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Aprendizado, condicionamento, domínio e preparo mental

Não basta saber, é preciso estar condicionado e preparado


mentalmente. Não basta você saber que apertando o pedal do freio
o automóvel para, é preciso saber usá-lo, seja em que situação for.
Não basta ter conhecimento, é preciso treinar e praticar. E o treino
constante e a prática levam ao condicionamento. Mas nem tudo é
possível treinar. Existem situações que nem o mais sofisticado
simulador é capaz de reproduzir. Então, o segredo é estar
preparado mentalmente.

Tenho para mim que eu devo ser especialista naquilo que estou
fazendo. Devo não só saber, mas dominar. Devo saber o máximo
possível, a ponto de ter o mínimo de dúvidas. Não aceito menos
do que isso, exceto se for por erro dos outros. Digo erro dos
outros porque ainda persiste a cultura do "pato". Colocam o
profissional a cada ano num lugar e querem que ele faça tudo com
eficiência. Impossível! O profissional pode até aprender alguma
coisa, mas ele não vai estar condicionado. Condicionamento se
adquire com a prática, com a repetição, com os erros.

Existem situações que o simples conhecimento não resolve. É


preciso ter domínio completo. Dou um exemplo. Certa vez, um
companheiro de serviço me pediu para trabalharmos numa blazer
que estava disponível no pátio. Eu disse que preferia trabalhar no
golzinho, por que era um automóvel que eu dominava. Para se ter
um ideia, eu nem sabia onde era o "freio de mão da blazer" que,
posteriormente, acabei descobrindo que é "freio de pé". O
companheiro de serviço, recém-formado, deve ter me achado um
"muchiba". Talvez eu seja mesmo "muchiba", mas o fato é que
gosto de dominar o equipamento com o qual trabalho. Eu não
estava condicionado a dirigir uma blazer e, na nossa atividade, o
automóvel é algo que devemos ter completo domínio. Com o
golzinho eu tinha confiança, advinda da prática. Sabia a
velocidade em que poderia curvar, sabia como ele frenava, sabia o
momento certo de passar as marchas, etc.
Eu não iria usar a blazer como "cobaia". Na nossa atividade,
dominar a direção de um automóvel é questão de vida ou morte.
Do mesmo modo, dominar uma arma de fogo e estar
condicionado a resolver as panes que ela porventura apresentar.
Se você sabe usar uma arma, mas não está condicionado com ela,
não a use. Deixe-a na intendência. E o condiciomente resume em
saber fazer de olhos fechados. Na hora do embate, não há tempo
de você pensar, de você lembrar o que o instrutor falou sobre a
arma. Tem que ser como andar de bicicleta. Você nem pensa em
como fazer. É automático, instintivo. Você faz sem pensar,
porque está condicionado. Está relacionado com os estágios da
aprendizagem. O domínio e o condicionamento são o último
estágio do aprendizado, no qual a pessoa é inconscientemene
habilidosa. Já ouviu falar dos estágios da aprendizagem? Não!?
Então vai um resumo:

1 - Inconsciente e sem habilidade - É quando você está


inconsciente ou desinteressado em aprender. Você não sabe nada,
ou quase nada, e nem se importa com isso. Exemplo: Você não
sabe andar de bicicleta e nem se interessa em aprender.
2 - Consciente e sem habilidade - Você sabe que não sabe, mas
ainda não sabe o tanto que não sabe. Mas, se você continuar a
lidar com isso, irá para o terceiro estágio. Exemplo: Você tentou
andar de bicicleta e caiu; pensou: Opa, eu tenho que aprender a
andar nesse “negócio”. Começam as primeiras tentativas, os
primeiros tombos, mas você não desiste.
3 - Consciente e habilidoso - Você sabe que não sabe tudo, mas
já sabe o que sabe. Você já sabe como fazer, mas ainda não está
automático. Exemplo: Você aprendeu a andar de bicicleta, mas
ainda não tem pleno domínio sobre ela. Em terrenos irregulares
ou em situações mais complexas, você ainda cai ou fica receoso.
4 - Inconsciente e habilidoso - Você não sabe o tanto que sabe.
Você nem pensa mais em como fazer. Tudo é muito natural. É o
estágio a ser alcançado. Exemplo: Você anda de bicicleta e nem
sabe mais como faz aquilo. Outro exemplo são os pianista e
datilógrafos altamente eficientes, que não pensam em seus dedos
batendo no teclado. Tornou-se natural para eles, automático.
Entretanto, para ser habilidoso, é preciso haver especialização no
serviço. Ninguém é capaz de saber tudo. Saber tudo é só com o
pato, mas o pato, mesmo sabendo, faz tudo mal feito. Não
precisamos saber tudo, ao menos não deveríamos, se adotassem o
princípio constitucional da especialização. Precisamos fazer bem
feito aquilo que nos determinaram fazer.

Para encerrar nossa conversa, termino com duas críticas. A


primeira é sobre instituições que praticam a cultura da "cobaia".
Exemplo: Colocam o profissional em determinada função para a
qual ele não está apto. Disso, decorre a ineficiência, erros
constantes, até que o profissional comece a dominar sua função.
Quando ele começa a dominar, colocam-no em outra função, e aí
ocorre mais ineficiência, mais erros. Lembrando que certos erros
não são passíveis de correção. A outra crítica é sobre o falso
saber, a falsa instrução. Ensina-se o profissional a fazer algo uma
única vez e querem que ele esteja plenamente condicionado a
fazer aquilo que lhe foi ensinado dez anos depois. Vai dar errado!
Se não praticar, qualquer ser humano esquece. E, como eu disse,
saber não é tudo. É preciso estar condicionado, é preciso dominar.
É preciso fazer de olhos fechados, sem dúvidas. E esse estágio só
é alcançado com muita prática. Isso vale tanto para o serviço
operacional quanto para o administrativo. No serviço operacional,
falamos de vidas. No serviço administrativo, falamos de direitos.

Chega da cultura do "pato". Como bem falou o Senhor Sargento


Félix: "Você não precisa saber de tudo; basta ter o telefone de
quem sabe". E: "Não basta fazer, é preciso estar condicionado, é
preciso que seja automático".

Pense nisso!