Está en la página 1de 104

Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

QUALIDADE,
SAÚDE, MEIO
AMBIENTE E
SEGURANÇA DO
TRABALHO
Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

QUALIDADE,
SAÚDE, MEIO
AMBIENTE E
SEGURANÇA DO
TRABALHO
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
Série Energia – GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO

QUALIDADE,
SAÚDE, MEIO
AMBIENTE E
SEGURANÇA DO
TRABALHO
© 2017. SENAI – Departamento Nacional

© 2017. SENAI – Departamento Regional da Bahia

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, me-
cânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela Equipe de Inovação e Tecnologias Educacionais do


SENAI da Bahia, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada
por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional da Bahia


Inovação e Tecnologias Educacionais – ITED

FICHA CATALOGRÁFICA

S491q
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho / Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial, Departamento Nacional,
Departamento Regional da Bahia. - Brasília: SENAI/DN, 2017.
100 p.: il. - (Série Energia - Geração, Transmissão e Distribuição).

ISBN 978-85-505-0248-9

1. Gestão da produção. 2. Segurança do trabalho. 3. Controle ambiental.


4. Qualidade total. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. II. Departa-
mento Nacional. III. Departamento Regional da Bahia. IV. Qualidade, saúde, meio
ambiente e segurança do trabalho. V. Série Energia - Geração, Transmissão e
Distribuição.

CDU: 658.5

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações
Figura 1 -  Equipe de trabalho.......................................................................................................................................17
Figura 2 -  Relações Interpessoais................................................................................................................................20
Figura 3 -  Sistema de gestão ISO 9001......................................................................................................................26
Figura 4 -  Modelo de um processo.............................................................................................................................29
Figura 5 -  Diagrama de Pareto......................................................................................................................................30
Figura 6 -  Diagrama de Ishikawa.................................................................................................................................31
Figura 7 -  Estrutura do histograma.............................................................................................................................32
Figura 8 -  Lista de verificação no processo de produção...................................................................................33
Figura 9 -  Sessão de Brainstorm...................................................................................................................................34
Figura 10 -  Gráfico de controle.....................................................................................................................................35
Figura 11 -  Dispersão da amostra................................................................................................................................37
Figura 12 -  Tipos de gráfico...........................................................................................................................................38
Figura 13 -  Stakeholders pela qualidade total.........................................................................................................41
Figura 14 -  Evolução da qualidade total...................................................................................................................43
Figura 15 -  Eficiência nas organizações.....................................................................................................................44
Figura 16 -  Ilustração do ciclo PDCA..........................................................................................................................47
Figura 17 -  Segurança e saúde.....................................................................................................................................51
Figura 18 -  Dimensionamento CIPA...........................................................................................................................53
Figura 19 -  Danos no trabalho......................................................................................................................................61
Figura 20 -  Hierarquia de proteção.............................................................................................................................63
Figura 21 -  Exemplo mapa de risco............................................................................................................................64
Figura 22 -  Exemplos de EPC.........................................................................................................................................66
Figura 23 -  Doenças ocupacionais..............................................................................................................................67
Figura 24 -  Meio ambiente.............................................................................................................................................71
Figura 25 -  Impactos ambientais.................................................................................................................................72
Figura 26 -  Reciclagem....................................................................................................................................................75
Figura 27 -  Coleta seletiva..............................................................................................................................................76
Figura 28 -  Tipos de resíduos sólidos.........................................................................................................................77
Figura 29 -  Diferentes fontes de energia..................................................................................................................80
Figura 30 -  Matriz energética brasileira.....................................................................................................................81
Figura 31 -  Preservação do meio ambiente.............................................................................................................82
Figura 32 -  Aerogerador (energia eólica)..................................................................................................................84
Figura 33 -  Objetivos de desenvolvimento sustentável......................................................................................87

Quadro 1 - Diferença entre grupos e equipes de trabalho.................................................................................19


Quadro 2 - Diferenças entre eficiência e eficácia....................................................................................................45
Quadro 3 - Agentes ambientais....................................................................................................................................62
Gráfico 1 -  Estatística de acidentes no Brasil...........................................................................................................56
Gráfico 2 -  Custos de acidentes do trabalho...........................................................................................................57
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................13

2 Equipes de trabalho.......................................................................................................................................................17
2.1 Trabalho em grupo......................................................................................................................................19
2.2 Relações interpessoais ..............................................................................................................................20

3 Qualidade..........................................................................................................................................................................25
3.1 Terminologias e procedimentos.............................................................................................................26
3.2 Princípio da gestão da qualidade...........................................................................................................27
3.3 Processo...........................................................................................................................................................29
3.4 Ferramentas ..................................................................................................................................................30
3.4.1 Pareto.............................................................................................................................................30
3.4.2 Ishikawa.........................................................................................................................................31
3.4.3 Histograma...................................................................................................................................32
3.4.4 Lista de verificação....................................................................................................................33
3.4.5 Brainstorm....................................................................................................................................34
3.4.6 Gráfico de controle....................................................................................................................35
3.4.7 Diagrama de dispersão............................................................................................................36
3.5 Planilhas e gráficos......................................................................................................................................37

4 Qualidade total................................................................................................................................................................41
4.1 Conceito...........................................................................................................................................................42
4.2 Eficiência..........................................................................................................................................................44
4.3 Eficácia..............................................................................................................................................................45
4.4 Melhoria contínua . .....................................................................................................................................47

5 Segurança e saúde.........................................................................................................................................................51
5.1 CIPA....................................................................................................................................................................52
5.2 Acidentes de trabalho................................................................................................................................55
5.3 Condições ambientais................................................................................................................................58
5.3.1 Riscos ambientais......................................................................................................................58
5.3.2 Riscos ergonômicos..................................................................................................................59
5.3.3 Prevenção e redução de danos.............................................................................................60
5.4 Riscos ocupacionais ...................................................................................................................................61
5.4.1 Medidas preventivas ...............................................................................................................62
5.4.2 EPI....................................................................................................................................................64
5.4.3 EPC .................................................................................................................................................65
5.4.4 Controle e preservação dos equipamentos de proteção............................................66
5.5 Doenças...........................................................................................................................................................67

6 Meio ambiente.................................................................................................................................................................71
6.1 Aspectos e impactos ambientais da ação humana ........................................................................72
6.1.1 Consumo consciente................................................................................................................73
6.1.2 Reciclagem do lixo.....................................................................................................................74
6.1.3 Descarte de resíduos................................................................................................................76
6.2 Ecossistemas e globalização dos problemas ambientais..............................................................78
6.3 Racionalização do uso dos recursos naturais e fontes de energia ............................................79
6.4 Preservação do meio ambiente..............................................................................................................82
6.5 Tecnologias limpas.......................................................................................................................................83
6.6 Uso de recursos renováveis......................................................................................................................85
6.7 Desenvolvimento sustentável.................................................................................................................86

Referências............................................................................................................................................................................91

Minicurrículo do autor......................................................................................................................................................95

Índice......................................................................................................................................................................................97
Introdução

Prezado (a) aluno (a),


É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) traz o
livro didático de Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho (QSMS).
Este livro tem como objetivo levar o aluno a desenvolver fundamentos técnicos e científicos
relativos às ações preventivas pertinentes à conservação do meio ambiente, à segurança e saú-
de nos serviços em eletricidade e à utilização de princípios de gestão da qualidade, bem como
capacidades sociais, organizativas e metodológicas, de acordo com a atuação do profissional
no mundo do trabalho.
Estudaremos os conceitos básicos de gestão da Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e
Saúde – QSMS e sua importância para a melhoria da gestão empresarial através da administra-
ção dos riscos que auxilia na identificação e gerenciamento de falhas, evitando que ocorram
eventos indesejados.
Conheceremos os principais conceitos da gestão integrada de QSMS: qualidade, diz respei-
to à forma como o produto ou serviço será ofertado ao seu consumidor final; segurança, tem
como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho; meio ambiente,
envolve os aspectos que afetam o ecossistema e a vida humana; saúde, está ligada à seguran-
ça, objetivando a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
Você vai se deparar com assuntos que ressaltam a importância do planejamento compro-
metido com a preservação dos recursos ambientais.
Por fim, esta unidade curricular servirá para despertar suas capacidades sociais, organizati-
vas, metodológicas e técnicas.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
14

CAPACIDADES SOCIAIS, ORGANIZATIVAS E METODOLÓGICAS

a) Avaliar o trabalho realizado, na perspectiva de melhoria contínua;


b) Cumprir normas e procedimentos;
c) Identificar diferentes alternativas de solução nas situações propostas;
d) Manter-se atualizado tecnicamente;
e) Ter senso crítico;
f) Ter senso investigativo;
g) Ter visão sistêmica;
h) Aplicar as ferramentas da qualidade nos processos;
i) Demonstrar organização;
j) Estabelecer prioridades;
k) Comunicar-se com clareza;
l) Demonstrar atitudes éticas;
m) Demonstrar postura de cooperação;
n) Ter proatividade;
o) Trabalhar em equipe.

CAPACIDADES TÉCNICAS

a) Conceituar princípios ambientais;


b) Conceituar princípios de qualidade;
c) Identificar as condições ambientais de riscos no trabalho;
d) Identificar elementos da gestão ambiental;
e) Identificar EPI e EPC;
f) Identificar ferramentas da qualidade;
g) Identificar normas técnicas, de qualidade, de saúde e segurança no trabalho e ambientais;
h) Identificar normas técnicas e regulamentadoras vigentes;
i) Identificar os aspectos relacionados à saúde e à segurança do trabalho;
j) Identificar os riscos ocupacionais;
k) Interpretar os processos de gestão da qualidade, meio ambiente, e saúde e segurança do traba-
lho e de desenvolvimento sustentável.
1 INTRODUÇÃO
15

Lembre-se de que você é o principal responsável por sua formação e isso inclui ações proativas, como:
a) Consultar seu professor-tutor sempre que tiver dúvida;
b) Não deixar as dúvidas para depois;
c) Estabelecer um cronograma de estudo que você cumpra realmente;
d) Reservar um intervalo para quando o estudo se prolongar um pouco mais.

Nesse contexto, esperamos que esta unidade seja de grande aprendizado e que o profissional de ele-
trotécnica aproveite o vasto conteúdo que abrange desde o controle de qualidade e a gestão ambiental,
passando pela prevenção de riscos de acidentes, até a saúde do trabalhador para se capacitar e se tornar
um profissional de qualidade, que faça a diferença no seu ambiente de trabalho.
No ofício do profissional de eletrotécnica, deve também existir a preocupação com os fundamentos do
QSMS, por isso, você verá de forma clara toda essa abordagem.

Bons estudos!
Equipes de trabalho

Como parte integrante da sociedade, o homem, enquanto ser social, está inserido em gru-
pos distintos, seja participando de atividades com amigos, familiares, grupos religiosos, de es-
portes e, até mesmo, grupos de trabalho. No entanto, grupo não é o mesmo que equipe, como
veremos.
Que tal recorrermos à etimologia para entendermos o conceito de equipe? A palavra “equi-
pe” vem do verbo francês équiper, cujo significado é ajeitar ou capacitar e pode ser definida
como um “grupo de pessoas organizadas para um serviço determinado”.
Em uma equipe, os esforços se dão de maneira coletiva, nela, os grupos de pessoas têm o
objetivo de propor novas situações para solucionar os problemas. Ao fazer parte de um deter-
minado grupo, os indivíduos tentarão se adaptar às normas e/ou regras convencionadas, seja
pelo convívio ou, ainda, expressada ou registrada formalmente em documento.

Figura 1 -  Equipe de trabalho


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Um dos recursos mais importantes e influentes para o sucesso dos trabalhos em equipe é a
comunicação. Além disso, podemos citar outras características, como a capacidade de nego-
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
18

ciação, respeito às individualidades, compreensão das necessidades coletivas, flexibilidade, observação da


dinâmica acerca da influência e poder entres os componentes do grupo.
A definição dos objetivos das equipes de trabalho é um dos aspectos mais importantes para existência
do mesmo, bem como a responsabilidade e papel de cada um dentro deste.

CASOS E RELATOS

Uma das mais famosas equipes de sucesso


As formigas vivem em colônias formadas sob o solo, em troncos de árvores e demais ambientes
propícios para sua espécie.
Conhecidas como insetos sociais, elas estabelecem uma divisão de tarefas muito precisa e funda-
mental para a sobrevivência das suas colônias.
A rainha tem a função reprodutora, ou seja, é responsável por gerar os novos indivíduos que forma-
rão o seu novo grupo.
As operárias têm diversas funções dentro desse círculo, como: coletar os alimentos, defender o for-
migueiro e cuidar das larvas. Os machos, por sua vez, têm o papel de fertilizar a rainha e logo depois
morrem.
Observando o comportamento desses insetos, podemos visualizar como um trabalho em equipe
pode ser vital para a sobrevivência de determinados grupos.
A ação desses insetos abre um caminho para a reflexão: como seres tão pequenos e irracionais
conseguem exercer um trabalho tão simples e ao mesmo tempo tão organizado em detrimento de
todo o raciocínio e aparato tecnológico do ser humano? Faça você essa reflexão e discuta com seus
amigos, colegas e familiares.

O grande jogador de basquete Michel Jordan disse que “o talento vence jogos, mas só o trabalho em
equipe ganha campeonatos”. Com isso, ele quis dizer que, embora o talento individual seja muito impor-
tante, saber se relacionar e tirar disso o melhor proveito possível é fundamental para obter sucesso em
tudo o que for proposto.

SAIBA Para ilustrar o funcionamento de equipes de trabalho, leia: HUNTER, James C. O monge
e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante,
MAIS 1998.
2 Equipes de Trabalho
19

Neste capítulo, dialogaremos sobre as relações desenvolvidas com equipes de trabalho, abordando te-
maticamente conceitos sobre trabalho em grupo e as relações interpessoais decorrentes dessas interações
e de que forma podemos contribuir para que o resultado desejado seja alcançado. Vamos lá!

2.1 TRABALHO EM GRUPO

Um grupo é um conjunto de pessoas que se reúnem por afinidades e semelhanças em um mesmo


ambiente. Ao observar os grupos de animais, por exemplo, você perceberá que eles se reúnem por afi-
nidades, sem ter um objetivo definido. Cada um está procurando seu alimento ou caça da forma que lhe
convém, porém, as afinidades são iguais.
Acontece igualmente nas empresas e organizações. Trabalhos em grupo podem se resumir em pessoas
que trabalham em um mesmo local, e que não necessariamente se conheçam ou precisem interagir entre
si para a conclusão das tarefas, trabalhando, às vezes, de forma individual para atingir as metas estabeleci-
das, obedecendo a uma hierarquia bem definida (chefes, coordenadores, gerentes, diretores, etc.). Nestes
casos, aparece a habilidade individual de cada componente do grupo.
Veja, a seguir, as principais diferenças entre trabalho em equipe e trabalho em grupo:

DIFERENÇA ENTRE GRUPOS E EQUIPES DE TRABALHO

GRUPOS EQUIPES

Podem apresentar algum objetivo geral Apresentam objetivos gerais e específicos


Objetivos comum, mas não é necessário que em comum, compartilhado por todos os
apresentem. membros.

São complementares, demandam


Atividades Não são complementares.
convergências de esforços dos membros.

Existe interdependência complexa, as


Normalmente, não existe interdependên-
Relação tarefas e/ou resultados de um membro
cia. Quando existe, são simples e lineares.
dependem do outro.

São conhecidas e compartilhadas por


Podem compartilhar informações sobre
Metas todos do grupo, uma vez que o
metas.
desempenho é coletivo.

Neutra. Em alguns casos, pode ser Positiva. O alcance dos objetivos


Sinergia
negativa. pressupõe a convergência dos esforços.

Individuais, mas correlacionadas ou


Responsabilidades Individuais e isoladas.
coletivas.

Habilidades Aleatórias e variadas. Correlacionadas e complementares.

Quadro 1 - Diferença entre grupos e equipes de trabalho


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Você notou a diferença entre trabalho em equipe e trabalho em grupo?


No trabalho em grupo, cada indivíduo foca na conclusão de sua tarefa.
CURIOSIDADES Já no trabalho em equipe, a pessoa interage, colaborando com as tarefas
dos colegas dentro da área de sua especialidade.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
20

Relações de trabalho restritas, sem interação, podem gerar problemas de harmonia no ambiente e isso
afetar a produtividade. Uma forma de resolver tais conflitos é trabalhar o fator de relacionamento interpes-
soal entre aqueles que fazem parte dos grupos.
As grandes empresas têm investido cada vez mais na formação e bem-estar dos seus profissionais para
que estejam sempre motivados e emocionalmente capazes de enfrentar os problemas pessoais e das pró-
prias organizações. Veja, no próximo tópico, a definição e importância a respeito deste assunto.

2.2 RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Cada ser humano possui particularidades e precisa encaixar-se na coletividade a partir das diversas rela-
ções estabelecidas ao longo da vida. O relacionamento interpessoal diz respeito aos vínculos criados entre
pessoas em suas diferentes relações sociais. Daí a importância de se aprender a conviver em sociedade.
No ambiente organizacional, boas relações interpessoais influenciam diretamente na qualidade de
vida, visto que a maior parte do tempo se passa no ambiente de trabalho. Portanto, essa característica é
cada vez mais fundamental na contratação de profissionais por empresas de todo o mundo.

Figura 2 -  Relações Interpessoais


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

É muito comum, dentro de uma organização, que os profissionais preocupados com suas responsa-
bilidades individuais percam a visão do conjunto. Como consequência disso, as relações começam a ser
prejudicadas, tornando o ambiente organizacional nocivo.
É importante buscar formas de superar as diferenças e se relacionar de maneira a priorizar o bom conví-
vio, gerindo os conflitos, colocando o bem comum à frente dos problemas pessoais.
2 Equipes de Trabalho
21

FIQUE O controle emocional é importantíssimo para enfrentar situações. Deve-se evitar a


hostilidade originada pelo sentimento de raiva, que pode se manifestar, por exem-
ALERTA plo, em reclamações, falta de cordialidade, competitividade, etc.

A postura frente às situações dentro das organizações é um diferencial do profissional que quer se
destacar no mercado, pois o comportamento das pessoas influencia o ambiente corporativo e reflete em
resultados positivos ou negativos para a empresa.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
22

RECAPITULANDO

Neste capítulo, vimos a importância do trabalho em equipe dentro do cotidiano das pessoas em
diversos âmbitos e para diversas finalidades.
As equipes de trabalho formam-se com o objetivo principal de agregar os indivíduos que estão in-
seridos, visando propor soluções para determinadas situações, independentemente de conterem
indivíduos com objetivos comuns ou não.
Você pôde observar que, quando os objetivos estão alinhados, as expectativas desejadas facilitam a
vida de todos dentro do grupo.
No ambiente de trabalho, no cotidiano com a família e nas reuniões de amigos, interagir da forma
acertada e descobrir seus valores individuais faz com que haja mais crescimento dentro das relações.
O que não se pode perder de vista é que o homem é um ser social e, por isso, deve aprender a extrair
o máximo de benefícios dessa característica para modificar o ambiente à sua volta, sendo agente de
transformação, primeiramente, nos grupos em que está inserido e, posteriormente, no mundo em
que vive.
2 Equipes de Trabalho
23
Qualidade

Neste capítulo, estudaremos sobre o tema Qualidade de uma forma ampla, abordando des-
de seus conceitos e terminologias, princípios, até as principais ferramentas utilizadas como
auxiliadoras da gestão.
Para entendermos os conceitos e desdobramentos da qualidade, primeiramente, precisa-
mos conhecer o significado da sua palavra. Qualidade vem do latim qualitate e diz respeito às
características particulares que damos a determinadas coisas e pessoas. Em relação ao termo
qualidade nas organizações, a norma brasileira ABNT NBR ISO 9000:2015, define como “grau
no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos”.
Pode-se avaliar a qualidade de produtos e serviços quando as necessidades e expectativas,
que são distintas e particulares de cada um, conseguem ser atendidas de forma satisfatória.
A partir desse conceito, visualiza-se a gestão da qualidade dentro das organizações, que
evoluiu com o passar do tempo na tentativa de gerir o ambiente corporativo cada vez mais
exigente e competitivo.
Gestão da qualidade, quando aplicada de forma responsável e correta, possibilita a satisfa-
ção dos clientes, podendo ser definida como uma atividade que objetiva organizar empresas e
melhorar os produtos e serviços ofertados por ela.
A gestão da qualidade teve sua origem na Segunda Guerra Mundial, na tentativa de corrigir
os erros das frotas militares. O termo usado anteriormente era controle de processos e com
sua evolução passou a chamar-se garantia da qualidade, utilizando normas específicas em suas
etapas. Somente depois, no início do Século XX, surgiu o controle de qualidade idealizado pe-
los autores Frederick Taylor e Ford.
Com o passar do tempo, foram surgindo novos estudos sobre a qualidade nas indústrias e
nas produções em vários países, incluindo o Japão, que sentiu a necessidade de aprimorar seus
produtos e contou com o americano Edwards Deming introduzindo o método de controle
estatístico, no qual são utilizados dados quantitativos para obtenção dos resultados. Outros
autores, como Joseph Juran, também contribuíram para a evolução da qualidade no continen-
te asiático. A partir daí, empresas de todo o mundo passaram a implementar os conceitos de
gestão da qualidade.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
26

No Brasil, o modelo da gestão da qualidade passou a se estabelecer em meados dos anos 90, tempo
em que as organizações adquiriram novas competências e exigências, dando início também à utilização
das normas ISO 9000 e do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade criado pelo Governo Federal,
auxiliando na competitividade dos produtos e serviços brasileiros.

Você sabia que desde a antiguidade a noção de qualidade já era perce-


bida? Os artesãos da época utilizavam o mecanismo conhecido como
CURIOSIDADES “boca a boca” para mensurarem a satisfação dos seus clientes em relação
aos seus produtos.
(Fonte: GESTÃO..., [20--]).

Quando falamos em gestão da qualidade, precisamos definir a que isso se relaciona. Pode-se analisar a
qualidade no atendimento, dos produtos, procedimentos, enfim, a todo método relativo às organizações.
É o que você verá com mais detalhes a partir de agora.

3.1 terminologias e procedimentos

Com a facilidade na troca de informações, o nível de exigência dos consumidores vem aumentando de
maneira considerável, fazendo com que as empresas sejam mais cuidadosas na gestão da qualidade. Para
isso, contam com instrumentos de medição e análise de procedimentos em ações coordenadas.
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) representa a International Organization for
Standardization (ISO), cuja tradução para o português quer dizer Organização Internacional para Padroni-
zação, estabelece os fundamentos de sistemas de gestão da qualidade e determina as terminologias para
estes sistemas.
A ABNT NBR ISO 9000:2015 estabelece quais os documentos devem compor o Sistema de Gestão da
Qualidade (SGQ). São eles: política da qualidade, manual da qualidade, objetivos da qualidade e procedi-
mentos documentados e registros requeridos pela norma.

Figura 3 -  Sistema de gestão ISO 9001


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.
3 Qualidade
27

As normas da ABNT NBR ISO 9000 foram criadas para dar suporte a todos os tipos de organizações. As
organizações que falamos aqui são as empresas e indústrias de modo geral. O conjunto de normas ISO
9000 é formado das seguintes normas:
a) A ABNT NBR ISO 9000: descreve os princípios do sistema de gestão da qualidade e as termino-
logias para esse sistema;
b) A ABNT NBR ISO 9001: determina as condições para um sistema de gestão da qualidade;
c) A ABNT NBR ISO 9004: fornece as bases para a eficiência1 e eficácia2 do sistema de gestão da
qualidade;
d) A ABNT NBR ISO 19011: fornece diretrizes sobre auditoria de sistema de gestão da qualidade.
A NBR ISO 9001 é a principal norma da sequência ISO 9000 e apresenta regras que são chamadas de
parâmetros de gestão da qualidade, que fazem parte do SGQ, compreendido pela ISO como modelo. Esse
sistema de gestão é destinado às empresas que têm por objetivo implementar um SGQ pretendendo me-
lhorar a eficiência e eficácia nos seus processos.

SAIBA Para obter maiores informações em relação a norma ABNT NBR ISO 9000:2015, acesse o
MAIS site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

3.2 PRINCÍPIO DA GESTÃO DA QUALIDADE

Podemos considerar a gestão da qualidade como a união de ações conjuntas com o objetivo de me-
lhorar o nível de produtos e serviços das organizações e satisfazer plenamente seus clientes, não tendo,
necessariamente, que adotar alguma certificação, ainda que ela seja o meio mais difundido. Entretanto, é
preciso entender que existem princípios que devem ser seguidos para aperfeiçoar e conduzir o dia a dia
empresarial. Os princípios são:
a) Foco no cliente: toda organização tem como razão de existir a satisfação de seus clientes, por
isso, é conveniente que as necessidades básicas e fundamentais futuras ou atuais dos clientes
sejam atendidas;
b) Liderança: os líderes determinam os rumos das organizações e têm o papel de conservar um
ambiente onde as pessoas possam estar totalmente envolvidas e responsáveis pelos objetivos da
organização;
c) Envolvimento de pessoas: as pessoas são consideradas a essência de qualquer organização e
seu comprometimento auxilia em suas habilidades, fazendo com que trabalhem na expansão da
empresa;

1 Eficiência: dentro do contexto da qualidade, é a execução de uma tarefa de modo correto.


2 Eficácia: dentro do contexto da qualidade, é a conclusão de um objetivo, baseando-se nas decisões corretas.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
28

d) Abordagem de processo: resultados consistentes e planejados são alcançados de forma eficien-


te quando existe gerenciamento de recursos em um processo;
e) Abordagem sistêmica/organizada para a gestão: processos inter-relacionados em um sistema
de gerenciamento contribuem para que a organização atinja os seus objetivos com eficiência e
eficácia;
f) Melhoria contínua: a melhoria contínua precisa ser o foco de uma empresa para que ela consiga
manter a qualidade dos seus produtos e serviços, suprindo as necessidades dos seus consumido-
res;
g) Abordagem real para tomada de decisões: a partir da análise de fatos e de informações consis-
tentes, a tomada de decisão é feita de forma eficaz, produzindo os resultados desejados;
h) Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores: existe uma relação de interdependência
entre as empresas e seus fornecedores que, se for bem combinada entre as partes, aumenta a
probabilidade de ambos em agregar valor.

Empresas que não investem em setores de informação correm o risco de ficar para
FIQUE trás. A tomada de decisão só pode ser feita de forma eficaz quando existe uma base
ALERTA de dados com informações fidedignas a respeito de todos os processos, colaborando
com resultados satisfatórios para a empresa.

Os princípios da gestão da qualidade devem ser aplicados continuamente em toda a organização. É im-
portante que todos os trabalhadores, bem como a alta gestão, trabalhem em conjunto para que o conceito
da qualidade e seus princípios sejam postos em prática, desenvolvendo, assim, sua gestão operacional,
pessoal e processual.
3 Qualidade
29

3.3 PROCESSO

Pode ser considerado processo qualquer atividade que tenha começo, meio e fim, usando recursos que
transformem insumos ou matérias-primas (entradas) em produtos (saídas).
O gerenciamento de processos, quando interligados, transformam e otimizam3 a produtividade das
organizações, fazendo que elas se tornem mais competitivas.
A organização das etapas que fazem parte de um trabalho é uma ação que auxilia o planejamento e
execução dos produtos e serviços. Para termos um exemplo simples de como se desdobram e gerenciam
os processos, pode-se visualizar a figura a seguir. O processo de cozimento do feijão:

ENTRADAS SAÍDAS

Água PROCESSO
Feijão
Temperos Feijão

Panela
FAZER cozido

Fogão FEIJÃO
Cozinheiro

Figura 4 -  Modelo de um processo


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A visão de conjunto, proporcionada por uma gestão operacional, faz com que os resultados de melho-
rias apareçam mais rapidamente, porém, faz com que a estrutura dependa excessivamente do gerente;
portanto, este tipo de gestão não significa que as ações de melhoria do processo representem melhorias
no atendimento às expectativas do cliente. Se a empresa prioriza seu processo produtivo, se esquecerá do
cliente, de suas necessidades, suas preferências e suas conveniências.

3 Otimizar: tornar ótimo ou ideal.


Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
30

3.4 FERRAMENTAS

Para que o sistema de gestão da qualidade seja implantado, são necessárias algumas ferramentas na
análise de fatos e tomada de decisões. O objetivo de utilização dessas ferramentas da gestão da qualidade
é atingir o ponto máximo de eficiência e eficácia nos processos.
No entanto, para que as ferramentas sejam aplicadas da forma correta, elas precisam da supervisão de
profissionais capacitados, sob pena de terem seus resultados alterados ou mal aplicados.
Essas ferramentas também podem ser chamadas de técnicas e surgiram na década de 1950, baseadas
nos conceitos existentes e vêm sendo utilizadas desde então nos sistemas de gestão, ajudando na melho-
ria dos processos. Veja cada uma detalhadamente.

3.4.1 PARETO

O Diagrama de Pareto é uma das ferramentas da qualidade e foi primeiramente utilizada pelo sociólogo
e economista italiano Vilfredo Pareto, tem esse nome em sua homenagem. Por meio desse diagrama, são
selecionados itens pela ordem de importância, ou seja, nessa técnica os problemas são separados e, então,
analisados.
Para se elaborar esse diagrama, são utilizados gráficos de coluna, colocando em ordem os problemas
nas escalas do maior para o menor, dando prioridade ao que deve ser resolvido primeiro. Ele é baseado
em pesquisas e dados encontrados que identificam os problemas e leva em consideração o princípio de
Pareto, segundo o qual 80% das consequências são resultados de 20% das causas, ou seja, existem muitos
problemas irrelevantes em relação a outros mais graves.
Esse diagrama é representado por gráficos em barras que ordenam frequências de todas as ocorrências
em ordem decrescente, localizando os principais problemas e eliminando as possíveis perdas.

500 100%
450 90%
400 80%
350 70%
300 60%
250 50%
200 40%
150 30%
100 20%
50 10%
0 0%
Rebarbas Diagrama menor Diagrama maior Sem usinagem Outros

Figura 5 -  Diagrama de Pareto


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
3 Qualidade
31

A partir do Diagrama de Pareto, é possível identificar itens críticos. Encontrar soluções para os proble-
mas fica mais fácil, bem como frisar suas prioridades dentro dos processos, aprimorando-os a cada etapa.

3.4.2 ISHIKAWA

O Diagrama de Ishikawa é também conhecido como Diagrama de Causa e Efeito ou Diagrama Espinha
de Peixe. É uma ferramenta de análise, criada em 1953 pelo professor da Universidade de Tóquio, Kaoru
Ishikawa, e tem como objetivo especificar os efeitos e as causas que colaboram para os processos.
A partir dessa ferramenta, os líderes analisam as razões dos problemas ocorridos. Por isso, eles são
enunciados com perguntas, como, por exemplo: “Por que acontecem esses problemas?” “Quais são suas
causas?”.

Medida
Máquina
Método

Problema

Meio ambiente
Material
Mão de obra

Figura 6 -  Diagrama de Ishikawa


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O Diagrama de Ishikawa é uma peça prática que auxilia nas causas das não conformidades4 dos proces-
sos nas empresas. Também pode ser conhecido como diagrama dos 6 Ms (lê-se: emes), pois foi dividido em
6 tipos de categorias com a finalidade de reconhecer problemas.
De acordo com a figura anterior, podemos listar as seis categorias. Observe:
a) Meio ambiente: o problema está dentro ou fora da empresa?
b) Material: o problema está no material usado para compor o trabalho?
c) Mão de obra: o problema está num comportamento inadequado do colaborador?
d) Método: o problema está na metodologia utilizada para realizar o trabalho?
e) Máquina: o problema está no maquinário utilizado na elaboração de um processo?
f) Medida: o problema está nas medidas empregadas pela organização?

4 Não conformidades: está relacionada a processos que geraram resultado insatisfatório.


Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
32

Baseado nessa análise, os colaboradores devem identificar as causas que contribuem para os proble-
mas e tentar solucioná-los, porém, lembrando que nem todos os M’s têm sua aplicabilidade notada na
execução do diagrama de Ishikawa, uma vez que isso depende da compatibilidade do estudo entre causa
e efeito abordado em determinada empresa.
De forma geral, não existe delimitações para o uso do diagrama, pois essa ferramenta proporciona
uma utilização de listas e itens diversos em que a coleta de dados e causa de problemas é feita de maneira
rápida.
Por fim, o diagrama de Ishikawa é um instrumento muito eficaz no sentido de encontrar as causas e efei-
tos dos problemas das organizações e, consequentemente, apresentar melhorias na gestão da qualidade.
No entanto, ele precisa encontrar condições dentro da própria empresa para ser aplicado de forma correta.
Para isso, necessita do comprometimento de todos os colaboradores, incluindo as pessoas que trabalham
diretamente na gestão da qualidade. Somente com o envolvimento de todos é possível consolidar e ajudar
nos processos organizacionais.

3.4.3 HISTOGRAMA

O Histograma também é uma ferramenta que auxilia a tomada de decisões no sistema de gestão da
qualidade. Ele tem a função de distribuir as frequências de dados através de comparações, em gráficos
de barras, especificando o número de unidades em cada grupo. Em resumo, essa ferramenta revela a
frequência em que determinadas situações acontecem.
Esse instrumento é formado por retângulos dispostos um ao lado do outro simulando um gráfico, onde
cada base refere-se ao intervalo de classe e sua altura na respectiva frequência. Ele é um importante norte-
ador na distribuição de dados e um grande aliado das empresas na tomada de decisões.

Classe

Frequência

Figura 7 -  Estrutura do histograma


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
3 Qualidade
33

A ferramenta histograma organiza as informações para que a visualização da disposição do conjunto


de dados aconteça de forma clara para que a pessoa perceba a localização do valor central e dos dados em
relação a este valor.
Veja o que é preciso observar em um histograma:
a) Forma: é a harmonia;
b) Dispersão: é ideal que seja pequena;
c) Centralização: deve ser média.

3.4.4 LISTA DE VERIFICAÇÃO

A lista de verificação ou checklist é uma espécie de roteiro onde é possível verificar a obtenção e registro
dos dados utilizados no dia a dia. A lista de verificação foi primeiramente aplicada na Primeira Guerra Mun-
dial pela aviação militar e, posteriormente, estendeu-se até a aviação civil e aeronáutica.
É um formulário organizado, de controle, composto por itens ou tarefas que facilitam a análise e regis-
tro de dados. Uma das questões que a lista de verificação consegue responder é a frequência com que os
diversos danos podem acontecer dentro das organizações.
Para que se consiga resultados satisfatórios em relação à lista de verificação, e para que ela contribua
na tomada de decisões, é imprescindível que os dados fornecidos correspondam à realidade. Se os dados
obtidos forem falsos, os resultados serão inconsistentes, levando a decisões que prejudicam a todos.
Os principais objetivos da coleta de dados em um processo são:
a) Ajudar a entender os processos atuais (o que está sendo produzindo?);
b) Verificar se o que está sendo produzido está dentro dos parâmetros estabelecidos;
c) Prevenir possíveis danos futuros a partir da situação atual.

Verificações
Desvio Frequência
5 10 15 20
-7
-6
Específic. -5
-4 X 1
-3 X X X 3
-2 X X X X X X 6
-1 X X X X X X X X X 9
8.300 0 X X X X X X X X X X X 11
1 X X X X X X X X 8
2 X X X X X X X 7
3 X X X 3
4 X X 2
Específic. 5 X 1
6
7
Total: 51

Figura 8 -  Lista de verificação no processo de produção


Fonte: DATALYZER, 2013. (Adaptado).
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
34

O preenchimento de uma lista de verificação, embora pareça uma tarefa fácil, na realidade, não é. À
medida que várias pessoas têm acesso aos dados, aumenta a possibilidade de erros. Portanto, a folha de
verificação torna-se uma importante ferramenta de registro por ser imediatamente organizada sem a ne-
cessidade de verificação manual posterior.

3.4.5 BRAINSTORM

Brainstorming é um termo em inglês que significa “tempestade de ideias” e foi utilizado na década de
1930 por Alex Osborn, psicólogo norte-americano que atuava na área de criatividade em publicidade.
Essa técnica fundamenta-se no princípio de que a quantidade determina a qualidade, que quanto maior
o número de ideias desenvolvidas, maior a probabilidade da solução para o problema ser encontrada.
Pode ser considerada uma dinâmica de grupo usada por muitas empresas com o objetivo de aplicar
técnicas para solucionar problemas, em que cada um apresenta suas ideias. Tipos de brainstorm:
a) Estruturado: as pessoas pensam em ideias a cada rodada;
b) Não estruturado: as pessoas dão ideias conforme elas surgem.
A principal proposta do brainstorm é que grupos se reúnam dentro das organizações com o intuito de
levantar ideias livremente e propor soluções. Nenhuma ideia deve ser descartada, independentemente de
ser coerente ou não, até chegarem a uma solução.

Figura 9 -  Sessão de Brainstorm


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.
3 Qualidade
35

3.4.6 GRÁFICO DE CONTROLE

Os gráficos de controle são gráficos utilizados para analisar os controles de processos por meio dos mé-
todos estatísticos, a partir de dados de amostragem. Outra função dos gráficos é servir de indicador para a
aceitação dos produtos, pois esse controle implica em produtos e serviços de qualidade.
A partir da média (X) e a amplitude (R), os gráficos de controle são construídos com o objetivo de moni-
torar os processos. Os pré-requisitos básicos para a construção de um gráfico de controle são:
a) Coletar dados;
b) Calcular os parâmetros estatísticos:
-- Valor médio X;
-- Média total X;
-- Dispersão R;
-- Média de dispersão R;
-- Linha de controle L.M, L.I.C, L.S.C;
-- Fração defeituosa P;
-- Número de não conformidade C;
-- Número de não conformidade com variação U.

Processo
fora de
controle
Processo
sob
controle
LSC

Limites

LIC
t0 t1 t2 t3 t4 t5 t6 t7 t8 t9 t10 t11 t12 t13

Figura 10 -  Gráfico de controle


Fonte: CARNEIRO NETO, 2003 apud LIMA et al., 2006.

Diante da competitividade instalada nos mercados atuais, os gráficos de controle mostraram-se eficien-
tes para o monitoramento dos produtos e serviços ofertados, pois o controle nos processos produtivos
garante que a qualidade não esteja presente não somente nos produto final, mas também em todo o
processo.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
36

CASOS E RELATOS

Controle de qualidade da roupa produzida


A fábrica de roupas Rouparia Brasil fabrica peças de roupas de algodão e tem muitos funcionários
em seu quadro.
No final de seu expediente de trabalho, no setor responsável pelo controle de processos, foram reti-
radas amostras de 500 peças de blusas para identificar a quantidade de defeitos e conhecer o nível
de qualidade da sua produção como um todo.
Por meio da utilização do gráfico de controle como ferramenta nesta identificação, identificou-se
que 20 peças foram perdidas. A Rouparia Brasil utilizou este instrumento uma vez que ele auxilia na
visualização do número de peças de blusa dentro dos referenciais estabelecidos pela fábrica e aque-
las que estão fora desse referencial.
Nesse caso, o gráfico de controle por amostragem conseguiu obter as informações pertinentes aos
processos da confecção de blusas. A partir de agora, na fábrica Rouparia Brasil, os seus gestores
conseguirão controlar a qualidade do produto confeccionado e ofertado aos seus consumidores,
contribuindo para uma excelência na gestão da qualidade dessa empresa.

A partir dos casos e relatos, é possível observar que os gráficos de controle são ferramentas importantes
para o sistema de gestão da qualidade. Nesse caso, o gráfico de controle conseguiu obter as informações
pertinentes aos processos da confecção de blusas e fez com que seus gestores conseguissem controlar a
qualidade do produto confeccionado, contribuindo para a excelência na gestão da qualidade dessa em-
presa.

3.4.7 DIAGRAMA DE DISPERSÃO

Diagramas de dispersão são gráficos que possibilitam identificar causas e efeitos, avaliando a relação
entre variáveis. Essas variáveis podem configurar a etapa posterior do diagrama de causa e efeito, estabe-
lecendo uma possível relação entre as causas e seu grau de intensidade. Em resumo, essa técnica mostra o
que ocorre com uma variável quando há uma alteração na outra.
3 Qualidade
37

295,8
295,6
295,4
RESULTADOS OBTIDOS

295,2
AMOSTRA 1
295 LSC
294,8 LM
LIC
294,6
294,4
294,2
294
0 5 10 15 20
ITENS DA AMOSTRA

Figura 11 -  Dispersão da amostra


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

O diagrama de dispersão, como ferramenta da qualidade, tem como principal benefício a possibilidade
de deduzir a relação entre as variáveis, possibilitando determinar a causa principal dos problemas.

3.5 PLANILHAS E GRÁFICOS

As planilhas são as ferramentas para registros (principalmente comerciais) mais antigas no mundo,
sendo amplamente usadas nos dias de hoje para registros contábeis. A forma de utilização das planilhas
obteve muitos avanços com a criação do computador, que permitiu a criação das planilhas eletrônicas e
possibilitou a geração de registros com uma grande opção de recursos facilmente editáveis.
Este tipo de recurso se tornou amplamente utilizado por grandes empresas, estudantes e cientistas por
permitir a criação de várias funções, facilitando a conversão dos dados brutos coletados em informações
organizadas que facilitam a leitura, exibição, interpretação e, inclusive, criação de gráficos.
Os gráficos podem ser considerados ferramentas utilizadas como método de representação de fenô-
menos e circunstâncias que possam ser contabilizadas e ilustradas quantitativamente, apresentando uma
informação estatística e visual sobre uma circunstância. Já os mapas, funcionam como um método de
representação espacial de um determinado local.
A correta interpretação dos gráficos é muito importante para compreender determinadas informações,
que, geralmente, comparam situações qualitativas e quantitativas, sendo possível também englobar o es-
paço, o tempo, etc.
Como pode ser visualizado na imagem a seguir, existe uma extensa variação quanto aos tipos de gráfi-
cos. Os mais utilizados são os gráficos tipo linhas, áreas, colunas, barras, pizza, dispersão e rede.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
38

Em linhas De áreas Em colunas Em barras

Em pizza XY Em rede Em ações

Figura 12 -  Tipos de gráfico


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Acompanhar as novidades do mercado seguido das melhores práticas organizacionais, implantar siste-
mas de gestão da qualidade ou obter certificações de reconhecimento internacional, são itens fundamen-
tais para a competitividade empresarial, influenciando até mesmo na sobrevivência dessas organizações.
Desta forma, perceba que você aluno, estudando os tópicos abordados neste livro e buscando conhe-
cimento complementar após término dos estudos, poderá ter um papel de grande importância para a so-
brevivência das empresas, que buscam profissionais cada vez mais especializados e que possam contribuir
com a melhoria da qualidade de seus produtos e serviços, pense nisto!
3 Qualidade
39

RECAPITULANDO

Neste capítulo, vimos que em mercados caracterizados por uma intensa competitividade a preo-
cupação com a satisfação dos clientes se torna cada dia maior e também um grande diferencial na
conquista desse espaço corporativo.
A gestão da qualidade entra nesse contexto para garantir esse “algo mais” nas organizações, ado-
tando referenciais normativos reconhecidos internacionalmente, construindo, dessa forma, o siste-
ma de gestão da qualidade.
Para adotarmos o conceito de qualidade na empresa, é necessário construir um conceito consistente
de qualidade. Ela tem que ser percebida como um valor pelas pessoas, que precisam entender sua
importância para a sobrevivência da empresa.
Faz-se necessário, também, assumir a importância da gestão eficiente e eficaz nos processos pro-
dutivos, investindo mais na coleta de dados, introduzindo as ferramentas que se adaptem melhor
às diversas realidades empresariais. Dessa forma, através dessas ações conjuntas, a gestão da quali-
dade ganha sua importância e, quando colocada em prática de maneira efetiva, gera bons frutos às
organizações, que percebem sua real importância.
Qualidade total

De forma resumida, a qualidade pode ser conceituada como a satisfação plena do cliente,
mas, e a qualidade total, qual o seu significado? A qualidade total, então, seria o envolvimento
total da empresa em busca dessa satisfação.
Atualmente, a qualidade total é um tema muito presente no mundo organizacional, exige
o comprometimento de todos os envolvidos em todos os processos da empresa, não somente
no processo que controla o produto final.
O perfil das organizações mudou muito com o passar do tempo, antigamente, preocupa-
vam-se principalmente com números e questões financeiras, sem considerar riscos e influên-
cias do ambiente externo. A partir da década de 1950, as empresas começaram a planejar em
longo prazo, projetando possíveis cenários com base nas experiências passadas, consideran-
do, então, os aspectos e impactos que poderiam interferir na obtenção dos resultados.
A ideia de totalidade inserida, posteriormente, na gestão da qualidade, surge com o objeti-
vo de que, além da qualidade nos processos produtivos, uma organização precisa envolver-se
totalmente na obtenção desses resultados, satisfazendo também aos stakeholders5, que são
outras áreas de interesse das organizações, que também priorizam a excelência.

Figura 13 -  Stakeholders pela qualidade total


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

5 Stakeholders: público estratégico.


Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
42

SAIBA Para saber mais sobre a Gestão da Qualidade Total, leia: CHIAVENATO, Idalberto. Intro-
MAIS dução à teoria geral da administração. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

Portanto, nesse capítulo, você verá os conceitos de qualidade total e seus desdobramentos acerca do
universo em que a qualidade total pode inserir e transformar a realidade das empresas no mercado globa-
lizado.

4.1 CONCEITO

O conceito da qualidade total se desenvolveu a partir de estudiosos como Deming, Juran e


Feigenbaum e foi incorporado nas organizações tendo como base as estratégias coordenadas, objetivan-
do criar a ideia de extrair o máximo de qualidade nos processos produtivos empresariais. Sendo assim,
esse conceito atribui a todos os envolvidos dentro da empresa responsabilidades pelos resultados obtidos
através da gestão.
A gestão da qualidade total tem como mentor Feigenbaum, que avaliou a gestão da qualidade como
uma união de elementos, tais como serviços de marketing, engenharia, manufatura e manutenção, onde
o produto ou serviço irá suprir as expectativas dos clientes. Esse é um conceito que engloba todas as pes-
soas envolvidas dentro e fora das empresas, que atribui aos colaboradores maior autonomia nas decisões
que seriam de competência apenas dos gestores, economizando tempo e resolvendo problemas de forma
mais ágil.

O termo ‘qualidade total’ foi usado pela primeira vez no ano de 1956 por
Armand Feigenbaum. Ele era engenheiro e especialista em qualidade,
diretor mundial de produção da General Eletric e fundou a General
CURIOSIDADES Systems. Criou a ideia de que a qualidade total só aconteceria com um
trabalho conjunto entre todos os envolvidos nos processos de produção
de um determinado bem ou serviço.

Para que a estrutura da qualidade total seja aplicada de forma eficiente, estabeleceram-se quatro eta-
pas de evolução da qualidade total, que são:
a) Inspeção: desenvolve um sistema padrão utilizando gabaritos, formulários, etc.;
b) Controle estatístico da qualidade: avalia-se a qualidade de determinado produto a partir do
percentual dos erros encontrados em um determinado lote;
c) Garantia da qualidade: objetiva reduzir os danos ao mínimo possível;
4 Qualidade total
43

d) Gestão da qualidade estratégica: sendo a última etapa da evolução, estabelece o controle e


acompanhamento nos processos produtivos até o ponto de satisfação dos seus clientes.

Qualidade total

Aumento da qualidade
Gestão

Garantia

Controle

Inspeção

Tempo

Figura 14 -  Evolução da qualidade total


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Por ter uma cultura de melhoria contínua, a função da qualidade total é criar, no ambiente corporativo,
a consciência da excelência em todos os processos produtivos, em que o envolvimento entre todos é a
peça fundamental para uma nova postura diante dos problemas encontrados.

Qualidade nem sempre é sinônimo de perfeição. Enxergá-la dessa forma torna-se pe-
rigoso, pois cria-se um círculo vicioso, uma busca desenfreada para atingi-la. A quali-
FIQUE dade se refere a algo em transformação a partir da busca pelos objetivos da empresa.
ALERTA Portanto, é preciso entender que os programas de qualidade total devem ser vistos
como uma transformação gradual para que não sejam conduzidos por uma gestão
cheia de conflitos, mas sim, eficiente.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
44

No cenário competitivo em que estão inseridas as empresas, entender a necessidade dos seus clientes,
melhorando cada vez mais os seus produtos e serviços de forma a encontrar a eficiência, é a principal van-
tagem competitiva nas organizações.

4.2 EFICIÊNCIA

Como significado da palavra eficiência, temos que eficiência é a qualidade de quem produz bons frutos,
quem faz aquilo que é correto, quem é eficiente. Portanto, ter eficiência é tornar as ações mais ágeis dentro
de um processo, alcançando o objetivo em menor tempo possível.
O conceito de eficiência consiste em fazer certo aquilo que é proposto e está intimamente ligado ao
nível operacional das empresas. Os processos são considerados eficientes quando se utiliza o mínimo de
recursos, de tempo, de orçamento e de pessoas. Portanto, a eficiência melhora a operacionalização das or-
ganizações, visto que o máximo de resultados é obtido com a menor quantidade de recursos empregados.

Z
Z
Z

Figura 15 -  Eficiência nas organizações


Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2017.

Unir os conceitos de eficiência com os de eficácia são fundamentais para se atingir as metas principais
das organizações. Por isso, veremos no tópico a seguir de que forma “fazer o que é certo da forma certa” é
o princípio básico de toda empresa que quer atingir a excelência e se preparar para o mercado da melhor
forma possível.
4 Qualidade total
45

4.3 EFICÁCIA

O conceito de eficácia abrange tudo aquilo que realiza as metas que foram planejadas. Atividades de-
sempenhadas com eficácia são consideradas positivas, uma vez que se obteve êxito com aquilo que foi
pretendido. Podemos concluir, dessa forma, que a eficácia diz respeito àquilo que se faz da maneira corre-
ta. A eficácia, quando presente no gerenciamento das empresas, possibilita que gerentes e colaboradores
trabalhem da forma correta, otimizando seus recursos.
As expressões eficácia e eficiência são utilizadas, muitas vezes, como coisas semelhantes, porém, elas
têm suas diferenças bem claras, pois trabalhar com eficiência significa empregar o mínimo de esforços e
recursos para realizar alguma atividade da melhor forma possível; enquanto eficácia significa atingir os
resultados esperados considerando os esforços empregados para este fim.
No quadro a seguir, podemos observar as principais diferenças entre eficiência e eficácia apontadas por
Chiavenato (2011).

EFICIÊNCIA EFICÁCIA

Ênfase nos meios Ênfase nos resultados

Fazer corretamente as coisas Fazer as coisas

Resolver problemas Atingir objetivos

Salvaguardar os recursos Otimizar a utilização dos recursos

Cumprir tarefas e obrigações Obter resultados

Treinar os subordinados Dar eficácia aos subordinados

Manter as máquinas Máquinas em bom funcionamento

Presença nos templos Prática dos valores religiosos

Rezar Ganhar o céu

Jogar futebol com arte Ganhar a partida

Quadro 2 - Diferenças entre eficiência e eficácia


Fonte: CHIAVENATO, 2011.

O ambiente corporativo mais apropriado seria aquele onde o gestor conseguisse utilizar, ao mesmo
tempo, as realidades empresariais do ponto de vista da eficiência e da eficácia, pois, de certa forma, uma
complementa a outra, colaborando, assim, para que se consiga a excelência nos objetivos das organiza-
ções.
Num entendimento mais atual, para um sistema de gestão eficaz, isto é, que atinge os resultados de-
sejados, há que se considerar várias abordagens que interagem entre si: a abordagem por processos, a
adoção do ciclo PDCA para a melhoria e o pensamento baseado em risco. É aí que entra a participação mais
efetiva da liderança, promovendo estas abordagens na organização e reforçando a importância de uma
gestão da qualidade eficaz.
Observe nos Casos e Relatos a seguir uma situação que ilustra a diferença entre eficiência e eficácia.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
46

CASOS E RELATOS

Eficiência é o mesmo que eficácia?


Felipe estuda na escola Futuro e é um aluno muito aplicado. No momento, ele estuda para a realiza-
ção de uma prova. Para isso, ele separou cuidadosamente todo seu material de estudo, frequentou
todas as aulas, respondeu todas as atividades propostas pelo professor e estudou todo o conteúdo
da matéria com muita disciplina.
Felipe foi muito eficiente na sua preparação para os exames. Mas, no momento da prova, embora
tenha se preparado tanto, ele sentiu muitas dificuldades no entendimento dos textos, não respon-
deu algumas questões e, no fim, não conseguiu realizar a prova de forma eficaz, tendo um resultado
desastroso na sua nota.
Com o passar do tempo, Felipe percebeu que existe uma diferença entre eficiência e eficácia, pois
embora ele tenha sido eficiente, ele não foi eficaz.
Podemos perceber nesse caso específico que essa situação é perfeitamente possível, tanto no dia a
dia das pessoas quanto nas organizações. Como nesse exemplo, a eficiência nem sempre garante a
eficácia nos processos.

A chave para a implementação da eficiência e eficácia nas organizações está na busca pela melhoria
contínua dos processos dentro da empresa. Isso é o que veremos no próximo tópico.
4 Qualidade total
47

4.4 MELHORIA contínua

Um dos maiores desafios das empresas nos mercados competitivos atuais é aprender a melhorar con-
tinuamente. Essa preocupação diz respeito à sobrevivência das empresas, pois, fazer melhor a cada dia
tornou-se obrigação nas organizações. A melhoria contínua pode ser encontrada na denominação de
Kazen. Palavra de origem japonesa que traz em seu significado “Kai” = mudar e “Zen” = melhor.
Como ferramenta importante da gestão da qualidade que contribui para a melhoria contínua, existe o
Balanced Scorecard (BSC), que, traduzido do inglês, significa Indicadores Balanceados de Desempenho. O
Balanced Scorecard é uma ferramenta que auxilia na gestão da empresa, fazendo com que ela consiga ava-
liar através de feedbacks6 ou respostas das ações desenvolvidas pela empresa, permitindo que haja uma
relação direta entre departamentos, melhor comunicação e maior interação.
A melhoria contínua precisa ser parte integrante da filosofia das organizações, pois transformar os erros
em indicadores de melhoria pode ser o diferencial das empresas.
Cada decisão que é tomada envolve riscos associados, assim como cada atividade desenvolvida. O pen-
samento baseado em risco considera riscos associados à incerteza em cada atividade, ou seja, identifica os
riscos e as oportunidades em cada atividade, define ações para saná-los e avaliar a eficácia dessas ações.
Outro exemplo importante de melhoria contínua é o chamado ciclo PDCA, inicialmente desenvolvido
pelo americano Walter Shewart e, posteriormente, reorganizado por executivos japoneses com quatro
passos básicos:
a) Plan (Planejar): essa primeira etapa significa o foco no planejamento;
b) Do (Fazer): nessa etapa, é executado o plano de ação anteriormente planejado;
c) Check (Verificar): nessa etapa, verifica-se a eficácia das ações desenvolvidas;
d) Act (Agir): significa ter atitudes em relação ao que foi encontrado nas etapas anteriores.

D
P Faz
e jar e r
P lan

Ag car
i rifi
r Ve
C
A
Figura 16 -  Ilustração do ciclo PDCA
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

6 Feedback: retorno, resposta.


Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
48

O ciclo PDCA é uma eficiente ferramenta para análise de dados, controle de processos e tomada de
decisões. No entanto, como toda ferramenta, em toda gestão, a melhoria só é possível com o comprome-
timento de toda a organização, que em conjunto trará, continuamente, as melhorias necessárias para a
sobrevivência da empresa.

RECAPITULANDO

Como vimos durante o capítulo, a qualidade está ligada aos conceitos de eficiência e eficácia dentro
das organizações, em favor da máxima satisfação de seus clientes.
A diferença entre “qualidade” e “qualidade total” é que qualidade total tem o objetivo de chegar à
máxima eficiência e eficácia não somente dentro da empresa, mas que alcance também toda ca-
deia de produção contemplando fornecedores, distribuidores, investidores e parceiros no negócio.
Diferentemente do que ocorre com a qualidade, que é focada na garantia de atendimento aos pré-
-requisitos estabelecidos ao produto ou serviço.
Um conjunto que tem o objetivo de gerir a empresa em todas suas etapas de funcionamento é de-
nominado “Stakeholders”, que significa “partes interessadas”.
Elas são, basicamente, a comunidade, os fornecedores, os funcionários, os acionistas, o governo, o
cliente e o meio ambiente, que passam a interagir de forma mais participativa dentro desse conjunto
de fatores.
Analisamos também que o comprometimento contínuo com as melhorias dentro das empresas é
fundamental para a sobrevivência das mesmas. Além disso, como melhorias contínuas importan-
tes para a sobrevivência das empresas, temos o BSC, que auxilia na gestão da empresa através do
feedback e o PDCA, que em seu ciclo organiza a empresa e compromete todos os colaboradores com
sua gestão de melhoria.
4 Qualidade total
49
Segurança e saúde

Neste capítulo, iremos abordar a prevenção de acidentes e de danos à saúde do trabalha-


dor, tendo como foco a segurança e a saúde no ambiente de trabalho.
A gestão da saúde e segurança podem ser definidas como o conjunto de procedimentos
que têm por objetivo reduzir ao máximo os danos provocados pelas ocupações dos trabalha-
dores. Esta preocupação vem crescendo década após década, em função de diversos fatores,
a exemplo de avanços tecnológicos, qualificação da mão de obra, maior atuação por parte de
órgãos fiscalizadores, exigências internacionais, etc. Vamos entender um pouco o contexto
histórico sobre este assunto?
Com o crescente uso de maquinário após a Revolução Industrial (Século XVIII), percebeu-se
um número elevado de acidentes de trabalho por causa das jornadas excessivas de trabalho,
da utilização de crianças nas atividades industriais e das péssimas condições de salubridade
nos ambientes fabris. Como tratava-se de condições existentes em vários países do Mundo, foi
verificada a necessidade de criar uma entidade internacional que regulamentasse as condições
de trabalho, hoje, denominada Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A OIT foi criada logo após o final da Primeira Grande Guerra, em 1919, e transformou as nor-
mas e práticas de proteção à saúde dos trabalhadores, sendo, atualmente, a grande referência
internacional sobre o assunto.

Figura 17 -  Segurança e saúde


Fonte: FREEPIK, 2017. (Adaptado).
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
52

No Brasil, a implantação das legislações pertinentes à proteção dos trabalhadores surgiu com o pro-
cesso de industrialização, durante a República Velha (1889-1930). A legislação trabalhista foi ampliada no
Governo Vargas (1930-1945) com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída pelo Decreto-Lei no
5.452, de 1º de maio de 1943 (BRASIL, 1943). Uma ferramenta importante criada neste Decreto é a Comis-
são Interna de Prevenção de Acidentes, popularmente conhecida como CIPA. Vamos entender, a seguir,
qual o seu objetivo e como funciona?

5.1 CIPA

Você já ouviu falar sobre a CIPA ou sabe quais são suas atribuições? Vamos estudar um pouco e enten-
der qual a sua finalidade e importância.
CIPA é a sigla para Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Seu papel fundamental é o de atuar
na prevenção de acidentes e doenças do trabalho, treinando e orientando os colaboradores quanto às
normas de saúde e segurança.
A CIPA é uma ferramenta democrática, composta por representantes eleitos pelos empregados, através
do voto secreto, e por representantes do empregador.
A CIPA deverá ser organizada pelo estabelecimento, atendendo ao quantitativo indicado no Quadro
I da Norma Regulamentadora Nº 5 (NR-5). A formação da CIPA não será obrigatória se houver menos de
vinte (20) empregados registrados na empresa, para estes casos, a empresa deverá indicar uma pessoa que
será nomeada como Designado da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, cuja responsabilidade
será garantir o atendimento dos requisitos legais contidos na referida Norma.
Mas como definir a quantidade de membros efetivos e suplentes de ambos os lados? É o que veremos
agora.
No exemplo demonstrado na figura a seguir, uma empresa de confecção de roupas profissionais (Gru-
po de Cipa C- 4, conforme Anexo III da NR-57), que possui 85 trabalhadores, deve fazer o cruzamento dos
dados – Grupo de Cipa x Nº de Empregados no Estabelecimento –, para obter a quantidade de membros
integrantes da CIPA necessários para iniciar o processo eleitoral. Desse modo, a CIPA deverá ter a seguinte
composição:
a) Membros eleitos pelos trabalhadores: 1 efetivo e 1 suplente;
b) Membros indicados pela empresa: 1 efetivo e 1 suplente.

7 NR-5: Norma Regulamentadora nº 5 do Ministério do Trabalho e Emprego.


Acima de
"Nº de Empregados no
20 30 51 81 101 121 141 301 501 1001 2501 5001 10.000 para
Estabelecimento 0a
GRUPOS a a a a a a a a a a a a cada grupo
19
29 50 80 100 120 140 300 500 1000 2500 5000 10.000 de 2.500
Nº de Membros da CIPA
acrescentar
Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-1
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 3 4 7 9 12 2
Efetivos 1 1 3 3 4 4 4 4 6 9 12 15 2
C-1a
Suplentes 1 1 3 3 3 3 3 4 5 8 9 12 2
Efetivos 1 1 2 2 3 4 4 5 6 7 10 11 2
C-2
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 6 7 9 1
Efetivos 1 1 2 2 3 3 4 5 6 7 10 10 2
C-3
Suplentes 1 1 2 2 3 3 4 4 5 6 8 8 2

Fonte: BRASIL, 1978. (Adaptado).


Figura 18 -  Dimensionamento CIPA
Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 5 6 1
C-3a
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1
Efetivos 1 1 1 1 1 2 2 2 3 5 6 1
C-4
Suplentes 1 1 1 1 1 2 2 2 3 4 4 1
Efetivos 1 1 2 3 3 4 4 4 6 9 9 11 2
C-5
Suplentes 1 1 2 3 3 3 4 4 5 7 7 9 2
Efetivos 1 1 2 2 2 3 3 4 6 7 1
C-5a
Suplentes 1 1 2 2 2 3 3 3 4 5 1

5.6. A CIPA será composta de representantes do empregador e dos empregados


5 Segurança e saúde

1 do empregador + 1 dos empregados


53
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
54

As normas técnicas sofrem periódicas atualizações. Por isso, é importante que o pro-
FIQUE fissional esteja sempre atualizado, buscando fontes confiáveis como a Associação
ALERTA Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Ministério do Trabalho - Normas Regula-
mentadoras.

A seguir, estão relacionadas as atribuições da CIPA:


a) Identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos com a participação do
maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver;

b) Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segu-
rança e saúde no trabalho;

c) Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias,


bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho;

d) Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho, visando a iden-


tificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores;

e) Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho
e discutir sobre as situações de risco identificadas;

f) Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho;

g) Participar, com o SESMT8, onde houver, das discussões promovidas pelo empregador para ava-
liar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho, relacionados à segurança e
saúde dos trabalhadores;

h) Requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou setor


quando considerar haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores;

i) Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO9 e PPRA10 e de outros programas


relacionados à segurança e saúde no trabalho;

j) Divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como cláusulas de


acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho;

k) Participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da análise das causas
das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados;

l) Requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido na


segurança e saúde dos trabalhadores;

m) Requisitar à empresa as cópias das CAT11 emitidas;

8 SESMT: Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho.


9 PCMSO: Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional.
10 PPRA: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
11 CAT: Comunicado de Acidente do Trabalho.
5 Segurança e saúde
55

n) Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de Preven-
ção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;

o) Participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Prevenção à AIDS. (BRA-


SIL, 1978).

O cipeiro (ou cipista) é amparado pela legislação no que diz respeito à estabilidade na manutenção da
sua relação de trabalho por 1 (um) ano após o término do seu mandato, uma vez que tenha sido eleito pe-
los empregados e que não ocorra a demissão por justa causa. Essa regra se aplica também aos suplentes,
conforme manifestado pelo STF, Súmula nº 676.
Todas as atividades da CIPA deverão ser registradas em atas e organizadas de modo que estejam à dis-
posição dos agentes de inspeção do trabalho ou agentes de higiene.
Os membros titulares poderão perder o mandato e ser substituídos por seus suplentes, caso faltem a 5
(cinco) ou mais reuniões ordinárias sem justificativa.
Os integrantes da CIPA deverão receber treinamento com carga horária de 20 (vinte) horas, durante o
expediente normal de trabalho. É muito importante a realização de um treinamento eficaz, que desperte o
senso de percepção de risco e que reflita na avaliação do ambiente de trabalho. Todo este esforço é volta-
do para prevenção de eventos indesejáveis, como acidentes e doenças do trabalho.
No próximo tópico, iremos entender melhor sobre a definição e os tipos de acidentes de trabalho.

5.2 ACIDENTES DE TRABALHO

Conforme disposto no Art. 19 da Lei nº 8.213/91:

Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa


ou pelo exercício do trabalho dos segurados 12 referidos no inciso VII do art. 11 desta
lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda
ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. (BRASIL, 1978).

Tipos de acidente do trabalho:


a) Acidentes típicos: são os acidentes decorrentes da característica da atividade profissional de-
sempenhada pelo empregado;
b) Acidentes de trajeto: são os acidentes ocorridos no trajeto entre a residência e o local de traba-
lho do empregado e vice-versa;
c) Doença profissional: aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a
determinada atividade que conste no Anexo II do Decreto nº 2.172/97;

12 Segurado: cidadão que contribui com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
13 Inerente: relativo ao que está na essência ou é característico.
14 Endêmica: que afeta significativamente certa região e/ou população.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
56

d) Doença do trabalho: aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em


que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, desde que conste no Anexo II
do Decreto nº 2.172/97. Mas há exceções: doença degenerativa; doença inerente13 à faixa etária;
doença que não produz incapacidade para trabalhar, doença endêmica14 (se não comprovada
contaminação resultante de exposição no trabalho).
Vejamos, a seguir, um resumo das ocorrências de acidentes do trabalho no Brasil, compreendendo o
período de 2006 a 2014:

1000000
Número de acidentes

Total Total Total Total Total Total


750000 Total Total
Total
500000

250000

0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Gráfico 1 -  Estatística de acidentes no Brasil


Fonte: BRASIL, [20--].

Em outras palavras, o que pode ser observado na figura anterior é um retrato dos registros de ocorrên-
cias dos acidentes de trabalho ao longo dos anos. De qualquer forma, estes dados divulgados pela Previ-
dência Social revelam índices muito alarmantes, que podem até ser maiores, se considerarmos os casos em
que os acidentes não são registrados.
Os acidentes dentro da empresa causam diversas repercussões (além das implicações jurídicas), mesmo
em acidentes considerados menos graves, nos quais o trabalhador tem de se ausentar do seu posto e o
empregador deixa de contar com a sua mão de obra, passando a ter custos adicionais.
Os acidentes geram também despesas para o Estado, pois o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS),
que administra a prestação dos benefícios relacionados aos acidentes de trabalho, assume a responsabili-
dade do recolhimento do fundo de garantia por tempo de serviço, caso o acidente mantenha o trabalha-
dor afastado por um período superior a 15 (quinze) dias, gerando despesas aos cofres públicos.
No gráfico a seguir, você pode observar que há um aumento dos custos com acidentes de trabalho no
período de 2003 a 2011.
5 Segurança e saúde
57

Custos de acidentes do trabalho


16.000,000
14.000,000
12.000,000
Valor (R$)

10.000,000
8.000,000
6.000,000
4.000,000
2.000,000
0
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Ano

Gráfico 2 -  Custos de acidentes do trabalho


Fonte: BRASIL, [20--].

Basicamente, um acidente é um evento não planejado, que, geralmente, possui mais de uma causa.
Teoricamente, os acidentes podem ser previstos e evitados, uma grande parte deles ocorre por fatores que
podemos controlar. Esses fatores incluem estresse, negligência, falta de atenção, esforço excessivo, fadiga,
etc. A conscientização dessas causas potenciais pode levar à compreensão de como prevenir acidentes.
Sabemos que o estresse em algum momento afetará boa parte da população, incluindo os trabalha-
dores. Um dos primeiros sinais é que os problemas corriqueiros parecem fora de controle. Seja qual for a
origem, o estresse afeta o desempenho no trabalho e pode ser uma ameaça para a segurança.
Outra causa importante de acidentes é a negligência. Não seguir as instruções no ambiente de trabalho
e não medir as consequências das atitudes a serem adotadas são alguns exemplos de negligência. Para evi-
tar acidentes, você deve ter cuidado ao executar as tarefas, ser muito consciente e ficar alerta no trabalho.
A fadiga é outro fator que não podemos nos esquecer de mencionar. Assim como o esforço excessivo,
ela reduz a sua capacidade de reconhecer e reagir a condições de risco. Portanto, além da rotina da vida
particular, como a adoção de dieta controlada por profissional habilitado e a prática de exercícios físicos,
uma ferramenta que ajuda a reduzir ou evitar a fadiga é a Ergonomia do Trabalho, item que será abordado
em tópico específico no estudo deste capítulo.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
58

5.3 CONDIÇÕES AMBIENTAIS

O ambiente de trabalho pode ser conceituado como um conjunto de fatores que se relacionam direta
ou indiretamente com a qualidade de vida das pessoas e, dessa forma, com o resultado do trabalho.
As condições ambientais no trabalho devem se adequar às características dos trabalhadores e ao traba-
lho que será realizado.
O ambiente de trabalho, seja qual for ele, é muito importante para a qualidade de vida do trabalhador
e, portanto, deve ser agradável, sadio e ofertar condições para proporcionar o máximo de proteção laboral.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca
de dois milhões de pessoas morrem por ano em função das doenças ocasionadas por lesões no trabalho.
Esses dados mostram apenas as lesões e acidentes que ocorrem em ambientes de trabalho formalmente
registrados, deixando de fora a parcela da população que trabalha informalmente.
A OMS define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente
a ausência da doença”. Portanto, adotar essas premissas evita afastamentos, diminuindo os gastos e au-
mentando a produtividade das empresas.
As condições de trabalho são reflexo dos riscos ambientais presentes e que oferecem condições de
maior ou menor grau de risco de acidentes e efeitos à saúde do trabalhador. A seguir, estudaremos como
são classificados os riscos e como identificá-los.

5.3.1 RISCOS AMBIENTAIS

Os riscos ambientais são elementos que fazem parte de diversos ambientes e que, quando encontrados
fora dos padrões aceitáveis, podem causar prejuízo à saúde ou à integridade física das pessoas.
A classificação dos riscos ambientais se dá a partir da seguinte divisão: riscos físicos, químicos, biológi-
cos, ergonômicos e mecânicos. Vejamos, a seguir, cada um deles:
a) Riscos físicos: são efeitos gerados por máquinas, equipamentos e elementos do local de traba-
lho que causam danos à saúde do trabalhador;
b) Riscos químicos: são substâncias que podem penetrar no organismo por via respiratória, por
absorção ou contato, prejudicando o trabalhador;
c) Riscos biológicos: são diversos microrganismos que podem penetrar no organismo por via res-
piratória, por absorção ou contato;
d) Riscos ergonômicos: são circunstâncias de natureza física e psicológica que provocam sensação
desconfortável ou incômoda nas atividades laborais, em função da interação do trabalhador com
o ambiente de trabalho;
e) Riscos mecânicos: também chamados de acidentes, relacionam-se com as atividades que envol-
vem máquinas, equipamentos e outras situações de lesões e acidentes de trabalho.
5 Segurança e saúde
59

A seguir, abordaremos de forma mais específica os riscos ergonômicos, sua definição e como tratá-los
de forma preventiva.

5.3.2 RISCOS ERGONÔMICOS

A ergonomia é definida pela Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) como “o estudo da adap-
tação do trabalho às características fisiológicas e psicológicas do ser humano”. A sua ausência, quando as
condições de trabalho são inadequadas, tende a causar prejuízos ao bem-estar do trabalhador. Os princi-
pais riscos ergonômicos são:
a) Repetitividade;
b) Iluminação inadequada;
c) Postura inadequada;
d) Ritmo excessivo de trabalho;
e) Monotonia das atividades;
f) Controle rígido de produtividade;
g) Jornadas de trabalho prolongadas;
h) Levantamento e manuseio de carga.

Apesar de todas as evidências, o risco ergonômico, algumas vezes, é de difícil identificação. Por isso,
foi desenvolvida a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), que analisa e avalia todos os equipamentos e
posto de trabalho das empresas, indicando se estão no padrão adequado para proporcionar condições de
trabalho aceitáveis aos colaboradores.

CASOS E RELATOS

A história de Ana
Ana é uma estudante muito esforçada. Para conseguir pagar a faculdade, faz estágio em uma clínica
como recepcionista. Ela trabalha seis horas por dia e seu ambiente é limpo, ventilado, não existe
maquinário pesado ou muito barulho.
Muitas pessoas diriam que o trabalho de Ana é livre de qualquer risco. Porém, Ana tem a estatura
relativamente alta e sua mesa e cadeira de trabalho não possuem a altura adequada. Geralmente,
Ana passa parte do tempo de trabalho muito curvada.
Ao sair do trabalho, vai direto para faculdade, ficando quase sempre na mesma posição. Ao chegar
em casa no fim do dia, Ana reclama de fortes dores nas costas e muitas vezes não consegue dormir.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
60

Podemos observar, pelo histórico diário de Ana, que ela é mais uma das diversas vítimas acometidas
pelos riscos ergonômicos, em que a postura do ambiente de trabalho interfere na sua qualidade de
vida, fazendo com ela precise revê-la a fim de não trazer maiores problemas à sua saúde.

A ergonomia, por seu caráter preventivo, também é regulamentada, sendo a NR-17 a norma que espe-
cifica as instruções para reduzir riscos ergonômicos que têm relação com a mobília utilizada, com o carre-
gamento de peso e outras situações típicas do ambiente de trabalho.
A seguir, você entenderá a importância de trabalhar a prevenção com foco na redução de danos no am-
biente de trabalho como uma das medidas mais importantes a serem adotadas, a fim de evitar ocorrências
de eventos indesejáveis.

5.3.3 PREVENÇÃO E REDUÇÃO DE DANOS

Em função dos danos à saúde do trabalhador nas últimas décadas, foram implantados alguns progra-
mas com o objetivo de prevenir a sua ocorrência. Ao longo dos anos, o Ministério do Trabalho e Emprego
tem desenvolvido ações de segurança e saúde no trabalho, principalmente, através dos auditores fiscais
do Trabalho. Segundo dados desse Ministério, entre 1996 e 2014 foram desenvolvidas 2.696.919 ações.
A adoção de investimento em treinamentos e capacitações dos trabalhadores no local de trabalho são a
melhor forma de prevenir acidentes, uma vez que o fator humano e comportamental, são expostos a infini-
tas possibilidades de situação de risco. Além disso, deve-se adotar ferramentas de gestão com a finalidade
de monitorar e medir a eficiência das medidas preventivas.
Tais medidas podem ser entendidas como a realização de procedimentos internos, análises prelimina-
res de risco das tarefas, abordagens comportamentais nas frentes de trabalho, programas de incentivos à
organização do ambiente de trabalho, sinalizações de alertas e advertências e aquisição de equipamentos
que atendam às especificações de segurança.
5 Segurança e saúde
61

Figura 19 -  Danos no trabalho


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017. (Adaptado).

Para reduzir os danos dentro das organizações, é preciso adotar as boas práticas de gestão da saúde e
segurança no trabalho, de modo a contribuir com a proteção, prevenção e redução dos acidentes e do-
enças no trabalho, resultando em maior qualidade de vida aos trabalhadores e diminuindo os custos da
empresa.

5.4 RISCOS OCUPACIONAIS

O trabalhador pode estar exposto a alguns riscos de natureza ocupacional, ou seja, aqueles que se
referem à atividade laboral, conforme abordamos no tópico sobre Condições Ambientais, onde foram de-
talhados diferentes tipos de riscos presentes em um ambiente de trabalho.
A Norma Regulamentadora Nº 9 considera tais riscos ocupacionais como sendo os do tipo: físico, quí-
mico e biológico existentes no ambiente de trabalho, que, de acordo com sua natureza, concentração/
intensidade e tempo de exposição, sejam capazes de causar danos à saúde do colaborador através de um
determinado agente. Vejamos, a seguir, cada um deles:
a) Agentes físicos: são as mais variadas formas de energia às quais os trabalhadores possam estar
expostos. Eles podem ser categorizados como: ruído, vibração, pressão, temperatura, radiação
ionizante, radiação não ionizante, iluminação, etc.;
b) Agentes químicos: são substâncias compostas ou produtos que, em contato com o organismo,
seja por via dérmica, digestiva ou respiratória, têm potencial de prejudicar a saúde do trabalha-
dor. Os agentes químicos podem ser encontrados nas formas de fumos, névoas, poeiras, neblinas,
gases ou vapores;
c) Agentes biológicos: são seres vivos que podem causar doenças ao trabalhador, ao exemplo de
bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários e vírus. Possuem características específicas que
impossibilitam sua quantificação, diferentemente dos demais tipos de agentes citados anterior-
mente.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
62

Visando facilitar entendimento a respeito dos riscos ambientais, o Ministério do Trabalho e Emprego,
através da Tabela I do Anexo 4 da NR-9, classificou os principais grupos ocupacionais de acordo com sua
natureza, atribuindo cores correspondentes a cada um desses grupos, como podemos visualizar no qua-
dro a seguir:

GRUPO 1: GRUPO 2: GRUPO 3: GRUPO 4: GRUPO 5:


RISCOS FÍSICOS RISCOS QUÍMICOS RISCOS BIOLÓGICOS RISCOS ERGONÔMICOS RISCOS ACIDENTES

Arranjo físico
Ruídos Poeira Vírus Esforço físico intenso
inadequado

Exigência de postura
Vibrações Fumos Bactérias inadequada (local de Piso escorregadio
trabalho inadequado)

Levantamento e Máquinas e
Radiações ionizantes
Névoas Protozoários transporte manual de equipamentos sem
(raio X, alfa, gama)
peso proteção

Radiações não Ferramentas


ionizantes Neblinas Fungos Postura inadequada inadequadas ou
defeituosas

Controle rígido de
Frio Gases Parasitas Iluminação inadequada
produtividade

Imposição de ritmos
Calor Vapores Bacilos excessivos de trabalho Eletricidade
em turno diurno e
noturno

Substâncias, compostos
Jornada de trabalho Probabilidade de
Pressões anormais ou produtos químicos Sangue
prolongada incêndio ou explosão
em geral

Monotonia e Armazenamento
Umidade - -
repetitividade inadequado

Animais peçonhentos:
Outras situações
(mordida de cobra,
- - - causadoras de estresse
aranha, picada de
físico e/ou psíquico
escorpião, barbeiro, etc.)

Quadro 3 - Agentes ambientais


Fonte: BRASIL, 1978. (Adaptado).

5.4.1 Medidas preventivas

A avaliação e o controle de todos os agentes de riscos ambientais devem estar contemplados no Pro-
grama de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), cujo objetivo é estabelecer uma metodologia de ação
que promova a preservação da saúde e integridade físicas do trabalhador face à exposição a agentes no-
civos no ambiente de trabalho, uma vez que o trabalhador, exposto em um ambiente insalubre, está mais
vulnerável ao desenvolvimento de doenças que poderão incapacitá-lo para atividade laboral e que impli-
cam, portanto, no afastamento do trabalho.
5 Segurança e saúde
63

Para evitar que isso ocorra, é necessário tratar o ambiente de trabalho em que o trabalhador está expos-
to através do reconhecimento e identificação dos agentes nocivos presentes, a fim de fundamentar uma
avaliação mais criteriosa e, consequentemente, adotar medidas preventivas.
Como medida preventiva, faz-se necessária a higiene ocupacional, que promove o estudo das con-
dições ambientais que possam afetar a eficiência e a produtividade do trabalhador, na medida em que
minimiza ou elimina os fatores causadores de indisposição, insatisfação e inadequação, decorrentes de
condições laborais impróprias. A higiene ocupacional também tem a função de prevenir consequências
mais graves, como incapacitação para o trabalho ou até mesmo a morte do trabalhador.

SAIBA Para ter mais informações em relação à Higiene Ocupacional, acesse: ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE HIGIENE OCUPACIONAL. 2017. Disponível em: <http://www.abho.org.
MAIS br/>. Acesso em: 03 abr. 2017.

O trabalho da higiene ocupacional deve ser implementado de modo a priorizar a sua eficiência. Em
primeiro lugar, as que se referem à fonte emissora do contaminante (de modo a tentar evitar sua geração),
seguido das que se relacionam ao percurso ou “caminho” percorrido pelo agente (considerando que não
houve condições tecnológicas para impedir sua geração) e, finalmente, relativas à proteção do trabalhador
como a última medida a ser tomada, caso as etapas anteriores não tenham sido realizadas ou bem-sucedi-
das. Um esquema básico acerca dessas hierarquias de proteções pode ser visualizado a seguir:

FONTE PERCURSO TRABALHADOR

Figura 20 -  Hierarquia de proteção


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

MAPA DE RISCOS

Outra técnica baseada na identificação dos riscos através das cores é a ferramenta denominada mapa
de risco, que pode ser entendida como uma metodologia de representação gráfica dos riscos presentes no
ambiente de trabalho.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
64

O objetivo do mapa de risco é agrupar graficamente, para fácil visualização, informações suficientes
para que se estabeleça um diagnóstico do setor de trabalho, possibilitando, durante sua elaboração, a
troca de informação entre os trabalhadores acerca dos agentes ocupacionais aos quais estarão expostos
naquele ambiente.

MAPA DE RISCOS

RISCO ERGONÔMICO

RISCO MECÂNICO

RISCO FÍSICO CONT. RH MASC. FEM.


RISCO QUÍMICO DIRETORIA
COZINHA
RISCO BIOLÓGICO TELEMARK.

WC
RECEPÇÃO

T.I.

RISCO PEQUENO
DEPÓSITO

PRODUÇÃO

RISCO MÉDIO
C.Q. LOGÍSTICA

VESTIÁRIO WC

RISCO ELEVADO

Figura 21 -  Exemplo mapa de risco


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

A elaboração do mapa de risco é de responsabilidade da CIPA, sob supervisão do SESMT (onde houver).
Este mapa pode ser setorizado, ou seja, elaborado por cada setor de trabalho individualmente, ou comple-
to, contemplando todas as áreas existentes nos limites da empresa, conforme imagem anterior.
Falaremos a seguir sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), quais os tipos e usos a que se
destinam.

5.4.2 EPI

Os Equipamentos de Proteção Individual são a última etapa do processo de prevenção de doenças e


acidentes no trabalho. Esses equipamentos são obrigatórios sempre que as proteções coletivas estiverem
sendo instaladas e em situações de emergência.
A empresa é obrigada a fornecer para o trabalhador, gratuitamente e em perfeito estado de conserva-
ção e funcionamento, todos os equipamentos. Estes devem possuir Certificado de Aprovação (C.A.) emiti-
do pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Sua validade é de até 5 (cinco) anos.
Os colaboradores devem ser orientados acerca da correta utilização destes equipamentos, sendo obri-
gatório o registro de entrega dos mesmos. Caso estejam danificados, os EPI devem ser substituídos ime-
5 Segurança e saúde
65

diatamente, não sendo permitida a sua utilização fora do ambiente de trabalho e além do uso a que se
destina.
E a quem cabe orientar o trabalhador acerca da sua utilização? É o que veremos a seguir:
a) Profissionais do serviço especializado em engenharia de segurança e medicina do trabalho;
b) CIPA;
c) Profissional legalmente habilitado, contratado pela empresa para tal finalidade.
Existem diversos tipos de EPI disponíveis no mercado, eles variam de modelo ou tipo conforme a ne-
cessidade da atividade ou riscos aos quais os trabalhadores estarão expostos e, ainda, diferenciam-se pela
parte do corpo que deve proteger, como, por exemplo:
a) Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares;
b) Proteção respiratória: máscaras e filtro;
c) Proteção visual e facial: óculos e viseiras;
d) Proteção da cabeça: capacetes;
e) Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes;
f) Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas;
g) Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.

Apenas fornecer EPI aos funcionários não isenta a empresa de propiciar as condições
FIQUE adequadas do ambiente de trabalho, tampouco significa dizer que a responsabili-
dade de garantir a segurança é transferida para o trabalhador. A responsabilidade
ALERTA maior é da empresa, que, além dos equipamentos, deve oferecer um ambiente de
trabalho seguro e adequado.

5.4.3 EPC

A sigla EPC quer dizer Equipamento de Proteção Coletiva. Os EPC são destinados à preservação da inte-
gridade dos trabalhadores e têm como objetivo reduzir os acidentes, melhorar as condições de trabalho e
a eficiência e eficácia no trabalho.
Como exemplos de EPC têm-se:
a) Sinalização de segurança;
b) Corrimão de escadas;
c) Capelas químicas;
d) Cones e placas.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
66

CUIDADO

PISO
MOLHADO

Figura 22 -  Exemplos de EPC


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Existem algumas vantagens dos Equipamentos de Proteção Coletiva em relação aos Equipamentos de
Proteção Individual, uma delas é a condição de não causar incômodo diretamente ao trabalhador, uma
vez que são projetados para proteção do ambiente de trabalho, máquinas e equipamentos, diminuindo a
exposição a quem os utilizam, resguardando a integridade física dos colaboradores diretos, terceiros e até
mesmo das instalações da empresa.

Você sabia que apesar de o extintor de incêndio proteger a nível coletivo


ele não pode ser considerado um EPC? Apesar de proteger, ele não evita
CURIOSIDADES acidentes, pois é utilizado depois que o acidente (incêndio) já ocorreu.
Portanto, não é usado para prevenir e sim para combater ou atenuar o
efeito do incêndio.

5.4.4 CONTROLE E PRESERVAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO

Como visto anteriormente, os equipamentos de proteção, sejam eles individuais ou coletivos, são de
extrema importância para o bem-estar dos trabalhadores. Por isso, o Ministério do Trabalho e Emprego
(TEM), juntamente com as NR, estipulou uma série de elementos que precisam estar inseridos no universo
dos equipamentos de proteção.
Conforme estabelecido na Norma Regulamentadora Nº 6 do Ministério do Trabalho e Emprego, quanto
ao uso dos EPI, os empregados têm também obrigações. São elas:
a) Usar o EPI apenas para a finalidade a que se destina;
5 Segurança e saúde
67

b) Responsabilizar-se por sua guarda e conservação;

c) Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio;

d) Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado do equipamento. (BRASIL,


1978).

Preservar os equipamentos de proteção garante a segurança do trabalhador, além de prolongar a dura-


bilidade dos mesmos, reduzindo os custos para as empresas.
Equipamentos mal preservados oferecem riscos para a saúde do trabalhador. Por isso, as indústrias
devem instituir normas para regular o uso, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição dos
EPI e EPC.

5.5 DOENÇAS

São chamadas de doenças ocupacionais as alterações na saúde do trabalhador ocasionadas por fatores
ligados ao ambiente de trabalho. Normalmente, elas são adquiridas quando o colaborador é exposto aos
chamados agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos de forma abusiva, sem a devida
proteção que o risco exige.
No Brasil, as principais doenças ocupacionais são:
a) Lesão por esforço repetitivo;
b) Asma ocupacional;
c) Câncer de pele;
d) Surdez;
e) Catarata;
f) Depressão.

Figura 23 -  Doenças ocupacionais


Fonte: SENAI DR BA, 2017.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
68

É importante não confundir doenças ocupacionais com acidentes de trabalho. Para ser considerada
uma doença ocupacional deve haver a causa e o efeito específico da situação.
De acordo com Brasil [20--], em 2014 foram registrados 251.500 afastamentos de postos de trabalho por
razões médicas. Essa realidade mostra a importância de se adotar de forma séria o Programa de Controle
Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), que tem como objetivo principal evitar a ocorrência de doenças
laborais.
Todas essas doenças advêm de condições desgastantes no ambiente do trabalho, mas podem ser pre-
venidas através de práticas de valorização do trabalhador e maior preocupação com sua saúde.
5 Segurança e saúde
69

RECAPITULANDO

A adoção das boas práticas para a gestão da saúde e segurança do trabalhador está relacionada à
incorporação de medidas que contribuem para a proteção contra os riscos de acidentes e doenças
que possam existir no ambiente de trabalho.
Vimos que a CIPA tem papel importante na promoção da Segurança e Saúde do trabalhador.
Aprendemos que todas as empresas que possuam empregados com atividades em seus estabeleci-
mentos devem constituir a CIPA e esta precisa se adequar ao tipo específico (por canteiro, centrali-
zada ou provisória), bem como dimensionada, conforme determinações da NR-5.
Compreendemos que os acidentes e doenças decorrentes do trabalho representam fatores extre-
mamente negativos para a empresa, para o trabalhador acidentado e para a sociedade, uma vez
que tais ocorrências irão refletir na imagem da empresa perante a comunidade, investidores, mídia,
órgãos fiscalizadores, etc., havendo, a depender da situação, embargo e interdição da empresa, de-
missão de funcionários, cancelamento de fornecedores, etc.
Por isso, deve-se avaliar e conhecer muito bem o ambiente de trabalho, de modo que os riscos am-
bientais e também ergonômicos sejam mensurados e minimizados, ou mesmo eliminados.
Estudamos ainda que, para minimização ou eliminação dos riscos, medidas preventivas devem ser
adotadas, a exemplo da utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) e Equipamentos de
Proteção Individual (EPI).
Desta forma, evitaremos o adoecimento decorrente de atividades insalubres, garantindo também o
cumprimento dos dispositivos legais aplicáveis, fiscalizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Meio ambiente

O nível de competitividade no mercado de trabalho atual tem motivado profissionais a bus-


car conhecimento e formação adicional em áreas que são consideradas, cada vez mais, fun-
damentais para sobrevivência das empresas. Abordaremos, neste capítulo, sobre uma destas
áreas, denominada Meio Ambiente. Boa leitura!
O Meio Ambiente diz respeito às coisas vivas e não vivas, é a reunião de elementos quími-
cos, físicos e biológicos em que os seres vivos se desenvolvem.

Figura 24 -  Meio ambiente


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

A preservação do meio ambiente, portanto, está condicionada às ações benéficas promovi-


das pelos indivíduos, fazendo com que se concilie desenvolvimento e conservação ambiental.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
72

6.1 Aspectos e Impactos Ambientais da Ação Humana

A ação do homem no meio em que ele vive é um importante fator de transformação. De maneira posi-
tiva ou negativa, sua ação traz consequências, sobretudo, ao meio ambiente.
As consequências causadas pela ação humana ao meio ambiente são denominadas impactos ambien-
tais. É importante determinar quais são essas ações e suas consequências, para que haja incentivos no
sentido de combatê-las, quando forem de caráter prejudicial.
Algumas vezes, os impactos são de origem natural, ou seja, não são provocados por nenhum fator
humano. Porém, o maior agente causador de dano ao meio ambiente tem sido o ser humano. Ao longo
da sua história, o homem modificou sensivelmente o meio em que vive e transformou drasticamente o
sistema comunitário15 dos seres vivos.

Figura 25 -  Impactos ambientais


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

Com o desenvolvimento das novas tecnologias e da vida em sociedade ao longo do tempo, pôde-se
perceber que a maioria das atividades econômicas produz impactos ambientais negativos. Como exemplo
do impacto negativo, podemos destacar aqueles relacionados ao aumento das áreas urbanas, como os ve-
ículos automotivos, que causam poluição ao meio ambiente, a utilização excessiva dos recursos naturais, o
uso inconsciente de bens materiais e a produção exagerada de lixo.

Existem empresas e obras que em seus processos podem causar grande impacto am-
biental negativo, sendo obrigadas a trabalhar na recuperação ambiental, tendo que
FIQUE pagar altos valores monetários, que podem, inclusive, inviabilizar sua continuidade
operacional. Enquanto profissional, caso detecte algum tipo de impacto ambiental
ALERTA negativo, informe imediatamente aos responsáveis da empresa para que sejam to-
madas as medidas cabíveis. Seja proativo e verifique se a empresa tem um plano de
atendimento a emergências ambientais.

15 Comunitário: aquilo que é comum a todos que vivem em determinado local.


6 Meio ambiente
73

O homem é o principal agente transformador do meio em que vive, por isso, ele pode adotar medidas
que visem a melhoria do meio ambiente, tais como:
a) Reflorestar as áreas desmatadas;
b) Criar processos de despoluição de rios, córregos, etc.;
c) Usar de forma consciente os recursos naturais;
d) Evitar qualquer tipo de poluição;
e) Conscientizar as gerações futuras sobre a preservação ambiental;
f) Criar leis que garantam a preservação ambiental, etc.
O que podemos perceber até aqui é que nas grandes áreas urbanas os impactos que afetam o meio
ambiente são causados também pelos indivíduos, ainda que através de pequenas atitudes.
A seguir, falaremos sobre a importância de consumir os recursos naturais de modo responsável para
melhor qualidade de vida da atual e das futuras gerações. Vamos lá?

6.1.1 CONSUMO CONSCIENTE

De acordo com Brasil [20--], nas últimas décadas, a humanidade utilizou 30% a mais de recursos naturais
do que o planeta é capaz de se renovar. Em menos de 50 anos, serão necessários dois planetas Terra para
suprir a demanda por água, energia e alimentos, se os padrões de consumo se mantiverem nesse nível
acelerado.
Diante do exposto até aqui, não há dúvida que precisamos alcançar o equilíbrio entre crescimento eco-
nômico e consumo consciente. Só assim garantiremos o desenvolvimento social e preservação do meio
ambiente para as próximas gerações.
Mas o que quer dizer “consumir de forma consciente”?

SAIBA Para encontrar alguns exemplos de iniciativas positivas para estimular a produzir e
consumir com responsabilidade socioambiental, acesse: BRASIL. Ministério do Meio
MAIS Ambiente. 2017. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/> Acesso em: 03 abr. 2017.

Consumo consciente não significa, necessariamente, que as pessoas se privem de comprar, de desfru-
tar de conforto, significa que, ao tomar consciência dos impactos ambientais negativos provocados pelo
consumismo, será necessário fazermos escolhas de consumo melhores e conscientes na hora de se vestir,
no que comprar, qual maneira de descartar o que já não serve mais, etc. A grande questão aqui é minimizar
os danos das escolhas.
O consumo consciente pode se tornar uma atitude diária. São pequenas mudanças de hábitos que se
tornam costumes importantes:
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
74

a) Comprar alimentos, roupas, produtos de higiene e outras mercadorias na quantidade certa para
o consumo, evitando ao máximo o desperdício;
b) Gastar água e energia somente quando necessário, evitando o desperdício;
c) Escolher combustíveis verdes (biocombustíveis), evitando os combustíveis fósseis (gasolina, die-
sel, etc.);
d) Reutilizar produtos e bens naturais sempre que possível;
e) Optar por eletrodomésticos (geladeiras, micro-ondas, etc.) que tenham o selo de baixo consumo
de energia elétrica;
f) Utilizar ferramentas que evitem o desperdício de água e energia nas residências;
g) Adquirir produtos de empresas que se preocupem com causas sociais e ambientais;
h) Se envolver em campanhas que se preocupem com o consumo consciente;
i) Usar sacolas retornáveis para acomodar os produtos dos supermercados;
j) Valorizar o consumo de produtos orgânicos; 
k) Separar e reciclar o lixo.
Conforme observamos, o consumo consciente envolve, dentre outras ações, a de promover a recicla-
gem do lixo. É sobre isso que falaremos no próximo tópico.

6.1.2 RECICLAGEM DO LIXO

A produção de embalagens e produtos descartáveis teve seu aumento na década de 1980 e desenca-
deou o aumento da produção de lixo, que hoje é um dos grandes problemas pelos quais passam os centros
urbanos. Essa questão é de muita importância para o poder público, pois envolve, além dos catadores de
materiais recicláveis e reutilizáveis, a falta de espaço para deposição dos resíduos.
Segundo a última pesquisa nacional de saneamento básico, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geo-
grafia e Estatística (IBGE), no Brasil são recolhidas cerca de 180 mil toneladas de resíduos sólidos. Grande
parte desses resíduos é jogada em lixões a céu aberto, sem tratamento adequado. Para tentar solucionar
esse problema, a reciclagem se apresenta como uma forma de converter aquilo que era considerado lixo
em potenciais bens de consumo.
Muitos dos resíduos sólidos que são encontrados nos lixões podem ser reciclados. O alumínio, por
exemplo, tem um nível de reaproveitamento de aproximadamente 100%, pois, quando derretido, ele re-
torna para as linhas de produção das indústrias de embalagens e pode reduzir significativamente os custos
das empresas.
6 Meio ambiente
75

Você sabia que investir em reciclagem é tão importante que uma única
lata de alumínio, quando reciclada, economiza energia suficiente para
CURIOSIDADES manter uma televisão ligada durante cerca de três horas?
(Fonte: BRASIL, 2017).

A reciclagem tem diversas vantagens, tais como:


a) Diminuição da quantidade de resíduos levados ao aterro sanitário;
b) Diminuição dos impactos ambientais na produção de novas matérias-primas;
c) Diminuição no consumo de energia elétrica;
d) Diminuição da poluição ambiental;
e) Aumento do desenvolvimento econômico através da expansão e geração de novos empregos
nas indústrias de recicláveis.
A separação e a correta destinação dos resíduos sólidos simplificam o processo de reciclagem, facilitan-
do também o trabalho dos catadores, que estarão menos expostos a riscos de contaminação e acidentes.
Além disso, aumenta a vida útil dos aterros sanitários e reduz o risco de contaminação do solo e das
águas; reduz também o foco de insetos e vetores de doenças e, consequentemente, gastos com saúde
pública.
A destinação adequada dos resíduos pode ainda contribuir para atividades de compostagem, que é
uma técnica aplicada para diminuir o impacto da decomposição de materiais orgânicos no solo.

Figura 26 -  Reciclagem
Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Muitas campanhas educativas são veiculadas diariamente com o objetivo de alertar a população sobre
o problema do lixo das grandes cidades. No entanto, ainda falta muito para que a população adote hábitos
que ajudem a diminuir os danos ao meio ambiente.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, atualmente, apenas 18% das cidades brasileiras possuem
coleta seletiva, que é muito importante para a reciclagem do lixo. Ela tem se mostrado a maneira mais
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
76

eficiente de iniciar dentro das casas, empresas, condomínios, e, até mesmo, setores públicos e privados, a
destinação correta dos resíduos.

6.1.3 DESCARTE DE RESÍDUOS

Todos os resíduos gerados pela população precisam ter uma destinação correta. Porém, nem todo lixo
gerado é descartado de forma correta.
A Lei n° 12.305/10 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê a redução da gera-
ção de resíduos, propondo hábitos de consumo mais sustentáveis, incentivando a reciclagem, a reutiliza-
ção dos resíduos sólidos e o descarte adequado. (BRASIL, 2010).
A coleta seletiva é uma forma importante de descarte responsável. Esse tipo de coleta prevê que os
resíduos sejam separados para serem coletados a partir das suas composições e características. De acordo
com a PNRS, os municípios têm a obrigação de implantar a coleta seletiva através dos planos de gestão
integrada de resíduos sólidos.
Para iniciar o sistema de coleta seletiva, é preciso avaliar os resíduos sólidos e separá-los por categoria,
em recipientes padronizados de acordo com a cor, conforme apresentado na imagem a seguir.

PAPEL PLÁSTICO METAL ORGÂNICO VIDRO

LIXO CLASSE I RADIO-


MADEIRA PERIGOSOS ATIVOS
COMUM

Figura 27 -  Coleta seletiva


Fonte: SENAI DR BA, 2017.

Dentre os recipientes citados, os principais são:


a) Azul: papel/papelão;
b) Amarelo: metal;
c) Verde: vidro;
d) Vermelho: plástico.
No Brasil, foi criada uma norma para regulamentar e classificar os resíduos conforme sua composição.
A norma ABNT NBR 10004:2004 classifica como Classe I os resíduos perigosos, que podem causar riscos ao
meio ambiente e ao homem; e Classe II, os resíduos não perigosos, conforme podemos ver a seguir:
6 Meio ambiente
77

a) Os resíduos Classe I – Perigosos: são aqueles que apresentam características específicas como:
facilidade em incendiar, corroer, reagir violentamente com outras substâncias químicas forman-
do novos produtos mais perigosos e também capacidade de causar doenças a seres vivos e po-
luir o meio ambiente. Tais resíduos devem ser destinados e tratados em aterros industriais. São
exemplos destes grupos os seguintes resíduos: tinta, solvente, óleos lubrificantes, graxas, produ-
tos químicos, metais, chumbo, lodo, papéis contaminados com óleos.

b) Os resíduos Classe II – Inertes e Não Inertes: são aqueles que não possuem as características
citadas anteriormente, além de serem facilmente absorvidas pelo meio ambiente sem que haja
um impacto negativo, não são prejudiciais ao organismo dos serres vivos. Os aterros sanitários
recebem estes tipos de resíduos, tais como: matéria orgânica, papéis, vidros, folhas e galhos, EPI
não contaminados, borracha, ferro. (ABNT NBR 10004, 2004).

Outros aterros também permitidos pelos órgãos ambientais são os aterros controlados, onde os resídu-
os são descartados diretamente no solo, sem nenhuma impermeabilização16, porém, utilizam-se procedi-
mentos para minimizar os danos ao solo, a exemplo de utilização de células para recebimento destes resí-
duos, tendo, contudo, recebido camadas superficiais de grama e argila, onde o resíduo será transformado
em material inerte.

Figura 28 -  Tipos de resíduos sólidos


Fonte: WIKIMEDIA COMMONS, 2014.

16 Impermeabilização: operação de tornar protegida alguma superfície.


Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
78

Quanto aos locais de destinação dos resíduos, existem normas específicas que fixam condições míni-
mas para o projeto, construção, implantação e operação de aterros, são elas:
a) ABNT NBR 13896:1997: aterros de resíduos não perigosos – critérios para projeto, implantação
e operação;
b) ABNT NBR 10157:1987: aterros de resíduos perigosos – critérios para projeto, construção e ope-
ração.
Os problemas com geração e destinação dos resíduos atingem escalas globais, sem restrições a países
mais desenvolvidos. Estes, porém, têm investido mais em técnicas e programas para minimizar tal situação,
tanto em escala local, quanto a nível mundial, através de políticas e ações de entidades internacionais.

6.2 ECOSSISTEMAS E GLOBALIZAÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS

O termo ecossistema significa o conjunto de todas as comunidades vivas (bióticos) e não vivas (abióti-
cos) que convivem em um determinado espaço, complementando-se mutuamente. Os fatores bióticos são
todos os seres vivos que causam efeito no ecossistema (animais, plantas, bactérias). Esses fatores bióticos
convivem com os abióticos (solo, vento, sol, gelo), que influenciam os seres vivos dentro do ecossistema.
O planeta possui uma vasta extensão e, consequentemente, um número muito grande de ecossiste-
mas: florestas tropicais, desertos, geleiras, mangues, caatingas, etc. Até bem pouco tempo, o ser humano
agia como se esses ecossistemas fossem fontes inesgotáveis de matérias-primas e locais para depósito
de lixo industrial e residencial. Nesse contexto, a partir do crescimento dos centros urbanos, da intensa
atividade industrial e aumento do consumo mundial, os problemas ambientais começaram a tomar pro-
porções inesperadas.
Com os avanços da globalização e consequente processo de industrialização, houve aumento signi-
ficativo no consumo, gerando uma pressão sobre os recursos naturais, acompanhada da geração de um
grande volume de poluição dos elementos abióticos. A seguir, alguns exemplos de globalização dos pro-
blemas ambientais:
a) Destruição da camada de ozônio;
b) Aquecimento global;
c) Derretimento das geleiras;
d) Efeito estufa;
e) Chuva ácida;
f) Destruição das florestas.
Para tentar minimizar esses problemas, países de todo o mundo vêm adotando medidas que diminuam
os impactos negativos do desenvolvimento urbano. Embora muito limitadas e ainda deficientes, ações
estão sendo adotadas para a preservação ambiental. Podemos citar:
a) Legislações específicas para o meio ambiente;
6 Meio ambiente
79

b) Intensificação das inspeções por parte dos órgãos ambientais fiscalizadores;


c) Formação de blocos de cooperação entre países, com acordos internacionais que visam também
a preservação do meio ambiente, a exemplo do BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul;
d) Organizações Não Governamentais (ONGs) de assistência e defesa de causas ambientais;
e) Realização de eventos e conferências de apoio ao investimento em técnicas e políticas de incen-
tivo ao desenvolvimento sustentável, a exemplo da Conferência Rio +20, realizada na cidade do
Rio de Janeiro, em 2012.
Todos estes esforços são necessários no sentindo de mobilizar a sociedade em prol da correta utiliza-
ção dos recursos naturais e promoção do desenvolvimento sustentável. Tema este que será abordado no
próximo tópico deste livro.

6.3 Racionalização do uso dos recursos naturais e fontes de energia

Enquanto futuro profissional com formação na área de Eletrotécnica, você precisa estar ciente das no-
vas formas sustentáveis de produção que os mercados vêm exigindo e que o meio ambiente necessita.
Espera-se que você tenha condições de propor soluções alternativas e viáveis de racionalização dos
recursos naturais, especialmente no que diz respeito ao uso de diferentes fontes de energia, com base nos
conhecimentos adquiridos ao longo do curso, por meio de experiências práticas na área.
Sabemos que os recursos naturais contribuem para o desenvolvimento da sociedade. Esses recursos
podem ser classificados como renováveis e não renováveis.
Os recursos renováveis, como o próprio nome já diz, são aqueles capazes de se renovar, a exemplo da
água, dos animais e da vegetação. Recursos não renováveis são os que não se renovam ou que se renovam
de forma lenta. Como exemplo: petróleo, ferro, ouro, etc.
O alto padrão de consumo atual está tornando escasso até mesmo os recursos renováveis, pois, a de-
manda cada vez maior pelos recursos, que impulsionam o desenvolvimento econômico dos países, acaba
por trazer o uso de forma indiscriminada.
Um dos maiores fatores de desenvolvimento econômico que utilizam meios naturais são as fontes de
energia, recursos que direta ou indiretamente são utilizados para produção de energia, exemplo: luz solar,
petróleo, carvão, força dos ventos, etc. Delas originam-se combustíveis e eletricidade, que são as fontes
mais importantes de desenvolvimento dos centros econômicos mundiais.
O nível de desenvolvimento das fontes energéticas determina o desenvolvimento econômico de um
país, pois ele precisa ser capaz de suprir as necessidades cada vez maiores da sua população e de suas
atividades econômicas.
Assim como os recursos naturais, as fontes de energia são classificadas como fontes de energia reno-
váveis e não renováveis. As renováveis são as consideradas energias limpas, por não agredirem o meio
ambiente e contarem com matérias-primas que se regeneram mesmo quando utilizadas, por exemplo:
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
80

energia eólica, solar, etc. As fontes de energia não renováveis são aquelas encontradas na natureza, mas se
esgotam ao serem utilizadas. São consideradas energias poluentes. Exemplo: carvão mineral, petróleo, etc.
Dentre as diversas fontes de energia, podemos citar:
a) Petróleo: minério fóssil, que é utilizado para a produção de vários subprodutos, como gasolina,
óleo diesel, querosene, etc.;
b) Energia hidrelétrica: produzida em usinas hidrelétricas a partir da movimentação das águas de
rios contidas em barragens;
c) Carvão mineral: minério que produz calor e contribui para a produção de eletricidade em usinas
termelétricas17;
d) Biocombustíveis: combustíveis comumente utilizados para movimentar automóveis como, por
exemplo, o álcool e o biodiesel;
e) Energia eólica: energia produzida através do vento, a partir de equipamentos específicos, cha-
mados aerogeradores;
f) Energia solar: produzida através do aproveitamento do calor do sol.

Hidrelétrica Gás natural


Energia eólica

Solar Nuclear

Petróleo

Figura 29 -  Diferentes fontes de energia


Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2017.

A facilidade com que os diferentes tipos de energia são transportados e convertidos, sem grandes per-
das de qualidade e intensidade, promove sua utilização em escala mundial, inclusive no Brasil, onde as
principais fontes que compõem a matriz energética nacional são a energia hidroelétrica, o petróleo, o car-
vão mineral e os biocombustíveis, além de algumas utilizadas em menor proporção, como o gás natural e
a energia nuclear. 

17 Usinas termelétricas: local onde é produzida energia a partir da queima de combustíveis.


6 Meio ambiente
81

Nesse sentido, o Brasil vem se destacando também na capacidade de produzir energia limpa, a partir de
fontes alternativas. Através do balanço energético nacional, realizado pela Empresa de Pesquisa Energé-
tica (EPE), as fontes de energia renováveis no Brasil representam 90% do total de energia produzida pelo
país, que iniciou esse processo a partir da década de 70, com o aumento do mercado de petróleo. Nesse
período, foram realizados os primeiros projetos de pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas de
energia, como a cana-de-açúcar, por exemplo, utilizada na fabricação do etanol.
Outras fontes renováveis que estão em avanço no país são a energia eólica e a solar, que deverão, após
conclusão dos projetos em andamento e em fase de iniciação, tornarem-se uma das principais fontes ge-
radoras de energia no Brasil.

Matriz Elétrica Brasileira (GW)


2,4% 1,3%
6,7%

8,6%

3,3%

7,1%

9,3% 61,4%

Hidrelétrica Biomassa Eólica PHC Gás natural Óleo Carvão Nuclear

Figura 30 -  Matriz energética brasileira


Fonte: ABEEÓLICA, 2017. (Adaptado).

Preservar os recursos naturais e o meio ambiente como um todo de forma responsável é, acima de tudo,
encontrar soluções eficientes, que contribuam para o desenvolvimento econômico, porém, que consigam
garantir a conservação dessas fontes geradoras de riqueza, para que elas não se tornem recursos escassos,
prejudicando o meio ambiente.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
82

6.4 PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Preservar o meio ambiente é conservar o ambiente a sua volta através de medidas que busquem a re-
dução dos danos à natureza.
Com a chegada do Século XXI e os resultados consequentes dos avanços tecnológicos e industriais, as
organizações mundiais e seus governos têm criado estratégias de preservação ambiental, com o objetivo
de melhorar a utilização dos recursos do planeta nos anos que virão.
Muito ainda precisa ser feito para minimizar os danos provocados pelo desenvolvimento, porém, atitu-
des simples podem ajudar nessa tarefa:
a) Não corte árvores sem autorização dos órgãos competentes;
b) Preserve a vegetação natural;
c) Respeite os períodos de proibição da pesca;
d) Não compre, nem tenha animais silvestres18 em casa;
e) Separe o lixo em casa e no trabalho e coloque-o na rua no dia da coleta seletiva em seu bairro;
f) Não jogue lixo no chão. Carregue-o até a lixeira mais próxima;
g) Reduza o consumo, especialmente do que não puder ser reaproveitado ou reciclado;
h) Mantenha seu veículo sempre em bom estado de manutenção e conservação. Prefira, quando pos-
sível, se deslocar a pé;
i) Use menos veneno na sua lavoura ou horta;
j) Não desperdice água. Feche torneiras, conserte vazamentos, não use mangueiras para lavar calçadas,
aproveite a água da chuva;
k) Não desperdice energia elétrica. Desligue aparelhos, verifique sobrecargas, apague as luzes;
l) Evite jogar materiais não degradáveis (plásticos ou outros) no ambiente.

Figura 31 -  Preservação do meio ambiente


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

18 Animal silvestre: todo animal que nasce e vive em ambientes naturais, tais como florestas e rios.
6 Meio ambiente
83

A preocupação com a preservação deve ser rotina no dia a dia de cada indivíduo, com atitudes que
ajudem a diminuir esses impactos. No entanto, também é necessária a adoção de tecnologias limpas como
parte da estratégia para alcançar o desenvolvimento sustentável. A seguir, falaremos sobre as tecnologias
limpas.

6.5 TECNOLOGIAS LIMPAS

Os atuais sistemas de produção contam com avançada tecnologia. Eles utilizam muitos dos recursos
naturais disponíveis no meio ambiente, mas também utilizam substâncias que são prejudiciais e emitem
grandes quantidades de poluentes na atmosfera.
Esses moldes de produção estão baseados no uso indiscriminado dos recursos, contribuindo para o
seu esgotamento. Frente a isso e aliado às necessidades de se pensar na preservação ambiental, vem se
desenvolvendo as chamadas tecnologias limpas, modos de produção que se sustentam na alta tecnologia,
desenvolvidos para reduzir os impactos ambientais.
Portanto, as tecnologias limpas são consideradas novas formas de produzir através de tecnologias já
existentes e que amenizem os danos ao meio ambiente, utilizando matérias-primas renováveis e diminuin-
do o consumo energético nos processos produtivos.
Essas tecnologias são também conhecidas como processos verdes e sustentáveis, por utilizar novas
perspectivas para a produção, sem que haja danos. Como alguns exemplos de tecnologias limpas, têm-se:
a) Energia eólica;
b) Energia solar;
c) Biomassa: nome atribuído a uma massa biológica utilizada para produção de energia a partir da
decomposição19 dos resíduos orgânicos;
d) Biocombustível: combustível de origem biológica não fóssil;
e) Maremotriz: modo de geração de energia por meio do movimento das marés.
As tecnologias limpas diminuem a emissão dos gases de efeito estufa, através do uso de recursos natu-
rais renováveis, como o vento, o sol, as ondas, a maré e as geotérmicas20.

19 Decomposição: processo natural de apodrecimento pelo qual passam os vegetais e animais após a morte.
20 Geotérmica: energia obtida a partir do calor proveniente do interior da Terra.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
84

Figura 32 -  Aerogerador (energia eólica)


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2017.

A utilização de tecnologias limpas é um importante pilar para o desenvolvimento sustentável. No en-


tanto, muitas empresas baseadas em tecnologias antigas não têm o interesse de adotar tais práticas, pois,
a implantação e adaptação das tecnologias limpas envolvem uma renovação em todo o ciclo produtivo da
empresa, implicando em investimentos financeiros muitas vezes onerosos.

Convido você a conhecer sobre “Os dez fatos sobre energia eólica brasileira que você
SAIBA talvez não saiba”, acessando: ABEEÓLICA. Dez fatos sobre energia eólica brasileira
que você talvez não saiba. 2017. Disponível em: <http://www.abeeolica.org.br/noti-
MAIS cias/dez-fatos-sobre-energia-eolica-brasileira-que-voce-talvez-nao-saiba/>. Acesso em:
03 abr. 2017.

Para conseguir diminuir os danos ao meio ambiente, adotar atitudes sustentáveis é uma boa solução,
como também usar tecnologias limpas mais baratas.
6 Meio ambiente
85

6.6 USO DE RECURSOS RENOVÁVEIS

Recursos renováveis são aqueles que podem ser restaurados sem risco de esgotarem-se. Portanto, flo-
restas, solo, energia solar, movimentos dos ventos e das marés, vegetais, minérios, etc., tudo isso pode ser
considerado um recurso renovável.
Com o aperfeiçoamento das técnicas de produção, o ser humano foi encontrando outras formas de
utilizar os diversos recursos oferecidos pela natureza, no entanto, ainda assim, muitos deles foram extin-
tos, pois, dependendo do impacto ambiental sofrido, até mesmo os recursos considerados inesgotáveis
podem se tornar inutilizáveis.

CASOS E RELATOS

Gandhi e o pensamento sustentável


Mahatma Gandhi foi um dos líderes do movimento de independência da Índia que visava torná-la
livre da coroa britânica. Com o objetivo de estudar direito, Gandhi mudou-se para Inglaterra, retor-
nando à Índia após formar-se.
Conta-se que Mahatma Gandhi, ao ser abordado sobre o que faria a Índia depois da independência,
ele teria respondido “a Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua
prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o
mesmo patamar?”.
O grande conhecimento de Gandhi já sinalizava que os moldes do desenvolvimento nos grandes
centros do mundo precisavam mudar. O estilo de vida consumista e os modos de produção preda-
tórios das nações ricas precisam passar por uma reestruturação.
O ritmo atual de exploração exagerada e irresponsável dos recursos do planeta não pode continuar.
É necessário encontrar formas de aliar desenvolvimento econômico e utilização dos recursos dispo-
níveis no meio ambiente para garantir a sua preservação.

Introduzir a prática da sustentabilidade significa repensar o consumo exagerado, utilizar os recursos


renováveis, em detrimento dos não renováveis. Uma economia sustentável precisa conservar os elemen-
tos que a fazem mover-se, porém, não deixando de suprir as necessidades produtivas, gerando riqueza e
desenvolvimento para as futuras gerações, utilizando o meio ambiente como um potencial de recursos de
forma eficiente.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
86

6.7 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A partir da necessidade de se encontrar soluções para a problemática da degradação21 do meio am-


biente, elaborou-se o conceito de desenvolvimento sustentável. Como frear os modos de produção nas
grandes economias mundiais é praticamente uma tarefa impossível, precisou-se encontrar uma maneira
de utilizar os recursos naturais e os bens de consumo existentes na natureza de forma responsável.
O conceito de desenvolvimento sustentável foi oficialmente difundido na Conferência das Nações Uni-
das sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 1972, na cidade de Estocolmo, Suécia, e, por isso, tam-
bém chamada de Conferência de Estocolmo.
Em 1987, foi elaborado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como Relatório
Brundtland, que estabeleceu o termo desenvolvimento sustentável e o tornou de conhecimento público
mundial. Mas, afinal, o que é desenvolvimento sustentável?
Podemos definir desenvolvimento sustentável como o desenvolvimento que procura satisfazer as ne-
cessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas
próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório
de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um
uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.
Com ações que promovem a interação entre economia, sociedade e meio ambiente, o desenvolvimen-
to sustentável engloba crescimento econômico, inclusão social e preservação do meio ambiente. Nesse
contexto, o desenvolvimento sustentável apresenta três componentes:
a) Sustentabilidade ambiental: funciona como conjunto de ações que mantém o ecossistema e
tudo que o envolve;
b) Sustentabilidade econômica: abrange ações de caráter econômico, visando o equilíbrio entre
desenvolvimento econômico e manutenção dos conceitos ambientais;
c) Sustentabilidade sociopolítica: concentra-se no equilíbrio econômico e social, com ações que
sensibilizem os agentes responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social.
No Brasil, o desenvolvimento sustentável já é tratado como pauta nos grandes encontros socioam-
bientais, a exemplo da Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, realizada em Nova
Iorque, no ano de 2015, quando foram concluídas as negociações que resultaram na criação dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

21 Degradação: qualquer processo que diminua a capacidade de determinado ecossistema em sustentar a vida.
6 Meio ambiente
87

ERRADICAR ERRADICAR SAÚDE DE EDUCAÇÃO IGUALDADE ÁGUA POTÁVEL


A POBREZA A FOME QUALIDADE DE QUALIDADE DE GÉNERO E SANEAMENTO

ENERGIAS TRABALHO DIGNO INDÚSTRIA, REDUZIR AS CIDADES PRODUÇÃO


RENOVÁ VEIS E CRESCIMENTO INOVAÇÃO E DESIGUALDADES E COMUNIDADES E CONSUMO
E ACESSÍVEIS ECONÓMICO INFRAESTRUTURAS SUSTENTÁVEIS SUSTENTÁVEIS

AÇÃO PROTEGER A PROTEGER A PAZ, JUSTIÇA PARCERIAS PARA


CLIMÁTICA VIDA MARINHA VIDA TERRESTRE E INSTITUIÇÕES A IMPLEMENTAÇÃO
EFICAZES DOS OBJETIVOS

Figura 33 -  Objetivos de desenvolvimento sustentável


Fonte: BRASIL, 2015.

O Brasil participou de todas as sessões da negociação intergovernamental para a definição dos objeti-
vos de desenvolvimento sustentável. Por fim, foram definidos 17 objetivos e 169 metas, envolvendo temas
diversos como: erradicação da pobreza, segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade de
gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de
consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossis-
temas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura e industrialização.
A evolução histórica mudou radicalmente a relação do homem com o trabalho e com a natureza. O pro-
gresso que as máquinas trouxeram para os setores produtivos fez com que os recursos e matérias-primas,
antes utilizados de forma natural, perdessem sua capacidade de renovação.
O resultado da evolução capitalista, do desenvolvimento tecnológico e do consumo exagerado fez com
que as questões ambientais começassem a ser repensadas. A degradação do meio ambiente se tornou
mais acelerada e constante e, caso nenhuma mudança rápida aconteça, os recursos não durarão até as
próximas gerações.
Qualidade, saúde, meio ambiente e segurança do trabalho
88

RECAPITULANDO

Neste capítulo, abordamos os conceitos de meio ambiente e seus desdobramentos, desde sua pre-
servação, passando pelos recursos renováveis, as tecnologias disponíveis para esses recursos, che-
gando até a temática do desenvolvimento sustentável.
Compreendemos a diferença entre os diversos tipos de fontes de energia e de que forma elas po-
dem ser aplicadas, de acordo com a necessidade.
Vimos ainda que o método de consumo acelerado influencia direta e negativamente a garantia de
conservação do meio ambiente e, consequentemente, o desenvolvimento sustentável.
Diante do que estudamos, fica claro a importância do papel de cada cidadão para promoção de
um ambiente adequado para as futuras gerações, onde o papel individual, através de práticas am-
bientalmente corretas, pode ter um reflexo positivo, caso haja comprometimento do restante da
sociedade.
6 Meio ambiente
89
REFERÊNCIAS

ABEEÓLICA. Dados mensais. 2017. Disponível em: <http://www.abeeolica.org.br/wp-


content/uploads/2017/02/Dados-Mensais-ABEEolica-02.2017.pdf>. Acesso em: 03 abr.
2017.
______. Dez fatos sobre energia eólica brasileira que você talvez não saiba. 2017.
Disponível em: <http://www.abeeolica.org.br/noticias/dez-fatos-sobre-energia-eolica
-brasileira-que-voce-talvez-nao-saiba/>. Acesso em: 03 abr. 2017.
ACSELRAD, H.; LEROY, J. Novas premissas da sustentabilidade democrática. Rio de
Janeiro: Projeto Brasil Sustentável e Democrático, 1999.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000: sistemas de gestão da
qualidade: fundamentos e vocabulário. Rio de Janeiro, 2015.
______. NBR ISO 9001: sistemas de gestão da qualidade: requisitos. Rio de Janeiro,
2015.
______. NBR ISO 9004: gestão para o sucesso sustentado de uma organização: uma
abordagem da gestão da qualidade. Rio de Janeiro, 2010. Versão de 2010.
______. NBR ISO 19011: diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. Rio de Janeiro,
2012.
______. NBR 10004: resíduos sólidos: classificação. Rio de Janeiro, 2004.
AZEVEDO, A. Administração pública: Modernização administrativa, gestão e melhoria
dos processos administrativos. Porto: Grupo Editorial Vida Económica, 2007.
BERGUE, Sadro Trescastro. Comportamento Organizacional. Florianópolis: Departa-
mento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília]: CAPES; UAB, 2010.
BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991: dispõe sobre os planos de benefícios da
previdência social e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa
do Brasil, Brasília, DF, 25 de jul., 1991.
______. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010: institui a política nacional de resíduos
sólidos; altera a lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 02 de ago., 2010.
______. Ministério das Relações Exteriores. Objetivos de desenvolvimento sustentá-
vel (ODS). 2015. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/
desenvolvimento-sustentavel-e-meio-ambiente/134-objetivos-de-desenvolvimento-
sustentavel-ods>. Acesso em: 03 abr. 2017.
______. Ministério de Minas e Energia. Balanço energético nacional 2016. 2017. Dis-
ponível em: <https://ben.epe.gov.br/>. Acesso em: 03 abr. 2017.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria nº 3.214, 08 de junho de 1978: apro-
va as normas regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis
do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial [da] Repúbli-
ca Federativa do Brasil, Brasília, DF, 08 de jul., 1978.
______. Ministério do Meio Ambiente. Responsabilidade socioambiental. [20--]. Dis-
ponível em: <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental> Acesso em:
03 abr. 2017.
CALLADO, Livio. Relacionamentos Interpessoais. Editora Madras, 2002.
CARNEIRO NETO W. Controle estatístico de processo CEP. Recife: UPE-POLI, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 8. Ed. Rio de
Janeiro: Elseviwe, 2011.
CORRÊA, Márcia Angelim Chaves; SALIBA, Messias T. Insalubridade e periculosidade. 2.
ed. São Paulo: LTr, 2000.
COSTA, Marco Antonio F. da; COSTA, Maria de Fátima Barrozo da. Segurança e saúde
no trabalho: cidadania, competitividade e produtividade. Rio de Janeiro: Qualitymark,
2005.
DATALYZER. Sucesso ou fracasso estratégico. 2013. Disponível em: <http://www.
datalyzer.com.br/site/suporte/administrador/info/arquivos/info46/46.html>. Acesso em:
31 mar. 2017.
FREEPIK. Segurança e saúde. Figura 17. 2017. Disponível em: <http://www.freepik.com/
free-vector/30-avatar-icons_1040569.htm#term=professions&page=1&position=2>.
Acesso em: 18 abr. 2017.
GESTÃO de qualidade. [20--]. Disponível em: <http://gestao-de-qualidade.info/>. Acesso
em: 31 mar. 2017.
JACOBSEN, Alessandra de Linhares. Teorias da administração II. 2. ed. Florianópolis:
UFSC, 2012.
LIMA, A. A. N. et al. Aplicação do controle estatístico de processo na indústria farmacêu-
tica. Revista de Ciências Farmacêuticas básica e aplicada, Recife, v. 27, n. 3, p. 177-
187, 2006. Disponível em: <http://serv-bib.fcfar.unesp.br/seer/index.php/Cien_Farm/
article/viewFile/380/364>. Acesso em: 31 mar. 2017.
MAGGIN, Michel D. Eficiência no trabalho em equipe. São Paulo: NBL, 1996.
OAKLAND, John. Gerenciamento da qualidade total. São Paulo: Nobel, 1994
PALADINI, E. P. Gestão da Qualidade no processo: a qualidade na produção de bens e
serviço. São Paulo: Atlas, 1995
ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.
RODRIGUES, Marcus Vinicius. Ações para a qualidade: GEIQ, gestão integrada para a
qualidade: padrão seis sigma, classe mundial. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.
SENAI. Departamento Nacional. Departamento Regional da Bahia. Inovação e Tecnolo-
gias educacionais. Brasília: SENAI DN; Salvador: SENAI DR BA, 2017.
SHUTTERSTOCK. Equipe de trabalho. Figura 1. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/image-photo/team-work-ants-constructing-bridge-80955316>.
Acesso em: 31 mar. 2017.
______. Relações interpessoais. Figura 2. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/image-photo/business-team-building-puzzle-pieces-toge-
ther-289229294>. Acesso em: 17 abr. 2017.
______. Sistema de gestão ISO 9001. Figura 3. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/image-photo/technology-internet-business-marketing-young-wo-
man-584398204>. Acesso em: 31 mar. 2017.
SHUTTERSTOCK. Sessão de Brainstorm. Figura 9. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/image-photo/people-meeting-connection-social-networking-
communication-343098860>. Acesso em: 31 mar. 2017.
______. Stakeholders pela qualidade total. Figura 13. 2017. Disponível em: <https://
www.shutterstock.com/pt/image-vector/flat-3d-isometric-design-teamwork-con-
cept-294816509>. Acesso em: 17 abr. 2017.
______. ______. ______. ______. Disponível em: <https://www.shutterstock.com/pt/
image-vector/team-works-reach-goal-flat-3d-350709773>. Acesso em: 09 maio 2017.
______. Eficiência nas organizações. Figura 15. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/image-vector/freelancer-modern-workplace-redhaired-men-car-
toon-614167055>. Acesso em: 18 abr. 2017.
______. Danos no trabalho. Figura 19. 2017. Disponível em: <https://www.shuttersto-
ck.com/pt/image-vector/injury-icons-set-141504544>. Acesso em: 18 abr. 2017.
______. Meio ambiente. Figura 24. 2017. Disponível em: <https://www.shutterstock.
com/pt/image-vector/green-earth-25121779>. Acesso em: 17 abr. 2017.
______. Impactos ambientais. Figura 25. 2017. Disponível em: <https://www.shutters-
tock.com/pt/image-vector/illustration-crying-earth-due-pollution-146362589> Acesso
em: 17 abr. 2017.
______. Diferentes fontes de energia. Figura 29. 2017. Disponível em: <https://www.
shutterstock.com/pt/search/isometric?autocomplete_id=&language=pt&search_sour-
ce=&version=llv1&image_type=images&safe=true>. Acesso em: 18 abr. 2017.
______. Preservação do meio ambiente. Figura 31. 2017. Disponível em: <https://
www.shutterstock.com/pt/image-photo/hand-globe-74565148>. Acesso em: 17 abr.
2017.
______. Aerogerador (Energia eólica). Figura 32. 2017. Disponível em: https://www.
shutterstock.com/pt/image-photo/wind-turbins-producing-aeolian-energy-un-
der-595030100> Acesso em: 03 abr. 2017.
TORREIRA, Raúl Peragallo. Manual de segurança industrial. São Pauso: Margus publi-
cações, 1999.
TORTORELLO, Aparecido Jayme. Acidentes do trabalho. São Paulo: Saraiva, 1994.
VIEIRA, Sebastião Ivone. Manual de saúde e segurança do trabalho: Administração e
gerenciamento de serviços. Volume I. São Paulo: LTr, 2005.
WIKIMEDIA COMMONS. Tipos de resíduos sólidos. Figura 28. 2014. Disponível em: <ht-
tps://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=32392478>. Acesso em: 03 abr. 2017.
MINICURRÍCULO DO AUTOR

JONNATHAS PEDRO DE OLIVEIRA SANTOS


Jonnathas Pedro de Oliveira Santos é graduado em Engenharia Ambiental e pós-graduado em
Engenharia de Segurança do Trabalho pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Feira
de Santana – BA. Possui Extensão em Higiene Ocupacional pela Universidade Federal da Bahia
(UFBA), formação em auditoria interna em SGI (ISO 9001, 14001 e OHSAS 18001) pelo CREA-BA.
Atua na área de QSMS há 10 anos, tendo iniciado em 2006. Tem experiência nos ramos Petroquí-
mico, Energias Renováveis, Mineração e Construção Civil, bem como consultoria em desenvolvi-
mento de projetos de Licenciamento Ambiental e cumprimento de requisitos legais de Seguran-
ça do Trabalho. É docente em cursos de nível técnico e tecnólogo de Meio Ambiente e Segurança
do Trabalho.
Índice

A
animais silvestres 82

C
CAT 54
comunitário 72

D
decomposição 75, 83
degradação 86, 87

E
eficácia 27, 28, 30
eficiência 27, 28, 30
endêmica 56

F
feedbacks 47

G
geotérmicas 83

I
impermeabilização 77
inerente 56

N
não conformidades 31
NR-5 52

O
otimizar 29

P
PCMSO 54, 68
PPRA 54, 62
S
segurado 55
SESMT 54, 55, 64
stakeholders 41

U
usinas termelétricas 80
SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

SENAI – Departamento Regional da bahia

Ricardo Santos Lima


Coordenador do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional da Bahia

Jonnathas Pedro de Oliveira Santos


Elaboração

Edeilson Brito Santos


Revisão Técnica

Edeilson Brito Santos


Coordenação Técnica

Marcelle Minho
Coordenação Educacional

André Luiz Lima da Costa


Igor Nogueira Oliveira Dantas
Coordenação de Produção

Paula Fernanda Lopes Guimarães


Coordenação de Projeto

Bruno Pinheiro Fontes


Geovana Cardoso Fagundes Rocha
Kariene da Silva Simões Santos
Márcia Cristina Souza Santos
Design Educacional

Daniela Cunha de Santana


Revisão Ortográfica e Gramatical

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Daniel Soares Araújo
Fábio Ramon Rego da Silva
Thiago Ribeiro Costa dos Santos
Vinicius Vidal da Cruz
Ilustrações e Tratamento de Imagens

Nelson Antônio Correia Filho


Fotografia

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Leonardo Silveira
Vinicius Vidal da Cruz
Diagramação, Revisão de Arte e Fechamento de Arquivo

Renata Oliveira de Souza CRB - 5 / 1716


Normalização - Ficha Catalográfica

Renata Oliveira de Souza


Revisão de Diagramação e Padronização

Edeilson Brito Santos


Flávio Roberto Chiapetti
Stuart Volkert
Comitê Técnico de Avaliação

i-Comunicação
Projeto Gráfico