Copyright © by Marcos de Souza Borges
Quinta Edição: Julho de 2011
Capa: Eurípedes Mendes
Diagramação: Marcos de Souza Borges
Correção: Ana Glaubia de Souza Paiva
Não se autoriza a reprodução deste livro, nem de
partes do mesmo, sem permissão, por escrito, do autor.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Borges, Marcos de Souza
Cura e Edificação do Líder / Marcos de Souza Borges - Almi-
rante Tamandaré, PR: Editora Jocum Brasil, 2011.
208 páginas; 21cm
ISBN 85-904901-1-4
1. Vida cristã. 2. Liderança. 3. Aconselhamento. I. Título.
CDD 240
Índice para catálogo sistemático:
1. Ética cristã e Teologia devocional - 240
Edição, Impressão e Acabamento
Editora Jocum Brasil
Distribuição e Vendas:
Editora Jocum Brasil
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E-mail: pedidos@editorajocum.com.br
Fone: |55| 41 3657-2708
ÍNDICE
Apresentação .......................................................................07
Prefácio..................................................................................09
Introdução ........................................................................... 11
1. O princípio da autoridade .............................................. 19
2. A submissão e a interdependência ................................. 31
3. O reinado de Adoni-Bezeque
O abuso de autoridade..................................................... 53
4. A imperfeição do perfeccionismo .................................. 83
5. O esquema Jezabel
Manipulação e controle ................................................. 107
6. A síndrome de Diótrefes
O “espírito de dominação”............................................. 127
7. Os sete batismos de Naamã
Confrontando a soberba ................................................ 153
8. A repreensão e a unidade .............................................. 173
APRESENTAÇÃO
Marcos de Souza Borges, conhecido afetuosamente como
“Coty”, é pastor, escritor, missionário, conferencista e enge-
nheiro mecânico. Ele e sua esposa, Prª. Raquel, têm um casal
de filhos, Gabriel e Bárbara e, atualmente, trabalham como di-
retores de uma base de Jovens Com Uma Missão - Jocum, em
Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba.
Estão no campo missionário desde Janeiro de 1986, quan-
do também se casaram. Desde então, vêm atuando nacional-
mente e internacionalmente com intercessão, treinamen-
to, aconselhamento, mobilização missionária, impactos de
evangelismo e conquista de cidades, edificação e implanta-
ção de igrejas e também de muitas outras formas continuam
servindo interdenominacionalmente o corpo de Cristo.
Eles também têm desempenhado um expressivo ministé-
rio na área de cura e libertação, investindo na restauração de
famílias e igrejas, bem como, na formação de conselheiros
e libertadores com o propósito de sarar e capacitar a Igreja
para alcançar as nações.
Pr. Marcos Borges também é autor dos livros:
“A Face Oculta do Amor”
“O Obreiro Aprovado”
“A Oração do Justo”
“O Avivamento do Odre Novo”
“As Raízes da Depressão”
“Pastoreamento Inteligente”
PREFÁCIO
Atualmente, a maior lacuna no crescimento da Igreja é a
formação de líderes. O líder vem antes da liderança. Não se
pode esperar uma liderança eficiente de um líder deficiente.
A abordagem feita por este livro se propõe a confrontar o per-
fil motivacional do líder, desafiando-o a enfrentar as feridas
da sua personalidade, as quais podem estar comprometendo
seriamente os alicerces do seu ministério.
A maneira como uma pessoa interage com os conceitos de
lei e autoridade pode revelar muito sobre a sua infraestrutu-
ra moral e emocional. Seguindo essa ótica de diagnóstico da
alma, o ponto mais relevante em questão não é o “estilo” de
liderança da pessoa, mas o seu “espírito” de liderança.
As distorções e feridas da personalidade, quando não são
profundamente curadas, mais cedo ou mais tarde, acabam
sendo espiritualizadas; depois, compensadas pelo ativismo
ministerial ou pela posição de autoridade e, por fim, propa-
gadas, produzindo uma nova geração de discípulos machu-
cados e de líderes deformados.
Na prática, o que percebemos é que muitas dessas seque-
las morais de um passado mal resolvido, estrategicamente,
funcionam como uma arma adormecida, que é ativada no
momento de maior relevância na vida desses líderes, pro-
duzindo grandes escândalos, que “fatalizam” a vida de mui-
tos.
A eficiência da cura reside na precisão do diagnóstico.
Essa é a filosofia deste livro, que abraça o propósito de son-
dar as bases em que se firmam a nossa personalidade em uma
perspectiva corretiva e, principalmente, preventiva e edifica-
10 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
dora, com o intuito de produzir uma geração de líderes de
qualidade. Desafio você, não apenas a ler este livro, mas a
estudá-lo e praticá-lo, ensinando o seu conteúdo a outros!
Pr. Marcos de Souza Borges
INTRODUÇÃO
Um aspecto fundamental no ministério da restauração
reside na habilidade de lidar com feridas e distorções na
personalidade, causadas por falhas e abusos de autoridade
sofridos, agregados e, principalmente, por aqueles ainda pra-
ticados. A forma como uma pessoa assimilou o conceito e o
exercício da autoridade é o principal termômetro para ava-
liarmos a sua saúde emocional e o seu nível de liberdade e
integridade espirituais.
Essa tem sido uma ótica pouco explorada no padrão de
aconselhamento, porém os piores traumas que causaram os
maiores estragos na vida de uma pessoa podem ser facilmen-
te diagnosticados dessa forma. Sem um bom desempenho
nesse sentido, podemos não atingir os resultados que gosta-
ríamos na restauração e na formação de líderes.
É interessante ressaltar que o grande desafio de Deus em re-
lação ao povo de Israel, não foi tirá-los do Egito, mas libertá-los
da mentalidade de escravos. Foram necessários anos de deserto
para desarraigar as feridas e os conceitos impostos pela ímpia
e arrogante líderança de Faraó. Obviamente, isso também ale-
goriza nossa história pessoal e geracional, apontando para uma
cura que Deus deseja realizar antes de ressarcir nossa herança.
Já por muito tempo, uma das principais características da
Igreja tem sido a fragmentação denominacional. A divisão
nunca foi e nem jamais será um método sadio de implan-
tação de novas igrejas. Toda divisão está diretamente rela-
cionada com conflitos no campo da autoridade. A divisão
traduz a clara mensagem de que estamos fracassando em nos
relacionarmos através do princípio da autoridade.
12 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
A divisão também é sintoma de que estamos perdendo dos
dois lados, podendo refletir a infelicidade de liderados arro-
gantes e problemáticos, mas, acima de tudo, o efeito colateral
de líderes inseguros e controladores, ou, ambas as coisas. O
problema maior no campo da autoridade é quando o padrão
de santidade é confundido e substituído por um padrão de
religiosidade, controle e feitiçaria dentro da própria igreja.
O grande desafio do momento
“Salva-nos, Senhor, pois não existe mais o piedoso; os
fiéis desapareceram dentre os filhos dos homens” (Sl. 12:1).
A maior lacuna no crescimento da Igreja atualmente é a
formação de líderes. O que vemos, hoje, são famílias defor-
madas produzindo pessoas deformadas, que se transformam
em líderes deformados. A morte da família tem produzido
um quadro realmente desafiador.
Atualmente, um terço dos brasileiros são filhos bastar-
dos que não possuem,sequer, o nome do pai na certidão de
nascimento. A marginalização marital tem levado a mulher
a colocar a maternidade e a criação de filhos em segundo
plano. A carreira profissional, a emancipação econômica e a
autonomia social da mulher têm produzido, na verdade, um
enorme déficit familiar. Trocando a família pela sua inde-
pendência pessoal, a mulher está expondo os filhos aos mais
nocivos tipos de abordagem.
Presenciamos, também, uma geração de pais divorciados
que têm recebido uma clara mensagem de intolerância e der-
rota no relacionamento. Nos aconselhamentos, um número
cada vez maior de pessoas admite ter sido vítima de algum
tipo de abuso ou molestação sexual na infância. Uma quanti-
dade surpreendente de pessoas tem sofrido ameaças verbais
ou tentativas físicas de aborto.
A família brasileira tem carregado, através das gerações,
um legado de ocultismo, idolatria e imoralidade. Esses e
Introdução - 13
muitos outros fatores, obviamente, vão pesar de maneira sig-
nificativa, na forma como essa geração interage com o prin-
cípio da autoridade.
A Igreja, por sua vez, investe demais na formação teoló-
gica e “de menos” na libertação da alma e na reeducação do
caráter. O Evangelho tem se tornado cada vez mais humanis-
ta, e impotente para causar uma real mudança de valores na
vida das pessoas. O resultado dessa formação sem transfor-
mação redunda em grandes escândalos que, cada vez mais,
desgastam a credibilidade da Igreja. De forma geral, tanto a
família como a Igreja têm falhado em produzir pessoas emo-
cionalmente maduras e moralmente confiáveis. A formação
vocacional, sem transformação moral, incentiva um Evange-
lho superficial e deformado.
É razoável dizer que gasta-se 1% de esforço para levar
uma pessoa a Jesus, 10% de esforços para transformá-la num
discípulo e 100% de esforços para fazer dela um líder madu-
ro. Alavancar líderes suficientemente curados e maduros é o
maior desafio do momento. Sem esse árduo e perseverante
trabalho de base, o crescimento pode se transformar em uma
aberração.
Estava ministrando em uma cidade estrangeira que havia
passado por um forte avivamento... O pastor daquela igreja
era, literalmente, um filho daquele inesquecível mover de
Deus. Porém, conversando com ele, senti o peso da sua pre-
ocupação. Estranhamente, quase todos os pastores podero-
samente usados durante aquele tempo estavam hoje caídos
ou fora do ministério. A verdade é que, quando as feridas e
maldições não são curadas, elas acabam sufocando o fluir da
presença de Deus.
Agora, como um eminente referencial de liderança local,
esse homem de Deus tentava discernir a estratégia para um
novo avivamento, que não fosse abortado pelas feridas dos
seus próprios protagonistas. Não é difícil concluir que, sem
sarar essa nova geração de líderes, vamos apenas repetir os
mesmos erros do passado. Ninguém quer isso!
14 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
Meu principal objetivo, por meio deste livro, é prover, sob
a perspectiva do princípio da autoridade, um diagnóstico
amplo, que possa ser eficazmente usado como alavanca para
a cura da alma e a transformação de valores e motivações,
potencializando a liderança e viabilizando uma frutificação
efetiva e saudável.
Modelos de autoridade
Ao longo da nossa vida, muitas pessoas se apresentam
como modelos significativos de autoridade. Essas pessoas
conquistam o nosso respeito por motivos diversos, que po-
dem variar desde uma confiança transmitida, até um medo
paralisante. Os alicerces da nossa personalidade nada mais
são que um reflexo desses motivos, que podem ser sadios ou
doentios.
Por serem uma espécie de “espelho social”, as atitudes
dessas pessoas podem nos afetar tão fortemente, a ponto de
engessar nossos valores e relacionamentos no mesmo pa-
drão de comportamento. Esses modelos de autoridade têm
um poder maior de causar profundas feridas quando falham
e rejeitam, como também, um grande incentivo, quando
agem com acerto e aceitação. Uma parcela majoritária dos
valores pelos quais nos norteamos é proveniente de pessoas
que ocuparam uma posição formal ou informal de autorida-
de em relação às nossas vidas.
O exemplo clássico em relação a isso sucede dentro do lar.
As primeiras influências que moldarão nossa personalidade,
normalmente, vêm de nossos pais ou das pessoas que nos
criaram. A questão é que, mesmo os melhores pais, infeliz-
mente, representam Deus mal, falhando no falar e no andar
em seus caminhos.
Quando vem uma predição a respeito das habilidades, vi-
sões ou do futuro das crianças, elas, literalmente, recebem es-
sas palavras, especialmente se vindas de seus pais, que são
as pessoas mais importantes de suas vidas. Muitos pais não
Introdução - 15
fazem ideia de que eles são como “Deus” para seus filhos, os
quais tomam suas palavras e exemplos como algo definitivo
e verdadeiro. Tanto a falta de afetividade como as falsas de-
clarações podem paralisar o desenvolvimento da criança sob
variados aspectos, prendendo-a em paradigmas equivocados.
Para entender por que nos tornamos em quem somos e a
forma como processamos o amor divino, precisamos refle-
tir, principalmente, em episódios que marcaram nossa cria-
ção. Pessoas que tiveram um pai que fracassou em suprir as
suas necessidades emocionais ou que falhou em promover
a necessária cobertura espiritual, provavelmente, terão uma
perspectiva incorreta do caráter divino. Consequentemente,
as feridas causadas por modelos de autoridade acabam sen-
do transferidas para Deus.
Se a pessoa teve um pai ausente ou foi abandonada, sua
concepção de Deus é distante e cética. Se teve um pai auto-
ritário e extremamente exigente, procura servir a Deus pelo
legalismo, tendendo a se apegar a uma série de regras para
conseguir satisfazer seu insaciável senso de justiça própria.
Se teve um pai abusador, Deus é visto como um carrasco, e
a pessoa não consegue confiar em ninguém. Se teve um pai
extremamente rigoroso, Deus é tido como um juiz incompas-
sivo e a pessoa se cobra demasiadamente ou se culpa inde-
vidamente. Se teve um pai irresponsável e indiferente, não
vê limites para suas atitudes e tende à delinquência. E as-
sim por diante... Portanto, falhas na paternidade impõem um
jugo correspondente de orfandade espiritual, que distorce o
princípio de autoridade.
Pais que desempenharam significativamente um referen-
cial de responsabilidade, fidelidade e honestidade, assegu-
ram um desenvolvimento saudável da personalidade dos
filhos. O conceito de autoridade agregado vai garantir o equi-
líbrio em cada relacionamento, e a coragem para vencer os
desafios que surgirem com sabedoria e firmeza de caráter.
Obviamente, a eficácia de um líder depende de sua saúde
temperamental e inteligência emocional.
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Quando ingressei na universidade, logo no primeiro perí-
odo, lembro-me de uma determinada matéria que intimidava
a todos... Porém, nosso professor era tão cativante na sua for-
ma de ensinar e interagir com os alunos, que aquela situação
se reverteu. Acabei desenvolvendo um grande interesse por
essa matéria, tirando as melhores notas. Rapidamente, aque-
le se tornou meu professor predileto, e a sua aula, a minha
aula preferida!
Superar aquele primeiro obstáculo fortaleceu minha auto-
estima, afetando todo o meu desempenho universitário. Isso
é só uma amostra simples, porém poderosa, do poder de in-
fluência de um líder.
Em contrapartida, é muito comum ouvirmos experiências
traumáticas de pessoas que acabaram desistindo de seus es-
tudos por uma “pequena” situação em que foram humilha-
das publicamente por um professor.
Um modelo de autoridade tem o incrível poder de blo-
quear ou desbloquear psicoemocionalmente e, de trancar ou
destrancar dons e habilidades na vida das pessoas. Porém,
não podemos deixar de mencionar que a maior responsabili-
dade, nesse processo, não reside na influência do modelo de
autoridade, mas nas escolhas que fazemos em virtude dessas
influências.
Os modelos de autoridade podem construir e formar pa-
drões de relacionamento positivos, como também, podem
destruir e deformar a capacidade de se relacionar, compro-
metendo a forma como assimilamos e expressamos o concei-
to de lei e de autoridade.
As principais heranças em todos os aspectos da existência
são recebidas, principalmente, de nossos pais, não só pela pre-
sença ou ausência deles, mas, fundamentalmente, pelo que
eles, de fato, representam ou deixam de representar para nós.
Assim sendo, lidando com traumas e feridas que desesta-
bilizam a personalidade, não podemos negligenciar a forma
como nos relacionamos com o princípio da autoridade. Ob-
viamente, o aspecto determinante reside nas nossas escolhas.
Introdução - 17
Escolhas pecaminosas decorrentes das cargas de rejeição
oferecidas pelos modelos de autoridade ao longo de nossas
vidas, não apenas deformam o desenvolvimento da persona-
lidade, como também, corrompem a capacidade de se rela-
cionar, de conviver com regras, de ser liderado e, principal-
mente, de liderar.
O propósito de Deus para o homem
“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à ima-
gem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então
Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-
vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes
do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais
que se arrastam sobre a terra” (Gn. 1:27,28).
Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, dando-nos a
capacidade de frutificar e multiplicar. O propósito de Deus
era que o homem enchesse a Terra, transformando-a em um
local organizado e habitável. Assim sendo, dentro de cada
pessoa existe um instinto nato de possuir direção e propósito
na vida. Isso também se traduz em uma tendência de con-
quistar e governar.
Porém, um ponto fundamental é que essa capacidade de
exercer o domínio sobre a terra, dentro dos padrões divinos,
depende da condição de sermos redimidos e edificados à
imagem e à semelhança moral de Deus. Como o pecado des-
truiu o reflexo da glória de Deus na personalidade humana,
sem uma identificação com o caráter divino, o potencial hu-
mano de liderança pode ser corrompido e facilmente usur-
pado por Satanás.
Qualquer pessoa que apresente uma imagem moral desfi-
gurada em relação ao caráter de Deus, certamente, irá exerci-
tar sua autoridade de forma tirana e ilegítima. Ou seja, sem
sermos imagem e semelhança moral de Deus, vamos domi-
nar a Terra à moda de Satanás.
18 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
Em contrapartida, à medida que vamos sendo quebranta-
dos, restaurados e conformados à imagem do Filho de Deus,
de fé em fé, e de glória em glória, podemos realinhar o exer-
cício da autoridade com a motivação de servir e de investir
na capacidade de liderança dos outros. Só assim é possível
cumprir a Grande Comissão de discipular as nações. O prin-
cipal propósito do discipulado é gerar e emancipar líderes
que tenham o potencial e a visão corporativa de reformar a
sociedade. É dessa forma que precisamos nos multiplicar!
O que realmente a Bíblia quer dizer com sujeitar a Terra e
dominá-la? Isso jamais deve ser confundido com uma idola-
tria ao poder. O propósito divino enxertado no ser humano
de dominar a Terra pode ser perfeitamente esclarecido pela
declaração de Jesus:
“... assim como o Filho do homem não veio para ser
servido, mas para servir, e para dar a sua vida em res-
gate de muitos” (Mt. 20:28).
Jesus dominou as nações da Terra, resgatando-as para
Deus por meio de uma atitude incondicional e sacrificial de
amor e serviço. Enquanto nossas motivações não se alinha-
rem com essa declaração de Jesus, permaneceremos inaptos
a exercermos autoridade, não cumprindo assim, genuina-
mente, o propósito divino.
CAPÍTULO 1
O PRINCÍPIO
DA AUTORIDADE
“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores;
porque não há autoridade que não venha de Deus; as
autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isto
quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus
e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação”
(Rm. 13:1,2).
A maneira pela qual Deus exerce o seu governo define o
princípio da autoridade. A cadeia de autoridade com exten-
são de comando foi estabelecida por Deus com o objetivo de
organizar, proteger e viabilizar uma administração efetiva.
A cadeia de autoridade é uma ordenação de Deus e, por
isso, deve ser respeitada e conservada. É muito importan-
te estimularmos esse ensinamento, pois poupa as pessoas
de muito sofrimento e castigo, que, na verdade, podem ser
evitados.
É relevante dizer que estamos enfatizando as posições
hierárquicas na cadeia de comando, independentemente das
pessoas em si que as estão ocupando. Apesar da posição e do
princípio serem sagrados, a pessoa pode ser iníqua. A pessoa
errada na posição “certa” é uma das estratégias prediletas
de Satanás. Esse é um ponto que merece nossa intercessão,
principalmente em nível de governo e Igreja.
20 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
“Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram prín-
cipes, mas sem a minha aprovação; da sua prata e do seu
ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos” (Os. 8:4).
Isso acontece quando as pessoas, motivadas pelo mate-
rialismo, idolatram seus líderes, e principalmente, também,
quando líderes, pela mesma inspiração, em detrimento das
pessoas adequadas, tentam se sustentar em uma posição de
autoridade pela manipulação espiritual. Dessa forma, Sata-
nás se infiltra, instaurando o famoso “esquema Jezabel,” com
o intuito de adoecer estruturas de liderança. Cada vez que a
pessoa certa sai ou é retirada da sua posição, e uma pessoa
errada a ocupa, pessoas são feridas, perseguidas, injustiça-
das, e o corpo que está sujeito a essa liderança vai sofrer, seja
uma família, igreja, empresa, uma cidade, etc.
O princípio da autoridade é um legado de Deus
Ninguém está isento de ministrar ou de ser ministrado
pelo princípio da autoridade. Já nascemos com uma lideran-
ça sobre nós, que são os nossos pais. Quando Deus criou a se-
gunda pessoa no mundo, o princípio da autoridade já entrou
em vigor para os relacionamentos humanos. Eva seria uma
adjutora idônea, sob a liderança espiritual de Adão.
O próprio Deus respeita e se sujeita à autoridade delegada.
Quando Deus pensou em destruir o povo de Israel devido a
tantas rebeliões e reprovações no deserto, ele mesmo, apesar
de ser Deus, pediu autorização a Moisés, a quem incumbira a
responsabilidade e a autoridade de conduzir o povo:
“Agora, pois, deixa-me, para que a minha ira se acen-
da contra eles, e eu os consuma; e eu farei de ti uma
grande nação” (Ex. 32:10).
Por sua vez, Moisés intercedeu em favor do povo, não per-
mitindo que Deus cumprisse aquele intento. O mais incrível
O Princípio da Autoridade - 21
é que Deus se sujeitou à autoridade que Ele mesmo havia
conferido a Moisés. O princípio da autoridade não apenas
vem de Deus, como também é sustentado, respeitado e pra-
ticado por Ele.
O princípio da autoridade estabelece a ordem de Deus
O princípio da autoridade é o mais importante agente
para manter pessoas, valores e coisas em ordem. Não existe
crescimento sadio sem organização, e não existe organização
sem autoridade.
A autoridade é a essência da liderança que embute a justa
capacidade de aplicar as leis que governam o mundo moral,
o discernimento em relação aos devidos lugares das pesso-
as e coisas e, também, a habilidade de estabelecer objetivos
claros, conduzindo um grupo de pessoas na direção correta.
Uma boa liderança produz ordem e desenvolvimento.
De forma alguma uma posição de autoridade pode ser
ocupada levianamente. Paulo adverte para não impor preci-
pitadamente as mãos sobre uma pessoa. Antes de estabelecer
alguém em autoridade, essa pessoa precisa ser treinada, tes-
tada e aprovada.
Sem uma cadeia de autoridade, seríamos uma multidão
de pessoas vivendo desordenadamente. Esse é o princípio
maligno da anarquia, que destina qualquer sociedade à au-
todestruição. O pior sistema de governo é ainda menos pior
que governo nenhum. O caos culmina quando pessoas se re-
belam contra o princípio da autoridade.
Não devemos confundir o princípio de autoridade com o
estilo de liderança de uma pessoa. Há uma grande diferença
entre você não simpatizar com a personalidade de um líder
e você se rebelar contra o princípio da autoridade. O estilo
de liderança é da pessoa, o princípio da autoridade é divino.
Também não devemos confundir o princípio da autorida-
de com um sistema de governo ou com estratégias específi-
cas de liderança. A personalidade de um líder, um sistema
22 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
ou estratégias de governo, um estilo de liderança, tudo isso
pode ser falho e, muitas vezes, inconveniente, porém o prin-
cípio da autoridade é sempre funcional e inabalável. Se não
soubermos estabelecer essa linha fina entre a “pessoa de au-
toridade” e o “princípio da autoridade” podemos, facilmente,
“trocar os pés pelas mãos”, trazendo condenação para nós
mesmos.
Muitas pessoas estão espiritualmente desencaixadas e per-
didas porque, em virtude de decepções com “autoridades,”
rebelaram-se contra o “princípio da autoridade”. Acham-se
feridas, resistindo e combatendo contra Deus.
Algumas espiritualizam seu conflito dizendo: “não me
submeto mais a homens, senão apenas a Deus!” Essas pesso-
as ainda precisam ser quebrantadas, para não serem quebra-
das pelo princípio da autoridade. A história do filho pródigo
ensina que pessoas são aprisionadas num lugar de sequidão
e necessidades, e até morrem prematuramente, por infringi-
rem e afrontarem o princípio da autoridade.
Uma desarmonia com o princípio da autoridade impõe os
piores quadros de confusão, perversão e insegurança. Pesso-
as perdem o “fio da vontade de Deus”, não conseguem dis-
cernir a porta a entrar e o caminho a tomar. Tudo fica obscu-
ro e um sentimento de desorientação se instala.
Esse desencaixe abala, também, muitos relacionamentos
importantes e parece que tudo na vida entra em desordem.
As perspectivas espirituais se tornam confusas e distorci-
das. O princípio da organização e orientação espiritual se
fundamenta em uma correspondência com o princípio da
autoridade.
A autoridade é inseparável da responsabilidade
Por mais que uma posição conceda poder, a autoridade
legítima vem do caráter. Responsabilidade é capacidade mo-
ral, por meio do livre arbítrio, de crescer em santidade de
caráter, correspondendo às expectativas divinas. Isso requer
O Princípio da Autoridade - 23
vencer as tentações, superar as provas, obedecer, perseverar
e expressar a verdade no íntimo, também dispondo de um
coração inteiro no propósito de Deus.
Tudo isso envolve um somatório de escolhas que irão de-
terminar nosso caráter. Na mesma proporção em que o nosso
caráter está sendo exercitado no quebrantamento da alma e
no tratamento do Espírito Santo, estaremos sendo investidos
da genuína autoridade.
Hoje, vemos muitas pessoas obcecadas pelo poder. Mas,
se fôssemos um pouco mais sábios, não buscaríamos, prima-
riamente, o poder, mas o caráter. Poder sem caráter é, sim-
plesmente, uma armadilha espiritual. Por causa dessa pros-
peridade irresponsável, muitos são seduzidos e destruídos.
Jesus ensinou que, ao que muito é dado, muito será cobrado.
Responsabilidade é intrinsecamente a obrigação moral de
prestar contas em relação a tudo o que nos foi confiado. Nin-
guém está isento disso.
Honrar e obedecer
Existem dois níveis de responsabilidade para pessoas que
ocupam uma posição de autoridade sobre nós. A primeira
responsabilidade é honrar e a segunda é obedecer. Porém, é
importante analisarmos como a Bíblia nos ensina a desempe-
nhar estas responsabilidades.
Honrar pais e autoridades constituídas é um tributo in-
condicional: “Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro
mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de
longa vida sobre a terra” (Ef. 6:2,3).
Não importa quão tirano ou iníquo seja um líder, preci-
samos respeitá-lo incondicionalmente, devido ao lugar de
autoridade que ele ocupa: “Sujeitai-vos a toda autoridade
humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano” (I
Pe. 2:13).
Já a responsabilidade de obedecer é condicional: “Vós,
filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto
24 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
é justo” (Ef. 6:1). Não se deve obedecer a nenhuma ordem
humana que afronte algum preceito moral divino. Haverá si-
tuações em que teremos que escolher entre nos sujeitarmos a
um líder ou obedecermos ao próprio Deus.
A submissão pode trazer à tona um sério conflito: O que é
mais importante? Devotar lealdade a um homem ou à verda-
de? Até que ponto podemos ser leais a um líder sem estarmos
sendo leais à verdade? Não podemos confundir “lealdade”
com “flacidez moral”. Isso apenas reforçaria o “espírito de
corrupção” em uma liderança.
Quando o Sinédrio quis proibir que os apóstolos ensi-
nassem em nome de Jesus, apesar deles representarem uma
autoridade constituída legitimamente sobre o povojudeu,
Pedro, sem deixar de respeitá-los, não obedeceu: “Respon-
dendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer
a Deus que aos homens” (At 5:27-29). Ele não negociou sua
lealdade à verdade.
Equacionando a “Posição de Autoridade”:
Posição = Caráter + Dom + Chamado + Tempo
Aqui, temos uma equação simples, porém, fundamental-
mente importante de ser compreendida e, acima de tudo,
respeitada: um caráter de fidelidade, somado ao exercício
legítimo do dom e em sintonia com o chamado de Deus, con-
quistam, no tempo de Deus, a posição de autoridade que se
deve ocupar.
Se existe algo que pode destruir a vida de alguém é uma
posição inadequada de autoridade. Uma posição de auto-
ridade exige a respectiva cobertura e armadura, bem como
uma patente espiritual instituída, legitimamente, por Deus.
Quando Golias desafiava o exército de Israel, o rei Saul,
apesar de ter sido um grande guerreiro e de vestir uma arma-
dura impressionante, acovardou-se. Nessa guerra de arma-
duras, o que conta não é o que aparentamos para as pessoas,
mas quem realmente somos diante de Deus. Apesar de toda
O Princípio da Autoridade - 25
a ostentação, Saul já não tinha mais autoridade, nem a cober-
tura de Samuel para guiar e proteger a nação. Na verdade, a
unção de Deus já havia se retirado dele.
Contrafazendo a postura de Saul, Davi não aparentava
nada, mas estava investido de armas espirituais poderosas em
Deus para a destruição de fortalezas. Tinha armadura, unção,
cobertura e patentes conquistadas em batalhas secretas diante
do Senhor.
Muitos líderes têm sido destruídos por permanecerem re-
provados em uma posição, fazendo da unção de Deus um
amuleto ministerial. Também, quando uma pessoa é ungida
prematuramente, ela pode, facilmente, pensar que está res-
paldada por Deus, porém, na verdade, ela está correndo um
alto risco que ignora.
Muitas dessas pessoas se tornam o que chamo de “líderes
palito de fósforo”. Elas acendem com todo o vigor e a empol-
gação, porém, rapidamente, a pólvora acaba e, agora, a frágil
estrutura que elas possuem, simplesmente, “queima”.
Componentes da posição de autoridade
Se você tem o caráter, o dom, o chamado, e sabe esperar
o tempo de Deus, com certeza, a unção de Deus estará sobre
você para ocupar a posição adequada, desempenhando o seu
chamado. A unção o conduz à posição, mas, nem sempre, a
posição o conduz à unção. Não podemos separar a unção da
missão, nem o dom da responsabilidade espiritual.
O Reino de Deus não avança pela força, habilidade e ca-
risma humanos. Essas coisas podem funcionar apenas por
um tempo, mas o que precisamos, de fato, é o agir de Deus,
inspirando e confirmando nossas obras: “Seja sobre nós a
graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra
das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl.
90:17). Precisamos do respaldo divino.
Trabalhando um pouco mais com essa equação, Posição
= Caráter + Dom + Chamado + Tempo podemos concluir
26 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
que a ausência de cada uma dessas variáveis gera um de-
sequilíbrio no resultado da equação, como podemos ver, a
seguir:
3RVLomR VHP FDUiWHU LUUHVSRQVDELOLGDGH Vai repro-
duzir pessoas moralmente debilitadas. Compromete-se o
crescimento qualitativo. Quantidade sem qualidade é mul-
tiplicar problemas.
3RVLomR VHP GRP LQHILFLrQFLD Vai gerar fracasso.
Muito esforço, com pouco resultado. Compromete-se a iden-
tidade vocacional, multiplicando frustrações.
3RVLomRVHPFKDPDGR YLROrQFLD Vai gerar divisão. Se
você está ocupando uma posição que Deus não deseja, você
vai estar atropelando alguém e gerando infortúnios para o
meio.
3RVLomRVHPRWHPSRGH'HXV LPDWXULGDGHHVREHU-
ED Vai gerar atitudes infantis e arrogantes, que podem custar
caro.
A autoridade e a qualidade do discipulado
O princípio da autoridade é um componente fundamental
na formação e na reprodução moral do ser humano. Deus não
criou o homem com um caráter já formado. Muito pelo contrá-
rio, o caráter de cada recém-nascido é como uma folha em bran-
co, que podemos definir como inocência. Cada pessoa precisa
ser influenciada por pessoas mais experimentadas para fazer as
escolhas certas. Aqui, entra o papel obrigatório do princípio da
autoridade - a fundamental função e a grande responsabilidade
de um líder, seja ele pai, professor, pastor, etc.
Então, o líder pode ser um degrau para o crescimento, ou
uma pedra de tropeço, para seus liderados. Ele pode sarar,
ou pode adoecer a alma das pessoas. Ele pode trancar ou
O Princípio da Autoridade - 27
destrancar os dons das pessoas. Ele pode viabilizar o cres-
cimento emocional, ou bloquear esse crescimento. Ele pode
abortar espiritualmente, ou ministrar vida às pessoas. Ele
pode aproximar as pessoas de Deus, como também, pode
torná-las céticas.
A maneira como se exerce a autoridade é, talvez, o fa-
tor que mais pesa na formação da personalidade de alguém.
Nossas ações e reações, que formam hábitos comportamen-
tais, estão intimamente ligadas com a maneira pela qual a
autoridade foi exercida sobre nós.
Por mais que soframos torções e distorções em nossa per-
sonalidade, como influência de falhas dos nossos modelos
de autoridade, ainda assim, pelo Evangelho, podemos ser
curados, reeducados e transformados.
Antes de Jesus ordenar a Grande Comissão de fazer discí-
pulos, ele declarou: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e
na terra”. Sem o verdadeiro referencial da autoridade divina
na forma como a recebemos e a exercemos, estamos reprova-
dos para cumprir a Grande Comissão.
A Grande Comissão envolve o ir (mobilização missioná-
ria). Envolve também o pregar o evangelho (evangelismo es-
tratégico), porém, o mais importante desse último manda-
mento é o “... fazendo discípulos, ensinando-os a guardar os
meus mandamentos”.
A grande chave do ensino é a autoridade. Existe uma
grande diferença entre “ensinar os mandamentos” e “ensinar
a guardar os mandamentos”. Ensinar os mandamentos pode
ser facilmente feito de maneira mecânica, superficial e até
mesmo hipócrita.
Ensinar a guardar os mandamentos significa ensinar obedi-
ência. Você só pode ensinar alguém a obedecer, obedecendo.
Essa é a essência da verdadeira autoridade espiritual. Isso fala
de um estilo de vida coerente, que se identifica com a mensa-
gem, e de uma consciência livre do agonizante conflito produ-
zido pela hipocrisia. Você, não apenas “prega para a vida de ou-
tros”, mas também, possui uma “vida que prega para outros”.
28 - CURA E EDIFICAÇÃO DO LÍDER | MARCOS DE SOUZA BORGES
Aqui, entendemos que o Evangelho não é uma doutrina,
mas um estilo de vida. Perdoar é um estilo de vida, renunciar
é um estilo de vida, servir é um estilo de vida. O descanso
também não é apenas um dia, mas uma Pessoa (Jesus) e, por
isso, é um estilo de vida, e assim por diante.
Jesus não veio trazer uma mensagem para a raça humana;
Ele veio ser a mensagem. Ele veio para ser a essência do nosso
estilo de vida. Ensinar a guardar os mandamentos gera transfor-
mação, enquanto que, impor incoerentemente os mandamen-
tos só produz legalismo, rigidez, rejeição e muitas feridas.
Talvez, o elemento que mais afete o aspecto qualitativo do
crescimento resida nos valores agregados à autoridade. A repro-
dução exige maturidade, emancipação e autoridade. Não pre-
cisamos, e nem devemos, reproduzir em outros as falhas que
contraímos no relacionamento com líderes ao longo de nossa
vida. Esse tipo de crescimento é cancerígeno. Câncer pode ser
definido como um crescimento desordenado, promovido por
células adoecidas. Um tumor não deixa de ser um crescimento,
porém, é maléfico, e afeta a saúde e a estética do corpo.
Por isso, antes de Deus confiar genuinamente a autorida-
de para liderar, Ele quer fazer mudanças profundas, sarando
nosso ser. O princípio divino da reprodução é precedido pela
santificação. Não podemos delegar sem, antes, treinar. Deus
apenas multiplica aquilo que Ele aperfeiçoou. Tudo o que é
gerado e multiplicado no contexto de uma transgressão so-
frerá as respectivas maldições.
É lógico, que, de certa forma, todos nós, sem excessão, temos
recebido uma parcela de autoridade, a qual podemos abdicar
ou nos imbuirmos da enorme responsabilidade de exercê-la,
com prudência. Se formos fiéis no pouco, então, certamente,
teremos uma chance maior de sermos fiéis no muito.
8PDDGYHUWrQFLDDRVOtGHUHV
“Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; por-
que um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E
O Princípio da Autoridade - 29
a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um
só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem queirais
ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que
é o Cristo. Mas o maior dentre vós há de ser vosso ser-
vo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será hu-
milhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será
exaltado” (Mt. 23:8-12).
Neste texto, Jesus explica um princípio fundamental do
Reino de Deus. Ou seja, quando subimos ao pedestal da lí-
derança, quando extravasamos uma concupiscência de re-
conhecimento nos estribando em títulos e posições, agindo
como se fôssemos superiores aos outros, quando nós mes-
mos nos exaltamos, então, o resultado fatal é que seremos
humilhados.
Como cristãos, não devemos nos sobressair pela posição
que possuímos, mas pelo serviço que desempenhamos. O
propósito maior de uma posição não deve ser outro senão
dinamizar ainda mais o nosso potencial e a nossa esfera de
amor e de serviço.
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