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Administrativo II – 1ª prova 1

BENS PÚBLICOS

Para realizar as múltiplas atividades que desempenha, a Administração necessita não só de poderes e de
meios jurídicos de expressá-los, mas também um conjunto variado de coisas, de bens.
Os bens públicos e os servidores representam meios para a Administração Pública para cumprir as suas
atribuições. Os bens públicos são instrumentos materiais para que a Administração possa funcionar, tal como os
servidores públicos são os recursos humanos para o mesmo fim. Ex: Precisamos de ruas, praças, aeroportos, etc.

Conceito
Bens públicos: expressão que designa os bens pertencentes a entes estatais, para que sirvam de meios ao
atendimento imediato e mediato do interesse público e sobre os quais incidem normas especiais, diferentes das
normas que regem os bens privados.

Esses bens pertencem ao poder público, mas é um pertencer diferente do proprietário privado. No chamado
regime da dominialidade pública os bens têm titulares, mas os direitos e deveres daí resultantes, exercidos pela
Administração, não decorrem do direito de propriedade no sentido tradicional. Trata-se de um vínculo específico, de
natureza administrativa, que permite e impõe ao Poder Público, titular do bem, assegurar a continuidade e
regularidade da sua destinação, contra quaisquer ingerências.
O exemplo dado em aula foi o do administrador público, o qual usa a caneta no serviço e que não pode se
apropriar dela, porque esta é um bem pertencente ao poder público para atender o interesse público. O pertencer não
é relação de propriedade igual à que existe entre o particular e o seu patrimônio.
É possível haver desapropriação de uma grande parcela de bens públicos. Ex: A Administração pode
desapropriar bem público do Estado, do Município. É uma administração para utilização do bem com fins públicos. As
regras são especiais, diferentes do Direito Civil. O regime é especial nesses bens por que sua utilização está voltada ao
interesse público e até para que sejam protegidas contra maus administradores.

Terminologia
Bem e coisa trazem idéia de vínculo jurídico do proprietário como algo que tenha um valor. A coisa pode ser
definida no direito como tudo aquilo que pode ser objeto de relações jurídicas.
Também aparece a expressão domínio público, que seria o conjunto de bens que está sob a gestão do poder
público. Muitas vezes há também confusão com a expressão patrimônio público, que significa todo o acervo
patrimonial, os bens de qualquer tipo, pertencentes ao poder público. A expressão domínio público é usada com o
sentido de patrimônio público no inc. LXXII do art. 5.º da CF, a qual reza sobre a ação popular.

Domínio privado do Estado e Domínio público do Estado


Expressões previstas em ordenamentos estrangeiros, em especial no francês e no italiano. No primeiro grupo
estariam as ações e o dinheiro, enquanto que no segundo estariam as ruas, prédios, etc. No domínio privado do
Estado, os bens destinados ao uso direto da própria Administração, que podem ser mais facilmente alienados. Já os de
domínio público são de circulação mais difícil, abrangendo apenas dois tipos de bens públicos, os de uso geral do povo
(exemplo: ruas, praças) e os bens empregados no serviço público (exemplo: prédio de uma escola pública).
A Administração tem que movimentar os bens de domínio privado, tais como o dinheiro, para pagar os
servidores e títulos. A profª. Odete discorda da posição adotada por alguns autores de que esses bens de domínio
privado são administrados de maneira próxima da qual os particulares administram seus bens. Isso levaria, segundo
ela, a crer que o regime desses bens seria de direito privado. Entretanto, há regras específicas para a movimentação
desses bens de domínio privado do Estado. Usa-se no lugar de domínio privado a expressão bens de domínio
disponível, enquanto o de domínio público seria indisponível.
A legislação não faz essa diferenciação para fins de proteção do patrimônio público.

Tipologia:

1) Critério dos titulares:


Quanto aos titulares, no Brasil, Estado Federal, existem bens públicos federais, bens públicos estaduais e bens
públicos municipais, chamados pela prof.ª Odete de gestores dos bens.
Gestores dos bens: há bens públicos federais, estaduais e municipais (os distritais são equiparados aos estaduais
para fins didáticos). Reza o art. 20 da CF os bens pertencentes à União, v.g., as terras pertencentes aos índios (art 20,
IX). Já o art. 26 da CF inclui entre os bens do Estado. E, em princípio, os bens situados dentro dos limites de um
Município e que não pertencem à União e ao Estado, são bens municipais, com as ruas, praças, jardins, edifícios de
repartições e órgãos municipais.
Há bens das entidades da Administração Indireta como os da pessoa jurídica de direito privado. As
autarquias, as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista têm bens públicos (patrimônio próprio),
consoante reza o art. 5º do Decreto-Lei 200/67.
Surgiu uma linha doutrinária procurando fazer algumas distinções no tocante aos bens das empresas
públicas, sociedades de economia mista e fundações, as quais são dotadas de personalidade jurídica privada. A
natureza jurídica de tais entidades poderia levar a concluir que os bens de seu acervo não são públicos. Uma outra
linha doutrinária afirma que somente têm regime público os bens das sociedades de economia mista e empresa
pública que desenvolvem atividade em caráter de monopólio. Ex: Petrobrás, uma empresa pública, desenvolvendo
serviços públicos, teria patrimônio público. Outra linha dispunha que todos os bens das entidades da Administração
Indireta são públicos e essa é a inclinação do direito brasileiro.

2) Critério da natureza
Sob diversos critérios podem ser classificados os bens púbicos. Quanto à sua natureza, os mesmos tipos
apontados para os bens privados, aplicam-se aos bens públicos: bens corpóreos e incorpóreos; bens imóveis, móveis e
semoventes; bens fungíveis e infungíveis.
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3) Critério dos aspectos geográficos
Quanto aos aspectos geográficos, são os seguintes: bens terrestres (exemplo: ruas, edifícios, estradas); bens
hídricos, divididos em marítimos (mar territorial), fluviais (rios), lacustres (lagos), bens que incluem terra e água
(portos). No tocante ao modo de formação, há bens naturais (rios, mares) e bens artificiais ( pontes, viadutos,
edifícios).

4) Critério dos destinatários


Prevista no Código Civil no seu art. 99 1 é a distinção de mais relevo no ordenamento pátrio; leva em conta a
quem se destina mais diretamente o bem, quem, de modo mais imediato, dele se utiliza.

a) Bens públicos de uso comum do povo: bens sobre os quais o povo em geral (inclusos nessa noção os
brasileiros e estrangeiros), de modo anônimo, exerce uso; são bens utilizados por todos. O povo é o beneficiário direto
e imediato desses bens. Ex.: ruas, praças, estradas.
O uso comum tem, em regra, as seguintes características:
1. é aberto a todos ou a uma coletividade de pessoas, para ser exercido anonimamente, em igualdade de
condições, sem necessidade de consentimento expresso e individualizado por parte da Administração;
2. é, em geral, gratuito, mas pode, excepcionalmente, ser remunerado; no direito brasileiro, o art. 103 do
Código Civil expressamente permite que o uso de bens públicos seja gratuito ou remunerado, conforme as leis da
União, dos Estados, Municípios, a cuja administração pertencerem. Ex: Pedágio em estradas, estacionamento em ruas
com mais afluxo de veículos;
3. está sujeito ao poder de polícia do Estado, que compreende a regulamentação do uso, a fiscalização e a
aplicação de medidas coercitivas, tudo com o duplo objetivo de conservação da coisa pública e de proteção ao usuário.
Ex: Passeatas, comícios, feira-livres, bancas de jornal.

b) Bens públicos de uso especial: bens utilizados nos serviços prestados pela Administração; Ex: prédio de
uma escola pública, terreno usado para depositar materiais ou para estacionamento, edifício de uma repartição.
Os beneficiários diretos de tais bens são, em princípio, os usuários do serviço e os servidores que trabalham
nessa atividade. O público em geral poderá ter acesso para tratar de seus assuntos. Ex. Na Faculdade do Largo de São
Francisco, os beneficiários são os alunos, professores e funcionários.
Tais bens não comportam uso geral, comum, aberto a todos. Fica a critério da Administração possibilitar,
conforme o caso, o uso comum, se este não conflitar com a destinação preponderante do bem. Também depende de
consentimento da Administração o uso de parte desses bens por particulares, se for compatível com sua finalidade
precípua. (exemplo: livraria em escola pública).
Segundo a prof.ª Maria Sylvia di Pietro, quando se fala que o bem de uso especial está afetado à realização
de serviço público (art. 99 CC), tem-se que entender a expressão serviço público em sentido amplo, para abranger
toda atividade de interesse geral exercida sob autoridade ou sob fiscalização do poder público: nem sempre se destina
ao uso direto da Administração, podendo ter por objeto o uso por particular, como ocorre com o mercado municipal, o
cemitério, o aeroporto, a terra dos silvícolas.

c) Bens públicos dominicais: bens públicos não destinados à utilização imediata do povo, nem aos usuários de
serviços ou aos beneficiários diretos de atividades. São bens sem tal destino, porque não o receberam ainda ou porque
perderam um destino anterior. Ex: dinheiro dos cofres públicos, títulos de crédito pertencentes ao poder público,
terras devolutas, terrenos da marinha.
O beneficiário direto de tais bens é a própria Administração, sendo nós os usuários indiretos. Podem ser
denominados de bens-meios, porque são aqueles que mais diretamente instrumentalizam as atividades
administrativas, propiciando muitos deles recursos ao ente estatal. Os bens dominicais podem ser também utilizados
com finalidades sociais, como é o caso de áreas públicas, objeto de concessão de direito real de uso para fins
habitacionais.
Os bens dominicais são tratados também sob a rubrica bens do domínio privado do Estado ou bens do
patrimônio disponível. Com tais expressões de pretenderia expressar que os vínculos da Administração com os bens
dominicais seriam semelhantes aos vínculos do particular com os bens do seu patrimônio, em especial pela facilidade
de alienação (desafetação).Entretanto, deve-se ater para o fato de que os bens dominicais integram os bens públicos,
sendo assim, seu regime jurídico, essencialmente público, sobre eles incidindo a regra da inalienabilidade, só podendo
perdê-la nos casos e forma que a lei prescrever.

5) Afetação e desafetação
As noções de afetação e desafetação estão presentes no tema dos bens públicos. Afetação é a atribuição, a
um bem público, de sua destinação específica ou, na definição de José Cretella Júnior, como “o fato ou o
pronunciamento do Estado que incorpora uma coisa à dominialidade da pessoa jurídica.”
Já a desafetação é a mudança da destinação do bem. De regra, a desafetação visa a incluir bens de uso
comum do povo ou bens de uso especial na categoria de bens dominicais para possibilitar a alienação. José Cretella
Júnior “fato ou manifestação de vontade do poder público mediante a qual o bem do domínio público é subtraído à
dominialidade pública para ser incorporado ao domínio privado, do Estado ou do administrado.”

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Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração
federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
III – os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito
pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas
de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
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Pelos conceitos de afetação e desafetação, verifica-se que uma e outra podem ser expressas ou tácitas. Na
primeira hipótese, decorrem de ato administrativo ou de lei; na segunda, resultam da atuação direta da
Administração, sem manifestação expressa de sua vontade, ou de fato da natureza.
Ex: Administração pode baixar decreto estabelecendo que determinado imóvel, integrado na categoria dos
bens dominicais, será destinado à instalação de uma escola; ou pode simplesmente instalar essa escola no prédio,
sem qualquer declaração expressa. Em um e outro caso, o bem está afetado ao uso especial da Administração,
passando a integrar a categoria de bem de uso especial. Outro meio de afetação explícita é pelo o registro de projeto
de loteamento (Lei 6.766/99, arts. 17 a 22).
Como já dito, a desafetação pode vir advir de manifestação explícita, como no caso de autorização legislativa
para venda de bem de uso especial, na qual está contida a desafetação para bem dominical; ou decorre de conduta da
Administração, como na hipótese de operação urbanística que torna inviável o uso de uma rua próxima como via de
circulação (exemplo dado no livro da prof.ª Odete Medauar, o qual se consubstancia, por exemplo, na construção de
um prédio no local onde funcionava uma rua ).

6) Características dos bens públicos

6.1 Inalienabilidade
A inalienabilidade vigora como preceito, como regra, não podendo ser os bens públicos tratados como se
estivessem livres. A inalienabilidade só é perdida segundo os preceitos da lei.
Um bem inalienável é o bem de que seu titular não pode dispor. Os bens públicos, em conformidade com o
que foi dito, só perderão a inalienabilidade nos casos e forma que a lei prescrever.
Para que ocorra a alienação faz-se mister haver a desafetação do bem público, ou seja, tornar o bem de uso
comum ou especial para de domínio dominical.
Mas a alienação de todos os bem públicos deve obedecer a preceitos da lei. Assim, por exemplo, a Lei
8.666/93 traz normas sobre alienações de bem públicos, de qualquer tipo, condicionando-as à existência de interesse
público justificado e à avaliação.
Mesmo uma rua pode ser desafetada, perdendo sua finalidade: basta que ela perca sua finalidade de
circulação, por quorum de 2/3 da Assembléia Legislativa. A desafetação de bens de uso comum ou especial pode ser
controlada por via judicial, mediante a utilização dos instrumentos da ação popular e da ação civil pública.

6.2 Imprescritibilidade
A prescrição se consubstancia pela perda do direito de se ajuizar uma ação pela passagem do tempo (= perda
da pretensão do titular). No tocante aos bens públicos, o transcurso do tempo não pode resultar em apropriação por
terceiros.
Se um particular ocupa durante muitos anos um bem público, sem manifestação alguma da Administração,
esse fato não pode ser invocado para reconhecimento de domínio sobre o bem, ou seja, os bens públicos não podem
ser adquiridos por usucapião.
A Constituição Federal veda o usucapião de imóveis públicos situados em zona urbana (art. 183, § 3º) e em
zona rural ( art. 191, parágrafo único), o que revogou dispositivos de leis que possibilitavam usucapião de terras
públicas (Lei 6.969/81).
Quanto à ocupação de área pública, pode ocorrer a figura da concessão, e não a transferência da propriedade
do terreno, podendo a esses particulares o uso do bem.
A Medida Provisória 2220/01 dispõe sobre a concessão de uso especial de que trata o §1º do art. 183 da
Constituição. Aquele que possuiu até 30 de junho de 2001 como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, tem
direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse, desde que não seja
proprietário de outro imóvel urbano ou rural.

6.3 Impenhorabilidade
A impenhorabilidade consiste na impossibilidade de incidir execução forçada, ou seja, penhora, sobre os bens
públicos. Essa disposição explicita como a Constituição Federal disciplina os pagamentos devidos pela Fazenda Pública
em virtude de sentença judicial (art. 100): o pagamento é feito mediante a utilização dos precatórios.
Dispõe esse artigo: À exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela fazenda
Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos (...).
Precatório ou ofício precatório é a solicitação que o juiz de primeiro grau faz ao Presidente do Tribunal
respectivo para que este requisite verba necessária para o pagamento do crédito de algum credor perante a União, o
Estado, o Distrito Federal ou o Município, em face de decisão judicial. O Chefe do Poder Judiciário, recebendo o ofício
precatório, numera-o e comunica à Fazenda Pública respectiva para que efetue o pagamento.
Condenada a Fazenda Pública por via judicial, tem-se como mecanismo de satisfação do crédito o precatório.
O termo é utilizado para designar o modo pelo qual se dá o pagamento dos bens pela Administração.
O sistema de pagamento por precatórios obedece a uma ordem de chegada dos precatórios, sendo essa
ordem de pagamento obedecida pelo Poder Público até o dia 1.º de julho de cada ano. O termo limite para pagamento
é o último dia do ano seguinte. O Poder Público tem um ano e meio para o pagamento dos precatórios.
Nessa ordem de chegada dos precatórios, faz-se mister lembrar que segundo disposição do art. 100, caput,
impõe-se a preferência no pagamento dos créditos alimentares em face de outros constantes de outros precatórios.
Os valores desses precatórios serão atualizados monetariamente quando ocorra o pagamento.
O grande problema se coaduna nas sanções previstas quando a Administração não honra seus compromissos
no pagamento dos precatórios.Há somente esses remédios que aplicam uma sanção: a intervenção por
descumprimento de decisão judicial e de responsabilidade por descumprimento de decisão judicial. Entretanto, como
se ressalta, essas medidas contêm acentuado cunho político, não sendo dotadas de eficácia.
Deve-se lembrar que a EC 20/98 acrescentou o §3º ao art. 100 da CF, para excluir da aplicação do caput do
art. 100, quanto à expedição de precatórios, os pagamentos de obrigações definidas em lei como de pequeno valor,
que a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal deva fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado: essas
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obrigações serão adimplidas em dinheiro. Também no tocante a essas obrigações inexiste previsão de penhora de
bens públicos.

6.4 Impossibilidade de oneração


Inexistem direitos reais de garantia, como hipoteca, penhor, anticrese, sobre bens públicos. Isso decorre da
inalienabilidade dos bens públicos, já que só as coisas que se podem alienar poderão ser dadas em penhor, anticrese
ou penhora.

6.5 Polícia dos bens públicos


A polícia dos bens públicos se relaciona com a necessidade de preservá-los para que o interesse público não
seja prejudicado e acarretam para a Administração prerrogativas e ônus nessa matéria.
O termo polícia deve ser entendido com o sentido de fiscalização, vigilância, não se tratando propriamente de
“poder de polícia”, pois aquele fixa limitações ao exercício de direitos reconhecidos pelo ordenamento aos seus
detentores, incidindo, então, sobre atividades lícitas; se um particular ocupa um bem indevidamente, tal ocupação não
configura atividade lícita, sobre a qual recai o poder de polícia.
Na chamada polícia dos bens públicos incluem-se várias atuações: preservar os bens contra apropriação de
terceiros (utilizando a via jurisdicional, por meio de ações possessórias ou, em caráter preventivo, tomando as
medidas necessárias para evitar a apropriação de bens por terceiros, vigiando, murando, etc.).
À Administração competem medidas de preservação do bem em si, de sua integridade física, impedindo que
se deteriore, chamada de “polícia” de manutenção, limpeza, restauração. Cabe, ainda à Administração o dever de
zelar para que o uso dos bens seja conforme a sua afetação, impedindo desvirtuamentos e prejuízos ao uso normal.

6.6 Imunidade de impostos


Segundo o art. 150, VI, a, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir
impostos sobre o patrimônio uns dos outros, extensiva essa vedação ao patrimônio das autarquias e às fundações
instituídas e mantidas pelo poder público quanto ao seu patrimônio vinculado a suas finalidades essenciais ou delas
decorrentes. Essa vedação não se aplica ao patrimônio relacionado com exploração de atividades econômicas regidas
pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados ou que haja contraprestação de preços ou tarifas pelo usuário.

7. Modos de Alienação e de Aquisição pela Administração

Aquisição

Para a circulação de bens, a Administração adquire e aliena bens. A aquisição de bens em nível federal está
prevista nos arts. 14 e 15 da Lei 8666/93.

Compra: Os requisitos para a compra estão contidos nesses artigos, fazendo-se mister a realização de
licitação, no que tange aos bens móveis e aos bens imóveis, em princípio. Quanto aos bens imóveis, há a disposição
do art. 24, X da referida lei, na qual é dispensável a licitação para a compra de imóvel destinado ao atendimento das
finalidades precípuas da Administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem a sua escolha,
desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia.
A exigência de autorização legislativa depende da disciplina legal vigente para cada âmbito administrativo.
Quanto aos Estados, deve existir lei que autorizem-nos à compra de bens imóveis e no que tange aos Municípios,
dependem de Autorização Legislativa (A Lei Orgânica do Município de São Paulo impõe autorização legislativa para
aquisição de bens imóveis, salvo doação sem encargos). .

Doação: Não há impedimento legal para sua realização, podendo figurar como doadores e beneficiários
pessoas físicas ou jurídicas, pessoas jurídicas públicas ou privadas. Somente existe o impedimento político, em face
da moralidade. Segundo o autor José Afonso da Silva, a polícia não deveria aceitar a doação para a aquisição de bens.
As leis diferenciam a doação sem encargo e com encargo, implicando esta algum ônus para o beneficiário.
A doação de imóveis somente é permitida se realizada entre os entes da Administração; já a aquisição de
móveis por particulares é permitida.

Dação em pagamento (art. 17, I, a): modo pelo qual o credor aceita receber do devedor, para cumprimento
de dívida, uma prestação diversa da que foi pactuada originariamente. Ocorre no caso de uma execução fiscal.
Permuta (art. 17, I, c): a permuta para os bens imóveis depende de autorização legislativa, de avaliação
prévia e de concorrência, dispensada esta quanto contém os requisitos do art. 24, X. A especialidade do imóvel se
coaduna com a dispensa de licitação. A licitação também pode ser realizada, sendo realizada mediante autorização
legislativa, visto que a permuta de imóveis tem um conteúdo de alienação, fazendo-se mister a autorização legislativa,
mediante a publicação de uma lei concreta (lei específica sobre os bens que serão permutados).
A permuta de bens imóveis da União depende de autorização, mediante ato do presidente da República,
sendo sempre precedida de parecer prévio da Secretaria do Patrimônio da União, do Ministério da Fazenda.
Já para bens móveis, a permuta é permitida exclusivamente entre órgãos ou entidades da Administração (art.
17, II, b).

Usucapião: a Administração poderá ter um bem privado incorporado ao seu patrimônio se durante certo
tempo teve sua posse.

Sucessão: em caso de recebimento de bem decorrente de falecimento de seu proprietário, via disposição
testamentária ou pela consubstanciação de bem vacante de herança jacente (na ordem da sucessão legítima,
inexistindo descendentes, ascendentes, cônjuge, colaterais).
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Desapropriação: poder público retira bem do patrimônio de sue proprietário, para fins de interesse público,
mediante o pagamento de indenização.

Apossamento Administrativo: ilegalidade cometida pelo Poder Público, tomando posse de um bem se o
processo de desapropriação, sendo essa uma situação fática; o titular do bem move ação contra o poder público para
receber indenização, e esta sendo paga, regulariza a situação jurídica.

Registro de projeto de loteamento: depois de aprovado pelos órgãos públicos competentes, o projeto de
loteamento deve ser submetido ao Registro de Imóveis; desde a data do registro, passam a integrar o domínio
municipal as vias, praças, espaços livres, áreas destinadas a edifícios públicos e outros equipamentos urbanos,
constantes do projeto (art. 22, Lei 6766/99).

Obra pública: leva à integração, ao patrimônio público, do bem resultante; prédio de escola pública, viaduto.

Lei instituidora da entidade da Administração indireta: transferência de bens para formação do patrimônio
inicial da entidade.

Perda ou confisco de bens de criminosos: Constituição Federal em seu art.5º, XLVI, arrola a pena da perda de
bens. O CP, art. 91, disciplina a matéria e atribui à União, preservando o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé, os
bens daí decorrentes, que são: a) instrumento do crime; b) produto do crime ou qualquer bem resultante da prática
do fato criminoso.

Alienação

Deve-se ater que os bens de uso comum do povo e de uso especial estão fora do comércio jurídico de direito
privado: isso significa que, enquanto mantiverem essa afetação, não podem ser objeto de qualquer relação jurídica
regida pelo direito privado.
A inalienabilidade, regra para os bens públicos não é absoluta, a não ser com relação àqueles bens que, por
sua própria natureza, são insuscetíveis de valorização patrimonial, como os mares, praias, rios navegáveis; os que
sejam inalienáveis em decorrência de destinação legal e sejam suscetíveis de valoração patrimonial, podem perder o
caráter de inalienabilidade, mediante o instituto da desafetação.

Bens de uso comum ou especial → Bens dominicais


desafetação

Os preceitos fundamentais sobre alienação de bens públicos estão previstos na Lei 8.666/93 na esfera
federal. Os bens dominicais, não estando afetados à finalidade pública específica, podem ser alienados por meio de
institutos do direito privado (compra e venda, doação, permuta) ou do direito público (investidura, legitimação de
posse e retrocessão).
A Lei n. º 8666/93 exige para a alienação a demonstração de interesse público, prévia avaliação,
licitação e autorização legislativa, este último requisito somente exigível quando se trate de bem imóvel. A
inobservância dessas exigências invalida a alienação. A Lei n. º 9639/98 exige para alienação de bens imóveis da
União autorização do Presidente da República (art. 22) e deverá ser precedida de parecer da Secretaria do Patrimônio
da União, do Ministério da Fazenda, quanto à sua conveniência e oportunidade.
A mesma lei estabelece algumas normas especiais, conforme a natureza, móvel ou imóvel, do bem.

 Bens imóveis: autorização do legislativo correspondente + avaliação prévia + concorrência como


modalidade de licitação (art. 17, I e 23, §3º).
- Poderão ser alienados, mediante concorrência ou leilão, os bens imóveis cuja aquisição derive de
procedimentos judiciais ou de dação em pagamento (art. 19 da Lei 8.666/93);
- A licitação é dispensada mediante a verificação de que o preço do imóvel seja compatível com o mercado e
análise prévia de especialista e nos seguintes casos (art. 17, I): a) dação em pagamento; b) doação, permitida
exclusivamente para outro órgão ou entidade da Administração Pública, de qualquer esfera de governo; c) permuta,
por outro imóvel que atenda aos requisitos constantes do inciso X do art. 24 (preço seja compatível com o valor de
mercado, segundo avaliação prévia); d) investidura nunca por preço inferior ao da avaliação e não superior a 50% do
limite do convite para compras 2; e) venda a outro órgão ou entidade da Administração Pública, de qualquer esfera de
governo; f) alienação, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis construídos e
destinados ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habitacionais de interesse social, por órgãos ou
entidades da Administração Pública especificamente criados para esse fim.

 Bens móveis: a autorização legislativa não é necessária + necessidade de licitação


- Para a venda de bens móveis inservíveis, legalmente apreendidos ou penhorados, avaliados ou globalmente
em quantia não superior ao limite da tomada de preços para compras (até R$ 650.000,00), vem indicada a
modalidade de leilão.
- A licitação é dispensada nos seguintes casos: a) doação, permitida somente para fins e uso de interesse
social; b) permuta, permitida somente entre órgão ou entidades da Administração; c) venda de ações, que poderão
ser negociadas em bolsa, observada a legislação específica; d) venda de títulos; e) venda de bens produzidos ou
comercializados por órgãos ou entidades da Administração Pública, em virtude de suas finalidades; f)venda de
materiais e equipamentos para outros órgãos ou entidades da Administração.

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Investidura significa modo pelo qual se aliena, aos proprietários lindeiros, área resultante de obra pública que se tornar
inaproveitável isoladamente
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8) Bens de uso privativo (uso dos bens públicos pelo particular)

O uso privativo dos bens não é o uso natural dos bens, afastando o bem do público. Trata-se de situação em
que bens públicos são utilizados, no todo ou em parte, por particulares, afastando outros usos. Nesse caso, os
particulares não se apresentam, em relação ao bem, como usuários anônimos, nem como beneficiários de serviços
públicos. São pessoas físicas ou jurídicas às quais se atribui o uso específico, parcial ou total de um bem público.
A Administração confere, mediante título jurídico individual, a pessoa ou grupo de pessoas determinadas,
para que o exerçam, com exclusividade, sobre parcela de bem público.

Regime Jurídico

a) Compatibilidade com o interesse público: o uso privativo pelo particular não pode contrariar o interesse
público.
b) Consentimento da Administração: mediante esse título jurídico individual, a Administração outorga o uso e
estabelece as condições em que ele será exercido privativo do bem por particular depende de consentimento da
Administração, que é o título legal para esse uso.
c) Pagamento do preço: o uso privativo do bem público pode ser gratuito ou oneroso. Admite-se, portanto, a
cobrança de preço por parte da Administração a que se vincula o bem.
d) Precariedade: por motivo de atendimento ao interesse público, a Administração pode cessar
unilateralmente o uso privativo, mesmo dotado de prazo determinado, com ou sem indenização.

Instrumentos estatais de outorga de uso privativo - Autorização, Permissão e Concessão

Autorização de uso: ato administrativo unilateral e discricionário, pelo qual a Administração consente, a
título precário, que o particular se utilize de bem público com exclusividade.

Como toda autorização administrativa, a de uso privativo é ato unilateral, já que o ato se perfaz com a
exclusiva manifestação de vontade do Poder Público; discricionário, uma vez que o consentimento pode ser dado ou
negado, segundo considerações de oportunidade e conveniência, a cargo da Administração; precário, no sentido de
que pode ser revogado a qualquer momento, quando o uso se tornar contrário ao interesse público. Pode ser gratuita
ou onerosa.
A autorização pode ser simples (sem prazo) e qualificada (com prazo).
A utilização não é conferida com vistas à utilidade pública, mas no interesse privado do utente. Aliás, essa é
uma das características que distingue a autorização da permissão e da concessão. Do fato de tratar-se de utilização
exercida no interesse particular do beneficiário, a autorização reveste-se de maior precariedade do que a permissão e
a concessão, dispensando licitação e autorização legislativa, não criando para o usuário um dever de utilização, mas
simples faculdade.
O legislador brasileiro tem previsto a possibilidade de fixação de prazo, como ocorre com a derivação de
águas, no interesse do particular. Essa fixação tira o seu caráter de precariedade, conferindo ao uso privativo certo
grau de estabilidade: cria para o particular direito público subjetivo ao exercício da utilização até o termo final
previamente fixado, ficando o poder público na contingência de ter de pagar indenização ao particular. Manifesta é a
inconveniência de estipulação de prazo nas autorizações.
A autorização é da competência do órgão a quem incumbe a administração do bem. Pode assumir a forma de
decreto, resolução, deliberação ou portaria.

Permissão de uso: ato administrativo unilateral, discricionário e precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a
Administração Pública a utilização privativa de bem público, para fins de interesse público.
Em geral, a permissão se aplica a usos privativos não conforme à real destinação do bem, mas compatíveis,
por exemplo: bancas de jornais em ruas, mesas e cadeiras em frente a restaurantes e bares. Qualquer tipo de bem
público poderá ser objeto de permissão de uso, independentemente de autorização legislativa.
O fato de tratar-se de bem destinado, por sua natureza ou destinação legal, ao uso coletivo, impede que o
uso privativo seja permitido ou autorizado para fins de exclusivo interesse do particular. Apesar de ser assegurada
determinada vantagem ao usuário, o uso por ele exercido deve proporcionar algum benefício geral. O permissionário
se obriga a utilizar o bem para o fim predeterminado, sob pena de, não o fazendo, ser-lhe retirada a permissão.
As permissões podem ter prazo determinado – permissões qualificadas – ou sem prazo determinado –
permissões simples. Nas permissões há um grau menos acentuado da precariedade, justamente por razões de
predominante interesse público.
Ao outorgar permissão qualificada de uso, a Administração tem que ter em vista que a fixação de prazo reduz
a precariedade do ato, constituindo, em conseqüência, uma autolimitação ao seu poder de revogá-lo, sujeitando, em
qualquer hipótese, a Fazenda Pública a compensar pecuniariamente o permissionário.
A permissão qualificada é dotada da mesma estabilidade do que a concessão, um contrato administrativo, o
qual necessita para sua consecução da presença de um processo licitatório. Destarte, a doutrina credita que esse tipo
de permissão é uma fraude à concessão, sendo razoável a possibilidade de licitação quando há a verificação da
presença de competição.
Com referência à competência para permissão de uso, aqui no Estado de São Paulo cabe ao Governador, por
meio de decreto, com base no artigo 19, V da Constituição Estadual.

Concessão → Permissão → Autorização

Precariedade
Administrativo II – 1ª prova 7
Concessão de uso: contrato administrativo pelo qual a Administração consente que particular utilize
privativamente bem público, para que a exerça conforme sua destinação. Sua natureza é a de contrato de direito
público, sinalagmático, oneroso ou gratuito, comutativo e realizado intuitu personae.
A concessão é o instituto empregado, preferentemente à permissão, nos casos em que a utilização do bem
público objetiva o exercício de atividades de utilidade pública de maior vulto e, por isso mesmo, mais onerosas para o
concessionário.
Qualquer tipo de bem público poderá ser objeto de concessão de uso. Em geral, a concessão se efetua para
uso conforme à própria destinação do bem, ou seja, é inerente a esse tipo de bem o uso privativo, no todo ou em
parte, como é o caso de boxes em mercados municipais. Depende de autorização legislativa e, sendo contrato, deve
ser precedido de licitação, na modalidade de concorrência, salvo exceções legais, como prevê a Lei Orgânica do
Município de São Paulo quando o uso se destinar à concessionária de serviço público ou a entidades assistenciais
(art.114, §2.º).
As normas relativas aos contratos administrativos aplicam-se à concessão de uso, inclusive quanto à
proibição de prazo indeterminado.

Concessão de direito real de uso: figura criada pelo Dec. – lei 271/67, arts. 7.º e 8.º Esse instituto passou
a ser objeto de atenção e ser invocado no tema de moradia da população de baixa renda. A concessão de direito real
de uso, remunerada ou gratuita, por tempo certo ou indeterminado, incide sobre terrenos públicos, como direito real
resolúvel. Seus fins são específicos: urbanização, industrialização, edificação, cultivo de terra ou outra utilização de
interesse social.
As notas referentes à sua qualificação como direito real resolúvel são as seguintes: desde a inscrição em livro
especial (de registro público), o concessionário frui plenamente do terreno para os fins estabelecidos no contrato e
responde por todos os encargos civis, transmitindo a concessão por ato inter vivos ou por sucessão legítima e
testamentária, como os demais direitos reais sobre coisas alheias, registrando-se a transferência. Se o concessionário
der ao imóvel destinação diversa da estabelecida no contrato ou descumprir cláusula do mesmo, a concessão será
rescindida. Depende de autorização legislativa, salvo exceção legal. E quanto à licitação, regra contida no art. 17, I, f
da Lei 8.666/93: dispensa no caso de imóveis destinados a programas habitacionais de interesse social, por órgãos ou
entidades da Administração criados para esse fim.

Institutos de Direito Privado (só possível quanto a bens dominicais)


Locação: disciplinada, no que se refere aos bens imóveis da União pelo Decreto-lei n.º 9760/46. O art. 96
permite que os bens não utilizados em serviço público sejam alugados: a) para residência de autoridades federais ou
de servidores da União, no interesse do serviço público; b) para residência de qualquer servidor da União, em caráter
voluntário; c) por quaisquer interessados.

Arrendamento: a locação é considerada arrendamento quando visa à exploração de frutos ou prestação de


serviços. Salvo casos fixados em lei, o arrendamento tem o prazo máximo de dez anos.

Aforamento ou enfiteuse: o mesmo Dec.-lei 9760/46, com alterações da Lei 9636/98. O aforamento é muito
utilizado quanto aos edifícios de apartamentos situados em terrenos de marinha.

Cessão de uso: a cessão de uso pode ocorrer quando interessar à União prestar colaboração ou auxílio
mediante o uso gratuito de imóvel seu. Os imóveis da União poderão ter seu uso cedido a Estados, a Municípios e
entidades, sem fins lucrativos, de caráter educacional, cultural ou de assistência social. A cessão, autorizada pelo
Presidente da República, formaliza-se por termo.

SERVIDORES PÚBLICOS

1. Legislação

A base normativa sobre servidores públicos está na Constituição Federal, sendo a matéria relativa a eles
alterada pela EC n.º 19/98. No título dedicado à Administração Pública, a primeira seção, arts. 37 e 38, e a segunda –
servidores públicos civis -, arts. 39 a 41contêm preceitos sobre servidores civis; o art. 42 e parágrafos abrigam
normas sobre servidores militares dos Estados, do Distrito Federal dos Territórios. Os arts. 17 a 19 do ADCT
igualmente trazem regras sobre servidores civis.
Por força do caput do art. 37, as normas dos seus incisos e parágrafos aplicam-se à Administração direta e
indireta dos Estados, Distrito Federal e Município e a todos os poderes, inclusive no tocante aos respectivos servidores.
Outros dispositivos prevêem, de modo explícito, a aplicabilidade àqueles âmbitos. Na ausência dessa previsão, há
orientação jurisprudencial já firmada, no sentido de aplicação obrigatória, inclusive nas quantificações aí fixadas (por
exemplo: tempo para aquisição de estabilidade). Tratando-se de benefícios ou vantagens não indicados na
Constituição, nada impede que Estados, Municípios e Distrito Federal instituam outros, como, por exemplo, licença
para participar de cursos no Brasil e no exterior, sendo vedada a supressão de direitos assegurados pelo texto
constitucional ( estabilidade, quando preenchidos os requisitos do art. 41, caput).
As Constituições Estaduais abrigam as normas sobre servidores da Constituição Federal e especificam outras
para o respectivo Estado, o mesmo ocorrendo com as Leis Orgânicas de Municípios.
As normas constitucionais sobre servidores e outras vêm englobadas nos chamados Estatutos, ou seja, leis
que reúnem os preceitos fundamentais na matéria para cada âmbito administrativo. Há o Estatuo dos Servidores Civis
da União (Lei 8.112/90). Cada Estado-membro poderá editar o Estatuto de seus servidores civis, cada Município, o
seu.
De regra, nos Estatutos há regras sobre: provimento de cargos, concurso público, vacância, remuneração,
férias, licenças, regime disciplinar, processo administrativo. São os Estatutos Gerais, que abrangem a maior parte dos
Administrativo II – 1ª prova 8
servidores desses âmbitos, aplicando-se, muitas vezes, por disposição explícita, aos servidores do Legislativo e
Tribunal de Contas correspondentes.
Existem também os Estatutos especiais, destinados a determinadas categorias de servidores: no âmbito da
Administração pode haver o Estatuto do Magistério, Lei Orgânica de Procuradorias, a Lei Orgânica da Magistratura.
Há os chamados direitos adquiridos e a expectativa de direito. Os Estatutos contêm os vínculos com o direito
público, sendo este equivalente a um contrato; entretanto, podem esses estatutos ser alterados pela Administração
Pública, se não forem considerados como direito adquirido, sendo este apenas considerado como tal aquele que se
relaciona com o patrimônio do servidor. As mudanças se consubstanciam como possíveis em virtude do interesse
público. No que tange à aposentadoria dos servidores, aqueles que já têm os requisitos para se aposentar, têm
direitos adquiridos, não podendo uma eventual mudança no Estatuto alterar essa condição dos servidores.

2. Terminologia

Os vocábulos empregados para designar aqueles que mantêm vínculo de trabalho com entes estatais
apresentam-se nebulosos.

Agentes públicos – abrange todos aqueles que mantêm vínculo de trabalhos com os entes estatais, de
qualquer poder. Pode ser definido como toda pessoa física que presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da
Administração Indireta. Incluem-se, nessa definição, os particulares em colaboração com o Poder Público, os agentes
políticos e os servidores públicos.
Agentes políticos – Designa, em primeiro lugar, os eleitos por sufrágio universal, detentores de mandato:
Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados, Prefeitos, Vereadores. Em seguida, os auxiliares
imediatos dos chefes do Executivo: Ministros de Estado, Secretários de Estado, Secretários Municipais. Os agentes
políticos não podem fazer greve.

Servidores públicos – Na Constituição Federal de 1988, designa todas as pessoas físicas que trabalham nos
entes estatais, de qualquer poder, inclusive os detentores de cargos. Antes da Constituição Federal de 1988, a
doutrina atribuía tal nome àqueles que trabalhavam nos entes estatais, sem ocuparem cargos. São servidores públicos
as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, com vínculo empregatício
e mediante remuneração paga pelos cofres públicos.

Funcionários Públicos – Expressão que, nos estatutos anteriores à Constituição Federal de 1988, denomina as
pessoas legalmente investidas em cargos públicos.

Empregados públicos - contratados sob o regime da legislação trabalhista (regime celetista) e ocupantes de
emprego público. Usado por analogia aos termos usados nos vínculos de trabalho do setor privado.

3. Funções, cargos e empregos: tipos de vínculo com a Administração Pública.

Função pública: todos que atuam na Administração têm função pública, atuando em nome da Administração,
em interesse público ou do setor para o qual trabalha.

Cargo público: conjunto de atribuições e responsabilidade, criado por lei em número determinado, com nome
certo e remuneração especificada por meio de símbolos numéricos e/ou alfabéticos. Todo cargo implica o exercício de
função pública. O ato administrativo que atribui, a uma pessoa, exercício inicial de um cargo é a nomeação.
Nem todas as pessoas que têm unção pública ocupam cargos. Por exemplo, os contratados por tempo
determinado nos termos do art. 37, inc. IX. É a chamada função em stricto sensu: não há um contrato firmado pela
CLT, mas outro tipo de contrato: há um contrato com prazo determinado, sem concurso, para atendimento de uma
situação de excepcional interesse público.

Empregados públicos: função pública que é exercida com base num contrato regido pela Consolidação das
Leis do Trabalho. É o caso dos empregados das sociedades de economia mista e empresas públicas.

3.1 Acessibilidade

A acessibilidade diz respeito às condições e modos pelos quais são propiciadas, aos cidadãos, oportunidades
de exercer os cargos, funções e empregos públicos.
Nos termos do art. 37, I, CF, os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei. Hoje, o preceito
possibilita que brasileiros e estrangeiros tenham acesso a cargos, pela nova disposição dada pela EC n.º 19/98.
Segundo o art 37, II, a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
de provas ou de provas e títulos, salvo o cargo em comissão.
A exigência de concurso público para ter acessibilidade a postos de trabalho no setor público atende,
principalmente, ao princípio da igualdade e ao princípio da moralidade administrativa. Surgiram questionamentos a
esse respeito:
1) Não havia exigência de concurso público para funções públicas: sagrou-se entendimento de que só existiria
função no caso de contrato por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse
público.
2) Questão da estabilidade: deve-se ater que, segundo os termos da redação atual do art. 41, caput,
somente os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo podem adquirir estabilidade. Em virtude dessa
associação, muitos órgãos e entes administrativos passaram a denominar processo seletivo público os certames para
contratar pela CLT ou para outro tipo de contrato, reservando a locução concurso público para os cargos de
provimento efetivo.
Administrativo II – 1ª prova 9
3) Existe limite de idade (limite máximo) para acessibilidade no concurso público? Por força do inc.XXX do
art. 7º da CF, aplicável aos servidores por força do art. 39, §3º, veda, entre outras, diferença de critério de admissão
por motivo de idade. Prevaleceu a corrente jurisprudencial, a partir de mandados de segurança impetrados, de que se
admitia a fixação de limite por lei, ante a natureza das atividades do cargo, sendo a limitação razoável e pertinente. A
EC n.º 19/98 acrescentou que a lei pode estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo
o exigir.

4. Cargos públicos

Vários são os critérios para classificar os cargos públicos.

a) Quanto à possibilidade de permanência com que é preenchido: cargo de provimento efetivo e cargo de
provimento em comissão.
Cargo efetivo: preenchido com o pressuposto da continuidade e da permanência do seu ocupante. Este é o
sentido do termo efetividade. É a nomeação para cargo efetivo que possibilita a aquisição da estabilidade: não é o
concurso que possibilita a aquisição de estabilidade e sim, com o provimento efetivo do cargo. A efetividade é o modo
de preenchimento do cargo; já a estabilidade expressa o direito ao cargo pelo modo como poderá ser perdido, sendo
adquirida após três anos de exercício de cargo de provimento efetivo.
A estabilidade poderá ser perdida (§1.º do art. 41 e no art. 169, §4º): a) em virtude de sentença judicial
transitada em julgado; b) mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; c) mediante
procedimento de avaliação periódica de desempenho, assegurada ampla defesa; d) para possibilitar que as despesas
com pessoal não excedam limites estabelecidos em lei complementar ( são atingidos por último os servidores com
cargo efetivo, sendo primeiros atingidos os de contrato temporário e os com cargo em comissão).

Cargo em comissão: preenchido com o pressuposto de temporariedade. Ele é ocupado por pessoa que
desfruta da confiança daquele que nomeia ou propõe a nomeação. O titular do cargo em comissão nele permanece
enquanto subsistir o vínculo de confiança. Os cargos em comissão, sendo cargos públicos, são criados por lei, em
número certo; a própria lei menciona o modo de provimento e indica a autoridade competente para nomear. Segundo
o art. 37, II, da CF, os cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, não exigem concurso
público. As funções de confiança devem ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo e os
cargos em comissão, destinando-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Mandato: duração previamente fixada, o qual só poderá ser cassado por razões de sua gravidade e segundo
processo fixado em normas. Por exemplo: cargos de Reitor e Diretor em Universidades Públicas.

5. Regime jurídico

Em matéria de servidores, regime jurídico significa o conjunto de normas referentes aos seus deveres,
direitos e demais aspectos da sua vida funcional. Ao se mencionar regime jurídico dos servidores, cogita-se do modo
como o ordenamento disciplina seus vínculos com o poder público, quanto a deveres.
O ordenamento brasileiro adota, para os servidores públicos, regime jurídico distinto do que vigora para os
empregados do setor privado. No entanto, a Constituição fixa pontos de aproximação dos regimes, ao determinar, no
art. 39, §3º, a aplicação de vários incisos do art. 7º aos servidores ocupantes de cargo público, por exemplo, ao
garantir a estes o direito à livre sindicalização e o direito de greve.

5.1. Regime estatuário

Regime estatutário é aquele em que os direitos, deveres e demais aspectos da vida funcional do servidor
estão contidos basicamente numa lei denominada estatuto. O Estatuto pode ser alterado no decorrer da vida funcional
do servidor, independentemente da sua anuência, ressalvados os direitos adquiridos. O Estatuto rege a vida funcional
dos ocupantes de cargos efetivos e vem regendo a vida funcional de ocupantes de cargos em comissão, quanto a
estes, no que for compatível com esse tipo de cargo.
Cada nível poderá editar o próprio Estatuto, observadas as normas da Constituição Federal, havendo assim o
Estatuto dos servidores federais. São editados também Estatutos para categorias funcionais específicas, por vezes
denominados Lei Orgânica, por exemplo, Lei Orgânica da Procuradoria do Estado, Lei Orgânica da Procuradoria do
Município.

5.2 Regime celetista

Os servidores têm direitos e deveres norteados, nuclearmente, pela Consolidação das Leis do Trabalho,
recebendo a denominação de empregados públicos. Esse é o regime de todos os que trabalham nas empresas públicas
e nas SEC (art. 173, §1.º, II). No âmbito federal, não mais vigorando o regime jurídico único, abolido pela EC 19/98,
a Lei 9962/00 disciplina o regime de emprego público do pessoal da Administração direta, das autarquias e fundações,
sob o regime da CLT e legislação trabalhista.
Alguns preceitos do regime jurídico estatuário estendem-se aos celetista: limite de remuneração, proibição de
acumulação remunerada de outro emprego, função ou cargo.

5.3 Regime especial

Nos termos da CF, art. 37, IX, pode-se considerar sob regime especial os servidores contratados por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, na conformidade da lei.
Trata-se da possibilidade de contratar, sem concurso público, por prazo determinado (curto), para atender
uma necessidade excepcional, como nos casos de calamidade, epidemia. Para tanto, uma lei, em cada nível, deve
dispor a respeito, estabelecendo nessa contratação qual será o regime a ser-lhe aplicado.
Administrativo II – 1ª prova 10

6. Vencimento, remuneração e subsídio

Pelo trabalho prestado à Administração o servidor recebe pagamento em dinheiro. É comum nos estatutos
haver regra proibitiva de trabalho gratuito, salvo casos previstos na lei.
Vencimento: no singular, significa a retribuição, em dinheiro, pelo exercício de cargo ou função publica, com
valor fixado em lei. Em geral, o vencimento é simbolizado por letra, número ou pela combinação de ambos,
denominado referência.
Vencimentos ou remuneração: conjunto formado pelo vencimento do cargo ou função mais outras
importâncias percebidas, denominadas vantagens pecuniárias.
Subsídios: instituída com a EC 19/98. A característica fundamental dos subsídios está na sua fixação em
parcela única, conforme dispõe o §4º do art. 39 da Constituição Federal. Vedado qualquer acréscimo de qualquer
gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória. De regra, a retribuição
pecuniária dos agentes públicos ocorre mensalmente; por isso a parcela única diz respeito a cada retribuição mensal.
O sentido da parcela única é atenuado pela própria Constituição no art.39, §3º, assegurando aos ocupantes de cargos
públicos vários direitos previstos para os trabalhadores do setor privado: décimo terceiro salário, salário-família,
adicional noturno, remuneração por serviço extraordinário, adicional de férias; tais direitos representam acréscimos
aos subsídios. Também há de ser pagas aos agentes públicos despesas decorrentes do exercício do cargo, como é o
caso das diárias e ajudas de custo.
Devem receber subsídio os seguintes agentes públicos (art. 39, §4º): a) membros de Poder; b) detentores de
mandato eletivo; c)Ministros de Estado; d)Secretários Estaduais; e)Secretários Municipais; f) Ministros do Tribunal de
Contas da União e conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e dos Municípios; g) Integrantes do Ministério
Público; h) membros da Advocacia- Geral da União, os Procuradores do Estado e do Distrito Federal e os membros da
Defensoria Pública; h) servidores policiais.

Fixação e Revisão, Irredutibilidade e Limite de Retribuição

A remuneração dos servidores públicos e os subsídios somente poderão ser fixados ou alterados por lei
específica, observada a iniciativa privativa para cada caso. Para a Adm. Direta e autárquica federal, a iniciativa é do
Presidente da República (art. 61, §1.º, II, a); para o Judiciário, a iniciativa e privativa dos tribunais. Quanto aos
subsídios do Presidente da República e Vice, Ministros do Estado, Deputados Federais, dos Senadores, a competência
exclusiva é do Congresso Nacional (art. 49, VII e VIII da CF)>
O inc. X do art. 37 assegura a revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices,
também por lei específica.
Segundo o art. 37, inc. XV, os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis,
ressalvados os seguintes casos: a) para não ser ultrapassado o limite máximo fixado no art. 37, XI; b) para coadunar
a percepção de acréscimos pecuniários à regra do inc. XIV, que veda sejam computados ou acumulados para fins de
concessão de acréscimos ulteriores.
No concernente ao limite máximo de remuneração, de subsídio, de proventos de aposentadoria, pensões ou
outra espécie remuneratória, estabelecida este na Constituição Federal, art. 37, XI, para os ocupantes de cargos,
funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes
políticos: subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.
No caso das empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias, se recebem recursos da
União, Estados, Distrito Federal ou Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral, o teto
máximo aplica-se aos seus empregados.

7. Estabilidade e vitaliciedade

O direito à permanência no cargo é aferido pelo modo com que se perde o cargo. No caso de servidores que
ocupam cargos, funções ou empregos em comissão, inexiste direito à permanência , porque são dispensáveis ad
nutum; tais postos são de livre exoneração ou dispensa, pela autoridade competente.
Para os servidores ocupantes de cargo de provimento efetivo a Constituição Federal, no art. 41 possibilita a
aquisição de estabilidade, após três anos de exercício.
Ao adquirir estabilidade, de qualquer tipo, o servidor somente perderá o cargo (estabilidade ordinária) ou o
vínculo com a Administração (estabilidade extraordinária- servidores, não ocupantes de cargo efetivo, que tenha cinco
anos de serviço público da data em que forem promulgados os textos constitucionais): a) em virtude de sentença
judicial transitada em julgado; b) mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; c)
mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, assegurada ampla defesa; d) para possibilitar que as
despesas com pessoal não excedam limites estabelecidos em lei complementar (Lei Complementar 101 –
responsabilidade fiscal, art. 18 e ss.) .
Na estabilidade ordinária, o período de três anos entre o início de exercício no cargo efetivo e a data de
aquisição da estabilidade denomina-se estágio probatório. Faz-se obrigatório, para a aquisição de estabilidade, a
avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
A avaliação desfavorável não implica exoneração automática, sumária. A Súmula 21 do STF proclama:
“Funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem demitido sem inquérito ou sem as formalidades
legais de apuração de sua capacidade”. Ao servidor em estágio probatório deve ser dada ciência prévia de sua
avaliação de desempenho (contraditório) e possibilidade prévia de apresentar alegações e documentos a respeito
(ampla defesa). Tudo isso antes de se editar ato de exoneração ou demissão.
O direito à permanência no cargo se reveste de maior força quando for assegurada vitaliciedade, por a perda
do cargo só ocorrerá mediante sentença judicial transitada em julgado. A CF garante vitaliciedade aos magistrados
(art. 95, I), aos membros do Ministério Público (art, 128, §5º, inc. I, a) e aos membros dos Tribunais de Contas (art.
73, §3º, e 75). Para os magistrados de primeiro grau a vitaliciedade é adquirida após dois anos de exercício,
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dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado. Os integrantes
do Ministério Público também adquirem vitaliciedade após dois anos de exercício.

8. Acumulação de cargos

A CF estabelece a regra da proibição de exercício simultâneo, remunerado, de cargos, funções e empregos


públicos (art. 37, inc. XVI e XVII). O preceito abrange os agente da Administração direta e das autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e sociedades controladas direta ou indiretamente
pelo poder público (art. 37, inc. XVII).
Mas, no mesmo dispositivo, abrem-se exceções nos seguintes casos: a) dois cargos de professor; b) um
cargo de professor com outro, técnico ou científico; o cargo técnico e o cargo científico exigem habilitação específica
para seu provimento, por exemplo, o cargo de Procurador do Estado; c) dois cargos privativos de profissionais da
saúde, com profissões regulamentadas, como médicos e enfermeiras (EC n.34/01).
A Constituição Federal prevê, ainda, duas outras hipóteses de acumulação legal: o cargo de juiz e um cargo
ou função de magistérios (art. 95, parágrafo único, I); um cargo no Ministério Público e um cargo ou função de
magistério (art. 128, §5º, II, d).
Duas questões habitualmente se interpõem nessa matéria. A primeira concerne à possibilidade de exercício
simultâneo de dois postos, percebendo-se uma só remuneração; se a Constituição Federal veda a acumulação,
inexiste impedimento legal à acumulação de cargos, funções ou empregos, se não houver duas remunerações.
A segunda questão se refere à situação de antigos servidores públicos, já aposentados, que exercem ou
pretendem exercer cargo, função ou emprego públicos. Trata-se de caso de percepção de proventos de aposentado
simultaneamente à percepção de vencimentos pelo exercício de cargo, função ou empregos públicos. A Constituição
Federal de 1988, no texto original, silenciou a respeito. Mas a EC 20/98, que modificou o sistema de previdência,
acrescentou o § 10 ao art. 37, vedando a percepção simultânea de proventos de aposentadoria de servidor civil ou
militar com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, com exceção dos cargos acumuláveis na forma da
própria CF, dos cargos eletivos e dos cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração e na
hipótese de que ele se aposente num e não no outro, quando possível a acumulação de cargos.
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