a c i o n e s d e p a l a b r a s y l a s
r e p r e s e n t a c i o n e s d e cosas, e n t r e u n a a c t i v i d a d m e n t a l s i n t r e g u a y u n a v i d a
p s í q t i i c a n o p r o d u c t i v a , c o m o e n c a p s t t l a d a . S u p r o p i a p s i q u i s , a l i g t t a l q u e stt
madre, había dejado de alimentarlo.

N o dejamos de p r e g u n t a r n o s p o r lo q u e h u b i e r a sido de Perec si


hubiese t e n i d o eso q u e su psicoanalista e n t e n d í a c o m o u n a "vida psí-
quica productiva".

J.-B. P o n t a l i s [ 1 9 7 7 ] , Entre el sueño y el dolor, B u e n o s A i r e s , S u d a m e r i c a n a , 1978,


p p . 260-263. T r a d . ( e n c o m i a b l e ) d e C. A i r a .
174 GEOROKS PEREC

E l t e m a q u e es eje de la o b r a de Perec es el n u e s t r o : la m e m o r i a . La
luya estaba d o m i n a d a p o r el h o r r o r al o l v i d o y era casi funesiana . Sóld
i él p o d í a o c u r r í r s e l e la idea de escribi r u n a "Tentativ a de inventari o
i e t o d o s los a l i m e n t o s y bebidas q u e he i n g u r g i t a d o e n el a ñ o 1974"
/ c o n c r e t a r otras i n t e n t o n a s de clasificación de la m i s m a calaña. Sus
hazañas de h i p e r m n e s i a l l e g a r o n a ser legendarias.
E n o t r o t e x t o r e f e r i d o a Perec, Pontali s c o m e n t a las características
de su m e m o r i a : ' ^

Pierre G. (callo su nombie menos por discreción que porque el x'ínculo intenso
y tenaz que nos unió en un tiempo sólo se pudo establecer e n el secreto com-
partido) tenía una irnnensa memoria dispuesta a recoger — o , más precisamente,
a grabar— todo tipo de infirmaciones; números de teléfono, e l nombre de un
personaje secundario en u n a película de clase B, el de t i n caballo ganador de
una carrera en Longchamp, el de un ministro del gabinete, la dirección de t m
restaiirante de Yonne donde ser%aan i x n o s puerros a la \inagreta que justificaban
el rodeo, el ntimero de código de u n libro consultado eu la Biblioteca Nacional, el
emplazamiento exacto de t m a estatua e n una plaza del distrito 1 8 . . . banco inago-
table de datos en desorden, computadora builona sin modo de empleo, Pécuchet
privado de .su Botivard, así era la memoria de Pierre. Salía a \4sitar y a explorar
lugares, empecinado en aprehenderlos como u n alguacil de Justicia o como un
fotógrafo al acecho. [...] Estos inventarios maníacos, relevamientos interminables
que debían incluir todos los detalles, hacían nacer en mí una sensación punzante
de ausencia. [...] En su memoria había sólo reliquias, ningtma persona. Pero,
curiosamente, el agujero se abría en m í . Nunca me había sentido tan atrozmente
abandonado: olvidado, lanzado hacia un espacio que parecía ser al mismo tiempo
desolado e inflexiblemente cuadriculado.
La madre de Pierre había desaparecido en una cámara de gas. Debajo
de todas las habitaciones vacías que no terminaba de llenar, estaba aquella
cámara. Debajo de todos los nombres, los sin nombre. Debajo de todas las
reliquias, una madre perdida sin dejar el menor rastro. U n día —¿cuándo
fue?— Pierre y yo logramos encontrar palabras que no eran restos, palabras
que por milagro se dirigieron a su destinatario desconocido.

E l psicoanalista supo e n c o n t r a r el m o d o de hacer atidibles las invo-


caciones a la m a d r e desaparecida y descubrir el secreto octüto detrás

J.-B. P o n t a l i s [ 1 9 8 6 ] , El amar a los comienzos, B a r c e l o n a , Gedisa, 1988, p p . 158-160,


t r a d . d e S. A b r e u .
GEORGES PEREC 175

<Je esa obsesión p o r la m e m o r i a . Todos los n o m b r e s , el n o m b r e . T o d o s


los recuerdos, rellenos de u n a ausencia invasora, el r e c u e r d o . N o es
eJcoraño q u e u n o de los libros más provocadores de Perec se titule Me
acuerdo}^ L a o b r a consiste en u n a serie de 480 recuerdo s n u m e r a d o s e n
orden que carecen de t o d o lazo conectivo entre sí. Perec, e l escritor-
bibliotecario, r e d u c i d o a n a n s c r i b i r c o n lacónic a o b j e t i v i d a d u n catá-
logo de recuerdos, revela las particularidades q ue hacen de él u n lite-
rato insólito gracias al confuso a m o n t o n a m i e n t o de los detritos de u n a
m e m o r i a c o m p l a c i e n t e y expansiva... q ue es c o m o la de c u a l q u i e r o t r o
pues c u a l q t i i e r a podría escribir u n l i b r o semejante; semejante, sí, p e r o
nunca el m i s m o que el de Perec. "Es c o m o e n la t e o r í a de los c o n j u n -
tos: yo c o m p a r t o c o n X recuerdos q u e n o c o m p a r t o c o n Y, y en el g r a n
c o n j u n t o de nuestros recuerdos cada u n o p o d r í a reservar para sí u n a
configuración ú n i c a . S e escucha el t r o t e de la m e m o r i a oscilando
entre l o i n d i v i d u a l y l o colectivo. L a sucesión de los n ú m e r o s naturales,
del 1 al 480, i m p o n e u n o r d e n p e r e g r i n o e n el i n v e n t a r i o de sus recuer-
dos para q u e , listado m e d i a n t e , su \dda n o se d e s p a r r a m e p o r falta de
u n r e c i p i e n t e que la contenga. N u m e r a r los recuerdo s es o p e r a c i ó n
análoga a catalogar los libros o i n v e n t a r i a r los caóticos animales de la
i m a g i n a r i a e n c i c l o p e d ia c h i n a de Borges. Es el i n t e n t o de restaurar u n
semblante de o r d e n y sentido e n el caos de la v i d a al garete, sin anclas,
del h u é r f a n o . A l j u n t a r los f r a g m e n t o s dispersos de u n a m e m o r i a q ue
es la de él p e r o también la de sus c o n t e m p o r á n e o s , consigue a m a r r a r su
ser a recuerdos "históricos" y "colectivos" c o n párrafos d e l tipo: "4S - M e
acuerdo d e l Adagio de A l b i n o n i " (vale la p e n a p r e g u n t a r ¿es q ue X y Y
r e c u e r d a n , piensan y sienten l o m i s m o c u a n d o r e m e m o r a n el adagio?);
"394 - M e acuerdo de las carreras de embolsados", p e r o sin descartar
del t o d o evocaciones singulares e insignificantes c o m o : "2 - M e a c u e r d o
que m i tío tení a u n 11 C V c o n placas 7070 R L 2 " ( u n r e c u e r d o patog-
n o m ó n i c o que, de seguro, n o c o m p a r t e c o n n a d i e ) . Su m e m o r i a p u e d e
ser, c o m o la de Funes, el m e m o r i o s o personaje de Borges, u n vaciadero
de basuras. T a m b i é n , p r i v i l e g i a n d o el r e c u e r d o de los deportistas f r a n -
ceses y sus éxitos en el ciclismo y el boxeo, u n m o d o de a d q u i r i r , de ma-
n e r a vicariante, u n s e n t i m i e n t o de p e r t e n e n c i a e i d e n t i d a d . ("213 - M e
a c u e r d o d e l n a d a d o r A l e x Jany.")
E l ser, e l ser de Perec (¿de todos?), p u e d e verse c o m o u n c a ó t i c o

G . P e r e c , / ¿ me souviens, París, H a c h e u e , 1978.


"' G . Pcjt^c, Je suis né, c i t . , p . 92.
176 OEOROES PEREC

c e m e n t e r i o de m e i n o r i a inútil, de m e m o r i a s e m á n t i c a , esa q u e , desde


e l d e c i r de H e g e l (GedachtniscantrsiEñnneiung) a q u i e n n o le faltaron
p r e c u r s o r e s , e m p e z a n d o c o n Aristóteles (mneme contra, anamnesis)
t o r b a al e n t e n d i m i e n t o . Perec realiza el p r o y e c t o de u n a i n t e l i g e n c i a
q u e levanta el i n v e n t a r i o y o r g a n i z a a los r e c u e r d os c o m o si e n el suje-
to fuese válido e l l e m a q u e g o b i e r n a a las bibliotecas: " U n l i b r o fuera
de su l u g a r es u n l i b r o p e r d i d o . " L a m e m o r i a d e l e x c é n t r i c o escritor es
u n c a t á l o g o ; en ella r e i n a n los n ú m e r o s q u e están o r d e n a d o s e n una
secuencia y d a n u n aire de falsa n a t u r a l i d a d a la a c u m u l a c i ó n insensa-
ta de los datos. L a sucesión o r d i n a l sólo sirve para m a q u i l l a r el caos,
c o m o e n la clasificación psiquiátiáca de los " t r a s t o r n os mentales", el
DSM-v, base de la " c i e n c i a " psiquiátrica de nuestros días. L a m e m o r i a
de Perec n o es la m e m o r i a i n v o l u n t a r i a de Proust o la i n c o n s c i e n t e de
F r e u d ; es e l p e d r e g a l de lava q u e c o n m e m o r a la e r u p c i ó n , el e m b r o-
l l o de trozos de r o c a escupidos p o r u n volcán sin planes n i m é t o d o ,
cada u n o d e los cuales h a r e c i b i d o u n n ú m e r o . Es la m e m o r i a c o m o
g a t u p e r i o , a g l o m e r a c i ó n caprichosa de materias h e t e r ó c l i t a s q u e son
puestas baj o e l y u g o de u n a m a t e m á t i c a azarosa p o r la obsesió n del
e s c r i t o r e m p e ñ a d o en m o s t r a r la a b s u r d i d a d y la i m p e r i o s a necesidad
q u e t i e n e t o d o sujeto de u n saber sin fin n i finalidad.
P o d r í a pensarse, r e c u r r i e n d o a la clásica d i c o t o m í a de Cortázar,'^
q u e Perec era u n " f a m a " , t o d o l o c o n t r a r i o de u n " c r o n o p i o " . Es sa-
b i d o q u e los famas e m b a l s a m a n sus r e c u e r d o s , los e n v u e l v e n y les co-
l o c a n u n a e t i q u e t a n e g r a c o n su n o m b r e , m i e n t r a s q u e los c r o n o p i o s
d e j a n a los r e c u e r d o s sueltos p o r l a casa y los p r o t e g e n p a r a q u e n o
se l a s t i m e n . Las m e m o r i a s de los c r o n o p i o s c o r r e n p o r todas partes
y a r m a n a l b o r o t o m i e n t r a s q u e los famas m u e v e n c o m p r e n s i v a m e n t e
sus cabezas y v a n a ver si las etiquetas siguen e n su siüo. Pero o t r a es la
situación de Perec. Su m e m o r i a mirífic a y c o m p u l s i v a tiene u n a razón:
p r o t e g e r s e de los p e n s a m i e n t o s q u e p o d r í a n l l e v a r l o a tropezar c o n lo
i n c o m p r e n s i b l e : la desaparición.
Perec a p l i c a f ó r m u l a s e n las q u e i m p e r a e l más i n f l e x i b l e de los ca-
p r i c h o s y escribe n a r r a c i o n es t a n s o r p r e n d e n t e s c o m o Ea dispañtioji,^^
u n a n o v e l a p o l i c i a l de 300 página s e n las q u e n u n c a u t i l i z a la l e t r a al
e s p a ñ o l f u e t r a d u c i d a c o m o El secuestro y los t r a d u c t o r e s n o u s a r o n la

^" J . C o r t á z a r , " C o n s e r v a c i ó n d e los r e c u e r d o s " , e n Historias de cronopios y defamas,


B u e n o s A i r e s , M i n o t a u r o , 1962, p . 123.
G . Perec [ 1 9 6 9 ] , La disparition, París, D e n o é l , G a l l i m a r d , L ' i m a g i n a i r e ( 2 1 5 ) , 1987.
GEORGES PERFC 177

letra a). L a " d e s a p a r i c i ó n " era la puesta e n escena de la ausencia de la


letra más c o m ú n e n e l l é x i co f r a n c é s . L u e g o p u b l i c ó su a u t o b i o g r a f í a
{Y/o el recuerdo de infancia) qtie está d e d i c a d a a "E", la l e t r a desapareci-
da, qu e t a m b i é n , p o r h o m o f o n í a , se oye c o m o eux, ellos, los disparus.
O t r o t e x t o , d i g n o h e r m a n o d e l a n t e r i o r , es Les rex)enentes. Texte,^^ d o n -
de, a l o l a r g o d e 60 páginas n o hay o t r a vocal más qtie la E. Su m e m o -
ria es u n a n t í d o t o , u n a f o r m a c i ó n reactiva c o n t r a . . . la m e m o r i a . N o
hay, e n él, r e p r e s i ó n . E l d e s v a n e c i m i e n t o sin rastros d e sus padres, u n
episodio q u e Perec n o llegó a vivir, se t r a n s f o r m ó , r e t r o a c t i v a m e n t e ,
en espanto, y l u e g o e n c u n a d e u n a m e m o r i a sin límites.

2 . E L M T E L > 0 r>E O L V I D A R . L A F A B R T C A G I Ó N D EUNA MEMORIA

No creo q u e exista e n t o d a la h i s t o r i a d e l g é n e r o u n a a t i t o b i o g r a -
fía más o r i g i n a l q u e l a d e Perec ( c o n e x c e p c i ó n d e ciertas novelas
falsamente autobiográficas: El lazarillo de Torm.es, Tristram Shandy d e
Sterne sobre la q u e h a b r e m o s de volver e n e l capítul o 15). N i siquiera
alcanza ese nivel cimercí l a o b r a d i s c u t i b l e m e n t e c o n s i d e r a d a c o m o
f u n d a d o r a d e l g é n e r o , las Confesiones de Rousseau qu e se p r e s e n t a n a
sí mismas c o m o " u n a e m p r e sa de la q ue n o hay ejemplos y cuya ejecu-
ción n o h a t e n i d o i m i t a d o i . " E n Wo el recuerdo de infancia a l t e r n a n dos
relatos f o r m a d o s p o r breves capítulos q u e , e n l o l i t e r a r i o , p a r e c e n n o
tener n a d a e n c o m ú n y estar a r b i t r a r i a m e n t e superpuestos. A u n frag-
m e n t o escrito c o n l a tipografía r o m a n a n o r m a l q ue p r e t e n d e ser u n a
autobiografía o b e d i e n t e a las leyes del g é n e r o , sucede o t r o f r a g m e n t o
con d i s t i n t a tipografía, e n cursivas, q u e se asemeja a u n a n o v e l a de
aventuras y h a b r í a sido r e d a c t a d a e n l a t e m p r a n a adolescencia d e l
autor, o l v i d a d a d u r a n t e v e i n t e años y l u e g o , m á g i c a m e n t e , r e c o b r a d a
{retrieued) e n u n c i e r t o d í a e n Venecia, E n l o sucesivo, d e j a r e m os d e
lado a esta ficción q u e acaba p o r ser la d e s c r i p c i ó n d e u n a sociedad
u t ó p i c a m e n t e u b i c a d a e n a l g u n a T i e r r a d e l Fuego q u e se va convir-
t i e n d o , p o c o a p o c o y e x p l í c i t a m e n t e , e n u n c a m p o de c o n c e n t r a c i ó n
nazi ( o p i n o c h e t i a n o , p o r a n t i c i p a c i ó n , diría el p r o p i o a u t o r ) y nos
d e d i c a r e m o s a la h i s t o r i a d e la vida d e l y o d e Georges Perec tal c o m o
él la c u e n t a . H a g a m o s constar, d e todos m o d o s , q u e la n o v e l a super-

P e r e c [ 1 9 7 2 ] , " L e s r e v e n e n t e s . T e x t e " , Romans &f récüs, P a r í s , L e l i v r e d e P o c h e ,


L a p o c h o d i é q u e , 2 0 0 2 , p p . 567-639 .
178 GEORGES PE

puesta n o es u n agregado p r e s c i n d i b l e pues ella d e t e n t a , de m o d ^


a l e g ó r i c o , las claves de la a u t o b i o g r a f í a p e r e q u i a n a . L a v e r d a d histó^Hf
ca, la d e l m u n d o c o n c e n t r a c i o n a r i o , i n f i l t r a a la a v e n t u r a d e l p r o t a g ^ l
nísta ( u n h u é r f a n o c r i a d o p o r u n a f a m i l i a a d o p t i v a ) en b ú s q u e d a dbí
su v e r d a d e r a i d e n t i d a d q u e le f u e r a sustraída y sustituid a p o r e l falso*
n o m b r e de Gaspard W i n c k l e r . L a m e m o r i a , la de Perec, es u n Jan6
b i f r o n t e : la a v e n t u r a i m a g i n a r i a ( e n cursivas) de G a s p a r d W. se super-^
p o n e i n t e r p o l á n d o s e e n la de Georges (en caracteres r o m a n o s ) , abo^
n a d a p o r m u c h o s datos q ue r e s u l t a n ser ficticios y artificiales, pistas
falsas. Para presenta r el l i b r o , escribe en la c o n t r a t a p a : "Relato pobre
e n hazaña s y r e c u e r d o s , h e c h o de briznas dispersas, de ausencias, de
o l v i d o s , de dudas, de hipótesis, de magras a n é c d o t a s . " " L a v i d a es una
n o v e l a " d e c í a m o s al c o m e n z a r estas páginas. L a v i d a es más q u e eso;
es u n e n t r e t e j i d o de novelas, u n colaje de i n v e n c i o n e s de la m e m o r i a
p a r a escapar de la H i s t o r i a , nos c o r r e g i r í a Perec.
Las m e n t i r a s , los c o l o f o n es de d u d a y las d e f o r m a c i o n e s p e r f o r a n
l a n a r r a t i v a 'Verídica" de la v i d a e n el r e l a to a u t o b i o g r á f i c o de los años
d e i n f a n c i a escritos de a c u e r d o a las leyes d e l g é n e r o , ese q u e pasa
p o r " o b r a de la m e m o r i a " y n o de la fantasía de u n fabulista. Perec
p r e t e n d e basar su relato falsamente a u t é n t i c o sobre fotográficas, docu-
m e n t o s y t e s t i m o n i o s e x p l o r a d o s de m a n e r a m i n u c i o s a , o b s i d i o n a l , a
f u e r z a de precisiones y detalles. P o n e d e l a n t e d e l l e c t o r dos relatos su-
p e r p u e s t o s : novela, W, el u n o ; h i s t o r i a de v i d a (bio-grafí!a), el recuerdo
de infancia, e l o t r o . ¿Si n i n g u n o de las dos es v e r d a d e r o , cuál de ellos
es m e n o s falso? P o d e m os r e s p o n d e r : la v e r d a d está d e p o s i t a d a en la
"frágil i n t e r s e c c i ó n " de ambos.^"^^
E l h i p e r m n é s i c o q u e es Perec, c o m p a r a b l e a personajes l e g e n d a -
r i o s c o m o S i m ó n i d e s , "Funes" y el Sherasevsky q u e f u e r a p a c i e n t e
d e l n e u r ó l o g o L u r i a , c o m i e n z a su a u t o b i o g r a f í a c o n u n a frase i m -
p a c t a n t e q u e se escucha al p r i n c i p i o c o m o u n a m e n t i r a d e s c o m u n a l :
''No tengo recuerdos de infancid\o así la i d e n t i f i c a c i ó n d e l
ya c i t a d o p a c i e n t e " S i m ó n " y " P i e r r e G . " d e l p s i c o a n a l i s t a P o n t a l i s .
Perec p r e t e n d e q u e hasta los d o c e a ñ o s t o d o se r e s u m í a e n e l es-
c u e t o r e l a t o de la d e s a p a r i c i ó n de sus p a d r e s y q u e , a los trec e años,
e s c r i b i ó u n a h i s t o r i a , W, q u e t o m a b a e l lugar, si n o de la h i s t o r i a ,
p o r l o m e n o s de una h i s t o r i a de su i n f a n c i a . W, la " n o v e l a " , c u e n t a la
h i s t o r i a de G a s p a r d , n i ñ o autista, secuestrado, a q u i e n se le d e s p o j ó

G. Perec [ 1 9 7 5 ] , W..., cit,, contratapa.


GEOROES PEREC 179

de la i d e n t i d a d y q u e r e c i b e e l e n c a r g o de r e c o b r a r l a . Vale la p e n a
volver a d e c i r q u e f u e i n m e d i a t a m e n t e d e s p u é s de p u b l i c a r e l dúpli-
ce t e x t o de W o el recuerdo de infancia, c u a n d o d i o p o r c o n c l u i d a su
incursión p o r los divanes ( 1 9 7 5 ) . E l psicoanálisis h a b r í a s e r v i d o así
para e l e n c u e n t r o de Perec c o n su i d e n t i d a d p e r d i d a p o r l a desapa-
rición de los padres y p a r a la r e c o n s t r u c c i ó n de su h i s t o r i a v i v i d a , de
su h i s t o r i a r e a l , caracterizad a p o r la supuesta ausencia de r e c u e r d o s
de i n f a n c i a .
—W o el recuerdo de infancia r e m i t e , c o m o título^ a la a m b i g ü e d a d
de la c o n j u n c i ó n d i s y u n t i v a o {vely aut, e n l a t í n ) . P o r u n l a d o , " O "
— n u e s t r a O e n el título es u n h o m e n a j e al g e n i o de P e r e c — i n d i c a
u n a d i f e r e n c i a o u n a a l t e r n a t i v a (Georges O W i n k l e r , F r a n c i a O T i e -
r r a d e l F u e g o ) q u e o b l i g a a e l e g i r a u n a o a la o t r a ; p o r e l o t r o l a d o ,
" O " es u n a e q u i v a l e n c i a , i n d i c a q u e dos o m á s cosas son l o m i s m o
( W a l t e r Scott O el a u t o r de Waxjerley, m i a b u e l a O la m a d r e de m i
p a d r e ) . E l título abre u n a i n t e r r o g a c i ó n : ¿son dos h i s t o r i a s d i s t i n t a s
que se s u s t i t u y e n u n a a la o t r a O es u n a y la misma? ¿Hay a l g u n a
c o n t i n u i d a d e n t r e el n i ñ o autista q u e fantasea la b ú s q u e d a d e su
i d e n t i d a d p e r d i d a y el e s c r i t o r l a u r e a d o q u e " e n c r i p t a " sus r e c u e r -
dos O son e n t r a m b o s u n o y el m i s m o?
— W o el recuerdo de infancia, c o m o libro: ¿Autobiografía O novela?
¿Verdad O mentira? ¿ E n c u b r i m i e n t o O revelación? ¿ M e m o r i a O i n v e n -
ción? ¿En cuál de las dos historias está u n a y e n cuál la o t r a . . . O son
ambas auténticas O son ambas falsificaciones? ¿Hasta d ó n d e se p u e d e
c o n f i a r e n el l i b r o y, p o r l o t a n t o , en el a u t o r de cuyo n o m b r e i n f o r m a
la portada?
D e h e c h o , la part e supuestamente " r e a l " d e l d o b l e t e x t o , los capí-
tulos p u b l i c a d o s c o n la tipografía respetable y c o n v e n c i o n a l d e l T i m e s
N e w R o m á n , está tan r e p l e t a de equívocos y equivocacione s q u e u n o
se p r e g u n t a si Perec n o q u e r í a d e n u n c i a r c o n ellos, d e j a n d o las pistas
p a r a d e s c u b r i r l o s , al g é n e r o m i s m o de la a u t o b i o g r a f í a y a la validez
de los r e c u e r d o s de la n i ñ e z . Su astucia p a r a c o n s u m a r e l e n g a ñ o e n
u n a " n o v e l a " qu e revela l a v e r d a d era t a n p o r t e n t o s a c o m o su m e m o -
ria.^^ E l b i ó g r a f o observa:^"^

Si a l g u i e n d u d a s e de su i n f i n i t a astucia, p u e d e l e e r d o s breves r e l a t o s g u i a d o s
p o r u n a i n t e l i g e n c i a s u b l i m e : Le voyage d'hiver, París, D e n o é l - S e u i l , 1979, y Un cabinet
d'amateur, Histoire d'un tablean [ 1 9 7 9 ] , París, S e u i l , 1994. T r a d u c c i ó n al e s p a ñ o l d e J .
E s c u é , A n a g r a m a , 1989.
"'^^ D , B e l l o s , Georges Perec, c i t . , p p . 546-549.
180 GEORQES

Algunos de sus errores son lo bastante flagrantes como para que brinque^
ante los ojos de los lectores, aún aquellos que no poseen la capacidad de
rec para investigar en los textos. ¿Cometía tal vez tantos errores a propósito
para "humanizarse", pues, como cualquiera sabe, errar es humano? [...] f)^
hecho, casi todas las afirmaciones que se leen en los capítulos de la memoria
en W incitan a formular preguntas y la respuesta, en la mayoría de los casgs
es que la memoria [...] ba sido alterada, reelaborada, decorada o, lisa y lla-
namente, falsificada [...j la dinámica toda de la escritura de Wo el recuerdo de
infancia reside precisamente en la falsificación, en la produccic')n de un libro
que engaña pero que de todos modos funciona.

¿ C ó m o c o n c i l i a r la frase " N o t e n g o r e c u e r d o s de infai"icia" (cit., p.


17) c o n la frase " C o n s e r v o , de todos m o d o s , u n r e c t t e r d o extremada-
m e n t e preciso de m i b a u t i s m o , c e l e b r a d o u n día d e l v e r a n o de 1943"
(p.,130)? ( L a c e r e m o n i a religiosa era necesaria p a r a e n t r a r e n el cole-
g i o c a t ó l i c o de T u r e n n e y escapar así a las leyes raciales de la é p o c a ; él
t e n í a p o r e n t o n c e s siete a ñ o s . ) E l l e c t o r y el c o m e n t a r i s t a ( c u a n d o no
son u n o y e l m i s m o ) p u e d e n solazarse e n e l s e ñ a l a m i e n t o de falacias
lógicas. Perec l o a c o m p a ñ a r í a : "Es p r o p i o d e l h o m b r e de letras el d i -
sertar sobre stt ser y c h a p o t e a r e n su caldo de contradicciones."^"^
¿ C ó m o i n t e g r a r la d e n e g a c i ó n d e l c o m i e n z o — " N o t e n g o . . . " — con
la d e s c r i p c i ó n d e t a l l a d a , i n m e d i a t a m e n t e después, de sus dos p r i m e -
ros r e c u e r d o s c o n precisió n de lugares y t i e m p o , a u t e n t i c a d os c o mo
precoces p o r la p r e s e n c i a * ^ ellos d e l p a d f e q u e m u r i ó e n 1940? Pe-
rec m i s m o c o m p r e n d e q u e son r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s e n el más
p u r o estilo d e l descubrimientc^ f r e u d i a n o de 1898. Escucheiuos ese
p r i m e r r e c u e r d o p r o l o g a d o c o n u n p á r r a f o de p r e c a u c i ó n (aquí en
cursivas):

Es evidente que las numerosas variantes y seudo-fnecisiones que he introducido en los


relatos —hablados o escritos— que hice de ellos los han alterado profundamente, si no es
que los han desnaturalizado por completo-
El p r i m e r recuerdo tendría como marco el cuarto que estaba detrás
de la tienda de m i abtiela, Tengc^ tres años. Estoy sentado en el medio del
cuarto, en m e d i o de desperdigados diarios en yidis. El círculo familiar
me rodea p o r c o m p l e t o . . . la sensación es de calurosa protección, amor;
toda la f a m i l i a está allí, r e u n i da en t o r n o al niño que acaba de nacer (¿no

G . P e r e c , "Les g n o c c h i s . . . " , c i t . , p . 68.


¿JEORGES PEREC 181

acabo de d e c i r hace apenas u n i n s t a n t e q u e t e n í a tres a ñ o s ? ) , c o r no u n


^uro infranqueable.
T o d o el m u n d o se extasía ante el h e c h o de que señalé u n a letra hebrea
identificándcjla: el signo Vtabría t e n i d o la f o r m a de u n cuachado abierto en su
ángulo i n f e r i o r derecho, algo así c o m o u n a . . .

[sigue a q u í el d i b u j o de u n a ( s e n d o ) l e t r a h e b r e a q u e n o d e j a de
parecerse a u n a c r u z garuada {gammeth, gammel) m á s q u é a la fantaseo-
sa i n t e r p r e t a c i ó n d e l biógrafcí, D a v i d Bellos, q u e la r e l a c i o n a c o n u n a
" G " i n v e r t i d a , d e r i v a d a de Georges, y c o n u n a supuesta a f i r m a c i ó n -
n e g a c i ó n p o r p a r t e de Perec de su j u d e i d a d ; sea c o m o f u e r e , la l e t r a
en ctxestión n o c o r r e s p o n d e a n i n g u n a d e l a l f a b e t o h e b r e o y Bellos, e l
biógrafo, d i c e q u e ese s u p u e s to {alleged) p r i m e r r e c u e r d o "es la falsifi-
cación q u e h a sido más e s t u d i a d a p o r los e r u d i t o s franceses."^^]

...y su n o m b r e habría sido gammeth o gammel. L a escena toda, p o r su tema,


su t e r n u r a , su luz, se parece para mí a u n c u a d r o , p u e d e que de R e m b r a n d t ,
puede que i n v e n t a d o , que se llamaría "Jesús ante los doctores " ( p p . 26-27).
[En n o t a de pie de página agrega, después de d i b u j a r y n o m b r a r a la l e t r a
hebrea d e l d i b u j o ] "Este exceso de precisión basta para a r r t i i n a r al r e c u e r d o
o en t o d o caso lo carga c o n u n a letra que n o había. H a y e n efecto t m a letra
"gimmer de la que m e gusta pensar que podría ser la i n i c i a l de m i n o m b r e ;
no se parece en absoluto al .signo que dibujé que podría, en v e r d a d , pasar p o r
una " m e m " o " M " . M i tía Esther m e c o n t ó hace p o c o que e n 1939 — t e n í a en-
tonces tres a ñ o s — m i tía Fanny, [... ] me llevaba a veces de Belleville a su casa
[ . . . ] u n o de mis juegos consistía en descifrar, c o n Fanny, letras e n los perió-
dicos, n o e n yidis sino en f r a n c é s . " [ Y c o n relación a J e s ú s y los doctores tam-
bién rectifica ] "En ese r e c u e r d o o seudo-recuerdo, J e s ú s es u n recién n a c i d o
r o d e a d o de viejos benévolos. Todos los ctiadros de 'Jesús e n t r e los d o c t o r e s "
lo m u e s t r a n a d u l t o . El c u a d r o al que m e refiero, si es que existe, sería m u c h o
más p o s i b l e m e n t e, u n a "PreserUación e n el t e m p l o " {W..,, cit. p . 28).

D a v i d Bellos'^^' c o m e n t a esta falsificación de la m e m o r i a sin a h o r r a r


e p í t e t o s y sostiene q u e Perec f u n d a su a u t o b i o g r a f í a p o n i é n d o l a b a j o
el e n o r m e peso de u n a m a n i o b r a de escamote o t a n b r i l l a n t e c o m o
p a r a mistificars e a sí m i s m o . " T o d o e l e p i s o d i o — d i c e — es u n a p a n t o -

D . B e l l o s , c i t . , p . 552.
D . B e l l o s , c i t . , p . 553.
182 GEORGES PEREc

m i m a [ . . . ] Se trata de u n j u e g o d i a b ó l i c o p a r a representa r la memoria


de u n a i n f a n c i a j u d í a (la l e t r a h e b r e a sería u n a mem c o n t r a h e c h a) y
tal vez, el e j e m p l o más t o r t u o s o de la a f i r m a c i ó n y n e g a c i ó n simulta-
neas q u e h a c í a Perec de su j u d e i d a d . "
Por m i p a r t e , creo — y Perec c o i n c i d i r í a c o n m i g o — q u e es bastante
r e c u e r d o y bastante n i t i d e z p a r a c l supuesto sujeto de u n a completa
a m n e s i a i n f a n t i l q u e se escuda r e c a l c á n d o l a y r e i t e r á n d o l a ante cual-
q u i e r a q u e esté dispuesto a escucharlo. A n t e s ha d i c h o , en evidente
son de b u r l a y descalificación de las a u t o b i o g r a f í as literarias cuyos au-
tores se j a c t a n , c o m o sabemos, de " a u t e n t i c i d a d " y de "sinceridad"^^

C o m o t o d o e l m u n d o , o casi, t u v e u n p a d r e y u n a m a d r e , u n a p é l e l a , u n trici-
clo y d e s p u é s u n a bicicleta [...] C o m o t o d o el m u n d o , h e o l v i d a d o p o r com-
pleto mis p r i m e r o s años de existencia. M i i n f a n c i a f o r m a p a r t e d e esas cosas
d e l a s q u e n o s é m u c h o . E s t á , s i n e m b a r g o , d e t r á s d e m í , es e l s u e l p s o b r e e l
c u a l h e c r e c i d o , m e p e r t e n e c i ó , p o r g r a n d e q u e sea m i t e n a c i d a d e n a f i r m a r
que ya n o m e pertenece. D u r a n t e m u c h o t i e m p o busqué apartarme o enmas-
c a r a r estas e v i d e n c i a s , e n c e r r á n d o m e e n e l i n o f e n s i v o e s t a t u t o d e l h t t é r f a n o ,
del n o engendrado, del hijo de nadie (p. 25).

Se ve c o n c l a r i d a d el c u á d r u p l e m o v i m i e n t o o p e r a d o e n ese l i b r o
sin p a r q u e se l l a m a W o el recuerdo de infancia: 1) no tengo recuerdos de
infancia; 2) todos han olvidado por completo lo que les pasó en la infancia (to-
dos mienten cuando cuentan sus recuerdos); 3) tengo abundantes recuerdos,
pero no quiero saber nada de ellos y, 4) tengo recuerdos muy nítidos; en ellos ya
aparezco como el Mesías, como el centro de una amplia familia, como el hombre
de letras que ahora soy, como el oléelo maravilloso de un amor inmaculado,
como el recién nacido (¡de tres a ñ o s ! ) que ostenta la dignidad de un sabio,
como el tierno modelo para la mirada de un Rembrandt.
D o n d e el b i ó g r a f o y e l s e n t i d o c o m ú n d e s c u b r e n flagrantes contra-
d i c c i o n e s y j u e g o s diabólicos, e l lector, q u e n o es t a n i n g e n u o c o m o
p a r a e n g a ñ a r s e c o n los falsos r i g o r e s de la lógica, p u e d e apreciar la
puesta e n j u e g o de los m e c a n i s m o s p o é t i c o s p r o p i o s d e l inconsciente,
e l uso i n t e n c i o n a d o de la c o n t r a d i c c i ó n , la i m p u g n a c i ó n de la lógica
f o r m a l , l a a f i r m a c i ó n de los d i f e r e n t e s estratos de la m e m o r i a y de sus
tres caras — r e c o r d e m o s — q u e s o n lo recordado (falso, f a l s i f i c a d o ) , lo
olvidado ( q u e es c o n s t i t u t i v o d e l sujeto, n ú c l e o d e l ser q u e c o m u n i c a

G . P e r e c , W . . . , c i t . , p . 25.
PEREC 188

con l o real) y lo reprimido (que p o d r í a llegar a conocerse después de


levantar ciertas resistencias y en la relación e n t r e e l n a r r a d o r y o t r o
¿ e la transferencia , el analista, d a d o e l caso, q u e escucha el r e l a t o ) .
R e n u n c i a n d o a las tramposas c o n d i c i o n e s d e l g é n e r o , Perec escribe
la más v e r d a d e r a (o sea, la más ficcional) de todas las autobiografía s
y d e n u n c i a el e n g a ñ o o c u l t o tras las protestas de s i n c e r i d a d y la p r e -
tensión de unificació n d e l r e l a t o vital q u e g o b i e r n a a todas las d e m á s ,
perec i m p u g n a a ese " g é n e r o " a r t i f i c i a l p o r la m a n e r a de n a r r a r su
p r o p i a v i d a , s o b r e c a r g á n d o l a de m o d a l i z a c i o n es de d u d a ( c o m o L e i -
ris e n su d r a m á t i c o " r e c u e r d o de i n f a n c i a " ) e s c r i b i e n d o distintas
variantes d e l r e l a to de " ^ r r e c u e r d o de m o d o q u e todas ellas r e s u l t a n
cuestionables ( c o m o en el excelso r e l a t o de L o u i s - R e n é des Foréts),-*^
subrayando — s i n c o r r e g i r l a s — las c o n t r a d i c c i o n e s ("teng o tres a ñ o s
.—pero ¿ n o acabo de d e c i r qu e soy u n r e c i é n n a c i d o ? " ) , i n v e n t a n d o
u n a l e t r a q u e n o existe, f a b r i c a n d o falsas e t i m o l o g í as y significados
para su a p e l l i d o , c o n t a n d o la m e m o r i a p o t e n c i a l , la q u e h u b i e r a p o -
d i d o t e n e r si n a c í a en o t r a p a r t e , de otros padres, etc. E l mensaje
implícito de tantos p r o c e d i m i e n t o s r e t ó r i c o s se hace e x p l í c i t o e n u n
m o m e n t o : " T o d o el trabajo de e s c r i t u ra se hace s i e m p r e e n r e l a c i ó n
c o n u n a cosa q u e ya n o está, q ue p o r u n instante p u e d e fijarse e n la
escritura, c o m o u n a h u e l l a , p e r o q ue ya ha de.saparecido."^^ L a m e m o -
r i a oscila e n t r e e l t r a u m a t i s m o y la nostalgia.
Perec n o suscribiría la a f i r m a c i ó n de Cortázar sobre la r e l a c i ó n
c o n j u n t i v a de "la m e m o r i a F e l espanto". Para él q u e d a n dos c a m i n o s
disyuntivos: O l a n e g a c i ó n de los recuerdos , " n o t e n g o . . . " O l a p o s t u -
lación de u n r e c u e r d o c o m p l e t a m e n t e falsificado y e m b e l l e c i d o p a r a
protegerse de u n a r e a l i d a d espantosa. Sostenía , c o n absoluta seguri-
d a d , n o t e n e r r e c u e r d o s de la n i ñ e z y exigía q u e n o se le i n t e r r o g a s e
sobre el asunto p o r q u e estaba dispensado de la p r e g u n t a : " O t r a his-
t o r i a , la G r a n d e , la H i s t o r i a c o n mayúscula, ya h a b í a r e s p o n d i d o p o r
m í : l a g u e r r a , los c a m p o s . "
Para Julio Cortázar la m e m o r i a c o m i e n z a e n el espanto; p a r a Geor-
ges Perec el espanto c o m i e n z a en la H i s t o r i a y la m e m o r i a i n t e n t a p o -
n e r u n a tapa sobre el p o z o de la angustia o r i g i n a r i a , p r o v e n i e n t e de la

M . Leiris, . - r e u s e m e n t " . La regle dujeu, c i t . , p p . 3-8. V é a s e infra, c a p í t u l o 12.


L.-R. des F o r é t s , " U n e m é m o i i e d é m e n ü e l l e " , La chamlrre des enfants, P a r í s , G a l l i -
m a r d , L i m a g i n a i r e ( 1 1 7 ) , 1960, p p . 91-132.
^ G . Perec, " L e t r a v a i l d e l a m é m o i r e " , s u i s né, c i t . , p . 69.
184 C i F . O R G E S PEREc

b r u t a l i d a d i r r a c i o n a l d e l O t r o q u e a r r a n c a al n i ñ o d e l seno m a t e r n o
O la m e m o r i a compasiva O la h i s t o r i a despiadada. Perec, d e l mismo
m o d o — p e r o e n otras c i r c u n s t a n c i a s — q u e Nabókov, se r e f u g i a en
r e c u e r d o s felices (el p r i m e r r e c u e r d o , c o m p l e t a m e n t e m a n i p u l a d o
d e l n i ñ o r o d e a d o de la calidez f a m i l i a r ) q u e contrasta n c o n La historia
del ¿í?rror q u e c o m p r e n d e r á después, sólo después, c u a n d o p u e d e tra-
bajar sobre ''el recuerdo de infancia'\l i'inico ' V e r d a d e r o " q u e él tiene
de la m a d r e . D e ella n o le ha q u e d a d o más q u e la c o p i a d e l acta de
n a c i m i e n t o , a l g u n o q u e o t r o d o c u m e n t o o f i c i a l , c i n c o fotografías ce-
l o s a m e n t e conservadas y e s c u d r i ñ a d as y ese d u d o s o recuerdo de la de^
p e d i d a e n París, en la estación de L y o n , sin saber q u e n u n c a volvería
a v e r l a y q u e esa d e s p e d i d a era, e n r e a l i d a d , u n a "desaparición" , u n
hacerse h u m o . . . e n el h o r n o c r e m a t o r i o . E l m o m e n t o d e l adiós es la
t r o m p e t a q u e a n u n c i a el c a m p o de c o n c e n t r a c i ó n , ¿Auschwitz, The-
resienstadt, ... ?, ese universo (W) q u e sólo se p o d r á i n t u i r , develar,
p r o d u c i r , a ñ o s m á s tarde, c u a n d o él, j u n t o c o n el m u n d o aterrado,
sepa l o s u f i c i e n t e p a r a r e c o n s t r u i r u n a h i s t o r i a q u e está f u e r a de la
m e m o r i a . E l espanto d e l " r e c u e r d o de i n f a n c i a " es r e t r o a c t i v o y que-
da, p a r a él — ¿ p a r a t o d o s ? — enmascarad o p o r detalles e n c u b r i d o r e s .
P o r e j e m p l o , Perec r e c u e r d a m u y b i e n q u e la m a d r e , antes de subir
al t r e n , le c o m p r ó u n a h i s t o r i e t a de Charlot paracaidista. C u a l q u i e r a
e n t i e n d e q u e es t o t a l m e n t e inverosímil q u e u n a h i s t o r i e t a semejan-
te sobre e l d i r e c t o r de El gran dictador circulase e n F r a n c i a e n 1942.
T o d o s los detalles son i g u a l m e n t e d u d o s o s c u a n d o u n o c o m p a r a d i -
versas versiones escritas p o r Perec de ese r e c u e r d o . C o m o c o m e n t a
P h i l i p p e Lejeune:"^"

L a p a r t i d a d e s d e la e s t a c i ó n d e L y o n , s e g u r a m e n t e trágica p a r a la m a d r e que
p o d í a i n t u i r q u e y a n u n c a v e r í a a s u h i j o , s ó l o t o m ó ese c a r á c t e r p a r a e l n i ñ o
r e t r o s p e c t i v a m e n t e , d o s o tres a ñ o s d e s p u é s , c u a n d o p u d o a c c e d e r a la idea
d e q u e n u n c a v o l v e r í a a v e r l a . Ftte e n t o n c e s c u a n d o c o m e n z ó el t r a b a j o de
r e c o n s t r u c c i ó n p a r a e r i g i r u n m o n u m e n t o e n ese e s p a c i o c a s i v a c í o .

O b o r r a r e l espanto de u n a h i s t o r i a i n e n a r r a b l e o g u a r d a r e n la
m e m o r i a u n a a c u m u l a c i ó n inverosímil de datos s u p e r f l u os y e n c u b r i -
d o r e s (Je me souviens) o — t e r c e r a o p c i ó n — restablecer p e n o s a m e n t e

P h . L e j e u n e , La mémoire eí Voblique. Georges Perec autobiographe, P a r í s , H a c h e t t e ,


1 9 9 t , p . 83.
GEOROES PEREC 185

el absurdo rompecabezas de la vida e n el diván d e l psicoanalista. Para


t e r m i n a r e n c o n t r a n d o q u e , e n el m o m e n t o de c o n c l u i r (la novela, el
análisis), el h u e c o n e g r o de la únic a pieza d e l rompecabezas q u e a ú n
no ha sido colocada d i b u j a la figura p e r f e c t a de u n a X , m i e n t r a s q u e
al m u e r t o , e n t r e los dedos, le q u e d a la ú n i ca pieza q u e n o c o n s i g u i ó
colocar... y qu e tiene la f o r m a , "previsible desde h a c í a t i e m p o e n su
ironía m i s m a , de u n a W".^*'
p o d r í a m o s d e c i r q u e "el p r i m e r r e c u e r d o " de Georges Perec es la
mistificación gozosa de u n a f e l i c i d a d p r i m i g e n i a , i n v e n t a d a de cabo a
rabo, q u e a d e l a n ta u n d e s t i n o de escritor, de " h o m b r e de letras". Po-
dríamos pensar, a d e m á s , q u e Perec, después de h a b er sostenido q t i e
n o tiene r e c u e r d o s de i n f a n c i a , se c o n t r a d i c e al d e t a l l a r c o n l u j o de
detalles su r e m i n i s c e n c i a de la escena f a m i l i a r y agregarle asociacio-
nes c o m o si se tratase de u n s u e ñ o y n o de la e v o c a c i ó n de u n e p i s o d i o
" r e a l " y q u e agrava esa contradiccic>n c u a n d o c u e n t a c o n m i n u c i o s a
precisión los detalles d e l día de su b a u t i s m o o tantos o t r o s episodios
de la i n f a n c i a . Bellos, el b i ó g r a f o , se deja i r p o r esa r u t a y agrega las
propias asociaciones: qu e si mem c o r r e s p o n d e a la l e t r a M qtie es la
letra de m e m o r i a y la l e t r a qu e caracteriza al v a m p i r o de D u s s e l d o r f
en la p e l í c u l a de Fritz L a n g , q u e si M es la l e t r a de la m a d r e e n todas
las lenguas, q u e si M , i n v e r t i d a , se t r a n s f o r m a e n W, título de la a u t o -
biografía, n o m b r e de la isla q u e es u n c a m p o de c o n c e n t r a c i ó n , l e t r a
sobre la c u a l se c i e r r a e l l i b r o de las i n s t r u c c i o n e s p a r a el uso de l a
vida, q u e si W es, en f r a n c é s c o m o e n español, la l e t r a e x t r a n j e r a p o r
excelencia, e t c é t e r a .
P o r ntiestra p a r t e , n o p o d e m o s olvidar a F r e u d , ese F r e u d q u e le
da la c o m p l e t a razón a Perec e i l u s t r a avant la lettre y de u n m o d o
r u t i l a n t e l a a f i r m a c i ó n de q u e Perec n o tiene r e c u e r d o s de i n f a n c i a .
Por u n a sencilla razón q u e F r e u d e x p u s o en 1898 y de la qu e n i n g u n o
se a c u e r d a ( n i m u c h a s veces el m i s m o F r e u d ) : nadie tiene recuerdos de
infancia. L a r e p r e s i ó n ha c o m e n z a d o m u c h o antes d e l p r i m e r episo-
d i o q u e se r e c u e i d a y ella es ya actuante en la constr7icción de ese recuerdo.
E l r e c u e r d o e n psicoanálisis n o es e l h i j o d i l e c t o de la m e m o r i a sino
de sti c o n t r a r i o , de la r e p r e s i ó n . Su f u n c i ó n n o es de restauració n d e l
pasado sino de e n c u b r i m i e n t o . Textualmente:^^

G . Perec, La vida instrucciones de uso, c i t . , p . 572.


S. F r e u d [ 1 8 9 9 ] , Palabras finales d e *'Sobre los r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " , O. C,
c i t . , v o l . I I I , p . 315.
186 OEOROES PEREC

E l r e c u e r d o f a l s e a d o es e l p r i m e r o d e l q v i c s a b e m o s a l g o ; p e r m a n e c e para
n o s o t r o s i g n o t o {unbckennen) el material de huellas m n é m i c a s con e l cual fue
forjado. Esta intelección reduce, a nuestro jtiicio, el abismo entre l o s recuer-
dos encubridores y los r e s t a n t e s r e c u e r d o s d e l a i n f a n c i a . A c a s o sea e n general
d u d o s o q u e p o s e a m o s u n o s r e c u e r d o s c o n s c i e n t e s de l a i n f a n c i a , y n o más
b i e n , m e r a m e n t e , u n o s r e c u e r d o s sobre l a i n f a n c i a . N u e s t r o s r e c t i e r d o s d e la
i n f a n c i a n o s m u e s t r a n los p r i m e r o s a ñ o s d e v i d a n o c o m o f u e r o n , s i n o como
h a n aparecido e n tiempos posteriores de despertar \retrievaí\. E n e s o s tiem-
p o s d e d e s p e r t a r , l o s r e c u e r d o s d e i n f a n c i a n o afloraron, como se .suele decir,
s i n o q u e e n ese m o m e n t o íw^ron formados [encoded]; y u n a serie d e m o t i v o s , a
l o s q u e es a j e n o e l p r o p ó s i t o d e l a h d e l i d a d h i s t c > r i c o - v i v e n c i a l , h a n i n f l u i d o
s o b r e esa f o r m a c i ó n a s í c o m o s o b r e l a s e l e c c i ó n d e r e c u e r d o s ^ ' ^ ( l a s p a l a b r a s
entre corchetes h a n sido agregadas).

V o l v i e n d o , a h o r a de la m a n o de E r e u d , a Perec, nos sorprende


e n c o n t r a r q u e sólo él s u p o c o m p r e n d e r la distinción esencial entre
los r e c u e r d o s de la i n f a n c i a —esos q t i e él no t i e n e — y los recuerdos
sobre la infancia que son los q u e g e r m i n a n e n las páginas de cuantas
a u t o b i o g r a f í a s se escriben y los q u e c u l m i n a r á n , ya p r o n t o , nuestro
r e c o r r i d o c o n el e j e m p l o de M . L e i r i s . L o s r e c u e r d o s o r i g i n a r i o s han
q u e d a d o grabados y c o n s t i t u y e n l o esencial d e la v i d a d e l ser h u m a n o .
E s t á n sepultados bajo las bóvedas de la amnesia i n f a n t i l y desde allí
g o b i e r n a n l a distorsión de los p r i m e r o s r e c u e r d o s . De la primera infan-
cia no hay historia sino novelas, invenciones, fábulas. ¿Cuál de los autores
q u e h e m o s e s t u d i a do c o n s t i t u ye u n a e x c e p c i ó n a esta regla?

E n síntesis: W o el recuerdo de infancia p r o p o n e u n a disyunción O


e l espanto O l a m e m o r i a . Si hay c o n j u n c i ó n : Memoria Y espanto, la
disyunción c a m b i a de l u g a r : Memoria y espanto O el recuerdo de infancia.
Para escapar d e l espanto q u e es, de m o d o e j e m p l a r, la desaparició n
de la m a d r e , de esa pesadill a q t i e es la h i s t o r i a para S t e p h e n Dedalus,
hay q u e envolverse e n u n a capa de r e c u e r d o s q u e l o e n c u b r a n . L a
m e m o r i a , c o n o c i m i e n t o d e l m u n d o , es o l v i d o d e l ser c o m o geworfen,
a r r o j a d o al m u n d o .

E n esta c i t a las cursivas s o n d e F r e u d m i s m o . Las p a l a b r a s e n i n g l é s f u e r o n i n -


t e r p o l a d a s p o r m í p a r a destacar c ó m o , ya a f i n a l e s d e l siglo x i x , F r e u d h a c í a u n a clara
d i s t i n c i ó n , c o n s o n a n t e c o n l a p s i c o f t s i o l o g í a d e n u e s t r o s d í a s e n t r e " d e s p e r t a r d e l re-
c u e r d o " {retrienal) y f o r m a c i ó n d e l m i s m o {encoding).
GEORC.ES PEREC 187

L a m e i n o r i a se cultiva. U n o b i e n sabe l o q u e t i e n e q u e n o saber.


Q l o sabe t a n t o q u e n o p u e d e c o n j u r a r e l m a l e f i c i o de volver u n a
y o t r a vez sobre la m a r c a d o l o r o s a , h u e l l a histórica, de u n r e c u e r d o
pertinaz.
Y la c o n c l u s i ó n h a b r í a sido adelantada, antes q t i e p o r Perec o p o r
F r e u d , p o r el g a u c h o M a r t í n F i e r r o :

Sepan q u e o l v i d a r l o m a l o
T a m b i é n es t e n e r i n e m o r i a
JOSÉ HERNÁNDEZ

{La vuelta de) MartinFU^ro [1879],


x x x i u , vs. 7 2 0 3 - 7 2 0 4 .
12
M I C H E L L E I R I S : E L A F O R T U N A D O FR.\CASO D E L A
A U T O B I O G R A F Í A (—/... LIZMENTEí)

La palabra no es signo, sino nudo de significación


Diga yo, por ejemplo, la palabra "cortina frideauj
[foncl.: ridó]".. .Ella es, por metáfora, una cortina
de árboles, por retruécano, las arrugas y los rizos del
agua (les r i d e s e t Ies r i s d e l ' e a u y mi amigo Leiris
[fonét.: l e n s 7 do-minando ( L e i r i s d o - m i n a n t ) estos
juegos glosolálicos mejor que yo.'

1 . PRESENTACIÓN DEL AUTOR, DEL NARRADOR, DEL PERSONAJE

N i n g ú n escritor e n t e n d i ó m e j o r q u e M i c h e l L e i r i s (1901-1990) las d i -


ficultades y los riesgos de la empresa a u t o b i o g r á f i ca a la q ue dedicó
sus afanes d t i r a n t e los sesenta a ñ o s sobrados de su vida c o m o h o m b r e
de letras. C o n v i e n e p r e s e n t a r l o , c o m o h i c i m o s c o n Perec, a p o r t a n d o
datos biográficos p o r q u e ellos f a l t a n en sus escritos. D e este m o d o , ya
estamos c o n s t a t a n d o u n a p e c u l i a r i d a d de L e i r i s : las fechas, los datos
e m p í r i c o s de la i d e n t i d a d , los n o m b r e s p r o p i o s de padres, amigos,
h e r m a n o s y maestros, los referente s sociopolíticos, los d o c u m e n t o s
oficiales están ausentes o a p a r e c e n sin o r d e n y de m o d o f r a g m e n t a r i o
e n sus escritos. L a historiografía de su vida, tal c o m o p u e d e aparecer
e n u n d i c c i o n a r i o , es ajena a sus pretensiones, c o n t r a r i a a su proyecto.
El r e l a t o de sus peripecias se p e r m i t e p r e s c i n d i r de las coordenadas
sociales, t e m p o r a l e s y geográficas q u e son el l u g a r c o m ú n d e l géne-
r o . L a copiosa atitobiografía de L e i r i s es p o s f r e t i d i a n a , e n e l sentido
c o n c e p t u a l más q u e en el t e m p o r a l , y tiene u n parentesco m a y o r c o n
la dispersión n a r r a t i v a del h a b l a en la sesión psicoanalític a qu e c o n
e l i n t e n t o de u n yo que se afana p o r dejar sentada su posición e n el
m u n d o y a f i r m a r su s i n g u l a r i d a d . L a firma q u e preside y precede al
t e x t o parece s u p e r f i n a ; el n o m b r e p r o p i o , u n d a t o q u e p o d r í a faltar.

^ J. L a c a n [ 1 9 4 6 ] , " P r o p o s sur l a c a u s a l i t é p s y c h i q u e " , Écrits, P a r í s , S e u i l , 1966, p p .


166-167 [ e d . S i g l o X X I , p . 1 5 7 ] .

[i88]
MICHEL LEIRIS 189
£1 estilo d e l a u t o r aprovecha y se sirve de los a n á r q u i c o s rigores de la
asociación l i b r e . A c u m u l a materiales h e t r o g é n e o s y los c o m p o n e de
manera d e s o r d e n a d a e n l u g a r de cultivar la h a b i t u a l e x p o s i c i ón deta-
llada y m i n u c i o s a que se \iste de a u t e n t i c i d a d al c o l m a r todos los h u e -
cos y r e s p o n d e r p o r a n t i c i p a d o a todas las p r e g u n t a s . ¡ I n c o m p a r a b l e
autobiografía! Sucede, p o r e j e m p l o , q ue e n c o n t r a m o s e n la b a r a h ú n -
da de sus o c u r r e n c i a s q u e p a r e c e n castxales, ya e n la segunda p á g i n a
de La edad de hombre, su p r i m e r a y más c é l e b r e autobiografía, el d a t o
de q u e c u a n d o está solo d e n d e a rascarse la r e g i ó n anal sin qu e haya
t o m a d o p r e v i a m e n t e o e n p a r t e a l g u n a de t o d o el l i b r o el " c t i i d a d o "
de consignar q u i é n e s f u e r o n sus padres o la f e c h a de su n a c i m i e n t o .
Leiris p r e f i e r e empezar p o r el d i b u j o de u n i m p l a c a b l e a u t o r r e t r a t o
escrito y d e c i r q u e , c u a n d o se descubre de i m p r o v i s o ante u n espe-
j o , siente el h o r r o r de ver su h u m i l l a n t e f e a l d a d . Su escritura p u e d e
coiisiderarse c o m o u n e m p e ñ o p o r echar aguas cáusticas sobre sus
rasgos faciales, prosopoclastia, según d i r e m o s de los autobiógrafos q u e
escriben contra su i m a g e n e n el espejo.^ L a belleza de la prosa d e b e
c o m b a t i r e l espanto d e l prosopon, de u n a m i r a d a q u e se avergüenza a l
chocar c o n t r a el r o s t r o .
C o m o él f u e p a r c o e n d a r i n f o r m a c i o n e s sobre su persona, debe-
mos r e c u r r i r nosotros al d i c c i o n a r i o , s i e m p r e obeso de datos, y trans-
c r i b i r a l g u n o s para u b i c a r al escritor: n a c i ó en a b r i l de 1901 a n o m u -
chos m e t r o s de distancia y e n la m i s m a semana q u e Jacques L a c a n
de q u i e n se h a r í a a m i g o después de e n c o n t r a r s e c o n él, e n 1935, e n
casa d e M a r i e B o n a p a r t e . F r e c u e n t ó y p e r t e n e c i ó e n su j u v e n t u d a l
g r u p o de p i n t o r e s y escritores surrealistas. E n 1922, al pasar la p u e r t a
de la v e i n t e n a , d e s c u b r i ó a l g u n o s textos de F r e u d y p o r esas fechas
c o m e n z ó a llevar u n p r o l i j o d i a r i o en el q u e volcaría sus vivencias d u -
rante casi setenta años, escritur a d i r i g i d a a u n i n t e r l o c u t o r i m a g i n a r i o
y f u t u r o , q u e h a b r í a de servirle c o m o base de datos para su t r a b a jo
a u t o b i o g r á f i c o . E n 1926 se casó c o n Louis e G o d o n , hijastra de Paul-
H e n r i K a h n w e i l e r , el galerista de Picasso, Matisse y A n d r é Masson; la
p a t e r n i d a d le h o r r o r i z a b a : n u n c a tuvo hijos. E n 1928 f u e testigo e n
la b o d a de Georges Bataille c o n Sylvie Maklés, p o s t e r i o r m e n t e Sylvie
L a c a n . E n 1929, r o m p i ó c o n el s u r r e a l i s m o y d e c i d i ó dedicarse a l a
e t n o l o g í a , a la sociología y al m a r x i s m o . S i n t i é n d o s e presa de u n a
i m p o t e n c i a insalvable, tísica e i n t e l e c t u a l , inició su psicoanálisis, si-

V é a s e infra, cap. 14, p . 250.


.¿i
190 MICHEL LEIRIS

g u i e n d o u n consejo d e l p r o p i o Bataille, c o n u n o de los introductores


d e l f r e u d i s m o e n F r a n c i a , A d r i e n B o r e l (1886-1966). El p r i m e r pasaje
p o r el diván d t n ó dos a ñ o s y f u e r e t o m a d o p o r i m a ñ o más en 1935i
1936, Sus amigos e n esos a ñ o s e r a n Picasso, Bataille, Q u e n e a u , Joü-^
b a n d e a n ( c o n q u i e n r o m p e r í a en el m o m e n t o en q u e éste se declaró
a n t i s e m i t a ) . B r e t ó n . E n 1942 c o n o c i ó a Jean-Paul Sartre y e n t a b l ó con
él u n a i n t e n s a a m i s t a d . Fue c o f u n d a d o r , c o n Sartre, M e r l e a u Ponty
de B e a u v o i r y a l g u n o s o t r o s de Les Temps Modernes ( 1 9 4 5 ) . Antes, en
1929 b a b í a c o n c l u i d o su p r i m e r a n o v e l a {Aurore) q u e d e b i ó esperar
a ñ o s hasta ser p u b l i c a d a e n 1946: el p r o t a g o n i s t a d e l r e l a t o n o se lla-
m a L e i r i s sino Siriel. Esa p a l i n d r o m í a i n d i c a sin ambages qu e se trata
de u n a ficción m a r c a d a m e n t e a u t o b i o g í áfica (¿hay a l g u n a que, en
e l f o n d o , n o l o sea?). E l n o m b r e de p i l a de Siriel, el personaje, es
D a m o c l e s ; L e i r i s — S i r i e l q u e d a r á p a r a s i e m p r e c o n su cabeza bajo la
espada. E n t r e 1933 y 1935 e s c r i b i ó y e n 1939 d i o a la i m p r e n t a L'áge
d^homme, ensayo c l a r a m e n t e a u t o b i o g r á f i c o q u e c u m p l e c o n los pactos
q u e d e f i n e n al " g é n e r o " : e l autor c o i n c i d e c o n el narrador y c o n u n
protagonista q u e h a b l a c o m o " y o " ; tres q u e son u n o y el m i s m o . E n la
p r i m e r a e d i c i ó n el l i b r o n o llevaba p r ó l o g o p e r o , u n a vez t e r m i n a d a
la g u e r r a , a g r e g ó , p a r a la segunda e d i c i ó n , c o m o i n s e r c i ó n i n i c i a l en
e x e r g o , u n c a p í t u l o escrito en esos a ñ o s i n t e r m e d i o s y t i t u l a d o "De
la l i t e r a t u r a c o n s i d e r a d a c o m o u n a t a u r o m a q u i a " . E l p r ó l o g o era, en
m u c h o s aspectos, u n a tácita c o r r e c c i ó n y hasta u n a r e t r a c t a c i ó n con
r e l a c i ó n al l i b r o al c u a l i n t r o d u c í a . L u e g o , e n t r e 1948 y 1976 fue p u -
b l i c a n d o , t o m o p o r t o m o , l a o b r a clave de su p r o d u c c i ó n , u n a t o r r e n -
cial a u t o b i o g r a f í a t i t u l a d a I^a regle du jeu q u e excede c o n largueza las
m i l p á g i n a s y q u e f u e o b j e t o , e n 2003, de u n a e d i c i ó n definitiva.^
R e c a p i t u l e m o s antes de c o n t i n u a r . E n t o t a l son tres autobiografías:
a) t m a n o v e l a , Aurore, en la q u e se p r e s e n t a c o m o D a m o c l e s Siriel; b)
u n a p r i m e r a autobiografía " f o r m a l " de L e i r i s , L'áge d'homme^ p u b l i c a d a
e n 1939 q u e r e c i b i ó , p a r a su r e e d i c i ó n ( 1 9 4 6 ) , u n p r ó l o g o en e l cual
e l a u t o r se c o m p a r a , p o r la audacia de m o s t r a r sus i n t i m i d a d e s , con
el t o r e r o q u e e x p o n e la \dday c) u n a segunda a u t o b i o g r a f í a " f o r m a l " ,
La regle dujeu, q u e se p u b l i c ó e n c u a t r o v o l ú m e n e s e n t r e 1948 y 1976,
a u n q u e , de h e c h o , la r e d a c c i ó n d e l p r i m e r t o m o es a n t e r i o r al pró-
l o g o t a u r i n o de L'áge d'homine. E n efecto, L e i r i s trabajó e n ese p r i m e r
v o l u m e n , Biffures, e n t r e 1940 y 1946. A n t e s , e n 1938, h a b í a ya d a d o a

^ M . L e i r i s , r e s p e c t i v a m e n t e Aurore, AH y RJ, P a r í s , G a l l i m a r d , L a P l é i a d e , 2003.


ICHEL LEIRIS 191

lu7 O t r o t e x t o e n d o n d e e x p o n í a su f a s c i n a c i ó n e idealizaba la fiesta


¿ e toros: Espejo de la tauromaquia^ L a l i t e r a t u r a — t a l c o m o la c o n c i b e
Xieiñs— es la puesta e n j u e g o de la v i d a y p o r eso el r i t u a l de la escri-
tiira, c o m o e l de la fiesta t a u r i n a , está cargado en su i m a g i n a c i ó n de
c o n n o t a c i o n e s trascendentales: es u n a cita c o n la m u e r t e e n c a r n a d a
el filo a c e r a d o d e l c u e r n o d e l t o r o . L a l u c h a es c u e r p o a c u e r p o . E l
m o d e l o d e l arte de la t a m o m a q u i a d o m i n a , pues, la r e d a c c i ó n de este
c o n j u n t o m o n u m e n t a l q u e nos interesa e n ntiestra investigación por-
que i n c l u y e no uno sino dos " p r i m e r ( o s ) r e c u e r d o ( s ) " de la i n f a n c i a .
M u r i ó e n 1990; p o r entonces era ya u n a u t o r consagrado y celebra-
do p<íi" la i n t e l e c t u a l i d a d ( a h o r r e m o s l o de inteligentsia) francesa. L e i -
ris n o se limitó a h a b l a r de sí: d e j ó u n a n t i t r i d a prodvicción de l i b r o s
c o n poemas, ensayos etnográficos , estudios sobre p i n t u r a y l i t e r a t u r a ,
textos político s (hay q u e recordar, para c o m p r e n d e r l o a c a b a l i d a d ,
que f u e m i e m b r o d e l P a r t i d o C o m u n i s t a , activo resistente e n los a ñ o s
pardos, castrista, p a r t i c i p a n t e d e c i d i d o e n los m o v i m i e n t o s i m p u g -
nadores d e l '68 y a d h e r e n t e a la exitosa c a n d i d a t u r a p r e s i d e n c i a l de
M i t t e r r a n d e n 1988). A l m o r i r q u e d a b a n inéditos, p o r el m o m e n t o ,
los m i n u c i o s o s d i a r i o s, p e r o ya e r a n famosos t a n t o la desvergonzada
epopeya de L'áge d'homme c o m o los c u a t r o tomos de La regle du jeu, la
m o n u m e n t a l a u t o b i o g r a f í a q u e nos interesa c o m e n t a r . H o y e n día es
L e i r i s u n a r e f e r e n c i a i n f a l t a b l e e n la h i s t o r i a d e l " g é n e r o " a u t o b i o -
gráfico al q u e d e d i c ó su vida, c o n v e n c i d o de ser u n apasionad o de la
v e r d a d y u n t e m e r a r i o t o r e r o . L a bibliografía s e c u n d a r i a q u e r o d e a a
su o b r a es i n a b a r c a b l e . E n ella destacan los n o m b r e s de M i c h e l B u t o r ,
M a u r i c e B l a n c h o t , C l a u d e Lévi-Strauss, Jean-B. P o n t a l i s, etc. Este psi-
coanalista, e l de Perec, según r e c o r d a m o s , l o calificó c o m o u n " e t n ó -
l o g o de sus i n s t i t u c i o n e s personales" — e t n ó l o g o d e l y o — diríamos, y
d i j o c o n j u s t e z a y justicia:^'

Se a d m i r a rá la h o n e s t i d a d sin p a r a n g ó n c o n la que L e i r i s c o n d u c e su empresa


y su rechazo a disolver las a n t i n o m i as entre vida y m u e r t e , m i t o y r e a l i d a d , tra-
bajo y habla, lenguaje l i t e r a r i o y prosa c o t i d i a n a , c o n f i r i e n d o así a sus escritos
u n a tensión i n c o m p a r a b l e .

M . L e i r i s , Miroir de la íauromachie, P a r í s , Fata M o r g a n a , 1 9 8 1 , c o n i l u s t r a c i o n e s


( m a r a v i l l o s a s ) d e A n d r é M a s s o n . E n e s p a ñ o l : M é x i c o , A l d u s , 1998, c o n los m e n c i o n a -
dos d i b u j o s de Masson.
J.-B. P o n t a l i s [ 1 9 5 5 ] , Aprés Freud, P a r í s , G a l l i m a r d . N R F ( 2 3 7 ) , 1968, p . 313.
192 MTCHEI. LEIRIS
Es éste u n "caso e j e m p l a r ' ' de i n t e r s e c c i ó n de la escritura autobio-
gráfica y el psicoanálisis. L e i r i s c o m u n i c ó — s e g u r a m e n t e de acuerdo
c o n su d e s e o — más de l o q u e p r e t e n d i ó t r a n s m i t i r m i e n t r a s acari-
ciaba el p r o y e c t o de " d e c i r t o d a la v e r d a d y nada más q u e la verdad
d e c i r l a de fiente y sin a r t i f i c i o s " (AH, 17). F a t a l m e n t e la palabra dice
más (y o t r a cosa) q u e l o q u e q u i e r e . Quiere (el a u t o r ) rfmr la verdad
y n o sabe q u e , al fallar e n su i n t e n t o , hace a la v e r d a d y es así c o m o la
atrapa. L a v e r d a d se u b i c a d o n d e le c o r r e s p o n d e : n o e n el lugar de
q u i e n d i c e " y o " sino en q u i e n escucha o lee. Pues l o a u t é n t i c o de la
v i d a de u n o — y ése es el g r a n secreto de la l i t e r a t u r a autobiográfica
está e n el O t r o .
¿Cuáles son los l a b e r i n t o s d e l fantasma de u n h o m b r e que, nos
parece, más q u e "vivir p a r a c o n t a r l a " p a r e c í a a n i m a d o p o r el deseo de
" c o n t a r l a en uez de v i v i r l a " , de s u b o r d i n a r la existencia persona l a la
t r a n s u s t a n c i a c i ó n l i t e r a r i a de la vida? I m p o n d r e m o s u n o r d e n en los
c i n c o paneles d e l b i o m b o q u e c u e n t a n su odisea.
Primero: la cuestión d e l r e c u e r d o i n i c i a l q u e , c o m o d i j i m o s y com o
e n o t r o s casos q u e ya h e m o s p o d i d o analizar (Perec, Nabókov, Woolf,
e t c . ) , es d o b l e : u n r e c t i e r d o q u e trae la semill a d e l espanto y q u e es el
p r i m e r o p o r q u e aparece e n la p r i m e r a p á g i n a de la n a r r a c i ó n y otro,
el " s e g u n d o p r i m e r o " , lírico, i d e a l , q u e es evocado m u c h a s páginas
después c o m o el más r e m o t o , a n t e r i o r en e l t i e m p o al p r i m e r o que se
c o n s i g n ó . U n o q u e i n i c i a la a u t o b i o g r a f í a y o t r o que t i e n e la p r i o r i d a d
cronológica.
Segundo: e l i n t e n t o de escapar a la c r o n o l o g í a y p o n e r e n m a r c h a
u n a e s c r i t u r a q u e , p o r c o r r e g i d a q u e esté — ¡ y b i e n q u e l o e s t á ! — es
h e r m a n a d e l m é t o d o de asociaciones libres i m p l a n t a d a p o r el analista
y q u e o b l i g a al a u t o r a p r a c t i c a r u n a l e c t u r a de su p r o p i o texto que
está g o b e r n a d a p o r su c o n t r a p a r t i d a , la " a t e n c i ó n l i b r e m e n t e flotan-
t e " d e l l e c t o r t á c i t a m e n t e i n v i t a d o a sentarse e n el sillón d e l psicoana-
lista, a escuchar s u s p e n d i e n d o t o d o p r e j u i c i o y a m a n t e n e r la p r u d e n -
cia i n t e r p r e t a t i v a q ue se espera de u n f r e u d i a n o .
Tercero: e l e x t r a ñ o , a u n q u e f r e c u e n t e , fantasma de sobrevivencia l i -
t e r a r i a d e l a u t o r p o r o b r a y gracia de su prosa autobiográfica , el deseo
de p e r d u r a r m e d i a n t e la escritura, la d e m a n d a h e c h a p o r Leiri s al
l e c t o r p a r a q u e éste le c o n f i e r a i n m o r t a l i d a d , la m a n e r a (la m a n í a )
c o n s t a n t e de i n v o c a r y n e g a r a la m u e r t e e n e l r e l a t o de la xdda, las
j U i t i f i c a c i o n e s tanatofóbicas q u e confiesa p a r a la e x h i b i c i ó n d e l yoyo-
yó al q u e se s u p o n e desenmascarar, ese yo c o n d e n a d o a u n a p e r p e t u a
jVllCHEL I . E I R I S 193

agonía y q u e se e m p e ñ a en " p o n e r cara" (Jaire semblant) de estar \nvo.


C o m o si la escritur a fuese u n s a l v o c o n d u c t o ante la m u e r t e .
Cuarto: l o q u e el i n t r é p i d o escritor p u e d e "confesar" acerca de su
sexualidad tal c o m o surge de su análisis — e n este sentido l o c o m p a r a -
remos c o n o t r o g r a n escritor psicoanalizado: H e r m a n n B r o c h — y los
arülugios a los q u e r e c u r r e p a r a develar ( t a m b i é n para o c t i l t a r ) l o q u e
para la mayoría de los h o m b r e s sigue s i e n d o el e n i g m a de su r e l a c i ó n
c o n las m u j e r es y c o n e l " o t r o " sexo, c l f e m e n i n o .
Quinto: el r e s u l t a d o de la a v e n t u r a a u t o b i o g r á f i c a en q u i e n i n d a -
ga en su v i d a hasta las más extremas consecuencias t r a t a n d o , e n el
m o m e n t o de e x p o n e r s e ante los d e m á s , de establecer su " e t i m o l o g í a
subjetiva", m o s t r a n d o q u e el ser está i n c r u s t a d o e n el lenguaje y q u e ,
c o m o artista, tiene recursos, inspirado s e n el psicoanálisis, p a r a r e c u -
perar la m e m o r i a de l o o l v i d a d o , de l o censurado y de l o r e p r i m i d o .
C i n c o , pues, serán las escalas de n u e s t r o v u e l o .

2 . EL DOBLE PRIMER RECUERDO: BEATITUD Y CAÍDA IN-FELIZ

D e b e m o s d i s t i n g u i r en el r e l a t o de u n a h i s t o r i a de vida tres m o m e n t o s
iniciales q u e son tres o p c i o n e s ofrecidas al a u t o b i ó g r a f o: ¿z] el notarial,
que u s u a l m e n t e se transcrib e cada vez q u e se hace u n t r á m i t e : n o m -
b r e , f e c h a y l u g a r d e l n a c i m i e n t o , recurso e l más sencillo p a r a i n i c i a r
u n a a u t o b i o g r a f í a ( n a c í . . . ; Je suis né, m i s padres f u e r o n . . . , e t c . ) ; b\l
psicológico, p r i m e r r e c u e r d o q ue se p i e r d e e n l a n e b u l o sa d e l t i e m p o
d e n t r o de la l a r ga n o c h e de la amnesia i n f a n t i l , c o m o e l q u e c o n t a r á
L e i r i s e v o c a n d o la t i b i a presencia de la m a d r e , y c] el literario, a q u e l
c o n e l c u a l se c o m i e n z a el r e l a t o , q ue p u e d e ser i d é n t i c o a l psicológi-
co ( c o m o e n el caso de Elias C a n e t t i q u e c o m i e n z a La lengua absuelta
c o n su p r i m e r r e c u e r d o ) , q u e p u e d e ser, c o m o e n ¡Habla, memoria!de
Nabókov, u n " r e c u e r d o p r e n a t a l " a t r i b u i d o i n c l u s o — y es caso excep-
c i o n a l — a o t r o sujeto ( " u n j o v e n c r o n ó f o b o " ) o, c o m o sucede c o n M .
L e i r i s , u n r e c u e r d o q u e parece a r b i t r a r i a m e n t e seleccionado p o r el
escritor y q u e figura e n la p r i m e r a p á g i n a de la autobiografía, prece-
d i e n d o , i n c l u s o p o r cientos de páginas, al q u e l u e g o se d e c r e t a r á q u e
es e l r e c u e r d o más a n t i g u o .
H a s t a a h o r a h e m o s d e b a t i d o l a r g a m e n t e sobre la i m p o r t a n c i a d e l
p r i m e r r e c u e r d o y las razones para su c o n s e r v a c i ó n , más aún, p a r a
m u c h o s , su sacralización, c o m o f u e n t e de la i d e n t i d a d . H e m o s pues-
194 MICHEL LEIRIS
t o a u n l a d o la idea i n g e n u a de q u e s\\a d e p e n d e de la
realidad d e l suceso m e i n o r i z a d o y h e m o s c o i n c i d i d o c o n F r e u d en que
tales r e c u e r d o s de i n f a n c i a n o son sino r e c o n s t i t u c i o n e s retroactivas
y a r b i t r a r i a s al servicio de intereses q u e el m i s m o yo r e p r i m e porque
son los suyos p r o p i o s , los d e l d e s c o n o c i m i e n t o de verdades insoporta-
bles. Sabemos q ue se trata, en t o d o s los casos, de recuerdt)s encubñdch
res. T a n t o q u i e n e s r o d e a n al n i ñ o c o m o el sujeto m i s m o y, después, los
q u e e s c u c h a n el r e l a t o o l l e g a n a leer su a u t o b i o g r a f í a , están prestos
a cargar ese e p i s o d i o p r i m i g e n i o , h í b r i d o de m e m o r i a e imaginación,
c o n el h a l o de claves decisivas p a r a la v i d a y la o b r a d e l a d u l t o cuando
n o d e l p r e s t i g i o de vaticinios q u e se realizarían c o n e l c o r r e r de los
a ñ o s . ¡ Q u é fácil es ser p r o f e t a d e l pasado! E l p r i m e r r e c u e r d o , presun-
t o hueso de l a m e m o r i a , es u n a c o n s t r u c c i ó n m i t o l ó g i c a. ¿Carece por
l o t a n t o de interés? T o d o l o c o n t r a r i o : p o r ser u n a prc>ducción del i n -
consciente ( c o m o el s u e ñ o o c o m o c u a l q u i e r e n g e n d r o de la fantasía),
p o r o c u p a r p a r a el sujeto el l u g a r de m i t o f u n d a d o r de la i d e n t i d a d , el
p r i m e r r e c u e r d o lleva consigo, así d e c í a F r e u d , la Uav^e de los armarios
de la v i d a a n í m i c a . N o s a r r i e s g a r í a m o s a d e c i r : p o r ser u n a falsifica-
c i ó n es q u e es el p o r t a d o r , el c a r t e r o , de la v e r d a d : la d e l fantasma,
c o l u m n a v e r t e b r a l de la s u b j e t i v i d a d .
L e i r i s l o sabe b i e n : él p a r t e a la b ú s q u e d a de los r e c u e r d o s c o m o u n
detective. L e interesa más la caza q u e la presa, la p e r s e c t i c i ó n que el
p e r s e g u i d o . Su a u t o b i o g r a f í a es " u n a especie de n o v e l a p o l i c i a l " . N o
q u i e r e r e c u p e r a r la e m o c i ó n i n i c i a l sino sentir v i v i d a m e n t e la c o n m o -
c i ó n q u e le p r o d u c e el entregarse a esa investigación. Sus escritos no
son " m e m o r i a s " pues d a p o r d e s c o n t a d o q u e todas ellas son artificio-
sas. N o q u i e r e e l a c o n t e c i m i e n t o t a l c o m o f u e sino tal c o m o a h o r a lo
e n c u e n t r a : d e f o r m a d o . L e i m p o r t a t a n sólo m e d i r la distancia entre
l o q u e p u e d e h a b e r s u c e d i d o e n e l pasado, d e f i n i t i v a m e n t e p e r d i d o ,
y la i m a g e n q u e a h o r a p i n t a d e l suceso o r i g i n a l . Se e n t r e g a sin pudor,
sin e n g a ñ a r s e n i q u e r e r e n g a ñ a r a l lector, "a la r e c o n s t i t u c i ó n imagi-
nativa, a la r e i n v e n c i ó n d e l h e c h o " {RJ, 1120). L o q u e transmitiría,
de t o d o s m o d o s , sería a u t é n t i c o , puesto qtxe " n o es p e r m i s i b l e que
c a m b i e n i u n a c o m a d e l pasado" {AH, 19). L a p a l a b r a d e l escritor,
"de c u a l q u i e r m a n e r a e n q u e él se las a r r e g l e p a r a t r a n s c r i b i r l a sobre
el p a p e l , será s i e m p r e v e r d a d " {AH, 2 2 ) . E l se c o m p r o m e t e a deci r la
v e r d a d h a c i é n d o l a e n su e s c r i t u r a y n o s o t r o s estamos e n c o n d i c i o n e s
de e x i g i r l e e l c u m p l i m i e n t o d e l p e r f o r m a t i v o . Q u e d a sellado u n pac-
t o e n t r e e l a u t o r y e l l e c t o r d o n d e e l s u s o d i c h o (y d u e ñ o d e l €)opy-
LEIRIS 195

fight) M i c h e l L e i r i s se hace p r o t a g o n i s t a de su h i s t o r i a y la ofrece p a r a


q u e sea r e f r e n d a d a p o r q u i e n c o r r e s p o n d e : el O t r o . Para q u e pudiese
"cambiar u n a c o m a d e l pasado" sería necesario q u e el pasado estuvie-
se e n a l g u n a p a r t e y ya escrito. Sucede qtie n o l o está: al pasado se l o
hace al e s c r i b i r l o y l l e n a r l o de comas y d e m á s signos de p u n t u a c i ó n .
Es u n h i j o de la retórica .
E l n a r r a d o r m a d u r o , el de la p o s g u e r r a , ofrece , según ya a n t i c i -
pamos, n o u n o , sino dos " p r i m e r o s " r e c u e r d o s , e l p s i c o l ó g i c o ( e n la
c r o n o l o g í a ) y el l i t e r a r i o ( e n las páginas d e l l i b r o ) . E l más arcaico y
r e m o t o d e n e el aura de l o sagrado, está n i m b a d o p o r u n m a r a v i l l o s o
halo de n o v e l a de caballerías o de c u e n t o de hadas, t a n l e j a no c o m o
mal d e f i n i d o , saliendo antes b i e n de la prehistoria q u e d e l pasado me-
m o r i z a d o . L e i r i s se ve y se siente instalad o en ese pasado m í t i c o e i n -
accesible c o n precisión, aún c u a n d o sabe q u e se t r a t a de algo q u e n o
p o d r í a de n i n g ú n m o d o recordar. U b i c a e l r e c u e r d o g e r m i n a l e n u n a
distante p r i m a v e r a , p o s i b l e m e n t e de c u a n d o t e n í a "tres a ñ o s y m e -
d i o " ( " — ¡ I m p o s i b l e ! " , p o d r í a m o s e x c l a m a r n o s o t r o s si nos p o n e m o s
en detectives: si era en mayo t e n í a o tres o c u a t r o a ñ o s p e r o n u n c a tres
y m e d i o p u e s t o q u e h a b í a n a c i d o e n a b r i l — m a s ya sabemos q u e n o se
trata de la " v e r d a d m a t e r i a l " e n u n t e x t o q u e p r e t e n d e ser b i o g r á f i c o
p e r o q u e está más cerca de la novela q ue de la h i s t o r i a ) .
E l r e c u e r d o i n i c i a l , el a n t i q u í s i m o , n o p u e d e ser más tri\'ial; más
aún, su sustancia es u n l u g a r c o m ú n q u e sólo a d q u i e r e s e n t i d o c u a n -
d o se l o r e l a c i o n a c o n "el o t r o " p r i m e r r e c u e r d o , e l de la p a l a b r a in-fe -
l i z m e n t e c o r t a d a y c o r r e g i d a p o r u n a d u l t o q u e está e s p e r a n d o , q u e
s i e m p r e está agazapado y listo p a r a i n c u l c a r l a f é r r e a ley d e l l e n g u a j e
en el pasaje d e l infans a la p a l a b r a . O í m o s , leemos, el r e c u e r d o ele-
m e n t a l , c é l u l a m a d r e de ésta y de m u c h a s a u t o b i o g r a f í a s . C o r r o b o r a -
m o s q u e es u n l u g a r c o m ú n : el n i ñ o e s t á j u n t o a su m a d r e y quizás e n
ese c u a r t o vacío h u e l e a insecticida y r e i n a u n o x i d a d o o l o r a p o l v o .
Por las persianas se filtra la l u z d e l sol, hace calor, v i b r a n las alas de
los insectos. N o pasa nada e n p a r t i c u l a r ; s i m p l e m e n t e se p a l p a n la
tibieza, e l bienestar, la b l a n d u r a d e l m u n d o , m i e n t r a s el n i ñ o m i r a
extasiado c ó m o se m u e v e n las partículas de p o l v o . P o r esa evocación,
escribe, el a d u l t o de h o y q u e d a b o q u i a b i e r t o ante c u a l q u i e r cosa q u e
parezca d e c i r l e ''Había una .." {RJ, 167-168). Si la escena evoca la
h i s t o r i a sagrada, si el r e c t i e r d o , más q u e a p o l v o h u e l e a s a n t i d a d , n o
es p o r l o q u e dice sino p o r q u e es i n a u g u r a l , p o r l o t a n t o , e l más exótico
d e l q u e se p u e d e echar m a n o . A c l a r a :
196 MICHEL LEIRIS

El caráclcr s a g r a d o a t r i b u i d o a los r c r u t - r d o s d e i n f a n c i a p u e d e explicarse


p o r las m i s m a s r a z o n e s d e e x o t i s m o , si se c o n s i d e r a q u e e l arcaísmo es e n el
t i e m p o l o q u e e l e x o t i s m o es e n e l e s p a c i o : m i s r e c u e r d o s m e s o n s a g r a d o s e n
l a m e d i d a e n q u e m e s o n l e j a n o s {RJ, 1119).

E l " p r i t u e r " r e c u e r d o n o es i m p o r t a n t e para el n i ñ o q ue antes fue


sino p a r a el turist a de u n a a u t o b i o g r a f í a q ue viaja hasta e n c o n t r a r l o
en tierra s vírgenes y q u e a h o r a vive y r e c a p i t u l a e l mítico pasado. U n
m i n u t o antes — p a r e c e d e c i r — " y ^ " estaba; a h o r a , milagrosamen-
te, he d e s e m b a r c a d o v i n i e n d o de la n a d a . E l tema d e l r e l a t o es un
i n s t a n t e : el d e l n a c i i i ú e n t o " a u t é n t i c o " d e l stijeto, si aceptamos, con
J o h n L o c k e , q ue la i d e n t i d a d es consustancial c o n la m e m o r i a . Y en
ese l u g a r de c a l m a y sol se destaca la presencia i n d e l e b l e de la ma-
d r e , f u e n t e y o r i g e n de t o d a c e r t i d u m b r e . L a p e r f e c c i ó n de la idílica
coalescencia c o n la m a d r e n o r a d i c a en el i n i c i o , sólo hay rectierdo
p o r q u e antes n o h a b í a dos, unc:> y o t r o , ella y yo; la u n i ó n c o n ella es
m í t i c a ; se alcanza d e s p u é s de u n l a b o r i o s o r e l a t o q u e h a comenzado
p o r la c o n c i e n c i a d e l d i v o r c i o e n t r e el selfy el o t r o . L a h i s t o r i a perso-
n a l es s i e m p r e la de u n a " c o n c i e n c i a d e s d i c h a d a " al m o d o liegeliano,
separada y á la recherche de sí, o b s t i n a d a e n r e c u p e r a r u n goce que
n u n c a f u e , u n goce d e l ser a n t e r i o r al l e n g u a j e . ¿Hay otras?
P o r eso i m p o r t a n la disociación y la c o n f l u e n c i a e n t r e este recuer-
d o i n i c i a l de la f e l i c i d a d ( p e r d i d a ) j u n t o a la m a d r e y e l o t r o r e c u e r d o ,
e l t r a u m a de la i n i c i a c i ó n en el lengtiaje , e l m o m e n t o iniciático de su
existencia, u n m o m e n t o m a r c a d o , al i g u a l q u e el p r i m e r o , p o r múlti-
ples signos de i n c e r t i d u m b r e . E l p r i m e r r e c u e r d o era t r i v i a l , c o m ú n a
m u c h a s a u t o b i o g r a f í a s, más p r ó x i m o a la epifanía, p o r q u e es u n mo-
m e n t o u b i c a d o f u e r a de la n a r r a c i ó n , u n instante y n o u n a secuencia,
u n a s e n s a c i ó n y n o u n e p i s o d i o ; e l s e g u n d o es e x c e p c i o n a l , u n a ver-
d a d e r a j o y a e n la l i t e r a t u r a d e l " g é n e r o " . L o revisaremos c o n menos
m i n u c i a de la q u e m e r e c e .
Biffures, p r i m e r a p a r t e de La regle du jeu, c o m i e n z a c o n u n breve
c a p í t u l o t i t u l a d o ^\. .reusemeri,^ {RJ, 3-6) q u e p u e d e traducirs e con
c i e r t a l i b e r t a d c o m o ".. . l i z m e n t e " . L a escritur a de L e i r i s es t a n a f o r t u -
n a d a q u e este c o r t o e p i s o d i o d e b e r á ser u n segmento i n f a l t a b l e , tan
i r r e m p l a z a b l e c o m o e l c o m i e n z o de las Confesiones de Rousseau, en
c u a l q u i e r a n t o l o g í a de autobiografías. C o n gusto r e p r o d u c i r í a m o s las
c u a t r o páginas p e r o — c o n c i s i ó n o b l i g a — h e m o s de o p t a r p o r mostrar
apenas su esqueleto n a r r a t i v o . E l p r e s u n t o a c o n t e c i m i e n t o sucede en
MICHEL LEIRIS 197

algún l u g a r i m p r e c i s o de la casa d o n d e el n i ñ o vive y j u e g a . De r e p e n -


te se le cae u n s o l d a d i t o sin q ue p u e d a precisar si de p l o m o , lata o
cartón p i n t a d o , sin qu e sepa si era n u e v o o viejo, n i cuál era sti color,
sin que sepa siquier a q u é era u n s o l d a d o , m u c h o antes de llegar a ser
el o r g u l l o s o p r o p i e t a r i o de u n a c o l e c c i ó n de ellos. L o esencial n o era
que fuese u n s o l d a d i t o sino q u e era u n j u g u e t e q u e le p e r t e n e c í a ,
algo p r o p i o q u e se h a b í a escapado de sus torpes manitas c o r r i e n d o el
riesgo de r o m p e r s e e n la caída. E l p e q u e ñ o M i c h e l se p r e c i p i t a c o n
angustia sobre su o b j e t o tan p r e c i a d o , l o recoge, l o acaricia, l o m i r a
y c o m p r u e b a q u e n a d a le pasó. J u b i l o s a m e n t e e x c l a m a '\. .reusementr
¡ l i z m e n t e ! " . ¡Ay! Para su desgracia, n o está solo. E n ese c u a r t o " m a l
d e f i n i d o " hay a l g u i e n m a y o r — m a d r e , h e r m a n o o h e r m a n a — q ue lo
c o r r i g e : "Se dice heureusement ( f e l i z m e n t e ) . " L a alegría se desvanece y
se ve t r o c a d a p o r u n e x t r a ñ o desasosiego. L o q u e e l c r e í a q u e era u n a
i n t e r j e c c i ó n p u r a es a h o r a ligada c o n e l c o n j u n t o d e l lenguaje: hay l o
"feliz" (heureux) y hay e l a d v e r b i o " f e l i z m e n t e " {heureusement). E l n i ñ o
n o p u e d e y ya n u n c a p o d r á m a n e j a r las palabras c o n l i b e r t a d : ellas le
son ajenas y están regidas p o r u n a ley a la qu e ya se h a n s o m e t i d o los
mayoies. Su v o l u n t a d le es e x p r o p i a d a p o r q u e el lenguaje está sociali-
zado (cvusivas de L e i r i s ) . N o es el d u e ñ o de las palabras; p o r el c o n t r a -
r i o , d e b e obedecerlas y son ellas las q u e l o g o b i e r n a n :

S o b r e e l s u e l o d e l c o m e d o r o d e l a e s t a n c i a , e l s o l d a d o , d e p l o m o o d e car-
t ó n p i e d r a , a c a b a d e c a e r . Y o e x c l a m é " ¡ . . . L i z m e n t e ! " M e c o r r i g i e r o n . Y, p o r
t m i n s t a n t e , q u e d é c o n f u n d i d o , p r e s a d e u n c i e r t o v é r t i g o . P u e s esa palabra
m a l p r o n u n c i a d a , d e l a q u e l l e g o a d e s c u b r i r q u e n o es e n r e a l i d a d l o q u e y o
había c r e í d o hasta entonces, m e lanzó a la c o n d i c i ó n de sentir oscuramente
— g r a c i a s a u n a s u e r t e d e d e s v i a c i ó n , d e d e s f a s e , q u e d e t a l m o d o se i m p r i m i ó
en m i p e n s a m i e n t o — en que el lengtiaje articulado, tejido aracnoide de mis
r e l a c i o n e s c o n l o s d e m á s , m e r e b a s a , e m p u j a n d o d e s d e t o d a s p a r t e s sus m i s -
t e r i o s a s a n t e n a s {Rf, 6).

L a d o c t r i n a lacaniana d e l goce dice q ue e l sujeto d e b e r e n u n c i a r


al goce i n i c i a l , goce del c u e r p o sin el lenguaje {hors-langage), e n el
q u e está s u m e r g i d o p a r a filtrarlo p o r m e d i o de los aparatos d e l l e n -
guaje q u e n o le p e r t e n e c e n , qu e son d e l O t r o . L a l e n g u a ( m a t e r n a )
es l a ley q u e expulsa el goce d e l c u e r p o y q u e hace pasar t o d a f u t u r a
satisfacción p o r sus desfiladeros f o n é t i c o s , s e m á n t i c o s , gramaticales y
sintácticos. Por esa v i o l e n t a i n t r o m i s i ó n d e l O t r o "el goce está p r o h i -
198 MICHEL LEIRIS

b i d o p a r a e l q u e h a b l a c o m o t a l " ( L a c a n ) y sólo hay goce e n relación


c o n reglas q u e l o r e s t r i n g e n y l o canalizan . E l goce deja de vivirse
c o m o t i b i o sol q u e se r e f r a c t a e n las partículas de p o l v o sin n o m b r e
y pasa a ser g o c e d e l lenguaje f u e r a d e l c u e r p o (hors-corps), apalabra-
d o , o b e d i e n t e a u n a legislación i n f l e x i b l e . Q u e sepamos, nvmca se ha
o f r e c i d o u n e j e m p l o de esa c o a c c i ó n q u e sea más i l u s t r a t i v o que esta
viíieta de la i n f a n c i a del p e q u e ñ o M i c h e l recreada i m a g i n a r i a m e n t e
p o r el e s c r i t o r m a d u r o .
H e m o s r e s e ñ a d o los dos p r i m e r o s r e c u e r d o s de L e i r i s y señalado
que u n o .reusement) es el q u e abre la a u t o b i o g r a f ía y e l o t r o , 165
páginas m á s a d e l a n t e , es s e ñ a l a d o p o r él c o m o el más p r i m i t i v o y exó-
t i c o . E n u n a o r d e n a c i ó n c r o n o l ó g i c a t i n o de los dos t e n d r í a que ser
a n t e r i o r . Q u i e r o e x p o n e r mis reservas, argüir q u e , e n la perspectiva
de la lógica, los dos son s i m u l t á n e o s, postigos a m b os de u n a misma
v e n t a n a . E l j ú b i l o de estar j u n t o a la m a d r e m i r a n d o mara\dllado el
suave v u e l o de las partículas de p o l v o bajo la luz d e l sol, r e c u e r d o de
u n a b i e n a v e n t u r a n z a a n t e r i o r al lenguaje , tiene u n a p r e m i s a que es
la e x p u l s i ó n d e l paraíso m a t e r n o y la a c e p t a c i ó n de q u e "la vida está
e n o t r a p a r t e " . L a presencia sólo es t a l sobre u n telón de ausencia. El
o b j e t o sólo se p u e d e re-presentar a p a r t i r de la ausencia, de la expe-
r i e n c i a d e su f a l t a . L a " r e - p r e s e n t a c i ó n " i m p l i c a el a p a r a t o e n t e r o del
l e n g u a j e c o n e l e s t a b l e c i m i e n t o de la d i f e r e n c i a e n t r e los significantes
y ese a p a r a t o socializado, el m o l i n e t e de palabras q u e , a d i f e r e n c i a de
los aparatos d e l c u e r p o , n o es e n d ó g e n o , n o es " m e n t a l " o "cerebral",
sino e n la m e d i d a e n q u e el sistema de la l e n g u a ( d e l O t r o ) ha sido
i m p r e s o e n e l sujeto. E n ese sistema está f u e r a de la ley, es criminal,
d e c i r ''lizmente'\l caso de L e i r i s es n í t i d o y m u e s t r a q t i e , al i g u a l que
p a r a e l n i e t i t o de F r e u d c o n la b o b i n a qu e era su p e q u e ñ o soldado,
t e n e r y n o tener, aparecer y desaparecer d e l espejo, fort y da, son co-
r r e l a t i v o s : l o q u e vale n o es u n a de las dos posiciones sino la relación
e n t r e los dos f o n e m a s : oooy a. P o r eso sostengo q ue esta e x p e r i e n c i a
de L e i r i s es p a r a d i g m á t i c a d e l t r a u m a t i s m o q ue s u p o n e para lodo sujeto
la e n t r a d a e n el l e n g u a j e : la presencia d e l o b j e t o p r i m e r o , la m a d r e , se
i n s t a u r a a p a r t i r de su p é r d i d a i r r e m i s i b l e . Forty da, estar y n o estar en
el c a m p o visual d e l o t r o , aparecer d e l a n t e y desaparecer detrás de los
telones de u n a c o r t i n a , son los e n c u a d r e s de la vida de t o d o s, esa vida
q u e t r a n s c u r r e e n el teatr o de la m i r a d a ajena. Para ser visto y r e c o n o -
c i d o hay q u e h a b l a r la " l e n g u a m a t e r n a " y en ella n o se p u e d e d e c i r ...
lizmente. L a i n f e l i c i d a d está p r o g r a m a d a . Malheureusement,
MICHEL LLlRIS 199

Cabe especular sobre la m e d i d a e n q u e este m í n i m o e p i s o d i o d e l


niño e x p u l s a d o de la s o b e r a n í a sobre las palabras se p u d o transfor-
liiar e n e l i m p u l s o r de u n a l u c h a sin c u a r t e l l i b r a d a p o r M i c h e l L e i r i s
c o n la l e n g u a francesa a p a r t i r de ese día i n f a u s t o . ¿ S o n ésas las "reglas
del j u e g o " , "las reglas d e l y o " (j>u/;V) ? J u g u e m o s a c e p t á n d o l a s , arries-
guemos la e x p o s i c i ó n de nuestras vidas c o m o los dos p a r t i c i p a n t e s de
la c o r r i d a de t o r o s e n su e n f r e n t a m i e n t o d e s p i a d a d o . C o c e m o s e n el
ejercicio de la p a l a b r a q u e r e g u l a y a m o r t i g u a e l goce. ¿Es eso la l i t e -
ratura, u n a t a u r o m a q u i a , t m j u e g o de v i d a y m u e r t e ? ¿ P o d r á n — t o r o
o t o r e r o — vencer a la m u e r t e ? N o ; la l u c h a , p o r t e n e r q u e vivir e n e l
lenguaje, está p e r d i d a de e n t r a d a . P o r eso sólo t i e n e s e n t i d o , a la v i d a ,
p o n e r l a e n j u e g o . E s c r i b i r l a para vivir o para hacerse la ihisión h e r o i -
ca de e n f r e n t a r a la m u e r t e y n o m o r i r e n el i n t e n t o , ¿no es h a c e r de
la v i d a l e t r a m u e r t a ?

3. E S C R I T U R A A U T O B I O G R Á F I C A Y P S I C O A N Á L I S I S

Leiris, j u n t o c o n Georges Perec, H e r m a n n B r o c h , S a m u e l B e c k e t t y


n o m u c h o s más, p e r t e n e c e al g r u p o de los r e n o m b r a d o s escritores
de a u t o b i o g r a f í a s q u e h a n pasado p o r la p r u e b a de u n psicoanálisis
p e r s o n a l . Ya h e m o s d a d o las fechas de sus f r a g m e n t o s de análisis y el
n o m b r e de B o r e l , su analista, u n o de los p r i m e r o s f r e u d i a n o s e n F r a n -
cia, analista t a m b i é n de Georges Bataille y de o t r o s artistas c o n o c i d o s .
Hay, p o r l o d e m á s , practicantes d e l psicoanálisis q u e h a n i n c u r s i o n a -
d o e n el g é n e r o a u t o b i o g r á f i c o : el p r o p i o S i g m u n d F r e u d n o d e j ó de
escribir u n a " P r e s e n t a c i ón a u t o b i o g r á f i c a " a u n q u e , c o m o sabemos,
el v e r d a d e r o r e l a t o de su e x p e r i e n c i a vital debe buscarse m á s e n los
p r o t o c o l o s f u n d a d o r e s d e l psicoanálisis, es decir, e n La ijiterpretadón
de los sueños y e n la Psicopatología de la vida cotidiana q u e e n ese ensayo
de circunstancias q u e escribió a p e d i d o de terceros c u a n d o c u m p l i ó
setenta años. T h e o d o r Reik,*^ Jacques NassiF y, e n f o r m a n o v e l a d a ,
Serge Aridré,^ presenta n e j e m p l o s de a u t o b i o g r a f í a p s i c o a n a l í t i ca y
de las estrategias qtte p u e d e n a d o p t a r los avezados e x p l o r a d o r e s d e l

*^ T h . R e i k , The search xmthin, N u e v a Y o r k , G r o v e Press, 1956.


^ J . Nassif, En face. Confessions d'un psychanalyste, P a r í s , A u b i e r , 2 0 0 1 .
^ S. André, FlaCy s e g u i d o d e " L a e s c r i U i r a e m p i e z a d o n d e el p s i c o a n á l i s i s t e r m i n a " .
M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 0 . T r a d . d e T F r a n c é s y N. A . B r a u n s t e i n .
200 MICHFL LEIRIS

i n c o n s c i e n t e p a r a zafarse de las trampas d e l narcisismo q u e h a n sido


t r a d i c i o n a l m e n t e la " m a l d i c i ó n " de u n g é n e r o c o n d e n a d o al egoc^ti-
t r i s m o . C u a n d o el psicoanalista (o, l o q u e es casi l o m i s m o , el analiza-
d o ) escribe su a u t o b i o g r a f í a se hace u n d e b e r de t r a n s m i t i i l o que el
análisis le e n s e ñ ó y se i m p o n e e l u d i r la a u t o c o m p l a c e n c i a , el exhibi-
c i o n i s m o , l a b ú s q u e d a e n el l e c t o r de u n c ó m p l i c e o de u n b e n i g n o
j u e z , la p r e t e n s i ó n d e r a t i f i c a r u n a p r o b l e m á t i c a " i d e n t i d a d " alcanzada
de u n a vez y p a r a s i e m p r e , la c n d e n a c i ó n sistemática y d o c u m e n t a d a
de los datos q u e más o c u l t a n a la v i d a de l o q u e la m u e s t r a n . Hemos
d i c h o ya q u e e l psicoanálisis, pasen p o r ella o n o los escritores de auto-
biografías, d i v i d e e n dos a la h i s t o r i a de ese p r o b l e m á t i c o g é n e r o que
cabalga e n t r e la novela y la h i s t o r i a . A p a r t i r de F r e u d hay q u e tomar
e n c u e n t a al i n c o n s c i e n t e y n a d i e p u e d e a d u c i r e n su favor la "sinceri-
d a d " y la t r a n s p a r e n c i a c o n respecto a sí m i s m o en el m o m e n t o de pa-
sar a l a e s c r i t u r a " c o n f i d e n c i a l " , esa q ue apela a la " f e " y la "confianza"
r e c í p r o c a d e l escritor y el lector. E l p a d r e y la m a d r e qu e p u e d e pintar
u n e s c r i t o r n o son los m i s m os después de la e n t r o n i z a c i ó n d e l E d i p o
c o m o c u n a de la s u b j e t i v i d a d . E l " r e c u e r d o de i n f a n c i a " h a p e r d i d o
e n e n c a n t o s y h a g a n a d o e n o s c u r i d a d después de haberse reconoci-
d o l a validez u n i v e r s a l de los " r e c u e r d o s e n c u b r i d o r e s " . L a t e o r í a del
n a r c i s i s m o y e l d e s c u b r i m i e n t o d e l c a r á c t e r espectacular d e l estadio
d e l espejo c o n la c o n s i g u i e n t e a l i e n a c i ó n d e l sujeto en u n " y o " que lo
r e p r e s e n t a allí d o n d e n i es n i está, h a n p r o b l e m a t i z a d o al stijeto del
e n u n c i a d o q u e , desde san Agustín y Rousseau, v e n í a c o n f o r t á n d o s e
c o n l a e n g a ñ o s a p r i m e r a p e r s o n a d e l s i n g u l a r : n o cabe ya confortar -
se c o n la ilusión de la t r a n s p a r e n c i a de u n o p a r a consigo m i s m o . E l
i n c o n s c i e n t e es "el discurso d e l O t r o " q u e se m a n i f i e s t a e n l a escena
a u t o b i o g r á f i c a c u a n d o e l receptor, o b j e t o de la transferencia, es parte
c o n s t i t u t i v a d e l discurso q u e se le d i r i g e ; p o r eso el l e c t o r pasa a for-
m a r p a r t e de l a autobiografía.
L a c o n s i g n a d e l psicoanalista a su p a c i e n t e , la "regla f u n d a m e n t a l " ,
l a ley, es, a p a r t i r de F r e u d , la c o n t r a r i a a la q u e guía el r e l a t o tradicio -
n a l de u n a v i d a : " D i g a t o d o l o q u e se le pase p o r la cabeza, a u n q u e le
parezca desagradable, trivial, i n c o h e r e n t e o i m p e r t i n e n t e . " C u a n d o se
c u m p l e c o n esa regla f l o r e c e n las equivocaciones, los sueños , la d u d a
y l a d e s c o n f i a n za respecto d e l p r o p i o decir, la aparició n i n o p i n a d a de
r e c u e r d o s q u e se c r e í a n p e r d i d o s , el r e t o r n o f a n t a s m a l de personas
objetívadas y de objetos p e r s o n i f i c a d o s , la r e a n i m a c i ó n de antiguos
a n h e l o s y t e m o r e s , la c o n m o c i ó n y el d e r r u m b e de certezas q u e se te-
MICHEL LEIRIS 201

nían p o r i n a m o v i b l e s . "Yo c r e í a q u e . . . p e r o a h o r a c o m p r e n d o q u e . . . "


N o se c o n s t r u y e la h i s t o r i a de la vida; más b i e n se la desconstruye y
" t o d o l o sólido se desvanece e n el aire".'^ Más G o e t h e y más H e g e l aún:
el espíritu m e í i s t o f é l i c o de la n e g a c i ó n ejerce sus efectos disolventes
sobre el a l m a bell a q u e desconoce su p a r t i c i p a c i ón e n las desventuras
de las q u e se queja. N o ; n o p o d r í a ser i g u a l la a u t o b i o g r a f í a de n a d i e
después d e l d e s c u b r i m i e n t o f r e u d i a n o . E l goce, desde entonces, n o
se e n c t i e n t r a e n ocultarse ante u n o m i s m o y ante los d e m á s e n u n
e n g a ñ o c o n s o l a d o r sino en desenmascarar al i m p o s t o r q u e h a b l a d i -
c i e n d o "yo ' y e n f o r z a r los c a m i n o s p a r a qu e el deseo, i n c o n s c i e n t e,
se c o n v i e r t a en el c a m i n o de acceso al goce q u e u n o p e r d i ó c u a n d o
le p r o h i b i e r o n q u e d i g a " . . . l i z m e n t e " y le i m p u s i e r o n las duras leyes
del b i e n decir. " L a escritura e m p i e z a d o n d e e l psicoanálisis t e r m i n a " ,
según d e c í a Serge A n d r é ( c i t . ) . A c a b a d o el análisis, descolocado d e l
espejismo d e l yo, l a c o n s i g n a es pasar a la escritura d e l l i b r o q u e el
sujeto, cada u n o , lleva a d e n t r o ( P r o u s t ) , ése q u e h a b í a sido falsificado
p o r las d e m a n d a s de a d e c u a c i ó n al r e g l a m e n t o n u n c a p r o m u l g a d o
p e r o s i e m p r e v i g e n t e de las conveniencias y las d e m a p d a s d e l O t r o .
U n a a u t o b i o g r a f í a q u e deje constancia de las batallas d e l Yo c o m o es-
clavo de tres severos amos: e l E l l o p u l s i o n a l , el S u p e r y ó d e s p ó t i co e n
el i n t e r i o r y la r e a l i d a d e x t e r i o r q ue i m p o n e l i m i t a c i o n e s . U n a a u t o -
biografía, c u a n d o es veraz, e x o r c i z a los fantasmas de la a u t o n o m í a . Es
u n a gesta de las aventuras y t r o p i e z o s p o r los c a m i n o s de la l i b e r t a d .
A s o c i a c i ó n l i b r e es la p a r t e q u e toca al escritor y p r e s u p o n e u n a
c o n t r a p a r t i d a , la a t e n c i ó n l i b r e m e n t e flotante d e l lector. Semejante
e s c r i t u r a d e s e n c a d e n a en q u i e n lee u n a m e m o r i a d i s t i n t a , n o la d e l
e n c a d e n a m i e n t o de las frases, sino la de incalculables saltos, a veces
de cientos de páginas, e n la secuencia d e l r e l a t o , l i g a n d o , p o r ejem-
p l o , los precisos recuerdos de la p r i m e r a e d a d de Perec c o n la afir-
m a c i ó n i n i c i a l de q u e n o tiene r e c u e r d o s de i n f a n c i a , m o s t r a n d o la
p r o f u n d a s o l i d a r i d a d e n t r e los dos p r i m e r o s r e c u e r d o s ( b e a t i t u d e n
c o n t a c t o c o n la m a d r e y t r a u m a t i s m o de ser c o r r e g i d o p o r el uso de
u n a p a l a b r a ) de L e i r i s , a n u d a n d o la c o l e c c i ó n de las m e m o r i a s "per-
fectas" de N a b ó k o v c o n la c o l e c c i ó n de sus preciosas p o l i l l a s y m a r i -
posas y e l s u e ñ o e n q u e la m a d r e le e n s e ñ a a n a r c o t i z a r a los insectos,
u n i e n d o e l espanto ante varios espejos de Borges c o n e l c o n j u n t o de
su l i t e r a t u r a q u e fracasa c u a n d o se i m p o n e r e u n i r a "Borges y y o " .

^ K a r l M a r x y F e d e r i c o E n g e l s [ 1 8 4 8 ] , Manifiesto comunista.
202 MICHEL LEIRIS

1
D e s p u é s de F r e u d hay u n a n u e v a p r á c d c a de la e s c r i n i r a de la auto-
b i o g r a f í a . . . y t a m b i é n u n a nueva p r á c t i c a de la l e c t u r a q u e p o n e d^
m a n i f i e s t o los t ó p i c o s d e l g é n e r o y q u e p e r m i t e el sobresalto dicho86
de la i n t e r p r e t a c i ó n q u e va a c o n t r a p e l o d e l c o n t e n i d o m a n i f i e s t o . Tal
vez d e b a d e c i r q u e , p o r q u e se lee d i s t i n t o (después de h a b e r nacido
el p s i c o a n a l i s t a ), el escritor se ve i n c i t a d o a escribir e n c o n t r a de sí
m i s m o y de sus i n c l i n a c i t m e s " e s p o n t á n e a s " . N o se p u e d e escribir la
v i d a sin q u e la soga de la sospecha d e l O t r o , el lector, se a p r i e t e sobre
el c u e l l o d e l autor.
D e b e m o s agregar, tras estas consideracione s sobre el c a m b i o del
" g é n e r o " a u t o b i o g r á f i c o pí>r la i r r u p c i ó n d e l ftreudismo, q u e Leiris no
fíae n u n c a u n a p a s i o n a d o d e l psicoanálisis y q u e s i e m p r e t u v o reticen-
cias a n te el discurso p s i c o a n a l í t i co y el uso de su v o c a b u l a r i o . E n algún
m o m e n t o , e n su d i a r i o , e n 1929 (28 de o c t u b r e ) , escribe en grandes
letras P I S C O A N A L I S I S y se a p r e s u r a a aclarar q u e es u n lapsus y n o
u n j u e g o de palabras. M u c h o s a ñ o s después, e n 1946 (10 de marzo)
aclara q u e esa p a l a b r a , c o n las letras trastocadas, a p u n t a a los peces y
a la pesca e n las aguas revueltas d e l i n c o n s c i e n t e . N o vacila e n a f i r m a r
— n o sólo a i n s i n u a r — q ue "se v i o f o r z a d o , p o r su estado de miseria
i n t e r i o r , a p a d e c e r u n a cura psicológica, a pesar de su reptxgnancia
p o r t o d o a q u e l l o q u e p r e t e n d a sanar o t r o s males q u e los d e l c u e r p o "
{AHy 3 9 ) . Es c o n v e n i e n t e relatar aquí las c o n d i c i o n e s dramáticas en
q u e d e c i d i ó i n i c i a r e l análisis en^el m i s m o diván e n el q u e se había
a n a l i z a d o Bataille y q u e , según el p r o p i o Bataille, le h a b í a p e r m i t i d o
escribir La historia del ojo, o b j e t o de la a d m i r a c i ó n de L e i r i s . E n 1929,
e n u n estado a b s o l u t o de e b r i e d a d y después de u n e p i s o d i o de i m p o -
t e n c i a c o n u n a b a i l a r i n a n e g r a n o r t e a m e r i c a n a , L e i r i s a t e r r i z a e n lo
de u n a m i g o a las 5 de la m a ñ a n a y le p i d e u n a navaja c o n la i n t e n c i ó n
"más o m e n o s s i m u l a d a " de castrarse. E l a m i g o eludió la d e m a n d a
d i c i e n d o q u e l a ú n i c a r a s u r a d o r a q u e t e n í a era a u t o m á t i c a . Después
de ese e p i s o d i o L e i r i s d e b i ó a d m i t i r q u e e n su c o n d i c i ó n m e n t a l ha-
b í a algo m u y e n f e r m o y se d e c i d i ó e n t o n c e s a i n i c i a r u n t r a t a m i e n t o
p s i c o a n a l í t i c o . Estaba fracasando e n t o d o y d e s t r u y é n d o s e , se angus-
ü a b a p o r n o p o d e r e n t r e g a r a t i e m p o sus artículos periodísticos y se
veía a sí m i s m o más c o m o u n payaso q u e c o m o u n actor trágico. L o
devastaba u n "atroz s e n t i m i e n t o de i m p o t e n c i a — t a n t o g e n i t a l c o m o
i n t e l e c t u a l — " de la q u e sigue s u f r i e n d o c u a n d o escribe L'áge d'homme
(cit., p . 1 9 6 ) . R e c u r r í a al psicoanálisis p a r a "liberarse de sus quiméri-
cos t e m o r e s al castigo" sin e n t e n d e r , al parecer, q u e se p r o c u r a b a él
MICHEL LEIRIS 203

m i s m o la sanció n de la q u e q u e r í a escapar. Parece r e c l a m a r el c a s ü g o


c u a n d o escribe

D e u n m o d o g e n e r a l , s a d i s m o , m a s o q u i s m o , etc., n o s o n p a r a m í " v i c i o s " s i n o


tan sólo m e d i o s para alcanzar u n a realidad m á s intensa. E n el amor, t o d o m e
parece demasiado g r a t u i t o , demasiado a n o d i n o , d e m a s i a d o carente de grave-
dad; sería necesario q u e i n t e r v e n g a n la sanción d e l rechazo social, la sangre o
l a m u e r t e p a r a q u e e l j u e g o v a l g a r e a l m e n t e l a p e n a (AH, 197).

L a c u r a es "algo q u e p a d e c í de e n t r a d a d u r a n t e u n a ñ o c o n f o r -
tunas diversas". A l p r i n c i p i o ftie " u n c u c h i l l o e n la llaga". Ecos de la
faena t a u r i n a , c i e r t a m e n t e . Es B o r e l , su analista, q u i e n le sugiere q u e
haga u n l a r g o viaje de e x p l o r a c i ó n e t n o g r á f i c a y para eso L e i r i s a p r o -
vecha t m a o f e r t a de e x i l i o " p o r razones c i e n t í f i c a s " q u e le p e r m i t e
p o r u n t i e m p o pacificarse c o n la castidad y el a y u n o s e n t i m e n t a l ( i d . ,
199). A l regresar de sus tristes trópicos se le h a q u i t a d o la i d e a d e l
viaje c o m o m e d i o de evasión y "se somete a la t e r a p é u t i c a n a d a más
que otras dos veces, u n a de ellas p o r breve lapso". Descubre así qtte, a
través de manifestaciones variables, sigue siendo s i e m p r e i d é n t i c o a sí
m i s m o y q u e t o d o c o n d u c e , haga l o q u e haga, a u n a " m i n ú s c u l a cons-
telación de cosas q u e u n o t i e n d e a r e p r o d u c i r u n a c a n t i d a d i l i m i t a d a
de veces b a j o f o r m a s diversas" ( i d . , 2 0 0 ) . E n 1934 (2 de j u l i o ) a n o t a e n
su d i a r i o e l m o t i v o p r i n c i p a l de su h o s t i l i d a d c o n t r a el psicoanálisis:
h a b e r l e q u i t a d o todos los recursos mitológicos , estar siend o castigado
p o r levanta r el velo de Isis.
Privar a M i c h e l L e i r i s d e l artefacto m i t o l ó g i c o n o es p o ca cosa; él,
e t n ó l o g o de sí m i s m o , c o m o l o l l a m ó Pontalis, n o p o d r í a r e n u n c i a r
a sus m i t o s i n d i v i d u a l e s sin quejarse: su goce es m a n i f i e s t o c u a n d o
p u e d e estetizar sus relatos y los r e c u e r d o s q u e se d e j a n e m b e l l e c e r
a golpes de p l u m a son p a r a él los p r e f e r i d o s . Descubre e n sí m i s m o
la t e n d e n c i a de su m e m o r i a a r e t e n e r " e n la s u m a p r o d i g i o s a de las
cosas q u e m e h a n pasado, solament e aquellas revestidas de m í a f o r m a
tal c o m o p a r a dar f u n d a m e n t o a u n a m i t o l o g í a " {fij, 3 0 4 ) . E n v e r d a d ,
el r e s u l t a d o d e l psicoanálisis es la p r i m e r a versión, p i c t ó r i c a de m i -
tos {Lucrecia, Judith y Holofernes) de l o q u e h a b r í a de d e s e m b o c a r e n
L'áge d'homme y, después, e n La regle du jeu sin o l v i d a r q u e su p r i m e r
f r a g m e n t o de análisis estuvo p r e c e d i d o p o r la n o v e l a Aurore d e l pa-
l i n d r ó m i c o Siriel. Si t o d o n e u r ó t i c o se o r g a n i z a u n " m i t o i n d i v i d u a l "
( L a c a n ) , e l psicoanálisis, c u r a de la neurosis, i m p l i c a , necesariamen-
204 MK:HFL LEIRIS
te, u n a d e s n i i t i í i c a c i ó n. E l proceso, l l e v a d o a cabo sin anestesia, puede
ser m u y d o l o r o s o . L e i r i s lo hace en el diván y l o c o n t i n ú a e n sus libros^
inventándose una m e m o r i a .
L a e s c r i t u r a l e i r i s i a n a despué s de " s t i f r i r " el psicoanálisis, converti-
da e n p o e s í a , i m p l i c a u n a t r a n s a c c i ó n e n t r e e l i m p u l s o a d e c i r lo que
a u n o le viene e n ganas y la c o n s i d e i a c i ó n hacia las exigencias de la
" r e g l a d e l j u e g o " ( a u t o b i o g r á f i c o ) f o r z a d a p o r el O t r o .

Así, m o s t r a n d o qtie p o r el ejercicio de la p o e s í a u n o plantea al o t r o c o m o t m


i g u a l , r e g r e s o a l a v e r d a d q u e p r i m e r o h a b í a d e s c u b i e r t o : c t i a n d o sttpe que
tino no dice . . . lizmé-nte s i n o felizmente, a p r e n d í q u e e l l e n g u a j e t i e n e d o s caras,
t m a d i r i g i d a h a c i a a d e r U r o y la o t r a h a c i a h i e r a , y c u a n d o — d e s c u b r i e n d o el
a l t r u i s m o d e s p u é s d e d e d i c a r d o s o tres v o l ú m e n e s a m i p r o p i a p e r s o n a - — lle-
g o a a ñ r r n a r qtte u n p o e t a n o p u e d e desirUeresarse d e la suerte d e su p r ó j i m o ,
c o n c i b o el a r g u m e n t o q u e l o j u s t i f i c a a p a r t i r de esta d o b l e n a t u r a l e z a [ d e l
l e n g u a j e ] , c o m o si l o e s e n c i a l ya h u b i e r a e s t a d o i n c l u i d o e n m i a n t i g t i a e x p e -
r i e n c i a . A s í m e h a l l o d e r e g r e s o e n m i p u n t o d e p a r t i d a {Bf, 712).

E l d e s c u b r i m i e n t o de la p r i m e r a vivencia de relación c o n la pala-


bra, a q u e l l a e n la q u e es c o r r e g i d o p o r u n a d u l t o , es q u e el uso d e l
l e n g u a j e s u p o n e la t r a n s f e r e n c i a , q u e "el e m i s o r recibe d e l recepto r
su p r o p i o mensaje e n f o r m a i n v e r t i d a " ( L a c a n ) . Po r esta precisa razón
y c o m o necesaria consecuencia , j a m á s se trata de " a p l i c a r " i n t e r p r e -
taciones de aspecto p s i c o a n a l í t i c o a los textos e n l o q u e se equivalen
n o m b r e de autor, n a r r a d o r y personaje q u e dice "yo". E n La vida de
Henri Brulard de H e n r i Beyle, alias S t e n d h a l , n o e n c o n t r a m o s el c o m -
p l e j o de E d i p o de F r e u d sino q u e , p o r e l c o n t r a r i o , es e n el psicoa-
nalista d o n d e e n c o n t r a m o s la c o m p r e n s i ó n t e ó r i c a y u n i v e r s a l de l o
q u e ya estaba m a n i f i e s t o de m a n e r a c o n c r e t a e n el t e x t o de S t e n d h a l .
F r e u d n o p t i e d e psicoanalizar a S t e n d h a l ; tiene q u e l i m i t a r s e a escu-
c h a r l o y p e r m i t i r q u e él se escuche a sí m i s m o e n el e n c a d e n a m i e n t o
de su discurso . S t e n d h a l n o es el p r e c u r s o r de F r e u d sino q u e F r e u d es
la necesaria d e s e m b o c a d u r a de S t e n d h a l . . . y de m u c h o s otros, antes
y d e s p u é s q u e él. L e i r i s es u n r e s u l t a d o d e l trabajo d e l psicoanálisis,
sí, p e r o n o l o es m e n o s de las c o n c e p c i o n e s y de las prácticas (escri-
t u r a a u t o m á t i c a , estétic a o n i r o i d e , etc.) de los surrealistas a cuyo m o -
xdmiento p e r t e n e c i ó d u r a n t e m u c h o s a ñ o s y cuya i m p r o n t a llevó a l o
l a r g o de su v i d a e n t e r a .
E n l a p r i m e r a de las autobiografía s de L e i r i s {AH, 1939) el t e m a
MICHEL LEIRIS 205

d o m i n a n t e es el de los avatares de su sexualidad y de sus fantasmas


activados p o r el c o n t a c t o c o n distintas mujeres q u e s i g u e n el d o b l e
m o d e l o de la fidelidad a t o d a p r u e b a , la L u c r e c i a de C r a n a c h el v i e j o ,
y la traición castradora de u n a m u j e r q u e c o m i e n z a p o r p r o s t i t u i r s e
según el m o d e l o de la J u d i t h , d e l m i s m o C r a n a c h . V o l v e r e m o s sobre
el t e m a c u a n d o l o c o m p a r e m o s c o n B r o c h . E n la s e g u n d a a u t o b i o g r a -
fía {RJ, 1948-1976), la que e m p i e z a c o n el m a l h a d a d o ...reusement!, la
h i s t o r i a está c e n t r a d a e n u n n o - r e c u e r d o insólito, e n sus devaneos c o n
el r e c u e r d o q u e h u b i e r a q u e r i d o t e n e r y n o t i e n e , el d e l m o m e n t o de
ser i n v a d i d o p o r la c í j n c i e n c i a de la m u e r t e . T a m b i é n volveremos . Po-
d e m o s d e c i r q u e , de las dos autobiografía s f o r m a l e s , la p r i m e r a {AH)
es freudiana t a n t o p o r el c o n t e n i d o c o m o p o r el m é t o d o m i e n t r a s q u e
la s e g u n d a {RJ), s i g u i e n d o los m i s m o s p a r á m e t r o s , es lacaniana.
P o c o se ha h a b l a d o sobre el e x t r a ñ o desfasaje e n t r e las dos a u t o -
biografías de L e i r i s p o r q u e se h a p r e f e r i d o ver a a m b o s textos c o m o si
fuesen u n o la c o n t i n u a c i ó n d e l o t r o . L o s críticos l i t e r a r i o s h a n r e h u i -
d o c o n s i d e r a r el c a i á c t e r a u t o c r í t i c o q u e tiene Biffures (escrita e n t r e
1942 y 1946) c o n respecto a L'áge d^homme ( c o m e n z a d a e n d i c i e m b r e
de 1930 y acabada e n n o v i e m b r e de 1935). L a tensió n autocrític a se
m u e s t r a c o n c l a r i d a d c u a n d o se lee el p r e f a c i o taurófilo i n s e r t a d o
diez a ñ o s despué s n o c o m o u n a c o n f i r m a c i ó n sino c o m o u n a i m p u g -
n a c i ó n , u n a p a l i n o d i a , d e l l i b r o al q u e dice p r o l o g a r . E n ese s e n t i d o .
La regle du jeu, cuyas p r i m e r a s páginas son las de Biffures, {.. .reusement.^
r e f u t a el p r o y e c t o de la p r i m e r a a u t o b i o g r a f í a y sus aspiraciones a la
c r e d u l i d a d d e l lector-testigo. L'áge d'homme es u n t e x t o g o b e r n a d o p o r
las i h i s i o n es mesiánica s de " v e r d a d " , " a u t e n t i c i d a d " , " s i n c e r i d a d " , " m i -
r a d a sin c o m p l a c e n c i a a r r o j a d a sobre m í m i s m o " , " n e g a c i ó n de u n a
n o v e l a " y otras expresiones t e n d i e n t e s a desarmar p o r a d e l a n t a d o a la
crítica. L a r e c t i f i c a c i ó n es clara e n el p r ó l o g o escrito a c o n t r a p e l o

L o q u e y o d e s c o n o c í a es q u e e n l a b a s e d e t o d a i n t r o s p e c c i ó n y a c e e l g u s t o d e
c o n t e m p l a r s e y q u e e n e l f o n d o d e t o d a c o n f e s i ó n e s t á e l d e s e o d e ser a b s u e l -
to. M i r a r m e sin complacencia era de todos m o d o s m i r a r m e , m a n t e n e r mis
o j o s fijos e n m í e n l u g a r d e m o v e r l o s m á s a l l á p a r a s u p e r a r m e h a c i a a l g o q u e
fuese h u m a n o en u n sentido m á s a m p l i o . D e s n u d a r m e ante los otros pero
h a c i é n d o l o e n u n escrito q u e yo deseaba q u e estuviese b i e n r e d a c t a d o y b i e n
construido, e m o c i o n a n t e y rico e n descubrimientos, era intentar seducirlos,
l i m i t a r — d e t o d o s m o d o s — e l e s c á n d a l o a l d a r l e u n a f o r m a e s t é t i c a {AH, 13,
e n De la littérature considerée comme une tauromachie).
206 MICHEL LEIRIS '

P o r t o d o esto Biffures y e l s u b s i g u i e n t e c o n j u n t o q u e a c a b ó por


c o n s t i t u i r La regle du jeu c o n s t i t u y e el e j e m p l o p a r a d i g m á t i c o de
u n a a u t o b i o g r a f í a l a c a n i a n a d i s p u e s t a a c o n s u m i r hasta los últimos
espejismos d e l y o , m i e n t r a s q u e L'áge d'homme es el i m p r e s c i n d i b l e
p r e c u r s o r (fí~eudiano) de esa o b r a c i c l ó p e a , a veces farragosa — c u -
c h o sea e n h o n o r de la v e r d a d — q t i e desveló a L e i r i s d u r a n t e cua-
r e n t a a ñ o s . P o r supuesto , L e i r i s n o q u i e r e ser c o n s i d e r a d o como
l a c a n i a n o o c o m o f r e u d i a n o s i n o , n i más n i m e n o s , c í j m o leirisiano
c o m o a r q u e ó l o g o de la m e m o r i a , e t n ó l o g o , o r n i t ó l o g o y etimólogo
de esa e x ó t i c a t r i b u de r e c u e r d o s d e s b a n d a d o s q u e es él m i s m o . Su
deseo es e l de ' j u s t i h c a r su e x i s t e n c i a " p o r m e d i o de la l i t e r a t u r a
e n su s e n t i d o más e s t r i c t o y e s t r e c h o : r e n u n c i a n d o a ser u n poeta,
u n h é r o e m i t o l ó g i c o o u n i m a g i n a t i v o n o v e l i s t a; él se c o n f o r m a con
h a b e r l l e g a d o a ser " e l a u t o r de h o n e s t o s ensayos autobiográfico s
q u e p o d r í a n l l e g a r a ser u n a d e f e n sa y u n a ilustració n de ese g é n e r o
l i t e r a r i o " . R e c o n o c e q u e e l p r o y e c t o q u e l o a n i m a es p o c o excitante
y e q u i v a l e a u n a c o n f e s i ó n de la d e r r o t a p e r o se j u s t i f i c a alegando
q u e la p a l a b r a ú l t i m a de t o d a m o r a l p r o f e s i o n a l es la de ''hacer lo
que sólo yo estoy en condiciones de hacer" (RJ, 763, cursivas de L e i r i s ) y
— ¿ p o r q u é n o ? — hay q u e c o n f e s a r l o , n a d i e serí a t a n suspicaz c o m o
p a r a d i s c u t i r q u e él y sólo él estaba e n c o n d i c i o n e s de e s c r i b i r su
a u t o b i o g r a f í a . S ó l o cabe l a p r e g u n t a : ¿De q u é m o d o ella c o n t i n ú a al
psicoanálisis q u e se d i o p o r t e r m i n a d o ?

4 . PRESENCIA DE LA MUERTE EN EL EMPEÑO LITERARIO DE LEIRIS

¡ C u á n t a s estrategias d i f e r e n t e s h a i n t e n t a d o M i c h e l L e i r i s p a r a dis-
t r a e r y b u r l a r a la m u e r t e , su e n e m i g a i r r e c o n c i l i a b l e , la de él y de
casi todos, q u e e n este a u t o r e n c o n t r ó a su a d m i r a d o r más r e n d i d o y
al g u e r r i l l e r o más c o m b a t i v o ! I n t e n t a r e m o s enlistarlas: escribir la vida
pasada p a r a preservarla, r e a n i m a r los r e c u e r d o s y aferrarse a ellos,
negarse a l desgaste d e l o l v i d o , i d o l a t r a r a la m e m o r i a i n f a n t i l fiján-
d o l a y e m b e l l e c i é n d o l a c o n la m a g i a d e l r i t m o , d e s a r m a r las trampas
d e l l e n g u a j e e n la e v o c a c i ó n q u e aspira a resucitar eventos soterrados,
e m b a l s a m a r las e m o c i o n e s , d a r a la i m p r e n t a t o m o s y más t o m o s de
a u t o b i o g r a f í a s ficticias y auténticas, vivir e x p o n i é n d o s e c o m o c u a d r o
e n u n a g a l e r í a , c o m o t o r e r o e n u n a c o r r i d a , e s c r i b i e n d o su c u e n t o
hasta l l e g a r al e x t r e m o de p r e f e r i r la i n v e n c i ó n l i t e r a r i a a s u f r i r u n a
MICHEL LEIRIS 207

vida a t o r m e n t a d a p o r la i m p o t e n c i a y atraída en t o d o m o m e n t o p o r
la i n m i n e n c i a d e l s u i c i d i o .
L a m u e r t e es para todos u n a c o n t e c i m i e n t o p o r venir, e l p r o t o t i p o
de a q u e l l o de lo q ue n o se p o d r í a t e n e r m e m o r i a . N a c e m o s sin saber
de ella, e n t r a m o s e n el lenguaje, ...lizmente, hasta qtie u n día, nece-
sariamente posterior, el saber de ella p e n e t r a e n nosotros. Desde e l
descarnado f u t u r o — d o n d e tiene su r e s i d e n c i a — llega hasta e l ser
que se siente vivo la n o t i c i a de q u e la m u e r t e está e s p e r a n d o y q u e ,
tarde o t e m p r a n o , a c a b a r á p o r alcanzarlo y p o n d r á u n t é r m i n o a la
c o n c i e n c i a y a las d e v o l u c i o n e s i m a g i n a r i a s de los espejos. H a y u n
c o n o c i m i e n t o qu e es traumático , i n a c e p t a b l e, i n c o n c i l i a b l e c o n el y o
y que nos a c o m p a ñ a e n todos nuestros c a m i n o s m u n d a n a l e s . E l saber
del fin n o tiene fin. C o n t r a ese saber, más q ue c o n t r a la m u e r t e m i s m a
— q u e es i n v u l n e r a b l e — , la h u m a n i d a d h a e r i g i d o t o d a clase de vallas:
religiones, técnicas, m e d i c i n a s , políticas de regulació n social, amores,
i m á g e n e s de la p o s t e r i d a d , g e n e a l o g í a s y descendencias (clásicos tó-
picos d e l árbol + el h i j o + el l i b r o ) , sistemas filosóficos, c o n c e p c i o n e s
de la e t e r n i d a d , emplastos i n f i n i t o s q ue se a p l i c a n sobre u n a llaga q u e
j a m á s cicatriza y n o deja de stipurar. L a mayoría se hace u n m a p a de
r u t a e n la vida d i s i m u l a n d o e l p u e r t o de d e s t i n o o c o n s o l á n d o s e c o n
la idea de q u e la m u e r t e sólo les sucede a los d e m á s . E l i n c o n s c i e n t e
f r e u d i a n o — q u e p a r a Lacan es u n o de los n o m b r e s de D i o s — l a des-
c o n o c e y d e s m i e n t e . M u c h o s hay q u e s i e n t e n su oscura a t r a c c i ó n , la
evaden y l a c o n v o c a n, le r i n d e n c u l t o , la cotejan y acaban n o pocas
veces p o r adelantar l a cita q u e t i e n e n c o n t r a í d a p a r a verle de u n a b u e -
na vez el r o s t r o . I m a g i n a r l a es posible, vivirla, n o , o, p o r l o m e n o s , n o
cabe pasar p o r ella y g u a r d a r m e m o r i a de la e x p e r i e n c i a . E l l o n o obsta
para q u e paraísos e i n f i e r n o s , Lázaros, almas i n m o r t a l e s y revenants de
t o d o t i p o p u e b l e n e l paisaje m e n t a l de los hablantes. A l g u n o s g o z a n
c o n v e r l a de cerca, tocarla, e n c o n t r a r e l p u n t o t a n g e n c i a l de u n e n -
c u e n t r o c o n ella y apartarse después d e l instante c r u c i a l p a r a m i r a r l a
desde la distancia s i n t i e n d o q u e h a n escapado, q u e la h a n b u r l a d o . E l
o r g a s m o c o m o " p e q u e ñ a m u e r t e " r e i t e r a b l e (casi) a v o l u n t a d es u n
pálido s i m u l a c r o . L a g u e r r a y la t a u r o m a q u i a son j u e g o s más serios,
a n ó n i m a la p r i m e r a , l l e n a de luces la segunda. N o es casual qu e sea la
fiesta de toros, figurada p o r e l r u e d o d o n d e c o n v e r g e n e l e r o t i s m o y
la m u e r t e , la que fascinó al t a n a t o f ó b i c o e n a m o r a d o de l a parca q u e
se l l a m ó M i c h e l L e i r i s .
E l e s c r i t o r a c u m u l a , i n t e r r o g a y c o l e c c i o n a o r d e n a d a m e n t e sus re-
208 M I C H E L LEIRIS

c u e r d o s a u n sin p r e o c u p a r s e p o r la c r o n o l o g í a . C o m o íilatelista ante


u n á l b u m e n el q u e hay u n espacio p a r a cada t i m b r e , se desespera
c u a n d o descubr e q u e le falta u n a pieza esencial, la más valiosa, para
c o m p l e t a r la h o j a de su i n f a n c i a : la t o m a de c o n c i e n c i a de su mortali-
d a d . N o p u e d e "poseerse e n t o t a l i d a d " p o r q u e hay u n a laguna , la de
esa amnesi a q u e l o obsesiona e n e l m e r o c e n t r o de su m e m o r i a y qu^
daría c t i a l q u i e r cosa p o r c o l m a r ;

E l a c o n t e c i m i e n t o c a p i t a l q u e s i e m p r e m e f u e i m p o s i b l e r e c u p e r a r ( t a l vez
p o r el s i m p l e m o t i v o d e q t i e b i e n p u d o n o t e n e r j a m á s l u g a r , t a l vez p o r q u e n i
siquiera existe la p o s i b i l i d a d de semejante d e s c u b r i m i e n t o e n t a n t o que u n o
n o e s t á a l p i e d e l p a r e d ó n , t a l v e z p o r q u e é l s ó l o es a c c e s i b l e p o r p a s o s suce-
sivos y d e m a n e r a s u b r e p t i c i a a m e d i d a q u e e l p l a z o l l e g a a s u t é r m i n o ) es,
c o n certeza, el q u e hubiese sido p a r a m í la t o m a de c o n c i e n c i a de la muerte,
o, c o n m a y o r e x a c t i t u d , el h e c h o d e q u e m i p r o p i a v i d a — e s t a v i d a q u e n o
p u e d o c r e e r q u e e s t é s o m e t i d a a las m i s m a s leyes q u e l a d e los d e m á s — n o
p o d r í a d e j a r d e i n t e r r u m p i r s e d e g o l p e , e n u n a p l a s t a m i e n t o r a d i c a l {Rf, 304-
3 0 5 , c f t a m b i é n AH, 28).

L e i r i s vive u n a l u c h a a m u e r t e c o n t r a la m u e r t e y piensa que, si


p u d i e r a r e c u p e r a r e l r e c u e r d o de ese m o m e n t o , algo f u n d a m e n t a l
c a m b i a r í a e n él. E n e l l u g a r de ese a g u j e r o de su m e m o r i a p r o d u c e
u n r e c t i e r d o e n c u b r i d o r , i n s i g n i f i c a n t e e n sí p e r o de pasmosa belleza,
acerca d e l i n t e n s o m i e d o q u e sintió u n a n o c h e (¿a los c u a t r o años?)
e n q u e c a m i n a b a j u n t o a su p a d r e p o r u n c a m i n o desierto e n Viroflay,
l u g a r de las vacaciones. L a " m u y b a n a l a n é c d o t a " (Rf, 311) es la de
h a b e r escuchado el r u i d o de los élitros de u n insecto, u n r u i d o lejano
q u e l o asusta, q u e l o hace evocar al rey de los alisos. ¿ Q u i é n n o deja
de escuchar, e n este p u n t o , la e s t r e m e c e d o r a balada de G o e t h e con
m ú s i c a de S c h u b e r t (y de L o e w e ) q u e L e i r i s o m i t e e n su relato?: El
padre se estremece, galopa raudamente, sostiene al niño que gimotea, llega an-
gustiado al castillo: en sus brazos el niño estaba muerto, q u e lleva a L e i r i s a
i n t e r r o g a r al p a d r e sobre la n a t u r a l e z a d e l r u i d o y a escuchar de éste
u n a respuesta q u e a u m e n t a su t e r r o r : "Es u n coche (voiture) q u e está
lejos, m u y lejos." L e i r i s d u d a de la a u t e n t i c i d a d d e l r e c u e r d o p e r o no
deja de pensar q u e el p a d r e le h a b í a m e n t i d o para o c u l t a r l e , para n o
e x p l i c a r l e , otra cosa q u e el n i ñ o n o d e b í a conocer. I n t e r p r e t a la frase
d e l p a d r e c o m o u n a m e n t i r a p i a d o s a p a r a o c u l t a r algo de veras pavo-
roso, u n saber p r o h i b i d o para él:
MICHEL LEIRIS 209

j4e conservado siempre vm muy vivido recuerdo de este miedo. Recuerdo


Ijjjpi^eciso, puede que fantasioso, en cuanto al modo en que pudo intervenir
ini padre. Recuerdo verdadero en cuanto al espanto provocado por ese su-
surro ligero escuchado en la noche y cuyo carácter angustiante descansaba
tal vez exclusivamente en el hecho de manifestar el estado de vigilia de algo
ínfirno o lejaru), única presencia sonora en cl silencio en donde todo debía
estar dormido o comenzando a dormirse. Temor de la noche. Temor de la
oscuridad {RJ, 306).

L e i r i s constata q u e su m e m o r i a desfallece e n este p u n t o y q u e d e b e


sustittiirla p o r m e d i o de c o n s t r u c c i o n e s, r a z o n a m i e n t o s , conjeturas,
r u m i a c i ó n incansable, para l l e n a r r e t r o a c t i v a m e n t e C^iprés-coup") esta
l a g u n a y se p r e g u n t a p o r c|ué necesita r e l a c i o n a r este r e c u e r d o i m p r e -
ciso d e l paseo campestre c o n la c o n c i e i i c i a de la m u e r t e . C o m p a r a
su t r a b a j o c o n el de los holandeses desecando el Zuyderzee y p o s t u l a
que e l arte tiene el deber de apropiarse y c o l o n i z a r ciertas parcelas
qtie r e p r e s e n t a n u n interés \ital p a r a sustraerse a la cosa sin n o m -
bre ctryo ñtijo nos amenaza. Persigue al r e c u e r d o a l o l a r go de varias
páginas y c o n c l u y e q u e el " c o c h e " {voiture, d i j o el p a d r e , c u a n d o esa
p a l a b r a a t i n n o sigi^iñcaba necesariamente automóvil — 1 9 0 5 — p e r o
q u e se t r a n s f o r m a , sí, en a u t o , c u a n d o el escritor evoca este r e c u e r d o
n o c t u r n a l c o m o música de B a r t ó k y cuyo c a r á c t e r de e n c u b r i d o r n o
se le escapa) p o d í a ser e n t e n d i d o m e t a f ó r i c a m e n t e , pues ese " c o c h e "
r t i e d a i n c a n s a b l e m e n t e e n su m e m o r i a , e n este r e c u e r d o positivo o
en p a r t e m e n t i r o s o y desviado de t o d a p r e t e n s i ó n de a u t e n t i c i d a d p o r
ser e l r e c u e r d o de u n r e c u e r d o : " — ¡ s o r p r e n d e n t e d o b l e f o n d o ! — así
c o m o hay u n teatr o d e l t e a t r o " ( i d . , 311). M e m o r i a f a b r i c a d a de u n a
m e m o r i a ausente, f o t o c o p i a p o c o c o n f i a b l e , i n j e r t o puesto en e l l u g a r
de l a e s t a m p i l l a q ue falta e n el á l b u m . Coche, a u t o , e n los t i e m p o s
e n q u e c i r c u l a b a n ciertos automóviles eléctricos qti e f a b r i c a b a n los
h e r m a n o s M o r s . Mors es el título d e l capítulo consagrado a este re-
c u e r d o decisivo, mors que se l i g a a las morsas d e l z o o l ó g i c o , al M o r s e
d e l alfabet o telegráfico, a la fatídica mors qu e llegará al saber c u a n d o
e l n i ñ o a p r e n d a latín.
P o r q u e la m u e r t e l o a t o r m e n t a L e i r i s n o p u e d e ser d e l t o d o u n
h o m b r e y n i siquiera considerar q u e tiene u n a existencia p r o p i a . T o d o
está de e n t r a d a desvalorizado, puesto que h a b r á de m o r i r : es p o r la
c o n c i e n c i a de la t r a n s i t o r i e d a d de c u a n t o p u d i e r a h a c er que t o d o l o
q u e se presenta ante sus ojos sea h u e c o e insensato:
210 MICHEL LEi^^

Exento de to<la verdadera pasión, de todo vicio y hasta de toda ambición, soy
desde qvic nací, presa de t m entorpecimiento comparable a la de esas figuras
de museo que se mezclan en alguno de mis sueños, y los actos que realizo no
son poco más que gestos de autórtiata o trabajos mecánicos de zombi como si
el miedo, borrando todo lo qtte hay en mí, me transformase desde ya en este
armazón sin conciencia que tanto temo llegar a ser. La presciencia del mo-
mento nauseabundo en que todo se sustraerá —como el suelo que falta a los
pies de aqtiel que cae en la negrura de una m a z m o r r a — basta para hacer de
mí, reducido a la abstracción de un punto geométrico, el ceiUro de un mun-
do algodonoso en el que sólo restan formas vagas, además de aquellas para mi
gusto demasiado precisas en las que creo leer una amenaza {RJ, 3 4 3 - 3 4 4 ) .

L a t a n a t o f o b i a l e i r i s i a n a d a paso a l a r e a c c i ó n c o n t r a f ó b i c a de de-
safiar al o b j e t o t e m i d o . S ó l o vale la p e n a vivir c u a n d o u n o se enfrenta
c o n l a m u e r t e . E l m o d e l o , ya l o a n t i c i p a m o s , es e l arte d e l torero.
Incapaz de arriesgar la v i d a e n ese gesto s u b l i m e — d e h e c h o incapaz
d e p r a c t i c a r o t r o d e p o r t e q u e la c a m i n a t a — L e i r i s t o m a t t n a decisión
q u e será e l t i m o n e l de su existencia: la escritura t e n d r á la misión de
e x p o n e r l o , l í n e a a línea, biffure por biffure, al c u e r n o acerado d e l toro.
L a escena de la fiesta e n la plaza l o fascina y busca los equivalentes.
H a y q u e d e c i r q u e e n su m o d e l o i d e a l n o s i e m p r e viste e l traje de luces
d e l t o r e r o y q t i e las m á s de las veces o p t a p o r el l u g a r d e l t o r o , víctima
p r e d e s t i n a d a p a r a u n a estocada p r o g r a m a d a desde el p r i n c i p i o de la
c o r r i d a . E l l e c t o r sigue a L e i r i s e n las i m á g e n e s qti e l o e x h i b e n como
e n t r e g a d o a l a m u e r t e . E n c u e n t r a maravillosa la i m a g e n de J u d i t h . . .
p e r o se i d e n d f i c a c o n e l h é r o e q u e es... H o l o f e r n e s , e l decapitado
a m a n t e de u n a n o c h e . L a o t r a figura q u e l o extasía, t o m a d a también
d e l v i e j o C r a n a c h , es l a d e L u c r e c i a c o n e l p u ñ a l e n t r a n d o bajo el
p e c h o d e s n u d o . E l a n h e l o es c l a r o : estetizar a la m u e r t e c o n la vana
p r e t e n s i ó n de h a c e r l a desaparecer.
¿ C ó m o valdría la e s c r i t u r a — d o n d e n o se arriesga n a d a e n l o r e a l —
coiTio p u n t o de c o m p a r a c i ó n c o n la t a u r o m a q u i a y su desafiante cor-
tejo de la m u e r t e ? L e i r i s l o e x p l i c a así: p a r a dejar de ser m o r t a l es
m e n e s t e r d i f e r e n c i a r s e de los d e m á s m o r t a l e s , dejar constancia de
u n a d i f e r e n c i a c u i d a d o s a m e n t e g u a r d a d a e n r e l a c i ó n c o n ellos en re-
l a c i ó n c o n la m u e r t e m i s m a q u e se q u i e r e alejan Sin hacerse muchas
i l u s i o n e s . S i e m p r e q u e el escritor se vacía d a n d o u n l i b r o a las prensas
acaba p o r constatar q u e , b i e n o m a l r e c i b i d o , ese l i b r o " h a b r á sido u n
gesto e n el v a c í o " {RJ, 1163-1164). L a t e n t a t i v a de m a t a r a la m u e r t e
HEL LEIRIS 211

, ^ l t a siempre í a l l i d a . . . y hay q u e r e c o m e n z a r . E l l i b r o es e l caba-


ensillado y m o n t a d o p o r e l r e j o n e a d o r q u e p r e t e n d e l o c a m e n t e
arle u n a c a r r e r a a la m u e r t e y t e r m i n a e n c o n t r a n d o q u e e l l i b r o
ismo llega a ser u n a razón p a r a vivir e n l u g a r d e ser u n v e h í c u l o q u e
esclai'ezca la m a n e r a de vivir. Para escribir e l l i b r o e l a u t o r r e c u r r e
¿ d a m e m o r i a , esa p r o p i e d a d exclusiva q u e l o hace d i f e r e n t e d e los
demás p o r q u e n a d i e m á s tiene esos r e c u e r d o s . . . p e r o la m e m o r i a es
una r i e n d a p o c o c o n f i a b l e : las d i f i c u l t a d e s son i n f i n i t a s , n o se p u e d e
recuperar el pasado m e d i a n t e trazos d e la p l u m a y e l s e n t i d o d e l o
vivido se le escapa "sin s i q u i e r a alcanzar la d i g n i d a d d e e n i g m a s " ( i d . ,
297). P o r eso, m i e n t r a s la m u e r t e n o se a p o d e r e d e él, n o p u d i e n d o
apartarse de l a i d e a de ella, tiene q u e p o n e r s e a su servicio. Para e l l o
apela a los tímidos r e c u e r d o s d e u n t i e m p o i r r e c u p e r a b l e , í n f i m o s
trozos de vida e n d o n d e e n c u e n t r a q u e algo p a r e c i d o a M i c h e l L e i r i s
parece existir; p a r a eso se e n t r e g a a l a caza i m p l a c a b l e de esas expe-
riencias e n d o n d e su r o s t r o p o d r í a serle u n p o c o m e n o s e x t r a ñ o . A f i r -
ma y d e n i e g a a la vez q u e la p l u m a , sostenida p o r la p a l m a de la m a n o
derecha, se transfi:)rma e n u n a pesada c o l u m n a de m á r m o l cuya carga
lo o p r i m e hasta e l p u n t o de a r r a n c a r de él u n g r i t o de espanto e n e l
m o m e n t o de despertar de la pesadilla ( i d . , p . 3 5 4 ) . E s c r i b i r es c u m p l i r
c o n u n a misión v i t a l m e n t e esencial p a r a d e s m e n t i r a la m u e r t e q u e
siente atravesando su c u e r p o y su vida . D e r r a m a l a t i n t a e n sus papeles
c o m o e l t o r o ( c u a n d o n o e l t o r e r o ) d e r r a m a l a sangre e n la arena a l
t e r m i n a r l a l i d i a . Sabe de l o a r t i f i c i o s o de su p r e t e n s i ó n :

C o n e l gusto de j u g a r al t o r e r o p e r o sin q u e haya n u n c a e n f r e n t e d e m í u n


v e r d a d e r o t o r o , y a l d o n j u á n , s i n c o n q u i s t a s n i desafíos al C o m e n d a d o r ; exis-
t i e n d o t a n sólo p o r escrito y d e s l o m á n d o m e , e n t o d o instante, para f o r m u l a r
f r a s e s c o n t m l e j a n o s a b o r d e ú l t i m a s p a l a b r a s c o m o si m i s d e d o s estuviesen
ya a g a r r o t a d o s p o r e l g u a n t e d e p i e d r a d e l a m u e r t e , ¿ a o s e r é e n v e r d a d u n
prevaricador, u n m a n d a t a r i o infiel al destino c o n el que he soñado? ( i d . , p .
350).

T i e n e razones L e i r i s p a r a desconfiar de su empresa. Su vida, c o m o


la de c u a l q u i e r a , está m a r c a d a p o r a c o n t e c i m i e n t o s singulares y v o l -
carla sobre e l p a p e l h a c i e n d o de ella u n o o m u c h o s l i b r o s es u n dere-
c h o i n n e g a b l e d e l h o m b r e ; a p u n t o t a l q u e n i l a histórica D e c l a r a c i ó n
de 1789 c o n s i d e r ó necesario i n c l u i r l o . T a m b i é n es c i e r t o q u e cada
u n a d e esas vidas está h e c h a de c o i n c i d e n c i a s y banalidades q u e n o
212 MICHEL LEIRIS
m e r e c e n ser destacadas, especialmente c u a n d o f a l t a n logros o haza-
ñas especiales q u e r e p o r t a r . L a m e m o r i a de Shakespeare, c o m o decía
Borges, estaba f o r m a d a p o r las mismas trivialidades q u e las de los de-
m á s h o m b r e s . C o n t a r la vida es, e n tal caso, empresa i n o c u a y anodin a
a u n q u e t e n t a d o r a , c o m o se aprecia al ver la c a n t i d a d de diarios ín-
t i m o s , agendas, epistolarios, m e m o r i a s , confesiones y autobiografías
q u e se e s c r i b e n , se p u b l i c a n y hasta se l e e n . L e i r i s era c o n c i e n t e de
la c o n d i c i ó n c o r r i e n t e de su existencia y de la p o s i b i l i d a d de exaltar-
la, m e d i a n t e la a c t i v i d a d l i t e r a r i a , al g r a d o de u n m o n u m e n t o que
l o h a r í a p e r d u r a b l e más allá d e l i n e l u c t a b l e a c o n t e c i m i e n t o — t a m -
b i é n t r i v i a l — de su m u e r t e . ¿ C ó m o t r a n s f o r m a r la n a r r a c i ó n de los
r e c u e r d o s e n u n a h a z a ñ a y hace r de esos desteñidos rastros de vida
u n a c o n t e c i m i e n t o n o sólo m e m o r i z a d o sino t a m b i é n memorable?
¿ C ó m o j u s t i f i c a r la e m p r e s a de d e d i c a r la v i d a a escribir u n a sinfonía
en yo sostenid o mayor, s i e m p r e i n c o n c l u s a , c o m o la de S c h u b e r t en
la? ¿ C ó m o e l u d i r las sospechas, t a n t o p r o p i a s c o m o de los lectores,
acerca de la v a n i d a d , e l narcisismo, la a u t o c o m p l a c e n c i a , la búsqueda
de coartadas y c o m p l i c i d a d e s p a r a r e s p o n d e r a acusaciones n o f o r m u -
ladas, p a r a s i m u l a r u n a p o t e n c i a desfalleciente?
L e i r i s sabe q u e todas esas n u b es e n s o m b r e c e n su a c t i v i d a d l i t e r a r i a
y p a r a eso r e c u r r e a l m o d e l o h e r o i c o q u e p u e d e j u s t i f i c a r e l fárrago
de u n a a u t o b i o g r a f í a v i r t u a l m e n t e inacabable a pesar de q u e n o haya
a c o n t e c i m i e n t o s especiales q u e r e l a t a r e, i n c l u s o , a p a r t a n d o de sí las
c o n v e n c i o n e s d e l g é n e r o t r a d i c i o n a l c o n la t r i l l a d a a c u m u l a c i ó n de
datos y de m e m o r i a s de e n c u e n t r o s c o n amigos y personajes notables,
esos q u e n u n c a le f a l t a r o n p e r o q u e están p o r f o r t u n a ausentes tanto
e n AH c o m o e n Rf. Es p a r a defenders e f r e n t e a esas eventuales acusa-
ciones q u e p r o d u c e l a a n a l o g í a e n t r e su o b r a y la e x p o s i c i ó n de la vida
q u e hace e l t o r e r o , sin o l v i d a r q u e

Se entiende al instante y para siempre que escribir y pttblicar una autobio-


grafía no implica para el responsable (a menos que haya cometido u n delito
cuya confesión lo haría pasible de recibir la pena capital) ningún peligro de
muerte... Puede incluso que, si no es un completo cínico, las sanciones socia-
les a las que se expone con sus confesiones sean de poco peso para él e incluso
lo satisfagan de modo tal que conduce su juego haciendo una apuesta que es
pura ficción. Sea como fuere, tal riesgo moral no puede compararse con cl
riesgo material que enfrenta el torero {AH, 17).
MICHEL LEIRIS 218

Sin e m b a r g o , insiste en ensalzar su gesto l i t e r a r i o g l o r i f i c a n d o los


riesgos a los q u e se e x p o n e : es necesario así q u e r e c u r r a , según el
m o d e l o d e l m a t a d o r , al m á x i m o de su sagacidad t é c n i c a p a r a t r i u n f a r
sobre el p e l i g r o . D e l psicoanálisis le atrae, p r e c i s a m e n t e , a q u e l l o q u e
p u e d e d a r l e u n a estatura mític a pues la e x p e r i e n c i a f r e u d i a n a " p o n e
en j u e g o u n seductor m a t e r i a l de i m á g e n e s y, p o r l o d e m á s , ofrece
a c u a l q u i e r a u n c ó m o d o m e d i o p a r a elevarse hasta u n nive l trágico
t o m á n d o s e c o m o t m n u e v o E d i p o " {AH, 15). T a m p o c o se le escapa el
p a p e l t e a t r al q u e j u e g a l a c o r r i d a e n la v i d a de los espectadores: L e i r i s
se ofrece, c o m o artífice de la l i d i a , a la i d e n t i f i c a c i ón d e l p ú b l i c o y a
la e x a l t a c i ó n de los ole " p a r a q u e o t r o p u e d a d e s c u b r i r e n sí m i s m o
algo q u e sea h o m ó f o n o c o n ese f o n d o q u e , e n m í , y o p o d í a d e s c u b r i r "
{AH, 2 0 ) . A s p i r a , a través de l o p a r t i c u l a r y de la m a g n i f i c a c i ó n p o é d -
ca, a l o u n i v e r s a l . E n su i n t e n t o p o r d e r r o t a r a la m u e r t e c o n p l u m a s
y tachaduras (biffures), sin aceptar q u e c o n t r a u n e n e m i g o i n v e n c i b l e
lo m e j o r es a d m i t i r de e n t r a d a la d e r r o t a , ¿ n o a c a b a r á p o r escribir el
más c o n m o v e d o r de los h i m n o s , la más r i g u r o s a de las apologías, a la
i m p o s t e r g a b l e h o r a , la suprema?

5. LA SEXUALIDAD ANALIZADA: MICHEL LEIRIS Y HERMANN BROCH

L a p r u e b a de f u e g o para e l " t o r e r o " q u e desearía ser L e i r i s es la ex-


p o s i c i ó n de algunos aspectos reservados de su v i d a sexual, " p i e d r a
a n g u l a r e n el e d i f i c i o de la p e r s o n a l i d a d " (AH, 18). I m b u i d o de m o r a l
cristiana, estima qtie la c o n f e s i ó n de las obras de l a carne es l a tarea
m á s p e l i g r o s a e n la q u e c o r r e el m a y o r de los albures, d o n d e es más
intensa, p o r ser más difícil, la sumisión a u n a e x i g e n c i a de a u t e n t i -
c i d a d . Puede q u e e n 1945 las c o n f i d e n c i a s de sus secretitos sexuales
h a y a n s o n a d o impúdicas, p e r o , a la luz de la l i t e r a t u r a , el c i n e , la poe-
sía, e l teatr o y las artes plásticas de los últimos sesenta a ñ o s — d e s d e
H e n r y M i l l e r hasta C a t h e r i n e M i l l o t y sin o l v i d a r al precursor, el d i v i -
n o m a r q u é s — su desparpajo nos deja h o y c o n t m a clara i m p r e s i ó n de
i n g e n u i d a d , a u n c u a n d o p o d a m o s r e c o n o c e r e n el e m p e ñ o a u t o b i o -
gráfico de L e i r i s u n c a r á c t e r (casi) p i o n e r o e n l a l i t e r a t u r a confesio-
n a l . Sus r e c u e r d o s y fantasmas son los de c u a l q u i e r a y carecen i n c l u s o
de los encantos h o y c o m u n e s de la perversión e x h i b i d a p a r a el goce
voyerista d e l o t r o . E l v a l o r de su t e s t i m o n i o r a d i c a más e n e l estilo i n -
v e n t a d o p a r a c o n t a r sus i n t i m i d a d e s — q u i z á su arte de sugeri r l o q u e
214 MICHEL L E i R i s
sigue estando velado, d e l m i s m o m o d o q u e el t o i ero esconde la espa
d a detrás d e l c a p o t e — q u e e n los h e c h o s m i s m o s y, antes q u e nada
e n e l análisis q u e hace de los m e c a n i s m o s subjetivos de sus accionas-
L a p r e g u n t a q u e caracteriza al obsesivo: "¿Estoy vivo o m u e r t o ? " es
i l u s t r a d a de m o d o e j e m p l a r p o r L e i r i s c u a n d o relata la contrafóbica
a t r a c c i ó n hacia la m u e r t e q u e ya e x p u s i m o s y q u e lo lleva e n algunos
m o m e n t o s de su v i d a a i n t e n t o s de s u i c i d i o casi exitoso c o n días de
s u e ñ o y t r a q t i e o t o m í a , temas p a r a nuevas páginas de la m e m o r i a . Pero
son las estrategias, las angustias y las d u d a s d e l obsesivo e n relación
c o n e l sexo las q u e r e s u l t a n , e n i g u a l o a u n m a y o r m e d i d a q u e ante la
m u e r t e , las q u e el escrito r despliega ante los ojos d e l lector. Leiris se
goza m o s t r a n d o , e n l o r e f e r i d o a las riesgosas "obras de la carne", no
la c o r r u p c i ó n de su ser, sino su virtud, e n t e n d i d a s i e m p r e en la pers-
pectiva a g u s t i n i a n a y n e o p l a t ó n i c a d e l sexo c o m o riesgo de castración
y c o n d e n a , de la c a r n e c o m o p e c a do s u p r e m o q u e lleva a la perdición
d e l a l m a , t a n t o más c t i a n t o m á s i n t e n s o es e l deseo.

De adulto, mantengo u n deseo constante de amistad ideal y de amor platóni-


co j u n t o a eso que algunos verán como zambullidas sin grandeza en la vileza
y el vicio. De joven, me apasionaba por esas aventuras fabtilosas donde pulula
u n pueblo de encantadores, de damas inigualablemente castas y de andantes
caballeros, al mismo tiempo que me sacudían el bajo vientre las revolttiras de
la pubertad {AH, 136-137).

N u e v a m e n t e se p e r f i l a e n este t e r r e n o la silueta idealizad a d e l to-


r e r o , c o n v e r t i d a a q u í e n la d e s t e ñ i d a i m a g e n de u n desafilo q u e p o co
y m a l d i s i m u l a la evasión ante u n " p e l i g r o " , p e r s o n i f i c a d o p o r las
m u j e r e s , a l b u r q u e es a r t i f i c i a l m e n t e p r o v o c a d o e i m a g i n a r i a m e n t e
e n f r e n t a d o - Para L e i r i s , el arte de la t a u r o m a q u i a es u n s i m u l a c r o
d e l c o i t o (a m e n o s q u e sea al c o n t r a r i o ) y la escritura q u i s i e r a ser u n
e q u i v a l e n t e y u n r e m p l a z a n t e de ambos. N o s o t r o s , n o sin u n asomo
de sarcasmo, l l e v a n d o a la l i t o t e t a n t o su esfuerzo c o m o el resultado,
d i r í a m o s , e v o c a n d o a Nabókov, "pálido f u e g o " .
A l i n t e r r o g a r e l pasado r e c u e r d a su a s o m b r o al e x p e r i m e n t a r su
p r i m e r a e r e c c i ó n ante el e s p e c t á c u l o e n sí i n o c e n t e de u n o s n i ñ o s
p o b r e s q u e suben a u n árbol c o n los pies desnudos {AH, 107), en
sus teorías sexuales i n f a n t i l e s de q u e los chicos salían pasando n o a
través d e l sexo de l a m a d r e sino p o r su o m b l i g o , "ese o m b l i g o d e l qu e
m e a s o m b r ó t a n t o e n t e r a r m e q u e n o era sino u n a c i c a t r i z " {AH, 62),
.MICHEL LEIRIS 215

lescubre el escritor su pavor expresado en la castidad y el ascetismo


¡sostenido d u r a n t e largos p e r í o d o s de su v i d a a d u l t a ; llega a pensar
_en sí m i s m o c o m o a l g u i e n v i r t u a l m e n t e afectado de i m p o t e n c i a , e n
su m i e d o de los i n s t r u m e n t o s cortantes y e n su a t r a c c i ó n p o r J u d i t h y
L u c r e c i a a las q u e ya nos r e f e r i m o s , e n sus fantasmas o r g a n i z a d os en
t o r n o a la c i n t a al c u e l l o e n la Olympia de M a n e t q u e l o lleva a e s c r i b i r
u n h e r m o s o ensayo d e d i c a d o a ese detalle d e l c u a d r o , e n su asco de
ver al r e c i é n n a c i d o después d e l p a r t o de la h e r m a n a c u a n d o t e n í a
nueve a ñ o s {AH, 2 6 ) , e n el a n t i c i p o de su i m p o s i b i l i d a d p a r a hacer
el a m o r si c o n t e m p l a s e la p o s i b i l i d a d de q u e ese acto fuese o t r a cosa
que t o t a l m e n t e estéril y sin n a d a e n c o m ú n c o n el i n s t i n t o h u m a n o de
f e c u n d a r ( i d . , 27) l o q u e hace q u e p a r a él

desde hace m u c h o tiemj:)o, el acto a m o r o s o n o se p r e s e n t a c o m o a l g o s i m -


p l e s i n o c o m o u n a c o n t e c i m i e n t o r e l a t i v a m e n t e e x c e p c i o n a l qvre r e q u i e r e d e
ciertas disposiciones interiores o p a r t i c u l a r m e n t e trágicas o especialmente
a f o r t u n a d a s , m t i y d i f e r e n t e s , e n u n o y o t r o caso, de l o q u e p t t e d o considerar
c o m o mis disposiciones medias (id., p. 26).

U n h i j o es, p a r a L e i r i s , u n a p o s i b i l i d a d o m i n o s a q u e l o lleva a trans-


f o r m a r "la e s t e r i l i d a d e n u n a m o r a l , puesto q u e la vida es u n m a l tan
e n o r m e " {RJ, 348). Pasar al r a n g o de p a d r e es d e s c e n d e r u n e s c a l ón
en el c a m i n o a la t u m b a , llevar a sti e x t r e m o el c a r á c t e r incestuoso
d e l m a t r i m o n i o q ue tiene la f u n c i ó n de t r o c a r las relaciones a m o r o -
sas p o r las f a m i l i a r e s y qu e c u l m i n a e n la t r a n s f o r m a c i ó n d e l h o m b r e
e n esposo, variante d o m é s t i c a d e l a m a n t e , r e d u c i d o a la c o n d i c i ó n
e x a n g ü e de " p a d r e de mis h i j o s ", es decir, t a n sólo t m p a r i e n t e . L e i r i s
se percata de h a b e r c a í d o e n u n a f l a g r a n t e c o n t r a d i c c i ó n : se o p o n e a
la p r o p a g a c i ó n de la \dda y, al m i s m o tiempo, e s c r i b i e n d o sus l i b r o s ,
apela a la p o s t e r i d a d y c o n t e m p l a c o n disgusto la p o s i b i l i d a d de la
d e s t r u c c i ó n o la caída e n el o h d d o de los v o l ú m e n e s q u e c o n t a n t o es-
m e r o y constancia e n t r e g a a la i m p r e n t a . Q u i e r e t e n e r lectores e n las
generaciones f u t u r a s y, a través de ellos, u n semblante de sobreviven-
cia. Insensata la g e n e r a c i ó n , n o m e n o s insensata la escritura. Si la l i t e-
r a t u r a p r o c l a m a la v a n i d a d d e l m u n d o h u i u a n o , la d e n u n c i a m i s m a es
u n b ú m e r a n q u e g o l p e a siir c o m p a s i ó n al p r o p i o escritor: " H a b l a r de
a b s u r d o a la a b s u r d i d a d es f o r z o s a m e n t e a b s u r d o " {Rf, 3 4 9 ) .
E l sexo, al q u e t a n t o se d e d i c a e n su escritura, es causante y espejo
de su angustia. A L e i r i s le espanta la perspectiva de t e n e r q u e m a n i -
216 MICHFX LEIRIS

festarse c o m o u n h o m b r e ante u n a m u j e r . A m a r es exponerse a la


estocada d e l t o r e r o , a la espada q u e c o r t a los cuellos de H o l o f e r n e s
y el Bautista, al c u c h i l l o e n e l seno i z q u i e r d o de L u c r e c i a , al bistu-
rí q u e c u a n d o era p e q u e ñ o le a r r a n c ó las adenoides, a episodios de
i m p o t e n c i a c o m o el de la p r i m e r a vez q u e estuvo en u n b u r d e l o los
p r i m e r o s días de u n a r e l a c i ó n c o n u n a m u j e r de la q u e se e n a m o ró
( i d . , 173). Para él la p o e s í a es u n a c o a r t a d a q u e le p e r m i t e escapar del
estoque q u e p r e s u m e tras la r o j a capa de la m u j e r . E n c u e n t r a , en el
gusto y e n e l sabor de las palabras a las qu e deja d e r r e t i r s e e n su boca
c o m o si f u e s e n f r u t a s m a d u r a s , u n placer p r e f e r i b l e al de los goces
p r o p i a m e n t e e r ó t i c o s ( i d . , 184). F r e n t e al p á n i c o de la p e n e t r a c i ó n se
consuela p e n s a n d o que , desde el p u n t o de vista s e n t i m e n t a l , le basta
c o n la a m i s t a d de u n a m u j e r y c u a n d o , ñ n a l m e n t e , se d e c i d e a casarse,
siente q u e h a c o m e t i d o " u n a s e m i t r a i c i ó n o u n a r e n u n c i a " ( i d . , 187).
E n c u e n t r a c o m p r e n s i b l e su a c t i t u d ante las m u j e r es e n términos
e s t r i c t a m e n t e (y c o n v e n c i o n a l m e n t e ) psicoanalíticos, es decir, de cas-
t r a c i ó n : siente a la vez el h o r r o r y el deseo de librarse de la maldición
de t e n e r q u e postularse c o m o varón deseante al hacer u n a "decla-
r a c i ó n de sexo". E l c o i t o se le p r e s e n t a c o m o u n acto, n o solamente
c u l p a b l e si u n o se e n t r e g a m u y p r o n t o a él, sino c o m o algo d o l o r o -
so y p e l i g r o s o {AH, 106). L a inversión de las posiciones masculina
y f e m e n i n a e n e l e n c u e n t r o sexual es p a t e n t e ; h i s t é r i c a m e n t e "hace
l a m u j e r " , a u n q u e n u n c a l l e g u e a m a n i f e s t ar fantasías de encuentro s
h o m o s e x u a l e s . C u a n d o , e n u n a n o c h e de e b r i e d a d , se va a d o r m i r
c o n u n a m i g o pederasta, c u e n t a el e p i s o d i o d i c i e n d o q u e " h a b í a h u -
m i l l a d o m i b o c a y la de él e n u n extravío r e c í p r o c o " {AH, 146). Sus
fantasmas e r ó t i c o s t i e n e n s i e m p r e u n o b j e t o f e m e n i n o (fálico) que
le espanta e n la d o b l e figura de J u d i t h y L u c r e c i a , las mujeres c o n
espadas. D e s p u é s de contar, e n a p r e t a d a síntesis, n o m e n o s de q u i n c e
episodios de i m p o t e n c i a , c o n c l u y e : " u n a m u j e r es p a r a m í siempre ,
más o m e n o s , la M e d u s a o la balsa de Medusa. Q u i e r o c o n eso decir
q u e si su m i r a d a n o m e h i e l a la sangre, es necesario q u e t o d o suceda
c o m o si, e n t r e yo y ella, nos d e s o l l á s e m o s " {AH, 147). A l o q ue cabe
agregar, p a r a m a y o r detalle

No me es posible amar a una mujer sin preguntarme, por ejemplo, en qué ac-
ción dramática sería capaz de lanzarme por ella, qué suplicio podría padecer,
quebranto de los huesos o desgarramiento de la carne, ahogo o combustión a
fuego lento —preguntas a las que me respondo siempre con una conciencia
MicHKi. LL:IRIS 217

tan precisa de m i t e r r o r respecto al sufrimiento físit o qtic no puedo salir de


todo eso sin quedar aplastado por la vergüenza, sintiendo que todo m i ser está
podrido por esta cobardía incurable (id., p. 49).

La c o b a r d í a es manifiesta y subyace al proyect o l i t e r a r i o q u e sustitu-


ye a esa sexualidad vacilante al m i s m o t i e m p o qtie i l u m i n a las razones
que l o m u e v e n a relatar, c o n e n c u b i e r t o desparpajo, las m i n u c i a s de
su vida amorosa. Leiris escribe para escapar de las verdades d e l sexo y
de la m u e r t e q u e lo envaielven y lo a m e d r e n t a n . Se reconoce c o m o u n
"maniaco de la c o n f e s i ó n " ( i d . , 1.55), cosa que todos sus amigos saben,
p o r q u e la t i m i d e z lo lleva a presentarse h a c i e n d o confidencias q u e l o
c o n v i e r t e n e n u n personaje d r a m á t i co q u e sufre cada vez más su i n f e -
r i o r i d a d a m e d i d a q u e la angustia hace presa de él. Por eso n o p u e d e
expresarse c o m o t m m a c h o q u e desea a u n a h e m b r a sino que es siem-
pre necesario que el gesto de aproximaciém erótica surja p r i m e r o e n
ella hacia él. C o m p r e n d e que de ese m o d o , en l a j u s t a erótica ( u n a l i d i a
i m a g i n a r i a , diríamos, a n t i c i p a n d o que Leiris estaría de a c u e r d o ) , él n o
o c u p a el l u g a r d e l c o n q u i s t a d o r sino d e l " e l e m e n t o d o m i n a d o " ( i d . ,
156) y a c e n t ú a así su s e n t i m i e n t o de i n f e r i o r i d a d pues q u e d a siempre
c o n la h u m i l l a n t e impresión de tener q u e contentarse c o n el papel pa-
sivo de q u i e n ha sido elegido, de estar a m e r c e d d e l deseo de la miajer y
de h a b e r u r d i d o u n a t r a m p a q u e l o avergüenza, c u a n d o llega a conse-
g u i r q u e c o i n c i d a n la circunstancia de a m a r y de ser a m a d o .
L a a u t o b i o g r a f í a le p e r m i t e e x h i b i r s e c o m o u n n i ñ o q u e n o busca
el p l a c er sino, de p a r t e de la m u j e r , u n a a b s o h i c i ó n y u n gesto de
c o n s t i e l o , u n p e c h o t i e r n o e n el cual l l o r a r a gusto. Cada u n a de ellas
es, al m i s m o t i e m p o , u n a J u d i t h q u e l o fascina y l o paraliza de t e r r o r y
u n a L u c r e c i a suave, fiel hasta la m u e r t e , q u e es la tínica m u j e r q u e p o -
dría c o n q u i s t a r m i e n t r a s s u e ñ a c o n J u d i t h . Puesto q u e las Lucrecias
l l e g a n c o m o consectiencia de la c o b a r d í a p a r a alcanzar a j u d i t h , n o le
q u e d a más q u e "para m e j o r amarlas, m a r t i r i z a r l a s " y l u e g o tratar de
coiupensarlas i n t r o d u c i e n d o en m e d i o de la v i d a c o t i d i a n a u n desga-
r r a m i e n t o l u o r a l q u e se expresa c o m o p i e d a d .

Cuando examino con rigor la naturaleza misma de esta piedad, llego a pensar
que la turbación embriagante que obtengo procede sobre todo del remordi-
miento que se añade por el hecho de haber sido yo mismo quien se comportó
con cobardía y con la crueldad suficiente como para que semejante piedad
hubiera podido producirse {AH, 151).
218 MICHEL LEIRIS
E n este p u n t o se i m p o n e traer u n t e s t i m o n i o , en b u e n a parte con-
v e r g e n t e c o n el de Eeiris, q u e p r o v i e n e de u n o de los grandes de la
l i t e r a t u r a d e l siglo x x : H e r m a n n B r o c h [ 1 8 8 6 - 1 9 5 1 ] . E l i n s i g n e autor
de Los sonámbulos. La muerte de Virgilio y otras obras maestras, bajo
la i n f h i e n c i a de F r e u d y de su p r o p i o análisis ( c o n P a u l F e d e r n , du-
r a n t e e l e x i l i o e n Estados U n i d o s ) i n t e n t a e n su curiosa Autobiografía
psíquica — e l t e x t o es u n a i n i g u a l a b l e e p i f a n í a de la s e x u a l i d a d del
o b s e s i v o — e x p l i c a r a sus amigos p o r q u é n o es capaz de llevar una
v i d a n o r m a l . B r o c h ofrece u n r e t r a t o descarnad o de sí m i s m o en el
p l a n o e r ó t i c o y sexual e n e l q u e e x p o n e c o n t e m e r a r i a s i n c e r i d a d sus
entresijos n e u r ó t i c o s c o n las m u j e r e s d e s p u é s de h a b e r descubierto
e n el curso d e l psicoanálisis ciertos fantasmas de su v i d a s e n t i m e n t a l y
a n í m i c a . E l t r a b a jo l i t e r a r i o q u e e m p r e n d e t o m á n d o s e c o m o cobayo
es, s e g ú n a p u n t a desde el c o m i e n z o , u n a b ú s q u e d a de la v e r d a d y, por
lo t a n t o , un trabajo filosófico. Por n u e s t r a p a r t e , p r e f e r i m o s esta afirma-
c i ó n a la d u d o s a y f o r z a d a a n a l o g í a c o n la faena t a u r i n a q u e guía la
o b r a de L e i r i s . B r o c h vive a b r u m a d o p o r u n t e r r i b l e s e n t i m i e n t o de
i n f e r i o r i d a d q u e a t r i b u y e a h a b e r sido r e l e g a d o p o r su m a d r e y p o r
su h e r m a n o e n el a m o r de la m a d r e . Esto ( u n w l g a r c o m p l e j o de
E d i p o ) n o es l o q u e i m p o r t a sino las consecuencias q u e sufre: él no
p u e d e verse c o m o u n h o m b r e ; su rasgo f u n d a m e n t a l es l a i m p o t e n c i a ,
i n c l u y e n d o los aspectos físicos d e l m a l , i m p o t e n c i a q u e contrarrest a
m e d i a n t e c o m p e n s a c i o n e s excesivas q u e l o i m p u l s a n a d a r pruebas
de v i r i l i d a d m u l t i p l i c a n d o las relaciones amorosas. C o n s c i e n te de lo
a r t i f i c i a l de sus esfuerzos, t e r m i n a d e s p r e c i á n d o s e a sí m i s m o y bus-
c a n d o u n r e t o r n o t r a n q u i l i z a d o r a l a ascesis c o m o f o r m a de v i d a que
m á s le c o n v i e n e . Esas p e r f o r m a n c e s desmesuradas d e s p i e r t a n luego
u n a e x i g e n c i a i m p l a c a b l e de entregarse a l a v e r d a d y a la h u m a n i d a d
en su c o n j u n t o q u e , siendo s i e m p r e insuficientes, acaban p o r reforzar
la s e n s a c i ó n de i m p o t e n c i a . ¿ Q u é q u e d a e n el c a m i n o de esta sexua-
l i d a d t a n insaciable c o m o vergonzante? N a d a meno s q u e La muerte de
Virgilio, " u n l i b r o estrictamente esotérico, comenzado a pesar de m í mis-
m o c o m o t i n asunto p r i v a d o q u e c o n c i e r n e a la salvación de m i a l m a "
( c i L , p . 100).
L a a c u m u l a c i ó n de los fracasos c o n s u m a d o s y de éxitos sospecho-
sos e n su r e l a c i ó n c o n el o t r o sexo a r r o j a u n r e s u l t a do p a r e c i d o al de
M i c h e l L e i r i s ; e n b u e n a m e d i d a e l análisis de B r o c h h u b i e r a aprove-
c h a d o a L e i r i s p a r a d e s c u b r i r aspectos inédito s de su p s i c o l o g í a eró-
tica y, p o r este sesgo, de la s u b l i m a c i ó n l i t e r a r i a a la q u e e n t r e g a sus
MICHEL LEIRIS 219

afanes y su v i d a e n el i n ñ n i t o p r o y e c t o a u t o b i o g r á f i c o q u e absorbe al
escritor francés, B r o c h a d m i t e su t i m i d e z y su flaqueza y t e r m i n a des-
c u b r i e n d o q u e , p o r esa i m p o t e n c i a q u e es efecto de su c o b a r d í a , n o
tiene d e r e c h o a hacerle la c o r t e a u n a m u j e r sino q u e t i e n e q u e espe-
rar a ser — c o m o í . e i r i s — escogido p o r ella, de m o d o q u e , si la i m p o -
tencia se m a n i f i e s t a , sea sobre ella q u e recaiga la r e s p o n s a b i l i d a d ; así,
su v e r g ü e n z a se ve d i s m i n u i d a . Sin e m b a r g o , en el f o n d o , sabe q u e ,
en v e r d a d , consigui ó a la m u j e r , u n a m i i j e r q u e n i siquiera ha sido
el o b j e t o de sti deseo, m e d i a n t e el a r d i d de t o m a r el l u g a r de q u i e n
se deja seducir, carga sobre sí la c t i l p a y la d e u d a , y se e m b a r c a en
relaciones serviles y oblativas q u e son más b i e n de e n t r e g a m o r a l q ue
e r ó t i c a y q u e c u l m i n a n en la p a t é t i c a figura de u n a u t é n t i c o masoquis-
m o m o r a l , expresado en "la grotesca obligación n o sólo de c o n s e n t i r
a t o d a m u j e r c o n s i n t i e n t e — a l m e n o s e n t e o r í a y p o r p r i n c i p i o — sino
t a m b i é n de consagrarle la vida. D e este m o d o m e he c o n s t r u i d o u n
r o l f e m e n i n o " (cit., p . 14). Su v i r i l i d a d , c o n t i n ú a B r o c h , n o es n a t u r a l :
es u n a s o b r e c o m p e n s a c i ó n e x h i b i d a y u n a s u b l i m a c i ó n h i p e r t r o f i a d a .
C o n sus actuaciones de p o l i g a m i a se p r o p o n e d e s m e n t i r el sigiloso
e n s u e ñ o i n f a n t i l de u n a relació n absoluta de d e p e n d e n c i a , de t o t a l y
m u t u a entrega, de u n a mística d e l m i l a g r o q u e sale s i e m p r e d e r r o t a -
d a p o r l a triste lascivia de sus relaciones c o n las m u j e r e s . Es o b v i o p a r a
el l e c t o r q u e el fantasma precoz y e d í p i c o d e l a m o r c o r t é s se p l a n t e a
en los m i s m o s t é r m i n o s p a r a B r o c h y p a r a L e i r i s . C o m o liberació n de
u n i d e a l t a n pesado e i m p r a c t i c a b l e ("la r e a l i d a d h u m a n a n o a u t o r i z a
tal r e l a c i ó n e n t r e u n yo y o t r o y o " ) n o q u e d a , entonces , sino u n a solu-
c i ó n : la de apartarse de las relaciones sentimentales y buscar r e f u g i o
en las prostitutas . Se e n t i e n d e : e l pag o en d i n e r o le p e r m i t e escapar
de la c u l p a b i l i d a d y de las consiguiente s obligacione s m o r a l e s .
L a v i d a e r ó t i c a de B r o c h , t a n t o la fantaseada c o m o la r e a l , está de-
g r a d a d a , disociada y escindida, t a l c o m o l o a n t i c i p a b a F r e u d e n u n
t e x t o t e ó r i c o m u y a n t e r i o r y tal c o m o surge d e l r e l a t o de L e i r i s , e n
dos t e n d e n c i a s contrastantes, o r i e n t a d a s hacia los dos tipos de m u j e r .
F r e u d h a b l a b a de la o p o s i c i ó n e n t r e la m a d r e y la p r o s t i t u t a , L e i r i s ,
e n t r e L u c r e c i a y J u d i t h y H e r m a n n B r o c h e n t r e las m u j e r es grandes,
guapas, j u d í a s , q u e gozan de u n a situación e c o n ó m i c a p r i v i l e g i a d a ,
m u j e r e s "decorativas", que saben i m p o n e r s e , q u e l o satisfacen en su
v a n i d a d e r ó t i c a y en u n a d i m e n s i ó n social p e r o q u e n o l o atraen sino
q u e l o asustan e n t a n t o están sometidas a la p r o h i b i c i ó n d e l incesto,
c o n las cuales p u e d e c o n s u m a r u n " m a t r i m o n i o b l a n c o " , t a l corno e n
220 MK:HEL LEIRIS

su r e p r e s e n t a c i ó n i n f a n t i l d e b í a e x i s t i r e n t r e sus padres y\r o t r a par-


te, las m u j e r e s de vida l i g e r a , las criadas, de baja estatura, c o n las que
p u e d e m a n i f e s t a r u n a suficienci a s c t i d o v i r i l , relaciones q u e , de todos
i n o d o s , d e b e n q u e d a r ocultas ante los ojos de la m a d r e y d e l m u n d o
m á s a m p l i o , sostenidas e n la p e n u m b r a , el o c u l t a m i e n t o y la vergüen-
za. E n tales relaciones él n o r e p r e s e n t a el p a p e l valioso d e l p a d r e sino
e l d e l n i ñ o d e l q u e bay q u e ocuparse y q u e , p o r eso m i s m o , exige
a t e n c i ó n : " E n r e s u m e n , el p r i m e r t i p o c o r r e s p o n d e a m i superyó, el
s e g u n d o a m i e l l o p u l s i o n a l y si el p r i m e r o m e p e r m i t e vivir m i maso-
q u i s m o , c o l o c o t o d o m i sadismo e n e l s e g u n d o " (cit., p . 5 5 ) . El impasse
obsesivo es m a n i f i e s t o : haga l o q u e haga y se r e l a c i o n e c o n q u i e n se
r e l a c i o n e , s i e m p r e estará e n d e u d a y sentirá q u e n o está h a c i e n d o lo
q u e d e b i e r a y l o q u e quisiera. L a satisfacción es s i e m p r e c o n d e n a d a y
p o r l o t a n t o , e n u n caso c o m o e n el o t r o , e l goce q u e d a garantizado
m e d i a n t e d u d a s q u e se a l i m e n t a n de la c u l p a que sus elecciones io
l l e v a n a padecer. ¿Qiiién p o d r í a l i b r a r a Broch? E l l o sabe y a la vez se
n i e g a a esa s o l u c i ó n : u n análisis e x i t o s o , la c o n t i n u a c i ó n hasta el con-
d i g n o final d e l proceso q u e ya h a puesto e n m a r c h a e i n t e r r u m p i d o .
Pero, t a m b i é n si se decidiese a c o m p l e t a r l o , se r e p r e s e n t a u n nuevo
i n f i e r n o : si se entregase a ese análisis c o m e t e r í a u n a d o b l e i n f i d e l i d a d
q u e h a r í a r e s u r g i r sus c o n f l i c t o s m o r a l e s y sus actitudes obsesivas: u n a
i n f i d e l i d a d hacia cada u n a de las mujeres q u e pudiese a m a r y o t r a
i n f i d e l i d a d e n r e l a c i ó n c o n el trabajo l i t e r a r i o al q u e se consagra para
p e r m i t i r q u e " e l análisis sea la ú n i c a amante q t i e r e i n e " . L a conclusión
es asombrosa: "Para d e c i r l o de m a n e r a p a r a d o j a l y grotesca: m i n e u r o -
sis parece i m p e d i r t o d o análisis" ( i d . , p . 78).
I g u a l d e a n é m i c o q u e e l de B r o c h es el gusto de L e i r i s p o r su
análisis. E l i n v i t a e i n c i t a "a los e x p l o r a d o r e s m o d e r n o s d e l i n c o n s -
c i e n t e " a q u e h a b l e n d e l E d i p o , l a c a s t r a c i ó n y l a c u l p a b i l i d a d , el
n a r c i s i s m o y c u a n t o se les v e n g a e n gana pues — a s í l o e n t i e n d e —
n a d a se a p r e n d e c o n eso de l o esencial d e l p r o b l e m a q u e , p a r a él,
sigue l i g a d o al i n s o l u b l e e n i g m a de la m u e r t e {mors) y, p o r l o t a n t o ,
c o r r e s p o n d e a l a m e t a f í s i c a . E n c u e n t r a q u e , e n el f o n d o , hay u n a re-
l a c i ó n s u s t a n c i a l e n t r e l a b e l l e z a y el m i e d o y q u e p t i e d e hace r suyos
los versos de A p o l l i n a i r e : " A q u e l l a m u j e r era t a n h e r m o s a q u e m e
e s p a n t a b a " {AH, 1 5 2 ) . L a m á s n e g r a c ó l e r a q u e j a m á s sintió L e i r i s
c o n t r a su p a d r e f u e c u a n d o éste le d i j o q u e e n c o n t r a b a i n c o m p r e n -
sibles esos versos.
Sexo y m u e r t e , Eros y T á n a t o s , m u e r t e y sexo. L e i r i s descubre la ín-
MICHEI- EEIRTS 221

t i m a ligazón e n t r e ambos. T r a d u z c o y destaco dos elocuentes párrafo s


d e l c a p í t u l o ¿VIors de Fibrilles:

Muestra muerte está ligada a la dualidad de los sexos. Un homlrre que fuese a la vez
hombre y mujer, capaz él solo de reproducirse, no moriría; su alma se transmitiría sin
mezcla a la. posleñddd.
El odio instintivo que los sexos ?nantienen entre sí procede quizás del oscuro conoci-
miento que se tiene de que la mortalidad se debe a la diferenciación entre los sexos. Vio-
lenta inquina, balanceada por la tendentúa a la unidad —única ecuación de vida—
que intentan satisfacer mediante eí coito {Rf, 346).

L e i r i s confiesa así su fantasma, el de la bisexualidad: p e r t e n e c i e n d o


a la vez a los dos sexos p o d r í a disolver la o p o s i c i ó n y los impasses q u e
registra e n t r e la bestia y el t o r e r o , e n t r e el h o m b r e y la m u j e r , e n t r e la
vida y la m u e r t e , e n t r e la t i n t a y la sangre, e n t r e la v e r d a d y la ficción,
e n t r e J u d i t h y H o l o f e r n e s , e n t r e el deseo y el goce, e n t r e "el a m o r y el
espanto". Ser u n h o m b r e q u e fuese a la vez u n a m u j e r , e n t r e g a d o a u n
i n t e r m i n a b l e c o i t o consigo m i s m o : ¿sería eso u n a autobiografía?

6. EOOORAFÍA METÓDICA Y PERPETUACIÓN E>E LA MEMORIA

H a y q u e r e i t e r a r l o : la o b r a e n t e r a de L e i r i s es, a u n q u e p o r m o m e n t o s
de m o d o v e r g o n z a n te y hasta a c o n u a c o r r i e n t e , u n a sinfoní a e n m í
m a y o r c o n pretensione s místicas y h a m b r e de e t e r n i d a d , de p e r d u r a -
c i ó n m á s allá de la m u e r t e .

Si r e ú n o todos estos hechos extraídos de l o que f u e , c u a n d o yo era n i ñ o , m i


existencia c o t i d i a n a, veo configurarse p o c o a p o c o u n a i m a g e n de lo que para
mí es lo sagrado [ . . . ] E n la m e d i d a en que u n a de las metas más "sagradas"
que u n h o m b r e puede proponers e es la de a d q u i r i r t m c o n o c i m i e n t o de sí
tan intenso y preciso c o m o le sea posible, parece deseable que cada u n o ,
escrutando sus recuerdos con el m á x i m o de h o n e s t i d a d , examine si puede
d e s c u b r i r e n ellos algún i n d i c i o que le p e r m i t a d i s c e r n ir qué co/or tiene para
él la n o c i ó n m i s m a de l o sagrado ("Lo sagrado e n la vida c o t i d i a n a . El h o m b r e
sin h o n o r " [ 1 9 3 9 ] , RJ, 1118, cursivas d e l p r o p i o L e i r i s ) .
222 MIC:HF.L LEIRIS

E l p r o y e c t o l e i r i s i a n o tiene rasgos bíblicos. Su título p o d r í a ser El


evangelio según yo.

Yo imaginaba poseer, más aun que una vocación, un destino, el estado de


exaltación en el cpie me hallaba me parecía una prtieba irretutable de que mi
vida acarreaba algo mítico en sí. Por consciente qtie fuese de la mediocridad
de mis dotes literarias, me veía a mí misino como una especie de profeta y
destilaba un enorme orgullo del mesianismo que m e parecía inherente al
destino de todo poeta {AH, 1 9 0 ) .

E l n a r r a d o r en este caso se presenta sin e i n b o z o c o m o u n predesti-


n a d o , u n d e m i u r g o , el f o r j a d o r de u n u n i v e r s o v e r d a d e r o q u e puede
alcanzar l o a b s o l t i t o y poseerlo. Fácil sería aqtií apelar a las nociones
m ó r b i d a s de m e g a l o m a n í a y de n a r c i s i s m o . P e r o L e i r i s n o d e l i r a ; sabe
b i e n q u e e l c o l o r de l o sagrado está d e s t e ñ i d o p o r la i n c e r t i d u m b r e
de la m e m o r i a y p o r l o i n d e ñ n i d o de su final. N o e n b a l d e el p r i m e r
v o l u m e n de La regle du jen (que es t a m b i é n , acotemos, La regle du je)
se t i t u l a Biffures. Ese e n c a b e z a m i e n t o es u n j u e g o de palabras: cada
m o m e n t o de la v i d a, cada l í n e a de su r e l a t o , es susceptible de ser
n a r r a d o de d i f e r e n t e s maneras: es u n a bifurcación c o m o l a de las vías
f é r r e a s . H a y q u e e l e g i r p e r m a n e n t e m e n t e . Pero, u n a vez q u e se ha
e l e g i d o , hay q u e d e c i d i r q u é y c u á n t o se d i c e : el t e x t o d e b e ser some-
t i d o a tachaduras, e n m i e n d a s , a n u l a c i o n es q u e dejan t r a s u n t a r l o que
q u e d o escrito p o r d e b a j o de la raya q u e b o r r a a medias e l r e l a t o o r i -
g i n a l . Bifferes el v e r b o f r a n c é s q u e designa e l acto de tachar trazando
ui"ia l í n e a sobre el escrito; biffures son las rayas puestas e n c i m a de las
palabras, u n a a c c i ó n a la q u e hoy ya n o estamos a c o s t u m b r a d os p o r la
f a c i l i d a d de la e n m i e n d a e n los aparatos e l e c t r ó n i c o s q u e h a n h e c h o
obsoleta t a n t o a l a t a c h a d u r a c o m o a la g o m a de b o r r a r . L a m e m o -
r i a se c o n s t i t u y e , pues, a p a r t i r de la m a t e r i a p r i m a de los recuerdos,
m e d i a n t e l a e l e c c i ó n de las vías narrativas e n las encrucijadas de los
carriles discursivos y h a c i e n d o uso de las rayas de t i n t a q u e i n v a l i d a n
a las p r i m e r a s escrituras e n b e n e f i c i o de otras que , c u a l palimpsestos,
o c u l t a n la subsistente h u e l l a de l o q u e se h a q u e r i d o e l i m i n a r .
C u a n d o escribo egografía, m i p r o c e s a d o r de textos a u t o m á t i c a m e n -
te, sin biffure n i preaviso, c o r r i g e y a l t e ra e l o r d e n de las p r i m e r a s
letras: geografía. Puede q u e n o esté t a n e q u i v o c a d o : geogi-afía del yo.
T a m b i é n p o d r í a — p e r o n o es t a n s a b i o — escribir geología, e s t u d i o de
las capas superpuestas d e l y o . N o s interesa el m é t o d o de L e i r i s para
MICHEL LEIRIS 223
explorarse y escriV^irse y, e v e n t u a l m e n t e , e n g a ñ a r s e sobre el resulta-
do de su incansable e m p e ñ o a u t o b i o g r á f i c o . E l h a d e j a d o c o r r e r su
p l u m a d u r a n t e setenta años, a p a r t i r d e l m o m e n t o e n q u e e m p e z ó su
d i a r i o í n t i m o . H a h u r g a d o e n sus r e c u e r d o s y h a p r o d u c i d o páginas
indelebles c o m o la d e l d e s c u b r i m i e n t o i n f a n t i l de la sumisión a u n l e n -
guaje q u e n o le pertenece: heureusement, felizmente. T a l vez —es nues-
tra i m p r e s i ó n — n u n c a se r e s i g n ó , n o c o n f í a e n ese d e s c u b r i m i e n t o
que l o hace d e p e n d i e n t e d e l O t r o d e l lenguaje y se h a pasado la v i d a
t r a t a n d o de i m p u g n a r l o , sosteniend o q u e su p a l a b r a o m n i p o t e n t e es
capaz de f o r z a r al O t r o a c o n c e d e r q u e sí p u e d e d e c i r .reusement, ...
lizmente. E n a l g t i n m o m e n t o de su vasta o b r a , fugaz, p u d o r o s a m e n t e ,
o c u l t á n d o s e l o a sí m i s m o , en Aurora (juego de palabras e n t r e auroray
horror a), h a r e c o n o c i d o q u e escribía novelas, ficciones. L a n e b u l o s a e n
t o r n o al g é n e r o de sus escritos es u n a de las claves de su o b r a . M i e n t r a s
más c u i d a d o s a m e n t e c o m p o n e sus textos, m i e n t r a s más a h o n d a e n su
pasado, m i e n t r a s m e n os q u i e r e q u e se le t o m e c o m o u n f a b u l a d o r ,
más se e n t r e g a a u n trabajo de encripíamiento de la memoria. Es c o m o u n
t o r e r o q u e pretendiese n o saber q u e l o suyo es u n a r e p r e s e n t a c i ó n ,
u n a p e r f o r m a n c e , u n e s p e c t á c u l o i n g e n i a d o p a r a o b t e n e r e l aplauso
p o n i e n d o a b u e n resguardo e l p e l l e j o . Q u e , e x p o n i é n d o s e al acero
de los c u e r n o s , c u m p l e c o n u n a f u n c i ó n d e c o r a t i v a p a r a b e n e p l á c i t o
del público.
C u a n d o visitamos u n a librería e n Estados U n i d o s nos percatamos
de q u e los l i b r o s ofrecidos al l e c t o r están clasificados e n dos grandes
categorías: fiction y non-fiction. D e m o d o n o t a n o b v i o c o m o p u d i e r a
parecer, las biografías y autobiografías están e n los estantes de non-
fiction y se s u p o n e q ue estos l i b r o s son más " v e r d a d e r o s " q u e los o t r o s
p o r q u e t o m a n b u e n c u i d a d o de e x c l u i r la i m a g i n a c i ó n y la i n v e n c i ó n
d e l a u t o r e n la p r e s e n t a c i ó n d e l t e x t o . Son sabidas —desde D e r r i -
d a — las d i f i c u l t a d e s para u b i c a r a los textos d e n t r o de u n g é n e r o . N o s
atrevemos a d e c i r: n o hay u n a ley sino u n a aporta, u n a i m p o s i b i l i d a d
d e l g é n e r o . A m o d o de ilustración, si leemos e n u n a p o r t a d a : Cróni-
cas marcianas, e n t e n d e m o s de i n m e d i a t o q u e se t r a t a de u n a o b r a de
ficción. Pero, i n m e d i a t a m e n t e después, escrita e n l a c u b i e r t a o n o ,
e n c o n t r a m o s la p a l a b r a " C u e n t o s ". ¿ P e r t e n e c e la p a l a b r a " c u e n t o s " al
g r u p o de historias qu e c o n f o r m a n e l v o l u m e n y q u e t r a n s c u r r e n e n
M a r t e o es u n agregado non-fictional q u e e n c u a d r a desde el e x t e r i o r
a los relatos y les fija su d e s t i n o e n el i n t e r i o r e n v i a n d o al l e c t o r u n
mensaje: " N o creas qu e esto q u e te dispones a leer es verdad'7 Salvo
224 MICHEL LEIRIS

e x c e p c i ó n a u t o i i e í e i e n c i a l ( ¡ s o n e t o de L o p e sobre los sonetos!) 1^


p a l a b r a " s o n e t o " n o f o r m a p a r t e d e l soneto. L a p r o p u e s t a analogía
c o n la t a u r o m a q u i a , ¿es fiction o es nonfictioiQ ¿Cuántas veces los auto-
res de novelas h a n p r e s e n t a d o sus e n s o ñ a c i o n e s c o m o p i n t u r a s de la
v i d a m i s m a e n su más atractiva o c r u d a realidad? ¿Cuántas veces nos
h e m o s p r e g u n t a d o si tal o cual es u n a Irue slory7
Serge A n d r é ha resuelto el d i l e m a al referirse a la novela de su
infancia:^** sti r e l a t o , dice, es autobiográfico "al m i l p o r c i e n t o " , es de-
cir, " a u t o b i o g r á f i co e n u n c i e n t o p o r c i e n t o , más u n novecientos por
c i e n t o q u e yo he agregado". Pues los elementos d e l p r i m e r cien por
c i e n t o " n o h u b i e r a n sido de interés para n a d i e, e m p e z a n d o p o r mí
m i s m o , si n o h u b i e s e n sido i n f l a d o s p o r el novecientos p o r c i e n t o que
he a g r e g a d o . " ¿ Q u é h a hecho? H a t o m a d o l o que e n sus recuerdos era
c o n f u s o y e n i g m á t i c o y h a trabajado estos restos d e l n a u f r a g i o de su
m e m o r i a p a r a darles la f o r m a p o é t i c a q ue p o d í a rescatarlos y hacerlos
interesantes p a r a u n l e c t o r q ue h a b r í a de ser el j u e z y el ejecutor de sus
oraciones y sentencias, n o de su v i d a . . . p o r q u e c u a n t o se escribe n o es
v i d a s i n o . . . l i t e r a t u r a . Si algo es grafía, la v i d a {¡ños) está ausente.
U n a a u t o b i o g r a f í a es t a n t o más a r t i f i c i a l c u a n t o mayores son las
protestas de a u t e n t i c i d a d y s i n c e r i d a d de sti autor. Este es el e n g a ñ o
d e l q u e L e i r i s es más víctima q u e p e r p e t r a d o r : n o hay " g é n e r o " , espe-
c i a l m e n t e e n e l c a m p o de la n a r r a c i ó n , q u e n o sea u n a ficción p o r q u e
n o existe el " g é n e r o n a t u r a l " . N a d i e p u e d e c o n t a r sin a r t i f i c i o — m u -
c h o m e n o s si se esfuerza e n hacer u n a o b r a p e r d u r a b l e y siente q ue e n
e l l o le va la v i d a o q u e e m u l a c o n su h a z a ñ a de la p l u m a al t o r e r o c o n
sti e s t o q u e — y "la v e r d a d " t r a n s m i t i d a p o r el t e x t o es secundaria, \ie-
ne r e t r o a c t i v a m e n t e al escrito, es p r o n u n c i a d a p o r el d e s t i n a t a r i o , el
lector. L o v e r i f i c a b l e e n este t i p o de relatos es e n g e n e r a l a n e c d ó t i c o
y s e c u n d a r i o , c o n f u n d e más de l o q u e e n s e ñ a , racionaliza e n l u g a r de
d a r razón de l o v i v i d o . N a d a es más e q u í v o c o e n u n a a u t o b i o g r a f ía que
la i n v o c a c i ó n a la v e r d a d "sin c a m b i a r u n a coma d e l pasado".
T o m e m o s dos e j e m p l o s qtie n o son azarosos. A n t e s de escribir En
busca del tiempo perdido M a r c e l Proust r e d a c t ó u n e n o r m e b o r r a d o r
de m á s de 700 páginas q u e n u n c a d i o a la i m p r e n t a y qu e a p a r e c i ó
30 a ñ o s d e s p u é s de su m u e r t e ( e n 1952) c o n el título ( i n v e n t a d o p o r

S e r g e A n d r é , Flac (novela) seguida de La escritura comienza donde el psicoanálisis termi-


na, M é x i c o , S i g l o X X I , 2 0 0 0 . T r a d . d e T á m a r a F r a n c é s y N é s t o r A . B r a u n s t e i n .
MICHEL LEIRIS 225

los estudiosos d e l m a n u s c r i t o ) de Jean SanteuiU^^ n o m b r e d e l p r o t a -


gonista d e l r e l a t o escrito e n tercera persona. Es p a r a todos evidente
que Proust c o n s i d e r ó q u e ese t e x t o , rebosante de i n c o n g r u e n c i a s , era
p l e n a m e n t e s u s t i t u i d o p o r el m u y d i f e r e n t e qu e e s c r i b i ó después, la
gran n o v e l a q u e h i z o su f a m a , n a r r a d a e n p r i m e r a p e r s o n a p o r u n
personaje qu e se l l a m a " M a r c e l " . N o obstante, Jean 5an¿^w¿/comienza
c o n u n a breve n o t a en exergo :

¿ P u e d o l l a m a r n o v e l a a este l i b r o ? Es q u i z á m e n o s y m u c h o m á s , l a e s e n c i a
m i s m a d e m i v i d a , r e c o g i d a s i n m e z c l a r n a d a c o n e l l a , e n estas h o r a s d e des-
g a r r a m i e n t o p o r d o n d e ella t r a n s c u r r e . Este l i b r o m m c a h a sido h e c h o , ha
sido cosechado.

Jean Santeuil es u n r e l a t o acerca de la p r o p i a v i d a p e r o e n él todos


los datos h a n sido m o d i f i c a d o s al servicio d e l p r o y e c t o l i t e r a r i o . ¿Sería
más " v e r d a d e r o " si el p r o t a g o n i s t a fuese "yo, M a r c e l P r o u s t " en l u g a r
de "Jean S." y si estuviese a b a r r o t a d o de datos verificables? N o ; h a b r í a
tan sólo u n a a p a r i e n c i a de o b j e t i v i d a d y, p o r l o t a n t o , e l c o m p o n e n t e
ficcional, lejos de aligerarse, sería má s p a t e n t e . Sostendremo s e n los
capítulos finales q u e , sea cual f u e r e el tema, es i m p o s i b l e q ue u n t e x t o
deje de ser p a r t e de la a u t o b i o g r a f í a d e l a u t o r y de a l u d i r al m o m e n t o
y la escena de l a escritura — a g r e g u e m o s , exageremos: a u n q u e c o p i e
el d i r e c t o r i o t e l e f ó n i c o .
Vayamos al s e g u n d o e j e m p l o : e l o r i g i n a l novelista austríaco q u e f u e
J o s e p h R o t h (1849-1939) hace t a m b i é n p r e c e d e r su novela Fuga sin
fin^'^ p o r u n breve p r ó l o g o :

E n l o q u e sigue relato la historia de m i a m i g o , c a m a r a d a y c o r r e l i g i o n a r i o


F r a n z T u n d a . S i g o e n p a r t e sus n o t a s y e n p a r t e sus r e l a t o s . N o h e i n v e n t a d o
n a d a , n o h e c o m p u e s t o n a d a . Y a n o se t r a t a d e " p o e t i z a r " . L o m á s i m p o r t a n t e
es l o o b s e r v a d o .

¿ I n g e n u i d a d o i n t e n t o de emboscada p a r a hacer caer al lector? Si


la o p c i ó n y el e n i g m a son válidos p a r a las dos novelas, l o es t a m b i é n , y
p o r las mismas razones, para t o d a autobiografía, p a r a t o d o i n t e n t o de

" M . P r o u s t [ 1 8 9 6 , p u b l i c a d o e n \9521, Jean Santeuil, París, G a l l i m a r d , Ea P l é i a d e ,


1971, p p . 181.
J. R o t h , Fuga sin fin, M a d r i d , I c a r i a , 1979. T r a d . d e P. L . L a d r ó n d e G u e v a r a .
226 MICHEL LEIRIS

c o n t a r la v i d a h u m a n a "al n a t u r a l " . L a ficción, i n c h i y e n d o sin duda a


las Crónicas marcianas, d i c e n d e l m u n d o en el q u e v i v i m o s, d e l autor-
de n o s o t r o s m i s m o s q u e (nos) l e e m o s e n ellas. L a egografía, p o r si;«
p u e s t o , la de c u a l q u i e r escritor o p o l í t i c o o c i e n t í f i c o , h a b l a también
de t o d o eso... p e r o l o hace de m o d o e n g a ñ o s o , so p r e t e x t o de "au-
t e n t i c i d a d " . E l f a b u l o s o T r i s t r a m Shandy de Sterne es tan "verdadero**
c o m o e l Rousseau de las Confesiones, Rousseau t a n t o c o m o el Stiller
de No soy Stiller, l a n o v e l a de M a x Frisch q u e d e n u n c i a las trampas de
l a i d e n t i d a d . "Yo soy" es u n p a l í n d r o m o m e n t i r o s o : n i n g ú n predica-
d o p o d r á h a c er v e r d a d e r o al " y o " y a h í e l v e r b o "ser", c o n j u g a d o en
p r i m e r a p e r s o n a d e l singular, es el q u e c o n s u m a el e n g a ñ o . L a pre-
t e n s i ó n de " n a t u r a l i d a d " es u n a c o a r t a d a en la qu e caen a m e n u d o
a u t o r y lector. Valga u n a a n a l o g í a q u e p r o p o n d r é t a m b i é n de m o d o
i n t e r r o g a t i v o : ¿ P u e d e n las flores e n u n a casa ser "verdaderas" y distin-
guirse sin p r o b l e m a s de las "artificiales"? Cortadas y dispuestas en u n
f l o r e r o o c o n su t i e r r a n a t a l y e n u n a maceta, c o m p r a d a s o cogidas
e n el j a r d í n , ubicadas e n u n l u g a r q u e se ha d e c i d i d o c o n algún cui-
d a d o , e n agua o regadas, o b e d e c e n s i e m p r e a leyes d e l l e n g u a je que
g o b i e r n a a unos dueños que "felizmente" creen utilizarlo. ¿Cómo no
s e r í a así e n el caso de u n l i b r o , cualesquier a sean sus cualidades, argu-
m e n t o s o g é n e r o ? ¿ Q u i é n p o d r í a c o n t a r sus m e m o r i a s sin cultivarlas,
desechar algunas y recalcar otras h a c i é n d o l a s más visibles, recortarlas
y e n m a r c a r l a s , a g r u p a r l a s e n c o n j u n t o s lanzados a la m i r a d a ajena,
e n c e r r a r l a s e n u n v o c a b u l a r i o q u e n o p u e d e evitar q u e s i e m p r e sean
resaltadas las d i f e r e n c i a s e n t r e e l a c o n t e c i m i e n t o v i v i d o , e l r e c u e r d o
y l a n a r r a c i ó n ? ¿No es el l i b r o u n f l o r e r o de páginas impresas? Todos
p a r t i c i p a m o s d e l feliz e n g a ñ o d e l s e m b l a n t e : las flores d e m a s i a do per-
fectas nos p a r e c e n artificiales, las artificiales , si están b i e n fabricadas,
nos p a r e c e n n a t u r a l e s . N o es r a r o q u e hagamos la p r u e b a de tocarlas
p a r a constatar si la sustancia de los p é t a l o s es b o t á n i c a o plástica.
L e i r i s n o h a i n s p i r a d o esta c o m p a r a c i ó n p e r o la a n a l o g í a se ve en
c i e r t o m o d o " d o c u m e n t a d a " p o r la cálida tentación de la cita c u a n d o
u n o , c o n c i e r t a sorpresa, la e n c u e n t r a e n el m o m e n t o t e r m i n a l de su
m o n u m e n t o a u t o b i o g r á f i c o . L a t a n a t o f o b i a vuelve p o r sus f u e r os e n
las líneas finales d e l ú l t i m o t o m o de La regle du jeu. L e i r i s c u e n t a la
m u e r t e de su h e r m a n o , a n t i c i p o exúdente de la suya p r o p i a ; en el día
en q u e escribe esa p á g i n a , d e l i n e a la h o r r o r o s a i m a g e n d e l d i f u n t o
y a n t i c i p a c ó m o ese r o s t r o será o c u l t a d o m a t e r i a l m e n t e p o r la últi-
m a toilette. Se p r e g u n t a entonces si n o p r o c e d e él m i s m o a u n a toilette
MICHEL LEIRIS 227

final i n t e n t a n d o , "para hacer la cosa más t o l e r a b l e , i m p o n e r c o n la


p l u m a u n a o r d e n a c i ó n a l o q u e es u n h o r r o r sin n o m b r e " {RJ, 1054) .
Tras esas líneas postreras d e l ú l t i m o t o m o , Fréle bruit, cree c o n v e n i e n t e
agregar u n breve e p í l o go p a r a r e f l e x i o n a r sobre e l c o n j u n t o de su v i d a
que se c o n f u n d e c o n e l acto de h a b e r l a h e c h o p ú b l i c a c o n d e n s a n d o
es n u e s t r a o p i n i ó n — las f u n c i o n e s d e l n o t a r i o y d e l p o e t a . Repasa
así sus tácticas para tratar "a las nieves de a n t a ñ o c o n el espíritu d e l
presente, sacándolas de sus papeles o de los cajones de su m e m o r i a
para mezclarlas c o n las cosas actuales" y se p r e g u n t a , d o l i d o :

¿Pero, consigue u n o u n o j o d e e t e r n i d a d m e z c l a n d o los t i e m p o s , multipli-


c a n d o l o s p u n t o s d e v i s t a y j u n t a n d o u o p o n i e n d o a s u g u s t o las tonalidades?
Es u n a c u e s t i ó n d e a r r e g l o , d e l m o d o e n q u e e n J a p ó n se d i s p o n e n p a c i e n t e -
m e n t e — s i n f u n d i r l a s e n l a p r o f u s i ó n d e u n r a m o — ixnas p o c a s f l o r e s , p a r a la
a l e g r í a — o p a r a ia p a z — d e la m i r a d a , d e j a n d o d e t o d o s m o d o s a l g o o c u l t o .
F l o r i l e g i o , e n t o n c e s , q u e esas a u s e n c i a s l i m i t a n , d e m o d o a ú n m á s i r r e m i s i b l e
q u e c u a l q u i e r e l e c c i ó n d e l i b e r a d a : eso q u e y o n o h e d e s c u b i e r t o , eso q u e no
s u p e f o r m u l a r o q u e m e h a r e p u g n a d o s a c a r a l a l u z {RJ, 1055).

Y, a h o r a sí, La regle du jeu {du jé) está t e r m i n a d a . N o c o n c l u y e afir-


m a n d o la p l e n i t u d de la p a l a b r a sino p a l p a n d o e l límite de l o i n d e -
cible, eso q u e excede a los límites d e l saber o d e l asco. E l trabajo de
la a u t o b i o g r a f í a c u l m i n a e n la c o m p o s i c i ó n arüficial de l a v i d a c o m o
u n i k e b a n a , o m b l i g o d e l s u e ñ o q u e c o m u n i c a c o n l o real q u e n i n g ú n
t i p ó g r a f o p o d r á i m p r i m i r . Es l o q u e se d e s n u d a t a n t o e n e l ñ n a l de la
a u t o b i o g r a f í a c o m o e n el d e l psicoanálisis: n o la p l e n i t u d de u n a i n t e r -
p r e t a c i ó n sin falla, sino el a r r i b o a u n a m e t a q u e es e l r e c o n o c i m i e n t o
de l a f a l l a e n el saber. L e i r i s — c o m o B r o c h o B e c k e t t o P e r e c — pasan
de su e x p e r i e n c i a psicoanalítica a la e x p o s i c i ó n de sus fantasmas, pa-
san de la p a l a b r a y el discurso q u e se o r d e n a n c a p r i c h o s a m e n t e e n la
sesión d e l análisis en busca de u n a c o n s t r u c c i ó n d e f i n i t i v a e i m p o s i b l e
a u n a e s c r i t u r a r i g u r o s a q u e p r e t e n d e cercar el n ú c l e o i n d e c i b l e de la
existencia l i m i t a d o p o r la i n e l u c t a b i l i d a d de la m u e r t e y de la sexua-
l i d a d , esa c o n j u n c i ó n q u e se c o n d e n s a p a r a L e i r i s e n las figuras c o m -
binadas de L u c r e c i a y J u d i t h , representantes e n i m a g e n de a q u e l l o
(real) de l o q u e n o se p u e d e saber. E n este s e n t i d o — y así l o p r o p o n í a
L a c a n p a r a J o y c e — l a e s c r i t u ra ( s i e m p r e más o m e n o s a u t o b i o g r á f i c a ,
ya l o sabemos) c u m p l e la f u n c i ó n de u n síntoma q u e p e r m i t e al sujeto
navegar, a u n c u a n d o sea p r e c a r i a m e n t e , a u n c u a n d o la i m a g e n d e l
228 MICHEL LEIRIS
s u i c i d i o r o n d e p o r la fantasía de tantos escritores, p o r el encrespado
oleaje de l o q u e se l l a m a "la v i d a " .
C o m o d e c í a Serge A n d r é , " n o es el psicoanálisis el q u e i n t e r p r e t a
a la l i t e r a t u r a " (según se ha c r e í d o c o n i n g e n u i d a d de i l u m i n i s t a s en
l a s o b e r b i a a c t i t u d d e l psicoanalista q u e se d i r i g e al escritor para co-
m u n i c a r l e los secretos q u e ha d e s c u b i e r t o e n sus páginas — y F r e u d
m i s m o n o es ajeno a ese p e c a d o de " a p l i c a c i ó n " si se r e c u e r d a su texto
sobre la Gradizia de J e n s e n ) "sino q u e , p o r el c o n t r a r i o , es la escritura
la q u e esclarece al psicoanálisis" (Flac, cit., p . 184) especialmente en
t o r n o a la o q u e d a d c e n t r a l de la c o l u m n a de la vida e n c u a n t o se q u i -
siera p r e t e n d e r q u e ese vacío sea r e l l e n a d o p o r u n a " p a l a b r a plena",
p o r u n l e n g u a j e q u e d i g a la v e r d a d sobre el ser. ha e s c r i t u r a de Leiris,
la de c u a l q t i i e r a u t o b i ó g r a f o a p a r t i r de F r e u d — y p o r eso se revela
m e j o r e n q u i e n e s h a n pasado p o r la e x p e r i e n c i a d e l p s i c o a n á l i s i s -
es u n a e s c r i t u r a desencantada q u e m u e s t r a , lizmente, las f r o n t e r a s d e l
l e n g u a j e . L e i r i s n o alcanzar á la i n m o r t a l i d a d p o r la p l u m a , t a m p o c o
c o m p e n s a r á su e s t e r i l i d a d p e n s a n d o q u e e l trabajo p o é t i c o le podrí a
dar, c u a l s i m u l a c r o de la m a t e r n i d a d y e l p a r t o , u n stistituto de la pa-
t e r n i d a d q u e le h o r r o r i z a b a ; n o p o d r á c o n s u m a r esa u n i ó n p e r f e c t a
c o n s i g o m i s m o q u e d e s m i e n t e la d i f e r e n c i a e n t r e los sexos n i alcanzar
su v e r d a d e r a i m a g e n , a m e n o s q u e la v e r d a d e r a i m a g e n sea la de su
m á s c a r a m o r t u o r i a q u e estará e n m a n o s d e l f ú n e b r e e n c a r g a d o de ha-
cerle su derniére toilette. ¿Es ésa u n a f u n c i ó n d e l lector? Así l o creemos:
es u n a de nuestras tesis.
13
AUTOBIOGRAFÍAS YAUTORRETRATOS

1. DE TODO CUANTO SE ESCRIBE COMO AUTOBIOGRAFÍA

Los d o c u m e n t o s cívicos q u e a c r e d i t a n a la " p e r s o n a " , e l a c o p i o de


r e c u e r d o s e n la m e m o r i a y la c o n t i n u i d a d r e c o n o c i d a de la i m a g e n
en el espejo son los f u n d a m e n t o s de la " i d e n t i d a d " d e l sujeto q u e se
manifiesta c o n u n p r o n o m b r e p e r s o n a l : " y o " (o "nosotros" , c u a n d o se
trata de su c o m u n i d a d ) . N u e s t r o análisis t e x t u a l de los c o m i e n z o s de
la m e m o r i a , r e n u n c i a n d o a las i n t e r p o l a c i o n e s e x t r a ñ a s al t e x t o , per-
mitió c o n f i r m a r q u e la m e m o r i a i n f a n t i l , e n t a n t o q u e p i e d r a basal de
la i d e n t i d a d , es u n testigo sospechoso. "Yo", el sujeto del enunciado ("Es
'yo' q u i e n dice ' y o ' " según l a p o d e r o s a d e f i n i c i ó n de Benveniste),^
p o c o y m a l se p r e g u n t a acerca d e l sujeto de la enunciación: ¿Sé q u i é n
h a b l a c u a n d o d i g o "yo r e c u e r d o " ? Y, meno s a ú n sobre el sujeto de la
anunciación: ¿Cuál es e l deseo y la p r e t e n s i ó n q u e m u e v e n al " y o " ,
i g n o r a n t e d e l sujeto de la e n u n c i a c i ó n , a presentarse c o n esos e n u n -
ciados? ¿Cuál es el b l a n c o al q u e se a p u n t a c o n la e x p o s i c i ó n ''''autobio-
gráfica^'? ¿Cuál es el goce r e c ó n d i t o , cuál el f a n t a s ma q u e se realiza e n
la m a n i á t i c a r e i t e r a c i ó n d e l yoyoyó? ¿ Q u é hay de t a n d i v e r t i d o e n l a
e x p o s i c i ó n de la i n t i m i d a d r e c o r d a d a , a ú n la m á s dolorosa? A q u i e n
dice **yo" se le cuela e l deseo i n c o n s c i e n t e , el d e s c o n o c i d o qu e se ma-
nifiesta p o r e ( q u i ) v o c a c i o n es y lapsus de la m e m o r i a , q u e a p u n t a n al
o t r o , el e n c a r g a d o de r e f r e n d a r el discurso q u e se le d i r i g e . E l o t r o ,
ese a n ó n i m o f u l a n o q u e d e m a n d a al n a r r a d o r (o e l q u e e l a u t o r cree
qtte le d e m a n d a ) qu e c u e n t e su h i s t o r i a . E n ú l t i m a instancia, ese f u -
l a n o t o m a e l l u g a r de j u e z q u e h a b r á de sancionar el r e l a t o qu e "y*^"
p r o d u z c a t o m á n d o m e c o m o t e m a . T o d a a u t o b i o g r a f í a , l o confiese o
n o , es u n a d e m a n d a de aquiescencia f u n d a d a e n u n a p r o m e s a de de-
cir, " s i n c e r a m e n t e " , "la v e r d a d , t o d a " . U n o de los lugares c o m u n e s d e l
" g é n e r o " ( e n t r e comillas — d i s c u t i r e m o s su existencia) es el c o m i e n z o

^ É . B é n v e n i s t e [ 1 9 4 6 y 1 9 5 8 ] , Problemas de lingüistica general I, M é x i c o , Siglo X X I ,


1 9 7 1 , p p . 166 y 180. T r a d . d e J. A l m e l a .

[229]
230 AUIOBI:C)CtR.\FIAS Y AUTORRETRATOS

p o r la p r o t e s t a de s i n c e r i d a d , de e s p o n t a n e i d a d , de rechazo de los
afeites artísticos. E l i d e a l de a u t e n t i c i d a d se desarrollarí a después con
el m é t o d o p s i c o a n a l í t i c o de las asociaciones libres p e r o vemos c ó m o
se p e r f i l a y es t r a i c i o n a d o desde los c o m i e n z o s : " M e d e j o llevar, me
extravío, resultar é i n i n t e l i g i b l e si n o sigo el o r d e n c r o n o l ó g i c o , y, p o r
o t r a p a r t e , n o r e c o r d a r é b i e n las circunstancias."^ Por o t r a p a r t e , este
personaje al q u e h e m o s c i t a d o , cuya v i d a d a título al escrito, H e n r i
B r u l a r d — u n n o m b r e q u e n o c o i n c i d e n i c o n el d e l a u t o r ( H e n r i Bey-
le) n i c o n e l d e l s e u d ó n i m o de q u i e n firma ( S t e n d h a l ) , ¿es novela o es
autobiográfica?—, llega, c o n u n a s i n c e r i d a d q u e F r e u d hubiese d e b i d o
r e c o n o c e r c o m o su precursor , a e x p o n e r sus deseos sexuales hacia la
m a d r e ( q u e m u r i ó c u a n d o él t e n í a siete años) y su o d i o al p a d r e y al
m i s m o D i o s q u e r e s u l t a n estremecedoras para quienes creen haber
e n c o n t r a d o algo n u e v o e n e l c o m p l e j o de E d i p o .
N u n c a se insistirá l o s u f i c i e n t e : es desde las precarias c e r t i d u m b r e s
d e l espejo, g a r a n t e i m a g i n a r i o d e l y o , q u e el sujeto trata de fijarse a sí
m i s m o p o r escrito e n u n r e l a t o q u e l l a m a autobiografía. E l autobiógra-
f o se debate e n t r e dos objetivos c o n t r a d i c t o r i o s : a f i r m a r o i m p u g n a r
la i m a g e n especular. E l espejo es e l escenario, n o del ''pacto \, sino
de la lucha a u t o b i o g r á f i c a . E l l e c t o r es l l a m a d o c o m o a r b i t r o .
Ya h e m o s c o n o c i d o el t e s t i m o n i o de Borges y sus desventuras c o n
los espejos y h e m o s e n c o n t r a d o e n tres escritoras el r e l a t o de las d i -
fíciles relaciones de las niñas c o n e l espejo; p u d i m o s escuchar c ó m o
ellas v i n c u l a b a n la i n c e r t i d u m b r e p a r a d e f i n i r q u i é n e s e n v e r d a d eran
a través de l a c o m p a r a c i ó n e n t r e l o q u e p o d í a n ver de sí mismas y el
mensaje q u e les l l e g a ba desde la p r i m e r a y e n i g m á t i c a superfici e re-
f l e j a n t e : la i m a g e n t a l c o m o o s c u r a m e n t e se p e r f i l a e n los ojos de la
m a d r e . ¿ Q u i é n es esa q u e m e m i r a desde el o t r o l a d o d e l espejo? ¿Soy
**yo"? ¿Soy c o m o m i madre? ¿ Q u é soy y q u i é n soy? ¿ Q u é seré? Eína p r e -
g u n t a q u e va m á s allá de la p a r t i c u l a r c o n d u c t a de los e s q u i z o f r é n i c os
ante e l espejo o de la m a d r e de Blancanieves, deseosa de r a t i f i c a r su
belleza. L a p e r p l e j i d a d de N a r c i s o se e x t i e n d e al c o n j u n t o de la h t i m a -
n i d a d : a l i e n a c i ó n especular o escapatoria d e l claustro carcelari o q u e
el espejo o f r e c e a q u i e n se m i r a —sea p o r los c a m i n o s de la a c c i ó n ,

2 S t e n d h a l [ 1 8 3 6 ] , Vida de Henry Brulard , M a d r i d , A g u i l a r , 1988, t. i i , p . 1063. T r a d .


d e C. B e r g e s .
^ S t e n d h a l , c i t . , p p . 1069-1072. Resisto a la t e n t a c i ó n d e t r a b a j a r s u n í t i d o " p r i m e r
r e c u e r d o " ( p . 1069) p e r o n o d e j o d e r e c o m e n d a r f e r v o r o s a m e n t e su l e c t u r a .
AUTOBIOGRAFÍAS Y AUTORRETRATOS 231

sea p o r los de la escritura. E l azogue d e l cristal parece d e t e n t a r claves


portentosas p a r a que e l sujeto p u e d a ser e l i n f o r m a n t e de sus relacio-
nes c o n los d e m á s . E l q u e r r í a saber c ó m o es \isto y hacer los ajustes
p e r t i n e n t e s e n la figura q u e ofrece al espectador. Eo " n o r m a l " es q u e
hava c o n v e r g e n c i a e n t r e la figura de sí ( e n e l espacio real) y la i m a g e n
que se ofrece al o t r o ( e n el espacio virttxal). Esa c o n v e r g e n c i a n o es
azarosa n i m e c á n i c a ; se gesta l a b o r i o s a m e n t e . U n o a p r e n d e a verse
tal c o m o el O t r o lo ve; tal c o m o e l O t r o l o c o n m i n a a q u e se vea. L a
identificación n o es e s p o n t á n e a ; es i n d u c i d a ; es u n efecto d e l lengua-
j e . U n a i n c r u s t a c i ó n de l o i m a g i n a r i o q u e se i n j e r t a e n e l c a m p o de
lo s i m b ó l i c o . "Yo" es q u i e n p t i e d e hacer u n r e l a t o e n p r i m e r a persona
y d a r razón de la c o n t i n u i d a d de su existencia a p a r t i r de u n " n a c í "
{Je suis né — P e r e c ) . L a p r o f u n d i d a d viene a los espejos p o r m e r c e d
de las palabras que n o m b r a n l o q u e allí se ve. E l yo se c o n f r o n t a y se
contrasta c o n esta d i m e n s i ó n i m a g i n a r i a q u e se i m p o n e a la v o l u n t a d
y r e c o n o c e e n el yo que otros ven ( " m a c u l a d o p o r las culpas") a u n actor
q u e le gusta o le disgtista. Q u e le gusta y le disgusta. Q u e exagera, d i -
s i m u l a y o c u l t a . Q u e r e c u e r d a y oháda c r e y e n d o e n e l f a n t a s m a de "sí
m i s m o " {him/herself). A l d e c i r l o e n inglés v o l v e m o s a constatar q u e ese
fantasma es sexuado, cosa q u e e n e s p a ñ o l p o d r í a m o s olvidar.
E l espejo b r i n d a la p r i m e r a o c a s i ó n p a r a q u e la división d e l stijeto
sea c a p t a d a p o r el sujeto m i s m o . ¿Cuál es la sustancia de "la cosa q t i e
soy y m e hace vavir"?"* ¿ C o i n c i d e c o n "eso" q u e los o t r o s v e n y q u e yo
atisbo y t r a t o de descifrar e n el espejo? L a a u t o b i o g r a f í a y e l a u t o r r e -
t r a t o son dos i n t e n t o s de p l a s m a r m e d i a n t e la e s c r i t u r a los resultados
de esa e x p l o r a c i ó n de sí — l a p i n t u r a t a m b i é n es escritura; el l i e n -
zo es t a n a p t o p a r a r e c i b i r trazos o huellas c o m o la h o j a e n b l a n c o ;
d e s c r i b i r ( s e ) y d i b u j a r ( s e ) son o p e r a c i o n es paralelas. E n estas obras
a u t o r r e f e r e n c i a l e s hay s i e m p r e algo de alegato: se i n c l i n a n hacia el
o t r o p a r a i n s t r u i r l o acerca de q u i é n u n o es, t i e n d e n a ser ejercicios re-

* W . S h a k e s p e a r e : B o r g e s estaba p r e n d a d o d e esta frase d e P a r o l i e s e n AU's well that


ends well [1602-160.^], acto i v , escena ?>. Parolies es u n p e r s o n a j e d e l e z n a b l e q u e r u e g a
p o r su v i d a a r n c p r e s u n t o s e n e m i g o s ; es e n t o n c e s c u a n d o , p i d i e n d o q u e n o se le m a t e ,
d i c e : The thing I am shall make me Uve. Para e s c a r n i o d e los l e c t o r e s e n e s p a ñ o l la tra-
d u c c i ó n m á s r e p u t a d a reza: Viviré tal como soy. W . S h a k e s p e a r e , Obras completas, M a d r i d ,
A g u i l a r , 1 9 6 1 . T r a d . de A s t r a n a M a r í n .
Eas r e f e r e n c i a s borgesianas a esa frase a p a r e c e n e n u n ensayo, e n Otras inquisiciones
{Obras completas, B u e n o s A i r e s , E m e c é , t, i , p . 7 5 1 ) , e n u n c u e n t o : " L a m e m o r i a d e
S h a k e s p e a r e " ( c i t . , t. i i , p . 401) y t a m b i é n e n u n p o e m a q u e se t i t u l a así: " T h e t h i n g I
a m " ( c i t . , t. I I , p . 196).
232 AUTORTOGRAPÍAS Y AUTORRETRATOS

tóricos p a r a t r a n s m i t i r , m o d i f i c a r o p r e v e n i r las i m á g e n e s q u e el o t r o
i n v a r i a b l e m e n t e , se hace de u n o . E l y o p r e t e n d e q u e p o d r í a aplicar
sobre sí m i s m o u n p a ñ o de V e r ó n i c a y m o s t r a r al m u n d o su "vera ima-
g e n " . P u e d e q u e l o haga c o m o ejercici o p r i v a d o , v. gn, los incontables
a u t o r r e t r a t o s d e R e m b r a n d t o de E g o n Schiele, que m u e s t r a n , en la
sucesión c o m p a r a t i v a de m u c h a s i m á g e n e s , los cambios graduales que
hay e n t r e u n a y o t r a y, a la vez, a f i r m a n la c o n t i n u i d a d de u n a misma
sustancia ó n t i c a . O t r o s siguen el c a m i n o de Paul Valéry q u e escribió
29 m i l páginas p a r a n a d i e , p a r a él solo, sin i m a g i n a r u n eventual lec-
tor, c o n " n o c t u r n i d a d y e s c a l a m i e n t o " según d i j i m o s hace u n tiempo,^
Valéry e s c r i b í a y conservaba estos i n f i n i t o s c u a d e r n o s c o m o ejercicios
d e l p e n s a m i e n t o o, más b i e n , c o m o u n a "gimnástica de la p l u m a " . El
a r q u i t e c t o d e l c e m e n t e r i o m a r i n o era u n avezado detective q u e per-
s e g u í a a P a u l Valéry, ese e s c u r r i d i z o p i i s i o n e r o q ue se fi-igaba de cada
p á g i n a : " E s c r i b i r exige d e l escritor q u e se d i v i d a c o n t r a sí m i s m o . Es
sólo de esta m a n e r a q u e e l h o m b r e e n t e r o llega a ser autor."^
H a c e r l a p r o p i a i m a g e n , r e c o n o c i b l e o n o p o r los d e m á s , es tarea de
auto®. U s a r é esta e x t r a ñ a grafía: ''auto®'\a i n d i c a r el c a r á c t e r legal
y f o r e n s e d e la autoíDía, u n aspecto esencial e n la a c t u a l i d a d d o n d e el
artista sólo l o es si t i e n e asegurado e l ©opyríght. O t r a m a n e r a de decir
q u e e l arte es u n p r o d u c t o cuyo d e s t i n o está e n manos d e l O t r o y que
es d e l O t r o de d o n d e e l c r e a d o r r e c i b e su r e - c o n o c i m i e n t o . E l auto®
d e b e estar ® e g i s t r a d o . Es u n a " m a r c a " .
E l a u t o r ( b i ó g r a f o , retratista) i n t e n t a coagular la r e p r e s e n t a c i ó n de
sí, e n t r a e n c o m p e t e n c i a c o n la c á m a r a fotográfica. P r e t e n d e hacer de
l a v i d a m o v i e n t e u n still. M u c h a s veces, n o e n todos los casos, c o m o lo
e j e m p l i f i c a V i r g i n i a W o o l f . A s p i r a a d a r c u e n t a de la persistencia d e l
ser a pesar de los c a m b i o s h a c i e n d o , de la p r o p i a {auto) v i d a {bios),
u n l i b r o {graphein), D e c i r y d e c i r v o h i p t u o s a m e n t e , c o m o Rousseau,
d e c i r l e al p r o p i o D i o s , e n t o n o de desafío: ^

He descubierto m i alma tal como Tú la has visto, ¡oh. Ser Supremo! Reúne en
torno mío a la innumerable multitud de mis semejantes para que escuchen
mis confesiones, lamenten mis flaquezas, se avergüencen de mis miserias.

^ N . A . B r a u n s t e i n , " E l a m o r e n La llama doblede O c t a v i o Paz y e n los Cahiers d e P a u l


V a l é r y " , en Ficdonario de psicoanálisis, c i t . , p p . 166-196.
^ P. Valéry, Cahiers, i, París, Gallimard, La Pléiade, p. 4 7 4 .
^ J.-J. Rousseau, [ 1 7 6 5 - 1 7 7 0 ] Las confesiones, Buenos A i r e s , J a c k s o n , 1950. T r a d . d e
R. U r b a n o y J. B l a n c o ,
AUTOBIOORAFÍAS Y AUTORRKTRATOS 233
Q u e c a d a c u a l d e s c u b r a l u e g o su c o r a z ó n a los pies d e T u n o n o c o n la m i s m a
s i n c e r i d a d ; y d e s p u é s q u e a l g u n o se a t r e v a a d e c i r e n T u p r e s e n c i a : Yo fui mejor
que ese hombre.

M i e n t r a s escribo esta página, m i e n t r a s c i t o a Rousseau y a tantos


autores, caigo e n c u e n t a de q u e estos m o m e n t o s "se i m p r i m e n e n m í "
c o m o r e c u e r d o de m i p r o p i o escribir, c o m o r e c u e r d o f u t u r o de esta
escena de escrititra . Este presente de apretar teclas de u n o r d e n a d o r ,
se va t r a n s f o r m a n d o e n pasado y se i n t e g r a a m i m e m o r i a q u e se ali-
m e n t a c o n los m o v i m i e n t o s de los dedos y c o n las letras q u e aparecen
en la p a n t a l l a . S e r é el l i b r o q u e estoy e s c r i b i e n d o . L a escena de esta
escritura o c u l t a u n fantasma p a r t e n o g e n é t i c o . A p a r e z c o y desaparez-
co c o n cada tecla q u e a p r i e t o ; fort / da. C o m o Prous t c o n cada des-
p e r t a r y c o n cada r e c a í d a e n el s u e ñ o y la o s c u r i d a d , c o m o V i r g i n i a
W o o l f c o n cada m o v i m i e n t o de las olas, c o m o cada vez q u e a b r i m o s y
c e r r a m o s el a r m a r i o de nuestros r e c u e r d o s. O cada vez q ue canta e l
gallo. H u r g a n d o d e n t r o de m í y d e p o s i t a n d o mis secreciones sobre la
p á g i n a e n u n m o v i m i e n t o de diástoles y sístoles alternantes .
R e c u r r i e n d o a los "ínfimos papeles" de tantos otros q ue h a n es-
c r i t o sobre sí mismos, realizo actos q u e se g r a b a n en m i a l m a c é n de
la m e m o r i a . M e escribo. Estos m o m e n t o s f o r m a n p a r t e de m i v i d a y,
p o r l o t a n t o , e x t e n d i e n d o a otros la r e f l e x i ó n , d e b o r e c o n o c e r u n a
d i m e n s i ó n auto e n t o d o acto de e x p r e s i ó n , aparezca o n o el " y o " c o m o
sujeto d e l e n u n c i a d o . M i m e m o r i a construy e a m i m e m o r i a . . . e n e l
o t r o , e l a u d i t o r o l e c t o r . . . al q u e m e d i r i j o p a r a qu e la c o n f i r m e . D e
r e b o t e , desde la i m p r e v i s i b l e respuesta, la m e m o r i a se hace e n m í .
S ó l o l a c i e n c i a p u e d e p r e t e n d e r q u e e l sujeto de la e n u n c i a c i ó n se
b o r r a e n e l acto de f o r m u l a r sus e n u n c i a d o s y q u e es i n t r a s c e n d e n -
te q u i é n d i c e q u é s i e m p r e q u e l o q u e d i g a p u e d a ser c o m p r o b a d o
p o r o t r o . Esa p r e s u n c i ó n es sospechosa, más a ú n , falaz. Escriba y o ,
p o r e j e m p l o , sobre la p r o d u c c i ó n de mates y c u b i e r t o s de plata e n
P e r ú e n el siglo x v i i i , sobre u n caso clínico q u e m e t o c ó atender o
sobre las novelas de T h o m a s M a n n : sin saberlo, t i r a n d o la p i e d r a y
e s c o n d i e n d o la m a n o , estaré v e l a d a m e n t e e s c r i b i e n d o u n f r a g m e n -
to de m i p r o p i a vida. L a s e l e c c i ó n d e l tema, e l m o d o de a b o r d a r l o ,
las referencias y notas al p i e de página, las alusiones al " y o " firmante
d e l t e x t o , la c o n s t r u c c i ó n f a n t a s m á t i c a d e l o t r o al qu e m e d i r i j o , los
i n t e n t o s de disimulación d e l sujeto de la e n u n c i a c i ó n b o r r á n d o l o de
los e n u n c i a d o s e n el i m p e r s o n a l "se", l a a p e l a c i ó n h e c h a al lector p a r a
2S4 AUTOBIOGRAFIAS Y AUTORRETRATOS

q u e r a t i f i q u e " m i s " e n u n c i a d o s , el uso mayestático d e l "nosotros", los


recursos r e t ó r i c o s y h e u r í s t i c o s p a r a d a r muestras de " o b j e t i v i d a d "
t o d o e l l o , t o d o l o q u e h a c e n el artista y el c i e n t í f i c o c u a n d o escriben,
d e m u e s t r a esta i n n e g a b l e v e r d a d : el escritor — t o d o escritor-— es u n
e f e c t o de sti e s c r i t u r a y de la r e c e p c i ó n qu e a ella se le b r i n d a . E n la
e s c r i t u r a n o hay p r o n o m b r e s personales, n i s i q u i e r a los impersonales,
q u e se