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Para entender A INQUISIÇAO - 2012

Prof. Felipe Aquino

Introdução
Algumas considerações:

Em geral o estudioso está mais apressado para julgar do que para compreender.

“Se quisermos compreender a história, sentir as atitudes dos nossos maiores, muitas delas para
homem de hoje chocantes e paradoxais, procuremos estudar a mentalidade de cada época, o sentido
social do tempo, os critérios em que se estribava a legislação vigente”.

A Inquisição era um Tribunal que, conforme o costume da época, punia severamente os criminosos
para intimidar os malfeitores e proteger os inocentes. Os métodos usados são hoje
incompreensíveis, e ninguém mais pensa em usá-los, mas eram normais para a época.

FRASE DO HISTORIADOR DANIEL ROPS PARA REFLEXÃO:

“A Inquisição, mesmo tomada nos seus piores aspectos, nem se compara com os regimes
totalitários modernos; as suas prisões não atingem o número dos campos de concentração, e as
suas fogueiras são largamente ultrapassadas pelas câmaras de gás..” (DR. Vol III, P. 612)

A IDADE MÉDIA CRISTÃ

ALERTA: É um grande erro julgar a Inquisição fora do seu contexto social, político e
religioso, muitas vezes exagerando os fatos e, ocultando outros, e, pior ainda, analisando-os
segundo critérios e a cultura de hoje.

Naquela época, a Igreja considerava ilícito usar da força para converter o pagão ao cristianismo. A
Inquisição não se ocupou dos pagãos, mas dos cristãos desviados.
Santo Tomás de Aquino ensinava: “Aceitar a fé é voluntário, mas um vez abraçada é necessária”.

O HEREGE era visto como um pecador que devia ser obrigado a renunciar ao pecado. Caso
contrário, devia ser excomungado e punido até com a própria morte, por causa da grande culpa.

Importante: O comportamento vergonhoso de muitos clérigos foi sem dúvida uma das causas do
surgimento da pior heresia: os cátaros e albigenses, que motivou a Inquisição.

CURIOSIDADE: A primeira universidade, fundada pela Igreja Católica, foi a de Bolonha na Itália,
fundada em 1111, tinha 10.000 estudantes. Em 1608 contavam-se mais de cem Universidades na
Europa. Dessas Universidades, mais de oitenta tiveram sua origem na Idade Média.

Pensamento deste período: O homem não era o centro de todas as coisas, mas Deus; o lema era
“conhecer a Deus é viver e servir a Deus é reinar”. Tudo era “por Deus” e “para Deus”: a música, a
arte, a escultura, a luta, a catedral, a universidade.... tudo. O homem medieval não separava uma
realidade da outra como hoje se faz, pois tinha plena consciência do desequilíbrio que surgiria se
uma fosse sem a outra.

PERGUNTAS PARA REFLETIR: Por que é que o desenvolvimento ocorreu somente em área
cristã, e não fora desta? Por que, hoje ainda, entre os dez países mais evoluídos e ricos do mundo,
nove são de tradição cristã?

São João Paulo II: O pior pecado de nossos dias é um mundo que vive como se Deus não existisse.

Noção de Justiça da Época: A tortura era usada largamente e aprovada pela lei; o costume
germânico das ordálias estava em vigor; isto é, os acusados de crimes eram obrigado a colocar as
mãos em água fervente ou a caminhar descalços sobre o braseiro; se não morressem devido às
infecções, era sinal da proteção de Deus e de sua inocência. E havia também o “duelo judicial”,
permitindo que os adversários lutassem até que um cortasse a cabeça do outro, para que a
Providência designasse o culpado.
A MENTALIDADE RELIGIOSA E POLÍTICA DA ÉPOCA

O pedido de perdão (de João Paulo II) sobre a Inquisição se baseou em dois pressupostos:

1) A mentalidade daquela época era outra. Havia outros contextos históricos, outra filosofia de
vida, outro horizonte de julgamento. Os atores daqueles tempos agiam de maneira errada,
pensando que estavam acertando em cheio.
2) O cristianismo e o poder civil da época ainda não haviam assimilado o alcance do
mandamento da caridade, ensinado por Jesus.

Santo Tomás de Aquino defendia muito a repreensão a heresia, pois para ele isso representava um
dos pecados mais graves; tolerá-la significava por mesmo nível a verdade e o erro, seria cair no
indiferentismo, uma perda do verdadeiro sentido cristão, que tira o devido respeito a Deus.

Principais crimes religiosos punidos pelo Direito Penal antigo, eram:

a) Heresia;
b) Cisma;
c) Proselitismo contra a religião do Estado;
d) Sacrilégio;
e) Blasfêmia;
f) Profanação das coisas sagradas;
g) Ultraje ao culto
h) Perjúrio;
i) Simonia;
j) Violação das Sepulturas;
k) Violação de clausura;
l) Simulação de sacerdócio;
m) Feitiçaria;
n) Bruxaria;
o) Magia;
p) Sortilégios.

Temia-se que se a lei não punisse a ofensa a Deus, este pudesse castigar a comunidade com os
flagelos da seca, fome, guerra, peste, etc. Por outro lado, acreditava-se que combatendo os
hereges e pecadores, o povo teria as bênçãos e proteção de Deus. TODO O POVO ACHAVA
NATURAL E NECESSÁRIO QUE O GOVERNO PUNISSE CERTAS FALTAS
RELIGIOSAS.
Muitos historiadores afirmam que se a Igreja não agisse contra eles a cristandade teria sido
destruída e com ela a sociedade.

Toda vida civil era considerada sagrada!

ANTECEDENTES DA INQUISIÇÃO

Nos doze primeiros séculos do cristianismo a Igreja aplicava somente penas espirituais contra os
hereges e cismáticos, principalmente a excomunhão; não pensava em usar a força. A mentalidade
era essa: se a religião é espiritual, suas sanções também devem ser espirituais.

São João Crisóstomo: É um crime imperdoável matar um herege.

Em 313, O imperador romano Constatino o Grande se tornou cristão, e com o Edito de Milão
proibiu a terrível perseguição aos cristãos, iniciada com Nero.

Em 380, o Imperador Teodósio I através do Edito de Tessalônica, estabeleceu que o Cristianismo


tornar-se-ia a “religião oficial” do Império Romano, sendo imposta a toda a população, abolindo
assim todas as práticas politeístas pagãs dentro dos domínios do Império.

FATO IMPORTANTE: A morte do herege espanhol Prisciliano, na fogueira, em 385, pelo


imperador Máximo foi a primeira sentença de morte para um caso de heresia, decidida pela
autoridade civil, não pela Igreja.

Vide Rops, vol. III, pp. 605-606

A vida do povo

A vida era muito difícil. Não havia iluminação nas casas, nem água encanada e banheiro. O povo,
em geral, era analfabeto e cheio de superstições. Além do medo da violência dos invasores, e
também por causa deles, imperou a fome muitas vezes. Mas esse povo abraça a fé católica como
nunca, mas não é uma fé bem esclarecida e comportada. É difícil falar a eles do amor ao próximo e
do perdão ao inimigo. Veneram-se as relíquias dos santos, mas não se imitam seu exemplos.

Segundo Roland Mousnier, a vida média da população era de 20 a 25 anos. Os que chegavam
aos 40 anos já eram considerados velhos.

A PENA DE MORTE ERA COMUM ATÉ PARA CRIMES PEQUENOS!


O homem da Idade Média era acostumado com o sofrimento, isso fazia parte da sua vida; mas isso
não impediu que fosse grande o desenvolvimento das artes, da música, da arquitetura, da escultura,
da literatura, do teatro e das universidades, tudo impulsionado pela Igreja.

A fé era considerada pela Cristandade medieval como seu tesouro mais precioso.

OS PECADOS DOS FILHOS DA IGREJA

Para refletir: Ainda hoje os maus exemplos continuam sendo o pior inimigo da fé católica.

O poder sagrado era exercido não por méritos e por santidade, mas por razões de interesse de
família, políticos, ou de relação de amizade. Tudo isso era fruto das misérias do regime feudal. Este
mundo contaminou e apodreceu boa parte do clero que nele estava emerso; e é claro que isso criou
um clima para a heresia prosperar, gerando revoltas. Muitos bispos eras príncipes e senhores feudais
na Alemanha, e isso facilitava a corrupção e os maus costumes.

“A igreja não precisa de reformadores, mas de santos” São João Paulo II

AS HERESIAS DUALISTAS E O GNOSTICISMO

A razão principal que deu origem a Inquisição no século XIII foi a heresia cátara.

O herege não é alguém pequeno e sem expressão; ao contrário, é alguém inteligente, muitas vezes
culto, mas que lhe falta humildade.

Heresia Cátara:

Os cátaros queriam um Igreja só de pessoas “puras”; esqueceram que o Cristo ensinou que o joio
estará misturado com o trigo na Igreja até Ele voltar; e que é um risco tentar separá-los antes da
hora final.

Heresia Valdense:

Surgiu através de Pedro Valdo, homem analfabeto, mas honesto e fervoroso, que deseja ver a Igreja
voltar à pureza do tempo dos Apóstolos.
Seus seguidores chamavam-se os “Pobres de Lião”, eram os Valdenses. Pedro rompeu com a Igreja
e passou a ensinar que todo fiel era depositário do Espírito Santo, e que cada pessoa podia
interpretar livremente as Sagradas Escritura, sem a necessidade da Igreja. O Valdismo foi o
percussor do protestantismo.

Heresia de Berengário

Professor de teologia que ensinava que o pão e o vinho após a Consagração eram apenas símbolos,
e não presença real de Cristo. Sua heresia foi condenada pelo o Concílio de Latrão em 1059.

Heresia de Amaury de Bène

Professor de Teologia que ensinava que, como Deus é tudo, cada homem participava da divindade
de Cristo e é encarnação viva do Espírito Santo, não precisando dos Sacramentos, da autoridade ou
leis morais; e mais, sendo Deus, não pode pecar. Tudo lhes era permitido porque o Espírito Santo
supria tudo.

Deus é tudo que existe. Acreditavam que mesmo os ratos eram considerados tão divinos quanto os
humanos; e também Satanás era visto como uma emanação e manifestação de Deus. Seus
seguidores receberam o nome de “Irmão do Livre Espírito”. A heresia foi condenada pelo papa
Inocêncio III.

Heresia de Pedro de Bruys

Ensinava contra o Batismo das crianças e que era preciso rebatizar os adultos; que só houve uma
vez a transubstanciação do pão e do vinho, na Santa Ceia, não mais; que os defuntos não se
beneficiam das nossas orações, esmolas e indulgências, e que as igrejas, imagens e cruzes não tem
valor.

Acabou sendo morto na fogueira, pelas mãos do povo, após ser esquartejado, na Sexta-feira Santa
de 1124, por ter neste dia assado carne em uma fogueira feita de cruzes, afrontando a fé do povo.

Cátaros:

Segundo a doutrina dos cátaros, para libertar os anjos acorrentados na terra, o deus bom enviou seu
mensageiro, Jesus, que teria sido o único anjo fiel que aceitou essa missão. Antes de Jesus, os
homens teriam vivido nas trevas, enganados pelos profetas do Antigo Testamento, que eram sevos
do deus mau, Javé.
Os cátaros eram chamados Perfeitos, Puros (cátaros em grego). Esses Perfeitos praticavam o
desprendimento de todos os bens da terra; não se casavam; consideravam a mulher grávida como
possuidora do demônio no corpo, e muitas vezes eram mortas por isso. Alguns viviam como
faquires hindus, insensíveis a tudo. Só os Perfeitos estavam certos da salvação; julgavam que só
eles escapariam da “prisão da matéria”. Alguns tinham o desejo tão grande de chegar logo ao “céu”
que praticavam a “Endura”, o suicídio sagrado. Este suicídio era praticado por envenenamento, pelo
jejum ilimitado até a morte ou pela pneumonia adquirida de propósito. Sendo difícil a perseverança
na “perfeição” que pregavam, incentivavam a “Endura”.

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