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A ESCOLA COMO ESPAÇO DE VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE HUMANA

Paulo Ricardo Borges Fernandes – Pós-Graduação em Gestão Escolar e Coordenação


Pedagógica – Uni7
“Cambia el rumbo, el caminante
Aúnque esto le cause daño”.
MERCEDES SOSA.

A escola tem sofrido uma reformulação de seu espaço na sociedade e de suas estruturas
internas de forma substancial. Se por um lado há uma tentativa de ruptura com etnocentrismo
persistente no imaginário e nas práticas educativas, por outro a diversidade é vista como
oportunidade de enfrentamento e aprendizado, numa mudança de paradigma crescente. A
diversidade é percebida como algo “tão natural quanto a própria vida” (FIGUEIREDO, 2008).
A diversidade não é um elemento de desintegração de um meio social, mas ela, que “é
formada pelo conjunto de singularidades” inerentes a cada indivíduo, também é composta de
“semelhanças, que une o tecido das relações sociais” (FIGUEIREDO, 2008).
Com efeito, existe um movimento de fomento de políticas de respeito às diferenças na
educação, iniciado pela Declaração de Salamanca, onde se olhava para alunos “com
necessidades educativas especiais, mesmo aqueles que apresentem necessidades educativas
severas” (MESQUITA, 2005). Garante-se que essas escolas possam revisitar suas práticas,
mas se propõe, para além da mudança estrutural, uma mudança de cultura na escola, onde ela
possa ser acolhedora da diversidade. Primeiramente, os professores devem ser provocadores
em trazer uma perspectiva de uma escola plural, pois
“a mudança estrutural necessita ser precedida pela mudança cultural, em que a
reestruturação não é imposta aos professores, mas perseguida por eles, à medida que
relacionamentos e as práticas se fortalecem e se tornam colaborativas” (SILVEIRA,
FIGUEIREDO, 2010).
Além das diversas necessidades de alunos que precisam de suporte em seu processo de
educação, tendo em vista os desafios que suas constituições físicas e/ou intelectuais impõem,
que precisam ser vistos “porque elas foram historicamente segregadas” (BEYER, 2006) e este
isolamento trouxe subdesenvolvimento pessoal a elas. Enquanto escola, torna-se urgente que
“abramos espaço em nossas mentes para que penetre a ideia de pensarmos, e
principalmente, [para] olharmos o mundo e as diversidades culturais, étnicas,
intelectuais, religiosas, artísticas, com outros olhos, o que implica para tanto,
desconstruir antigas práticas sociais, valores, concepções e crenças...” (LUSTOSA,
2002).
O que se percebe é que o êxito neste processo de remodelação de uma escola que ensina (e
aprende) na diversidade é uma estratégia de desenvolvimento dela própria passando por um
tripé onde encontramos política, cultura e práticas inclusivas (FIGUEIREDO, 2008). O
primeiro ponto busca desenvolver melhorias para a inclusão, de maneira a fortalecer a escola
em tal tarefa. A cultura é fonte de uma construção de uma comunidade aberta à diversidade
para que a mesma possa florescer e transformar o espaço escolar, trazendo aprendizado e
valorização do indivíduo. O último ponto se refere à práxis que se apresenta nas políticas e
cultura, engajando todos os entes envolvidos no processo educacional. Segundo BOOTH E
AINSCOW (apud BEYER, 2006), é a mobilização harmônica dos três que manterá o
propósito e desenvolvimento de uma escola voltada para a inclusão da diversidade.
Entretanto, as escolas ainda têm olhos fechados outras questões como de crença, que afronta à
laicidade ou ao respeito; as questões da sexualidade e da identidade de gênero na infância e
adolescência, tema este “que tanto assusta os dinossauros” e que fala de “dessas adolescências
não realizadas, desses desejos censurados, dessas experiências não vividas” (BIMBI, 2017).
Se muito já tem sido feito, muito há o que se fazer.
Isto “tem relação ainda com a aspiração de democracia e à necessidade de administrar
coletivamente realidades sociais que são plurais e de respeitar as liberdades básicas”
(SILVEIRA, FIGUEIREDO, 2010).
Trazer uma visão de educação interativa é olhar para a diversidade como um manancial de
possibilidades para uma educação significativa, onde a inclusão e a cooperação leva em
consideração o apoio às “idéias expressas pelos alunos quando são incitados ou incentivados a
trabalhar em cooperação” (SILVEIRA, FIGUEIREDO, 2010).
Inserindo o contexto de identidade à abordagem das autoras, o que se pretende dentro de uma
escola que não vira o rosto à diversidade do ser, que é natural e extremamente enriquecedora,
nos é precípuo
“acreditar que a escola pode se inovar e, assim, enfrentar o desafio de não mais
perpetuar desigualdades e injustiças sociais, que fazem dela pura repetição ou
simulacro do que já está ‘definido’ – como o destino biológico ou social – na
sociedade como um todo” (AMARO & MACEDO, 2001 apud SILVEIRA,
FIGUEIREDO, 2010).
É necessária uma reinvenção da escola desde o seu cerne e pensá-la a partir do que a compõe,
do que a transforma, do que lhe dá vida e desafia a se reinventar todo o dia. É necessário ir
além das paredes e olhar para quem realmente a edifica. A escola precisa se ver como gente, e
gente é diferente.
Referências
BEYER, Hugo Otto. Educação inclusiva: ressignificando conceitos e práticas da Educação
Especial. Inclusão – Revista da Educação Especial – Jul./2006.
BIMBI, Bruno. O fim do armário: Lésbicas, gays, bissexuais e trans no século XXI. 1. ed. Rio
de Janeiro: Garamond, 2017.
FIGUEIREDO, R. V. A formação de professores para inclusão dos alunos no espaço
pedagógico da diversidade. In: Maria Tereza Eglér Mantoan. (Org.). O desafio das diferenças
nas escolas. 1 ed. Petrópolis: Vozes, 2008, v. 1, p. 141-145.
MESQUITA, Helena. O papel do professor face às mudanças educativas e processos de
inovação numa escola para todos. Educare/Educere : Revista da Escola Superior de Educação.
Ano XI nº 17 (Jan), 2005, p. 29-40.
SILVEIRA, Selene Maria Penaforte, FIGUEIREDO, Rita Vieira. A educação interativa, a
cooperação e o ensino de atenção às diferenças. In: Rita Vieira de Figueiredo. (Org.). Escola,
Diferença e Inclusão. 1 ed. Fortaleza: UFC, 2010.