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PROCESSO PENAL

Provas
Provar é demonstrar a verdade, é mostrar a existência de um fato, sendo
as provas os meios utilizados para comprová-lo no transcorrer do processo.

A doutrina, em especial Tourinho, divide o objeto “da” prova em


“finalidade da prova” e aquilo “que deve ser provado”. Sendo este os fatos e
aquele o convencimento do juiz.

Distingui-se ainda estes com o objeto “de” prova que é tudo aquilo que
judicialmente exige uma comprovação, ou seja gere dúvidas, não sendo um
fato notório, indiscutível ou evidente. Já em relação aos fatos incontroversos
em regra não precisam de prova a não ser que o Juiz julgue necessitar.

O ônus da prova é do autor da alegação, não podendo esquecer que ao


réu é presumido a inocência, por exemplo incumbe ao réu provar sua alegação
na exceção, mas incumbe ao acusador provar que o fato é verdadeiro qual seu
autor e se este agiu por dolo ou culpa.

As provas tem seu momento adequado de serem propostas, no que diz


respeito a documental será a qualquer momento, já a testemunha do acusador
tem que ser indicada na denúncia ou queixa e a do réu na defesa, por exemplo.

Tem o Juiz liberdade na apreciação das provas, já que o CPP adota o


sistema de livre convicção ou persuasão racional, não podendo este usar
conhecimentos fora do processo. Diferenciando-o do sistema dos ordálios onde
se utilizava para sustentar as alegações e valorar suas provas de um caráter
“divino” ou sujeitava-se a sorte.

Distingui-se também o sistema surgido, com a extinção dos ordálios, o


da íntima convicção ou da prova livre que dava poder ao julgador de decidir
sem precisar justificar qual a valoração utilizada, podendo a decisão ser de
caráter pessoal de acordo até com o conhecimento fora do processo.

Distingui-se ainda do sistema das provas legais no qual seria provado as


alegações do modo como a lei dispusesse, tirando a liberdade do juiz.
Podemos dizer então que a persuasão racional é um meio termo entre os
sistemas anteriores (exclusive o das ordálias).

O CPP dispõe de alguns meios de prova, mas não impede a


possibilidade de proposição de outros, desde que estes não firam a moralidade
e dignidade da pessoa, não sejam provas ilícitas e ilegítimas e suas derivadas
(teoria do “fruto da árvore envenenada”), existe também algumas limitações
referidas ao estado das pessoas, as questões prejudiciais heterogêneas, a
questão do tempo de proposição da prova, como já comentado e a fase
procedimental para produzi-la. Logo como podemos observar para as provas
serem consideradas válidas devem ter todos estes requisitos e serem
produzidas na presença das partes e do juiz sendo fundamental para que não
afronte o princípio do contraditório.

Admite-se até utilizar prova de outro processo, chamada prova


emprestada, que, segundo Tourinho, “... parece claro que o valor probatório
dessa ‘prova emprestada’ fica condicionado à sua passagem pelo crivo do
contraditório”

Podemos, então, observar que a parte contrária tem o direito de


contestar a prova, sob pena desta não ter validade no processo, caso seja
vedado este direito.

Temos como características da prova no processo penal a objetividade e


a legalidade, ou seja a prova tem que ser um dado objetivo e deve ser obtida e
introduzida no processo por meio lícito, legal e legítimo.

O direito à prova é uma garantia constitucional que se desdobra do


principio do devido processo legal, do contraditório e a ampla defesa, e dos
direitos de ação e defesa. É portanto direito subjetivo público das partes com
objetivo de mostrar a verdade dos fatos alegados, devendo ao juiz garantir-lhes
este direito.

Meios de Prova

• Exame de copo delito e demais tipos de perícias.

“Entende-se por perícia o exame procedido por pessoa que tenha


determinados conhecimentos técnicos, científicos, artísticos ou práticos
acerca de fatos, condições pessoais ou mesmo de circunstâncias
relevantes para o desate da questão, a fim de comprová-los” ( Tourinho,
Manual de Processo Penal, 2008)

Vale destacar que o conhecimento referido na citação tem que ser


embasado com o curso superior ( diploma) e realizado por um perito oficial ou
duas pessoas idôneas, sendo de iniciativa do juiz , da polícia ou das partes,
não sendo o primeiro vinculado à perícia, pois o juiz é o “ peritum peritorum”
Como observado no artigo 159 do CPP, as partes, o Assistente da
Acusação e o MP, podem indicar Assistente técnico para apresentar parecer,
devendo ainda elaborar quesitos para a perícia. Pode-se dizer que a prova
pericial é de natureza técnica e sempre que possível deve-se utilizá-la como
meio probante. Então, temos como tipos de perícia a Necropsia (CPP, art.
162), que é o exame feito dentro do cadáver, a Exumação (CPP, art. 163), que
é o exame do cadáver já sepultado, e o grafológico ou grafotécnico (CPP, art.
174), que é o exame dos escritos, entre outros.

Destaca-se em relevância a perícia de corpo de delito, que serve para


avaliar os vestígios deixados pelos crimes, tornando-se indispensável o exame
para estas infrações que geram vestígios, como pode ser observado no artigo
158 do CPP, podendo gerar nulidade, com a exceção de não ter sido possível
realizar tal perícia, pode-se substituí-la pela prova testemunhal (corpo delito
indireto).

• Prova Testemunhal

Testemunha é o indivíduo que não tem interesse no processo e que dá seu


depoimento sobre os fatos. No CPP, art. 206 fala sobre a obrigação das
testemunhas em prestar seu depoimento, com exceção de alguns
mencionados neste mesmo artigo, onde estes só ficam obrigados se não for
possível outro meio de prova, é importante salientar também que no CPP, art.
207 elenca pessoas que são proibidas de depor.

As partes entregarão ao juiz perguntas a serem feitas as testemunhas às


quais se identificarão e dirão a verdade, pois suas afirmações falsas, negações
da verdade ou seu silêncio podem dar margem à instauração de inquérito.

• Confissão

Acontece quando o acusado reconhece ter praticado o fato alegado, não


tendo esta prova valor absoluto, pois poderá haver algum motivo que leve a
pessoa a se dizer responsável por crime que não cometeu (coação, fanatismo,
cumplicidade) e isso deve ser avaliado no julgamento, como pode ser
observado no CPP, art. 197, devendo o juiz valorá-la de acordo com outras
provas do processo.

O Código de Processo Penal garante ainda no seu art. 200 a


retratabilidade, podendo o acusado confessar e depois se arrepender, narrando
outra versão aos fatos, cabendo ao juiz examiná-la com as provas em conjunto,
sendo também a confissão divisível, pois pode o juiz entender que só parte
dela condiz com a “verdade” sempre comparando-a com as outras provas.

• Declarações do ofendido

É a declaração dada pela vítima onde será perguntada sobre a autoria,


indicação de provas e as circunstâncias do fato. Assim por ter o ofendido
interesse no processo, deve o juiz analisar com cautela, estas declarações.

O CPP, art. 201 trata sobre este meio de prova, importante destacar que no
seu parágrafo único afirma que se o ofendido for intimado para este fim e não
comparecer poderá ser conduzido a presença da autoridade.

• Prova Documental

Segundo CPP no seu art. 232, documentos são quaisquer escritos,


instrumentos ou papeis, públicos ou particulares. Porém podemos pensar em
documento em sentido mais amplo incluindo as fotografias, os desenhos, os
vídeos, e os instrumentos como já foi incluído no próprio artigo, sendo estes
últimos documentos constituídos desde sua formação para servir como prova
(Ex: Letra de Câmbio).

Os documentos segundo versa o CPP, art 231, pode ser apresentado em


qualquer fase do processo salvo os casos expressos em lei.

Importante característica dos documentos aceitos no processo é sua


autenticidade sendo a fotografia de documento autenticada com o mesmo valor
do original.

• Interrogatório

É um ato que serve para defesa do acusado, mas também pode ser usado
pelo juiz para obter provas de acusação. Tendo o réu direito de não fazer prova
contra si mesmo responderá se quiser ao interrogatório.

Está o interrogatório dividido em duas partes, o Interrogatório de


qualificação onde o acusado se qualifica, fala de possíveis antecedentes, sua
vida passada e etc. A segunda parte é o Interrogatório de mérito onde o juiz
falará sobre a acusação e depois fará as perguntas necessárias (CPP, art.
186).
É importante observar que a falta do interrogatório gera nulidade por ser
este como dito meio de defesa do acusado, porém não é imprescindível, pois
se o réu é revel não deve-se pensar em nulidade.

O interrogatório é um ato público qualquer pessoa pode presenciá-lo, mas


só o Juiz poderá fazer perguntas.

• Indícios

É o meio de prova pelo qual a partir de um fato se leva a outro. Sendo o


primeiro provado para que o segundo seja entendido, presumido, raciocinado,
podendo assim juiz proferir sentença se baseando nos indícios.

• Busca e apreensão

São medidas tomadas para encontrar algo ou alguém, porém nem sempre é
utilizada para provar algo, mas servem quando utilizadas para tal finalidade
como meio de prova, por isso inserida no capítulo das provas, apesar de haver
entendimento contrário.

Sendo requeridas pelas partes, pelo juiz ou pela autoridade policial. Poderá
ser feita durante a fase do inquérito, antes deste ou ainda durante o processo
ou depois deste,

Sempre quando se tratar de busca domiciliar será feita durante o dia salvo
se o morador permitir a noite, sendo necessária também a ordem judicial a não
ser que o próprio juiz a realize.

Haverá também a possibilidade de busca pessoal que será feita nas roupas,
objetos portados pela pessoa, e no próprio corpo sendo realizado quando tiver
suspeita fundada, e se for mulher terá que ser feita por outra mulher (CPP, art.
249).

• A acareação

É o confronte de perguntas para explicar pontos divergentes que


aconteceram em depoimentos anteriores, podendo ser entre acusados, entre
acusado e testemunha, entre testemunhas, entre acusado ou testemunha e a
pessoa ofendida e entre pessoas ofendidas.
Importante lembrar que o acusado não é obrigado a fazer prova contra si
mesmo, não sendo assim obrigado a participar. A acareação só será possível
se o confrontamento for relevante, não havendo outro meio de prova.