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REUNIÃO DO COMITÊ EXECUTIVO DO CONSELHO MUNDIAL DA PAZ Damasco, Síria | 27 e 28 de outubro de 2018

Contributo de Antônio Barreto, Presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)

Queridas companheiras e queridos companheiros do Conselho Nacional do Movimento de Defensores da Paz na Síria

Amigos e amigas do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz

É uma honra saudá-los em nome do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta

pela Paz (Cebrapaz), na ocasião em que se reúne, na heroica Síria, o Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz.

A realização desta reunião em Damasco é carregada de simbolismo, num momento em que a Síria, graças ao heroísmo de seu povo e a firmeza de seu governo, colhe vitória após vitória sobre inimigos internos e externos poderosos, que tentam há sete anos, ininterruptamente, desestabilizar o país.

Os inimigos da Síria fizeram de tudo para destruí-la. A ação dos Estados Unidos e seus aliados regionais fala de maneira eloquente sobre o caráter dessa potência imperialista e dessas forças aliadas e revela o quanto ameaçam a paz mundial e a soberania dos povos.

Durante estes sete anos, o Cebrapaz, como os demais membros do Conselho Mundial da Paz, manifestou sua incondicional solidariedade ao povo sírio e à sua liderança. Neste momento em que se preparam para alcançar a vitória final, reiteramos o nosso apoio à vossa resistência e vossa luta.

Queridos companheiros e companheiras,

Como o CMP tem notado, uma espécie de crise civilizatória percorre todos os rincões do planeta, reflexo das contradições do iníquo sistema internacional. Neste momento, está em curso uma ofensiva conservadora, com a ascensão de tendências ultradireitistas nos Estados Unidos, Europa e América Latina.

Vivemos uma época em que a chamada ordem mundial passa por complicada

transição. A superpotência dominante, o imperialismo estadunidense se vê confrontado com

a emergência de novos polos de poder econômico e geopolítico. Ao mesmo tempo,

intensificam-se as contradições inter-imperialistas, principalmente entre os EUA e a União Europeia.

Faz parte da onda conservadora a manifestação de uma crescente agressividade dos EUA e, em decorrência disso, uma intensa militarização que se expressa na existência de

centenas de bases militares, no aumento dos gastos militares e no fortalecimento da OTAN como aliança belicista.

Os povos se encontram sob permanente ameaça, e são vitimados por intervenções, golpes e guerras, o que invariavelmente resulta na violação da sua soberania. Nesse quadro, o imperialismo estadunidense ignora os organismos multilaterais, a não ser quando se colocam inteiramente a seu serviço e atropelam o direito internacional.

Por isso, saudamos as lutas dos povos em todo o mundo por sua libertação nacional e social e por sua soberania. Valorizamos, neste contexto, o diálogo intercorerano e as novas possibilidades que surgem para a paz na Península da Coreia. Expressamos nossa resoluta solidariedade como os povos resistentes do Oriente Médio, Ásia, América Latina, Europa e África. Saudamos os povos em luta anticolonial, como os porto-riquenhos, os palestinos e os saaráuis, e os que resistem ao neocolonialismo, ao neoliberalismo e ao imperialismo em tantos países.

Companheiros e companheiras,

Como sabem, a onda conservadora e direitista atinge em cheio a América Latina. Governos progressistas mudaram a face da América Latina e o Caribe, com importantes transformações políticas e socioeconômicas, em países como Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Nicarágua, Equador, Paraguai, Honduras, El Salvador e República Dominicana, entre outros.

A luta contra o neoliberalismo e pela integração latino-americana avançou. Milhões de pessoas saíram da pobreza e foram criados valiosos instrumentos de integração regional. Esses governos promoveram direitos sociais, fortaleceram a soberania econômica e política de seus países e nacionalizaram recursos energéticos. Alguns deles, sobretudo a Venezuela e a Bolívia, avançaram na realização de transformações revolucionárias.

Agora, sob o comando do imperialismo estadunidense, as oligarquias nacionais em diversos países estão promovendo, seja por meio de golpes ou de eleições manipuladas, a reversão dessas conquistas. Hoje, é necessário que em todo o mundo se desenvolva um amplo movimento de solidariedade com os povos da América Latina e Caribe, em defesa da democracia, da independência nacional e do progresso social.

Esta solidariedade deve ser a mais assertiva possível na defesa da Revolução Cubana, no combate ao bloqueio e no apoio aos esforços do povo cubano e de sua liderança no momento em que se empenham no aperfeiçoamento de seu modelo econômico e social e no fortalecimento de suas instituições com a redação de uma nova Constituição.

Igualmente, na defesa da Venezuela, alvo de uma brutal ofensiva imperialista que inclui sanções econômicas, a guerra midiática, a desestabilização interna e repulsivas ameaças de intervenção de militar, com o objetivo estratégico de deter a Revolução Bolivariana.

Neste quadro, permitam-me destacar a gravíssima situação que neste momento vive o Brasil. A democracia e a soberania do país encontram-se ameaçadas com a possibilidade de eleição de um presidente da República fascista.

A perspectiva é de agravamento da crise política, econômica e social do país, entreguismo e ofensiva contra os direitos do povo. Em torno do candidato Jair Bolsonaro se agruparam as forças mais obscurantistas, com um programa antidemocrático, antissocial e antinacional, feito de acordo com o figurino desenhado pelo imperialismo estadunidense.

Bolsonaro representa o prolongamento ulterior do golpe de estado de 2016 e fomenta a brutal ofensiva das classes dominantes reacionárias contra as aspirações e conquistas do povo brasileiro. O seu seria um governo fascista, pró-estadunidense e pró-sionista no Brasil constituiria um fator a mais de instabilidade regional e uma ameaça a mais à paz mundial. Mais do que nunca o povo brasileiro precisa se unir e lutar, contando também com a solidariedade internacionalista, contra a ameaça fascista e em defesa da democracia.

Em suma, amigos e amigas, neste momento de graves desafios e de luta redobrada contra o retrocesso civilizacional que se anuncia, mas a que os brasileiros e as brasileiras resistem, o Cebrapaz reforça seu compromisso com as campanhas do CMP contra as bases militares estrangeiras, as armas nucleares e a máquina de guerra imperialista, a OTAN, pelo que promovemos e participaremos também da Conferência de Dublin em novembro.

Reforçamos também nossa resoluta solidariedade com o povo martirizado da Palestina em sua brava luta por libertação, contra o regime de apartheid sionista e a colonização israelense, saudando a valente Grande Marcha pelo Retorno, que, apesar da brutalidade da repressão assassina de Israel, mostrou ao mundo a determinação do guerreiro povo palestino. Também reforçamos nossa posição irredutível ao lado do povo cubano na exigência pelo fim do bloqueio estadunidense criminoso e a devolução do território de Guantánamo, ao lado do povo argentino pela recuperação da sua soberania sobre as Ilhas Malvinas e outras ilhas sob o controle colonial britânico, do povo porto- riquenho na justa luta pela independência dos EUA, e do povo saaráui, que luta pela libertação da última colônia da África, enfrentando a brutal ocupação marroquina ou sobrevivendo ao refúgio de quatro décadas no deserto, diante do silêncio e da negligência internacional, do espólio dos seus recursos, da separação e da colonização do seu território.

Aproveitamos para fazer um apelo para que se adote o dia 27 de fevereiro como um Dia Internacional de Solidariedade ao Povo do Saara Ocidental, conforme discutimos na Reunião Regional da América em setembro, na República Dominicana. Tal manifestação contribuiria para o reforço da nossa ação em apoio à justa causa do povo saaráui.

Novamente, agradecemos a acolhida e saudamos os companheiros aqui presentes.