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A LIBERDADE DO CRISTÃO
Sexta-feira, 07/10/2005

Algumas pessoas são conhecidas enquanto estão vivas. Outras, só são lembradas, depois que já morreram. Esse
é o caso de Dietrich Bonhoeffer. Ele foi um dos pastores que lutou contra o regime nazista alemão. A sua briga
era contra a escravidão que o nazismo estava impondo às pessoas. Ele não concordava que a igreja alemã não
tomasse uma postura em favor da liberdade. Por isso, ele condenava tanto as igrejas como o governo nazista.
Como cristão, ele queria a liberdade para pregar. E ele queria que outros experimentassem a liberdade. Apesar
de pressionado por tantos lados e por pessoas que o aconselhavam a ficar em silêncio, Bonhoeffer decidiu
continuar pregando. Finalmente, ele foi preso e morto em um campo de concentração.

Infelizmente, a luta de Bonhoeffer não é a luta de muitos outros que se chamam cristãos. Nem todos os que se
chamam cristãos lutam pela liberdade. Nem todos os que se chamam cristãos vivem a liberdade. Há muitos que
já se acomodaram a alguma situação de não-liberdade. Querem simplesmente continuar vivendo a vida sem
muitos percalços ou muitas mudanças. Querem ter o nome de cristãos sem terem que agir como cristãos. Acham
que as coisas nunca vão mudar e que é melhor continuar aceitando a não-liberdade.

Entretanto, a não-liberdade jamais é característica do cristão. A Bíblia apresenta o cristão como uma pessoa
livre. O retrato do cristão é o de uma pessoa livre: livre das tradições, livre do medo, livre do mundo e livre do
pecado. Se você se chama cristão, você precisa ser livre. Em 1Coríntios 9.19-27, o apóstolo Paulo fala sobre
isso. No versículo 19 ele diz: “Porque, embora seja livre de todos”. Essa é a grande afirmação do apóstolo
Paulo. Eu sou livre de todos. Na pregação que eu faço, no meu testemunho como cristão, eu sou livre das
opiniões; eu sou livre das imposições; eu sou livre das pressões externas.

Essa afirmação de Paulo tinha razão para acontecer. Havia ali, naquela igreja de Corinto, um grupo que tachava
as regras de conduta. Eles diziam que ninguém poderia comprar carne no mercado, ninguém poderia participar
de festas ou reuniões com incrédulos, ninguém poderia comer com incrédulos. Na verdade, ninguém poderia ter
qualquer contato com incrédulos. Esse grupo era muito forte e tinha uma grande influência sobre pessoas da
igreja. Eles estavam querendo controlar a vida e o testemunho das pessoas por meio de suas opiniões e
imposições. E atualmente, há muitos cristãos que estão debaixo dessa mesma escravidão.

Há alguns que são escravos das opiniões das outras pessoas. São os crentes políticos. Eles não têm uma
convicção pessoal para agir desta ou daquela maneira. Eles fazem ou deixam de fazer as coisas com medo do
que as pessoas podem dizer. Parece que está sempre tentando conseguir votos diante das pessoas. Ele age de
acordo com as opiniões e não de acordo com as convicções. Se as opiniões dizem que todos devem usar o
cabelo comprido, ele usa o cabelo comprido e condena a minoria que não usa.

Há alguns que são escravos das imposições das outras pessoas. São os crentes acomodados. Se o fulano falou
que todos devem agir de um jeito, ele simplesmente se acomoda. Ele não quer gastar o tempo pesquisando a
Bíblia para saber se aquilo é verdade. Ele quer ficar tranqüilo e não quer ser importunado. É muito mais fácil
aceitar todas as coisas sem pesquisar, quer sejam verdadeiras ou não. É muito melhor pregar o que todo mundo
está pregando. É muito melhor fazer o que todo mundo está fazendo. Segundo o seu pensamento, é muito
melhor deixar as coisas acontecerem por si mesmas.

Ainda há os escravos das pressões externas. Se existe alguma pressão, ele logo muda de opinião e de atitudes.
Se ele está solteiro por muito tempo, e não consegue encontrar um cônjuge dentro da igreja, então, ele, logo,
muda o seu discurso. Diante das pressões das pessoas e da sociedade, que fazem chacota da solteirice, ele
começa a pregar que não há qualquer problema de se conseguir casamento com um não crente. E diz que o
convívio vai santificar o incrédulo. As pressões da sociedade o fazem mudar o seu discurso.
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A luta de Paulo era contra esse tipo de pensamento dentro da igreja: esse pensamento dominador, controlador,
manipulador. Esse pensamento que transforma os homens livres em máquinas; que coloca todas as pessoas
numa mesma forma e exige que todas ajam da mesma maneira. Por isso, Paulo olha para si mesmo e chama os
outros a terem-no como exemplo. Ele afirma que é livre de todas as pessoas. Na sua pregação, no seu
testemunho de vida, ele é livre de todas as opiniões, imposições e pressões. Ele não é obrigado a abrir mão das
convicções que ele tem. Antes, pelo contrário, porque ele é livre, ele é livre para pregar e para testemunhar
Cristo diante de quaisquer pessoas e em quaisquer situações. Porque ele é livre, ele pode fazer tudo o que for
necessário para pregar o evangelho, sem se preocupar se o grupo A ou B não vai concordar com as suas atitudes.
Exatamente porque ele é livre, ele pode se tornar escravo de todas as pessoas, sem ter que dever coisa alguma a
ninguém. Porque ele é livre, ele pôde dizer:

“Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da Lei, tornei-me como
se estivesse sujeito à Lei (embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da
Lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei
de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos.
Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Faço tudo isso por causa do evangelho,
para ser co-participante dele” (1Co 9.20-23).

Porque ele era livre, ele poderia se envolver com os judeus e pregar para os judeus, sem se preocupar se os
gentios iriam ficar com raiva dele. Ele poderia colocar-se como quem estivesse sujeito à Lei, sem se angustiar
se algumas pessoas se virassem contra ele. Ele não estava sujeito àquilo que as pessoas poderiam pensar acerca
dele. Ele estava sujeito apenas ao evangelho e não aos pensamentos das pessoas.

Da mesma maneira que Paulo, se você se chama cristão, você precisa ser livre. Apenas os cristãos é que têm
poder para ser livres. A liberdade é para você, que é crente. Você precisa ser livre para seguir o evangelho; livre
para testemunhar Jesus, livre para não se deixar manipular pelas pressões de outras pessoas, que querem
controlar a sua vida. Se, por causa do evangelho, você percebe que precisa se envolver com os metaleiros,
envolva-se com eles. Não se preocupe com aquilo que as pessoas podem falar ou pensar a seu respeito. Não se
preocupe se as pessoas começarem a dizer que você está errado ou que você está em rebeldia. Vá estar com os
metaleiros. Pregue para eles o evangelho. Use a sua vida e as suas palavras.

Se, por causa do evangelho, você percebe que precisa começar a falar de uma determinada maneira, fale, sem se
preocupar se as pessoas irão dizer que você está errado. Não deixe os outros matarem a vocação que está dentro
do seu coração. Não deixe as pessoas roubarem a sua liberdade em Cristo.

Se, por causa do evangelho, você percebe que precisa participar das festas da sua escola, participe, sem se
preocupar se alguns vão condenar você. Vá às festas e, com a sua vida, testemunhe Jesus diante dos seus
colegas. Aproveite as ocasiões para testemunhar a sua vida em Cristo. Deixe a luz do Senhor brilhar através da
sua vida. Não se deixe escravizar pelas imposições de outras pessoas. Como Paulo mesmo afirmou: “Faça tudo
por causa do evangelho, para ser co-participante dele” (1Co 9.23).

Contudo, o apóstolo Paulo não concluiu a sua proclamação da liberdade nesse ponto. Aquele que se chama
cristão não apenas é livre para pregar o evangelho, mas também é livre para não se submeter aos apetites da
carne. A questão da liberdade não é apenas um assunto externo. Ela também um assunto interno. Não adianta
ser livre das opiniões das pessoas e das imposições dos homens, e ser escravo do próprio pecado. Ou,
parafraseando as palavras de Paulo: “De que adianta participar da corrida, ser conhecido como um grande
pregador do evangelho, e, no final, não ganhar o prêmio? Ser reprovado?”. Veja o que Paulo escreve nos
versículos 24-27:
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“Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que
alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma
coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro
como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu
escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”.

O perigo apontado por Paulo é o de as pessoas participarem de um grupo e começarem a se deixar influenciar
pelos pecados daquele grupo. Há algum tempo atrás, um grupo de jovens decidiu ir pregar o evangelho no
carnaval de Ouro Preto. Até aí, tudo bem. Os cristãos precisam ir até esses lugares para pregar o evangelho.
Contudo, ao invés de influenciarem os carnavalescos, os cristãos começaram a se deixar controlar pelos
próprios apetites pecaminosos. O pecado começou a gritar dentro do coração daqueles cristãos. E aquele
evangelismo foi um fiasco. Vários jovens deixaram de lado o evangelho e caíram na gandaia.

Mas precisamos ressaltar. Aqueles jovens já estavam na corrida. Diferentemente de alguns, que estavam
assentados nas arquibancadas, por não quererem pregar o evangelho para os carnavalescos. Eles estavam no
caminho certo, fazendo a vontade de Deus, vivendo e proclamando a liberdade em Cristo. Contudo, eles se
deixaram dominar pelos apetites pecaminosos. Eles foram reprovados. Portanto, não basta pregar o evangelho.
É necessário também submeter o pecado à escravidão. Não basta ser livre. É necessário manter-se livre. As
pressões internas também são tão fortes quanto as pressões externas. As pressões externas anunciam os desejos
dos outros. As pressões internas anunciam os desejos da carne. Por isso, os cristãos precisam tomar muito
cuidado. Eles não somente devem descer das arquibancadas e participar da corrida, mas devem almejar
conquistar o prêmio.

Contudo, muitas pessoas, hoje, estão escravizadas pelos apetites da carne. Há muitos que começaram a pregar
para os colegas da escola, mas foram displicentes. Eles não fecharam os ouvidos aos clamores do pecado. E
acabaram sendo escravizados. Pouco a pouco, ao invés de influenciarem, acabaram sendo influenciados. Ao
invés de levarem as pessoas a mudarem o modo de falar, eles mesmos começaram a falar palavrões e a usar
linguagem torpe. Há muitas moças crentes que começaram a se envolver com as amigas incrédulas. Contudo,
elas não sufocaram os gritos da carne. Elas desconsideraram a força da natureza pecaminosa existente em seus
corações e pouco a pouco se deixaram manipular pelo pecado. E então, ao invés de ajudarem as amigas a se
vestirem de modo digno, elas começaram a se vestir de modo sensual. Começaram a se vestir como as amigas
incrédulas e deixaram-se escravizar.

O alerta de Paulo é para que os cristãos não fossem displicentes no tratamento da carne. Para continuar livre,
cada cristão precisa fazer como Paulo: “esmurrar o corpo e fazer dele um escravo”. Porque o cristão está em
liberdade pode rejeitar os apelos do pecado. Porque você é cristão, você é livre para dizer não a uma proposta de
promiscuidade. Você é capaz de manter a sua postura de cristão no meio dos promíscuos. Você tem poder para
testemunhar diante de todos que o pecado não governa a sua vida. Porque você é cristão, você é livre para negar
uma proposta de suborno, ainda que a sua carne esteja gritando e dizendo que você precisa do dinheiro. Você é
capaz de testemunhar Cristo diante das pessoas, mostrando que não precisa se comportar como elas.

Se você se chama cristão, você precisa ser livre.

Pr. Gustavo Bessa


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O dilema da liberdade
I Coríntios 8.1-13

Uma das maiores implicações da obra da cruz é a nossa liberdade em Cristo. A Bíblia nos afirma que Cristo nos
libertou e que, por isso, devemos andar em liberdade (Gálatas 5.1). Contudo, como deve ser esse viver na
liberdade? Como responder a esse dilema?

Eu não sei se todas as pessoas sabem o que é dilema. Dilema é uma situação embaraçosa com duas saídas
difíceis. Dilema foi a situação enfrentada por uma mulher cristã na Segunda Guerra Mundial: ela havia
escondido o seu filho no porão da casa porque ele estava lutando conta o nazismo. De repente, os soldados
alemães invadiram a sua casa, vasculharam os quartos e então perguntaram: “Existe mais alguém nesta casa?”
Aquela mulher enfrentou um dilema: ela falaria a verdade e entregaria o filho para ser morto ou ela mentiria,
dizendo que o filho não estava ali?

A liberdade em Cristo nos coloca diante de um dilema: ela é para podermos fazer qualquer coisa que acharmos
necessário fazer ou é para conseguirmos não fazer qualquer coisa que acharmos necessário não fazer? Deixe-
me explicar melhor. Algumas pessoas dizem assim: “Eu sou livre em Jesus. Por isso, eu posso ir a festas, assistir
ao jogo de futebol, tomar vinho, dançar, comer carne de porco e ir ao cinema.” Outras pessoas dizem: “Eu sou
livre em Jesus. Por isso, eu consigo não ir a festas, nem assistir futebol, nem tomar vinho, nem dançar, nem
comer carne de porco e nem ir ao cinema.”

A minha pergunta é: qual a posição correta? É dançar ou não dançar? É jogar futebol ou não jogar? É participar
de festas ou não? O que a Bíblia fala sobre a liberdade do cristão? Como responder ao dilema da liberdade?

Para responder a esse dilema, eu gostaria de recorrer ao apóstolo Paulo. Ele enfrentou uma situação deste tipo
durante o seu ministério na igreja de Corinto. Os cristãos estavam em dúvida se deveriam ou não comer a
comida que tivesse sido sacrificada aos ídolos. Em outras palavras e trazendo a pergunta para os nossos dias,
como nós devemos nos comportar diante das pessoas que estão do nosso lado? Até onde vai a nossa liberdade?
Devemos ou não fazer as coisas que pensamos serem certas?

A resposta a essa pergunta está em I Coríntios 8.1-13. Antes de analisarmos o texto, precisamos entender esta
questão da comida sacrificada aos ídolos. Por que esta questão era tão relevante para aqueles cristãos? Por que
Paulo teve que tratar deste assunto e o que ele tem a ver com o dilema da liberdade?

No mundo antigo, o sacrifício aos deuses era uma parte integrante da vida. Havia dois tipos: o particular e o
público. No sacrifício particular, o animal era dividido em três partes; uma parte simbólica era queimada sobre o
altar, outra parte era dada aos sacerdotes, que recebiam a porção a que tinham direito e a terceira parte era
entregue ao próprio adorador, que recebia o restante da carne e com a qual oferecia um banquete. Às vezes essas
festas eram realizadas na casa dos ofertantes; em outras, eram realizadas no templo do deus ao qual o sacrifício
era oferecido.

O problema que os cristãos enfrentavam era o seguinte: eles podiam participar dessas festas e colocar na boca
uma carne que era oferecida a um ídolo, a um deus pagão? Se não podiam, então estariam se excluindo de quase
todos os acontecimentos sociais. No sacrifício público, depois que a porção simbólica era queimada e os
sacerdotes recebiam a sua parte, o restante da carne era entregue aos magistrados e a outras autoridades. O que
eles não chegavam a aproveitar era vendido aos açougues e mercados. Por isso, mesmo a carne vendida nos
açougues poderia já ter sido oferecida a algum ídolo ou deus pagão.

Diante desta questão, havia duas posições diferentes dentro da igreja. A primeira era defendida pelo grupo dos
“rigoristas”, que entendiam que toda aquela carne estava contaminada, que havia sido dedicada aos ídolos. Na
verdade, como o próprio Paulo afirma em I Coríntios 10.19-20, elas haviam sido dedicadas aos demônios.
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Assim, este primeiro grupo entendia que os cristãos não poderiam em hipótese alguma comer este tipo de carne.
Pensavam que, se agissem assim, estariam se contaminando e se deixando influenciar por demônios.

Contudo, havia um segundo grupo, que vamos chamar de “anti-rigoristas”. Eles não concordavam com o outro
grupo e entendiam que não havia problema em comer aqueles tipos de carne. Entendiam também que não havia
problema em participar das festividades oferecidas pelos incrédulos. A questão maior estava relacionada com o
relacionamento social e a evangelização: como eles conseguiriam se relacionar e evangelizar os incrédulos se
ficassem afastados completamente dos acontecimentos sociais? De que outra maneira os incrédulos poderiam
conhecer Jesus se, nas ocasiões propícias, que eram as festas, os cristãos não estavam presentes?

Este era o quadro maior dentro da igreja de Corinto. Os rigoristas diziam ter a liberdade para não comer a carne
sacrificada aos ídolos e, assim, não participarem das festas. Os anti-rigoristas entendiam que tinham a liberdade
de comer daquela carne e de participar das festas. Assim, diante deste dilema da liberdade, Paulo não apresenta
uma resposta pronta, do tipo “faça isto” ou “faça aquilo”. Antes, ele apresenta três princípios que devem nortear
o nosso comportamento.

O princípio do amor

Os crentes de Corinto estavam muito preocupados com o conhecimento correto. Eles queriam que Paulo lhes
apresentasse uma lista de regras, que dissesse o que eles poderiam ou não poderiam fazer; o que eles poderiam
ganhar e até onde poderiam ir. Esta lista ainda lhes permitiria dizer se estavam muito bem ou muito mal. Na
verdade, eles queriam uma lista que lhes possibilitasse julgar o irmão que não estivesse andando de acordo com
as suas ordenanças.

Paulo mostra que o problema está justamente aí: na idéia de que o conhecimento por si mesmo é o suficiente.
Aquele que pensa que o conhecimento por si só resolve os problemas está enganado. O conhecimento, em si
mesmo, traz somente orgulho; ele deixa a pessoa inflada e cheia de soberba.

Um caso típico deste tipo de pessoa está registrado em Lucas 10.25-37. Um perito da lei, homem cheio de
conhecimento, queria se justificar diante de Jesus e das pessoas. Ele queria mostrar para todos que era o “bom
do pedaço”. Então, ele pergunta para Jesus: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” E Jesus, já
conhecendo o seu coração, responde: “O que está escrito na lei? Como você a lê?” Aquele homem tinha a lei na
ponta da língua; por isso, ele respondeu sem gaguejar: “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de
toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento, e ame o seu próximo como a si mesmo”.

Quando Jesus lhe falou que a resposta estava correta e que ele deveria colocar aquilo em prática, o perito da lei
perguntou: “Mas quem é o meu próximo?” Então, Jesus contou a parábola do samaritano e chocou aquele
homem. Ele tinha o conhecimento da lei, mas odiava os samaritanos; tinha o saber, mas não tinha o amor.

Paulo conclama os cristãos a olharem não para as próprias regras, mas sim, para o amor. A Bíblia apresenta o
princípio do amor. Os cristãos devem olhar para os seus irmãos com amor, e não com acusação ou julgamento.
Paulo diz ainda que não é aquele que “sabe” que é conhecido de Deus; aquele que ama, sim, é conhecido de
Deus. E se você ama, você não vai ficar acusando as pessoas porque elas agem desta ou daquela maneira. Se
você ama, você vai se aproximar das pessoas e vai se relacionar com elas, ainda que elas não pensem ou se
comportem como você.
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O dilema da liberdade - Parte II

I Coríntios 8.1-13
O princípio da soberania divina

Aqui o apóstolo Paulo toca na questão do pensamento e do comportamento. Algumas pessoas se comportavam
de forma errada porque tinham pensamentos errados. Essas pessoas, na sua maior parte, eram aquelas que
gostavam de fazer listas de regras, que pensavam ter muito conhecimento, que faziam parte do grupo dos
rigoristas.

O grupo dos rigoristas estava preocupado com a comida que era sacrificada aos ídolos porque pensava que
aquela comida estava contaminada. Eles entendiam que os ídolos exerciam alguma influência sobre a comida e,
depois, sobre os que se alimentavam dela. Assim, pensavam que os cristãos poderiam ficar doentes ou
enfraquecidos porque haviam participado de uma festa com incrédulos e se alimentado daquela comida. Paulo,
porém, percebe esse erro e entende que ele pode prejudicar uma decisão tomada na liberdade.

Por isso ele precisa corrigir essa distorção no meio da igreja. As pessoas estavam equivocadas no seu
pensamento acerca dos ídolos; enganadas quanto ao poder que eles têm sobre a vida de um cristão. Os cristãos
precisam entender que Deus é muito mais poderoso; que maior é aquele que está dentro deles do que o que está
no mundo. Assim, os cristãos não devem jamais fazer ou deixar de fazer alguma coisa motivados pelo medo dos
ídolos – ou dos demônios que estão por detrás deles. Por isso, Paulo faz as afirmações que estão nos versículos
4 a 6.

Assim sendo, os cristãos não devem ficar preocupados de participar de uma festa com incrédulos ou de ir a
algum lugar onde existam imagens de idolatria. Ainda que os demônios possam estar presentes nesses lugares, o
cristão é protegido e guardado por Deus e pelo Senhor Jesus. Deus é muito maior que os demônios. E o cristão
não deve deixar de se relacionar com os incrédulos, sejam eles islâmicos, espíritas, macumbeiros, budistas ou o
que for. Os cristãos não devem deixar de participar dos eventos sociais a que são convidados, nem ficar com
medo de tomar esse ou aquele refrigerante que lhe é oferecido ou de comer essa ou aquela comida. Ele deve se
misturar com as pessoas, tendo a consciência de que Deus é maior e Senhor de todos.

O princípio da consideração do outro

Contudo, Paulo apresenta um “porém” nas suas palavras. Nem todos os cristãos têm esse conhecimento; alguns
têm a consciência fraca. Eles imaginam que podem ser contaminados pelos ídolos ou influenciados pela
presença dos demônios que estão em algum lugar. Por causa de alguma situação na vida deles, por terem tido
problemas com ídolos ou com demônios, eles têm dificuldade de enxergar que Deus é muito maior. Assim,
diante disso, Paulo apresenta o princípio da consideração.

Os cristãos que sabem que Deus é maior devem ter consideração para com os outros. Eles não devem forçar os
outros a agirem como eles agem nem devem escandalizar os irmãos. Antes, eles devem se abster de tomar essa
ou aquela atitude se verificarem que o irmão será, de alguma maneira, prejudicado. O princípio da consideração
leva em conta o irmão de consciência mais fraca, pois esse irmão pode ser influenciado a fazer justamente o que
ele pensa que é errado. E, ao agir assim, ele pode ser contaminado, destruído, arruinado, vindo a afastar-se
completamente dos caminhos do Senhor.

Esse jamais é o desejo de Deus. Antes, Deus quer que todas as pessoas permaneçam firmes no caminho da vida.
Por causa disso, pelo amor a Deus e por consideração ao outro, os cristãos devem se abster de comer certos
alimentos, de fazer certas coisas ou de freqüentar certos lugares, ainda que não sejam erradas aos olhos de Deus.
Ao fim de tudo, percebemos que deixar de comer, freqüentar ou fazer diz respeito ao amor e não à legalidade
para isso.