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Desenvolvimento econômico

A melhoria das condições de vida do homem e o progresso das nações sempre foram uma preocupação
constante da humanidade. Todavia, só recentemente o estudo sistemático do desenvolvimento
econômico se impôs como tema central da ciência econômica.

Para o economista francês François Perroux, "desenvolvimento é a combinação das mudanças mentais
e sociais que tornam uma população apta a fazer crescer, cumulativa e duradouramente, seu produto
real e global". O desenvolvimento econômico de uma nação é o processo - ou o resultado - de
transformações inter-relacionadas com variações no campo político, mediante o qual se consegue
produzir maior quantidade de bens e serviços destinados a satisfazer as crescentes e diversificadas
necessidades humanas. Vem acompanhado, basicamente, de contínuas mudanças de ordem quantitativa
e qualitativa no contexto social, político e econômico de uma nação.

Os autores divergem no que diz respeito aos critérios que permitem avaliar o desenvolvimento, que
podem ser: (1) industrialização ou produção industrial; (2) estrutura ocupacional, ou seja, distribuição
da mão-de-obra pelos diversos ramos da atividade econômica; (3) renda nacional per capita; (4)
urbanização. Tais critérios resultam da análise de países considerados desenvolvidos, onde o fator
principal que deflagra o processo de desenvolvimento é a industrialização, que consiste na aplicação
da ciência e da técnica de base científica ao processo produtivo. Os demais índices revelam fenômenos
que, a rigor, não passam de conseqüências do processo de industrialização.

DESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO. Foi somente a partir do século XVIII que


alguns povos alcançaram um nível de vida mais elevado e, por isso, passaram a ser considerados
desenvolvidos. Antes, só na Grécia antiga, no Império Romano e em Veneza registraram-se exemplos
de comunidades que desfrutavam níveis de renda relativamente altos. A riqueza, porém, limitava-se a
certas categorias sociais privilegiadas, pois a maioria da população vivia na miséria.

Nos tempos modernos, o desenvolvimento econômico passou a favorecer maior número de pessoas,
mas a desigualdade persiste como uma constante na vida dos povos. Os benefícios do progresso
restringiram-se às poucas nações desenvolvidas, entre as quais se incluíam, no fim do século XX,
Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Israel, Japão, Nova Zelândia e os países da Europa
ocidental. Os países subdesenvolvidos, por sua vez, abrigavam cerca de setenta por cento da população
mundial, cabendo-lhes menos de 25% da renda total.

Consideram-se desenvolvidos aqueles países que conheceram a revolução industrial e cuja riqueza se
manifesta na diversidade de bens materiais e realizações tecnológicas. Por esse motivo, também se
costuma identificá-los como países industrializados. Os países que não atingiram esse nível são
chamados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

Na década de 1960, as Nações Unidas adotaram 12 indicadores econômicos e sociais para aferir o
nível de desenvolvimento dos diferentes países. Além da renda média anual per capita, os indicadores
incluíam consumo de energia elétrica per capita, prognóstico médio de vida, taxa de mortalidade
infantil, número de médicos por habitante, nível de urbanização, percentagem da renda nacional
proveniente da agricultura, e outros associados à alimentação, educação e força de trabalho. Em 1990,
numa nova abordagem do conceito, a ONU passou a divulgar o índice anual de desenvolvimento
humano, que mede o bem-estar dos povos mediante indicadores combinados de poder real de compra,
educação e saúde.

DESENVOLVIMENTO E CRESCIMENTO ECONÔMICO. Os teóricos distinguem


desenvolvimento de crescimento econômico. O primeiro constitui um processo de mudanças
qualitativas na estrutura da economia que conduzem à melhoria do bem-estar das populações,
enquanto o segundo tem conotação apenas quantitativa, traduzindo-se por uma expansão global da
produção de bens e serviços à disposição de uma comunidade, sem reflexos sensíveis na distribuição
de renda. Na inter-relação desses conceitos, pode-se dizer que o desenvolvimento econômico engloba e
sustém o crescimento econômico.

Embora muito empregada em análises econômicas de curto prazo, na teoria econômica a expressão
"crescimento econômico" refere-se geralmente ao aumento da riqueza em um período mais longo. No
sentido estrito, segundo o economista francês François Perroux, crescimento econômico de uma nação
é o aumento sustentado, durante um ou vários períodos longos, do produto nacional bruto em termos
reais - e não, como defendem alguns, o aumento da renda per capita.

FATORES CONDICIONANTES DO CRESCIMENTO ECONÔMICO. As condições que


determinam o crescimento econômico podem ser divididas em internas e externas. Entre as externas, a
mais importante é o nível da atividade econômica mundial, já que é ela que determina o nível do
comércio internacional, do qual depende uma parcela significativa da renda de muitos países, advinda
das exportações.

As condições internas são a qualidade, variedade e quantidade de recursos naturais - minerais,


combustíveis, fertilidade da terra, clima apropriado etc. Nas primeiras fases do desenvolvimento,
considera-se que esses recursos exercem influência decisiva na taxa de crescimento econômico. Muito
importante também é a qualidade da força de trabalho humano, que depende do nível de educação já
atingido pela nação, da saúde pública e da eficiência da organização política, social e econômica.
Estreitamente relacionados com esses recursos estão o volume e a utilização de capital e o nível de
desenvolvimento tecnológico. Outro aspecto importante é a estabilidade política, que atrai
investimentos internos e de outros países.

O crescimento econômico é dimensionado apenas pela elevação da renda e nem sempre significa
desenvolvimento. Os países do Oriente Médio, por exemplo, por serem grandes produtores de
petróleo, apresentam altos índices de renda, que não mostram o processo real de desenvolvimento pois,
concentrada nas mãos de poucas famílias, ela não é reinvestida em empreendimentos, como indústrias
de base, capazes de deflagrar um real processo de desenvolvimento na região. Nos países
desenvolvidos, o índice de renda revela os níveis reais de desenvolvimento.

TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO. No que tange ao desenvolvimento econômico, as


formulações teóricas dos economistas clássicos conduziam em geral a uma conclusão pessimista
quanto às possibilidades de progresso constante e extensivo a toda a humanidade. Ao afirmar que o
trabalho era origem de todo o valor, admitiram que a quantidade de trabalho está limitada ao montante
de capital acumulado. O limite da divisão do trabalho, por sua vez, estava na extensão do mercado. Em
matéria de desenvolvimento econômico, o pensamento clássico balizava-se por duas leis fundamentais:
a "lei dos rendimentos decrescentes" e a "lei do crescimento demográfico", ambas se antepondo à idéia
de progresso contínuo dos povos.

A teoria clássica do desenvolvimento econômico não se revelou apropriada para analisar as causas
mais complexas do crescimento econômico das nações adiantadas. O progresso tecnológico e a
ampliação do mercado neutralizaram as conseqüências da lei dos rendimentos decrescentes, e a teoria
malthusiana do crescimento da população não se mostrou válida nos países desenvolvidos. Até meados
do século XX, os níveis de renda per capita nos países desenvolvidos estavam muito acima do que se
poderia admitir como o mínimo de subsistência, e continuavam subindo em ritmo acelerado. Enquanto
isso, a taxa de natalidade declinava, contrabalançando os efeitos positivos do progresso - queda da taxa
de mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida média - e atuando como obstáculo a um
excessivo incremento da população.

Embora a concepção pessimista dos clássicos sobre o desenvolvimento econômico tenha sido negada
pela história, a verdade é que, por motivos diversos, muitos povos se encontram no nível mínimo de
subsistência, ao lado da opulência numa minoria de países. Diante da verdade histórica de que o
desenvolvimento econômico tem sido uma exceção, porque limitado a uma minoria de países, alguns
economistas modernos levantaram a tese do "círculo vicioso da pobreza": por disporem de renda muito
baixa, os países pobres não tinham capital para investir e, por não poderem fazer investimentos, não
tinham como aumentar sua renda.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TEORIA MARXISTA. Os postulados da economia


clássica foram contraditados por Karl Marx, para quem a sociedade humana tem passado por distintas
etapas de organização econômica, em que as relações de produção assumiram características bem
definidas (comunismo primitivo, escravidão, feudalismo e capitalismo). Se a sociedade tem caminhado
para formas sempre mais elevadas de organização social, não há por que se acreditar, na opinião de
Marx, que o capitalismo constitua o último estádio de evolução da sociedade.

Marx afirma que a acumulação de capital, condição inerente ao sistema, provocaria no futuro as crises
de superprodução por insuficiência do consumo. Essa é uma das leis mais importantes do
desenvolvimento capitalista, a qual é ao mesmo tempo conseqüência e condição desse
desenvolvimento. As contradições do sistema se agravam com a ampliação do desenvolvimento
capitalista, que é levado a evoluir para formas mais radicais de organização.

Outros autores marxistas ampliaram as idéias de Marx, explicando que o sistema de desenvolvimento
capitalista conseguiu evoluir para etapas mais adiantadas, atingindo a fase do imperialismo econômico.
Para os adeptos de Marx, o chamado imperialismo econômico constitui a etapa mais avançada e mais
radical do capitalismo e, por isso mesmo, seu ponto culminante. Segundo eles, o imperialismo
econômico condiciona o desenvolvimento de alguns países ao subdesenvolvimento de outros, ao
mesmo tempo que estabelece uma profunda desigualdade de renda entre as pessoas.

NEOCLÁSSICOS. Segundo o pensamento dos autores neoclássicos (Alfred Marshall, Gustav Cassel
e outros), menos pessimista que o dos predecessores, o desenvolvimento econômico resulta da
acumulação de capital que, por sua vez, é função das taxas de lucro e de juros. Como em todo o
sistema econômico descrito pelos mesmos autores, o princípio da oferta e procura regula o mercado de
capital. Em todos os mercados, o princípio da oferta e procura conduz ao equilíbrio, e por isso os
neoclássicos concluem que o equilíbrio se estenderia ao sistema econômico como um todo.

Repercussões da grande depressão nas teorias do desenvolvimento econômico. Nas teorias


clássicas e neoclássicas, dá-se por afastada a possibilidade de ocorrência de desemprego maciço a
longo prazo, que pudesse ocasionar profunda crise na economia. Os autores neoclássicos admitiam
breves períodos de desemprego e de crise, que seriam absorvidos pelo sistema, restabelecendo-se
prontamente o equilíbrio econômico. Os fatos encarregaram-se, porém, de negar validez ao otimismo
neoclássico.

A grande depressão da década de 1930, que irrompeu nos Estados Unidos, se estendeu por todo o
mundo capitalista e se prolongou por quase uma década, fez desaparecer a confiança num processo de
desenvolvimento estável a longo prazo e ressurgir a preocupação pela estagnação econômica como
ameaça do futuro. As críticas de Marx readquiriam validade para muitos estudiosos. Finalmente, John
Maynard Keynes introduziu uma nova teoria do emprego (e do desenvolvimento da economia), que
deu novo impulso à teoria econômica.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SEGUNDO KEYNES. Embora tenha dirigido sua


preocupação fundamental para o problema do desemprego, Keynes não deixou de tratar da teoria do
desenvolvimento econômico, pois identificava o aumento do emprego com o crescimento da renda
global. No modelo keynesiano, as variáveis independentes são, em primeiro lugar, a propensão a
consumir, a escala da eficiência marginal do capital e a taxa de juros. As variáveis dependentes são o
volume do emprego e a renda nacional, medidos em unidade de salários.

Para Keynes, a continuidade do processo de desenvolvimento econômico depende de uma correta


política do estado, que deve selecionar e manter sob controle algumas variáveis e até mesmo aumentar
o gasto público em períodos de desemprego. Embora tenha dirigido suas análises às economias dos
países desenvolvidos, as conclusões e recomendações de Keynes encontraram grande acolhida nos
países subdesenvolvidos, cujos governos passaram a atuar mais diretamente no processo do
desenvolvimento econômico nacional.

Contribuições recentes. A partir da segunda guerra mundial, cresceu extraordinariamente o interesse


pelo problema do desenvolvimento da economia, que deixou de ser assunto de interesse somente para
especialistas. Alguns economistas procuraram adaptar as teorias do desenvolvimento às condições dos
países subdesenvolvidos, ao passo que outros trouxeram novas contribuições para uma melhor
compreensão dos processos do desenvolvimento econômico. A introdução dos métodos da
contabilidade nacional facilitou o conhecimento de diversas relações e inter-relações causais no
sistema econômico, contribuindo para que o complexo problema do desenvolvimento fosse melhor
compreendido.

Não se chegou ainda a formular uma teoria de desenvolvimento amplamente aceitável, dentro das
características da economia de mercado. Ao nível dos conhecimentos atuais, pode-se dizer que o êxito
da política de promoção do desenvolvimento dependerá de como a sociedade possa realizar, ao mesmo
tempo, os seguintes objetivos:
(1) combinar os fatores disponíveis - trabalho, meios de produção e recursos naturais - de forma a
obter uma produtividade sempre crescente;
(2) mobilizar as potencialidades de poupança da comunidade para aplicá-las na melhoria das condições
de produtividade dos fatores indicados;
(3) inter-relacionar essas variáveis com a função da demanda (a propensão a consumir do modelo
keynesiano) com a qual se associa, por outro lado, o problema da distribuição da renda.

CONDIÇÕES ESSENCIAIS E OBSTÁCULOS PARA O DESENVOLVIMENTO. Para promover


o desenvolvimento econômico, um sistema precisa encontrar meios de mobilizar parte da renda global,
para destiná-la ao financiamento de novos investimentos. Também é necessário um aumento da
produção nacional, que resulta maior e mais eficiente utilização dos fatores da produção. Por ser o
desenvolvimento econômico todo um processo de transformações e mudanças sociais, podem surgir
obstáculos na busca desse objetivo.

O processo do desenvolvimento econômico faz-se acompanhar de alterações qualitativas e


quantitativas em todos os fatores que concorrem para a produção - população, instrumentos de
produção, recursos tecnológicos, estoque de conhecimentos e organização produtiva. Está, igualmente,
condicionado pelo grau de compatibilidade entre as formas de utilização dos fatores de produção e as
relações que se estabelecerem no convívio social. Tais relações modificam-se no curso do
desenvolvimento, mas o processo dessas transformações pode ser obstruído por costumes arraigados,
hábitos e privilégios consagrados.

A oposição ao desenvolvimento será tanto mais acirrada quanto mais depender de mudanças que
afetem as instituições, contrariem situações ou prejudiquem interesses de pessoas ou grupos. Não é
raro surgir um conflito insanável entre os que aspiram a maior progresso e os que se apegam à defesa
dos costumes, relações sociais ou formas institucionais que lhes asseguram situação de privilégio. Em
suma, o desenvolvimento é todo um processo, nem sempre tranqüilo, de transformações e mudanças,
tanto na ordem econômica como na estrutura social, cuja intensidade poderá variar conforme o estádio
de evolução social e segundo o grau de compatibilidade entre a potencialidade da economia e as
relações sociais existentes.

TRÊS MODELOS DE DIFICULDADES. O economista americano John K. Galbraith definiu três


modelos de países em desenvolvimento de acordo com suas dificuldades específicas. Esses modelos,
considerados clássicos, são o africano do sul do Saara, o hispano-americano e o do Sudeste Asiático.
O principal obstáculo no modelo subsaariano reside na base cultural insuficiente da sociedade. O
índice de analfabetismo é muito elevado, e apenas um número muito reduzido de habitantes possui
curso superior. Esses países vivem a ameaça do ressurgimento do tribalismo e do desmembramento
político. No modelo hispano-americano, o sistema cultural é suficientemente desenvolvido para
permitir a formação de uma classe instruída, que possa prover o pessoal necessário para impulsionar o
desenvolvimento. O obstáculo reside na estrutura social e na distribuição desigual da riqueza. No
modelo do Sudeste Asiático, a base cultural é ampla. O principal obstáculo ao desenvolvimento é o
desequilíbrio entre o crescimento demográfico e o econômico.
Subdesenvolvimento econômico
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