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BIBLIOTECA PARA O CURSO DE

PEDAGOGIA HOSPITALAR

Selecionamos para você uma série de artigos, livros e endereços na Internet


onde poderão ser realizadas consultas e encontradas as referências necessárias
para a realização de seus trabalhos científicos, bem como, uma lista de sugestões
de temas para futuras pesquisas na área.
Primeiramente, relacionamos sites de primeira ordem, como:
www.scielo.br
www.anped.org.br
www.dominiopublico.gov.br

SUGESTÕES DE TEMAS

1. O AMBIENTE HOSPITALAR;

2. ORIGEM DOS HOSPITAIS;

3. DA DOENÇA À MEDICINA SOCIAL;

4. FORMAÇÃO DOCENTE;

5. OS FINS DO TRABALHO DOCENTE;

6. O OBJETO DO TRABALHO DOCENTE;

7. O PRODUTO DO TRABALHO DOCENTE;

8. O SURGIMENTO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR;

9. AS CLASSES HOSPITALARES;

10. A PEDAGOGIA HOSPITALAR;

11. O PEDAGOGO NO CONTEXTO HOSPITALAR;

12. O RECONHECIMENTO DA LEI;

13. CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988;

14. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – LEI Nº 8069/90;

Rua Dr. Moacir Birro, 663 – Centro – Cel. Fabriciano – MG CEP: 35.170-002
Site: www.ucamprominas.com.br e-mail: diretoria@institutoprominas.com.br
15. RESOLUÇÃO CONANDA Nº 41 DE 1995;

16. A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB Nº


9394/96 E A EDUCAÇÃO ESPECIAL;

17. RESOLUÇÃO CNE/MEC Nº 02/2001;

18. RESOLUÇÃO CNE/CP, 2002.

19. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO (SI);

20. CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE SI;

21. EVOLUÇÃO DOS SI;

22. AS INFORMAÇÕES PARA GERENCIAR O SISTEMA DE SAÚDE;

23. IMPORTÂNCIA DAS INFORMAÇÕES;

24. FONTES DE INFORMAÇÃO PARA A SAÚDE;

25. OS SISTEMAS NACIONAIS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE;

26. SIM;

27. SINASC;

28. SINAN;

29. SIH;

30. SAI;

31. SISVAN;

32. SIPNI;

33. SIAB;

34. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE (SVS);

35. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE (FUNASA);

36. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ);

37. DATASUS;

38. CADASTRO NACIONAL DE ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE (CNES);

39. OS SISTEMAS ELETRÔNICOS DE INFORMAÇÃO;

40. OS PADRÕES E O PRONTUÁRIO ELETRÔNICO DO PACIENTE (PEP);


41. CARTÃO NACIONAL DE SAÚDE – EM PROJETO;

42. O PROJETO DE INFORMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM


(SIAE);

43. FONTES DE INFORMAÇÕES;

44. BIBLIOTECA VIRTUAL DE SAÚDE;

45. ANVISA;

46. VISALEGIS.

47. FORMAÇÃO DO EDUCADOR PARA PEDAGOGIA NAS EMPRESAS

48. PROFISSIONAL FLEXÍVEL PARA TEMPOS GLOBALIZADOS

49. EDUCAÇÃO SOCIAL PARA A EMPRESA: é possível construir a consciência


democrática?

50. EDUCAÇÃO GANHA NOVOS HORIZONTES

51. ADMINISTRAÇÃO HOLÍSTICA: modelos de mudança em administração de


empresas

52. QUALIDADE TOTAL, SAÚDE E TRABALHO: uma análise em empresas


sucroalcooleiras

53. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E ADMINISTRAÇÃO: uma visão


multidisciplinar

54. PEDAGOGIA DA FÁBRICA: as relações de produção e a educação do


trabalhador

55. CONTROLE DA QUALIDADE TOTAL: uma nova pedagogia do capital

56. PEDAGOGIA EMPRESARIAL DE CONTROLE DO TRABALHO E SAÚDE DO


TRABALHADOR: o caso de uma usina-destilaria

57. O PERFIL DO PEDAGOGO PARA ATUAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO-


ESCOLARES

58. PEDAGOGIA, TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO

59. PEDAGOGIA E PEDAGOGOS, PARA QUÊ?

60. EMPREGABILIDADE: o caminho das pedras

61. PEDAGOGIA EMPRESARIAL: uma alternativa eficaz na redução de


acidentes de trânsito

62. PEDAGOGIA EMPRESARIAL DE CONTROLE DO TRABALHO E SAÚDE DO


TRABALHADOR
63. LIÇÃES DE PEDAGOGIA EMPRESARIAL

64. PEDAGOGIA EMPRESARIAL, O CASAMENTO PERFEITO

65. O PEDAGOGO EMPRESARIAL

66. O PEDAGOGO E A PEDAGOGIA

67. FOCO DO TRABALHO DO PEDAGOGO

68. RESPONSABILIDADES DO PEDAGOGO EMPRESARIAL

69. O PEDAGOGO EMPRESARIAL E OS CHEFES-LIDERES, EDUCADORES

70. PEDAGOGIA, CIÂNCIA E ARTE

71. CONHECIMENTOS QUE FUNDAMENTAM A AÇÃO DO PEDAGOGO


EMPRESARIAL

72. EDUCAÇÃO NA EMPRESA

73. INFLUÊNCIAS DA EDUCAÇÃO FAMILIA NA EMPRESA

74. O PEDAGOGO EMPRESARIAL - A HETERO-EDUCAÇÃO E A AUTO-


EDUCAÇÃO

75. EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO NA EMPRESA – DIFERENÇAS

76. EXERCÍCIOS DE RECONQUISTA DA AUTO-ESTIMA

77. TRANSMISSÀO DA EDUCAÇÀO - ENSINO - TREINAMENTO

78. INFLUÊNCIAS POSITIVAS PROGRAMADAS NA EMPRESA

79. ENSINO COLETIVO E INDIVIDUALIZADO

80. TÉCNICAS DE ENSINAR

81. A PRÁTICA NO ENSINO – AUTOMATIZAÇÃO

82. O MÉTODO DE PROJETOS

83. AULA (PALESTRA) DE REPRODUÇÃO POR DEMONSTRAÇÃO

84. TÉCNICAS DE TRABALHO EM GRUPO

85. INSTRUÇÃO PROGRAMADA

86. O ENSINO POR MEIO DE PERGUNTAS

87. RECURSOS AUDIOVISIAUS

88. TREINAMENTOS E ENSINO COM APRENDISAGEM


89. ALGUNS ASPECTOS PRÊTICOS DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL

90. A IMAGEM― DE UMA EMPRESA

91. A AMIZADE NA EMPRESA

92. A PRODUTIVIDADE AUMENTA, ESTIMULANDO A RECREAÇÃO

93. OS PODERES DA ALEGRUA NATURAL

94. AUMENTANDO CONTINUAMENTE AS VENDAS

95. POR FAVOR, PRESTE MAIS ATENÇÃO

96. ELOGIAR E DESCOBRIR TALENTOS ESCONDIDOS

97. NÃO FOI ISSO QUE EU QUIS DIZER―... PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO

98. ISSO É FALTA DE ÉTICA

99. PODEMOS ANULAR O — STRESS

100. COMUNICAÇÃO HUMANA - RELAÇÕES HUMANAS E RELAÇÕES


PÚBLICAS

101. A ESPIRITUALIDADE DO PENSAMENTO NAS RELAÇÕES


HUMANAS

102. A FÉ NAS RELAÇÕES HUMANAS

103. A INTELIGÊNCIA NAS RELAÇÕES HUMANAS

104. A PERSEVERANÇA NAS RELAÇÕES HUMANAS

105. O PENSAMENTO NAS RELAÇÕES HUMANAS

106. O PERDÃO NAS RELAÇÕES HUMANAS

107. A FORÇA DOS GESTOS NAS RELAÇÕES HUMANAS

108. FOCO DO TRABALHO DO PEDAGOGO

109. RESPONSABILIDADES DO PEDAGOGO EMPRESARIAL

110. O PEDAGOGO EMPRESARIAL E OS CHEFES LÍDERES -


EDUCADORES

111. OS MELHORES CHEFES CONSEGUEM RESULTADOS


BRILHANTES PORQUE SÃO LÍDERES EDUCADORES

112. ASPECTOS PRÁTICOS DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL


ARTIGOS PARA LEITURA, ANÁLISE E UTILIZAÇÃO COMO FONTE
OU REFERENCIA

A ESCUTA PEDAGÓGICA À CRIANÇA HOSPITALIZADA: discutindo o


papel da educação no Hospital

Revista Brasileira de Educação


versão impressa ISSN 1413-2478
Rev. Bras. Educ. n.29 Rio de Janeiro maio/ago. 2005
http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782005000200010

Rejane de S. Fontes
Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Educação

RESUMO
Busca compreender o papel da educação para a saúde da criança hospitalizada em
enfermarias pediátricas, analisando a ação do professor em um hospital público
(Hospital Universitário Antônio Pedro – Niterói, RJ). A questão central que norteou o
desenvolvimento da pesquisa foi: Como a educação pode contribuir para a saúde da
criança hospitalizada? Utilizou-se metodologia a observação participante de
situações da interação criança/criança, criança/adulto e criança/meio. As categorias
de análise foram: linguagem, brinquedo, emoção e conhecimento, apoiadas nos
referenciais teóricos propostos por Wallon e Vygotsky. A conclusão foi que a
educação possibilita à criança ressignificar sua vida e o espaço hospitalar no qual se
encontra. Com base em uma escuta pedagógica atenta e sensível, pode-se
colaborar para o resgate da subjetividade e da auto-estima infantis, contribuindo
para o bem-estar e a saúde da criança hospitalizada. A pesquisa revelou que são
grandes as possibilidades de ação do professor nesse novo espaço de atuação; no
entanto, também é grande o desafio de construir uma prática educativa diferenciada
da que ocorre na instituição escolar, requerendo princípios específicos e outros
níveis de conhecimento que respaldem o complexo trabalho pedagógico no campo
hospitalar.
Palavras-chave: educação; saúde; pedagogia hospitalar; subjetividade

ABSTRACT
The aim of this study is to understand the role of education in the health of the
hospitalised child, by means of an analysis of the teacher's activity in a public
hospital (The Antônio Pedro University Hospital – Niterói, RJ). The central question
which guided the development of the research, based upon participant observation of
situations which involved interaction between children, children and adults and
between children and the environment, was: How can education contribute to the
health of the hospitalised child? The categories of analysis employed were:
language, toys, emotion and knowledge, based upon theoretical references proposed
by Wallon and Vygotsky. The conclusions suggest that education helps the child to
re-signify his/her life in the hospital environment and that an attentive and sensitive
pedagogical 'listening' can help to rescue the subjectivity and self-esteem of
hospitalised children, and contribute to their well-being and health. The research
reveals that the possibilities of action for the teacher in this new environment are
great; nevertheless, the challenge of constructing a different educational practice to
that which takes place in the school institution is great and demands specific
principles and other levels of knowledge that lend support to this complex
pedagogical work in the hospital field.
Key words: education; health; hospital pedagogy; subjectivity

Introdução
A identidade de ser criança é, muitas vezes, diluída numa situação de internação,
em que a criança se vê numa realidade diferente da sua vida cotidiana. O papel de
ser criança é sufocado pelas rotinas e práticas hospitalares que tratam a criança
como paciente, como aquele que inspira e necessita de cuidados médicos, que
precisa ficar imobilizado e que parece alheio aos acontecimentos ao seu redor. Na
tentativa de compreender o resgate da subjetividade e sua contribuição para a
saúde da criança hospitalizada, proponho a análise de situações pedagógicas
enquanto interações sociais privilegiadas da criança nesse novo momento de sua
vida.
Os estudos e pesquisas voltados para a análise da infância revelam que esse
período da vida vai desde o nascimento até a puberdade. É a idade da meninice,
porém vale ressaltar que considerar o grau de importância social atribuído a essa
fase é algo recente na história ocidental.
Na sociedade medieval não havia valorização da infância, e a indiferença dessa
época para com a criança é muito significativa. A particularidade dos cuidados com o
infante era negada, o que resultava na elevada taxa de mortalidade infantil. Ariès
(1981) mostra-nos que o moderno sentimento familiar, caracterizado pela
intensidade das relações afetivas entre pais e filhos, privacidade do lar e cuidados
especiais com a infância, foi produzido ao longo dos anos pelas mudanças
socioeconômicas instaladas nas sociedades industrializadas.
Todavia, é importante ressaltar que a história da infância no Brasil se confunde com
a história do preconceito, da exploração e do abandono, pois desde o início houve a
diferenciação entre as crianças segundo sua classe social, com direitos e lugares
diversos no tecido social. Elegeram-se, assim, alguns poucos como portadores do
"vir a ser" (grandes homens e grandes mulheres), enquanto tantos outros foram
reduzidos à servidão, muitas vezes classificados como geneticamente doentes e,
assim, socialmente incapazes.
Quando me propus realizar a pesquisa, procurei dar prosseguimento às reflexões
que desenvolvi durante a graduação como bolsista de iniciação científica pelo
Programa Institutcional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) promovido pelo
Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq),1 quando minha preocupação central foi
investigar a validade de um atendimento educacional em curto prazo realizado em
hospitais. As preocupações que estiveram na origem desse projeto surgiram a partir
dos altos índices de evasão2 e atraso escolar das crianças e adolescentes que
permaneciam hospitalizados durante um determinado período de suas vidas. Foi
pensando nesse universo de crianças e adolescentes que se encontra temporária ou
permanentemente internado que dei prosseguimento aos estudos realizados entre
1995 e 1998, com vistas à implantação de um acompanhamento pedagógico-
educacional na Enfermaria Pediátrica do Hospital Universitário Antônio Pedro
(HUAP).
Para melhor situar a abordagem metodológica da pesquisa realizada, apresento
brevemente suas características, começando pelo problema que instiga a
investigação: quais as possibilidades e os limites de uma educação para a saúde
com crianças, na faixa etária dos 7 aos 14 anos, de ambos os sexos, com
possibilidades de deslocamento (sala de recreação), e que passam pelo processo
de reinserção na Enfermaria Pediátrica do HUAP? Considero, para tanto, as formas
de inserção dessas crianças no ambiente hospitalar (seja por meio do setor de
emergência, do ambulatório para exame ou tratamento, ou ainda para intervenção
cirúrgica), bem como o tempo e a freqüência dessas hospitalizações.
A pesquisa tinha como objetivo geral compreender como o conhecimento da
vivência hospitalar e a apropriação dos sentidos expressos no ambiente refletem o
papel da educação no desenvolvimento cognitivo, emocional e da saúde de crianças
hospitalizadas na enfermarias pediátricas. E como objetivos específicos:
a) Analisar, po intermédio de atividades pedagógicas, o papel do conhecimento, da
emoção e da linguagem para a saúde da criança hospitalizada.
b) Descrever e analisar uma prática pedagógica em hospital como alternativa de
atendimento educacional, apontando suas conquistas e dificuldades.
c) Refletir sobre a atuação do professor e os novos caminhos para a educação a
partir do acompanhamento pedagógico em âmbito hospitalar.
Esses objetivos buscavam não só compreender a contribuição da educação, ao
operar com processos de conhecimento afetivos e cognitivos no resgate da saúde
da criança hospitalizada, como também definir o espaço de atuação do professor,
muitas vezes confundido com o do psicólogo, na estrutura hospitalar.
O tema reveste-se de uma importância crucial nos dias atuais a partir da
constatação de que sua análise se volta para as populações já sistematicamente
excluídas,3 socioeconomicamente, do acesso a bens culturais e de saúde. A
relevância deste estudo deve-se ao fato de se realizar em instituições hospitalares
públicas que apresentam atendimento em enfermarias pediátricas. Entre elas,
escolhi o HUAP, situado em Niterói (RJ), compromissado com a pesquisa e que
atende a uma elevada parcela de nossa população historicamente desrespeitada em
seus direitos, que tem na educação sua principal via de cidadania e esperança de
ascensão social.
Desse modo, ao longo do presente artigo pretendo responder às seguintes
questões:
a) É possível pensar o hospital como um espaço educacional para as crianças
internadas em enfermarias pediátricas?
b) Pode a educação contribuir para a saúde da criança hospitalizada?
c) Que formas de educar são possíveis num hospital?
d) Quais os limites e as possibilidades de atuação do professor nesse novo locus de
atuação?

A educação no hospital: pensando a formação e a prática de professores para


atuação em hospitais
O trabalho pedagógico em hospitais apresenta diversas interfaces de atuação e está
na mira de diferentes olhares que o tentam compreender, explicar e construir um
modelo que o possa enquadrar. No entanto, é preciso deixar claro que tanto a
educação não é elemento exclusivo da escola quanto a saúde não é elemento
exclusivo do hospital. O hospital é, inclusive, segundo definição do Ministério da
Saúde, um centro de educação.
Hospital é a parte integrante de uma organização médica e social, cuja função
básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e
preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar,
constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos
e de pesquisas em saúde, bem como de encaminhamento de pacientes, cabendo-
lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados
tecnicamente. (Brasil, 1977, p. 3.929)
Refletir sobre a atuação de professores em hospitais tem sido uma questão bastante
delicada na recente, mas já polêmica, discussão da prática pedagógica em
enfermarias pediátricas.
A discussão começa entre duas correntes teóricas aparentemente opostas, mas que
podem ser vistas como complementares. A primeira delas, talvez a mais difundida
hoje no Brasil e com respaldo legal na Política Nacional de Educação Especial
(Brasil, 1994) e seus desdobramentos (Diretrizes Nacionais para a Educação
Especial na Educação Básica – Brasil, 2001) defende a prática pedagógica em
classes hospitalares. São representantes dessa visão autores como Fonseca (2001,
2002), Ceccim (1997) e Ceccim e Fonseca (1999), que têm publicações nessa área
de conhecimento.
Segundo a política do Ministério da Educação (MEC),
Classe hospitalar é um ambiente hospitalar que possibilita o atendimento
educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e
que estejam em tratamento hospitalar. (Brasil, 1994, p. 20)
Essa corrente defende a presença de professores em hospitais para a escolarização
das crianças e jovens internados segundo os moldes da escola regular, contribuindo
para a diminuição do fracasso escolar e dos elevados índices de evasão e
repetência que acometem freqüentemente essa clientela em nosso país.
Esse atendimento tem sido o modelo adotado desde 1950 pela primeira classe
hospitalar do Brasil, a Classe Hospitalar Jesus, vinculada ao Hospital Municipal
Jesus, no Rio de Janeiro, que foi uma das oitenta classes representadas no 1º
Encontro Nacional sobre Atendimento Escolar Hospitalar, acontecido em 2000 na
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob a coordenação geral da professora
Dra. Eneida Simões da Fonseca.
A outra corrente de pensamento segue passos como os da professora Regina
Taam, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que sugere a construção de
uma prática pedagógica com características próprias do contexto, tempos e espaços
hospitalares e não simplesmente transplantada da escola para o hospital. Segundo
essa autora (Taam, 1997), faz-se necessária a construção de uma "pedagogia
clínica", termo utilizado em seu artigo publicado na Revista Ciência Hoje. Com forte
embasamento na teoria da emoção do médico francês Henri Wallon (1879-1962),
Taam (2000) defende a idéia de que o conhecimento pode contribuir para o bem-
estar físico, psíquico e emocional da criança enferma, mas não necessariamente o
conhecimento curricular ensinado no espaço escolar. Segundo ela, o conhecimento
escolar é o "efeito colateral" de uma ação que visa, primordialmente, à recuperação
da saúde. O trabalho do professor é ensinar, não há dúvida, mas isso será feito
tendo-se em vista o objetivo maior: a recuperação da saúde, pela qual trabalham
todos os profissionais de um hospital.
Dessa forma, penso que tais correntes de pensamento, embora com especificidades
próprias, tendem a se integrar na prática pedagógica hospitalar. A educação em
hospitais oferece um amplo leque de possibilidades e de um acontecer múltiplo e
diversificado que não deve ficar aprisionado a classificações ou enquadramentos.
Esta reflexão que ora apresento é fruto de seis anos de ensaios, experiências e
aproximações desse tipo de trabalho com crianças internadas no HUAP, que possui
especificidades próprias que serão, mais adiante, apresentadas.
Conceituando idéias, discutindo palavras...
Pensar sobre tais questões tem impelido-me como um veleiro que flutua ao sabor da
correnteza epistemológica na tentativa de definir uma expressão que tenho lido em
alguns trabalhos a respeito do tema, mas que até então nunca havia sido delimitada:
pedagogia hospitalar. O que significa essa expressão? Será apenas um contraponto
ao termo classe hospitalar? Qual a sua origem e o seu peso teórico?
Tais idéias levam-me a Clarice Lispector, quando diz...
Tenho de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigoso de mexer no que
está oculto – e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em
profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é
que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco
sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras que eu digo
escondem outras – quais? Talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço
fundo. (Lispector, 1978, p. 23)
As palavras traem-nos, aprisionam-nos, mas também nos libertam.
Tentar definir pedagogia hospitalar poderá nos trazer alguns esclarecimentos quanto
à função e possíveis contribuições do professor no hospital. Poderá também nos
ajudar a analisar sua formação e sua preparação para atuar com crianças nesse
ambiente visivelmente diferente da sala de aula.
Podemos entender pedagogia hospitalar como uma proposta diferenciada da
pedagogia tradicional,4 uma vez que se dá em âmbito hospitalar e que busca
construir conhecimentos sobre esse novo contexto de aprendizagem que possam
contribuir para o bem-estar da criança enferma.
A contribuição das atividades pedagógicas para o bem-estar da criança enferma
passa por duas vertentes de análise. A primeira aciona o lúdico como canal de
comunicação com a criança hospitalizada, procurando fazê-la esquecer, durante
alguns instantes, o ambiente agressivo no qual se encontra, resgatando sensações
da infância vivida anteriormente à entrada no hospital. Essa vertente procura distrair
a criança e, muitas vezes, o que consegue é irritá-la, e certamente não contribui
para que ela reflita sobre a própria experiência e aprenda com ela. A segunda
trabalha, ainda que de forma lúdica, a hospitalização como um campo de
conhecimento a ser explorado. Ao conhecer e desmitificar o ambiente hospitalar,
ressignificando suas práticas e rotinas como uma das propostas de atendimento
pedagógico em hospital, o medo da criança, que paralisa as ações e cria resistência,
tende a desaparecer, surgindo, em seu lugar, a intimidade com o espaço e a
confiança naqueles que ali atuam.
Essa definição, no entanto, não exclui o conceito de classe hospitalar. Pelo
contrário, a pedagogia hospitalar parece ser mais abrangente, pois não exclui a
escolarização de crianças que se encontram internadas por várias semanas ou
meses, mas a incorpora dentro de uma nova dinâmica educativa.
Após o impacto da hospitalização que Spitz (1965), Kamiyama (1972), Ariès (1977,
1982), Raimbault (1979), Weller (1979), Ajuriaguerra (1980), Mannoni (1983),
Chiattone (1984), Angerami-Camon (1988), Guimarães (1988), Lenzi (1992),
Lindquist (1993), Santa Roza (1993) e Ceccim e Carvalho (1997) já descreveram tão
bem, a função do pedagogo/professor necessita ser de ressignificação daquele
espaço para a criança enferma. Porém, nada impedirá que este seja,
simultaneamente, um espaço educativo (no sentido amplo do termo), e mais tarde,
para crianças que permaneçam por longo tempo, um espaço escolar, com a
incorporação e acompanhamento dos conteúdos escolares da série em que a
criança se encontra matriculada. A partir do contato com a professora dava escola,
ou na dificuldade de estabelecer contato com a instituição, os conteúdos poderão
ser elaborados pelo próprio professor, de acordo com o nível de conhecimento e
aprendizagem identificado na criança hospitalizada.
Embora a grande maioria de professores que atuam com crianças em hospitais
possua formação em nível de pós-graduação na área educacional,5 a formação em
serviço é, indubitavelmente, o que tem assegurado um nível de qualidade crescente
nessa modalidade de atendimento pedagógico, uma vez que não existe um curso,
reconhecido pelo MEC, voltado para esse tipo de profissionalização. Mas apenas
isso não basta. Precisamos garantir maiores e melhores condições de
acompanhamento pedagógico-educacional à clientela infanto-juvenil internada, o
que certamente virá com a formação específica de profissionais nessa área de
conhecimento.
O que se verifica na prática é uma infinidade de patologias infanto-juvenis que
coexistem num mesmo espaço de atendimento médico-hospitalar, e que, por suas
especificidades, demandam tempos e espaços diferenciados de atuação
pedagógica. Paula (2002) identifica três grupos de crianças internadas em hospitais:
crianças que são internadas com graves comprometimentos físicos, afetivos, sociais
e cognitivos, e que permanecem durante muito tempo no hospital; crianças que
apresentam comprometimentos moderados e que permanecem em média quinze
dias nos hospitais; e crianças que são internadas com comprometimentos leves e
que permanecem pouco tempo nos hospitais.
O ofício do professor no hospital apresenta diversas interfaces (política, pedagógica,
psicológica, social, ideológica), mas nenhuma delas é tão constante quanto a da
disponibilidade de estar com o outro e para o outro. Certamente, fica menos
traumático enfrentar esse percurso quando não se está sozinho, podendo
compartilhar com o outro a dor, por meio do diálogo e da escuta atenciosa.
Ceccim (1997) fala da escuta pedagógica para agenciar conexões, necessidades
intelectuais, emoções e pensamentos, que entendo como pontos importantes para
serem recuperados neste texto. Segundo este autor,
O termo escuta provém da psicanálise e diferencia-se da audição. Enquanto a
audição se refere à apreensão/compreensão de vozes e sons audíveis, a escuta se
refere à apreensão/compreensão de expectativas e sentidos, ouvindo através das
palavras as lacunas do que é dito e os silêncios, ouvindo expressões e gestos,
condutas e posturas. A escuta não se limita ao campo da fala ou do falado, [mais do
que isso] busca perscrutar os mundos interpessoais que constituem nossa
subjetividade para cartografar o movimento das forças de vida que engendram
nossa singularidade. (Ceccim, 1997, p. 31)
Começamos a perceber nesse contexto intersubjetivo do hospital, em que se
interpenetram os conceitos de educação e saúde, uma nova perspectiva de
educação que fertilize a vida, pois o desejo de aprender/conhecer engendra o desejo
de viver no ser humano.
A escuta pedagógica diferencia-se das demais escutas realizadas pelo serviço social
ou pela psicologia no hospital, ao trazer a marca da construção do conhecimento
sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações médicas ou aquela doença, de
forma lúdica e, ao mesmo tempo, didática. Na realidade, não é uma escuta sem eco.
É uma escuta da qual brota o diálogo, que é a base de toda a educação.
Durante o tempo de hospitalização, o volume de informações a que as crianças e
seus acompanhantes estão submetidos precisa ser trabalhado de modo pedagógico
num contexto de atividades de socialização das crianças e de seus conhecimentos,
sejam eles escolares, informais ou hospitalares (no caso das crianças reincidentes
ou com maior tempo de internação). A criança aprende a criar mecanismos para
minimizar a sua dor, e esses mecanismos podem ser socializados e até utilizados
por outras crianças. Essa também é uma prática educativa, mediada pelo indivíduo
mais experiente da cultura.
O importante é perceber a criança e seus familiares como seres pensantes que,
quando chegam ao hospital, já trazem histórias de vida, conhecimentos prévios
sobre o que é saúde, doença, e sobre sua ação nessa dinâmica. A atuação do
professor deve proporcionar uma articulação significativa entre o saber do cotidiano
do paciente e o saber científico do médico, sempre respeitando as diferenças que
existem entre ambos os saberes.

Refazendo a caminhada: análise do material bibliográfico levantado


Entre os meses de janeiro e julho de 2002 fui consumida por uma aventura
acadêmica que parecia não ter fim, na Biblioteca Central do campus do Gragoatá
(BCG), na Biblioteca Central do HUAP, na Biblioteca da Escola de Enfermagem
Professora Jane da Fonseca Proença da Universidade Federal Fluminense (UFF) e
na Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (PROEX). Nelas,
empreendi o levantamento de trabalhos monográficos realizados até 2002, que
abordassem a temática saúde e educação em enfermarias pediátricas em geral, e
no HUAP, especificamente, a partir 1950, quando foi criado.
Pelo fato de o HUAP ser o campo de investigação desta pesquisa, concentrei a
revisão bibliográfica nos trabalhos produzidos e catalogados nos espaços da UFF.
Todavia, tenho certeza de que tal análise não esgota o tema, pois outros trabalhos
poderão ter sido desenvolvidos, como teses de mestrado e doutorado realizados em
outras universidades.
Foram levantados, em média, oitenta trabalhos por ano, desde a origem de suas
produções, que se deu em períodos diferenciados, sobre os mais variados temas
tratados segundo o enfoque de seis cursos de graduação e do curso de pós-
graduação em educação da UFF, os quais foram selecionados cem trabalhos cujas
análises apresento a seguir. A escolha dos cursos de graduação – a saber, serviço
social, pedagogia, psicologia, história, medicina e enfermagem – deve-se ao fato de
apresentarem incursões nas áreas de educação, saúde e subjetividade, com
investigações monográficas desenvolvidas no HUAP e na Enfermaria Pediátrica
desse hospital.
Ao final da análise, pude constatar seguramente que esse tipo de atendimento
pedagógico na Enfermaria Pediátrica do HUAP, como uma hipótese de intervenção
da educação na saúde da criança hospitalizada, não foi registrado de forma
sistematizada em trabalhos de tese, dissertação ou trabalhos de conclusão de curso
catalogados nas bibliotecas pesquisadas, salvo referência ao estudo desenvolvido
por mim como bolsista de iniciação científica (Fontes, 1998) e que frutificou na
monografia de graduação, intitulada Classe hospitalar: a validade de uma alternativa
educacional a curto prazo.6
Alguns questionamentos surgem diante de tais informações que nos deixam
perplexos: por que o hospital nunca foi um campo de estágio oficial ou de pesquisa e
prática pedagógica para os estudantes do curso de pedagogia, se é um hospital
universitário e, por definição, um espaço de pesquisa? Por que algumas pesquisas
morrem quando seus mentores se afastam delas? Essas perguntas brotam
impregnadas pela minha experiência pessoal; ao me desligar da pesquisa no HUAP,
em 1998, não encontrei acadêmicos e professores orientadores que se
interessassem em dar continuidade ao trabalho e à pesquisa que vinha sendo
desenvolvida naquele espaço.
Além disso, essas perguntas reportam-nos ao distanciamento existente entre a
Faculdade de Educação e a Escola de Medicina da UFF, enquanto campos férteis
de pesquisa, produção e troca de conhecimentos, bem como à ausência do próprio
tema saúde e educação entre as disciplinas da grade curricular do programa de
graduação do curso de pedagogia, até 1998.
Enfim, todos os dados arrolados até aqui apontam para uma possível resposta, entre
muitas que poderíamos encontrar: a atuação do professor e o desenvolvimento de
um trabalho educacional na Enfermaria Pediátrica do HUAP constituem uma
atividade historicamente inédita naquele campo de pesquisa, e precisou desbravar
um caminho de interlocução entre os que historicamente só cuidaram do corpo e os
que só cuidaram da mente.7

A constituição do sujeito por meio da linguagem e da afetividade: um diálogo


entre as teorias de Wallon e Vygotsky
Ao nascer, o bebê é entregue a um mundo estranho e completamente
desestruturado, recebendo um choque biopsicossocial profundo a partir do qual
buscará formas para se harmonizar com o meio circundante. Do confronto entre o
que o bebê traz como ser biológico e aquilo que se origina do bombardeio das
experiências ambientais, ou seja, do conjunto constituído pelo inato e o adquirido,
surgirá essa multiplicidade única de um ser epistemológico chamado homem.
Na tentativa de desvendar esse mistério chamado homem, diversos cientistas, entre
eles médicos psiquiatras, psicólogos e lingüistas, aventuraram-se na tarefa de
compreender o funcionamento da mente e a constituição da subjetividade humana.
Embora muito se tenha avançado na direção de entender a constituição subjetiva do
ser humano, ainda há muito a discutir sobre o modo como ele constrói seu
conhecimento.
Em busca dessa árdua tarefa, vimos despontar no início do século XX dois autores
que trouxeram contribuições bastante originais para a compreensão da constituição
do sujeito epistêmico e sua compreensão da realidade social; e, como não poderia
deixar de ser, suas idéias encontraram ressonância no meio educacional. São eles o
médico francês Henri Wallon (1879-1962) e o filólogo e psicólogo russo Lev
Semenovich Vygotsky (1896-1934), dois contemporâneos na virada do século
passado, cujas idéias, só tardiamente difundidas, permanecem vigorosas na
tentativa de compreender o que é ainda um dos maiores mistérios da humanidade: o
funcionamento da mente humana.
Wallon (1941) admite o organismo como primeira condição do pensamento; afinal,
toda função psíquica supõe um equipamento orgânico. Todavia, o próprio autor
adverte-nos que isso não é suficiente, uma vez que o objeto do pensamento vem do
meio no qual o indivíduo se encontra inserido.
Wallon tomou os rumos da educação e dirigiu-se aos problemas concretos, do
homem concreto, entendido na sua totalidade corpo-mente, ou, para nos colocarmos
na perspectiva walloniana, inteligência-emoção-movimento.
A fecundidade das contribuições da psicologia genética de Wallon para a educação
deve-se à perspectiva global pela qual enfoca o desenvolvimento infantil, e também
à atitude teórica que adota.
Para Wallon (1941), o desenvolvimento da pessoa assemelha-se a uma construção
progressiva em que se sucedem fases com predominância alternadamente afetiva e
cognitiva. Não há dúvida de que na teoria walloniana a emoção é a base da
inteligência, seu primeiro suporte e seu vínculo com o social. Ainda latente durante o
primeiro ano de vida do bebê, em que predominam as atividades puramente
afetivas, a inteligência tende a diferenciar-se e a impulsionar a criança na exploração
de seu ambiente.
A atividade emocional é uma das mais complexas características do ser humano,
pois é simultaneamente biológica e social, e é por intermédio dela que se realiza a
transição do biológico ao cognitivo, por meio da interação sociocultural. Sua
natureza contraditória surge do fato de participar de dois mundos (o biológico e o
social) e de fazer a transição entre eles na dimensão psicológica da constituição do
sujeito.
A emoção possui aspecto contagiante, permeando todas as interações sociais do
ser humano. A importância de resgatar-se no presente estudo esse aspecto
da emoção da teoria de Wallon deve-se ao fato de que, na investigação junto a
crianças hospitalizadas, o termômetro emocional é mais intenso do que numa
situação cotidiana, o que tende a interferir, a priori, em sua construção do
conhecimento, em sua compreensão da realidade. A acuidade de percepção do real
fica diminuída pelas próprias manifestações viscerais e musculares de uma tensão
emocional.
A maior contribuição de Vygotsky para a educação nasce de seu esforço de tentar
compreender a relação entre o aprendizado e o desenvolvimento em crianças em
idade escolar. Essa abordagem nos será muito importante na análise dos dados
desta investigação.
É no brinquedo e no faz-de-conta que a criança pode imitar uma variedade de ações
que estão muito além de seus limites de compreensão e de suas próprias
capacidades. O brinquedo surge na vida da criança juntamente com sua capacidade
de imaginar, de transcender o real e construir um mundo simbolicamente possível. O
brinquedo, na realidade, surge da necessidade e do desejo frustrado da criança de
realizar algo que concretamente ela não pode, naquele momento. Esse mundo de
desejos realizáveis que desencadeia um novo comportamento na criança é o que
chamamos de brinquedo.
Vygotsky (2000b) ressaltou a enorme influência que o brinquedo exerce no
desenvolvimento da criança. É com o brinquedo que a criança aprende a agir numa
esfera cognitiva descolada da realidade imediata e passa a dominar os objetos
independentemente daquilo que vê, contextualizando-os e ressignificando-os.
Vygotsky desenvolveu também uma das mais originais e brilhantes teorias acerca da
linguagem como suporte e expressão do pensamento humano, utilizando-se da
analogia com o instrumento, enquanto ferramenta concreta do pensamento humano.
Segundo ele, o material básico do pensamento é a linguagem. Enquanto o
instrumento é visto como um meio externo, o signo é concebido como um meio
interno do desenvolvimento humano.
Para Wallon e Vygotsky, a aprendizagem está pautada na interação do indivíduo
com o meio no qual está inserido. Vygotsky, de modo particular, enfatizou o papel da
cultura na história pessoal, e o da linguagem na construção do conhecimento,
discutindo a criança não apenas como construtora individual do conhecimento, mas
vendo-a em interação com elementos de sua cultura. A linguagem é o sistema
simbólico básico de todos os grupos humanos. A questão do desenvolvimento da
linguagem e suas relações com o pensamento é um dos temas centrais na
investigação de Vygotsky. A linguagem, que é simultaneamente individual e social,
modifica e constrói conhecimentos e sujeitos.
Podemos concluir que tanto em Wallon (1971, 1975) quanto em Vygotsky (2000a,
2000c) a individuação apresenta-se como um processo mediado pela socialização,
seja afetiva ou lingüisticamente. A identidade de indivíduos socializados forma-se
simultaneamente no meio do entendimento lingüístico com outros e no meio do
entendimento intra-subjetivo-histórico-vital consigo mesmo. A individualidade forma-
se, assim, em condições de reconhecimento intersubjetivo, e este só se efetiva pelo
afeto.
Quando privadas da interação com seu grupo social, crianças portadoras, ainda que
momentaneamente, de necessidades especiais (como é o caso das crianças
hospitalizadas) são impedidas de ter acesso à construção de conhecimentos e de
constituir sua própria subjetividade. A criança hospitalizada, quando privada de
interações sociais de boa qualidade, cujo teor lhe proporcione outras formas de
compreender a vida, está sendo atomizada em sua oportunidade de aprender e,
conseqüentemente, de se desenvolver.
Enfim, a constituição do eu é um processo condenado ao inacabamento, que
persistirá eternamente dentro de cada um de nós.
A escolha desses dois autores para fundamentar este estudo não é ocasional. As
similaridades que complementam as obras de Wallon e Vygotsky ajudam-me a
compreender o desafio de uma educação que resgate a saúde da criança
hospitalizada, situada e datada. O aspecto materialista dialético da constituição do
sujeito histórico talvez seja o ponto central que mais aproxima esses autores em
seus estudos.

Metodologia científica: o pesquisador e o ato de pesquisar


Nessa linha de entendimento, uma investigação que busque compreender o papel
da educação na saúde da criança hospitalizada tem como ação principal a
observação participante, cujas informações coletadas receberiam um tratamento
qualitativo à luz da compreensão do pesquisador, envolvendo ainda a dimensão
socioistórica, na qual pesquisador e sujeitos da pesquisa encontram-se
dialeticamente inseridos.
Segundo Thiollent (1985), ao empreender uma pesquisa de caráter qualitativo, o
pesquisador deve estar ciente de que o processo reflexivo e de construção do
conhecimento se encontra centrado no sujeito da pesquisa (pesquisador ou
pesquisado), entendido enquanto sua postura interpretativa e compreensiva acerca
do objeto (ou sujeito de estudo) e das condições sociais da realidade que o circunda,
e não com base somente em dados quantitativos, como se eles existissem
independentemente do olhar do pesquisador e do sujeito pesquisado. Há, durante o
processo, um acompanhamento das decisões, das ações e de toda a atividade
intencional dos atores da situação. A pesquisa não se limita a uma forma de ação
(risco de ativismo); pretende aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o
conhecimento ou o "nível de consciência" das pessoas e grupos considerados.
No plano individual, o pesquisador logo defronta-se com a sua implicação
psicoafetiva (Barbier, 1985), pois na pesquisa qualitativa o objeto de investigação
freqüentemente questiona os fundamentos da personalidade profunda,
principalmente quando a dialética vida/morte torna-se a essência do trabalho
psicopedagógico, como naquele desenvolvido dentro de um hospital. A implicação
do pesquisador é parte inerente e dinâmica do processo de construção do
conhecimento. Assim, onde houver ciência humana haverá necessariamente a
colagem da implicação do pesquisador em sua multidimensionalidade simbólica e
imaginária.
O pesquisador desempenha, então, seu papel profissional numa dialética que
articula constantemente a implicação e o distanciamento, a afetividade e a
racionalidade, o simbólico e o imaginário, a mediação e o desafio, a autoformação e
a heteroformação, a ciência e arte. (Barbier, 2002, p. 18)
Mas como estranhar aquilo que lhe parece entranhado? Como o pesquisador pode
conseguir distanciar-se do senso comum, uma vez que aquilo que estuda corre o
risco de tornar-se familiar,8 e, ao mesmo tempo, controlar suas inclinações pessoais,
seus preconceitos que interferem em sua análise? Fazenda (1989, p. 43) sugere "o
'estranhamento', uma atitude de policiamento contínuo do pesquisador para
transformar o familiar em estranho".
Numa abordagem científica do tipo da que ocorre em ciências humanas, como é o
caso da educação, em que o observador é da mesma natureza do observado, deve
haver um cuidado redobrado por parte do pesquisador, a fim de delimitar claramente
o que foi constatado e o que foi inferido em suas observações de campo.
Na área educacional, em diversos países existe uma tradição de pesquisa
participativa em matéria de formação de adultos, educação popular, formação
sindical e outras áreas educacionais de caráter alternativo. No Brasil, essa prática
começou a ser difundida recentemente e já conta com um crescente número de
estudos sociais publicados nessa abordagem metodológica, considerada uma das
mais autênticas expressões da filosofia materialista dialética na investigação
científica.
A abordagem metodológica mais indicada para esta investigação é a do tipo
qualitativa. Com o objetivo de capturar as mudanças em processo, a presente
pesquisa utilizou técnicas como a observação participante, com o intuito de
compreender as relações de convivência no âmbito hospitalar, entrevistas abertas,
depoimentos, vivências (em que o pesquisador pode estruturar sua investigação
científica com pretensa aproximação da verdade), estudo de documentos e textos
impressos e eletrônicos,9 histórico da instituição, diário de bordo, análise de
conteúdo e técnicas bibliográficas, uma vez que o embasamento teórico
relativamente grande constitui-se no alicerce para a construção da subjetividade do
pesquisador.
Barbier (2002, p. 141) apresenta-nos a escuta sensível como método de
investigação científica a ser perseguido nesse tipo de estudo. Torna-se fundamental
lembrar que "o homem permanecerá, para sempre, dividido entre o silêncio e a
palavra", onde somente a escuta sensível do pesquisador poderá penetrar e captar
o(s) significado(s) do não-dito.
A pesquisa qualitativa em educação enfatiza o processo, aquilo que está ocorrendo,
e não o produto ou os resultados finais. Uma outra característica interessante desse
tipo de abordagem é que a pesquisa refaz-se constantemente no próprio processo
de investigação. Para isso, utiliza-se de um planejamento flexível, em que os focos
de investigação vão sendo revistos, as técnicas de coletas, modificadas, os
instrumentos, reformulados, e os fundamentos teóricos, repensados.
A observação participante foi eleita o principal procedimento metodológico nesta
pesquisa. Por meio dela o pesquisador procura revelar a multiplicidade de
dimensões presentes numa determinada situação, focalizando-as como um todo,
como, por exemplo, as interações que ocorriam na sala de recreação do HUAP.
Lüdke e André (1986) elencam algumas características principais dos estudos
qualitativos. Os estudos enfatizam a interpretação em contexto, ou seja, para uma
apreensão mais completa do objeto é preciso levar em consideração o contexto em
que ele se situa. O estudo qualitativo usa uma grande variedade de fontes de
informação. Ao desenvolvê-lo, o investigador deve recorrer a diferentes técnicas de
coleta de informações, como entrevistas com diferentes informantes, análise de
documentos de diferentes fontes, observação de diferentes situações em momentos
diferenciados etc.
As autoras sugerem ainda que o pesquisador deve ter consciência de que ele é o
principal instrumento de coleta de informações; por isso, é fundamental que domine
suficientemente o assunto a ser focalizado, funcionando como verdadeiro filtro de
constatações. No estudo também não há hipóteses anteriores à entrada em campo,
mas sim questões norteadoras, uma vez que o pesquisador não sabe o que irá
encontrar no fluxo dos acontecimentos.
De acordo com Bogdan e Biklen (1994), o plano geral de um estudo pode ser
representado por um funil. Os investigadores começam pela recolha de informações,
revendo-as e explorando-as, e vão tomando decisões acerca do objetivo do
trabalho.
Lüdke e André (1986), com base em estudos desenvolvidos por Nisbet e Watt,
caracterizam o desenvolvimento do estudo qualitativo em três fases: a exploratória,
a de delimitação do estudo e a da análise sistemática.

1. A fase exploratória:
É o momento de estabelecer contatos iniciais para a entrada em campo, de localizar
os informantes e as fontes de dados necessárias para o estudo.

2. A fase de delimitação do estudo:


Corresponde à coleta sistemática de informações, em que o pesquisador utiliza-se
de instrumentos mais ou menos variados. A importância de delimitar os focos de
investigação decorre do fato de que nunca será possível explorar todos os ângulos
do fenômeno estudado.

3. A fase da análise sistemática:


Já na fase exploratória do estudo surge a necessidade de juntar a informação,
analisá-la e torná-la disponível aos informantes para que manifestem suas reações
sobre a relevância e a acuidade do que é relatado.
De acordo com as características apresentadas na pesquisa realizada, podemos
classificá-la como estudo observacional. Nessa categoria, a técnica de coleta de
informações em destaque é a observação participante. Agora não é a organização
como um todo o que interessa, senão uma parte dela – no caso em tela, a dinâmica
da sala de recreação da Enfermaria Pediátrica do HUAP.
Em se tratando de crianças hospitalizadas, a preocupação com a questão ética
torna-se ainda maior. Além do consentimento dos pais, o pesquisador deverá ter o
cuidado de garantir a adesão das crianças à sua pesquisa, pois
[...] a ética é entendida em termos de sua permanente obrigação com as pessoas
que tocaram suas vidas no curso de viver a vida de pesquisador qualitativo.[...]
Desenvolve-se uma relação de intimidade que muitas vezes se desdobra em
envolvimentos emocionais do pesquisador com o sujeito por presenciar e participar
em aspectos íntimos e às vezes dolorosos da vida dos sujeitos. (Monteiro, 1998, p.
19)
Para ajustar melhor o foco de investigação, utilizei o estudo observacional segundo
propõem Bogdan e Biklen:
Neste tipo de estudos, a melhor técnica de recolha de dados consiste na observação
participante e o foco do estudo centra-se numa organização particular (escola,
centro de reabilitação) ou nalgum aspecto particular dessa organização. (1994, p.
90)
Como instrumento de pesquisa, optei pela observação que, segundo Lüdke e André
(1986), representa, junto com a entrevista não-estruturada, caracterizada pela não-
diretividade, um dos instrumentos básicos para a coleta de informações dentro da
abordagem qualitativa de pesquisa.
Outro instrumento metodológico de fundamental importância, que funciona como um
registro de memória do pesquisador, refere-se ao diário de campo. Por meio desse
procedimento, que consiste no registro escrito das ações vivenciadas e intenções
captadas no cotidiano do espaço investigativo, o pesquisador possui um arquivo
quase fidedigno de informações que o auxiliarão na análise dos acontecimentos que
atravessam o trabalho de pesquisa em campo.
A pesquisa de campo deu-se integralmente na Enfermaria Pediátrica do HUAP. A
escolha foi intencional, pois é o único local dentro da estrutura hospitalar que reúne
o maior número de crianças internadas durante o tempo médio de quinze dias, além
de oferecer condições físicas apropriadas para o desenvolvimento do trabalho
pedagógico em questão.
Optei por classificar os temas que emergiram das associações livres, das cenas e da
entrevistas, agrupando-os e reagrupando-os posteriormente de forma sucessiva, até
formar os grandes grupos temáticos, as denominadas categorias.
Analisar é a prática de interpretar sob a luz da teoria.
Nesse ponto apóio-me em Triviños (1987, p. 162), que ressalta a interação dos
materiais em relação ao conteúdo manifesto e ao conteúdo latente. O primeiro
orienta para algumas conclusões apoiadas em dados quantitativos, porém o
segundo possibilita a descoberta de tendências e características de fenômenos
sociais, fornecendo uma análise dinâmica e desvendando pressupostos,
especialmente os de natureza cultural, como, por exemplo, os valores próprios dos
indivíduos.
Conhecendo o universo da pesquisa
O período de internação médio na Enfermaria Pediátrica do HUAP é de quinze dias
(na maioria das vezes, causada por doença respiratória), e há grande reincidência
de crianças com leucemia10 (devido ao tratamento quimioterápico exigido pela
doença e seus efeitos colaterais) e síndrome nefrótica 11 (por causa do tratamento de
hemodiálise e suas complicações). Pacientes com leucemia e síndrome nefrótica
sofrem reinternações porque as doença são crônicas, exigem internação para
tratamento, e esse pode causar descompensação no organismo da criança que
precisa se internar. Casos como esses não são incomuns na Enfermaria Pediátrica
do HUAP: entre os doze leitos destinados a crianças em idade escolar e pré-escolar,
pelo menos dois, a cada novo ciclo de internação, são ocupados por crianças que
estão voltando ao hospital.
Em sete meses de imersão no campo (janeiro a julho de 2002), tive contato com 32
crianças (16 meninos e 16 meninas). As atividades aconteciam duas vezes na
semana, com duração média de três horas diárias, pela manhã, totalizando 56
encontros e 168 horas de atividades pedagógicas com as crianças internadas.
A observação do grupo de crianças no campo da pesquisa deu-se em dois
momentos. Numa primeira fase, que chamarei, de acordo com Lüdke e André
(1986), de exploratória, desenvolvi atividades pedagógicas com todas as crianças e
adolescentes que podiam se locomover até a sala de recreação, a fim entender suas
reações durante a internação e a contribuição do trabalho pedagógico ao seu bem-
estar físico e psicológico.
A linguagem verbal e não-verbal (gestos, olhares, desenhos) foram o meio
privilegiado de observar a produção de conhecimentos pelo sujeito, uma vez que
constituem sinais exteriores que acompanham as atividades das crianças.
Numa segunda fase, que chamarei de focal, correspondendo à fase de delimitação
do estudo, conforme propõem Lüdke e André (1986), embora continuasse
trabalhando pedagogicamente com todas as crianças que se dirigiam à sala de
recreação, centrei-me na observação dos sujeitos que estavam vivendo sua
segunda internação e nos sujeitos que contavam com mais de trinta dias de
hospitalização, a fim de observar suas reações ao processo vivenciado e ao trabalho
pedagógico desenvolvido. Nesse segundo momento foram realizadas atividades
pedagógicas com os sujeitos, individual ou coletivamente, a fim de criar um
ambiente no qual os objetivos da pesquisa pudessem ser desenhados.
O primeiro momento da segunda fase de intervenção pedagógica dava-se em
grupos de crianças hospitalizadas, que chamei de grupos de interação, os quais não
se enquadraram por classificações homogêneas, dada a própria realidade dinâmica
da sala de recreação, que apresentava um fluxo constante de entrada e saída de
adultos e crianças pertencentes a diferentes faixas etárias. Desse modo, o conceito
de grupo tratado aqui é o proposto por Wallon (1975), que considera o grupo como
uma "reunião de indivíduos tendo entre si relações que notificam a cada um o seu
papel ou o seu lugar dentro do conjunto" (p.167). Para Wallon, o grupo é
indispensável à criança, não somente para sua aprendizagem social, mas também
para o desenvolvimento da sua personalidade e da consciência de si e dos outros.
As atividades pedagógicas em grupo aconteciam duas vezes por semana, na sala
de recreação. Participavam dessas atividades crianças compreendidas na faixa
etária dos três aos quatorze anos, embora na seleção dos sujeitos focais tenha sido
utilizado o critério de escolha de crianças que se encontravam na faixa etária escolar
obrigatória, ou seja, dos sete aos quatorze anos.
O critério de escolha das atividades levou em consideração os seguintes aspectos:
adequação à faixa etária, exigência de diferentes níveis de organização mental,
atenção, respeito às regras, convívio social, conhecimento da rotina hospitalar,
conhecimento de sua doença e de seu corpo, e expressão de seus pensamentos e
sentimentos através da linguagem oral, gráfica e corporal.
Como o tempo de permanência das crianças no hospital era restrito, todas as
atividades pedagógicas desenvolvidas tinham início, meio e fim dentro de um curto
período de tempo, aproveitando-se, para tanto, todas as oportunidades de produção
de novos conhecimentos e reconhecimento de antigos conceitos já adquiridos pelas
crianças, sempre tomadas como atores sociais no decorrer de todo o processo de
pesquisa.
Os critérios utilizados para a seleção dos sujeitos da investigação foram os
seguintes:
1. Reincidentes, cuja primeira e demais internações na Enfermaria Pediátrica do
HUAP tivessem se dado no período de janeiro a julho de 2002.
2. Não-reincidentes com tempo de internação prolongado (acima de 30 dias).
3. Condições físicas e psíquicas para participarem das atividades na sala de
recreação da Enfermaria Pediátrica do HUAP.
Do grupo de 32 (trinta e duas) crianças e adolescentes hospitalizados na fase
exploratória deste estudo, seis crianças (três meninos e três meninas) vivenciaram
reinternações, sendo três delas reincidentes algumas vezes. Desse grupo, foram
selecionadas 3 (três) crianças (dois meninos e uma menina) que se enquadravam
nos critérios acima descritos.
Algumas categorias de análise foram priorizadas, buscando descrever fenômenos
sociais humanos numa situação atípica na vida de uma criança: a hospitalização.
Entendo interação social como as relações de troca que se dão entre o sujeito e seu
meio social. Quando a criança começa a interagir com seus pares, além de atuar e
modificar o universo social (os outros) ela modifica seu próprio eu na tentativa de
compreender a realidade que a cerca.
As interações observadas foram classificadas em três tipos:
a) a interação criança/criança;
b) a interação criança/adulto (acompanhantes/profissionais);
c) a interação criança/meio (rotina).
Essas interações manifestaram-se por meio de eixos de análise específicos, que
busquei compreender através das seguintes categorias:
 Linguagem (significado e sentido)
É por meio da linguagem que os sujeitos se constituem, incorporam
conhecimentos sociais e afetivos e interagem com o mundo social que os
cerca. Tanto para Wallon quanto para Vygotsky são a cultura e a linguagem
que fornecem ao pensamento os instrumentos para sua evolução.
 Brinquedo e jogo (Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP)
É no brinquedo e no faz-de-conta que a criança pode imitar uma variedade de
ações que estão muito além de seus limites de compreensão e de suas
próprias capacidades. É a partir dessas atividades lúdicas que surge uma
interpretação mais complexa da realidade, quando então a imitação começa
dar origem à representação.
 Emoção (subjetividade e consciência)
Para Wallon, ao permitir o acesso à linguagem, a emoção está na origem da
atividade intelectual e da constituição da subjetividade. A emoção constitui
uma etapa anterior à linguagem e está na base da representação. Pelas
interações sociais que propiciam, as emoções possibilitam o acesso ao
universo simbólico da cultura, o que leva ao progresso da vida mental. Mas,
ao mesmo tempo em que se desenvolve, a razão estabelece com a emoção
uma relação de filiação e de oposição, fazendo com que uma reflexão sobre
as causas de uma crise emocional possibilite sua redução.
 Conhecimento (aprendizado e desenvolvimento através de construções
partilhadas)
Tanto para Wallon quanto para Vygotsky a aprendizagem está pautada na
interação do indivíduo com o meio no qual está inserido. Vygotsky considera
que o desenvolvimento dos conceitos espontâneos (oriundos da experiência)
e dos conceitos não-espontâneos (científicos) se relacionam e se influenciam
mutuamente; e, embora seguindo caminhos diferentes desde o início, tendem
a se encontrar no final. Poderíamos interpretar os conceitos espontâneos da
criança em situação hospitalar como os conceitos oriundos do senso comum,
e os conceitos científicos como aqueles de domínio do discurso médico.
A relação com a escolarização também é um fator importante para ser analisado
neste trabalho, pois denota o grau de implicação da internação hospitalar com a
evasão e repetência das crianças hospitalizadas, bem como a referência à escola
como um lugar saudável.

Era uma vez: escutando as histórias que os sujeitos nos contam em silêncio,
em gestos e, às vezes, também em palavras
A análise que será apresentada é resultado de uma triangulação de informações
oriundas das observações registradas em diário de bordo, dos diálogos gravados em
fitas cassetes e das produções gráficas dos sujeitos em estudo. O objetivo do uso
desses recursos metodológicos era acompanhar as pequenas mudanças no
comportamento da criança hospitalizada, desde a entrada até a alta médica,
passando pelas reinternações, quando houvesse.
O silêncio é algo tão comum na Enfermaria Pediátrica quanto o choro e o grito de
bebês, crianças e adolescentes hospitalizados. A opção de Cley, 12 um dos sujeitos
da pesquisa, foi o silêncio. Mas sua expressão facial falava. Os estados afetivos
encontram no tônus e na plástica gestual seu canal mais transparente de expressão.
A essa linguagem silenciosa do corpo, Wallon (1975) chamou de motricidade
expressiva. No trabalho pedagógico em hospital, o professor deve considerar esse
tipo de linguagem, devido à sua espontaneidade, como um de seus canais mais
importantes de comunicação.
O tema escola aparece, para aqueles que estão hospitalizados, como uma
referência à vida normal e saudável e à identidade daqueles que são normais e
saudáveis – e, portanto, estão fora do hospital. Ou seja, não era o conteúdo didático
que Cley estava buscando quando pediu um livro de escola, mas sim o
reconhecimento de sua auto-estima, presente na figura daquele que é capaz de
estudar. Esse desejo e a possibilidade de aprender, ainda que doente, já havia sido
acenado por Cley quando ele fez menção ao jogo de xadrez.
O papel da escuta pedagógica aparece como a oportunidade de a criança se
expressar verbalmente, e também como a possibilidade da troca de informações,
dentro de um diálogo pedagógico contínuo e afetuoso. A relação pedagógica é
sempre dialógica, e a escuta pedagógica fez-se presente quando Cley quis
compartilhar com a professora as marcas de sua dor, ao contar como ficou doente,
quase morreu e foi parar ali.
Mesmo diante das mais inesperadas situações, o bom humor é uma forma de
manter aberto o canal de comunicação. Ao relaxar a contração muscular, o riso
alimenta emoções propiciadoras de bem-estar físico e emocional.
A escuta pedagógica parece ser o caminho a ser trilhado, pois marca o diálogo não
somente como a forma da criança expressar seus sentimentos, mas também
organizar suas idéias a partir da linguagem. Além disso, o diálogo pressupõe um
outro na relação, que pode trazer informações ou esclarecimentos relevantes que
auxiliem o indivíduo a compreender melhor a realidade que o cerca.
Negar-se a desenhar o hospital, como fez Daniel,13 não é uma atitude rara na
Enfermaria Pediátrica. Embora o desenho seja uma das atividades mais requisitadas
pelas crianças na sala de recreação, a maioria delas prefere desenhar qualquer
coisa, até mesmo elas próprias jogando o videogame que há nessa sala, do que
desenhar a enfermaria pediátrica ou outra parte do HUAP.
Podemos interpretar essa rejeição ao desenho do espaço hospitalar, pelo fato de a
criança ver o hospital como espaço e tempo não prazerosos, onde vive momentos
tristes e dolorosos de sua vida. Por meio do desenho a criança exprime seus
sentimentos, cria fantasias e recria realidades. O desenho deve ser analisado,
assim, como uma atividade ideográfica na qual a criança trabalha ludicamente sua
imaginação e seus desejos.
Em algumas cenas podemos observar também o comportamento do pai de Daniel,
que não se contentava com as folhas que possuía para uso pessoal e pedia sempre
mais. Essa passagem demonstra a ociosidade dos pais, que também necessitam de
um trabalho que ocupe de maneira proveitosa seu tempo no hospital. Outra análise
possível dessa situação é a precocidade com que alguns pais são obrigados a
deixar a escola para se dedicarem ao trabalho, caso a tenham freqüentado, e, em
razão disso, se mostram encantados com os materiais disponíveis na sala de
recreação e com a possibilidade de dedicarem seu tempo a uma atividade lúdica ou
cultural prazerosa, como o jogo e o desenho, quando passam, então, ainda que por
alguns instantes, a ser crianças novamente.
Segundo Wallon (1941), o desenho, que é uma forma de expressão, é revelador de
pensamentos, porque também é uma forma de linguagem. Pelo desenho a criança
demonstra o conhecimento conceitual que tem da realidade e quais os aspectos
mais significativos de sua experiência. Juntamente com o brincar, o desenho é a
forma de expressão privilegiada pela criança.
Os momentos de interação com o grupo propiciam à criança oportunidades de
desenvolver plenamente sua inteligência. Wallon (1975) alerta-nos que o
desenvolvimento da inteligência não se dá isoladamente no interior de organismos
individuais, mas está vinculado ao desenvolvimento global do ser humano – social,
biológico e afetivo –, em todas as etapas de sua vida.
À medida que as atividades aconteciam, as interações sociais tendiam a se ampliar,
tornando-se mais complexas. As crianças passavam a conhecer e a se solidarizar
com os companheiros mais constantes. As interações deflagradas pelas atividades
em grupo auxiliavam cada criança a compreender melhor o que estava acontecendo
com ela e com seus companheiros, possibilitando uma maior familiaridade com o
novo ambiente, que inicialmente lhe era hostil. O colorido e os brinquedos da sala de
recreação pareciam exercer um fascínio sobre as crianças, pois todas gostavam de
se reunir ali.
Conhecer o significado de suas doenças e também das doenças dos demais
companheiros (outras crianças hospitalizadas) pode contribuir não somente para
esclarecer quanto à forma de tratamento e profilaxia (se houver) da sua doença,
como também contribui para desenvolver um estado de estabilidade emocional, a
partir do momento em que a criança ou o adolescente têm conhecimento do que
está acontecendo com eles, lidando com seus limites e possibilidades. Além disso,
obter informações sobre uma realidade imediata que os atinge concretamente
também os auxilia a ampliar um pouco seu conhecimento sobre a vida. É nesse
sentido que o desenvolvimento de atividades educativas em hospital contribui, de
modo indubitável, para a saúde da criança hospitalizada.
A aquisição de conceitos modifica o processo de percepção da realidade. A
formação dos primeiros conceitos relacionados à doença da criança hospitalizada
dá-se inicialmente a partir do discurso médico dirigido ao seu acompanhante ou a
outro membro da equipe de saúde; é raramente dirigido à própria criança, mas,
apesar disso, ela se apropria desse discurso, pois a informação lhe diz respeito.
Quando as crianças são convidadas a se afastarem da sala de recreação para fazer
exames, elas deixam de ser crianças e voltam a ser pacientes. Na fala de Kaká, 14 a
sala de recreação apareceu como espaço seguro, como uma referência ao prazer, a
um lugar protegido, onde se pode brincar.

Para (não) concluir


Adoecer faz parte da vida. Todavia, algumas doenças levam à hospitalização,
afetando a vida das pessoas durante um determinado período de tempo. O caso
torna-se mais grave quando o paciente em questão é uma criança e quando a causa
de internação, além de ser alguma debilidade física, traz a marca da discriminação
socioeconômica de nossa sociedade e, por essa razão, acaba tornando-se crônica,
prejudicando uma das etapas mais importantes da vida: a infância.
Ao longo dos seis anos em que venho acompanhando a tentativa de um trabalho
pedagógico na Enfermaria Pediátrica do HUAP, percebo que as atividades
recreativas que são desenvolvidas oficialmente são esporádicas e atreladas a
projetos de extensão e pesquisas que, quase sempre, têm um período de vigência
limitado. O presente trabalho pretende contribuir, assim, para a discussão crítica do
lugar da prática pedagógica no hospital.
Neste trabalho percebemos inteligência, emoção e movimento como processos
imbricados entre si; assim sendo, o desenvolvimento de um leva,
conseqüentemente, ao desenvolvimento dos outros. Isso faz com que "em cada
idade ela [a criança] constitua um conjunto indissociável e original" (Wallon, 1941,
p.224). A criança hospitalizada não deixa de ser criança por se tornar paciente. Ela
caracteriza-se por intensa atividade emocional, movimento e curiosidade. A
educação no hospital precisa garantir a essa criança o direito a uma infância
saudável, ainda que associada à doença.
Como a educação pode contribuir para a saúde da criança hospitalizada? Essa foi a
questão central que norteou o desenvolvimento do presente estudo. A conclusão a
que chego é que a escuta pedagógica atenta e sensível às demandas afetivas,
cognitivas, físicas e sociais da criança pode possibilitar a consolidação de sua
subjetividade.
O trabalho pedagógico em hospital não possui uma única forma de acontecer. O
professor tem de se reconhecer como pesquisador do seu fazer, buscando novas
respostas para eternas novas perguntas. Sem pesquisa, será impraticável mover a
educação nesse terreno pantanoso, de informações mediáticas e modismos
fugazes, em que há tanto tempo tentamos não submergir.
O materialismo histórico-dialético é uma forma de estudo que busca integrar a
atividade científica à ação social. Por isso, não poderia deixar de escolhê-lo como
princípio filosófico da abordagem teórico-metodológica adotada nesta pesquisa, uma
vez que a mesma possui como objetivo último transcender a teoria e responder às
questões práticas levantadas em campo, como a implantação de um
acompanhamento pedagógico sistematizado junto aos co-participantes desta
investigação científica.
Constatei que, enquanto professores, precisamos estar atentos para como
significamos as ações e atitudes do outro que afetam não só as emoções e visões
de mundo, mas também a constituição de si. Wallon (1975, p. 379) lembra-nos que
"não há forma de se dirigir à inteligência da criança, sem se dirigir à criança no seu
todo". Essa é a proposta da pedagogia hospitalar quando trabalha o sujeito por
inteiro e historicamente situado. O conhecimento de seu estado de saúde e do
ambiente hospitalar em que se encontra pode alimentar o aspecto positivo da
emoção da criança hospitalizada e contribuir para o seu bem-estar físico e
psicológico.
Por meio das atividades desenvolvidas junto às crianças hospitalizadas e seus
acompanhantes, pude observar as diversas interfaces que a atuação do professor
pode assumir numa enfermaria pediátrica. Como ouvinte, o professor trabalha com a
emoção e a linguagem, buscando resgatar, através da escuta pedagógica e
dialógica,15 a auto-estima da criança hospitalizada, muitas vezes suprimida pela
enfermidade e pelo sentimento de impotência que pode estar sendo alimentado pela
família e pela equipe de saúde. As crianças têm necessidade de falar sobre suas
doenças e precisam de alguém que as escute. A linguagem permite, assim, ao ser
humano, ultrapassar o concreto e o imediato, fornecendo conteúdos para a reflexão
consciente, mesmo que posterior à ocorrência dos fatos. Ao lado das palavras, o
desenho também constitui um canal de comunicação privilegiado na enfermaria
pediátrica.
O papel da educação no hospital e, com ela, o do professor, é propiciar à criança o
conhecimento e a compreensão daquele espaço, ressignificando não somente a ele,
como a própria criança, sua doença e suas relações nessa nova situação de vida. A
escuta pedagógica surge, assim, como uma metodologia educativa própria do que
chamamos de pedagogia hospitalar. Seu objetivo é acolher a ansiedade e as
dúvidas da criança hospitalizada, criar situações coletivas de reflexão sobre elas,
construindo novos conhecimentos que contribuam para uma nova compreensão de
sua existência, possibilitando a melhora de seu quadro clínico.
Desse modo, a pedagogia hospitalar deve valorizar o espaço de expressão (coletiva
ou individual) e acolhimento das emoções. Entendo que a compreensão das causas
que estão na origem da emoção pode contribuir para dissipá-la ou, ao menos,
atenuá-la, trazendo bem-estar físico e emocional. Todavia, esse tipo de saber não
deve ser exclusivo do domínio infantil. Como professores, também temos de saber
lidar com nossas emoções para lidar com as emoções do outro. Temos de respeitar
a tristeza e o silêncio da criança hospitalizada. Daí a concepção e a prática de uma
escuta pedagógica e de uma educação da emoção, ampliando o conceito de
educação atualmente difundido.
Como agenciador de conhecimentos, o professor trabalha com informações,
construindo conhecimentos sobre a doença e sua profilaxia, atuando junto às
crianças e seus responsáveis e colaborando para a transformação dos conceitos
espontâneos em conceitos científicos. O período de hospitalização também pode ser
um tempo de aprendizagens que impulsionam o desenvolvimento (Vygotsky, 2000a).
Mas a aprendizagem só ocorre se está adequada aos interesses da criança, e todo
interesse nasce de uma necessidade. No hospital, a aprendizagem significativa está
em conhecer e desvelar o contexto em que a criança se situa, valorizando seus
desejos, suas fantasias e suas ações, quase sempre desprezados num processo de
internação hospitalar. O alargamento do conhecimento é visto como enriquecimento,
ampliação da inteligência da pessoa a serviço de si mesma, o que colabora para a
tomada de consciência sobre sua realidade imediata.
Com professores no hospital, as crianças hospitalizadas por um longo tempo, ou as
que a desejarem, podem ter ainda a oportunidade de trabalhar seus conhecimentos
escolares quase que individualmente, como acontece nas classes hospitalares, uma
vez que o grupo de crianças é menor do que aquele encontrado nas salas da aula
das escolas regulares. Mas não só os conhecimentos escolares devem ser
privilegiados. Há no hospital um saber procedimental, que somente a criança que
possui uma seringa com medicação intravenosa injetada na superfície de sua mão
conhece. Esse conhecimento permite à criança ou ao adolescente a realização de
atividades manuais e gráficas, próprias de um acompanhamento pedagógico, sem
deixar que a agulha saia da veia, ou que um movimento mais brusco rompa a veia,
causando dores e hematomas. As crianças criam, assim, estratégias de
sobrevivência a partir dos desafios físicos impostos pela hospitalização.
Como referência à escola, o professor pode tornar-se a ponte, através da realização
de atividades pedagógicas e recreativas, com um mundo saudável (a escola) que é
levado, pelas próprias crianças, para o interior do hospital como continuidade dos
laços de aprendizagem e de vida. Essa idéia de escola que as crianças levam para o
universo hospitalar pode ser lida como a representação de um lugar de constituição
e referência da identidade de infância.
Durante as interações, o jogo tornou-se o fio condutor de toda a ação pedagógica
empreendida junto às crianças e adolescentes hospitalizados. Embora não seja um
aspecto predominante da infância, o brinquedo "é um fator muito importante do
desenvolvimento" (Vygotsky, 2000a, p. 133), por isso ele foi escolhido como um dos
eixos de análise deste trabalho. Ao permitir que a criança reelabore sua realidade e
re(a)presente papéis e ações que não são os seus, a brincadeira e o jogo favorecem
a constituição de sua subjetividade. O brinquedo, todavia, não pode ser visto como
uma forma de adaptar a criança às condutas médicas e, ainda que o jogo busque
ocupar o tempo ocioso do hospital, o objetivo de uma prática pedagógica é
transformar esses momentos também em tempo de aprendizagens. Pois entendo
que a criança, porque aprende, também se desenvolve, e isso a ajuda a enfrentar
melhor os acontecimentos de sua vida.
A composição e recomposição dos grupos de brincadeira produziram efeitos na
organização da rotina médica hospitalar porque se apropriaram de um espaço físico
e psicológico, ressignificando o sentido da hospitalização para as crianças e seus
acompanhantes, favorecendo a (re)invenção de outras formas de apropriação de
seu funcionamento. Se no início as crianças tinham sua subjetividade diluída na
rotina hospitalar, com o tempo elas tornaram-se protagonistas de suas próprias
ações.
Assim, no decorrer do acompanhamento pedagógico constatou-se, com gestos,
palavras e comportamentos, sensíveis modificações na forma como as crianças
reagiam à hospitalização e à doença. Os resultados que esta pesquisa aponta
levam-me a compreender que o papel da educação junto à criança hospitalizada é
resgatar sua subjetividade, ressignificando o espaço hospitalar através da
linguagem, do afeto e das interações sociais que o professor pode propiciar.
Portanto, é possível pensar o hospital como um espaço de educação para as
crianças internadas. Mais do que isso, é possível pensá-lo como um lugar de
encontros e transformações, tornando-o um ambiente propício ao desenvolvimento
integral da criança.
Enxergar e acreditar na criança enferma, assim como em qualquer criança, é um
primeiro passo para compreendê-la, respeitá-la e auxiliá-la em seu processo de
desenvolvimento, porque "a criança não sabe senão viver sua infância. Conhecê-la
pertence ao adulto" (Wallon, 1941, p. 11).
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Recebido em março de 2004


Aprovado em novembro de 2004

REJANE DE SOUZA FONTES, mestre em educação pela Universidade Federal


Fluminense (UFF) e doutoranda em educação pela Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, é professora na Faculdade de Educação na UFF. Entre os seus artigos
publicados, destacam-se: Educación hospitalaria: um recurso frente al rezago
escolar (Revista Latinoamericana de Estudios Educativos, Cidade do México, v. 33,
nº 1, 2003, p. 151-160); A classe hospitalar e a inclusão da criança enferma na sala
de aula regular (Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 8, nº 1, 2002, p.
45-54) e Educação Especial: um capítulo à parte na história do direito à educação no
Brasil (Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 10, nº
37, 2002, p. 503-526). Participa do grupo de pesquisa "Inclusão escolar de alunos
com deficiências no ensino regular – práticas pedagógicas e cultura escolar",
coordenado pela professora Rosana Glat. E-mail: rejanefontes@ig.com.br
1 Pesquisa desenvolvida com orientação das professoras Cristina Maria Carvalho
Delou e Liliana Hochman Weller.
2 Na realidade as crianças não se evadem, elas são expulsas pelas adversidades
impostas pelo sistema.
3 Algumas crianças nem excluídas serão, porque não serão sequer incluídas, como,
por exemplo, os bebês da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
4 Conforme definição em Luckesi (1994), a pedagogia tradicional baseia-se na
transmissão, em forma de conteúdos, de conhecimentos historicamente acumulados
pela humanidade e repassados, como dogmas, para as gerações mais novas. A
metodologia baseia-se na exposição verbal, centrada na autoridade da figura do
professor e em técnicas mnemônicas de assimilação do conteúdo, prejudicando,
assim, a satisfação da curiosidade e das experiências infantis.
5 Cf. Fonseca, 2001.
6 A monografia de graduação foi orientada pela professora Cristina Maria Carvalho
Delou.
7 Buscando contribuir para tal diálogo, pretendo, mais adiante, ampliar essa revisão
temática e transformá-la em outro artigo.
8 Embora o hospital não seja um espaço familiar para o professor, isso pode ocorrer
quando se fica durante algum tempo imerso numa dada realidade.
9 Segundo a classificação contida nas normas bibliográficas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
10 Leucemia: grupo de doenças degenerativas dos tecidos responsáveis pela
formação de células sanguíneas na medula. A leucemia é caracterizada pela
produção crescente de células brancas no sangue. A medula normal é
progressivamente substituída por células malignas e a produção de outros
elementos, como células vermelhas e plaquetas, é reduzida. Contudo, a leucemia
não se relaciona exclusivamente com o crescente número de células brancas; as
células podem ser normais em número, mas estruturalmente defeituosas, ou podem
até ser normais tanto em número quanto em estrutura. A leucemia aguda é
caracterizada pela incapacidade de amadurecimento das células brancas, que se
proliferam na medula óssea e se acumulam no sangue. Inicialmente, os sintomas
são parecidos com os de uma gripe, podendo ocorrer hemorragias nas gengivas e
no nariz. As leucemias crônicas têm como característica a incapacidade de remoção
de células brancas da circulação, o que faz com que estas fiquem acumuladas.
Dentre seus sintomas estão cansaço, perda de peso, dificuldade de respirar, perda
de apetite, desconforto abdominal e equimoses. Existem alguns tipos de leucemia,
tanto agudas quanto crônicas, que são classificadas de acordo com sua origem, com
as anormalidades celulares e com o desenvolvimento da doença. Nas leucemias
agudas, a expectativa de vida é geralmente pequena quando não há tratamento; nas
leucemias crônicas, a expectativa de vida pode ser de muitos anos (Nova
Enciclopédia Ilustrada Folha, 1996, p. 562).
11 Síndrome nefrótica: conjunto de sinais e sintomas que se desenvolvem
conjuntamente e que indicam a existência de uma doença provocada pelo não-
funcionamento ou funcionamento debilitado dos nefros, que são unidades filtradoras
da urina, estimados em cerca de um milhão na estrutura de cada rim (Soares, 1982,
p. 108).
12 Cley era um menino de 12 anos, internado e reinternado por causa de uma
bactéria alojada na virilha.
13 Daniel era um menino de 13 anos, hospitalizado várias vezes por causa da
síndrome nefrótica e de trombose nas veias profundas.
14 Kaká era uma menina de 7 anos, hospitalizada com endocardite.
15 Etimologicamente, a palavra diálogo compõe-se de dois radicais: díade (pelo
menos dois) e logus(conhecimento), ou seja, conhecimento que se dá pelo menos
entre dois (cf. Vasconcellos, 2002, p. 169).
FORMAÇÃO DO EDUCADOR PARA PEDAGOGIA NAS EMPRESAS
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Neiva Viera Trevisan
Leocadio J. C. R. Lameira

Este artigo visa a acentuar a necessidade de uma ressignificação da Pedagogia,


voltada à formação do educador para a realidade empresarial. Face às mudanças
provocadas pelos processos de globalização, da pós-modernidade e do pós-
fordismo, o sistema exige a preparação de profissionais flexíveis, polivalentes e
reflexivos. As mudanças na legislação educacional têm levado a uma crise de
identidade do pedagogo, pois o seu campo de atuação, nos espaços estritamente
escolares, vem sendo restringido. Em vez de lutar contra os rígidos controles do
aparelho escolar, cabe ao profissional-pedagogo, inserido na proposta da Pedagogia
Empresarial, propor atividades que confiram novos sentidos ao seu trabalho,
realizado agora num ambiente oscilante e instável.

Palavras–chave: Pedagogia Empresarial, formação do educador, mudanças.


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Considerações introdutórias

As mudanças no regime político-administrativos do Brasil, provocadas, em grande


parte, pela precariedade do Estado em atender a inflação crescente de demandas,
obriga a União a repassar suas funções para estados e municípios, porém não mais
exercendo suas atribuições iniciais. Há neste contexto uma transferência, repasse
ou descentralização do campo macroestrutural para o nível meso e dos micro-
espaços de funcionamento do sistema, da complexidade em direção a simplicidade
ou particularidade, o que acaba por ativar, no campo pedagógico, uma inflação de
demandas e a criação de novas necessidades e atribuições. Em função do impacto
causado pelo conjunto de reformas do estado brasileiro, no atual momento político,
urge discutir o tema da formação do pedagogo inserido no contexto de crise e
descentralização de políticas decisórias.
As atuais reformas das políticas educacionais diminuíram significativamente os
espaços ocupados pelo pedagogo na escola de duas maneiras básicas. Em primeiro
lugar, através da implementação do projeto de Gestão Democrática da Educação se
diluiu a responsabilidade pela gestão da escola entre todos os profissionais da
educação. Com isto, incentiva-se o fim da formação dos especialistas ou experts em
Administração e Supervisão Escolar, diminuindo significativamente os espaços de
atuação do pedagogo no sistema burocrático que rege as escolas.

Em segundo lugar, a formação de graduação oferecida pelo Curso Normal Superior,


visando qualificar o enorme contingente de professores em serviço até 2007, faz
desaparecer os dois campos de trabalho reservados historicamente à formação do
pedagogo para a docência: 1º) por que o Curso Normal Superior forma professores
para atuarem na Pré-Escola e Séries Iniciais, que é o mesmo campo de trabalho
reservado historicamente à atuação do pedagogo na escola; 2º) com o
desaparecimento da formação do Normal-Magistério, acaba a necessidade para
lecionar a outra habilitação do pedagogo, isto é, as matérias pedagógicas do antigo
2º grau ou ensino médio.

Neste contexto surgem alguns questionamentos importantes para repensar as


políticas públicas de educação, tais como: Que tipo de preparação está recebendo o
pedagogo, profissional da educação por excelência, nos Cursos de Pedagogia, para
enfrentar a crise de identidade da formação e a emergência da administração da
escassez de recursos humanos e materiais e as demandas onipresentes? As
―saídas‖ apontadas pelos experts no assunto são, de fato, a última palavra para
resolver os impasses ocasionados pelo acréscimo de demandas quantitativas nas
escolas e o necessário atendimento da qualidade requerida pela população
trabalhadora? É suficiente a simples mudança do padrão de linguagem dos
responsáveis pela condução dos processos de ensino para enfrentar estas novas
realidades, ou é necessário ativar uma leitura da singularidade e da complexidade,
dos aspectos internos e externos do processo?

A resposta a esses questionamentos sugere a possibilidade de uma nova área de


atuação para o Pedagogo que não seja restrito ao espaço escolar, que é a
Pedagogia nas Empresas. Partindo do pressuposto de que a aprendizagem não
acontece somente no ambiente escolar, mas em todos os espaços sociais, não
pode-se restringir a atuação do educador – e em especial do Pedagogo – somente
nos ditos locais formais onde ocorre aprendizagem.

Profissional flexível para tempos globalizados

Se vivemos num tempo e espaço onde todos estamos conectados, interligados, ou


para usar um termo mais atual, globalizados, o fenômeno chamado globalização
(com a conseqüente introdução das novas tecnologias no mundo do trabalho, a
abertura das fronteiras dos países para a competitividade acirrada, etc.) provocou
mudanças muito profundas na sociedade como um todo e, como não poderia deixar
de ser, também no âmbito empresarial. No universo das empresas essas mudanças
ocasionaram novas reestruturações organizacionais, a chamada reengenharia
produtiva. Para tanto, o setor empresarial tem investido e incentivado ―treinamentos‖,
ou seja, a formação continuada, que antes era privilégio do ambiente educacional.

Se no regime fordista a acumulação do capital era verticalizada e rígida, hoje, na era


pós-fordista, a acumulação tornou-se flexível e por isso as empresas tem que saber
conviver com um mercado oscilante, vulnerável e imprevisível. Os funcionários
nesse contexto tendem a conviver com o fantasma do desemprego estrutural, com a
extinção de postos de trabalho, com a exigência de uma maior qualidade e
produtividade, que pode levá-los inclusive à exaustão. Diante dessa realidade, surge
um novo espaço para ser preenchido no mundo sistêmico, uma nova demanda, pois
já não importa mais tanto a produção em série, homogênea e unilateralizada, mas o
produto tem de se adaptar às novas exigências de um mercado multicultural,
multifacetado e geograficamente móvel.

Face a esses desafios, pergunta-se: que tipo de profissional pode se enquadrar no


perfil que as empresas buscam hoje para auxiliar na reorganização de seus
espaços, considerando a emergência dos novos paradigmas do mundo do trabalho?
Questiona-se, enfim, se não reside aí uma tarefa mais específica para ser
devidamente repensada pela Pedagogia, tal como a abertura do curso para outras
áreas de atuação do pedagogo? Diante da nova reestruturação ou reengenharia do
capital, existe a necessidade das entidades ligadas à produção de bens e serviços
requerer um profissional com formação na área educacional, com o intuito de
preencher as lacunas existentes. Este profissional deve ter uma formação mais
horizontalizada, ou seja, deve ser um agente voltado para o desenvolvimento do ser
humano como um todo, realizado no seu aspecto filosófico, psicológico, sociológico,
biológico e político, e não apenas econômico.

Dessa forma, emerge um novo campo de trabalho, destinado à Pedagogia


Empresarial, para preparar o profissional capaz de contribuir para a
reestruturação/reorganização do desenvolvimento de novas competências nesse
ambiente. Segundo Caldeira, o perfil exigido requer: ―O sujeito reflexivo, capaz de
atuar na intersubjetividade consensual e reciprocidade interativa‖, o qual ―é
requisitado a dar continuidade a sua identidade constituída‖. (2002, p. 150). Através
de sua formação acadêmica, o Pedagogo tem condições de cooperar nesse novo
espaço, procurando desenvolver a qualidade social e humana das pessoas em
serviço. Deste modo, entendo por Pedagogia nas Empresas ou Pedagogia
Empresarial não um tipo de atividade desenvolvido neste meio voltado ao
incremento da produtividade ou do lucro, embora isso possa ser uma conseqüencia
natural do processo, mas sim a potencialização deste espaço como um locus de
aprendizagem permanente, de crescimento profissional e de realização das
capacidades humanas de solidariedade, convivência democrática e de cidadania
plena. Estas deveriam ser as metas de toda organização que, parafraseando Marx,
tem no homem o seu capital mais precioso.

As recentes políticas públicas de educação

A partir dos anos 90 as políticas de enxugamento de recursos humanos e materiais


e de repasse de funções no Brasil entram em conflito crescentemente com o
incremento de atribuições, as quais podem ser exemplificadas no ideal de uma
―educação para todos‖, ocasionando assim um aumento vertiginoso no atendimento
do quantitativo de alunos pelas escolas públicas. O desafio de atender o aumento da
clientela – e o conseqüente incremento do controle tecnoburocrático devido a
ampliação da necessidade de políticas compensatórias que historicamente são
desempenhadas pelas escolas – encontra saídas, normalmente, na repetição de
palavras de ordem preconizadas pelo sistema econômico, tais como: modernização,
privatização, terceirização, lobalização, qualidade total, racionalização de recursos,
produtividade e competitividade.

Hoje, é notório o financiamento internacional da educação e a intervenção das


agências mundiais na estruturação dos sistemas de ensino, mas na lógica de
mercado a educação torna-se um produto a ser consumido por quem demonstrar
vontade e competência para adquiri-la, em especial a educação ministrada nos
níveis médio e superior. As teses neoliberais têm sido pródigas em propor
argumentos favoráveis à privatização da educação, como formadora das elites ou
para dar a cada um o que sua função social exige, e que não pode ser obtido por
meio de uma educação pública comum. (Sanfelice, 2001, p.10 )

Mas será que a conjugação de todos estes fatores somados acabam definindo um
perfil profissional do educador exigido pelos novos tempos? As políticas neoliberais
no campo da administração educacional força a centralização de recursos
econômicos na esfera federal e descentralização ou repasse de atribuições do
contexto macroestrutural para o plano micro, transferindo para estados e municípios
fórmulas equivocadas de resolução das demandas educacionais. Aliás, conforme o
comentário de Bianchetti: ―Toda problemática dos neoliberais com o Estado está em
relação com o conflito entre concentração e distribuição do poder, como também
com os mecanismos utilizados para a tomada de decisões.‖ (1999, p. 80).

Assim, a dialética entre complexidade e singularidade, totalidade e particularidade,


contexto macro e micro é totalmente inviabilizada, pois há uma sobrevalorização da
primeira instância sobre a segunda. As novas orientações emanadas, em última
instância, dos grandes organismos internacionais financiadores da educação,
propõe a geração de políticas educacionais que apostam na emergência da figura
do super-professor, para fazer com que a máquina tecnoburocrática do sistema
educacional possa funcionar. Assim, o professor deve ser o responsável pelo
conteúdo específico da disciplina e dar conta dos temas transversais, por exemplo,
os quais por vezes estão situadas em áreas fora do campo específico de sua
formação. Além disso, as novas políticas do campo da educação exigem do
professor um comprometimento com as necessidades administrativas da escola, em
termos de sua gestão, facultando-lhe o designativo de gestor da educação. E isto
ocasiona uma sobrecarga de papéis a ser desempenhado pelo professor,
fragmentando a sua atividade em múltiplas tarefas que a torna rarefeita e
desconectada de um sentido global. Para que haja uma articulação eficaz entre os
múltiplos campos de atuação do professor (a sua própria formação e a organização
e gestão escolar) é necessário repensar tais processos de acordo com as realidades
sócio-político e econômica que estamos vivendo na transição de milênio.

Diante da caracterização de cunho neoliberal-internacional, o que fazer para a


educação não perder terreno na nova ordem global? Para alguns educadores a
alternativa a esse processo desumano pode advir da formação de um profissional
reflexivo, capaz de interpretar dialeticamente a relação da complexidade com a
simplicidade, do contexto macro com o micro, da racionalidade com a criatividade,
articulando o plano pessoal e o profissional. Talvez a ênfase em tais características
nos cursos de formação de professores possa minimizar o impacto de tais políticas,
ativando a formação do novo perfil do educador, capaz de viabilizar algumas
possibilidades de redirecionamento das políticas públicas de educação junto às
comunidades escolares. Para outros, entretanto, surge a necessidade da
flexibilização da formação do educador, principalmente no Curso de Pedagogia,
preparando-o para outros contextos de trabalho, como a Pedagogia Empresarial.

Formação do educador para Pedagogia nas Empresas

As empresas estão sempre visando a produtividade, o lucro e a eficiência. Em


consequência das mudanças que estão ocorrendo na sociedade, novos paradigmas
estão surgindo e colocando em dúvida as estruturas já estabelecidas. Como afirma
Caldeira, ―o agir estratégico prevalece sobre o agir comunicativo, pois os fins
teleológicos se identificam mais com a gestão de números, embora a gestão de
pessoas habilitadas para agilizar o processo de produção tem sido o grito de
esperança para garantir a sobrevivência das organizações.‖ (2002, p. 153). Para que
isso se torne realidade, as organizações empresariais precisam da cooperação de
seus funcionários. Estes devem estar em condições de desempenhar suas funções
com competência e qualidade, pois os clientes estão cada vez mais exigentes em
relação aos produtos que consomem, adquirem. Nesse sentido, as empresas devem
estar sempre proporcionando atualização – formação continuada – aos seus
funcionários, na busca permanente da qualidade de seus serviços. É necessário
também que se trabalhe em equipes e não mais de forma individual; sendo que o
trabalho em equipe resgata valores morais, tais como: sinceridade, lealdade e
humildade.

O trabalho em equipe é um dos grandes desafios apresentados às empresas no


momento atual, pois faz com que alguns conceitos e práticas sejam
redimensionados. No momento que se trabalha em grupos – equipe – desenvolve-se
novas atitudes, tais como: a autonomia, a cooperação, a participação, o diálogo.
Essas atitudes exigem uma nova postura, novos conhecimentos, ou seja, a
formação continuada na empresa.

Diante desse novo contexto, o pedagogo passa a ter uma função especial,
primordial a desempenhar: passa a ser o motivador, o articulador, o mediador entre
as diferentes instâncias do sistema organizacional, visando o desenvolvimento de
novas competências com o intuito de atender as demandas do mercado, mas
também – e talvez a principal – o crescimento pessoal/profissional dos funcionários.
Esse crescimento acontece através da aquisição de novos conhecimentos que lhes
são proporcionados no próprio local de trabalho. O Pedagogo deve interagir, ouvir e
interpretar as necessidades dos componentes desse espaço onde acontece o
trabalho em equipe.

No momento que se busca a realização pessoal de todos os integrantes do quadro


de funcionários de uma empresa, não visando unicamente a produtividade, o lucro e
a eficiência na busca de bons resultados financeiros, mas no sentido de melhorar a
satisfação de todos os envolvidos neste processo, ou seja, chefes, funcionários e
clientes, realiza-se a qualidade social. Nesta nova perspectiva, o Pedagogo
encontra-se diante de um grande desafio: a concretização da qualidade social dentro
da empresa. Qualidade social entendida como ―busca da interação do indivíduo
consigo mesmo, a visão do todo, a percepção da vida, do ser humano com todas
suas complexidades e sua colocação dentro da sociedade‖. (Ribeiro; Müssnich;
Ludwig, 2000, p. 18-19 ). Essa visão de qualidade social não deve ser restrita do
âmbito escolar, pois defendemos a idéia de que a educação não acontece somente
nos bancos escolares, mas ―em qualquer local de convívio permanente entre
pessoas, pois esse contexto pressupõe que sempre haverá condições de
aprendizado‖. (Marchezan, 2002, p. 4).

Para que tal desafio seja posto em prática é necessário que os cursos de Pedagogia
ofereçam uma formação também direcionada para essas novas demandas, para o
novo campo de atuação que emerge para esse profissional. Segundo notícia
divulgada no jornal Zero Hora do dia 23 de junho de 2002, existe atualmente no Rio
Grande do Sul somente uma universidade que oferece curso de graduação nesta
área, que é o da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), com a denominação de
Pedagogia Empresarial.

Conclusões

Quando se fala em qualidade na educação, está-se pensando como resultado de


todo um processo da aprendizagem dos sujeitos envolvidos. Essa aprendizagem
resulta do desenvolvimento de objetivos propostos, almejando a construção da
cidadania. Assim, podemos dizer que a qualidade, tão desejada, é uma qualidade
social, pois ela só será conquistada a partir do comprometimento de todo o conjunto
dos processos.

Entendo que essa qualidade – que já está sendo construída – é possível de ser
alcançada através da possibilidade da formação continuada. De certa forma
conquistou-se autonomia nas escolas, possibilitando que cada realidade – escola –
elabore seus planos, seus objetivos, ou seja, seu Projeto Político Pedagógico. Essa
conquista precisa tornar-se mais real, mais concreta, fazendo prevalecer as
decisões de cada comunidade escolar, tornando a tão sonhada gestão democrática
possível de acontecer e ter seu verdadeiro valor.
Todas essas conquistas no âmbito educacional/escolar foram surgindo
concomitantemente com as transformações dos outros setores da sociedade, ou
seja, todos os setores estão interligados e uma ação num deles influencia os
demais. E, os profissionais da educação precisam entender/compreender esses
fatos para atuarem com competência visando a transformação social e não apenas
observar e seguir a realidade. A reestruturação produtiva tem aberto novas
ocupações, novos postos-chaves nas organizações, o que possibilita ao educador
se movimentar fora inclusive de seu habitat natural, que era a escola. E isto se deve,
segundo Harvey,

Porque o mais interessante na atual situação é a maneira como o capitalismo está


se tornando cada vez mais organizado através da dispersão, da mobilidade
geográfica e das respostas flexíveis nos mercados de trabalho, nos processos de
trabalho e nos mercados de consumo, tudo isso acompanhado por pesadas doses
de inovação tecnológica, de produto e institucional. (1992, p. 151).

Talvez tenha chegado a hora de não mais os educadores ficarem responsabilizando


o setor empresarial de cúmplices do capitalismo, do neoliberalismo e, que só
almejam o lucro, a produtividade e a eficiência; por outro lado, nem os empresários
ficarem colocando a responsabilidade da falta de competência de seus funcionários
na escola que não soube prepará-los. Mas, ao contrário, é tempo de usufruir das
conquistas tecnológicas no sentido de se formar parcerias, relações, interligações
entre o mundo do trabalho empresarial e o mundo do trabalho educacional. Só
assim nossa sociedade terá condiçoes efetivas de evoluir econômica, social e
educativamente; pois sempre se acreditou e se apostou que a educação seria capaz
de transformar a realidade, buscando a verdadeira emancipação e,
conseqüentemente a cidadania. Mas isso será possível na medida em que houver
interesses convergentes entre os setores da educação formal e informal,
escola/universidade e empresa.

Após muitas reflexões e retomadas de discussão, entendo hoje que não pode haver
essa dicotomia entre educação e trabalho, ou entre teoria e prática. Dentro de um
outro modo de conceber a educação, nos Estados Unidos, por exemplo, as
Universidades funcionam como um verdadeiro coração do mundo empresarial,
sendo estimuladas pelos financiamentos às pesquisas oriundos deste meio e
produzindo inovações decorrentes das pesquisas nas indústrias. É necessário que
se faça acontecer um maior diálogo entre as áreas da educação e trabalho,
envolvendo assim todos os sujeitos sociais com a perspectiva mais global de
formação humana.
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Referências Bibliográficas
BIANCHETTI, Roberto G. Modelo neoliberal e políticas educacionais. 2ª ed. São
Paulo: Cortez, Col. Questões da nossa época, 1999.
CALDEIRA, Elizabeth. Educação social para a empresa: é possível construir a
consciência democrática? Itajaí: UNIVALI, 2002.
HARVEY, David. Condição pós-moderna. Uma pesquisa sobre as origens da
mudança cultural. Tradução de Adail Ubirajara Sobreal e Maria Stela Gonçalves.
São Paulo: Ed. Loyola, 1992.
MARCHEZAN, Isabel. Educação ganha novos horizontes. Zero Hora, Porto Alegre,
23 jun. 2002. Empregos & oportunidades, p. 4.
RIBEIRO, Flávio Antônio. Administração Holística. In: RODRIGUES, Alziro;
NAKAYAMA, Marina Keiko (Orgs.). Modelos de mudança em Administração de
Empresas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.
SANFELICE, José Luis. Pós-Modernidade, Globalização e Educação. In:
LOMBARDI, José Claudinei. Globalização, pós-modernidade e educação: História,
filosofia e temas transversais. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR;
Caçador, SC: UnC, 2001.

Revista de Administração Contemporânea


On-line version ISSN 1982-7849
Rev. adm. contemp. vol.4 no.1 Curitiba Jan./Apr. 2000
doi: 10.1590/S1415-65552000000100006
ARTIGOS

QUALIDADE TOTAL, SAÚDE E TRABALHO: uma análise em


empresas sucroalcooleiras paulistas

Rosemeire Aparecida Scopinho

RESUMO
Entre os assalariados rurais canavieiros predominam concepções e práticas em
saúde de natureza individual, biologicista e curativa. O artigo analisa a política de
gestão de recursos humanos no setor sucroalcooleiro paulista, procurando refletir
sobre as suas implicações para os trabalhadores, no que se refere à compreensão
da saúde-doença como processo bio-psicossocial e um direito básico de cidadania.
A análise focaliza o processo de reestruturação produtiva em curso no setor, que se
vale de um conjunto de inovações tecnico-organizacionais, especialmente na
implantação dos programas que visam à qualidade total, como estratégias
gerenciais para obter aumento de produtividade, melhora na qualidade e redução
dos custos de produção. A política de gestão de recursos humanos, aparentemente
humanista e participativa, não supera os mais tradicionais métodos de gestão do
trabalho, não se traduz em melhorias reais na qualidade de vida, e ainda contribui
para dificultar o processo organizativo dos trabalhadores. As práticas empresariais
em saúde e formação de recursos humanos objetivam o controle e adequação do
trabalho às exigências de produtividade e qualidade.
Palavras-chaves: organização do trabalho; qualidade total; saúde; segurança no
trabalho.

ABSTRACT
Among rural sugar cane wage earners the predominant conceptions and uniform
practices in health are of an individual, biologicist and curative nature. This paper
analyses the human resource administrative policy, in an attempt to think upon its
implications for the workers, inasmuch as it refers to the understanding of health-
illness as a bio-psycho-social process and a basic right of citizenship. The reflection
is carried out having as a background the productive restructuration process in
progress in the sector, which comprises a set of technical-organisational innovations,
especially those concerning the implementation of the total quality programmes as
managing strategies to obtain productivity, quality and a reduction in the cost of
production. Although the policy for administration of human resources incorporates a
humanistic and participatory speech, it does not represent an attitude that outdoes
the most traditional methods in work administration. It does not manifest itself in real
improvements in the quality of life, and also contributes to making more difficult the
worker's organising process. The business practices in health and human resource
training, are more linked to work control and its adequacy to quality and productivity
needs.
Key words: work organization; total quality; health; safety at work.

INTRODUÇÃO
Este artigo procura refletir sobre a relação entre introdução de inovações
organizacionais, mais especificamente a implantação dos programas de gestão
empresarial que visam à qualidade total, e a saúde e segurança no trabalho no setor
sucroalcooleiro.
Estudos realizados anteriormente apontam que o padrão de adoecimento do
trabalhador rural canavieiro está estreitamente relacionado com o modo de
organização e de realização do seu trabalho. Apesar de ser a saúde um requisito
fundamental para a realização do trabalho na lavoura canavieira e dos avanços
organizativos da categoria a partir de meados da década de oitenta, entre esses
trabalhadores predominam concepções e práticas em saúde de natureza individual,
biologicista e curativa que tendem a reproduzir o modelo de atenção à saúde
predominante na grande maioria dos serviços de saúde, públicos e privados. Há
inúmeras dificuldades para mobilizar e organizar a categoria para tratar esta como
uma questão que é também de natureza econômica e social e um direito básico de
cidadania (Alessi e Scopinho, 1994; Scopinho e Valarelli, 1995; Scopinho, 1995;
Scopinho et al., 1999).
Esta problemática relativa à saúde e segurança do trabalhador canavieiro ocorre
dentro do contexto de grandes e profundas transformações por que passa a
economia sucroalcooleira na década de noventa. Este setor, a exemplo de outros,
reestrutura-se inovando a base técnica e os modos de gestão organizacional para
tentar sobreviver e ampliar-se nos competitivos mercados da era da globalização.
Nosso objetivo neste artigo é o de analisar as inovações que estão sendo feitas na
política de gestão de recursos humanos dessas empresas, procurando compreender
os seus impactos para os trabalhadores, especialmente a sua contribuição para
formar a consciência sanitária individual, biologicista e curativa predominante entre
eles.
Parte-se do pressuposto de que a saúde-doença é também um processo social,
porque está direta ou indiretamente relacionado às condições de vida e trabalho dos
indivíduos, e que os trabalhadores organizados também são sujeitos ativos nos
processos de investigação e de construção do conhecimento sobre a saúde e a
segurança no trabalho. Os trabalhadores tanto podem adoecer de forma genérica,
dependendo do espaço e do tempo histórico em que eles vivem, como também de
modo específico, dependendo do modo como se organiza e realiza o trabalho que
eles executam para sobreviver (Laurel e Noriega, 1989). No contexto das relações
sociais de produção existe um processo pedagógico que procura adaptar, doponto
de vista técnico e comportamental, o trabalho às necessidades do capital. É uma
pedagogia que, por um lado, procura educar o trabalhador para adaptar-se a um
determinado modo de divisão e organização do trabalho; mas, por outro, pode
também contribuir para desenvolver a consciência da necessidade de transformar as
condições em que se realiza o trabalho como item fundamental da melhoria das
condições de vida e saúde dos trabalhadores. Neste processo pedagógico, a
política, os programas, as estratégias de gestão e os agentes de recursos humanos
são considerados instrumentos gerenciais privilegiados de controle e adequação do
trabalho às exigências do processo produtivo (Kuenzer, 1989; Machado, 1994).
Procura-se demonstrar que, no contexto da reestruturação produtiva em curso no
setor, por um lado, a gestão dos recursos humanos assume importância cada vez
maior para as empresas atingirem os objetivos de aumento de produtividade e
qualidade com redução de custos de produção. Por outro lado, a política de gestão,
apesar de ser aparentemente humanista e participativa, na prática não supera os
mais tradicionais métodos de gestão do trabalho; não significa melhorias reais na
qualidade de vida e ainda contribui para dificultar o processo organizativo dos
trabalhadores.
A análise baseia-se em estudos realizados em três empresas localizadas no interior
do Estado de São Paulo no período de 1994 a 1998. Duas empresas foram
selecionadas por serem as que apresentavam maior capacidade de moagem de
cana (primeira e terceira no ranking paulista, segundo o GPA [1994]). Uma dessas
duas empresas localiza-se na macrorregião canavieira de Ribeirão Preto(1). A
terceira usina também localiza-se na referida região e é a oitava colocada no ranking
de moagem de cana. As unidades foram selecionadas também por estarem na
vanguarda na implantação dos sistemas de gestão pela qualidade total. Na
macrorregião de Ribeirão Preto situa-se o maior e mais moderno parque
sucroalcooleiro de São Paulo e do país. Na safra 98/99 a referida região possuia 46
unidade produtivas, correspondentes a 34% do Estado de São Paulo. Essas
unidades moeram 85.533.755 toneladas de cana (43% do total de cana moída no
Estado), produzindo 113.206.435 sacas de 50 kg de açúcar (48% do total de sacas
produzidas no Estado), 3.721.804.260 litros de álcool (41% do total de litros
produzidos no Estado), e gerando 58.884 empregos diretos, o que representa 34%
dos empregos diretos gerados pelo setor no Estado de São Paulo (Anuário
Jornalcana, 1999).
Os dados foram coletados em entrevistas semi-estruturadas com gestores,
trabalhadores e sindicalistas e também na participação em seminários, feiras e
eventos promovidos por universidades, empresas e outras organizações
interessadas em debater a problemática sócio-ambiental relacionada ao setor, no
contexto de uma possível reativação do Proálcool.

TECNOLOGIA E TRABALHO
Em meados dos anos 80, iniciou-se nova fase do processo de reestruturação
produtiva no setor sucroalcooleiro no Brasil. Por um lado, sob a influência
neoliberalista, o Estado deixou de regular mais diretamente a economia
sucroalcooleira; o corte dos subsídios e dos programas de incentivo à produção e
comercialização obrigou-a a disputar espaços nos mercados internos e externos,
cada vez mais competitivos nesses tempos de globalização da economia. Por outro
lado, os movimentos sociais reagiram mais enfaticamente contra os abusos que vêm
sendo praticados pelas empresas sucroalcooleiras, principalmente no que se refere
à exploração do meio ambiente e dos trabalhadores.
Mas, apesar da desregulamentação, a reestruturação ainda tem sido amparada pelo
Estado, por meio do sistema público de Pesquisa e Desenvolvimento, do
reescalonamento das dívidas dos usineiros para com os órgãos públicos, da oferta
de novas modalidades de créditos e de subsídios e do reaquecimento do complexo
agroindustrial canavieiro, com a implementação de projetos de co-geração de
energia elétrica, por exemplo.
A reestruturação atinge a todos os setores da agroindústria sucroalcooleira (rural,
industrial e administrativo) e é sustentada pela necessidade de incrementar a
produtividade, de aprimorar a qualidade e de reduzir custos. Caracteriza-se pela
crescente introdução de inovações na base técnica: a mecanização de todas as
fases do ciclo produtivo agrícola, o uso de novos produtos químicos, da informática e
da automação microeletrônica no controle do processo industrial; pela diversificação
da produção agrícola e industrial, pelo rigor na implantação dos sistemas de controle
de qualidade, pela terceirização de determinadas etapas da produção e pelo
redirecionamento das políticas de recursos humanos (Scopinho, 1995). A
reestruturação, sem dúvida, vem contribuindo para tornar os empresários mais aptos
para enfrentarem as novas regras de competição do mercado. Entretanto, para os
trabalhadores, ela vem gerando inúmeros impactos negativos, principalmente do
ponto de vista sócio-ambiental, destacando-se entre eles o aumento do desemprego
tecnológico (Veiga Filho et al., 1994), a queda no valor real dos salários (Nogueira,
1992) e uma sensível piora na qualidade das relações e condições de trabalho
(Scopinho, 1995; Scopinho e Valarelli, 1995; Eid et al., 1998; Scopinho et al., 1999).
No setor rural, a modernização expressa-se em todas as fases do ciclo produtivo por
meio das inovações biológicas, químicas e físicas. Utilizadas em conjunto, essas
inovações potenciam e aceleram a mecanização da base técnica e condicionam
novas formas de dividir e organizar o trabalho (Alves, 1992). No que se refere às
relações de trabalho se, por um lado, a mecanização do corte da cana coloca uma
tendência de estabilização do número de contratações nos períodos de safra e
entressafra (Cortéz, 1993), por outro lado, contraditoriamente, é crescente o
processo de subcontratação da mão-de-obra rural. Nos momentos de pico da
atividade agrícola, as usinas recrutam trabalhadores temporários por meio das
empreiteiras que, na maioria das vezes, são pequenas empresas ilegais, do tipo
doméstico, sonegadoras de encargos trabalhistas e onde predominam as relações
informais de trabalho.
Quanto às condições de trabalho, sabe-se que os ambientes industriais e as frentes
de trabalho rural das usinas e destilarias caracterizam-se pela insalubridade,
periculosidade e penosidade (Pinheiro, 1992; Alessi e Scopinho, 1994). Porém as
novas tecnologias não têm contribuído, efetivamente, para saneá-los e melhorar as
condições de saúde e de vida dos trabalhadores. Pelo contrário, o modo pelo qual
essas novas tecnologias estão sendo introduzidas traz conseqüências negativas,
tanto dentro como fora do espaço da produção.
Conforme verificaram Scopinho et al. (1999), a introdução da colhedeira mecânica
no corte da cana-de-açúcar não diminui as cargas de trabalho do tipo físico, químico
e mecânico existentes no ambiente de trabalho e ainda acentua a presença de
elementos que configuram as cargas do tipo fisiológico e psíquico, porque
intensificam o ritmo de trabalho. Por exemplo, as jornadas de trabalho dos
operadores de máquinas agrícolas variam de 12 até 24 horas, durante a safra. O
trabalho no corte mecanizado da cana é organizado em turnos de 8 ou 12 horas e,
na época do revezamento, a jornada estende-se até 24 horas de trabalho, com
pequenas pausas para descanso e para fazer as refeições no próprio local de
trabalho.
Castigados pelas condições do ambiente de trabalho e ameaçados pelo
desemprego, na maioria das vezes, os trabalhadores enfrentam as conseqüências
negativas da modernização por meio de práticas de natureza individual, haja vista
que a greve não tem sido uma estratégia sindical adequada para enfrentar as suas
problemáticas trabalhistas e sociais. A mecanização da colheita não é apenas uma
opção tecnológica; é também uma opção política, uma reação empresarial às
conquistas político-organizativas obtidas pelos trabalhadores na década de oitenta.
Com relação à saúde e segurança no trabalho, essas práticas individuais consistem,
por exemplo, na procura de assistência médica e no exercício da automedicação
como as únicas formas de tratar da saúde. Até porque afastar-se temporariamente
do trabalho para consultar o médico é uma das formas possíveis que o trabalhador
encontra para recuperar-se do desgaste, nem sempre de uma doença
diagnosticável, provocado pela realização intensiva das atividades, com prejuízo
mínimo do seu salário.
Para as empresas, isto significa aumento nos índices de absenteísmo e de
rotatividade, o que interfere no rendimento e na qualidade do trabalho. E como,
apesar do aparato tecnológico disponível, elas ainda não prescindem do trabalho
humano, as estratégias de gestão são redefinidas para melhor adequá-lo às atuais
exigências do processo produtivo da cana, do açúcar e do álcool, no que se refere à
produtividade, à qualidade e à redução dos custos de produção.
Na seqüência, discute-se a política de gestão de recursos humanos do setor
sucroalcooleiro e as suas implicações para os trabalhadores, no que se refere à
saúde e segurança no trabalho.

CONTROLE DA QUALIDADE E CONTROLE DO TRABALHO


Se, do ponto de vista dos assalariados rurais, as inovações tecnológicas afetam
negativamente o mercado de trabalho e deterioram as relações e as condições de
trabalho, trazendo-lhes sérias conseqüências sociais, do ponto de vista dos
empresários elas significam investimentos de capital, cujo retorno depende,
grandemente, do consentimento e da adaptação dos trabalhadores à base técnica
transformada e da garantia de certas condições de reprodução que aumentem a
produtividade do trabalho vivo. Com as inovações introduzidas na base técnica, o
processo produtivo da cana, do açúcar e do álcool passou a exigir um tipo de
trabalhador, cuja característica principal do perfil é ser, de um lado, tecnicamente
experiente, qualificado e polivalente e, de outro, pessoalmente comprometido com
os objetivos empresariais de produzir com qualidade e baixo custo. A construção e
aperfeiçoamento constante deste perfil de trabalhador é o grande desafio para os
agentes de recursos humanos nas usinas-destilarias.
Neste sentido, outro aspecto da modernização sucroalcooleira é exatamente aquele
que se refere à reestruturação administrativa. Nas usinas, antes caracterizadas por
um modelo de gestão burocrático e baseado na figura autoritária e centralizadora do
usineiro, desenvolve-se uma estrutura gerencial ocupada, fundamentalmente, em
formular e implementar uma política capaz de criar as condições ideais para a
introdução das inovações tecnológicas, racionalizar o uso do trabalho humano
necessário à produção e incrementar a produtividade dos trabalhadores. Os
empresários e as equipes encarregadas do gerenciamento dos recursos humanos
justificam a existência da política, valendo-se de argumentos centrados na melhoria
da qualidade de vida dos trabalhadores, principalmente dos assalariados rurais. Isto
porque, na região de Ribeirão Preto, não é de hoje que a situação social do bóia-fria
tem chamado a atenção da sociedade civil, havendo inúmeros estudos que
demonstram claramente as suas dificuldades de reprodução social (D'Incao, 1984;
Ferrante, 1991; Alves, 1992; Pinheiro, 1992; Alessi e Scopinho, 1994; Scopinho e
Valarelli, 1995; Scopinho, 1995; Scopinho et al., 1999).
De fato, parece que não é bem esta a preocupação das empresas. Por trás de uma
concepção humanista e participativa de gestão de recursos humanos estão os
objetivos estratégicos das usinas-destilarias: de um lado, legitimar a reestruturação
produtiva junto à opinião pública e, de outro, garantir aos trabalhadores as condições
mínimas de reprodução social. Desta forma, a política de recursos humanos tanto
pode ser instrumento de controle dos índices de rotatividade e absenteísmo, como
também veículo de formação de uma imagem de utilidade social das empresas, que
gera empregos e garante assistência social aos trabalhadores, imagem importante
para quem atualmente disputa espaços no mercado internacional.
Segundo Alves (1992), ao longo das últimas décadas, a crescente modernização da
agricultura canavieira da região de Ribeirão Preto transformou os processos de
trabalho, prescrevendo-lhes novas formas de divisão e de organização social,
fundamentadas no paradigma taylorista/fordista. Entretanto, assim como o progresso
técnico encontrou várias barreiras para o seu desenvolvimento, o referido paradigma
também encontrou limites para generalizar-se na agricultura canavieira. Cortéz
(1993) afirma que, com a mecanização de todas as fases do ciclo produtivo da cana,
o número de trabalhadores contratados para os períodos de safra e entre-safra
tende a estabilizar-se, o que contribui para fortalecer o padrão de organização do
trabalho taylorista-fordista e faz surgir nas lavouras de cana um trabalhador rural do
tipo polivalente.
Do ponto de vista da administração dos recursos humanos, autores como Alves
(1992), Cortéz (1993) e Eid (1994) apontam a emergência de "novos modelos de
gestão" ou "novas relações de trabalho" como uma das conseqüências da
modernização tecnológica. Concorda-se com os referidos autores quanto ao fato de
estar havendo mudanças nos modos de gestão do trabalho; entretanto a análise de
alguns casos mostra que o atual modelo de gestão não tem nada de novo. No
próximo tópico, veremos que ele se baseia nas práticas assistencial-paternalistas
dos Programas de Assistência Social (PAS) e na burocracia dos departamentos de
pessoal, aprimora e reorganiza a aplicação dos princípios e das técnicas do modelo
taylorista/fordista e da Escola de Relações Humanas, atualizando-as e combinando-
as com as técnicas do denominado modelo japonês de gestão do trabalho (Hirata,
1993) como, por exemplo, o programa de qualidade total e o programa 5S.
Da Assistência Social a Qualidade Total
A preocupação formal com a gestão do trabalho na agroindústria canavieira surgiu
na década de quarenta, com a promulgação do Estatuto da Lavoura Canavieira
(ELC, decreto-lei no. 3.855 de 1941), que continha alguns dispositivos que tratavam
da assistência trabalhista e social dos trabalhadores. Cabral (1990) analisa os
dispositivos legais que implantaram a assistência social na agroindústria canavieira,
mostrando que foi no contexto das crises econômicas vividas pelo setor que se criou
uma legislação social fortemente revestida de um caráter assistencial-paternalista.
No conjunto da legislação que regulava a participação do setor na economia
nacional, Cabral (1990) destaca a lei 4870, aprovada em 1965, que previa a
aplicação de 1% do valor da produção de cana e de açúcar e 2% da produção de
álcool em Programas de Assistência Social (PAS), sujeitos ao controle do Estado.
Ao analisar o caso de uma usina-destilaria da região de Ribeirão Preto, a autora
concluiu que a assistência social é prática instituída, permanente e importante
elemento da política de recursos humanos do setor. Para a empresa estudada por
Cabral (1990), a política funcionava como meio de atrair mão-de-obra na época da
safra e, para os trabalhadores, ela significava salário indireto, meio de acesso a
determinados bens de consumo coletivo como moradia e assistência médica, por
exemplo.
No contexto da reestruturação produtiva, a atual política de recursos humanos situa-
se no espaço de fusão das tradicionais práticas burocráticas e autoritárias do
departamento de pessoal com aquelas paternalistas da assistência social
legalmente instituída, tendendo a migrar da forma burocrática para a forma dita
participativa. Tal fusão é o resultado de um esforço gerencial, tanto para adaptar as
empresas às novas formas de produção e circulação, impostas pelas
transformações da economia mundial, como também para atender aos reclamos da
sociedade regional sobre a questão social do bóia-fria.
Almejando cientificidade, a política de recursos humanos embasa-se no modelo de
gestão proposto pela Escola de Relações Humanas(2) e, mais recentemente, em
função da intensificação das transformações econômico-sociais e da competividade
como fator de sobrevivência das organizações industriais nos mercados regidos pela
lógica da globalização, incorpora-se a esses princípios gerais a idéia de que a
gerência de recursos humanos deve comandar a implantação de programas de
qualidade total, sobretudo para sensibilizar e criar nos trabalhadores atitudes em prol
da produtividade com qualidade.
Atualmente, o binômio qualidade-produtividade é a base da competitividade, um
imperativo categórico de sobrevivência das empresas nos mercados. Se, por um
lado, a idéia de qualidade sugere funcionamento empresarial com maior
produtividade e menor custo, por outro lado, ela está associada à idéia de melhoria
da totalidade do processo organizacional, principalmente do trabalho humano, e
nãoapenas do produto. É qualidade de produto; mas, sobretudo, é qualidade de
gestão do processo produtivo. Nesta direção, o essencial dos programas de gestão
que visam à qualidade total é o aperfeiçoamento contínuo dos métodos e tipos de
gerenciamento empresarial, que devem considerar, acima de tudo, a satisfação do
cliente. Entende-se que o cliente não é apenas aquele que usufrui do produto, mas
também aquele que o produz, direta ou indiretamente, o que inclui a gestão dos
recursos humanos como questão estratégica para as empresas.
Machado (1994) considera que os métodos de gerenciamento da qualidade total
estão sendo implantados para tornar mais eficaz o controle gerencial sobre a
organização, porque eles envolvem todas as suas áreas e requerem confiabilidade e
agilidade nos fluxos de informação. Representam também um fortalecimento dos
mecanismos de integração organizacional, porque procuram padronizar
procedimentos e condutas de modo a envolver e integrar todas as instâncias
organizacionais, para aperfeiçoar continuamente o funcionamento da empresa no
sentido de servir, amplamente, à sociedade. Para a autora, esses métodos
gerenciais representam uma "intervenção pedagógica do capital", que visa a motivar
e envolver a todos em um processo de mudança cultural e comportamental - a
"cultura do controle". Machado (1994) considera que esta forma de gerenciar
recursos humanos, cujo "verdadeiro fio condutor" é o controle, é uma continuidade
do movimento iniciado com a Escola de Relações Humanas.
No setor sucroalcooleiro, a busca de qualidade vem reestruturando continuamente o
modo de organização das empresas como um todo, especialmente a administração
dos recursos humanos. Uma das principais estratégias é a racionalização do uso
desses recursos, pela introdução de novas tecnologias e da terceirização de etapas
intermediárias da produção. A gestão do trabalho indispensável é feita por meio de
uma política que procura veicular os valores e normas necessários à expansão
sucroalcooleira, ou seja, a integração entre a agricultura, a indústria e a
administração, visando à cooperação e ao envolvimento dos trabalhadores com os
objetivos e metas organizacionais.
Os gestores apresentam a política de benefícios sociais como sendo
descentralizada e abrangente, pois são oferecidos serviços assistenciais nas áreas
de saúde, educação, transporte e habitação, até empréstimos pessoais e
equipamentos de lazer. Enfatiza-se a universalidade da política, procurando passar
a idéia de que é cada vez mais tênue a linha divisória que separa os trabalhadores
rurais dos da indústria, que todos constituem uma única família, com direitos e
deveres iguais,unidos pelo ideário empresarial de vencer pelo esforço e pela
dedicação. À primeira vista, fica a impressão de que a política de benefícios sociais
é dádiva desinteressada, cuidadosamente formulada para atender aos anseios e às
necessidades de todos os trabalhadores, sem distinção. Esta é a imagem que as
empresas procuram passar para os trabalhadores e para a sociedade em geral: a
imagem de humanismo dos seus dirigentes e de utilidade social da organização que,
além de gerar muitos empregos, ainda oferece aos empregados a assistência que,
infelizmente, o Estado brasileiro nega ou negligencia à população.
Entretanto, observa-se que alguns serviços, como transporte, assistência médica,
são oferecidos como benefícios, mas, na verdade, trata-se do cumprimento de
direitos já conquistados em lei ou nos acordos coletivos de trabalho. A assistência
médica, geralmente, é oferecida em convênios com grupos de medicina privada e a
contribuição do trabalhador é compulsória, mediante desconto em folha de
pagamento. Ela é apresentada aos trabalhadores como um benefício; na realidade,
não passa de um direito trabalhista previsto na legislação. O Serviço Especializado
de Saúde e Medicina do Trabalho (SESMT), constituído pelas empresas, atende
exclusivamente emergências, acidentes do trabalho, exames clínicos e laboratoriais
de admissão, periódicos e demissionais, servindo como importante componente do
processo de seleção dos trabalhadores e no controle dos índices de rotatividade e
de absenteísmo.
Enquanto o índice de absenteísmo no setor administrativo dessas empresas é de
1%, aproximadamente, no setor rural ele ultrapassa a marca de 11%, sendo que a
maior parte das faltas é justificada via apresentação de atestado médico. Para inibir
o absenteísmo, uma usina convenceu os sindicatos de trabalhadores rurais a
introduzirem uma cláusula no acordo coletivo de trabalho que os proíbe de oferecer
assistência médica como serviço aos seus associados, por ser esta uma importante
fonte de justificativas de faltas ao trabalho.
Quanto à universalidade da política de benefícios sociais das empresas, observa-se
que nem todos os benefícios são extensivos aos trabalhadores rurais. Geralmente,
benefícios como alimentação, habitação, lazer, são exclusividade dos industriários e
dos trabalhadores do setor administrativo. Por exemplo, fica claro que o benefício de
moradia existe em função das necessidades das empresas e não das necessidades
dos trabalhadores, pois somente têm acesso à moradia na vila residencial das
usinas os chefes e funcionários indispensáveis à manutenção do funcionamento
ótimo e ininterrupto da empresa.
Apesar de afirmarem que a política de assistência social tem caráter universal, os
assistentes sociais confessam que a demanda pelos diferentes tipos de benefício
ocorre conforme as condições socioculturais do trabalhador. As solicitações dos
rurícolas restringem-se, predominantemente, aos benefícios mais essenciais e
acessíveis como assistência médica, farmacêutica e odontológica; este último
somente para procedimentos simples como extração, prótese e restauração.
Também é grande a demanda por gêneros alimentícios básicos, não havendo
procura por bolsas de estudo e assistência psicológica, por exemplo. Os critérios de
concessão dos benefícios assistenciais são estabelecidos e utilizados
exclusivamente pelos agentes de recursos humanos. O trabalhador, apesar de arcar
com parte das despesas requeridas para a manutenção da política de benefícios,
não participa dessas decisões. Apenas recebe os benefícios como dádivas, como
prêmios pelo bom comportamento demonstrado. Além disso, os critérios de
concessão funcionam como mecanismo de regulação do consumo de produtos e
serviços sociais. Ao serem implantados critérios economicamente inatingíveis, os
benefícios mais caros deixam de ser requisitados pelos trabalhadores com menor
poder aquisitivo, que são os que mais necessitam deles. Como vemos, na prática
definitivamente cai por terra o princípio da não distinção ou da integração
agricultura-indústria-administração que, ideologicamente, veicula a política de
benefícios sociais.
Devido às grandes extensões territoriais necessárias à produção sucroalcooleira, a
descentralização dos serviços assistenciais é importante. Mas, se, por um lado, a
descentralização realmente facilita o acesso dos trabalhadores contratados em
outros municípios aos serviços e equipamentos sociais disponíveis, por outro lado
também aumenta o poder de controle dos agentes de recursos humanos sobre os
trabalhadores. Nas grandes usinas, além de ser descentralizado, o atendimento das
assistentes sociais é personalizado e ininterrupto, contando com esquema de
plantão como se fosse um pronto socorro social. Freqüentemente faz parte da rotina
dos assistentes sociais a realização de visitas domiciliares para realizar avaliações
sócio-econômicas das famílias, investigar as causas do absenteísmo e das
ausências injustificadas no âmbito da vida pessoal ou familiar do trabalhador ou,
simplesmente, levar o apoio e a solidariedade da empresa àqueles que foram
vítimas de infortúnios. Desta forma, por um lado, os agentes acompanham de perto
o cotidiano das famílias e podem antecipar-se no atendimento das suas
necessidades, quando for conveniente para a empresa. Por outro lado, esta é uma
prática paternalista que reforça a dependência do trabalhador. Mas, por sua vez, o
comportamento dependente do trabalhador é importante para a empresa, porque
indica que o sistema de controle sobre eles é eficiente.
Em suma, a política de benefícios sociais do setor sucroalcooleiro continua sendo,
essencialmente, um instrumento gerencial de combate à rotatividade, de fixação do
trabalhador na empresa. Para os trabalhadores, ela representa salário indireto e
gratificação diferencial, conforme já observou Cabral (1990). No atual contexto de
incertezas quanto ao emprego e ao salário, a política torna-se, cada vez mais, um
importante mecanismo de controle e de regulação do comportamento político dos
trabalhadores, na medida em que os benefícios são concedidos somente àqueles
que aderem à ideologia empresarial de produtividade e qualidade.
Apesar de concentrar benefícios na área da saúde, a política de recursos humanos
também inclui o desenvolvimento de programas e atividades de lazer. As usinas,
geralmente, contam com boa infra-estrutura para o desenvolvimento de atividades
festivas, de lazer e esportivas, que são cuidadosamente planejadas para difundir
valores como os de integração e espírito de equipe, mediante a atividade lúdica.
Disputas esportivas entre seções, bailes, festejos e cultos religiosos comemorativos
no início e no final da safra, com a participação dos familiares e da comunidade etc,
são rituais que se repetem ano a ano. Eles expressam a preocupação de organizar
os trabalhadores para a cooperação, de promover a integração por meio da
instalação da competição sadia e controlada por regras disciplinadoras para que não
chegue a ser demasiadamente conflituosa.
No geral, predomina um distanciamento entre as diretrizes da política e as práticas
dos agentes de recursos humanos. A análise do percurso realizado pelo bóia-fria ao
ser contratado, mediante os principais programas técnicos de recursos humanos,
contribuiu para demonstrar a distância.
Os programas que envolvem o trabalhador rural são, basicamente, de recrutamento
e seleção de pessoal, de treinamento, de segurança e medicina do trabalho e de
serviço social. Tais programas desenvolvem-se organicamente articulados e
orientam-se por um sistema informatizado de dados relativos aos trabalhadores.
Este sistema permite aos gestores pesquisar e controlar permanentemente o
comportamento dos trabalhadores, no que se refere ao rendimento, absenteísmo,
ocorrências disciplinares, freqüência aos serviços médicos e motivos da procura,
requerimento de benefícios assistenciais etc. A informatização das atividades de
gestão, por um lado, possibilita o aperfeiçoamento contínuo do sistema e, por outro,
é importante instrumento de seleção controlada de trabalhadores.
Os programas técnicos preocupam-se com o estudo do cargo, a escolha do
trabalhador certo para o cargo certo, o treinamento, a avaliação do desempenho e a
combinação de mecanismos de premiação e punição para controlar o
comportamento dos trabalhadores. O programa de recrutamento e seleção tem por
finalidade selecionar mão-de-obra hígida, produtiva e disciplinada. No primeiro
momento, os critérios que o fundamentam são produtividade e disciplina; os agentes
da seleção são aqueles que diretamente controlam a quantidade e a qualidade do
trabalho na lavoura: feitores, fiscais e administradores. No segundo momento, o
critério básico é higidez suficiente para o desempenho do trabalho árduo na lavoura;
o agente da seleção é o médico do trabalho que, em última instância, exclui aqueles
trabalhadores que apresentam possibilidade de desenvolver patologias impeditivas
da realização do trabalho em questão: hipertensão, doenças cardíacas, respiratórias
e alérgicas, hérnias, comprometimentos na coluna vertebral e defeitos físicos
exuberantes.
Os treinamentos são peças fundamentais no processo de implantação dos
programas de qualidade total e visam a motivar e envolver a todos na perseguição
dos objetivos estratégicos da empresa: produtividade e qualidade. A reestruturação
exige a redefinição dos objetivos e das metas ou, como dizem, da missão
organizacional; o treinamento é o modo privilegiado de difusão e homogeneização
desses objetivos e metas em todas as áreas da empresa. Um gerente de recursos
humanos relatou que 80% das diretrizes estabelecidas no processo de redefinição
da missão organizacional diziam respeito à sua área e que um levantamento das
necessidades organizacionais demonstrou que um dos maiores problemas era a
coexistência de uma grande diversidade de entendimentos sobre os objetivos da
organização, o que resultava no funcionamento desarticulado das três grandes
empresas que compõem a agroindústria: agrícola, industrial e administrativa. Os
treinamentos são considerados importantes mecanismos de unificação do ideário
organizacional, meio pelo qual se qualificam os trabalhadores para contribuírem no
alcance dos objetivos, trabalhando de acordo com as normas e metas
organizacionais. Eles não se restringem à mera transmissão/difusão de conteúdos
técnicos relevantes para o bom desempenho da função; também procuram,
permanentemente, promover mudanças comportamentais nos trabalhadores.
No setor industrial, o treinamento tanto tem sido do tipo formal, contabilizado em
horas/homem/mês(3), como também é contínuo e incorporado no cotidiano da
produção, mediante a constituição dos chamados grupos de ação corretiva e
melhoria contínua e da implantação de programas como o 5S (4), por exemplo. O
objetivo dos treinamentos e dos programas é, por um lado, difundir e harmonizar as
metas organizacionais e, por outro, motivar e envolver a todos na perseguição dos
objetivos comuns, desenvolvendo, principalmente, a capacidade de ter iniciativa
para o trabalho.
Uma das conseqüências negativas da utilização dessas técnicas gerenciais para os
trabalhadores é a intensificação do ritmo de trabalho porque, além das tarefas
rotineiras da produção, os trabalhadores passam a se preocupar também com a
limpeza e a conservação do ambiente de trabalho. Um membro de um dos grupos
de melhoria contínua declarou que, na sua opinião, o 5S é um programa que motiva
a pessoa para o trabalho: "você vê, as moças de lá querem limpar, querendo ver
aquele negócio [o setor de empacotamento de açúcar] limpo. Nunca tiveram
motivação para isto" (engenheiro de segurança). Segundo o entrevistado, no setor
em exame, as funcionárias, por iniciativa própria, reorganizaram o trabalho de tal
modo que algumas se prontificaram para pintar corrimãos de escadas, concertar e
limpar pequenas máquinas e instrumentos de trabalho nos momentos de
ociosidade.
Outra possível conseqüência negativa para os trabalhadores é que pode ocorrer a
extensão dos comportamentos aprendidos na empresa para a sua própria casa, no
âmbito da convivência mais pessoal e familiar, ou seja, no âmbito das suas relações
mais subjetivas. Neste sentido, outro membro do grupo de melhoria contínua desta
empresa declarou:
"a gente está tentando abrir a cabeça do funcionário da importância desse trabalho
até mesmo dentro de casa, porque eu sei que o nosso funcionário é assim
[desmotivado] porque ele é assim dentro de casa [...] às vezes eu faço visitas
domiciliares [como assistente social da empresa]; então você conhece a residência,
você vai até a fonte do mesmo; logicamente você sabe que da mesma forma que ele
é no trabalho ele é em casa [...] Por isso nós precisamos começar um trabalho de
base, [de conscientização] da importância, do conforto que gera, dos retornos desse
trabalho" (assistente social).
É evidente o conteúdo de tecnologia disciplinar que possuem esses programas de
racionalização e intensificação do ritmo de trabalho e suas técnicas gerenciais. Eles
lembram muito a criação dos denominados Departamentos de Beleza do Trabalho,
criados na Alemanha na década de trinta e que, segundo Heloani (1996, p. 57, grifo
no original), objetivavam a higienização e o embelezamento do ambiente de trabalho
como forma de "difundir mecanismos docilizadores na percepção do trabalhador. Ou
melhor: objetivava o aumento da produtividade em retribuição aos benefícios
recebidos".
No setor rural, geralmente o denominado treinamento é apenas uma reunião
destinada a integrar os trabalhadores à empresa, apresentando-lhes as normas
básicas do seu funcionamento. O objetivo específico é diminuir os índices de
absenteísmo, uma vez que este é um dos principais fatores que influem no
rendimento do trabalho rural. Para inibir o absenteísmo rural, utilizam-se
instrumentos pedagógicos, como cartazes e painéis, que contêm tabelas
demonstrativas de perdas salariais e direitos trabalhistas, na tentativa de provar que
as faltas acarretam prejuízo monetário ao trabalhador. O sistema informatizado de
dados sobre os trabalhadores auxilia na identificação dos faltosos, apontando o
motivo das ausências. Como a grande maioria das faltas é justificada via
apresentação de atestado médico, pois esta é uma das estratégias dos
trabalhadores para enfrentar o desgaste provocado pela atividade penosa com
prejuízo mínimo para o salário, o tema saúde e segurança no trabalho recebe
atenção especial durante os treinamentos.
A saúde é entendida estritamente do ponto de vista da assistência médica. Esta é
apresentada como direito; estabelecem-se as regras para o seu uso. O trabalhador é
informado sobre como a empresa identifica os freqüentadores dos serviços de saúde
que não são portadores de enfermidades impeditivas da realização do trabalho. Esta
é uma forma de inibir a demanda por assistência médica, de educar o trabalhador
para comparecer aos serviços de saúde apenas quando se encontram no limite da
sua capacidade de tolerar os agravos das enfermidades, ou quando estas interferem
no rendimento do trabalho. As empresas medem a higidez do trabalhador rural pela
sua capacidade de permanecer ausente dos serviços de saúde.
Outro fator que contribui para elevar o absenteísmo são os acidentes de trabalho.
Entretanto, no treinamento, a apresentação das Normas Regulamentadoras do
Trabalho Rural (NRRs), que dispõem sobre as regras mínimas de higiene e
segurança nas frentes de trabalho rurais, é superficial. Na verdade, a abordagem
dessas normas é pretexto para imposição do modo de trabalhar prescrito pelos
técnicos, que visa à qualidade e ao máximo aproveitamento da matéria-prima em
detrimento da saúde e da segurança do trabalhador. Além de prescrever o modo de
trabalhar, os técnicos também identificam os riscos da atividade e decidem sobre a
necessidade ou não do uso de equipamentos de proteção individual (EPI's). Os
feitores fazem cumprir as determinações técnicas, aplicando penalidades aos
infratores. Ao trabalhador não cabe nenhum papel na vigilância e no controle do
processo de trabalho, na eliminação dos seus elementos nocivos à saúde.
O treinamento aborda ainda as regras para os rurícolas usufruírem dos benefícios
assistenciais, que passam pelo bom comportamento diante dos chefes e colegas de
turma e, principalmente, pelo cumprimento das metas de produção. Coloca-se
também a necessidade de os trabalhadores observarem um conjunto de
comportamentos de conteúdo moral, referentes à proibição de atitudes que podem
gerar ócio ou violência (uso de armas, bebidas alcoólicas, respeito ao sexo oposto,
por exemplo), e político, se referentes ao incentivo à participação nas organizações
sindicais.
As mudanças também se fazem perceber no âmbito das relações sindicais. Depois
dos acontecimentos de Guariba, em 1984 e 1985 (D'Incao, 1984; Ferrante, 1991;
Alves, 1991), e os subseqüentes (Silva, 1995), não convém aos empregadores
negar a existência das organizações sindicais rurais, principalmente na região de
Ribeirão Preto, mesmo considerando as suas dificuldades para mobilizar e organizar
a categoria. O mais sensato é administrar profissionalmente a existência dessas
organizações e até antecipar-se a elas no trabalho de formar uma consciência mais
adequada. Neste ponto, as empresas contrariam a orientação taylorista/fordista de
ignorar e combater a organização sindical, e incentivam a participação dos
trabalhadores nos sindicatos, mas desde que os seus projetos e práticas sejam
isentos de conteúdos contrários aos da empresa. Os sindicatos apenas são
reconhecidos pelas empresas quando pactuam e se harmonizam com os objetivos
empresariais, desempenhando funções predominantemente assistencialistas e
paternalistas. Isto é, quando o sindicato se limita a ser um parceiro da empresa na
concessão de alguns benefícios sociais que ajudem na reprodução adequada dos
trabalhadores.
Acima de tudo, esta estratégia empresarial no campo das relações sindicais permite
harmonizar a convivência da empresa com os sindicatos e manter o comando da
gerência sobre os trabalhadores. A manutenção de boas relações com os
sindicalistas ajuda a diminuir as resistências e facilita a introdução das mudanças
necessárias no processo produtivo. Assim, a empresa consegue, com o apoio do
sindicato, a flexibilidade necessária para sobreviver e ampliar-se.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em síntese, os casos estudados permitem afirmar que a atual política de recursos
humanos do setor sucroalcooleiro visa, sobretudo, a formar opinião pública favorável
à reestruturação produtiva, ao mesmo tempo que envolve os trabalhadores na
direção do alcance das metas organizacionais, no sentido de elevar os índices de
produtividade com máxima qualidade e baixo custo. De modo geral, a uma política
elaborada com base em um discurso científico, aparentemente consensual e
pretensamente humanístico e participativo, contrapõe-se uma prática organizacional
racionalista, que busca a produtividade e a qualidade.
A política de recursos humanos, apesar de incorporar um discurso humanístico e
participativo, não representa uma superação do tradicional modelo de gestão
taylorista/fordista predominante no setor. Aos princípios e técnicas
taylorista/fordistas de organização da produção incorporam-se alguns princípios e
técnicas do modelo gerencial da Escola de Relações Humanas, o ideário da
qualidade total (tão abundante nos inúmeros manuais e receituários que têm sido
publicados sobre o assunto) e, ainda, algumas técnicas do chamado modelo
japonês (Hirata, 1993) para redirecionar a gestão de recursos humanos no sentido
de obter produtividade, qualidade e redução de custos. Na prática, ela não se traduz
em melhoria real na qualidade de vida dos trabalhadores rurais. Pelo contrário, por
tratar diferenciadamente os trabalhadores, conforme a modalidade contratual
(diretamente contratados e subcontratados) e/ou conforme o desempenho individual,
ela contribui para dificultar o processo de mobilização e organização da categoria
para reivindicar os seus direitos em geral, especialmente em relação à saúde e
segurança no trabalho. As ações empresariais desenvolvidas nas áreas da saúde e
segurança no trabalho tornam-se instrumentos privilegiados de controle e de
adequação do trabalho às exigências do processo produtivo. Elas derivam do
modelo tradicional da medicina do trabalho e contribuem para criar representações
sobre saúde e segurança no trabalho que convém aos interesses das empresas. Ao
mesmo tempo que procuram preservar os trabalhadores, compensando,
minimamente, os efeitos danosos causados pelas novas formas de organização da
produção, criam novos hábitos e modos de vida adaptados às necessidades da
produção. O que está em questão é a produtividade e a qualidade do trabalho e não
a qualidade de vida dos trabalhadores.
Este modo de gestão dos recursos humanos dificulta o processo organizativo dos
trabalhadores rurais, porque os divide na negociação e luta pela defesa dos seus
interesses. De um lado, os diretamente contratados, beneficiados pela política de
benefícios sociais, afastam-se das formas de organização coletiva e passam a lutar
individualmente pela preservação do emprego; do outro lado, encontram-se aqueles
que, excluídos da produção e/ou contratados indiretamente, ainda lutam pelo
cumprimento de direitos elementares como registro em carteira e remuneração
mínima. Pode-se afirmar que a política de gestão constitui o principal recurso para o
desenvolvimento de uma proposta pedagógica que, por um lado, visa à qualificação
técnica e, por outro, à desqualificação político-organizativa dos trabalhadores.
Assim, a política de gestão de recursos humanos do setor sucroalcooleiro em muito
contribui para que os trabalhadores não reconheçam a saúde como processo social,
mediado também por questões de ordem econômica e política, e um direito básico
de cidadania. Eles tratam a saúde como questão estritamente biológica, individual e
curativa, isenta de relações com seus modos específicos de trabalhar e viver, apesar
de ser o próprio corpo o único bem que possuem.

NOTAS
1 Considera-se que a macrorregião canavieira de Ribeirão Preto é formada pelas
regiões administrativas de Barretos, Central, Franca e Ribeirão Preto.
2 A Escola de Relações Humanas é um modelo gerencial que surgiu na década de
vinte; em linhas gerais, tem como princípio básico a valorização do homem e das
relações grupais no ambiente empresarial. O objetivo maior é o de criar clima
harmônico e favorável ao bem-estar material e social e conduzir os membros da
organização para a auto-realização. Tratemberg (1989) considera retórico o
humanismo apregoado por este modelo de gestão. Primeiramente, porque o
administrador recorre à sua autoridade para garantir a produtividade; em segundo
lugar, porque a metodologia utilizada, essencialmente behaviorista, procura adaptar
o indivíduo ao meio, sem que este seja qualitativamente transformado. O referido
autor alega que, por meio de técnicas não-diretivas e catárticas, procura-se provocar
a exteriorização das tensões individuais internas para eliminar ou, pelo menos,
aliviar os conflitos organizacionais. Com isto, facilita-se a comunicação e a
integração dos diferentes níveis hierárquicos e obtêm-se dos indivíduos atitudes de
cooperação e solidariedade e, sobretudo, de aceitação da autoridade e das
diretrizes administrativas. Assim, no interior da empresa, as relações sociais
transformam-se em pessoais e ignoram-se aquelas que se dão fora do seu âmbito
político (com o sindicato, por exemplo), no sentido de que todos os conflitos e os
problemas emergentes podem ser solucionados sem a interferência de outros.
3 O número de horas/treinamento/homem de uma das empresas estudadas foi de 8,
em média, entre os meses de outubro de 1995 e fevereiro de 1996. Nota-se que não
há registro da ocorrência de treinamentos entre março e setembro de 1996, período
do ano que coincide com a época da safra.
4 O 5S é um programa que objetiva reorganizar o ambiente produtivo como forma de
iniciar um processo de mudança comportamental nos trabalhadores. Os Ss
significam senso de organização, de ordem, de limpeza, de saúde e de auto-
disciplina e se traduzem em um conjunto de regras que devem ser implementadas
gradativamente e obedecidas no dia a dia de trabalho. Tanto a proposição como o
controle e a fiscalização do cumprimento das novas regras de ordenamento e
conservação do espaço de trabalho são realizadas pelos próprios trabalhadores,
através da formação de equipes compostas por elementos de diferentes setores da
empresa, os denominados grupos de melhoria contínua, comitê guia, comitê
corporativo etc.

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Rosemeire Aparecida Scopinho, é Mestre em Educação pela Universidade


Federal de São Carlos e Doutoranda em Sociologia na Universidade Estadual
Paulista de Araraquara. Professora e Coordenadora do Curso de Terapia
Ocupacional da Universidade de Uberaba. Suas áreas de interesse em pesquisa são
saúde do trabalhador e organização do trabalho.
O PERFIL DO PEDAGOGO PARA ATUAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO-
ESCOLARES1

2
Profa. Dra. Mary Rosane Ceroni

RESUMO
Com as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea que enfatiza
compromissos com a inclusão social, percebemos a direta repercussão nos
processos formativos dos profissionais da educação, no caso específico, no Curso
de Pedagogia do UniFMU/SP. Acompanhamos de perto o estudante de Pedagogia
buscando sua formação para a atuação em ambientes não escolares, por meio da
habilitação oferecida em Supervisão de Ensino nas Empresas, do Programa
Educação para a Solidariedade, no Módulo Orientação Vocacional e Preparação
para o Mercado de Trabalho, e através do curso de Pós Graduação Pedagogia
Empresarial. No Grupo de Pesquisa Educação e Inclusão Social, na Linha Gestão
Educacional e Educação Profissional, este estudo, aprovado pelo Comitê de Ética,
tem por objetivo definir o perfil do Pedagogo que exerce suas atividades
profissionais em espaços não escolares, o que implica: pensar nas políticas
educacionais no Brasil, na responsabilidade de um comprometimento com a
qualidade social voltada para a cidadania e para a inclusão; e propiciar aos
pedagogos a compreensão de sua capacidade profissional e o desenvolvimento de
competências em ambientes que extrapolem as unidades escolares e ainda,
aumentem suas áreas de atuação, para que se tornem cada vez mais empregáveis.
Apresenta-se neste estudo o perfil do pedagogo em espaços não escolares.
Palavras-chave: Pedagogia; Pedagogia Social; formação; Educação não-formal;
perfil profissional.

Objetivos do Estudo
O objetivo geral deste estudo é definir o perfil do Pedagogo que exerce suas
atividades profissionais em espaços não escolares.
Para melhor entendimento do objetivo geral, apresentamos os seguintes objetivos
específicos: a) discutir situações educativas ao realizar pesquisas para a produção
de conhecimentos teóricos e práticos; b) identificar o pedagogo que atua na área
empresarial e ONGs, traçar seu perfil e comparar os resultados obtidos; c) definir, a
partir da prática profissional dos Pedagogos pesquisados na primeira fase, o perfil
do Pedagogo para atuar em ambientes não escolares.

Problema
Na UniFMU por meio da habilitação do curso de Pedagogia: Supervisão de Ensino
nas Empresas (Treinamento e Desenvolvimento), do Projeto Educação para a
Solidariedade no Módulo: Orientação Vocacional e Preparação para o Mercado de
Trabalho e também através do curso de Pós Graduação: Pedagogia Empresarial,
pudemos ver e acompanhar de perto o Pedagogo buscando sua formação para a
atuação em ambientes não escolares.

Justificativa
Com a mudança cultural, financeira, política, tecnológica que vem ocorrendo
aceleradamente nos últimos anos, pudemos perceber a interferência destas
mudanças na área educacional e profissional de várias formações, no caso em
específico desta pesquisa: o Pedagogo.
Podemos acompanhar diariamente profissões antigas e tradicionais sendo
substituídas por novas atuações com novos requisitos em termos de conhecimentos
e perfil profissional. Como profissionais da educação e professores do curso de
pedagogia, sentimos a necessidade de realizar esta pesquisa com a intenção de
possibilitar aos pedagogos a compreensão de sua capacidade de atuação
profissional em ambientes que extrapolem as unidades escolares e aumentar suas
áreas de atuação com o objetivo que se tornem cada vez mais empregáveis. Para
tanto é necessário que o curso de formação forneçam elementos que façam com
que estes profissionais tenham segurança e competência profissional.
Este trabalho tem a finalidade de análise e apresentação dos resultados obtidos com
relação ao perfil do pedagogo que atua em espaços não escolares, realizados sob o
enfoque do novo profissional exigido pela sociedade contemporânea, que deverá,
sobretudo, ser capaz de integrar a dimensão teórica a uma preocupação com a
prática cotidiana do fazer institucional, bem como de garantir a articulação entre as
abordagens da gestão do trabalho administrativo, pedagógico e comunitário, como
também, da educação profissional, desenvolvidos em espaços não escolares,
evitando-se a fragmentação deste estudo.

Embasamento teórico-metodológico
Este trabalho desenvolve-se de forma a entender o perfil profissional do Pedagogo a
partir da sua atuação em espaços não escolares. Utilizamos como base inicial, para
o referencial teórico a revisão da literatura.
Nosso critério de seleção se fez da seguinte forma: Seleção de 50 empresas e 50
ONGs que possuem pedagogos atuando em seu quadro funcional, indicadas pelos
professores envolvidos no projeto de pesquisa do UniFMU do curso de Pedagogia.
Para podermos conhecer o Pedagogo que atua em espaços não escolares,
primeiramente precisamos identificá-lo. Como hoje temos uma grande variedade de
opções, resolvemos por pesquisar e encontrar estes profissionais em dois
segmentos que tem grandes possibilidades e que estão em crescimento e atuando
como reflexo do mundo do trabalho: Empresas Privadas e Organizações Não
Governamentais (ONGs) estabelecidas na grande São Paulo.
No mundo contemporâneo, com as mudanças nas relações de trabalho, as
empresas também precisaram se reorganizar em relação aos cargos, funções e
atividades dentro das organizações, Minarelli (1996, p. 17 e 18) assim se posiciona:
"As grandes empresas e corporações, para sobreviver à crise econômica mundial e
atender às novas demandas do mercado, eliminaram ou redesenharam cargos e,
em muitos casos, operações inteiras." E em relação às pessoas atuando dentro
deste novo contexto profissional, o mesmo autor (1996, p.18) pondera: "Os
trabalhadores precisarão reciclar-se periodicamente para manter seus
conhecimentos atualizados e desenvolver outras habilidades."
O mesmo autor completa dizendo que esta mudança tem um deslocamento do foco
no trabalho onde antes era enfatizado as atividades manuais e hoje, a atenção em
relação aos trabalhadores está centrada no intelecto.
Estes acontecimentos são resultantes da nova relação de trabalho estabelecida no
mundo moderno, onde se pode perceber a necessidade de um profissional com um
perfil voltado a ajudar a organização, de qualquer segmento, a atingir os seus
objetivos e metas organizacionais. Onde a atuação deste profissional está mais
relacionada a seu perfil em consonância com a organização, do que a determinação
de uma formação acadêmica. Isto se dá porque as necessidades do mundo do
trabalho hoje estão mais voltadas a uma visão ampliada e rica do mundo e também
por sabermos que alguns conteúdos específicos para a realização de uma tarefa
pode ser facilmente aprendido, mas interação entre as habilidades do profissional e
da instituição já é uma questão mais profunda e difícil de ser encontrada e
desenvolvida.
Percebemos que o mundo do trabalho globalizado tem como tarefa repensar novas
formas de relações trabalhistas que possam em alguma medida, organizar o
processo de trabalho e as influências que articulam o desenho do novo mapa do
mundo.
Um dos setores mais sensível, e por isto, mais desestabilizável, é o meio acadêmico,
universitário, de onde provém toda a gama de profissionais lançados em um mundo
já afetado, e ainda não estabilizado, em face de inexorabilidade da impactologia da
maré globalizante que, atinge a todos os setores de atividade humana.
A constatação da fragmentação dos saberes traz um desafio para a educação e
ensino contemporâneos: religar os conhecimentos dispersos - o que exige uma nova
postura dos sujeitos diante da dinâmica dos sistemas vivos planetários. Para Morin
(2001, p.10), educação e ensino são termos que se confundem e se distanciam
igualmente:
A "Educação" é uma palavra forte: "Utilização de meios que permitem assegurar a
formação e o desenvolvimento de um ser humano (...)". O termo "formação", com
suas conotações de moldagem e conformação, tem o defeito de ignorar que a
missão do didatismo é encorajar o autodidatismo, despertando, provocando,
favorecendo a autonomia do espírito. O ensino, arte ou ação de transmitir os
conhecimentos a um aluno, de modo que ele os compreenda e assimile, tem um
sentido mais restrito, porque apenas cognitivo. A bem dizer, a palavra ensino não
me basta, mas a palavra educação comporta um excesso e uma carência."
Assim, verificamos que é de responsabilidade muito especial e pertinente que a
Universidade não apenas acompanhe a reboque as profundas e rápidas
transformações que estão ocorrendo, sobretudo se antecipe, na formação de
profissionais da educação com as qualificações e o perfil que a sociedade do século
XXI exige.
Destacamos, desta maneira, que esta é uma ação desestabilizadora que atinge, em
última instância, as entranhas dos currículos e programas da Universidade. A
mudança das reformas dos anos 80 e 90, pouco a pouco trazem novos desafios
para o curso de Pedagogia e percebemos que estas alterações legais associadas às
transformações e exigências sociais fizeram com que, a atuação do Pedagogo,
ultrapassasse as fronteiras das escolas e cargos executivos (diretorias, secretarias,
ministério) e este profissional passa a atuar em outras instituições, até porque as
transformações ocorridas no currículo da Pedagogia o capacita para tal.
Há duas décadas, nas várias organizações científicas e profissionais de educadores,
tem se debatido em todo o país, questões relativas ao campo de estudo da
Pedagogia, da identidade profissional do pedagogo, do sistema de formação de
pedagogos, da estrutura do conhecimento pedagógico (LIBÂNEO, 1999).
Libâneo (1999, p.59) complementa:
"Todos os educadores seriamente interessados nas ciências da educação, entre
elas a Pedagogia, precisam concentrar esforços em propostas de intervenção
pedagógica nas várias esferas do educativo para enfrentamento dos desafios
colocados pelas novas realidades do mundo contemporâneo."
Diante dos desafios atuais no campo da Educação com mudança na legislação,
mudança do currículo dos cursos de Pedagogia, muitas polêmicas giram em torno
desses cursos e de qual seria sua função neste momento. A Pedagogia deveria
estar integrada ao ensino e a pesquisa, pois não é possível pensar num pedagogo
que não saiba, ou que não possa ensinar/pesquisar.
É imprescindível adequação do currículo a ser desenvolvido com a formação do
novo educador, que deverá, sobretudo, ser capaz de integrar a dimensão técnica a
uma preocupação com a ética, a estética, a política e a prática cotidiana do fazer
escolar (RIOS, p. 2002), ou de garantir a articulação entre as abordagens da
docência e da gestão do trabalho administrativo, pedagógico e comunitário,
desenvolvidos em espaços de educação formal e não formal, evitando-se assim, a
fragmentação na formação deste profissional.
Desta forma, é necessário entendermos que, na docência do ensino superior, deve
ser dada ênfase às ações do estudante "para que possa aprender o que se propõe;
que a aprendizagem desejada engloba, além dos conhecimentos necessários,
habilidades, competências e análise e desenvolvimento de valores, não há como se
promover essa aprendizagem sem a participação e parceria dos próprios
aprendizes" (MASETTO, 2003, p.23).
Destacamos assim, algumas importantes linhas de ação propostas por Masetto
(2003):
"Trabalhar com pesquisa, projetos e novas tecnologias, [...] são caminhos
interessantes que, ao mesmo tempo em que incentivam a pesquisa, facilitam o
desenvolvimento da parceria e co-participação entre professor e aluno. (p.23). A
mudança está na transformação do cenário do ensino, em que o professor está no
foco, para um cenário de aprendizagem, em que o aprendiz (professor e aluno)
ocupa o centro e em que professor e aluno se tornam parceiros e co-participantes do
mesmo processo. (p.24)."
Notamos que um dos dilemas com que se defronta o ensino superior é a
coexistência da pesquisa e da formação profissional. Assim, conhecimento e
pesquisa se manifestam em organismo social e, como tal, a Universidade deve
constituir-se em um sistema aberto.
Na Universidade, esta visão tem se manifestado na ênfase da definição de quais as
habilidades e competências que se devem desenvolver com base na
empregabilidade. O que significa que essas habilidades e competências estão
infinitamente relacionadas com a atividade profissional, exigindo que a formação
acadêmica se preocupe com o mercado de trabalho, resultando na busca de meios
eficientes para a interação universidade/sociedade, com a preocupação de
diagnosticar as demandas e conciliar o saber/fazer, tornando o ensino superior em
laboratórios da realidade.
Esse processo de transformação provoca a necessidade mais exigente de formação
das competências a serem perseguidas em um ensino de qualidade. Com isso,
ampliou-se a pesquisa científica na atividade acadêmica do educador, emergindo a
preocupação com a gestão educacional, entendendo a instituição de ensino como
berço do empreendorismo que fomenta planejamento com propostas renovadoras,
que analisam o eixo teórico-filosóficos das relações educativas, tendo em vista os
contextos sócio-econômicos e políticos.
O educador percebe que mudança pedagógica é não só promover a auto-
aprendizagem de seu aluno fora da sala de aula, mas também ele próprio vivenciar
novas experiências e caminhar para novas descobertas de suas habilidades e
competências fora da abrangência escolar. Passou a buscar, então, novas matizes
pedagógicas, ampliando a dimensão pessoal e social do conceito de educador.
Por isso, quando a legislação educacional passa a exigir, na atualidade, que a
universidade cumpra sua responsabilidade social, encontra um educador consciente
de seu papel de agente de transformações e multiplicador de valores.
A concretização e alcance dos resultados desta ação precisam promover condições
para que este profissional possa caminhar com confiança e segurança em sua
trajetória profissional, conquistando a eficácia de sua formação ao desempenhar o
seu real papel na sociedade (MONEZI, 2003, p.60):
"Para um projeto educativo interdisciplinar ser bem sucedido, é necessário que o
professor, envolvido e comprometido com a educação e com seus pares, apresente
coerência entre sua visão e sua ação, o que contribuirá eficazmente com o processo
de construção e reconstrução da sociedade: porque não há projeto sem sonho e
sem vontade de futuro [...]."
Consolida-se assim, a interação sujeito-objeto, ou sujeito-sujeito, cuja noção
dialética é a interdependência, considerada aqui como critério fundamental para que
esta relação torne possível a vida comunitária, em um contexto de ajuda mútua -
apresentando nas ações a efetiva participação de programas de solidariedade.
De acordo do as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia
aprovado em dezembro de 2005, em Finalidade do Curso de Pedagogia, destaca
que a educação do Pedagogo deve propiciar estudos de campos do conhecimento ,
tais como o filosófico, o histórico, o antropológico, o ambiental-ecológico, o
psicológico, o lingüístico, o sociológico, o político, o econômico, o cultural, para
nortear a observação, análise, execução e avaliação do ato docente e de suas
repercussões ou não em aprendizagens, bem como orientar práticas de gestão de
processos educativos escolares e não escolares, além da organização,
funcionamento e avaliação de sistemas e de estabelecimento de ensino.
Em relação à atuação do pedagogo em espaços não escolares, o mesmo
documento ressalta que o perfil do graduado em Pedagogia deverá contemplar
consistente formação teórica, diversidade de conhecimentos e de práticas, que se
articulam ao longo do curso. A dimensão a seguir é assim enfatizada:
"[...] gestão educacional, entendida numa perspectiva democrática, que integre as
diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos
escolares e não-escolares, especialmente no que se refere ao planejamento, à
administração, à coordenação, ao acompanhamento, à avaliação de planos e de
projetos pedagógicos, bem como análise, formulação, implementação,
acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área de
educação."
Dentro deste contexto, apresentamos o perfil traçado para o egresso do curso de
Pedagogia apresentado neste documento. O egresso deverá estar apto a:
"[...] atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade
justa, equânime, igualitária; trabalhar, em espaços escolares e não-escolares, na
promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento
humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo; identificar
problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa, integrativa e
propositiva em face de realidades complexas, com vistas a contribuir para superação
de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas e
outras; demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de
natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes
sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras;
desenvolver trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área educacional e
as demais áreas do conhecimento;participar da gestão das instituições em que
atuem planejando, executando, acompanhando e avaliando projetos e programas
educacionais, em ambientes escolares e não-escolares; realizar pesquisas que
proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre seus alunos e alunas e a
realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares;
sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-
ecológicos; sobre propostas curriculares; e sobre a organização do trabalho
educativo e práticas pedagógicas."
Formarmos o pedagogo para tal finalidade passa ser uma ação necessária.
Destacamos neste estudo, a formação generalista deste profissional com ênfase em
gestão da educação e da aprendizagem no seu objeto de estudo - o processo
educativo voltado à educação formal e não formal, à educação profissional em
sistemas educacionais escolares e não escolares. É preciso apresentar ampla
variedade de situações circunstanciais para que a aprendizagem ocorra de fato.
Ressaltamos aqui, a inovação como resultado do equilíbrio entre o saber acumulado
coletivamente e o estudo da realidade concebida em seu conjunto, em sua
diversidade e em sua multiplicidade (MONEZI, 2003, p. 60).
Evidenciamos que a universidade e o meio acadêmico não podem se furtar ao
chamamento que se lhes é imposto, e as graves responsabilidades de que são
depositários como fórum competente que se constituem para o debate, a reflexão, a
exposição de idéias e a consolidação de ideais, com base em uma educação
compreensiva significativa, apresentando-se para tal finalidade uma postura
interdisciplinar para a construção coletiva de programas de atendimento solidário à
comunidade. Este fórum permanente de debate confirma-se por meio de projetos
interdisciplinares - apresentando nas atividades desenvolvidas eficiência, eficácia e
efetividade na busca da qualidade nos relevantes serviços prestados à comunidade
local.
Desta maneira, os educadores estarão envolvidos e comprometidos com o
autodesenvolvimento e a qualidade social, principalmente, com o desenvolvimento
da qualidade de vida da comunidade onde residem e prestam seus serviços.
Mestres que, motivados em contribuir com suas visões e ações nos ambientes
educacionais, demonstram vontade de aprender a aprender, aprender a ser, a fazer,
a viver juntos (DELORS, 1998) e flexibilidade para mudar e fazer a diferença no
mundo.
Assim, a otimização no processo de formação do educador, para o mundo
globalizado, implica em conquista da autonomia para a construção do próprio
caminho na nova trajetória transformacional, o que exige atitude resiliente, ou seja,
posturas pró-ativas, organizadas, éticas, positivas, flexíveis, bem como iniciativas
educacionais que valorizem a diversidade; e ainda, em participação efetiva nos
relacionamentos interpessoais não só em espaços escolares, como também em
espaços não escolares.

Metodologia da Pesquisa
A pesquisa "O Perfil do Pedagogo que Atua em Espaços Não Escolares", faz parte
da linha de pesquisa: Gestão Educacional e Educação Profissional do Centro
Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - UniFMU, e foi desenvolvida
durante os anos de 2004 e 2005.
O questionamento e interesse que motivaram esta pesquisa foi primeiramente,
investigar em empresas do setor privado e organizações não governamentais
(ONGs), os pedagogos que estão atuando nestes segmentos, quais são as
atividades exercidas por estes, para depois da identificação destes profissionais,
fazer juntamente com os mesmos, um trabalho de definição do perfil do Pedagogo
que atua em espaços não escolares.
Nosso critério de seleção se fez da seguinte forma: seleção de 50 empresas e 50
ONGs que possuem pedagogos atuando em seu quadro funcional, indicadas pelos
professores envolvidos no projeto de pesquisa do UniFMU do curso de Pedagogia.
Este contato foi realizado através de um envio de um envelope selado por parte dos
pesquisadores contendo: o objetivo da pesquisa, as instruções, o questionário, a
carta e um envelope selado para a resposta. As repostas obtidas pressupõem que
as pessoas concordaram em participar da pesquisa não se fazendo necessário uma
carta de consentimento.
A metodologia envolveu a análise estatística neste momento da pesquisa para o
levantamento numérico e análise descritiva para a definição do perfil. Assim
pudemos identificar o pedagogo que atua nessas áreas, traçar seu perfil e comparar
os resultados obtidos entre as empresas e ONGs pesquisadas. Esta pesquisa pode
no futuro ser ampliada para uma análise qualitativa se houver interesse de
ampliação do tema.

Resultados
Esta pesquisa teve sua origem, como mencionado no início desta estudo, nas
diversas atividades e formações oferecidas pela UniFMU para a atuação do
Pedagogo em espaços e atividades além das exercidas em unidades escolares.
Assim, este estudo teve a intenção de ser desenvolvido a partir das reflexões sobre
as transformações do processo educacional, do mercado de trabalho, e do perfil
profissional requerido nos dias de hoje. O que implica também pensar nas políticas
educacionais no Brasil contemporâneo, na responsabilidade de um
comprometimento com a qualidade social, voltado para a cidadania e para a
inclusão.
Nesta perspectiva, destacamos neste trabalho a necessidade de pensar a educação,
a atuação de profissionais nas organizações não escolares, em concordância com
os outros componentes da prática educativa, destacando a figura do pedagogo.
Evidenciamos a exigência de um novo perfil de trabalhador, com um nível de
qualificação cada vez maior. Esses atributos parecem enfatizar aptidões cognitivas e
conhecimentos teóricos. A valorização recai sobre o raciocínio, capacidade de
aprender, capacidade de resolução de problemas e capacidade de tomada de
decisão, entre outras, desconsiderando tudo o que leve a tarefas fragmentadas e
repetitivas.
Da Coleta dos Dados
Conforme previsto no projeto, enviamos pelo correio cinqüenta questionários
direcionados para (50) ONGs e (50) Empresas da grande São Paulo e recebemos
em torno de 12% de respostas válidas para registro e análise: seis (06) de
profissionais que atuam em ONGs, e de seis (06) que atuam em Empresas.
Dados Pessoais
Os questionários foram respondidos por 100% de indivíduos do sexo feminino nas
ONGs e por 83,33,66% nas empresas. Com relação ao sexo masculino apenas
16,66 % responderam ao questionário. Há uma clara predominância feminina na
formação de pedagogos e conseqüentemente,este aspecto se estabelece neste
público pesquisado.
De modo geral esses profissionais possuem faixa etária que gira em torno de 31 a
40 anos (41,67%), conforme demonstração na tabela a seguir:
Quanto às funções e departamentos ocupados pelos profissionais que atuam em
empresas, verificamos que são, em sua maioria da área de Recursos Humanos:

Já nas ONGs, percebemos que as funções são mais diversificadas, com


predominância na área de projetos, seja na coordenação ou execução, conforme
quadro a seguir:
Salários
Pudemos observar que os indivíduos que atuam em empresas possuem um nível
salarial mais elevado, 33% possuem médias salariais entre mil e dois mil reais e
33% acima de quatro mil reais. Já nas ONGs os salários estão mais distribuídos em
todas as categorias.
Outras Atividades Profissionais Exercidas
Os resultados também revelam que um número significativo dos entrevistados (75%)
já atuou como professor em algum momento de sua carreira e em sua grande
maioria são os que atuam em ONG´s.
Quando perguntamos para estes profissionais das empresas se já haviam atuado
como docentes, responderam que o fizeram entre períodos que variavam de um (1)
ano a trinta (30) anos.
Já os profissionais das ONG´s que atuaram como docentes o fizeram por no mínimo
2 anos e máximo 13 anos.
Ao questionarmos sobre sua formação acadêmica e se esta corresponde às
exigências do mercado de trabalho, notamos que os que trabalham em empresas se
sentem insatisfeitos, pois 66% aproximadamente não acreditem que tiveram uma
formação adequada. Já os que trabalham em ONGs estão totalmente satisfeitos.
Os respondentes sentem necessidade de atualização profissional e as áreas mais
citadas foram:
ONGs: Gestão de Negócios, formação de educadores, educação complementar
desenvolvida no terceiro setor, educação Continuada, na área de neurologia,
planejamento estratégico e metodologias para o desenvolvimento comunitário,
gestão e empreendimento, gestão de projetos.
Empresas: Educação à distância, fundamentos para educação de adultos, recursos
humanos, psicologia, dinâmica social e novas tecnologias, área ligada ao mundo
empresarial, curso direcionado para área de educação.
Percebemos que existem pontos em comum no que se refere ao perfil exigido para
atuação desse pedagogo em espaços não escolares como descrevem os
participantes em suas respostas:
A modalidade de curso que despertou maior interesse dos participantes de ONGs
quanto das empresas foi o curso de pós graduação: mestrado seguido de cursos de
extensão, caso tivessem que fazê-lo atualmente, como pudemos observar na
tabulação dos dados:
Muitos profissionais atuam fora da instituição escolar e em alguns casos há mais de
20 anos;
Foi interessante notar que respondentes relataram que o curso de Pedagogia
auxiliou os profissionais da ONGs no planejamento e organização dos conteúdos, na
prática docente, e ainda o curso de Pedagogia foi pré-requisito para a ocupação do
cargo de Orientador Pedagógico;
Foi manifestado que o conhecimento de teóricos estudados no curso, ofereceu
subsídio para a compreensão de toda a dinâmica social. Os conteúdos e as
pesquisas que tiveram e fizeram sobre o terceiro setor foram de grande valia para o
cargo que ocupam atualmente. O curso de Pedagogia "Auxilia em todas as ações"
como afirmou um dos respondentes;
Os de projetos, na capacidade pessoal de comunicação e ainda em sua
organização e relatos dos que trabalham em empresa demonstram que o curso os
auxiliou na organização e revisão de material didático, no desenvolvimento de
treinamentos, no acompanhamento de instrutores, na elaboração de atividades para
o desenvolvimento dos multiplicadores de treinamento da empresa, no
desenvolvimento flexibilidade.
Este estudo sinaliza que compromissos devem ser assumidos para a formação do
Profissional da Educação: oferecer oportunidades para que a formação do ser
humano em sua integralidade, seja consolidada, possibilitando uma visão sistêmica
voltada à gestão educacional, permitindo aos envolvidos na pesquisa e na formação
dos pedagogos estarem atentos aos diversos aspectos do perfil profissional como:
atuação ético-profissional relativa à responsabilidade social para a construção de
uma sociedade solidária, justa e inclusiva; investigação de situações educativas que
ocorrem em ambientes não escolares; conhecimento e entendimento de projetos
educativos que considerem a diversidade e as inter-relações da sociedade na
esfera: cultural, científica, tecnológica, estética e ética que ocorrem nas diferentes
instituições não escolares.
Do estudo desenvolvido, identificamos indicadores para o perfil do pedagogo para
atuação em espaços não escolares. Indicadores estes, sinalizados tanto nas
Diretrizes Curriculares de dezembro de 2005 quanto pelos que atuam em empresas
e ONGs, que apresentamos a seguir: flexibilidade em suas ações; conhecimento e
experiências relativos à gestão participativa; competência e habilidade na busca de
soluções para os impasses enfrentados, com compreensão do processo histórico,
social, administrativo e operacional em que está inserido; comprometimento e
envolvimento com o trabalho; ter preparo para administrar conflitos; zelar pelo bom
relacionamento interpessoal; gostar de trabalhar com pessoas; comunicação eficaz;
conhecimento de princípios de educação popular; ter competência e habilidade para
planejar, organizar, liderar, monitorar, empreender.
É da Universidade que esperamos frutifique o know-how, científico, tecnológico e
humanístico rumo à superação dos obstáculos e desajustes que ainda assolam esta
sociedade já globalizada. O momento em que se vive faz com que busquemos um
sentido para a própria existência, produzindo nas pessoas, em particular, nos
profissionais da educação, objeto deste estudo, a necessidade de crer em algo tão
forte, tão especial que, sua capacidade de agir transcenda ao do ser humano
comum.
Acreditamos ser fundamental manter a formação do educador voltada para a
atuação em diferentes contextos culturais e sociais - principalmente neste momento
em que a educação inclusiva tem sido a tônica dos documentos oficiais, com o
reconhecimento da inclusão, por meio de projetos que visam adequação relacional
entre os diferentes segmentos da sociedade. Portanto capacitar o profissional da
educação para tal finalidade passa ser uma ação necessária. Destacamos aqui, a
formação generalista deste profissional, com ênfase em gestão da educação no seu
objeto de estudo - o processo educativo voltado à educação inclusiva em diferentes
instituições educacionais e diferentes contextos socioculturais e econômicos.

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MINARELLI, J. A. Empregabilidade: o caminho das pedras. São Paulo: Editora
Gente, 1995
MONEZI, Mary R.Ceroni. Atitude Interdisciplinar na Docência. In: Revista de
Cultura: Revista do IMAE - Instituto Metropolitano de Altos Estudos para o
Desenvolvimento das Pesquisas do UniFMU. Periódicos Interdisciplinares.São
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MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o
pensamento. Tradução Eloá Jacobina. 5ª ed.. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

1 Título do Projeto apresentado na Linha de Pesquisa Gestão Educacional e


Educação Profissional do Grupo Educação e Inclusão Social do UniFMU.
Integrantes desta Pesquisa: Drª. Mary Rosane Ceroni, Ms.Claudia Morais Lietti;
Maria Bernadete G. Carbonari; Ms. Maria Evani Machado; Ms.Nêusa Maria Gomes
Gallego.
2 É docente e pesquisadora da UniFMU e Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Site: www.maryrosaneceroni.kit.net; e-mail: maryrosane@mackenzie.com.br;
mary.rosane@fmu.br
PEDAGOGIA EMPRESARIAL: uma alternativa eficaz na redução de
acidentes de trânsito
Patrícia de Almeida Villela
Maurílio Terra de Deus
Cláudia Valéria de Jesus Marques
Décio Nunes da Silva
Jefferson Albernaz Rezende
Joana Darc Silva de Sousa

Resumo:

Este trabalho apresenta um projeto de Educação para o Trânsito desenvolvido nas


empresas da cidade de Uberlândia-MG, durante a Semana Interna de Prevenção de
acidente, destacando os objetivos, a metodologia utilizada e os resultados da
aplicação do mesmo.

O município de Uberlândia está localizado no Triângulo Mineiro e possui uma


população estimada pelo IBGE (2005) em 573.829 habitantes. A cidade possui a
segunda maior frota do Estado perdendo apenas para Belo Horizonte, a capital
mineira. A frota de veículos é composta na sua maioria por veículos de passeio,
seguido pelas motocicletas. Em 2005, ocorreram na cidade 9080 acidentes de
trânsito, sendo 7237 sem vítimas e 1843 com vítimas. A maioria dos acidentes
ocorreu em locais sinalizados, e grande parte dos envolvidos foram motoristas
habilitados. O que confirma a tese de que o grande problema no trânsito, não está
centrado na má condição da via ou em problemas mecânicos nos veículos, e sim no
comportamento humano.

Ciente deste fato, a Prefeitura Municipal de Uberlândia, através do Setor de


Educação para o Trânsito da SETTRAN – Secretaria de Trânsito e Transportes,
elaborou e viabilizou a implantação de um projeto de educação para o transito como
uma alternativa educacional a ser desenvolvida nas empresas da cidade,
acreditando na pedagogia empresarial como uma alternativa ou um novo caminho
para a Educação para o Trânsito.
Denominado ―Projeto Empresa‖, o trabalho começou a ser desenvolvido em 2003 e
continua sendo realizado na cidade até a presente data. Ao reconhecer os prejuízos
causados pelos acidentes de trânsito, as empresas da cidade têm demonstrado
muito interesse no projeto.

O público alvo é constituído por funcionários de instituições públicas e empresas


privadas da cidade de Uberlândia. As atividades, geralmente são desenvolvidas
durante a realização da SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes de
Trabalho, que acontece anualmente nas empresas.

O programa de educação para o trânsito tem por objetivo sensibilizar, orientar,


motivar e levar o trabalhador a uma reflexão quanto à necessidade de desenvolver
tais comportamentos.

Penha (1999), afirma:

―Pessoas não são recursos! São talentos. Tratar a pessoa como


recurso é equipará-la a materiais, máquinas e equipamentos.
Talento vem de inteligência. Inteligência humana redunda em
talento humano. Uma diferença entre talento e recurso é que o
recurso é usado, e o talento é quem usa. O recurso só muda de
estado se tiver na vanguarda a inteligência utilizando-os assim,
na empresa, as pessoas são consideradas talentos humanos.
São talentos humanos que têm a capacidade de fazer a
diferença e efetivar a mudança‖.

É com este olhar para o trabalhador que a equipe de Educação para o Trânsito vem
desenvolvendo suas atividades e implementando estratégias de ensino
aprendizagem como intervenções teatrais, apresentação de espetáculo teatral,
palestras, dinâmicas de grupo, oficinas psicopedagógicas e realização de stands
informativos, focando o ser humano como fator primordial na busca de uma
convivência social consciente e responsável no espaço público.
As atividades podem variar com o tempo e a disponibilidade de local para a atuação
da SETTRAN. Entretanto, os trabalhos oferecidos são: intervenção teatral,
apresentação de espetáculos teatrais, dinâmicas, Blitz educativas, palestras de
sensibilização, oficinas pedagógicas, apresentação de vídeo e stands informativos e
outros adaptados de acordo com o perfil da empresa e a abertura que a mesma
proporciona para a realização das ações dos funcionários do Setor de Educação
para o Trânsito.

A seguir serão descritos, de forma sucinta, algumas das atividades realizadas:

APRESENTAÇÃO DE ESPETÁCULO TEATRAL:

Através da apresentação da peça ―Romeu e Julieta no Trânsito‖, os funcionários são


levados a refletir sobre a necessidade de dirigir defensivamente, e de se comportar
de forma segura no trânsito, independente de serem pedestres, condutores ou
passageiros. A peça, elaborada pelo Setor de Educação para o Trânsito, é uma
comédia e faz uma releitura desse clássico da literatura mundial. O teatro é
considerado uma estratégia eficaz de aprendizagem na medida que permite às
pessoas receberem informações importantes através de uma situação divertida e
envolvente.

INTERVENÇÃO TEATRAL:

Acontece no local de trabalho de cada funcionário. Os atores da SETTRAN abordam


os funcionários de forma criativa e divertida, além de realizarem jogos teatrais e
brincadeiras, que enfocam a importância da utilização de equipamentos de
segurança tanto na empresa como nas vias públicas. Através da interação lúdica, é
possível alertar para a necessidade do comportamento seguro em todos os
ambientes que estejam inseridos, entre eles, o trânsito.

DINAMICA DE APRESENTAÇÃO:

Após as intervenções teatrais e a apresentação da peça teatral é realizada uma


dinâmica de apresentação, em que cada participante escolhe uma placa de trânsito
fazendo uma relação entre o significado da placa e suas experiências pessoais.
Após a escolha da placa todos se apresentam e têm a oportunidade de compartilhar
suas experiências e emoções com o grupo. Nesse momento é apresentada a
relação que o trânsito que o trânsito tem com os vários aspectos da vida humana. É
realizada uma conversa informal sobre quais as maiores dificuldades encontradas
no dia a dia das ruas e principalmente quais as sugestões para que em conjunto,
Órgãos Gestores e comunidade, possam trabalhar para a construção de um trânsito
mais humano e mais seguro.

STANDS INFORMATIVOS

Neste projeto, são montados ainda, stands que divulgam o trabalho desenvolvido
pela Prefeitura Municipal, através da SETTRAN. Nestes stands, as pessoas podem
esclarecer dúvidas e testar seus conhecimentos, respondendo um questionário
sobre regras de circulação, sinalização, direção defensiva e comportamento seguro
no trânsito. O projeto é desenvolvido de acordo com a disponibilidade da empresa,
por isto o tempo e as atividades são diferentes em cada local, aderindo as
especificidades da instituição.

OFICINAS PSICOPEDAGÓGICAS

As dinâmicas e as oficinas psicopedagógicas possibilitam a reflexão de conceitos


através de atividades práticas. Para esta atividade é orientado a formação de grupos
para a confecção de cartazes e jornais, composição de músicas, poemas e peças
teatrais. Dentre as temáticas enfatizadas estão a direção defensiva, comportamento
seguro no trânsito e valores necessários para a vida em sociedade. Aborda-se os
diferentes meios de locomoção: deslocamento à pé, de bicicleta, transporte coletivo,
entre outros, e também todos os envolvidos no trânsito, como pedestre, ciclista,
motociclista, passageiro, motorista e agente de trânsito.

PALESTRA DE SENSIBILIZAÇÃO:

Após a realização da dinâmica de apresentação, momento em que os funcionários


das empresas já se encontram mais familiarizados com o tema e com as propostas
de trabalho, é realizada uma palestra informativa que apresenta os dados
estatísticos de mortos e feridos, dos custos decorridos de acidentes de trânsito em
Uberlândia, no Brasil e no Mundo. Neste momento, é enfocado que o ser humano
vive uma ―guerra‖ no trânsito. A idéia de que a educação de trânsito poderá auxiliar
no fim dessa guerra é difundida, e os participantes são convocados a participar da
luta em prol da paz no trânsito brasileiro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em relação à educação para o trânsito, é possível afirmar que para se conseguir um


resultado positivo, é necessário atingir o maior número de segmentos, iniciando na
escola, através de projetos para alunos e professores e atingindo outros setores,
como as empresas. Destacando-se assim a Pedagogia empresarial como uma
alternativa eficaz na redução de conflitos e de acidentes de trânsito.

A educação para o trânsito é uma ferramenta indispensável para a implementação


de um trânsito mais humano e mais seguro, entretanto, a mesma deve estar sempre
aliada a outros setores como o planejamento, a engenharia e a fiscalização, para
que os índices de acidentes diminuam e ocorra de fato a efetivação da paz no
trânsito brasileiro.

Os funcionários do Setor de Educação para o Trânsito acreditam que a mesma deve


ter por objetivo a informação e a formação do cidadão enquanto usuário da via
pública seja na condição de pedestre, passageiro ou condutor. Por isto, a
importância de educar para o trânsito na busca de transformar condutas
imprudentes em comportamentos seguros.

È necessário ressaltar, que este processo de educação para o trânsito, seja na


empresa ou outra instituição, deve consistir num trabalho contínuo e sistemático.
Isso porque, falar de trânsito é rever leis, comportamentos, atitudes, conceitos e
valores intrínsecos à formação humana. É preciso trabalhar para que cada indivíduo
reflita sobre a sua participação e sua contribuição de cidadão para a permanência ou
transformação da realidade atual. A educação não pode se limitar à transmissão de
informações, seu papel é mais amplo, pois só através da educação o homem será
capaz de compreender o mundo que o cerca e assim transforma-lo.

BIBLIOGRAFIA
Andrinno, Mauro Haddad. Educar para o trânsito é educar em valores. In.
Seminário de Educação para o Trânsito, ANTP, São Paulo, 2002.

ANTP. Mobilidade e cidadania. São Paulo, 2003.

BRASIL, Código de Trânsito Brasileiro. Lei 9503 de 23 de setembro de 1997.

HOFFMANN, M. H., CRUZ, R. M., ALCHIERI, J. C. (org) Comportamento Humano


no Trânsito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

VILLELA, P. A. A educação para o trânsito como estratégia para uma nova


mobilidade urbana. Dissertação de Mestrado, IG/UFU, Uberlândia, 2006.

AUTORES:

Patrícia de Almeida Villela – Agente de Trânsito, Coordenadora do Setor de


Educação para o Trânsito da SETTRAN. Pedagoga, Mestre em Geografia pela
Universidade Federal de Uberlândia.

Maurílio Terra de Deus – Diretor do Núcleo de Operações de Tráfego da


SETTRAN. Especialista em Transportes Urbanos. Professor de Segurança do
Trânsito e Coordenador do Curso de Gestão da Segurança Privada do Centro
Universitário do Triângulo - UNITRI.

Cláudia Valéria de Jesus Marques – Agente de Trânsito, Psicóloga e


Psicopedagoga pela Universidade Federal de Uberlândia.

Décio Nunes da Silva – Agente de Trânsito, discente do curso de Letras da


Universidade Federal de Uberlândia.

Jefferson Albernaz Rezende – Agente de Trânsito, graduado em Letras pela


Universidade Federal de Uberlândia.

Joana Darc Silva de Sousa – Agente de Trânsito, Técnóloga em Gestão em


Trânsito pela UNIUBE.

PEDAGOGIA EMPRESARIAL DE
CONTROLE DO TRABALHO E SAÚDE DO TRABALHADOR*
ROSEMEIRE APARECIDA SCOPINHO**

Entre os assalariados rurais canavieiros da região de Ribeirão Preto, SP,


predominam concepções e práticas de natureza individual, biológica e curativa no
tratamento das questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. Este artigo,
fundamentado no referencial da Epidemiologia Social, investiga as estratégias
empresariais de organização da produção no setor sucroalcooleiro. particularmente
as de gestão da força de trabalho rural. Através do estudo de um caso, analisam-se
as implicações das referidas estratégias para os trabalhadores, especificamente no
que se refere ao entendimento da saúde como um processo social e direito básico
de cidadania. Conclui-se que a " nova " política de recursos humanos, incorporando
um discurso humanístico e participativo, veicula os valores fundamentais para a
expansão do capital e não representa uma revisão das tradicionais técnicas de
gestão tayloristas/fordistas. As atuais técnicas de gestão contribuem para dificultar o
processo organizativo da categoria e não significam melhorias reais na qualidade de
vida dos trabalhadores. Pelo contrário, constituem instrumentos privilegiados de
controle e adequação da força de trabalho rural às atuais exigências do processo
produtivo, que estão centradas na produtividade com qualidade.

1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a macro região de Ribeirão Preto, SP. Brasil tem sido o local
privilegiado das mais importantes transformações ocorridas na agricultura brasileira,
que se traduziram no processo de formação, expansão e consolidação dos
complexos agroíndustriais (CAIs) em geral, particularmente aqueles que se dedicam
à atividade sucroalcooleira (1).
Nos anos setenta, as agroindústrias canavieiras da região expandiram-se ainda
mais, graças aos incentivos e subsídios governamentais advindos com a
implantação do Programa Nacional do Álcool (PROALCOOL), que intensificou o
processo de subordinação da agricultura à indústria. A partir deste programa, a
economia sucroalcooleira assumiu grande importância no contexto sócio-econômico
regional (1,2,3). Na safra 1992/93, as vinte e sete usinas e dezesseis destiladas
responderam por 24,93% da produção de açúcar e 30,04% da produção de álcool
do país, gerando 98.402 empregos diretos (4).
Em meados dos anos oitenta, iniciou-se uma nova fase da reestruturação produtiva
do setor, que está determinada, por um lado, pelas transformações dos mercados
internos e externos e pelo afastamento gradual do Estado na regulação da economia
sucroalcooleira e, por outro, pela reação dos movimentos sociais contra os abusos
praticados pelas empresas, no que se refere à exploração do meio ambiente e da
força de trabalho.
Entretanto, ao mesmo tempo em que, sem dúvida, a reestruturação vem
possibilitando a consolidação de um modelo de crescimento econômico capitalista
que insere a região de Ribeirão Preto entre as mais dinâmicas do país, em termos
de acumulação e centralização de capitais, também vem gerando inúmeros
impactos negativos, principalmente do ponto de vista sócio-ambiental. Destaca-se
entre eles a precariedade das condições de vida e trabalho dos assalariados na
agricultura canavieira ou "bóia-fria", como é mais conhecido esse tipo de trabalhador
(5,6,7).

* Baseado em SCOPINHO, ROSEMEIRE A. Pedagogia empresarial de controle do


trabalho e saúde do trabalhador: o caso de uma usina-destilaria da região de
Ribeirão Preto. São Carlos (SP), UFSCAR, 1995, 246p. (Dissertação de Mestrado).
** Psicóloga, mestre em educação, pesquisadora da FASE-Federaçáo De Órgãos
Para Assistência Social e Educacional.

Nesta região, desde 1988, desenvolvemos estudos e assessoramos o movimento


sindical rural na área da saúde e segurança no trabalho (6,7), fundamentados na
perspectiva teórico-metodológica da Epidemiologia Social. Ou seja, entendendo que
saúde-doença é um processo social, relacionado com as condições de vida e
trabalho dos individuos, e que os trabalhadores organizados também são sujeitos
ativos dos processos de investigação e da construção do conhecimento sobre a
saúde do trabalhador (8).
Constata-se que, apesar de o padrão de adoecimento do assalariado rural
canavieiro estar estreitamente relacionado com o modo de organização e de
realização do seu trabalho, os trabalhadores não estão conscientizados para
enfrentar a questão da saúde do ponto de vista coletivo e preventivista e entendê-la
como um direito básico de cidadania. Apesar dos avanços organizativos da
categoria (1) e de ser a saúde um requisito fundamental para o desempenho do
trabalho na lavoura canavieira (6), entre esses trabalhadores predominam
concepções e práticas de caráter individual, biológico e curativo, que reproduzem
fielmente o modelo hegemônico de atenção à saúde do trabalhador vigente nos
serviços públicos e privados.
Neste artigo, procura-se entender o comportamento desses trabalhadores frente à
questão saúde-trabalho. Parte-se do pressuposto de que existe um processo
pedagógico subjacente às formas de divisão, organização e gestão da produção,
que visa a adaptar, técnica e politicamente, a força de trabalho às necessidades do
capital (9). Através de dados coletados com entrevistas não estruturadas e
observações diretas, estuda-se o caso de uma usina-destilaria localizada na região
de Ribeirão Preto. A empresa estudada é a terceira maior usina do pais em termos
de moagem de cana (4) e também é considerada emblemática do ponto de vista da
introdução de mudanças técnicas e organizacionais.
Analisam-se as estratégias empresariais de gestão do trabalho, no contexto da
reestruturação sucroalcooleira, particularmente as de gestão da força de trabalho
rural, e algumas das suas implicações para os trabalhadores, no que se refere ao
tratamento das questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho. Procura-se
demonstrar que as atuais estratégias de gestão constituem um instrumento
fundamental da acumulação sucroalcooleira e que, apesar de incorporarem um
discurso humanístico e participativo, elas não representam uma revisão do
tradicional modelo de gestão taylorista/fordista. Através das práticas empresariais
nas áreas da saúde e educação, veiculam-se os valores e normas que dão suporte
ao atual modelo de gestão de recursos humanos. Estabelecem-se relações entre
trabalho, saúde e educação, de modo que as concepções e práticas dos
assalariados rurais, referentes a esses aspectos da cidadania, na maioria das vezes,
reforçam as estratégias de controle e dominação do capital.

2. MODERNIZAÇÃO E DEGRADAÇÃO DO TRABALHO


A reestruturação sucroalcooleira caracteriza-se pela crescente mecanização de
todas as fases do ciclo produtivo agrícola; pelo uso de novos produtos químicos, da
informática e da automação microeletrônica no controle do processo industrial; pela
diversificação da produção agrícola e industrial; pelo rigor no controle de qualidade;
pela terceirização de determinados momentos da produção; e pelo redirecionamento
das políticas de recursos humanos.
No setor rural, a modernização expressa-se em todas as fases do ciclo produtivo
através das inovações biológicas, químicas e físicas que, utilizadas em conjunto,
potencializam e aceleram a mecanização da base técnica, determinando novas
formas de dividir e organizar o trabalho (1,2,3). Por estar assentada,
fundamentalmente, na introdução de novas tecnologias e visar a maximização dos
lucros com redução de custos, a modernização traz sérias conseqüências sociais
para os assalariados rurais, porque reduz a oferta de empregos e a média salarial,
deteriora as relações e as condições de trabalho.
Atualmente, a tônica do modernizante recai sobre a introdução de colheitadeiras
mecânicas para cana crua ou queimada. O Instituto de Economia Agrícola (IEA)
estima que 30% da área canavieira da região tem a colheita mecanizada e mostra
que até o ano 2000, supondo uma área mecanizada de 60%, haverá uma perda
acumulada de 28.197 postos de trabalho e uma taxa de desemprego de 51% (10).
De fato, observa-se que uma máquina pode substituir o trabalho de,
aproximadamente, cento e trinta e sete homens. O IEA também mostra que a média
salarial dos cortadores de cana entre 1990 e 1992, momento de proliferação do uso
de colheitadeiras, foi 54,9% menor do que na década de oitenta (11).
No que se refere às relações de trabalho se, por um lado, a mecanização do corte
cria uma tendência à estabilização do número de contratações nos períodos de safra
e entressafra, por outro lado. contraditoriamente, é crescente o processo de
terceirização da mão-de-obra rural. Nos momentos de pico da atividade agrícola, as
usinas recrutam trabalhadores temporários através de empreiteiras que, na maioria
das vezes, são pequenas empresas ilegais, do tipo doméstico, onde predomina o
trabalho informal.
Quanto às condições de trabalho, sabe-se que elas são insalubres, perigosas e
penosas (6). Porém, parece que as novas tecnologias não têm contribuído,
efetivamente, para sanear as frentes de trabalho e acarretam conseqüências outras,
tanto para dentro como para fora do espaço da produção. Os processos de
desgaste-reprodução dos trabalhadores não têm sido
revertidos ou amenizados mas. simplesmente, vêm
adquirindo novos padrões.
No interior das unidades produtivas se. por um
lado, ocorre a diminuição das cargas do tipo físico,
químico e mecânico, por outro, acentuam-se a presença de elementos que
configuram as cargas do tipo fisiológico e psíquico, porque intensificam o ritmo do
trabalho. Por exemplo, observa-se que as jornadas de trabalho dos operadores de
máquina estendem-se para doze e até vinte e quatro horas, com esquema de
revezamento com dobras de turnos e pequenas pausas para descanso e refeições,
que ocorrem no próprio local de trabalho. Fora do espaço da produção, o
desemprego tecnológico também pode acarretar inúmeros danos à integridade bio-
psíquico-social, pela impossibilidade de sobrevivência.
Acuados pelas novas formas de organização da produção, os assalariados rurais
desenvolvem estratégias para enfrentar essas conseqüências adversas da
modernização. Tais estratégias às vezes assumem os contornos da organização
política, a exemplo das inúmeras greves de cortadores de cana, que ocorreram na
região e da constituição da organização sindical específica dos assalariados rurais
(1). Entretanto, atualmente as reservas de mão-de-obra e os artifícios tecnológicos
desmobilizam os movimentos coletivos e, na maioria das vezes, as estratégias
revestem-se de caráter individual, constituindo mecanismos de garantia da
sobrevivência que se manifestam, principalmente, na rotatividade e no absenteísmo.
Mas, para o capital sucroalcooleiro, a rotatividade e o absenteísmo significam
entraves à produção, porque interferem no rendimento e na qualidade do
trabalho.Como, apesar do aparato tecnológico que se encontra disponível, as
empresas ainda não prescindem do trabalho vivo e controlado para expandirem-se,
elas redefinem as estratégias de gestão de recursos humanos, para adequar a força
de trabalho às atuais exigências de produtividade e qualidade.

3. MODERNIZAÇÃO EMPRESARIAL E CONTROLE DO TRABALHO


No contexto da reestruturação produtiva, a atual política de recursos humanos situa-
se no espaço da fusão das tradicionais práticas burocrático-autoritárias do
Departamento de Pessoal com aquelas assistências paternalistas dos Programas de
Assistência Social. Tal fusão é resultado de um esforço gerencial, tanto para adaptar
as empresas às novas formas de produção e circulação, impostas pelas
transformações da economia mundial, como para atender aos reclamos da
sociedade regional sobre a questão social do "bóia-fria". Almejando cientificidade, a
política de recursos humanos embasa-se nas teorias organizacionais,
especificamente no conjunto de princípios e técnicas propostos pela Escola de
Relações Humanas e suas variantes de orientação comportamentalista.
Em linhas gerais, tal orientação administrativa apregoa a democratização das
relações de trabalho, a interação entre os vários escalões hierárquicos, a
valorização do fator humano e das relações grupais.
Reconhece a influência dos fatores afetivos e sociais no comportamento humano e
que os indivíduos necessitam de segurança, afeto, prestígio, aprovação social, auto-
realização e anseiam por melhorias na qualidade de vida. A eficiência organizacional
requer dos seus membros tanto aptidões técnicas como pessoais e sociais. A
motivação para o trabalho e a produtividade estão estreitamente relacionadas e
dependem da satisfação das necessidades psico-sociais dos trabalhadores.
Portanto, o objetivo maior dos especialistas em recursos humanos é o de criar um
clima harmônico e favorável ao bem estar material e social, que conduz os membros
da organização para a auto-realização (12).
Mais recentemente, em função da intensificação das transformações econômico-
sociais e da competitividade como fator de sobrevivência das organizações
industriais nos mercados regidos pela lógica da globalização, incorpora-se a esses
princípios gerais a idéia de que a gerência de recursos humanos deve participar da
implantação de programas de qualidade total, sobretudo para sensibilizar e criar nos
trabalhadores atitudes em prol da produtividade com qualidade.
Na empresa estudada, a estratégia mais global é a racionalização dos recursos
humanos, via introdução de novas tecnologias e terceirização das etapas
intermediárias da produção. A gestão da força de trabalho indispensável é feita
através de uma política que procura veicular os valores e normas necessários à
expansão sucroalcooleira - a integração agricultura/indústria e a cooperação -,
eliminar os conflitos e entraves ao bom desenvolvimento da produção e cumprir,
basicamente, duas finalidades: 1. Formar opinião pública favorável e facilitadora,
junto aos trabalhadores, sindicatos e a sociedade em geral, para a introdução das
mudanças necessárias à otimização do processo produtivo, adaptando o trabalho às
atuais exigências de produtividade e qualidade; 2. incrementar a produtividade e
aprimorar a qualidade do trabalho, garantindo certas condições de reprodução aos
trabalhadores.
Norteado por esses princípios, o capital sucroalcooleiro redefine o modo de gestão
de recursos humanos, um dos aspectos fundamentais do processo de
reestruturação produtiva. Porém, a análise da política de recursos humanos mostra
a distância que existe entre o discurso e as práticas dos gestores.
A política de benefícios sociais abrange as áreas de assistência social e à saúde,
educação, habitação, transporte e lazer. Ideologicamente, apregoa a igualdade de
direitos entre rurículas e industriários. Aparentemente, é uma dádiva desinteressada
e cuidadosamente formulada para atender aos anseios e às necessidades de todos
os trabalhadores, sem distinção. Entretanto,ela é, essencialmente, um instrumento
de combate à rotatividade, de fixação do trabalhador na empresa. Representa
salário indireto e gratificação diferencial sendo, portanto, um importante mecanismo
de controle e regulação do comportamento político dos trabalhadores, na medida em
que são concedidos benefícios somente àqueles que se enquadram rigorosamente
na ideologia empresarial de produtividade e qualidade.
Os programas técnicos que envolvem o assalariado rural são, basicamente, de
recrutamento e seleção de pessoal, de treinamento, de segurança e medicina do
trabalho e de serviço social. Tais programas desenvolvem-se organicamente
articulados e orientam-se por um sistema informatizado de dados relativos aos
trabalhadores, que permite aos gestores pesquisar e controlar permanentemente o
comportamento da mão-de-obra. no que se refere ao rendimento, absenteísmo,
ocorrências disciplinares, freqüência aos serviços médicos e motivos da procura,
requerimento de benefícios assistenciais. etc. A informatização das atividades de
gestão, por um lado, possibilita o aperfeiçoamento contínuo do sistema e, por outro,
é um importante instrumento de seleção controlada de mão-de-obra.
O programa de recrutamento e seleção tem por finalidade selecionar mão-de-obra
produtiva, disciplinada e hígida. Em um primeiro momento, os critérios que o
fundamentam são produtividade e disciplina e os agentes da seleção são aqueles
que diretamente controlam a quantidade e a qualidade do trabalho na lavoura
(feitores, fiscais e administradores). Em um segundo momento, o critério básico é
higidez suficiente para o desempenho do trabalho árduo na lavoura e o agente da
seleção é o médico do trabalho que, em última instância, exclui aqueles
trabalhadores que apresentam possibilidade de desenvolver patologias impeditivas
da realização do trabalho em questão (hipertensão, doenças cardíacas, respiratórias
e alérgicas, hérneas, comprometimentos na coluna vertebral e defeitos físicos
exuberantes).
Os processos de treinamento são peças fundamentais do Programa de Qualidade
Total e visam a motivação e o envolvimento de todos na perseguição dos objetivos
estratégicos da empresa: produtividade e qualidade. Quanto ao setor rural, o
objetivo específico é diminuir os índices de absenteísmo, uma vez que esse é um
dos principais fatores que influem negativamente no rendimento da mão-de-obra.
Para inibir o absenteísmo, utilizam-se instrumentos pedagógicos, como cartazes e
painéis, que demonstram as perdas salariais e de direitos trabalhistas, decorrentes
das faltas ao trabalho.
O sistema informatizado de gerenciamento da mão-de-obra auxilia na identificação
dos faltosos, apontando o motivo das ausências. Como a grande maioria das faltas é
justificada via apresentação de atestado médico, pois esta é uma das estratégias
dos trabalhadores para enfrentar o desgaste provocado pela atividade penosa, com
prejuízo mínimo para o salário, o tema saúde e segurança no trabalho recebe
atenção especial durante os treinamentos.
A saúde é entendida estritamente do ponto de vista da assistência médica curativa.
Esta é apresentada como um direito mas, ao mesmo tempo, estabelecem-se as
regras para o seu uso. O trabalhador é informado sobre como a empresa identifica
os freqüentadores dos serviços de saúde que não são portadores de enfermidades
impeditivas da realização do trabalho. Essa é uma forma de inibir a demanda por
assistência médica, de educar o trabalhador para comparecer aos serviços de saúde
apenas quando, encontra-se no limite da sua capacidade de tolerar os agravos das
enfermidades, ou quando estas interferem no rendimento do trabalho. Em outras
palavras, mede-se a higidez do assalariado rural pela sua capacidade de
permanecer ausente dos serviços de saúde.
Um outro fator que contribui para elevar o absenteísmo são os acidentes de
trabalho. No ano de 1992, de 416 acidentes ocorridos, 374 (95%) exigiram
afastamento da atividade, resultando na perda de 4050 dias de trabalho. Entretanto,
no treinamento, a apresentação das Normas Regulamentadoras do Trabalho Rural
(NRRs), que dispõem sobre as regras mínimas de higiene e segurança nas frentes
de trabalho, é superficial e distorcida. Na verdade, a abordagem dessas normas é
um pretexto para imposição do modo de trabalhar prescrito pelos técnicos, que visa
a qualidade e o máximo aproveitamento da matéria-prima, em detrimento da saúde
e segurança do trabalhador. Além de prescrever o modo de trabalhar, os técnicos
também identificam os riscos da atividade e decidem sobre a necessidade ou não do
uso de equipamentos de proteção individual.Os feitores fazem cumprir as
determinações técnicas aplicando penalidades aos infratores. Ao trabalhador não
cabe nenhum papel na vigilância e no controle do processo de trabalho, na
eliminação das suas cargas nocivas à saúde.
O treinamento aborda ainda as regras para os rurículas usufruirem dos benefícios
assistenciais, que passam pelo bom comportamento diante dos chefes e colegas de
turma e, principalmente, pelo cumprimento das metas de produção.Os trabalhadores
devem evitar um conjunto de comportamentos de conteúdo moral, que podem gerar
ócio ou violência (uso de armas, bebidas alcoólicas), e político, referente à
participação nas organizações sindicais. Incentiva-se a participação nos sindicatos,
mas desde que os seus projetos e práticas sejam isentos de conteúdos contrários
aos da empresa. A organização sindical só é reconhecida quando pactua e
harmoniza-se com os objetivos empresariais e desempenha funções estritamente
assistencialistas e paternalistas. Acima de tudo, essa estratégia permite harmonizar
as relações da empresa com os sindicatos e manter o comando da gerência sobre
os trabalhadores. A manutenção de boas relações com os sindicalistas, a
convivência pacífica, diminui as resistências e facilita a introdução das mudanças
necessárias no processo produtivo.
Assim a empresa consegue, com o apoio do sindicato, a flexibilidade necessária
para sobreviver e ampliar-se.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O caso dessa empresa permite reafirmar que a atual política de recursos humanos
do setor sucroalcooleiro visa, sobretudo, formar opinião pública favorável à
reestruturação produtiva, ao mesmo tempo em que adequa e submete a força de
trabalho ao capital, no sentido de elevar os índices de produtividade com máxima
qualidade. Ao discurso científico, aparentemente consensual e pretensamente
humanístico, contrapõe-se uma prática organizacional racionalista, que concilia
autoritarismo com paternalismo e assistencialismo com manipulação moral e
cultural.
Tal política não representa um "novo modo de gestão", porque as estratégias
empresariais estão nitidamente calcada nos princípios e métodos
tayloristas/fordistas. Esses são identificados, principalmente, pelos mecanismos de
gratificação diferencial oferecidos pela política de benefícios sociais e pelo modo
como se processa a seleção e o treinamento dos trabalhadores, que objetivam
reunir e desenvolver habilidades pessoais específicas que atendam às exigências do
trabalho, tal como ele é planejado, prescrito e controlado pelos técnicos e gerentes.
Esse modo de gestão dos recursos humanos dificulta o processo organizativo dos
assalariados rurais.
Ele contribui para dividir a categoria entre aqueles que, beneficiados pela política de
benefícios sociais, afastam-se dos sindicatos combativos e lutam pela preservação
do emprego e aqueles que. excluídos da produção e/ou contratados indiretamente,
ainda lutam pelo cumprimento de direitos elementares, como registro em carteira e
remuneração mínima. Constitui o principal recurso para o desenvolvimento de uma
proposta pedagógica capitalista que visa. por um lado, a qualificação técnica e, por
outro, a desqualificação político-organizativa dos trabalhadores.
As práticas empresariais, nas áreas da saúde e educação, derivam do modelo
hegemônico - biologicista/curativo - da medicina do trabalho e disseminam
representações sobre saúde e segurança no trabalho que convém aos interesses do
capital. Ao mesmo tempo em que procuram preservar a mão-de-obra compensando,
minimamente, os efeitos danosos causados pelas novas formas de organização da
produção, criam novos hábitos e modos de vida, adaptados às necessidades da
produção. O que está em questão é a produtividade e qualidade do trabalho e não a
qualidade de vida dos trabalhadores.
Essas estratégias de gestão de recursos humanos do setor sucroalcooleiro em muito
contribuem para que os assalariados rurais canavieiros não reconheçam a saúde
como um processo social mediado por determinações de ordem econômico-políticas
e um direito básico de cidadania.Assim, eles passam a tratá-la como uma questão
biológica, individual e isenta de conexões com seus modos de trabalhar e viver,
apesar de ser o próprio corpo o único bem que possuem.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) ALVES. FRANCISCO J. C. Modernização e sindicalismo: lutas dos trabalhadores


assalariados rurais da região de Ribeirão Preto. Campinas, UNICAMP - Instituto de
Economia. 1991, 347p. Tese de Doutoramento.

(2)EID, FARID. Economie de rente et agro-industrie dit sucre et de Valcool au Bresil.


Amiens, Universite de Picardie Jules Verne. 1994. 380p. These de Doctorat.

(3)PAlXÃO. MARCELO J.P. No coração do cana-vial: um estudo crítico da evolução


do complexo agroindustrial sucroalcooleiro e das relações de trabalho na lavoura
canavieira (estudo comparativo em doze estados do Brasil). Rio de Janeiro. UFRJ -
COOPE, 1994, 440p. Dissertação de Mestrado.

(4) GUIA DOS PRODUTORES DE AÇÚCAR E ÁLCOOL.Safra 92/93. Região


Centro-Sul. 8a.ed. Franca- SP. Ed., Marketing e Eventos Ltda, 1994, 367p.

(5) D'INCAO, MARIA C. A questão do bóia-fria. São Paulo, Editora Brasiliense, 1994,
83p.

(6) ALESSI, NEIRY P: SCOPINHO, ROSEMEIRE A. ""A saúde do trabalhador do


corte da cana-de-açúcar". IN: Alessi, N.P. et al (org.) Saúde e trabalho no Sistema
Único de Saúde. São Paulo, Editora Hucitec, 121 -151, 1994.

(7) SCOPINHO, ROSEMEIRE A; VALARELLI, LEANDRO L.(org.) Impactos da


modernização do setor sucroalcooleiro na região de Ribeirão Preto. Rio de Janeiro,
FASE, 1994, no prelo.

(8) LAURELL, ASA C; NORIEGA, MARIANO. Processo de produção e saúde:


trabalho e desgaste operário. São Paulo, Hucitec, 1989. 332p.

(9) KUENZER, ACÁCIA Z. Pedagogia da fábrica: as relações de produção e a


educação do trabalhador. 3a. ed. São Paulo, Ed. Cortez, 1989. 203p.

(10) VEIGA FILHO, ALCEU DE A. et al. "Análise da mecanização do corte da cana-


de-açúcar no Estado de São Paulo. Informações Econômicas", São Paulo, IEA, V.
24, no. 10, p.43-58, out. 1994.
(11) NOGUEIRA, ELIZABETH A. (COORD.) Estatística de salários no Estado de São
Paulo. São Paulo:IEA, 1992, 100p. Série IEA 01/92.

(12) TRAGTENBERG, MAURÍCIO. Administração, poder e ideologia. 2a. ed. São


Paulo, Editora Cortez, 1989, 134p.

LIÇÃES DE PEDAGOGIA EMPRESARIAL


Profa. Maria Luiza Marins Holtz
Revista e ampliada
em novembro de 2006

APRESENTAÇÀO .................................................. 4
Pedagogia Empresarial, o casamento perfeito ..........4
INTRODUÇÀO .....................................................6
O pedagogo empresarial ....................................... 8
O pedagogo e a pedagogia ...................................8
Foco do trabalho do pedagogo ............................ 11
Responsabilidades do pedagogo empresarial .......... 13
O pedagogo empresarial e os chefes-lideres, educadores .............................. 14
Ciências que auxiliam o pedagogo ........................ 16
PEDAGOGIA, CIÂNCIA E ARTE .............................. 25
Conhecimentos que fundamentam a ação do pedagogo empresarial .................. 25
Educação na empresa ....................................... 30
Influências da educação familia na empresa .......... 32
O pedagogo empresarial - a hetero-educação e a auto-educação ................. 34
Educação e instrução na empresa - diferenças ...... 37
EDUCAÇÀO INTEGRAL ........................................ 40
Condição indispensável para melhorar a produtividade ............................... 40
A produtividade das pessoas .............................. 42
As frustrações bloqueiam nossa produtividade ....... 44
As nossas motivações estão ligadas às nossas necessidades ............................ 46
Atividades eqilibradoras da nossa produtividade ..... 50
Exercícios de reconquista da auto-estima ............. 51
TRANSMISSÀO DA EDUCAÇÀO - ENSINO – TREINAMENTO ............................ 57
Influências positivas programadas na empresa ....... 57
Ensino coletivo e individualizado .......................... 58
Técnicas de ensinar .......................................... 60
A prática no ensino - automatização ................... 60
O método de projetos ........................................ 65
Aula (palestra) de reprodução por demonstração ... 67
Aula expositivia ................................................ 71
Técnicas de trabalho em grupo ........................... 73
Instruão programada ......................................... 79
O ensino por meio de perguntas .......................... 84
Recursos audiovisiaus ........................................ 87
Treinamentos e ensino com aprendisagem ............. 91
ALGUNS ASPECTOS PRÊTICOS DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL ............... 99
Só trenamento conduz à vitório .......................... 99
Ninguém é —burro― ........................................... 103
A —imagem― de uma empresa ............................. 105
A amizade na empresa ..................................... 108
A produtividade aumenta, estimulando a recreação ...................................... 110
Os poderes da alegrua natural .......................... 113
Aumentando continuamente as vendas .............. 117
—Por favor, preste mais atenção― ....................... 120
Elogiar e descobrir talentos escondidos .............. 123
—Não foi isso que eu quis dizer―... problema de comunicação ......................... 125
—Isso é falta de ética― ..................................... 129
Podemos anular o —stress― ................................ 132
Comunicação humana - Relações Humanas e Relações Públicas .................... 135
A espiritualidade do pensamento nas relações humanas ............................... 140
A fé nas relações humanas ............................... 142
A inteligência nas relações humanas .................. 145
A perseverança nas relações humanas ............... 148
O pensamento nas relações humanas ................. 150
O perdão nas relações humanas ........................ 152
A força dos gestos nas relações humanas........... 154
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA ........................... 158

APRESENTAÇÀO
Pedagogia Empresarial, o casamento perfeito
Sempre acreditei que a Pedagogia e a Empresa fazem um casamento perfeito.
Ambas têm o mesmo objetivo em relação às pessoas, especialmente nos tempos
atuais.
• Uma Empresa sempre é a associação de pessoas, para explorar uma atividade
com objetivo definido, liderada pelo Empresário, pessoa empreendedora, que dirige
e lidera a atividade com o fim de atingir ideais e objetivos também definidos.
• A Pedagogia é a ciência que estuda e aplica doutrinas e princípios visando um
programa de ação em relação à formação, aperfeiçoamento e estímulo de todas as
faculdades da personalidade das pessoas, de acordo com ideais e objetivos
definidos. A Pedagogia também faz o estudo dos ideais e dos meios mais eficazes
para realizá-los, de acordo com uma determinada concepção de vida.
Vejam, tanto a Empresa como a Pedagogia agem em direção a realização de
ideais e objetivos definidos, no trabalho de provocar mudanças no
comportamento das pessoas. Esse processo de mudança provocada, no
comportamento das pessoas em direção a um objetivo, chama-se - aprendizagem.
E aprendizagem é a especialidade da Pedagogia e do Pedagogo.
Para a Empresa conseguir as mudanças desejadas no comportamento das pessoas,
os meios utilizados têm que ser adequados aos seus objetivos e ideais.
Desde 1976, quando fundamos a MH Assessoria e Treinamento, hoje MH
Assessoria Empresarial, iniciamos as atividades de treinamento e consultoria
empresariais, adotando postura pedagógica. Nunca utilizamos pacotes prontos de
treinamento ou de reorganização.
Consideramos essenciais os conhecimentos da filosofia de vida e dos ideais do
Empresário e conseqüentemente da empresa, para aplicação dos meios mais
adequados e eficazes. Nossos programas de ação sempre visam a orientação, o
aperfeiçoamento e o estímulo das faculdades humanas, especialmente a
produtividade. Maria Luiza Marins Holtz

INTRODUÇÀO
Acredito na Pedagogia Empresarial, há muitos anos, quando conheci as
verdadeiras funções do Pedagogo, como condutor do comportamento das pessoas
em direção a um objetivo determinado e da Pedagogia como a ciência e arte da
Educação, o processo de influências que formam a personalidade humana.
Ainda lecionava, nos cursos de Magistério, de Aperfeiçoamento de Professores e
Administração Escolar e posteriormente, no Departamento de Pedagogia da
Faculdade de Filosofia de Sorocaba, (hoje UNISO), nas cadeiras de Metodologia do
Ensino e Prática de Ensino, e já percebia que além da Escola, as Empresas seriam
as grandes beneficiadas pelos trabalhos e atividades pedagógicas.
Sempre incentivei meus alunos da faculdade a elaborarem projetos pedagógicos,
como trabalho de avaliação, e os oferecerem às empresas. Sentia que só a Escola
era muito pouco em relação à amplitude das funções do pedagogo.
Em 1976 quando criamos a empresa de Treinamento e Consultoria empresariais, e
no nosso trabalho, até hoje, tenho comprovado cada vez mais:
• A necessidade dos trabalhos pedagógicos dentro das empresas
• A admiração dos empresários pelos nossos trabalhos e seus resultados.
Sei que tanto as empresas como a Pedagogia têm os mesmos ideais. Ambas agem
em direção à realização de objetivos definidos, no trabalho com as mudanças no
comportamento das pessoas.
―Lições de Pedagogia Empresarial‖, nasceu da necessidade de material que ajude
no trabalho do pessoal responsável pelas relações humanas nas empresas. Até hoje
nada parecido existe sobre o assunto.
Desejo ajudar esses profissionais, que para mim se dedicam ao aspecto mais lindo
da vida empresarial, a satisfação e realização profissional das pessoas, ao
manifestarem seus dons e talentos através do trabalho.

Lições de pedagogia empresarial


O PEDAGOGO EMPRESARIAL
O PEDAGOGO E A PEDAGOGIA
Um Breve Histórico
Durante séculos e séculos, o problema educativo (a formação do caráter e da
personalidade das pessoas) foi objeto de estudo e de meditação, sem que houvesse
atribuído a este conjunto de conhecimentos, mais ou menos sistematizados qualquer
designação específica.
Eram os filósofos que estudavam os problemas educativos.
Porém, entre a realidade prática e a filosofia havia uma grande distância.
Aos poucos, foram surgindo pessoas que começaram a se relacionar diretamente
com as questões práticas educativas, - os PEDAGOGOS.
Na Grécia e em Roma, chamava-se PEDAGOGO ao servo ou escravo que era
guardião, conduzia e acompanhava as crianças. O próprio termo significa, aquele
que conduz a criança.
Com o tempo, o PEDAGOGO, que começou como simples condutor ou guardião da
criança, acabou por se transformar, em Roma, num Preceptor (mestre encarregado
da educação no lar).
Quando Roma (que era guerreira), conquistou a Grécia, entre os prisioneiros
reduzidos à escravidão, vieram muitos atenienses cultos e ilustrados, com
habilidades e conhecimentos que causavam muita admiração aos romanos.
Juvenal, em Roma, escreveu a respeito dos gregos atenienses:
“Eles têm gênio galhofeiro, audácia pronta, linguagem fluente. Imaginais que seja
um único indivíduo? Pois oculta, dentro de si, uma infinidade. É ao mesmo tempo
gramático, geómetra, pintor, advinho, médico, mágico, sabe tudo quanto quer saber,
compreende tudo quanto quer compreender”.
Diante desta multiplicidade de conhecimentos, os romanos entregaram a educação
dos seus filhos a gregos, seus escravos, muitos dos quais eram sábios, filósofos,
sofistas, oradores, matemáticos, pintores, etc ... - Os PEDAGOGOS-ESCRAVOS.
Com o desaparecimento da escravatura, sob influência do Cristianismo, o
Pedagogo-Escravo deixou de existir.
Passaram, então, a receber o nome de PEDAGOGOS, os estudantes pobres, que
aprendiam com os filósofos e se instalavam, nos castelos senhoriais e nos solares
(morada de famílias nobres), servindo de preceptores (professores encarregados
da educação das crianças no lar) dos filhos dos fidalgos e dos grandes senhores.
Enquanto estudavam, ensinavam. Recebiam em paga, pequenas importâncias. Na
maioria dos casos, ensinavam a troco de hospedagem, alimentação, luz e roupa
lavada.
Com o tempo, e como a instrução era de difícil acesso, estes PEDAGOGOS-
ESTUDANTES começaram - com autorização dos respectivos senhores - a reunir
aos filhos do palácio onde trabalhavam, outras crianças de famílias conhecidas da
redondeza.
Assim surgiram as primeiras escolas particulares.
Nessa época, a palavra PEDAGOGO, começou a ser usada como sinônimo de
Mestre-escola.
Como estes Pedagogos passaram a se apresentar com ar doutoral de
superioridade, o público passou a atribuir à palavra PEDAGOGO, durante muito
tempo, o significado de pedante(quem ostenta conhecimentos que na verdade não
tem).
Foi da palavra PEDAGOGO que derivou, o termo PEDAGOGIA, vocábulo que
aparece para designar uma ciência e uma arte que tinha raízes antiqüíssimas, quase
tão velhas como a própria humanidade - a da educação das pessoas.
No século XVIII surge, pela primeira vez, no Dicionário da Língua Francesa, o
vocábulo PEDAGOGIA, como Ciência da Educação, que já se usava na linguagem
corrente.
Com a formação definitiva da Ciência da Educação, o vocábulo PEDAGOGIA se
enobreceu e enobreceu a palavra e a profissão de PEDAGOGO.
• Hoje o PEDAGOGO é o especialista em PEDAGOGIA, a Ciência e a Arte da
Educação.
• Hoje o PEDAGOGO é o especialista em conduzir o comportamento das pessoas -
e não apenas as crianças - para uma mudança de comportamento - aprendizagem –
em direção aos objetivos da Educação, o processo de formação da personalidade
humana equilibrada.

FOCO DO TRABALHO DO PEDAGOGO


Como especialista em aprendizagem e especialista em Educação, na sua ação
educativa em qualquer ambiente, o PEDAGOGO procura resolver às seguintes
questões educacionais.
1. Qual a verdadeira linha de conduta a seguir como base, para todas as situações,
em todas as circunstâncias da vida?
2. Qual a melhor maneira de empregar todas as nossas faculdades, para o nosso
bem e também para o bem dos outros?
3. Como dirigir a nossa inteligência, a nossa capacidade de vencer dificuldades?
4. Como tratar o nosso corpo e preservar a nossa vitalidade?
5. Com qual objetivo cada um deve educar sua família?
6. Como dar direção social adequada aos negócios?
7. Porque e como cada pessoa deve cumprir seus deveres de cidadão?
8. Como agir diante das situações estressantes, naturais da vida?
9. Como, de que maneira, as pessoas devem utilizar-se de todas as fontes de
felicidade que o Criador concede ao ser humano?
10. Como conduzir as pessoas a viverem uma vida realizadora?
Onde quer que o PEDAGOGO trabalhe, essas são as suas tarefas, o foco do seu
trabalho.

RESPONSABILIDADES DO PEDAGOGO EMPRESARIAL


1. Conhecer e encontrar as soluções práticas para as questões que envolvem a
otimização da produtividade das pessoas humanas - o objetivo de toda Empresa.
2. Conhecer e trabalhar na direção dos objetivos particulares e sociais da Empresa
onde trabalha.
3. Conduzir com atividades práticas, as pessoas que trabalham na Empresa -
dirigentes e funcionários - na direção dos objetivos humanos, bem como os definidos
pela Empresa.
4. Promover as condições e atividades práticas necessárias - treinamentos, eventos,
reuniões, festas, feiras, exposições, excursões, etc... - , ao desenvolvimento integral
das pessoas, influenciando-as positivamente (processo educativo), com o objetivo
de otimizar a produtividade pessoal.
5. Aconselhar, de preferência por escrito, sobre as condutas mais eficazes das
chefias para com os funcionários e destes para com as chefias, a fim de favorecer o
desenvolvimento da produtividade empresarial.
6. Conduzir o relacionamento humano na Empresa, através de ações pedagógicas,
que garantam a manutenção do ambiente positivo e agradável, estimulador da
produtividade.

O PEDAGOGO EMPRESARIAL e os CHEFES LÈDERES - EDUCADORES


A primeira tarefa do Pedagogo Empresarial é fazer com que o empresário, perceba
com nitidez, que o seu ideal de vida, suas aspirações e objetivos pessoais
correspondem a uma questão ética e social na empresa.
Os melhores chefes conseguem resultados brilhantes porque são líderes
educadores.
Características do melhor chefe - o líder educador:
1. O melhor chefe - o líder educador age sem saber e sem querer, apenas por causa
das suas intenções e dos seus exemplos de conduta. Esta é a sua mais importante
ação, a mais impressionante e a mais eficaz. Ser líder educador - ser o melhor chefe
- é um dom, uma qualidade, um talento que pode ser cultivado e treinado.
2. O melhor chefe - o líder educador afirma-se acima de tudo pela sua maneira de
ser. É por intermédio da sua conduta, que ele consegue a autoridade e conduz o
comportamento das pessoas, antes de toda e qualquer análise.
3. O melhor chefe - o líder educador provoca o entusiasmo, estimula a imitação e o
treino, através do seu modo de ser e do seu prestígio, que são os principais meios
que emprega.
Nunca emprega a discussão ou a pressão.
4. O melhor chefe - líder educador é naturalmente admirado, respeitado e imitado
pelas suas idéias, pela sua energia, pela coerência das suas atitudes e palavras,
pela lição constante dos seus gestos, do seu comportamento.
5. O melhor chefe - o líder educador, é um estimulador das qualidades das pessoas,
um incentivador positivo, pois a vida em grupo é feita de recíprocos inventivos e
sugestões.
6. O melhor chefe - o líder educador, influencia e convence as pessoas com
facilidade, levando-as a viverem os conhecimentos que transmite através do seu
modo de ser.
7. O melhor chefe - o líder educador, não dá ―lições‖ ou ―sermões‖, ele usa técnicas
de relacionamento, com eficácia, por meio do seu comportamento.( É assim que eu
faço).
8. O melhor chefe - o líder educador promove espontaneamente, contínuas
oportunidades de preparação e de treino para uma vida mais produtiva e
realizadora.

CIENCIAS QUE AUXILIAM O PEDAGOGO


A PEDAGOGIA considera a pessoa humana, na sua vida integral, individual e
social.
O PEDAGOGO tem necessidade de conhecer tudo quanto diga respeito à pessoa
humana, para ter condições de orientá-la eficazmente e encontrar soluções práticas
para os problemas que a aflige. Tanto de ordem individual, social e espiritual.
Para isso, utiliza-se de todas as Ciências Humanas nos seus diversos aspectos.
1. Ciências do homem considerando a si próprio
• Psicologia Educacional
• Ciências Biológicas
• Antropologia
• Ciências Religiosas
2. Ciências do homem considerado em grupo
• Sociologia
• Geografia Humana
• Estatística
3. Ciências Filosóficas
• Filosofia
• Filosofia da Educação
• Destacando cada uma:

PSICOLOGIA EDUCACIONAL
Nada se pode fazer, ou mesmo tentar, em Educação, sem a estreita colaboração da
Psicologia Educacional. Cada dificuldade pedagógica que surge, é simultaneamente
uma dificuldade psicológica. Para conduzir mentes humanas, é preciso conhecê-las,
nas suas manifestações conscientes e inconscientes.
A Psicologia Educacional procura revelar a pessoa humana, na sua evolução
natural, e só diante desse conhecimento é possível formular doutrinas pedagógicas
consistentes e métodos educacionais eficazes.
A Psicologia Educacional leva naturalmente ao conhecimento das leis pedagógicas
e os sistemas educativos só tem aplicação prática, quando os processos psíquicos
das pessoas deixam de oferecer resistência ou defesa, facilitando ao pedagogo a
necessária ação pedagógica.

CIÂNCIAS BIOLÌGICAS
Biologia- se dedica ao estudo da estrutura, da atividade, da origem, da
classificação, das relações e posições dos seres vivos no espaço e no tempo.
Aprofunda-se no estudo das leis biológicas, para que a vida, que tanto nos
preocupa, possa produzir tudo quanto pode e deve produzir. Fornece informações
preciosíssimas sobre as leis da vida.
Fisiologia- estuda a função dos órgãos, da nutrição, da circulação sangüínea, da
respiração, etc... Permitindo relacionar as funções orgânicas com as funções
psíquicas. A base fisiológica da mente deu relevância ao papel da Educação Física,
para a Pedagogia. Esses conhecimentos comprovaram a insubstituível função da
Educação Física, na eficácia do processo educativo.
Anatomia - estuda a estrutura dos seres organizados. Em especial, ossos,
articulações, músculos, sistema vascular, (coração, circulação, capilares), sistema
linfático, sistema nervoso central, sistema nervoso autônomo...todos aspectos
trabalhados também pela Educação Física.
Medicina psicossomática - detecta distúrbios de comportamento através de
sintomas orgânicos como, preguiça, maldade, estupidez, perversão de caráter,
inveja, etc... Sabe-se, por exemplo, doenças no fígado podem estar relacionados
com sentimentos de inveja, sentimento de orgulho podem provocar alterações
fisiológicas,etc...
Higiene - estuda os meios que devem ser utilizados para conservar a saúde e evitar
as doenças. O eficácia da aprendizagem também depende das condições de higiene
e saúde, de quem deve aprender, isto é, de quem deve mudar.

Por exemplo:
1. Edifícios e suas condições físicas higiênicas - limpeza, iluminação, ventilação,
mobiliário adequado, dimensão e cubagem das salas, dos locais de práticas de
exercícios físicos, da piscina, uso dos produtos eficazes de higiene e limpeza, etc...
2. Funcionários e suas condições de trabalho – organização dos horários, tempo de
repouso, exercícios físicos, banhos, medidas profiláticas, equilíbrio entre o tempo de
recreação e o tempo de trabalho, exame médico e mental dos funcionários,
vestuário, asseio corporal, etc...

ANTROPOLOGIA
É a ciência do homem. Faz a história da espécie humana: sua origem, raças,
desenvolvimento, evolução e adaptação ao meio, dimensões do corpo, seus usos e
costumes, etc... Fornece valiosa contribuição para orientação e aplicação correta
das atividades físicas, culturais, sociais, etc...

SOCIOLOGIA EDUCACIONAL
O Pedagogo Empresarial deve sempre considerar a solução dos problemas da
Educação dos funcionários, principalmente no aspecto social, da vida em grupo.
A sociologia estuda o comportamento da pessoa humana nos diversos grupos
sociais, desde a sua família e as influências na formação da personalidade. Estuda o
papel da Educação nas sociedades de hoje e a relação entre a Família e as diversas
instituições sociais de um lado e o local de trabalho de outro.
Não é possível conhecer o desenvolvimento da personalidade a não ser em função
do meio em que vive. É o meio social, em geral, que apresenta à pessoa, as
situações mais complexas e mais difíceis de relacionamento.

GEOGRAFIA HUMANA
Estuda as mútuas influências existentes entre o homem, de um lado, e o solo, o
clima e a vegetação do outro lado. Mostra como as condições geográficas podem
exercer influencia no desenvolvimento dos usos e costumes, da cultura dos vários
tipos de sociedades.

ESTATÍSTICA
―Quanto maior é o número de indivíduos que observamos, tanto mais, as
particularidades individuais, querem físicas ou morais, se apagam e deixam
predominar a série de fatos genéricos, em virtude dos quais a sociedade existe e se
conserva” (Quételet).
A estatística mede, por meio de métodos científicos de observação, a freqüência dos
fatos ocorridos. Por exemplo:
1. De que maneira um determinado sistema de treinamento funciona na melhoria da
produtividade, numa mesma localidade, nos diferentes momentos do dia ou mesmo
do ano, nas diferentes regiões?
2. De que maneira a produtividade das mulheres reage a um determinado tipo de
treinamento, assim como também a dos os homens, de uma determinada localidade
ou região, etc...?
3. Qual é o horário em que a aprendizagem é mais eficaz, numa localidade ou
região, etc...?

FILOSOFIA DA EDUCAÇÀO
O Pedagogo sempre tem como base de trabalho os diversos sistemas educacionais,
com sua Filosofia da Educação.
Filosofia é a ciência que estuda e procura dar explicações mais profundas do
Universo, suas origens e seus fins, sobre as razões e as causas últimas e os
pensamentos que geram os acontecimentos.
O Pedagogo diante do problema educativo, seja na empresa ou em outro ambiente,
depara-se com as seguintes questões filosóficas:
• Quem é o ser humano?
• Qual é o destino do ser humano?
• Como devo proceder corretamente com o ser humano?
• Que caminho mais seguro devo tomar?
• Qual a razão por que devo seguir um determinado caminho e não outro?
São perguntas filosóficas que só encontram respostas na Filosofia da Educação.
Sabemos que a opinião do Pedagogo sobre Educação depende da opinião dele
sobre o ser humano, sua natureza, seu destino, seu fim...
A Filosofia estuda a Ética (Moral), a Lógica, a Matemática - que fornecem
preciosas contribuições para o esclarecimento e solução dos grandes problemas
pedagógicos.
A Ética em especial porque estuda a moral, é base de toda a Educação, seja ela de
que natureza for. A ética estuda as consequencias das condutas corretas ou não,
construtivas ou destrutivas. A ação essencial da Educação consiste em formar a
consciência moral das pessoas (a consciência do bem e do mal para si e para os
outros do seu grupo social e da sociedade).
Os grandes Educadores não duvidam em fazer duas afirmações básicas para o
sucesso da Educação:
―A moral é a higiene eficaz da sociedade.‖
―A coragem é acima de tudo, um fenômeno moral.‖
Na base da própria Educação Física, encontra-se a Moral,
que ensina o homem a proceder corretamente e construtivamente dentro do seu
grupo social.
Uma boa educação moral é base sólida para que o homem seja bem sucedido, se
desenvolva bem fisicamente e evite vícios que destroem a sua saúde e o conduzem
à ruína física, mental e social.
A Lógica - estuda as leis do pensamento em direção à verdade. A sua necessidade
na obra educativa se refere ao mecanismo das demonstrações, das definições e do
ensino, respeitando os critérios da verdade.
A Metafísica- estuda os problemas mais transcendentes da vida, como:
• O Conhecimento (a consciência de si mesmo),
• A Justiça (julgar segundo a consciência e o direito),
• A Religião (processo de ligação ao Ser Criador).
As experimentações de um grande filósofo educador forçaram-no a afirmar: - “A
religião é o mais primitivo de todos os fenômenos sociais; no princípio tudo é
religioso. É a religião que representa a melhor solução, pois admite o
desconhecido, que é tanto do agrado da pessoa humana; além disso, a religião
é terapêutica, porque proporciona esperanças e consolos profundamente
animadores e acima de tudo, saudáveis” (OTTO RANK)‖.
PEDAGOGIA, CIÊNCIA E ARTE

Conhecimentos que fundamentam a ação do pedagogo empresarial


―A PEDAGOGIA, não é uma ciência exata, não é uma ciência de fatos, mas sim, de
possibilidades da alma do educando (ou funcionário) em submeter-se às influências
educativas (WILBOIS)‖.
Quem pretende educar (orientar, influenciar, ensinar), só consegue com os
conhecimentos de PEDAGOGIA que é o conjunto das experiências práticas e
estudos sistematizados do fato educativo.
A PEDAGOGIA é definida como a ciência e a arte da educação.
Ciência, quando investiga, analisa, sistematiza e define - mediante observação e
experimentação prática - qual deve ser o objetivo da Educação.
Arte, quando define a execução, aplica e põe em prática, de maneira mais
inteligente e eficaz, as tecnologias, o resultado das investigações das teorias
conhecidas pelo pedagogo, para atingir os objetivos da Educação.
A PEDAGOGIA estabelece:
• Aquilo que se deve fazer.
• Estuda os meios de o realizar.
• Põe em prática aquilo que concebeu.
Então - A Pedagogia estuda e aplica doutrinas e princípios para um programa
de ação, com os meios mais eficientes de formação, aperfeiçoamento e
estímulo das faculdades da personalidade humana, de acordo com ideais e
objetivos adequados a uma determinada concepção de vida.
Os objetivos da Pedagogia como Ciência, são:
• Investigar todas as dificuldades referentes ao funcionário (o educando), ao chefe (o
educador) e ao ambiente.
• Elaborar hipóteses, teorias, princípios e atividades.
• Estudar e apurar os resultados da atividade especulativa.
• Experimentar na prática.
Os objetivos da Pedagogia como Arte, são:
• Preparar o funcionário (o educando), para a vida mais produtiva e realizadora.
• Cultivar as faculdades do ser humano, funcionário (educando) inexperiente, de
maneira programada e progressiva.
• Adaptar o ser humano às condições do meio (lar, escola, empresa...).
• Agir praticamente de maneira rendosa, formativa e disciplinadora.
A PEDAGOGIA É PRÊTICA
Fazendo as comparações abaixo temos idéia da característica essencial da
PEDAGOGIA, a sua função prática.
1. A Biologia ensina as leis do desenvolvimento do nosso organismo;
• A Pedagogia ensina como fazer para cuidar do nosso corpo, seus órgãos e suas
funções, para mantê-lo sempre sadio, agil e belo.
2. A Psicologia ensina sobre as nossas faculdades mentais;
• A Pedagogia ensina como fazer para desenvolvê-las plenamente.
3. A Lógica ensina sobre a demonstração da verdade, com pensamento humano;
• A Pedagogia ensina como usar as regras do pensamento para comunicá-lo
claramente dentro da verdade.
4. A Antropologia observa e estuda o homem como ser sociável, inteligente, seus
usos e costumes e a consciência das suas ações;
• A Pedagogia ensina como fazer para alcançar a sua função, como ser consciente
do seu ambiente, da sua cultura, usos e costumes
5. A Higiene ensina os meios de evitar as doenças e conservar a saúde do corpo;
• A Pedagogia ensina como fazer para viver de maneira saudável.
6. A Religião ensina sobre a ligação do homem com o Criador.
• A Pedagogia ensina como fazer para viver a ligação diária do homem com o
Criador.
Então, a função da Pedagogia é mostrar COMO AGIR de maneira mais construtiva
e produtiva para si, para os outros e para a sociedade. A Pedagogia apresenta
atividades práticas que levam a atingir o objetivo determinado.
EDUCAÇÀO NA EMPRESA
Conceituações sobre Educação para orientação do trabalho do Pedagogo
Empresarial
O processo de influências recebidas pelos participantes de uma Empresa, durante
todo o tempo em que trabalha nela, é Educação.
O que é Educação?
• É fundamental que o Pedagogo Empresarial esteja ciente de que a Educação,
puramente humana, por mais requintada que seja, não realiza totalmente o homem,
e isto porque o homem tem aspirações de Infinito. Demonstra-se metafisicamente e
historicamente que o homem, em toda parte e sempre, mesmo quando nega o
Infinito, sente a atração do Infinito. A arreligiosidade é fenômeno anormal, contrário
às aspirações mais íntimas da natureza humana.
Deste modo, ―uma verdade domina a Educação: Toda a dignidade do homem reside
no pensamento, livre no seu ato, e perfeito no seu objetivo. O pleno
desenvolvimento da pessoa humana realizar-se-á na livre adesão do espírito à
Bondade, à Beleza, à Verdade Suprema, isto é, à Deus” Rey Herme.
A este fim último todos os outros devem subordinar-se.
• Educação é o processo de formação da personalidade humana, durante toda a sua
vida.
• Não há Educação sem o ideal de um mundo melhor. Não há educador que possa
dispensar-se de cultivar a nobreza da alma.
• Educação é o conjunto de ações, de influências e de sugestões - exercidas sobre
os indivíduos no sentido de aproveitar metódica e progressivamente - todas as
possibilidades fisio-psíquicas - no interesse individual e no interesse coletivo - para
que eles se tornem capazes de viverem bem, no ambiente físico e social de que
fazem parte, - contribuindo, na medida do possível, para o bem estar e progresso da
sociedade em que vive.
• A Educação, digna de tal nome, não só prepara a pessoa humana para cumprir
seus deveres gerais de cidadão, mas também para o desempenho de uma atividade
ou profissão, tomando por base diversos aspectos: - conhecimentos, aptidão,
vocação, interesse, classe social, situação econômica, etc...
• A boa Educação deve, atender aos interesses espirituais, morais e materiais. O
educador realiza a obra educativa por intermédio do espírito, e não conseguiria e
nem se compreenderia que essa ação promovesse apenas o desenvolvimento e a
cultura dos interesses materiais.
• Educar é assimilar o educando(funcionário) à cultura (usos e costumes sociais e
éticos-morais) do seu tempo, do seu grupo social e habilitá-lo a viver com eficiência
e eficácia.
• A Educação trabalha com as experiências úteis do passado e com os
conhecimentos que ensinam construir o futuro. Então, procura desenvolver e utilizar
todas as potencialidades da pessoa humana, através de atividades práticas
educativas, isto é, que sejam construtivas.
INFLUÂNCIAS DA EDUCAÇÀO FAMILIAR na EMPRESA
Conhecimentos úteis para recrutamento, seleção e treinamento
Na verdade, cabe à família a importantíssima missão educativa.
É ela que fornece, à pessoa desde a infância, as primeiras noções das coisas e os
primeiros conhecimentos básicos da vida pessoal e da vida social.
Até certa idade, ainda imatura, é a Família que dirige a pessoa. É a Família quem a
educa bem ou mal, de acordo com a qualidade das suas influências.
Numa boa educação, os pais vigiam e cuidam a todo o instante da vida dos filhos,
acompanham o seu desenvolvimento, ensinam-lhes a falar, impõem-lhes hábitos e
disciplina, fixam-lhes reflexos, ensinam-lhes conceitos de relacionamento, etc... Pelo
menos é o dever deles.
Mas infelizmente, a Educação Familiar nem sempre cumpre seu dever, e as
consequências são sentidas, posteriormente, na escola, no trabalho e na vida social.
Vejamos três aspectos muito comuns:
1. A insubordinação - Os desacordos constantes entre o pai e a mãe, fazem com
que os filhos vivam no meio de contínuas contradições. A criança nunca sabe em
quem deve acreditar e obedecer, acabando por se convencer que é melhor fazer o
que lhe apetece, sem atender em coisa alguma às ordens, advertências ou
conselhos dos pais, as primeiras autoridades da sua vida.
Mais tarde, repete esse comportamento de insubordinação, com as outras
autoridades (chefes), tanto na escola, como no trabalho e na sociedade.
2. Ausência de experiências sociais básicas - Os pais, por mais cultos que sejam,
não conseguem, sozinhos, proporcionar aos filhos, experiência social, aquele
conjunto de noções, vivências e conhecimentos adquiridos na relacionamento com
outras pessoas. É necessário e importante que proporcionem aos filhos experiência
social escolar desde muito cedo, para que aprendam a administrar as dificuldades
de relacionamento humano, que viverão posteriormente na vida adulta familiar e
profissional.
3. Condescendências exageradas da mãe ou dos pais – As crianças, acostumadas
às condescendências constantes da mãe, ou dos pais, tornam-se, pessoas
orgulhosas, voluntariosas e indisciplinadas. Não aceitam as regras de organização e
disciplina de uma instituição, e geralmente tem dificuldades de convivência. Estão
sempre exigindo e esperando condescendências, que nunca terão, sem ter
consciência da qualidade do seu comportamento inadequado.
O PEDAGOGO EMPRESARIAL – A HETERO-EDUCAÇÀO E AUTO-EDUCAÇÀO
Direção das Influências Recebidas
Sabendo que Educação é um processo de influências, positivas ou negativas, na
formação da personalidade humana, podemos dizer então, que a pessoa humana é
educada:
• Pelos outros (hetero-educação)
• Por si própria (auto-educação).
Hetero-Educação
Estamos continuamente recebendo da sociedade (os outros) uma influência enorme.
A todo o momento estamos recebendo, as mais diversas influências, que vão
marcando traços fortes na nossa personalidade:
• Os exemplos das pessoas da nossa convivência: - pais, parentes, professores,
amigos, colegas, vizinhos, conhecidos, ídolos, etc...;
• Os programas de TV;
• As revistas que vemos e lemos;
• Os objetos que nos cercam;
• Os espetáculos que presenciamos;
• As palavras que ouvimos;
• Os cartazes que vemos;
• Os quadros que admiramos;
• As atividades das quais participamos, etc...etc...
Essa ação formadora da personalidade, exercida pela sociedade sobre nós
manifesta-se de dois modos diferentes:
• Espontâneo e automático, que se torna inconscientemente persuasivo, por meio
dos hábitos, da tradição e dos costumes.
• Intencional, por meio da organização dos grupos sociais aos quais pertencemos,
especialmente aqui, o grupo de trabalho profissional.
Auto-Educação
Consiste em receber influências, buscadas por si mesmo, de dois modos:
• Não intencional - por meio da participação em brincadeiras, divertimentos, festas,
reuniões de lazer, e outras atividades espontâneas em grupo, de várias naturezas...
• Intencional - por meio da busca de conhecimentos, sem professores, através de
livros, vídeos, filmes, revistas, internet, de visitas a museus, visitas à feiras ou
exposições especializadas, etc...etc...

EDUCAÇÀO E INSTRUÇÀO NA EMPRESA - diferenças


Se lembrarmos que o homem é um ser naturalmente criativo, que produz, elabora,
questiona, inventa e realiza, não esperamos resultados ―mágicos‖ de métodos de
ensino, de processos de ensino, de livros didáticos, de ilustrações, de laboratórios,
de herbários, de transparências, de vídeos, etc.
É a personalidade dinâmica e positiva do monitor ou chefe líder-educador que se
torna imprescindível. Já está provado que a aplicação meticulosa dos métodos de
ensino, mesmo com o melhor material didático do mundo, é processo insuficiente.
Como na empresa, há necessidade de se conseguir mudança de comportamento
com o objetivo definido de melhorar a produtividade pessoal, o processo que deve
se realizar é o processo educativo e não somente instrutivo.
O simples ato de instruir, não satisfaz aos objetivos do processo educativo, de
influenciar positivamente e provocar a mudança de comportamento.
Aqueles que se limitam a instruir, sejam eles, pais, monitores, professores ou
chefes..., não cumprem integralmente a missão de educar, isto é, de estimular,
através de experiências vividas, as mudanças de comportamento necessárias que
contribuem para otimizar a formação da personalidade.

EDUCAÇÀO E INSTRUÇÀO - comparação


1. Educação - Processo de desenvolver, levando a usar os conhecimentos, de
dentro para fora, através de experiências vividas. (tarefa do pedagogo).
- Instrução - Processo de fornecer informações de fora para dentro (tarefa do
instrutor).
2. Educação- Provoca o desenvolvimento mental, integrado nas necessidades
pessoais e sociais, através de experiências vividas (tarefa do pedagogo).
- Instrução- Provoca apenas acúmulo de informações. (tarefa do instrutor).
3. Educação - É o processo de sugestão e convencimento, através de experiências
vividas. (tarefa do pedagogo).
- Instrução - É um processo de explicação ou demonstração teórica. (tarefa do
instrutor).
4. Educação- Através de experiências vividas, aplica regras e princípios morais
básicos, necessários a qualquer profissão ou função, e em quaisquer circunstâncias
(tarefa do pedagogo).
- Instrução - Dá explicações teóricas para uma pessoa inexperiente em relação a
uma profissão, função, tarefa ou uma determinada missão. (tarefa do instrutor).
5. Educação- Proporciona formação integral de personalidade, através de
experiências práticas completas que envolvam todos os aspectos da personalidade:
espiritual, mental, físico... (tarefa do pedagogo).
- Instrução - Oferece informações teóricas, culturais e científicas, nas formas mais
elevadas e mais nobres, sem necessidade de experiências (tarefa do instrutor).

EDUCAÇÀO INTEGRAL
Condição indispensável para melhorar a produtividade
A Educação Profissional é excessivamente unilateral e restrita em relação à
personalidade humana integral.
O Pedagogo Empresarial enfrenta, na empresa, o desafio de contrabalançar os
efeitos desequilibradores da especialização profissional, limitante e muitas vezes
castradora, com atividades recriadoras.
A atenção do Pedagogo Empresarial, à Educação Integral, isto é, ao processo de
influenciar e sugestionar positivamente os funcionários em todos os aspectos da sua
personalidade vai proporcionar o desenvolvimento da produtividade pessoal nas
mais diversas atividades.
O Pedagogo Empresarial deve saber que o homem é um microcosmo, um ser
complexo e que para desenvolver a sua faculdade inata de produzir necessita do
desenvolvimento integral da sua personalidade. Portanto, deve demonstrar com o
seu trabalho prático, na empresa, os efeitos benéficos da adoção das várias
atividades educativas.
Embora não se atinja a perfeição ideal, pode encontrar-se a perfeição humanamente
possível, com boa vontade, ciência, persistência e principalmente muita criatividade.
.
A necessidade de influenciar positivamente e de desenvolver o homem na sua
personalidade integral, e na tentativa de atingi-lo completamente proporcionando-lhe
auto-realização, fez com que o processo educativo fosse separado em partes.
Por isso, encontramos várias denominações para o único processo de educar.
Vejam que interessante:
Educação Artística - Educação Científica – Educação Cívica - Educação
Corretiva - Educação Doméstica - Educação dos Sentimentos - Educação
Econômica - Educação Escolar - Educação Feminina - Educação Filosófica -
Educação Física - Educação Funcional - Educação Intelectual - Educação
Literária - Educação Moral Educação Popular - Educação Pré-Escolar -
Educação Preventiva - Educação Profissional - Educação Religiosa - Educação
Sexual - Educação Social – Educação Supletiva - etc...
São denominações para os vários aspectos do único processo - Educação - , com a
intenção e esforço de dedicar uma atenção especial, a cada aspecto da
personalidade integral do homem. A Educação integral promove o desbloqueio da
produtividade inata da pessoa humana.
A PRODUTIVIDADE DAS PESSOAS
Produtividade é a faculdade inata da pessoa humana, de produzir, de ser rendosa,
de ser proveitosa, de ser criativa, de ser elaboradora, de ser realizadora, em tudo o
que sabe fazer.
Sendo uma faculdade humana inata é natural que sejamos produtivos, em tudo que
sabemos fazer, seja em atividades pessoais em casa, seja em atividades
profissionais no trabalho, seja em atividades sociais.
Então, não precisamos aprender produtividade, e sim desenvolvê-la.
Porém, nem sempre é assim. Em alguns dias somos produtivos, em outros dias,
não.
A PNI - Psiconeuroimunologia – e a Psicologia Educacional comprovam com
resultados de pesquisas, que o nosso estado emocional, influi de maneira decisiva
na nossa capacidade natural de produzir, assim como na nossa saúde.
Se estivermos satisfeitos e alegres, somos muito produtivos, e se estivermos
frustrados e tristes, nossa produtividade é baixa.
A alegria é a energia mais necessária ao ser humano. Estar alegre é o seu estado
natural, que pode ser perfeitamente mantido, comandado e controlado. Estar triste e
preocupado não é natural do ser humano e só lhe causa prejuízos de toda espécie.
William James, famoso psicólogo norte americano, descobriu que podemos criar o
nosso estado permanente de alegria, porque a nossa mente é influenciada pela
expressão do nosso rosto. Rindo propositadamente, e mantendo conscientemente
um ar de riso conseguimos permanecer em estado alegre. Descobriu também, que
de tanto provocarmos conscientemente a alegria, através do riso, passamos a ser
naturalmente alegres e os efeitos sobre a nossa produtividade são sentidos
imediatamente.
Em estado de alegria, a nossa ―luz‖ brilha. Todas as nossas qualidades, mentais e
físicas e a nossa produtividade se manifestam livremente.
Existem atividades especiais para equilibrar a nossa produtividade que podemos
praticar diariamente. Ajudam a desenvolver a nossa alegria natural, as nossas
qualidades e a nossa produtividade, tirando tudo o que está envolvendo e impedindo
a sua manifestação.
Desenvolver é tirar o que está envolvendo, o que está escondendo.
AS FRUSTRAÇÃES BLOQUEIAM NOSSA PRODUTIVIDADE
A Psicologia Educacional denomina de frustração, o sentimento de insatisfação das
nossas necessidades naturais. Quando nos sentimos insatisfeitos, frustrados, a
direção do nosso comportamento fica fixada no sentimento de frustração,
escondendo o brilho da nossa ―luz‖, bloqueando a nossa capacidade de produzir.
Para facilitar o estudo, as nossas necessidades naturais foram reunidas pela
Psicologia Educacional em 2 grupos:
As Necessidades Fisiológicas - são mais simples de serem satisfeitas. -
fome(necessidade de alimento); - sede(necessidade de líquido); - sono(necessidade
de desintoxicar nosso organismo e recarregar as energias); - repouso(necessidade
de atividades relaxantes); - atividade (necessidade de ação, de produzir, de ser útil);
- abrigo e temperatura (necessidade de roupas e habitação); - convivência
sexual(necessidade de convivência e relacionamento espontâneo e natural com o
sexo oposto).
As Necessidades Psicológicas - não tão simples de serem satisfeitas:-
afeto(necessidade de atenção, de calor humano...); - ser aceito(necessidade de
segurança emocional, de ser aceito do nosso jeito, pelas pessoas importantes da
nossa vida); - aprovação social(necessidade de ser admirado, elogiado, reconhecido
e aprovado nos grupos de nossa convivência); - independência (necessidade de ter
opiniões e idéias próprias); - realização(necessidade de realizar os próprios sonhos
e planos); - Auto-Estima (necessidade de gostar de si mesmo), a mais forte de
todas .
Enquanto estivermos frustrados, insatisfeitos em alguma ou várias dessas
necessidades, principalmente na auto estima, ficamos dominados pelo impulso de
satisfazê-las. Nesse estado de frustração, a nossa produtividade e as nossas
qualidades, permanecem bloqueadas, até que nos sintamos satisfeitos.
De todas as necessidades humanas, a Auto-Estima é a mais forte e mais
abrangente. Se conseguirmos satisfazer a nossa necessidade de auto-estima,
conseguiremos facilmente satisfazer as outras necessidades. A grande maioria das
pessoas se sente frustrada na Auto-estima, isto é, sente Auto-rejeição (dificuldade
em gostar de si mesmo).
Hoje, todas as ciências que estudam o comportamento humano, especialmente a
Psicologia Educacional, a PNI - Psiconeuroimunologia, a Psicocibernética
reconhecem, que satisfazer a Auto-Estima (gostar de si mesmo), é essencial para
uma vida saudável e realizadora. A Medicina mais avançada, já considera a
satisfação da auto-estima como condição de boa saúde, e a auto-rejeição
favorecendo o aparecimento de doenças.
“Amarás o teu próximo, como a ti mesmo”
Ensinamento bíblico que nos avisa há milhares de anos, que amaremos o outro, da
mesma maneira como amamos a nós mesmos.
Portanto, é essencial a satisfação da auto-estima, gostarmos de nós mesmos, para
que tenhamos as condições de convívio harmonioso com os outros e de amá-los. Só
assim, vencemos nossas dificuldades de relacionamento com as pessoas e então, a
nossa produtividade e outras nossas qualidades se manifestam livremente e
naturalmente.
O ponto de partida para a satisfação da nossa auto-estima é a anulação da auto-
rejeição (não gosto de mim) gerada pelo acúmulo exagerado de críticas negativas,
condenações e correções recebidas, na nossa infância e adolescência, com
ausência absoluta de elogios e incentivos.
Desenvolvendo o conhecimento e a consciência, de que somos ―Criaturas feitas à
imagem e semelhança de Deus‖, e do nosso imenso potencial. Praticando os
―exercícios de reconquista da auto-estima‖, seguramente obtemos ótimos resultados
no tratamento e na ―cura‖ da auto-rejeição e no desbloqueio da produtividade.

AS NOSSAS MOTIVAÇÃES ESTÀO LIGADAS AS NOSSAS NECESSIDADES


Além das necessidades naturais, também sentimos motivações. São os motivos
da nossa ação.
As motivações são adquiridas por nós, nas experiências da vida, e estão ligadas à
satisfação, ou não, das nossas necessidades naturais. As motivações já existem no
ser humano e não há necessidade de criá-las, mas sim, atingí-las.
Para conseguirmos uma mudança de comportamento (aprendizagem), desenvolver
a nossa produtividade e manifestar as nossas qualidades livremente, temos que:
• Conhecer as nossas necessidades naturais (acima) e
• Atingir as nossas motivações.
A Psicologia Educacional mostra que a maior de todas as motivações humanas é:
O desejo de felicidade.
Para conseguir atingí-la, criamos várias outras motivações que podem ser reunidas
em 3 grupos:
• Desejo de saúde
• Desejo de riqueza
• Desejo de sucesso
Esses nossos desejos, são os motivos para a nossa ação - as nossas motivações .
São ―impulsos‖ interiores que estão ligados a nossos sonhos, nossas intenções e
nossas metas.
Repare que as motivações estão sempre ligadas à satisfação das necessidades
naturais.
(Faça as ligações abaixo)
Motivação ......... Necessidade
Desejo de Saúde (para satisfazer):
........................................ Fome
......................................... Sede
...................................... Abrigo
.............................. Temperatura
......................................... Sono
................................... Repouso
.................... Convivencia sexual
............................Auto-Estima
Desejo de Riqueza (para satisfazer):
................................. Realização
........................... Independência
......... Aprovação social (status)
Ser aceito (segurança emocional)
............................Auto-Estima
Desejo de Sucesso (para satisfazer):
....................................... Afeteo
.................................. Ser aceito
...................... Aprovação social
................................. Realização
.......................... Independência
.................... Convivencia sexual
............................Auto-Estima

ATIVIDADES EQUILIBRADORAS DA NOSSA PRODUTIVIDADE


O conhecimento das necessidades e motivações humanas nos dão as condições
básicas para compreendermos todo o processo das mudanças no nosso
comportamento, que promoverão o equilíbrio da nossa produtividade.
O sentimento de auto-rejeição nos faz mal. Ao acreditarmos e nos sentirmos cheios
de defeitos, atraímos para nós, situações de ―castigo‖, como se não merecêssemos
coisas boas.
Segundo a PNI atraímos com freqüência, como ―castigos‖ na nossa vida,
relacionamentos humanos difíceis, produtividade baixa, dificuldades profissionais,
dificuldades financeiras, saúde instável, ...
A Psicologia Educacional sugere exercícios e atividades equilibradoras que
promovem a anulação da auto rejeição, geram alegria, satisfação da auto-estima e
desbloqueio da produtividade.
São atividades que devem ser praticadas diariamente, porque funcionam como
exercícios que proporcionam o equilíbrio do nosso desempenho mental e físico,
aumentam a oxigenação de todas as células, melhoram nosso estado de saúde.
Além disso, estimulam o cérebro a liberar hormônios benéficos, como as endorfinas,
que anestesiam as dores, fortalecem nosso sistema imunológico, relaxam os
músculos, regularizam o funcionamento do aparelho digestivo e produzem bem
estar. Então, nossa produtividade e nossas qualidades ficam desbloqueadas,
deixando a nossa ―luz‖ brilhar.

EXERCÈCIOS DE RECONQUISTA DA AUTO-ESTIMA


Através da ―gravação‖ repetida das verdades sobre o a pessoa humana, ―apagamos‖
do nosso cérebro, gravações negativas de auto-rejeição e desbloqueamos nossa
produtividade.
1. Lista de Qualidades
Faça uma lista escrita das suas 10 maiores qualidades, iniciando cada uma com ―EU
SOU‖. (repita e amplie a lista diariamente)
“EU SOU alegre” etc....
2. Exercícios no Espelho
Fale com você durante 5 minutos diariamente, ao levantar, sorrindo abertamente em
frente ao espelho, uma das seguintes afirmações:
3. Limpeza do Espírito
Eliminando emoções negativas, em tres etapas, com o uso da imaginação. - (repetir
3 vezes ao dia).
Sentado(a) numa posição confortável, solte todos os músculos, deixe os braços
soltos para baixo, com as mãos soltas em direção ao chão, como se fossem ―fios
terra‖.
1ª etapa- Imagine uma energia poluida (cor de cinza) escoando para a terra, através
dos seus braços e mãos e desaparecendo.
Diga: - “Com a ajuda de Deus eu esvazio, agora, o meu espírito de todas as
preocupações, medos, ansiedades, insegurança, dúvidas, culpas, ressentimentos,
tristezas, ciumes, mágoas...” (5 vezes)...
2ª etapa - Em seguida, na mesma posição, imagine uma luz totalmente branca.
Diga:- ―Sei que Deus já esvaziou completamente o meu espírito de todas as
preocupações, medos, ansiedades, inseguranças, dúvidas, culpas e ressentimentos,
tristezas, ciumes, mágoas...” (5 vezes)...”
3ª etapa - Em seguida, levante as mãos em direção à cabeça e imagine uma
energia dourada e reluzente saindo das suas mãos e penetrando em você.
Diga:- ―Agora, Deus enche o meu espírito com muita fé, força, coragem, vitalidade,
energia incansável, plenitude, beleza, alegria infinita...”(10 vezes)
Atenção - Este exercício deve ser feito inteiro, isto é, esvaziar e encher.
4. Treino do Riso
O riso é por si só expressão (pressão para fora) da alegria que habita em nós. O riso
provoca a liberação de endorfinas pelo cérebro, fortalecimento do sistema
imunológico (das defesas orgânicas), equilíbrio físico e mental, eliminação de dores,
oxigenação das células, relaxamento muscular e bem estar.
William James descobriu que a nossa mente é influenciada pelas expressões do
nosso rosto. Ao provocarmos o riso, podemos desbloquear e extrair de dentro de
nós o natural estado de alegria. Então, ele aconselha que, para voltarmos ao
equilíbrio, devemos rir mais, quanto mais tristes estivermos e conseguiremos sair do
estado de tristeza para o de alegria.
• Olhando no espelho (de preferência), inspire profundamente, e ao expirar, ria em
gargalhadas, altas ou silenciosas (10 vezes).
5. Recreação
(Re-crear-ação)
São atividades livres e espontâneas que tem a propriedade de criar novamente o
nosso estado original e natural de alegria e bem estar, eliminando os vários tipos de
tensão e sensação de medo. Devem ser praticadas diariamente durante pelo
menos30 minutos, para a conservação e manutenção do equilíbrio físico e mental.
As atividades recreativas estão reunidas em três grupos:
• Atividades Religiosas - atividades que promovem a ligação permanente do nosso
pensamento em Deus, o Único Poder Criador de Tudo
Participe de cerimônias religiosas, reuniões para orações específicas e retiros com
exercícios espirituais; faça orações individuais, orações em grupos, leituras
espirituais, etc...(1 hora, todos os dias).
• Atividades artísticas- atividades que manifestam ―o Belo‖ em todas as coisas.
Dance, cante, faça artesanato, trabalhe com flores, pratique jardinagem, etc...(1 hora
todos os dias)
• Atividades Físicas Esportivas - atividades que trabalham o corpo físico, nas suas
funções e desempenho, através dos movimentos corporais.
Caminhe todos os dias ao ar livre, dance, jogue bola, nade, pratique jardinagem,
ginástica, etc...(1 hora todos os dias).
6. Treino de Elogios
Criando o hábito de elogiar e nunca focalizar os defeitos.
Diariamente, onde estiver, procure perceber as qualidades das outras pessoas,
especialmente os familiares, e expresse em palavras diretamente a elas (não
minta). Além de ampliar e estimular a permanência dessas qualidades nas pessoas,
você atrairá elogios para você, ajudando na satisfação da auto-estima.

TRANSMISSÀO DA EDUCAÇÀO - ENSINO - TREINAMENTO


Influências positivas programadas na empresa
Treinamento dos profissionais.
Ensinar é acima de tudo, relacionamento humano sincero e emotivo, com o objetivo
de fazer manifestar mudanças positivas e definitivas nas pessoas.
Ensino é o processo de se conseguir aprendizagem. Aprendizagem é mudança
duradoura de comportamento, como resultado do que foi ensinado.
Os educadores mais famosos e revolucionários, como a médica Maria Montessori,
sempre afirmaram que ―se o aluno não aprendeu (não mudou), é porque o professor,
de fato, não ensinou”.
A pessoa inexperiente, tendo a consciência de que não sabe, e que necessita saber,
subordina-se ou sujeita-se inconscientemente ao ensino ou às ordens dos mais
experientes, quando encontra vantagem. Chega até a imitá-los. Cabe ao pedagogo
mostrar-lhes as vantagens.
Outras, porém, se por motivos de ordem moral e emocional ou até problemas de
inteligência, reagem contra o ambiente, contra o ensino oferecido, procuram seguir
outro caminho, adotar outra atitude e proceder de outro modo, devem ser
encaminhadas, pelo pedagogo, a um tratamento especializado.
ENSINO COLETIVO E INDIVIDUALIZADO
Já sabemos que no processo de ensino, o objetivo principal é mudar o
comportamento de quem está recebendo as “lições”, de forma positiva e
duradoura, conseguir aprendizagem.
Na empresa, as mudanças de comportamento devem acontecer, sempre com o
objetivo de melhorar a produtividade pessoal e conseqüentemente a empresarial.
O processo de ensino - treinamento consiste sempre em transmitir às pessoas,
repetidamente, uma série de conhecimentos, pensamentos, usos e costumes,
através de experiências que provoquem mudanças capazes de melhorar e evoluir
suas vidas.
Pode ser ministrado de duas maneiras: Ensino coletivo e Ensino individualizado.
O ensino coletivo é ministrado em grupo, com vantagens no que se refere à
integração do ser humano com os grupos sociais da sua convivência, com as
pessoas da família e do trabalho, com as regras de disciplina grupal, com a
interdependência social, combate ao exclusivismo, etc... Porém, o ensino ministrado
coletivamente, apesar de repetidamente, pode não atingir o nível de aprendizagem
individual desejado.
O ensino individualizado é ministrado, repetidamente, a cada pessoa, com
vantagens no que se refere ao respeito a individualidade, porque não há duas
pessoas iguais. Cada uma tem diferenças na velocidade de compreensão, nas
dificuldades de comunicação de palavras conhecidas ou não, nas experiências
anteriores, etc...
Importante - Para conseguir melhores resultados, o ensino individualizado, deve
ser ministrado em grupo, para que atinja também as vantagens do ensino coletivo.
Procedimento: - O monitor faz, coletivamente, a apresentação do assunto a ser
ensinado, de preferência de maneira prática, através de experiências, e depois, fica
à disposição do que for necessário para qualquer ajuda ou informação individual.
Todo o conteúdo a ser ensinado é preparado em forma de fichas, quadros ou
vídeos, com indicação de fontes de consulta que estejam a disposição, que possam
ser utilizadas individualmente, cada pessoa na sua velocidade. Dessa maneira o
ensino é de boa qualidade e a a aprendizagem é mais satisfatória.
TÉCNICAS DE ENSINAR
1ª - A PRÊTICA no ENSINO - AUTOMATIZAÇÀO
A prática serve para a automatização das funções psíquicas.
É necessária em todo ensino, porque sem ela, os conhecimentos permanecem
apenas ―na superficie‖, uma teoria sem utilidade, sem função educativa de
transformação e mudança desejável no comportamento.
O conhecimento teórico de princípios e regras não é o que mais importa, e sim, a
capacidade de sua aplicação automática.
Os conhecimentos, devem ser executados e aperfeiçoados, isto é, treinados,
repetidos, para que passem a fazer parte da nossa personalidade e da nossa vida.
Por isso, são chamados de exercícios.
Prática significa repetir
Saber fazer só se consegue pela prática, exercitando, através de repetições de
experiências, e de comprovações repetidas de maneira certa. É a isso que
chamamos de produtividade.
Uma ação realizada da melhor maneira, no menor tempo possível e com o maior
rendimento.
O nosso rendimento, a nossa produtividade aumenta com o maior número de
repetições intercaladas com repouso.
“A prática faz o mestre”
ATENÇÀO
• O nosso rendimento potencial, isto é, a nossa produtividade inata, pode ser
reduzida pelo cansaço e pela saturação de exercícios repetidos, sem período de
repouso. Durante o repouso, o cansaço desaparece e se efetua o processo de
aprendizagem. O recomeço ―descansado‖, favorece o nosso mais alto rendimento a
alta produtividade.
Já foi comprovado milhares de vezes que exercícios práticos espaçados,
intercalados com repouso levam a uma aprendizagem mais rápida e eficiente e à
melhor conservação na memória dos conhecimentos adquiridos, do que o acúmulo
de exercícios sem repouso.
Deve-se praticar um conhecimento no seu todo de uma vez, para depois se dedicar
às partes. É mais econômico e mais eficiente para o êxito na aprendizagem, do que
iniciar pela prática das partes. É o ―método do todo”. Na prática por partes, podem
surgir associações falsas que prejudicam a aprendizagem do todo. As repetições e a
prática das partes sem a compreensão do todo, favorece o desinteresse, a
saturação e o cansaço.
O êxito na aprendizagem representa uma das maiores motivações para o aluno
porque estimula o processo de maiores mudanças de comportamento, assim como,
o insucesso desencoraja e reduz o rendimento.
O sucesso obtido é que leva uma pessoa a prosseguir e a intensificar uma atividade.
A pessoa que é fortemente motivada, esforça-se e mobiliza-se, porque ela sente
interesse pela ação e a alegria decorrente do êxito.
O interesse e a alegria são as duas emoções chaves da motivação, produzidas pela
intensidade da ambição de alcançar uma finalidade, um desejo.
PROCEDIMENTOS
Os participantes têm que conhecer as vantagens da prática dos exercícios para a
vida dele. É imprescindível conseguir que eles se entusiasmem pela ―coisa‖.
O trabalho que o participante realiza a contragosto é perda de tempo. Ele precisa
sentir motivos para a ação, isto é, estar motivado.
A regra fundamental é: Repetições distribuídas no tempo.
Praticar intensamente durante pouco tempo, da maneira mais perfeita e repousar.
As repetições espaçadas, até que a ação esteja aperfeiçoada, provocarão a
mudança de comportamento.
O monitor ou professor deve acompanhar a prática dos exercícios, para evitar ao
máximo o número de erros.
Para fixar uma mudança positiva conseguida no comportamento, as recompensas
são insubstituíveis e devem ocorrer imediatamente após o acerto. Se ocorrerem
depois de um tempo, pouco ou nenhum efeito produzirão.
A qualidade do monitor ou do professor e da prática de um conhecimento, é medida
pelo número de execuções aperfeiçoadas que cada participante realiza
individualmente e não em conjunto.
Os exercícios devem ser organizados de modo que os participantes possam
executá-los, com certa facilidade. Maiores dificuldades devem ser apresentadas, aos
poucos, para evitar insucesso e conseqüente desencorajamento. O excesso de
tensão, causa bloqueio psíquico, prejudica o sucesso do monitor ou professor e
reduz a capacidade de produzir.
As disputas de produtividade são excelentes estímulos para o aperfeiçoamento das
práticas, porque mobilizam forças interiores motivadoras, como: satisfação de
necessidades naturais, desejo de valorização, de auto-estima, de aprovação social,
etc. São ótimas atividades para dar atenção e oportunidade aos mais tímidos.
2ª - O MÉTODO DE PROJETOS ENSINO ATRAVÉS DA EXECUÇÀO DE UM
PROJETO - APRENDER FAZENDO
É um processo de ensino essencialmente prático. O ensino é ministrado através da
execução efetiva do projeto de construção de algo concreto, e não apenas teórico
mediante representação mental, visualização ou imaginação.
O projeto escolhido deve fazer todos os participantes vibrarem. Deve ser um projeto
capaz de envolvê-los a ponto de assumirem todas as etapas da execução, desde a
elaboração do planejamento de tudo que é necessário para a sua realização
concreta. Por ex.: a realização de uma excursão, a construção de um local para
eventos, a realização de uma festa comemorativa, a execução de um palco para
apresentações, etc ...
O ensino (das disciplinas) vai sendo ministrado, pelo(s) monitor(es) ou professor(es),
durante as atividades, a medida que as necessidades aparecem. As aulas são
denominadas de reuniões. O(s) monitor(es) faz(em) o papel de coordenador(es) e
orientador(es) das atividades do projeto.
Para isso, não devem economizar tempo na fase de planejamento (preparação e
imaginação). Tudo que o projeto exigir, deverá ser pesquisado e estudado, através
de todos os meios disponíveis na comunidade.
O(s) monitor(es) ou professor(es) devem saber usar técnicas de trabalhar em grupo.
Não impor suas soluções, apenas coordenar as soluções do grupo, que deve eleger
um ou mais secretários que registrem as reuniões.
O(s) monitor(es) devem perceber e usar todas as oportunidades que o projeto
oferece para ampliação dos conhecimentos dos participantes.
As tarefas para a execução do projeto, devem ser relacionadas cuidadosamente
com muitos detalhes, sempre em conjunto com os participantes.
Depois de relacionadas, as tarefas devem ser ordenadas em seqüência e
organizadas em conjunto com os participantes, distribuídas em seguida, por escrito,
entre todos. Ninguém pode ficar sem tarefa.
Os problemas surgidos tem que ser solucionados com os participantes em conjunto.
O planejamento só será alterado, com o consentimento do grupo, se algum
participante trouxer uma idéia inesperada e original.
A realização final, a concretização do projeto, deve ser
celebrada/festejada/inaugurada, pois é o momento da vitória e da satisfação pelos
resultados dos trabalhos.
A avaliação da aprendizagem é feita nas duas ou mais reuniões finais de
comentários e depoimentos, sobre tudo o que aprenderam, o sucesso do projeto,
acertos e erros ocorridos, quando os participantes escrevem suas impressões sobre
a sua participação na realização do projeto (oportunidade de adquirir conhecimentos
da Língua Portuguesa). Nessas últimas reuniões, é declarado o encerramento do
projeto.
Obs. A data de encerramento do projeto deve ser marcada com tempo suficiente
para que os participantes relacionem todos os conhecimentos proporcionados pelo
projeto.
Neste método de ensino, o tempo mínimo de um projeto bem sucedido é de 4
meses. ―A pressa é inimiga da perfeição‖

3ª- AULA (PALESTRA) DE REPRODUÇÀO POR DEMONSTRAÇÀO O AUDITÌRIO


EXECUTA POR IMITAÇÀO - MOSTRAR E IMITAR
É a forma de comunicação de conhecimentos que se realiza com menor risco de
problemas de compreensão. É usada para a transmissão dos conhecimentos, de
habilidades e técnicas , por demonstrações repetidas feitas pelo professor ou
palestristra, para o auditório reproduzir ou imitar.
Esta forma de comunicação é usada quando o funcionário ou ―aluno‖ deve aprender
o desempenho correto de uma atividade.
Deve ser utilizado para o ensino: de línguas estrangeiras, de canto, de ginástica, de
artesanato, de dança, de mudanças de comportamento diante da simulação de uma
situação determinada, do refinamento de gestos rotineiros, da aquisição de novos
hábitos, etc..

PROCEDIMENTO
Quando o professor, monitor ou palestrista faz a demonstração prática do assunto, o
―aluno‖ primeiro imita interiormente para em seguida reproduzir.
A qualidade das reproduções é diretamente proporcional à intensidade de
observação do ―aluno‖. Por isso, o ―aluno‖ deve primeiro assistir sem imitar, para
depois reproduzir ou imitar. A reprodução ou imitação juntamente com a
demonstração é caso raro. A imitação interior ajuda muito a posterior execução da
atividade.
Quando o ―aluno‖ observa a demonstração do monitor ou professor, realizam-se
processos de percepção que não ficam restritos somente àquilo que está sendo
ensinado. O ―aluno‖ percebe pormenores que influenciam na imitação interior:- os
movimentos do professor, o seu vestuário, seu cabelo, os seus gestos, o tipo de
personalidade...Tudo faz parte do resultado final.

CUIDADOS
A atenção do ―aluno‖ durante a demonstração, não pode ser prejudicada por fatores
que atrapalhem a boa reprodução ou imitação. Para isso, o professor, monitor ou
palestrista, deve estar atento aos seguintes itens:
• Explicar e demonstrar os objetivos finais, logo no início dos trabalhos melhora
sensivelmente o aproveitamento dos ―alunos‖.
• A disposição dos ―alunos‖ na sala, deve favorecer a boa visão de todos, para o que
está sendo demonstrado.
• Assegurar-se de que todos estejam atentos.
• Lembrar que cada pessoa tem um ritmo individual próprio.
• Assegurar-se da clareza da sua demonstração e da sua execução.
• Definir com exatidão os detalhes para um resultado correto e indicar possíveis
erros na execução, evitando assim, experiências de insucesso que criam desânimo
e desinteresse.
• Os movimentos de demonstração devem ser lentos, repetidos e insistentes de
acordo com as possibilidades do auditório. Devem ser executados com um certo
exagero nos seus detalhes principais.
• Deixar os ―alunos‖ imitarem ou reproduzirem logo no início, verificando se
observaram com atenção ο que deveria ser observado.
• Repetir a demonstração quando o ―aluno‖ não consegue a imitação ou reprodução
correta, demonstrando que não entendeu.
• Não aceitar as reproduções ou imitações defeituosas.
• Quando persistirem dificuldades, utilizar a decomposição dos movimentos, em
suas partes e αpós cada decomposição de um conjunto de movimentos, deve seguir
a exibição do todo.
• A Psicologia da Aprendizagem prova que muitos períodos curtos de exercícios
intensos, intercalados com repouso, são mais produtivos do que longos períodos de
exercício.

4ª - AULA EXPOSITIVA
PALESTRA/CONFERÂNCIA – NARRAÇÀO E EXPOSIÇÀO
São as formas mais simples de transmissão de conhecimentos.
É a forma empregada pela mãe e pelo pai, ao transmitirem aos filhos, usos,
costumes e valores morais que são passados de uma geração à outra.
Algumas metodologias, fascinadas pelas idéias de ―reforma‖ e de ―novas
descobertas‖, perderam de vista esta forma milenar de ensino, que formou a grande
maioria das personalidades expoentes da humanidade. Todos os graus de ensino
sempre se basearam sobre a narração e exposição.
As narrações e exposições feitas, acompanhadas de emoção e bom conhecimento
do assunto, que fazem a imaginação trabalhar, são das mais eficientes e
elementares formas de ensinar.
O bom narrador ou expositor, consegue envolver os ouvintes, ―alunos‖, numa
participação emotiva, fruto da compreensão e não apenas do entendimento.
As mudanças do comportamento do ―aluno‖ouvinte, a efetiva aprendizagem, após
uma boa narração ou exposição, estão diretamente relacionadas com o brilho das
emoções e dos conhecimentos do narrador ou expositor, durante a aula (palestra,
conferencia,. etc..)
Outra qualidade essencial do bom narrador ou expositor, é a capacidade de
perceber o nível de experiências dos ouvintes ―alunos‖, para poder se comunicar
eficientemente, adequando sua linguagem, a fim de ser compreendido claramente.
Somente com envolvimento emocional, o narrador ou expositor, consegue
mudanças comportamentais nos ―alunos‖ouvintes.
Alguns procedimentos ajudam a perceber o nível de experiências do auditório,
durante a narração ou exposição:
• O diálogo aberto,com os ouvintes ―alunos‖ permite descobrir o nível das perguntas
e ajuda perceber, se está se fazendo compreender ou se precisa mudar a
linguagem.
• Pedir a opinião dos ―alunos‖ouvintes ajuda a descobrir algum aspecto que deve ser
ressaltado.
• Pedir a repetição (pelo menos 3 vezes) de palavras ou conceitos chaves, pelos
―alunos‖ ouvintes.
• Dramatizar simulando fatos importantes sobre o assunto, com a ajuda de alguns
―alunos‖ ouvintes.

Cuidados.
• Quanto menor a experiência de vida dos ―alunos‖ ouvintes, mais simples e emotiva
deve ser a narração ou exposição.
• Quanto mais vivida emocionalmente for a exposição ou narração, maior a
possibilidade de envolvimento e mudança de comportamento dos ouvintes ―alunos‖.
• A exposição ou narração lida ou decorada impede a participação e envolvimento
dos ouvintes ―alunos‖ e favorece conversas paralelas, e atitudes dispersivas.

5ª - TÉCNICAS DE TRABALHO EM GRUPO


Auxiliares na exposição do monitor e no relacionamento humano
GRUPOS CRUZADOS
(“quebra gelo” e estímulo ao relacionamento)
Dinâmica – Formar 04 grupos com 01 pergunta diferente para cada grupo a ser
respondida, (cada pergunta deve ser escrita em uma cor diferente de papel). Depois
de respondidas, reagrupar todo o pessoal em grupos que contenham as 04 cores,
para apresentação dos resultados do trabalho feito no grupo anterior.
‖‗ PHILLIPS 66 ―
(“quebra gelo” e estímulo ao relacionamento)
Dinâmica – Para aplicar em auditório. Elaborar perguntas diferentes para cada
grupo de 6 pessoas. Esses grupos devem ser formados com 03 pessoas da fileira
da frente, viradas para 03 pessoas da fileira de traz
Depois de um tempo marcado (20 minutos +/-) para discussão e elaboração da
resposta, um participante de cada grupo apresenta, em plenário, o resultado do
trabalho. Cada apresentação deve ser seguida de aplauso.
—COCHICHO― + —PEQUENOS GRUPOS―
(“quebra gelo” e estímulo ao relacionamento)
Dinâmica– Elaborar uma única pergunta para ser respondida em cochicho, pelos
ouvintes em pares 02 a 02, durante 10 minutos.
Em seguida, formar grupos de 08 pessoas, trocando os pares, para apresentação
dos resultados do cochicho.
Apresentar este último resultado em plenário, seguida de aplausos.
—GRANDES GRUPOS― com —COCHICHOS―
(“quebra gelo” estímulo ao relacionamento)
Dinâmica – Formar 02 grandes grupos com uma pergunta diferente a cada um, para
ser respondida.
Durante 15 a 20 minutos. Em seguida, formar pares com as pessoas dos 02 grupos
grandes, para apresentarem os resultados em ―cochicho‖.
—TELEFONE SEM FIO―
(demonstração das distorções da comunicação verbal)
Dinâmica – Escrever uma mensagem no flip shart, de costas para o auditório. Em
seguida, chamar um pessoa para ler a mensagem que deverá cochichá-la no ouvido
de outra. Esta também deve cochichar no ouvido de uma terceira ....e assim por
diante, até todos os participantes receberem a mensagem. No final, comparar com a
mensagem escrita no flip shart.
—PEDACINHO DE PAPEL―
(demonstração das distorções da comunicação verbal)
Dinâmica - Pedir aos participantes que rasguem um pedacinho de papel. Depois
disso, recolher aos pedaços e compará-los diante de todos, para demonstrar a
variação do conceito de ―pedacinho‖. Em seguida, deixar claro que todos os
conceitos são diferentes para cada pessoas.
—DESENHO DA ESTRELA―
(demonstração das diferenças de critérios de avaliação)
Dinâmica – Pedir a um dos participantes que vá até o quadro e desenhe uma
estrela. Em seguida, pedir aos demais participantes que escrevam num papel a nota
que deram ao desenho da estrela (de 0 a 10). Recolher os papéis e comparar as
diferenças de critério para o mesmo desenho, no mesmo local, para a mesma
pessoa.
—EU ESTOU OK, VOCÂ ESTÊ OK―
(“quebra gelo” derrubada de barreiras nas relações)
Dinâmica – Pedir aos participantes que, em pé, formem uma coluna em cada fileira
virados para a direita. Em seguida, com as mãos abertas em posição de palmas
encontradas, massagear os dois ombros do companheiro da frente, indo da
esquerda para a direita, e vice-versa, dizendo “Eu estou ok, Você está ok”. Depois
de aproximadamente 30 segundos, pedir aos participantes em coluna, que virem
para o lado esquerdo, repetindo a massagem durante 30 segundos, dizendo “Eu
estou ok, Você está ok”. Pode ser executada várias vezes.
—BANDEIRA BRASILEIRA―
(“quebra gelo” derrubada de barreiras nas relações, demonstração dos efeitos
relaxantes da recreação)
Dinâmca – Pedir aos participantes, que formem um círculo.
Em seguida, dar a cada um, uma cor da bandeira brasileira (pode ser oral). Cada
vez que falar uma das cores, as pessoas que estão com ela, devem trocar de lugar
no círculo. Quando você falar ―Bandeira brasileira‖, todos, ao mesmo tempo, devem
mudar de lugar no círculo. O monitor deve ser rápido.
(esta recreação pode ser feita, substituindo a bandeira, por ―Salada de frutas‖).
—MÚSICA ALEGRE―
(demonstração dos efeitos relaxantes da recreação)
Dinâmica - Pedir aos participantes, que fechem os olhos, relaxem os músculos,
soltando o corpo na cadeira. Em seguida, colocar uma música instrumental (sem ser
cantada) que seja alegre, e deixar tocar até o fim. Depois de terminar, pedir aos
participantes que digam o que sentiram.
—PIRULITO QUE BATE-BATE―
(“quebra gelo”, derrubada de barreiras nas relações, demonstração dos efeitos
relaxantes da recreação)
Dinâmica – Pedir aos participantes que formem um círculo, e fiquem aos pares
virados de frente, um para o outro. Em seguida, cantando ―Pirulito que bate bate;
Pirulito que já bateu; Quem gosta de mim é ela e quem gosta dela sou eu‖, os
participantes devem bater as mãos abertas a cada frase, na coxa, nas palmas das
mãos e nas palmas das mãos do companheiro... Em seqüência os participantes
podem dançar aos pares, girando, entrelaçando os braços opostos. Repetir,
enquanto houver entusiasmo na participação.
—MARCHANDO COM DEUS―
(“quebra gelo” derrubada de barreiras nas relações, demonstração dos efeitos
relaxantes da recreação)
Dinâmica – Pedir aos participantes que formem uma única coluna. Em seguida,
marchar em volta da sala, declamando em ritmo de marcha:
―Deus é Alegria;/ Deus é Harmonia;/ Deus é Amor;/ Deus é Paz; Deus é Felicidade;/
Deus é Prosperidade;/ Deus é Beleza;/Deus é Perfeição.‖
• Repetir enquanto houver entusiasmo na participação.
6ª- INSTRUÇÀO PROGRAMADA ENSINO INDIVIDUALIZADO SEM MONITOR
Técnica especial para Ensino Individualizado à distância, que tem como
característica, ensinar, fixar, reforçar e avaliar ao mesmo tempo.
Para isso, à medida que o texto de ensino vai sendo apresentado ao aluno, também
são intercalados pequenas questões com a função de fixar, reforçar e avaliar a sua
compreensão e portanto as mudanças de comportamento, a aprendizagem.
Essas questões já apresentam a resposta correta imediatamente, na margem ao
lado da página, antes da apresentação do novo conceito a ser ensinado.
Na Instrução Programada, à medida que o aluno estuda, se avalia ao mesmo tempo,
usando uma ―máscara‖ (tira de papel), para cobrir as respostas corretas que devem
ser escritas, de preferência, na margem da página.
Exemplo:
TEXTO DO CONCEITO A SER ENSINADO: - O cliente é uma pessoa humana
que merece toda a nossa atenção especial, porque é a razão da existência da
empresa na qual trabalhamos.

ENSINO PROGRAMADO
A pessoa humana mais importante para a empresa na qual trabalhamos é o.......
Resposta: Cliente.
(resposta correta imediatamente, na margem ao lado da página, antes da
apresentação do novo conceito a ser ensinado.)
FIXAÇÃO – O cliente merece a minha atenção especial, porque é uma ..................
Resposta: Pessoa humana
FIXAÇÃO – A empresa na qual trabalho existe, porque existem pessoas humanas
que confiam nela. São os ..............................Resposta: Clientes
FIXAÇÃO – Os clientes precisam receber a minha ................... especial para que
continuem a confiar na empresa na qual trabalho.
Resposta: Atenção
FIXAÇÃO – Dando atenção especial ao cliente, estou colaborando para que a
........................ progrida e eu permaneça trabalhando
Resposta: Empresa na qual trabalho
À medida que apresentamos um conceito a ser aprendido, vamos usando maneiras
diferentes de apresentá-lo para fixar e reforçar a aprendizagem.
Quanto mais repetirmos de maneiras diferentes o assunto a ser aprendido, melhor
será o ensino. Ao mesmo tempo que o aluno verifica se preencheu os espaços
vazios corretamente, faz auto-avaliação.
As questões da instrução programada podem também ser resolvidas com
(___ ) Sim
( ___) Não
Porém, a técnica de preencher espaços vazios, obriga a escrever (fixa) os conceitos
ou palavras chaves.
Há possibilidade de criarmos outros tipos de questões. É importantíssimo que sejam
claros e fáceis de resolver, porque o aluno está estudando sozinho, sem ninguém
que lhe dê melhores explicações. E ele tem que aprender.
COMO ELABORAR
Na elaboração da Instrução Programada, em primeiro lugar temos que selecionar e
elaborar os textos a serem ensinados de maneira que se tornem fáceis e concisos,
contendo conceitos claros sem palavras desnecessárias.
A seguir, dividimos o texto em parágrafos.
Cada parágrafo deve ser repetido (repisado) no mínimo 3 vezes de maneiras
diferentes, com espaços vazios variados, a serem preenchidos com a resposta
correta, proporcionando fixação, reforço e avaliação da aprendizagem.
A resposta correta deve ficar na margem ao lado do texto, de maneira que o aluno
possa cobrí-las com a ―máscara‖ (tira de papel) enquanto estuda, antes de verificar
se acertou.
LEMBRANDO OS CUIDADOS NA ELABORAÇÀO
• A Instrução Programada é para ensino à distância.
• Antes de aplicarmos a ―Instrução Programada‖, devemos experimentá-la com
colegas ou amigos, verificando se o texto está suficientemente simples e claro para
que os ―alunos‖, realmente possam aprender sozinhos.
• Trabalhar um parágrafo de cada vez.
• Remanejar o conceito várias vezes para que o aluno responda com várias palavras
chaves diferentes.
• Somente em seguida, passar para o parágrafo seguinte.
• Quando os ―alunos‖ da Instrução Programada, são de uma empresa com o objetivo
de melhorar os conhecimentos do seu pessoal, fazer avaliações extras.
• O objetivo da aprendizagem não será atingido se os ―alunos‖ pedirem a outras
pessoas para ―estudarem‖ por elas.
Isso é muito freqüente, aqui no Brasil, no ensino individualizado à distância.
7ª - O ENSINO POR MEIO DE PERGUNTAS
TRABALHO MENTAL ESTIMULADO - DESAFIO COM PERGUNTAS DIDÊTICAS
A pergunta tem um papel importante na transmissão de conhecimentos. O processo
de ensino através de perguntas, sempre foi praticado nas escolas desde a Idade
Média e até hoje consegue muito sucesso na aprendizagem.
No início do Século XX, reformistas pedagogos radicais, iniciaram ataques à esse
método de ensino, e não silenciaram até hoje afirmando que ―é absurdo aquele que
conhece, perguntar a quem não conhece‖. Defendem o ensino sem perguntas, o
―trabalho mental livre‖.
É bom lembrar que a finalidade de todo e qualquer método de ensino é tornar o
aluno mentalmente independente.
Por isso, é necessário alguns esclarecimentos em relação aos mal-entendidos e
confusões pedagógicas sobre a pergunta didática.
Pergunta Didática
A pergunta didática é aquela que o monitor faz como desafio, para conduzir a
observação e para aguçar a curiosidade dos participantes, (como num jogo de
adivinhação).
A pergunta didática estimula o trabalho mental dos alunos, e leva-os a buscar dentro
de si mesmos, respostas conhecidas que se relacionem com o assunto apresentado.
A pergunta didática cria uma situação natural, descontraída, estimulante e favorável
para a aprendizagem. Além disso, favorece também ao monitor, o conhecimento do
nível de experiências dos participantes para saber de que ponto deve partir para
iniciar o novo assunto a ser ensinado.
Com a pergunta didática, o monitor incentiva a conquista de conhecimentos e nunca
fornece resultados prontos.
“É importante lembrar que todas as invenções dos seres humanos são respostas a
alguma pergunta didática, desafiadora, que estimula a busca de uma determinada
resposta ou solução”. Aebli
PROCEDIMENTOS AO FAZER A PERGUNTA
• O monitor deve ter conduta descontraída e entusiasmada, muito respeitosa, sem
atitudes irônicas ou debochadas, estimulando nos participantes a coragem de se
manifestar.
• Para estimular os alunos à participação, ficar atento aos gestos e olhares dos
participantes que demonstram desejo de falar.
• Evitar o excesso de ajuda aos participantes porque causa desagrado e rebeldia,
fazendo-os se sentirem menosprezados, incapazes e usados como brincadeira.
• Os participantes silenciosos, devem ser integrados, chamando-os, de vez em
quando, de maneira suave, respeitando o seu silencio.
• Quando vários participantes apresentam desejo de responder, deve-se iniciar pelo
mais tímido.
• Se a pergunta não foi bem compreendida, mudar, variar, completar,
esclarecer....sem ajudar em excesso, nem menosprezar os participantes.
• Deixar sempre um tempo para os participantes pensarem, antes de interromper
com novas formas de perguntas.
• Diante de várias respostas, não tomar posição logo na primeira resposta
apresentada. Deixar que outros falem, para animar a participação.
• Mesmo que não seja a resposta esperada, é estimulante tirar sempre algo de bom
de cada resposta apresentada.
• Para respostas totalmente erradas , simplesmente corrigir, sem fazer comentários.
• Para estimular a atenção, pode ser sugerido aos participantes, completarem as
respostas já apresentadas.
8ª - RECURSOS AUDIOVISUAIS A VISUALIZAÇÀO E O VER segundo Aebli
VER E REPRODUZIR
Recursos audiovisuais são todos os meios de comunicação que podemos usar, para
nos auxiliar na transmissão de conhecimentos, através da audição e da visão dos
―alunos‖: - objetos, lugares, imagens, gráficos, melodias, formas geométricas, etc...
São usados para favorecer a boa qualidade da comunicação, evitando distorções,
favorecendo as mudanças de comportamento, a aprendizagem.
Para utilizá-los de maneira eficaz, o monitor responsável pela transmissão de
conhecimentos, tem que saber a respeito de alguns aspectos sobre a visualização e
o ―ver‖.
Visualização é o processo de representação clara da percepção das características
de um objeto, cor, forma, tamanho, etc...
―Ver‖ está ligado à compreensão do objeto.Porém, a compreensão de um objeto, é
um processo mais complicado do que pode parecer à primeira vista. Sabe-se que a
presença de um objeto perante um observador não garante que este o ―vê‖.
Por exemplo: É raríssima a pessoa que sabe desenhar o mostrador do seu relógio,
apesar de ―vê-lo‖ muitas vezes por dia.
Para trabalhar com os recursos audiovisuais, enfocamos os estudos sobre o ato de
―ver‖.
O ―ver‖, envolve vários fatores:
1. A participação de todos os sentidos, a visão, a audição, o tacto, o paladar, o
olfato, que participam da concentração da atenção e da compreensão mais perfeita
do objeto.
Por ex.: Apalpando um tecido, um pedaço de madeira, um metal, saboreando uma
fruta,...‖vemos‖, isto é, compreendemos melhor esses objetos.
2. Experiências vividas anteriormente. Nunca existe um recebimento passivo das
imagens das coisas, porque elas sempre lembram alguma experiência passada que
interfere no nosso modo de ―ver‖.
Por ex.: Um animal é ―visto‖ de modo diferente pelo habitante da cidade e pelo
habitante do campo. As imagens podem estar ligadas a lembrança de emoções,
alegria ou medo...mudando a compreensão do objeto.
3. A imitação interior. Para conseguirmos ―ver‖, isto é, compreender com exatidão
uma pessoa em sua atividade, temos que imitá-la interiormente, nos colocando em
seu lugar. Sem imitá-la, poderemos visualizar a roupa, o penteado, os gestos, a
máquina,... e não ―vemos‖ a atividade propriamente dita.
4. As visualizações interiores. Quando observamos, isto é, visualizamos uma
paisagem, uma pessoa, um objeto... o nosso ―ver‖ é influenciado pelas
características, das coisas ou pessoas semelhantes, que interiorizamos
anteriormente.
5. A simplificação ou decomposição em partes de um objeto ou imagem complexa,
facilita a nossa compreensão, o nosso modo de ―ver‖.
6. ―Ver‖ e pensar. Acontecem juntos, porque o modo de ―ver‖, é um pensamento a
respeito do objeto, influenciado por pensamentos e representações das nossas
experiências passadas.
PROCEDIMENTOS NA REPRODUÇÀO
• O reproduzir é insubstituível e indispensável para provar o que, e como foi
assimilada a compreensão do objeto, o processo de ―ver‖. Reproduzir intensifica o
processo de compreensão. Pode ser através de desenhos, descrições escritas ou
orais, representações cênicas, gráficos, etc...
• Ao reconhecer as falhas de compreensão, o ideal é voltar ao assunto ou ao objeto.
• Proporcionar um contato bem amplo para ajudar o modo de ―ver‖, isto é, a
compreensão do assunto ou do objeto, através de imagens, lugares, materiais,
melodias, etc....) A simples presença de objetos ou imagens não é suficiente para o
modo de ―ver‖.
• A sequência correta no processo de ensinar, sobre um assunto ou objeto, com
recursos audio-visais, garante mudanças de comportamento, isto é, aprendizagem.
1ª fase - Concreta - Apresentar o assunto ou o objeto, concretamente, na vida real
cotidiana. Levar os participantes ao assunto ou objeto de observação, através de
excursões, como também trazer o objeto aos participantes.
• Para dirigir o modo de ―ver‖, isto é, a compreensão, todos os participantes devem
ser previamente orientados, antes de entrar em contato com o assunto real ou objeto
de observação, e estarem distribuídos, durante a atividade, de maneira que ninguém
se disperse e a aprendizagem seja nula.
2ª fase - Semi-concreta - Representar o assunto ou do objeto real, através de
filmes, gravuras, desenhos, etc... Quando houver uso da lousa, apresentar, através
de desenhos ou formas geométricas, aos poucos, de acordo com o aparecimento
das partes do assunto ou das partes do objeto de ensino até chegar ao seu todo.
Nunca colocar na lousa, o assunto ou objeto no seu todo.
3ª fase - Abstrata - Somente depois das duas fases anteriores apresentar as
teorias, históricos, gráficos, estatísticas, etc..sobre o assunto ou objeto.
• Quando o ensino é apenas verbalístico, sem a sequência correta, sem uso de
técnicas de comunicação, sem recursos áudio visuais, sem a indispensável
reprodução... a aprendizagem é nula.
TREINAMENTOS E ENSINO COM APRENDIZAGEM MUDANÇAS DO
COMPORTAMENTO HUMANO
As únicas coisas certas na nossa vida são as mudanças constantes. Elas
acontecem diariamente e permanentemente, mesmo que não tenhamos consciência
delas. Temos que compreender que as mudanças são inevitáveis.
Existem duas maneiras das mudanças acontecerem na nossa vida.
1ª. maneira - Mudanças por maturação, que acontecem naturalmente, à medida do
nosso amadurecimento, nosso crescimento e desenvolvimento natural.
2ª. maneira - Mudanças por aprendizagem, que acontecem no nosso
comportamento, de forma estimulada ou provocada. São mudanças sempre
desejáveis e resultantes de experiências programadas para serem vividas.
Então, Aprendizagem é um processo de mudanças desejáveis, no nosso
comportamento, resultantes de experiências programadas e vividas.
As mudanças por aprendizagem são desejáveis, porque devem nos tornar mais
capazes de lidar, em outros ambientes, com situações semelhantes às
experimentadas durante o processo de ensino ou treinamento.
É importante saber que as mudanças por aprendizagem são:
• Sempre progressivas
• Raramente bruscas
• Raramente imediatas
• Raramente completas
Portanto, sempre levam um certo tempo para ocorrerem.
COMO AS MUDANÇAS ACONTECEM
Para mudarmos nosso comportamento por aprendizagem precisamos:
1º. Desejar algo, que satisfaça nossas necessidades, nossos motivos, nossas
intenções.
2º. Observar algo, que satisfaça nossas necessidades, nossos motivos, nossas
intenções.
3º. Fazer algo, que satisfaça nossas necessidades, nossos motivos, nossas
intenções.
4º. Obter algo, que satisfaça nossas necessidades, nossos motivos, nossas
intenções.
Já está comprovado, que as mudanças por aprendizagem só acontecem através da
repetição de três tipos de experiências: Por ex: Imagine aprender a dançar.
1ª. Aprendemos a dançar como resultado das tentativas repetidas para
satisfazermos nossas necessidades, nossos motivos e nossas intenções.
2ª. Aprendemos a dançar através de repetidas e sucessivas apresentações de uma
mesma dificuldade a vencer.
3ª. Aprendemos a dançar, através de repetidos esforços para vencer as dificuldades
de maneira mais perfeita, eficiente, uniforme, precisa, correta, direta à finalidade de
dançar bem.
A repetição é o que caracteriza um treinamento, porque só assim se constrói um
hábito e muda-se um comportamento.
A EFICIÂNCIA DAS MUDANÇAS POR APRENDIZAGEM
Influências
Para que as mudanças de comportamento por aprendizagem sejam eficientes é
preciso considerar três fatores de forte influência:
1º. O método utilizado – o caminho correto das três fases sequentes do ensino que
devem ser respeitadas - concreta, semi-concreta, abstrata- fases pelas quais,
obrigatoriamente, a pessoa humana tem que viver para aprender qualquer coisa. (já
citado anteriormente)
Relembrando...
• Concreta - apresentação do aspecto concreto do assunto, em situações reais da
vida cotidiana.
• Semi-concreta- apresentação do assunto em forma de representações, usando os
5 órgãos dos sentidos (visão, audição, tacto, olfato, paladar) através de desenhos,
pinturas, gravuras, filmes, vídeos, músicas, objetos representativos, alimentos
relacionados, odores ligados ao assunto, etc...
• Abstrata- apresentação do assunto nas formas abstratas: através de teorias,
históricos, resultados de pesquisas, cálculos, gráficos, estatísticas, etc...
2º. A atmosfera do ambiente- tem que ser positiva, alegre e animadora.
O processo da aprendizagem, (as mudanças desejáveis) é nulo, no ambiente de
medo, de ameaças, de condenações, de críticas negativas, de impaciências, de
irritabilidade, etc...
São emoções que bloqueiam a receptividade de quem deve aprender.
3º. A personalidade do monitor, professor ou administrador - tem que ser
otimista, incentivadora e entusiasta, porque está comprovado que é a personalidade
do monitor que educa, que provoca mudanças. Não são os materiais, os recursos
audiovisuais. Estes servem, apenas como meios para ajudar na comunicação clara
de um assunto.
Através do seu entusiasmo, o professor, chefe, monitor é um líder-educador que
contagia as personalidades dos ―alunos‖.

CAMINHO PARA CONSEGUIRMOS AS MUDANÇAS POR APRENDIZAGEM


O caminho a percorrer no processo de mudança de comportamento por
aprendizagem (ensinar e aprender), tem que passar, necessariamente, por 5 etapas.
1ª. Etapa do Caminho - Prontidão
O reconhecimento de que estamos prontos e amadurecidos para as experiências
novas que iremos viver, porque a ausência de prontidão provoca desinteresse ou
derrotismo, diante de experiências novas.
A prontidão depende de 3 fatores:
• Nosso desenvolvimento fisiológico - o nosso organismo está pronto? - órgãos dos
sentidos, sistema nervoso, glândulas, necessidades fisiológicas...
• Nosso desenvolvimento psicológico – conseguimos a satisfação das nossas
necessidades psicológicas? Afeto, ser aceito... Auto-estima desenvolvida?
• Nível de experiências anteriores – as informações básicas já foram obtidas,
habilidades necessárias já foram adquiridas, conceitos já aprendidos?
2ª Etapa do Caminho - Obstáculos a Vencer
São as situações problemas que devem ser resolvidas, desafios a serem vencidos,
sempre necessários para estimular a vontade. Porém, devem ser obstáculos e
desafios transponíveis e estimulantes, sempre ligados à satisfação das nossas
necessidades naturais, nunca acima da nossa capacidade ou prontidão, para não
causar desistência e indiferença.
3ª Etapa do Caminho - Respostas para Vencer os Obstáculos
São todas as ações dirigidas pelo desejo de satisfazer as necessidades naturais,
através do esforço para resolver as situações problemas, obstáculos e desafios
propostos. São os exercícios de repetição para treinar, criar ou mudar hábitos.
Estas respostas podem ser dadas de algumas maneiras:
• Por Tentativa e Erro - quando procuramos responder aos obstáculos sem
compreensão.
• Por Compreensão- quando as respostas aos obstáculos, já contém em si o porquê.
Preenche as intenções e os sentimentos, e favorece a aquisição, a retenção e a
transferência do conhecimento.
• Por Processo Mental - quando as respostas aos obstáculos são através de
pesquisas, de maneiras e atitudes científicas.
• Por Produto - quando as respostas aos obstáculos conseguem desenvolver
habilidades, atitudes, soluções e transferências de conhecimentos.
• Por Aprendizagem Formal - quando a resposta aos obstáculos é feita através de
situações programadas, (aulas, treinamentos, exercícios...) para obtê-las da maneira
mais natural possível, jamais forçada.
• Por Aprendizagem Incidental- quando a resposta aos obstáculos é conseguida
através de atividades indiretas.
Por ex.: um projeto a realizar, através do qual teremos a resposta necessária.
4ª Etapa do Caminho - Reforço
É a recompensa imediata pelas respostas corretas conseguidas, através de
aplausos, alegria, satisfação das necessidades, desejos e intenções pessoais. O
reforço é o grande segredo da fixação da aprendizagem, das mudanças desejáveis
e duradouras do comportamento dos ―alunos‖ funcionários.
5ª Etapa do Caminho - Generalizações
Capacidade de integrar as respostas aprendidas a outras situações semelhantes em
outros ambientes, na vida cotidiana.
As generalizações confirmam o sucesso das mudanças. Se não houver essa
integração, não houve fixação da aprendizagem. É necessário que as etapas sejam
reiniciadas.
Revendo as etapas do caminho para a Aprendizagem:
• 1ª - Prontidão
• 2ª - Obstáculos a vencer.
• 3ª - Respostas ao obstáculos
• 4ª - Reforço dos sucessos e acertos obtidos.
• 5ª - Generalizações (mudança duradoura).
ALGUNS ASPECTOS PRÁTICOS DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL
1 - O TREINAMENTO CONDUZ VITÓRIA
Todas as empresas, sem exceção, almejam a vitória.
Vitória é o sucesso realizado. É o ―ato de vencer qualquer competição, triunfo e êxito
brilhante em qualquer campo de ação‖. Aurélio
Somente treinamentos constantes conduzem à vitória. Os campeões em todos os
campos de ação só conseguem a vitória, treinando permanentemente.
―Treinar é tornar apto, capaz para determinada atividade ou tarefa. É habilitar,
adestrar. Também é exercitar-se para algum fim”. Aurélio
Treinamentos são todas as ações dirigidas repetidamente para desenvolver as
nossas aptidões, as nossas habilidades e capacidades para determinada atividade,
e conduzem seguramente aos três componentes da vitória: a qualidade, /a
tranqüilidade e /a produtividade.
Atividade Pedagógica
Criar treinamentos que estimulem os funcionários perceberem que todos nós temos
qualidades pessoais, talentos, dons.
- Qualidade
“Qualidade é a propriedade, o atributo ou condição das pessoas ou coisas, capaz
de distingui-las das outras. É o que permite avaliar, e consequentemente aprovar,
aceitar ou recusar, qualquer coisa. É o dom, a virtude que distingue”. Aurélio
Todas as pessoas humanas possuem qualidade. É tudo aquilo que distingue uma
pessoa das outras. Tudo o que a caracteriza.
A nossa qualidade é aquilo que nos diferencia dos outros. O nosso talento, o nosso
dom, nosso modo de ser, a nossa maneira simpática de falar, o nosso jeito
agradável de nos comunicar, a nossa aparência, a nossa educação, a nossa posição
social, a nossa distinção. Aquilo que temos ou apresentamos de diferente e que
podemos por em evidência em relação às outras pessoas, com treinamentos
contínuos.
A nossa qualidade se manifesta plenamente quando estamos seguras, felizes e
realizadas profissionalmente. Os treinamentos devem ser oportunidades para
conseguirmos a expressão da nossa qualidade.
Hoje no mundo empresarial, a qualidade, aquilo que faz a diferença, é seriamente
exigida pelos clientes internos e externos. Qualidade pessoal, qualidade dos
serviços, qualidade do atendimento, qualidade do produto, qualidade total.
- Tranquilidade é o estado mental em que sentimos calma, equilíbrio, sossego, paz e
segurança. Nesse estado, somos especialmente produtivos no trabalho e atraímos
situações favoráveis, tanto para a nossa vida pessoal, como profissional.
Nossa mente é muito produtiva em estado de tranqüilidade e bloqueada em estado
de agitação.
O estado emocional de serenidade, tranquilidade e segurança nos dá as condições
de exibir a nossa qualidade nas atividades profissionais e está diretamente ligado ao
desenvolvimento da nossa auto estima.
A tranquilidade estimula o ― fazer bem feito‖, a alegria de realizar um trabalho, a
segurança de ser competente na atividade profissional.
A tranquilidade impede o estresse que desgasta a energia vital. Os bons
treinamentos ensinam técnicas de relaxamento e proporcionam a tranquilidade
imprescindível para a conquista da vitória.
- Produtividade é a faculdade inata do ser humano, de produzir, de ser rendoso, de
ser proveitoso, de ser criativo, de ser elaborador, de ser realizador em tudo que sabe
fazer.
A nossa produtividade alta é natural quando sabemos executar algum trabalho. Por
isso, dependemos de exercícios que favoreçam a nossa aprendizagem.
A nossa produtividade alta é proporcional ao nosso estado de tranqüilidade, alegria
e serenidade. Em estado de tensão, a nossa produtividade fica bloqueada.
Desde de 1976, tenho acompanhado com orgulho e satisfação, empresas
alcançarem a Vitória com treinamentos permanentes.
A perseverança e a persistência permitiram que essas empresas descobrissem a
sua própria qualidade, através da qualidade dos seus colaboradores, ganhassem a
tranqüilidade do controle do estresse e consequentemente atingissem a vitória da
alta produtividade.
2 - NINGUÉM É —BURRO―
Não existe pessoa ―burra‖.
As dificuldades que um funcionário tem de aprender uma tarefa ou atividade na
Empresa, estão ligadas às dificuldades daquele que deve ensiná-lo. A Pedagogia
ensina isso, e quanto mais conhecemos a respeito do processo de aprendizagem,
mais isso fica comprovado.
A Psicologia Educacional mostra com muita clareza, que mesmo as pessoas com
deficiência mental ou física, aprendem com facilidade, se usarmos técnicas de
ensino adequadas. É apenas questão de qualidade de ensino e qualidade
profissional.
“Se alguém não aprendeu é porque alguém não ensinou. Se o ensino for de
boa qualidade, não há possibilidade de uma pessoa não aprender”, afirmava
Maria Montessori, médica, uma das maiores e mais revolucionárias educadoras do
Ocidente, que trabalhou com pessoas deficientes mentais e físicos e fazia que
competissem depois com pessoas normais, comprovando sua afirmação.
Ensinar é uma ciência e também uma arte.
É Ciência porque exige técnicas fundamentadas em conhecimentos de Psicologia
Educacional, adquiridos com observações, hipóteses, experiências e comprovações.
É Arte porque exige capacidade de criar nas pessoas, sensações e estados de
espírito, que levem a uma mudança desejável de comportamento. Exige amor,
dedicação e entusiasmo na realização desse processo. É tecnologia aplicada.
Como ensinar e treinar bem
Ensinar é vocação, é dom, é talento. Não é qualquer pessoa que tem ―jeito‖ para
ensinar, para conseguir aprendizagem, isto é, que conseguir mudanças desejáveis e
duradouras, para a vida toda, no comportamento dos ―alunos‖.
Ensinar é acima de tudo, relacionamento humano sincero e emotivo, com o objetivo
de fazer manifestar essas mudanças positivas e definitivas nas pessoas. Essa
qualidade de relacionamento é influenciado fortemente:
• pela personalidade otimista de quem ensina.
• pelo ambiente agradável e alegre do local.
• pelo profundo conhecimento a respeito do assunto a ser ensinado.
Para assegurar a ocorrência do processo de mudança por aprendizagem é
necessário que o ensino obedeça a um caminho certo, com uma seqüência
determinada de etapas, (concreta, semi-concreta e abstrata). Quando essa
seqüência é desprezada, a mudança não acontece. A aprendizagem é nula.
Os profissionais de Treinamento Empresarial são especialistas no processo de
aprendizagem e geralmente são pessoas vocacionadas. Treinam muito para
conseguirem o aumento da produtividade pessoal. Desenvolvem a qualidade, pois
tem a responsabilidade de agradar as empresas clientes e permanecerem longo
tempo no mercado.
3 - A —IMAGEM― DE UMA EMPRESA
―Imagem‖ é o conceito genérico resultante de todas as experiências, impressões,
opiniões e sentimentos que temos em relação a uma pessoa, uma empresa, um
produto, etc...
A ―Imagem‖ que o público tem de uma Empresa é seguramente, um dos pontos
chaves, que contribuem para o seu sucesso ou malogro.
Está comprovado cientificamente, que o ponto de partida para a construção da
Imagem - positiva ou negativa - de uma Empresa no público, é sempre subjetivo, de
dentro das pessoas, de dentro da empresa, e nunca de fora dela.
O início da construção da ―Imagem‖ da Empresa se dá nos pensamentos, nos
sentimentos e nas opiniões dos seus donos, dos seus diretores dos seus
funcionários, dos seus fornecedores, dos seus clientes e de todas as pessoas que
se relacionam com ela.
Tudo o que as pessoas pensam e sentem a respeito da empresa, naturalmente
expressam na convivência do seu dia a dia e estão contribuem para a construção da
sua ―Imagem‖.
Aos poucos, os comentários vão se divulgando, se alastrando, se ampliando, e
finalmente se concretizam através do aumento, do interesse e entusiasmo dos
funcionários, da produtividade pessoal deles, da credibilidade da clientela. É
conseqüência natural da força oculta e poderosa da comunicação ―boca a boca‖.
Atividade Pedagógica
Quando queremos criar boa ―imagem‖ de uma empresa, temos a tendência
enganosa de dedicar muitos recursos materiais para trabalhar com a aparência, os
aspectos externos - sem dúvida importantes - como prédio, fachada, uniforme,
funcionárias bonitas, móveis finos, tapetes, cortinas...
Porém, percebemos depois de um tempo, que apesar do impacto inicial das
aparências, o interesse e entusiasmo dos funcionários, a produtividade deles, a
atração de novos clientes, não melhorou. Ficamos à procura de novos atrativos
externos como publicidade, impressos diferentes, novo logotipo...
Pedagogos Empresariais especializados em mudanças de comportamento e no
desenvolvimento de relações humanas sabem que é imprescindível realizar antes de
tudo, muitas atividades estimulantes de emoções positivas com o pessoal que se
relaciona com a empresa.
Essas atividades devem enfocar três aspectos:
• A própria pessoa;
• A sua atividade profissional;
• A empresa onde trabalha.
A força poderosa na construção da boa ―imagem‖ é estimular sentimentos
agradáveis e formar a opinião positiva, das pessoas que estão, direta ou
indiretamente, participando da Empresa, clientes internos e externos, através de
todos os tipos de comunicação e relacionamento amável.
É o caminho mais seguro na construção da ―imagem‖ positiva da empresa, tão
sonhada pelo seu empresário. Os aspectos externos devem ser sempre os
complementos do ambiente interno.
Programar e organizar:- vários treinamentos, reuniões festivas, eventos para as
famílias, passeios, excursões, feiras, benefícios, etc, etc...
Ressaltar nos murais: - Aspectos positivos - com fotos - das várias atividades
profissionais e das qualidades dos funcionários, que muitas vezes são pessoas
desapercebidas, pela própria empresa e pelos seus colaboradores.
É fundamental lembrar que todas as pessoas humanas, sem exceção, possuem
qualidade. Ao investir no desenvolvimento da qualidade e da satisfação dos
funcionários, todos saem ganhando.
É a Vitória do ―jogo do ganha-ganha‖através do marketing do ―boca a boca‖.

4 - A AMIZADE NA EMPRESA
Sabemos que pessoas unidas pelo sentimento da amizade constituem uma força
―mágica‖ invencível.
Se a Empresa conseguir desenvolver nos seus participantes a força da amizade,
raramente passará por problemas de difícil solução.
“Amizade é um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima, ternura e
camaradagem entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços da família
nem por atração sexual”. Aurélio
Estou convencida pelos resultados das pesquisas, de que os estímulos ao
desenvolvimento do sentimento da amizade entre os participantes de uma Empresa,
de um grupo social ou de uma família, num programa de ação perseverante, são o
segredo para que ela consiga naturalmente atingir seus objetivos e vencer suas
dificuldades.
Quando conseguimos sentir e viver a Amizade:
• Floresce naturalmente o entendimento, a concordância, a compreensão e a
fraternidade no relacionamento humano.
• Diminui sensivelmente a acusação, a disputa, a condenação, a discordância, os
desentendimentos.
• Melhora muito a qualidade do ambiente porque nasce a benevolência e a bondade
e...Como conseqüência natural, nasce a prosperidade permanente.
Atividade Pedagógica
Para atingirmos o ideal da Amizade, todas as ações devem ser dirigidas para
programas recreativos que reúnam todos os funcionários da Empresa, se possível
com as famílias, desde os diretores até porteiros e vigias....
Esses programas deverão incentivar as relações entre as pessoas, num ambiente
recreativo de descontração, nunca de tensão ou qualquer outro tipo de pressão,
sempre enfocando a natureza alegre do ser humano e desenvolvendo a
compreensão principalmente em relação a dois aspectos:
• À igualdade das necessidades emocionais e motivações das pessoas
• O desenvolvimento da força da vontade, do ―querer é poder‖, na realização dos
sonhos pessoais.
Essas reuniões com atividades recreativas relaxantes são os maiores estimulantes
do relacionamento humano para a construção e o cultivo da Amizade:
Sugestões já experimentadas: - Cerimônias religiosas - Atividades físicas e
esportivas - Atividades artísticas com música - Coquetéis - Churrascos - Palestras de
desenvolvimento pessoal - Filmes - Passeios - Reuniões festivas de comemoração -
Exposições - Feiras - etc...

5 - A PRODUTIVIDADE AUMENTA, ESTIMULANDO A RECREAÇÀO


Produtividade é a faculdade inata do ser humano produzir, isto é, de ser rendoso,
ser proveitoso, ser criativo, ser elaborador e ser realizador em tudo que sabe fazer.
Nas pequenas tarefas e até nas grandes, somos naturalmente produtivos, desde
que aprendamos a executá-las. É muito bom saber que já nascemos assim e,
portanto não precisamos aprender produtividade, mas sim, desenvolvê-la.
Já está comprovado que a nossa produtividade é diretamente proporcional ao nosso
estado de alegria e satisfação. Quanto mais alegres somos, mais produtivos somos.
E ser alegre é o natural do ser humano.
Recreação é a ―ação de criar novamente‖ (re-crear-ação) o nosso estado natural de
alegria, quando saímos dele por algum motivo. É a ação educativa por excelência.
Recreação é toda atividade que diverte ou entretém as pessoas em participação
ativa, pelo bem estar, pela livre escolha, pela espontaneidade e liberdade.
A recreação é força propulsora de estímulo à formação da personalidade integral e
tem influência positiva sobre o funcionamento do cérebro e do sistema imunológico.
Contribui, portanto, para o aperfeiçoamento total, aproximando mais, o homem do
Criador.
A recreação dá à alma humana, um corpo mais preparado para obedecer, por isso,
também desenvolve a vida interior, no aspecto espiritual e consequentemente
mental e físico.
Como a recreação utiliza a ―Energia‖ que emana do nosso interior, tem a
propriedade de desbloquear a nossa alegria e desenvolver a auto-estima.
Atividade Pedagógica
Estimular a Recreação
Provocar prazer por atividades recreativas em todas as pessoas, através da
montagem de ambientes recreativos.
Esse estímulo deve atingir principalmente aquelas pessoas, que por ignorarem,
consideram a recreação como atividade de vagabundos e desocupados,
As atividades recreativas estão reunidas em três grandes grupos:
• Atividades Religiosas.
• Atividades Artísticas.
• Atividades Físicas e Esportivas.
Nas Atividades Religiosas, estão todas as atividades que fazem a re-ligação do
nosso pensamento com o Criador, através de cerimônias religiosas, palestras,
reuniões religiosas, grupos de oração, etc...Todas as atividades religiosas eliminam
o medo, as preocupações e as tensões e criam o estado de alegria.
Nas Atividades Artísticas, estão as atividades que exaltam o ―Belo‖, em todas as
suas manifestações: - Música - Canto - Dança - Artesanato... Durante 60 minutos
diários, têm sido aprovadas, pela sua eficiência na transformação positiva do estado
emocional das pessoas e pelas facilidades de realização.
Nas Atividades Físicas e Esportivas, estão as atividades que trabalham com
movimentos o corpo físico das pessoas:
A caminhada feita ao ar livre, diariamente, em ritmo de marcha, pelos menos
durante 30 minutos (se possível com música), promove excelente equilíbrio físico e
mental, ajuda a eliminar as tensões do estresse ligadas ao medo, proporciona
alegria, estimula a produtividade e o funcionamento do sistema imunológico.

6 - OS PODERES DA ALEGRIA NATURAL


A Alegria Natural é a energia mais poderosa e necessária à pessoa humana.
A Alegria Natural equilibra nosso estado emocional e físico, amplia nossos
sentimentos construtivos - compreensão, boa vontade, paz, paciência, otimismo...-
e elimina nossos sentimentos destrutivos - raiva, ressentimento, ciúmes, vingança,
medo, preocupação...
A Alegria Natural proporciona mais saúde em todos os aspectos.
Descobertas da PNI - Psiconeuroimunologia - ciência criadora da Terapia do Riso,
que estuda a influência dos pensamentos e emoções no desempenho do sistema
imunológico, mostra que o riso estimula o cérebro a liberar hormônios benéficos,
como as endorfinas e estas proporcionam o fortalecimento do sistema imunológico,
amortecem as dores, promovem relaxamento e bem estar.
Em estado de Alegria Natural, nós conseguimos realizar nossas atividades com
mais, eficiência e rapidez. A nossa produtividade, nossa faculdade inata de sermos
rendosos, proveitosos, criativos, elaboradores e realizadores, atinge alto nível. Tudo
que fazemos dá mais certo quando somos alegres.
As empresas mais evoluidas empenham-se em cultivar o ambiente alegre para
conseguirem melhores resultados.
Atividades Pedagógicas
Criar oportunidades para praticar alguns exercícios especiais que mantém nosso
estado de Alegria Natural.
• Treino do Riso - William James, um dos mais famosos psicólogos norte
americanos, descobriu que “podemos criar o estado de alegria natural, se
praticarmos conscientemente o riso constante, construindo o hábito de sorrir
sempre”. Não precisamos depender de motivos ou estímulos externos para sentir
Alegria Natural. Ele aconselha que ―procuremos rir sempre e quanto mais triste
estivermos, para nos mantermos equilibrados”, porque o riso é o poderoso
energético restaurador do desgaste físico e mental. Nunca devemos nos deixar
dominar pela tristeza, que enfraquece a nossa energia vital e provoca stress.
A Terapia do Riso comprova cientificamente que “Rir é o melhor remédio”
mesmo.Hoje ela é aplicada amplamente em hospitais para acelerar a cura dos
pacientes.
Procedimento - Respirar profundamente e ao expirar, rir em gargalhadas (com som
ou sem som). Repetir no mínimo 5 vezes.
Novamente ...
• Atividades Religiosas - São todas as atividades que promovem a re-ligação do
nosso pensamento com o Criador. Quando praticadas diariamente na empresa –
durante 30 minutos antes do expediente - criam segurança, paz de espírito, fé,
tranqüilidade, despreocupação, coragem e conseqüente Alegria Natural de viver.
• Atividades Físicas e Esportivas - São todas as atividades físicas que
movimentam a nossa musculatura e equilibram o nosso organismo.
A vida sedentária acumula muita tensão - estresse - e muita energia destrutiva
porque bloqueia e impede toda a movimentação natural de todo o nosso organismo.
Praticar atividades físicas diariamente, alimenta a nossa Alegria Natural porque elas
desbloqueam a respiração, a circulação sanguínea, o funcionamento dos órgãos...
Através de - caminhada, dança, ginástica, bicicleta, natação, jardinagem, etc...
Descarregam emoções destrutivas e também estimulam o cérebro a liberar
hormônios benéficos como as endorfinas, nos beneficiando com o fortalecimento do
sistema imunológico, o relaxamento físico e mental e bem estar.
Vários Administradores de Cidades que estão proporcionando à população, grande
quantidade de atividades físicas e esportivas orientadas e dirigidas, estão
conseguindo a diminuir e chegam até a eliminar admiravelmente a criminalidade,
consequência de emoções destrutivas.
• Atividades Artísticas - São todas aquelas que promovem a exaltação do Belo em
todas as coisas e em todos os lugares. São atividades de natureza equilibradora e,
por isso conseguem promover Alegria Natural e descarregar tensões e emoções
destrutivas de maneira muito eficaz. Em empresas de origem oriental, são praticadas
com muita freqüência as atividades relacionadas com a música - o Belo dos sons -
grupos para cantar e assobiar canções alegres, ouvir música, dançar, tocar
instrumentos musicais...
Já está comprovado cientificamente por experiências em inúmeras empresas e
instituições do mundo, que realmente “Quem canta, seus males espanta”. A
produtividade pessoal e a atmosfera do ambiente melhora muito depois de
organizarem corais com os seus colaboradores.
Essas instituições conseguem aumentar de maneira ―mágica‖, a amizade, a Alegria
Natural e a produtividade.
A prática de atividades artísticas faz parte da vida das pessoas mais bem sucedidas.
7 – AUMENTANDO CONTINUAMENTE AS VENDAS
Pensando bem...
• A empresa não existe, sem clientes. É claro!
• A empresa cresce quando aumenta o número de clientes. É claro!
• O número de clientes aumenta quando as vendas aumentam. É claro!
E para aumentar continuamente as vendas?
Dirigentes de uma empresa, que têm a consciência de que o cliente é a razão da
sua existência - tanto cliente externo, como o cliente interno - se sentem no dever de
exigir e de oferecer, aos seus participantes e colaboradores, melhor formação,
atualização de conhecimentos e treinamentos constantes na qualidade total do
Atendimento.
Atividades Pedagógicas
Ao oferecer estímulos que atuam no desbloqueio e desenvolvimento da
produtividade pessoal proporcionar aos participantes da empresa:
• Conhecimentos necessários para vencerem as dificuldades da vida pessoal, da
vida profissional, e da vida social.
• Conhecimentos detalhados sobre a empresa onde trabalham e sobre o seu
produto.
• Conhecimentos que ajudam no bom desempenho de suas funções e melhoram as
técnicas específicas do seu trabalho.
• Oportunidades de ampliarem o círculo de amizade.
Todos os funcionários da empresa, sem exceção, devem participar dos treinamentos
e das atividades de formação e desenvolvimento profissional porque está provado e
comprovado que ―bom atendimento sempre vende mais‖. É um dos grandes
segredos do sucesso de uma empresa.
É indispensável que o conhecimento das necessidades naturais (psicológicas e
fisiológicas) e motivações do ser humano sejam ensinadas, como condição básica,
para qualquer funcionário ser bem sucedido no seu trabalho e no relacionamento
com pessoas (vendas, atendimento, família, amigos...).
Os funcionários precisam saber e lembrar que:
• Todos nós buscamos a todo custo a satisfação das nossas necessidades naturais
de alimento, de líquido, de sono, de atividade, de abrigo e temperatura, de afeto, de
ser aceito, de aprovação social, de independência, de realização... e principalmente
de auto-estima.
• Todos temos uma grande motivação na vida, - o desejo de felicidade- e que para
atingí-la, criamos outras motivações, como desejo de saúde, desejo de riqueza e
desejo de sucesso.
• Somos clientes também e que quando fazemos compras, não estamos tão
necessitados do objeto da compra, mas sim, em satisfazer com aquele objeto, as
nossas necessidades naturais psicológicas ou fisiológicas e atingir as nossas
motivações.
• O objeto da compra sempre significa ―algo mais‖, profundo e mais forte, como
afeto, status, independência, realização, auto-estima, etc...
Nessas atividades de formação e treinamento, deve-se praticar muitos exercícios de
simulação de:
• um ―Atendimento excelente‖.
• ―Vendas bem sucedidas‖.
• ‗‗Relacionamento com os colegas de trabalho‖.
Todos esses conhecimentos desenvolvem seguramente a arte de vender qualquer
coisa - produtos, serviços ou idéias – e favorecem admiravelmente o aumento da
clientela.
São Treinamentos para o desenvolvimento da Qualidade Total do Atendimento ao
Cliente.
8 - —POR FAVOR, PRESTE MAIS ATENÇÀO―
Pessoa atenciosa é aquela que tem personalidade atraente e afetuosa porque é
competente e capaz de dar atenção aos outros. Sempre é muito querida nos grupos
em que convive porque sempre supera as expectativas. Surpreende a todos com
atitudes agradáveis e inesperadas.
A pessoa atenciosa já descobriu, que o tempo dedicado à dar atenção aos outros, é
um investimento espetacular. Foi treinando muito que aprendeu a ouvir as pessoas
atenciosamente. Com isso, a sua capacidade de concentrar a atenção é ampliada,
até para outras atividades.
Todos nós sentimos a nossa necessidade de afeto satisfeita, através da atenção que
recebemos das pessoas.
É profundamente decepcionante a insatisfação que sentimos quando temos algo
importante para contar ou perguntar a alguém (chefe, pai, mãe, esposa, marido,
amigo, colega de trabalho...) e esse alguém, nem sequer olha para nós, continua
fazendo o que está fazendo, sai andando... dizendo que ―escuta com o ouvido e não
com os olhos‖. São as pessoas tipicamente desatenciosas.
A Psicologia Educacional ensina que a insatisfação que sentimos com a falta de
atenção dos outros é um sentimento de frustração afetiva. Normalmente iniciada na
infância quando o adulto, que é importante para nós ―não tem tempo‖, de nos dar
atenção, ouvir nossas perguntas, ajudar a resolver nossas dúvidas e ansiedades,
tão naturais e freqüentes durante a vida.
A Psicologia Educacional ensina ainda, que as pessoas desatenciosas são as que
mais sentem frustração afetiva. Por terem sentido desprezo na infância,
inconscientemente repetem o mesmo comportamento desatencioso.
São justamente as pessoas desatenciosas que mais exigem dos outros, atenção
especial quando chegam a algum lugar e quando estão falando.
As pessoas desatenciosas fogem dos relacionamentos ou são agressivas com as
pessoas, se não forem o centro das atenções. Não percebem, que tem com as
pessoas, a mesma atitude que detestam nos outros. Projetam a sua ―sombra‖.
Como não receberam atenção, não aprenderam a dar.
Dificilmente as pessoas desatenciosas são bem sucedidas nos relacionamentos
humanos, tem poucos amigos, e sentem muita rejeição. Vivem frustradas.
Atividade Pedagógica
O segredo para a solução definitiva dessas dificuldades está nos treinamentos
contínuos da prática da ―Lei de Ouro‖.
A Lei de Ouro é bíblica e universal, escrita também em vários livros sagrados e
inúmeros livros de comportamento humano.
―Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a
eles; porque esta é a LEI”. Mateus 7, 12. ( “Lei de Ouro”)
Treinamentos com a prática da ―Lei de Ouro” promovem mudanças admiráveis nas
nossas atitudes.
Consistem em simular repetidamente diversas situações em que procuramos ouvir
as pessoas com atenção, evitando interrompê-las. Alguém deve relatar uma história,
um acontecimento... com muitos detalhes... e quem ouve não pode interromper.
Experimente. O resultado é surpreendente.
Descobrimos nesse treinamento que dando atenção às pessoas, recebemos muita
atenção, além do esperado. Sentimos suas reações positivas para conosco e somos
estimulados a continuar sempre e com maior perfeição. Passamos então a sentir o
prazer da capacidade de ouvir e dar atenção aos outros e de experimentar ser bem
sucedidos nos relacionamentos, dentro e fora de casa.
Treinando assim, conseguimos facilmente superar nossa frustração afetiva, mesmo
que na nossa infância, tenhamos sentido desprezo.
Os treinamentos servem para mudar a nossa vida para melhorar
9 - ELOGIAR É DESCOBRIR TALENTOS ESCONDIDOS
Elogiar é enaltecer, elevar, exaltar as qualidades humanas para as próprias pessoas
humanas.
A maioria de nós reconhece inúmeras qualidades no cônjuge, nos filhos, nos
colegas de trabalho, nos amigos e em si mesmo e não aprendeu, e por isso não
sabe, como expressá-las.
Essa dificuldade nossa, vem do hábito educacional, muito antigo, de exaltar só o que
está errado, o defeito, o que não deu certo, os fracassos... E esse hábito, gera
inúmeras dificuldades de insegurança emocional, interferindo negativamente na
nossa vida pessoal e profissional. É o problema da auto-rejeição.
Tantas vezes nos ressentimos da ausência de reconhecimento das pessoas
queridas. Esperamos tanto receber elogios delas, porém, não sabemos elogiar. Não
sabemos ajudar as outras pessoas a ficarem mais seguras, e ―convencidas‖ das
próprias qualidades e, portanto também não somos ajudados.
Existem treinamentos que ensinam a ―Prática do Elogio‖, para pessoas que estão
em atividades de liderança - pais, diretores, gerentes, professores,
administradores...- porque o elogio alivia o sentimento de frustração e satisfaz a
necessidade natural de aprovação social.
Parece incrível que precisamos treinar, para conseguirmos dar aos outros, algo que
tanto desejamos receber.
Nas experiências realizadas com elogios, o que surpreende é que a pessoa elogiada
numa qualidade, passa a manifestá-la permanentemente. A força do elogio é tão
grande, que parece extrair do interior da pessoa, a qualidade exaltada, com tanta
intensidade que ela jamais enfraquece.
Inúmeras vezes, essas qualidades permanecem ―escondidas‖, porque nunca foram
focalizadas. Muitos talentos estão sendo descobertos, com a ―Prática do Elogio‖, nas
empresas e escolas mais avançadas.
A necessidade do ―Treino do Elogio‖ está fundamentada também na ―Lei de Ouro‖
da conduta humana: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam,
fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei”. Mateus 7, 12.
Atividade Pedagógica
O treinamento consiste basicamente na troca de elogios, em procurar e reconhecer
qualidades nas pessoas e expressá-las diretamente a elas.
Pode-se dispor as pessoas em círculos ou em duplas ou uma de cada vez na frente
do grupo. O Pedagogo Empresarial deve considerar o clima favorável do ambiente.
Esse treinamento promove mudanças admiráveis no ambiente empresarial.
Desenvolve a auto-estima e elimina a destrutiva auto-rejeição que bloqueia a
capacidade inata de produzir.
Além disso, otimiza o relacionamento humano.
Na vida cotidiana, o reconhecimento das qualidades sempre deve partir de nós, para
que seja desencadeada a troca.
A ―Pratica do Elogio‖ desenvolve a nossa capacidade de reconhecer qualidades nas
pessoas da nossa convivência e saber expressá-las verbalmente, diretamente a elas
o que verdadeiramente reconhecemos.
Nunca podemos mentir quando elogiamos porque a falsidade é perceptível.
A ―Prática do Elogio‖ traz retornos maravilhosos para nós.
10 - —NÀO FOI ISSO QUE EU QUIS DIZER―... PROBLEMA DE COMUNICAÇÀO
As dificuldades de comunicação entre as pessoas, não são falta de amor ou de
compreensão. Elas aparecem, quase diariamente na vida conjugal, no trabalho, na
família, nas amizades.... Afinal, estamos nos comunicando o tempo todo, em todos
os lugares, com muitas pessoas, mesmo que não estejamos falando.
Nos comunicamos de inúmeras maneiras: com gestos, expressão facial, expressão
corporal, aparência, silêncio, entonações... e com palavras.
A comunicação entre as pessoas é uma ―arte‖, (e uma ciência), fácil de aprender e
praticar, se soubermos como funciona.
Afinal...
Temos muita necessidade de compreender e sermos compreendidos.
Precisamos viver em harmonia para nos sentirmos bem.
E é somente quando estamos bem conosco, que tudo o que fazemos dá certo.
Aprendendo sobre o processo de comunicação estamos nos desenvolvendo para
conseguirmos viver harmoniosamente.
No processo de comunicação, há 4 componentes: 1-Mensagem (aquilo que deve ser
comunicado). 2 – Emissor (quem envia a mensagem). 3 - Receptor (quem deve
receber bem a mensagem). 4 - Ruídos (tudo que interfere na comunicação da
mensagem e causa distorção).
Se a mensagem enviada pelo emissor, foi bem recebida pelo receptor, houve bom
entendimento e compreensão, sem distorções, a comunicação foi harmônica, sem
―ruídos‖. Na realidade, houve comunicação.
Se isso não acontece, a mensagem foi distorcida e incompreendida, houve ―ruídos‖
na comunicação. Então, não houve comunicação propriamente dita.
Atividade Pedagógica
Conseguimos melhorar muito as nossas relações humanas, reconhecendo os
―ruídos‖ da comunicação.
Realizar treinamentos com encenações simulando situações de relações humanas
difíceis, com ―ruídos‖, citados logo a baixo... Mostram aos participantes da empresa,
que os conhecimentos sobre comunicação humana, promovem a compreensão
entre as pessoas, proporcionando uma vida mais serena, mais tranqüila, mais
feliz...e produtiva.
Além disso, esses treinamentos convencem a todos que, cada vez mais, devemos
nos explicar e nos desculpar umas às outras:
―O que foi que você entendeu?‖
―Não foi isso que eu quis dizer‖.
Reconhecendo o quanto e como os ―ruídos‖ dificultam o entendimento e a
compreensão entre as pessoas, passamos a entendê-las melhor e sermos
entendidos por elas e evitamos situações graves de relacionamento.
Há inúmeros ―ruídos‖ que interferem na nossa comunicação, atrapalhando a nossa
convivência, causando muitas vezes, desarmonias graves.
Vejamos alguns:
• Emoções negativas - emitir ou receber mensagens de maneira agressiva,
antipática, com desinteresse, com desprezo... sempre quando não estamos felizes
conosco.
• Idiomas diferentes - que impedem totalmente a compreensão da mensagem.
• Linguagem confusa - com uso de palavras e termos desconhecidos ou pouco
usados; com poucas palavras, deixando a mensagem incompleta... difícil de
entender.
• Diferença de significados - de uma mesma palavra, de um gesto ou objeto, devido
a lembranças passadas e experiências negativas anteriores.
• Deficiências físicas - surdez, mudez, cegueira...
• Gestos desagradáveis - que simbolizam imagens ou conceitos negativos, ofensivos
e agressivos.
• Valores diferentes - importância dada a usos e costumes adquiridos em educações
diferentes.
• Outros ruídos detectados...
Lembre-se sempre que ―Conversando a gente se entende‖
11 - —ISSO É FALTA DE ÉTICA―
É freqüente ouvirmos comentários, sobre atitudes desagradáveis de colegas,
parentes e amigos, com a expressão:
“Isso é falta de ética”.
Mas, o que será Ética?
―ÉTICA é o estudo dos juízos de apreciação, referentes à conduta humana,
suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a
determinada sociedade, seja de modo absoluto‖.Aurélio
A Ética então, nos apresenta resultados de estudos da conduta humana positiva ou
negativa, com as respectivas conseqüências para o bem ou para o mal, em curto ou
longo prazo.
Das Leis irrevogáveis, como a Lei da gravidade, que regem todo o Universo, do qual
somos parte, relembramos mais uma vez, uma delas, chamada a ―Lei de Ouro‖.
Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a
eles; pois esta é a Lei ”. Mateus 7, 12.
Relatórios de grandes empresas internacionais de Consultoria Empresarial
comprovam que as condutas Anti-Éticas, aquelas que lesam e prejudicam a pessoa
humana (mentiras, corrupção, roubo, fraudes, falsificações, etc...) são as
causadoras dos fracassos dos empreendimentos, das organizações e também de
profissionais, que não conseguem permanecer no mercado, ou na sociedade,
apesar da aparente prosperidade no início de sua vida. São os efeitos da Lei de
Ouro.
As empresas de Consultorias Internacionais atingiram seu grande porte, depois de
duras e sofridas experiências, concluindo que somente condutas Éticas levam ao
sucesso duradouro e à prosperidade contínua, pessoal e profissional.
A ―falta de Ética‖, ou a conduta anti-ética é condenável, prejudicial e fatalmente
destruidora de qualquer pessoa ou atividade organizacional, em curto ou longo
prazo. É desperdício de energia porque é aplicada ao fracasso.
Atividade Pedagógica
Quais são as condutas Éticas?
O Pedagogo Empresarial deve utilizar nos trabalhos de orientação e seleção de
funcionários para as diversas funções, o Teste de Ética usado por empresas
vencedoras, com muito sucesso no mundo empresarial.
O Teste de Ética permite que consigamos detectar se nossas condutas pessoais,
profissionais e empresariais são Éticas ou não. Se forem Éticas, estaremos
assegurando nosso sucesso e progresso duradouro, tanto pessoal como
profissional.
TESTE DE ÉTICA
(Extraído do Livro ―O Poder da Administração Ética‖ dos consultores internacionais
Kenneth Blanchard/Norman V. Peale.)
Antes de tomar qualquer decisão você faz 3 perguntas?
1ª. Esta decisão é legal?(Do ponto de vista civil, criminal e em relação à política e
aos princípios da empresa?).
2ª. Esta decisão é imparcial? (Todos os envolvidos serão ganhadores? Não deve
haver nenhum perdedor).
3ª. Esta decisão fará me sentir moralmente bem comigo mesmo? (Se for
publicado nos jornais? Se a minha família souber?)
Obs. Qualquer resposta negativa provocará retornos desastrosos e destruidores, em
curto ou longo prazo.
Baseado nesse teste, um número incontável de empresas vitoriosas estão montando
seu Código de Ética.
O Código de Ética é obrigatório para todos os funcionários e condição de
permanência na Organização. Cada funcionário deve conhecê-lo e se comprometer
com ele no momento da sua admissão, assinando um documento de adesão e
obediência.
12 - PODEMOS ANULAR O — STRESS―
―Stress‖ ou estresse significa, pressão. É resultado de um processo mental.
Enganosamente, costumamos usar o termo ―Stress‖ ou estresse para indicar que
estamos apresentando desequilíbrios orgânicos, provenientes do excesso de
trabalho.
Porém, na verdade, é um processo mental, com excesso de pensamentos,
sentimentos e imaginações de medos e preocupações constantes, que depois de
repetido durante um bom tempo, passa a se manifestar como desequilíbrio orgânico.
As preocupações são “ocupações mentais com algo que não aconteceu‖.
As preocupações são compostas de pensamentos, sentimentos e imaginações de
combate, de discórdia, de ―guerra‖, de resistência diante das pressões ―negativas‖
comuns, que todos nós recebemos no dia a dia da nossa vida.
Estudos sobre o comportamento humano mostram que 99% das nossas
preocupações não acontecem. São desperdícios da nossa energia vital.
Está comprovado que o trabalho realizado e as ocupações não causam ―stress‖ ou
pressão e sim canalizam e aliviam as pressões.
A Sabedoria Oriental ensina, que devemos enfrentar as dificuldades da vida,
imitando os bambus durante os vendavais.
Eles não quebram, como as outras árvores, porque se curvam, durante o vendaval,
deixam ele passar e continuam em pé, vitoriosos.
Como as leis da física, valem também para a metafísica, sabemos que, a pressão
exercida sobre alguma coisa é sempre maior, quanto maior resistência se impuser a
ela.
Então, a sabedoria do vencedor está na obediência à ―Lei da não resistência‖. A Lei
da Vitória.
Atividade Pedagógica
O treinamento da não- resistência pode facilmente anular a pressão mental, o
―stress‖.
É imprescindível saber, que os acontecimentos chamados ―negativos‖ são sensores
automáticos, avisando que devemos mudar alguma coisa - as nossas atitudes, o
nosso modo de pensar, a nossa direção... e corrigir nossa trajetória.
Quando compreendemos a função deles, de ―negativos‖ transformam-se em
positivos e passamos a sentir gratidão por eles, pois estão procurando evitar a
repetição de novos erros no caminho da nossa vida.
A não resistência, é conseguida com o treinamento, isto é, com a repetição de
pensamentos e sentimentos de compreensão, de aceitação, de gratidão, pelos
acontecimentos aparentemente ―negativos‖.
Cientistas do comportamento humano, de vários países, têm comprovado cada vez
mais, a força e o poder admirável dos pensamentos de gratidão na transformação e
na solução das dificuldades da vida. O interessante é que agradecendo as
dificuldades, elas desaparecem.
Nos treinamentos, o Pedagogo Empresarial deve procurar tranqüilizar as pessoas,
mostrando que se não impusermos resistência às pressões e deixarmos que elas
passem, como fazem os bambus diante dos vendavais, elas forçosamente
enfraquecerão e desaparecerão diante da nossa flexibilidade.
As pressões, (o ―stress‖) terão mais força sobre nós, quanto mais rígidos
permanecermos em relação a elas, com pensamentos e sentimentos de combate,
de luta, de discórdia, de medo, de resistência.
Sem combater nem resistir contra as dificuldades, o ―stress‖, e as pressões são
anuladas rapidamente. É mais fácil do que imaginamos. É só experimentar e treinar
através da repetição, compreendendo-as, agradecendo-as e mudando a nossa
trajetória.
Com treinamento contínuo, logo estaremos reagindo automaticamente diante das
dificuldades e a ―Lei da Não Resistência‖, a ―Lei da Vitória‖ passa a reger a nossa
vida.
13 - COMUNICAÇÀO HUMANA -
Relações Humanas e Relações Públicas
Relações Humanas - a comunicação entre as pessoas
O processo de comunicação entre as pessoas é um movimento de mensagens
sempre em duas direções, de ida e volta. Isso significa que uma mensagem é
considerada comunicada, somente quando, quem a recebe compreende claramente
aquilo que está sendo emitido. Apenas emitir uma mensagem não significa que
houve comunicação.
Repetindo com mais detalhes o que já foi exposto em páginas anteriores em ―Não foi
isso que eu quis dizer‖, vamos lembrar, que o processo de comunicação envolve
quatro elementos:
1. O Emissor – quem emite a mensagem
2. A Mensagem - aquilo que é transmitido
3. O Receptor – quem recebe a mensagem
4. Os ―Ruídos‖ – tudo que perturba e interfere na comunicação.
Durante a comunicação de uma mensagem, o emissor e o receptor usam:
• a linguagem verbal (palavra oral ou escrita),
• a linguagem não verbal (gestos, posições do corpo, movimentos...)
• os órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, tacto, paladar... com imagens, sons,
odores, contatos, sabores...)
Foi a percepção da presença dos ―ruídos‖ interferindo na comunicação entre as
pessoas, que exigiu atenção especial para tudo que distorce e atrapalha a
compreensão clara de uma mensagem.
Recapitulando, vamos lembrar os ―ruídos‖ mais comuns que perturbam a
comunicação e prejudicam o relacionamento humano harmonioso.
• Emoções negativas – Quando o emissor ou o receptor estão envolvidos pela
agressividade, antipatia, desinteresse, tristeza, medo, preocupação, ansiedade,
culpa, insegurança, ressentimentos, mágoas, auto-rejeição... a mensagem fica
distorcida e contaminada por essas emoções.
• Idiomas diferentes - Quando emissor e receptor falam idiomas diferentes é
necessário um excelente tradutor e interprete para que a mensagem seja
comunicada claramente.
• Linguagem confusa – A comunicação não acontece quando as mensagens são
emitidas com linguagem desconhecida, usando palavras difíceis ou pouco usadas,
ou até com omissão ou excesso de palavras.
• Diferença de imagens e significados – Todas as palavras que ouvimos tem para
nós, uma imagem representativa de experiências vividas no passado. Até as
palavras mais simples tem significados diferentes para cada pessoa. Ao emitir ou
receber uma mensagem, sempre corremos o risco de encontrar esse tipo de ―ruído‖,
porque a interpretação das palavras causa distorção da mensagem e
desentendimento entre as pessoas.
• Ambiente barulhento- A emissão ou a recepção de uma mensagem oral, ou mesmo
escrita, efetuada sem o silêncio necessário, freqüentemente é feita com distorções.
• Sensações não verbais- São tipos de ―ruídos‖ que aparecem durante uma
comunicação, tanto no emissor como no receptor, que interferem na aceitação e
credibilidade da mensagem: - a aparência desagradável das pessoas, os maus
odores que sentimos, os gestos agressivos e as sensações táteis desagradáveis
que percebemos, os maus sabores que experimentamos, ... são linguagens não
verbais negativas que influenciam e perturbam muito a emissão e a recepção da
mensagem.
• Há possibilidade de surgirem outros tipos de ―ruídos‖ no processo de comunicação.
É bom estarmos atentos.
Os cientistas da comunicação, afirmam: “Quando a nossa mensagem não foi
compreendida claramente, na realidade não houve comunicação. É preciso eliminar
ao máximo os “ruídos” para que ela aconteça. Assim conseguimos entender e
sermos entendidos.”
Relações Públicas - A comunicação entre o público e a empresa.
No processo de comunicação entre a Empresa e o Público também concorrem os 4
elementos acima citados, que neste caso são:
O Emissor– A Empresa
2. A Mensagem - Os produtos da empresa, a imagem que o público tem da
empresa, a credibilidade da empresa...
3. O Receptor – O público
4. Os ―Ruídos‖– Produtos de má qualidade, a falta de ética, a imagem negativa da
empresa perante o público, o atendimento sem qualidade...
Os piores ―ruídos‖ nas Relações Públicas nascem no ambiente interno desagradável
de uma organização que é a causa mais forte da formação da imagem negativa da
empresa perante o público: - o descontentamento e a desarmonia entre os
funcionários, a displicência do dono, a disputa de liderança dos dirigentes (diretores,
gerentes, chefes...), o desrespeito e o mau atendimento aos clientes (internos e
externos) e fornecedores...
As pessoas que se relacionam com uma empresa, comentam os seus dissabores
(ou suas satisfações), em todos os lugares que freqüentam, ampliando de maneira
incomensurável a imagem, negativa (ou positiva), que fazem dela.
Está evidente que as boas Relações Públicas são dependentes das boas Relações
Humanas.
Atividade Pedagógica - Eliminar —Ruídos―
São os ―ruídos‖ que promovem os desentendimentos e as incompreensões no
relacionamento entre as pessoas. Os estudos da ciência da Comunicação mostram
várias providências que podem ser tomadas com sucesso, pelo Pedagogo
Empresarial, na eliminação dos ―ruídos‖.
A principal conduta a ser cultivada nas Relações Humanas e nas Relações Públicas
é procurar todas as possibilidades de eliminar ao máximo os ―ruídos‖ de
comunicação nos dois campos, com treinamentos usando simulação, que
desenvolvam nos funcionários e dirigentes os hábitos - de perguntar quando não
entendeu, - de se explicar e - fazer-se entender.
Esses treinamentos devem ter conteúdos que abordem:
• Compreensão do comportamento humano – Treinamentos com o estudo dos
determinantes do comportamento humano, (as necessidades humanas e as
motivações humanas), porque proporcionam a compreensão das dificuldades das
pessoas com relação às suas frustrações interferindo nas suas mensagens e nos
seus relacionamentos.
• Empenho na qualidade da comunicação – Com o conhecimento dos determinantes
do comportamento humano, o Pedagogo Empresarial tem todas as condições de
elaborar treinamentos que pratiquem a emissão de mensagens claras, que
satisfaçam as necessidades e atinjam as motivações das pessoas, evitando os
―ruídos‖ já conhecidos e os resultados desastrosos das frustrações e
incompreensões.
• Capacidade de compreensão e de perdão - Treinamentos que desenvolvem essas
duas condutas ―mágicas‖, conseguem eliminar todos os tipos de ―ruídos‖. Para isso
é necessário dar o conhecimento científico do poder terapêutico do perdão.
Porém, é impossível cultivarmos a compreensão e o perdão sem o conhecimento
citado acima e o das necessidades e motivações das pessoas, dados pela
Psicologia.
Esses conhecimentos permitem que consigamos nos colocar no lugar do outro, e
sentir o sentimento do outro e só então seremos capazes de evitar os ―ruídos‖ da
comunicação nas Relações Humanas e nas Relações Públicas.
14 - A ESPIRITUALIDADE DO PENSAMENTO NAS RELAÇÃES HUMANAS
Uma coisa que nos chama atenção, até com muito espanto, é a mudança de vida
das pessoas conhecidas que começam a freqüentar e se integrar num movimento
religioso ou em uma religião.
À medida que o nosso pensamento vai se espiritualizando, o nosso coração vai
mudando, a nossa vida vai simplificando e muitas coisas, antes consideradas
importantes, tornam-se sem importância e desinteressantes.
Passamos gradualmente a conhecer pessoas diferentes, ler livros diferentes, passar
o tempo de maneira diferente e nossa conversa muda completamente de qualidade.
Todas essas mudanças acompanham a mudança do coração e nunca a precede.
―.... as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas....” ll Corintios 5-17
Descobrimos que a opinião das outras pessoas, que antes considerávamos como
coisa vantajosa, parece sem nenhuma importância.
Os aplausos por nossos atos exteriores passam a ter uma força muito fraca e
efêmera, porque reconhecemos que os resultados que valem a pena são aqueles
obtidos na nossa consciência.
Quando espiritualizamos nosso pensamento, a nossa motivação mais forte que é o
desejo de felicidade, começa a ser atingida. Por isso mudamos tanto.
Atividade Pedagógica
Hoje está muito frequente nas empresas, a realização de atividades religiosas
praticadas durante , pelo menos 20 minutos, antes do expediente. São momentos de
meditação sobre as verdades da natureza religiosa do ser humano que está sempre
sendo atraído pelo seu Criador.
O Pedagogo Empresarial pode organizar esses momentos contendo leituras ou
canções de natureza religiosa. A mudança das pessoas, para melhor, é sempre é
surpreendente.
15 - A FÉ NAS RELAÇÃES HUMANAS
SEGURANÇA ÍNTIMA E CONFIANÇA
Está comprovado que há uma coincidência em todos os relacionamentos humanos.
As pessoas que têm fé são as que mais progridem e conseguem grandes
realizações.
Aliás, a fé é o elemento fundamental das realizações. É a energia poderosa da
concretização dos nossos sonhos.
Em matéria de fé, vejam o que ensina o maior ―best seller‖ do mundo, sobre o
comportamento humano - a Bíblia.
―Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e uma certeza das
coisas que não se vê” Hebreus 11–1
“Vai, e como creste te será feito”. Mateus 8-13
“Por que tens medo, homens de pouca fé?” Mateus 8-26
Existem algumas características que se repetem nas pessoas que tem fé:
• Dominam facilmente o medo. A presença do medo é sintoma da ausência de fé.
• Acreditam na onipresença de Deus, que vive nelas e elas Nele.
• Acreditam que todo o poder vem somente de Deus.
• Confiam profundamente na bondade de Deus.
• Sabem que tudo o que acontece a elas é sempre o melhor para elas.
• São convictas da disponibilidade de Deus para com elas.
• Sentem que a vida é benfazeja.
• Sentem-se felizes em todas as circunstâncias.
Vivem intimamente seguras e confiantes, tem atitudes serenas e tranquilas. Vivem
com fé.
Atividade Pedagógica - Exercitando a fé Treinamentos que ajudem os funcionários a
exercitarem a fé através da imaginação, podem ser baseados na afirmação do
filósofo e teólogo norte americano Emmet Fox, que dá excelente sugestão:
―É um grande erro lutar para produzir fé viva dentro de si. Isso só pode resultar em
fracasso. Deve-se, isso sim, agir como se tivesse fé. Represente (na imaginação) o
que você deseja que aconteça, e estará expressando fé verdadeira. Esta é a
maneira certa de usar a vontade de ter fé, compreendida cientificamente‖.
Todas as pessoas que experimentaram,conseguiram resultados admiráveis.
16 - A INTELIGÊNCIA NAS RELAÇÃES HUMANAS
INTELIGÊNCIA É A CAPACIDADE DE VENCER DIFICULDADES
• A Psicologia Educacional mostra com muita clareza que ―não existe pessoa burra‖.
As dificuldades que uma pessoa tem de aprender uma atividade ou qualquer outra
coisa, estão ligadas às dificuldades daquele que deve ensiná-la.
Mesmo pessoas excepcionais com deficiência mental ou física, conseguem
aprender, se usarmos técnicas adequadas para ensiná-las. A questão está apenas
na qualidade e competência de quem ensina.
Maria Montessori, a primeira médica do Ocidente, a educadora revolucionária da
Europa, afirmava e provava: ―Se alguém não aprendeu é porque ninguém soube
ensinar”.
Seus alunos, crianças excepcionais, concorriam com crianças normais nos
concursos públicos, e sempre eram aprovados. Seu método, com todo o material
especial de ensino, criado por ela, é até hoje aplicado em escolas de elite e
consegue, além de ensinar, refinar as atitudes e comportamentos dos alunos.
Ensinar é Ciência e Arte.
Ciência, porque exige tecnologia fundamentada nos conhecimentos de Psicologia
Educacional.
Arte, porque exige capacidade de criar nas pessoas, sensações e estados de
espírito que levem a uma mudança desejável de comportamento, isto é, à
aprendizagem.
Ensinar exige amor, dedicação e entusiasmo de quem ensina, seja onde for - no
trabalho, na família, na escola – em qualquer lugar.
Ensinar é relacionamento humano sincero e emotivo.
O objetivo de qualquer ensino sempre é promover a manifestação de mudanças
positivas e duradouras nas pessoas.
Essas mudanças são conseguidas durante o processo de - ensinar - aprender -
mudar - se houver atitude interior de doação, de quem ensina.
Por isso, o resultado do ensino, que é a aprendizagem, (as mudanças) sofre
influências:
• da personalidade otimista e entusiasta de quem ensina, • do ambiente agradável e
alegre do local, • do conhecimento a respeito do assunto a ser ensinado.
Sem essas condições, as pessoas não aprendem, não por falta de inteligência, e
sim porque não houve verdadeiramente ensino.
Atividade Pedagógica
O Pedagogo Empresarial, através dos treinamentos, tem o objetivo principal de
melhorar a produtividade pessoal dos funcionários e da empresa. Para isso há
condições insubstituíveis que favorecerão as mudanças desejáveis:
1. Deve preparar um local de treinamento que seja um ambiente com atmosfera
agradável, alegre e aconchegante.
2. Deve estar consciente durante um treinamento, de que para que o ensino seja
eficaz é imprescindível haver as três atitudes interiores indispensáveis a quem
ensina: amor, dedicação e entusiasmo.
3. Deve estar seguro de que aquele que irá ensinar, tem conhecimento amplo do
assunto.
Experimente. Sinta a alegria e a felicidade que isso proporciona. Todos sairão
ganhando.
17 - A PERSEVERANÇA NAS RELAÇÃES HUMANAS
CONSTÂNCIA E PERSISTÊNCIA
É admirável como encontramos nos relacionamentos humanos, muitas pessoas que
nasceram para vencer. Parece que essas pessoas ―nasceram com a estrela‖, ―são
de muita sorte‖, tudo dá certo para elas.
Porém, é sabido que quando não conseguimos encontrar explicações para as
atitudes das pessoas bem sucedidas, usamos com freqüência a palavra ―sorte‖.
Resultados de pesquisas feitas entre pessoas empreendedoras bem sucedidas,
mostram a existência de algumas características, que costumamos chamar de
―sorte‖, e que são comuns a todas elas:
• Têm um objetivo bem definido e acreditam nele.
• Programam mentalmente a realização do objetivo em detalhes escritos.
• Imaginam continuadamente o objetivo já realizado e persistem até que se realize.
• Enfrentam os obstáculos serenamente, até vencê-los.
• São disciplinadas e concentradas na constância, prosseguem, insistem e não
desistem.
Todas essas pessoas têm consciência de que:
1. A perseverança sempre conduz a ótimos resultados.
2. Que os objetivos de alto nível se concretizam com maior rapidez, aqueles que
podem ―curar‖ as situações de mal-estar da nossa vida e da vida das pessoas
e que realizam o bem-estar de todos.
3. Que a realização do objetivo não vem imediatamente.
4. Que o trabalho mental continuado é uma ação.
5. Que a fé, a convicção e a persistência na visualização do objetivo já realizado
é que assegura a sua realização.
6. Que o desânimo, a indecisão e a desistência são os nossos grandes inimigos
e significam ausência de fé.
Veja o que encontramos na Bíblia:- “Não pense essa pessoa que o Senhor dará o
que quer que seja a um homem que esteja dividido e indeciso em todo o seu
proceder.”Tiago, 1,7-8.
Atividade Pedagógica
Organizar treinamentos com exercícios de imaginação criativa, baseados nos
ensinamento bíblicos sobre a fé.
Por ex. ―A fé é um modo de possuir desde agora o que se espera, um meio de
conhecer realidades que não se vêem.‖ Hebreus 11,1
18 - O PENSAMENTO NAS RELAÇÃES HUMANAS
“Aquilo em que você pensa, cresce”– É um ditado oriental que resume, muito
bem, a lei fundamental da mente humana.
Muitas vezes nos perguntamos porque certas pessoas têm tanto ―azar‖ e têm tanta
dificuldade de deslanchar na vida.
Quando as coisas parecem que estão melhorando para elas, mais dificuldades
aparecem.
A explicação científica é:- Seja bom ou mau o assunto do nosso pensamento
constante faz com que a condição se acentue. É uma lei básica e totalmente
abrangente dos ensinamentos psicológicos e metafísicos.
Qualquer assunto que mantemos longe da nossa mente tende a diminuir em nossa
vida, porque simplesmente, tudo (até o pensamento) atrofia, quando não é usado.
Quanto mais pensarmos lembrando nas coisas boas que já tivemos, e que temos,
mais coisas boas nos virão.
Quanto mais pensarmos em nossas queixas, nossas dificuldades ou nas injustiças
que sofremos, mais dificuldades teremos.
É por isso que na Bíblia encontramos o ensinamento que promove a nossa fortaleza:
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que
é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, ...seja
isso o que ocupe o vosso pensamento” Filipenses 4,8
Atividade Pedagógica
Organizar treinamentos com atividades que promovam a conscientização da
qualidade (boa ou má) do pensamento constante das pessoas.
Exercícios que façam descobrir os vícios de pensar negativamente, de reclamar, de
lamentar, de focalizar o mal...
Exercícios que ensinem a prática de relacionar todos os bens recebidos (espirituais,
mentais e materiais)... para formação de hábitos positivos de reconhecimento do que
é bom, de gratidão pela vida e de mudança de atitude interior.
Experimente, sinta como as coisas mudam.
19 - O PERDÀO NAS RELAÇÃES HUMANAS
O ano 2000 foi o ano do perdão.
Interessante perceber que a ausência de conhecimentos faz com que seja
importante determinar um tempo especial para perdoar e pedir perdão.
Existe uma lei mental irrevogável, segundo a qual nós temos de pedir perdão e
perdoar os outros se quisermos superar nossas dificuldades e fazer progresso em
todos os aspectos da nossa personalidade e da nossa vida.
Os conhecimentos científicos mostram que devemos perdoar todas as ofensas, das
maiores às menores, não apenas com palavras, mas em nosso coração. E devemos
fazer isso por nossa própria causa, e não por causa da outra pessoa.
A Medicina atualmente reconhece a importância vital do perdão na prevenção e cura
de doenças. Talvez, para nós, não seja tão claro à primeira vista, mas podemos ter
certeza de que não é por acaso, que todos os grandes sábios da humanidade, até o
dia de hoje, insistem muito na prática do perdão, sempre.
O ressentimento, o hábito de ficarmos lembrando repetidamente o sentimento de
ofendidos, a condenação, a raiva, a vingança, são pensamentos que corroem a
nossa força vital, portanto a nossa saúde.
Esses pensamentos ressentidos prendem os problemas a nós e em decorrência,
criam uma força de atração de muitos outros problemas.
Atividade Pedagógica
Organizar treinamentos com exercícios de perdão- As técnicas que ensinam a
perdoar, afirmam que temos que perdoar o ofensor primeiro mentalmente, até que
possamos imaginá-lo em nossa mente sem nenhum sentimento negativo.
Depois disso, o perdão está realmente dado e sentiremos a reação dos efeitos
benéficos, primeiramente em nossa própria pessoa e nossa própria vida.
É admirável que ao encontrarmos com o ofensor posteriormente, não sentiremos
mais nada de ruim.
Experimente como o exercício e a prática do perdão aumentam a nossa força vital.
20 - A FORÇA DOS GESTOS NAS RELAÇÃES HUMANAS
A LINGUAGEM DO CORPO
Esse conhecimento é imprescindível para quem deseja harmonia nas relações com
todas as pessoas...esposa, marido, filhos, secretárias, pessoal de atendimento ao
cliente, assessores, diretores, chefes, vendedores, etc...
A grande maioria das pessoas ignora a existência da linguagem do corpo nas
relações humanas. Ignora que os nossos corpos também falam.
Gestos e movimentos das mãos, dos braços, das pernas, comportamento do olhar,
posições do corpo, etc... comunicam normalmente a verdade que as palavras não
conseguem dizer.
Raramente nós temos consciência de nossos gestos e movimentos durante um
relacionamento. Eles estão sempre presentes e podem estar contando uma história,
enquanto nossa voz está contando outra.
Os gestos são a linguagem do inconsciente e dificilmente conseguimos controlá-los.
As palavras são a linguagem do consciente e podemos ter controle sobre elas.
Os cientistas não-verbalistas são estudantes do comportamento humano, que se
dedicam a estudar as atuações não-verbais dos seres humanos, durante um
relacionamento, através dos gestos e movimentos.
Para estudar a impressão forte de uma mensagem causada no receptor, esses
cientistas apresentam resultados de pesquisas realizadas, que medem o impacto
total causado pela mensagem, num relacionamento:
1 – Quando a mensagem é de um emissor para um grupo de pessoas:
• Na comunicação Verbal, apenas com palavras escritas – apenas 7% de impacto.
• Na comunicação Verbal vocal, com palavras faladas, incluindo tom de voz,
inflexões e outros sons – apenas 38% de impacto
• Na comunicação Não-Verbal, com gestos e movimentos – 55% de impacto.
2 - Quando a mensagem é de um emissor para um receptor, numa conversa frente a
frente.
• Na comunicação Verbal, somente com palavras faladas - apenas 35% de impacto.
• Na Comunicação Não-Verbal com gestos e movimentos – 65% de impacto.
A maioria dos pesquisadores concordam em 5 resultados apresentados em seus
trabalhos.
1. A comunicação verbal usando apenas palavras faladas ou escritas, serve para
transmitir informações rápidas.
2. Independente da cultura, as palavras os gestos e os movimentos sempre
acontecem juntos.
3. A comunicação não verbal, com gestos e movimentos, amplia o conteúdo da
mensagem verbal, harmoniza atitudes e comportamentos entre as pessoas e
frequentemente consegue substituir a mensagem verbal.
4. Percebemos a mentira, quando a linguagem não-verbal do corpo, com gestos e
movimentos, não está de acordo com a linguagem verbal das palavras faladas.
5. As mulheres têm habilidade para captar e decifrar sinais não verbais e possuem
olho acurado para perceber e sentir mentiras, porque são mais perceptivas que os
homens.
Atividade Pedagógica
Organizar treinamentos simulando situações de relacionamento, focalizando
especialmente a linguagem não-verbal comparada com a linguagem verbal.
Criar cenas cotidianas que exercitem e desenvolvam a capacidade de observação
dos próprios gestos durante o relacionamento com as pessoas e o significado
desses gestos em relação às palavras faladas.
Observar a coerência ou incoerência das duas linguagens e a possibilidade da
mentira na comunicação. Palavras que dizem o que os gestos e movimentos
contradizem.
Nesses exercícios, naturalmente se desenvolve a observação dos gestos nos outros
e a interpretação que damos para eles.
Para isso, o Pedagogo Empresarial deve procurar conhecer a linguagem não-verbal
do corpo, o significado dos gestos e movimentos, através de leituras ou cursos de
comunicação.
Experimente os efeitos espetaculares que esses treinamentos promovem no
relacionamento humano dentro da empresa e das famílias.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
Aebli, Hans – Prática de Ensino; Editora Vozes; Rio de Janeiro
Blanchard, Kenneth; Peale, Normam Vicent - O Poder da Administração Ética;
Editora Record, Rio de Janeiro.
Chopra, Deepack - A Cura Quântica; Editora Best Seller, São Paulo
Chopra, Deepack - As Sete Leis Espirituais do Sucesso; Editora Best Seller, São
Paulo
Chopra, Deepack - Mente sem fronteiras, corpo sem idade - Editora Best Seller,
São Paulo
Ruchon, Georges - As Transformações da Infância; Livraria Agir Editora, Rio de
Janeiro
Jost de Moraes, Renate – As Chaves do Inconsciente; Agir Editora, Rio de Janeiro
Gouvêa, Ruth – Recreação; Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro
Lenval, H. Lubienska - Problemas da Pedagogia Religiosa; Editora Flamboyant,
São Paulo
Lenval, H. Lubienska - A Educação do Homem Consciente; Editora Flamboyant,
São Paulo
Maltz, Maxwell - A Imagem de Si Mesmo; Editora Record, Rio de Janeiro

SITES E LIVROS PARA CONSULTAS

[CITAÇÃO] Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa


AEA RIBEIRO - Rio de Janeiro: Wak, 2003
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Pedagogia empresarial de controle do trabalho e saude do trabalhador: o caso de uma usina-


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RA Scopinho - 1995 - orton.catie.ac.cr
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Título: Pedagogia empresarial de controle do trabalho e saude do trabalhador: o caso de uma
usina-destilaria da regiao de Ribeirao Preto. P. imprenta: Sao Carlos. ...
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[CITAÇÃO] Pedagogia empresarial: saberes, práticas e referências


MG ALMEIDA - Rio de Janeiro: Brasport, 2006
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[PDF]LIÇÃES DE PEDAGOGIA EMPRESARIAL
[PDF] de mh.etc.brMLM Holtz - mh.etc.br
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Ltda., Sorocaba SP. Disponível em <http://www.mh.etc.br/documentos/
licoes_de_pedagogia_empresarial.pdf>. ... (C) 1999 - 2006 MH Assessoria Empresarial ...
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[CITAÇÃO] Pedagogia Empresarial


MG ALMEIDA - Saberes, Práticas e Referencias. Rio de Janeiro. …, 2006
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[CITAÇÃO] Pedagogia empresarial: formas e contextos de atuação


I LOPES, A TRINDADE… - Rio de Janeiro: Wak, 2007
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[CITAÇÃO]Pedagogia empresarial de controle do trabalho e saúde do trabalhador: o


caso de uma usina-destilaria da região de Ribeirão Preto. São Carlos, 1995
RA SCOPINHO - Dissertação (Mestrado)-Centro de …
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Pedagogia no treinamento: correntes pedagógicas no treinamento


[CITAÇÃO]
empresarial
D Bomfin - 1995 - Qualitymark
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[CITAÇÃO]Pedagogia Empresarial: Uma Nova Visão de Aprendizagem nas


Organizações
I LOPES - 2006 - Izolda Lopes...[et al.].–Rio de …
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[CITAÇÃO]… , consultor e assessor para assuntos de gestão de recursos humanos,


gestão comportamental, gestão organizacional, e pedagogia empresarial
D Kops - E-mail para contato: kopsdar@ cpovo. net
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[CITAÇÃO] A Pedagogia Empresarial e as Relações Humanas


MLM HOLTZ
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Filosofia e epistemologia: gestão do conhecimento e Pedagogia


[CITAÇÃO]
Empresarial na sociedade informatizada
FA ANDRADE FILHO - http://www. users. hotlink. com. br/fico/refl0091. htm …
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Pedagogia ea Pedagogia Social: educação não formal


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[DOC] de boaaula.com.brEM Machado - Pedagogia em Debate, 2002 - boaaula.com.br
... Coloca-se na defesa do duplo objeto da Pedagogia Social: socialização do indivíduo e
Trabalho Social, remetendo à Pedagogia Especial as questões dos Meios de Comunicação,
bem como da Pedagogia do Tempo Livre e Pedagogia Empresarial. ...
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[CITAÇÃO] A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o


consenso
LMW Neves… - 2005 - Xamã
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Qualidade total, saúde e trabalho: uma análise em empresas sucroalcooleiras paulistas
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[HTML] de scielo.brRA Scopinho - Revista de Administração Contemporânea, 2000 - SciELO Brasil
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caso de uma usina-destilaria da região de Ribeirão Preto. São Carlos, 1995. Dissertação
(Mestrado) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos. ...
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[CITAÇÃO] Pedagogia da fábrica: as relações de produção ea educação do


trabalhador
AZ Kuenzer - 1985 - Cortez Editora
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[CITAÇÃO] Pedagogia Empresarial de controle do trabalho e saúde do trabalhador:


o caso de uma usina-destilaria da região de Ribeirão Preto. 1995. 258 f
RA SCOPINHO - … Federal de São Carlos, São Carlos
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[CITAÇÃO] Pedagogia da exclusão: crítica ao neoliberalismo em educação


P Gentili… - 1995 - Vozes
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O pedagogo na empresa ea responsabilidade social empresarial


[PDF] de unesp.brM Pascoal - Educação: Teoria e Prática, 2008 - periodicos.rc.biblioteca.unesp.br
... Palavras-chave: Responsabilidade Social Empresarial; pedagogia empresarial; educação;
empresa. ... ANDRADE FILHO, FA de. Filosofia e epistemologia: gestão do conhecimento e
Pedagogia Empresarial na sociedade informatizada. Disponível em: http://www.users. ...
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[HTML] Concepção e implantação de um programa de qualidade de vida no trabalho no setor


público: o papel estratégico dos gestores
[HTML] de usp.brRR Ferreira, MC Ferreira… - Revista de …, 2009 - revistasusp.sibi.usp.br
... Pedagoga pelo Instituto de Educação da Universidade Estadual de Minas Gerais, Especialista
em Cultura, Gestão e Bem-estar Organizacional pela Universidade de Brasília (CEP 70910-900 —
Brasília/DF, Brasil), Especialista em Pedagogia Empresarial (Centro Empresarial ...
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HTML] Novos paradigmas do conhecimento e modernos conceitos de produção: implicações


para uma nova didática na formação profissional
[HTML] de scielo.brW Markert - Educação &amp; Sociedade, 2000 - SciELO Brasil
... reforma interna das escolas ter recebido o apoio de setores relacionados com as áreas da ciência,
política e indústria, foi somente no final dos anos 70 que ocorreu uma discussão pública sobre
a reforma básica dos currículos, da didática escolar e da pedagogia empresarial. ...
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Formação do educador para pedagogia nas empresas


[HTML]
[HTML] de ufsm.brNV Trevisan… - http://www. ufsm. br/ceesp/2003/01/a6. htm> … - coralx.ufsm.br
... Em vez de lutar contra os rígidos controles do aparelho escolar, cabe ao profissional-pedagogo,
inserido na proposta da Pedagogia Empresarial, propor atividades que confiram novos sentidos
ao seu trabalho, realizado agora num ambiente oscilante e instável. ...
Citado por 1 - Artigos relacionados - Em cache - Todas as 3 versões

[PDF]A Pedagogia Social: diálogos e fronteiras com a educação não-formal e educação sócio
comunitária
[PDF] de unisal.brEM Machado - II Congresso Internacional de Pedagogia Social - am.unisal.br
... Coloca-se na defesa do duplo objeto da Pedagogia Social: socialização do indivíduo e
Trabalho Social, remetendo à Pedagogia Especial as questões dos Meios de Comunicação,
bem como da Pedagogia do Tempo Livre e Pedagogia Empresarial. ...
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[PDF]O Pedagogo na Empresa


[PDF] de uaemex.mxM Pascoal - Diálogo Educacional. Curitiba, 2007 - redalyc.uaemex.mx
... Palavras-chave: Pedagogia; Pedagogia empresarial; Educação; Empresa. ... A Pedagogia
Empresarial se ocupa basicamente com os conhecimentos, as competências, as habilidades
e as atitudes consideradas como indispensáveis/ necessários à melhoria da produtividade. ...
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ESCOLA-ALUNO-EMPRESA: UMA EXPERÊNCIA EM PROCESSO NO CEFET-MG


[PDF] de utfpr.edu.brMDC Pena - Revista Educação & Tecnologia, 2011 - revistas.utfpr.edu.br
... em Letras pela Faculdade Ciências e Letras de Belo Horizonte - Licenciada em Pedagogia pelo
Instituto Cultural Newton de Paiva Ferreira - Especialista em Gerência e Tecnologia da Qualidade
pelo CEFET-MG- Especialista em Pedagogia Empresarial - Centro de Estudos e ...
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Psicopedagogia: ação e parceria


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[HTML] de abpp.com.brMA Beyer - ABPp–Associação Brasileira de Psicopedagogia. São …, 2007
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Acesso em: 02 de maio de 2003. MORGAN, G. Imagens da Organização. ...
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O perfil do pedagogo para atuação em espaços não-escolares


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[HTML] de scielo.brMR Ceroni - Anais do I Congresso Internacional de Pedagogia …, 2006 -
SciELO Brasil
... escolares, por meio da habilitação oferecida em Supervisão de Ensino nas Empresas, do
Programa Educação para a Solidariedade, no Módulo Orientação Vocacional e Preparação
para o Mercado de Trabalho, e através do curso de Pós Graduação Pedagogia Empresarial. ...
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[CITAÇÃO]A formação de profissionais da educação–perspectivas e desafios na


educação profissional
EF Barbosa, RC Martins… - Revista Educação e Tecnologia, CEFETMG. …, 2000
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[CITAÇÃO] Administração escolar: um problema educativo ou empresarial?: análise


da proposta do estado capitalista brasileiro para burocratização do sistema …
MFC Félix - 1984 - Cortez Editora
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[LIVRO] Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos


JC Libâneo - 1986 - books.google.com
Page 1. JOSÉ CARLOS LIBANEO Edições Loyola % ^ DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA
PÚBLICA A pedagogia crílico-social dos conteúdos ... JOSÉ CARLOS LIBÂNEO
DEMOCRATIZAÇÃO
DA ESCOLA PÚBLICA A pedagogia crítico-social dos conteúdos Edições Loyola ...
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[PDF] Liderança: um desafio constante aos gestores


[PDF] de tche.brDG Durante - Revista Secretariado. Disponível em:< http://www. upf. …, 2006 -
upf.tche.br
... responder às novas situações. 1Bacharel em Secretariado Executivo Bilíngüe e especialista
em Pedagogia Empresarial. Secretária e professora na Universidade de Passo Fundo Aluna
do curso de Especialização em Gestão Secretarial. gdaniela@upf.br Page 2. ...
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[LIVRO]Novas tecnologias e mediação pedagógica


[PDF] de portalanchieta.com.brJM Moran - 2009 - books.google.com
... mais um diálogo com nossos leitores, ouvindo críticas, novas idéias, intercam- biando
experiências e práticas pedagógicas que possam ... das empresariais ligadas ao lucro; que apoiem
os professores inovadores, que equilibrem o gerenciamento empresarial, tecnológico eo ...
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[CITAÇÃO] O cenário da formação de professores no Brasil–analisando os impactos


da reforma da formação de professores (versão preliminar) Trabalho para a XII …
RF CAMPOS - Brasília, agosto de, 2004
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[CITAÇÃO] Pedagogia no treinamento


D BONFIM - Correntes pedagógicas do treinamento empresarial RJ …, 1998
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Pedagogia e pedagogos: inquietações e buscas


[PDF] de fcc.org.brJC Libâneo - Educar em Revista, 2004 - educa.fcc.org.br
... de programas e projetos educacionais, relativos às diferentes faixas etárias (criança, jovens,
adultos, terceira idade); formação de professores; assistência pedagógico-di- dática a professores
e alunos; avaliação educacional; pedagogia empresarial; animação cultural ...
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[PDF]Saberes do pedagogo para a prática educativa nas organizações empresariais


[PDF] de cefetmg.brR QUIRINO… - et.cefetmg.br
... Dissertação: (Mestrado) Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais -
CEFET-MG. 1. Educação e trabalho 2. Pedagogia empresarial 3. Pessoal - treinamento I - Título.
CDD 370.193 ... 3.1.1. "Pedagogia Empresarial: que conhecimento e espaço são estes?"... 73 ...
Citado por 1 - Artigos relacionados - Ver em HTML - Todas as 2 versões

[PDF]Formação de profissionais da educação: visão crítica e perspectiva de mudança


[PDF] de scielo.brJC Libâneo… - Educação & sociedade, 1999 - SciELO Brasil
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de ensino e das escolas, formação de professores, assistência pedagógico-didática a professores
e alunos, avaliação edu- cacional, pedagogia empresarial, animação cultural ...
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[CITAÇÃO] Informática na Educação: relato de uma experiência


FMS Vieira, RR Rabelo, M do Parque… - Universidade Estadual de …, 2000
Citado por 1 - Artigos relacionados - Todas as 2 versões

[PDF]Análise de fatores mercadológicos para a formação de preço do café especial


[PDF] de usp.brNJLR de Oliveira, SLOJ Carlos… - ead.fea.usp.br
... Mestre em Administração; MBA Executivo Internacional – ênfase em Marketing (FGV/BH);
Especialista em Pedagogia Empresarial (UEMG); Bacharel em Administração (PUC/MG). Doutor
em Engenharia de Produção (UFRJ), Mestre em Administração (UFLA/MG). Resumo ...
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[PDF] Pedagogia ea formação de professores (as) de Educação Infantil


[PDF] de unicamp.brTM Kishimoto - Pro-posições, Campinas/São Paulo: …, 2005 -
proposicoes.fe.unicamp.br
... 5. Habilitações: Magistérios de Educação Infantil, Séries Iniciais do Ensino Fundamental e de
Matérias Pedagógicas do Ensino Médio, Pedagogia Empresarial, Supervisão Escolar,
Administração Escolar, Orientação Escolar e Inspeção Escolar. Page 3. 183 ...
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[DOC] Pedagogia Empresarial: Uma Alternativa Eficaz na Redução de Acidentes de


Trânsito
[DOC] de cbtu.gov.brP de Almeida Villela, MT de Deus… - cbtu.gov.br
O município de Uberlândia está localizado no Triângulo Mineiro e possui uma população estimada
pelo IBGE (2005) em 573.829 habitantes. A cidade possui a segunda maior frota do Estado
perdendo apenas para Belo Horizonte, a capital mineira. A frota de veículos é composta ...
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Pedagogia Empresarial e aprendizagem organizacional


RS Ribeiro84 - PEDAGOGIA EM CONEXÃO - books.google.com
Pedagogia Empresarial e aprendizagem organizacional Rosane Santos Ribeiro84 Introdução
Para falarmos sobre aprendizagem e educação no ambiente organizacional, é importante que
(re) visitemos o cenário industrial do início do século passado, onde o processo de ...
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PEDAGOGIA EMPRESARIAL
[DOC]
[DOC] de fortium.com.brA Santana, AQ Pires, A Cleide, AH Vaz, AP Rios… - fortium.com.br
A pedagogia, de acordo com Libâneo (1997, p.132) é uma área do conhecimento que investiga
a realidade educativa no geral e no particular, onde a ciência pedagógica pode postular para
si, isto é, ramos de estudos próprios dedicados aos vários âmbitos da prática educativa, ...
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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL EO DESENVOLVIMENTO


[CITAÇÃO]
SUSTENTÁVEL
RF Camargo…
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[PDF]PEDAGOGIA EMPRESARIAL
[PDF] de unicentro.brG Riva… - web03.unicentro.br
Este artigo tem a finalidade de verificar atra- vés de pesquisa bibliográfica as contribuições da
Pedagogia Empresarial, para o pedagogo e para a sociedade como um todo. A Pedago-
gia, no momento atual, na condição de ciên- cia para a educação, sintetiza as contribui- ...
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[PDF]UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-


GRADUAÇÃO" LATU SENSU" PEDAGOGIA EMPRESARIAL
[PDF] de avm.edu.brMCM de Castro - avm.edu.br
... PÓS-GRADUAÇÃO "LATU SENSU" PEDAGOGIA EMPRESARIAL A CONTRIBUIÇÃO DO
PEDAGOGO EMPRESARIAL NA ... PÓS-GRADUAÇÃO "LATU SENSU" PEDAGOGIA
EMPRESARIAL A CONTRIBUIÇÃO DO PEDAGOGO EMPRESARIAL NA ...
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[PDF]Pedagogia empresarial de controle do trabalho e saúde do trabalhador


[PDF] de unesp.brRA Scopinho - Estudos de Sociologia, 2007 - seer.fclar.unesp.br
Entre os assalariados rurais canavieiros da região de Ribeirão Preto, SP, predominam concepções
e práticas de natureza individual, biológica e curativa no tratamento das questões relacionadas
à saúde e segurança no trabalho. Este artigo, fundamentado no referencial da ...
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Pedagogia Empresarial: as atribuições do pedagogo no setor de recursos humanos
LA Silva, RLB Araújo, RL Garcia… - Pedagogia em …, 2009 - periodicos.pucminas.br
Esta monografia aborda o tema ―Pedagogia Empresarial: as atribuições do pedagogo no setor
de Recursos Humanos‖, expondo a necessidade que o mercado de trabalho tem de encontrar
profissionais preparados e capacitados para trabalharem nas organizações, fato que ...

[PDF]A FORMAÇÃO DE EDUCADORES EM UMA NOVA SOCIEDADE--A


PSICOPEDAGOGIA EM FOCO.-
[PDF] de 132.248.9.1CB Tavares, PE do ISECENSA, MLM Gomes… - 132.248.9.1
... A PSICOPEDAGOGIA EM FOCO.- Cristina Barreto Tavares Pós-graduanda do curso
de Psicopedagogia e Pedagogia Empresarial do ISECENSA Maria Lúcia Moreira
Gomes Mestre em Cognição e Linguagem UENF Luzia ...
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[CITAÇÃO] Universidade Iguaçu–UNIG MBA Pedagogia Empresarial


LG de Oliveira Morato…

ORIENTAÇÕES PARA BUSCA DE ARTIGOS CIENTÍFICOS NO


SCIELO

Após a escolha do tema do TCC, pertinente ao seu curso de Pós-graduação,


você deverá fazer a busca por artigos científicos da área, em sites especializados,
para a redação do seu próprio artigo científico. O suporte bibliográfico se faz
necessário porque toda informação fornecida no seu artigo deverá ser retirada de
outras obras já publicadas anteriormente. Para isso, deve-se observar os tipos de
citações (indiretas e diretas) descritas nesta apostila e a maneira como elas devem
ser indicadas no seu texto.
Lembre-se que os artigos que devem ser consultados são artigos científicos,
publicados em revistas científicas. Sendo assim, as consultas em revistas de ampla
circulação (compradas em bancas) não são permitidas, mesmo se ela estiver
relatando resultados de estudos publicados como artigos científicos sobre aquele
assunto. Revistas como: Veja, Isto é, Época, etc., são meios de comunicação
jornalísticos e não científicos.
Os artigos científicos são publicados em revistas que circulam apenas no
meio acadêmico (Instituições de Ensino Superior). Essas revistas são denominadas
periódicos. Cada periódico têm sua circulação própria, isto é, alguns são publicados
impressos mensalmente, outros trimestralmente e assim por diante. Alguns
periódicos também podem ser encontrados facilmente na internet e os artigos neles
contidos estão disponíveis para consulta e/ou download.
Os principais sites de buscas por artigos são, entre outros:
SciELO: www.scielo.org
Periódicos Capes: www.periodicos.capes.gov.br
Bireme: www.bireme.br
PubMed: www.pubmed.com.br
A seguir, temos um exemplo de busca por artigos no site do SciELO.
Lembrando que em todos os sites, embora eles sejam diferentes, o método de
busca não difere muito. Deve-se ter em mente o assunto e as palavras-chave que o
levarão à procura pelos artigos. Bons estudos!

Siga os passos indicados:


Para iniciar sua pesquisa, digite o site do SciELO no campo endereço da
internet e, depois de aberta a página, observe os principais pontos de pesquisa: por
artigos; por periódicos e periódicos por assunto (marcações em círculo).
Ao optar pela pesquisa por artigos, no campo método (indicado abaixo),
escolha se a busca será feita por palavra-chave, por palavras próximas à forma que
você escreveu, pelo site Google Acadêmico ou por relevância das palavras.
Em seguida, deve-se escolher onde será feita a procura e quais as palavras-
chave deverão ser procuradas, de acordo com assunto do seu TCC (não utilizar ―e‖,
―ou‖, ―de‖, ―a‖, pois ele procurará por estas palavras também). Clicar em pesquisar.
Lembre-se de que as palavras-chave dirigirão a pesquisa, portanto, escolha-
as com atenção. Várias podem ser testadas. Quanto mais próximas ao tema
escolhido, mais refinada será sua busca. Por exemplo, se o tema escolhido for
relacionado à degradação ambiental na cidade de Ipatinga, as palavras-chave
poderiam ser: degradação; ambiental; Ipatinga. Ou algo mais detalhado. Se nada
aparecer, tente outras palavras.
Isso feito, uma nova página aparecerá, com os resultados da pesquisa para
aquelas palavras que você forneceu. Observe o número de referências às palavras
fornecidas e o número de páginas em que elas se encontram (indicado abaixo).

A seguir, estará a lista com os títulos dos artigos encontrados, onde constam:
nome dos autores (Sobrenome, nome), título, nome do periódico, ano de publicação,
volume, número, páginas e número de indexação. Logo abaixo, têm-se as opções
de visualização do resumo do artigo em português/inglês e do artigo na íntegra, em
português. Avalie os títulos e leia o resumo primeiro, para ver se vale à pena ler todo
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queria, você pode fazer download e salvá-lo em seu computador.
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procurando na lista, por ordem alfabética ou assunto. Em seguida, é só procurar
pelo autor, ano de publicação, volume e/ou número.
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artigos, sendo proibida a cópia de trechos, sem a devida indicação do nome do
autor do texto original (ver na apostila tipos de citação) e/ou o texto na íntegra.
Tais atitudes podem ser facilmente verificadas por nossos professores, que
farão a correção do artigo.