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LOS TRES SENTIDOS DE LA SAGRADA ESCRITURA

SEGÚN HUGO DE SAN VÍCTOR

MIGUEL GALLART

El p e n s a m i e n t o d e H u g o d e S a n V í c t o r e n r e l a c i ó n c o n los p r i n -
cipios d e i n t e r p r e t a c i ó n d e l a S. E s c r i t u r a ofrece u n p a r t i c u l a r i n -
t e r é s p o r s e r u n a d e l a s p r i m e r a s l u c e s q u e i l u m i n a n el a m a n e -
cer d e l a E s c o l á s t i c a . E s t a s p á g i n a s s e c o n c e n t r a n e n el t e m a i n -
d i c a d o p o r el t í t u l o . Si s e s u b r a y a n a l a vez a l g u n o s a s p e c t o s m á s
específicos del p e n s a m i e n t o d e H u g o ello r e s p o n d e a l a c o n v e -
n i e n c i a d e i n d i c a r a l l e c t o r n o f a m i l i a r i z a d o c o n el p e n s a m i e n t o
d e n u e s t r o a u t o r los r a s g o s m á s s a l i e n t e s d e s u s i s t e m a y m o d o
teológico d e p e n s a r .
A p e s a r d e l a i n t e n c i ó n d e s c r i p t i v a del t r a b a j o , q u i e n s e h a y a
detenido a reflexionar sobre las cuestiones h e r m e n é u t i c a s a c t u a -
les, s o b r e t o d o r e s p e c t o a l a S. E s c r i t u r a , p o d r á a p r e c i a r e n el p e n -
s a m i e n t o d e e s t e M a e s t r o d e l s. x n l a p r e s e n c i a t e m p r a n a d e lo
que sería después u n a c o n s t a n t e problemática de fondo. Y dado
que esta t e m á t i c a i n t e r p r e t a t i v a n o h a sido todavía clarificada
d e m o d o s u f i c i e n t e , es s i e m p r e d e s e a b l e y l e g í t i m o a c u d i r a l p e n -
s a m i e n t o de autores de la Tradición cristiana, cuyas obras con-
t i e n e n s u g e r e n c i a s q u e , a u n q u e sólo s e a i n d i r e c t a m e n t e , p u e d e n
c o n t r i b u i r e l e m e n t o s y vías d e e s t u d i o f e c u n d o ( * ) .

(*) Para las referencias a las obras de Hugo de San Víctor, se utilizan las
siguientes abreviaciones:
In. Pent. = Adnotationes Elucidatoriae in Pentateuchon: PL 175, 29 - 86.
De Sacr. = De Sacramentis Christianae Fidei: PL 176, 173 - 618.
De Scrip. = De Scripturis et Scriptoribus Sacris Praenotatmnculae: PL 175,
9-28.
De Arca Mor. = De Arca Noe Morali: PL 176, 617 - 680.
De Trio. Max. Cir. = De Tribus Maximis Circunstantiis, ed. W. GRKEN, en
Speculum 18 (1943) p. 484 - 493.

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MIGUEL GALLAR!

LOS TRES SENTIDOS

E n el p l a n t e a m i e n t o t e o l ó g i c o d e H u g o d e S a n V í c t o r , a f i n al
de otros m u c h o s teólogos de s u tiempo, la S a g r a d a Escritura se
distingue de las d e m á s que no son "divinas" por razón de la ma-
teria y del m o d o de t r a t a r l a . Esta m a n e r a distinta de t r a t a r la
propia m a t e r i a sirve de base p a r a las diferentes inteligencias o
s e n t i d o s d e l t e x t o ; es d e c i r , e x i s t e n d i v e r s o s m o d o s d e l e e r l o .
E n la h i s t o r i a de la exégesis se a d v i e r t e n dos concepciones p r i n -
cipales: u n a asigna a la Escritura u n triple sentido y la otra un
sentido c u á d r u p l e (1). Hugo de S a n Víctor conoce a m b a s teorías,
a u n q u e se m a n t i e n e ordinariamente e n la del sentido triple (2).
L a c l a s i f i c a c i ó n , p o r t a n t o , d e los s e n t i d o s e n h i s t ó r i c o , a l e g ó r i c o
y t r o p o l ó g l c o n o es o r i g i n a l d e H u g o , s i n o r e c i b i d a ( 3 ) . D e h e c h o ,
la distinción en la S a g r a d a E s c r i t u r a de u n s e n t i d o m á s profundo
q u e el l i t e r a l e n c u e n t r a e n l a I g l e s i a s u r a z ó n d e s e r e n l a p r á c -
t i c a y d o c t r i n a m i s m a d e los a p ó s t o l e s ( 4 ) .

El fin q u e a q u í n o s p r o p o n e m o s es el e s t u d i o d e los diversos


sentidos e inteligencias de la Escritura y de sus m u t u a s relaciones,

De Sacr. Leg. nat. et script. = Dialogus de Sacramentis Legis Naturalis et


Scriptae: PL 176, 17-42.
Did. — Didascalicon. De Studio Legendi: PL 176, 741-809.
In Cant. B. M. = In Canticum Beatae Mariae o Super Magnificat: PL 175,
413-432.
(1) Sobre las líneas generales de la historia de esta doble teoría puede
verse A. VACCARI, "S. Alberto Magno e l'Esegesi Medievale" en Scritti di Eru-
dizione e di Filologia v. II, Roma 1958, p. 320-322, donde puede leerse: "La
Historia scholastica di Pietro il Mangiatore (f 1178) con quasi tutti gli auto-
ri del sec. XII, non insegna che tre sensi della Scrittura: lo storico, l'alle-
gorico e il tropologico o morale... La teoria dei quattro sensi f a timida com-
parsa presso di pochi nel sec. X I I e solo nella prima metà del XIII quasi
d'improvviso si afferma potente, per dominare poi sola. Ma le sue radici
scendono ben più profonde negli strati dei secoli: le sue origini sono di poco
più giovani che la teoria rivale dei tre sensi. Dalle rive del Nilo, dove per la
prima volta le troviamo formulate, le due dottrine scendono parallele il cor-
so dei secoli; la prima (dei tre) qual fiume maestoso, l'altra (dei quattro)
qual tenue filo d'acqua, ma più ricco di vitali elementi e di gloriose speranze.
La teoria del triplice senso è formulata da Origene al quarto libro De Prin-
cipas, e per l'autorità del grande alessandrino, e la diffusione de suoi scritti
in Occidente per opera di S. Girolamo e di Bufino, godè nella Chiesa latina
di u n favore superiore... L'altra dottrina di quattro sensi fu trasmessa ai
Latini da Cassiano, che l'attinse in Egitto dall'abbate Nesterote".
(2) E n todo el Didascalicon no se habla del sentido anagogico. Cfr.
R. BARON, Science et sagesse chez Hugues de Saint-Victor, Paris 1957, c. 3,
p. 110 s. y H. de LUBAC, Exégèse Medievale, p. I, v. I, c. 2, p. 166.
(3) Cfr. M. D. CHBNU, "Théologie symbolique et exégèse scholastique aux
X l l e - XlIIe siede" en Mélanges J. Ghellinck, II (1951), p. 517.
(4). Convendría leer los textos bíblicos: I Cor 10, 6. 11; Gal 4, 24; Hebr 10,
1; I Petr 3, 20; Jo 19, 36 s. Cfr. A. VACCARI, O. C , p. 324 n.

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SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA.

con l a i n t e n c i ó n d e p o n e r d e m a n i f i e s t o los p r i n c i p i o s d e u n i d a d
p r e s e n t e s e n l a c o n c e p c i ó n del M a e s t r o d e S a n Víctor.
L a m a t e r i a se e x p o n e s e g ú n los d i s t i n t o s sentidos, es decir, p r i -
m e r o s e c o n s i d e r a el s e n t i d o h i s t ó r i c o y l u e g o el e s p i r i t u a l , q u e a
s u vez s e s u b d i v i d e e n a l e g ó r i c o y t r o p o l ó g i c o . D e s p u é s d e l a c o n -
s i d e r a c i ó n del s e n t i d o h i s t ó r i c o y a n t e s d e e s t u d i a r el e s p i r i t u a l ,
s e i n s e r t a l a c u e s t i ó n s o b r e l a s i g n i f i c a c i ó n d e l a s c o s a s o, si s e
q u i e r e , s o b r e los " s a c r a m e n t o s " d e l a E s c r i t u r a . El l u g a r q u e o c u -
p a s e d e b e a q u e d i c h a c u e s t i ó n r e p r e s e n t a el n e x o o c o n e x i ó n e n -
t r e a m b o s s e n t i d o s . Al f i n a l se t r a t a d e l a s r e l a c i o n e s m u t u a s e n -
t r e los d i v e r s o s s e n t i d o s ( 5 ) .

L — EL SENTIDO HISTÓRICO

H a s t a h a c e a l g o m á s d e u n c u a r t o d e siglo los e s t u d i o s s o b r e
H u g o d e S a n Víctor, a l p r o p o n e r s e l a c u e s t i ó n d e q u é e n t e n d í a
nuestro autor por sentido histórico, h a c í a n referencia obligada á
u n a s p a l a b r a s s u y a s del Prólogo del P r i m e r L i b r o d e l t r a t a d o De
Sacramentis (6). Allí s e dice q u e p r e c i s a m e n t e s o b r e d i c h a c u e s t i ó n
h a b í a él m i s m o d i c t a d o e n u n t i e m p o a n t e r i o r u n compendiosum
volumen. Este volumen, sin embargo, constituía u n misterio, p u e s -
t o q u e n o f i g u r a e n l a s e d i c i o n e s d e l a s o b r a s d e H u g o . Hoy, e n
c a m b i o , s e c o n s i d e r a q u e y a se h a h e c h o luz c o n s u f i c i e n t e c e r t i -
d u m b r e y s e g u r i d a d d e b i d o a l h a l l a z g o del t r a t a d o De tribus ma-
ximis eircumstantiis, publicado en 1943(7).
E n e s t a o b r a el M a e s t r o p r o p o n e a s u s discípulos el m é t o d o p a r a
el e s t u d i o d e l a h i s t o r i a . S u i n t e r é s , s i n e m b a r g o , n o s e c i r c u n s c r i -
b e a l d e u n a p u r a d e s c r i p c i ó n del m é t o d o , s i n o q u e a b a r c a y q u i e r e
s e r u n a d e m o s t r a c i ó n c o n c r e t a d e lo q u e H u g o e n t e n d í a p o r h i s -
t o r i a . Su i m p o r t a n c i a r e s i d e s o b r e t o d o e n el Prólogo. Lo q u e f o r m a
el c u e r p o del t r a t a d o e s t á c o n s t i t u i d o p o r í n d i c e s d e p e r s o n a s , l u -
gares y fechas.

(5) En todo este capítulo se ha tenido cuidado en utilizar el mismo v o -


cabulario de Hugo. Ha parecido esto de particular interés aquí donde la ter-
minología puede estimarse menos estable y más extraña a la actual. Para
nuestro autor por ej. en realidad tienen el mismo valor los términos "inte-
ligencia" —intelligentia—, "sentido" —sensus—, "entendimiento" —intellec-
ttis— y "lectura" —lectio— cuando se trata del estudio de la Sagrada Escri-
tura. Por consiguiente se equivalen "inteligencia histórica", "sentido históri-
co" o simplemente "historia". Esto vale igual en relación con la alegoría y
la tropología.
(6) De Sacr., L. I, Prol.: "Cura igitur de prima eruditione sacri eloquii,
quae in histórica constat lectione, compendiosum volumen prius dictassem...".
(7) El texto de dicho tratado fue editado por W . GREEN, en Speculum, 1 8
(1943) p. 484-493.

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MIGUEL GALLART

Con l a a y u d a e s p e c i a l d e e s t e n u e v o v o l u m e n , q u e se añade a
l a s d e m á s o b r a s d e H u g o , es posible c o n s i d e r a r el s e n t i d o histórico
b a j o t r e s a s p e c t o s o e n t r e s m o m e n t o s : 1. El c o n c e p t o d e historia;
2. M é t o d o p a r a l a l e c t u r a h i s t ó r i c a ; y 3 . I m p o r t a n c i a d e l a historia.

1. E L CONCEPTO DE HISTORIA

El t é r m i n o historia es s u s c e p t i b l e , p a r a H u g o , d e u n doble s e n -
t i d o : u n o e s t r i c t o y o t r o a m p l i o . E n s e n t i d o e s t r i c t o , historia equi-
vale a la n a r r a c i ó n c o n t i n u a d a de u n a serie de h e c h o s conforme
a c o m o se r e a l i z a r o n e n u n t i e m p o y l u g a r . E s t e s e n t i d o c o r r e s p o n -
d e a l a e t i m o l o g í a : historia p r o c e d e del griego historeo q u e s i g n i -
fica "veo y c u e n t o " — v i d e o et narro—. E s t e c o n c e p t o d e h i s t o r i a
s e c o n v i e r t e e n clásico p a r a los a n t i g u o s ; e n t o n c e s n o s e a c e p t a b a
que nadie escribiera sobre hechos que no hubiese presenciado con
s u s p r o p i o s ojos — n i s i a se visas—, c o n el fin d e s a l v a r y g a r a n t i -
z a r l a v e r d a d d e lo n a r r a d o y e v i t a r lo falso o e r r ó n e o q u e p u e d e
d e s l i z a r s e p o r c u l p a d e l e s c r i t o r — p e c c a t o scriptoris—, como seria
e n el c a s o d e a ñ a d i r o r e c o r t a r , o d e p r e s e n t a r los h e c h o s d e m a -
n e r a distinta (8).
E n s e n t i d o m á s a m p l i o , el c o n c e p t o d e h i s t o r i a r e b a s a el d e
n a r r a c i ó n e x a c t a d e h e c h o s p a s a d o s , y c o m p r e n d e el s i g n i f i c a d o
inmediaso y primero de cualquier narración, que viene dado por
el sentido propio de las p a l a b r a s . Dicho de otro modo, se e n t i e n d e
p o r h i s t o r i a el s e n t i d o p r i m e r o y obvio d e u n t e x t o , e n c u a n t o l a s
p a l a b r a s s i g n i f i c a n s i e m p r e cosas, r e a l i d a d e s ( 9 ) .
U n o y o t r o s e n t i d o d e h i s t o r i a se f u n d a n e n el s e n t i d o l i t e r a l y
d e él e m e r g e n . P e r o lo h a c e n d e m a n e r a d i s t i n t a : se e n t i e n d e p o r
h i s t o r i a e n s e n t i d o e s t r i c t o l a q u e s e e n c u e n t r a e n los l i b r o s o
n a r r a c i o n e s cuya m a t e r i a constituye cosas o h e c h o s reales de u n
d e t e r m i n a d o l u g a r y t i e m p o , n a r r a d o s a s u vez p a r a d a r l o s a c o -
n o c e r c o m o t a l e s . E n u n s e n t i d o m á s a m p l i o , historia s e e n c u e n -
t r a e n c u a l q u i e r libro o n a r r a c i ó n , h i s t ó r i c a o n o e n el s e n t i d o
a n t e r i o r , e n c u a n t o es i m p r e s c i n d i b l e q u e t o d a n a r r a c i ó n o t e x t o
p o s e a ese s e n t i d o p r i m e r o , q u e se b a s a e n l a r e l a c i ó n d e s i g n i f i -
c a c i ó n d e l a s p a l a b r a s r e s p e c t o a r e a l i d a d e s o cosas.
El c o n c e p t o , s i n e m b a r g o , d e h i s t o r i a s e g ú n se e n c u e n t r a e n
los libros s a g r a d o s l l a m a d o s " h i s t ó r i c o s " , es c o m p l e t a m e n t e d i f e -

(8) Cfr. De Scrip., c. 3.


(9) Did., c. 3: PL 176, 12: "Largius ... historiam esse dicamus, non tantum
rerum gestarum narrationem, sed et illam primam significationem cuiusli-
bet narrationis, quae secundum proprietatem verborum exprimltur". De Scrip.,
c. 3: PL 175, 12: "Solet largius accipi, ut dicatur historia sensus qui primo loco
e x signlficatione verborum habetur ad res". Vde. también De Sacr., Prol., c. 6:
PL 176, 185.

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SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

r e n t e del c o n c e p t o d e h i s t o r i a p r o f a n a . E s t a n o s e h a e s c r i t o b a j o
e l c a r i s m a d e l a i n s p i r a c i ó n , s i n o q u e se f u n d a e n l a m e r a a u t o -
r i d a d h u m a n a del q u e n a r r a o d e los d o c u m e n t o s u t i l i z a d o s . E n
c a m b i o , p o r l a i n s p i r a c i ó n , los libros s a g r a d o s g o z a n d e a u t o r i d a d
d i v i n a . L a s f u e n t e s d e l a s q u e d e p e n d e el h a g i ó g r a f o n o s e c i ñ e n
a l solo t e s t i m o n i o h u m a n o d e d o c u m e n t o s o t e s t i g o s , s i n o q u e el
e s c r i t o r u t i l i z a m e d i o s d e i n f o r m a c i ó n s u p e r i o r e s (10), p o r e j e m -
p l o , el c o n o c i m i e n t o p r o f é t i c o (11).
Más bien se diría que historia en sentido amplio corresponde
a l s e n t i d o l i t e r a l , p o r d o n d e el s e n t i d o h i s t ó r i c o s e d e n o m i n a a
veces l i t e r a l , o v i c e v e r s a . S i n e m b a r g o , e n l a o b r a De tribus max.
cir., d o n d e se t r a t a d e h i s t o r i a d e m o d o d i r e c t o y e x p r e s o , h i s t o r i a
s e t o m a e n s e n t i d o e s t r i c t o : l a n a r r a c i ó n d e h e c h o s q u e se e x -
p r e s a p o r m e d i o d e l p r i m e r s i g n i f i c a d o d e l a l e t r a (12). Y c o n f o r -
m e a e s t e s e n t i d o e s t r i c t o s e c o n f e c c i o n a n los í n d i c e s d e p e r s o -
n a j e s y a c o n t e c i m i e n t o s q u e se e n c u e n t r a n e n l a o b r a .
Al s e n t i d o h i s t ó r i c o , a l a h i s t o r i a , c o r r e s p o n d e , e n r e l a c i ó n c o n
l a S a g r a d a E s c r i t u r a , l a l e c t u r a y exposición h i s t ó r i c a d e l a m i s m a .

El objeto de la historia

E n g e n e r a l , el o b j e t o del s e n t i d o o i n t e l i g e n c i a h i s t ó r i c a e s t á
c o n s t i t u i d o p o r los h e c h o s c o n f o r m e s e d e s p r e n d e del t e x t o —fac-
ta ad litteram—. P u e s l a h i s t o r i a es l a n a r r a c i ó n d e h e c h o s .
E n c a d a u n o d e los h e c h o s h i s t ó r i c o s h a y q u e d i s t i n g u i r y c o n -
s i d e r a r u n o s e x t r e m o s , p a r a l l e g a r a l c o n o c i m i e n t o del h e c h o m i s -
m o : l a p e r s o n a , el l u g a r y el t i e m p o , a los q u e s e a ñ a d e lo q u e s e
h i z o — n e g o t i u m — ( 1 3 ) . Así s e llega a s a b e r " p o r q u i é n e s " , " d ó n -
d e " , " c u á n d o " y " q u é " es lo q u e se hizo. C o n el c o n o c i m i e n t o d e
d i c h o s e x t r e m o s s e c a p t a u n h e c h o c o m o e n s u e s e n c i a (14).

(10) Cfr. M. D. GHENU, La théologie au XII siècle, Paris 1957, c. 3, p. 65:


e

"A passer à l'histoire divine, comme il dit, nous changeons d'objet et de mé-
thode, malgré la similitude de la forme littéraire, li'historïu désigne alors et
le contenu de cette économie religieuse dans le temps, et la méthode origi-
nale qui s'impose pour construire en une discipline scientifique u n pareil ob-
jet, livré dans un texte, selon la lettre ... Historia est à la foi le contenu
littéral du récit... et la méthode appropriée à cet objet sacré..."
(11) In Pent., c. 3: PL 175, 32: "Sciendum quod Moyses in hoc libro
( = Genesis) est historiographus texens historiam a principio mundi usque
ad mortem Jacob. Et sicut prophetici narrât quaedam quae fuerunt ante crea-
tionem hominum, ita et in benedictionibus quaedam futura praedicit Iacob
post mortem suam..."
(12) Historia es "rerum gestarum narratio per primam litteram signifi-
cationem expressa".
(13) Cfr. Did., c. 3
(14) De Area Mor. IV, c. 9; PL 176, 677: "Opera restaurationis sunt omnia
quae ab initio mundi usque ad finem saeculi facta sunt, vel facienda pro res-
tauratione hominum, in quibus et res gestas, et personas ipsas, per quas, et

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MIGUEL GALLART

C i e r t a m e n t e lo d i c h o v a l e d e c u a l q u i e r h e c h o y d e c u a l q u i e r
h i s t o r i a . No o b s t a n t e , e n el p e n s a m i e n t o d e H u g o a l d e c i r h i s t o -
r i a se a l u d e , p r i m o r d i a l y e s e n c i a l m e n t e , a l a h i s t o r i a s a g r a d a , e s
decir, a l a h i s t o r i a d e l a s a l v a c i ó n d e l m u n d o . D a l a i m p r e s i ó n d e
q u e el M a e s t r o d e S a n Víctor c o n t e m p l a la t o t a l i d a d d e e s t a h i s -
t o r i a d e s d e el t r o n o d e Dios c o m o u n a h i s t o r i a s i n g u l a r e n l a q u e
s e m a n i f i e s t a d e c o n t i n u o l a m i s e r i c o r d i a d e Dios c o n s u p u e b l o .
De a h í q u e el c o n j u n t o d e p r i n c i p a l e s a c o n t e c i m i e n t o s h i s t ó r i c o s ,
q u e él p r e s e n t a , c o r r e s p o n d e n a l t o t a l d e l a h i s t o r i a d e l m u n d o
c o n f o r m e se d e s p r e n d e d e l a E s c r i t u r a . C o m i e n z a c o n el p r i n c i p i o
del m u n d o — " i n p r i n c i p i o fecit D e u s c o e l u m e t t e r r a m " — p a r a
t e r m i n a r con el f i n a l m i s m o d e los siglos, c u a n d o r e t o r n e el H i j o
d e Dios p a r a j u z g a r a t o d o s — " r e d d e r e u n i c u i q u e s e c u n d u m o p e -
r a s u a " — . E s t a visión a b a r c a l a h i s t o r i a s a g r a d a y l a p r o f a n a , t o -
d a l a h i s t o r i a (15). E n el c e n t r o m i s m o d e e s a h i s t o r i a ú n i c a a p a -
r e c e el V e r b o E n c a r n a d o , el Hijo d e Dios (16). E s d e h e c h o l a h i s -
t o r i a d e la s a l v a c i ó n , c o m o se lee a l p r i n c i p i o d e l a exposición De
tribus max. cir. (17), y a l f i n a l d e l c a p í t u l o t e r c e r o d e Did. ( 1 8 ) .
E n l a h i s t o r i a p u e d e a d m i r a r s e lo q u e Dios h a h e c h o (19). L a h i s -
t o r i a f o r m a c o m o l a z o n a s u p e r f i c i a l del t e x t o s a g r a d o q u e c o n -
tiene maravillas veladoras de la verdad; esta verdad, sin e m b a r -
go, t i e n e q u e s e r a l c a n z a d a a t r a v é s d e d i c h a s m a r a v i l l a s , c u a n -
do l a s c o s a s y los h e c h o s se c o n v i e r t e n e n " s a c r a m e n t o s " .

Los libros históricos

P a r a l a l e c t u r a h i s t ó r i c a d e l a E s c r i t u r a , l a elección d e l i b r o s
d e p e n d e r á del sentido, estricto o amplio, en que se tome historia.
Respecto a la lectura histórica en sentido estricto, Hugo reco-
m i e n d a c o m o los m á s ú t i l e s : G é n e s i s , Éxodo, J o s u é , J u e c e s , R e y e s
y C r ó n i c a s , e n c u a n t o a l A n t i g u o T e s t a m e n t o ; y d e l Nuevo, los
C u a t r o E v a n g e l i o s y el libro d e los H e c h o s d e los Apóstoles ( 2 0 ) .

propter quas, et apud quas gestae sunt, loca simul et témpora, ubi et quando
gestae sunt, considerare oportet".
(15) La ignorancia respecto a la historia sagrada o a la profana puede
dificultar la lectura histórica. De Scrip., c. 18, donde se lee: "Multa in Scrip-
tura sacra occurrunt, quae rerum gestarum seriem ignorantibus, difficulta-
tem pariunt intelligendi". Cfr. C. SPICQ, Esquisse d'une histoire de l'exégèse
latine au Moyen Age, Paris 1944, p. I, c. 3, p. 80.
(16) "Ad extremum vero ñútante iam saeculo Hlium in carne misit...".
(17) "Sex dierum perfecta est rerum conditio, et sex aetatibus perficitur
hominum reparatio".
(18) "Vide quod ex quo mundus coepit, usque ad finem saeculorum non
deficiunt miserationes Dei", a lo cual precede una síntesis de la historia del
Antiguo y Nuevo Testamento.
(19) "Habes in historia quo facta Dei mireris".
(20) "Hi undecim magis ad historiam pertinere mini videntur, exoeptis
his quos historiographes proprie vocamus".

228
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

Si historia s e t o m a e n s e n t i d o a m p l i o , e s t i m a q u e s e p u e d e n l e e r
así t o d o s los l i b r o s d e a m b o s T e s t a m e n t o s .

2. E L MÉTODO DE LA HISTORIA

El M a e s t r o d e S a n V í c t o r s e ñ a l a d o s c o n d i c i o n e s q u e d e b e p o -
s e e r el l e c t o r p a r a q u e s u l e c t u r a s e a ú t i l : i n g e n i o y m e m o r i a (21).
P a r e c e lógico q u e a l t r a t a r d e l a l e c t u r a h i s t ó r i c a se c o n c e d a , s o -
b r e t o d o e n los inicios, m a y o r i m p o r t a n c i a a l a m e m o r i a q u e a l
i n g e n i o , m á s si se t i e n e e n c u e n t a el o b j e t o d e d i c h a l e c t u r a .

La memoria. — A u n q u e l a m e m o r i a s e a n e c e s a r i a p a r a c u a l -
q u i e r e s t u d i o , lo es e n e s p e c i a l p a r a l a l e c t u r a h i s t ó r i c a . El p r ó -
logo e n t e r o d e De tribus max. cir. n o p a r e c e e s t a r d e d i c a d o s i n o
a e x h o r t a r al lector a que p r e s c i n d a poco a poco del uso del i n -
g e n i o , m i e n t r a s a l a vez, i n t e n t a i n d u c i r e n s u á n i m o l a c o n s i d e -
r a c i ó n d e l a i m p o r t a n c i a d e l u s o d e l a m e m o r i a (22). P o r o t r o
l a d o , n o se t r a t a d e u n c o n s e j o sólo p a r a los d e m á s ; e s t á a p r e n -
d i d o c o n l a p r o p i a e x p e r i e n c i a p e r s o n a l , y es e n s e ñ a d o c o n v i v e -
z a e i n s i s t e n c i a ( 2 3 ) . C o n ello H u g o h a p r e t e n d i d o i m i t a r a los
P a d r e s (24).
Así i n t e n t a g u a r d a r a l l e c t o r , y a d e s d e el p r i n c i p i o , d e l p e l i g r o
de "negligencia". D e n t r o del vasto c a m p o de la ciencia divina, la
h i s t o r i a ofrece l a s c o s a s " m e n o r e s " — m í n i m a — . El t r a b a j o t i e n e
lugar en la superficie " á r i d a " de la Escritura. Sin embargo, n i
p o r m í n i m a s n i p o r á r i d a s h a y q u e d e s p r e c i a r l a s (25), D e h e c h o ,
sobre todo al que empieza, n o faltan motivos p a r a considerar in-

(21) Did., n i , c. 12: PL 176, 772: "Ingenium dividendo investigai et in-


verni, ita memoria colligendo custodii".
(22) "Evidentia rerum animum... in memoria confirmât". "Fundamenta
scientiae ... memoriae firmiter imprimere". "In memoria collocare". "Memo-
ria retiñere". "In sola memoria omnis utilitas doctrinae consistit... Tantum
ergo audisse profuit quantum contigit intellexisse, et tantum intellexisse
quantum retinuisse".
(23) E n Did., VI, c. 3, confiesa Hugo de sí mismo: "Ego affirmare audeo
nihil me umquam quod ad eruditionem pertinere contempsisse, sed multa
saepe didicisse, quae aliis ioco aut deliramenta similia viderentur. Memimi
me dum adhuc scholasticus essem elaborasse, ut omnium rerum oculis su-
biectarum, aut i n usum venientium vocabula scirem, perpendens libere re-
rum naturam illum non posse prosequi, qui earumdem nomina adhua ig-
noraret... Haec puerilia quidem fuerant, sed tarnen non inutilia. Neque ea
nunc scire stomachum meum onerant. Haec autem non tibi replico, ut vel
meam scientiam quae nulla est, vel parva est, dictitem; sed ut ostendam tibi
nullum incedere aptissime, qui incedit ordinate... Omnia disce, videbis pos-
tea nihil esse superfluum. Coarctata scientia iucunda nos est".
(24) Vde. De Trib, Max. Cir.
(25) "Noli contemnere minima haec. Paulatim deficiunt qui minima con-
temnunt".

229
MIGUEL GALLART

ú t i l e s m u c h a s c o s a s (26). H u g o s e e s f u e r z a e n m o s t r a r q u e l a a r -
g u m e n t a c i ó n es f a l a z : e s t a s cosas m í n i m a s n o d e b e n s o p e s a r s e
d e m o d o s i n g u l a r e i n d e p e n d i e n t e , s i n o e n r e l a c i ó n c o n el t o d a
del q u e f o r m a n p a r t e y e n el q u e c a d a u n a d e e s a s p a r t e s e n -
c u e n t r a s u l u g a r e i m p o r t a n c i a (27).
Nada, por t a n t o , h a y superfluo en la S a g r a d a Escritura; sin
e m b a r g o , n o t o d o es i g u a l m e n t e p r i n c i p a l . El s o p e s a r y d i s t i n g u i r
cada elemento conforme a la propia importancia toca a la dis-
creción.

La discreción. — H u g o d e S a n Víctor, a l a vez q u e e s t u d i o s o , es


m a e s t r o d e e s t u d i o s o s . De a h í t o d a s s u s r e f l e x i o n e s a c e r c a d e l o s
e l e m e n t o s q u e i n t e g r a n l a f o r m a c i ó n d e s u s a l u m n o s . U n o d e ellos
es l a " d i s c r e c i ó n " , q u e e s t i m a c o m o v i r t u d f u n d a m e n t a l y e j e r -
cicio d e l a p r u d e n c i a e n el e s t u d i o (28). A l a d i s c r e c i ó n c o m p e t e
s e ñ a l a r el o r d e n y m o d o d e e s t u d i a r , y, p o r c o n s i g u i e n t e , e s t a v i r -
t u d d e b e c u m p l i r t a m b i é n u n a f u n c i ó n e n el e s t u d i o d e l a h i s -
toria.
E n t r e la serie de acontecimientos que presenta la historia,
u n o s r e s u l t a n s o b r e los d e m á s c o n u n p a r t i c u l a r relieve, a m a -
n e r a de columnas que sostienen la narración. Estos aconteci-
m i e n t o s n o s e p u e d e n i g n o r a r ; lo c o n t r a r i o e q u i v a l d r í a a i g n o r a r
l a h i s t o r i a . E s n e c e s a r i o c o n o c e r l o s p o r sí m i s m o s —propter se
scienda—. Otros, en cambio, ocupan u n lugar secundario y e n
apariencia desatendible. Sin embargo, conviene no pasarlos por
a l t o ; y a q u e , a u n q u e i g n o r a r l o s n o a f e c t a e n sí a l c o n o c i m i e n t o
de la historia, n o h a y que desatenderlos, sino conocerlos por s u
r e l a c i ó n c o n los a n t e r i o r e s —propter priora—. Si los p r i m e r o s
c o n s t i t u y e n l a s c o l u m n a s d e l a n a r r a c i ó n , los s e g u n d o s f o r m a n
los a r c o s q u e u n e n d i c h a s c o l u m n a s , m o s t r a n d o l a s r e l a c i o n e s
m u t u a s y c o n t r i b u y e n d o c o n ello a l a u n i d a d d e l a h i s t o r i a .
H u g o e s t i m a l a h i s t o r i a el " f u n d a m e n t o " del edificio e s p i -
r i t u a l . El p r o b l e m a obvio q u e p r e s e n t a s u e s t u d i o es l a a m p l i t u d
por u n a p a r t e , y por o t r a la brevedad de la m e m o r i a . Se hace,
p o r t a n t o , i n d i s p e n s a b l e e n t r e los e l e m e n t o s h i s t ó r i c o s u n a s e -
lección, q u e d i s t i n g a a q u e l l o s m á s f u n d a m e n t a l e s , los q u e m á s
e x p l i c a n y m a y o r r i q u e z a c o n t i e n e n . Los r e d u c e H u g o a u n a s u m a

(26) "Multa invento in historiis, quae nullius videntur esse utilitatis, quare
in huiusmodi occupabor?".
(27) "Bene dicis. Multa siquidem sunt in Scripturis, quae in se conside-
rata nihil expetendunt habere videntur, quae tarnen si aliis quibus cohae-
rent, comparaveris, et in toto suo trutinare coeperis, necessaria pariter, e t
competentia esse videbis. (Este texto y los precedentes pertenecen al c. 3
de Did.).
(28) Hugo estima la discretion corno "auriga studii". Puede verse Did.,
III, c. 10 y V, c. 5: PL 176, 772 y 793.

230
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

b r e v e , q u e l l a m a fundamentum fundamenti (29). E s t e es el o b j e t o


d e l a o b r a De tribus max. cir.: d e t e r m i n a r d i c h a s u m a .
L a p r i m e r a g r a n división l a ofrece l a h i s t o r i a del A n t i g u o y
N u e v o T e s t a m e n t o . El A n t i g u o es el q u e m a y o r a c o p i o d e d a t o s
ofrece. E s t e s i m p l e h e c h o m u e s t r a l a d i s p o n i b i l i d a d d e f u e n t e s
h i s t ó r i c a s d e l a é p o c a d e H u g o . L a h i s t o r i a del N u e v o T e s t a m e n -
t o , q u e s e e x t i e n d e h a s t a el fin d e los siglos, se e s t i m a y a t o d a
c o n t e n i d a e n los E v a n g e l i o s y H e c h o s d e los Apóstoles.
H a y que a t e n d e r luego al " o r d e n " de la n a r r a c i ó n . La h i s t o -
r i a s u c e d e e n el o r d e n d e l t i e m p o , m i e n t r a s l a a l e g o r í a s i g u e el
o r d e n del c o n o c i m i e n t o (30). L ó g i c a m e n t e , el A n t i g u o T e s t a m e n -
t o p r e c e d e al N u e v o . E s t o n o i m p i d e q u e e n los m i s m o s d o c u -
m e n t o s n o s e p u e d a e n c o n t r a r el o r d e n t e m p o r a l t e r g i v e r s a d o .
E s t a posible t e r g i v e r s a c i ó n h a c e q u e el o r d e n s e a " a r t i f i c i a l " , f r e n -
t e a l c o r r i e n t e " n a t u r a l " (31). H e c h o é s t e q u e c o n v i e n e o b s e r v a r
e n el t e x t o d e l a E s c r i t u r a (32), c o n lo c u a l se d e m u e s t r a s e n t i d o
crítico.
P a r a Hugo, la historia semeja u n a i n m e n s a tabla sobre la c u a l
se h a n d i s p u e s t o t o d o s los a c o n t e c i m i e n t o s c o n s u s c i r c u n s t a n -
cias (33). E n t r e ellos se i n s e r t a n y p o r ellos se h a c e n inteligibles,
l a s v e r d a d e r a s o b r a s d e Dios.
T o d a e s t a l a b o r d e l a discreción, al dividir, d i s t r i b u i r , y c a r a c -
t e r i z a r los d i v e r s o s e l e m e n t o s d e l a h i s t o r i a , los h e c h o s , s e r e a l i -
za al servicio de la m e m o r i a . La a y u d a que ésta puede recibir n o
s e l i m i t a , s i n e m b a r g o , a d i c h o t r a b a j o . S o n m í n i m o s los d e t a l l e s
q u e p u e d e n a f i r m a r l a m e m o r i a y e x c i t a r l a : l a d i v e r s i d a d d e los

(29) Y explica: "Hoc est, primum fundamentum, quod facile possit ani-
mus comprehendere et memoria retiñere".
(30) Cfr. Did., VI, c. 6: PL 176, 805.
(31) DU., III, c. 9: PL 176, 771: "Ordo in narratione attenditur secun-
dum dispositionem quae duplex est: naturalis, scilicet quando res eo refer-
tur ordine qua gesta est; et artificialis, id est, quando id quod postea ges-
tum est prius narratur; et quod prius, postmodum dicitur".
(32) Did., VI, c. 7: PL 176, 806: "Nec naturalem semper, nec continuum
loquendi ordinem servat (a saber, el texto divino) quia et saepe posteriora
prioribus anteponit; sicut cum aliqua enumeraverit, subito ad superiora qua-
si subsequentia narrationis sermo recurrat. Saepe etiam ea quae longo dis-
tant intervallo, quasi mox sibi succedentia connectât, ut videantur nullum
disiunxisse temporis spatium, ilia quae discemit nullum intervallum sermo-
nis". Un ejemplo de esa mutación de orden se nota en el comentario a Ex
24, 1 (In Pent., c. 8), donde Hugo exclama: "Ecce confusio ordinis". Tam-
bién en er correspondiente a Ex 19, 20.
(33) De Trib. Max. dr.: "Siquidem in arca cordis tempus et numerus
longitudinem mentiuntur, aream in latitudinem expandit locus, ut deinde
caetera disponeantur locis suis. Primum igitur personas cum temporibus
suis ordine disponemus, in longitudinem lineam ab exordio porrigentes. Dein-
de loca etiam designabimus quantum capacitas adbreviationis patientur suf-
ficienter ex universitate collecta".

231
MIGUEL GALLART

libros, el códice, los v e r s í c u l o s y s e n t e n c i a s , el color y f o r m a de


los c a r a c t e r e s , el color q u e a d o r n a l a c a r a del p e r g a m i n o , e t c .
El c a m p o d e l a h i s t o r i a , b i e n l a b r a d o , p r o m e t e f r u t o a b u n d a n -
t e (34). L a r e p e t i c i ó n a s i d u a h a c e a l l e c t o r f a m i l i a r c o n l a h i s -
toria.

;3. IMPORTANCIA DE LA HISTORIA

L a h i s t o r i a es el f u n d a m e n t o d e l a d o c t r i n a s a g r a d a ( 3 5 ) . L a
c i e n c i a d i v i n a es c o m p a r a b l e a u n edificio e s p i r i t u a l ; s u f i r m e z a
d e p e n d e d e l a d e s u s c i m i e n t o s . Y el f u n d a m e n t o d e t o d o el e d i -
ficio es l a h i s t o r i a .
Así, el e s t u d i o d e l a h i s t o r i a c o n s t i t u y e el p r i m e r p a s o e n l a
c i e n c i a . L a s o b r a s m i s m a s d e r e s t a u r a c i ó n del h o m b r e , o b r a s d e
-salvación, a u n q u e c o m o t a l e s s e d e s c u b r e n e n l a i n t e l i g e n c i a e s -
piritual de la Escritura, son, sin embargo, v e r d a d e r a m e n t e " h i s -
t ó r i c a s " (36), es decir, h a n t e n i d o l u g a r e n u n d e t e r m i n a d o t i e m -
p o y l u g a r (37). E s t a h i s t o r i c i d a d d e l a s o b r a s d e s a l v a c i ó n r e s -
p o n d e p r e c i s a m e n t e a l a i n t e n c i ó n d i v i n a (38) y a s u p r o v i d e n -
cia (39), d e n t r o d e s u i n e s c r u t a b i l i d a d .
El "ordo temporis" se e x t i e n d e d e s d e el p r i n c i p i o h a s t a el fin
d e los siglos, m i e n t r a s el ordo loci v a del O r i e n t e a l O c c i d e n t e ,
h a s t a el fin d e l a t i e r r a . U n i d a d d e l a h i s t o r i a , s o b r e t o d o p o r -
q u e es ú n i c a l a p r o v i d e n c i a d i v i n a q u e g o b i e r n a t o d a - l a h i s t o r i a
d e l m u n d o . Ambos "órdenes", de tiempo y de lugar, coinciden y
c o n v e r g e n ( 4 0 ) . L a h i s t o r i a es c o m o u n s u r c o q u e se a b r e r e c t o
d e s d e el O r i e n t e h a c i a el O c c i d e n t e , d i r i g i d o p o r l a p r o v i d e n c i a
•divina; c o n ello s e s e ñ a l a l a p e r f e c c i ó n g r a d u a l y p r o g r e s i v a d e

(34) Did., VI, c. 3: PL 176, 801; "Hic campus tui laboris vomere bene sul-
catus, multiplicem tibi fructum refert".
(35) Did., VI, c. 3: PL 176, 801: "Fundamentum autem et principium doc-
trinae sacrae historia est".
(36) Cfr. M. D. CHENU, O. C , c. 3, p. 64: "La religion du Christ est à basé
.non de logique, mais de fait enregistrés dans une histoire".
(37) De Sacr., L. I, p. VIII, c. 1: PL 176, 305: "Tria ergo hic in reparatione
hominis primo loco consideranda occurrunt : tempus, locus, remedium. Tem-
pus est praesens vita ab initio mundi usque ad finem saeculi. Locus est mun-
dus iste".
(38) De Arca Mm., IV, c. 3: PL 176, 667: "Igitur, ea quae ad reparationem
hominis facta sunt non ad omnes pertinent, sed ad eos tantum, qui salvi
fiunt. Et sicut non omnium sunt, ita etiam non apud omnes facta sunt, nec
ad. omnium notitiam pervenerunt, sed facta sunt certis quibusdam locis et
temporibus, et cum certis personis, secundum altitudinem divini consilii ad
hoc ordinatis".
(39) Cfr. De Arca Mor., IV, c. 9: PL 176, 677-678.
(40) Ibid.: "Imo primus homo in Oriente, in hortis Eden iam Canditus
collocatur... Postremo circa finem saeculi ad Romanos in Occidente, quasi in
fine mundi habitantes, potestas summa descendit".

532
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

l a s o b r a s d e r e s t a u r a c i ó n . No o b s t a n t e , n o c a r e c e d e s i g n i f i c a c i ó n
lo q u e s u c e d e " a d e r e c h a o a i z q u i e r d a " d e d i c h a l í n e a , es decir,
p o r el n o r t e o p o r el s u r . L a l í n e a r e c t a s i n g n i f i c a el " c a m i n o
r e c t o " , e n el c u a l se o b r a l a r e s t a u r a c i ó n d e l h o m b r e y s e m u e s -
t r a n l a s m a r a v i l l a s d e Dios. Lo q u e s e h a c e " a d e r e c h a o a iz-
q u i e r d a " s o n " d e s v i a c i o n e s " , el d e s t i n o c a l a m i t o s o y m í s e r o del
g é n e r o h u m a n o q u e d e s p u é s del p e c a d o es a r r a s t r a d o p o r l a c o n -
cupiscencia.
L a s o b r a s d i v i n a s d e Dios S a l v a d o r t a m b i é n s e c i r c u n s c r i b e n
a t i e m p o , l u g a r y p e r s o n a s : l a h i s t o r i a d e l a s a l v a c i ó n es v e r d a -
d e r a " h i s t o r i a " . Los t i e m p o s y l u g a r e s i n d i c a n el o r d e n del o b r a r
d e Dios, c o n lo c u a l el e s t u d i o d e l a h i s t o r i a h a c e i n t e l i g i b l e ese
obrar divino.
E n t o d a l a p r e c e d e n t e c o n s i d e r a c i ó n se p u e d e a d m i r a r el s e n -
t i d o d e r e a l i s m o y d e b ú s q u e d a p o r p a r t e del M a e s t r o d e S a n V í c -
tor. La adhesión incondicional al sentido literal y la necesidad
d e s u e s t u d i o p u e d e n s a l v a g u a r d a r d e c o n s t r u c c i o n e s e n el a i r e .
P u e d e p e n s a r s e q u e , e n l a p r á c t i c a y e n c o n c r e t o , el e s t a d o d e l a s
c i e n c i a s n a t u r a l e s d e s u é p o c a (41) i m p e d i r í a a H u g o e n c o n t r a r
el j u s t o v a l o r d e l s e n t i d o l i t e r a l . A p e s a r d e t o d o , s u r e v e r e n c i a
e x t r e m a d a p o r el s e n t i d o l i t e r a l n o p u e d e m e n o s q u e d e j a r c o n s -
t a n c i a , i n d i r e c t a m e n t e , d e s u a f á n d e r e a l i s m o (42). El c a p í t u l o
q u i n t o del De Scripturis está dedicado a la necesidad de la inter-
p r e t a c i ó n l i t e r a l e h i s t ó r i c a . E n él h a c e r e f e r e n c i a a los q u e p r e s -
cinden de la lectura de la letra, a la que n o conceden valor al-
g u n o . P o r el c o n t r a r i o , p a r a él el s e n t i d o l i t e r a l es el i m p r e s c i n -
d i b l e s e n t i d o p r i m e r o del t e x t o , i m p r e s c i n d i b l e p a r a t o d a c o n s i -
g u i e n t e i n v e s t i g a c i ó n . " N o t e glories d e e n t e n d e r l a E s c r i t u r a , si
i g n o r a s l a l e t r a " : h a y q u e e v i t a r el p r o c e d e r p o r s a l t o s . Sólo el
s e n t i d o l i t e r a l a b r e l a i n t e l i g e n c i a d e los d e m á s (43). L a l e t r a y s u
sentido constituyen como la corporeidad de la rica dulzura espi-
r i t u a l o c u l t a e n l a S a g r a d a E s c r i t u r a (44).

(41) Hugo, por ejemplo, se pregunta dónele se pueden encontrar en la


actualidad las aguas que fueron lanzadas al exterior por la creación del fir-
mamento. Vde. De Sacr. legis nat. et script.: PL 176, 19.
(42) De Sacr., L. I, P. I, c. 18: PL 176, 200: "Solum hoc quod legimus cre-
dere sine dubitatione debemus, quod factum est firmamentum ut divideret
aquas ab aquis; hoc est, ut partem aquarum intra ambitum suum conclude-
ret, partemque extrinsecus segregaret." Puede verse también In Pent., c. 7:
PL 175, 46.
(43) "Ad hunc modum lectorem admonitum esse volumus, ne forte haec
prima rudimenta despiciat. Ñeque contemnendam putet harum notitiam, quas
nobis sacra Scriptura per primam litterae significationem proponit, quia ip-
sae sunt quas Spiritus Sanctus carnalibus sensibus, et non nisi per visibilia
invisibilia capere valentibus, quasi quaedam simulacra mysticorum intellec-
tuum depinxit, et per similitudines propositas, eorum quae spiritualiter in-
telligenda sunt claram demonstrationem figuravit".
(44) "Lege ergo Scripturam, et disoe primo diligenter quae corporaliter
narrat. Si enim forma horum secundum seriem narrationis propositae stu-

233
'¿. SCEIPTA T.HEOLOOICA III
MIGUEL GALLART

I I . — LA SIGNIFICACIÓN DE LAS COSAS

El s e n t i d o o i n t e l i g e n c i a h i s t ó r i c o s n o a g o t a l a i n t e l i g i b i l i d a d
del t e x t o s a g r a d o , p e s e a c o n s t i t u i r el f u n d a m e n t o d e t o d a o t r a
inteligencia. La m a t e r i a propia de la Escritura, por otra p a r t e , son
l a s o b r a s d e r e s t a u r a c i ó n del h o m b r e , o b j e t o p r o p i o d e l a fe, y
sólo p o r é s t a cognoscible. ¿ C ó m o e x p l i c a r l a m a n i f e s t a c i ó n d e v e r -
dades espirituales a través de conocimientos "corpóreos"? P a r a
responder a esta p r e g u n t a , Hugo de S a n Víctor elabora su teoría
s o b r e l a s i g n i f i c a c i ó n d e l a s c o s a s — r e r u m significatio—. C o n ello
i n t e n t a al m i s m o tiempo m o s t r a r cómo la Escritura S a g r a d a se
d i s t i n g u e d e c u a l q u i e r o t r a o b r a l i t e r a r i a , n o sólo p o r r a z ó n d e l a
m a t e r i a d e q u e t r a t a , s i n o p o r el m o d o p a r t i c u l a r c o m o l a t r a t a .
E n el p r o c e d e r d e l M a e s t r o d e S a n V í c t o r r e s p e c t o a l e s t u d i o
de la Escritura se percibe u n h o n d o sentido de unidad. Las dis-
t i n t a s inteligencias n o se conciben desconectadas, sino como r e -
sultados de profundización a diversos niveles a p a r t i r de u n a
m i s m a s u p e r f i c i e , el s e n t i d o l i t e r a l . S e p o d r í a d e c i r q u e l a r i q u e -
z a del p a s o d e Dios s e d e s c u b r e e n l a s p r o f u n d i d a d e s ; el p a s o d e l
h o m b r e d e j a s u r a s t r o sólo e n l a s u p e r f i c i e . L a u n i d a d e n t r e los
h e c h o s q u e d e s c u b r e e n el s e n t i d o l i t e r a l y l a s c o s a s e s p i r i t u a l e s
q u e d i c h o s h e c h o s r e p r e s e n t a n c o n s t i t u y e los " s a c r a m e n t o s " — s a -
cramenta— (45). S a c r a m e n t o s e ñ a l a e s a r e a l i d a d p r o p i a d e l a S a -
g r a d a E s c r i t u r a , p o r l a q u e la h i s t o r i a h u m a n a d a a c o n o c e r l a s
o b r a s s a l v a d o r a s d e Dios.

Sacramento. — P a r a la explicación n o m i n a l de " s a c r a m e n t o " ,


H u g o a c u d e a u n a d e f i n i c i ó n t r a d i c i o n a l : " S a c r a m e n t o es el s i g -
n o d e u n a cosa s a g r a d a " . S i g n o y c o s a o r e a l i d a d , c u e r p o y a l m a ,
l e t r a y s e n t i d o : así, e n t o d o s a c r a m e n t o s e d a u n a s p e c t o visible
y t a n g i b l e , lo q u e s e l l a m a d i r e c t a m e n t e s a c r a m e n t o , y o t r o a s -
p e c t o invisible y e s p i r i t u a l , q u e s e c r e e y c o n s t i t u y e l a " c o s a " o
v i r t u d del s a c r a m e n t o (46). El s a c r a m e n t o a p a r e c e a m a n e r a d e
p u e n t e e n t r e l a v e r d a d h u m a n a y l a v e r d a d d e Dios. S e p u e d e d e -
cir q u e e s t a v e r d a d d e Dios s e d a a c o n o c e r a l h o m b r e p o r m e d i o
d e s a c r a m e n t o s . S i n ellos el h o m b r e n o p o d r í a a l c a n z a r el c o n o -
cimiento de las realidades divinas (47). Por su d i n á m i c a i n t e r n a

diose animo impresseris, quasi ex favo quodam postmodum meditando spi-


ritualis intelligetìtiae dulcedinem suges".
(45) De Scrip., c. 3: PL 175, 12: "Et haec facta ad litteram, quae reprae-
sentant huiusmodi spiritualia, sacramenta dicuntur".
(46) Vde. De Sera., L. I, P. IX, c. 2: PL 176, 317.
(47) De Sacr., L. I, P. IX, c. 3: PL 176, 320: "Homo enim qui visibilia n o -
verat, invisibilia non noverat; divina agnoscere nullatenus posset nisi huma-
nis excitatus".

234
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

los s a c r a m e n t o s r e s p o n d e n a l a c u e s t i ó n del s e n t i d o p r o f u n d o d e
los a c o n t e c i m i e n t o s d e l a h i s t o r i a , l a c u a l q u e d a r í a s i n ellos c o -
m o u n cuervo s i n e s p í r i t u . P o r ellos, e n c a m b i o , es posible l l e g a r
a l c o n o c i m i e n t o del espíritu, s i n el q u e l a l e t r a s e r í a l e t r a m u e r -
t a . El e s p í r i t u es l a verdad, y s u c o n o c i m i e n t o c o n s t i t u y e l a i n t e -
ligencia espiritual de la Escritura, como alegoría y como t r o p o -
logía.
El c o n o c i m i e n t o d e l e s p í r i t u , es decir, d e l a v e r d a d , s e m a t i z a
de modo distinto, a u n q u e n o opuesto, respecto al Antiguo y al
N u e v o T e s t a m e n t o . P u e s e s a V e r d a d es el V e r b o E n c a r n a d o , m a -
n i f e s t a d o e n el N u e v o T e s t a m e n t o , o c u l t o , e n c a m b i o , e n l a s p r o -
m e s a s del A n t i g u o . E n r e l a c i ó n a l a V e r d a d u n o y o t r o T e s t a m e n -
t o s e d i f e r e n c i a n c o m o lo t o d a v í a n o c u m p l i d o , i m p e r f e c t o , l a p r o -
m e s a , r e s p e c t o a lo c u m p l i d o , p e r f e c t o , l a r e a l i d a d del c u m p l i -
m i e n t o d e lo p r o m e t i d o .
P a r a el h o m b r e del A n t i g u o T e s t a m e n t o , el sacramento esta-
ba teñido de oscuridades; la verdad p l e n a se e n c o n t r a b a ya en
s u c o n t e n i d o ; s i n e m b a r g o , n o s e h a b í a m a n i f e s t a d o . De f o r m a
s e m e j a n t e r e s u l t a n u e s t r o c o n o c i m i e n t o d e l a gloria c e l e s t i a l (48).
El o b j e t o es s i e m p r e el m i s m o : C r i s t o . E n b a s e a u n a r a z ó n d e
s e m e j a n z a se i n s i n u a b a al l e c t o r d e q u é s e t r a t a b a r e a l m e n t e .
P e r o ú n i c a m e n t e l a a p a r i c i ó n d e lo s i g n i f i c a d o p o d í a e s c l a r e c e r
el m i s t e r i o d e l s a c r a m e n t o . P o r el c o n t r a r i o , p a r a el fiel d e l a
N u e v a A l i a n z a a p a r e c e u n a luz d i s t i n t a y n u e v a . E s t a luz le p o n e
e n c o n e x i ó n c o n u n h e c h o ú n i c o e n l a h i s t o r i a , q u e le p e r m i t e
c o m p r e n d e r l a s m i s e r i c o r d i a s d e Dios d e s d e el p r i n c i p i o del m u n -
do h a s t a el fin d e los siglos. El h e c h o es l a a p a r i c i ó n del V e r b o
E n c a r n a d o , q u e i l u m i n a los s a c r a m e n t o s d e l a A n t i g u a A l i a n z a y
h a c e d e s c u b r i r l a s r a z o n e s d e s e m e j a n z a l a t e n t e s e n ellos. S i g n o y
significado s e i l u m i n a n m u t u a m e n t e en orden a resaltar la es-
pléndida y ú n i c a verdad del significado: Jesucristo.
De a h í q u e el M a e s t r o d e S a n Víctor a d v i e r t a q u e n o h a y n e -
c e s i d a d del e s t u d i o p r e v i o e x h a u s t i v o d e t o d a s l a s f i g u r a s del A n -
tiguo Testamento, sino que m á s conveniente parece simultanear-
lo c o n el e s t u d i o del N u e v o . L a v e r d a d a b r e l a s f i g u r a s y s u s e n -
tido, y, c o n s i g u i e n t e m e n t e , del e s t u d i o d e l a s f i g u r a s r e s u l t a u n a
p e n e t r a c i ó n e n l a V e r d a d m i s m a (49).
L a c o n s i d e r a c i ó n d e l a f i g u r a , e n el l u g a r p r o p i o q u e é s t a o c u -
p a d e n t r o d e l a t o t a l i d a d del m i s t e r i o d e l a R e d e n c i ó n es el p r i -
mer paso p a r a la inteligencia espiritual.

(48) Vde. In Pent., c. 8: PL 175, 68.


(49) Cfr. Did., VI, c. 3: PL 176, 800.

235
MIGUEL GALLAR!"

Elementos constitutivos del sacramento. — a ) Res ut signa. En


l a S a g r a d a E s c r i t u r a l a s r e a l i d a d e s c o n o c i d a s p o r el s e n t i d o l i t e -
ral son signos de otras superiores que corresponden a la inteli-
gencia espiritual (50).

E s t a "rerum significatio" manifiesta la excelencia de la Escri-


t u r a s o b r e t o d o s los d e m á s e s c r i t o s q u e n o s o n " d i v i n o s " , y a que
es m u c h o m á s profunda y elevada la significación de las cosas
q u e l a d e los t é r m i n o s . E s t a d e p e n d e d e l u s o e n t r e los h o m b r e s ,
m i e n t r a s que aquélla se b a s a e n i n s t i t u c i ó n divina (51). L a Crea-
ción misma ha dado a las cosas posibilidad de significar: esa
C r e a c i ó n q u e m a n i f i e s t a l a S a b i d u r í a m i s m a d e Dios, e s d e c i r , el
Verbo (52). E n esa m a n i f e s t a c i ó n reside la fecundidad de todas
las c r e a t u r a s y del universo e n t e r o (53); m a n i f e s t a c i ó n y fecun-
d i d a d que se d a n e n g r a d o s d i s t i n t o s s e g ú n la perfección de las
c r e a t u r a s (54). E n realidad, esta significación de las cosas funda-
d a en la Creación manifiesta sólo a " D i o s c r e a d o r " ( 5 5 ) . ¿ D ó n d e
o cómo ver la posibilidad de que las cosas c r e a d a s se conviertan
e n s a c r a m e n t o s , es d e c i r , e n s i g n o s d e l a s o b r a s d e restauración,
o b j e t o d e l a fe? Sólo los s a c r a m e n t o s m a n i f i e s t a n a "Dios Salva-
d o r " (56).

(50) Las "res" son "signa intelligentiae spirituale". Cfr. De Scrip., c. 5 :


PL 175, 13.
(51) De la "rerum significatio" se trata especialmente en De Scrip., c. 14,
y en Did., V, c. 3 . E n De Scrip, c. 3 se lee: "...in sacra pagina excellentior
valde est rerum significatio quam vocum: quia nane usus instituit, illam
natura dictavit, haec hominum vox est, ilia dei ad homines. Haec est ex
placito hominum, ilia naturalis est, et ex operatione Creatoris volentis quas-
dam res per alias significali... Res quaelibet tarn multiplex potest esse in
significatone, quot i n se proprietates visibiles et invisibiles habet communes
cum aliis rebus". Y en Did., V, c. 3 : "...excellentior valde est rerum signifi-
catio, quam vocum... illam natura dictavit, ...ilia vox Dei ad homines... crea-
ta subsistit... Res divinae rationis est simulacrum... Divina Sapientia, quam
de corde suo Pater eructavit, in se invisibilis per creaturas, et in creaturis
agnoscitur".
(52) De Sacr., L. I, P. I l l , c. 2 0 : PL 176, 2 2 5 : "Sapientia Dei invisibilis...
manifesta est per opus suum. E t erat ipsa Sapientia Verbum... Sed yerbum
quod manlfestum est prodit et revelat verbum quod occultum est. Sic et in
Deo verbum intrinsecum et occultum et invisibile verbum fuit cordis eius;
et sapientia erat hoc verbum et invisibile donee manifestatum est per verbum
extrinsecum quod visibile factum est, quod erat opus eius. Sicut per verbum
oris manifestatum est verbum cordis, sic loquitur omnis natura ad auctorem
suum, et indicat quod factum est, opificem intelligendi sensum habentibus".
(53) Did., VI, c. 5; PL 176, 8 0 5 : "Omnis natura Deum loquitur. Omnis n a -
tura hominem docet. Omnis natura rationem parit, et nihil in universitate
infecundum est".
(54) Véase, por ejemplo, De Sacr., L. I, P. I l i , c. 6 : PL 176, 219.
(55) Cfr. R. MANTILLA, El conocimiento natural de Dios en Hugo de S. V.,
Madrid 1957, c. 1, art. 3 ; L, CALONGHI, La scienza e la classificazione delle scien-
ze in Ugo di S. Vittore, Torino 1956, c. 1, p. 26-27.
(56) Cfr. De Sacr., L. I, P. VII, c. 1 2 : PL 176, 270.

236
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

b) L a s e m e j a n z a . L a a p t i t u d d e l a s c o s a s p a r a s i g n i f i c a r v e r -
d a d e s d e fe e n c u e n t r a u n f u n d a m e n t o e n l a s e m e j e n z a —pro
convenientia similitudinis— que emerge de la m i s m a n a t u r a l e z a
d e l a s cosas. Se p o d r í a decir q u e c o n s i g u i e n t e m e n t e a c o m o l a
r e s t a u r a c i ó n s u p o n e l a c r e a c i ó n , t a m b i é n el c o n o c i m i e n t o d e l a
o b r a s a l v a d o r a se b a s a e n l a o b r a d e c r e a c i ó n . U n o m i s m o es el
C r e a d o r y R e d e n t o r . L a S a b i d u r í a d i v i n a es l a r a z ó n p r i m o r d i a l
d e l a s cosas, y a q u e t o d o h a sido c r e a d o a s u s e m e j a n z a (57). Y
e s t a s e m e j a n z a d e l a s cosas c o n l a S a b i d u r í a d i v i n a e s t á o r d e -
n a d a a r e s t a u r a r e n los h o m b r e s l a s e m e j a n z a d i v i n a p e r d i d a p o r
el p e c a d o , m i e n t r a s g u a r d a b a al h o m b r e d e l a i g n o r a n c i a (58).
H u g o t i e n e c o n c i e n c i a c l a r a del t e n u e s e r d e l a r a z ó n d e s e -
mejanza, intrínseca a la concepción de s a c r a m e n t o , respecto a las
v e r d a d e s o v e r d a d d e s a l v a c i ó n . M i e n t r a s el s e n t i d o l i t e r a l d e l a
E s c r i t u r a lleva a u n c i e r t o c o n o c i m i e n t o d e l a s o b r a s d e r e s t a u -
r a c i ó n , é s t a s , s i n e m b a r g o , se m u e s t r a n r e a c i a s a c u a l q u i e r c o m -
p r o b a c i ó n e n s e n t i d o p r o p i a m e n t e crítico. L a r a z ó n d e s e m e j a n z a ,
y c o n ella el s a c r a m e n t o m i s m o , es v á l i d a sólo s u p u e s t a l a fe, u n a
fe f u n d a d a e n l a t r a d i c i ó n viva d e u n o s p r e d e c e s o r e s c r e y e n -
t e s (59)
L a s a n t e r i o r e s c o n s i d e r a c i o n e s l l e v a n a v e r el s a c r a m e n t o c o -
mo u n signo, ni propiamente n a t u r a l , ni exclusivamente a r b i t r a -
rio. R e s u l t a u n m e d i o d e c o n o c i m i e n t o d e l a s r e a l i d a d e s e s p i r i -
t u a l e s , a u n q u e n o d e c o m p r o b a c i ó n d e l a s m i s m a s . El S a c r a m e n -
t o e n c u e n t r a u n a p r i m e r a y débil b a s e e n l a n a t u r a l e z a d e l a s
cosas, m i e n t r a s q u e s u c o n e x i ó n c o n la v e r d a d d e fe le v i e n e m á s
b i e n p o r r e v e l a c i ó n , es decir, n o d e p e n d e d e l a r b i t r i o d e los h o m -
b r e s . L a i n s t i t u c i ó n d e los s a c r a m e n t o s es a u t o r i t a t i v a , a u n q u e
f u n d a d a en la habilidad o a p t i t u d de la n a t u r a l e z a , cuyo origen
e s t á e n l a c r e a c i ó n m i s m a (60).
D e t o d o ello e m e r g e u n a visión p r o f u n d a d e l a l l a m a d a peda-
gogía divina. S e a d a p t a l a r e v e l a c i ó n a l m o d o d e c o n o c e r n a t u -
r a l del h o m b r e , a los " s e n t i d o s c a r n a l e s " , c a p a c e s d e c o n o c e r l a s

(57) Dio,., II, c. 1: PL 176, 751: "...primaeva rerum ratio, quia ad eius
similitudinem cuneta creata sunt".
(58) De Sacr., L. I, P. III, c. 1: PL 176, 217: "Credit etfgo fides quod non
vidit; et non vidit quidem quod credit. Et vidit tamen aliquid per quod ad-
monita est et excitata credere quod non vidit. Deus enim sic ab initio noti-
tiam sui ab nomine temperavit, ut sicut numquam quid esset totum poterat
comprehendi, sic quia esset numquam prorsus posset ignorari".
<59) De Sacr., L. i , p. x , c. 2 : PL 176, 330: "Quae igitur omnem simili-
tudinem et comparationem transcendunt, qua similitudine argui et compro-
bari possent? nisi quia ex fide et devotione praecedentium sanctorum colli-
gimus, quoniam ad illa quae futura praedicantur bona increduli esse non
debemus".
(60) De Sacr., L. I, P. IX, c. 4: PL 176, 322: "Dedit primo natura habili-
tatem ut hoc esse possent; adiunxit secunda institutio auctoritatem ut hoc
fierent".

237
MIGUEL GALLART

c o s a s invisibles ú n i c a m e n t e a t r a v é s y p o r m e d i o d e lo v i s i -
ble (61). P e r o , p o r o t r o l a d o , h a b í a n e c e s i d a d d e e v i t a r l a posible
confusión, a s a b e r , q u e el h o m b r e e n l a l e c t u r a d e l a E s c r i t u r a se
v i e r a i n d u c i d o a p e n s a r q u e Dios e r a e n t o d o s e m e j a n t e a él. P o r
eso, el t e x t o s a g r a d o m i s m o , a p e s a r d e e s t a r e s c r i t o e n u n l e n -
guaje h u m a n o , cuida poner de manifiesto que las razones de se-
m e j a n z a n o adecúan, n i con m u c h o , las diferencias esenciales
e n t r e l a v e r d a d d e Dios y lo i n t e l i g i b l e p a r a los h o m b r e s ( 6 2 ) . E s a
m i s m a p e d a g o g í a d i v i n a s e p a t e n t i z a e n l a e v o l u c i ó n d e los s a c r a -
m e n t o s . P e s e a q u e t o d o s se r e f i e r e n a C r i s t o (63), los s a c r a m e n -
t o s del A n t i g u o T e s t a m e n t o se h a c e n c a d a vez m á s m a n i f e s t a t i -
vos c o n f o r m e se a p r o x i m a s u v e n i d a , y se d i s t i n g u e n d e los del
Nuevo, d e s p u é s d e l a m a n i f e s t a c i ó n del S a l v a d o r . L a " s o m b r a "
d e l a v e r d a d d e los s a c r a m e n t o s d e l a ley n a t u r a l c e d e a n t e l a
" i m a g e n y f i g u r a " d e l a v e r d a d d e los d e l a ley e s c r i t a , h a s t a q u e ,
b a j o l a g r a c i a , es el " c u e r p o " d e l a v e r d a d lo q u e h a c e d e s v a n e -
c e r t o d o lo p r e c e d e n t e , h a s t a q u e e n c u a r t o y ú l t i m o l u g a r s i g a
la verdad espiritual —vertías spiritus—(64).

Grandeza de la Sagrada Escritura. — C o m o y a s e h a s u g e r i d o


a n t e r i o r m e n t e , con t o d a esta línea de p e n s a m i e n t o tiene Hugo de
S a n Víctor l a i n t e n c i ó n d e p o n e r d e m a n i f i e s t o l a g r a n d e z a ú n i -
ca de la S a g r a d a Escritura frente a cualquier otro escrito u obra
l i t e r a r i a l e g a d a p o r t r a d i c i ó n . No sólo es ú n i c a l a m a t e r i a d e q u e
t r a t a , es decir, l a s o b r a s d e s a l v a c i ó n del h o m b r e , s i n o a s i m i s m o
s i n g u l a r y p r o f u n d o el m o d o d e t r a t a r d i c h a m a t e r i a . D e a h í l a
i n s u f i c i e n c i a p a r a l a i n t e l i g e n c i a d e l a E s c r i t u r a d e l solo c o n o -
c i m i e n t o d e los t é r m i n o s o l e n g u a j e . T a m b i é n l a s cosas d e q u e
t r a t a están i m p r e g n a d a s de h o n d a y misteriosa significación
—etiam res significativae sunt—. No b a s t a , c o m o p a r a los d e -
m á s t e x t o s l i t e r a r i o s , el c o n o c i m i e n t o d e l a " l e t r a " . E s i n d i s p e n -
s a b l e l a l e c t u r a d e los s a c r a m e n t o s d e q u e e s t á l l e n a l a E s c r i t u r a ,
p u e s es ella m i s m a t o d a u n s a c r a m e n t o , el s a c r a m e n t o del V e r -
bo E n c a r n a d o , d e C r i s t o (65).

(61) De Scrip., c. 5: PL 175, 14: "...carnalibus sensibus, et non nisi per vi-
sibilia invisibilia capere valentibus, quasi quaedam simulacra mysticorum in-
tellectuum depinxit".
(62) De Sacr., L . I , P. i n , c. 26: PL 176, 228: "Sed cavit Scriptura cons-
cientiae humanae ne erraret in Deo suo similia hominibus quae non erat in
ipso arbitrans, quoniam ab omnibus sumpta erant vocabula quaedam, non ad
omnem similitudinem sed ad significanda quae Dei erant supra homines; et
erat aliquid simile ibi ne imitatio aliena esset, sed non totum, ne idem cre-
deretur quod in tantum differebat." Puede verse De Sacr., L. I , P. I I , c. 8.
(63) Cfr. De Sacr., L. I I , P. I , c. 2: PL 176, 407.
(64) Cfr. De Sacr. L. I , P. X I , c. 6: PL 176, 345-346.
(65) Cfr. H. de LUBAC, o. c, p. I , v. I I , c. 8, p. 496; R . BARON, o. C , C. 3,
p 125 s, y "Le 'sacrament de la foi' selon Huges de S. V." en RSPT 42 (1958)
p. 50.

238
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

I I I . — LA INTELIGENCIA ESPIRITUAL

A. INTELIGENCIA ALEGÓRICA

L a l e c t u r a e n o r d e n a l a c i e n c i a —ad scientiam— se i n i c i a e n
la inteligencia o sentido históricos. Esta, sin embargo, desembo-
ca y se perfecciona e n la inteligencia alegórica. La historia e n -
t e r a conduce a la alegoría. La significación de las cosas consti-
t u y e el n e x o o f u e n t e e n t r e a m b a s : l a s r e a l i d a d e s o h e c h o s h i s -
tóricos significan otras realidades espirituales.
L a l e c t u r a a l e g ó r i c a i n t e n t a c a p t a r el s e n t i d o e s p i r i t u a l d e
l a E s c r i t u r a , e n el c u a l se e n c u e n t r a s u v e r d a d , p o r u n a vía o
m o d o q u e s e p u e d e l l a m a r c i e n t í f i c o (66). A e s t e r e s p e c t o , l a o t r a
inteligencia espiritual, a saber, la tropología, parece encontrarse
lejos del c a r á c t e r c i e n t í f i c o d e l a a l e g o r í a .
M á s q u e l a m e m o r i a , j u e g a el p a p e l p r i n c i p a l a q u í el i n g e n i o
d e l l e c t o r , l a s a g a c i d a d c o n q u e s e a c a p a z d e p e n e t r a r e n el s e n -
t i d o d e lo q u e h a a p r e n d i d o y a l m a c e n a d o .
El i n t e r é s d e l a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a s o l i c i t a q u e s u e x p o s i -
ción se h a g a p o r p a r t e s : p r i m e r o , el c o n c e p t o d e a l e g o r í a e n l a
E s c r i t u r a m i s m a y e n l a l e c t u r a ; s e g u n d o , el j u i c i o q u e el l e c t o r
h a c e d e l a " l e t r a " ; luego, s o b r e el m é t o d o d e l a l e c t u r a a l e g ó r i -
c a y s u a p l i c a c i ó n , y, f i n a l m e n t e , l a i m p o r t a n c i a d e l a i n t e l i g e n -
cia a l e g ó r i c a .

1. CONCEPTO DE ALEGORÍA

E n t i e n d e Hugo por alegoría la relación de significación que


e x i s t e e n t r e l a r e a l i d a d o h e c h o h i s t ó r i c o p r o p u e s t o s p o r el t e x -
t o , l a l e t r a , y a l g u n a o t r a r e a l i d a d o h e c h o d e l p a s a d o , el p r e -
s e n t e o el f u t u r o ( 6 7 ) . Así, l a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a c o n s t i t u y e el
s e g u n d o p a s o e n l a s a g r a d a d o c t r i n a (68).
No q u i e r e s e r l a a l e g o r í a u n p r o d u c t o s u b j e t i v o del l e c t o r , c o -
m o si d e p e n d i e r a d e s u i n g e n i o el e s t a b l e c e r l a s r e l a c i o n e s e n t r e
los h e c h o s . S i n o q u e , c o m o m o d o d e exposición d e l a m a t e r i a del
t e x t o s a g r a d o , así c o m o lo q u e s o n l a h i s t o r i a y l a t r o p o l o g í a , q u i e -

(66) A la lectura alegórica está dedicado todo el c. 4 de Did., L. VI.


(67) De Scrip., c. 3: "Est autem allegoria, cum per id quod ex littera sig-
nificatum proponitur, aliud aliquid sive in praeterito sive in praesenti sive
in futuro factum significatur". De Sacr., Prol., c. 4: PL 176, 185: "Allegoria
est cum per id quod factum dicitur, aliquid aliud factum sive in praeterito
sive in praesenti sive in futuro significatur". Véase asimismo De Tribus Max.
dr.
(68) Puede verse el Pròlogo a De Sacr., L. I.

239
MIGUEL GALLART

re responder a la m a n e r a peculiar que la Escritura m i s m a tiene


d e t r a t a r s u o b j e t o (69).
L a visión d e l a a l e g o r í a e n l a E s c r i t u r a p r e s u p o n e lo q u e a n ­
t e s se h a d i c h o s o b r e los s a c r a m e n t o s , p o r u n l a d o , y, p o r o t r o , l a
u n i d a d i n t e r n a d e l a s v e r d a d e s d e l a fe, p o r el h e c h o d e s e r u n o
solo y ú n i c o el Dios c r e a d o r y r e d e n t o r . S i g n o y v e r d a d d i m a n a n
del m i s m o Dios.
E n e s t e p u n t o es m u y q u e r i d a p a r a el M a e s t r o d e S a n Víctor,
en orden a exponer su forma de pensar, la i m a g e n del "edifi­
c i o " ( 7 0 ) . A u n edificio c o m p a r a él l a E s c r i t u r a : s o b r e los c i m i e n ­
t o s p u e s t o s ya, s e l e v a n t a l a e s t r u c t u r a h a c i a lo a l t o (71). El f u n ­
d a m e n t o es l a h i s t o r i a : s o b r e ella se eleva l a e s t r u c t u r a , el c u e r ­
po de verdades, dispuesto r a c i o n a l m e n t e y respondiendo a u n
propósito. L a lectura o inteligencia alegóricas son comparables
a l t r a b a j o d e a r q u i t e c t o y d e m a e s t r o albafiil e n l a c o n s t r u c c i ó n :
p i d e u n a l a b o r c o m p l e j a y difícil d e c o n c e p c i ó n , o r d e n a m i e n t o ,
c o a d a p t a c i ó n y e m b e l l e c i m i e n t o (72). S o b r e los c i m i e n t o s , q u e
ú n i c a m e n t e n e c e s i t a n s e r sólidos, d e l a h i s t o r i a s e edifica t o d a
la fábrica de la alegoría, donde se p r u e b a la capacidad de inge­
n i o del c o n s t r u c t o r . E n l a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a b r i l l a l a c o h e ­
rencia, en la que n i n g ú n elemento p u g n a con otro, sino que todo
d e s c a n s a e n l a u n i d a d (73). L a f á b r i c a del edificio s e a p o y a e n
l a h i s t o r i a , p e r o s u e s t r u c t u r a n o se c o n f o r m a m a t e r i a l m e n t e a l
s e n t i d o l i t e r a l del t e x t o , s i n o q u e se d i s t r i b u y e e n ó r d e n e s d i s ­
t i n t o s — o c h o d i s t i n g u e H u g o — , q u e a g r u p a n los s a c r a m e n t o s
p r i n c i p a l e s e n u n a visión s u p e r i o r , s i n t é t i c a y u n i t a r i a (74), a n t e
l a c u a l l a h i s t o r i a q u e d a c o m o o c u l t a , a s e m e j a n z a d e los c i m i e n ­
t o s d e u n edificio. L a fe, ese p r i n c i p i o n u e v o s i n el q u e n o es p o ­
sible l a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a d e l a E s c r i t u r a , d e t e r m i n a e s t a f o r ­
m a o r i g i n a l d e leer el t e x t o s a g r a d o , a l d e s c u b r i r lo q u e b i e n p o ­

(69) Cfr. In Cant. В. M.: PL 175, 416.


(70) Cfr. G. PARE, La Renaissance du Xlle siècle: Les écoles et l'enseig­
nement, Paris 1933, pp. 259­260, donde se refiere a la importancia de la "fá­
brica" en el pensamiento de Hugo.
(71) Did., VI , с. 4: "Meministi, ut autumno, supra me divinam Scriptu­
ram aedificio similem dixisse, ut primum fundamento pósito structura in
altum levetur; plane aedificio similem, nam et ipsa structuram habet".
(72) Cfr. Ibid.
(73) Ibid: "Multis ordinibus consurgit fabrica, et quisquís suam basim
habet; et multa sacramenta in divina pagina continentur, quae singula sua
habent principia".
(74) Ibid.: "Primus ordo est sacramentum Trinitatis... Hic de nihilo om­
nem fecit creaturam...: ecce secundus ordo... Quae origo peccati, et quid sit
peccatum, et quid sit poena pecati: ecce tertius ordo. Quae sacramenta pri­
mum sub naturali lege ad reparationem humani generis instituent: ecce
quartus ordo. Quae Scriptura sub lege: ecce quintus ordo. Sacramentum I n ­
carnationis Verbi: ecce sextus ordo. Sacramenta Novi Testamenti: ecce spe­
timus ordo. I psius denique resurrectionis: ecce octavus ordo.

240
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

d r í a l l a m a r s e la circuminsessio de las verdades profundas que el


t e x t o a n u n c i a . Así, s e a c u a l f u e r e el m o d o m a t e r i a l e n q u e l a
h i s t o r i a se p r e s e n t a , se ve y a d e s d e s u m i s m o p r i n c i p i o la p r e -
s e n c i a c o n t i n u a e n ella d e l a r e a l i d a d o h e c h o d e s a l v a c i ó n .
E s a f á b r i c a e s p i r i t u a l , c u y a e s t r u c t u r a se e l e v a c o n los d i s -
t i n t o s ó r d e n e s d e s a c r a m e n t o s , c o n s t i t u y e l a e n t e r a divinitas (75),
a r g u m e n t o y razón de la Escritura divina, porque la contiene
' t o d a " y a ella e s t á o r d e n a d a e n s u t o t a l i d a d . P o r ella, l a E s c r i -
t u r a y s u s a u t o r e s s e d e n o m i n a n " d i v i n o s " , y ella es l a q u e p r e s -
t a a los l e c t o r e s del s e n t i d o alegórico el bello n o m b r e d e lecto-
res divinitatis.
La inteligencia alegórica conduce al lector a asimilar y h a c e r
s u y a l a e s t r u c t u r a p r o f u n d a y u n i t a r i a q u e el t e x t o le ofrece b a j o
l a s u p e r f i c i e del s e n t i d o h i s t ó r i c o (76). D e m a n e r a p a r a l e l a a
c o m o el l e c t o r o e s t u d i o s o d e l a E s c r i t u r a h a sido l l a m a d o e n u n
p r i m e r m o m e n t o a d i s t r i b u i r d e m o d o o r d e n a d o e n s u m e n t e los
h e c h o s d e l a h i s t o r i a y a colocar a s í e n él m i s m o los c i m i e n t o s
del edificio, e n l a l e c t u r a a l e g ó r i c a es r e q u e r i d o a e l e v a r t a m b i é n
e n s u m e n t e y c o r a z ó n ese edificio o f á b r i c a q u e se d e s c u b r e e n
los l i b r o s s a g r a d o s ( 7 7 ) . L a a s i m i l a c i ó n d e l a e s t r u c t u r a o r g á n i -
ca y u n i t a r i a d e los ó r d e n e s o s a c r a m e n t o s d i v e r s o s p o r p a r t e del
lector constituye la preparación ineludible p a r a que la lectura
a l e g ó r i c a se r e a l i c e con e s p e r a n z a s e g u r a d e f r u t o (78).
C o n ello s e h a s e ñ a l a d o el v e r d a d e r o fin q u e p r e t e n d e l a i n -
t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a : l a e d i f i c a c i ó n e s p i r i t u a l del l e c t o r o e s t u -
dioso (79). El d e s c u b r i m i e n t o d e l a e s t r u c t u r a v e r d a d e r a d e la.
E s c r i t u r a , q u e c o r r e s p o n d e a l a d e u n edificio — p l a ñ e aedificio
similis—, r e c l a m a q u e el l e c t o r c r e y e n t e e r i j a e n s u i n t e r i o r e s e
n u e v o edificio e s p i r i t u a l y vivo, es decir, q u e se r e a f i r m e e n s u
fe p o r l a c o n v e r s i ó n d e s u m e n t e e n v e r d a d e r a f o r t a l e z a d e l a
m i s m a (80).
De e s t e m o d o l a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a s u p o n e u n v e r d a d e r o
j u i c i o d e l a l e t r a y d e s u s e n t i d o — i n d i c a r e litteram. Porque el
l e n g u a j e h u m a n o d e los t e x t o s s a g r a d o s f o r m a u n a especie d e
c a p a r a z ó n q u e c o n t i e n e y p r e s e r v a , p e r o a la vez e s c o n d e y difi-
(75) Ibid.: "Haec est tota divinitas, haec est illa spiritualis fabrica, quae
quod continet sacramenta, tot quasi ordinibus constructa in altum extolli-
tur".
(76) Cfr. H . de LTIBAC, Exégése Médiévdle, p. I, v. II, c. 8, p. 524: "La di-
vinité du Verbe de Dieu incarné est en effet l'objet central de l'allégorie".
(77) Cfr. H . CLOES, "La sytematisation théologique (1100-1150)" en Eph.
Th. Lov. 34 (1958), pp. 327-328.
(78) Did., V, c. 5: PL 176, 793: "Aspice dúos pariter silvam transeúntes
et hunc quidem per devia laborantem, illum vero recti itineris compendia»
legentem, pari motu cursum bendunt, sed non aeque cito perveniunt".
(79) Ibid.: "Ecce ad lectionem venisti, spirituale fabricaturus aedificium".
(80) Did., v i , c. 3: PL 176, 801: "Deinde per significationem typicam i n
arcem fidei fabricam mentís erige".

241
MIGUEL GALLART

c u l t a el s e n t i d o v e r d a d e r o : p a r a p e n e t r a r e n él n o b a s t a c o n q u e
los s e n t i d o s h u m a n o s e n t r e n e n c o n t a c t o c o n l a l e t r a ; se h a c e
a d e m á s necesaria la a p e r t u r a total de la m i r a d a del corazón a
l a luz d e l a v e r d a d ( 8 1 ) . Ese es el e s p í r i t u , l a fe, q u e d e b e j u z g a r
l a l e t r a . D e lo c o n t r a r i o , l a l e t r a n o sólo y a c e c o m o m u e r t a , s i n o
q u e p u e d e m a t a r (82). El v e r d a d e r o p e l i g r o del e s t u d i o d e l a E s -
c r i t u r a reside en que p u e d a quedar en estudio desolado y estéril.
L a s u j e c i ó n servil a l a l e t r a d i f í c i l m e n t e p o d r á e v i t a r el e r r o r (83).
Q u i e n j u z g a t o d o es el h o m b r e e s p i r i t u a l , n o el l e t r a d o . L a l e t r a
h a y q u e s e g u i r l a p a r a e v i t a r q u e e n l a i n t e r p r e t a c i ó n se d e s l i c e n
las propias preferencias o prejuicios, pero con la conciencia de
q u e l a v e r d a d t o d a y, p o r t a n t o , el j u i c i o s o b r e ella, n o s e c i ñ e n
a l a l e t r a s o l a (84).
Al e s p í r i t u c o m p e t e j u z g a r l a l e t r a , y n o , al revés, l a l e t r a a l
e s p í r i t u . E n el e s t u d i o d e l a E s c r i t u r a lo q u e i m p o r t a n o es lo
q u e se dice, l a p o l é m i c a p o r el s e n t i d o d e l a l e t r a , q u e e n g e n d r a
p e r p l e j i d a d . Lo q u e r e a l m e n t e i m p o r t a es l a b ú s q u e d a e i n t e l i -
g e n c i a d e l a v e r d a d q u e se c r e e .
El " e s p i r i t u a l " , c a p a z d e j u z g a r , es el h o m b r e c r e y e n t e y, a l
m i s m o tiempo, movido por la sed y la búsqueda de la verdad. Este
p o s e e e n sí m i s m o el e s p í r i t u d e u n i d a d q u e le p e r m i t e d e s c u b r i r
la coherencia en sus interpretaciones de la Escritura, guiado por
e l p r i n c i p i o , n o d e s u s o p i n i o n e s , s i n o d e l a sacra fides ( 8 5 ) . Sólo
él posee l a c l a v e d e l a i n t e r p r e t a c i ó n j u s t a y c o r r e c t a : l a fe (86).
L a s i n c e r i d a d p a r a c o n l a v e r d a d lleva a b u s c a r e n l a l e c t u r a d e
l a e s c r i t u r a l a m a n e r a d e d a r r a z ó n d e s u fe (87).

2. MÉTODO

L a i n t e l i g e n c i a a l e g ó r i c a es d e l a m á x i m a i m p o r t a n c i a , p e r o es
a s i m i s m o c o m p l e j a (88). D e a h í q u e se e x i j a a l l e c t o r u n a p r e p a -

(81) De Sacr., L. II, P. I, c. 9: PL 176, 797: "Quid enim sunt verborum in-
volucra nisi quaedam involumenta intelligentiae, quibus quamdiu sensus h u -
manus abvolvitur, numquam cordis oculus ad veritatis lumen perfecte apa-
ritur?
(82) Cfr. Did., VI, c. 4: PL 176, 804.
(83) Cfr. ma.
(84) Ibid.: "Oportet ergo ut sic sequamur lltteram ne nostrum sensum
•divinis auctoribus praeferamus; et sic non sequamur, ut in ea totum veri-
tatis iudicium penderé credamus. Non litteratus, sed 'spiritualis omnia iudi-
cat' (I Cor 2, 15)". Y en In Cant. B. M., Prol.: PL 175, 414: "Magis pertimesco
in eius expositione, ne vel aliena inducam aliqua, vel propria praetermit-
tam".
(85) Did., IV, c. 4: "...qui secundum illam veritatis agnitionem, qua intus
firmati sunt quaslibet Scripturas ad congruas interpretationes flectere nove-
runt, et quid a sana fide discordet, aut quid conveniat iudicare".
(86) Ibid.: "Linea protensa rectae fidei trames est".
(87) Cfr. Did., VI, c. 10: PL 176, 798.
(88) In Cant. B. M., Prol.: PL 175, 413: "Maximam hanc in Scripturis di-

242
SENTIDOS DE LA S. ESCRI TURA

r a c i ó n a d e c u a d a q u e le h a g a c a p a z d e d e s c u b r i r l a i n t e r p r e t a ­
ción c o n g r u e n t e d e l t e x t o s a g r a d o ( 8 9 ) . A e s t a p r e p a r a c i ó n h a
d e d i c a d o H u g o d e S a n V í c t o r la o b r a De sacramentis Christianae
Fidei(90).
E n p r i m e r l u g a r se requiere u n cierto conocimiento del obje­
t o d e l a fe, d e lo q u e se c r e e (91). D e s p u é s d e h a b e r c o l o c a d o los
c i m i e n t o s d e l a h i s t o r i a , el l e c t o r q u e se d i s p o n e a c o n s t r u i r el
edificio e s p i r i t u a l , d e b e d e d i c a r s e a f u n d a m e n t a r l a s b a s e s d e l a
"fábrica" que va a l e v a n t a r (92). Estas bases e s t á n constituidas
p o r los p r i n c i p i o s , c i e r t o s p o r l a fe, d e c a d a u n o d e los ó r d e n e s d e
los s a c r a m e n t o s , a los c u a l e s t o d o h a c e r e f e r e n c i a (93). E s t o s
p r i n c i p i o s f o r m a n el n ú c l e o e s e n c i a l d e l a d o c t r i n a d e c a d a s a ­
c r a m e n t o ( 9 4 ) . C o n ello, a u n q u e q u i z á s n o s e r í a p r o p i o h a b l a r d e
d i s t i n c i ó n e n t r e v e r d a d e s d e r a z ó n y v e r d a d e s d e fe, sí s e d e s t a ­
ca, s i n e m b a r g o , u n c u e r p o b á s i c o d e d o c t r i n a i m p r e s c i n d i b l e q u e
h a y q u e s a b e r y n o se p u e d e i g n o r a r (95). L a fe m u e v e h a c i a la
i n t e l i g e n c i a , n o p o r m e r a c u r i o s i d a d , s i n o sólo e n f a v o r y a f i r ­
m a c i ó n d e la m i s m a fe (96).
N a d i e d e b e p r e s u m i r d e i n t r o d u c i r s e a sí m i s m o e n l a i n t e l i ­
g e n c i a d e los s a c r a m e n t o s , n o s e a q u e , f i a d o e n l a p r o p i a p r u d e n ­
cia i n e x p e r i m e n t a d a , se desvíe d e l c a m i n o ( 9 7 ) . P a r a ello e s t á n
los m a e s t r o s y d o c t o r e s , a q u i e n e s n o s e p i d e u n a e x p o s i c i ó n e x ­
h a u s t i v a d e l a d o c t r i n a c r i s t i a n a , p e r o sí d e ese n ú c l e o c i e r t o e
imprescindible de verdades. Exposición que, por otro lado, e s t a r á
f u n d a m e n t a d a e n l a t r a d i c i ó n p a t r í s t i c a y e n los t e s t i m o n i o s d e
la m i s m a Escritura (98).

vinis difficultatem invento: quod ubi magna quaedam et sublimia nonnum­


quam requirere non causa clrcumstaris cogit; ibi nihil praeter solitum et
quod dictu non difficile sit, praetendere littera videatur. Ñeque enim hoc
ego tam laboriosum existimo, ut animus legentis ad ea quae nova et miran­
da proponuntur, quamlibet sint fortia, et verborum figuris obumbrata, com­
prehendere valeat, quam ut ea quae módica et humilia primo ingressu repe­
rerit, ad sublimem intelligentiam promoveat".
(89) Cfr. H. de LUBAC, о. с , р. I , v. I I , p. 412.
(90) De Sacr., L. I , Prol.: "Hoc (volumen) nunc ad secundam eruditio­
nem introducendis praeparavi".
(91) Cfr. De Sacr., L. I , Р. X, c. 3: PL 176, 332.
(92) Did. VI , c. 4: PL 176, 803: "Ecce ad lectionem venisti, spirituale f a ­
bricaturus aedificium. I am historiae fundamenta in te locata sunt, restat
nunc tibi ipsius fabricae bases fundare". Cfr. G. PARE, О. С, С 5, p. 225­226.
(93) Did., VI , c. 4: PL 176, 803: "...in unoquoque, ut ita dicam, genere,
aliquod certum principium firma fide subnixum, ad quod cuneta referantur".
(94) Por ejemplo en Did., VI , c. 4: PL 176, 803­804: "Vis ut doceam te
qualiter fieri debeant bases istae?... Est sacramentum Trinitatis... Disce prius
breviter et dilucide, quid tenendum sit de fide Trinitatis; quid sane profiteri
et veraciter credere debeas".
(95) De Sacr., L . I , Р. VI , c. 3: PL 176, 265: "Ñeque vero in hoc ingenium
hominis approbandum existimetur, si in iis quae difficilia sunt pertinaciter
insistit... Propterea quantum sanae fidei satis est, quaeramus agnoscere, et
ea quae curiositas sola scrutari suadet, desistamus investigare".
(96) Cfr. De Sacr., L . I , Prol.

243
MIGUEL GALLAR!

T i e n e i n t e r é s la i n s i s t e n c i a del M a e s t r o d e S a n Víctor e n l a s
c u a l i d a d e s , disposiciones o a c t i t u d e s , c o m o s e q u i e r a , p e r s o n a l e s
del lector, c o m o p r e s u p u e s t o i n d i s p e n s a b l e p a r a a s e g u r a r l a n e -
cesaria corrección metodológica en la inteligencia alegórica de
la Escritura: m a d u r e z de ingenio, investigación sutil, p r u d e n c i a
e n el d i s c e r n i r (99). L a a l e g o r í a es m a n j a r sólido, p r o p i o d e o r -
g a n i s m o s m a d u r o s , p a r a los c u a l e s r e s p o n d e a u n a c o n d i c i ó n p u e -
ril p a r a r s e e n la c o r t e z a del s e n t i d o l i t e r a l o h i s t ó r i c o (100).
L a i n t e n c i ó n o f i n a l i d a d d e la l e c t u r a a l e g ó r i c a c o n s i s t e e n
confirmar con testimonios de la Escritura las verdades recibidas
con la doctrina —"testimoniis S c r i p t u r a r u m legendo singula quae
d o c u e r i n t c o n f i r m a r e " — . C o n ello s e i n t e n t a r e a f i r m a r y c o r r o -
b o r a r l a fe p e r s o n a l del l e c t o r . L a v e r d a d d o c t r i n a l r e c i b i d a a c -
t ú a como de centro que a t r a e y d e t e r m i n a la i n t e r p r e t a c i ó n de
los t e x t o s e s c r i t u r í s t i c o s : lo c l a r o s e a ñ a d e a la b a s e r e c i b i d a , l o
a m b i g u o se i n t e r p r e t a d e m a n e r a q u e n o r e s u l t e d i s c o r d a n t e , lo
o s c u r o se i n t e n t a a c l a r a r e n lo posible, lo i m p e n e t r a b l e s e d e j a
c o n v e n e r a c i ó n , y, f i n a l m e n t e , si s e e n c u e n t r a a l g o q u e a p a r e c e
c o n t r a r i o a lo q u e u n o h a a p r e n d i d o c o m o d e fe f i r m e , l a p r u d e n -
cia l l e v a r á a c o n s u l t a r a los m á s e n t e n d i d o s y, s o b r e t o d o , a c o m -
p u l s a r el s e n t i r d e l a fe u n i v e r s a l d e la I g l e s i a q u e n o p u e d e s e r
f a l s a (101).
De m o d o p a r a l e l o a c o m o h a h e c h o H u g o r e s p e c t o a los l i b r o s
de la Escritura m á s aptos p a r a la lectura histórica, distingue
t a m b i é n los q u e j u z g a m á s p r o p i o s y ricos e n o r d e n a l a i n t e l i -
g e n c i a a l e g ó r i c a : el p r i n c i p i o del G é n e s i s s o b r e l a o b r a d e los
seis d í a s , los t r e s ú l t i m o s libros d e Moisés s o b r e los s a c r a m e n t o s
legales, I s a í a s , el p r i n c i p i o y f i n a l d e Ezequiel, J o b , S a l t e r i o , C a n -
t a r d e los C a n t a r e s , los dos E v a n g e l i o s , e n especial, d e M a t e o y
J u a n , l a s e p í s t o l a s d e P a b l o , l a s e p í s t o l a s c a n ó n i c a s y el A p o c a -
lipsis (102).
El o r d e n d e l a l e c t u r a h i s t ó r i c a s e h a visto d e t e r m i n a d o p o r
el t i e m p o , l a s u c e s i ó n t e m p o r a l d e los h e c h o s ; el o r d e n , e n c a m -
bio, q u e o r i e n t a l a l e c t u r a a l e g ó r i c a es el del c o n o c i m i e n t o — o r -

al) Did., VI, c. 4: PL 176, 805: Neque a teipso erudiri praesumas, ne


forte dum te introducere putas, magis seducas".
(98) Ibid.: "A doctoribus et sapientlbus haec introductio quaerenda est,
quae et auctoritatibus sanctorum Patrum, et testimoniis Scripturarum, earn
tibi, prout opus est, et aperire possint".
(99) Did., VI, c. 4: PL 176, 802: "Nosse tamen te volo, o lector, hoc stu-
dium non tardos et habetes sensus, sed matura ingenia experere; quae sic
investigando subtilitatem teneat, ut in discernendo prudentiam non amittant".
(100) De Sacr., L. II„ P. I, c. 9: PL 176, 397: "Pueri estis et adhuc invo-
lumentis infantiae expediri non potuistis. Nondum in vobis exercitati sensus
creverunt, qui lacte opus non habet, sed solido cibo".
(101) Cfr. Did., VI, c. 4: PL 176, 804.
(102) Cfr. Ibid.: 805.

244
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

do cognitionis—. L a d o c t r i n a p a r t e n o d e lo o s c u r o , s i n o d e lo
c l a r o , es decir, d e lo q u e es m á s c o n o c i d o . De a h í a p a r e c e que,
d e s d e el p u n t o d e v i s t a m e t o d o l ó g i c o , se a n t e p o n g a el e s t u d i o del
N u e v o T e s t a m e n t o , e n el q u e s e a n u n c i a l a v e r d a d d e f o r m a m a -
n i f i e s t a , a l a l e c t u r a del A n t i g u o , d o n d e l a m i s m a v e r d a d a p a r e -
ce e n f i g u r a s ( 1 0 3 ) : p r o c e s o c o n t r a r i o a l s e g u i d o p a r a l a i n t e l i -
gencia histórica.
Así, el q u e p o d í a m o s l l a m a r m é t o d o a l e g ó r i c o d e l a l e c t u r a d e
la Escritura contribuye a realizar la labor de integración u n i t a -
r i a d e l a d o c t r i n a (104). S i n p r e t e n d e r a h o n d a r e n el a n á l i s i s d e
la situación i n t e r p r e t a t i v a reflejada aquí, permítasenos señalar,
a u n q u e sea en líneas generales, que dicho método surge de la
conciencia m u y viva de la i n t e r d e p e n d e n c i a m u t u a , en su m i s -
m o ser, d e la T r a d i c i ó n y l a E s c r i t u r a .
C o m o j u s t i f i c a c i ó n b á s i c a del m é t o d o a l e g ó r i c o se r e f i e r e H u g o
a l a d o c t r i n a y p r a x i s d e los a p ó s t o l e s m i s m o s (105). O t r a r a z ó n
d e c o n v e n i e n c i a e s t á e n l a s a l v a g u a r d a d e l a p u r e z a d e los m i s -
t e r i o s ; si e s t u v i e r a n a l a l c a n c e d e t o d o s , se d e p r e c i a r í a n . S u b ú s -
q u e d a e j e r c i t a a los fieles, m i e n t r a s l a m a t e r i a l i d a d d e l a l e t r a
los m a n t i e n e o c u l t o s p a r a los infieles (106).
P o r ú l t i m o , n o se p u e d e p a s a r p o r a l t o , a l i n t e n t a r u n a e s t i -
m a c i ó n d e l a l e c t u r a a l e g ó r i c a , s u i n t e n c i ó n f i n a l ; es decir, el
proceso de investigación metódico de la Escritura quedaría como
t r u n c a d o si n o s u p e r a r a el c a m p o d e l m e r o i n t e r é s c i e n t í f i c o p a r a
llegar a informar la vida m i s m a del creyente que lee: p a r a opo-
n e r s e a los e n e m i g o s d e l a v e r d a d , es p r e c i s o e n s e ñ a r a los q u e
m e n o s s a b e n a r e c o n o c e r m e j o r ellos m i s m o s el c a m i n o d e la

(103) Cfr. Did., VI, c. 6: PL 176, 805, donde se encuentra como ejemplo
la interpretación de Luc 1.
(104) M. D. CHENU, "Théologie symbolique et exégèse scholastique aux
X I I - X I I I siècles" en Mélanges J. de Ghellink, II (1951) p. 516: "Il est en-
s e

tendu que l'interprétation allégorique de l'Ecriture, avec ses valeurs et ses


excès, couvre le champ tout entier de l'exégèse médiévale, et des historiens
sont en train d'en inventarier les nésultats. Ce que nous voulons observer ici,
c'est au delà de l'exégèse, la construction organique d'une doctrina sacra où
cette méthode allégorique est intégrée comme un élément essentiel de l'éla-
boration du donné relevé. Stade nouveau donc, dans la mesure où la lecture
allégorisante des textes, depuis toujours pratiqué, devient la matière d'une
organisation doctrinale".
(105) Se hace referencia a: I Cor 10, 6. 11; Gai 4, 24; Hebr 10, 1; I Petr 3,
20; Io 19, 36 s.
(106) De Arca Mor., IV, c. 4: PL 176, 670: "Sicut in lege, et prophetis, et
in Evangelio per parábolas et aenigmata locutus est. Dignum est enim, ut
sub figuris verborum abscondantur secreta mysticorum intellectuum, quia
cito vilescerent si passim omnibus paterent. Ita enim veritas et per inquisi-
tionem fidèles exercet, et ne ab infidelibus inveniatur, occulta permanet.
Istos, dum difficile invenitur, maiori desiderio inflammat; illos, dum omni-
no inveniri non potest, excaecat. Ex eodem ergo et fidèles proficiut et infi-
deles cadunt..."

245
MIGUEL GALLAR!

v e r d a d p a r a q u e , c o n l a i n t e l i g e n c i a m á s p r o f u n d a d e los m i s t e -
rios d e Dios, c r e z c a n e n s u a m o r . Así c o n t r i b u y e l a l e c t u r a a l e -
g ó r i c a a l i n c r e m e n t o d e l a fe (107).

B. INTELIGENCIA TROPOLOGICA

L a l e c t u r a a l e g ó r i c a s e r e a l i z a b a ad scientiam; la inteligencia
t r o p o l ó g l c a m i r a h a c i a l a bonam operationem (108). S o n dos m o -
dos d i s t i n t o s d e leer l a S a g r a d a E s c r i t u r a , r e l a c i o n a d o s e n t r e sí,
pero n o n e c e s a r i a m e n t e dependientes en este sentido: la lectu-
r a tropológlca n o presupone p r e v i a m e n t e la inteligencia alegó-
r i c a . Lo q u e l a t r o p o l o g í a b u s c a e n l a E s c r i t u r a es d i s t i n t o d e lo
que investiga la alegoría. Mas a m b a s son sentidos espirituales.
E n c u a n t o a l t r a t a m i e n t o p r o p i o d e H u g o d e S a n Víctor, c o n -
viene advertir que, m i e n t r a s respecto a la historia y alegoría p r o -
p o n e u n c o n c e p t o y m é t o d o e l a b o r a d o s , n o d a p r u e b a s del m i s m o
i n t e r é s y esfuerzo d e e l a b o r a c i ó n a c e r c a d e l a l e c t u r a t r o p o l ó -
glca.

1. CONCEPTO DE TROPOLOGÍA

L a t r o p o l o g í a c o n s i s t e e n el faciendum que uno descubre en


el factum d e l c u a l s e le h a b l a : los h e c h o s q u e l e e m o s d e o t r o s
los c o n v e r t i m o s e n e j e m p l o d e v i d a p a r a n o s o t r o s (109). E s e fa-
ciendum, sin embargo, precisa u n a matización: no se t r a t a de
lo q u e h a y q u e h a c e r p o r n e c e s i d a d d e obligación, s i n o d e lo q u e
se significa como digno de ser h e c h o — d i g n u m fieri—(110).
L a f i n a l i d a d q u e p e r s i g u e l a i n t e l i g e n c i a t r o p o l ó g l c a es l a f o r -
m a c i ó n d e l a s c o s t u m b r e s — i n s t i t u t i o morum— c o n el c o n o c i -
m i e n t o d e l a s v i r t u d e s y l a f o r m a d e v i d a (111). De a h í q u e n o
s e l a e s t i m e p r i m o r d i a l m e n t e c o m o ciencia. V a e n b u s c a d e l c o n -

(107) Cfr. Did., V, c. 10 y De Sacr., L. I, P. X, c. 4. Como enjuiciamiento


general de la cuestión puede verse en particular M. D. CHENTT, O. e., p. 520,
y también G. PARE, O. C , pp. 259-260; H. de LUBAC, O. ft, p. I, v. I, Intr., p. 39,
y R. BARON, O. C, C. 3, p. 117 ss.
(108) De la lectura tropològica trata Hugo en Did., V, c. 7: "Quomodo
legenda sit Scriptura divina ad correctionem morum".
(109) De Tribus Max. dr.: "Tropoliga est cum in eo quod factum audi-
mus, quid nobis faciendum agnoscimus. TJnde etiam recte tropologia, id est,
sermo conversus sive locutio replicata, nomen accepit, quia nimirum alienae
narrationis sermonem ad nostrani tunc eruditionem convertimus, cum facta
aliorum legendo ea nobis ad exemplum vivendi conformamus". Vde. también
De Sacr., Prol., c. 4.
<110) De Script., c. 3: PL 175, 12: "Quid etiam per hoc factum, faciendum,
id est, dignum fieri significetur, inquiramus".
(Ill) Cfr. Did., V, c. 6: PL 176, 794.

246
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

t e n i d o d i v i n o q u e i n f o r m a el b u e n o b r a r (112), a s a b e r , el a m o r
d e l a v i r t u d q u e h a c e a l fiel s a n t o y j u s t o . E n ú l t i m o t é r m i n o , l a
lectura tropológica i n t e n t a conducir a la imitación y contempla-
ción d e J e s u c r i s t o , c o m o l e c t u r a del l i b r o e s c r i t o p o r d e n t r o y p o r
f u e r a , e n s u h u m a n i d a d y e n s u d i v i n i d a d (113).
Por t r a t a r s e de u n a inteligencia espiritual, la tropología e n -
c u e n t r a t a m b i é n s u r a z ó n e n l a s i g n i f i c a c i ó n d e l a s c o s a s (114).
" C o n t e m p l a n d o lo q u e Dios h a h e c h o c o n o c e m o s lo q u e t e n e m o s
q u e h a c e r " . Así, t o d o h a b l a d e Dios y, p o r t a n t o , e n s e ñ a a l h o m -
b r e : n a d a h a y i n f e c u n d o ; los s a c r a m e n t o s m a n i f i e s t a n lo q u e
Dios h a h e c h o p a r a l a r e s t a u r a c i ó n y s a l v a c i ó n d e l h o m b r e , y
donde e n c u e n t r a éste su verdadera justicia. También la justicia
n a t u r a l se f u n d a m e n t a e n el h e c h o d e q u e t o d o h a s i d o f o r m a -
d o a s e m e j a n z a d e l a S a b i d u r í a d e Dios, es decir, del V e r b o (115).
S e c o m p r e n d e q u e , d a d o s los m a t i c e s p e r s o n a l e s d e l a v i d a
c r i s t i a n a , H u g o n o s e ñ a l e e x p l í c i t a m e n t e libros o t e x t o s d e l a
Escritura que estime m a s aptos p a r a la lectura tropológica, como
había hecho antes en referencia a la inteligencia histórica y ale-
górica (116). Y, a l m i s m o t i e m p o , se e n t i e n d e q u e e n o r d e n a d i -
c h a l e c t u r a t r o p o l ó g i c a se c o n s i d e r e el sacrum eloquium en su
s e n t i d o m á s a m p l i o , q u e i n c l u y e los sanctorum scripta e n g e n e -
r a l . E n ellos s e lee lo q u e los s a n t o s h a n h e c h o —facta— p a r a
e j e m p l o n u e s t r o , y lo q u e h a n d i c h o — d i c t a — r e l a t i v o a n u e s -
t r a f o r m a d e vivir d e c r e y e n t e s (117). S o n ellos, los s a n t o s , l o s
q u e h a n c o n f o r m a d o s u v i d a d e v e r d a d a l a s e n s e ñ a n z a s del t e x -
t o s a g r a d o . Se p o d r í a decir q u e h a n sido s u s m e j o r e s l e c t o r e s o
intérpretes.
Lo q u e el l e c t o r d e b e b u s c a r e n l a t r o p o l o g í a es l a e m u l a c i ó n
d e l a s v i r t u d e s , l a d e l e c t a c i ó n e n l a belleza d e l a v e r d a d , la e d i -
ficación e s p i r i t u a l c o n los b u e n o s deseos, l a e x h o r t a c i ó n a l a s
b u e n a s o b r a s , el a l i m e n t o i n t e r i o r d e s u e s p í r i t u . P a r a ello c o n -
v i e n e e v i t a r la p r e o c u p a c i ó n p o r o t r a s c o s a s c o n t r a r i a s a los b u e -

(112) Cfr. De Sacr., Prol., c. 6.


(113) De Sacr., L. I, P. VI, c. 5: PL 176, 267: "Assumpsit camena non amit-
tens divinitate, et positus est liber scriptus intus et foris; in humanitate
foris, intus in divinitate, ut foris legeretur per imitationem, intus per con-
templationem; foris ad sanitatem, intus ad felicitatem; foris ad meritum,
intus ad gaudium". Puede verse R . BARÓN, O. C, c. 3, pp. 115-116, donde el
autor se refiere a la correlación entre "tropología"y "analogía" por una
parte, y "vida activa" y "vida contemplativa" por la otra. También H. de
LUBAC, o. c, p. I, V. II, c. 10, p. 636.
(114) De Sacr., Prol., c. 6: PL 176, 185: "Sub eo sensu qui est in signifi-
catione rerum ad facienda mystica continetur tropologia". Véase P. PODRRAT,
La spiritualité chrétienne, v. II, Paris 1921, c. 4, p. 175.
(115) Cfr. H. de LUBAC, o. c , p. I, v. II, c. 9, p. 551.
(116) R . BARÓN, loe. c, ve indicada una breve bibliografía en Did., IV,
c. 8: PL 176, 783.
(117) Cfr. Did., IV, c. 1, y también De Sacr., L. I, P. X, c. 2.

247
MIGUEL GALLART

n o s deseos, o b i e n u n a l e c t u r a q u e aleje del b u e n o b r a r , o t a n


prolija y fastidiosa que ahogue. D a d a la c a n t i d a d de textos, se
r e q u i e r e a s i m i s m o d i s c r e c i ó n a l elegirlos (118), p a r a q u e c a d a u n o
l e a lo q u e c o n v i e n e a s u s i t u a c i ó n e s p i r i t u a l (119), lo c u a l l l e v a r á
a o b s e r v a r l a n e c e s a r i a s o b r i e d a d y m e s u r a q u e g u a r d e del d e s -
f a l l e c i m i e n t o o d e s á n i m o (120). L a l e c t u r a d e l a E s c r i t u r a d e b e
s e r g e n e r a d o r a d e p a z (121).

2. IMPORTANCIA DE LA TROPOLOGÍA

La i m p o r t a n c i a d e l a l e c t u r a t r o p o l ó g l c a se p o n e d e m a n i f i e s -
to p o r el solo a n u n c i o d e s u f i n a l i d a d : l a f o r m a c i ó n d e l a s c o s -
t u m b r e s — i n s t i t u t i o morum—. La lectura de la S a g r a d a Escritu-
r a ad scientiam es p r o p i a d e los " i n c i p i e n t e s " e n la v i d a c r i s t i a -
n a . S i n e m b a r g o , l a i n t e n c i o n a l i d a d c r i s t i a n a n o m i r a a h a c e r del
fiel u n " s a b i o " —sapiens—, s i n o q u e s e a " j u s t o " — i u s t u s — . E s t o
i n t e n t a p r i m o r d i a l m e n t e la lectura tropológica: llevar a la con-
t e m p l a c i ó n a t r a v é s del b u e n o b r a r . P o r l a t r o p o l o g í a se a l c a n z a
d e m á s c e r c a lo q u e es m á s p r o p i a m e n t e el o b j e t o d e l a fe y el
í i n d e l a E s c r i t u r a : el c o n o c i m i e n t o del a l m a (122).
R e s p e c t o a la i m p o r t a n c i a d e l a l e c t u r a d i r e c t a del t e x t o s a -
g r a d o p a r a l a t r o p o l o g í a , h a b r í a q u e decir q u e el t e x t o e s c r i t u -
r í s t i c o e n s u t r a t o i n m e d i a t o p i e r d e f u n d a m e n t a l i d a d , y a q u e lo
q u e s e b u s c a e n la v i d a c r i s t i a n a es el b i e n o b r a r .
Se h a c e dificultoso p r e c i s a r los l í m i t e s d e l a i n t e l i g e n c i a t r o -
p o l ó g i c a c o n f o r m e s e e x p r e s a e n los e s c r i t o s d e H u g o d e S a n
Víctor. Se t r a t a d e u n a i n t e l i g e n c i a d e l a s E s c r i t u r a s f u n d a d a e n
l a s i g n i f i c a c i ó n d e l a s cosas e n c u a n t o é s t a s s o n facienda mysti-
ca, y e s t á o r d e n a d a a d e s c u b r i r l a s p r o f u n d i d a d e s del a m o r d e
Dios. Los Jacta Dei, l a s m i s e r i c o r d i a s d e Dios, e n l a s q u e c o n s i s t e
l a o b r a d e l a r e s t a u r a c i ó n del h o m b r e , n o s e o f r e c e n s o l a m e n t e
c o m o n o t i c i a , s i n o q u e n o s m u e s t r a n t a m b i é n lo q u e h a y q u e h a -
c e r , es decir, el a m o r q u e d e b e m o s a Dios c o n el ejercicio d e las
v i r t u d e s . S e ve c ó m o estos h o r i z o n t e s d e v i d a e n el a m o r d e Dios
n o s o n r e d u c i b l e s a u n s i s t e m a (123).

(118) Did., V, c. 7: PL 176, 796: "Nihll tua interest, an omnes legeris li-
bros. Infinitus est librorum numerus; tu noli sequi infinita".
(119) Cfr. Did., V, c. 8: PL 176, 797.
(120) Cfr. Did., V, c. 7: PL 176, 795.
(121) Did., V, c. 7: PL 176, 796: "Ubi requies non est, pax nulla est; ubi
pax non est, Deus habitare non potest... Contemplare, et occupari noli. Noli
avarus esse, ne forte semper egeas".
(122) De Sacr., L. I, P. VI, c. 13: PL 176, 271: "De scientia vero animae
sola idcirco homo cum reparabatur erudiendus fuit, quoniam solam illam
prius peccando amisit".
(123) Cfr. R . BARÓN, O. C. C. 5, p. 184-185, sobre la importancia de la Es-
critura en la doctrina "mystica" de Hugo.

248
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

E n el f o n d o , l a l e c t u r a t r o p o l ó g l c a d e l a E s c r i t u r a b u s c a r e s -
t a b l e c e r el equilibrio y o r d e n e n l a v i d a , e n c i e r t o m o d o f r e n t e
a l a t e n t a c i ó n d e p r e p o n d e r a n c i a d e l a c i e n c i a a c e r c a del t e x t o
s a g r a d o (124).

IV. — RELACIONES MUTUAS ENTRE LOS DIVERSOS SENTIDOS

L a i m a g e n del edificio o e d i f i c a c i ó n sirve al M a e s t r o d e S a n


Víctor p a r a i l u s t r a r el l u g a r q u e o c u p a n y, a l a vez, l a s r e l a c i o -
n e s r e c í p r o c a s q u e c o n e c t a n los d i s t i n t o s s e n t i d o s o i n t e l i g e n c i a s
d e la E s c r i t u r a . Lo q u e p r i m e r o se p o n e n s o n los c i m i e n t o s — l a
h i s t o r i a — , s o b r e ellos se l e v a n t a luego l a f á b r i c a — a l e g o r í a — ,
l a c u a l d e s p u é s d e t e r m i n a d a es r e v e s t i d a d e color — t r o p o l o -
g í a — (125). S o n s e n t i d o s o i n t e l i g e n c i a s d i s t i n t o s ; s i n e m b a r g o ,
e s t á n e n m o v i m i e n t o d e n t r o d e u n a u n i d a d s u p e r i o r . P o r sí y e n
sí solos n o t e n d r í a n s e n t i d o : n i los c i m i e n t o s p u e s t o s d e u n a
f o r m a i n t e n c i o n a d a s i n l a f á b r i c a , n i é s t a s i n el f u n d a m e n t o ,
pues se desmoronaría.
Sin la historia, la alegoría carecería de base, como doctrina
q u e f u e r a m e r a i n v e n c i ó n . A m b a s c o n s t i t u y e n los s e n t i d o s f u n -
d a m e n t a l e s de la Escritura. La lectura alegórica semeja la ex-
t r a c c i ó n d e la m i e l d e l p a n a l (126). El p a n a l , c o n l a m i e l d e n t r o ,
se h a convertido en " s a c r a m e n t o " . Por o t r a p a r t e , la historia h a
h e c h o q u e los d i c h o s d i v i n o s se p u d i e r a n " e s c r i b i r " . Alegoría e
h i s t o r i a n o c o r r e n c o m o dos l í n e a s p a r a l e l a s d e i g u a l l o n g i t u d y
r e l a c i o n a d a s e n t r e sí. L a a l e g o r í a b r o t a d e l a h i s t o r i a , s e d e s c u -
b r e e n lo m i s m o q u e p u e d e q u e d a r c o m o m e r a h i s t o r i a , p o r m e -
dio d e la luz d e l a fe (127). L a a l e g o r í a m a n a c o m o la m i e l a l e x -
p r i m i r el p a n a l d e l a h i s t o r i a (128). Dos l e c t u r a s d i s t i n t a s d e u n
mismo y único texto.

(124) Cfr. De Institutione Novitiorum, c. 8: PL 176, 933-934.


(125) Did., VI, c. 2: PL 176, 799: "In memoriam revocare non mutile est,
quod in aedificiis fieri conspicitur, ubi primum quidem fundamentum poni-
tur, dehinc fabrica superaedificatur; ad ultimum consummato opere domus
colore supereducto vestitur".
(126) Did., VI, c. 3: PL 176, 801: "Sicut vides, quod omnis aedificatio fun-
damento carens stabilis esse non potest; sic etiam in doctrina. Fundamen-
tum autem et principium doctrinae sacra historia est, de qua quasi mel de
favo veritas allegoriae exprimitur". También Did., IV, c. 1: PL 176, 777: "Di-
vina eloquia aptissime favo comparantur, quae et propter simplicitatem ser-
monis árida apparent, et intus dulcedine plena sunt".
(127) Puede verse M. D. CHENTT, "Les deux ages de l'allegorisme scriptu-
raire au Moyen Age" en RTAM 18 (1951) p. 24, y "Théologle symbolique..."
en Mélanges J. de Ghellinck, II (1951) p. 513 y 518.
(128) Cfr. De Sacr., L. II, P. XIII, c. 6: PL 176, 520.

249
3 . — SCEIPTA THKOLOGICA III
MIGUEL GALLART

L a t r o p o l o g í a c o n f i e r e a l edificio l a m a r a v i l l a del color (129):


el estilo c r i s t i a n o d e vivir, el c o n o c i m i e n t o d e l a v i r t u d . El l e c t o r
c r e y e n t e , a l l e e r los " s a c r a m e n t o s " c o n l a m i r a d a p u e s t a e n l a
f o r m a c i ó n o d i s c i p l i n a d e l a s c o s t u m b r e s , d e s c u b r e lo e s p l é n d i d o
d e l a v i d a c r i s t i a n a . Alegoría y t r o p o l o g í a , s o b r e l a b a s e f i r m e d e
l a h i s t o r i a , p r o d u c e n u n f r u t o doble e n l a l e c t u r a d e l a E s c r i t u -
r a , a u n q u e c o n u n ú n i c o fin (130): l a v e r d a d e r a r e s t a u r a c i ó n d e l
hombre.
C o m o s e ve, n o s e t r a t a l a t r i p l e i n t e l i g e n c i a c o m o t r e s " d i s -
ciplinas" distintas, sino m a s bien como tres modos diferentes de
t r a t a r la m i s m a m a t e r i a , d e t r e s m a n e r a s d i v e r s a s d e e n t e n d e r ,
inteligencias, y por consiguiente, de tres formas distintas de ex-
posición d e l a E s c r i t u r a (131). Los h e c h o s d e l a h i s t o r i a s o n s a -
c r a m e n t o s p a r a la a l e g o r í a y l a t r o p o l o g í a . H e c h o s d e Dios q u e
a d m i r a r , s a c r a m e n t o s d e Dios q u e c r e e r , p e r f e c c i ó n d e Dios q u e
i m i t a r (132). L a E s c r i t u r a , n o d i v i d i d a , se c o n s i d e r a e n s u u n i d a d ,
c o m o c o n t e n i e n d o el ú n i c o V e r b o d e Dios a los h o m b r e s , V e r b o del
q u e ella es c o m o n u e v a e n c a r n a c i ó n (133).
La e s t r u c t u r a u n i t a r i a de la Escritura m i r a a reproducirse e n
c i e r t a m a n e r a , p o r l a l e c t u r a , e n c a d a u n o d e los fieles l e c t o r e s :
e c h a r los c i m i e n t o s d e la h i s t o r i a , erigir l a m e n t e e n f o r t a l e z a
d e l a fe, a d o r n a r el edificio c o n l a belleza d e l a s c o s t u m b r e s (134).
Así, l a E s c r i t u r a e s t r u c t u r a el edificio e s p i r i t u a l del fiel c r i s t i a -
n o , a l q u e H u g o d e S a n Víctor l l a m a philosophus christianus, fi-
lósofo c r i s t i a n o (135).
L a Filosofía es el a m o r , el deseo y l a a m i s t a d , e n c i e r t o m o -
do, c o n l a s a b i d u r í a (136): e s a s a b i d u r í a d i v i n a q u e , e n ú l t i m o
t é r m i n o , n o es p a r a H u g o m á s q u e el V e r b o E n c a r n a d o . El filósofo
c r i s t i a n o es a q u é l c u y o e s p í r i t u C r i s t o i l u m i n a , y a q u i e n e n c i e r -
t a m a n e r a C r i s t o a t r a e y l l a m a a sí p a r a h a c e r l o " a m i g o " s u y o y
e s t u d i o s o d e s u d i v i n i d a d . El s a b e r —sapere— d e t o d a filosofía
e n c u e n t r a su expresión m á s exquisita en la configuración según
Dios (137). El v e r d a d e r o filósofo c r i s t i a n o b u s c a s e r s a b i o y j u s -
to, p o r el c o n o c i m i e n t o d e l a v e r d a d y el a m o r d e l a v i r t u d (138),

(128) Cfr. Dvd., V I , c. 3 : PL 176, 801.


(130) Cfr. Did., V , c. 6.
(131) Cfr. H. de LUBAc, o. e, p. I , v. I , c. 1, pp. 55-56.
(132) Did., V I , c. 3 : PL 176, 8 0 1 : "Habes in historia quo Dei facta mire-
ris, in allegoria, quo eius sacramenta credas, in moralitate quo perfectio-
nem eius imiteris".
(133) Cfr. H. de LUBAC, o. e , p. I , v. I I , c. 7, pp. 454-455.
(134) Cfr. Did., V I , c. 3 : PL 176, « 0 1 .
(135) Cfr. R . BARON, "Hugues de S.-V." en Tradition 1 5 (1959) p. 244.
(136) Cfr. Did., I , c. 3 .
(137) Cfr. DU., I I , c. 1 : PL 176, 7 5 1 .
(138) Cfr. De Sacr., Prol., c. 6 : PL 176, 185.

250
SENTIDOS DE LA S. ESCRITURA

p a r a c o n f o r m a r s e a C r i s t o y s e r i n f o r m a d o p o r él. E n e s t o c o n s i s t e
la p e r f e c t a r e s t a u r a c i ó n d e l h o m b r e .
E l e m e n t o s d e u n a c í t a r a o a r p a ú n i c a , los s e n t i d o s d e l a E s -
c r i t u r a e s t á n d i s p u e s t o s y c o n e c t a d o s e n t r e sí d e m a n e r a q u e
s e a n c a p a c e s d e e m i t i r u n a ú n i c a m e l o d í a d e a m o r (139).

(139) Cfr. Did., V, c. 2.

D E TRIPLICI SENSU SACRAE SCRIPTURAE APUD HUGONEM DE S . VICTORE

(Summarium)

In theologia Hugonis de Sancto Victore —pariter in pluribus


theologis coaevis— Sacra Scriptura a reliquis quae "divinae" non
sunt distinguitur tum materia tum modo eamdem tractandi. Hic
modus diversus tractandi propriam materiam diversos modos in-
telligendi textus seu varios sensus Jundat; id est, textus variis
modis legi potest.
Historia exegesis duas praecipuas conceptiones invenit: aliam
triplicem sensum aliam vero quadruplicem Sacrae Scripturae tri-
buentem. Hugo, cum utramque doctrinam cognoscat, triplici sen-
sui plerumque adhaeret. Distributio ergo sensuum in historicum,
allegoricum et tropologicum non est propria huius scriptoris, sed
ab aliis accepta. Porro agnitio in Scripturis sensus cuiusdam al-
tioris prae littera fundamentum habet in Ecclesia, in ipsa doc-
trina et modo agendi apostolorum.
Articulus intenda variis sensibus et modis Scripturae intelle-
gendae mutuisque eorum inter se relationibus stadere, ut prin-
cipia unitatis in conceptione Hugonis adstantia patefiant.
Materia per singulos s e n s u s proponitur, videlicet, primus per-
penditur sensus historicus et deinde spiritalis, qui rursus dividi-
tur in allegoricum et tropologicum. Media inter sensus historici
atque spiritalis consider'ationem inseritur quaestio de "sacramen-
tis" Scripturae. Quae eo loco inseritur quod talis quaestio nexum
vel connexionem inter utrumque sensum significat. In fine ar-
ticuli relationes inter varios sensus ponderantur.

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