Está en la página 1de 14

•)' \ - I v •7 2 • • • ,• \•,••••••)

tYS14>

••••••4
P f -r i n
tkcn,fivo
Tt
, ,
i
" r ;t
, 0:4
ts
4
kt
,
i
1
9
3
1
"
/
,
4
<
1
S
:
r
v
t
1
Eu, eu, eu... você e todos nós

Parece-me indispensável dizer quem sou. [...I A •desproporção entre


agrandeza da minha tarefa e a pequenez de meus contemporâneos
manifestou-se no fato de que não me ouviram, sequer me viram. [ 1
Quemsabe respirar o ar de meus escritos sabe que é uns ar das alturas,
um ar forte. É preciso ser feito para ele, senão há o perigo nada peque-
no de se resfriar.
Priedrich Nietzsche

Aqui, mão vou contar a ninguém os "dez passos" para nada, nem vou
dar dicas de o que fazer ou não para ter sucesso.Esse vai serapenasum
relato das lições que o mundo e a vida me ensinaram até este momento.
Nesta curta mas intensa trajetória, muita gente fez questão de não me
enxergar—
Bruna Surfistinba

COM O 4 R f r i i i _
título
1 de sua autobiografia, sknificativamente intitulado. Face Homo e
•5 1
redigida
7 em 1888, nos meses prévios ao "colapso de Turim". Após esse
,episódio,
1 • M 9 5 o .filósofo mergulharia em uma longa década de sombras e va-
0
zio, até morrer 'desprovido de espírito", de acordo com os amigos que
Q U E
to visitaram.
? Nas faíscas desse livro, Nietzsche revisa sua trajetória com a
firme 8ambição
1 8 de "dizer quem sou". Para isso, solicita a seus leitores que
9
p
o ouçam,
e r
"pois
g
eu sou tal e tal; sobretudo, não me confundam!". É claro
uque ratributos
i t como a modéstia e a humildade estão radicalmente ausen-
ates no
v texto,
a mas isso não pode surpreender em alguám que se orgulhava
N l ç
4de ser s oposto
c "à espécie de homem que até agora se venerou como virtuo-
hsa", preferindo
e 1 ser um sátiro a um santo.' Essa atitude, porém, fez com
o g o
que seus contemporãncos enxergassem na obra de Nietzsche urna mera
n
oevidência da loucura. Suas fortes palavras, aquilo tão "imenso e mons-
struoso" que ele tinha a dizer, foram lidas como sintomas de um fatídico
u
b
-
O show do eu Patt12

diagnóstico sobre as falhas de caráter daquele eu que falava: megaloma- modificando as artes, a política e o comércio, e até mesmo a maneira de
nia e excentricidade, entre outros epítetos de calibre semelhante.z percebermos o mundo. Nós, e não eles, a grande mídia tradicional, tal
Mas por que começar um ensaio sobre a exibição da intimidade na como eles próprios se ocupam de sublinhar. Os editores da revista res-
internes dos pránórdios do século XXII eitando as excentricidades de um saltaram o aumento inaudito de conteúdo produzido pelos usuários da
filósofo megalomaníaco de finais do XIX? Talvez haja um motivo váli- internet, seja nos blags, nos sites de compartilhamento de vídeos como
do, que permanecerá latente ao longo destas páginas e procurará reen- o YouTube ou nas redes sociais de relacionamento como o MySpace e o
contrar seu sentido antes do ponto final. Por enquanto, bastará tomar Orlam Em virtude desse estouro de criatividade (e de presença midiática)
alguns elementos dessa provocação que vem ,cle tão longe, na tentativa j entre aqueles que costumavam ser meros leitores e espectadores passivo;
' de disparar o nosso problema. Qualificadas então como doenças mentais teria chegado "a hora dos amadores". Por tudo isto, então, "por toma-
ou desvios patológicos da normalidade exemplar, hoje a megalomania e rem as rédeas da mídia global, por forjarem a nova democracia digital,
a excentricidade não parecem desfrutar daquela mesma demonizaçãoi por trabalharem de graça e superarem os profissionais em seu próprio
Em uma atmosfera como a contemporânea, que estimula a hipertrofia jogo, a personalidade do ano da Titnê é você", afirmava a revista.'
do eu até o paroxismo, que enaltece e premia o desejo Nas comemorações pelo fim do ano seguinte, um jornal brasileiro tam-
- "querer•sempre mais", sao outros os desvarios q a m m
e bém decidiu colocar você corno o principal protagonista de 2007, permi-
Outras
de s sao e ras nossasd i f croTes
e r porque
e n t outras
e " também são as nossas elidas, tindo que cada leitor fizesse sua própria retrospectiva anual através do
- outras as pressões que cotidianamente se d e s c a r ~ so re i site do periódico na web. Assim, entre as imagens e comentários sobre

pos e outras as porenclas grandes feitos e catástrofes ocorridos no mundo ao longo dos últimos
,kb Uni sinal destes temPov foi a n , t e c i l i n e , por si só um doze meses, no site do jornal O Globo apareciam fotografias de casa-
ícone
(e— do arsenal midiático global, quando encenou seu costumeiro ritual mentos de gente "comum", bebês sorrindo, férias- em família e festas
ide descolha
apToo t da e n"personalidade
Tm do ano" no final de 2006. Nessa edição, de aniversário, todas acompanhadas de legendas do tipo: "Neste ano, o
c la s )
criou-se uma notícia que foi e ct ia d a Hélio casou com a Flávia", "Priscila desfilou no Sambódromo", 'Carlos
q- u e
----a-pancta,
lci u l et logo conheceu a mar", "Marta cc.-isa& ,
i esquecida.noturb.:Xe-
v a
1 são - o s . ei descartados.
la e produzidos
la s m e o s A revista norte-americana vem repetindo » Z n etiveram
Susana e r • gêmeos".
a - s u a
m
-- dessa
-
cZr-d acerimônia
e d r i shá l quase
a n um século, com o intuito de apontar "as pessoas d Como
o einterpretar
n ç aessas " MavidaciaSfSerá
, que estamos sofrendo um sur-
i cque n omaisó mc afetaram
uu no i so cnoticiárioa ç e ã nossas
o vidas, para o bem ou para o mal, " deW
to megalomania
a l tconsentida
e r e até mesmo estimulada? Ou, ao con-
qd u incorporando ee . o que a foi importante no ano". Assim, ninguém menos que trário,
e nosso planeta foi tomado por uma repentina onda de extrema
ct Hitler foi eleito
a o d d a o em 1938, o aiatolá Khomeini em 1979 •e George W. Bush humildade, isenta de maiores ambições, uma modesta reivindicação de
d em 2004.i E quem a foi n personalidade do ano de 2006, de acordo com o todos nós e de "qualquer urril? O que implica esse súbito resgate do
. r _ e a p e. j i a pequeno e do ordinário, do cotidiano e das pessoas "comuns"? Não é
você,
t más também eu e todos nós. Ou, mais precisamente ainda,catia fácil compreender para onde aponta essa estranha conjuntura, que, me-
tuml i adesnós:
s i eas e pessoas
l "comunsCIThileSpeboludbaya ria capa tia„publi- diante urna incitação permanente à criatividade pessoal, à excentricidade
icação
ctoa e convidava
da_l seus leitores a nele se contemplarem, corno Narcisos eà procura constante da diferença, não cessa de produzir c ó
•isatisfeitos
m e ? Te verem s u a s cópias
- descartáveis 'do mesmo. Mas o que significa essa repentina eira:lia-
-V mídia.
da o c ça
p ia s e m a i s
W ê sQuaisT! a fforam
i l l t d- os
' a-motivos
- - dessa _ _curiosa
_ _ escolha?
_ _ Acontece que você e .
própria e alheia? Até mesmo a entusiasta revista Time, apesar de toda
-Ieu,
_ todos n nós, estamos "transformando a era da i n f a
° euforia com que recebeil a ascensão de você e a celebra ão do eu na
dS - e s "i ' a r i t i l a r i d o d
no8d i mca çoa o " . E s t a m o s o 9
m ê . a i b
sO a
Paula Sibila

zação" dos canais midiáticoa. Essea novos_____________ abrem uma infinidade


web, admitia que esse movimento revela "tanto a burrice das multidões de possibilidades ue eram Lm w a l
como a sua sabedoria". Algumas pérolas lançadas no turbilhão da in- extremamente
• o promissoras,
e l _ p tanto
_ sara a inven ão quanto para os conta-
ternet "fazem-nos lamentar pelo futuro da humanidade", declararam os tos
a .e troca a s experiencias em andamento já co = r a n t o valor
editores da publicação, e isso somente em função dos erros de ortografia, dessa
s 2 fenda aberta para a experimentação .
sem considerar "a obscenidade e o desrespeito gritante" que também t, _ possível.
do é_Lka Por
s _outro
p lado, porém, a nova onda tambémadesattau-uma
costumam abundar por esses territórios. ra e W o i a a
-
Por um lado, parece que estamos diante de uma verdadeira "explosão —
avidamente capitalizadas aserviço de um mercadosapaz d
p
0
de produtividade e inovação". Algo que estaria apenas começando, se- r.e
t a" rf i e ã c i
gundo a Time, "enquanto milhões de mentes que de outro modo teriam modéstia
ar a t. .u daparecem
.e o d &de T mãos
r odadas
- nesta insólita promoção de você e eu
se afogado na escuridão ingressam na economia intelectual global". Até que se espalha pelos novos circuitos interativos: glorifica-se a menor das
n
p
aa a
aí, nenhuma novidade; já foi bastante comemorado esse advento de uma pequenezas,
rit an msptl 'raenquanto a d l o se parece buscar a maior das grandezas. Vontade
era erni uecida pelas potencialidades das redes digita, sob bandeiras
cu m e n de impotência ao mesmo tempo? Megalomania e despre-
de potência e
corno as da ciberc tura, •a In e igência coletiva e da reorganização rizo- tnsão? Para tentar sair desse impasse, pode ser inspirador indagar na
t a l i z
o
relação entre este quadro tão atual e aquelas intensidades "patológicas"
a ç ã o
n

vdque inflamavam a voz nietzschiana no final do século XDC," quando o
mseu lado menos luminoso. Tanto na internct quanto fora dela, hoje a filósofo alemão incitava seus leitores a abandonarem sua humana peque-
e
ácapacidade de criação é sistematicamente ca tur"a. a pelos tentáculos do nez para ir além. Inclusive além do próprio "mestre", que não queria ser
rsnem t santo,
s
tmerca7 o u i i i t i arn como nunca essas forças vitais e, ao mesmo tempo, nem profeta e nem estátua, propondo a seus seguidores que
ase arriscassem, que o perdessem para se encontrarem, e, desse modo,
ê
i não cessam de transforrná-las em mercadorias. Assim, o seu potencial e
-sque eles também fossem alguém capaz de se tornar "o que•é". Qual a
cinvenção costuma ser desativado, pois a criatividade tem se convertido
ano combustível de luxo do capitalismo contemporâneo:a.. seu "protoplas- lfrelação deate. t ã o venerados boje em. z q u e l e
ma", corno diria Suar> oalguém de Nietzsche?

Entretanto, apesar disso tudo e da evidente sangria que há por trás das r Algo se passou entre essas duas realidades, um acontecimento histórico
e
c, R i T h i t l e . ' '
"alegrias do marketing", sobretudo em sua reluzente versão interativa, os çqué talvez possa fornecer algumas pistas. O século passado assistiu ao
m
l
próprios jovens costumam pedir para serem constantemente motivados lasurgimento de um fenômeno desconcertante: os meios de comunicação de
a eestimulados, como advertiu Gilles Deleuze nos inícios dos anos 1990.
ismassa baseados em tecnologias eletrônicas. É muito rica, embora não tão
s Esse autor acrescentava que caberia a eles descobrir "a que são levados a
x-longa, a história dos sistemas fundados no princípio delnoadcasting, tais
o servir"; a eles, quer dizer, a esses jovens que hoje ajudam a construir esse
\comor o rádio e a televisão, tipos de mídia cuja estrutura comporta uma
o
c fenômeno conhecido como 'Web 2.0. A eles incumbe a importante tarefa
.ifontet emissora para muitos receptores. Já nos primórdios do século XXI,
i de "inventar novas armas", capazes de opor resistência aos novos e cada
atestemunhamos a consolidação deste outro fenômeno igualmente desnor-
É i
e vez mais ardilosos dispositivos de poder; criar interferências, "vau:tolos teante: em menos de uma década, os computadores interconectados atra-
s
p ,
d de não-comunicação, interruptores", na tentativa de abrir o campo do
qvés das redes digitais de abrangência global se converteram em inesperados
o
a possível desenvolvendo formas inovadoras de e estar no mundo2- - - meios-de comunicação. No entanto, esses novos canais não se enquadram
ru
d Talvez o novo enomeno encarne uma mistura in • • itae n l e x a des- dé maneira adequada no esqueMa clássico dos sistemas broadcast. E tam-
ie
e tas duas verteparentemente contraditórias. Por um lado, a festejada pouco são equiparáveis às formas low-tech da comunicação tradicional,
s
. "_ex_plosão de criatividade" vincula-se a uma extraordinária democrati-

P
o
o
q
r
u
o
e
u
g
FALIR« Sibilla
O show do eu

paradoxos dessa novidade, que consiste em carpes a própria intimidade


que eram "interativas' avant Ia Wire, tais como as cartas, o telefone e o nas vitrines globais da rede. Os primeiros blogs apareceram quando o
telégrafo. Quando as redes digitais de comunicação teceram seus fios ao
nfilênto agonizava; quatro anos depois existiam três milhões em todo
fedor do planeta, tudo começou a mudar vertiginosamente, e o futuro
o mundo, e em meados 4e 200$ já eram onze milhões, Atualmente, a
ainda promete outras metamorfoses. Nos meandros desse ciberespaço de
blogosfera acolhe cerca de cem milhões de diários, mais do que o dobro
escala global germinam novas práticas de difícil qualificação, inscritas no
dos hospedados um ano atrás, de acordo com os cadastros do banco de
nascente âmbito da comunicação mediada por 'computador. São rituais
dados Tecnorati. Essa quantidade tende a dobrar a cada seis meses, pois
bastante variados, que brotam em todos os cantos do mundo e não cessam
todos os dias são engendrados cerca de cem mil novos rebentos, portanto
de ganhar novos adeptos dia após dia. o mundo vê nascer três novos blogs a cada dois segundos.
Primeiro foi o correio eletrônico, uma poderosa síntese entre o telefone
Por sua vez, as webtams são pequenas câmeras filmadoras que permi-
ea velha correspondência, que se espalhou a toda velocidade na última
tem transmitir ao vivo tudo o que acontece nas casas dos usuários, um
década, multiplicando ao infinito a quantidade e a agilidade dos conta-
fenômeno cujas primeiras manifestações chamaram a atenção nos úl-
tos. Em seguida se popularizaram os canais de bate-papo ou chata, que timos anos do século XX. Agora são vários os portais que oferecem
logo evoluíram nos sistemas de mensagens instantâneas do tipo MSN ou Uniu- para milhares de websams de todo o planeta, tais como o Camville •
Yahoo Messenger; e em redes de sociabilidade como Orkut,,MySpace e
e o Earthcam. Mais recentemente surgiram os sues que permitem a
FaceBook. Estas novidades transformaram a tela de qualquer compu-
exibição e troca de vídeos caseiros, uma categoria na qual o YouTube
tador em urna ane r e aberta e "ligada" a dezenas de pessoas ao
ainda constitui uma das grandes coqueluches da rede: ao permitir expor
mesmo tempo. Enquanto o portal e te acionamentos • r u t se tornou pequenos filmes gratuitamente, conquistou um sucesso estrondoso em
u
–n: pouquíssimo tempo. Após ter sido comprado pela empresa Google por
—usuários desta nacionalidade (mais da metade do total), jovens do mun-
um montante próximo dos dois bilhões de dólares, o YouTube recebeu
do inteiro freqüentam e "criam" espaços semelhantes. Calcula-se que
rfL o título de "invenção do ano", uma distinção também concedida pela
•1pelo menos 60% dos adolescentes dos Estados Unidos, por exemplo, •«
,já utilizamhabitualmente essas redes. My S . . dia, que assistem a setenta :adi vídeos por minuto, Existem, ainda, outros
rglobal:
-f com mais de cem milhões de usuários em todo o planeta, cresce r esites menos conhecidos que oferecem serviços semelhantes, tais como •
a um
fpi ar c ritmo de trezentos mil membros por dia. Não é inexplicável que
z iMetaCafe, BlipTV, Revver e SplashCast.
esse
t- r serviço tenha sido adquirido por urna poderosa companhia de mídia
. s • Além de todas essas ferramentas — que constantemente se espalham
e- r f a v o r i uma
multinacional, em t atransação que envolveu várias centenas de mi-
lhões de dólares. r gedão à luz inúmeras atualizações, Imitações e sucessoras —, existem
ieo m . ainda outras áreas da internei onde os usuários não são apenas os pro-
Outra
s vertente a desta
l aluvião são os "diários íntimos" publicados na
.e c a T tagonistas mas sambem os principais produtores do conteúdo, tais cdmo
m web, nos quais os usuários da Internet contam suas peripécias cotidianas
i os fóruns é os grupos de notícias. Um capítulo à parte mereceriam os
ausando tanto palavras escritas como fotografias e vídeos. Trata-se dos m "mundos virtuais" corno Second Life, onde os usuários costumam passar
famosos weblogs, fotologs e videologs, uma série de novos termos de
j e várias horas por dia desenvolvendo diversas atividades on-line, como se
uso internacional cuja origem etimológica remete aos diários de bordo
o
mantidos pelos navegantes de outrora. É enorme a variedade dos estilos n levassem uma "vida paralela" nesses ambientes digitais. Entre os treze
r eassuntos tratados nos blogs de hoje em dia, embora sejam maioria os milhões de habitantes atuais desse universo, os brasileiros constituem
o
i urna das comunidades nacionais mais importantes; também aqui, porém,
que seguem o modelo "confessional" do diário íntimo. Ou melhor: do f os números se dilatam e mudam sem cessar.
t diário éxtimo, de acordo com um trocadilho que procura dar conta dos i
a n
r a 13
11
i l
a d
Paula Sibila
o showdoeu
eles renovam, ressuscitam ou rematam as velhas artes da conversação?
• Trata-se, em suma, de um verdadeiro caldeirão de novidades, que ga- Evidentemente, existem profundas afinidades entre ambos os pólos de
nhou o pomposo nome de "revolução da Web 2.0" e acabou nos con- todos os pares de práticas culturais acima comparados, mas também são
vertendo nas personalidades do momento. Essa expressão foi cunhada óbvias as suas diferenças e especificidades.
em 2004, em um debate do qual participavam vários representantes da Nas últimas décadas, a sociedade ocidental tem atravessado um tur-
5
cibercultura, executivos e empresários do Vale do Silício. A intenção bulento processo de transformações, que atinge todos os âmbitos e leva
era batizar uma nova etapa de desenvolvimento da internet, após a •
decepção gerada pelo, fracasso das companhias pontocom: enquanto tNão se trata apenas da internet e seus universos virtuais para a interação
a primeira geração de empresas ou-une procurava "vender coisas", a émultánldia. São inúmeros os indícios de que estamos vivenciando uma
Web 2.0 "confia nos usuários como co-desenvolvedores". Agora ameta aépoca limítrofe, um corte na história; uma assagem de certo "regime de
é "ajudar as pessoas a criarem e compartilharem idéias e informação", ipoder" para um outro projeto político, socioc tu ra e economia°.
segundo reza uma das tantas definições oficiais, "equilibrando a gran- ntransição ded eum mundo para outro: daquela formaWrffistárica
de demanda com o auto-serviço". Essa p e c u . - - - - - Y a s b i n a ã
d
o rada no capitalismo industrial, que vigorou do final do século XVIII até
s -% a n c o -
slogan faça você mesmo com o novo mandato mostre-se corno for, meados do XX— e que foi analisada por Michel Foucault sob o rótulo
i
porém, vem trans ordando as fronteiras ta In erne . d e n c i r t e r n de "sociedade disciplinar" —, para outro tipo de organização social,
n
contagiado outros meios de comunicação mais tradicionais, enchendo
uque começou a se delinear nas últimas décadas.' Nesse novo contexto,
páginas e mais páginas de revistas, jornais e livros, além de invadir as certas características do projeto histórico precedente se intensificam e
telas do cinema e da televisão. a
ganham renovada sofisticação, enquanto outras mudam radicalmente.
Contudo, como afrontar esse novo universo? A pergunta é pertinente rNesse movimento, transformam-se também os tipos de corpos que são
porque as perplexidades são incontáveis, alimentadas ainda pela novi- u
produzidos no dia-a-dm, bens como as f o r m a s
dade de todos esses assuntos e pela inusitada rapidez com que as modas m
— são "compatíveis" com cada um desses universos.
que
•• se instalam, mudam e desaparecem. Sob essa rutilante e nova luz, certas a Como influem todas essas mutações na criação d e
d
- formas a p a re rit e rn e n t e vque
- - -maneira elas acabam nutrindo a construção de si? Em outras pala-
- cionais parecem voltar à tona com urna roupagem renovada --- como é evras, deoque d omodo essas
d etransformações contextuais afetam os processos
eam s s e r " ?
a noacaso
c o das trocas epistolares, dos diários íntimos e até mesmo das atá- •rpelos• quais alguém se torna o que é? Não há dúvidas de que tais for-
vicas conversas. São os e-maus versões atualizadas das antigas cartas, —
l dçasPhistóricas imprimem sua influência na conformação dos corpos e das
s i r ee
. rsaquel
irc aass quedse escreviam
e à' mãocom primor caligráfico e atravessavam •asubjetividades: todos esses vetores socioculturais, econômicos e políticos
- • •
e extensas
x p r geografias
e s s ã encapsul
o adas em envelopes lacrados? E os blogs, po- dexercem uma pressão sobre os sujeitos dos diversos tempos e espaços,
estar n o
e demos dizer que são meros upgradcs dos velhos diários íntimos? Nesse eestimulando a configuração de certas formas de ser e
m u n d o
c caso,
o m seriam
u versões
n i apenas
c renovadas daqueles cadernos de capa dura, i dalidades.
- i n i b iDentro
n d o dosolimites u t desse
r aterritório
s flexível e poroso que é o
zabiscados
a ç ã o r organismo
m o d-
t •esegredos
r a de unia
d vida.i Do mesmo modo, os fotologs seriam parentes aincitam
- certos desenvolvimentos corporais e s u b j e t i e r i r p l _
àpróximos
l u z dos antigos álbuns de. retratos familiares. E os vídeos casei- l
a T i r : /
- . rq
ros, que
t r ê m hoje circulam freneticamente pela rede, talvez sejam um novo •u--- o
élge_H

tipo
u l a de cartões-postais animados, ou então anunciem uma nova geração
pse
Ma ow torna
o soaque é, aqui e agora? O que nos constitui domo sujeitos histó-
do cinema e da televisão. Quanto aos diálogos digitados nos diversos u
d a -t ricos,
m e nindivíduos
e s, singulares, embora também inevitáveis representantes
smessengers com atenção flutuante e ritmo espasmódico, em que medida sua b
c a -- Is
r is
n14 d oao s m e
e i a qen r g i
s umo r T s
p edr-
Paula

impulsionam o surgimento d m i s fornias de ser e estar no mundo. E


de nossa época, partilhando um universo e certas características idios-
que so icitam intensamente essas configurações subjetivas, para que suas
sincráticas com nossos contemporâneos? Se as sub'etividades são modos
cle_!5_e_estar- l o n e de toda 'essência fixa e e s t o : mais equado neste caso, pois permite examinar os '<modos de ser" que
ao
i "ser ]humano» como uma entidade a- istórica uere evos metafísicos SeCSCIIV e m a s novas práticas de expressão e comumcaçao
seus
s : p icontornos
q u e r esão melásticas
e t e e mu am ao sa d a s diversas tra tengrenagens
r i r e r n possam operar com maior eficácia. E s s
culturais. Pormnto, a subjetividade não é algo vagamente imaterMIque
—exi 1 ao a intimidade que hoje nos intriga.
r e s i d r í t e r i t E c i r d r i i T r c é e - do ano, ou de cada a r d ,
•l 0e 1 nesse mesmo niVel analítico — nern singular, nem universal; mas
Assim
- como toda subjEtivfdade e necessariamen e i o e encarnada e i i C
cparticular,
o m histórico, cultural — que Michel Eoucault estudou os meca-
CC M
rnismos
e ede "disciplinamento" nas sociedades industriais. Essa rede mi-
-ra
— - Intersu jet vai ertas caracteristida
ncropolítica
d e que o filósofo analisou envolve todo um conjunto de práticas
r—
uhorizonte
a s. de p o s e discursos, que agin sobre os corpos humanos dos países ocidentais en-
r
bTs
m -
forças Odeixam
r r p em aberto e indeterminado. E e inegável lie nossa S - tre os séculos XVIII e XX, e que levou à configuração de certas formas
o
rcei
sa l itambém
a r d i a seja
— e s modulaia pela m era ão com os outros e com o mundo. de ser enquanto ajudava a evitar cuidadosametne o surgimento de outras
For isso, é fundamental regnancta ia cu cura a c o s
e
o n a modalidades. Foram engendrados, assim, certos tipos de subjetividades
-se - e,
- - q
- u
- -a- n d o ocorrem mu a ças í s a s possib i e tu eraçao e s e
-—rv - M - a hegemônicos da era moderna, dotadas de determinadas habilidades e
nessas pressões iiistoricas, o campo a experiência subjetiva tatu em se n t i
rpo
s rgm iaeçma o i t a m •aptidões, mas também de certas incapacidades c carências, Segundo Fou-
d o
caltera,aem um
o— d jogo por demais complexo, múltiplo e a b e rto cault, nessa época foram construídos corpos "dóceis e úteis", organismos
d— oConsiderando q u todas e essas complexidades, se o objetivo é compreender s
,a capacitados para funcionar da maneira mais eficaz dentro do projeto his-
d
euos
. sentidos m das novas práticas que consolidam o atual auge de exibição da tórico do capitalismo industrial.
I l i . 0 8 o a o r. ar um assunto tão delicado e atual? As experiên- e Mas esse panorama tem mudado bastante nos últimos tempos, e vá-
l,
- s
am rios autores tentaram mapear o novo território, que ainda se encontra em
spleno processo de reordenação. Um deles foi GillasDe e i „
taaou perspettiVardliaremes•
s A primeira se refere rio rifrirl singular,. cuja
análise
i focaliza a trajetória de cada indivíduo como um sujeito único e ir- e- essa sciele• ai es e controle' a r a designar o "novo monstro",
am u
c
miSrepetivel t — • coI mo ele próprio stomzout Ja faz quase duas décadas que esse filósofo
T
.No extremo oposto a esse nível de análise estaria a dimensão universal u—
bo francês descreveu uni regime apoiado nas tecnologias eletrônicas e digi-
da subjetividade, que abrange todas as características comuns ao gênero rT
éé[6humano, a tais: fi a organização
e iuma ~u social ancorada no eapitalisi
tais como a inscrição corporal de cada sujeito e sua organização oda atualidade, que se caracteriza pela superprodução e pelo consumo
moEt a r e f
por meio da linguagem — este tipo de estudo é a tarefa da biologia ou sexacerbado, no qual vigoram os serviços e os fluxos de finanças globais.
éq-ada lingüística, por ekemplo. Mas entre essas duas abordagens extremas
oUm sistema articulado pela marketin: e'e la •ublicidade, mas també
su1dexistea um nível intermediário. uma dimensão de análise que poderíamos •
f ela ecriatividade alegremente estimulada, "democratizada" e recompen-
eejpdenominar
s i
particular ou específica, localizada entre os níveis singular e nsada emo termos mone a
meecuniversal
o l
da experiência su jetlya, que visa detectar aqueles elementos m Alguns e exemplos devem -
pstocomuns g i
a a guns suje e s s a n t a m e n t e inerentes a todos ciS
r
a , ndess
a j oo
u vdoa regitele
r a o U m dos fundadores do YouTube, significa-
rs seres ~ n o s . s a perspectiva contempla aqueles aspec
-tivamente
d e t presente
e c t a no rencontro do Fórum Econômico Mundial, decla-
eavp.vidade
— que sãoc l a T r i a — t r a " , trorde certas p r e s s a s drouo que
e asempresa pretendia "partilhar suas receitas" com os autores
esaohistóricas
tos
• d anassquais u bintervêm
j e t i vetores
- pollueos, econômicos e soelattriúe p r i n c i p
msr
a i s
bpe x 1
7
o
e m i n g r e d
e
i e n t e s
ddp l
lil. a t t lm
-- Paula Sibilia
v O sbow do eu
N
, Mas os exemplos são inúmeros e dos mais variados. Esse esquema
re e t e r dos vídeos exibidos no site. Assim, o usuário da internet que disponibi- ue combina, por um lado, uma convocação informal e espontânea aos
lizar um filme de sua autoria no famoso portal 'passará a receber parte suados para "partilhar" suas invenções e, por outro lado, as formalida-
das receitas publicitárias conseguidas com a exibição do seu trabalho". des do pagamento em dinheiro por parte das grandes empresas, parece
De fato, outros sites similares implementaram tal sistema, e já há tem- ser "a alma do negócio" desse novo regime. O site de relacionamentos
pos compensam com dinheiro seus "colaboradores" mais populares. O FaceBook, por exemplo, também resolveu compensar monetariamente
MetaCale, por exemplo, assumiu o compromisso de pagar cinco dóla- aqueles usuários que desenvolve
res a cada mil exibições de um determinado filme. Um dos beneficiados -
dentes" para incorporar ao sistema. Por isso, a idealização de pequenos
foi um especialista em artes marciais que faturou dezenas de milhares programas
rem r e ce outrasu r s ferramentas
o s para esse site se transformou em uma
de dólares com seu brevíssimo vídeo, intitulado Matrix For Real, no auspiciosa
" i n o atividade
v a d econômica,
o r e sque inclusive chegou a motivar a aber-
qual aparece fazendo acrobacias, que em poucos meses foi assistido por tura
e de cursos específicos em institutos e universidades, como a presti-
cinco milhões de pessoas. gi
s osauStanford.
r p r e e
As operadoras de telefones celulares também começaram a remunerar
n•Algo - semelhante acontece com alguns autores de blogs que são "des-
os filmes produzidos por seus clientes com seus próprios aparelhos. Res- cobertos" pela mídia tradicional devido a sua notoriedade conquistada
pondendo a diversas promoções e campanhas de marketing, os usuários
enviam os vídeos pgra o gire da operadora, onde o material fica disponí-
vel para quem quiser assistir. Os próprios clientes se ocupam de divulgar
1 na internet, sendo contratados para publicar livros impressos — co-
nhecidos como blooks, pela fusão de blog e book — ou colunas em
revistas e jornais. Assim, esses escritores começam a receber dinheiro
os vídeos entre seus contatos, em alguns casos, recebem créditos por em troca de suas obras. Um caso típico é a brasileira Clarah Averbuck,
cada filme baixado do portal, para serem investidos eih outros serviços que publicou três livros -
da mesma empresa. No Brasil, por exemplo, urna dessas companhias b a spara
tado e a odcinema.
os A autora defende abertamente sua opção: "Agora
oferece dez centavos de crédito por cada download dos filmes produzi- eu
e vou m escreveclivros", declarou, "chega de blog, chega de escrever
dos por seus clientes, quantia que só pode ser resgatadauma vez que o _de
s graça,
e u,chega s de gastar as minhas histórias".
--- 7muda
b N l odeonome
e gn et sendereço
a n, t omas , continua exposto na rede: firme, forte
r anos
r i foi uma das primeiras colocadas no ranking dessa empresa, cujo se sempre
e atualizado,
u bcomo l mais
o umagjanela para promover os outros
u m
oserviço leva o nome de Claro Video-Maker, tendo - produtos da sua marca. Parecido, talvez até demais, é o caso da ar-
d o
nacemt r rreais
eca com
d asuas
d ocriações.
c eDo rquecse a
trata? Imagens que registram um gentina Lola Copacabana, que se considera "enjoada dos blogs" mas
s
adacampamento
r e com um grupo de amigos, por exemplo, e outras cenas da agradece o fato de ter sido "descoberta" e, por conta disso, ter passado
q u a
i tvida adolescente. Uma concorrente dessa operadora telefônica resolveu a receber dinheiro para fazer o que gosta. "Escrevo os melhores maus
i s
e parafrasear um célebre manifesto das vanguardas artísticas de outros do mundo", afirma sem falsas modéstias e com escasso risco de suscitar
f o
Utempos para promover seu serviço, parodiando em tom bem contempo- acusações de megalomania ou excentricidade, enquanto confessa ser
râneo a famosa convocatória do Cinema Novo dos anos 1960; "Uma i
l "prostituta das palavras'", visto que "desfruto escrevendo, por favor,
idéia na cabeça, seu Oi na mão._ e muito dinheiro no bolso." De modo a d para escrever".'
t paguem-me
semelhante, com o anzol da recompensa, monetária a 'Esses poucos
p -
exemplos ilustram o complexo funcionamento do mer-
r
!dos p usuários,
e l a "a ce mpr i a t i v i d a d e " cado cultural contemporâneo. São muito astuciosos os dispositivos de
a- -
--- poder que entram em jogo, ávidos por capturar todo e qualquer vestígio
p 1e tributada. Assim, enquanto vocifera: "Você na telar, acrescenta que
re de "criatividade bem-sucedida", a fim de transformá-lo velozmente em
a - "tem gente pagando pra ver"; e, a rigor, não parece faltar à verdade.
-
sa
s 19
sr r
--18
ai
a
rs
e s t u n
' c
d r n e s
dl
g r a
MRMIT
2 - - Paula Sibilia
n
-
2 è 2
O
B outono". A conclusão parece óbvia: "Quem não gostaria de ser o anun-
" smercadoria. "Fazê-la trabalhar a serviço da acumulação de mais-valia", ciante capaz de lhe vender esses sapatos?"
2h
Razões similares motivaram que o valor do FaceBook fosse calculado
" osolicitada pelos próprios jovens que geram essas criações, talvez sem
l w i g a em quinze bilhões de dólares, apenas três anos depois de seu nascimento
compreenderem exatamente "a que são levados a servir", corno intuí- como despreocupado hobby de um estudante universitário. No final de
l dm a
ra Deleuze há mais de quinze anos, antes mesmo da popularização da
mo m E 2007, quando essa outra rede de relacionamentos já contava com mais
\r e.já—quase envelhecida Web 1.0. Na página inicial do Second Life, por de cinqüenta milhões de usuários e crescia mais rápido que todas as suas
duexemplo, entre vistosos corpos tridimensionais e fragmentos de paraísos concorrentes, ocupou espaço nos noticiarioa porque duas grandes em-
i virtuais, não há muito espaço para sutilezas: constantemente é notificada presas da área, Gocigle e Microsoft, disputaram pela compra de uma
r a quantidade de usuários que se encontram ou-Une em um dado momen- parcela mínima do seu capital: 1,6%. Finalmente, a dona do Windows
i to; ao lado dessa cifra, com Idêntico formato e propósito, o site informa venceu a brigai após desembolsar mais de duzentos milhões de dóla-
a a quantidade de dólares gastos pelos fregueses do "mundo virtual" nas res, justificou a transação aludindo ao potencial que o crescente número
S últimas 24 horas. de usuários do serviço representava em termos publicitários. No dia se-
Por sua vez, a empresa que administra o MySpaee anunciou o lança-
u guinte a essa aposta aparentemente desmesurada, o mercado financeiro
mento do seu novo serviço de publicidade direcionada, para cuja im-
e aprovou a jogada: as ações da Microsoft subiram. Poucas semanas mais
l plementação não recorre apenas aos dados pessoais que compõem os tarde, o FaceBook inaugurou um projeto apresentado como ico Santo
y perfis de seus usuários, mas também a eventuais informações garimpadas Graal da publicidade", capaz de converter cada usuário da rede em um
em seus blogs Sobre gostos e hábitos de consumo. Assim, na primeira eficaz instrumento de marketing para dezenas de companhias que ven-
R
fase da experiência, a companhia classificou seus milhões de usuários dem produtos e serviços na internet.
o
em dez categorias diferentes, de acordo com seus interesses manifestos Esse inovador sistema permite o monitoramento das transações co-
l
(tais como carros, moda, finanças e música), a fim de que cada um deles merciais realizadas pelos usuários da grande comunidade virtual, a fim
a
pudesse receber publicidade sintonizada com suas potencialidades como ,
de alertar _seus arnigos,e nnilecidos, sobre o tipo de produtos que estes
i consumidor. M a
l -do a própria empresa admitiu, destacando a novidade da proposta e as compraram ou comentaram. De acordo com a empresa, a intenção dessa
estratégia é "fornecer novas formas de se conectar e partilhar informações
t sgrandes expectativas nela envolvidas.
com os amigos", permitindo que "os usuários mantenham seus antigos
. — "Agora os anunciantes dispõem de muito mais do que simples dados
melhor informados sobre Seus próprios interesses, além de servir como re-
N edemográficos
is extraídos dos formulários de cadastramento", explicou ferentes confiáveis para a compra de algum produto". O novo mecanismo
o -um dos membros da firma MySpace. Além do mais, os idealizadores do de marketing também possibilita outras novidades: se um usuário compra
e aprojeto consideram que não se trata de nada invasivo para os usuários,
um pacote turístico, por exemplo, a agência de viagens pode publicar urna
n -visto que estes podem optar por se tornarem "amigos" das empresas que foto do turista em plena viagem de férias como parte do seu "anúncio
t Tlhies ü ragradam.
l e i r a "Muitos jovens não parecem ter instintos de proteção da social", a fim de estimular seus conhecidos a comprarem serviços simila-
a cprivacidade",
l a s s íjustificou outro especialista, enquanto previa lucros bilio- res. "Nada influi mais nas nossas decisões do que a recomendação de arn
n f nários
i c paraa ç o ãnascente behavioral targeting, ou envio de publicidade em amigo confiável", explicou o diretor e fundador do FaceBook. "Empurrar
t ofunção
•,__ • • -do - .comportamento.
- - - - - - - - - Um representante dirMyspace--19hotre65e uma mensagem para cima das pessoas já não é mais suficiente", acres-
o f otimismo o
com o exemplo de uma usuária da rede social que gosta de centou, "é preciso conseguir que a mensagem se instale nas conversas".
, i moda e "escreve em seu blog acerca das tendências da temporada, ela Assim, após ter comprovado que as recomendações dos amigos consti-
e a chegapinclusive a nos contar que precisa de um par de botas novas para o
s e n 21

s a 20 s
a e
Paula Sibilia
O show do eu

mem "uma boa maneira de suscitar demanda", a nova geração de avisos


são convocadas a se mostrarem. A privatização dos espaços públicos é
publicitários tenta colocar esse valioso saber na prática: "Os anúncios di- a•outra n e s tface
e século de uma XXIcrescente
que estápubtiõrzação
ainda começando, do privado, um 8 0 W
akipersonalidades"
rigidos não são intrusivos porque podemse integrar melhor nas conversas
c- a p o r d e
que os usuários já mantêm uns com os outros." •
c- a l
Em alguns casos, os próprios autores de blogs se convertem em prota- Meio
soci
f- a ezdade aost r vertiginosos
altamente
e l midiati2adá,
processos de ascinada
globalização
p e ldos
e i l imercados
TE lt em uma
gonistas ativas das campanhas publicitárias, como aconteceu com a li- -fe
ri: E
e —
nha de sandálias Melissa, comercializada por uma marca brasileira. Bem
Subjetividade
.4
- 17 '
a "interiorizada" em direção a novas formas cl j
no tom dos novos ventos que sopram, porém, a firma prefere não falar
-e
,d si u ft oe c ro p s -
p
de campanha publicitária, mas de um "projeto de comunicação e bran- -te o
ding". A empresa escolheu quatro jovens cujos fotologs faziam certo e t rni f i ci l l ii t i al i d
ar-lçonde ã aparece um tipo de eu mais epidérmico e f l
sucesso entre as adolescentes brasileiras, e as nomeou suas "embaixado- o
1superfície o
a — t e l a s . Referem-se também às personalidades ai-
ras". Além de divulgar a marca em seus fotologs, as meninas "colabora- o Te u
o
ram" no processo de criação do calçado, incorporando tanto suas pró- hçitterdirigidas e x í vre l , e não q mais
u eintrodirigidas s econstruções de si orientadas para
o olhar alheio ou " e x t e r i o r i z a da m ais introspecas
u nou i n t i s -
-a oe
m x i b e n
prias idéias e gostos quanto as opiniões deixadas pelos visitantes em seus r i a isa as as 'versas bloidenti
sires. Com essa estratégia, a companhia anunciante pretendia agradar d°p Jmentos
, • u sden,um tipo d ede l dsubjetividade que se finca nos traços biológicos ou
ám segmento do seu público: a nova geração de mulheres adolescentes. e.é dno a mfísico de cada indivíduo. Por tudo isso, certos usos dos blogs,
- aspecto
Foi um sucesso: as quatro jovens se tornaram "celebridades da internet", m -re n t
6 b
fotologs, webeams e outras ferramentas como o Orkut e o YouTube seriam
• e seus forologs receberam mais de dez mil visitantes por semana.. S a àN iaestratégias
— ) . que os sujeitos contemporâneos colocam em ação para res-
ber a que estavam sendo lev • • • 1 so o
,ponder
t a - a essas novas demandas sociocultnrais, balizando outras formas
- s gato a expressaram sua satisfação por partrei a r de um projeto que
ai oe d
E de ser e estar n o
1 1r i2v1iPt 7
p e g si caa m b iemns "d emo vez de r o ss• csa n- h,ntrera r i t o
•• m de f iã uo i t o ifsra meTrfõi•ia
cu n d oque . costuma envolver todas essas novidade v i n t e tinCid
b- Coen t u t io m rt a ã) o -ó,-a p e o d o s esses n ao - uo j a: , eentusiasmo mi
cipe 1CO Uns ados COnS iram contra as es:
a inscrição,
s e- r nesse novo regime e poder, da parafernáilaar-ompõe, j breas timativas
2 e s a maisr otimistas quanto ao "acesso universal" ou a arie S a n
W
a eb
r eS asl 2.0 e que
T converteu
i n n você, h eu e todos nós nas_perscmafidades_damo- içl d o
rMleC MvO i d e n t e lo e v e l
.e- id b o z
dsA poucos
l g O muito bem escolhidos. As cartas e os diários íntimos tradicionais de r c r e
eV qdenotam
ue sua f ilia & direta com essa outra formação histórica, a "socie-
aci s c i
S dade disciplinar' do século XIX e início do XX, que cultivava rígidas
ze e do
separgções entre o âmbito público e a esfera privada da existência, reve- d m e n
C sc e r
renciando tanto a leitura quanto a escrita silenciosa em reclusão. Ap2__ias em a t o
rnt a W p
d d e s
iem gesse e solo moderno cuja vitalidade talvez esteja se esgotando hoje em ire s a s
t„dia,
mn t poderíTfirjerminado
e aquele tipo de s u b j e t i v i d a s k ~ s ± u t o :
r n ' e a
n
i
o orno p s y s . 1 4 s omo-p-sitiartks_ampersonalt4acilei te s t d r
i-gt -
-introdirigi as. ie , á t i
ioe dn p c a .
isr ad e s ,
2
-ti 3
oe r e
P aa urc e
o:s àe e m
rdi csb
Paula Sibilá
O show do eu

traiu na cidade ou na província de Buenos Aires; enquanto nessas áreas
parte da Ásia, incluindo os fortes números do Japão. Nessas regiões do
asconexões de banda larga tem uma penetração de 30%, nas regiões mais
planeta, portanto, concentram-se nada menos que 93% dos usuários da
pobres do norte do país essa opção não atinge sequer 1%.
rede global de computadores — e, portanto, daqueles que usufruem das
maravilhas da Web 2.0. A magra porcentagem remanescente respinga À luz desses dados, parece óbvio que não é exatamente "qualquer um"
que tem acesso à internei. Assim, embora dois terços dos cidadãos bra-
nas amplas superfícies dos "países em desenvolvimento", disseminada
sileiros jamais tenham navegado pela web e muitos deles sequer saibam
da seguinte forma: 4% na nossa América Latina, pouco mais de 1% no
Oriente Médio e menos ainda na África. Assim, no contrapelo das come- do que se trata, seis milhões de blogs são desta nacionalidade, posicio-
nando o Brasil como o terceiro país mais "blogueiro" do mundo. Porém,
morações pela "democratização d a
'brechas entre as regiões r i tampouco é um detalhe Menor o fato de que dois terços desses autores
-
cmmum de diásios digitais residam no Sudeste, que é a região mais rica do país.
m aí dsi ao." , o contrário: o s talvez paradoxalm
Nesse sentido, não convém esquecer que três quartos dos 774 milhões de
•kn y oiúg l m bo t e r er os s
adultos analfabetos que ainda há no mundo vivem em quinze países, e o
d-—
s u og e r e m Brasil é um deles.
m clqoi momento,
fs a u n o r exemplo,
ed apenas 15% dos habitantes d
Por todos esses motivos, caberia formular uma definição mais precisa
oo -atêm
- algum tipo s de aceso a mternet. onstatações dessa natureza levaram daqueles personagens que foram premiados com tanto glamour como
nm raagofem co rpa ã r oLconceito
a t i e nt eac n o
as personalidades do momento: você, eu e todos mis. Se persistirem as
oa oc- l íat i rc ot o g r a l - p u m élago de cidades ou regiões muito condições atuais
a,p a rcom
essricas, ts eorte t t .•escavo
, vunento tecno ogico e financeiro, em meio ao
-
população mundial nunca terão acesso à internet. E mais: uma boa
ife s o q
o c u e e
a r S u n d i a l cada vez mais po se.
parte
(e pdessa o r gente "comum" sequer terá ouvido falar dos blogs ou do
da p Esse
r cenário
o ci global
u r se
a replica dentro de cada país. No Biasil, por exem-
s a q u e Youtube, do Second Life ou do Orkut. E ~ s a d e - p e s
reluzente
plo, já existem
-n sn o m e a r
soas,
.n: ãque no O entanto habitam este mesmo planeta
td.ea maioria
qeu as sconcentrada
e s anos setores mais abastados das áreas urbanas.
--h os paraísos
•D a v eextraterritoriais do cíherespiiço
sq
á n e iu ga or v
,r ssi cã ao mo ems plena era multicolorida do marketing global. h o que
— bilidadedocal
-se afatonsão t apenas
a vinte milhões os que se consideram "usuários ativos"; ou
u a l talvez
"d oen xseja c ainda
l u ímais
d openoso
s " nesta sociedade do espetáculo, onde so e
stm seja, aqueles que se conectaram pelo menos uma vez no último mês. Os
d a i l têm crescido e já representam uma quinta parte da população o que
d e se
n vê: nesse mesmo gesto, tal contingente também é condenado
.ih-números e
d eõ ecominais de quinze anos de idade; no entanto, convémexpliei- à d e to
scsnacionali p e r s
s
-adtar também o que esse número berra em surdina: são 120 milhões os bra- i Portanto,
s t i impossível desdenhar a relevância dos laços incestuosos
que
p
qsesileirosu que (ainda?) não têm nenhum tipo de acesso à rede. Embora em r ?amarram ) , essas novas tecnologias ao mercado, instituição onipresen-
anúmeros absolutos o país ocupe o primeiro lugar na América Latina e o te na contemperaneidade, e muito especialmente na comunicação media-
aopn e d
r da por computador. Laços que também as prendem a um projeto bem
tssiquinto s no mundo, se as cifras forem cotejadas com o total de habitantes, o
identificável: o do capitalismo atual, um regime histórico que precisa de
e o Brasil se encontra na 62s posição do elenco mundial, e na quarta do já i
dsoa a certos tipos de sujeitos para alimentar suas engrenagens (e seus circuitos
crelegado subcontinente. Na Argentina, por sua vez, calcula-se que sejam sintegrados, e suas prateleiras e vitrines, e suas redes de relacionamentos
dise
e
:bcsmais de quinze milhões os usuários da internet, o que representa 42% da t e
m
óiopopulação nacional, porém as conexões residenciais não passam de três r ç de investigar as sutis mutações nas
antes
a milhões; a maior parte dos argentinos só acessa esporadicamente, a par- odialética spúblico-privado
tlm
u tir de cibereafés ou km houses. Quase dois terços d
ria isso

m- d e s s e t o t a l s e a
êdc via
e n a
e c24 o n c e n - 25
Sae wc eo n s t r u ç ã o
n
qds bd ) ê
t
Paula Sibilla
O&howdoeu
Voltando àqueles eu e você que estão se convertendo nas personalida-
desnaturalizar as novas rá tic s c des do momento, retorna a pergunta inicial: como alguém se torna o que
a clesnu arr_J.__Iosst-lasraízes e suas é? Neste caso, pelo menos, a intcrnet parece ter ajudado bastante. Ao
r Jonge de abranger todos nós como um harmonioso conjunto homo- longo da última década, a rede mundial de computadores tem dado à luz
agêneo
n n ei universal,
c a t i n acumpre
.- lembrar que apenas urna porção das classes um amplo leque de p r á t i
A i l g o . . q u e _ s _ á a eial marca o ritmo essa "revo ução" cre
ea a a .o p
i a ao mun c1\211
ri7ocê e eu. - 1.1m grupo humano distribuído pelos diversos países do nosso acomo
- s qeuu ou e você — têm se apropriado das diversas ferramentas dispo-
-
áplaneta gtEibtiza o u e embora não constitua em a o u o a maioria pníveis
o
lhoes don-line,
e n aquen não
u Scessam de surgir e se expandir, e as utilizam para
~numérica, exerce umã influência muito vi orosa na fisionomia da c tu ra sexpor
t el e publicamente
n o m m aa rsua intimidade. Gerou-se, assim, um verdadeiro
eglobal.
l Para._isso, contacomro-inestitilivel apoio da mídia em escala pia- Ifestival
u s c de e "vidas
o privadas",
d que se oferecem despudoradamente aos
netária, bem como do mercado que valoriza seus integrantes (e somente, eu a s s i c
suo -esta°
o:_tiorear,oemMan
r t pa avras e imagens,
O meeiro. s coassocs
uisposição de quem
diárias quiser
e voce, e e bisbilhota-
tolos nos
esse ural
g r u a f e = e m lideradoa s
pr las;
o sbasta a enas um clt ire lb mouse. E, a f l a
que significa e ser alguém —; e2 logo - - - - fser
f l -eu
g eou t i você — ao longo da nossa -•
todos nJ.Sict_iftt..antos a r esse c que.
Fres &Ia recente.
ci m e t a m O r f o êç1 te7Junto 5 , Mcom
a r t essas instigantes novi a -
— s 514 — a ,premissas
v e mbásicas o s da autoconstrução, da tematização do eu e da
o
1das experiências
a subjetivas é imensa, sem dúvida nenhuma. São incontá- sociabilidade
vo e l . e s t i ol moderna;
h a ç a eré ejustamente
m por isso que essas novas práticas
,veis, e muito m variadas, as estratégias Individuais e coletivas que sempre resultam
7 - significativas. Porque esses rituais tão contemporâneos são ma-
o e t t de i n n t r e u
1desafiam as e tendências hegemônicos de construção de si. Por isso, pode nifestações
e s e um processo mais amplo, certa atmosfera sociocultural
ocorrer que certas alusões aos fenômenos e processos analisados neste p
que os abrange, que os torno possíveis e lhes concede um sentido. Esse
F nt
ensai o pareçam reduzir a complexidade do real, agrupando uma diver- novo l clima de época que hoje nos envolve parece impulsionar certas
si e
sidade Incomensurável, e uma riquíssima multiplicidade de experiências a
transformações cpew:,,otingem, inclusive, a própria definição de você..:' eu
e 9
sob categorias amorfas como suhjetividade eonteráporânearnhanej ,c. oci- n rede mundial de computadores se tornou um grande laboratório, um
A
m 0
dental, cultura atual ou todos nós. No entar_l t2_,_ãi
l__S--i
t en ãp_skste livro é, tee
e
delinear certas tendências •ue se ergam fortemente cru nossa sociedade -rt r f é r n d r
s
ocidental e globalizada, com urna ancoragem especial no contexto latino- fzes -ai parecem saudave mente excêntricas e megalomaníacas, mas outras
m
americano, cuja origem remete aos setores urbanos mau favorecidos em vaõ — ezes a m na pequenez mais rasa que se pode
o termos socioeconomicos: aqueles que usufruem de um a c
— i-gm a g n
s ao• aos a s culturais e às maravilhas do ciberespaço. A irradiação des- paços
r-sei- da Web 2.0 são interessantes, nem que seja porque se apresentam
ee _ s _ s t 2 ~ io :
sas práticas pe os twersos meios te comunicaçao, por sua vez, passa ocorno in
- = m cenários bem adequados para montar um espetáculo cada vez mais
n a impregnar os unaginanos g o ais corn urn e n s estri ente: 05 ow o eu.
z-rt m s v a d
t -crenças, • esejos, a etos e idéias. Taís categorias UM t
rW e rear s
o
i egerieral
a ir fi E E M T r d r rea l t ; R s por Asso muitas vezes comparadas, uq d
" u
d ,tinco luswe nes ae _ p a pe e
c
o cristalizou
t em noções igualmente genéricas e vagas, tais como sensibi-
ísso e
, glidade
in a s urguesa e ornem sentimen a ou, mau especi camentrifirldá
• ades , tje m a r
u aHonro
- q psyc u i o gtcus e personali n i,e u
m o, t on e
m s 27
o q-e u e r -ã t" a
u n o o po r,
t a p o a uh n
p
r g e u t rá o
r
O show do eu

1 NI E TZS CHE , Ftiedrich. Ecce Homce como alguém se torna o


que é. São Paulo: Companhia das letras, 1995, p. 17. 2
2 F R A N C O FERRAZ, Maria Cristina. Nietzsche, o bufão dos Eu narrador e a vida come relato
deuses. Rio de Janeiro. Relume Dumará, 1994, p. 49-52.
3 G RO S S MA N, Lev. "Times person cd the yean you". In: Time,
Depois, q i d o eu aprendia ler, devorava os livros, e pensa a que eles
vol. 168, a. 26. 25 dez. 2006. eram como' ores, como bicho, coisa que nasce. Não sob que havia
4 ROLNLI C, Suely. "A vida na berlinda: como a mídia aterroriza um autor por ig's de -
com o jogo entre subjetividade-lixo e subjetividade-luxo". In: Trópico. di
t usse:
d o"isso
. eu L táibém quero". (...mas...] Escrever me &ias não faz
São Paulo: 2007. meu
5 DE L E UZE , GUies. "Post-sctiptum sobre as sociedades de con- p eestilo. l aÉ levar
s o público passagensde uma vida. A minha é muito
pessoal .
trole". In: Conversações. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992, o. 226. t a n t a
Clarice Lispector
6 P O UCA UL T, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas s
prisões. Petrópolis: Vozes, 1977. e
Acho bom u aparecernessa revistas de celehr ades... O dia mais triste
7 A p u d : AZEVEDO, Luclene. "Blogs: a escrita de si na rede dos d e
da minha vida s serác aquele e que os fotó f o s virarem as costas para
textos". In: Matraga, v. 14, o. 21. Rio de Janeiro: IIERJ, jul.-dez. 2007, o bVou rachar
mim. i que não so mais uma essoa querida, não sou mais
p. 55. iqnteressante.
8 A p u d : VALLE, Agusta "Los blooks y el cambio histórico eu la Veta
e Loyale
escritura". In: Debate, a. 198. Buenos Aires: 29 dez. 2006, p. 50-1.
e r
a
A FimaDECOMPR s EENDERESSEPENO O T 0 contemporâneo de exibição da
intimidades (oui da extirrádade) uma pr e ira pergunta se impõe: essas
novasmformas de expressão e is municaçã que hoje proliferam — blogs e
fotologs, e redes de relaciona entos, we b
-ser consideradas vidas ou •
b
ca a ss ? de
infinidade e versões d você e eu que agita a s telas interconectadas
T
pel
- o
a rede d a s
mundial de imputadores, mostram v id a de seus autores ou
e
são
vid s
obras s
e ode a
s arte pro uzidas pelos novos artista da era digital? É possí-
cvel que e sejam,
n ao a am s o tempo, vidas e obras? O talvez se trate de algo
.
d
completamente a
a S e i r o s n o , que levaria a ultrapassar a lássica diferenciação
ventre essasi duas d a ça &

a Uma consid ação habitual, quando se examinam a ses estranhos cos-
d
p e i v v ea m
tumesrnovos, que os sujeitos neles envolvidos "mente 1>
d
vi 1das
a na oa avn, •aAproveitando
r r a r vantagens
s u a como s a possibi •dade do anoni-
e
mato e a fscilidade de recursos que oferecem as novas d a lid a d e s de
s a
mídia in rativas, os habitantes desses espaços montariam espetáculos
de si m sinos para exibir uma intimidade inventada. Seus testemunhos

-e