Está en la página 1de 9

A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA NOS ESTUDOS TEATRAIS

LA PREGUNTA EPISTEMOLÓGICA EN LOS ESTUDIOS TEATRALES

Jorge Dubatti
Professor do Curso de Artes. Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires,
Argentina
Tradução: Paula Coelho1
22

Resumo: O texto faz uma revisão sobre alguns fundamentos filosóficos e teóricos que avaliam a
necessidade de um questionamento epistemológico para os estudos teatrais. Permite reconhecer que
cada tomada de posição científica é uma tomada de posição ontológica. Afirma que o teatro como
fazer deve ser estudado em sua dimensão de práxis, e não utilizando esquemas abstratos a priori,
independentes da experiência teatral. A Filosofia do Teatro se interessa também pelo pensamento
que surge em torno do acontecimento e habilita, assim, o resgate dos metatextos dos artistas, dos
técnicos e dos espectadores como documentos essenciais para seu estudo.
Palavras Chave: epistemologia teatral; filosofia do teatro; razão pragmática.

Resumen: El texto presenta una revisión de algunos fundamentos teóricos y filosóficos que avalan la
necesidad de la pregunta epistemológica en los estudios teatrales. Reconoce que cada toma de
posición científica es una toma de posición ontológica. Afirma que si el teatro es un hacer debe ser
estudiado en su dimensión de práxis, y no desde esquemas abstractos a priori, independientes de la
experiencia teatral. La Filosofía del Teatro se interesa, además de las prácticas mismas, por el
pensamiento que se genera en torno del acontecimiento, y habilita así el rescate de los metatextos de
los artistas, los técnicos y los espectadores como documentos esenciales para su estudio.

Palabras clave: epistemologia teatral, filosofia del teatro, razón pragmática.

El teatro sabe. El teatro teatra. pedagógicas de um investigador diante de


Mauricio Kartun (2010, p. 104-106)
seu objeto de estudo. A determinação da
base epistemológica depende do
Uma das mudanças fundamentais posicionamento consciente do pesquisador
valorizadas pelos estudiosos do teatro na no que diz respeito a sua relação científica
Argentina nos últimos anos é o crescimento com o teatro. As seguintes perguntas, hoje
da consciência e da responsabilidade dos freqüentes entre os nossos estudiosos,
pesquisadores com relação à pergunta pouco interessavam em outras épocas: -
epistemológica que está na base de seus Existe uma epistemologia específica para o
estudos. Chamamos base epistemológica estudo da arte e em particular para o do
para o estudo teatral a escolha das teatro, já que se reconhece que este é um
condições de conhecimento que objeto de estudo singular?
determinam os marcos, as capacidades e as - Há bases epistemológicas
limitações teóricas, metodológicas, diferentes disponíveis, há construções
historiológicas, analíticas, críticas e científicas possíveis para o teatro?

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA NOS ESTUDOS TEATRAIS

- A partir de quais bases


E, porém, não é por acaso que para
epistemológicas fazemos nossas indicar a ação teatral usamos, pelo
construções científicas sobre o teatro? menos em italiano, o termo
reappresentazione, que é o mesmo que
- Quais são as limitações e se usa para o signo. Chamar uma
representação teatral de “show”
posibilidades de cada base epistemológica acentua somente as suas características
considerando-se um marco como ponto de de ostentação de uma certa realidade; 23
chamá-la “play” acentua suas
partida de cada uma delas? características lúdicas e fictícias;
chamá-la “performance” acentua suas
- Como são mudadas as bases características de execução, mas
epistemológicas, o objeto de estudo, a chamá-la “representação” acentua o
caráter de signo de cada ação teatral,
teoria, a metodologia, os recursos de onde alguma coisa fictícia ou não, é
exibida, através de alguma forma de
análise, quando optamos por bases execução, com fins lúdicos, mas antes
epistemológicas diversas? de mais nada para que fique no lugar de
alguma outra coisa. (ECO, 1989, p. 39)
- Como se relacionam as bases
epistemológicas entre si? Os termos técnicos a que

- Existem objetos de pesquisa e recorremos, em suma, propõem

problemas que só podem ser estudado em construções e concepções ontológicas

bases epistemológicas determinadas? diversas do teatro. A pergunta


epistemológica permite reconhecer, em

Nesse ponto acreditamos ser consequência, que cada tomada de posição

necessária uma revisão sobre alguns científica é uma tomada de posição

fundamentos filosóficos e teóricos que ontológica. A pergunta epistemológica está

avaliam a necessidade de um associada de forma inseparável, então, da

questionamento epistemológico para os pergunta ontológica: o que é o teatro, o que

estudos teatrais. Já em 1972 Umberto Eco, há no teatro, o que está no teatro? Afirma
Willard Van Orman Quine em seu artigo
em seu “O Signo Teatral”1, afirma que as
“Acerca de lo que hay”:
diferentes bases epistemológicas e suas
conseqüentes concepções do teatro já estão Creio que nossa aceitação de uma
inscritas nos termos que selecionamos para ontologia é em principio análoga a
nossa aceitação de uma teoria
nomear o teatro e seus atributos (suas científica, de um sistema de física por
exemplo: na medida, pelo menos, em
características): que somos razoáveis, adotamos o mais
sensível esquema conceitual em que
1
Texto de sua participação na mesa redonda “Para seja possível incluir e ordenar os
uma semiótica do teatro”, Veneza 23 de setembro desordenados fragmentos da
de 1972. A quase quarenta anos de sua formulação experiência bruta. Nossa ontologia fica
este texto é discutível em muitos aspectos. (nota do determinada quando fixamos o
autor). esquema conceitual que deve ordenar a

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


Jorge Dubatti

ciência no sentido mais amplo; e as da problemática da arte teatral. Bak-Geler


considerações que determinam uma
construção razoável do todo. Qualquer realiza quatro agrupamentos: as ciências
que seja a extensão na qual se pode cujos objetos de estudo são os procesos e
dizer que a adoção de um sistema de
teoria científica é uma questão de fenômenos naturais, nos quais o ser
linguagem, nessa mesma medida – e
não mais – pode se dizer que o é a humano é incluido como fenômeno
adoção de uma ontologia. (QUINE, fisiológico; as ciências cujos objetos de 24
2002, p. 56)
estudo são os procesos sociais; as ciências
Da mesma maneira o filósofo Ángel
cujo objeto de estudo são produtos
González Álvarez sustenta que todo ponto
humanos, porém, dada sua estrutura e
de partida científico implica um recorte
comportamento através da história,
ontológico:
permitem propor parâmetros de
A expressão ontologia – de on, ontos=
ente, e logos=tratado – significa verificação; as ciências cujo objeto de
literalmente tratado ou ciência do ente estudo são as artes. Da sua exposição se
(…) Ente é tudo o que existe ou pode
existir em qualquer modalidade e em obtêm proveitosas conclusões: por um lado
qualquer estado. A ciência não pode
sair do ente nem de forma objetiva nem que as Ciências da Arte, recorrendo a
subjetivamente. Sob qualquer aspecto, vínculos interdisciplinares, são as únicas
todas as ciências poderiam começar
suas definições com aquela mínima que compreendem o teatro em sua
expressão: ciencia do ente… A ontologia
teria uma significação genérica em cujo
singularidade e complexidade, ou seja, na
seio caberiam todas as ciências que, em totalidade de processos e de problemas de
consequência, só se diferenciariam
especificamente. Cada uma das ciências como “o teatro teatra” e como “o teatro
seria ou tenderia a ser uma região da
sabe” (KARTUN, 2010, p. 104-106), por
ontologia, uma ontologia regional.
(ÁLVAREZ, 1979, p. 13-14) outro, que é necessário considerar o
pensamento dos artistas produzido a partir

E mais adiante, no mesmo texto, de suas práticas artísticas.

González Álvarez ratifica: “todas as ciências As ciências que estudam as artes não
encontrarão uma saída enquanto não
particulares cravam suas raízes na reconhecerem que na realidade estão
tratando de objetos de estudo
ontologia. Todos os objetos encontram-se contraditórios, que têm estruturas
radicados no ontológico” (ÁLVAREZ, 1979, diferentes que funcionam de modo
distinto (…) [devem-se] utilizar de
p. 17). Ou seja: tanto a Teatrologia como a teorias se elas forem aplicadas,
provadas, e funcionais para a prática da
Ciência do Ente Teatral. produção de um fenômeno artístico.
Em seu artigo “Epistemología Teorias de artistas como Appia, Craig,
Meyerhold, Laban, Kandinsky, Klee,
teatral” (2003, p. 81-88), Tibor Bak-Geler Albers, etc., para mencionar alguns
nomes das artes cênicas e das artes
afirma que é necessário compreender as plásticas, mas em qualquer disciplina
características do objeto de estudo para artística encontramos casos similares.
Não estou idealizando os
poder decidir qual grupo de ciências trata conhecimentos em questão, no entanto,

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA NOS ESTUDOS TEATRAIS

a prática demonstra que são um numerosos sistemas simbólicos de um


instrumento de trabalho para o artista mesmo tipo e também de tipos
que facilitam a criação e possibilitam a diferentes (…) (CABANCHIK, 2000, p.
verificação dos resultados. (BAK- 100-101)
GELER, 2003, p. 86)
A partir desse exercício do
O certo é que as diferentes linhas
pluralismo, aplicado por exemplo ao estudo
científicas constroem hoje concepções
de poéticas teatrais, podem distinguir-se 25
muito diferentes do teatro. Quais são as
dois tipos de relação entre poéticas,
construções científicas de hoje sobre teatro
concepções de teatro e bases
na Teatrologia, e quais são as mais
epistemológicas. De um ponto de vista
freqüentes na Argentina? A semiótica
historicista podem se distinguir relações
teatral, hegemônica nas produções da Pós-
complementares (necessárias) e
ditadura Argentina na década de oitenta e
alternativas (contingentes). Concepção de
parte da de noventa, sem dúvida deixou de
teatro e base epistemológica
ser trans-disciplinar para se tornar
complementares são aquelas que parecem
disciplinar – retomando de outra maneira a
inscritas na imanência da poética e assim se
observação de De Marinis (1997, p. 18).
definem pelo status ontológico que se
Hoje, o rico e crescente panorama dos
outorga à poiésis, à realidade cotidiana e à
estudos demonstra que está em exercício
relação entre ambas desde uma
um pluralismo epistemológico. O
territorialidade peculiar e historicidade.
pluralismo “acentua a diversidade de
Este status ontológico é convencional, ou
perspectivas que nos fornece nossa
seja, se fundamenta em um conjunto de
experiência do mundo, sem que se julgue
convenções e procedimentos, e como
possível, conveniente ou necessário, um
consequência nasce de uma construção
procedimento redutivo que reconduza tal
simbólica humana. Cada construção
experiência múltipla a uma unidade mais
simbólica impõe respectivamente sua
básica ou fundamental” (CABANCHIK,
concepção de mundo e de teatro, e remete à
2000, p. 100). Esta atitude pluralista se
experiência e à elaboração de uma
define por uma conjunção específica de
subjetividade na produção artística. A
doutrinas que Cabanchik define:
escolha de uma determinada base
I. As coisas, os estados de coisas, suas
características e estruturas se epistemológica depende da consciência do
constituem em sua realidade mesma pesquisador com respeito às solicitações de
através da construção e aplicação de
sistemas simbólicos; II. Não há um cada conceito teatral. Trata-se de um
limite a priori para nossas posibilidades
de construção desses sistemas; III. A exercício dialógico: relacionar, através da
experiência nos propõe, de chofre, amigabilidade e da disponibilidade do

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


Jorge Dubatti

estudioso, o que está na concepção do de comunicação, expressão e recepção e o


teatro tanto na construção subjetiva do ator como um portador de signos; a
outro (o artista, o técnico, o espectador) e o Antropologia Teatral reconhece na
que está na própria construção simbólica teatralidade uma competência humana,
do cientista. Recorramos aos artistas. “É chama a atenção para as relações entre o
mister aprender a ver para aprender a Teatro e as práticas da vida cotidiana, entre 26

amar”, afirma Maurice Maeterlinck (S/D, p. o comportamento teatral e o


175). Da mesma maneira Beckett com valor comportamento cultural, e afirma que
de epigrama: “Mal visto, mal dito”. Citando existe teatralidade antes (na base) do ator;
um romancista argentino ( que só fez uma a Etnocenologia estuda o teatro a partir das
incursão pelo teatro, mais específicamente problemáticas das Ciências da Vida; a
pela ópera): “ Descobrir é ver de outro Filosofia do Teatro define o teatro como um
modo o que ninguém percebeu (…) acontecimento ontológico que se diferencia
Compreender não é descobrir feitos, nem de outros acontecimentos através da
extrair inferências lógicas, menos ainda produção de poiésis e expectação2 em
construir teorias, é só adotar o ponto de convívio, e ao ator, como presença aurática,
vista adequado para perceber a realidade” como gerador do acontecimento poético
(PIGLIA, 2010, p. 143). (DUBATTI, 2007; 2010 e 2011).
Desta maneira, na teatrologia
argentina e mundial em plena vigência Filosofia do Teatro e base
hoje, com maior ou menor epistemológica
desenvolvimento, as construções científicas
da Semiótica (Teatral e/ou Literária), a Se toda aproximação científica em
Lingüística, a Poética, a Antropologia relação ao teatro, se formula a partir de
Teatral, a Sociologia Teatral, a uma base epistemológica, é necessário
Etnocenologia, a Psicanálise aplicada ao perguntar em que bases epistemológicas se
Teatro, a Hermenêutica, a Filosofia do fundam as teorias de que nos valemos: a
Teatro, os Estudos Econômicos aplicados partir de quais marcos científicos
ao Teatro, entre outras. produzem conhecimento.
Cada uma dessas disciplinas realiza Detenhamo-nos, como exemplo, nas
construções científicas diversas do teatro. capacidades e limitações que a Filosofia do
São suficientes para ratificar brevemente Teatro propõe já na sua definição de base
esse pensamento, quatro exemplos epistemológica. Interessa-nos desenvolver
contrastados. A Semiótica considera o 2
N.T.: Tradução da palavra expectación que, no
Teatro como linguagem, como um sistema texto, está relacionada à recepção do público, aos
espectadores do acontecimento artístico.

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA NOS ESTUDOS TEATRAIS

essa perspectiva porque possui atualmente sentidos e simbolizadoras (LOTMAN,


na Argentina um centro relevante de 1996), secundárias em relação à função
produção ou suposições inevitáveis ontológica. O teatro, como acontecimento, é
(diferentes dos que impõem outras das muito mais que o conjunto das práticas
disciplinas já mencionadas): discursivas de um sistema linguístico,
1. Se o teatro é um acontecimento excede a estrutura de signos verbais e não 27

ontológico (convival-poético-expectatorial, verbais, o texto e a cadeia de significantes


fundado em companhia), nesse ao que são reduzidos para uma suposta
acontecimento o teatro é algo que passa compreensão semiótica. No teatro
nos corpos, no tempo e no espaço do considerado como acontecimento tudo não
convívio, existe como fenômeno da cultura pode ser reduzido à linguagem. O que
viva e assim acontece, e deixa de existir marca e faz possível a presença humana no
quando não acontece. tempo, no espaço e no acontecer? Qual a
2. Se no mundo existem condição de possibilidade última da
acontecimentos diferentes, o existência e do vínculo desses sujeitos e sua
acontecimento teatral se diferencia dos dinâmica? A linguagem é o fundamento
outros acontecimentos de reunião (não último do acontecer vital ou ele está
artísticos) e outros acontecimentos inscrito em uma esfera maior e autônoma
artísticos (o cinematográfico, o plástico, o em relação à linguagem, que envolve a
veiculado pelo rádio, o musical, o televisivo, ordem de experiências e que a Filosofia
etc.), porque possui componentes de ação chama existência ou vida?
(sub-acontecimentos) determinados, de 4. Se o teatro é um fazer (reunir
combinatória singular, e que constroem pessoas em convívio, gerar poiésis,
uma zona de experiência e de subjetividade expectar(receber) poiésis, incidir em uma
que possui fazeres e saberes específicos na zona de experiência e subjetividade, etc.)
singularidade de seu acontecer (“o teatro para produzir acontecimento, o teatro debe
sabe”, “o teatro teatra”, KARTUM, 2010; ver ser estudado em sua dimensão de práxis,
também DUBATTI, 2005 e 2009). deve ser compreendido a partir da
3. Se o teatro é um acontecimento observação de sua práxis singular,
ontológico, na poiésis e na expectação tem territorial, localizada, e não utilizando
prioridade a função ontológica (o ato de esquemas abstratos a priori, independentes
dar vida a um mundo/mundos, contemplar da experiência teatral, de seu “estar” no
esses mundos, cocriá-los), acima das mundo, de seu ser peculiar de estar no
funções comunicativas, geradoras de mundo.

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


Jorge Dubatti

5. Se o teatro é praxis, como 8. Da mesma forma, é necessário


assinala Bak-Geler, debe ser pensado não discutir e retificar algumas falsas
só através da observação de suas práticas, afirmações da “doxa” sobre o teatro que
mas também do pensamento teatral e dos circulam dentro e fora do campo teatral (
artistas, dos técnicos e dos espectadores, afirmações do tipo: “tudo é teatro”, “só é
que se gera sobre/a partir dessas práticas. teatro a representação de um texto”, “o 28

6. Se a Filosofia do Teatro é teatro está morto” ou “ teatro é qualquer


fundamentalmente uma filosofia da práxis coisa que estejamos dispostos a chamar
teatral, as teorias do teatro devem ser teatro”), questionando-as e confrontando-
confrontadas com as práticas, porque o que as com as conceituações que surgem da
ocorre no mundo das práticas teatrais (o observação científica das práticas.
que acontece) não é exatamente o que 9. Se o teatro é acontecimento vivo
ocorre no plano abstrato do pensamento, (vivente), a história do teatro é a história
por isso para a Filosofia do Teatro é do teatro perdido; a historiologia teatral
fundamental a máxima Ab esse ad posse implica essa perda de forma
valet consequentia, e não ao contrario, ou epistemológica, assim como assumir o
seja, do ser (do acontecimento teatral em desafio da “aventura” que significa sair em
sua práxis) ao poder ser (da teoria teatral) busca dessa cultura perdida para descrever
vale, mas não necessariamente ao e compreender sua dimensão teatral e
contrário. Se acontece, pode ser teorizado; humana (ainda que nunca para restaurá-la
se é teorizado à margem do acontecimento, no presente).
não necessariamente acontece. Para a 10. A Filosofia do Teatro define um
Filosofia do Teatro é basal distinguir, então modelo de pesquisador participativo, que
, uma razão lógica de uma razão intervem na zona da experiência teatral,
pragmática. A compreensão do teatro se seja como artista, técnico ou espectador.
funda no exercício de uma razão Em suma: para a Filosofia do Teatro
pragmática. a concepção do acontecimento exige
7. A observação do teatro como repensar o teatro partindo de suas práticas,
acontecimento implica reconhecer sua processos e saberes específicos, habilitando
problematicidade, e é necessário definir uma razão pragmática que possa dar conta
categorias que deem conta dessa da problematicidade do que ocorre no
problemática – como as de delimitação acontecimento e possa por sua vez retificar
histórica, transteatralização, liminaridade a doxa ou a ciência, ambas desligadas da
ou umbralidade, disseminação e ampliação observação das práticas. A Filosofia do
(ver DUBATTI, 2007, cap. I). Teatro se interessa, além das práticas

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA NOS ESTUDOS TEATRAIS

mesmas, pelo pensamento que surge em Teatro Comparado. Buenos Aires: Atuel,
torno do acontecimento, e habilita assim o 2005.
resgate dos metatextos dos artistas, dos DUBATTI, Jorge. Filosofía del Teatro I.
técnicos e dos espectadores como Convivio, experiencia, subjetividad. Buenos
documentos essenciais para seu estudo. Aires: Atuel, 2007.
DUBATTI, Jorge. El teatro teatra. Nuevas 29

Artigo recebido em 07/09/2011 orientaciones en Teatrología. Universidad


Aprovado em 07/12/2011 Nacional del Sur (Bahía Blanca). EDIUNS:
2009. Prólogos de Nidia Burgos y Mauricio
Referências bibliográficas Kartun.
DUBATTI, Jorge. Filosofía del Teatro II.
ÁLVAREZ, Ángel González, Tratado de Cuerpo poético y función ontológica. Buenos
Metafísica. Ontología. Madrid, Gredos, Col. Aires, Atuel, 2010.
Biblioteca Hispánica de Filosofía, 1979. DUBATTI, Jorge. Filosofía del Teatro III. El
BAK-GELER, Tibor. Epistemología Teatral. teatro de los muertos. Buenos Aires: Atuel
In: Investigación Teatral. Revista de la (en prensa).
Asociación Mexicana de Investigación ECO, Umberto. El signo teatral. De los
Teatral, Nº 4 (julio-diciembre), 2003, p. 81- espejos y otros ensayos. Buenos Aires:
88. Lumen, 1988, p. 42-49.
BECKETT, Samuel. Mal visto mal dicho. In: KARTUN, Mauricio. En la cocina de
Relatos. Barcelona: Tusquets, 1998. p. 225- Mauricio Kartun: apuntes del Seminario de
250. Desmontaje a Ala de criados. In: Ala de
CABANCHIK, Samuel. Introducciones a la criados. Buenos Aires: Atuel, Col. Biblioteca
Filosofía. Barcelona: Gedisa y Universidad del Espectador, 2010. Edición y Apéndice
de Buenos Aires, 2003. crítico al cuidado de J. Dubatti.
DE MARINIS, Marco. Comprender el teatro. LOTMAN, Iurij M. La semiosfera I. Semiótica
Buenos Aires: Galerna, 1997. de la cultura y del texto. Madrid: Cátedra,
DELEUZE, Gilles. Lógica del sentido. 1996.
Barcelona: Paidós, 1994. MAETERLINCK, Maurice. El tesoro de los
DIÉGUEZ, Ileana. Escenarios liminales. humildes. Valencia: Sempere y Cía. Editores,
Teatralidades, performances y política. s.f.
Buenos Aires: Atuel, 2007. PIGLIA, Ricardo. Blanco nocturno. Buenos
DUBATTI, Jorge. El teatro sabe. La relación Aires: Anagrama, 2010.
escena/conocimiento en once ensayos de

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012


Jorge Dubatti

QUINE, Willard Van Orman. Acerca de lo


que hay. In: Desde un punto de vista lógico.
Barcelona: Paidós, 2002, p. 39-59.
TATARKIEWICZ, Wladyslaw. Historia de
seis ideas. Arte, belleza, forma, creatividad,
mímesis, experiencia estética. Madrid: 30

Tecnos, 1997.

João Pessoa, V. 3 N. 1 jan-jun/2012