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rumo à

masculinidade
retomando a jornada

alan medinger
traduzido por Mestre Sábio
mestresabio972@gmail.com
Às mulheres em minha vida que me abençoaram além de qualquer medida. Ser um filho, um marido e um pai para
você é propósito o suficiente para minha masculinidade.

Com profunda gratidão por todo o seu amor e paciência: Enid, minha amada e finada mãe, Willa, minha preciosa
esposa, e Laura e Beth, minhas lindas filhas.
índice

Índice................................................................................................................................................ 3
Agradecimentos .............................................................................................................................. 4
Prefácio ............................................................................................................................................ 5
1. A jornada ................................................................................................................................... 8
2. Crescer na masculinidade: essencial para a cura ................................................................15
3. Como um homem se desenvolve.........................................................................................23
4. O que aconteceu de errado em nossas vidas? ....................................................................35
5. É possível para nós, hoje?.....................................................................................................45
6. O que é um homem? .............................................................................................................56
7. Compreendendo o masculino ..............................................................................................67
8. O que os homens fazem .......................................................................................................75
9. Fazendo as coisas que os homens fazem............................................................................89
10. As qualidades de um homem..............................................................................................100
11. Superando os obstáculos.....................................................................................................115
12. Superando o passado ...........................................................................................................125
13. Você é aceito.........................................................................................................................137
14. Relacionando-se com mulheres..........................................................................................141
15. Relacionando-se sexualmente com mulheres...................................................................151
16. Masculinidade plena.............................................................................................................159
Apêndice A - reflexões sobre vinte e cinco anos de cura: a história de Alan Medinger ..164
Apêndice B - a coisa mais importante que você pode fazer para amadurecer na
masculinidade..............................................................................................................................169
agradecimentos

Um homem não amadurece na masculinidade sozinho. Ele precisa de pessoas que o encorajem,
bons exemplos, e amigos. A mesma coisa acontece com o trabalho formidável que é escrever um livro.
São necessárias pessoas que dêem ânimo, o apoio de outros que já realizaram o mesmo trabalho, e
amigos que o suportem ao longo da jornada. Eu fui abençoado com cada um desses, em abundância.
Minha profunda gratidão aos que demonstraram um dom especial como encorajadores em minha
vida, meu ministério, e meu trabalho como escritor: Tom Bisset, Frank Watson, Dean Schultz, e Bob
Davies, homens que sempre acreditaram em mim, e sempre expressaram isto em voz alta quando eu mais
precisava ouvir. Obrigado também a Joan Guest de Harold Shaw, o grande responsável por fazer este
livro ser publicado. Agradeço especialmente àquela que talvez seja minha maior apoiadora, minha esposa,
Willa.
Agradeço a Deus pelos homens que ele colocou em minha vida como modelos a ser seguidos.
No ministério, fui abençoado com a possibilidade de testemunhar o serviço firme e fiel de homens como
Frank Worthen, Ron Scates, Richard Lipka, Phillip Zampino, Rick Wright, e Ed Meeks. Em minha
jornada rumo à masculinidade, Deus me deu modelos de masculinidade cristã em Bob Chase, Bruce
McCutcheon, Kevin Mulligan, e David Keating. Vocês nunca saberão o quanto eu aprendi de vocês.
Ninguém poderia crescer como homem ou desenvolver um ministério sem o suporte de queridos
amigos. Mais uma vez, meu cálice transborda. Agradeço em especial à equipe do Regeneração: Jeff
Johnston, Bob Ragan, Lani Bersch, Kris Svensson, Josh Glaser, Laura Suffecool, e Marcie Schuett –
meus amigos e colegas – que foram tão pacientes durante os longos meses para escrever este livro; à
minha velha turma do colégio, que viram os meus piores lados e continuaram a me amar; e aos amigos
especiais Jack e Sue O'Neill, e Marty e Penny Hylbom.
Finalmente, agradeço a todos meus colegas de trabalho no Exodus e nos ministérios
relacionados, que me inspiraram através do seu ensino e escritos, com quem compartilhei esta
maravilhosa jornada de descobrir os planos de Deus para libertar homens e mulheres do
homossexualismo: Anita Worthen, Leanne Payne, Andy Comiskey, Joe Nicolosi, e Joe Dallas, e todos os
diretores de ministérios Exodus com quem colaborei nos últimos vinte anos. Minha oração é que este
livro complemente e suporte o incrível trabalho que vocês fizeram e têm feito.
prefácio

Era uma sala na qual eu havia estado, pela última vez, quarenta anos antes. Quando eu estudava
na Universidade John Hopkins, era o refeitório dos dormitórios. Agora, era uma sala de reunião para
organizações estudantis. Nesta tarde de sexta-feira, estava sendo utilizada pelo grupo da Associação
Cristã Hopkins InterVarsity. Dois dos seus líderes haviam se envolvido em uma controvérsia a respeito
de homossexualismo, e antes que a discussão se estendesse aos membros da comunidade gay do campus,
os estudantes cristãos queriam se informar melhor a respeito do assunto. Eu fui um dos palestrantes
escolhidos. Não apenas eu havia sido aluno da escola, mas era o fundador e diretor do Regeneração, um
dos mais antigos e maiores ministérios "ex-gay" da rede mundial de ministérios Exodus para homens e
mulheres buscando superar a homossexualidade.
Ao longo dos anos, muitas coisas haviam mudado, além da sala. A universidade tinha crescido
muito, e o corpo estudantil era muito mais diverso. Na minha época, metade dos estudantes eram rapazes
da cidade de Baltimore estudando em Hopkins, não apenas porque era uma boa escola, mas porque
nossos pais não poderiam pagar uma mudança para estudar mais longe. Agora, uma parcela relativamente
reduzida dos estudantes era de Baltimore. Quando eu estudava lá, os alunos eram todos homens e
maioria deles, brancos. Esquadrinhado os rostos dos mais de cem estudantes reunidos naquela noite de
sexta, os rapazes brancos eram minoria. Nos anos 50, não existiam organizações como o grupo
InterVarsity. Para a maioria de nós, um cristão era uma pessoa boa – como eu – que ia à igreja. Isso era
tudo que tínhamos em comum, portanto não havia muita razão para fundar uma organização.
Mas para mim, pessoalmente, as mudanças na universidade, na sala e no corpo estudantil, eram
secundárias. Parado lá, pensei no jovem que havia estado naquela sala há tantos anos atrás; um jovem em
escravidão secreta à homossexualidade, um ‘nerd’ que de alguma forma entrou em uma fraternidade, mas
vivia com terror de que seus irmãos descobrissem sua verdadeira natureza, alguém que já era um mestre
em levar uma vida dupla, um homem religioso, mas que não conhecia ao Senhor. Agora, aqui estava eu,
39 anos depois, um cristão, um marido, um pai, um avô, um homem confortável com sua masculinidade,
apto para compartilhar com alegria e confiança o que Deus havia feito em minha vida.
Por mais vibrante que fosse experimentar este extraordinário contraste, minha alegria e
entusiasmo se elevaram ainda mais ao perceber algo. No momento em que eu estava de pé diante do
grupo InterVasity da Hopkins, a 40 quilômetros dali, em frente a um grupo InterVasity muito maior na
Universidade de Delaware, estava Estevão Medinger, meu filho. Estevão, um calouro em Delaware, era
um dos líderes do grupo cristão e co-liderava as reuniões de sexta à noite. Estevão nasceu 18 meses
depois de minha libertação da homossexualidade. Pai e filho: nunca essa frase teve tanto impacto em mim.
Logicamente, eu compartilhei com o grupo de Hopkins a história dos meus 17 anos de atividade
na homossexualidade, meus esforços frustrados para mudar a mim mesmo, e minha dramática conversão
e libertação da escravidão sexual que havia sido parte de minha homossexualidade. Não havia tempo para
compartilhar com eles as outras profundas mudanças que haviam ocorrido nos anos após minha
conversão, mudanças que eu podia ver tão claramente naquela noite, mudanças que me haviam trazido à
plenitude de minha masculinidade.
Este não é um livro de testemunho (embora meu testemunho esteja incluído como apêndice A
para aqueles interessados), mas muito do que direi aqui é baseado em minha própria experiência de
crescimento e amadurecimento na masculinidade, um processo que praticamente parou quando eu era
um adolescente e que não recomeçou até depois de minha conversão, aos 38 anos.
Nós vamos examinar o quanto a homossexualidade masculina é, em seu âmago, uma questão de
masculinidade subdesenvolvida, e como a cura verdadeira requer que cresçamos – mesmo como adultos
– em nossa masculinidade. Vamos examinar como um menino normal amadurece em sua masculinidade,
e o que aconteceu de errado conosco. Uma das mensagens centrais deste livro é que qualquer homem
pode amadurecer para uma masculinidade completa, confortável e plena. Eu descreverei como isto pode
acontecer – mesmo agora. Existem dois princípios que estarão guiando tudo isto. O primeiro é que cada
homem precisa passar por determinados estágios de desenvolvimento; não há atalhos para a maturidade.
Se não chegamos a passar por estes estágios quando meninos, precisaremos passar agora. O segundo
princípio é que a masculinidade é, em grande parte, uma questão de fazer, e iremos crescer ao fazer as
coisas que os homens fazem.
No caminho, vamos pensar no que um homem é, qual é o significado do masculino, e o que os
homens fazem – não apenas no sentido cultural, mas o que os homens fazem que reflete sua
masculinidade universal, criada por Deus. Como não estamos procurando simplesmente uma
masculinidade genérica, iremos percorrer as qualidades especiais que Deus implantou nos homens, que
ele gostaria de ver manifestas em nós. Ao pensarmos nisto, creio que seu desejo por desenvolver sua
própria masculinidade irá começar a remover os seus desejos homossexuais restantes, de possuir a
masculinidade de outro homem.
Como a jornada rumo à masculinidade não é nada fácil, iremos prestar muita atenção nos
obstáculos que são encontrados na estrada rumo a este alvo, e como podem ser superados. Não se
desespere antes de ler esta parte. Conforme você pensa em todas as razões pelas quais você se desviou do
processo de crescimento quando adolescente, e percebe que muitas delas ainda estão presentes hoje,
pode ser tentador jogar as mãos para cima e declarar que, se você não conseguiu fazer a jornada antes,
também não irá conseguir agora. Mas você pode; as coisas são diferentes, agora. Quero mostrar a você
como.
Eu não compreendia exatamente o que Deus estava fazendo quando recomecei a amadurecer
para a masculinidade. Muitas vezes, ele me concedeu oportunidades para crescer, e eu lutei contra com
toda a força. Isto tornou o meu processo extremamente devagar. Minha esperança é que este livro possa
supri-lo com algumas diretrizes que façam a sua própria jornada mais rápida.
Este não é um livro completo sobre como vencer a homossexualidade. Você precisará de uma
compreensão mais ampla da homossexualidade do que a que é dada aqui, e a maioria dos leitores
precisará também passar por um processo de cura, que envolve oração e aconselhamento. Outras pessoas
escreveram sobre estes assuntos. Este livro envolve um aspecto da homossexualidade – crescimento e
maturidade – um assunto que não vejo como coberto completamente pelo que outros escreveram, mas
que estou convencido de que é essencial para a cura verdadeira da homossexualidade.
1

a jornada
A estrada rumo à masculinidade é longa. É uma estrada de constante aprendizado, de tentativas e
falhas, de novas tentativas, de vitórias e derrotas. A maioria dos rapazes nem está consciente de que está
trilhando essa estrada, e poucos percebem quando alcançam seu objetivo principal; a grande maioria,
porém, consegue chegar ao fim, com sucesso. Para a maioria dos homens, leva o tempo desde a
concepção até a juventude para que alcancem um ponto em que, em um nível profundo, interno e
indescritível, eles sabem que são homens. Eles podem não estar plenamente satisfeitos com a qualidade
de sua masculinidade, mas não têm nenhuma dúvida de que são homens; e aconteça o que acontecer,
estarão aptos a cumprir a maioria de suas responsabilidades como homens.
Alguns rapazes, entretanto, não chegam a alcançar este destino. Em algum ponto, o esforço
necessário foi grande demais, as derrotas e falhas dolorosas demais, e eles desistiram; saíram da estrada
principal e tomaram um desvio. Chegaram à idade cronológica que os classificava como homens,
pareciam ter todas as partes que faziam deles homens, mas em seu interior, no lugar de um senso de
masculinidade, havia um vazio. Eles não sentiam que eram mulheres (ao menos a maioria deles), mas, de
alguma forma, não pertenciam ao mundo dos homens.
Eu fui um desses rapazes. Não posso marcar exatamente quando e onde entrei no desvio – talvez
entre a idade de oito ou dez anos – mas sei quando voltei à estrada principal: com trinta e oito anos.
Nesse meio tempo, assim como com tantos rapazes, meu desvio me fez passar pelo mundo do
homossexualismo. Hoje, ao olhar para trás, posso perceber que busquei em outros homens a
masculinidade que desesperadamente desejava, mas acreditava que nunca teria.
Eu voltei à estrada em uma noite em novembro de 1974, quando aceitei a Cristo. Este livro não é
sobre meu testemunho, mas baseia-se na jornada que realizei, ou seja, tudo o que aconteceu comigo
depois que este “garoto” de trinta e oito anos voltou ao caminho correto. (Meu testemunho completo
está no Apêndice A.) Ao contrário da maioria dos adolescentes que atravessam o processo de
amadurecimento para a masculinidade, com pouca percepção consciente do que está acontecendo, eu
tive a vantagem de observar conscientemente a formação de grande parte de minha identidade como
homem. Meu filho, Estevão, nasceu dezoito meses depois de minha conversão, e pude vê-lo crescer da
maneira normal, para se tornar um homem cristão forte e sólido, em todos os aspectos, um homem que é
a alegria de qualquer pai. Muito do que está nesse livro é baseado em minha própria experiência, e um
pouco na de Estevão.
Apesar de não estar oferecendo minha história completa aqui, é importante que eu compartilhe
com você que houve um ponto em que percebi que meu problema de homossexualidade era, em grande
parte, de masculinidade incipiente, ou seja, não desenvolvida. Minha conversão aos 38 anos foi repentina,
dramática e incomum. A maioria das pessoas que consegue identificar um momento específico de
conversão pode apontar coisas em suas vidas que mudaram instantaneamente – seus próprios pequenos
milagres. Para mim, duas coisas especialmente dramáticas mudaram imediatamente: Eu me apaixonei
completamente pela minha esposa e passei a desejá-la fisicamente, e minha atração sexual por homens
desapareceu (observe que isso é incomum na maioria dos casos de pessoas libertas do homossexualismo.
Na maioria dos casos, trata-se de um lento processo). Compreensivelmente, eu pensei que havia sido
totalmente liberto do homossexualismo, e passei a falar isto às pessoas.
Em relação à parte sexual do homossexualismo, isto era verdade; vinte e cinco anos foram
deixados para trás. Mas o que eu não reconheci naquele momento foi que a homossexualidade é muito
mais que simplesmente uma questão do direcionamento das atrações sexuais de alguém. Ela tem outros
dois importantes componentes: as necessidades emocionais e a identidade própria. Levou muito mais
tempo para eu lidar essas duas coisas.
Nos primeiros anos após minha cura inicial, eu ainda tinha um desejo profundo e doloroso por
um homem forte que cuidasse de mim. Não era algo sexual, mas eu ainda queria estar na presença de um
homem que me amasse, valorizasse e fosse meu protetor. Por um período de cinco anos, Deus supriu
esta necessidade de maneira maravilhosa. Em meus momentos devocionais, pude estabelecer um
relacionamento profundo e pessoal com Jesus que preencheu todos estes espaços vazios dentro de mim.
Eu saí desse período com aquilo que acredito ser nada mais do que a necessidade normal de um homem
por amizade e afirmação de homens. Este foi meu “milagre de cinco anos”.
A respeito de minha identidade, foi outra história. Isto se tornou claro para mim rapidamente. De
muitas maneiras, após minha conversão, eu ainda era um garotinho de oito anos no corpo de um homem
de trinta e oito. Como um novo cristão, eu queria fazer tudo certinho, e com o poder de Deus à minha
disposição, não via razão para o fracasso. Mas não tive sucesso, especialmente ao tentar desempenhar
meus papéis de marido e pai. Quando me converti, era casado e tinha duas filhas, de dez e doze anos. Eu
lia livros sobre o que um marido e pai cristão deve fazer, mas simplesmente não conseguia. Eu tentava
realizar todas as coisas certas, ser firme, disciplinar, liderar minha família espiritualmente – mas, vez após
vez, fracassava.
Fora de casa, com exceção do trabalho, onde eu tinha um papel claramente definido, ocorreu o
mesmo. Sentia-me inadequado, especialmente em relacionamentos com outros homens cristãos.
Frequentemente, sentia-me como um garotinho na presença deles. Ao tentar viver o papel de um homem
cristão, eu me sentia como um rapazinho que faz uma tatuagem para provar que ele é um homem.
Enxergava-me como alguém ridículo, como uma criança vestida no paletó de seu pai. Constantemente,
eu me condenava pelas minhas falhas.
Esses foram tempos muito difíceis, e se eu não tivesse experimentado a realidade do Senhor e de
seu poder para me transformar, eu poderia ter desistido e simplesmente me encolhida na concha de
minha vida cristã. Mas eu sabia que o que tinha experimentado era real, então eu tentava com mais força.
Se eu falhasse no meu papel de ter disciplina para realizar devocionais regulares com minha família, eu
tentava novamente. Eu não compreendia a razão porque não conseguia realizar essas coisas, porque não
podia satisfazer os papéis que Deus deu para o homem.
Mas havia uma razão. Eu não podia fazer as coisas que os homens fazem porque, de muitas
maneiras, eu não era um homem. Eu era apenas um garotinho. Fisicamente e intelectualmente maduro,
porém com uma parte presa na pré-adolescência. Eu não poderia desempenhar minhas responsabilidades
de forma completa e efetiva como marido e pai – como homem – simplesmente porque as qualidades
necessárias para cumprir com estes papéis nunca haviam se desenvolvido em mim.
Minha primeira abençoada revelação deste fato me veio através do livro Crise Na Masculinidade
(Crisis in Masculinity), de Leanne Payne. Conforme li suas explicações a respeito de o que é um homem,
e aprendi sobre o verdadeiro masculino e feminino, percebi que simplesmente não havia crescido, não
havia me tornado maduro. Eu não fora liberto da obrigação de cumprir os papéis que Deus me dera, mas
já não precisava me condenar quando falhava. Agora, eu precisava começar a crescer. Tendo ganhado o
entendimento e auto-aceitação com o ensinamento de Leanne Payne, podia ser paciente comigo mesmo.
Que alívio!
Então, há mais de vinte anos comecei a trilhar a estrada do amadurecimento para a
masculinidade. Quero compartilhar dessa jornada com você, caminhar com você nessa estrada difícil. Se
você é como o “garotinho” de trinta e oito anos que eu era, rogo para que me deixe auxiliá-lo a caminhar
nesta estrada, e peço de todo o coração que você tente. Será uma das viagens mais difíceis que você já
fez; por vezes, a dor será excruciante, mas as vitórias trarão alegria além de qualquer medida. E a dor de
suas falhas irá durar apenas um curto tempo; mas o fruto de suas vitórias estará com você para sempre.

POR QUE FAZER ESTA JORNADA TÃO DIFÍCIL?

Quer você seja alguém que está lutando com o homossexualismo (buscando mudar da
homossexualidade para a heterossexualidade) ou um homem cuja masculinidade subdesenvolvida levou à
imaturidade heterossexual, esta jornada não é obrigatória. Você pode continuar pelo resto de sua vida no
seu nível atual de maturidade. É provável que nenhum desastre lhe aconteça. Provavelmente, você ainda
terá um emprego, família e amigos. Você poderá ser ativo na igreja e na comunidade em que vive; pode
até continuar a desenvolver certos talentos e habilidades específicas. A vida pode prosseguir com poucas
mudanças. Isso acontece com inúmeros homens que não avançam até o fim no desenvolvimento de sua
masculinidade. Ninguém o obrigará a fazê-lo, e ao menos que seu comportamento atual seja de risco,
continuar assim como você está não irá ameaçar a sua sobrevivência.
Mas existem razões muito fortes para que você faça esta jornada. A primeira é que a alternativa ao
amadurecimento não é extremamente desejável; a alternativa a ter uma identidade como homem é ter
outra identidade. Qual seria ela? Alguns homens cristãos que lutam com o homossexualismo buscando se
tornar “homossexuais não-praticantes”. Esta pode ser uma opção para alguns, mas muitos descobrem
que enquanto se identificarem internamente como homossexuais, a parte “não-praticante” se torna muito
difícil, se não impossível, de manter. Alguns se apropriam e mantêm a identidade do “ex-gay”, definindo-
se por aquilo que não são, ao invés do que são. Outros buscam permanecer num estado “intermediário”.
Ficam suspensos em uma vida que Deus nunca pretendeu para ninguém, uma vida cuja maior esperança
é uma forma de assexualidade, negando sua homossexualidade, mas não se definindo como
heterossexuais. Qualquer uma destas opções provavelmente levará um homem a um estado de profundo
arrependimento, quando ele perceber como sua vida é incompleta em alguns de seus elementos mais
básicos.
Outra razão para fazer a jornada é que as recompensas no fim da estrada são muito, muito
maiores que qualquer um de nós pode imaginar. Conforme você prossegue a leitura, espero que possa
convencê-lo disto. Para mim, as recompensas de conquistar a masculinidade completa valeram cada
esforço e momento de dor; e valerão para você também.
Um garotinho parece saber instintivamente que a masculinidade é algo desejável, algo a ser
capturado. É por isso que Estevão, quando tinha cinco ou seis anos, dobrava seu cotovelo, fazendo saltar
o músculo, e pedia que eu o sentisse. Um músculo significa masculinidade, e ele queria que eu afirmasse a
dele. Um rapaz adolescente vê a masculinidade como um prêmio a ser conquistado, e persegui-la é o que
dá energia a muitas das atividades que ele faz. A masculinidade é boa, muito boa. Alcançá-la de forma
plena é estar em um lugar de segurança e paz. É sentir-se adequado – adequado a tudo o que é esperado
de você. Ser um homem é ser libertado de muitos dos medos que o cercam na vida cotidiana. É poder
tirar os olhos de si mesmo e ter a capacidade de olhar o mundo ao redor como algo empolgante,
desafiador e repleto de potencial. É para isto que a jornada pode levá-lo, e vale a pena tudo o que custa
para chegar lá.
A terceira razão para fazer a jornada é a mais importante de todas, porque tem a ver com o
propósito e o desejo de Deus para a sua vida. Um amigo meu certa vez montou uma miniatura de um
trem, com um trajeto de trilhos, uma carregadora de carvão, pequenas casinhas e lojas – tudo completo.
Quando ele pôs o projeto em execução pela primeira vez, nada funcionou direito. A locomotiva só
andava de ré, a carregadora espalhava carvão por todo lugar, e as luzes da estrada piscavam sem parar.
Ele tinha um plano de como as coisas deveriam funcionar, mas poucas ocorreram da maneira certa,
portanto ele encontrou pouca satisfação após tanto esforço.
Nós também fazemos parte de um plano. Se crermos em um Deus criador, temos também de
acreditar que ele tem um plano para como devemos funcionar como homens – o que devemos ser e
como devemos viver nossa masculinidade. Temos de acreditar que ele teve uma razão para nos fazer
diferentes das mulheres, e que nosso crescimento em direção à maturidade tem um objetivo. Ele revelou
a si próprio como Pai, e sabemos que todo bom pai deseja que seu filho cresça para a plenitude de sua
masculinidade. Poderia o Pai perfeito desejar menos para seus filhos? Podemos não concordar
totalmente em relação ao que significa masculinidade completa, porque os modelos ao nosso redor são
falhos; mesmo assim, Deus não nos deixou sem orientação em relação a isso. Podemos descobrir muito
do seu plano para nós como homens. Este é um dos propósitos deste livro.
Mesmo agora, você certamente tem alguma idéia a respeito daquilo que Deus criou um homem
para ser, e alguns podem sentir que não estão completamente dentro disso; talvez até muito longe. Se o
seu desejo é ser obediente a Deus e ser o filho que traz alegria ao coração do Pai, então você é chamado a
realizar esta jornada. Você deve estar disposto a amadurecer até a plenitude de sua masculinidade. Por
que ele o ama e quer o melhor para você o seu crescimento trará grande alegria a ele.

UM MAPA PARA O CAMINHO

Quero compartilhar com você, brevemente, os princípios que usarei para guiá-lo na estrada à
masculinidade. Estou convencido que, para a maioria dos homens que lida com este problema, a
homossexualidade é, em seu âmago, um problema de identidade. Um homem assim não se sente como
homem, da forma que ele percebe que os homens sentem a respeito de si mesmos. O Dr. Bill Consiglio
referiu-se a isto como “vazio de gênero”. Este é um termo bem descritivo, porque esse homem se sente
vazio; ele está confuso e incerto quanto à sua masculinidade. Ele não se sente como uma mulher, e pode
não ter ainda adotado a identidade de gay ou homossexual, mas ele se sente vazio em algum lugar onde
deveria ser firme e sólido. Entretanto, o problema dele não é apenas que ele não se sente como um
homem, mas que ele não é, de fato, um homem – em termos de haver passado por todos os estágios de
crescimento e amadurecimento que levam os meninos da infância à masculinidade plena. Ele achou o
processo difícil ou doloroso demais, portanto se desviou e pulou uma parte dele.
O Dr. Joseph Nicolosi, na obra Terapia Reparativa da Homossexualidade Masculina (Reparative
Therapy of Male Homosexuality), diz que eles se tornaram “meninos na janela da cozinha”. Se você foi
um desses meninos, escolheu se retirar do envolvimento ativo no mundo competitivo, áspero e físico dos
meninos, e se tornou um mero observador desse mundo, assistindo da janela da cozinha. Mas não era
apenas o mundo das praças, campos de futebol e casas na árvore que você se afastou; você removeu sua
presença do campo em que sua masculinidade seria formada. Em diversos aspectos, você colocou seu
crescimento para a masculinidade em suspenso.
Agora, quinze, vinte, ou quarenta anos depois, se quiser continuar a amadurecer, você precisará se
aventurar de volta no mundo dos meninos e dos homens. Essencialmente, você terá que desenvolver sua
masculinidade da mesma forma que os meninos fazem, através de um processo de aprendizado, testes,
falhas, levantar-se e fazer novas investidas, e finalmente triunfar. Nós amadurecemos para a plenitude de nossa
masculinidade ao fazer as coisas que os homens fazem.
Uma vez que você está em meio ao processo e já obteve alguns triunfos – independentemente
das falhas no meio – começará a obter um progresso. Conforme você fizer com sucesso as coisas que os
homens fazer, você:
• Descobrirá que está sendo afirmado pelos outros homens.
• Começará a moldar seu próprio senso interior do que um homem é.
• Começará a perceber que está se tornando o homem que Deus criou você para que fosse, e
através do Espírito Santo, você saberá que está cumprindo o seu propósito como homem.
“Fazer as coisas que os homens fazem” pode parecer algo terrivelmente superficial – e talvez, por
si só, seja mesmo – mas suas consequências, nem um pouco. Conforme você for afirmado pelos outros
homens, começar a moldar o seu próprio senso de masculinidade, e se descobrir indo em direção ao
plano de Deus para você como homem, profundas mudanças começarão a acontecer nas partes mais
profundas do seu ser. A sua identidade básica começará a ser transformada.
O objetivo deste livro é auxiliar homens a alcançarem a plena masculinidade, portanto deixe-me
explicar o que quero dizer com esta expressão. Masculinidade plena, ou apenas masculinidade, é utilizado
neste livro para expressar o estado em que:
• Podemos confortavelmente cumprir com os papéis que Deus nos deu como homens, e
podemos assumir as responsabilidades que os outros têm direito de esperar que assumamos.
Como maridos, como pais, como membros do corpo de Cristo, como cidadãos, somos
esperados a cumprir com determinados papéis. Na masculinidade plena, somos capazes de
cumprir estas obrigações. Conforme prosseguimos, falarei mais sobre quais são esses papéis e
obrigações.
• Alcançamos o ponto em que crescer como homens já não é mais o ponto central de nossa
vida. Isso não significa que nos tornamos homens perfeitos (só existiu um homem perfeito),
mas que nosso amadurecimento passará a acontecer naturalmente, durante nossa caminhada
normal como cristãos.
Apesar de este livro ter sido escrito primeiramente para pessoas que estão lutando com a
homossexualidade, se outros, homens puderem achar algumas verdades amplas que podem auxiliá-los a
desenvolver e aceitar sua própria masculinidade, ótimo. Quanto a isto, gostaria de frisar ao homem
buscando superar a homossexualidade que os outros homens podem, sim, aproveitar algo deste livro,
porque muitas das lutas que você tem também são encontradas na caminhada dos outros homens; a
principal diferença é que você – e eu – desertamos da batalha por algum tempo
Estou convencido de que todo homem, não importa quão tarde começa, não importo o quão
destituído de gênero se sinta, se ele escolhe a masculinidade e está disposto a aceitar as oportunidades e
desafios que Deus coloca diante dele, pode esperar, ainda nesta vida, experimentar a masculinidade plena.
2

crescer na masculinidade: essencial para a cura


“Eu guardei o seu número de telefone em minha gaveta por três anos. Eu ficava adiando e
adiando, mas finalmente tive que ligar para vocês”. Declarações desse tipo são ouvidas frequentemente
nos escritórios do ministério Regeneração. Regeneração é parte da coalizão mundial Exodus, de
ministérios cristãos cujo foco principal é ajudar homens e mulheres a superarem o homossexualismo. Às
vezes eu penso que, se cada cristão lidando com a homossexualidade que tem o nosso número de
telefone em sua carteira ou gaveta decidisse nos ligar no mesmo dia, nossas linhas telefônicas não
aguentariam a sobrecarga.
Este tipo de ligação sugere três coisas a respeito da pessoa. Primeiro, obviamente, em algum nível
ele está insatisfeito com a sua homossexualidade. Segundo, alguns obstáculos poderosos – normalmente
ambivalência e medo – o mantiveram resistente a pedir ajuda. E terceiro, ele finalmente chegou ao ponto
em que a sua homossexualidade lhe causou tanta angústia, que ele está disposto a enfrentar estes
obstáculos; ele está disposto a confrontar seus medos e resolver a ambivalência.

BARREIRAS QUE DIFICULTAM BUSCAR AJUDA

Vamos olhar para estes obstáculos e para as questões específicas que acompanham a pessoa que
está passando por isso. O primeiro deles está relacionado à natureza dos pecados de vício. Embora um
homem possa odiar a sua homossexualidade com todo seu coração e mente, ao mesmo tempo há certas
maneiras em que ele a ama. Para muitos de nós, ceder a nossos desejos foi, por anos e anos, a nossa
forma de lidar com a vida, uma forma de escape, de consolo próprio, de encontrar alívio temporário da
terrível dor e vazio que sentíamos por dentro. Nós odiávamos e ao mesmo tempo amávamos; em nossa
ambivalência, estávamos paralisados, sem saber para que lado ir.
Eu odiava minha homossexualidade. Ela me levou a fazer coisas tolas e degradantes. Ela me
impeliu a ações arriscadas que eu sabia que podiam me custar tudo: minha esposa, meus filhos, minha
carreira, até minha vida. Mas, por dez anos adentro do meu casamento, eu me apeguei a ela. Como
poderia viver sem ela?
O segundo grande obstáculo é o medo. Há o medo simples do desconhecido. “Se eu me envolver
com um ministério, o que essas pessoas vão querer que eu faça, e o que elas farão comigo? Que tipo de
pessoas são elas? São algum grupo de mente estreita e fundamentalistas, anti-gays disfarçados de cristãos,
ou mascates de alguma nova teoria psicológica maluca?” Há também o medo de se expor, um temor em
geral enraizado no orgulho ou na vergonha. “Eu já sou um cristão há dez anos. Eu deveria ser capaz de
cuidar disso sozinho. Admitir o problema e procurar ajuda significa reconhecer o grande fracasso que eu
sou como cristão. As pessoas iriam até questionar se eu sou, de fato, um cristão”. Estes medos são
normalmente mais intensos em alguém que cresceu em uma comunidade cristã conservadora, onde o
estigma do homossexualismo é mais severo.
Baixa auto-estima é uma grande parte da maior parte dos casos de homossexualidade masculinha.
Este é um dos principais assuntos do livro do Dr. William Consiglio, Homossexual, Nunca Mais (Homosex-
ual No More). Uma defesa comum contra a dor da baixa auto-estima é construir uma imagem – para nós
mesmos e para os outros – de um homem que é bom, honrado e forte. Portanto, dizer na presença de
outra pessoa: “eu sou um homossexual”, é destruir a falsa identidade que nos oferecia o único retalho de
auto-estima que possuíamos.

O PONTO DE DIZER “JÁ CHEGA” — FONTES DE ANGÚSTIA

Apesar destes obstáculos, os homens procuram ajuda. Qual é a angústia tão poderosa que um
homem considera deixar para trás os seus vícios, e estar disposto a caminhar através de um campo
minado de temores? Se o homem é um cristão – e a grande maioria dos homens que vem aos ministérios
Exodus possui algum tipo de fé ou crença na moralidade cristã – a angústia vem de uma ou duas áreas.
Primeiro, e talvez mais óbvio, é a aflição pelo seu comportamento. Ele está em um terrível conflito por
causa da contradição entre aquilo que ele acredita ser um bom comportamento, e o que ele está fazendo.
Ele se sente como Paulo, que escreveu em Romanos 7 sobre ser induzido a fazer aquilo que ele detesta.
Entretanto, ele pode sentir que os problemas de Paulo deviam ser muito menores do que os dele. Isso
será verdade especialmente se o comportamento dele foi além de masturbação e fantasia. (Neste livro, eu
incluo a fantasia e a masturbação como partes do comportamento homossexual, além da atividade sexual
com outra pessoa.) Calculo que mais de 90% dos homens que buscam ajuda nos ministérios ex-gay, o
fazem por causa do grande conflito que sentem entre seu comportamento e o que acreditam que Deus
quer para eles.
A segunda área de angústia está relacionada com a direção de suas atrações sexuais. Ele é atraído
sexualmente por homens, mas gostaria de ser atraído por mulheres. Em relação aos homens, a atração
está criando um intenso desejo que ele sente que nunca o deixará e que crê, como cristão, que jamais
poderá satisfazer. O desejo pode ser puramente sexual ou pode ser emocional. Apesar de nossa tendência
de pensar na homossexualidade masculina com foco na atração física e na homossexualidade feminina
como atração emocional, em muitos homens há um desejo quase esmagador de pertencer, ser cuidado,
amado por um homem, ou por transferência, de possuir, cuidar, amar outro homem. Eu ouvi homens
cujo grau de promiscuidade sexual seria considerado inacreditável pelos padrões heterossexuais,
derramando sua dor, e dizendo: “não era o sexo que eu realmente queria; era alguém para me amar”. Eu
acredito neles. Esta ânsia não satisfeita pode ser tão intensa quanto a sexual. É claro, os dois não podem
ser totalmente separados. Leanne Payne e outros apontaram muitas vezes como nossos desejos sexuais
são, frequentemente, desejos emocionais mais profundos, que se tornaram erotizados.
A atração pelo mesmo sexo é apenas um lado da angústia relativa à natureza de suas atrações; o
outro lado é a falta de atração pelo sexo oposto. Ele não sente absolutamente nenhuma atração
romântica e sexual por mulheres, mas quer um dia se casar e ter filhos. Como os outros homens, ele tem
uma percepção de que muito do propósito e da plenitude de vida de um homem é satisfeito através do
casamento e da paternidade. Ele quer se sentir atraído por uma mulher, mas simplesmente não há nada
onde deveria haver. A ausência de qualquer atração pelo sexo oposto está na raiz de sua percepção de
que jamais poderá viver uma vida normal, de que está preso em um ponto e jamais poderá progredir.
Existe uma terceira área de angústia, que pode não transparecer até que o homem tenha lidado
com as outras duas. Esta tem a ver com sua identidade como homem. Uma vez que ela não é tão diretamente
“sexual” como o comportamento e as atrações, ele pode a princípio não fazer uma conexão com a sua
condição homossexual. Além disso, está tão estabelecido como parte “daquilo que ele é”, que ele pode
nunca ter considerado que poderia ser mudado. Não é uma identidade que diz simplesmente: “eu sou
gay”, mas uma que, mais profundamente, diz: “eu não sou um homem”, ou, ao menos: “eu não sou um
homem como os outros homens”. Ele não está à altura. Na adolescência, e talvez até mais cedo, ele se
sentia diferente dos outros rapazes, e diferente sempre significava “menos que” ou “inferior a”. Estes
sentimentos continuaram através dos anos da adolescência e pela vida adulta. Mesmo hoje, na companhia
de outros homens, ele sente de alguma forma que não faz parte do mundo deles.

ASPECTOS DO PROBLEMA DE IDENTIDADE

Os problemas dele em relação a isto se manifestam principalmente em duas áreas da vida.


Primeiro, ele passa por um grande desconforto e embaraço na companhia de outros homens,
especialmente em grupos de homens e em situações desestruturadas. Ele sempre sente como se estivesse
fora do mundo deles, olhando para dentro. Ele não compartilha dos mesmos interesses que os outros
homens têm, e isto sustenta o seu sentimento de sempre estar desassociado deles.
Segundo, o problema da identidade é manifesto em acreditar – e, frequentemente, em provar na
prática – de que em muitas áreas, ele é incapaz de fazer as coisas que os homens fazem. Não apenas na
companhia de outros homens, mas em sua família e em tudo que é lugar, ele sente-se fortemente
inadequado em exercer as virtudes masculinas, principalmente em tomar a iniciativa e exercer autoridade.
Isto pode resultar nele assumindo um papel bastante passivo na vida, ou, no caso de alguns homens, de
adotar uma autoconfiança agressiva, que tenta cobrir sentimentos de fraqueza e insegurança.
Obviamente, estas características podem estar presentes em homens cuja orientação sexual é
heterossexual, mas há uma diferença fundamental na natureza desta deficiência nos dois tipos de homem.
No que possui orientação heterossexual, estas inseguranças se fundamentam em uma crença em geral
subconsciente: “eu sou inadequado como homem”. No homem orientado à homossexualidade,
entretanto, a crença fundamental é: “eu não sou um homem de verdade”. A maioria dos meninos e
muitos homens lutam duramente para provar – principalmente a si mesmos – que são adequados como
homens. A maioria de nós que crescemos com orientação à homossexualidade desistiu desta luta, mais
cedo. Acreditando que jamais seríamos realmente homens, começamos a buscar a masculinidade nos
outros.
Quando me pedem para descrever o que acontece na cura de um homem homossexual, eu falo
dessas três áreas que acabei de descrever: comportamento, atrações e identidade. Eu explico que o
homem que está lutando pode esperar vitória total ou quase completa na área de comportamento, uma
mudança significativa – se não completa – em suas atrações sexuais, e pode se tornar completamente
confortável e em paz com sua identidade masculina – sua masculinidade. Estou convencido de que esta
mudança é possível para qualquer homem que realmente buscá-la, e que rende a sua vida e sua
sexualidade a Jesus.

O PAPEL CENTRAL DA IDENTIDADE

Apesar da cura do homem homossexual ser, de muitas maneiras, um processo indireto – como
resultado das mudanças amplas em sua vida espiritual – quase todo homem que está lutando com isso
terá de confrontar estes três elementos do problema. Nunca haverá recuperação até que o
comportamento, atrações e identidade tenham sido tratados e, até certo ponto, transformados. Apesar da
inclinação natural voltar-se ao comportamento e às atrações – pois é aí que ele sente o peso – creio que o
fruto mais rico irá brotar em sua vida ser ele escolher focar mais fortemente (e mais cedo) na área da
identidade.
E isto é verdadeiro por duas razões. Primeiro, por que a identidade é mais maleável ao ataque direto do
que o comportamento e as atrações. Nunca encontrei um homem que dissesse: “Hoje eu vou começar a ser
atraído por mulheres ao invés de homens”, e, salvo por um verdadeiro milagre, descobrisse que algo
realmente mudou. Quanto ao comportamento, embora tentar ser obediente seja uma parte essencial do
processo de cura, uma mudança no comportamento, sem uma transformação profunda na identidade,
será pouco mais que uma abstinência forçada. A identidade, por outro lado, pode ser mudada
significativamente através de um programa de escolhas conscientes e ações específicas.
A segunda razão pela qual o processo de mudança pode ser avançado significativamente ao lidar
com o problema da identidade é que a identidade masculina incompleta de um homem é o que abastece e dirige o seu
comportamento e atrações homossexuais. Esta identidade masculina quebrada ou incompleta é o mecanismo
que dá direção às atrações sexuais e o motor que alimenta o nosso comportamento pecaminoso. Vamos
examinar isto com mais detalhes.
Em relação às atrações, a essência da atração sexual parece ser as ‘diferenças’, a percepção do
‘outro’. Certamente, para o homem orientado à heterossexualidade, algo da atração sexual está no
conhecimento de que a interação do pênis dele com a vagina de uma mulher pode trazer um prazer
extraordinário. Mas todos nós sabemos que há muito mais envolvido na atração sexual do que isto. O
que dizer dos seios da mulher? Por que eles são objeto de atração sexual para um homem? Eles são
simplesmente órgãos para amamentar um bebê; eles não possuem função sexual direta. E quanto ao
traseiro, o formato arredondado e a suavidade da sua pele? O que dizer de coisas que ela faz
intencionalmente, como deixar o cabelo ficar longo ou usar batom? Por que estas coisas despertam
desejo sexual na maioria dos homens? Pode haver diversas razões. O corpo de uma mulher – seus seios,
o formato arredondado – podem atiçar o seu desejo de ser bem cuidado; as diferenças dela podem
instigar o apetite dele por mistério; a vulnerabilidade dela pode engatilhar o desejo dele por conquista.
Todos estes fazem sentido, mas o que mais atrai o homem sexualmente à mulher é que ela é a “outra”.
Ela possui coisas em si mesma que um homem não possui em si próprio.
Estas características que uma mulher possui e o homem não, que simbolizam a mulher, o atraem
a ela. Elas expressam o feminino e atraem o masculino. A parte masculina de um homem anseia pela sua
outra metade. Olhando para isso espiritualmente, o homem pode estar procurando tornar-se completo,
por restauração da parte dele que foi tirada quando a mulher foi criada. Ou talvez porque masculino e
feminino, juntos, refletem Deus mais habilmente do que apenas o homem ou mulher sozinhos – tendo
sido ambos criados à imagem de Deus – o desejo de um homem por um complemento reflita o seu
Criador de forma mais plena.
Eu sou um homem, e procuro meu complemento na mulher. Mas, e se um homem não possui
esse senso profundo de que é um homem? Ele experimentará as mesmas atrações por uma mulher? Ela
será o seu “outro”? Não, e isto é algo crítico. Se ele não se sente completo como um homem, seu
primeiro desejo não será pela mulher, mas pela masculinidade completa; ele será atraído pelo masculino
em outros homens. Este será o seu “outro”, sua costela faltando. Esse será o seu meio de se sentir
completo. Portanto, o desenvolvimento de nossa masculinidade – buscar ser completo em nós mesmos –
terá grandes benefícios, tanto no sentido de diminuir nossas atrações pelo mesmo sexo, quanto iniciar
nossa atração sexual pelas mulheres.
Eu disse que nossa identidade masculina incompleta, além determinar a direção de nossas
atrações sexuais, também é o motor que alimenta o nosso comportamento homossexual. O enorme
poder do desejo homossexual pode ser percebido nas atitudes tolas, até insanas, que muitos homens
homossexuais têm para conseguir algum tipo de contato com a masculinidade. O que leva um homem
sensível a deixar um rapaz durão que não conhece entrar no seu apartamento, sabendo muito bem dos
riscos de ser roubado, espancado ou até pior? Por que um homem de negócios ou profissional bem
sucedido arrisca ser preso ou ser humilhado publicamente ao tentar fazer contato sexual com outro
homem em um banheiro público? Por que eu fui repetidas vezes ao um bar gay em uma das principais
ruas de Baltimore, sabendo que podia ser visto por qualquer um e ter todas as minhas mentiras expostas?
Nós fizemos estas coisas por causa do desejo gigantesco que havia dentro de nós. Nós
ansiávamos por algum tipo de contato com aquilo que representasse ou simbolizasse a masculinidade:
uma aparência rígida, firme, músculos, um pênis. Todos estes são símbolos da masculinidade – a
masculinidade que não possuíamos – e pela qual éramos atraídos, até obsessivamente, a olhar, tocar,
cheirar, juntar-nos, de alguma forma. Nossa masculinidade incompleta clamava por isso, pelos seus
elementos faltando.
Leanne Payne ilustra esta ânsia pela masculinidade com sua teoria do canibalismo. Em A Imagem
Quebrada (The Broken Image) ela descreve como os canibais comem apenas as pessoas que admiram,
acreditando que desta forma podem adquirir algumas de suas características. Este desejo ‘consumidor’
pela masculinidade no homem homossexual se torna óbvio: um homem que sente a falta da
masculinidade completa satisfaz a necessidade por ela através do seu comportamento homossexual,
esperando adquirir algo da masculinidade do outro homem.
O ponto principal para se lembrar, entretanto, é que a ânsia pela masculinidade do outro só está
presente em um homem que sente que falta algo em sua própria masculinidade. Não é assim que ocorre
também com todos os tipos de cobiça? Nós desejamos as coisas que não temos, ou que pensamos não
ter. Esse desejo é tão intenso – tão intenso é o motor que pode dirigir um homem ao comportamento
homossexual – que até quando tal comportamento é completamente contrário ao seu instinto humano de
proteger a si próprio, bem como à suas crenças religiosas mais básicas, ele ainda não consegue segurar a
si próprio.
A questão da identidade se manifesta também de outra forma. Muitos de nós percebemos o
fracasso em ser aprovado pelos homens (ou, inversamente, o sentimento de termos sido rejeitados) como
um elemento chave no desenvolvimento de nossa homossexualidade. Neste ponto, o desejo
homossexual poderoso é um apelo desesperado do garotinho interior: “Alguém pode me mostrar que
tenho valor como um homem, para um homem?” Esta não é só a ânsia de aliviar a dor da baixa auto-
estima. Um homem pode ser bem valorizado pelas mulheres em sua vida, e pode reconhecer que possui
dons extraordinários em determinadas áreas, mas o clamor do menininho ainda está lá. O valor dele
precisa ser demonstrado por um homem, e a área sendo valorizada precisa expressar a masculinidade.
Assim como tantas outras partes da vida, especialmente áreas de profunda necessidade, esse
desejo pode ser ‘sexualizado’. A partir deste ponto, o contato sexual, ou simplesmente receber um sinal
de que outro homem o deseja, mesmo que apenas como um objeto sexual, de alguma forma satisfaz esta
ânsia, temporariamente. Isto explica muito dos ‘passeios desinteressados’ que os homens homossexuais
fazem, indo a lugares onde outros homens se aproximem deles, mesmo em um momento onde o contato
sexual não é desejado. Às vezes, vindo para casa do trabalho, quando eu sabia que não teria como
explicar chegarem casa mais de meia hora atrasado, eu ainda passava no bar gay. Eu não estava atrás de
nenhum contato, mas apenas esperava que algum homem demonstrasse que me queria.

NÃO HÁ ATALHOS PARA O AMADURECIMENTO

Deus poderia imediatamente pegar qualquer um de nós e dar vitória total sobre nosso pecado
sexual. Houve certa instantaneidade deste tipo em meu processo de cura, de forma que fui liberto do
desejo de sexo com homens no momento da minha conversão. Mas ele tem um plano bem melhor para
nós, e esta não é a forma que Deus opera, geralmente. Ele não se contenta apenas com a satisfação do
nosso desejo de parar com o comportamento pecaminoso, ou em fazer-nos meramente passar a desejar
mulheres sexualmente. Ele quer que nos tornemos os homens que ele nos criou para sermos, homens de
verdade em todos os sentidos. Ele pode permitir que o comportamento pecaminoso continue, de forma
que nos faça chegar ao ponto em que renderemos a ele aquilo que tem nos escravizado. Da mesma
forma, ele pode permitir que a dor da masculinidade subdesenvolvida continue, para nos tornar enfim
dispostos a atravessar o doloroso processo de amadurecer como os homens que ele nos criou para
sermos.
Quando meus filhos estavam crescendo, eu detestava vê-los se machucarem fisicamente. Mesmo
assim, eu tirei as rodinhas de apoio de suas bicicletas. Eu preferia vê-los ganhar alguns arranhões, do que
nunca poderem andar de bicicleta. Eu preferia vê-los tentar, falhar, e tentar outra vez, do que vê-los
crescendo e se tornando indivíduos medrosos.
Se estas são as suas circunstâncias, será que Deus está fazendo disso um jogo com você? Será que
ele está deixando-o afundar no lamaçal da sua homossexualidade até que você finalmente descubra o que
deve fazer? É claro que não. Uma das principais metáforas que Deus usa para descrever o
relacionamento que ele quer com nós é o de pai e filho. O que um homem deseja mais para o seu filho
do que ele cresça para a plenitude de sua masculinidade? Se nós, que somos pecadores, desejamos isto
para nossos filhos, quanto mais Deus deseja isto para nós? Ele, que plantou em cada um de nós os
atributos da masculinidade, iria querer algo menos do que esses atributos se desenvolvessem e
florescessem ao máximo? Não. E assim como um bom pai disciplina ao filho que ama, assim também o
nosso Pai nos deixa sofrer em nossa desolação até que ouçamos a sua voz e comecemos a buscar o
melhor que ele tem para nós: nossa plena masculinidade.
Deus estabeleceu a família na qual cada pai iria ensinar ao seu filho o que significa ser um
homem. Nós sabemos, entretanto, que nem sempre a vida funcionou dessa forma. O pecado entrou no
mundo, e a paternidade, assim como tudo o mais, tornou-se imperfeita. Entretanto, o plano de Deus para
nós não mudou. Embora seu plano original tenha se descumprido por causa do pecado do homem, a
redenção pode ser nossa através de Jesus Cristo. Deus será o nosso Pai, e irá caminhar conosco através
do processo que nos trará à plena masculinidade. Todas as coisas se fazem novas em Jesus Cristo.
3

como um homem se desenvolve


É possível que não vejamos, em nosso tempo de vida, uma resolução definitiva dos debates
“genética x ambiente”, que ocorrem em relação a todo o tipo de comportamento e condições humanas.
É muito difícil chegar a uma compreensão plena deste assunto, não apenas porque a interação entre
genes e ambiente é extremamente complexa, mas porque assim como ocorre com diversos tipos de
comportamento, um grande número de grupos possui um interesse intenso em promover a crença de
que um, ou outro, é o fator determinante. Por exemplo, ativistas homossexuais parecem determinados a
encontrar uma prova irrefutável de que o homossexualismo é implantado na criança, ao nascer. Pensam
que, se esta crença for aceita, a sociedade terá de reconhecer o homossexualismo como um estilo de vida
aceitável. Por outro lado, aqueles de nós que desejam que a mudança da homossexualidade para a
heterossexualidade seja possível, possuem a ânsia de promover a crença de que não nascemos assim. Em
uma questão semelhante, os antigos feministas radicais promoviam a ideia de que, exceto por certas
diferenças relacionadas às funções reprodutivas, homens e mulheres são exatamente idênticos, e todos os
papéis e diferenças comportamentais são o resultado de influências ambientais. Tais ideias extremas e
politicamente motivadas recebem bem menos aceitação hoje em dia, e as pessoas estão começando a crer
que o ambiente e a hereditariedade, de forma conjunta – em paralelo ao livre-arbítrio, como a maioria
dos cristãos crê – desempenham papéis importantes para fazer de nós o que somos.
Como meninos se tornam homens é uma parte importante deste debate, e certamente muito
relevante ao tema deste livro. Um garotinho já nasce com as peculiaridades que inevitavelmente o levarão
a assumir certos papéis, e comportar-se da forma vista como comum pela sociedade? Ou é a nossa
cultura que ordena isto a ele? Desde as primeiras semanas de suas vidas, os meninos são direcionados
pelos seus pais e pela comunidade a assumirem os mesmos papéis que seus pais tinham? Ou existe outra
coisa, algo interno, levando-os para esta direção?
Eu certamente não poderei resolver este debate em apenas um livro, mas também não posso
ignorá-lo. Ao invés disso, quero formular duas hipóteses básicas, que acredito serem aceitáveis à maioria
dos leitores. Falarei mais delas depois. No capítulo 6, vamos falar a respeito das marcas inatas de um
homem, enquanto examinamos todo o conjunto de diferenças que existe entre os corpos dos homens e
das mulheres. E ao longo do restante do livro, conforme discutimos como a masculinidade se
desenvolve, iremos considerar os fatores ambientais continuamente.
As duas hipóteses abaixo são necessárias para fundamentar o conceito de amadurecimento da
masculinidade que será desenvolvido neste livro. Espero que, para você, elas pareçam aceitáveis. Se não,
recomendo que você continue lendo mesmo assim e veja como elas se encaixam no mundo real – o
mundo real quase universal – dos meninos que estão se transformando em homens.
1. Meninos são biologicamente destinados a amadurecerem como homens; homens que são
diferentes de mulheres, em questões que vão muito além da mera anatomia e das funções
reprodutivas.
2. As estruturas sociais sempre existiram para guiar o processo de amadurecimento da infância para
a masculinidade adulta.
Juntas, estas hipóteses não representam nenhum ponto de vista que possa ser considerado
extremo. Não estou argumentando que a masculinidade seja completamente genética, nem
completamente aprendida. Se assumirmos a hipótese 2 como necessária, não apenas uma casualidade que
acontece em cada cultura, podemos levá-la um pouco adiante e dizer o seguinte: Meninos são, de fato,
geneticamente destinados a se tornarem homens, porém orientação ao longo do caminho é necessária;
caso contrário, o processo pode não ocorrer da forma esperada.

DE MENINO A HOMEM: O QUE ELE SE TORNA

De um ponto de vista puramente fisiológico, quando um menino nasce, se nada vier a tirar a sua
vida de forma prematura, ele crescerá e se tornará um homem. É simplesmente um fato biológico. Ele
nasce com a matéria-prima necessária para ser um homem, e o principal elemento necessário para realizar
esta transformação é o tempo.
Durante uma parte deste tempo, alguém precisa alimentá-lo e protegê-lo de elementos hostis da
natureza, bem como quaisquer inimigos que ele venha a encontrar. Desta forma, podemos dizer que ele
se torna um homem quando puder prover para si próprio o alimento necessário, abrigo, e a defesa
pessoal.
Ele precisa se tornar um produtor ou provedor, apto para obter o necessário para suas
necessidades básicas. Qual será sua idade neste ponto? Depende. Se havia abundância de alimento
disponível, e se os elementos não eram hostis, o início da adolescência poderia marcar a sua plena
entrada na masculinidade. Entretanto, se a natureza não foi tão acomodante, e ele precisou aprender a
plantar, pescar ou esperar na fila do supermercado para sobreviver, a masculinidade seria adiada até que
ele aprendesse essas habilidades.
Mas isso não é tudo. Reconhecemos que o homem é um membro de uma espécie, portanto ele
não terá atingido plena masculinidade até ser sexualmente maduro para produzir descendentes. Isso exige
que no mínimo ele tenha passado pela puberdade.
Portanto, se a natureza não for acomodadora – e ela raramente é – os filhos que ele vier a ter irão
morrer, vindo a extinguir a espécie, se ele não estiver disposto a cuidar deles e da mãe durante os
primeiro anos, especialmente enquanto as crianças ainda forem amamentadas. Existem criaturas – como
o cervo, por exemplo – em que o pai impregna a mãe e não tem nenhum envolvimento com a sua prole.
Entretanto, dado o longo período durante o qual os infantes humanos necessitam de cuidado, a
sobrevivência da raça seria incerta se o homem não estiver pronto a assumir o papel de marido e pai.
Mas este é apenas o ponto de vista biológico do homem. Ele é mais do que uma entidade
biológica independente; ele é uma criatura social. Se formos da biologia para a sociologia ou
antropologia, descobriremos que o homem jamais, em larga escala, viveu de forma solitária ou apenas
com seu núcleo familiar. Nunca existiu uma civilização que fosse baseada em ermitãos ou em um
arquipélago de famílias em “ilhas”. Um homem estabelece conexões com outros homens ou outras
famílias, com o propósito de defesa mútua ou de organizar maneiras de prover de forma mais eficiente
para suprir as necessidades de cada família. Assim, ele é criado para funcionar dentro uma comunidade
maior, ou dentro de diferentes níveis de uma comunidade. Para ser um homem funcional, ele precisa
participar da vida de sua comunidade próxima e de sua nação, às vezes sendo chamado para defendê-la.
Hoje em dia, diríamos que ele atua como um cidadão.
Mas precisamos ir um passo além. Um homem é mais do que uma criatura biológica ou social; ele
também é espiritual. Ele não é completo até que sua vida espiritual encontre expressão. Ele precisa viver
em relacionamento com o Deus em cuja imagem ele foi criado. Primeiramente, os judeus, e depois, os
cristãos foram ensinados que este tipo de relacionamento também ocorre em comunidade. Para os
cristãos, esta comunidade é a igreja. A masculinidade plena requer que um homem seja capaz de
funcionar como membro do corpo de Cristo.
Então, quando a masculinidade plena é atingida? Podemos dizer que um menino obtém a
masculinidade quando atinge o ponto em que é capaz de ser um provedor, um marido, um pai, um
cidadão, e um membro do corpo de Cristo.
Mas existe mais uma dimensão no amadurecimento da masculinidade. Cada perspectiva dessa
formação possui um lado qualitativo. Quando Deus criou o homem, ele disse que sua criação era “muito
boa” (Gênesis 1:31). A masculinidade desejada por cada menino, cada adolescente, e cada adulto, e que
cada mãe e pai querem para os seus filhos, também possui um lado qualitativo. A própria palavra
masculinidade possui uma conotação qualitativa. A menos que estejamos falando em termos biológicos
limitados, quando dizemos que alguém é um “homem de verdade”, estamos expressando nossa opinião
da qualidade de sua masculinidade. A masculinidade é real quando não fazemos apenas o que é
necessário para que nós e nossa raça sobrevivamos, mas quando fazemos estas coisas de forma bem feita
Conquistar a masculinidade é bom por si próprio, mas a masculinidade de alguns homens é superior a de
outros. No contexto deste livro, e em linha com as aspirações da maioria dos leitores, masculinidade
plena implica em ser capaz de fazer todas as coisas que um homem faz – ser um provedor, marido, pai,
cidadão, e cristão – e fazê-las bem.
A maioria de nós concorda que não devemos criar a expectativa de fazer todas estas coisas
perfeitamente. Só existiu um homem perfeito. E fazê-las “bem” é um termo subjetivo. Acredito,
entretanto, que em geral sabemos como e quando aplicá-lo. Por exemplo, quando meu filho, Estevão,
estava fazendo 21 anos, eu sabia que ele estava pronto para ser um bom marido, pois ele era gentil e
cuidadoso com sua noiva, e realmente a amava. Ele também gostava muito de crianças. Ele escolheu ser
professor, e as crianças o adoravam. Além disso, estava claro que ele não teria problemas para ser firme
com crianças. Ele era um cristão firme, tanto no sentido de testemunhar ativamente como de discipular
aos outros no colégio. Ele era firme em suas crenças e convicções, e estava destinado e a ser um bom
cidadão. Faltavam-lhe ainda algumas coisas. Até que completasse sua educação, dentro de um ano, ele
dificilmente poderia prover o que sua família necessitava. Mesmo levando em conta minha parcialidade
como pai, acredito que podia identificar o “bom” em Estevão. Olhe ao seu redor. Você pode ver isso em
outros, e em si mesmo?
Curiosamente, esta definição de masculinidade – a capacidade de ser um provedor, marido, pai,
membro do corpo de Cristo, e cidadão, e fazer estas coisas bem – é similar ao que escrevi diversos anos
atrás no periódico Regeneration News (Notícias de Regeneração) para responder à questão: “Qual o
momento em que você foi curado da homossexualidade?” Estamos curados ao ver-nos prontos para
assumir positivamente todas as obrigações e privilégios geralmente atribuídos a um homem. No centro
destas está a habilidade de ser um pai e marido adequados. Perceba que estou utilizando a palavra
habilidade. Nós não precisamos estar vivendo ativamente estes papéis no tempo presente, e muitos
homens não irão se casar, alguns por causa das circunstâncias e outros por causa de um chamado
superior que prevalece sobre o casamento. Muitos outros não terão filhos. Mas é a capacidade de cumprir
com estes papéis de forma satisfatória que indica que alcançamos a masculinidade plena, e para muitos de
nós, a cura do homossexualismo.
É essencial que fique claro que a expressão masculinidade não é sinônima de “maioridade” no
sentido cronológico, embora masculinidade também signifique “possuir as características de um homem
adulto”. Possuir a maioridade apenas não significa masculinidade; é a maioridade, acrescida de certas
qualidades diferentes daquelas possuídas por mulheres e crianças. Além disto, estou utilizando
masculinidade e termos como masculinidade plena ou completa para identificar um ponto em nosso
amadurecimento, não a conclusão de tudo. Mesmo depois que tenhamos aprendido a fazer todas estas
coisas bem, esperamos continuar a nos desenvolverem nossos papéis apropriados, e em todas as virtudes
masculinas, pelo resto de nossas vidas.
Muitos dos que estão lendo isto e lutam contra a homossexualidade irão perceber que existem
algumas áreas nas quais vocês já alcançaram a masculinidade plena. O fato de que você possui seriedade e
sobriedade suficiente para ler um livro destes, e está disposto a trilhar a difícil estrada sugerida aqui, é um
indicador de que já ocorreu um amadurecimento considerável em sua vida. Espero que este capítulo o
tenha afirmado ainda mais em relação a isto.
Para aqueles de vocês que ainda não atingiram a plenitude de masculinidade nestes critérios, meu
desafio é que continuem lutando. Você consegue chegar lá! Você será capaz de cumprir todos os
propósitos que Deus colocou para você aqui na terra – e será capaz de cumpri-los bem.

COMO SE CHEGA LÁ

Alcançar a masculinidade, isto é, atravessar todos os processos que nos levam da concepção até a
plena maturidade, envolve um grande número de mudanças na fisiologia, intelecto, compreensão,
sexualidade, identidade, habilidades de relacionamento, e muitos outros aspectos. As mudanças
individuais que ocorrem provavelmente são numerosas demais para listar. Ainda assim, para a maioria
dos meninos, o processo é “automático”, isto é, ele possui pouca consciência de que o processo está
acontecendo. Desta forma, a grande maioria dos meninos, se sobreviverem, irá atingir a masculinidade
adulta. Isso não significa masculinidade perfeita, ou mesmo que estejam plenamente satisfeitos consigo
mesmos, mas que se tornarão homens funcionais. Uma exceção a isto são os 2 a 5 por cento que
crescerão inaptos a funcionarem plenamente como homens. Estes são aqueles que identificamos como
homens homossexuais.
Quando pais preocupados perguntam o que devem fazer para garantir que, em uma sociedade
confusa quanto aos gêneros, seus filhos cresçam com uma identidade sexual normal e saudável, minha
primeira resposta é: “Faça o que natural e tente não cometer erros”. Isso pode soar simplista, mas possui
uma grande dose de verdade. O fato de que os pais, em todas as gerações, todas as culturas, com tudo
que é nível de educação e habilidade, tendem a criar filhos – cerca de 97% deles – com uma identidade
sexual clara, indica que o processo é razoavelmente “automático”, em grande parte uma questão de fazer
aquilo que ocorre naturalmente. É claro que pais cometem erros. Iremos lidar com alguns desses – e com
o que pode ser feito para corrigi-los – mais adiante.
Na maior parte das vezes, o processo funciona, porque Deus nos criou para sermos macho e
fêmea, e ele estabeleceu a família, na qual se criam meninos e meninas para serem homens e mulheres. O
processo funciona quase sempre, seja entre intelectuais e selvagens, entre cristãos e pagãos. Como ele flui
a partir no nosso ser físico e da estrutura da família, historicamente o homem nunca necessitou de teorias
elaboradas a respeito de como criar filhos e filhas. Entretanto, na sociedade atual, existem algumas razões
pelas quais pode ser importante entender o processo.
A primeira razão é que a sociedade em que vivemos já não possui um consenso a respeito do que
significa ser um menino ou uma menina. Portanto, esclarecimentos nesta área podem ajudar-nos a
realizar um trabalho muito melhor na hora de criar nossos filhos – e a nós mesmos, se nossa
masculinidade nunca se desenvolveu plenamente. Tanto o colapso da família, como a ausência de normas
culturais fortes, tem tornado a criação de filhos uma tarefa muito mais precária.
A segunda razão é que compreender o processo de como um homem se desenvolve nos permite
identificar o que aconteceu de errado com alguns de nós, e se houver alguma forma de corrigir este
problema, teríamos grandes benefícios. Este livro é baseado na crença de que podemos identificar
algumas destas coisas, e de que elas podem em grande parte ser corrigidas, não importa quantos anos se
passaram.
Então, vamos examinar o processo através do qual a masculinidade se desenvolve. O senso
comum, hoje em dia, é de que ele segue estágios distintos e identificáveis. Para compreender o que
aconteceu de errado em nossas vidas, e para corrigir o que ocorreu, vamos investigar estes estágios.
Apesar de existirem muitas teorias a respeito da maturidade de um menino rumo à masculinidade, a
maioria dos entendidos no assunto concordaria que, de uma maneira ou outra, o crescimento envolve os
seguintes passos:
1. Fisiológico: No nível celular, na estrutura do corpo e no funcionamento do cérebro, existem
diferenças no plano masculino e no plano feminino. O crescimento fisiológico começa na
concepção e continua ao menos até o fim da puberdade.
2. Separação da mãe: Ocorre fisicamente no processo do nascimento, relacionalmente no processo
da desmama, e psicologicamente na criação de uma identidade separada da mãe, no menino.
3. Identificação com o pai ou “o homem”: o menino observa o seu pai e percebe que de alguma
forma é semelhante a ele.
4. Seguindo o exemplo/imitando o pai: O menino quer ser como o seu pai, portanto o observa e
tenta agir de forma semelhante a ele.
5. Testando a masculinidade: Ele quer provar que é como o seu pai, portanto testa a si próprio para
receber a afirmação de que é um homem como seu pai, buscando esta afirmação primeiramente
do seu pai e em seguida de seus semelhantes.
6. Recebendo afirmação: Ele recebe uma resposta de aprovação de seu pai ou de seus semelhantes,
dizendo que ele de fato é um homem.
7. Aceitando sua masculinidade: A afirmação que recebeu é suficiente para ele aceitar, internamente,
que é um homem.
Para nossa discussão, será útil agrupar estes sete passos em três fases amplas. O primeiro passo,
da formação física, permanece sozinho como a fase fisiológica. Os próximos três passos: separar-se da
mãe, identificar-se com o pai e imitá-lo, constituem o processo de adquirir uma identidade como pessoa e
como homem. Entretanto, como veremos mais tarde, este não é um processo completo; a identidade é
provisória, neste ponto. Chamaremos esta fase de Formando uma Identidade Experimental. Os últimos
passos, de testar a masculinidade, receber afirmação e aceitá-la, representam um processo contínuo de
crescimento que acontecerá ao longo de vários anos. Chamaremos esta fase de Afirmação.
Para resumir, a masculinidade é desenvolvida conforme um menino passa pelos três estágios, que
envolvem os sete passos, conforme a figura abaixo. Vamos examinar cada fase.

Figura 1. Fases do Amadurecimento da Masculinidade

Fases Passos
I. Fisiológica 1. Criação e maturidade do corpo
masculino
II. Formando uma 2. Separar-se da mãe
Identidade Experimental
3. Identificar-se com o pai ou “homem”
4. Imitar o exemplo
III. Afirmação 5. Testar sua masculinidade
6. Receber afirmação
7. Aceitar sua masculinidade

FISIOLÓGICA

A formação física de um homem – que o distingue de uma mulher – será discutida com algum
detalhe no capítulo 6, portanto vou oferecer apenas algumas palavras aqui. O processo físico de
desenvolvimento de um homem começa em sua concepção e permeia sua puberdade e adolescência.
Estes processos diferenciam meninos de meninas não apenas nas capacidades genitais e reprodutivas,
mas em aspectos como altura, musculatura, gordura corporal, hemoglobina no sangue, formação do
cérebro, entre outros. O amor de Deus pela diversidade transparece entre os homens (e também entre as
mulheres) nas diferenças entre os indivíduos, mas ainda há fatores comuns que fazem dos homens,
homens, e das mulheres, mulheres.

FORMANDO UMA IDENTIDADE EXPERIMENTAL

Nos últimos anos, diversos livros, tanto cristãos quanto seculares, têm descrito o processo visto
como formador da identidade masculina. Resumidamente, a maioria deles tende a descrever a seguinte
situação: um menino, ao deixar o corpo de sua mãe após o nascimento, nem possui consciência de que é
um ser distinto da mãe. Isto é compreensível; afinal, ele passou a sua existência inteira contido no corpo
dela. A amamentação e o colo dela ajudam a manter esta percepção viva por mais um tempo, mas
eventualmente a realidade chega. Há momentos em que ele é fisicamente separado dela, e há momentos
em que ela demonstra uma vontade distinta da vontade dele, portanto ele começa a perceber a separação.
Mas o que é ele, então?
A teoria diz que ele começa a procurar ao redor alguém cuja existência o revelará quem ele é. Ele
precisa de uma identidade à parte de sua mãe, e não pode simplesmente criar uma a partir do nada ou por
divagação teórica. Mas ele vê o Papai, ou um substituto para o Papai. O Papai é “outra” pessoa, mas, de
alguma forma, ele é semelhante ao Papai. O Papai demonstra interesse nele, e ele, precisando de uma
identidade, se conecta ou se identifica com o Papai. Então, uma vez que a necessidade básica de ter uma
identidade à parte da mãe é satisfeita com o pai, e considerando que ele receba respostas favoráveis do
pai em relação a isso, sua decisão é de que quer ser como o Papai. Ele começa a imitar as coisas que o
Papai faz. O Papai se tornou o seu modelo e continuará sendo, ao menos até que ele encontre outros
meninos e homens significantes em sua vida.
Esta teoria, de formar uma identidade experimental, parece fazer bastante sentido. Ela nos dá
uma explicação de como esta pequena criatura proveniente do corpo de sua mãe pode descobrir, em
poucos anos, que é uma pessoa separada, e um homem. Eu percebi isto em meu filho, Estevão. Quando
ele nasceu, tinha uma mãe e duas irmãs apaixonadas de 12 e 13 anos, quase o equivalente a três mães.
Mas em algum momento antes de completar 18 anos, começou a mostrar que era mais como eu do que
como suas irmãs ou sua mãe. Esta percepção jamais o deixou. Tenho que admitir que, com o fundo de
onde vim, tendo saído da homossexualidade apenas por um ano e meio quando ele nasceu, eu fiz tudo o
que podia para torná-lo consciente de sua masculinidade. Mas a consciência de gênero de Estevão não foi
produto de minhas preocupações. O filho de um amigo meu, que acabou de fazer dois anos, esteve
fazendo as seguintes perguntas: “Isto é um menino?” “Eu sou um menino?” “Mamãe, você é uma
menina?”
No processo de identificação com o pai, estarei me referindo como identificação, ao invés das
expressões mais utilizadas de formação de laços ou vínculos. Faço isto porque o conceito de vínculo possui
certas implicações que poderiam representar um obstáculo desnecessário ao amadurecimento tardio de
um homem para a masculinidade.
A imagem que muitos possuem de formação de laços é algo que acontece repentinamente e
sempre com algum homem específico, em geral o pai do menino. Essencialmente, ela é vista como uma
conexão imediata, da mesma forma que apaixonar-se. Em um minuto, o filho e seu pai (ou substituto) são
dois seres separados, e no momento seguinte, estão conectados. Conheci alguns jovens pais que
seguravam seus recém-nascidos intencionalmente junto ao seu peito, acreditando que algum tipo de laço
instantâneo seria formado. Esta é uma bela figura, que reflete o coração de um pai que quer muito
abençoar o seu filho, mas que apresenta a formação dos laços como um evento quase místico. Neste
contexto, a formação de laços parece ser uma ocorrência única, implicando que, se não vier a acontecer
logo no início, o menino jamais será capaz de desenvolver uma masculinidade saudável e madura. Para
mim, este conceito de formação de laços não é aceitável, por duas razões.
A primeira razão é baseada no quadro de deterioração da família na sociedade moderna,
especialmente o elevado número de meninos sendo criados sem nenhum homem adulto em suas vidas. É
verdade, muitos meninos nascidos a mães solteiras possuem o namorado da mãe, ou seu avô, com quem
podem estabelecer laços, mas um número considerável não possui tais substitutos. Eles são criados
apenas com a mãe, ou em um ambiente totalmente feminino. Apesar deste fato, não vejo nenhuma
evidência de que estejamos atravessando um grande aumento na incidência da homossexualidade
masculina. Temos que reconhecer: pode ser cedo demais para identificar tal tendência, e as restrições do
‘politicamente correto’ podem vir a desencorajar as instituições acadêmicas de investigar tal fenômeno.
Mas temos visto, literalmente, centenas de estudo no passado que reportam outras consequências
negativas em meninos criados sem um pai. No entanto, não apareceu nos resultados nenhum aumento na
incidência da homossexualidade.
Identificar-se e seguir um exemplo, em contraste à formação de laços, é quase sempre possível, e
não precisa acontecer nos primeiros dias da vida de um menino. Se não houver nenhum pai presente,
pode ser um vizinho ou amigo da família, ou, infelizmente, um personagem de televisão ou traficante de
drogas na esquina. Meninos órfãos de pai parecem frequentemente se identificar com o tipo de errado de
homens, mas até onde sabemos, eles adotam uma identidade masculina em proporções idênticas a
meninos que possuem pais ou figuras paternas.
A segunda razão pela qual questiono o conceito de que cada menino precisa formar vínculos com
o seu pai ou com a figura paterna é que, se esta fosse uma parte essencial do amadurecimento para a
masculinidade, então aqueles que não formaram laços desta forma jamais poderiam atingir a
masculinidade plena nos anos posteriores. Eu rejeito esta ideia sem temor de estar errado. Se formar
vínculos em uma idade tenra fosse absolutamente necessário, então à parte de um autêntico milagre,
nenhum de nós poderia ser curado. Após adultos, não podemos retornar e estabelecer laços como nossos
pais como um bebê poderia. Nós somos diferentes demais de uma criança. Todas as nossas experiências,
imaginações adultas e habilidades analíticas, nossas memórias de experiências passadas, nossa tendência
masculina de sexualizar os relacionamentos – todas estas coisas nos fazem radicalmente diferentes de
uma criança no ponto em que poderia firmar laços. Os laços que podemos estabelecer com um homem
hoje não se parecem em nada com a ligação que se forma entre um bebê e um adulto. Ainda assim,
muitos de nós eventualmente amadurecemos na masculinidade e vencemos a homossexualidade.
Mas algo acontece entre o momento que o menino se separa da mãe, e a época em que ele
começa a agir como seu pai ou outros homens ao seu redor. Chamo isto de “identificação”. O menino
percebe que, de algum modo, ele é diferente de sua mãe, irmãs e avó, sendo parecido com estas outras
criaturas chamadas homens. Pode ser uma compreensão lenta, ou pode também ser uma experiência
imediata (“Aha!”), mas de qualquer forma, é um ponto fundamental para direcioná-lo no
desenvolvimento de sua masculinidade.
Isto pode parecer uma discussão banal. Afinal, que importa se chamamos o que acontece de
‘formação de laços’ ou ‘identificação’? Eu creio que faz diferença, sim. Identificação é algo muito menos
misterioso do que a formação de laços, e é algo que pode ocorrer em qualquer momento, inclusiva na
idade adulta. Espero que você, ao ler este livro, caso já não o tenha feito antes, chegue a ponto em que
dirá: “É verdade! Não sou tão diferente assim dos outros homens. Eu sou um homem, e não há
nenhuma razão pela qual não posso amadurecer plenamente em minha masculinidade."

AFIRMAÇÃO

Eu contesto a primazia dada à formação de laços no desenvolvimento masculino por outra razão
– é que, nas lutas com a homossexualidade, precisamos desviar o nosso foco da formação de uma
identidade experimental para a afirmação. É verdade, algumas coisas deram errado nos anos iniciais de
nossas vidas, mas a maioria de nós veio a separar-se das suas mães, e a maioria de nós possuía homens
com quem podia se identificar. Se não chegamos a formar laços com nossos pais, que assim seja. Na
verdade, com a exceção do caso mais raro dos transexuais, todos nós chegamos a um ponto em que
percebemos que éramos homens. E mesmo hoje, um homem adulto que esteve passando por confusão
na identidade de gênero pela maior parte de sua vida, pode facilmente identificar-se, no nível intelectual,
como homem. Mas o que falta é a afirmação desta identificação. E é aqui que nossa ênfase deve estar. É
aqui que as maiores batalhas irão ocorrer, pois é através da afirmação que nosso senso de masculinidade
virá a preencher nossas partes mais profundas.
O processo de afirmação – o que acontece quando o menino com uma identidade experimental
masculina tem sua masculinidade aprovada, até que ele saiba no seu nível mais íntimo que é um homem –
não é linear. Ele não é uma sequência de passos “um, dois, três”, e pronto. Ele é circular, ou melhor,
espiral. O menino faz um teste, recebe afirmação, sente um pouco mais de sua masculinidade, então faz o
teste novamente com um nível um pouco mais difícil. Se ele resolver levantar pesos e possui confiança
para levantar trinta quilos, ele sobe para quarenta. É claro, às vezes ele falha no teste. Mas se o menino
possui uma identidade experimental forte e vive em um ambiente que o apóia, ele continuará tentando
até conseguir.
Meu filho, quando pequeno, não era um grande atleta. Na verdade, ele raramente era chamado
para jogar nos campeonatos de beisebol ou basquete. Mas ele adorava esportes, e tinha um nível de
confiança em si próprio que fez com que ele nunca deixasse de tentar. Ele nunca parou de gostar de
esportes. Seu zelo o levou a treinar futebol no colégio. Hoje, se outros jovens estão por perto e se ele
tiver tempo, passa horas jogando basquete, vôlei e tênis. Até certo ponto, esportes são um meio
importante de testar e ser afirmado na masculinidade para Estevão, mas suspeito que, aos 23 anos e
muito confiante em sua masculinidade, ele simplesmente adora esportes. Mais tarde, iremos discutir a
imensa significância que esportes possuem para um homem em nossa cultura, e vamos tocar na questão
de por que homens têm grande prazer em fazer coisas “físicas”.
Evidentemente, o afirmador principal dos primeiros anos é o pai. O menino vem ao pai e
flexiona o braço para mostrar o músculo, e o pai exclama: “Caramba!” Ele luta com o pai, tentando
mostrar sua força. Entrando na adolescência, Estevão sempre queria fazer quedas de braço comigo. Ele
estava sempre testando, procurando por afirmação – e eventualmente me vencendo.
Mas chega uma hora em que a afirmação do pai, apenas, não é mais suficiente. Talvez haja um
senso de “Ele precisa me aceitar; afinal, sou filho dele.” Ou talvez o pai seja do tipo que não se preocupa
muito com afirmação. Seja qual for a razão, antes da adolescência a busca por afirmação é ampliada. O
seu foco passa a ser os semelhantes, colegas, amigos. Os testes passam a ser fora de casa, em geral no
parque. O processo é competitivo e possui o potencial de resultar em alguns perdedores, bem como em
algumas dores. Por esta razão, os meninos irão procurar algum ambiente no qual o número de seus
sucessos seja superior ao de suas falhas. O processo quase sempre ocorre em um ambiente de grupo, e o
menino começará a satisfazer aquele desejo masculino estranho, quase universal, de pertencer a um
grupo de homens. A combinação de ter êxito, receber afirmação e um senso de pertencer, pode fazer
desta uma experiência maravilhosa para um garotinho.
Eu tive diversos dias preciosos em minha vida. Estes foram dias tão perfeitos, tão belos, que anos
depois ainda posso literalmente sentir grande alegria por eles. Um deles foi o dia em que Estêvão
concluiu o Ensino Fundamental. Foi um dia absolutamente lindo de junho, em que ele encerrou sua
passagem por uma excelente escolinha pública, com bem poucos daqueles problemas que ouvimos a
respeito da educação pública hoje em dia. Estevão tinha um grupo de amigos, alguns dos quais conhecera
no jardim de infância, e com os quais passara a maior parte da infância. Nós conhecíamos bem aqueles
meninos; eles haviam estado em nossa casa muitas, muitas vezes ao longo dos anos. Eles estavam muito
bonitinhos, todos vestidos para a cerimônia, e comportando-se de forma típica para os garotos dessa
idade. Até subirem para o palco durante a cerimônia, eles não paravam quietos, soqueando e correndo
uns atrás dos outros. A figura que veio à minha mente foi um grupo de filhotes de cachorro brincando
uns com os outros. Estevão simplesmente pertencia, e inconscientemente, ele amava ser um garoto. Talvez
este dia ainda brilhe em minha memória porque percebi que Estevão estava no caminho certo para a
masculinidade.
Em algum ponto, e suspeito que seja no começo da adolescência, o processo de “teste e
afirmação” parece colocar o selo final de autenticidade na masculinidade de um menino. A partir deste
ponto, a rejeição pelos colegas ou por meninas não poderá tirar a profunda percepção que ele possui, de
que é um homem. O ponto em que o processo de teste e afirmação leva o menino a um senso profundo
e sólido de que ele é um homem pode não ser reconhecido de forma consciente. Na verdade, no
momento em que ele diz o proverbial “Hoje, eu sou um homem!” provavelmente já faz um bom tempo
que ele tenha internalizado essa verdade.
O processo de teste e afirmação não se encerra com a formação de uma identidade masculina
básica. Em um sentido limitado, ele continua nos homens, às vezes mais como brincadeira, às vezes de
forma neurótica, por boa parte de suas vidas. Em homens que sabem que são homens, mas se sentem
muito inadequados, esse testar e buscar afirmação pode se expressar de formas pouco salutares:
impiedade nos negócios, crueldade em relacionamentos, prepotência, atitude de mulherengo. Para
homens adultos saudáveis, entretanto, o processo é simplesmente um exercício do desejo por triunfo,
que é dado por Deus.
O processo de teste e afirmação é base do treinamento para homens que precisam agir em
situações extremas. Um campo de treinamento militar é um exemplo disto. Homens, trabalhando em
grupo, são colocados em uma posição onde são testados vez após vez – a maior parte do tempo,
fisicamente – enfrentando desafios que serão difíceis, mas que a maioria será capaz de vencer. Esta é a
maneira através da qual a Marinha e o Exército “fazem de um recruta um homem”. O teste, e a vitória
sobre o teste, dão ao recruta a confiança de que ele poderá lutar quando for necessário. Estou
mencionando isto especialmente para mostrar que os testes e afirmação podem acontecer a qualquer
momento na vida de um homem.
Não é tarde demais para você.
4

o que aconteceu de errado em nossas vidas?


Tendo descrito o processo “normal” pelo qual a maioria dos homens passa, já listamos os passos
que os levam ao ponto em que possuem uma percepção sólida de sua masculinidade. É claro que, neste
mundo quebrado e pecador, muitos não chegam a ser homens realmente bons, ou então eles próprios
não possuem muita confiança no nível ou qualidade da sua masculinidade, mas eles possuem certeza, sem
nenhuma dúvida, de que são homens, e nada mais.
Alguns de nós, entretanto, não chegamos tão longe. Por alguma razão (ou razões), chegamos à
maturidade física sem uma percepção interna de que éramos homens; ou, se acreditávamos que éramos
homens, profundamente diferentes dos outros homens. Nossa identidade não descansava em um
fundamento de masculinidade assumida e quase inconsciente. Não sentíamos que éramos mulheres, mas
era como se nos faltasse um tipo de identidade de gênero. Talvez tenhamos nos visto como “não-
homens” ou “semi-homens”, caracterizados não pelo que éramos, mas pelo que não éramos.
Nossos amigos foram adiante e cresceram de acordo com um padrão comum. Eles possuíam
relacionamentos razoavelmente bem-sucedidos com outros homens, aparentemente livres do fardo
emocional ou sexual que frequentemente vinha à tona em nossos relacionamentos. Eles sentiam coisas
inteiramente diferentes com as garotas, e maioria deles começou a se casar e ter filhos. A vida prosseguiu
para eles da mesma forma que tem prosseguido desde o início do mundo. Para nós, entretanto, parecia
que o ciclo havia chegado a um beco sem saída. O que aconteceu?
Antes de olharmos o que houve de errado nos estágios de nosso desenvolvimento, quero falar
sobre a expressão semi-homem. Aparentemente, existem duas coisas distintas que acontecem no desvio que
leva um menino à homossexualidade adulta. A menos que ele seja propositalmente influenciado por
alguém a fazê-lo com pouca idade, ele não chega simplesmente à idade normal de aceitação de sua
masculinidade e decide: “eu sou gay”. Este é o segundo passo. O primeiro passo envolve passar pelo
período de ser um semi-homem.
Ele sabe que é, fisicamente, um homem, mas ao mesmo tempo sente-se diferente de todos os
outros meninos e homens ao seu redor. Os seus interesses, habilidade e formas de se relacionar parecem
ser muito diferentes dos que os outros meninos têm. Em determinado ponto, ele percebe que seus
colegas estão demonstrando atração sexual por mulheres, enquanto que ele é atraído por homens. Ele
não nega esta realidade, mas não consegue juntar todos os fatos para criar uma identidade para si próprio
a partir destas diferenças. Tudo que ele sabe é que ele é alguém diferente.

ASSUMINDO UMA IDENTIDADE HOMOSSEXUAL

Isto pode parecer difícil de acreditar para muitos, mas há algum tempo atrás, não era incomum
para um homem claramente reconhecer seus desejos homossexuais, agir conforme eles, não possuir
nenhum sentimento romântico ou sexual para com mulheres, e ainda assim não se identificar como gay
ou homossexual. Na verdade, houve um tempo em que essa seria a norma para um homem orientado ao
homossexualismo. Toda a ideia de que homossexual é a expressão para descrever uma pessoa ao invés de um
comportamento começou a evoluir apenas cerca de 150 anos atrás. Homossexualidade como uma identidade
simplesmente não existia antes disso.
Este falta de reconhecimento da existência de uma identidade homossexual não é apenas um
fenômeno histórico. Ainda em 1971, foi descoberto que o intervalo médio entre o momento em que uma
pessoa reconhecia suas atrações pelo mesmo sexo, até o momento em que decidia que era “um
homossexual”, era de cerca de sete anos. Em meu próprio caso, posso me lembrar dos meus 35 anos,
sentado em um bar gay onde tinha ido procurar alguém para sexo, sentindo muita pena por “todos
aqueles pobres gays”. Pode parecer negação da realidade, mas eu não acreditava que eu era um. Quando
olho de volta para minha percepção daquela época, creio que eu saiba intuitivamente que todos estes
outros homens haviam definido a si próprios de uma forma que viria a estruturar e dirigir as suas vidas
inteiras. Não era o meu caso. Entretanto, com todas as mensagens afirmadoras a respeito do
homossexualismo que circulam pela mídia hoje, bem como o aumento de programas encorajando uma
visão positiva da homossexualidade em nossas escolas, certamente o intervalo entre perceber os
sentimentos homossexuais e assumir uma identidade gay tem decrescido.
Ao amadurecer na masculinidade, cada homem precisará deixar para trás esta falsa identidade,
mas este é o segundo passo, que iremos discutir no capítulo 12. Agora, quero falar sobre o primeiro
passo: o que houve de errado nos estágios iniciais de desenvolvimento, os dias em que o semi-homem
emergiu. De alguma forma, nós falhamos em atravessar todos os estágios de desenvolvimento da nossa
masculinidade. Em algum lugar, nós nos desviamos do caminho. Ou a nossa identidade experimental
masculina não se formou, ou se formou, mas em algum momento foi tirada de nós. Alguma coisa além
do primeiro passo no desenvolvimento da masculinidade não aconteceu.
OS DIFERENTES TIPOS DE HOMOSSEXUALIDADE

Tem ocorrido uma evolução nas teorias do que aconteceu de errado, isto é, no que causa a
homossexualidade. Na homossexualidade masculina, fomos de Freud e sua teoria da mãe dominadora, a
um foco na deficiência do relacionamento de um menino com seu pai, até um modelo de múltiplas
causas, com muitas teorias menores indo e vindo.
O meu interesse aqui não é entrar no detalhe das origens da homossexualidade; entretanto, você
certamente se beneficiaria das fontes que focam de forma primária nesta área. Recomendo que você leia
os escritos de Moberly, Satinover, Davies e Rentzel, e Nicolosi. Nosso objetivo, aqui, não é oferecer um
ensino amplo sobre as causas da homossexualidade, mas identificar certas coisas específicas que
aconteceram de errado, e que podemos corrigir, compensar, desfazer, ou remediar em nós mesmos –
inclusive hoje. Para identificar as soluções, precisamos primeiro reconhecer os problemas. Ao fazermos
isto, descobriremos que aplicar a solução não é nada fácil. Veremos que nossas experiências do passado
colocaram extensos obstáculos para nossa jornada rumo à masculinidade. Mas eles não são
instransponíveis, e superá-los será uma parte importante do processo que descreverei nos próximos
capítulos.
Antes de ir adiante, entretanto, precisamos gastar um pouco de tempo olhando para um princípio
importante: a homossexualidade não é idêntica em todos. Na verdade, parecem existir diferentes tipos ou
“correntes” de homossexualidade masculina, que refletem os diferentes impulsos que os homens estão
buscando satisfazer. Estes diferentes impulsos são produzidos por causa das diferentes experiências de
vida de cada um.
Quando pensamos em homossexualidade masculina, a ideia comum que nos vem à mente é de
um homem que possui o impulso de buscar contato sexual e emocional com outro homem. Há
elementos físicos, românticos, e possivelmente de dependência emocional, em sua homossexualidade. É
neste tipo de homem que quase sempre encontraremos deficiência ou confusão na identidade de gênero.
Outro tipo de homem é o que exalta a masculinidade ao extremo. Ao mesmo tempo, ele despreza
o caráter feminino, e como consequência, enxerga um homem (geralmente mais jovem ou adolescente)
como um parceiro sexual mais desejável. Este tipo de homem raramente demonstra uma deficiência em
sua masculinidade. Ao contrário, ele pode ser do tipo ‘machão’, guerreiro. Este fenômeno foi observado
entre os gregos, romanos, e mais recentemente, nazistas. Pode haver um elemento amoroso pelo homem
mais jovem que é o objeto da atração do mais velho, mas seu impulso maior é devido à idolatria do
masculino do que por deficiência de gênero.
Existe um terceiro tipo de homossexualidade, que pode não refletir esta deficiência de identidade,
que costumo chamar de homossexualidade “fetichista”. O foco de um homem fica travado a certa parte
do corpo masculino (em geral o pênis) ou a um ato homossexual único, mas ele demonstra poucas outras
manifestações homossexuais. Não há anseio emocional por um homem. A sua identidade masculina é
razoavelmente sólida, embora ele possa ter medo de mulheres. Uma variação disto é o homem que tem
alguma dificuldade séria em sua habilidade para se relacionar com outras mulheres, portanto ele
simplesmente usa homens homossexuais para sua gratificação sexual.
Quando vemos estas diferentes formas de expressão homossexual, podemos perceber que há
diferentes padrões de desenvolvimento homossexualidade para cada um. E se o padrão de
desenvolvimento é diferente, também as correções serão. O tipo de desenvolvimento homossexual com
que estamos lidando aqui, o mais comum, parece ser evidente na grande maioria dos homens que
procuram ajuda em nosso ministério. Mas não está presente em todos, e é importante que aqueles que
não se conformam a este padrão identifiquem as verdadeiras necessidades e deficiências que estão
alimentando seus desejos homossexuais.
Entretanto, a maioria de nós seguiu uma progressão geral, na qual algo falhou em nossos
relacionamentos com nossos pais e algo importante faltou em nossa identidade como homens.

MOBERLY E A HOMOSSEXUALIDADE “NORMAL”

A Dra. Elizabeth Moberly, em seu livro Homossexualidade: Uma Nova Ética Cristã (Homosexuality:
A New Christian Ethic) descreveu a homossexualidade como um impulso reparador que surge a partir de
uma falta ou deficiência de amor do mesmo sexo. A teoria da Dra. Moberly recebeu aceitação imediata
pela maioria dos ministérios de ex-gays porque se alinhava perfeitamente com aquilo que observávamos
em nossos clientes e com o que muitos de nós sentíamos em suas próprias vidas.
Ela descreve um processo que se inicia quando uma criança (meninos, em nosso exemplo)
experimenta um trauma que rompe o seu relacionamento com o genitor do mesmo sexo (o pai). O
menino percebe isto, seja verdade ou não, como rejeição da parte do seu pai. Isto é algo extremamente
doloroso para o garotinho, e para prevenir ser ferido ou rejeitado novamente, ele se afasta de seu pai. A
Dra. Moberly chama isto de separação defensiva. É como se o menino estivesse dizendo ao pai: “Eu não
vou mais me relacionar com você; assim, você não poderá mais me machucar”. Ao impedir a existência
qualquer tipo de conexão forte entre ele e seu pai, ele será muito menos sensível à rejeição.
É claro que, neste caso, haverá algo mais que ele não receberá do seu pai – sua identidade como
homem. O estágio de identificação com o pai é abortado, ou então nunca chega a ocorrer. Ele vê o Papai
como alguém que faz sofrer, e não deseja ser como ele. Ele não olha para o Papai como um modelo, e
em alguns casos pode até reagir contra aquilo que vê no pai. Ele não incorpora os traços do seu pai que
são caracteristicamente masculinos. Quando entra no mundo dos meninos, meninos que começaram a
incorporar alguns dos traços masculinos de seus pais – agressividade, competitividade, foco no mundo
físico, o desejo de utilizar sua energia física – ele percebe que é diferente. Neste processo, surge o que a
Dra. Moberly chama de ambivalência do mesmo sexo. Ele quer aquilo que os outros garotos têm, mas ao
mesmo tempo, possui certo rancor quanto a eles. Ele deseja intensamente a masculinidade, mas tem
medo dela e raiva daqueles que a possuem. Esta ambivalência continua a marcar o seu relacionamento
com o pai e com a maioria dos homens em sua vida.
Quando chega a puberdade, o desejo natural do menino pelo masculino, algo que ele agora pensa
que nunca poderá possuir por si próprio, volta-se aos outros homens. Torna-se algo erótico. Ele começa
a se sentir sexualmente atraído pelos outros homens. Mas, de acordo com a Dra. Moberly, este impulso é
natural, reparativo. O menino quer na verdade satisfazer necessidades básicas de amor, dependência e
identificação, necessidades que deveriam ter sido supridas por um homem. No entanto, ocorreu uma
deficiência, e agora ele está tentando atender a essas necessidades de uma forma errada, que jamais
alcançará o seu verdadeiro objetivo.
Perceba que a Dra. Moberly identificou três necessidades: amor, dependência e identificação.
Logicamente, ela sugeriu que estas necessidades poderiam ser atendidas de forma legítima em
relacionamentos não-sexuais com pessoas do mesmo sexo. Quando nos deparamos com este
ensinamento, muitos dos ministros da Exodus colocaram seu foco principalmente nas necessidades não
atendidas por amor do mesmo sexo. Talvez isso seja algo compreensível; a ânsia que os homens
homossexuais sentem pelos outros homens certamente parece um desejo por amor. Além disso, que
outra maneira seria melhor para superar a homossexualidade do que ter uma necessidade de amor
satisfeita por outro homem? Foi sugerido pela Dra. Moberly, e por outros, que a necessidade por afeto
com o mesmo sexo poderia ser provida por um terapeuta do mesmo sexo ou por algum outro auxiliar.

A NECESSIDADE: AMOR OU AFIRMAÇÃO PELO MESMO SEXO?

Comecei a questionar a tese do amor pelo mesmo sexo alguns anos atrás, após liderar um
seminário no Segundo Congresso da Bíblia em Washington, D.C. Em minha palestra, dei uma ênfase
considerável à necessidade de amor do mesmo sexo. Depois, fui desafiado por um membro da minha
classe, um médico chinês que compartilhou que na China pré-comunista, em sua juventude, os pais eram
figuras tipicamente distantes e autoritárias. Eles raramente demonstravam quaisquer sinais de afeição,
especialmente com os filhos. Entretanto, ele apontou que a homossexualidade era algo extremamente
raro na China, apesar desta distância emocional. Esta raridade no país oriental também foi mencionada
pela autora psiquiatra Ruth Tiffany Barnhouse na obra Homossexualidade: Uma Confusão Simbólica
(Homosexuality: A Symbolic Confusion).
Lembrando disto, e ouvindo as histórias de muitos homens que passaram pelo ministério
Regeneração ao longo dos anos, me levou a crer que não estamos lidando com uma deficiência no amor
do mesmo sexo, mas uma deficiência na afirmação. O garotinho procurava afirmação de sua
masculinidade pelo seu pai e, ao menos em sua percepção, nunca a recebeu. Em uma sociedade
fortemente estruturada como a China pré-comunista, em que os papéis masculinos e femininos eram
rigidamente definidos e fortemente apoiados pela cultura, não era difícil para um menino descobrir quem
ele era e que estava destinado a ser um homem. O pai, naturalmente, sem precisar mostrar qualquer sinal
de intimidade ou afeição, podia facilmente afirmar o filho em seu papel de homem. Ao mesmo tempo, a
cultura ao redor dele aprovava e valorizava este papel.
Outro fator que me leva a questionar o papel central dado à necessidade de amor pelo mesmo
sexo não suprida é ter observado que, em nosso ministério, encontramos relativamente poucos homens
cujos pais foram o oposto de afetuosos e amorosos; isto é, homens que foram brutos e violentos. O
menino que foi fisicamente (não sexualmente) abusado pelo seu pai certamente não teve atendida a sua
necessidade pelo amor do mesmo sexo; mas, mesmo de forma perversa, o pai pode ter mandado uma
mensagem de que possuía expectativas para o menino que faziam vale a pena espancá-lo. Em outras
palavras, pelo menos o pai percebia que ele existia. De uma forma distorcida, a natureza física do ato –
homem a homem – pode ter mostrado ao garoto que ele possuía um papel masculino a desempenhar.
Não estou dizendo que um pai carinhoso e amoroso não seja essencial ao desenvolvimento sadio e ao
bem-estar emocional futuro, nem que um pai violento não deixará diversas cicatrizes emocionais e
psicológicas. O que estou sugerindo é que estes elementos podem não ser críticos para ajudar a
determinar a identidade masculina básica do menino.
O pai que abusa verbalmente é uma questão diferente, especialmente se o pai ridiculariza ou
rebaixa a masculinidade do filho. Fazer comparações indevidas com irmãos mais ‘machos’, ou
demonstrar sinais de desapontamento quanto à masculinidade do filho, são claramente a antítese da
afirmação que o menino necessita. E, vez após vez, ouvimos muitas histórias de homens que cresceram
com esse tipo de pai.
Mais uma observação me leva a questionar a ideia de que uma deficiência no amor do mesmo
sexo é central ao desenvolvimento da homossexualidade. Em nosso ministério, nós nunca nos
deparamos com um número desproporcional de homens homossexuais que não possuíam pai algum. A
ausência total de um pai não parece aumentar as chances do desenvolvimento da homossexualidade.
Joseph Nicolosi escreve: “Existe uma clara evidência de que meninos com pais ausentes são capazes de
ajuste heterossexual, se não tiverem experimentado rejeição emocional de uma figura masculina
significante”. É claro, para muitos meninos houve um substituto do pai, mas para muitos não houve.
Este último grupo certamente não teve suas necessidades de amor pelo mesmo sexo atendidas, mas não
vemos correlação com a homossexualidade.
Por outro lado, nós percebemos entre nossos aconselhados um número desproporcional de
homens cujos pais abandonaram a família em um momento crítico de seu desenvolvimento, em geral
através de divórcio ou falecimento. Para os que são capazes de se lembrar de tal evento, frequentemente
o menino percebe a partida do pai como rejeição. O sentimento no coração ferido do menino é: “Se eu
realmente fosse importante para o meu papai, ele não teria me deixado”. O fator significante, aqui, parece
ser o senso de rejeição que o menino sente do pai, e não a ausência do pai.
Na teoria de separação defensiva da Dra. Moberly, a palavra separação possui uma significância que
pode ter passado despercebida por muitos: nós podemos apenas nos separar daquilo a que um dia
estivemos ligados. Para se separar de seu pai, um menino precisa ter, em algum ponto, estado próximo
ou se identificado com seu pai. Em algum grau, mesmo que vacilante, ele começou a formar uma
identidade masculina experimental (fase dois do nosso modelo de desenvolvimento), mas a identidade foi
formada inadequadamente ou foi interrompida. A rejeição do filho pelo pai, real ou percebida, pode ter
acabado em uma dessas duas consequências: “Papai me rejeitou; não quero ser como ele.” O pai não era
atrativo como alguém que o filho quisesse como modelo.
A identidade experimental necessita de afirmação a cada nível de sua formação. Estevão chegou
para mim e flexionou o braço para mostrar o músculo, e eu disse a ele como era homem. Estevão jogou a
bola, e eu disse a ele que grande garoto ele era. Se eu estivesse sempre muito ocupado para olhar para seu
músculo ou jogar bola com ele, repleto de compromissos na igreja ou muito envolvido na leitura do meu
jornal, não apenas ele teria perdido a afirmação que precisava, mas teria visto minha resposta como
rejeição – o oposto da afirmação. Minha repetida recusa de assegurá-lo enviaria a mensagem de que ele
valia menos do que o meu jornal, meu emprego, ou minhas responsabilidades na igreja – sem valor. E em
sua mente, o seu valor equivalia ao valor como homem. Um homem que o rejeitasse significaria a
rejeição de sua masculinidade.
O estereótipo de pai que muitos homens homossexuais vêm a identificar como semelhante ao
seu, é o que está fisicamente presente na família, mas não envolvida com ela. Nas palavras de muitos
desses homens: “ele estava lá, mas ao mesmo tempo não estava”. Muitos meninos, especialmente aqueles
mais sensíveis por natureza, compreendem ser ignorados como rejeição. O pequeno garotinho faz uma
armadilha para passarinhos de uma caixa de papelão, um galho, e um barbante. O Papai chega atrasado
em casa do trabalho, e tem tempo apenas para se lavar para jantar. Após o jantar, o garotinho pede ao
Papai que vá ao quintal ver a armadilha que ele preparou. O Papai diz: “agora não, são sete horas. É hora
do noticiário”. Um menino mais agressivo voltaria às 19h30 dizendo ao Papai que é hora de olhar a
armadilha, ou teria ido ao vizinho e pedido ao amigo do papai que viesse vê-la. Mas não esse garotinho.
Ele foi ferido. O seu pai demonstrou que ele é menos importante do que o noticiário. O seu pai mostrou
que não tem interesse naquilo que ele faz. Intuitivamente, ele podia nem saber que construir uma
armadilha para passarinhos é uma coisa masculina de se fazer, mas o homem não a valorizou. O homem
não valoriza o garoto, portanto, ele não possui valor como homem.
ONDE O PROCESSO SE DESGOVERNA

Agora vamos examinar como esta teoria se relaciona com os sete passos de amadurecimento para
a masculinidade que descrevemos antes. Isto deixará claro onde está o problema.
É evidente que quase todos nós completamos o primeiro passo. Nós possuímos corpos
masculinos, e apesar de alguns de nós possuirmos a tendência de sermos mais femininos em formato,
musculatura ou pilosidade (cabelo corporal), nossos corpos, de muitas formas, inclusive na codificação
genética de cada célula, declaram que somos homens. Mesmo em crianças que nasceram com dois
conjuntos de genitália, os cromossomos são claramente masculinos ou femininos.
Quanto ao passo dois, apesar de haver alguns que ainda possuem laços pouco salutares com a
mãe, nas formas mais essenciais, estamos separados dela. E mesmo onde o laço materno pode não ter
sido rompido adequadamente, em geral a razão para isto é encontrada nos próximos dois passos:
identificação com o pai e imitação do exemplo. Algo de negativo aconteceu no relacionamento com o pai
que fez o filho retornar à mãe. Onde for este o caso, nós temos essencialmente não um problema com a
mãe, mas um que inicia no passo três, a identificação com o pai.
Esta linha de pensamento é consistente com muito do que já foi escrito sobre a
homossexualidade. A psiquiatra Irving Bieber escreve: “Chegamos à conclusão um pai construtivo,
encorajador e carinhoso impossibilita um filho homossexual.” Claramente, está implicada aqui a
proposição de que um pai que pareça atrativo ao filho, que encoraje a identificação do filho com ele, e
que afirme as qualidades masculinas do filho durante seus anos de desenvolvimento, irá superar até a mãe
mais fortemente apegada.
Se passamos dos dois primeiro passos, precisamos concluir que o problema ocorreu em algum
dos próximos quatro passos: identificação, imitação do exemplo, teste, e recebimento de afirmação. A
“separação defensiva” da Dra. Moberly nos oferece uma ilustração clara do que acontece de errado no
processo.
O que acontece quando um menino se isola do pai em idade precoce? Independente de a
separação ter sido causada pelas ações do pai, ou devido à sensibilidade elevada do menino, ou ainda sua
interpretação errada dos eventos, uma série de respostas é provável:
1. O menino decide que não quer ser como o seu pai. Uma barreira é erguida entre ele e o pai. O
mundo da masculinidade já não é algo atrativo, que ele deseja.
2. Na verdade, ele não recebe afirmação de seu pai. Mesmo que o pai tente afirmá-lo mais tarde,
a barreira defensiva irá rejeitar esta afirmação.
3. Ele pára de se identificar com o pai, portanto não há mais imitação de exemplo. Ele cessa de
incorporar as características masculinas do pai. Agressividade, competitividade, satisfação em
atividades físicas, o desejo de triunfar – nenhum desses se desenvolve nele.
4. Quando ele adentrar o mundo dos meninos que já incorporaram algumas das qualidades
masculinas de seus pais, pode ser visto como diferente e fracassar ao tentar ganhar aceitação.
Entre outros meninos, a aceitação entre colegas não é tanto expressa em palavras, mas em ser
bem-vindo ao grupo. Não ser aceito torna-se uma dolorosa forma de rejeição.
5. O pai pode tê-lo afirmado em um momento anterior, mas agora percebe algo pouco
masculino em seu filho, tendo dificuldade para afirmá-lo e até implicando com as atitudes de
‘maricas’ do filho. O pior que o pai poderia fazer nesse momento seria declarar: “Você nunca
será um homem”. Mais comum, entretanto, é que essa mensagem seja dada pela maneira que
o pai regularmente compara o filho aos irmãos mais ‘machos’, ou estabelecendo uma dinâmica
familiar em que este menino é o filho ‘da mãe’, enquanto que o outro é o ‘do pai’.
6. O mundo dos homens torna-se um lugar estranho e distante, um local separado, no qual
qualquer tentativa de se aventurar, ele experimentará apenas humilhação e mais rejeição.
7. Ele pára de testar sua masculinidade.
Neste ponto, o processo de amadurecimento na masculinidade, para todos os propósitos
práticos, cessou. O menino não conseguirá alcançar o ponto que a afirmação o induza a incorporar uma
identidade masculina sólida.

O QUE AC ONTECEU DE ERRADO: O CONTEXTO MAIS AMPLO

Antes, mencionei a evolução do que se pensava a respeito das causas da homossexualidade


masculina – desde a teoria da mãe dominante ao pai emocionalmente isolado, passando pela abordagem
de múltiplas causas. Na abordagem de múltiplas causas, a sugestão não é que João chegou à
homossexualidade de uma forma e Fernando de outra, mas que em cada indivíduo um número de fatores
combinados produziu um indivíduo com orientação à homossexualidade.
Thomas Schmidt, em Reto e Estreito? (Straight and Narrow?) argumenta fortemente pela causa
múltipla. Ele oferece um modelo de como a biologia, a construção social (atitudes e estruturas da
sociedade), ambiente da infância e escolha individual podem contribuir conjuntamente para o
desenvolvimento da homossexualidade em uma criança. Ele oferece o seguinte exemplo para ilustrar este
pensamento. Identifiquei entre colchetes os diferentes fatores, conforme o professor Schmidt os
nomeou:
Um garoto com disposição biológica para comportamento desconforme de gênero [biologia]
nasce em uma cultura confusa que associa tal comportamento com homossexualidade [construção
social]. O menino tem uma família disfuncional, na qual a mãe é opressiva é o pai é passivo [experiências
da infância]. O menino cresce com a mínima instrução moral possível, suficiente para mantê-lo longe de
encrenca em casa e na escola [ambiente moral]. Ele experimenta relacionamentos com o mesmo sexo
quando adolescente e encontra prazer e companheirismo [reforço de comportamento]. Conforme ele
adentra a vida adulta, escolhe se mudar para uma cidade grande, onde pode construir sua vida dentro da
subcultura homossexual [escolha individual].
Obviamente, nem todos os elementos mencionados por Schmidt precisam estar presentes, e nem
todos os fatores têm o mesmo peso. Na verdade, você pode remover praticamente qualquer elemento do
modelo de Schmidt, e os componentes restantes ainda podem promover um homem homossexual.
Todos os dias, encontramos homens homossexuais cujos corpos e cérebros são claramente masculinos
em sua forma, homens que trabalham e jogam em campos decididamente considerados como
masculinos, homens que cresceram em lares cristãos fortes com padrões morais claros e razoáveis,
homens que escolheram jamais agir de acordo com seus desejos homossexuais, mas que ainda assim
possuem um problema primordial com a homossexualidade.
O modelo de Moberly lida principalmente com apenas um dos fatores de Schmidt – as
experiências da infância. Ainda assim, não é difícil perceber como os outros contribuem para a
homossexualidade – especialmente a biologia. Se um menino nasce com forma física fraca, coordenação
ruim, e sem a especialização cerebral visual-espacial típica masculina (explicada no capítulo 6), ele terá
inclinação a ir mal nas atividades que proporcionam afirmação dos homens e dos outros meninos. Se ele
nasce com uma natureza mais passiva que agressiva, a primeira experiência de rejeição que ele passar
poderá fazê-lo isolar-se dos homens, ao invés de tentar com mais afinco.
Mas quaisquer que sejam os múltiplos fatores, um elemento parece estar quase sempre presente:
houve um relacionamento insatisfatório com o pai, e isto trouxe consequências críticas. Menos de um em
cada dez homens com quem trabalhei – daqueles cuja homossexualidade seguia o padrão típico – disse
que possuía um relacionamento bom e ativo com seu pai. Parece que todos os fatores descritos por
Schmidt podem contribuir ao desenvolvimento da homossexualidade, mas a circunstância principal
parece ser uma falta de identificação ou envolvimento com o pai, e algum ponto isto abortou o processo
de imitação do exemplo, testar e receber afirmação.
5

é possível para nós, hoje?


Crescer agora? Será que um homem de trinta, quarenta, cinquenta, anos pode voltar atrás e
refazer os seus passos? Você pode voltar atrás e reviver sua infância outra vez – fazendo tudo “certo”
desta vez?
Não, você não pode. Você não pode crescer da mesma forma que um menino cresce. Você não
pode ir para o campo de futebol com outros garotinhos e ser um deles. Você não pode se relacionar com
homens adultos da mesma forma que um adolescente se relaciona. Eles nunca responderiam a você da
mesma forma que respondem a um rapaz ainda crescendo. Em grande medida, a masculinidade se
desenvolve e toma forma nos relacionamentos com os outros – especialmente os homens – e você,
como adulto, não pode ter o mesmo tipo de relacionamentos que um menino de 8, 10 ou 15 anos teria.
Nós não podemos ser garotinhos no campo de futebol outra fez, mas existem novas chances. Eu
aprendi a chutar uma bola de futebol pela primeira vez com Estevão. Quando ele tinha dois ou três anos,
era uma bola de plástico chutada de um para o outro em nossa sala de estar. Gradualmente, nós
aprimoramos para uma bola de couro na rua. Eu estava aprendendo a jogar, com um garotinho. Foi
apenas muito depois que Estevão descobriu que eu estava aprendendo junto com ele. Frank Worthen
compartilhou comigo certa vez que diversos homens em seu ministério aprenderam a participar em
certos esportes, interagindo com seus parentes pequenos ou com meninos, na escola dominical. Embora
esta possa uma maneira útil de aprender a fazer algumas das coisas que os homens fazem, podendo
render grande benefício, não é a mesma coisa que reviver, em nível relacional, aquilo que perdemos
antes.
Além disso, para um menino, amadurecer na masculinidade é em geral um processo natural,
inconsciente, que flui a partir do crescimento físico normal e das mudanças nos relacionamentos. Isso
acontece com pouco direcionamento intencional, pouca consciência. O menino nem está ciente de que o
processo está acontecendo, e este fato ajuda a moldar a processo. Mas, como adulto, você estará
consciente, e isto tornará o processo significativamente diferente. O seu crescimento será um esforço
intencional, um empreendimento da mente e da vontade.
Você não tem como crescer agora da mesma forma que teria acontecido se as coisas tivessem
corrido da forma certa, quando você era um menininho, mas você ainda terá de passar pelos mesmos
processos que qualquer menino passa. Se as etapas do capítulo 3 são realmente necessárias para o
amadurecimento na masculinidade, e se você pulou alguns deles ou passou por eles apenas parcialmente,
em algum ponto você terá de atravessá-los, se quiser vir a experimentar a masculinidade plena. Deus cura
nossas feridas físicas, emocionais, e até espirituais, mas não nos livra imediatamente de nossa
imaturidade. Ele quer que nós cresçamos para fora dela.
O processo de crescimento é parte da nossa humanidade. A doença não fazia parte do plano
original de Deus, portanto Deus às vezes a cura, e um dia a curará completamente. O pecado não é parte
do plano original de Deus, portanto Deus proveu os meios através de Jesus Cristo para que pudéssemos
ser libertos. Mas o crescimento é uma parte do plano original de Deus, e ele quer que cada pessoa o
experimente. Apesar do processo não ser exatamente igual ao que você experimentaria caso ele tivesse
acontecido mais cedo, de alguma maneira ou outra, você terá de passar por todas as etapas que levam à
masculinidade madura e completa.
Vamos olhar outra vez para os passos, e pensar no que o espera. O que já foi cumprido em sua
vida, e o que falta ser experimentado? Ao fazer isto, podemos mapear o que deve ser considerado a
seguir neste livro. Conforme discutimos estes sete passos, adaptamos de acordo com a situação e
avaliamos onde você está, dentro de cada um. Aqui estão os passos outra vez, com uma coluna onde
você pode descrever onde está no processo.

Figura 2. Onde Me Encontro Hoje

Fases Passos Minha Situação


I. Fisiológica 1. Criação e maturidade do
corpo masculino
II. Formando uma 2. Separar-me da mãe
Identidade Experimental
3. Identificar-me com o pai
ou “homem”
4. Imitar o exemplo
III. Afirmação 5. Testar minha masculinidade
6. Receber afirmação
7. Aceitar minha masculinidade
FISIOLÓGICA

Pode ser dito, sem muita dúvida, que praticamente qualquer homem que esteja lendo este livro
completou a parte mais importante do processo. Louve a Deus por isso. Cada célula do seu corpo tem
registrada a sua masculinidade. Apesar de existirem diversas e maravilhosas variações em nossas formas,
todos os sistemas importantes do corpo – coração e pulmões, genitais, musculatura, voz, pelos do corpo
– indicam que você é claramente um homem.
Entretanto, o crescimento físico não cessa no nascimento. Mudanças óbvias continuam a ocorrer
ao longo da adolescência e além. Força e habilidades físicas podem continuar a ser adquiridas na vida
adulta. É muito raro no beisebol, por exemplo, que os jogadores mais importantes do time tenham
apenas 19 ou 20 anos. Os corpos dos homens foram criados para realizar coisas, e apesar de mudanças
fundamentais em seu corpo já não serem possíveis, seu amadurecimento na masculinidade – tornar-se
apto para fazer as coisas que os homens fazem – irá requerer um pouco mais de desenvolvimento da
matéria-prima que Deus lhe deu. No capítulo 6, discutiremos as coisas que marcam nossos corpos como
masculinos, e no capítulo 8, as maneiras que um homem põe em prática sua masculinidade sendo ‘físico’.

FORMANDO UMA IDENTIDADE EXPERIMENTAL

Quase qualquer menino, mesmo os que acabam possuindo a identidade homossexual mais
firmemente estabelecida, passou por este processo até certo ponto. Para muitos, no entanto, o processo
parou em algum nível superficial. O menino sabia que era um homem, e ele sabia que ele e o Papai
tinham algumas coisas em comum, mas a conexão nunca se fortaleceu o suficiente para capacitá-lo a sair
e explorar o mundo dos meninos para provar sua masculinidade.

SEPARANDO-SE DA MÃE

No sentido físico, obviamente, ao menos parte deste processo tomou lugar: você não vive mais
em um útero. Você possui plena consciência de que é um ser separado de sua mãe. Mas ainda pode haver
uma identificação excessivamente forte com ela. O processo de transferência de identificação primária do
pai para a mãe pode não ter sido completado, provavelmente por causa de um pai pouco receptivo, ou
uma mãe super protetora, ou ainda uma combinação dos dois.
A maioria dos homens a quem ministramos já se separou satisfatoriamente, e isto não é um
problema para eles. Não é difícil identificar aqueles que ainda não conseguiram fazê-lo; na maioria das
vezes, é possível ver que eles compartilham a maior parte dos interesses, atividades de lazer,
preconceitos, aversões e gostos dela (não incluímos aqui a fé cristã, a moral e as crenças. Deus quer uma
mãe transmita estes para seus filhos).
Em espírito de oração, pergunte a si próprio o quando você é como sua mãe. Se muitos dos seus
modelos são mulheres (como alguma amiga sua, Barbra Streisand, Britney Spears, Cláudia Abreu ou Ana
Paula Valadão), você ainda possui uma identificação forte demais com mulheres.
A separação da identidade de sua mãe pode acontecer ainda, se não foi completada na infância?
Com certeza. Ela pode ocorrer através de uma decisão sua, para, em espírito de oração, deixar para trás
quaisquer laços espirituais prejudiciais entre você e sua mãe. Vamos lidar com isto no capítulo 13.

IDENTIFICANDO- SE COM O PAI

O fato que um menino tenha reagido à rejeição (real ou aparente) de seu pai mostra que o
menino já possuía algum tipo de ligação com o pai. Ele sabia que ele e o Papai possuíam algumas coisas
em comum. Dicas sociais e anatômicas teriam demonstrado ao menino que ele era como o seu Papai.
Alguns garotos, entretanto, não levaram isto longe o suficiente. Eles nunca avançaram de perceber
similaridades com o Papai a acreditar que eram como o Papai e, ainda mais importante, quererem ser
como o Papai. Em muitos desses meninos, sua identidade experimental de homens morreu na praia. Se a
barreira surgiu devido a sentimentos negativos em relação ao Papai, algo surgiu: a ambivalência do
mesmo sexo.
Seria ótimo se você pudesse recriar a conexão necessária com seu pai hoje, mas para muitos isto é
improvável, ou até impossível. Seu pai pode já ter falecido, ou vocês vivem longe um do outro. Talvez a
personalidade dele nunca mudou e ele ainda não está livre para se conectar ao seu filho. Mas não há
nenhuma razão porque necessariamente o seu pai tenha de ser um dos homens com quem você se
conectará para formar sua masculinidade. Você precisa estar ligado a homens de forma geral, e outros
homens provavelmente poderão cumprir este papel mais facilmente.
Se você tem carregado esta ambivalência do mesmo sexo desde sua infância, deixando uma parte
de si próprio antagonista ou contrária à masculinidade, precisará lidar com isso. A ambivalência com o
mesmo sexo não permanece até a idade adulta para cada homem que possui uma condição homossexual;
ela já fez o estrago abortando o processo normal de amadurecimento na juventude. Se você a tem
carregado em sua idade adulta, não conseguirá alcançar a masculinidade plena até que seja feita a
declaração sem ambiguidade: “é bom ser homem; eu quero ser um homem.”
Isto é algo crítico. Para ir adiante na difícil jornada rumo à masculinidade, você precisa ser capaz
de ver a masculinidade como algo que deseja claramente.
Alguns do que estão lendo este livro passaram pela ambivalência e hoje querem genuinamente ser
homens, mas a sua visão da masculinidade pode estar sendo turvada como que por um vidro embaçado,
através da qual também viram os seus pais. Pode ser necessária cura, nessa questão. Outros se encontram
na percepção de que a masculinidade é um mistério. Eles realmente não sabem o que um homem é, ou a
sua visão da masculinidade foi distorcida por estereótipos pouco atraentes. Um dos objetivos deste livro
é auxiliar tais homens a adquirirem uma visão da masculinidade que a descobre como algo a ser desejado.
Identificar-se com ‘o homem’ – como parte de formar uma identidade experimental – é possível
para qualquer um destes homens, e para a maioria deles, forjar esta identificação não será um processo
realmente difícil. Os próximos capítulos irão lidar com a compreensão e visão da masculinidade como
algo que Deus criou para ser “muito bom”. Onde uma imagem negativa de seu pai ainda controlar a
visão da masculinidade, a resposta é geralmente espiritual: perdão, arrependimento, cura. Vamos lidar
com isto no capítulo 12.

IMITAR O EXEMPLO

Para um garotinho, identificar-se com o pai e seguir o seu exemplo estão ligados de forma
inseparável. Ele é como o Papai; o Papai é bom; ele tentará ser como o Papai. O menino faz isso de
forma ingênua e inocente, e quer ser inteiramente como esse homem. Espero que você não percorra este
caminho hoje, buscando ser exatamente igual a algum modelo, seja seu pai, amigo, pastor ou outro
homem que você admira. A não ser que o modelo seja Jesus, fazer isso iria fazê-lo cair facilmente em
idolatria. Ao invés disso, identifique nos homens qualidades específicas que você deseja para si próprio, e
então tente imitá-las. Isto é puro e simples bom senso, e é apropriado e possível tanto para um homem
de quarenta anos quanto um garotinho de quatro. Afinal, imitação nunca foi algo estranho para qualquer
um de nós. Existem poucos homens adultos que não fazem isto ao longo de toda a sua vida,
identificando homens que admiram e buscando desenvolver algumas de suas qualidades.
Entretanto, você precisa ser cauteloso quanto às suas próprias vulnerabilidades. Sua tendência
natural será imitar homens que personificam os seus próprios padrões de masculinidade. Se os seus
padrões ainda refletem sua natureza quebrada, você acabará escolhendo os modelos errados. Por
exemplo, se o seu padrão for baseado na aparência física dos homens, ou na autoconfiança deles, você
provavelmente não escolherá os seus modelos sabiamente; sua busca será infrutífera e pode trazer
resultados opostos ao desejado. Conforme você aprende a apreciar as qualidades que representam a
masculinidade verdadeira, conforme estabelecida por Deus, imitação será a sua resposta natural. Os
capítulos seguintes irão auxiliá-lo em relação a isto.
Ao aprender a seguir os exemplos apropriadamente, você irá aprender a identificar o falso
masculino que é tão comum na comunidade gay. Também poderá lidar apropriadamente com os
‘símbolos’ da masculinidade, vendo como eles podem tanto auxiliar quanto prejudicar o seu crescimento.
Como nossas faculdades de pensamento, julgamento e avaliação são hoje muito mais avançadas
do que na infância – e, espero, nossa maturidade espiritual também – nós iremos seguir exemplos de
outra forma. Nós olharemos a revelação de Deus através de sua criação e de sua Palavra, e tentaremos
discernir o que Deus planejou um homem para ser, e iremos buscar seguir este padrão – o homem
projetado por Deus.

RE CEB ENDO AFIRMAÇÃO

Eu afirmei que o processo até este ponto não é muito difícil. Agora, entramos na parte realmente
árdua: buscar e receber afirmação ao provar nossa masculinidade. Toda a compreensão intelectual que
tenhamos ganhado, bem como toda a libertação espiritual do pecado e de falsas crenças, não irão
transformar nossa identidade experimental trêmula e vulnerável em uma fundação firme e sólida da
masculinidade, até que a identidade experimental tenha sido refinada através do fogo do teste e do
recebimento de afirmação.

TESTANDO

É aqui que a maioria de nós desistiu. Não estávamos dispostos a passar pela dor e humilhação
que tínhamos certeza de encontrar no mundo dos meninos e homens. O medo da dor e da humilhação
ainda é uma questão primordial para muitos dos homens em nosso ministério. Mas, conforme eles
adentram o campo de testes, muitos descobrem que agora são diferentes. Agora eles sabem o que está
em jogo.
Quando meninos, eles não sabiam que evitar experiências difíceis e dolorosas iria sufocar a sua
masculinidade e direcioná-los à homossexualidade. Agora, a maioria compreende isto. Quando menino,
você estava em um processo que não compreendia. Você pode compreendê-lo agora, e não apenas isso,
pode avaliar o seu próprio curso individual, testando a si mesmo em seu próprio ritmo e escolhendo os
desafios que possuem o potencial de produzir o maior benefício, com a menor dor. Mais importante de
tudo, da primeira vez você pode não ter conhecido o Senhor, ou se conhecia, não percebia que ele estaria
caminhando com você ao longo do caminho. Ele está com você. Ele será o seu encorajador, seu
instrutor, seu consolador quando você falhar, e sua força quando tentar novamente. Você pode se
arriscar no teste de sua masculinidade.

RE CEB ENDO AFIRMAÇÃO

Poderíamos nós hoje, como homens adultos, receber a afirmação que nos fez falta na infância,
uma afirmação que irá ser absorvida por nós de tal forma que uma identidade sólida e inquestionável de
masculinidade começará a se formar? Essa é uma questão fundamental. Se fizermos os testes – e eu já
disse que podemos fazê-los – a afirmação que ganharmos será suficiente para plantar a semente da
masculinidade confiante em nós? Eu creio absolutamente que sim. Mas desta vez, não será o mesmo
processo que um menino atravessa. Apesar disso, há similaridades.
Primeiro, como um garotinho, precisamos ser afirmados por homens; são eles a quem percebemos como
detentores de autoridade para afirmar nossa masculinidade. E goste ou não, como um menino, a
afirmação vem daquilo que fazemos.
É melhor fazer uma breve pausa aqui. Aquilo que acabei de dizer será considerado por muitos
como uma grande heresia, nesta época de cristianismo psicológico. O que eu quis dizer com ser afirmado
pelo que fazemos? Eu deveria ser afirmado pelo que sou. Estarei levando você de volta à armadilha da
orientação pelo desempenho? Não é esse exatamente o jogo que a maioria dos homens homossexuais
joga a maioria de suas vidas, fazendo o que trará aprovação e aceitação dos outros, e não seria isto algo
extremamente fútil e auto-destrutivo? Essas objeções são válidas – em última análise – mas não neste
ponto.
A masculinidade é inseparável do ‘fazer’. De uma forma significante, a masculinidade é como
nossa vocação. Para crescer em suas habilidades, um jovem carpinteiro, artista ou contador precisa
receber afirmação pela maneira que trabalha a madeira, pinta, ou controla as contas. Ele não será
estimulado a crescer em seu ofício ou profissão se simplesmente receber elogios pelo ótimo rapaz que ele
é. No fim das contas, você será afirmado por quem você é, mas nos estágios iniciais de crescimento,
precisa ser afirmado pelo que você faz. De outra maneira, mesmo toda a afirmação do mundo parecerá
vazia. Ela nunca irá superar a pequena voz mentirosa dentro de você, que continua a falar que você
nunca será um homem.
Ouvir de uma alma caridosa que você é um “homem de verdade”, sendo que tal opinião não é
fundamentada em nenhuma evidência real, parecerá não apenas destituído de significado, mas pode até
trazer um resultado contrário do esperado. Elogios vazios, não importa quão bem intencionados,
possuem o potencial de afirmar exatamente aquilo que menos queremos acreditar: que somos apenas
garotinhos dignos de pena de um ‘homem grande’. É por isso que programas voltados à autoestima, a
não ser que sejam fundamentados em oportunidades para as pessoas realmente realizarem algo, estão
fadados a fracassar.
A masculinidade é formada na companhia de homens, portanto a afirmação deve ser procurada
de acordo com os termos deles. Isto apresenta um dilema óbvio. Você pode não gostar de assistir futebol
ou pode não ter nenhuma habilidade para consertar carros. Mas uma compreensão mais ampla da
masculinidade irá expandir as áreas em que você pode reconhecer e receber afirmação dos homens. Por
exemplo, se três homens em sua igreja decidiram reconstruir a cerca ao redor da pracinha da igreja e o
convidam para se juntar a eles, apenas o convite já será algo afirmador. Na atitude deles, está implícito
que você é um dos homens da igreja.
Tendo sublinhado que a afirmação dos homens para o que fazemos é essencial, deixe-me
acrescentar que apenas isto não será suficiente por si só. Precisaremos de afirmação de outras duas
fontes.
Em segundo lugar, você deve afirmar a si próprio. Sua vida também precisa começar a se conformar à
sua própria percepção profunda daquilo que um homem é, e mais uma vez isto será baseado na evidência
– aquilo que você faz como homem. Cada um de nós possui uma ideia interna do que a masculinidade é.
Conforme esta sua percepção for aperfeiçoada, conforme você passa pelo processo de teste, começará a
afirmar a si próprio. Suas ações e atitudes irão começar a se alinhar com seu profundo senso do que um
homem é, e sentimentos de masculinidade começarão a percorrê-lo.
Mas existe uma terceira fonte de afirmação que deveria ser óbvia aos cristãos: a afirmação daquele
que possui autoridade, acima de todos, para nos definir, a afirmação que vem do Senhor. Isto não é um mero
chavão espiritual. Eu sei, por experiência, que a afirmação que vem do Senhor – a voz que fala a nossos
corações: “bom trabalho, filho” – é real e profunda em sua capacidade de nos encorajar. E esta é uma
confirmação de quem nós somos. De fato, Jesus é o único que nos conhece por inteiro, portanto é o único
que pode de fato nos afirmar por quem nós somos.
Apesar deste ser o ponto principal da afirmação, ser for apenas um discurso cristão sem conteúdo
de experiência, ele também irá fracassar. No começo de minha jornada rumo à masculinidade, eu ouvi
um homem do ministério ex-gay dizer muitas vezes: “Você é quem Deus diz que é”, e: “Você é um
homem em Jesus Cristo”. Eu concordava totalmente com ele, mas então ficava me perguntado por que
ainda me sentia como um garotinho de dez anos na presença dos homens. Há verdades que precisamos
capturar e segurar firmemente, porque são provenientes da Palavra de Deus. Mas, até que se tornem
evidentes em nossas vidas, elas podem não contribuir muito para nosso crescimento ou cura. Talvez eu
tenha ficado receoso quanto ao ensinamento deste homem porque sentia que havia uma incongruência
entre suas palavras e minha vida real. Isso acabou se demonstrando realidade: mais tarde, veio à tona que
ele estava se envolvendo sexualmente com alguns de seus clientes.
Nós podemos receber toda a afirmação que precisamos, mas isso irá demorar algum tempo; o
que é normal quando algo de grande valor está sendo formado. Nós vamos examinar um pouco mais a
afirmação, no contexto de nossa cultura, no capítulo 9.

ACEITANDO A MASCULINIDADE

Será tarde demais para aceitar sua masculinidade? Creio que não. Eu tinha 38 anos quando
comecei esta jornada, e hoje, se não tivesse o chamado para o ministério de ajudar pessoas a lidar com
seus problemas sexuais e de identidade, a masculinidade quase não seria uma questão que receberia
minha preocupação. A minha masculinidade simplesmente está ali, e é prazerosa. Eu vi isto acontecer na
vida de muitos homens, e pode acontecer na sua. Tudo é possível naquele que nos fortalece.
“O PROGRAMA”

Eu sempre fui desconfiado de ‘programas’, especialmente aqueles que dizem que posso alcançar o
objetivo de minha vida se simplesmente seguir os sete ou dez passos recomendados. Eu tenho um
desdém especial pela voz que afirma: “Tudo que você precisa fazer é…” O tom e as palavras refletem,
em geral, a ignorância óbvia de quem está falando a respeito dos terríveis obstáculos que estou
enfrentando. Muitos homens em nosso ministério ouviram a voz de um pai pouco compreensivo ou
compassivo, bradando: “Vá lá para fora e aja como um homem!” Neste livro, você pode sentir às vezes
que está ouvindo isso de mim. Você pode até precisar ouvir estas palavras em determinadas situações,
mas espero que você as ouça dentro do contexto de tudo que Deus está querendo realizar em sua vida, e
peço a ele que elas cheguem a você com a compaixão e a compreensão de alguém que sabe como a
jornada é difícil, e quão intimidantes são os obstáculos que encontramos nela.
Apesar desta minha desconfiança, estou oferecendo um programa, aqui. Mas ele é baseado em
princípios, não em passos fixos. O princípio primário para este programa também é a base deste livro:
Nós amadurecemos para a masculinidade ao fazer as coisas que os homens fazem. Isso parece bastante simples, não?
Entretanto, o fato de que precisei escrever um livro inteiro para expor esta mensagem, ao invés de
colocá-la em uma plaquinha para pendurar na parede, mostra que ela não é tão simples assim.
Um programa está sendo oferecido aqui, mas para que ele faça efeito em sua vida, é essencial
reconhecer o contexto no qual ele deve ser desenvolvido. Uma analogia com os computadores pode ser
útil. No seu computador, por mais importante que um programa individual seja, ele é inútil sem um
sistema operacional, isto é, o conjunto de elementos subjacentes nos quais o programa se baseia e opera.
O que está sendo oferecido aqui é um programa neste mesmo sentido, e ele também não irá funcionar
sem o sistema operacional adequado. O sistema operacional, neste caso, consiste dos elementos
fundamentais da vida cristã. Eles incluem adoração e louvor, arrependimento, perdoar aos outros,
gratidão, comunhão com outros cristãos e, acima de tudo, um relacionamento pessoal e íntimo com Jesus
Cristo. O ministério ex-gay não é nada além da aplicação dos princípios básicos cristãos à condição
homossexual. O programa simplesmente não irá funcionar até que esses elementos da vida cristã normal
estejam presentes em sua caminhada diária. O mesmo pode ser dito em relação ao seu crescimento rumo
à masculinidade. Conheça e seja guiado pelos princípios cristãos, e você chegará ao seu alvo.

O AMA DURECIMENTO NÃO É TUDO

Mais uma coisa essencial a ser lembrada para manter o programa em seu contexto correto é que o
amadurecimento ou crescimento é apenas um dos três aspectos da vitória sobre o homossexualismo. O
processo de superar a homossexualidade deve acontecer em três áreas: compreensão, cura, e crescimento.
Estas três áreas estão sempre envolvidas porque Deus trabalha nas três áreas do homem: a mente
(compreensão), o espírito (cura) e o corpo (crescimento). Aqui, ‘cura’ se refere ao domínio inteiro em que
Deus trabalha sobrenaturalmente em nós. Isto pode incluir cura física, cura interna, libertação, revelações
instantâneas de verdade, convicções fortes e imediatas de pecado, e qualquer outra forma que o Deus
soberano escolha agir em poder em nós. O crescimento, especificamente, significa adquirir a capacidade
de viver as nossas vidas neste momento e lugar como os homens que Deus nos criou para ser.
Até agora, os ministérios Exodus têm focado mais na compreensão e na cura do que no
crescimento. A maioria dos valiosos livros que têm sido disponibilizados a nós até agora tem focado na
compreensão (Moberly, Satinover e Schmidt) ou na cura (Payne, Comiskey e Bergner). Até aqueles que
abordam a homossexualidade de forma mais geral (Worthen, Dallas, Consiglio, Davies e Rentzel) não
colocaram uma ênfase majoritária no amadurecimento, em termos de desenvolver a verdadeira identidade
de gênero.
Em alguns sentidos isto é surpreendente, mas por certo lado é esperado. É surpreendente porque
uma das primeiras formas de compreender a homossexualidade masculina foi que ela representava um
bloqueio de desenvolvimento: o fracasso do menino em atravessar todos os estágios da adolescência. Por
causa de um trauma ou de sérios problemas em relacionamentos, ele se encontrava impedido em um
estágio de desenvolvimento bem anterior ao da masculinidade plena. Se uma parte dele cessou de se
desenvolver, a solução óbvia não seria ajudá-lo a recomeçar o seu amadurecimento na
masculinidade?Parece que sim, mas não temos visto muitas terapias ou ministérios focados nisto.
Também é surpreendente que não tenha havido mais foco no crescimento porque, em grande
parte, a homossexualidade é vista hoje como um problema de identidade. Muitas pessoas reconhecem
que a identidade, talvez especialmente a identidade masculina, não é algo que simplesmente existe, mas
que se desenvolve. Quando a identidade masculina ou feminina não se desenvolve apropriadamente, a
solução mais óbvia não seria voltar a desenvolvê-la? Isto é crescimento, mas outra vez, não tem recebido
muita atenção em nossos ministérios. Até mesmo Crise na Masculinidade, de Leanne Payne, o livro que me
ajudou tanto, é mais um veículo para se compreender a masculinidade do que um manual para saber
como desenvolvê-la.
Por outro lado, a ênfase menor dedicada ao amadurecimento reflete a sequência natural que
experimentamos, quando começamos a deixar a homossexualidade. Nós começamos com uma
compreensão do que é homossexualidade, e do que aconteceu de errado conosco. Isto nos coloca em
direção à restauração e aos reparos que precisam ser feitos. Mas quando nós procuramos realizar esta
restauração e os reparos, inevitavelmente acabamos descobrindo que são coisas que simplesmente não
podemos fazer por nós mesmos. Precisamos de um poder superior. Este poder acaba se revelando como
o poder de cura, convicção, revelação e amor de Jesus Cristo. Ele nos ajuda a fazer o que é preciso, ou
deixar de fazer o que é preciso, quando nossa força não é suficiente para a tarefa. Através de oração,
libertação, e outras ministrações do Espírito Santo, grandes obstáculos são removidos, imensas muralhas
que nos mantinham cativos são derrubadas, e então começamos a crescer e mudar.
É importante apontar que esta sequência em particular (compreender, ser curado, e crescer) pode
ser aplicável apenas durante os estágios iniciais da superação da homossexualidade. Mais tarde, vamos
falar um pouco mais sobre cada área, conforme a necessidade aparece, e com cada uma complementando
e facilitando a outra. A cura através do poder do Espírito Santo pode nos capacitar a reconhecer toda a
verdade em determinada área, cuja ignorância anterior pode ter nos mantido em escravidão por muito
tempo. Neste caso, a cura teria facilitado a compreensão. Entrar em novos estágios de crescimento e
alcançar novos níveis de maturidade pode nos levar a um ponto em que reconhecemos o poder
incapacitante que a falta de perdão possuía sobre nós. Aqui, o crescimento teria levado à compreensão.
Conforme procuramos crescer, podemos perceber que somos impedidos por medos profundamente
enraizados, e que não possuímos o poder em nós mesmos para superá-los. Crescimento, então, nos
levaria novamente a buscar cura.
Uma vez feito um compromisso real de mudança, muitos homens podem passar por um grande
processo, inicialmente, no sentido de superar a homossexualidade, através de vir a conhecer a verdade e o
poder de cura de Deus. Mas então, chega a etapa de se viver, de fato, o que o entendimento os fez
conhecer, e o que a cura tornou possível. Com um curso diante deles, e grandes obstáculos removidos, é
hora de recomeçar o processo de crescimento que foi abortado há tantos anos atrás. Mas muitos não
tomam esse próximo passo, e se este for o caso, toda a compreensão do mundo, e mesmo um número
extraordinário de experiências de cura, não servirão para nada. Jesus curou o homem no tanque em
Betesda, mas se o homem não estivesse disposto a levantar-se e andar, o seu encontro com Jesus e a cura
que recebeu não lhe significariam nada. Precisamos transportar nossa compreensão e cura ao mundo real,
onde Deus nos colocou. Isto será o lugar e a época em que vivemos, com as pessoas reais que ele
colocou em nossas vidas. Se não, seremos como o homem que em Tiago 1:23-24 viu a sua face no
espelho e depois foi embora, esquecendo daquilo que tinha visto. Se nunca sairmos de nossas zonas de
conforto, todos os livros que lermos, todas as conferências que participamos, as palestras que ouvimos,
não terão proveito; estaremos perdendo uma parte importante da vida, e podemos acabar sendo de
pouco uso para Deus. É hora de começar a amadurecer na masculinidade.
Será possível para você, hoje? É sim, mas você não terá certeza até tentar.
6

o que é um homem?
A maioria dos meninos amadurece para a masculinidade sem pensar conscientemente no
significado do masculino. Na verdade, a maioria dos homens teria dificuldade em definir o que é
masculinidade.
Percebi isso alguns anos atrás, quando estava me preparando para ensinar sobre o masculino e o
feminino em uma conferência do Exodus. Preparando a aula, parte de minha pesquisa “científica”
consistiu em perguntar aos maridos de minhas filhas – dois homens, firmes – o que significava ser um
homem. As suas respostas foram idênticas: um olhar perplexo e “Eim?” Tenho certeza que eles se
perguntaram de onde eu tinha tirado uma pergunta tão estranha. Eles haviam crescido em sua
masculinidade sem nunca ter sentido a necessidade de definir ou descrever o que estavam se tornando. O
curso natural dos eventos, as respostas às mudanças em seus corpos, e a mudança nos ambientes que
frequentavam, simplesmente os fez transitarem da infância à masculinidade adulta. Não foram
estabelecidos alvos, nem planejadas etapas, não houve um monitoramento consciente do progresso; eles
simplesmente fizeram parte daquilo que lhes ocorria naturalmente.
Goste ou não, muitos de nós não temos essa opção. Se você é um homem adulto que nunca
amadureceu para sua masculinidade, o caminho pelo qual os meus genros passaram, bem como a vasta
maioria dos homens, não está disponível para você. Você não pode passar por cada fase
inconscientemente, porque já possui consciência do processo, algo que terá impacto em cada passo ao
longo do caminho. Você não tem como deixar de monitorar seu progresso. Portanto, amadurecer na
masculinidade será algo muito diferente para um homem adulto do que para um menino. Por outro lado,
o objetivo final é o mesmo, e em muitos aspectos, você precisará atravessar todas as mesmas etapas que
um menino atravessa. Você as cumprirá, entretanto, de forma um pouco diferente; terá de atravessá-las
voluntariamente e conscientemente. Não há nenhuma outra opção. De algumas formas, isso torna o
processo mais difícil, mas em outras, mas fácil.
O começo do processo requer que compreendamos o que a masculinidade é. Nós precisamos
responder a pergunta que causou o olhar perplexo dos meus genros. Vamos tentar definir a
masculinidade. Mas quando o fizermos, descobriremos logo que as definições simples não ajudam muito:
“Masculinidade é se comportar como homem de verdade”. Mas o que é um homem de verdade? “Um
homem de verdade é um humano que age de forma masculina”. Isto nos leva ao começo outra vez,
definindo masculinidade por masculinidade, e não irá funcionar.
Precisamos ir mais fundo. Vamos começar assim: Um homem completo é masculino tanto no
físico, quanto em sua forma de se relacionar. A parte física é o seu corpo adulto, incluindo seu cérebro e
todos os sistemas que o fazem funcionar. Neste sentido, ele é um macho. Estou me referindo ao sentido
biológico da palavra, e não à gíria que se usa para a qualidade da masculinidade de alguém (“Seja mais
macho!”) É isto que vamos examinar no restante deste capítulo.
Os relacionamentos têm a ver com a forma como um homem se conecta ao mundo ao seu redor,
incluindo outros homens, mulheres, a natureza, e é claro, Deus. Esta parte relacional dele será governada
pelo que chamamos de ‘sua natureza masculina’. Portanto, masculinidade é o que caracteriza um homem
adulto que possui uma natureza masculina completamente desenvolvida. Assim, um homem é macho pelo
seu físico e homem pelos seus relacionamentos. É importante entender esta distinção pelo ‘homem’ e
‘macho’, pois ela será uma chave para desenvolver a masculinidade. Não estamos definindo
masculinidade por masculinidade. Esta parte, discutiremos no próximo capítulo.

HOMENS E MULHERES: A DIFERENÇA

O título deste capítulo é “O Que É um Homem?”, e não “O Que É O Homem?” Há uma


profunda diferença entre estas perguntas. Quando definimos qualquer palavra ou conceito, estamos
descrevendo também como esta palavra ou conceito distingue-se de todas as outras palavras e conceitos.
Em parte, formamos sua identidade diferenciando-a. A pergunta “O que é o homem?” necessitaria que
fizéssemos a distinção entre o homem e as outras criaturas do universo, como animais, aves ou até anjos.
Mas a pergunta “O que é um homem?” possui uma chamada implícita para diferenciarmos um homem
das outras formas humanas, ou seja, mulheres e crianças. É isto que faremos neste capítulo, descrevendo
como um homem é diferente das mulheres e crianças – principalmente das mulheres, porque é aí que
existe mais confusão, e onde uma compreensão da verdade trará maior valor.
Todas as épocas e todas as culturas provavelmente compreenderam errado, em determinadas
questões, as diferenças entre homens e mulheres. Historicamente, e em muitos países orientais hoje, as
diferenças são exageradas. Mulheres são vistas como inaptas para certos papéis ou trabalhos. A sua
composição física e suas funções reprodutivas muitas vezes foram usadas para limitar o que elas tinham
permissão de fazer. Para tornar estas restrições firmes na cultura, diversas restrições legais e religiosas
foram impostas. O exemplo mais óbvio em nossos tempos modernos são as restrições ordenadas em
países muçulmanos rigorosos. Forçadas a cobrir quase o corpo inteiro quando em público, proibidas de
estudar, algumas mulheres são, por nossos padrões, verdadeiras prisioneiras em suas casas.
No outro extremo, vemos a situação que tem surgido em nossa cultura ocidental moderna, na
qual a pressão social e política têm sido empregadas para negar que até as diferenças mais óbvias existem.
As diferenças têm sido não apenas intencionalmente negadas, mas as pessoas começaram a realmente
acreditar que elas não existem. Há alguns anos atrás, um professor em uma universidade norte-americana
fez com que seus estudantes discutissem, em pequenos grupos, e determinassem quais são as diferenças
que existem entre homens e mulheres. A conclusão coletiva: mulheres possuem a habilidade de ter filhos
e amamentá-las, e os homens não – e ponto final. Só isso! Ao mesmo tempo, quando discuto as
diferenças entre homens e mulheres em nossos programas de ensino no ministério – apenas diferenças
físicas – algumas pessoas ficam com raiva de mim apenas por discutir o assunto. Estas atitudes
extremistas parecem estar diminuindo, mas ainda existem em alguns campos, a ponto de impedir uma
discussão racional. No reino político, as habilidades das mulheres para o combate militar são uma área na
qual a discussão racional frequentemente não é permitida. Até mesmo na igreja, os tópicos de mulheres
atuando como clero, diaconisas, líderes e mestras de homens são intensamente, mas não necessariamente
racionalmente, discutidas.
Na cultura ocidental atual, e na maior parte do mundo que é influenciada por ela, a compreensão
das pessoas a respeito da masculinidade e da feminilidade são difusas e embaçadas. Isto é algo que possui
vantagens e desvantagens. Pelo lado negativo, tem causado um prejuízo à estabilidade das famílias,
conforme cada casal casado precisa organizar por si só seus próprios papéis, uma vez que a cultura
simplesmente não mais os atribui. Muitos homens e mulheres se casam com expectativas muito
diferentes dos papéis que seu cônjuge irá cumprir, e frequentemente acabam gerando uma luta pelo
poder. Alguns consideram seus pontos de vista como incompatíveis, sem que nenhum esteja disposto a
ceder ao outro, e o casamento se quebra. Outros, ainda, se acomodam em uma trégua infeliz, deixando o
conflito se arrastar de forma incólume. Para os filhos, tais famílias provêm modelos muito disformes.
Sem dúvida, muitos leitores deste livro cresceram em lares cujos papéis de pai e mãe não foram
claramente definidos, sendo que um deles provavelmente estava insatisfeito com o arranjo e acabava
lutando contra ele.
Entretanto, a volatilidade de nossas percepções de homem e mulher possui uma vantagem, no
sentindo que nos faz recuar e pensar nos princípios do que faz as pessoas homem e mulher. Somos quase
forçados a questionar: “O que é um homem? Para que ele foi feito? O que é uma mulher? Para que ela
foi feita?” Para os cristãos, isto leva à pergunta: “Como Deus quer que vivamos como homens e
mulheres?”
Deus revelou seus planos e propósitos para nós de duas maneiras: através de sua Palavra escrita, e
de sua criação. É aí que precisamos procurar por respostas à pergunta: “O que é um homem?”
DIRETRIZES BÍBLICAS PARA O MASCULINO E O FEMININO

Este assunto tem sido estudado e discutido na igreja sem trégua, já fazem mais de 50 anos. Ainda
assim, com toda esta discussão, percebemos que mesmo estudiosos sinceros chegam a diferentes
conclusões entre si. Eu não possuo a qualificação necessária para desenvolver uma exegese bíblica
completa a respeito dos papéis masculino e feminino, e tal pesquisa nem é necessária para os propósitos
deste livro. Mas o assunto é relevante demais para ser ignorado. Como cristãos, não podemos avaliar o
quanto amadurecemos na masculinidade sem considerar o que a Palavra de Deus diz a respeito dos
nossos papéis como homens. Portanto, ofereço aqui quatro afirmações que podem ser sustentadas pelas
Escrituras, e que creio que a grande maioria dos cristãos pode aceitar:
1. O plano de Deus abrange papéis diferentes para os homens e para as mulheres.
2. Em nossa vida coletiva, na maioria das vezes Deus quer que os homens assumam os papéis de
liderança.
3. Deus quer que mantenhamos sinais externos visíveis (roupa, cabelo, etc.) como um lembrete
contínuo de que ele chamou os homens e mulheres para papéis diferentes.
4. Os homens e mulheres possuem igual valor aos olhos de Deus, e ambos refletem igualmente
sua imagem, embora de maneiras diferentes.
Não existe nada de radical com estas ideias, e são consistentes com a maioria dos ensinos
evangélicos e católicos. (Para um estudo útil e rápido do assunto, dentro das linhas do ensino cristão
tradicional, recomendo o livro Homem e Mulher (What's the Difference: Manhood and Womanhood
Defined According to the Bible), do autor John Piper.)

EVIDÊNCIAS A PARTIR DA CRIAÇÃO

Nós cremos que Deus tem um propósito para tudo que ele faz, e que ele não é arbitrário ou
caprichoso. Portanto, podemos raciocinar que ele tem uma razão para ter projetado os homens e as
mulheres diferentes um do outro. Ao olharmos como os corpos dos homens e das mulheres diferem uns
dos outros, podemos começar a perceber as diferenças que Deus tinha em mente para nossas respectivas
funções e papéis. Antes de examinarmos as diferenças físicas, entretanto, é importante notar que, em
cada área que falaremos, existe uma ‘zona de sobreposição’. Na estrutura cerebral, formato do corpo,
desempenho do coração e dos pulmões, e na maioria das outras áreas, haverá um intervalo onde os dois
gêneros se sobrepõe. As duas curvas normais ilustradas abaixo ilustram isto para uma característica física
(altura), porém o modelo serve para qualquer característica não-genital, não-reprodutiva, em que homens
e mulher tendem a ser diferentes.
Estas curvas podem servir para altura, peso, força corporal, distribuição de cabelo no corpo,
habilidade de comunicação – qualquer característica, algumas das quais iremos discutir. Aquilo que
vemos aqui em relação à altura, e veríamos para qualquer característica, são dois fenômenos. Primeiro, a
média dos homens é diferente da média da mulheres. Segundo, há um intervalo em que os valores se
sobrepõem; as curvas reconhecem que algumas mulheres são mais altas do que alguns homens. Mais isto
não é a questão mais significante; o que importa é que, na média, homens e mulheres são diferentes. O
fato de que nós variamos nas características masculinas e femininas só pode ser explicado pelo grande
amor que Deus possui pela diversidade. Ele deseja que cada um de nós seja único, e isto é realizado, em
parte, por cada um de nós possuirmos diferentes combinações de características masculinas e femininas.
Mas o plano de Deus não envolve uma variação sem limites. Dentro desta diversidade, existe ordem.
Existe uma forma dentro da qual ele criou o homem, e outra forma dentro da qual ele criou a mulher.
Embora uma pessoa não precise estudar profundamente para saber que os corpos dos homens e
das mulheres possuem diferenças – meus netos certamente poderiam descrever bem essas diferenças – a
maioria não está ciente de como os corpos masculinos e femininos são diferentes, na média. As
diferenças vão bem além daquelas diretamente associadas com reprodução e amamentação. Além disso,
existe um padrão para estas diferenças; elas não são simplesmente distribuídas aleatoriamente. E, como
se diz, a forma segue a função; ao olhar para os corpos do homem e da mulher, podemos ver que cada
um foi criado para papéis e tarefas diferentes. Existe uma especialização embutida em nós, para nos
distinguir como homens e mulheres.
EVOLUÇÃO E CRIAÇÃO: O QUE FUNCIONA?

Quase todos os livros que pesquisei para me ajudar a identificar as diferenças físicas entre o
homem e a mulher assumiam, automaticamente, que estas diferenças são produto da evolução. Não é
surpreendente que a ideia de que nós fomos criados é uma heresia de primeira ordem na maioria dos
círculos acadêmicos seculares.
Por outro lado, a maioria dos cristãos crê, usando palavras do Credo de Nicéia, em “Deus Pai
todo-poderoso, criador dos céus e da terra”. Entretanto, muitos cristãos não consideraram
minuciosamente as questões envolvidas no debate criação-evolução. Como resultado, o pensamento
evolucionário disseminado em nossa cultura deixou muitos crentes com um conceito vago de que, de
alguma forma, Deus utilizou o processo evolucionário como o seu meio de criação. Para aqueles que
pensam desta forma, deixem-me considerar algumas ideias.
O autor Phillip Johnson argumenta que uma pessoa que pensa logicamente só pode aceitar
inteiramente a evolução se ela primeiro rejeitar a ideia de design inteligente. Só há duas possibilidades: ou
nós fomos planejados, ou simplesmente acontecemos; ou alguma inteligência superior nos criou, ou nós
somos o produto de uma série de casualidades cósmicas – a evolução. Um conjunto crescente de
evidências científicas está tornando cada vez mais difícil apoiar a macroevolução, isto é, a evolução em
grande escala, em que seres viventes surgiram a partir da matéria inerte e cada espécie pode ser traçado a
uma criatura unicelular primordial. A evidência está surgindo de diversos campos, como microbiologia,
matemática, análise probabilística, e até o registro fóssil (que traz poucas, se é que alguma espécie de
transição). O fato de que a evidência não está causando uma erosão na crença da macroevolução revela
claramente o quanto a maioria das pessoas está determinada a negar a existência de um criador. Negando
a Deus, ou ao design inteligente, essas pessoas não têm escolha a não ser permanecer com a evolução.
Entretanto, a teoria da evolução está de todo errada? Ela não pode nos dar alguma compreensão
a respeito de por que nós somos do jeito que somos? Apesar de desnecessária para compreender por que
fomos feitos assim, destaco que a microevolução é compatível com o conceito de um Deus criador. A
microevolução ensina que, através da seleção natural, certas mudanças pequenas ocorreram, com o
tempo, dentro das espécies. Por exemplo, no mundo animal, se os melhores suprimentos de alimento
fossem encontrados no topo das árvores, os animais com pescoços mais longos teriam maior chance de
sobrevivência; e, a partir do que conhecemos de genética, iriam passar para seus descendentes os seus
pescoços longos. Com o tempo, a espécie poderia mudar. Criadores de cachorros e cavalos têm, há
séculos, selecionado animais específicos para reproduzir, podendo aumentar o tamanho, mudar a cor,
melhorar a velocidade, ou causar mudanças em qualquer número de características. Como cristão, não
tenho nenhum problema com isto.
A seleção natural “cria” o que funciona. Da mesma forma, Deus, que é racional, cria o que
funciona. Portanto, quer você creia na criação com uma microevolução dirigida por Deus com pequenas
mudanças, ou que no princípio Deus nos criou exatamente da maneira que somos hoje, não faz muita
diferença para o nosso propósito. Em qualquer um desses dois casos, o projeto de Deus revela a sua
intenção para como deveríamos viver. Tanto Deus como a evolução só criam o que funciona. Nós
somos da maneira que somos por um propósito.

O CORPO

Vamos começar pensando nas diferenças físicas existentes entre o homem e a mulher, à parte do
cérebro. Nós vamos discutir o cérebro separadamente, uma vez que, apesar de ser uma parte do corpo as
diferenças nos cérebros masculino e feminino são especialmente significantes e indicativas das funções
específicas dos homens e mulheres.
Um livro foi publicado recentemente com o título interessante Por Que Eva Não Tem Um Pomo-de-
Adão. É um dicionário de diferenças entre os homens e as mulheres, desde ‘acidentes’ (os homens
morrem em acidentes ao dobro da taxa das mulheres) a ‘zinco’ (os homens precisam de 15mg por dia; as
mulheres, 12mg). Por 161 páginas, o autor descreve as diferenças entre o masculino e o feminino, quase
todas elas diferenças físicas, ou coisas que acontecem por causa dessas diferenças físicas.
A partir desse livro, e de outras fontes, aqui está uma amostra das diferenças mais significativas,
que sugerem como o homem e a mulheres foram projetados para propósitos diferentes:
• Altura: nos Estados Unidos, os homens são em média 12 centímetros (7%) mais altos que as
mulheres.
• Pernas: As pernas do homem são mais longas, em proporção ao seu tronco, do que as da
mulher.
• Relação músculo/gordura: Tendo o mesmo peso, um homem possui em média menos
gordura e mais músculo do que uma mulher. Os homens possuem em média 15% a 20% de
gordura; as mulheres, 20% a 25%. Os homens têm até 42% de músculo; as mulheres, 35%.
• Pregas (cordas) vocais: São mais longas no homem, tornando sua voz mais grave.
• Maxilar: O do homem tende a ter um formato reto; o da mulher é arredondado ou pontudo.
• Sentidos: A mulher possui sentidos de audição, olfato e paladar mais aguçados.
• Glóbulos vermelhos: O homem os possui em uma proporção maior do que a mulher,
permitindo-o transportar mais oxigênio aos músculos.
• Massa óssea: A mulher possui 30% a menos do que o homem.
• Força dos membros superiores: a de um homem é geralmente duas a três vezes maior que a de
uma mulher.
Estas diferenças não são o único produto do tamanho maior de um homem. Comparando um
homem com uma mulher, sendo que ambos têm 1,70m e pesam70kg, o homem terá pernas mais
compridas, maior força nos membros superiores, mais massa óssea e menos gordura do que a mulher.
Algumas outras diferenças corporais, como a bacia mais larga na mulher, são relacionadas à reprodução,
mas nenhuma das diferenças mencionadas acima parece possuir uma relação direta com a questão
reprodutiva.
Se a forma segue a função, então os homens, mais do que as mulheres, foram projetados para
tarefas que envolvam força física. Conforme veremos mais tarde, isto possui muito mais significância do
que o apenas dar aptidão ao homem para abrir um vidro de picles ou vencer um concurso de queda-de-
braço.

O CÉREBRO

É aqui que estão as diferenças mais significativas entre os homens e as mulheres. Durante as
primeiras seis ou sete semanas de vida no útero, um bebê não pode ser distinguido entre masculino e
feminino. Entretanto, a configuração para as diferenças já está determinada. Ao receber um cromossomo
Y ao invés de um X, um bebê está destinado para a masculinidade. Uma das primeiras manifestações
visíveis desta seleção ocorre durante a sétima semana de gravidez, quando um intenso fluxo de
testosterona é liberado no bebê. Isto não apenas determina que ele possuirá uma genitália masculina e
características sexuais secundárias como as descritas anteriormente, mas, nas palavras de um autor, que
ele será “cerebralmente avariado”. Um número significante de suas células cerebrais é destruído. Isto não
acontece com meninas, ou em um grau muito menor. A partir deste ponto, o cérebro do menino está
destinado a agir de forma diferente do de uma mulher.
As diferenças entre os cérebros masculino e feminino têm sido identificadas de diversas formas:
examinando fisicamente os cérebros de pessoas falecidas, estudando como o dano físico ao cérebro afeta
homens e mulheres de forma diferente, e através da mensuração eletrônica, em que a atividade cerebral é
monitorada em resposta a certos estímulos.
Utilizando termos gerais (não-médicos), aqui estão algumas das diferenças conhecidas mais
significativas:
• Os cérebros dos homens são mais especializados que os das mulheres. Isto significa que uma
mulher pode usar uma parte de seu cérebro para diversos propósitos, enquanto a tendência do
homem é usar uma parte individual para apenas um propósito.
• Os homens possuem a tendência de operar mais com o lado direito do cérebro, onde se
encontram as habilidades espaciais e visuais. As mulheres possuem a tendência a operar com
ambos os lados do cérebro igualmente.
• Os homens, na maioria das vezes, possuem coordenação motora superior.
• A área do cérebro da mulher dedicada à compreensão de linguagem e conversação é
consideravelmente maior do que no homem, 23,2% contra 12,8% respectivamente, de acordo
com um estudo.
• Os cérebros das mulheres são mais integrados do que os dos homens. Isso significa que a
mulher pode recorrer a diversas partes do seu cérebro mais rapidamente que um homem. O
fluxo de testosterona que um menino de sete semanas experimenta no útero destrói uma parte
do corpo caloso, isto é, o feixe de nervos que carrega as informações entre os dois hemisférios
do cérebro e integra o pensamento.
A evidência destas diferenças nos cérebros dos homens e das mulheres é abundante no mundo ao
nosso redor. Outra vez utilizando médias, considere o seguinte:
• Os homens frequentemente se sobressaem em matemática e pensamento abstrato. Até pouco
tempo atrás, não havia surgido nenhuma mulher com título de Grande Mestre de xadrez.
Todos os grandes compositores de música sinfônica foram homens.
• Em uma pesquisa de talentos por jovens com habilidades matemáticas extraordinárias na
Universidade John Hopkins, a razão de homens para mulheres com altos níveis de
desempenho foi de 13 para 1.
• Em universidades norte-americanas, dos estudantes que planejam especialização em línguas
estrangeiras, acima de 75% são mulheres, porém dos que planejam graduação em engenharia,
apenas 14%.
• Embora homens e mulheres sofram danos cerebrais similares de um derrame ou acidente, as
mulheres em geral recuperam-se mais rapidamente e de forma mais completa. Elas possuem
uma habilidade superior de usar outras partes dos seus cérebros para substituir as áreas
danificadas.
• Distúrbios de leitura e fala são muito mais comuns entre meninos do que entre meninas. A
especialização mais acentuada do cérebro masculino acaba por prejudicá-lo no sentido de
utilizar partes alternativas de seu cérebro, quando uma área não funciona bem.
Há muitas diferenças entre homens e mulheres que nós aceitamos sem pensar, ou que vemos
como estereótipos engraçados. Na maioria das vezes, entretanto, eles refletem a diferença dos cérebros
que acabamos de discutir. Um homem está assistindo televisão e conversando com sua esposa ao mesmo
tempo. Ela fica chateada porque não acredita que ele possa fazer os dois ao mesmo tempo. Mas ele pode;
a compartimentalização do seu processo de pensamento o permite fazê-lo. Nós brincamos com a
intuição das mulheres, mas ela certamente reflete a grande integração do cérebro da mulher; ela pode
reunir pensamentos, sentimentos, imagens e memórias de diferentes partes do cérebro e integrá-los quase
instantaneamente, chegando à compreensão completa. Quando eu e minha esposa nos deparamos com
um problema que envolve relacionamentos de pessoas, ela chegará à solução quase imediatamente,
enquanto eu posso levar horas, até dias, para chegar à mesma conclusão. Mas ela não sabe exatamente
como chegou à conclusão; eu sei, porque tive de passar o trabalho de construí-la conscientemente, passo
a passo.
E então há a questão de fornecer orientações. Certa vez, estava falando no telefone com uma
mulher que era uma forte feminista, e pedi que ela me desse instruções sobre como chegar a determinado
lugar. A resposta dela? “Deixe-me passar o telefone para o meu marido”.
As mulheres têm maior dificuldade de pensar de forma abstrata em norte e sul, esquerda e direita.
As instruções de uma mulher possuem abundância de pontos de referência, mas poucos indicativos de
distância ou direções e pontos cardeais.
Existe uma área de diferença cerebral que merece nossa atenção específica. É a questão de
pronunciada agressão e dominação masculina. No âmbito em que isto reflete comportamento patológico,
como por exemplo a maior propensão do homem a envolver-se em comportamento criminoso e
violento, muito tem sido estudado e escrito a respeito. No entanto, na questão de que isto poderia refletir
diferenças inerentes entre homens e mulheres, levando à dominação masculina ou ao patriarcalismo,
poucos pesquisadores têm tido coragem de tocar no assunto. Uma das exceções é o sociólogo Steven
Goldberg, que no livro Por Que Os Homens Comandam: Uma Teoria da Dominação Masculina (Why Men Rule:
A Theory of Male Dominance), e em outros livros, ele tem se colocado sob uma verdadeira enxurrada de
críticas feministas, ao examinar o assunto de maneira científica.
O Dr. Goldberg escreve que todas as sociedades conhecidas são patriarcais, e que os homens
dominam em três áreas: (1) eles ocupam as posições hierárquicas mais altas; (2) eles dominam em
quaisquer papéis a sociedade considere como de alto status; e (3) nas interações homem-mulher, o
homem sempre possui o papel dominante. Apesar de muitos homens e mulheres individuais não se
encaixarem nestes padrões, nas diversas culturas, em diferentes lugares e épocas, a dominação masculina
tem estado presente.
Como o fenômeno é universal – os estudiosos têm escrito a respeito de milhares de culturas e
tribos – Goldberg acredita que ele deve ter uma causa física. Ele identifica esta causa como a
masculinização do cérebro que acontece nos meninos no útero, quando a ação hormonal projeta a
estrutura do sistema nervoso central a fazer com que o comportamento dominante se desenvolva mais
fortemente, e mais cedo. Então, durante a puberdade, os homens possuem uma maior sensibilidade ao
hormônio testosterona, fazendo-os reagir muito mais prontamente com comportamento dominante a
determinados estímulos.
A oposição à teoria de Goldberg, e na verdade em oposição à qualquer sugestão de diferenças
inatas entre o masculino e o feminino, provém em grande parte daqueles que acreditam que os humanos
são como lousas em branco ao nascer, e que todas as diferenças homem/mulher são ensinadas, como um
produto da socialização pela cultura na qual uma criança cresce. Não dispomos de tempo para debater
esta questão aqui, mas deixe-me simplesmente dizer que, com tantas diferenças sendo universais,
existindo estruturas cerebrais específicas identificadas, e com as Escrituras apoiando (e não apenas
descrevendo) as diferenças entre os papéis masculino e feminino, eu tenho que crer que nosso Criador
nos projetou para funcionarmos de forma diferente.
Por que é necessário que um homem buscando superar a homossexualidade e amadurecer na
masculinidade considere isso tudo? Isto é importante por diversas razões:
1. Muitas pessoas estão convencidas de que aquilo que os homens e as mulheres fazem é
completamente ditado pela sociedade na qual se encontram, e isto nos coloca na defensiva. Se
todos os comportamentos descritos neste livro são apenas reflexo de preconceitos e costumes
da sociedade, então estamos completamente livres para aceitá-los ou rejeitá-los. Entretanto, se
as diferenças nascem junto conosco, essa rejeição iria interromper o processo de
amadurecimento que está sendo desenvolvido.
2. Ao rejeitar o mundo dos homens, um mundo no qual se sentem desconfortáveis, alguns
homens lutando contra a homossexualidade estão, em efeito, declarando que “ele não deveria
ser assim”. Eles querem, de forma ingênua (ou arrogante), que os homens vivam da forma que
eles querem, e se a maneira que um homem vive realmente for totalmente arbitrária, então
existe razão para que eles busquem fazer o mundo mudar, ao invés deles mudarem.
3. Compreender como os homens são eventualmente irá demonstrar áreas em que aquele que
está lutando nunca desenvolveu padrões masculinos normais. Isso revelará questões em que
ele precisa amadurecer, áreas em que, se ele não corresponder com a norma masculina, terá
que compensar de outra forma, se quiser alcançar a masculinidade.
4. Compreender o que os homens são pode nos levar a compreender o que eles fazem, que é o
próximo passo na jornada que vamos examinar, após passar por mais uma forma importante
em que os homens e mulheres são diferentes.
7

compreendendo o masculino
Eu havia dito antes que um homem é um homem tanto em seu físico, quanto em seus
relacionamentos. Nós acabamos de olhar para o que distingue um homem fisicamente; agora, vamos ver
o que o distingue em suas relações. Para isto, precisaremos explorar o assunto fascinante do masculino e
do feminino.
Você consegue definir a palavra masculino? Creio que praticamente qualquer leitor deste livro
possua um forte senso daquilo que é o masculino, e se você é alguém que luta contra a homossexualidade,
suspeito que você possua uma sensibilidade intensa em relação ao masculino. Ao mesmo tempo, a menos
que você tenha lido alguns livros a respeito do assunto, ou pensado nele profundamente, duvido que
você possa defini-lo. Você certamente é capaz de definir alguns atributos que são masculinos – força,
músculos, voz grave, uma atitude de autoridade, dureza, autoconfiança viril – mas você pode definir?
Existe algum traço comum, uma fonte da masculinidade da qual fluem os atributos do homem, uma
fonte a que alguns homens parecem ter mais acesso do que outros? Talvez uma fonte que você também
gostaria de ter mais acesso?
Quase sem exceção, homens com orientação homossexual possuem uma sensibilidade acentuada
ao masculino. Pode ser uma atitude mista de amor e ódio. É fácil imaginar um homem gay efeminado
que ridiculariza o valentão grande e burro, mas ao mesmo tempo daria tudo para encostar a cabeça no
peito daquele homem e ter aqueles braços fortes o envolvendo. Na comunidade gay, o desejo pelo
masculino é expressado de formas exageradas: calças jeans apertadas; camisetas que ressaltam os
músculos, crueldade e dominação. Na verdade, todo o cenário das roupas e acessórios de couro é uma
paródia do verdadeiro masculino, e apesar da maioria dos homens homossexuais não ser atraída pelo
couro e pelo sadomasoquismo, esta parte da cultura gay é altamente visível, pois oferece os símbolos da
masculinidade forte, crua, áspera, pela qual tantos homens homossexuais são atraídos. Para muitos
homens, uma ânsia pelo masculino é a força central por trás de sua homossexualidade, como foi com a
minha.
Para lidar com este desejo pelo masculino, nós precisamos compreender pelo que é que estamos
realmente sendo atraídos, e não suas manifestações sexualizadas e simbólicas; ao contrário, a verdadeira
masculinidade, o masculino que Deus quer que cada homem possua. Quando o encontramos e
descobrirmos que pode ser nosso, obtemos a chave que abre a porta para a nossa jornada rumo à
masculinidade e para longe da homossexualidade.
Conforme discutimos este conceito do masculino, estarei extraindo as ideias, em grande parte,
dos ensinamentos de Leanne Payne, em especial de seu livro Crise na Masculinidade (Crisis in Masculinity).
Para o meu próprio desenvolvimento como homem, Leanne Payne me forneceu uma teoria que fui capaz
de transformar em experiências de vida. Compartilho aqui estas experiências para ajudá-lo a alcançar a
plenitude de sua masculinidade. Durante a sua jornada, seria útil você ler Crise na Masculinidade e obter a
profundidade desse estudo.
O masculino é difícil de definir, porque não é algo tangível, como um homem ou um músculo.
Não é uma força, como energia ou tensão, que pode ser descrito em termos quantitativos. No sentido
mais direto, não creio que seja algo que possamos sequer definir em termos espirituais. Tentar defini-lo
irá eventualmente levar-nos ao raciocínio circular. “Masculino significa possuir as qualidades encontradas
especialmente nos homens. Os homens são as criaturas que possuem qualidades masculinas”. Entretanto,
podemos superar esta dificuldade. Vamos começar olhando para três parâmetros, declarações que eu
creio que a maioria das pessoas pode aceitar. Estas nos darão uma base, na qual tentarei construir uma
compreensão do masculino.
O masculino só pode ser compreendido em relação ao feminino. De forma similar, só podemos
compreender a escuridão em relação à luz, e frio em relação ao quente. Eles são, ao mesmo tempo,
contrastantes e complementares. Eles são as pontas opostas de um contínuo. Um dá significado ao
outro. Mais tarde, entretanto, vamos ver que estas analogias não são perfeitas, pois onde você tem mais
luz você tem menos escuridão, e onde tem mais calor tem menos frio, porém onde você possui mais
masculinidade, não necessariamente possui menos feminilidade.
O masculino e o feminino são termos mais amplos do que macho e fêmea. Apesar de alguns dicionários
utilizarem gênero e sexo como sinônimos, para realmente compreender o que significa ser um homem,
você precisa distinguir entre os dois. Na obra Perelandra, de C. S. Lewis, o protagonista, Ransom, declara:
‘Gênero’ é uma realidade, e uma realidade mais fundamental do que ‘sexo’. Sexo é, na verdade,
apenas uma polaridade fundamental que divide todas as coisas criadas, adaptada à vida orgânica. O sexo
feminino é apenas uma das coisas que possui gênero feminino; há muitas outras, e nós encontramos o
Masculino e o Feminino em âmbitos da realidade nos quais ‘macho’ e ‘fêmea’ simplesmente não fariam
sentido... O sentido macho e fêmea das criaturas orgânicas é uma reflexão fraca e turva do masculino e
do feminino... Suas funções reprodutivas, as diferenças de formato e tamanho, em parte exibem e em
parte confundem e deturpam a polaridade real.
Lewis está dizendo que gênero é um conceito mais amplo do que sexo. A universalidade do
gênero, sua transcendência, se demonstra em nossa tendência de atribuir gênero a objetos não humanos.
Assim, temos a maçã, a flor, mas o carro, o tempo. Apesar de a definição ser difícil, o masculino e o
feminino estão em todo lugar ao nosso redor, nos levando intuitivamente a reconhecê-los. Conforme
avançamos e começamos a defini-los, você verá como sua compreensão intuitiva faz sentido.
Deus incorpora tanto o masculino quanto o feminino, e ele é a origem de ambos. Eu adquiri esta compreensão
a partir das obras de Earle Fox, especialmente de Sexualidade Bíblica e a Batalha Pela Ciência (Biblical
Sexuality and the Battle for Science). É porque Deus incorpora tanto o masculino quanto o feminino,
que eles são tão universais. Toda a criação reflete o seu Criador de alguma forma, e portanto as
qualidades masculinas e femininas provêm de nosso Criador. A Escritura é clara ao afirmar que Deus não
é um homem; portanto, Ele não pode ser masculino ou feminino. Mas ele incorpora as qualidades que
nós – homens e mulheres, criados à sua imagem – refletimos. Estas qualidades incluem o masculino e o
feminino. Conforme avançamos e descrevemos estas qualidades, veremos porque Deus se revelou
principalmente em termos masculinos.
Agora, vamos descrever o masculino e o feminino contrastando um com o outro, e então, pensar
em como uma compreensão destas duas qualidades pode ser a chave que abre a porta rumo à
masculinidade.

O MASCULINO É DIRECIONADO AO EXTERIOR; O FEMININO É DIRECIONADO AO


INTERIOR

O masculino encara o mundo: ele é orientado às coisas; ele explora; ele desbrava. A sua energia é
direcionada ao físico: medir, mover, construir, conquistar. O feminino olha para o interior, sentindo,
percebendo, compreendendo no sentido mais profundo. A sua energia é direcionada aos
relacionamentos, a se aproximar, cuidar, ajudar. Ao invés de ir em direção ao mundo, traz o mundo para
junto de si. Tanto o masculino quanto o feminino são voltados para relacionamentos, mas a tendência
masculina é um relacionamento voltado ao físico, a trabalhar e brincar juntos; o feminino é voltado a
estar junto. Na verdade, outra maneira de definir este contraste está no masculino fazer e no feminino, ser.
O corpo do homem é projetado para o masculino no sentido de que a construção de um homem,
sua força física maior, e seu cérebro analítico e compartimentalizado o tornam direcionado ao exterior e a
objetos. A mulher, por outro lado, em sua capacidade como geradora e cuidadora da vida, e com sua
habilidade para compreensão intuitiva e comunicação, é especialmente equipada para o feminino. Até
mesmo nas partes sexuais, o homem é direcionado para fora, e a mulher para dentro. Ele vai em direção
a ela; ela o recebe.
A ESSÊNCIA DA MASCULINIDADE É INICIAR; A ESS ÊNCIA DA FEMINILIDADE É
RESPONDER

Uma segunda forma de compreender o masculino e o feminino também é encontrada nos


escritos de C. S. Lewis, que o masculino é iniciativa, e o feminino, resposta. É a parte masculina de nós
que decide começar um novo projeto, mudar-se para um novo país, iniciar um casamento. O feminino
será aquele que ajuda, que auxilia, que incentiva, que apóia o plano ou sonho do outro. O masculino ama
tentar coisas novas; o feminino se deleita em ajudar e servir. O masculino propõe; o feminino aceita.
É aqui que vemos porque Deus Pai se revelou primariamente em termos masculinos. Ele é o
iniciador supremo. Todas as coisas vêm dele. Ele é o Alfa. Em nosso relacionamento com o Filho, Jesus
sempre será o noivo, e nós, a noiva; o contrário nunca poderá ocorrer. Nós só podemos responder a
Jesus; não podemos ser o iniciador para ele. Por outro lado, Jesus incorpora o feminino em resposta ao
Pai. Ele é totalmente obediente e submisso a Ele. C. S. Lewis diz que Deus “é tão masculino que todos
nós somos femininos em relação a ele”.

MASCULINO, AUTORIDADE; FEMININO, PODER

Um terceiro contraste que pode nos ajudar a entender o mistério do masculino do feminino,
apesar de ser um pouco mais difícil de compreender, vem de Earle Fox. É a ideia de que o masculino
exerce autoridade, enquanto o feminino exerce poder. Mas não seria isto uma contradição do reino físico,
em que o homem possui maior força? Só se limitarmos o poder à força física. Mas existe mais de um tipo
de poder ao nosso redor. Existe o poder da força física, que pode levantar cem quilos ou abrir o vidro de
conservas, mas também existe um poder que suporta, que persevera, que não vacila, que é como a cola
ou a solda que segura as coisas juntas. Este é o poder do feminino. Na família, a mulher, que incorpora
primariamente o feminino, é a figura que, em todas as culturas, mantém a família unida. Ela prepara o lar,
e é quem mais estabelece relacionamentos entre marido, mulher e filhos. Para isto é necessário um tipo
especial de poder que está bem menos presente no homem.
Para entender a autoridade do masculino, olhamos para Deus, outra voz. Deus é a autoridade
suprema (masculino). É ele que determina como nós devemos viver nossas vidas. Entretanto, ele
também é a fonte e o sustentador da vida (feminino). Ele nos mantém na palma de sua mão, e ampara
nossas vidas dia após dia. Fox aponta também aponta a conexão significativa entre a revelação de Deus
acerca de si próprio, como Pai, e sua autoridade.
A palavra hebraica para “pai” é AB, como em Abraão, ‘pai de muitos’, ou abba, ‘papai’. A raiz de
AB no hebraico é ‘aquele que decide’. Deus, obviamente, é o supremo decisor, e neste sentido, o Pai
supremo.
Ao olharmos para a estrutura mais básica de Deus na qual vivemos em relacionamentos – a
família – percebemos que o homem (marido e pai) recebeu o papel de AB, o decisor. Juntamente com
esta autoridade, Deus deu ao homem maior força física e habilidades especiais de tomada de decisão, que
o permitirão proteger sua família de elementos hostis, e prover para o seu bem-estar.

MASCULINO, VERDADE; FEMININO, MISERICÓRDIA

Existe uma quarta maneira na qual podemos contrastar o masculino e o feminino. O masculino
busca a verdade; o feminino, misericórdia. Vou explicar com outra ilustração. Minha esposa, Willa, e eu,
estávamos com alguns convidados, um casal mais jovem e suas filhas, indo visitar um pequeno zoológico.
Willa me perguntou com naturalidade, “Podemos dizer que Sara é nossa neta?” A motivação dela era
livrar o casal jovem de pagar a entrada da filha deles. Willa e eu somos membros de uma associação que
permitia a nós – e nossos netos – entrada gratuita aos parques e zoológicos em todo o país. “Não!”
respondi eu, fazendo-me de ultrajado. “Eu não vou mentir e arriscar a minha alma por causa de uma
entrada de dois dólares.” Eu estava provocando Willa, mas minha resposta refletiu as crenças fortes que
eu possuo, e minha tendência de agir conforme os meus princípios. A sugestão de Willa refletiu seu
desejo de ser bondosa e prestativa com o casal (apesar disso, mais tarde percebi que, sabendo qual seria
minha resposta, ela estava apenas me provocando também).
Willa e eu estávamos expressando nossos papéis masculino e feminino; o meu direcionado à
verdade e aos princípios, e o dela ao amor e misericórdia. Este contraste entre o masculino e o feminino
é a tensão em cima da qual filmes e livros são escritos. O pai descobre que o filho cometeu um crime, e o
força a entregar-se às autoridades; a mãe suplica para que ele não o faça. O masculino opera em cima das
normas; o feminino é movido por compaixão. O masculino olha para o bem a longo prazo; o feminino,
para a necessidade humana imediata. O masculino possui paixão pela verdade, e o feminino, pelo amor.
Um desequilíbrio grave entre os dois, em um indivíduo, pode significar um verdadeiro desastre,
resultando ou em um legalista brutal, ou em um relativista moral. Escrevendo para a revista Cristianismo
Hoje, a autora Frederica Mathewes-Green declara: “Uma imagem clássica é que a justiça masculina é
rigorosa demais, inclinada demais ao legalismo cego. Considera-se que as mulheres misturam isto com
compaixão, considerando variáveis humanas e clamando por misericórdia”. Ela aponta o potencial para o
mal vindo dos dois lados: “Enquanto o legalismo frio restringe os homens, as mulheres escorregam na
areia movediça da racionalização.” Eu não vejo uma área onde a complementaridade do masculino e do
feminino seja mais necessária, ou o equilíbrio, mais difícil de obter. A pessoa que é fortemente inclinada
aos princípios pensa que os outros são fracos; a inclinada à misericórdia vê o seu antagonista como
alguém cruel. Os dois são perfeitamente reconciliados em Deus e em ninguém mais. Em Salmos 85:10,
lemos que, em Deus, “a justiça e a paz se beijaram”.
O que eu descrevi aqui é um conjunto de atributos que definimos como masculinos: a capacidade
de iniciar, ser direcionado para o exterior, a habilidade de exercer autoridade e tomar decisões, e uma
paixão pela verdade – todos relacionados um ou outro na linha comum do fazer masculino. E também
temos um conjunto de atributos que definimos como femininos: a capacidade de responder, um
direcionamento ao interior, o poder de dar e sustentar vida, e uma forte predileção por amor ou
misericórdia – todos amarrados no fio comum do ser feminino. Apesar de ser difícil definir com precisão,
não tenho dúvida que podemos reconhecer o masculino e feminino ao os encontrarmos, e quando o
fazemos, perceber intuitivamente que são bons. O masculino e o feminino vêm de Deus, portanto, são
muito bons.

A LIGAÇÃO COM O HOMEM E A MULHER

Agora vamos relacionar o masculino e o feminino ao homem e à mulher, e ao problema


particular que muitos de nós encontramos. Qual foi o propósito de Deus ao criar a humanidade nas
formas masculina e feminina? O que aconteceu para que alguns de nós nos desviássemos do plano de
Deus, em nosso desenvolvimento? Três princípios razoavelmente simples podem nos auxiliar a chegar à
verdade, nesta questão:
• Cada pessoa, seja homem ou mulher, incorpora em si o masculino e o feminino.
• Por definição de Deus, o masculino deve ser predominante no homem, e o feminino,
predominante na mulher.
• Homossexualidade em um homem reflete o seu fracasso em desenvolver as qualidades
masculinas.

TANTO MASCULINO QUANTO FEMININO

Nós já fizemos alusão ao primeiro princípio, de que todos nós incorporamos tanto o masculino
quanto o feminino. Primeiro, porque somos feitos à imagem de Deus, e Deus abrange tanto o masculino
quanto o feminino, e nós, também, refletimos a ambos. Segundo, Deus nos deu a figura da união em
uma carne, quando um homem e uma mulher se unem no casamento, e não a figura de duas metades se
juntando. Antes de me casar, eu não era meia pessoa; igualmente minha esposa também não era. A nossa
conjunção criou algo misteriosamente maravilhoso, que não existia antes. Juntos, nós refletimos a Deus
mais plenamente do que qualquer um de nós poderia individualmente, e ainda assim a imagem de Deus
estava presente em cada um de nós, individualmente, desde a nossa concepção.
De forma prática, cada um de nós é convocado para exercitar dons masculinos e femininos, em
ocasiões diferentes. Há momentos – como com meus filhos ou netos – em que eu preciso ser um
cuidador, e momentos em que preciso me submeter abaixo da autoridade dos outros.
Tente pensar como seria uma mulher que não tivesse nada do masculino nela: totalmente voltada
ao interior, totalmente sensível, sem firmeza moral. Ela não conseguiria cumprir com o papel de esposa
ou mãe; no máximo, seria uma mulher totalmente dependente de seu marido. Pense no homem que não
possui nenhuma qualidade feminina: nenhuma habilidade de responder aos outros, nem capacidade de
sentir ou compreender as coisas mais profundas da vida. Ele provavelmente acabaria se tornado um
verdadeiro cavalo, um bruto que só saberia ferir as pessoas ao seu redor.

O MASCULINO PREDOMINA NOS HOMENS; O FEMININO, NAS MULHERES

Quanto ao segundo princípio, os nossos corpos já oferecem evidências convincentes. A maior


força física do homem torna-o mais capaz de lidar com um mundo hostil, seja lavrando campos, lutando
contra feras, ou impedindo um inimigo humano de invadir a sua casa. De forma geral, o cérebro dele é
mais apto a projetar pontes e casas, ou a traçar estratégias necessárias para alcançar um objetivo. A sua
capacidade de compartimentalizar o pensamento, separando pensamentos analíticos de sentimentos, o
permite tornar-se mais focado na verdade objetiva. Até o seu tamanho maior serve de apoio para o seu
chamado de começar coisas e assumir o comando.
A mulher, por outro lado, com seu corpo mais delicado, é a cuidadora natural. A sua necessidade
de estar presente, para alimentar e educar seus filhos pequenos, a torna a sustentadora e a presença e
força constante no lar. O seu cérebro integrado e intuitivo dá-lhe uma habilidade superior para acudir às
necessidades e problemas humanos.
No capítulo 6, eu ofereci quatro princípios básicos que podem ser derivados das Escrituras, em
relação a homens e mulheres. Um rápido exame dos papeis que Deus atribuiu aos homens e mulheres
nas Escrituras provê suporte adicional à preeminência do masculino nos homens, e do feminino nas
mulheres. A Maria, foi dada a responsabilidade de ser a portadora da vida do Filho de Deus. As funções
de sacerdotes e reis, papéis de autoridade, foram sempre dados a homens. Profetas e juízes, por outro
lado, podiam ser homens ou mulheres, uma vez que manifestavam tanto a verdade masculina como a
sabedoria feminina. Os apóstolos enviados para levar o evangelho ao mundo eram homens, mas muito
da força da igreja primitiva vinha das mulheres, que os apoiavam, e em cujas casas os primeiros cristãos
se reuniam.

A H OMOSSEXUALIDA DE REFLETE UM INSUCESSO EM DESENVOLVER A


MASCULINIDADE

Em relação ao terceiro princípio, o problema no homem homossexual não é que ele possui
qualidades femininas demais, mas masculinas de menos. Pode haver algo como feminino demais?
Alguém pode ter capacidade excessiva de educar, de comunicar, de ser compreensivo, de se submeter e
ajudar? Não, qualquer homem que possua uma grande quantidade dessas coisas é alguém abençoado, e
provavelmente será uma bênção para outros. Talvez, em suas lutas homossexuais, você ache que é
sensível, verbal, ou intuitivo demais. Mas eu não acho que você possa ser essas coisas demais. Olhe para si
próprio. Essas qualidades tornam a sua vida difícil? Elas o impedem de continuar em sua vida? Não
creio. Pelo contrário, não seria a sua falta de capacidade de ter iniciativa, de exercer autoridade, de
funcionar como se espera de você no mundo físico dos homens, que causam tanta angústia?
O problema com a homossexualidade masculina não é um excesso do feminino, mas uma falta
no masculino. Nós nunca desenvolvemos adequadamente o lado masculino do nosso ser. Este não é o
único problema à raiz da homossexualidade masculina, e não estou dizendo que esteja presente em todos
que passam por este tipo de problema, mas está presente na imensa maioria dos homens com quem
tenho me deparado no ministério ao longo dos últimos 30 anos.
A boa notícia – realmente boa – é que não é tarde demais para você desenvolver esta parte
masculina. O verdadeiro masculino não está no tamanho dos seus músculos, no tom da sua voz ou no
cabelo em seu corpo, mas em algo que Deus já plantou em você, que você pode desenvolver hoje, se
estiver disposto a recomeçar o processo de crescimento. Você pode começar onde parou há anos atrás, e
neste processo, se tornar livre para ser o homem que Deus o criou para ser. O seu corpo, suas
habilidades para funcionar como homem em todos os aspectos da vida, e sua identidade central, entrarão
todos em sintonia, e você terá amadurecido para a masculinidade.
8

o que os homens fazem


Agora, nós vamos considerar quatro “coisas que os homens fazem”. Elas são ativas: ser voltado
ao físico, desejar triunfar, liderar, e relacionar-se com outros homens. Esta é a parte do livro que eu temo
que soe aos ouvidos de alguns como as palavras que eu tanto detestava: “Tudo que você precisa fazer
é...” “Um homem é um líder, portanto vá e lidere!”
Esta é a porção com “tudo o que você precisa fazer…”, mas eu prometo que não vou deixar você
simplesmente com isto. Após sugerir como você pode fazer estas coisas no capítulo 9, e então explicar
qualitativamente o que os homens fazem no capítulo 10, vou discutir nos capítulos 11 e 12 os obstáculos
que serão encontrados. Talvez você descubra que esta seja uma parte essencial do seu progresso, ao
conquistar estas barreiras internas – a maioria delas emocionais – que impedem o seu crescimento.
Ao lidar com as coisas que os homens fazem, estou abordando um amplo espectro de
características. Alguns leitores podem já sentirem-se confortáveis e competentes com uma, algumas ou
até todas elas. Mesmo assim, sugiro que leia o capítulo. Antes, eu falei sobre o fato de que há homens
bem desenvolvidos em todos os aspectos da masculinidade, mas que ainda sentem falta de algum senso
interno de que são homens. Se você é um desses homens, minha oração é para que este capítulo possa
encorajá-lo e ajudá-lo a curar a imagem distorcida que você possui de si próprio. Você pode vir a adquirir
uma maior apreciação pelo que pode fazer, e por quem já se tornou.
Todas estas quatro coisas que os homens fazem, que estarei discutindo neste capítulo – ser
voltado ao físico, desejar a vitória, liderar, e relacionar-se com outros homens – foram desafios terríveis
em minha vida. Mas foi encarar estes desafios, e passar por eles até que não fossem mais desafios, que
marcou o meu amadurecimento como homem.
Vamos examinar estes fundamentos da masculinidade.

HOMENS SÃO VOLTADOS AO FÍSICO

Por esta afirmação, o que quero dizer que eles possuem vontade de usar a sua força, de gastar
energia, e construir coisas, e que serem voltados ao físico dessa forma é algo que lhes traz grande
satisfação. Há um relacionamento vital entre masculinidade e ser voltado ao material, e compreender isto
será algo crítico na jornada de qualquer homem.
Antes, eu havia descrito a forma que observei como Estevão, meu filho, e seus coleguinhas da
escola pareciam ter um suprimento inesgotável de energia, esperando para ser liberado. Entretanto, não
são só crianças de 10 anos que manifestam isto. Quando a grande família de minha esposa se reúne para
um passeio, se houver uma mesa de sinuca, ou pingue-pongue, ou um campinho de futebol, ou uma
cancha de bocha, os homens rapidamente deixam de lado a rodinha de conversa e lá se vão para a
atividade física. Quando homens e mulheres se reúnem e são liberados para fazer o que quiserem, você
provavelmente verá os homens atraídos pela ação, por fazer coisas físicas.
Esta ideia do homem ser voltado ao físico, entretanto, desperta todo tipo de objeções. Antes de
pensarmos em como o físico é expressado na vida de um homem, vamos responder a algumas delas.
Primeiro, não é algo terrivelmente simplista dizer que músculos e ações físicas são a medida pela qual se
avalia o valor de um homem? Bem, não é isto que estou dizendo. Não estou falando de valor, mas de
algo mais próximo de ‘dons’. O dom da força física pode ser comparado ao dom de um bom tom
musical. Seria bom se eu pudesse cantar no tom, mas o fato de que não consigo não diminui o meu valor.
Ele me restringe, entretanto, de participar no mundo dos amigos músicos de minha esposa. Da mesma
forma, a falta de força física e de outros traços pode restringir a minha participação no mundo dos
homens
Então, há o fato de que a maioria das pessoas, se fossem criar uma hierarquia de dons ou
atributos, iriam colocar o físico no fim, bem debaixo das habilidades e atributos espirituais, intelectuais,
sociais e artísticas. A cultura moderna revela uma estranha ambivalência aqui, no entanto. Nós estimamos
o professor da universidade bem mais do que o lixeiro, porque o primeiro trabalha com a sua mente, e o
segundo, com seus músculos. Mas ao mesmo tempo, é dada extrema importância à aparência física, e as
maiores recompensas, em termos de adulação e dinheiro, são dadas ao atleta.
Muitos de nós vamos resistira fazer essa ligação da masculinidade com ser voltado ao físico, pois
foi o nosso fracasso em se adequar ao mundo físico dos homens e meninos que nos trouxe tanta dor, em
primeiro lugar. Pensando em meus anos de adolescência, nada me parece ter sido mais doloroso que o
meu desempenho miserável nas aulas de educação física. Nada ressaltava mais implacavelmente a minha
diferença – e inferioridade – dos outros meninos. Apesar de desprezar intelectualmente os esportes e os
‘fortões burros’, eu abriria mão de quase tudo para ser transformado instantaneamente em um super
atleta, para nunca mais experimentar toda aquela humilhação.
Alguns irão resistir a vincular a masculinidade com o físico por que eles sabem como isso é algo
‘gay’. Para muitos, talvez a maioria dos homens homossexuais, o físico masculino é a expressão máxima
da masculinidade. Apesar de muitos de nós já sabermos, até mesmo ainda na época em que estávamos
dentro da vida homossexual, que isto era algo ridículo, esta percepção não nos ajudou a nos afastarmos
de uma visão essencialmente idólatra do corpo masculino. Isto está demonstrado em tudo que é lugar na
cultura gay, conforme um rápido exame de quase qualquer revista ou jornal gay pode demonstrar.
Finalmente, para muitos cristãos, especialmente aqueles de nós que lutaram com o pecado sexual
dominante, o corpo tem sido um grande obstáculo em nossas tentativas de levar uma vida íntegra. É o
corpo que abriga todos esses apetites infernais que nos dominam e arrastam para longe do Senhor.
Lembro-me do amigo que me levou a Deus dizendo, quando ainda éramos recém-convertidos: “Não
seria ótimo se não tivéssemos esses corpos?” Este conceito tem se infiltrado na igreja frequentemente.
Como cristãos, nós normalmente nos referimos a nossa batalha contra ‘a carne’, falsamente igualando a
carne apenas com o corpo físico.
Então, nós temos tudo isso: a crença filosófica que o corpo possui menor importância, nossas
próprias experiências dolorosas de ter nossos corpos falhando em alcançar o padrão dos homens, nossa
tendência a idolatrar o corpo masculino, e a tendência dos cristãos de ver o corpo (carne) sempre como
algo oposto ao espírito, e, portanto, negativo. E agora nós queremos considerar o corpo como algo
bom?Sim, com certeza.
Deus vê o corpo como algo bom. Ele nos deu nossos corpos masculinos, com suas habilidades
especiais, como um presente. Ele criou os nossos corpos e declarou que eram “muito bons” (Gênesis
1:31). O corpo é o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Somos chamados a apresentar os nossos
corpos como um "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus" (Romanos 12:1). Nossos corpos são
membros de Cristo (1 Coríntios 6:15).
Nossos corpos são, ao menos nesta vida, inseparáveis de quem somos. É apenas em nossos
corpos que podemos cumprir tudo aquilo que Deus nos chamou para sermos e fazermos nesta terra. É
verdade, nossos espíritos e nossa carne estão em batalha, mas lembre-se, a carne envolve muito mais do
que apenas nosso corpo físico; ela também envolve nossa mente, nossas emoções, e nossa vontade. Nós
não rejeitamos nossas mentes, emoções e vontades, simplesmente porque estão sujeitas ao pecado. Ao
invés disso, nós buscamos santificá-las, tornando-as ajustadas para o que o Senhor as use.
Ao olhar para nossos corpos santificados, portanto, vamos começar a examinar o que Deus fez
conosco, homens. Deus não nos deu apenas corpos; Ele nos deu corpos de homens. Isto significa que,
em contraste com as mulheres, Ele nos deu uma medida superior de força, em termos de tamanho dos
músculos, e nos deu capacidade cardiovascular para suportar estes músculos. Ele deu ao homem um
cérebro cuja tendência maior é focar no mundo físico. Deus não faz nada de forma arbitrária, portanto
precisamos assumir que Ele pretendeu aos homens usar a sua força extra de certas formas.
Para Adão, foi dada a responsabilidade primária de “subjugar” a terra e “dominar” toda a criação
de Deus, responsabilidades que exigiriam força física e energia. Quando Deus criou a família, os papéis
de protetor e provedor primário recaíram sobre o homem, fisicamente mais forte e capaz. Nossos corpos
nos dão uma ideia do propósito de Deus para nós como homens. É razoável, portanto, que nós
geralmente encontremos em um homem saudável, uma pessoa que não apenas aceita a sua
responsabilidade de usar a sua força para os propósitos de Deus, mas que também encontra um senso de
realização, tanto de utilizar esta força como de saber que possui um ‘reservatório’ dela, para utilizar
quando for necessário.
Se a natureza do homem é voltada ao físico, então agir fisicamente trará a verdadeira natureza do
homem à tona. Ele descobrirá que agir fisicamente irá sustentá-lo, estimulá-lo e satisfazê-lo.
“Peixe tem que nadar; pássaro tem que voar” é a forma que uma antiga música expressa a
necessidade de cada criatura de cumprir o seu propósito. Nós tínhamos um Labrador retriever preto, um
cachorro que havia sido criado para buscar objetos, especialmente na água. Buscar os objetos era o seu
dom. Mais do que isso, era o seu propósito e a sua paixão. No carro, quando passávamos perto de um
lago ou rio, ele ficava extremamente agitado e começava a choramingar. Quando o deixávamos sair, ele
rapidamente iria encontrar um graveto, colocá-lo a nossos pés, e esperar. Quando nós jogávamos o
graveto na terra ou na água, ele buscava, e buscava, e buscava outra vez, quase até o ponto da exaustão.
Ele estava exercendo seu propósito na vida, e adorava fazer isso.
Da mesma forma, já ouvi de pessoas com dons musicais o quão frustrado eles ficam quando não
possuem um canal para expressar o seu dom; um pianista que não tem nenhum piano disponível, ou um
cantor que não tem coro ou outras pessoas para cantar junto. Os seus dons anseiam por ser expressados.
Existe um paralelo aqui com o fato de um homem ser voltado ao físico. Força, energia, construir – estes
componentes do mundo físico – são dons, e eles clamam por expressão, nos homens. A distribuição
desses dons varia muito de homem para homem, mas todos os homens têm algo ‘físico’ em si, ansiando
por ser liberto.
Por alguns anos, nosso ministério teve jogos de futebol como um tipo de terapia para os nossos
homens. Depois das partidas, nós percebíamos como até os homens que tiveram de ser praticamente
arrastados para jogar, deixavam o campo com um senso surpreendente de realização e satisfação.
Para saber como nós devemos usar os nossos corpos como homens, precisamos olhar para os
atributos que foram colocados dentro de nós. Eu vejo três – força, energia, e uma tendência a projetar e
construir – que possuem um caráter masculino em especial, e se desenvolvidos, exercitados, e usados
para o bem, não apenas agradarão ao Senhor, mas também nos ajudarão a encontrar satisfação em nossa
masculinidade. Vamos olhar cada um deles separadamente.

FORÇA

Quero falar especificamente sobre a força muscular dos homens. Os homens possuem outros
tipos de força, como a autodisciplina, e como vimos antes, a força nas mulheres que produz a vida, a
força que segura as coisas juntas. Mas aqui, eu quero focar na força física, o uso da musculatura e dos
órgãos de apoio que Deus nos deu como homens. É impossível compreender a masculinidade, e como
podemos amadurecer nela, sem envolver este aspecto tão importante.
Primeiro, nós precisamos fazer uma distinção importante, principalmente para aqueles de nós que
vieram do submundo homossexual. Força física e um corpo masculino atraente são duas coisas muito,
muito diferentes. O homem com peitoral grande, barriga de ‘tanquinho’ e um bíceps bem definido, é
uma criação do narcisismo masculino moderno. Eu não estou dizendo que ele não existia antes – as
estátuas gregas e da época da Renascença provam que sim – mas, durante a maior parte da história, o
corpo atraente não era sinônimo de força física.
Veja os homens fisicamente fortes de nossa cultura, antes dos últimos 50 ou 60 anos. Fotografias
do começo do século XX irão mostrar dois tipos de homens fortes: o homem magro e esguio, que era
fazendeiro ou trabalhava nas minas de carvão, e o homem entroncado, que dirigia o caminhão de
entregas ou trabalhava de porteiro no bar da cidade. O primeiro tinha braços finos e rígidos, e o segundo
um tronco gigante, no formato dos barris que alguns deles transportavam.
Veja os filmes da década de 30 e 40, e os homens fortes que atuavam neles. Eles eram homens de
ombros largos e corpulentos, mas quando tiravam a camisa – o que raramente faziam – nós nunca
víamos os corpos cuidadosamente esculpidos que vemos hoje, em qualquer filme. Até Charles Atlas,
cujas propagandas para meninos no verso de revistas de quadrinhos, vendendo o seu programa de
“tensão dinâmica” (para que nós, “fracotes de 45 quilos”, pudéssemos enfrentar os brutamontes), o
chamado “Homem Mais Perfeitamente Desenvolvido do Mundo”, não possuía a definição muscular do
levantador de pesos moderno.
O foco excessivo no corpo perfeitamente musculoso, tanto por homens homossexuais como
heterossexuais, provém de nossa ânsia de conformar-se à moda de nossa época, e da insegurança
masculina tão pronunciada, nesta era de confusão de gênero. De acordo com a visão popular de hoje, os
músculos definem a masculinidade mais do que a força, e muitas vezes são mais valorizados do que
caráter, bondade e decência. Isto é diferente do que ver nossa força física como um dos atributos
legítimos de nossa masculinidade.
O nosso senso de força não é sustentado pela imagem no espelho ou por ter os outros a admirar
o nosso físico, mas por sentir-se bem a respeito de nosso corpo, e por ter o conhecimento de que nossos
corpos podem fazer a maioria das coisas que são projetados para fazer.
Você não tem como separar completamente os conceitos de homem e de força. Homem forte e as
conotações positivas desta frase estão tão firmemente gravadas em nossa mente que, para ter qualquer
senso real da própria masculinidade, o homem precisa se sentir forte. Lembre-se, um elemento chave do
amadurecimento na masculinidade é uma percepção interna de nós mesmos como homens por inteiro. A
auto-percepção é algo vital. Para o homem lutando contra a homossexualidade, ou qualquer homem
inseguro em sua masculinidade, desenvolver sua força física terá um efeito poderoso e positivo em sua
auto-imagem, dando forma ao novo núcleo sólido através do qual podemos encarar o mundo. Será um
elemento crítico na formação de nossa autoconfiança, um fator que nos proverá uma tranquilidade
masculina, um antídoto ao medo, e autoconsciência.
Homens saudáveis gostam de usar a sua força. De certa forma, isto está ligado ao desejo pelo
triunfo, mas nem sempre no sentido competitivo. Em muitas situações é um desafio a si próprio, em que
o cumprimento de um feito físico dá ao homem um sentimento de força e realização como homem. Este
é o plano de Deus para nós.

ENERGIA

Estudos comparativos de meninos e meninas em situações desestruturadas normalmente


demonstram que meninas se reúnem e conversam, enquanto meninos empreendem atividade física
constante. Eu observei esta energia em Estevão durante os anos de crescimento dele. Lembro-me de um
dia de verão em particular, em que ele e seus colegas ficaram oito horas, quase continuamente, indo de
futebol, a basquete, e a beisebol. Os pais às vezes dizem dos filhos: “De onde vem toda essa energia?”
De alguma forma, vem do fato deles serem meninos.
A energia de um homem é uma reflexão do masculino que há nele. Um homem com energia tem
iniciativa; ele começa coisas novas. Um homem com é energia é direcionado para o exterior, pronto e
disposto a interagir com o mundo ao seu redor. Um homem com energia irá exercer autoridade, porque
ele sabe que possui os recursos necessários para apoiar tudo aquilo que diz.
O homem sem energia de nossa cultura é o estereótipo do preguiçoso de sofá. Depois do jantar,
ele se enterra no sofá na frente da televisão, e não usa mais energia do que o necessário para operar o
controle remoto, e eventualmente fazer uma excursão à cozinha para pegar outra cerveja e alguns
salgadinhos. Esse homem não inicia nada; ele não olha para o exterior, mas meramente absorve tudo o
que vê na tela da TV. Ele provavelmente reclama muito da situação do país e da política, mas não faz
nada para melhorar nenhum dos dois. Ele é só conversa.
Apesar de esta caricatura poder parecer engraçada, a realidade deste tipo de homem é muito
triste. É quase certo que ele esteja fracassando em cumprir as suas obrigações como marido, pai e cristão
(se ele for um), e como cidadão e membro da comunidade. Alguns de nós tiveram pais assim, embora o
veículo no qual ele se retirava podia ser diferente. No livro Sonhos Despedaçados (Broken Dreams), um
jovem descreve o seu caminhar para a homossexualidade. Conforme ele descreve os diversos eventos
significantes ou crises na vida familiar, seu pai estava inevitavelmente “lendo o jornal”.
A passividade, é claro, gera mais passividade. Quanto menos fazemos, mais os nossos corpos
resistem a qualquer tipo de esforço. A inatividade dissipa a energia.
Homens ativos, por outro lado, são homens carismáticos. Eles transpiram vida, espalham
entusiasmo. A maioria dos homens psicologicamente e espiritualmente saudáveis possui uma propensão
à ação física. A palavra vigor, descrevendo um alto nível de energia, possui apenas conotações positivas.
Um exame dos homens cristãos que tem alcançado grandes coisas para o Senhor nos últimos anos – Billy
Graham, John Piper, Rick Warren ou Bill Hybels – revelará homens com altos níveis de energia. Eles
utilizaram esta energia de forma criativa.

PROJETANDO E CONSTRUINDO

Há dois tipos de criatividade, a que interpreta e a que constrói. A criatividade interpretativa é


feminina. O poeta, o compositor, o dançarino e o pintor mergulham no significado mais profundo das
coisas e as expressam de novas maneiras. O inventor, o cientista e o marceneiro são criativos no sentido
de fazer algo novo e duradouro, algo sólido e tangível. Esta é a criatividade construtiva, e é masculina.
Ela flui do direcionamento masculino para o exterior, com seu foco nas coisas, e seu desejo de triunfar e
vencer.
Os homens tendem a querer projetar e construir. Eles mexem e analisam, a fim de compreender
o mundo físico ao seu redor, e por trás disso está o pensamento “Eu posso fazer disso aqui algo
melhor”. Os homens parecem encontrar um grande prazer nisto. Esta tendência de projetar, construir e
consertar foi satirizada na personalidade do Tim Taylor, o “Homem das Ferramentas”, na série Home
Improvement. Seja tentando mecanizar o suporte de sapatos de usa esposa, instalando um motor
superpoderoso na máquina de lavar, ou ano após ano mexendo em seu carro na garagem, Taylor
personificava a vontade masculina de fazer as coisas funcionarem melhor. Apesar dos resultados de seus
esforços serem na maioria das vezes desastrosos, o seu desejo de reformar e construir era tão intenso que
ele nunca parou de inventar novos projetos.
Na maioria das vezes, são os homens que são atraídos para vocações mecânicas, analíticas ou que
envolvem construção. Mesmo em uma época em que as mulheres entraram em diversos ramos de
trabalho antes fechados para elas, diversas áreas (como mecânica de automóveis, por exemplo)
permanecem enormemente masculinas.
Mais do que força e energia, a habilidade um homem de projetar e construir no sentido físico e
estrutural é limitada pelo equipamento com o qual ele nasceu. A sua estrutura cerebral irá determinar a
sua habilidade visual-espacial, e esta, por sua vez, lhe dá as aptidões matemáticas e mecânicas que estão
no coração do projetar e construir. Entretanto, há áreas de “construção” que não requerem esses dons
visual-espacial e mecânico. Eu tenho uma classificação bem baixa na coordenação visual-espacial, mas
ainda possuo canais maravilhosamente satisfatórios para o meu desejo de criar e construir: desenvolver
um ministério, por exemplo.
Em cada área em que recebemos a habilidade de criar, entretanto, ali se esconde o potencial para
orgulho. “Veja só esta ratoeira que eu criei. Só um verdadeiro gênio poderia criar uma maravilha dessas.”
Há um perigo real aqui, mas eu creio que um medo excessivo do orgulho faz com que muitos homens
cristãos percam a alegria de criar. Precisamos ser cautelosos com o orgulho que declara: “Que cara
fantástico eu sou.” Mas nós usamos muitas vezes a palavra orgulho com um significado diferente, que não
é errado. Em relação a façanhas específicas, quando dizemos orgulho, provavelmente queremos dizer na
verdade “satisfação”.
Deus compartilhou com a humanidade o papel de criar – nos filhos que educamos, no cuidado
com a terra, e na construção de seu reino. Quando o primeiro grande ato da criação foi completado, e
Deus olhou e disse que era muito bom, ele certamente sentiu satisfação e alegria com a obra de suas
mãos. Acredito que Ele queira que façamos o mesmo. Alguns anos atrás, construí um grande galpão de
madeira atrás de minha casa. Ninguém nunca chegou a mim e declarou espontaneamente: “Puxa, que
galpão maravilhoso”, e eu sei que muitos homens teriam feito um trabalho melhor. Ainda assim, ao
longo dos anos em que usei o galpão, pude sentir um brilho de satisfação pelo trabalho de minhas mãos.
Dessa pequena forma, eu cumpri um dos meus propósitos como homem.

HOMENS DESEJAM VENCER

Quantas garotas que você conhece passariam diversas horas na frente de uma tela jogando video
games, esses programas em que o herói está constantemente levando pancadas na cabeça, caindo em um
fosso, ou tendo que enfrentar uma ameaça sem fim de inimigos ferozes? Provavelmente, não muitas.
Agora, quantos meninos? Essa é uma das coisas de menino. Alguns suspeitam que a atração esteja na
violência contida em muitos desses jogos. Creio que não. Muitos meninos são igualmente atraídos por
jogos de esportes, que contêm pouca ou nenhuma violência. Eu creio que aquilo que vemos nestes
meninos é o desejo do homem de vencer.
Este desejo aparece nos meninos pequenos, a partir do primeiro momento em que eles são
capazes de lutar com seus pais ou com outros meninos. No garotinho e no homem crescido, é sempre a
mesma coisa: o desejo de superar certos obstáculos para alcançar um objetivo específico. Estes dois
elementos – obstáculos e um objetivo – estão sempre presentes.
O desejo por triunfar é essencial em um homem, para que ele cumpra com os seus deveres e
obrigações como homem. Felizmente, o exercício deste desejo (ou seja, praticá-lo) tende a ser
tremendamente realizador para um homem. Ele dá-lhe força, eleva o ânimo. Muitas vezes, é
extremamente divertido.
Assim como a força. O desejo pelo triunfo é desenvolvido com exercício. A matéria prima está
em todos os homens, mas sem exercício, irá enfraquecer e nos deixar sem a capacidade de fazer as coisas
que os homens fazem. Em sociedades com menos abundância e segurança, apenas o esforço para
sobreviver já irá providenciar todos os desafios necessários para desenvolver esta qualidade. Em nossa
cultura, o meio mais óbvio usado para o seu desenvolvimento são os esportes. Os esportes exemplificam
a superação de obstáculos (o outro jogador ou time) para alcançar um objetivo (vencer). A frase atribuída
ao duque de Wellington, "A batalha de Waterloo foi vencida nos campos de esporte de Eton," refletia a
visão inglesa de que o esporte desenvolve nos homens as qualidades que eles necessitam para vencer.
Nós imediatamente ligamos o desejo de vencer com esportes, porque esportes envolvem outras
duas qualidades masculinas: força física e o desejo de gastar energia. Mas o desejo de triunfar pode ser
satisfeito de muitas outras formas. O rapaz que alcança o posto de escoteiro águia, o jovem que vence
um campeonato de xadrez, o adolescente que vence o concurso de oratória, todos superaram obstáculos
para chegar ao alvo.
Os obstáculos a superar podem tomar inúmeras formas. Eles podem ser outras pessoas,
condições da natureza, limitações pessoais, ou até a tendência de alguém de ser dominado pela lascívia. O
único requerimento é que os obstáculos sejam muito grandes; de outra forma, o triunfo será menos
significante e bem menos satisfatório.
Para vencer, um homem atua a partir de seu lado masculino e passa à ofensiva. O oposto seria
atuar a partir de seu lado feminino, e permanecer na defensiva.
O desejo de triunfar é uma das coisas que torna os homens “orientados aos fins”. Isto é
necessário em uma cultura cada vez mais feminizada, que tem desvalorizado os fins, em favor dos meios.
Eu me lembro de ser ensinado, em minha igreja liberal dos anos 60, que quando um grupo de pessoas
está trabalhando junto em um projeto, alcançar o alvo é algo secundário em relação a como as pessoas
trabalhando no projeto interagiam umas com as outras. O ‘relacionar-se’ feminino era mais valorizado
que o ‘fazer’ masculino. Esta ênfase é refletida em nossa vida política hoje, em que as realizações de um
líder são consideradas menos importantes do que a empatia que ele demonstra. Em resumo, o que o
homem supostamente é, torna-se mais importante do que aquilo que ele fez. Os currículos escolares da
educação pública também têm enfatizado mais a auto-estima do que alcançar boas notas.
Homens (e quaisquer outras pessoas) podem ser direcionados demais a alcançar fins ou objetivos.
O empresário impiedoso quem não se importa com em cima de quem está pisando em seu caminho até o
topo exemplifica o foco masculino para os fins, levado longe demais. Assim como com verdade e
compaixão, esta é uma área em que a falta de equilíbrio pode significar um desastre. E, assim como
verdade e compaixão, o equilíbrio não é fácil de alcançar. Dentro de cada um de nós, precisa haver um
ponto de equilíbrio entre os meios e fins, mas, em uma comunidade, em geral a responsabilidade por
focar nos objetivos ficará com os homens, enquanto que as mulheres irão cuidar dos meios.
Ao discutir como um menino se torna um homem no capítulo 3, parte do processo descrito foi
‘testar’. Um menino testa sua identidade experimental, para receber afirmação. O desejo de triunfar de
um homem é tanto o ponto culminante deste processo, como sua continuação. Um homem
desenvolvido acredita que ele pode triunfar. O homem saudável continua a testar. Talvez, a continuação
do exercício de seu desejo de vencer seja similar a um homem que continua a se exercitar fisicamente. Se
ele parar, logo perderá força ou sua capacidade de triunfar.
O desejo de vencer dá-lhe expressão ao direcionamento masculino para o exterior, e à ênfase
masculina na verdade. Exercitar o desejo de vencer trará resistência. Ele aprimora a capacidade um
homem de sacrificar a si próprio por outra pessoa ou por uma causa. Ele o sustenta em seu papel como
protetor de sua família e comunidade.
O desejo de triunfar pode ser direcionado a fins perversos, como dominar, controlar ou reprimir
outras pessoas. Isto não torna a qualidade em si algo ruim; é o mau uso de um dom. Fundamentalmente,
o desejo de vencer é um dom, e portanto, é bom. Nós podemos perceber isto ao considerar o contrário:
como é ruim a disposição persistente de desistir. Nesta luz, podemos ver que o desejo de triunfar é um
dos atributos mais nobres de um homem: coragem.
Assim como qualquer homem na história, o apóstolo Paulo manifestou o desejo por triunfar.
Primeiro, era algo mal direcionado, em sua implacável perseguição da igreja. Mas, após, sua conversão,
ele o redirecionou completamente, suportando aflições, dificuldades, calamidades, espancamentos,
prisões, e assim por diante (2 Coríntios 6:4-5) pelo objetivo único de anunciar o Evangelho. Ao mesmo
tempo, ele nunca utilizou meios que fossem desonrar o seu Senhor e causa dele.

HOMENS LIDERAM

Se, quando eu tinha 21 anos, alguém chegasse a mim e dissesse: “Um homem lidera”, eu teria
respondido: “Sim, é claro, alguns homens lideram, e algumas mulheres também.” E se ele respondesse:
“Não, não é isso que eu quero dizer. Um homem é obrigado a liderar” eu teria rejeitado essa declaração
imediatamente. O que fora dito não teria nenhuma relevância em minha vida. Eu não havia
experimentado essa realidade em casa, e estava certo de que eu nascera para ser um seguidor. Além disso,
nada me assustava mais do que o pensamento da liderança. Quando chegou minha vez, escolhi cumprir
minhas obrigações militares como soldado da tropa de reserva, ao invés de treinar para ser um oficial. Na
faculdade, estudei para a carreira de contabilidade, porque pensei que ficar cuidando dos livros me
manteria a salvo de ter que me envolver com qualquer tipo de liderança.
Após minha conversão, o Espírito Santo gradualmente me revelou que, sendo um homem, era
necessário que eu liderasse. Não era uma opção, mas uma obrigação. Fui chamado para liderar; primeiro,
em minha família, depois em meu trabalho e em minha igreja, e finalmente, no ministério. Eu percebi
que não era apenas a minha situação, não apenas as minhas circunstâncias que acabaram me levando a
um lugar onde era requerido que eu liderasse. Não, liderar é uma das coisas que os homens fazem. É uma
das obrigações colocadas sobre todos nós, homens.
A história certamente demonstra que os homens lideram. Os líderes nacionais têm sido
praticamente todos os homens, ao longo de todas as culturas. Após passar pela Rainha Elizabeth I,
Catarina, a Grande, e Joana d’Arc, você terá dificuldades em encontrar mulheres cuja liderança se
igualava às centenas de líderes homens que governaram em seus países. No mundo militar e no
corporativo de hoje, as autoridades máximas são praticamente todas compostas por homens. A história
afirma que algumas mulheres podem ser ótimas líderes, mas de modo geral, a liderança recai sobre os
homens.
Jesus escolheu apenas líderes homens. Apesar das mulheres possuírem um papel crítico em seu
ministério e no estabelecimento da igreja, ele escolheu apenas homens para serem apóstolos. Não é
razoável assumir que ele simplesmente resolveu proceder de acordo com a cultura da época. Afinal, vez
após vez ele demonstrou que estava disposto a violar os costumes da religião estabelecida.
Os homens lideram porque a liderança é uma expressão do masculino: o líder toma iniciativa,
exerce autoridade, sua paixão pela verdade é refletida em sua fidelidade a uma visão, e ele é direcionado
para o exterior, chamado para ter um grande impacto no mundo. Para os homens, os principais
portadores do masculino, este dons foram dados de forma predominante. Nós somos chamados a utilizar
os dons que nos foram dados, para o benefício dos outros e para a glória de Deus. Portanto, homens são
convocados a serem líderes na família, na igreja e na comunidade.
Eu não tenho como enfatizar demais que a liderança é uma obrigação, e não um privilégio. Jesus
nos deu o exemplo do líder que é um servo. “O maior entre vocês deverá ser servo” (Mateus 23:11). O
mundo está clamando por homens que sejam líderes. A necessidade por líderes de verdade é muito
grande no lar, onde tantos homens têm abdicado de seu papel, dado por Deus, de liderar; na igreja, que
pode tão facilmente se tornar feminizada; e na vida política e econômica, onde o que passa como
liderança é muitas vezes apenas auto-promoção.
Você pode estar concordando com o princípio de que, sim, homens são os melhores líderes, e,
sim, homens são chamados a cumprir papéis de liderança, mas pensa que você simplesmente não é capaz.
Você tem certeza de que não possui aquilo que é preciso pra liderar. Pode ser verdade que você não
esteja pronto para assumir um papel de alta liderança – até mesmo liderança de uma família – mas, se
você examinar o que é necessário para um líder, verá que o potencial existe em você. Aqui está o que um
líder faz:
1. Ele possui a visão do que precisa ser feito. Ele é o guardião da visão ou alvo da organização, e a
comunica regularmente para os outros. O objetivo ou visão pode ser dele próprio, pode ser de
Deus, ou se ele está junto com outros em um empreendimento já existente, a visão ou
objetivo pode ter sido passado a ele. Se for um objetivo que foi atribuído a ele, de uma
organização ou de Deus, ele precisa tornar como algo dele próprio, e acreditar nele.
2. Ele deve verter esta visão em ações. Ele faz isto planejando e nomeando tarefas aos outros.
3. Ele está disposto a fazer sacrifícios pessoais. O líder não pode pedir que os outros façam mais do que
ele mesmo está disposto a fazer. O sacrifício dele pode ser mais do que tempo ou dinheiro.
Ele está disposto a renunciar à aprovação dos outros quando cumprir a tarefa exija isto.
4. Ele ama as pessoas debaixo de sua autoridade. Este amor servirá para equilibrar o seu foco intenso
no objetivo do grupo ou organização. Este amor irá capacitá-lo a fazer o que é bom para as
pessoas, não apenas aquilo que as agrada. Este amor irá abrir os seus olhos para os dons que
as outras pessoas têm, o que por sua vez irá levá-lo a respeitá-las e confiar nelas. Ele será
motivado a alcançar o objetivo do projeto mais pelo desejo de ver os outros abençoados, do
que por engrandecer a si próprio.
5. Ele assume a responsabilidade. No caso de problemas ou fracassos, ele abre mão de justificar a si
próprio, ou de dar desculpas. A atribuição de culpa pára com ele. Mas ele sempre pode levar
seus problemas e falhas mais um passo acima na cadeia hierárquica; o Senhor sempre o
ajudará a carregar seus fardos.
Descrevendo estas obrigações como eu fiz, vemos as qualidades masculinas em tudo – tendo
iniciativa, sacrificando, renunciando a aprovação dos outros – e isto pode fazer a liderança parecer, à
primeira vista, ainda mais formidável do que antes. Mas olhe novamente; não há nada que um homem
não possa desenvolver. Nada foi dito a respeito do líder precisar ter dois metros de altura, uma voz grave
e autoritária, uma tremenda habilidade de comunicação ou ser extremamente extrovertido. Se isso fosse
necessário para ser um líder, a maior parte dos líderes de hoje não teria como estar onde está.
O que é necessário a um líder é que ele exercite as virtudes masculinas de tomar iniciativa,
exercitar autoridade, e manter-se firme nos princípios. Você pode sentir que isto é exatamente o que lhe
falta, mas a boa notícia que você não precisa escalar o paredão da montanha; você pode pegar a trilha que
vai circulando ao redor dela, até o topo. Cada pequena situação em que você se arrisca a liderar irá
fortalecer o masculino em você, e isto irá equipá-lo a tomar o próximo passo, e assim por diante, até você
seja capaz de liderar com um grau de conforto e confiança.
Mas liderar também não é fácil. Os maiores obstáculos à liderança para os homens querendo
superar a homossexualidade estão em sua baixa auto-estima e seu medo de rejeição, que trataremos no
capítulo 11. Eu ainda sou alguém que tende a agradar as pessoas, mas me maravilho ao ver o que Deus
tem feito e continua a fazer. E mesmo no meio das lutas, eu encontro conforto e afirmação em saber
que, quando estou liderando, estou cumprindo um dos meus deveres centrais como homem.

HOMENS SE RELACIONAM COM OUTROS HOMENS

Existe pouca dúvida que o sucesso fenomenal de diversos movimentos masculinos nos últimos
anos, reflete uma fome espiritual nos homens, que não está sendo satisfeita em nenhum outro lugar no
mundo de hoje. Entretanto, estes movimentos também têm florescido porque fornecem um meio de
suprir outra grande necessidade nos homens modernos: a necessidade de se conectar em relacionamentos
com outros homens. Não sei se esses ministérios, ou aliás qualquer outra pessoa, compreende
inteiramente a natureza desta necessidade. Digo isto, porque continuo a ver esta necessidade por
associação com outros homens ser interpretada e transformada em uma necessidade relacionada, porém
diferente: a necessidade de intimidade. Apesar dos homens, como qualquer pessoa, terem a necessidade
de intimidade, de modo geral esta é uma necessidades secundária nos homens, e suspeito que não é pela
intimidade que os movimentos masculinos têm sido tão eficazes. Deixe-me explicar isto com uma
ilustração.
Eu era um membro do ministério Homens da Promessa (Promise Keepers) em minha igreja
anterior. Cada segunda-feira pela manhã, quatro a sete de nós homens nos reuníamos para tomar café da
manhã em um restaurante local. Nós sentávamos em uma mesa grande na parte pública do restaurante, e
após abrir com uma rápida oração, conversávamos um pouco enquanto comíamos. Tínhamos então um
estudo bíblico, compartilhávamos algumas coisas e orávamos novamente no final. Alguns homens
precisavam sair logo para o trabalho, portanto tudo isto acontecia em exatamente uma hora. Apesar de
sermos todos membros de uma igreja carismática em que as pessoas deveriam “colocar tudo para fora”,
nós nunca compartilhávamos coisas realmente profundas. Ninguém falava de suas dores ou medos;
ninguém expressava sua solidão ou seus sentimentos de inadequação. Eu tentei fazer com que
entrássemos em alguns assuntos mais profundos, mas ninguém me seguiu. Não era algo que fazia parte
da cultura deste grupo.
E, ainda assim, o grupo parecia satisfazer as profundas necessidades de seus membros. Isso ficou
especialmente evidente na situação de um homem cuja esposa morreu de câncer, após permanecer muito
doente por um longo tempo. Durante a doença dela, este homem frequentava as reuniões sempre que
podia, e um dos seus comentários para outras pessoas foi que o grupo de Homens da Promessa era quem
lhe dera a maior ajuda. Como? Eu não conseguia enxergar isto na época. Nós amávamos profundamente
a este homem e sua esposa, mas ninguém nunca expressou isto verbalmente. Ele nunca chorou em nosso
meio, e nós nunca o consolamos. Nós orávamos por ele, sua esposa e seus filhos, a cada semana, e
nossas orações eram sinceras, mas não profundas ou longas. Ainda assim, era ali que ele se sentia
consolado e fortalecido.
Uma parte enorme daquilo que se passa entre os homens – as coisas realmente importantes – não
é na forma verbal. Mas hoje, na cultura feminizada, não reconhecemos isto; nós acabamos achando que o
alvo de nossos relacionamentos significativos deve ser uma intimidade profunda, que precisa ser
expressada em abertura verbal e emocional; mas os homens e mulheres são muito diferentes na forma de
se relacionar uns com os outros. As mulheres são quase sempre verbais, e os homens, bem menos.
Se quisermos compreender o que significa ser um homem, vamos deixar este conceito de
intimidade de lado, por um momento, e pensar naquilo que costumo chamar de ‘relacionamentos de
conexão’. Fora do casamento, estou convencido que um homem possui mais necessidade por
relacionamentos de conexão simples do que por intimidade. Baseio isto em minhas observações ao longo
dos anos, especialmente em relação a solteiros. Eu tenho visto poucos homens que conseguem funcionar
bem sem ter esses relacionamentos de conexão, enquanto que aqueles que os possuem em geral se saem
bem, mesmo que não tenham ninguém com quem sejam realmente íntimos.
Deixe-me definir os meus termos aqui. Eu uso a expressão relacionamento de conexão para descrever
a condição existente entre duas pessoas, ou um grupo de pessoas, que se conecta em algum nível
importante. Neste sentido, quero dizer que a conexão é um pouco mais forte que a simples amizade, que
envolve apenas o apreciar estar junto com o outro, mas que não chega tão longe quanto a intimidade
verdadeira, em que as pessoas são totalmente honestas umas com as outras e estão dispostas a ser
extremamente vulneráveis. Em um relacionamento de conexão, as emoções podem não ser tão visíveis
quanto em um relacionamento íntimo, mas importantes necessidades emocionais podem, ainda assim, ser
satisfeitas.
O nosso pequeno grupo de Homens da Promessa não era íntimo, mas o que tínhamos era mais
do que amizade. Há quatro características básicas para este tipo de relacionamento, para o qual os
homens são atraídos e possuem satisfação em participar.
Primeiro, o nosso grupo era voluntário. Nós podemos trabalhar no meio de um escritório
barulhento, ou viver em meio a uma grande família, e sentirmo-nos terrivelmente isolados. Simplesmente
estar fisicamente juntos com outras pessoas não é o suficiente. Nós precisamos escolher estar com estas
pessoas, e elas conosco. O fato de que outros homens querem estar comigo pode ser um fator
determinante em tornar estes relacionamentos tão satisfatórios. Eles são inerentemente afirmadores.
Segundo, nós compartilhávamos interesses, objetivos, valores e crenças – e não necessidades
mútuas. Nós éramos todos cristãos, querendo viver intensamente o nosso cristianismo em nossos lares,
trabalhos e comunidade, e todos nós achávamos isso difícil, às vezes. Nossos relacionamentos, baseados
nestes interesses, objetivos e crenças comuns, eram focados para o exterior. Por que nós
compartilhávamos a crença comum de que a melhor orientação para a forma como deveríamos viver
encontrava-se na Palavra de Deus, nós estávamos compartilhando uma aventura de descoberta juntos. O
que estávamos descobrindo era novos princípios. Direcionados para fora, fazer novas descobertas,
revelar novos princípios, todas estas coisas alimentavam nossas naturezas masculinas. Relacionamentos
assim dão vida, estimulam os homens. Apesar das necessidades serem importantes, deixar que elas sejam
o foco comum de nossas vidas juntos pode ser algo que esgota o ânimo dos homens. Além disso, de
alguma forma parecia que estávamos atendendo a necessidades, sem precisar ficar focando nelas.
Compartilhar experiências em comum pode substituir crenças em comum. Por anos, eu e minha
esposa fomos parte de um pequeno grupo que se reunia nas casas, em que, mesmo tendo os nossos
cinquenta anos, éramos os mais novos de todos. Os demais três homens do grupo haviam combatido na
Segunda Guerra Mundial. Eles haviam estado em zonas diferentes de operação, até em diferentes ramos
das forças armadas, mas as experiências comuns de ter deixado suas casas em Baltimore, ainda durante a
adolescência, e terem sido jogados em um mundo onde a violência e a morte estavam em todo lugar ao
redor deles, dava-lhes um senso de que cada um sabia algo dos outros, que a maioria das pessoas jamais
viria a compreender ou conhecer.
Se você já se envolveu com algum grupo de ministério ‘ex-gay’, pode ter tido aquela sensação
implícita de que as pessoas presentes são homens e mulheres que realmente o compreendem. Isto efetua
uma conexão. Entretanto, compartilhar experiências em comum, por melhor que seja, põe o foco no
passado; crenças e valores em comum são mais dinâmicos. Eles nos carregarão, no futuro, através de
todo tipo de experiências, e portanto solidificarão os nossos relacionamentos de conexão.
Uma terceira característica de nosso relacionamento é que gostávamos uns dos outros.
Apreciávamos nosso tempo juntos. Isto tornou possível uma grande liberdade na forma que
interagíamos, em nossos desafios, nossas discussões, nosso dar e receber admoestações. Porque
gostávamos uns dos outros, éramos livres para sermos nós mesmos e falar a verdade uns aos outros.
Finalmente, nós éramos todos homens. Nós amávamos nossas esposas e filhos, e gostávamos de
passar tempo com nossa família; apreciávamos as coisas que fazíamos junto como casais, mas estar com
um grupo exclusivamente masculino é muito diferente. Talvez na companhia de outros homens, nós
sabíamos intuitivamente que éramos compreendidos, e portanto, uma grande quantidade de diálogo mais
íntimo – uma área em que muitos homens não são particularmente bons – simplesmente não era
necessária. Uma compreensão mútua, baseada em nossa masculinidade comum, permitia-nos passar por
cima de toda a parte verbal e chegar logo às questões importantes.
O que eu disse aqui é muito simples: os homens progridem em relacionamentos que são
exclusivamente masculinos e voluntários, onde os homens compartilham crenças e valores, e onde
gostam um do outro. Existe em todos os homens o desejo de se tornar um homem melhor, e os homens
sabem instintivamente que este tipo de relacionamento fornece um ótimo ambiente para o crescimento
como homens. O ferro afia o ferro, e homens maduros, saudáveis, desafiam uns aos outros a serem
homens melhores.
Então, temos aqui o que os homens fazem: eles são voltados ao físico, possuem o desejo de
vencer, lideram e se relacionam com outros homens. Então, para onde vamos daqui? Como estas coisas
fundamentais que marcam a masculinidade podem ser aplicadas de maneiras que aumentarão o senso
interno da nossa própria masculinidade? Como nós podemos fazer as coisas que os homens fazem?
9

fazendo as coisas que os homens fazem


Nós vamos amadurecer para a masculinidade ao fazer as coisas que os homens fazem. Cada vez que eu
escrevo isso, já posso ver as luzes de alerta piscando. A primeira é aquela que diz, “A velha conformidade
estúpida e cega. Homens de verdade consertam carros, assistem futebol, bebem cerveja, arrotam e
contam piadas sujas, certo? Essas são as coisas que os homens fazem. Então, me conformar a alguns
estereótipos culturais fará de mim um homem? E se eu não quiser consertar um carro, não gosto de
futebol, detesto cerveja, meu sistema digestivo está bem sem arrotos, obrigado, e piadas sujas são idiotas?
Então eu não posso ser um homem de verdade, é isso?”
A segunda acusa: “Pelos padrões de quem nós decidimos o que os homens fazem? Norte-
americanos, brasileiros, antigos hebreus, esquimós, japoneses do século XVII? Qual é a cultura que
vamos utilizar, ou eu posso escolher qualquer uma – ou sou obrigado a viver de acordo com o clima da
época?”
Uma terceira, ainda, pode ser um pensamento simplista que não faz sentido: “Eu não conseguia
fazer as coisas que os meninos faziam, então fui rejeitado pelos meus colegas e pelo meu pai, e isto me
levou a me tornar homossexual. Como eu sou um homossexual, não posso fazer as cosias que os homens
fazem. Se eu pudesse, eu faria, e nesse caso, não seria homossexual.” Espero que eu possa ajudá-lo a
desligar essas luzes de alerta.

FAZENDO AS PAZES COM A CULTURA

Conforme discutimos no capítulo 6, Deus criou o homem com certos atributos físicos que eram
peculiares ao homem, e diferentes da mulher. Na média, os homens podem fazer algumas coisas
melhores do que as mulheres, e as mulheres, algumas coisas melhores do que os homens. Isto criou uma
complementaridade. Sem dúvida, acabou funcionando melhor do que se todos os atributos completos
fossem colocados em cada ser humano.
Além disso, Deus quis que fôssemos criaturas voltadas a relacionamentos, portanto Ele nos deu
diferentes dons – diferentes de indivíduo para indivíduo, e diferentes entre homens e mulheres – para
que nós trabalhássemos juntos. Em relação ao homem e à mulher, estes diferentes dons criaram a
complementaridade, que serviria como alicerce primário para a comunidade humana: a família.
Cada cultura tem manifestado estes atributos peculiares ao masculino e ao feminino, de formas
que serviam melhor para a comunidade, tribo ou nação. Cada cultura registrada na história definiu papéis
para homens e mulheres, e marcou estes papéis através de determinadas práticas, símbolos e costumes.
É interessante conversar com pais que tentaram resistir aos papéis tradicionais masculino e
feminino, e tentaram impor uma ideologia mais andrógina em seus filhos. Nós tínhamos uma amiga, que
tentou de todas as formas preservar o seu menino de estereótipos masculinos culturais; mas não
adiantou. Ele não brincava com as bonecas, e, na ausência de uma arminha de brinquedo, um simples
graveto era suficiente para atirar nos bandidos. Nós já ouvimos histórias assim, muitas vezes. Isto reflete
tanto o poder das influências culturais, como o fato de que a maioria dos papéis de gênero reflete
diferenças físicas, e portanto, inatas, entre homens e mulheres.
Todas as culturas estabeleceram não apenas normas e papéis diferentes para os homens e
mulheres, mas de cultura a cultura, e era a era, da mais primitiva à mais moderna, existem fortes
similaridades nos papéis específicos que foram determinados. Os papéis do homem têm focado
principalmente no físico, como caçar, pescar e lutar, e na interação com a comunidade maior, como
guerra, legislação e governo. Os papéis das mulheres têm girado em torno do lar: criar os filhos, cozinhar,
ensinar, relacionamentos com vizinhos. Quando o sustento da família era ganho na casa ou próximo dela,
como plantando, criando animais ou um negócio de vendas, a cultura podia atribuir a responsabilidade ao
homem, à mulher, ou a ambos.
Uma objeção poderia ser levantada; a de que os papéis são similares, de cultura a cultura, porque
são os homens que as impõe e porque sempre pegaram o melhor para si próprios. Mas então, por que em
algumas culturas, as mulheres não impuseram as responsabilidades de acordo com o que era melhor para
elas? Até mesmo a atribuição de responsabilidades é uma responsabilidade – uma que é peculiar ao
homem. Mas isto não ocorre porque o homem é fisicamente mais forte, e pode impor as suas ideias de
responsabilidade? Sem dúvida, existe alguma verdade nisto, mas apenas reforça um ponto primário que
estou tentando passar: Os papéis, ao menos em parte, refletem as nossas diferenças físicas.
Um fator adicional ajuda a determinar, e especialmente a manter, os papéis masculino e feminino
definidos em quase qualquer comunidade: a religião. Uma vez que diferentes papéis e normas para
homens e mulheres eram vistos como bons e benéficos, eles sempre acabaram sendo incorporados às
crenças e práticas religiosas. Às vezes isto foi feito pelo homem, mas na tradição judaico-cristã, cremos
que isto foi feito por obra de Deus através de seu povo. É significativo que, entre as culturas que a
maioria de nós conhece, a judaico-cristã tem sido a que provê maior proteção de mulheres e crianças. O
nosso histórico em relação a esta questão está longe da perfeição, mas será difícil encontrar uma cultura
que tenha desenvolvido um sistema mais satisfatório do que aquele que faz parte de nossa herança
judaico-cristã. Eu creio que isto é Deus guiando o seu povo.
As Escrituras apóiam a ideia de que Deus quer que os homens e mulheres mantenham diferenças
simbólicas e de função. Independente da forma como você interpreta o que a Bíblia diz a respeito da
ordenação ou liderança de mulheres, não podemos ignorar o fato de que as Escrituras falam a respeito de
papéis diferentes no ensino e na autoridade (1 Timóteo 2:12). Além disso, podemos perceber que
responsabilidades diferentes eram evidentes entre os homens e mulheres que caminhavam com Jesus, e
entre os homens e mulheres que compunham a igreja primitiva. A direção de Paulo acerca da de quais
cabeças deveriam ser cobertas ou não (1 Coríntios 11:4-15) é uma indicação clara da intenção do nosso
Senhor de que mantenhamos símbolos visíveis, para nos relembrar das diferenças entre homens e
mulheres.
Em nenhuma cultura os papéis de gênero são ideais, mas este não é o ponto, aqui. A questão é
que cada cultura possui as suas normas para homens e mulheres. Além disso, se você não quer ser um
ermitão, precisa viver dentro de uma cultura. E assumindo que uma das suas aspirações não é ser um
ermitão, você precisa não apenas viver em uma cultura, mas deve viver na cultura na qual foi inserido.
Você pode escolher mudar-se para outra cultura, mas se o fizesse, você não iria escapar dos papéis de
gênero, apenas encontrar papéis diferentes. Você precisa não apenas viver na cultura na qual foi inserido
(ou inseriu a si próprio), mas também deve viver como um homem nesta cultura. Como um homem,
você possui duas alternativas: você pode viver de forma geral de acordo com os padrões desta cultura, ou
pode se tornar um inconformista, isto é, desafiar as normas da cultura.
Para aqueles que querem amadurecer na masculinidade, creio que posso defender bem que viver
de acordo com os padrões da cultura é o melhor caminho a ser seguido. Deve haver uma ressalva quanto
a isto, é claro. Como cristãos, especialmente como cristãos que vivem em uma cultura cada vez menos
cristã, nossa percepção a respeito de como vive um homem em nossa sociedade deve ser submissa ao
plano bíblico claro de Deus para o seu povo. Aonde a cultura vier a contradizer o que sabemos a respeito
de comportamento correto, não podemos nos conformar. Se a cultura argumentar que o verdadeiro
homem, bem sucedido, é o beberrão, mulherengo, abusivo e narcisista, pode haver muitas coisas que
teremos de rejeitar. Para as demais, chegar a um acordo com a cultura de uma forma a aceitá-la, ao invés
de lutar contra ela, terá três vantagens decisivas para nós. Deixe-me explicar.
Primeiro, a sua vida começará a se alinhar com a sua própria percepção profunda de
masculinidade. Bem no fundo de cada um de nós, existe um senso daquilo que um homem deve ser.
Mesmo no homem mais gay, existe uma identificação do que é verdadeiramente viril. Mesmo que ele
rejeite e menospreze isto, ele sabe o que é. Algo disso pode nascer conosco, algo é adquirido através de
nossos primeiros relacionamentos, e certamente em um nível significativo é formado por nossa cultura;
de qualquer forma, qual é a fonte não é a questão fundamental. O importante é que está lá, é algo real,
está profundamente arraigado em nós, e causa um grande impacto em nossas vidas. Esta percepção está
em cada menininho e em cada adolescente.
Nós podemos insistir que nenhuma expressão comportamental realmente determina a
masculinidade – e isto é, de forma geral, verdade – mas ainda há no coração de cada homem uma
habilidade de reconhecer a verdadeira masculinidade, e este reconhecimento é ilustrado por certas
atitudes e comportamentos viris. Quando nós agimos como homens, fazemos as coisas que os homens
fazem, nós nos conformamos ao nosso profundo senso do que a masculinidade é. Nós nos sentimos
como homens quando fazemos as coisas que os homens fazem, e sentir-se como um homem, talvez mais
do que qualquer outra coisa, forma a identidade masculina. Cada ação nossa que se conforma à nossa
percepção interna de masculinidade, é como um pouco de concreto no molde que será preenchido para
dar origem a um homem completo, forte e saudável.
Como mencionei antes, o Regeneração realiza partidas de futebol para os homens que participam
do ministério. Elas são disputadas em um ambiente protegido. As primeiras partidas foram jogadas em
um campo entre um estábulo, um bosque e uma igreja. Elas eram limitadas aos homens que lidavam com
problemas homossexuais. (Meu filho, Estevão, foi o primeiro sem esse tipo de problema a poder jogar,
mas agora alguns outros que fazem parte do ministério também participam conosco.) Estas partidas têm
sido uma das coisas mais terapêuticas que nosso ministério já fez. Nestas condições de baixo risco, a
maioria dos homens descobriram que não havia nada de errado com sua coordenação motora. Quase
todos eram melhores no esporte do que pensavam ser. Depois destas partidas, podíamos ver mudanças
de identidade em alguns homens. Fazer o que os homens fazem em nossa cultura – jogar futebol –
estabelece uma conexão com aquele profundo senso de masculinidade inconsciente que todos nós
carregamos em nós mesmos. Experiências como estas nos transformam pouco a pouco, conforme
descobrimos ser capazes de agir de maneiras que correspondem com nosso senso de masculinidade.
Segundo, outros homens irão aprová-lo e afirmá-lo. Quando você era apenas um menino,
provavelmente a mamãe o amava e o aceitava completamente, mas isto não o ajudou muito em relação à
sua masculinidade, não é mesmo? Ainda hoje, você provavelmente tem amigas que o acham alguém
muito bacana. Talvez algumas crianças o considerem muito legal. Estas coisas são maravilhosas, e não
devem ser desmerecidas. Mas elas ajudaram a sentir-se masculino? Talvez um pouco, mas provavelmente
não muito.
Entretanto, o que acontece quando os seus colegas de trabalho homens o convidam para assistir
um jogo de futebol, ou os homens de sua igreja pedem sua ajuda para consertar os danos causados por
uma tempestade na casa de uma viúva? Não é isto que lhe dá uma verdadeira injeção de afirmação? Não
são estas coisas que começam a formar em você a ideia de que você é como os outros homens?
Nossas afirmações mais poderosas de que somos homens, sempre virão de outros homens.
Inconscientemente, nós sabemos que os homens são especialistas em masculinidade. São eles que
possuem qualificação para afirmar a masculinidade. E esta afirmação transcorre de duas formas: por suas
palavras, e pela aceitação de você no mundo deles. Em ambas as situações, as considerações culturais são
muito importantes.
Para que as palavras dos homens possuam um impacto significante em sua afirmação, elas
precisam afirmá-lo pelas coisas que os homens fazem. “Você é um cara muito legal” ou “Esse arranjo de
flores ficou lindo” não irão afirmar a sua masculinidade. É bom receber elogios, mas nem todo elogio é
uma afirmação de sua masculinidade. “Você fez um ótimo trabalho ao liderar aquele grupo” ou “Aquela
mesa de jardim que você construiu ficou ótima” – estas palavras, vindas de um homem, afirmam a
masculinidade. Eu sei que tudo isso pode soar superficial, até meio infantil, mas é a realidade. Precisamos
das palavras de afirmação que não recebemos quando meninos. Precisamos que elas venham de homens,
e que sejam dados no contexto do que os homens fazem, por que esta é uma marca da masculinidade.
A outra maneira pela qual os homens nos afirmam é nos aceitando em seu mundo. Existe um
mundo que é dos homens; onde os homens se reúnem para trabalhar, jogar, discutir. A maioria dos
homens nem está ciente que ele existe, mas é como um clube, e existe apenas um pré-requisito para
admissão: você precisa ser um homem para entrar. Toda vez que você for convidado para esse mundo,
eles estão reconhecendo que você é um homem. Eles estão afirmando a sua masculinidade. Mas você
precisa estar disposto a participar. Você precisa estar disposto a ir ao jogo de futebol ou a construir a
cerca ao redor da igreja. Você precisa estar disposto a fazer o que os homens fazem na cultura desses
homens. O simples convite dele para você participar já possui um valor de afirmação, mas estar com eles,
e participar com eles no contexto do que os homens fazem, terá um valor afirmativo muito maior.
Terceiro, o Espírito Santo irá afirmá-lo. Mais tarde, vamos discutir as qualidades e propósitos da
masculinidade. Por enquanto, basta dizer que Deus possui propósitos para sua masculinidade, propósitos
para serem vividos na família, na igreja e no mundo. Quando você fizer aquilo que os homens fazem,
muitas vezes já está cumprindo estes propósitos, e o Espírito Santo irá afirmá-lo. Você estará fazendo as
coisas que o Pai deseja que seu filho faça, e você sentirá a aprovação dele.
Você tem uma escolha. Você pode seguir seu próprio caminho e esperar para ver o que acontece,
ou pode entrar no mundo dos homens e descobrir as bênçãos e o crescimento que pode encontrar lá.
Fazer esta escolha significa fazer as pazes com a cultura.
Para aqueles de vocês que ainda lutam com a questão de conformidade, podem encontrar
respostas quando discutirmos a singularidade de cada homem, no capítulo 13. Para aqueles de vocês que
continuam a agarrar-se ao individualismo, tenho algumas palavras para vocês mais tarde, também. Mas
por enquanto, vamos ir adiante com o ‘fazer’ aquilo que os homens fazem.

TORNANDO REAL

Jacó desejava fortemente ser um “homem de verdade”. Ele se sentia fraco e molenga, como se
fosse uma espécie de criatura alienígena ao redor dos outros homens. Então, ele fez seu próprio projeto
de masculinidade. Ele começou a levantar pesos, até ganhar um bíceps e abdômen respeitáveis. Ele fez
uma tatuagem. Ele comprou uma picape com um rack para armas e um cachorrão para passear no banco
da frente com ele. E arranjou um novo visual, especialmente composto por roupas masculinas, grossas e
de aspecto rude. Ele até desenvolveu uma atitude de fanfarrão, para que ninguém pudesse considerá-lo
um fracote novamente.
E então Jacó se aventurou no mundo como um novo homem. Adivinhe o que aconteceu? Isso
mesmo, quase nada. Com a exceção de alguns homens no bar gay, ninguém pareceu notar a diferença.
Pior ainda, ele próprio não se sentia diferente. Isso é compreensível, quando se percebe que Jacó estava
apenas construindo uma pose de homem. Ele estava apenas vestindo símbolos de masculinidade. Mas ele
ainda era o rapazinho molenga, e no fundo, ele sabia disso. Os homens no bar gay apreciaram o novo
Jacó, porque haviam convergido por tanto tempo em um falso tipo de masculinidade, que haviam
perdido a habilidade de distinguir a coisa falsificada da genuína.
Jacó não poderia encontrar sua masculinidade na loja de roupas, de carros ou no tatuador. Ele
precisaria amadurecer na masculinidade como qualquer garoto. Ele precisava retroceder os passos da
masculinidade e recomeçar onde havia parado. Ele deveria voltar ao passo 7, testando sua identidade. Ele
precisava fazer as coisas que os homens fazem e buscar a afirmação que é parte necessária do
crescimento. Não lhe faria nenhum bem simplesmente parecer-se com um homem; ele precisava agir
como um, de formas que afirmassem a sua masculinidade.

TESTANDO

Suponha que o seu alvo, ao invés de alcançar a masculinidade, é ser aceito em determinada
universidade, e você precisará de determinada pontuação no vestibular para passar. O que você precisaria
fazer é algo bastante claro. Você deveria:
1. inscrever-se para a prova
2. preparar-se estudando, e possivelmente fazendo um curso pré-vestibular
3. ir até o local da prova
4. realizar a prova
5. tentar outra vez, se você não for bem na primeira vez.
O amadurecimento na masculinidade também requer um tipo de prova, que é testar a si próprio
ao fazer as coisas que os homens fazem. Ao realizá-las, você irá seguir os mesmos passos listados para o
vestibular. Veja como eles se aplicam ao seu processo de crescimento:

1. INSCREVER-SE PARA A PROVA

Isto significa tomar a decisão de que você quer a masculinidade e que está disposto a pagar o
preço para alcançá-la. Você sabe que será difícil, que haverá momentos de fracasso e humilhação, e que
você terá de ir a lugares nos quais tinha medo de entrar antes. Ao considerar estas dificuldades, e
reconhecer a dor que você pode vir a experimentar, você está avaliando o preço. Ao reconhecer que a
masculinidade é um prêmio que vale a pena o sacrifício, sua decisão será de fazer os testes. Você
estabelece o compromisso, consigo próprio e com Deus, de que fará o necessário para trilhar essa estrada
e vencer esses testes.

2. PREPARAR-SE PARA O TESTE

Você pode descobrir que boa parte do preparo já aconteceu, mas que ainda não está completo,
ou pode perceber que as experiências isoladas de preparo ainda não se uniram para afirmá-lo em sua
masculinidade. Foi isto que aconteceu comigo. Ao olhar para trás, vejo meus 26 anos no mundo dos
negócios – especialmente em papéis que nunca teria escolhido para mim mesmo – como a providência
de Deus em testes para mim. Forçado às responsabilidades de liderança, associando-me diariamente com
homens, estabelecendo desafios no mundo imobiliário competitivo, muitas das partes de minha
masculinidade foram sendo formadas, embora levasse anos até que as peças se juntassem para formar um
homem. Examine a sua vida – faça uma lista – e tenho certeza que você já terá atravessado muitos
experiências que podem servir de pedras na construção de sua masculinidade. Pense a respeito delas,
abrace-as, e conscientemente torne-as parte de seu crescimento.
Mas existem coisas que você precisa fazer deliberadamente, para preparar-se para os testes:
• Você precisa estar lidando com sua homossexualidade em todos os níveis. No começo do
livro, mencionei que o amadurecimento na masculinidade é apenas uma parte da superação da
homossexualidade, e geralmente é um dos estágios mais posteriores do processo. Dentro do
possível, você deve prestar contas, estar envolvido em um ministério ‘ex-gay’, ir a encontros,
ler livros, participar de grupos de apoio. Sejam quais os recursos disponíveis, utilize-os.
Juntamente com o crescimento, você precisará de uma maior compreensão e possivelmente,
cura interior. Estes recursos poderão auxiliá-lo.
• Você precisará encontrar outro homem para ajudá-lo. Alguém que irá encorajá-lo, e a quem
você possa prestar contas, alguém que irá ouvi-lo quando você compartilhar suas lutas. Pode
ser um parceiro de prestação de contas, um líder espiritual, ou um conselheiro experiente. Se
você está em um grupo de apoio, pode ser o líder do grupo ou do ministério. É bem melhor
que essa pessoa seja um homem, porque o relacionamento de vocês fará parte do processo de
cura.
• O mais importante: você precisa se arrepender dos pecados que tem, até agora, impedido sua
jornada para a masculinidade. A maioria dos grandes passos em minha vida começaram no
plano espiritual, e em geral com o mesmo evento – arrependimento. Arrepender-se é até fácil.
O difícil é reconhecer e confessar o pecado que está prejudicando minha caminhada como
cristão. Mas, assim que descubro um pecado sério em minha vida, após a ferroada inicial
dolorida da convicção passar, fico empolgado, porque sei que para o pecado, ao contrário de
certos problemas emocionais e psicológicos, temos uma solução imediata: arrependimento,
confissão, e o sangue purificador de Jesus Cristo.
Conforme você examina sua vida em oração, o Espírito Santo pode mostrar certos pecados que,
se ainda fazem parte da sua vida, são como pesos enormes sob seus ombros, tornando cada passo do
processo de crescimento mais difícil.
Aqui estão alguns dos pecados mais profundos que são comuns entre homens que estão saindo
da homossexualidade, e que são relevantes ao tópico discutido. Eles podem enfraquecer sua disposição a
crescer no mundo dos homens. Eu tive de lidar com cada um deles em meu próprio crescimento na
masculinidade.
Permitir que o Medo Controle-o
O medo é uma emoção legítima, face ao perigo iminente. Mas medos contínuos, que a longo
prazo acabam nos impedindo de fazer o que Deus quer que façamos, são expressões de nossa falta de
confiança em Deus, e portanto são pecaminosos. O medo que o fez fugir do mundo físico e agressivo
dos meninos, há muitos anos atrás, pode ser um fator verdadeiramente paralisador em sua vida.
Reconhecer que sua vida tem sido controlada pelos seus medos, ao invés de pelas promessas de Deus,
pode ser um passo enorme. Depois que você se arrepender disto, e escolher viver a vida de forma
diferente, ainda precisará encarar seus medos; mas você ter maior poder para vencê-los e não ser
controlado por eles. Assim como a maioria dos pecados de estilo de vida, seus medos podem dominá-lo
de vez em quando, e você pode ter de se arrepender muitas vezes. Repetir as palavras de Paulo “Tudo
posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13) pode ser uma força poderosa para não deixar o medo
ganhar controle sobre você.
Autoproteção Extrema
Esta é outra reação que Deus colocou em nós com um propósito – proteger a vida e a integridade
física. Mas, se vier a assumir um lugar supremo em nossas vidas, e refletir uma determinação de evitar
toda a dor e sofrimento que existem nesta vida, torna-se algo pecaminoso. Está frequentemente enredada
com outros pecados voltados ao ego: egocentrismo, autopiedade, egoísmo, e até narcisismo
(autoglorificação).
Preguiça
Que palavra carregada de significado! A preguiça é um dos sete pecados ‘capitais’ que a igreja
enumerou no começo de sua história. A própria palavra possui o poder de condenar, porque pinta um
quadro claro de uma criatura que faz pouco mais além de dormir e suprir suas necessidades mais básicas.
Em alguns homens homossexuais, sua recusa em agir fisicamente, e sua resistência em adentrar o mundo
dos homens, pode haver gerado neles hábitos de preguiça e ociosidade. Como resultado, seus corpos não
conseguiram desenvolver a força e a energia que tornaria fácil a eles agirem fisicamente e ativamente no
mundo. Quer a preguiça venha de uma atitude de inatividade, ou por simplesmente não cuidar de nossos
corpos, ela nos impede de fazer de boa vontade as coisas que os homens fazem, e é um pecado que
precisa de arrependimento.
Ser Excessivamente Fracote
Nós não encontramos a palavra fracote nos Dez Mandamentos, nem nos sete pecados capitais,
mas é uma palavra muito expressiva. O dicionário descreve fracote com aquele a quem falta vigor, força
de caráter, resistência moral, que é incapaz, mole ou requintado demais. A palavra grega malakoi usada em
1 Coríntios 6:9 é às vezes traduzida como ‘efeminado’, e às vezes como ‘homossexual passivo’. Pode ter
um significado próximo ao que queremos dizer com fracote. Para os nossos propósitos, fracote significa
aquele que “tem um foco extremo em seu conforto pessoal’. A história que minha esposa relaciona com
tal pessoa é “A Princesa e a Ervilha’, a história de uma princesa cujo sono foi perturbado por uma
pequena ervilha colocada debaixo de sua alta pilha de colchões, dessa forma provando que ela era uma
princesa. Esse foco em si mesmo pode facilmente restringir do que um homem é capaz com seu corpo.
Ele nunca irá querer ficar suado ou sujo, ou fazer qualquer coisa que venha a causá-lo desconforto físico.
Ele criou barreiras artificiais que irão limitá-lo em sua função como homem, e impedi-lo de participar do
mundo dos homens.
Orgulho
A maioria dos homens homossexuais possui auto-estima extremamente baixa, portanto o orgulho
não é facilmente identificado. O homem homossexual pode buscar dar valor a si próprio por suas posses,
sua popularidade, ou até através de sua sensibilidade, e este valor está apoiado em uma camada externa de
orgulho. Para muitos homens, este orgulho é frágil e facilmente quebrado, mas alguns possuem grande
habilidade de mantê-lo e protegê-lo. Mesmo assim, ele precisa morrer, para que o verdadeiro homem
venha para fora. O garotinho assustado, enterrado abaixo desta falsa personalidade, precisa sair e dar seus
primeiros passos nos mundo da masculinidade. O falso homem precisa morrer, para que o homem
verdadeiro possa começar a crescer. Reconhecer isto, e arrepender-se, são essenciais para que o processo
ocorra.
Uma convicção profunda de pecado é algo raro e precioso. Este livro não irá convencê-lo de
nenhum pecado; o Espírito Santo é quem faz isto. Mas mantenha estes pensamentos em seu coração, e
talvez um dia o Espírito Santo use-os para trazê-lo àquela convicção que é dolorosa por um momento,
mas libertadora a longo prazo.

3. IR ATÉ ONDE OS TESTES SÃO FEITOS

Assim como o estudante que faz o vestibular, você precisa descobrir o local onde as provas são
feitas, se quiser tomar parte delas. Os testes da masculinidade são dados primariamente no mundo dos
homens. Você precisa ir até a arena de ação deles; não espera que eles venham até a sua. O fator principal
para entrar no local de prova é sua disposição em dizer sim: sim ao convite dos homens para juntar-se a
eles, sim para alguém que o convida a desempenhar um papel de liderança, sim à voz de Deus quando
Ele diz para parar de ficar só olhando e começar a agir. Muitos testes serão apresentados para você; você
precisa apenas aceitá-los. Por exemplo, oportunidades para exercer a liderança são abundantes. A igreja,
sua empresa, o mundo, todos clamam por homens que queiram papéis de liderança.
O mundo de homens dispostos a fazer coisas com outros homens não é tão lotado assim. Há
muitos homens sozinhos por aí, procurando por um amigo para fazer algo juntos. Seja flexível e disposto
a fazer o que o outro homem quer fazer. Apesar da atividade talvez não ser da sua preferência, a
companhia trará suas próprias recompensas. E você estará fazendo as coisas que os homens fazem.
Em algumas circunstâncias, você pode ir atrás de seus próprios testes. Foi assim que nossos jogos
de futebol no Regeneração começaram. Nós sabíamos que nossos sentimentos terríveis de inadequação
nos esportes eram um fator principal em nossa falta de senso de masculinidade, portanto nos
aventuramos para o campo.
As decisões são suas, quanto aonde ir para realizar seus testes. Seria sábio escolher os locais com
cuidado. Aqui estão algumas sugestões para guiá-lo:
• Escolha um teste que você provavelmente vá vencer. Nós podemos aprender a partir de
nossos fracassos, mas somos desenvolvidos a partir de uma série de triunfos, cada qual nos
encoraja a ir a um nível um pouco mais desafiador. A possibilidade de fracassar precisa estar
presente ou o teste não possuirá nenhum significado, uma vez que é em cima das vitórias que
a confiança vai sendo construída.
• Faça os testes entre homens compreensivos. Ao menos inicialmente, é apropriado realizá-los
entre homens que não irão ridicularizá-lo ou irritar-se com os seus fracassos. Os homens de
sua igreja deveriam, em princípio, constituir um grupo assim. Mesmo que eles não saibam a
sua motivação para participar em uma atividade com eles, se são homens cristãos maduros,
eles podem sentir suas dificuldades e assumir o papel de bons pais ou irmãos.
• Dentro do possível, faça os testes entre homens fortes. Homens saudáveis são fortalecidos na
presença de homens fortes. Se você está começando a crescer como homem, começar na
presença de homens fortes irá elevá-lo ao nível do vigor deles. Esteja disposto a passar por um
período de tempo em que você se sentirá intimidado, antes de sentir-se confortável na
presença deles. A recompensa fará o esforço valer à pena.
• Faça o teste onde as consequências do fracasso não seriam grandes demais. Se é um papel de
liderança e você não fizer o melhor trabalho do mundo, os outros sofrerão significativamente?
Se for um evento esportivo, você está jogando onde o mundo inteiro o verá se atrapalhar?
• Tente manter um senso de humor. Não se levar a sério demais é um grande bem. Em nosso
primeiro jogo de futebol no Regeneração, houve muitas brincadeiras sadias, e autodepreciação
inofensiva. Um homem perguntou se iríamos ensaiar antes de jogar um jogo de verdade.
Outro, ao chegar ao ponto inicial do jogo, declarou: “Levou vinte anos para eu chegar da
lateral do campo até aqui.” Tente dar um passo atrás e olhar o que você está fazendo como se
fosse um jogo, talvez um jogo secreto só seu. Lembre, se você fracassar, amanhã
provavelmente ninguém irá lembrar-se do seu fracasso.

4. FAZER O TESTE

Toda a preparação – ou ler este livro – não terá utilidade se o teste não for feito.

5. TENTAR OUTRA VEZ SE VOCÊ NÃO FOR BEM-SUCEDIDO

Tentar só uma vez não basta. E embora passar uma vez no vestibular seja suficiente, você pode
continuar tentando para uma universidade melhor. O amadurecimento na masculinidade envolve muitos,
muitos testes, e todo homem fracassa alguma vez. Tenha isso em mente, e esteja determinado a tentar
outra vez.

MAS EU SOU DIFERENTE

Lembra-se das curvas normais, e como na curva masculina alguns de nós caíamos bem à
esquerda, talvez em sobreposição com a curva feminina? Chega o rapaz para mim e diz: “Está bem, mas
eu sou baixo, tenho voz fina e pele lisa. Eu tenho uma péssima coordenação motora. Eu sou um
excelente comunicador, e um fiasco em matemática e física. São estas coisas que me empurraram para
fora do mundo dos meninos. Como eu vou fazer as coisas que os homens fazem? Como seria diferente
agora?” Diversos leitores podem estar tendo este tipo de pensamento agora.
Eu discuti, antes, como nós cremos que muitos fatores podem ter contribuído para nossa
homossexualidade, e certamente ser menos ‘masculino’ de nascimento, quando a características sexuais
secundárias, pode ser um deles. Ser diferente destas formas por natureza pode ser o que nos levou a ser
rejeitados por nossos pais ou colegas. Ser menos agressivo por natureza pode ter contribuído com nossa
decisão de retirar-se do mundo dos homens, ao invés de ficar e lutar por nossa posição nele. Estudos
mostram que comportamento feminino no começo da infância é um dos indicadores mais fortes de
homossexualidade adulta. O que estou reconhecendo é que muitos homens orientados à
homossexualidade estão em desvantagem quanto a fazer as coisas que os homens fazem. Para onde isso
nos leva?
Eu gostaria de poder dizer a todos esses rapazes assim que poderiam crescer mais quinze
centímetros, engrossar sua voz e seus ossos, crescer cabelo em seus peitos, e melhorar suas aptidões
motoras, mas não creio que isso ajudaria muito. O que temos que dizer é que, sim, será mais difícil para
você do que para alguns outros homens. Eu já sugeri algumas formas de tornar a tarefa um pouco mais
fácil, mas estratégias e técnicas não são suficientes. Coragem e determinação para superar obstáculos são
coisas que provém do coração e do espírito de um homem. É aqui que suas principais batalhas
acontecerão. No final das contas, não há nenhum caminho fácil, e para você, pode ser uma estrada
especialmente difícil. Mas deixe-me oferecer algumas ideias que podem ajudá-lo ao longo do caminho:
1. Seja um homem de oração. Traga Jesus junto a cada desafio. Muitas vezes eu lutei com Jesus
antes de dar um passo do qual tinha medo, ou quando tinha que tentar novamente após uma
série de fracassos. Eu descobri que ele estava sempre lá, me encorajando a tentar, me
consolando quando eu falhava, e me afirmando quando eu triunfava.
2. Mantenha em mente que cada homem precisa superar determinados obstáculos em alguma
área deu sua vida. O homem com QI de 105 terá muito mais dificuldade de ser aprovado na
universidade do que o homem com QI de 135, mas muitos conseguem. O mundo dos
esportes está cheio de atletas que tiveram de superar deficiência e problemas físicos. Não dê
brechas à autopiedade, não sinta pena de si mesmo.
3. Perceba que o próprio ato de tentar ser um homem é algo masculino. Veja bem a situação:
você não tem como perder, porque cada vez que você se esforça para alcançar a
masculinidade, independente de seu fracasso ou sucesso em alcançar seu objetivo imediato,
você terá avançado na masculinidade. Simplesmente tentar ser um homem é uma das coisas
que os homens fazem.
Gradualmente, seus testes irão passar para fora do mundo dos ambientes seguros, e a barra será
colocada cada vez mais alta, mas essa é a forma que o crescimento acontece.
10

as qualidades de um homem
Para a maioria das pessoas, o conceito de masculinidade traz consigo qualidades muito positivas,
e são estas qualidades que fazem a masculinidade desejável. “Ele é um homem de verdade” é sempre
usado como elogio. Implicado em “homem de verdade” estão todo tipo de boas qualidades. Ninguém,
nem mesmo um menino, quer ser apenas um homem. Nenhum pai ou mãe sonha que seus filhos
alcancem apenas uma masculinidade genérica. O garotinho quer ser um homem grande ou forte. O pai
pode querer que seu filho seja corajoso ou sábio. Uma mãe pode querer que seu filho seja carinhoso e gentil. O
conceito de masculinidade evoca sentimentos positivos em nós por causa das qualidades que associamos
com a masculinidade.
Estas qualidades são diferentes dos atributos que descrevi no capítulo 7 (homens são físicos e
possuem o desejo de vencer, liderar e relacionar-se com outros homens). Estes atributos são neutros; eles
podem ser manifestos de formas perversas. Ditadores sanguinários as possuem em abundância, mas não
é a masculinidade desse tipo que nós, como cristãos, devemos desejar. As qualidades de que estamos
falando são todas positivas, e fazem parte do que torna a masculinidade desejável e útil para os
propósitos de Deus.
Sem dúvida, o homem que você deseja ser possui certas qualidades positivas, quer você as tenha
considerado conscientemente ou não. Vamos examinar algumas delas, que tornam a masculinidade
atraente e desejável. Imaginar a si próprio como um homem com estas qualidades irá motivá-lo para a
jornada que o espera adiante, e pode dar-lhe algumas orientações para avaliar seu percurso particular no
amadurecimento para a masculinidade.
Primeiro, entretanto, vamos falar sobre como aprender a respeito destas qualidades através de
bons exemplos.

BONS EXEMPLOS

O modelo perfeito para todo homem é Jesus. As Escrituras dizem que, dia após dia, devemos
crescer em semelhança a ele. Ele vive em nós, e nós vivemos nele, portanto nossas identidades devem
começar a se fundir com a dele. Cada um de nós é parte do corpo dele, portanto, mesmo que não
tenhamos como refletir a plenitude de sua glória, algo dela pode brilhar através de nós.
Mas Jesus é perfeito, e você e eu estamos longe de ser perfeitos. Para mim, está claro que ele é
um modelo distante, assim que eu examino minha conduta no dia de hoje, e ontem, e anteontem. Apenas
com a obra do Espírito Santo em mim eu posso esperar ser mais como ele. Isto está acontecendo, mas é
um processo vagaroso. E se você for honesto consigo mesmo, creio que você sente da mesma forma.
Enquanto isso, você e eu podemos usar alguns modelos intermediários, homens um pouco mais
como nós, que têm suas falhas, mas ao mesmo tempo possuem qualidades que podemos imitar. Esses
homens existem. Encontrá-los é uma das razões porque Deus nos colocou em um corpo, porque
devemos viver nossas vidas com os irmãos na fé. Homens íntegros podem nos dar o exemplo de
qualidades piedosas, que podemos buscar adquirir. De forma ampla, a igreja estende os santos e heróis da
história como homens que podemos procurar imitar.
Conforme mencionado no capítulo 3, um menininho é capaz de escolher um homem como
modelo, geralmente o seu pai, e esse homem representa toda a masculinidade. Depois, um menino pode
escolher um homem com alguma característica em particular que ele deseja, como força ou coragem, e
então aquele homem – não apenas a sua força e coragem – se torna o modelo. Tanto no primeiro como
no segundo casos, nosso exemplo não possui a habilidade de discernir entre o bom e o ruim em uma
pessoa, portanto o modelo se torna completamente o homem que ele gostaria de ser.
Você e eu precisamos de bons exemplos, mas nossos modelos devem ser homens que
incorporam determinadas características que desejamos; eles não devem ser modelos que tentamos imitar
em todos os aspectos. Como mencionado antes, isto pode virar idolatria. Pode tornar-se não apenas um
pecado, mas um sinal de que nos falta realismo na forma como enxergamos os outros homens. Ao olhar
para eles, devemos identificar conscientemente tanto as qualidades que valem a pena imitar, como as suas
imperfeições. As imperfeições fazem com que as demais características desses homens pareçam reais,
atingíveis.
Homens que estão saindo do mundo homossexual possuem a tendência de gravitar a um dos dois
extremos, ou idolatrando, ou demonizando os outros homens, às vezes até o mesmo homem, em
diferentes pontos no relacionamento. Alguns de vocês podem lembrar como isto era óbvio, quando
surgia um novo amante. Por um período de tempo, ele era a perfeição; era tudo. Este relacionamento
certamente duraria para sempre. Mas, seis meses depois, que mudança! Que pessoa egoísta, que o havia
enganado, e tirado vantagem de você!
Você havia atribuído a ele todas as qualidades que queria em um homem. Ele as trajou por um
tempo, gostando da bajulação, mas eventualmente, nem você, nem ele poderiam continuar com a farsa.
O caráter verdadeiro dele começou a vir para fora. Você não tinha mais como negar, e se sentiu traído.
Todo o tempo, esse homem tinha sido uma imagem criada a partir de suas necessidades.
Eu já vi algo parecido com isso em homens deixando a homossexualidade, que ainda possuem
fortes necessidades não atendidas por afirmação masculina. Marcos, em nosso ministério, era uma pessoa
assim. Se qualquer homem demonstrasse interesse por ele ou afirmasse ele de alguma forma, Marcos
tinha certeza de que havia encontrado o seu melhor amigo para o resto da vida. Isso acontecia
especialmente se fosse um homem sem nenhum tipo de envolvimento com a homossexualidade. Marcos
dava qualidades quase divinas a ele.
Eventualmente, é claro, as imperfeições do novo amigo apareciam. Quando Marcos fosse
desapontado uma ou duas vezes por suas ações, ele fazia, com imaturidade, uma volta de 180 graus. Este
homem já não era mais um amigo. Ou é porque ele havia mudado, ou porque Marcos estava o tempo
todo errado a seu respeito. Na verdade, a visão de Marcos a respeito desse homem não havia sido
formada por um avaliação cuidadosa e madura de suas qualidades, e sim pela medida em que ele podia
satisfazer as necessidades de Marcos. Para Marcos, qualquer homem que o afirmasse possuía excelentes
qualidades; qualquer homem que não o fizesse, era imediatamente descartado.
Ao escolher modelos, precisamos ser cuidadosos para procurar por qualidades específicas, e não
para atribuir qualidades aos homens de que gostamos. Existem homens com quem eu não desejo uma
amizade próxima, mas que representam as qualidades que eu creio que o Senhor gostaria que eu
desenvolvesse.
Conforme listamos as qualidades da masculinidade, devemos pensar em homens que saibamos
que as possuem. Isso irá tirar as qualidades de uma ideia abstrata, e as dará ‘carne’. Em outros homens,
você poderá enxergar essas qualidades forma concreta e realista. Em sua igreja, em seu trabalho, em sua
família, quais são as marcas que fazem os homens parecer especialmente chamativos, como homens?
Existem muitas qualidades positivas que podem ser associadas com a masculinidade, mais vamos
examinar seis delas: firmeza de decisão, humildade, coragem, alegria, disciplina e amor a Cristo.
Um homem pode incorporar uma destas, ou várias delas. Isto não importa. O que importa é ver
como elas são vividas. Como a qualidade que você deseja se manifesta nesse homem? De onde ela parece
estar vindo (de sua vida de sua oração, de seus hábitos de caridade, de seu zelo pela santidade)? De forma
geral, estas características não nascem com a pessoa, mas são cultivadas, e elas podem ser tornar parte de
você também.
Mais um pensamento sobre seguir o exemplo. Com a perfeição de Jesus como pano de fundo, e
com a ideia do que fomos criados para sermos como homens, com uma compreensão do masculino, e
com exemplos vivos de masculinidade nos santos ao seu redor, nós podemos desenvolver em nós
mesmos uma imagem combinada, que incorpora tudo isso que podemos realisticamente esperar ser.
Formada em oração e iluminada pelo Espírito Santo, podemos ver nesta imagem o homem que iremos
nos tornar.

UM HOMEM DEMONSTRA FIRMEZA NAS DECISÕES

Homens são decididos. Ou talvez eu deva dizer que homens deveriam ser decididos, porque
aparentemente os homens não têm sido decididos, e suas famílias e comunidades sofrem por causa disso.
Essa é uma das áreas em que as imperfeições que são comuns aos homens são encontradas em muitos
homens com orientação à homossexualidade. Aqui está um exemplo.
Uma mulher em nosso ministério nos contou de uma experiência que teve com cinco homens ex-
gays em uma conferência Exodus. Era a noite de folga, e ela e os cinco homens iriam sair para jantar –
um descanso bem vindo em meio a uma semana árdua. Eles deixaram o local e se dirigiram ao centro da
cidade, onde ficaram parados por meia hora em uma esquina, incapazes de decidir aonde ir. Nenhum dos
homens queria expressar uma opinião firme, por medo que o lugar que sugerisse não fosse bom, e que
ele levaria a culpa. Após ouvir uma repetição aparente interminável de “Tanto faz” e “Aonde você quer
ir?”, a mulher disse, exasperada: “Bem, eu estou indo no lugar tal”, e os homens a seguiram.

Características do Homem Indeciso


Posso identificar cinco elementos que são comuns nas personalidades de muitos homens para
quem ministramos, que os tornam indecisos. Eu mesmo lutei com diversos deles por boa parte de minha
vida.

1. Buscar sempre agradar todo mundo


Se eu tivesse que escolher a característica mais desagradável que parece acompanhar a
homossexualidade, diria que é tentar agradar a todos. Certa vez, eu comentei com um grande grupo de
homens no ministério: “Nós éramos todos bons garotos, não éramos?” Todas as cabeças acenaram em
concordância. Então eu disse: “E éramos extremamente falsos quanto a isso, não éramos?” e todas as
cabeças concordaram outra vez. Talvez porque sentíamos a rejeição de nossos colegas, nós ansiávamos
pela aprovação dos outros, especialmente os que possuíam autoridade: a mãe, a professora, o pastor. Ao
agradar as pessoas, tentávamos ser o que pensávamos que as outras pessoas queriam que fôssemos,
sabendo que isso não era realmente quem nós éramos. Esse foi nosso começo de uma existência vivida
de forma dupla. Era algo astuto, enganoso, e muitas vezes covarde.
Muitos pais, quando chegam ao Regeneração depois de descobrir a homossexualidade do filho,
dizem: “Ele era o melhor dos nossos filhos, o que menos nos deu trabalho.” Muitas vezes eles dizem
como ele ia bem na escola e estava sempre na igreja. Apesar de não colocarem isso em palavras, o que é
mais doloroso para esses pais é perceber que, depois de mais de vinte anos, eles não conheciam
realmente o seu filho, e ele nunca confiou no amor deles para ser verdadeiramente honesto. Isto é algo
típico da angústia que os que procuram agradar todo mundo causam nos outros. “Eu não posso tomar
uma decisão, porque pode te desagradar, e então você não vai mais gostar de mim”. Isto não é bondade;
é manipulação.

2. Ter um medo exagerado da rejeição


Isto é similar a buscar agradar todo mundo, mas mais profundo. “Eu não posso tomar uma
decisão, porque se for a decisão errada e você não gostar, você pode me rejeitar.” Isto está vinculado
com a homossexualidade masculina porque, para muitos, uma rejeição real ou aparente pelo pai, e depois
pelos colegas, está na raiz da homossexualidade. A dor desta rejeição está enterrada profundamente
dentro de nós, mesmo depois de termos crescido. Uma voz interna parece estar sempre presente,
dizendo: “Eu não aguentaria se ele me rejeitasse”. É claro, isto não é verdade, mas é um pensamento
baseado em um sentimento, e não em uma lógica racional. A raiz de rejeição pode ser uma fortaleza
espiritual e frequentemente requer cura interior através da oração.

3. Ter medo de estar errado


Este elemento também possui uma conexão forte com o primeiro. “Se eu fizer a decisão errada,
irei parecer um idiota. Serei completamente humilhado.” Esta atitude brota de uma insegurança
fundamental, e para muitos de nós está relacionada às nossas inseguranças como homens. Provém, é
claro, da baixa autoestima que está na raiz da homossexualidade. Um homem seguro de si não possui um
medo absurdo de estar errado.

4. Querer manter todas as nossas opções em aberto


Quando nós decidimos, estamos escolhendo por uma coisa, e abrindo mão de todas outras
opções abertas para nós. Quando você decide ser membro de uma igreja, está dizendo não para ser
membro de todas as outras. Quando escolhe uma universidade, está escolhendo não estudar em
nenhuma outra. Quando diz ‘sim’ para um emprego em uma empresa, está dizendo ‘não’ para todas as
outras, e para o ministério em tempo integral. A cada decisão que faz, você está negando a si próprio
todas as opções que estavam abertas para você, e homens com envolvimento em homossexualidade
muitas vezes não se saem bem com abnegação (negar a si próprio). Por anos, eu queria ter uma esposa,
filhos, e uma imagem de pessoa respeitável, mas ao mesmo tempo eu queria fazer sexo com outros
homens. Então, por anos, eu fiquei em cima do muro, vivendo com um pé em cada mundo, incapaz de
tomar a decisão de negar a mim mesmo um ou outro.

5. Não ter convicções firmes


Outro fator que contribui para a falta de firmeza nas decisões dos homens é que muitos não
possuem crenças fundamentais, nas quais suas decisões são baseadas. Quando Willa estava grávida de
Estevão, se os testes apontassem que ele teria síndrome de Down, nós não teríamos que lutar com a
decisão de fazer um aborto ou não. Baseado em nossas convicções, isso seria tirar uma vida humana
inocente, e portanto, estava fora de questão. Em um nível um pouco mais cotidiano, quando faço minha
declaração de imposto de renda, não preciso ficar pensando no que devo ou não escrever, porque já
decidi que não vou mentir nessas questões.
A maioria dos homens em nosso ministério, e espero que a maioria daqueles lendo este livro, tem
convicções fortemente formuladas, que lhes dão uma base firme para a tomada de decisões. A maioria
das pessoas vem ao ministério Exodus porque suas fortes crenças cristãs dizem que o comportamento
homossexual é errado, e eles não podem conciliar um estilo de vida homossexual com aquilo que sabem
que o Senhor quer para eles. Esta é uma grande vantagem que muitos de vocês possuem ao tomar
decisões: vocês possuem fortes convicções cristãs.
Ser indeciso é algo que acaba sabotando um homem em diversas responsabilidades que ele é
chamado a cumprir como homem: líder, protetor, trabalhador. Talvez não haja um obstáculo maior no
caminho da liderança eficaz, do que a indecisão. O papel básico de qualquer líder é tomar decisões. As
pessoas não seguirão um líder por muito tempo, se ele é incapaz de tomá-las. Minha liderança fraca nos
primeiros anos do Regeneração foi em grande parte devido à minha inaptidão de tomar decisões. Minhas
hesitações faziam as pessoas regularmente questionar o que eu estava fazendo. Eu era um líder terrível,
porque sempre queria a aprovação das pessoas no grupo e tinha medo de ofendê-las. Se nós não
fôssemos o único ministério do tipo naquele lado do país, o ministério poderia não ter sobrevivido à
minha fraca liderança na época.
Um homem é alguém que faz; ele funciona ativamente no mundo. A indecisão impede a ação. Eu
descobri que a maioria das vezes em que não fiz algo que era esperado de mim, não foi porque eu tinha
coisas demais para fazer, e sim porque fiquei adiando, sem decidir o que fazer. Quando dizemos que um
homem é decidido – e isto é sempre um elogio – queremos dizer que ele rapidamente decide o que fazer,
e faz.
Um homem indeciso acaba colocando aqueles que precisam dele para ter segurança, em um lugar
onde se sentem em risco e expostos. Certa vez, ouvi Willa contar para um amigo a respeito do grande
amor que ela sentiu por mim logo depois que eu lhe dissera um firme ‘não’ em alguma questão. Quando
Estevão era pequeno, eu podia ver sua segurança e sua apreciação por mim depois que eu lhe impunha
alguns limites firmes.

DECIDINDO NÃO SER INDECISO

Para um homem ser eficaz como líder, como trabalhador, e como protetor, ele precisa ter a
habilidade de tomar decisões. Em situações que surgem, nas quais a sua decisão é necessária, ele deve não
apenas definir e agir, mas muitas vezes também precisa dizer não. É aqui que a firmeza nas decisões tem
o seu teste mais difícil. “Se eu disser não para o que eles querem, eles não vão gostar de mim. Eles irão
me criticar e me rejeitar”. Um homem é uma pessoa que pode dizer não sem precisar ficar se
desculpando e justificando sua posição.
Um problema especial pode ser encontrado pelos homens que são passivos por natureza. Esta
não é uma passividade enraizada no medo, mas de um tipo que parece ser inata. Tais homens aparentam
ter nascido com uma disposição excepcional de simplesmente aceitar as coisas. A sua atitude é “Não tem
problema. Tudo está certo.” Esse homem é abençoado no sentido que dificilmente carrega rancor, e
provavelmente nunca terá uma úlcera. Entretanto, ser decisivo será especialmente difícil para ele, e
mesmo que a sua atitude “deixa assim” não seja um problema para ele, pode ser para outros ao redor
dele. Mas este homem, bem como aqueles cuja passividade brota a partir do medo, pode fazer coisas que
o auxiliarão a desenvolver esta característica básica da masculinidade. Aqui estão algumas sugestões.

1. Arrisque estar errado


Tome a decisão de que você está disposto a correr o risco de errar, de encontrar oposição ou
rejeição por suas decisões. Isso acontecerá algumas vezes; não há como evitar. Estejam certas ou erradas,
haverá vezes em que suas decisões irão encontrar uma forte desaprovação daqueles que são afetados por
elas, e haverá outras vezes em que, ao olhar para trás, você perceberá que estava errado. Isto será
doloroso? Sim, será. Isso irá matá-lo? Não, não irá. Valerá à pena? Só você pode decidir. As únicas outras
opções que você tem são esperar até que tenha certeza absoluta de que a sua decisão é a certa, e ninguém
poderá acusá-lo por tê-la tomado. Evidentemente, isto significa que você nunca terá de realmente tomar
decisões. Quando em frente a uma decisão, avalie o custo, imagine quais seriam as piores consequências
possíveis se você estiver errado, e determine se você está disposto a correr o risco. Acredite: as
consequências raramente são tão ruins quanto pensamos que serão, e elas são quase sempre rapidamente
esquecidas por aqueles a quem você contrariou, bem como por você mesmo.

2. Defina suas convicções e comprometa-se com elas totalmente


Nosso filho, Estevão, era uma criança tão passiva que nos preocupava. Na pré-escola, as outras
crianças tiravam os brinquedos dele, mas ele não fazia nada. Graças principalmente à insistência de suas
irmãs, nós o ensinamos a ser mais agressivo e estabelecer alguns limites. Ele cresceu bastante tranquilo, e
hoje, já adulto, ele é bastante passivo com exceção de duas coisas: Uma, ele desenvolveu fortes e claras
convicções cristãs; e duas, ele se preocupa sinceramente com os outros. Ele desenvolveu uma paixão pelo
Senhor e pelos outros que o tornou bastante decisivo quanto às questões de certo e errado em relação ao
bem-estar espiritual, físico e emocional das pessoas em sua vida.
Se você é fraco em suas convicções, tente começar a enunciá-las. Escreva-as. Então, em oração,
tente ampliá-las para um conjunto completo de crenças, que você quer possuir como orientações para
sua vida. Também peça a Ele que aumente o seu amor pelas pessoas que necessitam de você como líder e
protetor. Este pode ser um processo lento, e não estou certo de que pode ser efetuado por nós mesmos;
mas com o Senhor, é possível.

3. Comece a ser decidido com as coisas pequenas


Uma das primeiras coisas que os experts em eficiência dizem às pessoas muito ocupadas é que
devem desenvolver o hábito de manusear apenas um documento por vez. Se uma carta, convite, conta ou
relatório chegara você, decida imediatamente o que você vai fazer com ele. Talvez possa ir para o
arquivo, para a lixeira, talvez requeira uma rápida ligação, ou seja colocado na pilha de contas a pagar, ou
talvez você possa fazer algo com ele e imediatamente passá-lo adiante para a próxima pessoa. O que quer
que faça, não coloque na pilha com todos os outros papéis sobre sua mesma, pois é quase certo que você
o acabará pegando e adiando o que fazer mais vezes nas próximas semanas. Por exemplo, quando chega
um convite para casamento, eu vou ao calendário para ver se nossa família possui a disponibilidade,
imediatamente confiro presença e escrevo em minha agenda.
Este é um pequeno exercício, mas que pode começar a desenvolver um padrão de tomada de
decisões em você.
Creio que uma das razões pela qual nosso Senhor escolheu Pedro para liderar os apóstolos é
porque ele era tão decidido. É verdade, ele muitas vezes fez o que era errado, causando um verdadeiro
fiasco, mas ele era um homem de ação e de convicções veementes. Deus pode usar esse tipo de homem
para fazer coisas incríveis. Ele quer que você seja um homem com quem ele pode trabalhar. Ele pode
trabalhar com seus erros; mas ele não trabalhará com sua inatividade.
UM HOMEM DEMONSTRA CORAGEM

Um dos símbolos que se usa para descrever certos homens é que eles são verdadeiras ‘rochas’.
Refere-se a um homem estável, forte, seguro. Se nós adotarmos essa figura do homem como
rocha,certamente cada um de nós pode ver aspectos diferentes disso. Alguém vê a força física ou moral,
outro vê seu desejo de vencer, outro sua firmeza de decisões, e outro sua coragem. Assim como as
diversas facetas de um diamante, cada pessoa vê o mesmo homem, mas de ângulos ligeiramente
diferentes. Na verdade, todas essas características – força, determinação, coragem – se misturam umas
com as outras. Cada uma incorpora uma parte da outra, mas ao mesmo tempo cada uma é uma qualidade
diferente. Certamente a coragem possui seu próprio caráter, e uma vez que envolve de forma tão
dramática aquilo que esperamos ver num homem, creio que é digna de reflexão séria.
Coragem é nada mais do que a disposição de fazer algo, apesar da possibilidade de se ferir. O
ferimento em potencial pode ser o máximo, a morte, como no caso de um soldado entrando em
combate, ou um bombeiro ou policial em seu trabalho diário. Pode ser a dor ou dano físico, ou, como
muitas vezes é, levar um golpe na autoestima.
Para muitos de nós que tivemos de lidar com a homossexualidade desde a infância até o presente,
o risco de que mais tivemos medo era a humilhação ou o dano à nossa autoestima. Pode ser ainda assim
para você, hoje. Cada nova tarefa, cada passo parece difícil; tudo que você pensa que não é capaz de fazer
possui o potencial de trazer humilhação e prejudicar a sua autoestima já fragilizada. Existem golpes que
doem mais do que a dor física. Esta é uma dor psicológica, e suas memórias dela podem ser muito
poderosas.
Se um desafio em seu caminhar faz voltar sentimentos de vergonha, humilhação ou rejeição, a
partir de experiências do seu passado, você tem de encarar esse grande obstáculo. Apesar da ligação com
seus ferimentos passados poder não ser consciente, em um nível mais profundo você está encarando um
poder limitador, que o impede hoje de fazer aquilo que uma parte de você quer fazer. Se outros meninos
o humilharam no campo de esportes, participar em um time de futebol hoje pode parecer como
aventurar-se na selva dos seus maiores temores. Você pode se lembrar como deve ter parecido
fraco,ridículo ou incompetente aos olhos dos outros. A sua autoproteção se manifesta, então, na falta de
coragem.
Nossa necessidade de refletir na coragem se torna óbvia, quando olhamos para alguns dos piores
atributos comuns aos homens homossexuais. Nós já mencionamos como buscar agradar a todos reflete a
falta de coragem. O homem que é assim, que tenta ser todas as coisas para todas as pessoas, demonstra
um poderoso medo da rejeição. Ele é do tipo camaleão, tornando-se aquilo que pensa que lhe fará ser
aceito pelos outros. Nós trabalhávamos com um irmão muito amado em Cristo, mas em nossas sessões
de aconselhamento, ele só falava o que queríamos ouvir. Se ele pensava que nós queríamos que ele
demonstrasse remorso, ele falava em remorso. Se ele pensava que a vitória em sua vida pessoal nos
agradaria, ele falava que estava sendo vitorioso. Ele nunca era honesto a respeito de seus fracassos,
porque temia a nossa desaprovação, ou se sentia obrigado a ser um “‘sucesso” depois de todos os nossos
esforços para ajudá-lo. Desnecessário dizer que nunca conseguimos ajudá-lo muito.
Os homens que encontramos em nosso ministério são, na maioria das vezes, extraordinariamente
avessos a confrontação. Um homem que sinceramente desejava ajuda contatou o Regeneração
esporadicamente por dez anos, sempre pelo telefone. Ele nos apoiava financeiramente e sempre tinha
palavras de encorajamento para nós. Mas ele nunca veio às reuniões. O seu motivo: a mãe dele não sabia
de suas lutas, e ele não poderia dizer onde estava indo durante uma noite a cada semana. Ele tinha muito
medo da desaprovação dela.
O oposto da coragem é covardia. Existem homens corajosos e covardes. Nós cometemos atos de
coragem e de covardia. Covardia é a indisposição de fazer a coisa certa por causa do risco ou
consequências em potencial. Apesar do fato de vivermos em uma cultura que não valoriza muito as
virtudes masculinas, a palavra ‘covarde’ ainda carrega um forte senso de desprezo. Chamar alguém de
covarde pode ser o ataque máximo à sua masculinidade. Até a Bíblia diz que o lugar dos covardes é no
lago de fogo (Apocalipse 21:8).
A partir de minha experiência pessoal, sei que apenas um ato de covardia pode deixar memórias
dolorosas que duram anos. É quase como aquele sentimento que vem quando percebemos que não
dizemos uma palavra amorosa a um parente próximo quando podíamos, e agora é tarde demais porque
ele ou ela não estão mais conosco. No começo do meu casamento, minha esposa e eu estávamos com
outros dois casais em no estádio assistindo a um jogo de beisebol. Cinco ou seis homens meio mal-
encarados estavam sentados logo à nossa frente bebendo cerveja liberalmente, e um deles fez
comentários insultuosos à minha esposa. Devido ao número deles, bem como seu tamanho e a condição
em que se encontravam, eu não disse nada. Ela me perdoou, e sei que o Senhor também me perdoou, e
meu silêncio até teve suas razões de ser, mas se hoje eu pudesse trocar um nariz quebrado e alguns
pontos no meu queixo para ser livre dessa memória, eu consideraria um bom negócio. Parafraseando
Shakespeare: “Um covarde morre mil mortes; um herói morre apenas uma vez.”
Como a palavra covarde está carregada de tanta condenação, nós hesitamos em usá-la. Ao invés
disso, dizemos que alguém é tímido, acanhado, ou introvertido. Quantas vezes você ouviu alguém dizer
que um homem homossexual era acanhado?
Nas Escrituras, temos alguns atos notáveis de covardia, mas alguns deles foram cometidos por
homens que em outras ocasiões demonstraram grande coragem. Muitos de nós nos arrepiamos ao pensar
na história de Abraão, quando descobriu que o Faraó gostava de sua esposa, Sara. Ele mandou que ela
dissesse aos egípcios que era sua irmã, ao invés de esposa, para que se o Faraó a quisesse como esposa,
ele não matasse Abraão primeiro. Assim, Sara foi para a casa do Faraó (Gênesis 12). Ainda assim, este foi
o mesmo Abraão que corajosamente deixou a sua terra e o seu povo, rumo a um futuro desconhecido,
apoiado apenas nas promessas de Deus.
Pedro negando a Jesus três vezes talvez seja o ato de covardia mais conhecido da Bíblia. Mas o
restante da vida de Pedro, bem como sua morte, nos dá uma evidência clara de que ele era um homem de
coragem. Deus, em sua misericórdia, não repreendeu a Abraão, e Jesus fez Pedro professar três vezes o
seu amor pelo Mestre, dessa forma curando as feridas que Pedro sentia pelo que havia feito.
Eu falei bastante sobre covardia por uma razão. Existe um enorme poder em palavras, e a palavra
certa é mais poderosa quando nós confessamos. Ao confessar, usar a palavra certa – uma palavra que não
carrega em si desculpas ou panos quentes, uma palavra que nos encara no rosto com toda a sua feiúra a
descoberto – pode trazer a maior liberdade que nós podemos experimentar. Ore a respeito disso. Se a
covardia tem sido uma das coisas que o tem impedido de ser tornar o homem que Deus o chamou para
ser, coloque diante do Senhor. Se for este o seu pecado, Deus pode purificá-lo.
Coragem é a disposição em ser ferido por um propósito. Quais são as coisas pelas quais um
homem assume risco? Três delas são fundamentais para a masculinidade cristã: a proteção dos outros, a
verdade, e a honra de Deus.
A coragem permite a um homem, em primeiro lugar, ser um protetor, que é dos seus mais nobres chamados. Um
homem cristão possui a incumbência de ser um protetor de sua esposa e filhos, de seus pais, e dos outros
com quem possui laços de sangue. Um homem é responsável por ser o protetor de homens mais jovens,
menos experientes, e das mulheres solteiras, na comunidade de cristãos. Ele possui o chamado para ser
um protetor de sua comunidade e de sua nação. O autor Leon Podles, em seu livro A Igreja Impotente: A
Feminização do Cristianismo (The Church Impotent: The Feminization of Christianity) diz que o real
propósito da masculinidade é a proteção e provisão da comunidade. A coragem e o papel de protetor são
inseparáveis.
A segunda coisa para a qual precisamos de coragem é defender a verdade. Antes, nós descrevemos como o
foco na verdade é uma das marcas do masculino.
Defender a verdade é muito mais do que mero idealismo. A verdade é algo muito mais glorioso; é
o que faz irromper a luz em um mundo de escuridão. Jesus disse que ele é a verdade. A verdade é uma
força poderosa, que possui a capacidade de libertar as pessoas. Em nossa cultura, estamos rodeados por
sofrimento humano, o resultado das tentativas de aplicar soluções humanas aos problemas da sociedade.
“Por muitos anos eu vivi uma vida homossexual, mas Jesus me libertou”. Pense nos riscos que
surgem com essa declaração. A cultura não quer ouvir isso, e rotulará quem falou como ingênuo,
enganado e fundamentalista burro. A igreja liberal, na mesma dança da cultura, fará o mesmo. Algumas
igrejas conservadoras irão tirar os meninos da sala quando quem disse isto estiver por perto. O homem
cristão que está deixando a homossexualidade encara riscos únicos quando fala a verdade. Que privilégio,
entretanto, possuir estas oportunidades especiais para glorificar a Deus.
Os profetas falavam a verdade, sem saber se suas palavras iriam mudar as circunstâncias. No caso
de Ezequiel, Deus o enviou para falar ao povo de Israel, e ao mesmo tempo disse que eles não o
ouviriam (Ezequiel 3:7). Nós falamos a verdade com coragem, não apenas para causar resultado, mas
porque somos o povo da Verdade. Nós servimos a Deus, que é a Verdade.
Terceiro, nós precisamos de coragem para defender a honra de Deus. Deus não “precisa” de honra mais do
que ele “precisa” de nosso amor, mas mesmo assim os dois lhe são devidos. Ele é digno de toda a honra.
Os primeiros quatro dos Dez Mandamentos têm a ver com honrar a Deus. Apesar de possuirmos
oportunidades a quase todo o momento para honrar ou não a Deus, as circunstâncias em que isso
envolve risco e requer coragem são menos frequentes, e não devem ser negligenciadas. Sair da sala
quando você está com um amigo assistindo um filme que ridiculariza o Senhor, ou pedindo a um amigo
para não usar o nome do Senhor em vão em sua presença pode causar todo tipo de respostas negativas,
mas isto não deveria fazer diferença. Nós podemos escolher sermos homens que agradam a Deus ou que
agradam às pessoas (Gálatas 1:10).
Os homens que estão deixando a homossexualidade possuem toda a razão para crer que podem
se tornar homens de coragem. Muitas das características e qualidades masculinas, como liderar e ser
decidido, requerem treinamento; elas são desenvolvidas ao longo de um período de tempo. Mas nós
exercitamos a coragem ao fazer decisões individuais. Uma vez que tenhamos decidido, tanto
intelectualmente quanto diante de Deus, a correr riscos, uma vez que tenhamos reconhecido
especificamente os riscos que estamos dispostos a correr, demonstrar coragem é uma questão de decisões
individuais. E se ou quando você falhar e não tomar o caminho da coragem, outras oportunidades
surgirão. Vença, e você terá ganhado um pouco mais de força para a próxima decisão. É provável que
você não venha a ter muitas oportunidades para treinar a si próprio na coragem através de risco de vida
ou de ferimentos. A maior parte de suas chances virá nas áreas de arriscar a vergonha e a humilhação.
Conforme você aprende a caminhar através desses medos, você também ficará forte para enfrentar os
perigos físicos que eventualmente surgirem.
Das virtudes discutidas aqui, creio que a que o homem saindo da homossexualidade pode adquirir
de forma mais plena, é a coragem.

UM HOMEM É DISCIPLINADO

Eu comecei escrevendo que um homem possui autodisciplina, mas então me veio à mente que
algo deve anteceder o fato dele possuir autodisciplina; primeiro, ele precisa estar sob a autoridade de
alguém. Ser disciplinado significa que vivemos as nossas vidas de acordo com certos princípios, e ao
menos que escolhamos viver em total autonomia, esses princípios virão de outra fonte, que não nós
mesmos. É interessante que a natureza do pecado (e do modo de pensar de nossa época) é baseado no
princípio da autonomia pessoal total. Como cristãos, entretanto, nós abrimos mão desse direito, e nos
colocamos debaixo da autoridade de Deus, procurando viver de acordo com os princípios que ele
estabeleceu em sua Palavra e nos ensinamentos de sua igreja. A Palavra dele também deixa claro que ele
estabeleceu outras autoridades, como os pais, o governo civil, empregadores, e a igreja.
Mesmo antes que um homem comece a exercer a autodisciplina, ele coloca-se debaixo da vontade
de Deus e dos agentes da autoridade dele. Isto é essencial para que a ordem de Deus seja mantida. Assim
como o centurião que pediu a Jesus para que curasse o seu servo, nós reconhecemos que estamos
debaixo de uma autoridade. Acho interessante que há seis centuriões mencionados no Novo Testamento,
e todos são representados positivamente. Quatro deles demonstraram marcas admiráveis: o mencionado
acima possuía fé no poder de Jesus (Mateus 8:5-13); o centurião na cruz declarou que Jesus era
certamente o Filho de Deus (Mateus 27:54); Cornélio, um dos primeiro convertidos, deu hospedagem a
Pedro (Atos 10); e outro mandou o sobrinho de Paulo ao tribunal para avisá-lo da armadilha preparada
(Atos 23:16-18). Centuriões, comandantes de cem homens, eram os segundos-tenentes do exército
romano. Esses homens, que sabiam o que significava exercer autoridade e estar debaixo de autoridade,
possuíam algo que deve ter agradado a Deus, para ele colocasse tantos deles em lugares positivos na
narrativa bíblica.
Na maioria das situações, e com algum grau de sucesso, nós podemos nos recusar a reconhecer a
autoridade legítima. Podemos nos rebelar. Até certo ponto, a nossa homossexualidade foi uma rebelião
contra a ordem criada de Deus. Mas agora, nós vivemos voluntariamente sob a autoridade dele. Esta
voluntariedade é expressa na disciplina com a qual vivemos as nossas vidas. A parte da autodisciplina
entra quando cremos que não há ninguém ao nosso redor para nos obrigar a obedecer, e isso inclui o
conhecimento de que Deus provavelmente não nos punirá imediatamente por nossas transgressões. Os
pais estão presentes para fazer cumprir a disciplina em seus filhos, com a esperança de que, quando não
estiverem por perto, seus filhos ainda viverão de acordo com aquilo que foram ensinados.
Como homens tendem a sistemas hierárquicos, eles possuem uma apreciação maior pela
disciplina. Como homens têm um foco maior na verdade do que nos relacionamentos, eles tendem a
colocar um alto valor na obediência à autoridade e na disciplina.
Ensiná-lo a tornar-se mais autodisciplinado iria bem além do escopo deste livro e das minhas
habilidades de ensino, mas deixe-me sugerir apenas algumas coisas para qualquer homem que está
buscando crescer em sua masculinidade. Comece a visualizar a disciplina como algo bom. Pare de lutar
contra ela, de ressenti-la.
Toda a disciplina vem da autoridade de Deus. Às vezes eu me pergunto quanto da
homossexualidade vem do fato de nós termos rejeitado a autoridade de nossos pais imperfeitos, ao invés
de nossos pais terem nos rejeitado. Seja autodisciplina ou submeter-se à autoridade legítima, lembre-se do
papel de Deus em tudo isso. Seja como o centurião que conhecia tanto a sua responsabilidade para com
aqueles debaixo da autoridade dele, como qual era o seu próprio lugar, quando se aproximou do Senhor.

UM HOMEM DEMONSTRA HUMILDADE

Todas as pessoas devem ser humildes, mas para os homens esta é uma questão fundamental,
porque os homens são vulneráveis ao pecado do orgulho. Todas as coisas que os homens possuem a
responsabilidade de fazer – liderar, construir e proteger – todos esses feitos podem facilmente se tornar
uma fonte de orgulho. Aquilo que deveria ser um privilégio e uma alegria torna-se uma pedra de tropeço.
Homens saindo da homossexualidade, entretanto, possuem uma propensão especial para o
orgulho; não aquele que genuinamente vê a si próprio como superior, mas um orgulho que acoberta
sentimentos profundos. Conforme falaremos mais tarde, o homem firme e saudável é a mesma pessoa
em todos os níveis. O homem homossexual típico, entretanto, possui ‘camadas’. Bem profundamente,
está enterrada nele a pessoa que Deus o criou para ser. Acima disso, está o garotinho assustado, o
homem que sente que tem pouco valor. Esta é a área em que habitam as feridas e dores, uma camada
trêmula e ‘gelatinosa’. Para cobri-la, e evitar sentir a dor, ele cria a próxima camada, uma camada dura,
mas frágil, de fantasias, proteção e negação. E então há a camada mais externa, a que interage com o
mundo, a que ele quer que as pessoas vejam. Ela muitas vezes é talentosa e atrativa, às vezes exuberante e
bem sucedida.
Todos os homens estão suscetíveis a criar uma imagem que acoberta inseguranças profundas,
mas em muitos homens homossexuais, o centro está tão trêmulo, e a ‘casca’ é tão frágil, que eles
investem uma quantidade extraordinária de energia para manter o homem externo. Ocasionalmente, a
casca se quebra e o homem temeroso vaza para fora, mas o homem homossexual mais “bem-sucedido” é
aquele que consegue viver quase totalmente do homem externo. Ele tem as melhores roupas, o
apartamento mais chique, o corpo mais perfeito, as realizações mais incríveis, e é a pessoa mais divertida
para se estar. Quando assistindo alguém na TV, já ouvi minha esposa ou algum amigo dizer: “Ele é gay.”
Quando pergunto como sabem, eles respondem: “Porque ele é tão perfeito”.
Esta atitude voltada à aparência, às posses e às conquistas é chamada de orgulho. É um pecado,
não porque um homem reconhece que possui essas coisas, mas porque ele tira seu valor delas, e acredita
que elas o tornam uma pessoa superior.
A menos que Deus assim ordene, a resposta ao orgulho não é se livrar dos belos móveis, parar de
passar perfume e fazer a barba, ou de desistir do papel principal da peça de teatro. A resposta é buscar
viver, do lado de fora, o homem que está lá dentro. Para alguns, será necessária muita oração e cura
interna para descobrir quem o homem interno é, mas muitos de nós precisamos apenas nos lembrar
regularmente de quem nós somos. Somos pecadores vacilantes e trapalhões, que nada possuem, a não ser
o que Deus nos deu, e ao mesmo tempo somos suas amadas criaturas, preciosas além de qualquer
medida à vista dele. Somos seus filhos. Estamos longe de ‘chegar lá’, mas os seus planos nos levarão além
de nossas maiores esperanças. Existe um longo caminho a percorrer, mas diariamente estamos nos
tornando mais semelhantes a Cristo.
Deixar para trás o homem exterior, e começar a viver o homem real e interior, é parte do que
consiste a santificação, e pode ser um longo processo. Perseguir a humildade masculina verdadeira,
entretanto, irá ajudar muito. Busque identificá-la em alguns dos homens cristãos que você mais admira, e
imite-a. Esses homens podem nem ter muitas realizações ou uma ótima aparência, mas mesmo que
possuam, essas coisas não serão importantes para eles, e o que você verá não será orgulho, mas um
coração grato.
Outra vez, ter um senso de humor em relação a nós mesmos é algo que ajuda. Na realidade,
conforme amadurecemos na masculinidade, estamos atravessando uma adolescência atrasada, e os
adolescentes são notórios por alternar entre estágios em que se sentem ridículos, e em que são
orgulhosos. Desenvolva a capacidade de dar um passo atrás, para olhar para si mesmo como um bom pai
olha amorosamente para um filho lutando para alcançar a masculinidade. Permita-se ter um pouco de
compaixão.

UM HOMEM IRRADIA ALEGRIA

Você já conheceu algum homem cristão cuja presença parece iluminar a sala quando ele entra? O
meu amigo Roger é um homem assim. Ele era um membro de nossa igreja e agora é um médico
missionário no Equador. A alegria de Roger, e o seu amor por Deus, eram muito presentes, quase
contagiosos. Qualquer homem pode ter alegria na vida. É uma característica especial dos homens, por
causa da forma como eles encaram o que existe ao seu redor. O mundo é algo a ser desafiado, desfrutado
e conquistado. Mas quando o homem é um cristão, essa alegria que vem do desafio é muito mais forte.
Ela se torna a alegria do Senhor.
De onde Roger tira a sua alegria? Muitas pessoas conhecem ao Senhor, mas não brilham com
tanta alegria. Tentando descobrir de onde vem essa alegria, fiz algumas observações sobre Roger. Ele não
se concentra apenas em si próprio, mas presta atenção nos interesses dos outros. Ele cultiva um coração
grato. Ele deseja servir ao Senhor, e acredita profundamente que Deus pode usá-lo. A alegria dele é um
fruto do Espírito, não algo que ele mesmo produz. Tentar agir dessa forma, quando não é algo que vem
de dentro, torna-se algo vazio. Esta alegria, assim como todos os frutos do Espírito, flui da busca de
Roger por Jesus em todas as partes de sua vida.
Outra característica de sua vida, entretanto, não está relacionada diretamente à caminhada dele
com Jesus. Roger acredita que Deus pode usá-lo, e isso deriva de seu forte senso de masculinidade.
Conforme nós crescemos em nossa masculinidade, desenvolvemos coragem e determinação, paixão pela
verdade autodisciplina, e conforme conhecemos mais de Jesus, adquirimos um senso do que significa ser
‘mais que vencedores’. Nós sabemos que Jesus já ganhou nossa vitória, e que essa vitória se derrama
sobre a nossa vida. Isto é razão para sermos alegres e contentes.
Apesar de Roger ter uma personalidade naturalmente extrovertida, algo que torna a sua alegria
mais perceptível, nós não precisamos ser extrovertidos para sermos homens cheios da alegria do Senhor.
Meu amigo e grande exemplo no ministério, Frank Worthen, é bem reservado, mas quando você
conversa com ele, a mesma alegria é evidente. Essa alegria é saber que, no fim, as coisas darão certo, e ela
se expressa não com uma cara sempre sorridente ou um sentimento de euforia, mas como uma
confiança: a confiança no presente que vem de nossa certeza da glória futura.

UM HOMEM AMA A CRISTO

Mais uma vez, se olharmos para os homens que mais admiramos em nossa comunidade cristã,
uma qualidade que frequentemente brilha forte é que eles obviamente amam a Jesus. Esse é um assunto
vasto – alguns diriam que é o propósito da vida. Mas existe um aspecto de amar a Cristo que se aplica de
forma especial à mensagem deste livro; é o relacionamento inseparável entre amar a Jesus e a obediência.
“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará
outro
Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo,
porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.
Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais;
vocês, porém, me verão. Porque eu vivo,vocês também viverão. Naquele dia compreenderão que estou
em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o
que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”.
Disse então Judas (não o Iscariotes): “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”
Respondeu Jesus: “Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e
faremos morada nele. Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês
estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou.”
(João 14:15-24)
Muitos de nós, ao lermos esta passagem como a grande promessa do Espírito Santo, podemos ter
passado por cima do número de vezes em que a obediência e o amor por Deus estão interligados, para
aqueles que receberam o Espírito de Deus. Conforme formos obedientes, iremos crescer no amor do
Senhor. Conforme crescemos no amor do Senhor, cresceremos em nossa capacidade de sermos
obedientes.
Qualquer homem que batalha contra as tentações homossexuais por causa da obediência a Deus
está se deixando levar mais e mais para dentro da esfera do amor de Deus. Você encontrará vitória nesse
amor, e o amará ainda mais. A jornada em que estamos é, de fato, uma grande jornada.
11

superando os obstáculos
Certo dia, quando eu ainda era um cristão de pouco tempo de conversão, eu estava escutando
minha rádio cristã favorita, enquanto dirigia. Um pregador estava falando a respeito do que é necessário
fazer para criar os nossos filhos da maneira correta. Ele disse que precisávamos, principalmente, manter
altos padrões para eles, fixar limites claros, e ser firmes em nossa disciplina. Ele listou então uma longa
série de versículos das Escrituras, a maioria de Provérbios, que apoiavam seus argumentos. Eu concordei
com tudo que ele disse – como eu poderia discordar da Bíblia? Mas, quanto mais ele falava, mais irritado
eu me tornava. Finalmente, em frustração, eu gritei com o rádio: “Eu já sei de tudo isso; são coisas
óbvias. O meu problema é que eu já tentei todas elas, mas fracassei vez após vez! Nada do que você disse
me ajudou.”
Acabou que este pequeno diálogo irracional com o rádio começou a guiar o meu ensino e as
coisas que eu escrevia dali para adiante. Eu descobri que nós podemos descrever um problema
perfeitamente, com todas as nuances sutis que os outros podem não ver, e então mostrar com lógica
perfeita que, se A é o problema, então B é a resposta. Mas com isso, quase sempre, o que nós oferecemos
aos nossos ouvintes ou leitores praticamente nada. A maioria das pessoas compreende qual é o problema,
e pode prontamente identificar qual é a solução lógica para o problema. A dificuldade é fazer o que a
solução requer.
Nesse ponto, você já deve ter percebido que a razão pela qual você não se sente como um
homem é que você nunca fez as coisas que os homens faziam, enquanto crescia; você pulou pelos passos
principais que os meninos atravessam em sua jornada para a masculinidade.
Este é o problema, portanto a resposta óbvia é ir lá e fazer as coisas que os homens fazem. Com
este conselho todos os seus problemas estarão resolvidos, certo? Não, não é bem assim.
O problema real não que não saibamos a solução; o problema é que nós estaremos enfrentando
obstáculos enormes ao aplicar a solução, e não sabemos como superá-los.
Este capítulo, e o próximo, estão entre os mais importantes do livro, porque vamos discutir os
obstáculos, e sugerir como podem ser vencidos. Se você sentiu alguma frustração ao ler até aqui, espero
que eu possa amenizá-la um pouco. Os obstáculos que você enfrentará são sem dúvida bastante grandes,
e podem ser encontrados em diversos lugares. Neste capítulo, vamos falar sobre certas barreiras
espirituais que podem se interpor entre nós e o crescimento na masculinidade, e no capítulo 12, vamos
examinar os bloqueios que existem em nossas emoções e vontades.
POR TRÁS DE MUITOS OBSTÁCULOS EXISTE UM PECADO

Qualquer um que leia meus artigos, ou que tenha atravessado os programas do Regeneração, sabe
que eu falo muito sobre o pecado. Não por que esteja a favor dele, mas porque creio que descobrir e
arrepender-se de pecados específicos é fundamental para abrir a porta para a mudança profunda e
duradoura. Eu também digo que arrepender-se é fácil; o difícil é descobrir e reconhecer o pecado, e é isto
que torna a estrada rumo à santificação longa e penosa. (Isso foi dito na parte sobre preparação para os
testes, no capítulo 9). Reconhecendo que examinar os nossos pecados é um processo que dura a vida
inteira, vou falar um pouco sobre isso no contexto de superação de obstáculos ao amadurecimento.
Meus 25 anos como cristão têm sido marcados por uma série de encontros transformadores, nos
quais o Espírito Santo me convenceu de pecados que, de uma maneira ou de outra, estavam me
prendendo em algum tipo de prisão, e bloqueando o meu crescimento como homem cristão. Estes não
foram pecados facilmente reconhecíveis, como lascívia ou cobiça, mas aqueles muito mais profundos que
sorrateiramente corrompiam o meu caráter. Conforme eu cresci na maturidade cristã, estas descobertas
foram se tornando menos frequentes. Elas foram iluminando a escuridão da minha alma. Esta é uma
jornada que todo cristão precisa fazer.
Eu disse que reconhecer o pecado era a parte difícil, e arrepender-se era fácil. Deixe-me explicar
um pouco isto. Arrependimento é fácil, se não estamos em rebelião. A rebelião reconhece o pecado, mas
recusa-se a fazer qualquer coisa a respeito. A própria rebelião é um pecado, com a habilidade perversa de
permitir que outros pecados vivam encobertos sob ela. A rebelião, que vamos discutir depois, pode ser
um dos pecados ocultos que precisam ser reconhecidos e confessados, para que o amadurecimento na
masculinidade possa ser atingido.
Eu sou um forte defensor de procurar pelos pecados que estão por trás dos problemas da vida,
porque sei que em Jesus e em seu sangue nós temos uma solução clara e rápida para estes pecados. Ela
está imediatamente disponível para nós como cristãos, enquanto que vencer os efeitos destrutivos dos
hábitos, feridas e vícios, pode ser uma questão muito mais complicada. Neste mundo orientado a terapias
(e na igreja direcionada a terapias, eu diria), nossa preferência por lidar com as feridas ao invés de
pecados pode ser um fator majoritário na persistência de nossos problemas.
Conforme você lê os parágrafos a seguir, peça ao Espírito Santo que ilumine áreas escuras de
pecado, que você precise trazer para a cruz. Por enquanto, tente parar de pensar a respeito das
circunstâncias que o influenciaram a tomar certa direção, e concentre-se mais nas suas respostas às
dificuldades da vida. Nossas histórias podem ter envolvido diversas circunstâncias que nos direcionaram
à homossexualidade, mas foram as nossas respostas a essas circunstâncias que, em última análise, fizeram
a diferença – e essas respostas foram, muitas vezes, pecaminosas.

SUPERANDO O OBSTÁCULO DO MEDO

Este é o principal. Vez após vez, ao aconselhar homens lutando com a homossexualidade, nos
deparamos com medos que controlavam as suas vidas na adolescência e ainda os deixam praticamente
paralisados em determinadas áreas, hoje. Estou certo que muitos daqueles buscando vencer a
homossexualidade podem olhar para trás, em sua adolescência, e ver uma clara figura de si próprios, seja
figurada ou literal, fugindo do campo ou lugar onde as interações com os outros rapazes eram
ameaçadoras demais.
Para superar qualquer medo, precisamos primeiro identificar o que ele é. Quando estamos
falando de medos que carregamos desde a adolescência, isto pode não ser algo tão evidente quanto se
espera. Qual foi o medo específico que fez com que você se desviasse do caminho, e fugisse do processo
de amadurecer na masculinidade? Quais são os medos que, hoje, o mantém se sentindo como se jamais
fosse capaz de estar à altura do mundo dos homens? Como nossos medos são muitas vezes nebulosos,
talvez nunca tenhamos tentado defini-los adequadamente. Você pode ser capaz de identificar atividades
que causam medo – como jogar futebol, ou falar em público – mas isto não lhe diz muito a respeito do
medo em si. O medo é baseado na antecipação de consequências desagradáveis ou dolorosas. Quais são
as consequências das quais você tem medo? Para a maioria dos homens, existem três medos básicos: o
medo da rejeição, o medo de se ferir e o medo da humilhação. Cada um desses, na verdade, é uma família
de medos.
O medo da rejeição é o medo de não ser amado. Tradicionalmente, tem sido visto como algo central
à condição homossexual, especialmente entre os homens. Este medo é baseado no sentimento
(justificado ou não) da dor proveniente de não ter sido amado no passado. A dor foi tão intensa que nem
sequer arriscamos passar por ela outra vez. Este medo é resolvido na maioria das vezes ao lidar com o
passado, enfrentando as situações que deram origem à dor original. Não é algo que você ignora como se
nunca tivesse acontecido, mas que pode ser curado através de aconselhamento e da oração.
O medo de se ferir fisicamente pode ser o medo da dor, da privação, de não estar no controle, e da
morte. Com as mulheres lésbicas, o abuso sexual do passado pode estar na raiz desses medos, mas este
raramente é um fator nos homens. Apesar de muitos homens homossexuais possuírem um passado de
abuso sexual que deixou cicatrizes, nós dificilmente encontramos um homem homossexual que tem
medo de ser molestado.
Nós frequentemente associamos o homem covarde com o medo de se machucar fisicamente, e
isto pode impedi-lo de fazer algumas das coisas físicas que os homens fazem. Ele pode ficar apavorado
com a ideia de pegar uma serra elétrica ou de sair para caçar. Este tipo de medo pode ser um grande
entrave ao amadurecimento, mas ainda é bem menos debilitante que o terceiro tipo; o medo da
humilhação. Além disso, se atacarmos com sucesso o medo da humilhação, é provável que nos
surpreendamos com nós mesmos ao superar o medo de se ferir fisicamente.
O medo da humilhação é a questão central que nos impedia, e ainda pode estar impedindo, de fazer
as coisas que os homens fazem. Aqui, também, nós encontramos uma família de medos que incapacita os
homens que estão lutando para deixar a homossexualidade. Além da humilhação em si, a família dos
temores inclui o medo do fracasso, o medo de não estar à altura, o medo de parecer incompetente, o
medo de sentir-se desprezível e sem valor.
Ao crescer, o nosso medo não era do futebol em si; era o de parecer incompetente quando
tentávamos jogar. Nosso medo não era enfrentar a gozação, mas de sermos considerados desprezíveis.
Nosso medo não era de sermos mais fracos fisicamente do que os outros meninos, mas de que não
estaríamos à altura na escala de valores que media a masculinidade. Esses medos podem vir da dor
sofrida no meio familiar, mas mais provavelmente a humilhação real veio dos colegas e ‘amigos’, o
mundo amplo dos homens e meninos.
Se queremos fazer as coisas que os homens fazem, vamos ter que enfrentar – ou melhor, mais do
que isso – vamos ter de conquistar estes medos. Embora os anos de rejeição dos nossos semelhantes
possam ter acontecido décadas atrás, os medos ainda podem estar nos controlando. Conquistá-los não
significa que não vamos mais senti-los, mas que eles não poderão mais dominar as nossas vidas. O medo
pode ser um obstáculo enorme, mas vencê-lo pode ser o fator fundamental para a revivificação de nosso
crescimento.
Na empresa onde trabalhei por muitos anos, todas as primaveras havia um evento de homens,
nos quais os gerentes participavam de um jogo de futebol. Conforme o mês de junho (e o evento) se
aproximava, eu ficava quase doente só de pensar nisto. Algumas vezes, eu procurei de diversas formas
evitar completamente o evento. Quando eu ia, me sentia tão angustiado e miserável, que hoje consigo me
lembrar de muito pouco a respeito desses eventos, exceto de que tínhamos que jogar futebol.
O interessante é que eu nem lembro como foi meu desempenho nesses jogos; tudo que me
recordo é o terrível pavor que eu passava antes que eles acontecessem. Isto é significante.
Como alguém pode superar esses temores? Você certamente não conseguirá fazê-lo apenas lendo
um livro, nem este, nem nenhum outro. Nenhum autor, nem seu pensamento lógico, poderá varrer
embora o seu medo. Eu sabia, racionalmente, que o meu medo era muito exagerado, que eu iria
sobreviver à experiência sem muitas cicatrizes. Eu também sabia que jogar futebol não é o que faz de
alguém um homem – mas nada disso parecia mudar muita coisa.
Se você tem um filho pequeno que tem medo de entrar na água, como você faz para que ele
supere esse medo? Você lê para ele um livro a respeito de natação? Você explica porque não faz sentido
que ele possua um medo tão ilógico? Não, você o leva para água. Talvez na primeira vez seja uma
profundidade de apenas dez centímetros e você esteja segurando a mão dele, mas a única maneira que ele
irá superar o medo é entrando na água. Assim é conosco, também. Se queremos vencer os nossos medos,
temos que fazer as coisas que poderiam nos trazer humilhação, as coisas que provariam que nós não
estamos à altura.
Um menininho cresce na masculinidade ao fazer as coisas que os homens fazem, e você perdeu o
bonde. Você tentou fazer essas coisas e fracassou, ou talvez mais provável, você fez algumas poucas
tentativas, e ao se deparar com fracassos muito dolorosos, saiu fora da corrida. Quem disse que vai ser
diferente desta vez?
Tentar outra vez, retomar a jornada agora, não seria estar se expondo a mais fracassos, talvez até
experimentando mais do que nunca a realidade de que você não está à altura dos outros homens? Além
disso, não esperam de você que tenha o desempenho de um garoto de onze anos, mas de um homem de
trinta. O que vai permiti-lo ter sucesso agora, que a barra está bem mais alta? O que será diferente desta
vez?
Haverá diferenças desta vez, e elas são realmente significativas, portanto vamos considerá-las.
1. AGORA VOCÊ CONHECE O PROPÓSITO POR TRÁS DE TUDO

Quando eu era um adolescente atleticamente e socialmente inapto, meus pais insistiam para que
me envolvesse em algum grupo de adolescentes, ou em alguma atividade física. Se a atividade sugerida
parecesse ameaçadora, como quase sempre parecia, eu simplesmente dizia: “Eu odeio fazer isso”, e em
geral isso encerrava a discussão. Eles não percebiam a grande importância da atividade, e além disso,
nunca foi hábito deles ficar me empurrando para fazer as coisas em qualquer área da minha vida.
Mais importante ainda, eu mesmo não via a importância dessas atividades. Eu não tinha ideia que,
se não fizesse essas coisas, acabaria crescendo tímido, medroso, afastado, propenso a viver em meu
pequeno mundo de fantasia, invejoso dos outros rapazes e desejando a sua masculinidade. Não havia
como eu ver que, ao evitar essas atividades desagradáveis, eu estava avançado mais e mais em direção à
homossexualidade.
Mas você sabe! Você sabe que existe um propósito – um grande benefício – e fazer essas coisas
que os homens fazem, coisas que você não quer realmente fazer. Se você desejar seriamente
experimentar a plenitude de sua masculinidade, e se você não conhecer outra forma de fazer isto, exceto
praticando as coisas que os homens fazem, é exatamente isto que você fará. Quando convidado para ir à
casa de alguém para assistir à final do campeonato, você irá sorrir e dizer: “Claro, estarei lá.” Ninguém
ouvirá a voz dentro de você dizendo: “Puxa, eu não quero fazer isso, mas eu sei que preciso.” Assim
como um atleta se exercita – algo que ele pode estar sem vontade nenhuma de fazer – pelo propósito de
adquirir uma habilidade ou formar um time, você precisa estar pronto a exercitar sua masculinidade, pelo
propósito de experimentar a masculinidade plena. Ninguém se exercita sem propósito. Agora, você
possui um!
Aparentemente, Deus proveu as situações que me forçaram em atividades com outros homens, e
que me colocaram em papéis de liderança. Não havia ninguém por perto me dizendo que eu precisava
fazer essas coisas para que um dia eu pudesse ser um marido, pai e líder de ministério adequado. Eu nem
compreendia a grande importância dessas coisas. Se eu soubesse disso, especialmente após ter me
tornado um cristão, talvez eu as tivesse abraçado mais, e alcançado um crescimento mais rápido. Talvez
eu até fosse atrás dessas situações, para meu próprio bem. Deus pode ou não prover circunstâncias para
você de uma forma similar, mas as oportunidades certamente existem.
Agora, você sabe que tem razões muito importantes para aceitar essas oportunidades, quando
surgirem. Faça isso e, se necessário, busque outras.

2. AGORA VOC Ê ESTÁ EM UMA POSIÇÃO MELHOR PARA ESC OLHER EM QUE ÁR EAS
SERÁ TESTADO

Agora, não há mais a Mamãe para dizer que você deve sair e ir jogar com os outros meninos, nem
um professor de educação física dizendo para você correr ao redor do campo. Você pode decidir o que
quer tentar, onde, e com qual grupo de homens. Você pode entrar nos dez centímetros de água, antes de
estar pronto para pular no lado fundo da piscina. Você pode escolher lugares seguros. Este era o
princípio por trás dos nossos jogos de futebol do Regeneração.
Esses jogos começaram após eu ouvir, por anos, como os esportes foram experiências dolorosas
para todos aqueles homens, em sua adolescência. E o pior era sempre o futebol. Nossos rapazes eram
sempre escolhidos por último. Eles entravam no campo e rezavam pra que a bola nunca fosse passada
para eles, pois se isso acontecesse, iam passar errado ou perder imediatamente para alguém do outro
time, que faria o gol. Ou havia outras situações que provavam a sua incompetência como homens, como
ter que bater um pênalti (certamente para fora) ou ficar de goleiro (frango garantido). A dor dessas
experiências era enorme, nesses homens. Eu sabia bem como era isso, portanto podia simpatizar com
eles. Era a dor da humilhação.
As nossas partidas, então, davam aos homens a oportunidade caminhar através de um cenário
que, para muitos, suscitava os seus piores temores de ser humilhado. Eles escolheram, entretanto, um
local seguro para isso, e estavam com outros homens cristãos que entendiam como eles se sentiam. Mas,
acredite, até mesmo neste cenário, quando a bola rolava, os velhos medos retornavam. Mas eles os
conquistavam. Poucos dos homens prosseguiram fazendo do futebol um dos seus passatempos favoritos,
mas muitos deles já estavam dispostos a, no próximo piquenique da igreja, ir para o campo com os
outros homens, prontos para dar o próximo passo. Eles haviam encontrado um ambiente relativamente
seguro, portanto estavam dispostos a dar os seus primeiros passos em uma área de grande temor, e nesse
processo, o poder do medo afrouxava um pouco suas garras.
Talvez você não tenha um grupo, entretanto, que esteja interessado em jogar futebol. Bruce
McCutcheon, o líder do Ministério Cruzada (Quest) em Atlanta, sugere uma maneira simples para
aproximar-se do mundo masculino dos esportes. Ele recomenda aos homens que gastem cinco minutos
por dia lendo a seção de esportes do jornal. Quem sabe um pouco de conhecimento adquirido ali possa
fazê-los dar um pequeno passo em direção ao mundo dos homens?

3. AG ORA VOCÊ PODE DE CIDIR QUE ESTÁ ASSUMINDO O RISCO DE FRA CASSAR

Por mais negativo que isso possa parecer, é um corolário a perceber o propósito. Ele poderia ser
parafraseado pela antiga frase: “Sem dor, não há resultado.” Você não pode dar um passo adiante na
jornada rumo à masculinidade, se não está disposto a encarar a possibilidade do fracasso. Quando você
era um garotinho, você provavelmente não queria jogar futebol porque tinha medo de perder a bola ou
levar um gol, e você seria humilhado. Então, você decidiu não jogar futebol. Mas nunca ocorreu a você
que todos os meninos, em algum ponto em seu desenvolvimento, perderam as bolas que foram passadas
a eles. O que aconteceu de diferente com esses outros meninos, que os deixou dispostos a passar pela
vergonha e tentar outra vez?
Pode haver diversas razões pelas quais nós não estávamos dispostos a passar pela vergonha, e os
outros estavam. Talvez nós fôssemos mais sensíveis por natureza. Talvez nós tivéssemos uma maior
sensibilidade à rejeição, proveniente da rejeição real ou aparente de nossos pais. Talvez, por alguma
razão, nós só começamos com esportes mais tarde, e passamos vergonha porque já estávamos atrasados
em relação aos outros meninos. Seja qual tenha sido a causa, o medo foi intenso, e foi suficiente para nos
fazer querer, a todo custo, evitar o fracasso à vista de nossos colegas.
Talvez agora, você perceba como foi alto esse custo, e ainda é. Mas, mais importante ainda, agora
você pode ter um olhar mais objetivo a respeito das consequências do fracasso. Quase sempre, é menos
do que você achava que seria. Se você encontrar a dor, irá durar apenas por um tempo, e agora você sabe
que a dor possui um propósito; sem dor, não há resultado. Tente pensar na última vez em que você
fracassou em uma tarefa masculina: conversar casualmente com outros homens, tomar uma decisão,
liderar, chutar uma bola. Ao lembrar-se de incidentes específicos em que pareceu incompetente aos seus
colegas, você considera as consequências devastadoras? Você acha que alguém mais se lembra dessas
situações? Provavelmente não; provavelmente, não foi nada importante para eles. Lembra-se de como eu
disse não possuir nenhuma memória de parecer incompetente aos outros nos jogos de futebol, mas
apenas memórias do medo em si?
Não há dúvida que você às vezes irá falhar, ao tentar fazer as coisas que os homens fazem. Tome
a decisão, agora, de que você está disposto a assumir o risco de falhar de vez em quando, e que você irá
suportar as consequências desses fracassos. Primeiro, entretanto, pense em quais são estas consequências.
Olhe para o pior cenário possível. Você irá morrer? Será completamente arruinado? Existe uma voz
mentirosa dentro de muitos de nós, que diz: “Ah, mas se eu tentar, e fracassar, então...” e nunca
completa a frase. Nós pensamos que as consequências serão horríveis, mas nunca as colocamos em
palavras. Nós somos ameaçados por uma nuvem amorfa de desastre, mas nós nem sabemos o que ela
realmente é. Obrigue-se a terminar esta frase, defina quais serão as consequências, e então determine se
pode ou não aceitá-las.
Você pode permitir a si mesmo falhar. Em quase qualquer situação, as consequências de fracassar
não serão tão terríveis. E ao menos que você tome a decisão de correr o risco, você nunca fará as coisas
que precisa para amadurecer. Nem experimentará os sucessos que construirão a sua masculinidade. As
suas falhas serão esquecidas em pouco tempo; os seus sucessos irão produzir frutos enquanto você viver.

4. DESTA VEZ VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO

Da primeira vez, eu estava sozinho. Na segunda vez em que tentei crescer, eu tinha um amigo
para me ajudar. Ele me apoiou em cada passo ao longo do caminho. Quando eu caía, ele me segurava,
sacudia a poeira, e aplicava bálsamo às minhas feridas. Quando eu clamava “É difícil demais’, ele me
segurava, e através da força dos seus braços, novas forças brotavam em mim. Ele estava comigo em
todos os momentos. Sem ele, eu certamente não haveria conseguido; mas com ele, o sucesso da
caminhada era certo.
Creio que você deve saber que o meu amigo era Jesus. Ele nos chama de amigos (João 15:15). Ele
disse que podíamos permanecer nele (João 15:1-11). A Escritura nos diz que podemos tudo naquele que
nos fortalece (Filipensese4:13).
É provável que, na primeira vez, você não conhecia a Jesus, ou se conhecia, não estava ciente do
desejo dele de ajudá-lo em todas as batalhas de sua vida. Ele é o pai perfeito, o irmão mais velho perfeito,
o amigo perfeito. Ele tornará possível cada passo que você precisa dar. Ele irá confortá-lo em meio às
suas falhas, e lhe dará o que é preciso para tentar outra vez.
No começo deste livro, eu me ofereci para caminhar com você pela difícil estrada rumo à
masculinidade. Eu deveria dizer que começarei a jornada com você, mas depois de um tempo terei de
soltar a sua mão e colocá-la na mão de Jesus. É ele que estará com você o tempo todo. É ele que vai
terminar a obra que começou em você, antes de você nascer.
Eu sei que muitos homens deixando a homossexualidade, homens que são cristãos verdadeiros,
não conhecem a Jesus de uma forma que o torna realmente presente como amigo, encorajador,
auxiliador e confortador. Se você é um desses homens, busque esse relacionamento de todo o seu
coração. Você o encontrará, e ele será a base, não apenas de seu crescimento na masculinidade, mas de
sua cura completa da homossexualidade. A verdade mais importante que posso expressar neste livro, a
verdade que serve como fundamento de todo nosso ministério, é esta: a cura vem de nosso relacionamento com
Jesus Cristo.
Um relacionamento pessoal transformador com Jesus é possível para todo cristão. Creio isso por
causa da simples razão de que foi ele quem disse isso. Leia João 14-16 e veja quão profundo e pessoal é o
amor dele por você. Ele enviou Jesus à cruz porque nós estávamos separados dele, e ele quis que
fôssemos reconciliados.
A coisa mais importante que você pode fazer para desenvolver um relacionamento vivo com o
Senhor é gastar tempo com ele, um período de quietude diário. Isto é tão importante, e tão central ao
assunto deste livro, que existe um apêndice (B) apenas para o meu ensino a respeito dessa questão.
Eu mencionei antes que precisamos procurar pelos pecados que constituem a base dos problemas
em nossas vidas. Qual é o pecado por trás de nosso medo? O medo em si não é pecaminoso. Deus nos
deu medo como uma emoção que nos faria evitar o perigo. A emoção do medo ativa nossos mecanismos
físicos para lutar ou fugir. Foi assim que Deus nos fez. Mas ele não nos deu o medo para nos ajudar a
evitar as coisas que eram boas para nós, ou para nos esquivarmos de nossos deveres como homens.
Nessas circunstâncias o medo é um pecado, porque está refletindo uma falta de confiança em Deus.
Quando Estevão era pequeno, uma das coisas que ele gostava de fazer era subir as escadas e pular
em meus braços. Conforme ele ficava mais velho e mais corajoso, ele subia um degrau a mais, para
manter vivo o sentimento de ousadia. Ele adorava fazer isto, e eu também. Para ele, era a chance de nos
impressionar com toda a sua coragem. Para mim, era o prazer de testemunhar a sua alegria, e a bênção de
ver a confiança absoluta que ele depositava em mim. Ele estava seguro de que eu sempre o pegaria, o que
de fato eu fazia.
Nós – você e eu – temos um Pai que também quer nossa confiança. Na verdade, é provável que
nada o agrade mais do quando confiamos nele, pois quando confiamos, nós mostramos, mais claramente
do que qualquer outra forma, que nós conhecemos o caráter dele. Nós demonstramos que sabemos que
ele é fiel, digno de confiança, capaz de fazer tudo o que precisamos que ele faça. De certa forma,
confiança é a forma mais elevada de louvor.
O medo, entretanto, pode ser uma declaração de que Deus não é confiável. Arrependa-se desse
medo, e deixe que cada desafio, mesmo aqueles que podem lhe causar humilhação, seja um exercício de
confiança naquele que o ama, e que é, acima de tudo, plenamente confiável.
SUPERANDO O OBSTÁCULO DA OBSTINAÇÃO

Beto, um membro do nosso ministério, recebeu um convite de seus colegas de trabalho.


- Beto, nós três vamos pescar no sábado. Você quer ir?
- Não, obrigado. Pescaria não é comigo.
- Por que não? Vai ser divertido.
- Desculpe, eu não gosto de barcos, pode chover, e a última coisa que eu faria é colocar iscas em
um anzol. O que vocês usam? Minhocas? Tatuíras? Eca!
- Ah, Beto, você é tão sem graça. Toda vez que o convidamos para fazer algo, você recusa.
- Bem, sinto muito. Eu sou assim mesmo.
A maneira de Beto de encarar a vida poderia ser resumida nessas duas frases: “Isso não é
comigo” e “Eu sou assim mesmo”. Muitos de nossos homens desenvolveram estilos de vida de
autoproteção, nos quais essas declarações são verdadeiras pedras angulares. É possível que isto venha de
antigas feridas, mas pode também ser apenas assim o egocentrismo humano levado um passo além. Seja
qual for a causa, estes homens fazem questão de evitar qualquer coisa que pareça desagradável. Eles
criaram um mundo seguro e se recusam a aventurar-se para fora dele.
A determinação de ter uma vida da forma que nós queremos, e de nenhuma outra forma, é
obstinação. Estou usando este termo no sentido negativo da palavra. A determinação obstinada a fazer
coisas do nosso jeito, e às vezes de permanecer intencionalmente ambivalente – querer as coisas de
ambas as formas -é pecaminosa. É usar o presente do livre arbítrio de Deus para propósitos egoístas. É
uma declaração de “seja feita a minha vontade”.
Compare a obstinação de Beto com a forma de encarar a vida que muitos adolescentes saudáveis
possuem. Quando meu filho, Estevão, era convidado para fazer alguma coisa que nunca tinha feito antes,
o simples fato de poder fazer algo novo era toda a motivação que ele precisava. O mundo dele era um
mundo de desafios.
Cláudio, que durante anos organizou nossos jogos de futebol no Regeneração, decidiu levar um
grupo de homens para uma ‘caçada de perus’ (eles não atiram em perus; perus congelados são o prêmio
para quem atingir os alvos com uma espingarda). Alguns homens tinham todo tipo de desculpa para não
ir: “É longe demais.” “Não aguento o barulho.” “Sou desajeitado com armas”. Cláudio convidou
Estevão, que tinha 14 anos na época e frequentemente participava de eventos do Regeneração. Estevão
mal podia esperar para ir; ele e outros homens do Regeneração tiveram um tempo muito divertido.
Quando Estevão chegou em casa por volta da meia-noite, ele nos acordou para mostrar o peru – e o
presunto – que havia ganhado. Estevão e esses homens haviam desenvolvido sua masculinidade um
pouco mais.
Situações traumáticas na infância podem deixar um homem com uma necessidade quase
irresistível de proteger a si próprio em determinadas circunstâncias. Por exemplo, um menino cai de um
telhado e se torna temeroso de lugares altos, ou é mordido pelo cachorro do vizinho e mantém-se para
sempre apavorado com cães. Mas estes medos são baseados em riscos específicos. Estou falando do
hábito de sempre escolher a segurança e o conforto, ao invés do desafio e do crescimento. O homem que
desenvolve um estilo de vida assim é sempre seu pior inimigo.
Para retomar o crescimento, você terá de tomar a decisão de que não vai sempre escolher a
segurança e o conforto, ao invés do desafio e do crescimento. Deve ser feita uma decisão consciente de
ver o mundo, não como algo do que você precisa ser protegido, mas como uma aventura a ser
experimentada. É uma questão de direcionar a sua vontade.
É importante que não se chame algo de paralisia psicológica, quando for essencialmente uma
questão de escolha. Muitos homens poderiam fazer coisas que os ajudariam, mas eles simplesmente não
as fazem porque seriam inconvenientes ou desconfortáveis.
Esta atitude obstinada pode expressar um espírito de rebelião. Desde a infância, um homem pode
ter sempre reagido contra as coisas que os homens fazem. Com uma atitude e raiva infantis, alguns dos
homens reagiram contra o mundo inteiro dos homens, conforme expressado na cultura ao seu redor.
Eles se recusaram a fazer parte desse mundo. A própria homossexualidade é, no fim das contas, uma
forma de rebelião – contra os nossos pais, contra os padrões de nossa cultura e igreja, contra a ordem
fundamental de Deus para a vida neste mundo.
Outro pecado que a obstinação pode expressar é um espírito de individualismo extremo:
indisposição em ver a si próprio como parte de uma comunidade, uma família, um corpo; indisposição
em reconhecer que Deus nos fez criaturas sociáveis, e que isto requer uma dinâmica de dar e receber, na
qual a vida nem sempre é vivida da forma que nós queremos. Esses homens enxergam a masculinidade
como uma opção que eles podem aceitar ou rejeitar, e não uma influência positiva que podem ter nas
pessoas ao seu redor, nem como parte do plano fundamental de Deus para suas vidas.
Quando eu encontro um homem assim, e vejo que sua inflexibilidade está impedindo-o de
crescer, como Deus gostaria que ele crescesse, eu examino cuidadosamente a sua situação, tento
considerar todas as ramificações psicológicas presentes, e após muita oração, aconselho-o: Pare com isso!
Você quer ser curado? Então mude sua forma de viver. (Eu não digo bem assim, mas de uma maneira
um pouco mais amável).
A vontade humana é algo poderoso. Nós não somos totalmente programados para comportar-nos
de determinada maneira por causa dos nossos genes e de nossas experiências passadas. A vontade é
nossa força para sobrepor os nossos instintos naturais. Deus deu a cada um de nós um livre arbítrio, que
nos permite escolher na maioria das situações. Use a sua força de vontade para fazer escolhas que o
tirarão de sua zona de conforto, e colocarão os seus pés na estrada rumo à masculinidade.
Conforme eu amadureci como cristão, comecei a reconhecer mais e mais que Deus quase nunca
nos permite controlar o resultado final das coisas; isso é atribuição dele. Ele nos permite controlar os
meios, que agirão para o fim determinado por ele. Através de sua graça e poder, nós dispomos dos meios
para superar nossos medos e mudar nossos pensamentos rebeldes. Se desejarmos sinceramente fazer
essas coisas na busca pela masculinidade que ele deseja para nós, ele estará conosco, e o objetivo dele será
alcançado.
12

superando o passado
“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se
fizeram coisas novas” (2 Coríntios 5:17). As mudanças que ocorrem em nós no momento da conversão
são extraordinárias. As consequências espirituais de nossa vida antiga são lavadas, e nós entramos em um
novo e maravilhoso relacionamento com Jesus; de repente, temos um futuro que não precisamos mais
temer. O nosso passado, presente e futuro foram radicalmente transformados.
Se nossa conversão foi repentina e dramática, podemos sentir por um tempo que absolutamente
tudo é novo, e que todas as consequências da vida passada foram destruídas. Em algum momento,
entretanto, a maioria das pessoas começa a compreender que algumas partes da “nova criatura” não são
experimentadas instantaneamente; elas precisam ser vivenciadas. Nem todas as coisas antigas são
arrancadas de nós; elas precisam ser desprendidas conforme crescemos em nosso relacionamento com o
Senhor.
O que é extraordinário a respeito do nosso futuro, entretanto, é que onde os destroços de nosso
pecado e fragilidade estavam tão espalhados no caminho de nossa vida antiga que o progresso parecia
impossível, descobrimos agora que Deus colocou nossos pés em um novo caminho, e nós podemos
começar a mudar. Além disso, descobrimos que ele nos concedeu todos os meios necessários para
podermos superar os obstáculos que nos obstruíam antes. Nós temos os meios – a força – para vencer os
medos, a obstinação, a ambivalência que marcou as nossas vidas.
O poder do passado para nos controlar não é imediatamente esmagado em todas as áreas, no
momento da conversão. Nós precisamos viver de forma a nos libertar das “coisas antigas”, e este pode
ser um processo lento, bem mais lento do que gostaríamos. Compreendemos este como um processo de
dois estágios: precisamos descobrir o que é que ainda está nos prendendo, e depois precisamos fazer a
escolha de renunciar a isso. Nenhum dos dois passos é fácil.
Para os homens deixando a homossexualidade, eu vejo três ‘fantasmas’ do passado que
geralmente ainda os controlam, impedindo-os de crescer na masculinidade ordenada por Deus. São as
promessas da infância, falta de perdão e uma falsa identidade.

PROMESSAS DA INFÂNCIA

A maioria das coisas feitas por nós que contribuíram para a nossa homossexualidade foram, por
natureza, para proteger a nós mesmos. Nós nos retiramos de situações ameaçadoras. Nós rompemos
relacionamentos onde nos sentíamos rejeitados. Nós tomamos decisões em situações específicas a fim de
impedir sermos feridos da mesma forma outra vez. Quando decisões similares foram feitas várias vezes,
acabaram sendo estabelecidos padrões para nossas vidas.
Algumas das decisões que tomamos, entretanto, foram especialmente impactantes. Em nosso
ministério, chamamos elas de ‘promessas da infância’. Elas foram impactantes porque sempre incluíamos
as palavras nunca ou sempre, ou seus equivalentes.
Eu fiz duas promessas em minha infância que são exemplos perfeitos daquilo a que estou me
referindo aqui. Desde os meus primeiros anos, posso lembrar ouvir meu pai e minha mãe envolvidos em
brigas feias. Essas brigas provavelmente eram resultado da disfunção familiar que surgiu a partir da
depressão do meu pai. Uma tarde, quando eu era apenas uma criança deitada na cama ouvindo-os em
uma batalha de gritos e raiva, eu disse a mim mesmo: “Eles não vão mais me machucar. Eu nunca mais
vou deixar alguém me machucar.” Eu lembro a satisfação que senti quando tomei essa determinação. E
funcionou. Daquele dia em diante, as brigas não me afetaram mais. Mas a minha decisão de trancar e tirar
o meu coração do alcance deles teria consequências muito mais desastrosas que um garotinho poderia
imaginar. Eu havia feito uma promessa de nunca mais deixar alguém me machucar, e isso significava que
eu nunca seria livre para amar alguém. Amar é algo que nos torna vulneráveis, e eu estava determinado a
nunca mais ser vulnerável.
A minha segunda promessa foi de que eu iria suprir minhas próprias necessidades, não importava
o custo. Meus anos de busca por contato homossexual foram resultado desta promessa. Eu precisava de
contato físico com um homem. Eu precisava de uma dose da masculinidade de um homem. Ao mesmo
tempo, eu sabia que aquilo era errado. Eu sabia que estava sendo infiel à minha esposa. Eu sabia que, no
longo prazo, as consequências de minhas ações seriam desastrosas. Mas eram minhas necessidades, e
acontecesse o que acontecesse, eu havia prometido que iria satisfazê-las.
Embora o poder dessas promessas de infância possa ser desfeito na conversão, como aconteceu
até certo ponto com as minhas, ou possam ser deixadas cada vez mais de lado conforme o Espírito Santo
nos leva a tomar novas decisões que cancelam as antigas, muitos cristãos em nossos ministérios
continuam a viver sob o poder de suas promessas de infância. Examine, em oração, a sua vida e seu
coração, e determine se você tomou alguma decisão do tipo ‘nunca’ ou ‘sempre’ em algum momento da
sua vida, que ainda esteja o prendendo. Em caso positivo, peça ao Senhor que mostre qual é a promessa
que você fez, e renuncie-a diante dele. Peça que ele remova o poder dessa promessa, e coloque novos
comprometimentos e decisões em seu coração, que possam produzir vida ao invés de sufocá-la. Melhor
ainda, encontre alguém para fazer essa oração com você. Deixe que ele ou ela seja uma testemunha de
sua declaração de independência de seus velhos costumes de auto-proteção, e que possa afirmar o seu
lugar como filho que agora vive abrigado na proteção do Pai.

FALTA DE PERDÃO

O segundo ‘fantasma’, a falta de perdão, mantém inúmeros cristãos presos aos eventos do
passado. Diversas vezes, Jesus salientou que devemos perdoar como fomos perdoados. Muitos escritores
cristãos, a partir do mandamento do Senhor, demonstraram que não há como existir liberdade, até que
perdoemos aqueles que nos feriram de alguma forma. Para nossos propósitos, eu não vou desenvolver a
questão do perdão geral, mas sim uma área na qual a falta de perdão parece ser o maior obstáculo para o
amadurecimento na masculinidade: a falta de perdão ao pai.
Leanne Payne escreveu que o maior obstáculo para a cura é a falta de perdão. Eu concordo com
isso. Mas quero pensar na questão em um nível anterior. Nosso maior obstáculo para perdoar é não
reconhecer os erros que nós cometemos no relacionamento com os outros. Até que reconheçamos o
nosso pecado em uma determinada situação, nosso perdão será algo confuso. Será algo misturado com o
ficar lançando a culpa sobre o outro. O nosso perdão não pode corrigir uma situação ou relacionamento,
se ainda houver outras questões a serem tratadas. Aquilo que vou falar agora não é algo universal entre os
homens lutando contra a homossexualidade, nem mesmo entre aqueles cuja homossexualidade
claramente brota de um relacionamento inadequado com o pai, mas é tão comum, e nós temos uma
tendência tão forte de deixar passar ou negar, que eu trago à tona na esperança de que cada leitor
considere sua aplicabilidade à própria vida, em oração. Vou descrever o que é, contando uma história de
minha própria vida.
Certo ano, no começo de junho, eu estava fazendo meu devocional e me ocorreu que era a época
do aniversário de meu pai, que já era falecido. Eu não sabia a data exata. Eu sempre tinha que perguntar à
minha mãe, e de alguma forma conseguia confundir com o Dia dos Pais.
Eu não sei o dia do aniversário do meu pai! Em um instante, o terrível significado disso me envolveu.
Eu senti como se um ferro quente atravessasse o meu coração, conforme verdade após verdade me
esmagava, mais rápido do que palavras podem expressar.
Eu não sabia o dia do aniversário do meu pai, porque meu pai não tinha importância para mim.
Ele nunca havia tido. Ele fora uma realidade em minha vida, mas sem significância. Eu sabia o
aniversário de minha mãe, meu irmão, meus filhos, até alguns dos meus amigos próximos, mas em todos
esses anos e nunca memorizei a data exata do aniversário do meu pai.
De repente, vislumbrei a imagem de meu pai. Ele era um homem de boa aparência. Ele era gentil
com todos. Ele tinha um bom senso de humor. Ele trabalhava como conselheiro para pessoas com
deficiência, que ele tentava ajudar. Ele gostava muito de pescar e, quando eu era jovem, ele me convidava
para ir com ele. Normalmente, eu recusava.
Como esses pensamentos eram diferentes das minhas memórias usuais sobre meu pai.
Geralmente, elas eram centradas na depressão com a qual ele sofreu durante a maior parte de minha vida;
como havia se fechado para si mesmo, seu choro, suas visitas ao psiquiatra, eu buscando-o após as
sessões de eletroterapia, quando era adolescente. Como esses pensamentos eram diferentes da memória
dele me levando ao hospital psiquiátrico e me mostrando como acender a luz indicadora no aquecedor a
gás, caso se apagasse. Eu me lembro de pensar para mim mesmo, Obrigado, pai. Isso é tudo que você tem para
me mostrar. Eu já estou fazendo tudo o mais que você deveria estar fazendo na família. Um profundo desprezo.
“Honra teu pai e tua mãe, como te ordenou o SENHOR, o teu Deus, para que tenhas longa vida
e tudo te vá bem na terra que o SENHOR, o teu Deus, te dá.” (Deuteronômio 5:16) Parece estranho que
apenas esta e a proibição do adultério são as únicas direções incluídas nos Dez Mandamentos que falam a
respeito de relacionamentos na família. Que tal: “Pais, amem e dêem atenção aos seus filhos”? Ou,
“Maridos, amem e tratem bem suas esposas”? E por que este é o único mandamento com uma
promessa?
O mandamento não diz que devemos honrar nosso pai e mãe apenas se eles forem bons pais ou
se fizerem o seu melhor. O mandamento é consistente com a forma que devemos nos relacionar com os
outros, no Novo Testamento. Paulo não disse que deveríamos obedecer a respeitar o governo apenas se
ele for justo e democrático. As esposas não são ordenadas a obedecer aos seus maridos apenas quando
eles demonstrarem sabedoria e consideração por elas. Os maridos não são ordenados a amar as suas
esposas apenas se elas forem carinhosas. Os mandamentos de Deus não são condicionais. Se fossem, nós
estaríamos nos colocando acima da lei, porque seríamos nós que determinaríamos se as condições
estavam sendo cumpridas. Deus diz para amar, obedecer e honrar, e isso é tudo.
Eu havia falhado em obedecer a um dos mandamentos mais básicos e simples. Eu não havia
honrado ao meu pai. Conforme a dolorosa realidade do pecado me envolvia, eu comecei a pensar: Sim, eu
não o honrei, mas é algo compreensível. Eu era apenas um garotinho e tinha profundas necessidades. Ele não estava sendo
um pai para mim. O Espírito Santo pareceu dizer: “Pode haver alguma verdade nisto, mas é algo
totalmente irrelevante quanto ao que eu estou chamando você para encarar agora. Você não honrou ao
seu pai.” Estranhamente, começaram a voltar memórias de ocasiões em que ele tentou ser um pai para
mim. Ele quis que eu pescasse com ele. Às vezes, nas manhãs de sábado, ele me levava ao seu escritório
com ele. É verdade, em seu estado deprimido, ele não conseguia ser um ótimo pai, mas o que estava
sendo descoberto diante de mim era que eu nunca havia deixado que ele fosse meu pai. Eu não havia
honrado meu pai, e eu nunca havia me arrependido desse pecado.
E então, no silêncio daquela manhã de junho eu me arrependi. Eu chorei e pedi a Deus que me
perdoasse por não haver deixado meu pai ser meu pai, e por não tê-lo honrado. Alguns dias depois eu fui
até seu túmulo – pela primeira vez em dez anos após sua morte – e pedi a ele que me perdoasse. Eu sou
perdoado, mas ainda carrego alguma tristeza dentro de mim. Eu lamento pelas oportunidades perdidas de
ser um filho e deixá-lo ser meu pai.
Foi necessário que eu me desprendesse de meu pai, antes que pudesse chegar à plenitude de
minha masculinidade. Desprender-se de alguém significa quase sempre perdoá-lo, mas para mim o
perdão teve de ser precedido por arrependimento. Eu precisei me arrepender por tê-lo rejeitado. Eu tive
de me arrepender por tê-lo julgado e condenado por tantos anos. Este não é o papel de um filho.
O mandamento de honrar os nossos pais inclui a promessa de que as coisas irão bem. Isto possui
uma aplicação poderosa à luta homossexual. Nosso fracasso em deixar os nossos pais serem pais é uma
das causas primárias da homossexualidade. Você não pode se tornar um homem até que tenha sido um
filho. Você não pode ser um filho até que tenha reconhecido, ou honrado, o seu pai.
Alguns dos que estão lendo esse livro tiveram pais que foram realmente abusivos, fisicamente,
sexualmente ou verbalmente. Quando digo abuso verbal, refiro-me à prática de ridicularizar a sua
masculinidade abertamente e cruelmente. Eu nunca passei por isso, por isso não me sinto competente
neste contexto para lidar os problemas especiais daqueles que foram abusados. Suspeito que muitas
vítimas de abuso real precisem de oração e cura antes de poderem perdoar os seus pais, mas, no fim das
contas, precisam desprender-se deles.
Minha experiência no ministério me diz que a maioria dos homens homossexuais não foi abusada
por seu pai. A maioria de nós teve pais que queriam ser bons pais, mas por causa de algo neles, ou em
nós, ou das circunstâncias da vida em que crescemos, eles não foram os pais que precisávamos. Mas não
estamos em posição de julgá-los. Quem pode dizer, dada a forma como foram tratados pelos pais, ou
dadas as circunstâncias de suas vidas quando cresceram, que fariam um trabalho melhor? Nós
simplesmente não podemos julgar; podemos apenas perdoar.
Cada um de nós, seja biologicamente ou não, está destinado a ser um pai. Para mim, foi ser o pai
de Laura, Elizabete e Estevão. Você, assim como Paulo, pode ser chamado a ser o pai espiritual de
outros homens, ou assumir um papel paternal em sua igreja ou comunidade. A verdadeira essência da
masculinidade se encontra na capacidade de ser um pai.
Se nós não nos desprendermos de nossos pais, continuaremos a viver sob o poder daquilo que
aconteceu de errado conosco. Se não nos desprendermos, mas continuarmos a exigir (mesmo que
retroativamente) que eles sejam pais perfeitos, então nunca vamos ousar ser pais nós mesmos, porque
sabemos que também não seremos pais perfeitos. Conforme você perdoa outros, você será perdoado.
Como nós perdoamos os nossos pais? Nós começamos com a decisão de perdoar. E então
entramos na presença de Deus. Você pode orar algo assim:

Pai Celestial, eu quero perdoar o meu pai terreno. Ajuda-me a fazer isso. Estou disposto a
aceitar a responsabilidade pela minha própria vida e pelas decisões que tomei, e quero liberá-lo
da responsabilidade de quem eu sou hoje. Senhor, mostra-me onde eu pequei contra o meu
pai. Mostra-me se o rejeitei ou julguei indevidamente. Se isso aconteceu, eu me arrependo
desses pecados. Senhor, eu perdôo o meu pai por qualquer coisa que ele tenha feito que possa
ter me prejudicado – seja intencional ou não – e o coloco em tuas mãos. Eu peço para que, na
prática ou em memória, eu possa honrá-lo como pai, para que possa ser livre para me tornar o
homem que tu queres que eu seja. Em nome de Jesus, amém.

Se o seu pai ainda está vivo e as circunstâncias permitirem, você precisa buscar reconciliação com
ele. Isso significa reconhecer diante dele que você pecou contra ele, e, se realmente o perdoou, sem exigir
que ele se arrependa dos pecados dele contra você. Se ele aceitar o seu perdão, será uma bênção. Se ele
não reconhecer que fez qualquer coisa que precise de perdão, Deus ainda assim irá ministrar em você. O
fardo da falta de perdão será retirado de você, e você será livre desta parte do seu passado.
Se o seu pai é falecido ou se a reconciliação é impossível, você ainda precisa se arrepender. Mas
então busque ser o filho de outro – seu Pai celestial. Depois de tornar-me um cristão, eu me relacionava
facilmente com Jesus, mas após experiências que eu atravessei e acabei de lhe contar, pude cada vez me
aproximar mais de Deus Pai. Tornou-se uma grande alegria a experiência de ser um filho, e de receber
toda a cura que veio com isto.
UMA FALSA IDENTIDADE

Na conversão, conforme nos é dito em Efésios 4:22-24, nós nos despimos de nossa velha e
corrupta natureza, com seus desejos enganosos, e nos revestimos da nova natureza, que reflete a justiça e
a santidade de Deus. Através da identificação com Jesus Cristo, esta é uma realidade espiritual para cada
um de nós. Um dia, seremos como Jesus; ele será nossa identidade plena. Mas, enquanto isso, em
diversas partes de nossa vida, a realidade da nova natureza ainda não é manifesta. Ao invés disso, fomos
capacitados a entrar em uma série de ‘despir’ e ‘revestir’. Houve um tempo em que estávamos presos em
nossos pecados de egoísmo e auto-proteção, mas agora, através do Espírito Santo, a mudança se tornou
possível. Embora ela envolva um esforço intenso, nós podemos nos despir – deixar para trás – as velhas
maneiras de lidar com a vida, e nos revestir – aceitar – novas maneiras, que são agradáveis a Deus e se
conformam à nossa nova natureza.
Este despir-se e revestir-se se aplicam a todos os aspectos de vencer a homossexualidade. É um
fator central na questão de crescimento.
O que nós estamos vestindo é algo evidente. Nós estamos nos revestindo de nossa
masculinidade, madura, confiante, piedosa, abundante. Nós estamos nos tornando o que nossa
verdadeira natureza nos chama para sermos, e o que nosso Senhor deseja que sejamos.
Mas do que estamos nos despojando? Talvez isto não seja tão óbvio. Se um ser humano
masculino não é um homem (ou um homem em processo), o que é ele? Ele é um menino. Se a sua
homossexualidade está enraizada em um problema de identidade, você pode quase ter certeza de que está
vivendo a partir do “menininho dentro de você”. Isso significa que, pelos critérios físicos, você aparenta
ser um homem, mas o garotinho que existe por dentro é quem manda, controla os seus sentimentos, e
impõe obstáculos quando você quer ir adiante em alguma direção. Muitas vezes, você sente que ele é o
seu verdadeiro ‘eu’.
Nos primeiros anos do meu processo de cura, eu me sentia como um menino na presença da
maioria dos homens, especialmente homens cristãos que pareciam confiantes e confortáveis em sua
masculinidade. Já ouvi muitos homens na luta contra a homossexualidade dizerem a mesma coisa. Ter
contato com homens, especialmente em grupinhos informais, trazia de volta o velho sentimento tão
poderoso e doloroso da infância: “Eu sou diferente”. E diferente sempre significava “menos que” ou
“inferior a”. Era algo que doía profundamente, e mesmo após tomar a decisão de sair da
homossexualidade, era debilitante. Sempre voltava, como um lembrete indesejado de que eu não estava
curado. Este é o lado negativo de ‘viver como garotinho’. Eu odiava, e queria me livrar disso.
Mas existe outro lado, um lado positivo, que talvez nós não queiramos abrir mão. Um menino é
dependente. Um menino só precisa proteger a si mesmo. Um menino possui desculpas para não precisar
fazer certas coisas. Ele pode evitar algumas das responsabilidades que vem com a masculinidade. Ver a si
mesmo como um menino pode ser confortável; tem suas vantagens.
(Antes de continuar com a ideia do garotinho interior, deixe-me especificar que não estou me
referindo à infantilidade positiva que irrompe de tempos em tempos em todos os homens saudáveis: o
espírito brincalhão, a jovialidade, a capacidade de ser despreocupado e de se divertir. Esta é uma marca
positiva, algo que a maioria das pessoas considera atrativa nos homens.)
Estou falando de uma infantilidade que reflete imaturidade emocional. Esta é uma parte
integrante da homossexualidade masculina. Nós a vemos expressada em musicais e peças de teatro da
comunidade gay. No homem que se veste de forma mais apropriada para um adolescente do que para um
homem de trinta e cinco anos, ou em um homem que tenta passar um ar de inocência infantil, essa
identidade persiste transparecendo. Ao olhar para um homem na comunidade gay, muitas vezes vemos
alguém que, em seus sentimentos mais profundos, não sente que é um homem. Ele sabe que não é uma
mulher, embora através do seu modo de vestir ou falar exagerado, ele possa se sentir parte do “grupo das
garotas”. Ele é, no fim das contas, um garotinho.
Olhe uma parada gay, e o que você verá são diversos homens comportando-se como
adolescentes. Você verá um exibicionismo imaturo, um narcisismo adolescente, e uma rebeldia infantil. A
tendência dos homens gays de dramatizar a tragédia de suas vidas, de passar a ideia de vítima, é uma
manifestação da imaturidade. Nenhum homem saudável quer ser uma vítima. A homossexualidade é, de
fato, o desenvolvimento interrompido.
Eu menciono estas coisas porque é importante para cada homem reconhecer a imaturidade
inerente à homossexualidade. A maioria de vocês, provavelmente, não fazia questão de alardear a sua
imaturidade, como descrevi aqui. Você provavelmente fez como eu: tentou agir e viver como um
homem, porém o tempo todo se sentindo como um garotinho, por dentro.
Claro, não se sentir ou não agir como um homem maduro não é domínio exclusivo dos
orientados ao homossexualismo. A nossa cultura destituída de pais está produzindo um vasto número de
homens heterossexuais imaturos, irresponsáveis, egoístas e tolos. Incapazes de controlar a si próprios, ou
de assumir responsabilidade pelo que fazem (o que é trágico para os seus filhos), eles demonstram uma
conduta e um estilo de vida pouco mais desejável do que os gays têm a apresentar.
Existe uma diferença, entretanto. Estes meninos heterossexuais parecem estar trancados no final
da adolescência. A maioria de nós travou na pré-adolescência. No que diz respeito à sua identidade, eles
atravessaram a puberdade; nós, não.
Nós nunca saberemos se Peter Pan era orientado homossexualmente ou não. J. M. Barrie não
está mais entre nós para dizer. Mas Peter Pan foi um menino que escolheu nunca crescer. Alguns anos
atrás, ele virou moda na psicologia popular, como modelo do homem que se recusava a agir como um
adulto. A síndrome de Peter Pan desapareceu da visão popular, como em geral acontece com essas
coisas, mas ele ainda é um modelo para o que estamos discutindo aqui.
Um garotinho está confortável. Um garotinho evita responsabilidades, porque responsabilidades
podem ser incômodas. Mas Deus nos deu responsabilidades. Para nós, como homens, ele deu a
responsabilidade primária de cuidar do seu jardim, de toda a criação. Ele nos fez em sua imagem, para ter
domínio sobre tudo que ele havia criado. Esta responsabilidade nos foi dada pelo próprio Deus. E
quando o pecado entrou no mundo, nós não fomos desobrigados dessa responsabilidade, mas nos foi
dito que cuidar do jardim, a partir daí, seria um trabalho muito mais duro. Originalmente, cuidar do
jardim deveria ser puro prazer. Mas após a Queda, o mundo natural, bem como a nossa natureza caída,
começaram a trabalhar contra nós. A responsabilidade se tornou um fardo – mas nós não fomos
aliviados dela. Nós, que escolhemos permanecer menininhos, decidimos escolher o conforto (ou evitar a
dor), ao invés de cumprir nosso chamado como homens e aceitar a responsabilidade dada por Deus.
Neste sentido a homossexualidade é uma rebelião contra Deus.
A responsabilidade brota a partir do amor. Nós assumimos a responsabilidade pela criação de
Deus por causa de nosso amor por ele. Nós assumimos responsabilidade pelas mulheres, crianças e
outros homens que precisam de nós, por causa de nosso amor por todos. É interessante que em 1
Coríntios 13, o grande tratado de Paulo a respeito do amor, termina com: “Quando eu era menino, falava
como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das
coisas próprias de menino” (1 Coríntios 13:11). Obediência a Deus exige que deixemos para trás a
infantilidade, que desistamos de viver de acordo com nosso garotinho interior.
Até agora, estivemos falando desse garotinho interior, mas agora queremos remover esse
garotinho de dentro de você e colocá-lo ao seu lado (não se preocupe, não haverá nenhuma cirurgia
radical). Evidentemente, ambas as figuras, do garotinho interior e ao seu lado, são metáforas criadas para
expressar verdades que são difíceis de expressar de outras formas. Homens, especialmente com a sua
habilidade de perceber as coisas visualmente, podem ser auxiliados por isso.
Leanne Payne, em Crise na Masculinidade, descreve a história de Ricardo, usando a figura de um
homem caminhando ao lado de si próprio. Essa imagem é apropriada, porque de certa forma o garotinho
é quase outra pessoa. Eu trabalhei com homens que sofriam com a dor que o seu próprio ‘garotinho’
passara, como se estivessem testemunhando a respeito de um sobrinho ou vizinho, que amavam muito, e
que estava passando por grande sofrimento.
Em minhas aulas nos grupos de apoio do Regeneração, eu disse que um homem pode assumir
certa responsabilidade por causa das decisões erradas que tomara quando criança, mesmo quando em
meio a circunstâncias extenuantes, situações de rejeição ou abuso que tornariam essas decisões
compreensíveis. Os homens sempre vinham para cima de mim, em defesa da criança. Apesar de terem
razões válidas e minha posição ser radical, o que eles estavam fazendo (embora não gostassem de
admitir) era pular para defender o seu próprio garotinho.
Para tornar-se um homem, você precisa desprender-se do garotinho. Talvez você seja um dos
homens para quem isso seja terrivelmente difícil. Você possui uma afeição genuína por ele, ou talvez ele
forneça o abrigo atrás do qual você pode evitar as duras exigências da masculinidade. Abrir mão dele é
doloroso e assustador, mas é necessário ‘despir-se’ antes de ‘revestir-se’. Não há lugar em você para o
menininho e o homem crescido ao mesmo tempo.
Assim como a maioria dos passos que damos em nossa vida como cristãos, será, em primeiro
lugar, algo entre você e Deus. Você precisa entregar o garotinho ao seu Pai celestial, assim como você
receberá sua masculinidade essencialmente do Pai celestial. Muita oração deve anteceder essa entrega.
Considere o custo daquilo que você está fazendo. Você está desistindo dessa compaixão por si mesmo.
Você está desistindo do direito de dizer ‘não’ quando as coisas masculinas são esperadas de você. Você
está desistindo da maneira que tinha de justificar o seu comportamento egoísta.
Considerar o custo significa experimentar um pouco da dor e da tristeza já agora, antes de entrar
no processo. Isto é importante, para que seja mais difícil que você mude de ideia e cancele o processo
mais tarde. Considerar o custo significa dizer a Deus: “Eu estou disposto a nunca, nunca, jamais voltar
àquele garotinho outra vez.” Sim, você pode falhar e se descobrir vivendo daquele garotinho às vezes,
mas esses fracassos não cancelam a decisão. Se ela foi firme, você pode se arrepender e voltar à estrada.
Em oração, Deus irá mostrá-lo quando e como você deverá deixar o garotinho. É bem provável
(se você pensa em figuras) que o processo terá uma qualidade física ou sacramental. Deixe-me
compartilhar com você um recurso espiritual que pode ajudá-lo a ver esta rendição como uma troca
santa. Imagine assim: Você e seu garotinho estão caminhando por uma estrada longa que atravessa uma
planície grande e plana. Ele está ao seu lado, segurando a sua mão. Você sente uma certa segurança com
ele do seu lado. Você está consciente de como se sente feliz com ele próximo de você. À distância, então,
você percebe uma figura que parece estar caminhando em sua direção. Conforme ele se aproxima, você
percebe que é Jesus. Depois de alguns momentos, ele está diante de você e do seu garotinho. Nenhuma
palavra é dita. Ele estende a mão, não para cumprimentá-lo, mas com o braço baixo e a palma da mão
para cima, com se fosse pegar algo. Você sabe o que esse gesto significa. Com o coração pesado,
parecendo dizer dentro de você “Não, não, não faça isso”, e com os olhos úmidos de lágrimas, você pega
a mão do garotinho e a põe na mão de Jesus. Então, nenhuma palavra é dita, conforme eles se viram e
começam a caminhar na estrada para longe de você, de mãos dadas.
Você fica parado ali, sentindo a tristeza invadi-lo. Você nunca se sentiu tão solitário, tão fraco, tão
nu. Seus olhos continuam fixos neles, o homem e o garotinho. Então, enquanto eles desaparecem de
vista completamente, você sente uma mão em seu ombro direito, uma mão firme e forte. O calor dela se
espalha por todo o seu corpo. Você nem ousa se virar, por que não quer que seja outra pessoa a não ser
ele. Então a mão se move rente às suas costas e descansa em seu ombro esquerdo. Agora, você resolve
olhar. Sim! É ele. É Jesus! Com um sorriso leve, um aceno da cabeça, e um toque do seu braço ao redor
de suas costas, ele simplesmente diz: “Vamos”. Você e ele começam a caminhar estrada adiante, juntos.
O que aconteceu com o garotinho? Eu não sei. Talvez você descubra imediatamente, ou Deus
revele mais tarde. Se houve algum tipo de trauma em sua vida, como abuso sexual, rejeição severa, ou
uma experiência de humilhação devastadora, estou certo que Jesus está curando o seu garotinho dos
efeitos desta experiência.
Eu não tive nenhum trauma que possa lembrar, mas, seja qual for a razão, carreguei boa parte de
minha vida um profundo senso de sentir-me sem valor. Alguns anos atrás, em minha experiência mais
vívida de cura, o Espírito Santo me levou de volta a quando eu tinha quatro ou cinco anos, e me deu a
imagem de Jesus me carregando ao redor do quarteirão onde vivia, o quarteirão que era praticamente o
mundo que eu conhecia. Nós fomos até a farmácia na esquina, e até a barbearia. Fomos nas casas de
alguns antigos amigos. Ele me segurava alto, como se tivesse orgulho de mim e quisesse que todos me
vissem. Eu me senti muito valorizado. Este homem era Jesus, e ele estava me carregando ao redor do
quarteirão. Depois disso, ele me levou para minha própria casa. Acabou aí. Foi algo simples, mas acredito
que neste momento, Deus estava curando o garotinho em mim, dando-me um indício do valor próprio
que iria crescer e crescer nos anos seguintes.
Quando eu tentei imaginar em figuras o que acontece quando abrimos mão do garotinho, não é
de surpreender que o primeiro pensamento que me veio à mente foi o de Abraão colocando o seu filho
Isaque no altar como sacrifício e prova da fé de Abraão (Gênesis 22). Não há melhor figura para a forma
como somos chamados a oferecer os nossos bens mais preciosos – nossos ídolos e pecados – ao Senhor.
Mas, de alguma forma, é diferente. Quando colocamos nossos ídolos e pecados no altar, como Abraão
fez com Isaque, sabemos que eles nunca nos serão dados de volta. Não é assim que acontece com o
nosso garotinho.
Deus quer que você saiba que ele lhe devolverá o garotinho. Um tipo diferente de cirurgia
acontecerá, e o garotinho será colocado dentro de você, mas não para que ele seja a criança pela qual
você viverá a sua vida. Desta vez, com a estrutura existente de sua masculinidade, você sentirá o
garotinho começar a crescer. O garotinho curado, que agora pertence a Deus, irá crescer, e preencher
seus braços, pernas e tronco. O garotinho interior e o homem exterior irão começar a se unir, até que
sejam um ser sólido e único, criado na imagem de Deus. Cada parte de sua masculinidade que esteve
crescendo por toda a sua vida, e o menino amadurecido e redimido, irão se juntar. Você terá se revestido
da masculinidade plena.

DEIXANDO A IDENTIDADE HOMOSSEXUAL

Uma das coisas que eu aprendi em minha primeira conferência do Exodus, há mais de vinte anos,
foi que ninguém que está na luta deveria rotular a si mesmo como homossexual. Em outras palavras,
homossexual não dever usado como substantivo. Pode até ser um adjetivo como um “homem
homossexual” ou “ele é homossexual”. Mas não como substantivo. Eu compreendo a razão para isso.
Quem quer definir a si mesmo pela forma particular de algo que está quebrado? O que esses homens
estão querendo é deixar para trás o ser homossexual, então por que perpetuar a identidade chamando a si
próprios por esse nome?
Mais tarde, entretanto, eu percebi que não chamar a nós mesmos de homossexuais – e não pensar
em nós mesmos como homossexuais – é mais do que uma questão de escolha ou estratégia; é uma
questão de verdade é lógica. A homossexualidade trata dos sentimentos e comportamentos de uma
pessoa, e não de quem ele ou ela é. Deixe-me ilustrar isto com um pequeno diálogo:
João: Pai, eu acho que sou um homossexual.
Pai: João, por que você acha isso?
João: Porque sou atraído emocionalmente e sexualmente por homens, e não por mulheres.
Pai: Por que você acha que é atraído por homens?
João: Porque sou um homossexual.
Eu desafio a qualquer um a dar um resposta melhor do que João para a pergunta de porque ele
pensa que é homossexual. Por mais que a comunidade gay e seus apoiadores tentem, ninguém consegue
definir uma pessoa como homossexual por qualquer outra coisa que não sejam suas atrações sexuais e
comportamento. Se houvesse alguma diferença psicológica amplamente reconhecida entre os homens
homossexuais e heterossexuais, João poderia usar isto como razão. Mas não há, e portanto nós
precisamos ficar com o conceito de que a homossexualidade define o que alguém sente e faz; e não quem
a pessoa é.
Você pode concordar com isto, mas ainda achar que largar da identidade homossexual é um
processo longo e difícil. Para muitos homens, ser gay ou homossexual tem sido o filtro através do qual
eles tem vivido as suas vidas inteiras. Se eles tiveram uma experiência de “sair do armário”, na qual
pararam de odiar a si próprios e se livraram da vergonha para aceitar a si próprios como gays, a
identidade pode ter trazido junto consigo sentimentos tremendos de liberdade e alívio. E se você não
sente que é um homem, o que você é então? A maioria dos homens terá de trabalhar bastante para
remover a identidade sexual do seu íntimo. Mas é algo que pode ser feito.
Uma coisa que apóia a ideia que a pessoa pode largar da identidade homossexual é o fato de que,
por milhares de anos, a homossexualidade não foi uma identidade. Mesmo antes dos tempos bíblicos, as
pessoas conheciam o comportamento homossexual, e certamente muitos sabiam que algumas pessoas
possuíam atração sexual exclusivamente por pessoas do mesmo sexo. Mas até o século XIX, a palavra
homossexual nem existia. Havia palavras para o comportamento, mas nenhuma para a condição, e
certamente ninguém era chamado de homossexual. Então, por mais difícil que pareça, podemos viver no
mundo real sem acreditar que qualquer pessoa seja homossexual. Na verdade, a realidade é distorcida
quando as atrações se tornam uma identidade.
A identidade homossexual ou gay foi promovida, pela primeira vez, pela comunidade psiquiátrica,
para dar legitimidade a certos sentimentos e comportamentos. Mais recentemente, o movimento político
gay dos últimos 20 anos tem sido essencialmente um esforço para dar uma identidade às pessoas que
sentem atrações pelo mesmo sexo, e para difundir um reconhecimento social desta identidade. O sucesso
deles com esta mudança na cultura torna mais difícil, mesmo para nós, não pensar na homossexualidade
como uma identidade. Mas nós podemos mudar nossa forma de pensar. Aqui estão algumas sugestões
que podem ajudar:
1. O primeiro passo para um raciocínio claro é começar a distinguir entre ser gay e ser
homossexual. O Dr. Joseph Nicolosi escreve a respeito de pessoas homossexuais, mas não
gays, que possuem sentimentos homossexuais, mas escolhem não se identificar com o
movimento gay. Esta distinção já restringe o sentido de ‘homossexual’, removendo os laços
culturais que tendem a fazer das pessoas homossexuais uma raça separada.
2. Em seu próprio processo de pensamento, tente conscientemente abandonar a divisão da
humanidade em heterossexuais e homossexuais. Em seu pensamento e naquilo que você fala,
tente resistir a fazer esta distinção e pare de usar homossexual como uma identidade. Isso
pode parecer estranho no começo, mas com o tempo se tornará natural. (Eu creio que não
usei nenhuma vez a palavra homossexual como substantivo neste livro. Não foi algo difícil de
fazer.)
3. Liste, com cuidado e precisão, os problemas que o impedem de funcionar como homem de
acordo com o plano de Deus para sua vida. Estes podem incluir atrações pelo mesmo sexo,
falta de atração pelo sexo oposto, sentimentos de inadequação em meio aos outros homens,
masturbação compulsiva, o desejo de pertencer a outro homem, e qualquer outra coisa que
seja real em sua condição específica. Estes, ou outros parecidos, são seus problemas, não é
você que é homossexual.
Usar esta abordagem não é reprimir a verdade. Eu não estou sugerindo que você negue os
problemas reais que está enfrentando. Ser atraído por homens ao invés de mulheres é um grande
problema, e não deve ser desconsiderado ou diminuído por ninguém. Mas os problemas não devem
determinar quem você é. Ironicamente, a repressão da verdade acontece quando uma pessoa diz que
essas atrações, desejos, e comportamento compulsivo não são problemas – porque ele é um
homossexual.
O que temos aqui não é um debate de semântica. Isto é algo que faz, sim, diferença. Agarrar-se
em uma identidade homossexual irá prejudicar o seu crescimento. Tornará mais fácil de aceitar falsos
ensinamentos. A pecaminosidade intrínseca do comportamento homossexual pode ser questionada.
“Talvez não seja o melhor que Deus tem, mas como poderia ele me condenar por agir de acordo com
quem eu sou?” Aceitar a identidade homossexual limita a vida e suas opções. Haverá uma identificação
mais forte com a comunidade homossexual, possivelmente afastando-se dos outros 95% da humanidade.
O que estou dizendo pode também aplicar-se a manter uma identidade de ‘ex-gay’. Agarrar-se a uma
identidade desse tipo torna a mudança menos provável. Parece ser muito mais difícil mudar o que você é
do que aquilo que você faz ou sente.
Você é um homem. Você não é um homossexual. Agarre-se a esta verdade. Lute por ela. Saber
desta verdade será um parte importante de seu amadurecimento na masculinidade.
13

você é aceito
Quando comecei a escrever esse livro, me perguntava como poderia escrever algo tão focado na
mudança, sem soar como um pai exageradamente crítico. “Faça isso, faça aquilo, ponha as coisas em
ordem!” Muitos leitores conhecem pais assim. Mas nós também conhecemos pais bons, para quem
debaixo das críticas e correções, além dos conselhos e do estímulo para fazer melhor, existe uma
aceitação amorosa do filho que está sendo chamado a crescer e mudar. Na verdade, nós podemos ver
que é o amor de um pai pelo seu filho que o faz desejar ver o seu filho se tornar tudo o que ele pode ser.
Nós – você e eu – temos um Pai perfeito, ele quer que nós cresçamos e mudemos. Mas, ainda mais do
que o melhor pai terreno que exista, ele nos ama assim como somos. A nossa percepção desse amor e
aceitação são essenciais para termos a esperança e a força que precisamos para nos conduzir pela difícil
estrada para a masculinidade.

UMA OBRA EM CONSTRUÇÃO

Da perspectiva de quase qualquer um que não seja familiar com os ministérios Exodus, a minha
profissão – ajudar homens e mulheres a superarem a homossexualidade – é uma profissão estranha.
Quando alguém me pergunta o que faço da vida, e eu respondo, normalmente há uma pausa. Eu
presumo que eles estão se perguntando se eu também fui homossexual, mas estão com medo de
perguntar. Em geral, eles tentam sair do silêncio embaraçoso sem serem invasivos, perguntando: “Como
você começou nesta área?” Com curiosidade genuína a respeito do meu passado, mas assumindo que eles
vão receber uma resposta relativa à minha formação, talvez em psicologia ou na área ministerial, eles
realmente não sabem o que dizer quando respondo: “Eu sou formado em contábeis, um contador
certificado.” Depois de desfrutar da consternação deles por um minuto, eu quebro o gelo, em tom de
brincadeira: “Obviamente, isto me qualifica para lidar com os problemas sexuais e emocionais mais
profundos das pessoas.” Com o fim desta brincadeira, se eles estão dispostos, podemos começar uma
discussão mais séria.
A minha formação contábil não rendeu muitos benefícios na segunda parte de minha vida, talvez
com exceção de manter um belo conjunto de livros contábeis para o Regeneração. Então, é com algum
entusiasmo que uso um princípio contábil para explicar uma questão central deste capítulo.
Uma das coisas que você aprende no primeiro ano de contabilidade é que uma indústria possui
três tipos de registro de estoques, e cada um deve ser medido separadamente: matéria-prima, produtos
em elaboração, e produtos acabados. Se a empresa for fabricante de cadeiras, sua matéria-prima seria
madeira, parafusos, cola, tinta e verniz. Os produtos em elaboração incluiriam pedaços de madeira
cortados no formato mas ainda não encaixados, cadeiras já montadas mas ainda não pintadas nem
envernizadas, e assim por diante. Os produtos acabados, é claro, seriam as cadeiras prontas que estão
prontas para ser remetidas aos revendedores. Diversos fatores estão envolvidos na transformação da
matéria-prima nas cadeiras prontas. Precisa haver um plano ou projeto, trabalho e mão-de-obra
precisarão ser despendidos, e o processo levará algum tempo.
A analogia com o nosso crescimento na masculinidade já deve estar clara para você. Nós
chegamos neste mundo com a matéria-prima para nos tornar homens. Deus projetou o produto final, e
ele tem um plano para completá-lo. Formar o homem certamente envolverá esforço, e levará tempo.
Eu não havia pensado nesta analogia até depois de sair da homossexualidade e retomar a minha
jornada rumo à masculinidade, mas ler Crise na Masculinidade me ajudou a perceber como eu estava
seguindo um caminho similar ao da cadeira na fábrica de cadeiras. Eu não conseguia fazer todas as coisas
que sentia que devia fazer, principalmente como marido e pai, porque o lado masculino da minha
personalidade não havia se desenvolvido plenamente. Eu não estava na coluna dos produtos acabados.
Compreender isto, através do livro de Leanne Payne, foi como um salva-vidas atirado a um homem se
afogando. A formação de um homem é um processo longo e complicado, e em algum momento eu saí
do caminho, parando o processo. Mas ele podia ser retomado, e enquanto isso, eu podia ser paciente
comigo mesmo.
Toda a matéria-prima está à mão. Mesmo que você seja pequeno, fraco e sensível, você possui a
matéria-prima necessária para a masculinidade. Cada célula em seu corpo carrega os cromossomos de um
homem, você possui órgãos genitais, em certa medida você possui a relação gordura/músculo, você
possui um cérebro diferente. Certo de que suas partes estão completas e prontas para ser colocadas no
produto final, você tem tudo que é necessário para ser um homem.
Na verdade, hoje você é muito mais do que apenas matéria-prima. O tempo, treinamento e as
experiências já o fizeram amadurecer em diversas formas. Mas você não é um produto pronto, o homem
completo que quer ser, o que você crê que Deus o chamou para ser. Você é um homem em elaboração,
uma obra em construção.
Não há problema em ser um homem em construção. Considerando tudo o que já aconteceu,
Deus se alegra com o fato de que você seja um homem em construção. Isso é tudo que ele quer para
você hoje. Esta frase, considerando tudo o que já aconteceu, é importante, porque o passado é imutável. Não há
nada que você possa fazer a respeito. Por isso, Deus nos chama a viver o presente. Podem haver alguns
fatores que tornaram o seu crescimento muito devagar, até mesmo parado, mas eles estão no passado.
Nada pode ser feito com eles. Ficar se remoendo e lamentando não vai mudar nada, e pode até ser
prejudicial, se distraí-lo daquilo que você tem que fazer. Você é quem você é hoje, e Deus o aceita como
você é – um homem em construção, sendo formado de acordo com o plano dele.
Quando Estevão tinha cinco anos, eu me alegrava em vê-lo como um garoto de cinco anos. Eu
não creio que alguém poderia ter tanta satisfação nele quanto eu, mas é claro que eu não queria que ele
permanecesse com cinco anos; eu queria que ele crescesse. O mesmo era verdade quando ele tinha 8
anos, e depois quando ele fez 15. Eu o amava e aceitava como estava, mas não queria que permanecesse
para sempre daquela forma.
Se eu, um pai imperfeito, podia ser assim com Estevão, quanto mais o nosso pai celestial perfeito
conosco? O mais importante para mim em Estevão não era tanto que ele havia chegado a determinado
ponto, mas se ele estava ou não crescendo. Um Deus que aceita a cada um de nós como estamos
certamente se sente da mesma forma. Ele nos aceita aqui, e nos ama aqui, mas o desejo do coração dele é
que avancemos.
Deixe que o conhecimento do amor e aceitação do Pai por você, assim como você está, seja o
ponto de partida para sua jornada rumo à masculinidade. Mas lembre-se de que o desejo mais profundo
do Pai é que você seja um homem em construção, não que você permaneça onde está. Este amor e
aceitação são totalmente compatíveis com o desejo pela mudança. O amor dele por nós faz com que ele
deseje que nós amadureçamos na plenitude de nossa masculinidade. Sem um conhecimento profundo da
aceitação de Deus, a jornada de libertação da homossexualidade pode ser difícil demais para nós, os
obstáculos grandes demais, a estrada longa demais, os esforços dolorosos demais. Então, continue
retornando à verdade do amor de Deus.
Algumas palavras de Lutero –ditas a homens de todos os tipos de condições – podem ser úteis
aqui:
‘Esta vida, portanto, não é retidão, mas crescimento na retidão, não é ser, mas se tornar, não é
descanso, mas exercício. Nós ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo em direção a isso.
O processo ainda não acabou, mas está acontecendo. Este não é o fim, mas a estrada. Nem tudo ainda
brilha em glória, mas tudo está sendo purificado.’

VOCÊ É ÚNICO

Agora você pode estar se perguntando: “Certo, mas aceitando que sou um trabalho em
construção, como será produto acabado? O que estou me tornando?” Você está se tornando um homem
distinto que qualquer homem que já viveu.
Como isso pode ajudá-lo a se encaixar no mundo dos homens? É algo bom? Sim, é bom porque
o ser único é parte do plano de Deus; não é um acidente. Deus ama a diversidade. Depois de criar cada
parte da criação, ele disse que era tudo muito bom, e ele havia criado literalmente milhares de espécies de
plantas, animais, insetos, aves e peixes – nenhum igual ao outro. Deus ama a diversidade, e o fato de que
você é diferente de qualquer outro homem que já existiu reflete este desejo dele para a criação.
Você é livre para ser quem você é. Mas a liberdade floresce quando habita dentro de certos
limites. A anarquia não traz liberdade; ela causa o caos. Deus estabeleceu um enquadramento, dentro do
qual nós devemos existir como homens. Os outros homens respeitam este enquadramento, portanto,
para ser aceito no mundo deles, você terá de conformar-se a certos comportamentos. Mas, uma vez, no
mundo dos homens, você descobrirá que o fato de ser único é o que o torna interessante fascinante a
eles. Ninguém está procurando por clones. Homens proeminentes são assim porque têm a coragem de
ser diferentes.
Algo maravilhoso começará a acontecer com você, conforme caminha pela estrada rumo à
masculinidade. Ao desenvolver suas qualidades masculinas – conforme você adquire iniciativa ao invés de
apenas responder, e ganha liberdade para focar para fora ao invés de para dentro, e se torna alguém que
luta pela verdade – todas as pressões que o forçavam à conformidade, no passado, irão enfraquecer.
Quanto mais forte você se torna, mas liberdade você sente para ser o homem que você realmente é.
O que temos aqui é semelhante ao que C. S. Lewis descreveu que acontece ao homem que se
torna mais semelhante a Cristo. “Quanto mais nós tiramos aquilo do que chamamos de ‘eu’ do caminho
e deixamos que ele tome conta, mais nós nos tornamos mais verdadeiramente nós mesmos.” Quanto
mais você se torna o homem que Deus o planejou para ser, mas único você é.

PARA AQUELES NO LADO ESQUERDO DA CURVA

Eu frequentemente me maravilho com como Deus me trouxe longe em meu amadurecimento na


masculinidade ao longo dos anos, desde que comecei a jornada. Mas ainda não sou um Arnold
Schwarzenegger, e nunca serei. E se eu tentasse ser, além de parecer ridículo, eu não creio que estaria
agradando a Deus.
Eu me encaixo no lado mais esquerdo em algumas dessas curvas de distribuição que falamos, e
em alguns aspectos isso nunca vai mudar. É a forma que Deus me fez. Parte do plano dele para mim é
que eu manifestaria mais de algumas qualidades femininas, e menos de algumas masculinas. Isso é parte
do que me faz único, mas não me torna menos homem.
Sy Rogers é um dos líderes mais conhecidos da rede Exodus International. Ele já palestrou no
mundo inteiro a respeito da vitória sobre a homossexualidade. Por alguns anos, Sy viveu como se fosse
mulher, e ele tinha características que permitiam que o fizesse de forma bem convincente. Agora anos
depois da conversão e da cura, Sy ainda tem algumas características femininas. Elas são perceptíveis
quando você o ouve falar da primeira vez, mas após ouvi-lo por alguns minutos, você percebe que essas
características desaparecem de vista. A genuína masculinidade de Sy – algo que agora habita em seu
interior – começa a emanar com poder e autoridade.
Depois de usar barba por dez anos, certo dia, sem contar à minha esposa, eu raspei tudo. Quando
entrei na sala onde Willa estava, ela olhou para mim e disse; “O que você fez? Por que está com esse
sorriso bobo na cara?” Ela nem percebeu que eu havia raspado a barba. Quando nós conhecemos
alguém, nós olhamos além da aparência e dos maneirismos; nós vemos a verdadeira pessoa que existe por
dentro. Você pode nunca ser um Arnold Schwarzenegger, até longe disso, mas aqueles que conhecerem
você verão o homem interior. E você saberá que ele está lá. O homem interior está sendo formado, e irá
brilhar para todos verem.
14

relacionando-se com mulheres


Uma mulher é uma criatura gloriosa. Ela foi criada à imagem de Deus, e reflete de forma única o
lado feminino eterno de Deus. Ela tem valor idêntico ao homem. Apesar de sua natureza ser responsiva
ao homem, o valor essencial dela vem de Deus, não do homem. Tanto quanto a mulher precisa do
homem, o homem precisa da mulher. Ela, ao contrário do homem, é quem dá a luz à vida.
Em um livro tão focado na masculinidade, e direcionado a leitores que podem ter um foco
excessivo no masculino, eu estou mencionando estas verdades apenas para dar alguma perspectiva no
assunto. Apesar de eu considerar mulheres como objetos potenciais de nossas atrações e afeições, de
forma alguma devemos ter um quadro de referência que vê o homem como sujeito e a mulher como
objeto. Uma mulher tem sua glória e valor totalmente à parte do homem.
O propósito deste capítulo é oferecer ao homem lutando para crescer uma visão saudável,
heterossexual da mulher, que enxerga a mulher como o “outro” – seu maravilhoso complemento –
primeiramente nas mulheres em geral, e então na mulher específica que Deus pode trazer para ser sua
esposa. Mas primeiro, assim como com muitas outras coisas, você pode precisar limpar os resíduos do
seu passado. As suas decisões e experiências com mulheres, especialmente sua mãe, podem tê-lo deixado
com sentimentos e atitudes que o impedem de entrar em relacionamentos saudáveis com mulheres, ou
que irão sabotar tentativas de relacionamentos.
Eu irei falar sobre três tópicos: problemas com mulheres comuns entre homens lutando com a
homossexualidade, largando nossas mães, e o assunto mais amplo de relacionamentos com mulheres.

PROBLEMAS DO PASSADO COM MULHERES

Nós não temos como tratar a respeito da resolução de problemas com mulheres profundamente
enraizados, mas essas questões precisam ser citadas aqui porque se estiverem presentes, invariavelmente
acabarão bloqueando o crescimento de um homem para a masculinidade heterossexual. Se, após meditar
e orar, você concluir que algum dos problemas mencionados aqui faz parte de sua vida, busque
aconselhamento cristão e oração. Eles podem ser resolvidos, e quando isso acontecer, imensos
obstáculos ao crescimento vão se desfazer. Aqui estão os mais comuns:

1. O homem ainda está ligado à sua mãe. Esses homens nunca atravessaram completamente o estágio
de separação de suas mães, ou, mais provavelmente, eles foram atrás do pai, e, vendo-o indiferente,
retiraram-se à segurança da mãe, reatando os laços com ela. Para esses homens, os valores da mãe são os
mesmos dele, os sentimentos dela são os dele, os gostos dela são os dele. Esse homem pode ser solícito
com as mulheres; ele pode agradar muitas delas, pois é muito compreensivo do que elas sentem, muito
sensível em relação às necessidades delas. Na verdade, este tipo de homem pode atrair de forma especial
certos tipos de mulheres, que têm problemas com os homens verdadeiramente masculinos ou com a
sexualidade masculina. Ele pode ser efeminado, ou se não for, certas coisas ‘masculinas’ – como barro,
suor e serras elétricas – lhe parecem bastante desagradáveis. Um homem assim pode ter dificuldade de
ver uma mulher de qualquer outra forma que não seja sua mãe.
A maioria dos homens, se este laço pouco saudável existe, pode reconhecê-lo, quando apontado.
Romper este laço é, para o homem adulto, acima de tudo, algo espiritual. É feito em oração e sob a
orientação do Espírito Santo. Eu recomendo buscar orientação espiritual através de um conselheiro
cristão, ou através dos livros de Leanne Payne e de outros.

2. Aos olhos do homem, as mulheres não têm valor. Este é o outro extremo da escala do homem que se
identifica demais com as mulheres. Este homem combina idolatria aos homens com um desprezo quase
total pelas mulheres e pelo feminino. Há uma palavra boa e simples para esta atitude: pecado. Desvalorizar
metade da humanidade feita à imagem de Deus é pecado. A solução é arrependimento. Isto pode ser
facilitado através da meditação nos Evangelhos dos encontros que Jesus teve com mulheres, prestando
atenção em como ele as respeitou, honrou, amou e protegeu. Então, o homem precisa orar para que
Deus mude o seu coração.

3. O homem tem raiva das mulheres. Esse homem frequentemente reprime a sua raiva, cujas raízes
podem estar relacionadas a aceitar os desejos de uma mãe dominadora. O homem típico que manifesta
isto foi um “bom menino”, sempre fazendo aquilo que sua mãe queria, mas por dentro, começou a ser
revoltar. O seu anseio masculino de ser livre e independente lutava pelo controle do seu caráter, contra o
garoto bonzinho que a mãe sempre afirmava. A metade que queria agradar as pessoas em geral acabava
vencendo, no fim. Vivendo a sua imagem de garoto bonzinho, ele nem reconhecia para si próprio a raiva
que sentia em relação à mãe.
Quando há raiva da mãe, negar o problema parece ser a norma entre os homens lutando contra a
homossexualidade. Procure pelos sintomas em si mesmo. Um dos sintomas é experimentar uma raiva
despropositada quando qualquer mulher lhe diz o que fazer, ou mesmo sugere o que você poderia fazer.
Outro sintoma é um padrão de terminar relacionamentos com mulheres regularmente, em geral porque
“ela mudou” ou porque “eu não sabia disto a respeito dela”. Se você suspeita que pode estar carregando
esta raiva reprimida, e você tem um amigo do tipo que fala a verdade com você, pergunte para ele/ela se
vê isto em você. Muitas vezes é algo óbvio às outras pessoas.
Você não deixa esses problemas para trás apenas com o tempo. Eles requerem cura, ou
arrependimento, ou ambos. Se você reconhecer esses problemas em si, os canais comuns para a cura são
livros e aconselhamento. O melhor auxílio em geral será dado por um profissional que incorpore a
oração como parte central do seu aconselhamento.
SOLTANDO-SE DE NOSSAS MÃES

Antes nós falamos sobre soltar-se de nossos pais, salientando a necessidade de reconhecer e
arrepender-se de qualquer papel que tenhamos tido no fato de não termos um relacionamento com
nossos pais. Nós falamos sobre como é essencial perdoá-los, para nossa própria cura. Agora vamos fazer
o mesmo com as nossas mães. Assim como com os pais, o que é dito aqui pode não se aplicar a casos
extremos – à mãe altamente manipulativa, extremamente controladora, ou que fez do seu filho um
marido substituto – e sim à mãe que cometeu falhas humanas, especialmente as que são comuns em
situações familiares nas quais há um filho homossexual. Assim como com os pais, usarei a minha história
para descrever como a forma que eu enxergava minha mãe mudou, para tentar talvez colocar sua mãe
sob uma nova luz.
Havia uma canção popular sertaneja uns anos atrás que dizia algo assim: “Pai, você foi uma mãe
pra mim”. O cantor estava agradecendo ao pai por cumprir o papel de mãe, depois que ela morreu.
Muitos de nós, entretanto, poderíamos cantar: “Mãe, você foi um pai para mim.” Nós poderíamos cantar
como elogio ou como condenação. Muitos de nós não perderam os seus pais para a morte, mas eles não
estavam lá para nós de muitas formas importantes, e às vezes foi a mãe que teve de substituir. Minha mãe
se ajusta a este quadro.
Minha mãe teve uma vida difícil. Ela crescera na Inglaterra, filha de pais que pensavam que os
filhos existiam completamente para o benefício deles. Ela foi obrigada a abandonar a escola cedo, para
trabalhar a fim de trazer mais dinheiro para casa, um dinheiro que não era realmente necessário. Ela
serviu na Força Aérea Real Feminina na Primeira Guerra Mundial, e depois da guerra, por lealdade aos
seus pais, rompeu seu noivado com um bonito oficial do Exército Britânico, para migrar para os Estados
Unidos com eles. Neste novo país, demorou até que ela encontrasse um marido. Então, não muitos anos
após o casamento, a doença mental do meu pai começou.
Minha mãe definitivamente era a figura forte de nossa casa. Ela tomava a maioria das decisões
importantes, e era ela que educava e disciplinava o meu irmão e eu. Ela era “dominante”, ou estava
simplesmente cumprindo com responsabilidades onde havia um vazio? Ao aconselhar esposas em nosso
ministério, nós lutamos com essa questão. Se um marido não cumpre com o papel que lhe foi dado por
Deus em sua família, a esposa deve tentar realizar o que está faltando, ou dar um passo atrás e deixar as
coisas desmoronarem, com a esperança de que o marido perceba e cumpra com o seu papel? Talvez não
haja uma resposta universal a esta questão, mas eu sou grato que minha mãe resolveu fazer algo.
Muitas das orientações de minha mãe vieram a mim a partir das citações favoritas dela da Bíblia e
de Shakespeare. (Apenas anos depois, quando me tornei cristão e não encontrei muitas das citações na
Bíblia, assumi que a maioria delas era de Shakespeare.) Uma das suas favoritas não veio de nenhum dos
dois, mas do Almirante Nelson, um oficial britânico: “O que a Inglaterra espera de cada homem é que
cumpra o seu dever.” Eu a lembrava de que ela era uma mulher, e eu era norte-americano, mas de alguma
forma isto me contagiou com um forte senso de dever. Na verdade, a maioria dos atributos bons que eu
levei para a vida adulta vieram a partir da orientação de minha mãe, que incluía essas benditas citações.
Eu não me importava que ela tivesse esse papel, na época. Sei disso porque uma das minhas
canções favoritas quando eu tinha uns 10 ou 12 anos era “Meu Filho” (My Son), da cantora inglesa Vera
Lynn. Eu gostava tanto que comprei o disco. Um dos versos que Vera cantava em sua voz encorpada e
maternal, era: “Meu filho, meu filho, faça o melhor que puder, e você descobrirá que pode encarar a vida
como um homem.” Era a voz de minha mãe que eu ouvia naquela canção, e eu valorizava isso. Como a
maioria dos meninos, eu queria muito orientação e direção, e agradeço a Deus que, quando meu pai não
podia dá-las, minha mãe fez o melhor que podia.
Olhando para trás, posso ver que, quando as coisas estavam realmente mal em casa, minha mãe
eventualmente derramava o seu coração para mim. Ela não poderia ter feito de outra forma. Eu conheço
bem as tentações de tentar ganhar um pouco de simpatia dos filhos, quando fico chateado com minha
esposa.
A maioria dos pais gostaria de ter feito algumas coisas de forma diferente com seus filhos. Willa e
eu certamente nos sentimos assim com nossos três filhos. Todos nós cometemos erros. Vamos dar para
nossos pais a mesma graça que gostaríamos que nos fosse dada.
Em nosso mundo de psicologia popular, é fácil pegar memórias de nossa infância, filtrá-las
através das teorias psicológicas atuais e inventar todo tipo de traumas – traumas que às vezes nunca
aconteceram. Ore seriamente a respeito isso. Talvez sua mãe tenha tido mais influência do que deveria, e
como a minha mãe, em sua aflição, ter feito de você o confidente dela, um papel que não deveria ser seu.
Se isto aconteceu, considere fazer uma oração desse tipo:

Pai Celestial, eu te agradeço por minha mãe, a mulher que escolheste me dar. Eu te agradeço
pelo amor, carinho e cuidado com que ela me criou. Se eu falhei ou a usei de alguma forma,
mostra-me isso. Se aconteceu assim, eu me arrependo destes pecados. Pai, eu perdôo ela por
quaisquer formas em que ela fracassou ou me usou, e a coloco em tuas mãos. Peço que eu seja
capaz de amá-la e honrá-la. Abençoa-a, Senhor. No nome de Jesus, amém.

Como é saudável ter um coração grato, ao invés de ser uma vítima para sempre. Se a sua mãe
ainda está viva, você pode encontrar ótimas oportunidades para exercitar sua masculinidade na vida dela.
Você já não é mais o menininho dela, mesmo que ela pense que você seja, mas é agora um homem
importante na vida dela. Pode ser uma grande bênção na vida de vocês dois, se você encontrar formas de
ser o iniciador, o protetor, e quem fala a verdade no relacionamento de vocês.

RELACIONANDO-SE COM MULHERES EM GERAL

Estranhamente, homens homossexuais estão frequentemente entre os piores ‘usuários’ de


mulheres. Eu digo isso apesar do fato que, para a maioria dos homens solteiros homossexuais que
chegam ao Regeneração, o seu melhor amigo é uma mulher. Eles são ‘usuários’ de mulheres porque em
muitos desses relacionamentos, em um nível emocional, a mulher dá ao homem, mas o homem não tem
nada para dar em retorno. Eu não diminuo o valor da amizade, mas já percebi muitas vezes que os
homens homossexuais não conseguem atender às necessidades emocionais das mulheres, sendo na
maioria das vezes completamente indiferentes a elas.
As mulheres são um mistério para os homens, e, em menor extensão, os homens são um
mistérios para as mulheres. Mas em um relacionamento de duas pessoas heterossexualmente orientadas,
existe uma complementaridade natural entre o masculino dele e o feminino dela, que cobre boa parte dos
problemas enquanto o homem e a mulher ainda estão descobrindo um ao outro. Um homem com um
passado homossexual, entretanto, que tem falta de um lado masculino bem desenvolvido, não pode
confiar nesta complementaridade natural. O relacionamento dele com uma mulher terá de ser, ao menos
nos primeiros anos de cura, algo mais intencional e consciente.
Para o homem saindo da homossexualidade e amadurecendo na masculinidade, haverá duas
questões principais a tratar: a forma como ele se relaciona com as mulheres em geral, e sua capacidade de
amar uma mulher específica, de forma a envolver tanto os sentimentos românticos como o desejo sexual.
A mudança em ambas as maneiras de se relacionar ocorrerá conforme a masculinidade dele se
desenvolve, e a mulher se torna mais e mais o “outro”. Mas isto não acontecerá automaticamente; então,
ele deve esperar ter de colocar um bom esforço no processo.
Até certo ponto, relacionar-se com as mulheres como homem pode ser considerado uma das
coisas que os homens fazem, e portanto pode aumentar o senso de masculinidade do homem.
Entretanto, esta é uma área em que temos de tomar um grande cuidado. É algo que beira a usar a mulher,
e pode causar grandes danos a ela. Muitos homens homossexuais começaram a namorar mulheres como
parte do seu processo de cura, ou apenas para ver o que aconteceria, e o que para eles era apenas uma
forma de terapia acabou se tornando um imenso investimento emocional para a mulher, com trágicas
consequências. Por outro lado, o homem deixando a homossexualidade pode precisar forçar a si próprio,
pois pode nunca vir a apreciar ou desejar uma mulher até que tenha começado a relacionar-se com uma,
de uma forma que envolva intimidade. A palavra-chave aqui é prudência. Seja prudente e sempre busque
colocar os interesses dela acima dos seus. Isso significa contar para ela a verdade a respeito de você antes
que um relacionamento mais profundo tenha se desenvolvido. É isto que um homem faz.
Quanto à primeira questão, como você se relaciona com mulheres em geral, uma vez que você
lidou com os ‘resíduos’ que discutimos, há algumas coisas que você pode fazer, que podem ajudá-lo.
Essas coisas são feitas cognitivamente, mas se forem feitas também em espírito de oração, você pode não
apenas vir a experimentar uma mudança nos hábitos e perspectivas, porém o Senhor pode começar a
transformá-lo de formas mais profundas. Além disso, conforme sua masculinidade amadurece de outras
formas, essas mudanças passarão a ser naturais para você. Aqui estão algumas coisas que podem ajudá-lo
a crescer em sua apreciação pelas mulheres, como mulheres.

BUSQUE LIBERTAR-SE DE SEUS RELACIONAMENTOS DE IGUAL-PARA-IGUAL COM


MULHERES

Não estou dizendo para romper amizades que possuem este caráter, mas para tentar mudá-las.
Ela não é um dos rapazes, e você não é uma das garotas. Sutilmente, comece a tratá-la como a “parte
mais frágil”, que merece honra e consideração especiais. Comece a definir um grau de modéstia no
relacionamento, mantendo limites que normalmente existiriam entre uma mulher e um homem. Se
houver certas atividades que você e ela fazem juntos, que seriam coisas de homem, comece a fazê-las
com os homens. Encoraje-a a fazer coisas de mulher, com outras mulheres. Dar um passo para trás no
relacionamento pode abençoar vocês dois, conforme você passa a enxergá-la não apenas como amiga,
mas como amiga e mulher.

COMECE A CONTEMPLAR E MEDITAR NO FEMININO CONFORME MATERIALIZADO


NA MULHER

Retorne ao capítulo 7 e releia a parte sobre o contraste entre o masculino e o feminino, mas dessa
vez concentre-se no feminino. Pense na beleza da capacidade de responder, no mistério de uma mulher
ser voltada ao interior, na nobre força da mulher que mantém famílias e relacionamentos juntos, na
graciosidade da misericórdia que flui do feminino. Pense em como estes atributos se manifestam nas
mulheres que você conhece, e agradeça a Deus por elas. Em sua mente, imagine as mulheres que você
conhece bem, e tente identificar aspectos do feminino que ela manifesta. Pense em como cada atributo
interage com o masculino em perfeita harmonia. Agradeça a Deus pelo seu maravilhoso plano.

COMECE A MEDITAR NOS ATRIBUTOS FÍSICOS DA MULHER

Não comece pelo lado puramente sexual, mas concentre-se em todas as outras coisas que fazem
dela o “outro”. Pense na suavidade de sua pele, na forma arredondada do seu corpo, no cabelo, nos
lábios. Contemple a beleza que Deus criou na mulher. Lembre-se do deleite que Adão expressou quando
Deus o presenteou com Eva. Peça a Deus que desenvolva esse deleite em você.
Há uma beleza interna – especificamente feminina – em cada mulher que Deus criou. Ele revelou
isto para mim há alguns anos atrás, quando eu estava no funeral da mãe de um amigo. A clériga em ofício
era uma sacerdotisa episcopal. Da maneira que ela falava e agia, era quase uma caricatura de uma lésbica
‘sapatão’. Aumentando minhas suspeitas, ela trouxera junto com ela uma companheira exageradamente
feminina. Minhas objeções a esta mulher ser uma sacerdotisa começaram a transbordar em fortes
sentimentos de hostilidade quando à personalidade dela. Ela simbolizava muito daquilo que eu
acreditava haver de errado na igreja.
Mas então, em meio ao meu ressentimento com ela, Deus me fez ver a figura dela como uma
menininha, uma menina bem gordinha e sem atrativos, uma menina a quem os meninos insultavam sem
piedade. Não admira que ela tenha crescido desse jeito. Enquanto eu sentia vergonha por estar lá
sentado julgando ela, meu coração se derreteu, e eu comecei a ver coisas nela que eram belas. Comecei a
enxergar o feminino que havia nela, que havia sido tão esmagado que talvez nem ela pudesse ver em si
própria. E percebi que, se Deus me permitiu ver a beleza nesta mulher, então eu podia ver a beleza em
qualquer mulher. Eu estive testando essa ideia deste então, e descobri que Deus tem sido fiel ao me
mostrar a beleza feminina em mulheres de todos os tipos e modos. Nós podemos ver, com os olhos do
Espírito Santo.
COMECE A PRATICAR ALGUMAS DAS BOAS MANEIRAS QUE HOMENS PRATICAM COM
AS MULHERES

Quando for apropriado, comece a abrir portas de carro para uma mulher, deixe-a entrar primeiro
na porta, ajude-a com a cadeira quando ela se sentar. Quando caminhar na calçada com uma mulher,
coloque-se do lado da rua. Estas são coisas simples, talvez bobas e antiquadas para muitos hoje, mas cada
uma delas é uma forma do homem honrar e mostrar valor para uma mulher. Nós somos mudados por
aquilo que fazemos! Nossas ações mudam nosso pensamento e nossas perspectivas. Aja como se a
mulher fosse algo especial, e ela se tornará isso para você.

BUSQUE COMPREENSÃO DAS MULHERES A PARTIR DELAS PR ÓPRIAS

Para ganhar introspecção nas mulheres, pergunte a uma delas. Você não vai querer, entretanto,
esse tipo de compreensão a partir de uma mulher que pode ter algum interesse romântico em você. A
esposa de algum amigo seu pode ser apropriada. Uma mulher assim pode ajudá-lo a afastar quaisquer
ideias erradas você tenha, particularmente em relação a como as mulheres o vêem. Ela pode dar
sugestões positivas para você a respeito de como aproximar-se das mulheres.
Obter uma apreciação especial pelas mulheres, por aquilo que elas são, não é apenas parte do seu
crescimento para a verdadeira masculinidade, como também um importante pré-requisito para que você
seja capaz de apreciar a mulher, quando Deus a trouxer para sua vida. Além das questões maternais, você
pode vir a descobrir que possui uma atitude de desprezo pelas mulheres, ou você pode encontrar
sentimentos de repulsa em relação aos corpos das mulheres, que podem ser provenientes de abuso sexual
na infância, ou de experiências de intimidade inapropriada com mulheres quando você era muito novo.
Esforços para se concentrar nas mulheres – no feminino, e nas coisas que fazem as mulheres diferentes –
podem abrir a porta para que você busque a cura que necessita, antes de ser envolver mais seriamente
com uma mulher.
Até aqui, tendo falado sobre a forma como nos relacionamos com as mulheres em geral, ainda
não dissemos nada sobre a forma como achamos as mulheres sexualmente atrativas. Por mais importante
que este assunto seja, outros livros cristãos a respeito de vitória sobre a homossexualidade não
abordaram este assunto da maneira completa que deveria ser tratado. Talvez o fato de que outros
escritores não tenham lidado com a questão da atração sexual reflita nossa visão de que a
homossexualidade, em sua essência, não é um problema sexual. Outros podem dizer que, se lidarmos
adequadamente com nosso comportamento e com nossa identidade, a questão sexual irá se resolver por
si própria.
Nenhuma destas razões justifica adequadamente a falta de consideração pela questão da atração
sexual. Homossexualidade é, sim, uma questão sexual. É a falta de atrações pelo sexo oposto que causa a
maior aflição para a maioria dos homens em nosso ministério. As atrações sexuais mudam
automaticamente, conforme o comportamento e a identidade mudam? Não. Os passos para o
amadurecimento na masculinidade oferecidos neste livro provavelmente não produzirão
automaticamente sentimentos heterossexuais. Estes passos certamente ajudarão a abrir a possibilidade de
sentir atrações sexuais pelas mulheres, mas o fato é que os meninos atravessam certas experiências que
desenvolvem as suas atrações heterossexuais, e maioria de nós não passou por estas experiências.
Portanto, permanece a questão se homens devem atravessá-los na idade adulta.
Nós vamos tratar desta questão importante, em primeiro lugar, descrevendo os estágios que a
maioria dos homens que está tentando vencer a homossexualidade atravessam naturalmente, conforme
entram em bons casamentos. Então, vamos discutir uma das áreas principais na qual esses homens
raramente se tornam “como os homens normais são”. No próximo capítulo, vou falar sobre a questão
sensível do que pode ser feito em relação a estimular atrações sexuais por mulheres, e se é ou não correto
tentar aumentar estas atrações.

ATRAÇÃO POR UMA MULHER

Uma das maiores aflições que o homem cristão nesta situação sente tem a ver com a falta de
atração sexual pelas mulheres. Ele quer que isso mude, e antes de pensar muito sobre o assunto, sua
conclusão pode ser que tornar-se atraído sexualmente pelas mulheres é o começo e o fim do que um
ministério ex-gay faz. Na verdade, a maioria dos homens cristãos que vêm para o Regeneração parece
querer trocar sua cobiça homossexual pela cobiça heterossexual, para que sejam como o resto dos
homens é. Parece algo perfeitamente lógico, até que percebemos que o negócio de Deus não é nos
conceder a cobiça. Ele não está interessado em trocar uma forma de pecado por outra. Então, o que
acontece? O que é que o homem que está amadurecendo para a masculinidade pode realmente esperar?
A maioria desses homens descobre que uma atração sexual forte pelas mulheres não vêm à tona,
até que uma pessoa especial entre em sua vida, e então a atração sexual passa a fluir naturalmente do
amor por ela. Pode acontecer algo assim: Você conhece uma mulher e gosta dela, e você está curado o
bastante para verdadeiramente apreciar as coisas femininas que a fazem diferente. Você começa a
conhecê-la melhor, e o desejo por estar com ela aumenta e aumenta, florescendo em um amor
romântico. Conforme isto acontece, você deseja estar perto dela, abraçá-la, e finalmente você quer ser
um com ela – em mente, espírito e corpo. O seu desejo pela união com ela fluiu naturalmente e de forma
bela, por causa do seu amor por ela.
Aparentemente, uma das coisas que aconteceu ao homem após a queda, é que sua integralidade –
a união de mente, corpo e espírito – foi quebrada. Um dos efeitos disto, para o homem, é que o vínculo
de sua sexualidade com o resto dele se rompeu, segregando-a. (Isto não aconteceu tão fortemente com as
mulheres; elas tiveram outros problemas.) É por isso que tantos homens, não apenas os viciados ou
pervertidos, conseguem desfrutar do sexo sem um relacionamento. É por isso que homens pagarão
muito dinheiro por apenas alguns minutos com uma prostituta, e por que um homem homossexual irá
ficar circulando por um banheiro público, arriscando ser preso por um encontro sexual momentâneo
com outro homem. A sexualidade do homem tornou-se uma força distinta, desligada do seu propósito
original: a ligação de um homem e uma mulher em uma relacionamento amoroso permanente, e a criação
de nova vida. Uma grande porcentagem dos homens heterossexuais em casamentos cristãos bons e
amorosos luta contra atrações por sexo impessoal e desconexo: pornografia ou o corpo de uma vizinha
que ele nem conhece. Isto quase nunca acontece com homens que saem da homossexualidade, em
relação às mulheres. Esta é a razão pela qual eu acredito que estamos, na verdade, em um lugar melhor
que a maioria dos homens. Estamos mais próximos da intenção original de Deus para nossa sexualidade.

ATRAÇÕES VISUAIS, OU A FALTA DELAS

O padrão que nós seguimos – amor primeiro, e então desejo sexual – normalmente acontece ao
contrário, nos homens que possuem atrações heterossexuais. A atração sexual acontece primeiro, então o
amor, ou os dois são tão entrelaçados que é difícil separá-los. Esta é uma maneira em que podemos ser
diferentes. E existe ainda outra maneira, que se não for percebida cedo o suficiente, pode levar a
desânimo e à percepção de que Deus não está trabalhando em nós.
A maioria dos homens na luta contra a homossexualidade que eu conheci, continuam a se
diferenciar dos outros homens, no sentido de que eles não são estimulados sexualmente pela visão do
corpo de uma mulher. Para muitos – talvez a maioria – dos homens heterossexuais, o estímulo sexual
mais imediato é o visual. Todos nós sabemos que o principal atrativo da Playboy não são exatamente as
entrevistas. Anúncios de propaganda direcionados a homens são apresentados por mulheres seminuas,
enquanto que anúncios para mulheres raramente possuem homens com pouca roupa. As publicações
gays, entretanto, estão cheias deles.
Deixe-me introduzir um ponto secundário aqui, que pode animá-lo. Ser facilmente estimulado
por imagens visuais é algo próprio ao homem, uma característica do cérebro masculino. O fato de que a
maioria dos homens homossexuais é estimulado visualmente – embora por outros homens – mostra que
seus cérebros são, essencialmente, masculinos em sua formação.
Os homens que estão saindo da homossexualidade possuem a expectativa de se tornar “igual aos
outros homens”. A revelação de que isso pode não acontecer pode ser uma causa de verdadeira angústia.
Mas esta é uma situação, como muitas, em que o problema real não é a privação (a falta de estimulação
visual heterossexual), e sim a crença de que as coisas deveriam ser de uma forma, porém na realidade são
de outra. O lamento de “Eu deveria ser… e não sou” revela essa aflição.
Eu não sei por quê, embora muitas outras mudanças aconteçam no homem que está lutando
contra a homossexualidade, esta em geral não ocorre. Pode ter ocorrido certo momento no
desenvolvimento psicofísico do menino em que as atrações são aprendidas e programadas em seu
cérebro, e se isto não acontecer a programação não ocorrerá mais depois. Isto poderia ser comparado à
facilidade que a criança até certa idade possui para aprender uma linguagem, e a linguagem aprendida nos
primeiros anos nunca será esquecida.
Independentemente da causa, felizmente nós percebemos que o outro lado da equação não é tão
rígido assim. Homens homossexuais que formaram um forte padrão de estímulo-resposta a partir da
visão de um corpo masculino descobrem que, conforme a cura progride, as respostas diminuem
consideravelmente e, algumas vezes, até desaparecem totalmente. O padrão de estímulo-resposta visual
homossexual, embora envolva certa programação, parece estar fortemente ligado à inveja e a sentimentos
de fraqueza, e conforme esses elementos são desfeitos, o corpo masculino se torna cada vez menos um
objeto de atração sexual.
Esta falta de estimulação visual não está restrita apenas aos homens solteiros. De nossas
experiências no ministério até agora, esta condição permanece com os homens vitoriosos mesmo depois
do casamento. Em uma conferência do Regeneração para homens casados, dos 14 homens presentes,
apenas um disse que se sentia excitado pela visão do corpo de sua esposa. Eu estava entre os 13, e meus
anos de experiência no ministério validaram os resultados deste pequeno teste. Pesquisas maiores podem
revelar resultados diferentes, e nosso crescimento contínuo em compreender como ministrar pode levar a
novas áreas de mudança, mas por enquanto, eu acredito que o mais prático é assumir que a visão do
corpo de uma mulher não servirá como fonte de estímulo sexual para nós. Esta é a única diferença
clara que eu tenho observado entre os homens que venceram a homossexualidade e os homens
cuja atração sempre foi heterossexual.
Como podemos dizer que fomos curados, se não somos excitados visualmente como os outros
homens são? É muito simples. A atração sexual não provém apenas do estímulo visual. Existem dois
outros instigadores de interesse sexual: o toque e os sentimentos emocionais. O meu desejo sexual mais
forte pela minha esposa vem quando eu sou mais amoroso com ela. Muitas vezes eu sinto esses desejos,
quando nos beijamos ou quando estamos simplesmente sentados no sofá assistindo a TV, com meu
braço ao redor dela. Não há dúvidas de que estes são sentimentos sexuais espontâneos.
A nossa experiência no ministério indica que a resposta sexual a uma mulher através dos
sentimentos emocionais e do toque, é o estado normal para homens que estão superando a
homossexualidade. É por isso que declaramos tão fortemente que um homem nessa situação pode
experimentar todas as alegrias de uma vida heterossexual.
15

relacionando-se sexualmente com mulheres


O que foi dito no capítulo anterior pode ser aceitável para o homem casado. Mas, e quanto ao
homem solteiro? Isso inclui o homem que acredita que provavelmente nunca vá se casar, o homem que
gostaria muito de se casar e está na procura, e o homem que pensa que talvez tenha encontrado a mulher
que Deus preparou para ele, mas está preocupado com sua habilidade de relacionar-se sexualmente com
essa mulher. Existe algo que os homens nessa situação podem fazer entre o dia em que começam a
apreciar as características dela, e o dia em que ele se encontra na suíte de lua-de-mel com sua noiva? Há
algo que ele possa fazer para desenvolver a atração sexual pelas mulheres, ou ele deve esperar que a
atração vá se desenvolver sozinha? É certo tentar fazer que isso aconteça? É óbvio que a maioria dos
homens tentando superar a homossexualidade tenta criar em si próprio um desejo por sexo com uma
mulher. Eles pensam a respeito disso, não apenas imaginando como seria, mas tentando fazer a coisa
pegar fogo, talvez até fantasiando que eles estão fazendo sexo com uma mulher enquanto se masturbam.
Isso é algo útil? Deveria ser encorajado? É algo certo para um homem cristão?
Estas perguntas podem ser tremendamente importantes para um homem nessa situação, e ainda
assim, nunca as vi em nenhum dos livros cristãos que lidam com a questão da homossexualidade
masculina. A forma mais sucinta que posso formular a questão é a seguinte: O homem solteiro lutando
contra a homossexualidade deveria desenvolver em si próprio atrações sexuais ou eróticas por mulheres?
Muitas pessoas responderiam com um forte ‘não’, por razões como essas:
• Seria simplesmente criar outro problema. Se ele tiver sucesso, não estaria abrindo todo um
novo campo para tentações?
• Não há maneira de chegar daqui para lá – de não ter atração a ter atração – sem passar pelo
pecado. O processo envolveria fantasia, provavelmente masturbação, e possivelmente até
pornografia.
• Se o desejo de um homem ex-gay por uma mulher irá eventualmente fluir a partir do amor
dele por ela, por que isto seria necessário?
Mas também há fortes razões no outro lado:
• Ser atraído sexualmente por mulheres é uma parte integral da masculinidade, e um homem
que obtenha esses sentimentos irá crescer em sua identidade como homem.
• Pensamentos heterossexuais podem servir de substituto para os pensamentos homossexuais.
A alternativa seria uma forma de assexualidade, que pode não funcionar. A natureza – e a
libido de um homem – tem horror ao vácuo.
• O processo de buscar desenvolver desejos sexuais por uma mulher pode revelar certos
obstáculos (problemas com a mãe, por exemplo) que poderiam não aparecer de outra forma
até que o homem casasse, e isto poderia ser algo desastroso.
• Ter uma atração por mulheres, mesmo que limitada, pode acelerar a chegada do dia em que o
homem irá identificar aquela mulher especial que Deus escolheu para ele. Ele seria muito mais
capaz de procurar por ela.
Os argumentos em ambos os lados são fortes. Cristãos bíblicos, de posição ortodoxa, irão existir
nos dois lados da discussão. Após orar e pensar muito a respeito, eu me coloquei no lado de tentar
ativamente desenvolver as atrações.
Antes de explicar por quê, quero introduzir uma ressalva importante. Faço isso não para parar as
cartas e e-mails daqueles que discordam de mim, mas porque acredito no que estou dizendo.
Primeiro, acredito que os cristãos devem reconhecer que há questões essenciais na fé, e questões
secundárias. Há um conjunto de crenças – em grande parte expresso nos credos históricos – no qual
temos de crer, ou não temos o direito de nos chamar de cristãos. Então, há os ensinamentos morais
cristãos que foram colocados claramente nas Escrituras, e que foram tão fortemente afirmados pela igreja
nos últimos dois mil anos, que não podem ser razoavelmente questionados. A pecaminosidade da lascívia
e de qualquer relação sexual fora do casamento cairia nesta categoria. E por fim, há as questões que
podem parecer de vital importância e de clareza inquestionável para um grupo de cristãos, mas que
outros crentes comprometidos enxergam de forma bem diferente. As questões discutidas aqui caem nesta
categoria.
Eu também acredito fortemente que cada cristão é compelido a honrar a autoridade da parte do
corpo, ou da comunidade de crentes, a que ele participa. Como cristãos, não somos indivíduos
autônomos. Estamos ligados uns aos outros, e tudo que eu faço irá afetar de alguma forma meus irmãos
e irmãs na comunidade da qual faço parte, mesmo em questões privadas como a sexualidade.
Nada poderia ser mais pessoal do que a masturbação. Se um homem se masturba, como poderia
afetar a alguém? Se ele está em uma igreja que ensina que a masturbação é sempre um pecado, e ele se
masturba, ele está enfraquecendo o corpo do qual faz parte, ao desafiar e desprezar sua autoridade. Ele
estará causando desrespeito pelos líderes. Ele está colocando a si próprio como uma autoridade maior do
que seus líderes, ou está em rebelião contra eles. Isto enfraquece ao corpo e prejudica ao homem.
Baseado nestas duas crenças, minha ressalva é simplesmente esta: Dentro do que for possível,
siga o ensinamento de sua igreja. Não importa o quão lógico meus argumentos pareçam, e não importa o
quanto você quer seguir as minhas propostas, no longo prazo será muito melhor para você obedecer a
sua igreja, pois este corpo de crentes é a sua fonte de força. Se eles forem enfraquecidos pelas suas ações,
a sua estrutura de apoio irá lentamente se desfazer.
Agora, quando à questão do solteiro buscando desenvolver ou aumentar seus desejos
heterossexuais, aqui está porque eu acredito que o desenvolvimento destes desejos é algo bom, e porque
nós podemos fazê-lo de formas que não são pecaminosas. Primeiro, o fim desejado é bom. O objetivo de
atingir o desejo heterossexual é bom. Cinco vezes, nas Escrituras, nos é dito que um homem deixa seu
pai e mãe para se juntar à sua esposa e os dois tornam-se uma só carne. Deus comandou a Adão que
enchesse a terra. Deus criou o casamento, e é algo bom. Pode haver um estado superior ao do
casamento, como o celibato para os propósitos do ministério, mas o princípio geral de Deus é que não é
bom que o homem esteja sozinho. E eu não creio que Deus pretendeu que alguns não deveriam casar
porque não poderiam, que é o estado de muitos homens homossexuais. Se algo na criação de Deus está
fora do padrão e nós podemos corrigir isso, eu creio que Deus quer que façamos a correção. Buscar
desenvolver atrações heterossexuais é buscar ser o homem que Deus nos criou para ser.
Quanto à possibilidade de que Deus nos dará os desejos sexuais após termos conhecido a mulher,
isto acontece para muitos homens, mas eu vejo mais homens que, por causa da sua total ausência de
atrações heterossexuais, nem estão à procura. Os olhos deles não estão abertos para ver a mulher que
Deus pode ter escolhido para ser sua esposa. Deus não criou o desejo sexual do homem para que ele
possa ser ligado no minuto em que o pastor pronunciá-los marido e mulher. Deus criou no homem uma
energia sexual que deve atraí-lo para a mulher. Conforme estamos vendo em nossa cultura hoje, as razões
para os homens não se casarem são muitas (autonomia pessoal, liberdade para fazer o que quer, egoísmo
em geral), e se eles não precisarem se casar para encontrar satisfação sexual, muitos não irão entrar nesse
relacionamento. Deus colocou este forte desejo no homem e criou a família, e os dois são
complementares. Deus pretendeu que a energia sexual atraísse os homens para o casamento, e embora as
atrações sejam um pouco diferentes para aqueles homens que sempre foram heterossexuais, eu acredito
que isso se aplicaria ao homem que está deixando a homossexualidade, também.

USANDO A IMAGINAÇÃO

É difícil pensar como qualquer menino atravessando a adolescência tenha vindo a desejar alguma
mulher sem ter imaginado em sua mente, em algum ponto, como seria ter uma relação sexual com uma.
Na verdade, eu creio que o único menino que pode não ter tido esses pensamentos seria aquele que
recebeu uma mensagem, ao crescer, de que todo o contato sexual é algo perverso. Conforme a
puberdade aumenta a capacidade dele para os sentimentos sexuais, quer ele conscientemente os dirija ou
não, a sua mente será atraída por aquelas coisas que aumentam o prazer sexual. O propósito de Deus
para a energia crescendo nele é que ela o leve a se casar um dia e, esperançosamente, que seus
pensamentos sexuais sejam levados nessa direção. Isto é errado? É cobiça de adolescente? Eu creio que
não. Cobiça tem dois elementos: um desejo que tornou-se erradamente forte, e uma demanda pela
satisfação imediata daquele desejo. Nenhum destes está necessariamente presente em um menino que está
começando a pensar na relação sexual. É claro, a chance de que a sua natureza pecaminosa o leve na
direção da cobiça é extremamente alta. O trabalho dos pais – e da igreja – é buscar canalizar o seu desejo
sexual para o uso próprio, e não de tentar reprimi-lo ou destruí-lo.
Nem todo o desejo por coisas boas é cobiça. Quando estou com fome, posso realmente querer
um hambúrguer, mas não significa que é cobiça por comida. Eu desejo segurança financeira para mim e
para minha família; isso não significa que eu tenho cobiça por dinheiro. O que marca um homem cristão
é a sua habilidade de manter o equilíbrio na vida, a capacidade de segurar a satisfação de seus apetites, e
um foco naquilo que é realmente bom, não naquilo que sua carne deseja.
Muitos de nós, quando adolescentes, não passamos pelo estágio de imaginar que estávamos tendo
relações sexuais com uma mulher. Assim como é improvável que um menino que cresceu para a
masculinidade sadia na qual ele é um marido piedoso jamais tenha pensado em si próprio tendo contato
sexual com uma mulher, assim também nós não podemos desenvolver desejo sexual por uma mulher
sem tê-lo imaginado antes. Além disso, acredito que nós podemos direcionar nossos pensamentos de
forma a minimizar a probabilidade de tal imaginação se tornar lasciva.
Uma vez que a fantasia sexual foi uma grande parte de nossos passados pecaminosos – ou é, de
nossas lutas atuais – nós podemos ter dificuldades para pensar na imaginação como um dom que Deus
pode usar. Oswald Chambers disse que a imaginação é o maior dom que Deus nos deu – se a usarmos
para os propósitos dele. Talvez isso seja ir um pouco longe demais, mas nós precisamos considerar todas
as formas que Deus pode usar este dom. A imaginação reflete o que está no coração; são os olhos do
coração. Se nosso coração está fixado naquilo que não é de Deus, nossa imaginação nos levará para o que
é errado, para fantasia sexual, visões de vingança, pensamentos de auto-glorificação. Se nosso coração
está em Deus, nossa imaginação nos levará ao que é de Deus. Masculinidade madura e santa, bem como
o casamento cristão, são claramente de Deus.
Deixe-me descrever como você pode se imaginar estar com a mulher que pode ser sua esposa.
Em espírito de oração, imagine o seguinte.

Deus trouxe a você a mulher que será a sua esposa. Ele é cristã, forte em suas convicções, mas
gentil em seus modos. Em cada aspecto que você possa pensar, ela é atraente por fora e por
dentro. Você começa a ir a lugares com ela, fazendo coisas que vocês gostam juntos. Você
começa a sentir um desejo de protegê-la e mostrar o quanto você gosta dela. Você passa a
fazer coisas que demonstram isso para ela. Ela responde com carinho e alegria. Você começa a
perceber as coisas que a tornam maravilhosamente feminina – como ela o apóia, como ela é
profunda, o mistério que a envolve. E você começa a perceber coisas físicas a respeito dela: a
suavidade de sua pele, a beleza de sua forma, a maciez do seu toque. Você sente deleite
quando vocês se tocam. Finalmente, não há dúvida que você quer estar com ela. Você
expressa isto para ela, e ela responde que também ama você. O romance entrou no seu
relacionamento.
Pule agora para o dia do seu casamento. Ela está entrando na igreja, toda de branco, radiante
além de tudo que você esperava. Este é o dia mais fantástico de sua vida. O milagre de suas
pessoas se tornando em uma está sendo manifesto hoje, primeiro em seus votos diante de
Deus, segundo na comunidade de cristãos que vieram afirmar esta união, e finalmente no leito
matrimonial. Você imagina essa cena também. Vocês dois estão modestos e nervosos, mas ao
mesmo tempo animados e ansiosos, quase incapazes de adiar este momento especial. Mas
vocês vão devagar. Gentilmente, você acaricia o corpo dela e ela responde. Lentamente e
naturalmente, assim como seus corações estão entrelaçados, os seus dois corpos se tornam
um. Finalmente, você conhece a incrível alegria do amor sexual.

Se você é capaz de deixar Deus usar sua imaginação para provocar um nível de desejo sexual por
uma mulher, isto não é algo em que você vai querer trabalhar regularmente. Se for algo do Senhor,
realizará o seu propósito, e será melhor manter guardado em seu coração – o conhecimento da maneira
que você espera um dia usar a sua sexualidade.

USO DA MA STURBAÇÃO PARA DESEN VOLVER DESEJ O HETEROSSEXUAL

A masturbação precisa ser discutida em qualquer livro sobre homossexualidade masculina, e não
consigo pensar em um contexto melhor para falar sobre ela que este: o casamento e o desenvolvimento
de sentimentos heterossexuais.
Parte de mim simplesmente não queria trazer à tona o assunto, mas é importante e relevante
demais para não ser discutido aqui. Dificilmente eu conversei com algum homem sobre a falta de atração
sexual em relação às mulheres, sem que surja o assunto de se masturbar pensando em mulheres.
Se você participa de uma igreja que crê que a masturbação é sempre pecaminosa, ou se você
mesmo detém essa convicção fortemente, talvez fosse melhor você pular esta seção. Se você não está
certo do que crê a respeito de masturbação neste contexto, minha oração é que Deus o leve à verdade,
mesmo que não seja o que estou sugerindo aqui. Além disso, estou escrevendo isto para homens que se
masturbam. Se um homem não se masturba, não sugiro que ele comece por causa do propósito de
desenvolver atrações heterossexuais. O risco de cair no vício é grande demais para me permitir sugerir a
um homem que comece a se masturbar, se ele ainda não o faz.
Eu faço minha sugestão crendo que está em acordo com a Palavra de Deus, mas com
reconhecimento sincero de que posso estar errado. Essa é uma das minhas convicções ‘60%’. Ao lado de
crenças como pacifismo, pena de morte, e meios artificiais de controle de natalidade, eu tenho opiniões
porque preciso ter, mas se quando chegar ao céu me disserem que eu estava errado em relação a estas
coisas, não espero ficar chocado. Eu louvo a Deus pela graça que está disponível a nós quando, ao
buscarmos a verdade, em nossa imperfeição, nem sempre a encontramos.
O ensinamento católico diz que a masturbação sempre é um pecado. Para aqueles de nós que
discordamos deste ensinamento, o fator fundamental em nossa visão é que a Bíblia não o menciona
como um pecado, e a Palavra de Deus é bem completa e direta ao apontar os comportamentos sexuais
que são pecaminosos. Todos os cristãos, entretanto, acreditam que a lascívia e a cobiça são pecados, e
nós sabemos que masturbação e lascívia alimentam um ao outro: a lascívia leva à masturbação, e a
masturbação constante leva a um estado de lascívia assídua. Então, mesmo para aqueles de nós que
acreditamos que a masturbação nem sempre é um pecado, as circunstâncias na qual seria permitida são
bem limitadas. Ainda assim, para a maioria dos homens cujas atrações sexuais primárias são
homossexuais, a criação de fantasias heterossexuais pode, por um tempo, ser um trabalho difícil, ao invés
do escape que nós normalmente associamos com a lascívia.
Ao discutir a masturbação com membros de nossos grupos de apoio, as escrituras mais úteis para
mim são dois versículos similares, encontrados em 1 Coríntios.

"Tudo me é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei
que nada domine. (1 Coríntios 6:12)

"Tudo é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo é permitido", mas nem tudo edifica. (1
Coríntios 10:23)

Em relação à masturbação, eu creio que a partir dessas Escrituras podemos dizer que ela pode ser
permitida às vezes, mas ela tem a capacidade de nos escravizar (1 Coríntios 6:12), e não deveria ser o
comportamento de um homem maduro (1 Coríntios 10:23). Se alguém usa a masturbação como um meio
de tentar desenvolver o desejo sexual por mulheres, deve fazê-lo com plena ciência do seus perigos: Pode
cair no vício, e ficar preso em um ato essencialmente imaturo.
Se considerarmos usar a masturbação como um meio de desenvolver atrações pelo sexo oposto,
precisamos levar a sério estes avisos. Quanto à capacidade do ato de masturbação de nos escravizar, o
escape que ele provê, a liberação de endorfinas calmantes no cérebro, a forma que fornece um conforto,
a maneira como pode fazer um homem sentir-se vivo por alguns minutos, o prazer extraordinário que dá
– todos se combinam para formar o meio perfeito para o vício. Se iniciada, deve ser iniciada muito
cuidadosamente, e mantida a um mínimo.
Quanto ao segundo aviso, de que não nos edifica nem leva à maturidade, eu creio que o
comentário de Paulo se aplica no fato de que não é algo próprio para um homem maduro. A
masturbação é um ato adolescente, quase universal entre os rapazes que estão descobrindo a sua
sexualidade. O prazer da ejaculação se une, digamos, com a imagem da relação com uma mulher, e ao
vínculo permanece para sempre.
Muitos de nós não passaram por isso. Ao contrário, nós ligamos o prazer da ejaculação com o
sexo homossexual, e se nos vinculamos com algo, foi com homens. Pode ser útil para alguns homens que
nunca formaram a conexão correta, agora trocarem as imagens homossexuais por heterossexuais.
Entretanto, um cuidado que devo mencionar é que você pode se encontrar mudando de imagens
heterossexuais para homossexuais durante a masturbação. Se isto acontece regularmente, talvez não seja a
abordagem apropriada para você. Talvez até enganando a si próprio, você está usando os pensamentos
heterossexuais como uma desculpa para entrar na fantasia homossexual.
Eu creio, portanto, que usar a masturbação para provocar o desejo sexual é um bom propósito
no sentido que pode um dia permitir que um homem procrie, que entre na união maravilhosa de uma só
carne que Deus criou, e que seja capaz de trazer prazer à sua esposa. Esses são bons objetivos. A maior
parte do ensino cristão diria que é aceitável usar meios neutros para alcançar bons fins, mas que utilizar
meios pecaminosos para bons fins nunca é aceitável. Portanto, a questão é se a masturbação é ou não
pecaminosa. E se um homem acredita que ela não seja pecaminosa por si só, e não está praticando-a
compulsivamente, eu acredito que ele poderia considerar, por um tempo, e para um propósito específico,
usar imagens heterossexuais com a masturbação.
Mas deixe-me dizer outra vez: para a maioria dos homens cujas atrações sexuais primárias são
homossexuais, a criação de fantasias heterossexuais é um trabalho tão difícil, que não produz o escape
que nós associamos com a lascívia.

O TOQUE

Aquilo que foi discutido até aqui, o uso da imaginação e da masturbação para encorajar a
orientação heterossexual, é para todos os homens saindo da homossexualidade. Esta parte é para o
homem que acredita que pode ter encontrado a mulher com quem ele deveria se casar. Quanto ele
deveria testar sua capacidade de responder sexualmente a esta mulher, se é que deveria tentar?
Eu trabalhei com homens em todo o lugar deste espectro, desde homens que nunca beijaram suas
mulheres até o casamento, até homens que haviam caído em relação sexual antes do casamento. Mais
uma vez, este tópico deve ser examinado dentro do contexto do ensino da sua própria igreja, e dentro do
contexto do ensino universal da igreja, de que a relação sexual fora do casamento é um pecado.
A maioria de nós concordaria que colocar-se propositalmente em uma posição na qual se torne
extremamente difícil resistir à tentação de praticar uma relação sexual é um pecado por si só. Dentro
deste parâmetro, é errado o toque físico para o propósito de determinar se você tem ou não a capacidade
de se tornar sexualmente estimulado pela mulher com quem espera casar? Em outras palavras, é
permissível testar na vida real aquilo que até esse ponto só existia em sua imaginação?
Eu creio que pode ser permissível, até certo ponto. Meu raciocínio é totalmente diferente do que
discutimos nos dois assuntos anteriores. Deve ser considerado, por causa da mulher. Nenhum homem
que tenha sido casto com sua futura esposa sabe como será o seu “desempenho” (uma palavra terrível,
mas normalmente usada) na noite de núpcias. Muitos homens que são exclusivamente heterossexuais, e
que permaneceram castos a sua vida inteira, também têm um grande medo de como irão.
Mas a maioria desses homens heterossexuais estiveram esperando por isto quase a sua vida
inteira, enquanto que o que saiu da homossexualidade entrou nesses desejos por um caminho
completamente diferente. Ele buscou desenvolvê-los, e podem ser bem recentes. Ele pode sentir –
provavelmente ainda sente – alguma atração sexual pelos homens. Suas razões para preocupação são,
portanto, muito maiores. Ele pode perceber que os cenários românticos sexuais de sua imaginação não
são, ainda, transferíveis para o mundo real de amar uma esposa. De quem nós deveríamos estar mais
preocupados em uma situação assim, é a esposa. É raro, mas ela pode se encontrar em um casamento
sem sexo. Se um homem realmente a ama, ele gostaria de protegê-la disto.
Em relação a proteger a mulher com quem o homem deseja casar, ele precisa considerar as
vulnerabilidades sexuais dela, também. Mesmo com as melhores intenções, ele poderia estar provocando
sentimentos sexuais nela que trarão grandes problemas – se não causarem a ela querer buscar o
relacionamento físico além. Portanto, o contato físico deve ser buscado com cuidado.
Agora, ao falar sobre contato físico, quero dizer segurar as mãos, beijar, abraçar. Eu sugeriria ir
até o abraço apertado, de pé, com os corpos do casal apertados juntos. Se isto causar ao homem sentir a
excitação sexual, então o propósito foi cumprido, e o foco do casal pode ser ‘pisar no freio’. Se o homem
não experimentar nenhuma estimulação, então para o bem dos dois, ele pode precisar buscar mais cura,
antes de prosseguir com o casamento.
Eu não faço esta sugestão de “testar” o contato físico porque os homens em nosso ministérios
que se casaram tem se descoberto incapazes de funcionar sexualmente no casamento. Ao contrário, a
grande maioria dos nossos casamentos – onde o homem recebeu uma medida de cura, onde ambos são
cristãos, e ele foi completamente honesto com ela antes do casamento – acaba funcionando sexualmente.
Entretanto, a consideração decisiva veio a mim quando percebi que, se uma de minhas filhas de casasse
com um homem de nosso ministério, para o bem dela, eu gostaria que ele se certificasse tanto quanto
possível de que poderia ser um marido para ela, de todas as maneiras.
Mas, saber que a excitação pode ocorrer irá tirar a ansiedade na noite de núpcias? Provavelmente
não. Para os homens que estão se casado, Frank Worthen tem um bom conselho. Ele aconselha os casais
a combinarem entre si que não farão sexo em sua primeira noite de núpcias. Inevitavelmente, eles voltam
e dizem a Frank que fizeram. A falta de pressão faz diferença.
Casar-se e ter filhos não é a conclusão de nosso crescimento rumo à masculinidade; é o produto
da masculinidade completa. A masculinidade completa é, em parte, medida por estarmos prontos para
nos casar e tornar-nos pais.
16

masculinidade plena
No início deste livro, eu havia prometido desenvolver um mapa para a jornada rumo à
masculinidade. Este mapa está agora quase completo. Depois de falar sobre uma última possível
armadilha, quero descrever como é o destino final para você. Quanto ao destino, deixe-me dizer por
enquanto que essa jornada tem de fato um fim, e você – cada homem lendo esse livro – pode chegar a
esse lugar, o ponto em que sua masculinidade é um fato, e você já não precisa fazer do amadurecimento
um ponto e propósito central para sua vida.
Agora, uma possível última armadilha permanece.

O CALCANHAR DE AQUILES DO HOMEM: NARCISISMO

Há uma ironia neste livro, que pode se tornar uma cilada, se não for trazida à atenção. O próprio
processo sugerido aqui pode ser auto-destrutivo, se não enxergarmos a masculinidade com a clareza
disponível ao homem cheio do Espírito Santo. Ironicamente, o processo de buscar desenvolver nossa
masculinidade requer que nós olhemos para o nosso interior, mas permitir que nós mesmos nos
tornemos voltados ao nosso interior é a antítese da masculinidade.
Os homens orientados à homossexualidade, em sua imensa maioria, são excessivamente voltados
para o íntimo. O homem homossexual, muitas vezes demasiadamente preocupado com sua aparência,
seu físico, como os outros o vêem, como ele se compara com os outros homens, desenvolve traços que
são fundamentalmente narcisistas. O narcisismo e a homossexualidade masculina estão tão fortemente
entrelaçados, que nós poderíamos quase dizer que a homossexualidade masculina é uma variação do
narcisismo masculino. Ao concentrarmo-nos em nossas deficiências como homens, estabelecer medidas
de masculinidade, sugerir que procuremos exemplos, e nos concentrar no que fazemos, como é sugerido
neste livro, existe a possibilidade de que nós combinemos os nossos problemas com o narcisismo, ao
invés de corrigi-los.
A questão reside parcialmente no fato de que o programa desenvolvido aqui constitui, em muitos
aspectos, atravessar uma adolescência atrasada, e rapazes adolescentes são notoriamente narcisistas. Na
adolescência, certo nível de bravata masculina – buscar provar a si próprio como homem, sempre
olhando para ver como os outros respondem a você – reflete o narcisismo que é parte normal do
desenvolvimento dos meninos. É algo esperado. Pode até ser algo que agrada aos adultos que conhecem
e amam o adolescente. Mas espera-se que seja algo passageiro. No homem adulto, não é atraente e pode
ser contraproducente. Nós precisamos resistir a alimentar o nosso narcisismo.
O narcisismo de que estou falando aqui não é o estado regressivo de desenvolvimento, conforme
clinicamente descrito em livros de psicologia, mas a forma geralmente reconhecida de interesse excessivo
na própria aparência, conforto, importância, e assim por diante. É uma característica muito desagradável,
que exalta o narcisista enquanto ele se torna cego aos demais, ou vê os outros como meios de suprir sua
própria necessidade por atenção ou prazer.
Nós devemos reconhecer que o narcisismo é um defeito primordial, ao qual os homens em geral,
e não apenas os homossexuais, são inclinados. Nós podemos alcançar a plenitude da masculinidade e
então, descobrir que uma das características de nossa masculinidade que nos tornou “como os outros
homens” era o nosso narcisismo. Muitos homens orientados heterossexualmente parecem ter nunca
superado o seu narcisismo adolescente. Constantemente necessitados de provar sua masculinidade para si
mesmo e para os outros, eles perseguem qualquer manifestação que possa demonstrar que eles são
homens: fisiculturismo, atitude de mulherengo, comportamento de ‘machão’ excessivamente agressivo.
Ao contrário do homem orientado homossexualmente, que em determinado momento desistiu de
alcançar sua própria masculinidade, o narcisista heterossexual nunca desiste de provar a sua. Mas, como o
homem homossexual, ele está fadado a fracassar. O fato de ser focado em si próprio, e de dar tanta
importância à aparência exterior, condena-o à adolescência perpétua.
Como podemos nós, que decidimos deixar a homossexualidade e estamos determinados a nos
tornar homens no sentido verdadeiro da palavra, evitar esta armadilha do narcisismo? Como podemos
examinar a nós mesmos – um passo necessário, se queremos realmente mudar – sem perpetuar, ou
intensificar, nosso egocentrismo? É difícil, mas possível.
Eu descobri uma resposta fundamental para este problema, na frase que foi dita por um novato
em um dos grupos do nosso ministério. Certa tarde, ele fez um comentário de passagem: “A
masculinidade é algo que nós damos.” Nós crescemos como homens quando vemos nossa masculinidade
como algo que desejamos para benefício dos outros. Quando nós desejamos a masculinidade para que
possamos proteger e defender, ajudar e servir, prover segurança e tranquilidade para os outros, vamos
amadurecer como homens. E são as práticas de ajudar, proteger e servir, que cooperam muito para
desenvolver nossa masculinidade.
Um membro ativo de um ministério amigo era uma mulher com paralisia cerebral severa.
Quando eu visitava o ministério, eu observava os homens regularmente auxiliando-a a entrar e sair de
carros, e de trocar entre a cadeira de rodas e o sofá. A masculinidade deles ficava admiravelmente visível
neste ato de ajudar e servir.
No livro E A Banda Tocou (And The Band Played On), o autor gay Randy Shilts descreve, talvez
inconscientemente, um belo exemplo disto. Um homem homossexual, de natureza passiva e sensível, é
infectado com AIDS. A pessoa que cuida dele em seus meses finais é uma mulher lésbica forte e
agressiva. Os dois são amigos muito próximos; na verdade, você pode logo ver que eles genuinamente
amam um ao outro. Conforme o homem torna-se cada vez mais doente, a sua forte amiga torna-se mais
e mais delicada e frágil. A força dela parece se desvanecer, conforme o seu amor pelo homem agonizante
corta profundamente o seu coração. De parte dele, quanto mais vulnerável ela se torna, mais o homem
deseja protegê-la. Querendo abrigar o coração frágil dela, ele se torna cada vez mais forte. O que Randy
Shilts está descrevendo é a formação de um homem e de uma mulher.
Por muitos anos nas conferências nacionais da Exodus, nas sextas-feiras antes do jantar de
encerramento, nós tínhamos uma preparação na qual cabeleireiros (a maioria homens) arranjavam o
cabelo e a maquiagem das mulheres, para muitas das quais tais expressões de feminilidade eram bastante
ameaçadoras. Observando estes homens gentilmente e sensivelmente servirem aquelas mulheres, eu sabia
que estava olhando para uma maravilhosa demonstração de força masculina.
Jesus foi o homem supremo. Ele nunca precisou provar, mas demonstrava claramente. Falando
mansamente com a mulher no poço, protegendo a vida da mulher pega em adultério, gentilmente
corrigindo sua mãe quando ela insistiu que ele fizesse algo a respeito do vinho no casamento em Caná,
recebendo as criancinhas em seus braços, Jesus resplandecia com plena masculinidade. Lavando os pés
dos discípulos, ele forneceu aos homens que havia escolhido um exemplo de força masculina colocada
sob controle, para o propósito de servir aos outros.
Se eu fosse um publicitário, aqui está uma imagem que eu usaria toda vez que tivesse chance,
porque é uma imagem que atrai a atenção de quase qualquer homem, mulher ou criança: a imagem de um
homem andando por um caminho, segurando a mão de uma criança de dois ou três anos. Ela simboliza a
força masculina em submissão ao propósito de guiar e proteger alguém que é muito menor e mais fraco.
É quase irresistível. É a expressão do propósito de Deus para a masculinidade: a sua existência em
serviço aos outros.
Um homem é mais completo e saudável quando é direcionado para fora, para o exterior de si
próprio, quando se concentra pouco em si mesmo. Ele está voltado ao mundo, aos outros, a Deus. Para
ele, o mundo é um desafio empolgante, algo tanto a se conquistar como a se alegrar; sua falta de
egocentrismo faz com as outras pessoas sejam atraídas por ele.
A ironia de tudo isto é que você não consegue se tornar este tipo de homem ao ficar se
concentrando nele. Isto seria um tiro pela culatra. Você não pode se tornar direcionado para o exterior
olhando para dentro de si e para o que você está fazendo. É como a pessoa que persegue vigorosamente
a sua própria felicidade; ele nunca a encontrará, até que ela surja como subproduto de outras coisas. Nós
precisamos concentrar-nos no exterior de nós, para nós tornarmos voltados ao externo! A maneira mais
simples de fazer isso é ter em nossas corações – e lembrar-nos vez após vez – de que nossa
masculinidade nos é dada para que possamos dá-la adiante, algo que Deus criou em nós para que
possamos usá-la para abençoar aos outros.

O FIM DA JORNADA: TODAS AS COISAS JUNTAS

No começo, eu havia dito que a estrada que nos leva à masculinidade seria longa e difícil. Agora,
você provavelmente deve acreditar que eu havia minimizado os desafios que a jornada apresentaria. E
este livro apenas forneceu um mapa, um curso a seguir; o trabalho verdadeiro é correr nesta estrada,
fazendo as coisas que os homens fazem.
Neste livro, foram sugeridos dois alvos para a jornada. O primeiro foi descrito no capítulo 1:
tornarmo-nos filhos que agradam ao Pai. E eu acabo de descrever o segundo: possuir a masculinidade
para que possa ser usada para servir aos outros. “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de
toda a sua alma e de todo o seu entendimento.(...) Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus
22:37;39). Nosso objetivo é cumprir estes dois grandes mandamentos através de nossa masculinidade.
Mas existe mais do que isso. A masculinidade é mais do que apenas relacionar-se; é uma questão
de ser. ‘Ser’ é tudo que está envolvido em nossa personalidade. Deus, o grande EU SOU, é o ser
supremo. Ele É, independente de qualquer outra coisa eu pessoa. Deus pode dizer EU SOU sem que
nenhuma palavra siga esta expressão. Outras palavras apenas serviriam para qualificar quem ele é. Nós
não podemos fazer isso.
Nós somos criados à imagem de Deus e portanto também existimos, mas nossa existência difere
da existência dele de uma forma importante: nós existimos apenas em relação a ele. Não somos nada à
parte dele. Podemos ser filhos desobedientes ou pródigos tentando ignorá-lo, ou podemos ser filhos
segundo o coração dele, mas independente disso, nossa existência é definida em nosso relacionamento
com ele.
Uma recompensa o aguarda no fim da estrada rumo à masculinidade, e tem a ver com a sua
essência. A recompensa é chamada integridade. Integridade é o que você possui quando todas as coisas se
juntaram, quando há um sentimento interno de que todas as peças foram colocadas em seu lugar.
A maioria das pessoas pensa em integridade como uma característica de alguém que não mente
aos seus amigos, ou não trai a esposa, ou não trapaceia em sua declaração de imposto de renda, ou que
não é um hipócrita. É verdade, essas são as marcas de um homem com integridade, mas a integridade em
si é muito mais do que apenas honestidade.
A palavra íntegro tem a mesma raiz de inteiro. Um homem de integridade é um homem que é
apenas um nos aspectos de seu corpo, mente, espírito, crenças, sentimentos e ações. O que ele diz, ele
crê. O que ele crê, ele não tem medo de dizer. Suas crenças a respeito do certo e errado não estão em
batalha constante com seus sentimentos. Todo o seu ser está em linha com o corpo que Deus lhe deu.
Ele é completo. Ele é um por inteiro, ou como meu avô, que era alfaiate, diria: “Ele foi cortado de uma
peça inteira de pano.” O seu ser não está fragmentado. As peças estão unidas formando um inteiro.
Independentemente de sua aparência física, seja belo ou simples de acordo com nossos padrões
de beleza, um homem de integridade é surpreendentemente atraente, para quase todo mundo. Nele, nós
não vemos um conjunto de peças encaixadas de forma frágil, pois sentimos que sabemos quem ele
realmente é, e é alguém confortável de se estar perto. Ele é confiável, fiel, um bom parceiro, pai, irmão e
amigo. O homem de integridade é um homem em paz consigo mesmo. Ele possui uma personalidade
firme, a partir da qual ele vive com sólida confiança como marido, pai, trabalhado, cidadão, membro de
igreja e líder.
O homem de integridade sabe quem ele é tão bem, que o egocentrismo e o narcisismo, que os
homens carregam da adolescência, já desapareceu. Ele sabe quem deve ser, e encontra satisfação em ser
essa pessoa. Ele tem um destino. Todos nós fomos criados para ser plenamente desenvolvidos em nossa
masculinidade. O homem de integridade está se movendo em direção a esse destino.
Assim como todas as jornadas espirituais, esta é uma que não será completada nesta vida – só
houve um homem completo – mas a satisfação que o homem de integridade sente não é percebida
apenas no fim da jornada; ela é experimentada com maior e maior frequência ao longo do caminho.
Conforme você caminha nessa estrada, mesmo que esteja longe do destino, vez após vez em meio às
lutas e derrotas, você alcançará momentos gloriosos, em que sentirá sua masculinidade vindo à tona,
quando saberá que chegou a um novo e mais alto nível. Vitórias levarão a novas vitórias, e não apenas os
fracassos se tornarão menos frequentes, mas o poder deles para feri-lo também irá desaparecer.
A masculinidade é boa, e você se sentirá bem como homem.
“Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de
Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).
Apêndice A
reflexões sobre vinte e cinco anos de cura: a história
de Alan Medinger
“Perverso e tolo muitas vezes me desviei, mas em amor ele me procurou; e em seu ombro
gentilmente me pôs, e regozijando-se, para casa me levou.” Estas palavras de um antigo hino baseado no
Salmo 23 expressam perfeitamente o que aconteceu comigo há 25 anos, quando encontrei ao Senhor, e
ele me tirou da homossexualidade.
Minha jornada na homossexualidade se encaixa no padrão que vemos muitas vezes no ministério.
Eu fui um filho não planejado, nascido de pais que desejavam uma menina. Meu irmão mais velho era
mais atlético e seguia o modelo ‘macho’ bem melhor do que eu conseguia, e de alguma forma ele se
tornou o filho ‘do pai’, e eu o ‘da mãe’.
Nossa família vivia em uma casa geminada na cidade de Baltimore. Meus pais eram pessoas boas,
amáveis, que fizeram o que podiam para criar os seus filhos de forma a se tornarem homens bem-
sucedidos e ajustados, embora um problema tendesse a alterar todos os nossos destinos: meu pai sofria
de depressão severa, tão forte que por muitos anos ele teve de ficar sob cuidado psiquiátrico, e em
algumas ocasiões foi até hospitalizado. Ele mal podia encarar a vida, quanto mais ser o marido e pai que
nós precisávamos que ele fosse. Nos piores períodos, ele bebia muito e minha mãe brigava verbalmente
com ele muitas vezes.
A vida de minha mãe foi difícil, e até certo ponto eu meu tornei o seu confidente. Eu certamente
me identificava mais com ela do que com meu pai.
Se você está familiarizado com as raízes mais comuns da homossexualidade na infância, verá que
todas elas estavam presentes, com exceção do abuso sexual. Mas nenhum pai torna o seu filho
homossexual. Nós aprendemos que o ambiente familiar pode prover o fundamento, mas que outros
fatores significantes sempre entram no jogo para levar alguém à homossexualidade.
Para mim, alguns desses fatores foram decisões que eu tomei bem cedo na vida. Eu tenho a
lembrança vívida de estar deitado na cama certa noite quando menino, ouvindo os meus pais brigar, e
dizendo a mim mesmo com presunção: “Eles não vão mais me machucar. Ninguém mais vai me
machucar.” Eu acredito que tomei a decisão de nunca ser emocionalmente vulnerável outra vez. Como
consequência desta decisão, até a minha conversão anos depois, e nunca seria realmente livre para amar
qualquer pessoa.
Outra decisão que eu tomei bem cedo na vida é de que podia suprir todas as minhas
necessidades, e o faria não importava qual fosse o custo. Isto me isolou ainda mais dos relacionamentos
que todos nós necessitamos.
Eu me retirei para um mundo de fantasias, sexuais e de todo o tipo. Este se tornou o meu abrigo
seguro das dores da vida. Em uma fantasia típica, eu era um menino herói liderando homens na batalha,
e quando a luta acabasse, os homens me usariam sexualmente. Eu desejava tanto a minha própria
masculinidade, como a masculinidade de outros homens.
No começo os meus desejos não eram sexuais, eram simplesmente a ânsia pela atenção e o
interesse de algum homem por mim. Eu me lembro de um encontro de família no Natal, quando eu
tinha apenas quatro ou cinco anos, e o namorado de uma prima adulta me segurou em seu colo,
brincando comigo pelo que me pareceram horas. Por anos, depois daquilo, eu ia para a cama e revivia
aquela experiência maravilhosa em minha mente.
A alguns quarteirões de nossa casa, havia um corpo de bombeiros, e diversas vezes eu caminhava
até lá só para ficar ali ao redor, esperando que algum dos homens saísse e conversasse comigo. Eles
tinham um conjunto de pesos no posto, e eu gostava de olhar e ver os músculos dos bombeiros quando
se exercitavam.
Eventualmente, esses desejos por contato com homens se tornaram sexuais. Um garoto forte e
agressivo, que morava perto de nós e tinha um ano a mais que eu, descobriu que eu estava disposto a
‘atendê-lo’ sexualmente, e gostava que eu o fizesse. Apesar de que meu medo de ser descoberto limitasse
essa atividade, eu me tornei homossexualmente ativo com outros meninos a partir dos treze anos.
Minhas atividades sexuais pararam quando eu fui para a faculdade. Meu irmão fora para a
Universidade John Hopkins antes de mim, e não havia se juntado a uma fraternidade – arrependendo-se
mais tarde. Ele me incentivou a participar de uma. Apesar de minha lembrança de mim mesmo ser de um
‘nerd’ clássico, de alguma maneira eu consegui entrar em uma fraternidade. A partir daquele momento,
havia quarenta e poucos homens que praticamente tinham de ser meus amigos. Meu desejo por contato
masculino foi ao menos parcialmente suprido ao compartilhar das atividades típicas do colégio com meus
irmãos de fraternidade.
Ainda assim, a direção dos meus desejos sexuais nunca mudou, e minhas fantasias diminuíram
muito pouco. Apesar de ter namorado algumas garotas, nunca houve qualquer dúvida de que meu desejo
esmagador era por um homem.
Eu fui abençoado por crescer em uma época e cultura nos quais não havia um estilo de vida gay
alternativo me chamando. Eu sabia que havia alguns bares homossexuais em Baltimore, e eu visitava
livrarias pornográficas para dar uma rápida olhada na seção ‘masculina’, mas nunca havia me ocorrido
saltar para fora do único mundo que eu conhecia e deixar a homossexualidade determinar o curso da
minha vida. Assim como tantos homens orientados à homossexualidade dá época, eu arranjaria um
emprego, casaria, teria filhos, e aguentaria do melhor jeito que pudesse.
Foi exatamente o que aconteceu. Willa Bensons havia sido minha amiga desde os dias da escola
primária. Nós namoramos durante o 2º grau, e alguns períodos da universidade, sendo que dois anos
após a formatura nos casamos. Eu não disse nada para Willa a respeito de meus desejos homossexuais.
Apesar de que eu pudesse racionalizar isto pelo fato de que, quando casamos, fazia seis anos que eu não
tinha tido contato físico com nenhum homem e não pensava em fazê-lo no futuro, em retrospecto,
posso ver que foi de fato uma manifestação da minha determinação de sempre proteger a mim mesmo.
Foi também um reflexo do fato que minha inabilidade de realmente amar alguém me tornava incapaz de
pôr os interesses dela na frente dos meus.
Os primeiros anos de casamento foram bem. Nós tivemos duas filhas, e eu comecei a subir no
mundo empresarial. Nós éramos ativos em nossa pequena igreja Episcopal, e levávamos um vida social
ativa. Mas, gradualmente, as pressões da carreira e da família começaram a se acumular em mim e ao
mesmo tempo um problema de tireóide causou alguns problemas emocionais em Willa. Minha resposta
foi correr para os velhos meios de conforto: fantasia homossexual, pornografia, e, cinco anos após o
casamento, sexo com outros homens.
Na primeira vez, eu dirigi 70 quilômetros até Washington para ir a um bar gay tentar encontrar
um contato. Mas, conforme o tempo passou, eu me tornei cada vez mais imprudente, até começar a
frequentar abertamente bares e locais gays em Baltimore. Grande parte de minha homossexualidade era
masoquista, e eu comecei a responder anúncios de sexo sadomasoquista.
Por dez anos, eu levei uma vida dupla. Bem-sucedido nos negócios, vice-presidente e tesoureiro
de uma prestigiosa empresa de Baltimore, um pilar de minha igreja local – tesoureiro da igreja, membro
do conselho paroquial e professor da escola dominical. A fachada fora magistralmente construída e
mantida. Na realidade, minha vida estava fora de controle, e meu casamento estava se tornando uma
fraude. Eu estava bebendo muito e coloquei a culpa em Willa. Nós brigávamos muitas vezes. Pelos dois
últimos anos de atividade homossexual, eu fui incapaz de funcionar sexualmente no casamento.
Apesar de acreditar em Deus e aceitar intelectualmente os fundamentos da fé cristã, minha fé não
parecia ter nenhum impacto em minha vida. Eu orava rotineiramente, e orava para que fosse capaz de
parar com meu comportamento homossexual, mas sentia que as orações nunca eram respondidas.
Suponho que eu orava da mesma forma que fazia a maioria das coisas – era uma obrigação.
Eu nunca justifiquei o que fazia, mas me sentia incapaz de parar. Afundando-me gradualmente
em uma atitude fatalista, eu vi minha vida em uma espiral descendente, que eventualmente me custaria a
família, o trabalho, talvez até a vida, eu não podia fazer nada a respeito.
Mas Deus podia. Duas coisas aconteceram. Willa, procurando por ajuda, entrou em grupo de
oração. Ela não sabia, mas deparou-se com um grupo de mulheres mais velhas que eram poderosas
guerreiras de oração. A líder do grupo era Helen Shoemaker, autora de vários livros de oração, e co-
fundadora da Sociedade Anglicana de Oração. Willa não contou a elas a natureza exata de nossos
problemas, mas elas começaram a orar por mim e por nosso casamento.
Não muito tempo depois disso, um amigo no trabalho, Jeremias, teve uma profunda experiência
religiosa. Certa noite, na escolinha de seus filhos na paróquia católica, ele encontrou-se em um grande
encontro de oração organizado pela Comunidade Cordeiro de Deus (Lamb of God), um grupo
interdenominacional carismático. Jeremias foi cativado pelo que viu, e juntou-se a eles. Ele voltou na
semana seguinte, e nessa reunião, entregou sua vida a Cristo.
Conforme Jeremias tentava me explicar o que havia acontecido (nenhum de nós conseguia
compreender exatamente; nascer de novo não fazia parte de nossa teologia na época), eu estava certo de
que ele tivera um encontro verdadeiro com o Senhor. De alguma forma, eu sabia que poderia ter um
encontro também, mas era a coisa mais assustadora que eu podia pensar. Eu sabia que um encontro
assim iria envolver a minha homossexualidade. Talvez eu tivesse de confessar quem eu realmente era.
Talvez Deus me desse um pouco mais de força, e eu poderia me reprimir pelo resto da minha vida.
Talvez ele me capacitasse a abrir mão de tudo, mas isto parecia algo terrível. Por mais que eu odiasse, eu
não podia viver sem a homossexualidade. Era a minha maneira de aguentar a vida, desde quando podia
me lembrar.
Mas as coisas se tornaram desesperadoras o bastante para que, após seis ou sete semanas de
agonia, em 26 de novembro de 1974, uma terça-feira, eu fui ao encontro com Jeremias. Ele não sabia do
meu problema, bem como ninguém na reunião. Em algum ponto durante o programa, quando 200 e
poucas pessoas estavam louvando a Deus em voz alta, eu disse quietamente, “Deus, eu desisto. Minha
vida está uma completa bagunça. Eu não consigo mais aguentar. Não me importa o que fizeres; por
favor, toma a direção”. E foi o que ele fez.
Em alguns dias, eu percebi que mudanças profundas haviam acontecido em mim. Primeiro, eu
me apaixonei completamente por Willa, e a desejava fisicamente. Minhas fantasias homossexuais, que
nunca haviam me deixado, se foram. E, mais importante, eu sabia que Jesus era real, que ele me amava, e
que eu estava começando a amá-lo.
Algumas semanas depois, eu contei a Willa toda a verdade a respeito de minha vida. Os anos de
repressão dela imediatamente desabaram, e nos meses seguintes, ela enfrentou todas as feridas que meus
anos de rejeição, engano, raiva e atribuição de culpa haviam causado. O processo de cura dela estava
apenas começando e levaria alguns anos. Sua capacidade de confiar em mim e receber o meu amor
cresceu bem vagarosamente. Como parte do novo começo na vida, nasceu nosso filho, Estevão, 18
meses após minha conversão.
Isso ocorreu quatro anos antes de eu ouvir falar de qualquer outra pessoa que tivesse sido liberta
da homossexualidade, e então li a respeito de Amor em Ação (Love in Action), um ministério para cura
da homossexualidade, na cidade de San Rafael, na Califórnia. Eu comecei a me corresponder com Frank
Worthen e Bob Davies do Amor em Ação. Mais um ano e eu finalmente encontraria outro ‘ex-gay’ em
minha primeira conferência Exodus, em Seattle, Washington.
Os líderes do Exodus foram cautelosos quanto ao meu testemunho, no princípio. Eles já haviam
encontrado outros que afirmavam ter recebido curas repentinas e milagrosas da homossexualidade, para
depois de um ou ano ou dois descobriram que essas curas tinham sido bem menos do que completas. A
desconfiança deles era compreensível, mas não porque eu não havia sido liberto do comportamento
compulsivo e das atrações sexuais por homens. Eu havia sido. Hoje, 25 anos depois, se alguém me
oferecesse o homem mais lindo do mundo, e dissesse, “Aqui, faça o que quiser com ele”, minha resposta
seria: “Não, obrigado, não estou interessado.”
Mas a homossexualidade é mais do que apenas atrações e comportamento homossexual, e eu mal
começara a experimentar a cura em outras áreas. Uma área que ainda não havia sido tocada era minha
carência emocional. Apesar de não ser mais sexual, eu ainda sentia uma ânsia profunda de que um
homem grande e forte cuidasse de mim. Essa necessidade ‘infantil’ havia saído de vista nos anos após a
minha conversão, entretanto, quando eu entrara em um relacionamento profundo com Jesus. Ele
derramou sobre mim esse amor que eu nunca havia sentido. Hoje, creio que minha necessidade por
amizade masculina é normal e tão saudável quanto a de qualquer outro.
A homossexualidade também é uma questão de identidade, e outra vez, eu tinha quilômetros a
percorrer. Eu tinha 38 anos no momento de minha conversão, mas no desenvolvimento de minha
masculinidade e senso de masculinidade, creio que apenas uns 8 anos. Eu tinha que começar a crescer.
Esse processo levou anos, mas, outra vez, foi uma obra poderosa de Deus. Hoje, sinto-me confiante e
em completa paz com minha masculinidade.
Durante os últimos anos, eu tenho percebido outro aspecto a respeito de como Deus me mudou,
um que faz menção à cura sexual original. Eu sempre vi esta cura como milagre; mas agora já não vejo
mais assim. Vejo como três milagres.
A homossexualidade não é uma doença como retardo mental ou câncer; é um grupo de
problemas que, juntos, resultam em atrações e comportamento homossexual. Cada um desses problemas
deve ser tratado individualmente. Aqui estão os três problemas que Deus tratou em mim no começo de
minha cura; meus três milagres.
Primeiro, ele derrubou minhas paredes de auto-proteção, e eu me tornei capaz de amar. E quem
seria o objeto do meu amor mais lógico do que Willa, a pessoa que me amara e ficara ao meu lado por
todos estes anos terríveis? Eu me apaixonei por ela, e assim como ocorre com muitos homens que saem
da homossexualidade, a partir desse amor veio o desejo sexual por ela.
O segundo milagre é que Deus “des-sexualizou’ minhas necessidades não atendidas. Por um
tempo, eu ainda ansiava pelo amor e atenção de um homem, mas esse desejo já não era sexual. Eu
desejava ser um homem, mas esse desejo não era mais expressando na vontade de possuir a
masculinidade de outro homem.
Terceiro, o vício sexual foi quebrado. Este talvez seja o milagre mais difícil de entender, mas é o
que encontramos de forma mais frequente. Qualquer homem vitorioso pode testemunhar como render
sua vida a Deus é o que rompe o poder do vício sexual.
Apesar de não serem muitas pessoas que experimentam a mudança da forma como aconteceu
comigo, tudo o que ocorreu pode também acontecer com qualquer homem ou mulher lutando contra a
homossexualidade – ser libertado para amar, des-sexualizar as necessidades emocionais, quebrar o poder
do vício, ter as necessidades profundas do coração atendidas por Jesus, e crescer na masculinidade (ou
feminilidade). Eu sei disso, porque vi acontecer centenas de vezes.
Em 1979, cinco anos após minha cura inicial, eu comecei o Regeneração, um ministério cristão
para homens e mulheres querendo deixar a homossexualidade. Willa avançou em seu processo de cura e
começou a ministrar comigo. Nossas duas filhas cresceram, se casaram, e nos deram seis maravilhosos
netos. Estevão, o nosso filho da promessa, cresceu para se tornar um forte homem cristão, casou-se
recentemente, e está lecionando em uma escola.
Quando eu olho para trás e considero o que podia ter acontecido, comparado com o que é minha
vida hoje, mal posso conter minha gratidão. Que Deus gracioso nós servimos. Eu estou chegando à idade
em que em breve terei de largar algumas de minhas responsabilidades de liderança e ministério, mas não
posso imaginar um dia parar de ajudar as pessoas a encontrar a liberdade e a vida abundante que o
glorioso Deus me concedeu.
Apêndice B
a coisa mais importante que você pode fazer para
amadurecer na masculinidade
Passe tempo com Deus. É algo radical a se dizer, mas eu acredito absolutamente que a coisa mais
importante que você pode fazer para promover o seu crescimento na masculinidade é passar tempo com
Deus. Eu queria que houvesse uma forma de dizer isso sem que soasse como um velho clichê cristão. É
algo tão importante, mais importante que qualquer outra coisa que eu tenha a dizer neste livro. Eu
acredito firmemente que, se ao longo dos anos, eu não houvesse fielmente passado tempo regularmente
diante do Senhor, minha masculinidade não teria avançado além do que era em minha conversão há 25
atrás. Foi em minha ‘hora silenciosa’ que eu experimentei tudo o que um pai deveria incutir em seu filho.
Quando escrevo sobre passar tempo com Deus, ou ensino a respeito em nossos grupos no
Regeneração, eu sempre sinto que estou dizendo algo tão óbvio que soará como um disco quebrado.
Todo cristão deveria saber disso! Eu me senti assim quando incluí uma lição sobre “hora silenciosa” no
Nova Direção (o programa básico de nosso ministério para homens e mulheres deixando a
homossexualidade), e é esta lição que as pessoas dizem que mudou mais a sua vida do que qualquer
outra.
Talvez o meu ensino sobre isso tenha um efeito poderoso sobre as pessoas em nossos grupos,
porque é a única lição que eu posso dar de consciência tranquila com o que Paulo disse em 1 Coríntios
4:16: “Sejam meus imitadores”. Pelos últimos 25 anos, em média 5 ou 6 vezes por semana, eu tenho
passado em torno de uma hora a uma hora e meia sozinho com o Senhor em oração, meditação e leitura
da Bíblia. Sem estes momentos, eu nunca me tornaria o homem que podia fundar o Regeneração e
vencer todos os desafios atravessados ao longo dos anos.
É nos meus momentos devocionais que tenho sido sustentado através de todas essas
circunstâncias. É nesses momentos diários, sozinho com o Senhor, que ouço o chamado dele para me
arrepender dos pecados profundos que podia facilmente deixar passar, que sinto o seu inexplicável amor
por mim, que ouço as suas palavras de encorajamento, o chamado do Pai para que eu lute o bom
combate, tanto em minha vida como no ministério. É com ele que me coloco em um estado de espírito
no qual posso escrever e ser criativo. É minha hora com Deus que direciona minha vida a cada dia. É o
momento mais importante de minha vida.
Um tema central do nosso ensino no Regeneração é que a cura vem através de nosso
relacionamento com Jesus Cristo. Eu acredito que a maior parte das pessoas aceita isso. Elas também
reconhecem que, para estar em um relacionamento real com alguém, precisamos passar tempo com a
pessoa. Ainda assim, quando pergunto aos membros do grupo quantos têm um tempo pessoal de
quietude significativo com o Senhor, apenas metade das mãos é levantada. Eles sabem que deveriam
fazer, mas não o fazem. Por que isso acontece?
Tentando olhar por baixo do que se pode ver, aqui estão algumas razões que encontrei por que
muitos cristãos não passam um tempo regular significante com o Senhor.
1. Prioridades. Apesar de que a pessoa possa nunca reconhecer isso, o fato é que outras
prioridades são mais importantes. Pode ser algo simples como o conforto de uma cama
quente de manhã, ou a ‘necessidade’ de assistir o noticiário à noite. Pode ser a correria do dia-
a-dia, ou até mesmo as exigências de um importante trabalho ministerial.
2. Dificuldades com disciplina. Uma pessoa que não possui a habilidade de adiar um bem imediato
por um bem maior a longo prazo.
3. Problemas espirituais. Talvez Deus pareça sempre distante. Talvez o inimigo esteja trabalhando.
A estratégia preferida de Satanás é manter alguém longe do Senhor.
4. Racionalização. Você pode orar em seu carro e ouvir radio cristã. Você já está trabalhando para
o Senhor o dia todo, portanto não precisa de momentos especiais.
5. Fracassos passados. Você já tentou tantas vezes e falhou. Por que tentar outra vez?
Lutar para fazer algo que sabemos que deveríamos fazer não é muito diferente de lutar para parar
de fazer algo que não deveríamos fazer, portanto sabemos que não há respostas fáceis. Entretanto, em
relação a ter um tempo com Deus diário, precisamos estar certos de que Deus deseja isto tanto quanto
nós – ele nos criou para sermos objetos do seu amor – portanto, deve haver respostas. Deixe-me sugerir
algumas:
1. Se o problema são as prioridades, tente este exercício. Faça uma lista de tudo que você realiza
em um dia típico, desde sair da cama a ir dormir à noite. Então, risque fora as coisas
necessárias para sobrevivência, como comer, trabalhar, etc. Então pergunte a si mesmo: as
coisas que sobraram na lista devem ter prioridade mais alta do que passar tempo com o
Senhor? Isso incluiria fazer compras, descansar, visitar a sua mãe, responder e-mails, até
comparecer a reuniões do grupo de apoio. A resposta deve ser óbvia. Comece a organizar as
prioridades de acordo.
2. Se o problema é a falta de autodisciplina, tenho algumas sugestões. A primeira é encontrar
alguém para quem você possa prestar contas neste sentido, alguém que por algum tempo irá
questionar regularmente se você está cumprindo sua intenção. Segundo, no fim do dia em que
você não teve o seu tempo com o Senhor, faça esta oração: “Pai, perdoa-me. Eu não te julguei
importante o suficiente para passar tempo hoje contigo”. Continue com isso até que a essa
realidade adentre o seu coração.
3. Se o problema é o inimigo, você pode precisar entrar na batalha espiritual. Em voz alta, no
nome de Jesus Cristo, repreenda Satanás e suas táticas. Lembre-se, ele é um inimigo derrotado,
não é páreo para o poder de Jesus.
4. Se o problema é algo que está fazendo Deus parecer inacessível ou muito distante, você
precisará descobrir a razão disto. Esta pode ser uma jornada espiritual por si própria, e você
pode precisar da ajuda de um pastor ou conselheiro.
5. Se o problema é a racionalização, pare com isso! Seja honesto consigo mesmo e reconheça que
nada na sua vida é mais importante do que o tempo que você passa com Deus por ao menos
uma parte do dia. Ele merece sua atenção completa.
6. Se você tentou no passado e fracassou, tente outra vez. Desta vez, utilize algumas das
sugestões abaixo. Você talvez venha a descobrir que formar esse “novo hábito” é como
quebrar velhos hábitos; você simplesmente deve pegar e fazer – independentemente da forma
que estiver se sentindo – até que a nova maneira de agir faça parte de você.
Há muitos recursos disponíveis para ajudar cristãos a experimentar ‘horas silenciosas’ frutíferas.
Deixe-me mencionar algumas ideias que funcionaram para mim e para outros.

QUAL É O MELHOR MOMENTO PARA SE TER UM TEMPO COM DEUS?

Geralmente, deve estar conformado ao seu relógio corporal. Há pessoas que estão mais atentas
pela manhã, e pessoas que estão mais atentas à noite. O melhor é de manhã cedo, se você puder. Isso
simboliza que o Senhor é a sua primeira prioridade, e direciona o seu dia. Além disso, a manhã é menos
sujeita a interrupções e outras obrigações concorrentes.

QUANTO TEMPO DEVE DURAR?

Aqui, eu discordo de alguns outros que dizem para começar com dez minutos apenas para
desenvolver o hábito. Eu sugiro começar com ao menos meia hora. Para a maioria de nós, leva algum
tempo até nos acalmarmos, esvaziarmos a mente e começar a fazer contato com Deus. Em dez minutos
isto provavelmente não acontecerá, fazendo com que os seus momentos pareçam infrutíferos e você
desista após algum tempo.

ONDE?

Se possível, deve ser algum lugar privado, onde você possa sentir-se livre para se ajoelhar, cantar,
orar em voz alta, ou fazer o que você sentir que deve fazer. Prepare um lugar confortável. É melhor se
for o mesmo lugar todo dia: o seu lugar privado de encontrar-se com o Senhor.
O QUE VOCÊ FAZ NO SEU TEMPO COM DEUS?

Há tantas respostas diferentes quanto existem pessoas, mas deixe-me sugerir o que funciona para
mim.
1. Comece adorando. O foco desse momento é no Senhor, para que o contemplemos da forma
correta. Quando eu era um novo cristão, a adoração parecia embaraçosa e difícil. Tudo que eu podia
dizer era: “Eu te louvo, Senhor. Eu te adoro, Jesus.”, vez após vez. Tenho certeza de que o Senhor se
agradava tanto destas palavras desajeitadas quanto ele se agrada das palavras mais eloquentes que eu
poderia compor hoje. Depois de um tempo, a adoração passa a acontecer mais facilmente, e a diversidade
flui naturalmente. Recitar salmos de louvor pode ajudar.

2. Então, prossiga com agradecimentos e confissão. O foco destes passos também é o Senhor, mas eles já
nos envolvem na figura. Estas ações nos colocam no relacionamento correto com ele – pecadores que
têm muito pelo que ser gratos. Agradecer e confessar nos fazem reconhecer que ele é a fonte de tudo o
que temos, e que diariamente nós precisamos de perdão e purificação.

3. Intercessões – orações pelas necessidades ao nosso redor – são parte do momento de ‘hora
silenciosa’ de quase todos, mas se não tomarmos cuidado, podem se tornar rotineiras. Eu descobri que
manter uma escala escrita para intercessão funciona bem. É claro, eu oro todos os dias pela minha
família, meus pastores, e a equipe do Regeneração, mas tenho orações específicas para os diferentes dias
da semana. Nas segundas, eu oro pela igreja ao redor do mundo, nas terças, pelo nosso país, nas quartas
pelos ministérios da Exodus, e assim por diante. Para cada membro da equipe, eu tenho um dia na
semana para orar por ele ou ela.

4. Leitura da Bíblia é essencial, mas sem tirar o tempo para orar e refletir a respeito, pode se tornar
um exercício legalista. Eu gosto de usar um guia ou diário, algo que sugira leituras diárias do Velho
Testamento, Salmos, Evangelhos e Epístolas. Sem um guia, eu tenderia a ler apenas as passagens
familiares, que são as minhas favoritas. Eu perderia muito da riqueza da Palavra de Deus, que ainda não
descobri. Ler toda a Bíblia pode ser útil, mas ao fazê-lo estamos dando o mesmo peso às dimensões do
Tabernáculo e a João 17. Um bom guia ou diário fará com que você atravesse as passagens importantes
mais frequentemente. Use outros auxílios, como Tudo Para Ele de Oswald Chambers, mas não deixe que
sejam substitutos para a pura Palavra de Deus. Você descobrirá um poder nas Escrituras que não
encontrará em nenhum outro lugar.

5. Petições – orações pelas nossas próprias necessidades pessoais – são muito apropriadas após
lermos as Escrituras. A Palavra de Deus pode nos guiar a orarmos pelas coisas que realmente precisamos.
Não dê uma de ‘super espiritual’ para deixar de pedir por aquilo que está no seu coração. Um bom pai
quer que seus filhos e filhos expressem os seus desejos a ele.

6. Mantenha um diário. Dos que testemunham ter bons tempos de devocional diários, mais que
metade diz que mantém um diário. Eu tenho uma mente que está sempre trabalhando e indo de uma
coisa a outra, mas escrever é algo que me ajuda a desacelerar para que eu possa ouvir a Deus melhor. É
algo que clareia o meu pensamento. Também me ajuda a me conectar com minha vida interior,
capturando pensamentos e emoções que estão rodopiando ao redor da minha cabeça.

O meu diário é onde registro as lições que aprendi, e dessa forma fico menos inclinado a ter de
aprendê-las outras vezes. Meu diário é a história de onde Deus me tirou e aonde está me levando. O
nosso crescimento na masculinidade é um processo lento e gradual. Dessa forma, às vezes não
enxergamos as mudanças que estão acontecendo em nossas vidas. Com um diário, você pode olhar para
trás e ver certas áreas da masculinidade com as quais você lutava por anos, e, de repente, passaram a não
mais transparecer como um problema. Este pode ser um grande fortalecedor da sua fé.
As pessoas usam diários de muitas formas. Eu não escrevo no meu diário todos os dias, apenas
quando há algo que eu creio que é necessário registrar. Para cada registro, eu dou um nome para que, no
futuro, se estiver caminhando em uma estrada similar, eu possa olhar para trás e ver como Deus agiu
comigo nesta questão antes. Meu diário é uma pasta de folhas soltas, mas também já usei um caderno
simples.
Você pode ter dificuldades em começar a ter tempos de devoção regulares, mas não se desespere.
Deus deseja e você precisa disso. Se você luta constantemente com certos problemas, e apenas faz
orações ocasionais pedindo ajuda, você não está desenvolvendo o relacionamento que trará vitória e cura
permanentes. Nós temos visto pessoas que têm lutas de anos e anos, mas quando permitem ao Senhor
que faça parte de suas vidas passando um tempo expressivo com ele, coisas gloriosas têm acontecido.
Ter um tempo significativo será a coisa mais importante que você pode fazer no amadurecimento
para a masculinidade. É no seu momento com o Senhor que você encontrará o Conselheiro mais sábio
que já existiu. Você também estará com o Pai perfeito, o Irmão perfeito, o Amigo perfeito que o ama e
pedirá contas do seu dia a dia. Você estará com o Único que pode suprir cada necessidade sua, e você se
tornará o homem que ele quer que você seja.
CONTRACAPA

Retorne ao mundo dos homens.


O que acontece quando um menino cresce fisicamente em um homem adulto, mas deixa de ter
algumas das experiências e relacionamentos que o ajudam a atingir a masculinidade completa? Muitos
desses meninos crescerão com atrações homossexuais; outros podem ser heterossexuais, mas carecem de
um senso verdadeiro de sua masculinidade. Alan Medinger escreve para esses homens, e para aqueles que
querem ajudá-los.
A partir do contexto de sua própria libertação da homossexualidade e de seu amadurecimento na
masculinidade confiante e confortável, Medinger oferece esperança aos outros. Para homens orientados
homossexualismo, esse crescimento é essencial, mas um passo muitas vezes negligenciado no processo
de cura.
“Alan Medinger é um dos verdadeiros sábios do movimento cristão ‘ex-gay’. A sua vida foi
abençoada com uma sabedoria adquirida a custo de muito esforço. Em Rumo à Masculinidade, o leitor
receberá a chance de aprender o que Medinger sabe a respeito das qualidades de caráter que definem um
homem maduro, sobre os passos práticos que um homem pode dar para crescer ao seu potencial pleno, e
a respeito da verdade paradoxal que, no fim das contas, a masculinidade verdadeira é algo que nós
damos, ao invés de receber.”
Joseph Nicolosi, Ph.D., Presidente da Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da
Homossexualidade
“Em Rumo à Masculinidade, Alan Medinger nos dá o guia prático, mas nunca simplista, para a
jornada rumo à masculinidade plena. A sua abordagem é paternal – gentil, mas firme. O seu efeito em
mim foi gerar maior clareza e coragem, conforme eu procurava me tornar mais homem como pai, marido
e líder de ministério. Eu certamente lerei Rumo à Masculinidade outra vez, atentamente, para mim
mesmo, e o indicarei sem reservas para qualquer homem que quer amadurecer.”
Andrew Comiskey, Diretor Executivo, Ministério Ribeiros no Deserto (Desert Stream)
Alan Medinger, ex-diretor do Exodus – América do Norte, é o fundador e diretor do ministério
Regeneração, um dos ministérios ‘ex-gay’ mais antigos dos Estados Unidos. Um preletor popular para
conferências ex-gay, Medinger escreve um boletim periódico e apareceu em diversos programas de
televisão.
WaterBrook Press