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© breno macedo

n. 03 | maio | 2018

Dica de Aluno
conheça o trabalho
de Samia Harumi

o que é um
bom desenho?
continuação do textão
por Marcelo Campos

criação
de personagem
um passo a passo com
Anderson Nascimento

e muito mais...
boas vindas | ronaldo barata

J
ulgar a qualidade de uma obra de base apenas em nós mesmos? E mais,
arte é por si só uma arte. É algo real- achar que as outras pessoas devem
mente complicado definir uma obra concordar conosco? Será mesmo que
como boa ou ruim. Quais parâmetros existe então um bom e um ruim? Seriam
devemos usar? Como classificar todas as obras boas e ruins ao mesmo
uma obra de arte em relação a outras? tempo, só dependendo de quem as vê?
Se as obras têm intenções diferentes, é Complicado, né? Pois é esta com-
possível fazer uma comparação? plicação toda que o Marcelo Campos
Como estamos lidando com desenhos, continua explorando e tentando expli-
formas, figuras, muita coisa deve ser car na segunda e última parte do seu
s ta 2
co
levada em consideração: a aplicação, a textão “O QUE É UM BOM DESENHO?”. © ol
avo
técnica usada, o objetivo, o público-alvo, Quem ainda não leu a primeira parte,
o processo e, é claro, o resultado obtido. pode conferir aqui.
E é aí que a porca torce o rabo: estética Além disso, o grande Anderson QUANTA ACADEMIA DE ARTES
é algo totalmente pessoal, depende de Nascimento, ilustrador de League of direção

um senso muito particular e uma crítica Legends no Brasil e professor do curso Marcelo Campos
gestão financeira | jurídica
quase instintiva, onde simplesmente de Arte Digital da Quanta, traz o passo Alexandre Figueiredo
gostamos de algo ou não. E é assim a passo de uma ilustração pessoal de coordenação administrativa
mesmo: olhamos um quadro, ouvimos um fantástico “anão guerreiro”. E, fe- Vanks Estevão | Willian Estevão
uma música, vemos uma escultura, chando a edição, temos o trabalho da relacionamento com o cliente
Daniel Clayton
escutamos um poema, saboreamos talentosíssima Samia Harumi, que já coordenação didática
um prato de comida e simplesmente foi nossa aluna em diversos cursos – Olavo Costa | Tainan Rocha
gostamos ou não, assim, naturalmente, incluindo com este orgulhoso professor Silas Rocha | Helena Nascimento
assessoria de imprensa | comunicação
sem pensar. Claro que posteriormente que vos escreve.
Carol Fernandez | Felipe Campos
paramos para analisar aquilo que nos E então? O que acha do trabalho secretaria | recepção
é proposto, mas o primeiro impacto é, deles? É bom ou não? Eu gosto! E gosto Vandreia Gonçalves | Stefany Berglin
geralmente, o mais forte. não se discute... Ou será que sim? Thais Rodrigues | Lucy Silva | Sonia Rocha
limpeza | manutenção
A maioria das pessoas irá concor-
Vania Toledo | Maria de Lurdes
dar com a ideia de que “se eu gosto é Um grande abraço, Paulo César Toledo
porque é bom”. E se é bom, todos os Ronaldo Barata
outros têm que gostar também. Mas, Professor de Arte Digital, Ilustra- QUANTA DIGITAL
editor-chefe
se gosto é pessoal, seria certo definir- ção e Desenho, além de diretor de
Marcelo Campos
mos o conceito de bom ou ruim com arte do Quanta Estúdio. conselho editorial
Ronaldo Barata
Olavo Costa | Tainan Rocha
projeto gráfico | diagramação
Olavo Costa | Helena Nascimento
colaboradores desta edição
Marcelo Campos
Sâmia Harumi | Anderson Nascimento
Breno Macedo | Ronaldo Barata
dica de artista | samia harumi

samia harumi
Paulista, 24 anos, cursou Letras na
USP, trabalhando como tradutora.
Sempre gostou de desenhar, mas
começou a estudar mais seriamen-
te a partir de 2016, quando cursou
Desenho e Arte Digital na Quanta
Academia de Artes. Também estu-
dou animação na Melies e realizou
vários outros cursos livres. Em
2017, lançou sua primeira HQ inde-
pendente na CCXP: “Dia de Bruxa/
Dia de Fada”. No momento, continua
estudando para adentrar o mundo
da animação e conseguir fazer in-
tercâmbio na França. Desejamos
toda a sorte para ela!
Para entrar em contato:
facebook.com/samia.harumi
@samiaharumi
textão | o que é um bom desenho

O3. CONSTRUINDO
QUE ÉOSUM BOM DESENHO?
CONCEITOS DE LEITURA DO DESENHO.* por marcelo
campos

Q
uando se é criança, nosso mundo um sentido, uma utilidade daquela ver que aquilo era uma mão, só porque comunicam através de sentimentos, 4
ainda está em construção. Nossas forma. Se elas tiverem contato com não era o desenho hiper-realista de uma de conceitos, de ideias. Não prejulgam
noções do que seja a realidade outras possibilidades de formas, como mão. Mesmo sendo uma mão que em pelas imagens “não realistas”. E se
ainda estão sendo apuradas, as apresentadas nos desenhos animados, vez de ter cinco dedos, tinha apenas elas podem, por que os adultos não?
construídas à medida que essa elas aprendem a abstrair. Aprendem dois ou três. Mesmo sendo gordinha Não podemos porque crescemos?
realidade nos é apresentada. À medida a ler uma mesma forma, aprendem ou magrinha demais. Arredondada Por que aprendemos a tornar as
que tomamos contato com ela, com que a entender que as formas podem ser ou angulosa demais. Mesmo sendo coisas mais complexas?
convivemos com ela. À medida que ela “desenhadas” de maneiras diferentes. a mão de um rato, de um pato, de um Desenhar é, também, manter a
nos apresenta seus limites e possibi- Uma na realidade e outra como uma coelho, de um pica-pau. A mão não noção de abstração, vendo as formas
lidades. E alguns consideram essas representação gráfica desta realidade deixava de ser mão, só porque não como símbolos gráficos.
possibilidades bastante limitadas. Aos em desenho. era representada graficamente como Um cachimbo desenhado não é um
poucos, as crianças vão aprendendo a Meus filhos aceitavam as situações uma mão exatamente como a vista no cachimbo, é a representação gráfica
reconhecerem formas. apresentadas nos desenhos animados mundo real. Eles tinham a capacidade de um cachimbo (omo bem nos lem-
Cada uma destas formas começa simplesmente pelas emoções que de abstrair a forma. bra Magritte com seu “isto não é um
a se tornar um pouco mais complexa, elas sugeriam. Eles não julgavam se As crianças se comunicam com os cachimbo”). Uma mão desenhada não
assumindo uma ideia, um nome que as aquelas formas ou situações existiam sentimentos apresentados sem colo- é uma mão: ela é a representação
ajuda a identificar rápido um conceito, na realidade ou não. Não deixavam de car nenhum obstáculo. As crianças se gráfica de uma mão.

A obra de “A traição
das imagens”, de
1929, do artis-
ta francês René
Magritte traz o
desenho de um
cachimbo com o
texto “isto não é um
cachimbo”. Afinal, *esta é a segunda e últi-
aquilo é o desenho ma parte do texto “O que
de um cachimbo. A é um bom desenho?” de
representação de Marcelo Campos. Para ler
alguma coisa nunca a primeira parte do texto,
é a própria coisa. é só clicar aqui.
textão | o que é um bom desenho

No desenho, na expressão artística,


não existe a necessidade absoluta de
representar “mão”, tal como a que ve-

| M.C. escher
mos na realidade. Podemos ler formas
gráficas de mão, de pé, de perna, nariz,
boca, olhos, braço. E de objetos como

© PHIL RYNDA 
cadeira, mesa, televisão, carros, avião, e
tudo mais que existe no mundo material.
Pensando assim, o desenhista passa
a apresentar sua maneira pessoal de ver
um rosto, uma mão, um nariz e por aí vai.
Ele está interpretando o real, criando
seu próprio universo gráfico, criando 5
seu “alfabeto”. Trabalhando assim, o
artista não está apenas reproduzindo
formas: está se expressando. A letra
“A” pode ser escrita, ou “desenhada”
de infinitas formas diferentes, já que
existem muitas pessoas no planeta e
cada uma delas pode fazer seu próprio
“A”. Hieróglifos e ideogramas seguem
este pensamento. Eles não são dese-
nhos realistas: eles representam ideias,
conceitos. Desenhar é isso. Desenhar
é conceito, é escrever palavras. Um
olho é uma letra, um nariz é outra, uma
boca outra, outro olho outra... Quando
você juntar todas essas “letras”, terá a
“palavra” rosto. Imagens gráficas e pictóricas, assim como
Pensar no desenho como forma palavras escritas, têm uma origem comum.
de expressão cria um conceito mais
subjetivo da forma. Ela tem um caráter
simbólico, metafórico. Esse aspecto
enriquece muito a imagem, ela toma
outra proporção. O desenho realista ou
hiper-realista é uma conquista técnica
válida e importante. Mas não podemos
nos esquecer de um tipo de valor mais
profundo do sentido gráfico.
Se uma pessoa consegue fazer com
que outra entenda que ela “escreveu” a
palavra rosto, então, ela se comunicou.
Isso é desenhar!
textão | o que é um bom desenho

4. APRENDENDO A LER SÍMBOLOS GRÁFICOS


Talvez, durante a experiência de vida neurais diferenciadas nas áreas do significado. A princípio apresentadas ao Pode parecer bobagem dizer isso,
das pessoas, durante seu processo de cérebro que regem essas atribuições. leitor/ espectador como uma forma real, pode soar como algo fantasioso, mas
aprender o que é real, estas percepções Existem também estudos, que pessoas e depois saindo dele como uma interpre- esse tipo de capacidade de abstração
as afastem do entendimento da leitura que escutam certos tipos de música ou tação, uma abstração desta forma. Uma da forma, cria também maneiras di-
dos signos, dos símbolos gráficos, vi- trabalham com certos tipos de arte, coisa é o desenhista apresentar a forma ferentes de se ver o mundo, a vida, as
suais. O que é uma pena, porque este também apresentam essas conexões do jeito que ela é. Outra é o desenhista pessoas e tudo mais. Não precisamos
aprendizado passa por um processo diferenciadas. dar a sua visão dessa forma. É aqui que ser pragmáticos em tudo em nossa
muito interessante, que é bastante Quando entendemos esses proces- entra a visão gráfica da forma. vida. Podemos aprender a abstrair. 6
profundo em termos de interpretação sos no desenho, significa que estamos É por isso que uma mesma perso- A ver além.
de seus significados. aprofundando nosso conhecimento. Um nagem, o Superman, por exemplo, pode A partir dessa nova maneira de
Quando se pensa em uma palavra, desenhista, um artista, quando olha para ser interpretada de diferentes maneiras ver, de ler, de interpretar, de codificar
por exemplo, ela pode representar um uma forma, seja ela de um ser humano, (estrutura e acabamento diferentes), formas através do desenho, da ilus-
número enorme de possibilidades de animal, árvore ou qualquer objeto, ele não dependendo do artista. tração, das histórias em quadrinhos e
ideias e interpretações. Uma palavra vê apenas a forma apresentada no mundo O engraçado é que a criança já fazia de outras maneiras de se expressar, é
pode reunir em si mesma um conceito real, ele abstrai essa forma, ele a codifica isso antes. Então, parece que quando que a arte passa a ter vida própria. Os
muito mais complexo. Símbolos gráficos e depois a decodifica em linhas (no caso éramos crianças, nosso olhar já codificava reflexos desta nova maneira de ver, é
também são assim. Quando nos dispo- do desenho), em massas de cor (no caso as formas. Já tínhamos este “talento”. Nós claro, se estendem não só pelas artes
mos a aprender a lê-los, os processos da pintura) e em uma infinidade de outras crescemos, aprendemos a complicar as gráficas, mas também na literatura, no
de entendimento sobre eles é bem mais possíveis maneiras de interpretação. Este coisas. Se nos tornamos “artistas”, vol- cinema, na música etc. Talvez essa seja
amplo. Existem estudos que indicam que olhar é desenvolvido. Ele passa por esse tamos a desenvolver um olhar capaz de a diferença entre uma arte que pro-
os povos orientais, por terem ideogramas processo de leitura da forma. Que passa a captar a essência das formas novamente. põe, e uma arte que faz apenas o que
como “alfabeto”, desenvolvem conexões não ser mais uma forma, mas assume um Saímos para depois voltar. as pessoas querem e esperam dela.

© john byrne | TIM SALE | STEVE RUDE | FRANK QUITELY


textão | o que é um bom desenho

5.VISÃO PRÁTICA E VISÃO AMPLA.


Quando você chega ao ponto de en- Muitas vezes pragmáticos. Mas eles a qual já conversamos antes. Então,
tender realmente o que é desenhar, fica são, em última instância, um reflexo de novo, este “desenhar bem” é muito
realmente complicado julgar o trabalho do entendimento também pragmático relativo. Relativo à área para a qual este
de alguém, dizer que ele desenha mal do público para o qual este trabalho é desenho, ilustração, animação etc; é
ou bem. Existem tantas maneiras de se direcionado. direcionado. Desenhar bem histórias em
analisar isso. Porque não são apenas os Publicar é tornar público. Quando quadrinhos de super-heróis tem seus
fatores técnicos que são observados. um artista publica seu desenho, ilus- próprios parâmetros de julgamento,
Podemos ver tantos trabalhos tecni- tração ou exibe seu desenho animado, assim como ilustrar livros infantis,
camente “impecáveis”, mas frios, sem ele está mostrando isso ao público. Por ou livros didáticos infantis. Uo uma 7
alma, pragmáticos. Esses são traba- isso, seu trabalho acabada entrando animação... Cada mercado estabelece
lhos tecnicamente perfeitos, mas são em níveis, sendo categorizado pelo seus parâmetros.
repetição da repetição, das repetições público que o recebe e pelo editor que O que é preciso que se entenda, é que
de tantos e tantos outros artistas. É tenta atingir e atender a esse público desenhar é mais do que ver o desenho
obvio que existe a evolução técnica específico. Na verdade, antes de um como uma ferramenta de mercado de
de um trabalho, mas muitas vezes um trabalho ser publicado ou mesmo de trabalho. Desenhar é mais do que que-
trabalho é “apenas” tecnicamente bom. entrar em uma grade de TV, ele está rer primeiro categorizar seu desenho,
E isso, muitas vezes, não basta. categorizado, direcionado para um direcionando-o para algum mercado
O que existe é o que você quer fazer público especifico. Por isso, existem específico. Desenhar é, antes de tudo,
com seu desenho. Se você quer ser um linhas editoriais e programações de uma forma de expressão. O desenho e
profissional, aí existem exigências espe- TV. Ele cai naquela noção geral do que a narrativa são das primeiras formas
cíficas para cada mercado de trabalho. se entende por “desenhar bem”, sobre de comunicação humana. Categori-

© Yoh Yoshinari | trigger | pendleton ward | CARTOON NETWORK


textão | o que é um bom desenho

zações e mercados apareceram bem que, geralmente, essas expectativas


depois, quando a arte passou a ser dos alunos existem apenas porque
feita por artistas. Quando começaram eles não conhecem outras maneiras
os julgamentos sobre sua qualidade. de se pensar desenho, ilustração ou
Quando começaram a definir o que histórias em quadrinhos, por exemplo.
era ou não “arte”. Quando o público Ou seja, os alunos só veem um aspecto

© Jules RIGOLLE, Alix ARRAULT, Martin HURMANE & Samuel KLUGHERTZ. | cécile carre
começou a “aceitar” um tipo de arte e da coisa toda. Não enxergam o cenário
outro não. Quando começou a existir todo, todas as possibilidades, e por
uma espécie de ditadura cultural sobre isso estão fechados em apenas uma
o que é desenhar bem, pintar bem e por maneira de pensar. Estão engessados
aí vai. De qualquer maneira, mercados em uma só verdade.
e categorizações são apenas aspectos Aos poucos, eles podem abrir mais 8
do processo de “aprender” a desenhar. suas percepções e entendimentos, e
Um aspecto muito direcionado. Porque assim, começam a ver que a coisa toda
existe também o movimento de sim- é muito maior e muito mais legal do que
plesmente desenhar. imaginavam.
Existem processos diferentes de Com o passar do tempo, eles come-
aprendizado. Existem também expecta- çam a ver cenários maiores e percebem
tivas diferentes dos alunos em relação tudo isso que a gente falou aqui. Que não
à escola e ao tipo de evolução que eles existe um jeito certo de se desenhar. Que
desejam alcançar. E isso está ligado às existem adaptações a certos mercados,
tais categorizações e mercados. no caso daqueles que querem trabalhar
O que tentamos fazer aqui, durante para certos mercados, mas que existe
as aulas, é, aos poucos, propor uma apenas a vontade e as diferentes formas
visão mais ampla sobre arte. Isso por- de se expressar.

Marcelo Campos é diretor da Quanta


Academia de Artes. Começou como de-
senhista fazendo HQs e, apesar de ter
feito muito mais coisas por aí, a grande
maioria dos seus trabalhos são nesse
segmento de mercado. Trabalhou para
editoras como DC, Marvel, Dark Horse,
Image e Disney, entre muitas outras. É
o criador do personagem Quebra-Que-
ixo e autor do álbum “Talvez Isso...”.
Em 2004 decidiu parar de desenhar,
arte-finalizar, ilustrar e tudo mais e foi
fazer outras coisas. Em 2006, resolveu
assumir e cuidar só da escola e do es-
túdio de artes, o Quanta Estúdio. Onde
está até hoje. Aos ciquenta e poucos
anos, com a quilometragem bem alta,
sua banda preferida ainda é Ramones,
o que parece ser bom sinal.
passo a passo | CRIAÇÃO DE PERSONAGEM

passo a passo:
criação de personagem | anão guerreiro
por
anderson
nascimento

O
lá, pessoal! Eu sou o Anderson dentro de uma história. Pode ser uma Características culturais: estão mais 9
Nascimento, ilustrador e professor pessoa, um animal, monstro, espírito, ligadas ao meio em que a personagem
na Quanta Academia de Artes. instituição, grupo social. Ou seja, são vive e como isso a influencia. Essas ca-
Eu fui convidado para fazer uma seres que possuem características racterísticas vão interferir nos tipos de
matéria falando e mostrando um próprias, possuem vontades, senti- roupas que ela usa, no corte de cabelo,
pouco do processo de criação visual mentos e ambições. Ao criar o visual de no jeito de andar, entre outras coisas.
de uma personagem. O desafio que uma personagem, devemos expressar
me foi passado é o de criar um “Anão através do desenho as características Carac terísticas psicológicas:
Guerreiro”. Mas, antes de começar a que compõem essa personagem. estão bastante relacionadas com a
desenhar, vamos entender o que é uma personalidade da personagem. Se ela
personagem. Características físicas: altura, peso, é alegre, triste, tímida ou confiante.
A personagem é uma peça importante etnia, cor dos olhos, cabelo e pele. Ela tem segredos, medos, motivações
e desejos etc.

Em alguns momentos o artista pode


propositalmente criar um visual que não
represente exatamente a personalidade
da personagem. Por exemplo, a perso-
Enquanto a gente fala nagem é medrosa, porém visualmente
sobre a construção de ela é forte e imponente, parece com um
personagens no texto super-heró. Ao olhar para essa per-
aí em cima, a gente vai
mostrando aqui embaixo
sonagem pela primeira vez, todos vão
um pouco do processo imaginar que ela seja corajosa ( afinal é
criativo para a produção isso que o visual mostra). Porém, essas
da ilustração dessa características físicas foram proposi-
personagem. Os primeiros
esboços são o momento
talmente criadas talvez para induzir a
de testar ideias! Veja as uma surpresa no decorrer da história.
possíveis armaduras e Um exemplo parecido pode ser visto
vestimentas do Anão no filme “Goonies”. A personagem Slot
Guerreiro pensadas pelo
Anderson Nascimento.
é um monstro deformado, ou seja um
vilão clássico, que posteriormente é
desconstruído e vira um herói de coração
passo a passo | CRIAÇÃO DE PERSONAGEM

bom. Isso é apenas para exemplificar Shrek e Indiana Jones são exemplos de O antagonista não é necessariamente um
como as regras podem ser quebradas, protagonistas. vilão. Nos casos em que o protagonista
em favor da história. é um anti-herói, o antagonista pode vir
Dentro de uma historia existem vá- Co-protagonista: é uma personagem a ser o herói da história. Um exemplo
rios tipos de persongens. Veja alguns que tem uma importância secundária no disso é o Personagem “L” da série “De-
exemplos: enredo. Normalmente, é a pessoa que ath Note”. Ele é o maior investigador
ajuda o protagonista na busca de seu do mundo e sua missão é descobrir o
Protagonista: é a personagem objetivo. Também podem existir mais responsável por uma série de mortes,
mais importante da história. Todos os de um dentro da história. O Robin, da causadas pelo protagonista Light Ya-
acontecimentos e personagens giram dupla “Batman e Robin”, é um exemplo gami. Já o Coringa, do “Batman”, é um
ao seu redor. É bastante comum que de co-protagonista. exemplo clássico, onde o antagonista 10
o protagonista seja um herói, porém, é, de fato, o vilão da história.
não é obrigatório e em muitas histórias Antagonista: é a personagem ou
ele pode ser um anti-herói. Dentro de grupo de personagens que representa Oponente: é a personagem que
uma história pode acontecer de existir uma oposição, ameaça, obstáculo ou ajuda o antagonista na sua missão de
mais de um protagonista. Harry Potter, impedimento ao objetivo do protagonista. se opor ao protagonista. Pode ser um

É importante começar a definir Trabalhar esses contrastes, A escolha dos matizes torna
os valores tonais pra planejar os exagerando ou suavizando, tudo isso ainda mais evidente.
contrastes entre figura e fundo. escurecendo ou clareando, é es- Os verdes na iluminação desta-
Definir as luzes e sombras, os sencial para estabelecer o clima, cam alguns pontos da imagem
claros e escuros, ajuda a criar a atmosfera e os pontos focais que vai predominantemente do
sensação de tridimensionali- da composição. azul ao violeta.
dade, ilusão de volume.
passo a passo | CRIAÇÃO DE PERSONAGEM

amigo, parente ou até mesmo alguém e a resolução do arquivo etc. Quanto parte do povo que guarda a Floresta
trabalha para o antagonista. Muttley, mais completo for esse briefing, mais Negra, um grupo de anões que pos-
o cachorro do Dick Vigarista, é um bom fácil será o trabalho e menor a chance suem características que se inspiram
exemplo de oponente. de ocorrer algum erro ou retrabalho em animais daquela floresta. No livro,
durante o processo. a nossa personagem se junta a outros
Coadjuvante: personagem secun- Em alguns briefings o cliente chega guerreiros em uma aventura para salvar
dário que auxilia no desenvolvimento a enviar links com referências fotográ- a princesa Sherejah.
do enredo. Sua importância dentro da ficas, filmes e até desenhos de outros O seu visual deve ser meio sombrio,
história pode ser grande ou pequena. O artistas para que sirvam de inspiração ele está sempre com cara de poucos
Gollum, de “O Senhor dos Anéis” e Scrat e ajudem o artista na execução do amigos. Ele é um anão guerreiro fora
o esquilo de “Era do gelo” são exemplos trabalho. Mas, como nesse caso não dos padrões, não tem barba e nem
de coadjuvantes. existe um briefing, eu decidi imaginar cabelos ruivos. 11
um antes de começar. As características físicas dele devem

Q
uando um ilustrador é chamado Vamos imaginar que o cliente é uma remeter a um Leopardo Negro. Ele mede
para criar uma personagem ou empresa que produz livros de RPG e cerca de 1 metro e 20 centímetros de
executar alguma ilustração, necessita da criação visual de uma per- altura. A pele dele deve ser negra. Ele
normalmente o cliente envia o sonagem e também de uma ilustração é muito forte e ágil. Sua armadura é
que chamamos de “briefing”. Esse com essa personagem em ação para feita de metal escuro e bastante gasto
briefing costuma conter todas as infor- aplicar em um novo livro. pelas lutas.
mações necessárias para a execução A história se passa em um mundo Ele usa um tipo de machado/martelo
do trabalho, como número de imagens medieval e fictício cheio de magia e no formato de pata de um Felino. Essa
ou poses que devem ser desenhadas, monstros. A personagem que deve ser arma emana uma aura meio mágica…
a descrição dessas cenas, o formato criada é um Anão Guerreiro que faz algum tipo de fogo verde ou azul.

Uma boa noção de estrutura é fundamental: Entrando com mais luz nos detalhes, Nesta última fase, entram os efeitos e os últi-
as linhas de construção ajudam a corrigir a ganhamos mais definição e mais mos brilhos que caracterizam a personagem.
perspectiva na cena. ilusão de volume. O violeta no fundo recorta e destaca a figura.
passo a passo | CRIAÇÃO DE PERSONAGEM

12

Anderson Nascimento é um ilustrador


paulistano nascido em 1982.
Formado em artes gráficas pelo Senai,
iniciou sua carreira fazendo desenho e
cor para revistas de Hentai, ilustrações
para as revistas Dragão Brasil, Ela Hot
e para o jornal da Votorantin. Trabalhou
para o mercado americano desenhando
as HQs Drungeons & Dragons, Robocop e
produzindo materiais para sites de qua-
drinhos. Foi também o coordenador de
cursos da Quanta Academia de Artes.
Ainda é professor do curso de Arte Digital
da Quanta, além de trabalhar como
ilustrador freelancer em estúdios e re-
vistas no Brasil. Atualmente, faz muitas
ilustrações para o jogo online League of
Legends, para a Riot.

andersonnascimentoart.tumblr.com

O efeito da iluminação ajuda a


integrar o martelo à chama.
E, depois desse longo processo,
temos a ilustração finalizada do
Anão Guerreiro!
agenda | maio

15 Anos 15 bolsas indicação

na próxima edição:
em maio na agora você tem mais de aluno:
quanta*... chances de ganhar. laissa moreira
saiba mais mostra suas ilus-
clicando aqui trações maravil-
hosas!
05/05 Textão:
sábado 13
bate-papo “vingadores” marcelo campos
com o crítico de cinema lança nova per-
roberto sadovski. gunta: “que tipo
de artista você
quer ser?”
07/05 & 21/05 passo a passo:
segunda gil tokio fala so-
© helena

modelo-vivo bre composição


das 19h às 21h de cena em seu
enn

R$20.
e

* Por se tratar de uma ciência


processo de
trabalho.
12/05
inexata esta arte de previsão do futuro,
as informações com a programação
mensal, contidas nesta página, podem
sábado sofrer alterações sem prévio aviso. O
calendário do mês encontra-se dispo- e muito mais!
f r a z ão

sessão de autógrafos nível em nosso blog. Além disso, todos

e exposição “cadafalso” os eventos são devidamente divulgados


im ar

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de alcimar frazão.
alc

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