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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3º VARA CRIMINAL

DO FORO DA COMARCA DE GOIÂNIA – GOIÁS.

Autos nº: 201601881619

GUSTAVO HENRIQUE DE OLIVEIRA NUNES, qualificado nos autos,


por seu advogado, nos autos do processo-crime que lhe move o Ministério Público do
Estado de Goiás, vem, respeitosamente, á presença de Vossa Excelência, com
fundamento no art.403, § 3º, do Código de Processo Penal, apresentar os seus

MEMORIAIS

nos seguintes termos:

I. DOS FATOS.

Consoante se depreende do incluso Inquérito Policial, o indiciado foi


preso em virtude da prática, em tese, da conduta descrita na norma penal incriminadora
prevista no artigo 33 da Lei de Drogas.

Vale lembrar, que no desenrola da prisão o denunciado sempre


afirmou que somente era usuário de drogas. Nem mesmo as circunstâncias em que
foi preso o acusado indicam seu envolvimento no tráfico ilícito de drogas

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II. DOS DIREITOS.

DA ABSOLVIÇÃO.

As provas existentes são frágeis a merecer um decreto condenatório.


Primeiro, ele afirma que a droga encontrada naquela residência era de seu uso. Com
reforço de argumentação, não haver denúncia anônima ou prisão de viciados, e até
mesmo de não estar à droga devidamente embalada para a venda. Com reforço
argumentação, o que os policiais militares relataram não corresponde á verdade
dos acontecimentos.

Não fossem suficientes os argumentos esposados, é necessário


ressaltar que, como fato incontroverso, a dúvida deve ser interpretada em favor do
acusado, em razão que as provas produzidas no inquérito policial não foram
confirmadas em juízo, de modo que resta dúvida acerca da autoria do delito.

Vale dizer que, em razão de ausência de elementos que sustentam


com segurança a imputação da conduta, permitido interpretações diversas, forçosa
deve ser a opção pela interpretação mais benéfica.

O acusado desde o início da persecução penal nega a prática do delito


que lhes e imputado, sendo certo que a “maconha” era de uso pessoal. Forçoso
reconhecer que não se encontra provada a prática do delito de tráfico de drogas, a uma
porque, não há a identificação de possíveis compradores.

Dessa forma, como ficou demonstrado e pelas informações citadas


acima não tem prova suficiente da autoria do fato delituoso que lhe é imputado,
oportunidade em o principio do in dubio pro reo deve prevalecer. Remanescendo
dúvida, impõe-se a absolvição, com fundamento no art. 386, VII, do CPP.

Senão, vejamos a seguinte jurisprudência do Tribunal do Estado de


Minas Gerais:

TJ-MG - Apelação Criminal APR 10637060400222001 MG (TJ-


MG)Data de publicação: 24/05/2013 Ementa: APELAÇÃO
CRIMINAL - ROUBO MAJORADO - ABSOLVIÇÃO - MEROS
INDÍCIOS DE AUTORIA - PROVAS FRÁGEIS - DÚVIDAS -
PRINCÍPIOS DA NÃO CULPABILIDADE E
DO IN DUBIO PRO REO - MEDIDA QUE SE IMPÕE. RECURSO
PROVIDO. 01. No processo criminal, vigora o princípio segundo o
qual a prova, para alicerçar um decreto condenatório, deve ser
irretorquível, cristalina e indiscutível. 02. Se o contexto probatório
se mostra frágil a embasar a condenação do apelante,
insurgindo dúvida acerca da autoria do fato delituoso, imperiosa
é a absolvição, consoante o princípio do in dubio pro reo.

Nesse sentido, oportuno anotar, mais uma vez, a manifestação


do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Que assim o fez:

Origem: 2º CAMARA CRIMINAL, ACORDÃO 28/01/2014,


PROCESSO: 201194505201, COMARCA: LUZIANIA, RELATOR:

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DES. LEANDRO CRISPIM, PROC./REC: 450520-
78.2011.8.09.0100- APELAÇÃO CRIMINAL.EMENTA:
APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO.
ABSOLVIÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Comprovadas a
materialidade e a autoria delitiva atribuída a um dos apelantes,
não há como absolvê-lo por insuficiência de provas. 2 -
SENTENÇA CONDENATÓRIA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.
DECLARAÇÕES ISOLADAS DO CONDUTOR DO ACUSADO.
ABSOLVIÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 386, VII, DO
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. Embora a palavra do policial
que participou do flagrante contenha forte carga probatória para
sustentar uma condenação, é mister que seja coerente com os
demais elementos de prospecção, pois, diante da dúvida, é
de ser aplicado o princípio indubio pro reo, a dimanar a
edição absolutória com fulcro no artigo 386, VII, do Código
de Processo Penal. 3 - PENA DE MULTA. REDUÇÃO.
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a pena pecuniária
não obedeceu a mesma proporcionalidade da pena privativa de
liberdade corretamente aplicada, impõe-se a sua modificação. 4 -
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE ORIGEM. O arbitramento de
honorários advocatícios devidos ao defensor nomeado devem ser
feitos perante o juízo de origem, após trânsito em julgado da
sentença -artigo 6º da Portaria n. 293/2003 daProcuradoria-Geral
do Estado. APELAÇÕES CONHECIDAS. A PRIMEIRA PROVIDA
PARA ABSOLVER O APELANTE. A SEGUNDA NÃO PROVIDA.
PENA DE MULTA, DE OFÍCIO, MODIFICADA. DECISÃO:
ACORDAM os integrantes da Segunda Turma Julgadora da
Segunda Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do
Estado de Goiás, por votação uniforme, acolhendo, em parte, o
parecer Ministerial, em conhecer das apelações, dar provimento
ao primeiro apelo para absolver Djalma Epifânio Muniz,
determinando a expedição de alvará de soltura em seu favor.
Negar provimento ao segundo apelo, porém, de ofício, reduzir a
pena de Mozar Marcelino da Silva Júnior, nos termos do voto do
Relator, exarado na assentada do julgamento que a este se
incorpora. Custas de lei. PARTES: APELANTE: DJALMA
EPIFANIO MUNIZ E OUTRO E APELADO: MINISTERIO
PUBLICO.

Restando dúvida acerca da autoria, a absolvição é medida que se


impõe, em atenção ao principio in dubio pro reo. No mesmo sentido, a jurisprudência:

APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO


POR INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. A absolvição pela prática do
crime de tráfico ilícito de entorpecentes é medida impositiva
quando a sentença condenatória está amparada em meros
indícios e presunções, destituídos de robustez suficiente para

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determinar um vínculo consistente entre ao apelante e a droga
apreendida. APELAÇÃO CONHECIDA E PROVIDA. (TJ/GO,
APELAÇÃO CRIMINAL 79905-26, 2010.8.09.005. REL. DES.
ITANEY FRANCISCO CAMPOS, 1ª CAMARA CRIMINAL, julgado
em 13/12/2012, Dje1222 de 14/01/2013).

E mais:

APELAÇÃO CRIME Nº 853.564-2 COMARCA DE LONDRINA 2º


VARA CRIMINAL. APELANTE: JULIO CELINO DOS SANTOS
FILHO. APELADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO
PARANÁ. RELATOR: DES. ROGÉRIO COELHO. RELATOR
SUBSTITUTO: JUIZ ROGÉRIO ETZEL. Apelação Criminal.
Tráfico de entorpecentes. Provas insuficientes. Depoimentos dos
policiais isolados do conjunto probatório. Aplicação do Princípio in
dubio pro reo. Apelação provida. 1. Á falta de prova cabal, firme e
segura, acerca da prática do fato típico imputado ao acusado,
impõe-se a absolvição, porquanto deve prevalecer o princípio in
dubio pro reo.

PENAL- TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS-SENTENÇA-


ABSOLUTÓRIA- IRRESIGNAÇÃO MINISTERIAL-
IMPROCENDENTE- AUSÊNCIA DE PROVAS SEGURAS DE
TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES – DELITO NÃO
CONFIGURADO. – É de se invocar a prevalência da dúvida se as
circunstâncias fáticas não comprovam com segurança o
envolvimento do agente no tráfico ilícito de drogas.

(TJ-MG – APR: 10024133405100001 MG, Relator: Julio Cezar


Guttierrez, Data de Julgamento: 12/02/2014, Câmaras Criminais/
4º CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 18/02/2014).

Cumpre-os ressaltar inicialmente que, analisando-se detidamente as


provas carreadas ao caderno processual, chega-se à conclusão de que nenhuma prova
foi produzida durante a instrução, de forma a concluir-se pela certeza da prática da
infração penal imputada ao denunciado.

Assim, verifica-se pelas declarações acima citadas que há nos autos


provas jurisdicionais não e suficientes a comprovar a autoria do denunciado nesse crime
de trafico de drogas, oportunidade que o principio do in dubio pro reo deve prevalecer,
absolvendo-se o denunciado por esse delito.

Veja-se, por imperioso, que o denunciado não realizou os elementos


objetivos e subjetivos do tipo penal que descreve o crime que lhe é imputado, bem como
não auxiliou na eventual prática do mesmo.

Dessa forma, resta inconteste a inexistência de responsabilidade


penal do denunciado, porquanto não concorreu para a prática delitiva.

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A Lei exige que os fatos sejam cabalmente comprovados, pois,
ninguém pode ser condenado por simples desconfiança, suspeita, presunções.
Outro não é o entendimento dos nossos Tribunais, senão vejamos:

“O Juiz não pode ser liberal em matéria de prova”


Sentença do Dr. Virgílio Rodrigues de Melo in Rev.
Forense 184/347.
“Se a prova da acusação é deficiente e incompleta,
impõe-se a absolvição do Réu, em cujo favor milita
presunção de inocência” (Rev. Forense vol. 186/316).
“Desde que o crime imputado não esteja
caracterizado, reforma-se a sentença condenatória
para absolver os acusados” (Rev. Forense vol.
199/326).
“Não havendo no processo prova da existência do
crime, não pode haver condenação. Esta pode
decorrer de prova circunstancial, para o efeito de
comprovação de autoria, mas a existência do crime
deve estar materialmente provada” (Rev. Forense vol.
182/302).

Como já exposto, o processo penal é o que de mais sério existe


em nosso país, nele tudo deve estar perfeitamente esclarecido, perfeitamente claro, a
fim de que se faça justiça e não injustiça, “como a que ocorreu no presente caso”.
Quando a doutrina fala “in dubio pro reo”, refere-se
exclusivamente à matéria de prova penal. Neste processo as provas da forma como
foram colhidas contra o denunciado não deveriam ser apreciadas e portanto, não tem
condão de ensejar um decreto condenatório.
Os três elementos: “o fato típico, a antijuridicidade e a
culpabilidade, se denominam “elementos constitutivos”, porque se caracterizam como
indispensáveis para existência do crime, e por isso, concorrendo todos, haverá infração
penal, e faltando um que seja, inexistirá o delito, é a opinião em síntese de José
Frederico Marques, que se aprofunda na matéria fazendo uma abordagem da opinião
de Soler, sobre elementos constitutivos genéricos e específicos”.
Sendo Vossa Excelência pessoas de profundos conhecimentos
jurídicos, não estamos aqui para demonstrarmos conhecimentos de Direito Penal, pois
sabemos que Vossa Excelência os tem, mas estando em jogo a condenação ou

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absolvição de pessoas, porque não há provas nos autos para condenação do
denunciado e, por isso, somos obrigados a insistir no “Fato Material”, não provado na
espécie.
Fato Material, portanto, é a ação mais a causalidade e o resultado,
sem qualquer interferência dos elementos anormais que possam integrar o fato típico
em exame.
Exigem-se, pela norma reitora do artigo 386, VII, do CPP, não a
mera suspeita ou presunção, mas as circunstâncias conhecidas e provadas.
Assim, requer a atenção de Vossa Excelência para os pontos já
mencionados e abaixo enunciados:

a) inexistência nos autos da prova da participação do

acusado no do delito;

b) que ninguém pode ser condenado por simples

desconfiança, suspeita, presunções, porque a Lei exige fatos

cabalmente comprovados;

c) que a prova da acusação é deficiente e incompleta,

impondo-se, pois, a absolvição, visto que em seu favor milita

presunção de inocência;

“O juiz não pode ser liberal em

matéria de prova. Alegar e não

provar é como um corpo sem

alma”.

Não existe nos autos qualquer prova que venha a contrariar a


afirmação do denunciado no sentido de que jamais teve qualquer envolvimento com esta
empreitada criminosa, ou se associou a qualquer pessoa para o fim de ajudar a praticar
crime.

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Portanto Excelência, a conduta do denunciado não se amolda ao tipo
penal estampado no artigo 33 da lei nº 11. 343/06, portanto deve ser ABSOLVIDO
desta imputação por ser a mais justa decisão.
Portanto, o denunciado deve ser ABSOLVIDO, já que não possui
nenhuma prova cabal que o denunciado estivesse participação na empreitada
criminosa.
Com reforço de argumentação, tendo em vista a insuficiência de
elementos probatórios para a responsabilização do acusado pelo crime de tráfico de
drogas, havendo dúvidas quanto á ocorrência de tal delito, impõe-se necessária sua
absolvição.

III. DOS PEDIDOS.

Por todo o exposto, requer a VOSSA EXCELÊNCIA, espera o espírito


humanitário e de tolerância que é atributo inseparável da consciência lúcida de Vossa
Excelência, possa emergir como um clarão fúlgido, quando da síntese processual
requer seja:

a) Requer que seja o acusado absolvido da pratica do crime de trafico de drogas


ilícito do artigo 33 da lei nº 11. 343/06, com base no artigo 386, inciso VII, do
Código de Processo Penal, pelas razões acima declinadas e reiterando o
pedido do próprio membro do Ministério Público;
b) Requer ainda, seja facultado recorrer em liberdade, nos termos do art. 387,
paragrafo único do Código de Processo Penal;
c) Requer que seja isento de pagamento das custas processuais;
d) Requer também, aplicadas às demais garantias legais a que faz jus o
denunciado;

Goiânia-GO, 16 de março de 2017.

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Carlos Henrique Galvão Pereira

OAB/GO 40.857