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Abordagem geral sobre a pessoa com


deficieê ncia

UFCD_7215

762319 - Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à


Comunidade – Ação 2

25 Horas

“Olhe o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção


do surdo, fale com a mão e com os olhos, como fazem os mudos!!"

Formadora Sandra Ribeiro Rebelo


Índice

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Objetivos e conteúú dos................................................................................................................................................................ 3

Conceito de deficieê ncia e tipos de deficieê ncia ................................................................................................................... 4

Direitos e deveres da pessoa com deficieê ncia.................................................................................................................... 7

Tipos de deficieê ncia e graús de deficieê ncia...................................................................................................................... 12

Classificaçaã o de caúsas da deficieê ncia mental................................................................................................................. 30

Graús da deficieê ncia mental e caracteríústicas de cada grúpo.................................................................................... 31

Conceito de inclúsaã o.................................................................................................................................................................. 32

Papel da famíúlia, profissionais e redes sociais na inclúsaã o da pessoa com deficieê ncia..................................33

Os afetos e a sexúalidade na pessoa com deficieê ncia................................................................................................... 46

Processos psicoloú gicos implicados no cúidador de pessoas com deficieê ncia....................................................48

Sobrecarga fíúsica e emocional............................................................................................................................................... 50

Bibliografia e netgrafia............................................................................................................................................................. 51
Objetivos:

 Identificar o conceito e princíúpios fúndamentais relacionados com a


deficieê ncia. 55

 Identificar o conceito de inclúsaã o e o papel da famíúlia e dos profissionais de


apoio familiar na súa promoçaã o.

 Identificar e caracterizar os tipos de deficieê ncia.

 Identificar estrateú gias psicoloú gicas e afetivas no cúidado de pessoas com


deficieê ncia.

Conteúú dos

 Conceito de deficieê ncia e tipos de deficieê ncia

 Direitos e deveres da pessoa com deficieê ncia

 Tipos de deficieê ncia e graús de deficieê ncia

 Classificaçaã o de caúsas da deficieê ncia mental

 Graús da deficieê ncia mental e caracteríústicas de cada grúpo

 Conceito de inclúsaã o

 Papel da famíúlia, profissionais e redes sociais na inclúsaã o da pessoa com


deficieê ncia

 Os afetos e a sexúalidade na pessoa com deficieê ncia

 Processos psicoloú gicos implicados no cúidador de pessoas com deficieê ncia

 Sentimentos e emoçoã es
 Sobrecarga fíúsica e emocional

Conceito de deficiência e tipos de


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deficiência
Considera-se Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) aqúela qúe apresente, em
caraú ter permanente, perdas oú redúçoã es da súa estrútúra, oú fúnçaã o anatoú mica,
fisioloú gica, psicoloú gica oú mental, qúe gerem incapacidade para certas atividades,
dentro do padraã o considerado normal para o ser húmano.

As deficiências podem ser congénitas ou adquiridas.

As chamadas deficiências físicas congénitas definem-se como qúalqúer


perda oú anormalidade de estrútúra oú fúnçaã o fisioloú gica oú anatoú mica, desde o
nascimento, decorrente de caúsas variadas, como por exemplo: prematúridade,
anoú xia perinatal, desnútriçaã o materna, rúbeú ola, toxoplasmose, traúma de parto,
exposiçaã o aà radiaçaã o, úso de drogas, caúsas metaboú licas e oútras desconhecidas.

A deficiência adquirida ocorre após o nascimento, pode acometer o


sújeito em diferentes etapas da vida, sendo conseqúente a caúsas naã o traúmaú ticas
como acidente vascúlar encefaú lico, túmores, processos degenerativos, entre oútras
e tambeú m a caúsas traúmaú ticas como acidentes de viaçaã o, agressoã es por armas de
fogo, qúedas, mergúlhos, etc.

A deficiência física adquirida caúsa úma múdança abrúpta na imagem corporal


do sújeito, qúe de úm dia para o oútro, passa a ver-se de úma maneira diferente
(Alves; Dúarte, 2010).

Anteriormente ao acidente, o sújeito jaú vivia sob determinadas condiçoã es


profissionais, afetivas, familiares, etc. qúando ocorre a deficieê ncia, há uma
mudança radical em todos os aê mbitos da vida do sújeito, assim como na dinaê mica
familiar.
Sendo assim, a deficiência física traz para o indivíúdúo, naã o soú úm novo corpo, mas
tambeú m acarreta úma seú rie de alteraçoã es fíúsicas, sociais e psicoloú gicas. (Alves;
Dúarte, 2010).
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As deficiências físicas (motoras) saã o:

 Paraplegia: Perda todas das fúnçoã es motoras.

 Paraparesia: Perda parcial das fúnçoã es motoras dos membros inferiores.

 Monoplegia: Perda parcial das fúnçoã es motoras de úm soú (podendo ser


súperior oú inferior).

 Monoparesia: Perda parcial das fúnçoã es motoras de úm soú membro


(podendo ser súperior oú inferior).

 Tetraplegia: Perda total das fúnçoã es motoras dos membros súperiores e


inferiores.

 Tetraparesia: Perda parcial das fúnçoã es motoras dos membros súperiores e


inferiores.

 Triplegia: Perda total das fúnçoã es motoras em treê s membros.


 Triparesia: Perda parcial das fúnçoã es motoras em 3 membros.

 Hemiplegia: Perda total das fúnçoã es motoras de úm hemisfeú rio do corpo


(direito oú esqúerdo).
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 Hemiparesia: Perda parcial das fúnçoã es motoras de úm hemisfeú rio do


corpo. (direito oú esqúerdo)

PARALISIA CEREBRAL

 Lesaã o de úma oú mais aú reas do sistema nervoso central tendo como


conseqúeê ncia, alteraçoã es psicomotoras, podendo ou não causar deficiência
mental. Geralmente os portadores de paralisia cerebral possúem movimentos
involúntaú rios, espasmos múscúlares repentinos chamados esplasticidade (rigidez)
oú hipotonia (flacidez). A falta de eqúilíúbrio dificúlta a deambúlaçaã o e a capacidade
de segúrar objetos.

DEFICIÊNCIA MENTAL

 A deficiência mental refere-se a padroã es intelectúais redúzidos,


apresentando comprometimentos de níúvel leve, moderado, severo oú profúndo, e
inadeqúaçaã o de comportamento adaptativo, tanto menor qúanto maior for o graú
de comprometimento.

DEFICIÊNCIA VISUAL

 A deficiência visual eú a perda oú redúçaã o de capacidade visúal em ambos


os olhos em caraú ter definitivo, qúe naã o possa ser melhorada oú corrigida com o úso
de lentes, tratamento clíúnico oú cirúú rgico. Existem tambeú m pessoas com visaã o
súbnormal, cújos limites variam com oútros fatores, tais como: fúsaã o, visaã o
cromaú tica, adaptaçaã o ao claro e escúro, sensibilidades a contrastes, etc.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA

A deficiência auditiva inclúi disacúsias (perda de aúdiçaã o) leves, moderadas,


severas e profúndas e saã o assim classificados:
 Perda moderada

 Perda severa

 Perda profúnda 55

DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS

 Qúando a pessoa apresenta conjúntamente dúas oú mais deficieê ncias.


Direitos e deveres da pessoa com
deficiência
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O ordenamento jurídico português consagra, em sede de Lei Constitúcional oú
Fúndamental (CRP), pelo seú artigo 71.º, direitos fúndamentais dos cidadãos
com deficiência:

a) O direito dos deficientes a naã o serem privados de direitos oú isentos de


deveres, gozando dos mesmos direitos dos restantes cidadaã os e a estarem sújeitos
aos mesmos deveres [direito aà igúaldade e aà naã o discriminaçaã o; direito de natúreza
anaú loga aos «direitos, liberdades e garantias»];

b) O direito a exigir do Estado a realizaçaã o das condiçoã es de facto qúe permitam


o efectivo exercíúcio dos direitos e o cúmprimento dos deveres [direito social,
designadamente o direito aà súbsisteê ncia condigna!].

Constituição da República Portuguesa (CRP) (Lei Fundamental do Estado)

Princípios fundamentais

Artigo 9.º Tarefas fundamentais do Estado

Saã o tarefas fúndamentais do Estado:


(…)

d) Promover o bem-estar e a qúalidade de vida do povo e a igúaldade real entre os


portúgúeses, bem como a efectivaçaã o dos direitos econoú micos, sociais, cúltúrais e
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ambientais, mediante a transformaçaã o e modernizaçaã o das estrútúras econoú micas
e sociais;

(…)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo I Direitos e deveres económicos

Artigo 59.º Direitos dos trabalhadores

(…)

2 - Incúmbe ao Estado assegúrar as condiçoã es de trabalho, retribúiçaã o e repoúso a


qúe os trabalhadores teê m direito, nomeadamente:

(…)

c) A especial protecçaã o do trabalho das múlheres dúrante a gravidez e apoú s o


parto, bem como do trabalho dos menores, dos diminúíúdos e dos qúe
desempenhem atividades particúlarmente violentas oú em condiçoã es insalúbres,
toú xicas oú perigosas;

(…)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 63.º Segurança social e solidariedade


(…)

3 - O sistema de segúrança social protege os cidadaã os na doença, velhice, invalidez,


viúvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as oútras sitúaçoã es de
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falta oú diminúiçaã o de meios de súbsisteê ncia oú de capacidade para o trabalho.

4 - Todo o tempo de trabalho contribúi, nos termos da lei, para o caú lcúlo das
pensoã es de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em qúe
tiver sido prestado.

5 - O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o fúncionamento das


institúiçoã es particúlares de solidariedade social e de oútras de reconhecido
interesse púú blico sem caraú cter lúcrativo, com vista aà prossecúçaã o de objectivos de
solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alíúnea b) do n.º 2
do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alíúnea e) do n.º 1 do artigo 70.º e no artigo 71.º e
artigo 72.º.

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais


Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 71.º Cidadãos portadores de deficiência

1 - Os cidadãos portadores de deficiência física ou mental gozam plenamente 55

dos direitos e estaã o sújeitos aos deveres consignados na Constitúiçaã o, com


ressalva do exercíúcio oú do cúmprimento daqúeles para os qúais se encontrem
incapacitados.

2 - O Estado obriga-se a realizar úma políútica nacional de prevençaã o e de


tratamento, reabilitaçaã o e integraçaã o dos cidadaã os portadores de deficieê ncia e de
apoio aà s súas famíúlias, a desenvolver úma pedagogia qúe sensibilize a sociedade
qúanto aos deveres de respeito e solidariedade para com eles e a assúmir o
encargo da efectiva realizaçaã o dos seús direitos, sem prejúíúzo dos direitos e
deveres dos pais oú tútores.

3 - O Estado apoia as organizações de cidadãos portadores de deficiência.

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo III Direitos e deveres culturais

Artigo 74.º Ensino

1 - Todos teê m direito ao ensino com garantia do direito aà igúaldade de


oportúnidades de acesso e eê xito escolar.

2 - Na realizaçaã o da políútica de ensino incúmbe ao Estado:

(…)
d) Garantir a todos os cidadaã os, segúndo as súas capacidades, o acesso aos graús
mais elevados do ensino, da investigaçaã o cientíúfica e da criaçaã o artíústica;

(…)
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g) Promover e apoiar o acesso dos cidadaã os portadores de deficieê ncia ao ensino e


apoiar o ensino especial, qúando necessaú rio;

h) Proteger e valorizar a líúngúa gestúal portúgúesa, enqúanto expressaã o cúltúral e


instrúmento de acesso aà edúcaçaã o e da igúaldade de oportúnidades;

(…)

O quadro normativo regulador, o direito dos deficientes a gozar de todos os


direitos fúndamentais (qúe tenham súficiente capacidade para desfrútar) em
execúçaã o da Lei Constitúcional (CRP), em imposiçoã es constitúcionais de acçaã o
estadúal, jaú eú vasto, cabendo ao Estado “assúmir o encargo da efectiva realizaçaã o
dos seús direitos”, obrigando-se “a realizar úma políútica nacional de prevençaã o e de
tratamento, reabilitaçaã o e integraçaã o dos cidadaã os portadores de deficieê ncia e de
apoio aà s súas famíúlias, a desenvolver úma pedagogia qúe sensibilize a sociedade
qúanto aos deveres de respeito e solidariedade para com eles”.

Existe muita legislação e regulamentação dispersas sobre a matéria, num


"desvario legislativo", numa "errância legislativa e regulamentar".... Haú
imensos direitos "programados", "programaú ticos" oú contemplados em normas
avúlsas qúe os doentes núnca conhecem e nem teê m possibilidade de conhecer, para
deles úsúfrúíúrem. Estoú a tentar sistematizaú -los, para conveniente divúlgaçaã o,
conhecimento e frúiçaã o.
Tipos de deficiência e graus de
deficiência
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Vamos recordar: Qual o significado da palavra “deficiência”?

Segúndo a Organizaçaã o Múndial de Saúú de, deficieê ncia eú o súbstantivo


atribúíúdo a toda a perda oú anormalidade de úma estrútúra oú fúnçaã o psicoloú gica,
fisioloú gica oú anatoú mica. Refere-se, portanto, aà biologia do ser húmano.

Quem pode ser considerado deficiente?

A expressaã o “pessoa com deficiência” pode ser atribúíúda a pessoas


portadoras de qúalqúer tipo(s) de deficieê ncia. Poreú m, em termos legais, esta
mesma expressaã o eú aplicada de úm modo mais restrito e refere-se a pessoas qúe se
encontram sob o amparo de determinada legislaçaã o.

É designado “deficiente” todo aqúele qúe tem úm oú mais problemas de


fúncionamento oú falta de parte anatoú mica, embargando com isto dificúldades a
vaú rios níúveis: de locomoçaã o, percepçaã o, pensamento oú relaçaã o social.

Ateú bem recentemente, o termo “deficiente” era vúlgarmente aplicado a pessoas


portadoras de deficieê ncia(s). Poreú m, esta expressaã o embarga consigo úma forte
carga negativa depreciativa da pessoa, pelo qúe foi, ao longo dos anos, cada vez
mais rejeitada pelos especialistas da aú rea e, em especial, pelos proú prios portadores.
Atúalmente, a palavra eú considerada como inadequada e estimuladora do
preconceito a respeito do valor integral da pessoa. Deste modo, a súbstitúíú-la
súrge a expressaã o: “pessoa especial”.

Quais os vários tipos de deficiência?

A pessoa especial pode ser portadora de deficiência única ou de


deficiência múltipla (associaçaã o de úma oú mais deficieê ncias). As vaú rias
deficieê ncias podem agrúpar-se em qúatro conjúntos distintos, sendo eles:

Deficiência visual
Deficiência motora

Deficiência mental

Deficiência auditiva 55

Deficiência Visual

A visão é um dos sentidos qúe nos ajúda a compreender o múndo aà nossa volta,
ao mesmo tempo qúe nos daú significado para os objectos, conceitos e ideias.

A comunicação por meio de imagens e elementos visuais relacionados eú


denominada "comúnicaçaã o visúal". Os húmanos empregam-na desde o amanhecer
dos tempos. Na realidade, ela eú predadora de todas as lingúagens escritas.

A deficiência visual eú a perda oú redúçaã o da capacidade visual em ambos os


olhos, com caraú cter definitivo, naã o sendo súscetíúvel de ser melhorada oú corrigida
com o úso de lentes e/oú tratamento clíúnico oú cirúú rgico.

De entre os deficientes visuais, podemos ainda distingúir os portadores de


cegúeira e os de visaã o súbnormal.

Causas da deficiência visual

Congénitas: amaúrose congeú nita de Leber, malformaçoã es ocúlares,


glaúcoma congeú nito, catarata congeú nita.
Adquiridas: traúmas ocúlares, catarata, degeneraçaã o senil de maú cúla,
glaúcoma, alteraçoã es relacionadas aà hipertensaã o arterial oú diabetes.

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Como identificar?

Desvio de úm dos olhos;

Naã o segúimento visúal de objectos;

Baixo aproveitamento escolar;

Atraso de desenvolvimento.

Sinais de alerta

Olhos vermelhos, inflamados oú lacrimejantes;

Paú lpebras inchadas oú com pús nas pestanas;

Esfregar os olhos com freqúeê ncia;

Fechar oú tapar úm dos olhos, sacode a cabeça oú estende-a para a frente;

Segúrar os objetos múito perto dos olhos;

Inclinar a cabeça para a frente oú para traú s, piscar oú semicerrar os olhos


para ver os objetos qúe estaã o longe oú perto;

Qúando deixa cair objetos peqúenos, precisa de tactear para os encontrar;

Cansar-se facilmente oú distrair-se ao aplicar a vista múito tempo.

Consequências da Baixa Visão

Perceção Turva:
Os contrastes saã o poúcos perceptíúveis;

As distaê ncias saã o mal apreciadas;

Existe úma maú percepçaã o do relevo; 55

As cores saã o atenúadas.

Escotoma Central e Visão Periférica

Fúnciona apenas a retina perifeú rica, qúe naã o eú taã o discriminativa, pelo qúe
pode ser necessaú ria a ampliaçaã o da letra para efeitos de leitúra;

EÉ em geral impeditiva das actividades realizadas com proximidade dos


restantes elementos, bem como da leitúra;

Apresenta acúidade visúal baixa (cerca de 1/10).

Visão Tubular

A retina central fúnciona, podendo a acúidade visúal ser normal;

A visaã o noctúrna eú redúzida, pois depende fúncionalmente da retina


perifeú rica;

Podendo naã o limitar a leitúra, eú múito limitativa das actividades de


aútonomia.

Patologias que conduzem à baixa visão

Atrofia do Nervo Óptico:

Degeneresceê ncia das fibras do nervo oú ptico. Se for total, naã o haú percepçaã o
lúminosa.

Alta miopia:
Baseia-se núm defeito de refracçaã o elevado (> a 6 dioptrias), qúe
freqúentemente eú hereditaú rio, associado a oútros aspectos degenerativos. O risco
do deslocamento da retina eú elevado, nesse caso, devem ser tomadas precaúçoã es
necessaú rias. 55

Cataratas Congénitas:

Perda de transpareê ncia do cristalino, originando pertúrbaçoã es na


diminúiçaã o da acúidade visúal. A visaã o perifeú rica tambeú m estaú normalmente
afectada, daíú existir úma grande dependeê ncia na fúncionalidade e na aútonomia.

Degeneração macular:

Sitúa-se, na zona central da retina, maú cúla, e constitúi úma das caúsas mais
freqúentes de dependeê ncia visúal ligada aà idade. Oútras patologias súrgem em
escaloã es etaú rios mais jovens (ex.: qúeimadúra da maú cúla – eclipse solar). A visaã o
perifeú rica naã o sofre alteraçoã es pelo qúe naã o haú problemas na mobilidade. A visaã o
central eú afectada por escotomas qúe podem progredir.

Glaucoma:

EÉ úma patologia do olho em qúe a pressaã o intra-ocúlar eú elevada por


prodúçaã o excessiva oú deficieê ncia na drenagem do húmor aqúoso.

O glaúcoma agúdo eú mais raro, doloroso e normalmente implica intervençaã o


cirúú rgica no seú tratamento.

Outras Retinopatias

Degeneresceê ncia da retina qúe poder ser hereditaú ria oú naã o. Envolve perda
de visaã o e conseqúentes problemas na mobilidade, ficando a pessoa com visaã o
túbúlar.

Síndroma USHER

Associa a retinopatia pigmentar aà patologia aúditiva, afectando


simúltaneamente a visaã o e a aúdiçaã o.
Doença de Stargardt

Consiste em diversos escotomas do centro para a periferia da retina,


mantendo-se qúase sempre úm ilheú ú central de visaã o.
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O aluno deficiente visual…

Características da Criança Deficiente Visual

A criança deficiente visúal eú aqúela qúe difere da meú dia, a tal ponto qúe iraú
necessitar de professores especializados, adaptaçoã es cúrricúlares e oú materiais
adicionais de ensino, para ajúdaú -la a atingir úm níúvel de desenvolvimento
proporcional aà s súas capacidades;

Os alúnos com deficieê ncia visúal naã o constitúem úm grúpo homogeú neo;

Os portadores de deficieê ncia visúal apresentam úma variaçaã o de perdas qúe


se poderaã o manifestar em diferentes graús de acúidade visúal;

Adaptações educacionais para os Deficientes Visuais

A educação da criança deficiente visúal pode se processar por meio de


programas diferentes, desenvolvidos em classes especiais oú na classe comúm,
recebendo apoio do professor especializado;

As crianças necessitam de uma boa educação geral, somada a úm tipo de


edúcaçaã o compatíúvel com seús reqúisitos especiais, fazendo oú naã o, úso de
materiais oú eqúipamentos de apoio.

A educação do deficiente visual necessita de professores especializados


nesta aú rea, meú todos e teú cnicas especíúficas de trabalho, instalaçoã es e eqúipamentos
especiais, bem como algúmas adaptaçoã es oú adiçoã es cúrricúlares;
A tendência atual da educação especial eú manter na escola comúm o
maior núú mero possíúvel de crianças com necessidades edúcativas especiais;

Cabe à sociedade a responsabilidade de prover os aúxíúlios necessaú rios


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para qúe a criança se capacite e possa integrar-se no grúpo social.

Princípios da Educação do Deficiente Visual

Individúalizaçaã o

Concretizaçaã o

Ensino Unificado

Estíúmúlo Adicional

Aúto-Atividade

Estimulação dos sentidos:

Estimúlaçaã o visúal

Estimúlaçaã o do tacto

Estimúlaçaã o aúditiva

Estimúlaçaã o do olfacto e do paladar

Estimulação visual

Motivar a criança a alcançar, tocar, manipúlar e reconhecer o objecto;

Ensinar a “olhar” para o rosto de qúem fala;

Ajústar úma aú rea onde a criança possa brincar em segúrança e onde os


objectos estejam ao alcance dos seús braços;
O edúcador pode úsar fita-cola de diferentes cores para contrastarem com
os objectos da criança, de modo a tornaú -los mais visíúveis.

Estimulação do tacto
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Descriminar diferentes textúras;

Experimentar materiais com formas e feitios com contornos níútidos e cores


vivas;

Distingúir a temperatúra dos líúqúidos e soú lidos;

Mostrar como pode manipúlar o objecto.

Estimulação auditiva

Oúvir barúlhos ambientais, gravadores, raú dios…;

Identificar sons simples;

Distingúir timbres e volúmes dos sons;

Discriminar a diferença entre dúas frases qúase igúais;

Desenvolver a memoú ria aúditiva selectiva.

Estimulação do olfacto e do paladar

Provar e cheirar diferentes comidas (salgadas, doces e amargas);

Cheirar vinagre, perfúmes, detergentes, sabonetes e oútros líúqúidos com


cheiros fortes.

Programa pré-escolar

Qúando em idade preú -escolar, a criança deficiente visúal necessita qúe se deê
importaê ncia aà “rapidez,” para qúe atinja o mesmo níúvel qúe os colegas normo-
visúais.

Para tal eú particúlarmente importante que ela desenvolva:


capacidades motoras ;

capacidades da lingúagem;

capacidades discriminativas e percetivas. 55

Deficiência Motora

O que é a deficiência motora?

Deficiência motora eú úma disfunção física ou motora, a qúal poderaú ser de


caraú cter congeú nito oú adqúirido.

Desta forma, esta disfúnçaã o iraú afetar o indivíduo, no qúe diz respeito aà
mobilidade. AÀ coordenaçaã o motora oú aà fala. Este tipo de deficiência pode
decorrer de lesoã es neúroloú gicas, neúromúscúlares, ortopeú dicas e ainda de mal
formaçaã o.

Quem pode ser considerado deficiente motor?

Considera-se deficiente motor todo o indivíúdúo qúe seja portador de


deficieê ncia motora, de caraú cter permanente, ao níúvel dos membros súperiores oú
inferiores, de graú igúal oú súperior a 60% (avaliada pela Tabela Nacional de
Incapacidades, aprovada pelo decreto de lei nº 341/93, 30 de Setembro).

Para aleú m disso, para ser titúlar deste nome, eú necessaú rio qúe essa
deficieê ncia dificúlte, comprovadamente, a locomoçaã o na via púú blica sem aúxíúlio de
oútrem oú recúrso a meios de compensaçaã o, bem como o acesso oú útilizaçaã o dos
transportes púú blicos.
Quem pode ser considerado portador de multideficiência profunda?

EÉ considerado portador de múltideficieê ncia profúnda todo aqúele qúe tenha 55

úma deficieê ncia motora de caraú cter permanente, ao níúvel dos membros inferiores
oú súperiores, de graú igúal oú súperior a 60%, e contenha, cúmúlativamente,
deficieê ncia sensorial, intelectúal oú visúal de caraú cter permanente, daíú resúltando
úm graú de desvalorizaçaã o súperior a 90% e qúe, deste modo, esteja
comprovadamente de condúzir veíúcúlos aútomoú veis.

Como pode ser comprovada a deficiência?

As declarações de incapacidade das deficiências motora oú múltideficieê ncia


podem ser emitidas por:

 Júntas meú dicas, nomeadas pelo Ministro da Saúú de nos casos de pessoa com
deficieê ncias civis;

 Direçoã es dos serviços competentes de cada úm dos ramos das Forças


Armadas;

 Comandos-Gerais da Gúarda Nacional Repúblicana e da Policia de


Segúrança Púú blica.

Quais as causas da deficiência motora?

São vários os motivos qúe podemos encontrar na base da deficiência motora,


destacando-se as segúintes:

Acidentes de traê nsito;

Acidentes de trabalho;
Erros meú dicos;

Problemas dúrante o parto;

Violeê ncia; 55

Desnútriçaã o

Etc.

Quais os vários tipos de deficiência motora?

Monoplegia

Hemiplegia

Paraplegia

Tetraplegia

Ampútaçaã o

Distinção entre os vários tipos:

 monoplegia: paralisia em úm membro do corpo;

 hemiplegia: paralisia na metade do corpo;

 paraplegia: paralisia da cintúra para baixo;

 tetraplegia: paralisia do pescoço para baixo;

 amputado: falta de úm membro do corpo.

Medidas preventivas:
Maior consciencializaçaã o por parte das múlheres acerca da necessidade de
fazer acompanhamento meú dico preú -natal;

Existirem mais pessoas treinadas no resgate de vitimas de acidentes de


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transito;

Consciencializaçaã o dos riscos da hipertensaã o e da diabetes;

“Lutar pelos direitos dos deficientes é uma forma de superar as nossas


próprias deficiências” J.F.Kennedy

Comportamentos que devemos evitar e que devemos promover nas pessoas


com deficiência motora

Devemos promover o maú ximo de independeê ncia no aê mbito das capacidades


e limitaçoã es da pessao, mas atendendo sempre aà s necessidades inerentes a cada
caso de deficieê ncia, pois cada caso eú úm caso e deve-se encontrar sempre úma
solúçaã o especíúfica adeqúada.

Naã o se deve fazer de conta qúe estas pessoas naã o existem, pois se o fizermos
vamos estar a ignorar úma caracteríústica múito importante dessa pessoa e, se naã o a
virmos da forma como ela eú , naã o nos estaremos a relacionar com a pessoa
“verdadeira”, mas sim com oútra pessoa qúe foi inventada por noú s proú prios.

Qúando se conversa com úm alúno em cadeira de rodas, devemo-nos


lembrar sempre qúe, para eles eú extremamente incoú modo conversar com a cabeça
levantada, sendo por isso melhor sentarmo-nos ao seú níúvel, para qúe o alúno se
possa sentir mais confortaú vel.

Sempre qúe haja múita gente em corredores, bares, restaúrantes, shopings


etc e estivermos a ajúdar úm colega em cadeira de rodas, devemos avançar a
cadeira com prúdeê ncia, pois a pessoa poder-se-aú sentir incomodada, se magoar
oútras pessoas.
As maiores barreiras naã o saã o arqúitectoú nicas, mas sim a falta de informaçaã o
e os preconceitos.

55

Deficiência Mental

Deficiência mental eú a designaçaã o qúe caracteriza os problemas que


ocorrem no cérebro e levam a úm baixo rendimento, mas qúe naã o afectam oútras
regioã es oú aú reas cerebrais.

Quem pode ser considerado deficiente mental?

Deficiente mental saã o “todas as pessoas qúe tenham úm QI abaixo de 70 e


cújos sintomas tenham aparecido antes dos dezoito anos considera-se qúe teê m
deficieê ncia mental.” - Paúla Romana.
Segúndo a vertente pedagoú gica, o deficiente mental seraú o indivíúdúo qúe tem úma
maior oú menor dificúldade em segúir o processo regúlar de aprendizagem e qúe
por isso tem necessidades edúcativas especiais, oú seja, necessita de apoios e
adaptaçoã es cúrricúlares qúe lhe permitam segúir o processo regúlar de ensino.

Deficiência Auditiva

A audição, tal como os restantes sentidos, eú múito importante para o nosso


desenvolvimento como indivíúdúo, como parte da sociedade.
Jaú antes do nosso nascimento, a audição é o primeiro sentido a ser apúrado,
atraveú s do diaú logo da maã e com o seú bebeú , dos novos sons, do conhecimento do
múndo qúe nos rodeia.
EÉ atraveú s desta qúe comúnicamos com o múndo e este se comúnica connosco,
desenvolvendo assim a nossa identidade, os nossos sentimentos, a compreensaã o do
múndo qúe estaú aà nossa volta, os víúncúlos sociais, as interacçoã es intra e inter –
pessoais e, naã o esqúecendo, o modo como manifestamos os nossos anseios e 55

necessidades.

Definição de Deficiencia Auditiva

A deficiência auditiva, trivialmente conhecida como súrdez, consiste na perda


parcial oú total da capacidade de oúvir, isto eú , úm indivíúdúo qúe apresente úm
problema aúditivo.

EÉ considerado súrdo todo o individúo cúja aúdiçaã o naã o eú fúncional no dia-a-dia, e


considerado parcialmente súrdo todo aqúele cúja capacidade de oúvir, ainda qúe
deficiente, eú fúncional com oú sem proú tese aúditiva.
A deficieê ncia aúditiva eú úma das deficieê ncias contempladas e integradas nas
necessidades edúcativas especiais (n.e.e.); necessidades pelas qúais a Escola tanto
proclama.

Qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva?

Por vezes, as pessoas confúndem súrdez com deficieê ncia aúditiva. Poreú m, estas dúas
noçoã es naã o devem ser encaradas como sinoú nimos.
A súrdez, sendo de origem congeú nita, eú qúando se nasce súrdo, isto eú , naã o se tem a
capacidade de oúvir nenhúm som. Por conseqúeê ncia, súrge úma seú rie de
dificúldades na aqúisiçaã o da lingúagem, bem como no desenvolvimento da
comúnicaçaã o.
Por súa vez, a deficieê ncia aúditiva eú úm deú fice adqúirido, oú seja, eú qúando se nasce
com úma aúdiçaã o perfeita e qúe, devido a lesoã es oú doenças, a perde. Nestas
sitúaçoã es, na maior parte dos casos, a pessoa jaú aprendeú a se comúnicar oralmente.
Poreú m, ao adqúirir esta deficieê ncia, vai ter de aprender a comúnicar de oútra forma. 55

Em certos casos, pode-se recorrer ao úso de aparelhos aúditivos oú a intervençoã es


cirúú rgicas (dependendo do graú da deficieê ncia aúditiva) a fim de minimizar oú
corrigir o problema.

Tipos de deficiência auditiva

 Deficieê ncia Aúditiva Condútiva


 Deficieê ncia Aúditiva Sensoú rio-Neúral
 Deficieê ncia Aúditiva Mista
 Deficieê ncia Aúditiva Central / Disfúnçaã o Aúditiva Central / Súrdez Central
 Deficieê ncia Aúditiva Condútiva

A perda de audição condutiva afeta, na maior parte das vezes, todas as


freqúeê ncias do som. Contúdo, por oútro lado, naã o se verifica úma perda de aúdiçaã o
severa.
Este tipo de perda de capacidade aúditiva pode ser caúsada por doenças oú
obstrúçoã es existentes no oúvido externo oú no oúvido interno. A súrdez condútiva
pode ter origem núma lesaã o da caixa do tíúmpano oú do oúvido meú dio.
EÉ vúlgar nos adúltos a perda de aúdiçaã o condútiva, devido ao depoú sito de cerúú men
(cera) no canal aúditivo externo. Nas crianças, a otite meú dia, úma inflamaçaã o do
oúvido meú dio, eú a caúsa mais comúm de perda de aúdiçaã o condútiva.

Deficiência Auditiva

Sensório-Neural:
 A perda de audição neurossensorial resúlta de danos provocados pelas
ceú lúlas sensoriais aúditivas oú no nervo aúditivo. Este tipo de perda pode dever-se
a úm problema hereditaú rio núm cromossoma, assim como, pode ser caúsado por 55

lesoã es provocadas dúrante o nascimento oú por lesoã es provocadas no feto em


desenvolvimento, tal como acontece qúando úma graú vida contrai rúbeú ola.
A sujeição a ruídos excessivos e persistentes aúmenta a pressaã o núma parte do
oúvido interno – o labirinto – e pode resúltar núma perda de aúdiçaã o
neúrossensorial. Essa perda pode variar entre ligeira e profúnda. Nestes casos, o
recúrso aà amplificaçaã o do som pode naã o solúcionar o problema, úma vez qúe eú
possíúvel qúe se verifiqúe distorçaã o do som.

Deficiência Auditiva Mista:

Na deficieê ncia aúditiva mista verifica-se, conjúntamente, úma lesaã o do


aparelho de transmissaã o e de recepçaã o, oú seja, qúer a transmissaã o mecaê nica das
vibraçoã es sonoras, qúer a súa transformaçaã o em percepçaã o estaã o
afectadas/pertúrbadas.
Esta deficieê ncia ocorre qúando haú alteraçaã o na condúçaã o do som ateú ao
oú rgaã o terminal sensorial oú do nervo aúditivo. A súrdez mista ocorre qúando haú
ambas as perdas aúditivas: condútivas e neúrossensoriais.

Deficiência Auditiva Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central:

A deficiência auditiva Central, Disfunção Auditiva Central ou Surdez


Central naã o eú , necessariamente, acompanhada de úma diminúiçaã o da sensibilidade
aúditiva. Contúdo manifesta-se por diferentes graús de dificúldade na percepçaã o e
compreensaã o das qúaisqúer informaçoã es sonoras. Este tipo de deficieê ncia eú
determinado por úma alteraçaã o nas vias centrais da aúdiçaã o. Tal, decorre de
alteraçoã es nos mecanismos de processamento da informaçaã o sonora no tronco
cerebral, oú seja, no Sistema Nervoso Central.
Classificação BIAP: (Bureau International d’Audiophonologic)
Graus de surdez:
 Leve – entre 20 e 40 dB 55

 Meú dia – entre 40 e 70 dB


 Severa – entre 70 e 90 dB
 Profúnda – mais de 90 dB
 1º Graú: 90 dB
 2º Graú: entre 90 e 100 dB
 3º Graú: mais de 100 dB

Como minimizar o problema da deficiência auditiva?

Os progressos tecnoloú gicos dos úú ltimos tempos teê m sido pontos bastante
rentaú veis para as pessoas qúe apresentam falhas aúditivas.
Poreú m, qúanto mais cedo se iniciar o tratamento para estes indivíúdúos, tambeú m
melhor seraã o os resúltados, úma vez qúe qúanto mais cedo se iniciar a estimúlaçaã o
do ceú rebro, melhor seraú o seú desenvolvimento.
Para minimizar o problema da deficiência auditiva, as pessoas podem recorrer
a dois meú todos:
 meú todo oralista
 meú todo gestúalista
Ou ainda…
 Proú tese aúditivas
 Eqúipamentos aútoú nomos de amplificaçaã o por freqúeê ncia modúlada

Método Oralista e Método Gestualista:


Existem dois métodos fundamentais para melhorar úm tratamento na pessoa
deficiente aúditiva:
 O método oralista, qúe somente se baseia na aqúisiçaã o de lingúagem oral,
sem intervençaã o de gestos estrútúrados. 55

 O método gestualista qúe, para aleú m de úm ensino de lingúagem oral,


ainda apresenta úm sistema estrútúrado de gestos. Este úú ltimo baseia-se na defesa
da lingúagem gestúal.

Próteses auditivas e outros equipamentos:

Ainda qúe, por múito cedo a pessoa portadora de deficiência auditiva comece a
úsar proú teses aúditivas, estas vaã o intervir com o seú aúto-reconhecimento, com a
súa imagem pessoal, afastando-a simbolicamente da comúnidade súrda, ainda qúe a
líúngúa gestúal possa ser a súa líúngúa materna. As proú teses aúditivas, por serem
aparelhos visíúveis e facilmente detectaú veis aà observaçaã o directa, faraã o com qúe o
indivíúdúo tenha de se adaptar a esta nova realidade, para assim se integrar de úma
melhor forma na sociedade.

Contudo, nem sempre isto é conseguido, úma vez qúe a maior parte das pessoas
rejeitam estes aparelhos.
As próteses auditivas saã o aparelhos qúe servem para ampliar o som. Contúdo, eú
atraveú s do úso e do treino aúditivo especializado qúe se vaã o consegúindo alcançar
algúns resúltados.
Toda esta tecnologia qúe tem vindo a ser falada ao longo dos tempos, tem,
gradúalmente, vindo a ajúdar as pessoas deficientes aúditivas, permitindo-nos
tambeú m dispor de algúns aparelhos de amplificaçaã o de sons saã o bastante úú teis.
55

Classificação de causas da deficiência


mental
EÉ importante alertar qúe, múitas vezes, apesar da útilizaçaã o de recúrsos sofisticados
na realizaçaã o do diagnoú stico, naã o se chega a definir com clareza a caúsa de
deficieê ncia mental.

Fatores Genéticos:
Estes factores actúam antes da gestaçaã o; a origem da deficieê ncia estaú jaú
determinada pelos genes oú herança geneú tica. Saã o factores oú caúsas de tipo
endoú geno (actúam no interior do proú prio ser). 55

Existem dois tipos de causas genéticas:


 Geneopatias – alteraçoã es geneú ticas qúe prodúzem metabolopatias oú
alteraçoã es de metabolismo;
 Cromossomopatias – qúe saã o síúndromes devidos a anomalias oú alteraçoã es
nos cromossomas.

Fatores Extrínsecos:

Fatores extrínsecos saã o fatores preú -natais, isto eú , qúe actúam antes do
nascimento do ser.
Podemos, entaã o, constatar os segúintes problemas:
 Desnútriçaã o materna;
 Maú assisteê ncia aà gestante;
 Doenças infecciosas;
 Intoxicaçoã es;
 Pertúrbaçoã es psiqúíúcas;
 Infecçoã es;
 Fetopatias; (actúam a partir do 3º meê s de gestaçaã o)
 Embriopatias (actúam dúrante os 3 primeiros meses de gestaçaã o)
 Geneú ticos.
 etc

Fatores perinatais e neonatais

Fatores Perinatais ou Neonatais saã o aqúeles qúe actúam dúrante o nascimento oú


no receú m-nascido.
Neste caso, podemos constatar os segúintes problemas:
Metabolopatias;
Infecçoã es;
Incompatibilidade RH entre maã e e receú m-nascido. 55

Maú assisteê ncia e traúmas de parto;


Hipoú xia oú anoú xia;
Prematúridade e baixo peso;
Icteríúcia grave do receú m-nascido (incompatibilidade RH/ABO).

Fatores Pós-Natais
Fatores poú s-natais saã o fatores qúe actúam apoú s o parto.
Observamos, assim, os segúintes problemas:
Desnútriçaã o, desidrataçaã o grave, careê ncia de estimúlaçaã o global:
Infecçoã es;
Convúlsoã es;
Anoxia (paragem cardíúaca, asfixia…)
Intoxicaçoã es exoú genas (envenenamento);
Acidentes;
Infestaçoã es.

Graus da deficiência mental e


características de cada grupo
Embora existam diferentes correntes para determinar o grau de deficiência
mental, saã o as teú cnicas psicomeú tricas qúe mais se impoã em, útilizando o QI para a
classificaçaã o desse graú.
O conceito de QI foi introdúzido por Stern e eú o resúltado da múltiplicaçaã o por cem
do qúociente obtido pela divisaã o da IM (idade mental) pela IC (idade cronoloú gica).
Segúndo a OMS, a deficieê ncia divide-se:
Profunda: 55

 Grandes problemas sensorio-motores e de comúnicaçaã o,bem como de


comúnicaçaã o com o meio;
 Saã o dependentes dos oútros em qúase todas as fúnçoã es e actividades, pois
os seús handicaps fíúsicos e intelectúais saã o gravíússimos;
 Excecionalmente teraã o aútonomia para se deslocar e responder a treinos
simples de aúto-ajúda.

Grave/severa:
 Necessitam de protecçaã o e ajúda, pois o seú níúvel de aútonomia eú múito
pobre;
 Apresentam múitos problemas psicomotores;
 A súa lingúagem verbal eú múito deficitaú ria – comúnicaçaã o primaú ria;
 Podem ser treinados em algúmas actividades de vida diaú ria baú sicas e em
aprendizagens preú -tecnoloú gicas simples;

Moderado/média:
 Saã o capazes de adqúirir haú bitos de aútonomia pessoal e social;
 Podem aprender a comúnicar pela lingúagem oral, mas apresentam
dificúldades na expressaã o e compreensaã o oral;
 Apresentam úm desenvolvimento motor aceitaú vel e teê m possibilidade para
adqúirir algúns conhecimentos preú -tecnoloú gicos baú sicos qúe lhes permitam
realizar algúm trabalho;
 Dificilmente chegam a dominar as teú cnicas de leitúra, escrita e caú lcúlo;

Leve/ligeira:
 Saã o edúcaú veis;
 Podem chegar a realizar tarefas mais complexas;
 A súa aprendizagem eú mais lenta, mas podem permanecer em classes comúns
embora precisem de úm acompanhamento especial;
 Podem desenvolver aprendizagens sociais e de comúnicaçaã o e teê m
capacidade para se adaptar e integrar no múndo laboral; 55

 Apresentam atraso míúnimo nas aú reas perceptivas e motoras;


 Geralmente naã o apresentam problemas de adaptaçaã o ao ambiente familiar e
social.

Conceito de inclusão
Inclusão é o conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos
benefícios da vida em sociedade, provocada pela classe social, origem
geográfica, educação, idade, deficiência, sexualidade ou preconceitos raciais.
55

Inclusão social eú oferecer, aos mais necessitados, oportúnidades de acesso a bens


e serviços dentro de úm sistema qúe beneficie a todos e naã o apenas aos mais
favorecidos no sistema meritocraú tico vigente na sociedade.

Incluir quer dizer fazer parte, inserir, introduzir. Inclúsaã o eú o ato oú efeito de
inclúir.

Assim, a inclusão social das pessoas com deficiências significa tornaú -las
participantes da vida social, econoú mica e políútica, assegúrando o respeito aos seús
direitos no aê mbito da Sociedade, do Estado e do Poder Púú blico. A inclúsaã o eú úm
processo qúe acontece gradúalmente, com avanços e retrocessos isto porqúe os
seres húmanos saã o de natúreza complexa e com heranças antigas, teê m
preconceitos e diversas maneiras de entender o múndo. Assim sendo, torna-se
difíúcil terminar com a exclúsaã o e mesmo existindo leis contra a mesma, naã o saã o leis
qúe vaã o múdar, de úm dia para o oútro, a mentalidade da sociedade assim como o
seú preconceito.

As sociedades antepassadas não aceitavam a deficiência, provocando úma


exclúsaã o qúase total das pessoas portadoras desta. As famíúlias chegavam mesmo a
escondeê -las da conviveê ncia com oútros, isolando-as do múndo. Felizmente, o
múndo desenvolveú levando a úma maior aceitaçaã o da deficieê ncia devido ao
aparecimento de novos pensamentos e mentalidades. Estas transformaçoã es
aconteceram, em grande maioria, no final do seú cúlo XIX e começo do seú cúlo XX na
Revolúçaã o Indústrial, com o aparecimento do interesse pela edúcaçaã o nos paíúses
desenvolvidos. Esse interesse provocoú o iníúcio do atendimento aos deficientes,
bem como o aparecimento da edúcaçaã o especial destinada a úm movimento de 55

inclúsaã o escolar e social.

Assim a sociedade aprendeu a ser mais inclusiva, compreensiva e solidaú ria com
a deficieê ncia.

Hoje, as crianças com deficieê ncia freqúentam a escola, saem a rúa, brincam, vivem
como úma criança dita “normal”. No entanto, ainda temos úm longo caminho a
percorrer para qúe todas as pessoas se sintam integradas e apoiadas por todo o
múndo.

Vaú rios paíúses jaú criaram leis que protegem os deficientes e qúe os inclúem na
sociedade. Um deficiente deve ser considerado úm cidadaã o, isto eú , úm indivíúdúo
qúe pode gozar dos seús direitos civis, políúticos, econoú micos e sociais de úma
sociedade assim como deve cúmprir os seús deveres para com esta.
Um cidadão deve ter dignidade, ter honra e ser respeitado por qúalqúer oútro,
oú seja, todos os deficientes teê m direito a ser respeitados pois tambeú m saã o
cidadaã os. Algúns dos objetivos de vários países são:
55
“Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade
e qúaisqúer oútras formas de discriminaçaã o”;

“Constrúir úma sociedade livre, jústa e solidaú ria”;

“Erradicar a pobreza e a marginalizaçaã o e redúzir as desigúaldades sociais e


regionais”;

A expressão “bem de todos” indica qúe os direitos e deveres da sociedade


pressúpoã em qúe todos saã o igúais perante a lei.

No entanto, as pessoas com deficiência possuem necessidades diferentes o qúe


as tornam especiais. Desta forma, eú importante existir direitos especíúficos para as
pessoas portadoras de deficieê ncia, direitos qúe compensem, na medida do possíúvel,
as limitaçoã es e/oú impossibilidades a qúe estaã o sújeitas.

Existem muitas leis, no entanto, as atitudes de rejeição criam barreiras


sociais e físicas qúe dificúltam o processo de integraçaã o.

Isto deve-se ao facto da sociedade possúir úm modelo de Homem, oú seja, cada


pessoa elege úm padraã o e todos os qúe fújam a ele saã o olhados de maú forma. Um
bom exemplo disto saã o os deficientes qúe, por vezes, tambeú m saã o olhados na rúa
como algo diferente, talvez por fúgir ao modelo de Homem estabelecido por cada
úm. A dificúldade de últrapassar este modelo de Homem acontece por certas
pessoas considerarem oútras “menos inteligentes” (como pode acontecer com os
deficientes mentais, por exemplo).

Como sabemos, e como jaú foi referido, são inúmeros os obstáculos existentes
para os deficientes, sendo a inclúsaã o escolar úma das grandes barreiras no nosso
paíús.
“Uma escola para todos e para cada um” eú úm grande objectivo a cúmprir para a
inclúsaã o. Uma escola qúe acolhe as diferenças, qúe colabora, qúe convive seraú úm
bom princíúpio para combater a exclúsaã o social. Dividir a escola em termos de
alúnos “normais” e alúnos “deficientes” naã o eú certamente úm princíúpio inclúsivo e 55

o objectivo pretendido.

O caminho para termos uma sociedade incluída seraú , provavelmente,


aprofúndar a Edúcaçaã o Inclúsiva apoiando todos os alúnos com dificúldades,
dando-lhes úma edúcaçaã o de qúalidade núm ambiente comúnitaú rio e diverso.
Papel da família, profissionais e redes
sociais na inclusão da pessoa com
deficiência 55

FAMÍLIA:

Nas sociedades contemporaê neas, somos compelidos a pensar qúe toda e qúalqúer
estrútúra tem de obedecer a determinados criteú rios, oú seja, a úm padraã o qúe eú
aceite socialmente como regra. O conceito de família, qúe estaú em constante
evolúçaã o, tem vindo a sofrer alteraçoã es ao longo do tempo, no qúe concerne aà súa
estrutura organizacional. Atúalmente, verifica-se a existeê ncia de úma
múltiplicidade de estrútúras familiares, resúltantes de úma sociedade em
múdança, designadamente famílias monoparentais, uniões de facto, entre
outros.

As pessoas com deficiência precisam de estímulos externos especíúficos para


desenvolver os seús sentidos e personalidade. O papel das escolas em qúe
estúdam eú essencial, pois laú recebem o tratamento mais adeqúado para ampliar o
seú potencial de acordo com as limitaçoã es impostas pela deficieê ncia. Igualmente
importante é a família, qúe exerce úm papel fundamental na inclusão social da
pessoa com deficiência.

Os pais devem estar atentos desde cedo para identificar se a criança possúi algúma
deficieê ncia. Algúmas delas, como o aútismo, naã o saã o detetadas por meio de anaú lises
ao sangúe, e a descoberta precoce iraú garantir o desenvolvimento pleno do aútista.
Apoú s o diagnoú stico os pais devem preparar-se para úma rotina distinta da qúe
imaginavam, e isso naã o eú negativo como múitos pensam. É apenas diferente.

Preparar-se para criar úm filho com deficieê ncia significa saber qúe o desempenho
escolar seraú diferente do comúm; qúe, em algúns momentos, a criança passaraú por
súrtos sem motivos aparentes; qúe a rotina de remeú dios deveraú ser segúida aà risca
para qúe o desempenho escolar naã o seja prejúdicado; e qúe o carinho dado talvez
naã o seja recíúproco, pois, múitas vezes, apesar de a criança tambeú m sentir amor, ela
naã o consegúiraú expressaú -lo. 55

Profissionais

Atitude é tudo!

Se eú deficiente aprenda a contornar algúns dos obstaú cúlos qúe podem súrgir na
conqúista de úm emprego.

Se é empregador naã o olhe para úma pessoa com incapacidade fíúsica como algúeú m
qúe dificilmente pode ter úm bom desempenho profissional. Não se deixe
enganar a este ponto e acredite que o incentivo que pode dar a essa pessoa se
tradúz núma notaú vel prodútividade e motivaçaã o.

Até aos anos 40, um portador de deficiência estava aútomaticamente


incapacitado para o exercíúcio de úma profissaã o. No final desta deú cada, com a
indústrializaçaã o e com o campo social e econoú mico a estabelecer-se, súrgem novas
relaçoã es de trabalho e, nos anos 90, apostam-se em medidas de reabilitaçaã o
profissional adeqúadas a todas as categorias de pessoas deficientes.

É importante promover oportunidades de emprego para pessoas com


incapacidades fíúsicas no mercado regúlar de trabalho. E naã o eú assim taã o difíúcil -
nem para o empregador, nem para o empregado.

Ter incapacidades físicas não significa ser um mau colaborador. Por vezes, a
incapacidade nem inflúencia o seú trabalho e a súa prodútividade, mas os
empregadores podem colocar algúmas reticeê ncias. A atitúde deles perante si pode
múdar sem qúalqúer fúndamento e, o mais provaú vel, eú serem vistos como
colaboradores de potencial baixo.
Mas vamos ponderar os «dois lados da questão»:

empregador 55

Naã o súbestime o seú colaborador soú porqúe ele tem incapacidades fíúsicas! Perceba
ateú qúe ponto essa deficieê ncia pode oú naã o interferir diretamente no trabalho
elaborado pelo seú colaborador.

Por exemplo, núm trabalho qúe necessita mais da "cabeça", como informaú tico oú
webdesign, uma "limitação" física no pé não afeta a produtividade do seu
trabalho.

Claro que pode ter condições especiais, em termos de horaú rio, transporte oú
acomodaçoã es, mas isso saã o qúestoã es qúe devem ficar estabelecidas desde o iníúcio.
E naã o se preocúpe porqúe, múitos dos deficientes, naã o precisam de ir tantas vezes
ao meú dico como pensa. De resto, todas as oútras preocúpaçoã es parecem
desnecessaú rias e, no fúndo, devem ser as mesmas para os oútros colaboradores.

Aleú m disso, contratar pessoas com deficieê ncias introdúz algúma inovaçaã o,
diversidade e ateú qúalidade no trabalho. Se eú positivo para a imagem da empresa,
eú -o ainda mais para o colaborador contratado.

O simples fato de terem um emprego dá-lhes motivação, capacidades e


independência para desempenharem da melhor forma as súas tarefas. Os
médicos não têm explicação, mas os estúdos comprovam qúe atitúdes positivas
com os seús pacientes contribúem para úma recúperaçaã o mais raú pida e, no local de
trabalho, essas atitúdes por parte do empregador oú dos proú prios colegas saã o
múito importantes.

empregado:

Afaste os "olhares de lado" de múitos empregadores e acredite em si e nas suas


capacidades. Tem úma deficieê ncia, mas sabe qúe pode ser bom naqúele
determinado cargo. Siga em frente e mostre qúe a súa incapacidade física não
prejudica o seu desempenho profissional - é realmente a pessoa indicada para
o lugar.

55
Redes sociais

A Rede Social eú úm programa qúe incentiva os organismos do setor público


(serviços desconcentrados e aútarqúias locais), institúiçoã es solidaú rias e oútras
entidades qúe trabalham na aú rea da açaã o social, a conjúgarem os seús esforços para
prevenir, atenúar oú erradicar situações de pobreza e exclusão e promover o
desenvolvimento social local atraveú s de úm trabalho em parceria.

É um conjunto de respostas de apoio social dirigidas aà s pessoas com deficieê ncia


qúe teê m como objetivos promover a valorizaçaã o pessoal, o desenvolvimento de
auto-estima e de autonomia e a integração social.

Existem 8 tipo de respostas:

Centro de atendimento, acompanhamento e reabilitaçaã o social

Apoio domiciliaú rio

Centro de atividades ocúpacionais

Acolhimento familiar

Estabelecimentos residenciais

Transporte de pessoas

Centro de feú rias e lazer

Apoio em regime ambúlatoú rio.

Pagamento dos serviços prestados


As pessoas que beneficiam deste tipo de apoios pagam úm valor pelo serviço
prestado – comparticipaçaã o familiar – o qúal eú calculado com base nos
rendimentos da família.
55

Centro de atendimento, acompanhamento e reabilitação social

Resposta social destinada a assegurar o atendimento, acompanhamento


e o processo de reabilitaçaã o social a pessoas com deficieê ncia e incapacidade e a
disponibilizar serviços de capacitaçaã o e súporte aà s súas famíúlias oú cúidadores
informais, nas segúintes modalidades:

 Atendimento e acompanhamento social - responde de forma ceú lere e


eficaz aà s sitúaçoã es apresentadas e tradúz-se núm conjúnto de açoã es
complementares ao atendimento, destinando-se ao apoio necessaú rio aà prevençaã o e
aà resolúçaã o dos problemas sociais apresentados.

 Reabilitação social - consiste na aqúisiçaã o de competeê ncias pessoais e


sociais, para obtençaã o de maior aútonomia e participaçaã o social da pessoa com
deficieê ncia e incapacidade, podendo ser desenvolvida em eqúipamento, no
domicíúlio oú na comúnidade.

Objetivos:

Informar, orientar e encaminhar para os serviços e eqúipamentos sociais


adeqúados a cada sitúaçaã o

Promover programas de reabilitaçaã o inclúsivos com vista ao


desenvolvimento de competeê ncias pessoais e sociais

Assegúrar o acompanhamento do percúrso de reabilitaçaã o social com vista aà


aútonomia e capacidade de representaçaã o

Capacitar e apoiar as famíúlias, bem como os cúidadores informais.


Serviço de apoio domiciliário

Resposta social qúe consiste na prestaçaã o de cúidados e serviços a famíúlias e oú 55

pessoas qúe se encontrem no seú domicíúlio, em sitúaçaã o de dependeê ncia fíúsica e oú


psíúqúica e qúe naã o possam assegúrar, temporaú ria oú permanentemente, a
satisfaçaã o das súas necessidades baú sicas e oú a realizaçaã o das atividades
instrúmentais da vida diaú ria, nem disponham de apoio familiar para o efeito.

Objetivos:

Concorrer para a melhoria da qúalidade de vida das pessoas e famíúlias

Contribúir para a conciliaçaã o da vida familiar e profissional do agregado


familiar

Contribúir para a permaneê ncia das pessoas no seú meio habitúal de vida,
retardando oú evitando o recúrso a estrútúras residenciais

Promover estrateú gias de desenvolvimento da aútonomia

Prestar os cúidados e serviços adeqúados aà s necessidades dos útentes


(mediante contratúalizaçaã o)

Facilitar o acesso a serviços da comúnidade

Reforçar as competeê ncias e capacidades das famíúlias e de oútros cúidadores.

Centro de atividades ocupacionais

Resposta social destinada a promover atividades para jovens e adúltos, a partir


dos 16 anos, com deficieê ncia grave.

Objetivos:
Criar condiçoã es qúe visem a valorizaçaã o pessoal e a integraçaã o social de
pessoas com deficieê ncia

Promover estrateú gias de desenvolvimento de aúto-estima e de aútonomia


55
pessoal e social

Proporcionar a transiçaã o para programas de integraçaã o socioprofissional


qúando aplicaú vel

Assegúrar a prestaçaã o de cúidados e serviços adeqúados aà s necessidades e


expectativas dos útilizadores.

Acolhimento familiar

Resposta social qúe consiste em integrar temporaú ria oú permanentemente


pessoas adúltas com deficieê ncia, em famíúlias capazes de lhes proporcionar úm
ambiente estaú vel e segúro.

Objetivos:

Acolher pessoas com deficieê ncia

Garantir aà pessoa acolhida úm ambiente sociofamiliar e afetivo propíúcio aà


satisfaçaã o das súas necessidades baú sicas e ao respeito pela súa identidade,
personalidade e privacidade

Facilitar a relaçaã o com a comúnidade, com vista aà súa integraçaã o social

Reforçar a aúto-estima e a aútonomia pessoal e social

Evitar oú retardar o internamento em institúiçoã es.

Estabelecimentos residenciais
Equipamento destinado a pessoas com deficieê ncia e incapacidade, com as
segúintes modalidades:

Lar residencial - Estabelecimento para alojamento coletivo, de útilizaçaã o


55
temporaú ria oú permanente, de pessoas com deficieê ncia e incapacidade, de idade
igúal oú súperior a 16 anos, qúe se encontrem impedidas de residir no seú meio
familiar.

Residência autónoma - Estabelecimento de alojamento temporaú rio oú


permanente em apartamento, moradia oú oútra tipologia similar, destinado a
pessoas com deficieê ncia e incapacidade, de idade igúal oú súperior a 18 anos, qúe,
mediante apoio, teê m capacidade para viver de forma aútoú noma.

Objetivos:

Do lar residencial:

Contribúir para o bem-estar e melhoria da qúalidade de vida dos residentes

Promover estrateú gias de reforço da aúto-estima pessoal e da capacidade


para a organizaçaã o das atividades da vida diaú ria

Promover oú manter a fúncionalidade e a aútonomia dos residentes

Facilitar a integraçaã o em oútras estrútúras, serviços oú estabelecimentos


mais adeqúados ao projeto de vida dos residentes

Promover a interaçaã o com a famíúlia e com a comúnidade.

Da residência autónoma:

Proporcionar aos residentes igúaldade de oportúnidades facilitando a súa


participaçaã o social e o desenvolvimento de percúrsos profissionais.

Transporte
Serviço de transporte e acompanhamento personalizado, para pessoas com
deficieê ncia, independentemente da idade (nos distritos de Lisboa e Porto).

Objetivos:
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Garantir o transporte e o acesso aos serviços de reabilitaçaã o e de saúú de

Apoiar na integraçaã o das pessoas com deficieê ncia.

Centro de férias e lazer

Resposta social destinada a todas as faixas etaú rias da popúlaçaã o e aà famíúlia na súa
globalidade para satisfaçaã o de necessidades de lazer e de qúebra da rotina,
essencial ao eqúilíúbrio fíúsico, psicoloú gico e social dos seús útilizadores.

Objetivos:

Proporcionar:

Estadias fora da súa rotina de vida

Contactos com comúnidades e espaços diferentes

Viveê ncias em grúpo, como formas de integraçaã o social

Promoçaã o do desenvolvimento do espíúrito de interajúda

Fomento da capacidade criadora e do espíúrito de iniciativa.

Apoio em regime ambulatório

Resposta social destinada a desenvolver atividades de avaliaçaã o, orientaçaã o e


intervençaã o terapeúta e socioedúcativa, júnto de pessoas com deficieê ncia a partir
dos 7 anos de idade.
Objetivos:

Criar condiçoã es facilitadoras do desenvolvimento global da pessoa com


deficieê ncia
55

Promover a integraçaã o socioprofissional, escolar e comúnitaú ria.

Os afetos e a sexualidade na pessoa com


deficiência
Falar sobre a sexualidade do portador de deficiência física implica
necessariamente abordar o conceito sexualidade humana de forma ampla, em
toda súa dimensaã o, oú seja, abrangendo os aspetos físico-biológicos,
socioculturais, económicos e políticos. Nesse contexto, a sexúalidade mascúlina
ainda se confúnde com a praú tica "machista", com todos os significados qúe este
termo conteú m e qúe eú taã o sobejamente conhecido. A sexúalidade feminina assúme
ainda contornos de súbmissaã o, repressaã o, sob a eú gide da dominaçaã o mascúlina
qúe, contraditoriamente, explora o erotismo do corpo feminino em todos os níúveis,
transformando-o em objecto de prazer.
55

A despeito das mudanças qúe se processam qúanto aà fúnçaã o social da múlher


hoje, principalmente a partir do seú compromisso no mercado de trabalho e,
decorrente, do seú papel mais participativo em termos de eqúidade com o homem
no seio da famíúlia, permanecem ainda resqúíúcios da sociedade patriarcal e
aútoritaú ria da sociedade faú lica. Estúdos mostram qúe a sexúalidade mascúlina eú
mais centrada nos oú rgaã os genitais (no peú nis), diferentemente da sexúalidade
feminina, qúe eú mais difúsa sobre seú corpo. O corpo predominantemente
genitalizado do homem pode ser explicado em fúnçaã o de qúe este,
independentemente de classe social, foi súbmetido, historicamente, ao processo de
prodúçaã o, foi canalizado para o trabalho. Indíúcios de múdanças aparecem na classe
meú dia, na qúal este modelo começoú a ser rompido a partir do qúestionamento das
relaçoã es de geú nero, provocando úma maior eqúidade no qúe se refere ao direito aà
gratificaçaã o sexúal e aà valorizaçaã o orgaú smica da múlher. Assim, a sexúalidade
mascúlina, como instrúmento de dominaçaã o e poder, eú úma postúra sexúal
alienante. Essa alienaçaã o eú parte constitútiva das sociedades qúe valorizam o
trabalho em detrimento do prazer, negando o proú prio corpo.

Saã o formas mascaradas de repressaã o, apesar da libertaçaã o sexúal iniciada haú treê s
deú cadas com o advento da píúlúla anticoncecional e a ascensaã o social e políútica da
múlher. Esses valores atingem de modo severo os portadores de deficieê ncia fíúsica
(em conseqúeê ncia de danos neúroloú gicos). Estes, a despeito das disfúnçoã es sexúais
presentes em diferentes níúveis, qúanto aà ereçaã o, ejacúlaçaã o, orgasmo e reprodúçaã o,
manteê m a súa sexúalidade latente, qúando entendida no seú conceito ampliado. Haú
qúe se compreender, todavia, qúe, para o homem portador de deficiência física,
tais limitaçoã es acarretam o sentimento de qúe lhe foi tirado o essencial de súa 55

identidade mascúlina, constrúíúda cúltúralmente sob o significado simboú lico do


"poder do falo". Conseqúentemente, tiraram desse homem o "seú poder" nas
relaçoã es sociais e interpessoais.

Na mulher, o impacto da deficiência atinge a sexúalidade na súa imediaticidade,


oú seja, na súa apareê ncia. O seú corpo, objeto de erotizaçaã o, apresenta
deformidades qúe o distanciam do modelo de "belo" e "perfeito" forjado pela
cúltúra "machista" e pelo marketing das sociedades capitalistas. Este pano de
fundo está implícito na manifestação da sexualidade humana e, como tal,
necessita ser aprendido e compreendido pelos profissionais da Saúú de, em especial
por aqúeles qúe actúam no processo de reabilitaçaã o dos portadores de deficieê ncia
fíúsica. EÉ necessaú rio qúe se incorporem açoã es terapeê úticas voltadas para a
reabilitaçaã o sexúal dessas pessoas para ajúdaú -las a súperar súas dificúldades.
Assim procuramos caminhos para qúe possam exercitar a sua sexualidade o
mais plenamente possíúvel, com a obtençaã o do prazer fíúsico e psíúqúico, fatores
contribuintes para sua reintegração social saudável.

O pressuposto para a educação afetivo-sexual da pessoa deficiente encontra-se


na persúasaã o de qúe ela tem necessidade de afecto pelo menos na mesma medida
de qúalqúer oútro. Ela tambeú m precisa de amar e de ser amada, precisa de ternúra,
de proximidade, de intimidade.

Infelizmente, a realidade é que a pessoa deficiente se encontra a viver estas


exigências legítimas e naturais numa situação de desvantagem, qúe se torna
cada vez mais evidente com a passagem da idade infantil para a adúlta. A pessoa
deficiente, apesar de estar afetada na súa mente e nas súas dimensoã es
interpessoais, procúra relaçoã es aúteê nticas nas qúais possa ser apreciada e
reconhecida como pessoa.
55

Processos psicológicos implicados no


cuidador de pessoas com deficiência
O ato de prestar cúidados assistenciais, independente das diversas conceitúaçoã es,
implica úm ato de cúidar, oú seja, de prestar serviços de assistência básica à
saúde. EÉ úma atividade complexa que articula as dimensões éticas,
psicológicas, sociais e demográficas levando em consideraçaã o os aspetos
clíúnicos, teú cnicos e comúnitaú rios.

O nível de exigência e as exigências ao cuidador podem ser avaliados e


investigados, podendo assim indagar o níúvel da qúalidade de vida destes. Qúando
se trata de idosos eú comúm encontrar oú o cuidador-remunerado (sem laço de
parentesco) oú cuidador-leigo, oú ainda o cuidador-terceiro, tambeú m conhecido
como acompanhante terapeê útico.
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Com pessoas com deficiência física o mais comúm eú ter úm grúpo de cúidadores,
sendo úm cúidador-principal (responsaú vel financeiramente), úm cuidador-
familiar e úm cuidador-remunerado (com oú sem laço de parentesco)
dependendo da sitúaçaã o financeira.

O mesmo não ocorre com as famílias de pessoas com deficiência mental,


geralmente, elas possúem úm cuidador-principal, responsaú vel naã o soú
financeiramente, mas pelo acompanhamento aos tratamentos, e qúe dependendo
do local em qúe este cúidador trabalhe, tambeú m conta com úm cuidador-terceiro
ou cuidador-leigo para levar aà s consúltas meú dicas. EÉ comúm qúe as crianças e
jovens com deficieê ncia mental passem a maior parte do dia em institúiçoã es de
reabilitaçaã o.

Diversas pesqúisas tem apontado qúe quando o cuidador se envolve com grande
rigor em tarefas complexas e consegúe bons resúltados para a pessoa assistida,
pode-se afirmar qúe este cúidador, deixa de se preocúpar com o grau de seu
comprometimento físico e psicológico, seguindo a tendência de negar a si
próprio em favor do outro, negligenciando a súa qúalidade de vida.

O cuidado excessivo com um membro familiar, com deficieê ncia mental, pode ser
úm sinal de súperproteçaã o. O conceito de superproteger estaú relacionado aà
presença constante e íúntima com úma pessoa e estar sempre a fazer algo em favor e
para esta. Poreú m, para as pessoas com deficiência mental qúe possúem
dificúldade para desenvolver a súa proú pria aútonomia por conta das limitaçoã es
impostas pela deficieê ncia, a súperproteçaã o permite qúe o cuidador gaste todo o
seu tempo e energia com a criança, podendo ocasionar os segúintes problemas: 55

negligeê ncia do cúidador para com a súa proú pria vida;

privaçaã o inconsciente de contato social da pessoa com deficieê ncia mental


pelo cúidador;

a pessoa com deficieê ncia mental tem dificúldade de tornar-se independente

cúidador pode esgotar-se emocionalmente e fisicamente, tornando-se


incapaz de continúar a exercer o seú papel com conseqúeê ncias difíúceis de serem
confrontadas pelo membro com deficieê ncia.

Assim, dependendo do estado de saúde, dos fatores individúais e sitúacionais do


cúidador, este poderia sentir e vivenciar as mesmas experieê ncias qúe o membro
com deficieê ncia assistido, sentindo emoções que pode ocasionar angústia e
ansiedade.

Sobrecarga física e emocional


A maior parte dos cúidadores informais eú composta por múlheres e elas sofrem
com a acúmúlaçaã o de atividades, como tarefas do lar e a fúnçaã o de cúidar. Qúanto
maior a sobrecarga do cúidador, maiores saã o os sintomas de ansiedade e depressaã o
observados.

Na vida pessoal do cuidador provenientes da tarefa de cuidar, como, por


exemplo, sitúaçoã es qúe afetam a rotina e a súa saúú de, eles desenvolvem
sentimentos negativos, conflitos internos, vontade de fúgir da sitúaçaã o vivenciada,
ocasionando sobrecarga fíúsica, emocional e social.
55

Entretanto, haú a presença de sentimentos positivos decorrentes da relaçaã o afetiva


entre o cúidador e o familiar e da fúnçaã o de cúidar.

É importante que os cuidadores tenham conhecimentos sobre a prática da


sua função. O acesso a informaçoã es a respeito da gravidade da saúú de do idoso,
como agir em sitúaçoã es de perigo, úso de medicamentos e tantos oútros
conhecimentos imprescindíúveis para a promoçaã o da saúú de e manútençaã o da
capacidade fúncional deste púú blico.
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Bibliografia e netgrafia
ENGEL, M.G. (1999). As fronteiras da 'anormalidade': psiqúiatria e controle
social. Retirado em 15/11/2007, de World Wide Web:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci.

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docente: desafios e conversas, Editora Casa do Psicoú logo, (2002)
KEROUAC, Súzanne [et al.] – El pensamento enfermeiro. Barcelona: Masson,
1996. ISBN 84-4580365-4.
LOFF, Ana Margarida – Relaçoã es Interpessoais. Enfermagem em Foco.
Lisboa: SEP. N.º 13, Ano IV (Nov./Jan. 1994), p. 56-63.
Http://www.portaldasaúde.pt/portal/conteúdos/a+saúde+em+portúgal/m
inisterio/lei+organica/arqúivo+organica/leiorganica.htm

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