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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS


Departamento de Geotecn_ia

MECÂNICA DOS SOLOS

Ensaios de Laboratório

JOÃO BAPTISTA NOGUEIRA

São Carlos
2005
Reimpressão
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS
DEPARTAMENTO DE GEOTECNIA

MECÂNICA DOS SOLOS

ENSAIOS DE LABORATÓRIO

JOÃO BAPTISTA NOGUEIRA

São Carlos, 2005


Reirripressão
Nogueira, João Baptista
N 778m Mecânica dos Solos - Ensaios de Laboratório/João Baptista
Nogueira, São Carlos, EESC-USP, 1995
248p.

1. Mecânica dos Solos. I. Título

CDD- 624.151

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Digitação: Maristela Zotesso Batissaco

Desenho: Antonio Claret Carriel

Fotografia: Paulo Ceneviva

Impressão e Acabamento: Serviço Gráfico (EESC-USP)

Código: 04007
SUMÁRIO

GRANDEZAS, SÍMBOLOS E UNIDADES ............................................ ix

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO ................... .. ... ........................... .......... . 1


1.1 - Tipos de Amostras ............ .................................................. 2
1.2 - Equipamentos e Acessórios .... .. .............. .................. .... .. ,... 2
1.3 - Resultados de Ensaios ........................................................ 6
1.4 - Estrutura do Texto ....................................................... ....... 8

CAPÍTULO 2 - RETIRADA DE AMOSTRAS ..................................... 11


2. 1 - Equipamentos e Acessórios ............................................. . 12
2.1 .1 - Equipamentos .... .... .. ........ .................... .... ............... .... 12
2.1.2 - Acessórios .............................................................. ,... 12
2.2 - Procedimento para a Amostragem .............................. .... .. 12
2.2.1 - Amostra Deformada .......................... ................. ..... ... 13
2.2. 2 - Amostra Indefo1mada ................................................ 13
2.3 - Cuiclados a serem Tomados ........ .......................... ............ 19
2.3 .1 - Amostra Deformada ................................................... 19
2.3.2 - Amostra Indefmmada ................................................ 19
2.4 - Dimensionamento da Amostra ......................................... 21
2.4.1 - Amostra Deformada ..................... ........ ... ....... ..... ... .. ..22
2.4.2 - Amostra Indefo1mada ................................................. 22
2.5 - Exemplo ................................................... ... ............... ....... 23

CAPÍTULO 3 - PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS ............................... 27


3.1 - Equipamentos e Acessórios .............................................. 29
11

3.1.1 - Equipamentos ............................................................. 29


3.1.2 - Acessó1ios ................................................................... 29
3.2 - Material Granular ............................................................. 30
3.2.1 - Granulometria e Massa Específica dos Sólidos .......... 30
3.2.2 - Massa Específica Seca Mínima e Máxima ................. 31
3.3 - Solo ................................................................................... 33
3.3.1 - Com Secagem Prévia .................................................. 34
3.3.2 - Sem Secagem Prévia .................................................. 35
3.4 - Testes de Identificação ..................................................... 35
3.4.l' - Material Granular ....................................................... 36
3.4.2 - Solo ............................................................................. 37

CAPÍTULO 4 - IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS ................................. 41


4.1 - Equipamentos e Acessórios ...............................................42
4.1.1 - Acessórios ................................................................... 42
4.2 - Preparação das Amostras .................................................. 43
4.3 - Grupos de Solo's ....................... .......................................... 43
4.3.1 - Solos Grossos ............................................................. 43
4.3.2 - Solos Finos .............................. , ........ ,...... , .................. 43
4.3.3 - Solos Altamente Orgânicos ........................................ 44
4.4 - Características Gerais dos Solos .................... : .................. 44
4.4.1 - Cor .............................................................................. 44
4.4.2 - Odor .................................................. , ......................... 44
4.4.3 - Um.idade ................. : ..................................................... 44
4.4.4 - Estrutura ................................................. : .................... 45
4.4.5 - Grau de Cimentação ................................................... 46
4.4.6 - Material Cimentante ..........................................: ........46
4.4.7 - Angularidade e Forma dos Grãos ............................... 47
4.4.8 - Consistência ................................................................ 49
4.4.9 - Outras Informações .................................... : ................49
4.5 - Identificação dos Solos Grossos ....................._. .................49
4.5.1 - Tamanho das Partículas .............................................. 50
4.5.2 - Graduação do Solo ...................................................... 51
4.5.3 - Angularidade e Forma ................................................ 52
4.5.4 - Cor ................................ : ............................................. 52
4.5.5 - Características de Amostras Indeformadas ................. 52 ·
4.5.6 - Identificação ............................................................... 52
4.6 - Identificação dos Solos Finos ...................... : ................ : ... 52
111

4.6.1-Textura ........ .. ................. ...... ...... .. ....... ........... ............ .54


4.6.2 - Resistência a Compressão .... ............. ............ ...... ...... .55
4.6.3 - Dilatância .......................... .. ............ ..... ........... ...... .... ..56
4.6.4 - Dureza ............................... ................................ .......... 58
4.6.5 - Plasticidade ................................................................. 58
4.6.6 - Identificação dos Solos Finos Inorgânicos ................. 59
4.6.7 - Identificação dos Solos Finos Orgânicos ............. ....... 60
4.6.8 - Identificação dos Solos Finos quando
P, (# 200) > 15% ... ... .... ............... ... ........... ....................... 60
4.7 - Solos Altamente Orgânicos ............................................. 61
4.8 - Relatório de Identificação ... .. ...... ................. .................... 61
4.9 - Folha de Identificação ....................... :.. .. .......................... 61
4.10- Exemplos .......................... .... ... .. ............ .. ........... ............. 61

CAPÍTULO 5 - ÍNDICES FÍSICOS ....................................................... 69


5 .1 - Eq ui pamen tos e Acessórios .. ... :................... .......... .......... . 71
5.1.1-Equipamentos ............................................................. 71
5. 1.2 - Acessó1ios ...................... ............................... ............ ..71
5.2 - Massa Específica do Solo 72
5.2.1 - Corpo de Prova Cilíndrico ........... .......................... .. .. .72
5.2.2 - Por Imersão .............. ......... .......................................... 74
5.3 -Teor de Umidade .......... .... ................................ .. .............. 74
5.4 - Simbologia e Unidades ..................................................... 75
5.5 - Cálculo dos Índices Físicos .............................................. 75
5.5.1 - Massa Específica do Solo ............................ ............... 75
5.5.2 - Teor de Umidade ........................................................ 77
5.5.3 - Massa Específica dos Sólidos ..................................... 77
5.5.4 - Massa Específica Seca ......................... ........ ............. .. 77
5.5.5 - Massa Específica Submersa ........................................ 78
5.5.6 - Índice de Vazios ............................... .. ...................... .. 78
5.5.7 - Porosidade .................................................................. 78
· 5.5.8 - Grau de Saturação ..................... ............................ ...... 79
5.5 .9 - Massa Específica da Água .......... ... ........ ..................... 79
5.6 - Exemplo ............................................................................ 79

CAPÍTULO 6 - MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS .. .. ..... .............. 83


6.1 - Equipamentos e Acessórios .............. ...................... .......... 84 .
6.1.1 - Equipamentos .. .......... .. ........ ...... ............. ........ ..... ....... 84
IV

6.1. 2 - Acessórios ....... .................... ........... ..... ... ..................... 84


6. 2 - Material Granular .... ... ....... ........ ........ ... ......... ........... ........ 84
6.3 - Solo .......................................... ... .. .. ...... ...... ... .... .... .... ....... 86
6.4 - Cálculo da Massa Específica dos Sólidos ........ ................. 88
6.5 - Exemplo ........ ................... ..... ........... ..... ..... ....... ....... ... .. .... 89

CAPÍTULO 7 - ANÁLISE GRANULOMÉTRICA ............ .. .. .. ............. 93


7.1 - Equipamentos e Acessó1i os .. ........ .. .. ...... ............ .. ........ .... 94
7.1.1 - Equipamentos ...... ...... .... ......... ..... .... ..... ..... .... .... ......... 94
7.1.2- Acessórios .... ... .... ..................... .... .... ... .. ..... ....... ......... 94
7.2 - Preparação da Amostra ................ .. ... ...... .. ......... ............ ... 96
7 .2. 1 - Mate1ial Granular .. ........ .. .. .. ........ ....... ... .. .... ......... ...... 96
7. 2.2 - Solo ....... .. ...... ... .. ....... ... ..... ......... ..... :... ..... ... ......... ....... 96
7.3 - Ensaio de Peneiramento .. .. .... ......... .. ........ ..... ................. ... 97
7 .3 .1 - Material Seco ...................................................... .. ...... 97
7.3.2 - Solo Lavado .. .... ...... .. ............ ............ .. ............ ...... .... .. 98
7.4 - Ensaio de Granulometria Conjunta ...... ...... .. ........... .. ...... .. 99
7. 5 - Cálculo do Ensaio .... .. ..................... .. ... .......... ................. 102
7. 5. 1 - Peneiramento .................... .. .................... .. .. .... .......... 102
7.5 .2 - Granulometiia Conjunta ............................................ 103
7 .6 - Resultados ....... ................. ......... ..... ......... ... .. .. ..... .... .. ...... 104
7.7 - Exemplo ....................... .. ............ ............ .... .. .... ............ ... 105

CAPÍTULO 8 - LIMITES DE CONSISTÊNCIA .......... .. .. ........ ..... ...... 111


8.1 - Preparação da Amostra .. .. .. .. ...... ............... .. .. .. .. .. .......... .. 11 l
8.1.1 - Com Secagem Prévi a ............................................ .. .. 11 2
8.1.2 - Sem Secagem Prévia ............... ... .... .. .... ..... ...... .. .. .. ... 11 2
8. 2 - Limite de Liquidez - Aparelho de Casagrande .. .. ..... .. .... 113
8.2.1 - Equipamentos ........ ...... ... ...... ... ........ .... ........... .. .. .. .. .. 113
8.2.2 - Acessórios ....... .. ....... ...... ... ..... .. ... .. ...................... ..... . 113
8. 2.3 - Condições do Aparelho de Casagrande .. ... .......... ..... 114
8. 2.4 - Procedimento ... ................... ................. .... ......... .. ...... 114
8.3 - Limite de Liquidez - Ensaio do Cone .... ...... .. ... .. .. .... .. .... 116
8.3.1 - Equipamentos .. ......................................................... 116
8.3. 2 - Acessórios ..... ... ... .. ... ... ........ ... ...... ...... .... .... .. .. ........... 117
8.3.3 - Condições do Penetrômetro ............ ... ....................... 117
8.3.4 - Procedimento .. .......... .. ...... .. .. ..... ............. ...... .... ..... ... 117
8.4 - Limite de Plasticidade ...................... .. ......... .. ... .. ......... .... 121
V

8.4.1 - Equipamentos ........................................................... 121


8.4.2 - Acessórios ................................................................. 121
8.4.3 - Procedimento ................ ............ .................. .... .......... 121
8.5 - Limite de Contração ....................................................... 123
8.5.1 - Equipamentos ........................................................... 123
8.5.2 - Acessórios ................................................................. 123
8.5.3 - Procedimento ............................................................ 124
8.6 - Índice de Plasticidade ..................................................... 127
8.7 - Exemplo ............... :................................. .... ........ ... ...... .... 128

CAPÍTULO 9 - ENSAIO DE COMPACTAÇÃO ............................. .. . 133


9 .1 - Equipamentos e Acessórios .................................. .......... 134
9.1.1 - Equipamentos .... ........... ............. .. .;........ ... ........ ..... ... 134
9.1.2 - Acessórios ................................................................. 134
9 .2 - Preparação das Amostras ......... .. ..................................... 134
9 .2.1 - Com Secagem Prévia ................ .. ........ ...................... 134
9.2.2 - Sem Secagem Prévia .................... ............................ 136
9.3 - Procedimento ............................................ ........ ............. . 136
9.4 - Cálculo de Ensaio ...................... .... ................. ............... . 139
9.5 - Exemplo ....................... ................................................... 140

CAPÍTULO 10 - COMPACIDADE RELATIVA ................................. 143


10.1 - Equipamentos e ............................................................. 144
10.1 .1 - Equipamentos .............. ......... ......................... ..... .. . 144
10.1.2 - Acessórios .............................................................. 144
10.2 - Tipos de Ensaios ........................................................... 144
10.3 - Preparação da Amostra ................................................. 145
10.4 - Índice de Vazios Máximo .......................................... .. . 146
10.5 - Índice de Vazios Mínimo ............................................. 147
10.5.1 - Ensaio tipo A ...... .................................................. 148
10.5.2 - Ensaio tipo B ........................................................ 149
10.5.3 - Ensaio com Amostra Úmida ................ .. ............... 149
10.6 - Resultados ................................. ......................... .... ..... . 150
10.7 - Exemplo ................................................................ ........ 151

BIBLIOGRAFIA ................................................................................... 153


VI

ANEXO A - INFORMAÇÕES GERAIS ............................................. 155


A. l - Geral ................................................................................. 155
A.2 - Áreas ................................................................................. 155
A.3 - Volumes ........................................................................... 156
A.4 - Massas Específicas ........................................................... 156
A.5 - Relações Trigonométricas ................................................. 157

ANEXO B - NORMAS ........................................................................ 159


B.1 - Associação Brasileira de Normas Técnicas ...................... 160
B.2 - American Society for Testing and Materiais .................... 161
B.3 - Outras Normas de Interesse .............................................. 163

ANEXO C - MASSA ESPECÍFICA DA ÁGUA ................................. 165

ANEXO D - VISCOSIDADE DINÂMICA DA ÁGUA ...................... 167

ANEXO E - ÍNDICES FÍSICOS .......................................................... 169


E.1 - Determinação do Volume por Imersão ............................. 169
E.2 - Massa Específica Submersa .............................................. 171
E.3 - Alteração no Teor de Umidade ......................................... 173
E.4 - Água no Solo ..................................................................... 174

ANEXO F - MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS .......................... 177


F.1 - Calibração do Picnômetro ................................................. 177
F.2 - Proposta da ASTM ............................................................ 178
F.3 - Massa Específica dos Sólidos .............................,............... 181

ANEXO G - PENEIRAS PARA ENSAIOS ......................................... 183

ANEXO H - ENSAIO DE SEDIMENTAÇÃO .................................... 185


H.1 - Lei de Stokes ..................................................................... 185
H.2 - Diâmetro Equivalente .......................................................187
H.3 - Massa Específica da Suspensão ........................................ 191
H.4 - Ação do Densímetro ......................................................... 192
H.5 - Calibração do Densímetro ................................................ 196
H.6 - Con-eções das Leituras ...................................................... 199
H.6.1 - Formação do Menisco ................................................ 200
H.6.2 - Variação da Temperatura ........................................... 201
Vll

H.6.3 - Introdução do Defloculante ....................... .. .......... .. .. 202


H.7 - Solução Defloculante ... ........................................ ... ..... .... .202
H.8 - Tanque de Imersão ............................................................ 203
H.9 - Percentagem de Ocorrência .................................... .......... 204

ANEXO I - LIMITES DE CONSISTÊNCIA ....................................... 213


I.1 - Aparelho de Casagrande .............. .. ........................ ...... ...... . 213
I.2 - Limite de Contração ............ .... .. ......................................... 219
I.3 - Verificação do Penetrômetro .......... .......................... .. .:.... .. 222

ANEXO J - COMPACTAÇÃO DE SOLO ...... .. .................................. 223


J.1 - Dimensões do Equipamento .............................................. 224
J.2 - Verificação do Equipamento ...... ................. .... .... ............... 226
J.3 - Energia de Compactação .............. .... .. ............. .. ................. 228

ANEXO K - COMPACIDADE RELATIVA ....................................... 231


K.1 - Mesa Vibratória Eletromagnética ..................................... 231
K.2 - Mesa Vibrató1ia Comum ..................................... ............. 231
K.3 - Tipos de Cilindros ..... ....................................................... 233
K.4 - Massa e Volume do Cilindro ............................................ 237
K.5 - Mesa Eletromagnética de Vibração Vertical .................... 239
K.6 - Mesa Vibrató1ia Comum .................................................. 239

ANEXO L - SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES ............ 241


L.1 -Estrutura .. ........................ .................... .. ....... .... ................ 241
L.2 - Regras de Estilo ...... .................................................... ...... .244
L.2.1 - Para Escrita dos Símbolos ........................................... 245
L.2.2 - Para Escrita dos Nomes do Símbolos .......................... 245
L.2.3 - Para Unidades Formadas por Multiplicação ou
Divisão .......................... :.................................. ...... ....... .... ........ 246
L.2.4 - Para a Escrita dos Números ......................................... 247
L.3 - Erros que devem ser Evitados ........................................... 248
IX

GRANDEZAS, SÍMBOLOS E UNIDADES

GRANDEZA SÍMBOLO UNIDADE

ACELERAÇÃO DA GRAVIDADE g m/s 2

ALTURA H cm

ÁREA: cm2
Genérica A
Inicial Aº
Interna da Proveta A (pv)

COEFICIENTE DE:
Curvatura CC
Não Uniformidade cu
COMPACIDADE RELATIVA Dr

COMPRIMENTO L cm

DENSIDADE d

DIÂMETRO: = cm, mm
Efetivo D10
Equivalente D 1·
Genérico D
Interno da Proveta D(pv)
X

DISTÂNCIA ENTRE CENTRO DE


VOLUME DO BULBO DO DENSÍ-
METRO: = cm
Ponto qualquer na haste z
Superfície da suspensão Zr

EMPUXO E kN

ENERGIA DE COMPACTAÇÃO EC kJ/m 3

ENSAIO DE CONE: = mm
Leitura Inicial Rº
Leitura Final R

ESPESSURA z cm,mm

FATOR CORRETIVO DE TEMPE-


RATURA K =

FORÇA: kN
Genérica F
Neutra u
Peso w
Peso Submerso W'

GRAU DE: = %
Compactação GC
Saturação sr
ÍNDICE DE: =
Plasticidade IP %
Vazios - Genérico e =
Vazios - Inicial eº
,. Vazios - Mínimo emin
Vazios - Máximo emáx

LARGURA B cm,mm
xi

LEITURA COM O DENSÍMETRO:


Na Suspensão, para T°C, ti r(H)
Na Água Destilada, T°C rw(H)
Corrigida pelo Menisco rm(H)

LIMITE DE: %
Contração LC
Liquidez LL
Plasticidade LP

MASSA DE: kg,g


Água - Genérica Mw
Água Inicial Mw(o)
Água + Picnôrrietro Mz
Água + Picnômetro + Sólidos M1
Cápsula (Tara) M(c)
Mercúrio M(Hg)
Parafina M(par)
Picnômetro M(p)
Sólidos Ms
Sólidos Maiores que Di Ms(> Dj)
Sólidos Menores que Di Ms(<Di)
Sólidos Retidos na peneira i M 5(# i)
Solo - Genérica M
Solo - Inicial Mo

MASSA ESPECÍFICA = kg/m 3 ,g/cm3


Água, T°C Pw(T)
Água, 20°C Pw(20)
Ar p(ar)
Mercúrio p(Hg)
Parafina p(par)
Sêca Pct
Sêca Máxima Pct,máx
Dos Sólidos, T°C ps(T)
.Sólidos, T = 20°C p s(20)
Solo p
Xll

Solo Saturado Psat


Solo Submerso p'

NÚMERO DE:
Camadas (Ensaio de Compactação) n
Golpes Soquete/Camada J\T

PENEIRA #

PERCENTAGEM DE PARTÍCULAS = %
Areia P(S)
Argila P(C)
Maiores do que Di P(>DJ
Menores do que Di P(<DJ
Passando em uma peneira Pp(#)
Pedregulhos P(G)
Retirada em uma Peneira Pi-(#)
Silte P(M)

POROSIDADE r, %

PRESSÃO: = kPa
Atmosférica p(atm)
Genérica p
Neutra u

TEMPERATURA ºC
Ambiente T (amb)
Genérica T
Inicial To

TEMPO = h,min, s
Genérico t
Inicial to

TENSÃO TOTAL: = kPa


Confinante 0'3
Vertical O'y
xiii

TEOR DE UMIDADE: %
Genérico w
Higroscópico w(h)
Inicial Wo
Moldagem w (m)
Ótimo Wot

VELOCIDADE: = cm/s
Queda de uma partícula (Lei de
Stokes) V

VISCOSIDADE DINÂMICA µ Pas

VOLUME: = m 3 , cm3
Água VW
Ar V(ar)
Bulbo do Densímetro V(b)
Genérico V
Imerso do Densímetro V(i)
Mercúrio V(Hg)
Parafina · V(par)
Sólidos Vs
Solo V
Solo - inicial Vº
Suspensão V(S)
Útil-Picnômetro V(p)
Vazios Vv
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

O solo é um dos materiais cujas prop1iedades são estudadas ao


longo do curso de engenharia civil, assim como, o aço e o concreto.
Enquanto estes podem ser considerados ·materiais homogêneos, em face de
um processo de fab1icação que permite controlar tanto a qualidade quanto
a quantidade de seus componentes, o solo é um mate1ial heterogêneo, pois
que, nenhum processo de controle ocorre durante a sua formação. Devido
a essa não homogeneidade é que se pode afirmar serem os solos materiais
pontualmente diferentes originando disso a importância dos resultados de
ensaios, tanto in situ quanto ern laboratório, e o reconhecimento de que a
mecânica dos solos é uma ciência cujos dados devem ser obtidos, de
preferência, experimentalmente.
A caracterização de um solo pode ser realizada através de ensaios in
situ ou em laboratório, cada um deles apresentando vantagens e
desvantagens. Assim, em um ensaio in situ o resultado leva em
consideração as características estruturais do solo, suas eventuais
descontinuidades, o que pode não acontecer em um ensaio de laborató1io
em face das dimensões reduzidas dos corpos de prova. Por outro lado, no
laboratório pode-se ter um maior controle das condições limites do ensaio,
do material ser ensaiado e da precisão das medidas realizadas. Um outro
fator a ser levado em consideração é o econômico, com os ensaios in situ
sendo mais caros que os correspondentes ensaios de laboratório mesmo
com o custo adicional de obtenção das amostras indeformadas.
Para que o tempo dispendido na realização de ensaios não possa ser
considerado perdido é preciso ter em mente as recomendações quanto ao
cuidado com as amostras, com os equipamentos, com as medidas
realizadas e obediência à norma vigente de cada ensaio.
2

1.1 - TIPOS DE AMOSTRAS

O solo pode ser definido como todo mate1ial encontrado na


superfície da crosta ten-estre, podendo ser facilmente removido por uma
ferramenta qualquer e formado por um conjunto discreto de partículas
(geralmente minerais mas, algumas vezes, contendo matéria orgânica) e
quantidades variáveis de um líquido e um gás, geralmente, água e ar.
Em função do tamanho das partículas os solos podem ser divididos
em dois grupos: materiais granulares (areias e pedregulhos, com menos de
5% das partículas com tamanhos menores do que 0,075 mm) e os solos
(arenosos, argi losos Ou si ltosos), prop1iamente, ditos. Quanto a origem das
partículas os solos podem ser inorgânicos ou orgânicos.
Para a caracteri zação do solos, inicialmente, deve ser obtida uma
amostra representativa desse solo, de dimensão maior e que,
posteriormente, será tratada e transfo1mada em amostras reduzidas
necessárias a realização de cada ensaio.
Essa amostra representativa, obtida por um processo qualquer isento
de vício, poderá ser uma amostra deformada ou indeformada. Da amostra
representativa deformada serão retiradas .amostras reduzidas, através de
processo próp1io, em quantidade suficiente para a realização dos ensaios
de classificação, enquanto que, da amostra indef01mada serão retirados os
corpos de prova necessarios, nas dimensões normatizadas, para a
realização dos ensaios estruturais do solo.
Desde o recebimento pelo laboratório, das amostras vindas do
campo, até sua utilização devem ser tomados todos os cuidados para que
elas continuem representativas dos locais onde foram amostradas.

1.2-EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

Em um laboratório de mecânica dos solos dois conjuntos de


instrumentos são utihzados , tanto na realização dos ensaios quanto na
medida das grandezas, para a obtenção dos resultados. Um deles é
fo1mado pelos equipamentos e o outro pelos acessórios, e em cada ensaio
descrito nos capítulos seguintes, estão colocados em itens diferentes. A
classificação de um instrumento como equipamento ou acessó1io não
3

segue nenhuma regra, e, é mais em função de custo, vida útil ou outro


parâmetro qualquer.
Os equipamentos de um laboratório de mecânica dos solos podem
ser distribuidos em dois grupos conforme a sua utilização seja geral ou
específica. No primeiro grupo, de utilização comum a mais de um ensaio,
estão as balanças, as estufas, os dispersares, as bombas de vácuo, os tornos
de talhagem de corpos de prova e outros mais . No segundo grupo, de
utilização em um único tipo de ensaio, estão as prensas (ensaios de
resistência ao cisalhamento ou de consolidação), picnômetros, conjuntos
de compactação, permeâmetros e outros tantos.
Como acessórios estão as espátulas, cápsulas de alumínio ou de
porcelana, paquímetros, densímetros, defletômetros e muitos outros.
Antes, durante e após a realização de um ensaio será sempre
necessário medir grandezas, algumas de forma direta e outras
indiretamente. Assim, as massas das amostras, a temperatura de um
líquido, o diâmetro e a altura de um corpo de prova são obtidos
diretamente através de uma balança, de um termômetro ou com um
paquímetro, respectivamente, enquanto que o volume de um corpo de
prova será obtido através de uma fó1mula, desde que possível, ou pelo
processo de imersão em um líquido qualquer.
Cada equipamento ou acessório de medida foi construido para
realizar medidas até um certo valor. O máximo valor que cada instrumento
pode medir define a sua capacidade de medida, enquanto que, o tamanho
do menor intervalo marcado sobre a escala de medidas define a resolução.
Na Tabela 1.1 estão mostrados os valores da capacidade e da resolução de
alguns instrumentos.

Instrumento Capacidade Resolução


Balança com prato superior 1.200 g 0,01 g
Balança de plataforma 40 kg 1g
Termômetro 50ºC l ºC
Paquímetro 150mm 0,01 mm
Densímetro 1,040 g/cm 3 0,001 g/cm 3
Defletômetro 25mm 0,001 mm
Tabela 1.1 - Exemplos de capacidade e resolução de instrumentos
4

Durante a reali zação das medidas deve-se tomar sempre muito


cuidado para se evitar os e1rns acidentais, provenientes de descuidos, e os
eITos sistemáticos por defeitos dos instrumentos.
Para mostrar a influência de um eITo acidental no resultado do teor
de umidade de uma amostra foi montada a Tabela 1.2 ilustrando dois
casos: o CASO 1 mostra a dete1minação do teor de umidade utilizando
uma amostra de massa pequena, enquanto que no CASO 2 foi usada uma
amostra com massa maior. Foi admitido que tanto a estufa quanto a
balança não apresentam eITos sistemáticos e a tara das cápsulas está
coITeta. Na coluna 1, da Tabela 1.2, estão os valores corretos das duas
dete1minações e nas colunas 2, 3, 4 e 5 estão simulados eITos de ± 0,05 g
nas determinações da massa de solo ou na de sólidos, respectivamente.
Enquanto no CASO 1 o desvio nas medidas está variando de -2,8 a + 2,9
do valor coITeto do teor de umidade, no CASO 2 o desvio é de -0,1 a +0,1,
para o mesmo eITo nas medidas das massas.

1 2 3 4 5
Cápsula # P-144
Solo+ Tara g 13,17 13,22 13,12 13,17 13,17
Sólidos + Tara g 12,65 12,65 12,65 12,70 12,60
Tara g 10,49
Massa de Água g 0, 52 0,57 0,47 0,47 0,57
Massa de Sólidos g 2,16 2,16 2,16 2,21 2,11
Teor de Umidade % 24, 1 26,4 2 1,8 21,3 27,0
Desvio = 2,3 -2,3 -2,8 2,9
CASO 1
Cápsula # M-44
Solo+ Tara g 96,55 96,60 96,50 96,55 96,55
Sólidos + Tara g 83,23 83,23 83,23 83,28 83,18
Tara g 27,95
Massa de Água g 13,32 13,37 13,27 13,27 13,37
Massa de Sóli dos g 55,28 55,28 55,28 55,33 55,23
Teor de Umidade % 24,1 24,2 24,0 24,0 24,2
Desvio = +0,1 -0,1 -0,1 +0,1
CASO 2
Tabela 1.2 - Medida do teor de umidade
5

Com as balanças atuais , elétricas ou eletrônicas, o e1To na medida da


massa torna-se mais difícil de acontecer, mas como está em consideração
eITos acidentais ocasionados por diferentes fatores é bom estar sempre
atento quando da realização de medidas e tomar os cuidados necessários
para não cometer esse tipo de eITo. Pode-se perceber, pelos valores
mostrados na Tabela 1.2, que quanto menor o valor das massas envolvidas
maior deverá ser a atenção na hora da leitura, e que o e1To cometido na
determinação da massa de sólidos acan-eta um desvio maior no resultado.
As recomendações seguintes podem levar a diminuir os eITos acidentais:
# a prancheta e a folha de ensaio devem pennanecer sempre junto do
operador.
# não conversar durante a realização da medida e sua anotação na folha
de ensaio.
# certifique-se antes da capacidade e resolução do seu instrumento de
medida.
# verifique se não há coITente de ar sobre a balança e se ela está
nivelada.
# para instrumentos que necessitam de calibração verificar se já foi feita
e se ainda está coITeta.
#verificaras condições de limpeza dos instrumentos.
# escrever os números com clareza na folha de ensaio.
Com o passar do tempo outros cuidados acabarão por serem
descobertos, e por isso, a atenção deve ser redobrada no início de suas
atividades no laboratório.
Além dos e1Tos acidentais e sistemáticos existem aqueles eITos
cometidos no último digito quando da realização de uma medida deveido a
resolução do instrumento. Por exemplo, a medida do comp1imento de um
ci lindro metálico AB mostrado na Figura 1.1 poderá ser realizada
através de uma régua comum, com uma resolução de 1mm, ou com um
paquímetro com nônio acoplado . Com a régua foi possível obter um valor
de AB = 27 mm. Com o paquímetro, cuja resolução é de 0,05 mm, vê-se
que o zero do nônio está situado entre 27 e 28mm. Procurando agora a
divisão do nônio que se encontra sobre uma divisão da escala principal vê-
se que é a co1Tespondente a segunda e portanto o comprimento AB =
27,10 mm que é uma estimativa mais próxima do valor real, e o e1To
cometido com a régua é igual a -0, 10 mm.
A escolha do instrumento de medida definindo sua capacidade e
resolução, depende da precisão exigida na determinação da medida. Assim
6

se, apenas dois algarismos si gnificativos fossem sufici entes para indicar o
comprimento do cilindro, uma régua com resolução de 1mm seria o
instrumento adequado. Se um maior número de algarismos significativos
fosse exigido, um paquímetro , como o usado no exemplo, é mais
apropriado para realizar a medida.

o 2 3 4 5 11 12 13

AB = 2,7 1 cm

Figura 1.1 - Esquema ilustrativo ele uma medida com 1rnquímetro

Os erros cometidos em cada medida são propagados quando são


efetuadas operações aiitméticas envolvendo essas grandezas. Para se
avali ar o erro propagado em uma operação aiitmética será preciso aplicar a
teoria dos erros.

1.3- RESULTADO DE ENSAIOS

Quase todos os ensaios de mecânica dos solos se encontram,


atualmente, normatizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e elas devem ser respeitadas para que os resultados obtidos
possam ser compai·ados aquelas obtidos em outros laboratótios sob as
mesmas condições.
Algumas associações produtoras de normas costumam especificar o
intervalo de aceitação dos resultados. Por exemplo, a ABNT especifica
7
que os valores da massa específica dos sólidos, cujo desvio for superior a
0,020 g/cm 3 do valor médio, sejam rejeitados e uma nova média, com os
valores que se enquadram no intervalo, seja calculada.
Como exemplo, imagine que dois operadores, com a mesma
experiência, deverão determinar a massa específica dos sólidos usando
picnômetros padronizados, seguindo uma mesma norma e realizando
medidas em cinco diferentes temperaturas, porém, todas elas dentro do
intervalo de calibração de cada picnômetro. Todos os valores da massa
específica dos sólidos, calculados para cada temperatura, foram
referenciados a temperatura de 20 ºC e os valores obtidos estão mostrados
na Tabela 1.3.
Dos resultados obtidos, pelos dois operadores, para a massa
específica (média) dos sólidos pode-se afirmar que ambos conseguiram
repetir os valores em cada determinação, dentro das condições exigidas
pela Norma Brasileira.

Temperatura ºC Tl T2 1 T3 1 T4 T5
Massa específica dos Sólidos g/cm 3 2,754 2,793 1 2,772 1 2,748 2,766
CRITÉRIO DE REJEIÇÃO DE VALORES
Massa Específica (média) dos Sólidos p5 : 2,767 g/cm3 (n = 5)
Intervalo de Aceitação dos Valores : 2,747 < Ps < 2,787
Valor não Aceito: 2,793
Massa Específica (média) dos Sólidos p5 : 2,760 g/cm3 (n = 4)
Intervalo de Aceitação dos Valores: 2,740 < Ps < 2,780
Valor não Aceito: Nenhum
OPERADOR 1
Temperatura ºC Tl T2 1 T3 1 T4 T5
3
Massa Específica dos Sólidos g/cm 2,801 2,795 1 2,784 1 2,809 2,763
CRITERIO DE REJEIÇÃO DE VALORES
Massa Específica (média) dos Sólidos p5 : 2,790 g/cm3 (n = 5)
Intervalo de Aceitação dos Valores: 2,770 < Ps < 2,810
Valor não Aceito: 2,763
Massa Específica (média) dos Sólidos Ps: 2,797 g/cm3 (n = 4)
Intervalo de Aceitação dos Valores: 2,777 < Ps < 2,817
Valor não Aceito: Nenhum
OPERADOR 2
Tabela 1.3 - Comparação de resultados de um mesmo ensaio
8

No entanto, comparando-se os resultados médios obtidos pelos


operadores,
3
Operador 1: Ps = 2,797 g/cm
3
Operador 2: Ps = 2,760 g/cm

vê-se que a diferença entre eles é de 0,037 g/cm 3 maior que o valor
admitido em norma. Com isso pode-se dizer que os dois operadores não
conseguiram reproduzir os resultados e será, então, preciso procurar a
causa da diferença entre os valores obtidos.

1.4 - ESTRUTURA DO TEXTO

Este texto foi escrito com o objetivo de auxiliar àqueles que estão se
iniciando no aprendizado da mecânica dos solos, tanto na parte teórica
quanto na laboratorial, e portanto, terão que conhecer os procedimentos
próprios de cada ensaio.
Para isso, o texto foi dividido em duas partes: na primeira delas,
com dez capítulos, estão descritos os ensaios, enquanto, na segunda parte
doze anexos complementam alguns capítulos e outros apresentam
informações gerais.
Nos Capítulos 2, 3 e 4 estão descritas a f01ma de retirada, de
preparação e os testes de identificação de amostras dos solos.
No Capítulo 5 está descrito a obtenção da massa específica e do teor
de umidade a pattir de uma amostra indeformada em bloco ou de um
corpo de prova compactado.
Nos Capítulos 6, 7 e 8 estão descritos os ensaios de massa
específica dos sólidos, de granulometria e de limites de consistência.
Nos Capítulos 9 e 10 estão descritos os ensaios de compactação de
um solo e de um material granular.
No final de alguns capítulos foram colocados exemplos tirados de
ensaios realizados no Laboratório de Geotecnia da Escola de Engenhati a
de São Carlos da Universidade de São Paulo.
9

Na segunda parte do texto estão doze anexos, dos quais os quatro


p1imeiros são de informações gerais, os sete seguintes são relacionados aos
ensaios descritos na primeira parte e o último anexo apresenta um resumo,
naquilo que nos interessa, do Sistema Internacional de Unidades.
Entre as duas partes do texto está indicada uma pequena bibliografia.
CAPÍTULO 2 - RETIRADA DE AMOSTRAS

A caracterização de um solo, através de parâmetros obtidos em


ensaios de laboratório, depende, simultaneamente, da qualidade da amostra
e do procedimento dos ensaios. Tanto para a amostragem quanto para os
ensaios existem normas, brasileiras e estrangeiras, que regem o assunto e
que portanto devem ser obedecidas.
Em qualquer laboratório de geotecnia dois tipos de amostras são
usadas na realização desses ensaios. A amostra deformada, uma porção de
solo desagregado, deve ser representativa do solo que está sendo
investigado, apenas, quanto a textura e constituição mineral. Ela é usada na
identificação visual e táctil, nos ensaios de classificação (granulometria,
limites de consistência e massa específica dos sólidos), no ensaio de
compactação e na preparação de corpos de prova para ensaios de
permeabilidade, compressibilidade e resistência ao cisalhamento. Essas
amostras, até um metro abaixo da superfície do terreno, poderão ser
obtidas através de ferramentas simples (pás, enxadas, picaretas e outras
mais apropriadas a cada caso), enquanto que para uma profundidade maior
ter-se-á necessidade de ferramentas especiais (trados ou um amestrador de
parede grossa).
A amostra indeformada, geralmente de forma cúbica ou cilíndrica,
deve ser representativa da estrutura e teor de umidade do solo, na data de
sua retirada, além da textura e composição mineral. Ela é usada para se
determinar as características físicas do solo "in situ", como os índices
fisicos, o coeficiente de permeabilidade, os parâmetros de
compressibilidade e de resistência ao cisalhamento. Uma amostra
indeformada pode ser obtida de diversas maneiras dependendo da cota da
amostragem, da densidade do solo e da posição do lençol freático; assim,
12

para solos moles abaixo do nível d'água será usado um amostrador de


parede fina, enquanto que, para solos acima do nível d'água e mais densos
deve-se abrir um poço até a cota de interesse e retirar um bloco de solo
usando uma caixa metálica como fôrma e com as dimensões apropriadas
ao tipo e número de ensaios a realizar.
Na retirada, no transporte e no manuseio, de qualquer um dos dois
tipos de amostras, devem ser tomados cuidados extras para que a amostra
não sofra nenhuma avaria.
Os equipamentos e acessórios, o procedimento da amostragem, os
cuidados e o dimensionamento de cada uma das amostras serão descritos
nos itens seguintes.

2.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

2.1.1 - Equipamentos

Trados de diversos tipos e diâmetros


Amostrador de parede grossa
Caixa metálica
Amostrador de parede fina

2.1.2 - Acessórios

Sacos de lona ou de plástico de diferentes tamanhos


Pás, enxadas, picaretas, facas, espátulas, conchas
Fogareiro a gás
Parafina
Tecido, tipo estôpa ou similar
Etiquetas
Caixas de madeira, se1rngem

2.2 - PROCEDIMENTO PARA A AMOSTRAGEM

Para cada um dos tipos de amostras representativas o procedimento


13

na amostragem será diferente. A seguir será descrita a forma de se obter


uma amostra deformada e uma amostra indeformada em bloco, em uma
camada acima do nível d'água.

2.2.1 - Amostra Deformada

Para este tipo de amostragem deve-se inicialmente, fazer uma


limpeza no local de trabalho, retirando a vegetação supetficial, raízes e
qualquer outra maté1ia estranha ao solo, para só depois iniciar o processo
de coleta da amostra. Se a cota de retirada da amostra estiver, no máximo,
um metro abaixo da supe1fície do teITeno pode-se fazer uma escavação, até
a cota de interesse, com uma das feITamentas indicadas e, então, fazer a
coleta. Entre um e seis metros de profundidade · pode-se usar o trado
cavadeira, desde que, o furo não precise de revestimento. Para uma
profundidade maior do que seis metros ou quando o solo necessitar um
tubo de revestimento do furo deve-se usar o trado helicoidal, Figura 2.1.
Quando o trabalho com o trado helicoidal se tornar dificil ou para
amostragem abaixo do nível d'água, quando poderá se tornar pouco eficaz,
pode-se utilizar um amostrador de parede grossa, que é cravado
dinamicamente no solo através de energia fornecida pela queda livre de
um martelo, Figura 2.2. A quantidade de amostra retirada pelo trado
helicoidal e pelo amostrador de parede grossa só permite a realização dos
ensaios de classificação (granulometria, limites de consistência e massa
específica dos sólidos).
A amostra deverá ser colocada em saco de lona ou de plástico
resistente, identificada através de uma etiqueta ama1Tada à boca do saco e
contendo informações sobre o local, número, profundidade e data da
amostragem. Além dessas informações deve-se fazer uma planta do local
indicando os dados necessá1ios a recuperação do ponto amostrado.
Uma identificação visual e tactil da amostra retirada deve ser
realizada indicando-se o resultado na folha de locação do furo, Figura 2.3.

2.2.2 - Amostra Indeformada

A retirada de uma amostra indeformada pode ser feita por dois


diferentes processos: o primeiro, através de uma escavação manual,
utilizando uma caixa metálica como fôtma, Figura 2.4, e o segundo com
14

cravação de um amostrador de parede fina, Figura 2.5. Apenas o primeiro


processo de retirada de uma amostra indeformada será descrito .

EXTENSÃO
IX)CABO

HELICOIDAL CAVADEIRA

Figura 2.1 - Tipos de trado


15

SAPATA

Figura 2.2 - Amostrador de parede grossa

LOCAÇÃO EM PLANTA LOCAL : CAMPUS USP · SÃO CARLOS


SEM ESCALA DATA : 2 l / 10 /78

L
POÇO N: PI D = 85 cm

COTAS:

DLOCOl3 RN - 8 19,70
BOCA DO POÇO : 820,40

"$---LRN::~~" TOPO DO BLOCO : 816,20


A~IOSTRA DEFORMADA : 8 18,00

IDENTIFICAÇÃO AREIA MÉDIA A FINA,


ARGI LOSA VERME LH A

j "' j
dimensões em metros

Figura 2.3 - Locação de poço


16

LTOPO/

LATERAL
LATERAL

LBASE/
Figura 2.4 - Caixa metálica para amostra
em bloco

Uma amostra indeformada, em bloco, poderá ser retirada em


diversas posições como mostrado na Figura 2.6.
O procedimento de retirada de uma amostra indeformada, em
bloco, no fundo de um poço é semelhante a retirada em qualquer outra
posição, a menos de algumas peculiaridades do próprio poço.
O poço deverá ser aberto até, aproximadamente, dez centímetros
acima da cota do topo do bloco (cota zero), pelo poceiro, com um
diâmetro que permita ao técnico, encan-egado de continuar o serviço, faze-
lo de fo1ma coneviente, Figura 2.7a. Caso não seja possível por apresentar
o poço um diâmetro pequeno o bloco poderá ser retirado na parede
(posição 5) lembrando que o fundo do poço deverá atingir uma cota mais
baixa.
Utilizando a caixa metálica o técnico deverá marcar, no fundo do
poço a área onde a amostra será retirada e com cuidado ir removendo o
solo externo a essa área, Figura 2.7b, até que se tenha um _degrau de, mais
ou menos, sete centímetros.
A caixa deverá ser ajustada ao solo, com a ponta biselada voltada
para baixo e iniciar uma escavação em sua volta e, ao mesmo tempo, ir
17

pressionando, levemente, a caixa provocando sua descida, Figura 2.7c.


Quando o topo da caixa atingir a cota zero deverá haver um excesso de
solo, da ordem de 3cm, Figura 2.7.d, que não deverá ser retirado neste
momento.

VÁLVULA

N .T.

L__J
L DEPENDE 4
DO SOLO

Posição:

Di
1e2 : Talude de um corte
3 : Superfície do terreno
4 : Fundo do poço
5 : Parede do poço

Figura 2.6 - Retirada de amostra


Figura 2.5 - Amostrador de
parede fina indeformada

O bloco deverá ser cortado próximo a base da caixa para que possa
ser separado do terreno, mantendo-se também um excesso de solo, como
mostrado na Figura 2.7.e.
Entre o bloco e a caixa haverá sempre uma folga cuja espessura
dependerá do tipo de solo amostrado. Um solo argiloso permitirá uma
18

folga menor do que um solo arenoso.


Dependendo da existência de condições favoráveis dentro do poço
o excesso de solo na base e no topo do bloco poderá ser aí retirado e
colocadas, em seguida, a tampa e o fundo da caixa, Figura 2.7.f. É sempre
prefe1ível realizar essa operação, após a subida do bloco para a superfície
do ten-eno.

(a) ( b) (e)

(d) (e) (f)

Figura 2.7 - Sequência de amostragem de um bloco

O bloco deverá ser elevado a superfície do te1Teno com todo o


cuidado a fim de se evitar qualquer alteração estrutural no solo.
O excesso de solo, do topo e da base ou a tampa e o fundo da
caixa, deverá ser retirado e uma primeira camada de parafina, com
espessura mínima de dez milímetros, aplicada. Logo em seguida, colocar
uma etiqueta no topo do bloco indicando os dados necessários à sua
identificação. As laterais da caixa só, então, devem ser retiradas e aplicada
uma camada de parafina sobre as faces do bloco, reforçando os cantos e
arestas para garantir uma boa ligação com a camada aplicada no topo e na
base. Com essa primeira camada de parafina estará garantida a
19

manutenção do teor de umidade da amostra, mas não a preservação da


sua estrutura,
representativa da estrutura do solo in situ.
Para a preservação da estrutura, o bloco deverá ser envolvido com
um tecido poroso e, em seguida, aplicada uma segunda camada de
parafina.
Uma segunda etiqueta deverá ser colocada, preferencialmente,
sobre o topo do bloco com as informações necessárias a sua localização.
Finalmente, desenhar a planta de localização do poço tendo como
referência algum ponto imutável com o tempo e indicando todos os demais
dados necessários, bem como, o nome do solo a partir dos testes de
identificação visual e táctil, Figura 2. 3.

2.3 - CUIDADOS A SEREM TOMADOS

2.3.1 - Amostra Deformada

Toda e qualquer matéria, orgânica ou não, estranha ao solo deverá


ser excluída da amostra. Se esta operação for difícil de ser realizada no
campo deve-se informar sobre a existência dessa matéria, para que no
laboratório sejam tomadas as providências necessárias.

2.3.2 - Amostra Indeformada

Os cuidados a serem tomados com essas amostras devem ser


maiores do que aqueles com uma amostra deformada, indo desde a
abertura do poço até sua utilização em laboratório. Estes cuidados com a
amostra devem ser para a manutenção do teor de umidade e da estrutura do
solo "in situ". A seguir serão descritos os cuidados necessários durante as
fases de retirada, tratamento com parafina e tecido, transporte para o
laboratório, armazenamento e utilização da amostra.
Durante a abertura do poço e a retirada do bloco deve-se tomar
cuidado para que:
a. em amostra retirada à supe1fície do ten-eno, o sol não incida
diretamente sobre o bloco provocando um secamento superficial do solo.
b. o poceiro não leve a escavação até a cota do topo do bloco.
20

e. a caixa não seja cravada no solo e, com isso, podendo provo-


car uma alteração na estrutura do solo, principalmente se for um solo
arenoso fofo. A caixa deve descer justa sem cortar o solo e sem um
grande
esforço do operador.
d. a caixa envolva, completamente, a amostra não permitindo
folgas; se isto, não for possível preencher a folga com o solo solto, com
um mesmo teor de umidade.
e. a amostra não sofra nenhuma vibração, principalmente,
para solos·arenosos finos.
f. a amostra não tombe bruscamente quando da sua separação
do terreno natural.
g .o transporte da amostra até a supedície do terreno seja rápido.
Durante o tratamento do bloco com parafina e tecido deve-se
cuidar para que:
h. este tratamento não seja feito no fundo do poço ou em lugar
fechado, pois a parafina ao derreter emana gases que podem provocar mal
estar.
i. a parafina, da p1imeira camada, não esteja muito quente, prin-
cipalmente, em solos com grandes vazios evitando-se com isso a sua
penetração no interior do bloco.
j. a primeira etiqueta s~ja colocada no topo do bloco indicando a
posição c01Teta em campo.
k. o tecido poroso colocado, sobre a primeira camada de para-
fina, envolva o bloco sem folga, porém, sem pressioná-lo.
R.. a parafina colocada sobre o tecido esteja a uma temperatura
mais alta permitindo uma aderência maior entre essas camadas e c1iando
uma casca, parafina-tecido-parafina, rígida e impermeável.
m. a segunda etiqueta esteja também sobre o t?Pº do bloco
onde foi colocada a primeira etiqueta e de fácil visualização no
laboratório.
Durante o transporte da amostra para o laboratório,
principalmente, se foram usados diferentes meios de transp011e, deve-se
cuidar para que:
n . o bloco seja colocado dentro de uma caixa de madeira e pro-
tegida por serragem ou outro material qualquer.
21

o. a caixa de madeira seja identificada como contendo


mate1ial frágil e indicando a posição na qual deverá pennanecer durante o
transporte.
Durante o período de armazenamento no laboratório, em que
deverá ficar aguardando a realização dos ensaios, tomar cuidado para que:
p. a amostra permaneça em câmara úmida saturada, em local
seguro e que não seja movimentada sem necessidade.
q. a etiqueta esteja visível e legível.
Durante a retirada de corpos de prova, para a realização dos
ensaios, tomar cuidado para que:
r . a retirada da parafina e do tecido não provoquem uma altera-
ção na estrutura do solo. Use uma tesoura para cortar o tecido, se
necessário.
s. -a amostra não fique exposta ao ar, por um período longo,
após a retirada de uma parte dela. Coloque um pano úmido sobre essa
região da amostra se for continuar a usá-la, em seguida.
t. antes de retornar o bloco à camâra úmida coloque parafina,
nas partes onde ela foi retirada, fazendo uma boa ligação entre a parafina
existente e a recolocada.
u. um plano de utilização do bloco deve ser feito, antes de se
iniciar o corte, indicando os locais de onde serão retirados os corpos de
prova para a realização de cada ensaio. Lembre-se que êste poderá ser o
único bloco disponível para a caracterização do solo amostrado .

2.4 - DIMENSIONAMENTO DA AMOSTRA

O dimensionamento da amostra a ser retirada é função do tipo e do


número de ensaios que serão realizados, bem como, da condição atual e
futura do local da amostragem.
Para o dimensionamento de uma amostra deformada deve-se partir
da massa de sólidos estimada para cada ensaio e calcular o total
necessário. Para se chegar na massa de solo que deverá ser retirada, será
preciso conhecer o teor de umidade da jazida, o que poderá ser feito por
uma estimativa visual e táctil ou através de um processo rápido.
22

Para uma amostra indeformada deve-se partir das dimensões dos


corpos de prova e assim chegar-se ao número e às dimensões necessárias
de cada bloco.
Será preciso levar em consideração que durante a realização dos
ensaios poderá ocorrer uma perda de material e que alguns ensaios deverão
ser repetidos. Além disso, a condição do local após a amostragem poderá
não pe1mitir a retirada de novas amostras, bem como, a sua distância até o
laboratório e a movimentação do pessoal e equipamento para a
amostragem trarão custos adicionais a obra. Assim uma sobra de mate1ial
no laboratório, desde que, não excessiva é sempre preferível a uma falta de
material. ·

2.4.1 - Amostra Deformada

Nas quantidades indicadas a seguir já estão incluídas as sobras


quando da preparação das amostras para a realização dos ensaios e são
para solos que tenham partículas menores do que 4,8mm (# 4).
Ensaios de classificação: limites de consistência, granulometria,
massa específica dos sólidos: Ms = 2,0 kg.
Ensaio de compactação, (EC = 585 kJ!m\
no cilindro pequeno e com cinco pontos:
- com reuso do solo .Ms = 4,0 kg
- sem reuso do solo Ms = 20,0 kg
Compactação de corpo de prova
- com 5 cm de diâmetro e 12,5 cm de altura Ms = 1,0 kg/CP
- com 6,5cm de diâmetro e 2,0cm de altura Ms = 0,7 kg/CP

2.4.2 - Amostra Indeformada

Este tipo de amostra, geralmente, um bloco cúbico com lados


variando entre 20 e 30cm, permitirá a retirada de 9 a 18 corpos de prova,
com 5cm de diâmetro e 12,5cm de altura, desde que o solo esteja em boas
condições.
O bloco não deverá ter um lado menor do que 20cm, pois isso,
diminuirá muito o número de corpos de prova com as dimensões já
citadas, nem deverá ter dimensão maior do que 30cm, pois isso, aumentará
muito o seu pêso, dificultando o manuseio em campo e no laboratório,
com um risco maior de alteração estrutural.
23

O solo que é retirado do bloco durante a moldagem dos corpos de


prova é suficiente para se realizar os ensaios de classificação do solo.

2.5 - EXEMPLO

Em 10 de outubro de 1990 foram retiradas, uma amostra deforma-


da e uma indeformada em bloco, de uma areia fina argilosa vermelha, à
profundidade de lm no Bairro de Santa Felícia em São Carlos. Com a
amostra deformada deverão ser realizados ensaios de classificação, de
compactação e moldados corpos de prova para ensaios de permeabilidade,
adensamento e compressão triaxial rápido e adensado rápido, conforme
mostrado na Tabela 2.1.
Da amostra em bloco deverão ser moldados corpos de prova,
retirados das posições indicadas na Figura existente na Tabela 2.2, para a
realização dos ensaios de permeabilidade, adensamento e compressão
triaxial rápido e adensado-rápido.
Nas Tabelas 2.1 e 2.2 estão mostrados os dois programas · de
ensaios que serão realizados com esse solo.
24

Areia Fina Argilosa Local: São Carlos, Santa Felícia


Poço: 1 Saco: 2 e3 Prof.: 1 m
Vermelha
Data: Amostragem 10/10/90
Início dos Ensaios 10/02/91
Condições Iniciais: W 0 = 13,7% (1 2/10/90)
Limpa, sem ra ízes
Amostra deixada secar à sombra até w 10%=
Dischminação dos E nsaios
Ensaio Data Técnico Observação
Granulometria Conjunta 10/02 Usar H.M.F.S.
Limites de Consistência 11/02 Milton Repousar 12 horas antes
Massa Específica dos Sólidos 12/02 do ensa io
Compactação 13/02 Sem reuso, 6 pontos,
(EC = 585 kJ/m 3) cilind ro pequeno
Compactação de Corpos de Prova
Especificação: W = W 0 1 ± l o/o GC ;,:: 95%
D (cm) H (cm) V (cm 3) N CP
Triax ial: 5,0 12,5 245 ,44 3 12
Permeabi lidade: 5,0 cm 10,0 cm 196,35 3 2
Adensamento: 6,0 2,0 56,55 l l
Ensaio Data Técnico Observação
Triaxia l não drenado realizar duas
CT3 = 50 kPa 18/02
100 19/02 Zé séries de ensaios
200 20/02
Luis com medida de
Triax ial adensado não drenado
CT3 = 50 kPa 24/02 pressão neutra
100 26/02
28/02 v = O, l mm/min
- - ---200
------ -- ----------- ----- - - -------- ----------------------
Permeabilidade 18/02 carga variável
2 ensaios
-------------
Consolidação
---- -- ----- 19/02 Bene --cr ------- ------- -- ----
0 = 25 kPa; medir k para

estágios pares
Tabela 2.1 - Programa de Ensaios - Amostra Deformada
25

Areia fina Local: São Carlos - Santa Felícia


argilosa Poço: 1 Bloco: 3 Prof.: 4,2 m
vermelha Data: Amostragem 10/10/90
Início Ensaios 14/03/91

BLOCO CÚBICO
DE LADO
1 .
'' I , a = 25 cm

a
/
/
/
..·-··.:.:i ·.·.·v
. . ·1 ·
. •I,
.•
..---.

/ ... ,· . ..
/
/ / . ',J. '- 7
. , .. .
:;-r: ....
·.

Discriminação dos Ensaios


CP Ensaios Data Técnico Observação
Granulometria 14/03 Usar H.M.F.S.
Limites de Consistência 15/03 Milton Repousar 12 hs.
Massa Específica dos ·sólidos 16/03 antes do ensaio
Compressão Simples . 24/0 3 Anel de 0,5 .kN
Triaxial não drenado:
2 0'3 = 50 25/03 Medir
3 100 kPa 26/03 Zé
4 200 27/03 Pressão
Triaxial Adensado não drenado Luis
5 cr3 = 50 kPa 30/03 Neutra
6 100 01/04
7 200 03/04 v = O, l mm/min.
8 Consolidação 24/03 cr = 10 kPa,
0

Bene medir k (pares)


t----+-----------------t-----i
9 Permeabilidade, t.h = 20 cm 25/03 D=5cm H=l0cm
Tabela 2.2 - Programa de Ensaios - Amostra Indeformada
CAPÍTULO 3 - PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS

No Capítulo 2 - Retirada de Amostras foram descritos os tipos e os


cuidados a serem tomados com as amostras, representativas do solo, bem
como, a quantidade, em termos de massa seca, necessária a realização de
cada um dos ensajos.
Da amostra representativa indeformada serão moldados corpos de
prova, nas dimensões requeridas em cada ensajo, e que deverão, ainda,
manter as condições estruturais e de teor de umidade do local onde o solo
foi retirado.
Da amostra representativa deformada serão retiradas amostras
reduzidas, na quantidade requerida em cada ensajo, e que deverão
também manter a representatividade do solo amostrado. Para que isso
aconteça, a amostra representativa deformada deverá ser submetida a um
processo de preparação, seguindo procedimento normatizado, para a sua
transformação em amostras reduzidas e impedindo que os resultados dos
ensaios sejam comprometidos por eITos cometidos nesta fase .
A Figura 3.1 mostra as diversas etapas que devem ser cumpridas
desde a amostragem do solo até a aplicação dos resultados à prática da
engenharia geotécnica, tanto para as amostras deformadas quanto para as
indeformadas.
A parte, à esquerda, da Figura 3 .1 se refere as amostras
indeformadas das quais são moldados os corpos de prova necessários à
realização dos ensaios de resistênda, de consolidação e de
permeabilidade, enquanto à parte direita se refere as amostras deformadas
utilizadas nos ensaios de classificação, de compactação e na preparação de
corpos de prova para ensaios de permeabilidade, compressibilidade e
resistênda ao cisalhamento.
28

1 AMOSTRA 1
1
1 INDEFORMADA 1 DEFORMADA

1
1 1

1 MOLDAR CORPO DE PROVA 1 1 PREPARAR AMOSTRA 1


1
MOLDAR
1 !COMPACTAÇÃO
1
1

1
1 Ir
CORPO DE LASSIFIC/\ÇÃOI

1 1 1
PROVA :

1
ENSAIOS DE:
RESISTÊNCIA
CONSOLIDAÇÃO
PERMEABILIDADE

1
1
1

1
INTERPRETAÇÃO DOS
1
RESULTADOS

1 1 1 1
1

RESULTADOS RESULTADOS
NÃO ACEITOS ACEITOS

1 1
APLICAÇÃO
AO PROJETO 1
Figura 3.1 - Esquema de utilização das amostras
29

Neste capítulo serão descritos, de forma separada para os materiais


granulares e para os solos, os processos de preparação de amostras
deformadas para os ensaios de classificação e de compactação.
A retirada de corpos de prova, de uma amostra indeformada, será
descrita no Capítulo 5 - Índices Físicos.
A compactação de corpos de prova será descrita em um outro
volume.

3.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

3.1.1 - Equipamentos

Repartidor de amostras.
Estufa com termostato que permita manter a temperatura no
intervalo de 105 a 11 o0 c.
Balanças que permitem determinar massas até 2, 0 e 10,0 kg, com
resoluções de O, 1 e l ,Og, respectivamente.

Figura 3 .2 - Repartidor de Amostra

3.1.2 - Acessórios

Peneiras com aberturas de 4, 8 (#4), 0,42 (#40) e 0,07 5 (#200) mm.


30

Cápsulas de alumínio
Bandeja metálica
Almofariz e soquete com ponta de borracha
Destorroador de madeira

Figura 3 .3 - Acessórios

3.2 - MATERIAL GRANULAR

Material granular é aquele que tem menos de 5% de suas partículas


com tamanhos menores que 0,075mm (#200). São as areias (tamanho das
partículas variando entre 0,075 (#200) e 4,8mm (#4)) e os pedregulhos
(tamanho das partículas variando entre 4,8 (#4) e 76,0 mm).
A classificação de um material granular é realizada a partir dos
resultados dos ensaios de peneiramento, da massa específica dos sólidos,
da massa específica seca máxima e mínima e da avaliação dos testes de
identificação quanto a angularidade e forma das partículas, bem como, dos
seus minerais componentes.
O procedimento adotado na preparação de uma amostra de areia,
para cada ensaio, vale também para os pedregulhos, a menos dos valores
da massa seca inicial de cada ensaio, por isso, na descrição serão
comentados apenas os fatos relacionados as areias.

3.2.1 - Granulometria e Massa Específica dos Sólidos


31

A amostra recebida do campo deverá ser, inicialmente, deixada secar


ao sol ou em um lugar bem ventilado . Se o material, em sua condição
natural, contiver partículas maiores que 4,8mm (#4) e mais do que 5% de
finos (Di < 0,075 mm), fazer um peneiramento inicial nessas peneiras para
retirar as partículas maiores e diminuir os finos. Para facilitar a retirada dos
finos pode-se acrescentar um defloculante do material e, em seguida,
peneirá-lo na# 200.
O material seco será misturado, com cuidado para que não se
percam partículas, de forma a tomá-lo homogêneo e, em seguida, usando
um repartidor de amostras realizar um primeiro desdobramento da amostra
de campo até se obter uma massa de sólidos, da ordem, de 2, 0kg. A esta
amostra deve-se acresçentar um pouco de água para deixá-la úmida e
realizar um quarteamento manual sobre uma superfície lisa. A amostra
úmida evita a segregação e a perda de partículas durante o processo .
Na Figura 3 .4 está esquematizado o processo de quarteamento manual,
que se inicia com uma amostra representativa de 2.000g e finaliza com 4
amostras reduzidas de 125g de sólidos, cada uma. Duas delas serão usadas
nos ensaios de peneiramento e de massa específica dos sólidos, enquanto as
duas restantes deverão ser guardadas para a repetição dos ensaios, se
necessário. Essas amostras deverão ser levadas para uma estufa e deixadas
secar para em seguida serem colocadas em um dessecador e deixadas
resfriar até a temperatura ambiente. A massa seca de cada uma delas não
poderá ser inferior a 1OOg.

3.2.2 - Massa Específica Seca Mínima e Máxima

Inicialmente, proceder como descrito no item anterior até se obter,


no primeiro desdobramento, uma massa de sólidos, da ordem, de 1O kg.
Para a obtenção da amostra de ensaio pode ser utilizado um
repartidor de amostras ou o processo manual mostrado na Figura 3. 5.
Se utilizado o processo manual este deverá ser realizado sobre um
plástico e com a amostra úmida a fim de se evitar segregação ou perda de
partículas das quatro amostras reduzidas obtidas no final do processo,
Figura 3.5, cada uma delas com massa mínima de 2,5 kg de sólidos, duas
serão usadas nos ensaios e as outras duas guardadas para conferência, se
necessário.
32

AMOSTRA Ms

Ms / 2

Ms / 4

Ms / 8

Ms / 16
MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS PENEIRAMENTO

Figura 3.4 - Quarteamento de material granular


33

Essas amostras deverão ser levadas a estufa e deixadas secar,


para
em seguida serem colocadas em um dessecador e deixadas resfriarem até a
temperatura ambiente. Finalmente, essas amostras estarão prontas para os
ensaios.

COMPACTAÇÃO

AMOSTRA MASSA ESPECÍFICA SECA

Figura 3.5 - Quarteamento de material granular ( Ensaio de compactação )

3.3 - SOLO

Sempre que um material tenha mais do que 5% de partículas, com


tamanhos menores que 0,075mm (#200), este será denominado de solo.
A preparação de uma amostra de solo, para a realização dos ensaios
de classificação e de compactação, será descrita de duas diferentes
maneiras: com secagem prévia da amostra recebida do campo e sem essa
secagem. Para os solos finos , com alto teor de argi la ou com um argilo-
mineral ativo, o processo de preparação da amostra, sem secagem prévia,
deve ser sempre usado a fim de se evitar uma possível alteração, às vezes ,
irreversível nas suas propriedades devido às características do argilo-
mineral presente. Como, nem sempre há condições de, inicialmente, se
determinar qual o tipo de argilo-mineral presente no solo, o processo de
preparação da amostra sem secagem, deve ser sempre o preferido.
Os ensaios de classificação do solo são granulometria, limites de
consistência e massa específica dos sólidos.
34

3.3.1 - Com Secagem Prévia

A amostra recebida do campo, em sua condição natural de teor de


umidade, deverá ser colocada em uma bandeja e deixada secar à sombra,
em local com ventilação moderada, até alcançar o teor de umidade
higroscópico . Durante esse tempo a amostra deverá ser, constantemente,
revolvida e desmanchados os torrões .
Se o solo contiver partículas maiores que 4,8mm (#4) estas deverão
ser removidas manualmente ou através de um peneiramento. Terminado o
peneiramento deve-se lavar a peneira usada, para retirar as partículas
aderidas a malha e recolher esse material em uma vasilha, à parte e deixá-lo
secar, nas mesmas condições descritas no parágrafo anterior, até o teor de
umidade higroscópico. Em seguida juntar esse material àquele que passou
através da peneira de 4,8mm (#4) de abertura para compor a amostra
inicial do solo.
Com um repartidm de amostras ou através do processo manual
realizar um desdobramento dessa amostra, de acordo com as indicações
mostradas na Figura 3. 6, de forma a obter a massa de sólidos necessária
a realização de cada ensaio, de acordo com os valores mostrados na
Tabela 3. 1. As amostras reduzidas, obtida no final do quarteamento e não
· aproveitadas deverão ser guardadas para uma, eventual, repetição dos
ensaios.
A massa de cada uma das amostras reduzidas deverá ser suficiente
para realizar todos os ensaios de classificação ou o de compactação.

AMOSTRA

4Ms 2Ms

Figura 3.6 - Quarteamcnto de um solo


35

Ensaio Ms
g
Massa Específica dos Sólidos 200
Análise Granulométrica Conjunta 200
Limites de Consistência (Passa #40) 300
Compactação (EC = 585 kJ/m3; Cilindro Pequeno)
Sem reuso (por ponto) 2.000
Com reuso 3.500
Tabela 3 .1 - Estimativa da Massa de Sólidos

3.3.2 - Sem Secagem Prévia

A amostra recebida do campo, em sua condição natural de teor de


umidade, se contiver partículas maiores do que 4,8mm (#4), deverá ser
passada através dessa peneira para a separação das partículas maiores ou
estas separadas manualmente.
As partículas retidas e a malha da peneira deverão ser lavadas para a
retirada das partículas menores nelas aderidas. A suspensão deverá ser
recolhida em vasilha à parte, e a água em excesso deixada evaporar até se
atingir um teor de umidade próximo ao da amostra de campo.
Juntar as duas porções, homogeneizar a amostra e por um processo
rápido qualquer determinar o teor de umidade.
Para cada ensaio, a ser realizado, tomar uma massa de solo que
permita a realização do ensaio e de uma eventual repetição de acordo com
a indicação contida na Tabela 3 .1.
Se o teor de umidade da amostra, em sua condição natural, estiver
muito baixo será conveniente proceder-se, tal como descrito em 3 .3 .1, para
se evitar o perigo da segregação de partícu las durante a movimentação da
amostra.
Na Figura 3.7 está mostrado um esquema de separação manual das
partículas de um solo ou material granular.

3.4 - TESTES DE IDENTIFICAÇÃO

A preparação de amostras para os testes de identificação será des-


36

Figura 3.7 - Esquema de quarteamento manual

Para os solos, além do processo de preparação da amostra, serão


descritos três testes, bastante rápidos e simples, que darão uma primeira
indicação do tipo de solo.

3.4.1 - Material Granular

Deixar secar à sombra a amostra recebida do campo. Durante o


secamento quebrar os ton-ões, se houver e revolver o mate1ial procurando
deixar a amostra homogênea.
Com um repartidor de amostras ou através do processo de
quarteamento manual reduzir o tamanho da amostra até obter a massa de
sólidos necessá1ia a sua identificação, segundo os valores mostrados na
Tabela 3.2, em função do tamanho máximo das partículas.
37

D (máx. ) Ms
mm
g kg
4,8 200 =
9,5 400 --
19,0 = 1
38,1 = 8
76,0 -- 50
Tabela 3.2 - Massa Seca Mínima

3.4.2 - Solo

A amostra, recebida do campo,deve ser deixada secar à sombra, em


lugar de pouca ventilação, e durante esse pe1íodo o solo deve ser remexido
procurando-se deixar a amostra homogênea.
Com um repartidor de amostras ou através do processo de
quarteamento manual reduzir o tamanho da amostra inicial, até o
necessário a identificação, que está em tomo de 500g de sólidos.
Para a realização dos testes de impregnação, desagregação e de
sedimentação, cujos resultados permitirão uma avaliação inicial sobre o
tipo de solo fino, a amostra não deve conter partículas maiores do que
0,42mm (#40).
Para a realização do teste de impregnação deve-se preparar uma
pasta, com o solo, e esfregá-la na palma de uma das mãos e, em seguida,
colocar a mão embaixo de uma torneira com vazão moderada.
O solo será identificado como siltoso, se após vários minutos de
água corrente sobre a mão e alguma fricção , ainda permanecer uma
mancha clara.
O solo será identificado como argiloso, se após vários minutos de
água corrente sobre a mão e muita fricção, ainda permanece uma mancha
mais escura.
A Figura 3.8 mostra à esquerda uma mancha 01iunda de um solo
argiloso e à direita uma mancha de um solo siltoso.
Para o teste de desagregação pegar um torrão de solo sêco e colocá-
lo em um recipíente contendo água, porém sem imergí-lo totalmente.
O solo será identificado como siltoso se a desagregação for rápida e
como argiloso se essa for lenta.
38

Figura 3. 8 - Resultado do teste de impregnação

Para o teste de sedimentação, em água, deve-se, inicialmente,


preparar um pasta, sem torrões e com um teor de umidade menor.
Transferir uma parte dessa pasta para um copo e adicionar, cerca de, 500
cm3 de água destilada e com um bastão homogeneizar a suspensão. A
seguir, colocar a suspensão em uma proveta de volume útil de 200 cm3,
tornar a homogeneizar a suspensão e apoiar a proveta em uma superficie
plana e deixar que as partículas se sedimentem, de acordo com o seu
tamanho, formando camadas bem distintas, na parte inferior da proveta.
As partículas de areia rapidamente formarão a primeira camada com
os grãos podendo ser visualizados, enquanto as partículas de silte
demorarão alguns minutos para se sedimentarem. As partículas de argila
permanecerão em suspensão um tempo mais longo,mostrando uma água
suja na parte superior da proveta.
A Figura 3.9 mostra à esquerda um solo argiloso, com a água ainda
bem escura, no centro um solo siltoso com uma camada de água limpa
sobrenadante a suspensão e à direita um solo arenoso, com quase todas as
partículas já sedimentadas. O tempo de sedimentação para os três casos é o
mesmo .
Como nesse teste não está sendo usado defloculante as partículas
estarão se sedimentando em flóculos e não individualmente como no ensaio
de sedimentação.
39

- -

Figura 3.9 - Teste de Sedimentação

Os resultados obtidos nesses testes e a identificação de um solo


como arenoso, siltoso ou argiloso devem ser entendidos como preliminares
e deverão ser confirmados com os testes descritos no Capítulo 4.
CAPÍTULO 4 - IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS

A identificação de um solo, através de testes rápidos e sem a


utilização de equipamentos, é de grande importância para a engenharia
geotécnica, pois poderá ser realizada no campo e sem a necessidade das
instalações de um laboratório. Ela tem o particular interesse em agrupar
solos com características semelhantes permitindo definir o tipo e número
de ensaios necessários à sua caracterização de um modo mais correto.
A habilidade para se identificar conetamente os solos, através dos ·
testes visuais e tácteis, será, rapidamente, adquirida com a assistência de
um profissional experiente. A realização desses testes por aqueles que
estão iniciando seus estudos de mecânica dos solos é de fundamental
importância para conhecerem e distinguirem os diferentes tipos de solos,
com que, no futuro poderão vir a trabalhar.
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
através da Norma NB-617 n01matizou, até o momento, o procedimento
para a identificação das amostras obtidas em uma sondagem de simples
reconhecimento, enquanto a American Society For Testing and Materiais
(ASTM) através da norma D-2488 descreve os procedimentos necessários
à identificação e descrição dos vários tipos de solos, de uma forma mais
geral. Neste capítulo serão utilizadas as informações fornecidas pela
n01ma ame1icana na identificação dos solos.
Além· da identificação d.o solo através dos testes visuai's e tácteis
deve-se apresentar informações suplementares, sempre que possível,
quanto as caracte1ísticas geológicas, pedológicas e termos regionais usados
na área em estudo, bem como, a presença de materiais não pertencentes ao
solo, a existência de vazios macroscópicos, raízes. Todas as demais
julgadas necessárias. As dificuldades encontradas durante a amostragem
42

também são informações que devem constar do processo de identificação


de um solo.
No final deste Capítulo estão relacionados, em duas tabelas, os
testes que deverão ser aplicados aos solos grossos, incluindo os materiais
granulares, e aos solos finos; e também, alguns exemplos de como o
relatório final de identificação deve ser apresentado .

4.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

4.1.1 - Acessórios

peneiras de aberturas 4, 8mm (#4) e 0,075mm (#200)


bisnaga de borracha
recipientes de vidro
facas e espátulas
lentes de aumento
cápsulas de alumínio
cápsulas de porcelana
dessecador
bandeja metálica
destorroador de madeira

Figura 4.1 - Acessório s para Testes de Identificação


43

4.2 - PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS

As amostras reduzidas utilizadas nos testes de identificação devem


ser representativas dos solos de onde foram obtidas e estarem,
cuidadosamente, identificadas quanto ao local da amostragem.
As amostras reduzidas devem ser preparadas de acordo com o
descrito no Capítulo 3 - P reparação de Amostras.

4.3 - GRUPOS DE SOLOS

Inicialmente, o solo em estudo deverá ser identificado como


pertencente a um dos três grandes grupos: solos grossos, finos a altamente
orgânicos. A maior parte dos solos possuem partículas que se enquadram
em mais de um desses grupos, sendo necessário identificar qual o grupo
predominante. Essa separação se baseia no tamanho das partículas, para os
dois primeiros grupos e na presença de matéria orgânica para o último .

4.3.1 - Solos Grossos

São aqueles que têm mais de 50%, em massa, de suas partículas


visíveis a olho nú . O intervalo de variação dos tamanhos dessas partículas
está entre 0,075mm (#200) e 76mm, e são as areias e os pedregulhos.
Quando o solo tem menos de 5% de partículas com tamanho menor
que 0,07 5mm esse solo passa a ser chamado de um material granular.

4.3.2 - Solos Finos

São aqueles solos que têm mais de 50%, em massa, de suas


partículas passando através da peneira de abertura 0,075mm (#200) e não
são visíveis a olho nú. E sses solos podem ser subdivididos em siltes e
argilas. Os siltes apresentam pequena ou nenhuma plasticidade e, também,
pequena ou nenhuma resistência quando secados ao ar, enquanto as argilas
apresentam plasticidade dentro de um intervalo maior de variação do teor
de umidade e, também, uma alta resistência quando secadas ao ar.
44
Os solos finos podem ser identificados como inorgarucos ou
orgânicos levando-se em conta a ausência ou a presença de um teor de
matéria orgânica capaz de influenciar suas propriedades. Os solos finos
inorgânicos têm cores mais claras do que os orgânicos.

4.3.3 - Solos Altamente Orgânicos

São também denominados de solos turfosos e se caracterizam pela


presença de material fibroso vegetal, em vários estágios de decomposição.
Têm cores escuras . (marrom, preto) e se as amostras são recentes
apresentam um odor característico de matéria orgânica. Para amostras
secas basta molhá-las e esquentá-las um pouco que o odor reaparece.

4.4 - CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS SOLOS

4.4.1 - Cor

Esta é uma característica muito importante para a descrição de um


solo. Como até este momento não há uma tabela padrão de cores no Brasil
é recomendado o uso das seguintes designações: branco, cinza, preto,
marrom, amarelo, vermelho, roxo, azul e verde, podendo-se utilizar ainda
os termos claro e escuro (ABNT,NB -617). Na identificação da cor de um
solo deve-se usar uma amostra úmida e descobrir qual cor é predominante.
Se duas cores tem igual proporção as duas devem ser citadas. Quando mais
de duas cores apresentam a mesma proporção para definir a cor do solo
deve-se usar o termo variegado .

4.4.2 - Odor

Mais característico de solos altamente orgânicos devido a existência


da matéria orgânica constituinte do solo. Odores não usuais devem ser
informados.

4.4.3 - Umidade

Para amostras, cuja umidade não foi afetada durante ou depois de


45

sua amostragem, é conveniente indicar a condição do solo em campo, de


acordo, com as informações contidas na Tabela 4.1:

4.4.4 - Estrutura

Para a descrição do tipo de estrutura, através de observação in situ

SOLO DESCRIÇÃO
Seco Água não é visível nem sensível ao tato
Úmido Água não é visível, mas sensível ao tato
Molhado Água está visível
Tabela 4.1 - Umidade Natural

ou de amostras indeformadas em bloco, verificar as características do solo


e comparar com as informações da Tabela 4.2.
Indicar as espessuras dos extratos alternados e das lentes, bem
como, a existência de vazios macroscópicos.

Características do Solo Estrutura


Estratos alternados de Espessura > 6mm Estratificada
diferentes materiais, Espessura < 6mm Laminada
cores, espessura Textura muito fina Varvítica
Plano de fratura bem
Opacos Fissurada
definido. Pequena re-
sistência ao fratura-
Polidos (esttiados) Estriada
menta
Massa de solo coesivo quando quebrada re-
sultam ton-ões angulares, resistentes a poste- Ton-oada
rior quebra
Camada de solo com textura diferente da do
Em lente
solo acima e abaixo
Solo com mesma cor, textura e demais carac-
Homogenea
terísticas
Tabela 4.2 - Identificação da Estrutura de um Solo
46

4.4.5 - Grau de Cimentação

Para a descrição do grau de cimentação da estrutura de um solo


grosso pressionar um torrão seco, entre o polegar e o indicador e avaliar a
pressão necessá1ia a quebra do torrão. Comparar o resultado com as
informações da Tabela 4.3.

Pressão Grau de Ci-


Descrição do Resultado
Aplicada mentação
Torrão quebra ou esfarela Pequena Fraco
Média Médio
Torrão não se quebra Grande Forte
Tabela 4.3. - Identificação do Grau de Cimentação

4.4.6 - Material Cimentante

Quanto a identificação do tipo de material cimentante da estrutura


de um solo grosso, a mais comum é a do carbonato de cálcio por ser este o
mais frequente .
A reação química entre o carbonato de cálcio e o ácido clorídrico
resulta na formação de gás carbonico, conforme mostrado na equação

Ca C0 3 + 2 HC.e ~ C0 2 + Ca e.e 2 + H 20 (4.1)

Para se identificar a presença de carbonato de cálcio no solo , basta


pingar algumas gotas de ácido clorid1ico diluído (uma parte de HC.e, 10
N, para três partes de água destilada) sobre o solo e observar o que nele
acontece.
O resultado observado deve ser comparado com as informações
contidas na Tabela 4.4, para indicar a presença ou não do carbonato de
cálcio, como agente cimentante, daquele solo .

Descrição da Reação com HC.e Presença


Não há formação de bolhas (C0 2) Nenhuma
Há formação lenta de bolhas Fraca
Formação rápida e intensa de bolhas Forte
Tabela 4.4 - Presença de Carbonato de Cálcio
47
4.4.7 - Angularidade e Forma dos Grãos

Este é um critério aplicável somente às areias grossas e aos pedre-


gulhos. A angularidade indica o quanto a partícula se afasta ou se
aproxima de uma esfera e a forma nos dá a mesma indicação quanto ao
cubo.
Para a descrição da angularidade de uma partícula ve1ificar como
estão as suas bordas e faces, como ilustrado na Figura 4.2 e comparar com
os dados da Tabela 4.5.
ANGULAR SUB-ANGULAR

ARREDONDADA ESFEROIDAL

Fonte : Pettijohn (1949)

Figura 4.2 - Esquema para descrição da angularidade

Caracte1ísticas das Angularidade


Bordas Faces
Afiadas Planas e rugosas Angular
Algumas Curvas Planas Subangular
Suaves Quase Planas Arredondada
Não tem Curva e Lisa Esferoidal
Tabela 4.5 - Descrição da Angularidade
48

Na Figura 4 .3 estão mostradas algumas partículas de pedregulhos


com diferentes angularidades.
Para a descrição da forma de uma partícula medir o comprimento, a
largura e a espessura, definidas na Figura 4 .4 e comparar os resultados
obtidos com os valores da Tabela 4.6.

Figura 4 .3 - Pedregulhos com diferentes angularidades

1 /
/

>------- -
/
/
/
/
/
/
/
/
/
/
/
/

_______....,.,,/
B
X

Figura 4.4 - Esquema para descrição da forma

Descrição Forma
B/H > 3 Chata
L/B > 3 Alongada
B/H > 3, L/B > 3 Lamelar
Tabela 4 .6 - Descrição da Forma
49

4.4.8 - Consistência

A consistência é uma caracteristica de um solo fino descrita, apenas,


para a sua condição natural indeformada e, desde que, não contenha uma
quantidade apreciável de pedregulhos. O teste usado para a descrição da
consistência é o da penetração do polegar no solo. O resultado obtido deve
ser comparado com as informações constantes na Tabela 4.7.

Caracteristicas da Penetração Consistência


Penetra no solo >25mm Muito Mole
::::25 mm Mole
Faz ranhura no solo da ::::6mm Média
Unha do polegar risca o solo Riia
Não é riscado pela unha Dura
Tabela 4.7 - Descrição da Consistência

4.4.9 - Outras Informações

Qualquer informação, além das relacionadas anteriormente, que


possa ~er considerada relevante na descrição das caracteristicas do solo,
deve ser acrescentada.

4.5 - IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS GROSSOS

Os materiais granulares e os solos grossos tem uma percentagem de


partículas, com tamanhos maiores do que 0,07 5mm (#200), superior a
50%. As partículas retidas nessa peneira têm seus tamanhos variando entre
0,075 e 76mm. Na Tabela 4.8 estão indicados os intervalos de variação do
tamanho das partículas, em milímetros , e as peneiras con-espondentes e
cada um dos subgrupos.
Para a identificação desses solos deve-se proceder a uma descrição
da textura, graduação e cor do solo, da angularidade e forma das
partículas, usando para isso a amostra reduzida, previamente preparada de
acordo com o descrito no Capítulo 3.
50

4.5.1 - Tamanho das Partículas

Inicialmente, as partículas maiores do que 76mm, se houverem,


devem ser retiradas e caso não hajam deve-se estimar o tamanho máximo
dos grãos. Em seguida, as partículas grossas (maiores do que 0,075mm)
devem ser separadas das partículas finas (menores do que 0,07 5mm). A
fração grossa deve, em seguida, ser separada em areia, (tamanhos entre

Solos Grossos
Areia Pedregulho
#200 #4

:2: 0,075 <4,8 :2: 4,8 < 76


Sub - Grupos
Fina · Fino
#200 #40 -
:2: 4,8 < 19,2
:2: 0,075 < 0,42
Média:
#40 #10

:2: 0,42 < 2,0


Grossa: Grosso:
#10 # 4
:2: 19,2 < 76
:2: 2,0 < 4,8
Tabela 4.8 - Intervalo de Variação do Tamanho das Paitículas

0,075 e 4,8mm) e pedregulhos (tamanhos entre 4,8 e 76mm), conforme


mostrado na Figura 4.5 .
O desdobramento da areia e do pedregulho em suas divisões
menores poderá ser feito, desde que necessário, de modo semelhante ao
realizado até agora.
Esse trabalho de desdobramento da amostra e a estimativa da massa
seca de cada uma das partes deve ser, preferencialmente ,realizado com o
auxílio da visão e do tato.Caso isso não possa ser feito pode-se usar as ne-
cessárias peneiras e balanças, procurando-se com esse procedimento
51

guardar o conhecimento adquirido para aplicá-lo em situações semelhantes


no futuro.
As percentagens con-espondentes a cada fração, se obtidas através
das massas secas estimadas, devem ser indicadas em múltiplos de 5,
levando-as ao valor mais próximo.

4.5.2 - Graduação do Solo

Quanto a graduação, o solo deverá ser desc1ito como bem graduado


se o intervalo de vaiiação do tamanho das partículas é grande e não

AMOSTRA

D < 76 D > 76

D < 0,075 D > 0,075

D < 4,8

ESTIMAR A MASSA DE SÓLIDOS


DE CADA UMA DAS PARTES

Valores em milimetros

Figura 4.5 - Esquema de separação dos grãos

apresenta descontinuidade; em caso contrário, o solo deverá ser descrito


como mal graduado.
52

4.5.3 - Angularidade e Forma

Descreva essas características conforme proposto no item 4.4.7.

4.5.4 - Cor

Descreva a cor de acordo com o item 4.4.1.

4.5.5 - Características de Amostras Indeformadas

Na identificação de um solo grosso, através de uma amostra in situ


ou indeformada, deve-se fornecer todas as info1mações pertinentes,
desc1itas em 4.4.

4.5.6 - Identificação

De posse dos resultados obtidos em 4.5 .1 e 4.5.2 para a fração


grossa e em 4.6 para a fração fina, deve-se entrar na Tabela 4.9 ou 4. 10 e
daí retirar a identificação do solo segundo a textura. Para completar essa
identifi cação outros dados obtidos, segundo os c1ité1ios descritos em 4.4,
poderão ser acrescentados.
Quando a percentagem de finos for inferior a 5% estes não são
identificados e se tem um material granular.
A subdi visão das areias e dos pedregulhos poderá ser feita
indicando-se, no máximo, duas frações predomin antes, com a de maior
percentagem sendo indicada primeiro. Assim, se um solo contiver 20% de
argila, 20% de pedregulhos e 60% de areia, sendo esta composta de 40%
de areia fina, 10% de areia média e 10% de areia grossa, esse solo será
identificado como, areia fina argilosa com pedregulhos.

4.6 - IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS FINOS

As partículas dos solos com tamanhos menores do que 0,075mm,


não são visíveis a olho nú e portanto a separação visual e a determinação
das percentagens de oc01rência de cada uma das partes não poderá ser
realizada. A identificação dos solos finos está baseada em resultados
53

Grupo Gradua Iden tifi ca ão dos Finos p (S) Identificação

ção % Solo Nome Complemento

= < 15 Pedregulho =

<5 = > 15 com areia

Bem silte < 15 Bem com si lte

Pedre- =10 > 15 com si lte e areia

argil a < 15 Graduado com argi la

gu lhos > 15 com argila e areia

<5 = < 15 Pedregulho =

= > 15 com areia

Mal silte < 15 Mal com si lte

P(G) > P(S) =10 > 15 com si lte e areia

argil a < 15 Graduado com argila

> 15 com argila e are ia

silte < 15 si ltoso

> 15 > 15 Pedregulho siltoso com areia

= argila < 15 argil oso

> 15 argiloso com areia

Tabela 4.9 - Identificação Textura! dos Pedregulhos

de testes que levam em consideração a plasticidade desses solos.


Inici almente, esses solos devem ser separados em inorgânicos ou
orgânicos.
A amostra reduzida que será usada nos testes de identificação
deverá ter sido preparada conforme o desc1ito em 3.4.2. Nesse capítulo
também foram apresentados três testes, de execução mais simples, e cujos
resultados possibilitarão uma ptimeira separação dos solos finos em
argilosos e siltosos . A confirmação desse resultado será através dos testes
que serão descritos a seguir.
54

Grupo Gradua Identifica ão dos Finos P(G) Identificação

ção % Solo Nome Complemento

= < 15 =
<5 = > 15 Areia com pedregulhos

Bem silte < 15 com si lte

> 15 Bem com si lte e

=10 pedregulhos

argi la < 15 com argila

> 15 Graduada com argila e


pedregulhos

<5 = < 15 =
Areias = > 15 Are ia com pedregu lhos

Ma l silte < 15 com silte

=10 > 15 Ma l com si lte e


pedregulhos

P(S)>P(G) argila < 15 com argi la

> 15 Graduada com argil a e


pedregulhos

si lte < 15 si ltosa

> 15 Areia siltosa com

> 15 pedregu lhos

= argil a < 15 argi losa

> 15 argilosa com


pedregulhos

Tabela 4.10 - Identificação Textura! das Areias

4.6.1 - Textura

Inicialmente, deverá ser estimada a percentagem de partícul as


maiores que 0,075mm (retidas na #200) existente no solo. Caso essa
55

estimativa não possa ser feita visualmente, deverá ser utilizada a peneira
de abertura 0,075mm (#200).
Todos os demais testes serão realizados com o solo que passa na
peneira de abertura 0,42mm (#40). Então deve-se peneirar uma quantidade
de solo suficiente para realizar os outros quatro testes.

4.6.2 - Resistência a Compressão

A partir de uma pasta,com um teor de umidade entre o limite de


liquidez e o de plasticidade, deverão ser moldados três corpos de prova,
aproximadamente, esfé1icos e com quinze milimetros de diâmetro. Em
seguida, deverão ser deixados secar à sombra ou em estufa a uma
temperatura não superior a 60° C. O corpo de prova secado em estufa
deverá ser deixado resf1iar até atingir a temperatura ambiente, e depois ser
comprimido entre o polegar e o indicador ou entre o polegar e uma
superfície dura, avaliando-se a pressão aplicada e observando-se o que
ocorre com o corpo de prova. Estes dados devem ser comparados com os
fornecidos na Tabela 4.11, e o resultado indica a resistência a compressão
do solo seco.

Pressão Resultado Resistência


Seca
Polegar - . Leve ·Corpo de Prova Nenhuma
indicador Média se esfarela Baixa
Alta Quebra em Média
Polegar Muito pedaços Alta
superfície dura alta Nada Acontece Muito Alta
Tabela 4.11 - Teste de Resistência do Solo Seco

Se a amostra representativa, trazida do campo, contiver torrões


secos com tamanho aproximado ao dos corpos de prova moldados,
poderão estes serem utilizados no teste de resistência a compressão. Os
resultados obtidos com torrões que contenham partículas maiores
que 0,42mm não deverão ser considerados. A presença de carbonato de
cálcio no solo pode causar um aumento considerável da resistência a
compressão.
56

Figura 4 .6 - Resistência a Compressão

4.6.3 - Dilatância

Para a realização desse teste deverá ser moldado um corpo de prova


com, aproximadamente, 15mm de diâmetro e com um teor de umidade que
lhe garanta uma consistência mole, mas não pegajosa. Em seguida, coloque
o corpo de prova sobre a palma de uma das mãos e com uma espátula
1istribua o solo sobre ela; sobre o solo não deverá aparecer uma lâmina de
água.
O teste da dilatância permitirá obter uma informação sobre a
velocidade de movimentação da água contida na amostra, quando esta é
submetida, inicialmente, a um processo de vibração e, em seguida, a uma
compressão.
O teste se inicia com um movimento horizontal da mão e, ao mesmo
tempo, batendo, vigorosamente, a sua lateral contra a lateral da outra mão,
diversas vezes. Durante essa fase do teste deve-se observar se ocorrerá a
formação de uma lâmina d'água na superficie do solo e o tempo para a
ocorrência. Em seguida, a palma da mão deve ser curvada, de forma a
exercer uma leve compressão na amostra, observando-se o que poderá
acontecer a lâmina d'água, se existir, à superficie da amostra. O
aparecimento da lâmina d' água durante o processo de vibração e o seu
57

desaparecimento na fase de compressão, bem como, o tempo necessário


para que isso aconteça, deve ser comparado com os dados fornecidos
na Tabela 4 .1 2, para identificar o comportamento do solo quanto a
dilatância.

Descrição da Ocorrência Durante


Vibração Compressão Dilatância
Aparecimento Desaparecimento
Não há mudança visível Nenhuma
Lento Lento ou Não Ocorre Lenta
Rápido Rápido Rápida
Tabela 4.12 - Teste de Dilatância

A Figura 4.7 mostra na parte superior a pasta logo após a fase de


vibração e em baixo a fase de compressão da pasta.

Figura 4.7 - Teste de Dilatância


58

4.6.4 - Dureza

Este teste é realizado em duas partes e as observações que deverão


ser feitas durante o teste serão depois usadas para a identificação do solo
quanto a dureza e a plasticidade.
Na primeira pai1e do teste procede-se a rolagem de uma porção do
solo, com um teor de umidade inicial entre o limite de liquidez e o de
plasticidade, sobre uma supe1fície lisa ou entre as palmas das mãos até que
o bastonete fo1mado atinja um diâmetro aproximado de 3mm e, também,
comce a se fragmentar. No instante em que essas condições são satisfeitas
é porque o teor de umidade do solo está próximo do seu limite de
plasticidade e será preciso avali ar a pressão aplicada para o rolamento do
bastonete, bem como, as suas condições. Se o início da operação de
rolamento estiver difícil de ser realizada é porque o teor de umidade do
solo está mais próximo do limite de liquidez e deve ser deixado secar, por
evaporação natural da água, bastando para isso remexer o solo com uma
espátula.
Em seguida, os pedaços do bastonete devem ser juntadas e
amassados com os dedos até que o t01Tão formado comece a se quebrar,
novamente. Durante esta operação a atenção deverá estar voltada para o
comportamento e condições do solo. ·
Os valores estimados da pressão de rolamento e às condiçfü~s do
bastonete e do t01Tão, para um teor de umidade próximo ao Limite de
Plasticidade, devem ser compai·ados com os dados da Tabela 4.13 para a
identificação do solo quanto a dureza.

Pressão de Condições do
Dureza
Rolamento Bastonete e Ton-ão
Leve Moles e Frágeis Baixa
Média Medianamente Rijos Média
Alta Altamente Rijos Alta
Tabela 4.13 - Teste de Dureza

4.6.5 - Plasticidade

O comportamento de ~m solo, quanto a plasticidade, é verificado


59

durante a realização do teste de dureza observando-se o que acontece com


o bastonete e o torrão e comparando-se os res ultados com a descrição
mostrada na Tabela 4. 14.

Descrição do Comportamento Plasticidade


Bastonete não consegue atingir 3mm, com qualquer Não plástica
teor de umidade (N.P .)
Bastonete pode ser, apenas rolado, mas, para w < LP
Baixa
toirão não é não formado
Bastonete facilmente rolado e o LP é alcançado
rapidamente; para w < LP o bastonete não será rolado Média
e o torrão se quebrará
Necessário um tempo maior, rolando e amassando o
bastonete, para se atingir o LP; o bastonete poderá Alta
ser rolado e o torrão formado mesmo para w < LP
Tabela 4.14 - Teste de Plasticidade

4.6.6 - Identificação dos Solos Finos Inorgânicos

Os resultados obtidos nos testes de resistência a compressão,


di latância e dureza devem ser comparados com as informações mostradas
na Tabela 4.15 para a identificação· de um solo fino inorgânico.

Resistência Dureza e
Di latância Identificação
a Plasticidade
compressão
Nenhuma a Lenta a rápida Baixa (NP) Silte pouco
baixa plástico
Média a Nenhuma a Argi la pouco
Média
Alta lenta plástica
Baixa a Nenhuma a
Baixa a Média Silte
Média lenta
Alta a Argila muito
Nenh uma Alta
muito alta plástica
Tabela 4.15 - Identificação de Solos Inorgânicos
60

tem uma superficie lisa e brilhante quando sêco.

4.6. 7 - Identificação dos Solos Finos Orgânicos

Quando o solo contém uma quantidade de partículas orgarucas


suficientes para influir em suas propriedades deverá ser identificado como
orgânico.
Esses solos apresentam cor escura, odor característico da matéria
orgânica, e, às vezes, podem apresentar uma alteração na cor, para mais
clara, quando secados ao ar.
Normalmente, apresentam índices baixos para a plasticidade e a
dureza.
A separação de um solo orgânico em silte ou argila requer muita
prática do operador.

4.6.8 - Identificação dos Solos Finos quando Pr(# 200) > 15%

Se um solo fino orgânico ou inorgânico tiver uma percentagem de


partículas com tamanhos maiores que 0,075mm, (retidas na #200), acima
de 15% deve-se acrescentar ao nome do solo, descrito no item 4.67 ou
mostrado na Tabela 4.15, um complemento originado da fração grossa,
conforme mostrado na Tabela 4.16 para um solo orgânico e nas Tabelas
4 .17 e 4 .18 para solos inorgânicos.

Nome Pr (# 200) P(S) P(S) P(G) Complemento


do Solo P(G) ao Nome
< 15 - -
< 30 >15 >1 Com Areia
Organico < 1 Com Pedregulhos
< 15 Arenoso
Arenoso com pe-
>1 > 15
dregulhos
~ 30 - < 15 - pedregulhento
< 1 pedregulhento com
> 15 -
areia
Tabela 4 .16 - Identificação de um Solo Orgânico
61

4. 7 - SOLOS ALTAMENTE ORGÂNICOS

Esses solos são, também, denominados de turfosos e não são


identificados pelos testes descritos nos itens anteriores.
Suas características principais são uma textura fibrosa, cor marrom
escura a preto, odor forte característico dos organismos que entram em sua
formação.

4.8 - RELA TÓRIO DE IDENTIFICAÇÃO

O relatório de identificação deve conter as respostas obtidas através


dos testes realizados. Para isso a Tabela 4.19 mostra a relação dos itens
descritos anteriormente e que devem ser respondidos, sempre que possível
e pertinente a um dado solo.
Além das informações obtidas através dos testes, quaisquer outras
serão úteis e devem ser fornecidas.

4.9 - FOLHA DE IDENTIFICAÇÃO

As Tabelas 4.20 e 4.21 mostram exemplos de folhas para os testes


de identificação dos solos grossos e dos finos, respectivamente.

4.1 O - EXEMPLOS

A - Areia argilosa: cerca de 60% das partículas são maiores que


0,075mm (retidas na #200), com 35% de areia fina e tamanho máximo de
3mm. Resistência a compressão média, dilatancia lenta, dureza e
plasticidade médias. Cor vermelha escura. ·Não apresentou odor de matéria
orgânica ou não usual. Nenhuma reação com HCf . Solo in situ estava
úmido. Não houve dificuldade na amostragem (apenas deformada) a 2m de
profundidade. Sedimento cenozóico arenoso .
Nome do Pr (#200) P(S) P(S) P(G) Complemento ao
Solo p (G) Nome
Silte < 15 - - - -

< 30 >1 - - Com areia


> 15
Pouco <1 - - Com Pedregulho
- < 15 Arenoso
Plástico 2 30 - >1 - 2 15 Arenoso com Pedregulho
<1 < 15 Pedregulhento
N
<O
2 15 Pedregulhento com Areia
< 15 - - - -

< 30 > 15 >1 - - Com Areia


Silte <1 - - Com Pedregulho
2 1 - < 15 Arenoso
2 30 - - 2 15 Arenoso com Pedregulho
<1 < 15 - Pedregulhento
2 15 - Pedregulhento com Areia
Tabela 4 .18 - Identificação de Silte Inorgânico
Nome do Pr (#200) P(S) P(S) P(G) Complemento ao
Solo P(G) Nome
Argila < 15 - - - -
< 30 > 15 ~ 1 - - Com areia
Pouco <1 - - Com Pedregulhos
~ 1 - < 15 Arenosa
Plástica ~ 30 - - ~ 15 Arenosa com Pedre0.1lhos
<1 < 15 Pedregulhenta
~ 15 Pedregulhenta com Areia CJ)
e,;,

Argila < 15 - - - -
< 30 > 15 ~ 1 - - Com Areia
Muito <1 - - Com Pedregulhos
~ 1 - < 15 Arenosa
Plástica ~ 30 - - ~ 15 Arenosa com Pedregulhos
<1 < 15 - Pedregulhenta
~ 15 - Pedregulhenta com Areia
Tabela 4. 17 - Identificação de Argila Inorgânica
64

Informação Sobre Item


1. Grupo em que se enquadra o solo 4.3
2. Cor 4.4.1
3. Odor 4.4.2
4. Umidade in situ 4.4.3
5. Reação com HCf 4.4.6
6. Angularidade e F01ma 4.4.7
7. Tamanho das Partículas 4.5.1
8. Graduação do Solo 4.5.2
9. Resistência a Compressão 4.6.2
10. Dilatância 4.6.3
11. Dureza 4.6.4
12. Plasticidade 4.6.5
13. Solo Fino: Inorgânico ou Orgânico 4.7
14. Solo in situ/Amostra indeformada
14.1 - Estrutura 4.4.4
14.2 - Cimentação 4.4.5
14.3 - Consistência 4.4.8
15. Origem Geológica
16. Outras: Presença de Mica, Raizes,vazios macros-
cópicos, dificuldades de amostragem
17. Nome: Local, regional
Tabela 4.19 - Itens para Identificação
B - Areia bem graduada com pedregulhos: 70% de areia (40%
grossa, 20% média, 10% fina) , 25% de pedregulhos finos (tamanho
máximo de 20mm) e menos de 5% de finos. Mais de 80% dos grãos
grossos (areia grossa e pedregulho) são arredondados, com alguns grãos
subangulares. Minerais predominantes são quartzosos. Amostra recolhida
molhada junto a um porto de areia no Rio Mogi -Guaçu próximo a ponte na
Rodovia-Araraquara-Ribeirão Preto.

C - Argila pouco plástica arenosa: cerca de 35% de areia fina e


média, marrom escuro, inorgânica. Resistência a compressão, dureza e
plasticidade médias e dilatancia lenta. Solo in situ úmido, com estrutura
homogênea, consistência e grau de cimentação médios. Não houve
dificu ldade e amostragem (deformada e indeformada em poço) a 4m
de
65

Amostra: Deformada lndef01mada


Local: Furo Poço Prof. m
Amostragem: Tipo
Operador Data:
Fração Grossa
P(> 76mm): Pr (#4): Pr (#200):
Granulometria
Pedregulho Areia
Grosso (19-76mni): Grossa (2,0-4,8mm):
Fino (4,8-19mm): Média (0,42-2,0mm):
Fina (0,075-0,42mm):
Tamanho Máximo das Partículas: mm
Angularidade Forma Graduação Cimento
Angular Ch ata Fraco
Subangular Bem
Alongada Moderado
Arredondada Mal
Esferoidal Lamelar Forte
Fração Fina
Pp (# 200) < 5 Silte
= 10 Finos:
> 15 Argila
Argilo-mineral :
Cor: Odor:
Umidade:
Outras Informações:

Identificação:

Tabela 4.20 - Identificação de Solo Grosso


66

Amostra: Deformada: ln deformada:


Local: Furo: Poço: Prof.: m
Solo: Inorgânico: Orgânico:
Operador: Data:
Resistência a Dilatância Dureza Plasticidade
Compressão
Nenhuma Nenhuma Baixa
Baixa N.P.
Média Lenta Média Baixa
Alta Média
M ui to Alta Rápida Alta Alta
Reação com HCf Umidade Cor Odor
Nenhuma Seco
Fraca Úmido
Forte Molhado
Amostra Indeformada (ln Situ)
Estrutura Consistência Cimento
Estratificada Estriada Muito Mole Fraco
Laminada Torroada Mole
Varvitica Em Lente Média Moderado
Fissurada Homogenea Rija
Dura Forte
Argila-mineral:
Fração Grossa
P, (#200): P, (#4): P(>76mm):
Outras informações:

Identificação:

Tabela 4.21 - Identificação de Solo Fino


67

profundidade. Solo limpo sem raizes ou vazios macroscop1cos. Argilo-


mineral predominante é a caulinita. Sedimento cenozóico argiloso.
CAPÍTULOS - ÍNDICES FÍSICOS

O solo é formado por elementos pertencentes a cada uma das três


fases físicas, sendo que os minerais constituem a fase sólida e se affanjam
de tal modo que formam uma estrutura porosa para o solo, onde nesses
vazios do solo, denominados poros, são encontrados os elementos das
fases líquida e gasosa. Em condições extremas essas três fases podem se
transformar em duas quando todo o volume de vazios é ocupado por um
elemento da fase líquida, normalmente a água, ou por um elemento da fase
gasosa, normalmente o ar.
Na Figura 5.1, está mostrado um esquema representativo de um

VOLUl\lES MASSAS

AR

f--- ---
1--- --- --
VAZIOS ~ ·- --
-----
-
-- ----
-----
ÁGUA :;;;----=-= ÁGUA :-~ ÁGUA
SOLO
SOLO

-- SÓLIDOS SÓLIDOS SÓLIDOS


. .

'

Figura 5.1 - Volumes e massas das três fases


70

corpo de prova retirado de uma amostra indeformada do solo, onde por


conveniência didática os elementos constitutivos de cada uma das três
fases foram separados, indicando-se à esquerda os volumes de cada uma
das fases e o volume do corpo de prova e, à direita as respectivas massas,
lembrando que a massa de ar é desprezada por ser muito pequena quando
comparada com as massas das duas fases .
Os índices físicos são relações entre volumes ou entre massas ou
entre a massa e o volume das fases constituintes de um solo.
Na Tabela 5.1 estão separados os três tipos de relações que definem
os diversos índices físicos dos solos. As massas e os volumes são os
mostrados na Figura 5.1.
Neste capítulo serão descritos procedimentos necessários a obtenção
da massa específica do solo e do teor de umidade, enquanto no capítulo
seguinte será descrito o procedimento para a dete1minação da· massa
específica dos sólidos.

Nome Relação entre Definição


Porosidade Volume de vaziosNolume do Solo
Grau de Saturação Volumes Volume de ÁguaiVolume de vazios
Índice de Vazios Volume de vaziosNolume de
sólidos
Teor de Umidade Massas Massa de Água/Massa de Sólidos
Massa Específica:
Solo Massa do solo/Volume do solo
Sólidos MassaNolum Massa de sólidosNolume de
Água e sólidos
Massa de águaNolume de água
Tabela 5 .1 - Índices Físicos dos Solos

A finalidade da determinação dos índices físicos é caracterizar as


condições existentes no solo, no instante de sua amostragem. Dos sete
índices físicos, relacionados na Tabela 5.1, três deles são obtidos
expe1imentalmente, em laboratórios, a massa específica do solo, o teor de
umidade e a massa específica dos sólidos, três são calculados através das
fórmulas de coITelação entre os mesmos e a massa específica da água, que
se encontra na maior parte das fó1mu las de coITelação, é considerada
3 3
constante e igual a 1000 kg/m ou 1,000 g/cm .
71

5.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

5.1.1 - Equipamentos

Torninho de talhagem dos corpos de prova.


Balanças, com capacidade de determinar massas até 100 e 1OOOg,
com resolução de 0,01 e 0,10g, respectivamente.
Estufa, com termostato que permita controlar a temperatura entre
105 e 1 lOºC.

5.1.2 - Acessórios

Dessecador
Berços
Arco com fio cortante
Paquímetro
Facas, espátulas
Cápsulas de alumínio
Parafina
Bandeja metálica

A Figura 5.2 mostra equipamentos e acessórios necessários a mol-


dagem de corpos de prova a partir de uma amostra indeformada, em bloco.

Figura 5 .2 - Equipamentos e Acessórios


72

5.2 - MASSA ESPECÍFICA DO SOLO

Dois diferentes procedimentos poderão ser usados: a moldagem de


um corpo de prova cilíndrico ou a imersão em água de um corpo de prova,
aproximadamente, esférico.

5.2.1 - Corpo de Prova Cilíndrico

A massa específica do solo é a relação entre a massa de solo existente


em um dado volume e este volume. O volume a ser obtido é o de um corpo
de prova cilíndrico. Durante a obtenção desse corpo de prova deve-se
tomar todo o cuidado para que as condições ·naturais do solo,
representadas pelo bloco indeformado, não sejam alteradas.
Iniciar o processo retirando de um dos cantos do bloco, Figura 5. 3.a,
uma amostra de forma prismática com dimensões, aproximadas, de 8 x 8 x
15 cm, Figura 5.3.b. Terminada a operação de retirada do prisma deve-se
aplicar uma camada de parafina, não muito quente, sobre as partes
descobertas do bloco, se este não for ser usado em seguida ou colocar uma
toalha úmida sobre o local para se evitar a perda de umidade do solo.

}
~ ~

25

(a) (b) ( e)

Figura 5.3 - Sequência de operações para obtenção do corpo de prova

Uma das faces do prisma deverá ser deixada plana e, após colocá-lo
73

sobre o berço apropriado retirar o excesso de solo do topo e da base,


deixando-as planas e paralelas. A altura final do prisma deve estar entre
10,5 e 13,0 cm.
A amostra, nessas condições, deverá ser levada para o torninho de
talhagem verificando se as suas garras estão bem firmes no solo e se o eixo
longitudinal da amostra está na vertical. Fazer as necessárias correções
para satisfazer essas condições.
Com uma faca, espátula ou com o arco ( cada solo se comporta
melhor com uma delas) ir retirando o excesso lateral de solo, Figura 5.4,
transformando o prisma em um cilindro com as dimensões, aproximadas,
mostradas na Figura 5.3.c.

Figura 5 .4 - Talhagem de um corpo de prova

Com um paquímetro medir a altura e o diâmetro do corpo de prova


em diferentes posições tal como mostrado no item 5.6 - Exemplo, onde
foram realizadas cinco medidas da altura e do diâmetro. Os valores médios
obtidos serão usados para calcular o volume do corpo de p~ova.
Levar o corpo de prova a uma balança e determinar a sua massa.
74
5.2.2 - Por Imersão

De uma amostra indeformada de um solo retirar um corpo de prova


com forma, aproximadamente, esférica e com diâmetro, da ordem, de 2cm
e determinar a sua massa ao ar.
Em seguida colocar uma fina camada de parafina sobre o corpo de
prova e determinar a massa do conjunto solo-parafina, ao ar e imerso em
água.
A temperatura da água, contida no frasco, usada para a imersão do
corpo de prova deverá ser medida.
Este processo está desc1ito, com mais detalhes, no Anexo E.

5.3 - TEOR DE UMIDADE

O obj etivo , nesse ensaio , é a determinação das massas de água e de


sólidos, existentes em um mesmo volume de solo, necessárias para o
cálculo do teor de umidade.
Durante a · operação de talhagem do corpo de prova, deve-se
aproveitar o solo que vai sendo retirado do prisma, Figura 5.4, e separar,
um mínimo de, três porções em diferentes cápsulas. Essas porções devem
ser representativas do solo em questão.
Imediatamente após o solo ter sido colocado nas cápsulas, elas
deverão ser tampadas e levadas para um dessecador onde permanecerão
até o término da operação de talhagem, sem perder umidade. A massa de
sólidos colocada em cada cápsula não deverá ser infe1ior a 20g ou a tara da
cápsula, se maior.
Após a obtenção das medidas necessárias ao cálculo da massa
específica determinar a massa de cada conjunto solo-cápsula, na balança
recomendada.
As cápsulas deverão ser colocadas abertas na estufa, com a tampa em
baixo, para permitir a saída da água, lá permanecendo até que o solo possa
ser considerado sêco. Apenas como ordem de grandeza, tem-se que uma
amostra de solo arenoso necessita de 6 horas e a de um solo argiloso de 12
horas de permanência em estufa, a uma temperatura entre 105 ± 5°C, para
perder toda a água.
Após retirar as cápsulas da estufa deve-se tampá-las e levá-las para
75

um dessecador onde pe1manecerão até atingir a temperatura ambiente, sem


absorverem umidade do ar.
Com a balança usada anteriormente determinar a massa do conjunto
sólidos-cápsula.
Sempre que novas cápsulas de alumínio são adquiridas,elas são nu-
meradas (tampa e cápsula tem o mesmo número) e suas massas (tavas)
determinadas (cápsula e tampa) e em seguida é montada uma tabela para
utilização posterior. As cápsulas devem estar sempre limpas, não
amassadas e sempre que se julgar necessário, novamente, determinadas as
suas massas. Por isso, nas determinações das massas do solo e dos sólidos
para a obtenção do teor de umidade, deve estar sempre presente a tampa da
cápsula.
Caso haja dúvida, sobre o tempo necessátio · para o secamento da
amostra, deve-se realizar dete1minação da massa, em intervalos no
mínimo, de 2 horas, até que os teores de umidade de duas determinações
sucessivas não tenham sido mais, significantemente, alterados.
Em qualquer ensaio onde é necessário obter-se o teor de umidade do
solo, este deverá ser calculado como a média aiitmética de, no mínimo,
três diferentes determinações.

5.4 - SIMBOLOGIA E UNIDADES

Os símbolos e as unidades que serão usadas, para os índices físicos,


estão mostradas na Tabela 5.2. Os símbolos são aqueles usados com mais
frequência na literatura internacional e as unidades são as do Sistema
Internacional de Unidades, adotado pelo Brasil a partir de 12/ 11/88 através
das resoluções 11 e 12 do Conselho Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial, CONMETRO, do Ministério da
Indústria e Comércio.

5.5 - CÁLCULO DOS ÍNDICES FÍSICOS

5.5.1 - Massa Específica do Solo


76
O cálculo da massa específica do solo será feito usando-se a fórmu la:

M
p=- (5.1)
v
escrita de acordo com os símbolos mostrados na Tabela 5.2.
A massa de solo é obtida, diretamente, através de uma balança com
as características descritas em 5.1.1.
O volume do corpo de prova será obtido de fo1ma diferente
dependendo do processo usado. Se o processo usado foi a talhagem de um

GRANDEZA SÍMBOLO UNIDADE


Massa de:
Solo M
Sólidos Ms g
Água Mw
Cápsula (Tara) M (c)
Volume de:
Solo V
Sólidos Vs cm3
Água Vw
Vazios Vv
Massa Específica:
Do Solo p
Dos Sólidos Ps
Do Solo Submerso p'
Seca g/cm3
Pd
Saturada
Psat
Da água
Pw
Da parafina p (par)

Teor de umidade w %
Índice de Vazios e -
Porosidade n %
Grau de Saturação Sr %
Tabela 5.2 - Símbolos e Unidades
77
corpo de prova cilind1ico, o volume será calculado a partir do valor médio
do diâmetro e da altura do corpo de prova.
Se o processo usado foi o de imersão de um corpo de prova, de
forma irregular, em água o volume será calculado conforme descrito no
Anexo E.
A massa específica deverá ser calculada com três casas decimais.

5.5.2 - Teor de Umidade

Com os valores das massas dos conjuntos solo-cápsula e sólidos-


cápsula, para uma mesma cápsula, calcular, o valor do teor de umidade
através da fórmula

w =--
Mw (5.2)
Ms

onde: Mw = M (solo+cápsula) - M (sólidos+cápsula)


Ms = M (sólidos+cápsula) - M (c)

O teor de umidade será a média aritmética dos valores que não se


afastem mais do que 5% do valor médio calculado, devendo ser expresso
em teimas percentuais, com uma casa decimal.

5.5.3 - Massa Específica dos Sólidos

Determinada em ensaio próprio, cuja descrição será apresentada no


Capítulo 6.

5.5.4 - Massa Específica Seca

Definida como a massa de sólidos existente em um dado volume de


solo , será calculada pela fórmula

(5.3)

No entanto a fó1mula (5 .3) nem sempre é prática, pois, a obtenção da


78

massa de sólidos pode exigir um longo tempo de permanência do corpo de


prova na estufa para secamento, o que torna prefe1ível o cálculo através da
fórmula de con-elação

p
pd = - - (5.4)
l+w

5.5.5 - Massa Específica Submersa

Será calculada como


p' = Psat - Pw (5.5)
No Anexo E está mostrado como se chegar a essa fórmula e as
condições de validade da mesma.

5.5.6 - Índice de Vazios

Este índice físico poderá ser calculado por uma das duas fórmu las de
con-elação,

p, (l + w) - p
e = ----- (5 .6)
p

ou

(5.7)

e deverá ser calculado com duas ou três casas decimais, dependendo do


problema onde será usado.

5.5.7 - Porosidade

Também poderá ser calculada através das fórmul as de con-elação,

P, (1 + w) - p
n= (5. 8)
p.(1 + w)
79

ou

e
n=-- (5.9)
l+e

e deverá ser apresentada em termos percentuais, com uma casa decimal.

5.5.8 - Grau de Saturação

Poderá ser calculado através das fórmulas de correlação,


s = p P,W (5.10)
r [P, (1 + W) - p] Pw·

ou

P,W
s, (5.11)

e, deverá ser apresentada em termos percentuais, com uma casa decimal.

5.5.9 - Massa Específica da Água

Para a maior paite dos cálculos, a massa específica da água é


considerada constante e igual a 1,000 g/cm3 ou 1000 kg/m3. Quando se
tiver necessidade de considerai· a variação com a temperatura, consultar a
Tabela C.1, do Anexo C.

5.6 - EXEMPLO

Para · a determinação dos índices físicos de uma argila arenosa


vermelha foi retirada uma amostra indeformada, em bloco, à cota 1,5m
no fundo de um poço. Em laborató1io, foi talhado um corpo de prova
cilindrico e a seguir, determinada a sua massa e realizadas cinco
medidas do diâmetro e da altura, de acordo com o esquema mostrado na
Figura 5.5, com as linhas AA, BB, CC, DD, EE indicando as posições de
80

medida das alturas e que devem estar distantes uma da outra de


aproximadamente, 70°. As circunferências FF, GG, HH, II, JJ, indicam as
posições onde foram obtidos os cinco diâmetros.

0,1 L

0,2L

0,1 L

Figura 5.5 - Esquema de medidas do diâmetro e da altura

Durante o processo de talh agem do corpo de prova foram retiradas


amostras para determinação do teor de umidade, massa específica dos
sólidos e demais ensaios de classificação. Os valores encontrados estão
mostradas na Tabela 5.3.
Foi também talhada uma pequena amostra de forma aITedondada e
realizada a determinação do seu volume pelo processo da imersão. Os
81

resultados obtidos estão mostrados na Tabela 5.4.


A diferença verificada nos valores das massas específicas é da ordem
de 0,5%.

ARGILA ARENOSA SÃO CARLOS - JARDIM MEDEIROS


VERMELHA PROF: 1,5m
TÉCNICO: Zé Luiz DATA: 14/9/93
Teor de Umidade
Determinação 1 2 3
Cápsula no. P 71 P 154 P 217
Massa (Solo + Cápsula) g 22,49 21,96 23,2 1
Massa (Sólidos + Cápsula) g 20,48 19,99 2 1,39
Massa da cápsula g 11,20 10,93 12,97
Massa de água g 2,01 1,97 1,82
Massa de sólidos g 9,28 9,06 8,42
Teor de Umidade % 21,7 21,7 21,6
Massa Específica
Altura: (11 ,73; 11,75 ; 11,80; 11,78; 11 ,74) cm 11,76
Diâmetro: (4,95; 4,89; 4,94; 4,96; 4,91) cm 4,93
Área cmz 19,09
Volume cmj 224,50
Massa g 339,08
Massa específica g/cmj 1,510
Índices Físicos
3
Massa específica do solo: p g/cm 1,510
3
Massa específica dos sólidos: ps g/cm 2,848
3
Massa específica da água: p g/cm 1,000
Massa específica seca: Pct g/cm 3 1,241
Teor de Umidade: w % 21,7
Porosidade: n % 56,5
Grau de saturação: Sr % 47,5
Índice de Vazios: e 1,30
Tabela 5.3 - Índices Físicos - Corpo de Prova Ci lindríco
82

ARGILA SÃO CARLOS - JARDIM MEDEIROS


ARENOSA PROF. 1,5 m
VERMELHA TÉCNICO: ZÉ LUIZ DATA: 14/9/93
Massa do solo ao ar g 90,47
Massa (solo + Parafina) ar g 99,89
Massa (solo + Parafina) imerso g 30,12
Massa da parafina g 9,42
3
Massa específica parafina g/cm 0,912
3
Volume da parafina cm 10,33
o
Temperatura da água c 22,5
3
Massa específica da água ·g/cm 0,99765
3
Volume (solo+ parafina) cm 69,93
3
Volume do solo · cm 59,60
3
Massa específica do solo g/cm 1,518
Índices Físicos
3
p g/cm 1,518 w % 21,7
3
Pw g/cm 1,000 e 1,248
3
p" g/cm 2,848 n % 56,1
3
Prl g/cm 1,247 Sr % 48,3
Tabela 5.4 - Índices Físicos - Processo da Imersão
CAPÍTULO 6 - MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS

A massa específica dos sólidos, de um solo, é função dos minerais


constituintes e da percentagem de oco1Tência de cada um deles nesse solo.
Na Tabela 6.1 estão relacionados os intervalos de vaiiação das massas es-
pepecíficas de alguns minerais, com presença bastante comum, em nossos
solos.

MINERAL MASSA ESPECÍFICA


(g/cm3)
Feldspato 2,590 - 2,900
Mica 2,700 - 3,200
Caulinita 2,600 - 2,650
Montmorilonita 2,500 - 2,800
Ilmenita 4,500 - 5,000
Magnetita 5,200
Goetita 4,400
Quartzo 2,650
Tabela 6.1 - Massa Específica de Diferentes Minerais

O conhecimento da massa específica dos sólidos se faz necessá1io


para caracte1izar o solo quanto aos valores de seus índices físicos em um
dado instante. Por ser dependente dos minerais constituintes do solo é um
valor que se altera muito pouco com o tempo.
A descrição do procedimento de ensaio será dividida em duas
partes,
84

sendo a primeira delas para materiais granulares,com partículas menores


que 4,8mm (#4) e com menos de 5% de partículas menores que 0,075mm
(#200), e, a segunda parte, para solos com partículas menores que 4,8mm
(#4) .

6.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

6.1.1 - Equipamentos

Picnômetro, com volume útil de 500 ou 1000 cm3, para a temperatura


de 20ºC .
Dispersar, com hélices metálicas e copo com chicanas.
Balança, que permita determinação de massa até 1500g com resolução
de O,Olg.
Bomba de vácuo, com capacidade de aplicação de pressão até- 100 kPa.
Estufa capaz de manter a temperatura entre 105 e 11 o0 c.
As Figuras 6.1 e 6.2 mostram alguns equipamentos e acessórios.

6.1.2 - Acessórios

Termômetro, com leitura até 3 s0 c e resolução de O, 1°c


Cápsulas de alumínio
Espátulas
Funil, com haste que atinja até a metade da altura do bojo do
picnômetro, e suporte.
Recipientes de evaporação
Dessecador

6.2 - MATERIAL GRANULAR

A amostra reduzida, preparada de acordo com o descrito no item


3.2.1, deverá ser levada para a estufa e deixada secar. Após secamento a
amostra será colocada em um dessecador, onde deverá permanecer até
atingir a temperatura ambiente, e depois determinada a massa de sólidos
85

que deverá estar entre 100 e 120g.

'i

Figura 6.1 - Picnômetro e acessórios Figura 6.2 - Dispersor

Transferir essa amostra para o picnômetro usando o funil e com isso


evitando-se a perda de partículas, e adicionar 250 cm3 de água destilada. O
ar existente nos vazios formados pelo material e na água deverá ser
removido, por um dos dois processos: aplicação de vácuo, com a pressão
não excedendo a -12 kPa ou fervura branda da água, com um movimento
lento do picnômetro. O processo deverá ser encerrado quando não mais
ocorrer o aparecimento de bolhas à superficie da água.
O picnômetro deverá ser deixado resfriar até uma temperatura dentro
do seu intervalo de calibração, entre 15 e 25 °c. O processo de calibração
de um picnômetro está descrito no Anexo F.
Terminado o período de resfriamento, durante o qual o conjunto
partículas-água não deve sofrer nenhuma movimentação, completar o
volume útil do picnômetro, lentamente, com água deairada de forma a
evitar-se a movimentação das partículas e a introdução de ar nos vazios. O
86

menisco formado na haste do picnômetro deverá tangenciar a marca


indicativa, nela existente, de seu volume útil.
A temperatura da água deverá ser homogeneizada, com o auxílio de
um termômetro com movimentos lentos, até que os valores lidos, em três
alturas diferentes, não se afastem mais do que 0,5°C uma da outra.
Quando isso ocorrer calcular o valor médio das três medidas, que deverá se
encontrar dentro do intervalo de calibração do picnômetro, e que será
considerada a temperatura de ensaio.
Alcançada a temperatura desejada a parte interna da haste, acima do
menisco, e a superficie externa do picnômetro deverão ser secadas e, em
seguida, determinada a massa do conjunto (picnômetro + sólidos + água)
na balança apropriada.
Obtido esse primeiro par de valores, massa do conjunto-temperatura,
outros quatro pares, no mínimo, deverão ser obtidos, e para isso, aquecer
ou resfriar o picnômetro dentro do seu intervalo de calibração e refazer o
nível d'água no gargalo do picnômetro colocando ou retirando água.
Terminada essa fase do ensaio, recolher o material em um recipiente
de evaporação, retirar o excesso de água e, em seguida, levá-lo a uma
estufa onde permanecerá até secar. Retirar o material e colocá-lo em um
dessecador e deixar a amostra resfriar até a temperatura ambiente, e
determinar a massa de sólidos após ensaio, e que deverá ser da mesma
ordem de grandeza daquela, inicialmente, determinada.

6.3 - SOLO

A amostra reduzida deverá ter sido preparada de acordo com o


descrito nos itens 3. 3. 1 - com secagem prévia ou 3.3.2 - sem secagem
prévia.
Após a homogeneização da amostra retirar três porções de solo para
a determinação do teor de umidade e uma porção, com massa seca mínima
de 60g para solos arenosos e 50g para solos argilosos, para a realização do
ensaio. Em seguida determinar a massa dessa porção de solo e colocá-la
em uma vasilha e acrescentar água destilada necessária a formação de uma
pasta homogênea. Mais água destilada deverá ser acrescentada até a
completa imersão da pasta, que, depois será deixada repousar por 12 horas.
Após o repouso transferir o conteúdo da vasilha para o copo do dis-
87
persor, cuidando para que não se percam partículas, e adicionar mais um
pouco de água destilada para diminuir a concentração e deixar bater
durante 10 minutos.
Com o auxílio de um funil transferir a suspensão para o picnômetro,
tomando-se cuidado para que não restem partículas no copo, no funil e
nem na parte interna da haste. O volume da suspensão, neste instante, não
deverá ser maior do que a metade do volume útil do picnômetro.
O ar existente na suspensão deverá ser retirado e, para isso, deverá
ser aplicada uma pressão de -88kPa, durante, no mínimo, 15 minutos ou
até que não mais apareçam bolhas de ar à superfície da suspensão. Colocar
água destilada no picnômetro, até um centímetro abaixo da marca de
referência na haste, de forma cuidadosa, evitando-se a movimentação da
água existente e aplicar, novamente a pressão anterior até completar a
retirada total do ar da suspensão. Essa operação poderá ser acelerada se,
simultaneamente a aplicação da pressão for feito um aquecimento do
picnômetro em banho-maria; com isso, essa operação se toma m_ais
delicada devendo-se tomar cuidado para que a suspensão não seja
succionada pela bomba de vácuo.
A temperatura da suspensão deverá ser medida e se não estiver
dentro do intervalo de calibração do picnômetro providenciar para que isso
aconteça. Conseguida essa situação adicionar água destilada, cuidadosa-
mente, até que a base do menisco tangencie a rparca de referência na haste.
. A terriperaturq da suspensão deverá, então, ser homogeneizada, com
o auxílio de um termômetro através de movimentos lentos, até que os
valores medidos, em três diferentes alturas, não se afastem mais do que
0,5°C uma da outra. Quando isso acontecer calcular o valor médio das três
medidas e que será a temperatura do ensaio. O valor médio da temperatura
deverá ser admitido igual ao valor mais próximo àqueles mostrados na
Tabela 6.2.
Enxugar a parte interna da haste, acima da marca de referência, e a
superfície externa do picnômetro e determinar a massa do conjunto
(picnômetro +sólidos+ água).
O conjunto deverá ser aquecido ou resfriado, porém, mantendo-se a
temperatura dentro do intervalo de calibração, e repetir_as operações reali-
_zadas anteriormente, até se obter um mínimo de 5 determinações da massa
do conjunto(picnômetro+sólidos+água) para cinco diferentes temperaturas.
A suspensão será recolhida em um recipiente de evaporação e levada
a uma estufa para secagem. A amostra seca será colocada em um
88
dessecador, onde resf1iará até temperatura ambiente, para, em seguida,
determinar-se a massa de sólidos que deverá ser, aproximadamente, igual
aquela obtida inicialmente.

6.4 - CÁLCULO DA MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS

A massa específica dos sólidos, média representativa das massas


específicas dos minerais componentes do solo, será calculada pela equação

Ps = M s -M 1 + M 2 Pw . (6.1)

demonstrada no Anexo F,
onde:

M , - Massa de sólidos detenninada no final do ensaio


M 1 - Massa de (água+ picnôinetro + sólidos) para uma temperatura TºC.
M2 -Massa de (água+ picnômetro) obtida através da curva de calibração
do picnômetro, descrito no Anexo F.
pw - Massa específica da água.

Os valores de M 1, M 2 e pw devem ser obtidos à mesma temperatura


e que é aquela do ensaio e igual ao valor mais próximo àqueles mostrados
na Tabela 6.2.
Após calcular os valores da massa específica dos sólidos, para cada
temperatura de ensaio, transformar esses valores para a temperátura de
Pw(T)
20°c multiplicando-os pelo fator K = · dado na Tabela 6.2 e
Pw (20) .
calcular a média aritmética dos valores transformados.
Todos os valores transfo1mados que se afastarem da média mais do
que 0,020 g/cm3 (ou 20 kg/m3) deverão ser rejeitados. Caso uma ou mais
rejeições ocorram uma nova média deverá ~er calculada com os valores
restantes e o critério de rejeição, novamente, verificado. Para que o valor
médio, assim calculado, seja aceito como a massa específica dos sólidos a
20°C, Ps(20), ele deve ser o resultado de, no mínimo, três determinações.
89

T K T K T K
oc oc oc
15,0 1,0009 18,5 1,0003 22,0 0,9996
15,5 1,0008 19,0 1,0002 22,5 0,9995
16,0 1,0007 19,5 1,0001 23,0 0,9993
16,5 1,0007 20,0 1,0000 23,5 0,9992
17,0 1,0006 20,5 0,9999 24,0 0,9991
17,5 1,0005 21,0 0,9998 24,5 0,9990
18,0 1,0004 21,5 0,9997 25,0 0,9988
Tabela 6.2 - Fator K

6.5 - EXEMPLO

As Tabelas 6.3 e 6.4 mostram os valores obtidos na determinação da


massa específica dos sólidos de uma argila arenosa ve1melha, retirada a
1,5m de profundidade no Bairro Jardim Medeiros , em São Carlos.
Os valores de M 2 da Tabela 6.4 foram retirados da curva de
calibração do picnômetro, descrita no Anexo. F. Ainda neste Anexo foi
mostrada a proposta da ASTM para o cálculo de M2 através da fórmula

onde T O representa a temperatura da água na condição ambiente, tomada


como referencial, e M(p) é a massa do picnômetro sêco. Para T O = 23,5°C
os valores da massa específica da água e massa (picnômetro + água) são,

Pw (T0 ) = O, 99745g Jcm 3


M 2 (T 0
) = 662 ,68g
Na Tabela 6.5 estão mostrados os valores de M 2 (T) obtidos através
da curva de calibração do picnômetro #8, bem como; os valores calculados
pela fórmula da ASTM, ambos para ás temperaturas de ensaio.
O valor médio da massa específica dos sólidos calculado com
os
Amostra: 2
Argila Arenosa Vermelha Profundidade: 1,5 m
Jardim Medeiros - São Carlos Amostragem: 20.5.93
Operador - Zé Luiz Data:
Ensaio 24.9.93
Dados sobre a Amostra
Teor de Umidade Massa de Sólidos
Cápsula P 118 P 200 P 193 Massa da amostra g 60,95
o
O)
Solo + Cápsula g 21,82 25,54 24,87 Inicial Teor de umidade % 21,2
Sólidos + Cápsula g 19,95 23,50 22,81 Massa de Sólidos g .· 50,29
Massa da Cápsula g 11,12 13,95 12,93 Pyrex: 26
Massa de água g 1,87 2,04 2,06 Pyrex + Sólidos g 667,83
Massa de sólidos g 8,83 9,55 9,88 Final Massa do Pyrex g 617,73
Teor de umidade % 21,2 21,4 20,9 Massa de Sólidos g 50,10
Observação: Amostra indeformada em bloco
Tabela 6.3: Massa Específica dos Sólidos
DADOS DO ENSAIO
Determinação 1 2 3 4 5
Picnômetro #: 8 M(p) = 164,53g
Temperatura de Ensaio: T oc 15,0 17,0 19,5 23 ,0 24,5
Picnômetro + Sólidos + Água: M 1 g 695,94 695,83 695,63 695,31 695,06
Picnômetro + Água: M2 g 663,43 663,30 663,15 662,71 662,30
Massa de Sólidos Ms a
b 50,10
Massa específica da água a TOC g/cm3 0,99910 0,99877 0,99831 0,99753 0,99717
Massa Específica dos Sólidos: TºC g/cm3 2,846 2,848 2,839 2,856 2,8 81
e.o
_.
Fator K = Pw(T)/ Pw(20) 1,0009 1,0006 1,0001 0,9993 0,9990
Massa Específica dos Sólidos: 20ºC 2,848 2,850 2,83 9 2,854 2,878
g/cm3
Critério de Rejeição de Valores
Determinações Ps (médio) óps Intervalo de Variação Rej eição
5 2,854 ± 0,020 2,834 - 2,874 2,878
4 2,848 2,828 - 2,868 Nenhuma
3
Massa específica dos sólidos: p 5(20) = 2,848 g/cm
Tabela 6.4 - Massa Específica dos Sólidos
92

valores de M 2 retirados da curva de calibração é igual a 2,848 g/cm 3


(Tabela 6.4). Esse valor médio se calculado segundo proposta da ASTM é
3
igual a 2,842 g/cm 3 (Tabela 6.5), com uma diferença de 0,006 g/cm , e
portanto dentro de intervalo de variação admitido pela ABNT.

Temperatura TºC 15,0 17,0 19,5 23,0 24,5


M2 (T):
Calibração 663,43 663,30 663,15 662,71 662,30
ASTM 663,50 663,35 663,11 662,74 662,54
Ps(20):
Calibração 2,848 2,850 2,839 2,854 2,878
ASTM 2,837 2,842 2,845 2,849 2,839
Critério de Rejeição de Valores
Determinações Ps (médio) t.p< Intervalo Variação Rejeição
5 2,842 ±0,020 2,822 - 2,862 Nenhuma
3
Massa específica dos só!idos Ps (20) =2,842 g/cm
Tabela 6.5 - Proposta da ASTM
CAPÍTULO 7 - ANÁLISE GRANULOMÉTRICA

O objetivo de um ensaio de granulometria é a obtenção dos pares de


valores, tamanho da partícula e sua percentagem de oc01Tência,
necessários ao traçado da curva granulométrica do solo. A forma de se
obter esses pares de valores dependerá do tamanho das part{culas
componentes de cada solo. Para as partículas maiores que 0,075mm (#
200) esta separação será feifa através de um peneiramento, enquanto que,
para as partículas menores que 0,075mm deverá ser utilizado o processo
da sedimentação em água destilada.
O conjunto das peneiras usadas na1 mecânica dos solos está mostrado
no Anexo G, dividido em dois grupos, sendo o p1imeiro, mostrado na
Tabela G.1, utilizado para ensaios de pedregulhos e o segundo, mostrado
na Tabela G.2, utilizado para o peneiramento das areias. Este conjunto de
peneiras foi normalizado pela ABNT através da EB -22: Peneiras para
Ensaios.
A curva granulométrica resultante, juntamente com a escala que
define os intervalos de variação dos tamanhos das partículas para cada um
dos grupos de solos, será utilizada na classificação textura! dos solos.
Além de dar um nome ao solo, a curva granulomét1ica permite também,
obter os valores do diâmetro efetivo e dos demais diâmetros necessários ao
cálculo dos coeficientes de não uniformidade e de curvatura, dos materiais
granulares ou da fração grossa de um solo.
Este ensaio poderá ser realizado de três diferentes maneiras:
apenas o peneiramento para um material granular, a sedimentação para
solos finos ou, ainda, uma análise granulométrica conjunta,
compreendendo tanto o peneiramento quanto a sedimentação, para os
solos com partículas grossas e finas. Os procedimentos dos ensaios foram
94

padronizados pela ABNT através da MB -32: Solo-Análise


Granulométrica. Outros paízes têm também esse ensaio normalizado
podendo-se citar os Estados Unidos com a ASTM, através das normas D-
422 e D-1140 e a Inglaterra com a BSI através da norma BS-1377.

7.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

7.1.1 - Equipamentos

Conjunto de peneiras
Peneirador
Densímetro de bulbo simétlico, com escala de graduação entre 0,995
e 1,050 e resolução de 0,001 calibrado a 20°C.
Dispersar elétli co munido de copo com chicanas.
Proveta de vidro, com diâmetro de 65mm e altura de 450mm, e com
uma marca indi cando 1000cm 3 a 20ºC.
Balanças, com capacidade de 200 e 1500g e resolução de 0,01 e 0,lg
respec tivamente.
Estufa capaz de manter a temperatura estável no intervalo de 105 a
ll0ºC.

7.1.2 - Acessórios

Termômetro com escala de O a 50ºC e resolução de O, 1°c


Cronômetro
Solução defloculante
Tanque de imersão
Recipiente para secagem de material
Cápsulas de alumínio e de porcelana
Escovas de cerdas metálicas
F unil com diâmetro de boca maior do que o diâmetro externo da
peneira.
Selinga de b01ncha.
Água destilada.
95

Figura 7.1 - Peneirador

l l ~t---- ::::' º'·'™


140,4
120 4
,106,9
1 i l=M-10_2_
0_ HASTE

79,2 f
52,6 . - - 1030
2 ,2

BULBO

$ ~ 30,5

m~didas ~m mm

Figura 7.2 - Densímetro ( modelo 151 - ASTM)


96

7.2 - PREPARAÇÃO DE AMOSTRA

7.2.1 - Material Granular

A amostra reduzida obtida em 3 .2.1 está em condições de ser levada


ao peneirador para a realização do ensaio .

A •
1000

45o
354

_L.._
.,,,, ////// / / /A

( dim ensões e m mm )

Figura 7.3 - Dimensões aproximadas da proveta

7.2.2 - Solo

A amostra reduzida obtida em 3.3.1 (preparação com secagem


prévia) ou em 3.3.2 (preparação sem secagem prévia) deverá ser
homogeneizada quanto a umidade e determinado o seu teor de umidade
com, um mínimo de, três valores.
Dessa amostra retirar uma porção de solo, de massa conhecida, e
usando uma peneira de abertura 2mm (# 1O) separar as partículas, maiores
do que 2mm, desse solo, recolhendo em uma vasilha a porção que passa na
97
peneira. A seguir, tanto a malha da peneira (#10) quanto a superfície das
partículas nela retidas, devem ser lavadas, com água desti lada, para a
retirada dos finos aderidos recolhendo a parte que passa à mesma vasilha.
Com esse procedimento garante-se que todas as partículas menores do que
2mm foram separadas.
As partículas maiores que 2mm (retidas na # 10) deverão ser
colocadas na estufa e após secagem determinada a massa de sólidos.
As partículas menores que 2mm serão utilizadas no ensaio de
granulometria conjunta e devem ter uma massa da ordem de 120g para os
solos arenosos e 70g para os solos argilosos. Se todas elas forem menores
que 0,075mm a sua massa deve estar entre 35 e 55g.
Para que as partículas finas não se agreguem e, assim possam atuar
individualmente durante a sedimentação, uma · substância química
defloculadora dessas partículas deverá ser acrescentada a amostra.
A solução defloculante que melhor resultado tem apresentado é a
preparada com 45,7g de hexametafosfato de sódio em 1000cm3 de água
destilada. Esta solução poderá ser usada,no máximo , até 30 dias da data de
sua preparação e durante esse período deverá ser guardada em frasco de
vidro escuro e em local onde não receberá, de forma direta, a luz do sol.O
volume da solução 'de hexametafosfato de sódio a ser juntado a amostra é
de 125cm 3.
A amostra homogeneizada deverá ser deixada em repouso, por um
período mínimo de 12 horas, em local pouco ventilado e sem incidência
direta dos raios solares, e com uma lâmina d'água sobre ela para que não
haja perda de umidade durante esse período.

7.3 - ENSAIO DE PENEIRAMENTO

7.3.1 - Material Seco

O conjunto de peneiras a ser usado no ensaio de peneiramento de um


solo deverá ser escolhido levando-se em conta o:) tamanhos, máximo e
mínimo, dos grãos, estimados visualmente. As peneiras serão colocadas
uma sobre a outra com as aberturas crescendo de baixo para cima. Em
baixo da peneira de menor abertura será colocado o prato que recolherá os
grãos que por ela passarão. Em cima da peneira de maior abertura será
98
colocada a tampa para se evitar a perda de paitículas no início do processo
de vibração. O conjunto de peneiras assim montado deverá ser levado para
um peneirador capaz de produzir um movimento horizontal e um vertical
às peneiras, simultaneamente.
A peneira de maior abertura deverá ser aquela que, no conjunto total
de peneiras mostrado no Anexo G, tenha uma abertura, imediatamente,
maior que a dimensão da maior partícula, com isso, permitindo que 100%
dos grãos do solo passem através dela. A definição das demais peneiras
vem da recomendação de que elas devem estar equiespaçadas no eixo das
abcissas, onde são marcados os tamanhos dos grãos. Como a escala deste
eixo é logaritmica, para que ocorra o recomendado basta que a abertura
das peneiras escolhidas constituam uma progressão geométrica. A peneira
de menor abertura deve ter uma dimensão imediatamente, inferior ao
tamanho estimado da menor partícula.
A massa de sólidos da amostra deverá ser determinada em balança
com resolução de 0,0lg para, em seguida, ser transferida para a peneira, de
maior abertura,evitando-se perda de material.As partículas serão separadas
nas diversas peneiras deixando-se o peneirador em movimento durante 10
minutos.
Os grãos retidos em cada peneira serão recolhidos em uma vasilha,
com todo o cuidado necessário pai·a se evitar perdas, e a sua massa
determinada na mesina balança usada inicialmente.
A soma das massas, das partículas retidas em cada peneira e no
prato, deve ser, aproximadamente, igual a masssa inicial da amostra.

7 .3.2 - Solo Lavado

Algumas vezes, para solos que tenham mais 'de 5% de partículas


menores do que 0,075mm, pode não interessar a distribuição
granulomét1ica .da fração fina mas, apenas, o valor percentual dessas
partículas. Nessé caso será realizado o peneiramento da amostra após uma
lavagem do solo na pei:ieira de abertura 0,075mm (# 200).
Por um dos processos de preparação de amostras, já desc1itos, obter
uma amostra reduzida com uma massa sêca mínima que tenha, em torno
de, 150g de grãos maiores que 0,075mm. Homogeneizar essa amostra e
determinar o seu teor de umidade e a massa da amostra que será usada-no
ensaio de peneiramento, após a lavagem.
Para a formação de uma pasta de consistência mole juntar a amostra
99
um volume de água filtrada e para facilitar a lavagem do solo acrescentar
70 cm3 de uma solução defloculahte. Homogeneizar essa pasta,
acrescentando mais água para a formação de uma lamina d'água sobre o
solo e deixar repousar, durante 12 horas, à sombra.
Como a malha da peneira de abertura 0,075mm (#200) é muito frágil
podendo rasgar quando em contacto com partículas grossas é conveniente
usar, durante o processo de lavagem, uma outra peneira de abertura maior
é que possa reter, em tomo de, 50% dessas partículas.
Transferir a amostra para a peneira de maior abertura e levá-las para
um local com água corrente, preferencialmente, filtrada. Com todo o
cuidado jogar água sobre o solo obrigando as partículas menores a
passarem através das malhas auxiliando com um movimento horizontal
dos dedos sobre a malha. Esse processo deve continuar, até que a água
utilizada na lavagem não transporte partículas o que pode ser percebido
pela alteração de sua cor.
Finalizada a lavagem as partículas retidas nas peneiras serão
recolhidas em um recipiente e levadas para uma estufa até secagem total.
Em seguida levar a amostra para um dessecador onde resfriará até atingir a
temperatura ambiente e depois peneirada como descrito em 7.3.1.

7.4 -ENSA~O DE GRANULOMETRIA CONJUNTA

A amostra, após o tempo de repouso, será transferida para o copo do


dispersor, com o auxílio de água destilada, e deixada dispersar por um
tem-po não inferior a 10 minutos e, em seguida, transferida para uma
proveta. Durante essas transferências deve-se tomar cuidado para que não
sejam perdidas partículas, com isso, alterando a massa de sólidos,
inicialmente, determinada. O volume de água destilada usado nessas
transferências deve ser, cuidadosamente, controlado para que se tenha na
proveta, um volume de suspensão não superior a 1000 cm3 , que é o
volume útil do ensaio.
Com a palma de uma das mãos sobre a boca da proveta e com a outra
mão segurando o seu fundo, realizar um movimento rápido com os braços
que permita fazer com que a posição inicial da proveta se inverta, -
passando da posição (a) até atingir a posição (c) tal como mostrado na
Figura 7.4. Um mínimo de cinco ciclos deverão ser realizados para que a
suspensão possa ser considerada, inicialmente, homogênea.
100

ÍMÃO
l }

::·,:·::::·=
/::·.>::
::·..-.-::
: :...... ·:
::-,:.·:=

(:/;
'::):\ 0001

1 1

\_MÃO
(li) (b) (e)

Figura - 7.4 - Homogeneização da suspensão

A proveta deve ser, imediatamente, apoiada sobre uma superfície


horizontal e, tão rápido quanto possível, acionado o cronômetro para o
início da contagem do tempo.
Introduzir o densímetro na suspensão e realizar as leituras, na parte
superior do menisco formado junto a haste, Figura 7.5, para tempos de 30,
60 e 120 segundos do início da contagem dos tempos.
A introdução e a retirada do densímetro da suspensão deve ser
realizada lentamente e com um leve movimento de rotação, a fim de se
evitar uma perturbação na queda das partículas; durante a introdução o
densímetro só deve ser solto em uma posição próxima a do seu ponto de
equilíbrio.
Conservar ao lado da proveta com a suspensão, uma outra proveta
com água destilada, onde serão mantidos um termômetro e o densímetro
durante os intervalos de tempo, entre leituras, na segunda fase do ensaio.
Após a realização das três leituras o densímetro deve ser retirado da
suspensão e colocado na proveta ao lado e, anotada a temperatura da água
destilada, admitida igual a da suspensão. Se o local onde o ensaio está
sendo realizado não mantém constante a temperatura da suspensão ~
proveta deverá ser colocada dentro de um tanque de imersão e aí
permanecer até a última leitura.
O ensaio será continuado fazendo-se leituras com o densímetro após
decorridos 4, 8, 15, 30, ... minutos do início da contagem dos tempos.
101

Nesta fase o densímetro deverá ser introduzido na suspensão segundos


antes e retirado, imediatamente, após a leitura, com todo o cuidado
recomendado no item anterior.

Figura 7.5 - Realização de leituras

As leituras deverão continuar até que tenha sido possível obter o


menor tamanho de partícula desejado ou a fração argila possa ser definida.
Sempre que o ensaio de sedimentação estiver sendo realizado em
local onde a temperatura não permaneça constante e, não se tenha um
tanque de imersão, após cada leitura na suspensão medir a temperatura da
água destilada para possibilitar o cálculo das correções a serem realizadas.
Após a última leitura do ensaio realizar uma lavagem da suspensão na
peneira de 0,075mm (#200) utilizando se possível água filtrada.
A porção, retida deverá ser levada a uma estufa até secagem
completa e depois a um dessecador para resfriamento até a temperatura
ambiente.
A massa de sólidos retida na peneira de 0,075mm (#200), deve ser
102

determinada em uma balança com resolução de 0,0l g, e· em seguida,


realizar um peneiramento conforme descrito em 7. 3 .1.
O procedimento recomendado pela ASTM, através da Norma D-422,
para o ensaio de sedimentação não inclui a realização da primeira fase de
leituras; as leituras serão então iniciadas 2 minutos após o término da
homogeneização da suspensão e o apoio da proveta em uma bancada. Com
esse procedimento a distância, entre o último ponto do peneiramento
(#200) e o primeiro da fase de sedimentação, se torna maior mas não
inviabiliza o traçado da curva granulométrica.

7.5 - CÁLCULO DO ENSAIO

7.5.1 - Peneiramento

Inicialmente, obter a soma das massas das partículas retidas em cada


peneira e no prato.
Para o peneiramento de um material, inicialmente, seco (item 7.3.1) a
diferença, em módulo, entre a massa seca antes do ensaio e a determinada
depois do ensaio, não poderá ser superior a 0,5% .do valor desta última.
Para o peneiramento · de . um material, inicialmente, lavado (item
7.3.2), a diferença entre a massa de sólidos calculada, antes do ensaio, e a
massa seca, após ensaio, representa a massa de sólidos com tamanhos
menores que 0,075mm e que pas·saram através da peneira 200, durante a
lavagem. Neste ensaio não é possível conferir a massa de sólidos inicial,
por isso é preciso muito cuidado na sua determinação.
O cálculo das percentagens de sólidos retidos, em cada peneira e no
prato, é feito com a fórmula (7 . 1),

M (#')
1
P(#i)= ' xl00 (7.1)
' LM,(# i)

onde

P,(# i): percentagem retida na peneira i ou no prato


Ms (# i) : massa dos sólidos retidos na peneira i ou no prato
103

LM, (# i) soma das massas de sólidos retidos em cad,a peneira e no prato


(7.3.1) ou a massa inicial de sólidos (7.3.2).
Calculadas as percentagens retidas, em cada peneira e no prato, estas
deverão ser acumuladas a partir da peneira de maior abertura, para
possibilitar o traçado da curva granulométrica do material.

7.5.2 - Granulometria Conjunta

Conhecida a massa inicial da amostra de solo, M0 , e o seu teor de


umidade, w 0 , a massa de sólidos contido na amostra será calculada como,

M
M =-º- (7.2)
, l+wo

e será igual a soma de três parcelas, como indicado na equação (7.3).

Ms = Ms (> 2,0) + Ms (> 0,075) + Ms (< 0,075) (7.3)

onde:
Ms(>2,0): Massa dos sólidos maiores que 2,0mm (#10).
Ms(>0,075): Massa dos sólidos maiores que 0,075mm (#200) e
menores
que 2,0mm (#10)
Ms( <0,075): Massa dos sólidos menores que 0,075mm (#200) e que não é
conhecida.

Calcular a percentagem retida em cada peneira como descrito em


7.5.1, usando como denominador a massa de sólidos, M5 .
O tamanho das partículas menores do que 0,075mm, para cada
tempo t, será calculado através da fórmula de Stokes (Anexo H),

(7.4)

onde

Di: diâmetro equivalente da partícula, em m


p massa específica das partículas menores do que 2mm, em kg/m 3
5
:
104

p w: massa específica da água, variável com a temperatura, em kg!m3


(Anexo C)
g: aceleração da gravidade, considerado constante e igual a 9,81 m/s 2 .
µ: viscosidade dinâmica da água, variável com a temperatura, que pode
ser obtida na Tabela D.1 (Anexo D), em Pa.s.
z: distância entre o centro de volume do bulbo do densímetro e a superfície
da suspensão calculada através da curva de calibração do densímetro
(Anexo H), em m,
t: tempo decorrido, desde o instante t=0 até a leitura realizada, em s.
Uma fórmula mais prática, para o cálculo do diâmetro equivalente,
resultante do uso de unidades mais apropriadas as variáveis é a seguinte:

Di = 0,005530 [ µ
(P, - Pw)
7]'"
. (7.5)

onde, se

z, em cm
(Ps - pw ), em g/cm3
. µ, em Pas, desprezando-se a potência de 10-4
t, em min
resulta Di, em mm.
A percentagem de partículas, com diâmetros equivalentes menores
do que o valor calculado com a equação (7 .5), após um tempo t qualquer,
será obtida através da equação, (H.48) no Anexo H.

P(< D) = -100 . p' . [r(H) - r (H) ] (7.6)


' M , P, - 1,000 "

7.6 - RESULTADOS

Calculados os pares de valores, peneira número-percentagem


acumulada retida, para o peneiramento e · diâmetro equivalente-
percentagem de paitículas com diâmetros equivalentes menores, para a
fase de sedimentação, estes deverão ser plotados em um papel semi-
105

logarítmico, propno para o ensaio, traçando-se, em seguida, a curva


representativa da granulometria do solo.
Para materiais granulares poderá ser obtido dessa curva o diâmetro
efetivo D 10 e calculados o coeficiente de não uniformidade e o de
curvatura, respectivamente, iguais a ·

D60
c = - (7.7)
u D,o

(7.8)

7.7 - EXEMPLO

Com uma amostra retirada do talude experimental no Campus-USP,


São Carlos, foi realizado um ensaio de granulomettia conjunta. Os valores
obtidos e os calculados, para o peneiramento e a sedimentação, estão
mostrados nas Tabelas 7.1 e 7. 2, respecti vamente, e a curva
granulométrica resultante na Figura 7 .6.
Para o cálculo do diâmetro equivalente das partículas foi utilizada a
fórmula (7 .5).

D = 0,005530[ µ .~] 11 2
P, - Pw t

Para o cálculo das distâncias z foram utilizadas as equações de


calibração do densímetro, obtidas conforme descrito no Anexo H,

z = 17,45 - 0,27 rm(H)


(7.9)
z = 16,36 - 0,27 rm(H)

sendo a primeira delas usada para as três leituras iniciais e a segunda para
as demais leituras. Os valores rm(H) são iguais aos valores das leituras
106

realizadas na suspensão, r(H), mais o valor da correção devido a formação


do menisco na haste do densimetro,

rm(H) = r(H) + 0,5 (7.10)

Areia Local: Campus USP - São Carlos


Argilosa A.mostra: Superficial
Operador: Zé Luiz Data: 7.5.92
Teor de Umidade Massa de Solo para Ensaio g
Cápsula # P-24 P- 13 P-59 Inicial :
Solo+ Tara g 28,10 22,61 26,60 Solo : 124,03
Sólidos+ Tara g 27,84 22,37 26,26 Sólidos: 12 1,60
Tara g 13,64 10,70 9,38 Retida na:
Agua g 0,26 0,24 0,34 #6 =
Sólidos g 14,20 11 ,67 16,88 # 10 0,25
Teor de Umidade % 1,8 2,1 2,0 Após Ensa io:
Teor de Umidade (Médio) 2,0 % Retido na # 200 65,43
Passa na # 200 55,92
Massa Específica dos Sólidos : 2,726 g/cm 3 1 Total 12 1,60
Peneiramento Densímetro: 151 H (ASTM)
Massa Percentagem
# Retida P,(#_) LP,(# _) Pp(#_ ) Correção devido menisco: + 0,5
6 - 0,0 o.o 100,0
10 0,25 0,2 0,2 99,8 Defloculante: Hexametafosfato de
16 0,5 1 0,4 0,6 99,4 sód io (HMFS)
30 3,38 2,8 3,4 96,6
50 18,11 14,9 18,3 81 ,7 Observação: Após ensaio o material
100 26,05 2 1,4 39,7 60,3 que passa na # 200 não foi secado em
200 17,38 14,3 54,0 46,0 estufa.
Prato 55,92 46,0 100,0 --
Tabela 7. l - Análise Granulométrica conjunta - Peneiramento (MB-32)

Para o cálculo da percentagem de partículas, com diâmetros


equivalentes menores do que Di, foi utili zada a fórmula (7 .6).

100 p
p (< Di) = M , P, - 1:000 [r(H ) - r"' (H )]

Substituindo-se na fórmula (7.6) os valores conhecidos do ensa10


resulta
Data Hora: Tempo Ti µ r (H) z Di rw(H) r;(H)-rw(H) P(<Di)
Minuto Minuto ºC 10-4Pas cm mm
0,5 36,2 7,54 0,051 31,8 4 1,3
1,0 21 9,81 35,8 7,78 0,037 4,4 30,9 40,1
2,0 34,9 7,89 0,026 30,5 39,6
8:52 o = = = = = -- = =
4 34,8 6,83 0,01 7 30,4 39,5
8 34,3 6,96 0,01 2 29,9 38,8
15 21 9,81 33,8 7,10 0,0091 4,4 29,4 38,2
7.5 30 33,3 7,23 0,0065 28,9 37,5 _.
60 32,5 7,45 0,0046 28,1 36,5 o
--.J

10:52 120 31,9 7,61 0,0033 27,5 35,7


12:52 240 22 9,58 3 1,0 7,86 0,0023 4,1 26,9 34,9
16:52 480 23 9,36 29,6 8,23 0,001 7 4,0 25,6 33,2
r(H) - leitura na suspensão a uma temperatua T
rw (H) - leitura na solução (água destilada+ deflo culante) à mesma temperatura T
µ - viscosidade dinâmica a temperatura T
Di - diâmetro equivalente.
P ( < Di) - Percentagem de partículas com diâmetros menores do que Di.
Tabela 7.2 - Análise Granulométrica Conjunta - Sedimentação (MB-32)
108

P(< Di) = 1,2988 [r(H) -r,,(H)] (7.11)

Na Figura 7.6 está mostrada a curva granulométrica resultante.


Para a classificação textura! dos solos será adotada a escala mostrada
na Tabela 7.3.

FRAÇÃO Intervalo de Diâmetros - mm INTERVALO


TOTAL SUBDIVISÕES DE PENEIRAS
Pedregulho 4,8 < D<76 Grosso: 19 <D< 76
Fino: 4,8 <D< 19
Grossa: 2,0 < D < 4,8 . # 10 #4
Areia 0,075 < D < 4,8 Média: 0,42 < D < 2,0 #40 # 10
Fina: 0,075 < D < 0,42 # 200 #40
Silte 0,002 < D < 0,075 = =
Argila D< 0,002 = =
Tabela 7 .3 ~ Escala de Classificação Textural

e retiradas as percentagens de ocon-ência de cada fração, indicadas na


Tabela 7.4.
Com esses dados o solo ensaiado será classificado como uma areia
fina argilosa.

Percentagem de
Fração Subdivisão
Ocon-ência
Pedregulho = 0,0
Grossa 0,0
Areia Média 10,0
Fina 44,0
Silte = 12,0
Argila = 34,0
Tabela 7.4 - Percentagens de Ocon-ência
PENEIRAS ( ABNT ) EB - 22
2 )O 140 100 70 50 40 30 20 16 12 8 6 4
100.
i 1 1 ·I - 1

'
1
1
1
1
V:7 1 1
1


1 1 1
1 1 1 1 1 90 .
1 1 1 1
1 1
1 1
1
1
1 1

vi
80

!
1
1
1
li 1 1 1 1 1 1 1

li t/Vi 1
70
1
1
1 1 1 1
1
1 1 1 1 1 1
1 60
1
1 1 PERCENTAGEM
1
1~
li 1
50 QUE ......
,,f 1 PASSA o
I.O
•' 1 1

- 1 40
....
~

~
,_
11 1 1 1 1
30
1
1 1
li 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
20
1

li
! 1 1 1 1 1
1
1
1
1 1
1
1
1
1
1 10
1 1
1 1
1 1 1
o
2 3 4 5 6 7 89 2 2 3 4 5 6 8 910·1
10-
DIÂMETRO DOS GRÃOS ( mm)

Figura 7.6 - Curva granulométrica - solo : Campus USP - São Carlos


, A

CAPITULO 8 - LIMITES DE CONSISTENCIA

Os limites de consistência são usados para separarem os estados de


consistência de um solo fino ou da fração fina de um solo grosso, através
de um teor de umidade limite entre dois estados. Assim, o limite de
liquidez é o teor de umidade limite entre o estado de consistência líquido
e o plástico, o limite de plasticidade separa o estado plástico do semi-
sólido e, finalmente, o limite de contração separa o estado semi-sólido do
sólido, cada um deles apresentando uma interpretação fisica bem definida.
A determinação do valor de cada um desses teores de umidade limites
é através de um ensaio de laboratório próprio cujos procedimentos se
encontram normalizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
através dos métodos de ensaio MB-3 0, MB-31 e MB-55.
Desses três limites o de liquidez e o de plasticidade são os mais usa-
dos, tanto na definição do intervalo de teor de umidade no qual o solo se
encontra no estado plástico, quanto em sistemas de classificação dos solos.
Esses limites também são conhecidos como limites de Atterberg em
homenagem ao engenheiro sueco que propos a utilização desses
parâmetros na cerâmica. Posteriormente, A Casagrande nas décadas de 3O
e 50 propos a modificação do procedimento inicial dos ensaios para o atual
e padronizou o equipamento atualmente usado na determinação do limite
de liquidez.

8.1 - PREPARAÇÃO DA AMOSTRA

A amostra reduzida obtida seguindo o procedimento descrito no item


112

3.3 - Solo, do Capítulo 3, deverá ter uma continuidade na sua preparação,


específica dos ensaios de limites de consistência, da mesma forma como
descrito no processo inicial, isto é, com secagem prévia (3.3.1.) ou sem
secagem prévia (3.3.2.).

8.1.1- Com Secagem Prévia

A amostra reduzida de solo, obtida em 3.3.1, deverá ser


homogeneizada, quanto ao teor de umidade, e passada através da peneira
de abertura 0,42 mm (# 40) tomando-se o necessário cuidado para que não
restem partículas grudadas na malha da peneira, devendo-se lavá-la, se
necessário e juntando a suspensão ao solo que passou. Com uma espátula
proceder a homogeneização da amostra.
Se o teor de umidade da amostra estiver muito baixo,
impossibilitando a realização do primeiro ponto do ensaio de limite de
liquidez (número de golpes da ordem de 35), juntar água destilada em
pequena quantidade e novamente, homogeneizá-la até obter o teor de
umidade estimado para o primeiro ponto.

8.1.2 - Sem Secagem Prévia

A amostra reduzida, preparada como descrito em 3.3.2, deverá ser


homogeneizada quanto ao teor de umidade, e passada na peneira de
abertura 0,42 mm (# 40). Se o teor de umidade do solo não permitir a
passagem dos grãos, individualmente ou em torrões , deve-se fazer essa
operação por extrusão tomando-se o devido cuidado para não obrigar a
passagem de partículas maiores que a abertura da peneira e, também, não
rasgar a sua malha.
As partículas retidas e a malha da peneira deverão ser lavadas, com
água destilada, para a retirada das partículas finas nela aderida. A
suspensão deverá ser recolhida e a água em excesso deixada evaporar até
se atingir um teor de umidade próximo ao da amostra de campo. Juntar as
duas porções e homogeneizar a amostra.
Da mesma forma, como descrito em 8.1.1, se o teor de umidade do
solo, em sua condição natural, estiver muito baixo impossibilitando a
realização do primeiro ponto do ensaio de limite de liquidez juntar água
destilada e proceder a uma homogeneização da amostra. Se ao contrário a
pasta estiver muito úmida, não permitindo a realização do ponto com um
113

teor de umidade mais alto (número de golpes da ordem de 15) a amostra


deverá ser secada revolvendo-a com uma espátula metálica sobre uma
placa de vidro até se alcançar o teor de umidade estimado para o primeiro
ponto.

8.2 - LIMITE DE LIQUIDEZ - APARELHO DE CASAGRANDE

8.2.1 - Equipamentos

Aparelho de Casagrande, com cinzel e calibrador,


Balança que permita determinar massa até 200g, com resolução de
0,0l g.
Peneira com abertura de 0,42 mm(# 40).
Estufa, com termostato regulador que permite manter a temperatura
entre 105 e 1 l0ºC.

Figura 8.1 - Aparelho de Casagrande

8.2.2 - Acessórios

Cápsulas de alumínio e de porcelana.


114

Espátulas metálicas.
Água destilada.
Esfera de aço com diâmetro de 8mm.
Seringa de boffacha.

8.2.3 - Condições do Aparelho de Casagrande

Antes de se iniciar o .ensaio de limite de liquidez algumas


caracteristicas do equipamento devem ser verificadas. Para isso proceder
da forma descrita no Anexo I.

8.2.4 - Procedimento

A amostra preparada, da forma descri ta em 8 .1, deverá ser


transferida para uma cápsula de porcelana e homogeneizada, quanto ao
teor de umidade necessário, para a realização do primeiro ponto. O ensaio
poderá ser realizado partindo-se de uma amostra com um teor de umidade
mais baixo e acrescentando-se água destilada chegar-se a um teor de
· umidade mais alto. O procedimento inverso também é correto, embora,
mais difícil de ser conduzido. Deve-se evitar a variação ao acaso do teor
de umidade da amostra em cada ponto.
Uma parte da amostra deverá ser colocada sobre a concha do
aparelho de Casagrande e dist1ibuida de forma unifo1me, utilizando uma
espátula mais flexível, resultando uma superfície lisa. A espessura máxima
da camada de solo, na concha, deverá ser de 10mm e a largura igual a 2/3
do diâmetro da concha. A distribuição da amostra na concha deve ser
realizada com pouco movimento e baixa pressão tomando-se ainda o
cuidado de retirada das bolhas de ar no interior da massa. Com o cinzel
mostrado na Figura 8.1 abrir uma ranhura no solo, ao longo de um
plano normal ao sistema de fixação, de tal forma, que as partes
resultantes tenham massas, aproximadamente, iguais. Durante a abertura
da ranhura o cinzel deve pe1manecer normal a superfície da concha,
Figura 8.2. As operações descritas podem ser realizadas com a concha
suportada por uma das mãos ou com ela já fixada ao áparelho. Se
realizada com a primeira opção ao fixá-la no aparelho deve-se tomar todo
o cuidado para que não aconteçam choques e fique bem presa à base. Se a
segunda opção for a escolhida realizar as operações com o cuidado
necessário para se evitar qualquer problema com o pino de fixação. Com
115

qualquer uma das opções o tempo gasto nessas operações não poderá ser
muito grande.

Figura 8.2 - Colocação da pasta e abertura da ranhura

Com a concha presa, no sistema de fixação girar a manivela, a razão


de 2 voltas por segundo, e contar o número de golpes necessários para que
as bordas inferiores do solo se encontrem em um comprimento igual a 13
mm. A Figura 8.3 esquematiza as fases de colocação da amostra na concha
(a), a ranhura aberta com o cinzel (b) e após ensaio (c) com a indicação do
local onde deverá ser retirada uma parte d9 solo para a determinação do
teor de umidade.
O número de golpes necessários ao fechamento da ranhura, no
primeiro ponto do ensaio, deverá estar próximo a 35, se o ensaio estiver
sendo conduzido de um teor de umidade mais baixo para um mais alto, e
igual a 15 se a condução do ensaio for no sentido inverso.
Do local onde as bordas se uniram retirar uma amostra do solo com,
minimo de, 15g de sólidos para a determinação do teor de umidade
resultando, assim, um par de valores, teor de umidade - número de
golpes .
O solo restante na concha deverá ser transferido para a cápsula de
porcelana e misturado com o que lá estava, de forma a homogeneizá-lo,
quanto ao teor de umidade. A concha deverá então ser limpada e secada
antes da próxima determinação.
116

(a) (b) (e)

Figura 8.3 - Três fases do ensaio de Casagrandc

Para a continuação do ensaio, realizado partindo-se de um teor de


umidade mais baixo, adicionar água destilada à amostra e deixá-la
homogênea quanto ao teor de umidade. As operações descritas para a
obtenção do primeiro ponto deverão ser repetidas, até que, um mínimo
de, 5 pares, teor de umidade - número de golpes, sejam obtidos. Os
números de golpes deverão estar, uniformemente, distribuidos no intervalo
15-35, recomendando-se que 2 estejam abaixo e 2 acima de 25 golpes.
Em um papel semi-logarítmico plotar os pontos representativos dos
pares obtidos, Figura 8.4, e traçar, visualmente ou pelo método dos
mínimos quadrados, a reta que melhor se ajustar aos pontos.
O limite de liquidez é o teor de umidade correspondente a 25 golpes,
no gráfico de fluência e o resultado obtido levado ao inteiro mais próximo
e dado em percentagem.

8.3 - LIMITE DE LIQUIDEZ - ENSAIO DO CONE

8.3.1 - Equipamentos

Penetrômetro, composto por uma base, um relógio comparador com


resolução de O, 1 mm, um cone metálico com a superficie polida, uma
cápsula de latão ou alumínio com o topo paralelo a base, que deve ser
plana para bem apoiar-se a base do penetrômetro, e por uma placa de
aferição da ponta do cone.
117

TEOR DE
UMIDADE
(%)

10 15 20 25 30 35 40
N~ DE GOLPES

Figura 8.4 - Gráfico ele Fluência

Balança que permita determinar massa até 200 g, com resolução de


0,01 g.
Estufa com termostato regulador que permita manter a temperatura
entre 105 e 110º C.

8.3.2 - Acessórios

Placa de vidro com 50 cm de lado,


Cápsulas de alumínio,
Frasco com água destilada,
Espátulas metálicas,
Régua metálica rígida,

8.3.3 - Condições do Penetrômetro

Antes de se iniciar o ensaio de limite de liquidez algumas


características do equipamento devem ser verificadas. Para isso proceder
da forma descrita no Anexo 1.

8.3.4 - Procedimento
A colocação da pasta, previamente preparada, na cápsula deve
seguir
118

Figura 8.5 - Penetrômetro

um ritual que minimize a formação de bolhas de ar no meio da amostra.


Para isso iniciar a colocação de uma fina camada de solo sobre a lateral e o
fundo e a seguir preencher o centro da cápsula distribuindo a pasta de
forma uniforme, usando uma espátula flexível até que haja um pequeno
excesso de solo sobre a cápsula. Com a régua !lletálica rígida retirar esse
excesso de solo deixando uma superficie lisa e plana. Durante o processo
de colocação da pasta na cápsula uma leve pressão sobre o solo deverá ser
exercida.
A cápsula com o solo deverá ser colocada na base do penetrômetro e,
após, abaixar o cone, com todo o cuidado, até que sua ponta toque a
superficie da amostra. A movimentação da cápsula para os lados deverá
fazer uma marca na amostra. Com o cone situado sobre o centro da
·cápsula deve ser feita uma leitura no relógio comparador com resolução de
O, 1 mm (Ro).
Para se realizar o ensaio deve-se, inicialmente, pressionar o sistema
que libera a descida do cone deixando-o livre para penetrar na amostra,
durante cinco segundos e, em seguida aliviar esse sistema interrompendo a
movimentação ào cone. Em seguida, fazer uma leitura (Rr) no relógio
119

comparador e a diferença Ri - Rf = R, indicará a penetração do cone na


amostra. O controle do intervalo de tempo de penetração deve ser
realizado com muito rigor evitando-se, também, que o penetrômetro sofra
qualquer vibração durante a realização do ensaio. Em seguida, retirar o
cone e fazer uma cuidadosa limpeza da sua superficie, e adicionar mais
solo a cápsula deixando o topo da amostra bem plano e obter um
segundo par de leituras, Ri, Rf, cuja diferença, R2, indicará uma segunda
penetração. Se a diferença entre R 1-R2 < 0,5mm adotar a média delas
como sendo o valor da penetração do cone na amostra com aquele teor de
umidade. Se 0,5 ~ R 1 - R2 < 1,0 mm uma terceira medida (R3) deverá ser
obtida e, desde que, o intervalo entre a menor e maior medida não exceda
1mm a média aritmética dos três valores representará a penetração do cone
para aquele teor de umidade; se o intervalo anterior for superior a 1 mm o
ponto deverá ser desprezado . Em resumo, tem-se:

a) duas leituras e dois valores da penetração. Se:

R,+R 2
R1 - R 2 < 0,5mm , então R =
2

0,5 :s; R 1 -R 2 :s; 1,0mm, realizar R3.

R, - R2 > 1, 0mm, desprezar ponto

b) três leituras e três valores da penetração . Se:

R +R +R
R; - Ri < 1.0mm, entã::, R =1 - - 2- - -3
3

Ri - Ri > 1, 0mm, então deve-se desprezar o resultado.

Terminada a medida da penetração deve-se retirar uma amostra


do solo no local ensaiado para a determinação do seu teor de umidade.
Tem-se assim o primeiro par de valores pene~ração do cone-teor de
umidade. (R-w) .
O solo contido na cápsula deverá ser retirado e juntado ao solo
excedente da placa e o teor de umidade, novamente, homogeneizado . Em
120

seguida, juntar uma quantidade de água destilada a amostra e proceder a


uma homogeneização do teor qe umidade. A pasta resultante deverá ter
uma consistência mais mole que a ante1ior.
A cápsula, após a primeira determinação, deverá ser limpada e
secada internamente e o procedimento anterior para a determinação da
penetração deverá ser repetido até a obtenção de um mínimo de 4 pares
de valores , penetração do cone-teor de umidade (Ri,wi), O intervalo de
variação da penetração deverá estar, preferencialmente, entre 15 e 25
mm.
Os pares de valores obtidos serão colocados em um gráfico, com
escalas naturais, onde em abcissas serão marcados os teores de umidade
e em ordenadas os, respectivos, valores das penetrações, Figura 8.6.

24

22

20

18

16

14 - + - - - + - - - + - - - + - - - + - - ' - - - + - - - - + - - - - + - - - - + - ~
w6 W7 Wg w9
Teor de umidade ( % )

Figura 8.6 - Ensaio do cone - Gráfico

Em seguida, traçar a reta que melhor se ajustar aos pontos e o limite


de liquidez, obtido através do ensaio de penetração do cone, será o teor de
umidade, levado ao inteiro mais próximo, correspondente a uma
penetração de 20 mm.
Como informação complementar indicar a percentagem de partículas
do solo que passa na peneira de abertura 0,42 mm (# 40) e as condições da
amostra ensaiada.
121

8.4 - LThHTE DE PLASTICIDADE

8.4.1 - Equipamentos

Placa de vidro com espessura de 5 mm, com uma face esmerilhada,


Gabarito de latão, cilíndrico, com 3 mm de diâmetro.
Balança que permita determinar massa até 200g com resolução de
0,0l g.
Estufa, com termostato regulador, que permita manter a temperatura
entre 105-110º e.

Figura 8.7 - Equipamentos e Acessórios

8.4.2 - Acessórios

Cápsulas de alumínio e de porcelana,


Espátulas metálicas
Água destilada
Seringa de borracha

8.4.3 - Procedimento

Uma parte da amostra reduzida obtida em 8.1 deve ser transferida


122

para uma cápsula de porcelana e homogeneizada, quanto ao teor de


umidade. Se necessário poderá ser usada parte da pasta que sobrou do
ensaio de limite de liquidez. Se a amostra estiver com um baixo teor de
umidade juntar água destilada e com uma espátula formar pasta homogênea
e plástica.
Com cerca de 10 g dessa pasta fazer uma bola e,em seguida,colocá-la
sobre a face esmerilhada da placa; com a palma da mão iniciar a rolagem da
amostra até transformá-la em um cilindro, evitando aplicar uma pressão
que possa amassar o cilindro de solo em vez de rol-a-lo, Figura 8.8. Nesse
período o operador deverá estar atento ao que poderá estar acontecendo
na superficie do rolinha .

\
\
\

Figura 8. 8 - Ensaio de Limite de Plasticidade

Quando as duas condições, rolinha com diâmetro de 3 mm ( comparar


com o gabarito) e aparecimento de fissuras na sua superfície, forem
obtidas, simultaneamente, parar o ensaio e determinar o teor de umidade
das partes dos rolinhas que estão fissuradas.
Se houver alguma sobra de solo juntar à amostra contida na cápsula
de porcelana e homogeneizar o seu teor de umidade e repetir as operações
descritas até se obter cinco pontos que satisfaçam, simultane·amente, as
duas condições anteriores.
Se as fissuras aparecerem, em um rolinha com diâmetro maior que
123

3 mm, o solo já está no estado semi-sólido e não na interface entre os


estados plástico e semi-sólido. Nesse caso, acrescentar água ao solo,
homogeneizá-lo e repetir o ponto até conseguir as duas condições. Se o
rolinho atingir um diâmetro menor que 3 mm sem fissurar, o solo ainda se
encontra no estado plástico. Utilizar uma espátula para revolver a pasta, na
próp1ia placa e com isso retirar um pouco da umidade do solo. A seguir
refazer o ponto.
Tendo-se o teor de umidade de cada ponto calcular a média
aritmética desses valores, bem como, o desvio de ± 5%, da média. Se um
ou mais dos valores dos teores de umidade dos pontos cairem fora desse
intervalo eles deverão ser desprezados e uma nova média · e o valor do
desvio, novamente, calculados. A definição do limite de plasticidade de
um solo deverá ser pela média de pelo menos três determinações. Caso
isso não aconteça o ensaio deverá ser refeito.
O valor da média, indicativo do limite de plasticidade, será levado ao
inteiro mais próximo e apresentado em forma percentual.

8.5- LIMITE DE CONTRAÇÃO

8.5.1 - Equipamento

Cápsula para moldagem da pastilha,


Placa de vidro com pinos,
Recipiente para imersão da pastilha.
Balança que permita a determinação de massas até 200 g com
resolução de 0,01 g,
Estufa, com termostato regulador, que permita manter a temperatura
entre 105 e 110º C.

8.5.2 - Acessórios

Cápsulas de alumínio e de porcelana,


Espátulas metálicas,
Água destilada,
Seringa de borracha,
Régua rígida,
124

Mercúrio.

Figura 8.9 - Equipamentos e Acessórios

8.5.3 - Procedimento

Uma parte da amostra reduzida (cerca de 50 g) obtida em 8.1 será


transferida para uma cápsula de porcelana, podendo ser utilizada a sobra
dos ensaios de limite de liquidez e de plasticidade. Juntar água destilada a
amostra para que atmJa um teor de umidade correspondente,
aproximadamente, a 1O golpes na curva de fluência. Homogeneizar a pasta
e determinar o teor de umidade.
Untar o interior da cápsula de moldagem, com óleo ou vaselina, a fim
de impedir a aderência da pasta à parede. Colocar uma quantidade da pasta
no centro da cápsula, correspondente a um terço de seu volume, e em
seguida espalhar a pasta através de batidas da cápsula sobre uma superficie
dura para que todo o ar contido na amostra seja retirado. Colocar mais
pasta na cápsula e repetir o processo até que todo o seu volume esteja
preenchido e o ar retirado . A amostra nessa situação deve estar saturada.
Uma informação sobre a retirada do ar é a formação de bolhas à superficie
da pasta; quando após várias batidas da cápsula, em uma superficie dura,
não aparecerem bolhas, pode-se considerar que todo o ar foi retirado.
Retirar o excesso de solo para que o volume inicial da amostra possa ser
125

considerado igual ao da cápsula e a seguir determinar a massa do conjunto


cápsula-amostra.
Deixar a cápsula em lugar ventilado e à sombra, para que o solo
possa secar lentamente, permanecendo aí até que haja uma mudança
sensível na sua cor. Durante esse tempo a amostra deverá sofrer uma
contração, diminuindo o seu volume, mas não deve ter fissuras. O teor de
umidade do solo, nesse instante, deverá estar próximo do limite de
contração. O secamento da amostra, a partir desse momento, poderá ser
acelerado colocando-se a cápsula na estufa e lá permanecendo até
atingir uma massa constante. A seguir, determinar a massa do solo seco
(pastilha).
Para a obtenção do volume da pastilha, colocar mercúrio no
recipiente mostrado na Figura 8.9 e retirar o excesso com o auxílio da
placa com pinos. Em seguida colocar a pastilha sobre o mercúrio e com a
placa com pinos sobre ela forçar a sua penetração provocando, com isso, o
extravasamento de um volume de mercúrio igual ao volume da pastilha.
tal como, mostrado na Figura 8.10.
Para se calcular o volume basta determinar a massa do mercúrio
extravasado e dividí-la por sua massa específica. O limite de contração
poderá ser calculado por uma das duas fórmulas, (Anexo I),

V -V
LC = w(m)- ºM , r Pw (8.1)

ou
vr - -
LC= (- 1 )p (8.2)
M s ps w

onde:

w(m), teor de umidade de moldagem da pastilha


V 0 , volume inicial da pasta é igual ao volume da cápsula de moldagem
V f, volume da pastilha igual a M(Hg) onde M(Hg) é a massa de mercútio
p(Hg)
extravasado, p(Hg), massa específica do mercúrio
Pw, massa específica da água
Ps, massa específica dos sólidos
126

1~\
~º~ ANTES
P/\STILH/\

aI;Li;)JJlfaz.M~
DEPOIS

14 18 .. 1 CÁPSULA DE MOLDAGEM
3 X 100 X 100 mm
(PLANTA)

+1 ~~~ 1J
t-71-a,s 3

(CORTE)

PLACA COM PINOS

Figura 8.10 - Determinação do volume da pastilha

O teor de umidade de moldagem, w 0 poderá ser obtido através de


uma determinação direta ou pela fórmula

M-M
w(m) = ·M. ' (8.3)
127

onde M0 é a massa inicial da pasta.


O grau de saturação inicial . da amostra poderá ser calculado pela
fórmula

Mpw(m)
s = 's (8.4)
' (VoPs- M)
s Pw

A massa específica dos sólidos poderá ser estimada através da


fórmula

Ps = M -M (8.5)
y _ º s
0
Pw
e o índice de vazios de moldagem
e(m) = P, 1 (8.6)
pd (m)

onde:

M
pd (m) = VJl + ;(m)] (8.7)

O valor da massa específica dos sólidos, para o cálculo do limite de


contração, não deverá ser estimado.
O valor obtido para o limite de contração do solo deverá ser levado
ao inteiro mais próximo e indicado em percentagem.

8.6 - ÍNDICE DE PLASTICIDADE

O índice de plasticidade calculado como

IP=LL - LP (H .8)

indica o intervalo de variação do teor de umidade no qual o solo se encon-


128

tra no estado plástico.


Sempre que o índice de plasticidade não puder ser calculado por não
se conseguir determinar o limite de liquidez ou o limite de plasticidade, o
solo deverá ser classificado como não plástico (NP).

8.7 - EXEMPLO

Foram determinados os limites de liquidez, plasticidade e de


contração de uma argila siltosa vermelha, da região de Ribeirão Preto, SP,
com a seguinte composição granulométrica:
Areia: 7,5% Argila: 48,0%
Silte: 44,5% Pp (# 40) = 96,0%
Nas Tabelas 8.1 e 8.2 estão mostradas as folhas de ensaios e os
resultados obtidos. A massa específica dos sólidos foi determinada através
de ensaio próp1io e igual a 3,091 g/cm 3 .
Com relação ao ensaio de limite de contração, o teor de umidade de
moldagem foi obtido, inicialmente, de forma direta através de 3 cápsulas
resultando um valor médio, w(m) = 75,5%. Este valor foi, também
calculado através da fó1mula (8.3), resultando 75,3%, praticamente, igual
ao anterior.
O limite de liquidez, foi obtido tanto pelo ensaio de Casagrande
quanto pelo cone e os valores resultantes foram:

LL (Casagrande) = 75%
LL (Cone) = 82%

O limite de plasticidade obtido pela média de 5 determinações é


igual a:
LP = 49%

O limite de contração foi calculado tanto pela fórmula (8.1) quanto


pelo (8. 2) e os resultados obtidos foram, respectivamente, 27,5 e 27,3% e
tomado igual a:

LC = 27%
129

Argil a Si ltosa Local: Ribeirão Preto


Vermelha Prof: Amostra :
Data: 22/10/94 Operador: Ana
LIMITE DE LIQUIDEZ (MB - 30)
Determinação # 1 2 3 4 5 6
Cápsula # P-37 P-74 P-105 P-193 P-207 P-225
Solo+Tara g 19,35 16,52 18,65 19,47 16,96 19,87
Sólidos+ Tara g 15,99 14,04 16,51 16,72 14,40 17,53
Tara g 11 ,88 10,89 13,67 12,94 10,84 14,12
Massa de Água g 3,36 2,48 2, 14 2,75 2,56 2,34
Massa de Sólidos g 4,11 3, 15 2,84 3,78 3,56 3,41
Teor de Umidade % 81,8 78,7 75,3 72,8 71,9 68,6
Número de Golpes 17 21 24 27 31 37
LIMITE DE PLASTICIDADE (MB - 31)
Determinação # l 2 3 4 5 6
Cápsu la # P-06 P-96 P-122 P-152 P-204 P-2 12
Solo+ Tara g 10,20 10,82 11 ,62 16,14 14,57 14,44
Sólidos+ Tara g 9,90 10,72 11 ,35 15,92 14,2 1 14,18
Tara g 9,29 10,52 10,76 15,47 13,50 13,64
Massa de Água g 0,30 0,10 0,27 0,22 0,36 0,26
Massa de Sólidos g 0,61 0,20 0,59 0,45 0,71 0,54
Teor de Um idade % 49,2 50,0 45,8 48,9 50,7 48,2
Crité1io de Aceitação da Média
# LP (med .) 0,95 LP(med .) 1,05 LP (med.) Desorezar
6 48,8 46,4 51,2 #3
5 49,4 46,9 51,9 =

w (% )

82 ......
.... , i--..,
....
78
........
LL = 75 ,3 -
74
- - --- - -- -- - . ~
'!.i,..i...
,,..
70
"~ ~

~!':~
66
10 15 20 25 30 35 40
N2 DE GOLPES

Tabela 8.1 - Limite de Liquidez e de Plasticidade


130

LIMITE DE CONTRAÇÃO (MB -55)


Teor de Umidade
. Inicial Moldagem
Determinação # 1 2 3 1 2 3
Cápsula # P-07 P-148 P-240 P-08 P-97 P-164
Solo + Tara g 20,04 17,59 24,13 29,00 30,54 32,79
Sólidos + Tara g 19,36 17,00 23,45 . 21,76 22,14 23,28
Tara g 11 ,80 10,58 15,99 12,18 11 ,02 10,66
Massa de Água g 0,68 0,59 0,68 7,24 8,40 9,5 1
Massa de Sólidos g 7,56 6,42 7,46 9,58 11,12 12,62
Teor de Umidade o/o 9,0 .9,2 9,1 75,6 75,5 75,4
DETERMINAÇÕES INICIAIS
Massa da Amostra g 175,40
Teor de Umidade Inicial - w0 o/o 9,1
Massa de Sólidos g 160,77
Teor de Um idade de Mo ldagem - w(m) o/o 75,5
Massa da Amostra de Moldagem g 282,15
Massa de Água a Acrescentar g 106,75
Massa Específica dos Só lidos g/cm 3 3,09 1
LIMITE DE CONTRAÇÃO
Massa da Cápsu la + Mercúrio g M ( 1) 182,71
Massa da Cápsula + Pasta g . M (2) 40,60
Tara da Cápsulç1 g M (c) 2 1,19
Massa da Pasta - M 0 g M(2) - M(c) 19,41
Volume da Pasta - V0 cmJ [M(l) - M(c)] / 13,55 11 ,92
Massa da Cápsula + Pastilha g M(3) 32,26
Massa da Pastilha - M, g M(3) - M(c) 11 ,07
Massa do Mercúrio Deslocado g M(Hg) 89 ,5 7
Volume da Pastilha - Vr cm3 M(Hg)/ 13,55 6,61
V - Vr
o
Limite de LC = w(m) - Pw 27,5
M
'
Contração %

LC = [ M
v, - - Pw
, P,
1] 27,3

Tabela 8. 2 - Limite de Contração


131

Argila Siltosa Local: Ribeirão Preto


Vermelha Prof.: Amostra:
Data: 22/10/94 Ooerador: Ana
Determinação # l 2 3 4 5 6
Leituras:
1) Inicial - R 0 (1) 0,00 -0 ,05 -0 ,10 -0 ,05 -0 ,15 0 ,00
F inal - Rr (1) 15,05 16,25 18,65 20,7 0 22,50 25 ,10
2) Inicial - R 0 (2) -01 5 -0 ,10 0,00 0 ,00 0 ,00 0 ,00
F inal - Rr (2) 14,85 16,35 19,65 2 1,5 0 22,80 24,45
3) Ini cial - R0 (3) = = -0 ,05 0,00 = 0 ,00
F inal - R r (3) = = 18,70 2 1,35 = 24 ,70
Penetração:
R , = Rr{ l) - R 0 (l)mm 15,05 16,30 18,7 5 20,75 22,65 25, 10
R2 = R r{2) - Ro(2)mm 15,00 16,45 19 ,65 2 1,5 0 22,80 24,45
R 3 + Rr{3 ) - Ro(3 )mm = = 18,75 21,35 = 24,70
Médi a: R 15,0 16,4 19, l 2 1,2 22,7 24,8
TEOR DE UMIDADE
Cápsu la # P-143 P-70 P- 152 P-2 12 P-188 P-39
Solo+ Tara g 23,13 2 1,34 25, 38 24,07 23,98 27,36
Sólidos + Tara g 18, 14 16,95 20,97 19,33 18,97 20,29
Tara g 11 ,46 14,27 15,46 13,66 13, 10 12,22
M assa de Água g 4,99 4,39 4,4 1 4,74 5,01 7,07
M assa de Sólidos g 6,6 8 5,68 5,5 1 5,67 5 ,87 8,07
Teor de Umidade % 74,7 77,3 80,0 83,6 85,3 87,6
CRITÉRIO PARA CÁLCULO DA PENETRAÇÃO
R, +R 2
a) Se (R 1 - R 2) < 0 ,5 mm ~ R =
2
b) Se (R 1 - R 2) > 1,0 mm desprezar ponto
c) Se 0,5:.:::: (R 1 - R 2) :.: : 1,0mm, real izar a terceira med ida
R , +R 2 +R,
d) Se (R 1 - R 3) e (R 2 - RJ) < 1,0mm ~ R =
3
Tabela 8.3 - Limite de Liquidez - Cone
132

.------25-,--------------------------,

PENETRAÇÃO
MÉDIA
R ( 111111)

20 ------------------

ILL = 81,6 °/ol

1s~-----------------<e----+---+---1----+----1
74 76 78 80 82 84 86 88 90 92
TEOR DE UMIDADE ( % )

Figura 8.11 - Limite de liquidez - cone


CAPÍTULO 9 - ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

A compactação de um solo, através da aplicação de um processo


estático ou dinâmico, diminui o seu volume devido a uma redução do
volume de vazios, tomando-o mais denso, e,resultando um solo com
maior resistência ao cisalhamento, menor permeabilidade e compres-
sibilidade.
No laborató1io o ensaio de compactação tem a finalidade de
determinar a função de variação da massa específica seca com o teor
de umidade, para uma dada energia de compactação e que é aplicada ao
solo através de um processo dinâmico. Essa função define um ponto cujas
coordenadas, teor de umidade ótimo-massa específica sêca máxima, são
características reprodutíveis desse solo, para as mesmas condições de
ensaio.
No resultado do ensaio mostrando a curva obtida, geralmente, são
também apresentadas algumas curvas de igual grau de saturação,
preferencialmente, aquelas que passam próximo do ponto de máximo da
curva de compactação.
Há duas maneiras de se proceder a realização do ensaio, a primeira,
partindo-se de uma amostra única e reusando-a em cada ponto apenas
acrescentando mais água (ensaio com reuso) e uma segunda utilizando-se
para cada ponto amostra com o mesmo teor de umidade inicial e
acrescentando água suficiente para atingir o teor de umidade do ponto
(ensaio com uso) . Estas duas formas de realizar o ensaio serão descritas
nos itens seguintes.
Neste capítulo será descrito o ensaio de compactação, apenas, para
solos com partículas menores que 4,8mm, isto é, que passam através da
peneira de abertura 4,8 mm (#4), proposto por Proctor no início da década
134

de 30, com algumas variações pequenas quanto às dimensões dos


equipamentos e à energia de compactação.

9.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

9.1.1 - Equipamentos

Cilindro e soquete
Peneira de 4,8mm de abertura(# 4)
Balanças, com capacidade nominal de 10kg e 200g e resolução de 1
e O,lg, respectivamente.
Estufa, com termostato capaz de manter a temperatura entre 105 e
110°C.
Extrator de amostras, manual ou elétrico.
Repartidor de amostras.

9.1.2 - Acessórios

Bandejas metálicas
Régua rígida de aço
Cápsulas de alumínio de diferentes tamanhos
Facas e espátulas metálicas
Água destilada
Seringa de borracha .
Na Figura 9.1 estão mostrados o cilindro completo e o soquete e
alguns dos acessórios, enquanto na Figura 9.2 pode ser visto um extrator
de amostras com um sistema elétrico de elevação do pistão.

9.2 - PREJ>ARAÇÃO DAS AMOSTRAS

9.2.1 - Com Secagem Prévia

A amostra, reduzida, inicialmente preparada segundo o descrito no


item 3.3.1, deve ser homogeneizada e a seguir acrescentada água para se
135

Figura 9.1 - Equipamentos e acessórios

atingir um teor de umidade de 2% abaixo do teor de umidade ótimo


estimado para o solo . Determinar o teor de umidade, em estufa, da amostra
preparada.

Figura 9.2 - Extrator de amostra

Para o ensaio de compactação, com reuso do solo e cilindro pequeno,


separar uma massa de solo de 3500g e colocar em um saco plástico . Levar
a amostra, bem identificada, para a camara úmida onde deverá aguardar a
realização do ensaio no dia seguinte.
136

Para o ensaio de ·compactação, sem reuso do solo com o cilindro


pequeno e cinco pontos, separar seis amostras com 2000g cada e colocá-
las em sacos plásticos e levá-l'ÕS para a camara úmida. A sexta amostra é
para a eventualidade de se perder um dos cinco pontos.

9.2.2 - Sem Secagem Prévia

Se a amostra, reduzida, inicialmente preparada segundo o item 3.3 .2,


estiver com um teor de umidade inferior aquele correspondente a 2%
abaixo do teor de umidade ótimo estimado, proceder como descrito ·no
segundo ou terceiro paragráfos do item 9.2. 1 conforme o tipo de ensaio a
ser realizado.
Se a amostra reduzida ·apresentar um teor de umidade próximo ao
teor de umidade ótimo, impossibilitando a obtenção de pelo menos dois
pontos no ramo sêco, essa deverá seí" deixada secar em local à sombra e
sem ventilação, procurando-se revolver o solo durante esta fase até que o
teor de umidade atinja o valor desejado (2% abaixo do teor de umidade
ótimo). A seguir proceder como descrito em 9.2.1, para cada um dos doi s
tipos de ensaios.

9.3 - PROCEDIMENTO

Será descrito, neste item, o procedimento do ensaio de compactação


para uma energia igual a do Proctor Notmal (Tabela J.4, Anexo J). Para
isso será utilizado o cilindro e o soquete pequeno, com as características
seguintes:
Volume útil do cilindro V = 1000 cm3
Massa do soquete M = 2,50 kg
Altura de queda do"soquete · L = 0,305 m .
Número de cámadas n =3
Número de golpes/camada N = 26
resultando uma energia de compactação por unidade de volume igual a
583 kJ/m 3 .
Para uma outra energia qualquer o procedimento será semelhante ao
descrito observando-se os valores fornecidos na Tabela J.4 e a espessura
final de cada camada.
137

Conhecido o teor de umidade da amostra preparada em 9.2, e


estimado o valor do teorde umidade ótimo do solo, para a energia que será
usada, fazer um plano de ensaio, no qual dois pontos deverão estar abaixo
(-2 e -1%), dois acima (+1 e +2%) e um em torno do teor de umidade
ótimo e calcular o volume de água a acrescentar a amostra inicial, para se
atingir o teor de umidade do primeiro ponto para ensaio com reuso, ou de
todos os pontos para ensaio sem reuso do solo.
Para o ensaio sem reuso do solo o volume de água calculado ante-
riormente, deve ser acrescentado em cada uma das amostras e que serão
homogeneizadas, quanto ao teor de umidade. Cada amostra deve ' ser
novamente guardada em saco para evitar perda d'água. Alguns solos
requerem um tempo maior para a homogeneização de sua umidade; para
esses casos deixe as amostras repousando na camara úmida e realize o
ensaio no dia seguinte. Antes de iniciar o ensaio, verifique se não há água
condensada na parede interna do saco; se isso estiver ocorrendo revolva a
amostra para que ela absorva essa água.
Quando o ensaio estiver sendo realizado em dia muito quente ou
com baixo teor de umidade do ar, em sala não climatizada, acrescentar um
pouco mais de água a amostra para compensar as perdas, por evaporação,
durante o ensaio.
Com o cilindro, previamente, · preparado e preso a uma base rígida
(bloco de concreto ou uni tronco de madeira dura) colocar uma quantidade
de solo solto no cilindro e com o soquete apropriado, · à energia de
compactação escolhida, compactar a primeira camada. ·
Os golpes aplicados com o soquete, que deverá ter a sua base junto
ao solo mas não apoiado nele, deverão ser distribuidos uniformemente
sobre a área do cilindro, de tal forma, a resultar uma superfície plana e
horizontal, garantindo assim uma aplicação uniforme da energia de acordo
com o esquema mostrado na Figura 9.3. A altura da camada compactada
deve ser, aproximadamente, igual a um terço da altura final total do corpo
de prova, para ensaio com 3 camadas. Se a quantidade de solo solto estava
correta a altura útil do cilindro será de, aproximadamente, 83 mm, para a
compactação das outras duas .camadas: se possível essa altura deve ser
verificada para um controle extra.
Antes de iniciar a compactação da segunda camada deverá ser feita
uma escarificação no topo da camada compactada, de forma a permitir um
entrosamento maior entre o solo das duas camadas. Colocar mais solo no
cilindro e repetir o procedimento usado na compactação da primeira
138

camada e assim também, para a terceira camada. As três camadas devem


ficar com espessuras, aproximadamente, iguais e a camada de solo, acima
do cilindro de compactação, não deve ter uma espessura superior a 10mm,
sob pena do resultado desse ponto não poder ser aproveitado para o
traçado da curva de compactação.
Terminada a operação de compactação do primeiro ponto, o colar e
o excesso de solo devem ser retirados, usando a régua metálica biselada e
deixando o corpo de prova com o mesmo volume do cilindro. Se possível
determinar a massa do excesso de solo que foi retirado e depois levar para
uma estufa e deixar secar e obter a massa de sólidos. Em seguida,
determinar a massa do conjunto solo-cilindro, levando-o depois para um
extrator de amostras para a retirada do corpo de prova.
Para a obtenção do teor de umidade da amostra compactada,
correspondente ao primeiro ponto da curva massa específica seca-teor de
umidade, retirar uma porção de solo, do interior de cada uma das camadas,
em quantidade suficiente para essa determinação .
Para a compactação das demais amostras, correspondentes aos
outros pontos da curva, repetir o procedimento descrito para o primeiro
ponto com o teor de umidade aumentando de uma amostra para a outra.
Para os ensaios de compactação, com reuso do solo, o procedimento
para o primeiro ponto é igual aquele descrito para o ensaio sem reuso. Em
seguida, o solo compactado é desterroado e juntado a amostra não
utilizada e que está na bandeja. Em seguida a amostra é misturada na
tentativa de se homogeneizar o teor de umidade do solo. Estimar o volume
de água a acrescentar a amostra para se atingir o teor de umidade
estabelecido no plano de ensaio. Juntar água a amostra e proceder a uma
nova homogeneização do teor de umidade. Lembrar-se que durante o
manuseio da amostra esta poderá perder água por evaporação. Repetir o
processo de compactação para obter o segundo ponto e, sucessivamente,
os demais.
O controle do teor de umidade do segundo ponto em diante fica mais
dificil do que para o ensaio sem reuso do solo, pois a massa de sólidos
inicial vai diminuindo devido as retiradas para a determinação do teor de
umidade. Por esta e outras razões, sempr·e que possível, é preferível
realizar o ensaio de compactação, com amostras preparadas, sem secagem
prévia e sein reuso do solo.
139

(a)

(b)

Fonte: Head (1984)

Figura 9.3 - Esquema de distribuição dos golpes

9.4 - CÁLCULO DO ENSAIO

Em cada ponto compactado, deve-se determinar a massa de (solo +


cilindro) e o teor de umidade de cada uma das camadas compactadas.
Determinar ou obter em tabela a massa e o volume do cilindro.
· A massa de solo, M, será igual a massa (solo + cilindro) menos a
massa do cilindro (tara) e o volume do solo será igual ao volume do
cilindro.
A massa específica da amostra compactada

M
p =- (9.1)
v
140

e o teor de umidade .do solo, w, em cada ponto, será igua1 a média dos três
valores determinados.
A massa específica sêca, será calculada como:

(9. 2)

Colocar os pontos, cujas coordenadas são o teor de umidade e a


massa específica sêca, em um gráfico em escala natural e traçar a curva
que melhor se ajuste a ·eles. ·
A ordenada do ponto mais alto da curva representa a massa
específica sêca máxima, enquanto a abcissa deste ponto indica o teor de
umidade ótimo do solo, para a energia de compactação utilizada; esses
valores só se alteram se uma energia diferente for usada na compactação
desse solo.
Para completar as informações oferecidas por esse ensaio deve-se
traçar, um mínimo de, .três curvas com diferentes graus de saturação,
utilizando a equação

(9.3)

com o teor de umidade variando em um intervalo que contenha o teor de


umidade ótimo do solo.

9.5 - EXEMPLO

Uma amostra de areia fina argilosa foi compactada, em um cilindro


de dimensões padronizadas, segundo a ABNT, e energia do Proctor
Normal. O ensaio foi realizado sem reuso com uma amostra preparada sem
secagem. .
Os resultados obtidos estão mostrados na Tabela 9 .1 e a curva massa
específica sêca - teor de umidade na Figura 9.4, onde também foram
desenhadas curvas de grau de saturação igual a 75, 80 e 85%. Incialmente
foram compactadas as amostras c01Tespondentes aos pontos 1,2,3,5,7 e 8 e
traçada uma p1imeira curva massa específica sêca - teor de umidade. Para
141
se obter mais pontos em tomo do teor de umidade ótimo foram
compactadas as amostras correspondentes aos pontos 4 e 6.

1,726

MASSA
ESPECÍFICA
SECA
Pd
( g / crn 3 )
l ,6--r-- -- -1--t--~--~------t-'.---___,'1-=--,~'i---O,lri
o --1

1,5------1--...,..+- = - - ---+- - - - - - + - - - - - i
10 15 20 25
TEOR DE UMIDADE w(%)

Figura 9. 4 - Curva de compactação

As coordenadas do ponto de máximo da curva são:

wot = 16,5%
Pd,máx = 1,726 g/cm3

Os demais índices físicos, desse ponto, valem

e = 0,56
s, = 79,4%
n = 35,9%
p = 2,011 g/cm 3
142

Areia Fina Argilosa Local : Bairro Santa Felícia - S. Carlos


Prof. : l ,Om
Massa Específica dos Sólidos: 2,692 g/cm 3 Operador: Bene Data: 26/04/89

Amostra: Ensaio: Cilindro no. 3


3
Com Secagem : Com Reuso : Massa: 2393g Volume: 1000 cm
Sem Secagem: X Sem Reuso: X

Ponto # 1 2 3 4 5 6 7 8
Cilindro + Solo g 4109 4233 4326 4388 4403 4383 4370 . 4336

Solo g 1716 1840 1933 1995 2010 1990 1977 1920

Massa Espec.g/cm 3 1,716 1,840 1,993 1,995 2,01 0 1,990 1,977 1,920

Capsula # M52 M64 M69 M72 M75 M76 M77 M ll 4

Solo + Tara g 90, 10 99,13 106,73 98 ,96 99,22 103,08 110,84 107,97

Sólidos + Tara g 83,23 90,52 96,38 88,77 88,80 91,26 97,50 93,80

Tara g 27,95 28, 10 27,84 25,48 27,78 26,3 1 28,03 27,60

Água g 6,87 8,61 10,35 10,1 9 10,42 11 ,82 13,34 14,17

Sólidos g 55,28 62,42 68,54 63,29 61,02 64,95 69,47 66,20

Teor de Umidade % 12,4 13,8 15,1 16, 1 17,1 18,2 19,2 21,4

Mas.Esp.Seca g/cm 3 1,527 1,617 1,679 1,7 18 1,7 16 1,684 1,659 1,582

Indice de vazios 0,76 0,66 0,60 0,57 0,57 0,60 0,62 0,70

Grau de saturação % 43,9 56,3 67,7 76,0 80,8 81,7 83,4 82,3

Altura máxima do
5,7 4,8 4,6 5,1 5,3 4,9 4,7 6,3
excesso mm

Tabela 9.1 - E nsaio de Compactação Proctor Normal (EC = 583 kJ/m 3 ) - MB-33
CAPÍTULO 10 - COMPACIDADE RELATIVA

O interesse maior na compactação de um material granular, em


laboratório, está na obtenção dos índices de vazios máximo e mínimo
correspondentes, respectivamente, aos estados de mínima e de máxima
compacidade, segundo um procedimento que procure minimizar a
segregação de partículas e não alterar a granulometria do material
ensaiado. Os valores dos índices de vazios obtidos não representam,
necessariamente, os valores absolutos desses extremos, mas sim aqueles
possíveis de serem obtidos, segundo um determinado procedimento que
deverá ser descrito com clareza.
A melhor maneira de se compactar um material granular é por
vibração e não por um processo semelhante ao usado para um solo, pois,
devido a alta permeabilidade desses mate1iais a variação no teor de
umidade terá pequena influência nos valores da massa específica seca.
Quando se utiliza um soquete, igual ao usado na compactação de um solo,
tem-se, ainda, a quebra das partículas e a alteração da granulometria do
material e, consequente, influência nos índices de vazios.
Neste capítulo serão descritos os ensaios que possibilitam determinar
os índices de vazios, ~áximo e mínimo, segundo um procedimento
bem definido e normatizado pela ABNT através dos métodos MB-3324 e
MB -3328, respectivamente.
Para o controle da compactação de um material granular, por exem-
plo, o filtro de proteção de uma barragem de terra, ou se determinar as
caracte1ísticas geotécnicas de uma camada de areia em suas condições
naturais pode-se usar a compacidade relativa, que é o parâmetro que indica
a posição do índice de vazios da camada compactada ou natural dentro do
intervalo, índice de vazios rríínimo e máximo,. obtidos em ensaios de labo-
144

ratório. A compacidade relativa varia de 0,0 para um índice de vazios in


situ igual ao índice de vazios máximo até 1,0, para o outro extremo do
intervalo.
No resultado do ensaio, além dos valores dos índices de vazios
máximo e mínimo, também devem ser fornecidas as características
granulométticas do material e a massa específica dos sólidos.

10.1 - EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS

10.1.1 - Equipamentos

Ci lindros de compactação
Mesa vibrató1ia eletromagnética
Mesa vibratória comum
Funil de vidro
Estufa com termostato capaz de manter a temperatura entre 105 e
110°C.
Balanças, com capacidade nominal de 40, 10 e 1,5 kg, com
resoluções de 5g, lg e 0,lg, respectivamente.
Conjunto de peneiras, com aberturas de 75; 38; 19; 9,5; 4,8; 1,0 e
0,075mm.
As características dos quatro primeiros itens estão descritas no
Anexo K.

10.1.2 - Acessórios

Bandejas metálicas
Conchas
Pás
Escovas de cerdas macias
Cronômetro
Régua metálica biselada

10.2 - TIPOS DE ENSAIOS


145

Para a determinação do índice de vazios, doi s tipos de ensaios são


possíveis de serem realizados, como mostrado na Tabela 10.1. O ensaio
tipo A usando uma mesa vibratória eletromagnética e cilindros de
compactação de volumes iguais a 14200 e 2830 cm3 é preferível ao ensaio
tipo B que só deve ser realizado quando o laboratório não di spõe do
elemento vibrador.

Granulometri a
Equipamento Ms
(% que passa na#)
T ipo Mesa Vo lume kg
75 38 19 9,5 0,075
Vibra tória Ci lindro
3
cm
A E letro- 14200 30
100 "?.70 = = < 12
magnética 2830 6
B Comum 1000 = = 100 '?.90 <12 2,5
Tabela 10.1 - Tipos de Ensaios

Além dos tipos de ensaios e dos equipamentos indicados para cada


tipo a Tabela 10.1 indica a faixa granulometrica e a massa de sóli dos
necessária para cada ensaio.
Tanto o ensaio tipo A quanto o tipo B poderão usar o material seco
em estufa ou um material úmido .

10.3 - PREPARAÇÃO DA AMOSTRA

Inicialmente, a amostra deve ser preparada de acordo com o descrito


no Capítulo 3, item 3.2.2, até que o valor da massa seca mostrado na
Tabela 10.1 seja alcançado.
Para o ensaio realizado com o material seco, a amostra deve ser
colocada na estufa até apresentar massa constante entre determinações
sucessivas. Em seguida deixar a amostra atingir a temperatura ambiente
sem que absorva umidade e, então, homogeneizá-la.
Para o ensaio realizado com o material úmido, acrescentar água
suficiente para que não haja uma saturação da amostra, após sua colocação
no cilindro. Em seguida o material deve ser homogeneizado e deixado
repousar por 30 minutos.
146

10.4 - ÍNDICE DE VAZIOS MÁXIMO

Para a determinação do índice de vazios máximo, para uma massa


específica seca mínima e conespondente ao estado de mínima
compacidade do mate1ial, a amostra usada deverá estar seca.
O material deverá ser colocado dentro do cilindro escolhido com
uma fenamenta que ,depende do tamanho máximo das partículas do
material, como mostrado na Tabela 10.2.

Tamanho Volume do Fe1Tamenta Usada


3
Máximo (mm) Cilindro (cm )
75 14200 Pá ou concha metálica grande
38
19 Concha metálica
9,5 2830 Funil: Diâmetro 25mm
4,8 Diâmetro .13 mm
Tabela 10.2 - Tipos de Fe1Tamentas

O cilindro, escolhido para a realização do ensaio, deve ser colocado


em um local onde não sofrerá vib~·ações durante o seu enchimento.
Para se colocar o material granular, no estado mais fofo possível,
utilizando um funil deve-se proceder da maneira seguinte: apoiar o bico no
fundo do cilindro e enche-lo com o material. Elevar o bico de uma altura
de 1cm e movimentar o funil segundo uma espiral, da borda para o centro,
até formar uma camada com espessura uniforme, repetindo o processo até
que, o cilindro tenha um excesso de material, de 1 a 2cm, acima do seu
topo. A vazão do material, no bico, deve ser constante e o movimento do
funil não deve permitir a segregação de partículas. Retirar o excesso de
material usando uma régua rígida biselada tomando-se todo o cuidado para
não provocar vibração no cilindro, de modo a se ter uma amostra com um
volume bem definido .
A colocação do material com pá ou concha deve seguir os mesmos
cuidados não permitindo que o material caia sobre as camadas já
147

colocadas. A retirada do excesso deve ser feita com uma régua rígida
biselada e no topo da amostra deve haver uma compensação entre os
volumes das paitículas maiores que se encontram acima do topo e os
vazios existentes na superlície.
Determinar a massa do (cilindro+ amostra) em balança apropriada.
Repetir o procedimento descrito reusando a amostra, desde que,
ainda continue seca, de forma a obter um mínimo de três valores da massa
de sólidos.
Para se calculai· a massa específica seca mínima, subtrair da massa
total a massa do cilindro obtendo-se assim a massa sêca da amostra,
Massa (cifindro + amostra) - Massa (cilindro) = Massa (amostra)
que dividida pelo volume do cilindro resulta

(10.1)

e o índice de vazios máximo será calculado pela fórmula

e max =~ - 1 (10 .2)


Pd,mi1,

onde Ps é a massa específica dos sólidos obtida através de ensaio descrito


no Capítulo 6.
Os resultados obtidos serão considerados satisfatórios quando
nenhum deles dife1ir do valor médio obtido, através de, no mínimo, 3
determinações, de mais .de 3%. O resultado do índice de vazios máximo
deve ser dado com duas casas decimais·.

10.5 - ÍNDICE DE VAZIOS MÍNIMO

A determinação do índice de vazios mínimo, normalmente, vem em


sequência a obtenção do índice de vazios máximo e portanto utiliza a
amostra colocada no cilindro. Como para o índice de vazios máximo não
se usa amostra úmida a descrição do ensaio com essa amostra será feita a
parte.
148

10.5.1 - Ensaio tipo A

Com um martelo de bo1Tacha aplicar golpes na parte externa do


cilindro provocando uma vibração no mate1ial granular e um assentamento
das paitículas, da ordem, de 15mm. A aplicação dos plimeiros golpes deve
ser feita com todo o cuidado para se evitar que partículas possam ser
jogadas fora do cilindro. Colocar o disco base sobre o matelial e com um
movimento de rotação apoiá-lo, totalmente, sobre a supelfície do matelial
granular. Em seguida, retirar a alça que permite uma movimentação mais
fácil do disco base.
Após prender o cilindro à mesa vibratólia, deve-se colocar o tubo
guia e fixá-lo ao cilindro, como mostrado no Anexo K, Figura K. 4. Com
todo o cuidado apoiar a sobrecarga sobre o disco base, de tal forma, que a
pressão aplicada seja uniforme.
Com a mesa vibrató1ia ajustada às necessidades do ensaio deixar o
conjunto vibrar durante 8 ou 12 minutos, com uma tolerância de ± 15
segundos, para uma frequência de vibração de 60 ou 50 Hz,
respectivamente. Em seguida, a sobrecarga e o tubo guia devem ser
removidos e velificado se o disco base está, firmemente, apoiado sobre o
matelial.
Para se obter a espessura de assentamento do matelial prender
um defletômetro em um dos dois conjuntos de suportes mostrados no
Anexo K, Figura K. l, e realizar duas leituras, à esquerda e à direita do seu
ponto de fixação e com a ponta apoiada no centro da parede do cilindro. A
média d~s duas leituras é a leitura inicial. Em seguida, devem ser feitas
três leituras, com a ponta do defletômetro apoiada sobre o disco base em
posições equiespa,çadas e obter a média dessas leituras que será a leitura
final. A espessura "de assentamento do mate1ial granular será igual a
diferença entre a leitura inicial e a final mais a espessura do disco base.
Fixar o defletometro no outro suporte e repetir as medidas obtendo um
outro valor do assentamento. A média dos valores obtidos fornece o valor
final da espessura do assentamento.
Durante as medidas sobre o disco base deve-se tomar o cuidado para
que a ponta do defletometro não se apoie sobre partículas do mate1ial.
Antes de remover o disco base retirar as partículas existentes sobre
ele evitando que elas caiam dentro do cilindro.
Determinar a massa do conjunto (cilindro + matelial granular) em
balança apropliada ao cilindro usado, e subtraindo-se a massa do cilindro,
149

já conhecida, obtém-se a massa seca da amostra ensaiada. Como este


ensaio foi realizado em seguida ao .de índice de vazios máximo, se a perda
de partículas for pequena, o valor da massa seca obtida deve estar próximo
daquele determinado em 10.4.
Para uma boa determinação do valor do índice de vazios mínimo
devem ser realizados, um mínimo de, três ensaios, preferencialmente, sem
reusar as amostras, se for notado qualquer alteração na granulometria do
material por quebra de partículas.

10.5.2 - Ensaios tipo B

Após o término do ensaio para a determinação do índice de vazios


máximo prender o tubo guia ao cilindro, conforme mostrado no Anexo K,
Figura K.5, e colocar mais material dentro do conjunto. Com um martelo
de borracha dar pancadas na superfície externa do cilindro para que as
partículas se assentem devido a vibração. Levar o conjunto para a mesa
vibratória comum fixando-o, firmemente, e, em seguida, colocar o discá
base tomando-se o cuidado para que haja um apoio completo sobre o
material. Aplicar a sobrecarga e deixar o conjunto vibrando durante um
tempo previamente acertado. · ·
Levar o conjunto para uma bancada onde será retirada a sobrecarga,
o disco base e o tubo guia. Usando uma régua biselada retirar o excesso de
material, que deverá ter uma altura inferior a 2cm, sobre o cilindro.
Determinar a massa do conjunto (cilindro + material) em balança
com resolução de lg e calcular a massa de sólidos, como:
Massa de Sólidos = Massa (cilindro+ material) - Massa (cilindro)
Um mínimo de três valores da massa de sólidos, devem ser obtidos,
sem reuso do material se for notado alguma alteração na sua granulometria
durante o ensaio.

10.5.3 - Ensaio com Amostra Úmida

A diferença entre os ensaios com amostra úmida e seca está na


fo1ma de colocação do material no cilindro, tanto para o ensaio do tipo A
quanto para o tipo B. ·
Assim para o ensaio A o material será colocado no cilindro, já
fixado à mesa vibratória funcionando a uma amplitude ajustada para não
provocar um afofamento do material, em porções que permita enche-lo em
150

um tempo, da ordem, de 5 minutos. Após a colocação de cada porção


deve-se observar se há formação de uma lâmina d'água sobre o material.
Se isso não ocorreu acrescentar mais água, lentamente, até o aparecimento
da lâmina de água. Usando uma esponja retirar esse excesso de água
tomando-se o cuidado para não levar junto pa11ículas do material. Quando
a supetiície do material granular estiver 1cm abaixo do topo do cilindro,
deixar o conjunto vibrar por mais um minuto e retirar o excesso de água
que aflorar. Continuar o ensaio, tal como, realizado com a amostra seca até
a determinação da massa do (cilindro + material + água) e, em seguida,
colocar todo o matetial granular em uma vasilha e levá-lo a estufa para
secagem e obtenção de sua massa seca. Dois cuidados devem ser tomados
nessa fase: na detetminação da massa do conjunto deve-se retirar antes
toda a água que não está contida nos vazios do material para que ela não
influencie o valor do teor de umidade e o ~egundo cuidado será o de
transpor todas as pat1ículas do cilindro para o recipiente de secagem para
não se alterar o valor da massa de sólidos usado no ensaio.
A diferença no processo de colocação do material entre o ensaio A e
o B é que neste último a vibração será feita, da mesma forma que para o
matetial seco. Aqui também após a vib;ação final do conjunto na mesa
vibratótia deverá haver uni excesso de m_aterial no cilindro, com espessura
inferior a 2cm.

10.6 - RESULTADOS

Calculados os valores das massas específicas secas max1ma e....


mínima e os correspondentes valores dos índices de vazios mínimo e
máximo pode-se calcular a compacidade relativa de uma camada, natural
ou compactada, desde que se conheça o seu índice de vazios, através de
uma das fórmulas,

e , -e
max
CR=----- (10.3)
e , -e .
max mm
151

(10.4)

onde (Pct, e) são a massa específica seca e o índice de vazios da camada,


respectivamente.
A compacidade relativa é expressa em percentagem levada ao
número inteiro mais próximo.

10.7 - EXEMPLO

Uma amostra de areia média a fina, 01iginária do Rio Mogi -Guaçu,


foi usada na realização de ensaios para a determinação do índice de vazios
máximo e mínimo.
A areia foi, inicialmente, lavada na peneira da abertura 0,075 mm
para a retirada de finos e a seguir deixada secar em estufa.
Na Figura 10.1 está mostrada a curva granulométrica da areia e na

PENEIRAS ( ABNT : EB-22 )


200 140 100 70 50 40 30 20 16 12 8
100

80

60 PERCENTAGEM
QUE
40 PASSA

20

o
5
D (mm)

Figura 10.1 - Cun'a granulométrica

Tabela 10.3 o valor da massa específica dos sólidos.


Uma amostra da areia observada ao microscópio indicou que os seus
152

grãos tem angularidade esferoidal e são quartzosos.


O ensaio usado na determinação da massa especifica seca mínima e
máxima foi o do tipo B, sendo que para o último foram feitas as duas
versões: material seco e material úmido.
Na Tabela 10.3 estão mostrados os resultados obtidos.

Areia Média Origem: Rio Mogi-Guaçu


a Fina Data: 27/7 /94
Técnico: João
. Características do Equipamento
Cilindro: No. Pl 3
Volume: 1.000 cm Massa: 2405 g
Funil: Diâmetro: 15. mm
Características do Material Granular
Pedregulhos 0%
Grossa (2,0 - 4,8) : 15%
Areia: Média (0,42 - 2,0): 46%
Fina (0,075 - 0,42): 37%
Finos: (D< 0,075) 2%
D10 = 0,1 26 mm D30 = 0,298mm D60 = 0,613mm
Ps = 2,658 g/cm 3 Cc = 1,2 Cu = 4,9
Ensaio
emáx· emin·
Seco Úmido
Massa (Cilindro + Amostra) g 3913 4254 4539
Massa da Amostra g - - -
. Úmida - - 2134
. Sêca 1508 1849 1821
Massa Específica Seca 1v1 g/cmj 1,508 1,849 1,821
J'
Índice de Vazios 0,76 0,44 0,46
Tabela 10.3 - Índice de Vazios Mínimo e Máximo
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Wiley, 1963, Cap. 3, p. 31-44.
ANEXO A - INFORMAÇÕES GERAIS

A.1- GERAL

Aceleração da gravidade .. .. .... ......... ..................................... g = 9,81 mJs2


Número e ...................... ........ ........................ .......... ...... ...... e= 2,7183
Número Pi ........................... .......................... .. ............ ....... n = 3,1416
. 7t
Um Grau ............................................................................ lº = 180 rad

A.2-ÁREAS

1tD 2
Círculo ...... ..................................... ............. ··················· ..... - -
4
Cilindro:
Lateral ... .. ......... .. .................................................... n DH
D
Total .............. .... .. ........................... ............... ....... .nD (H +
2)
. n ., .,
Coroa Circular ..... .... ......................................................... (D: - D;)
4
2
Cubo .... .. .............................. .... ......................................... 6 B

2
Esfera .... ...... ..... ... ........ ....... ... .............. ... .. ... ............. ........ n D
156

L, L 2
Losango ....... ................................. ····· ········ ·· ·· ·· ·· ···· ···· ·· ·· ··. --
2

Paralelogramo ........ ...................... .... ... .............. .. ......... .... ... B H

Retangulo .................... .............................................. ......... B L

DL
Setor Circular ..... ...... .... ...... ... ............. ··.. ····.. ···.. ·······.. ··.... ·
4
(L: comprimento do arco)
, . B, + B,
Trapez10 .. .... .......... ............ ........... .. ............ ...................... - .H
2

BH
Triângulo ................. ...... .............. .... ..... ....... .. ............... ....
2

A.3 - VOLUMES

nD 2
Cilindro .............................. .......... .......... ............................ - - H
4
3
Cubo ...... ................. ....... ......................... .. ............... .......... B

Esfera ................................................................................. n D '


6
Prisma Reto ........... .. ....... .. ........... .. ..... ............................... B L H

A.4 - MASSAS ESPECÍFICAS

3
Ar ............................................................ ............. ... p(ar) = 1,20 kg/m
3
Mercúrio ............... ................................... .. ...... .. ...... p(Hg) = 13550 kg/m
157

Parafina ....................................................................... p(par) = 912 kg/m 3

A.5 - RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

sen (a ± ~) = sen a cos ~ ± sen ~ cos a


tga+ tg~
tg(a+A) = - - -
- ..., 1 + tga tg~
cos (a ± ~) = cos a cos ~ + sen a sen ~

cos (n+a) = - cosa tg (n+a) = + tg a

a 1-cosa a 1-cosa a 1-cosa


sen 2 -= cos 2 - = tg 2 - = - - -
2 2 2 2 2 l+cosa

sen (-a) = -sen a cos(-a) = cos a tg (-a) = -tg a

2 tga/ 2 l-tg2a/ 2 sena


sena = - -2 - - cosa = tg a = ? ,,?
1 + tg a / 2 1 + tg 2 a / 2 (1 - sen·a) ·

a±~ a+~
sen a± sen ~ = 2 sen - - cos - -
2 2

a+~ a-~ sen(a± ~)


cos a+ cos ~ = 2 cos - - cos - - tg a± tg ~ =
2 2 cosa cos ~

a+~ a-~
cosa - cos ~ = -2 sen - - sen - -
2 2
ANEXO B - NORMAS

Neste anexo estão listadas as Normas Brasileiras, elaboradas pela


Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, e as Normas
Americanas, elaboradas pela American Society for Testing and Materials -
ASTM diretamente relacionadas aos ensaios descritos.
As Normas Brasileiras, com exceção da EB -22: Peneiras para
ensaios desenvolvida pelo CB-18: Cimento, Concreto e Agregados, foram
desenvolvidas pelo CB-2: Comitê Brasileiro de Construção Civil,
enquanto as Normas Ame1icanas foram desenvolvidas pelo Committee
D18: on Soil and Rock e são encontradas no volume 04.08: Soil and Rock;
(1) e (II) publicados, anualmente, pela ASTM.
As Normas Brasileiras estão indicadas com duas designaçõ_es
diferentes. Uma delas dada pela ABNT onde duas letras aparecem antes do
número da norma significando:

CB - Classificação NB - Procedimento
EB - Especificação PB - Padronização
MB - Método de ensaio SB - Simbologia
TB - Terminologia

A designação NBR indica o número do Registro da Norma no


Instituto Nacional de Metrologia -InMetro.
160

B.1 - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS

Designação
Título ABNT NBR
Peneiras para ensaio EB-22 5734
Amostras de solo-preparação para ensaios de
compactação e ensaios de caractelização MB-27 6457

Grãos de solos que passam na # de 4,8mm-


Determinação da massa específica MB -28 6508

Solo-Determinação do limite de liquidez MB-30 6459

Solo-Determinação do limite de plasticidade MB-31 9180

Solo-Análise granulométlica MB-32 7181

Solo-Ensaio de compactação MB -33 7182

Solo-Determinação do limite e relação de contração MB -55 7183

Solo-Determinação da massa específica aparente de


amostras indefonnadas, com emprego da balança
hidrostática MB-2887 10838

Solo-Determinação do emáx de solo não coesivo MB -3324

Solo-Determinação do emin. de solo não coesivo MB-3388

Identificação e desc1ição de amostras de solos


obtidas em sondagem de simples reconhecimento
dos solos NB -617 7250

Sondagem a trado NB -1030 9603


161

Coleta de amostras indeformadas de solo em furos


de sondagem NB-1071 9820

Abertura de poço e ttincheira de inspeção em solo


com retirada de amostras deformadas e
indeformadas NB-1131 9604

Redução de amostra de campo de agregados para


ensaio de laboratório NB-1099 9941

Rochas e solos TB-3 6502

B.2-AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MA TERIALS

Título Designação
Standard recommended practice for investigating and
sampling soil and rock for engineering purposes D-420

Standard practice for dry preparation of soil samples for


particle-size analysis and determination of soil constants D-421

Standard test method for particle-size analysis of soils D-422

Standard test method for shrinkage factors of soils D-427

Standard terminology relating to soil, rock, and contained


fluids D-653

Test method for laboratory compaction characteristics of


soil using standard effort (600 kJ/m3) D-698

Standard method for specific gravity of soils D-854

Standard test method for amount of matetial in soils finer


than the # 200 (0,075mm) D-1140
162

Standard practice for soil investigation and sampling by


auger borings D-1452

Standard method for penetration test and split-baiTel


sampling of soils D-1586

Standard method for thin-walled tube sampling of soils D-1587

Standard test method for diamond core dtilling for site


investigation D-2113

Standard method for laboratory detetmination of water


(moisture) content of soil rock, and soil-aggregate mixture D-22 16

Standard practice for wet preparation of soil samples for


parti cle-size analysis and determination of soil constants D-221 7

Standard recommended practice for description of soils


(visual -manual procedure) D-2488

Standard practice for preserving and transporting soi l


samples D-4220

Standard test methods for maximum index density and


unit weight of soi ls using a vibratory table D-4253

Standard test method for minimum index density and unit


weight of soils and calculation of relative density D-4254

Standard test method for liquid limit, plastic limit and


plasticity index of soi ls D-4318

Standard test method for determination of water


(moisture) content of soil microwave oven method D-4643

Standard Specification for evaluating, selecting, and


specifying balances and scales for use in testing soil, rock,
and related construction materiais D-4753
163

B.3 - OUTRAS NORMAS DE INTERESSE

Representação de unidades SI e outras em sistema


de processamento de informações com limitações
de caracteres ABNT-NB -1007

Grandezas e unidade de mecânica ABNT-NBR-12533

SI - Prescrições para sua aplicação ABNT-NBR-12230

Materiais de pedra e agregados naturais ABNT-TB -16

Standard practice for use of the intemational


system of units (SI). The modemized metric
system ASTM-E-380

Specification for ASTM hydrometers ASTM -E-1 00

Practice for preparing precision and bias


statements for test methods for construction
materiais ASTM-C-670

Practice for reducing field samples of aggregate to


testing sieve ASTM-C-702
ANEXO C - MASSA ESPECÍFICA DA ÁGUA

A massa específica da água varia com a temperatura e sempre que


esta variação for relevante no resul tado do ensaio, deve ser levada em
consideração. Na Tabela C.1 estão mostrados os valores da massa
o
específica da água destilada para o intervalo de 10 a 30 C e também o
valor para 4°C.

T Pw T Pw T Pw
oc g/cm3 oc g/cm3 oc g/cm3
-
4,0 0,99997 16,5 0,99886 23,5 0,99742
10,0 0,99970 17,0 0,99877 24,0 0,99730
10,5 0,99966 17,5 0,99869 24,5 0,99717
11,0 0,99961 18,0 0,99860 25,0 0,99704
11,5 0,99956 18,5 0,99851 25 ,5 0,99691
12,0 0,99950 19,0 0,99841 26,0 0,99678
12,5 . 0,99944 19,5 0,99831 26,5 0,99665
13,0 0,99938 20,0 0,99820 27,0 0,99651
13,5 0,99931 20,5 0,99810 27,5 0,99637
14,0 0,99924 21,0 0,99799 28 ,0 0,99623
14,5 0,999 17 21,5 0,99788 28,5 0,99609
15,0 0,99910 22,0 0,99777 29,0 0,99594
15,5 0,99902 22,5 0,99766 29,5 0,99580
16,0 0,99894 23,0 0,99754 30,0 0,99565
Tabela C. l - Massa específica da água
ANEXO D - VISCOSIDADE DINÂMICA DA ÁGUA

Assim como a massa específica da água, também a viscosidade


dinâmica depende da temperatura e em alguns ensaios essa variação deve
ser considerada.
Na Tabela D.1 estão indicados os valores da viscosidade dinâmica
da água, para o intervalo de temperatura entre 10 e 30°C, em lQ-4 Pa.s.

T µ T µ T µ
10-4 Pa.s 10- 4 Pa.s
ºC 10- 4 Pa.s
10 13,08 17 10,83 24 9,14
11 12,71 18 10,56 25 8,94
12 12,36 19 10,30 26 8,74
13 12,03 20 10,05 27 8,55
14 11,71 21 9,81 28 8,36
15 11,40 22 9,58 29 8,18
16 11,11 23 9,36 30 8,01
Tabela D.1 - Viscosidade dinâmica da água

A viscosidade dinâmica da água poderá ser calculada, também, pela


fórmula

17,756 X 10-•
(D.l)
µ = 1+ 0,0337T + 0,000221T 2

em Pa s, sendo que a diferença entre os valores mostrados na Tabela D.1 e


os calculados pela equação (D.l), em módulo, são inferiores a 0,1 Pa s.
168

Como as diferenças entre os valores da viscosidade dinâmica, para


uma vaiiação de temperatura de 1ºC, são sempre infe1iores a 3%, dentro
do intervalo de temperatura da Tabela D.1, não há necessidade de se
calcular os valores da viscosidade dinâmica para temperaturas fracionadas.
Assim sendo, para usar esses valores nas formas basta adotar o inteiro
mais próximo da temperatura medida e retirar da tabela o correspondete
valor da viscosidade.
ANEXO E - ÍNDICES FÍSICOS

E.1 - DETERMINAÇÃO DO VOLUME POR IMERSÃO

Sempre que a forma de um corpo de prova não permitir calcular o


seu volume com fórmulas simples, essa determinação será feita através do
processo de imersão. Os materiais mais, comumente, usados são a água
destilada e o mercurio, este último desde que o corpo de prova tenha uma
resistência a compressão suficiente para permitir que seja imerso sem
sofrer variação em seu volume ou se quebrar.
Se o material a ser usado for a água destilada deve-se moldar um
corpo de prova com forma, aproximadamente, esférica e diâmetro, da
ordem, de 2cm e determinar a sua massa, ao ar. Em seguida, aplicar sobre
o corpo de prova uma camada de parafina, que permita a sua
impermeabilização, e determinar a massa do conjunto solo-parafina, ao ar,
e, depois, imerso em água. A Figura E.1 mostra à esquerda o corpo de
prova sem e com a parafina e à direita a determinação da massa do
conjunto imerso em água destilada.
A temperatura da água destilada deve ser medida e aproximando-a ao
valor mais próximo encontrado na Tabela C. l obter a massa específica da
água nessa temperatura (Anexo C).
A equação que permitirá calcular o volume do corpo de prova é a
estabelecida por Arquimedes,

W (solo + par) ar - W (solo + par).imerso = E (E.1 )

onde:
170

W (solo + par)ar = gM (solo + par) ar

Figura E. 1 - Processo da Imersão

· = g M (solo+ par).1me~o
W (solo+ par).tme~o

E = V (solo + par) Pw (T) g

A equação (E. 1), colocada em função das massas determinadas,


resulta em:

M(solo + par). - M(solo + par);,,,.,,,.


V(solo +par)= Pw (T) (E.2)

O volume da camada de parafina, usada na impermeabilização do


corpo de prova, será calculado através da equação
171

M(solo+par) -M
V(par) = "' (E.3)
p(par)

onde M é a massa da amostra de solo ao ar e p (par)= 912 kg/m 3 = 0,912


g/cm 3 •
O volume do corpo de prova será a diferença entre os dois volumes,
anteriormente, calculados em (E.2) e (E.3),

V(solo) = V(solo+ par)- V(par) (E.4)

Quando o mercúlio for o material escolhido será preciso preencher


todo o volume de uma vasilha e em seguida forçar a imersão total do coi-po
de prova, e recolher o mercúrio extravasado. O volume do corpo de prova
será igual ao volume do mercúrio extravasado e que poderá ser calculado
determinando-se a sua massa e dividindo-a pela massa específica do
mercúrio, admitida igual a 13550 kg/m3 ou 13,550 g/cm3. Assim

M(Hg)
V(solo) =--- (E.5)
p(Hg)

E.2 - MASSA ESPECÍFICA SUBMERSA

Para uma camada de solo localizada abaixo do nível d'água freático,


a hipótese de que se encontra saturada está próxima da realidade e poderá
ser admitida sempre sem que, com isso, influencie, significativamente, os
resultados das tensões geostáticas calculados em cada ponto do maciço.
Na Figura E.2 está mostrada essa situação admitindo-se um maciço
semi indefinido e condição geostática, com o solo apresentando um grau
de saturação igual a 100%. Nesta Figura ainda foi colocado um sistema de
coordenadas (x y z) de tal forma que o plano xy coincida com o nível
d'água.
Para se calcular a pressão devida ao peso próp1io do solo, em cada
cota z, considere uma amostra desse solo, em forma de uma prisma reto,
tal como mostrado na Figura E.2, com o topo no plano xy e com a base a
uma distância z. Sobre cada uma das faces ve1ticais desse prisma estão
172

atuando pressões devidas ao peso do solo e da água ·cujo empuxo


resultante em faces paralelas tem mesmo módulo, direção e linha de ação
porém com sentidos contrá1ios e, portanto, apresentando uma resultante
igual a zero.
Na base do p1isma atuam pressões verticais decorrentes de duas
forças: uma devido ao peso do solo contido no prisma de área A e igual a

W = Psat g Z A (E.6)

e a outra resultante da pressão hidrostática e igual a

U = Pw g z A (E.7)

.. 1
1
1
j 1
•. . 1
•1
S r = 100 %
·W ·I
1 Psat
• 1 ·I
. 1 1
1 .1
• 1• . . . 1
. )-
.,, / ..
/ ·
· /

z u

Figura E.2 - Esquema para um solo submerso

com mesma direção, linha de ação e sentidos opostos.


A resultan te delas

W' = w - u = (Psal - Pw) g z A


(E.8)

é o peso do solo quando submerso. Fazendo-se


173

p' = Psat - Pw (E.9)

denominada de massa específica submersa a tensão efetiva à cota zé igual


a

W'
d=-= p' gz (E.10)
A

Das equações E.6 e E.7 resultam a tensão total vertical e a pressão


neutra, respectivamente, iguais a

w
cr =-=p gz (E.11)
v A sat

u
u =A= Pw g z (E.12)

E.3 - ALTERAÇÃO NO TEOR DE UMIDADE

A mudança no teor de umidade de uma amostra de solo é uma


situação de ocon-ência freqüente em um laboratório de geotecnia. Sempre
que isso deva ocon-er será necessário calcular o volume de água a ser
acrescentado a amostra, para se alcançar o teor de umidade desejado. A
Figura E.3 esquematiza o problema, em duas fases: na inicial tem-se
amostra de solo com massa e teor de umidade conhecidos (M0 , w 0 ), e, na
outra fase essa amostra, após homogeneização, em sua condição final de
massa e teor de umidade, (Mf, Wf), desejados.
Para o cálculo do volume de água a ser acrescentado a amostra, para
passar da condição inicial a final, deve-se tomar como base o que
permanece constante nas duas condições e que é a massa de sólidos da
amostra. A diferença entre a massa da amostra final e inicial é devido,
somente, ao acréscimo de água. Assim, nessas condições tem-se,

M. =M,(l+wJ (E.13)
174

Mr = M ,(l+wJ

AR
AR

· .. '.· . ...
. •' .... :
'
·: ·.· .. :.·
: :· SÓLIDOS / : :SÓLIDOS/
. ' ..... .
. . ·.··. ·.· .. . . ... ·.·-:.·.·.· .
Mw(o) Mw(f)
INICIAL : M 0 , w0 = ~ FINAL : M f , w f = ~

Figura E.3 - Alteração do teor de umidade de uma amostra

a diferença entre essas massas

(E.14)

e, o volume de água a ser acrescentado será, portanto, igual a

(E.15)

Nesse cálculo a massa específica da água poderá ser considerada


igual a 1,000 g/cm3, pois, o erro introduzido não terá influência no
resultado . Um fator a ser levado em consideração é o local de preparação
da amostra, se climatizado ou não, e, também que durante a
homogeneização da amostra na condição final poderá ocorrer uma perda
no teor de umidade.

E. 4 - ÁGUA NO SOLO
175

A água é uma das fases constituintes de um solo. O teor de umidade


é o índice físico que define a massa de água, existente em um dado volume
de solo. Para a determinação do teor de umidade uma amostra do solo
deverá permanecer em uma estufa, capaz de manter sua temperatura
interna entre 105 e llOºC, até que, entre duas determinações seguidas da
massa da amostra não haja uma variação sensível nessas medidas. O solo
então será considerado seco. Mas essa temperatura da estufa é suficiente
para retirar toda a água contida na amostra? Para areias e pedregulhos sim,
mas para os solos coesivos a água não é, totalmente, removida sob essa
temperatura.
Devido a forma, ao tamanho e a composição química das partículas
dos argila-minerais a retenção de água, nos solos que contém essas
partículas, se dá de diversos modos e com ligações mais fortes e mais
fracas e com isso não permitindo que toda a água seja retirada.
Na Figura E.4 estão, esquematicamente, ilustradas duas partículas A
e B de um argila-mineral. Ao redor destas partículas existe água sob
diferentes condições, além daquela quimicamente combinada na estrutura
cristalina do mineral e que não é possível de ser removida por secagem em
estufa na temperatura normatizada.
Na região 1, próxima à superfície da partícula a água está presa a
esta por forças elétricas atrativas, e se encontra no estado sólido. É a
chamada água adsorvida formando uma camada de espessura, da ordem,
de 5 x 10-9 m e não sendo retirada por secagem em estufa. Essa camada de
água pode ser considerada como parte dos sólidos de um solo.
Na região 2 a água não está sob uma ligação tão forte quanto às duas
primeiras podendo ser removida por secagem em estufa mas não ao ar.

A B
1
1
1
1
1
1
1: 2 3 4 3 2 1
1
1
1

Figura E.4 - Água em torno de uma tlartícula de argila


176

Na região 3 a água está presa por tensão capilar e pode ser removida
por secagem ao ar.
Na região 4 tem-se a água contida nos vazios dos solos, que se
movimenta de um ponto para outro por gravidade, e poderá ser removida
por drenagem.
A seta indica as categorias de água que são capazes de serem
removidas, por secagem do solo em estufa, e cuja massa será usada no
cálculo do teor de umidade do solo. Deve-se lembrar que na massa de
sólidos está incluida a massa de água que não pode ser removida na
temperatura normatizada.
Para alguns solos o intervalo de temperatura de 105 - 1 lüºC não
deverá ser mantido sob pena de alterar os resultados do teor de umidade.
Assim, para solos altamente orgânicos a temperatura da estufa deverá estar
em tomo de 60ºC, para se evitar a queima da matéria orgânica. A água
contida na estrutura cristalina da gipsita poderá ser removida com
temperatura superior a lOOºC. Assim, nos solos que contém gipsita a
temperatura da estufa não deverá ser superior a 80°C, para que o teor de
umidade desses solos seja determinado dentro do mesmo crité1io dos
demais. Para algumas argilas tropicais também é necessário ter-se uma
temperatura da estufa inferior a lOOºC.
Finalmente, é bom ter em mente que temperatura mais baixa requer
um tempo maior de pe1manência do solo na estufa.
ANEXO F - MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS

F.1 - CALIBRAÇÃO DO PICNÔMETRO

Os picnômetros, utilizados no ensaio para determinação da massa


específica dos sólidos, têm um volume útil de 500 ou 1000 cm3, para uma
temperatura de 20°c. Para temperaturas diferentes dessa o volume útil,
definido por uma marca no gargalo do picnômetro, se altera devido a
expansão ou contração do vidro com que é feito e, portanto, também a
massa de água ou de suspensão nele colocado.
Como a realização do ensaio a temperatura constante de 20ºC é uma
operação difícil de ser realizada é preferível determinar o volume útil do
picnômetro ou, melhor, a massa de água destilada e deairada que ocupa
esse volume útil, em função da sua temperatura.
Inicialmente, o picnômetro deve ser lavado, secado e determinada a
sua massa em uma balança com resolução de 0,0lg.
Em seguida deverá ser colocada água destilada, a uma temperatura
entre 15 e 25°C, até a metade da altura do bojo do picnômetro e, retirar o
ar contido ·na água aplicando uma pressão de -88 kPa por um tempo
mínimo de 15 minutos ou até que não mais apareçam bolhas de ar à
superfície. Colocar mais água destilada até o enchimento do bojo do
picnômetro e repetir a operação de retirada do ar. Completar, o volume útil
do picnômetro, com água destilada lembrando que a parte inferior do
menisco formado deve tangenciar a marca existente no gargalo.
A água contida no picnômetro deverá ter a sua temperatura medida
em três diferentes alturas, cada leitura não podendo diferir das outras de
178

valor superior a 0,5°C, enquanto a média das três medidas deverá se situar
no intervalo entre 15 e 25°C. Com a aplicação de vácuo para a retirada do
ar é possível que a temperatura da água fique fora desse intervalo e o
picnômetro precise ser aquecido.
Com a temperatura da água dentro do intervalo de calibração, deve-
se secar a parte externa do picnômetro e a parte interna do gargalo , aci ma
da marca de referência e determinar a massa do conjunto, na mesma
balança usada anteriormente. A temperatura média da água, medida no
picnômetro, deverá ser levada para o valor mais próximo dela mostrado na
Tabela F.1.
Após a obtenção de diversos pares, temperatura-massa do
picnômetro + água, variando-se a temperatura da água contida no
picnômetro e distribuidos uniformemente no intervalo de calibração
proposto, mostrado na Tabela F.1, deve-se plotá-los e traçar a curva que
melhor se ajuste aos pontos, como mostrado na Figura F.1. Como a
variação da massa do picnômetro + água com a tempertaura nesse
intervalo não é muito grande para que se possa traçar uma curva que seja
representativa dessa variação de massa é preciso que sejma obtidos um
mínimo de oito pares de valores o que leva a um longo tempo de
cailibração do picnômetro. Com o aumento da temperatura o volume do
piconômetro também aumenta o que permite colocar mais água, porém, a
massa específica da água diminui e com isso resulta uma função
decrescente, como visto na Figura E.1.
Mesmo com a curva sendo traçada sobre oito pontos a precisão dos
valores da massa do picnômetro + água retirados do gráfico não é igual
aquela obtida na determinação da massa do picnômetro + sólidos + água
com uma balança apropriada. Para se ter precisões iguais é necessário que
se determine os valores do nome do picnômetro + água para cada uma das
temperaturas mostradas na Tabela F.1, o que levaria a um tempo muito
longo na calibração do picnômetro.

F.2 - PROPOSTA DA ASTM

A American Society for Testing and Materi als (ASTM), através da


Norma D-854: Standard Method for Specific Gravity of Soils propõe um
179

processo mais simples de determinação do valor de M 2, para qualquer


temperatura entre 15 e 25°C, usando-se a fórmula

Picnômetro #:
Operador: Data:
Massa do Picnômetro: M (p) = g
Volume Útil do Picnômetro: V (p) + cm 3
T M2 T M2 T M2
oc g oc g oc g
15,0 18,5 22,0
15,5 19,0 22,5
16,0 19,5 23,0
16,5 20,0 23,5
17,0 20,5 24,0
17,5 21,0 24,5
18,0 21,5 25,0
Observações:

Tabela F.1 - Tabela de Calibração

onde cada um dos símbolos tem o seguinte significado:


M 2 (T ) : Massa do picnômetro + água desti lada, a uma temperatura
entre 15 e 25°C
Pw (T ) : Massa específica da água na temperatura T.
Mz (To) : Massa do picnômetro + água destilada na temperatura (T0 )
Pw (To): Massa específica da água na temperatura T 0
M(p): Massa do picnômetro sêco.
Para a determinação do valor M 2 (T0 ) , e que vai servir de referência
para o cálculo dos valores M 2 (T) , a ASTM recomenda que o picnômetro
seja preenchido com água destilada, até a marca no gargalo, e se faça uma
verificação visual da existência de bolhas de ar. Para se evitar bolhas de
ar
180

673 ,5 - + - - - - - - - - - - - - + - - - - --------------1

PICNÔ:tvfETRO : SGS - 20

673,0--+-- -- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - - - - - - - - <
15 20 T (ºC) 25

Figura F.1 - Curva ele calibração experimental

a água deve ser colocada no picnômetro usando-se um tubo flexível de


diâmetro pequeno e com sua saída próxima ao nível d'água interno. Em
seguida homogeneizar a temperatura da água e medi -la em três pontos,
com cada medida não diferindo das demais de 0,5°C. Dessa forma a média
das três medidas será o valor T0 que deverá estar dentro do intervalo de
variação recomendado.
·181

F.3 - MASSA ESPECÍFICA DOS SÓLIDOS

A massa específica dos sólidos é definida como a relação entre a


massa e o volume de sólidos, ambos para um mesmo volume de solo.
Assim

(F .2)

A massa de sólidos é de fácil dete1minação, mas o seu volume,


entendido como a soma dos volumes de cada partícula, não pode ser
medido diretamente mas determinado indiretamente e é igual ao volume
da água deslocada com a colocação dos sólidos no picnômetro.
Na Figura F.2 estão mostradas as duas situações, picnômetro + água
e picnômetro + água + sólidos, ambas com o volume útil, V(p), do
picnômetro completo e para uma mesma temperatura. O esquema à direita
representa a situação que ocone durante a realização do ensaio de massa
específica dos sólidos e o esquema à esquerda o que oc01Te durante a
dete1minação da curva de calibração do picnômetro ou da utilização da
equação (F.1).
A massa do picnômetro + água+ sólidos é igual a

M, = M)l) + M , + M(p) (F.3)

onde, Mw(l ) é a massa de água que ocupa o volume V wCl), M5 é a massa


de sólidos que ocupa o volume V5 e M(p) é a massa do picnômetro seco.
A massa do picnômetro + água é igual a

M2 = M)2) + M(p) (F.4)

onde Mw(2) é a massa de água que ocupa o volume Vw(2) igual ao volume
útil, V(p), do picnômetro.
182

Vw(2) V (p)

CALIBRAÇÃO ENSAIO

Figura F.2 - Determinação do volume de sólidos

Subtraindo-se uma da outra tem-se

M, -Mz = M w(l) + M, - M . . (2) (F.5)

ou

M . . (2)-M . . (l) =M 2
+ M, -M, (F.6)

Na equação (F.6) a diferença entre as massas de água, nas duas


situações, é a massa de água deslocada pela introdução dos sólidos no
picnômetro, que dividida pela massa específica da água, para a mesma
temperatura, é igual ao volume de sólidos da amostra; portanto

Mw(2)-Mw(l) M +Ms-M
V= - - - - - - - = -2 - - - - -
1
(F.7)
s Pw Pw
e

(F.8)
Ps =M +M -M Pw
2 s 1
ANEXO G- PENEIRAS PARA ENSAIOS

A Associação Brasileira de Normas Técnicas através do documento


EB-22: Peneiras para Ensaios fixou as características exigíveis para as
peneiras utilizadas em ensaios de materiais que podem ser classificados
segundo o tamanho de suas partículas.
Essas peneiras são constituidas por uma tela, presa em um caixilho
metálico de forma circular ou quadrada. A tela é fo1mada por malhas
quadradas, cuja abertura é a menor distância entre os bordos internos de
dois fios paralelos que formam os lados opostos do quadrado.
Na Tabela G.1 estão relacionadas as peneiras utilizadas para a
definição da curva granulométrica dos pedregulhos. Essas peneiras podem
ter a forma quadrada ou retangular e dimensões maiores do que as usadas
para as areias, devido a necessidade da massa da amostra ser maior e,
também, das características do vibrador.

Abertura Diâmetro do Abertura Diâmetro do Abertura Diâmetro


(mm) fio (mm) (mm) fio (mm) (mm) do fio
(mm)
108 6,40 38 4,59 12,5 2,67
100 6,30 32 4,23 11,2 2,45
90 6,08 27 3,90 9,5 2,27
76 5,80 25 3,80 8,0 2,07
64 5,50 22,5 3,50 6,8 1,87
54 5,15 19,0 3,30 6,3 1,82
50 5,05 16,0 3,00 5,6 1,68
45 4,85 13,5 2,75 4,8 1,54
Tabela G.1 - Peneiras para Pedregulhos
184

Na Tabela G.2 estão relacionadas as peneiras utilizadas para ensaios


de areias . Essas peneiras, além da abertura, são também identificadas por
um número que representa, aproximadamente, a quantidade de aberturas
em um comprimento de 25,4mm; por exemplo, a peneira 4 tem 4 aberturas
de 4,8mm e 4 fios de 1,54mm de diâmetro separando as aberturas e
totalizando um comprimento de 25,36mm. O caixilho dessas peneiras tem
um diâmetro interno de 203mm e uma altura de 50mm.

Abertura Número Diâmetro do fio Abertura Número Diâmetro do fio


(mm) (#) (mm) (mm) (#4) (mm)
4,8 4 1,54 0,35 45 0,247
4,0 5 1,37 0,30 50 0,215
3,4 6 1,23 0,25 60 0,180
2,8 7 1,10 0,21 70 0,152
2,4 8 1,00 0,175 80 0,131
2,0 10 0,900 0,150 100 0,110
1,7 12 0,810 0,125 120 0,091
1,4 14 0,725 0,105 140 0,076
1,2 16 0,625 0,088 170 0,064
1,0 18 0,580 0,075 200 0,053
0,84 20 0,510 0,063 230 0,044
0,70 25 0,450 · 0,053 270 0,037
0,60 30 0,390 0,044 · 325 0,030
0,50 35 0,340 0,037 400 0,025
0,42 40 0,290 - - -
Tabela G.2 - Peneiras para Areias

Além das peneiras discriminadas nas Tabelas G.1 e G.2, o conjunto


escolhido para o ensaio de peneiramento deve ter uma tampa e um fundo
ou prato onde serão recolhidas as partículas com tamanhos menores do
que a menor abertura da peneira desse conjunto.
As aberturas das peneiras listadas nas Tabelas G. l e G.2 formam
uma progressão geométrica de razão, aproximadamente, igual a '1/2. Isso
significa que quando representadas no eixo das abcissas, em escala
logarítmica,de um gráfico granulométrico, as peneiras estão
equiespaçadas. A escolha do melhor conjunto de peneiras, deve respeitar
essa característica mesmo tendo-se de adotar uma razão maior, como ./2
ou 2.
ANEXO H - ENSAIO DE SEDIMENTAÇÃO

Neste anexo serão abordados diversos aspectos referentes a


sedimentação de partículas, de um solo, em água destilada.

H.1 - LEI DE STOKES

O estudo sobre a velocidade de queda de uma esfera em um fluído


foi realizado por O.Stokes, em 1891, e resultou ser ela diretamente
proporci onal ao quadrado do diâmetro da esfera. O coeficiente de
proporci onalidade leva em consideração fatores ligados a esfera e ao
fluído onde se realiza a queda. Assim a massa específica da esfera, a massa
específica e a viscosidade dinâmica do fluído são os fatores que aparecem
de forma explícita na equação de Stokes. Como essas características do
fluído são variáveis com a temperatura, para que o coeficiente de
proporcionalidade permaneça constante, esta deverá ser a mesma ao longo
da trajetória da esfera. Além dos fatores já citados a velocidade de queda
da partícula deverá ser pequena para não criar turbulência em sua volta e a
seção transversal do recipiente, suficientemente grande, para não interferir
no movimento de queda da esfera. Essa velocidade de queda expressa pela
equação

V= (P, - pJgD 2
(H.1)
18µ
186

é a velocidade final que a partícula alcança e que permanecerá constante,


desde que, as condições não sejam alteradas.
A equação de Stokes é utilizada para o cálculo do tamanho de uma
partícula de solo no ensaio de sedimentação. No entanto, entre as
condições de Stokes e as do ensaio de sedimentação ocmTem diferenças,
quanto ao número, tamanho e massa específica das partículas, dimensão da
seção transversal da proveta e finalmente, quanto a forma das partículas.
Enquanto a equação (H.1) foi obtida para uma única partícula, na
sedimentação tem-se um número muito grande de partículas, com
diferentes tamanhos e assim cada partícula poderá ter influência na queda
daquela que se encontra ao seu lado. Além disso, pai1ículas menores
poderão se agregar e formar flóculos mais pesados, . que atuando como
partículas de tamanho maior terão uma velocidade de queda mais alta.
Para minimizar essas diferenças, entre temia e prática, deve-se preparar a
suspensão com uma concentração de sólidos, especificada nas normas, e
usar uma substância química que não permitirá a floculação das partículas.
As normas para o ensaio de granulometria conjunta recomendam
realizai· a sedimentação com as partículas com diâmetros menores que
2,0mm (#10). Uma esfera com diâmetro maior que 0,2mm se movimenta
em água destilada com uma velocidade capaz de gerar turbulência ao seu
redor e influenciando a queda de outras partículas e portanto, não
satisfazendo as hipóteses de Stokes. Por isso, no início do ensaio da
sedimentação tem-se um período de turbulência na suspensão.
Para diâmetros menores que 0,0002 mm oc01Te o movimento
Browniano e, embora a fónnula continue válida, o tempo para a partícula
se deslocar de uma determinada distância passa a ser muito grande
inviabilizando o ensaio; nesse caso deve-se usar um processo que aumente
a aceleração como, por exemplo , a centrifugação.
A massa específica dos sólidos é uma média ponderada das massas
específicas dos minerais constituintes do solo e que vaiia no intervalo
2,500 a 3,500g/cm 3 • Assim, a fração areia formada, na sua maioria, por
quartzo terá uma massa específica próxima a deste mineral, enquanto a
fração argi losa terá um valor dependente dos argilo-minerais que
formaram o solo. Esse valor médio difere do valor único da teoria, mas
para a prática da engenharia, a adoção do valor da massa específica dos
sólidos, obtido em ensaio próprio, é o suficiente e não causa eITos maiores.
O recipiente utilizado no ensaio é uma proveta de vidro, com
diâmetro interno de 60 mm e uma marca indicativa do volume útil de 1000
187

cm3, para uma temperatura de 20º C. Como a suspensão está confinada, as


partículas que estão próximas a parede da proveta poderão sofrer uma
interferência na sua queda e com isso alterar o resultado do ensaio . Para se
evitar esse inconveniente, o diâmetro da proveta deveria ser aumentado o
suficiente para se ter na parte central uma suspensão com as partículas se
sedimentando livremente. Com isso o volume da suspensão, também,
aumentaria acarretando outros problemas a realização do ensaio e sem uma
melhoria no resultado.
Finalmente, a condição que mais se afasta da condição inicial de
Stokes é quanto a .forma das partículas, muito diferente da esfera. A
solução proposta foi a de introduzir o conceito de diâmetro equivalente de
uma partícula, com massa específica igual a massa específica dos sólidos e
que se sedimentasse com a mesma velocidade dá partícula do solo.
Portanto, o diâmetro da partícula calculado pela Lei de Stokes é o de uma
partícula que ão existe no solo, e continua sendo usada porque os erros
introduzidos no cálculo do diâmetro equivalent e não afetam, sensivelmente,
a prática da engenharia geotécnica.

H.2 - DIÂMETRO EQUIVALENTE

A proveta usada no ensaio de sedimentação tem diâmetro interno de


60 mm, uma altura total de 450 mm e um volume útil, igual ao da
suspensão, de 1000 cm 3 , definido por uma marca na proveta. Por ser de
vidro e, portanto, apresentar uma variação no volume para diferentes
temperaturas a marca indicativa vale para a temperatura de calibração da
proveta, normalmente, 20º C. A máxima altura de queda de uma partícula é
de 3 54 mm para aquelà que, no início do ensaio, se encontrava no topo da
suspensão .
Um esquema simples do que acontece dentro da proveta, durante a
sedimentação, está mostrado na Figura H. 1, em dois instantes diferentes . O
primeiro, para t = t 0 , representa a situação da suspensão, imediatamente,
após ser colocada em uma bancada e iniciada a contagem dos tempos. A
suspensão, neste instante é admitida homogênea quanto a distribuição das
partículas em seu volume. O segundo, para t = ti, representa a situação da
suspensão após um tempo ti do início da contagem dos tempos; a
suspensão não é mais homogênea com as partículas tendo percorrido uma
188

distância proporcional ao seu tamanho e peso.


Imagine uma partícula A, com diâmetro equivalente Di que no
instante t0 se encontrava no topo da suspensão e que após um tempo ti
tenha percorrido uma distância zi , como mostrado na Figura H.l. Todas as
partículas com esse tamanho terão percorrido igual distância, qualquer que
fosse sua posição no instante t0 , a menos daquelas que, no instante t0 ,
se

A
o ' ;.-
-,-

118 -- "7..:

-~ ·
}
236 ..::..:. '' '

354 1 1 1
1
t = t0 t= t i

Figura H.1 - Esquema para a sedimentação

encontrassem a uma distância menor que zi do fundo da proveta e portanto


já estarão nele depositadas. As partículas com diâmetros equivalentes
maiores e menores do que Di terão percorrido, em ti, distâncias,
respectivamente, maiores e menores do que zi. Pode-se, então, afirmar que
acima da cota zi não se encontram partículas maiores do que D i.
Apenas como ilustração foram calculados os tempos necessários para
que partículas com diferentes tamanhos percorram as distâncias indicadas
na Figura H.1. Para isso algumas hipóteses devem ser feitas, tanto para 'o
solo e fluído , quan to para o ensaio. Para o solo será admitido o valor da
massa específica dos sólidos igual a 2,700 g/cm3 e o ensaio será realizado
a temperatura constante de 20º C, resultando valores da massa específica
da água e da viscosidade dinâmica iguais a 0,998 2 g/cm 3 e 10,09 x 10- 4 ·
Pa.s, respectivamen te, com a aceleração da gravidade igual a 9,81 m/s2 .
Substituindo esses valores na equação (H.1 ) resulta ·

v = 91919D-2 (H. 2)
, 1
189

para Di em mm e v em cm/s. Como logo após o início do movimento a


velocidade de queda atinge um valor constante tem-se que,

z
v=- (H.3)
t

A Tabela H.1 mostra os tempos necessários para que essas partículas


percorram as distâncias indicadas na Figura H.1.

Di V Tempo (s)
(mm) (cm/s) z i = 118mm Zi = 236mm zi = 354mm
2,0 367,7 <1 <1 <1
0,42 16,2 <1 1 2
0,20 3,7 3 6 10
0,11 1,1 11 21 32
0,075 0,5 23 46 68
. 0,035 0,1 105 210 304
0,002 4 X 10- 4 3 X 10 4 6 X 104 lQS

Tabela H.1 - Tempos para Sedimentação

Como a leitura inicial, do ensaio de sedimentação, é realizada para


um tempo t = 30 s pode-se afirmar que todas as paitículas maiores ou
iguais a 0,11 mm já terão atingido o fundo da proveta ou estarão muito
próximo dele, enquanto que as partículas com tamanho igual a 0,075mm já
terão todas elas percorrido uma distância maior que 118mm, mesmo
sabendo que essas partículas têm uma massa específica menor (Ps = 2,670
g/cm 3) que a admitida no cálculo.
A segunda leitura do ensaio é para um tempo de um minuto e pelos
valores mostrados na Tabela H. l, praticamente, apenas as partículas
menores que 0,075mm estarão, ainda, em sedimentação. As partículas com
diâmetro equivalente igual a 0,002 mm demorarão 8, 17 e 27 horas para ·
percorrerem 118, 236 e 354 mm, resoectivamente. A suspensão
permanecerá, durante muitas horas com uma cor turva devido a existência
de partículas ainda menores do que essa, em processo de sedimentação.
A fórmula que petmite calcular o diâmetro equivalente da partícula,
partindo-se das equações (H.1) e (H.3), é
190

(H.4)

onde:
Di: diâmetro equivalente
µ: viscosidade dinâmica da água à temperatura do ensaio, no
instante
da leitura
z: altura de queda da partícula desde o tempo t = t0 até t = ti e obtido
em função da leitura conigida do densímetro
p 5 : massa específica dos sólidos do solo (fração usada no ensaio de
sedimentação)
Pw: massa específica da água, à temperatura do ensaio, no instante da
leitura
g: aceleração da gravidade
t: intervalo de tempo deconido entre t = t0 e t = ti.

Para as unidades, comumente, usadas em laboratório, z em cm, Ps e


Pw, em g/cm3, µ em Pas desprezando-se a potência 10-4 e g = 9,81 m/s 2
pode-se calcular Di em mm, através da fórmula,

11 2

Di = 0,042835[ (
P,
~z
P"'
)t] (H.5)

para t em segundos, ou,

112

Di = 0,005530 [ µz ] (H.6)
(P, - P., )t

para t em minutos.
A con-eção a ser realizada na leitura do densímetro para se obter zé,
apenas, aquela devido a formação do menisco junto a haste do densímetro
e que permanece constante mesmo variando a temperatura da suspensão.
Como o ensaio de sedimentação é reali zado com partículas maiores
do que 0,2 mm deve oc01Ter, no início do processo, turbulência no líquido
devido a movimentação dessas partículas, mas que, até a leitura inicial
191
realizada a 30 s a suspensão já atingiu uma condição próxima a de Stokes.
Essa pe1turbação não influi no resultado do ensaio dentro do que dele se
espera.

H.3 - MASSA ESPECÍFICA DA SUSPENSÃO

Calculado o diâmetro equivalente da partícula será preciso calcular a


massa específica da suspensão composta com todas as partículas menores
do que o diâmetro Di calculado. Para isso, deve-se partir da condição
inicial da suspensão, para t = t0 , quando a massa de sólidos por unidade de
volume da suspensão será a mesma, em qualquer ponto. Na Figura H.2
está mostrada a situação inicial da suspensão com as fases, líquida e
sólida, separadas e os valores dos volumes e das massas de cada uma delas
indicadas ao lado.

V M=M
s
+(v- Ms ) p
PS w

Figura H.2 - Situação esquemática para t = t 0

A massa específica da suspensão, nesse instante, será calculada com


a equação,

P,- p"' M ,
(H.7)
Po = Pw+ P, V
192

onde todos os valores do segundo membro, massa específica da água e dos


sólidos, massa de sólidos e volume da suspensão são conhecidos.
Com o passar do tempo as partículas vão se sedimentando, tornando
a suspensão heterogênea e com a massa específica alcançando valores
diferentes, em cada cota.
Após t = ti as paitículas com diâmetros equivalentes maiores do que
Di já se encontram abaixo do centro de imersão do densímetro e podem
ser consideradas já sedimentadas. Nesse instante a suspensão poderá ser
representada como mostrada na Figura H.3, onde as fases líquida e sólida
estão, convenientemente, separadas. A fase sólida está ainda subdividida
em duas outras: uma, representando as partículas maiores do que Di,
formando o sedimento, e uma outra, com as paitículas menores do que Di,
formando a suspensão.
Dos valores, da massa e do volume da suspensão atual, mostrados na
Figura H.3, pode-se tirar a massa específica da suspensão

p -p
p. =p + s w (H.8)
i w Ps V.
1

A massa de sólidos, Ms (< Di), a massa específica da suspensão, p; e


o volume da suspensão Vi, neste instante, não são conhecidos. A massa
específica da suspensão será obtida, indiretamente, através da utilização de
um densímetro, mas, as outras duas não poderão ser obtidas.
Essas indefinições pai·a o cálculo de Pi e da percentagem de
partículas com diâmetros menores do que Di serão resolvidas no item H.9.

H.4 - AÇÃO DO DENSÍMETRO

Quando um densímetro é colocado em um fluído qualquer parte dele


submerge, devido ao pêso próprio, até alcançar o equilíbrio através do
empuxo desenvolvido. A construção do densímetro permite torná-lo um
corpo flutuante estável, com o centro de gravidade abaixo do centro de
imersão do volume de fluído deslocado. A Figura H.4 esquematiza o
descrito, podendo-se notar que os dois pontos, M centro de gravidade do
densímetro e N centro de imersão do volume de água deslocado, estão
193

muito próximos e também, próximo à metade da altura do bulbo do


densímetro.

sed i1i1enlo

Figura H.3 - Esquema de uma suspensão para t = ti

Se o fluído tem uma massa específica constante (p 0 ) a equação de


equilíbrio pode ser escrita como:

-
-- ~ ~

L__
+M
+N
()

1 l

Figura H.4 - Densímetro em equilibrio


194

(H.9)

onde A(z) é a área do densímetro e a integral representa o volume de


fluído deslocado para gerar um empuxo igual ao, peso do densímetro ao
ar. Se o fluído é a suspensão de sólidos e água destilada, a equação (H.9)
representa o instante ini cial , t = t0 , do ensaio quando a massa específica da
suspensão é considerada constante.
Deconido algum tempo, após o instante t = t0 , as partículas terão se
movimentado uma distância, maior ou menor, dependendo do tamanho de
cada uma delas e com isso a massa específica da suspensão não será a
mesma para diferentes alturas, como esquematizado na Figura H.5, e a
equação de equi líbrio do densímetro passa a ser igual a

gJ P,A(z)dz = Wd (H.10)

Conforme vai ocorrendo a sedimentação a concentração de sólidos é


maior na parte inferior da proveta o que acatTeta massas específicas
diferentes, em cada altura, na suspensão.

-
l dz
1
z

Figura H.5 - Massa específica - tempo de sedimentação


195

O densímetro usado nesse ensaio está calibrado para ler massa


específica em água destilada, em uma dada temperatura, geralmente, 20ºC.
Em outros fluídos, à mesma temperatura, a leitura realizada é da forma

p.
1
r. =--- (H.11)
1 p (20)
w

onde Pi é a massa específica da suspensão e Pw (20) é a massa específica


da água na temperatura de calibração do densímetro. Essa leitura é,
corretamente, interpretada como uma densidade da suspensão mesmo não
sendo para a temperatura de 4º C, que é a admitida como padrão.
Se a leitura ré obtida em uma suspensão não homogênea ela precisa
ser entendida como um valor médio em um dado intervalo de
profundidade dz, mas em um ponto bem definido do densímetro, e que
devido a sua fo1ma aerodinâmica está próximo à metade da altura do
bulbo; assim, a leitura r mede a densidade da suspensão nesse ponto. Será
preciso então definir esse ponto e determinar as distâncias entre ele e as
divisões principais da escala do densímetro, situada na sua haste.
Casagrande, em 1928, propôs que se adotasse uma variação linear
entre massa específica da suspensão e cota, pois, os erros advindos dessa
hipótese semdo menores do que 3% não afetariam, praticamente, os
resultados do ensaio; assim, essa variação pode ser expressa por

(H.12)

Para uma suspensão homogênea, isto é, para t = t0 e z = ZP tem-se

(H.13)

Substituindo as equações (H.12) e (H.13) em (H.10) e (H.9),


respectivamente, depois, igualando-se as equações resultantes, tem-se

JA(z)zdz
Z,=---- (H.14)
JA(z)dz
196

onde o ponto procurado, de cota Zr, é o centro do volume submerso ou


centro de imersão do densímetro.
Para cada densímetro é preciso determinar esse ponto e a seguir as
distâncias dele às divisões principais na haste. No item H.5 será descrito
um processo para calibração de densímetro.

H.5 - CALIBRAÇÃO DO DENSÍMETRO

A forma de se proceder a realização das leituras durante o ensaio,


introduzindo-se o densímetro na suspensão segundos antes da leitura e
retirando-o imediatamente após, introduz uma variação na medida da
distância Zr, entre o centro de volume do bulbo e a leitura, na haste. Na
Figura H.6 está mostrado o que acontece quando o densímetro é imerso na
suspensão.
Após um tempo t = ti de ensaio, uma partícula com diâmetro
equivalente Di terá se deslocado de A para B, uma distância igual a Zi,
Com a introdução do densímetro oco1Terá uma elevação na superfície do
fluído e esta distância passará a ser medida por Zr, maior que Zi, Essa
diferença, é constante e, aproximadamente, igual a metade do volume
imerso do densímetro, Vj, dividido pela área interna da seção transversal
da proveta,

V
z -z = J (H.15)
' ' 2A (pv)
e

V
z =z - J (H.16)
' ' 2A (pv)

A obtenção das distância Zi, para cada leitura efetuada na haste do


densímetro, será feita da maneira descrita a seguir. Desenhar uma seção
longitudinal do densímetro, em uma escala apropriada, tal como, mostrado
na Figura H.7 e medir as distâncias entre cada uma das divisões principais
da escala e a base da haste.
Para densímetros com bulbos simét1icos o centro de imersão está
no seu plano de simetria, na metade da altura do bulbo. Portanto, medir a
197

distância entre o topo do bulbo e o plano de simetria.

_ _ _ _:l
Figura H.6 - Efeito da imersão do densímetro

A distância entre uma leitura qualquer e o centro de imersão será


igual a
1
Z r = H+ -2 H b (H.17)
e
V 1 V
z =Z - i =H + - (H -
i ) (H.18)
' ' 2A(pv) 2 b A(pv)
A determinação do volume imerso do densímetro, para cada uma das
divisões p1incipais da escala, é feita imergindo-o em uma proveta
graduada, e medindo-se a diferença entre os níveis, inicial e final da água
na proveta.
Para determinação da área interna da proveta medir a distância entre
o fundo da proveta e a marca indicativa de 1000 cm 3 e a seguir dividir esse
volume por aquela distância.
Desenhar os pontos representativos dos pares, divisões principais -
distância do centro de volume e obter a equação da curva resultante,
Figura H.8.
A curva resultante será uma reta se o volume imerso da 1-taste
do densímetro para cada divisão principal for desprezado, pois os erros
198

1,000

1,010

1,020
Ho

1,030

1,040
- - - - 1 f - - - - - 1 - - - _ . _ __
H4
__,___ _...i...

Ref: ASTM 151 -H


Figura H. 7 - Seção longitudinal do clensímetro
199

DISTÂNCIA
- z i (cm)
10f------+-----+-------",c----+-----+--l

s~~--_.______.______~ - -- - -'---t
1,00 1,01 1,02 1,03 1,04
LEITURA NA HASTE - r(H)

Figura H.8 - Curva de calibração

introduzidos serão pequenos e não afetarão o resultado do ensaio. Assim


na equação (H.18) em lugar do volume imerso do densímetro (Vj) pode
colocar o volume do seu bulbo (Vb). .
Para as leituras iniciais do ensaio, para t = 30, 60 e 120 s, quando o
densímetro é imerso na suspensão e só retirado após a última leitura, o
cálculo de Zi será feito pela equação (H.17).
Assim da calibração do densimetro resultam duas equaçõesrdo tipo
Zi = a + br (H), uma para as leituras iniciais e a outra para as demais
leituras.

H.6 - CORREÇÕES DAS LEITURAS

Os densímetros são calibrados na temperatura de 20º C, em água


destilada, e nessas condições a leitura realizada indica a densidade do
fluído , porém, em outro referencial de temperatura diferente de 4°C.
Como as condições do ensaio, geralmente, não são iguais às da calibração
será necessário realizar correções nas leituras devido a variação da
temperatura da suspensão durante o ensaio, colocação do defloculante
alterando a massa específica da água e, também, devido a formação de um
menisco junto a haste.
200

H.6.1 - Formação do menisco

Quando o densímetro é imerso em um líquido ocorre a formação de


um menisco, ao redor de sua haste, elevando a superfície da água naquele
local, Figura H .9. A escala do densímetro quando colocada em sua haste,
não levou em consideração a formação do menisco, pois, os pontos de
referência são o nível superior do líquido e o centro de volume do bulbo,
conforme mostrado na Figura H.7 e equação (H.18) .
Como a suspensão usada no ensaio de sedimentação é opaca e a
haste do densímetro está no centro da proveta não será possível realizar a
leitura na superfície da suspensão, ponto A, Figura H .9, mas sómente no
ponto B situado sobre a linha superior do menisco formado, e com isso
lendo um valor menor do que o correto. A diferença entre as duas leituras,

PROVETA

SUSPENSÃO

Figura H.9 - Formação de menisco

é uma característica de cada densímetro e não varia com a temperatura,


determina a correção a ser somada em cada leitura realizada.
Para cada densímetro o valor da correção será detem1inado
colocando-se água destilada, em uma proveta, até a marca indicativa de
1000 cm 3 e introduzindo o densímetro na água e, após, aguardar o tempo
necessário para que ambos fiquem a uma mesma temperatura, realizar,
uma leitura na superfície da água, (ponto A) e uma segunda leitura, com os
olhos em uma posição que permita uma boa observação, na linha superior
do menisco, (ponto B).
A diferença entre essas duas leituras fornece a correção devido a
formação do menisco na haste. Assim se,
leitura em A: r(A) = 1,0234
201

leitura em B: r(B) = 1,0229


c(m) =r(A) - r(B) =0,0005 =0,5 x 10- 3
ou multiplicando-se por 10 3 para ficar coerente com o que se faz em
laboratório, tem-se

c (m) = 0,5

valor esse que deverá ser somado a todas as leituras realizadas durante o
ensaio de sedimentação para se obter a altura da queda z necessária ao
cálculo do diâmetro equivalente.

H.6.2 - Variação da temperatura

A temperatura de calibração dos densímetros é, geralmente, 20° C,


enquanto os ensaios de sedimentação nem sempre são realizados nessa
temperatura. Assim, tanto a massa específica da água, quanto o
volume imerso do densímetro, devido a variação volumétrica do vidro,
serão diferentes dos obtidos a 20° C, e por isso as leituras
realizadas não indicarão, de forma c01Teta, os valores da densidade da
suspensão.
Para se obter o valor da correção, para cada temperatura, colocar
água destilada em uma proveta até a marca indicativa de 1000 cm3, e, em
seguida va1iar a temperatura da água destilada, de um em um grau, se
possível, no intervalo de 15 a 25° C.
Após uma primeira homogeneização da temperatura da água
medí-la em três diferentes alturas, sendo que cada leitura não poderá
diferir das outras de valor maior que 0,5° C. Caso isso aconteça realizar
nova homogeneização. Quando as temperaturas obtidas garantirem
um valor homogêneo, calcular a média delas e admití-la como a
temperatura de ensaio. Em seguida, introduzir o densímetro, permitindo-o
atingir a temperatura da água e, só então, realizar a leitura na haste, na
altura do menisco forrnado. Assim para cada temperatura de ensaio,
levada ao valor inteiro mais próximo, tem-se a correspondente leitura
na haste.
Para cada densímetro elaborar uma tabela das correções

c(T) = r(20) - r(T) (H.19)


202

para cada temperatura que depois servirão para comg1r as leituras


realizadas no ensaio. Para temperaturas menores que 20º C as correções
serão positivas, enquanto que para valores acima de 20º C elas serão
negativas.

H.6.3 - Introdução do defloculante

A utilização de uma substância química como defloculante modifica


a massa específica da água destilada usada como meio fluído. Como o
densímetro está calibrado para medir a densidade da água pura, para uma
temperatura de 20º C, as leituras realizadas na água com defloculante
necessitam ser corrigidas para que não introduzam erros quando do cálculo
do ensaio.
Essa correção, que é um valor constante para cada substância
defloculante e independente da temperatura, poderá ser obtida junto com a
correção devido a temperatura. Para isso, juntar 125 cm 3 da solução
defloculante, previamente, preparada a 875 cm 3 de água destilada e seguir
o procedimento descrito no item anterior.
A diferença entre a leitura realizada a uma temperatura T e aquela
indicada pelo densímetro para a temperatura de calibração; mostra o valor
da correção a ser aplicada. Assim,

c(T + df) = r(20) - r(T) (H.20)

H.7 - SOLUÇÃO DEFLOCULANTE

Quando o hexametafosfato de sódio for a substância qunruca


utilizada como defloculante, a solução deverá ser preparada com
uma concentração de 45,7 g do sal para 1000 cm 3 de solução em água
destilada.
A solução deve ser tamponada com carbonato de sódio até que atinja
um pH entre 8 e 9 para que se mantenha estável. Ela deve ser guardada em
um recipiente de vidro escuro e com tampa de borracha e ser usada em um
prazo máximo de 30 dias da data em que atingiu o pH desejado.
203

H.8 - TANQUE DE IMERSÃO

Quando o ensaio de sedimentação está sendo realizado em local onde


a temperatura ambiente pode variar e, com isso, variando também a
temperatura da suspensão as leituras realizadas devem ser corrigidas
devido a variação da temperatura. Para se evitar essa correção é
conveniente construir-se um tanque de imersão das provetas, com
dispositivo que permita manter a temperatura constante ao longo do
ensaio. A Figura H. 10 mostra uma vista desse tanque com sugestão de
medidas. O tanque deve ser fixado em uma base horizontal, de tal forma,
que possa garantir que o eixo longitudinal das . provetas pe1maneça
vertical.
O tanque teve ter sua estrutura em cantoneira de alumínio ou aço
inoxidável para se evitar corrosão e paredes e fundo com placas de vidro
com espessura, da ordem, de 5mm.
O tanque deve ter uma tomada d'água em baixo e uma saída de água
3
na altura da leitura de V= 1000 cm .

CANTONEIRA DE ALUMINIO

45

PLACAS DE VIDRO
e= S m m ~

Figura H.10 - Tanque de imersão de provetas


204

H.9 - PERCENTAGEM DE OCORRÊNCIA

A percentagem de ocorrência das partículas menores do que Di é


igual a

M (<D)
P (< DJ = 100 ' ' (H. 21)
M
'

onde o valor de M5 ( < Di), para cada instante t = ti, poderá ser calculado
através da equação (H.8), transcrita de forma mais conveniente,

(H.22)

No segundo membro desta equação os valores de Pi e Vi não são


conhecidos e portanto não se pode calcular o valor de M5 ( < Di). A forma
de se tirar essas indefinições é fazendo-se algumas aproximações como
será mostrado a seguir.
Uma das formas de se estimar a massa específica da suspensão, em
cada instante ti, é usando um densímetro devidamente calibrado no ensaio
de sedimentação. Quando a temperatura da suspensão for de 20°C a leitura
do densímetro mede a densidade da suspensão no ponto correspondente ao
centro de volume do bulbo. Como, geralmente, densidades estão
referenciadas a massa específica da água destilada a 4ºC para mudar o
referencial basta multiplicar o numerador e o denominador por este valor.
Assim,

pi (20)
r·( 20) = pi(20)= p"(4) = d\ (20) (H.23)
1
Pw (20) Pw (20) dw (20)
P"(4)

onde,
Pi (20) e Pw (20) são, respectivamente, as massas específicas das
suspensão e da água destilada a 20°C.
205

Pw (4) a massa específica da água destilada a 4°C.


2
di (20) = pi ( 0) é a densidade da suspensão referenciada a temperatura de
p,.(4)
4°C no instante ti,
p (20) . , .
dw (20) = " a densidade da agua referenciado a 4°C.
p,.(4)
ri (20) é a leitura do densímetro, no instante t = ti, a 20°C.

A equação (H.23) pode ser colocada na seguinte forma

di (20) =ri (20)dw (20) =[r(20) - 1 + 1][d w(20) -1 + 1] (H.24)

que desenvolvida se transforma em

di (20) = [ri (20)- l][dw (20)-1] + [ri (20)-1] + [dw (20) - 1] + 1 (H.25)

Como ri(20) e dw(20) são valores muito próximos de um o primeiro


termo do segundo membro poderá ser desprezado, sem que isso venha à
afetar o resultado, dentro dos limites admissíveis. Assim, a equação (H.25)
se transforma em

di (20) = ri(20) + dw (20) - 1 (H.26)

introduzindo-se, nessa operação, uma primeira aproximação.


A imersão do densímetro em uma suspensão, a uma temperatura
diferente de 20°C, provocará uma expansão ou contração do densímetro e,
com isso, a posição do centro de imersão também se altera, resultando,
portanto, valores diferentes das leituras, conforme mostrado no esquema
da Figura H.11. Como o volume da haste é muito pequeno, comparado
com o volume do bulbo, pode-se desprezar o volume da parte da haste que
está imersa e afirmar que o volume do bulbo, para uma temperatura T
qualquer, é igual a

vb (T) = vb (20) [l +a"(T -20)] (H.27)

onde, Vb (20) é o volume do bulbo, para T = 20°C e a.. é a deformação vo-


206

lumétrica relativa do vidro.


O valor indicado na haste do densímetro, para cada leitura, é
proporcional ao volume de água deslocado pelo bulbo e depende da
temperatura da suspensão. Assim, para uma temperatura T pode-se escre-

< 1,00 1,00 > 1,00

T < 20 ºC T= 20 ºC T > 20 ºC

Figura H.11 - Esquema de equilibrio do densímetro para


diferentes temperaturas

ri (20)
---
vb (20) =-----
1
(H.28)
ri (T) vb (T) 1+ av (T - 20)

ver que onde, ri (20) e ri(T) são leituras na haste, do densímetro no instante
t = ti, para temperaturas de 20 e TºC, respectivamente. O desenvolvimento
do segundo membro da equação (H.28) resulta na transfonnação desta na
equação

r (20) , , 3 3
-'ri -(T) = 1- a V
(T - 20) + a- (T - 20) - - a (T - 20) + ...
V V
(H.29)

5
Como a.; é da ordem de 10· para o vidro, material de construção do
densímetro, e (T-20) não deve ser muito diferente de 10, a soma dos
valores da série a partir do terceiro termo poderá ser desprezada sem trazer
erros sensíveis e a equação (H.29) se transfonna em

ri (20) = ri (T) [1- av (T - 20)] (H.30)


207

Substituindo na (H. 26) o valor de ri (20), agora para um temperatura T


qualquer, resulta

di (T) = ri (T) [1- av (T - 20)] + d" (20) - 1 (H.31 )

e, com isso, introduzindo-se uma segunda aproximação no cálculo da


densidade da suspensão, no instante ti e para uma temperatura qualquer,
em fun ção da leitura realizada na haste.
A equação (H.8) foi deduzida para uma temperatura qualquer da
suspensão e é matematicamente correta; colocando-a em função de
densidades ela se transforma em

d - d (T) M .(< D i)
di (T) = dw (T) + ' " (H.32)
d, Vi Pw(4)

onde, d 5 é a densidade dos sólidos em su~pe- 11são (valor médio) e dw(T) a


densidade da água a uma temperatura 0 1wlquer, ambas referenciadas a
temperatura de 4°C.
Os valores di (T) calculados pelas equações (H.3 1) e (H.32) são de
mesma ordem de grandeza embora obtidos de modos diferentes. Assim, os
segundos membros das duas equações são, aproximadamente, iguais,
resultando

d - d (T ) M ( < D )
r1-(T) [ 1- a (T - 20) ] + d (20) - 1 = d (T ) + ' "' . ' ' (H.33)
" "' " d S
V p (4)
1 W

que após reaiTanjo de al guns termos resulta

M,(< D ;) d, - d " (T)


=
V, p"' (4) d,

ri(T) - 1 - [~ (T) a " (T - 20) - d"' (20) + d,.(T)] (H.34)

Os três úl timos termos do segundo membro da equação (H.34) são função


da temperatura e podem, então, ser englobados em um só termo e escrito
sob a forma
208
3
10- C (T) = dw(20) - dw(T) - ri (T) Uy (T-20) (H.35)

e considerado como uma correção da leitura decorrente da suspensão se


encontrar em uma temperatura diferente de 20°C. Como ri (T) é sempre
um valor próximo de 1 (para densímetros usado na Mecânica dos Solos a
escala varia entre 1,000 e 1,040) pode-se admitir r/T) = 1, no cálculo de
c(T), sem que isso afete, ·sensivelmente, o valor da correção pela
temperatura e com uma vantagem de se poder constrnir uma tabela
independente de ri(T).
A equação (H.34) passa a ser escrita da forma seguinte

M (< D ) d - d (T)
v' (4 ') ' d"' = r;(T) - 1 + 10 -J c(T) (H.36)
Pw 1 s

incluindo-se nesta equação uma terceira aproximação. Por -conveniência,


pode-se escrever ri (T) - 1 = 10-3 r(H) e a equação (H.36) passa a

M (< D . ) d - d (T)
' ' ' " = 10-J[r(H)+c(T)] (H.37)
Vi p"' (4) · d,

onde r(H) é uma notação simplificada da leitura do sensímetro. Apenas


como exemplo, seja ri (T) = 1,0234, com a quarta casa decimal sendo um
valor interpolado para os densímetros usados nesse ensaio cllja resolução é
de 0,001; assim,

ri(T) - 1 = 1,0234 - 1,0000 =0,0234 =23,4 x 10-3 e r(H) =23,4.


Na Figura H.3, Vi é o volume da água mais o de sólidos menores do
que Di, no instante t = ti e portanto variável em cada instante e não é
conhecido. O volume total dos · sólidos no ensaio de sedimentação é
3
pequeno se comparado ao volume da água (se Ms = 50g, Ps = 2,700 g/cm
então Vs = 18,5 cm e Vw =981,5 cm e
3 3 V

3
<
= 1,9%), de tal forma que se
pode considerar Vi = 1000 cm durante todo o ensaio, introduzindo-se
uma nova aproximação nos cálculos, sem causar um erro sensível.
Finalmente, na equação (H.37) a menos de Ms (< Di) todas as outras
209

variáveis são conhecidas e com isso pode-se calcular a massa de sólidos


com tamanhos menores que Di, em cada instante t = ti,

(H.38)

A percentagem de partículas com tamanhos menores que Di será


então calculada pela equação

M (<D) 100 d
P(<Di) = ' M , '. = M , d, -d,"'(T) p" (4)[r(H)+c(T)] (H.39)

a partir da leitura r(H) a uma temperatura qualquer da suspensão e


devidamente corrigida para a temperatura de calibração do densímetro.
Para se evitar a floculação das partículas argilosas é adicionado. um
defloculante a água destilada USiida no ensaio; com isso, a massa
específica do fluído aumenta e o centro de imersão do densímetro se situa
em uma cota mais alta daquela da flutuaç ão em água destilada pura, ambas
para uma mesma temperatura, resultando um valor maior da leitura
realizada na haste. Para se compensar a alteração nas condições do fluído
uma nova correção, que é constante, deve ser introduzida modificando a
equação (H.39) para

100 d .
P(<DJ = M , d , -d,w(T) Pw(4)[r(H)+c(T)-c(df)] (H.40)

A equação (H.40) pode também ser colocada em função das massas


específicas resultando .

100 p .
P( < D ) = - ' p (4)[r(H) + c(T)- c(df)] (H.41)
' M, P, - P" (T) w

No item (H.6) foram desc1itas as três correções que devem ser


realizadas nas leituras, em cada instante t = ti. Na equação (H.41)
aparecem apenas as correções devido a temperatura e ao defloculante,
faltando a correção devido a formação do menisco, o que pode ser sanado,
somando-a, resultando a equação
210

100 ~ ·
P(<DJ= M T p"(4)[r(H)+c(T)-c(df)+c(m)] (H.42)
, P, -p"'()

onde o teimo entre colchetes é a notação simplificada da leitura c01Tigida


leitura co1Tigida r'(H) para a temperatura de 20°C.
Uma forma de se resolver a equação (H.42) sem precisar conhecer as
c01Teções é mantendo durante o ensaio uma proveta com água destilada
mais o defloculante próxima a proveta com a suspensão, para que, tanto a
suspensão quanto a água desti lada estejam a uma mesma tempertaura.
Sejam r(H) e r ' (H) os valores, colocados como notação simplificada, da
leitura realizada em uma suspensão a uma temperatura T qualquer e o seu
valor corrigido para 20°C, respectivamente , e rw(H) a notação simplificada
da leitura realizada na proveta com água destilada e defloculante à mesma
temperatura T.
A co1Teção total a ser aplicada a leitura r(H),retirada de (H.42),igual
a

r'(H) - r(H) = c(T) - c(df) + c(m) (H.43)

é a mesma a ser aplicada a leitura rw(H) para se obter a leitura r,; (H) para
T = 20°C, pois a co1Teção devido ao menisco depende somente dos
materiais em contato (vidro e água), e, portanto em ambos os casos ela tem
o mesmo valor. A quantidade de defloculante misturada a suspensão e a
água destilada é igual e, portanto a . alteração na massa específica, em
ambos os casos é a mesma. Se a temperatura da suspensão e da água
destilada são iguais a c01Teção das leituras, em ambos os casos também é a
mesma. Então pode-se escrever que,

r' (H) - r(H) = r' w(H) - rw(H) (H.44)

onde r' wCH) é a leitura corrigida para T = 20°C em água destilada e


p01tanto igual a 1,000. Rea1Tanjando a equação (H.44) tem-se

r' (H) - r' w(H) = r(H) - rw(H) (H.45)

lembrando quer' wCH) = 0,0 quando apenas as casas decimais são anotadas.

r' (H) = r(H) - rw(H) (H.46)


211

Assim, para cada leitura realizada na suspensão deve ser feita outra
na água destilada, sempre que houver alteração na temperatura. A equação
(H.42) pode, então, ser escrita da forma seguinte

100 p
P(< Di) = ¾ P, _ ~,(T) p"' (4)[r(H) -r" (H)] (H.47)

Para a temperatura da suspensão variando entre 15 e 25°C a massa


específica da água variará de 0,99910 a 0,99704 g/cm3, enquanto que para
3
4°C esse valor será de 0,99997 g/cm , valores esses muito próximos de um
e que se adotado não implicará em erros sensíveis no traçado da curva
granulomét1ica do solo. Assim a equação (H.47) poderá ser escrita como

100 p
P(< DJ = M, P, -i,ooo [r(H) - r" (H)] (H.48)
ANEXO I - LIMITES DE CONSISTÊNCIA

1.1 - APARELHO DE CASAGRANDE

O aparelho de Casagrande, na sua concepção atual, utilizado na


determinação do limite de liquidez dos solos foi normatizado por
Casagrande, em todos os seus detalhes, em 1958. O aparelho é formado
por quatro partes: base, concha, excêntrico e manivela e um sistema de
fixação; além dessa parte o aparelho vem acompanhado de um cinzel e um
calibrador da altura de queda. A Figura I.1 mostra uma vista expandida das
partes componentes do aparelho.
Na Figura I.2 estão mostrados um corte e uma vista frontal do
aparelho de Casagrande, com a identificação, através de letras, das peças
constituintes de cada parte.
Como o aparelho de Casagrande está, rigorosamente, normatizado,
antes da realização de um ensaio algumas verificações deverão ser feitas
em suas diversas partes.
A base do aparelho deve ser de borracha dura (índice Durometer D
entre 80-90, segundo a D4318 da ASTM) ou de ebonite (MB30,ABNT) e
com uma resiliência, medida sobre o local onde a concha toca a base, entre
80 e 90%. Para a medida da resiliência deve-se utilizar uma esfera de aço
polido com 8mm de diâmetro deixando-a cair de uma altura de 250mm e
medir a altura de retorno, que deverá estar entre 200 e 225mm, para que o
material da base possa ser admitido de boa qualidade. Além da resiliência,
no local onde a concha toca a base há a formação de uma mancha de forma
circular indicando um desgaste do material da base. Sempre que o
diâmetro dessa mancha for superior a 10mm, a superfície da base deverá
214

PLACA DE CALIBRAÇÃO

EXCÊNTRICO

\
MANIVELA

BASE

Figura 1.1 - Vista cio aparelho de Casagrande

ser usinada, para se retornar à condição inicial, podendo ser novamente


utilizada, desde que, a sua altura permaneça superior a 48mm. As
dimensões da base estão mostradas na Tabela 1. 1.
A concha deve ser de latão com sua massa vaiiando dentro do inter-
valo 200 ± 20g e não podendo ter ranhuras maiores que 0,1mm de
profundidade, provocadas pela passagem do cinzel. A concha é presa ao
sistema de fixação através de uma peça, a ela acoplada, e que tem a sua
ponta infe1ior chanfrada co1Tendo ao longo do excentrico, quando a mani-
215

vela é girada, provocando na concha um movimento vertical uniforme-


mente acelerado, livre de qualquer tipo de interlerência. As outras dimen-
sões da concha e de suas demais partes estão relaci onadas na Tabela 1.1.

1 1 1 1
1 f+- T----1 1 X
1 1 1 .v
1 1 l "I
11 11 -----.JD
,u, ,.LJ., .

1• -
t+---- e- -
· , 1

Figura 1.2 - Aparelho de Casagrande

O sistema que provoca o movimento da concha é composto por uma


manivela e um excêntrico, ambos, presos ao sistema de fixação por um
eixo horizontal que deve estar bem firme e não ter um atrito muito grande,
nem um desgaste excessivo na superlície do excêntrico que é tocada pela
parte chanfrada do suporte da concha.
O excêntrico deve ser construido para permitir um movimento
uniformemente acelerado a concha e assegurar que no instante anterior a
queda da concha ela esteja parada. As dimensões das peças constituintes
do sistema manivela-excêntrico estão relacionadas na Tabela 1.1 enquanto
na Tabela 1.2 estão mostradas as dimensões do excêntrico, para o ângulo <I>
variando a cada 30º, em função da dimensão N.
O sistema de fixação da concha e do excêntrico à base é composto de
duas partes; uma delas está presa a base através de dois parafusos e a outra .
parte, (placa de calibração), colocada no topo da primeira pode ser
movimentada, para frente ou para trás, permitindo a determinação correta
216

Parte Item Descrição Dimensão (mm)


A Altura 50 ± 2 *
B Comp1imento 150 ± 2 *
Base e Largura 125 ± 2 *
D Distância entre o eixo do apoio
a duas de suas faces 13
E Raio do apoio 6,5
F Raio interno da circunferência 54 ± 0,5 *
G Espessura 2 ± 0,1 *
H Distância entre o centro e o
plano tangente a borda 27 ± 0,5 *
I Distância entre o eixo do pino
Concha ao centro da circunferência 56 ± 2 *
J Distância entre o eixo do pino
a ponta chanfrada 32
K Espessura da ponta chanfrada 10
L Largura da ponta chanfrada 16
M Distância entre o ponto mais
alto da concha a base 47 ± 1 *
N Distância entre o eixo e a face
posterior da base e também ao
bico 24
Excêntrico o Distância do eixo a base 28
p Raio de rotação da manivela 45
Q Raio do excentrico f(N)
R Diâmetro · do pino de fixação
da concha a base 3,8
s Distância do eixo do pino a
Sistema base 60 ± 1 *
de T Largura interna 50 ,8
Fixação u Parafusos de fixação da placa
de calibração
V Parafuso que movimenta a
placa de cali bração
X Parafusos de fixação a base
Tabela I.1 - Dimensões do aparelho de Casagrande
217

da altura de queda da concha. O pino de fixação da concha deverá entrar e


sair, sem grande esforço, porém, não deve permitir um movimento lateral
da concha. As peças constituintes do sistema de fixação estão relacionadas
na T abela I. 1.
O cinzel é a peça que permite fazer a ranhura no solo e tem a forma e
dimensões mostradas, respectivamente, na Figura I.3 e na Tabela I.3.

<I> Q <I> Q
(º) f(N) mm (º) f(N) mm
o 0,742N 17,81 = = =
30 0,753 18,07 210 0,8 54 20,50
60 0,764 18,34 240 0,901 21,62
90 0,77 3 18,55 270 0,945 22,68
120 0,784 18,82 300 0,974 23,38
150 0,796 19,10 330 0,995 23,88
180 0,818 19,63 360 1,000 24,00
Tabela I. 2 - Dimensões do Excêntrico

~ t
B
1
e

14------ J - - - ~
PLANTA D

F~ ===s~,
~t:::::::::::±:=============:r::::::::=:::=
º
VISTA LATERAL CORTE X-X

Figura 1.3 - Cinzel de Casagrande

Os itens das Tabelas I.1 e I.3 cujas dimensões estão indicadas com os
seus respectivos intervalos de vaiiação são considerados essen~iais e não
218

permitem valores externos a este intervalo. Para ressaltar esses itens foi
colocado um asterisco na frente da dimensão de cada um deles.
A altura de elevação da concha deve ser de 10 ± 0,2mm representada
pela distância entre o ponto da concha que toca a base e o ponto na base.

Item Desc1ição Dimensão (mm)


A Largura da ponta do dente 2 ± 0,1 *
B Largura da base do dente 11 ± 0,2 *
c Largura da ponta do cinzel 40 ± 0,5 *
D Altura útil do dente 8 ± 0,1 *
E Raio da ponta do cinzel 50 ± 0,5 *
F Espessura do cinzel 2 ± 0,1 *
G Largura do calibrador da altura de queda ~ 10
H Comprimento do calibrador da altura de 13
queda
I Altura do calibrador da altura de queda 10 ± 0,05 *
J Distância entre o centro da circunferência 60
de raio E, e a extremidade do cinzel
K Ângulo de corte da ponta do cinzel 60 ± 1° *
L Largura do cinzel no centro 20
Tabela 1.3 - Dimensões do Cinzel
Para a ajustagem da altura de queda da concha deve-se soltar os
parafusos de fixação da placa de calibração (U) e movimentá-la, para a
frente ou para trás, através do parafuso (V) até atingir o ponto desejado .
O procedimento para o ajuste da altura de queda é o seguinte:
inicialmente colocar um pedaço de fita adesiva na parte externa da concha
com o seu comp1imento paralelo ao eixo do pino de fixação. Para
aparelhos que já vêm sendo utilizados a borda da fita adesiva mais
próxima ao sistema de fixação deverá cortar ao meio a mancha na base.
Para equipamentos novos deve-se colocar um pedaço de papel carbono
sobre a base e deixar a concha bater diversas vezes até ser formada uma
mancha.
Em seguida, movimentar a manivela até que a concha atinja sua
máxima altura, e introduzir o calibrador sob a concha, pela frente do
aparelho, e observar se ele toca a concha e a fita Se ambas foram
contactadas pelo calibrador a altura de queda está, aproximadamente,
21 9

con-eta. Se não ajuste a concha usando o parafuso V até que o contacto


seja feito.
Uma verificação da ajustagem deve ser feita movimentando-se a
manivela a 2 rotações/segundo com o calibrador de altura sendo mantido
em sua posição. Se um som curto é ouvido, sem que a concha se
movimente, o ajuste está correto. Se nenhum som é ouvido ou se a concha
se eleva acima do medidor nova ajustagem deve ser realizada.
Se a concha balançar sobre o medidor durante a operação de
verificação da ajustagem é porque o pino de fixação está desgastado e
precisa ser trocado . .

1.2 - LIMITE DE CONTRAÇÃO

O limite de contração de um solo é definido como o teor de umidade


limite entre o estado semi-sólido e o sólido; este limite caracteriza o
instante a partir do qual o solo começa a perder água sem variação do seu
volume. A Figura I.4 esquematiza o problema, em três fases: inicialmente,
a amostra de solo, preparada para o ensaio, está saturada. Em seguida é
deixada secar à sombra até que o teor de umidade alcance um valor
próximo ao limite de contração. Finalmente a amostra é levada a uma
estufa para uma secagem mais rápida.

D.M w

AR

}
Vf

SÓLIDOS v, SÓLIDOS SÓLIDOS

Figu ra 1.4 - Limite de contração


220

Se o esquema central da Figura 1.4 representa o instante em que a


amostra está passando do estado semi -sólido para o sólido, então, o teor de
umidade, naquele instante, é o limite de contração do solo

(1.1)

A massa de água, nesse instante, é igual a massa de água inicial


menos a massa de água evaporada,

(1.2)
e
(1.3)
então
(1.4)

Substituindo (1.4) em (1.1) tem-se,

LC = Mº - Ms - (Vº - Vr )Pw = Mº - Ms (1.5)


Ms Ms

O primeiro termo do segundo membro é o teor de umidade de


moldagem da amostra, w 0 , e p01tanto a (1.5) pode ser escrita como

V -V
LC=w- º r (1.6)
º M Pw
s

Se a massa específica dos sólidos for conhecida o limite de contração


poderá ser calculado pela fórmula

vr 1
LC = (- - -)p (1.7)
M, P, "

O volume de vazios existente no corpo de prova, após secagem em


estufa, é igual ao volume de água no instante em que o solo atinge o seu
limite de contração. Esse volume é igual a
221
M
Vv = Vr-Vs=Vr - - ' (I.8)
P,

e a massa de água contida nesse volume de vazios é igual a

M
Mw= (Vr - - ') P (I.9)
Ps w

que colocada em (I.1) resulta a equação (I.7).


A equação (I.7) poderá, também, ser utilizada para se fazer uma
determinação indireta da massa específica dos sólidos.
Na determinação do limite de contração deve-se moldar um corpo de
prova dentro da cápsula de moldagem e obter o seu volume, V 0 , que será
igual ao da cápsula.
Para se obter o volume interno da cápsula deve-se, inicialmente,
determinar a massa da cápsula seca. Em seguida encher todo o seu volume
com mercú1io que formará uma superfície convexa acima do topo da
cápsula. Este excesso de mercúrio deverá ser retirado e para isso usar a
placa com pinos, enten-ando-a no metal e recolhendo o excesso em uma
vasilha. Terminada essa operação determinar a massa da cápsula com o
mercúrio, e retirando-se a massa da cápsula obtém-se a massa de mercúri.o
que ocupa todo o volume interno.

M(Hg) = M(c+ Hg)-M(c) (I.10)

O volume da cápsula é igual ao volume do mercúrio nela contido,


assim,

V(Hg) = M(Hg) (I.11)


p(Hg)
onde

p(Hg) = 13,550g / cm 3
222

1.3 - VERIFICAÇÃO DO PENETRÔMETRO

O penetrômetro de cone usado na determinação do limite de liquidez


dos solos é um equipamento padronizado pela British Standard e, por isso,
todas as suas partes devem estar satisfazendo as condições impostas.
Assim as dimensões e a massa de cada parte do conjunto devem ser
verificadas antes da realização de um ensaio. Na Figura I.5 estão
mostradas as dimensões do cone e da placa de aferição da ponta do cone.
Além das dimensões será preciso verificar se a massa do conjunto
cone-haste está dentro do intervalo 80,00 ± 0,05g. Esta é uma condição
muito importante para o ensaio e para se acertar a massa do conjunto basta
colocar ou retirar bolinhas de chumbo do interior da haste, que é oca.
Para verificar se a ponta do cone não está danificada deve-se
introduzi-la no furo central da placa de aferição e passar a ponta do dedo
sob o furo. Se a ponta não puder ser sentida o cone deverá ser mudado.
O sistema de bloqueio do cone quando liberado deverá permitir uma
movimentação do conjunto cone-haste em queda livre e para que isso
oc01rn a haste deve estar sempre limpa e seca.
Finalmente, o penetrômetro deve estar apoiado em uma mesa que
não provoque vibrações ou movimento durante o ensaio.

IT
HASTE OCA
ESFERAS DE
CHUMBO
.____ ---i=:},?s mm

w
1,50mm

CONE PLACA DE AFERIÇÃO

Figura 1.5 - Cone e placa de aferição da ponta


ANEXO J - COMPACTAÇÃO DE SOLO

Quando Proctor introduziu o ensaio de compactação de um solo,


(material que passa na peneira de 4,8mm de abe1tura - #4) nos Estados
Unidos, em 1933 propos que o diâmetro e a altura do cilindro fossem de
101,6 e 127,0mm, respectivamente, e que o soquete tivesse uma massa de
2495g e uma altura de queda de 304,8mm. O solo deveria ser compactado
em três camadas de alturas, aproximadamente, iguais aplicando-se em
cada uma delas 25 golpes com o soquete, o que daria uma energia de
compactação por unidade de volume, igual a 543 kJ/m 3 •
Com o passar do tempo o volume útil do cilindro de compactação foi
3
alterado para 944 cm (o que correspondia a 1/30 de pé cúbico) nos
Estados Unidos e, com isso, a energia de compactação foi alterada para
3
592 kJ/m , enquanto no Brasil o volume adotado foi de 1.000 cm 3 para
3
uma energia de 561 kJ/m • Os demais valores propostos por Proctor
permaneceram os mesmos, durante muitos anos, o que dava uma diferença
de 6% para maior na energia de compactação entre os ensaios realizados
nos Estados Unidos e no Brasil. Essa variação na energia ocorreu também
em outros países e em uma tentativa de se igualar os valores das energias
usadas àquela dos Estados Unidos foram adotados diferentes números de
golpes por camada, conforme será mostrado a seguir. No Brasil, mesmo
após as alterações havidas permaneceu uma diferença, entre as energias, de
1,5% para menos.
Sempre que um novo equipamento de compactação, cilindro e
soquete, é recebido no laboratório deve-se proceder a uma verificação de
suas dimensões para ver se elas se enquadram dentro dos valores
estabelecidos, pela norma que deverá ser seguida.
A norma brasileira que orienta a realização do ensaio de
compactação é a MB -33: Solo-Ensaio de Compactação, da ABNT, e
224

deverá ser, rigorosamente, seguida para que seus resultados possam ser
comparados
com outros.

J.1-DIMENSÕES DO EQUIPAMENTO

O equipamento de compactação é composto por um cilindro fixado a


uma base e um soquete que corre dentro de um tubo guia que permite
controlar a sua altura de queda. Além dessas duas peças um colar ou
extensão é acoplado ao cilindro, no topo, para evitar a perda de solo
durante a colocação e o processo de compactação.
Dois diferentes cilindros denominados de pequeno e grande e dois
soquetes denominados de leve e pesado são os mais usados nos ensaios de
compactação. A Figura J.l mostra todas as partes, do equipamento e na
Tabela J.1 estão indicadas as dimensões principais, segundo a Associação
Brasileira de N01mas Técnicas (ABNT), a American Society for Testing
and Materials (ASTM) e a British Standard (BS).
Na Figura J.2 está mostrado em um corte esquemático, o
equipamento de compactação, e, na Tabela J.2 as dimensões secundárias
do conjunto, recomendado pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas. Dependendo do material usado na confecção do
soquete as dimensões mostradas na Tabela J.2 poderão sofrer uma
pequena variação, para que as características principais, massa e altura de
queda, sejam as recomendadas. O material mais apropriado à construção
do cilindro e da sapata é o latão, que não é atacado pela água contida no
solo; no entanto, por ser um material mais mole do que o aço inoxidável
poderá, com o uso, apresentar desgaste com alteração em sua forma. O aço
inoxidável também não é atacado pela água, mas é um material mais caro
que o latão.
O colar deve ficar preso ao cilindro e, para isso, pode-se usar um
sistema como o mostrado na Figura J.1, ou se prolongar a haste que fixa o
cilindro à base até alcançar um elemento de fixação, igual àquele do
cilindro, colocado no colar.
O cilindro do ensaio CBR pode também ser usado como
cilindro grande do ensaio de compactação, tomando-se o cuidado de
colocar, sobre a base do cilindro, o disco espaçador de altura igual a
225

COLAR

='"---PINOS DE FIXAÇÃO

r..----CILINDRO

CILINDRO

ARRUELA DE
BORRACHA

FUROS D/\ SAPATA


. / VVENTILAÇÃO

GUIA SOQUETE

Figura J.t - Equipamento de compactação


226
ABNT ASTM BS
Características
(MB-33) (D-698) (BS-1377)

Pequeno Grande Pequeno Grande Pequeno Grande

Cilindro

Diâmetro interno 100,0 ± 0,4 152,4 ± 0,6 101 ,6 ± 0,4 152,4 ± 0,7 105 ,0 152,0

mm

Altura Útil mm 127,3 + 0,3 11 4,3 + 0,3 116,4 + 0,5 116,4 + 0,5 115 ,5 127,0

Volume cm 3 1000 ± 10 2085 + 22 944 + 14 2124 + 25 1000 2305

Co lar

Altura mm 50,8 50,8 50 50

Soquete

Massa g 2500 ± 10 4500 ± 10 2500 ± 10 4540 ± 10 2500 ± 25 4500 ± 50

Diâmetro mm 50,8 ± 0,5 50,8 ± 0,5 50,80 ± 0,13 50,80 ± 50 50

0,13

Altura de Queda 305 ± 2 457 ± 2 304,8 ± 1,3 457 ,2± 1,6 300 450

mm

Tabela J. l - Características Principais do Cilindro e Soquete

63,5mm e, assim, reduzindo a sua altura útil aquela normatizada pela


Associação Brasileira de Normas Técnicas.

J.2- VERIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO

Quando o equipamento de compactação for ser usado pela primeira


vez e sempre após algum tempo de uso, toma-se necessário verificar se as
suas dimensões principais ainda se encontram dentro dos intervalos
especificados na norma em uso.
Quanto ao cilindro deve ser verificado se:
a) o diâmetro interno e a altura útil estão dentro do intervalo
recomendado. Para isso, medir três diâmetros e três alturas em diferentes
posições e calcular os valores médios e com eles calcular o volume útil
comparando o resultado com o valor recomendado.
227
b) a parede interna está lisa ou se apresenta defeitos.
c) os sistemas que fixam o cilindro à base e o colar ao cilindro estão
em boas condições.
d) o cilindro permanece imóvel durante a compactação.

B _J_
Q
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1A ~ o
l_ ,,,........,,,, _' _ ____.,"
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1n
"
1

1
J_e IJ
Hl\STE
T
COLAR
T

s
N

BASE SOQUETE

Figurá J.2 - Corte esquemático do equipamento de compactação

Quanto ao soquete deve ser verificado se:


e) a sua massa, soma das massas da sapata, da haste e da cabeça, está
dentro do intervalo recomendado.
f) a altura de queda do soquete, distância entre a base do soquete
quando todo levantado e a base da guia, está dentro do intervalo
recomendado.
g) as condições do conjunto guia-soquete permitem a queda livre do
soquete durante o ensaio.
Finalmente, uma velificação geral das condições dos equipamentos e
dos acessólios que também serão utilizados no ensaio se toma necessálio.
228
Item Descrição Cilindro
Pequena Grande
Cilindro, Colar e Base:
A Altura Útil 50 50
B Espessura da Parede 7 7
c Altura do dente de encaixe no cilindro 10 10
D Largura do dente de encaixe no cilindro 3 4
E Espessura da base 10 10
F Recorte na base para encaixe do cilindro 3 2
G Distância entre eixos das peças de fixação do cilindro à base 160 2 10
H Distância entre os topos da base e do elemento de fixação 30 50
I Espessura do elemento de fixação do cilindro 10 10
Guia :
J Diâmetro interno 52 53
K Espessura da parede 1,7 1,9
L Distância entre base da gui a e o centro do furo 15 15 .
M Diâmetro do furo por onde passa a haste do soquete 16,5 16,5
N Altura útil 395 660
o Diâmetro do furo (4 furos) 8 8
p Diâmetro do furo no topo (4 furos) 7 7
Q Distância entre o· lado da gu ia e o centro dos furos 13 ,5 13 ,5
Soquete:
R Altura da sapata 88 200
s Altura da sapata mais haste 480 780
T Di âmetro da Haste 16 16
u Espessura da arruela de borracha 2 3
Tabela J.2 - Dimensões recomendadas (MB -33), em milimetros

J.3 - ENERGIA DE COMPACTAÇÃO

A energia de compactação, por unidade de volume da amostra


compactada, aplicada ao solo através de um processo dinâmico é calcul ada
pela fórmula:

EC = _M_g_N_nH_ (J.l )
V
As grandezas, simbolizadas na fórmula (J .l ), estão definidas na
Tabela J.3, bem como, a unidade de cada uma dessas grandezas.
229
Para se definir a energia de compactação por unidade de volume da
amostra compactada, além da escolha do soquete que define a massa e a
altura de queda, e do cilindro, pequeno ou grande, é preciso estabelecer o
número de camadas em que a amostra será compactada, bem como, o
número de golpes do soquete por camada.

Símbolo Grandeza Unidade


EC Energia de compactação kJ/m 3
M Massa do soquete kg
H Altura de queda do soquete m
g Aceleração da gravidade mJs2
N Número de golpes/camada
n Número de camadas
V Volume do cilindro de compactação m3
Tabela J.3 - Energia de Compactação: grandezas, símbolos e unidades

As entidades de normatização, combinando os dois cilindros e


soquetes e vaiiando os valores das duas últimas grandezas, padronizaram
algumas energias dando-lhes nomes características. A ABNT, por
exemplo, normatizou os ensaios com as energias nonnal, intermediária e
modificada, e na Tabela J.4 estão mostradas as combinações necessárias
para se chegar a energia normal ou a modificada.

Cilindro Soquete n N EC Denominação ·


V M H kJ/m3
Tipo
10-3 m3 kg m

Pequeno Pequeno 2,5 0,305 3 26 583 Proctor Normal


1,0 27 2723 Proctor
Grande Grande 4,5 0,457 5 55 2660 Modificado
2,085 12 580 Proctor Normal
Tabela J.4 - Energias de Compactação (MB -33)

A Tabela J.5 mostra, apenas para o Proctor Normal, as diferenças


existentes entre os valores normatizados pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), American Society for Testing and Materiais
230

(ASTM) e pela Biitish Standard (BS). A energia de compactação do


ensaio brasileiro é, aproximadamente, 2% menor que as dos outros dois
ensa10s.

Cilindro Soquete
Entidade V M H n N EC
10-3 m3 kg m kJ/m 3
ABNT 1,0 2,5 0,3050 3 26 583
ASTM 0,944 2,5 0,3048 3 25 594
BS 1,0 2,5 0,3000 3 27 596
Tabela J.5 - Ensaio de Proctor Normal

Outra diferença existente entre as três n01mas é quanto a máxima


espessura da camada que excede a altura do cilindro. A norma brasileira
estipula um máximo de 10mm, enquanto que, para as outras duas este
valor é de 6mm.
Essas pequenas diferenças na energia de compactação podem afetar o
valor do teor de umidade ótimo e da massa específica sêca máxima de um
mesmo solo quando ensaiado segundo duas diferentes normas.
ANEXO K- COMPACIDADE RELATIVA

Neste Anexo serão descritos os equipamentos utilizados nos ensaios


para a determinação dos índices de vazios, máximo e mínimo, de um
material granular, com partículas menores que 75mm e maiores que
0,075mm, i é, areias e pedregulhos, bem como a forma de verificar se os
equipamentos se encontram dentro dos intervalos normatizados.

K.1 - MESA VIBRATÓRIA ELETROMAGNÉTICA

A mesa deverá apresentar uma vibração vertical e ser instalada sobre


uma fundação especial para evitar que as vibrações sejam transferidas a
outras áreas do laboratório e possam afetar a realização de outros ensaios.
Como o nível de ruído é mais alto, é conveniente que a mesa seja
instalada em um ambiente isolado acusticamente das outras áreas e que o
operador utilize, durante o ensaio, um protetor de ruidos. A especificação
completa da mesa pode ser encontrada no MB-3388: Solo-Determinação
do índice de vazios mínimo de solos não coesivos, da Associação
Brasileira de Normas Técnicas.

K.2 - MESA VIBRATÓRIA COMUM

É uma mesa vibratória usada em ensaio de peneiramento de material


granular.
232

k----- MANOPLA

1
1 1

SOBRECARGA

- TUBO-GUIA

DISPOSITIVO
DE l°...____.::u:.. ._____Jºi- Disco BASE
FIXAÇÃO~

1 ! 1 1 ! 1

GUIA PARA
CILINDRO SUPORTE DO
1 1--r--+---r-<; DEFLETÔMETRO
1 i 1 1 1 ! 1

1 L ___________ ...11
r-r - :-,
1
1
U__EJ\RAFUSO DE
1· FIXAÇÃO A MESA

MESA
/VIBRATÓRIA

._____ --'-!1l,.._i- -- --wi-


ii!_ _I

Figura K.1 - Esquema do cilindro


233

K.3-TIPOS DE CILINDROS

Na Figura K.1 está mostrado um desenho esquemático de um


cilindro de compactação, com cada uma de suas partes desenhada em
separado.
A Figura K.2 mostra o cilindro onde o matelial será cornpactado,com
as suas dimensões p1incipais indicadas por letras e definidas na Tabela
K.1, para cada um dos dois cilindros usados, bem corno, as dimensões
secundátias válidas para os dois cilindros.

1+ 34,9
I· •I
ci! 1

~- !~
1
1
1

F \ fE
1
1 1 i 1
1
76;2 ~
1
B D 1 1
19, i 1 i 1

w
25 ,4
i
ÍA
1
1
~
19,[C

dim ensões em 111111

Figura K.2 - Cilindro de compactação

Volume Dimensões - (mm)


do (Tolerância: ± 0,4mm)
Cilindro (cm3) A B e D E F

283 0 152,4 155,2 181,0 165,1 12,7 28,6


14200 279,4 230,9 308,0 24 1,3 15,9 50,8
Tabela K.1 - Dimensões p1incipais dos cilindros
234

Na Figura K.3 estão mostrados a sobrecarga, o disco base e a alça,


com as dimensões principais indicadas por letras cujos valores estão
mostrados na Tabela K.2, para os dois cilindros.

-
1
1
1
1
1

1. 76,2
D
.1. 50,8 .1
120,7

ALÇA
J
-
TUBO DE AÇO

3 PThlOS PARA
CENTRALIZAÇ ÃO
1 1 DA SOBREC ARGA
1
H

12,7L~~~~~~~~~~=D=IS=C=O'-B
= A:.. .:=E
;S
ORIFÍCIO COM ROSCA
PARA ENCAIXE DA ALÇA

Figura K.3 - Sobrecarga e disco base

Vo lume Dimensões (mm) Massa (kg)


do (To lerânc ia: ± 0,4 mm) (Sobrecarga+
C ilindro (cm3) G H J disco base)

2830 151,0 115,0 230,0 25,2 ± 0,2

14200 276 ,0 270 ,0 150,0 83,6 ± 0,6


Tabela K.2 - Dimensões principais do conjunto

Para facilitar a colocação do disco base sobre o material granular


deve ser usada a alça mostrada na Figura K.3, e que deverá ser rosqueada
no orifício existente no centro do disco.
235

Para fixar o tubo guia ao cilindro deve ser usado o sistema de fixação
mostrado na Figura K.4, onde as dimensões principais indicadas por letras
tem os seus valores mostrados na Tabela K.3.

TUBO GUIA
ARRUELA DE BORRACHA
( ~ = 1,6 )

dimensões em mm

Figura K.4 - Dispositivo de fixação cio tubo guia ao cilindro

Volume Dimensões (mm)


do (Tolerância:± 0,4mm) Tubo guia (aço)
Cilindro Diâmetro
cm 3 L M Interno Externo Comprimento

283 0 12,7 34,9 152,0 164,8 305,0


14200 15,9 38,l 280,0 299,0 200,0
Tabela K.3 - Dimensões do sistema de fixação e tubo guia

Na Figura K.5 está esquematizado um conjunto alternativo de


um cilindro para ser usado junto com a mesa vibratória comum, descrita
no item K.2 . O cilindro tem as dimensões do cilindro usado no ensaio de
compactação Proctor Normal, porém, soldado a uma base mais espessa
que a usada normalmente.
A massa da sobrecarga mais o disco base é de 11, 1 ± O, 1 kg
suficiente para aplicar uma pressão de 18,8 ± 0,1 •kPa ao material
gran ular. Da mesma fo1ma como mostrado na Figura K.1 o disco base
deve ser provido de um sistema de centralização da sobrecarga e para a
236

construção do conjunto podem ser utilizadas as informações da Figura


K.3
adaptando-as às novas dimensões.

100

M--<---<----+---CILINDRO
127 ,3 117

4}r-~ ~
1 1
-t..1-___.i~_---1..i-+1~,.,n
. ORIFÍCIO PARA
FIXAÇÃO A .MESA
VIBRADORA
1. • 1•• 1. . 1•• 1••1..1
34 22 114 22 19 15
dimensões em 111111

Figura K.5 - Esquema de um conjunto alternativo

Na Figura K.6 estão mostradas uma vista superior do cilindro de


compactação do ensaio Tipo A e uma vista lateral do dispositivo de
fixação do defletômetro para a medida do assentamento das partículas do
material granul ar após a vibração.
Como as medidas serão feitas, inicialmente, sobre o topo do cilindro
em duas posições simétricas em relação ao eixo XX e após o ensaio em
pelo menos três posições, também simétricas em relação ao mesmo eixo, a
peça que prende o defletômetro ao supotte deve permitir a sua
movimentação sem que se altere o paralelismo entre os eixos do suporte e
o do defletômetro.
As leituras deverão ser realizadas com o defletômetro colocado tanto
no suporte da direita quanto no da esquerda.
237

FIXAÇÃO DO
CILINDRO A
MESA

FIXAÇÃ9 DO
DEFLETOMETRO

_ _x

PLANTA

dimensões em 111111

DETALHE

Figura K.6 - Dispositivo de fixação do defletômetro

K.4 - MASSA E VOLUME DO CILINDRO

Sempre que um novo cilindro chegar ao laborató1io ou anualmente


as suas medidas devem ser ve1ificadas para uma comparação com as
medidas normatizadas.
Para a determinação da massa do cilindro vazio utilizar balanças com
resoluções de 5g e lg, respectivamente, para o cilindro de 14200 cm 3 e
para os cilindros menores.
238

Para a determinação do volume interno do cilindro, duas formas


podem ser utilizadas. A ptimeira através da medida do diâmetro e da altura
do cilindro, em pelo menos três pontos diferentes, com um paquímetro e
depois calcular o volume, V(l), utilizando os valores médios do diâmetro
e da altura.
A segunda maneira de se calcular o volume do cilindro é preenche-lo
com água e determinar a massa do cilindro + água, na mesma balança
utilizada para a determinação da massa do cilindro vazio. Em seguida,
medir a temperatura da água, com te1mômetro de resolução de 1°C, e
calcular o volume do cilindro, V(2), como

Massa (cilindro+ água) - Massa (cilindro)


Volume (cilindro)= , . , . (K. l)
Massa espec1f1ca da agua (T)

O volume V(c) do cilindro será considerado igual a

V(l) + V(2)
V(c) = (K.2)
2

se as duas condições seguintes forem satisfeitas,

0,5
V(l) - V(2) < lO0 V(n)
(K.3)
1,5
V(c) < V(n)
100

onde V(n) é o volume nominal do ci lindro indicado pelo fabticante.


Se após sucessivas determinações do volume este não se enquadrar
na tolerância fixada o cilindro deve ser rejeitado.
239

K.5-MESA ELETROMAGNÉTICA DE VÍBRAÇÃO VERTI-


CAL

A calibração deve ser realizada sob condições que simulem o


ensaio,
tanto para o tamanho do cilindro quanto para a frequência de vibração, e
que permita dete1minar a posição do reostato que confira ao cilindro uma
amplitude dupla de vibração vertical de 0,33 ± 0,05mm ou 0,48 ± 0,05mm,
para uma frequência de 60 ou 50 Hz, respectivamente, sendo que as
medidas da amplitude devem ser feitas com resolução de 0,01 5mm.
É sempre conveniente que, durante o processo de calibração, se
defina a con-elação entre as leituras no reostato e a amplitude dupla de
vibração vertical.

K.6 - MESA VIBRATÓRIA COMUM

A calibração deve, também, ser realizada em condições que


simulem o ensaio. Deixar o cilindro vibrar durante um minuto e pare o
vibrador. Faça uma medida do assentamento e calcule a massa específica
· seca resultante. Repita o processo para cada minuto decorrido e coloque os
resultados em um gráfico. Para o material ensaiado o tempo de vibração
deve ser aquele que para tempos maiores as variações na massa específica
seca são pequenas. Os assentamentos, para cada minuto, podem ser
dete1minados medindo-se, com um paquímetro, a diferença entre os topos
do tubo gui a e o da sobrecarga.
ANEXO L-SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

O Sistema Internacional de Unidades (SI) foi desenvolvido pela


Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) e aprovado na
11 ª Reunião realizada em 1960, incluindo-se a abreviatura SI. Em reuniões
poste1iores foram sendo introduzidas modificações de forma a satisfazer as
necessidades de todos os usuários .
O Brasil adotou-o como sistema de unidades desde 1962, mas só em
1982 é que foi tornado obrigató1io o uso de suas unidades, através da
Resolução Conmetro 01/82, atualizada pela Resolução 03/84 e, ambas,
substituidas pelas Resoluções 11/88 e 12/ 88, de 12/ 10/1988 e publicadas
no Diá1io Oficial da União, de 21 /10/88.
A seguir serão apresentadas, inicialmente, a estrutura do Sistema
Internacional e depois as unidades das grandezas que mais interesse
apresentam a geotecnia.

L.1 - ESTRUTURA

O Sistema Internacional está dividido em três classes de unidades, e


que são as
Unidades de Base
Unidades Suplementares
Unidades Derivadas
As unidades de base constituem um conjunto de sete unidades,
dimensionalmente independentes, e que servem de apoio ao desenvolvi -
mento de todo o sistema, e que satisfazem não· apenas a ciência e a tecno-
242

logia mas , também, às necessidades di ári as da população. Na Tabela L.1


estão indicadas as grandezas e os símbolos com que são representadas,
bem como, a unidade com que cada grandeza será medida.

GRANDEZA Unidade
Símbolo Nome
Comprimento m metro
Massa kg quilograma
Tempo s segundo
Corrente Elétrica A ampere
Temperatura Termodinâmica K kelvin
Quantidade de Matéria mal mal
Intensidade Luminosa cd candeia
Tabela L.1 - Unidades de Base

As unidades suplementares contém, apenas, duas unidades como


mostrado na Tabela L.2 e que medem um ângulo plano e um ângulo
sólido. A natureza dessas unidades não foi claramente definida durante a
realização da 11 ª. Reunião da CGPM.

GRANDEZA Unidade
Símbolo Nome
Rad iano rad radiano
Ângulo Sólido sr esterradiano
Tabela L.2 - Unidades Suplementares

Para isso, o Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM), em


1980, considerando que o angulo plano e o ângulo sólido são, geralmente,
expressos como uma relação entre dois comprimentos e entre uma área e o
quadrado de um comp1imento, respectivamente, especificou que as duas
grandezas serão consideradas como quantidades derivadas adimensionais,
podendo serem usadas ou omitidas nas expressões para unidades
derivadas.
As unidades derivadas são fo1madas pela combinação de unidades
de base, unidades suplementares e outras unidades derivadas de acordo
com relações algébricas unindo as correspondentes grandezas. Os
símbolos das unidades de1ivadas são obtidos através dos sinais
matemáticos da multiplicação, . divisão, exponenciação, com algumas
243

destas unidades tendo um nome especial, geralmente, ligado a nome de


algum cientista. Na Tabela L.3 estão relacionadas as unidades derivadas
mais usadas em um laboratório de Geotecnia.
Algumas grandezas podem atingir valores que não são,
apropriadamente, indicadas pelas suas unidades . Para se evitar esses
problemas o SI optou por um conjunto de prefixos que permitem criar

GRANDEZA Unidade
Símbolo Nome
Aceleração mJs2 metro/segundo/segundo
Aceleração angular rad/s2 radiano/segundo/segundo
Área m2 metro quadrado
Energia J joule
Força N newton
Frequência Hz hertz
Massa Específica kg/m3 quilograma/metro cúbico
Potencia w watt
Potencial Elétrico V volt
Pressão Pa pascal
Temperatura ºC grau Celsius
Tensão Pa pascal
Vazão m3/s metro cúbico/segundo
Velocidade m/s metro/segundo
Velocidade Angular rad/s radiano/segundo
Viscosidade Dinâmica Pa.s pascal/segundo
Volume m3 metro cúbico
Tabela L.3 - Unidades Derivadas

múltiplos e submúltiplos de suas unidades. Na Tabela L.4 estão mostrados


alguns dos prefixos mais usados na engenharia.
Além dessas três classes de unidades existem outras que são muito
usadas na nossa vida e que foi permitido o seu uso. Elas devem ser usadas
separadamente, evitando-se o seu uso na composição de outras unidades
derivadas e estão mostradas na Tabela L.5 aquelas mais usadas na
Geotecnia.
Algumas unidades, muito utilizadas no Brasil antes da adoção do SI,
como, quilograma-força, milímetros de mercúrio, metro de coluna d'água
244

e outras mais, devem ser evitadas e substituídas pelas unidades


correspondentes do SI.

NOME SÍMBOLO FATOR MULTIPLICADOR


mega M 106
quilo k lüj
hecto h 10'2
deca da 10
deci d 10-J
centi e 10-'l
mili m 10-j
IIllCfO µ 10-C,
Tabela L.4 - Conjunto de Prefixos

GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO RELAÇÃO


7t
grau o 1° = - rad
180
Angulo Plano
1 l' = (J_)º
minuto 60
l"=(J_)'
segundo " 60
Massa tonelada t 3
1t = 10 kg
minuto IIlln lmin = 60s
Tempo hora h lh = 3600s
dia d ld = 86400s
Volume litro e l.e = 10-6m3
Tabela L.5 - Unidades Permitidas

L.2-REGRAS DE ESTILO

Para que não ocotTam incorreções quando da escrita dos nomes e dos
símbolos das unidades algumas regras devem ser observadas , conforme
descrito a seguir.
245

L.2.1 - Para escrita dos símbolos

a. Os símbolos deverão ser escritos com letras tipo "courier",


independente do tipo de letra usado no texto. A exceção permitida é para a
unidade de volume litro, cujo símbolo deve ser grafado como f .
b. O símbolo se mantém inalterado no plural.
c. Após a última letra do símbolo não se deve colocar um ponto, a
menos que represente o ponto final do período.
d .. Os símbolos são esc1itos com letras minúsculas a menos que,
sejam derivados de um nome próprio quando, apenas, a primeira letra será
maiúscula.
e. Os prefixos devem ser escritos com letra minúscula a não ser
quando possa trazer confusão, coino por exemplo, entre mega e mili como
mostrado na Tabela L.4.
f. Entre o prefixo e o símbolo não deve ser deixado nenhum espaço.

L.2.2 - Para escrita dos nomes dos símbolos

a. Os nomes serão escritos com letras minúsculas, pois . são


considerados substantivos comuns a não ser para a unidade grau Celsius.
As exceções ficam quando a palavra está iniciando uma frase ou faz parte
de um título, todo ele escrito em letra maíuscula.
b. O plural dos nomes das unidades nem sempre será formado de
acordo com as regras gramaticais da língua portuguesa; para as unidades
derivadas de nomes próprios será acrescentada, apenas, um s, como por
exemplo, newtons, pascais.
c. A nomes de unidades, formados por palavras compostas não
ligadas por hifem são acrescentados a letras nas duas palavras; assim tem-
se, metros quadrados.
d. Nomes de unidades formados por multiplicação, em que ambos
podem variar independentemente, acrescenta-se s, tal como mostrado,
Newtons - metros
e. Os nomes terminados com s, x, z não são modificados no plural;
assim, tem-se 1 hertz ou 2 hertz.
f. Ao denominador de uma unidade obtida por divisão de outras duas
não se acrescentas; assim, tem-se:
quilometras por hora, metros por segundo
246

g. Entre o nome do prefixo e o da unidade não se deixa nenhum


espaço nem se coloca um hifen ou ponto. Assim tem-se quilopascal,
meganewton

L.2.3 - Para unidades formadas por multiplicação ou divisão

a. por multiplicação
Deixar um espaço entre as unidades quando os nomes estiverem
sendo grafados, como, pascal segundo, newton metro ou se apenas os
símbolos estiverem sendo usados indicar o produto pela justaposição dos
símbolos componentes, ou pela colocação de um ponto, entre eles, a meia
altura, como mostrado,
Pas ou Pa·s
Nm ou N·m

b. por divisão
Usar o termo "por" entre os nomes das unidades, como metro por
segundo, quilograma por metro, ou

m
m / s, - , ms , m s
-1 -1
ou
s

kg / m, kg, kgm-1 , kg m-1


m

se apenas os símbolos estiverem sendo indicados.

e. potenciação
Usar a potência de forma adjetivada, como metro por segundo ao
quadrado,metro quadrado por segundo quando os nomes estiverem sendo
usados e

m
m / s 2 ,-----;, m s-2 , m s-- 2
s-
247

quando apenas os símbolos estão sendo indicados.


d. Símbolos e nomes não devem ser usados em uma mesma
expressão. Assim o c01Teto é escrever-se metros por segundo e não
m/segundo ou metros/s.

L.2.4 - Para a escrita de números

a. A parte inteira do número deverá ser separada da parte decimal


por uma vírgula.
b. Para números que contenham muitos algarismos, tanto à direita
quanto à esquerda da vírgula, pode-se separá-los em grupos de três,
deixando-se um pequeno espaço entre eles de modo a faci litar a leitura.
Por exemplo,

3,141 592 654 3 420,1 30

e. Para se indicar a multiplicação entre dois números deve-se usar o


sinal (x) entre eles, enquanto que a divisão poderá ser indicada como
mostrado a seguir

0,25
, 0,25 / 5, 0,25 X 5-• , 0,25+5
5

d. Quando se estiver expressando o valor numélico e a sua unidade,


de uma dada grandeza, deverá ser deixado um espaço entre ambos, como
mostrado

3
p= l ,934g/cm

Quando a grandeza refe1ida for um ângulo plano ou uma temperatm d


espaço entre o valor numélico e a unidade não deve ser deixado. Assim,

a= 49°31'42"

T= 35,7ºC
'
248

L.3 - ERROS QUE DEVEM SER EVITADOS

a. Colocação de um ponto após o símbolo de uma unidade; por


exemplo, min. está errado.
b. Fazer menção a grau centígrado em lugar de grau Celsius.
e. A indicação do prefixo quilo com K (maiúscula) em lugar de k
(minúscula).
d. O símbolo da unidade de tempo é s e não seg.
e. O uso de um ponto em lugar da vírgula para separar a parte inteira
da parte decimal de um número.
f. A utilização do símbolo cc para centímetro cúbico não é c01Teta,
porque não existe uma unidade de volume simbolizada por c.