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5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

DA BAHIA

PROCESSO Nº 0032069-82.2014.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTES: CHIACHIARETTA EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO
SPE LTDA. e CYRELA BRAZIL REALTY
RECORRIDA: BRUNA DE OLIVEIRA SANTOS
JUIZ PROLATOR: NICIA OLGA ANDRADE DE SOUZA DANTAS
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. COMPRA DE IMÓVEL EM


CONSTRUÇÃO. CONSUMIDORA SE DIRIGIU AO
EMPREENDIDO COM O PROPÓSITO DE ADQUIRIR UMA
UNIDADE, SENDO ATENDIDA POR CORRETORES
CONTRATADOS PELAS RECORRENTE PARA O
DESENVOLVIMENTO DE SUA ATIVIDADE ECONÔMICA.
DISTRATO. SENTENÇA QUE ORDENOU A RESTITUÇÃO DO
VALOR PAGO A TÍTULO DE TAXA DE CORRETAGEM.
MANUTENÇÃO INTEGRAL DO JULGADO. NÃO
PROVIMENTO DO RECURSO.

Dispensado o relatório nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que as Recorrentes, CHIACHIARETTA EMPREENDIMENTO
IMOBILIÁRIO SPE LTDA. e CYRELA BRAZIL REALTY, pretendem a reforma
da sentença lançada nos autos que as condenou a restituir à Recorrida, BRUNA DE
OLIVEIRA SANTOS, a importância de R$ R$ 6.370,19 (vinte e três mil, novecentos
e setenta e nove reais e sessenta e três centavos), pagas a título de taxa de corretagem.

Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

Não assiste razão às Recorrentes, senão vejamos.

Como norma de ordem pública constitucional, o Código de Defesa do


Consumidor foi promulgado com o objetivo precípuo de garantir o equilíbrio de direitos
e deveres entre o consumidor e o fornecedor nas relações de consumo, pautado nos
princípios da boa-fé e lealdade, consagrando como direito básico do consumidor “a
informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre
os riscos que apresentem” (art. 6º, III).

Nessa esteira, o CDC determina que as cláusulas e condições


contratuais devem ser redigidas de forma a facilitar a compreensão pelo consumidor dos
sentidos e alcances, desobrigando o cumprimento daquelas não levadas ao seu
conhecimento de forma clara e induvidosa, por força do art. 46 do CDC.

Ao fornecedor cabe provar não somente a qualidade dos serviços


prestados e dos produtos inseridos no mercado de consumo, mas também que todas as
informações a respeito do negócio foram devidamente prestadas ao consumidor.

Alega a Recorrida que tomou conhecimento do empreendimento


informado através de publicidade veiculada através dos meios de comunicação, tendo a
mesma se dirigido até o stand de vendas das Recorrentes com o propósito de adquirir
uma unidade habitacional. Alega, ainda, que as Recorrentes contrataram corretores com
o intuito de viabilizar as transações eventualmente celebradas pelos consumidores que
comparecessem ao stand de vendas.

Desse modo, a Recorrida nada devia a título de taxa de corretagem


pela simples razão de que os corretores envolvidos não lhe prestaram qualquer serviço,
não tendo sequer procurado ou lhes apresentado o imóvel, mas sim às Recorrentes ao
atuar na captação de clientes, sendo, portanto, o pagamento, se devido, de exclusiva
responsabilidade desta.

O valor de corretagem, no caso concreto, assim como outras despesas


que servem apenas ao desenvolvimento de atividade econômica do fornecedor, sem
representar efetiva prestação de serviço, não pode ser repassado ao consumidor, como
aconteceu com a Recorrida.

Assim, agiu com acerto o MM Julgador ao ordenar a devolução dos


valores exigidos a título de taxa de corretagem, vez que no presente caso foram
transferidos aos consumidores custos necessários apenas ao desenvolvimento da
atividade econômica das Recorrentes, não implicando na prestação de qualquer serviço
em benefício da consumidora, sendo, portanto, despesas de exclusiva obrigação
daquelas.

Por outro lado, representando cobrança indevida, emerge a


necessidade de condenação à devolução da importância paga pela Recorrida para não
gerar enriquecimento sem causa dos fornecedores, a qual, no entanto, a meu ver, deve
ocorrer de forma simples e não em dobro, porque, na esteira de julgados absorvidos por
esta Turma Recursal, não incide a regra inserta no parágrafo único, do art. 42, do CDC,
a qual pressupõe exigibilidade de pagamento sem causa, ausente na hipótese ante a
previsão contratual.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e


NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelas Recorrentes,
CHIACHIARETTA EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO SPE LTDA. e
CYRELA BRAZIL REALTY, para, mantendo-se integralmente a sentença hostilizada,
condená-la ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que arbitro
em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação pecuniária imposta.

Salvador-Ba, Sala das Sessões, 14 de julho de 2015.


Rosalvo Augusto Vieira da Silva
Juiz Relator

COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS


TURMAS RECURSAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

PROCESSO Nº 0032069-82.2014.8.05.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTES: CHIACHIARETTA EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO
SPE LTDA. e CYRELA BRAZIL REALTY
RECORRIDA: BRUNA DE OLIVEIRA SANTOS
JUIZ PROLATOR: NICIA OLGA ANDRADE DE SOUZA DANTAS
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. COMPRA DE IMÓVEL EM


CONSTRUÇÃO. CONSUMIDORA SE DIRIGIU AO
EMPREENDIDO COM O PROPÓSITO DE ADQUIRIR UMA
UNIDADE, SENDO ATENDIDA POR CORRETORES
CONTRATADOS PELAS RECORRENTE PARA O
DESENVOLVIMENTO DE SUA ATIVIDADE ECONÔMICA.
DISTRATO. SENTENÇA QUE ORDENOU A RESTITUÇÃO DO
VALOR PAGO A TÍTULO DE TAXA DE CORRETAGEM.
MANUTENÇÃO INTEGRAL DO JULGADO. NÃO
PROVIMENTO DO RECURSO.

ACÓRDÃO

Realizado julgamento do Recurso do processo acima epigrafado, a


QUINTA TURMA, composta dos Juízes de Direito, EDSON PEREIRA FILHO,
ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA e ELIENE SIMONE SILVA OLIVEIRA
decidiu, à unanimidade de votos, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao
recurso interposto pelas Recorrentes, CHIACHIARETTA EMPREENDIMENTO
IMOBILIÁRIO SPE LTDA. e CYRELA BRAZIL REALTY, para, mantendo-se
integralmente a sentença hostilizada, condená-la ao pagamento das custas
processuais e honorários advocatícios que arbitro em 20% (vinte por cento) sobre
o valor da condenação pecuniária imposta.

Salvador, Sala das Sessões, 14 de julho de 2015.

JUIZ EDSON PEREIRA FILHO


Presidente

JUIZ ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA


Relator