Está en la página 1de 137

PLATÓN

IÁLOGO
VI
FILEBO, TIMEO, CRITIAS

TRADUCCIONES, INTRODUCCIONES Y NOTAS


POR
A
M. A N G E L E S D U R A N Y FRANCISCO LISI

E D I T O R I A L G R E D O S
I N D I C E G E N E R A L

Págs.

FlLEBO 7

TlMEO 125

CRIT1AS 263
TIMEO
INTRODUCCIÓN

E l Timeo es u n a de las obras acerca de cuya autentici-


dad no existen p r á c t i c a m e n t e dudas. L o s testimonios que
lo c i t a n se r e m o n t a n a A r i s t ó t e l e s (De cáelo I I 293b32
[77m. 40b-c], I I I 300a 1; De generatione I 315b30 [ T í m . 54d
y sigs.], 325b24, II 3 2 9 a l 3 , 332b29) ». Esta u n a n i m i d a d casi
t o t a l n o significó en n i n g ú n m o m e n t o consenso acerca de
2
su interpretación .
Las dificultades interpretativas tienen diversas razones.
E n p r i m e r lugar, es difícil d e t e r m i n a r si l a d o c t r i n a que
expone el personaje p r i n c i p a l es l a del autor. A . E. T a y -
l o r 3, en el c o m e n t a r i o m á s i m p o r t a n t e , afirma que las teo-

1
A . E . T A Y L O R , A Commentary on Plato's Timaeus, O x f o r d , 1 9 2 8 ,
p á g . 1. E n t r e las excepciones, h a y que a ñ a d i r a l a p o s i c i ó n de S C H E L L I N G
(Philosophie und Religión, en Werke, V I , p á g . 3 6 ) , m e n c i o n a d a p o r A . E .
T A Y L O R , l a de C . H . W E I S S (Die Idee der Gottheit, Dresde, 1833, pág.
9 7 ) . S c h e l l i n g c a m b i ó posteriormente de o p i n i ó n (Scripta Philosophica, I,
en Werke, V I I , p á g . 3 7 4 ) .
2
Q u i z á s e a T H . H . M A R T I N (Études sur 'Le Timée' de Platón, I , París,
1 8 4 1 , p á g . V I I ) q u i e n define c o n m a y o r c o n c i s i ó n l a s i t u a c i ó n al c o m i e n z o
de sus m o n u m e n t a l e s estudios sobre el d i á l o g o : Parmi les dialogues de
Platón, celui qui a joué les plus grand role dans l'histoire de la philoso-
phie, celui dont les Platoniciens de tous les ages ont invoqué l'autorité, celui
qu'ona le plus cité, et qu'on a le moins compris, c'est le Timée.
3 Commentary, cit., p á g . 1 0 y sigs.
128 DIÁLOGOS

r í a s corresponden a u n e c l é c t i c o del siglo v , defensor de


u n a mezcla de p i t a g o r i s m o y materialismo j ó n i c o . A u n q u e
esta h i p ó t e s i s h a sido rechazada (cf. los convincentes ar-
4
gumentos F . M . C o r n f o r d ) , es significativa de los p r o b l e -
mas h e r m e n é u t i c o s existentes.
Y a los d i s c í p u l o s de P l a t ó n t e n í a n divergencias acerca
de si la c r e a c i ó n d e l m u n d o , p o r ejemplo, d e b í a ser t o m a d a
5
literalmente o s ó l o de m a n e r a a l e g ó r i c a . C o n los p r i m e r o s
se alineaba A r i s t ó t e l e s y c o n los segundos, J e n ó c r a t e s , que
se d e s t a c ó p o r su fidelidad a l a palabra p l a t ó n i c a y d e d i c ó
gran parte de su a c t i v i d a d al frente de la A c a d e m i a a la
6
i n t e r p r e t a c i ó n de l a c o s m o l o g í a .
P l a t ó n m i s m o ofrece en el Timeo u n a base para esta
diversidad de interpretaciones. E l o r a d o r p r i n c i p a l califica
su discurso de relato p r o b a b l e (29d2; 30b7; cf. 34c2-4),
que e s t á d e t e r m i n a d o p o r l a naturaleza del objeto descrito:
sensible, opinable y en c a m b i o p e r m a n e n t e s i n a l c a n z a r
nunca el ser (28d2-4; cf. 29b-c). A u n q u e m u c h o se ha espe-
c u l a d o s o b r e el significado del aserto p l a t ó n i c o , su sentido
parece ser simplemente que, dada la calidad del objeto, es
imposible hacer sombre el p a r t i c u l a r una e x p o s i c i ó n que se
ajuste a l a r a c i o n a l i d a d y la e x a c t i t u d propias de o t r a
7
esfera del s e r . L a d i s e r t a c i ó n no es, sin e m b a r g o , mera
f a b u l a c i ó n , dado que es imagen del discurso exacto y

4
F . M . C O R N F O R D , Plato's Cosmology. The Timaeus of Plato transla-
ted with a running commentary, Londres, 1 9 3 7 , págs. V I I I - X I .
5
C f . A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g . 6 8 y sigs.; F . M . C O R N -
F O R D , Cosmology, pág. 26.
6
S o b r e el p r o b l e m a , cf. los trabajos de G . V L A S T O S ( « T h e D i s o r d e r l y
M o t i o n in the T i m a e u s » y « C r e a t i o n in the T i m a e u s : I s it a F i c t i o n ? » ,
a m b o s en Studies in Plato's Metaphysics, Londres, 1967, págs. 3 7 9 - 3 9 9 y
4 0 1 - 4 0 9 , respectivamente).
i E s t a a f i r m a c i ó n p l a t ó n i c a h a servido p a r a i n t r o d u c i r t o d o tipo de
a r b i t r a r i e d a d e x e g é t i c a y h a sido, en general, la ú n i c a l i m i t a c i ó n que se h a
tenido en c u e n t a (cf., p. ej., F . M . C O R N F O R D , Cosmology, págs. 28-32).
TI M E O 129

racional, c o m o su objeto l o es del m u n d o ideal. Su exacti-


t u d es, p o r l o t a n t o , a p r o x i m a d a (eikós) y hay n o s ó l o u n
m o m e n t o de e r r o r , sino, sobre t o d o , de i n e x p l i c a b i l i d a d en
t é r m i n o s racionales (álogon).
N o s ó l o el c a r á c t e r , por así decirlo, m i t o l ó g i c o del dis-
curso de T i m e o , o sea la d e s c r i p c i ó n objetiva, dificulta la
tarea interpretativa. T a m b i é n la naturaleza de los potencia-
les lectores hace que sea u n c o n o c i m i e n t o difícil de trans-
m i t i r : no todos e s t á n en condiciones de entender las d o c t r i -
nas allí expuestas. A s í , se afirma que es difícil descubrir al
hacedor y padre del universo e imposible c o m u n i c á r s e l o a
todos, una vez descubierto (28c).
A s i m i s m o , el c a r á c t e r concreto del logos presente c o n -
t r i b u y e l a obstaculizar la c a p t a c i ó n i n m e d i a t a de l o expre-
sado. El discurso no aclara sus p r o p i o s p r i n c i p i o s , se
encuentra l i m i t a d o a una esfera precisa. L a o c a s i ó n y la
f o r m a a d o p t a d a hacen posible entender s ó l o en parte s u
contenido. Por ello, al hablar de los p r i n c i p i o s de los cua-
tro elementos —fuego, aire, agua y t i e r r a — , se a f i r m a que
s ó l o le son conocidos al dios y a quien es q u e r i d o p o r él
(53d), a l u s i ó n a una d o c t r i n a superior y no aclarada en el
8
d i á l o g o . T i m e o mismo excluye expresamente de la d i s e r -
tación presente esa esfera que a y u d a r í a a esclarecer el dis-
curso (48c-e), al igual que el t r a t a m i e n t o de lo concerniente
a los problemas m e t a f í s i c o s fundamentales, ser, no ser y
9
devenir ( 3 8 b ) .

* Se suele ver en este pasaje u n a a l u s i ó n a l a d o c t r i n a no escrita de


P l a t ó n ( H . J . K R Á M E R , Platone e i fondamenti della metafísica. Saggio
sulla teoría del principi e sulle dottrine non scritte di Platone con una
raccolta dei documenti fondamentali in edizione bilingüe e bibliografía,
P u b l i c a z i o n i del C e n t r o di R i c e r c h e di M e t a f í s i c a . S e z i o n i di M e t a f í s i c a e
S t o r i a della M e t a f í s i c a l . M i l á n , 1982, p á g . 367).
"* C o m o u n a p u e s t a entre p a r é n t e s i s de la p r o b l e m á t i c a , p a r a u n a o c a -
s i ó n y un d i s c u r s o m á s a p r o p i a d o hay que entender este pasaje, en el que

160. — 5
130 DIÁLOGOS

P l a t ó n s e ñ a l a , p o r t a n t o , tres tipos de limitaciones para


la c o m p r e n s i ó n de su c o s m o l o g í a : la proveniente del objeto,
la del discurso y l a de ios potenciales receptores. Esta
ú l t i m a n o se r e ñ e r e , por cierto, a los participantes del d i á -
logo, que son a su vez expositores, sino a los posibles lecto-
res no cualificados de la obra. Es de notar que los persona-
jes, t a l c o m o lo subrayan las expresiones del p r o p i o S ó -
crates (19e-20c), poseen los conocimientos filosóficos nece-
l ü
sarios para l a tarea e m p r e n d i d a . Esto indica, p o r o t r o
lado, que nos encontramos ante una a u t é n t i c a e x p o s i c i ó n
c o s m o l ó g i c a parcial, que, p o r su dificultad y especificidad,
no e s t á d i r i g i d a al p ú b l i c o en general, sino a una audiencia
que conoce ya, b á s i c a m e n t e , la filosofía p l a t ó n i c a , y, m á s
1 1
concretamente, a los miembros de la A c a d e m i a .

Dotación del Timeo

1 2
E n c u a n t o a la p o s i c i ó n en el corpus platonicum , hay
que d i s t i n g u i r la c r o n o l o g í a absoluta de la d r a m á t i c a . L a
s ó l o hay u n a aparente c o n t r a d i c c i ó n c o n el Sofista. C o n t r a r i a m e n t e G E
L - O W E N , « T h e P l a c e of the Timaeus in Plato's D i a l o g u e s » , The Classical
Quarterly, N . S . 3, 47 (1953), 79-95.
1 0
T i m e o , a l i n t e r n a r s e en l a parte c e n t r a l del d i á l o g o y, p o r ende, l a
m á s d i f í c i l de c o m p r e n d e r desde el punto de v i s t a f i l o s ó f i c o , lo pone de
relieve (Jim. 53b7-c3).
" C f . A . R I V A U D , Platón. Oeuvres completes, X , P a r í s , 1925 [1970]:
Timée, Critias. Texte établi el traduit par A. R., p á g . 5, c o n u n a c o n c l u s i ó n
s i m i l a r . F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 01) h a l l a m a d o l a a t e n c i ó n
sobre l a e x i s t e n c i a de m u c h o s pasajes del Timeo que e s t á n escritos p a r a
a l u m n o s y a v e r s a d o s , en lo que é l d e n o m i n a his [ P l a t o ' s ] later thought.
D e j a n d o de l a d o l a l i m i t a c i ó n p r o p i a de s u i n t e r p r e t a c i ó n e v o l u t i v a del
pensamiento p l a t ó n i c o , s u o b s e r v a c i ó n a p u n t a en un c a s o p a r c i a l a l a
c o n c l u s i ó n general a q u í e x t r a í d a (cf. ibidem, p á g . 73).
1 2
A c e r c a d e l p r o b l e m a de l a c r o n o l o g í a de los d i á l o g o s p l a t ó n i c o s , cf.
E . L L E D Ó I Ñ I G O , « I n t r o d u c c i ó n g e n e r a l » , P L A T Ó N , Diálogos, vol. I: Apo-
TIMEO 131

p r i m e r a se refiere a la fecha de c o m p o s i c i ó n y su r e l a c i ó n
con el resto de los d i á l o g o s . L a segunda alude a la cone-
x i ó n que se establece en el Timeo c o n otras obras ( o t r o
ejemplo de a g r u p a c i ó n d r a m á t i c a es la t r i l o g í a Teeteto,
Sofista, Político).

Cronología absoluta.—El debate acerca de la p o s i c i ó n


del Timeo en l a o b r a de P l a t ó n se r e m o n t a al siglo pasado,
cuando s o l í a sostenerse que su pensamiento h a b r í a variado
sustancialmente en la ú l t i m a é p o c a de su v i d a , colocada
generalmente d e s p u é s de la aparente c r í t i c a del Parménides
a la d o c t r i n a de las ideas. A u n q u e a ú n hoy persisten quie-
nes pretenden descubrir en el legado p l a t ó n i c o huellas de
una e v o l u c i ó n semejante, d i c h a p o s i c i ó n se hace insosteni-
, 3 1 4
ble tras los trabajos de P. Shorey , H . M . Cherniss y
1 5
ú l t i m a m e n t e de H . J. K r á m e r .
Esta i n t e r p r e t a c i ó n d i o lugar a diferentes h i p ó t e s i s a c e r c a
de l a d a t a c i ó n . D u r a n t e el siglo xix, se c o n s i d e r ó que SU
c o m p o s i c i ó n fue inmediatamente posterior a la República.
G. S t a l l b a u m »* estima que fue escrito poco d e s p u é s de este
d i á l o g o . N o obstante, estudios posteriores t e n d í a n a colo-
carlo, en consonancia con los testimonios antiguos, h a c i a el
final de la v i d a del filósofo ateniense. L a r e d a c c i ó n t a r d í a
p a r e c i ó ser c o n f i r m a d a por el a n á l i s i s e s t i l o m é t r i c o , que,

logia. Gritón, Eutifrón, Ion, Lisis, Cármides, Hipias Menor, Hipias Mayor,
Lajes, Protágoras. M a d r i d , B . C . G . , n ú m . 37, p á g s . 45-55.
13
The Unity of Plato's Thought, C h i c a g o , 1903.
14
Aristolle's Criticism of Plato and the Academy, B a l t i m o r e , 1944.
15
Arete bei Platón und Aristóteles. Zum Wesen und zur Geschichte
der platonischen Ontologie, H e i d e l b e r g , 1959 ( S i t z u n g s b e r i c h t e der H e i -
delberger A k a d e m i e der Wissenschaften P h i l o s o p h i s c h - H i s t o r i s c h e K l a s s e
J a h r g a n g , 1959, A b h a n d l u n g 6).
1 6
Platonis opera recensuit et commentariis instruxit G. STALLBAUM,
V i l (Timaeus et Critias), G o t a E r f o r d , 1838, p á g . 35.
132 DIÁLOGOS

b a s á n d o s e en ciertas c a r a c t e r í s t i c a s de la o b r a p l a t ó n i c a ,
1 7
sobre t o d o en l a presencia o ausencia de h i a t o , m o s t r a b a
que el Timeo p e r t e n e c í a al g r u p o de d i á l o g o s escritos s e g ú n
el p r i n c i p i o i s o c r á t i c o . E l a b r u p t o cambio de estilo p a r e c í a
indicar u n a a c t i t u d consciente, asumida tras u n a é p o c a de
silencio relativamente larga. E l p e r í o d o se s i t u a r í a a p a r t i r
del 360 a. C , d e s p u é s de los avatares del segundo viaje a
18
S i r a c u s a . Esta i n t e r p r e t a c i ó n , no obstante, presentaba
ciertas dificultades para los partidarios de la e v o l u c i ó n del
pensamiento p l a t ó n i c o , dado que en el presente escrito sos-
tiene la t e o r í a de las ideas sin l i m i t a c i ó n alguna.
l 9
A mediados de este siglo, el trabajo de G . L . O w e n ,
v o l v i ó a l l a m a r la a t e n c i ó n sobre la d a t a c i ó n del Timeo.
Owen consideraba que no se adecuaba a la d o c t r i n a p l a t ó -
nica t a l c o m o se encuentra expuesta en el g r u p o de d i á l o -
gos del que f o r m a parte (Político, Sofista, Filebo y Leyes).
A d e m á s , se basaba en consideraciones a c e r c a d e l o s p e r í o -
dos de las frases p l a t ó n i c a s para concluir que d e b í a colo-
c a r s e a n t e s del Pedro, dado que comparte u n a fe absoluta
en la d o c t r i n a de las ideas que parece no haber sido a ú n
sometida a las c r í t i c a s del Parménides. E n oposición a

n
L a s c a r a c t e r í s t i c a s principales de la o b r a t a r d í a son c u a t r o : r e d u c -
c i ó n del elemento d r a m á t i c o al m í n i m o , p é r d i d a de i m p o r t a n c i a de l a
figura de S ó c r a t e s h a s t a su total d e s p a r i c i ó n en las Leyes, c a r á c t e r no
a p o r é t i c o de los d i á l o g o s y esfuerzo p o r adecuarse a las n o r m a s y p e r í o -
dos propios de l a r e t ó r i c a i s o c r á t i c a . C o m o puede observarse, la fragilidad
de los criterios es evidente. E l p r i m e r o no es v á l i d o sino p a r a dos obras de
este p e r í o d o : Timeo y Critias; el segundo no se v e r i f i c a en el caso del
Filebo; el tercero es p r o p i o t a m b i é n de obras del p e r í o d o j u v e n i l y medio.
E l ú n i c o que parece ofrecer cierta f i r m e z a es el c u a r t o , p o r q u e presupone
la a u s e n c i a de hiato (cf. H . M . C H E R N I S S , « T i m a e u s 3 8 a 8 - b 5 » , Journal of
Hellenic Studies 11 (1957), 18-23, y « T h e R e l a t i o n of the Timaeus to P l a -
to's L a t e r D i a l o g u e s » , American Journal of Philology 78 (1957), 225-266).
1 8
A s í lo hace A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g s . 3-13.
1 9
G. L. OWEN, Place.
TIMEO 133

20
O w e n , H . M . C h e r n i s s intenta demostrar que el estilo
c o r r e s p o n d í a a l de P l a t ó n t a r d í o y que la d o c t r i n a expuesta
c o i n c i d í a plenamente con su filosofía.

Las dificultades que ha de encontrar quien intente aislar


las contradicciones y ñjar las etapas dentro de la doctrina pla-
t ó n i c a son innegables. U n a lectura atenta de sus d i á l o g o s
muestra u n pensamiento que, si bien ama la oscuridad y la
a m b i g ü e d a d de la e x p r e s i ó n , es asombrosamente coherente
y u n i t a r i o . T a m b i é n es evidente que las conclusiones esti-
l o m é t r i c a s son u n fundamente demasiado endeble para
2 1
ubicar c r o n o l ó g i c a m e n t e el m o m e n t o de c o m p o s i c i ó n . E n
el caso p a r t i c u l a r del Timeo, la ausencia de h i a t o y el res-
peto de los principios r e t ó r i c o s i s o c r á t i c o s se explican p r o -
bablemente p o r la naturaleza discursiva de su e x p o s i c i ó n ,
diferente del c l i m a de c o n v e r s a c i ó n relajada de otros d i á -
logos.
Los defensores de la d a t a c i ó n t a r d í a tienen de su parte
c o m o ú n i c o argumento de relativa validez el peso de la tra-
d i c i ó n antigua. A falta de criterios decisivos, parece aconse-
j a b l e considerar al Timeo, conjuntamente c o n el Crinas,
c o m o u n d i á l o g o de vejez, al que h a b r í a n seguido, p r o b a -
blemente, el Filebo y, seguramente, las Leyes.

L a fecha de c o m p o s i c i ó n del d i á l o g o adquiere una


i m p o r t a n c i a relativa para la c o m p r e n s i ó n de la d o c t r i n a
p l a t ó n i c a si se parte de la u n i d a d de su pensamiento y,
sobre t o d o , de la r e c e p c i ó n u n i t a r i a que se ha hecho de su
filosofía. L a idea de que la d o c t r i n a p l a t ó n i c a h a b r í a
sufrido u n a e v o l u c i ó n no deja de ser u n prejuicio del

2 0
H . M . C H E R N I S S , Timaeus y Relation, cit.
2 1
C f . las c r í t i c a s de G . E . L . O W E N , Place, págs. 79-82, parcial-
mente aceptadas p o r H . M . C H E R N I S S , Relation, cit.
134 DIÁLOGOS

r o m a n t i c i s m o d e c i m o n ó n i c o . P o r o t r a parte, P l a t ó n m i s m o
pone en r e l a c i ó n el d i á l o g o t a n t o c o n la o b r a escrita —en
la i n t r o d u c c i ó n — c o m o los p r i n c i p i o s filosóficos ú l t i m o s ,
2 2
propios de l a e n s e ñ a n z a o r a l .

Cronología dramática.—La a c c i ó n se desarrolla en


2 3
Atenas, al f i n a l de los a ñ o s veinte del siglo V . E l d i á l o g o
comienza l l a m a n d o l a a t e n c i ó n sobre la ausencia de u n
participante. Se han propuesto diversos nombres para lle-
nar este v a c í o , desde el m i s m o P l a t ó n , hasta F i l o l a o o
a l g ú n o t r o filósofo p i t a g ó r i c o . Sea quien fuere el personaje,
P l a t ó n , evidentemente, no introduce a q u í u n detalle caren-
te de significado. L a figura del ausente al comienzo del d i á -
l o g o no hace sino a l u d i r a las limitaciones del discurso que
2 4
se m e n c i o n a r o n m á s a r r i b a . A q u í no se e n c o n t r a r á la
ú l t i m a s a b i d u r í a , que se t r a n s m i t e de manera o r a l . E l dis-
curso l l e g a r á s ó l o hasta u n p u n t o del camino.
S ó c r a t e s , el maestro de P l a t ó n , adopta expresamente
u n a p o s i c i ó n secundaria y es probable que en esta o b r a se
2 5
presuponga que t e n í a poco menos de cincuenta a ñ o s . E l
i n t e r l o c u t o r p r i n c i p a l , T i m e o , proviene de L ó c r i d e y , ade-
mas de ser u n p o l í t i c o e x i m i o y haber ocupado los puestos
p ú b l i c o s m á s i m p o r t a n t e s , h a llegado a la c i m a del c o n o -
cimiento filosófico (20a). L a d e s c r i p c i ó n lo presenta c o m o
u n a persona de edad avanzada. A u n q u e n o se dice nada
acerca de su filiación filosófica, su proveniencia de L ó c r i d e
lo coloca d e n t r o de l a t r a d i c i ó n p i t a g ó r i c a . C r i t i a s se
encuentra en el esplendor de su carrera p o l í t i c a y es u n
ciudadano n o t o r i o en Atenas (20a), por l o que se debe pre-

2 2
Vid. supra, p á g . 1 2 0 .
2 3
C f . A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g . 1 5 y sigs.
2 4
C f . supra, p á g . 1 1 9 y sigs.
2 5
A . E . T A Y L O R , Commentary, pág. 22.
TIMEO 135

2 6
sumir que es t a m b i é n u n anciano . P o r esta causa, es poco
plausible que sea de u n o de los t r e i n t a tiranos que f o r m a -
2 7
r o n parte del gobierno o l i g á r q u i c o entre 404-403 . Es p r o -
bable que sea bisabuelo de P l a t ó n , es decir, abuelo del
t i r a n o . Poco es lo que S ó c r a t e s dice de . H e r m ó c r a t e s como
para sacar alguna c o n c l u s i ó n cierta. Es t a m b i é n u n e x t r a n -
j e r o y goza de buena r e p u t a c i ó n . A s i m i s m o , posee una
e d u c a c i ó n adecuada, lo que p a r e c e r í a indicar su avanzada
2 8
edad . Nos encontramos, pues, en u n ambiente t í p i c o del
d i á l o g o f i l o s ó f i c o , t a l c o m o se conoce a t r a v é s de o t r a o b r a
t a r d í a de P l a t ó n , las Leyes.
C o m o ya se ha s e ñ a l a d o m á s a r r i b a , el Timeo se refiere
a u n a c o n v e r s a c i ó n sostenida el d í a anterior p o r los mis-
mos interlocutores. A u n q u e , si exceptuamos el Cridas,
n i n g u n o de los ahora presentes, a e x c e p c i ó n de S ó c r a t e s ,
p a r t i c i p a en n i n g ú n o t r o d i á l o g o p l a t ó n i c o , el resumen que
éste hace al comienzo recuerda en muchos aspectos p a r t i c u -
lares la c o n v e r s a c i ó n que m a n t u v i e r a en casa de CéfalO
s o b r e el h o m b r e j u s t o y el mejor o r d e n p o l í t i c o . A d e m á s ,
o t r o d i á l o g o , el Critias. es anunciado c o m o la c o n t i n u a c i ó n
2 9
del discurso c o s m o l ó g i c o .

2 6
E s t a s u p o s i c i ó n se ve f o r z a d a p o r el hecho de que c u a n d o C r i t i a s
e r a u n n i ñ o e s t a b a n de m o d a los poemas de S o l ó n , que entonces e r a n muy
recientes ( 2 1 b ) , es decir fines del siglo v i , p r i n c i p i o s del v, y agrega, ade-
m á s , que r e c u e r d a m u y bien lo que se le c o n t a r a de n i ñ o , mientras que,
q u i z á , no p o d r í a d a r cuenta de lo que se le c o n t ó ayer (26b; cf. b5-6).
2 7
A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g . 23.
2 8
C o n t r a r i a m e n t e a lo que sostiene A . E . T A Y L O R , Commentary,
p á g . 14, no creo que p u e d a suponerse a partir de lo que e x p r e s a S ó c r a t e s
en 2 0 a que H e r m ó c r a t e s e r a en esa é p o c a j o v e n . E l hecho de ser f i l ó s o f o y
p o l í t i c o (cf. 19e), i n d i c a m á s bien lo c o n t r a r i o .
2 9
S e h a h e c h o c o s t u m b r e h a b l a r de u n a t r i l o g í a : Timeo. Critias, Her-
mócrates. F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 1) a f i r m a , por ejemplo.
// is probable, then, that Plato was nearer seventy than sixty when he
projected the trilogy Timaeus, Critias, Hermócrates - the most ambitious
136 DIÁLOGOS

L a r e l a c i ó n d e l Timeo c o n l a República, h a sido objeto


de largas controversias desde el siglo pasado. A l comienzo
de la o b r a , S ó c r a t e s recuerda a sus interlocutores ( T i m e o ,
Critias y H e r m ó c r a t e s ) que el d í a anterior h a b í a n acordado
c o n t i n u a r la c o n v e r s a c i ó n que m a n t e n í a n acerca del estado
ideal. L a tarea de la que se e n c a r g a r á n consiste en describir
el origen del universo ( T i m e o ) , l a c o n s t i t u c i ó n del estado
ideal ateniense y su a c c i ó n en la guerra de defensa de A t e -
nas frente a la i n v a s i ó n de los a t l á n t i d a s ( C r i t i a s ; Tim.
27a2-b6).
L a i d e n t i f i c a c i ó n de la c o n v e r s a c i ó n anterior c o n la
República p a r e c e r í a ser, a p r i m e r a vista, evidente. L a dis-
t i n c i ó n de los estamentos, l a doble naturaleza, prudente y
valiente, de los guardianes, el c o m u n i s m o , parecen alusio-
nes demasiado concretas a d i c h o d i á l o g o .
Sin embargo, ya desde comienzos del siglo pasado no
d e j ó de e x t r a ñ a r que en el resumen de S ó c r a t e s f a l t a r a j u s -
tamente l o que se consideraba la parte principal del t r a t a d o
p l a t ó n i c o , a saber, la f o r m a c i ó n a la que se v e r í a n someti-
dos los guardianes, y, especialmente, los libros centrales,
V I y V I I , en los que se h a c í a n t a m b i é n aproximaciones a la
m e t a f í s i c a p l a t ó n i c a , a s í c o m o la a n a l o g í a entre a l m a y
estado, el análisis del alma i n d i v i d u a l en tres partes y la
30
d i s c u s i ó n de las virtudes individuales y las del e s t a d o .

design he had ever conceived. Too amhitious ií would seem; for he aban-
doned it when he was less than halfway through. The Critias breaks off in
an unfinished sentence; the Hermócrates was never written. Only the
Timaeus is complete; bui its introductory parí affords some ground for a
conjectural reconstruction of the whole plan. A pesar de estas precisiones
a c e r c a de las intenciones de P l a t ó n , no h a y n a d a en la i n t r o d u c c i ó n que
indique que se t r a t a de u n a t r i l o g í a , m á s bien lo c o n t r a r i o (cf. A . E . T A Y -
L O R , Commentary, p á g . 14; el m i s m o F . M . C O R N F O R D , Cosmology,
p á g . 20). E n el C r i t i a s (108a~c) se alude a un presunto d i s c u r s o de H e r m ó -
crates, pero su m e n c i ó n es v a g a y c o n t r a d i c e el plan expuesto en el Timeo.
30 C f . F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g s . 4, 11.
TIMEO 137

Schleiermacher en su i n t r o d u c c i ó n al d i á l o g o defiende una


p o s i c i ó n semejante. E n la h i s t o r i a de la i n t e r p r e t a c i ó n ,
c o m o es n a t u r a l , las opiniones se d i v i d í a n entre los que
intentaban considerar al Timeo u n a c o n t i n u a c i ó n del d i á -
3 1
logo e n t a b l a d o en la República y los que se negaban a
3 2
aceptar t a l h i p ó t e s i s , a p r i m e r a vista la m á s evidente .
3 3
T h . H . M a r t i n , supuso u n a c o n v e r s a c i ó n i n t e r m e d i a
que daba cuenta de la aparente divergencia de las fechas.
L a d i s e r t a c i ó n resumida no s e r í a sino la n a r r a c i ó n del d i á -
l o g o c o n A d i m a n t o y G l a u c ó n en casa de C é f a l o dos d í a s
antes del relato que a q u í se inicia y que S ó c r a t e s h a b r í a
34
hecho a sus interlocutores presentes el d í a a n t e r i o r . L a
tesis de que los libros centrales de l a República no e s t á n
incluidos en el resumen, no resiste la m e n o r lectura atenta
del t e x t o : l a e d u c a c i ó n filosófica es mencionada expresa-
mente c o m o u n o de los c a p í t u l o s fundamentales cuando
S ó c r a t e s a f i r m a que los guardianes d e b í a n ser educados en
gimnasia, m ú s i c a y en todas las disciplinas que les conven-
g a n ( I 8 a 9 - 1 0 ) , g i r o que muestra claramente que se t r a t a de
la e d u c a c i ó n filosófica a la que se dedican los libros V-VII.
Suponer que en u n resumen de las c a r a c t e r í s t i c a s esenciales
del discurso que di acerca de la república (Tim. 17c) debe

3 1
A este g r u p o pertenecen los t r a b a j o s de A . E . T A Y L O R , Commen-
tary, p á g . 1 3 ; T H . H . M A R T I N , Études, I , p á g . 1 sigs.
3 2
E l a r g u m e n t o m á s fuerte de esta c o r r i e n t e es la no c o n c o r d a n c i a de
las fechas en que t u v i e r o n o c a s i ó n el d i á l o g o a l u d i d o en l a i n t r o d u c c i ó n
del Timeo y l a República. A s í F . M . C O R N F O R D (Cosmology, pági-
nas 4 - 6 ) , p a r a q u i e n es f u n d a m e n t a l t a m b i é n que el r e s u m e n ignore l a
parte c e n t r a l del d i á l o g o sobre el estado.
3 3
T H . H . M A R T I N , Études, I , p á g . 1 y sigs.
3 4
D e m a n e r a semejante A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g . 13.
L o s a r g u m e n t o s de F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 4 y sigs., a c e r c a de
la fecha, aparte de presuponer u n a c r o n o l o g í a de los festejos que y a era
i n c i e r t a en é p o c a de P r o c l o , c a r e c e n — c o m o el m i s m o C o r n f o r d debe
a c e p t a r — de i m p o r t a n c i a .
138 DIÁLOGOS

incluirse l a a n a l o g í a entre el a l m a y el estado y la d i s c u s i ó n


de las v i r t u d e s i n d i v i d u a l e s y las del estado, es no s ó l o pre-
tender d e t e r m i n a r p o r P l a t ó n q u é es l o p r i n c i p a l en su d i á -
logo y q u é n o , sino, a d e m á s , c o n f u n d i r el estado (polis)
con el o r d e n estatal (politeía). S ó c r a t e s h a b l a s ó l o de l o
que ayer h a b í a d i c h o acerca de la o r g a n i z a c i ó n d e l estado,
pero en n i n g ú n m o m e n t o se excluye que no h u b i e r a t r a -
t a d o otros asuntos. E l tema central de la República —la
j u s t i c i a , y , sobre t o d o , si el h o m b r e j u s t o es m á s feliz que el
injusto— queda finalizado en el l i b r o X , pero l a conversa-
c i ó n h a b í a a b o r d a d o t o d a u n a serie de problemas c o m p l e -
mentarios, pero fundamentales. Es l ó g i c o suponer que
se c o n t i n u a r a no c o n u n a b i o g r a f í a p a r t i c u l a r , sino c o n el
t r a t a m i e n t o de la t e m á t i c a p o l í t i c a . Finalmente, es difícil de
creer que alusiones t a n precisas al m i s m o t e m a de la Repú-
35
blica no estuvieran pensadas m á s para marcar la r e l a c i ó n
de los dos d i á l o g o s , incluso desde el p u n t o de vista d r a m á -
tico, que para subrayar alguna supuesta diferencia.

S ó c r a t e s caracteriza el relato que ha de comenzar c o m o


u n a ' c o n c r e c i ó n ' del anterior (19b3-c9), es decir, u n a i m i t a -
c i ó n de la f o r m a ideal que yace q u i z á s c o m o m o d e l o en el
cielo (Rep. 9, 5 9 2 b l - 2 ) . E n otras palabras, la relación que
tiene el grupo de diálogos que inicia el Timeo con la Repú-
blica es la misma que existe entre la forma ideal' y el
mundo fenoménico. Pero hay, a d e m á s , razones estructura-
les que marcan la estrecha r e l a c i ó n entre las dos obras: los
siete p r i m e r o s l i b r o s de la República hacen una fenomeno-
l o g í a del surgimiento del estado y su c u l m i n a c i ó n , mientras

3 5
S o b r e t o d o hay que p e n s a r a q u í en la r e l a c i ó n modelo-copia o
abstracción-concreción que establece el m i s m o S ó c r a t e s entre el d i á l o g o
anterior y el presente (Tim. 19b-c).
TIMEO 139

que los libros V I I I - X se dedican a mostrar su d e g e n e r a c i ó n .


A l g o similar s u c e d e r á ahora: T i m e o describe el comienzo
del m u n d o , mientras Critias t o m a a los hombres así surgi-
dos, hace u n a d e s c r i p c i ó n de su estado y los conduce hasta
36
el comienzo de su d e c a d e n c i a . Por o t r a parte, así c o m o
en el centro de la República se encuentra el t r a t a m i e n t o de
la idea del bien (cf. especialmente Rep. 6, 508b5-10) — l o
que es comprensible, dado que se e s t á describiendo u n a
f e n o m e n o l o g í a ideal—, la parte central del Timeo —reflejo
del o t r o d i á l o g o — e s t á dedicada al p r i n c i p i o opuesto en l a
c o n s t i t u c i ó n del m u n d o , el espacio (cf. especialmente Tim.
49al-50c6).

L a r e l a c i ó n del Timeo y el Critias entre sí t a m b i é n


puede ser explicada a t r a v é s de la c o m p a r a c i ó n c o n la
República. E n é s t a hay una r e l a c i ó n a n a l ó g i c a entre la
estructura del t o d o y la a l e g o r í a central de la caverna V I I
514a 1-52Ib 10), en la que se describe el ascenso del filósofo
desde este m u n d o al de las ideas y a la idea d e l b i e n y su
r e t o r n o a las tinieblas de la realidad física. E l c o n j u n t o del
t r a t a d o tiene una o r g a n i z a c i ó n semejante que va desde l a
c o n s t i t u c i ó n del estado de los guardianes ( l i b r o s I I - I V ) a la
d e s c r i p c i ó n del estado de los filósofos (libros V - V I I ) y su
c a í d a en la injusticia (libros V I I I - I X ) . Este n ú c l e o c o m p o s i -
t i v o va a c o m p a ñ a d o de una i n t r o d u c c i ó n sobre la j u s t i c i a

U n a de las c a u s a s que h a n l l e v a d o a generalizar l a tesis de l a t r i l o g í a


es la c o n t i n u a c i ó n del p a r a l e l i s m o c o n la República, s u p o n i e n d o u n tercer
d i á l o g o que c o r r e s p o n d e r í a a los libros V I H y I X . S i n e m b a r g o , esto n o se
afirma e x p l í c i t a m e n t e en el texto, ni parece seguirse de n i n g u n a de las
e x p r e s i o n e s de los personajes. A c e r c a de la d e c a d e n c i a de l a A t e n a s p r i -
m o r d i a l , cf. F . L . L i s i , Einheit und Vielheit des platonischen Nomosbe-
griffes. Eine Untersuchung zur Beziehung von Philosophie und Politik bei
Platón. Beitráge zur k l a s s i s c h e n Philologie, 187, K ó n i g s t e i n / T s . , 1985,
p á g s . 308-31 1.
140 DIÁLOGOS

( l i b r o I ) y un e p í l o g o consistente en una j u s t i f i c a c i ó n de la
e x p u l s i ó n de los poetas del estado y u n m i t o final sobre el
premio a la justicia ( l i b r o X ) .
Los d i á l o g o s que nos ocupan tienen u n a estructura
semejante. E l Timeo describe el ascenso del estado c a ó t i c o y
desordenado a u n cosmos que es la mejor imagen posible
del m u n d o ideal, mientras que el Critias se ocupa del
3 7
estado i d e a l . F a l t a la d e s c r i p c i ó n de la decadencia, es
decir, el tercer m o m e n t o de la caverna, que algunos h a n
supuesto en el Hermócrates; pero, como ya se a f i r m a r a
m á s a r r i b a , acerca del tercer discurso calla nuestra fuente.
P l a t ó n ha descrito t a l s i t u a c i ó n en el l i b r o I I I de las Leyes.
N a d a indica, sin embargo, que este l i b r o contenga materia-
les de u n supuesto Hermócrates.

Estructura y finalidad del diálogo

E l d i á l o g o posee una clara estructura t r i p a r t i t a prece-


d i d a de una i n t r o d u c c i ó n (17a-27b). T i m e o describe la
c r e a c i ó n del m u n d o desde tres puntos de vista distintos. E n
primer lugar, considera la o b r a de la r a z ó n (47e): la presen-
cia del l í m i t e en el m u n d o . E l cosmos es visto desde su
p e r f e c c i ó n p o r la a c c i ó n de la f o r m a (27c-47e). E n el
segundo relato estudia la c o n t r i b u c i ó n de u n segundo p r i n -
cipio (arché) en la c o n s t i t u c i ó n del m u n d o : el espacio o

3 7
E v i d e n t e m e n t e , u n a c o n s i d e r a c i ó n t o t a l i z a d o r a de l a c o n c e p c i ó n
h i s t ó r i c a de P l a t ó n debe i n c l u i r el mito del Político (269c-274e) y el de la
é p o c a de C r o n o s del c u a r t o libro de las Leyes (713a-714a). S o b r e la t e o r í a
h i s t ó r i c a de P l a t ó n , cf. K . G A I S E R , Platons Ungeschriebene Lehre. Stu-
dien zur systematischen und geschichtlichen Begründung der Wissenschaf-
a
ten in der Platonischen Schule, Stuttgart, 1968 [ 2 . e d i c i ó n ] , p á g s . 203-289,
y La metafísica della storia in Platone, M i l á n , 1988, c o n las c o r r e c c i o n e s
de F . L . L i s i , Einheit, p á g s . 195-345.
TIMEO 141

n o d r i z a , elemento i n f o r m e que recibe en sí la l i m i t a c i ó n de


la f o r m a (47e-69c). E l tercer logos describe l a mezcla del
l í m i t e y de l o i l i m i t a d o , t a l c o m o se da en el h o m b r e
(69c-92c).
L a estructura se puede sintetizar de la siguiente manera:
A) DIALOGO INTRODUCTORIO (17a-27b).— S ó c r a t e s hace un
resumen de la c o n v e r s a c i ó n mantenida el d í a anterior en lo
que concierne al estado ideal (17b-19a) y expresa su deseo de
oír u n a e x p o s i c i ó n que describa el funcionamiento concreto
de u n estado semejante (19b-20c). Critias refiere, entonces,
una historia que S o l ó n h a b í a escuchado en Egipto y que
muestra c ó m o la Atenas primordial r e c h a z ó l a i n v a s i ó n de
los a t l á n t i d a s y l i b e r ó E u r o p a , Á f r i c a y A s i a (20d-26c).
Finalmente, se distribuyen las tareas para l a futura conversa-
c i ó n : T i m e o h a de disertar acerca del cosmos y el hombre,
Critias d e s c r i b i r á la historia de la Atenas primordial.
B) EXPOSICIÓN DE TIMEO (27d-92c).
I ) Las obras de la razón (27d-47e). — E l discurso de T i m e o
a v a n z a a q u í descendiendo de lo m a y o r a lo menor, de lo
general a lo particular y de la unidad a la multiplicidad.
0. I n t r o d u c c i ó n (27d-30c). — T i m e o aclara c u á l e s han de
ser los principios fundamentales de este primer logos
acerca de l a c r e a c i ó n . Distingue tres á m b i t o s , el ser
eterno, el devenir que n u n c a es y nace y muere conti-
nuamente y la c a u s a del devenir (27d-28b). A l primer
á m b i t o pertenece el modelo eterno, al segundo, el
mundo sensible y al tercero, el demiurgo inteligente
(28b-30a). Finalmente, el universo es caracterizado
como u n ser viviente dotado de r a z ó n , puesto que el
demiurgo al crearlo en su bondad quiso hacerlo lo
mejor posible (30b-c).
1. C r e a c i ó n de los seres vivientes eternos (30c-47e).
1.1. C r e a c i ó n del mundo (30c-34b).
1.1.1. E l cuerpo del mundo (30c-34b). — E l universo es un
ser viviente perfecto, imagen del ser viviente inteligible
(30c-d) es ú n i c o (31a-b) y e s t á constituido por cuatro
142 DIÁLOGOS

elementos, fuego, aire, agua y tierra (31b-32b) p a r a


poseer u n a proporcionalidad adecuada e indestructible
(32c-33b). S u forma es esférica y gira sobre sí mismo
(33b-34b).
lZl.1.2. E l a l m a del mundo (34b-36b). — E l a l m a del
' mundo, aunque posee prioridad o n t o l ó g i c a , es tratada
posteriormente en el discurso de T i m e o , lo que no signi-
fica que h a y a sido creada d e s p u é s del cuerpo (34b-c). E l
demiurgo l a compone de lo mismo, lo otro y la mezcla
de estos dos elementos, d i v i d i é n d o l a en un c í r c u l o de lo
mismo ( l a esfera de las estrellas ñ j a s ) y de lo otro que a
su vez es dividido en siete c í r c u l o s interiores, desiguales
entre sí, que se mueven con u n movimiento ordenado
(35a-36d).
\J \ 1.1.3. U n i ó n del cuerpo y del alma del mundo (36d-
' 38c). — E l demiurgo extiende el alma desde el centro
del cuerpo del mundo hasta sus extremos, c u b r i é n d o l o
completamente. É s t a , u n a vez unida a él, puede, por las
propiedades de sus componentes, llegar al conocimiento
de todos los objetos, sean estos sensibles o inteligibles
(36d-37c). E l j d e m m r g o crea el tiempo para q u ^ e l u n i -
^^^eajmj^n ^ (37c-38a).
1.2. C r e a c i ó n del resto de los seres divinos (38c-41a).
1.2.1. L o s cuerpos celestes ( 3 8 c - 4 0 c ) . ~ A c o n t i n u a c i ó n ,
T i m e o describe la c r e a c i ó n de los planetas y sus m o v i -
mientos en el cielo en los siete p e r í o d o s del c í r c u l o de lo
otro (38c-39e), las estrellas fijas y su esfera, correspon-
diente al c í r c u l o de lo mismo del a l m a del universo
(39e-40b), y finaliza en la c r e a c i ó n de la tierra (40b-c).
1.2.2. L o s dioses de la m i t o l o g í a (40d-41a). — E l paso
siguiente sería ocuparse de la g e n e a l o g í a de los dioses
m i t o l ó g i c o s , pero T i m e o aquí se atiene a lo narrado por
los poetas.
2. C r e a c i ó n del hombre (41a-47e). — E l ú l t i m o paso de
este primer logos lo constituye el relato de la c r e a c i ó n
del hombre por parte de los dioses m á s j ó v e n e s . E n é l ,
la c r e a c i ó n del a l m a sirve de puente entre la c r e a c i ó n de
lo generado inmortal a la de lo generado mortal.
TIMEO 143

2.1. E n c a r g o del demiurgo a los dioses inferiores (41a-


d ) . — E l demiurgo, que se e n c a r g ó directamente de la
c r e a c i ó n de los seres divinos, encomienda ahora la tarea
de engendrar el cuerpo humano a los dioses creados por
él. L a r a z ó n es el ú n i c o elemento en el a l m a h u m a n a
que es obra suya.
2.2. C r e a c i ó n del alma h u m a n a (41d-42e). - U n a vez crea-
das las almas humanas con los restos de la sustancia
que h a b í a servido para crear el a l m a del mundo, el
demiurgo les muestra las leyes del destino, que implican
su t r a n s m i g r a c i ó n s e g ú n su conducta en esta vida.
2.3. L a obra de los dioses menores (42e-47e).
2.3.1. C r e a c i ó n del cuerpo y su u n i ó n con el a l m a (42d-
44d). — L o s dioses menores crean el cuerpo del hombre
al que unen el a l m a imitando la a c c i ó n del demiurgo: E l
alma se convulsiona al entrar en el cuerpo mortal.
2.3.2. Estructura del cuerpo (44d-45b). — L a estructura
del cuerpo es explicada i d e o l ó g i c a m e n t e . L a cabeza
sirve para albergar la parte m á s divina del alma, la inte-
ligencia. L a s funciones de las otras partes son aclaradas
a partir de esta estructura j e r á r q u i c a .
2.3.3. L a s sensaciones (45b-47c). — E l relato concluye con
el tratamiento, t a m b i é n desde u n a perspectiva I d e o l ó -
gica, de dos sensaciones: la vista (45b-47c; mecanismo
de v i s i ó n , 45b-d, v i s i ó n en s u e ñ o s , 45d-46c, reflejos en
superficies, 47a-c) y el o í d o (47c-e). H a y un excurso
sobre las causas auxiliares de estos f e n ó m e n o s y su
e x p l i c a c i ó n i d e o l ó g i c a (47a-c).

La contribución de la necesidad (47e-69c). — E l logos avanza


en esta parte del discurso de la i n d e t e r m i n a c i ó n a la
determinación.
0. I n t r o d u c c i ó n (47e-48d). — E l relato que acaba de fina-
lizar d a s ó l o u n a v i s i ó n incompleta. D e b e ser comple-
tado explicando la causalidad de l a necesidad, porque
el mundo es el producto de la mezcla de inteligencia y
necesidad (48a 1-3). E s necesario aclarar los principios
de lo devenido (48e-52c) desde u n a nueva perspectiva e
144 DIÁLOGOS

introducir un nuevo principio, el r e c e p t á c u l o (48e-51d),


en el que se reflejan las ideas y que, en constante c a m -
bio, adopta las distintas formas del mundo ideal y d a
lugar al mundo f e n o m é n i c o que nos rodea. L a s ideas
funcionan a la manera de un padre sobre esta madre
que es el r e c e p t á c u l o (50c-52d).
1. L o s elementos (52d-6le).
1.1. L a s i t u a c i ó n antes de la c r e a c i ó n (52d-53b).—Antes
de la o r d e n a c i ó n de la materia, ésta*se hallaba en un
continuo movimiento c a ó t i c o que mostraba como hue-
llas de los elementos primordiales, fuego, aire, tierra y
agua.
1.2. Estructura de los elementos (53c-61c). — L o s elemen-
tos e s t á n constituidos por t r i á n g u l o s r e c t á n g u l o s e i s ó s -
celes, que dan cuenta no s ó l o de la diferencia,, sino
t a m b i é n de la m u t a c i ó n de un elemento en otro (53c-
57d). E n esta t r a n s f o r m a c i ó n constante, se producen
movimientos de los elementos desde y hacia sus regio-
nes propias en el universo (56c-57c), dando lugar a s í a
subespecies y formas mixtas (58c-61b).
2. L a s cualidades sensibles (61c-68d). — L o s objetos cons-
tituidos por los elementos poseen unas cualidades sen-
sibles que son percibidas por todo el cuerpo (61d-65b),
como la r e l a c i ó n calor-frío (61d-62b), duro-blando
(62b-c), pesado-liviano (62c-63e), á s p e r o - s u a v e (63e-
64a), placentero-doloroso (64a-65b), o por ó r g a n o s
especiales (65b-68d), como los sabores (65b-66c), olores
(66d-67a), sonidos (67a-c), colores (67c-68d).
3. C o n c l u s i ó n (68e-69a). — Esto fue lo que el demiurgo
t o m ó de la necesidad en la c r e a c i ó n del mundo. P o r
ello, es necesario reconocer dos tipos de causas, lo nece-
sario y lo divino.

111) La mezcla de inteligencia y necesidad (69b-92c). — E n su


tercer movimiento, el logos discurre de lo superior a lo
inferior.
0. I n t r o d u c c i ó n (69b-c). — E l final del discurso describe la
obra conjunta de la r a / ó n y la necesidad. E l dios intro-
TIMEO 145

duce orden y p r o p o r c i ó n , comenzando por los elemen-


tos. T r a s crear el mundo y los dioses, encarga a é s t o s la
c r e a c i ó n del hombre.
1. E l hombre (69c-90d).
1.1. A n a t o m í a (69c-77c).
1.1.1. E l a l m a (69c-72e). — L o s dioses crean en primer
lugar las partes mortales del alma, lo irascible y lo con-
cupiscible (69c-70a). L a primera se encuentra en el
t ó r a x (70a-d), mientras que la segunda ocupa l a zona
del vientre (70d-72e).
1.1.2. E l cuerpo ( 7 2 e - 7 9 a ) . — T i m e o describe a continua-
c i ó n las partes del cuerpo creadas por los dioses: vientre
e intestinos (72e-73a), huesos y m é d u l a ó s e a (73b-74a),
carne, nervios y tendones (74a-75d), boca (75d-e), piel y
pelos (75e-76d), u ñ a s (76d-e) y sistema circulatorio
(77c-79a). H a y un excurso sobre las plantas (76c-77c).
1.2. F i s i o l o g í a (79a-81e). — S o n descritos dos aspectos de
la f i s i o l o g í a del cuerpo humano: 1) r e l a c i ó n entre circu-
l a c i ó n , r e s p i r a c i ó n y a l i m e n t a c i ó n (79a-80c), y 2) la ali-
m e n t a c i ó n y la sangre y su s i g n i f i c a c i ó n p a r a el creci-
miento, el envejecimiento y la muerte (80d-81e).
1.3. P a t o l o g í a (81e-87b). — L a e x p o s i c i ó n desemboca en
un tratamiento de las diversas enfermedades que pue-
den atacar el cuerpo (81e-86a) y el alma (86b-87b).
1.4. Terapéutica (87c-90d). — L a s propuestas curativas a
las disfunciones del cuerpo y el alma se centran sobre
todo en la r e l a c i ó n correcta entre ambos elementos
(87c-89d) y en el cuidado de las tres especies de a l m a
(89d-90c). E l apartado termina con una loa al intelecto
(90a-d).
2. E l resto de los animales (90e-92c). — Finalmente es
explicado el mecanismo de las leyes del destino, que
hacen que el mundo se pueble de animales, dado que
los hombres que no han sabido respetar el orden natu-
ral son condenados a reencarnarse en una vida subse-
cuente en un animal inferior: mujer (90e-91d), p á j a r o s ,
c u a d r ú p e d o s , reptiles y gusanos, peces y moluscos
(91d-92c).
146 DIÁLOGOS

L a estructura del d i á l o g o depende de su perspectiva


3 8
t e l e o l ó g i c a : el fin es explicar l a c r e a c i ó n del h o m b r e para
d i l u c i d a r u n estado p o l í t i c o de acuerdo c o n su naturaleza.
S ó l o en segunda instancia es el Timeo u n a c o s m o l o g í a .
F o r m a parte de u n proyecto p o l í t i c o . Sobre t o d o , p r o c u r a
poner en claro l a a n a l o g í a existente entre el m u n d o de las
ideas y este m u n d o y entre este m u n d o (macrocosmos) y el
h o m b r e (microcosmos). El Timeo trata, entonces, de dar
una fundamentación natural a la ética y la política, a la vez
que alude a la fundament ación ontológica de la física. Esto
t a m b i é n aclara la r e l a c i ó n c o n otros d i á l o g o s que la i n t r o -
d u c c i ó n postula. P l a t ó n pone su c o s m o g o n í a en r e l a c i ó n
con la República porque en é s t a se explica í a r e l a c i ó n
h o m b r e - p ó / i s y en a q u é l l a la del h o m b r e y el m u n d o . M o s -
t r a r l a í n t i m a c o n e x i ó n entre los tres niveles d e b e r í a de
haber sido la tarea del Critias.

Significación de la física platónica

L a o b r a del f u n d a d o r de la A c a d e m i a no transmite u n
cuerpo independiente de d o c t r i n a física. E l Timeo es la
e x p o s i c i ó n escrita m á s acabada de la d o c t r i n a física de Pla-
t ó n . E l ambiente en el que se desarrolla el d i á l o g o así l o
indica. Los interlocutores, cuatro ancianos f i l ó s o f o s , se
diferencian t a n t o de los j ó v e n e s inexpertos de la República,
como de los personajes de las Leyes, donde si bien los tres
interlocutores son ancianos, dos de ellos, M e g u i l o y C l i -
mas, carecen de e d u c a c i ó n filosófica.
L a física, p o r o t r o lado, es el relato del m u n d o f e n o m é -
nico, por ende no es ciencia en sentido estricto, sino s ó l o

3 8
A . R I V A U D (Oeuvres, p á g . 7 y sigs.) ha s e ñ a l a d o t a m b i é n que la
f i n a l i d a d del d i á l o g o se r e a l i z a en la d e s c r i p c i ó n de l a c r e a c i ó n del h o m -
bre, pero no h a visto la c o n e x i ó n c o n el proyecto p o l í t i c o p l a t ó n i c o .
TIMEO 147

o p i n i ó n , j u i c i o s sobre el devenir en los que i m p r o p i a m e n t e


se aplica la n o c i ó n de ser. L a c o m p r e n s i ó n ú l t i m a de los
procesos físicos le es posible s ó l o a aquel que conoce los
principios m e t a f í s i c o s que d o m i n a n el universo. L a d o c t r i n a
física de P l a t ó n debe ser necesariamente complementada
p o r la así l l a m a d a d o c t r i n a no escrita, c o m o se manifiesta
3 9
una y otra vez en el d i á l o g o (cf. supra, p á g . 119 y sigs.) . A
p a r t i r de ella se hace claro que los principios que a c t ú a n en
este m u n d o son los mismos que tienen vigencia para t o d a
la realidad o r i t o j ó g i c a : la u n i d a d y la d u a l i d a d i n d e t e r m i -
nada. E l p r i m e r o es principio de f o r m a y l í m i t e , el segundo,
de m u l t i p l i c i d a d e i n d e t e r m i n a c i ó n . L a o n t o l o g í a p l a t ó n i c a
se caracteriza p o r ser u n sistema d e r i v a t i v o que deduce
t o d a la realidad de estos dos principios ú l t i m o s o, si se
quiere, reduce la complejidad del m u n d o f e n o m é n i c o a
ambos elementos. L a f o r m a en que a c t ú a n en este m u n d o
es mediada, a t r a v é s del l í m i t e que i m p o n e n las ideas a la
i n d e t e r m i n a c i ó n del r e c e p t á c u l o . A u n q u e en la m u l t i p l i c i -
dad de é s t a s ya se manifiesta la presencia del segundo p r i n -
cipio, es en este m u n d o donde su influencia llega a u n
grado t a l que i m p i d e la existencia de u n relato estable y
verdadero sobre los acontecimientos que en él tienen lugar.
P o r ello, la f o r m a del relato físico t a m p o c o es d i a l é c t i c a ,
4 0
sino que su lógos se vuelve m i t o y nada i m p i d e que sea
fijado por escrito.

3 9
A ú n falta u n t r a t a m i e n t o de c o n j u n t o de l a r e l a c i ó n del d i á l o g o
c o n l a d o c t r i n a no escrita. L . R O B Í N ( « É t u d e s sur la Signification et la
P l a c e de la P h y s i q u e dans la P h i l o s o p h i e de P l a t ó n » , Revue Philosophique
de la France et de l'Étranger 43 (1918), 177-220 y 370-415) dio los p r i m e r o s
pasos hace m á s de setenta a ñ o s .
4 0
A q u í el t é r m i n o mito no e s t á u s a d o en el sentido que le h a d a d o la
v u l g a r i z a c i ó n m o d e r n a y que opone, e q u i v o c a d a m e n t e , m i t o a lógos. En
P l a t ó n , m i t o y lógos no se c o n t r a p o n e n , sino que el mito es u n a de las
f o r m a s que puede a s u m i r el lógos.
148 DIÁLOGOS

Recepción del Timeo

E l Timeo t u v o una r e c e p c i ó n significativa en la A n t i -


g ü e d a d y la E d a d M e d i a . E n el seno de la A c a d e m i a A n t i -
gua la o b r a fue objeto de especial a t e n c i ó n , p r i n c i p a l m e n t e
p o r parte de J e n ó c r a t e s , segundo sucesor (ca. 335 a. C.) de
P l a t ó n al frente de la A c a d e m i a , y C r a n t o r , su d i s c í p u l o .
S e g ú n el t e s t i m o n i o del Proclo (Comm. in Tim. I 76), este
ú l t i m o e s c r i b i ó u n comentario.
A r i s t ó t e l e s se refiere frecuentemente a las doctrinas del
Timeo y , aunque en l a m a y o r í a de las ocasiones se aparta
de P l a t ó n , su p r o p i a d o c t r i n a manifiesta u n a p r o f u n d a
41
influencia de la física y o n t o l o g í a del Timeo . Teofrasto,
en su t r a t a d o Del Sentido ( § § 83-91), describe el relato de
las cualidades sensibles de los objetos que aparecen en la
presente obra. T a m b i é n las otras grandes escuelas filosófi-
cas del helenismo, el estoicismo y el epicureismo, han sido
2
influidas p o r el Timeo* .
L a influencia del d i á l o g o t a m b i é n fue notable, tras el
p e r í o d o de escepticismo que d o m i n ó la A c a d e m i a , en el
renacimiento de la-visión s i s t e m á t i c a durante el p l a t o n i s m o
medio. C i c e r ó n nos ha legado una t r a d u c c i ó n i n c o m p l e t a
que r e a l i z ó al final de su vida. Los fragmentos que nos han
llegado de N u m e n i o de A p a m e a y el t r a t a d o de P l u t a r c o
De la generación del alma en el Timeo, entre otros, testi-
m o n i a n que era objeto de intensa i n v e s t i g a c i ó n en los cír-
culos filosóficos durante el siglo I I de nuestra era.
El neoplatonismo t a m b i é n v i o en él una pieza funda-
m e n t a l de la d o c t r i n a p l a t ó n i c a . L a Enéadas I I 1, y I V 1-5,

4 1
P a r a l a i n f l u e n c i a p l a t ó n i c a en u n punto tan f u n d a m e n t a l c o m o la
d o c t r i n a de hyle, v é a s e la i n v e s t i g a c i ó n de H . H A P P (Hyle, F r a n c f o r t del
Meno, 1973).
4 2
C f . A . R i V A U D , Oeuvres, p á g . 3.
TIMEO 149

no son sino exposiciones de partes del d i á l o g o . E n el siglo


I V , C a l c i d i o e s c r i b i ó u n c o m e n t a r i o y P r o c l o o t r o en el
siglo v .
E n la E d a d Med*ia, la influencia del Timeo fue i n d i -
recta, p r i n c i p a l m e n t e a t r a v é s de la influencia n e o p l a t ó n i c a
en el c r i s t i a n i s m o . Las fuentes principales del p l a t o n i s m o
durante esa é p o c a fueron los dos tercios finales de la t r a -
d u c c i ó n de C a l c i d i o , la Consolación de la Filosofía de Boe-
cio y el c o m e n t a r i o de M a c r o b i o al Sueño de Escipión de
C i c e r ó n . Esta ú l t i m a obra t a m b i é n se basa ampliamente en
el Timeo. A s í , durante la alta Edad M e d i a y principios del
R e n a c i m i e n t o , se llegó a identificar en Occidente la doc-
4 3
t r i n a de P l a t ó n con la de este d i á l o g o . E n E s p a ñ a , el
4 4
c o m e n t a r i o y t r a d u c c i ó n al l a t í n de S. F o x M o r c i l l o des-
taca p o r su e r u d i c i ó n y p r e c i s i ó n .

Tradición manuscrita

A u n q u e en la A n t i g ü e d a d e x i s t í a u n a t r a d i c i ó n t e x t u a l
4
m ú l t i p l e * , el t e x t o de P l a t ó n que poseemos se basa f u n -
damentalmente en u n manuscrito copiado alrededor de los
4 6
Siglos I X o X de nuestra era (Parisinus graecus 1807 [ A ] ) ,
con las correcciones provenientes sobre t o d o de u n c ó d i c e
vienes (Vindobonensis 21 [ Y ] ) que fue aparentemente escrito
en el siglo X I V , pero cuya fuente es u n ejemplar m u y
4 7

antiguo en letras unciales y dependiente de u n a t r a d i c i ó n

4 3
A. E . TAYLOR, Commentary, p á g . 2 y sigs.
4 4
In Platonis Timaeum Commentarii, B a s i l e a , 1558.
4 5
I . B U R N E T , Platonis Opera recognovit brevique adnotatione critica
instruxit. I B T o m u s I V tetralogiam V I I I continens, O x f o r d , 1902, f. 2 r.
4 6
J u a n L á s c a r i s d e s c u b r i ó el m a n u s c r i t o en 1490 y lo trajo a O c c i -
dente ( A . R I V A U D , Oeuvres, p á g . i 20).
A . R I V A U D , Oeuvres,
4 7
p á g . 121.
150 DIÁLOGOS

4 8
diversa de l a de A y anterior al siglo v . E n t r e estas dos
4 9
ramas de l a recensio ha h a b i d o c o n t a m i n a c i ó n . U n a
f a m i l i a diversa es l a representada p o r o t r a c o p i a vienesa
(Vindobonensis 54 [ W ] ) , que, aunque independiente de
las dos anteriores y q u i z á s anterior a Y , es de u n a calidad
50
m u y i n f e r i o r . L o m i s m o puede afirmarse d e l Parisinus
Graecus 1812, que probablemente sirvió de base a las p r i -
meras ediciones del d i á l o g o , especialmente l a de H e n r i
5 1
Estienne .
L a t r a d i c i ó n indirecta del texto es a m p l i a . A d e m á s de
las traducciones de C i c e r ó n y Calcidio, el d i á l o g o es co-
mentado p o r P r o c l o y citado p o r P l u t a r c o , N u m e n i o ,
Galeno, Eusebio, J á m b l i c o y Estobeo. P a r a l a presente
5 2
t r a d u c c i ó n el t e x t o base ha sido el de I . B u r n e t , cotejado
5 3
con el de A . R i v a u d .
4 8
I . B U R N E T , Opera, f. 1 v.
4 9
A . RIVAUD, Oeuvres, p á g . 122.
5 0
Ibidem, 122.
5 1
Ibidem, 122.
5 2
I. BURNET, Opera.
5 3
A . RIVAUD, Oeuvres.
BIBLIOGRAFÍA

1) EDICIONES:

I. B U R N E T , Platonis Opera recognovit brevique adnotatione cri-


tica instruxit I B. T o m u s . I V tetralogiam V I I I continens,
O x f o r d , 1902.
A . R I V A U D , Platón. Oeuvres completes, X , París, 1925 (1970):
Timée. Critias. Texte établi et traduit par A.R.

2) COMENTARIOS:

R. D. ARCHER HIND, The Timaeus of Plato Edited with Intro-


duction and Notes, Londres, 1888.
F . M . C O R N F O R D , Platos Cosmology. The Timaeus of Plato
Translated with a Running Commentary, Londres, 1937.
S . F o x M O R C I L L O , In Platonis Timaeum commentarii, Basilea,
1558.
T H . H . M A R T I N , Études sur 'Le Timée' de Platón, P a r í s , 1841.
G . S T A L L B A U M , Platonis opera recensuit et commentariis instru-
xit G.St.: V I I Timaeus et Critias, G o t a - E r f o r d , 1838.
A . E . T A Y L O R , A Commentary on Plato's Timaeus, O x f o r d , 1928
(1962).

3) TRADUCCIONES.

F . A A R l , Platone. «11 T i m e o ovvero della n a t u r a » , en Platone.


Dialoghi. Versione di F. A. con un saggio introduttorio di P.
Treves, T u r í n , 1970.
F . ADORNO, Platone. « T i m e o » , en Dialoghi Politici e Lettere di
a
Platone a Cura di F. A., T u r í n , 1970, 2 . e d i c i ó n , I , 670-789.
152 DIÁLOGOS

R . G . B U R Y , « P l a t o . " T i m a e u s " » , en Plato with an English Trans-


lation. Timaeus, Critias, Cleitoplion, Menexenus, Epistles, by
R. G. B., L o n d r e s , 1929, 1-253.
G . F R A C C A R O L i , Platone. / / Timeo, trad. de G . F . , T u r í n , 1906.
J . G A R C Í A B A C C A , P l a t ó n . « T i m e o » , en P l a t ó n . Obras Completas
V I , C a r a c a s , 1980, p á g s . 7-129.
B . J O W E T T , P l a t o . « T i m a e u s » , en The Dialogues of Plato transla-
ted by, B . J . , I I I , O x f o r d , 1953, p á g s . 631-780. A h o r a t a m b i é n
en The collected Dialogues of Plato Including the Letters Edi-
ted by E. Hamilton and H. Cairns, with Introduction and Pre-
a
fatory Notes, Prince*.on, 1982, 11. e d i c i ó n (Bollengen series
71), p á g s . 1151-1211.
G . P U G L I E S E C A R A T E L L I , Platone. « T i m e o » , en Platone. Tutte le
Opere. A cura di G. Pugliese Carratelli, F l o r e n c i a , 1974, p á g i -
nas 1091-1143.
F . D E P . S A M A R A N C H , P l a t ó n . « T i m e o » , en P l a t ó n . Obras
a
Completas, M a d r i d , 1972 ( 2 . e d i c i ó n ) , p á g s . 1103-1179.
T H . T A Y L O R , Plato. «The Timaeus, a Dialogue on Nature», en Plato
The Timaeus and the Critias or Atlanticus. The T h o m a s T a y -
lor Translation. Foreword by R. C. Taliafero, s.L, s.a., p á g i -
nas 25-224.
K L . W I D D R A , P l a t ó n . « T i m a i o s » , en Platón. Timaios. Kritias
Philebos. Bearbeitet von K l . W . Griechischer Text von A
R i v a u d und A . D i é s . Deutsche Übersetzung von H . M ü l l e r
und F . Schleiermacher, D a r m s t a d t , 1972 ( P l a t ó n . W e r k e in
Acht B á n d e n . Griechisch und Deutsch. 7), p á g . 1-209.

4) TRABAJOS D E INTERPRETACIÓN:

J . C O O K - W I L S O N , On the Interpretation of Plato's Timaeus. Cri-


tical Studies with Special Reference to a Recent Edition, L o n -
dres, 1888.
H . M . C H E R N I S S , « T i m a e u s 3 8 a 8 - b 5 » , The Journal of Hellenic
Studies 11 (1957a), 18-23.
— « T h e relation of the Timaeus to Plato's L a t e r D i a l o g u e s » ,
American Journal of Philology 78 (1957b), 225-266.
E . D E S P L A C E S , Lexique de la langue philosophique et religieuse
de Platón ( P l a t ó n . Oeuvres completes, X I V ) , P a r í s , 1970.
K . G A I S E R , Platons Ungeschriebene Lehre. Studien zur systema-
TIMEO 153

tischen und geschichtlichen Begründung der Wissenschaften in


A
der Platonischen Schule, Stuttgart, 1 9 6 8 [ 2 . e d i c i ó n ] .
— La metafísica della storia di Platone, M i l á n , 1 9 8 8 .
H. H A P P , Hyle, Francfort del M e n o , 1 9 7 3 .
H. J . K R Á M E R , Platone e i fondamenti della metafísica. Saggio
sulla teoría dei principi e sulle dottrine non scritte di Platone
con una raccolta dei documenti fondamentali in edizione bilin-
güe e bibliografía, Publicazioni del Centro di Recerche di
Metafisica. Sezione di M e t a f í s i c a e S t o r i a della Metafisica 1
Milán, 1982.
E. L L E D Ó I Ñ I G O , « I n t r o d u c c i ó n G e n e r a l » , en P l a t ó n , Diálogos, I:
Apología, Critón, Eutifrón, Ion, Lisis, Cármides, Hipias
Menor, Hipias Mayor, Laques, Protágoras, Madrid, B . C . G . , 3 7 ,
7-135.
F . L . L l S l , Einheit und Vielheit des platonischen Nomosbegriffes.
Eine Untersuchung zur Beziehung von Philosophie und Poli-
tik bei Platón, Beitráge zur klassischen Philologie, 1 8 7 ,
Kónigstein/Ts., 1985.
— « N o m o s y physis en el pensamiento p o l í t i c o de P l a t ó n » , Actas
del VII Congreso Nacional de Estudios Clásicos (Madrid, 20-
24 de abril de 1987), I I , Madrid, 1989, págs. 2 3 9 - 2 4 3 .
G . E . L . O W E N , « T h e Place of the Timaeus in Plato's D i a l o g u e s » ,
The Classical Quarterly, N . S., 3 , 4 7 ( 1 9 5 3 ) , 7 9 - 9 5 .
L . R O B Í N , « É t u d e s sur la signification et la place de la physique
dans l a Philosophie de P l a t ó n » , Revue Philosophique de la
Trance et de l'Étranger 43 (1918), 177-220 y 370-415.
W. G . S A L T Z E R , Theorien und Ansatze in der griechischen Astro-
nomie —Im Kontext benachbarter Wissenschaften betra-
chtet—, Collection des travaux de l ' A c a d é m i e d'histoire des
sciences, 2 3 , Wiesbaden, 1 9 7 6 .
G . V L A S T O S , « T h e Disorderly M o t i o n in the T i m a e u s » , en Studies
in Plato's Metaphysics, Londres, 1 9 6 7 , p á g s . 3 7 9 - 3 9 9 .
— « C r e a t i o n in the Timaeus: Is it a F i c t i o n ? » , ibidem, pági-
nas 401-419.
— Plato's Universe, Oxford, 1 9 7 5 .
B. L . V A N D E R W A E R D E N , Die Astronomie der Griechen. Eine
Einführung, Darmstadt, 1 9 8 8 .
U . V O N W l L A M O W I T Z M O E L L E N D O R F F , Platón, Berlín, 1 9 1 8 .
T I M E O

SÓCRATES, TIMEO, HERMÓCRATES, CRITIAS

S Ó C R A T E S . — U n o , dos, tres..., pero, p o r cierto, querido 17


T i m e o , ¿ d ó n d e e s t á el cuarto de los que ayer fueron h u é s -
pedes m í o s y ahora son d u e ñ o s de la casa?
T I M E O . — L e sobrevino u n cierto malestar, S ó c r a t e s ,
pues n o h a b r í a faltado v o l u n t a r i a m e n t e a esta r e u n i ó n .
S Ó C . — ¿ O s e n c a r g a r é i s t ú y tus c o m p a ñ e r o s , entonces,
de l a parte que le c o r r e s p o n d í a al ausente?
T l M . — P o r supuesto, y , en l o posible, n o o m i t i r e m o s b
nada, pues n o s e r í a j u s t o que, d e s p u é s de gozar ayer de los
a p r o p i a d o s dones de t u h o s p i t a l i d a d , los que quedamos no
e s t u v i é r a m o s dispuestos a agasajarte a nuestra vez.
S Ó C . — ¿ E s que r e c o r d á i s c u á n t o s son los temas de los
que os e n c o m e n d é hablar?
T l M . — S ó l o algunos, pero, c o m o e s t á s a q u í , nos recor-
d a r á s l o que hayamos o l v i d a d o . M e j o r a ú n , si n o te
molesta, vuelve a repetirnos o t r a vez el a r g u m e n t o desde el
p r i n c i p i o de manera resumida para que l o tengamos m á s
presente.
SÓC. — A s í l o h a r é . Tengo la i m p r e s i ó n de que l o p r i n - c
cipal del discurso que hice ayer acerca de la o r g a n i z a c i ó n
156 DIÁLOGOS

p o l í t i c a fue c u á l consideraba que s e r í a la mejor y q u é h o m -


bres le d a r í a n vida.
T l M . — Y a todos nos p a r e c i ó que la h a b í a s descrito de
una manera m u y conforme a los principios de la r a z ó n .
S Ó C . — ¿ N o fue acaso nuestra p r i m e r a m e d i d a separar
en ella a los campesinos y a los otros artesanos del esta-
mento de los que luchan en defensa de ellos?
T l M . — Sí.
d SÓC. — Y luego de asignar a cada uno u n a o c u p a c i ó n
1
ú n i c a para l a que estaba naturalmente d o t a d o , u n a ú n i c a
t é c n i c a , afirmamos que aquellos que t e n í a n la m i s i ó n de
luchar p o r la c o m u n i d a d d e b e r í a n ser s ó l o guardianes de la
c i u d a d , en el caso de que alguien de afuera o de adentro
intentara d a ñ a r l a , y que, mientras que a sus subditos t e n í a n
18 que administrarles j u s t i c i a con suavidad, ya que son por
naturaleza sus amigos, era necesario que en las batallas
fueran fieros con los enemigos que les salieran al paso.
T l M . — Efectivamente.
S ó c . — Pues d e c í a m o s , creo, que la naturaleza del a l m a
d
.e los guardianes d e b í a ser al m i s m o t i e m p o v i o l e n t a y
2
líiin^uüa g i excepcional para que p u d i e r a n llegar a
e n r a c 0

s e r correctamente suaves y fieros con unos y c o n o t r o s


TlM. —Sí.
S Ó C . — ¿ Y q u é de la e d u c a c i ó n ? ¿ N o d e c í a m o s que
1
L a República, c u y o contenido es resumido a q u í (cf. I n t r o d u c c i ó n ,
p á g s . 125-131) se caracterizaba por proponer u n a p o l í t i c a acorde c o n la natu-
r a l e z a (physei katáphysin). A c e r c a de la r e l a c i ó n entre o r g a n i z a c i ó n legal
1
y n a t u r a l e z a , cf. F . L . L i s i , Einheit, p á g s . 173-193; « N o m o s y p h y s i s
en el p e n s a m i e n t o p o l í t i c o de P l a t ó n » , Actas del Vil Congreso Nacional
de Estudios Clásicos (Madrid, 20-24 de abril de 1987), I I , M a d r i d , 1989,
p á g s . 239-243.
2
philósophon no se refiere en este contexto a n i n g u n a c u a l i d a d f i l o s ó -
fica, sino a u n a d i s p o s i c i ó n del a l m a a la t r a n q u i l i d a d y la r e f l e x i ó n (cf.
Pol. 306a-311c). C o n t r a r i a m e n t e A . R I V A U D , Oeuvres. p á g . 126: modéra-
tion.
TIMEO 157

estaban educados en gimnasia y en m ú s i c a , y en todas las


materias convenientes para ellos?
T l M . — P o r cierto.
SÓC. -.— S í , y me parece que se sostuvo que los así edu- ¿>
cados no d e b í a n considerar c o m o p r o p i o s n i el o r o n i la
plata n i n i n g u n a o t r a p o s e s i ó n , sino que, c o m o fuerzas de
p o l i c í a , h a b í a n de recibir u n salario por la guardia de aque-
llos a quienes preservaban — l o suficiente para gente p r u -
dente—, y gastarlo en c o m ú n en u n a v i d a en la que c o m -
p a r t í a n t o d o y se ocupaban exclusivamente de cultivar la
3
excelencia , descargados de todas las otras actividades.
T l M . — T a m b i é n esto fue dicho así.
SÓC. — Y , a d e m á s , por l o que hace a las mujeres, h i c i - c
4
mos m e n c i ó n de que d e b í a m o s a d a p t a r a los hombres a
aquellas que se les asemejaren y asignarles las mismas acti-

3
Areíé. Se h a preferido e x c e l e n c i a ( « s u p e r i o r c a l i d a d o b o n d a d que
constituye y hace d i g n a de s i n g u l a r aprecio y e s t i m a c i ó n en su g é n e r o a
u n a c o s a » , Diccionario de la R.A.E. s.v.J a v i r t u d , que tiene u n significado
m á s r e s t r i n g i d o al á m b i t o é t i c o (cf. acepciones 5 y 6 del Diccionario de la
R.A.E. s.v.J.
4
L a t r a d u c c i ó n de F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 10- We
remarked that their natures should be formed to the same harmonious
blend of qualities as those of men) e r r a en el a n á l i s i s s i n t á c t i c o de l a frase,
su n o t a sobre el synarmostéon es u n ejemplo t í p i c o de sobreinterpreta-
c i ó n . C f . A . E . T A Y L O R (Commentary, cit.), c o m e n t a r i o al pasaje: hos tas
physeis tois andrásin paraplesías eíe synarmostéon, b r a q u i l o g í a p o r hos
tas phfseis tas tois andrásin paraplesías toútois efe. P o r lo tanto, andrásin
h a y que t o m a r l o , a diferencia de lo que sostiene T A Y L O R tanto c o n synar-
mostéon tois andrásin c o m o c o n paraplesías. A. R I V A U D , Oeuvres,
p á g . 127, tiene en el m a n u s c r i t o que h a c o n s u l t a d o u n schedón (jusqu'á la
[ l a n a t u r e des f e m m e s ] rendre presque semblable a la leur [ l a nature des
h o m m e s ] ) que no me h a sido posible l o c a l i z a r ni en su e d i c i ó n , ni en
n i n g u n a o t r a de las conocidas. S u t r a d u c c i ó n e q u i v o c a t a m b i é n el matiz
p l a t ó n i c o : se t r a t a de escoger a q u e l l a s n a t u r a l e z a s femeninas que t u v i e r a n
las m i s m a s c u a l i d a d e s innatas que se e x i g í a n de los h o m b r e s seleccionados
y, luego de e d u c a r l a s , asignarles las m i s m a s funciones p o l í t i c a s .
158 DIÁLOGOS

vidades que a ellos en la guerra y en t o d o o t r o á m b i t o de la


vida.
T l M . — T a m b i é n esto se dijo de esta manera.
SÓC. — ¿ Y q u é de la p r o c r e a c i ó n ? , ¿o l a s i n g u l a r i d a d de
lo dicho no hace que se recuerde f á c i l m e n t e ? , porque dis-
pusimos que todos t u v i e r a n sus m a t r i m o n i o s y sus hijos en
c o m ú n , c u i d a n d o de que nunca nadie reconociera c o m o
p r o p i o al engendrado p o r él sino que todos consideraran a
d todos de la m i s m a familia: hermanas y hermanos a los de
5
la m i s m a e d a d , a los mayores, padres y padres de sus
padres y a los menores, hijos de sus hijos.
X I M . — S í , t a m b i é n esto se puede recordar bien, t a l
c o m o dices.
S ó c . — Y , a d e m á s , que llegaran a poseer desde el naci-
m i e n t o las mejores naturalezas posibles, ¿ o acaso no recor-
damos que d e c í a m o s que los gobernantes, hombres y muje-
e res, d e b í a n e n g a ñ a r l o s en las uniones m a t r i m o n i a l e s c o n
u n a especie de sorteo m a n i p u l a d o en secreto para que los
buenos y los malos se u n i e r a n cada u n o c o n las que les
eran semejantes de m o d o que n o surgiera entre ellos n i n -
g ú n t i p o de enemistad, convencidos de que el azar era la
causa de su u n i ó n ?
T l M . — L o recordamos.
19 SÓC. — ¿ Y t a m b i é n que d e c í a m o s que t e n í a n que criar y
educar a los hijos de los buenos y trasladar secretamente a
los de los malos a la o t r a c i u d a d y observarlos durante su
crecimiento para hacer regresar siempre a los aptos y pasar
a la r e g i ó n de la que é s t o s h a b í a n vuelto a los ineptos que
6
se h a b í a n quedado con ellos ?
T l M . — A s í es.
S Ó C . — ¿ H e expuesto ya en sus puntos principales lo

5
C f . Rep. 5, 461d-e.
6
C f . Rep. 5, 460c.
TIMEO 159

m i s m o que ayer o d e s e á i s t o d a v í a algo que yo haya dejado


de l a d o , q u e r i d o Timeo?
T l M . — E n absoluto, esto era lo que ayer dijimos, S ó - t
orates.
S Ó C — Q u i z á s q u e r á i s escuchar ahora lo que me sucede
con la c o n t i n u a c i ó n de la h i s t o r i a de la r e p ú b l i c a que
hemos descrito. Creo que lo que me pasa es algo así c o m o
si alguien, d e s p u é s de observar bellos animales, ya sea p i n -
tados en u n cuadro o realmente vivos pero en descanso,
fuera asaltado por el deseo de verlos moverse y hacer, en c
u n certamen, algo de l o que parece corresponder a sus
cuerpos. L o m i s m o me sucede respecto de la c i u d a d que
hemos delineado. Pues c o n placer e s c u c h a r í a de alguien el
relato de las batallas en las que suele p a r t i c i p a r una c i u d a d ,
que las combate c o n t r a otras ciudades, llega bien dispuesta
a l a guerra y, durante la lucha, hace l o que corresponde a
su e d u c a c i ó n y f o r m a c i ó n no s ó l o en la a c c i ó n , sino t a m -
b i é n en los tratados c o n cada uno de los estados. Critias y d
H e r m ó c r a t e s , me acuso de no llegar a ser capaz nunca de
alabar de f o r m a satisfactoria a esos hombres y a esa c i u -
dad. L o que me sucede no es nada e x t r a ñ o , pues tengo la
m i s m a o p i n i ó n de los poetas antiguos y de los actuales y , \
aunque no d e s d e ñ o en absoluto su linaje, es evidente que el s
pueblo de los imitadores i m i t a r á m u y f á c i l m e n t e y de !
m a n e r a ó p t i m a aquello en l o que ha sido educado. S i n h

e m b a r g o , a cualquiera le resulta m u y difícil i m i t a r bien en f


obras l o que e s t á fuera de su p r o p i a e d u c a c i ó n y le es a ú n
m á s dificultoso i m i t a r l o c o n palabras. Creo que la estirpe e
de los sofistas es m u y entendida en muchos otros tipos de
discursos, y bellos a d e m á s , pero temo que, puesto que vaga
de c i u d a d en c i u d a d y en n i n g ú n lugar h a b i t a en casa p r o -
pia, de alguna manera no acierte a describir hombres que £
son a l a vez filósofos y p o l í t i c o s y l o que h a r í a n o d i r í a n al
guerrear o batallar o al relacionarse entre ellos de obra o
160 DIÁLOGOS

de palabra. Resta, ciertamente, el t i p o de gente de vuestra


d i s p o s i c i ó n que p o r naturaleza y e d u c a c i ó n p a r t i c i p a de
o ambas c a t e g o r í a s . Pues éste, T i m e o , n a t u r a l de L ó c r i d e , la
7
ciudad con el mejor orden p o l í t i c o de I t a l i a , no inferior a
n i n g u n o de los de allí n i en riqueza n i en sangre, ha o c u -
pado los cargos p ú b l i c o s m á s importantes y r e c i b i ó los m á s
altos honores de aquella c i u d a d y, a d e m á s , ha llegado, en
m i o p i n i ó n , a l a cumbre de l a filosofía. T o d o s los h a b i t a n -
tes de esta c i u d a d , supongo, sabemos que Critias no es lego
en nada de lo que hablamos. Finalmente, puesto que hay
muchos que l o testifican, debemos creer que la naturaleza y
la e d u c a c i ó n de H e r m ó c r a t e s son suficientes para todos
b estos temas. C u a n d o ayer solicitasteis una e x p o s i c i ó n sobre
la r e p ú b l i c a , convine de buen grado p o r q u e s a b í a que, si
os l o p r o p o n é i s , nadie p o d r í a ofrecer u n a c o n t i n u a c i ó n
m e j o r del discurso que vosotros, ya que sois los ú n i c o s que
en la actualidad pueden i m p l i c a r a esa c i u d a d en una gue-
r r a adecuada a su c o n d i c i ó n y, d e s p u é s , asignarle todas las
excelencias que le correspondan. U n a vez que expuse lo que
me h a b í a i s encargado, os e n c o m e n d é a m i vez lo que ahora
digo. H a b é i s acordado que una vez que hubierais reflexio-
nado, ibais a saldar la deuda de h o s p i t a l i d a d hacia m í c o n
c el presente discurso. Estoy a q u í preparado, entonces, para
ellos y soy el m á s dispuesto de todos a recibirlos.
HERMÓCRATES. — E n efecto, S ó c r a t e s , c o m o dijo T i m e o
n i c e d e r á la v o l u n t a d de hacerlo n i h a b r á n i n g ú n p r e t e x t o
que nos i m p i d a llevarlo a cabo. Por t a n t o , t a m b i é n nos-
otros ayer, inmediatamente d e s p u é s de salir de a q u í , cuando
llegamos a casa de Critias, nuestro h u é s p e d , donde pernoc-

7
L a referencia a l a p e r f e c c i ó n del orden p o l í t i c o de L ó c r i d e e r a u s u a l
y p r o b a b l e m e n t e e s t a b a g o b e r n a d a en el m o m e n t o de l a fecha d r a m á t i c a
del diálogo p o r los p i t a g ó r i c o s . C f . n o t a al pasaje de A . E . T A Y L O R ,
Commentary, cit.
TIMEO 161

tamos, y a ú n antes, en el c a m i n o , reflexionamos sobre


estos mismos asuntos. É s t e nos c o n t ó una antigua saga, d
¡ C u é n t a s e l a t a m b i é n a él, Critias, para que opine si res-
ponde o no al encargo!
C R I T I A S . — L o h a r é , si t a m b i é n le parece al t e r c e r
8

compañero, Timeo.
T l M . — C l a r o que estoy de acuerdo.
C R I . — Escucha, entonces, Sócrates, u n relato m u y e x t r a ñ o ,
pero absolutamente verdadero, t a l c o m o en u n a o c a s i ó n l o
9
relataba S o l ó n , el m á s sabio de los siete , que era pariente e
y m u y a m i g o de m i bisabuelo D r ó p i d a , c o m o él m i s m o
afirma en muchos pasajes de su o b r a p o é t i c a . L e c o n t ó a
Critias, nuestro abuelo, que de viejo nos lo relataba a nos-
otros, que grandes y admirables h a z a ñ a s antiguas de esta
ciudad h a b í a n desaparecido a causa del t i e m p o transcu-
r r i d o y la d e s t r u c c i ó n de sus habitantes, y, de todas, una, la
m á s e x t r a o r d i n a r i a , c o n v e n d r í a que ahora a t r a v é s del
recuerdo te l a o f r e c i é r a m o s c o m o presente, para elevar al
mismo t i e m p o loas a la diosa con justicia y verdad en el d í a
de su fiesta nacional, c o m o si le c a n t á r a m o s u n h i m n o .
S ó c . — Bien dices. Pero, p o r cierto, ¿ n o explicaba C r i -
tias c u á l era esta h a z a ñ a que, s e g ú n la historia de S o l ó n , no
era una mera f á b u l a , sino que esta ciudad la r e a l i z ó efecti-
vamente en tiempos remotos?
C R I . — T e la d i r é , aunque escuchada c o m o u n relato
antiguo de u n hombre no precisamente j o v e n . Pues entonces

8
E s t a m e n c i ó n de C r i t i a s , vuelve a hacer aparecer indirectamente l a
figura del c u a r t o p a r t i c i p a n t e , que se e n c u e n t r a ausente (cf. supra 17a* e
Introducción, p á g . 7).
9
Se t r a t a de u n a m e n c i ó n de los siete sabios, personajes en parte m í t i -
cos y en parte h i s t ó r i c o s que e r a n c o n s i d e r a d o s en l a A n t i g ü e d a d l a expre-
s i ó n m á x i m a de l a s a b i d u r í a h u m a n a . L o s c o m p o n e n t e s del grupo v a r i a -
b a n fuertemente s e g ú n é p o c a y l u g a r . P l a t ó n m e n c i o n a u n a l i s t a en e
Protágoras 343a.

160. — 6
162 DIÁLOGOS

Critias, así d e c í a , t e n í a ya casi noventa a ñ o s y y o , a lo


b sumo diez. E r a , casualmente, la K u r e o t i s , el tercer d í a de
, 0
los A p a t u r i a . A los muchachos les s u c e d i ó lo que es
siempre h a b i t u a l en esa fiesta y lo era t a m b i é n entonces.
Nuestros padres h i c i e r o n c e r t á m e n e s de r e c i t a c i ó n . Se de-
c l a m a r o n poemas de muchos poetas y , c o m o en aquella
é p o c a los de S o l ó n eran recientes, muchos niños los can-
tamos. U n o de los m i e m b r o s de la f r a t r í a , sea que lo c r e í a
realmente o p o r hacerle u n c u m p l i d o a C r i t i a s , d i j o que si
bien S o l ó n le p a r e c í a m u y sabio en todos los otros campos,
c en la p o e s í a l o t e n í a p o r el m á s libre de todos los poetas. E l
anciano, entonces —me acuerdo con g r a n c l a r i d a d — se
puso m u y contento y sonriendo dijo: « ¡ A y A m i n a n d r o ! ,
¡ o j a l á la p o e s í a no hubiera sido para él una a c t i v i d a d
secundaria! Si se h u b i e r a esforzado c o m o los otros y
hubiera t e r m i n a d o el argumento que trajo de |Sgipto>y, si, al
d llegar a q u í , las contiendas civiles y otros males no l o hubie-
ran o b l i g a d o a descuidar t o d o lo que descubrió allí, n i
H e s í o d o n i H o m e r o , en m i o p i n i ó n , n i n i n g ú n o t r o poeta
j a m á s h a b r í a llegado a tener una fama m a y o r que la s u y a »
« ¿ Q u é h i s t o r i a era, C r i t i a s ? » , p r e g u n t ó el o t r o . « L a h i s t o r i a
de la h a z a ñ a m á s i m p o r t a n t e y, c o n j u s t i c i a , l a m á s r e n o m -
brada de todas las realizadas p o r nuestra c i u d a d , pero q u e .
no llegó hasta nosotros p o r el t i e m p o t r a n s c u r r i d o y p o r la
d e s a p a r i c i ó n de los que la llevaron a c a b o » , d i j o el anciano.
« C u e n t a desde el c o m i e n z o » , e x c l a m ó el o t r o , « q u é d e c í a
S o l ó n , y c ó m o y de q u i é n e s la h a b í a escuchado c o m o algo
verdadero».
A i e < < n
P £^\ ^ E g i p t o » , c o m e n z ó Critias, « d o n d e la corriente del


F i e s t a de los c l a n e s j ó n i c o s que d u r a b a tres d í a s . E n el último
( K u r e o t i s ) se h a c í a n d i v e r s a s ofrendas p a r a los que h a b í a n sido reciente-
mente i n c o r p o r a d o s al c l a n por n a c i m i e n t o , e f e b í a o c a s a m i e n t o . Espe-
c i a l m e n t e , se c o r t a b a el c a b e l l o a los adolescentes y se o f r e n d a b a a la
diosa Artemisa.
TIMEO 163

N i l o se divide en dos en el extremo inferior del D e l t a , hay


u n a r e g i ó n l l a m a d a Saltica, cuya c i u d a d m á s i m p o r t a n t e ,
Sais —de d o n d e , p o r c i e r t o , t a m b i é n era el rey A m a s i s — ,
tiene p o r p a t r o n a una diosa cuyo n o m b r e en egipcio es
N e i t h y en griego, s e g ú n la v e r s i ó n de a q u é l l o s , Atenea.
A f i r m a n que aprecian m u c h o a Atenas y sostienen que en
cierta f o r m a e s t á n emparentados con los de esta ciudad.
S o l ó n contaba que cuando llegó allí r e c i b i ó de ellos muchos
honores y que, al consultar sobre las a n t i g ü e d a d e s a los 22
sacerdotes que m á s c o n o c í a n el tema, d e s c u b r i ó que n i él
m i s m o n i n i n g ú n o t r o griego s a b í a , p o r decir a s í , p r á c t i c a -
mente nada acerca de esos asuntos. E n u n a o c a s i ó n , para
entablar c o n v e r s a c i ó n con ellos sobre esto, se puso a contar
los hechos m á s antiguos de esta c i u d a d , la h i s t o r i a de
Foroneo^ del que se dice que es el jg>nmex_hiirnhrc, y de
N í o b e y n a r r ó c ó m o p e u c a l i ó n y Pirras sobr^iviexcari^ies- b
P } ^ j d e J _ á i l u v i p e hizo la g e n e a l o g í a de sus descendientes y
quiso calcular el t i e m p o t r a n s c u r r i d o desde entonces recor-
dando c u á n t o s a ñ o s h a b í a v i v i d o cada u n o . E n ese ins-
tante, u n sacerdote m u y anciano e x c l a m ó : ' ¡ A y ! , S o l ó n
S o l ó n , ¡los griegos seréis siempre n i ñ o s ! , ¡ n o existe el
griego v i e j o ! ' A l escuchar esto, S o l ó n le p r e g u n t ó : ' ¿ P o r
q u é l o dices?' ' T o d o s ' , r e p l i c ó a q u é l , ' t e n é i s almas de j ó v e -
nes, sin creencias antiguas transmitidas p o r u n a larga t r a -
d i c i ó n y c a r e c é i s de conocimientos encanecidos p o r el
t i e m p o . Esto se debe a que t u v i e r o n y t e n d r á n lugar
muchas destrucciones de hombres, las m á s grandes p o r c
fuego y agua, pero t a m b i é n otras menores provocadas p o r
otras innumerables causas. T o m e m o s u n ejemplo, l o que se
cuenta entre vosotros de que una vez F a e t ó n , el hijo del
Sol m o n t ó en el carro de su padre y , p o r n o ser capaz de
marchar p o r el sendero paterno, q u e m ó l o que estaba sobre
la t i e r r a y m u r i ó alcanzado p o r u n r a y o . L a h i s t o r i a , aun-
que relatada c o m o u n a leyenda, se refiere, en r e a l i d a d , a d
164 DIÁLOGOS

una d e s v i a c i ó n de los cuerpos que en el cielo g i r a n alrecifi-


j i o r d e l a . tierxa y a la d e s t r u c c i ó n , a grandes intervalos, de
lo que cubre l a superficie terrestre p o r u n g r a n fuego.
Entonces, el n ú m e r o de habitantes de las m o n t a ñ a s y de
lugares altos y secos que muere es m a y o r que el de los que
viven cerca de los r í o s y el mar. E l N i l o , salvador nuestro
11
en otras ocasiones t a m b i é n nos salva entonces de esa
desgracia. Pero cuando los dioses purifican l a t i e r r a con
aguas y la i n u n d a n , se salvan los habitantes de las m o n -
t a ñ a s , pastores de bueyes y cabras, y los que viven en
e vuestras ciudades son arrastrados al mar p o r los r í o s . E n
esta r e g i ó n , n i entonces n i nunca fluye el agua de a r r i b a
sobre los campos, sino que, por el c o n t r a r i o , es n a t u r a l que
suba, en su t o t a l i d a d , desde el i n t e r i o r de la t i e r r a . P o r ello
1 2
se dice que lo que a q u í se conserva es l o m á s antiguo. E n
realidad, sin embargo, en todas las regiones en las que no
23 se da u n i n v i e r n o riguroso y u n calor e x t r e m o , la raza
humana, en m a y o r o menor n ú m e r o , e s t á siempre presente.
Desde antiguo registramos y conservamos en nuestros
templos t o d o aquello que llega a nuestros o í d o s acerca de
lo que pasa entre vosotros, a q u í o en cualquier o t r o lugar
si s u c e d i ó algo bello, i m p o r t a n t e o con o t r a p e c u l i a r i d a d '
C o n t r a r i a m e n t e , siempre que vosotros, o los d e m á s , os
a c a b á i s de proveer de escritura y de t o d o l o que necesita

11
auxómenos con C O O K W I L S O N y A . E . T A Y L O R (Commentary,
p á g . 53 y sigs.). E l lyómenos es evidentemente c o r r u p t o y l a c o n j e t u r a es
p a l e o g r á f i c a m e n t e p r o b a b l e . L a a r g u m e n t a c i ó n de F . M . C O R N F O R D ,
Cosmology, cit., p á g . 366, a d u c i e n d o l a presencia de h i a t o , frente a l a
escasez de este f e n ó m e n o en el Timeo, carece de s e r i e d a d . E n l a m i s m a
p á g i n a de l a e d i c i ó n de B U R N E T cuento 16 hiatos, u n o de ellos igual al
r e c h a z a d o por C O R N F O R D (kai autos, 22b6). E n caso de no aceptarse la
c o n j e t u r a , h a y que darle a lyómenos v a l o r medio.
1 2
légetai: « s e d i c e » . L a i n t e r p r e t a c i ó n de F . M . C O R N F O R D (Cosmo-
logy, p á g . 15, n. 2) es insostenible, cf. el siguiente tó dé alethés.
TIMEO 165

una c i u d a d , d e s p u é s del p e r í o d o h a b i t u a l de a ñ o s , os
vuelve a caer, c o m o una enfermedad, un torrente celestial
que deja s ó l o a los iletrados e incultos, de m o d o que n a c é i s
de nuevo, c o m o n i ñ o s , desde el p r i n c i p i o , sin saber nada n i b
de nuestra c i u d a d n i de l o que ha sucedido entre vosotros
durante las é p o c a s antiguas. Por ejemplo, S o l ó n , las genea-
l o g í a s de los vuestros que acabas de exponer poco se dife-
rencian de los cuentos de n i ñ o s , p o r q u e , p r i m e r o , r e c o r d á i s
u n d i l u v i o sobre la tierra, mientras que antes de él h a b í a n
sucedido m u c h o s y, en segundo lugar, no s a b é i s y a que la
raza mejor y m á s bella de entre los hombres n a c i ó en vues-
t r a r e g i ó n , de l a que t ú y t o d a la c i u d a d vuestra d e s c e n d é i s
ahora, al quedar una vez u n poco de simiente. L o h a b é i s c
o l v i d a d o p o r q u e los que sobrevivieron i g n o r a r o n escri-
t u r a d u r a n t e muchas generaciones. E n efecto, antes de la
g r a n d e s t r u c c i ó n p o r el agua, la que es ahora la ciudad de
los atenienses era la mejor en la guerra y la m á s absoluta-
mente obediente de las leyes. Cuentan que t u v i e r o n lugar
las h a z a ñ a s m á s hermosas y que se d i o la mejor organiza-
c i ó n p o l í t i c a de todas cuantas hemos recibido n o t i c i a bajo
el cielo.» S o l ó n solía decir que al escucharlo se s o r p r e n d i ó
y t u v o muchas ganas de conocer m á s , de m o d o que p i d i ó
que le c o n t a r a con exactitud t o d o lo que los sacerdotes
conservaban de los antiguos atenienses. E l sacerdote replicó:
' S i n n i n g u n a reticencia, o h S o l ó n , lo c o n t a r é p o r t i y por
vuestra c i u d a d , pero sobre t o d o por la diosa a la que t o c ó
en suerte vuestra p a t r i a y t a m b i é n la nuestra y las c r i ó y
e d u c ó , p r i m e r o a q u é l l a , m i l a ñ o s antes, d e s p u é s de recibir
simiente de Gea y Hefesto, y, m á s tarde, é s t a . Los escritos
sagrados establecen la c a n t i d a d de ocho m i l a ñ o s para el
orden imperante entre nosotros. A h o r a , te h a r é u n resumen
de las leyes de los ciudadanos de hace nueve m i l a ñ o s y de
la h a z a ñ a m á s heroica que realizaron. M á s tarde, t o m a r e -
mos con t r a n q u i l i d a d los escritos mismos y discurriremos en
166 DIÁLOGOS

detalle y ordenadamente acerca de t o d o . E n c u a n t o a las


leyes, observa las nuestras, pues d e s c u b r i r á s a h o r a a q u í
muchos ejemplos de las que e x i s t í a n entonces entre voso-
tros. E n p r i m e r lugar, el que la casta de los sacerdotes e s t é
separada de las otras; d e s p u é s , l o de los artesanos, el que
cada oficio trabaje i n d i v i d u a l m e n t e sin mezclarse con el
o t r o , n i t a m p o c o los pastores, los cazadores n i los agricul-
> tores. E n p a r t i c u l a r , supongo que h a b r á s n o t a d o que a q u í
el estamento de los guerreros se encuentra separado de los
restantes y que s ó l o tiene las ocupaciones guerreras que la
ley le o r d e n a . A d e m á s , l a manera en que se a r m a n c o n
escudos y espadas, que fuimos los primeros en utilizar en
A s i a t a l c o m o la diosa los d i o a conocer p o r p r i m e r a vez en
aquellas regiones entre vosotros. T a m b i é n , ves, creo, c u á n t o
se p r e o c u p ó nuestra ley desde sus inicios p o r la s a b i d u r í a
c pues, tras descubrirlo t o d o acerca del universo, incluidas la
a d i v i n a c i ó n y l a medicina, l o t r a s l a d ó de estos seres divinos
al á m b i t o h u m a n o para salud de é s t e y a d q u i r i ó el resto de
, 3
los conocimientos que e s t á n relacionados c o n ellos . E n
aquel t i e m p o , pues, la diosa os impuso a vosotros en p r i -
mer lugar t o d o este o r d e n y d i s p o s i c i ó n y f u n d ó vuestra
c i u d a d d e s p u é s de elegir la r e g i ó n en que n a c i s t e i s p o r q u e
vio que l a buena mezcla de estaciones que se daba en ella
d p o d r í a llegar a p r o d u c i r los hombres m á s prudentes. C o m o
es amiga de la guerra y de la s a b i d u r í a , eligió p r i m e r o el
sitio que d a r í a los hombres m á s adecuados a ella y l o
p o b l ó . V i v í a i s , pues, bajo estas leyes y , l o que es m á s

1 3
E n este o s c u r o p á r r a f o , no sigo l a p u n t u a c i ó n de B U R N E T . ES a n á l i -
sis del pasaje de A . E . T A Y L O R (Commentary, cit.) sigue la a c l a r a c i ó n de
G . S T A L L B A U M (Timaeus, cit.), c o n u n a i n e x a c t i t u d , este ú l t i m o en n i n g ú n
c a s o t o m a hápanta c o m o a c u s a t i v o s i n g u l a r (omnia ad mundum pertinen-
tia). E l sentido general p a r e c í a ser que los egipcios b a s a n todas las artes en
el conocimiento de la astronomía (F. M . CORNFORD, Cosmology,
p á g . 17, n. 2).
TIMEO 167

importante aún, las respetabais y superabais en virtud a


todos los hombres, como es lógico, ya que erais hijos y
alumnos de dioses. Admiramos muchas y grandes hazañas
de vuestra ciudad registradas aquí, pero una de entre todas
se destaca por importancia y excelencia. E n efecto, núes- e
tros escritos refieren c ó m o vuestra ciudad detuvo en una
ocasión la marcha insolente de un gran imperio, que avan-
zaba del exterior, desde el Océano Atlántico, sobre toda
Europa y Asia. E n aquella época, se podía atravesar aquel/
océano dado que había una isla delante de la desemboca-i
dura eme vosotros, así decís Jjiamáis columnas de Heracles-1
Esta isla era mayor que Libia y Asta juntas y de ellaios de/
entonces podían pasar a las otras islas y de.las^ islas ja.t,pda\
la tierra firme que se encontraba frente a ellas y rodeaba el
14
océano auténtico , puesto que lo que quedaba dentro de;
l^des^mliocjyd^^ parecía una bahía con \
u n
ingreso estrecho. E n realidad, era mar y la región que lo
rodeaba totalmente podría ser llamada _con absoluta-co-
rrección tierra firme. E n dicha isla, A t l á i U i d ^ h á b í a sur-
gido una confederación de reyes grande y maravillosa que
gobernaba sobre ella y muchas otras islas, así como partes
de la tierra firme. E n este continente, dominaban también
los pueblos de Libia hasta Egipto, y Europa hasta Tirre-
, 6
nia . Toda esta potencia unida intentó una vez esclavizar
en un ataque a toda vuestra región, la nuestra y el interior
de la desembocadura. Entonces, Solón, el poderío de vues-
tra ciudad se hizo famoso entre todos los hombres por su
excelencia y fuerza, pues superó a todos en valentía y en
artes guerreras, condujo en un momento de la lucha a los
griegos, luego se vio obligada a combatir sola cuando los
1 4
E . d. el mar que se encontraba entre las islas y la tierra firme. Cf. A.
E. T A Y L O R , Commentary, cit., comentario al pasaje.
15
L a parte occidental de África.
1 6
Italia occidental.
168 DIÁLOGOS

otros se separaron, c o r r i ó los peligros m á s extremos y


d o m i n ó a los que nos atacaban. A l c a n z ó así u n a g r a n vic-
t o r i a e i m p i d i ó que los que t o d a v í a no h a b í a n sido esclavi-
zados lo.fueran y a l resto, cuantos h a b i t á b a m o s m á s a c á de
los confines h e r á c l i d a s , nos l i b e r ó generosamente. Poste-
r i o r m e n t e , tras u n v i o l e n t o t e r r e m o t o y u n d i l u v i o e x t r a o r -
d d i n a r i o , en u n d í a y u n a noche terribles, la clase guerrera
vuestra se h u n d i ó t o d a a la vez bajo la t i e r r a y la isla de
A t l á n t i d a d e s a p a r e c i ó de la m i s m a manera, h u n d i é n d o s e en
el mar. P o r ello, a ú n ahora el o c é a n o es allí i n t r a n s i t a b l e e
inescrutable, p o r q u e l o i m p i d e la arcilla que p r o d u j o l a isla
asentada en ese lugar y que se encuentra a m u y poca
1 7
profundidad » .
Acabas de o í r u n resumen, S ó c r a t e s , de l o que r e l a t ó el
e anciano C r i t i a s s e g ú n el cuento de S o l ó n . Cuando ayer
hablabas de la r e p ú b l i c a y de sus hombres, me asombré al
recordar l o que acabo de contar, pensando que p o r a l g ú n
azar no m u y desacertado c o m p a r t í a s milagrosamente mucho
de l o que S o l ó n d e c í a . Pero, sin embargo, n ó quise hablar
26 en v a n o , pues no l o recordaba m u y bien p o r el t i e m p o que
h a b í a t r a n s c u r r i d o . D e c i d í , entonces, que p r i m e r o d e b í a
d e c i r m e a m í m i s m o t o d o de esta manera y r e p e t i r l o s u f i -
cientemente. Por eso, a c o r d é de inmediato c o n t i g o el orden
que dispusimos ayer, porque p e n s é que nosotros í b a m o s a
estar bien provistos en l o que es la dificultad m á s grande en
tales casos: hacer u n discurso adecuado a lo que se pre-
tende. A s í , ayer, c o m o dijo é s t e , n i bien salí de a q u í , les
referí a mis c o m p a ñ e r o s l o que en ese m o m e n t o me v e n í a a
la m e m o r i a y cuando llegué a casa, r e c o r d é casi t o d o des-
b pues de pensar en ello la noche entera. Sin duda, t a l c o m o
^Xw-- se suele decir, lo que se aprende de n i ñ o se fija de manera

17
katá brachéos c o n l a varia lectio de A . C f . F . M . C O R N F O R D , Cos-
mology, p á g . 366 y sigs.
TIMEO 169

a d m i r a b l e en el recuerdo. Pues no sé, si q u i z á s p o d r í a


recordar t o d o l o que e s c u c h é ayer, pero me m a r a v i l l a r í a
sobremanera que se me hubiera escapado algo de esto que
oí hace t a n t o t i e m p o . Entonces, lo hice c o n m u c h o placer y
c o m o j u e g o , y el anciano me lo c o n t ó de buen grado, b
cuando v i o que yo lo interrogaba con i n t e r é s , y, de esta
manera me q u e d ó grabado c o m o una p i n t u r a - a i u e ^ o de\r
una escritura indeleble. A T i m e o y H e r m ó c r a t e s les estuve
relatando la historia desde por la m a ñ a n a t e m p r a n o para
que pudieran p a r t i c i p a r c o n m i g o en la c o n v e r s a c i ó n . E s t o y
p r e p a r a d o , entonces, para decirte, S ó c r a t e s , aquello por lo
que se d i j o t o d o esto, no s ó l o de manera resumida, sino t a l
c o m o e s c u c h é cada particular. A h o r a trasladaremos a la
realidad a los ciudadanos y la ciudad que t ú ayer nos descri-
biste en la f á b u l a , los pondremos a q u í c o m o si aquella c i u - ¿
dad fuera é s t a y diremos que los ciudadanos que t ú conce-
biste eran nuestros antepasados reales que dijo el sacer-
dote. A r m o n i z a r á n completamente y no desentonaremos
cuando digamos que eran los que v i v í a n en aquel entonces.
Cada, u n o t o m a r á una parte a su cargo e intentaremos
d e v o l v e r t e , en la medida de lo posible, l o adecuado a lo
q u e o r d e n a s t e . Debemos considerar, S ó c r a t e s , si esta histo-
ria nos es apropiada o si hemos de buscar alguna o t r a en su
lugar.
S ó c . — ¿ Q u é otra p o d r í a m o s preferir a é s t a , Critias,
que por su parentesco se ajusta de manera excelente a la
presente festividad de la diosa? El que n o sea una f á b u l a
licticía, sino una historia verdadera es algo m u y i m p o r t a n t e ,
creo. Pues ¿ c ó m o y de d ó n d e p o d r í a m o s descubrir otros
ciudadanos, si abandonamos a éstos? I m p o s i b l e . Vosotros
d e b é i s hablar a c o m p a ñ a d o s de buena f o r t u n a y y o ahora
tengo que escuchar en silencio la parte que me corresponde
por lo que relaté ayer.
CRl. Observa, pues, S ó c r a t e s , c ó m o hemos o r g a n i -
170 DIÁLOGOS

zado l a d i s p o s i c i ó n de los obsequios. Decidimos que T i m e o ,


puesto que es el que m á s a s t r o n o m í a conoce de nosotros y
el que m á s se ha ocupado en conocer la naturaleza del u n i -
verso, hable en p r i m e r lugar, comenzando c o n la c r e a c i ó n
del m u n d o y t e r m i n a n d o c o n l a naturaleza de los h o m b r e s .
D e s p u é s de eso, y o , c o m o si t o m a r a de éste los h o m b r e s
nacidos en el relato y de t i algunos c o n la mejor e d u c a c i ó n ,
b los p o n d r é ante nosotros c o m o frente a jueces, s e g ú n l a
h i s t o r i a y l a ley de S o l ó n , y los h a r é ciudadanos de esta
c i u d a d , c o m o si fueran aquellos atenienses de los que los
textos sagrados a f i r m a n que desaparecieron, y , en adelante,
c o n t a r é l a h i s t o r i a c o m o si y a fueran ciudadanos ate-
nienses.
SÓC. — Creo que c o n el banquete de discursos r e c i b i r é
u n a recompensa perfecta y brillante. T i m e o , te toca hablar
a c o n t i n u a c i ó n , a s í parece, no sin antes invocar a los d i o -
ses, s e g ú n l a costumbre.
c T l M . — Pero, S ó c r a t e s , cualquiera que sea u n poco p r u -
dente i n v o c a a u n dios antes de emprender u n a tarea o u n
asunto grande o p e q u e ñ o . T a m b i é n nosotros, que vamos a
hacer u n discurso acerca del u n i v e r s o , cómp_n_ació y si es o
no generado, si no desvariamos completamente, debemos
i n v o c a r a los dioses y diosas y pedirles que nuestra e x p o s i -
c i ó n sea adecuada, en p r i m e r lugar, a ellos y, en segundo, a
d nosotros. S i r v a esto c o m o i n v o c a c i ó n a los dioses. E n
cuanto a nosotros, debo rogar para que vosotros p o d á i s
entender m i discurso con la m a y o r facilidad y y o m o s t r a r
de la m e j o r manera lo que pienso acerca de los temas
propuestos.
Pues bien, en m i o p i n i ó n hay que diferenciar p r i m e r o l o
j siguiente: ¿ Q u ^ e s lo que es siempre y no deviene y q u é , l o
i 2Ú que deviene continuamente, pero nunca es U n o puede ser

1 8
E l v e r b o 'ser* e s t á a q u í u t i l i z a d o en s u sentido fuerte, existencial. H e
TIMEO 171

c o m p r e n d i d o p o r la inteligencia mediante el razonamiento,


el ser siempre i n m u t a b l e ; el o t r o es o p i n a b l e , p o r m e d i o de
la o p i n i ó n u n i d a a la p e r c e p c i ó n sensible no r a c i o n a l , nace
y fenece, pero nunca es realmente. A d e m á s , t o d ^ k > j j u e ¡ J
i m
deyiene^jdjewene necesarm "
J
posible, por t a n t o , que algo devenga sin una causa. C u a n d o
el artífice de algo, al c o n s t r u i r su f o r m a y c u a l i d a d , fija
constantemente su m i r a d a en el ser i n m u t a b l e y l o usa de
m o d e l o , l o así hecho s e r á necesariamente bello. Pero a q u e - ^
s
l i o cuya f o r m a y c u a l i d a d h a y a n sido conformadas porV' ^
m e d i o de la o b s e r v a c i ó n de l o generado, c o n u n m o d e l o
generado, no s e r á bello. Acerca del universo —o cosmos o
si en alguna o c a s i ó n se le h u b i e r a dado o t r o n o m b r e m á s
a p r o p i a d o , u s é m o s l o — debemos indagar p r i m e r o , l o que se
supone que hay que considerar en p r i m e r l u g a r en toda
o c a s i ó n : si siempre ha sido, sin comienzo de l a g e n e r a c i ó n ,
o si se g e n e r ó y t u v o a l g ú n i n i c i o . Es generado, pues es
visible y tangible y tiene u n cuerpo y tales cosas son todas
sensibles y l o sensible, captado p o r la o p i n i ó n u n i d a a la
s e n s a c i ó n , se m o s t r ó generado y engendrado. D e c í a m o s ,
a d e m á s , que l o g e n e r a d o debe serlo necesariamente por

X*™.?.£h$lUSÚ> pero, u n a vez descubierto, c o m u n i c á r s e l o a


todos es imposible. Por o t r a parte, hay que obserTaT^cerca
de él lo siguiente: q u é m o d e l o c o n t e m p l ó su artífice al 29
hacerlo, el que es i n m u t a b l e y permanente o el generado.
Bien, si este m u n d o es bello y su creador bueno, es evidente
que m i r ó el m o d e l o eterno. Pero si es lo que n i siquiera
e s t á p e r m i t i d o p r o n u n c i a r a nadie, el generado. A l o d o s les

preferido t r a d u c i r gígnomai por 'devenir' en su sentido f i l o s ó f i c o y n o por


' n a c e r ' (tal c o m o hace A . R I V A U D , Oeuvres, p á g . 1 4 0 , por ejemplo),
p o r q u e este ú l t i m o en castellano tiene u n sentido m u y preciso ( a l igual que
en otras lenguas r o m a n c e s ) que n o se c o r r e s p o n d e en a b s o l u t o c o n l a
i n t e n c i ó n de P l a t ó n en este pasaje.
172 DIÁLOGOS

es absolutamente evidente que c o n t e m p l ó el eterno, ya que


I este u n i v e ^ r s p ^ e ^ i ^ r n ^ ^ e ^ l o d e los seres generados y j t q u é l
|]a~mei^ Por ello, engendrado de esta manera,
fue f a b r i c a d o s e g ú n l o que se capta p o r el r a z o n a m i e n t o y l a
b inteligencia y es inmutable. Si esto es así, es de t o t a l necesidad
que este m u n d o sea u n a imagen de algo. P o r cierto, lo m á s
i m p o r t a n t e es comenzar de acuerdo c o n la naturaleza d e l
tema. Entonces, acerca de l a imagen y de su m o d e l o hay que
hacer la siguiente d i s t i n c i ó n en la c o n v i c c i ó n de que los dis-
cursos e s t á n emparentados c o n aquellas cosas que e x p l i c a n :
los concernientes al orden estable, firme y evidente c o n la a y u -
c da de la inteligencia, son estables e infalibles —no deben care-
cer de nada de cuanto conviene que posean los discursos i r r e -
futables e invulnerables—; los que se refieren a lo que ha sido
asemejado a lo inmutable, dado que es una imagen, han de ser
v e r o s í m i l e s y proporcionales a los infalibles. L o que el ser es a
La g e n e r a c i ó n , es la verdad, aJ^creejLcia. Por t a n t o , S ó c r a t e s ,
1 9
si en muchos temas, los dioses y la g e n e r a c i ó n del universo
no llegamos a ser eventualmente capaces de ofrecer u n discur-
so que sea totalmente coherente en todos sus aspectos y exac-
t o , no te admires. Pero si lo hacemos tan verosímil c o m o cual-
quier o t r o , s e r á necesario alegrarse, ya que hemos de tener
d presente que y o , el que habla, y vosotros, los jueces, tenemos
una naturaleza h u m a n a , de m o d o que acerca de esto convie-
n e u e
<' ^ aceptemos el relato.probable-y-no busquemos m á s allá.
S Ó C . — A b s o l u t a m e n t e bien, T i m e o , y hay que acep-
t a r l o c o m o mandas. Nos ha agradado sobremanera t u pre-
2 0
l u d i o , i n t e r p r é t a n o s a c o n t i n u a c i ó n el t e m a .

19
theon kai tes toü pantos genéseos es c l a r a m e n t e u n a glosa q u e ,
siguiendo la c o s t u m b r e , he t r a d u c i d o .
2 0
A q u í hay un j u e g o de p a l a b r a s c o n el significado de nomos, que
designa tanto la ley, el uso o la c o s t u m b r e c o m o u n a m o n o d i a a c o m p a -
ñ a d a de c í t a r a o flauta. A c e r c a de la r e f l e x i ó n p l a t ó n i c a s o b r e el p a r t i c u l a r
cf. Leyes 4, 7 J 9 c - 7 2 0 e . L a o p i n i ó n de los i n t é r p r e t e s sobre el sentido que
TIMEO 173

T l M . — D i g a m o s ahora.por q u é causa el hacedor hizo el


devenir y este universo. Es bueno y el bueno nunca anida e
n i n g u n a mezquindad acerca de nada. A l carecer de é s t a ,
q u e r í a que t o d o llegara a ser l o m á s semejante posible a él
mismo. H a r í a m o s m u y bien en aceptar de hombres i n t e l i -
gentes este p r i n c i p i o i m p o r t a n t í s i m o del devenir y del
m u n d o . C o m o el dios q u e r í a que todas las cosas fueran 30
buenas y no h u b i e r a en lo posible nada m a l o , t o m ó t o d o
cuanto es visible, que se m o v í a sin reposo de manera c a ó -
t i c a y desordenada, y lo condujo del^desprderi_&Lorden,
porque p e n s ó que éste es en t o d o sentido mejor que a q u é l .
Pues al ó p t i m o s ó l o le estaba y le e s t á p e r m i t i d o hacer lo
-
m á s bello. P o r medio del razonamiento llegó a la c o n c l u - * •
s i ó n de que entre los seres visibles nunca n i n g ú n c o n j u n t o ¿*
carente de r a z ó n s e r á m á s hermoso que el que la posee y
que, a su vez, es imposible que é s t a se genere en algo sin b
alma. A causa de este razonamiento, al ensamblar el m u n d o ,
c o l o c ó l a r a z ó n en el a l m a y el alma e j i ^ i ^ u e r p o , para que
su o b r a fuera la m á s bella y mejor p o r naturaleza. Es así
que s e g ú n el discurso probable debemos a f i r m a r que este
universo llegó a ser verdaderamente u n viviente p r o v i s t o de
alma y r a z ó n p o r la providencia divina.
Si esto es así, debemos exponer l o que se sigue de ello:
a c u á l de los seres vivientes lo a s e m e j ó el hacedor. N o lo
degrademos a s e m e j á n d o l o a uno de los que p o r naturaleza
son parciales en cuanto a la f o r m a —pues nunca nada
semejante a algo imperfecto l l e g a r í a a ser b e l l o — , sino que
supongamos que es el que m á s se asemeja a aquel del cual
los otros seres vivientes, t a n t o i n d i v i d u o s c o m o clases,
f o r m a n parte. Pues a q u é l comprende en sí todos los seres

prevalece e s t á d i v i d i d a . E s necesario o í r a m b o s significados. S i en l a


t r a d u c c i ó n he preferido el m u s i c a l , se debe a l a p e c u l i a r i d a d del p r o e m i o a
la ley, u n uso t í p i c a m e n t e p l a t ó n i c o y d e r i v a d o del m u s i c a l .
174 DIÁLOGOS

vivientes inteligibles, así c o m o este m u n d o a nosotros y los


d d e m á s animales visibles. C o m o el dios q u e r í a asemejarlo lo
m á s posible al m á s bello y absolutamente perfecto de los
31 seres inteligibles, l o hizo u n ser viviente_yisiblcj¿ ú r ñ c ^ o j c o n
¡ t o d a s las criaturas yjyiejrUeiS,^^
Inés dentro de sL_¿Es verdadera la a f i r m a c i ó n de la u n i c i d a d
a l
' ^ t í e l universo o sería m á s correcto decir que hay muchos e
incluso infinitos mundos? U n o , si en realidad ha de estar
fabricado s e g ú n su modelo. Pues lo que incluye todos los
seres vivos inteligibles existentes nunca p o d r í a f o r m a r u n
par con o t r o porque s e r í a necesario o t r o ser v i v o a d i c i o n a l
que los c o m p r e n d i e r a a estos dos, del que s e r í a n partes, y
entonces s e r í a m á s correcto a f i r m a r que este m u n d o no se
asemeja y a a a q u é l l o s sino a aquel que los abarca. P o f ello,
para que en la singularidad fuera semejante al ser v i v o per-
h fecto, su creador no hizo n i dos n i infinitos mundos, sino
que éste, generado c o m o u n universo ú n i c o , existe y exis-
2 1
t i r á solo .
\ Ciertamente, lo generado debe ser c o r p ó r e o , visible y
l l a n g i b l e , pero minea ^ C K i r i a haber nada visible sin fue^S7^i
tangible, sin algo s ó l i d o , n i s ó l i d o , sin tierra. P o r lo c u a l , el
dios, cuando c o m e n z ó a c o n s t r u i r el cuerpo de este m u n d o
10 "IZO a p a r t i r del fuego y de la tierra. Pero no es posible

2 1
L a frase de T i m e o puede ser l e í d a s e g ú n el texto de B U R N E T y tal
c o m o a q u í h a sido t r a d u c i d a o siguiendo otros i n t é r p r e t e s hoTs hóde
numogenes ouran¿)s gegonos éstin kai étestai (cf. A . E . T A Y L O R , Com-
mentary. p á g . 8 6 y sigs.). D e s a c e r t a d a es, por el c o n t r a r i o , la v e r s i ó n
F . M . C O R N F O R D , Cosmology. cit., p á g . 42, especialmente n. 1): has beert
and is and shall he o is at all times, porque el p a r t i c i p i o se e n c u e n t r a
claramente en u n nivel distinto de los dos verbos si se t o m a la a c e p c i ó n
fuerte de ésti y pasa a estar c o o r d i n a d o c o n el adjetivo demostrativo,
siendo monogenés y ouranós atributos de la c o n s t r u c c i ó n . L o s ejemplos
aducidos por C O R N F O R D carecen de v a l o r j u s t a m e n t e por estas razones
s i n t á c t i c a s . C o r r e c t a es la t r a d u c c i ó n de T A Y L O R en su c o m e n t a r i o antes
citado: having come to he is and still shall he.
TIMEO 175

u n i r bien dos elementos aislados sin u n tercero, ya que es[c


necesario u n v í n c u l o en el medio que los una. E l v í n c u l o
m á s bello es a q u é l que puede lograr que él m i s m o y los
elementos por él vinculados alcancen el mayor grado posi-
13
ble de u n i d a d . L a p r o j i p r c j ó n es^Ja.EH^.-PPX.JB^ÍH^i ^ \
realiza esto j i e J L a r a a . n e ^ E n efecto, cuando
22
de tres n ú m e r o s cualesquiera, sean enteros o c u a d r a d o s ,
el t é r m i n o medio es t a l que la r e l a c i ó n que tiene el p r i m e r 32
extremo con él, la tiene él con el segundo, y, a la inversa, la
que tiene el segundo extremo con el t é r m i n o medio, la tiene
é s t e con el p r i m e r o ; entonces, puesto que el m e d i o se ha» -
c o n v e r t i d o en p r i n c i p i o y f ^ \
s u c e d e r á necesariamente que así todos son lo mismo y , al
convertirse en i d é n t i c o s unos a otros, todos s e r á n uno. Si el
c u e r p o del universo hubiera tenido que ser una superficie
sin p r o f u n d i d a d , h a b r í a bastado con una m a g n i t u d media
que se uniera a sí misma c o n los extremos; pero en reali-
d a d , c o n v e n í a que fuera s ó l i d o y los s ó l i d o s nunca son b
conectados p o r u n t é r m i n o medio, sino siempre por dos.
Así, el dios c o l o c ó agua y aire en el medio del fuego y la
t i e r r a y los puso, en la m e d i d a de lo posible, en la m i s m a
r e l a c i ó n p r o p o r c i o n a l m u t u a — l a r e l a c i ó n que t e n í a e l
luego con el aire, la t e n í a el aire con el agua y la que t e n í a
el aire con el agua, la t e n í a el agua con la t i e r r a — , d e s p u é s
a t ó y compuso el universo visible y tangible. P o r esta causa
y a p a r t i r de tales elementos, en n ú m e r o de c u a t r o , se <
g e n e r ó el cuerpo del m u n d o . C o m o concuerda por medio

2 2
eíte ógkon eíte dynámeon, cf. la nota de K l . WIDDRA (Platón.
Timaios, en Platón. Timaios. Kritias. Philebos. Bearbeitet von K l . W.
Griechischer Text von A. Rivaud und A. Diés. Deutsche Übersetzung von
H . Müller und F . Schleiermacher, Darmstadt, 1 9 7 2 . Platón. Werke in
Acht Bánden. Griechisch und Deutsch. 7 , pág. 4 1 y sigs.) a este pasaje que
aclara los errores de F . M. C O R N F O R D , Cosmology. cit., págs. 4 3 - 5 2 , y A.
E . T A Y L O R , Commentary, cit., págs. 9 6 - 9 9 .
176 DIÁLOGOS

23
de la p r o p o r c i ó n , a l c a n z ó l a a m i s t a d j , de manera que,
d e s p u é s de esta u n i ó n , llegó a ser i n d i s o l u b l e p a r a o t r o que
no fuera el que lo h a b í a atado.
L a c o m p o s i c i ó n del m u n d o i n c l u y ó l a t o t a l i d a d de cada
u n o de estos cuatro elementos. E n efecto,j;l creador; lc^hizo
de t o d o e l X l i e ^ ^ a j g u a , aire y t i e r r a , sin dejar fuera n i n g u n a
"parte* o" p r o p i e d a d , p o r q u e se p r o p u s o l o siguiente: r i -
mero; que el c o n j u n t o fuera lo m á s posible u n ser v i v o
completo de partes completas y,: segundo, ú n i c o , al rió
quedar nada de l o " 5 ^ ' ^ p u 5 i e r a generarse o t r o semejante;
tercero, que n o enyejeciera^ni enfermara, ya que p e n s ó que
si objetos calientes o fríos o, en general, de fuertes p r o p i e -
2 4
dades rodean a u n cuerpo compuesto y l o atacan i n o p o r -
tunamente, l o disuelven y l o c o r r o m p e n p o r q u e i n t r o d u c e n
enfermedades y vejez. Por esta causa y c o n este razona-
m i e n t o , l o c o n f o r m ó c o m o u n t o d o perfecto c o n s t i t u i d o de
la t o t a l i d a d de todos los componentes, que n o envejece n i
enferma. Le d i o u n a f i g u r a conveniente y adecuada. L a
f i g u r a a p r o p i a d a para el ser v i v o que ha de tener en sí a
todos los seres vivos d e b e r í a ser la que incluye todas las
k figuras. P o r t a n t o , l o c o n s t r u y ó e s f é r i c o , c o n l a m i s m a dis-
jíffiSiajlfiLl»ntro.A.los extremos en todas partes, circular, la
l ^ . B P í í ^ t a y j e m e x a n t e a sí misma de todas las figuras,
^ P f ^ P i ^ c J i n s i i e r ó m u c h í s i m o m á s bello l o semejante q u é l o
¡disímil. P o r m ú l t i p l e s razones c u l m i n ó su o b r a alisando
c t o d a l a superficie externa del universo. Pues n o necesitaba
ojos, ya que no h a b í a dejado nada visible en el e x t e r i o r , n i

2 3
E l pasaje tiene ecos de l a f i l o s o f í a de E m p é d o c l e s , en l a que la amis-
t a d (filia) es la f u e r z a n a t u r a l que une los elementos y m o v i m i e n t o s
j discordantes y se opone a néikos ( b a t a l l a , pelea, d i s c o r d i a ) , l a fuerza de
I s e p a r a c i ó n en l a n a t u r a l e z a .
2 4
dynámeis « f u e r z a s » , en este c a s o las cualidades o p r o p i e d a d e s de los
c u e r p o s c o n s i d e r a d o s en tanto agentes o pacientes. C f . F . M . C O R N F O R D ,
Cosmology, p á g . 53.
TIMEO 177

o í d o s , porque nada h a b í a que se pudiera o í r . C o m o no


estaba rodeado de aire, no necesitaba r e s p i r a c i ó n , n i le
h a c í a falta n i n g ú n ó r g a n o p o r el que recibir alimentos, n i
para expulsar luego la a l i m e n t a c i ó n ya digerida. N a d a s a l í a
n i entraba en él p o r n i n g ú n lado — t a m p o c o h a b í a nada—,
pues n a c i ó c o m o p r o d u c t o del arte de m o d o que se ali-r ^
menta a„sj_ m i s m o de s u p r o p i a ^
2 5
objeto de todas las acciones en sí y p o r s í . E n efecto, e l ^
hacedor p e n s ó que si era independiente s e r í a mejor que si
necesitaba de o t r o . C o n s i d e r ó que no d e b í a agregarle en
vano manos, que no precisaba para t o m a r o rechazar nada,
n i pies n i en general n i n g ú n i n s t r u m e n t o para desplazarse.
Pues le p r o p o r c i o n ó el m o v i m i e n t o "propio de su cuerpo, el 34
m á s cercano al intelecto y a la inteligencia de los siete. Por
t a n t o , l o g u i ó de manera u n i f o r m e alrededor del m i s m o
p u n t o y le i m p r i m i ó u n m o v i m i e n t o g i r a t o r i o circular, l o
p r i v ó de los seis m o v i m i e n t o s restantes y lo hizo i n m ó v i l
c o n respecto a ellos. C o m o no necesitaba pies para ese cir-
c u i t o , l o e n g e n d r ó sin piernas n i pies.
E l dios eterno r a z o n ó de esta manera acerca del dios
que i b a a ser cuando hizo su cuerpo no s ó l o suave y liso
Sino t a m b i é n en todas partes equidistante del c e n t r o , c o m - b

pieto, entero de cuerpos enteros. P r i m e r o c o l o c ó el a l m a en


su centro XJu^goja extend a t r a v é s de t o d r i a ^ ¿ S r f í ^
y c u b r i ó el .cuerno gon ^ella. Creó así u n m u n d o 7 « S c u l a r ^
que gira en c í r c u l o , ú n i c o , solo y a i s l a c ^ su v i r t u d \
EH^^.J?2By>YH...,.£2?.?if?J° m i s m o _^y_ n ^ r ^ c e s ^ ^ g ^ n m ^ n 1
^ F ° » . S H £ ^ - ^ - T O S * X. ama suficientemente a sí m i s m o . Porl
t o d o esto, l o e n g e n d r ó c o m o u n dios feliz.
E l dios n o p e n s ó en hacer el a l m a m á s j o v e n que el

2 5
Aquí Platón hace referencia a que el orden del mundo es producto
de una inteligencia técnica y no del simple azar. Una discusión contra las»
tesis materialistas es llevada a cabo en el libro X de las Leyes. I
178 DIÁLOGOS

c cuerpo, t a l c o m o hacemos ahora a l intentar describirla


d e s p u é s de a q u é l —pues cuando los e n s a m b l ó no h a b r í a
p e r m i t i d o que l o m á s viejo fuera gobernado p o r l o m á s
j o v e n — , mas nosotros dependemos en gran m e d i d a de l a
casualidad y en cierto m o d o hablamos al azar. P o r el c o n -
t r a r i o , el d e m i u r g o hizo al a l m a p r i m e r a en origen y en
v i r t u d y m á s a n t i g u a que el cuerpo. L a c r e ó d u e ñ a y
gobernante del gobernado a p a r t i r de los siguientes elemen-
26
35 tos y c o m o se expone a c o n t i n u a c i ó n . E n medio del s e r
indivisible, eterno e i n m u t a b l e y del divisible que deviene
en los cuerpos m e z c l ó u n a tercera clase de ser, hecha de los
. otros dos. E n l o que concierne a las naturalezas de l o
16 27
1 m i s m o y^jác^o jotro , t a m b i é n compuso de la m i s m a
' manera u n a tercera clase de naturaleza entre l o indivisible
y l o divisible en los cuerpos de u n a y otra. A c o n t i n u a c i ó n ,
t o m ó los tres elementos resultantes y los m e z c l ó a todos en
u n a f o r m a : para ajustar la naturaleza de lo o t r o , difícil de
mezclar, a l a de l o m i s m o , u t i l i z ó la violencia y las mezcló
b c o n el ser 28. D e s p u é s de u n i r los tres^ componentes, d i v i d i ó

a e s
" 7 a d u c i d a p o r F . M . C O R N F O R D (Cosmology, pági-
n a 6 6 e P á g 6 2 ) p o r
, " : ' t?- - exñtence. a c e r c a n d o el texto de m a n e r a indebida
al sa/ista. S i n e m b a r g o , esta i n t e r p r e t a c i ó n deja de l a d o que d i c h o d i á -
logo se refiere e x c l u s i v a m e n t e al á m b i t o de las ideas, m i e n t r a s que a q u í
los elementos e n u m e r a d o s i n c l u y e n tanto al m u n d o de las ideas c o m o al
de l a chora (cf. infra, 48e-52d). P o r ello, parece conveniente u n a t r a d u c -
c i ó n m á s g e n e r a l , y a que el t é r m i n o puede aplicarse de m a n e r a a m p l i a a
u n á m b i t o de l a r e a l i d a d , por ejemplo, al m u n d o de las ideas y no a u n a
idea e s p e c í f i c a (cf. Fed. 76d, 77a, 78d, p. ej.). D a d o que los t é r m i n o s
'esencia' y ' s u s t a n c i a ' ( a s í A . R I V A U D , Oeuvres, p á g . 147) tienen en el
v o c a b u l a r i o f i l o s ó f i c o u n sentido a r i s t o t é l i c o m u y preciso, he preferido
'ser
2 7
L a t r a d u c c i ó n acepta el an perí c o n u n a parte de l a t r a d i c i ó n . P a r a
l a a c l a r a c i ó n de este d i f í c i l pasaje, cf. F . M . C O R N F O R D , Cosmology,
p á g s . 59-66.
2 8
L a t r a d u c c i ó n se a p a r t a de l a p u n t u a c i ó n del texto de B U R N E T . C f .
F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 60, n. 1.
TIMEO 179

el conjunto resultante en tantas partes c o m o era conve-


niente, cada u n a mezclada de lo m i s m o y de l o o t r o y del
ser. C o m e n z ó a d i v i d i r a s í i ^ r i m e r o , extrajo una parte del
t o d o ; a c o n t i n u a c i ó n , s a c ó una p o r c i ó n el doble de é s t a ;
posteriormente t o m ó la tecera p o r c i ó n , que era una vez y
media la segunda y tres veces l a p r i m e r a ; y la cuarta, e l |
doble de la segunda, y la q u i n t a , el triple de la tercera, y l a ^
sexta, ocho veces la p r i m e r a , y, finalmente, la s é p t i m a , i
veintisiete veces la p r i m e r a . / D e s p u é s , l l e n ó los intervalos?
dobles y triples, c o r t a n d o a ú n porciones de la mezcla o r i g i - 36
naria y c o l o c á n d o l a s entre los trozos y a cortados, de m o d o
que eri^cada « S é r v a l o J h u j ^ u n o que supera \ „
y es superado p o r los extremos en la misma f r a c c i ó n , o t r o
que supera y es superado p o r u n a c a n t i d a d n u m é r i c a m e n t e
igual. D e s p u é s de que entre los primeros intervalos se o r i -
ginaran de estas conexiones los de tres medios, de cuatro
tercios y dejrmeve^ , l l e n ó todos los"de cuatro tercios
con u n o de nueve octavos y d e j ó u n resto en cada u n o de b
ellos cuyos t é r m i n o s t e n í a n una r e l a c i ó n n u m é r i c a de dos-
2 9
cientos cincuenta y seis a doscientos cuarenta y tres . D e
l d V Í S Í o n e s w
o « H ^ ?, í * h a c e e l
d e m i u r g o surgen dos series g e o m é t r i -
c a s de dOS ( 1 , 2, 4, 8) y de tres (1, 3, 9, 27). C a d a uno de estos intervalos
tiene a su vez d o s medios, u n o que s u p e r a y es s u p e r a d o p o r los e x t r e m o s
en l a m i s m a p r o p o r c i ó n ( m e i i Í Q . a x m ó n i c o ) y otro que se diferencia de ellos
por el m i s m o n ú m e r o (medio a r i t m é t i c o ) . E l medio a r i t m é t i c o es l a s u m a
de los v a l o r e s c o n s e c u t i v o s de l a serie, d i v i d i d a p o r s u c a n t i d a d . E l medio
a r i t m é t i c o de 2 y 4 es, s e g ú n esta f ó r m u l a , 6:2 = 3. L a d i f e r e n c i a existente
entre los e x t r e m o s y el t é r m i n o medio es l a m i s m a (1). E l m e d i o a r m ó n i c o
es el v a l o r r e c í p r o c o del m e d i o a r i t m é t i c o de los v a l o r e s r e c í p r o c o s de l a
serie. E l m e d i o a r m ó n i c o entre 1 y 2 es 2 / ( 1 / 1 + 1 / 2 ) = 4 / 3 . E s t e t é r m i n o
m e d i o es 1/3 m a y o r que el e x t r e m o inferior y 2 / 3 m e n o r que el e x t r e m o
superior, es d e c i r existe l a m i s m a d i f e r e n c i a p r o p o r c i o n a l c o n c a d a u n o de
los extremos.
E l o r d e n a m i e n t o de los t é r m i n o s medios en c a d a serie y de a m b a s
series entre sí d a l a siguiente s u c e s i ó n : 1, 4 / 3 , 3 / 2 , 2, 8 / 3 , 3, 4, 9 / 2 , 1 6 / 3 ,
6 8, 9, 2 7 / 2 , 18, 27. L a i m a g i n e r í a _ j i o _ h a c j e ^ s i n o resaltar l a e s t r u c t u r a
180 DIÁLOGOS

esta manera c o n s u m i ó completamente la mezcla de la que


h a b í a cortado t o d o esto. A c o n t i n u a c i ó n , p a r t i ó a lo largo
t o d o el compuesto, y u n i ó las dos mitades resultantes p o r
el centro, f o r m a n d o u n a X . D e s p u é s , d o b l ó a cada m i t a d
c en c í r c u l o , hasta u n i r sus respectivos extremos en la cara
opuesta al p u n t o de u n i ó n de ambas partes entre sí y les
i m p r i m i ó u n m o v i m i e n t o de r o t a c i ó n u n i f o r m e . C o l o c ó u n
c í r c u l o en el i n t e r i o r y o t r o en el e x t e r i o r y p r o c l a m ó que
el m o v i m i e n t o exterior c o r r e s p o n d í a a l a naturaleza de l o
m i s m o y el i n t e r i o r a J a de Jo^otro. M i e n t r a s a la r e v o l u c i ó n
de l o m i s m o le i m p r i m i ó u n m o v i m i e n t o g i r a t o r i o lateral
hacia la derecha, a la de lo o t r o la hizo girar en diagonal
hacia l a i z q u i e r d a y d i o el p r e d o m i n i o a l a r e v o l u c i ó n de l o
d m i s m o y semejante; pues la d e j ó ú n i c a e indivisa, en t a n t o
que c o r t ó l a i n t e r i o r en seis partes e hizo siete c í r c u l o s desi-
guales. Las revoluciones resultantes estaban a intervalos
dobles o triples entre sí y h a b í a tres intervalos de cada
clase. E l d e m i u r g o o r d e n ó que los c í r c u l o s marcharan de
manera c o n t r a r i a unos a otros, tres c o n u n a velocidad
semejante, los otros cuatro de manera desemejante entre sí
y con los otros tres, aunque manteniendo u n a p r o p o r c i ó n
U n a v e z q u e , e n o p i n i ó n de su hacedor, t o d a l a c o m p o -
s i c i ó n del alma h u b o a d q u i r i d o una f o r m a r a c i o n a l , éste
e e n t r a m ó t o d o lo c o r p ó r e o dentro de ella, para l o cual los
a j u s t ó reuniendo el centro del cuerpo con el del alma. É s t a ,
d e s p u é s de ser entrelazada por doquier desde el centro
hacia los extremos del universo y c u b r i r l o exteriormente en
c í r c u l o , se puso a girar sobre sí misma y c o m e n z ó el
gobierno d i v i n o de una v i d a i n e x t i n g u i b l e e inteligente que

gjeométrico-musical del i n u n d o : l a a s t r o n o m í a m o s t r a r á que el o r d e n que


i m p e r a en J o s cuerpos celestes es u n a f o r m a de l a a r m o n í a m u s i c a l . E l
c r e a d o r a c t ú a c o m o un m ú s i c o c r e a n d o u n a e s c a l a t o n a l y el m o d e l o de l a
creación es el del monocordio. Cf. F . M . CORNFORD, Cosmology,
p á g s . 59-72.
TIMEO 181

d u r a r á eternamente. M i e n t r a s el cuerpo del universo n a c i ó


3 0
visible, ella fue generada invisible, p a r t í c i p e del razona-
miento y la a r m o n í a , creada la mejor de las creaturas por el 37
m e j o r de los seres inteligibles y eternos. Puesto que e l j d i o ^ ~
l a c o m p u s o de estos tres elementos — l a naturaleza de i d ^
m i s m o , la de l o o t r o y_dl_ser—, l a . d i v i d i ó propojcionaj-^
<
mente y d e s p u é s la u n i ó , cuando [el.alm¿^.aL£Úr.aj...$pkxs^í
misma^ t o r n a contacto c o n algo que posee una esencia d i v i -
sible o c u a n d o lo hace c o n algo que la tiene indivisible,
dice, m o v i é n d o s e en su t o t a l i d a d , a q u é es, eventualmente, f>
i d é n t t e o ^ d e ^ q u i f difiere o de q u é es r e l a t i v o y , m á s precisa-
mente, c ó m o y de q u é manera y c u á n d o sucede que u n
o b j e t o p a r t i c u l a r es relativo a o afectado p o r o t r o objeto
del m u n d o del devenir o del de los entes eternos e i n m u t a - ^
31
b l e s . C u a n d o en el á m b i t o de l o sensible tiene lugar el
r a z o n a m i e n t o verdadero y no c o n t r a d i c t o r i o sobre lo que
es diverso o l o que es i d é n t i c o , que se traslada sin sonido n i
v o z a través de l o que se mueve a sí m i s m o , y cuando el
c í r c u l o de l o o t r o , en u n a m a r c h a sin desviaciones, lo
anuncia a t o d a su alma, entonces se o r i g i n a n opiniones y
c r e e n c i a s s ó l i d a s y verdaderas, pero cuando el razona- c
r m e n t o es a c e r c a de lo inteligible y el c í r c u l o de l o m i s m o
con u n m o v i m i e n t o suave anuncia su c o n t e n i d o , resultan

3 0
psyche ( 3 7 a l ) : glosa (cf. U . V O N W I L A M O W I T Z M O E L L E N D O R F F , Pla-
tón I I , B e r l í n , 1918, p á g . 389, y F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 94,
n. 2). A u n q u e P l u t a r c o h a l e í d o psyche l a o p o s i c i ó n aóratos mén, logis-
moü dé metéchousa kaí harmonías m u e s t r a c l a r a m e n t e que tanto el adje-
tivo c o m o la c o n s t r u c c i ó n participial m o d i f i c a n a auté.
3 1
L a t r a d u c c i ó n difiere de las interpretaciones d a d a s h a s t a el presente
del pasaje en que se e l i m i n a la c o m a d e t r á s de héteron, de m o d o que se d é
la s u c e s i ó n te... kai... te y en otro nivel, e. d. d e p e n d i e n d o del ú l t i m o te,
málista... kaí. P a r a l a s u c e s i ó n te... te..., cf. R . K Ü H N E R - B . G E R T H , Aus-
führliche Grammatik der griechischen Sprache. Parte II: Satzlehre 11,
H a n n o v e r - L e i p z i g , 1989 [1966], 251, n. 1.
182 DIÁLOGOS

3 2
necesariamente, el c o n o c i m i e n t o n g é l i e o y l a ciencia. S i
alguna vez alguien dijere que aquello en que ambos surgen
es algo que no sea el alma, d i r á cualquier cosa, menos la
verdad.
C u a n d o su padre y p r o g e n i t o r v i o que el universo se
m o v í a y v i v í a c o m o imagen generada de los dioses eter-
3 3
nos , se a l e g r ó y, f e l i z T t m n ó la d e c i s i ó n de hacerlo t o d a v í a
m á s semejante al m o d e l o . Entonces, c o m o é s t e es u n ser
viviente eterno, i n t e n t ó que este m u n d o l o fuera t a m b i é n en
lo posible. Pero dado que la naturaleza del m u n d o ideal es
sempiterna y esta cualidad no se le puede o t o r g a r c o m p l e -
j a m e n t e a l o generado, p r o c u r ó realizar una cierta imagen
Imóvil de l a e t e r n i d a d y, al ordenar el cielo, h i z o de la eter-
n i d a d que permanece siempre en u n p u n t o u n a imagen
eterna que m a r c h a b a s e g ú n el n ú m e r o , eso que llamamos
<tjxmíp<^. Antes de que se o r i g i n a r a el m u n d o , n o e x i s t í a n los
d í a s , las noches, los meses n i los a ñ o s . P o r ello, p l a n e ó su~
g e n e r a c i ó n al m i s m o t i e m p o que la c o m p o s i c i ó n de a q u é l .
É s t a s son todas partes del t i e m p o y el «era» y el «será» son
formas devenidas del t i e m p o que de manera incorrecta
aplicamos irreflexivamente al ser eterno. Pues decimos que
era, es y s e r á , pero s e g ú n el razonamiento verdadero s ó l o le
l Corresponde el «es», y el «era» y el «será» conviene que sean \
predicados de la g e n e r a c i ó n que procede en el tiempo
—pues ambos representan m o v i m i e n t o s , pero l o que es
sifrnpre i d é n t i c o e i n m u t a b l e no ha de envejecer n i volverse
3 2
S e t r a t a del g r a d o m á s alto de c o n o c i m i e n t o y se c a r a c t e r i z a p o r su
p e r c e p c i ó n i n m e d i a t a y u n i t a r i a del objeto n o é t i c o y a s e a l a idea o el
p r i n c i p i o trascendente a ellas, l a m ó n a d a (cf. Epist. 7, 342c-d).
3 3
C o n t r a r i a m e n t e a lo que s u p o n e F . M . C O R N F O R D , Cosmology,
p á g . 99 y sigs.; K . W J D D R A , Timaios, cit., n o t a al pasaje, el genitivo ton
aidíon theón no se refiere a los a s t r o s , sino a l m u n d o i d e a l (cf. aídion ón,
3 7 d l ) . ágalma, imagen en sentido religioso y c o m o s e m e j a n z a : cf. Banq.
218d-e, d o n d e los agálmata que se e n c u e n t r a n dentro de S ó c r a t e s no son
sino sophrosyne (218d7).
TIMEO 183

m á s j o v e n en el t i e m p o , n i corresponde que haya sido gene-


rado, n i esté generado ahora, n i l o sea en el f u t u r o , n i en
absoluto nada de cuanto la g e n e r a c i ó n adhiere a los que se
mueven en l o sensible, sino que estas especies surgen
cuando el t i e m p o i m i t a la eternidad y gira s e g ú n el n ú m e r o
— y , a d e m á s , t a m b i é n l o siguiente: lo que ha devenido es b
devenido, l o que deviene e s t á deviniendo, lo que d e v e n d r á
es l o que d e v e n d r á y el no ser es no ser; nada de esto e s t á
expresado c o n propiedad. Pero ahora, q u i z á , no es el
m o m e n t o o p o r t u n o para buscar exactitud.
E l t i e m p o , por t a n t o , n a c i ó con el universo, para que,
generados s i m u l t á n e a m e n t e , t a m b i é n desaparezca a la
vez, si en alguna o c a s i ó n tiene lugar una eventual d i s o l u -
c i ó n suya, y fue hecho s e g ú n el m o d e l o de la naturaleza
eterna para que este m u n d o tuviera la m a y o r s i m i l i t u d
3 4
posible con el m u n d o i d e a l , pues el modelo posee el serjc
por t o d a la eternidad, mientras que éste es y s e r á t o d o el {
tiemrjo^cmnpletar^ L a d e c i s i ó n d i v i n a de
crear el t i e m p o hizo que surgieran el sol, la l u n a r i o s otros)
cinco^_c ierr3ps^
i que U e v j m ^ e J L ^
P ñ l ^ S H E ^ y ^ i e r a n y guardaran las m a g n i t l l d e ^ t e m p o r a -
Jes. D e s p u é s de hacer el C u e r p o de cada u n o de ello¡7 e l 1

dios los c o l o c ó en los circuitos que r e c o r r í a la r e v o l u c i ó n


de lo o t r o , siete cuerpos en siete circuitos, la l u n a en la
p r i m e r a ó r b i t a alrededor de la t i e r r a , el sol, en l a segunda
sobre la t i e r r a y el lucero y el que se dice que e s t á consa-
grado a Hermes, en ó r b i t a s que giran a l a m i s m a velocidad
3 5
que la del s o l pero c o n una fuerza c o n t r a r i a a él, r a z ó n

3 4
homoiótatos en 38b8 n o se refiere a chrónos en 38b6, sino a
ouranoü en l a m i s m a l í n e a . D e l a m i s m a m a n e r a que auto i en 38c 1 no se
refiere a parádeigma en 38b8, sino a parádeigma en 38c 1, tal c o m o lo
d e m u e s t r a l a frase siguiente.
3 5
P a r a l a a c l a r a c i ó n de esta c o n s t r u c c i ó n , cf. A . E . T A Y L O R , Com-
mentary, cit., p á g . 196; F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 105, n. 2.
184 DIÁLOGOS

por l a que regularmente se superan unos a o t r o s el sol, el


planeta de Hermes y el lucero. Si alguien q u i s i e r a detallar
d ó n d e c o l o c ó los restantes planetas y todas las causas p o r
las que así l o h i z o , l a a r g u m e n t a c i ó n , aunque secundaria,
e p r e s e n t a r í a u n a d i f i c u l t a d m a y o r que la que merece su
objeto. N o obstante, q u i z á m á s tarde, c o n t r a n q u i l i d a d ,
podamos e x p l i c a r l o de manera adecuada. U n a vez que
cada u n o de los que eran necesarios p a r a a y u d a r a crear el
t i e m p o estuvo en la r e v o l u c i ó n que le c o r r e s p o n d í a y, tras
sujetar sus cuerpos con v í n c u l o s animados, f u e r o n engen-
drados c o m o seres vivientes y aprendieron l o que se les
o r d e n ó , c o m e n z a r o n a girar s e g ú n la r e v o l u c i ó n de l o o t r o ,
39 que en u n curso oblicuo cruza la de lo m i s m o y es d o m i -
3 6
nada p o r e l l a . Unos recorren u n cjrjculo m a y o r y o t r o s ,
uno^mejior^Jo^del^ m á s rápidas,
los del m a ^ x m á s . L e n t a s . C o m o giran alrededor de la revo-
l u c i ó n de l o m i s m o , los m á s r á p i d o s parecen ser superados
por los m á s lentos, aunque en realidad los superan. A q u é -
lla, c o m o todos los c í r c u l o s avanzan en dos direcciones
b opuestas al m i s m o t i e m p o , los retuerce en espiral y hace
aparecer al que se aleja m á s lentamente de ella c o m o si l a
siguiera m á s de cerca a ella que es la m á s r á p i d a . P a r a q u e
nUDiera una m e d i d a clara de l a lentitud y rapidez relativa
3 7
en que se mueven las ocho revoluciones, el d i o s e n c e n d i ó
3 6
katá de tin thatérou phoran plagian oüsan, día tes taútoü ioüsan te
kái kratouménen... C f . A . E . T A Y L O R , Commentary, p á g . 202 y sigs.
C o n t r a r i a m e n t e a lo que pretende F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
p á g . 112, n. 2), el l e m a de P r o c l o no m u e s t r a que l a a c t u a l f u e r a l a l e c t u r a
de su m a n u s c r i t o .
3 7
L a c o n j e t u r a kath' há de R . D . A R C H E R H I N D (The Timaeus of
Plato Edited with Introduction and Notes, L o n d r e s , 1888, p á g . 128 y sigs.)
es l a p r o p u e s t a m á s plausible al texto existente, sobre t o d o si se tiene en
c u e n t a que ta peri tas októphorás es u n a p e r í f r a s i s p o r hai októphoraí,
c o m o acertadamente o b s e r v a A . E . T A Y L O R (Commentary, p á g . 212),
lo q u e no h a s i d o a d v e r t i d o p o r F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
TIMEO 185

u n a luz en el segundo c i r c u i t o c o n t a n d o desde la t i e r r a , la


que actualmente llamamos sol, c o n la finalidad de que t o d o
el cielo se i l u m i n a r a completamente y los seres vivientes^
correspondientejj^üciparanj^
q u e T ¿ a p r S a d í a n - « d e ^ l a r e v o j u c i ó n de lo„ m i s m o y .semejanle,
Así y p o r estas razones, nacieron la noche y el d í a , el ciclo c
de t i e m p o de la u n i d a d de r e v o l u c i ó n m á s r a c i o n a l . E l mes
se produce, cuando la luna, d e s p u é s de recorrer t o d a su
ó r b i t a , supera al sol; el a ñ o , cuando el sol c o m p l e t a su
r e v o l u c i ó n . Como t a n sólt> unos pocos entienden las revo-
luciones de los restantes, n i se las n o m b r a n i , p o r m e d i o de
la o b s e r v a c i ó n , se hacen mediciones relativas, de m o d o d
que, en u n a palabra, no saben que sus caminos errantes de
una m a g n i t u d enorme y maravillosamente v a r i a d a son
t i e m p o . S i n embargo, es posible comprender que, cuando
las velocidades relativas de las ocho ó r b i t a s , medidas p o r el
c í r c u l o de l o m i s m o en p r o g r e s i ó n u n i f o r m e , se c o m p l e t a n
s i m u l t á n e a m e n t e y alcanzan el p u n t o inicial, entonces el
n ú m e r o perfecto de t i e m p o c u l m i n a el a ñ o perfecto. De
esta manera y p o r estos m o t i v o s , fueron engendrados todos
los cuerpos celestes que en sus marchas a t r a v é s del cielo
alcanzan u n p u n t o de r e t o r n o , para que el universo sea l o
mas semejante posible al ser v i v o perfecto e inteligible en la
i m i t a c i ó n de l a naturaleza eterna.
A pesar de que ya el d e m i u r g o h a b í a c o m p l e t a d o t o d o e
lo d e m á s en l o que a t a ñ e a la s i m i l i t u d con aquello a lo que
se asemejaba, hasta l a g e n e r a c i ó n del t i e m p o inclusive, el
universo t o d a v í a no p o s e í a en su i n t e r i o r todos los anima-
les generados, en lo que a ú n era d i s í m i l . Este resto l o llevó

p á g i n a 1 1 5 ) ni R . D . A R C H E R HIND (Timaeus, p á g . 1 2 9 ) c o n el s ú b i t o
resultado de que los siete planetas se m u e v e n a h o r a en o c h o ó r b i t a s . E l
' h u m o r o u s t o u c h ' p l a t ó n i c o que le sirve a T A Y L O R p a r a j u s t i f i c a r el texto
de B U R N E T es t a n i n g l é s que no a l c a n z o a n o t a r l o (cf. F . M . C O R N F O R D ,
Cosmology, p á g . 1 1 5 , n. 4).
Ig6 DIÁLOGOS

a cabo estampando una impresión en la naturaleza de la


38
c o p i a . Pensó, pues, que este mundo debía tener en sí
especies de una cualidad tal y en tanta cantidad como el
intelecto, ve que hay en el ser viviente ideal. Hay, cierta-
mente ífcuati3* ü n a > el género c^eles^de^QS-jiio^es^ígjra^
el alado y dejos^iúmajejsj^u^ la tercera e§_el
género acuático y la c u a r t a l
4 0
sobre los pies y a j ^ s anim Hizo la mayor
parte de la foirma de lo divino de fuego para que fuera el
género más bello y más luminoso para la vista, y lo cons-
truyó perfectamente circular, semejante al universo. L o
39
c o l o c ó en la inteligencia de lo excelso , para que lo
siguiera, y lo distribuyó por todo el cielo en círculo, de
modo que fuera un verdadero adorno bordado en toda su
superficie. A cada uno le dio dos movimientos, uno en lo
mismo y según lo mismo, para que piense para sí siempre
b lo mismo acerca de lo mismo, el otro hacia adelante,
dominado por la revolución de lo mismo y semejante, pero
inmóvil y fijo respecto de los cinco movimientos, para que
cada uno de ellos llegara a ser lo más perfecto posible. Por
esta causa, por tanto, surgieron las estrellas fijas, que son
seres v i v o s divinos e inmortales que giran según l o m i s m o
en el mismo punto y permanecen siempre. Las que tienen
un punto de retorno y un curso errático, como fue descrito
más arriba, nacieron como fue dicho. Construyó la tierra

3 8
parádeigma significa en este pasaje * c o p i a \ cf. Rep. 7, 529d7. E l
pasaje del Timeo 28b2, m e n c i o n a d o p o r E . D E S P L A C E S (Platón. Oeuvres
completes, XIV, Lexique I I , 1946, p á g . 4 0 2 ) , no tiene en a b s o l u t o este
significado.
3 9
L a t r a d u c c i ó n de A . R I V A U D (Oeuvres, p á g . 154), c o p i a de la de
T H . H . M A R T I N (Études, I , p á g . 109), e q u i v o c a el sentido y l a c o n s -
t r u c c i ó n s i n t á c t i c a a l r o m p e r l a u n i d a d del s i n t a g m a eis ten toü kratístou
phrónésin, c o n lo c u a l t o m a el participio synepómenon c o m o f e m e n i n o , lo
que es imposible. S e t r a t a del c í r c u l o de lo m i s m o e n el a l m a del m u n d o .
timeo 187

4 0
para que sea n o d r i z a nuestra y , p o r m e d i o de su r o t a c i ó n c
alrededor del eje que se extiende a t r a v é s del universo,
guardia y artesana de l a noche y del d í a , la p r i m e r a y m á s
anciana de las divinidades que hay en el universo. S e r í a u n
esfuerzo v a n o n o m b r a r sin representaciones visuales las
danzas corales de estas ú l t i m a s , sus mutuas conjunciones,
4 1
el r e t o r n o de las ó r b i t a s sobre sí mismas y sus avances y
q u é dioses se unen en los encuentros y c u á n t o s se o p o n e n ,
y en q u é y d e s p u é s de q u é tiempos se nos o c u l t a n c o l o c á n -
dose u n o delante de o t r o y, al reaparecer, p r o d u c e n t e m o r
y d a n signos de l o que ha de suceder a los que n o son
capaces de calcular. Sea é s t e , p o r t a n t o , u n final adecuado d
para estos asuntos y para l o d i c h o acerca de la naturaleza
de los dioses visibles y generados.
D"ejcjr_y_cjonoc^
tarea que v a m á s allá de nuestras fuerzas. H a y que creer,
p o r consiguiente, a los que h a b l a r o n antes, dado que en
t a n t o descendientes de dioses, c o m o afirmaron, supongo
que al menos c o n o c e r í a n b i e n a sus antepasados. N o es
posible, entonces, desconfiar de hijos de dioses, aunque e
hablen sin demostraciones probables n i necesarias, sino
siguiendo l a costumbre, debemos creerles cuando dicen que
relatan asuntos familiares. Aceptemos y refiramos pues el!
origen de los dioses t a l c o m o l o e x p o n e n ellos. O c é a n o y
Tetis f u e r o n hijos de Gea y U r a n o , de ellos n a c i e r o n F o r -
cis, C r o n o s , Rea y todos los de su g e n e r a c i ó n ; de C r o n o s y U i
Rea, Zeus, H e r a y todos los que sabemos que son llamados!
sus hermanos y, a d e m á s , los restantes que son descendien-
tes de é s t o s . D e s p u é s de que nacieran todos los dioses que
4 0
Para la aclaración de este pasaje y en especial del término heillomé-
nen, cf. F . M . C O R N F O R D , Cosmology, págs. 1 2 0 - 1 3 4 .
4 1
epanakyktéseis: la traducción de F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
cit., pág. 1 3 5 ) 'counter-revolutions' no hace justicia al significado del tér-
mino griego.
188 DIÁLOGOS

marchan de manera visible y todos los que aparecen cuando


quieren, el creador de este universo les dijo l o siguiente:
« D i o s e s hijos de dioses, las obras de las que soy arte-
sano y padre, p o r haberlas y o generado, no se destruyen si
4 2
|yo no l o quiero . [ P o r cierto, t o d o l o atado puede ser des-
> a t a d o , pero es p r o p i o del m a l v a d o el querer desatar l o que
|pstá c o n s t r u i d o de manera a r m ó n i c a m e n t e bella y se en-
cuentra en buen estado^ N o sois en absoluto n i inmortales
n i indisolubles porque h a b é i s nacido y p o r las causas que
os han dado nacimiento; sin embargo, no seréis destruidos
n i t e n d r é i s u n destino m o r t a l , porque h a b é i s o b t e n i d o en
suerte el v í n c u l o de m i d e c i s i ó n , a ú n m a y o r y m á s pode-
roso que aquellos c o n los que fuisteis atados c u a n d o nacis-
teis. A h o r a , enteraos de l o que os he de mostrar. H a y tres
g é n e r o s mortales m á s que a ú n no h a n sido engendrados. S i
c é s t o s n o llegan a ser, el universo s e r á i m p e r f e c t o , pues no
t e n d r á en él todos los g é n e r o s de seres vivientes y debe
tenerlos si h a de ser suficientemente perfecto. Pero si nacie-
ran y p a r t i c i p a r a n de la v i d a p o r m i i n t e r m e d i o , se iguala-
r í a n a los dioses. Entonces, para que sean mortales y este
universo sea realmente u n t o d o , aplicaos a l a c r e a c i ó n de
los seres vivos de acuerdo c o n la naturaleza e i m i t a d m i
poder en vuestra g e n e r a c i ó n . C o m e n z a r é p o r p l a n t a r la
simiente de lo que conviene que haya en ellos del m i s m o
n o m b r e que los i n m o r t a l e s , dado que es l l a m a d o d i v i n o y
gobierno en los que quieren obedecer siempre a la justicia y
d a vosotros, y os l o e n t r e g a r é . Vosotros h a r é i s el resto,
entretejiendo lo m o r t a l c o n lo i n m o r t a l . Engendrad seres

4 2
L a p r o p u e s t a de F . M . C O R N F O R D (Cosmology, págs. 3 6 7 - 3 7 0 )
(cf. p á g . 140, n. 1) no es a c e r t a d a por las razones de r i t m o que aduce
c o n t r a l a c o n j e t u r a de B a d h a m (vid. K L . W I D D R A , Timaios, n. 6 5 ) , su
c o n j e t u r a tá sobre l a base de l a g l o s a táde es desde el p u n t o de vista de la
c r í t i c a textual inferior a l a lectio difficilior de Y preferida por B u r n e t .
TIMEO 189

vivientes, alimentadlos, hacedlos crecer y recibidlos nue-


vamente cuando m u e r a n . »
43
D i j o esto y v e r t i ó nuevamente en el r e c i p i e n t e , en el ^
que antes h a b í a mezclado el alma del universo, los restos \
4 4
de la mezcla_anterior y los m e z c l ó de una manera que era '
en cierto sentido igual, aunque ya no eran igualmente
puros, sino que p o s e í a n una pureza de segundo y tercer
grado. U n a vez que hubo compuesto el conjunto, l o d i v i d i ó
en un n ú m e r o de almas igual a los cuerpoj_ceie^es_y_^Lisjri
b u y o una en cada astro. D e s p u é s de m o n t a r l a s en una e
especie de carruaje, les m o s t r ó la naturaleza del universo y
les p r o c l a m ó las leyes del destino. Todas t e n d r í a n prescrita
una p r i m e r a y ú n i c a g e n e r a c i ó n , para que nadie fuera per-
j u d i c a d o p o r él. D e s p u é s de implantadas en los instrumen-
tos del t i e m p o correspondientes a cada una, d e b e r í a n nacer
en el m á s piadoso de los animales, pero, puesto que la{^\ *N¿
naturaleza h u m a n a es d o b l e , t a l g é n e r o mejor s e r í a el que \42
luego se h a b r í a de l l a m a r h o m b r e . C u a n d o se h u b i e r a n l
n e c e s a r i a m e n t e i m p l a n t a d o en cuerpos, al entrar o salir,
d e b e r í a n tener, p r i m e r o , una ú n i c a p e r c e p c i ó n c o n n a t u r a l a
todas p r o d u c i d a por cambios violentos; en segundo lugar,
temor e i r a y
^ ^ U ) lO relacionado con ellos y cuanto por naturaleza se les
opone. Si los d o m i n a r a n , h a b r í a n de vivir con justicia, pero b
si fueran d o m i n a d o s , en injusticia. E l que viviera correcta-
mente durante el lapso asignado, al retornar a la casa del
astro que le fuera a t r i b u i d o , t e n d r í a la vida feliz que le
corresponde, pero sj f a ü a r a en esto, c a m b i a r í a a la natura-
leza fernenina en la segunda g e n e r a c i ó n ; y si en esa vida/c

4 3
L a c o n j e t u r a de F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 142, n. 2)
es un d e c h a d o de i m p r e c i s i ó n filológica.
4 4
L a m i s m a o b s e r v a c i ó n que en nota anterior p a r a su p r o p u e s t a katé-
chei por katecheíto (ibid.. p á g . 142, n. 3).
190 DIÁLOGOS

a ú n no abandonara el v i c i o , s u f r i r í a urna m e t a o r f osis m

hacia u n a naturaleza a n i m a i ~ ~ s e m e j a n t é l í la especie del


c a r á c t e r en que se h u b i e r a erTvfleclffb. S o m e t i d o al c a m b i o ,
no d e j a r í a de sufrir si, conjuntamente con la r e v o l u c i ó n de
l o m i s m o y semejante que hay en él, no c o n t r o l a r a la gran
m u l t i t u d de ruidos e i r r a c i o n a l hecha de fuego, agua, aire y
d tierra que le ha nacido c o m o u n agregado posterior y, tras
haberla d o m i n a d o c o n el r a z o n a m i e n t o , no llegara a la
f o r m a de l a p r i m e r a y mejor a c t i t u d m o r a l . D e s p u é s de
establecer estas leyes para no ser culpable luego del vicio de
cada una, las p l a n t ó , unas, en la tierra, otras, en la l u n a y
las d e m á s , en los restantes instrumentos del t i e m p o . Tras la
siembra, e n c a r g ó a los dioses j ó v e n e s plasmar los cuerpos
mortales y comenzar a hacer cuanto a ú n restaba p o r gene-
^ ^ ejrar del a l m a h u m a n a y t o d o lo relacionado c o n ello, y
^ ' gobernar en l a m e d i d a de l o posible de la manera m á s bella
y mejor al a n i m a l m o r t a l , para que no se c o n v i r t i e r a en
culpable de sus males.
U n a vez que h u b o dispuesto lo que antecede, r e t o r n ó a
4
su a c t i t u d h a b i t u a l . M i e n t r a s p e r m a n e c í a en e l l a ^ s u s

hijos, d e s p u é s de meditar sobre la orden del padre, la lleva-


r o n a cabo. T o m a r o n el p r i n c i p i o i n m o r t a l del viviente m o r -
tal e imitaron al que los h a b í a creado. T o m a r o n prestadas
del universo porciones de fuego y t i e r r a , agua y aire por-
ciones que posteriormente le d e b e r í a n ser devueltas— y las
43 u n i e r o n y pegaron, no con los v í n c u l o s indisolubles que
ellos mismos p o s e í a n , sino que las ensamblaron c o n n u m e -
rosos nexos invisibles p o r su p e q u e ñ e z . ( ~ H i c i e r o n de t o d o
u n cuerpo i n d i v i d u a l y a t a r o n las revoluciones del a l m a
i n m o r t a l a u n cuerpo sometido a flujos y reflujos. É s t a s ,

4 5
L a u t i l i z a c i ó n d e l v e r b o méno se hace a q u í p a r a m o s t r a r l a o p o s i -
c i ó n de l a a c t i t u d n a t u r a l del d e m i u r g o que no e s t á s o m e t i d o a l c a m b i o ,
por c o n t r a p o s i c i ó n a lo que es p r o p i o del resto de los d i o s e s y del devenir.
TIMEO 191

atadas a la g r a n corriente, n i d o m i n a b a n n i eran d o m i n a -


das, eran m o v i d a s con violencia y c o n violencia m o v í a n , de
m o d o que t o d o el a n i m a l se m o v í a y , de manera desorde- b
nada e i r r a c i o n a l , avanzaba sin d i r e c c i ó n porque p o s e í a los
seis m o v i m i e n t o s . E n efecto, i b a hacia adelante y hacia
a t r á s , hacia l a derecha y la i z q u i e r d a y hacia a r r i b a y hacia
abajo y erraba en todas direcciones s e g ú n los seis lugares.
A u n q u e la o l a a l i m e n t i c i a que fluía y refluía era grande, los
procesos desatados p o r l o que se i n t r o d u c í a ocasionaban
una c o n m o c i ó n t o d a v í a m a y o r , cuando el cuerpo de alguien c
chocaba c o n u n fuego ajeno e x t e r i o r , c o n la solidez c o r p ó -
rea de l a t i e r r a o c o n el deslizamiento h ú m e d o de las aguas
o era a t r a p a d o p o r u n h u r a c á n de vientos m o v i d o s p o r el
aire, y, los m o v i m i e n t o s que é s t o s suscitaban, tras t r a n s m i -
tirse a t o d o el cuerpo, afectaban el alma. P o r eso, m á s
tarde se d e n o m i n ó a estos procesos percepciones y a ú n h o y
se los l l a m a a s í . E n ese m o m e n t o en p a r t i c u l a r , p r o d u c í a n
u n m o v i m i e n t o extremadamente intenso y m u y v i o l e n t o ,
p o r q u e , conjuntamente c o n la corriente que afluía de m o d o d
c o n t i n u o , m o v í a n y agitaban las revoluciones del a l m a c o n
violencia. A l f l u i r en sentido c o n t r a r i o a la r e v o l u c i ó n de l o
m i s m o , la encadenaron completamente y le i m p i d i e r o n
gobernar y m a r c h a r ] A s i m i s m o , c o n v u l s i o n a r o n totalmente
la r e v o l u c i ó n de lo o t r o , de m o d o que los intervalos dobles
y triples, tres de cada clase, y los medios y uniones de tres
medios, cuatro tercios y nueve octavos — c o m o n o eran
completamente disolubles, excepto p o r el que los h a b í a
u n i d o — se r e t o r c i e r o n completamente y sus c í r c u l o s se e
r o m p i e r o n y destruyeron cuando era posible, de f o r m a que,
aunque, mantenidos unidos c o n d i f i c u l t a d , se m o v í a n , l o
h a c í a n de manera desordenada, unas veces enfrentados,
otras oblicuos, otras de espaldas; c o m o cuando u n o , acos-
t a d o boca a r r i b a , c o n l a cabeza sobre l a tierra, levanta los
pies y los apoya sobre algo; entonces, al que lleva a cabo
192 DIÁLOGOS

esta a c c i ó n y a los que l o ven se les a p a r e c e r á respectiva-


mente a cada u n o l o derecho del o t r o i z q u i e r d o y lo
i z q u i e r d o , derecho. S i las revoluciones sufren c o n v i o l e n c i a
44 estos y otros procesos semejantes, cuando se encuentran con
u n objeto e x t e r i o r del g é n e r o de l o mismo o de lo o t r o ,
anuncian de rn^anera c o n t r a r i a a lo_3?erd ad er.CL-lo—eme es
i g u a l y lo diferente de él y se vuelven mentirosas y carentes
de inteligencia. E n ese m o m e n t o , n i n g u n a de la*s dos revo-
luciones es jefe n i g u í a . C u a n d o algunas sensaciones p r o v e -
nientes del e x t e r i o r asaltan las revoluciones del a l m a y las
arrastran j u n t o con t o d a la cavidad del alma, entonces,
laujique d^minadas^ parecen d o m i n a r . Por todos estos fe-
46
j n ó m e n o s , t a n t o a h o r a c o m o al c o m i e n z o , cuando el
bjalma es atada al cuerpo m o r t a l , en u n p r i m e r m o m e n t o se
^ ^ I v u e l v e i r r a c i o n a l . Pero cuando la afluencia de c r e c i m i e n t o
. jxAMA-^y i i a t a c i ó n es menor y, al pasar el t i e m p o , las r e v o l u -
m e n
:
' - " " piones, tranquilizadas, r e t o m a n y r e s t a b l e c e n s u c a m i n o ,
,fcr vfe

las ó r b i t a s , que se h a n c o r r e g i d o y reinsertado en el curso


q u e recorre cada u n o de los c í r c u l o s y anuncian correcta-
j m e n t e l o igual y lo diferente, hacen que se v u e l v a p r u d e n t e
el que ha llegado a poseerlas. E n caso de que se reciba,
a d e m á s , u n a correcta f o r m a c i ó n educativa, s e l l e g a r á a s e r
Completamente sano, puesto que se h a b r á evitado la en-
c fermedad m á s grave. Pero cuando u n o se descuida y lleva
^ A ¡ u n a i o r m a de v i d a coja, c o m o u n no i n i c i a d o e insensato,
t-ru , i ¡ r e t o r n a „ a l Hades. M a s este discurso t e n d r á lugar m á s tarde
en alguna o c a s i ó n ; acerca de lo planteado ahora debemos
d i s c u r r i r c o n m a y o r e x a c t i t u d y t a m b i é n lo anterior a este
asunto: sobre los cuerpos, la g e n e r a c i ó n de sus partes, y
respecto del alma, p o r q u é causas y con q u é intenciones los
d dioses la engendraron, t o d o lo cual, si nos atenemos a l o

4 6
\ E s t o s procesos se p r o d u j e r o n en el m o m e n t o de l a c r e a c i ó n del
| m u n d o y actualmente, c a d a vez que un a l m a se e n c a r n a en un c u e r p o .
TIMEO 193

m á s probable de manera consecuente, debemos t r a t a r l o


c o m o sigue.
Para h n i t a r la figura del universo circular, a t a r o n las *
dos revoluciones divinas a u n cuerpo esférico, al que en la
actualidad llamamos cabeza, el m á s divino y el que gobierna
t o d o lo que hay en nosotros. Los dioses reunieron todas las
partes del cuerpo y se las entregaron para que se sirviera de
él porque h a b í a n decidido que d e b í a poseer todos los
1
m o v i m i e n t o s que i b a a haber. Se l o d i e r o n c o m o ágil v e h í - ] '
1
OJE re*- °
culo para que, al rodar sobre tierra que tuviera variadas ele-
e
vaciones y depresiones, no careciera de medios para supe-
rar las unas y salir de las otras. Por eso, el cuerpo r e c i b i ó
u n a e x t e n s i ó n y, cuando dios c o n c i b i ó su m o d o de trasla-
c i ó n , le nacieron cuatro m i e m b r o s extensibles y flexibles
con cuya ayuda y s o s t é n llegó a ser capaz de m a r c h a r p o r
todas partes c o n la m o r a d a de l o m á s d i v i n o y sagrado |45
encima de nosotros. A s í , y p o r estas razones, les nacieron a i
todos piernas y manos. Los dioses concedieron el peso \
p r i n c i p a l de l a t r a s l a c i ó n a la parte anterior del cuerpo,
p o r q u e l a consideraban m á s valiosa y m á s d i g n a de ejercer
el m a n d o que l a posterior. Ciertamente, era necesario que
la parte delantera del cuerpo h u m a n o se diferenciara y dis-
tinguiera de la trasera. Por ello, p r i m e r o pusieron la cara
en el recipiente de la cabeza, le a t a r o n los instrumentos b
necesarios p a r a la p r e v i s i ó n del alma y dispusieron que l o
anterior p o r naturaleza poseyera el m a n d o . Los primeros
instrumentos que construyeron fueron los ojos portadores
de luz y los a t a r o n al rostro p o r l o siguiente. I d e a r o n u n
cuerpo de aquel fuego que sin quemar produce l a suave
4 7
luz, p r o p i a de cada d í a . E n efecto, h i c i e r o n que nuestro
4 7
oikeíon hekástSs heméras c o n c i e r t a c o n phos hemeron como correc-
tamente vio J . B U R N E T y s u b r a y a A . E . T A Y L O R (Commentary, página
2 7 7 ; c o n t r a r i a m e n t e F . M . C O R N F O R D (Cosmology. p á g . 1 5 2 , n. 2 ) . L o s
dioses p u s i e r o n en los hombres un fuego de l a m i s m a n a t u r a l e z a que el

160.
194 DIÁLOGOS

fuego i n t e r i o r , h e r m a n o de ese fuego, fluyera p u r o a t r a v é s


de los ojos, para l o cual c o m p r i m i e r o n t o d o el ó r g a n o y
4 8
especialmente su centro hasta hacerlo liso y c o m p a c t o
para i m p e d i r el paso del m á s espeso y f i l t r a r s ó l o al p u r o .
C u a n d o .Ja_luz jdiujjia-JttHÍfia_.eL^ lo
semejante caje_sobre l o semejante, se c o m b i n a c o n j s E y . en
l í n e a recta a los ojos,.surge u n ú n i c o cuerpo afín, d o n d e
quiera que el rayo proveniente del interior coiricidji_con
u n o de los externos. C o m o causa de la s i m i l i t u d el c o n -
49
j u n t o tiene cualidades semejantes , siempre que e n t r a en
d contacto c o n u n objeto o u n objeto c o n él, t r a n s m i t e sus
m o v i m i e n t o s a t r a v é s de t o d o el cuerpo hasta el a l m a y
produce esa p e r c e p c i ó n que d e n o m i n a m o s yjsjó-n. C u a n d o
al llegar l a noche el fuego que le es afín se m a r c h a , el de l a
v i s i ó n se i n t e r r u m p e ; pues al salir hacia l o desemejante
m u t a y se apaga p o r no ser ya afín al aire p r ó x i m o que
carece de fuego. Entonces, deja de ver y se vuelve p o r t a d o r
del s u e ñ o , pues los dioses i d e a r o n una p r o t e c c i ó n de l a
e v i s i ó n , los p á r p a d o s . C u a n d o se cierran, se b l o q u e a l a
potencia del fuego i n t e r i o r que disminuye y suaviza los
m o v i m i e n t o s interiores y cuando é s t o s se h a n suavizado,
nace l a calma, y cuando l a c a l m a es m u c h a , el que d u e r m e
U § ^ i L J > 9 ^ s _ ^ e J ^ . Pero cuando quedan algunos m o v i -
mientos de m a y o r envergadura, s e g ú n sea su c u a l i d a d y los
lugares en los que quedan, así es el t i p o y la cantidad de las
46 copias interiores que p r o d u c e n y que, al despertar, recor-
damos c o m o i m á g e n e s exteriores. N o es nada difícil c o m -

fuego s o l a r , que por o t r a parte h a b í a sido y a c r e a d o por el d e m i u r g o y no


es c r e a d o a h o r a por los dioses c o m o se d e d u c e de l a t r a d u c c i ó n de C O R N -
F O R D y quienes lo siguen.
4 8
S i g u i e n d o l a a c e r t a d a i n t e r p r e t a c i ó n de F . M . C O R N F O R D (Cosmo-
l°gy> p á g . 152) t o m o letón y pyknón concertando c o n sympilésantes y
no c o n rhéin.
4 9
homoiopathés por páthema: «cualidades».
TIMEO 195

prender la f o r m a c i ó n de i m á g e n e s en los espejos y en t o d o


lo que es reflectante y liso. E n efecto, f e n ó m e n o s semejan-
tes tienen lugar necesariamente p o r la c o m b i n a c i ó n de los
dos fuegos, el i n t e r i o r y el exterior, porque el fuego del
r o s t r o [que se refleja] se funde con el fuego de la vista en la b
superficie lisa y b r i l l a n t e u n a vez que en é s t a se ha o r i g i -
5 0
nado u n fuego que sufre m ú l t i p l e s distorsiones . L o que se
encuentra a l a izquierda aparece a la derecha porque, con-
t r a l o que es usual en el choque de los rayos, las partes
entran en contacto con las partes opuestas de la visión.
C o n t r a r i a m e n t e , lo que e s t á a la derecha aparece a la dere-
cha y l o que se encuentra a la izquierda, a la izquierda,
cuando la luz cambia de p o s i c i ó n al unirse con el o t r o
rayo, esto es, cuando la superficie p u l i d a de los espejos e s t á c
curvada hacia arriba en ambos lados y desplaza la parte
derecha hacia l a izquierda de l a v i s i ó n y l a o t r a parte, hacia
la derecha. Si se retuerce el espejo l o n g i t u d i n a l m e n t e a la
cara, t o d o aparece cabeza abajo, desplazando la parte infe-
r i o r del b r i l l o hacia arriba y la superior hacia abajo.
T o d a s é s t a s son causas auxiliares de las que se sirvió
dios al realizar la idea de l o mejor s e g ú n l a p o s i b i l i d a d . L a
m a y o r í a cree que lo que enfría o calienta, solidifica o f u n d e
y Cuanto produce efectos semejantes n o son causas secun-
darias sino las causas efectivas de t o d o . S i n embargo, care-
cen absolutamente de r a c i o c i n i o e inteligencia. E n efecto,
hay que afirmar que el a l m a es el ú n i c o ser al que_le
corjespoiuie tener _ánteUgencia —pues é s t a es invisible,

5 0
Como observa F. M. CORNFORD (Cosmology, pág. 155), se
refiere p r o b a b l e m e n t e a la t r a n s p o s i c i ó n de i z q u i e r d a y d e r e c h a m e n c i o -
n a d a u n p o c o m á s adelante. T i m e o e x p o n e l a r e f l e x i ó n de u n rostro en u n
espejo. L a u n i ó n del fuego i n t e r i o r de l a p e r s o n a reflejada c o n el fuego
p r o v e n i e n t e del espejo p r o d u c e l a r e f l e x i ó n en l a superficie l i s a que, a su
vez, i r r a d i a u n r a y o que se e n c u e n t r a c o n el proveniente de los ojos del
perceptor.
196 DIÁLOGOS

^mientras que el fuego, el^agua,Ja t i e r r a y el aire^&ori todos


[cuerpos visibles— y el q j j e a m a e l e s p í r i t u y l a
¡ i n v e s t i g a r p r i m e r o J j ^ j ^ a ^ u s a s de la naturaleza inteligente y ,
m~selgundoHúigar, las que p e r t e n e c g a ^ « l o s ^ e r e . s „ que, son
l o v i d o s p o r otros v a su vez mueven, n^e^aida4njejite_„a
>tros. P o r cierto, nosotros debemos actuar de la m i s m a
manera. Es necesario que tratemos ambos g é n e r o s de cau-
sas p o r separado las que conjuntamente con l a r a z ó n son
artesanas de l o bello y bueno y cuantas carentes de i n t e l i -
gencia son origen de l o desordenado casual en todos los
procesos. Y a hemos t r a t a d o , pues, las causas auxiliares
adicionales de los ojos que colaboran para que alcancen la
capacidad que ahora poseen. A c o n t i n u a c i ó n tenemos que
47 considerar su u t i l i d a d p r i n c i p a l , p o r la que dios nos los
o b s e q u i ó . Ciertamente, la vista, s e g ú n m i entender, es
causa de nuestro provecho m á s i m p o r t a n t e , porque n i n -
guno de los discursos actuales acerca del universo h u b i e r a
sido hecho nunca si n o v i é r a m o s los cuerpos celestes n i el
sol n i el c i e l o . / E n r e a l i d a d , la v i s i ó n del d í a , la noche, los
Jmeses, los p e r í o d o s anuales, los equinoccios y los giros
l á s t r a l e s no s ó l o d a n lugar al n ú m e r o , sino que é s t o s nos
d i e r o n t a m b i é n l a n o c i ó n de t i e m p o y la i n v e s t i g a c i ó n de la
b naturaleza del universo, de l o que nos p r o c u r a m o s la f i l o -
sofía.'! A l g é n e r o h u m a n o nunca llegó n i l l e g a r á u n d o n
d i v i n o mejor que éste. P o r t a l a f i r m o que é s t e es el m a y o r
bien de los ojos. Y de l o restante que proveen, de m e n o r
v a l o r , aquello que alguien no amante de la s a b i d u r í a
l a m e n t a r í a en vano si hubiera perdido la vista, ¿ q u é p o -
d r í a m o s ensalzar? Por nuestra parte, digamos que la v i s i ó n
fue p r o d u c i d a con la siguiente finalidad: dios d e s c u b r i ó la
m i r a d a y nos hizo u n presente con ella para que la obser-
v a c i ó n de las revoluciones de la inteligencia en el cielo nos
c p e r m i t i e r a aplicarlas a las de nuestro entendimiento, que
l e s s o n afines, c o m o pueden serlo las convulsionadas a las
TIMEO 197

imperturbables, y o r d e n á r a m o s nuestras revoluciones erran-


tes p o r medio del aprendizaje p r o f u n d o de a q u é l l a s , de la
5 1
p a r t i c i p a c i ó n en la c o r r e c c i ó n n a t u r a l de su a r i t m é t i c a y
de la i m i t a c i ó n de las revoluciones completamente estables
del dios. Y acerca de la voz y el o í d o , o t r a vez el m i s m o
razonamiento: nos fueron concedidos p o r los dioses p o r las
mismas razones y con la m i s m a finalidad. Pues el lenguaie ti
tiene la m i s m a finalidad, ya que contribuye en su m a y o r
parte a l o m i s m o y, a su vez, cuanto de la m ú s i c a u t i l i z a l a
5 2
voz para ser escuchado^ia sido_dado_por la a r m o n í a .
f E s t a , c o m o tiene m o v i m i e n t o s afines a las revoluciones que d
poseemos en nuestra alma, fue o t o r g a d a p o r las Musas al
que se sirve de ellas c o n inteligencia, no para u n placer
i r r a c i o n a l , c o m o parece ser u t i l i z a d a ahora, sino c o m o alia-
da para ordenar la r e v o l u c i ó n d i s a r m ó n i c a de nuestra
a l m a y acordarla consigo m i s m a . T a m b i é n nos o t o r g a r o n el
r i t m o p o r las mismas razones, c o m o ayuda en el estado sin
m e d i d a y carente de gracia en el que se encuentra la m a y o - e
r í a de nosotros.^
L a d e s c r i p c i ó n anterior, salvo unos pocos detalles,
constituye l a d e m o s t r a c i ó n de lo que ha sido creado p o r l a
inteligencia. D e b e m o s adjuntarle t a m b i é n l o que es p r o -
d u c t o de l a necesidad. El^jxrüyerso n a c i ó , efectivamente, 48
p o r la c o m b i n a c i ó n de necesidad e inteligencia. Se f o r m ó al > ^
p r i n c i p i o p o r medio de la ñ e c e s l d a d " s o me t i d a a l a convic-
c i ó n inteligente, ya que la inteligencia se impuso a la nece-
sidad y l a c o n v e n c i ó de ordenar l a m a y o r parte del devenir

5 1
logism^í, l a c i e n c i a de los n ú m e r o s ^ , a x i t ^ 318e, \j
Repp. 510c, etc. v
5 2
L a lectio difjicilior del texto de BURNET es r e c o m e n d a b l e desde el
p u n t o de v i s t a de l a c r í t i c a t e x t u a l frente a l a lectio facilior preferida por
F . M . CORNFORD (Cosmology, p á g . 158, n. 4 ) . phónh chrésimon sig-
n i f i c a j u s t a m e n t e vocal music si se lo t o m a en sentido e t i m o l ó g i c o y
activo.
198 DIÁLOGOS

de l a mejor m a n e r a posible. P o r t a n t o , u n a e x p o s i c i ó n de
c ó m o se o r i g i n ó realmente s e g ú n estos p r i n c i p i o s debe
c o m b i n a r t a m b i é n l a especie de l a causa errante en t a n t o
53
b f o r m a n a t u r a l de c a u s a l i d a d . Debemos reiniciar, p o r ello,
nuestra tarea y , t a l c o m o hicimos anteriormente, empezar
ahora o t r a vez desde el p r i n c i p i o , a d o p t a n d o u n nuevo
p u n t o de p a r t i d a adecuado a esta perspectiva, f r e n e m o s
que considerar l a naturaleza del fuego, agua, aire y t i e r r a y
su estado antes de l a c r e a c i ó n del universo, pues creo que
nadie hasta a h o r a r e v e l ó su origen, sino que c o m o si nos
d i r i g i é r a m o s a quienes ya saben l o que es el fuego y cada
uno de ellos, los llamamos principios y los hacemos ele-
mentos del universo, aunque quienquiera que tenga u n
poco de inteligencia d e b e r í a u t i l i z a r dicha s i m i l i t u d s ó l o de
c manera a p r o x i m a d a y no c o m o si se t r a t a r a de tipos de
s í l a b a ^ j P u e s bien, nuestra p o s i c i ó n es la siguiente. A h o r a
no he de hablar n i de p r i n c i p i o n i de principios de todas las
cosas n i de l o que me parece acerca de ellos, no p o r nada,
sino p o r l o difícil que es demostrar l o que creo en la forma
p r e s e n t e d e e x p o s i c i ó n y n i vosotros creéis que sea necesa-
r i o que y o l o diga- n i y o s e r í a capaz de convencerme a m í

5 3
A c e r t a d a m e n t e s e ñ a l a F . M . C O R N F O R D (Cosmology. p á g . 160
n. 2 ) , siguiendo a R . D . A R C H E R - H I N D (Timaeus), que phéró no puede
tener el significado que le asignan G . S T A L L B A U M (Timaeus) y otros
(soportar, c o m p o r t a r s e ) . N o obstante, el texto de la Epinomis (983b) no
sirve c o m o pasaje p a r a l e l o , d a d o que allí se trata c o n c r e t a m e n t e del
m o v i m i e n t o , mientras que a q u í el v e r b o tiene el significado m á s general de
causar (cf. L I D D E L - S C O T T - J O N E S , S.V. A . I V . 3 . C f . A . R I V A U D (Oeuvres.
p á g . 166: la nature de son mouvement propre).
5 4
stoicheTon significa originariamente l a u n i d a d de s o n i d o del lenguaje
c o m o el p r i m e r c o m p o n e n t e de la s í l a b a (cf. Crát. 4 2 4 d , 4 2 6 d ; Teet. 202e),
opuesto a grámma, l a letra e s c r i t a del alfabeto (en c o n t r a de lo que desde
ARCHER-HIND p a r a a q u í v i e n e n p l a g i á n d o s e m u t u a m e n t e los t r a d u c t o r e s )
y, en segundo lugar, en un sentido d e r i v a d o de origen p l a t ó n i c o , p r i n c i p i o ,
s i n ó n i m o de arche.
TIMEO 199

m i s m o de que a c t u a r í a correctamente si me propusiera


t a m a ñ a empresa. Teniendo presente lo d i c h o al comienzo a
de la e x p o s i c i ó n respecto de las c a r a c t e r í s t i c a s de los dis-
cursos probables, i n t e n t a r é uno no menos probable que
n i n g ú n o t r o , sino m á s , y p r o c u r a r é disertar acerca de cada
uno de los elementos en particular y acerca del c o n j u n t o ,
5 5
t o m a n d o un p u n t o de p a r t i d a anterior al u s u a l . Reco-
mencemos el discurso, d e s p u é s de invocar t a m b i é n ahora al
p r i n c i p i o de nuestra d i s e r t a c i ó n al dios protector para que
nos conduzca sanos y salvos de esta e x p o s i c i ó n rara y des-
acostumbrada a la d o c t r i n a probable.
El comienzo de nuestra e x p o s i c i ó n acerca del universo, e
por t a n t o , debe estar a r t i c u l a d o de una manera m á s deta-
llada que antes. Entonces diferenciamos dos principios,
mientras que a h o r a debemos mostrar un tercer t i p o a d i c i o -
nal. En efecto, dos eran suficientes para lo dicho antes, (íñei \ ~-'
supuesto c o m o m o d e l o , inteligible y que es siempre i n m u -
table, ei-segund^ca
es_visible. En aquel m o m e n t o , no diferenciamos una tercera 49
c l a s e p o r q u e consideramos que estas dos iban a Ser Sufi-
c i e n t e s . A h o r a , sin embargo, el discurso parece estar o b l i -
gado a i n t e n t a r aclarar c o n palabras u n a especie difícil y
vaga. ¿ Q u e c a r a c t e r í s t i c a s y q u é naturaleza debemos supo-
ner que posee? Sobre todas, la siguiente: l a ^ e ^ e x j i m r ^ c e p - ^ ^
T A C U 0 J
L ^ ^ t o d a la g e n e r a c i ó n , ccmio s| fue™ j
A u n q u e lo d i c h o es verdadero, d e b e r í a m o s hablar c o n
m a y o r p r o p i e d a d acerca de él, lo que n o es fácil, espe-
cialmente porque hay que comenzar c o n las dificultades

55 kai émprosthen ap arenes peri hekáston kai sympánton légein ex-


p r e s i ó n que, c o n t r a r i a m e n t e a lo que sostiene F . M . C O R N F O R D (Cosmo-

>gy> p á g . 161, n. 3), es perfectamente t r a d u c i b l e . S u c o n j e t u r a (hei
kai émprasthen) debe ser r e c h a z a d a por carecer de f u n d a m e n t o p a l e o g r á -
fico y c o n t r a v e n i r las leyes elementales de la lengua griega. P l a t ó n h u b i e r a
u s a d o en ese c a s o hos. a u n q u e , de todas m a n e r a s , el kai s e r í a inexplicable.
200 DIÁLOGOS

¿> preliminares acerca del fuego y de los otros elementos p o r


lo siguiente: p o r q u e es difícil decir acerca de cada u n o de
ellos a c u á l se le aplica con m á s p r o p i e d a d el n o m b r e de
agua que el de fuego o a c u á l q u é n o m b r e m á s que todos o
uno en p a r t i c u l a r , de t a l m o d o que se use u n discurso fiable
y s ó l i d o . ¿ C ó m o t r a t a r í a m o s , entonces, esto m i s m o de
5 6
manera p r o b a b l e y de q u é manera y p l a n t e á n d o n o s q u é
problemas? E n p r i m e r a instancia, tomemos l o que acaba-
mos de d e n o m i n a r agua. Vemos que cuando se solidifica,
así creemos, se convierte en piedras y tierras, pero cuando
se disuelve y separa, se convierte en viento y aire, y el aire,
cuando se quema, en fuego, y el fuego se vuelve a c o m b i -
nar, se apaga y r e t o r n a a la f o r m a del aire, y el aire t o r n a a
reunirse y condensarse en nube y niebla y de é s t a s , que se
(concentran t o d a v í a m á s , fluye el agua; del agua, nueva-
Imente, t i e r r a y piedras y a s í , c o m o parece, se d a n naci-
m i e n t o en ciclo unos a otros. P o r cierto, si ninguno de
é s t o s se manifiesta nunca de la m i s m a manera, ¿ c ó m o no se
d p o n d r í a en r i d í c u l o q u i e n a f i r m a r a sin reservas que c u a l -
q u i e r a de ellos es éste y no otro? Imposible; es m u c h o m á s
seguro hablar acerca de ellos suponiendo lo siguiente-
cuando vemos que algo se convierte p e r m a n e n t e m e n t e e n
o t r a cosa, p o r ejemplo el fuego, no hay que d e n o m i n a r l o
en t o d a o c a s i ó n 'este' fuego, sino siempre ' l o que posee t a l
cualidad'57 y no 'este' agua, sino siempre ' l o que tiene t a l
c a r a c t e r í s t i c a ' , n i hay que tratar j a m á s nada de aquello
para lo que utilizamos los t é r m i n o s 'eso' y 'esto' para su
e d e s i g n a c i ó n , en la creencia de que mostramos algo, c o m o si
poseyera alguna estabilidad, puesto que l q j a u e n o ^ p e r m a -

5 6
eikótos t o m a d o c o n légoimen y no c o n diaporethéntes (lo que t a m -
b i é n es posible), porque T i m e o se refiere, seguramente, a la p r o b a b i l i d a d
del d i s c u r s o .
5 7
Correctamente supone F . M . C O R N F O R D (Cosmology, pág. 179,
n. 1) que pyr en 49d6 debe ser eliminado.
TIMEO 201

nece rehuye la a s e v e r a c i ó n del 'eso' y el 'esto' y la del 'para


58
esto"' y t o d a aquella que l o designejcjDrrio
c i e r t a ^ ¿ m a ñ e ^ i a 7 ' ^ " PeTo"'sT rJíén no es posible l l a m a r a
cada uno de ellos 'esto', l o que tiene tales c a r a c t e r í s t i c a s y
permanece siempre semejante en el ciclo de las mutaciones
puede s e r d e n o m i n a d o s e g ú n las cualidades que posee, y así
e
es fuego l o que posee en J o d o . m c i m e j ^ J L a L r ^ g Q . > i g u a l -
60
mente, t o d o l o g e n e r a d o . S ó l o aquello en l o que c o n t i -
nuamente aparece cada u n o de ellos al nacer y en l o que
nuevamente desaparece, debe ser n o m b r a d o p o r m e d i o de so
' e s t o ' y 'eso\ pero a nada de lo que tiene alguna cualidad,
c ^ l o r o b l a n c u r a o cualquiera de los contrarios y t o d o lo /
que proviene de é s t o s , se le puede aplicar la d e n o m i n a c i ó n
de 'aquello'. M a s tengo que intentar expresamente de m a -
nera m á s clara t o d a v í a acerca de eso. Bien, si alguien
modelara figuras de o r o y las cambiara sin cesar de unas en
otras, en caso de que alguien i n d i c a r a u n a de ellas y le b
preguntase q u é es, lo m á s correcto c o n m u c h o en cuanto a
la verdad s e r í a decir que es o r o —en n i n g ú n caso a f i r m a r
que el t r i á n g u l o y todas las otras figuras que se o r i g i n a n
p o s e e n existencia efectiva, puesto que c a m b i a n mientras
hace dicha a f i r m a c i ó n - y contentarse si eventualmente

5 8
N o h a y n i n g u n a a c l a r a c i ó n s a t i s f a c t o r i a p a r a el texto existente te~n
toide, pero, a diferencia de F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 179,
esp. n. 3), he preferido t r a d u c i r l o .
5 9
A . E . T A Y L O R (Commentary, p á g . 317) h a puesto de relieve que
a q u í P l a t ó n e s t á u t i l i z a n d o t é r m i n o s t é c n i c o s provenientes de la esfera
j u d i c i a l y a l u d i e n d o a u n a s i t u a c i ó n en l a que lo que deviene debe hacer
frente a la a c u s a c i ó n de ser 'eso' o 'esto' c o n c r e t o . T A Y L O R ofrece l a
siguiente t r a d u c c i ó n : they will not face a trial, but evade the issue of an
impeachment of being a this or a that.., or any other indictment of
permanence.
h 0
to diá pantos toioüton es sujeto de l a o r a c i ó n y r e t o m a en el ejem-
plo introducido p o r kai dé kai al to de toioüton aéi peripherómenon
hómoion hekástou péri kai sympántón.
202 DIÁLOGOS

aceptan con alguna certeza l a d e s i g n a c i ó n de « l o que tiene


t a l c a r a c t e r í s t i c a » . E l m i s m o razonamiento vale t a m b i é n
p a r a la naturaleza que recibe todos los cuerpos. Debemos
decir que es siempre i d é n t i c a a sí misma, pues no c a m b i a
c para nada sus propiedades. E n efecto, recibe siempre t o d o
sin a d o p t a r en l o m á s m í n i m o n i n g u n a f o r m a semejante a
nada de l o que e n t r a en ella, d a d o que p o r naturaleza sub-
yace a t o d o c o m o u n a masa que, p o r ser c a m b i a d a y c o n -
f o r m a d a p o r l o que entra, parece diversa en diversas oca-
siones; y t a n t o l o que ingresa c o m o lo que sale son siempre
imitaciones de los seres, impresos a p a r t i r de ellos de u n a
manera difícil de concebir y admirable que investigaremos
d m á s adelante. Ciertamente, ahora necesitamos diferenciar
conceptualmente tres g é n e r o s : l o que deviene, aq ueng^enlo
[que deviene y aquello a t r a v é s de cuyjaLJmitación nace l o
I S B S ^ ^ ^ I E B S J - Y t a m b i é n se puede asemejar el recipiente a la
madre, aquello que se i m i t a , al padre, y l a naturaleza
intermedia, al hijo, y pensar que, de manera similar, cuando
u n relieve ha de ser de u n a g r a n v a r i e d a d , el m a t e r i a l en
q u e se va a realizar el grabado e s t a r í a bien preparado sólo
£ fei careciera de todas aquellas formas que ha de recibir de
e m g ú n lugar. Si fuera semejante a algo de lo que entra en é l ,
al recibir l o c o n t r a r i o o l o que no e s t á en absoluto relacio-
nado c o n eso, lo i m i t a r í a m a l porque m a n i f e ^ a x í a , a d e m á s ,
m^ampi^-aspectp. p o r t a n t o , es necesario que se encuentre
exento de todas las formas lo que ha de t o m a r todas las
especies en sí m i s m o . C o m o sucede en p r i m e r a instancia
con los ó l e o s perfumados a r t i f i c i a l m e n t e , se hace que los
l í q u i d o s que han de recibir los perfumes sean l o m á s i n o d o -
ros posible. Los que intentan i m p r i m i r figuras en a l g ú n
material b l a n d o no permiten en absoluto que haya n i n g u n a
5i figura, sino que lo aplanan p r i m e r o y lo dejan completa-
mente liso. Igualmente corresponde que lo que va a recibir
a m e n u d o y bien en t o d a su e x t e n s i ó n imitaciones de los
TIMEO 203

seres eternos carezca p o r naturaleza de t o d a f o r m a . Por


t a n t o , c o n c l u y a m o s que la madre y r e c e p t á c u l o de l o visi-
ble devenido y completamente sensible no es n i la t i e r r a , n i
el aire, n i el fuego n i el agua, n i cuanto nace de é s t o s n i
aquello de l o que é s t o s nacen. Si afirmamos, c o n t r a r i a -
mente, que es una cierta especie invisible, amorfa, que b
admite t o d o y que p a r t i c i p a de la manera m á s p a r a d ó j i c a y
difícil de comprender de lo inteligible, no nos equivocare-
mos. E n la m e d i d a en que sea posible alcanzar a c o m p r e n -
der su naturaleza a p a r t i r de lo expuesto, u n o p o d r í a
expresarse de l a siguiente manera: la parte de él que se e s t á
quemando se manifiesta siempre c o m o fuego, la mojada,
c o m o agua; c o m o t i e r r a y aire, en t a n t o admite imitaciones
de é s t o s . Pero, ciertamente, debemos investigarlos i n t e n -
61
t a n d o dar u n a d e f i n i c i ó n m á s precisa de aquello que
h a b í a m o s d e f i n i d o c o m o «lo que tiene tales c a r a c t e r í s t i -
6 2
cas» ¿ A c a s o el fuego es algo en sí y t o d o aquello a l o que<ir—
hacemos referencia en el lenguaje tiene una e n t i d a d inde- <
pendiente?, ¿ o lo que vemos y cuanto percibimos a t r a v é s
del c u e r p o , es l o ú n i c o que posee una realidad semejante, y
n o hay, a d e m á s de esto, nada en absoluto y en vano afir-
mamos que hay una f o r m a inteligible de cada objeto,
puesto que esto s e r í a u n a mera palabra? E n verdad, no es
correcto que, mientras dejo el asunto presente sin j u i c i o n i
r e s o l u c i ó n , hable y afirme que es a s í , n i t a m p o c o debo
a ñ a d i r u n l a r g o excurso a una larga e x p o s i c i ó n . L o m á s d
o p o r t u n o s e r í a que surgiera una d e f i n i c i ó n relevante de
pocas palabras. Por lo t a n t o , y o , al menos, hago el siguiente

6 1
L a d e f i n i c i ó n (lógoi) debe proceder a u n a m a y o r p r e c i s i ó n . N o hay
n i n g u n a o p o s i c i ó n c o n lo anterior, sino u n perfeccionamiento. Errónea-
mente F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 188), argument. (cf. su n. 3).
6 2
tó íoiónde no significa 'lo que sigue' ( F . M . C O R N F O R D , Cosmology,
p á g . 188: there is a question), sino que r e t o m a tó toioüton de 49d5 y
50b4; cf. toi te toüto kai tói te tóde referido a l r e c e p t á c u l o en 5 0 a l - 2 .
204 DIÁLOGOS

v o t o . S i se d a n c o m o dos clases diferenciadas la inteligen-


cia y l a o p i n i ó n verdadera, entonces poseen u n a existencia
plena e independiente estas cosas en sí —ideas n o percepti-
bles de manera sensible p o r nosotros, sino s ó l o captables
p o r m e d i o de l a inteligencia—. Pero si, c o m o les parece a
algunos, l a o p i n i ó n verdadera no s^difierencia en nadajde
la i n t e l i g e n c i a ^ J i a i i ^ ^ t o d o j o que percibimos
p o r m e d i o d e s c u e r n o es l o m á s f i r m e . S i n e m b a r g o , Tfay
que sostener qiie a q u é l l a s son dos, dado que tienen dife-
rente origen y son d i s í m i l e s . E n efecto, la u n a surge en
nosotros p o r m e d i o de la e n s e ñ a n z a razonada y la o t r a es
p r o d u c t o de la p e r s u a s i ó n convincente. M i e n t r a s la p r i -
mera v a s i e n r p n ^ a c o m p a ñ a d a del r a z o n a m i e n t o verdadero,
la segunda es i r r a c i o n a h j n ^ alterada p o r la
p e r s u a c i ó n , mientras que la j o t r a e s t á abierta a ella y hay
que decir que aunque cualquier h o m b r e j g a r t i c i p a detesta
ú l t i m a , de l a inteligencia s ó l o los, dioses _y u n g é n e r o m u y
p e q u e ñ o de hombres. Si esto se d a de esta manera, es nece-
52 sario acordar q u i n i n a es la especie i n m u t a b l e , no generada
e indestructible y que n i admite en sí nada proveniente de
o t r o lado n i ella m i s m a m a r c h a hacia o t r o lugar, invisible
y,, m á s precisamente, no perceptible por medio de los senti-
dos, aquello que observa el acto de pensamiento. Y lo
segundo lleva su m i s m o n o m b r e y es semejante a él, per-
ceptible p o r los sentidos: generado, siempre cambiante y
que surge en u n lugar y desaparece nuevamente, captable
por la o p i n i ó n u n i d a a la p e r c e p c i ó n sensible. A d e m á s , hay
un tercer g é n e r o e t e r n o " , l del espacio, que no admite
e

b d e s t r u c c i ó n , que p r o p o r c i o n a u n a l e d e a t o d o lo que_posee
r
.UO J? igen, captable por un razonamiento bastardo sin la
ayuda de la p e r c e p c i ó n sensible, creíble con d i f i c u l t a d , y, al

6 3
F . M . CORNFORD (Cosmology, pág. 192, n. 2) t o m a , correcta-
mente, ón c o n aeí.
TIMEO 205

m i r a r l o , s o ñ a m o s y decimos que necesariamente t o d o ser * c

e s t á en u n l u g a r y ocupa u n cierto espacio, y que l o que no


e s t á en a l g ú n lugar en la t i e r r a o en el cielo no existe.
C u a n d o despertamos, al no d i s t i n g u i r claramente a causa
de esta pesadilla t o d o esto y lo que le e s t á relacionado n i c
definir la naturaleza captable solamente en v i g i l i a y que
verdaderamente existe, no somos capaces de decir la ver-
dad: que u n a imagen tiene que surgir en alguna o t r a cosa y
depender de una cierta manera de la esencia o no ha de
existir en absoluto, puesto que n i siquiera le pertenece
aquello m i s m o en lo que deviene, sino que esto c o n t i n u a -
64
mente lleva una r e p r e s e n t a c i ó n de alguna o t r a c o s a .
A d e m á s , el raz^narnjerito exacto y verdadero ayuda a l o
o t T O
q j j ^ r e a l m e n t e esj^cme mientras u n o sea u n a cosaj/jsl^ >
o t r a , al, no generarse nunca u n o en o t r o , n o h a n de llegar a d
6 5
ser uno y lo m i s m o y dos al m i s m o t i e m p o .
P o r t a n t o , recapitulemos los puntos principales de m i
p o s i c i ó n : hay ser, espacio y devenir, tres realidades diferen- !|
ciadas, y esto antes de que naciera el m u n d o . L a n o d r i z a
del devenir mientras se humedece y quema y admite las
f o r m a s de la tierra y el aire y sufre todas las otras afeccio-
nes relacionadas con é s t a s , adquiere formas m ú l t i p l e s y, ,

6 4
F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 370 y sigs.) h a puesto de
relieve las dificultades que surgen en l a i n t e r p r e t a c i ó n de l a frase auto
tonto eph' hoi gégonen. S u s o l u c i ó n , sin e m b a r g o , no a c l a r a l a r e l a c i ó n
existente entre l a p r i m e r a y s e g u n d a frase de l a s u b o r d i n a d a c a u s a l . E n l a
t r a d u c c i ó n p r o p o n g o darle a eph' hoi sentido locativo y entender auto
toüto c o m o sujeto de la p r i m e r a y s e g u n d a frase de l a s u b o r d i n a d a c a u s a l .
E s t a s o l u c i ó n a c l a r a el texto, d a d o que a q u í no se t r a t a ni de las c o n d i c i o -
nes en que se d a u n a i m a g e n , n i de l a r e l a c i ó n de l a i m a g e n c o n su
m o d e l o , sino de diferenciar l a i m a g e n de s u r e c e p t á c u l o . P o r ello, auto
toüto eph' hoi gégonen se refiere a l a chora.
6 5
M i e n t r a s l a o r a c i ó n anterior d i f e r e n c i a b a el espacio de l a imagen, l a
presente lo d i f e r e n c i a de l a idea, c o m o bien s e ñ a l a F . M . C O R N F O R D
(Cosmology, p á g . 194, especialmente n. 2).
206 DIÁLOGOS

c o m o e s t á llena de fuerzas disímiles que no mantienen u n


e q u i l i b r i o entre sí, se encuentra t o d a ella en desequilibrio:
se c i m b r e a de manera desigual en todas partes, es agitada
por a q u é l l a s y, en su m o v i m i e n t o , las agita a su vez. Los
diferentes objetos, al moverse, se desplazan hacia diversos
53 lugares y se separan d i s t i n g u i é n d o s e , c o m o l o que es agi-
tado y c e r n i d o p o r los cedazos de m i m b r e y los i n s t r u m e n -
tos utilizados en l a limpieza del t r i g o donde los cuerpos
densos y pesados se sedimentan en u n lugar y los raros y
livianos en o t r o . Entonces, los m á s d i s í m i l e s de los cuatro
elementos —que son agitados así p o r l a que los a d m i t i ó ,
que se mueve ella m i s m a c o m o instrumento de a g i t a c i ó n — ,
se a p a r t a n m á s entre sí y los m á s semejante se concentran
en u n m i s m o p u n t o , p o r lo cual, incluso antes de que el
universo fuera ordenado a p a r t i r de ellos, los distintos ele-
mentos ocupaban diferentes regiones.fAntes de la c r e a c i ó n ,
por cierjxt -JLQ^ÍQ___e^
> p r o p o r c i ó n y medida.
b C u a n d o dios se puso a ordenar el universo, p r i m e r o d i o
f o r m a y n ú m e r o al fuego, agua, tierra y aire, de los que, si
bien h a b í a algunas huellas, se encontraban en el estado en
que probablemente se halle t o d o cuando dios e s t á ausente
Sea siempre esto lo que afirmamos en toda o c a s i ó n - que
dios los compuso t a n bellos y excelsos c o m o era posible de
aquello que no era así. A h o r a , en verdad, debo intentar
demostraros el orden y origen de cada uno de los elemen-
c tos c o n u n discurso poco h a b i t u a l , pero que s e g u i r é i s p o r -
que por e d u c a c i ó n p o d é i s recorrer los caminos que hay que
atravesar en la d e m o s t r a c i ó n . j )
E n p r i m e r lugar, creo que para cualquiera e s t á m á s allá
de t o d a d u d a que fuego, tierra, agua y aire son cuerpos.
A h o r a bien, toda f o r m a c o r p o r a l tiene t a m b i é n p r o f u n d i -
dad. Y , a d e m á s , es de t o d a necesidad que la superficie
rodee la p r o f u n d i d a d . L a superficie de una_jcj3jra_plana está,
compuesta de_Jxjiiiigulas- Todos los t r i á n g u l o s se desarro-
TIMEO 207

Han a p a r t i r de dos, cada u n o con u n á n g u l o recto y los d


otros agudos. U n o tiene a ambos lados una f r a c c i ó n de
á n g u l o recto d i v i d i d o p o r lados iguales, el o t r o partes desi-
66
guales de u n á n g u l o recto a t r i b u i d a a lados desiguales .
E n nuestra marcha s e g ú n el discurso probable a c o m p a ñ a d o
de necesidad, suponemos que éste es el p r i n c i p i o del fuego
y de los otros cuerpos. Pero los otros principios^ a n ^ r i p r ^ y^^,
a é s t o s los conoce d j o £ . . y , ^ ^
amado p o r él. Ciertamente, debemos explicar c u á l e s s e r í a n <
los c^iatro cuerpos m á s perfectos, que, aunque disímiles e
entre sí, p o d r í a n nacer unos de otros cuando se desinte-
gran. E n efecto, si lo logramos, tendremos la verdad acerca
del origen de la tierra y el fuego y de sus medios propor-
cionales. Pues no c o i n c i d i r e m o s c o n nadie en que hay
cuerpos visibles m á s bellos que é s t o s , de los que cada u n o
representa u n g é n e r o p a r t i c u l a r . Debemos, entonces, esfor-
zarnos p o r c o m p o n e r estos c u a t r o g é n e r o s de cuerpos de
e x t r a o r d i n a r i a belleza y decir que hemos captado su n a t u -
raleza suficientemente. D e los dos t r i á n g u l o s , al isósceles le 54
t o c ó e n s u e r t e u n a naturaleza ú n i c a , pero las de aquel cuyo
á n g u l o recto e s t á contenido en lados desiguales fueron
infinitas. P a r a u n buen comienzo hay que hacer o t r a elec-
c i ó n , es necesario elegir en la clase de los t r i á n g u l o s de
infinitas formas aquel que sea el m á s perfecto. E l que even- ( o
tualmente e s t é en condiciones de afirmar que el t r i á n g u l o
p o r él escogido es el m á s bello para la c o m p o s i c i ó n de los
elementos, i m p o n d r á su o p i n i ó n , puesto que no es u n
adversario, sino u n a m i g o . Por nuestra parte, nosotros
dejamos los d e m á s de lado y suponemos que en l a m u l t i p l i -
cidad de los t r i á n g u l o s u n o es el m á s bello: aquel del que

6 6
E l p r i m e r tipo corresponde al t r i á n g u l o i s ó s c e l e s y el segundo, al
escaleno.
208 DIÁLOGOS

67
surge en tercer lugar el i s ó s c e l e s . Pero especificar el p o r -
b q u é exige u n razonamiento m a y o r y los premios amistosos
yacen allí p a r a el que p o n g a a prueba esta a f i r m a c i ó n y
68
descubra que es a s í e f e c t i v a m e n t e . Sean elegidos, p o r
t a n t o , dos t r i á n g u l o s de los cuales e s t á n construidos el
cuerpo d e l fuego y el de los otros elementos: u n o de ellos
isósceles, el o t r o c o n u n lado m a y o r cuyo cuadrado es tres
veces el cuadrado del menor. A h o r a , debemos precisar m á s
lo que dijimos antes de manera oscura. Pues los cuatro
elementos p a r e c í a n tener su origen unos de otros, aunque
esa apariencia era falsa, pues a pesar de que los cuatro
c elementos nacen de los t r i á n g u l o s que hemos elegido, m i e n -
tras tres d e r i v a n de u n o — e l que tiene los lados desigua-
les—, el c u a r t o es el ú n i c o que se c o m p o n e del t r i á n g u l o
isósceles. P o r ende, no es posible que, mediante la d i s o l u -
c i ó n de todos en todos, muchos p e q u e ñ o s den origen a
unos pocos grandes y viceversa; pero sí lo es en el caso de
tres elementos, porque cuando se disuelven los mayores de
aquellos que p o r naturaleza e s t á n constituidos p o r u n t i p o
de t r i á n g u l o , se c o m p o n e n muchos p e q u e ñ o s a partir de
ellos, que a d o p t a n las figuras correspondientes y, a su vez,
d cuando muchos p e q u e ñ o s se d i v i d i e r a n en t r i á n g u l o s , al
surgir u n a c a n t i d a d de v o l u m e n ú n i c o , p o d r í a dar lugar a
o t r a f o r m a grande. É s t a es, pues, nuestra t e o r í a acerca de la
génesis de unos en otros. A c o n t i n u a c i ó n d e b e r í a m o s decir
de q u é manera se o r i g i n ó la figura de cada u n o de los ele-
6 7
L a idea e x p r e s a d a a q u í es que l a g e n e r a c i ó n de l a f i g u r a del t r i á n -
\ guio ^ s ^ e l e s ) tienen tres pasos: a) la g e n e j ^ c i ó n _ d e l . . . t r i á n g u l o escaleno
^ c j o j r e ^ o j o d i e j u s , b) s j i ^ j ^ h ^ a c i ó n , y c) l a u n i ó n de lo* H n . r ^ T T T ^ f ^ r - -
\n^r.e^_Lriá.ngy.l^¿só_Sjcele^.^Es l a ú n i c a f o r m a posible de entender el giro ek
\trííou (cf. H . G . L I D D E L L - R . S C O T T - H . St. J O N E S , A Greek-English
a
Lexicón, O x f o r d , 1940 ( 9 . e d i c i ó n ) , s.v. trítos, I I I . 1).
6 8
L e o c o n BURNET dé, porque no hay n i n g u n a r a z ó n de peso p a r a
c a m b i a r l a l e c c i ó n . E l que llegue a l a m i s m a c o n c l u s i ó n que el exponente
g o z a r á de los m i s m o s placeres propios de la s a b i d u r í a .
TIMEO

6 9
mentos y a p a r t i r de la u n i ó n de c u á n t o s t r i á n g u l o s . E n
p r i m e r lugar, t r a t a r é la figura p r i m e r a y m á s p e q u e ñ a cuyo
elemento es el t r i á n g u l o que tiene una hipotenusa de una
e x t e n s i ó n del doble del lado menor. Cuando se unen dos de
é s t o s por la hipotenusa y esto sucede tres veces, de m o d o e
que las hipotenusas y los catetos menores se orienten hacia
un mismo punto como centro, se genera u n t r i á n g u l o e q u i l á -
tero de los seis. L a u n i ó n de cuatro t r i á n g u l o s e q u i l á t e r o s
s e g ú n tres á n g u l o s planos genera un á n g u l o s ó l i d o , el
siguiente~del m á s obtuso de los á n g u l o s llanos. C u a t r o 55
á n g u l o s de é s t o s generan la p r i m e r a figura s ó l i d a , que
divide t o d a la superficie de la esfera en partes iguales y
semejantes. El segundo elemento se compone de los mis-
mos t r i á n g u l o s cuando se unen ocho t r i á n g u l o s e q u i l á t e r o s
y se construye un á n g u l o s ó l i d o a p a r t i r de cuatro á n g u l o s
planos. C u a n d o se han generado seis de tales á n g u l o s , se
c o m p l e t a así el segundo cuerpo. El tercer cuerpo nace de
ciento veinte elementos ensamblados y doce á n g u l o s s ó l i -
dos, cada u n o rodeado de cinco t r i á n g u l o s e q u i l á t e r o s pla-
nos y con veinte t r i á n g u l o s e q u i l á t e r o s p o r base. L a f l i n - b
c i ó r i de uno de los t r i á n g u l o s elementales se c o m p l e t ó
cuando g e n e r ó estos elementos; el t r i á n g u l o isósceles, p o r
o t r a parte, d i o nacimiento al cuarto elemento, p o r c o m p o -
sición de cuatro t r i á n g u l o s y r e u n i ó n de sus á n g u l o s rectos
en el centro para f o r m a r u n c u a d r i l á t e r o e q u i l á t e r o . L a
r e u n i ó n de seis figuras semejantes p r o d u j o ocho á n g u l o s
s ó l i d o s , cada uno de ellos compuesto s e g ú n tres á n g u l o s <
planos rectos. La figura del cuerpo creado fue c ú b i c a c o n
seis caras de c u a d r i l á t e r o s e q u i l á t e r o s . Puesto que t o d a v í a
h a b í a una q u i n t a c o m p o s i c i ó n , el dios la u t i l i z ó para el
universo cuando lo p i n t ó . í

hV
ex hóson sympesónton arithmon. E n t i e n d o que se refiere al n ú m e r o
de t r i á n g u l o s que deben c o i n c i d i r para f o r m a r el cuerpo de un elemento.
210 DIÁLOGOS

Si u n o , al razonar sobre t o d o esto, tropezara c o n la


n a t u r a l d i f i c u l t a d de si se debe decir que los m u n d o s son
infinitos o de u n n ú m e r o l i m i t a d o , p o d r í a pensar, q u i z á s ,
que el a f i r m a r su i n f i n i t u d es u n a d o c t r i n a de alguien que
70
d no conoce l o que d e b e ; pero, p o r o t r a parte, si se encuen-
t r a en este p u n t o s e r í a m á s razonable que d u d a r a si c o n -
viene afirmar alguna vez que es u n o o en realidad son c i n -
co. Si bien lo que nosotros exponemos según el discurso p r o -
bable p r o c l a m a que es p o r naturaleza un dios ú n i c o , es
probable que a l g ú n o t r o , al considerar otros aspectos, sos-
tenga algo diferente. Pero ahora debemos dejar esto de
lado, y atribuyamos los tipos de figuras que acaban de sur-
e gir en el discurso al fuego, t i e r r a , agua y aire. Asignemos,
ipues, la f i g u r a c ú b i c a a la t i e r r a , puesto que es la menos
m ó v i l de los cuatro tip_os_v las m á s maleable de entre los
cjuj^rr¿os y es de t o d a necesidad que tales cualidades las
posea el elemento que tenga las caras m á s estables. Entre
los t r i á n g u l o s supuestos al comienzo, la superficie de lados
iguales es p o r naturaleza m á s segura que la de de lados
desiguales y la superficie cuadrada f o r m a d a p o r dos equilá-
teros e s t á sobre su base necesariamente de f o r m a m á s esta-
ble que u n t r i á n g u l o , tanto en sus partes como en el c o n -
7 4
56 j u n t o . P o r t a n t o , si a t r i b u i m o s esta figura a la t i e r r a sal-
vamos el discurso probable, y, a d e m á s , de las restantes, ad
agua, la que con m á s dificultad se mueve; la m á s m ó v i l , a]_
f u e
g ° Y l a j j i t e r m e d i a , al aire; y, o t r a vez, l a ^ m á s ^ e q r i e r i a ,
a l
fuego, l ^ m á s _ ^ r ^ d e ^ a l ^ y la m e d i a n a , a l aire; y,
finalmente, la m á s aguda, al fuego, la segunda m á s almeja.
aLaÍrjEL_y l a j e j ^ e r ^ ^ a j i ^ ^ u a . E n t o d o esto es necesario que
7 0
A q u í hay un j u e g o de p a l a b r a s c o n el doble significado de ápeiros,
« i n f i n i t o » (de peras, « l í m i t e » ) e inexperto (de peira, « p r u e b a , e x p e r i e n c i a » ) .
7 1
H a y que r e c u r r i r a la t r a d u c c i ó n de S . F o x M O R C I L L O (Timaeum,
p á g . 299) p a r a e n c o n t r a r u n a v e r s i ó n que respete las reglas e l e m e n t a -
les de la lengua griega.
TIMEO 211

la figura que tiene las caras m á s p e q u e ñ a s sea p o r natura-


leza la m á s m ó v i l , la m á s cortante y aguda de todas en b
t o d o sentido, y, a d e m á s , la m á s liviana, pues e s t á c o m -
puesta del m í n i m o de partes semejantes, y que la segunda
tenga estas mismas cualidades en segundo grado y la ter-
cera, en tercero. Sea, pues, s e g ú n el razonamiento correcto
y el probable, la figura s ó l i d a _ d e la p i r á m i d e elemento y
s i m i e n ^ d ^ L f u e g o , digamos que la segun<^
c T ó r T c o r r e s p o n d e al aire v Ja..l.ejxeLa^- al_Jigua. Debemos
pensar que todas estas cosas son en verdad t a n p e q u e ñ a s
que los elementos individuales de cada clase nos son invisi- c
bles por su pequenez, pero cuando muchos se a g l u t i n a n , se
pueden observar sus masas y, t a m b i é n , que en todas partes
dios a d e c u ó la cantidad, m o v i m i e n t o s y otras c a r a c t e r í s t i -
cas de manera p r o p o r c i o n a l y que t o d o lo hizo c o n la exac-
t i t u d que p e r m i t i ó de buen grado y obediente l a necesidad.
A p a r t i r de t o d o aquello cuyos g é n e r o s hemos descrito
7 2
antes, m u y probablemente se d a r í a lo siguiente . C u a n d o
él fuego choca con la t i e r r a y con su agudeza l a disuelve,
é s t a se t r a s l a d a r í a , ya sea que se h u b i e r a diluido en el
m i s m o fuego o en una masa de aire o de agua, hasta que
sus partes se reencontraran en a l g ú n lugar, se volvieran a
u n i r unas c o n otras y se c o n v i r t i e r a n en t i e r r a —pues
nunca p a s a r í a n a o t r a especie—, pero si el agua es p a r t i d a
por el fuego, o t a m b i é n por el aire, es posible que surjan u n
cuerpo de fuego y dos de aire. C u a n d o se disuelve u n a por- e

c i ó n de aire, sus fragmentos d a r í a n lugar a dos cuerpos de


fuego. A la inversa, cuando el fuego, rodeado p o r el aire o
el agua o alguna t i e r r a , poco entre muchos, se mueve entre

7 2
E n la t r a d u c c i ó n se respeta la l e c c i ó n preferida por B U R N E T . C o n -
t r a r i a m e n t e a lo que superficialmente pretende F . M . C O R N F O R D (Cosmo-
l°gy> p á g . 224, n. 1), no s ó l o es c i e n t í f i c o , sino de a b s o l u t a necesidad.
N u e v a m e n t e h a y que r e c u r r i r a S. F o x M O R C I L L O (Timaeum, p á g . 311)
p a r a e n c o n t r a r u n a t r a d u c c i ó n c o r r e c t a del pasaje.
212 DIÁLOGOS

sus portadores, lucha y, vencido, se quiebra; dos cuerpos


de fuego se c o m b i n a n en una figura de aire; mas c u a n d o el
aire es vencido y fragmentado, de dos partes y m e d i a se
f o r j a r á u n a figura entera de agua. Reflexionemos esto nue-
57 vamente así: cuando el fuego encierra alguno de los j ) t r o s
1 3 1
elementos y l o c o r t a c o n el filo de s u s L á ^ H l ^ l X l ^ - i ^ S ? '
dicho elemento deja de f r a g m e n t á r s e l e ^
naturaleza de a q u é l —pues nada es capaz de cambiar a u n
g é n e r o semejante e igual a él n i de sufrir nada a causa de l o
que le es semejante e i d é n t i c o — , pero mientras el que se
convierte en o t r o elemento, aunque inferior, luche c o n t r a
u n o m á s fuerte, no cesa de disolverse. Y , a su vez, c u a n d o
b unos pocos c o r p ú s c u l o s m á s p e q u e ñ o s , rodeados por m u -
73
chos mayores, son destrozados y se a p a g a n , si m u t a n en
la figura del que d o m i n a , cesan de extinguirse y nace del
fuego el aire y del aire, el agua. Pero siempre que se c o n -
centran y alguno de los restantes g é n e r o s los ataca y c o m -
bate, no cesan de disolverser hasta que, b a t i é n d o s e en r e t i -
rada y dispersados, huyen hacia l o que es del m i s m o
g é n e r o , o, vencidos, de muchos cuerpos pequeños surge
uno semejante al vencedor y permanece j u n t o a él. A d e m á s
todos los elementos c a m b i a n de r e g i ó n por estos f e n ó m e -
c nos. E n efecto, la cantidad p r i n c i p a l de cada u n o de los
elementos e s t á separada en u n lugar p r o p i o p o r el m o v i -
miento del r e c e p t á c u l o y cuando unos c o r p ú s c u l o s se dife-
rencian de sí mismos para asemejarse a otros, se trasladan,
a causa de la v i b r a c i ó n existente, al lugar donde se encuen-
t r a n los cuerpos a los que eventualmente se h a n asemejado.
E s t a s
£ ! ^ a £ p r o d u j e r o n todos los cuerpos puros y p r i -
meros; pero t a m b i é n hay que mencionar c o m o causa de
que haya diversas variedades en sus especies la estructura-

7 3
C o m o bien s e ñ a l a F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 227, n. 1)
« a p a g a n » m u e s t r a que P l a t ó n e s t á p e n s a n d o a q u í en el fuego.
TIMEO 213

7 4
c i ó n de cada u n o de los elementos , ya que é s t a al p r i n c i -
pio no s ó l o d i o lugar a u n t i p o de t r i á n g u l o s de una ú n i c a
m a g n i t u d sino t a m b i é n a t r i á n g u l o s menores y mayores,
cuyo n ú m e r o se c o r r e s p o n d í a c o n las variedades de las
especies. P o r t a n t o , d a d o que se mezclan entre sí y con
otros, su variedad es i n f i n i t a , de la que, por cierto, deben
llegar a ser observadores los que han de utilizar u n razo-
namiento probable acerca de la naturaleza.
Si no se acordara de q u é manera y con q u é se producen
el m o v i m i e n t o y el reposo, s u r g i r í a n muchas dificultades en
el r a z o n a m i e n t o que sigue. Acerca de ellos ya se dijeron e
algunas cosas, a las que, sin embargo, t o d a v í a hay que
agregar lo siguiente: el m o v i m i e n t o nunca e x i s t i r á donde yL
haya u n estado de e q u i l i b r i o . Pues es difícil que se d é lo
que ha de ser m o v i d o sin lo que ha m o v e r o l o que ha de
m o v e r sin l o que ha de ser m o v i d o , m á s a ú n , es imposible.
Si estos dos elementos no e s t á n presentes, no hay m o v i -
m i e n t o y es imposible que e s t é n alguna vez en e q u i l i b r i o .
A s í , pues, hemos de identificar el descanso con el equilibrio >^
v el m o v i m i e n t o c o n e l desequilibrio. La^causa es, a su vez,
la desigualdad d e j a natur^^^ •y^~yp hornos 58
dwcrit^^ej^^ mencionamos
de q u é m a n e r a cada u n o de los elementos, aunque separa-
dos en g é n e r o s , no cesa nunca de convertirse u n o en o t r o y
de trasladarse de u n lugar a o t r o . L o e x p o n d r e m o s de la
manera siguiente. D a d o que la r e v o l u c i ó n del universo aU
i n c l u i r a los elemejitos^es^^ircular y por naturaleza tiende a
r e t o r n a r sobre sí m i s m a , J O J mantiene j u n t o s " y ' n o permite
nunca que quede u n espacio v a c í o . Por t a n t o T e i l u e g o es l o b
que m á s se expande en todas direcciones, el aire en segundo
lugar, p o r q u e es el segundo elemento m á s tenue p o r n a t u -
raleza y los restantes l o hacen de manera a n á l o g a ; pues l o

7 4
Se refiere a los t r i á n g u l o s elementales descritos en 53c-d.
214 DIÁLOGOS

que se c o m p o n e de partes mayores deja el m a y o r v a c í o en


su estructura, l o que tiene partes menores, menos. L a c o n -
c e n t r a c i ó n de elementos durante la c o n d e n s a c i ó n empuja a
los p e q u e ñ o s en los intersticios de los grandes. C u a n d o los
p e q u e ñ o s e s t á n colocados j u n t o a los grandes de t a l m o d o
que los menores separan a los mayores y é s t o s j u n t a n a
a q u é l l o s , todos los elementos se c a m b i a n de p o s i c i ó n de
a r r i b a a abajo, t r a s l a d á n d o s e a las regiones que les son
75
c p r o p i a s . Pues cuando cada uno cambia su m a g n i t u d ,
c a m b i a t a m b i é n de lugar. D e esta manera, el o r i g e n del
desequilibrio se preserva y produce continuamente el m o -
v i m i e n t o presente y f u t u r o de estos cuerpos.
A c o n t i n u a c i ó n , debemos observar que hay muchas cla-
ses de fuego, p o r ejemplo, la l l a m a y lo que se desprende de
la l l a m a , que aunque n o quema p r o p o r c i o n a luz a los ojos,
y lo que queda de fuego en las ascuas tras apagarse la
d l l a m a . D e l m i s m o m o d o , en l o que concierne a l aire, u n o ,
el m á s b r i l l a n t e , lleva el n o m b r e de é t e r , o t r o , el m á s t u r -
b i o , es l l a m a d o niebla y oscuridad y hay otras formas a n ó -
n i m a s , n a c i d a s a causa de la desigualdad de los t r i á n g u l o s .
Las clases de agua son dos, en p r i m e r a instancia, u n a
l í q u i d a y o t r a fusible. D a d o que el g é n e r o l í q u i d o p a r t i c i p a
de las clases p e q u e ñ a s de agua, al ser é s t a s desiguales, a
causa de su desequilibrio y de la f o r m a de su f i g u r a , puede
moverse p o r sí m i s m o o p o r la a c c i ó n de o t r o agente. E l
que e s t á f o r m a d o de las clases grandes y equilibradas,
e s ó l i d o y pesado a causa de su e q u i l i b r i o , es m á s estable que
a q u é l ; no obstante bajo la a c c i ó n del fuego que se le a p r o -
x i m a y l o d i l u y e , pierde el e q u i l i b r i o y, u n a vez que lo h a
destruido, p a r t i c i p a m á s del m o v i m i e n t o . C u a n d o se h a

7 5
C o n t r a r i a m e n t e a lo que supone F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
p á g . 242, n. 5), T i m e o no alude a q u í a l a m u t a c i ó n de u n o s elementos en
otros, sino simplemente a s u c a m b i o de lugar.
TIMEO 215

hecho m u y m ó v i l , el aire circundante l o empuja y extiende


sobre la t i e r r a . Cada u n o de estos f e n ó m e n o s recibe una
d e n o m i n a c i ó n , la r e d u c c i ó n de su d i m e n s i ó n , l i c u e f a c c i ó n ,
y l a e x t e n s i ó n sobre l a t i e r r a , flujo. C u a n d o el fuego se 59
r e t i r a nuevamente de allí, c o m o no sale al v a c í o , empuja al
aire circundante, que c o m p r i m e violentamente la masa
h ú m e d a , que a ú n es m u y m ó v i l , hacia el lugar que ocupaba
el fuego, y la mezcla consigo m i s m o . L a masa c o m p r i m i d a
y nuevamente e q u i l i b r a d a p o r el alejamiento del fuego,
artífice del desequilibrio, recupera su estado anterior. L a
l i b e r a c i ó n del fuego se l l a m a enfriamiento y se dice que la
c o m p r e s i ó n que se produce cuando éste se aleja es el
estado s ó l i d o . D e todos los tipos de agua que hemos b
d e n o m i n a d o fusibles, el m á s denso, nacido de las p a r t í c u l a s
m á s tenues y h o m o g é n e a s , ú n i c o y de c o l o r a m a r i l l o b r i -
llante, es la p o s e s i ó n m á s preciosa, el o r o , que, u n a vez
f i l t r a d o a t r a v é s de la piedra, se s o l i d i ñ c a . U n r e t o ñ o del
o r o , m u y d u r o p o r su densidad y negro, es l l a m a d o ada-
mante. E l g é n e r o que tiene p a r t í c u l a s p r ó x i m a s al o r o , pero
con m á s de u n a especie y con una densidad m a y o r que éste
p o r p a r t i c i p a r de la t i e r r a en u n a parte reducida, l o que l o
hace m á s d u r o , es, sin e m b a r g o , m á s l i v i a n o que él porque e

tiene en su i n t e r i o r grandes intersticios; este g é n e r o , c o m -


puesto de aguas brillantes y solidificadas, es el cobre. Se
d e n o m i n a h e r r u m b r e a la parte de t i e r r a que viene mez-
clada con él y que se hace visible cuando ambos envejecen
y se vuelven a separar. Pero no es en absoluto difícil de
comprender que distinga el resto de tales especies el que
investiga el g é n e r o de los mitos probables, que u n o p o d r í a
practicar en su v i d a c o m o u n juego moderado y prudente
c u a n d o , para descansar de los discursos sobre los seres
eternos, se dedica a los probables acerca de la g e n e r a c i ó n y
alcanza u n placer despreocupado. A s í , t a m b i é n nosotros d
dejaremos de lado ahora las especies restantes y expon-
216 DIÁLOGOS

dremos l o probable que viene a c o n t i n u a c i ó n . E l agua mez-


clada c o n el fuego que es tenue y l í q u i d a se l l a m a l í q u i d a
por el m o v i m i e n t o y el c a m i n o p o r el que rueda sobre la
tierra y, a d e m á s , es blanda porque sus bases ceden al ser
menos estables que las de l a tierra. Este agua, cuando e s t á
e separada del fuego y del aire y aislada, se vuelve m á s u n i -
f o r m e , se condensa p o r los elementos que salen y , de esta
manera, alcanza el estado s ó l i d o . C u a n d o el agua se ha
solidificado totalmente, si e s t á en l o alto sobre la t i e r r a se
l l a m a granizo; si se encuentra directamente encima de la
tierra, hielo. C u a n d o a ú n no se ha hecho del t o d o s ó l i d a , l a
que e s t á en l o alto sobre l a t i e r r a se d e n o m i n a nieve y l a
que e s t á directamente encima de la tierra, surgida del r o c í o ,
escarcha. Las clases de aguas se entremezclan, p o r c i e r t o ,
60 en su m a y o r parte. C u a n d o se f i l t r a n a t r a v é s de las plantas
de la t i e r r a se l l a m a n humores, que son disímiles a causa de
7 6
, las mezclas que los constituyen ^ M u c h o s c o n f o r m a n otros
\ tantos g é n e r o s a n ó n i m o s , pero c u a t r o , todas ellas especies
i que contienen fuego y han llegado a ser m u y conocidas,
| recibieron u n n o m b r e : el g é n e r o capaz de dar calor al a l m a
¡y al cuerpo, v i n o ; el suave y capaz de cortar el rayo de l a
| vista y, p o r esto, de aspecto b r i l l a n t e y resplandeciente y de
¡ apariencia grasienta, g é n e r o aceitoso — l a brea, el aceite de
1 r i c i n o , el aceite de o l i v a y t o d o lo d e m á s que posee la
b\ misma c u a l i d a d — ; cuanto tiene la propiedad de relajar los
conductos bucales hasta su t a m a ñ o n a t u r a l y p r o p o r c i o n a
d u l z u r a con esta capacidad, r e c i b i ó el n o m b r e general de
miel; el que disuelve la carne q u e m á n d o l a , u n g é n e r o
^espumoso, diverso de todos los humores, es l l a m a d o j u g o
ácidoTj

7 6
C o m o correctamente ha observado F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
p á g . 254, n. 2) dé, 6 0 a l , c o n t e s t a a l mén de 58e6. N o obstante su i n v e n -
c i ó n inglesa de l a p r i m e r a parte de la o r a c i ó n no se c o r r e s p o n d e con el
original griego.
TIMEO 217

Las especies de la tierra: una, f i l t r a d a a t r a v é s del agua,


se hace p i e d r a de la siguiente manera. C u a n d o el agua
entremezclada choca d e n t r o de la m i x t u r a , se convierte en
a i r e y el aire p r o d u c i d o vuela a su lugar p r o p i o . C o m o no c
77
hay v a c i ó p o r encima de e l l o s , empuja al aire vecino.
É s t e , puesto que es pesado, cuando es empujado y derra-
m a d o alrededor de la masa de la tierra, la c o m p r i m e v i o -
lentamente y la rechaza a la sede de donde s u b í a el nuevo
aire. L a t i e r r a , c o m p r i m i d a p o r el aire hasta hacerla inso-
luble al agua, se hace piedra; la transparente de partes igua-
les y uniformes es la m á s bella y la m á s fea, la contraria. L a d
tierra a l a que la rapidez del fuego ha e x t r a í d o t o d a la
h u m e d a d y ha hecho m i s frágil que a q u é l l a es l o que lla-
mamos arcilla. A veces, cuando queda humedad, se o r i g i n a
t i e r r a fusible al fuego que, al enfriarse, se convierte en la
piedra de c o l o r negro. A d e m á s , e s t á n los dos compuestos
que, p o r el m i s m o p r o c e d i m i e n t o , se decantan de la mezcla
de una g r a n cantidad de agua y e s t á n constituidos p o r par-
t í c u l a s de t i e r r a m u y tenues; ambos son salados. S i , cuando
se h a n v u e l t o s e m i s ó l i d o s , el agua los disuelve nuevamente,
u n o , la soda, l i m p i a el aceite y la tierra; el o t r o , que se
adapta bien a la p e r c e p c i ó n gustativa, es la substancia e
salada, s e g ú n el d i c h o , cuerpo q u e r i d o al dios. Los c o m -
puestos que p a r t i c i p a n de ambos (agua y tierra), no solu-
bles p o r el agua, pero sí p o r el fuego, se solidifican de la
siguiente manera. N i fuego n i aire disuelven masas de tie-
r r a ; no es soluble p o r ellos porque, al ser sus p a r t í c u l a s por
naturaleza menores que la estructura de los v a c í o s de a q u é -
lla, atraviesan los grandes espacios sin violentarla n i diluirla.

7 7
C o n t r a r i a m e n t e a lo que supone F . M . C O R N F O R D ( 1 9 3 7 , p á g . 2 5 5 ,
n. 2 ) , no hay n i n g u n a r a z ó n p a r a seguir l a c o n j e t u r a del c o r r e c t o r de A ,
frente a l a lectio difjicilior de los c ó d i c e s . E l genitivo autón puede referirse
t a n t o a los elementos en general c o m o al aire que sale de l a tierra y al aire
circundante.
218 DIÁLOGOS

Las partes del agua, puesto que p o r naturaleza son m a y o -


1 res, se abren paso c o n violencia y l a diluyen. A s í , el agua
s ó l o disuelve la t i e r r a que no e s t á c o m p r i m i d a c o n v i o l e n -
cia; a l a compacta, empero, n o la disuelve n i n g ú n elemento
salvo el fuego; pues no queda posibilidad de ingreso para
nada a e x c e p c i ó n de éste. C u a n d o l a c o n c e n t r a c i ó n de agua
se ha p r o d u c i d o c o n suma violencia, la disuelve s ó l o el
fuego, pero cuando es m á s d é b i l , el fuego y el aire. É s t e l o
hace p o r los intersticios, a q u é l t a m b i é n p o r los t r i á n g u l o s .
E l aire que ha alcanzado u n a estructura fija p o r u n a a c c i ó n
v i o l e n t a s ó l o puede ser disuelto en sus elementos c o n s t i t u -
tivos; el que se h a estructurado de manera n o v i o l e n t a es
fusible s ó l o al fuego. M i e n t r a s el agua ocupa en los cuerpos
mezclados de t i e r r a y agua los intersticios de l a t i e r r a que
b e s t á n c o m p r i m i d o s c o n violencia, las p a r t í c u l a s de agua
provenientes del e x t e r i o r , al carecer de una entrada, fluyen
alrededor y dejan el cuerpo sin disolver. C o n t r a r i a m e n t e ,
las p a r t í c u l a s de fuego que se i n t r o d u c e n en los intersticios
del agua, c o m o tienen el m i s m o efecto que la a c c i ó n del
agua sobre la t i e r r a , son las ú n i c a s causantes de que la
7 8

t o t a l i d a d del cuerpo fluya cuando se diluye. Estos c o m -


puestos son de los siguientes tipos: por u n l a d o , los que
tienen menos agua que t i e r r a , el g é n e r o de los cristales y de
t o d o l o que es d e n o m i n a d o especies fusibles de la piedra, y,
c p o r o t r o l a d o , los que tienen m á s agua, los que constituyen
los cuerpos cerosos y los aptos para quemar c o m o incienso.
Y a e s t á n casi totalmente expuestas las especies en su
variedad de figuras, rasgos comunes y cambios de unas en

7 8
O m i t o pyr aera en 61b5 por c o n s i d e r a r l o s u n a glosa, aera no tiene
e x p l i c a c i ó n posible. L a c o n j e t u r a de C o o k W i l s o n (pyr hydor), adoptada
p o r F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 251, n. 1), no es e x i g i d a por la
s i m e t r í a c o m o é s t e pretende y parece m á s bien u n a glosa. E n caso de
aceptar u n a c l a r a g l o s a , es preferible d e j a r l a existente, que se e x p l i c a
perfectamente a partir de 61a6-7.
TIMEO 219

otras, pero t o d a v í a he de intentar aclarar las causas que


dan lugar a sus cualidades. E n p r i m e r lugar, dichas cuali-
dades necesitan siempre de una p e r c e p c i ó n , sin embargo
a ú n no hemos e x p l i c i t a d o el origen de la carne y de l o que y^
la carne rodea, n i de la parte m o r t a l j i e j _ a i m a . Pero n i estasj d h
cosas se d a n separadas de las cualidades que d e n o m i n a m o s
sensibles, n i las ú l t i m a s pueden ser suficientemente tratadas
sin las primeras, aunque es casi imposible hacerlo al m i s m o
t i e m p o . P r i m e r o hay que dar p o r supuesto u n o de los fac-
tores y luego r e t o r n a r a él. Para que el t r a t a m i e n t o de las
c u a l i d a d siga al de los elementos, demos p o r supuesto l o
concerniente a la existencia del cuerpo y del alma. E n p r i -
mer lugar veamos por q u é decimos que el fuego es caliente
y observemos que pensamos que produce u n a e s c i s i ó n y
corte en nuestro cuerpo. Pues casi todos percibimos que se e
t r a t a de una s e n s a c i ó n cortante. C u a n d o recordamos el
origen de su figura, debemos razonar respecto del f i l o de
sus lados, de la agudeza de sus á n g u l o s , de la pequenez de
sus p a r t í c u l a s y la rapidez de su m o v i m i e n t o —cualidades
con las que, v i o lent£L_y„ 31.Qg9.- corta siempre t o d o lo que
encuentra en su c a m i n o — , que es sobre t o d o este elemento
y no o t r o , el que p o r d i v i s i ó n y p a r t i c i ó n de nuestros cuer- 62
pos en p e q u e ñ a s p a r t í c u l a s , produce las cualidades y d a
n o m b r e a ese f e n ó m e n o que ahora llamamos razonable-
mente calor. E l proceso c o n t r a r i o a é s t e , aunque evidente,
no ha de carecer de e x p l i c a c i ó n . C u a n d o ingresan en el
cuerpo p a r t í c u l a s grandes de l í q u i d o s situados alrededor,
expulsan las menores al e x t e r i o r , pero, al n o ser capaces de
o c u p a r sus lugares, c o m p r i m e n la humedad de nuestro
i n t e r i o r y p o r su homogeneidad y c o m p r e s i ó n la i n m o v i l i - b
zan s a c á n d o l a de su estado de m o v i m i e n t o y la congelan.
Pero l o r e u n i d o c o n t r a n a t u r a por naturaleza lucha y se 4
empuja a sí m i s m o hacia el estado c o n t r a r i o . A esta lucha y
v i b r a c i ó n se le a ñ a d e u n t e m b l o r y estremecimiento, y t o d o
220 DIÁLOGOS

este f e n ó m e n o , así c o m o lo que l o produce, recibe el n o m -


bre de frío. D u r o es t o d o aquello a l o que cede nuestra
carne; b l a n d o , t o d o l o que lo hace ante ella. De la m i s m a
manera se d a n las relaciones mutuas de blando y d u r o .
c Cede lo que avanza sobre una base p e q u e ñ a ; pero lo c o m -
puesto de bases c u a d r i l á t e r a s es, al ser m u y estable, la
figura m á s resistente, ya que eventualmente alcanza una
alta densidad y resistencia. Si se investigaran lo pesado y l o
l i v i a n o conjuntamente c o n la así l l a m a d a naturaleza de l o
inferior y de lo superior p o d r í a n ser explicados c o n la
m á x i m a c l a r i d a d . E n efecto, no s e r í a correcto en absoluto
considerar que p o r naturaleza dos regiones contrarias d i v i -
den el universo, la de abajo, hacia la que se desplaza t o d o
lo que posee u n a cierta masa de cuerpo, y la de a r r i b a ,
d hacia la que nada se mueve por p r o p i a v o l u n t a d . E n efecto,
al ser el universo e s f é r i c o , e s t á n todos los extremos a la
m i s m a distancia del centro, p o r lo que p o r naturaleza
deben ser extremos^de manera semejante. A d e m á s , hay que
considerar que el centro, c o m o se encuentra a la m i s m a
distancia de los extremos, se halla frente a todos. A h o r a
bien, si el m u n d o es así p o r naturaleza, ¿ c u á l de los puntos
mencionados debe uno suponer c o m o a r r i b a o abajo para
que no parezca, c o n r a z ó n , que u t i l i z a u n t é r m i n o t o t a l -
mente inadecuado? E n él, la r e g i ó n del centro, al no estar
ni a r r i b a n i abajo, no r e c i b i r á con justicia n i n g u n o de los
dos nombres, sino que se d i r á que e s t á en el centro. E l
lugar circundante n i es, por cierto, centro n i posee una
parte que se distinga m á s que o t r a respecto del centro o
alguno de los p u n t o s opuestos ™. Pero si el universo es de

7 9
L a s i n t a x i s de l a frase exige que se refiera é a pros tó méson junto
c o n G . F R A C C A R O L I ( P l a t o n e , / / Timeo, trad. de G . F . , T u r í n , 1 9 0 6 ) ; A . E .
T A Y L O R (Commentary, p á g . 4 3 7 ) , y B U R Y ( « P l a t o . " T i m a e u s " » , en Plato
with an English translation. Timaeus, Critias, Cleitophon, Menexenus,
Epistles by R. G. B., L o n d r e s , 1 9 2 9 ) , c o n t r a F . J O W F T T ( « P l a t o . T i m a e u s » ,
TIMEO 221

esta guisa en todos lados, ¿ c ó m o p o d r í a pensar alguien que


se expresa correctamente al utilizar respecto de él q u é
denominaciones contrarias? Pues si u n cuerpo s ó l i d o se
encontrara en el medio del universo en s i t u a c i ó n de e q u i l i -
b r i o , nunca se t r a s l a d a r í a hacia ninguno de los extremos a 63
causa de las semejanza absoluta entre ellos. A d e m á s , si
alguien m a r c h a r a en c í r c u l o alrededor de él, se e n c o n t r a r í a
a menudo en su r e g i ó n a n t í p o d a y l l a m a r í a al m i s m o p u n t o
del universo abajo y a r r i b a . Por t a n t o , no es p r o p i o de
alguien inteligente a f i r m a r que, aun cuando el universo es
esférico, c o m o acabamos de establecer, tiene u n a r e g i ó n
superior y o t r a inferior. N o obstante, p o r m e d i o de la
siguiente s u p o s i c i ó n debemos acordar de d ó n d e nacen estos
nombres y en q u é objetos tienen vigencia para que nos
hayamos acostumbrados a causa de ellos a expresarnos y a ¿>
d i v i d i r t o d o el universo así. Si alguien se i n t r o d u j e r a en la
r e g i ó n del universo en l a que hay m á s fuego — c u y a m a y o r
parte e s t a r í a concentrada en el lugar hacia el que este ele-
mento se dirige naturalmente— y, si pudiera, arrancara
partes de fuego y las colocara en los platillos de una
balanza, t o m a r a la balanza y el fuego y los arrastrara con
violencia hacia el aire d i s í m i l , es evidente que p o d r í a ejer-
cer violencia m á s f á c i l m e n t e sobre la p o r c i ó n menor que
sobre la m a y o r . E n efecto, cuando dos objetos son levanta- c

dos p o r u n a ú n i c a fuerza s i m u l t á n e a m e n t e , es necesario


que el m e n o r siga m á s l a d i r e c c i ó n de la fuerza y el m a y o r ,
menos, y se dice que el grande es pesado y se desplaza
hacia abajo y que el p e q u e ñ o es liviano y se mueve hacia
arriba. Ciertamente, debemos observar el m i s m o f e n ó m e n o
cuando hacemos eso en nuestra r e g i ó n . C u a n d o sobre la

en The Dialogues of Plato translated by B . J . , I I I , O x f o r d , 1 9 5 3 ) ; K L .


W I D D R A (Timaios, p á g . 1 2 5 ) ; O . A P E L T ; A . R I V A U D (Oeuvres, pág. 186) y
F . M . C O R N F O R D (Cosmology, pág.2 6 2 ) .
222 DIÁLOGOS

80
^ t i e r r a separamos sustancias terreas, y, en ocasiones, la
t i e r r a m i s m a , las arrastramos hacia el aire d i s í m i l c o n v i o -
lencia y c o n t r a l a naturaleza, y a que ambas tienden a l o
que es de su m i s m o g é n e r o . C u a n d o ejercemos l a fuerza, la
p o r c i ó n m á s p e q u e ñ a nos sigue p r i m e r o hacia l o diferente,
con m á s facilidad que l a m a y o r . Entonces, d e n o m i n a m o s
l i v i a n o a l p e q u e ñ o y el lugar hacia el que l o coaccionamos,
a r r i b a ; al f e n ó m e n o c o n t r a r i o a é s t e , pesado y abajo. É s t a s
son, necesariamente, diferencias relativas p o r q u e l a m a y o r
parte de los elementos ocupan u n a r e g i ó n c o n t r a r i a a los
otros —en efecto, se d e s c u b r i r á que lo que es l i v i a n o en u n
e lugar es pesado en el o t r o , y l o pesado, l i v i a n o , y l o infe-
r i o r , superior y l o superior, inferior, y que todos son y lle-
gan a estar y e s t á n en zonas contrarias o laterales o c o m -
pletamente diferentes unas de otras—. S i n embargo, acerca
de todos ellos debemos pensar ú n i c a m e n t e que el c a m i n o
que u n elemento recorre hacia l a que se mueve es « a b a j o » y
los que se c o m p o r t a n de u n a manera diferente, son l o c o n -
t r a r i o . Estas son las causas de estas cualidades. C u a l q u i e r a
s e r í a capaz de discernir y decir l a causa de l a suavidad y la
aspereza. Pues l a dureza u n i d a a la falta de homogeneidad
64 produce la ú l t i m a , la homogeneidad y la densidad d a n
lugar a la p r i m e r a .
L o m á s i m p o r t a n t e de l o que resta de las afecciones
comunes a t o d o el cuerpo es la causa del placer y del d o l o r
en l o que hemos t r a t a d o y todas las sensaciones de las
partes del cuerpo a c o m p a ñ a d a s s i m u l t á n e a m e n t e de d o l o -
res y placeres. Para entender las causas de t o d o proceso
sensible e insensible, recordemos l a d i v i s i ó n anterior entre

8 0
diistámenoi es t r a d u c i d o p o r « s e p a r a r » siguiendo a H . G . L I D D E L L ,
R. SCOTT, H . S. J O N E S (Lexicón, s.v. I I I ) , c o n t r a G . F R A C C A R O L I (Timeo)
y A . E . T A Y L O R (Commentary, cit.) « p e s a r » y F . M . C O R N F O R D (Cosmo-
logy- P^g- 264. n. 1) « d i s t i n g u i r » .
TIMEO 223

sustancias c o n m u c h a y c o n poca capacidad de m o v i - b


m i e n t o , pues, en verdad, a s í tenemos que investigar t o d o lo
que pensamos t r a t a r . L o que p o r naturaleza es m u y m ó v i l ,
c u a n d o sufre u n a a f e c c i ó n , aunque p e q u e ñ a , l a transmite-*
en c í r c u l o a las otras p a r t í c u l a s , que hacen l o p r o p i o a
otras, hasta que llegan a l a inteligencia y a n u n c i a n la cuali-
dad del agente. Las sustancias opuestas, al ser estables y no
avanzar en c í r c u l o , s ó l o son afectadas y no mueven a los
cuerpos vecinos, de t a l manera que, c o m o sus p a r t í c u l a s no c
t r a n s m i t e n el p r i m e r e s t í m u l o a las de los otros ó r g a n o s ,
sino que éste se queda en ellas sin expandirse a l a t o t a l i d a d
del ser viviente, el que es afectado no percibe el e s t í m u l o .
É s t e es el caso de los huesos, pelos y el resto de nuestros
ó r g a n o s que e s t á n c o n s t i t u i d o s en su m a y o r parte de p a r t í -
v i l p s
culas terreas. Las sustancias m o se encuentran sobrew,,¿>
t o d o en la v i s i ó n y el o í d o , que poseen en ellos la mayor!
cant\c\ar| r f e " T i l e ^ ^ ~ ^ r g ^ 7 F F ^ l a c e j ^ _ e T j | o T o r deben Ser
concebidos de l a siguiente manera, ^ o l o r o s o ^ b s el proceso T^^ayL
que^de manera s ú b i t a , se produce en nosotros c o n violen- d ^
cia y c o h t r a la naturaleza; eTl^üelrío^ PuscAX.
rnente_a nuestra s i t u a c i ó n n a t u r a l es p l á c e n t e r ó ^ e l tran-f
( {yi;
q u i l o y p a u l a t i n o es imperceptible y l o c o n t r a r i o a é s t o s ,
c o n t r a r i o . T o d o l o que se da con facilidad es l o m á s per-
ceptible, aunque no participe del d o l o r n i d e l placer, c o m o
los f e n ó m e n o s que c o n f o r m a n la v i s i ó n m i s m a , de la que se
a f i r m ó antes que durante el d í a es u n cuerpo u n i d o n a t u -
ralmente a nosotros. Pues a é s t a no le p r o d u c e n d o l o r los
cortes, quemaduras n i nada de l o que sufre, n i t a m p o c o
siente placer c u a n d o vuelven a la f o r m a que les es p r o p i a ;
sin e m b a r g o , hay f e n ó m e n o s sensibles m u y intensos y b r i - e
liantes que eventualmente l a afectan y c o n los que entra en
contacto, cuando de u n a cierta manera se proyecta hacia el
objeto. E n la d i v i s i ó n o en la c o n c e n t r a c i ó n de l a v i s i ó n no
hay violencia en absoluto. A u n q u e los cuerpos compuestos
224 DIÁLOGOS

de p a r t í c u l a s mayores ceden c o n dificultad ante el agente,


t r a n s m i t e n al c o n j u n t o sus m o v i m i e n t o s y p r o d u c e n placer
y d o l o r : cuando son sacados de su c o n d i c i ó n n a t u r a l ,
65 d o l o r , y c u a n d o se restablece el estado a n t e r i o r , placer.
81
C u a n d o se d e s c a r g a y v a c í a paulatinamente y se carga de
manera s ú b i t a y en grandes cantidades, de m o d o que no se
x percibe el v a c i a m i e n t o , pero sí el llenado, no ocasiona
y g ^ t ,*¿?{ dolores a la parte m o r t a l del alma, sino grandes placeres.
Esto es evidente en el caso de los buenos olores. T o d o lo
b que lleva a u n estado diferente de manera s ú b i t a , pero
vuelve p o c o a poco y c o n d i f i c u l t a d al estado o r i g i n a r i o ,
ocasiona t o d o l o c o n t r a r i o . A s í sucede cuando se p r o d u c e n
quemaduras y cortaduras en el cuerpo.
Ca^í^ H a n sido tratados casi todos los f e n ó m e n o s comunes a
t o d o el cuerpo y hemos mencionado los nombres de sus
agentes; pero debemos intentar decir, si podemos, los p r o -
pios de nuestros ó r g a n o s particulares, sus c a r a c t e r í s t i c a s y
c c ó m o las causan sus agentes. P r i m e r o , tenemos que e x p o -
ner, en la m e d i d a de l o posible, los que o m i t i m o s a n t e r i o r -
mente al h a b l a r de los humores p o r q u e eran f e n ó m e n o s
propios de la lengua. É s t o s parecen darse t a m b i é n , c o m o ,
por cierto, muchos, p o r a l g ú n t i p o de c o n d e n s a c i ó n o sepa-
r a c i ó n y, j u n t o a esto, estar m á s relacionados que cual-
quiera de los otros casos c o n la aspereza y suavidad. Pues
cuando l o que ingresa en las venillas —que c o m o si fueran
medios de prueba de la lengua se extienden hasta el co-
d r a z ó n — ataca las partes h ú m e d a s y tiernas de la carne y
funde sus p a r t í c u l a s terreas, entonces contrae las p e q u e ñ a s

8 1
L a n o t a de F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 268, n. 2) sobre
l a e x p r e s i ó n apochoréseis heauton revela, a d e m á s de u n a d u d o s a interpre-
t a c i ó n (cf. tó apochoroün — e x c r e c i ó n , A R I S T . , D e G e n . A n i m . 725b 15, p a r a
m á s pasajes H . G . L I D D E L L , R . S C H O T T , H . S . J O N E S {Lexicón, s.v. I I ] , u n
e x t r a ñ o sentido de l a l ó g i c a de l a lengua inglesa (departures /rom them-
selves).
TIMEO 225

venas y las seca. Si es m á s á s p e r o , parece acre y si es menos


á s p e r o , amargo. T o d o l o que l i m p i a las venillas y lava l o
que se encuentra alrededor de la lengua, si lo hace de
f o r m a desmesurada y l a ataca f u n d i é n d o l a parcialmente,
t a l c o m o sucede c o n la soda, posee el n o m b r e de picante;
las sustancias que c o n u n menor grado de cualidades s ó d i - e
cas son mesuradamente detergentes, son saladas sin el
picor á s p e r o y nos parecen m á s agradables. Las sustancias
que, tras calentarse y suavizarse en la boca, donde son c o n -
sumidas p o r el fuego b u c a l y a su vez queman al ó r g a n o
que les d a calor, suben, a causa de su l i v i a n d a d , a los ó r g a -
nos de p e r c e p c i ó n en la cabeza y c o r t a n t o d o l o que
encuentran en su c a m i n o , reciben, p o r esta c u a l i d a d , el 66
8 2
n o m b r e de punzantes. C u a n d o sustancias , afinadas p o r la
p u t r e f a c c i ó n , se i n t r o d u c e n en las venas estrechas y cho-
8 3
can c o n las p a r t í c u l a s terreas en su interior y las que tie-
nen la p r o p o r c i ó n debida de aire, de t a l manera que las
mueven unas alrededor de otras y las agitan, é s t a s , en su
a g i t a c i ó n , chocan entre sí y las que penetran en unas dejan
a otras huecas que se extienden alrededor de las que
entran. C u a n d o la humedad ahuecada, a veces terrea, a
veces p u r a , rodea el aire, nacen c o m o vasijas de aire, aguas b
huecas circulares. Las de h u m e d a d p u r a se a g l u t i n a n claras
y se l l a m a n burbujas; las de humedad terrea, que se agitan
y alzan, reciben la d e n o m i n a c i ó n de e b u l l i c i ó n y fermenta-
c i ó n . Se dice que la causa de estos procesos es acida. E l

8 2
ton de auton, s e g ú n los c ó d i c e s .
8 3
S u p o n i e n d o prospiptónton (cf. prospíptei, 6 6 a 1) por c o n s t r u c c i ó n
b r a q u i l ó g i c a . E l pasaje es, s e g ú n l a i n t e r p r e t a c i ó n que se h a impuesto
desde G . STALLBAUM (Timaeus, cit.), c o r r u p t o , pero todos los c a m b i o s
propuestos no h a c e n sino oscurecerlo y son m á s insostenibles que esta
p r o p u e s t a desde el punto de v i s t a de l a c r í t i c a textual, del sentido y de la
s i n t a x i s griega. P a r a u n a d i s c u s i ó n , cf. F . M . CORNFORD, Cosmology.
p á g i n a 271, n n . 2-3.

160. — 8
226 DIÁLOGOS

f e n ó m e n o opuesto a todos los mencionados tiene u n m o t i v o


c opuesto. C u a n d o l a estructura de lo que entra c o n las sus-
tancias h ú m e d a s , p o r ser a p r o p i a d a para l a lengua, suaviza
y l u b r i c a l o que se h a b í a hecho á s p e r o y contrae o distiende
lo que estaba c o n t r a í d o o distendido c o n t r a l a naturaleza,
restablece t o d o de l a manera m á s n a t u r a l posible; seme-
j a n t e sustancia, placentera y amena a todos, remedio de las
afecciones violentas, es l l a m a d a dulce.
*d Esto es t o d o en cuanto a este tema. E n l o que a t a ñ e a la
capacidad que poseen los orificios nasales, n o hay diferen-
tes clases. Pues t o d o o l o r es i n c o m p l e t o y n i n g u n a figura es
apta para tener u n o l o r específico; sino que las venas que se
encuentran alrededor de los orificios nasales son dema-
siado estrechas para las sustancias terreas y las de agua y
m u y amplias para las í g n e a s y a é r e a s , p o r ello nunca se
percibe el o l o r de n i n g u n a de ellas, sino que los olores se
producen cuando algo se humedece, pudre, funde o humea.
Se o r i g i n a n , efectivamente, cuando el agua se convierte en
e aire y el aire, en agua, al alcanzar l a figura i n t e r m e d i a entre
estos dos elementos. Todos los olores son h u m o o niebla;
é s t a nace durante el pasaje del aire al agua y a q u é l en el del
agua al aire. P o r eso, todos los olores son m á s finos que el
agua, pero m á s gruesos que el aire. Esto se hace evidente
cuando u n objeto obstaculiza la i n s p i r a c i ó n y se hace
entrar el aire c o n violencia, entonces no se filtra n i n g ú n
67 o l o r y pasa s ó l o el aire l i m p i o de olores. Sus dos varieda-
des, que carecen de n o m b r e , no las constituyen muchas
especies simples, sino que a q u í hay que d i v i d i r claramente
s ó l o en dos clases: lo placentero y lo d o l o r o s o . É s t e hace
á s p e r a y v i o l e n t a t o d a la cavidad que poseemos entre la
cabeza y el o m b l i g o , a q u é l la t r a n q u i l i z a y la retorna ama-
blemente a l a s i t u a c i ó n que le es n a t u r a l .
Debemos t r a t a r ahora en nuestra i n v e s t i g a c i ó n nuestro
tercer sentido, el o í d o : p o r q u é causas se producen sus p r o -
TIMEO 227

cesos. Supongamos, en general, p o r u n lado, la voz, trans-


m i t i d a p o r el aire c o m o u n golpe a t r a v é s de las orejas, del
cerebro y de la sangre hasta el alma y, p o r o t r o , el m o v i -
m i e n t o comenzado p o r ella, a p a r t i r de la cabeza y que
t e r m i n a en la sede h e p á t i c a : la a u d i c i ó n . C u a n d o es r á p i d a ,
es aguda; si es m á s lenta, es m á s grave, y l a regular es u n i -
forme y suave; la c o n t r a r i a , á s p e r a ; potente, la que es
abundante, y l a opuesta, d é b i l . L a a r m o n í a de estos m o v i - c
mientos debe ser considerada en l o que ha de ser t r a t a d o
m á s adelante. l
Nos resta a ú n u n cuarto sentido que debemos d i v i d i r
porque posee en sí esas grandes variedades que l l a m a m o s
colores, l l a m a que fluye de cada u n o de los cuerpos y con
sus p a r t í c u l a s proporcionales a nuestra v i s i ó n p o s ^ ^ l i t a j a
p e r c e p c i ó n . Antes se h a b l ó de las causas que p r o d u c í a n el
rayo visual. Pero a q u í s e r í a m á s l ó g i c o y conveniente a u n d
discurso a p r o p i a d o d i s c u r r i r acerca de los colores de la
siguiente manera. Las p a r t í c u l a s que proceden de los otros
cuerpos y afectan l a v i s i ó n son, unas, menores, otras,
mayores y otras, iguales a las p a r t í c u l a s visuales p r o p i a -
mente dichas. Las iguales son imperceptibles, las que de-
n o m i n a m o s transparentes; en cuanto a las mayores y las
menores, a q u é l l a s contraen el rayo visual, é s t a s l o d i l a t a n ,
similares a los calores y fríos en l a carne, a las sustanciad e
astringentes en l a lengua y a t o d o l o que l l a m a m o s p u n -
zante p o r p r o d u c i r calor; l o blanco y negro, aunque son los
mismos f e n ó m e n o s que a q u é l l o s , parecen diferentes por
darse en o t r o nivel. H a y que designarlos c o m o sigue: l o que
tiene l a p r o p i e d a d de d i l a t a r el rayo v i s u a l es blanco;
negro, su c o n t r a r i o . E l m o v i m i e n t o m á s agudo, pertene-
ciente a o t r o g é n e r o de fuego, que d i l a t a el rayo visual
hasta los ojos, abre c o n v i o l e n c i a sus salidas y las funde en
u n a masa de fuego y agua, que l l a m a m o s l á g r i m a cuando 68
desde allí se vierte. L a m i s m a es fuego y se encuentra con
228 DIÁLOGOS

fuego que avanza desde el lado c o n t r a r i o . C u a n d o u n fuego


salta c o m o u n r a y o mientras o t r o e n t r a y se apaga en l a
h u m e d a d y , en esta c o n m o c i ó n , nacen m ú l t i p l e s colores,
llamamos a este f e n ó m e n o destellos y d e n o m i n a m o s a l o
b que l o p r o d u j o b r i l l a n t e y esplendoroso. E l t i p o de fuego
i n t e r m e d i o es el que, a pesar de mezclarse c o n la parte
h ú m e d a de los ojos, cuando la alcanza n o es resplande-
ciente. A p l i c a m o s el n o m b r e de rojo al rayo de fuego m i x t o
que atraviesa l a h u m e d a d y da u n c o l o r sangre. E l b r i l l a n t e
mezclado c o n el r o j o y el blanco es c a s t a ñ o r o j i z o . A u n q u e
alguien l o supiera, no tiene sentido decir en q u é cantidad
e s t á n mezclados estos componentes, de los que nadie p o d r í a
dar una d e m o s t r a c i ó n exacta o hacer una e x p o s i c i ó n me-
dianamente p r o b a b l e . Ciertamente, el r o j o , mezclado c o n
c el negro y el blanco produce el p ú r p u r a ; el gris a m a r r o n a d o
se o r i g i n a cuando a é s t o s , que han sido mezclados entre sí
y quemados, se les agrega m á s negro. E l r o j o a m a r i l l e n t o
nace de la mezcla del c a s t a ñ o rojizo y el gris; el j | r i s , del
blanco y el negro; el a m a r i l l e n t o , cuando el blanco se mez-
cla c o n el c a s t a ñ o r o j i z o . E l blanco, cuando se une al b r i -
llante y se hace intenso en d i r e c c i ó n al negro, produce el
c o l o r
azul oscuro; el azul oscuro mezclado c o n el blanco da
e l
^ í ¿ £ _ a z u l a d o , el rojo amarillento con el negro da el verde
d suave. Es casi evidente a p a r t i r de estos ejemplos con~qüé~
imezclas el resto p o d r í a salvar el m i t o p r o b a b l e . Si alguno
ipretendiera obtener una prueba p o r la o b s e r v a c i ó n de sus
efectos, i g n o r a r í a lo que diferencia la naturaleza d i v i n a de
la h u m a n a : que oUpA_sab_e _y_es c a p ^
e n u
Í^Y£Ií!^ n a u n i d a d p o r medio de una
ijmezcla y t a m b i é n de disolver la u n i d a d en la m u l ü p l i c i d a d ' ,
jpero n i n g u n o de los hombres n i es capaz ahora de n i n -
g u n a de estas cosas n i lo s e r á nunca en el f u t u r o .
e E l artífice del ser m á s bello y mejor entre los que devie-
nen r e c i b i ó entonces t o d o esto que es así necesariamente,
TIMEO 229

cuando e n g e n d r ó al dios independiente y m á s perfecto.


A u n q u e u t i l i z ó para ello todas estas causas auxiliares, fue
él quien e n s a m b l ó en t o d o lo que deviene la buena disposi-
c i ó n . Por ello es necesario distinguir entre dos tipos de cau-
sas, uno j i e c e s a r i o , el o t r o d i v i n o , v co_n_el f i n de alcanzar | CA*>
la felicidad hay que buscar lo divineí^en^of^as £ ^ r t £ s , en la 69
medida en que nos lo p e r m i t a nuestra naturaleza. L o nece- i
sario debe ser investigado p o r aquello, puesto que debemos \ J
pensar que sin la necesidad no es posible c o r n ^ r e n d e r j a ,
causa d i v i n a ^ n u e s t r o ú n i c o objeto de esfuerzo, n i captarla
ni participar en alguna medida de ella.
A h o r a que, al igual que los carpinteros la madera,
tenemos ante nosotros los tipos de causas que se han
decantado y a p a r t i r de los cuales es necesario entretejer el
resto del discurso, volvamos u n instante al comienzo para
marchar r á p i d a m e n t e hasta el p u n t o desde donde v i n i m o s
hasta a q u í e intentar poner una c o r o n a c i ó n final al relato b
que se ajuste a lo anterior. C o m o ya fuera d i c h o al p r i n c i ^
p i ó , cuando el universo se encontraba en pleno desorden, el (
dios i n t r o d u j o en cada u n o de sus componentes las p r o p o r - \
ciones necesarias para consigo m i s m o y para c o n el resto y \
los hizo tan p r o p o r c i o n a d o s y a r m ó n i c o s c o m o le fue posi- \
ble. Entonces, nada participaba n i de la p r o p o r c i ó n n i de la
medida, si no era de manera casual, n i nada de aquello a lo
que actualmente damos nombres tales c o m o fuego, agua o
alguno de los restantes, era digno de llevar u n n o m b r e , sino <
que p r i m e r o los o r d e n ó y, luego, de ellos compuso este
universo, u n ser viviente que c o n t e n í a en sí m i s m o todos
los seres vivientes mortales e inmortales. E l dios enjpersona \ A T
M
s^°aY^exte^ divinos,^ / ^
criaturas llevar a cabo el nacjrrqentr» H e los mortales.
QariclQ^ P r i n c i p i o i n m o r t a l desalma, le¿
84
t o r n e a r o n u n cuerpo m o r t a l a l r e d e d o r , a i m i t a c i ó n de lo
8 4
Se t r a t a de la c a b e z a (cf. F . M . CORNFORD, Cosmology, página
230 DIÁLOGOS

que él h a b í a hecho. Cojmo y e h í c ^


lextremidades e n j o s que a n i d a m ^ ^ la
j ^ O X í a l , que tiene en sí procesos terribles y necesarios: en
p r i m e r lugar el placer, la i n c i t a c i ó n m a y o r al m a l , d e s p u é s ,
S ¿ los dolores, fugas de las buenas acciones, a d e m á s , l a o s a d í a
y el t e m o r , dos consejeros insensatos, el apetito, difícil de
consolar, y l a esperanza, buena seductora. P o r m e d i o de l a
mezcla de todos estos elementos c o n la sensibilidad i r r a -
c i o n a l y el deseo que t o d o l o i n t e n t a c o m p u s i e r o n c o n
85
necesidad el a l m a m o r t a l . P o r esto, c o m o los dioses
menores se cuidaban de no m a n c i l l a r el g é n e r o d i v i n o del
alma, a menos que fuera totalmente necesario, i m p l a n t a r o n
la parte m o r t a l en o t r a parte del cuerpo separada de a q u é -
e l i a y construyeron u n i s t m o y l í m i t e entre l a cabeza y el
| t r o n c o , ^ ! cuello, colocado entremedio para que e s t é n sepa-
radas. L i g a r o n el g é n e r o m o r t a l del alma al t r o n c o y al así
l l a m a d o t ó r a x . Puesto que u n a parte del a l m a m o r t a l es
p o r naturaleza mejor y o t r a peor, v o l v i e r o n a d i v i d i r l a
cavidad del t ó r a x y la separaron con el diafragma colocado
7o en el m e d i o , t a l c o m o se hace c o n las habitaciones de las
mujeres y los hombres. I m p l a n t a r o n la^p_arte_belicosa del
a l m a que p a r t i c i p a de la y a l e m í j L y ^ c o j á i e m á s cerca de
la cabeza, entre el diafragma y el cuello, para que escuche a
la r a z ó n y j u n t o c o n ella coaccione violentamente l a parte
apetitiva, cuando é s t a no se encuentre en absoluto dis-
Ipuesta a c u m p l i r v o l u n t a r i a m e n t e la orden y l a palabra
b proveniente de la a c r ó p o l i s . H i c i e r o n al c o r a z ó n , n u d o de
fias venas y fuente de la sangre que es d i s t r i b u i d a i m p e t u o -
samente p o r todos los m i e m b r o s , la h a b i t a c i ó n de la guar-
dia, para que, cuando bulle la furia de la parte v o l i t i v a

281, n. I ) , m i e n t r a s que el resto del c u e r p o es u t i l i z a d o c o m o v e h í c u l o .


Vid. supra, 44d-46c.
8 5
anágkaios hace referencia a q u í a l a a c c i ó n del s e g u n d o p r i n c i p i o
que interviene en l a c o m p o s i c i ó n del m u n d o , l a necesidad.
TIMEO 231

p o r q u e l a r a z ó n le c o m u n i c a que desde el e x t e r i o r los


afecta alguna a c c i ó n injusta o, t a m b i é n , alguna proveniente
de los deseos internos, t o d o l o que es sensible en el cuerpo
perciba r á p i d a m e n t e a t r a v é s de los estrechos las recomen-
daciones y amenazas, las obedezca y c u m p l a totalmente y
p e r m i t a así que la parte m á s excelsa del alma los d o m i n e .
C o m o p r e v i e r o n que, en la p a l p i t a c i ó n del c o r a z ó n ante l a c
expectativa de peligros y cuando se despierta el coraje, el
fuego era el o r i g e n de u n a f e r m e n t a c i ó n t a l de los encoleri-
zados, i d e a r o n una f o r m a de ayuda e i m p l a n t a r o n el p u l -
m ó n , d é b i l y sin sangre, pero c o n cuevas interiores, aguje-
readas c o m o esponjas para que, al recibir el aire y la
bebida, l o e n f r í e y o t o r g u e aliento y t r a n q u i l i d a d en el d
incendio. P o r ello, c o r t a r o n canales de la arteria en direc-
c i ó n al p u l m ó n y a é s t e l o c o l o c a r o n alrededor del c o r a z ó n ,
c o m o u n a a l m o h a d i l l a , para que el c o r a z ó n lata sobre algo
que cede, c u a n d o el coraje se e x c i t a en su i n t e r i o r , y se
e n f r í e , de m o d o que sufra menos y pueda servir m á s a la
r a z ó n c o n coraje.
Entre el d i a f r a g m a y el l í m i t e hacia el o m b l i g o , h i c i e r o n
h a b i t a r a l a parte del a l m a que siente apetito de comidas y
bebidas y de t o d o l o que necesita l a naturaleza c o r p o r a l ,
para l o cual construyeron en t o d o este lugar c o m o u n a e
especie de pesebre para la a l i m e n t a c i ó n del cuerpo. Allí la
s
a t a r o n , p o r c i e r t o , c o m o a u n a ñ e r a salvaje: era necesario ) ^
T
££Í^Ü^_§tada^ a^xisür^realmente K 5fs
alguna vez. L a c o l o c a r o n en ese lugar para que "se apaciente W * * *
siempre j u n t o al pesebre y habite l o m á s lejos posible de l a
parte d e l i b e r a t i v a , de m o d o que cause el m e n o r r u i d o y
a l b o r o t o y p e r m i t a reflexionar al elemento superior c o n
t r a n q u i l i d a d acerca de l o que conviene a todas las partes, 71
t a n t o desde l a perspectiva c o m ú n c o m o de la p a r t i c u l a r .
S a b í a n que no iba a comprender el lenguaje r a c i o n a l y que,
aunque l o percibiera de alguna manera, no le era p r o p i o
232 DIÁLOGOS

ocuparse de las palabras, sino que las i m á g e n e s y a p a r i c i o -


nes de l a noche y , m á s a ú n , del d í a la a r r a s t r a r í a n c o n sus
8 6
hechizos. Ciertamente, a esto m i s m o t e n d i ó u n dios
cuando c o n s t r u y ó el h í g a d o y l o c o l o c ó en su h a b i t á c u l o .
/ L o i d e ó denso, suave, b r i l l a n t e y en p o s e s i ó n de d u l z u r a y
amargura, para que la fuerza de los pensamientos p r o v e -
niente de l a inteligencia, reflejada en él c o m o en u n espejo
cuando recibe figuras y deja ver i m á g e n e s , atemorice al
^ l m a apetitiva. C u a n d o u t i l i z a l a parte de a m a r g u r a i n n a -
ta e, i r r i t a d a , se acerca y la amenaza, entremezcla l a
a m a r g u r a r á p i d a m e n t e en t o d o el h í g a d o y hace aparecer
una c o l o r a c i ó n amarillenta, lo contrae totalmente, l o arruga
c y hace á s p e r o , d o b l a y contrae su l ó b u l o , o b t u r a y cierra
sus cavidades y accesos, causa dolores y n á u s e a s . C u a n d o ,
por o t r o lado, alguna i n s p i r a c i ó n de suavidad proveniente
de la inteligencia d i b u j a las i m á g e n e s contrarias, le da u n
reposo de la amargura, porque no quiere n i m o v e r n i
entrar en contacto con la naturaleza que le es c o n t r a r i a , y
8 7
le aplica al h í g a d o la d u l z u r a que se encuentra en é l .
d Entonces, endereza t o d o el ó r g a n o , lo suaviza y libera y
hace agradable y de buen c a r á c t e r a la parte del a l m a que
« h a b i t a en el h í g a d o y le otorga u n estado apacible durante
l a
' noche c o n el d o n de a d i v i n a c i ó n durante el s u e ñ o , y a
que éste no_ p a r t i c i p a n i de J a r a z ó n " n T T e t e ^
i C o m o nuestros creadores recordaban el mandato del padre
cuando o r d e n ó hacer lo mejor posible el g é n e r o m o r t a l ,
j para disponer t a m b i é n así nuestra parte innoble, le d i e r o n
j a é s t a la capacidad a d i v i n a t o r i a c o n la finalidad de que de
j alguna manera entre en contacto c o n la verdad. H a y u n a
prueba convincente de que dios o t o r g ó a la i r r a c i o n a l i d a d

8 6
E . d. a arrastrarla. F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 2 8 6 , n. 2 ) .
7
* E s i n n e c e s a r i o s u p o n e r a q u í un segundo glykyteti c o m o hace F . M .
C O R N F O R D (Cosmology. p á g . 2 8 7 , n. 3 ) .
TIMEO 233

h u m a n a el arte a d i v i n a t o r i a . E n efecto, nadie entra en c o n -


tacto c o n la a d i v i n a c i ó n inspirada y verdadera en estado
consciente, sino cuando, durante el s u e ñ o , e s t á i m p e d i d o
en la fuerza de su inteligencia o cuando, en la enfermedad,
se l i b r a de ella p o r estado de frenesí. Pero corresponde al
prudente entender, cuando se recuerda, lo que dijo en sue-
ñ o s o en v i g i l i a la naturaleza a d i v i n a t o r i a o la frenética y
analizar con el r a z o n a m i e n t o las eventuales visiones: de
q u é manera i n d i c a n algo y a q u i é n , en caso de que haya
sucedido, suceda o vaya a suceder u n m a l o u n bien. N o es 72
tarea del que cae en trance o a ú n e s t á en él j u z g a r lo que se
le a p a r e c i ó o l o que él m i s m o d i j o , sino que es correcto el
a n t i g u o d i c h o que a f i r m a que s ó l o es p r o p i o del prudente
hacer y conocer lo suyo y a sí m i s m o . P o r ello, ciertamente,
la costumbre c o l o c ó p o r encima de las adivinas inspiradas
al g r e m i o de los i n t é r p r e t e s , c o m o jueces. A é s t o s algunos b
los l l a m a n adivinos, p o r q u e i g n o r a n absolutamente que
son i n t é r p r e t e s de lo que ha sido dicho de manera e n i g m á -
tica y de las visiones, pero para nada a d i v i n o s , sino que su
d e n o m i n a c i ó n sería, c o n absoluta justicia, i n t é r p r e t e .
P o r eso, la naturaleza del h í g a d o es t a l y se encuentra |
en el lugar que dijimos, a saber, p a r a U ^ a d ^ ^ Ade- (
m á s , t a l parte tiene signos m u y precisos en t o d o ser viviente,
pero cuando es despojada de la vida, se oscurece y sus sig-
nos a d i v i n a t o r i o s se e n t u r b i a n demasiado c o m o para i n d i -
car algo claramente. A su i z q u i e r d a se h a l l a la estructura y c

asiento del ó r g a n o vecino, el bazo, para mantener a l h í g a d o


en t o d a o c a s i ó n brillante y l i m p i o , c o m o u n t r a p o para
l i m p i a r u n espejo se encuentra siempre listo j u n t o a él. P o r
ello, cuando a causa de enfermedades corporales se o r i g i -
nan algunas impurezas alrededor del h í g a d o , puesto que el
bazo es hueco y sin sangre, su p o r o s i d a d las asimila y p u r i -
fica completamente. D e a h í que, al llenarse de los elemen- d
tos purificados, aumente de t a m a ñ o y se haga p u r u l e n t o , y,
234 DIÁLOGOS

nuevamente, d e s p u é s de que el cuerpo se haya p u r g a d o , se


achique y se reduzca a su estado anterior.
E n l o que concierne al alma, c u á n t o tiene de m o r t a l y
c u á n t o de d i v i n o , de q u é manera fue creada y en q u é ó r g a -
nos h a b i t a y p o r q u é causas l o hacen en partes separadas,
s ó l o a f i r m a r í a m o s que así c o m o e s t á expuesto es verda-
dero, si u n dios l o aprobara. S i n embargo, t a n t o a h o r a
c o m o d e s p u é s de u n a c o n s i d e r a c i ó n m á s detallada hemos
de arriesgarnos a sostener que hemos expuesto al menos l o
probable. T e n g á m o s l o , por tanto, por afirmado. De la
m i s m a manera, debemos investigar el tema siguiente: cómo
s u r g i ó el res^dej^cjjjerjpo. C o n v e n d r í a , sobre t o d o , que l a
e x p o s i c i ó n fuera a p a r t i r de u n r a z o n a m i e n t o c o m o el que
sigue. Nuestros creadores c o n o c í a n nuestra f u t u r a intempe-
r a n c i a c o n las bebidas y comidas y que p o r g l o t o n e r í a c o n -
s u m i r í a m o s m u c h o m á s de l o que es mesuradamente nece-
s a r i o . E n t o n c e s , p a r a p r e v e n i r que n o h u b i e r a u n a
d e s t r u c c i ó n r á p i d a por enfermedad e, imperfecto, el g é n e r o
I m o r t a l no se extinguiera al p u n t o sin haber llegado a- la
¡ m a d u r e z , c o l o c a r o n la cavidad l l a m a d a inferior c o m o reci-
b i e n t e contenedor de la bebida y c o m i d a sobrantes. E n r o -
l l a r o n los intestinos para que el a l i m e n t o , c o n su r á p i d a
d i s p e r s i ó n , no o b l i g a r a al cuerpo a necesitar enseguida una
nueva c o m i d a ; ya que así p r o d u c i r í a una insaciabilidad que
h a r í a que p o r su g l o t o n e r í a la especie h u m a n a no amara la
s a b i d u r í a n i la ciencia n i obedeciera las indicaciones d e lo
que hay de m á s d i v i n o en nosotros.
Los huesos, la carne y los elementos semejantes fueron
creados de la siguiente manera. L a m é d u l a e s el o r i g e n d e
todos é s t o s ; pues, mientras el alma e s t á atada al cuerpo"Tos
v í n c u l o s vitales d a n raíces firmes al g é n e r o h u m a n o , p e r o
l a m é d u l a misma se o r i g i n a e n otros elementos. E l dios, a l
i d e a r una mezcla de todas las simientes para t o d o el g é n e r o
m o r t a l , s e l e c c i o n ó de todos los elementos los t r i á n g u l o s
TIMEO 235

p r i m o r d i a l e s que p o r ser firmes y lisos eran capaces de


p r o p o r c i o n a r c o n la m á x i m a e x a c t i t u d fuego, agua, aire y c
tierra, los m e z c l ó en cantidades proporcionales y confec-
c i o n ó c o n ellos la m é d u l a . . D e s p u é s i m p l a n t ó y a t ó las p a ~ ^
tes del alma a ella. E n la d i s t r i b u c i ó n que hizo al p r i n c i p i o ,
d i v i d i ó la m é d u l a m i s m a directamente en tantas y tales
figuras cuantas y cuales especies de alma iba a poseer. H i z o
t o t a l m e n t e c i r c u l a r a la que c o m o u n campo fértil i b a a
albergar l a simiente d i v i n a y l l a m ó a esta parte de l a
88
m é d u l a c e r e b r o , porque el recipiente alrededor de ella d
s e r í a la cabeza de t o d o ser viviente u n a vez t e r m i n a d o .
89
D i v i d i ó , a d e m á s , la parte que iba a r e t e n e r el resto m o r -
t a l del a l m a en figuras que eran al m i s m o t i e m p o esféricas
y oblongadas, y l l a m ó al c o n j u n t o m é d u l a . D e s p u é s t e n d i ó
de é s t a s , c o m o de anclas, ataduras de t o d a el a l m a y cons-
90
t r u y ó t o d o nuestro cuerpo a su a l r e d e d o r , para l o cual
p r i m e r o r o d e ó el conjunto con una cobertura ó s e a . Cons-
t r u y ó el sistema ó s e o de l a siguiente manera. T a m i z ó t i e r r a e
l i m p i a y suave y la m e z c l ó y m o j ó c o n m é d u l a . D e s p u é s ,
c o l o c ó la masa resultante en fuego; a c o n t i n u a c i ó n la b a ñ ó
en agua, nuevamente en fuego y o t r a vez en agua y l a fue
p o n i e n d o así alternativamente en u n o y en o t r o hasta que
la hizo t a l que n i n g u n o de los dos elementos puede f u n d i r l a
n i disolverla. C o n este compuesto t o r n e ó una esfera ó s e a
9 1
alrededor de s u cerebro, a l a que d e j ó u n a salida estre-
8 8
H a y a q u í u n j u e g o de p a l a b r a s i n t r a d u c i b i e al castellano entre
'cerebro' (egképhalos) y cabeza (kephalé).
8 9
kathéxein s e g ú n l a t r a d u c c i ó n de A . E . T A Y L O R (Commentary.
p á g i n a 5 2 2 ) , a d o p t a d a por F . M . C O R N F O R D (Cosmology. pág. 2 9 3 ,
n. 4 ) y K L . W I D D R A (Timaios. pág. 155).
9 0
peri toüto no es c o m o a f i r m a A . E . T A Y L O R (Commentary.
p á g i n a 5 2 3 ) el a l m a , n i c o m o sostiene F . M . C O R N F O R D (Cosmology.
p á g i n a 2 9 4 , n. 2 ) el c e r e b r o y l a m é d u l a , sino s i m p l e m e n t e l a m é d u l a . E s
evidente que el c u e r p o no se construye alrededor de l a c a b e z a .
9 1
autoü se refiere a la c r i a t u r a que e s t á siendo c r e a d a e n ese m o m e n t o
236 DIÁLOGOS

74 cha. M o l d e ó v é r t e b r a s ó s e a s alrededor de la m é d u l a del


cuello y de l a espalda y las e x t e n d i ó c o m o pivotes desde l a
cabeza a l o l a r g o de t o d o el t r o n c o . D e esta manera, c o n el
f i n de preservar t o d a la simiente, la p r o t e g i ó c o n u n cer-
cado p é t r e o al que puso articulaciones, insertando entre
ellas l a fuerza de lo diferente para el m o v i m i e n t o y la fie-
fe x i ó n . C o m o p e n s ó que el tejido ó s e o , m á s frágil y r í g i d o de
lo d e b i d o , si se calentaba y v o l v í a a enfriar, se u l c e r a r í a y
c o r r o m p e r í a r á p i d a m e n t e la simiente que se encontraba en
su i n t e r i o r , i d e ó los tendones y la carne: los primeros para
lograr u n cuerpo flexible y extensible, p o r m e d i o de la
u n i ó n de todos los m i e m b r o s a t r a v é s del g é n e r o de los
tendones que se tensa y relaja alrededor de los pivotes; res-
pecto de la carne c o n s i d e r ó que s e r v i r í a de p r o t e c c i ó n c o n -
t r a las quemaduras, valla c o n t r a los fríos y, a d e m á s , reparo
c en las c a í d a s c o m o las prendas de fieltro, puesto que cede a
los cuerpos blanda y suavemente y posee una h u m e d a d
c á l i d a d e n t r o de ella, de m o d o que mientras transpira y se
humedece durante el verano, p r o p o r c i o n a n d o en t o d o el
cuerpo u n frío a p r o p i a d o , durante el i n v i e r n o , en c a m b i o ,
rechaza adecuadamente la escarcha exterior circundante
con su calidez. C o n estos pensamientos, el m o d e l a d o r de
cera hizo c a m e ^ u ^ o j ^ Para ello, m e z c l ó y
d e n s a m b l ó agua, fuego y tierra y, d e s p u é s , compuso u n fer-
mento de á c i d o y sal que a g r e g ó a la mezcla. Para los ten-
dones hizo una c o m b i n a c i ó n de c a r a c t e r í s t i c a s intermedias
de la mezcla de hueso y carne sin fermento y a g r e g ó c o l o r
d o r a d o . De a h í que los tendones o b t u v i e r a n una m a y o r
elasticidad y viscosidad que la carne, pero t a m b i é n m a y o r
b l a n d u r a y humedad que los huesos. E l dios r o d e ó c o n
estos tejidos los huesos y la m é d u l a : los a t ó entre sí con

y depende de egképhalon (cf. F . M . C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 295,


n. 3).
TIMEO 237

tendones y luego c u b r i ó t o d o c o n carne desde l a parte


superior. P r o t e g i ó cnn^rrniv^^^ las partes de los e
huesos que m á T ^ L m ^ c o ^ ú J a r i ; las m á s inanimadas en su
hTteriorTcbn m u c h a y densa. A d e m á s , en las uniones de los
huesos, donde su razonamiento le m o s t r ó que n o era. de
n i n g u n a necesidad, hizo nacer poca carne, para que n i
entorpeciera el traslado del cuerpo p o r ser u n o b s t á c u l o
p a r a las flexiones, n i éste se m o v i e r a con d i f i c u l t a d , n i , p o r
encontrarse en gran cantidad y alta densidad y compre-
s i ó n , ocasionara insensibilidad por su solidez e hiciera la
inteligencia t o r p e en el recuerdo y superficial. P o r ello,
l l e n ó de carne los muslos y piernas, las caderas y los huesos
de brazos y antebrazos y todos los que en nosotros son 75
inarticulados y por la poca cantidad de alma en la m é d u l a
e s t á n v a c í o s de inteligencia. R o d e ó c o n menor cantidad de
cjirne^jtojdo —excepto a l g ú n ó r g a n o
que h i z o t o t a l m e n t e de carne p o r l a p e r c e p c i ó n , c o m o la
m a s a
i^iiSÜ^—, I m a y o r í a la hizo de aquella manera. Pues
la naturaleza nacida de y criada p o r la necesidad no admite b
en absoluto u n a estructura ó s e a densa y m u c h a carne j u n t o
c o n u n a p e r c e p c i ó n aguda. Sobre t o d o se h a b r í a dado
d i c h a c o m b i n a c i ó n en la estructura de la cabeza, si ambos
elementos h u b i e r a n q u e r i d o c o i n c i d i r , y el g é n e r o h u m a n o ,
c o n u n a cabeza carnosa, llena de tendones y m á s fuerte
sobre sí, h a b r í a alcanzado u n a v i d a el doble o muchas
veces m á s larga, m á s saludable y menos d o l o r o s a que en l a
actualidad. Pero los creadores de nuestra raza, cuando se
p l a n t e a r o n si d e b í a n crear u n g é n e r o que viviera m á s
t i e m p o pero peor o u n o que Viviera menos, pero mejor, c
c o i n c i d i e r o n en que t o d o el m u n d o debe, sin d u d a r l o , pre-
ferir la v i d a m á s corta pero mejor a la m á s larga pero peor.
P o r t a n t o , c u b r i e r o n l a cabeza c o n hueso p o r o s o , mas,
puesto que no tiene puntos de f l e x i ó n , no la r o d e a r o n de
carne y tendones. P o r t o d o esto, fue agregada u n a cabeza
238 DIÁLOGOS

al cuerpo de t o d o h o m b r e , m á s sensible e inteligente, pero


t a m b i é n m u c h o m á s d é b i l . P o r estas mismas causas, el dios
e x t e n d i ó así los tendones en c í r c u l o hasta el e x t r e m o de la
d cabeza y los p e g ó alrededor del cuello p o r m e d i o de la
92
\ semejanza y a t ó a ellos las m a n d í b u l a s bajo el r o s t r o ; y el
resto l o e s p a r c i ó en todos los m i e m b r o s , u n i e n d o articula-
c i ó n c o n a r t i c u l a c i ó n . Nuestros artífices dispusieron las
c a r a c t e r í s t i c a s de nuestra boca c o n dientes, lengua y labios,
t a l c o m o a h o r a e s t á ordenada, a causa de l o necesario y l o
mejor, y a que la i d e a r o n para entrada de l o necesario y
e c o m o salida de l o mejor|jPues t o d o lo que e n t r a para dar
alimento al cuerpo es necesario, y la corriente de palabras,
cuando fluye hacia afuera y obedece a la inteligencia, es la
m á s bella y mejor de todas las corrientes^ A d e m á s , n i era
posible dejar la estructura ó s e a de l a cabeza desnuda p o r el
exceso de frío o calor en cada u n a de las estaciones, n i
pasar p o r alto que c u b i e r t a se v o l v e r í a obtusa e insensible
por la c a n t i d a d de carne. De la carne no seca separaron
76 una corteza excedente m a y o r , lo que ahora se l l a m a piel,
que a causa de la humedad del cerebro a v a n z ó hasta j u r i ^
tarse consigo m i s m a y r e v i s t i ó la cabeza en c í r c u l o c o m o si
fuera u n r e t o ñ o . L a humedad, que sube de abajo de las
suturas, l a i r r i g a y cierra en la c o r o n i l l a , a t á n d o l a c o m o u n
nudo. Las variadas suturas se p r o d u j e r o n p o r la fuerza de
las revoluciones y de la a l i m e n t a c i ó n ; si é s t a s luchan m á s
entre sí, s e r á n m á s ; en caso c o n t r a r i o , menos. L a parte
h d i v i n a p e r f o r ó con fuego t o d a esta piel en c í r c u l o . Cuando
la p e r f o r a c i ó n de la piel hizo que la humedad se escapara al

9 2
homoióteti es u n dativo i n s t r u m e n t a l , la s i g n i f i c a c i ó n del giro puede
y entenderse a partir de 74a5-6. A s í c o m o lo diferente es el origen del
c o l u m n a 1
r
\ ^r^ j n Í £ J a t
- ~^ Q
y^Pj^^^HZJF^P^ "!^ i n f e r l o r ' d e ^
e l a

j lo m^sjmo lo es de l a p e r m a n e n c i a dje_J_a^ab^zaj/_de J a j ^ a r t e ^ u ^ _ r i ^ r j l e _ J a
\ jn_éjdula. Ajj^mjsg.ojjs^^ de los d o s princ i p i os últ i -
] mpj_d.feJa^filo
TIMEO 239

exterior p o r sus poros, salieron t o d a l a humedad y el calor


puros, pero la mezcla de é s t o s que compone la piel se e l e v ó
a causa de la salida y se e x t e n d i ó m u c h o hasta ser t a n
tenue c o m o la p e r f o r a c i ó n , pero, debido a su l e n t i t u d , repe-
lida al i n t e r i o r p o r el aire exterior circundante, se e n r o l l ó y
e c h ó raíces debajo de la piel. Por estos procesos, n a c i ó el
pelo en la piel, aunque emparentado con ella en la fibrosi- c
dad, m á s d u r o y denso p o r el proceso de c o n t r a c c i ó n p o r
enfriamiento que sufre cada pelo cuando, al separarse de la
piel, se e n f r í a . C o n esto, nuestro hacedor hizo la cabeza
pilosa, p o r las causas mencionadas y porque p e n s ó que
t e n í a o^ie tener unajcobertura liviana alrededor del cerebro
en vez de carne para s ü ^ e ^ ü r i d a d , que p r o p o r c i o n a r a en d
verano y en i n v i e r n o suficiente sombra y c u b r i m i e n t o , sin
convertirse en u n i m p e d i m e n t o de la buena p e r c e p c i ó n . E n
el entretejido de los tendones, piel y huesos que rodea los
dedos, de la mezcla de los tres elementos y de su seca-
miento se o r i g i n ó una piel d u r a , que, si bien realizaron
estas causas auxiliares, la inteligencia, la causa p r i n c i p a l ,
hizo p o r todos los que i b a n a n a c e r en el f u t u r o . C o m o los
que nos construyeron s a b í a n que en alguna o p o r t u n i d a d de e
los hombres i b a n a nacer las mujeres y las restantes bestias
y se percataron de que muchos animales t a m b i é n necesita-
r í a n usar las u ñ a s a m e n u d o , p o r eso m o d e l a r o n en los
hombres que estaban naciendo en ese m o m e n t o p r i n c i p i o s
de u ñ a s . Por estas razones, nacieron en las puntas de las
extremidades la piel, los cabellos y las u ñ a s .
C u a n d o ya estaban todas las partes y miembros propios
de u n ser viviente m o r t a l , y t e n í a que pasar necesariamente 11
su v i d a entre fuego y aire, y, c o m o era disuelto y vaciado
p o r ellos y se desgastaba, los dioses c o n c i b i e r o n una ayuda
para él. M e z c l a r o n una naturaleza relacionada con la h u -
mana con otras figuras y sensaciones, de m o d o que hubiera
u n ser viviente diferente, y la p l a n t a r o n . Los á r b o l e s , p l a n -
240 DIÁLOGOS

tas y simientes d o m é s t i c a s actuales, cultivadas p o r la agri-


cultura, fueron domesticadas para nosotros, pero antes exis-
b t í a n s ó l o los g é n e r o s salvajes, que son m á s antiguos que los
d o m é s t i c o s . E n verdad, tqd<g_lo que eventualmente p a r t i -
cipa de la.jyjidajteber^
m a y o r c o r ^ r e c c ^ ^ j ^ j v i y ^ e r i t e . L o que ahora mencionamos
posee al menos la tercera especie de alma, de la que el dis-
curso a f i r m a que se asienta entre el diafragma y el o m b l i g o
y no p a r t i c i p a en nada de la o p i n i ó n n i del razonamiento n i
de la inteligencia, sino de la p e r c e p c i ó n placentera o d o l o -
rosa a c o m p a ñ a d a de los apetitos, pues t o d o l o realiza p o r
tL K
I m e d i o de la pasij6nj,^_cuando pej;cLbLe^aljgo^de sí m i s m a , su
j origen, p o r naturjde^a^ n o j e perrmte razonar [ c o m o razona
el a l m a r a c i o n a l que] gira sobre sí misma, rechaza el
9 3
o v i m i e n t o proveniente del exterior y utiliza ej^propio .
P o r ello, aunque vive y no difiere de u n a n i m a l , enraizado
en u n lugar, e s t á fijo, porque ha sido despojado del m o v i -
miento p r o p i o .
U n a vez que nuestros superiores h u b i e r o n p l a n t a d o
para nosotros, sus inferiores, todas estas especies para
nuestra a l i m e n t a c i ó n , abrieron canales en nuestro cuerpo,
c o m o en u n j a r d í n , para que fuera irrigado c o m o desde una
^ / f u e n t e . E n p r i m e r lugar, c o r t a r o n dos venas dorsales c o m o
canales ocultos bajo la u n i ó n de la piel y la carne, dado que
el cuerpo es gemelo a la derecha y a la izquierda. Las c o l o -
c a r o n j u n t o a la c o l u m n a vertebral, con la m é d u l a genera-
d o r a entre ellas, para que é s t a alcanzara el m a y o r v i g o r
9 3
A q u í se o p o n e n las c i r c u n v o l u c i o n e s propias del ñus a l a a c t i v i d a d
del a l m a apetitiva. N o es necesario c a m b i a r physei por physin c o m o p r o -
pone F . M . CORNFORD (Cosmology, p á g . 302, n. 2). L a s e s p e c u l a c i o -
nes f i l o l ó g i c a s sobre el hiato no son un argumento p a r a c a m b i a r l a l e c t u r a
u n á n i m e de los m a n u s c r i t o s . P r o p o n g o p a r a páschon no el significado de
«sufrir» d a d o que la referencia a q u í no es l a c o n c e p c i ó n m o d e r n a de la
^ j v i d a vegetal, sino la n o c i ó n p l a t ó n i c a de a l m a apetitiva que se rige por la
p a s i ó n en o p o s i c i ó n al m o v i m i e n t o reflexivo del a l m a r a c i o n a l .
TIMEO 241

posible y el flujo o r i g i n a d o desde allí, al ser descendente,


fuera abundante y p r o p o r c i o n a r a u n a i r r i g a c i ó n e q u i l i b r a d a
al resto del cuerpo. D e s p u é s d i v i d i e r o n en d o s las venas
que c i r c u l a n alrededor de la cabeza, las e n t r e l a z a r o n entre
sí y las h i c i e r o n fluir en d i r e c c i ó n c o n t r a r i a , p a r a l o cual e
i n c l i n a r o n algunas de la derecha hacia la i z q u i e r d a del
cuerpo y otras de la i z q u i e r d a h a c i a la d e r e c h a p a r a que
h u b i e r a o t r o v í n c u l o entre la cabeza y el c u e r p o j u n t o con
la piel, ya que é s t a no estaba c e ñ i d a alrededor de l a c o r o n i -
lla p o r tendones, y, a d e m á s , para que desde c a d a u n a de las
partes se hiciera evidente a t o d o el cuerpo el proceso de
p e r c e p c i ó n . Desde allí p r e p a r a r o n la i r r i g a c i ó n de una
manera que observaremos f á c i l m e n t e si a c o r d a m o s de an- 78
t e m a n o l o siguiente, que t o d o lo que e s t á c o m p u e s t o p o r
elementos menores es impenetrable a los m a y o r e s , pero l o
que e s t á compuesto de mayores n o puede detener a los
menores, y que el fuego es el elemento que tiene las p a r t í c u -
las m á s p e q u e ñ a s , por l o que atraviesa agua, a i r e , t i e r r a y
t o d o lo que e s t á hecho de estos elementos, p e r o n i n g u n o de
ellos puede i m p e d i r l e el paso. L o m i s m o hay q u e suponer
de la cavidad de nuestro t r o n c o , que obstruye e l paso de las
comidas y bebidas cuando caen en ella, p e r o no puede
detener el aire n i el fuego, dado que e s t á n compuestos de b
p a r t í c u l a s menores que las que tiene su e s t r u c t u r a . D i o s
u t i l i z ó estos dos elementos para el sistema de i r r i g a c i ó n que
va de l a c a v i d a d del t r o n c o hacia las venas, u n tejido de
aire y fuego c o m o las nasas que sirven p a r a a t r a p a r peces,
con ingresos dobles en la entrada, de los q u e , a su vez, u n o
tiene u n a b i f u r c a c i ó n . Desde los pasajes de e n t r a d a exten-
d i ó c o m o aderras alrededor de t o d o el ó r g a n o , hasta el
e x t r e m o del tejido. H i z o t o d o el i n t e r i o r del t e j i d o de fuego \
9 4
y la entrada y l a cavidad de a i r e . D e s p u é s l o t o m ó y se l o v
9 4
P a r a la e x p l i c a c i ó n de este pasaje, cf. F . M . C O R N F O R D (Cosmo-
logy, p á g s . 308-312).
242 DIÁLOGOS

c o l o c ó al ser viviente que h a b í a m o d e l a d o de l a siguiente


95
manera: puso l a doble e n t r a d a en l a boca e hizo bajar
u n a parte p o r los tubos bronquiales hacia el p u l m ó n , y l a
o t r a a l o l a r g o de ellos a l a cavidad del t r o n c o . D i v i d i ó
d e s p u é s el o t r o acceso en dos e h i z o t e r m i n a r cada parte
conjuntamente en los conductos de la nariz, de m o d o que
cuando n o f u n c i o n a el de la boca, desde esta entrada se
pueden llenar todos sus flujos. H i z o crecer el resto de l a d
cavidad de l a nasa alrededor de t o d a la c o n c a v i d a d de
nuestro cuerpo y que, unas veces, t o d o confluya suave-
mente hacia los accesos, puesto que es de aire, y , otras, que
las entradas refluyan y que el t e j i d o , c o m o el cuerpo es
poroso, se h u n d a hacia adentro a t r a v é s de él y nuevamente
salga. L o s rayos de fuego i n t e r i o r , atados, siguen en ambas
direcciones el aire que entra y esto n o deja de suceder
^ (mientras el a n i m a l e s t á con vida. Decimos que el que da los e
^ r ü i u ^ i i o m b r e s l l a m ó a este proceso i n ^ p ^ m c j ó j i j ^ Este
' f e n ó m e n o le sucede a nuestro cuerpo cuando se humedece
y enfría para alimentarse y v i v i r . C u a n d o en el i n t e r i o r el
fuego t o m a contacto c o n el aire que entra y sale y lo sigue,
se eleva c o n t i n u a m e n t e para introducirse a t r a v é s de la
cavidad, donde recibe los alimentos y bebidas que disuelve 79
y divide en p e q u e ñ a s p a r t í c u l a s , c o n d u c i é n d o l a s a t r a v é s d é
las salidas p o r las que h a b í a entrado, y, c o m o desde u n a
fuente en los canales, las vierte en las venas, y hace fluir los
humores de las venas a t r a v é s del cuerpo c o m o a t r a v é s de
un acueducto.
9 5
D e s g r a c i a d a m e n t e , los c o m e n t a d o r e s ( F . M . C O R N F O R D , Cosmo-
logy, p á g . 312; K L . W I D D R A , Timaios, p á g . 169) siguen l a d e s a c e r t a d a
e x p l i c a c i ó n de A . E . T A Y L O R (Commentary, p á g . 551) y G . S T A L L B A U M
(Timaeus) c o n t r a T H . H . M A R T I N (Études) d a n d o así u n a v e r s i ó n del texto
que c o n t r a d i c e la d e s c r i p c i ó n de 78b4-6. A pesar de lo que pretenden estos
i n t é r p r e t e s , tó men ton egkyrtion no es u n a p e r í f r a s i s por ta egkyrtia, sino
que el tó mén es c o r r e s p o n d i d o no por el tó d' de c 5, sino por el tó d'
héteron de c 6.
TIMEO 243

Veamos o t r a vez el proceso de r e s p i r a c i ó n , p o r medio


de q u é causas llega a ser t a l c o m o es ahora. Se produce de
esta manera, entonces, puesto que no hay u n v a c í o en el b
que pueda ingresar u n cuerpo en m o v i m i e n t o y el aire se
mueve de nosotros hacia el exterior, l o que se sigue de esto
es ya evidente para cualquiera: que no sale al v a c í o , sino
que empuja la sustancia vecina fuera de su r e g i ó n . L o
empujado siempre desplaza, a su vez, a l o que le es vecino
y, s e g ú n esta necesidad, t o d o es arrastrado concatenada-
mente hacia el lugar de donde p a r t i ó el aire, entra allí, lo
llena y sigue al aire. T o d o esto sucede s i m u l t á n e a m e n t e
c o m o el r o d a r de una rueda porque el v a c í o n o existe. P o r c
ello, el pecho y el p u l m ó n , cuando exhalan el aire, se llenan
nuevamente del que se encuentra alrededor del cuerpo, que
es h u n d i d o y arrastrado a t r a v é s de la carne porosa. A d e -
m á s , cuando el aire se vuelve y sale del cuerpo, empuja el
h á l i t o hacia d e n t r o p o r el c a m i n o de la boca y la doble v í a
de las fosas nasales. H a y que suponer la siguiente causa de d
su origen. T o d o a n i m a l tiene sus partes internas m u y
calientes alrededor de su sangre y sus venas, c o m o si pose-
yera en sí u n a fuente de fuego. Ciertamente, l o que h a b í a -
mos asemejado al tejido de la masa, e s t á totalmente entrete-
j i d o c o n fuego en su centro, y el resto, la parte e x t e r i o r ,
c o n aire. Debemos acordar que el calor sale naturalmente a
su r e g i ó n p r o p i a en el e x t e r i o r , pero c o m o hay dos salidas,
u n a p o r el cuerpo y o t r a p o r la boca y la nariz, cuando el e
fuego avanza hacia una de ellas, empuja a lo que e s t á alre-
d e d o r de l a o t r a y l o empujado cae en el fuego y se
calienta, mientras que lo que sale se enfría. S i l a tempera-
t u r a c a m b i a y el aire que se encuentra en u n a salida se
calienta m á s , se apresura a retornar a aquel lugar de donde
p a r t i ó y , al moverse hacia su naturaleza p r o p i a , empuja al
que se desplaza p o r la o t r a salida. E n la medida en que
sufre siempre los mismos procesos y desencadena a su vez
244 DIÁLOGOS

los mismos f e n ó m e n o s , g i r a así en u n c í r c u l o a q u í y allí y


posibilita, p r o d u c t o de ambas causas, que se p r o d u z c a n l a
i n s p i r a c i ó n y la e s p i r a c i ó n .
A d e m á s , debemos investigar de esta manera las causas
so de los efectos de las ventosas medicinales, de l a d e g l u c i ó n y
de los proyectiles, que una vez lanzados van p o r el aire o se
mueven sobre la t i e r r a , y de todos los sonidos, r á p i d o s y
lentos, que parecen agudos y graves, unas veces desafina-
dos p o r la d i s i m i l i t u d del m o v i m i e n t o que producen en
¡ n o s o t r o s y otras acordes, por la semejanza. E n efecto, los
m o v i m i e n t o s m á s lentos alcanzan a los primeros y m á s
r á p i d o s cuando se e s t á n apagando y se asemejan ya a aque-
l l o s m o v i m i e n t o s con los que los mueven los sonidos e m i t i -
b ¡dos posteriormente y, cuando los alcanzan, no los de'sorde-
jnan con la i n t e r c a l a c i ó n de o t r o m o v i m i e n t o , sino que
junen el comienzo de una r e v o l u c i ó n m á s lenta y acorde c o n
lia m á s r á p i d a que se e s t á apagando y c o n f o r m a n una sen-
s a c i ó n mezcla de agudo y grave, c o n la que p r o p o r c i o n a n
-'placer a los brutos y felicidad a los inteligentes, porque en
las revoluciones mortales se produce una i m i t a c i ó n de la
«Aarmonía d i v i n a . Y , a d e m á s , todas las corrientes de agua y
t a m b i é n las c a í d a s de rayos y la sorprendente a t r a c c i ó n de
los á m b a r e s y de las piedras h e r á c l e a s : n i n g u n o de estos
f e n ó m e n o s posee una fuerza t a l , sino que al que investiga
adecuadamente se le h a r á evidente que el v a c í o no existe,
que todas estas cosas se empujan c í c l i c a m e n t e entre sí y
que, por s e p a r a c i ó n o r e u n i ó n , todos los elementos se tras-
ladan a su r e g i ó n p r o p i a , c a m b i a n d o de sitio, así c o m o que
los f e n ó m e n o s maravillosos son p r o d u c t o de la c o m b i n a -
ción de estos procesos entre sí.
d En especial, la r e s p i r a c i ó n , de donde p a r t i ó nuestra
e x p o s i c i ó n , s u r g i ó así por estas causas, c o m o fue d i c h o
anteriormente, porque el fuego corta los alimentos y, al
oscilar d e n t r o , sigue al aire y desde la cavidad llena las
TIMEO 245

venas en su o s c i l a c i ó n , porque vierte desde ellas las sustan-


cias que ha c o r t a d o . Esta es la causa, p o r cierto, de que las
corrientes de l a a l i m e n t a c i ó n fluyan así en t o d o el cuerpo
de los animales. Las p a r t í c u l a s que acaban de ser separadas
de las sustancias alimenticias, unas de frutos, otras de
hierba, que dios p l a n t ó para alimento, son de variados colores e
a causa de la mezcla entre sí. E l c^lor r o j o p r o d u c i d o por la i
i m p r e s i ó n del corte del fuego en la h u m e d a d es el m á s
c o m ú n en ellas. Por eso, el c o l o r de lo que fluye en el
cuerpo tiene el aspecto que describimos, l o que llamamos
sangre, alimento de la carne y de t o d o el cuerpo, a p a r t i r de
la cual las partes irrigadas llenan la base de lo que se v a c í a .
L a f o r m a de llenado y vaciado es c o m o la r e v o l u c i ó n de 8
t o d o lo que existe en el universo, que mueve t o d o lo afín
hacia sí m i s m o . L o que nos c i r c u n d a disuelve y distribuye
c o n t i n u a m e n t e las sustancias que despide nuestro cuerpo,
p a r a enviar las de u n m i s m o t i p o hacia su p r o p i a especie.
Los c o r p ú s c u l o s sarigmneos, p o r su parte, cortados en?
nuestro inte río r _ j ^ o ^ e j a d ^ ^como p or u n c o l m o s p o r l a1
estructura del ser viviente, e s t á n obligados a irmtarTa™r^o^l t
VttgJQILdel universo,. P o r t a n t o , transportada hacia el ele-l
m e n t ó afín, cada una de las p a r t í c u l a s interiores vuelve a*
llenar l o que se h a b í a vaciado en ese m o m e n t o . Cuando^
sale m á s de l o que entra, el c o n j u n t o fenece, cuando sale
menos, crece. L a estructura de u n a n i m a l j o v e n posee,
t r i á n g u l o s elementales t o d a v í a nuevos de pies a cabeza que
e s t á n estrechamente unidos unos c o n otros, pero su masa
es tierna, y a que acaba de ser generada desde la m é d u l a y
alimentada c o n leche. C o n sus nuevos t r i á n g u l o s , d o m i n a y
c o r t a en su i n t e r i o r los de c o m i d a y bebida provenientes del
e x t e r i o r , m á s viejos y m á s d é b i l e s que los suyos y, al ali-
mentar de muchos c o r p ú s c u l o s semejantes a l a j o v e n cria-
t u r a , l a hace crecer. C u a n d o l a r a í z de los t r i á n g u l o s se
afloja, porque han c o m b a t i d o intensamente durante m u c h o
246 DIÁLOGOS

d t i e m p o c o n t r a muchos adversarios, ya no pueden c o r t a r ,


h a c i é n d o l o s semejantes a ellos a ios que ingresan p o r l a
a l i m e n t a c i ó n , sino que ellos mismos son d i v i d i d o s c o n faci-
l i d a d p o r los que entran del exterior. Entonces, t o d o el
a n i m a l se consume vencido en este proceso y el f e n ó m e n o
recibe el n o m b r e de vejez. F i n a l m e n t e , cuando los v í n c u l o s
u n i d o s ^ a ^ J g s ^ r j á n g u l o s de la m é d u l a ya no s o p o r t a n ^ l ^
esfuerzo^s^_se^
y é s t a , liberada naturalmente, p a r t e ^ c o n ^ j g á ^ e x j e n , v u e l o ,
¡pues t o d o lo_que sucede c o n t r a la naturaleza es d o l o r o s o ,
^ e r o J ^ c ^ e _ s e : d a c o m o es n a t u r a l produce placer. A s í , l a
'muerte"que se produce p o r enfermedad o heridas es d o l o -
rosa y v i o l e n t a , pero l a que llega al f i n de manera n a t u r a l
oi^/ c o n la edad es l a menos penosa de las muertes y sucede
m á s c o n placer que c o n d o l o r .
P a r a todos es evidente, me parece, de d ó n d e provienen
82 las enfermedades. D a d o que los elementos de los que se
compone el cuerpo son cuatro, tierra, aire, agua y fuego, su
exceso o carencia c o n t r a l a naturaleza y el c a m b i o de l a
r e g i ó n p r o p i a a una ajena producen guerras internas y
enfermedades y, a d e m á s , c o m o los tipos de fuego y de los
elementos restantes son m á s de u n o , t a m b i é n el hecho de
que cada u n o reciba l o que no le es conveniente y todas las
causas semejantes. Cuando algo surge o cambia de lugar
c o n t r a la naturaleza, se calienta t o d o lo que antes estaba
frío y, si era seco, d e s p u é s se vuelve h ú m e d o y, si l i v i a n o ,
b pesado, y sufre t o d o t i p o de cambios. Pues s ó l o aquello,
afirmamos, que es igual a una sustancia desde t o d o p u n t o
de vista, a ñ a d i d o o sacado en la correcta r e l a c i ó n y de la
misma manera, p e r m i t i r á que é s t a siga siendo i d é n t i c a a sí
m i s m a y permanezca sana e í n t e g r a . L o que eventualmente
i n f r i n j a alguno de estos p r i n c i p i o s , ya sea que salga o entre
del exterior, o c a s i o n a r á mutaciones m ú l t i p l e s y, por t a n t o ,
enfermedades y corrupciones infinitas.
TIMEO 247

D a d o que hay estructuras secundarias p o r naturaleza,


el que pretenda comprender necesita considerar u n segundo c
t i p o de enfermedades. Puesto que la m é d u l a y los huesos,
la carne y los tendones se c o m p o n e n de los cuatro elemen-
tos y aun l a sangre, aunque de u n a manera diferente t a m -
b i é n proviene de ellos, l a m a y o r í a de las enfermedades
suceden de l a manera m e n c i o n a d a arriba, pero l a s ^ j n á s
grandes y graves se originan_ cuando j s u j f o j m a c t ó n ^
s e n ü d o inveriááo; entonces estos tejidos se destruyen. L a
carne y los tendones nacen naturalmente de la sangre, los
tendones, de l a f i b r i n a p o r afinidad; la carne, del c o á g u l o
que se genera cuando se separan las fibrinas. L o que se d
segrega de los tendones y l a carne, resbaladizo y graso al
m i s m o t i e m p o , pega la carne a los huesos y , a l i m e n t a d o el
hueso m i s m o que se encuentra alrededor de la m é d u l a , l o
hace crecer. E l g é n e r o m á s p u r o de t r i á n g u l o s , el m á s suave
y graso, cuya f i l t r a c i ó n es posible p o r l a estructura c o m -
pacta del tejido ó s e o , mientras cae y se vierte gota a gota
desde los huesos, i r r i g a l a m é d u l a . C u a n d o t o d o sucede de e
esta manera, l a salud es buena; las enfermedades se p r o d u -
cen en el caso c o n t r a r i o . E n efecto, c u a n d o la carne, al
disolverse, expulsa nuevamente a las venas su p u t r e f a c c i ó n ,
la sangre, m u c h a y m ú l t i p l e , se mezcla en las venas c o n aire
y adquiere colores variados y es diversamente amarga.
A d e m á s , se vuelve acida y salada y tiene b i l i s , suero y
flema de t o d o t i p o . L o s restos de carne expulsados y
c o r r o m p i d o s acaban p r i m e r o c o n l a sangre m i s m a y se
mueven a t r a v é s de las venas p o r t o d o el cuerpo sin p r o - 87
porcionarle n i n g ú n alimento. A l no poseer ya el orden
n a t u r a l de las revoluciones, enemigas entre sí p o r q u e no
tienen n i n g ú n provecho de sí mismas, en guerra c o n l o
estructurado d e l cuerpo y l o que permanece en el sitio que
le corresponde, destruyen y disuelven l o que encuentran a
su paso. T o d a la carne que se consume p o r haber envejecido
248 DIÁLOGOS

demasiado rechaza ser asimilada y se ennegrece p o r la


larga c o m b u s t i ó n y , c o m o es amarga p o r q u e e s t á t o t a l -
b mente c a r c o m i d a , ataca c o n ferocidad las partes del cuerpo
que t o d a v í a n o e s t á n eventualmente destruidas. A veces, el
c o l o r negro adquiere acidez en vez de a m a r g o r porque se
ha afinado m á s l a sustancia amarga; otras, l a materia
acida, b a ñ a d a p o r l a sangre, alcanza u n c o l o r m á s r o j o y ,
cuando el negro se mezcla c o n é l , se vuelve verdoso. A d e -
m á s , cuando el fuego consume carne nueva, el c o l o r a m a r i -
llo se mezcla c o n el amargor. Q u i z á s a l g ú n m é d i c o les puso
a todos el n o m b r e c o m ú n de büÍ3~P puede ser t a m b i é n que
haya sido alguien capaz de observar la m u l t i p l i c i d a d disí-
c m i l y ver que en ella hay u n ú n i c o g é n e r o d i g n o de designar
a todos los particulares. Cada u n a de las restantes formas
de bilis r e c i b i ó u n a d e f i n i c i ó n p r o p i a s e g ú n su color. E l
suero: u n o , el suave l í q u i d o acuoso de la sangre,; o t r o , el
salvaje de la bilis negra y acida; cuando éste se mezcla p o r
el calor c o n la fuerza salada, t a l sustancia se l l a m a flema
acida. A d e m á s , el que se encuentra disuelto j u n t o con aire,
d proveniente de la carne nueva y tierna, cuando se llena de
viento, la h u m e d a d lo rodea y, p o r este f e n ó m e n o , se p r o -
ducen burbujas, invisibles i n d i v i d u a l m e n t e p o r su peque-
nez, pero que, en c o n j u n t o , d a n u n a masa visible y tienen
u n c o l o r blanco p o r la p r o d u c c i ó n de espuma. D e c i m o s
que t o d a esta p u t r e f a c c i ó n de la carne tierna entremezclada
con aire es flema blanca. A d e m á s , s^idor, l á g r i m a s y otras
sustancias semejantes que afluyen y sT~eliminan diaria-
e mente son suero de_flema reciente. Todos é s t o s se convier-
ten en instrumentos de las enfermedades cuando la sangre
no se llena naturalmente de comidas y bebidas, sino que,
por el c o n t r a r i o , recibe una cantidad de a l i m e n t o opuesta a
9 6
la costumbre n a t u r a l . S i las enfermedades separan u n
9 6
para toüs tes physeos nómous no se refiere a u n tipo de legalidad
n a t u r a l ( c o m o parece entender A . R I V A U D , Oeuvres, p á g . 2 1 6 : Or, tou-
TIMEO 249

t r o z o de carne, pero permanecen sus bases, la m a g n i t u d de


la calamidad s e r á la m i t a d , pues, a ú n puede recuperarse
con facilidad. Siempre que enferma lo que une la carne con
los huesos y — p o r haberse separado al m i s m o t i e m p o de 84 9 7

los vasos fibrosos en los m ú s c u l o s y de los tendones— ya


no es alimento para los huesos y v í n c u l o de la carne con
é s t o s , sino que, en vez de graso, liso y resbaladizo, se hace
á s p e r o y salado por la mala dieta; entonces, cuando sufre
esto, se desintegra de nuevo totalmente bajo la carne y los
tendones mientras se separan de los huesos. L a carne se pre-
cipita con él desde las raíces y deja los tendones desnudos y
llenos de salmuera. Las p a r t í c u l a s de carne, a su vez, b
e n t r a n en la c i r c u l a c i ó n s a n g u í n e a y acrecientan las enfer-
medades mencionadas antes. A u n q u e estos procesos corpo-
rales son graves, son peores t o d a v í a los que v a n m á s allá:
cuando el hueso, al no airearse suficientemente p o r la den-
sidad de la carne, calentado p o r el m o h o , se caria y no
recibe a l i m e n t a c i ó n suficiente, sino que, siguiendo el c a m i n o c

tes ees humeurs sont les instruments des maladies, lorsque le sang n'est
pas encretenu, comme le veut la nature, par les aliments et les breuvages.
mais quand sa masse s' accroit selon des lois opposées á celles de la
nature; c o m p á r e s e T u . H . M A R T I N , Études, I , p á g . I , 223: Toutes ees
humeurs sont des causes de maladies, lorsque le sang n'est pas entretenu,
comme il doit l'étre naturellement, par le hoire et le manger. mais qu'il tire
son aliment d'ailleurs, en sens inverse, contre les lois de la nature). sino a
la c o s t u m b r e de ingerir alimentos s e g ú n l a n a t u r a l e z a , e. d. no e x c e d i é n -
dose en ellos F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 339, n. 1): 'contrary
to the laws of nature' is a mistranslation. All that is meant is the custo-
mary and normal process by which blood is healthily formed. No sólo
e r r ó n e o , sino t a m b i é n c o n t r a d i c t o r i o , puesto que lo que l a frase significa
s e g ú n C o r n f o r d es lo que niega en la p r i m e r a o r a c i ó n .
9 7
E l pasaje e s t á c o r r u p t o y los intentos de r e c o n s t r u c c i ó n no h a n
d a d o h a s t a el m o m e n t o u n a v e r s i ó n c o n v i n c e n t e . L e o háma en vez de
haima c o n G . S T A I . I . B A I I M (Timaeus). L a c o n j e t u r a ñama por haima de F .
M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 339, n. 2) es d i f í c i l m e n t e explicable
desde el punto de vista p a l e o g r á f i c o , a m é n de hacer el texto incoherente.
250 DIÁLOGOS

inverso, se desintegra nuevamente en ella, y é s t a en la carne


y la carne, c u a n d o cae en la sangre, ocasiona enfermedades
que son todas m á s graves que las anteriores. E l caso m á s
e x t r e m o de todos: c u a n d o l a m é d u l a enferma p o r alguna
carencia o a l g ú n exceso, produce las enfermedades m á s
graves e i m p o r t a n t e s en cuanto a la muerte, p o r q u e t o d a la
naturaleza c o r p o r a l necesariamente fluye en sentido i n -
verso.
Debemos pensar que el tercer t i p o de enfermedades se
ocasiona de manera t r i p l e : p o r el aire, la flema y la bilis.
C u a n d o el a d m i n i s t r a d o r del aire en el cuerpo, el p u l m ó n ,
o b s t r u i d o p o r flujos, no tiene las salidas l i m p i a s , el aire,
unas veces n o llega y otras entra m á s de l o conveniente.
E n u n caso, c o r r o m p e lo que no se refresca y, en el o t r o ,
v i o l e n t a las venas y las retuerce, disuelve el cuerpo y es
9 8
interceptado a l alcanzar la barrera en su c e n t r o . D e estos
procesos nacen innumerables enfermedades dolorosas, a
m e n u d o a c o m p a ñ a d a s de g r a n c a n t i d a d de sudor. E n m u -
chas ocasiones, c u a n d o la carne se descompone, el aire
generado en el cuerpo, incapaz de salir, ocasiona los mis-
mds dolores que produce cuando entra p o r las v í a s o b t u r a -
das; los m á s intensos cuando, ai rodear e h i n c h a r los t e n -
99
dones y las venillas de la e s p a l d a tensa los m ú s c u l o s de
esa zona y los tendones contiguos hacia a t r á s . Estas enfer-
medades son denominadas, a causa del f e n ó m e n o de ten-
1 0 0
s i ó n , t é t a n o s y c u r v a c i ó n t e t á n i c a . Su remedio es des-
agradable, pues, en verdad, los accesos de fiebre son los
que mejor las curan. C u a n d o la flema blanca se retiene, es
peligrosa p o r el aire de las burbujas. C u a n d o tiene una ven-
9 8
Referencia al diafragma.
9 9
taútei se refiere a l a z o n a d o r s a l (cf. epitónous en e6).
1 0 0 H a y a q u í u n j u e g o de p a l a b r a s entre el verbo teínein (extender,
tensar) y l a d e n o m i n a c i ó n griega de las e n f e r m e d a d e s (tétanoi, opis-
thótonoi).
TIMEO 251

t i l a c i ó n e x t e r i o r , se suaviza y motea el cuerpo, causando la


lepra blanca y otras enfermedades relacionadas c o n ella.
Cuando se mezcla con bilis negra y se dispersa p o r las revo-
luciones m á s d i v i n a s de la cabeza y las c o n v u l s i o n a , es m á s
suave si se p r o d u c e en s u e ñ o s , pero si ataca a los que e s t á n b
despiertos, es m á s difícil despojarse de ella. D a d o que es
u n a enfermedad de la parte sagrada, l o m á s j u s t o es lla-
m a r l a sacra. L a flema acida y salada es l a fuente de todas
las enfermedades catarrales. C o m o los lugares hacia los
101
que fluye son m ú l t i p l e s , ha recibido varios nombres.
Todas las inflamaciones del cuerpo, llamadas así p o r el
'quemarse' e 'inflamarse*, se produce p o r la bilis. Esta,
cuando alcanza u n a salida al e x t e r i o r , se pone a h e r v i r y
produce erupciones variadas; pero cuando e s t á encerrada c
dentro causa muchas enfermedades inflamatorias. L a m á s
grave se o r i g i n a cuando se mezcla c o n sangre p u r a y des-
truye el o r d e n de las fibrinas, que e s t á n distribuidas en la
sangre para que su espesor y su grosor sea p r o p o r c i o n a l y
n i fluya del cuerpo p o r o s o , l í q u i d a a causa del calor, n i se
desplace c o n dificultad en las venas, torpe de m o v i m i e n t o d
p o r q u e es m u y densa. Las fibrinas g u a r d a n l a debida
m e d i d a de t o d o esto en la sangre. C u a n d o se extraen las de
sangre m u e r t a y fría, el resto de la sangre se l i c ú a , mientras
que si se las deja, r á p i d a m e n t e l a coagulan j u n t a m e n t e c o n
el frío c i r c u n d a n t e . D a d o que las fibrinas en l a sangre tie-
nen esta p r o p i e d a d , l a bilis, que p o r naturaleza se ha p r o -
d u c i d o de sangre vieja, cuando se separa de l a carne y
vuelve a disolverse, caliente y l í q u i d a , en el t o r r e n t e san- e
guineo — p r i m e r o en pocas unidades—, p o r l a p r o p i e d a d
de las fibrinas, se coagula tras verterse. U n a vez coagulada

'oí Juego de palabras que incluye la raíz griega peiv que significa fluir
y presente en las voces castellanas catarro y catarral. Implica todo tipo de
enfermedades en las que el organismo expulsa un flujo por a l g ú n orificio
corporal.
252 DIÁLOGOS

y violentamente enfriada, ocasiona el frío y los e s c a l o f r í o s


interiores. Pero si se vierte u n a cantidad m a y o r en el
torrente s a n g u í n e o y se i m p o n e c o n su calor, entonces pone
en e b u l l i c i ó n a las fibrinas y las agita en desorden. Si acaso
llega a ser capaz de imponerse totalmente, d e s p u é s de pene-
t r a r hasta l a m é d u l a y quemarla, suelta las cuerdas que allí
a m a r r a n el a l m a c o m o las de una nave y la deja p a r t i r
libre. Pero cuando es d o m i n a d a y el cuerpo soporta la diso-
l u c i ó n , u n a vez vencida, o es expulsada en t o d o el cuerpo
o empujada a t r a v é s de las venas hacia la cavidad inferior o
superior. A r r o j a d a del cuerpo c o m o los que h u y e n de u n a
ciudad en guerra c i v i l , causa diarrea, d i s e n t e r í a y enferme-
dades semejantes. E l cuerpo que enferma p r i n c i p a l m e n t e
por u n exceso de fujggo, tiene continuos calores y fiebres; el
que l o hace de u n exceso de aire, fiebres cotidianas, y de
.agua, tercianas, porque é s t a es m á s r o m a que el aire y el
fuego. E l enfermo de u n exceso de t i e r r a — c o m o é s t a es el
cuarto elemento m á s obtuso— purgado en p e r í o d o s de
t i e m p o del c u á d r u p l e , tiene fiebres cuartanas y cura c o n
dificultad.
M i e n t r a s las enfermedades del cuerpo suceden de la
manera antedicha, las del alma que son consecuencia del
estado del cuerpo se d a n del siguiente m o d o . Es necesario
acordar, ciertamente, que la demencia es u n a enfermedad
del a l m a y que hay dos clases de demencia, l a l o c u r a y la
ignorancia. P o r t a n t o , debemos l l a m a r enfermedad a t o d o
lo que produce uno de estos dos estados cuando alguien lo
sufre y hay que suponer que para el alma los placeres y
dolores excesivos son las enfermedades mayores. Pues
cuando u n h o m b r e goza en exceso o sufre lo c o n t r a r i o p o r
d o l o r , al esforzarse fuera de t o d a o p o r t u n i d a d p o r atrapar
: el u n o y h u i r del o t r o , no puede n i ver n i escuchar nada
correcto, sino que enloquece, absolutamente incapaz de
p a r t i c i p a r de la r a z ó n en ese m o m e n t o . Q u i e n posee el
TIMEO 253

esperma abundante que fluye libremente alrededor de la


m é d u l a , c o m o si fuera p o r naturaleza u n á r b o l que es
m u c h o m á s f r u c t í f e r o de l o adecuado, sufre muchos d o l o -
res en cada cosa y t a m b i é n goza de muchos placeres en los
deseos y en las acciones que son p r o d u c t o de ellos, de
m o d o que enloquece la m a y o r parte de la v i d a p o r los
grandes placeres y dolores. C o m o su alma es insensata y
e s t á enferma a causa de su cuerpo, parece m a l o , no c o m o si
estuviera enfermo, sino c o m o si lo fuera voluntariamente.
Pero, en realidad, el desenfreno sexual es u n a enfermedad
del a l m a en gran parte porque una ú n i c a sustancia se
encuentra en estado de g r a n fluidez en el cuerpo y l o i r r i g a
a causa de la porosidad de sus huesos. E n verdad, casi t o d a
la c r í t i c a a l a incontinencia en los placeres, en la creencia
de que los malos lo son intencionalmente, es incorrecta;
pues nadie es malo voluntariamente, sino que el m a l o se
hace t a l p o r u n m a l estado del cuerpo o p o r u n a e d u c a c i ó n e
inadecuada, y a que para todos son estas cosas abominables
y se vuelven tales de manera i n v o l u n t a r i a . Y t a m b i é n en lo
que concierne a los dolores, el alma recibe de la m i s m a
manera m u c h o d a ñ o a , , c a u s a _ d e l j s u e r p o . Pues si las flemas
acidas y saladas de éste o sus humores amargos y biliosos
vagan p o r el cuerpo sin encontrar salida al exterior, ruedan
de u n lado a o t r o dentro y mezclan el v a p o r que expiden
con la r e v o l u c i ó n del alma, de m o d o que dan lugar a m ú l - 87
tiples enfermedades —en m a y o r y menor n ú m e r o , de menor
o m a y o r i m p o r t a n c i a — , al trasladarse a los tres asientos de
a q u é l l a . D o n d e eventualmente atacada una, m u l t i p l i c a las
varias formas de desenfreno y desgana o las de o s a d í a y
c o b a r d í a y t a m b i é n el o l v i d o y dificultad de aprendizaje.
A d e m á s , cuando los que tienen una c o n s t i t u c i ó n t a n mala
1 0 2
dicen sus malos proyectos p o l í t i c o s y sus discursos en las
1 0 2
E n t i e n d o a q u í politeiai c o m o t í t u l o general de o b r a s sobre el orde-
n a m i e n t o p o l í t i c o . L a i n t e r p r e t a c i ó n de F . M . C O R N F O R D (Cosmology,
254 DIÁLOGOS

b ciudades, en p r i v a d o y en p ú b l i c o y, p o r o t r o l a d o , cuando
t a m p o c o se estudia en absoluto desde j o v e n aquello que
pueda servir de remedio a esto, todos los malos nos hace-
mos malos p o r dos m o t i v o s i n v o l u n t a r i o s , de los que siem-
pre hay que culpar m á s a los que engendran que a los que
son engendrados y a los que educan, m á s que a los educa-
dos. S i n e m b a r g o , hay que p r o c u r a r , en la m e d i d a en que
se pueda, h u i r del m a l y elegir l o c o n t r a r i o p o r m e d i o d e i a ,
e d u c a c i ó n y l a p r á c t i c a de las_ oiejncias. Pero, p o r cierto,
esto corresponde a o t r o t i p o de discursos.
c S e r í a razonable y conveniente ofrecer a su vez lo que
c o m p l e t a a esto, l o concerniente al cuidado del cuerpo y de
la inteligencia, los principios c o n los que se conservan.
Pues es m á s l ó g i c o dar u n discurso acerca del bien que
sobre el m a l . P o r cierto, t o d o l o bueno es bello y lo bello
no es desmesurado; por t a n t o , hay que suponer que u n ser
viviente que ha de ser bello s e r á p r o p o r c i o n a d o . S i n e m -
bargo, de las proporciones d i s t i n g u i m o s con c l a r i d a d y cal-
culamos las p e q u e ñ a s , p e r o j a s m á s potentes e i m p o r t a n t e s
d nos son incomprensibles. [ E n efecto, para la salud y la
enfermedad, para la v i r t u d y el v i c i o , ninguna p r o p o r c i ó n o
d e s p r o p o r c i ó n es m a y o r que la del a l m a respecto del
c u e r p o r j N o observamos nada de esto n i pensamos, que
cuando u n a f i g u r a m á s d é b i l e inferior t r a n s p o r t a u n a l m a
m á s fuerte y en t o d o sentido grande, o cuando ambas e s t á n
ensamblados en la r e l a c i ó n c o n t r a r i a , el c o n j u n t o del ser
viviente no es bello —pues es desproporcionado en las
proporciones m á s i m p o r t a n t e s — , pero el que es de la
manera c o n t r a r i a es el m á s bello y m á s amable de todos los
objetos de c o n t e m p l a c i ó n para el que sabe m i r a r . C o m o

p á g . 345, esp. n. 4) no d a c u e n t a del katá póleis, d a d o que p a r a que s u


i n t e r p r e t a c i ó n fuera posible (lógoi katá póleis — 'discourses in conformity
with (such) cities') se e s p e r a r í a el giro m á s p r o b a b l e katá taútas (tas
politeías).
TIMEO 255

cuando u n cuerpo tiene m i e m b r o s demasiado largos o e


a l g ú n o t r o exceso que l o hace desproporcionado consigo
m i s m o , es n o s ó l o feo sino t a m b i é n , al realizar esfuerzos en
los que debe emplearse t o d o , recibe muchos golpes y torce-
duras y, p o r su bamboleo, se cae a menudo y se causa
innumerables males a sí m i s m o ; l o m i s m o debemos pensar
1 0 3
acerca del complejo que l l a m a m o s a n i m a l , que, cuandov
en él el a l m a , p o r ser mejor que el cuerpo, es demasiadoUs
osada, c o n v u l s i o n a t o d o en el i n t e r i o r y l o llena de enfer-1
1
medades y, cuando se embarca intensamente en a l g ú n
aprendizaje o i n v e s t i g a c i ó n , l o desgasta y , t a m b i é n , cuando
e n s e ñ a o l u c h a c o n palabras en p ú b l i c o o en p r i v a d o a t r a -
v é s de las disputas y las ansias de v i c t o r i a que se o r i g i n a n ,
l o enciende y agita, p r o d u c i e n d o flujos c o n los que e n g a ñ a
a la m a y o r í a de los así llamados m é d i c o s y hace acusar a l o
que es inocente, Y cuando, a su vez, u n cuerpo grande y
a l t i v o nace c o n una inteligencia p e q u e ñ a y d é b i l , dado que b
p o r naturaleza los deseos de los hombres son de dos tipos,
p o r el cuerpo, de alimjentación y, p o r l o m á s d i v i n o que
hay en nosotros, de c o j i o c j m i e i i t o , los m o v i m i e n t o s del
elemento m á s fuerte, al imponerse y hacer prosperar su
parte, hacen el alma e s t ó l i d a , c o n dificultades de aprendi-
zaje y o l v i d a d i z a , de m o d o t a l que ocasionan l a enferme- \ J
d a d _ r n á s grave, la ignorancia. Para ambos desequilibrios 1
hay u n m é t o d o de s a l v a c i ó n : n o mover el a l m a sin el
cuerpo n i el cuerpo sin el alma, para que ambos, c o n t r a -
r r e s t á n d o s e , lleguen a ser equilibrados y sanos. E l m a t e r n a ^
t i c o o el que realiza alguna o t r a p r á c t i c a intelectual intensa j
debe t a m b i é n ejecutar m o v i m i e n t o s corporales, p o r ^ m e d í o
d e l a
gimnasia, y , p o r o t r a parte, el que c u l t i v a adecuada-
mente su cuerpo debe dedicar los m o v i m i e n t o s correspon-
dientes al a l m a a t r a v é s de l a m ú s i c a y t o d a l a filosofía, s i

1 0 3
synamphotérou FY.
256 DIÁLOGOS

1 0 4
ha de ser l l a m a d o c o n j u s t i c i a y c o r r e c c i ó n bello y bueno
s i m u l t á n e a m e n t e . A s í debe cuidar el cuerpo, el a l m a y sus
partes, i m i t a n d o al universo, E n efecto, c o m o las sustancias
que e n t r a n en el cuerpo q u e m a n y e n f r í a n su i n t e r i o r y,
a d e m á s , las exteriores l o secan y humedecen y éste sufre las
consecuencias de estos dos tipos de c a m b i o , cuando u n o
pone en m o v i m i e n t o el cuerpo en reposo, l o d o m i n a n y
destruyen. Pero siempre que alguien i m i t a l o que antes
^denominamos aya y n o d r i z a del universo —es decir, c o n
knovimientos c o n t i n u o s , p r o c u r a que el cuerpo se encuentre
l o menos posible en s i t u a c i ó n de reposo; p o r m e d i o de
(vibraciones de todas sus partes lo guarda de manera n a t u -
fral de los m o v i m i e n t o s interiores y exteriores y, c o n u n a
¡ a g i t a c i ó n mesurada de los f e n ó m e n o s corporales errantes,
\ordena los elementos s e g ú n su a f i n i d a d , de acuerdo c o n el
discurso anterior acerca del universo—, no p e r m i t i r á que l o
enemigo colocado j u n t o a lo enemigo provoque guerras y
enfermedades s o m á t i c a s , sino que h a r á que lo afín, c o l o -
9MoÍimljQj_Q„Mí^ A d e m á s , el m o v i m i e n t o
ó p t i m o es el que el cuerpo m i s m o hace en sí, pues es el m á s
afín al m o v i m i e n t o inteligente y al del universo. E l causado
por o t r o agente es peor, mas el peor de todos es el que
tiene lugar cuando otros mueven partes del cuerpo que
yacen en descanso. P o r ello, ciertamente, de las purificacio-
nes y acumulaciones del cuerpo, la mejor es la eme se d a a
e
J^YÍ.s_d la...gimnasia, en segundo lugar, el balanceo en Tos
viajes p o r agua o de cualquier manera en la que el m e d i o
de transporte no cause fatiga. L a tercera clase de m o v i -
mientos es útil si alguien se encuentra en alguna o c a s i ó n
muy necesitado; de o t r a manera, no la debe acept ar en
absoluto el que tenga u n poco de inteligencia: el m o v i -

1 0 4
A l u s i ó n a l a r e f o r m u l a c i ó n p l a t ó n i c a del ideal griego del kalós
kagathós.
TIMEO 257

m i e n t o m é d i c o , p r o d u c t o de la p u r i f i c a c i ó n con drogas. E n
efecto, n o hay que excitar c o n medicamentos las enferme-
dades que no i m p l i q u e n grandes peligros, pues la estruc-
t u r a de las enfermedades se asemeja de alguna manera a la
de los seres vivientes. D e hecho, el c o n j u n t o nace con u n
t i e m p o de v i d a preciso asignado a t o d a la especie y cada
a n i m a l p a r t i c u l a r es engendrado c o n u n p e r í o d o de vicia
d e t e r m i n a d o , independientemente de las afecciones que
necesariamente sufra. Los t r i á n g u l o s , que ya desde el p r i n - <
c i p i o poseen l a capacidad de cada i n d i v i d u o , e s t á n consti-
tuidos de t a l manera que son capaces de d u r a r hasta u n
m o m e n t o , m á s a l l á del cual no se puede v i v i r . E l m i s m o
a r g u m e n t o vale, p o r t a n t o , para la estructura de las enfer-
medades: cuando se pone f i n a la dolencia con medicamen-
tos antes del t i e m p o de d u r a c i ó n que le es p r o p i o , de sua-
ves y pocas enfermedades suelen ocasionarse muchas y
graves. P o r ello es necesario cuidar t o d o esto c o n r e g í m e -
nes mientras se esté a t i e m p o , sin i r r i t a r el m a l p r o b l e m á -
tico c o n m e d i c a c i ó n .
Quede así expuesto l o que concierne al ser viviente
general y a sus partes corporales, de q u é manera alguien
v i v i r í a m á s de acuerdo c o n la r a z ó n , mientras cuide y sea
c u i d a d o p o r sí m i s m o . E n p r i m e r lugar y especialmente,
debemos p r o c u r a r que lo que l o cuida sea en l o posible lo
m á s bello y mejor para t a l f i n . D i s e r t a r c o n exactitud
acerca de esto r e q u e r i r í a p o r sí solo una obra. Pero q u i z á s ,
si se observa el p r o b l e m a desde la perspectiva que hemos
u t i l i z a d o antes, se l o p o d r í a exponer de manera no desacer-
tada en u n excurso c o m o sigue. A s í c o m o dijimos a menudo
que en nosotros h a b i t a n tres especies del alma en tres luga-
res, cada u n a c o n sus m o v i m i e n t o s p r o p i o s , de la m i s m a
manera t a m b i é n ahora debemos afirmar brevemente que l o
que de ellas vive en ocio y descansa de sus movimientos
p r o p i o s se vuelve necesariamente l o m á s d é b i l , y l o que se
160. — 9
258 DIÁLOGOS

90 ejercita, l o m á s fuerte. P o r ello hay que c u i d a r que las dife-


rentes clases de a l m a tejigari^rnqvim
erítT^sT.nDel^mos pensar que dios nos o t o r g ó a cada u n o
la especie m á s i m p o r t a n t e en nosotros c o m o algo d i v i n o , y
sostenemos c o n absoluta c o r r e c c i ó n que aquello de l o que
decimos que h a b i t a en la c ú s p i d e de nuestro cuerpo nos
eleva hacia l a f a m i l i a celeste desde la t i e r r a , c o m o si f u é r a -
mos u n a p l a n t a no terrestre, sino celeste. Pues de allí, de
donde n a c i ó la p r i m e r a g e n e r a c i ó n del a l m a , l o d i v i n o
b cuelga nuestra cabeza y r a í z y pone t o d o nuestro cuerpo en
p o s i c i ó n erecta. P o r necesidad, el que se a b o n a al deseo y a
la a m b i c i ó n y se aplica c o n intensidad a t o d o eso engendra
todas las doctrinas mortales y se vuelve l o m á s m o r t a l
posible, sin quedarse c o r t o en ello, puesto que esto es l o
que ha c u l t i v a d o . Para el que se aplica al aprendizaje y a
los pensamientos verdaderos y ejercita especialmente este
aspecto en él, es de t o d a necesidad, creo y o , que piense l o
c i n m o r t a l y l o d i v i n o y, si realmente entra en contacto c o n
la verdad, que l o logre, en t a n t o es posible a la naturaleza
1 0 5
humana p a r t i c i p a r de la i n m o r t a l i d a d . Puesto que c u i d a

n 1 0 6
ffi?J!í^^_? .é.kes__^ sobremanera feliz .
Ciertamente, para todos hay u n ú n i c o c u i d a d o d e f ' c o n -
j u n t o : a t r i b u i r a c a d | parte los alimentos y m o v i m i e n t o s
que les son propios.^Los pensamientos y revoluciones del
universo son m o v i m i e n t o s afines a lo d i v i n o en nosotros.
d A d e c u á n d o s e a ellos para corregir por m e d i o del a p r e n d i -
zaje de la a r m o n í a y de las revoluciones del universo los

1 0 5
anthropinei physei c o n F e I . B U R N E T (Opera), que, c o n t r a r i a -
mente a lo que supone F . M . C O R N F O R D (Cosmology, p á g . 354, n. 1),
es l a v e r d a d e r a lectio difficilior. S u r e c u r s o al hiato es u n a a r b i t r a r i e d a d
que no se a p o y a en el estilo t a r d í o de P l a t ó n .
1 0 6
J u e g o de p a l a b r a s entre el buen orden en que se e n c u e n t r a el dios
interior (daímon) y el t é r m i n o griego feliz (eudaímon; ew = bien).
TIMEO 259

circuitos de l a cabeza destruidos a l nacer, cada u n o debe


1 0 7
a s e m e j a r lo que piensa a lo pensado de acuerdo con la
naturaleza o r i g i n a r i a y, una vez asemejado, alcanzar la
m e t a v i t a l que los dioses p r o p u s i e r o n a los hombres como
la m e j o r para el presente y el f u t u r o j
B i e n , ahora parece haber llegado casi a su f i n lo que se e
n o s h a b í a encomendado al p r i n c i p i o , hablar acerca del
universo hasta la c r e a c i ó n del h o m b r e . Tenemos que recor-
d a r , a d e m á s , brevemente, c ó m o n a c i ó el resto de los anima-
les, t e m a que no hay n i n g u n a necesidad de p r o l o n g a r ; pues
así u n o c r e e r í a ser m á s mesurado respecto de este t i p o de
discursos. He a q u í la e x p o s i c i ó n correspondiente. T o d o s ^ -
los varones cobardes y que llevaron una v i d a injusta, s e g ú n
el discurso probable, c a m b i a r o n a mujeres en la segunda
e n c a r n a c i ó n . E n ese m o m e n t o , los dioses crearon el a m o r a 91
l a c o p u l a c i ó n , haciendo u n a n i m a l a n i m a d o en nosotros y
o t r o e n las mujeres de la siguiente manera. P e r f o r a r o n el
c o n d u c t o de salida de la bebida en d i r e c c i ó n a la m é d u l a
—que en la e x p o s i c i ó n anterior llamamos simiente y que se
encuentra fijada a lo largo de la c o l u m n a vertebral desde la
cabeza y el cuello hacia abajo— allí donde e v a c ú a el
l í q u i d o que ha recibido y que fue c o m p r i m i d o p o r el aire a
t r a v é s del p u l m ó n y los r i ñ o n e s hasta la vejiga. L a m é d u l a ,
tras ser a n i m a d a y haber recibido una v e n t i l a c i ó n , infunde
un deseo v i t a l de expulsar el f l u i d o al conducto por donde
, 0 8
se ventila y l o hace u n Eros [ a m o r ] de la r e p r o d u c c i ó n .
Por ello, las partes pudendas de los~hombres, al ser des-
obedientes e independientes, c o m o u n a n i m a l que no escu-
cha a la r a z ó n , i n t e n t a n d o m i n a r l o t o d o a causa de sus
deseos apasionados. Los así llamados ú t e r o s y matrices en c

1 0 7
E s d e c i r , l a parte s u p e r i o r del a l m a a su objeto de p e n s a m i e n t o , las
revoluciones o r d e n a d a s del c o s m o s .
1 0 H
A l u s i ó n a l falo c o m o r e p r e s e n t a c i ó n del eros m a s c u l i n o ( F . M .
C O R N F O R D , Cosmology, p á g . 357, n. 1).

160. — 9 *
260 DIÁLOGOS

las mujeres — u n a n i m a l deseoso de p r o c r e a c i ó n en ellas,


que se i r r i t a y enfurece cuando no es fertilizado a t i e m p o
d u r a n t e u n largo p e r í o d o y, errante p o r t o d o el cuerpo,
obstruye los conductos de aire sin dejar respirar— les oca-
siona, p o r la m i s m a r a z ó n , las peores carencias y les p r o -
voca variadas enfermedades, hasta que el deseo de uno y el
d a m o r de o t r o , c o m o si recogieran u n f r u t o de los á r b o l e s ,
los r e ú n e n y , d e s p u é s de p l a n t a r en el ú t e r o c o m o en t i e r r a
fértil animales invisibles por su pequenez e informes y de
separar a los amantes nuevamente, c r í a n a a q u é l l o s en el
interior, y, tras hacerlos salir m á s tarde a la luz, c u m p l e n la
g e n e r a c i ó n de los seres vivientes. A s í surgieron, entonces,
las mujeres y t o d a la especie femenina. E l g é n e r o de los
p á j a r o s , que e c h ó plumas en vez de pelos, se p r o d u j o p o r el
c a m b i o de hombres que, a pesar de no ser malos, eran
superficiales y que, aunque se dedicaban a los f e n ó m e n o s
e celestes, pensaban por simpleza que las demostraciones
m á s firmes de estos f e n ó m e n o s se p r o d u c í a n p o r medio de
la v i s i ó n . L a especie terrestre y bestial n a c i ó de los que no
practicaban en absoluto la filosofía n i observaban nada de
la naturaleza celeste porque ya no u t i l i z a b a n las r e v o l u c i o -
nes que se encuentran en la cabeza, sino que t e n í a n c o m o
gobernantes a las partes del alma que anidan en el t r o n c o .
A causa de estas costumbres, i n c l i n a r o n los m i e m b r o s
superiores y la cabeza hacia la tierra, empujados p o r la afi-
n i d a d , y sus cabezas o b t u v i e r o n formas alargadas y m ú l t i -
92 pies, s e g ú n h u b i e r a n sido c o m p r i m i d a s las revoluciones de
cada uno p o r la i n a c t i v i d a d . Por esta r a z ó n n a c i ó el g é n e r o
de los c u a d r ú p e d o s y el de pies m ú l t i p l e s , cuando dios d i o
m á s puntos de apoyo a los m á s insensatos, para arrastrar-
los m á s hacia la tierra. A los m á s torpes entre é s t o s , que
i n c l i n a b a n t o d o el cuerpo hacia l a t i e r r a , c o m o ya no
t e n í a n n i n g u n a necesidad de pies los engendraron sin pies y
b a r r a s t r á n d o s e sobre el suelo. L a cuarta especie, la a c u á t i c a ,
TIMEO 261

n a c i ó de los m á s carentes de inteligencia y m á s ignorantes;


a los que quienes transformaban a los hombres no conside-
r a r o n n i siquiera dignos de aire p u r o , porque eran i m p u r o s
en su a l m a a causa del absoluto desorden, sino que los
e m p u j a r o n a respirar agua t u r b i a y p r o f u n d a en vez de aire
suave y p u r o . A s í n a c i ó la raza de los peces, ios moluscos y
los animales a c u á t i c o s en general, que recibieron los h a b i -
t á c u l o s extremos c o m o castigo p o r su extrema ignorancia.
De esta manera, todos los animales, entonces y ahora, se
convierten unos en otros y se t r a n s f o r m a n s e g ú n la p é r d i d a
1 0 9
o a d q u i s i c i ó n de inteligencia o demencia .
Y ahora t a m b i é n afirmemos que nuestro discurso acerca
del universo ha alcanzado ya su f i n , pues este m u n d o , tras
recibir los animales mortales e inmortales y llenarse de esta
manera, ser viviente visible que comprende los objetos visi-
bles, L ^ e J L J ^ s i b i g . _ d e l dios inteligible, llegó a ser el
m a y o r y mejor, el m á s bello y perfecto, p o r q u e este u n i -
verso es u n o y ú n i c o .

1 0 9
J u e g o de p a l a b r a s en griego entre noüs y ánoia intraducibie al
castellano.