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O outro sou eu mesmo.

Uma reflexão para o


auto entendimento

Sobre a aula
Nesse outro vídeo falo um pouco sobre o que Lacan nos ensina sobre quem é na verdade
o outro. O outro é não somente uma pessoa diferente de mim e, nem os meus parentes e
amigos. Mas, por fim quem é o outro? O que esse outro tem a ver comigo? Esse outro fala
como comigo mesmo? São essas questões que o vídeo fala. Seria muito interessante
depois de assistir, fazer uma resenha sobre o outro e o auto entendimento. Essa resenha
pode ser na realidade um descritivo de como você mesmo funciona.

Esse Artigo fala um pouco sobre o Supereu.


Impossível ser exato e conclusivo ao ler Lacan. Impossível ler Freud e não sentir um
desejo ardente de ser conclusivo e exato. Sim! É na Ambivalência desses dois Seres
especiais que passamos a entender o eu/outro e o outro/eu que habitam e coabitam dentro
de cada um de nós.
“ O complexo de Édipo, ao mesmo tempo que marca o ápice da sexualidade infantil,
também é o móvel da repressão que reduz suas imagens ao estado de latência até a
puberdade; se ele determina uma condensação da realidade no sentido da vida, também é
o momento da sublimação que ao homem abre sua extensão desinteressada para a
realidade. As formas sob as quais se perpetuam esses efeitos são designadas como
supereu ou ideal do eu, conforme sejam inconscientes ou conscientes para o sujeito.” –
pág. 48 – Complexos Familiares – J. Lacan.
Freud diria sobre o supereu e o ideal do eu: “De fato, o Super-eu é o herdeiro do complexo
de Édipo e só se im-põe {einsetzen} após a tramitação deste”
Gosto dessa ambivalência entre Freud e Lacan, onde falam do mesmo assunto, se
entendem e ao mesmo tempo se desentendem contrariando e afirmando as controvérsias
do ideal do eu ou supereu. É sabido que esse tema é muito controverso quando falamos
em psicanálise, pois como vimos acima Freud afirma que o supereu é o herdeiro do Édipo,
ou seja, depois do Édipo que acontece entre 3 ou 4 anos, a criança entra em um processo
que chamamos de latência, onde é condensada todas as energias e, nesse período é
onde o supereu toma conta, exigindo da pessoa os conteúdos de “não pode” em todas as
formas que foram ensinadas pela imago*.
“Nesta questão dos fenômenos paradoxais do supereu, creio que é preciso articular as
teses freudianas com as de Lacan, teses que se opõem de forma manifesta, posto que se
dá uma fórmula a cada um. Freud diz ‘o supereu proíbe o gozo’ – aqui é categórico – e
Lacan diz ‘o supereu ordena o gozo’. Não pode ser mais antagônico! É bastante
surpreendente poder dizer que uma racionalização de uma mesma experiência possa
produzir duas teses aparentemente tão opostas” (SOLER, 2000-2001, p.98).
Então, podemos afirmar, mas nunca com toda a certeza do mundo, que Freud chama o
supereu como a repressão interna do ser humano e com as influências externas das
pessoas que estão próximas – no ensinamento e formação da criança.
Lacan, conforme o descrito acima concorda com Freud, porém coloca um tempero
diferente quando se fala de Supereu e ideal do ego, “o supereu é constrangedor e o ideal
do eu é exaltante” LACAN, pois mistura o interno com a realidade, ou seja, que no interno
o supereu reprime e no ideal do eu ele diferente do que Freud fala “exalta”, o ideal do eu é
um gozo, ou um “goza-dor” da vida.
Sim! Não é somente a repressão, mas também a forma de extravasar além da voz, ou
seja, através de ações das repressões internas ensinadas pela imago*.
Freud e Lacan então com essa ambivalência acertam em cheio o que somos de verdade
em nossas vidas cotidianas, pois “Somos medo e paixão.” Temos algo que nos impulsiona
a nos preservar e algo que nos impele a fazer sem pensar. As repressões ( supereu ou
ideal do ego) nos acompanha em várias decisões e processos no decorrer de nossas
vidas. Várias de nossas ações são decorrentes das ações do supereu introjetado em nós
desde nossa infância.
Quando vamos escolher nossa profissão somos motivados por esse suepereu que nos
ensinou e nos moldou a gostar de algo e não gostar de outro. Quando vamos nos
relacionar com uma pessoa o que nos motiva é na realidade essa ambivalência entre o
supereu no sentido de repressão (não posso fazer) e o desejo intrínseco amedrontador e
impulsionador (goza-dor) de fazer o que não é certo, já fazendo.
O supereu é na realidade uma voz interna, aquela que as vezes, ouvimos, mas não damos
conta que ela existe. É uma voz sutil que fala em nossos ouvidos (representação), pois é
no ouvido da alma que ela fala e, ás vezes, achamos que não é real e não existe.
Sabe, a cena que vem a minha mente é a de um desenho onde aparecia um “anjinho” e
“diabinho” no ombro da pessoa, um de cada lado, o “anjinho” era a representação do bem,
ou seja, palavras de sabedoria, entendimento, pacificação, amor, criatividade, esperança,
fé, etc. O “diabinho” era a representação da fala do enganador, usurpador, mentiroso, levar
vantagem, astuto, ambicioso, porfiador, desestabilizador da paz, ódio, vingança,
desonestidade, incredulidade, etc. Creio que o que realmente fala conosco são nossos
aprendizados através do que Freud e Lacan chamam de Supereu ou ideal do ego. E,
acredito que ambos estão corretos pois além da repressão que vem sobre nós através
dessas falas internas, pode vir também o desejo de fazer o novo e a criatividade para se
fazer o bem. Viver intensamente é vida e morte, pulsões que impelem e pulsionam dentro
do nosso Eu.
Paulo Bregantin
* representação de uma pessoa (ger. o pai, a mãe ou alguém querido) formada no
inconsciente durante a infância e conservada de forma idealizada na idade adulta.