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Gerenciamento de resíduos sólidos agrossilvopastoris e agroindustriais

Technical Report · June 2013


DOI: 10.13140/RG.2.1.1780.9048

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4 authors, including:

I.J. Silva Bruna Coelho Lopes

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Anna Carolina Spelta


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Gerenciamento de
resíduos sólidos
agrossilvopastoris e
agroindustriais

bigstockphoto.com
Luciano dos Santos Rodrigues1*
Israel José da Silva1 - CRMV 1033
Bruna Coelho Lopes1 - CRMV 11308
Anna Carolina Ferreira Spelta1**
1
Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais
* Autor para correspondência: lsantosrodrigues@gmail.com
** Estudante de biologia

Introdução e à elevação da produção de diferentes


culturas, além do ganho de produtivi-
A poluição ambiental causada
dade. Aliado a esta nova realidade está o
pela atividade animal representa uma
ameaça à saúde humana e de animais. aumento da produção de resíduos, tanto
Segundo o IBGE1, o ano de 2010 apre- orgânicos como inorgânicos, que neces-
sentou crescimento do setor agrossilvo- sitam de manejo, tratamento e disposi-
pastoril de 3,9%, liderando em relação ção adequados, já que essas atividades
aos demais setores. Esse aumento foi dependem prioritariamente de recursos
devido ao crescimento da agropecuária naturais para existirem.
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2V UHVtGXRV JHUDGRV QDV DWLYL- sólidos e a disposição ambientalmente
GDGHV DJURVVLOYRSDVWRULV SRGHP VHU adequada dos rejeitos. No entanto, ain-
FODVVL¿FDGRV FRPR da há uma confusão
orgânicos e inor- Os resíduos gerados sobre as formas de
JkQLFRV 2V UHVt- nas atividades classificação dos re-
duos orgânicos são agrossilvopastoris síduos gerados pela
aqueles gerados nos SRGHPVHUFODVVL¿FDGRV atuação veterinária
setores de agricul- como orgânicos e em áreas rurais, pois
WXUD H DJURSHFXiULD inorgânicos. Resíduos estes não podem ser
como os rejeitos orgânicos: rejeitos classificados com o
das culturas (café, das culturas, dejetos rigor de resíduos de
cacau, banana, gerados nas criações saúde hospitalares,
soja, milho, etc.), DQLPDLVHRVHÀXHQWHVH mas também há um
dejetos gerados nas resíduos produzidos nas risco à saúde que os
criações animais e agroindústrias, como impede de serem tra-
os efluentes e resí- abatedouros, laticínios e tados como resíduo
duos produzidos nas graxarias. comum.
agroindústrias, como Para se ter a di-
abatedouros, laticínios e graxarias. O mensão do problema a ser abordado
tratamento de efluentes e de resíduos neste trabalho, a Tab. 1 apresenta o re-
orgânicos já se encontra bem estabeleci- banho efetivo nacional. A população
do no âmbito tecnológico, entretanto o bovina superou a população brasileira
mesmo fato não ocorre com os resíduos no ano de 2010, que foi de 190.733 mi-
inorgânicos produzidos neste setor. Os lhões de pessoas. Os maiores efetivos da
resíduos sólidos inorgânicos gerados espécie bovina encontram-se no estado
no setor agrossilvopastoril abrangem as de Mato Grosso, seguido pelos estados
embalagens produzidas nos segmentos de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
de agrotóxicos, fertilizantes e insumos Já o maior efetivo equino encontra-se na
farmacêuticos veterinários, além dos re- região Nordeste, e de suínos na região
síduos sólidos domésticos da área rural. Sul, com 47,9% de todo o efetivo suíno
A Lei nº 12.305/2010 instituiu a nacional2.
2

Política Nacional de Resíduos Sólidos, Vale ressaltar que a maior parte


que obriga os municípios a criarem pla- do rebanho de corte e leite é criada
nos de gerenciamento desses resíduos de forma extensiva e, desta maneira, a
em suas regiões, sendo que a prioridade produção de resíduos veterinários são
é a não geração, a redução, a reutilização, produzidos e descartados de maneira
a reciclagem, o tratamento dos resíduos dispersa. A bovinocultura de corte e de
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leite aparece como o maior mercado animais voltadas para o consumo hu-
consumidor de produtos veterinários mano, como frangos e suínos. Estes são
do país, responsável por 55% do fatu- criados de forma intensiva e confinados
ramento total do seguimento, seguido em granjas com elevada densidade po-
pela suinocultura (15,3%), avicultura pulacional, as quais se situam, normal-
(14,2%) e o restante distribuído pelas mente, próximo aos polos regionais de
outras espécies3 . comercialização da carne, tornando a
relação entre integrado (produtor rural)
Tabela 1. Rebanho efetivo no Brasil segundo e a integradora (empresa) mais próxima.
as diversas espécies Tendo em vista que a coleta de lixo
Espécie Nacional (milhões) rural no Brasil cobre apenas 31,6% dos
Bovinos 209541 domicílios4, a ineficiência no trato com
Bubalinos 1.185 o resíduo sólido doméstico produzido
Equinos 5.514 na zona rural é refletida nas práticas de
Asininos 1.002 destinação dos resíduos. Galho et al.5
Muares 1.277 realizaram entrevistas semiestruturadas
^ƵşŶŽƐ 38.957 com 13 famílias da zona rural no Rio
Caprinos 9.313 Grande do Sul e verificaram a prática
Ovinos 17.381 comum de todo o país, onde 45% do
Aves 1.028.181
lixo produzido é queimado e 34% enter-
rado no solo sem qualquer tipo de trata-
1
Fonte: IBGE (2011). mento anterior. Esse tipo de disposição
tem como consequência a contamina-
Dada a importância dos elevados ção de águas superficiais e subterrâne-
números que a bovinocultura represen- as, as quais são as fontes de captação de
ta nos setores econômico e produtivo água para consumo humano. Tal fato
do país, pressupõe-se pode ser verificado no
que a geração de resí- Diversas zoonoses podem mesmo trabalho, o qual
duos inorgânicos, como ser transmitidas pelo mostrou que 66% da
recipiente de fármacos, contato com os materiais captação de água dessas
de vacinas e de insumos utilizados na prática famílias eram realizadas
veterinários, será mais clínica veterinária em em açudes.
expressiva que nas de- fazendas e também pelo Diversas zoonoses
mais atividades pecuá- contato com os dejetos podem ser transmitidas
rias. Isto porque uma si- dos animais, como a pelo contato com os
tuação diferente ocorre brucelose, a leptospirose e materiais utilizados na
para as demais criações parasitoses. prática clínica veteriná-
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ria em fazendas e também pelo conta- de antígenos contra a doença. Ao avalia-
to com os dejetos dos animais, como a rem médicos veterinários de pequenos
brucelose, a leptospirose e parasitoses. animais, os mesmos autores obtiveram
São doenças consideradas de risco ocu- 13,0% desses profissionais infectados
pacional, que afetam principalmente no último ano do curso de medicina
açougueiros, veterinários, magarefes e veterinária, e 62,0% infectados entre os
trabalhadores rurais e são endêmicas primeiros quatro anos e os quatro anos
em várias regiões do país. Entretanto, há posteriores ao período da graduação, na
uma discussão de que a leptospirose não dependência dos hábitos pessoais.
seja inteiramente uma doença ocupa- Outro inquérito epidemiológico re-
cional, associando-se mais a atividades alizado analisou se houve diferença sig-
recreativas6. nificativa de infecção por leptospirose
As vacinas são compostas por mi- entre pessoas que mantinham contato
crorganismos inativos ou atenuados e, íntimo com os animais, normalmen-
quando manuseadas de forma correta, te trabalhadores rurais, e os que não
não promovem riscos (diretos) à saúde tinham contato. Os resultados deste
humana. Entretanto, cabe ressaltar que trabalho sugeriram que a população
a necessidade de descarte apropriado da zona rural encontra-se exposta à in-
das embalagens vazias é extremamente fecção por leptospiras e que o auxílio a
importante. Isso porque o homem pode partos em animais pode ser um fator de
atuar como participante acidental da ca- risco, necessitando de maior vigilância
deia epidemiológica das doenças como por parte das autoridades sanitárias6.
a brucelose. Por meio da manipulação A vacina antirrábica é composta
das secreções do animal infectado ou por vírus inativo. Sua manipulação não
de vacina atenuada (cepa B-19) de uso é considerada um risco ocupacional.
comercial, pode haver uma inoculação Entretanto, o desenvolvimento da do-
acidental ou inalação de aerossóis no ença no animal até o seu diagnóstico e
momento da vacinação quando esta é o contato das secreções animais pelos
manuseada inapropriadamente. Desta trabalhadores é a questão mais preocu-
maneira, pode provocar a doença no pante, pois o período de incubação é
animal e no aplicador, além de contami- muito variável, podendo durar de dias
nar o meio ambiente. a meses, a sintomatologia é inespecí-
Schnurrenberger et al.7, em estudo fica e o diagnóstico é dado somente
com 1.315 médicos veterinários, que após exame laboratorial post mortem.
realizaram vacinação para brucelose no Por isso, o tratamento adequado dos
estado americano de Illinois, observa- materiais utilizados no atendimento
ram que 17,8% apresentaram produção clínico dos animais que apresentem sin-
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tomatologia neurológica é de extrema duos do país, onde apenas 31,6% dos
importância. municípios rurais possuem coleta de
lixo, não sendo levado em consideração
Classificação dos resíduos a forma de disposição e tratamento dele.
Os resíduos sólidos foram classifi- Percebe-se que os resíduos inorgânicos
cados pela NBR 12808/19938 em três oriundos das atividades agropecuárias
tipos: a classe A, composta por resídu- não se enquadram na legislação vigente
os infectantes; a classe B, composta por e merecem um estudo diferencial com o
resíduos especiais; e a classe C, pelos intuito de se definirem as formas de dis-
resíduos comuns. Os detalhes são apre- posição e de tratamento que podem ser
sentados na Tab. 2. aplicadas.
Os resíduos infectantes são os de As pessoas que manipulam esse resí-
serviços de saúde que, por suas caracte- duo é a população rural de todas as fai-
rísticas de maior virulência, infectivida- xas etárias, inclusive crianças, que não
de e concentração de patógenos, apre- possuem uma instrução suficiente para
sentam risco potencial adicional à saúde realizar esse tipo de serviço. Segundo a
pública. Já os resíduos farmacêuticos legislação americana, o manipulador é
são enquadrados na classe B e consis- definido como a pessoa que pode entrar
tem em produtos medicamentosos com em contato com os produtos médicos
prazo de validade vencido, contamina- veterinários ou componentes antes da
do, interditado ou não utilizado. aplicação no animal (por exemplo, du-
A Resolução Conama nº 358/20059 rante a preparação e o armazenamento),
caracteriza o resíduo produzido pelo durante a aplicação e após a aplicação
atendimento à saúde humana ou animal (por meio do contato com animais
como resíduo de saúde, inclusive nos tratados ou dos resíduos gerados). A
serviços de atendimento domiciliar e de avaliação da segurança do usuário deve
trabalho no campo. Nessa mesma legis- abordar as situações de exposição resul-
lação, a responsabilidade da destinação tantes de condições normais de uso e
final de tais componentes é delegada ao de acidentes previsíveis, como ingestão
gerador do resíduo, ou seja, a proprieda- acidental por crianças e injeções aciden-
de rural ou o próprio profissional veteri- tais de medicamentos. Substâncias de
nário, assim como a implantação de um uso controlado que podem ser mal uti-
plano de gerenciamento de resíduos de lizadas, como hormônios e drogas psi-
saúde, que deverá ser requerido durante cotróficas, exigem uma atenção especial
o licenciamento ambiental da proprie- para as condições de estocagem, no sen-
dade rural. De fato, esse tipo de exigên- tido de prevenir acesso de pessoas não
cia não condiz com a situação dos resí- autorizadas.
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dĂďĞůĂϮ͘ůĂƐƐŝĮĐĂĕĆŽĚŽƐƌĞƐşĚƵŽƐƐſůŝĚŽƐƐĞŐƵŶĚŽĂEZ ϭϮϴϬϴͬϭϵϵϯ

Classe
Cultura, inóculo, mistura de microrganismos e meio de cultura
ŝŶŽĐƵůĂĚŽƉƌŽǀĞŶŝĞŶƚĞĚĞůĂďŽƌĂƚſƌŝŽĐůşŶŝĐŽŽƵĚĞƉĞƐƋƵŝƐĂ͕ǀĂĐŝ-
A.1 Biológico ŶĂǀĞŶĐŝĚĂŽƵŝŶƵƟůŝnjĂĚĂ͕ĮůƚƌŽĚĞŐĂƐĞƐĂƐƉŝƌĂĚŽƐĚĞĄƌĞĂƐĐŽŶƚĂ-
ŵŝŶĂĚĂƐƉŽƌĂŐĞŶƚĞƐŝŶĨĞĐƚĂŶƚĞƐĞƋƵĂůƋƵĞƌƌĞƐşĚƵŽĐŽŶƚĂŵŝŶĂĚŽ
por esses materiais.
Bolsa de sangue após transfusão, com prazo de validade vencido
A.2 Sangue e
ŽƵƐŽƌŽůŽŐŝĂƉŽƐŝƟǀĂ͕ĂŵŽƐƚƌĂĚĞƐĂŶŐƵĞƉĂƌĂĂŶĄůŝƐĞ͕ƐŽƌŽ͕ƉůĂƐ-
hemoderivados
ma e outros subprodutos.
A.3 Cirúrgico, ana- dĞĐŝĚŽ͕ſƌŐĆŽ͕ĨĞƚŽ͕ƉĞĕĂĂŶĂƚƀŵŝĐĂ͕ƐĂŶŐƵĞĞŽƵƚƌŽƐůşƋƵŝĚŽƐ
A tomopatológico e ŽƌŐąŶŝĐŽƐƌĞƐƵůƚĂŶƚĞƐĚĞĐŝƌƵƌŐŝĂ͕ŶĞĐƌŽƉƐŝĂĞƌĞƐşĚƵŽƐĐŽŶƚĂŵŝ-
exsudato nados por esses materiais.
A.4 Perfurante ou
Agulha, ampola, pipeta, lâmina de bisturi e vidro.
cortante
Carcaça ou parte de animal inoculado, exposto a microrganismos
A.5 Animal
patogênicos ou portador de doença infectocontagiosa, bem como
contaminado
ƌĞƐşĚƵŽƐƋƵĞƚĞŶŚĂŵĞƐƚĂĚŽĞŵĐŽŶƚĂƚŽcom esse animal.
^ĞĐƌĞĕƁĞƐ͕ĞdžĐƌĞĕƁĞƐĞĚĞŵĂŝƐůşƋƵŝĚŽƐŽƌŐąŶŝĐŽƐƉƌŽĐĞĚĞŶƚĞƐĚĞ
A.6 Assistência ao
ƉĂĐŝĞŶƚĞƐ͕ďĞŵĐŽŵŽŽƐƌĞƐşĚƵŽƐĐŽŶƚĂŵŝŶĂĚŽƐpor esses mate-
paciente
riais, inclusive restos de refeições.
DĂƚĞƌŝĂůƌĂĚŝŽĂƟǀŽŽƵĐŽŶƚĂŵŝŶĂĚŽ͕ĐŽŵƌĂĚŝŽŶƵĐůşĚĞos prove-
B.1 Rejeito
ŶŝĞŶƚĞƐĚĞůĂďŽƌĂƚſƌŝŽĚĞĂŶĄůŝƐĞƐĐůşŶŝĐĂƐ͕ƐĞƌǀŝĕŽƐĚĞŵĞĚŝĐŝŶĂ
ƌĂĚŝŽĂƟǀŽ
nuclear e radioterapia (ver Resolução CNEN- 6.05).
B ͘ϮZĞƐşĚƵŽ Medicamento vencido, contaminado, interditado ou não
ĨĂƌŵĂĐġƵƟĐŽ ƵƟůŝnjĂĚŽ͘
͘ϯZĞƐşĚƵŽƋƵşŵŝ- ZĞƐşĚƵŽƚſdžŝĐŽ͕ĐŽƌƌŽƐŝǀŽ͕ŝŶŇĂŵĄǀĞů͕ĞdžƉůŽƐŝǀŽ͕ƌĞĂƟǀŽ͕ŐĞŶŽƚſdžŝ-
co perigoso co ou mutagênico conforme a NBR 10004

dŽĚŽƐĂƋƵĞůĞƐƋƵĞŶĆŽƐĞĞŶƋƵĂĚƌĂŵŶŽƐƟƉŽƐĞĞƋƵĞ͕ƉŽƌ
ƐƵĂƐĞŵĞůŚĂŶĕĂĂŽƐƌĞƐşĚƵŽƐĚŽŵĠƐƟĐŽƐ͕ŶĆŽŽĨĞƌĞĐĞŵƌŝƐĐŽ
C ZĞƐşĚƵŽĐŽŵƵŵ adicional à saúde pública. Por exemplo:ƌĞƐşĚƵŽĚĂĂƟǀŝĚĂĚĞĂĚ-
ŵŝŶŝƐƚƌĂƟǀĂ͕ĚŽƐƐĞƌǀŝĕŽƐĚĞǀĂƌƌŝĕĆŽĞůŝŵƉĞnjĂĚĞũĂƌĚŝŶƐĞƌĞƐƚŽƐ
alimentares que não entraram em contato com pacientes.

52 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 68 - maio de 2013

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Chaicouski et al. 10 realizaram um es- normas e/ou regras para o destino das
tudo sobre manejo dos resíduos sólidos embalagens vazias.
de saúde de origem veterinária em uma Na legislação da União Europeia, o
comunidade rural no estado do Paraná. termo produto veterinário engloba não
Como na região não há coleta de lixo, apenas os compostos farmacêuticos
as soluções adotadas pelos proprietá- como também os produtos ectoparasi-
rios geram um risco para o ambiente e tas, as vacinas e outros produtos que são
para os seres humanos, pois pode haver adicionados intencionalmente na ali-
a contaminação do lençol freático e do mentação animal. Essa definição inclui
solo e de crianças e/ou adolescentes que substâncias ou combinações utilizadas
entrarem em contato com algum tipo de para tratar ou prevenir doenças que são
resíduo disposto a céu aberto. A desti- administradas para restaurar, corrigir
nação dos resíduos veterinários era re- ou modificar alguma função fisiológica,
alizada de forma inadequada, por meio como os produtos que promovem alte-
da queima na propriedade, descartados ração do ciclo estral.
com o lixo comum ou descartados dire- Os praguicidas de uso veterinário e
tamente no solo, na propriedade rural. de uso agrícola têm semelhanças quími-
cas e/ou estruturais; assim, é razoável
Agrotóxicos X insumos esperar que os antiparasitários veteri-
nários recebam atenção semelhante aos
veterinários
agrotóxicos, o que não se observa atual-
A estrutura legal sobre os produtos mente, conforme apresentado na Tab. 3.
veterinários no Brasil é regida pelos Os agrotóxicos de uso veterinário
Decretos-Lei 467/1969, 1.662/2005, são analisados exclusivamente pelo
5.053/2004, 6.296/2007, Lei n° Ministério da Agricultura, Pecuária e
6.198/1974 e é de responsabilidade Abastecimento (Mapa). Desta manei-
exclusiva do Ministério da Agricultura, ra, produtos formulados com o mesmo
Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os princípio ativo, numa mesma concen-
Decretos-Lei dispõem sobre a fiscaliza- tração, podem ter avaliações distintas,
ção de produtos de uso veterinário, dos para fins de registro, dependendo da
estabelecimentos que os fabricam, defi- sua utilização na agricultura ou na pe-
nem os produtos da indústria veteriná- cuária. A inclusão dos agrotóxicos no
ria e dão outras providências, estabele- rol de produtos de uso veterinário cria
cendo a obrigatoriedade da fiscalização uma confusão jurídica com sérias impli-
da indústria, do comércio e do emprego cações práticas: ao mesmo tempo, pro-
dos produtos veterinários em todo o dutos formulados a partir dos mesmos
país. Entretanto, não há menções sobre princípios-ativos, voltados ao combate a
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Tabela 3. ŶĄůŝƐĞĐŽŵƉĂƌĂƟǀĂĚĞĂƐƉĞĐƚŽƐƉƌĞƐĞŶƚĞƐŶĂůĞŐŝƐůĂĕĆŽƐŽďƌĞ
produtos veterinários e agrotóxicos

Itens ŐƌŽƚſdžŝĐŽƐ Produtos veterinários


Ministério da Agricultura, Pecuária e Ministério da Agricultura,
Órgãos regula-
Abastecimento, Ministério da Saúde e Ministério Pecuária e Abastecimento
mentadores
do Meio Ambiente (Lei nº 7.802, de 1989) (Decreto nº 5.053, de 2004)
Exigida por Lei (Lei nº 7.802, de 1989) e de
Não há exigência quanto à
responsabilidade do Ministério da Saúde (por
ůĂƐƐŝĮĐĂĕĆŽ avaliação de toxicidade nem
meio da Anvisa). Obrigatoriedade de constar tais
toxicológica de seu registro no rótulo
informações nos rótulos (incluindo destaque por
dos produtos
cores)
Produtos para
Recebem um registro especial temporário (Lei nº São dispensados de registro
pesquisa e
7.802, de 1989) (Lei nº 6.198, de 1974)
experimentação
Deve ser aprovada pelo
MAPA e deve ser de
Deve ser provida de lacre irremediavelmente
ƉƌŝŵĞŝƌŽƵƐŽ͕ŐĂƌĂŶƟŶĚŽ
Embalagem ĚĞƐƚƌƵşĚŽĂƉſƐĂďĞƌƚĂƉĞůĂƉƌŝŵĞŝƌĂǀĞnj͘;>ĞŝŶǑ
qualidade e inviolabilidade
7.802, de 1989)
do produto (Lei nº 6.198,
de 1974)
Na comercialização a granel
ĚĞƉƌŽĚƵƚŽƐĚĞƐƟŶĂĚŽƐă
Somente poderão ser realizados pela empresa alimentação animal, a res-
produtora ou por estabelecimento devidamente ponsabilidade pela manu-
Fracionamento
credenciado, sob responsabilidade da produtora, tenção da qualidade passa a
do produto
em locais previamente autorizados por órgãos ser do estabelecimento que
competentes. (Lei nº 9.974, de 2000) ŽĂĚƋƵŝƌŝƵ͕ĂƉĂƌƟƌĚĞƐĞƵ
ĞĨĞƟǀŽƌĞĐĞďŝŵĞŶƚŽ;>ĞŝŶǑ
6.198, de 1974)
Embalagens vazias devem ser devolvidas no pon-
Descarte de em-
to de venda no prazo de até um ano após a data
balagens pelo Não há menção
da compra. Esta informação deve vir em bula (Lei
produtor
nº 9.974, de 2000)
As empresas produtoras e comercializadoras são
ƌĞƐƉŽŶƐĄǀĞŝƐƉĞůĂĚĞƐƟŶĂĕĆŽĚĞƐƚĂƐĐŽŵǀŝƐƚĂƐ
ĞƐƟŶĂĕĆŽĚĞ ăƐƵĂƌĞƵƟůŝnjĂĕĆŽ͕ƌĞĐŝĐůĂŐĞŵŽƵŝŶƵƟůŝnjĂĕĆŽ͕
Não há menção
embalagens obedecendo a normas e instruções de órgãos
registrantes e sanitário-ambientais competentes
(Lei nº 9.974, de 2000)
Fonte: Silva et al.11 (2012).

54 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 68 - maio de 2013

ct 68.indb 54 05/06/2013 09:54:42


pragas, são classificados, autores citados, os proble-
Os efeitos adversos à
controlados e legislados mas mais observados são
saúde relacionados
de maneira bastante dis- as neuropatias periféricas
à exposição a
tinta, dependo de seu de efeito retardado, as ta-
11
organofosforados
uso primário . são problemas quicardias, as fraquezas
Publicações recen- comumente enfrentados musculares e as midríases,
tes ao tema relacionan- por profissionais efeitos geralmente asso-
do o trabalhador rural relacionados à cultura ciados a episódios de into-
à exposição de pragui- de gado leiteiro, entre xicação aguda.
cidas mostram que a estes, autoridades Nos Estados Unidos,
utilização de defensivos sanitárias, veterinários tem sido recomendado
agrícolas promove ris- e produtores. o descarte de medica-
cos de acidentes e doen- mentos no esgoto e não
ças relacionadas ao tra- no lixo. Esta iniciativa foi
balho. Schmidt e Godinho12 realizaram tomada para proteger os humanos e
um estudo com 50 produtores rurais, os animais de contaminação acidental,
numa região do interior além de envenenamentos
de São Paulo conhecida As experiências por ingestão ou por con-
pela elevada produção positivas de tato, pois permitir que
de grãos, principalmente logística reversa das medicamentos sejam ar-
soja e milho, e identifica- embalagens vazias de mazenados em lixo pode
ram falta de treinamento agrotóxicos podem promover sua acumulação
técnico para utilização de servir de modelo para e recuperação do conteú-
agrotóxicos, sobretudo os demais segmentos do a partir do lixo.
erro de dosagem, além que ainda carecem de Em 2011, o
13
de relatos de crianças que políticas específicas InpEV lançou o pri-
pegam as embalagens de para a destinação meiro Relatório de
agrotóxicos vazias para ambientalmente Sustentabilidade. Houve
brincar. correta dos resíduos recolhimento de 34.202
Os efeitos adversos gerados. toneladas de embalagens
à saúde relacionados à de agrotóxicos, que fo-
exposição a organofos- ram retiradas do campo
forados são problemas comumente e enviadas para a destinação ambien-
enfrentados por profissionais rela- talmente adequada para reciclagem e
cionados à cultura de gado leiteiro, incineração, o que representou 80% das
entre estes, autoridades sanitárias, vete- embalagens comercializadas.
rinários e produtores. De acordo com os As experiências positivas de logísti-
Gerenciamento de resíduos sólidos agrossilvopastoris e agroindustriais 55

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ca reversa das embala-
A maior geração Resíduos orgânicos
gens vazias de agrotó-
de resíduos na produção
xicos podem servir de animal
agrossilvopastoris na
modelo para os demais A maior geração de
produção animal está
segmentos que ainda ca- relacionada a resíduos resíduos agrossilvopas-
recem de políticas espe- orgânicos provenientes toris na produção ani-
cíficas para a destinação da produção, sendo mal está relacionada a
ambientalmente correta esses dejetos restos de resíduos orgânicos pro-
dos resíduos gerados. alimentos, cama de venientes da produção,
No tocante ao retor- frango, carcaças de sendo esses dejetos res-
no de embalagens va- animais mortos e restos tos de alimentos, cama
zias de insumos farma- de parição. de frango, carcaças de
cêuticos (pesticidas) O gerenciamento desses animais mortos e restos
veterinários, tramitam resíduos está vinculado de parição.
no Congresso projetos diretamente ao manejo, O gerenciamento
de lei (PLS 134/2007 que pode ser seco ou desses resíduos está vin-
e PLS 718/2007) que úmido. culado diretamente ao
propõem a alteração manejo, que pode ser
do Decreto-Lei nº seco ou úmido. No ma-
467/196914, passando a vigorar a res- nejo úmido, adota-se sistema de trata-
ponsabilidade para a destinação das em- mento de efluentes líquidos (ETE); já
balagens vazias de insumos veterinários. no caso do manejo seco ou de resíduos
No plano interna- sólidos gerados na ETE,
cional, diferentes países O processo de o ideal é adotar o apro-
já adotaram políticas compostagem pode ser veitamento de resíduos.
para a gestão de resí- definido como sendo a Entre as principais for-
duos sólidos. Na União decomposição biológica mas de aproveitamento
Europeia, o principal controlada de resíduos estão a compostagem,
instrumento utilizado orgânicos, realizada o uso de esterqueiras
para subsidiar o siste- por microrganismos ou bioesterqueiras e os
ma de logística reversa autóctones, num biodigestores.
é uma tarifa paga pelo ambiente úmido,
setor produtivo (distri- aquecido e aeróbio, com Compostagem
buidores, produtores produção de dióxido de O processo de com-
de embalagens, etc.) carbono, água, minerais, postagem pode ser de-
por tipo de produto e tendo como resultado finido como sendo a
reciclável. final o composto orgânico decomposição biológica

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controlada de resíduos energética para o meta-
A relação C/N deve estar
orgânicos, realizada por bolismo e o material bá-
no intervalo de 25:1 a
microrganismos autóc- sico para construção de
40:1.
tones, num ambien- células microbianas. Já o
te úmido, aquecido e nitrogênio é o elemen-
aeróbio, com produção de dióxido de to essencial na formação de proteínas,
carbono, água, minerais, e tendo como ácidos nucleicos, aminoácidos, enzimas
resultado final o composto orgânico, e coenzimas necessários para o cresci-
que constitui um material humidificado, mento e o funcionamento celular.
com odor de terra, facilmente manuse- A relação C/N deve estar no inter-
ado e estocado, o qual contribui para a valo de 25:1 a 40:1, pois valores eleva-
fertilidade e a estrutura do solo15, 16. dos significam que não há nitrogênio su-
A compostagem se desenvolve em ficiente para um ótimo crescimento das
três fases distintas: populações microbianas, e a velocidade
r Fase mesofílica: é a fase em que pre- de decomposição será reduzida. Por
dominam temperaturas moderadas, outro lado, baixos valores de C/N indu-
até cerca de 40ºC, tendo em média de zem perdas de nitrogênio na forma de
dois a cinco dias.
amônia, causando odores indesejáveis16.
r Fase termofílica: nessa fase, predomi-
Na Tab. 4 estão listadas as relações
nam as altas temperaturas, e ela pode
C/N de diferentes resíduos.
ter a duração de poucos dias a vários
meses, de acordo com as característi-
dĂďĞůĂϰ͘ZĞůĂĕƁĞƐͬEĚĞĚŝĨĞƌĞŶƚĞƐ
cas do material a ser compostado.
ƌĞƐşĚƵŽƐƉĂƌĂĐŽŵƉŽƐƚĂŐĞŵ
r Fase de maturação: é a fase em que
ocorre a humificação da matéria or- Material ZĞůĂĕĆŽͬE
gânica, tendo duração de semanas a Esterco bovino 18:1
meses. Esterco de aves 10:1
Os fatores que afetam o processo de ƐƚĞƌĐŽƐƵşŶŽ 19:1
compostagem são: Esterco de ovinos 15:1

1. Relação carbono/nitrogênio Esterco de equinos 18:1

(C/N) Cama de aviário 14:1


Café: casca 53:1
O carbono e o nitrogênio são os ele-
Cana-de-açúcar 22:1
mentos mais importantes requeridos
para que a decomposição microbiana Serragem 865:1

se desenvolva plenamente. O carbono Fonte: Adaptado de Kiehl15


fornece, simultaneamente, uma fonte
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2. Tamanho das partículas dos por se tratar de um processo aeróbio de
resíduos agrícolas oxidação, a disponibilidade de oxigênio
Os resíduos a serem compostados é um fator primordial.
não devem conter partículas muito pe- A aeração é feita por meio do revi-
quenas, a fim de se evitar a compactação ramento das leiras, de forma manual ou
durante o processo, o que comprome- mecânica, ou por meio de aeração for-
teria a aeração. Por outro lado, resídu- çada, utilizando compressores e tubos
os com partículas maiores retardam a perfurados dentro da leira.
decomposição por reterem pouca umi- O reviramento das leiras é indicado
dade e apresentarem menor superfície a cada três dias, durante os primeiros 30
de contato com os microrganismos. As dias, e a cada seis dias até o término da
partículas devem ter o tamanho do in- primeira fase (temperaturas inferiores a
tervalo de 10 a 50 mm. 40ºC).

3. Umidade 5. Temperatura

O teor de umidade do material a ser A temperatura constitui o fator mais


compostado deve estar entre 40 e 60%, importante no indicativo do equilíbrio
pois, com valores inferiores a 40%, a ati- biológico, refletindo a eficiência do pro-
vidade microbiana é restringida, e com cesso de compostagem. Segundo Pereira
teores acima de 60%, começa a haver Neto (1996), na fase de degradação ati-
comprometimento da aeração, provo- va, a manutenção de temperaturas ter-
cando condições anaeróbias e conse- mofílicas (45 a 65ºC) controladas é um
quente liberação de maus odores. dos requisitos básicos, pois é por meio
Para corrigir o problema, em caso desse controle que se consegue aumen-
de baixo teor de umidade, deve-se irri- to da eficiência do processo. Já na 2ª fase
gar uniformemente a pilha de resíduos ocorre desenvolvimento de temperatu-
e, quando o teor de umidade estiver ex- ras mesofílicas (30 a 45ºC), sendo que
cessivo, deve-se fazer o revolvimento do temperaturas inferiores a 45ºC indicam
material. o início da fase de maturação17.
O controle da temperatura pode ser
4. Aeração realizado por meio da configuração da
A aeração é o principal mecanismo leira, aumentando ou diminuindo a área
capaz de evitar os altos valores de tem- superficial, e por reviramentos periódi-
peratura durante o processo de com- cos. Nesse processo, a aeração da massa
postagem, o aumento da velocidade de de compostagem passa a ser o mecanis-
oxidação do material orgânico e a di- mo de controle da temperatura na faixa
minuição da emanação de odores, pois, ótima17.
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70% 30%

Capim ou qualquer Resíduo orgânico Leira de compostagem


material palhoso (lodo, esterco, etc.) balanceada

Figura 1. 3UHSDURGHOHLUDV

Termômetro

Leira nº ___
1,20 m a 1,50m

Data de
montagem:_____

Figura 3. 3ODFDGHLGHQWL¿-
2,00 m
FDomRGDOHLUD
Figura 2.)RUPDWRGDOHLUD

Figura 4. (VTXHPDGHHVWHUTXHLUD
Fonte: Adaptado de Freitas21 e www.banet.com.br.

Gerenciamento de resíduos sólidos agrossilvopastoris e agroindustriais 59

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6. Preparo das leiras alvenaria, dimensionadas para receber
No processo de compostagem, são carcaças em períodos curtos, em mé-
necessários materiais que forneçam dia dois anos, sendo que geralmente
carbono (restos de capina e poda, ser- se esgotam antes do período projeta-
ragem, palha de milho, casca de arroz, do. Quanto à incineração, sabe-se que
etc.), e materiais que forneçam nitrogê- a umidade das carcaças, em torno de
nio (restos de alimentos, casca de fru- 6-70%, dificulta a queima em baixa tem-
tas, legumes, hortaliças, esterco, etc.). peratura, determinando a necessidade
A proporção em peso da mistura desses de se utilizar combustível para se obte-
materiais é de 70% de material palhoso rem altas temperaturas e injeção de ar
(fonte de carbono) para 30% de esterco para aumentar a eficiência da queima, o
ou lixo orgânico (fonte de nitrogênio), que eleva os custos, tanto em termos de
como mostra a Fig. 117. estrutura dos queimadores quanto em
Após a mistura dos resíduos, as termos operacionais, além de gerar odo-
leiras devem ser montadas imediata- res. No caso do enterramento de carca-
mente para que se inicie o processo de ças, são feitas valas, que ocupam muito
compostagem. A leira deve ter altura de espaço e muitas vezes não podem ser
1,20 a 1,50 metro e largura de 2,0 me- utilizadas na época das chuvas18, 19.
tros (Fig. 2). Já o comprimento depende Neste sentido, a compostagem de
da quantidade de material e da área de carcaças de animais, como também de
compostagem. restos de parição, tem se tornado uma
Depois de montada, cada leira deve alternativa atraente. No caso das carca-
receber uma placa de identificação, ças de animais, a compostagem é feita
constando número da leira e data de em estrutura de alvenaria, protegida da
montagem, como mostra a Fig. 3. chuva e com drenos para coleta de even-
O tempo necessário para a conclu- tuais percolados gerados pela compos-
são do processo de compostagem de teira, na qual as carcaças são colocadas,
forma natural é de 60 a 120 dias. em camadas alternadas com maravalha
ou serragem de madeira, de forma que
Compostagem de todos os fatores que influenciam o pro-
carcaças de animais cesso (relação C/N, umidade, aeração e
mortos temperatura) estejam adequados.
Tradicionalmente, os métodos uti-
lizados para disposição de carcaças de Esterqueiras e
animais mortos incluem fossas anaeró- bioesterqueiras
bias, incineração e enterramento. As As esterqueiras constituem depó-
fossas anaeróbias são construções em sitos que têm por objetivo principal o
60 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 68 - maio de 2013

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tes de sistemas de produção, sendo di- Saneamento Básico. 2008. Disponível em http://
mensionados para período mínimo de www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/
condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008.pdf.
120 dias, de forma a permitir pequena Acesso em março de 2013.
estabilização dos dejetos20.
5. GALHO, V.M.; LIMA, M.C.; GIL, R.L.; ISOLDI,
As esterqueiras, geralmente, são L.A. Educação Ambiental: o lixo em zona rural
do município de Arroio Grande - RS. Anais: XVI
de formato cilíndrico, trapezoidal ou Congresso de Iniciação Científica. IX Encontro
retangular, sendo recomendado o re- de Pós-Graduação, 27 a 29 de novembro de 2007.
vestimento para evitar percolação no
6. GARCIA, J.L.; NAVARRO, I.T. Avaliação soro-
solo, com consequente contaminação lógica da leptospirose e brucelose em pacientes
da água subterrânea. Os materiais mais moradores da área rural do município de Guaraci,
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comuns utilizados para o revestimento Medicina Tropical. v. 34, n. 3, p. 299-300. 2001.
são pedras argamassadas, alvenaria de
7. SCHNURRENBERGER P.R.; WALKER J.F.;
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renos inclinados, que permitem a exe- TÉCNICAS. ABNT NBR 12808:1993, Resíduos
cução de forma semienterrada, o que de serviço de saúde – Classificação. Associação
Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro.
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9. CONSELHO NACIONAL DO MEIO
AMBIENTE. Conama. Resolução nº 358, de 29
Referências de abril de 2005, que dispõe sobre o tratamento e
a disposição final dos resíduos dos serviços de saú-
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1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/
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1998. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ 11. SILVA, T.P.P.; MOREIRA, J.C.; PERES, F. Serão
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62 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 68 - maio de 2013

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