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Arte e Antropologia:

Mito e significado – Levi-Strauss


Capítulo 1 – Mito e ciência
Considera que existe conexão entre mito e ciência e que a ciência contemporânea
considera que se deve reintegrar os saberes. A ciência moderna precisou romper com
a mitologia e os sentidos para se autoconstruir a partir da racionalidade exacerbada
que busca respostas no mundo material. Inato versus adquirido, a tabula rasa versus a
projeção de sistemas biológicos do pensamento (Platão). Ele utiliza o exemplo da
matemática com linhas e círculos e introduz a ideia de que as retinas são sensíveis a
cores e formas e que a solução se encontra um ponto entre a estrutura do sistema
nervoso e a experiência que é como a mente funciona na interpretação dessas
percepções.
Ele fala sobre como se percebe estruturalista, utilizando o exemplo de criança para
falar sobre as estruturas de semelhança. “Estruturalismo é a busca de invariantes ou
de elementos invariantes entre diferenças superficiais”. O estruturalismo é
considerado revolucionário para a época, mas é na verdade muito antigo. E ele nas
humanas é só uma imitação do que as ciências da natureza sempre fizeram.
Estruturalismo ou reducionismo, a diferença entre as formas de ver da ciência.
“(...) havia uma grande quantidade de regras de casamento em todo o mundo que
pareciam absolutamente desprovidas de significado, e isso era ainda mais irritante
quanto, se de facto não possuíam significado, deveria então haver regras diferentes
para cada povo”
Ele pensa como a repetição das regras do casamento, apesar de diferentes entre
culturas, é um indicativo de uma não-desordem, mas sim de um sistema básico. Ele
relaciona com os mitos quando percebe que eles parecem ser absurdos e
desordenados, mas seguem uma repetição de ocorrências.
Nominar é uma forma de ordenar. O plano real oferece uma desordem e a nominação
das coisas é uma maneira de encontrar a ordem por detrás desse aparente caos. Caos
e dersordem seriam o mito central da humanidade? A necessidade humana de
controlar e ordenar a natureza seria o arquétipo comum da humanidade?
É bem simbólico como a criação do universo vem de um caos desordenado
(aparentemente da borbulhação que causou o big bang) que a partir da explosão virou
o universo como existe atualmente. Essa é a explicação da ciência. Nas mitologias tudo
também partiu do caos, e do nada – aquele ponto de explosão crucial, o ponto de
partida de tudo – alguém criou tudo e começou a ordenar. O nascimento da
consciência não seria esse big bang humano?
“Falar de regras e falar de significado é falar da mesma coisa; e, se olharmos para
todas as realizações da Humanidade, seguindo os registos disponíveis em todo o
mundo, verificaremos que o denominador comum é sempre a introdução de alguma
espécie de ordem.” PASSAAAAAAADAAAAAAAA.
Ou seja, tudo isso é uma necessidade básica de ordem na esfera da mente humana ou
a mente humana é apenas uma parte do universo e por isso existe ordem.
De alguma forma a ideia de Levi-Strauss se conecta à de Edgar Morin quando o
primeiro pensa que a ciência deve reintegrar diferentes aspectos, alargando o canal.
Isso é o pensamento complexo, é incorporar as diversas facetas na compreensão geral.
Capítulo 2 – Pensamento “primitivo” e mente “civilizada”:
Ele já começa logo dizendo que existem duas formas de interpretar o pensamento
primitivo, que nada mais é que o pensamento anterior à linguagem escrita, e que
ambas estão erradas.
Levi-Strauss fala que para Lévy-Bruhl e Malinowski analisam que o pensamento
primitivo só atende à realização de necessidades básicas e é carregado de sentimento
e se guia por mitologias, sem provas concretas. Ele discorda e considera que os povos
primitivos são perfeitamente capazes de pensamento desinteressado, que não
necessariamente está a serviço de realizar necessidades, mas a também de
compreensão das coisas.
“Devemos notar, no entanto, que, como pensadores científicos, usamos uma
quantidade muito limitada do nosso poder mental. Utilizamos o que é necessário para
a nossa profissão, para os nossos negócios ou para a situação particular em que nos
encontramos envolvidos na altura. Portanto, se uma pessoa mergulha, durante vinte
anos ou mais, na investigação do modo como operam os sistemas de parentesco e os
mitos, utiliza essa porção do seu poder mental. Mas não podemos exigir que toda a
gente esteja interessada precisamente nas mesmas coisas; daí que cada um de nós
utilize uma certa porção do seu poder mental para satisfazer as necessidades ou
alcançar as coisas que o interessam.”
A forma de utilizar o pensamento muda de acordo com as necessidades. Atualmente
utilizamos muito partes do pensamento e deixamos de utilizar outras (como o
pensamento sensorial que é utilizado como exemplo no texto). A evolução das
ferramentas tecnológicas teriam algo a ver com isso?
Ele fala sobre como os setores da mente que são utilizados variam de acordo com a
cultura. Depois passa para pensar como as culturas se desenvolveram, falando como o
fato da humanidade ser pouca durante muito tempo, e viver isolada espalhada pelo
planeta fez com que as culturas se diferenciassem. Foi um resultado de uma condição.
Esse pensamento deixa de ser reducionista quando entende que as diferenças não
devem ser minadas, elas são extremamente fecundas, e devem relacionar-se entre si.
É uma relação entre percepção e elaboração.
Capítulo 3 – Lábios rachados e gêmeos: a análise de um mito
Ele traz que no Peru, segundo um missionário espanhol, os gêmeos e os lábios
rachados eram responsáveis pelo mau tempo, e se perguntou “por que gêmeos? Por
que lábios rachados?”. Segundo o autor, foi preciso análise de um mito norte
americano para entender a particularidade dessa crença. O motivo de ter encontrado
na América do Norte diz respeito ao fato de as tribos da América Central terem se
dissipado por toda a América, incluindo a do Norte, e que por isso os mitos poderiam
se espalhar e se relacionar com culturas de outras localidades. Ele justifica trazendo
um mito em comum entre os Tupinambás e os índios peruanos sobre a mulher que
deu à luz a gêmeos de pais diferentes, sendo um de seu marido um deus e outro de
um farsante que se passa do marido. Comparando à versão americana e canadense, a
diferença reside apenas que não são gêmeos, mas o mito também traz duas partes que
nasceram em circunstâncias paralelas. Ele mostra que existe uma base muito comum
entre esses mitos de diferentes tribos, que é a existência desses pares que apesar de
gêmeos, são opostos.
A parte do lábio leporino diz respeito a uma piada que a lebre fez em relação à
genitália da mulher, que revidou dando uma porrada e dividindo o nariz e lábios. Se ela
tivesse ido até o fim teria dividido a lebre em duas, criando gêmeos.
“Estes dados clarificam evidentemente as conexões de que partimos ao considerar as
relacionações descritas pelo padre Arriaga, no Peru, entre gémeos, pessoas que
nasceram com os pés para a frente e pessoas com lábios rachados”
Ele analisa o porquê da lebre ser considerada a sumidade entre os índios canadenses e
pensa como a lebre é um animal superior dentro de sua família de animais. Levi-
Strauss como bom estruturalista busca a base comum aos mitos, onde eles se
encontram e se assemelham para depois entender as particularidades de cada.
Ele divaga bastante sobre a questão de serem gêmeos, dissecando os possíveis
motivos de porque os gêmeos são culpabilizados pelo mau tempo. De onde surgiu esse
desvalor.
O que tirar dessa reflexão: o mito presente entre os índios dessa região coloca a
paridade dos gêmeos como algo incomum, e valoriza o gêmeo que nasce primeiro,
colocando uma espécie de competitividade e vitória na questão. Bem americano,
hein?
Ele observa também a presença constante nos mitos no mundo todo da necessidade
de um intermediário que faz a ponte entre a humanidade e as divindades.
A lebre é uma criatura complexa na mitologia canadense, por não ser um gêmeo
completamente dividido, mas é um gêmeo dentro de um corpo só.
Capítulo 4 – quando o mito vira história
Primeiro o autor fala que existe um problema encontrado pelos mitologistas. Há duas
espécies de mitologias, em algumas se tem histórias desconexas e em outras histórias
estruturadas e bem relacionadas. A hipótese é: por que algumas histórias recolhidas
são desconexas e outras conectadas? Pode-se supor que a ordem coerente é a
condição primitiva e que as histórias desconexas são devidas a desorganização e
deteriorização do tempo e etc. ou que a desconexidade é a condição primitiva e foram
postos em ordem em outro momento por outros indivíduos (da própria tribo
provavelmente).
“Tem-se precisamente o mesmo problema com a Bíblia, porque parece que o seu
material de base era formado por elementos desconexos que depois foram reunidos
por filósofos conhecedores para tecer uma história contínua.”
O segundo problema que ele apresenta é o fato de essas histórias terem sido
recolhidas por antropólogos, que apesar de frequentemente terem contado com a
ajuda de nativos, são pessoas de fora da tribo.
“Quando olhamos para este enorme corpo de mitologia índia que é o Tsimshian
Mythology, de Boas e Tate, ou para os textos kwakiutl coligidos por Hunt, e
organizados, publicados e traduzidos também por Boas, encontramos mais ou menos a
mesma organização da informação, porque é a recomendada pelos antropólogos: por
exemplo, ao princípio, mitos cosmológicos e cosmogónicos, e depois o material que se
pode considerar como tradição lendária e histórias de família.”
“Assim, é extremamente importante verificar se há diferenças (e, se houver, que tipo
de diferenças) entre as tradições recolhidas do exterior e as coligidas do interior como
se tivessem sido recolhidas do exterior.”
A grande questão: o que se perde e o que se transforma nessa apuração e edição de
lendas e histórias?
“Com este material, podemos proceder a uma espécie de experiência, comparando o
material recolhido pelos antropólogos com o directamente recolhido e publicado pelos
Índios. Não deveria na verdade dizer «recolhido», porque em vez de apresentar as
tradições de diversas famílias, diversos clãs, diversas linhagens, reunidas e justapostas
umas às outras, o que se vê nos dois livros é realmente a história de uma família ou de
um clã, publicada por um dos seus descendentes.”
O grande problema: onde acaba a mitologia e começa a história?
Ele faz um estudo comparativo entre duas histórias que apresentam os mesmos fatos
porém divergem nos pormenores da forma como é contada. A peregrinação pelo rio
Skeena. Em ambas histórias se tratam de duas aldeias que brigaram por causa de um
adultério. A estrutura de existir um adultério é a mesma, o que muda é a forma como
ocorreu, se foi com a esposa de alguém, com a irmã, se quem matou foi o marido, ou
os irmãos. Mas a estrutura, a base, do mito é a mesma. Ele chama isso de minimito,
por ser curto e condensado porém possuir a propriedade de mito.
Quando se transforma um elemento, os demais ao redor precisam se adaptar às
transformações nucleares. O que interessa a Levi-Strauss é esse primeiro elemento.
Segundo ele as histórias são altamente repetitivas, e um mesmo elemento pode ser
utilizado várias vezes. Modificando as condições específicas de cada região e cada
cultura, como ele observa nas narrativas do chefe Wright e chefe Harris.
O que ele quer dizer com tudo isso é que a separação que se pensa ser muito clara
entre Mito e História na verdade não existe. Existe um meio intermediário onde essas
histórias do exemplo se encontram. Segundo Levi-Strauss o mito é estático, é um
mesmo elemento que se repete de diversas maneiras, enquanto a História é um
sistema aberto. Por que sistema aberto? Porque a História é contada por um grupo a
partir de supostos fatos, mas não apresenta uma base repetitiva, ela é supostamente
linear e evolutiva, enquanto o mito é cíclico.
“O que era enganoso nos antigos relatos antropológicos era a mistura que se fazia das
tradições e crenças pertencentes a diversíssimos grupos sociais. Isto fez que se
perdesse de vista uma característica fundamental de todo o material – que cada tipo
de História pertence a um dado grupo, a uma dada família, a uma dada linhagem, ou a
um dado clã, e tenta explicar o seu destino, que pode ser desgraçado ou triunfal, ou
justificar os direitos e privilégios tal como existem no momento presente, ou, ainda,
tenta validar reivindicações de direitos que já há muito desapareceram.”
“Na nossa vida diária também não temos consciência de que nos encontramos
precisamente na mesma situação relativamente a diversos relatos históricos, escritos
por diferentes historiadores.”
Reflexões interessantes. Se a história é uma sucessão de eventos e é linear, como
podemos repeti-la?
O relato histórico depende muito de quem o faz, qual a posição que ocupa diante do
alegado fato.
Levi-Strauss considera que a história é a substituição da mitologia atualmente, visto
que para as sociedades pré-escrita a mitologia tem por finalidade assegurar que o
futuro permaneça igual ao presente e passado. Ele acha que o muro entre história e
mitologia pode ser penetrado se considerarmos a história não como separada da
mitologia, mas como continuação desta.
Capítulo 5 – mito e música
A relação nada arbitrária entre mito e música. Se pensava, principalmente entre
falantes da língua inglesa e francesa que mito e música não se relacionavam, ou se
relacionavam de forma arbitrária, mas Levi-Strauss considera que essa relação se dá de
duas formas, uma por similaridade e outra por contiguidade.
A primeira, por similaridade, ele relaciona como a leitura de uma partitura musical,
sendo impossível entender um mito como uma sequência contínua. Tem de se
entender o mito como uma totalidade, e que a relação entre os elementos do mito
não se encontra na linearidade de uma sequência de eventos, mas na soma de vários
grupos de acontecimentos não lineares. Ler uma partitura significa entender que num
todo se forma uma música, mas são vários instrumentos simultaneamente produzindo
sons que juntos se organizam em uma melodia. Eles acontecem a partir de compassos,
que não necessariamente seguem o mesmo tempo ou evoluem sequencialmente. É
perfeitamente possível começar com 4/4 e em um determinado momento mudar para
6/8 e por aí vai.
“Portanto, temos de ler o mito mais ou menos como leríamos uma partitura musical,
pondo de parte as frases musicais e tentando entender a página inteira, com a certeza
de que o que está escrito na primeira frase musical da página só adquire significado se
se considerar que faz parte e é uma parcela do que se encontra escrito na segunda, na
terceira, na quarta e assim por diante. Ou seja, não só temos de ler da esquerda para a
direita, mas simultaneamente na vertical, de cima para baixo. Temos de perceber que
cada página é uma totalidade. E só considerando o mito como se fosse uma partitura
orquestral, escrita frase por frase, é que o podemos entender como uma totalidade, e
extrair o seu significado.”
Como isso acontece e por que? Ele considera que a contiguidade seja a chave para
explicar esse fenômeno.
“Na verdade, foi só quando o pensamento mitolólógico, não digo se dissipou ou
desapareceu, mas passou para segundo plano no pensamento ocidental da
Renascença e do século XVIII, que começaram a aparecer as primeiras novelas, em vez
de histórias ainda elaboradas segundo o modelo da mitologia. E foi precisamente por
essa altura que testemunhámos o aparecimento dos grandes estilos musicais,
característicos do século XVII e, principalmente, dos séculos XVIII e XIX.”
É justo nessa época que a musica passa a assumir uma formalidade, se apossa da
função intelectual e emotiva que o pensamento mitológico abandonou nessa época.
Confuso.
Isso tudo ele ta falando da musica especifica desenvolvida na sociedade ocidental,
como a conhecemos.
Ele usa o exemplo de uma ópera de Wagner em que um motivo musical aparece
repetidamente em diversos momentos da obra, mas sem aparente conexão com a
cena. Só é possível entender o tema da renúncia ao amor quando se observa os
momentos em que esse tema musical aparece ao longo de toda a ópera. É o que ele
quer dizer com o mito. Só se pode conectar os elementos do mito ao entender ele
como um todo.
“O que eu gostaria de mostrar é que a única maneira de entender estas reaparições
misteriosas do tema é juntar os três acontecimentos, ainda que pareçam muito
diferentes, empilhá-los uns por cima dos outros, a ver se poderão ser tratados como
um único e o mesmo acontecimento.”
Tudo se relaciona ao entender que a espada e Brunilde servem como intermédios que
levam o ouro de volta ao Reno.
“Assim, a reaparição do tema mostra-nos algo que nunca foi explicado nos poemas,
isto é, que há uma espécie de gemeidade entre Hagen, o traidor, e Siegfried, o herói.”
A música aparece como uma outra linguagem na explicação da estrutura da história.
Ou seja, o mito organizador da história onde se encontra a conexão entre os
elementos.
“Ouçam uma sinfonia: uma sinfonia tem um princípio, um meio e um fim; contudo
nunca se entenderá nada da sinfonia nem se conseguirá ter prazer em escutá-la se se
for incapaz de relacionar, a cada passo, o que antes se escutou com o que se está a
escutar, mantendo a consciência da totalidade da música.” <3
E ainda adiciono, apesar da suposta linearidade, é preciso levar em conta a função de
todos os instrumentos contidos na partitura, entender como eles se relacionam entre
si e com a música na totalidade. Meu deus, música é uma coisa linda!!!!!!!!!!!
“Há, pois, uma espécie de reconstrução contínua que se desenvolve na mente do
ouvinte da música ou de uma história mitológica. Não se trata apenas de uma
similaridade global. É exactamente como se, ao inventar as formas musicais
específicas, a música só redescobrisse estruturas que já existiam a nível mitológico.”
“A antítese ou antifonia continua pela história fora, até ambos os grupos estarem
quase misturados e confundidos – um equivalente da stretta da fuga; finalmente, a
solução ou clímax deste conflito surge pela conjugação dos dois princípios que se
tinham oposto durante todo o mito. Pode ser um conflito entre os poderes de cima e
os poderes de baixo, o céu e a terra, ou o sol e os poderes subterrâneos, e assim
sucessivamente. A solução mítica de conjugação é muito semelhante em estrutura aos
acordes que resolvem e põem fim à peça musical, porque também eles oferecem uma
conjugação de extremos que se juntam por uma e última vez.”
Não consigo nem resumir ou traduzir esse trecho nas próprias palavras. Apenas
impactada.
A musica não inventou do nada os estilos e as composições, ela foi inconscientemente
buscar a estrutura do mito. Para Levi-Strauss, mas para mim faz todo o sentido.
“É só pela combinação das notas que se pode criar música.” Ele coloca isso
relacionando à composição linguística, fonemas e letras que por si só não possuem
significado algum e apenas adquirem sentido se relacionados a outros elementos.
Exemplo: podemos ter sílabas soltas, mas elas só adquirem sentido se forem unidas
em uma palavra. Assim são as notas musicais, soltas são apenas sons desconexos, mas
formam uma linguagem a partir do momento que se juntam. Com a pintura ocorre
algo que vejo ser um tanto semelhante. Pinceladas soltas são como notas musicais ou
letras e só na relação entre si formam uma figura, ou não-figura. Porque mesmo na
literatura há palavras desconstruídas e reconstruídas, na música tem o noise, e na
pintura o abstracionismo. Mesmo quando parecem desconexas, possuem um sentido.
Passada.
Mas ele considera que ao relacionar a linguística com a música ou mitologia sempre
algo se perde, existe uma constante falta. A música vai direto dos fonemas para a
frase, a mitologia não possui um equivalente para os fonemas. A linguagem se
encontra como ponto de partida, por ser a estrutura mais complexa entre as 3 – possui
fonemas (os sons), palavras (união dos sons em forma escrita) e frase (composição
dotada de sentido).
“Se tentarmos entender a relação entre linguagem, mito e música, só o podemos fazer
utilizando a linguagem como ponto de partida, podendo-se depois demonstrar que a
música, por um lado, e a mitologia, por outro, têm origem na linguagem, mas que
ambas as formas se desenvolveram separadamente e em diferentes direcções: a
música destaca os aspectos do som já presentes na linguagem, enquanto a mitologia
sublinha o aspecto do sentido, o aspecto do significado, que também está
profundamente presente na linguagem.”
Saussure nos mostra que a linguagem é feita de sons e significados.
“Na música, é o elemento sonoro que predomina, e no mito é o significado.”
Ele considera que música e matemática são os únicos aspectos inatos do cérebro. Acho
controverso, mas consigo ver o quão estranho é alguém pensar musicalmente. Ouvir
sons na própria mente que não vieram de um pré-conhecimento externo.
Sempre penso que criar musicalmente é traduzir um som mental. Mas penso também
nos climas, como é possível entender gêneros musicais a partir da região geográfica de
onde vêm. Como são específicos. Será que existe conexão entre pensamento musical e
geografia/clima?
“Mas, actualmente, estamos perante algo que, do ponto de vista lógico, é bastante
semelhante ao que aconteceu quando o mito desapareceu como género literário, para
ser substituído pelo romance. Estamos a testemunhar o desaparecimento do próprio
romance. E é bastante provável que o que aconteceu no século XVIII, quando a música
assumiu a estrutura e a função da mitologia, se esteja a passar de novo agora, agora
que a denominada música serial substituiu o romance como género, no momento em
que este está a desaparecer da cena literária.” Reler para entender melhor!!